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Numero do processo: 10855.720803/2010-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS.
Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.483
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CRÉDITOS DA CONTRIBUIÇÃO. RESSARCIMENTO. COMPENSAÇÃO COM OUTROS DÉBITOS TRIBUTÁRIOS. Somente podem ser objeto de ressarcimento ou compensação com os demais tributos federais os créditos acumulados em razão de vendas realizadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, nos termos dos artigos 16 da Lei n° 11.116/05 c/c o 17 da Lei n° 11.033/03. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negar provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen, Winderley Morais Pereira (Presidente) e Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 72 08 03 /2 01 0- 67 Fl. 1086DF CARF MF Processo nº 10855.720803/201067 Acórdão n.º 3301005.483 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de deferimento parcial do Pedido de Ressarcimento (PER) da contribuição (PIS/Cofins) e de homologação da compensação (DCOMP) até o limite do crédito reconhecido, conforme Informação Fiscal presente nos autos, informação essa que embasara a referida decisão de origem. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu a anulação do despacho decisório, em virtude de violação ao princípio da motivação e à garantia constitucional da ampla defesa, ou, subsidiariamente, a sua reforma, alegando violação ao princípio da verdade material. Segundo o então Manifestante, o ressarcimento das contribuições não estava limitado ao crédito apurado no mercado externo, tendo a própria Administração Pública identificado e confirmado expressamente a existência de saldo credor em valor total suficiente à homologação da compensação declarada. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 12073.497, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, afastando a alegação de nulidade do despacho decisório e, no mérito, não reconhecendo o crédito pleiteado pelo fato de que, em relação à receita auferida com operações no mercado interno, somente poderia ser compensado com outros tributos o saldo credor das contribuições acumulado em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência, a partir da vigência da Lei nº 11.116, de 2005. Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, alegando, em preliminar, a nulidade do acórdão recorrido por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões e, no mérito, (i) a equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo, (ii) o direito à compensação nos termos das Leis n° 11.116/05 e 9.430/96, (iii) violação ao princípio da hierarquia das leis e (iv) impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora. É o relatório. Fl. 1087DF CARF MF Processo nº 10855.720803/201067 Acórdão n.º 3301005.483 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.475, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10855.720785/201013, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.475): O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Preliminar "Nulidade do acórdão recorrido, por violação aos princípios do contraditório, da ampla defesa e da motivação das decisões" A recorrente alega que o Despacho decisório e a decisão recorrida seriam nulos, pois desprovidos das fundamentações fáticas e legais, o que feriria os princípios constitucionais do contraditório e da ampla defesa (inciso LV do art. 5° da CF) e o art. 2° da Lei n° 9.784/99. O Despacho Decisório (fls. 526 a 529) fundamentouse na Informação Fiscal (fls. 448 a 465) que traz relato detalhado do trabalho de auditoria fiscal, com os tipos de crédito e receitas tributáveis analisados e os correspondentes fundamentos legais. E ainda os Anexos I ao XXVIII com os demonstrativos de cálculo dos créditos admitidos e glosados e das receitas sujeitas à tributação. E a decisão recorrida (fls. 601 a 611) seguiu a mesma linha. Enfrentou a preliminar de nulidade, remetendose à devidamente fundamentada e motivada Informação Fiscal e, no mérito, afastou os argumentos, citando os dispositivos legais em que se baseou. Não há, portanto, nulidade alguma, pelo que afasto a preliminar. Mérito "Da equiparação do instituto da isenção à redução de base de cálculo do direito à compensação posicionamento consolidado do E. STF" "Do direito à compensação nos termos da Lei n° 11.116/05 da violação ao princípio da hierarquia das leis" "Do direito à compensação, nos termos da Lei n° 9.430/96" A conclusão da auditoria fiscal (fl. 463) foi a de que, ao fim do 2° trimestre de 2005, o contribuinte tinha R$ 351.985,48 de saldo de créditos Fl. 1088DF CARF MF Processo nº 10855.720803/201067 Acórdão n.º 3301005.483 S3C3T1 Fl. 5 4 de COFINS "Mercado Interno" (a compensar com débitos da COFINS futuros) e R$ 313.715, 35 de saldo créditos de COFINS "Mercado Externo"(créditos passíveis de restituição ou ressarcimento), após a glosa de R$ 124.732,91. A glosa motivou a homologação parcial das compensações vinculadas. Nos tópicos em epígrafe, a recorrente discorre longamente sobre teses jurídicas, cujo objetivo é o de obter autorização para utilizar o saldo de créditos de COFINS "Mercado Interno" para liquidar os débitos que restaram em aberto em razão da glosa de créditos. Inicia, informando que importa e produz mercadorias cuja venda é tributada pelo PIS/COFINS sobre uma base de cálculo reduzida (§2° do art. 1° da Lei n° 10.485/02). Subentendese que teria acumulado créditos em razão do benefício da redução de base de cálculo com manutenção integral de créditos. Discorre longamente sobre a identidade entre os institutos da isenção e da redução de base de cálculo, o que teria restado assentado pelo STF, no RE n° 635.688/RS, com repercussão geral. E destaca que esta decisão vincula o CARF, por força regimento interno. Ao fim, consigna que mantém integralmente os créditos de COFINS sobre as compras, apesar de gozar de redução de base de cálculo nas vendas, com base no art. 17 da Lei n° 11.033/04. E que os créditos acumulados em razão de isenção poderiam ser objetos de pedidos de ressarcimento, nos termos do inciso II do art. 16 da Lei n° 11.116/05. Neste ponto, vale reproduzir a ementa do RE 635.688/RS, de 16/10/14, os citados dispositivos legais e ainda o caput do art. 74 da Lei n° 9.430/96: RE 635.688/RS "Recurso Extraordinário. 2. Direito Tributário. ICMS. 3. Não cumulatividade. Interpretação do disposto art. 155, §2º, II, da Constituição Federal. Redução de base de cálculo. Isenção parcial. Anulação proporcional dos créditos relativos às operações anteriores, salvo determinação legal em contrário na legislação estadual. 4. Previsão em convênio (CONFAZ). Natureza autorizativa. Ausência de determinação legal estadual para manutenção integral dos créditos. Anulação proporcional do crédito relativo às operações anteriores. 5. Repercussão geral. 6.Recurso extraordinário não provido." Lei n° 11.033/04 "Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações." Lei n° 11.116/05 "Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: Fl. 1089DF CARF MF Processo nº 10855.720803/201067 Acórdão n.º 3301005.483 S3C3T1 Fl. 6 5 I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Parágrafo único. Relativamente ao saldo credor acumulado a partir de 9 de agosto de 2004 até o último trimestrecalendário anterior ao de publicação desta Lei, a compensação ou pedido de ressarcimento poderá ser efetuado a partir da promulgação desta Lei." Lei n° 9.430/96 "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão." Prossegue, alegando que não se pode interpretar como impedimento ao ressarcimento/compensação dos créditos COFINS "Mercado Interno" o previsto no art. 21 da IN SRF n° 600/05: a uma, porque o conceito de redução de base de cálculo se equipara ao de isenção; e, a duas, pois estaria violando o princípio da hierarquia das leis, pois confrontase com os citados art. 16 da Lei n° 11.116/05 e art. 74 da Lei n° 9.430/96. Assim dispõe o art. 21 da IN SRF n° 600/05, em vigor no período em análise: "Art. 21. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados na dedução de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas decorrentes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3º e 4º do art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1º de abril de 2005. (...)" Por fim, alega que o direito à compensação de créditos com débitos está previsto no inciso II do art. 156 do CTN modalidade de extinção do crédito tributário. Que reconheceu a existência de saldo credor de COFINS "Mercado Interno" o que já evidencia o direito a que faz menção o art. 74 da Lei n° 9.430/96. Fl. 1090DF CARF MF Processo nº 10855.720803/201067 Acórdão n.º 3301005.483 S3C3T1 Fl. 7 6 Que a compensação é o restabelecimento do direito à propriedade disposto no inciso XXII do art. 5° da CF. Que a não aceitação da compensação e a correspondente exigência dos débitos que por meio dela haviam sido liquidados atentaria contra os princípios da legalidade, moralidade e eficiência previstos no art. 37 da CF e art. 2° da Lei n° 9.784/99. Não assiste razão à recorrente. De pronto consigno que o tema relacionado à possível inconstitucionalidade da vedação legal ao ressarcimento de créditos da COFINS "Mercado Aberto" não se discute no âmbito deste colegiado, por força da Súmula CARF n° 2. Assim, nego provimento às alegações correlatas. Prossigo a análise do recurso, citando o art. 170 do CTN, que dispõe que a compensação de créditos líquidos e certos será autorizada por lei. Em sua esteira, foram editados os artigos 74 da Lei n° 9.430/96, 16 da Lei n° 11.116/05 e 17 da Lei n° 11.033/03, que dispõem que somente créditos acumulados em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência podem ser objetos de ressarcimento e/ou compensação com qualquer tipo de débito tributário federal. Dentre as hipóteses, portanto, não se inclui o excedente de créditos motivados por vendas com redução de base de cálculo. E o então vigente art. 21 da IN SRF n° 600/05 tão somente reproduziu tal interpretação dos dispositivos legais e, assim, de forma alguma os afrontou. O argumento de defesa que merece destaque é o que equipara a redução de base de cálculo à isenção, com base em decisão do STF, com repercussão, à qual estaríamos vinculados, por força do art. 62 do RICARF. Interpreto o RE 635.688/RS no contexto em que se insere. Os institutos foram equiparados para os fins a que se prestava aquele julgamento, qual seja, determinação do estorno do ICMS das compras cujas saídas gozavam do benefício fiscal da redução de base de cálculo do ICMS, como forma de preservação do princípio constitucional da não cumulatividade que rege este tributo. Não entendo, portanto, que o STF tenha introduzido um novo entendimento a ser aplicado em todos as circunstâncias e para todos os fins legais. E, não custa lembrar que não se está aqui vedando o direito ao crédito ou à sua manutenção o acúmulo, ocasionado por redução da base de cálculo das vendas correspondentes não se encontra entre as hipóteses de estorno de crédito do §13 do art. 3° da Lei n° 10.833/03 porém tão somente cumprindo determinação prevista em lei ordinária, cuja competência lhe foi atribuída pelo art. 170 do CTN. Isto posto, nego provimento aos argumentos contidos nos tópicos do recurso voluntário em epígrafe. "Da impossibilidade da aplicação de juros e multa de mora art. 100 do CTN" Fl. 1091DF CARF MF Processo nº 10855.720803/201067 Acórdão n.º 3301005.483 S3C3T1 Fl. 8 7 Protesta contra a cobrança de juros e multa de mora, que foram acrescidos aos débitos liquidados com créditos glosados. Não conheço dos argumentos contidos neste tópico, pois não integra esta lide a cobrança dos débitos que restaram em aberto em virtude da não homologação da compensação. Conclusão Conheço em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, nego provimento. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado conheceu em parte do recurso voluntário e, na parte conhecida, negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 1092DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.000210/2007-54
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005
COFINS NÃO CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. INCABÍVEL
Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Com isso não restou caracterizada a essencialidade dos gastos com aluguel de máquinas e equipamentos e reparos e manutenção de equipamentos portuários.
Numero da decisão: 3001-000.727
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Vieira de Ávila que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Roberto da Silva.
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Marcos Roberto da Silva - Redator Designado e Ad Hoc
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente a época da Sessão de Julgamento), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Atuou como redator (Ad Hoc) o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Presidente da Turma por ocasião da formalização do presente voto, tendo em vista que o relator original, que já teve seu voto coletado em janeiro/2019, não mais compõe o colegiado, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2005 a 30/09/2005 COFINS NÃO CUMULATIVO. DIREITO CREDITÓRIO. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. INCABÍVEL Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da não-cumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Com isso não restou caracterizada a essencialidade dos gastos com aluguel de máquinas e equipamentos e reparos e manutenção de equipamentos portuários.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Vieira de Ávila que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Orlando Rutigliani Berri - Presidente (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva - Redator Designado e Ad Hoc (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente a época da Sessão de Julgamento), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Atuou como redator (Ad Hoc) o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Presidente da Turma por ocasião da formalização do presente voto, tendo em vista que o relator original, que já teve seu voto coletado em janeiro/2019, não mais compõe o colegiado, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019.
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DIREITO CREDITÓRIO. CONCEITO DE INSUMO. ESSENCIALIDADE. INCABÍVEL Para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente. Com isso não restou caracterizada a essencialidade dos gastos com aluguel de máquinas e equipamentos e reparos e manutenção de equipamentos portuários. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Renato Vieira de Ávila que lhe deu provimento parcial. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcos Roberto da Silva. Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Redator Designado e Ad Hoc (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 00 02 10 /2 00 7- 54 Fl. 1023DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri (Presidente a época da Sessão de Julgamento), Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Atuou como redator (Ad Hoc) o Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Presidente da Turma por ocasião da formalização do presente voto, tendo em vista que o relator original, que já teve seu voto coletado em janeiro/2019, não mais compõe o colegiado, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019. Relatório (cf. relatório constante na pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original aos demais conselheiros) Pedido de Ressarcimento Tratase de Pedido de Ressarcimento, em dinheiro, do valor de R$ 13.407,38 (treze mil, quatrocentos e sete reais e trinta e oito centavos), referente a créditos da contribuição ao PIS/PASEP, apurados sob o regime da nãocumulatividade, decorrentes das operações da interessada com o mercado externo, que, ao final do 3° trimestre de 2005, remanesceram das deduções do valor da contribuição a recolher, concernentes às demais operações no mercado interno. Despacho Decisório O presente despacho decisório houve por bem, não homologar a compensação sob a justificativa de que foram identificadas inconsistências e/ou ajustes necessários que alteraram o valor a ser ressarcido: 1. Excluiuse da base de cálculo dos créditos (vide tópico 4.3.1.3 do Termo de Verificação e Encerramento de Análise Fiscal) as aquisições que devam ser incorporadas ao ativo imobilizado, materiais de uso e consumo e/ou despesas administrativas [...]; 2. Excluiuse da base de cálculo dos créditos (vide tópico 4.3.1.4 do Termo de Verificação e Encerramento de Análise Fiscal) as despesas de aluguéis de equipamentos para movimentação de cargas (empilhadeiras e guindastes) [...]. No tópico “3.1. Obrigatoriedade das Notas Fiscais”, a autoridade afirma que intimou a empresa a apresentar as notas fiscais referentes às operações de locação de equipamentos e de aquisição de bens do ativo imobilizado, no entanto a interessada não o fez, alegando serem operações dispensadas de emissão. No tópico "4.3.1.4.3 Da vinculação entre as empresas" alegou que em relação aos Contratos de Locação de Equipamentos firmados entre a interessada e as empresas Rocha Top, Cargolink e WR, a empresa WRC pertencia fundamentalmente a todas as pessoas listadas, através de participações cruzadas envolvendo outras empresas como, por exemplo, Cabral Serviços Marítimos Ltda., Douat Cia. de Participações, Litoral Investimentos Ltda., Litoral Empreendimentos Ltda. e Litoral Agência Marítima Ltda. Também, quanto às Despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, a autoridade fiscal glosou os valores informados a titulo de despesas de aluguéis de máquinas e equipamentos locados de pessoas jurídicas, no caso, as empresas Rocha Top Terminais e Fl. 1024DF CARF MF Processo nº 10920.000210/200754 Acórdão n.