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Numero do processo: 16095.720145/2015-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Oct 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
NULIDADE. ERRO SOBRE A COMPETÊNCIA E A MATÉRIA TRIBUTÁVEL.
O lançamento de ofício é nulo, quando houver erro sobre o período de apuração (critério temporal) e a matéria tributável (critério material).
OMISSÃO DE RECEITA. FALTA CONTABILIZAÇÃO E DECLARAÇÃO DE RECEITAS APURADAS COM BASE EM NOTAS FISCAIS.
O procedimento fiscal sobre omissão de receita, necessariamente, exige a intimação prévia do contribuinte, a fim de que esclareça os fatos lhe imputados, mediante documentação hábil e idônea.
REGIME DE COMPETÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO.
A eventual inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, identificada através de diligência instaurada durante o contencioso fiscal, não possibilita o saneamento do lançamento de ofício, modificando seu critério jurídico.
Numero da decisão: 1201-002.643
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que dava parcial provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Gasparello Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: RAFAEL GASPARELLO LIMA
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 NULIDADE. ERRO SOBRE A COMPETÊNCIA E A MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O lançamento de ofício é nulo, quando houver erro sobre o período de apuração (critério temporal) e a matéria tributável (critério material). OMISSÃO DE RECEITA. FALTA CONTABILIZAÇÃO E DECLARAÇÃO DE RECEITAS APURADAS COM BASE EM NOTAS FISCAIS. O procedimento fiscal sobre omissão de receita, necessariamente, exige a intimação prévia do contribuinte, a fim de que esclareça os fatos lhe imputados, mediante documentação hábil e idônea. REGIME DE COMPETÊNCIA. APURAÇÃO TRIMESTRAL. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. A eventual inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, identificada através de diligência instaurada durante o contencioso fiscal, não possibilita o saneamento do lançamento de ofício, modificando seu critério jurídico. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício, e, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator, vencida a conselheira Ester Marques Lins de Sousa, que dava parcial provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 72 01 45 /2 01 5- 43 Fl. 26425DF CARF MF 2 Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Gasparello Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa (presidente), Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada em substituição ao conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar e Gisele Barra Bossa. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jose Carlos de Assis Guimarães. Relatório A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Recife (DRJ/REC), por unanimidade, julgou procedente em parte a impugnação administrativa, conforme se extrai da ementa do acórdão nº 1157.164: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA CONTABILIZAÇÃO E DECLARAÇÃO DE RECEITAS APURADAS COM BASE EM NOTAS FISCAIS. Considerase omissão de receitas o valor correspondente à diferença entre o montante das receitas apuradas com base nas NFe e o valor das receitas contabilizadas e declaradas em DIPJ. INOBSERVÂNCIA DO REGIME DE COMPETÊNCIA. POSTERGAÇÃO DO PAGAMENTO DO IMPOSTO. Uma vez comprovada a ocorrência de inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, o montante do tributo postergado deve excluído do apurado no lançamento. INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO. DIFERENÇA ENTRE O DECLARADO NA DIPJ E O CONFESSADO EM DCTF. NEGAÇÃO GERAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não é admitida no processo administrativo tributário federal a negação geral. A alegação deve estar acompanhada das razões que conduziram à mesma. Matéria não impugnada. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2011 OMISSÃO DE RECEITA. LANÇAMENTO REFLEXO. Aplicamse ao lançamento de CSLL, no que couber, as mesmas razões de decidir do lançamento de IRPJ, haja vista estarem apoiados nos mesmos elementos de convicção. Fl. 26426DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.426 3 INSUFICIÊNCIA DE DECLARAÇÃO/RECOLHIMENTO. DIFERENÇA ENTRE O DECLARADO NA DIPJ E O CONFESSADO EM DCTF. NEGAÇÃO GERAL. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Não é admitida no processo administrativo tributário federal a negação geral. A alegação deve estar acompanhada das razões que conduziram à mesma. Matéria não impugnada. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Resumidamente, o acórdão recorrido narrou os fatos que proporcionaram a imposição fiscal: Tratam os autos de lançamentos de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) e de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), consubstanciados nos autos de infração às fls. 166 a 214, referentes ao anocalendário 2011, com crédito tributário total de R$ 28.640.669,52, assim distribuído: 2. Consoante consta dos autos de infração, a autoridade fiscal apurou as seguintes irregularidades: (i) omissão de receita sujeita ao IRPJ e à CSLL; (ii) insuficiência de declaração/recolhimento do PIS e da Cofins; e (iii) insuficiência de declaração/recolhimento do IRPJ e da CSLL. 3. No Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (às fls. 157 a 165), parte integrante dos autos de infração, consta que: 3.1. o contribuinte entregou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) como optante pelo lucro real, bem assim entregou Demonstrativos de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon) apurando as contribuições pelo regime nãocumulativo; 3.2. foi determinada a receita tributável de IRPJ e de CSLL para o ano 2011 a partir das notas fiscais eletrônicas (Nfe) de saída, com a exclusão das remessas de mercadorias, dos cancelamentos e devoluções de vendas, dos descontos incondicionais concedidos e dos impostos incidentes sobre Fl. 26427DF CARF MF 4 vendas, IPI e ICMS por substituição tributária. Para o PIS e a Cofins foram excluídas, adicionalmente, exportações e vendas para Zona Franca de Manaus. O valor da receita bruta apurada com base na Nfe foi confrontado com o constante da escrituração contábil digital, tendo sido observados valores semelhantes; 3.3. constatouse divergência entre os valores das bases de cálculo de IRPJ e de CSLL apuradas com base nas Nfe e os valores declarados em DIPJ, a qual foi lançada como omissão de receitas: 3.4. constataramse também diferenças entre os valores apurados de IRPJ e de CSLL na DIPJ e os declarados em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), sendo lançada como insuficiência de declaração/recolhimento; Fl. 26428DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.427 5 3.5. Apuraramse divergências de base de cálculo de PIS e Cofins nos meses de janeiro a novembro ao confrontar os montantes apurados com base nas Nfe e os declarados em Dacon. Confrontando a Cofins e o PIS calculados com bases nessas bases de cálculo e os confessados em DCTF, constataramse diferenças que foram lançadas como insuficiência de declaração/recolhimento: Fl. 26429DF CARF MF 6 4. Cientificado dos lançamentos por via postal em 12/12/2015, conforme cópia do Aviso de Recebimento (AR) à fl. 217, em 12/01/2016 o contribuinte apresentou a impugnação às fls. 222 a 236, instruída com os documentos às fls. 237 a 26112, onde argumentou, em síntese, o que segue: 4.1. no seu sistema gerencial as receitas oriundas da venda de seus produtos são reconhecidas e contabilizadas em quatro contas, a saber: 4.2. as receitas são registradas nessas contas diminuídas dos impostos não cumulativos (ICMSst e IPI), bem como das devoluções de vendas canceladas. No