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Numero do processo: 11684.000898/2008-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 29/09/2008
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010
Numero da decisão: 9303-008.425
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 29/09/2008 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do Decreto-Lei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 68 4. 00 08 98 /2 00 8- 56 Fl. 213DF CARF MF 2 Tatiana Midori Migiyama – Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Erika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3302002.267, da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, que, por maioria de votos, deu provimento ao recurso voluntário, consignando a seguinte ementa: “ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 29/09/2008 Ementa: ADUANA. PRAZO PARA PRESTAR INFORMAÇÕES QUANTO À CARGA TRANSPORTADA. DESCONSOLIDAÇÃO ANTERIOR A 1º DE ABRIL DE 2009. Conforme exegese do art. 50, Parágrafo Único, Inciso II, da IN/SRF no 800/07, antes de 1º de abril de 2009, as informações sobre a carga transportada deveriam ser prestadas pelo agente desconsolidador, antes da atracação da embarcação em porto no País. MULTA ADMINISTRATIVA ADUANEIRA DENÚNCIA ESPONTÂNEA APLICAÇÃO ART. 102, §2º DO DECRETOLEI Nº 37/66, COM REDAÇÃO DADA PELA LEI N° 12.350, DE 20/12//2010. O instituto da denúncia espontânea também é aplicável às multas administrativas aduaneiras por força de disposição legal. Neste sentido, preenchidos os requisitos necessários à denúncia espontânea, consubstanciados na denúncia da conduta delitiva antes de qualquer procedimento de fiscalização, deve a penalidade ser excluída, nos termos do art. 102, §2º, do DecretoLei nº 37/66, alterada pela Lei n° 12.350/2010. ” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão, trazendo, entre outros, que: · O presente processo trata de auto de infração, lavrado em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência da multa pela não Fl. 214DF CARF MF Processo nº 11684.000898/200856 Acórdão n.º 9303008.425 CSRFT3 Fl. 3 3 prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada, na forma e no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no art. 107, inciso IV, alínea “e” do DecretoLei nº 37/66; · A “denúncia espontânea” somente subsiste quando acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora. Há ainda outra condição para aplicação do benefício: apresentar a denúncia espontânea antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco. Em Despacho às fls. 199 a 201, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama – Relatora. Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo, eis que atendidos os requisitos dispostos no art. 67 do RICARF/2015 – Portaria MF 343/2015 com alterações posteriores. Pelo simples confronto dos arestos, é possível se comprovar a divergência de entendimentos – o que, concordo com o exame de admissibilidade constante em Despacho: “[...] O acórdão recorrido entende que é aplicável o instituto da denúncia espontânea às obrigações acessórias de caráter administrativo cumpridas antes do início de qualquer atividade fiscalizatória, enquanto que o paradigma indicado entende ser inaplicável o instituto da denúncia espontânea para justificar o não cabimento da multa prevista no DecretoLei nº 37 de 1966, art. 107, IV, “e”, objeto da lide em exame.” Fl. 215DF CARF MF 4 Sendo assim, concordando com a íntegra do despacho, conheço o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Ventiladas tais considerações, recordo que a Fazenda Nacional suscita divergência quanto à dispensa da exigência da multa pela não prestação de informação sobre veículo ou carga nele transportada no prazo estabelecido pela Receita Federal do Brasil, preceituada no art. 107, inciso IV, alínea ʺeʺ do DecretoLei 37/66, em razão do advento da Lei 12.350, de 2010. Quanto à discussão acerca da denúncia espontânea, independentemente de meu entendimento já proferido em diversos acórdãos dessa turma, cabe a essa conselheira se curvar ao enunciado da Súmula CARF nº 126, em respeito ao art. 62 do RICARF/2015. O que, por conseguinte, reflito a Súmula: “Súmula CARF nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. É o meu voto. (Assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909482/2008-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.881
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz.
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DILIGÊNCIA. Recorrente BLUE ANGELS SEGURANCA PRIVADA E TRANSPOR Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da relatora. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos e Thais De Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Declaração de Compensação na qual a empresa declara a existência de crédito de PIS recolhido a maior. Uma vez que o valor do crédito declarado teria sido utilizado para quitar o valor do PIS do período, foi transmitido despacho decisório eletrônico não homologando a compensação declarada. Inconformada, a empresa apresentou Manifestação de Inconformidade alegando que, em conformidade com a DIPJ do período, o valor devido de PIS para o período em análise foi inferior ao valor recolhido em DARF. A defesa apresentada foi negada por ausência de provas do crédito. Intimada desta decisão, a empresa apresentou o Recurso Voluntário ora em apreço, no qual complementaria as informações apresentadas com documentos que respaldariam seu direito ao crédito e os valores declarados na DIPJ, que estariam corretos. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 09 48 2/ 20 08 -1 6 Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10880.909482/200816 Resolução nº 3402001.881 S3C4T2 Fl. 3 2 É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução 3402001.875, de 23 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.907293/200817, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3402001.874): "O Recurso Voluntário é tempestivo e merece ser conhecido. Considerando as informações acostadas aos autos na Manifestação de Inconformidade e no Recurso Voluntário, entendo que há elementos que apontam para uma possível existência de direito creditório em favor do contribuinte sendo necessário, contudo, levantamento documental adicional para confirmar os fatos depreendidos destes autos. Senão vejamos. Como se depreende do Pedido de Compensação formulado, o crédito seria decorrente do pagamento a maior em DARF de PIS, de R$ 15.395,32 que, como indicado no pedido, seria relativo ao código de receita 6912 (PIS NÃO CUMULATIVO LEI 10.637/02). Contudo, observase que o DARF anexado aos autos, à efl. 101, do valor indicado no PER/DCOMP, tem o código de receita 8109 (PIS FATURAMENTO): Vejamse que o DARF traz como informação o valor da base de cálculo de R$ 931.231,75, alcançando um valor de PIS devido de R$ 15.365,32 pela aplicação de uma alíquota de 1,65%. Contudo, como indicado em seu contrato social, anexado aos autos (efl. 15) e na DIPJ 2003 retificadora (efl. 111), a Recorrente é pessoa jurídica que se dedica a atividade de transporte de valores, vigilância e segurança privada. Vejamos pela cláusula terceira do contrato social da pessoa jurídica (efl. 15): Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10880.909482/200816 Resolução nº 3402001.881 S3C4T2 Fl. 4 3 Essas atividades são referenciadas no art. 10 da Lei n.º 7.102/1983 e expressamente excepcionadas da apuração do PIS pela sistemática não cumulativa, na forma do art. 8º, I, da Lei n.º 10.637/2002: Lei n.º 10.637/2002 "Art. 8o Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 6o: I – as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998 (parágrafos introduzidos pela Medida Provisória no 2.15835, de 24 de agosto de 2001), e Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983;" (grifei) Lei n.º 7.102/1983 "Art. 10. São considerados como segurança privada as atividades desenvolvidas em prestação de serviços com a finalidade de: (Redação dada pela Lei nº 8.863, de 1994) I proceder à vigilância patrimonial das instituições financeiras e de outros estabelecimentos, públicos ou privados, bem como a segurança de pessoas físicas; (Incluído pela Lei nº 8.863, de 1994) II realizar o transporte de valores ou garantir o transporte de qualquer outro tipo de carga. (Incluído pela Lei nº 8.863, de 1994)" (grifei) A manutenção do regime cumulativo para as pessoas jurídicas que se dedicam ao menos a uma das atividade identificadas na Lei n.º 7.102/1983 é indicada na solução de consulta COSIT n.º 345/2017: "14. Em face do exposto, concluise que: • a pessoa jurídica que realizar ao menos uma das atividades referidas na Lei nº 7.102, de 1983, com alterações, estará excluída do regime não cumulativo e terá todas as suas receitas sujeitas a cumulatividade da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, submetendose às alíquotas de 3% (três por cento) e 0,65% (sessenta e cinco centésimos por cento), respectivamente; • considerase serviço de segurança, conforme o art. 10, II, da Lei nº 7.102, de 1983, com alterações, o monitoramento à distância de veículos de carga." Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10880.909482/200816 Resolução nº 3402001.881 S3C4T2 Fl. 5 4 Portanto, a Recorrente, como empresa de segurança privada e vigilância está sujeita ao recolhimento do PIS na sistemática cumulativa (DARF no código de receita 8109) e não na sistemática não cumulativa da Lei n.º 10.637/2002 (DARF no código de receita 6912). Pela planilha acostada aos autos às efl. 100, a empresa busca evidenciar que a sistemática que teria adotado para apurar o valor de PIS devido em dezembro/2002 de R$ 15.395,32, na base de cálculo informada no DARF de R$ 931.231,75, foi a sistemática não cumulativa, ainda que tenha recolhido com o código DARF correto (8109). Vejamos o teor da planilha da efl. 100. Cumpre vislumbrar que o valor de faturamento indicado na planilha é o mesmo indicado na DIPJ retificadora apresentada. A empresa procedeu com as exclusões previstas para a sistemática não cumulativa e aplicou a alíquota de 1,65%. Contudo, sujeita à sistemática cumulativa, bastaria aplicar a alíquota de 0,65% sobre a receita bruta aferida, em conformidade com a Lei n.º 9.718/98. E essa foi a sistemática adotada na DIPJ 2003, na qual a Recorrente informa as receitas aferidas no campo "BASE DE CÁLCULO DA Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10880.909482/200816 Resolução nº 3402001.881 S3C4T2 Fl. 6 5 CONTRIBUIÇÃO PIS/PASEP FATURAMENTO", alcançando um valor de PIS devido de R$ 6.146,95 pela aplicação da alíquota da sistemática Cumulativa (0,65%), sobre a base de cálculo por ela informada (R$ 945.683,97). Vejamos o teor da DIPJ 2003 retificadora do mês de dezembro/2002 (efl. 139) Assim, vislumbrase que a documentação acostada pela empresa aos autos aponta uma possível existência de equívoco cometido quando da edificação do valor de PIS devido na competência de dezembro/2002, apurando pela sistemática não cumulativa (com a aplicação da alíquota de 1,65%) e não pela sistemática cumulativa a qual se sujeita. Em seu pedido de compensação, a empresa aparentemente buscou evidenciar o equívoco cometido ao indicar que o crédito seria decorrente de DARF com o código de receita da sistemática não cumulativa (6912). Contudo, observase que constam dos autos apenas planilha elaborada pela empresa e a DIPJ retificadora apresentada após o recebimento do despacho decisório. Não obstante esteja claro o equívoco cometido, não é possível identificar se o valor de PIS a pagar indicado na DIPJ retificadora está correto, sendo certo que não constam dos autos DACON do período, DCTF do período e documentos contábeis que respaldam os valores declarados. Ora, como bem salientado pela Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz no Acórdão 3402005.034 "este Conselho possui pacífica jurisprudência, tanto nas turmas ordinárias (e.g. Acórdãos 3801004.289, 3801004.079, 3803003.964) como na Câmara Superior de Recursos Fiscais (e.g. Acórdão 9303005.519), no sentido de que a retificação posterior ao Despacho Decisório não impediria o deferimento do crédito quando acompanhada de provas documentais comprovando o erro cometido no preenchimento da declaração original". No presente caso, o erro cometido pelo sujeito passivo pode ser evidenciado pela planilha e pelo DARF acostado aos autos não sendo possível, contudo, atestar o direito creditório sem o respaldo das informações na documentação fiscal e contábil. Para confirmar a efetiva existência de recolhimento à maior, essencial que seja confirmado se o valor indicado de PIS devido na DIPJ retificadora (R$ 6.146,95) está correto para que seja confirmada o pagamento indevido originário de R$ 9.248,37, informado na DCOMP objeto do presente processo (R$ 9.218,37 efl. 8). Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10880.909482/200816 Resolução nº 3402001.881 S3C4T2 Fl. 7 6 Diante dessas considerações, à luz do art. 29 do Decreto n.º 70.235/721, proponho a conversão do presente processo em diligência para que a autoridade fiscal de origem (DERAT São Paulo/SP): (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em sua DIPJ retificadora (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal, DACON do período, DCTF do período e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos a DIPJ, o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre a declaração original e a declaração retificadora). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte na DIPJ retificadora estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a autoridade fiscal de origem: (i) intime a Recorrente para apresentar cópia dos documentos fiscais e contábeis entendidos como necessários para que a fiscalização possa confirmar o crédito tomado pelo contribuinte informado em sua DIPJ retificadora (notas fiscais emitidas, as escritas contábil e fiscal, DACON do período, DCTF do período e outros documentos que considerar pertinentes). Importante que sejam anexados aos autos a DIPJ, o DACON e a DCTF originais, com os esclarecimentos pela empresa de quais informações foram modificadas na apuração do PIS devido no mês (comparação entre a declaração original e a declaração retificadora). (ii) elaborar relatório fiscal conclusivo considerando os documentos e esclarecimentos apresentados, informando se os dados trazidos pelo contribuinte na DIPJ retificadora estão de acordo com sua contabilidade, veiculando análise quanto à validade do crédito informado pelo contribuinte e a possibilidade de seu reconhecimento no presente processo. 1 "Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias." Fl. 333DF CARF MF Processo nº 10880.909482/200816 Resolução nº 3402001.881 S3C4T2 Fl. 8 7 Concluída a diligência e antes do retorno do processo a este CARF, intimar a Recorrente do resultado da diligência para, se for de seu interesse, se manifestar no prazo de 30 (trinta) dias (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra. Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900231/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
Recolhimento Indevido de Estimativa. Restituição ou Compensação. Possibilidade.
É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
Numero da decisão: 1301-003.800
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para superar o óbice do pedido de restituição de estimativas (Súmula CARF nº 84), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, oportunizando ao contribuinte a complementação de provas do fato constitutivo do seu direito pleiteado, reiniciando-se, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10665.904049/2009-10, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 Recolhimento Indevido de Estimativa. Restituição ou Compensação. Possibilidade. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 RECOLHIMENTO INDEVIDO DE ESTIMATIVA. RESTITUIÇÃO OU COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário para superar o óbice do pedido de restituição de estimativas (Súmula CARF nº 84), e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, oportunizando ao contribuinte a complementação de provas do fato constitutivo do seu direito pleiteado, reiniciandose, a partir daí, o rito processual de praxe. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10665.904049/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Giovana Pereira de Paiva Leite, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Bianca Felícia Rothschild e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 02 31 /2 00 8- 11 Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10665.900231/200811 Acórdão n.º 1301003.800 S1C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso interposto por DAYTEC LTDA., pessoa jurídica já qualificada nos autos, contra acórdão da DRJ que, negando provimento à manifestação de inconformidade, não homologou a compensação declarada pela recorrente. Na declaração de compensação dcomp fora informado, como crédito em favor da contribuinte, um valor recolhido a título de estimativa de CSLL. A unidade de origem, embora localizando o pagamento, constatou que o respectivo valor já havia sido totalmente utilizado para quitar débitos da própria recorrente, que apresentou manifestação de inconformidade, alegando ter havido erro no cálculo das imputações. A DRJ, entretanto, sem apreciar o mérito, indeferiu a manifestação de inconformidade, fundada na premissa de que os pagamentos por estimativa, mesmo que sejam indevidos, só podem ser utilizados para a dedução do IRPJ ou da CSLL apurados no final do período base de incidência, ou para compor eventual saldo negativo. Contra essa decisão, foi interposto recurso. A recorrente alegou que os cálculos demonstrando a exatidão da compensação por ela efetuada não foram examinados. Além disso, a legislação vigente ao tempo dos fatos não impedia a compensação de valores indevidamente recolhidos a título de estimativa mensal. Com esses fundamentos, pediu o provimento do recurso. É o relatório. Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10665.900231/200811 Acórdão n.º 1301003.800 S1C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.794, de 21/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10665.904049/2009 10, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1301003.794): O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. A controvérsia em torno da qual gira o recurso voluntário consiste em saber se é possível obter restituição de valores pagos indevidamente a título de estimativa mensal de IRPJ ou de CSLL. A decisão recorrida adotou o entendimento segundo o qual a restituição só poderá ter por objeto o saldo negativo, pois, enquanto não findar o período base, não se poderá verificar com certeza a existência de indébito. A recorrente, por sua vez, afirmou que o indébito pode ser restituído de plano, dentro do mesmo ano base, e nesse sentido citou decisões administrativas. A questão se encontra pacificada no CARF, cuja jurisprudência se reflete no verbete da Súmula 84, abaixo transcrita: Súmula CARF nº 84. É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. De acordo com a Súmula 84, o contribuinte tem direito à restituição, dentro do próprio ano base, de valores recolhidos indevidamente a título de estimativa mensal, desde que faça prova do indébito. Portanto, a questão prejudicial, que levou a DRJ a indeferir de plano o direito creditório, deve ser afastada, para que a unidade de origem aprecie a existência do crédito. Em resumo, na linha da Súmula CARF 84, deve ser superado o óbice ao exame do pedido de restituição de estimativas, determinandose o retorno dos autos à unidade de origem, para que profira despacho decisório complementar sobre o mérito do pedido, assegurando ao contribuinte a possibilidade de Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10665.900231/200811 Acórdão n.º 1301003.800 S1C3T1 Fl. 5 4 complementação de provas do fato constitutivo do direito pleiteado, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe. Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para no mérito dar lhe parcial provimento, afastando a questão prejudicial e devolvendo o processo à unidade de origem, a fim de que lá seja verificada a existência do direito creditório. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2ºdo art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por conhecer do recurso, para no mérito darlhe parcial provimento, afastando a questão prejudicial e devolvendo o processo à unidade de origem, a fim de que lá seja verificada a existência do direito creditório (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 72DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15374.904106/2008-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2000
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA.
Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas.
IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte.
PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO.
A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior.
VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE.
A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72.
PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO.