º 3001000.727 S3C0T1 Fl. 116 3 Operadores Portuários Ltda., Cargolink Armazéns de Carga Ltda. e WR Operadores Portuários Ltda., concluindo que "...todo o mecanismo utilizado foi simulado, visando a elisão fiscal, mascarando a operação real de aquisição pela WRC dos equipamentos como locação de terceiros...". Além disso, destaca que a WR e WRC funcionam no mesmo endereço, Rua Marechal Deodoro, 156, com a denominação adicional "sala A" para WRC. Manifestação de Inconformidade Em sede de manifestação de inconformidade, a manifestante alega, em suma: Quanto à obrigatoriedade de emissão de nota fiscal, rebate os argumentos da autoridade no sentido de que na legislação a obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal está intimamente vinculada ao controle do cálculo do ISS sobre o preço dos serviços de contribuintes sujeitos ao seu pagamento e sendo que resta consolidado no ordenamento jurídico brasileiro a não incidência do ISS sobre as atividades de locação relacionadas aos bens moveis, não se mantem a obrigatoriedade de emitir Nota Fiscal à empresa que a realiza. Ressaltou que o auditor fiscal não põe em dúvida a validade dos contratos de locação dos bens e nem a efetiva realização das operações, limitandose o mesmo a desconsiderar as operações do contribuinte com base em suposta simulação e caracterização de distribuição disfarçada de lucros. Nesse ponto, defende a regularidade das operações de locação de equipamentos utilizados em sua atividade produtiva a fim de demonstrar que não houve qualquer tipo de simulação de sua parte no intuito de beneficiarse indevidamente de créditos da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins. Ademais, argumentou que em todos os documentos fiscais juntados evidenciase que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades. Aduz que o elevado custo de aquisição de um bem não impõe sua classificação no ativo imobilizado. Por derradeiro, quanto aos outros valores/operações com direito a crédito argumenta que, ao contrário do que afirma a autoridade fiscal, forneceu A. fiscalização todos os documentos necessários, como comprovam as cópias em anexo dos protocolos prestados pelo Auditor Fiscal, indicando o recebimento dos documentos solicitados, e a consignação que consta do recebimento dos documentos solicitados no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal. Pugna então pelo afastamento da glosa em vista de não ser verdadeira a informação de que a contribuinte deixou de se manifestar quando lhe foram solicitados documentos e informações. DRJ/FNS A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e recebeu a seguinte ementa: Acórdão 0721.786 – 4ª Turma da DRJ/FNS ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITóRIO. ONUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE No âmbito especifico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus Fl. 1025DF CARF MF 4 do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O P1S/PASEP Anocalendário: 2005 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Dão direito a crédito, no âmbito do regime da nãocumulatividade, custos e despesas com bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no Pais, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades fisicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluidas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no Pais, aplicados diretamente na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados A. venda. Manifestação de Inconformidade Improcede Inicialmente, a DRJ destaca que quanto aos valores glosados pela autoridade fiscal, a interessada não se manifestou em relação aos gastos com materiais de consumo, com despesas indiretas com pessoal e com as despesas administrativas indiretas como projetos de produtos, assessoria empresarial ou comercial, honorários advocatícios, serviços de telefonia fixa e móvel, comissões de venda e vigilância de seus estabelecimentos. Locação de Equipamentos Aduz que é exigida a apresentação de documentos comprobatórios do crédito, por óbvio, é que os documentos atestem, de forma inequívoca, a origem e a natureza do crédito. No caso que aqui se tem, alega que a fim de comprovar as despesas com locação de equipamentos, a contribuinte junta os contratos de locação, e os respectivos recibos de pagamento e copias dos cheques. Quanto ao argumento de que as empresas locadoras não são obrigadas a emitir as notas fiscais referentes à locação dos equipamentos, argumenta de início, que o fato de haver dispensa da emissão de notas fiscais por parte das administrações tributárias municipais e estaduais — e isto em razão, especialmente, da não incidência do ISS e/ou do ICMS não induz, obrigatoriamente, à conclusão de que em relação à tributação federal tal dispensa esteja automaticamente estendida. Por fim, concluiu que a legislação tributária federal estabelece, em várias de suas disposições legais, a obrigatoriedade da emissão de notas fiscais, e o faz em razão de que são estes documentos fiscais que contêm, de forma padronizada e normatizada, os elementos indispensáveis à elucidação das características próprias de cada operação negocial. Além disso, destacou o quadro apresentado pela autoridade, ressaltando o fato de os documentos apresentados pela contribuinte, a fim de comprovar as despesas alegadas, terem sido emitidos e assinados pelos representantes legais de empresas que possuem grandes e estreitos interesses em comum, considerando que operam no mesmo setor empresarial, desenvolvendo atividades semelhantes e/ou complementares, e que estão intimamente interligadas, pois que pertenciam (e/ou Fl. 1026DF CARF MF Processo nº 10920.000210/200754 Acórdão n.º 3001000.727 S3C0T1 Fl. 117 5 pertencem) fundamentalmente às mesmas pessoas fisicas, haja vista as participações cruzadas dessas pessoas nas sociedades. Concluise então que, à ausência de documentação hábil e suficiente para comprovar o direito ao crédito informado como decorrente de locação de equipamentos, há que se manter a glosa procedida pela autoridade fiscal, além de mencionar que os fatos evidenciados por meio dos próprios documentos apresentados pela contribuinte tornam plausível a suspeição levantada pela autoridade fiscal. Bens utilizados como insumos Alega que entendeu a contribuinte que a glosa dos créditos de PIS/Cofins ocorreu, por conta da invocação ao artigo 301 do RIR199 pela autoridade fazendária, pelo fato de esta ter considerado todas as aquisições de produtos como enquadráveis no ativo imobilizado e não enquanto insumos. Entretanto, a autoridade fiscal glosou as despesas com aquisição de bens e serviços não enquadráveis no conceito de insumo, conceito este imposto pela legislação da contribuição para PIS e da Cofins nãocumulativa, sendo que, no que concerne aos bens incorporados ao ativo imobilizado da empresa, remetese ao art. 301 do Decreto n° 3.000/1999. Não obstante, a interessada traz uma lista de bens e serviços adquiridos, indicando as respectivas notas fiscais e fornecedores e segue argumentando que os respectivos documentos fiscais evidenciam que a empresa adquiriu bens ou contratou serviços os quais foram totalmente aplicados em suas atividades, porém entendeu a DRJ/FNS que somente a indicação na nota fiscal do fornecedor dos bens não é suficiente para identificar se os bens listados serem passíveis, ou não, de incorporação ao ativo imobilizado. Outros valores/Operações com direito a crédito Nesse ponto, concluiu que não houve qualquer glosa de valores desta natureza, haja vista a interessada não ter incluído no Dacon do período em questão qualquer valor a esse titulo. Conclusão do voto Isso posto, votou pela manutenção do decidido pela DRF jurisdicionante. Recurso Voluntário Inicialmente, alega a recorrente que o Acórdão indica, erroneamente, que a mesma aceitou e se manteve inerte e revel à glosa de parte dos créditos de PIS/COFINS sobre os quais teria se apropriado indevidamente. No entanto, frisou que se manifestou especificamente sobre todos os créditos glosados pela autoridade fazendária. Crédito sobre as operações de aluguel de máquinas e equipamentos Quanto à falta de emissão de nota fiscal das operações de arrendamento de bens como fundamento para glosa dos créditos, rechaça o formalismo exacerbado que desconsidera os demais elementos de prova a favor do contribuinte que demonstram a efetiva operação econômica realizada. Aduz que possui escrita contábil regular e em perfeita ordem, fato este não impugnado pelo Auditor Fiscal, tendo contabilizado adequadamente todas as operações de locação de Fl. 1027DF CARF MF 6 bens, as quais possuem todos os elementos de prova quanto a sua efetiva ocorrência e quanto aos valores efetivamente pagos pelo contribuinte a titulo de aluguel dos bens. Ademais, assevera que a simples falta de emissão de nota fiscal não impede que o contribuinte desfrute, por inteiro do seu direito de reconhecer os créditos, nesse ponto, colaciona certidão da Secretaria Municipal de Finanças do Município de São Francisco do Sul, que reconheceu formalmente que a legislação municipal dispense a emissão de nota fiscal nas operações de locação de bens móveis. Não obstante, traz a transcrição da Súmula Vinculante n° 31 do STF, acerca da não incidência de ISS sobre a locação de bens móveis, o que, consequentemente, alega não havr obrigatoriedade de emissão de Nota Fiscal de Serviços para a atividade de locação de equipamento da recorrente, porquanto não há serviço prestado, cabendo à ela apenas emitir simples recibo ou documento equivalente, nos termos do Decreto nº 3.000, de 26/03/99 e Lei Federal no 8.846/1994. Ressaltou que nas operações de locação registradas pela Recorrente há contratos firmados, recibos de pagamento, comprovantes de pagamento bancário e cheques que demonstram a liquidação financeira dos aluguéis, e que comprovam a ocorrência da operação e a natureza dela. Quanto ao argumento de elisão fiscal por conta do contribuinte, alega a recorrente serem completamente insubsistentes, nos seguintes termos: 1. Os contratos de locação dos guindastes (março de 2002) são anteriores às leis que instituíram o PIS e o COFINS não cumulativo (dezembro de 2002 e dezembro de 2003). Logo, não poderia ter pretendido com estas operações a geração de créditos das contribuições sociais; 2. Não há qualquer possibilidade de concluirse que a operação supostamente dissimulada teria sido uma operação de compra de guindastes, porque a empresa WRC foi constituída em março de 2002, o guindaste locado pela Cargolink para a WRC foi adquirido anteriormente (julho de 2001) e também o guindaste locado pela WR para a WRC, que foi adquirido em outubro de 2001; 3. O fato dos locadores dos guindastes serem sócios da locatária em nada altera o tratamento tributário dos créditos, porque descaracteriza a natureza de insumo do bem locado e as transações entre partes relacionadas não são vedadas por lei e são reconhecidas pela jurisprudência; 4. Tendo em vista o princípio da tipicidade cerrada e da legalidade estrita, não há na legislação tributária federal nenhuma norma ou regra que obrigue o contribuinte a possuir a propriedade dos bens que utiliza nas suas operações ou vede as transações entre partes relacionadas; 5. O tratamento tributário da distribuição disfarçada de lucros pressupõe a aquisição do bem de parte relacionada por valor notoriamente superior ou inferior ao valor de mercado, no entanto, como reconhece o próprio Auditor Fiscal, o valor da locação com opção de compra era exatamente o valor que vinha sendo pago pelas locadoras e, por conseguinte, exatamente o valor de mercado dos bens. Ademais, alega que o negócio foi totalmente vantajoso para a mesma, posto que tratouse de repasse dos ônus financeiros que estavam sendo suportados pelas locadoras. 6. Passou despercebido pelo auditor “fato fundamental de que até o momento em que fora constituída a WRC Operadores Portuários S/A as empresas Cargolink Armazéns de Cargas Ltda. e WR Operadores Portuários Ltda. não possuíam qualquer outro tipo de sociedade ou associação, da mesma forma que as pessoas físicas controladoras da Cargolink Armazéns de Cargas Ltda. não possuíam qualquer vinculo, sociedade ou associação com as pessoas físicas controladoras da WR Fl. 1028DF CARF MF Processo nº 10920.000210/200754 Acórdão n.º 3001000.727 S3C0T1 Fl. 118 7 Operadores Portuários Ltda., sendo, antes, concorrentes diretos no mercado portuário de São Francisco do Sul, o que afasta por completo qualquer indicio de simulação das operações”. Destacou que não houve qualquer tipo de omissão ou forjamento de qualquer operação para a prática de negócio diverso daquele que foi formalizado contratualmente, o que torna impossível a configuração da simulação no caso em tela. Bem como, que todos os contratos foram firmados em datas anteriores às locações, e previamente ao recebimento de receitas provenientes destas operações e/ou às despesas por esta ocasionadas e tendo em vista o aspecto temporal, podese inferir a boa fé do contribuinte e licitude das operações. Recorre também do argumento utilizado pela DRJ no sentido que “não poderia a WRC tomar créditos pela locação de um bem que já lhe pertencia e não mais à locadora. No entanto, aduz que a simples leitura do "Contrato de Concessão de Crédito para Financiamento de Importação de Origem e Procedência da Alemanha com Seguro do Hermes Kreditversicherungs Ag.” (documento já constante nos autos) revela que o bem locado havia sido dado em alienação fiduciária pela Cargolink ao Banco Bradesco S.A, o que quer dizer que a Cargolink não possuía titulo suficiente para transferir a propriedade do bem para a WRC (vide cláusula 18, página 4 do contrato).” Podese verificar também a existência de um contrato de opção de venda, o qual aduz que esta pudesse exercer a Opção de Compra "em um prazo de até 60 (sessenta) dias contados a partir da data em que o Equipamento estiver livre e desembaraçado dos ônus decorrentes do Contrato de Financiamento". Do direito ao crédito dos insumos aplicados em sua prestação de serviços Alega que a decisão da DRJ colaciona trechos do Termo de Verificação e Encerramento de Análise Fiscal, omitindo o que não lhe é de interesse. No aludido termo, foram classificados os gastos com reparo e manutenção dos equipamentos portuários utilizados pelo contribuinte no ativo imobilizado, desconsiderando sua classificação como despesa operacional. Entretanto, aduz que os produtos adquiridos pela empresa contribuinte são adquiridos/contratados com a finalidade exclusiva de manter os seus ativos em condições operacionais, quando incorporados às respectivas máquinas e equipamentos, possuem vida útil inferior a um ano e/ou não aumentam a vida útil dos bens do seu ativo imobilizado em prazo superior a um ano. Logo, não se justifica a sua incorporação ao ativo permanente, para que seja então depreciado ou amortizado. Do direito ao crédito sobre os serviços tomados de outras pessoas jurídicas A recorrente indaga ser razoável que se considerem as despesas com a venda dos serviços do contribuinte, ou seja, comissionamento a serviços de intermediação de negócios comerciais seja entendido como insumos de sua atividade, posto que enquadramse as mesmas perfeitamente no conceito da alínea "b", inciso II, 40 do art. 80 da IN SRF no 404/04. Outros valores/operações com direito ao crédito Assevera ainda que o julgamento proferido pela 4a Turma da DRJ de Florianópolis, disse inexistir créditos das demais operações, fundamentando sua decisão no fato de que a Recorrente não incluiu na Dacon do período em questão qualquer valor à esse titulo. Fl. 1029DF CARF MF 8 Entretanto, aduz que todos os documentos solicitados pela fiscalização com relação à rubrica em epígrafe foram devidamente entregues ao Sr. Fábio Luiz Túlio. Fato este ainda ratificado no Termo de Verificação e encerramento da Análise Fiscal (fls. 04). Finalmente, sustenta que o julgador teve dúvidas se realmente tem direito ou não a recorrente ao ressarcimento ao dizer: “NÃO HÁ COMO SE TER A CONVICÇÃO, OU POR OUTRA, NÃO HÁ COMO SE REPUTAR COMPROVADO, PARA ALÉM DE QUAISQUER DÚVIDAS, que os valores das despesas informados realmente se referem a despesas decorrentes[...]”, pugnando pela aplicação da tese in dubio pro contribuinte. Requereu, ao final, o reconhecimento de seu direito integral ao ressarcimento dos créditos tributários pleiteados, bem como a juntada dos documentos anexos. Resolução nº 3403000.325 – 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária O Relator Antonio Carlos Atulim votou no sentido de “converter o julgamento em diligência à repartição de origem apenas para que a autoridade administrativa informe se existe procedimento administrativo instaurado quanto ao IRPJ e, se existir, informar a fase em que se encontra e o número do processo administrativo.”, para esclarecer se a competência para o julgamento deste processo é da Primeira ou da Terceira Seção do CARF. Despacho de Encaminhamento O AFRFB desginado, Fábio Luis Tulio, respondeu à solicitação de diligência: “Em consulta ao dossiê do contribuinte, no ação fiscal, não foram encontrados registros de realização de procedimento fiscal relativo ao IRPJ referente ao período acima mencionado.”. Tendo em vista o retorno da diligência, estes autos foram encaminhados para este relator. Requerimento Em petição intermediária, a recorrente destacou que seu processo n° 10920.000216/200721, que também discute a origem dos créditos de PIS/Cofins, foi julgado e foi provido parcialmente (fls. 987998), sob o argumento de cerceamento de defesa, tendo em vista que o fiscal não impugnou de forma específica os documentos apresentados pela recorrente, de forma a dificultar a defesa da mesma. Diante desse cenário, requereu que este processo seja julgado nos mesmos termos do supracitado, para o acolhimento da tese de cerceamento de defesa e a consequente declaração de nulidade o processo desde o despacho decisório, ou então, que seja determinada a redistribuição dos autos ao julgador Corintho Oliveira Machado, que, entretanto, atualmente está na repartição da DRF de Vitória/ES. É o relatório. Fl. 1030DF CARF MF Processo nº 10920.000210/200754 Acórdão n.º 3001000.727 S3C0T1 Fl. 119 9 Voto Vencido Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Ad Hoc O voto a seguir reproduzido entre aspas é de lavra do Conselheiro Renato Vieira de Ávila, relator original do processo, que, conforme Portaria SE/ME no 380, de 15/02/2019, teve o mandato extinto antes da formalização do resultado do presente julgamento. O texto do voto, in verbis, foi retirado da pasta da sessão de julgamento, repositório oficial do CARF, onde foi disponibilizado pelo relator original, ainda em janeiro de 2019, aos demais conselheiros. “Admissibilidade do Recurso A contribuinte teve ciência do acórdão de manifestação de inconformidade em 29.11.2010, conforme AR, fl. 922, nos termos do inciso II do parágrafo 2º do artigo 23 do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), iniciandose a contagem do prazo para apresentação de recurso no dia útil subsequente, conforme artigo 5º, também do PAF. Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. Verificase, pois, que a recorrente apresentou o competente Recurso Voluntário em 29.12.2010, conforme comprova o carimbo da DRF Joinville SC, logo, o recurso apresentado é tempestivo ao prazo legal estabelecido no artigo 56 do PAF: Art. 56. Cabe recurso voluntário, com efeito suspensivo, de decisão de primeira instância, dentro de trinta dias contados da ciência. Por fim, observo que, em conformidade com o art. 23B do Anexo II da Portaria MF n° 343 de 2015 (Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF), este colegiado é competente para apreciar o feito, tendo em vista que o valor do litígio está dentro do limite estabelecido pelo dispositivo. DOS FATOS Fl. 1031DF CARF MF 10 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos no valor de R$ 13.407,38, referente a créditos da contribuição ao PIS/PASEP, apurados sob o regime da não cumulatividade. Da análise feita pela Delegacia da Receita Federal do Brasil, proferiu despacho decisório que não homologou a compensação declarada pela Recorrente, em síntese, por ter identificado inconsistências e/ou ajustes necessários que alteraram o valor a ser ressarcido. Com isso, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, a qual foi julgada improcedente pela 4ª Turma da DRJ/FNS. Em sede de Recurso Voluntário, requer que seja reformado o acórdão de primeira instância administrava, pelos argumentos expostos. MÉRITO A discussão que se torna central neste PAF diz respeito ao direito de creditamento de determinadas rubricas para fins de cumprimento do comando normativo que veicula a não cumulatividade em relação ao Pis e Cofins. Crédito sobre as operações de aluguel de máquinas e equipamentos Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de COFINS de incidência não cumulativa, formalizado por PERDCOMP, , que, na matéria cujo mérito será enfrentado, circunscrevese a determinar se, conforme a linguagem expressa no voto condutor da decisão examinada, é legal o entendimento da ocorrência de simulação para fins de planejamento tributário abusivo para comprovar a legitimidade da tomada do crédito de locação, previsto no artigo 3.º , iv da Lei 10.833/03. Seguese ao trecho enxertado do recurso voluntário. 7. Os contratos de locação dos guindastes (março de 2002) são anteriores às leis que instituíram o PIS e o COFINS não cumulativo (dezembro de 2002 e dezembro de 2003). Logo, não poderia ter pretendido com estas operações a geração de créditos das contribuições sociais; 8. Não há qualquer possibilidade de concluirse que a operação supostamente dissimulada teria sido uma operação de compra de guindastes, porque a empresa WRC foi constituída em março de 2002, o guindaste locado pela Cargolink para a WRC foi adquirido anteriormente (julho de 2001) e também o guindaste locado pela WR para a WRC, que foi adquirido em outubro de 2001; 9. O fato dos locadores dos guindastes serem sócios da locatária em nada altera o tratamento tributário dos créditos, porque descaracteriza a natureza de insumo do bem locado e as transações entre partes relacionadas não são vedadas por lei e são reconhecidas pela jurisprudência; 10. Tendo em vista o princípio da tipicidade cerrada e da legalidade estrita, não há na legislação tributária federal nenhuma norma ou regra que obrigue o contribuinte a possuir a propriedade dos bens que utiliza nas suas operações ou vede as transações entre partes relacionadas; 11. O tratamento tributário da distribuição disfarçada de lucros pressupõe a aquisição do bem de parte relacionada por valor notoriamente superior ou inferior ao valor de mercado, no entanto, como reconhece o próprio Auditor Fiscal, o valor da locação com Fl. 1032DF CARF MF Processo nº 10920.000210/200754 Acórdão n.