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Numero do processo: 13005.900917/2010-98
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
CRÉDITO DE IPI. COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTES DO IPI. FUMO EM FOLHA.
A partir da Lei nº 10.865/2004, publicada em 01/08/2004, nos termos do artigo 41 o produto fumo (tabaco) em folha classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401 I.10.40 e 2401.20 da TIPI passaram a fazer parte do campo de incidência do IPI, tributado com alíquota de 30% (trinta por cento), razão pela qual é legitima a apropriação dos créditos do imposto pelos comercias atacadista, em respeito ao princípio da não cumulatividade, cuja observância é obrigatória.
O montante do crédito deve respeitar o estabelecido no art.165, do RIPI/02.
CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC.
Numero da decisão: 9303-007.913
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para reconhecer o 360° dia do protocolo do pedido, como o termo inicial da aplicação da Taxa Selic sobre o valor da glosa revertida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRÉDITO DE IPI. COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTES DO IPI. FUMO EM FOLHA. A partir da Lei nº 10.865/2004, publicada em 01/08/2004, nos termos do artigo 41 o produto fumo (tabaco) em folha classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401 I.10.40 e 2401.20 da TIPI passaram a fazer parte do campo de incidência do IPI, tributado com alíquota de 30% (trinta por cento), razão pela qual é legitima a apropriação dos créditos do imposto pelos comercias atacadista, em respeito ao princípio da não cumulatividade, cuja observância é obrigatória. O montante do crédito deve respeitar o estabelecido no art.165, do RIPI/02. CRÉDITO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 90 09 17 /2 01 0- 98 Fl. 320DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para reconhecer o 360° dia do protocolo do pedido, como o termo inicial da aplicação da Taxa Selic sobre o valor da glosa revertida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran,Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Trata o presente processo de pedido de ressarcimento eletrônico de créditos de IPI (PER/DCOMP nº 18534.32543.111006.16.1.010579), transmitido em 11/10/2006, no montante originário de R$ 7.353.388,30, referente ao quarto trimestre do ano de 2006. O pedido foi denegado pelo despacho decisório eletrônico nº 869634557, da DRF em Santa Cruz do Sul, que não reconheceu a integralidade do crédito, de 03/08/2010, à e fl. 16. A denegação teve fulcro no Termo de Verificação Fiscal de efls. 70 a 78, que concluiu que a empresa estava pleiteando ressarcimento de créditos de IPI com base, exclusivamente, em compras a comerciais atacadistas (art. 165 do RIPI/2002) e esses produtos (fumos classificados na posição 2401.10.30 da TIPI) adquiridos de pessoas físicas, comprovadamente, deixaram de sofrer qualquer incidência do tributo em etapa anterior, inexistindo, por isso, os saldos pleiteados. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, às efls. 02 a 15, para que fosse reconhecido o direito creditório objeto do pedido de ressarcimento do presente processo, para que se restituísse o valor pleiteado, acrescido da taxa Selic desde a data do protocolo do pedido até a do efetivo ressarcimento. A 3ª Turma da DRJ/POA, em 11/08/2011, apreciou as manifestações da contribuinte, resultando o acórdão nº 1033.483, às efls. 83 a 93, considerando improcedente a manifestação de inconformidade. Intimada do acórdão da DRJ a contribuinte, interpôs recurso voluntário, em 02/09/2011, às efls. 96 a 129. Em síntese, o recurso trouxe as seguintes alegações, reproduzidas a partir do relatório do acórdão sobre o qual aqui se controverte, às efls. 159 e 160: a) Requereu o ressarcimento relativo ao crédito de IPI decorrente da aquisição de fumo de comerciantes atacadistas; Fl. 321DF CARF MF Processo nº 13005.900917/201098 Acórdão n.º 9303007.913 CSRFT3 Fl. 321 3 b) Tem como atividade o beneficiamento e a comercialização de fumo, para fins de exportação. As folhas beneficiadas são classificadas na posição 2401.10, após o beneficiamento o qual consiste em destalar as folhas e cortálas, a classificação passa para a posição 2401.20 da TIPI (Fumo – tabaco – total ou parcialmente destalado). c) A partir do art. 41 da lei nº. 10.865/2004 as folhas de fumo cru e o destalado e picado foram incluídos no campo de incidência do IPI, aplicando a alíquota de 30% (trinta por cento), até então eram considerados como não tributáveis; d) Nos termos do art. 12 da lei nº. 11.051/2004 quando as folhas de fumo forem destaladas por produtor rural pessoa física o produto será considerado não industrializado; e) A decisão recorrida entendeu que o crédito apenas seria devido se houvesse a incidência do IPI nas operações anteriores, realizadas pelo fornecedor de quem o contribuinte adquiriu a matéria prima, assim apenas haveria crédito nas aquisições de fumo realizadas em empresas comerciais atacadistas não contribuintes do imposto, quando estas adquirirem de outras pessoas jurídicas e com a incidência do imposto; f) A não cumulatividade do IPI “dáse pelo registro dos créditos ocorridos em determinada periodicidade da compra de MP, PI e ME, com os débitos decorrentes das saídas de produtos manufaturados”: g) A lei presumiu no art. 6º do decreto lei nº. 400/68 o montante do crédito, em face da dificuldade de apuração do IPI relativo à matériaprima, produto intermediário e material de embalagem; h) O art. 165 do RIPI/2002 exige para ser efetuado o crédito ficto:“i) a aquisição deve ser feita de empresa comerciante atacadista, tal como definido na legislação do IPI; ii) a operação deve estar relacionada com a aquisição de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem e acondicionamento; iii) a aquisição deve ser realizada por contribuinte do IPI”. i) a Taxa SELIC deve incidir desde a data do objeto do pedido de restituição( protocolo) até a data da efetiva restituição, com vistas a manter o equilibro Fiscocontribuinte. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em 26/02/2013, resultando no acórdão nº 3102001.770, que tem as seguintes ementas: CRÉDITO DE IPI. AQUISIÇÃO JUNTO A COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTE DO IPI. FUMO EM FOLHA. Após vigência da lei nº.10.865/2004, a qual expressamente prevê no art. 41 que o fumo em folha classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401.10.40 e 2401.20 da TIPI passar a Fl. 322DF CARF MF 4 integrar o campo de incidência do IPI, é devido a apropriação dos créditos do imposto, atendendo assim o princípio da não cumulatividade. O montante do crédito deve observar o estabelecido no art. 165, do RIPI/02. RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC A PARTIR DO PEDIDO. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. A questão central da discussão, concernente à possibilidade de a contribuinte creditarse de aquisições de fumo cru e de fumo destalado, de comerciais atacadistas que por sua vez os adquiriram de pessoas física, não contribuintes do IPI, teve a seguinte conclusão no voto do relator: Acontece que a partir da Lei nº 10.865/2004 as folhas de fumo cru e as folhas do fumo destalado e picado foram incluídos no campo de incidência do IPI, tributado com alíquota de 30%(trinta por cento) nos termos do art. 413, cuja redação apenas foi alterada em 2007, portanto como as folhas de fumo foram adquiridas de comercias atacadista, não há como afastar o crédito pretendido, sob a argumento de que o comercial atacadista adquiriu o fumo de pessoa física. Ora, o princípio da não cumulatividade adotado em nossa Constituição permite ao contribuinte que realize em cada operação uma dedução correspondente ao montante de tributo relativo às operações antecedentes, mesmo que nelas não tenha ocorrido a cobrança do Tributo. Com relação a aplicação da taxa Selic para atualização dos créditos a serem ressarcidos, o relator invocou o art. 62A do regulamento do CARF para utilizar o posicionamento do STJ no julgamento do recurso especial nº 1.035.847, submetido ao regime do art. 543C, representativo de controvérsia, o qual reconheceu que o pedido de ressarcimento de crédito de IPI enseja a incidência de correção monetária, decisão essa que transitou em julgado em 10/03/2010, devendo a atualização ser realizada a partir do protocolo do pedido administrativo. Embargos de declaração da Fazenda A Procuradoria da Fazenda Nacional foi intimada do acórdão nº 3102 001.770 em 03/09/2013 (efl. 166), e manejou embargos de declaração, às efls. 167 a 170, em 26/09/2013, alegando a existência de omissão no acórdão por não apontar fundamentos fáticos que assemelhem o caso em apreço àquele que deu origem ao recurso especial do STJ que fundamentou o posicionamento do voto condutor. Em 14/09/2015, o então Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, no despacho de efls. 173 a 175, rejeitou os embargos por não verificar omissão no acórdão, mas interpretação em desacordo com o embargante, que deveria ser enfrentada em sede de recurso especial de divergência. Recurso especial de Fazenda Fl. 323DF CARF MF Processo nº 13005.900917/201098 Acórdão n.º 9303007.913 CSRFT3 Fl. 322 5 Intimada para ciência do despacho que não admitiu os embargos em 16/09/2015 (efl. 176), a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial de divergência às efls. 177 a 227, em 21/09/2015. O recurso especial da Procuradora estabeleceu se sobre três matérias: a) reconhecimento do direito ao crédito de fumo adquirido de comerciante não contribuinte de IPI e produtores pessoas físicas; b) não incidência da Taxa Selic nos pedidos de ressarcimento; e c) definição do termo inicial para incidência de correção pela taxa Selic. Para a matéria a), apresentou os acórdãos paradigmas nº 3402001.749 e nº 930300.743. Enquanto o acórdão a quo reconheceu o direito ao crédito ficto do IPI para ressarcimento do PIS e da Cofins, incidentes sobre aquisições de fumo à comerciais atacadistas, considerando que a partir da publicação da Lei nº 10.865/2004, tal possibilidade seria plausível, o primeiro paradigma citado vedou expressamente o direito ao crédito em face de fumo adquirido de comerciante atacadista não contribuinte de IPI, ante a inexistência de imposto devido nas operações anteriores. O acórdão recorrido terminou por reconhecer o direito ao ressarcimento de crédito ficto na aquisição de insumos destinados à produção de produtos não tributáveis pelo IPI posição diversa daquela exsurgida no segundo paradigma que vedou o creditamento relacionado a produtos classificados na TIPI como NT. No tocante à matéria b), não incidência da taxa Selic, a Procuradora esgrimiu a divergência com base nos acórdãos nº CSRF/0203.718 e nº 930300.720 que formaram posicionamento no sentido que é incabível a incidência da Taxa SELIC sobre o ressarcimento, pois ressarcimento e restituição/repetição de indébito são institutos diversos e a aplicação da Taxa SELIC deve derivar de previsão expressa de lei e não de aplicação da analogia, contrariando a decisão recorrida que determinou a incidência da taxa SELIC sobre o crédito discutido, a partir do protocolo do pedido, com base em julgado do STJ (REsp nº 1.035.847 RS) no regime dos recursos repetitivos (art. 543C do CPC). Outrossim, alega que a situação de fato do presente processo não se coaduna com o julgado no STJ apontado no aresto recorrido. Por fim, o ponto c), na eventualidade de aos julgadores entenderem pela correção com base na taxa Selic, haveria acórdão paradigma de nº 3802002.338, que diferentemente do acórdão a quo, entendeu que o cálculo para incidência de correção deva ser realizado a partir da data do indeferimento dos créditos e não do seu protocolo. Alternativamente, há ainda o aresto paradigmático nº 3201001.765, que afirma ser a data de contagem inicial da correção aquela em que poderia se apontar a ilegitimidade da resistência do Fisco em atender ao pedido, somente ao final do prazo de 360 dias da data do protocolo do pedido de ressarcimento, por aplicação do art. 24 da Lei nº 11.457/2007. O Presidente da 1ª Câmara de Terceira Seção de Julgamento do CARF, apreciou o recurso especial de divergência do Procurador, no despacho e efls. 229 a 234, em 25/01/2016, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n° 343 de 09/06/2015, dandolhe seguimento apenas em relação as matérias a) e c), entendendo que os acórdãos da matéria b) não serviam como paradigmas para o recurso. O então Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com base no art. 71 do RICARF, em reexame da admissibilidade do recurso especial às efls. 235 e 236, manteve integfralmente o despacho do Presidente da 1ª Câmara . Contrarrazões da contribuinte Fl. 324DF CARF MF 6 A contribuinte foi cientificada (efl. 241) do acórdão de recurso voluntário, do recurso especial de divergência da Fazenda e do despacho de sua admissibilidade em 26/02/2016 e apresentou contrarrazões em 08/03/2016, às efls. 244 a 258. Nos argumentos, repisa aqueles já esgrimidos em seu recurso e impugnação anteriores, a eles agregando mais jurisprudências administrativas e judiciais, concluindo com o pedido da denegação do provimento ao recurso especial de divergência da Procuradora. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator O recurso especial de divergência da Fazenda é tempestivo, cumpre os requisitos regimentais e voto por conhecêlo. Mérito Reconhecimento do direito ao crédito de fumo adquirido de comerciante não contribuinte de IPI e produtores pessoas físicas Quanto ao mérito, esta 3ª Turma teve a oportunidade de se debruçar sobre a mesma matéria em 23/03/2017, e sobre ela unanimemente se posicionou, resultando no acórdão nº 9303004.903, guiado pelos argumentos do voto da i. conselheira Érika Costa Camargos Autran cujo conteúdo peço vênia para reproduzir: Nos temos do art. 6º do decretolei n.º 400/68, regulamentado pelo art. 165 do RIPI, o imposto relativo a MP, PI e ME quando adquirido de atacadista, para fins do cálculo do crédito de IPI, será observado o percentual de 50% (cinquenta por cento) sobre o valor descrito na nota do produto, para assim ser aplicada alíquota devida, in verbis: (omissis) Note que a lei estabeleceu uma presunção, pela qual o valor do imposto contido no preço da mercadoria adquirida foi arbitrado pelo legislador. Isso em razão da impossibilidade fática de se apurar o real valor do IPI contido no preço da mercadoria, ou mesmo da verificação da origem das mercadorias adquiridas pelo comerciante. Por outro lado, a probabilidade de ter ocorrido a incidência do IPI nas operações anteriores, por se tratar de produto sujeito ao referido imposto, dá ensejo ao registro do crédito para a preservação do princípio da nãocumulatividade. Uma vez estabelecida a presunção legal, não cabe indagar sobre as razões para sua instituição, deve o julgador aplicar o que foi estabelecido pelo legislador: “ O art. 6º, do DecretoLei n.° 400/68 foi regulamentado pelo art. 165 do RIPI/02 (Decreto n." 4.544/02)” Ora, a redação do art. 165 acima transcrito é cristalina ao prever a possibilidade de creditamento do imposto relativo a Fl. 325DF CARF MF Processo nº 13005.900917/201098 Acórdão n.º 9303007.913 CSRFT3 Fl. 323 7 MP, PI e ME na aquisição de comerciante atacadista não contribuinte. Dizer o contrário (como fez a acusação), alegando que não houve pagamento do imposto nas etapas anteriores, é negar a aplicação de um ato normativo vigente, aplicável e eficaz. Ademais, entendo que o crédito previsto no art. 165 do RIPI tem caráter de benefício fiscal, destinado a reduzir os impactos sofridos pelos estabelecimentos industriais de pequeno porte, que necessitam de intermediários para a aquisição dos insumos utilizados para sua atividade industrial, não guardando nenhuma vinculação com o princípio da nãocumulatividade. Assim, a norma que previu o direito ao crédito (art. 6º do Decretolei 400/68) deve ser interpretada de forma literal, sem quaisquer restrições ou dilações não previstas em Lei. Assim, é irrelevante não ter havido cobrança de IPI na entrada do estabelecimento atacadista, sendo necessário, tãosomente, que o produto seja positivamente tributado, sob pena de o resultado do cálculo previsto no art. 6º do DL nº 400/1968 ser igual a zero. No entanto, a partir da Lei nº 10.865/2004, nos termos do artigo 41, as folhas de fumo cru e as folhas do fumo destalado e picado foram incluídos no campo de incidência do IPI, tributado com alíquota de 30% (trinta por cento), cuja redação apenas foi alterada em 2007, pela Lei 11.452/2007, portanto como as folhas de fumo foram adquiridas de comercias atacadista, não há como afastar o crédito pretendido, sob a argumento de que o comercial atacadista adquiriu o fumo de pessoa física. "Art. 41. Ficam incluídos no campo de incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados — IPI tributados à aliquota de 30% (trinta por cento), os produtos relacionados nos códigos 2401.10.20 a 2401.10.30, 2401.10.40 e na subposição 2401.20 da TIPI. §1º. A incidência do imposto independe da forma de apresentação, acondicionamento, estado ou peso do produto. §2º. Quando a industrialização for realizada por encomenda, o imposto será devido na saída cio produto do estabelecimento que o industrializar e o encomendante responderá solidariamente com o estabelecimento industrial pelo cumprimento da obrigação principal e acréscimos legais. § 3º. As disposições deste artigo produzirão efeitos a partir do 1º (Primeiro) decêndio posterior ao 3º (terceiro) mês contado da mesma publicação." (Grifouse). Fl. 326DF CARF MF 8 Ora, o princípio da não cumulatividade adotado em nossa Constituição permite ao contribuinte que realize em cada operação uma dedução correspondente ao montante de tributo relativo às operações antecedentes, mesmo que nelas não tenha ocorrido a cobrança do Tributo. Assim, não há empecilho ao creditamento, nos moldes do art. 6º do DL nº 400/1968, em relação às aquisições de comerciante atacadista, independentemente da origem do insumo (produtor rural pessoa física ou jurídica). Ao analisar questão análoga, o CARF através da 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária e o então segundo Conselho de Contribuintes assim decidiram: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 30/04/2005 a 31/12/2006 CRÉDITO DE IPI. COMERCIANTES ATACADISTAS NÃO CONTRIBUINTES DO IPI. FUMO EM FOLHA. A partir de 01/08/2004, por expressa disposição do art. 41, da dei nº 10.865/04, o produto fumo (tabaco) em folha classificado nas posições 2401.10.20, 2401.10.30, 2401 I.10.40 e 2401.20 da TIPI passaram a fazer parte do campo de incidência do IPI, razão pela qual é legitima a apro priação dos créditos do imposto em atenção ao princípio da nãocumulatividade, cuja observância é obrigatória. O montante do crédito deve respeitar o estabelecido no art. 165, do RIPI/02. IPI. RESSARCIMENTO. CRÉDITO BÁSICO. São passíveis de ressarcimento os créditos de IPI regularmente escriturados. O cálculo e a escrituração de crédito de IPI nas aquisições de matériasprimas, material de embalagem e produtos intermediários feitas junto a comerciantes atacadistas não contribuintes deve feito na forma estabelecida no art. 165 do RIPI/2002. O que ultrapassar o valor assim calculado é indevido. CORREÇÃO MONETÁRIA. JUROS. Por ausência de previsão legal, descabe falarse em atualização monetária ou juros incidentes sobre o eventual valor a ser objeto de ressarcimento. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INTIMAÇÃO. ENDEREÇAMENTO. Por determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao domicílio fiscal eleito pelo sujeito passivo. Recurso negado. " Salientase apenas que, quanto aos demais lapsos temporais e até hoje , a aquisição de tabaco não destalado de comercial atacadista não enseja créditos passíveis de apropriação, vez que o produto foi excluído do campo de incidência do IPI, constando como "nãotributado", na TIPI. No presente processo, os créditos de IPI são relativos ao segundo trimestre de 2006, período em que ainda vigia a redação do art. 41 da Lei 10.865/2004 transcrito no voto acima, antes de sua alteração pela Lei nº 11.452 de 27/02/2007. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 13005.900917/201098 Acórdão n.º 9303007.913 CSRFT3 Fl. 324 9 Pelos argumentos acima arrrolados, voto pela improcedência do recurso especial da Procuradora no tocante a esse ponto. Definição do termo inicial para incidência de correção pela taxa Selic Sobre essa matéria, também já houve posicionamento majoritário recente nesta Turma, em sessão de 19/09/2018, quando utilizouse do voto vencedor do acórdão nº 9303007.411, de relatoria do i. conselheiro Demes Brito como paradigma de recursos repetitivos daquela sessão. Naquela ocasião acompanhei a maioria e por isso aqui me apoio nos argumentos lá expendidos e uma vez mais peço licença para aqui reproduzilos: Embora, o STJ tenha definido aplicação da Taxa Selic acumulada a título de “atualização monetária” do valor requerido, quando o seu deferimento decorre de ilegítima resistência por parte da Administração, entendo que os processos ao crivo de julgamento desta E. Câmara Superior, a turma deve analisar detidamente se houve ou não "oposição estatal" ou "ilegítima resistência por parte da Administração Pública". Nos processos de minha relatoria, adoto o entendimento expresso do STJ de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ). E ainda, também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457/07), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Neste mesmo diapasão, a Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Confiramse recentes julgados: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO RECURSO ESPECIAL. IPI. CREDITAMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. SÚMULA 411/STJ. TERMO INICIAL: 360 DIAS APÓS PROTOCOLADO O PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VERBA HONORÁRIA FIXADA EM R$ 5.000,00. VALOR NÃO CONSIDERADO IRRISÓRIO PELO STJ, CONSIDERANDO O VALOR ATRIBUÍDO À CAUSA (R$ 200.000,00) E O DECAIMENTO PARCIAL DAS Fl. 328DF CARF MF 10 AUTORAS. AGRAVO INTERNO DAS CONTRIBUINTES A QUE SE NEGA PROVIMENTO. 1. Encontra se pacificado o entendimento da 1a. Seção desta Corte de que eventual possibilidade de aproveitamento dos créditos escriturais não dá ensejo à correção monetária, exceto se tal creditamento for injustamente obstado pela Fazenda, considerando se a mora na apreciação do requerimento administrativo de ressarcimento feita pelo Contribuinte como um óbice injustificado. Aplica se a essa hipótese o enunciado 411 da Súmula do STJ, segundo o qual é devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco. A propósito, 1a. Seção do STJ consolidou esse entendimento por ocasião do julgamento do REsp. 1.035.847/RS, relatado pelo ilustre Ministro LUIZ FUX e julgado sob o regime do art. 543C do CPC/1973. 2. O marco inicial da correção monetária só pode ser o término do prazo conferido à Administração Tributária para o exame dos requerimentos de ressarcimento, qual seja, 360 dias após o protocolo dos pedidos. Precedentes: AgInt no REsp. 1.581.330/SC, Rel. Min. GURGEL DE FARIA, DJe 21.8.2017; AgRg no AgRg no REsp. 1548446/RS, Rel. Min. HUMBERTO MARTINS, DJe 10.12.2015; AgRg no AgRg no REsp. 1.255.025/SC, Rel. Min. HERMAN BENJAMIN, DJe 8.9.2015. [...] 6. Agravo Interno das Contribuintes a que se nega provimento. (AgInt no REsp 1348672/SC, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/11/2017, DJe 5/12/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS ESCRITURAIS. APROVEITAMENTO. RESISTÊNCIA INJUSTIFICADA DO FISCO CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. 1. A jurisprudência do STJ firmou o posicionamento de que é incabível a correção monetária de créditos escriturais como regra, exceto na hipótese de ocorrer "vedação ao aproveitamento desses créditos, com o conseqüente ingresso no Judiciário", situação em que "postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizá los monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco" (REsp 1035847/RS RECURSO ESPECIAL 2008/00448972, Relator Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, Data de Julgamento 24/06/2009, DJe 03/08/2009, julgado pela sistemática dos recursos repetitivos). 