caso de vendas em que há destaque de frete, os respectivos valores são contabilizados nas contas 3112 e 3312 acima indicadas. Assim, para verificar a totalidade de receitas necessitase somar as quatro rubricas referidas. No ano 2011, juntas elas perfizeram o montante de R$ 149.924.606,64, que ao se comparar com o valor apurado pela fiscalização, qual seja, R$ 149.954.641,43, chegase a uma diferença de apenas R$ 30.035,00, bem diferente dos R$ 14.518.295,00 constantes do lançamento; 4.3. em análise da DIPJ, verificase que os valores de receitas informados na Linha 03 da Ficha 06A, em cada trimestre, quando somados perfazem um total de R$ 135.436.345,42, que é exatamente o valor constante da conta 31110000 (Vendas – Terceiras partes). Portanto, resta entender onde foram informados os valores das contas 31120000, 33110000 e 33120000; 4.4. em realidade, houve um equívoco na forma em que esses valores foram informados, pois foram inseridos na DIPJ em sua Ficha 04A (apuração do custo de mercadoria vendida) como redutores do custo da mercadoria vendida. Ao reduzir o custo, tais valores produziram o mesmo efeito que seria sentido se corretamente declarados na Ficha 06A. Assim, o que houve foi um mero erro de preenchimento da declaração, estando os valores informados na DIPJ condizentes com sua contabilidade; 4.5. concluise que há apenas uma diferença irrisória de cerca de R$ 30.000,00 entre as receitas apuradas pela fiscalização e as calculadas pelo contribuinte, tendo havido apenas erro de preenchimento da DIPJ; 4.6. relativamente ao PIS e à Cofins, a autoridade fiscal realizou os cálculos das contribuições sujeitas ao regime nãocumulativo de forma cumulativa, vez que não considerou o creditamento de insumos a que o contribuinte fazia jus nos termos das Leis nºs Fl. 26430DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.428 7 10.637, de 1001, e 10.833, de 2002, ainda que o Dacon transmitido não tenha trazido informações quanto aos créditos. O fato de ter sido ignorada a norma que rege o cálculo desses tributos, fazendo a apuração de forma simplista, implica na nulidade dos lançamentos. A autoridade fiscal tinha acesso ao Sped contábil do contribuinte e, portanto, poderia ter procedido ao lançamento correto. Em momento algum o contribuinte foi intimado sobre a extensão da fiscalização para o PIS e a Cofins, e em nenhum momento foi intimado a se manifestar para apresentar esclarecimento que poderiam ter elidido tais lançamentos. Junta Dacons devidamente retificados, comprovando que os valores declarados, pagos e constantes das DCTFs são os mesmos. Ressalta que entregou originariamente em branco seus Dacons por estar passando por mudanças em seus sistemas, mas não pode ser penalizada por tal motivo, devendo ser respeitada a correta apuração dos tributos. O direito creditório existente não pode ser afastado em virtude de erro no preenchimento dos demonstrativos; 4.8. ante o exposto não há crédito tributário a ser constituído e, por conseguinte, não há que se falar em qualquer tipo de penalidade. 4.9. requer o provimento da impugnação, o deferimento de perícia para análise dos documentos apresentados, a juntada de DVDROM contendo os arquivos eletrônicos informados na impugnação, protesta pela juntada de quaisquer documentos complementares e produção de provas para auxiliar o julgamento. 5. Posteriormente, em 05/02/2016, os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto –SP para apreciação da impugnação, com pronunciamento pela sua tempestividade (fls. 26115 e 26126). Entretanto, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 2013, em 17/03/2016 os autos foram remetidos a esta DRJ/Recife para proceder ao julgamento da lide (fl. 26130). 6. Em decorrência da análise dos lançamentos e das razões de defesa do contribuinte, foram feitas as considerações abaixo por este julgador no Despacho nº 3.845 (fls. 26.131 a 26.137), de 04/05/2016, que converteu o julgamento em diligência: "7. A partir da denominada (pelo contribuinte) "planilha de apuração preparada para o preenchimento da DIPJ 2012", apresentada às fls. 22789 a 22792, comparada com a DIPJ 2012 às fls. 55 a 153, elaborei o demonstrativo abaixo, com base no qual, é possível fazer as seguintes considerações: Fl. 26431DF CARF MF 8 7.1 em se confirmando que as receitas oriundas de vendas de seus produtos eram escrituradas em quatro contas, quais sejam, 31110000 (vendas –terceiras partes), 31120000 (transportes refaturados para terceiros), 33110000 (vendas intercompany) e 33120000 (transportes refaturados para intercompany), conforme alegado pelo contribuinte, e que a planilha antes referida corresponde à escrituração, restaria demonstrado que foi tributada no ano 2011 na DIPJ a receita total de R$ 149.924.606,64, muito próxima do valor apurado pela autoridade fiscal com base nas notas fiscais eletrônicas. Isto porque se confirmaria o registro das receitas lançadas nas rubricas 3112000, 3311000 e 3312000 como redutoras do custo dos produtos vendidos na DIPJ; 7.3. em que pese o preenchimento da declaração na forma como efetuado ser equivocado, o fato de considerar receitas como conta redutora do custo dos produtos vendidos gera no ano o mesmo resultado tributável de IRPJ e de CSLL que seria alcançado com o registro correto das receitas na Ficha 06. 8. Contudo, diante da ausência de informações nos autos quanto às Nfe consideradas nos lançamentos e dos respectivos arquivos digitais de levantamento e apuração elaborados pela autoridade fiscal, bem assim dos registros contábeis do contribuinte (também em arquivo digital), tal verificação se torna impossível de ser feita por este julgador. 9. Outra questão a ser observada é o fato de que a autoridade fiscal lançou Cofins e PIS pelo regime nãocumulativo sem qualquer dedução relativa aos créditos previstos na legislação respectiva. 10. Uma vez que o contribuinte não foi intimado a demonstrar e comprovar a existência de créditos passíveis de dedução, há que se considerar que a autoridade se baseou exclusivamente no fato dos Dacons estarem zerados para os meses de janeiro a novembro de 2011. 11. Entendo que ao apurar a receita tributável a partir das Notas Fiscais Eletrônicas (Nfe) do Sistema Público de Escrituração Fl. 26432DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.429 9 Digital (SPED), a autoridade poderia, ou melhor, a meu ver deveria ter intimado o contribuinte a apresentar os créditos porventura existentes a que fazia jus, em respeito ao regime não cumulativo. 12. Em anexo à impugnação o contribuinte apresentou Dacons retificadores, porém não é possível a este julgador verificar se as informações correspondem à realidade contábil do contribuinte. 13. Por fim, é devido considerar que os autos de infração de Cofins e de PIS foram indevidamente formalizados no mesmo processo dos lançamentos relativos ao IRPJ e à CSLL. Consoante o disposto no art. 1º, I, alíneas "a" e "b" da Portaria RFB nº 666, de 2008, os autos de infração de PIS e Cofins somente acompanham o auto de IRPJ quando forem reflexos (decorrentes) deste, o que não é o caso. Não sendo decorrentes, deve ser formalizado um processo específico para os autos de PIS e Cofins. 13.1. Tal metodologia de formalização de processo foi mantida para o caso em interesse na Portaria RFB nº 354, de 2016, em seu art. 2º, I, alíneas "b" e "e"." 