º 3001000.727 S3C0T1 Fl. 120 11 opção de compra era exatamente o valor que vinha sendo pago pelas locadoras e, por conseguinte, exatamente o valor de mercado dos bens. Ademais, alega que o negócio foi totalmente vantajoso para a mesma, posto que tratouse de repasse dos ônus financeiros que estavam sendo suportados pelas locadoras. Passou despercebido pelo auditor “fato fundamental de que até o momento em que fora constituída a WRC Operadores Portuários S/A as empresas Cargolink Armazéns de Cargas Ltda. e WR Operadores Portuários Ltda. não possuíam qualquer outro tipo de sociedade ou associação, da mesma forma que as pessoas físicas controladoras da Cargolink Armazéns de Cargas Ltda. não possuíam qualquer vinculo, sociedade ou associação com as pessoas físicas controladoras da WR Operadores Portuários Ltda., sendo, antes, concorrentes diretos no mercado portuário de São Francisco do Sul, o que afasta por completo qualquer indicio de simulação das operações”. O contrato acostados em fls. 82 a 89, com firma reconhecidas, é suficiente, nos termos do artigo 3.º da Lei 10.833/03, para comprovar sua aplicação na atividade operacional da recorrente. Conforme o texto descritivo do objeto do contrato de locação de equipamentos, cláusula primeira 1.1: Equipamento, incluindo todas as instalações, projetos, especificações, licenças, notas, relatórios e arquivos relacionados ao Equipamento e todos os elementos necessários A operação do Equipamento, sejam estes de natureza de hardware ou de software, (a "Locação do Equipamento"), Os créditos decorrentes de aluguel estão previstos na legislação e respeitam a seguinte determinação: a locação deve ser de prédios, com o requisito de ser pago unicamente a pessoa jurídica, e, ainda, necessariamente deverão ser empregados na utilização das atividades operacionais da empresa. Portanto, concluise que os requisitos para o reconhecimento da legitimidade do crédito estão satisfeitos, determinando ser o contrato de locação a Documentação hábil para comprovação da existência do negócio. Devidamente enfrentadas as questões de fato e mérito, apontase decisão desta CARF no sentido de aceitar os contratos de locação como instrumentos aptos a comprovação do negócio, inclusive apontadolhe as devidas limitações (no precedente citado, foi excluído da base do crédito, taxas condominais, por não ser parte do preço contratado, este sim, base para a tomada de crédito, conforme, repitase, previsão contratual, e, não, valor emitido em nota fiscal. Acórdão nº 3401004.021 ALUGUÉIS. DIREITO DE CRÉDITO. DELIMITAÇÃO. O direito de crédito relativo aos aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos utilizados na empresa, previsto no art. 3º, IV das Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, compreende apenas a retribuição pelo uso e gozo da coisa não fungível, nos contratos de locação, como regulado pelo art. 565 e ss. do Código Civil (Lei nº 10.406/2002), não englobando as despesas condominiais e demais taxas sob responsabilidade dos locatários, bem assim, as contraprestações financeiras, a cargo dos parceiros públicos, nos contratos administrativos de concessão das parcerias público privadas. Fundamento legal Fl. 1033DF CARF MF 12 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: IV aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; CONCEITO DE INSUMO As teses adversárias, por um lado, o entendimento fazendário restritivo, vinculado à IN 404/04 e, por outro lado, a pretensão do contribuinte em serlhe aplicado o tratamento previsto para fins de despesa do IRPJ, podendo gerar crédito para fins das contribuições, sob o mesmo entendimento dado às despesas dedutíveis. Neste sentido, sobreveio decisão em sede de Recurso Repetitivo sob n.º 1.221.170R Esp para fixar o conceito de insumo, sendo aplicado nas decisões deste CARF. O conceito adotado de serviço, portanto, previsto na Lei 10.833/03, em seu artigo 3.º, segue a utilização no precedente abaixo: Acórdão nº 9303005.623 CONCEITO DE INSUMO. O termo “insumo” utilizado pelo legislador na apuração de créditos a serem descontados da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins denota uma abrangência maior do que MP, PI e ME relacionados ao IPI. Por outro lado, tal abrangência não é tão elástica como no caso do IRPJ, a ponto de abarcar todos os custos de produção e as despesas necessárias à atividade da empresa. Sua justa medida caracterizase como o elemento diretamente responsável pela produção dos bens ou produtos destinados à venda, ainda que este elemento não entre em contato direto com os bens produzidos, atendidas as demais exigências legais. No caso julgado, são exemplos de insumos: a) serviço de limpeza e passagem (remoção de minério para permitir a passagem de veículos extratores de caulim); b) serviço de locação de equipamentos para a extração do minério; c) serviço de decapeamento (retirada de vegetação e solo); d) serviço de lavra (extração do minério da natureza); e, finalmente, e) Óleo diesel (utilizado nos caminhões para transporte de caulim). Recurso Especial do Contribuinte Provido em Parte. Adicionase excerto do voto condutor, no sentido de compreender o conceito de essencialidade Acórdão de nº 930101.741 Em minha opinião, o texto do artigo 3º da Lei 10.637/2002, bem assim da Lei 10.833/2003, não poderia ser mais específico ao regrar os créditos suscetíveis de abatimento pelo contribuinte. É evidente que não se tem como enumerar todos os eventos capazes de gerar crédito, mas diante do que dispõe a lei para identificar se o dispêndio é suscetível de abatimento, se o mesmo se consubstancia em insumo, basta verificar se o mesmo corresponde a resposta afirmativa da seguinte indagação: o dispêndio é indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela COFINS não cumulativos? Se sim, o direito de crédito do contribuinte, a meu ver, é inquestionável. Fl. 1034DF CARF MF Processo nº 10920.000210/200754 Acórdão n.º 3001000.727 S3C0T1 Fl. 121 13 Ora, uma simples leitura do artigo 3º da Lei 10.637/2002 é suficiente para verificar que o legislador não restringiu a apropriação de créditos de PIS/Pasep aos parâmetros adotados no creditamento de IPI. No inciso II desse artigo, como asseverou o insigne conselheiro, o legislador incluiu no conceito de insumos os serviços contratados pela pessoa jurídica. 14. Analisandose detalhadamente as regras constantes dos atos transcritos acima e das decisões da RFB acerca da matéria, podese asseverar, em termos mais explícitos, que somente geram direito à apuração de créditos da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a aquisição de insumos utilizados ou consumidos na produção de bens que sejam destinados à venda e de serviços prestados a terceiros, e que, para este fim, somente podem ser considerados insumo: b) serviços que vertem sua utilidade diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços, o que geralmente ocorre: b.1) pela aplicação do serviço sobre o bem ou pessoa beneficiados pela prestação de serviço; b.2) pela prestação paralela de serviços que reunidos formam a prestação de serviço final disponibilizada ao público externo (como subcontratação de serviços, etc); c) serviços de manutenção de máquinas, equipamentos ou veículos utilizados diretamente na produção de bens ou na prestação de serviços. (g.n.) A respeito do critério para verificação da essencialidade, conforme transcrito a seguir, respondaa positivamente, haja vista, nas operações, como a da recorrente, que, dentre outras tantas como industrialização e comercialização, necessita, contratar serviços especializados para lidar com a complexa burocracia aduaneira, sob pena de inviabilizar sua operação, caso deva verticalizar a execução de seus préstimos. basta verificar se o mesmo corresponde a resposta afirmativa da seguinte indagação: o dispêndio é indispensável à produção de bens ou à prestação de serviços geradores de receitas tributáveis pelo PIS ou pela COFINS não cumulativos? Se sim, o direito de crédito do contribuinte, a meu ver, é inquestionável. Acórdão nº 9303005.941 PIS NÃO CUMULATIVO. CONCEITO DE INSUMO. CRITÉRIO DA ESSENCIALIDADE. DIREITO A CRÉDITO. DESPESAS COM O DESCARREGAMENTO DE MERCADORIAS NO PORTO E SEU TRANSPORTE ATÉ A UNIDADE FABRIL POR TUBOVIA. DESPESAS DE ARMAZENAGEM E FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. POSSIBILIDADE. De acordo com artigo 3º da Lei nº 10.833/03, que é o mesmo do inciso II, do art. 3º, da Lei nº 10.637/02, que trata do PIS, pode ser interpretado de modo ampliativo, desde que o bem ou serviço seja essencial a atividade empresária, portanto, capaz de gerar créditos de PIS não cumulativo sobre despesas com o descarregamento de mercadorias no porto e seu transporte Fl. 1035DF CARF MF 14 até a unidade fabril por tubovia, despesas de armazenagem e fretes na operação de venda. Insumos na prestação de serviços Manutenção e reparos Conforme notas fiscais acostadas em fls. 08 , verificadas por amostragem, demonstram que houve a efetiva tomada de serviço de manutenção, como roldanas para guindastes, bombas, etc. Notas acostadas em fls. 05 a 15 e 69 a 80 do volume I. 3302006.140 CRÉDITOS DE INSUMOS. CONTRIBUIÇÕES NÃOCUMULATIVAS. SERVIÇOS E PEÇAS DE MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS UTILIZADOS NO PROCESSO PRODUTIVO. Os serviços e bens utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos utilizados no processo produtivo geram direito a crédito das contribuições para o PIS e a COFINS não cumulativos. Desta forma, entendo que a glosa sobre os valores pagos a título de manutenção de seu maquinário deve ser revertida, por caracterizarse como serviço tomado que se demonstra essencial e relevante. Fundamento Legal Invocado Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços serviços tomados de pessoas jurídicas Glosa de intermediação de negócios comerciais A recorrente indaga ser razoável que se considerem as despesas com a venda dos serviços do contribuinte como insumos de sua atividade, posto que enquadramse as mesmas perfeitamente no conceito da alínea "b", inciso II, 40 do art. 80 da IN SRF no 404/04. Não considero o comissionamento a serviços de intermediação de negócios comerciais essencial para o caso presente, de empresa cuja previsão de atividade social é a prestação de serviços de operador portuário, conforme página 33 do volume I, comissionamento a serviços de intermediação de negócios comerciais, conforme notas fiscais acostadas em fls. 16 a 34 emitidas pela empresa Cargotop. Conclusão Fl. 1036DF CARF MF Processo nº 10920.000210/200754 Acórdão n.º 3001000.727 S3C0T1 Fl. 122 15 Diante do exposto, voto por conhecer totalmente do recurso para dar parcial provimento no sentido de reverter as glosas: 1) sobre os insumos aplicados na prestação de serviço de manutenção e reparos; 2) sobre aluguel de máquinas e equipamentos, mantendo as demais glosas.” (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva (Ad Hoc) Voto Vencedor Conselheiro Marcos Roberto da Silva, Redator Designado Considerando o bem redigido voto do ilustre Conselheiro Relator Renato Vieira de Ávila, ouso divergir parcialmente do seu entendimento, como será visto a seguir. Inicialmente, conforme exposto pelo nobre relator, é entendimento deste Conselho que o conceito de insumos para efeitos do art. 3º, inciso II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, deve ser interpretado seguindo o critério da essencialidade. Este critério busca uma posição "intermediária" construída pelo CARF na definição insumos, com vistas a alcançar uma relação existente entre o bem ou serviço, utilizado como insumo e a atividade realizada pelo Contribuinte. Reproduzo a seguir um conceito de insumo consignado no Acórdão nº 9303003.069, construído a partir da jurisprudência do próprio CARF, e que vem servindo de base para os julgamentos dos processos deste Conselho: [...] Portanto, "insumo" para fins de creditamento do PIS e da COFINS não cumulativos, partindo de uma interpretação histórica, sistemática e teleológica das próprias normas instituidoras de tais tributos (Lei no. 10.637/2002 e 10.833/2003), deve ser entendido como todo custo, despesa ou encargo comprovadamente incorrido na prestação de serviço ou na produção ou fabricação de bem ou produto que seja destinado à venda, e que tenha relação e vínculo com as receitas tributadas (critério relacional), dependendo, para sua identificação, das especificidades de cada processo produtivo. (grifos da reprodução) Sintetizando, para que determinado bem ou prestação de serviço seja considerado insumo na sistemática da nãocumulatividade das Contribuições para o PIS e da COFINS, imprescindível a sua essencialidade ao processo produtivo ou prestação de serviço, direta ou indiretamente, bem como haja a respectiva prova. Com isso, reputo corretas as glosas efetuadas pela fiscalização e mantidas pela decisão de piso referentes a aluguel de máquinas e equipamentos e reparos e manutenção de equipamentos portuários tendo em vista que não foram identificadas correlações que demonstrassem a sua essencialidade entre tais gastos e o processo produtivo e pudesse caracterizálos como insumos na sistemática da não cumulatividade das COFINS. Fl. 1037DF CARF MF 16 Diante do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Roberto da Silva Fl. 1038DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14033.000308/2005-03
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO.
É nula decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que deixa de analisar direito creditório fundada em dispositivo normativo revogado ao tempo de emissão do despacho decisório de não homologação da compensação e em argumento já superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais constante de precedentes e de verbete sumular.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE.
O crédito informado no PER/DCOMP a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real pode ser objeto de compensação, não restringindo-se apenas à dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período.
Exegese da Súmula CARF n.º 84.
Numero da decisão: 1002-000.601
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e declarar a nulidade do acórdão recorrido, reconhecendo a possibilidade de análise pela DRJ/BSB da legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PER/DCOMP nº 35972.21870.300404.1.3.02-0751.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. É nula decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que deixa de analisar direito creditório fundada em dispositivo normativo revogado ao tempo de emissão do despacho decisório de não homologação da compensação e em argumento já superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais constante de precedentes e de verbete sumular. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. O crédito informado no PER/DCOMP a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real pode ser objeto de compensação, não restringindo-se apenas à dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Exegese da Súmula CARF n.º 84.
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NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. É nula decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que deixa de analisar direito creditório fundada em dispositivo normativo revogado ao tempo de emissão do despacho decisório de não homologação da compensação e em argumento já superado pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais constante de precedentes e de verbete sumular. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO DE PER/DCOMP. CRÉDITO DECORRENTE DE RECOLHIMENTO INDEVIDO OU A MAIOR A TÍTULO DE ESTIMATIVA MENSAL. POSSIBILIDADE. O crédito informado no PER/DCOMP a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real pode ser objeto de compensação, não restringindose apenas à dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Exegese da Súmula CARF n.º 84. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 03 3. 00 03 08 /2 00 5- 03 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 14033.000308/200503 Acórdão n.º 1002000.601 S1C0T2 Fl. 251 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso e declarar a nulidade do acórdão recorrido, reconhecendo a possibilidade de análise pela DRJ/BSB da legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PER/DCOMP nº 35972.21870.300404.1.3.020751. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Em atenção aos princípios da economia e celeridade processual, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/BSB, complementandoo ao final: "Cuidam os autos de Dcomp, débitos próprios, de março a agosto/2004, com crédito de saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2003. Irresignada com a homologação parcial da compensação pela instância 'a quo', a interessada oferece manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: Tem direito ao reconhecimento integral do saldo negativo pleiteado no valor de R$ 1.017.851,08 e não de R$ 964.279,75 concedido, visto que: (a) R$ 15.747,40 relativo aos valores retidos de imposto de renda pela Allpharma, conforme comprova a DIRF retificada em anexo; (b) R$ 21.171,55 – relativo ao saldo remanescente apurado no Processo 10166.004811/0300, devidamente pago, conforme comprovante anexado; (c) R$ 5.892,83 – relativo ao pagamento parcial do saldo remanescente apurado no Processo 14033.0003336/0512, pago, conforme comprovante; (d) R$ 1.353,07 – relativo ao saldo recolhido para ajustar diferença existente no processo 14033.000308/0503, conforme demonstra o comprovante de pagamento em anexo; Fl. 251DF CARF MF Processo nº 14033.000308/200503 Acórdão n.º 1002000.601 S1C0T2 Fl. 252 3 (e) R$ 3.968,04 – relativo ao saldo recolhido para ajustar diferença existente no processo 14033.000336/0512, conforme comprovantes de pagamento anexados; Assim, diante dos fatos e fundamentos demonstrados acima, concluise que resta um débito remanescente devido de R$ 12.657,44, cujo pagamento já está sendo providenciado, e o comprovante de quitação será oportunamente juntado ao processo". Aduzo que a DRJ/BSB baixou os autos em diligência à DRF de jurisdição fiscal do contribuinte, para apreciação de fatos trazidos a colação pelo então manifestante às e fls. 139 (retenção na fonte glosados e pagamentos efetuados não examinados), a qual elaborou relatório circunstanciado, donde foram extraídos os seguintes pontos principais (destaques do original): Tratase do resultado de diligência formulada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília/DF (DRJ/BSA) ao apreciar a Manifestação de Inconformidade (fls. 103 a 108) contra o despacho decisório de fls. 96 a 98. Este homologou parcialmente as declarações de compensação constantes do processo n° 14033.000308/200503 (fls. 02 a 05 e 28 a 61), reconhecendo parcialmente o direito creditório de Saldo Negativo de IRPJ, anocalendário 2003, no valor de R$ 964.279,75, após a glosa de R$ 53.571,33 do Saldo Negativo solicitado pela contribuinte na DCOMP n° 35972.21870.30404.1.3.020751, no valor de R$ 1.017.851,08. Tal glosa é composta de três valores: a. R$ 15.351,42, referente à diferença entre o valor declarado para IRPJ retido na fonte levado para o ajuste anual, de R$ 105.921,31, e o valor validado com base em DIRF, de R$ 90.569,89; b. R$ 21.171,55, referente à homologação parcial da estimativa IRPJ de março/2003 compensada no processo 10166.0004811/2003 00. Tal estimativa totalizava o valor de R$ 129.251,98, mas esta foi parcialmente compensada no valor de R$ 108.080,41; c. R$ 17.048,36, referente à homologação parcial da estimativa de IRPJ de setembro/2003 compensada na DCOMP de n° 15498.28587.301003.1.3.027370. Tal estimativa totalizava o valor de R$ 82.986,29, tendo sido paga e validada parte dela, no valor de R$ 64.499,65, e compensada na citada DCOMP, no valor de R$ 18.486,64. Todavia, esta última parcela foi parcialmente compensada no valor de R$ 1.438,28; (...) 4. Conforme já relatado, em 28/07/2005, foi proferido o despacho decisório de fls. 96 a 98, reconhecendo parcialmente o direito creditório relativo a Saldo Negativo de IRPJ, ano calendário 2003, no valor de R$ 964.279,75, constante da DCOMP n° 35972.21870.30404.1.3.020751 (fls. 156 a 163). Nesta data, as DIRF's contendo as retenções na fonte de IRPJ (fls. 22 e 23) não continham a retenção de R$ 15.747,34, código Fl. 252DF CARF MF Processo nº 14033.000308/200503 Acórdão n.º 1002000.601 S1C0T2 Fl. 253 4 3426, feita pelo CNPJ: 04.116.574/000180 e informada no demonstrativo de crédito desta DCOMP (fl. 158). No entanto, como a própria manifestante informa em sua manifestação de inconformidade, houve uma retificação nas DIRF's (fls. 164 e 165), a qual comprova a existência de tal retenção na fonte, no valor de R$ 15.747,40. Portanto, a parcela composição do saldo negativo IRPJ, anocalendário 2003, referente à retenção na fonte de R$ 15.747,34 (fl. 164), código 3426, feita pelo CNPJ: 04.116.574/000180, deverá ser validada. 