2. Concedido à Administração Pública o prazo máximo de 360 dias, a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte, para que seja proferida decisão administrativa (art. 24 da Lei n. 11.457/2007), a interpretação literal e teleológica de tal dispositivo legal conduz à conclusão de que somente após o término desse prazo é que deve incidir a correção monetária pela taxa Selic. Fl. 329DF CARF MF Processo nº 13005.900917/201098 Acórdão n.º 9303007.913 CSRFT3 Fl. 325 11 3. Agravo interno desprovido. (AgInt no REsp 1637361/RS, Rel. Ministro GURGEL DE FARIA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 28/9/2017, DJe 13/11/2017) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NOS EMBARGOS DE DIVERGÊNCIA. CRÉDITO ESCRITURAL. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TERMO A QUO. LEI 11.457/2007. DISSÍDIO INTERNO NÃO DEMONSTRADO. ACÓRDÃO EM SINTONIA COM A JURISPRUDÊNCIA DAS TURMAS DE DIREITO PÚBLICO. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 168/STJ. 1. Agravo regimental contra decisão que indeferiu liminarmente embargos de divergência que versam sobre o termo inicial da correção monetária de créditos tributários objeto de pedido de ressarcimento. 2. Não há similitude entre os acórdãos confrontados, tendo em vista que o acórdão embargado, para decidir a questão relativa ao termo a quo da correção monetária, ponderou o prazo estipulado pela Lei 11.451/07 para a Administração analisar o pedido de ressarcimento, sendo que essa lei nem sequer foi sopesada no julgamento do aresto apontado como paradigma. 3. Ademais, o entendimento adotado pelo acórdão embargado, de que após a vigência do art. 24 da Lei 11.457/2007 a correção monetária de ressarcimento de créditos de ocorre após o prazo de 360 dias para análise do pedido administrativo, encontrase em conformidade com a jurisprudência das Turmas de Direito Público. Precedentes: AgRg no REsp 1.465.567/PR, Rel. Ministro Sérgio Kukina, Primeira Turma, DJe 24/3/2015; REsp 1.240.714/PR, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 10/9/2013; AgRg no REsp 1.353.195/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 5/3/2013; AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Ministro Napoleão Nunes Maia Filho, Primeira Turma, DJe 21/2/2013; AgRg nos EDcl no REsp 1.222.573/RS, Rel. Ministro Benedito Gonçalves, Primeira Turma, DJe 7/12/2011. Incide, pois, a Súmula 168/STJ. 4. Agravo regimental não provido. (AgRg nos EREsp 1490081/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 24/6/2015, DJe 1º/7/2015. Os Tribunais vem decidido da mesma forma, ou seja, no que diz respeito a incidência da taxa SELIC e o seu termo inicial, as decisões ultrapassadas vinham no sentido de que, havendo pedido administrativo de restituição e/ou compensação dos créditos tributários, formulado pela Contribuinte, a eventual "resistência ilegítima" da Fazenda Pública, configurada pela demora em analisar o pedido, ensejaria a sua constituição em mora, sendo devida a correção monetária dos respectivos créditos a partir da data de protocolo do pedido. Fl. 330DF CARF MF 12 Ocorre, contudo, que recentemente o Superior Tribunal de Justiça, em julgamento de Embargos de Divergência, uniformizou entendimento no sentido de que a correção monetária deve incidir apenas após o encerramento do prazo legal (360 dias contados da data do protocolo administrativo) concedido à autoridade fiscal para analisar os pedidos administrativos de ressarcimento, senão vejamos: TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PEDIDO ADMINISTRATIVO. TAXA SELIC. TERMO INICIAL DA CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. Caracterizada a mora do Fisco ao analisar o pedido administrativo de reconhecimento de crédito escritural ou ficto (quando extrapolado o prazo de análise do pedido), deve incidir correção monetária, pela taxa SELIC. 2. O termo inicial da correção monetária de ressarcimento de crédito de PIS/COFINS nãocumulativo ocorre somente após escoado o prazo de 360 dias para a análise do pedido administrativo pelo Fisco, consoante entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça quando do julgamento dos Embargos de Divergência no Recurso Especial n.º 1.461.607/SC. (TRF4 AC: 50001491820184047117 RS 500014918.2018.4.04.7117, Relator: ROGER RAUPP RIOS, Data de Julgamento: 10/10/2018, PRIMEIRA TURMA) Não é diferente o entendimento desta E. Câmara Superior. Vejamos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/10/2006 a 31/12/2006 CRÉDITO FICTO DE IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ATUALIZAÇÃO. TAXA SELIC. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. TERMO INICIAL. 360 DIAS. Não existe previsão legal para a incidência da Taxa SELIC nos pedidos de ressarcimento de IPI. O reconhecimento da atualização monetária só é possível em face de decisões do STJ na sistemática dos Recursos Repetitivos, quando existentes atos administrativos que indeferiram parcial ou totalmente os pedidos, e o entendimento neles consubstanciados foi revertido nas instâncias administrativas de julgamento, sendo assim considerados oposição ilegítima ao seu aproveitamento. Configurada esta situação, a Taxa SELIC incide sobre a parcela revertida no contencioso a favor do contribuinte, mas somente a partir de 360 (trezentos e sessenta) dias contados do protocolo do pedido, pois, antes deste prazo, não existe permissivo, nem mesmo jurisprudencial, com efeito vinculante, para a sua incidência. (3ª Turma da CSRF Acórdão nº 9303007.011, Relator: Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, data de julgamento: 14 de junho de 2018). Fl. 331DF CARF MF Processo nº 13005.900917/201098 Acórdão n.º 9303007.913 CSRFT3 Fl. 326 13 Como visto, o Poder Judiciário sedimentou o entendimento de que, nos termos do artigo 24 da lei nº11.457/07, a Administração Pública deve obedecer ao prazo de 360 dias para decidir sobre os pedidos de ressarcimento, independentemente da época do requerimento (REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC/73). Assim, o marco inicial da correção monetária, levando em consideração os termos da Lei nº 11.457/2007, é o fim do prazo que a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias. Sem embargo, as conclusões da Ilustre Relatora vencida, não se coaduna com os princípios da eficiência e celeridade processual, concluise que sua leitura não atingiu os objetivos de aplicação do artigo 24 da Lei n° 11.457/2007 aos processos administrativos fiscais, inclusive aos requerimentos efetuados antes de sua vigência, que de modo vinculante estabeleceu um prazo razoável para duração do processo do processo administrativo, ou seja, para que a autoridade administrativa de origem desse uma solução aos pedidos de restituição, ressarcimento e afins seria de 360 dias. Ora, se a administração tem o prazo de 360 dias para solucionar os processos administrativos de ressarcimento, há previsão legal para incidência da correção monetária sobre referidos pedidos, a conclusão inequívoca transmitida por esses julgados é que não há possibilidade de incidência da correção monetária neste interregno, uma vez que este seria o prazo razoável determinado na lei. Diametralmente oposto no voto vencido, in caso como se observa nas razões de decidir da Relatora Vencida, é visível o prejuízo suportado pela Contribuinte, em razão da postergação de um prazo razoável para solução de lide, não há justificativa para o que não se pode justificar, a incidência de correção monetária pela Taxa Selic desde o protocolo do pedido, colide com os princípios da celeridade e eficiência. Por oportuno, esclareço que o processo administrativo fiscal esta adstrito as regras positivadas do sistema, neste sentido, invoco o magistério do Professor Luiz Orlando Junior Zanon (pg.104,105106) o qual em sua tese de Doutorado, Teoria Complexa do Direito1, esclarece a correta inserção das normas no plano sistêmico. In verbis: "O Positivismo Jurídico pressupõe que o Direito é formado exclusivamente (ou ao menos preponderantemente) por Regras Jurídicas, como sinônimo de Normas Jurídicas positivadas, devidamente fixadas pelos parlamentares (no sistema codificado) ou estabelecidas em precedentes judiciais anteriores (no modelo judiciário ou consuetudinário) 2 No primeiro cenário (civil law, 1 ZANON JUNIOR, Orlando Luiz. Teoria Complexa do Direito. Florianópolis: Cejur, 2013. 2 DIMOULIS, Dimitri. Positivismo jurídico: Introdução a uma teoria do direito e defesa do pragmatismo jurídicopolítico. São Paulo: Método, 2006. p. 68: “Isso indica que ser positivista no âmbito jurídico significa escolher como exclusivo objeto de estudo o direito que é posto por uma autoridade e, em virtude disso, possui validade (direito positivo)”; e, p. 131: “Partindo dessa delimitação negativa, o PJ stricto sensu afirma a absoluta Fl. 332DF CARF MF 14 statutory law ou code based legal system), a Regra Jurídica é o resultado da interpretação de um texto elaborado pelo legislador, no sentido de reconstruir sua intenção ao prolatar o dispositivo normativo, como se fosse um procedimento de adivinhação de qual teria sido a solução dada pelo órgão legiferante, acaso diante do caso concreto. E, no segundo (common law ou judge made law), a Regra Jurídica pode ser extraída não só da legislação, mas também do texto de um precedente anterior, num esforço de verificar qual seria a solução que teria sido dada pelo Poder Legislativo para reger o novo caso, nos pontos relevantes em que é precisamente similar ao julgamento anterior. Em ambas hipóteses, a interpretação e a aplicação do Direito são consideradas, pela generalidade dos juspositivistas [...] (com a notável ressalva de Kelsen), como meramente reprodutoras de sentidos já previamente fixados por Regras Jurídicas anteriores, que já guardam a resposta para solução do novo problema emergido no tecido social”. (pg.104,105106). [...]. Dessarte, tendo em vista que houve resistência ilegítima configurada relativamente ao ressarcimento dos créditos, há que se reconhecer o direito à atualização do valor devido, porém somente a partir do 360° dia do pedido. Portanto, é de se dar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional quanto à matéria. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por conhecer do recurso especial de divergência da Procuradoria da Fazenda Nacional para darlhe provimento parcial, para reconhecer o 360° dia do protocolo do pedido, como o termo inicial da aplicação da Taxa Selic sobre o valor da glosa revertida no âmbito do Processo Administrativo Fiscal. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos identidade entre o conceito de direito e o direito efetivamente posto pelas autoridades competentes, isto é, pelas autoridades que, em razão de uma constelação de poder, possuem a capacidade de impor o direito”. E FERRAJOLI, Luigi. Principia iuris: teoría del derecho y de la democracia. V 1. Madrid: Trotta, 2011. p. 395457. Especialmente, p. 396: “Las normas son reglas que pertenecen al derecho positivo em cuanto son efectos jurídicos puestos o causados por actos (T8.11, T8.12). Obviamente, em tanto que reglas, las normas son significados de preceptos (T8.13), a los que vienen asociadas em cada caso mediante interpretación jurídica”. Fl. 333DF CARF MF Processo nº 13005.900917/201098 Acórdão n.º 9303007.913 CSRFT3 Fl. 327 15 Fl. 334DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.002163/2006-17
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1995
COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS.
Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese.
Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação.
Numero da decisão: 9303-007.884
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1995 COMPENSAÇÃO. TÍTULO JUDICIAL. DIREITO À COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS DO PIS SOMENTE COM O PRÓPRIO PIS. DIREITO SUPERVENIENTE. POSTERIOR UTILIZAÇÃO DOS CRÉDITOS JUDICIAIS PARA A COMPENSAÇÃO ADMINISTRATIVA COM DÉBITOS DE OUTROS TRIBUTOS DA INTERESSADA. POSSIBILIDADE. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. ALTERAÇÃO DA LEGISLAÇÃO. EFEITOS. Os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB, no caso de a legislação posterior admitir tal hipótese. Não há violação da coisa julgada quando norma posterior permite a compensação do crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, mas tão somente justa adequação do direito às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 00 21 63 /2 00 6- 17 Fl. 388DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 389 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencido o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 3302001.448, de 15 de fevereiro de 2012 (fls. 322 a 332 do processo eletrônico), proferido pela Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos deu provimento ao Recurso Voluntário. A discussão dos presentes autos tem origem nas declarações de compensação – DCOMP protocoladas pelo Contribuinte, nas quais é requerida a compensação de débitos de tributos diversos com crédito oriundo de Ação Ordinária (nº 98.15.016750/RS) transitada em julgado, reconhecendo o direito da contribuinte de calcular o PIS nos moldes da Lei Complementar n.º 7/70, considerando inconstitucionais as alterações introduzidas pelos Decretos Leis nºs 2.445/1988 e 2.449/1988. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 390 3 Nos termos do despacho decisório exarado, foi homologada parcialmente a pleiteada compensação, deixando de homologar a relativa aos débitos do IRPJ, CSLL, IPI e COFINS e acatando somente a compensação dos débitos do PIS, consoante provimento judicial. O Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese que na compensação tributária vigora duas sistemáticas, sendo instituída pela Lei n.º 8.383/1991 (na qual o Contribuinte faz a compensação em sua escrita contábil e com tributo da mesma espécie) e pela Lei n.º 9.430/1996, posteriormente alterada pela Lei n° 10.637/2002 (na qual o Contribuinte solicita a compensação ao Fisco, podendo ser compensados tributos de espécies diferentes), sendo que para ambos regimes de compensação é necessário a existência de direito líquido e certo. Argumenta ainda que embora a decisão judicial tenha se pronunciado pela compensação do crédito do PIS com o próprio PIS, nos moldes da Lei nº 8.383/1991, devese utilizar da lei superveniente que é mais benéfica ao Contribuinte, que é a Lei n.º 9.430/1996 posteriormente alterada pela Lei n.º 10.637/2002, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ, bem como na Nota COSIT nº 141/2003. A DRJ em Porto Alegre/RS julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Contribuinte. Irresignado com a decisão contrária ao seu pleito, o Contribuinte apresentou recurso voluntário, o Colegiado deu provimento ao Recurso Voluntário para admitir a compensação dos créditos relativos ao recolhimento indevido do PIS com tributos diversos administrados pela Receita Federal do Brasil, à luz do que dispõe o art. 74 da Lei nº 9.430/1996, com a nova redação dada pela Lei n.º 10.637/2002, conforme acórdão assim ementado in verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/04/1989 a 30/09/1995 PIS. COMPENSAÇÃO INDÉBITO. AÇÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. LEGISLAÇÃO SUPERVENIENTE MAIS BENÉFICA. APLICABILIDADE. É possível haver a compensação de créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos referentes a outros tributos administrados pela Receita Fl. 390DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 391 4 Federal do Brasil nos casos em que, como no presente, a denegação da compensação com tributos de espécie distinta somente ocorrera em face de ter sido aplicada legislação que à data do reconhecimento judicial do direito creditório já havia sido modificada com a edição de legislação que passara a permitir a compensação na forma pretendida pelo sujeito passivo e na qual a própria Administração Tributária vem se orientando na homologação de compensações de tributos e contribuições sob sua administração. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 335 a 343) em face do acordão recorrido que deu provimento ao recurso do Contribuinte, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional diz respeito à possibilidade de o julgamento em instância administrativa reconhecer a compensação com outros tributos, quando a decisão judicial havia restringido a compensação com determinado tipo de tributo. No caso lei posterior ao provimento judicial permitia a compensação de indébitos do contribuinte com qualquer tributo administrado pela Receita Federal. Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigmas os acórdãos de nºs 20403.266 e 0202.839. A comprovação do julgado firmouse pela transcrição de inteiro teor das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 345 a 347. O Contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 354 a 361, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial da Fazenda Nacional e que seja mantido o v. acórdão. É o Relatório. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da Admissibilidade Fl. 391DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 392 5 O Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Pois, em relação ao primeiro acórdão nº 20403.266, este não serviu para comprovar a divergência pois foi alterado pelo Acórdão CSRF nº 9303002.226, de 14/03/2013. Porém, o acórdão paradigma nº 0202.839, comprova que a divergência, pois as decisões caminharam em sentido opostos, ao analisar a mesma questão de direito. Desta forma, entendo que restou comprovada a divergência jurisprudencial. Do mérito Nos termos do despacho decisório foram homologadas em parte as compensações declaradas pelo Contribuinte, apenas as compensações de PIS com PIS, não sendo homologadas as compensações de PIS com outros tributos, obedecendo o disposto da decisão judicial juntada aos autos. No presente caso a decisão de primeiro grau foi proferida em 02/09/2002 (fls. 120/121), dando parcial provimento para reconhecer a inconstitucionalidade dos Decretos nº 2445 e 2449/88 e autorizar, após o trânsito em julgado desta sentença, à parte autora que se utilize dos créditos do PIS (calculados conforme a Lei Complementar nº 07/70, sem correção monetária da base de cálculo), (...), para a compensação (...) e a extinção (...) dos créditos decorrentes da própria contribuição ao Programa de Integração Social (PIS). Dessa decisão a Fazenda Nacional apresentou recurso de apelação ao qual foi negado provimento (fls. 125), em sentença de 25/06/2003 (fls. 126). A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial junto ao STJ que foi negado seguimento em 20/04/2004 (fls. 130), vindo a transitar em julgado em 20/05/2004, consoante Certidão de Trânsito e Termo de Remessa fornecida pelo Superior Tribunal de Justiça STJ (fls. 502). Fl. 392DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 393 6 Relevante destacar que a sentença, foi proferida em data anterior a entrada em vigor da Lei nº. 10.637/02 (01/10/2002), que alterou o art. 74 da Lei nº. 9.430/96 para permitir a compensação com tributos diversos. O art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pela Lei nº. 10.637/02 regula o instituto da compensação tributária nos seguintes termos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) Se o trânsito em julgado ocorreu na vigência da redação original do art. 74 da Lei n.º 9.430, de 1996, e a implementação da compensação (a entrega da Dcomp) vier a ser realizada após a entrada em vigor da Medida Provisória n.º 66, de 2002, mesmo que a decisão judicial tenha limitado o direito à compensação a tributos de mesma espécie, o contribuinte tem o direito a compensar débito referente a qualquer tributo administrado pela RFB vez que o legislador reafirmou este seu direito em uma nova lei posterior. A Lei n.º 10.637/2002 sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei n.º 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. A Receita Federal do Brasil desde 2003 vem se posicionando no sentido que o Contribuinte pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. Segue abaixo várias Soluções de Consulta e de Divergência sobre o tema: Fl. 393DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 394 7 SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 244, DE 28 DE NOVEMBRO DE 2003. ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. COISA JULGADA. LEI SUPERVENIENTE FAVORÁVEL. O sujeito passivo pode compensar créditos relativos à contribuição para o PIS/PASEP a ele reconhecidos em sentença judicial transitada em julgado com débitos próprios referentes a outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, ainda que a sentença, fundada em dispositivos legais restritivos vigentes à época de sua prolação (posteriormente modificados), disponha diversamente. A compensação deverá ser efetuada por meio do Programa Pedido Eletrônico de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Não é admitida, entretanto, a compensação desses créditos com débitos de terceiros, a exemplo dos débitos dos fabricantes e dos importadores de veículos, oriundos da obrigação, relativamente às vendas que fizerem, de cobrar e recolher, na condição de contribuintes substitutos, a contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos comerciantes varejistas, ainda que o detentor dos créditos seja o contribuinte substituído. DISPOSITIVOS LEGAIS: Lei nº 5.172, de 1966, arts. 128 170 e 170A; Lei nº 8.383, de 1991, art. 66; Lei nº 9.250, de 1995, art. 39; Lei nº 9.430, de 1996, art. 74; Lei nº 10.637, de 2002, art. 49; Lei nº 10.677, de 2003; Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 43; Medida Provisória nº 135, de 2003, art. 17; IN SRF nº 210, de 2002, art. 30; IN SRF nº 360, de 2003. VERA LÚCIA RIBEIRO CONDE Chefe da Divisão de Tributação SOLUÇÃO DE DIVERGÊNCIA Nº 2 de 22 de setembro de 2010 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002, RESTRITIVA A TRIBUTO DE MESMA ESPÉCIE. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Fl. 394DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 395 8 Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, ou ainda, que tenha permitido apenas a repetição do indébito, poderão ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB (a) se houver legislação superveniente que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou (b) se a legislação vigente quando do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 279, DE 07 DE OUTUBRO DE 2014 ASSUNTO: Normas de Administração Tributária EMENTA: COMPENSAÇÃO. RECONHECIMENTO DE CRÉDITO POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. As restrições à compensação da nova legislação devem ser observadas. DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 396 9 SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014 ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002; POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB — exceção feita às contribuições previdenciárias e tributos apurados na sistemática do Simples Nacional — quando houver legislação superveniente ao trânsito em julgado que assegure igual tratamento aos demais contribuintes ou, ainda, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. EXECUÇÃO JUDICIAL. DESISTÊNCIA. COMPENSAÇÃO NA VIA ADMINISTRATIVA. PRAZO PRESCRICIONAL. Tendo o contribuinte iniciado a execução na via judicial e posteriormente dela desistido, o direito de compensar prescreve no prazo de cinco anos contados a partir da homologação da desistência pelo Juízo da execução. No período entre o pedido de habilitação do crédito decorrente de ação judicial e a ciência do seu deferimento definitivo no âmbito administrativo, o prazo prescricional para apresentação da Declaração de Compensação fica suspenso. O crédito habilitado pode comportar mais de uma Declaração de Compensação, todas sujeitas ao prazo prescricional de cinco anos do trânsito em julgado da sentença ou da extinção da execução, não havendo interrupção da prescrição em relação ao saldo. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. IMPOSSIBILIDADE DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVA. Fl. 396DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 397 10 As decisões judiciais que reconheçam o indébito tributário não podem ser objeto de pedido de restituição administrativo, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição da República Federativa do Brasil (CRFB). DISPOSITIVOS LEGAIS: Art. 100 da CRFB/88; art. 108, I, arts. 168 a 170, e art. 174, I, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN); arts. 460 e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 (CPC); art. 66 da Lei nº 8.383, de 1991; art. 39 da Lei nº 9.250, de 1995; art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com a redação dada pelo art. 49 da MP nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002; arts. 41, 81 e 82 da IN RFB nº 1.300, de 2012; Parecer Normativo Cosit/RFB nº 11, de 2014. SOLUÇÃO DE CONSULTA DISIT/SRRF06 Nº 6035, DE 12 DE JULHO DE 2017 ASSUNTO: Normas Gerais de Direito Tributário EMENTA: COMPENSAÇÃO. DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS LEI Nº 10.637, de 2002. POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO COM OUTROS TRIBUTOS ADMINISTRADOS PELA SECRETARIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. Os créditos relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela RFB – exceção feita às contribuições previdenciárias e aos tributos apurados na sistemática do Simples Nacional – quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. INDÉBITO TRIBUTÁRIO RECONHECIDO JUDICIALMENTE. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. As decisões judiciais que reconhecem o indébito tributário não podem ser objeto de pedido administrativo de restituição, sob pena de ofensa ao art. 100 da Constituição Federal de 1988. SOLUÇÃO DE CONSULTA VINCULADA À SOLUÇÃO DE CONSULTA COSIT Nº 382, DE 26 DE DEZEMBRO DE 2014. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 398 11 DISPOSITIVOS LEGAIS: CF, de 1988, art. 100, Lei nº 9.430, de 1996, art. 74 e IN RFB nº 1.300, de 2012, arts. 41, 81 e 82. Também através da Nota COSIT nº 141, de 23 de maio de 2003, a Receita Federal entendeu pela possibilidade de aplicação da legislação ulterior mais benéfica ao contribuinte que aquelas definidas em decisão judicial transitada em julgado. A Receita Federal publicou, também, a Solução de Consulta 29/COSIT/SRF, segundo a qual “como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela Receita Federal reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie”. Solução de Consulta nº 29 Cosit Data 30 de março de 2016 Processo Interessado CNPJ/CPF ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS RECONHECIDOS POR DECISÃO JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO APÓS A LEI Nº 10.637/2002. RESTRIÇÕES. Como regra geral, desde que observadas as restrições previstas na legislação vigente, os débitos próprios relativos a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB podem ser compensados com os créditos relativos a tributos administrados pela RFB reconhecidos por decisão judicial transitada em julgado, mesmo que essa decisão tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie. Entre as referidas restrições da legislação em vigor citase, exemplificativa, mas não exaustivamente, a impossibilidade de compensar débitos relativos às contribuições sociais previstas nas alíneas ‘a’, ‘b’, e ‘c’ do parágrafo único do art. 11 da Lei nº 8.212/1991 com créditos relativos aos demais tributos administrados pela RFB. Dispositivos Legais: CTN, 170; Lei nº 11.457/2007, arts. 2º e 26, parágrafo único; Lei nº 8.383/1991, art. 66; Fl. 398DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 399 12 Lei nº 8.212, art. 89, caput; IN RFB nº 1.300/2012, arts. 41, caput, e 56, caput. Como se pode ver todos os casos acima se aplicam perfeitamente ao presente caso. Sobre o tema ainda, encontrei diversos posicionamentos esclarecendo que as sentenças transitadas em julgado posteriormente à Lei 10.637/2002 — mesmo na hipótese de terem autorizado apenas a compensação entre tributos da mesma espécie — poderiam ser utilizadas pelos contribuintes para a compensação com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal. Prevaleceu, assim, a aplicação da norma contida em lei a despeito de restrição eventualmente estabelecida em sentença. Tal se justifica na medida em que o contribuinte pode ter requerido o reconhecimento do seu indébito em juízo de forma mais restritiva antes da alteração legislativa que veio a permitir a compensação ampliada. A alteração na legislação e no procedimento de compensação poderia, portanto, ser aplicada posteriormente. Ademais, a Câmara Superior de Recursos Fiscais, no acordão nº 9303 002.458, de Relatoria do Conselheiro Rodrigo Possas, manifestouse no mesmo sentido: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/08/2001 a 30/04/2002 AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. RELATIVIZAÇÃO. É permitida a compensação do PIS com outros tributos administrados pela SRF, não obstante a decisão judicial tenha se apenas permitido à compensação de COFINS com parcelas da própria COFINS. Recurso Especial do Contribuinte Provido. Verificase que, no âmbito administrativo, há entendimento consolidado no sentido de que os créditos relativos a tributos administrados pela RFB, reconhecidos por sentença judicial transitada em julgado que tenha permitido apenas a compensação com débitos de tributos da mesma espécie, podem ser compensados com débitos próprios relativos a quaisquer tributos administrados, quando a legislação vigente na data do trânsito em julgado Fl. 399DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 400 13 não tiver sido fundamento da decisão judicial mais restritiva. Por conseguinte, se a decisão judicial transitada em julgado não tiver sido proferida com base na legislação posterior, esta poderá ser aplicada, possibilitando o contribuinte de efetuar compensação com débitos de outra espécie. Quanto ao teor do título judicial em favor da Contribuinte, ressaltese que o mesmo, de fato, se restringe ao direito de compensação das parcelas pagas a maior a título do PIS com o próprio PIS, atendendo somente em parte ao pleito da demandante, que buscava a compensação dos indébitos do PIS com o próprio PIS, a COFINS, a CSLL e o IRPJ. Contudo, o reconhecimento apenas parcial do direito pela Justiça, frente à legislação restritiva do direito de compensação à época vigente, não impede seja aludido título judicial aproveitado para a quitação de outros débitos da recorrente, como autorizado pela legislação superveniente, não sendo razoável exigir que a decisão judicial admitisse hipótese de compensação ainda não albergada pela legislação vigente à época da autuação do processo. Logo, o deferimento administrativo do direito de compensar o crédito judicial com outros tributos administrados pela Receita Federal não importa em desobediência à decisão judicial, mas tão somente uma justa adequação do direito da interessada às ulteriores e mais amplas possibilidades de quitação de tributos mediante compensação. Por fim o Superior Tribunal de Justiça se manifestou no Resp. 1.137.738, no sentido de que o contribuinte pode proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, de acordo com as normas posteriores, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART.543C, DO CPC. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. SUCESSIVAS MODIFICAÇÕES LEGISLATIVAS. LEI 8.383/91. LEI 9.430/96. LEI 10.637/02. REGIME JURÍDICO VIGENTE À ÉPOCA DA PROPOSITURA DA DEMANDA. LEGISLAÇAO SUPERVENIENTE. INAPLICABILIDADE EM SEDE DE RECURSO Fl. 400DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 401 14 ESPECIAL. ART.170A DO CTN. AUSÊNCIA DE INTERESSE RECURSAL. HONORÁRIOS. VALOR DA CAUSA OU DA CONDENAÇAO. MAJORAÇAO. SÚMULA 07 DO STJ. VIOLAÇAO DO ART.535 DO CPC NAO CONFIGURADA. [...] 2. A Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, ato normativo que, pela vez primeira, versou o instituto da compensação na seara tributária, autorizou apenas entre tributos da mesma espécie, sem exigir prévia autorização da Secretaria da Receita Federal (artigo 66). 3. Outrossim, a Lei 9.430, de 27 de dezembro de 1996, na Seção intitulada "Restituição e Compensação de Tributos e Contribuições", determina que a utilização dos créditos do contribuinte e a quitação de seus débitos serão efetuadas em procedimentos internos à Secretaria da Receita Federal (artigo 73, caput), para efeito do disposto no artigo 7º, do DecretoLei 2.287/86. [...] 6. A Lei 10.637, de 30 de dezembro de 2002 (regime jurídico atualmente em vigor) sedimentou a desnecessidade de equivalência da espécie dos tributos compensáveis, na esteira da Lei 9.4300/96, a qual não mais albergava esta limitação. 7. Em consequência, após o advento do referido diploma legal, tratandose de tributos arrecadados e administrados pela Secretaria da Receita Federal tornouse possível a compensação tributária, independentemente do destino de suas respectivas arrecadações, mediante a entrega, pelo contribuinte, de declaração na qual constem informações acerca dos créditos utilizados e respectivos débitos compensados, termo a quo a partir do qual se considera extinto o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, que se deve operar no prazo de 5 (cinco) anos. [...] 9. Entrementes, a Primeira Seção desta Corte consolidou o entendimento de que, em se tratando de compensação tributária, deve ser considerado o regime jurídico vigente à época do ajuizamento da demanda, não podendo ser a causa julgada à luz do direito superveniente, tendo em vista inarredável requisito do prequestionamento, viabilizador do conhecimento do apelo Fl. 401DF CARF MF Processo nº 11020.002163/200617 Acórdão n.º 9303007.884 CSRFT3 Fl. 402 15 extremo, ressalvandose o direito de o contribuinte proceder à compensação dos créditos pela via administrativa, em conformidade com as normas posteriores, desde que atendidos os requisitos próprios (EREsp488992/MG). A vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 402DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.011739/2005-10
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS.
Sujeitam-se à tributação, sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais.
MULTA ISOLADA (CARNE-LEÃO). CABIMENTO.
A multa de lançamento de oficio é exigida isoladamente no caso de pessoa física sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do imposto (carnê-leão) que deixar de fazê-lo.
Numero da decisão: 2001-000.849
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2003 RENDIMENTOS RECEBIDOS DE ORGANISMOS INTERNACIONAIS. Sujeitam-se à tributação, sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnê-leão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais. MULTA ISOLADA (CARNE-LEÃO). CABIMENTO. A multa de lançamento de oficio é exigida isoladamente no caso de pessoa física sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do imposto (carnê-leão) que deixar de fazê-lo.
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Sujeitamse à tributação, sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), sem prejuízo do ajuste anual, os rendimentos recebidos por residentes ou domiciliados no Brasil decorrentes da prestação de serviços a Organismos Internacionais. MULTA ISOLADA (CARNELEÃO). CABIMENTO. A multa de lançamento de oficio é exigida isoladamente no caso de pessoa física sujeita ao recolhimento mensal obrigatório do imposto (carnêleão) que deixar de fazêlo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira e Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 17 39 /2 00 5- 10 Fl. 153DF CARF MF 2 Relatório Contra a interessada foi lavrado o auto de infração referente ao exercício de 2003, com exigência de crédito tributário no valor de R$22.462,97 a titulo de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), juro de mora, multa proporcional de 75% e multa exigida isoladamente. A exigência resultou da omissão de rendimentos tributáveis recebidos pela prestação de serviços à Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO), ensejando falta de recolhimento de carnêleão e conseqüente multa exigida isoladamente. Os dispositivos legais infringidos constam na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal. Irresignada, a contribuinte impugnou o feito fiscal apresentando o arrazoado com as suas razões de defesa a seguir reunidas sucintamente. Alega que foi contratada pela FAO (Food and Agriculture Organization Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura), tendo o contrato sido renovado inúmeras vezes, realizando trabalhos de forma vinculada, sem qualquer interrupção no contrato, “configurando portanto contrato por tempo indeterminado. Afirma que as normas internas não podem contrariar as convenções, os acordos e os tratados (art. 98 do CTN) e que estaria configurado o vinculo empregatício com o organismo internacional, devendo ser aplicadas as isenções previstas no art. 5° da Lei n° 4.506, de 1964. Requer, pois, a extinção do auto de infração por ausência de legitimidade passiva e de interesse de agir da Receita, aplicandose subsidiariamente o disposto no art. 267, inc. VI, do CPC. Assevera que o Decreto n° 59.308/66 equipara os peritos e assistentes técnicos aos demais funcionários de organismos internacionais e “determina que o Governo brasileiro aplique as convenções que tratam de privilégios e imunidades das Nações Unidas e de suas Agências Especializadas a estes peritos e assistentes técnicos”. Cita e transcreve uma série de legislações e afirma que a Receita não atribui aos funcionários de organismo internacional conotação restritiva, dando “como tributáveis somente os rendimentos auferidos pelos funcionários remunerados por hora trabalhada, que não é o caso em tela”. Para ela o seu caráter continuado de atividades junto à FAO a caracteriza como servidora do Organismo Internacional, fazendo “jus ao privilégio da isenção citado”. Entende a autuada pela nulidade das cláusulas 5 e 6 do contrato de serviço firmado, eis que seriam abusivas e contrárias à legislação nacional. Conclui “que a obrigatoriedade do recolhimento mensal do carnêleão não se aplica no caso presente, dado que a fonte pagadora não se constitui em pessoa física, tão pouco (sic) os recursos são provenientes do exterior”. Finalmente assevera que caberia tanto à FAO, quanto à Agência Brasileira de Cooperação ABC, do Ministério das Relações Exteriores, a retenção na fonte do imposto de renda caso não incidisse a isenção. Sustenta que não houve omissão da Impugnante uma vez que declarou seus rendimentos percebidos da FAO como Isentos/Nãotríbutáveis em respeito à Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10680.011739/200510 Acórdão n.º 2001000.849 S2C0T1 Fl. 3 3 legislação vigente. Da mesma forma, a Receita Federal não é credora de qualquer dívida da Impugnante. A DRJ Belo Horizonte, no decorrer da análise dos fatos, demonstra seu entendimento no sentido de que os rendimentos recebidos pela contribuinte da FAO decorrentes da prestação de serviços contratuais não gozam de isenção do imposto de renda por falta de previsão legal e estão sujeitos à tributação mensal sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (carnêleão), sem prejuízo do ajuste anual, não procedendo, portanto, a aplicação do disposto no art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002. Fundamenta o seu racional de forma profunda e com doutrina, jurisprudência e legislação aplicável, enquadrando no caso fático e no contrato trazido pela Contribuinte aos autos do processo. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte repisa os argumentos e pleitos e volta a sustentar seu pretenso direito à isenção. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Dos rendimentos recebidos de organismos internacionais a preclusão Conforme mencionado logo de início na decisão do órgão a quo, resta claro que a isenção prevista no art. 5° da Lei n° 4.506, de 1964, aplicase exclusivamente aos servidores de Organismos internacionais domiciliados no exterior. Assim sendo, merece analisar de forma cautelosa, mais uma vez, se a Recorrente é servidora da FAO de acordo com o contrato e documentos acostados aos autos e se reside no exterior. Pois bem, claro está que a isenção a que se refere esse artigo não alcança os servidores brasileiros com residência permanente no Brasil ou estrangeiros que adquiriram a condição de residentes no Brasil, cujos rendimentos estão sujeitos ao recolhimento mensal (carnêleão) e devem ser incluídos na declaração, observados os acordos, convenções e tratados internacionais firmados entre o Brasil e o país ou organismo de origem dos rendimentos, ou reciprocidade de tratamento. Repitase, como já dito na DRJ, que a legislação brasileira reconhece que a fonte da obrigação de conceder a isenção é o tratado ou convênio internacional de que o Brasil seja signatário. Assim, mesmo que a contribuinte não seja beneficiada pela isenção prevista no citado art 5° (eis que reside no Brasil e que, de acordo com os documentos acostados ao processo, não é servidora da FAO), impõese a análise dos tratados e convenções internacionais vigentes a fim de saber se a contemplam, de outro modo, com a isenção do imposto de renda. Fl. 155DF CARF MF 4 No caso da FAO, Agência Especializada da Organizaçao das Naçoes Unidas (ONU), o Acordo Básico de Assistência Técnica com a Organização das Nações Unidas remete à Convenção sobre Privilégios e imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas. Como visto, A Recorrente sustenta ser perita da FAO, alegando que o seu contrato é por tempo indeterminado nos termos da legislação vigente, realizando o seu trabalho de forma vinculada, efetiva e continuada, sendo funcionária do quadro do Fundo Fiduciário Unilateral (UTF) da FAO, entendendo, assim, fazer jus à isenção de tributos. Vale dizer, alega ter vínculo empregatício e que cláusulas do seu contrato com a FAO seriam nulas de pleno direito, não podendo se sobrepor ao ordenamento jurídico. Repito, alega a Recorrente que o contrato juntado aos autos do processo e assinado pela mesma teriam cláusulas que seriam nulas de pleno direito. Ocorre que , para efeito da isenção de impostos, de acordo com as mencionadas normas, há distinção entre o tratamento dispensado aos funcionários/servidores e aos demais prestadores de serviços, inclusive os técnicos/consultores/peritos. Observase, da leitura da seção 19 do art. 6° da Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Agências Especializadas das Nações Unidas, que o tratamento relativo à isenção dispensado aos funcionários das Agências Especializadas é idêntico ao das Nações Unidas. O objetivo da referida norma foi estender o beneficio da isenção gozada pelos funcionários das Nações Unidas aos funcionários das Agências Especializadas. Nesta senda, claro está que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos recebidos da ONU é privilégio concedido aos seus funcionários desde que atendidas certas condições ali previstas. Já os técnicos a serviço das Nações Unidas não têm a isenção de impostos arrolada entre os privilégios e imunidades a que fazem jus os funcionários. Salientese, mais uma vez, que a isenção está também condicionada ao fornecimento pela ONU ou Agências Especializadas ao governo brasileiro da lista dos nomes dos funcionários alcançados pelo beneficio (vide IN SRF n° 208 de 2002, art. 21). O entendimento da Receita Federal do Brasil sobre a matéria encontrase também nas perguntas n°S 137 e 138 do “Perguntas e Respostas Pessoa Física”, exercício 2005, disponível no sítio da Receita Federal do Brasil, espelhando essa distinção entre “funcionários” e “técnicos a serviço”, apontando como beneficiário da isenção somente o funcionário brasileiro pertencente ao quadro efetivo da ONU ou das Agências Especializadas, sendo isentos apenas os rendimentos do trabalho oriundos de suas funções especificas nesses organismos. Em tal esteira, claro está que a isenção de impostos sobre salários e emolumentos recebidos de Organismos internacionais é privilégio concedido exclusivamente aos funcionários, desde que atendidas as condições (serem funcionários e ter seu nome nomes relacionados e informados à Receita). Como vimos, não consta nos autos que a contribuinte tenha cumprido qualquer uma das duas condições elencadas. Os documentos acostados aos autos, revelam claramente que a contribuinte não se enquadra na condição de funcionária da FAO, sendo Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10680.011739/200510 Acórdão n.º 2001000.849 S2C0T1 Fl. 4 5 irrelevantes as ponderações expendidas na impugnação na tentativa de caracterização da relação de emprego. Repitase, a condição de funcionário de organismos internacionais é disciplinada por normas especiais. e em tais normas em nenhum momento a isenção é estendida aos contratados para prestar serviços num determinado programa e num determinado período, como foi o caso da Recorrente. Assim, os rendimentos auferidos pela Recorrente em decorrência dos serviços prestados à FAO não gozam da isenção concedida aos funcionários permanentes do quadro do referido organismo internacional, eis que sua relação é apenas contratual e, portanto, sem privilégios de natureza tributária, por falta de previsão em Tratado ou Convênio internacional. Em outras palavras, não restam dúvidas, de acordo com as alegações e provas contidas nos autos, que a contribuinte não pertencia ao quadro da FAO, ou seja, não era sua funcionária/servidora, tal como exigido pela legislação que concede a isenção. Como bem colocado na decisão a quo, o questionamento sobre abusividade das cláusulas pactuadas, para eventual desconsideração de cláusulas contidas no Contrato de Trabalho, sob o fundamento de o contrato assinado ser um contrato de adesão ou, conforme alega, ser um contrato que vai de encontro ao ordenamento jurídico pátrío, não deve ser feito neste âmbito e sim no Poder Judiciário, em fórum específico, argumentando questões de Direito do Trabalho. Tanto a autoridade julgadora da DRJ como a deste colegiado partiu das provas contidas nos autos para firmar o convencimento necessário ao julgamento. O que indicam tais provas é que foi firmado Contrato com o Organismo no qual é dito que a contratante não era funcionária, não estando isenta do pagamento de imposto. Quanto à questão da retenção e recolhimento do imposto, como dito, os Organismos internacionais não estão obrigados `a efetuar a retenção na fonte do imposto devido quando do pagamento das remunerações a brasileiros que lhes prestem serviços. A ONU goza de imunidade de jurisdição. Sendo assim, devido à impossibilidade legal de tais organismos efetuarem a retenção na fonte do imposto devido, quando do pagamento a brasileiros que lhes prestam serviços no Brasil, os beneficiários dos rendimentos estão obrigados ao recolhimento mensal do imposto, consoante o art. 106 do Decreto n° 3.000, de 1999, RIR/1999, cuja matriz legal é o art. 8° da Lei n° 7.713, de 22 de dezembro de 1988. Temse, então, que os rendimentos recebidos pela contribuinte da FAO decorrentes da prestação de serviços contratuais não gozam de isenção do imposto de renda por falta de previsão legal e estão sujeitos à tributação mensal sob a forma de recolhimento mensal obrigatório (camêleão), sem prejuízo do ajuste anual. Em relação às decisões judiciais e administrativas mencionadas pela defesa, essas são vinculantes para a administração tributária somente nas hipóteses especificadas pelo Fl. 157DF CARF MF 6 Decreto n° 2.346, de 10 de outubro de 1997. O que não é o caso das jurisprudências citadas nos autos. Por fim, referente a eventuais questionamentos de ilegalidades e inconstitucionalidades, ressaltese que o contencioso administrativo não é o foro próprio para examinar questões acerca da violação de princípios constitucionais. Assim sendo, com base em tudo o quando exposto no acórdão do orgão a quo, bem como no quanto fora exposto no decorrer desta decisão, entendo que deve ser negado provimento ao Recurso Voluntário e mantido o lançamento pelos motivos fundamentados, respeitando a parcela que foi provida pela decisão da DRJ. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 158DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.900106/2011-57
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006
PROCESSO EXCLUSIVAMENTE DE DÉBITO. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA
Processo tramitando exclusivamente para cobrança de débito oriundo de indeferimento de pedido de ressarcimento do processo 10830.900044/2011-83, ainda pendente de julgamento. Incabível emissão de Acórdão quando não instaurada a fase litigiosa nos termos do art. 14 do Decreto no 70.235/72 e §9º do art. 74 da Lei no 9.430/96.