A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
Numero da decisão: 2202-005.133
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2000 IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantém-se o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazê-lo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior. VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2000 IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. AUSÊNCIA. Compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, cabendo a este demonstrar, mediante documentos, a liquidez e a certeza do crédito. Uma vez não comprovada a sua pretensão, não se homologam as compensações requeridas. IRRF. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO PLEITEADO. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. VINCULADO DEBITO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação requerida, quando se verifica que o crédito pleiteado já foi integralmente utilizado na quitação de outro débito confessado pela contribuinte. PROVAS. MOMENTO PROCESSUAL OPORTUNO. NÃO APRESENTAÇÃO. PRECLUSÃO. A prova documental deve ser produzida no início da fase litigiosa, considerado o momento processual oportuno, precluindo o direito do sujeito passivo de fazêlo posteriormente, salvo a ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação posterior. VERDADE MATERIAL. SITUAÇÃO EXCEPCIONAL. NÃO OCORRÊNCIA. PROVA EXTEMPORÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. A busca da verdade material, em situações excepcionais, confere ao julgador a aceitação extemporânea de provas, todavia não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Ressalvando as hipóteses previstas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 90 41 06 /2 00 8- 79 Fl. 177DF CARF MF Processo nº 15374.904106/200879 Acórdão n.º 2202005.133 S2C2T2 Fl. 3 2 PERÍCIA. CONHECIMENTO TÉCNICO ESPECIALIZADO. SUBSTITUIR PROVA DOCUMENTAL. NÃO SE APLICA. PRESCINDÍVEL. INDEFERIMENTO. A perícia, pela sua especificidade, não tem a faculdade de substituir provas que poderiam ser produzidas pela contribuinte com a juntada de documentos ao autos no momento oportuno. Assim, o pedido de perícia será indeferido se o fato a ser provado não necessitar de conhecimento técnico especializado, fora do campo de atuação do julgador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar proposta de realização de diligência, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni, que encaminhou a proposta. Acordam ainda, quanto ao mérito, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os conselheiros Martin da Silva Gesto, Thiago Duca Amoni e Leonam Rocha de Medeiros. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correa, Leonam Rocha de Medeiros, Thiago Duca Amoni (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente a conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/200812, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2202005.099 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária Tratase de Recurso Voluntário interposto contra Acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento DRJ, a qual julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade e não homologou o pedido de compensação. Do Pedido de Compensação O pedido de compensação tratase de processo referente ao PER/DCOMP eletrônico no qual a Soft Consultoria Ltda pretende aproveitar o crédito de IRRF que teria sido recolhido indevidamente. Fl. 178DF CARF MF Processo nº 15374.904106/200879 Acórdão n.º 2202005.133 S2C2T2 Fl. 4 3 Da Análise do PER/DCOMP De acordo com o Despacho Decisório eletrônico, a compensação não foi homologada, pois o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, uma vez que o recolhimento realizado pelo DARF indicado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos declarados pela contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito requerido no pedido de compensação (PER/DCOMP): A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP Regularmente intimada do Despacho Decisório com a não homologação da compensação declarada, a contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, alegando que: Do direito ao crédito de imposto de renda retido na fonte sobre royalties remessa ao exterior. Logo, diante dos fundamentos apresentados, entende a Manifestante que os valores referentes ao IRRF pagos por ela sobre remessas para pagamento de importações de "softwares" de prateleira são passíveis de pedido de indébito e por isso a impossibilidade de se manter o indeferimento em tela. Por fim, outro argumento deve ser realçado pela ora Manifestante, é a necessidade expressa de se realizar perícia a fim de se apurar o tipo de software comercializado pela empresa no presente processo. A Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento Quando da análise do presente caso, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento apreciou a Manifestação de Inconformidade, proferiu o Acórdão negandolhe provimento, mantendo o Despacho Decisório e não homologando o PER/DCOMP. Do Recurso Voluntário A Soft Consultoria, devidamente intimada da decisão da DRJ, conforme aviso de recebimento, apresentou recurso voluntário. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente se insurgiu contra a decisão da DRJ, alegando que: Concessa maxima venia, cabe ao Contribuinte eleger o meio de prova que julga adequado à demonstração dos fatos. Na espécie, dada a natureza da matéria sub examine, entendeu ser a prova pericial. A própria norma reguladora da matéria é clara ao determinar tal possibilidade. Nos termos postos, a defesa do Contribuinte fica inviabilizada, vez que não carreou aos autos a prova apontada pelo nobre relator, a saber, embalagens dos softwares "de prateleira" e respectivos documentos de importação. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 15374.904106/200879 Acórdão n.º 2202005.133 S2C2T2 Fl. 5 4 Paralelamente, além de indeferir o pedido formulado, o julgador administrativo também não oportunizou ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Alegou também a necessidade de se observar o Princípio da Verdade Material, afirmou que em decorrência do princípio da legalidade, a autoridade administrativa tem o dever de buscar a verdade material e que a referida verdade material é um princípio específico do processo administrativo, contrapondose ao princípio do dispositivo, próprio do processo civil, bem como alegou ainda que: Nesse diapasão, a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. É que em nome dos princípios da ampla defesa, legalidade, oficialidade e verdade material, dentre outros, não se pode negar ao Administrado a produção de prova em outra fase. Não poderia ser de outra forma, vez que, o órgão judicante, ao afastar a prova pretendida pelo Contribuinte, não poderia negarlhe a possibilidade de apresentar, em outra oportunidade, a prova que ele mesmo julgou conveniente. Ademais, pelo Princípio da Informalidade Moderada, que é a mais adequado ao autocontrole da legalidade pela Administração Pública e mais aberta à busca da verdade material (base de todo sistema), poderia, sem qualquer violação, o julgador administrativo ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Do Pedido Ao final, a Recorrente requer que seja reformado o acórdão e analisados os documentos acostados junto ao recurso: 1 A reforma do v. acórdão fustigado, com o conseqüente deferimento do pedido de produção de prova pericial; conforme formulado da Manifestação de Inconformidade, ou, caso assim não entendam Vs.Sas., 2 Seja, com base nos princípios apontados e na economia processual, analisada a documentação ora acostada, a qual corresponde aos meios de prova apontados pelos julgadores a quo, com o conseqüente deferimento do PER/DCOMP versado na aludida Manifestação de Inconformidade. É o relatório." Fl. 180DF CARF MF Processo nº 15374.904106/200879 Acórdão n.º 2202005.133 S2C2T2 Fl. 6 5 Voto Ronnie Soares Anderson Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 15374.901804/200812, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2202005.099, de 10 de abril de 2019 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2202005.0992 2ª Câmara/2ª Turma Ordinária "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Da Apresentação De Provas e Da Verdade Material A Recorrente questionou, invocando a necessidade de observância ao Princípio da Verdade Material, que a produção de prova documental no processo administrativo tributário federal não se limita ao momento da impugnação. No mesmo sentido, a Recorrente ainda questionou a decisão de primeira instância alegando que o julgador administrativo poderia ter determinado exofício a juntada dos documentos que julgou conveniente. Além disso, a Recorrente, quando da apresentação do recurso voluntário, solicitou a juntada de diversos documentos com o objetivo de comprovar suas alegações. No que diz respeito ao pedido da recorrente, entendo que não merece acolhimento, uma vez que, a partir da Manifestação de Inconformidade, início da fase litigiosa, era dever da contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas no seu pedido de compensação. Neste contexto, cabe registrar que a fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, a contribuinte deveria, sob pena de preclusão, instruir sua Manifestação de Inconformidade apresentando junto com os motivos de fato e de direito que fundamentaram sua pretensão, os documentos que respaldassem suas afirmações, conforme disciplina os dispositivos legais pertinentes à matéria, os artigos 15 e 16 do Decreto nº 70.235/72, bem como o disposto no inciso I, do art. 373 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015) aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal: Art. 373. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 181DF CARF MF Processo nº 15374.904106/200879 Acórdão n.º 2202005.133 S2C2T2 Fl. 7 6 (...) Assim, como não apresentou elementos necessárias para comprovar suas alegações, apenas requereu a realização de perícia, a autoridade julgadora de primeira instância apreciou a Manifestação de Inconformidade, negandolhe provimento, pois verificou a inexistência de elementos probantes, dessa forma indeferiu o pedido de perícia e não homologou a compensação declarada, confirmando as razões do despacho decisório. No tocante as novas provas apresentadas, entendo que, além de extemporâneas, estão ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72. Do mesmo modo, observo não há fato ou razão renovada trazida aos autos pela DRJ, porquanto o voto proferido pelos julgadores daquela DRJ, apresentou considerações no sentido de que tais provas independem de perícia, pois poderiam ter sido produzidas por meio de documentos. Todavia, ao fazer estas considerações, entendo que a DRJ estava demonstrando que a contribuinte perdeu a oportunidade legal de apresentar os documentos que, em tese, poderiam comprovar o seu pleito. Inclusive, no que diz respeito a apresentação de prova apenas em sede de recurso voluntário, compartilho o entendimento apresentado no Acórdão nº 3201 004.710, sessão de 29 de janeiro de 2019, proferido pela 2ª Câmara da 1ª Turma Ordinária, que em situação semelhante negou provimento ao recurso do contribuinte. Com base no citado Acórdão, observo o entendimento de que a jurisprudência apresenta certo grau de atenuação dos rigores das normas processuais acerca da preclusão, afastandoa em alguns casos referentes a fatos notórios ou incontroversos que podem permitir o pronto convencimento do julgador. No mesmo sentido, entendo que o direito da parte produzir provas posteriores, até o momento da decisão administrativa, comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fundamento em seu juízo de valor, acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que no caso é de responsabilidade da contribuinte. No caso dos autos, notase que a Recorrente não produziu oportunamente os documentos que poderiam justificar as suas alegações, responsabilidade esta que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Decreto nº 70.235/72 e, de forma subsidiária, pela Lei nº 13.105/2015 (CPC). Neste contexto, observase que o princípio da verdade material confere ao julgador administrativo maior liberdade na apreciação das provas, podendo coletar provas ou determinar a produção de provas não produzidas pelas partes, se assim for necessário para o seu convencimento diante das provas já apresentadas. Contudo, não permite ao julgador conceder novo prazo para a contribuinte apresentar todas provas que não foram apresentadas no início da fase litigiosa. Desse modo, não é aceitável que um pleito, onde se objetiva a compensação para extinção de crédito tributário, seja proposto sem a devida e minuciosa demonstração e comprovação da efetiva existência do indébito e que posteriormente, também, em sede de julgamento se oportunize tais demonstração e comprovação, pois a busca pela verdade material não se presta a suprir a inércia da contribuinte que tenha deixado de apresentar, no momento processual apropriado, as provas Fl. 182DF CARF MF Processo nº 15374.904106/200879 Acórdão n.º 2202005.133 S2C2T2 Fl. 8 7 necessárias a possível comprovação do crédito alegado, bem como não permite a supressão de instância. Isto posto, rejeito, preliminarmente, o pedido para acatar os documentos apresentados após a decisão de primeira instância administrativa. Da Perícia Na peça de defesa inicial, a contribuinte requereu a realização de perícia com o objetivo de comprovar os seus argumentos, todavia, quando apreciou a Manifestação de Inconformidade, a DRJ indeferiu o pedido de realização de perícia, porque entendeu desnecessária, uma vez que a pretensão da contribuinte poderia ser comprovada por meio de prova documental. Dessa forma, percebese que a contribuinte optou por não apresentar documentos que pudessem comprovar suas alegações, pois, no seu entendimento, poderia eleger o meio de prova que julgasse adequado e neste caso, devido a natureza da matéria em exame, a empresa optou pelo pedido de prova pericial, que a seu ver seria a mais adequada. Neste aspecto, observo que não podem prosperar os argumentos e os questionamentos apresentados, pois entendo que a Recorrente ao invés de apresentar oportunamente os documentos que, em tese, poderiam comprovar suas alegações, optou por substituir sua incumbência probatória com providências a cargo do Fisco ou do perito técnico, por meio de realização de perícia. Ademais, a prova pericial, além do caráter específico, não depende exclusivamente da vontade das partes, mas sim de circunstâncias que justifiquem a necessidade de apreciações técnicas, por especialistas com conhecimento específico em determinadas matérias, com o intuito de esclarecer aspectos controvertidos, para quando o julgador, diante de indícios ou elementos incipientes de prova, pudesse melhor elucidar os fatos para formar sua convicção. À vista disso, entendo que seja prescindível a realização da perícia, tendo em vista que a mesma se destinava a suprir prova que poderia ser produzida pela contribuinte com a juntada de documentos carreados aos autos no momento oportuno. Esclarecendo ainda que a contribuinte tem a obrigação jurídica de manter os meios probatório de seu interesse. Assim sendo, indefiro o pedido de perícia, por considerálo desnecessário à produção das provas pretendidas pela empresa Soft Consultoria Ltda, nos termos do art. 29 do Decreto nº 70.235/1972, que permite a autoridade julgadora, na apreciação das provas, formar livremente sua convicção, podendo indeferir o pedido de perícia/diligência que entender desnecessário. Da Defesa Inviabilizada No tocante a alegação da Recorrente de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, também não merece acolhida, pois a recorrente teve oportunidade de apresentar tempestivamente a documentação pertinente relativo aos fatos, mas não o fez. Além do mais, cabe registrar que nos pedidos de compensação/restituição o ônus da prova cabe ao sujeito passivo, como pode ser observado no disposto do art. 373, inciso I, do Código de Processo Civil, aplicável subsidiariamente ao processo administrativo fiscal, disciplinando que o ônus da prova incumbe ao autor, enquanto Fl. 183DF CARF MF Processo nº 15374.904106/200879 Acórdão n.º 2202005.133 S2C2T2 Fl. 9 8 que o art. 36 da Lei nº 9.784, de 29/01/99, impõe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. No mesmo sentido, dispõe o Decreto nº 70.235, de 1972, que, regendo as compensações por força do art. 74, § 11, da Lei 9.430/96, determina em seu art. 15 que as impugnações administrativas já devem trazer os elementos de prova: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Dessa forma, entendo que não caberia ao julgador de primeira instância oportunizar ao contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas, pois as provas já deveriam ser apresentadas no momento da contestação por meio da Manifestação de Inconformidade, conforme disciplina o art. 15 do Decreto nº 70.235/72, uma vez que caberia à contribuinte, ao ofertar a sua defesa, produzir a prova em contrário, por meio de documentação hábil e idônea. Como não o fez, o seu pedido de compensação não foi homologado, conforme decisão proferida no Acórdão de primeira instância que manteve o Despacho Decisório. Por tudo aqui exposto, rejeito o argumento da contribuinte de que a sua defesa ficou inviabilizada, porque o julgador administrativo não oportunizou à contribuinte a possibilidade de trazer aos autos as provas apontadas. Da Ausência de Comprovação da Liquidez e Certeza do Crédito De acordo com os autos, percebese que a Recorrente alegou que houve recolhimento indevido de tributo e por este motivo requereu, mediante apresentação de PER/DCOMP, compensação destes valores. No entanto, quando da análise do seu pedido de compensação, o direito creditório pleiteado não foi reconhecido, pois o crédito indicado no PER/DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos, motivo pelo qual se fundamentou a não homologação da compensação declarada, conforme o Despacho Decisório. Além disso, quando apresentou a sua Manifestação de Inconformidade, a contribuinte não apresentou documentos que pudessem comprovar que houve recolhimento indevido bem como se o valor pleiteado estaria disponível, demonstrando a existência da liquidez e certeza do crédito. Isto posto, cabe esclarecer que o ponto chave para atender pedido de compensação diz respeito a necessidade de comprovar que o crédito aludido estivesse disponível para ser utilizado na quitação do débito indicado no PER/DCOMP. Dessa forma, caberia a contribuinte demonstrar a existência da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, para um análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido, o montante e comparálo ao pagamento efetuado, nos termos do art. 1701 do CTN, que estabelece as condições para o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional. 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 184DF CARF MF Processo nº 15374.904106/200879 Acórdão n.º 2202005.133 S2C2T2 Fl. 10 9 Por fim, percebese que a contribuinte não logrou êxito em comprovar a liquidez e certeza do crédito e, dessa forma, entendo como correto o resultado exarado no Despacho Decisório eletrônico bem com na decisão proferida pelo Acórdão de primeira instância administrativa que negou provimento à Manifestação de Inconformidade e não homologou a compensação declarada, tendo em vista que o crédito indicado na DCOMP já havia sido integralmente utilizado para quitar outros débitos declarados pela contribuinte. Destarte, com base em tudo que foi exposto, entendo que não há espaço para reanálise do despacho decisório e nem qualquer reforma na decisão recorrida. No tocante ao pedido de realização de perícia, entendo desnecessária. Decisão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rorildo Barbosa Correia" Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Parágrafo único. Sendo vincendo o crédito do sujeito passivo, a lei determinará, para os efeitos deste artigo, a apuração do seu montante, não podendo, porém, cominar redução maior que a correspondente ao juro de 1% (um por cento) ao mês pelo tempo a decorrer entre a data da compensação e a do vencimento. Fl. 185DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11829.720047/2017-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 28 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Regimes Aduaneiros
Período de apuração: 19/12/2007 a 28/12/2010
DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL.
No regime aduaneiro especial de drawback, na sua modalidade de suspensão, o dies a quo para contagem do prazo decadencial quinquenal para que a Fazenda Nacional possa formalizar crédito tributário, por lançamento, dos tributos cuja exigibilidade estava suspensa em função da característica de benefício fiscal típica do regime, se dá no primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data de validade do Ato Concessório, por aplicação do inciso I do artigo 173 da Lei nº 5.172/1966 - Código Tributário Nacional c/c o artigo 138 do Decreto-lei nº 37/1966 e o inciso I do § 3º do artigo 752 do Decreto nº 6.759/2009 - Regulamento Aduaneiro.
DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPETÊNCIAS PARA CONCESSÃO DO REGIME E PARA APLICAÇÃO DO REGIME, FISCALIZAÇÃO E LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS RELATIVOS AO REGIME.
Compete á Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) a concessão do regime de drawback, na modalidade suspensão, conforme determina o artigo 386 do Decreto nº 6.759/2009 - Regulamento Aduaneiro.
Compete á Secretaria da Receita Federal a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, compreendendo esta competência a do lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência, conforme determina o artigo 15 e seu parágrafo único do Decreto nº 6.759/2009 - Regulamento Aduaneiro c/c o artigo 3º da Portaria MEFP nº 594/1992.
Aplicação da Súmula nº 100 do CARF (com efeito vinculante, conforme Portaria MF nº 277/2018), que dispõe: O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente.
DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA ENTRE INSUMOS IMPORTADOS E PRODUTOS EXPORTADOS. ÔNUS DA PROVA.
Para que se resolva a condição de suspensão dos tributos relativos ao regime de drawback , na modalidade suspensão, é fundamental a aplicação do Princípio da Vinculação Física entre os insumos importados com suspensão da exigibilidade dos tributos a ele relativos e os produtos exportados, em cumprimento ao compromisso assumido pelo importador, para gozo do benefício fiscal, pela comprovação por meio idôneo, da exportação do produto obtido com tais insumos.
DRAWBACK SUSPENSÃO. PERDAS DE INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO.