5. A manifestante também afirma que efetuou, em 06/09/2005, um pagamento de R$ 45.311,31, por meio de DARF (fl. 145), referente à parcela da estimativa de IRPJ de março/2003, no valor de R$ 21.171,55, que não foi validada no despacho decisorio de flsí96 a 98. Conforme extrato do sistema SINCOR/TRATAPAGTO (fl. 170), tal pagamento está alocado, em seu valor total, ao débito de estimativa de IRPJ (2362) de março/2003. 6. Também em 06/09/2005, a manifestante efetuou, por DARF, um pagamento de R$ 8.877,54 (fl. 146) referente à parcela da estimativa de IRPJ de setembro/2003, no valor de R$ 17.048,36, que não foi validada no despacho decisório de fls. 96 a 98. Conforme extrato do sistema SINCOR/TRATAPAGTO (fl. 169), tal pagamento está alocado, em seu valor total, ao débito de estimativa de IRPJ (2362) de setembro/2003. 7. Por fim, a manifestante também afirma ter efetuado outros 3 (três) pagamentos isolados com a finalidade de extinguir o restante das estimativas não compensadas/pagas e, consequentemente, validar o Saldo Negativo de IRPJ, ano calendário 2003, no valor de 1.017.851,08. O primeiro comprovante de pagamento (fl. 143), no valor principal de R$ 1.353,07 e período de apuração de agosto de 2004, e o segundo (fl. 144), no valor principal de R$ 3.968,04 e período de apuração de agosto de 2003, referemse à receita 2484 (estimativa mensal de CSLL). O terceiro DARF (fl. 147), no valor principal de R$ 12.657,44 e período de apuração de setembro de 2004, referese à receita 2362 (estimativa mensal de IRPJ). 8. A IN/SRF n°460/2004, vigente à época dos fatos, em seu artigo 10, caput, regulamenta que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Portanto, os pagamentos discriminados no parágrafo anterior não poderiam ser usados para validar o Saldo Negativo de IRPJ, anocalendário 2003, no valor de 1.017.851,08. Tais pagamentos somente poderiam ser utilizados nos seguintes casos: Fl. 253DF CARF MF Processo nº 14033.000308/200503 Acórdão n.º 1002000.601 S1C0T2 Fl. 254 5 a. No caso do pagamento R$ 1.353,07, na dedução da CSLL devida ao final o período de apuração de agosto de 2004, ou para compor o saldo negativo de CSLL, ano calendário 2004; b. No caso do pagamento R$ 3.968,04, na dedução da CSLL devida ao final do período de apuração de agosto de 2003, ou para compor o saldo negativo de CSLL, ano calendário 2003; c. No caso do pagamento R$ 12.657,44, na dedução do IRPJ devido ao final do período de apuração de setembro de 2004, ou para compor o saldo negativo de IRPJ, ano calendário 2004; (...) 9. Vale ressaltar que, além do impedimento regulamentado no art. 10 da IN/SRF n°460/2004, o extrato do sistema SIEF/ Documentos de Arrecadação (fl. 166) mostra que o pagamento de R$ 3.968,04, período de apuração de agosto de 2003, já está alocado para o débito de CSLL (código 2484), período de apuração de agosto de 2003. Consequentemente, não está disponível para a finalidade informada pela manifestante. Cumprida a diligência pela DRF de Origem e após análise do relatório circunstanciado por ela elaborado (efls. 173), a DRJ/BSB julgou improcedente a manifestação de inconformidade, conforme acórdão n. 03047.054, de 09 de fevereiro de 2012 (efl. 216), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 Compensação Possibilidade até no Limite do Crédito do Sujeito Passivo Comprovada nos autos a existência de crédito do sujeito passivo contra a Fazenda Nacional, para absorver o débito tributário, efetuase a compensação do débito tributário até no limite daquele crédito, dado que esta pressupõe existência de créditos para o encontro de contas débitos “versus” créditos. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário (efls. 197), no qual, oferece os argumentos abaixo sintetizados (destaques do original). Diz que "...a decisão [recorrida] foi fundamentada na Instrução Normativa n° 460/2004, que, em seu art. 10, autoriza a compensação de valores recolhidos a maior de IR ou CSSL a título de estimativa mensal somente ao final do período de apuração em que houve a retenção ou o pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período". Entende que a Instrução Normativa nº 460/2004 é inaplicável ao presente caso, sustentando que "...a empresa contribuinte não compensou valores recolhidos a maior antes do término do período de apuração", que "Os recolhimentos feitos pela contribuinte no Fl. 254DF CARF MF Processo nº 14033.000308/200503 Acórdão n.º 1002000.601 S1C0T2 Fl. 255 6 ano de 2005 foram complementos de valores devidos pelo regime de estimativa devidos no ano de 2003", que "Por conseguinte, uma vez feito o recolhimento, o valor em questão deverá compor o saldo negativo de IRPJ do período em questão, ou seja, do ano de 2003", e que "...não faria sentido cogitarse de que tais valores pudessem compor a estimativa mensal do período em que foram efetivamente recolhidos, ou seja, do período de SET/2005 e OUT/2005". Afirma que "A diferença [não homologada], no valor de R$ 38.219,91, referese aos valores de antecipação dos meses de MAR/2003 (R$ 21.171,55) e de SET/2003 (R$ 17.048,36)", que "O valor total dos recolhimentos devidos em tais meses a título de estimativa havia sido compensado com saldo devedor de IR do ano anterior sendo que a Receita Federal não reconheceu a totalidade do crédito" e que "Com isso, a empresa contribuinte recolheu a diferença devida pelo regime de estimativa nos meses de SET/2005 e OUT/2005". Ressalta que "O valor de R$ 21.171,55 foi recolhido por meio de DARF na data de 06/09/2005, com o código 2362, no valor principal de R$ 28.030,51, mais multa de R$ 5.606,10 e juros de R$ 11.674,70, totalizando assim a quantia de R$ 45.311,31", que "...tal valor de R$ 28.030,51 não se refere à estimativa do mês de agosto ou setembro de 2005, principalmente porque recolhido com juros e multa", que "...a legislação previa a necessidade de recolhimento do imposto apurado no regime de estimativa ainda que não seja apurado imposto ao final do período de apuração, ou seja, a empresa estava obrigada a complementar o IR apurado no regime de estimativa no mês de MAR/2003, não podendo compensálo com os valores recolhidos a maior, conforme previsto na própria IN 460/2004" e que "Portanto, o recolhimento feito em 2005 apenas complementou o valor devido no mês de MAR/2003 no regime de estimativa e, por conseguinte, tal valor deve ser computado para fins de apuração do saldo negativo de IR ao final do período". De outra parte, reconhece que "...os valores recolhidos a maior pela empresa contribuinte decorreram de erro de interpretação da decisão, posto que houve uma diferença de R$ 60.790,33 na compensação do crédito tributário do mês de SET/2004", que "Tal valor de R$ 60.790,33 corresponde à soma dos seguintes valores principais recolhidos nos DARF's apresentados: (i) R$ 21.171,55 (fls. 145 valor total de R$ 45.311,31); (ii) R$ 5.892,33 (fls. 146 valor total de R$ 8.877,54); (iii) R$ 12.657,44 (fls. 147 valor total de R$ 17.344,48); (iv) R$ 1.353,07 (fls. 143 valor total de R$ 1.850,18); (v) R$ 3.968,04 (fls. 144 valor total de R$ 6.042,92)", e que "...ao computar os recolhimentos mencionados acima (ou seja, de R$ 21.171,55 (recolhido: R$ 28.030,51) + R$ 17.048,36 (recolhido: R$ 18.550,27), constatase que não haverá saldo de compensação no mês de SET/2004". Ainda, em abono de sua argüição, colaciona aos autos escólio de doutrina. Ao final, o Recorrente requer a reforma do Acórdão recorrido, para que seja reconhecido o direito creditório a que entende fazer jus, com a consequente homologação da compensação realizada por meio do PER/DCOMP 35972.21870.300404.1.3.020751. É o relatório do essencial. Voto Fl. 255DF CARF MF Processo nº 14033.000308/200503 Acórdão n.º 1002000.601 S1C0T2 Fl. 256 7 Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Mérito Com relação ao mérito, em suma, o Recorrente afirma que a diferença não homologada referese a recolhimentos feitos a título de estimativa mensal em que a RFB, fundada na IN SRF nº 460/2004, não reconheceu a totalidade do crédito. Relativamente a esta matéria, constato que o acórdão de Manifestação de Inconformidade não homologou a parcela de crédito vindicado pelo Recorrente a título de recolhimento de estimativas mensais de IRPJ, considerando como fundamento fático e normativo da decisão o constante no relatório de diligência exarado pela Diort da DRF/BSB, do qual consigno novamente os trechos pertinentes à solução desta lide administrativa (destaques do original): Por fim, a manifestante também afirma ter efetuado outros 3 (três) pagamentos isolados com a finalidade de extinguir o restante das estimativas não compensadas/pagas e, consequentemente, validar o Saldo Negativo de IRPJ, ano calendário 2003, no valor de 1.017.851,08. O primeiro comprovante de pagamento (fl. 143), no valor principal de R$ 1.353,07 e período de apuração de agosto de 2004, e o segundo (fl. 144), no valor principal de R$ 3.968,04 e período de apuração de agosto de 2003, referemse à receita 2484 (estimativa mensal de CSLL). O terceiro DARF (fl. 147), no valor principal de R$ 12.657,44 e período de apuração de setembro de 2004, referese à receita 2362 (estimativa mensal de IRPJ). A IN/SRF n°460/2004, vigente à época dos fatos, em seu artigo 10, caput, regulamenta que a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Portanto, os pagamentos discriminados no parágrafo anterior não poderiam Fl. 256DF CARF MF Processo nº 14033.000308/200503 Acórdão n.º 1002000.601 S1C0T2 Fl. 257 8 ser usados para validar o Saldo Negativo de IRPJ, ano calendário 2003, no valor de 1.017.851,08 De fato, a IN SRF nº 460/2004 vedava a restituição ou compensação do valor pago a maior ou indevidamente a título de estimativa. Vejase: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Entretanto, com a edição da Instrução Normativa RFB nº 900/2008 o dispositivo supra foi revogado e o pagamento indevido ou a maior de estimativa passou a ter tratamento de indébito tributário, conforme se infere da redação de seu art. 11: Art. 11. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição somente poderá utilizar o valor retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. A situação do ora Recorrente subsumese a essa alteração normativa por aplicação analógica do inciso I do artigo 106 do CTN1, eis que o PERD/COMP nº 35972.21870.300404.1.3.020751 encontravase pendente de análise na data do início de sua vigência em 31/12/2008. Esta intelecção encontra amparo na Solução de Consulta Interna nº 19/2011 da CoordenaçãoGeral de Tributação da RFB (COSIT), conforme se depreende da leitura de sua ementa (destaques deste relator) : 1 Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática Fl. 257DF CARF MF Processo nº 14033.000308/200503 Acórdão n.º 1002000.601 S1C0T2 Fl. 258 9 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1º de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. Caracterizase como indébito de estimativa inclusive o pagamento a maior ou indevido efetuado a este título após o encerramento do período de apuração, seja pela quitação do débito de estimativa de dezembro dentro do prazo de vencimento, seja pelo pagamento em atraso da estimativa devida referente a qualquer mês do período, realizado em ano posterior ao do período da estimativa apurada, mesmo na hipótese de a restituição ter sido solicitada ou a compensação declarada na vigência das IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005. A nova interpretação dada pelo art. 11 da IN RFB nº 900, de 2008, aplicase inclusive aos PER/DCOMP retificadores apresentados a partir de 1º de janeiro de 2009, relativos a PER/DCOMP originais transmitidos durante o período de vigência da IN SRF nº 460, de 2004, e IN SRF nº 600, de 2005, desde que estes se encontrem pendentes de decisão administrativa. Ademais, há súmula do CARF sobre o assunto que corrobora com o entendimento aqui esposado: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. Dispositivo Por todo o exposto, e consoante jurisprudência desta 2ª TE já manifestada em julgados anteriores sobre esse mesmo tema, voto por declarar a nulidade do acórdão n. 03047.054 exarado pela DRJ/BSB e por dar provimento parcial ao recurso, reconhecendo a possibilidade de análise da legitimidade da compensação de pagamento indevido ou a maior de estimativas mensais efetuada por meio do PERD/COMP nº 35972.21870.300404.1.3.020751, devendo a DRJ/BSB proceder a análise do direito creditório postulado na boa e devida forma, inclusive determinando de ofício, se necessário, a realização de diligências para aferir a autenticidade, ou não, do crédito declarado pelo sujeito passivo, independentemente de requerimento expresso, na forma do art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 258DF CARF MF Processo nº 14033.000308/200503 Acórdão n.º 1002000.601 S1C0T2 Fl. 259 10 Aílton Neves da Silva Fl. 259DF CARF MF
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Numero do processo: 10183.904957/2012-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2010
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO.
Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99.
Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos.
O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores.
Recurso voluntário negado
Numero da decisão: 3402-006.018
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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HOMOLOGAÇÃO PARCIAL / NÃO HOMOLOGAÇÃO. AUSÊNCIA DE ELEMENTO MODIFICATIVO. DECISÃO RECORRIDA. MANUTENÇÃO. Incumbe à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. Na hipótese de apresentação de argumentações genéricas, desprovidas de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, esta deve ser mantida pelos seus próprios fundamentos. O crédito disponível para compensação no PER/DCOMP é o valor original do crédito apontado subtraído das parcelas desse mesmo crédito já utilizadas em compensações anteriores. Recurso voluntário negado Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Alan Tavora Nem (Suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Cynthia Elena de Campos. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Thais de Laurentiis Galkowicz e Renato Vieira de Ávila (Suplente convocado). Ausente, a Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, substituída pelo conselheiro Alan Tavora Nem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 90 49 57 /2 01 2- 21 Fl. 70DF CARF MF Processo nº 10183.904957/201221 Acórdão n.º 3402006.018 S3C4T2 Fl. 0 2 Relatório Tratase de recurso voluntário em face da decisão da Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. Versam os autos sobre a declaração de compensação parcialmente homologada tendo em vista que o DARF apontado foi utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que, no despacho decisório, foi reconhecido crédito menor do que o valor do pagamento a maior no Darf mencionado. A Delegacia de Julgamento julgou improcedente a manifestação do contribuinte, nos termos do Acórdão nº 02050.655: Cientificada desta decisão, a interessada interpôs o recurso voluntário tempestivo, alegando o direito à compensação, eis que possuiria crédito oponível à Receita Federal, sendolhe facultado compensar diretamente o suposto indébito, fazendo apenas a exigida "Declaração de Compensação", sem necessidade de qualquer recurso ao Judiciário. Requer a recorrente que as publicações e intimações do feito sejam lançadas em nome das patronas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402006.005, de 11 de dezembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10183.903448/201281, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402006.005): "Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. Indeferese o pedido da recorrente para intimação em nome das patronas, vez que inexiste previsão legal nesse sentido. No âmbito do processo administrativo fiscal, as regras sobre as intimações de atos processuais fiscal dizem respeito somente à ciência do próprio sujeito passivo no seu domicílio tributário. A matéria está pacificada nesse sentido neste CARF, conforme Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10183.904957/201221 Acórdão n.º 3402006.018 S3C4T2 Fl. 0 3 enunciado da Súmula CARF nº 110: "No processo administrativo fiscal, é incabível a intimação dirigida ao endereço de advogado do sujeito passivo". Não se discute que a recorrente, como qualquer outro contribuinte, tem o direito de efetuar administrativamente a compensação de débitos próprios administrados pela Receita Federal mediante a entrega de declaração de compensação, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mesmo porque ela pode efetivamente fazêlo, obtendo, inclusive, o deferimento parcial de seu pleito. Também não há controvérsia nos autos acerca do fato de que o DARF especificado como origem do crédito tratase de um efetivo pagamento indevido. O fato que levou à homologação parcial da compensação declarada foi que a requerente já havia utilizado parte do crédito apontado para a compensação de débitos declarados em outras PER/DCOMP's, como já havida observado o julgador a quo: O despacho contestado já reconhece o pagamento indevido ou a maior efetuado por meio do DARF identificado no PER/DCOMP em questão. A razão da não homologação contestada é a insuficiência do pagamento a maior, considerando sua utilização em PER/DCOMP anteriores. Nos PER/DCOMP, há o campo intitulado "Crédito Original na Data da Transmissão". Conforme instruções de preenchimento do programa gerador do PER/DCOMP, o valor a ser informado nesse campo é o valor do pagamento indevido ou a maior subtraído das parcelas desse mesmo pagamento já utilizadas em compensações anteriores. Quando nenhuma parcela do pagamento indevido ou a maior tiver sido restituída ou utilizada em compensação anterior, ou seja, no primeiro PER/DCOMP em que o crédito for utilizado, o valor informado no campo "Crédito Original na Data da Transmissão" será igual ao do campo "Valor Original do Crédito Inicial". A cada novo PER/DCOMP que utiliza o mesmo pagamento, o valor do campo "Crédito Original na Data da Transmissão" deve ser menor do que o do PER/DCOMP anterior. Portanto, na análise da compensação em litígio, não se pode desconsiderar as compensações anteriores que utilizam o mesmo DARF, salvo as canceladas e as não homologadas. (...) Em que pese a então manifestante não ter contestado a parte do despacho decisório que discriminou as parcelas do crédito original que haviam sido utilizadas em compensações anteriores, a Delegacia de Julgamento explicou em detalhes como se deu o consumo do crédito nas outras PER/DCOMP's especificadas. Fl. 72DF CARF MF Processo nº 10183.904957/201221 Acórdão n.º 3402006.018 S3C4T2 Fl. 0 4 Como se sabe, incumbiria à recorrente, por ocasião do recurso voluntário, apresentar elementos modificativos ou extintivos da decisão recorrida, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/99. No entanto, a recorrente se ateve apenas a argumentações genéricas, sem a apresentação de fundamentos de fato e de direito relativamente à discordância da decisão recorrida, a qual deve, então, ser mantida. Assim, pelo exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 73DF CARF MF
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Numero do processo: 13656.900453/2012-17
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI INTERPRETADA.
É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida. Além disso, tendo o recorrente mencionado dispositivos legais que entende interpretado de forma divergente, resta cumprido requisito regimental.
IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA.
A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto.
Numero da decisão: 9101-004.038
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de resolução de sobrestamento, suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Cristiane Silva Costa - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente).
Nome do relator: CRISTIANE SILVA COSTA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI INTERPRETADA. É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida. Além disso, tendo o recorrente mencionado dispositivos legais que entende interpretado de forma divergente, resta cumprido requisito regimental. IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto.