7. No referido despacho foram solicitadas à autoridade fiscal autuante as providências abaixo listadas. Além disso, foi determinada a ciência do resultado da diligência ao contribuinte, sendo assegurado prazo de trinta dias para manifestação: 7.1. verificar se as receitas decorrentes das notas fiscais eletrônicas levantadas pela autoridade fiscal foram escrituradas nas contas 31110000 (vendas –terceiras partes), 31120000 (transportes refaturados para terceiros), 33110000 (vendas intercompany) e 33120000 (transportes refaturados para intercompany), conforme alegado pelo contribuinte; e, por conseguinte, se efetivamente os montantes relativos às três últimas contas de receita foram considerados na DIPJ como valores redutores do custo de produtos vendidos. Após, refazer os cálculos do IRPJ e da CSLL com base nas constatações feitas; 7.2. confirmar os valores dos créditos apontados pelo contribuinte nos Dacons retificadores e, após, refazer os cálculos das contribuições que deixaram de ser confessadas em DCTF; 7.3. apartar os autos de infração de PIS e Cofins para processo específico, que deverá ser instruído com os mesmos demais documentos de instrução do processo de IRPJ, inclusive o presente despacho de diligência; 7.4. elaborar dois relatórios conclusivos, separadamente para IRPJ/CSLL e para PIS/Cofins, com as devidas planilhas de apuração conforme o caso. Cada relatório deverá integrar o processo respectivo. Fl. 26433DF CARF MF 10 8. Em razão da diligência foram anexados os documentos às fls. 26.141 a 26.326. O relatório da diligência, intitulado "Despacho de Conclusão de Diligência", foi juntado às fls. 26.145 a 26.152, e devidamente cientificado ao contribuinte via caixa postal eletrônica em 25/04/2017 conforme documentos às fls. 26.341 a 26.344, o qual não contestou o as considerações feita pela autoridade fiscal. Além disso, em cumprimento à determinação desta DRJ/REC, os autos foram apartados para transferir os lançamentos de PIS e Cofins, bem assim a documentação correspondente, para o processo nº 16095.720089/201717. 9. Devido ao apartamento dos autos, estão resumidas a seguir apenas as considerações da autoridade fiscal relativas à parte da diligência concernente aos lançamentos de IRPJ e da CSLL, que permanecem sendo objeto do presente processo: 9.1. As contas 31110000 (Vendas Terceiras Partes); 31120000 (Transportes Refaturados para Terceiras Partes), 33110000 (Vendas Intercompany) e 33120000 (Transportes Refaturados para Intercompany) não foram localizadas na escrituração contábil, mas com base nesta mesma escrituração pôdese concluir que: 9.1.1. Os valores das receitas estão distribuídos nas contas: (i) 31010101 (Receita Bruta da Venda de Produtos), aí englobados os valores apurados com vendas terceiras partes e vendas intercompany; (ii) 31010102 (Receita de Faturamento com Transportes), que engloba valores decorrentes de transportes refaturados para terceiras partes e transportes refaturados para intercompany; 9.1.2. O faturamento apurado pela empresa abrange: (i) vendas terceiras parte; (ii) vendas intercompany; (iii) transportes refaturados para terceiras partes; e (iv) transportes refaturados para intercompany; 9.2. A empresa erroneamente utilizou os valores apurados com transportes refaturados para terceiras partes e intercompany, e com vendas intercompany como redutores do Custo dos Produtos vendidos (CPV), e não como faturamento normal. Este procedimento não acarretou alteração nos valores do IRPJ e da CSLL, porém ocasionaram uma falsa constatação de omissão de receitas. Assim, restou comprovado que o contribuinte considerou um receita bruta total de R$ 149.924.606,64, havendo uma divergência de R$ 30.034,79 conforme abaixo: Fl. 26434DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.430 11 9.3. Acontece que o contribuinte informou valores superiores aos extraídos das NFe para os 1º, 3º e 4º trimestres, e inferior para o 2º trimestre. A soma dessas divergências totaliza R$ 30.034,79. Devido cobrar a diferença apurada de R$ 30.034,79 no 2º trimestre, mês em que houve omissão de receitas (DIPJ < NFe): 9.4. Vale destacar que os lançamentos referentes à insuficiência e declaração/recolhimentos permanecem inalterados. 10. Em 13/06/2017 os autos retornaram a esta DRJ/REC para dar prosseguimento ao julgamento (fl. 26.350). A contribuinte interpôs tempestivo Recurso Voluntário, reiterando os argumentos da impugnação administrativa e concluindo que o resultado da diligência inviabiliza a exigência do crédito tributário remanescente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, considerando o valor exonerado pelo acórdão recorrido, efetivou a remessa necessária do recurso de ofício para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). É o relatório. Fl. 26435DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Rafael Gasparello Lima, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo, havendo os demais pressupostos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com artigo 1º da Portaria MF nº 63, de 09 de setembro de 2017, "O Presidente de Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) recorrerá de ofício sempre que a decisão exonerar sujeito passivo do pagamento de tributo e encargos de multa, em valor total superior a R$ 2.500.000,00", sendo assim, existindo esse requisito de admissibilidade e conhecimento do Recurso de Ofício. Frise se que o Recurso de Ofício se limita à exoneração do crédito tributário, reduzido após diligência, resultando no seguinte demonstrativo: A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento opinou pela parcial procedência do lançamento de ofício, conforme o acórdão recorrido, in litteris: 12. A impugnação é tempestiva e atende os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual é conhecida. 13. De início é devido esclarecer que os lançamentos relativos ao PIS e à Cofins foram transferidos para o processo nº 16095.720089/201717, haja vista o disposto no art. 1º, I, alíneas "a" e "b" da Portaria RFB nº 666, de 2008, que determina que os autos de infração de PIS e Cofins somente acompanham o auto de IRPJ quando forem reflexos (decorrentes) deste; o que não é o caso. Em função disto, as razões de defesa apresentadas pelo contribuinte relativas a tais tributos serão apreciadas no referido processo. 14. Quanto aos lançamentos de IRPJ e de CSLL, que permaneceram no presente processo, estes decorreram das infrações abaixo indicadas conforme consta dos autos de infração e do Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais: Fl. 26436DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.431 13 14.1. Omissão de receitas foi apurada diferença entre a receita tributável determinada a partir das NFe e aquela informada na DIPJ. Esta matéria foi expressamente impugnada, tendo sido objeto de investigação mais aprofundada em diligência; 14.2. Insuficiência de declaração/recolhimento foi apurada diferença entre o montante de tributo apurado na DIPJ e aquele declarado em DCTF. Tal matéria não foi expressamente impugnada, havendo ao final da impugnação apenas uma menção genérica de não haver crédito tributário a ser constituído: 15. É devido ressaltar que a apresentação das razões de discordância um dos requisitos da impugnação (art. 16, III do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação da Lei nº 8.748, de 1993), não sendo admitida no processo administrativo tributário federal a negação geral. Em vista disso, há que se considerar que a segunda infração, insuficiência de declaração/recolhimento, é matéria não contestada e, por conseguinte não impugnada nos termos do art. 17 do referido decreto, com redação da Lei nº 9.532, de 1997. Cabe à unidade preparadora providenciar a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada segundo o disposto no art. 21, §1º do mencionado decreto, com redação da Lei nº 8.748, de 1993: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (...) Art. 21. (...) § 1º No caso de impugnação parcial, não cumprida a exigência relativa à parte não litigiosa do crédito, o órgão preparador, antes da remessa dos autos a julgamento, providenciará a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada, consignando essa circunstância no processo original. 