O inadimplemento de condição essencial ao regime de Drawback, na modalidade suspensão, como compromisso de exportação estabelecido em Ato Concessório, enseja a exigibilidade dos tributos incidentes, uma vez que a suspensão de sua exigibilidade se extingue, relativo ás mercadorias importadas. Conforme disposição contida no inciso II do artigo 78 do Decreto-Lei nº 37/1966, poderá ser concedida suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada á fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado, portanto, na falta de comprovação de perdas de insumos no processo produtivo, são devidos os tributos na inadimplência do regime, ou seja, na não comprovação da exportação dos insumos
Numero da decisão: 3301-006.032
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
assinado digitalmente
Winderley Morais Pereira - Presidente.
assinado digitalmente
Ari Vendramini - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
Nome do relator: ARI VENDRAMINI
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ementa_s : Assunto: Regimes Aduaneiros Período de apuração: 19/12/2007 a 28/12/2010 DRAWBACK SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No regime aduaneiro especial de drawback, na sua modalidade de suspensão, o dies a quo para contagem do prazo decadencial quinquenal para que a Fazenda Nacional possa formalizar crédito tributário, por lançamento, dos tributos cuja exigibilidade estava suspensa em função da característica de benefício fiscal típica do regime, se dá no primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data de validade do Ato Concessório, por aplicação do inciso I do artigo 173 da Lei nº 5.172/1966 - Código Tributário Nacional c/c o artigo 138 do Decreto-lei nº 37/1966 e o inciso I do § 3º do artigo 752 do Decreto nº 6.759/2009 - Regulamento Aduaneiro. DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPETÊNCIAS PARA CONCESSÃO DO REGIME E PARA APLICAÇÃO DO REGIME, FISCALIZAÇÃO E LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS RELATIVOS AO REGIME. Compete á Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) a concessão do regime de drawback, na modalidade suspensão, conforme determina o artigo 386 do Decreto nº 6.759/2009 - Regulamento Aduaneiro. Compete á Secretaria da Receita Federal a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, compreendendo esta competência a do lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência, conforme determina o artigo 15 e seu parágrafo único do Decreto nº 6.759/2009 - Regulamento Aduaneiro c/c o artigo 3º da Portaria MEFP nº 594/1992. Aplicação da Súmula nº 100 do CARF (com efeito vinculante, conforme Portaria MF nº 277/2018), que dispõe: O Auditor-Fiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA ENTRE INSUMOS IMPORTADOS E PRODUTOS EXPORTADOS. ÔNUS DA PROVA. Para que se resolva a condição de suspensão dos tributos relativos ao regime de drawback , na modalidade suspensão, é fundamental a aplicação do Princípio da Vinculação Física entre os insumos importados com suspensão da exigibilidade dos tributos a ele relativos e os produtos exportados, em cumprimento ao compromisso assumido pelo importador, para gozo do benefício fiscal, pela comprovação por meio idôneo, da exportação do produto obtido com tais insumos. DRAWBACK SUSPENSÃO. PERDAS DE INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO. O inadimplemento de condição essencial ao regime de Drawback, na modalidade suspensão, como compromisso de exportação estabelecido em Ato Concessório, enseja a exigibilidade dos tributos incidentes, uma vez que a suspensão de sua exigibilidade se extingue, relativo ás mercadorias importadas. Conforme disposição contida no inciso II do artigo 78 do Decreto-Lei nº 37/1966, poderá ser concedida suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada á fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado, portanto, na falta de comprovação de perdas de insumos no processo produtivo, são devidos os tributos na inadimplência do regime, ou seja, na não comprovação da exportação dos insumos
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira - Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator)
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DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No regime aduaneiro especial de drawback, na sua modalidade de suspensão, o dies a quo para contagem do prazo decadencial quinquenal para que a Fazenda Nacional possa formalizar crédito tributário, por lançamento, dos tributos cuja exigibilidade estava suspensa em função da característica de benefício fiscal típica do regime, se dá no primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data de validade do Ato Concessório, por aplicação do inciso I do artigo 173 da Lei nº 5.172/1966 Código Tributário Nacional c/c o artigo 138 do Decretolei nº 37/1966 e o inciso I do § 3º do artigo 752 do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro. DRAWBACK SUSPENSÃO. COMPETÊNCIAS PARA CONCESSÃO DO REGIME E PARA APLICAÇÃO DO REGIME, FISCALIZAÇÃO E LANÇAMENTO DOS TRIBUTOS RELATIVOS AO REGIME. Compete á Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) a concessão do regime de drawback, na modalidade suspensão, conforme determina o artigo 386 do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro. Compete á Secretaria da Receita Federal a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, compreendendo esta competência a do lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação de regência, conforme determina o artigo 15 e seu parágrafo único do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro c/c o artigo 3º da Portaria MEFP nº 594/1992. Aplicação da Súmula nº 100 do CARF (com efeito vinculante, conforme Portaria MF nº 277/2018), que dispõe: “ O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 82 9. 72 00 47 /2 01 7- 22 Fl. 468DF CARF MF 2 de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. “ DRAWBACK SUSPENSÃO. PRINCÍPIO DA VINCULAÇÃO FÍSICA ENTRE INSUMOS IMPORTADOS E PRODUTOS EXPORTADOS. ÔNUS DA PROVA. Para que se resolva a condição de suspensão dos tributos relativos ao regime de drawback , na modalidade suspensão, é fundamental a aplicação do Princípio da Vinculação Física entre os insumos importados com suspensão da exigibilidade dos tributos a ele relativos e os produtos exportados, em cumprimento ao compromisso assumido pelo importador, para gozo do benefício fiscal, pela comprovação por meio idôneo, da exportação do produto obtido com tais insumos. DRAWBACK SUSPENSÃO. PERDAS DE INSUMOS NO PROCESSO PRODUTIVO. O inadimplemento de condição essencial ao regime de Drawback, na modalidade suspensão, como compromisso de exportação estabelecido em Ato Concessório, enseja a exigibilidade dos tributos incidentes, uma vez que a suspensão de sua exigibilidade se extingue, relativo ás mercadorias importadas. Conforme disposição contida no inciso II do artigo 78 do DecretoLei nº 37/1966, poderá ser concedida suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada á fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado, portanto, na falta de comprovação de perdas de insumos no processo produtivo, são devidos os tributos na inadimplência do regime, ou seja, na não comprovação da exportação dos insumos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Presidente. assinado digitalmente Ari Vendramini Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Ari Vendramini (Relator) Relatório 1. Os presentes autos versam sobre autuação perpretada em função de descumprimento, por parte da recorrente, de requisitos que permitissem a fruição, por Fl. 469DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 469 3 completo, do benefício fiscal da suspensão de tributos na importação de insumos para beneficiamento e produção de produto final, que, concedida através do regime aduaneiro especial de Drawback, na sua modalidade suspensão, se transmutaria em isenção. 2. Por ser tal regime caracterizado como contrato de adesão ás condições estabelecidas em lei e atos normativos regulatórios, sendo tais condições de natureza resolutiva, nos termos do artigo 127 do Código Civil ( Art 127. Se for resolutiva a condição, enquanto esta se não realizar, vigorará o negócio jurídico, podendo exercerse desde a conclusão deste o direito por ele estabelecido ), somente com o seu adimplemento é que se resolve o regime, ou seja, a suspensão dos tributos se transmuda em isenção com a exportação do produto final. 3. Em caso de inadimplemento de tais condições, o regime não se resolve, o regime deixa de existir ou o contrato caracterizase como não cumprido, ensejando a exigibilidade dos tributos, acrescidos de juros de mora e multa de ofício previstos em texto legal. 4. É o que ocorreu nos presentes autos. 5. Por economia processual e por descrever claramente os fatos, adoto o relatório do Acórdão DRJ/FLORIANÓPOLIS de nº 0740.868, contra o qual se insurge a recorrente : Tratase de cinco Autos de Infração lavrados em 30/06/2017 para constituir os créditos tributários de Imposto sobre a Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PISImportação, CofinsImportação e Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRMM) incidentes nas operações amparadas por meio de 55 (cinquenta e cinco) Declarações de Importação (DI), acrescidos de multas e juros de mora, devido ao inadimplemento total do regime aduaneiro especial de drawback (suspensão e integrado), lançados no valor total de R$ 28.078.338,91 (vinte e oito milhões, setenta e oito mil, trezentos e trinta e oito reais e noventa e um centavos). Segundo o Termo de Verificação Fiscal, em 14 (quatorze) Atos Concessórios (AC) o interessado assumiu o compromisso de importar insumos na NCM n° 3907.60.00 ("Formas primárias de politereftalato de etileno") com suspensão de II, IPI, PISImportação, Cofins Importação e AFRMM para, após sua industrialização, efetuar a exportação de produtos acabados na NCM n° 5402.33.00 ("Fios texturizados de poliésteres") dentro de limites, prazos e condições pactuadas. No entanto, foi constatado que o interessado não levou a cabo as exportações prometidas, comprovado pela ausência de baixa nos Atos Concessórios pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex). O interessado foi intimado pela fiscalização a apresentar comprovantes de exportação dos produtos manufaturados, como por exemplo os Registros de Exportação (RE), ou apresentar comprovação da destruição ou devolução ao exterior dos insumos importados, ao que a empresa não apresentou qualquer comprovação. Foi solicitado à empresa que preenchesse planilha relacionando, para cada insumo importado, separado por adição de DI, o respectivo Registro de Exportação e a nota fiscal de saída do produto Fl. 470DF CARF MF 4 manufaturado. No entanto, a empresa limitouse a informar a nota fiscal de entrada do insumo importado, não apresentando as informações de exportação dos produtos manufaturados. Além disso, foram solicitados arquivos digitais listados no Anexo Único do Ato Declaratório Executivo (ADE) Cofis n° 15/2001, com redação pelo ADE Cofis n° 25/2010, como obrigatória sua apresentação mediante intimação, conforme art. 1º daquele ADE. Contudo, a empresa não apresentou qualquer um dos arquivos digitais solicitados, alegando não possuir sistema de controle de estoque. Em suma, a empresa não prestou qualquer informação que esclareça o destino que foi dado àqueles insumos importados ao amparo do Drawback, se foram ou não industrializados, em que quantidade, para onde e quando foi dada saída dos produtos resultantes etc. Assim, resta configurada a falta de prestação de esclarecimentos, bem como falta de apresentação dos arquivos digitais de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218/91. Em decorrência desta falta de apresentação e em face ao disposto no art. 44 da Lei n° 9.430/96, a multa aplicada ao lançamento de ofício foi aumentada de metade, resultando 112,5% (75% + 37,5%). Assim, a auditoria fiscal concluiu pelo inadimplemento total do Regime Aduaneiro Especial de Drawback, modalidades Suspensão e Integrado, concedido nos 14 Atos Concessórios objeto da fiscalização, sendo cabível a cobrança dos tributos suspensos incidentes na importação com os acréscimos legais. Cientificado das autuações por intimação eletrônica, o interessado apresentou impugnação requerendo a improcedência de todos os autos de infração, alegando, em síntese, o que segue: Os valores autuados estão atingidos pela decadência, mesmo na aplicação do artigo 173, I do Código Tributário Nacional (CTN). Com efeito, as 14 (catorze) operações de importação realizadas sob o regime de drawback ocorreram nos anos de 2009 e 2010, sendo uma única efetuada no ano de 2007. Neste sentido, para que seja possível a averiguação do prazo decadencial, devese aplicar o artigo 173, I do CTN, o que a fiscalização não discorda, com início do marco para contagem do prazo sendo aquele do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. E o lançamento poderia ter sido efetuado, como bem expõe a própria fiscalização, 30 (trinta) dias após o fim do ato concessório, cujo prazo é regido pelo artigo 388 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09), como sendo de apenas 1 (um) ano. Logo, nas importações dos anos de 2007, 2009 e 2010, os atos concessórios venceram em 2008, 2010 e 2011, respectivamente. Assim, os lançamentos poderiam ter sido efetuados a partir de 1º de janeiro de 2009, 2011 e 2012, respectivamente. No entanto, tendo sido o lançamento efetuado apenas em 07/2017, é evidente o transcurso do prazo decadencial e a perda do direito da RFB de lançar os referidos créditos tributários. Junta planilha explicativa e jurisprudência administrativa. O i. AuditorFiscal não possui competência para desconstituir ou invalidar atos praticados e de Fl. 471DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 470 5 competência da Secex, que se vincula a outro Ministério (do Desenvolvimento, da Indústria e do Comércio Exterior). Embora a Receita Federal possua competência para fiscalização dos tributos aduaneiros incidentes nas operações de drawback, e isto não se discute, compete à Secex a concessão do regime aduaneiro, bem como a aferição de sua regularidade, conforme afirma a própria decisão recorrida. Com efeito, o art. 386, do Decreto nº 6759/09, atual Regulamento Aduaneiro (antigo art. 338, do Decreto nº 4543/02), dispõe que compete exclusivamente à Secretaria de Comércio Exterior a concessão do regime de drawback na modalidade suspensão, o que justifica, por consequência, a competência absoluta desta Secretaria em cessar ou prorrogar os efeitos do ato concessório por ela concedido. O próprio Regulamento Aduaneiro, em seu art. 388, estabelece a possibilidade da Secex prorrogar o prazo de validade dos atos concessórios, cuja análise, em conjunto com o disposto no art. 13 da Lei nº 11.945/09; no art. 61 da Lei nº 12.249/10 e no art. 8º da Lei nº 12.453/11, validam a prorrogação dos prazos dos atos concessórios do impugnante. Dessa forma, resta claramente evidenciada a ilegalidade da desconsideração das datas de validade dos atos concessórios pela fiscalização da Receita Federal. Aduz jurisprudência administrativa. Desse modo, concluise que à Receita Federal não é permitido revisar a concessão do benefício nem a aferição da regularidade do ato concessório, tampouco questionar o adimplemento dos compromissos então assumidos, atos estes de competência da Secex. Assim é que eventual lançamento tributário somente poderia ocorrer após a notificação pela Secex de que os atos concessórios não teriam sido cumpridos e foram extintos, pois somente esta pode aferir tal condição. Portanto, a desconsideração unilateral dos prazos de validade dos atos concessórios do impugnante pela Receita Federal é absolutamente ilegal, razão pela qual os autos de infração seguem a mesma sorte, devendo ser julgados insubsistentes. Não há nos autos uma prova sequer apta à demonstrar que o impugnante não teria efetuado qualquer operação de exportação e que nestas exportações não teriam sido utilizados os insumos importados pelo impugnante. De fato, o AuditorFiscal, em clara violação ao artigo 142 do CTN, repassa ao impugnante o ônus da prova, o que foi confessado expressamente no Termo de Verificação Fiscal anexo aos autos. Ocorre que a total ausência de provas da efetiva ocorrência dos fatos geradores impõe a nulidade do lançamento. Aduz doutrina e jurisprudência administrativa. A fiscalização, aqui, inverteu totalmente o ônus da Fl. 472DF CARF MF 6 prova, impondo ao contribuinte o dever de provar a regularidade das exportações e cumprimento dos atos concessórios de suspensão, quando o correto é justamente o contrário! Caberia à fiscalização apurar e comprovar cabalmente que os insumos importados sob o regime de suspensão não teriam sido integrados a produtos exportados, demonstrando ainda que teriam sido comercializados no mercado interno, prova essa que em momento algum ocorreu nos autos. A fiscalização deixou de considerar a quebra existente na industrialização dos produtos manufaturados pelo impugnante, que chegou a se manifestar durante o processo fiscalizatório, informando que o processo de manufatura seu produto final acarreta em perda de 17,01% do insumo importado denominado Teraftalato de Polietileno. Assim, as perdas no processo de industrialização devem ser consideradas por ocasião do lançamento dos tributos incidentes sobre os produtos supostamente não exportados pelo impugnante no prazo regulamentar, de forma a diminuir o montante, eis que estes insumos jamais seriam mesmo exportados. Com efeito, todo processo produtivo possui um percentual de quebra, ou em outras palavras, de perda dos insumos no momento da industrialização. A questão das quebras nos atos concessórios não demandam demonstração a posteriori. A verdade é que o percentual de quebra já é dado a priori, quando do próprio pedido de ato concessório, e exige como requisito apenas a apresentação do laudo técnico. Dessa forma, na hipótese de serem mantidos os autos de infração ora combatidos, o que não se espera, tendo em vista a comprovação das perdas e, inclusive, da sua respectiva contabilização, requerse que, ao menos, seja considerado o percentual de perda dos materiais importados (indicados nos laudos técnicos), por ocasião da glosa das quantias que foram consideradas como não exportadas. Por derradeiro, em relação à multa aplicada, também merece ser revista, eis que acima do patamar jurisprudencialmente aceitável. A penalidade consubstanciada em multa excessiva se caracteriza como penalização confiscatória, vedada pela Constituição Federal. Ademais, temse ainda que a Constituição Federal, na seção que diz respeito às limitações do poder de tributar, assinala que é vedado instituir tratamento desigual entre contribuintes que se encontrem em situação equivalente (art. 150, inciso II), como também é vedado utilizar tributo, com efeito, de confisco (art. 150, inciso IV). Não só o tributo deve ser graduado segundo a capacidade econômica do contribuinte, como também as sanções devem ser graduadas de igual modo no âmbito do Direito Tributário, pela singela razão de que a ninguém pode ser exigido mais do que a sua Fl. 473DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 471 7 capacidade de ter ou de dispor. Aduz doutrina e jurisprudência judicial. Portanto, na eventualidade de ser mantida a autuação, a multa imposta deve ser reduzida para patamares razoáveis, estes representados pelo percentual cobrado a título de multa não superior a 20% (vinte por cento) do valor do tributo, prestigiandose os comandos constitucionais que, no caso em tela, viramse contrariados. 6. Assim restou ementada a decisão da DRJ/FNS : ASSUNTO: REGIMES ADUANEIROS Período de apuração: 19/12/2007 a 28/12/2010 REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. DRAWBACK. SUSPENSÃO. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. No regime de drawback, modalidade suspensão, o termo inicial para contagem do prazo quinquenal para o lançamento dos tributos suspensos é o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. DRAWBACK. SUSPENSÃO. COMPETÊNCIA. Compete à Secretaria de Comércio Exterior (Secex) o controle administrativo do regime de drawback na modalidade suspensão, cabendo à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) a aplicação e a fiscalização do regime. REGIME ADUANEIRO ESPECIAL. DRAWBACK. SUSPENSÃO. VINCULAÇÃO FÍSICA. EXPORTAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. BENEFICIÁRIO. Para que se configure o aperfeiçoamento do regime aduaneiro de drawback na modalidade suspensão, fazse necessária a comprovação, pelo beneficiário, do compromisso de exportação e da vinculação física entre os insumos importados com suspensão de tributos e os produtos exportados em cumprimento ao regime. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido 7. Inconformado com tal decisão, o requerente apresentou Recurso Voluntário, onde traz, como razões de defesa os mesmos fundamentos e argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade dirigida á DRJ. 8. A Douta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou Contrarazões ao Recurso Voluntário, onde em apertada síntese assim se pronunciou : após uma síntese fática do processo, sintetiza as razões do recurso voluntário da seguinte forma: a Recorrente interpôs recurso voluntário a esse eg. Conselho, aduzindo, em breve síntese: Decadência para os fatos geradores relativos às importações dos anos de 2007, 2009 e 2010, cujos Atos Concessórios teriam vencimentos em 2008, 2010 e 2011, respectivamente; Incompetência da autoridade lançadora, que não poderia desconstituir os atos praticados pela Secex; Fl. 474DF CARF MF 8 Nulidade do auto de infração por ausência de provas das infrações apontadas pela fiscalização; Impossibilidade da tributação do percentual de quebra das mercadorias importadas na industrialização dos produtos manufaturados pela Recorrente, que por sua vez teria informado que o processo de manufatura seu produto final acarretaria perda de 17,01% do insumo importado denominado “Teraftalato de Polietileno”; Ilegalidade da multa aplicada porque foi aplicada em percentual superior ao montante do tributo exigido, qualificandose como penalização confiscatória; nos esclarecimentos preliminares dispõe sobre o regime de drawback e finaliza afirmando que ' O cerne da questão em comento, como se vislumbra da leitura do relatório supra, está centrado na verificação se houve, de fato, descumprimento dos requisitos necessários ao gozo do drawback suspensão pleiteado, motivo pelo qual tal modalidade de incentivo à exportação será tratada de forma mais pormenorizada.” discorre sobre o prazo decadencial destacando que “ a tese recursal assevera que nas importações dos anos de 2007, 2009 e 2010, os respectivos Atos Concessórios teriam vencidos nos anos 2008, 2010 e 2011, razão pela qual a ciência do lançamento em 07/2017 implicaria a decadência dos fatos geradores dos tributos autuados. O argumento não prospera porque todos os Atos Concessórios tiveram sua validade estendida até os anos 2012 e 2013, conforme se depreende da decisão recorrida e da tabela de fls. 329 dos autos. Ora, considerando o AC com validade mais remota (datado de 20/12/2012), o termo inicial do prazo decadencial teria sua contagem iniciada no primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao 30º (trigésimo) dia da data limite para exportação, ou seja, 01/01/2014, de modo que o prazo fatal para a ciência do lançamento seria 31/12/2018, o que, de fato, não se consumou. “ quanto á competência da autoridade fiscal para lançara os tributos traz o teor da Súmula nº100 do CARF quanto á higidez do auto de infração, o ônus probatório e a existência de provas cabais das infrações destaca que “a Recorrente argui a nulidade do auto de infração confiando que há ausência de provas das infrações apontadas pela fiscalização. Para tanto, a Recorrente argumenta que “não há nos autos uma prova sequer apta à demonstrar que a Recorrente não teria efetuado qualquer operação de exportação e que nestas exportações não teriam sido utilizados os insumos importados pela Recorrente” (sic; grifos do original), de modo que, segundo diz, caberia à autoridade fiscal demonstrar documentalmente a ocorrência efetiva das infrações.” , ainda\ esclarecendo que “ Cabe esclarecer, de início, que a Recorrente cataloga o argumento sob o manto da nulidade. Entretanto, de nulidade não se trata, pois o assunto revolve o mérito da acusação fiscal, isto é, a existência ou não de provas capazes de alicerçar a autuação, contidas na fundamentação recursal, depende, necessariamente, de adentrar o acervo probatório dos autos e identificar as provas carreadas pela autoridade fiscal, examinálas à luz da legislação tributária e realizar um exercício de silogismo para fins de conclusão acerca da legalidade da autuação fiscal. Por outro lado, cabe lembrar que não há nulidade quando suficientemente demonstrado e fundamentado os motivos pelos quais lavrouse o auto de infração, possibilitando o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa, nos termos do artigo 5º, inciso LV, da Constituição Fl. 475DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 472 9 Federal, retratado nas alegações aduzidas nas peças impugnativa e recursal. “ e finaliza afirmando que “ Como visto, o Princípio da Vinculação Física não se trata de um sistema fora do mundo jurídico. A vinculação física é exigida tanto na modalidade de drawback suspensão como de isenção, tratandose, em ambos os casos, de exigência legalmente prevista. Dito regime tem por essencialidade o estímulo econômico à atividade exportadora e à geração de divisas ao país, pela desoneração tarifária, de modo a tornar o produto nacional em condições de competitividade no mercado externo. Nesse mister, impõe a legislação de regência o cumprimento de vários requisitos, de modo a tornar inequívoca a vinculação entre a importação beneficiada e a exportação, propiciando ao Fisco o efetivo controle do emprego e destinação dos bens. Ademais, a tese recursal que invoca índice de perdas na industrialização dos produtos que deveriam ser exportados é descabida, data venia, na medida em que não há qualquer prova/laudo nesse sentido. Ora, o ônus probatório da Recorrente recai sobre o cumprimento de todos os requisitos para a obtenção do benefício fiscal, inclusive sobre eventuais perdas no processo produtivo. Todavia, não há provas no processo que socorram a Recorrente no particular, que se cingiu a lançar meras alegações no plano teórico. Destarte, o descumprimento dos temos e condições dos Atos Concessórios acarretam a perda do regime suspensivo dos insumos importados pela Recorrente, passando ao regime de importação comum, vale dizer, com todos os ônus tributários decorrentes. “ com relação á aplicação da multa invoca a Súmula nº 2 do CARF e o artigo26A do Decrerto nº 70.235/1972, regulamentar do processo administrativo fiscal por derradeiro, requer que “ seja negado provimento ao recurso especial do contribuinte, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a qua por seus próprios e jurídicos fundamentos com relação à matéria recorrida, bem como com fundamento nas razões expendidas acima.” 12. Os autos foram então a mim distribuídos. É o relatório. Voto Conselheiro Ari Vendramini O recurso é tempestivo e preenche os requisitos de admissibilidade , por tal o conheço. 13. Está a se discutir nestes autos o descumprimento de condições pactuadas quando da adesão a regime aduaneiro especial denominado drawback, modalidade suspensão, que, como benefício fiscal, se caracteriza por renúncia fiscal como incentivo á exportação, para proporcionar ao exportador a possibilidade de adquirir, com exigibilidade suspensa de tributos (Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, PISImportação, COFINS Importação, alcançando inclusive o Adicional ao Frete para Renovação da Marinha Mercante Fl. 476DF CARF MF 10 AFRMM) incidentes sobre os insumos importados para serem incorporados ao produto a ser exportado, ou para serem utilizados na sua industrialização, como material de embalagem. 14. A condição fundamental do regime é que os insumos importados sejam utilizados integralmente no processo produtivo e o produto final seja exportado, de acordo com o que o próprio exportador declara, ao aderir ao regime, sendo que tais informações passam a constar do sistema informatizado, para controle pela SECEX e pela Secretaria da Receita Federal. 15. Portanto, o regime aduaneiro especial de drawback, na modalidade suspensão, caracterizase como um verdadeiro contrato de adesão, com condições de natureza resolutiva que, se forem cumpridas, o contrato se resolve, transmudando a suspensão da exigibilidade do tributo em isenção. Caso contrário, o não cumprimento de tais condições, caracterizam o inadimplemento do contrato, qual seja a extinção do regime por descumprimento, ensejando a exigibilidade imediata dos tributos, acrescido de juros de mora e de penalidade descrita em texto legal. 16. Como já delineado no muito bem elaborado TVF, de fls. 310/344, no Acórdão DRJ e nas Contrarazões da D. PGFN, tratase de cinco autos de infração lavrados para constituir créditos tributários dos seguintes tributos : Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), PISImportação, COFINSImportação e Adiconal de Frete para Renovação da Marinha Mercante (AFRRM). 17. Tais autuações se referem a 55 (cinquenta e cinco) Declarações de Importação e se devem pelo inadimplemento total do regime aduaneiro especial de drawback suspensão, pois, a recorrente assumiu o compromisso de importar insumo classificado na NCM 3907.60.00 – FORMAS PRIMÁRIAS DE POLITEREFTALATO DE ETILENO, com a exigibilidade de tais tributos suspensa, para, após sua industrialização, exportar o produto final classificado na NCM 5402.33.00 – FIOS TEXTURIZADOS DE POLIÉSTERES, dentro dos prazos e condições aceitas quando da adesão ao regime, compromisso este consubstanciado em 14 (quatorze) Ato Concessórios expedidos pela SECEX – Secretaria de Comércio Exterior. 18. Intimada a recorrente a apresentar comprovação da exportação dos produtos finais, através de RE – Registros de Exportação , ou a sua destruição ou devolução ao exterior, não houve a apresentação de qualquer documento que comprovasse o adimplemento das condições de cumprimento do regime, dessa forma, como não ocorreu a exportação dos produtos finais pela ausência de baixa dos respectivos Atos Concessórios efetuada pela SECEX, o regime se extinguiu e os tributos, outrora com sua exigibilidade suspensa, tornaram se exigíveis. 19. Importante ressaltar a informação contida no TVF : “ Inicialmente, desde a edição do DecretoLei nº 37/1966, em seu art. 78, inc. II, o Drawback Suspensão previa apenas a suspensão do pagamento de tributos na importação de mercadorias para emprego ou consumo na industrialização de produto a ser exportado (Drawback Suspensão). Em 2008, com a edição da Medida Provisória nº 451/2008, convertida na Lei nº 11.945/2009, especificamente em seu art. 12, passou a ser permitida também a aquisição dos insumos no mercado interno, com suspensão dos tributos (Drawback Integrado Suspensão). Como forma de regulamentar a legislação relacionada ao assunto, a Receita Federal, em conjunto com a Secex, editou a Portaria Conjunta RFB/Secex nº 467/2010, detalhando alguns assuntos já discriminados na Lei nº 11.945/2009 e a Portaria Secex nº 23/2011, ambas vigentes até a presente data. Alguns dos atos concessórios analisados neste procedimento fiscal foram concedidos ou tiveram parte de seu período de validade ocorrendo durante Fl. 477DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 473 11 as vigências das Portarias Secex nº 36/2007 (vigência de 22/11/2007 a 27/11/2008), nº 25/2008 (vigência de 28/11/2008 a 24/05/2010) e nº 10/2010 (vigência de 25/05/2010 a 18/07/2011).' 20. Destacamos, também por oportuno, as seguintes informações contidas em cartilha publicada no endereço eletrônico da Secretária do Comércio Exterior (SECEX) do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (WWW.MDIC.GOV.BR) sobre drawback : Criado em 1966, o Regime de Drawback possibilita importações desoneradas de tributos vinculadas a um compromisso de exportação. Ao longo do tempo, as modificações na legislação, bem como o aperfeiçoamento das Tecnologias de Informação e Comunicação, possibilitaram a evolução do regime até chegar ao modelo atual de Drawback Integrado que permite, também, a desoneração de tributos na aquisição de insumos no mercado interno. Atualmente, há duas modalidades de Drawback Integrado: Suspensão e Isenção. O Regime de Drawback Integrado Suspensão foi instituído em 25 de março de 2010, com base na Lei no 11.945 de 2009. Já o Drawback Integrado Isenção tem por base a Lei no 12.350 de 2010. Esta cartilha foi concebida com o propósito de apresentar o Drawback Integrado às empresas exportadoras brasileiras e assim promover a melhoria da competitividade de seus produtos no comércio internacional. Esperamos que a cartilha possa auxiliar os empresários e empreendedores na utilização deste importante instrumento de estímulo às exportações. A empresa beneficiária assume junto ao Governo um compro misso de exportação. A Secretaria de Comércio Exterior (SECEX) autoriza a importação e/ou aquisição no mercado interno, com a suspensão dos tributos, após análise do pleito. Toda a operação é registrada na Internet por meio do Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX). A figura seguinte exemplifica o processo geral do Drawback integrado suspensão, desde a solicitação feita pela empresa (1), até a comprovação pela SECEX (6). Fl. 478DF CARF MF 12 Antes da exportação do produto final, os insumos importados ou adquiridos no mercado interno sob amparo do regime, de forma combinada ou não, deverão ser submetidos a, pelo menos, um dos processos de industrialização abaixo relacionados: 1) Transformação: de matériaprima ou produto intermediário gerando um novo bem. Ex.: tecido em camiseta; 2)Beneficiamento: modifica ou aperfeiçoa o funcionamento, utilização, acabamento ou aparência do produto. Ex.: de tecido cru para tecido tinto; 3) Montagem: de produto, peças ou partes que resulte em novo produto ou unidades autônomas. Ex.: partes e peças (chassis, motores, etc.) em automóvel; 4) Renovação ou recondicionamento: de produto usado ou parte remanescente de produto deteriorado ou inutilizado à renovação ou restauro do produto para utilização. Ex.: recondicionamento de máquinas industriais; 5) Acondicionamento ou reacondicionamento: altera a apresentação do produto pela colocação de embalagem, exceto quando a embalagem for destinada exclusivamente ao transporte. Ex.: embalagens plásticas de alimentos para venda no varejo. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 474 13 HABILITAÇÃO AO DRAWBACK INTEGRADO SUSPENSÃO As empresas interessadas em utilizar o Drawback deverão estar devidamente habilitadas pela Receita Federal do Brasil RFB a operar no SISCOMEX. Não há possibilidade de pessoa física ser contemplada com o regime, mesmo aquelas admitidas como exportadoras. O Ato Concessório de Drawback deverá ser solicitado à SECEX via SISCOMEX DRAWBACK WEB. O acesso a esse sistema é feito na própria página eletrônica do MDIC (www.mdic.gov.br). Grande parte dos pedidos é efetivada instantaneamente, após registro no SISCOMEX. Para a concessão do regime, serão avaliados: 1) A relação entre o insumo a ser importado ou adquirido no mercado interno e o produto destinado à exportação; 2) O histórico da empresa exportadora em termos de regularidade no cumprimento do regime (se já usufruir do mesmo); 3) A agregação de valor e resultado da operação (o total das exportações deduzido dos insumos adquiridos deve ser positivo COMPROVAÇÃO A liquidação do compromisso, na modalidade suspensão, é obrigatória e ocorrerá mediante a exportação efetiva do produto previsto no Ato Concessório na quantidade, valor e prazo fixados. Não há necessidade de apresentação de documentos impressos na habilitação e comprovação das operações de Drawback. Contudo, durante cinco anos, as empresas deverão manter em seu poder as Declarações de Importação (DI), os Registros de Exportação (RE) averbados e as Notas Fiscais (NF), tanto de venda no mercado interno quanto de aquisição. Caso a empresa não consiga exportar, deverá adotar uma das providências a seguir, em até 30 dias, contados a partir do fim da validade do Ato Concessório: 1) Devolução ao exterior do insumo importado não utilizado; 2) Destruição do insumo, sob controle aduaneiro; 3) Nacionalização com recolhimento dos tributos suspensos da parte importada dos insumos remanescentes; 4) Recolhimento dos tributos, destruição ou devolução do insumo adquirido na mercado interno, observada a legislação de cada tributo envolvido. Essas providências deverão ser informadas no SISCOMEX Drawback WEB, na comprovação do Ato Concessório, no detalhamento de baixa. 21. Assim delineado o fato em exame, passamos a tratar das razões recursais. PRELIMINAR – DECADÊNCIA 22. Defende a recorrente que nas importações dos anos de 2007, 2009 e 2010, os respectivos Atos Concessórios teriam vencido nos anos 2008, 2010 e 2011, razão pela qual a ciência do lançamento em 07/2017 implicaria a decadência dos fatos geradores dos tributos autuados, afirmando que “ com efeito, as 14 (catorze) operações de importação realizadas sob o regime de drawback ocorreram nos anos de 2009 e 2010, sendo uma única efetuada no ano de 2007. Neste sentido, para que seja possível a averiguação do prazo decadencial, devese aplicar o artigo 173, I do CTN, o que a fiscalização não discorda, com início do marco para contagem do prazo sendo aquele do primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado. E o Fl. 480DF CARF MF 14 lançamento poderia ter sido efetuado, como bem expõe a própria fiscalização, 30 (trinta) dias após o fim do ato concessório, cujo prazo é regido pelo artigo 388 do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 6.759/09), como sendo de apenas 1 (um) ano, logo, nas importações dos anos de 2007, 2009 e 2010, os atos concessórios venceram em 2008, 2010 e 2011, respectivamente. Assim, os lançamentos poderiam ter sido efetuados a partir de 1º de janeiro de 2009, 2011 e 2012, respectivamente. No entanto, tendo sido o lançamento efetuado apenas em 07/2017, é evidente o transcurso do prazo decadencial e a perda do direito da RFB de lançar os referidos créditos tributários.” 23. Sem maiores digressões sobre a matéria, o STJ, no REsp nº 766.050/PR, já consolidou o entendimento de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, em não ocorrendo pagamento antecipado, a regra aplicável é a constante do inciso I do artigo 173 do Código Tributário Nacional, ainda que o fato gerador do tributo tenha ocorrido em momento anterior. 24. No caso específico do drawback suspensão, embora o fato gerador dos tributos ocorra na data do registro da respectiva Declaração de Importação, o termo a quo do prazo decadencial quinquenal considerando que nessa modalidade não há pagamento antecipado de tributos aduaneiros, diante da suspensão de sua exigibilidade, pois o tributo não é devido enquanto não findar o prazo de vigência do Ato Concessório – devese aplicar as regras estabelecidas no citado inciso I do artigo 173 do CTN conjugada com o disposto no artigo 138 do Decretolei nº 37/1966, considerado o fundamento básico do direito aduaneiro. CTN Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; ………………………………………………………………………………… ………. DL nº 37/1966 Art. 138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contarseá o prazo a partir do pagamento efetuado. (Redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 01/09/1988) 25. Portanto, o prazo quinquenal para o lançamento dos tributos suspensos no regime de drawback iniciase no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos mesmos termos do inciso I do art. 173 do CTN. 26. O regime de drawback suspensão, poer se caracterizar como benefício fiscal, possui regras específicas, mormente para comprovação da liquidação do compromisso de exportar : nas operações de exportação, o artigo 136 da Portarias SECEX n° 25/2008 e o artigo 148 da Portaria SECEX n° 10/2010 estabeleceram a utilização da data de averbação do Registro de Exportação (RE), a partir de 19/07/2011, o artigo 153 da Portaria SECEX n° 23/2011, estabeleceu data de embarque da mercadoria para fins de comprovação; Fl. 481DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 475 15 o artigo 164 da Portaria SECEX n° 10/2010, estabeleceu que a liquidação do compromisso de exportar no regime de drawback, modalidade suspensão, ocorrerá das seguintes formas: I exportação efetiva do produto previsto no ato concessório de drawback, na quantidade,valor e prazo nele fixados, na forma do art. 131 desta Portaria; II adoção de uma das providências abaixo, no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da datalimite para exportação: a) devolução ao exterior da mercadoria não utilizada; b) destruição da mercadoria imprestável ou da sobra, sob controle aduaneiro; c) destinação da mercadoria remanescente para consumo interno, com a comprovação do recolhimento dos tributos previstos na legislação. Nos casos de mercadoria sujeita a controle especial na importação, a destinação para consumo interno dependerá de autorização expressa do órgão responsável. 1. nos respectivos comprovantes de recolhimento deverão constar informações referentes ao número do ato concessório, da declaração de importação, da quantidade e do valor envolvidos na nacionalização; 2. poderá a beneficiária apresentar declaração contendo as informações acima requeridas,quando não for possível o seu detalhamento no respectivo comprovante de recolhimento. III liquidação ou impugnação de débito eventualmente lançado contra a beneficiária. atualmente, a liquidação do compromisso está regida pelos artigos 171 e 176A da Portaria SECEX n° 23/2011: Art. 171. A liquidação do compromisso de exportação no regime de drawback, modalidade suspensão, ocorrerá mediante a exportação efetiva do bem previsto no ato concessório de drawback, na quantidade, valor e prazo nele fixados. (Redação dada pela Portaria SECEX nº 44, de 2012) ( …..) Art. 176A. Na hipótese da não realização da exportação efetiva da totalidade dos bens previstos no ato concessório, a empresa deverá adotar o procedimento indicado abaixo no prazo de 30 (trinta) dias, contados a partir da data limite para exportação: (Incluído pela Portaria SECEX nº 44, de 2012) I – em relação aos bens importados (art. 390 do Decreto nº 6.759, de 2009): a) devolução ao exterior do bem não utilizado; b) destruição, sob controle aduaneiro, às expensas do interessado; c) destinação para consumo dos bens remanescentes, com o pagamento dos tributos suspensos e dos acréscimos legais devidos; ou d) entrega dos bens à Fazenda Nacional, livres de quaisquer despesas e ônus, desde que a autoridade aduaneira concorde em recebêlos. II – em relação aos bens adquiridos no mercado interno, pagamento de tributos, destruição ou devolução ao fornecedor do bem, observada a legislação de cada tributo envolvido. como esclarecido no TVF, findo o prazo de validade do Ato Concessório, acrescido de 30 (trinta) dias, se o beneficiário não realizou a exportação efetiva das mercadorias fabricadas com os insumos importados ao amparo do Regime, bem como não regularizou a situação dos Fl. 482DF CARF MF 16 insumos não utilizados mediante devolução ao exterior, destruição ou destinação para consumo interno, com o prévio recolhimento dos tributos devidos, será declarado o inadimplemento do Regime, que será considerado (arttigo 155 da Portaria Secex n° 25/2008, artigo 167 da Portaria Secex n° 10/2010 e artigo 174 da Portaria Secex n° 23/2011): total, se não houver nenhuma exportação que comprove a utilização dos insumos importados ou parcial, se existir exportação efetiva que comprove a utilização de parte dos insumos importados. 