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL. SIMILITUDE FÁTICA E LEI INTERPRETADA. É conhecido o recurso especial quando a acórdão paradigma analisa situação similar, concluindo que "a homologação da DCOMP, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado", enquanto o acórdão recorrido reconhece o saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida. Além disso, tendo o recorrente mencionado dispositivos legais que entende interpretado de forma divergente, resta cumprido requisito regimental. IRPJ. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO DE ESTIMATIVA. A estimativa mensal de IRPJ, compensada por PER/DCOMP com efeito de confissão de dívida, compõe o saldo negativo do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em rejeitar a preliminar de resolução de sobrestamento, suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que acolheram a preliminar. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Rafael Vidal de Araújo, Viviane Vidal Wagner e Adriana Gomes Rêgo, que lhe deram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 65 6. 90 04 53 /2 01 2- 17 Fl. 225DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, Viviane Vidal Wagner, Luis Fabiano Alves Penteado, Lívia De Carli Germano e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Relatório Tratase de processo originado pela apresentação de PERDCOMP em 10/08/2011, na qual identificado crédito do contribuinte de saldo negativo de IRPJ do ano de 2010. A Delegacia da Receita Federal em Poços de Caldas homologou em parte as compensações (fls. 5). Após a apresentação de Manifestação de Inconformidade (fls. 8), a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Juiz de Fora manteve a decisão da DRF (fls. 88): ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2010 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do julgamento de processo administrativo, dentro das normas reguladoras do Processo Administrativo Fiscal. A administração pública tem o dever de impulsionar o processo até sua decisão final (Princípio da Oficialidade). COMPENSAÇÃO Não existindo o crédito declarado a compensação não pode ser homologada. O contribuinte apresentou recurso voluntário, ao qual a 3ª Turma Especial da Primeira Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais deu provimento (acórdão 1803002.193, fls. 110). O acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2011 COMPENSAÇÃO. GLOSA DE ESTIMATIVAS COBRADAS EM DCOMP. DESCABIMENTO. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 13656.900453/201217 Acórdão n.º 9101004.038 CSRFT1 Fl. 226 3 Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. Os autos foram remetidos à Procuradoria em 29/05/2014, que interpôs recurso especial em 25/06/2014 (fls. 122). Neste recurso, alega divergência na interpretação da lei tributária quanto à composição de saldo negativo por estimativas mensais compensadas, com processo administrativo em trâmite, apontando como paradigma os acórdão nº 1801 00.108 e 3301002.191. O recurso especial da Procuradoria foi admitido pelo Presidente da 4ª Câmara da Primeira Seção deste Conselho (Conselheiro André Mendes de Moura). A interpretação estampada no acórdão seria dissonante daquela que fundamentou os acórdãos nº 180100.108 (1ª Turma Especial) e 3301002.191 (3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária), cujas ementas seguem, respectivamente, abaixo: (...) Conforme podemos aferir, as três decisões dizem respeito à mesma questão: o aproveitamento de estimativas para a apuração do saldo negativo pela simples declaração em DCOMP, posteriormente não homologada. No acórdão atacado, entendeuse que o contribuinte faria jus a esse aproveitamento para fins de apuração do saldo negativo apto a ser restituído/compensado; já, nos acórdãos paradigmas, o entendimento foi oposto. (...). Em cumprimento ao disposto no art. 18, III, do Anexo II, do RICARF, e com base nas razões acima expostas, que aprovo e adoto como fundamentos deste despacho, DOU SEGUIMENTO ao recurso especial interposto. Em 12/11/2015 o contribuinte foi intimado quanto ao recurso especial e despacho de admissibilidade (fls. 152), apresentando contrarrazões ao recurso em 26/11/2015. Em síntese, pede não seja conhecido o recurso especial, no mérito pleiteando a manutenção do acórdão recorrido. Subsidiariamente, pede o sobrestamento do processo. É o relatório. Voto Conselheira Cristiane Silva Costa, Relatora Preliminarmente, entendo por rejeitar a proposta de resolução suscitada pelo conselheiro Rafael Vidal de Araújo. Com efeito, o processo encontrase apto ao julgamento, sendo desnecessária a baixa suscitada. O recurso especial da Procuradoria foi fundado na divergência da interpretação com os paradigmas nº 180100.108 e 3301002.191. O contribuinte questiona o Fl. 227DF CARF MF 4 conhecimento do recurso, em síntese, porque “a Recorrente não demonstrou a divergência na de entendimentos à legislação aplicada, sequer mencionando os dispositivos legais que foram aplicados no v. acórdão recorrido.” Assim, analiso o conhecimento do recurso especial da Procuradoria. Primeiramente, consigno que a Procuradoria, em suas razões recursais, menciona dispositivos legais que entende relevantes para sustentar a reforma do acórdão recorrido. Nesse sentido, observo referência aos artigos 156, II e 170, do Código Tributário Nacional, além dos artigos 73 e 74, da Lei nº 9.430/1996. Analiso, a seguir, os paradigmas que fundamentaram o recurso especial, para avaliar a similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária, para conclusão a respeito do conhecimento. O acórdão 180100.108 foi analisado por este Colegiado no julgamento que resultou no acórdão nº 9101003835, do qual se extrai a ementa: Àquela ocasião, a maioria deste Colegiado entendeu por não conhecer o recurso especial da Procuradoria quanto ao citado acórdão paradigma 180100.108. Na presente oportunidade, reafirmo o entendimento manifestado à ocasião, apresentando voto para nova apreciação por esta Turma: O acórdão paradigma nº 180100.108 tem o seguinte contexto fático conforme relatório: A empresa em epígrafe interpôs, eletronicamente, Pedido de Restituição e Compensação de Tributos Federais — Per / Dcomp, conforme se verifica às fls. 01 a 07. O crédito em questão é o saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ/03, relativa ao anocalendário de 2002 (apuração anual). A autoridade competente a apreciar a Per/Dcomp exarou o Despacho Decisório de fis. 77 a 80, não homologandoa, porque o referido saldo negativo espelhado na DIPJ/02, composto pelos supostos recolhimentos das estimativas mensais no ano, não restou confirmado como existente. Assim constatou aquela autoridade, da análise das DCTE — fls. 29/39: as estimativas mensais devidas à titulo de IRPJ, relativas aos meses de janeiro, fevereiro, março e abrilparcial estão vinculadas a outra Dcomp, relativa ao saldo negativo de 1RPJ, ano 2001, (processo n" 11020.000426/200564), cuja compensação não foi homologada, não podendo compor o saldo negativo do ano de 2002; o valor remanescente da estimativa IRPJ relativa ao mês de abril está vinculado a processo judicial (2000..04.01.0810330) a estimativa 1RPJ de maio está paga; as demais (jun/jul/ago/set/out/nov/dez) foram vinculadas a outro processo judicial (87.0000544 4); estas compensações em DCTF, formalizadas no processo administrativo nu 11020.000037/200377, não podiam ter sido realizadas, pois o crédito estava sub judies.; os débitos (das estimativas) foram objeto de autuação fiscal formalizada no processo administrativo n° 11020.0030791200360, estando suspenso por Fl. 228DF CARF MF Processo nº 13656.900453/201217 Acórdão n.º 9101004.038 CSRFT1 Fl. 227 5 medida judicial; os valores não podem compor o saldo negativo do 1RPJ, 2002. (grifamos) Diante desse contexto, decidiu a Turma prolatora deste acórdão paradigma (180100.108): Falta à contribuinte, no caso em tela, para ver seu direito atendido, condição sitie qua non para exercêlo. Necessariamente deveria ter aguardado a decisão definitiva dos processos administrativos nºs 11020.000037/200377 e 11020.000426/200564 para requerer qualquer medida de direito em relação aos créditos objetos destes processos. A meu ver, muito menos poderia ter informado em DCTF que os valores devidos a título de IRPJ estimados foram quitados com compensações ainda não homologadas. (...) E quanto à sorte dos demais processos administrativos, não importa para se dirimir a lide aqui proposta. Tendo resultado favorável à contribuinte, nas Dcomp não homologadas que refletem neste processo, poderá, após o reconhecimento administrativo, requerer a restituição dos créditos oportunamente ou compensálos com débitos vincendos. Sendo lhe desfavorável, não haverá prejuízo ao fisco no sentido de 'restituir' o que não foi pago, com seqüencial compensação incabível. Lembro que nos presentes autos tratamos de apresentação de PERDCOMP em 10/08/2011, na qual identificado crédito do contribuinte de saldo negativo de IRPJ do ano de 2010. Diante disso, decidiu o Colegiado a quo, conforme voto condutor: Constam das instruções para preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica, relativa ao anocalendário de 2010, exercício de 2011 (DIPJ 2011), devidamente aprovadas pela Instrução Normativa RFB nº 1.149, de 28 de abril de 2011, a seguinte orientação (destaque da transcrição): Linha 12A/16 () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa Esta linha deve ser preenchida somente pelas pessoas jurídicas que apuraram o lucro real anual. Somente podem ser deduzidos na apuração do ajuste anual os valores de estimativa efetivamente pagos relativos ao ano calendário objeto da declaração. Considerase efetivamente pago por estimativa o crédito tributário extinto por meio de: dedução do imposto de renda retido ou pago sobre as receitas que integram a base de cálculo, compensação solicitada por meio da Declaração de Compensação (PER/DComp) ou de processo administrativo, compensação autorizada por medida judicial e valores pagos mediante Darf. Fl. 229DF CARF MF 6 Referida orientação normativa foi reiterada por meio de Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 18, de 13 de outubro de 2006, assim ementada: Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp, e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ. (grifos originais) Notase que não há similitude fática e divergência na interpretação da lei tributária entre acórdão paradigma e recorrido. Com efeito, o acórdão paradigma nº 180100.108 trata de pedido de compensação apresentado com crédito originado por saldo negativo de 2001, tendo o contribuinte apresentado compensação das estimativas mensais de IRPJ. Nesse sentido, justificase o entendimento da Turma pela impossibilidade de reconhecimento do saldo negativo sem a homologação destas compensações. A distinção é evidente quando verificadas as alterações legislativas tratando da compensação na esfera federal, notadamente pela Medida Provisória nº 135/2003, convertida na Lei nº 10.833/2003. Essa distinção, inclusive, é notada na fundamentação do acórdão recorrido, acima reproduzida A Lei nº 9.430/1996 rege a compensação no âmbito da Receita Federal do Brasil, destacandose a previsão do artigo 74, com a seguinte redação em 2001, quando apresentado pedido de compensação analisado pelo acórdão paradigma (180100.108): Art. 74. Observado o disposto no artigo anterior, a Secretaria da Receita Federal, atendendo a requerimento do contribuinte, poderá autorizar a utilização de créditos a serem a ele restituídos ou ressarcidos para a quitação de quaisquer tributos e contribuições sob sua administração. Posteriormente, houve substancial alteração deste dispositivo legal, notadamente para se atribuir o efeito de confissão de dívida às Perdcomps conforme Lei nº 10.833/2003, fruto da conversão da Medida Provisória nº 135/2003, verbis: Art. 74. (...) § 6º A declaração de compensação constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados. A distinção de tratamento de compensações (em 2001, para composição do saldo negativo pelo paradigma, e 2010, pelo recorrido) tem razão jurídica diante dos distintos regramentos, tratados pela legislação federal. O acórdão paradigma desconsidera compensações em 2001 quando o regramento não atribuía efeitos de confissão de dívida relativamente às estimativas extintas por compensação , enquanto o acórdão recorrido manifestase pela confissão de dívida em 2010 e, assim, admite as estimativas no cômputo do crédito tributário (saldo negativo). O regramento é distinto e justifica a conclusão jurídica diversa adotada pelos Colegiados. Assim, concluo por não conhecer do recurso especial da Procuradoria quando acórdão paradigma 180100.108. Fl. 230DF CARF MF Processo nº 13656.900453/201217 Acórdão n.º 9101004.038 CSRFT1 Fl. 228 7 Passo à análise do segundo acórdão identificado como paradigma (nº 3301 002.191), que tem a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 20/11/2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). CRÉDITO FINANCEIRO INDEFERIDO EM OUTRO PROCESSO. HOMOLOGAÇÃO. VEDAÇÃO. A homologação de Dcomp está condicionada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. A compensação de crédito financeiro, em discussão administrativa, em outro processo, somente é possível depois da decisão definitiva sobre a certeza e liquidez do crédito financeiro naquele processo. O relatório do segundo acórdão paradigma (3301002.191) descreve os fatos então julgados: Tratase de recurso voluntário contra decisão da DRJ em Belo Horizonte (MG) que julgou improcedente manifestação de inconformidade apresentada contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito tributário declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) nº 25028.71510.121108.1.3.049526, às fls. 44/48, transmitida na data de 12/11/2008, com crédito financeiro decorrente de pagamento indevido e/ ou a maior do PIS não cumulativo, efetuado em 15/07/2005. A não homologação decorreu da inexistência do crédito financeiro declarado, tendo em vista que o valor constante do DARF indicado foi integralmente utilizado para quitação de outros débitos, não restando saldo disponível para a compensação declarada, conforme Despacho Decisório às fls. 41, datado de 06/09/2010. (...) Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (106/124), requerendo a sua reforma a fim de se homologue a compensação do débito declarado, alegando, em síntese, que o crédito financeiro declarado decorre da indevida incidência de multa de mora, por parte da autoridade administrativa, na homologação parcial da compensação declarada na Dcomp 08853.38461.031007.1.7.041718, uma vez que não há que se falar em multa moratória naquela compensação, tendo em vista a ocorrência da denúncia espontânea, nos termos do art. 138 do CTN, pelo fato de ter retificado a respectiva DCTF e o valor da diferença apurada, compensado, mediante a transmissão de Dcomp, antes de qualquer procedimento fiscalizatório. Diante deste quadro fático, decidiu a Turma prolatora do segundo acórdão paradigma (3301002.191): Fl. 231DF CARF MF 8 A não homologação da Dcomp teve como fundamento a inexistência do crédito financeiro declarado. Segundo o despacho decisório, o valor indicado no DARF foi integralmente utilizado para quitar débito do próprio PIS (6912) referente à competência de junho de 2005 e débito declarado na Dcomp nº 08853.38461.031007.1.7.041718. A recorrente alega que o crédito financeiro decorre da cobrança indevida de multa de mora sobre os débitos cuja compensação foi homologada, em parte, naquela Dcomp, acrescidos de multa de mora. Ora, a referida Dcomp foi objeto do processo administrativo nº 10680.724380/201001 que foi analisada e homologada, em parte, remanescendo um saldo devedor, no valor de R$42.513,69. Inconformada com o despacho decisório, a recorrente apresentou manifestação de inconformidade que foi julgada improcedente pela DRJ. Contra a decisão da DRJ, interpôs recurso voluntário que já foi analisado e julgado por esta Primeira Turma Ordinária, cujos membros, por maioria de votos, lhe negaram provimento, nos termos do acórdão nº 3301002.002, datado de 21/08/2013. Também, contra este acórdão, interpôs recurso especial de divergência que se encontra pendente de julgamento neste CARF. A homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado. No presente caso, conforme demonstrado, o crédito financeiro declarado na Dcomp, em discussão, foi objeto do processo administrativo nº 10680.724380/201001, com decisão, em segunda instância, desfavorável à recorrente. Embora, em outros processos deste mesmo contribuinte, por força do disposto no art. 62A do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF), c/c a decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) no REsp nº 1.149.022, eu tenha reconhecido a ocorrência da denúncia espontânea, em casos semelhantes, para afastar a exigência da multa de mora sobre débitos compensados, mediante Dcomp transmitida em data anterior à da transmissão da DCTF retificadora, no presente caso, não há como aplicar tal decisão a débitos, objetos de outra Dcomp, cujo processo já foi julgado, em segunda instância, com decisão desfavorável à recorrente. No caso, de a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) deste Conselho, a quem compete o julgamento do recurso especial de divergência interposto pela recorrente, lhe der provimento, será complementada a homologação da Dcomp e, se apurado saldo credor disponível, poderá ser repetido/compensado, mediante a transmissão de novo Per/Dcomp. Assim, inexiste amparo legal para se homologar a Dcomp em discussão O acórdão paradigma (3301002.191), portanto, trata de compensação que foi objeto de contencioso administrativo, no processo nº 10680.724380/201001. Como não está claro no acórdão acima se a compensação foi apresentada após a vigência da Lei nº Fl. 232DF CARF MF Processo nº 13656.900453/201217 Acórdão n.º 9101004.038 CSRFT1 Fl. 229 9 10/833, consultei o acórdão no processo 10680.724380/201001 (3301002.002), mencionado pelo acórdão paradigma e disponível no site do CARF. Extraise do acórdão 3301002.002: A homologação parcial foi motivada pela insuficiência do crédito utilizado para compensar integralmente os débitos informados. O crédito utilizado se refere a pagamento indevido ou a maior de PIS, código de receita 6912. A contribuinte declarou que pretende compensar referido crédito com débitos de débitos de PIS, código de receita 8109, relativos aos meses de dezembro de 2005 a fevereiro de 2006 Percebese, assim, que a compensação referida pelo segundo paradigma foi efetuada em 2006, portanto, quando vigente a Lei nº 10.833/2003, fruto da conversão da Medida Provisória nº 135/2003. Portanto, entendo similares acórdão recorrido e paradigma nº 3301002.002, eis que ambos tratam de reconhecimento de crédito em decorrência de compensação apresentada sob a vigente Lei nº 10.833/2003, concluindo de forma distinta. Enquanto o acórdão recorrido reconhece saldo negativo, diante da compensação de estimativas com efeito de confissão de dívida, o acórdão paradigma entende que “A homologação da Dcomp, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro utilizado” e, portanto, dependeria do resultado no processo administrativo que analisasse tal declaração de compensação. Neste panorama, entendo pelo conhecimento do recurso especial da Procuradoria, reconhecendo a existência de divergência na interpretação da lei tributária quanto ao segundo paradigma (3301002.002). Passo ao exame do mérito. Ressalto que o saldo negativo de 2010 pleiteado pelo contribuinte é discutido no Processo Administrativo nº 19991.000084/201155, nos quais se analisam estimativas compensadas daquele período. Este processo encontrase pendente de sorteio no CARF, segundo informações do sítio deste Conselho (https://carf.fazenda.gov.br/sincon/public/pages/ConsultarInformacoesProcessuais/exibirProc esso.jsf), para julgamento de recurso voluntário. Assim, não há decisão definitiva favorável ao contribuinte. A despeito da ausência de decisão definitiva favorável ao contribuinte no processo que discute a compensação de estimativa mensal que originou o saldo negativo, esta compõe o saldo, notadamente por constituir confissão de dívida. Nesse sentido, decidiu esta Turma em precedentes (v.g. acórdão 9101002.489). Recentemente, a maioria deste Colegiado reiterou o entendimento, conforme acórdão 9101003.891, do qual se transcreve a ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 Fl. 233DF CARF MF 10 GLOSA DE CRÉDITO. SALDO NEGATIVO DE CSLL. COMPENSAÇÕES DE ESTIMATIVAS NÃO HOMOLOGADAS. IMPROCEDÊNCIA. A compensação regularmente declarada, tem o efeito de extinguir o crédito tributário, equivalendo ao pagamento para todos os fins, inclusive, para fins de composição de saldo negativo. Na hipótese de não homologação da compensação que compõe o saldo negativo, a Fazenda poderá exigir o débito compensado pelas vias ordinárias, através de Execução Fiscal. A glosa do saldo negativo utilizado pela Contribuinte acarreta cobrança em duplicidade do mesmo débito, tendo em vista que, de um lado terá prosseguimento a cobrança do débito decorrente da estimativa de IRPJ não homologada, e, de outro, haverá a redução do saldo negativo gerando outro débito com a mesma origem. Colacionase trecho do preciso voto vencedor, elaborado pelo Conselheiro Luis Fabiano Alves Penteado, no acórdão 9101003.891: Ora, temos aqui uma situação gravosa sendo imposta à Recorrente. Isso porque, temos, de um lado, a não homologação das compensações efetuadas para fins de liquidação dos débitos de estimativa que passaram a compor o saldo negativo do anobase e, de outro, o presente processo, por meio do qual a Fiscalização, DRJ e Turma Ordinária deste Conselho entendem que a estimativas em discussão não devem compor o saldo negativo utilizado pelo Recorrente, reduzindo o crédito utilizado, fazendo remanescer um débito em aberto. Assim, caso entendêssemos no presente processo que tais estimativas, extintas por compensações (em discussão administrativa) devem ser desconsideradas para fins de composição do saldo negativo do respectivo período e, nos demais processos, a Recorrente venha a ter uma decisão desfavorável, teríamos uma cobrança em duplicidade dos respectivos valores. Isso porque, a Recorrente seria chamada a pagar as estimativas indevidamente compensadas, com os devidos acréscimos legais ao mesmo tempo em que seria obrigada também, a pagar os débitos liquidados através do aproveitamento do saldo negativo do período. A não homologação das compensações vinculadas às estimativas de IRPJ e CSLL tem determinado, em efeito cascata, o não reconhecimento dos saldos negativos apurados ao final do exercício, o que vem causando um verdadeiro imbróglio processual. O § 2° do art. 74 da Lei n. 9.430/96, com redação dada pela Lei 10.637/02, assim dispõe: “§ 2°A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação.” O texto legal é claro no sentido de prever que a compensação é forma de extinção do crédito tributário, como, aliás, não poderia deixar de ser, em face do art. 156 do CTN. Fl. 234DF CARF MF Processo nº 13656.900453/201217 Acórdão n.º 9101004.038 CSRFT1 Fl. 230 11 Desta forma, assim como ocorre no caso de pagamento antecipado dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, a compensação validamente realizada (aquela que cumpre as formalidades legais) extingue o crédito tributário para todos os fins, a despeito de o Fisco poder desconsiderála no futuro. (...) A própria RFB, através da Coordenadoria de Tributos sobre a Renda, Patrimônio e Operações Financeiras (Cosit), editou a Solução de Consulta Interna nº 18/06, a qual determina que na hipótese de não homologação de Declaração de Compensação (DCOMP) relacionada a débito de estimativa mensal, o fato de tal compensação encontrarse em discussão administrativa ainda não julgada definitivamente não macula o crédito relativo ao saldo negativo apurado ao final do período base relativo a tal estimativa, conforme assim trecho destacado da ementa: “Os débitos de estimativas declaradas em DCTF devem ser utilizados para fins de cálculo e cobrança de multa isolada pela falta de pagamento e não devem ser encaminhadas para inscrição em Dívida Ativa da União; Na hipótese de falta de pagamento ou de compensação considerada não declarada, os valores dessas estimativas devem ser glosados quando da apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado em DIPJ, devendo ser exigida eventual diferença do IRPJ ou da CSLL a pagar mediante lançamento de ofício, cabendo a aplicação de multa isolada pela falta de pagamento de estimativa. Na hipótese de compensação não homologada, os débitos serão cobrados com base em Dcomp e, por conseguinte, não cabe a glosa dessas estimativas na apuração do imposto a pagar ou do saldo negativo apurado na DIPJ.” (grifos nossos) Essa posição adotada pela Receita Federal corrobora o entendimento do Poder Judiciário sobre a manutenção do status de "extinção" dos débitos compensados até o julgamento definitivo do respectivo processo administrativo fiscal, nos termos dos parágrafos 2º, 9º, 10º e 11º do artigo 74 da Lei nº 9.430, de 1996. (...) Além disso, não podemos esquecer que, na hipótese de despacho decisório que não homologa a compensação efetuada pelo contribuinte, temse a possibilidade de impugnação dessa decisão, o que dá início ao contencioso administrativo. Neste sentido, o art. 74 da Lei 9.430/96 prevê o direito do contribuinte de interpor, no prazo de 30 dias, manifestação de inconformidade contra o despacho decisório que deixou de homologar a compensação. Caso o despacho decisório seja mantido pelo órgão julgador de primeira instância, existe, ainda, a possibilidade de interposição de Recurso Voluntário ao CARF e, posteriormente, ao CSRF (quando houver cabimento). E, conforme disposto nos §§ 7º a 10º do art. 74 da Lei 9.430/96, os recursos apresentados contra despacho decisório que não Fl. 235DF CARF MF 12 homologa a compensação têm efeito suspensivo quanto à cobrança do débito compensado, nos termos do art. 151, III, do CTN. Assim, uma vez quitadas as estimativas em decorrência de procedimentos compensatórios, não há outra solução senão o cômputo para fins de apuração do saldo negativo do IRPJ/CSLL, sem prejuízo de cobrança com acréscimos legais do crédito pleiteado no PER/DCOMP, na hipótese de ausência de homologação. (...) É certo, portanto, que não cabe a glosa do crédito referente à saldo negativo de CSLL baseada simplesmente na não homologação das compensações das estimativas do período, tendo em vista que eventual ausência de homologação de tais compensações em definitivo tem o condão de gerar a cobrança do valor indevidamente compensado em processo próprio, sem risco de dupla penalização do contribuinte. Adoto as razões dos acórdãos acima referidos, para negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. Conclusão: Assim, voto por conhecer e negar provimento ao recurso especial da Procuradoria. (assinado digitalmente) Cristiane Silva Costa Fl. 236DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.906793/2009-45