16. Quanto à primeira infração, relativa à omissão de receitas apurada em decorrência de verificação de diferença entre a Fl. 26437DF CARF MF 14 receita tributável determinada com base nas NFe e aquela informada na DIPJ, o contribuinte argumentou que informou equivocadamente na DIPJ os valores referentes às receitas com transportes refaturados para terceiras partes e intercompany, e com vendas intercompany como redutores do CPV, mas que tal procedimento não ocasionou redução indevida das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. 17. Segundo ele, somandose o valor das vendas para terceiras partes, corretamente declarado como receita bruta na DIPJ, com as receitas declaradas como redutoras do CPV, a receita bruta total tributada foi de R$ 149.924.606,64, havendo uma divergência anual em relação às receitas apuradas com base nas NFe (R$ 149.954.641,43) de apenas R$ 30.034,79 e não de R$ 14.518.295,00 conforme considerado nos lançamentos. Além disso, indicou em quais contas contábeis tais valores estavam registrados: 31110000 (Vendas 11 Terceiras Partes); 31120000 (Transportes Refaturados para Terceiras Partes), 33110000 (Vendas Intercompany) e 33120000 (Transportes Refaturados para Intercompany). 18. Em se confirmando o alegado pelo contribuinte, restaria demonstrado que foi tributada no ano 2011 na DIPJ a receita total de R$ 149.924.606,64, já que o preenchimento da declaração na forma como efetuado (considerar receitas como conta redutora do CPV), apesar de incorreto, gera no ano o mesmo resultado tributável de IRPJ e de CSLL que seria alcançado com o registro correto das receitas na Ficha 06. 19. Todavia, diante da ausência de informações nos autos quanto às Nfe consideradas nos lançamentos e dos respectivos arquivos digitais de levantamento e apuração elaborados pela autoridade fiscal, bem assim dos registros contábeis do contribuinte (também em arquivo digital), tal verificação se tornou impossível de ser feita por este julgador, razão pela qual os autos foram baixados em diligência. 20. A autoridade fiscal que realizou a diligência não encontrou as contas contábeis mencionadas, mas informou que os valores das receitas de vendas de produtos a terceiras partes e intercompany estavam registrados na conta 31010101 (Receita Bruta a Venda de Produtos) e que os valores das receitas de transportes refaturados para terceiras partes e para intercompany estavam contabilizados na conta 31010102. Além disso, confirmou que as receitas de vendas a intercompany e de transportes refaturados foram declaradas como redutoras do CPV, bem assim que tal procedimento não acarretou alteração nos valores do IRPJ e da CSLL. Reconheceu, pois, que o contribuinte tributou uma receita bruta de R$ 149.924.606,64, havendo uma divergência no ano de apenas R$ 30.034,79 conforme alegado pelo contribuinte, e devidamente demonstrado na planilha e cálculos abaixo: Fl. 26438DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.432 15 21. Acontece que o contribuinte apurou lucro real trimestral, sendo necessário calcular o montante da receita omitida trimestralmente e não simplesmente considerar somente a diferença anual de R$ 30.034,79, conforme sugeriu a autoridade fiscal como valor a ser mantido a título de omissão de receitas. Não se pode apurar a omissão anual e após atribuir tal omissão a um trimestre específico. 22. Consoante planilhas abaixo, extraídas do relatório da diligência, o contribuinte informou na DIPJ valores superiores aos extraídos das NFe para os 1º, 3º e 4º trimestres, e inferior para o 2º trimestre. Ou seja, apenas no 2º trimestre o contribuinte deixou de submeter receitas à tributação (omitiu), e para os demais trimestres, tributou montante superior ao apurado com base nas NFe. Por óbvio, a soma das divergências trimestrais totaliza R$ 30.034,79, que corresponde à diferença anual antes mencionada. 23. A princípio caberia manter integralmente os tributos incidentes sobre a omissão de R$ 840.070,25 apurada para o 2º trimestre. Por outro lado, não se pode desconsiderar o fato de que, ao tributar mais receitas no 3º e 4º trimestres, podemos estar diante de uma postergação, com pagamento em atraso de parte do tributo devido. Além disso, em relação ao 1º trimestre, a tributação de mais receita do que seria devida ensejaria Fl. 26439DF CARF MF 16 considerar que o contribuinte antecipou parte dos tributos devidos do 2º trimestre. 24. Todavia, para que tais situações (postergação e antecipação) possam ter ocorrido, é necessário que as receitas declaradas a maior nos 1º, 3º e 4º trimestres correspondam às notas fiscais que deixaram de ser declaradas no 2º trimestre, ou seja, que tenha havido um erro quanto ao período de apropriação (inobservância do regime de competência). 25. Tal constatação poderia ser feita a partir da identificação das NFe consideradas pela autoridade fiscal nos lançamentos e a visualização dos seus registros na escrituração do contribuinte. Contudo os registros contábeis e as notas fiscais levantadas pela autoridade fiscal (ou, ao menos, os seus números) não foram juntados aos autos, inviabilizando tal medida. 26. Não obstante isso, é devido atentar para o fato de que no despacho de diligência foi determinado no parágrafo 14.1 que a autoridade fiscal verificasse se as receitas decorrentes das NFe levantadas por ela estavam escrituradas nas contas mencionadas pelo contribuinte. Em que pese não ter encontrado as contas, a autoridade fiscal afirmou que os valores estavam distribuídos em outras duas contas, confirmando integralmente o montante de receita bruta defendido pelo contribuinte e, por conseguinte, reconhecendo a não contabilização apenas R$ 30.034,79 no ano. Salvo melhor juízo, tal resposta indica que das NFe identificadas pela autoridade fiscal, apenas parte delas não foram contabilizadas, ou seja, que os valores declarados a maior em três trimestres correspondem a notas não declaradas no 2º trimestre, permanecendo não contabilizada/declarada apenas a parcela de R$ 30.034,79 das NFe. 27. Tal conclusão resta corroborada quando se atenta para a proposição da autoridade fiscal de manter a tributação apenas sobre R$ 30.034,79. Ora, se ele tivesse verificado que os valores a maior escriturados/declarados nos 1º, 3º e 4º trimestres não correspondiam às notas fiscais por ele identificadas, certamente teria proposto a manutenção da exigência sobre valor tributável superior, qual seja, toda a diferença apurada no 2º trimestre (R$ 840.070,25); o que não ocorreu como visto. 28. Assim, resta considerar que pode ter havido tanto antecipação (1º trim.) como postergação (3º e 4º trim.) de parte do tributo que seria devido no 2º trimestre. É o que se passa a apurar. 