27. Quanto ao prazo de validade do Ato Concessório do regime, dentro do qual deverão ser importados os insumos e exportados os produtos a partir deles produzidos, o artigo 388 do Decreto n° 6.759/2009 – Regulamento Aduaneiro, dispõe : Art. 388. O prazo de vigência do regime será de um ano, admitida uma única prorrogação, por igual período, salvo nos casos de importação de mercadorias destinadas à produção de bens de capital de longo ciclo de fabricação, quando o prazo máximo será de cinco anos (DecretoLei n o 1.722, de 3 de dezembro de 1979, art. 4º, caput e parágrafo único). Parágrafo único. Os prazos de que trata o caput terão como termo final o fixado para o cumprimento do compromisso de exportação assumido na concessão do regime. 28. No caso presente em exame, os Atos Concessórios constam das fls. numeradas como 159/172 dos autos digitais, digitalizados como “Documentos Comprobatórios – Outros DOC 5 Telas dos ACs no Drawback Web “ e possuem as seguintes data de validade : Fls. ATO CONCESSÓRIO Nº DATA REGISTRO DATA VALIDADE 159 20070124370 20/12/2007 20/12/2012 160 20090069447 23/12/2009 24/12/2012 161 20100005388 09/03/2010 08/03/2013 162 20100005020 29/03/2010 28/03/2013 163 20100010059 13/04/2010 12/04/2013 164 20100016480 26/04/2010 25/04/2013 165 20100025480 15/06/2010 14/06/2013 166 20100039758 18/06/2010 19/06/2013 167 20100039782 18/06/2010 19/06/2013 168 20100049206 03/08/2010 02/08/2013 169 20100060030 21/09/2010 20/09/2013 170 20100061893 29/09/2010 30/09/2013 171 20100067530 29/10/2010 30/10/2013 172 2010069053 08/11/2010 07/11/2013 29. Portanto, o que se verifica é que as datas de validade foram alvo de prorrogação, a pedido da recorrente, pois conforme estabeleceu o artigo 87 da Portaria SECEX nº 10/20010 e os artigos 97 e 98 da Portaria SECEX nº 23/2011, o pedido de prorrogação deve ser formulado até o último dia de validade do Ato, ou no primeiro dia subsequente, caso o vencimento tenha ocorrido em dia não útil, sendo que, deferido o pedido, o novo prazo de validade é contado a partir do deferimento do Ato Concessório. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 476 17 30. Com relação á exigência dos tributos, o prazo decadencial está definido no inciso I do § 3º do artigo 752 do Decreto nº 6.759/2009 – Regulamento Aduaneiro : Art. 752. O direito de exigir o tributo extinguese em cinco anos, contados (DecretoLei nº 37, de 1966, art. 138, caput, com a redação dada pelo DecretoLei nº 2.472, de 1988, art. 4º; e Lei nº 5.172, de 1966, art. 173, caput): (...) § 3º No regime de drawback, o termo inicial para contagem a que se refere o caput é, na modalidade de: I suspensão, o primeiro dia do exercício seguinte ao dia imediatamente posterior ao trigésimo dia da data limite para exportação 31 Como se afere da tabela acima, os prazos de validade se encontram no intervalo entre 20/12/2012 e 07/11/2013. Em se aplicando a regra contida no inciso I do artigo 173 do CTN (primeiro dia do exercício seguinte ao imediatamente posterior ao 30º – trigésimo dia da data de validade do Ato Concessório – data limite para a exportação do produto final), teríamos as datas de termo inicial de contagem de prazo decadencial no intervalo entre 01/01/2014 e 01/01/2015, sendo que o prazo decadencial quinquenal se expiraria no intervalo entre 31/12/2018 e 31/12/2019, respectivamente. 32. Tendo os autos de infração sido lavrados 30/06/2017, portanto tempestivamente, não foram atingidos pela decadência. 33. Com base nestes dispostos, rejeito a preliminar de decadência. PRELIMINAR – INSUBSITÊNCIA DA AUTUAÇÃO POR INCOMPETÊNCIA DO AUDITOR FISCAL PARA LANÇAMENTO DE TRIBUTOS E DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS SECEX 34. Defende a recorrente que a autoridade fiscal seria incompetente para efetivar o lançamento dos tributos objeto destes autos, por entender que a autoridade não poderia desconstituir os atos emitidos pela SECEX. 35. Desde já se esclarece que a autoridade fiscal não desconstituiu ou desconsiderou os Atos Concessórios emitidos pela SECEX, ao contrário, a autoridade fiscal os utilizou como fundamento para autuação, na sua forma original, pois que extraídos de sistema informatizado disponível para a SECEX e para a Secretaria da Receita Federal, portanto, carece de fundamento tal afirmação apresentada pela recorrente. 36. A concessão do Regime Aduaneiro Especial de Drawback Suspensão, mediante emissão do Ato Concessório, é competência da Secretaria de Comércio Exterior (Secex), conforme determina o art. 338 do Decreto n° 4.543/2002, mantido no art. 386 do Decreto n° 6.759/2009: Art. 386. A concessão do regime, na modalidade de suspensão, é de competência da Secretaria de Comércio Exterior, devendo ser efetivada, em cada caso, por meio do SISCOMEX. Fl. 484DF CARF MF 18 § 1º A concessão do regime será feita com base nos registros e nas informações prestadas,no SISCOMEX, pelo interessado, conforme estabelecido pela Secretaria de Comércio Exterior. § 2º O registro informatizado da concessão do regime equivale, para todos os efeitos legais,ao ato concessório de drawback. § 3º Para o desembaraço aduaneiro da mercadoria a ser admitida no regime, será exigido termo de responsabilidade na forma disciplinada em ato normativo da Secretaria da Receita Federal do Brasil. § 4º Quando constar do ato concessório do regime a exigência de prestação de garantia, esta só alcançará o valor dos tributos suspensos e será reduzida à medida que forem comprovadas as exportações. 37. O mesmo Regulamento Aduaneiro define a competência para a fiscalização dos tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior : Art. 15. O exercício da administração aduaneira compreende a fiscalização e o controle sobre o comércio exterior, essenciais à defesa dos interesses fazendários nacionais, em todo o território aduaneiro (Constituição, art. 237). Parágrafo único. As atividades de fiscalização de tributos incidentes sobre as operações de comércio exterior serão supervisionadas e executadas por AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil (Lei no 5.172, de 1966, arts. 142, 194 e 196; Lei no 4.502, de 1964, art. 93; Lei no 10.593, de 6 de dezembro de 2002, art. 6o, com a redação dada pela Lei no 11.457, de 16 de março de 2007, art. 9o). 38. A já citada Portaria MEFP nº 594/1992, assim estabelece no seu artigo 3º : Art. 3o Constitui atribuição do Departamento da Receita Federal DpRF a aplicação do regime e a fiscalização dos tributos, nesta compreendidos o lançamento de crédito tributário, sua exclusão em razão de reconhecimento do benefício e a verificação, a qualquer tempo, do regular cumprimento, pela importadora, dos requisitos e condições fixados pela legislação pertinente. 39. Definindo a questão no âmbito deste CARF, foi exarada a Súmula nº 100, que assim estabelece ; O AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil tem competência para fiscalizar o cumprimento dos requisitos do regime de drawback na modalidade suspensão, aí compreendidos o lançamento do crédito tributário, sua exclusão em razão do reconhecimento de beneficio, e a verificação, a qualquer tempo, da regular observação, pela importadora, das condições fixadas na legislação pertinente. “ 40. Diante de tais dispositivos, rejeito a preliminar de incompetência da autoridade fiscal para efetivar a constituição dos créditos tributários, por lançamento. PRELIMINAR – NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO POR AUSÊNCIA DE PROVAS DAS INFRAÇÕES APONTADAS PELA AUTORIDADE FISCAL. Fl. 485DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 477 19 41. A recorrente sustenta que ha nulidade na autuação por ausência de provas que confirmem a infração objeto da acusação fiscal. 42. Afirma a recorrente que “ de rigor salientar que a autuação é nula de pleno direito, visto que o Agente Fiscal deixou de comprovar, através de documentos hábeis, a ocorrência da infração apontada que pudesse justificar a glosa, o que, segundo o artigo 142 do CTN, é sua obrigação. Com efeito, os autos de infração não estão instruídos com qualquer documento válido, apto a ensejar foro de veracidade às alegações fiscais tidas como praticadas, limitandose a demonstrar que a Recorrente não teria demonstrado a exportação dos insumos importados em regime de suspensão. Desta forma, não há nos autos uma prova sequer apta à demonstrar que a Recorrente não teria efetuado qualquer operação de exportação e que nestas exportações não teriam sido utilizados os insumos importados pela Recorrente. De fato, o Auditor Fiscal, em clara violação ao artigo 142 do CTN, repassa à Recorrente o ônus da prova, o que foi confessado expressamente no TVF anexo aos autos. Ocorre que a total ausência de provas da efetiva ocorrência dos fatos geradores impõe a nulidade do lançamento. A Fiscalização, aqui, inverteu totalmente o ônus da prova, impondo ao contribuinte o dever de provar a regularidade das exportações e cumprimento dos atos concessórios de suspensão, quando o correto é justamente o contrário! Caberia à Fiscalização apurar e comprovar cabalmente que os insumos importados sob o regime de suspensão não teriam sido integrados a produtos exportados, demonstrando ainda que teriam sido comercializados no mercado interno, prova essa que em momento algum ocorreu nos autos!. “ 43. Correta a D. PGFN ao lembrar que “ a Recorrente cataloga o argumento sob o manto da nulidade. Entretanto, de nulidade não se trata, pois o assunto revolve o mérito da acusação fiscal, isto é, a existência ou não de provas capazes de alicerçar a autuação, contidas na fundamentação recursal, depende, necessariamente, de adentrar o acervo probatório dos autos e identificar as provas carreadas pela autoridade fiscal, examinálas à luz da legislação tributária e realizar um exercício de silogismo para fins de conclusão acerca da legalidade da autuação fiscal.“ 44. A recorrente invoca ferimento ao artigo 142 do CTN que determina : “ Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. “ 45. Ao contrário do que defende a recorrente, não correu nos presentes autos tal ferimento, pois a autuação foi perpretada por autoridade fiscal competente para tanto, houveram as necessárias diligências para verificar o fato gerador das obrigações tributárias envolvidas, foi de forma clara e devida demonstrada a matéria tributável, foi demonstrado o cálculo dos tributos devidos e foi imposta a penalidade definida em texto legal, totalmente em conformidade com o disposto no artigo 142 do CTN, houve ainda a abertura para o pleno exercício do direito constitucional ao contraditório e 'a ampla defesa, pela recorrente/autuada, conforme se verifica do longo texto impugnatório e das razões recursais apresentadas. Ainda a autoridade fiscal, através de intimações, ofereceu á recorrente a oportunidade de oferecer seus argumentos e provas cabais que comprovassem o seu direito. Fl. 486DF CARF MF 20 46. No âmbito do Processo Administrativo Fiscal as hipóteses de nulidade são tratadas de forma específica no art. 59, do Decreto nº 70.235/1972 e os aspectos formais do auto de infração devem obedecer ao comando inserto no artigo 10 do mesmo diploma legal: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. (…) Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. 47. Na autuação objeto dos presentes autos não ocorreu nenhuma das nulidades descritas noa artigo 59 transcrito e o auto de infração, como ato administrativo, está revestido das formalidades exigidas pelo artigo 10 também transcrito. 48. Portanto, não correu a nulidade da autuação. 49. Quanto ao fato aventado pela recorrente, de ausência de provas, devese esclarecer que a o Acórdão DRJ salientou muito apropriadamente que “ No caso em análise, a modalidade adotada foi o drawbacksuspensão. Desse modo, ao conceder o benefício fiscal da suspensão dos tributos quando da importação de mercadorias, a inteligência do regime indica que a respectiva mercadoria beneficiada seja vinculada ao Fl. 487DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 478 21 processo produtivo do bem objeto da exportação, quer seja integrandose a este bem, quer seja consumindose no processo de sua produção.” 50. Para esta modalidade de drawback, devese atentar para o comando disposto no artigo 389 do Decreto nº 6.759/2009 Regulamento Aduaneiro : Art. 389. As mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas. Parágrafo único. O excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos tributos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos (d. n.). 51. Ou seja, diante deste comando legal, há que se entender que, por se tratar de legislação tributária que dispõe sobre suspensão do crédito tributário, como é o caso do drawback suspensão, devese interpretar tal dispositivo literalmente, por força do artigo 111 da Lei nº 5.1721966 – Código Tributário Nacional : Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. 52. Estabelecida assim a aplicação do Princípio da Vinculação Física ao drawback suspensão, que estabelece a vinculação física entre os insumos importados e sua integração no processo de beneficiamento, industrialização ou mesmo na sua utilização como embalagem ou acondicionamento do produto final, portanto, a vinculação referida é sempre de natureza física, qual seja, o bem importado deve ser obrigatoriamente exportado ou os insumos importados devem ter sido ou devem ser totalmente utilizados na industrialização de bens já exportados ou a exportar. 53. Por caracterizarse o drawback suspensão como um contrato de adesão, ao solicitar o regime, pelo sistema informatizado SISCOMEX, o requerente já assume o compromisso de demonstrar que fez jus ao benefício fiscal, através do Registro de Exportação, quando, no momento da sua averbação, as autoridades fiscais poderão certificar a exportação do produto final, verificando o correto enquadramento da operação e sua vinculação ao Ato Concessório do regime. Sem tal procedimento o Fisco não tem como atestar o cumprimento da lei, ou seja, a vinculação física entre insumos importados e produto final exportado. O ônus probante é todo do requerente, que, por certo, tem todo interesse em demonstrar a efetividade do cumprimento das regras para obter a plenitude do benefício fiscal. Fl. 488DF CARF MF 22 54. A própria autoridade fiscal autuante foi precisa ao mencionar no TVF (fls. 12 do TVF, fls 321 dos autos digitais) a necessidade de tal comprovação pelo requerente : ' O beneficiário deve provar que os produtos exportados até o prazo limite para exportação definida no Ato Concessório foram fabricados com os insumos importados sob o Regime de Drawback Suspensão, e que todos os insumos importados ao amparo do Regime foram destinados ao mercado externo, no prazo de vigência do Ato Concessório ou provar que foram regularmente “baixados” nas formas previstas na legislação (vide tópico 3.1)”. 55. O princípio básico para o adimplemento do regime de drawback suspensão é o da vinculação física, que compreende a obrigatoriedade de os insumos anteriormente importados terem sido efetivamente utilizados na confecção dos produtos exportados. Para tanto, a legislação do regime de drawback exige que conste do ato concessório correspondente a indicação das Declarações de Importação e dos respectivos Registros de Exportação, providência esta destinada a comprovar que naqueles produtos exportados foram utilizados os insumos importados ao abrigo do regime, ali indicados. É certo, ademais, que a Consolidação das Normas do Regime de Drawback continuou a se pautar na vinculação física entre as importações e exportações prévias, cuja comprovação é prérequisito essencial à concessão do drawback suspensão. 56. No mesmo TVF, ás fls, 323/324 dos autos digitais, a autoridade fiscal bem descreveu a existência de regras que determinam tal comprovação : Já na exportação, a vinculação deverá atender dois requisitos: o preenchimento do campo 2a do Registro de Exportação (RE) com o código de enquadramento 81101 (relativo ao Drawback Suspensão) e o preenchimento do campo 24 (Dados do fabricante), conforme Portaria Secex N°10/2010, ANEXO G: Art. 4º Somente será aceito para comprovação do regime, modalidade suspensão, RE contendo, no campo 2a, o código de enquadramento do drawback constante da tabela de enquadramento da operação do SISCOMEX Exportação, quando de sua efetivação, bem como as informações exigidas no campo 24 dados do fabricante. § 1º Considera se exportado o produto cujo RE no SISCOM EX encontrese na situação averbado. § 2º O efetivo embarque do produto para o exterior, consignado no campo 28 b deverá ter ocorrido dentro do prazo de validade do respectivo ato concessório de drawback. § 3º Para efeito de comprovação do regime, na falta da data de embarque mencionada no parágrafo anterior, será considerada a data de averbação do RE consignada no campo 28g. (grifouse) A obrigatoriedade da vinculação do RE ao Ato Concessório também está definida no art. 400 do Decreto n° 6.759/2009. Devese atentar para o comando deste artigo: “será registrada”. É impositivo, não facultativo. Art. 400. A utilização do regime previsto neste Capítulo será registrada no documento comprobatório da exportação. (grifouse) Fl. 489DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 479 23 As Portarias Secex vigentes à época dos Atos Concessórios fiscalizados ainda estipulam os seguintes requisitos: ∙ Na comprovação do Regime de Drawback, os documentos eletrônicos registrados no SISCOMEX utilizarão somente um Ato Concessório; ∙ Não serão aceitos para comprovação do regime, RE que possuam um único CNPJ vinculado a mais de um Ato Concessório de Drawback; ∙ Um mesmo RE não poderá ser utilizado para comprovação de atos concessórios de Drawback distintos de uma mesma beneficiária. De acordo com o SECEX, o Sistema providenciará a transferência automática dos RE averbados e devidamente vinculados no campo 24 ao ato concessório no momento da efetivação dos aludidos RE’s, e das DI’s vinculadas ao regime, para efeito de comprovação do AC. 57. Por derradeiro, há que se esclarecer que a autoridade fiscal solicitou tal comprovação ao recorrente, através de intimação, como descreve o TVF, em seu item DO PROCEDIMENTO FISCAL : A ação fiscal foi iniciada com a tomada de ciência pelo fiscalizado do Termo nº 1 Início de Ação Fiscal e Intimação em 07/04/2017 (DOC 2). A ciência foi realizada através do domicílio tributário eletrônico (DTE), por meio do Dossiê Digital de Atendimento à Fiscalização nº 1012005835/031781, face à opção explícita feita pela empresa por esta forma de comunicação com a Receita Federal do Brasil (DOC 1). O Termo nº 1 concedia prazo de 20 dias para o importador: 1) informar se já havia sido autuado por alguma unidade da Secretaria da Receita Federal do Brasil ou se existia algum processo judicial ou administrativo em andamento ou encerrado,que tivesse relação com a matéria objeto da ação fiscal; 2) preencher planilha relacionando os atos concessórios de Drawback objetos de análise desta ação fiscal com as respectivas importações de insumos, as notas fiscais de entrada dos insumos e as comprovações da exportações das mercadorias manufaturadas; 3) apresentar os seguintes arquivos digitais previstos no Ato Declaratório Executivo (ADE) Cofis nº 15/2001: a. Arquivo de Controle de Estoque; b. Arquivo de Registro de Inventário; c. Arquivo de Insumos Relacionados; d. Tabela de Mercadorias / Serviços; 4) apresentar cópia das ordens de produção dos produtos exportados; 5) informar o tempo médio de produção dos produtos exportados; 6) informar os motivos para as perdas serem consideradas irrecuperáveis, caso tenha sido informado percentual de perda no Arquivo de Insumos Relacionados; 7) apresentar relação de subprodutos, resíduos e sobras com valor comercial, decorrentes do processo produtivo; 8) apresentar comprovação de devolução dos insumos ao exterior, se for o caso; 9) apresentar comprovação de destruição dos insumos, se for o caso; 10) apresentar comprovação de recolhimento espontâneo dos tributos suspensos na importação dos insumos, se for o caso; 11) apresentar justificativa caso tenha utilizado um único Registro de Exportação (RE) para baixa de mais de um Ato Concessório. Fl. 490DF CARF MF 24 58. Diante desta intimação, a recorrente solicitou prorrogação de prazo para atendimento, que foi concedida pela autoridade fiscal. 