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Aug 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1201-000.597
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/2009-09, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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M. CONSTRUÇÕES E PLANEJAMENTOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº 10380.900409/200909, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .9 06 79 3/ 20 09 -4 5 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10380.906793/200945 Resolução nº 1201000.597 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório O contribuinte interpôs seu tempestivo Recurso Voluntário, considerando que acórdão, proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, ratificou o despacho decisório, não homologando a Declaração de Compensação (DCOMP) pela inexistência do crédito de pagamento indevido ou a maior. De acordo com referido despacho decisório, "diante da inexistência de crédito, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada".. Entretanto, o contribuinte afirma no seu recurso que existia crédito compensável, como indicado na PER/DCOMP, porém, não foi homologado pela ausência de retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), inerente ao 1º semestre de 2005. Em 28/05/2009, o contribuinte retificou a mencionada Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), por fim, requerendo o provimento do Recurso Voluntário para homologar a pretendida compensação. É o relatório. Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa, Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.583, de 17/08/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10380.900409/2009 09, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.583): "Inicialmente, quando da sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou uma cópia da DCTF, versão retificadora, pertinente ao 2º trimestre de 2000, presumindo que era suficiente para homologação da sua Declaração de Compensação (DCOMP). No entanto, o acórdão recorrido concluiu pela inexistência do direito de crédito, vez que "caberia ao contribuinte não só a juntada da DCTF retificadora, mas também dos elementos de prova (cópias de livros e documentos) capazes de demonstrar o erro supostamente cometido na DCTF original, que embasou o despacho decisório em referência." O artigo 170 do Código Tributário Nacional preceitua que "A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10380.906793/200945 Resolução nº 1201000.597 S1C2T1 Fl. 4 3 e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública". Portanto, imprescindível a certeza e a liquidez do crédito compensável, facultando ao contribuinte que impugne a não homologação formalizada através de despacho decisório, instruindo sua manifestação com as provas em contrário, garantindo, assim, o exercício pleno do contraditório e da ampla defesa. O processo administrativo tributário é regido por normas específicas, principalmente, o Decreto nº 70.235/1972, a Lei nº 9.430/1996 e o Decreto nº 7.574/2011, orientado pelos princípios que norteiam a Administração Pública, incluindo a moralidade, eficiência e impessoalidade. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não demonstrou o pagamento a maior do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), mediante a idônea escrituração contábil e fiscal, motivando, assim, a retificação da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Ressalvase que a "escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza.", conforme o artigo 923 do Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR), instituído pelo Decreto nº 3.000/1999. O ônus do contribuinte era que demonstrasse seu indébito, mediante a escrituração fiscal e contábil, justificando a redução do valor devido e pelo próprio declarado. Posteriormente, quando da interposição do Recurso Voluntário, o contribuinte esclareceu a origem do seu crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e anexou documentos que comprovariam sua pretensão. A prova documental instruirá a impugnação "precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual", consoante o artigo 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972, exceto (I) demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (II) refirase a fato ou a direito superveniente e; (III) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10380.906793/200945 Resolução nº 1201000.597 S1C2T1 Fl. 5 4 endereço e a qualificação profissional do seu perito.(Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição.(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) O erro da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), retificado após o despacho decisório, não é determinante para o indeferimento da Declaração de Compensação (DCOMP), prevalecendo a verdade material, como se extrai do Parecer Normativo da CoordenaçãoGeral de Tributação (COSIT) nº 02/2015: "Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10380.906793/200945 Resolução nº 1201000.597 S1C2T1 Fl. 6 5 indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996." Entendo que é indispensável a conversão do presente julgamento em diligência, com fundamento no artigo 29 do Decreto nº 70.235/1972, visto que demanda uma análise sobre se os documentos, Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10380.906793/200945 Resolução nº 1201000.597 S1C2T1 Fl. 7 6 anexados ao Recurso Voluntário, constituem a necessária prova de certeza e de liquidez do crédito. Isto posto, voto pela conversão do julgamento em diligência, solicitando o retorno dos autos à unidade de origem, a fim de que emita um relatório sobre as informações e os documentos anexados ao Recurso Voluntário, por fim, opinando pela existência do crédito de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), oriundo do pagamento a maior, argumentado pelo Recorrente. Finalizada esta diligência, ressalvo a necessidade de promover a ciência do contribuinte sobre o "Relatório Conclusivo", fixando o prazo de 30 (trinta) dias para sua manifestação, antes do retorno dos autos para novo julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF)." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 156DF CARF MF
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Numero do processo: 11020.905924/2008-48
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL - COFINS.
ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA.
A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.158-35, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, conclui-se que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.
COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE.
Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido.
Numero da decisão: 3001-000.629
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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PER/DCOMP. COMPENSAÇÃO. Recorrente SAVIPLAST INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS. COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 24 /2 00 8- 48 Fl. 82DF CARF MF 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório Por bem resumir os fatos descritos nos autos, adoto, por transcrição, o sucinto relatório que lastreou a r. decisão recorrida, verbis. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRFB jurisdicionante relativo à COntribl1Íçã0 para O PIS/P2lSep, em virtude de exame de declaração de compensação no qual Foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiênciade créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando em sede de preliminar sua nulidade. No mérito, alega que ao fazer levantamento de importâncias pagas a título de Pis e Cofins, conforme disposição Lei 9.718/98, da constatou valores pagos a maior, conforme seu entendimento e documentos que teriam sido apresentados no presente processo. Contesta 0 conceito de receita bruta e a tributação sobre a totalidade das receitas, instituído pela lei acima referida. Afirma que houve tributação indevida sobre valores repassados a terceiros, que deveriam ter sido excluídos da base tributável com base no disposto no art. 30, §2, inciso III, da Lei 9.718/1998, o que teria gerado indébitos compensáveis. Também é alegado que houve burla à lei pela falta de regulamentação do dispositivo retrocitado, o que geraria majoração indevida do tributo. A decisão recorrida desacolheu a manifestação de inconformidade da empresa alegando que a pretensão da impugnante de excluir da base de cálculo da contribuição valores que alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11020.905924/200848 Acórdão n.º 3001000.629 S3C0T1 Fl. 3 3 produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Regularmente cientificada do teor do recorrido, ingressou o contribuinte com Recurso Voluntário, reiterando suas razões impugnatórias constantes da Manifestação de Inconformidade, e alegando mais que a decisão recorrida foi proferida com ausência de fundamentação; desvio de finalidade; com prejuízo ao contraditório administrativo, à ampla defesa e ao devido processo legal; e sustentando que o crédito é passível de compensação; a legalidade da sua pretensão com fulcro nos incisos do § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.718/1993; a compensabilidade dos créditos reconhecidos; a inaplicabilidade de norma inconstitucional ou ilegal por parte da administração tributária, e concluiu, verbis. Pelo exposto, requer a Recorrente seja provido o presente recurso a fim de que seja homologada a compensação declarada, reconhecendose a relevância dos fundamentos de fato e de direito ora encaminhados ao seu elevado crivo, com a conseqüente refonna do Acórdão DRJ/POA n° 1018.477, de 27 de fevereiro de 2009.. É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. O contribuinte foi regularmente cientificada do teor do Acórdão recorrido e ingressou com Recurso Voluntário tempestivo através de procurador habilitado e preenchido os demais pressupostos legais, pelo que dele tomo conhecimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3001000.624, de 13.12.2018, de minha relatoria, proferido no julgamento do processo 11080.905942/2008 20, da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Nos termos regimentais, transcrevese aqui os argumentos que fundamentaram mencionado Acórdão que negou provimento ao apelo da parte. Data venia do hercúleo esforço do ilustre advogado da recorrente, entendo que não se sustentam juridicamente as preliminares sustentadas em sede recursal. Com efeito, embora sucinta, a decisão guerreada fundamentou de forma consistente e segura os argumentos que lastrearam sua decisão. Logo, não há falar em falta de fundamentação e/ou desvio de finalidade, tendo em vista que a jurisprudência dos Tribunais Superiores, deste Conselho e da própria Câmara Superior de Recursos Fiscais é firmes e reiterada quanto ao acerto da decisão recorrida. Ademais, incumbe a parte Fl. 84DF CARF MF 4 comprovar a existência do crédito, com liquidez e certeza, e todas as oportunidades foram oferecidas à empresa para tal demonstração. Todavia, a pretensão do recorrente esbarra na ilegalidade de sua pretensão, haja vista que o benefício que daria azo ao crédito pretendido dependia de regulamentação pelo Poder Executivo, o que nunca aconteceu. Tanto isto é verdade que foi editado o Ato Declaratório SRF nº 56/2000 disciplinando a inaplicabilidade do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei nº 9.718/1993; e, posteriormente, foi editada a Medida Provisória nº 2.15835/2001, revogado o alegado benefício fiscal. Consequentemente, rejeito as preliminares suscitadas em sede de Recurso Voluntário. Nos aspectos de mérito, melhor sorte não socorre ao recorrente. Senão, vejamos. Como relatado, a discussão gira em torno de se aceitar (ou não) a exclusão da base de cálculo da contribuição dos valores que a empresa alega terem sido repassados a terceiros, por entender que a regra insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, teve a sua eficácia condicionada à regulamentação por parte do Poder Executivo, fato que nunca ocorreu até o advento de sua revogação por força do inciso IV, art. 47, da Medida Provisória nº 1.99119/2000. Argumentou a autoridade recorrida, em defesa do seu entendimento, expressa disposição do Ato Declaratório SRF 56/2000, segundo o qual "não produz eficácia, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS, no período de 1 ° de fevereiro de 1999 a 9 de junho de 2000, eventual exclusão da receita bruta que tenha sido feita a título de valores que, computados como receita, hajam sido transferidos para outra pessoa jurídica". Essa matéria, todavia, já é bem conhecida desse colegiado, inclusive dessa Turma Extraordinária que, através do Acórdão nº 3001000.409, de minha relatoria, proferido durante a sessão de 10 de julho próximo passado, consolidou a jurisprudência do CARF no sentido de que, por falta de regulamentação do Poder Executivo, não gerou eficácia aos contribuintes o benefício previsto no inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.718/1998, cujo voto transcrevo a seguir como fundamentos de decidir nestes autos, verbis. 'Como relatado, cuida o presente processo de pedido de compensação, no valor de R$ 6.755,07, mais devidas correções, pela não aplicação do art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.715/98. Demandase, assim, a autoexecutoriedade do artigo em comento e a compensação dos recolhimentos a maior do PIS e COFINS entre fevereiro de 1999 e agosto de 2000. Ambas as decisões recorridas (Despacho Decisório e Acórdão da DRJ/POA) entenderam pelo indeferimento total do pleito do requerente por considerar não ser autoaplicável o benefício constante do inciso III, § 2º, art. 3º, da Lei 9.715/1998, em virtude da expressão “observadas normas regulamentadoras expedidas pelo Poder Executivo”, normas estas que nunca foram editadas, como expressamente reconhecido pelo Ato Declaratório 56/2000 e pela Instrução Normativa SRF 006/2000, Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11020.905924/200848 Acórdão n.º 3001000.629 S3C0T1 Fl. 4 5 atos baixados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil. Argumentouse mais, no v. Acórdão recorrido, que a documentação apresentada pelo contribuinte fora insuficiente para a comprovação dos pagamentos alegadamente efetuados pela impugnante, ora recorrente, e que a pretensão encontra óbice também nas disposições da IN/SRF nº 006/2000. ' Ao contrário do trazido pela parte tanto na manifestação de inconformidade quanto no recurso voluntário, não se trata da discussão do decreto ser norma secundária, não podendo, pois, regular o dispositivo em comento. De fato, a discussão sobre a aplicação ou não de algo literalmente previsto no dispositivo legal primário, como o art. 3º, § 2º, inciso III, da Lei 9.718/98, diz respeito à constitucionalidade ou não de tal previsão legal, o que não compete à seara administrativa. Para tanto, resta consolidado na Súmula nº 2 do CARF, determinando que o Colegiado “não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Além disso, especificamente sobre o dispositivo em questão, o Ato Declaratório SRF nº 56/2000, apresenta os mesmos fundamentos, no sentido de que o dispositivo não seria autoexecutório, in verbis: 'O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso de suas atribuções, e considerando ser a regulamentação, pelo Poder Executivo, do disposto no inciso III do §2º do art. 3º da Lei n. 9.718/1998, condição resolutória para sua eficácia (...).' Nesse diapasão, mister é reproduzir trecho do acórdão produzido pela 2ª Turma da DRJ em Porto Alegre de nº 10 14.542, na página 33 do processo em questão, que ratifica esse escorreito posicionamento: 'Irrelevante, para esse caso, a premissa de que o regulamento não pode alterar o conteúdo da lei, haja vista que, tratandose de dispositivo normativo que não tinha o atributo da auto executoriedade (sic), obviamente, enquanto não expedido o ato regulamentador, embora vigente, não produza efeitos. De fato, foi o dispositivo expressamente revogado pelo inciso IV do art. 47 da Medida Provisória nº 1.88118/2000, sem que houvesse sido regulamentado, não tendo, assim, produzido efeitos no curso de sua vigência. O recorrente trouxe diversas jurisprudências vanguardistas do TRF4 no sentido de não precisar de norma regulamentadora, como o REAgR 378191/RJ, a AP em MS – 74550, proc. 200071070075522, UF: RS e ACAP – 480218, proc. 200170000022294, UF:PR, contidos nas folhas 5153. Contudo, tais jurisprudências não são de Tribunais Superiores e não autorizam a instância administrativa se manifestar sobre questões constitucionais, conforme previsto no Decreto Nº 2.346/1997, porquanto não há uma interpretação inequívoca e definitiva do texto constitucional. Dessarte, conforme o próprio requerente reconhece em seu Recurso (fsl. 50), não há consenso sobre a questão da norma em comento ser autoaplicável ou não. Fl. 86DF CARF MF 6 Por conseguinte, em face de todo o exposto, uma vez não reconhecido o direito do impetrante de recolher os PIS e COFINS nos moldes previstos no art. 3º, §2º, III da Lei 9718/98, conforme sustentado no apelo em julgamento (fls. 55), não há que se falar, também, em direito de efetuar a compensação do montante recolhido indevidamente, com parcelas vincendas dos próprios tributos na forma do art. 66 da Lei 8.383/91, como também sustentado pelo contribuinte em seu apelo, via pedido alternativo (fls. 55/65), partindo da alegada condição (fls. 55), de que a primeira parte do pedido seria provido, fato que não se confirma no caso concreto em exame.' Ademais, a matéria já foi objeto de debate e julgamento pela 1ª Turma Ordinária, da 3ª Câmara deste Colegiado que, em sessão de 25 de maio de 2017, proferiu o Acórdão nº 3301.003.671, por unanimidade de votos, afastando a tese da autoaplicabilidade da norma insculpida no inciso III, § 2º, art. 3º, da citada Lei 9.715/1998 (Proc. 11065.910359/200903), pelos fundamentos sintetizados na seguinte ementa, verbis. 'EMENTA. CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SERURIDADE SOCIAL COFINS. Período de apuração: 01/09/2001 a 30/09/2001. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.715/98. EXCLUSÕES DA BASE DE CÁLCULO. AUSÊNCIA DE EFICÁCIA. A norma do art. 3º, § 2º, III, da Lei nº 9.715/98 (exclusão do faturamento dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico, já que dependia de regulamentação e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogada pela Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Logo, se estava condicionada à edição de normas regulamentares a serem expedidas pelo Executivo, concluise que, embora vigente, não teve eficácia jurídica, já que não editado o decreto regulamentador (ausência do atributo da autoexecutoriedade). Por consequência, integram a base de cálculo da COFINS os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica, ou seja, as transferências a terceiros decorrentes das operações de venda de mercadoria e/ou serviços. Da mesma forma, a análise do devido alcance dos termos do dispositivo não permite a exclusão do ICMS e demais impostos indiretos da base de cálculo da COFINS.' 'COMPENSAÇÃO. COMPROVAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO. OBRIGATORIEDADE. Para fazer jus à compensação pleiteada, o contribuinte deve comprovar a existência do crédito reclamado à Secretaria da receita Federal do Brasil, sob pena de restar seu pedido indeferido. Desta forma, voto no sentido de tomar conhecimento para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário." Diante do exposto, e coerente com o meu entendimento esposado quando do julgamento do Processo 11080.905912/200813, Fl. 87DF CARF MF Processo nº 11020.905924/200848 Acórdão n.º 3001000.629 S3C0T1 Fl. 5 7 tendo como recorrente a empresa Trefilaço Trefilação de Metais Ltda., que resultou no Acórdão nº 3001000.409, de 10.07.2018, também desta feita VOTO para tomar conhecimento do Recurso Voluntário, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, para negar provimento ao apelo da recorrente. Diante da decisão paradigma proferida nos autos do processo número 11020.905942/200820, em que figura a mesma Recorrente,. da mesma empresa SAVIPLAST INDUSTRIA E COMÉRCIO DE PLÁSTICOS LTDA., conforme Acórdão nº 3001000.624, de 13 de dezembro de 2018, aplicável ao presente processo em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, também nesta oportunidade VOTO no sentido tomar conhecimento do apelo, rejeitar as preliminares e negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. (assinado digitalmente) Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Fl. 88DF CARF MF
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Numero do processo: 16366.720321/2011-86
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/09/2010
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL.