29. Em relação ao primeiro trimestre observase na planilha fiscal que o contribuinte considerou receita a maior no montante de R$ 392.350,26. Todavia, a partir da cópia da DIPJ às fls. 55 a 153 verificase que foram apurados prejuízo fiscal e base negativa de CSLL de R$ 599.809,69, ou seja, não foram apurados IRPJ e CSLL a pagar no período. Em vista disso, não há que se falar em antecipação da tributação da receita, vez que a sua consideração neste trimestre não acarretou pagamento dos tributos devidos. Fl. 26440DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.433 17 30. Em relação aos 3º e 4º trimestres, para determinar se houve postergação deve ser levado em conta o disposto no art. 273 do RIR de 1999, in verbis: Inobservância do Regime de Competência Art. 273. A inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita, rendimento, custo ou dedução, ou do reconhecimento de lucro, somente constitui fundamento para lançamento de imposto, diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa, se dela resultar (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 5º): I a postergação do pagamento do imposto para período de apuração posterior ao em que seria devido; ou II a redução indevida do lucro real em qualquer período de apuração. § 1º. O lançamento de diferença de imposto com fundamento em inexatidão quanto ao período de apuração de competência de receitas, rendimentos ou deduções será feito pelo valor líquido, depois de compensada a diminuição do imposto lançado em outro período de apuração a que o contribuinte tiver direito em decorrência da aplicação do disposto no § 2º do art. 247 (Decreto Lei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 6º). § 2º. O disposto no parágrafo anterior e no § 2º do art. 247 não exclui a cobrança de atualização monetária, quando for o caso, multa de mora e juros de mora pelo prazo em que tiver ocorrido postergação de pagamento do imposto em virtude de inexatidão quanto ao período de competência (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 6º, § 7º, e DecretoLei nº 1.967, de 23 de novembro de 1982, art. 16). (grifouse) 31. Sobre o assunto, o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 1996, em seu subitem 6.2, esclareceu que o fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa: 6. O § 5º, transcrito no item 5, determina que a inexatidão de que se trata, somente constitui fundamento para o lançamento de imposto, diferença de imposto, inclusive adicional, correção monetária e multa se dela resultar postergação do pagamento de imposto para exercício posterior ao em que seria devido ou redução indevida do lucro real em qualquer períodobase. 6.1 Considerase postergada a parcela de imposto ou de contribuição social relativa a determinado períodobase, quando efetiva e espontaneamente paga em períodobase posterior. Fl. 26441DF CARF MF 18 6.2 O fato de o contribuinte ter procedido espontaneamente, em períodobase posterior, ao pagamento dos valores do imposto ou da contribuição social postergados deve ser considerado no momento do lançamento de ofício, o qual, em relação às parcelas do imposto e da contribuição social que houverem sido pagas, deve ser efetuado para exigir, exclusivamente, os acréscimos relativos a juros e multa, caso o contribuinte já não os tenha pago. (...) 7. O § 6º, transcrito no item 5, determina que o lançamento deve ser feito pelo valor líquido do imposto e da contribuição social, depois de compensados os valores a que o contribuinte tiver direito em decorrência do disposto no § 4º. Por isso, após efetuados os procedimentos referidos no subitem 5.3, somente será passível de inclusão no lançamento a diferença negativa de imposto e contribuição social que resultar após a compensação de todo o valor pago a maior, no períodobase de de término da postergação, com base no lucro real mensal ou na forma dos arts. 27 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, com o valor pago a menor no períodobase de início da postergação”. (grifouse) 32. Então, interpretandose o disposto nas referidas normas, concluise pela adoção das providências abaixo elencadas para apurar se houve ou não postergação de tributo em decorrência da inobservância do regime de competência das receitas aqui tratadas: 32.1. exclusão, do lucro real apurado nos 3º e 4º trimestres, das receitas declaradas indevidamente nestes períodos, e determinar o valor dos tributos que seriam devidos exclusivamente sobre as receitas que competiam a tais períodos; 32.2. subtração, dos tributos apurados na DIPJ nos 3º e 4º trimestres, dos valores apurados no tópico anterior, a fim de verificar se houve pagamento a maior; 32.3. tendo havido pagamento a maior (postergação), determinar o valor postergado por meio de imputação proporcional entre principal, multa de mora (20%, pois atraso superior a 60 dias) e juros de mora [este determinado pela aplicação da Selic a partir de agosto de 2011 (vencimento do 2º trimestre) até o mês anterior ao do vencimento do 3º trimestre (setembro) ou do 4º trimestre (dezembro), mais um por cento para o mês do vencimento (outubro/2011 e janeiro/2012, respectivamente]; 32.4. do valor do tributo apurado com base na receita bruta considerada omitida no 2º trimestre após a diligência (R$ 840.070,25), excluir a parcela do principal do tributo postergado. 33. Cabe destacar que o art. 273 do RIR/99, com redação do DecretoLei nº 1.598, de 1977, estabelece a ocorrência de postergação quando houver pagamento(s) do tributo devido em período(s) posterior(es). O parecer faz menção a pagamento efetivo e espontâneo. Fl. 26442DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.434 19 34. Entendo, todavia, que a confissão em DCTF do valor apurado na DIPJ pode ser considerado como pagamento para fins de análise da postergação, vez que o débito confessado é passível de inscrição em dívida ativa caso não haja o efetivo recolhimento espontaneamente (conforme art. 8º, §1º da IN RFB nº 1.110, de 2010 e alterações posteriores, vigente à época dos fatos). 35. Não fosse assim, na hipótese de o valor confessado em DCTF não ter sido recolhido, a situação não se enquadraria em postergação, acarretando o lançamento do tributo sobre a receita no período da omissão, e também a cobrança do montante do tributo correspondente confessado em DCTF em período posterior, exigindose, assim, os tributos sobre a mesma base de cálculo em duplicidade. 35. Portanto, para fins de análise da efetividade da postergação, será considerado pago o tributo quando confessado em DCTF. 36. Em função deste entendimento é devido ressaltar que a autoridade fiscal verificou que no 3º trimestre o contribuinte confessou IRPJ e CSLL em montantes inferiores aos apurados na DIPJ, o que ensejaria considerar não ocorrido o pagamento do tributo, afastando a postergação se seu valor fosse inferior ou igual à diferença que deixou de ser confessada. Contudo, esta diferença foi objeto de lançamento como insuficiência de declaração/recolhimento, o qual não foi impugnado, sendo crédito tributário definitivo e passível de cobrança imediata. Assim, a fim de evitar dupla exigência sobre o mesmo valor tributável, será considerado novamente ter havido "pagamento" para fins de caracterização de postergação. 37. Feitas as considerações acima, foi elaborado o demonstrativo abaixo para apurar se houve postergação de receita para o 3º e o 4º trimestres e quais os montantes dos tributos porventura postergados: Fl. 26443DF CARF MF 20 38. Como dito, estes tributos postergados para o 3º e 4º trimestres de 2011 serão excluídos o montante dos tributos apurados sobre a omissão de receita verificada para o 2º trimestre após a diligência. Os tributos lançados para os 1º, 3º e 4º trimestres devem ser exonerados conforme proposição presente no relatório de diligência, haja vista ter sido verificado não ter ocorrido omissão de receitas para tais períodos. 39. Devido, então, refazer os cálculos dos tributos lançados conforme abaixo, adequandoos ao entendimento deste voto: 40. No que se refere pleito de juntada de quaisquer documentos complementares e produção de provas para auxiliar o julgamento, tratase de direito assegurado ao contribuinte, atendidos os requisitos estabelecidos no Decreto nº 70.235, de 1972, o qual não foi exercido. Não obstante isso, salientase que as alegações apresentadas pelo contribuinte na impugnação foram objeto de diligência, a qual foi conclusiva pelo seu cabimento. 