59. No mesmo item do TVF a autoridade fiscal descreve a resposta oferecida pela recorrente : Em 04/05/2017, apresentou resposta à intimação (DOC 4), conforme os itens solicitados: 1) não foi autuada, nem possui decisão em processo administrativo ou judicial; 2) a planilha foi preenchida apenas com os códigos dos insumos e as respectivas notas fiscais de entrada, sem as informações dos produtos manufaturados e registros de exportação; 3) não apresenta nenhum dos arquivos digitais solicitados, apenas informa que o único produto da empresa é “tereftalato de polietileno”; 4) não apresenta ordem de produção; 5) não informa o tempo médio de produção; 6) informa que o percentual de perda é 17,01% e decorre de evaporações e fios descontínuos; 7) informa que não há subprodutos; 8) informa que não houve devolução de insumos; 9) informa que não houve destruição de insumos; 10) informa que não houve recolhimento espontâneo; 11) informa que não utilizou mais que um ato concessório (!?). 60. Portanto, sendo o ônus probatório da recorrente, foi a própria recorrente que confessou não ter cumprido as regras vigentes sobre o drawback suspensão, e não as tendo cumprido sujeitase ás suas consequências, como a extinção do regime e a exigência dos tributos vinculados á importação dos insumos não exportados no prazo contratual constante dos Atos Concessórios. 61. Citamos, por fim, o também citado pela D. PGFN em suas contrarazões, Acórdão nº 3302002.656, exarado pela 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara – 3ª Seção de Julgamento: ASSUNTO:REGIMES ADUANEIROS DRAWBACK SUSPENSÃO. O descumprimento das condições estabelecidas em Ato Concessório emitido pelo órgão competente concedente do regime de drawback suspensão, com o não atendimento da legislação de regência, conduz à exigência do crédito tributário suspenso. COMPROVAÇÃO DO CUMPRIMENTO DAS CONDIÇÕES. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova do cumprimento das condições estipuladas no ato concessório do regime drawback suspensão, visando descaracterizar as infrações devidamente comprovadas na autuação, compete a quem alega. Para que haja a correta extinção do regime e consequente reconhecimento da isenção, é imprescindível que se demonstre que a mercadoria importada foi efetivamente empregada na fabricação daquela que foi exportada e que tal demonstração siga o rito preconizado pela legislação de regência. 62. Por todo o exposto, rejeito a preliminar de nulidade por ausência de provas alegada pela recorrente. DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO DO PERCENTUAL DE QUEBRA DAS MERCADORIAS IMPORTADAS Fl. 491DF CARF MF Processo nº 11829.720047/201722 Acórdão n.º 3301006.032 S3C3T1 Fl. 480 25 63. Alega a recorrente em suas razões de defesa que “ O v. acórdão também afirmou que a Recorrente não teria comprovado a exportação dos produtos manufaturados, a destruição ou a devolução ao exterior dos insumos importados admitidos no regime, razão pela qual não haveria “que se falar em índice de perdas na industrialização dos produtos que deveriam ser exportados. Ademais, o impugnante não trouxe aos autos nenhum laudo ou prova nesse sentido.” No entanto, também merece reforma o v. acórdão neste ponto. Com efeito, nos casos acima indicados, o i. Auditor Fiscal efetuou a glosa TOTAL das renúncias fiscais, em razão de entender não ter havido exportações no período de vigência dos atos concessórios. Todavia, ao assim proceder, deixou de considerar a quebra existente na industrialização dos produtos manufaturados pela Recorrente. A Recorrente chegou a se manifestar durante o processo fiscalizatório, informando que o processo de manufatura seu produto final acarreta em perda de 17,01% do insumo importado denominado Teraftalato de Polietileno (fls. 157). Ou seja, ao contrário do entendido, a verdade é que a Recorrente realmente demonstrou o índice de perdas na industrialização dos produtos. Assim, as perdas no processo de industrialização, devem ser consideradas por ocasião do ançamento dos tributos incidentes sobre os produtos supostamente não exportados pela Recorrente no prazo regulamentar, de forma a diminuir o montante, eis que estes insumos jamais seriam mesmo exportados. “ 64. Não cabe razão á recorrente, uma vez que devese interpretar literalmente a legislação que rege a matéria drawback suspensão, por força do artigo 111 do CTN. Nesse diapasão, o artigo 389 do Decreto nº 6.759/2009 – Regulamento Aduaneiro determina expressamente que as mercadorias admitidas no regime, na modalidade de suspensão, deverão ser integralmente utilizadas no processo produtivo ou na embalagem, acondicionamento ou apresentação das mercadorias a serem exportadas e o excedente de mercadorias produzidas ao amparo do regime, em relação ao compromisso de exportação estabelecido no respectivo ato concessório, poderá ser consumido no mercado interno somente após o pagamento dos tributos suspensos dos correspondentes insumos ou produtos importados, com os acréscimos legais devidos, portanto não há previsão para tais quebras a serem descontadas no processo produtivo. 65. O inadimplemento de condição essencial ao regime de Drawback, na modalidade suspensão, como compromisso de exportação estabelecido em Ato Concessório, enseja a exigibilidade dos tributos incidentes, uma vez que a suspensão de sua exigibilidade se extingue, relativo ás mercadorias importadas. Conforme disposição contida no inciso II do artigo 78 do DecretoLei nº 37/1966, poderá ser concedida suspensão do pagamento dos tributos sobre a importação de mercadoria a ser exportada após beneficiamento, ou destinada á fabricação, complementação ou acondicionamento de produto exportado, portanto, na falta de comprovação de perdas de insumos no processo produtivo, são devidos os tributos na inadimplência do regime, ou seja, na não comprovação da exportação dos insumos. 66. Ademais, a recorrente traz um número percentual de 17.01% sem carrear aos autos documentação que comprove tal percentagem ou laudo técnico pericial que demonstre como se chegou a tal percentual nas perdas durante o processo produtivo. 67. Assim, nego provimento recurso neste quesito. A ILEGALIDADE DA MULTA APLICADA 68. A Recorrente defende a ilegalidade da multa aplicada por tal sido aplicada em percentual superior ao montante do tributo exigido, caracterizandose como penalização confiscatória., invocando fundamentos de inconstitucionalidade da lei tributária. Fl. 492DF CARF MF 26 69. As penalidades impostas pela autoridade fiscal estão previstas em atos legais, devidamente descritos no TVF e no auto de infração. 70. Com relação aos órgãos julgadores, em obediência ao disposto no art. 26A do Decreto nº 70.235/72 – Regulamento do Processo Administrativo Fiscal, na ausência das hipóteses descritas no § 6º do mesmo artigo – é defeso à autoridade julgadora afastar a aplicação de lei ou decreto ou se manifestar sobre a sua constitucionalidade: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) . 71. Ademais, no âmbito deste colegiado, aplicase a Súmula CARF nº 2 : “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária” 72. Portanto, nego provimento ao recurso neste quesito. Conclusão 73. Por todo o exposto, rejeito as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. É o meu voto Assinado digitalmente Ari Vendramini Relator Fl. 493DF CARF MF
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Numero do processo: 13117.720179/2012-00
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011, 2012
ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DE ANÁLISE DE QUESTÃO FUNDAMENTAL SUSCITADA PELO IMPUGNANTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 1002-000.149
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para que seja prolatada nova decisão suprindo a omissão apontada, vencidos os conselheiros Leonam de Rocha Medeiros (relator) e Breno do Carmo Moreira Vieira, que lhe deram provimento parcial, para anular parcialmente a decisão de primeira instância. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ailton Neves da Silva.
(assinado digitalmente)
Julio Lima Souza Martins - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Cerceamento de defesa. Penalidade Multa por Atraso na Entrega de Declaração DCTF. Denúncia Espontânea. Recorrente M V P DA SILVA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011, 2012 ACÓRDÃO DE IMPUGNAÇÃO. OMISSÃO DE ANÁLISE DE QUESTÃO FUNDAMENTAL SUSCITADA PELO IMPUGNANTE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento para reconhecer a nulidade da decisão recorrida, determinando o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), para que seja prolatada nova decisão suprindo a omissão apontada, vencidos os conselheiros Leonam de Rocha Medeiros (relator) e Breno do Carmo Moreira Vieira, que lhe deram provimento parcial, para anular parcialmente a decisão de primeira instância. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Ailton Neves da Silva. (assinado digitalmente) Julio Lima Souza Martins Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Redator Designado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 7. 72 01 79 /2 01 2- 00 Fl. 61DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio Lima Souza Martins (Presidente), Ailton Neves da Silva, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 36/38) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 29/32), proferida em sessão de 30/10/2012, consubstanciada no Acórdão n.º 0349.549, da 4.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSB), que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento efetivado pela fiscalização da administração fazendária decorrente da aplicação de multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) de Dezembro do AnoCalendário 2011 e de Janeiro do AnoCalendário 2012 (efls. 9 e 11), deixando de acolher a impugnação (efls. 3/4) apresentada pela recorrente, tendo sido assim ementada a decisão vergastada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2011, 2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. As notificações de lançamento em questão foram lavradas, eletronicamente, em 10/05/2012, na DRF – Palmas, homologado por Auditor Fiscal da Receita Federal, sumariando o seguinte contexto e enquadramento para aduzida infração à legislação tributária e respectivo demonstrativo do crédito tributário: Descrição dos fatos: Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) entregue fora do prazo fixado na legislação enseja a aplicação da multa (...). Enquadramento legal: Art. 7.º da Lei n.º 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei n.º 11.051, de 2004. Demonstrativo: Dezembro – 2011, Multa R$500,00 Janeiro – 2012, Multa R$500,00 A impugnação instaurou a fase litigiosa do procedimento, tendo alegado inatividade durante todo o anocalendário, bem como alegou ter realizado a denúncia espontânea antes de qualquer ação fiscal, no entanto não foi acolhida pela DRJ. O recurso voluntário, inconformado com a decisão a quo, reiterou os termos da impugnação. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13117.720179/201200 Acórdão n.º 1002000.149 S1C0T2 Fl. 62 3 Os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Vencido Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo (aviso de recebimento efl. 35, postagem efls. 49/50 e despacho de encaminhamento efl. 59), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, contandose o prazo com a observação do art. 5.º, parágrafo único, do mesmo diploma legal. Demais disto, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B do Regimento Interno, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017. Portanto, dele conheço. A recorrente suscita a aplicação da denúncia espontânea para afastar a exação e, em paralelo, também argumenta que se manteve inativa, o que, por si só, igualmente afastaria a exação. Pois bem. Quanto a obrigação de apresentar a declaração em comento a tempo e modo, tenho que destacar que a recorrente, de modo objetivo, alega, desde a impugnação, fato impeditivo do dever de cumprir a obrigação instrumental. É que a contribuinte, efetivamente, suscita questão de fato e de direito relativa a sua inatividade nos períodos da autuação, a qual, se comprovada e devidamente reconhecida pelos órgãos de julgamento integrantes do contencioso administrativo fiscal federal, configura motivo necessário e suficiente para a exclusão da multa pela entrega extemporânea da DCTF, uma vez que o artigo 3.º da IN RFB n.° 974/2009 dispensa as Pessoas jurídicas inativas da apresentação da DCTF. De fato, a contribuinte, desde o protocolo de defesa que instaurou o litígio, diz que se manteve parcialmente inativa durante o anocalendário, relativa ao período de Fevereiro/2011 a 31/12/2011, e "Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa 2013" (efl. 39), relativa ao período 01/01/2012 a 31/12/2012, tendo declarado não ter efetuado qualquer atividade operacional, não operacional, financeira ou patrimonial durante os referidos períodos, pelo que não estaria sujeito a multa por entrega extemporânea das DCTF's de Dezembro do AnoCalendário 2011 e de Janeiro do Ano Calendário 2012 (efls. 9 e 11). Registrese, por oportuno, que, a despeito da "Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa 2013" (efl. 39), relativa ao período 01/01/2012 a 31/12/2012, ter sido juntada aos autos após a impugnação, não visualizo preclusão, uma vez que a impugnação foi protocolada em 18/06/2012 (efl. 3), enquanto que a dita declaração de inatividade de 2013 foi transmitida somente em 19/02/2013 (efl. 39), isto é, em momento Fl. 63DF CARF MF 4 superveniente, logo não poderia constar no processo quando do protocolo da impugnação. De toda sorte, a impugnação já registrava a tese da inatividade, incluindo ambos os períodos Fevereiro/2011 a 31/12/2011 e 01/01/2012 a 31/12/2012. Portanto, não observo qualquer preclusão, ex vi dos 14, 15, 16, III, § 4.º, b, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Portanto, a questão da inatividade é tema posto para decisão nos autos, desde a origem. No entanto, a DRJ não se pronunciou sobre a referida temática. Sendo assim, não tendo o órgão julgador de primeira instância se pronunciado sobre a questão de fato e de direito relativo a inatividade, entendo que o acórdão da DRJ é parcialmente nulo. Isto porque, o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972, disciplina que são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Demais disto, o referido regulamento do processo administrativo fiscal prevê toda uma estrutura recursal com instância e fases próprias que se não respeitadas resulta em flagrante supressão de instância. Deste modo, entendo que é parcialmente nula a decisão de primeira instância que deixa de apreciar questão de fato e de direito relevante para a decisão do mérito, no caso a temática da "inatividade", a qual foi suscitada tempestivamente na impugnação, que delimitou os contornos da lide ao instaurar a fase litigiosa do procedimento. De qualquer sorte, é bom pontuar que a nulidade parcial não vicia inteiramente o acórdão, cabendo o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo não apreciado, isto é, a fim de que decida sobre o tema da inatividade frente as provas colacionadas nos autos e a disciplina legal que trata de tal matéria. Isto porque, é dever do órgão julgador enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada no julgamento, sob pena de cerceamento de defesa, na forma do art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Demais disto, como antes afirmado, o órgão colegiado revisor não pode apreciar matéria não decidida pela DRJ, sob pena de supressão de instância. No mais, ressalto que entendo pela nulidade parcial, uma vez que a decisão pode ser dividida em capítulos distintos e estanques, na medida em que, à cada unidade do pedido, atribuise um capítulo correspondente para decisão, especialmente quando as temáticas devem adotar por corolário lógico fundamentação específica, autônoma e independente. Assim, a nulidade deve se referir apenas a parte que contém erro in procedendo, principalmente quando o vício não guarda, e nem interfere, na outra pretensão específica, autônoma e independente. No caso vejo com autonomia a temática da denúncia espontânea e, também, com autonomia o tema da inatividade. Quaisquer delas poderiam afetar, por si só, a conclusão do julgamento. Importa anotar, outrossim, que o pedido único de cancelamento da multa pela entrega extemporânea da DCTF, consubstanciase, na verdade, numa unidade de dois pedidos, posto que pode ser fragmentado em dois capítulos, face ao duplo fundamento, gerador de dupla pretensão, independente e autônoma, apresentado pela defesa, de forma que à cada unidade do pedido podese atribuir capítulo específico na decisão. Uma das unidades do pedido que se extrai dos limites da lide proposta é delimitada pelo cancelamento da multa com fundamento na inatividade e a outra unidade é concernente ao Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13117.720179/201200 Acórdão n.º 1002000.149 S1C0T2 Fl. 63 5 cancelamento da multa com fundamento na denúncia espontânea. Não há uma unidade única de pedido como poderia parecer numa análise superficial, sem verificar os capítulos delimitados na lide que devem capitular a decisão. Aliás, como afirma o Ministro Sálvio de Figueiredo Teixeira, o pedido se extrai da "interpretação lógicosistemática da petição inicial, sendo de levarse em conta os requerimentos feitos em seu corpo e não só aqueles constantes em capítulo especial ou sob a rubrica 'dos pedidos' " (REsp n. 233.446RJ). Dito isso, temse, ainda, a circunstância de que o entendimento pela nulidade parcial da decisão de primeira instância já foi admitida, por várias vezes, neste Egrégio Conselho, a teor do Acórdão n.º 1302002.562, da Sessão de 21 de fevereiro de 2018; dos Acórdãos ns.º 1302002.037 e 1302002.038, da Sessão de 14 de fevereiro de 2017; dos Acórdãos ns.º 1302002.041 e 1302002.043, da Sessão de 15 de fevereiro de 2017; do Acórdão n.º 1302001.984, da Sessão de 14 de setembro de 2016; Acórdão n.º 1302001.948, da Sessão de 09 de agosto de 2016; da Resolução n.º 1402000.363, da Sessão de 07 de junho de 2016; do Acórdão n.º 1101001.128, da Sessão de 04 de junho de 2014. Quanto a temática da denúncia espontânea, o acórdão da DRJ, no capítulo em que decidiu a referida pretensão deduzida pela defesa, não é nulo, no entanto, neste presente acórdão do CARF, deixo de analisar o mérito do recurso voluntário quanto a dita matéria. Primeiro, porque, após os debates no Colegiado, o Conselheiro Ailton Neves da Silva apresentou manifestação importante para este aclaramento, no sentido de que não seria pertinente a Turma julgar a denúncia espontânea, haja vista existir tema de nulidade no acórdão da DRJ, a despeito deste Relator divergir quanto a extensão da nulidade. Segundo, porque a ressalva prevista no § 3.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, não autoriza que se prossiga na apreciação do mencionado argumento, ainda que eventualmente fosse para acolhêlo e decidir o mérito da exigência em favor do sujeito passivo, na medida em que a Fazenda Nacional teria, em tese, a possibilidade de apresentar recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais e o julgamento deste seria retardado/prejudicado porque não sanado o vício aqui constatado relativo a nulidade parcial no julgamento de primeira instância. Considerando o até aqui esposado e enfrentadas todas as questões necessárias para a decisão, entendo pela nulidade parcial do julgamento da DRJ. Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário. No mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para anular parcialmente a decisão de primeira instância, determinando, para os fins do § 2.º do art. 59 do Decreto n.º 70.235, de 1972, o retorno dos autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, para que profira decisão complementar sobre o capítulo não apreciado no acórdão a quo referente a inatividade suscitada pelo sujeito passivo em sua impugnação nos anoscalendários 2011 e 2012, podendo, inclusive, se entender pertinente, converter inicialmente o julgamento em diligência para solicitar apuração acerca da efetiva inatividade ou não. Neste momento, resta prejudicado o julgamento da temática da denúncia espontânea, devendose aguardar a decisão integrativa da DRJ para, se sobrevier novo recurso, ter a lide prosseguimento na forma regulamentar e regimental. Esclareço, por fim, que, sendo proferido o julgamento complementar sobre a temática da inatividade, o sujeito passivo deverá ser cientificado do referido resultado para, se desejar, analisando a integralidade dos acórdãos da primeira instância, apresentar novo recurso voluntário. Fl. 65DF CARF MF 6 É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Voto Vencedor Conselheiro Aílton Neves da Silva Redator Designado Em que pese a bem elaborada análise e as ponderações do I. Relator, peço vênia para dele divergir. A questão apreciada nos autos diz respeito ao lançamento de multa por atraso na entrega de DCTF relativa ao período de 12/2011 e 01/2012. Contra o lançamento em questão são apresentados dois argumentos centrais pelo Recorrente: o da Denúncia espontânea da infração e o da não obrigatoriedade de entrega da DCTF em razão de inatividade da empresa no períodobase da autuação. O argumento da "inatividade", desde que provado ou devidamente reconhecido pelos órgãos de julgamento integrantes do contencioso administrativo fiscal federal, configuraria motivo necessário e suficiente para a exclusão da multa, uma vez que o artigo 3º da IN RFB n° 974/2009 dispensa as pessoas jurídicas inativas da apresentação das DCTF: Art. 3º Estão dispensadas de apresentação da DCTF: I as Microempresas (ME) e as Empresas de Pequeno Porte (EPP) enquadradas no Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte (Simples Nacional), instituído pela Lei Complementar nº 123, de 14 de dezembro de 2006, relativamente aos períodos abrangidos por esse sistema; II as pessoas jurídicas que se mantiverem inativas durante todo o anocalendário ou durante todo o período compreendido entre a data de início de atividades e 31 de dezembro do ano calendário a que se referirem as DCTF;(grifos nossos) (...) Como destacado nos autos esta matéria "inatividade" não foi enfrentada no acórdão de impugnação exarado pela DRJ (efl. 37), conforme se pode inferir da leitura de sua ementa, vazada nos seguintes termos: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Ano calendário: 2011,2012 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. ESPONTANEIDADE. INFRAÇÃO DE NATUREZA FORMAL. A entrega da Declaração, intempestivamente, embora feito o recolhimento dos tributos devidos, não caracteriza a Fl. 66DF CARF MF Processo nº 13117.720179/201200 Acórdão n.