Numero da decisão: 3001-000.667
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acatar a preliminar de nulidade da decisão de piso determinando o retorno do processo ao Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF-Campinas para aguardar a decisão final do processo 10830.900044/2011-83.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: MARCOS ROBERTO DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 PROCESSO EXCLUSIVAMENTE DE DÉBITO. NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA Processo tramitando exclusivamente para cobrança de débito oriundo de indeferimento de pedido de ressarcimento do processo 10830.900044/2011-83, ainda pendente de julgamento. Incabível emissão de Acórdão quando não instaurada a fase litigiosa nos termos do art. 14 do Decreto no 70.235/72 e §9º do art. 74 da Lei no 9.430/96.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acatar a preliminar de nulidade da decisão de piso determinando o retorno do processo ao Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRF-Campinas para aguardar a decisão final do processo 10830.900044/2011-83. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri - Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante.
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NULIDADE DA DECISÃO DE 1ª INSTÂNCIA Processo tramitando exclusivamente para cobrança de débito oriundo de indeferimento de pedido de ressarcimento do processo 10830.900044/2011 83, ainda pendente de julgamento. Incabível emissão de Acórdão quando não instaurada a fase litigiosa nos termos do art. 14 do Decreto no 70.235/72 e §9º do art. 74 da Lei no 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, por acatar a preliminar de nulidade da decisão de piso determinando o retorno do processo ao Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRFCampinas para aguardar a decisão final do processo 10830.900044/201183. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 90 01 06 /2 01 1- 57 Fl. 287DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente), Marcos Roberto da Silva, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Trata o presente processo de cobrança de débitos inicialmente inscritos em Dívida Ativa da União em decorrência do Despacho Decisório emitido em 14/02/2011 referente ao PER/DCOMP no 24513.30469.310706.1.3.010006 constante do processo 10830.900044/201183. A Recorrente, ao ser notificada quanto à inscrição de dois supostos débitos em Dívida Ativa da União, consubstanciados nos CDAs nos 80.2.11.05120460 e 80.6.11.09144304, requereu a sua revisão tendo em vista que a sua origem no citado processo 10830.900044/201183 e que se encontra pendente de julgamento em face da Manifestação de Inconformidade apresentada contra o Despacho Decisório emitido em 14/02/2011, protocolando “Pedido de Revisão de Débitos Inscritos em Dívida Ativa da União” conforme e fl 92. O Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRFCampinas acatou o pedido conforme despacho de efl 126 propondo a suspensão da cobrança dos débitos e o cancelamento das referidas CDAs. Diante desta decisão, foi emitido o Memorando SEORT/DRF/CPS No 239/2011 de efl 160 para a PSFN/Campinas propondo o cancelamento das citas CDAs e posterior retorno ao mesmo SEORT com vista a aguardar o julgamento da Manifestação de Inconformidade do processo 10830.900044/201183. Inexplicavelmente o processo foi julgado pela DRJBelém através do Acórdão no 1061.920 a seguir transcrito: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 RESSARCIMENTO. AQUISIÇÕES DE OPTANTES PELO SIMPLES. As aquisições de produtos de empresas do Simples não ensejarão, aos adquirentes, direito a escrituração ou a fruição de créditos do imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformada com a decisão da DRJ, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário contra a decisão de primeira instância, em síntese, que: (i) em sede preliminar, afirma ser nula a decisão de piso tendo em vista a discussão do mérito deste processo estar sendo analisada nos autos do processo 10830.900044/201183; (ii) não sendo acatada a preliminar, enfrenta a legitimidade do crédito apropriado pela Recorrente decorrente de empresas não optante pelo SIMPLES. Fl. 288DF CARF MF Processo nº 10830.900106/201157 Acórdão n.º 3001000.667 S3C0T1 Fl. 287 3 Dandose prosseguimento ao feito o presente processo foi objeto de sorteio e distribuição à minha relatoria. É o relatório. Voto Conselheiro Relator Marcos Roberto da Silva Da competência para julgamento do feito O presente colegiado é competente para apreciar o presente feito, em conformidade com o prescrito no artigo 23B do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, com redação da Portaria MF nº 329, de 2017. Conhecimento O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Conforme descrito no Relatório acima, o presente processo versa exclusivamente sobre cobrança de débitos inicialmente inscritos em Dívida Ativa da União e que, em face da Manifestação de Inconformidade apresentada nos autos do processo 10830.900044/201183, deveria aguarda o julgamento deste para a partir de então decidir sobre a efetiva cobrança dos referidos débitos. Entretanto, inadvertidamente a 3ª Turma de Julgamento da DRJBelém emitiu o Acórdão no 1061.920 sem que houvesse qualquer defesa prévia por parte do Contribuinte e que ensejasse a decisão ora recorrida. Portanto, incabível emissão de Acórdão quando não instaurada a fase litigiosa nos termos do art. 14 do Decreto no 70.235/72 e §9º do art. 74 da Lei no 9.430/96. Diante do exposto, voto por acatar a preliminar de nulidade da decisão de piso determinando o retorno do processo ao Serviço de Orientação e Análise Tributária da DRFCampinas para aguardar a decisão final do processo 10830.900044/201183. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 289DF CARF MF 4 Fl. 290DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.900249/2013-58
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMOS. PRODUTOS COM NOTAÇÃO "NT". CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 20.
O legislador ordinário, conforme as diretrizes dadas pela Constituição Federal e pelo CTN, criou o sistema de créditos de IPI que, regra geral, confere ao contribuinte o direito de creditar-se do imposto cobrado nas operações anteriores para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte no período de apuração.
Com a entrada em vigor da Lei n° 9.779/99 somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, mas não de produtos com notação "NT" na TIPI (imunes ou não industrializados).
Súmula CARF nº 20: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT".
Recurso Voluntário negado
Direito Creditório não reconhecido
Numero da decisão: 3402-006.084
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Cynthia Elena de Campos acompanhou a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam provimento ao recurso por entenderem inaplicável a Súmula CARF 20 ao caso.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Cynthia Elena de Campos acompanhou a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam provimento ao recurso por entenderem inaplicável a Súmula CARF 20 ao caso. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos.
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INSUMOS. PRODUTOS COM NOTAÇÃO "NT". CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF N. 20. O legislador ordinário, conforme as diretrizes dadas pela Constituição Federal e pelo CTN, criou o sistema de créditos de IPI que, regra geral, confere ao contribuinte o direito de creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte no período de apuração. Com a entrada em vigor da Lei n° 9.779/99 somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de insumos aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, mas não de produtos com notação "NT" na TIPI (imunes ou não industrializados). Súmula CARF nº 20: "Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT". Recurso Voluntário negado Direito Creditório não reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A Conselheira Cynthia Elena de Campos acompanhou a relatora pelas conclusões. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Maysa de Sá Pittondo Deligne e Thais De Laurentiis Galkowicz que davam provimento ao recurso por entenderem inaplicável a Súmula CARF 20 ao caso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 02 49 /2 01 3- 58 Fl. 399DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Cynthia Elena de Campos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento em Ribeirão Preto que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versa o processo sobre pedido de ressarcimento de créditos de IPI relativo ao 3o trimestre de 2008, ao qual foi vinculado declaração de compensação. O pedido de ressarcimento foi indeferido e a compensação declarada no PER/DCOMP não foi homologada, mediante o Despacho Decisório nº de Rastreamento: 065794772, emitido em 02/10/2013, nos seguintes termos: O valor do crédito reconhecido foi inferior ao solicitado/utilizado em razão do(s) seguinte(s) motivo(s): Constatação de que o saldo credor passível de ressarcimento é inferior ao valor pleiteado. Constatação de utilização integral ou parcial, na escrita fiscal, do saldo credor passível de ressarcimento em períodos subseqüentes ao trimestre em referência, até a data da apresentação do PER/DCOMP. Ocorrência de glosa de créditos considerados indevidos, em procedimento fiscal. Redução do saldo credor do trimestre, passível de ressarcimento, resultante de débitos apurados em procedimento fiscal. Informações complementares da análise do crédito estão disponíveis na página internet da Receita Federal, e integram este despacho. Diante do exposto: NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no(s) seguinte(s) PER/DCOMP: 34744.10415.261109.1.3.018336 INDEFIRO o pedido de restituição/ressarcimento apresentado no(s) PER/DCOMP: 21964.15934.251109.1.1.010586 A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo, em síntese, conforme consta na decisão recorrida, "que tem direito ao crédito por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que a legislação tributária, tanto na sua interpretação, como aplicação, a ele deve se subordinar". O julgador a quo não acolheu as razões de defesa da manifestante, sob os seguintes fundamentos principais: Com a entrada em vigor do art. 11 da Lei nº 9.779/99 e da IN SRF nº 33/99 deixou de existir a obrigatoriedade de estornar o crédito relativo a insumo a ser empregado em produto isento, tributado com alíquota zero ou imune, sendo passível de aproveitamento Fl. 400DF CARF MF Processo nº 16682.900249/201358 Acórdão n.º 3402006.084 S3C4T2 Fl. 400 3 (compensação com débitos na conta gráfica do imposto) nos moldes dos créditos anteriormente referidos como básicos, permitido inclusive o ressarcimento, o que, pelas normas anteriores, só era possível na hipótese de se tratar de crédito incentivado. Permaneceu obrigatório, no entanto, o estorno dos créditos relacionados a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados. Nessa linha também dispõe o ADI SRF nº 05/2006. Também o RIPI/2002 consolida e ratifica o entendimento de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem empregados na industrialização de todos os produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuando se somente os produtos não tributados. Desta forma, o art. 11 da Lei nº 9.779/99 e a IN SRF nº 33/99, que admitem a possibilidade de se aproveitar o saldo credor do IPI oriundos da entrada de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, via ressarcimento, não se aplicam ao presente caso, já que foram aplicados em produtos não tributados pelo imposto. Cientificada dessa decisão em 13/02/2015, a contribuinte apresentou recurso voluntário em 16/03/2015, com as seguintes alegações: a) A presente manifestação de inconformidade está atrelada ao processo nº 15563.720204/201395, objeto de auto de infração lavrado pela RFB, no qual as argumentações ali esposadas aqui se repercutem. b) A Lei nº 9.779/99, o Decreto nº 4.544/2002 e a IN SRF nº 33/99 autorizam a utilização dos créditos de MP, PI e ME quando empregados na industrialização de produtos amparados pela imunidade sem qualquer restrição, de forma que a limitação imposta pelo ADI SRF nº 05/2006 é ilegal. Ademais, as Soluções de Consulta formuladas por seus concorrentes devem ser estendidas a recorrente e a todos que se encontram na mesma situação, sob pena de ofensa aos princípios da livre concorrência e da isonomia. c) Na hipótese de o Tribunal admitir a validade do ADI nº 05/2006, deve ser afastada a aplicação de qualquer penalidade, juros e atualização monetária decorrente da utilização desses créditos, nos termos do art. 100, parágrafo único do CTN. d) Em relação a eventuais saídas de produtos sem a incidência de IPI em desacordo com o disposto na TIPI, enfatizase que tal fato não invalida o pleito de ressarcimento/compensação do imposto. É o relatório. Voto Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Fl. 401DF CARF MF 4 O processo nº 15563.720204/201395, mencionado pela recorrente, trata de auto de infração para exigência de IPI, lavrado em 22 de agosto de 2013, relativamente aos períodos de apuração de abril de 2008 a dezembro de 2009. À vista da apuração e classificação dos créditos de IPI escriturados, a fiscalização constatou falta de destaque do IPI em algumas saídas, o que teve implicação sobre os saldos credores apurados. Ademais, a fiscalização apurou os créditos ressarcíveis e não ressarcíveis, efetuando a reconstituição da escrita fiscal da interessada. Alguns créditos foram glosados em razão de CFOP incompatíveis, divergência de alíquota em relação à TIPI e relativos a insumos empregados na fabricação de produtos não tributados. O presente processo versa sobre pedido de ressarcimento/compensação de créditos de IPI relativo ao 3o trimestre de 2008, período também sob discussão no processo nº 15563.720204/201395 no que concerne aos débitos e aos créditos, razão pela qual há conexão entre os dois processos. No entanto, não seria o caso de vinculação deste àquele por conexão, em face do disposto no art. 6º, §2º do Anexo II do Regimento Interno do CARF1, tendo em vista que o processo nº 15563.720204/201395 já foi julgado em 26/11/2018, conforme consta no trecho abaixo da Ata da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção: Relator(a): LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO Processo: 15563.720204/201395 Recorrentes: PETROBRAS DISTRIBUIDORA S A e FAZENDA NACIONAL Acórdão 3401005.459 Decisão: Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso de ofício, por não restar superado o limite de alçada, na forma da Súmula CARF 103; (ii) por unanimidade de votos, em afastar a alegação recursal de decadência; e (iii) por maioria de votos, em negar provimento ao recurso, vencidos os Conselheiros Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (relator), André Henrique Lemos e Cássio Schappo. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Lazaro Antonio Souza Soares. Dessa forma, não há impedimento para o imediato julgamento de mérito do presente processo, mormente quando o seu resultado seja no mesmo sentido da decisão proferida no processo conexo relativamente ao período de apuração em comum. Esclarece a recorrente que os produtos derivados de petróleo produzidos pelo seu estabelecimento, em quase sua totalidade, são classificados nos códigos NCM 2710.19.31 e 2710.19.32, com notação NT na TIPI. A impossibilidade de creditamento de IPI sobre insumos utilizados em produtos com notação NT é tratada na Súmula CARF nº 20, com o seguinte enunciado: "Não 1 Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (...) Fl. 402DF CARF MF Processo nº 16682.900249/201358 Acórdão n.º 3402006.084 S3C4T2 Fl. 401 5 há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT". É verdade, como dito pela recorrente, na esteira da Declaração de Voto do Conselheiro Marcos Tranchesi Ortiz no Acórdão nº 340301.678, que "notação “NT” da TIPI é polissêmica", sendo que o "Executivo a emprega para designar realidades diferentes entre si, ora aludindo a produtos industrializados favorecidos por imunidade – caso dos combustíveis e dos derivados de petróleo – ora prestandose a definir produtos como não industrializados". Disso poderseia deduzir que a Súmula CARF nº 20 está se referindo a todas as hipóteses de produtos classificados na TIPI como NT, inclusive imunes. Vale dizer que, no Acórdão nº 340301.678, a situação tratada era diferente da presente, eis que se estava ali "diante de hipótese em que ao produto imune não correspondia, na TIPI, a notação “NT”", razão pela qual, no referido julgado, foi afastada a aplicação da Súmula CARF nº 20, conforme Declaração de Voto referida pela recorrente2. No caso presente, nem discorda a recorrente que estamos diante de produtos finais "classificados na TIPI com a notação NT", de forma que aqui deve, sim, ser aplicado o enunciado da Súmula CARF nº 20, de aplicação obrigatória pelos membros deste Conselho, nos termos do art. 72 e art. 45, VI do Anexo II do seu Regimento Interno. Conforme se denota na fundamentação de um dos Acórdãos Paradigmas, nº 20215366, de 03/12/2003, o legislador ordinário, consoante as diretrizes da Constituição Federal e do CTN, "criou o sistema de créditos que, regra geral, confere ao contribuinte o direito de creditarse do imposto cobrado nas operações anteriores para ser compensado com o que for devido nas operações de saída dos produtos tributados do estabelecimento contribuinte, em um mesmo período de apuração", sendo que, "com a entrada em vigor da Lei n° 9.779, de 1999, somente foi admitida a possibilidade de aproveitamento do saldo credor do IPI, decorrente da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem aplicados na industrialização de produtos isentos ou tributados a alíquota zero, jamais de produtos não tributados pelo IPI (NT)". Esse entendimento ajustase perfeitamente ao caso sob análise, que trata do creditamento na aquisição de insumos utilizados na fabricação de produtos com notação NT na TIPI, operação que não sofreu a incidência do IPI. O fato de o produto final ser imune ou não 2 Acórdão nº 340301.678 (...) Declaração de Voto (...) As considerações acima, no entanto, não têm inteira pertinência com a hipótese em julgamento. É que a “emulsão asfáltica de petróleo” classificase na TIPI sob o código 2715.00.00 (misturas betuminosas à base de asfalto ou de betumes naturais, betume de petróleo, de alcatrão mineral ou de breu de alcatrão mineral), ao qual não correspondia à época dos fatos geradores a notação “NT”. Correspondia incidência à alíquota positiva de 5%. Não foi a TIPI, portanto, o veículo normativo que reconheceu ao produto a condição de imune. Foi a resposta expedida em consulta fiscal formulada por entidade de classe à qual a recorrente é filiada que o fez. Circunstancialmente, pois, estamos diante de hipótese em que ao produto imune não corresponde, na TIPI, a notação “NT”. Essa constatação tem relevância na medida em que afasta a aplicação ao caso da Súmula CARF nº 20, de acordo com a qual “a fabricação de produtos classificados na TIPI como NT” não confere direito de crédito sobre os respectivos insumos. Com estas considerações, acompanho o relator para dar provimento ao recurso voluntário. Marcos Tranchesi Ortiz Fl. 403DF CARF MF 6 industrializado (notação NT) não altera o tratamento relativamente à impossibilidade de creditamento sobre a aquisição do insumo a ser nele aplicado, vez que a autorização dada pelo art. 11 da Lei nº 9.779/993 somente atinge a fabricação de produtos isentos ou tributados a alíquota zero. Quanto ao entendimento, depois revogado, que poderia advir da leitura isolada do art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33/994, no sentido de que o direito de aproveitamento de saldo credor referido no art. 11 da Lei nº 9.779/99 se estenderia aos produtos imunes, ele deveria ser compatibilizado com o disposto no art. 2º, §3º da mesma Instrução Normativa, resolvendose o conflito de normas com o direito de aproveitamento de créditos somente sobre os insumos destinados aos produtos imunes que não tivessem notação NT, o que não beneficiaria a ora recorrente no presente processo. Mais importante ainda é que, no período de apuração sob análise, o Secretário da Receita Federal, mesma autoridade responsável pela edição da malfadada Instrução Normativa SRF nº 33/99, já havia revogado os entendimentos no sentido acima, tanto no que concerne aos produtos com notação NT (imunes ou não industrializados) ou meramente imunes, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, publicado(a) no DOU de 18/04/2006, nos seguintes termos: Dispõe sobre a aplicação do art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, combinado com o art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999. 3 Lei nº 9.779, de 1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, acumulado em cada trimestre calendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal– SRF, do Ministério da Fazenda. (g.n) 4 IN SRF nº 33, de 4 de março de 1999: Art. 1º A apuração e a utilização de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, inclusive em relação ao saldo credor a que se refere o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, darseá de conformidade com esta Instrução Normativa. (g.n) Art. 2º Os créditos do IPI relativos a matériaprima (MP), produto intermediário (PI) e material de embalagem (ME), adquiridos para emprego nos produtos industrializados, serão registrados na escrita fiscal, respeitado o prazo do art. 347 do RIPI: I – quando do recebimento da respectiva nota fiscal, na hipótese de entrada simbólica dos referidos insumos; II no período de apuração da efetiva entrada dos referidos insumos no estabelecimento industrial, nos demais casos. § 1º O aproveitamento dos créditos a que faz menção o caput darseá, inicialmente, por compensação do imposto devido pelas saídas dos produtos do estabelecimento industrial no período de apuração em que forem escriturados. § 2º No caso de remanescer saldo credor, após efetuada a compensação referida no parágrafo anterior, será adotado o seguinte procedimento: I o saldo credor remanescente de cada período de apuração será transferido para o período de apuração subseqüente; II ao final de cada trimestrecalendário, permanecendo saldo credor, esse poderá ser utilizado para ressarcimento ou compensação, na forma da Instrução Normativa SRF nº 21, de 10 de março de 1997. § 3º Deverão ser estornados os créditos originários de aquisição de MP, PI e ME, quando destinados à fabricação de produtos não tributados (NT). (g.n) (...) Art. 4º O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, do saldo credor do IPI decorrente da aquisição de MP, PI e ME aplicados na industrialização de produtos, inclusive imunes, isentos ou tributados à alíquota zero, alcança, exclusivamente, os insumos recebidos no estabelecimento industrial ou equiparado a partir de 1º de janeiro de 1999. (...) Fl. 404DF CARF MF Processo nº 16682.900249/201358 Acórdão n.º 3402006.084 S3C4T2 Fl. 402 7 O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o que consta do processo nº 10168.000853/200696, declara: Art. 1º Os produtos a que se refere o art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, são aqueles aos quais ao legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) garante o direito à manutenção e utilização dos créditos. Art. 2º O disposto no art. 11 da Lei nº 9.779, de 11 de janeiro de 1999, no art. 5º do Decretolei nº 491, de 5 de março de 1969, e no art. 4º da Instrução Normativa SRF nº 33, de 4 de março de 1999, não se aplica aos produtos: I com a notação "NT" (nãotributados, a exemplo dos produtos naturais ou em bruto) na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI), aprovada pelo Decreto nº 4.542, de 26 de dezembro de 2002; II amparados por imunidade; III excluídos do conceito de industrialização por força do disposto no art. 5º do Decreto nº 4.544, de 26 de dezembro de 2002 Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI). Parágrafo único. Excetuamse do disposto no inciso II os produtos tributados na TIPI que estejam amparados pela imunidade em decorrência de exportação para o exterior. Não há que se falar em qualquer ilegalidade no Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006, que trouxe interpretação no âmbito da Receita Federal em conformidade estrita ao disposto no art. 11 da Lei nº 9.779/99, o qual introduziu a possibilidade de aproveitamento de saldo credor em relação aos insumos aplicados tão somente nos produtos isentos ou tributados à alíquota zero. Vale dizer que o que transborda a lei é a interpretação que cogita do direito ao creditamento sobre as aquisições de insumos destinados a produtos imunes. Cabe esclarecer à recorrente que, à época dos fatos, eventuais Soluções de Consulta vigentes formuladas por seus concorrentes em sentido contrário ao Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5/2006 já não produziam mais efeitos, nos termos da legislação de regência5. Dessa forma, diante da vigência, no período de apuração sob análise, do entendimento veiculado pelo Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 5, de 17 de abril de 2006, o disposto no art. 100, parágrafo único do CTN não pode socorrer a recorrente quanto a eventual exclusão de penalidades. Por fim, em relação a "eventuais saídas de produtos sem a incidência de IPI em desacordo com o disposto na TIPI", a recorrente meramente alega que tal fato não invalidaria o pleito de ressarcimento/compensação do imposto, não apresentando qualquer fato ou fundamento que possa ser analisado por este Colegiado. Assim, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. 5 Instrução Normativa RFB nº 740, de 02 de maio de 2007: Art. 21. A publicação, na Imprensa Oficial, de ato normativo superveniente modifica as conclusões em contrário constantes em soluções de consultas ou em soluções de divergências. Instrução Normativa RFB nº 1396, de 16 de setembro de 2013: Art. 30. A publicação, na Imprensa Oficial, de ato normativo superveniente modifica as conclusões em contrário constantes em Soluções de Consulta ou em Soluções de Divergência, independentemente de comunicação ao consulente. Fl. 405DF CARF MF 8 (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Fl. 406DF CARF MF