41. VOTO, pois, pela procedência parcial dos lançamentos de IRPJ e de CSLL conforme demonstrado acima (parágrafo 39), mantidos os juros de mora e a multa de ofício incidentes. Atentar para o fato de que o crédito tributário decorrente da matéria "Insuficiência de Declaração/Recolhimento" é definitiva, vez que considerada não impugnada por falta de contestação expressa. A unidade preparadora deverá providenciar a formação de autos apartados para a imediata cobrança da parte não contestada em cumprimento ao disposto no art. 21, §1º do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação da Lei nº 8.748, de 1993. Fl. 26444DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.435 21 Em Recurso Voluntário, a contribuinte diverge do acórdão recorrido, em síntese, aduzindo a inexigibilidade do lançamento de ofício, pois: "i) na apuração dos tributos com base no lucro trimestral não foi observada a correta apuração da base de cálculo; ii) a suposta matéria confessada foi objeto de lançamento de oficio, com a efetiva apuração do tributo devido demonstrando a incoerência entre DCTF e DIPJ; e iii) ainda que pudesse prosperar a tese da confissão via DCTF, a autoridade perderia o prazo para efetuar essas cobranças, visto que não dependia de processo administrativo para esse fim." O montante indicado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) foi encaminhando para cobrança, mediante da representação nº 278/2017 (processo administrativo nº 10875.722516/201720), pois, que segundo o acórdão recorrido "Tal matéria não foi expressamente impugnada, havendo ao final da impugnação apenas uma menção genérica de não haver crédito tributário a ser constituído", De acordo com a Recorrente, não existia valor devido para o período de apuração, consoante o resultado da diligência e sua exposição no Recurso Voluntário: 6. Ora, o auto inteiro versa sobre a apuração do IRPJ e CSLL, no item ii.B da impugnação, há farta matéria demonstrando equívoco no preenchimento da DIPJ e que consequente afeta à DCTF e, portanto, existe matéria farta e específica, e não genérica, demonstrando a correta apuração dos tributos. Ao final se conclui que não havia imposto para o período e por fim se conclui que havia imposto por confissão? Veja, não existe imposto devido pela apuração do i. Julgador. E não é por omissão de receita é por ausência de base mesmo: 07. As fls. 26.365 o Julgador conclui pela existência de prejuízo fiscal no 1º, 3° e 4°, como pode então decidir diferentemente do apurado apenas por simples declaração, já alegada e provada nos autos equivocada, e precoce der à simples cobrança. Proceder dessa forma é dar dois pesos e duas medidas a um mesmo fato: Fl. 26445DF CARF MF 22 Adicionalmente, a Recorrente expõe que uma vez apurado prejuízo fiscal do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e base negativa da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), proporcionaria a redução do valor devido nos próximos trimestres: 13. Segundo a autoridade Julgadora às fls. 26.366, no 1° Trimestre de 2011, foram apurados prejuízo fiscal e base negativa de CSLL no montante de R$ 599.809,69. 14. Porém na apuração do 2° Trimestre de 2011 não foi utilizado o prejuízo acumulado na dedução de 30% da base de cálculo, vejase: O acórdão recorrido presumiu que existiu uma postergação da receita, eventualmente, infringindo o regime de competência, modificando o critério do lançamento de ofício, como se infere adiante: 27. Tal conclusão resta corroborada quando se atenta para a proposição da autoridade fiscal de manter a tributação apenas sobre R$ 30.034,79. Ora, se ele tivesse verificado que os valores a maior escriturados/declarados nos 1º, 3º e 4º trimestres não correspondiam às notas fiscais por ele identificadas, certamente teria proposto a manutenção da exigência sobre valor tributável superior, qual seja, toda a diferença apurada no 2º trimestre (R$ 840.070,25); o que não ocorreu como visto. 28. Assim, resta considerar que pode ter havido tanto antecipação (1º trim.) como postergação (3º e 4º trim.) de parte do tributo que seria devido no 2º trimestre. É o que se passa a apurar. Entretanto, avalio que não é saneável tal constituição do crédito tributário, eis que a imputação originária era de omissão de receitas sobre notas fiscais não escrituradas, sendo assim, imprescindível a observância de cada período de apuração, in casu, trimestral, garantindo a amortização do prejuízo fiscal (IRPJ) e da base negativa (CSLL). A suposta postergação de receitas pressupõe um novo lançamento de ofício, fundamentado em outro critério jurídico, apurando "a inexatidão quanto ao período de apuração de escrituração de receita" e, por fim, exigindo somente "a diferença de imposto, atualização monetária, quando for o caso, ou multa" (artigo 273 do Decreto nº 3.000/1999 RIR/1999). Finalmente, eventual diferença no 2º trimestre, equivalente a R$ 840.070,25, quanto à receita omitida de nota fiscal não escriturada, ocasionaria o respectivo lançamento de ofício. Contudo, inadmissível essa "reformatio in pejus", evidenciando a improcedência do crédito tributário, adstringindose ao seu critério temporal (apuração trimestral). A Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), embora constitua instrumento de confissão de dívida, não impede sua revisão através do procedimento Fl. 26446DF CARF MF Processo nº 16095.720145/201543 Acórdão n.º 1201002.643 S1C2T1 Fl. 26.436 23 administrativo fiscal, sobretudo, quando há diligência promovida pela própria Receita Federal do Brasil, esclarecendo sua incorreção material. O lançamento de ofício consiste no "procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível.", como disciplina o artigo 142 do Código Tributário Nacional. O presente lançamento não determinou com exatidão a matéria tributável e tampouco calculou o montante do tributo devido, quando na apuração de omissão de receitas. Manoel Antonio Gadelha Dias, expresidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda, leciona que o vício substancial compreende a determinação da matéria tributável e o cálculo do tributo: “À luz do Código Tributário Nacional, fonte de direito material nacional, e do Decreto nº 70.235/1972, fonte de direito formal de âmbito restrito à União, entendemos que os requisitos do lançamento podem ser divididos em dois grandes grupos: 1º) o dos requisitos fundamentais ou estruturais; e 2º) o dos requisitos complementares ou formais. Se o defeito no lançamento disser respeito a requisito fundamental, estaremos diante de vício substancial ou vício essencial, que macula o lançamento, ferindo o de morte, pois impede a concretização da formalização do vínculo obrigacional entre o sujeito ativo e o sujeito passivo. Os requisitos fundamentais são aqueles intrínsecos ao lançamento e dizem respeito à própria conceituação do lançamento insculpida no art. 142 do CTN, qual seja a valoração jurídica do fato jurídico tributário pela autoridade competente, mediante a verificação da ocorrência do fato gerador da obrigação, a determinação da matéria tributável, o cálculo do tributo e a identificação do sujeito passivo. [...] Já se o vício estiver presente no que denominamos de requisitos complementares do lançamento, ou seja, naqueles que devem compor a linguagem para a comunicação jurídica, consistente na notificação ao sujeito passivo, estaremos falando de vício formal. Os requisitos complementares ou formais são aqueles exigidos por lei para o momento da edição do ato, por isso são denominados requisitos extrínsecos ao lançamento. O vício formal no lançamento tributário. in Direito Tributário e processo administrativo aplicados. TÔRRES, Heleno Taveira, QUEIROZ, Mary Elbe, FEITOSA, Raymundo Juliano (Coords.). São Paulo: Quartier Latin, 2005. pp. 345346. Isto posto, voto pelo conhecimento e NEGO PROVIMENTO ao Recurso de Ofício. Não obstante, voto pelo conhecimento e DOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 26447DF CARF MF 24 Rafael Gasparello Lima Relator Fl. 26448DF CARF MF
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Numero do processo: 10480.722745/2010-10
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2007
IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE. FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DA EXISTÊNCIA DA RETENÇÃO.