As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003.
REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO.
Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 30/09/2010
REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3201-004.498
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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DIREITO DE CRÉDITOS. Recorrente SEARAIND. E COMÉRCIO DE PRODUTOS AGROPECUÁRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/09/2010 REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS NA AQUISIÇÃO DE MERCADORIAS DE CEREALISTAS. SUSPENSÃO. IMPOSSIBILIDADE DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO INTEGRAL. As aquisições de mercadorias com suspensão, conforme consignam as respectivas notas fiscais, somente podem ser efetuadas com crédito presumido, e não com crédito integral, nos termos dos artigos 8º e 9º da Lei 10.925/2003. REGIME DA NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS SOBRE DISPÊNDIOS VINCULADOS A RECEITAS DE EXPORTAÇÃO DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS COM FIM ESPECÍFICO DE EXPORTAÇÃO. NÃO CABIMENTO. Os dispêndios vinculados às receitas de exportação de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação não geram direito ao crédito da contribuição, por vedação do artigo 6º, §4º, da Lei 10.833/2003. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2010 REVISÃO DE OFÍCIO DE ATO ADMINISTRATIVO PARA HOMOLOGAÇÃO DE RESSARCIMENTO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O artigo 27 da Lei 10.522/2002 não veda a revisão de ofício de ato da autoridade competente para a homologação do pedido de compensação, pois trata de instituto distinto, o Recurso de Ofício. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 03 21 /2 01 1- 86 Fl. 873DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento Eletrônico apresentado pela contribuinte relativo a crédito de PIS NãoCumulativo Exportação. Reproduzo partes do relatório da primeira instância administrativa: Conforme Despacho Decisório Revisor, o direito creditório foi parcialmente reconhecido (...), nos termos da Informação Fiscal, abaixo resumida, nada remanescendo, após as compensações declaradas. A fiscalização relata que a presente Informação Fiscal anula a anterior, com base no art. 53 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999, e mediante autorização para segundo reexame do período, nos termos do art. 906 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 26/03/1999 (RIR/99), em razão de novos fatos apurados relacionados às receitas de exportação de mercadorias recebidas com fim específico de exportação e os créditos vinculados a essas receitas. E que o crédito pleiteado é decorrente de operações com o mercado externo, remanescente às deduções das contribuições a recolher e das compensações com outros tributos administrados pela RFB. Após discorrer sobre a legislação da não cumulatividade, bem como da instrução processual feita com a Dacon, memoriais de apuração dos créditos, rateios e bases de cálculo, demonstrativos, escrituração SPED e notas fiscais de saídas/entradas, diz que a interessada exerce a atividade econômica de Comércio Atacadista de Cereais e Leguminosas Beneficiados, além da Fabricação de Adubos e Fertilizantes (CNAE 20134/00), Comércio Atacadista de Açúcar (CNAE 46371/02), Fabricação de Farinha de Milho e derivados, exceto óleos de milho (CNAE 10643/00), e comércio varejista de combustíveis para veículos automotores (CNAE 47318/00), entre outros, apurando o imposto de renda pelo lucro real. Fl. 874DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 4 3 Acrescenta que a empresa fabrica derivados de milho NCM constantes no capítulo 11 da TIPI e adubos NCM constantes no capítulo 31 da TIPI; e que adquire para revenda: soja NCM 12010090, milho NCM 10059010, açúcar NCM 17011100, defensivos NCM constantes no capítulo 38 da TIPI e sementes NCM 10051000 e NCM 12010010. Esclarece que a empresa aufere receitas sem incidência das contribuições para o Pis e a Cofins (alíquota zero – fertilizantes, defensivos agropecuários, sementes destinadas à semeadura e plantio, e farinha de milho, nos termos da Lei nº 10.925, de 2004). Discorre sobre a legislação atinente às vendas com suspensão de insumos destinados à produção das mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 8 a 12 da NCM, consoante arts. 8º e 9º da Lei nº 10.925, de 2004; IN SRF nº 660, de 2006; e Solução de Consulta SRRF/10ª RF nº 29, de 31/01/2007; bem como sobre a base de cálculo das contribuições e sobre o conceito de insumos (art. 3º, II, Lei nº 10.637/2002 e Lei nº 10.833/2003; IN SRF nº 247, de 21/11/2002). Caracteriza a interessada como empresa comercial exportadora, com base nas operações de exportações realizadas (Dacon, CFOP, Demonstrativo Exportações e arquivos eletrônicos de notas fiscais (SPED/EFD – Saídas Exportação)), dizendo que adquire mercadoria com o fim específico de exportação, cuja aquisição não se sujeita à incidência das contribuições, nos termos das Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003. Informa que o crédito foi apurado mediante rateio proporcional dos custos e despesas entre receitas sujeitas ao regime cumulativo e não cumulativo, cujo critério é igualmente aplicável para a determinação dos custos e despesas vinculados à exportação. Ressalta que só é passível de ressarcimento ou compensação com outros tributos e contribuições o crédito apurado em operações de vendas para o exterior e vendas no mercado interno efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidência das Contribuições, tornandose indispensável apurar a participação percentual dessas receitas em relação à receita bruta total. (...) Dos créditos pleiteados Informa que os créditos pleiteados pela contribuinte em seus Pedidos de Ressarcimento estão explicitados na DACON, MEMORIAL DACON e Demonstrativos de Créditos. Dentre as irregularidades apontadas pela Fiscalização, destacamos as que interessam ao presente julgamento: Fl. 875DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 5 4 a) a contribuinte adquiriu Mercadorias Recebidas com o Fim Específico de Exportação, feita com código CFOP 5117 (Venda de Mercadoria Adquirida ou Recebida de Terceiros, Originada de Encomenda para Entrega Futura cujas “notas mães” indicam que a mercadoria se destina à exportação), com aproveitamento indevido de crédito integral, pois a legislação da regência (art. 6º, § 4º, e art. 15 da Lei nº 10.833/2003), não permite à comercial exportadora a apuração de créditos quando da aquisição de mercadoria com o fim específico de exportação; 2) a contribuinte adquiriu bens com Suspensão com aproveitamento indevido de crédito integral (soja e milho), pois a legislação de regência não permite o aproveitamento de créditos nas aquisições de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento das contribuições. Os valores excluídos estão individualizados nos demonstrativos, com os comprovantes (notas fiscais) juntados, por amostragem, ao processo. Cientificada dos despachos decisórios, revisado e revisor, a interessada apresentou manifestação de inconformidade. Em preliminar, contrapõese à revisão dos Despachos Decisórios, dizendo que encontra vedação legal no art. 27 da Lei nº 10.522/2002, motivo pelo qual é ilegal. A DRJ/Ribeirão Preto, por meio do Acórdão 14063.054, de 28/09/2016, decidiu pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. No Recurso Voluntário, a empresa reitera os argumentos da Manifestação de Inconformidade. Acrescenta que não industrializa soja, e que o acórdão recorrido teria alterado o fundamento do Despacho Decisório, ao incluir nas atividades da recorrente a industrialização de soja, o que a fiscalização não teria feito. Reitera que somente revende soja. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.483, de 28/11/2018, proferido no julgamento do processo 16366.000367/200961, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.483): "O recurso é tempestivo e, nos termos em que relatado, atende aos requisitos de admissibilidade. Preliminar – Vedação de revisão dos despachos decisórios Fl. 876DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 6 5 A recorrente pede a nulidade do Despacho Decisório que reviu, de ofício, o Despacho Decisório anterior, para alterar os valores calculados. A revisão de ofício dos atos administrativos tributários, quando constatado erro, encontra previsão nos artigos 145, III e 149 do CTN: Art. 145. O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de: I impugnação do sujeito passivo; II recurso de ofício; III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no artigo 149. (...) Art. 149. O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos: I quando a lei assim o determine; II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária; III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade; IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória; V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte; VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária; VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação; VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior; IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade especial. Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. A Lei 9.784/99 contém dispositivos que tratam da revogação e revisão dos atos administrativos, nos capítulos XIV eXV. Fl. 877DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 7 6 A revisão de ofício distinguese das decisões no âmbito do PAF – Decreto 70.235/72, pelo menos, quanto à autoridade competente e a finalidade. A primeira tem como autoridade competente a mesma que prolatou o ato revisto, ou sua superior hierárquica, e tem a finalidade de corrigir erro ou omissão no ato revisto. A segunda tem como autoridades competentes os órgãos de julgamento administrativo, com a finalidade de garantir o contraditório, a ampla defesa e a legalidade, no contexto do litígio administrativo fiscal. Tal distinção é expressa no artigo 145 supratranscrito, ao tratar do PAF nos inciso I e II, e da revisão de ofício no inciso III. O artigo 27 da Lei 10.522/20021, conforme expressamente consta em seu caput, trata de Recurso de Ofício, e não de revisão de ofício. Portanto, não revoga o artigo 149 do CTN, isto é, a revisão de ofício tributária, mas apenas limita o Recurso de Ofício, no contexto do PAF, cf. seu artigo 342. . Portanto, não é aplicável ao presente caso. Preliminar – Alteração de critério jurídico O pedido, nesse tópico, é confuso, conforme a seguir se transcreve: “Tendo em vista ao disposto no artigo 146 do CTN o atual entendimento da fiscalização em relação ao tema somente pode ser aplicado para fatos geradores ocorridos posteriormente a abril de 2011 quando a RFB informa ao contribuinte a mudança de critério jurídico que já fora aplicado nos anos de 2004, 2005, 2006 e 2007, inclusive neste processo alvo de revisão o que por si só justifica a procedência da manifestação de inconformidade neste tópico.” Talvez se refira ao tópico que precede o pedido, no Recurso Voluntário, o qual menciona a Solução de Consulta 354/2009. O auditor utiliza tal consulta para concluir: “60. É princípio de direito que a lei não contém palavras inúteis ou supérfluas. Assim, concluise que o §4º do artigo 6º da Lei nº 10.833/2003 tem por objetivo impedir o cálculo de qualquer crédito pelas empresas comerciais exportadoras no que diz respeito às receitas 1 Art. 27. Não cabe recurso de ofício das decisões prolatadas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, em processos relativos a tributos administrados por esse órgão: (Redação dada pela Lei nº 12.788, de 2013) I quando se tratar de pedido de restituição de tributos; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) II quando se tratar de ressarcimento de créditos do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) III quando se tratar de reembolso do saláriofamília e do saláriomaternidade; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) IV quando se tratar de homologação de compensação; (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) V nos casos de redução de penalidade por retroatividade benigna; e (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) VI nas hipóteses em que a decisão estiver fundamentada em decisão proferida em ação direta de inconstitucionalidade, em súmula vinculante proferida pelo Supremo Tribunal Federal e no disposto no § 6o do art. 19. (Incluído pela Lei nº 12.788, de 2013) 2 Art. 34. A autoridade de primeira instância recorrerá de ofício sempre que a decisão: I exonerar o sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa de valor total (lançamento principal e decorrentes) a ser fixado em ato do Ministro de Estado da Fazenda. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) II deixar de aplicar pena de perda de mercadorias ou outros bens cominada à infração denunciada na formalização da exigência. § 1º O recurso será interposto mediante declaração na própria decisão. § 2° Não sendo interposto o recurso, o servidor que verificar o fato representará à autoridade julgadora, por intermédio de seu chefe imediato, no sentido de que seja observada aquela formalidade. Fl. 878DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 8 7 decorrentes de exportação de mercadorias recebidas com fins específicos de exportação e não apenas àquelas já abrangidos pela vedação presente no art. 3º, §2º, II, da mencionada lei” Todavia, a mera referência do auditor à Solução de Consulta, do ano de 2009, não performa alteração de critério jurídico da Receita Federal. A mudança de critério jurídico se caracterizaria se houvesse ato da Receita Federal que alterasse entendimento oficial, presente em ato anterior. Não há demonstração dessa alteração, no caso. Caso a recorrente se refira à alterações na legislação, a preliminar se confunde com o mérito, que analisará as matérias conforme a legislação vigente nas datas dos fatos geradores. Assim, afasto a preliminar. Mérito Créditos sobre dispêndios vinculados a mercadorias adquiridas com fim específico de exportação Conforme relatado, foram glosadas despesas relativas a fretes, armazenagem, energia elétrica, aluguéis e outros dispêndios vinculados a operações com mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. A aquisição da mercadoria com fim específico de exportação não gera direito a crédito, cf. §4º do artigo 6º da Lei 10.833/2003, o que é incontroverso no presente processo. Art. 6o A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: (...) III vendas a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. (...) § 1o Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3o, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (...) § 4o O direito de utilizar o crédito de acordo com o § 1o não beneficia a empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim previsto no inciso III do caput, ficando vedada, nesta hipótese, a apuração de créditos vinculados à receita de exportação. O mesmo aplicase ao Pis, cf. art. 15, III: Art. 15. Aplicase à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa de que trata a Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, o disposto: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 879DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 9 8 (...) III nos §§ 3o e 4o do art. 6o desta Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004)” Todavia, a recorrente sustenta que tais dispositivos vedam apenas o crédito sobre a aquisição da mercadoria em si, e não sobre os demais dispêndios vinculados às operações com tais mercadorias, como fretes, armazenamento, energia elétrica, aluguéis, etc, vinculados a essas exportações de mercadorias adquiridas com fim específico de exportação. Há lógica no entendimento da recorrente, posto que a empresa vendedora somente apurou créditos sobre seus dispêndios logísticos até a venda com fim específico de exportação, e a empresa comercial exportadora tem dispêndios para efetivar a exportação dessas mercadorias adquiridas com fim específico de exportação, dispêndios esses sobre os quais os fornecedores pagam Pis e Cofins – o dono do imóvel de aluguel, a transportadora, etc que não foram aproveitados como geradores de créditos na cadeia anterior. Assim, sob o enfoque da finalidade da Lei, que é desonerar as exportações dos tributos incidentes na cadeia, a pretensão da recorrente encontraria abrigo. Todavia, a Lei é clara ao vedar a pretensão. A expressão legal é que, para as empresas comerciais exportadoras, é vedado o aproveitamento de créditos vinculados à receita de exportação”, o que, evidentemente, abrange os dispêndios tratados, e não somente as mercadorias em si. Com efeito, tais dispêndios são vinculados às receitas de exportação, do mesmo modo que os mesmos dispêndios, no caso da empresa vendedora, são vinculados à receita de exportação e desonerados, conforme §§8º e 9º do artigo 3º, combinados com §3º do artigo 6º: § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. (...) § 3o O disposto nos §§ 1o e 2o aplicase somente aos créditos apurados em relação a custos, despesas e encargos vinculados à receita de exportação, observado o disposto nos §§ 8o e 9o do art. 3o. Isto é, quando a Lei se refere aos dispêndios (custos, despesas e encargos) vinculados à receita de exportação, referese justamente a fretes, armazenamento, aluguéis, energia elétrica, etc, vinculados à receita de exportação, que deveriam ser apurados em apropriação direta ou proporcional. Portanto, a expressão do §3º do artigo 6º da Lei 10.833/2003 é pela vedação dos créditos pretendidos pela recorrente. Fl. 880DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 10 9 Quanto ao art. 17 da Lei 11.033/2004, não prevalece sobre a vedação específica do §4º do art. 6º da Lei 10.833/2003, segundo o consagrado princípio hermenêutico da especificidade. Créditos sobre aquisições de mercadorias vendidas com suspensão A legislação é clara ao vedar o crédito integral sobre aquisições de cerealistas, cf. §4º do artigo 8º da Lei 10.925/2004, na redação então vigente: Art. 8o As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: I cerealista que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar os produtos in natura de origem vegetal, classificados nos códigos 09.01, 10.01 a 10.08, exceto os dos códigos 1006.20 e 1006.30, 12.01 e 18.01, todos da NCM II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; e III pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária. § 2o O direito ao crédito presumido de que tratam o caput e o § 1o deste artigo só se aplica aos bens adquiridos ou recebidos, no mesmo período de apuração, de pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no País, observado o disposto no § 4º do art. 3o das Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003. (...) § 4o É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do § 1o deste artigo o aproveitamento: I do crédito presumido de que trata o caput deste artigo; II de crédito em relação às receitas de vendas efetuadas com suspensão às pessoas jurídicas de que trata o caput deste artigo. Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; Fl. 881DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 11 10 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. § 1o O disposto neste artigo: I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do art. 8o desta Lei. § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. As notas fiscais autuadas continham a expressão “Venda com Suspensão”, conforme orienta a IN 660/2006, art. 2º, §2º: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; http://normas.receita.fazenda.gov.br/sijut2consulta/anexoOutros.action ?idArquivoBinario=0(Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1223, de 23 de dezembro de 2011) b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. A empresa alega que tais aquisições foram feitas para revendas, e não para industrialização, o que descaracterizaria a suspensão da inciDência de Pis e Cofins da operação. Todavia, tal alegação contraria os documentos fiscais. Aduz ainda que não industrializa soja. Decerto que a atividade de mera revenda não caracterizaria a suspensão. Todavia, considerando que a vendedora considerou a venda como passível de suspensão, não tributou a operação com o Pis e a Cofins, o que impede o aproveitamento integral das contribuições. O negócio efetuado foi, conforme o documento fiscal, e portanto, para a vendedora, para que a Fl. 882DF CARF MF Processo nº 16366.720321/201186 Acórdão n.º 3201004.498 S3C2T1 Fl. 12 11 mercadoria fosse industrializada. Não pode a recorrente, depois desse negócio assim acertado, mudar a finalidade da aquisição, para direcionála à revenda, e pretender com isso o crédito integral nas operações. Caso o documento fiscal seja equivocado, cumpre à recorrente produzir prova robusta dessa inconsistência, na ocasião, isto é, que o negócio tenha sido feito com finalidade de revenda. Com efeito, não poderia a operação ter sido acordada como sendo com suspensão, o que significaria o não pagamento de Pis e Cofins na vendedora, para depois a recorrente apropriarse do crédito integral e alegar que não industrializou as mercadorias adquiridas. Em outras palavras, não basta que a recorrente não tenha industrializado a mercadoria, cumpre ainda que a vendedora tivesse ciência disso e tributado a operação. Verifico, pois, que tal prova não foi produzida pela recorrente, que alega ter feito cartas de correção das notas fiscais, porém não as juntou. E, ainda, se tivesse juntado, tais cartas de correção deveriam ser auditadas para aferição de sua tempestividade e efetividade. Sem tais elementos, não há como albergar a pretensão da recorrente. A recorrente alega ainda que o artigo 17 da Lei 11.033/2004 teria derrogado a vedação da apropriação de crédito integral em foco. Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Tal artigo trata do crédito na vendedora, e não na compradora. No caso das operações em foco, a recorrente foi a compradora. Portanto, inaplicável o dispositivo em seu benefício. Portanto, não há direito ao crédito de Pis e Cofins em tais aquisições. Conclusão Pelo exposto, voto por afastar as preliminares, e, no mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado rejeitou as preliminares de nulidade e, no mérito, NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 883DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10909.720677/2015-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2003
FATO SUPERVENIENTE. PORTARIA DE HABILITAÇÃO AO INOVAR-AUTO COM EFICÁCIA RETROATIVA.