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Numero do processo: 36266.006142/2005-20
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 08 00:00:00 UTC 2011
Numero da decisão: 2301-000.132
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator
Nome do relator: Damião Cordeiro de Moraes
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Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15188.1NLU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Mauro Jose Silva, Adriano Gonzáles Silvério, Wilson Antonio de Sousa Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes. Fl. 2DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15188.1NLU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 36266.006142/200520 Acórdão n.º 230100.132 S2C3T1 Fl. 446 3 Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa DIMAS DE MELO PIMENTA SISTEMAS DE PONTO E ACESSO LTDA em face de decisão que julgou procedente o lançamento de débito referente à glosa de compensação sobre verbas indenizatórias e valores destinados ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e a outras importâncias arrecadadas destinadas às entidades e terceiros, relativas ao período de 08/2001 a 03/2005. 2. O julgamento de primeira instância que deu origem ao decisum contraposto deu origem à seguinte ementa: “PREVIDENCIÁRIO. RELATÓRIO FISCAL. CORESPONSÁVEIS. COMPENSAÇÃO DE VERBAS INDENIZATÓRIAS E SAT. MULTA. JUROS. A NFLD foi lavrada em conformidade com a legislação previdenciária, Lei n.º 8.212/91. O Relatório Fiscal atendeu aos dispositivos pertinentes para constituição do presente crédito previdenciário. A NFLD foi lavrada em nome da empresa impugnante conforme Lei n.º 8.212/91. As verbas indenizatórias foram devidas na vigência da Medida Provisória n.º 1.523/97. A falta de apresentação de memorial descritivo da compensação efetuada enseja sua glosa. Os acréscimos legais, juros e multa aplicados atendem à legislação pertinente e têm caráter irrelevável. Lançamento Procedente.” 3. Em sede recursal, buscando a improcedência do lançamento, o contribuinte aduziu, em síntese: a) preliminarmente, a inconstitucionalidade de condicionar o recebimento do recurso ao depósito de 30% do valor do débito; b) afirma que os órgãos do contencioso administrativo possuem competência para examinar a incompatibilidade de determinada lei com a Carta Magna, sob pena de fazer observar norma manifestamente inconstitucional; c) a inconstitucionalidade e ilegalidade da exigência do SAT; Fl. 3DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15188.1NLU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 d) impossibilidade da cobrança, tendo em vista que no caso concreto houve a extinção do crédito tributário com a compensação realizada; e) por fim, a utilização indevida da taxa SELIC. 4. Devidamente cientificado da apresentação de recurso por parte do contribuinte, o fisco limitouse a encaminhar os autos à apreciação deste Conselho sem a juntada de contrarazões. É o relatório. Fl. 4DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15188.1NLU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 36266.006142/200520 Acórdão n.º 230100.132 S2C3T1 Fl. 447 5 Voto Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes ADMISSIBILIDADE DO RECURSO 1. No que se refere à exigibilidade do depósito recursal, cumpre ressaltar que a garantia de instância para admissibilidade do Recurso Voluntário foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento da Ação Direta de Inconstitucionalidade nº. 1976, não sendo mais exigível o depósito recursal para seguimento do Recurso. Dessa forma, conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA 2. Narra o relatório fiscal que a recorrente compensou valores recolhidos para a Previdência Social, destinados ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT), com base em entendimento do próprio fisco acerca do reenquadramento da atividade preponderante do contribuinte: “5.1. (...) A empresa recolhia com a alíquota de 3% e, após novo entendimento quando ao enquadramento na atividade econômica preponderante, passou a recolhera alíquota de 2%; 5.2. De fato, após este novo enquadramento, foi feita consulta ao Serviço de Arrecadamento da Gerência Executiva em São Paulo/Norte, onde ratificaram o entendimento, sem prejuízo da revisão em ação fiscal ‘in loco’ (cópia da resposta à consulta anexa); 5.3. A atividade preponderante é aquela que ocupa, na empresa, o maior número de segurados empregados e trabalhadores avulsos, não considerando os que prestam serviços em atividades meio. Para o enquadramento em empresas com mais de um estabelecimento, devemos simular o enquadramento por estabelecimento, e depois comparar os enquadramentos dos estabelecimentos para definir o enquadramento geral da empresa (atividade preponderante), tudo conforme artigo 86 da INSTRUÇÃO NORMATIVA SRP n.º 03, de 14 de julho de 2005; 5.4. Procedendo como no item anterior, claro está que o enquadramento para a empresa é o correspondente a vendas e assistência técnica (grau de risco 2); 5.5. No entanto, a empresa não apresentou memorial do cálculo da compensação do SAT onde constem as guias que deram origem à compensação, o valor recolhido a maior e a correção calculada, mas apenas uma relação com os valores já compensados (relação anexa\); 5.6. Diante do exposto, esta auditoria efetuou a glosa dos valores compensados a título de verbas indenizatórias e de SAT;” (fls. 88/89) Fl. 5DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15188.1NLU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 3. Assim, da leitura da informação fiscal, resta claro que apesar de o fisco reconhecer que o grau de risco da empresa era menor não aceitou a compensação dos valores recolhidos indevidamente, considerando que a empresa não teria apresentado o chamado “memorial do cálculo da compensação do SAT” onde constassem as guias que deram origem à compensação, o valor recolhido a maior e a correção calculada. 4. O reenquadramento da empresa e a respectiva redução das contribuições não são questionados pelo fisco. Tal fato é ressaltado, ainda, na decisão de primeira instância que assim trata do assunto: “7.3. Não se questiona neste lançamento o enquadramento da empresa quanto à alíquota de contribuição para o SAT, mas sim, a ausência de memorial de cálculo da compensação realizada com discriminação dos valores recolhidos indevidamente por competência e por estabelecimento, base de cálculo, rubricas, valores originais e respectivos cálculos de atualização. 7.4. Os documentos apresentados durante a fiscalização, conforme item 5.5. do Relatório Fiscal, às fls. 89, bem como na presente impugnação, não apresentam o memorial exigido que permite a conferência da compensação realizada, limitando se a apresentar documentos que a própria fiscalização juntou aos autos, conforme se verifica às fls. 118 e 165, fls 119/123 e fls. 161/163. As guias de recolhimento apresentadas às fls. 171/291, somente confirmam o recolhimento para o SAT à alíquota de 3%.” (fl.330) 5. E como a empresa trouxe aos autos, juntamente com a peça recursal, “MEMORIAL DE CÁLCULO DA COMPENSAÇÃO” (fls. 403/414), entendo que, no que diz respeito às verbas compensadas relacionadas ao SAT, o pleito da recorrente deve ser analisado pela autoridade lançadora, em obediência ao princípio da verdade material. CONCLUSÃO 6. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, após, converter o julgamento em diligência, a fim de que a autoridade fiscal possa analisar o documento carreado às fls. 403/414. 7. Após, seja concedido o prazo de 30 (trinta) dias para que o contribuinte possa se manifestar sobre o resultado da diligência, caso queira. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 6DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15188.1NLU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 36266.006142/200520 Acórdão n.º 230100.132 S2C3T1 Fl. 448 7 Fl. 7DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP24.0119.15188.1NLU. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 12/07/2011 09:15:20. Documento autenticado digitalmente por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 12/07/2011. Documento assinado digitalmente por: MARCELO OLIVEIRA em 01/08/2011 e DAMIAO CORDEIRO DE MORAES em 12/07/2011. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 24/01/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP24.0119.15188.1NLU Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha1: C9911C4D7336D942FC5E901F1D8D5FD41F54F15E Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 36266.006142/2005-20. 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Numero do processo: 11080.901913/2015-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/2012-17 e no Processo Administrativo nº 10830.726826/2013-14; (ii) ateste que os valores lançados no auto de infração nº 10830.723689/2015-10 foram integralmente quitados pela contribuinte autuada mediante adesão ao Programa de Redução de Litígios Tributários (Prorelit); (iii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto da resposta aos itens anteriores sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iv) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o Relatório Conclusivo e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho, para reinclusão em pauta, e prosseguimento do julgamento.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: LEONARDO OGASSAWARA DE ARAUJO BRANCO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/2012-17 e no Processo Administrativo nº 10830.726826/2013-14; (ii) ateste que os valores lançados no auto de infração nº 10830.723689/2015-10 foram integralmente quitados pela contribuinte autuada mediante adesão ao Programa de Redução de Litígios Tributários (Prorelit); (iii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto da resposta aos itens anteriores sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iv) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o Relatório Conclusivo e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho, para reinclusão em pauta, e prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (Vice-Presidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora: (i) proceda à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/201217 e no Processo Administrativo nº 10830.726826/201314; (ii) ateste que os valores lançados no auto de infração nº 10830.723689/201510 foram integralmente quitados pela contribuinte autuada mediante adesão ao Programa de Redução de Litígios Tributários (Prorelit); (iii) confeccione "Relatório Conclusivo" da diligência, esclarecendo o impacto da resposta aos itens anteriores sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; e (iv) intime a contribuinte para que se manifeste sobre o Relatório Conclusivo e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho, para reinclusão em pauta, e prosseguimento do julgamento. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (VicePresidente) e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .9 01 91 3/ 20 15 -1 1 Fl. 2395DF CARF MF Processo nº 11080.901913/201511 Resolução nº 3401001.577 S3C4T1 Fl. 2.396 2 Relatório Tratase de declaração de compensação, realizada com base em suposto crédito de contribuição social originário de pagamento indevido ou a maior, nos termos do relatório da decisão recorrida, que abaixo se transcreve: "Tratase de manifestação de inconformidade (efls. 1869 a 1898 – demais documentos até a efl. 2291) apresentada em 22 de março de 2016 contra despacho decisório de 17 de fevereiro de 2016 (efls. 1851 e 1852), cientificado em 19 de fevereiro de 2016 (efl. 1867), que indeferiu o pedido de ressarcimento e não homologou as compensações com créditos de IPI do 2º trimestre de 2013, contidas em declarações de compensação apresentadas a partir de 20 de fevereiro de 2014. De acordo com a informação fiscal de efls. 1846 a 1849, foi lavrado auto de infração em relação aos períodos de julho de 2011 a outubro de 2014 (processo administrativo n. 10830.723689/201510). A redução a zero do saldo de créditos resultou dos procedimentos de devolução à escrita fiscal dos estornos de crédito efetuados pela Interessada, da inclusão dos valores lançados de ofício no auto de infração, do estorno de créditos não ressarcíveis (consumo dos saldos pelos PER apresentados em períodos anteriores e pelos autos de infração dos processos 10830.725456/201217 e 10830.726826/2013 14) e da anulação do saldo credor inicial". A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, nos seguintes termos: "(...) os ajustes da Informação Fiscal apresentam erros que influenciaram na análise do saldo credor de IPI em favor da Manifestante. Em caráter preliminar de análise, temos que o ajuste da Coluna K3, de anulação do crédito inicial de R$ 208.765.190,19, mostrase indevido, uma vez que tem amparo na suposta glosa de créditos de IPI havida em decorrência dos Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314. No entanto, ambos os processos ainda estão sendo discutidos na esfera administrativa e. assim, as glosas lá havidas não podem ser consideradas definitivas para fins de apuração do crédito existente para a Manifestante. Já com relação ao ajuste da Coluna E1, de inclusão dos valores de crédito indevido de IPI lançados no Auto de Infração n° 10830.723689/201510 como débito apurado, há novo equívoco, visto que a Manifestante pagou o IPI e os créditos indevidos lançados naquela autuação, fazendo jus aos créditos correspondentes a estes pagamentos (ou seja, o alegado "débito" que diminuiria o valor do Fl. 2396DF CARF MF Processo nº 11080.901913/201511 Resolução nº 3401001.577 S3C4T1 Fl. 2.397 3 saldo credor a ressarcir foi, efetivamente, pago pela Manifestante antes mesmo da análise do PER). E por fim, temos que, considerados os necessários ajustes acima descritos, quais sejam, a (i) devolução dos lançamentos do Auto de Infração n° 10830.723689/201510 e (ü) da devolução do valor inicial de R$ 208.765.190,19, haveria saldo credor de IPI em favor da manifestante à época da transmissão do PER n° 07142.71910.200214.1.1.013283. E mesmo se considerados os indevidos ajustes propostos pela Manifestante no parágrafo acima (Colunas E1 e E3), ainda assim, a Manifestante apresentaria um saldo credor de RS 14.955.664,24 à época da transmissão do pedido de ressarcimento, como demonstra a Coluna L para o 2° trimestre de 2013, não havendo que se falar em indeferimento do pedido de ressarcimento e não homologação das compensações declaradas. (...) necessidade de julgamento conjunto da manifestação de inconformidade com os autos de infração contidos nos processos n. 10830.725456/201217 e n. 10830.726826/201314, que teria fundamento na Portaria RFB n. 354, de 2016, art. 3º, e nas disposições do novo Código de Processo Civil. (...) o auto de infração que lastreou o despacho decisório seria precário, "em razão da violação e não observância, por parte do Auditor Fiscal, do artigo 142 do Código Tributário Nacional ('CTN'). (...)Nos anos de 2012 e 2013, a Manifestante foi alvo de fiscalizações e autuações por parte do Fisco em razão de supostas irregularidades no aproveitamento do beneficio fiscal previsto na Lei n° 8.248/91, alterada pelas Leis n° 10.176/2001 e 11.077/2004 ("Lei da Informática" e "Processo Produtivo Básico") . Contra a Manifestante foram lavrados os Autos de Infração n° 10830.725456/201217 e n° 10830.726826/201314. No primeiro processo, parte do IPI entendido como devido foi lançada, e parte foi coberta por saldo credor de IPI, que acabou sendo glosado da escrita fiscal da Manifestante na monta de R$ 23.360.431,26. Já no segundo processo, todo o IPI supostamente devido foi coberto com saldo credor, também glosado da escrita, no total de R$ 20.424.126,57. Em razão das glosas acima expostas, o Despacho Decisório entendeu que deveria desconsiderar os valores de R$ 23.360.431,26 e R$ 20.424.126,57 do crédito passível de ressarcimento para Manifestante, visto que eles teriam sido utilizados para o pagamento do IPI devido naqueles processos (...) tendo a Manifestante utilizado crédito indevido, o Fisco lançou estes valores no Auto de Infração, cobrando da Manifestante pelo uso do crédito que era indevido. E, concordando com tal conclusão do Fisco, a Manifestante providenciou o pagamento do Auto de Infração por meio do Programa de Redução de Litígios Tributários (PRORELTT). [...]Ocorre que o art. 6o da Lei n° 13.202/15 e o art.7° da Portaria PGFN/RFB n° 1.037/15, criada para regulamentação do PRORELIT, previam que a adesão ao programa e a conseqüente quitação do Fl. 2397DF CARF MF Processo nº 11080.901913/201511 Resolução nº 3401001.577 S3C4T1 Fl. 2.398 4 crédito tributário pelo pagamento com créditos de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa implicavam a extinção do crédito tributário, sob condição resolutória de sua posterior homologação. (...) para fins de apuração do valor de IPI passível de ressarcimento, no mínimo o Despacho Decisório deveria ter considerado o crédito no valor de R$ 21.966.578,45, face ao pagamento integral do Auto de Infração n° 10830.723689/201510 via PRORELIT. Ou seja. equivocadas são as conclusões do Despacho Decisório e da planilha do processo que indevidamente estornam da escrita da Manifestante o montante de R$ 21.432.966,32 de credito de IPI. (...) o procedimento correto seria o Fisco ter unicamente glosado estes créditos indevidos na escrita da Manifestante, na oportunidade do Auto de Infração n° 10830.723689/201510, o que atualmente impactaria no PER n° 07142.71910.200214.1.1.013283. Mas não houve a glosa, houve lançamento dos valores creditados para cobrança, os quais foram devidamente quitados pela Manifestante e agora estão habilitados a gerar o crédito pleiteado no pedido de ressarcimento" (seleção e grifos nossos). Em 28/06/2016, a Delegacia Regional do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto (SP) proferiu o Acórdão DRJ nº 1461.710, situado às fls. 2.318 a 2.333, de relatoria da AuditoraFiscal Marcela Cheffer Bianchini, em que se decidiu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a manifestação de inconformidade, em conformidade com a ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 ENDEREÇO DE INTIMAÇÃO E DOMICÍLIO FISCAL. INCOMPETÊNCIA DA AUTORIDADE JULGADORA. As intimações são matéria de atribuição da autoridade preparadora, descabendo manifestação da autoridade julgadora quanto ao pedido do contribuinte de que elas sejam enviadas para endereço diverso do de seu domicílio tributário. PEDIDO DE PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Indeferese o pedido de realização de prova pericial, quando se trate de matéria que não exige opinião técnica de especialista e que seja irrelevante para o exame do direito de crédito. IPI. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. VALOR REDUZIDO EM FUNÇÃO DE AUTO DE INFRAÇÃO. DECORRÊNCIA. RELAÇÃO DE CAUSA E EFEITO. Ao julgamento da manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que deixou de reconhecer parte do direito ao ressarcimento de IPI, em decorrência exclusiva de infrações apuradas em autos de infração já julgados em primeira instância administrativa, devem ser aplicados os efeitos das decisões proferidas nos respectivos processos. Fl. 2398DF CARF MF Processo nº 11080.901913/201511 Resolução nº 3401001.577 S3C4T1 Fl. 2.399 5 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2013 a 30/06/2013 AUTO DE INFRAÇÃO PAGO. RESTABELECIMENTO DE CRÉDITOS. INEXISTÊNCIA DE CORRELAÇÃO LÓGICA DE CAUSA E EFEITO. Os valores de IPI lançados de ofício em auto de infração correspondem ou ao IPI escriturado pelo próprio contribuinte e que restou desacobertado por glosa de créditos ilegítimos, ou ao IPI não lançado em nota fiscal pelo contribuinte e que foi apurado pela Fiscalização. Tratandose, assim, de valor de débitos líquidos dos créditos legítimos, o pagamento do auto de infração não restaura crédito algum à escrituração fiscal do contribuinte. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. OUTROS CRÉDITOS ESCRITURAIS. O pedido de ressarcimento de IPI referese àqueles créditos escriturados no trimestrecalendário, que não tenham sido absorvidos pelos débitos do mesmo período. Não é possível, dessa forma, substituir os créditos que foram objeto do pedido por créditos que permaneceram na escrituração, especialmente quando tais créditos sofram os efeitos de autos de infração lavrados em relação a períodos anteriores. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte, intimada em 12/07/2016, em conformidade com o termo de ciência por abertura de mensagem situado a fl. 2.352, interpôs, em 09/07/2012, recurso voluntário, situado às fls. 2.354 a 2.389, no qual reiterou as razões vertidas em sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Relator O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. A recorrente alega, em suas razões recursais, ter apurado, no 2º trimestre de 2013, excesso de créditos de IPI utilizado para extinguir créditos tributários mediante transmissão, em 20/02/2014, de PER no valor de R$ 11.332.453,53, excedente este utilizado, nos termos do art. 11 da Lei nº 9.779/1999 e art. 268 do RIPI, nas seguintes DCOMP, transmitidas em fevereiro e abril de 2014: Fl. 2399DF CARF MF Processo nº 11080.901913/201511 Resolução nº 3401001.577 S3C4T1 Fl. 2.400 6 As compensações não foram homologadas, em conformidade com despacho decisório, sob o fundamento de que, ao reordenar os pedidos de ressarcimento de acordo com a ordem cronológica de suas transmissões (Coluna I), concluiu, a partir dos saldos ajustados após os respectivos ressarcimentos (Coluna L), pela inexistência de crédito remanescente a ser restituído no PER (Coluna M), como se depreende da planilha abaixo: Alega a contribuinte que o despacho decisório realizou indevidos estornos de créditos referentes a lançamentos de ofício que teriam sido objeto de recurso administrativo e, ainda que considerados, sobejaria saldo credor de IPI para o processamento do PER. Destaca, entre os lançamentos de ofício considerados para a composição da planilha que instruiu o prefalado despacho no sentido da não homologação: (i) o auto de Fl. 2400DF CARF MF Processo nº 11080.901913/201511 Resolução nº 3401001.577 S3C4T1 Fl. 2.401 7 infração nº 10830.723689/201510, cujos valores foram pagos mediante adesão ao Programa de Redução de Litígios Tributários (PRORELIT) instituído pela Lei nº 13.202/2015; e (ii) os autos de infração em discussão no Processo Administrativo nº 10830.725465/201217 (em que parte do IPI devido foi lançada e Parte foi coberta por saldo credor de IPI, ocasionado glosa da escrita fiscal no valor de R$ 23.360.431,26) e no Processo Administrativo nº 10830.726826/201314 (em que todo o IPI foi coberto com saldo credor de IPI, ocasionado glosa da escrita fiscal no valor de R$ 20.424.126,57) dizem respeito à acusação de irregularidades no aproveitamento do benefício previsto na Lei nº 8.248/1991, com as alterações das Leis nº 10.176/2001 e nº 11.077/2004 ("Lei da Informática" e "Processo Produtivo Básico"), e pendem ainda de decisão administrativa irrecorrível. De fato, os estornos promovidos pela autoridade fiscal não têm apresentam o predicado da definitividade, uma vez que pendem ainda de desfecho, não sendo possível, portanto, afirmarse a respeito de seu impacto sobre a escrita da contribuinte. Observese, a este respeito, o Processo Administrativo nº 10830.726826/201314, objeto do Acórdão CARF nº 3301004.180, proferido em 30/01/2018, de relatoria da Conselheira Semíramis de Oliveira Duro, que deu provimento parcial ao recurso voluntário interposto, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/01/2009 a 30/06/2011 IPI. LEI DE INFORMÁTICA. BENEFÍCIO FISCAL. DISTINÇÃO ENTRE NOVO MODELO E VERSÃO DO MODELO HABILITADO. Mediante a juntada de laudos técnicos, demonstrado que os equipamentos objetos do auto de infração apresentam as características técnicas dos modelos já habilitados no incentivo fiscal e que são, portanto, versões, resultantes da combinação de características alternativas que podem pertencer a cada um dos modelos, conforme já constara no processo de habilitação, então não houve descumprimento da Portaria de concessão do benefício fiscal. Legítima a saída com as reduções de IPI. PROVA. LAUDO TÉCNICO ELABORADO PELO INSTITUTO NACIONAL DE TECNOLOGIA. Nos termos do art. 30 do Decreto 70.235/72 cabe ao Instituto Nacional de Tecnologia, do Ministério da Ciência e Tecnologia, a elaboração de laudo visando ao esclarecimento de questões de natureza técnica postas ao deslinde dos órgãos julgadores administrativos, cujas conclusões sobre tais questões técnicas, devem ser acatadas pelas instâncias julgadoras. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso voluntário parcialmente provido. Fl. 2401DF CARF MF Processo nº 11080.901913/201511 Resolução nº 3401001.577 S3C4T1 Fl. 2.402 8 Diante da impossibilidade de se concluir pela existência ou não de crédito em suficiência para extinguir o débito em disputa em razão da clara relação de prejudicialidade externa marcada pelos processos administrativos em referência, e sobretudo diante da verossimilhança das alegações, diante de recurso voluntário provido no sentido de reconhecer a legitimidade da saída com reduções de IPI em virtude de não configuração do descumprimento da norma de concessão do benefício fiscal, necessário se aguardar pelo desfecho das discussões para se proferir decisão de mérito no corrente caso. Necessário, antes de se decidir o mérito ad causam, resolverse a contenda referente ao Processo Administrativo nº 10830.725465/201217 e ao Processo Administrativo nº 10830.726826/201314, bem como, por questão de economia processual, para que todas as questões em aberto sejam contempladas na mesma oportunidade, que, em proveito da diligência, ateste a unidade também que a contribuinte procedeu à extinção dos valores lançados no auto de infração nº 10830.723689/201510 mediante adesão ao Programa de Redução de Litígios Tributários (PRORELIT). Assim, entendo que o processo não se encontra em condições de julgamento, razão pela qual voto por converter o presente feito em diligência, para que a unidade local adote as seguintes providências: (i) Proceder à juntada da decisão administrativa irrecorrível proferida no Processo Administrativo nº 10830.725465/201217 e no Processo Administrativo nº 10830.726826/201314; (ii) Atestar que os valores lançados no auto de infração nº 10830.723689/2015 10 foram integralmente quitados pela contribuinte autuada mediante adesão ao Programa de Redução de Litígios Tributários (PRORELIT); (iii) Confeccionar “Relatório Conclusivo” da diligência, esclarecendo o impacto da resposta aos itens anteriores sobre o crédito em debate no presente processo e os impactos sobre a escrita fiscal da contribuinte, com os esclarecimentos que se fizerem necessários; (iv) Intimar a contribuinte para que se manifeste sobre o “Relatório Conclusivo” e demais documentos produzidos em diligência, querendo, em prazo não inferior a 30 (trinta) dias, trintídio após o qual, com ou sem manifestação, sejam os autos remetidos a este Conselho para reinclusão em pauta para prosseguimento do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Ogassawara de Araújo Branco Relator Fl. 2402DF CARF MF Processo nº 11080.901913/201511 Resolução nº 3401001.577 S3C4T1 Fl. 2.403 9 Fl. 2403DF CARF MF
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Numero do processo: 12466.002712/2010-55
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 07/03/2005 a 20/06/2005
DECADÊNCIA - PENA DE PERDIMENTO
A decadência a que alude o art. 139 do DL 37/66 só se aplica em relação às infrações nele previstas, conforme jurisprudência do STJ. A pena de perdimento é tratada em norma própria, o Decreto-Lei 1.455/76, pelo que, seja a pena de perdimento seja sua conversão em multa equivalente ao valor da mercadoria, a ela se aplica a norma decadencial inserta no art. 173, I.
Recurso do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.667
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Julgamento iniciado na reunião 10/2018.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Redator Designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 07/03/2005 a 20/06/2005 DECADÊNCIA - PENA DE PERDIMENTO A decadência a que alude o art. 139 do DL 37/66 só se aplica em relação às infrações nele previstas, conforme jurisprudência do STJ. A pena de perdimento é tratada em norma própria, o Decreto-Lei 1.455/76, pelo que, seja a pena de perdimento seja sua conversão em multa equivalente ao valor da mercadoria, a ela se aplica a norma decadencial inserta no art. 173, I. Recurso do Procurador provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Julgamento iniciado na reunião 10/2018. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas.
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AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado UM INSTRUMENTOS E EQUIPAMENTOS LTDA. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 07/03/2005 a 20/06/2005 DECADÊNCIA PENA DE PERDIMENTO A decadência a que alude o art. 139 do DL 37/66 só se aplica em relação às infrações nele previstas, conforme jurisprudência do STJ. A pena de perdimento é tratada em norma própria, o DecretoLei 1.455/76, pelo que, seja a pena de perdimento seja sua conversão em multa equivalente ao valor da mercadoria, a ela se aplica a norma decadencial inserta no art. 173, I. Recurso do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Érika Costa Camargos Autran (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire. Julgamento iniciado na reunião 10/2018. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 46 6. 00 27 12 /2 01 0- 55 Fl. 1008DF CARF MF Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 9303007.667 CSRFT3 Fl. 169 2 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Redator Designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão n.º 3202001.391, de 12 de novembro de 2014 (fls. 950 a 954 do processo eletrônico), proferido Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste CARF, decisão que por unanimidade de votos, negou provimento ao Recurso de Ofício. A discussão dos presentes autos tem origem no auto de infração lavrado em face do Contribuinte, para exigência de crédito tributário no valor de R$ 11.162.031,06 referente à multa equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que o Contribuinte registrou as Declarações de Importação no período entre 07/03/2005 e 20/06/2005, informando ser a importadora e adquirente das mercadorias. Declarou ainda que a exportadora seria a empresa Direct Company de propriedade de Haroldo Lourenço da Silva. Em procedimento fiscal relativo a mercadorias declaradas da mesma forma, com os mesmo intervenientes, foi constatado que as cargas chegavam com falsa declaração de conteúdo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP e remetidas sob o regime de Trânsito Aduaneiro a unidade de outras regiões fiscais. Com base no tipo de mercadorias encontradas se concluiu que as mercadorias eram substituídas durante o trajeto do trânsito aduaneiro e descaminhadas. Verificouse que as mercadorias eram entregues no exterior pelo reais proprietários à empresa HR Corporation que cobrava taxa de acordo com Fl. 1009DF CARF MF Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 9303007.667 CSRFT3 Fl. 170 3 o peso de cada pacote, não importando a qualidade ou tipo de mercadoria. As mercadorias declaradas não possuíam valor agregado e o frete chegava a 40% de seu valor, fato que demonstra a intenção delituosa. Concluiuse assim, que houve interposição fraudulenta de terceiros, com ocultação do real sujeito passivo, adquirente e comprador das mercadorias, mediante fraude e simulação, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa em razão de sua entrega a consumo. Em razão da fraude e simulação as faturas comerciais se revelaram ideologicamente falsas, infração também punível com a pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa em razão de sua entrega a consumo. O Contribuinte apresentou impugnação, alegando, em síntese, que: o crédito tributário é decadente, pois lançado depois de extinto o direito da Fazenda Pública o constituir; o auditor fiscal da Receita Federal não é competente para aplicar penda de perdimento ou sua conversão em multa, pois a competência é do delegado e/ou inspetor da Receita Federal; é isenta de responsabilidade sendo legais as importações realizadas. Por outro lado ilegal a atuação da fiscalização, pois descumpriu os princípios típicos do procedimento administrativo fiscal. Por fim, requer seja julgado insubsistente a ação fiscal e improcedente o auto de infração. A 1ª Turma da DRJ em Florianópolis julgou procedente a impugnação apresentada pelo Contribuinte, exonerando o crédito tributário exigido. Irresignada com a decisão contrária ao seu pleito, a DRJ em Florianópolis/SC apresentou Recurso de Ofício, que por unanimidade votos, foi negado provimento, conforme acórdão assim ementado in verbis: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Fl. 1010DF CARF MF Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 9303007.667 CSRFT3 Fl. 171 4 Período de apuração: 07/03/2005 a 20/06/2005 PERDIMENTO. CONVERSÃO EM MULTA EQUIVALENTE AO VALOR DAS MERCADORIAS. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de multa em razão da pena de perdimento, por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Recurso de ofício negado. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência (fls. 959 a 976) em face do acordão recorrido que negou provimento ao Recurso de Ofício, a divergência suscitada pela Fazenda Nacional aponta que o acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas têm identidade fática. Enquanto que o acórdão recorrido aplicou, para efeito de contagem do prazo decadencial de multa aduaneira regra específica prevista nos arts. 138 e 139 do DecretoLei n.º 37/1966, os paradigmas indicados manifestaram posição contrária, fazendo incidir as normas previstas no CTNCódigo Tributário Nacional, inclusive o artigo 173, inciso I para a definição do prazo decadencial; bem como o entendimento do Supremo Tribunal Federal (Súmula Vinculante nº 8). Para comprovar a divergência jurisprudencial suscitada, a Fazenda Nacional apresentou como paradigma os acórdãos de números 3201000.634 e 320100.315. A comprovação dos julgados firmouse pela transcrição de inteiro teor das ementas dos acórdãos paradigmas no corpo da peça recursal. O Recurso Especial da Fazenda Nacional foi admitido, conforme despacho de fls. 979 a 982, sob o argumento que pelo contraste das ementas e do teor dos votos das decisões, ficou evidenciada a divergência entre o entendimento exarado no acórdão recorrido e os acórdãos paradigmas, no que tange à constituição do crédito, pois o mesmo extinguese em cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido efetuado o lançamento, nos termos do disposto no art. 173, inciso I do CTN, portanto, mesma situação fática. Fl. 1011DF CARF MF Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 9303007.667 CSRFT3 Fl. 172 5 Com essas considerações, entendeuse ter sido comprovada a divergência jurisprudencial. O contribuinte apresentou contrarrazões às fls. 989 a 1002, manifestando pelo não provimento do Recurso Especial e que seja mantido o v. acórdão. É o relatório em síntese. Voto Vencido Da Admissibilidade Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda, entendo que atende aos pressupostos de admissibilidade, pois foi comprovada a divergência suscitada. Do Mérito Quanto à decadência, para aplicação dos tributos e penalidades da área aduaneira é regulada no DecretoLei nº 37/66, que trata da matéria nos seus artigos 138 a 141. "Art.138 O direito de exigir o tributo extinguese em 5 (cinco) anos, a contar do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que poderia ter sido lançado. Parágrafo único. Tratandose de exigência de diferença de tributo, contar seá o prazo a partir do pagamento efetuado. Art.139 No mesmo prazo do artigo anterior se extingue o direito de impor penalidade, a contar da data da infração. Art.140 Prescreve em 5 (cinco) anos, a contar de sua constituição definitiva, a cobrança do crédito tributário. Art.141 O prazo a que se refere o artigo anterior não corre: I enquanto o processo de cobrança depender de exigência a ser satisfeita pelo contribuinte; Fl. 1012DF CARF MF Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 9303007.667 CSRFT3 Fl. 173 6 II até que a autoridade aduaneira seja diretamente informada pelo Juízo de Direito, Tribunal ou órgão do Ministério Público, da revogação de ordem ou decisão judicial que haja suspenso, anulado ou modificado exigência, inclusive no caso de sobrestamento do processo." No caso em tela, a multa foi aplicada equivalente ao valor aduaneiro das mercadorias importadas prevista no artigo 23, parágrafo 3° do Decreto lei n.° 1.455/76, com a redação dada pelo artigo 59 da Lei n.° 10.637/2002 . Assim, aplicando as determinações do art. 139 e seguintes do Decreto n.º 37/66, observase que as penalidades têm prazo de contagem próprio para sua constituição, qual seja, cinco anos contados a partir da data da infração. Desta maneira, seguindo robusta jurisprudência do CARF, entendo que a decadência em matéria aduaneira está esculpida no art. 139 do Decretolei n.º 37/66 (combinado com o art. 138 da mesma norma), a qual estabelece o prazo quinquenal para imposição de penalidades. Seguem vários exemplos de Acórdãos nesse sentido: Acórdão nº 3403002.865 “PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei nº 37/1966. Nº Acórdão 3401004.351 PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do DecretoLei no 37/1966. Acórdão: 3301003.975 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. A decadência em matéria aduaneira é regida pelo art. 139 do Decretolei nº 37/66, que determina o Fl. 1013DF CARF MF Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 9303007.667 CSRFT3 Fl. 174 7 prazo de decadencial de 5 anos para impor penalidades, a contar da data da infração, no caso, o registro da declaração de importação. Acórdão nº 3402005.287 PENALIDADE ADUANEIRA. DECADÊNCIA. Em matéria aduaneira, o direito de impor penalidade se extingue no prazo de cinco anos a contar da data da infração, conforme estabelece o art. 139 do Decreto¬Lei nº 37/1966. Acórdão n.º 3202000.458 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. MULTA. DECADÊNCIA. Tratandose da imposição de pena de perdimento, na hipótese do artigo 618, XXII do Regulamento Aduaneiro (Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002), por se cuidar de infração de caráter administrativo (aduaneiro), tem lugar a contagem do prazo decadencial na forma dos artigos 139 do DecretoLei nº 37, de 18 de novembro de 1966 e 669 do Regulamento Aduaneiro, cujo prazo de 5 (cinco) anos tem seu curso iniciado na data da infração. Acordão nº 320200.248 MULTA PROPORCIONAL AO VALOR ADUANEIRO. NATUREZA ADMINISTRATIVA. DECADÊNCIA O direito a impor penalidade extinguese em cinco anos contados a partir da data da ocorrência da infração correspondente, conforme disposto nos artigos 138 e 139 do Decreto n° 37/66. Acordão. 3402003.443 DECADÊNCIA. INFRAÇÕES ADUANEIRAS. NORMA ESPECIAL. A decadência em matéria aduaneira é regida pelo artigo 139 do Decretolei n. 37/66, cujo mandamento dispõe que o prazo de decadência para impor penalidades é de 5 anos a contar da data da infração, que no caso é o registro da declaração de importação. Fl. 1014DF CARF MF Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 9303007.667 CSRFT3 Fl. 175 8 Acordão. 3402002.989 DECADÊNCIA. EXCLUSÃO DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DATA DA INFRAÇÃO. TERMO INICIAL. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. O prazo decadencial das obrigações tributárias decorrentes de ilícitos aduaneiros tem como termo inicial a data de ocorrência da infração, na forma prevista no art. 139 do DL nº. 37/66. Tratandose de penalidade devida em face da interposição fraudulenta na importação (DL nº 1.455, art. 23, V), sujeitase à decadência ao cabo do prazo de cinco anos, cujo termo inicial é a prática da infração na data de registro da declaração de importação Assim, por entender bem específica a norma estabelecida no artigo 139 do DecretoLei n.º 37/1966, aplico tal mandamento ao caso concreto, uma vez que o prazo decadencial em matéria aduaneira é dado por este artigo, sobretudo pro expressar literalmente em seu texto, (...) o direito de impor penalidade...". Portanto, no caso sob análise, considerandose que as infrações imputadas à interessada possuem como data de seu cometimento a data do registro das Declarações de Importação e que a ciência do auto de infração, ato que o perfectibiliza, ocorreu em 18/10/2010, o lançamento referente a Declarações de Importação registradas antes de 18/10/2005 deve ser reconhecida a decadência antes desta data. O auto de infração em tela se refere às Declarações de Importação registradas entre 07/03/2005 e 20/06/2005, portanto torna se imperioso reconhecer a decadência dessas Declarações de Importações. Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda. É como voto (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Voto Vencedor Fl. 1015DF CARF MF Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 9303007.667 CSRFT3 Fl. 176 9 Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Redator Designado A CONTROVÉRSIA Com a devida vênia, divirjo da eminente relatora. Entende ela que em se tratando da penalidade de perdimento de mercadoria por dano ao erário (a que alude o art. 23 do Decretolei 1.455/76), e, no caso, uma vez não ter sido localizada a mercadoria sendo o perdimento convertido em multa equivalente a cem por cento do valor da mercadoria, o prazo decadencial regese pelo art. 139 do Decretolei 37/66 (art. 669 do RA de 2002). Com base nesse fundamento, a i. Conselheira Érika Autran, tendo em conta que a ciência do lançamento ocorreu em 18/10/2010, considerou decaído o mesmo em relação às declarações de importação (DI) registradas antes de 18/10/2005, o que levou a decretação da nulidade total (embora a meu juízo fosse caso de improcedência) da exação, pois esta se refere a DI registradas entre 07/03/2005 a 20/06/2005 . Este o cerne de nossa dissensão. Eu, do contrário, entendo que tal pena tem natureza diversa de uma penalidade aduaneira, pois o bem protegido é diverso; enquanto a infração aduaneira tem como escopo básico o poder de polícia aduaneiro, o perdimento, por sua vez, tem como fundamento o dano ao erário objetivamente falando, em hipóteses apertus clausus nos termos do DL 1.455/76. Daí porque não se pode nesta hipótese aplicar a decadência de que trata o art. 139 do DL 37/66, uma vez que este prazo só se aplica às penalidades nele previstas. OS FATOS Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração que a interessada registrou as Declarações de Importação no período entre 07/03/2005 e 20/06/2005, listadas às folhas 3/4, informando ser a importadora e adquirente das mercadorias. Declarou ainda que a exportadora seria a empresa Direct Company de propriedade de Haroldo Lourenço da Silva. Em procedimento fiscal relativo às mercadorias declaradas da mesma forma, com os mesmos intervenientes, foi constatado que as cargas chegavam com falsa declaração de conteúdo, no Aeroporto Internacional de Guarulhos/SP e remetidas sob o regime de Trânsito Aduaneiro a unidade de outras regiões fiscais. Com base no tipo de mercadorias encontradas concluiuse que as mercadorias eram substituídas durante o trajeto do trânsito aduaneiro e descaminhadas. Verificouse que as mercadorias eram entregues no exterior pelo reais proprietários à empresa HR Corporation que cobrava taxa de acordo com o peso de cada pacote, não importando a qualidade ou tipo de mercadoria. As mercadorias declaradas não possuíam valor agregado e o frete chegava a 40% de seu valor, fato que demonstra a intenção delituosa. Concluiuse assim, que houve interposição fraudulenta de terceiros, com ocultação do real sujeito passivo, adquirente e comprador das mercadorias, mediante fraude e simulação, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa em razão de sua entrega a consumo. Em razão da fraude e simulação, as faturas comerciais se revelaram ideologicamente falsas, infração também punível com a pena de perdimento das mercadorias, convertida em multa em razão de sua entrega a consumo. Fl. 1016DF CARF MF Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 9303007.667 CSRFT3 Fl. 177 10 Em suma, a fraude é inconteste! A DECADÊNCIA Nos termos do artigo 23 do Decretolei n° 1.455/1976 (redação dada pelo artigo 59 da Lei n° 10.637/2002) será considerado dano ao Erário as infrações relativas às mercadorias estrangeiras na importação, por ocultação dos agentes participantes, mediante fraude ou simulação (modalidade prevista no inciso V). Como a infração a que alude o art. 23 do DL 1.455/76, não se trata de penalidade inserta no Decretolei 37/66, a decadência deve ser regida pelo art. 173, I, do CTN. Nesse sentido já se manifestou o STJ no REsp 643.185/SC, de relatoria do saudoso Ministro Teori Zavaski. Vejase: ADMINISTRATIVO E PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 282/STF. VIOLAÇÃO AO ART. 535, II, DO CPC. INEXISTÊNCIA. LEGISLAÇÃO ADUANEIRA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE. PERDIMENTO DOS BENS. EXPORTAÇÃO CLANDESTINA. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. 1. A ausência de debate, na instância recorrida, sobre os dispositivos legais cuja violação se alega no recurso especial atrai, por analogia, a incidência da Súmula 282 do STF. 2. Não viola o artigo 535 do CPC, nem importa em negativa de prestação jurisdicional o acórdão que adota fundamentação suficiente para decidir de modo integral a controvérsia posta. Precedentes: EDcl no AgRg no EREsp 254949/SP, Terceira Seção, Min. Gilson Dipp, DJ de 08.06.2005; EDcl no MS 9213/DF, Primeira Seção, Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 21.02.2005; EDcl no AgRg no CC 26808/RJ, Segunda Seção, Min. Castro Filho, DJ de 10.06.2002. 3. Nos termos dos artigos 138 e 139 do Decretolei nº 37/66, é de cinco anos o prazo decadencial para a imposição das penalidades nele previstas. 4. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, desprovido. Dessarte, aplicandose o art. 173, I, do CTN, o qual rege a aplicação das penalidades não insertas no DL 37/66, portanto alcançando a pena de perdimento do DL 1.455/76. Dessa forma, não há que se falar em decadência em relação à exação em testilha. Apenas para argumentar, mesmo a regra do art. 139 do DL 37/66, é afastada quando comprovada fraude, como inegável no presente caso. Nessa hipótese seria de aplicação a norma do § 4, in fine, do art. 150, do CTN, quando o prazo decadencial teria como termo a quo, a data em que descoberta a fraude, dolo ou simulação. Em consequência, é de ser provido o recurso especial fazendário. DISPOSITIVO Fl. 1017DF CARF MF Processo nº 12466.002712/201055 Acórdão n.º 9303007.667 CSRFT3 Fl. 178 11 Ante todo o exposto, conheço e provejo o especial fazendário, desta forma revigorando o lançamento em todos seus termos. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 1018DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.901589/2014-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-001.754
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Vencida a Conselheira Cynthia Elena de Campos (relatora). Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Superada a nulidade, resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para sobrestar o presente processo na Câmara e solicitar a distribuição do processo nº 14090.720284/2016-72, para julgamento em conjunto. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo que entendiam pelo sobrestamento até decisão definitiva do processo nº 14090.720284/2016-72.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente.