Somente é compensável o IRRF se comprovada a respectiva existência da retenção mediante documentos hábeis e idôneos.
NORMAS PROCESSUAIS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO.
As provas devem ser apresentadas por oportunidade da Impugnação, sob pena de serem abarcadas pelo instituto da preclusão processual.
ACORDO ENTRE PARTICULARES. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO.
Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes.
NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Notificação de Lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em cerceamento de defesa.
Numero da decisão: 2202-004.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
RONNIE SOARES ANDERSON - Presidente.
(assinado digitalmente)
RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto.
Nome do relator: RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA
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FALTA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL DA EXISTÊNCIA DA RETENÇÃO. Somente é compensável o IRRF se comprovada a respectiva existência da retenção mediante documentos hábeis e idôneos. NORMAS PROCESSUAIS. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. As provas devem ser apresentadas por oportunidade da Impugnação, sob pena de serem abarcadas pelo instituto da preclusão processual. ACORDO ENTRE PARTICULARES. IMPOSSIBILIDADE DE OPOSIÇÃO. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO. FORMALIDADES LEGAIS. NULIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Notificação de Lançamento lavrada de acordo com os dispositivos legais e normativos que disciplinam o assunto, apresentando adequada motivação jurídica e fática, goza dos pressupostos de liquidez e certeza, podendo ser exigido nos termos da lei. Corretamente seguido o Processo Administrativo Fiscal, não há que se falar em cerceamento de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 27 45 /2 01 0- 10 Fl. 84DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) RONNIE SOARES ANDERSON Presidente. (assinado digitalmente) RICARDO CHIAVEGATTO DE LIMA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo de Sousa Sáteles, Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima (Relator), Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Rorildo Barbosa Correia, Virgílio Cansino Gil (Suplente convocado), Leonam Rocha de Medeiros e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente a Conselheira Andréa de Moraes Chieregatto. Relatório Tratase de recurso voluntário (efls. 40/46), acompanhado de documentos comprobatórios (efls. 47/80), interposto contra o Acórdão 1151.213 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife/PE – DRJ/REC (efls. 27/32), que julgou improcedente impugnação apresentada em face de Notificação de Lançamento, relativa ao ano calendário 2006, o qual resultou na exigência de crédito tributário total no valor de R$ 45.451,59, sendo R$ 29.378,58 referentes a Imposto de Renda da Pessoa Física e o restante referente a multa de ofício e juros de mora, calculados até agosto de 2010. 2. O lançamento deuse conforme a descrição dos fatos e enquadramento legal da Notificação de Lançamento (efl. 17), em procedimento de revisão de declaração, onde se verifica que foi constatada dedução Indevida de Imposto de Renda Retido na fonte IRRF, no valor de R$ 30.373,96, tendo em vista, segundo texto da Notificação transcrito, "...que o contribuinte não apresentou Planilhas de Cálculo Judicial referentes às causas trabalhistas Processos (70001199212206001) e 0063199112206006, como também, não apresentou comprovação do recolhimento do imposto através de DARF, e ainda, como não consta informação das fontes pagadoras referentes à retenção de imposto, através da DIRF, procedemos à glosa do imposto por falta de comprovação: Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarassu, Itapissuma, Itamaracá CNPJ 11.547.882/000126 IRRF de R$ 10.064,93. Usina São José CNPJ 10.362.820/000187 IRRF de R$ 20.309,03". 3. Após ser devidamente cientificado da Notificação de Lançamento, o contribuinte apresentou impugnação, onde alega, em síntese: que deve ser retificada a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte do Sindicato, para que este seja cobrado do imposto a ele incumbido por sentença judicial trabalhista; que nunca prestou trabalho para a Usina; esta apenas foi pólo passivo de ações trabalhistas onde o impugnante foi patrono; que os valores presentes na Declaração de Ajuste Anual DAA são relativos a acordo judicial firmado entre ele, advogado empregado, e o sindicato, empregador, decorrente de lide trabalhista; Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10480.722745/201010 Acórdão n.º 2202004.937 S2C2T2 Fl. 85 3 e que no citado acordo constou que os rendimentos acordados do impugnante seriam recebidos líquidos e o Sindicato arcaria com o IRRF e o INSS além desse valor acordado, sem retenção; pediu prorrogação de prazo até que o Sindicato acatasse decisão judicial e comprovasse o recolhimento dos DARF devidos, senão seria para ele impossível cumprir a obrigação de comprovar o recolhimento; por fim, requer que seja julgada procedente sua impugnação. 4. Já o voto prolatado pela 1ª Turma da DRJ/REC no Acórdão aduz, em sua essência: Voto 3. A impugnação é tempestiva e atende aos demais requisitos (...) Portanto, dela deve se tomar conhecimento. (...) 6. Conforme legislação acima mencionada, constatase que é permitido deduzir, do imposto apurado, o valor do imposto retido na fonte correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo, quando o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, (...) 7. (...). 8. O interessado teve oportunidade, à luz do art. 15 do Decreto nº 70.235/72, de contestar os dados apurados pela Fiscalização, fundamentando sua defesa com os elementos de prova suficientes e necessários a infirmar os dados utilizados na efetivação do lançamento, no entanto, não o fez. 9. Verificase da DIRPF/2007, apresentada pelo contribuinte que o mesmo exerce a ocupação de Advogado. Ressaltase que as glosas foram decorrentes das informações prestadas em sua declaração de ajuste anual, conforme transcrição. Presumese que o contribuinte tinha em seu poder documentos que deram origem as tais informações. (...) 10. Às fls. 14, consta o Termo de Intimação Fiscal para comprovação dos valores informados em sua declaração de ajuste anual, tais como: " Comprovante de todos os Rendimentos recebidos pelo contribuinte e/ou seus dependentes no anocalendário. Sentença Judicial ou Acordo homologado judicialmente, planilha das verbas, contendo os cálculos deliquidação de sentença, atualização de cálculos, Guia de Levantamento, DARF do Recolhimento do IRRF, e Recibos dos Honorários Advocatícios e/ou Periciais. Contrato de Administração de aluguel e Comprovantes de Recebimentos com Taxa de Administração discriminada. Contrato(s) de Locação e Comprovação de propriedade do bem locado em conjunto ou em condomínio. Carteira de trabalho, contrato de prestação de serviço, termo de rescisão de contrato de trabalho,contracheques mensais ou recibos de pagamento." 