Restando comprovada a habilitação da empresa adquirente mediante a publicação de Portaria do Ministério de Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior com eficácia retroativa à época do fato gerador, tem-se o regular cumprimento dos requisitos postos em lei para a fruição dos benefícios fiscais previstos no programa INOVAR-Auto.
Numero da decisão: 3401-005.697
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, no que se refere ao crédito decorrente da não habilitação no regime INOVAR-AUTO, revertida com efeito retroativo em Portaria do MDIC.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente
(assinado digitalmente)
Tiago Guerra Machado - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente)
Nome do relator: TIAGO GUERRA MACHADO
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PORTARIA DE HABILITAÇÃO AO INOVARAUTO COM EFICÁCIA RETROATIVA. Restando comprovada a habilitação da empresa adquirente mediante a publicação de Portaria do Ministério de Desenvolvimento, Industria e Comércio Exterior com eficácia retroativa à época do fato gerador, temse o regular cumprimento dos requisitos postos em lei para a fruição dos benefícios fiscais previstos no programa INOVARAuto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, no que se refere ao crédito decorrente da não habilitação no regime INOVARAUTO, revertida com efeito retroativo em Portaria do MDIC. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 9. 72 06 77 /2 01 5- 82 Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Acórdão n.º 3401005.697 S3C4T1 Fl. 727 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado, em substituição à conselheira Mara Cristina Sifuentes, ausente, justificadamente), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rosaldo Trevisan (Presidente) Relatório Tratamse de Embargos de Declaração (fls. 698 e seguintes) contra acórdão dessa Turma, proferido em 26.09.2017, em razão de alegada omissão na análise de fato superveniente à interposição daquele Recurso Voluntário. Da Decisão O acórdão proferido por essa Turma foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 28/08/2013 a 12/09/2013 INOVAR AUTO. CANCELAMENTO DE HABILITAÇÃO SUB JUDICE. Cancelada a habilitação do encomendante no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores INOVAR AUTO, deve ser igualmente afastada a redução de alíquota do imposto sobre produtos industrializados vinculada ao programa. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 28/08/2013 a 12/09/2013 INFORMAÇÃO. OMISSÃO. MULTA. A multa, prevista no art. 84 da MP nº 2.15835/01, deve ser aplicada ao importador que omitir ou prestar de forma inexata informação de natureza administrativotributária, cambial ou comercial necessária à determinação do procedimento de controle aduaneiro apropriado. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 28/08/2013 a 12/09/2013 RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Acórdão n.º 3401005.697 S3C4T1 Fl. 728 3 São obrigados ao pagamento, como contribuinte originário, o importador de produtos de procedência estrangeira, com relação aos produtos tributados que importar (Lei nº 4.502/64, art. 35, inc. I, alínea “b”; e Decreto nº 7.212/10, art. 24, inc. I), solidariamente responsáveis, com o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei nº 37/66, art. 32, parágrafo único, alínea “d”; e Decreto nº 7.212/10, art. 27, inc. IV). Por prática de infração, respondem, conjunta ou isoladamente, o encomendante predeterminado que adquire mercadoria de procedência estrangeira de pessoa jurídica importadora (DecretoLei no 37/66, art. 95, inc. VI, com a redação dada pela Lei no 11.281/06, art. 12; e Decreto nº 6.759/09, art. 674, inc. VI). ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 28/08/2013 a 12/09/2013 DUPLICIDADE DE INTIMAÇÕES VÁLIDAS. CONTAGEM DO PRAZO. O prazo, do art. 33, do Decreto nº 70.235/72, para interposição de recurso voluntário é contado a partir da ciência válida da decisão de primeira instância. Eventual renovação de intimação, posteriormente, não tem forças para reabrir o prazo, sendo este peremptório. Recurso Voluntário Negado Dos Embargos Irresignada com o resultado do julgamento, a Contribuinte tomou ciência da decisão em 26/10/2017, vindo a opor Embargos de Declaração com fulcro no artigo 65, do RICARF, em razão de a Turma não haver se manifestado sobre fato relevante e superveniente ao Recurso à época apresentado e que foi levado a conhecimento do relator antes da sessão de julgamento em petição regularmente juntada aos autos. Assim, aproveito, como síntese, o breve resumo extraído do Despacho de Admissibilidade dos presentes: O embargante entende que acórdão foi omisso a respeito da habilitação em definitivo da empresa encomendante no programa INOVARAUTO, por meio de Portaria do Ministério do Desenvolvimento. Indústria e Comércio MDIC n° 244/2016, publicada em 04/10/2016, com efeito retroativo à data dos fatos geradores considerados na autuação. Lembra que noticiou nos autos, em petição protocolada em 17/03/2017, a edição da referida Portaria, que, em art. 2o, estabelece que “A habilitação tem vigência de 1° de agosto de 2013 até 31 de julho de 2014, período em que a empresa habilitada faz jus aos benefícios previstos no Decreto n° 7.819, de 2012". Compulsando o recurso voluntário, fls. 492 a 514, constato que a referida Portaria jamais foi aventada. No entanto, em data de 17 de março de 2017, o patrono da causa fez juntar aos autos a petição de fls. 653 a 657, dirigida ao Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida, relator do recurso voluntário, por Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Acórdão n.º 3401005.697 S3C4T1 Fl. 729 4 meio da qual dá conta da publicação, em 4 de outubro de 2016, da Portaria MDIC n° 244, de 2017, entre outras alegações. Considerandose que o recurso voluntário foi interposto em 17/08/2015, a edição da referida Portaria, em 04/10/2016, é, efetivamente, fato superveniente, e o seu conhecimento está autorizado pela alínea “b” do § 4° do art. 16 do Processo Administrativo Fiscal, instituído pelo Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972. O Colegiado Recursal, no entanto, não se manifestou sobre ponto sobre o qual deveria se manifestar. Há de fato omissão de julgamento de matéria expressamente posta em debate, o que enseja saneamento pela via dos embargos de declaração. É o relatório. Voto Conselheiro Tiago Guerra Machado Relator Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo, e, restando evidente a omissão no Acórdão recorrido por meio dos presentes Embargos, é de se conhecêlos e sanálos a seguir. Da Flagrante Omissão e sua Relevância para o Resultado do Julgamento A alegada omissão reside no fato de que o julgamento não levou à sua análise o conteúdo da petição de fls. 653 e seguintes, que informa a respeito da habilitação definitiva da empresa encomendante no programa INOVARAUTO, por meio da Portaria MDIC 244/2016, publicada em 04.10.2016, e com previsão de efeito retroativo ao período de 1º.08.2013 até 31.07. 2014, portanto, dentro do período tratado no lançamento. Por todo o exposto, conheço dos Embargos, e os acolho, de forma que, teço, a seguir, os meus comentários sobre o caso considerando a habilitação retroativa ao período compreendido entre 1º.08.2013 até 31.07.2014 da empresa ELECSONIC COMÉRCIO LTDA., o que compreenderia reexaminar a tese levantada pela Recorrente quanto à inexistência de antijuridicidade de sua conduta como importadora porquanto a encomendante detinha, à época dos fatos conforme acima assinalado , o direito de adquirir os produtos de forma incentivada. Como se depreende da análise do lançamento impugnado, o fundamento na qual a D. Fiscalização se baseou foi a de que a decisão judicial que originalmente, em sede liminar, garantiu o desembaraço das mercadorias sob o albergue do programa INOVARAuto, foi posteriormente modificada e finalmente confirmada no sentido de que o Poder Judiciário não poderia apreciar a matéria ventilada pelo contribuinte. Vejamos: Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Acórdão n.º 3401005.697 S3C4T1 Fl. 730 5 As autuadas nas importações de tratores rodoviários para semireboque, classificados código NCM 8701.20.00, usufruíram da redução da alíquota do IPI em 30 pontos percentuais autorizada no art. 22, inciso II, do Decreto nº 7.819/2012, EXCLUSIVAMENTE para empresas habilitadas no Programa de Incentivo à Inovação Tecnológica e Adensamento da Cadeia Produtiva de Veículos Automotores INOVAR AUTO. De modo que registraram nas declarações de importação redução à ZERO da alíquota do IPI. Conforme consta no tópico anterior, ao tempo do registro/desembaraço das Declarações de Importação havia Portaria do MDIC que concedia habilitação sub judice à responsável solidária no INOVAR AUTO, em cumprimento à ordem judicial contida na decisão liminar proferida no Mandado de Segurança nº 19.727 DF. Posteriormente, em sede da manifestação em sentença, a sentença a liminar foi declarada insubsistente, retirando do mundo jurídico a ordem judicial que amparava a publicação do ato administrativo de habilitação sub judice (Portaria MDIC nº 260/2013), o qual perdeu seus efeitos desde o dia de seu nascimento no ordenamento jurídico. Com o trânsito em julgado do Mandado de Segurança nº 19.727DF, nos termos em que ficou decido na sentença, o que restou foi que à encomendante das mercadorias das declarações de importação aqui em apreço (responsável solidária na presente autuação) faltou a prerrogativa de beneficiária do tratamento tributário diferenciado pleiteado ao tempo dos despachos de importação, havendo a exigibilidade do recolhimento do IPI à luz da regra geral vigente, ou seja, à alíquota de 30 %. Nesse sentido, o lançamento de ofício se baseou na condição originalmente apresentada, na qual a cliente da Recorrente não gozava de qualquer incentivo, situação essa que, desde a entrada em vigor da citada Portaria MDIC 244/2016, modificouse de forma retroativa. Diante disso, restaram insubsistentes as razões para manter o auto de infração ora impugnado, de maneira que, ao serem acolhidos os presentes Embargos, deve o acórdão ser modificado para que seja integralmente apreciado o documento trazido ao conhecimento desse colegiado desde àquela época e que, em razão desses elementos, fica restado comprovado que houve o regular cumprimento dos requisitos postos em lei para a fruição dos benefícios fiscais previstos no programa INOVARAuto. Por todo o exposto, conheço dos Embargos e, com efeitos infringentes, para dar provimento parcial ao recurso voluntário, no que se refere ao crédito decorrente da não habilitação no regime INOVARAUTO, revertida com efeito retroativo em Portaria do MDIC. (assinado digitalmente) Tiago Guerra Machado Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10909.720677/201582 Acórdão n.º 3401005.697 S3C4T1 Fl. 731 6 Fl. 731DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.916651/2010-99
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/03/2000
HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA.
Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96.
ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96.
A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF.
Numero da decisão: 3201-004.583
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. Recorrente J. CARDOSO ASSESSORIA TRIBUTÁRIA LTDA ME Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. Não decorrendo 5 (cinco) anos, do pedido de PER/DCOMP e da decisao do despacho decisório, não ocorre homologação tácita nos termos do art. 74, §5º da Lei 9430/96. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO PELO ART. 56 DA LEI No 9.430/96. A isenção da COFINS, das sociedades civis de prestação de serviços profissionais foi revogada pelo art. 56, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Precedentes do STF. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. A conselheira Larissa Nunes Girard (suplente convocada) acompanhou o relator pelas conclusões. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 66 51 /2 01 0- 99 Fl. 47DF CARF MF Processo nº 10880.916651/201099 Acórdão n.º 3201004.583 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Declaração de Compensação – DCOMP lastreada em recolhimento indevido ou a maior de COFINS. O contribuinte alega, em síntese, que é uma sociedade civil de profissão regulamentada, prevista na Lei Complementar 70/91, podendo gozar do direito ao crédito apontado em virtude de estar isenta da contribuição. Diante de tal fato, foi proferido despacho decisório eletrônico. O pleito foi indeferido sob o fundamento de que, embora tenha sido localizado o pagamento indicado na DCOMP em análise, os créditos foram integralmente utilizados para quitação de débitos do Contribuinte, não restando crédito disponível para compensação do débito informado na DCOMP. Inconformado, apresentou Manifestação de Inconformidade que foi julgada pela DRJ/São Paulo. O Acórdão 16042.496 que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 31/03/2000 PAGAMENTO A MAIOR. INOCORRÊNCIA. COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Somente podem ser objeto de compensação créditos líquidos e certos, cuja comprovação da disponibilidade deve ser efetuada pelo Contribuinte, sob pena de não ter seu crédito reconhecido. Tendo sido o pagamento constante do DARF, ao qual foi atribuído o crédito utilizado na DCOMP, integralmente alocado para a quitação de débitos confessados pelo Contribuinte, não cabe reforma do Despacho Decisório que não homologou a compensação. A insuficiência da apresentação de prova inequívoca mediante documentação hábil e idônea, com vistas a comprovar a existência de crédito proveniente de recolhimento indevido ou a maior, acarreta a negativa de reconhecimento do direito creditório e, por conseqüência, a nãohomologação da compensação declarada, em face da impossibilidade da autoridade administrativa aferir a liquidez e certeza do pretenso crédito. ISENÇÃO. SOCIEDADE CIVIL DE PROFISSÃO REGULAMENTADA. REVOGAÇÃO. A isenção da COFINS que beneficiava as sociedades civis de profissão legalmente regulamentada, prevista na Lei Complementar no 70, de 1991, deixou de vigorar com a publicação da Lei nº 9.430, de 1996. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. INSTÂNCIA ADMINISTRATIVA. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação, ou deixar de observar lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, cujo reconhecimento encontrase na esfera de competência do Poder Judiciário. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10880.916651/201099 Acórdão n.º 3201004.583 S3C2T1 Fl. 4 3 Não se conformando com a decisão de primeira instância apresentou Recurso Voluntário a este Conselho. Em síntese, alega: a) em preliminar, que ocorreu homologação tácita, pois a decisão foi proferida aos 360 (trezentos e sessenta) dias após o seu protocolo, afrontando o art. 24, da Lei 11.457/07; b) no mérito, que o artigo 56 da Lei 9.430/96, ao revogar a isenção das sociedades civis, descumpriu comando constitucional expresso no artigo 146, inciso III, que exige lei complementar para estabelecer normas gerais em matéria de legislação tributária. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.574, de 11/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.916643/201042, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.574): "O Recurso é tempestivo e o conheço. Inicialmente não se pode aplicar o art. 24, da Lei 11.457/07 no presente caso, pois, tal regramento não se trata de homologação tácita, mas sim, obrigatoriedade de analise de pedidos realizados pelo Contribuinte no âmbito da Procuradoria da Fazenda Nacional. Contudo, nos termos do art. 74, § 5º, da Lei 9430, prescreve que o prazo para homologação tácita é de 5 (cinco) anos, caso que não ocorrido no caso em tela. Assim, deve ser REJEITADA a preliminar de homologação tácita. O mérito não merece ser provido. Pois o Contribuinte sustenta: No que respeita à decisão recorrida, o recorrente ora reafirma os termos da Manifestação de Inconformidade, pois aceitar a decisão contestada seria admitir que a não imposição fiscal da Lei Complementar 70/91, do inciso II do art. 6°, fosse anulada por norma impositiva do artigo 56 da Lei 9.430/96. Se, anteriormente, a Lei Complementar 70 tivesse imposto a cobrança às sociedades civis, seria possível que a lei ordinária eventualmente viesse a isentálas. O contrário, entretanto, como acontece neste caso, não é possível, pois representaria a criação de uma tributação sem que a Lei Complementar a tivesse instituído, isto é, não ocorreu a introdução de uma norma de isenção pela lei ordinária, mas a criação de imposição fiscal pela lei ordinária, por meio de revogação parcial de norma complementar que não a prevê. Tendo em consideração o expendido, reafirma as razões expostas na Manifestação de Inconformidade, no sentido da validade da restituição pleiteada. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10880.916651/201099 Acórdão n.º 3201004.583 S3C2T1 Fl. 5 4 Contudo, o Supremo Tribunal Federal fixou a seguinte tese em repercussão geral no Recurso Extraordinário no 377.4573, vejamos: EMENTA: Contribuição social sobre o faturamento – COFINS (CF, art. 195, I). 2. Revogação pelo art. 56 da Lei 9.430/96 da isenção concedida às sociedades civis de profissão regulamentada pelo art. 6o, II, da Lei Complementar 70/91. Legitimidade. 3. Inexistência de relação hierárquica entre lei ordinária e lei complementar. Questão exclusivamente constitucional, relacionada à distribuição material entre as espécies legais. Precedentes. 4. A LC 70/91 é apenas formalmente complementar, mas materialmente ordinária, com relação aos dispositivos concernentes à contribuição social por ela instituída. ADC 1, Rel. Moreira Alves, RTJ 156/721. 5. Recurso extraordinário conhecido mas negado provimento. ACORDÃO Vistos, relatados e discutidos estes autos, acordam os Ministros do Supremo Tribunal Federal, em Sessão Plenária, na conformidade da ata do julgamento e das notas taquigráficas por maioria de votos, desprover o recurso. Em seguida o Tribunal, tendo em vista o disposto no artigo 27 da Lei no 9.868/99, rejeitou pedido de modulação de efeitos. Prosseguindo, o Tribunal rejeitou questão de ordem que determinava a baixa do processo ao Superior Tribunal de Justiça, pela eventual falta da prestação jurisdicional. Por maioria, resolvendo questão de ordem, entendeu que estava correta a submissão do recurso extraordinário na forma proposta pelo Superior Tribunal de Justiça, tendo em vista a questão de ordem para permitir a aplicação do artigo 543B do Código de Processo Civil, nos termos do voto do relator. Diante do exposto, REJEITO a preliminar de homologação tácita, e no mérito em NEGAR PROVIMENTO Recurso Voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 50DF CARF MF
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