(assinado digitalmente)
Cynthia Elena de Campos - Relatora.
(assinado digitalmente)
Maysa de Sá Pittondo Deligne Redatora Designada.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: CYNTHIA ELENA DE CAMPOS
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 14; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1415; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 3.000 1 2.999 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.901589/201421 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402001.754 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 31 de janeiro de 2019 Assunto IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS Recorrente RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, por rejeitar a preliminar de nulidade da decisão de primeira instância. Vencida a Conselheira Cynthia Elena de Campos (relatora). Designada a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Superada a nulidade, resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para sobrestar o presente processo na Câmara e solicitar a distribuição do processo nº 14090.720284/201672, para julgamento em conjunto. Vencidos os Conselheiros Maria Aparecida Martins de Paula e Pedro Sousa Bispo que entendiam pelo sobrestamento até decisão definitiva do processo nº 14090.720284/201672. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Relatora. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne – Redatora Designada. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 01 83 .9 01 58 9/ 20 14 -2 1 Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.001 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (Presidente), Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Cynthia Elena de Campos, Pedro Sousa Bispo, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Rodrigo Mineiro Fernandes e Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o Acórdão nº 1059.071, proferido pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre/RS, que por unanimidade julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório da Contribuinte, conforme Ementa abaixo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 SOBRESTAMENTO DE PROCESSOS. FALTA DE PREVISÃO LEGAL. Não existe previsão para o sobrestamento de processos, nas normas que tratam do processo administrativo fiscal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2012 a 31/03/2012 RESSARCIMENTO DE CRÉDITO. DECISÃO ADMINISTRATIVA NÃO DEFINITIVA. VEDAÇÃO. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A manifestação de inconformidade foi interposta contra despacho decisório (Rastreamento nº 117791306) da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Cuiabá, que negou o direito creditório requerido através do Pedido de Ressarcimento (PER/DCOMP) nº 34613.82171.110712.1.1.010467 (fls. 1949 a 1978), transmitido em data de 11/07/2012, pelo qual a Contribuinte requer o ressarcimento de créditos de IPI referente a ao 2º trimestre de 2012, no valor de R$ 2.969.609,25 (dois milhões, novecentos e sessenta e nove mil, seiscentos e nove reais e vinte e cinco centavos). Foram apresentadas Declarações de Compensação DCOMP, utilizando os supostos créditos referentes ao ressarcimento de IPI para quitação de débitos tributários junto à Fazenda Nacional. A Contribuinte RENOSA INDÚSTRIA BRASILEIRA DE BEBIDAS S/A (CNPJ 01.403.613/000132) em data de 30/09/2012 foi sucedida através de incorporação por COMPANHIA MARANHENSE DE REFRIGERANTES (CNPJ: 06.272.199/001327) e, Fl. 3002DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.002 3 posteriormente, sucedida por incorporação por NORSA REFRIGERANTES S.A. (CNPJ 07.196.033/000106). Os créditos foram glosados após auditoria realizada para verificação da respectiva legitimidade, pela qual restou apurado que no período diligenciado (2º trim./2012) exsurgem saldos devedores de IPI a recolher no montante de R$ 4.338.899,17. Com isso, foi apresentada Informação Fiscal Seort/DRFCuiabá/MT nº 0254/2016, de 09 de setembro de 2016: Pelo expendido, carece de lastro a pretensão da CMR na base do PERDCOMP nº 34613.82171.110712.1.1.010467. Do Pedido de Ressarcimento de R$ 2.969.609,25 (PER), e, consequentemente, das Declarações de Compensação (DCOMP) vinculadas (Quadro II), não há eco na Escrituração Contábil/Fiscal da CMR, à luz da legislação correlata, amparada na Carta Magna e, em instância Complementar, no CTN. Com relação aos argumentos da defesa e da fiscalização, transcrevo abaixo parte do relatório da decisão recorrida: No curso da fiscalização, a empresa defendeu que os concentrados estariam beneficiados pela isenção prevista no art. 81, inc. II do Decreto 7.212/2010 (Regulamento do IPI – RIPI/2010), cuja base legal é o art. 9º do DecretoLei 288/1967, por serem produzidos na ZFM, devendo ainda ser observada a coisa julgada formada na apreciação do Mandado de Segurança Coletivo (MSC) n° 91.00477834, interposto pela Associação dos Fabricantes Brasileiros de CocaCola (AFBCC), dentre os quais se inclui, bem como o entendimento plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário n° 212.484RS. Além disso, também haveria direito ao crédito com base no art. 95, III, do RIPI/2010 (base legal art. 6º do Decreto Lei 1.435/1975), c/c art. 237 do RIPI/2010, porque os concentrados teriam sido elaborados com matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental. Com relação ao aproveitamento com base no art. 81, II, do RIPI/2010, a fiscalização apontou: (i) que não existe previsão legal para o aproveitamento de créditos; (ii) que o entendimento posto no RE 212.484RS tem aplicação apenas entre as partes da ação judicial, não sendo de observância obrigatória pela fiscalização, pois não se reveste de definitividade; (iii) que os efeitos MSC n° 91.00477834 restringemse aos associados domiciliados no Rio de Janeiro. Quanto à isenção prevista no art. 95, III, do RIPI/2010, ressalta que o aproveitamento de créditos destinase a produtos elaborados com utilização direta de matéria prima agrícola ou extrativa, o que não ocorre com os insumos adquiridos, os quais foram industrializados a partir de produtos industrializados (açúcar e álcool neutro) obtidos da matériaprima agrícola e vegetal regional canadeaçúcar. Além disso, mesmo que por hipótese houvesse direito ao aproveitamento de créditos de IPI, a conclusão da fiscalização, após os procedimentos e análises descritos na Informação Fiscal, é no sentido de que os concentrados não constituem um produto único, devendo a classificação ser feita separadamente, para cada componente desses chamados kits, o que resultaria na inexistência de créditos a aproveitar, pois os mesmos são, na sua grande maioria, tributados à alíquota zero. Por decorrência, reconstituída a escrita fiscal, não haveria saldos credores a ressarcir, mas sim saldos devedores de IPI a recolher. Dessa forma, o pedido de ressarcimento foi indeferido. Irresignado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade tempestiva, assinada por procuradores habilitados nos autos, na qual aponta que o exame da presente manifestação de inconformidade deveria aguardar o julgamento da impugnação ao auto de infração objeto do processo 14090.720284/201672, lavrado para glosar os créditos de IPI apurados pela requerente no mesmo período a que se refere o pedido de ressarcimento, uma vez que o que o destino da compensação está vinculado ao que ali for decidido. Argumenta que o Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.003 4 imediato indeferimento das compensações teria importado em enriquecimento sem causa do Fisco, com cerceamento de defesa e supressão de instância de discussão na esfera administrativa. Por outro lado, o sobrestamento não causaria prejuízo à Fazenda Pública, porque o crédito tributário relativo aos débitos declarados já foi constituído, nos termos do art. 74, § 6º da Lei nº 9.430/1996, estando com a exigibilidade suspensa até julgamento final deste processo administrativo, não havendo risco de transcurso do prazo decadencial para lançamento, nem do prazo prescricional para cobrança. Caso não seja aceito o pedido de sobrestamento, solicita que ambos processos sejam reunidos para julgamento simultâneo em 1ª instância, preservando a ordem e evitandose a ocorrência de decisões divergentes. A seguir, sustenta que a requerente não poderia ser responsabilizada pelo suposto erro na classificação fiscal do concentrado, praticado pela fornecedora, não existindo no ordenamento jurídico a obrigação de o adquirente verificar tal aspecto na nota fiscal. Nesse sentido, as informações contidas nas notas fiscais emitidas por RECOFARMA permitiriam concluir que a classificação fiscal adotada está correta, e que atendem o disposto nos arts. 62, 48 e 53 da Lei 4.502/1964, sendo documentos idôneos, com validade fiscal. A manifestante, na qualidade de adquirente de boafé, ao utilizar referidos créditos não estaria cometendo infração, eis que teria direito a eles. Prossegue argumentando que teria havido violação ao art. 146 da Lei nº 5.172/1966 (Código Tributário Nacional CTN), tendo o despacho decisório alterado retroativamente o critério jurídico já aceito em procedimentos fiscais anteriores específicos contra a manifestante, nas quais teria sido aceita a classificação fiscal adotada. Também deveria ser considerado como marco de referência 22/12/2014, data da ciência do auto de infração contra a fornecedora RECOFARMA, no qual foi apontada a suposta classificação equivocada dos concentrados para refrigerantes. Invoca o posicionamento adotado pela 1ª Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ), no REsp n° 1.130.545RJ, relator Ministro Luiz Fux, DJe de 22.02.2011, julgado sob a sistemática de recursos repetitivos, cuja ementa transcreve parcialmente. Além disso, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), no Parecer PGFN n° 405/2003, publicado no Diário Oficial da União (DOU) de 26.03.2003, teria reconhecido o direito ao crédito de IPI ao adquirente do concentrado para refrigerantes, à alíquota de 27%. Acrescenta que também teria havido inovação ao serem desconsiderados os créditos de IPI decorrentes de aquisição de concentrados para fabricação do refrigerante guaraná, uma vez que a prática reiterada da fiscalização, em lançamentos anteriores seria de aceitar tais créditos. Contesta o mérito das glosas, defendendo a competência da SUFRAMA para conceder os benefícios previstos no art. 9º do DecretoLei n° 288/1967 e no art. 6º do DL n° 1.435/1975, bem como para determinar e administrar questões inerentes aos referidos benefícios. Sustenta que a classificação fiscal adotada decorreria da definição dada pelo referido órgão, através da Resolução do CAS n° 298/2007 e do Parecer Técnico n° 224/2007, que a integra. A seguir, discorre sobre a aplicação das Regras Gerais de Interpretação do Sistema Harmonizado e das Notas Explicativas do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (NESH) ao caso concreto, concluindo que estaria correta a classificação fiscal adotada pela fornecedora. Sustenta que tem direito ao benefício previsto no art. 95, inc. III, do RIPI/2010 (base legal: art. 6º do DecretoLei 1.435/1975), porque os concentrados adquiridos teriam sido produzidos com insumos obtidos a partir de matériaprima adquirida de empresa localizada na Amazônia Ocidental. De acordo com o art. 6º do DecretoLei 1.435/1975, o termo matériaprima compreende tanto os produtos industrializados com matériaprima agrícola regional como a própria matériaprima agrícola regional. A mesma conclusão decorreria da legislação própria da Suframa. Quanto ao benefício previsto no art. 81, II, do RIPI/2010 alega que estaria amparada pela coisa julgada no âmbito do MSC n° 91.00477834, impetrado pela AFBCC, em 14.08.1991, no qual os concentrados teriam sido tratados como produto único, além de ter sido definida a classificação fiscal tal como adotada pela fornecedora e, assim, em respeito à coisa julgada, a autoridade não poderia considerálo um "produtos inacabados". No seu entendimento, a segurança teria sido concedida aos associados da entidade estabelecidos em todo território nacional, conforme solicitado. Fl. 3004DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.004 5 Considera ainda que no julgamento do RE n° 212.484RS, teria sido legitimado o aproveitamento de créditos decorrentes de insumos isentos oriundos da ZFM, classificação fiscal dos concentrados, e o direito ao crédito do IPI à alíquota de 27%. Esse entendimento permaneceria hígido até que seja julgado o RE n° 592.891SP, com repercussão geral reconhecida, onde é apreciada questão concernente ao direito ao crédito de IPI relativo à aquisição de insumos isentos oriundos de fornecedor situado na ZFM. Alega ainda que o art. 11 da Lei 9.779/1999 teria legitimado o aproveitamento em questão. Aponta a impossibilidade de exigência de multa, juros de mora e correção monetária nos termos do art. 100, parágrafo único, do CTN, pois ao utilizar os créditos a impugnante agiu de acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, ato administrativo que tem efeito normativo em relação aos adquirentes do concentrado, porque estes adquirentes não foram nem são partes no processo que ensejou a referida resolução, mas estão obrigados a observála. Nesse caso, referidos encargos devem ser excluídos, sob pena de ofensa ao art. 100, parágrafo único, do Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN) Entende que a multa, os juros de mora e a correção monetária não seriam devidos, de acordo com o art. 100, parágrafo único, do CTN, pois ao utilizar os créditos a impugnante agiu de acordo com a Resolução do CAS n° 298/2007, ato administrativo que tem efeito normativo em relação aos adquirentes do concentrado, porque estes adquirentes não foram nem são partes no processo que ensejou a referida resolução, mas estão obrigados a observála. Também não seria cabível exigência de multa porque ao utilizar o crédito de IPI, considerando a classificação indicada na respectiva nota fiscal, a impugnante estaria seguindo decisões irrecorríveis de última instância administrativa, sendo aplicável ao presente caso o disposto no art. 567, II, "a", do RIPI/10 (cuja base legal é o art. 76, II, "a", da Lei n° 4.502/64), para fins de exclusão da multa de ofício. Defende o direito à compensação com fundamento no art. 11 da Lei nº 9.779/1999, combinado com o art. 74 da Lei 9.430/1996 e alterações e requer a reforma do despacho decisório e a homologação das compensações declaradas. A Intimação nº 1190/2017SEORT/DRFCUIABÁ/MT (fls. 2668) foi recebida via postal em data de 17/07/2017 (fls. 2679), sendo o Recurso Voluntário de fls. 26892964 interposto em data de 14/08/2017, conforme Termo de Análise de Solicitação de Juntada de fls. 2688. Em síntese, a Recorrente pede pela reforma da decisão a quo, apresentando os seguintes argumentos: PRELIMINARMENTE: i) Requer a declaração da nulidade da decisão recorrida para que sejam analisados os fundamentos desenvolvidos nas Seções 4, 5, 6, 7, 8 e 9 da manifestação de inconformidade, uma vez que: Incorreu em contradição por afirmar que o valor do saldo credor poderia ser alterado pela decisão a ser proferida no PAF nº 14090.720284/201672 e, no entanto, não determinou o sobrestamento deste processos até respectivo julgamento e/ou julgamento em conjunto, evitando decisões conflitantes; A decisão foi omissa por deixar de analisar os argumentos de mérito que justifiquem o direito ao crédito de IPI à alíquota de 27%, incorrendo em cerceamento de defesa. Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.005 6 ii) Requer o sobrestamento deste processo até julgamento do PAF nº 14090.720284/201672, uma vez que: É incontroversa relação entre os dois processos, com identidade das questões discutidas e a identidade desse período no relatório Auto de Infração, imperando que ambas as decisões estejam em conformidade; O destino da compensação está vinculado ao que foi decidido no processo relativo ao auto de infração, conforme acórdão nº 3402003.120, de relatoria do Eminente Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire; O sobrestamento não causa qualquer prejuízo à Fazenda Nacional, porque, caso o AI seja julgado procedente, os tributos que a Recorrente pretendeu quitar por compensação ainda seriam exigíveis pela Fazenda Nacional (no caso, CSLL, IRRF, CSRD, PIS e COFINS); Caso seja superado o pedido de sobrestamento, por segurança jurídica, deve ocorrer a reunião dos processos para que o julgamento em 2ª Instância ocorra simultaneamente. MÉRITO: i) Inaplicabilidade do artigo 25 da IN/RFB nº 1.300/2012, uma vez que trata de casos em que o contribuinte apenas formula pedido de ressarcimento para receber a importância em espécie, sendo que neste processo a Recorrente utilizou o saldo credor de IPI para quitar, por compensação, débitos de CSLL, IRRF, CSRF, PIS e COFINS; O auto de infração foi lavrado 4 (quatro) anos após a apresentação das declarações de compensação, as quais têm o condão de extinguir o crédito tributário, sob condição resolutória de posterior homologação, nos termos do artigo 74, § 2º da Lei nº 9.430/96. ii) Com relação aos demais argumentos não analisados pela decisão recorrida, caso seja possível examinar o mérito, a Recorrente se reporta às razões da manifestação de inconformidade, para que seja reconhecido o direito ao crédito de IPI à alíquota de 27%. iii) Noticia fato superveniente, ocorrido posteriormente ao protocolo da manifestação de inconformidade, que consiste no ofício emitido pela SUFRAMA em resposta à fiscalização instaurada contra outro estabelecimento da Recorrente (Ofício nº 32/2016 SAFIS/DRF/SLS/MA de 08/08/2016) e que deu origem ao PAF nº 10320.722127/201771, no qual a SUFRAMA apresentou as "Informações Textuais do Produto", esclarecendo que o concentrado para refrigerante é composto de "partes líquidas e sólidas" classificado na posição 2106.90.10 EX 01, ou seja, entregue de forma desmembrada ("kits") e, no entanto, sem afetar a sua condição de mercadoria única, classificada na posição 21.06.90.10 EX 01. iv) Reconhecido o direito ao crédito de IPI, este pode ser quitado por compensação com quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB, inclusive CSLL, IRRF, CSRF, PIS e COFINS. A Recorrente instrui o Recurso Voluntário com procuração, atos constitutivos, identificação dos procuradores, cópia do Recurso Voluntário interposto no PAF nº 14090.720284/201672, cópia do Ofício nº 32/2016 SAFIS/DRF/SLS/MA, cópia do Ofício nº Fl. 3006DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.006 7 3726/2016SPR, apresentando a Resolução SUFRAMA nº 298/2007 e o Parecer Técnico de Projeto nº 244/2007 (RECOFARMA). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Cynthia Elena de Campos, Relatora 1. Pressupostos legais de admissibilidade Nos termos do relatório, verificase a tempestividade do recurso, bem como o preenchimento dos demais requisitos de admissibilidade, resultando em seu conhecimento. 2. Preliminarmente A Contribuinte requer a declaração da nulidade da decisão recorrida para que sejam analisados os fundamentos desenvolvidos nas Seções 4, 5, 6, 7, 8 e 9 da manifestação de inconformidade, uma vez que: Incorreu em contradição por afirmar que o valor do saldo credor poderia ser alterado pela decisão a ser proferida no PAF nº 14090.720284/201672 e, no entanto, não determinou o sobrestamento deste processos até respectivo julgamento e/ou julgamento em conjunto, evitando decisões conflitantes; A decisão foi omissa por deixar de analisar os argumentos de mérito que justifiquem o direito ao crédito de IPI à alíquota de 27%, incorrendo em cerceamento de defesa. Importante frisar que a Contribuinte invocou em defesa a seguinte fundamentação legal para justificar o aproveitamento dos créditos de IPI em relação aos produtos isentos: i)Artigo 81, II, RIPI/2010: isenção a produtos industrializados na Zona Franca de Manaus (ZFM), cujo crédito foi assegurado por coisa julgada formada no Mandado de Segurança Coletivo (MSC) nº 91.00477834 e pelo entendimento do Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF), manifestado no Recurso Extraordinário nº 212.484; ii) Artigo 95, III (base legal no artigo 6º do DL nº 1.435/1974) c/c 237 do RIPI/2010: isenção a produtos industrializados na Amazônia Ocidental, igualmente objeto do referido MSC nº 91.00477834. Todavia, o acórdão recorrido cingiuse nos seguintes fundamentos: A manifestação de inconformidade é tempestiva e preenche os demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecida. A realização de auditoria para verificação da legitimidade do pedido de ressarcimento de crédito em análise também resultou na lavratura do auto de infração objeto do processo administrativo 11080.722074/201640, para formalizar a exigência de diferenças de imposto apuradas após a glosa dos créditos indevidamente escriturados no 2º trimestre de 2012. Tal exigência foi contestada mediante impugnação tempestiva analisada por esta Terceira Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.007 8 Turma, em sessão de 27/04/2017, de que resultou o acórdão 1058.665, assim ementado: “ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2012 a 30/06/2012 MUDANÇA DE CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Não ocorre alteração de critério jurídico nem ofensa ao art 146 do CTN quando a Fiscalização promove autuação baseada em entendimento distinto daquele que seguidamente adota o contribuinte, mas que jamais foi objeto de manifestação expressa da Administração Tributária. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. KITS DE CONCENTRADOS PARA PRODUÇÃO DE BEBIDAS. Nas hipóteses em que a mercadoria descrita como "kit ou concentrado para bebidas" constituise de um conjunto de diferentes matériasprimas e produtos intermediários que só se tornam efetivamente uma preparação composta para elaboração de bebidas em decorrência de nova etapa de industrialização ocorrida no estabelecimento adquirente, cada um dos componentes desses "kits" deverá ser classificado no código próprio da TIPI. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. E cabível a exigência de juros moratórios sobre a penalidade objeto do lançamento em litígio. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” Mesmo que a decisão antes mencionada não seja, ainda, definitiva na esfera administrativa, e, independente do resultado final da apreciação do auto de infração, a compensação não pode prosperar em virtude da vedação expressa presente no art. 25, caput da Instrução Normativa RFB no 1.300/20121, que estabelece normas sobre restituição, compensação, ressarcimento e reembolso, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, que assim prescreve: “Art. 25. É vedado o ressarcimento do crédito do trimestrecalendário cujo valor possa ser alterado total ou parcialmente por decisão definitiva em processo judicial ou administrativo fiscal de determinação e exigência de crédito do IPI. Tal vedação decorre de ato normativo constante da legislação tributária, que passou a integrar o ordenamento jurídico a partir de sua publicação, estando revestido da presunção de legalidade. Assim pela natureza jurídica obrigacional de caráter público que encerra, pela subordinação ao princípio da legalidade, sua aplicação não pode ser afastada ou mitigada pelas autoridades administrativas, a quem incumbe, dentro das respectivas esferas de competência, tão somente velar pelo fiel cumprimento daqueles atos. Ademais disso, a observância compulsória do entendimento expresso em atos normativos da RFB é dever do julgador, estabelecido pelo art. 7º, inc. V da Portaria do Ministério da Fazenda nº 341/2011, que disciplina o funcionamento das Delegacias da Receita Federal de Julgamento. A par disso, a existência de autuação tendo por fundamento a ilegitimidade dos créditos que o contribuinte alega possuir afasta destes o requisito de liquidez e certeza, fundamental à homologação da compensação, à vista do disposto no art. 170 CTN, o que, mais uma vez, justifica a manutenção do Despacho Decisório. Fl. 3008DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.008 9 Quanto à solicitação de sobrestamento do julgamento deste processo até o deslinde do processo relativo ao auto de infração, cabe esclarecer que não existe esta figura jurídica no âmbito do processo administrativo fiscal, regido, entre outros, pelo princípio da oficialidade, que obriga a administração a impulsionar o processo até sua decisão final, não podendo sobrestar o julgamento na inexistência de impeditivo legal (art. 2º, inc. XII da Lei 9.784/1999, que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal). Por fim, devese considerar que o exame das razões de mérito quanto às glosas resultaria improfícuo, pois, qualquer que fosse o resultado, esbarraria na vedação legal ao ressarcimento, que não pode ser desobedecida pela autoridade administrativa, como antes referido. Tal discussão seguirá sendo enfrentada no processo administrativo que tem por objeto o auto de infração em comento. CONCLUSÃO: Diante do exposto, voto no sentido de indeferir o pedido de sobrestamento deste processo e, quanto ao mérito, julgar improcedente a manifestação de inconformidade para manter o despacho decisório. Constatase que, ora a decisão recorrida cita o acórdão 1058.665, referente ao Processo Administrativo 11080.722074/201640, ora menciona que o saldo credor poderia ser alterado pela decisão a ser proferida no PAF nº 14090.720284/201672, invocando o artigo 25, caput da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, ou seja, não há análise dos argumentos principais apresentados em manifestação de inconformidade. Considerase não motivada a decisão que toma por base outro precedente, sem qualquer argumento complementar passível de demonstrar as razões de sua aplicação ao caso concreto sob julgamento. A Constituição Federal assegura em seu artigo 93, incisos IX e X, a necessidade de fundamentação e motivação das decisões judiciais e administrativas. Da mesma forma, o Código de Processo Civil aborda a necessidade de fundamentação das decisões. Vejamos: Art. 489. São elementos essenciais da sentença: II os fundamentos, em que o juiz analisará as questões de fato e de direito; § 1o Não se considera fundamentada qualquer decisão judicial, seja ela interlocutória, sentença ou acórdão, que: I se limitar à indicação, à reprodução ou à paráfrase de ato normativo, sem explicar sua relação com a causa ou a questão decidida; II empregar conceitos jurídicos indeterminados, sem explicar o motivo concreto de sua incidência no caso; III invocar motivos que se prestariam a justificar qualquer outra decisão; Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.009 10 IV não enfrentar todos os argumentos deduzidos no processo capazes de, em tese, infirmar a conclusão adotada pelo julgador; V se limitar a invocar precedente ou enunciado de súmula, sem identificar seus fundamentos determinantes nem demonstrar que o caso sob julgamento se ajusta àqueles fundamentos. (sem destaque no texto original) Já o Decreto nº 70.235/1972 assim prevê com relação à necessária análise dos pontos trazidos pela defesa: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referir se, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. Art. 59. São nulos: II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. O ilustre Doutrinador Nelson Nery Júnior1 tratou sobre o assunto nos seguintes termos: “Fundamentar significa o magistrado dar as razões, de fato e de direito, que o convenceram a decidir a questão daquela maneira. A fundamentação tem implicação substancial e não meramente formal, donde é lícito concluir que o juiz deve analisar as questões postas a seu julgamento, exteriorizando a base fundamental de sua decisão. Não se consideram “substancialmente” fundamentadas as decisões que afirmam “segundo os documentos e testemunhas ouvidas no processo, o autor tem razão, motivo por que julgou procedente o pedido”. Essa decisão é nula porque lhe faltou fundamentação.” Neste sentido, vejamos as seguintes decisões deste Tribunal Administrativo: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 24/03/2009 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. OMISSÃO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. OCORRÊNCIA. É nulo o acórdão proferido com preterição do direito de defesa, caracterizada pela não apreciação de argumentos relevantes ou por fundamentação insuficiente. (Acórdão 3002000.509) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Ano calendário: 2013 1 NERY JUNIOR, Nelson. Princípios do processo na Constituição Federal: (processo civil, penal e administrativo). 11a ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2013. pg. 301. Fl. 3010DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.010 11 AUSÊNCIA DE EXAME DAS RAZÕES DE IMPUGNAÇÃO PELA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. NULIDADE. A ausência de exame das razões que embasam a impugnação do lançamento enseja a declaração de nulidade da decisão de primeiro grau, com o retorno do processo à Delegacia de Julgamento para a sua devida apreciação, sob pena de supressão de instância e cerceamento de defesa. (Acórdão 2002000.596) Portanto, considerando a decisão de piso acima reproduzida, concluo pela ausência da necessária análise e motivação quanto aos fundamentos abordados em manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte, razão pela qual impera que seja declarada sua nulidade, devendo este processo retornar ao Órgão Julgador de Primeira Instância para que sejam tais matérias de defesa enfrentadas através de nova decisão. 3. Do necessário sobrestamento do processo Superada a preliminar de nulidade acima demonstrada, impera o sobrestamento deste feito, possibilitando a distribuição do PAF nº 14090.720284/201672 por prevenção a este Colegiado para julgamento conjunto de ambos os litígios. A Recorrente informa que há relação entre o presente processo administrativo e o PAF nº 14090.720284/201672, pois ambos discutem a glosa dos créditos de IPI apurados no período de abril de 2012 a junho de 2012, relativos à aquisição de concentrados isentos, oriundos da Zona Franca de Manaus e elaborados com base em matériaprima agrícola adquirida de produtor situado na Amazônia Ocidental, utilizados na fabricação de refrigerantes sujeitos ao IPI. Outrossim, como observado na decisão recorrida, constatase que o auto de infração objeto daquele processo administrativo foi lavrado para formalizar a exigência de diferenças de imposto apuradas após a glosa dos créditos indevidamente escriturados no 2º trimestre de 2012, cuja origem se deve à auditoria para verificação da legitimidade do pedido de ressarcimento de crédito objeto do presente processo. Com isso, o julgamento do processo administrativo em que foram glosados os créditos de IPI aproveitados pela Contribuinte refletirá diretamente na decisão deste litígio. A improcedência daquela autuação acarretará em possível reconhecimento do direito creditório e alteração do saldo credor objeto da compensação indeferida em Primeira Instância, tornando flagrante a vinculação entre tais processos. O artigo 6º do RICARF assim prevê: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: §1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.011 12 II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. (sem destaque no texto original) Considerando as razões acima, há vinculação dos processos por decorrência de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório (art. 6º, § 1º, II) Por sua vez, nos termos do § 2º, os processos vinculados devem ser distribuídos observando a competência da Seção e o Conselheiro que primeiro recebeu, o qual tornase prevento para julgar os demais. Em consulta realizada, constatase que o Processo Administrativo Fiscal nº 14090.720284/201672 deu entrada neste Tribunal Administrativo em 25/09/2017 e, neste momento, aguarda distribuição e sorteio. Portanto, constatada a prevenção, fazse necessário propor a este Colegiado a conversão do julgamento do presente recurso em diligência para o fim de sobrestar este processo na Câmara e solicitar a distribuição do processo nº 14090.720284/201672, possibilitando o julgamento em conjunto. Dispositivo Ante o exposto, conheço o Recurso Voluntário e voto para que seja dado provimento à preliminar invocada pela Recorrente, reconhecendo a nulidade da decisão recorrida, devendo este processo retornar ao Órgão Julgador de Primeira Instância para que sejam analisados e decididos sobre os fundamentos de defesa suscitados na respectiva manifestação de inconformidade. Superada a nulidade, proponho a este Colegiado a conversão do julgamento do recurso em diligência para sobrestar o presente processo na Câmara e solicitar a distribuição do processo nº 14090.720284/201672 para julgamento em conjunto. É como voto. (assinado digitalmente) Cynthia Elena de Campos Fl. 3012DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.012 13 Voto Vencedor Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne. Em sessão, ousei em divergir da I. Conselheira relatora quanto a sua proposta de nulidade da decisão de primeira instância. Isso porque a decisão de primeira instância, apesar de efetivamente estar maculada por equívocos materiais pontuais, não possui uma deficiência na motivação a ponto de prejudicar a defesa do sujeito passivo no presente processo. Com efeito, como relatado pela I. Conselheira relatora e como se depreende dos presentes autos, a compensação pleiteada nos presentes autos está vinculada à resolução do processo n.º 14090.720284/201672, correspondente ao Auto de Infração lavrado para glosar os créditos de IPI apurados pela empresa no mesmo período a que se refere o pedido de ressarcimento. Uma vez que os mesmos argumentos de mérito já haviam sido apreciados pela turma julgadora quando do julgamento da impugnação administrativa apresentada no referido processo, a r. decisão recorrida realizou apenas a referência à decisão proferida no processo do Auto de Infração correspondente. Esse procedimento, frisese, encontra respaldo no art. 50, §1º da Lei n.º 9.784/1999. Com fulcro nesse dispositivo legal, e para evitar quaisquer dúvidas quanto à validade da decisão, seria mais prudente que a r. decisão tivesse transcrito cópia integral da r. decisão proferida ou procedesse com a juntada, nestes autos, da cópia integral da r. decisão recorrida. Contudo, observase que a decisão recorrida, além de proceder com a simples transcrição da ementa da decisão, sem fazer referência à toda análise meritória analisada, equivocadamente faz referência ao processo administrativo n. 11080.722074/201640, como se referisse ao Auto de Infração relacionado ao presente processo. Esses equívocos, contudo, se apresentaram como meros equívocos materiais nestes autos, vez que não prejudicaram a defesa do contribuinte no presente caso, razão pela qual entendi por afastar a alegação de nulidade. De fato, observase pela leitura do Recurso Voluntário do sujeito passivo que a ausência de prejuízo a defesa foi expressamente indicada em sua peça, identificando que, apesar da referência ao número do processo administrativo equivocado, a r. decisão recorrida efetivamente transcreveu a ementa correspondente à decisão proferida no processo 14090.720284/201672 (efl. 2.693): Fl. 3013DF CARF MF Processo nº 10183.901589/201421 Resolução nº 3402001.754 S3C4T2 Fl. 3.013 14 Ademais, ao tratar do pedido de sobrestamento do presente processo, que foi reconhecido por esta turma como trazido no voto da relatora, a Recorrente evidenciou que os argumentos de mérito desenvolvidos nas Seções 4, 5, 6, 7, 8 e 9 da Manifestação de Inconformidade são idênticos aos argumentos efetivamente enfrentados e analisados na decisão correspondente ao Auto de Infração (efl. 2.695): Diante deste quadro específico deste processo, os equívocos cometidos na r. decisão recorrida não a maculam de nulidade, face a ausência de qualquer preterição do direito de defesa, na forma do art. 59 do Decreto n.º 70.235/72. Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar o argumento de nulidade da r. decisão recorrida e, uma vez superada a nulidade, acompanhar a relatora em sua proposta de sobrestamento do feito. É como voto. (assinado digitalmente) Maysa de Sá Pittondo Deligne Fl. 3014DF CARF MF
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Numero do processo: 15374.964178/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007
PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA.
Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco.
VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO.
A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.
Numero da decisão: 3401-005.740
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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(nova denominação de REPSOL YPF BRASIL S.A.) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/01/2007 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan – Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 4. 96 41 78 /2 00 9- 56 Fl. 1770DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Rosaldo Trevisan (presidente), Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza Soares, Carlos Henrique Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. Relatório Versa o presente sobre o Pedido de Restituição/Declaração de Compensação (PER/DCOMP – retificador de final 4980) de fls. 3 a 71, transmitido em 12/03/2007, invocando crédito de COFINS referente a pagamento considerado indevido, de janeiro de 2007, efetuado em 16/02/2007, no valor de R$ 262.034,75, utilizado totalmente em compensação. No Despacho Decisório Eletrônico de fl. 9, datado de 07/10/2009, o pedido é negado, sob a motivação e que “[a] partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP (...) foram localizados um ou mais pagamentos (...) integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Às fls. 8 e 10 constam informações sobre o envio do despacho decisório ao domicílio tributário do contribuinte, indicando como data de entrega 20/10/2009. Às fls. 11 a 14, consta Manifestação de Inconformidade, com protocolo de 19/11/2009, na qual a empresa informa que o débito foi quitado por duas compensações e por DARF (fl. 12), sendo o crédito resultante de recolhimento a maior no período de janeiro de 2007, mas a empresa preencheu incorretamente DCTF, enviando DCTF retificadora em 06/11/2009. Juntase à peça de defesa o comprovante de arrecadação, DCOMP, excertos de DACON e DCTF. A decisão de primeira instância (fls. 58 a 64), proferida em 31/01/2014, foi, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, por ser a retificação de DCTF posterior ao despacho decisório, e não ter a empresa comprovado inequivocamente a origem do crédito alegado no PER/DCOMP, mediante cópias de livros e documentos. Ciente da decisão de piso em 13/01/2015 (termo de fl. 77), a empresa solicita, em 06/02/2015 (fl. 79) a juntada do Recurso Voluntário (fls. 80 a 92), no qual se sustenta que: (a) a ciência da decisão de piso de deu em 13/01/2015 (via DTE); (b) em nome da verdade material, tem o direito de corrigir o erro de fato em seu pedido, pelo que junta os documentos de fls. 93 a 1766: Razão das contas de que geraram os créditos para a contribuição, Livro Diário de Janeiro de 2007, Balanço de Janeiro de 2007, Relatório de Aquisição de Bens para Revenda e Insumos, Notas Fiscais, Relatório de Declarações de Importação e suas respectivas cópias, para comprovar que, apesar de ter declarado inicialmente em DCTF (e pago), para janeiro de 2007, DARF no valor de R$ 2.270.208,25, o valor devido era R$ 2.008.173,50; e (c) alternativamente, demandase a conversão em diligência, “...com o objetivo de comprovar a existência do crédito”. Em 09/02/2015 o recurso apresentado é reconhecido como tempestivo e enviado ao CARF (fl. 1769), sendo distribuído a este relator, por sorteio, em junho de 2018. 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 1771DF CARF MF Processo nº 15374.964178/200956 Acórdão n.º 3401005.740 S3C4T1 Fl. 1.771 3 É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele se conhece. Analisando a argumentação de defesa, percebese que se resume à aplicação, ao caso, da verdade material, com análise da documentação apresentada apenas em sede recursal. Para tanto, resta verificar se as alegações de defesa são aptas a comprovar o direito de crédito da empresa. Isso porque nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes, como reiteradamente decidindo, de forma unânime, este CARF: “ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. DILAÇÃO PROBATÓRIA. DILIGÊNCIAS. A realização de diligências destinase a resolver dúvidas acerca de questão controversa originada da confrontação de elementos de prova trazidos pelas partes, mas não para permitir que seja feito aquilo que a lei já impunha como obrigação, desde a instauração do litígio, às partes componentes da relação jurídica.” (Acórdãos n. 3403002.106 a 111, Rel. Cons. Alexandre Kern, unânimes, sessão de 23.abr.2013) (grifo nosso) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos pedidos de compensação/ressarcimento, incumbe ao postulante a prova de que cumpre os requisitos previstos na legislação para a obtenção do crédito pleiteado.” (grifo nosso) (Acórdão n. 3403003.173, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 21.ago.2014) (No mesmo sentido: Acórdão n. 3403003.166, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 20.ago.2014; Acórdão 3403002.681, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação à matéria, sessão de 28.jan.2014; e Acórdãos n. 3403002.472, 473, 474, 475 e 476, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes em relação à matéria, sessão de 24.set.2013) Fl. 1772DF CARF MF 4 “CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos relativos a ressarcimento tributário, incumbe ao postulante ao crédito o dever de comprovar efetivamente seu direito.” (Acórdãos 3401004.450 a 452, Rel Cons. Rosaldo Trevisan, unânimes, sessão de 22.mar.2018) “PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO DO POSTULANTE. Nos processos que versam a respeito de compensação ou de ressarcimento, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. PAGAMENTO A MAIOR. COMPENSAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROVA. A carência probatória inviabiliza o reconhecimento do direito creditório pleiteado”. (Acórdão 3401004.923 – paradigma, Rel. Cons. Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, unânime, sessão de 21.mai.2018) No presente processo, a recorrente alega, ainda em sua manifestação de inconformidade, que, por lapso seu, o débito informado estava incorreto, e providenciou a devida retificação, ainda que posteriormente ao despacho decisório. E, em apoio a tal afirmação, junta apenas excertos de DACON e DCTF, além do DARF e da própria DCOMP, sem detalhamento de qual o efetivo fator ensejador do erro. A DRJ conclui que a postulante ao crédito não comprova sua alegação, e não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado, e não comprova a base de cálculo utilizada para apuração da COFINS. Sobre a verdade material, bem ensina James MARINS que envolve não só o dever de investigação, por parte do fisco, mas o dever de colaboração, do sujeito passivo: “As faculdades fiscalizatórias da Administração tributária devem ser utilizadas para o desvelamento da verdade material e seu resultado deve ser reproduzido fielmente no bojo do procedimento e do Processo Administrativo. O dever de investigação da Administração e o dever de colaboração por parte do particular têm por finalidade propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos.”2 Em sede recursal, em 2015, a empresa simplesmente junta centenas de páginas de documentos, afirmando que efetuou pagamento a maior, em janeiro de 2007, novamente sem um detalhamento da razão efetiva do pagamento a maior, o que demanda, praticamente, a reapuração de seus créditos. Além de não se enquadrar tal juntada inaugural em sede recursal nos casos previstos no § 4o do art. 16 do Decreto no 70.235/1972, ainda resta ausente, a meu ver, a clara explicação do ocorrido. E a demanda alternativa para conversão em diligência “...com o objetivo de comprovar a existência do crédito” fala por si só. Como exposto, a diligência não se presta para que o contribuinte, postulante ao crédito, prove o que deveria ter provado desde a instauração do contencioso, respeitados os procedimentos estabelecidos no Decreto no 70.235/1972, mas 2 Direito Processual Tributário Brasileiro – Administrativo e Judicial, 8. Ed., São Paulo: Dialética, p. 174. Fl. 1773DF CARF MF Processo nº 15374.964178/200956 Acórdão n.º 3401005.740 S3C4T1 Fl. 1.772 5 para sanar eventual dúvida do julgador na apreciação da lide, desde que cumpridos os requisitos processuais aplicáveis ao caso. E não se vê, no presente contencioso, inaugurado com manifestação de inconformidade sintética, desamparada de documentos comprobatórios relevantes, e complementada com peça recursal igualmente genérica, com centenas de documentos em anexo, nos quais não se vislumbra indícios de que possa estar correta a alegação de defesa, de modo a ser a documentação inapta até para semear a dúvida no julgador, no caso. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 1774DF CARF MF
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