º 1002000.149 S1C0T2 Fl. 64 7 espontaneidade, com o condão de ensejar a dispensa da multa prevista na legislação. O princípio da denúncia espontânea não inclui a prática de ato formal, não estando alcançado pelos ditames do art. 138 do Código Tributário Nacional. Constato que não foi dedicada uma linha sequer no acórdão de impugnação ao enfrentamento do tema "inatividade", muito embora seja ele essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado da impugnação apresentada pelo contribuinte, conforme trechos a seguir destacados: (...) g) A firma encontrase inativa desde fevereiro de 2011 e, precisamente, há 16 meses, desse modo, sem nenhum movimento operacional, portanto, sem nenhuma informação a prestar. h) A inatividade deuse em razão da sua péssima situação financeira, não tendo condições de arcar com os mínimos e imprescindíveis gastos. i) (...) j) Como então pagar multas exorbitantes e sem poder, ainda mais estando delas desobrigado como lhe garante o Artigo 138 do respeitável CTN? k) Que os doutos e ilustres julgadores, no caso, atinem, que em empresas inativas, que não tiveram movimentos nos últimos 11 meses do ano calendário anterior, como a em pauta, já estando com 1 ano e 4 meses inativa, imputarlhes o dever de apresentar obrigações acessórias, como DCTFs, DACONs e outras, são apenas meras formalidades burocráticas que "empanturram" arquivos e poluem o meio ambiente? (...) Em seu Recurso Voluntário o Recorrente voltou a questionar a inatividade da empresa no períodobase da autuação, conforme excertos abaixo: (...) c) No entanto, para sanar esses deslizes, contando, com amparo legal, vem apoiarse na Instrução Normativa da RFB N° 974, de 27 de novembro de 2009, em conformidade com seu Art. 3°, inciso II, que assim se expressa: Art. 3o Estão dispensadas da apresentação das DCTFs: Inciso II As pessoas jurídicas que se mantiverem inativas durante todo o ano Calendário ou durante o período Fl. 67DF CARF MF 8 compreendido entre a data de início de atividade e 31 de Dezembro do ano calendário a que se referirem as DCTFs. (...) f) Contudo, por estar desobrigada de apresentar essa declaração, no caso, a DCTF de Janeiro de 2011, que conta com o devido amparo da Instrução Normativa n° 974 e de têla apresentado, no caso, fora do prazo e indevidamente, por não ser necessário, não a sujeita ao pagamento de multa, como a que lhe está sendo, também, indevidamente cobrada. O mesmo se aplica à DCTF de Dezembro de 2011 protegida pela espontaneidade arguida no Art. 138 do respeitável CTN. g) Para tanto, em anexo, apresenta fotocópia da Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica Inativa, referente ao exercício de 2013, bem como a DCTF de Dezembro de 2012, que confirma a sua inatividade nesse ano. h) A firma encontrase inativa desde fevereiro de 2011 ao presente mês e, assim, continuará até a sua efetiva baixa, desse modo, estando sem nenhum movimento operacional, não operacional, financeiro ou patrimonial a prestar. i) A inatividade deuse em razão da sua péssima situação financeira, não tendo condição de arcar com os mínimos gastos. j) Não considerar esses preceitos legais da IN n° 974 da RFB, antes descritos (e/ou de outra que a substitua), no caso, assinada pelo próprio e ilustre SECRETÁRIO DA RECEITA, desrespeitála seria um verdadeiro e inominável absurdo. Assim, é inquestionável o fato de a inatividade argüida pelo Recorrente configurar tema crucial ao deslinde da lide que não foi enfrentado no acórdão de impugnação. Divirjo do relator apenas por entender que a nulidade in casu é total, e não parcial. É que a nulidade parcial do acórdão exarado pela instância a quo só poderia ser declarada com respeito a matéria autônoma, que não fosse considerada determinante ou essencial ao deslinde da lide, o que não é o caso aqui analisado. Isso porque as matérias Denúncia espontânea e inatividade, postas a análise deste colegiado, revelam interdependência, não podendo, por isso, ser tratadas isoladamente. Explico. Se a matéria "inatividade" for julgada a favor do Recorrente em um novo acórdão de impugnação a ser proferido pela instância a quo, a continuidade da discussão na esfera administrativa concernente à matéria "Denúncia espontânea da infração" perderá sentido, eis que ficará carente de pressuposto objetivo básico de admissibilidade recursal, caracterizado pelo surgimento de fato impeditivo ou extintivo do recurso, qual seja: o reconhecimento da inexistência da infração. Assim, a temática da "inatividade" confundese com o próprio mérito da lide processual, não podendo ser desatrelada de seu resultado, eis que eventual reconhecimento da inatividade na nova decisão de primeiro grau faria desaparecer o fundamento de validade do lançamento de multa por atraso na entrega da DCTF questionada, a teor do que dispõe o artigo Fl. 68DF CARF MF Processo nº 13117.720179/201200 Acórdão n.º 1002000.149 S1C0T2 Fl. 65 9 3º da IN RFB n° 974/2009. Por consequência, o julgamento da questão de mérito relativa à Denúncia espontânea perderia seu objeto. Fundado nesse argumento da interdependência das matérias, acredito que fere a lógica jurídica processual o entendimento que considera a nulidade parcial do acórdão de impugnação por não ter analisado a temática da inatividade e, ao mesmo tempo, deixa de invalidar a decisão nele contida relativa à Denúncia espontânea. Por todo o exposto, a nulidade integral do acórdão de impugnação é medida que se impõe no caso sub examine, eis que uma nova decisão da instância a quo a respeito da matéria "inatividade" poderá repercutir decisivamente no julgamento da lide na matéria "Denúncia espontânea", mormente na hipótese de uma decisão favorável ao Recorrente, porquanto não poderia haver Denúncia espontânea a respeito de uma DCTF que o Recorrente sequer estivesse obrigado a apresentar. Em razão da constatação de omissão do acórdão recorrido de matéria essencial ao deslinde da lide administrativa, voto no sentido de anulálo integralmente, para que a instância a quo possa pronunciarse sobre o tema da "inatividade" e demais matérias, de modo a produzir um novo acórdão, ou resolução, na boa e devida forma, devolvendose o prazo para apresentação de Recurso Voluntário, se for o caso, de acordo com o Decreto nº 70.235/72. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 69DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18108.000235/2007-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007
VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 2402-007.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1529; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18108.000235/200743 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2402007.084 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente MARKA EMBALAGENS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/2007 VALETRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de valetransporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 10 8. 00 02 35 /2 00 7- 43 Fl. 198DF CARF MF Processo nº 18108.000235/200743 Acórdão n.º 2402007.084 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa que julgou procedente o lançamento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre verbas pagas pela empresa, a título de "Vale Transporte", a segurados obrigatórios do RGPS, conforme discriminado no relatório fiscal. Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa em resistência ao lançamento em tela, a qual se houve por julgada improcedente pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Devidamente cientificada da susocitada decisão, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário pugnando, ao fim, pela improcedência do lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o excerto de interesse do voto condutor proferido pelo Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno Relator da decisão paradigma suso citada, o qual versa especificamente sobre a matéria de mérito que permeia o acima referenciado Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1 Do Conhecimento do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Fl. 199DF CARF MF Processo nº 18108.000235/200743 Acórdão n.º 2402007.084 S2C4T2 Fl. 4 3 [...] 3 Do Mérito Inicialmente, é oportuno destacar que o art. 28, § 9°, alínea "f", da Lei nº 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. O valetransporte foi instituído pela Lei nº 7.418/85 e regulamentado pelo Decreto nº 95.247/87, definindo um paradigma procedimental no qual o empregador fornecerá os vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os especiais. De se observar que a exclusão do valetransporte do saláriode contribuição pressupõe o seu fornecimento de acordo com a legislação, sob pena de incidência de contribuição previdenciária. No que pertine à natureza indenizatória do valetransporte, é oportuno resgatar o estabelecido no Parecer PGFN/CRJ nº 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda DOU de 29/03/2016: Parecer PGFN/CRJ nº 189/20 [...] 5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art. 543B do CPC), em 10/03/2010, firmou o entendimento de que é inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em espécie, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o beneficio natureza indenizatória. De acordo com a Corte Suprema, ao admitirse que o valetransporte possa ter a sua natureza alterada pelo fato de ser pago em dinheiro importaria em relativizar o curso legal da moeda. Sendo assim, considerou que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valetransporte afrontaria a Constituição em sua totalidade normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei) EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o beneficio de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de Fl. 200DF CARF MF Processo nº 18108.000235/200743 Acórdão n.º 2402007.084 S2C4T2 Fl. 5 4 moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido e padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório e qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) 6. Em sequência, no julgamento de Embargos de Declaração,o STF, utilizando a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fez constar da conclusão do acórdão embargado a proclamação da "inconstitucionalidade da aplicação do art. 5° do Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85 como fundamentos para a incidência de contribuições previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte aos trabalhadores", sem qualquer modificação, portanto, do teor da deliberação anterior. [...] Na esteira do supra citado Parecer, a PGFN editou o Ato Declaratório nº 004/2016 determinando que nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba. No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil consoante o entendimento consolidado na Solução de Consulta Cosit nº 146, de 27 de setembro de 2016, sumarizado na ementa abaixo: Solução de Consulta Cosit nº 146/2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. Fl. 201DF CARF MF Processo nº 18108.000235/200743 Acórdão n.º 2402007.084 S2C4T2 Fl. 6 5 A não incidência da contribuição está limitada ao valor pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do deslocamento residênciatrabalho e viceversa, em transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418, de 1985. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II e §4º, Ato Declaratório nº 4, de 31 de março de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº 60, de 8 de dezembro de 2011. No mesmo sentido segue a Súmula nº 89 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 89 A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Nessa perspectiva, considerandose a natureza indenizatória do valetransporte, são procedentes as alegações da Recorrente, impondose o cancelamento do lançamento em apreço, não havendo que se falar de remuneração indireta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 202DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.944984/2013-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.558
Decisão:
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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(assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório A interessada apresentou pedido de ressarcimento de contribuição não cumulativa, cumulado com compensação de débitos próprios. O pedido foi indeferido pela unidade de origem e não foram homologadas as compensações vinculadas. Irresignada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, onde afirma que houve erros graves nas planilhas elaboradas pela fiscalização, contesta as glosas efetuadas e defende a legitimidade de seu pleito. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07039.489. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 44 98 4/ 20 13 -5 1 Fl. 1356DF CARF MF Processo nº 10880.944984/201351 Resolução nº 3201001.558 S3C2T1 Fl. 3 2 Inconformada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, o recurso voluntário ora em apreço, por meio do qual alega, em síntese que: As glosas sobre as aquisições de sebo bovino e crédito presumido foram objeto de contestação em processo administrativo próprio, e o pleito já foi lá deferido; O acórdão discutido deixou de se manifestar sobre a oposição a determinadas glosas, de tal sorte que deve ser anulado; Não se justificam as glosas mantidas em relação aos itens especificados na reclamação.; Deve incidir taxa Selic sobre o ressarcimento. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.553, de 29 de janeiro de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.944979/201348, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.553): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento da Cofins referente ao 1º trimestre 2012 (origem na receita de mercado externo). Indeferido, apresentou manifestação de inconformidade, ao final considerada improcedente pela DRJ (antes de proferido o acórdão recorrido, em face dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, mediante mero despacho. A Informação Fiscal de fls. 1242 e ss. manteve, no entanto, o indeferimento de todo o valor pleiteado). Noticiam os autos que há muitos outros processos do mesmo Recorrente, tratando da mesma matéria: pedidos de ressarcimento. E vemos, também, que, para o mesmo período de apuração, há diferentes processos, pleiteando, separadamente, créditos de PIS/Cofins, com origem em operações do mercado interno, mercado externo e crédito presumido. Nesse contexto, voto por CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, a fim de que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado." Fl. 1357DF CARF MF Processo nº 10880.944984/201351 Resolução nº 3201001.558 S3C2T1 Fl. 4 3 Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora reúna todos os processos do mesmo período (mercado interno, mercado externo e crédito presumido), tanto de PIS como de Cofins, ainda que em algum deles já tenha decisão transitado em julgado. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1358DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13807.007519/2002-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1995
RESTITUIÇÃO. ANTERIOR À LC 118/2005. PRAZO DE DEZ ANOS.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
Numero da decisão: 1301-003.909
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar o óbice da decadência, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1995 RESTITUIÇÃO. ANTERIOR À LC 118/2005. PRAZO DE DEZ ANOS. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar o óbice da decadência, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1904; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 2 1 1 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13807.007519/200255 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301003.909 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2019 Matéria PER/DCOMP Recorrente RECIM REDE DE COMERCIALIZAÇÃO IMOBILIÁRIA S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1995 RESTITUIÇÃO. ANTERIOR À LC 118/2005. PRAZO DE DEZ ANOS. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo decadencial de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para superar o óbice da decadência, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que analise o mérito do pedido quanto à liquidez do crédito requerido, oportunizando ao contribuinte, antes, a apresentação de documentos, esclarecimentos e, se possível, de retificações das declarações apresentadas. Ao final, deverá ser proferido despacho decisório complementar, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, inclusive quanto à apresentação de nova manifestação de inconformidade em caso de indeferimento do pleito, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, José Roberto Adelino da Silva (suplente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 75 19 /2 00 2- 55 Fl. 167DF CARF MF 2 convocado) e Fernando Brasil de Oliveira Pinto (Presidente). Ausente a Conselheira Bianca Felícia Rothschild, substituída pelo Conselheiro José Roberto Adelino da Silva. Relatório Trata o presente de pedido de restituição da importância de R$ 9.977,17 (fls.1), protocolizado em 27/06/02, a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF do anocalendário 1995, cumulado com pedido de compensação da CSLL de períodos diversos de 2001(fls .2). Em 06/11/02, a Derat/SPO, por meio de despacho decisório (fls.51/53), apreciou o pedido, decidindo não conhecer o pedido em razão da ocorrência de suposta decadência, pelo transcurso de mais de cinco anos. Cientificada do despacho decisório, por via postal, em 24/01/03 (fls.54verso), a interessada apresentou manifestação de inconformidade contra a decisão denegatória em 25/02/03(fls.55/62), onde solicita o deferimento do pleito inicial, alegando, em resumo e substancia, que a interpretação dada no AD SRF 96/99 não se coaduna com a doutrina dominante e jurisprudência judicial ou administrativa, ilustrando com algumas ementas. Segundo a requerente, o momento da extinção total do crédito tributário, nos tributos sujeitos a homologação, não se confunde com o momento do recolhimento desses, mas sim com o momento da homologação desse recolhimento. A DRJ julgou improcedente o seu pleito, razão pela qual apresentou Recurso Voluntário, repisando as razões de sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende a todos os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. O contribuinte recolheu IRRF durante o anocalendário de 1995, ultrapassando o montante de imposto de renda devido no final do exercício, e gerando saldo credor passível de restituição e/ou compensação, nos termos da legislação vigente. Em razão disso, apresentou pedido de restituição em 27/06/02, cerca de sete anos após a ocorrência dos pagamentos. A fiscalização não analisou o mérito do pedido, por entender ocorrida decadência do direito de pedir a restituição. Essa matéria é conhecida deste colegiado, e, por se tratar de tributo sujeito ao lançamento por homologação, se sujeita ao precedente vinculante do STF, no RE nº 566.621/RS, verbis: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA Fl. 168DF CARF MF Processo nº 13807.007519/200255 Acórdão n.º 1301003.909 S1C3T1 Fl. 3 3 VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.(RE 566621, Relator(a): Min. ELLEN GRACIE, Tribunal Pleno, julgado em 04/08/2011, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe195 DIVULG 1010 2011 PUBLIC 11102011 EMENT VOL0260502 PP00273 RTJ VOL0022301 PP00540) Essa matéria, inclusive, foi objeto da Súmula CARF nº 91, cujo teor também é expresso: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por Fl. 169DF CARF MF 4 homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018). Desse modo, o contribuinte dispunha do prazo de dez anos para pleitear a sua restituição, não havendo decadência no presente caso, razão pela qual deve a fiscalização proceder a análise meritória de seu pedido. Ante o exposto, voto por dar provimento parcial ao Recurso Voluntário para afastar o óbice da decadência e determinar a análise da substância do crédito pleiteado na unidade de origem. É como voto. (Assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 170DF CARF MF
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Numero do processo: 10384.900365/2008-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO.
A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação.
DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA.
A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor.
Numero da decisão: 1401-003.335
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente.
(assinado digitalmente)
EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: EDUARDO MORGADO RODRIGUES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES - Presidente. (assinado digitalmente) EDUARDO MORGADO RODRIGUES - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO. A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração. COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONÇALVES Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 4. 90 03 65 /2 00 8- 98 Fl. 129DF CARF MF Processo nº 10384.900365/200898 Acórdão n.º 1401003.335 S1C4T1 Fl. 3 2 EDUARDO MORGADO RODRIGUES Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Abel Nunes de Oliveira Neto, Carlos André Soares Nogueira, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Eduardo Morgado Rodrigues, Letícia Domingues Costa Braga, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 66 a 80) interposto contra o Acórdão nº 0824.746, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE (fls. 55 a 61), que, por unanimidade, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela ora Recorrente, decisão esta consubstanciada na seguinte ementa: "ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO. PAGAMENTO JÁ UTILIZADO. A comprovação da indisponibilidade do pagamento, alocado a outro débito do contribuinte, justifica o indeferimento do pedido de compensação. DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, salvo se o contribuinte comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova incumbe ao autor do pedido de compensação, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e à autoridade da Receita Federal, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Por sua precisão na descrição dos fatos que desembocaram no presente processo, peço licença para adotar e reproduzir os termos do relatório da decisão da DRJ de origem: Fl. 130DF CARF MF Processo nº 10384.900365/200898 Acórdão n.º 1401003.335 S1C4T1 Fl. 4 3 " Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em decorrência da não homologação do pedido de compensação, conforme despacho decisório emitido eletronicamente, fls. 19. Consta no referido despacho decisório o seguinte motivo para indeferimento do pedido: “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. O pedido de compensação envolve créditos e débitos do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ. O contribuinte foi cientificado do referido despacho em 05/05/2008, fls. 20, tendo apresentado a contestação em 03/06/2008, fls. 02/18, contrapondose ao despacho decisório com base nos argumentos a seguir sintetizados. Informa que ingressou em 08/07/2004 com PER/DCOMP, cópias acostada nos autos, requerendo a compensação do IRPJ devido por estimativa nos meses de fevereiro, março e abril de 2003 no valor total de R$ 30.872,21 (trinta mil oitocentos e setenta e dois reais e vinte e um centavos), com pagamento indevido ou maior do IRPJ apurado em 31/07/2001, código de receita 2362, data de vencimento 31/08/2001 e data de arrecadação de 31/08/2001, no montante de R$ 20.201,68 (vinte mil duzentos e um reais e sessenta e oito centavos). O referido crédito consta em DARF, cópia acostada aos autos. O citado crédito está devidamente comprovado conforme documentação ora anexada aos autos no valor indicado no PER/DCOMP, não existindo vinculação em DCTF para o referido crédito, assim o pagamento indevido existe e está devidamente comprovado. O indeferimento da compensação não está em conformidade com a legislação que disciplina a compensação e a verdade material dos fatos. Afirma: a exigência tributária deve ser realizada mediante a efetiva verificação da ocorrência do fato gerador e cálculo do tributo devido nos moldes legais (Art. 142 CTN). O lançamento em discussão, que, obrigatoriamente, deveria decorrer de toda uma série de investigações e procedimentos administrativos legalmente previstos, encontrase embasado apenas em não homologar compensação declarada em PER/DCOMP, com fundamento de que não foi possível confirmar a apuração do crédito, fato que não é verdade, uma vez que o pagamento indevido existe e está devidamente comprovado. Em seguida a defesa faz uma breve análise sobre a questão do ônus da prova em matéria tributária para efeito de deslinde da presente controvérsia. Nesse sentido, afirma que, na atividade de lançamento, a caracterização da matéria tributável há de estar perfeitamente configurada, sob pena de não se poder afirmar ter ocorrido o fato gerador. A caracterização da matéria tributável na atividade do lançamento de ofício é mister da autoridade administrativa, como, aliás, se pode ver no artigo 845 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000/99, quando se refere às Bases do Lançamento, o qual é bastante rígido em relação à impugnação dos esclarecimentos. Alega que, no caso em análise não teria restado caracterizado a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, haja vista, que os valores objeto da Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10384.900365/200898 Acórdão n.º 1401003.335 S1C4T1 Fl. 5 4 exigência, cuja base de argumentação para a cobrança foi a não confirmação do pagamento indevido do IRPJ apurado em 31/07/2001, que na verdade não ocorreu, porque o valor do pagamento indevido existe e está devidamente comprovado, conforme prova acostada nos autos. Continua. O princípio da verdade material é tão forte e base de todo o Estado de Direito, que já se escreveu, noutra ocasião: Enquanto o fisco não comprovar que os indícios por ele apresentados implicam necessariamente a ocorrência do fato gerador, estaremos diante de mera presunção simples, não de prova. Não terá, pois, o fisco cumprido seu ônus e a conseqüência é o dever do julgador considerar não comprovada a ocorrência do fato gerador e do nascimento da obrigação tributária. Poderseia, pois, afirmar ser inconstitucional toda e qualquer presunção absoluta. Considera a defendente que as conclusões da autoridade administrativa para não homologar a compensação efetuada não teriam fundamento lógico e faltaria a prova material do fato, ou seja, a inexistência do pagamento indevido. Assim, o fisco não teria cumprido com o ônus de produzir a prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária. Em seguida, a defesa faz um breve comentário sobre os 43 e 44 do Código Tributário Nacional – CTN, para concluir que não estaria correto o procedimento de se exigir tributos sob a alegação de que o crédito não foi comprovado. Indaga: Como admitir em tal situação que ocorreu o fato gerador da obrigação tributária? Tal exigência estaria fazendo incidir o imposto sobre o patrimônio, em evidente desconsideração à Constituição Federal (art. 150, IV, "a") e ao Código Tributário Nacional (art. 44), que autoriza a incidência do imposto sobre o acréscimo patrimonial e não sobre o próprio patrimônio. Considera que no caso em comento, não ocorreu o fato gerador da obrigação tributária, ou seja, compensação indevida. Diante do exposto, entende que fica demonstrado e provado que é indevido o crédito tributário exigido através do despacho decisório no valor original total de R$ 3.941,33 (três mil novecentos e quarenta e um reais e trinta e três centavos), em razão da não homologação da PER/DCOMP apresentada pelo requerente, tendo em vista que a referida cobrança foi objeto de compensação, conforme devidamente comprovado nos autos. Assim, requer seu cancelamento." Inconformada com a decisão de primeiro grau, a ora Recorrente apresentou o recurso sob análise repisando que o suposto lançamento realizado careceria de motivação e comprovação, bem como defendendo a existência do crédito que diz possuir. É o relatório. Voto Conselheiro Eduardo Morgado Rodrigues Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10384.900365/200898 Acórdão n.º 1401003.335 S1C4T1 Fl. 6 5 O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Em breve síntese do já relatado, o presente feito trata das compensações realizadas pela Recorrente de débito de IRPJ por estimativa correspondente ao período de Fevereiro, Março e Abril de 2003 com créditos oriundos de pagamento indevido ou a maior realizado. O Despacho Decisório de fls. 19 não reconheceu o crédito pleiteado porquanto o mesmo já havia sido integralmente utilizado na quitação de débito anterior e intimou o Contribuinte a providenciar o pagamento, em até 30 dias, do débito indevidamente compensado, acrescido dos encargos devidos. A Contribuinte, por sua vez, fundamentou sua defesa no presente feito alegando que o lançamento que, supostamente, teria sido realizado no citado Despacho Decisório careceria de motivação vez que a autoridade fiscal não teria realizado qualquer verificação quanto a efetiva ocorrência do fato gerador, tampouco comprovado a existência do débito. Nesta toada, entende que o "lançamento" estaria viciado, sendo, portanto, nula a cobrança. Ainda, alega apenas genericamente que havia crédito para suportar a compensação intentada. A decisão da DRJ de piso negou provimento à Manifestação da Interessada corroborando a prévia alocação dos créditos em outros débitos, conforme citado pelo Despacho Decisório, bem como afastando as alegações de nulidade da cobrança. Por fim, a Recorrente traz a está instância recursal argumentos semelhantes aos já esposados na instância a quo. Primeiramente, insta esclarecer que por se tratar o presente feito de processo de compensação de iniciativa da própria Recorrente cabe a esta a comprovação da existência de crédito suficiente para amparar a operação realizada. Outrossim, importa salientar que o tributo em questão tem seu lançamento realizado pelo próprio contribuinte no momento em que apura seu resultado e tributos devidos ao fim de cada período de atividade. Desta forma, não há que se falar em "lançamento" por ocasião do Despacho Decisório que não homologou a compensação. Em verdade, o que ocorre é apenas a cobrança do débito que a própria Recorrente já havia lançado e restou sem pagamento consignado, face a insuficiência de crédito. Notese que, conforme dicção do art. § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, a declaração de compensação constitui confissão de divida. Ou seja, a própria Recorrente realizou o lançamento, confessou o débito e tentou adimplilo pela via da compensação. Uma vez que não havia crédito suficiente para a quitação, não há qualquer óbice para a cobrança, sendo desnecessária qualquer outra medida, apuração ou comprovação por parte da autoridade fiscal. Por fim, ainda que a Recorrente não tenha apresentando qualquer documento no intuito de demonstrar a existência do crédito que diz possuir, aponto que a DRJ de origem Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10384.900365/200898 Acórdão n.º 1401003.335 S1C4T1 Fl. 7 6 trouxe aos autos tela do sistema SIEF que demonstra a utilização do recolhimento apontado em outro débito anterior à compensação ora analisada. Destarte, entendo não assistir razão à Recorrente pelos mesmos fundamentos já esposados pela DRJ de origem. Assim, por economia processual, e em atenção ao §3º do art. 57 do RICARF, adoto as razões exaradas pela decisão da DRJ ora combatida. Para tanto, reproduzo os tópicos atinentes às matérias ora tratadas: "(...) De início, cabe transcrever o fundamento constante no despacho decisório para indeferir o pleito em análise: “(...) foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Conforme regra consagrada pelo art. 333, do Código de Processo Civil, o ônus da prova incumbe ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito, e ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Desta forma, o ônus sobre a existência de um pagamento indevido a ser utilizado em processo de compensação é do titular do crédito que apresenta a petição. À autoridade local (no caso, a DRF Teresina) incumbe verificar a disponibilidade do crédito pretendido, em conformidade com os sistemas de controle da Receita Federal, proferindo despacho decisório, devidamente fundamentado, justificando o acolhimento ou não do pleito do contribuinte. Conforme se verifica às fls. 19, o despacho decisório está devidamente motivado, com a indicação do fato que impediu o reconhecimento do direito do autor do pedido (crédito já utilizado para quitação de débitos do contribuinte). De acordo com extratos do sistema eletrônico SIEF, abaixo reproduzidos, parte do crédito pretendido já havia sido alocado para amortizar débitos em nome do contribuinte, restando um saldo de R$ 16.588,16 que foi utilizado na análise deste PER/DCOMP pela autoridade local (homologação parcial): Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10384.900365/200898 Acórdão n.º 1401003.335 S1C4T1 Fl. 8 7 Com efeito, caberia ao contribuinte nesta fase recursal demonstrar a suposta incorreção no fundamento da autoridade que indeferiu o pleito, que no caso envolveria a forma de extinção do débito para o qual parte do pagamento já havia sido alocado (débito IRPJ, PA 072011, código 2362), conforme indicação acima, fato que não ocorreu no presente processo. Daí porque, não faz sentido às referências feitas pela defesa ao ônus da prova na presente relação e que estaríamos “diante de mera presunção simples, não de prova”. Embora a Receita Federal do Brasil RFB permita que o contribuinte indique na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF a forma que pretende utilizar determinado pagamento, este não é o único critério de que os sistemas da RFB se utilizam para proceder ao controle de débitos e créditos. Por exemplo, se para determinado débito não são indicados, na DCTF, pagamentos suficientes para amortizar a dívida, buscase a existência de pagamentos disponíveis na base de dados que possuam a mesma característica do débito (mesmo número de Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10384.900365/200898 Acórdão n.º 1401003.335 S1C4T1 Fl. 9 8 inscrição e código de receita, por exemplo). O Código Tributário Nacional – CTN no seu art. 163 apresenta regra específica para imputação de pagamentos, dando lastro aos procedimentos adotados pelos sistemas eletrônicos da Receita Federal, a saber: Art. 163. Existindo simultaneamente dois ou mais débitos vencidos do mesmo sujeito passivo para com a mesma pessoa jurídica de direito público, relativos ao mesmo ou a diferentes tributos ou provenientes de penalidade pecuniária ou juros de mora, a autoridade administrativa competente para receber o pagamento determinará a respectiva imputação, obedecidas as seguintes regras, na ordem em que enumeradas: I em primeiro lugar, aos débitos por obrigação própria, e em segundo lugar aos decorrentes de responsabilidade tributária; II primeiramente, às contribuições de melhoria, depois às taxas e por fim aos impostos; III na ordem crescente dos prazos de prescrição; IV na ordem decrescente dos montantes. Outro aspecto que merece ser destacado é que, ex vi do disposto no § 6º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, incluído pela Lei nº 10.833/2003, a declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. Assim, a existência da obrigação tributária referente aos débitos incluídos na PER/DCOMP é inconteste, salvo se o próprio contribuinte posteriormente comprovar que cometeu algum equívoco no preenchimento da declaração (o que não ocorreu no presente caso). Portanto, não guardam qualquer relação com o litígio as referências feitas pela impugnante ao “lançamento em discussão” ou que “o fisco não cumpriu o ônus de produzir prova material, e a conseqüência é a não comprovação da ocorrência do fato gerador e o nascimento da obrigação tributária”. Destarte, não tendo a defesa comprovado a existência de saldo disponível, não há como homologar a compensação pleiteada. (...)" Finalmente, com base em tudo que foi exposto acima entendo que os argumentos esposados pela Recorrente não devem ser acolhidos. Portanto, a decisão de primeira instância não merece qualquer reparo. Desta forma, VOTO no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, mantendo in totum a decisão de primeira instância. É como voto. (assinado digitalmente) Eduardo Morgado Rodrigues Relator Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10384.900365/200898 Acórdão n.º 1401003.335 S1C4T1 Fl. 10 9 Fl. 137DF CARF MF
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