10.1 Quando da apresentação da impugnação, o contribuinte também deixou de apresentar documentos que comprovassem as informações prestadas em sua DIRPF/2007. De conformidade com os termos de sua impugnação e de acordo com as informações de sua DIRPF, o contribuinte é advogado trabalhista. 11. No que tange à natureza dos rendimentos recebidos pelo contribuinte, verificase, de pronto, que os valores pagos pelo Fl. 86DF CARF MF 4 Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarassu, Itapissuma e Usina São José, presumese, não possuem natureza de indenizações trabalhistas (como o aviso prévio indenizado, por exemplo). Pois, não qualquer prova (sic), que não era e nunca manteve vinculo empregatício com as pessoas jurídicas acima mencionadas. 12. Em pesquisa aos Sistema da Receita Federal, constata se que no anocalendário de 2007, exercício de 2008, o contribuinte foi intimado para apresentar documentos dos valores informados em nome do Sindicato Trabalhadores Rurais de Igarassu e Itapessuma e Sindicato dos Trabalhadores Cabo de Santo Agostinho, tendo naquela ocasião apresentados documentos, de ações trabalhistas de diversos empregados. Entretanto, no presente processo o contribuinte não anexou qualquer documento referente aos valores informados em sua declaração de ajuste anual, em nome do Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarassu, Itapessuma e Usina São José. 13. Assim sendo, caberia ao contribuinte apresentar os acórdãos emitidos pela Justiça do Trabalho, em favor dos empregados de quem era patrono, para comprobação dos valores recebidos a títulos de honorários das ações trabalhistas e se houve retenção de imposto de renda retido na fonte. 13.1 Presumese que ao elaborar a declaração de ajuste anual, tenha em mãos documentos hábeis e idôneos para comprovar tais informações, se por ventura sua declaração visse (sic) ser selecionada por parâmetros estabelecidos pela Administração Tributária. Observase que no presente caso o contribuinte teve duas oportunidades de comprobação de tais dados, quando do recebimento da Intimação Fiscal e ao formalizar o presente processo e no entanto, deixou de fazer. Assim sendo, VOTO pela improcedência da impugnação para MANTER na integra a Notificação de Lançamento, do IRPF/2007. 5. Por ocasião do Recurso apresentado em 09/12/2015, em contraposição à Decisão de Primeira Instância, cientificada em 09/11/2015 (efl. 37), o recorrente sustenta em seus argumentos,em síntese, que: na impugnação informou que o contador responsável pela sua Declaração de Ajuste Anual DAA havia lançado equivocadamente como uma das fontes pagadoras a Usina São José S/A (IRRF de R$ 20.309,03); tais valores foram pagos no ano de 2006 pelo Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Itapissuma, Igarassú e Itamaracá, e que recursos oriundos de demandas contra a Usina São José S/A foram sempre recebidos pelo referido Sindicato e repassados aos advogados responsáveis; valores que deveriam ser espontaneamente revertidos ao recorrente pelo referido Sindicato de quem era empregado (Doc.03), relativos à parte variável de sua remuneração, ensejaram uma demanda trabalhista, culminando em Acordo Judicial cuja cópia foi encaminhada em cumprimento à anterior Intimação, e que, em suas palavras, "estranhamente não anexada aos Autos do processo pela notificante"; no curso da fiscalização apresentou toda a documentação, mas não poderia apresentar algo que não existia ou a ele não fora informado: o recolhimento efetuado pelo responsável tributário dos valores retidos; apresentou o acordo trabalhista (Doc. 04), mas nada teria sido juntado na referida notificação; a não apresentação dos cálculos trabalhistas é irrelevante, vez que não se discute a natureza dos recursos, fato esse não objeto de contestação; Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10480.722745/201010 Acórdão n.º 2202004.937 S2C2T2 Fl. 86 5 a DRJ/REC ignorou as razões trazidas pelo ora recorrente, argüindo a ausência de provas, quando essas foram apresentadas no curso da fiscalização (Docs. 05 e 06), e não juntadas à notificação pelo agente preparador/ notificante; a fiscalização deixou de observar formalidades inerentes à constituição do crédito tributário, conforme previstas no art. 142 do CTN (transcreve o dispositivo citado e grifa "ocorrência do fato gerador" e "identificar o sujeito passivo"); a fiscalização também se encontra em desacordo com os dispositivos do Decreto 7.574/2011, em especial os arts. 24, 25 e 30, sobre provas e formalização de autos, que transcreve, grifando todo o artigo 25 ("Os autos de infração ou as notificações de lançamento deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito"); não imaginava que o julgador de 1a. Instância não teria acesso aos documentos, fato descoberto no fornecimento do processo digitalizado em novembro de 2015; uma vez que a autuação do processo ocorreu em 08/10/2010, não poderia imaginar a falha da administração fazendária ao não anexar os documentos anteriormente apresentados; tal situação torna nulo o lançamento por preterição ao direito de defesa do contribuinte, conforme o Art. 12, da lei 7574/2011, transcrito e grifado o inciso II; ocorreu erro na identificação do sujeito passivo da relação tributária (Transcreve arts 717 e 722 do RIR/99, grifando que a fonte pagadora deve reter e recolher o imposto); os arts. 24, 25 e 30 do Decreto 7.574/2011 determinam que a exigência fiscal deve estar instruída das provas indispensáveis à comprovação do ilícito, que não ocorreu, já que falta de recolhimento é de responsabilidade da fonte pagadora; sem provas de ilicitude, carece de base legal o lançamento fiscal; a cobrança foi efetuada por não ter apresentado comprovação do recolhimento do IRPF, mas a fonte pagadora é que não forneceu tal documento; os dispositivos dados como por ele infringidos, art. 12, V, Lei 9250/95 e artigos 7o., § 1º, e 87 do RIR, descrevem que o ilícito tributário é da fonte pagadora, não cumpridora do acordo judicial, que previa a responsabilidade do Sindicato pelo pagamento; a ele cabia oferecer os valores brutos e assim o fez; e que com a falha no preparo do lançamento, com ausência dos elementos apresentados no curso da fiscalização, com o erro na identificação do sujeito passivo, sem descumprimento de dispositivos legais pelo contribuinte, descabe que dele se exija o pagamento dos valores não recolhidos pela fonte retentora, da qual esses valores devem ser exigidos. 6. Requer, por fim, a declaração da improcedência da ação fiscal, pela nulidade do procedimento de notificação e do preparo do processo, e tornando nulos os atos posteriores, reformando a decisão recorrida. 7. Juntamente com seu Recurso, o contribuinte apresenta cópias dos seguintes documentos, da forma como por ele numerados: DOC 1: sua Carteira de Identidade de Advogado, efl. 47; DOC 2: peças do presente processo (Acórdão, extrato do processo, cobrança, aviso de recebimento), efls. 49/60; DOC 3: sua Carteira de Trabalho, efls. 61/62; DOC 4: Termo de Conciliação e Extrato de Movimentação do Processo Trabalhista 700010046.1992.5.06.0122, efls 63/75; DOC 5: Recibo de Entrega de Documentos no 25710 protocolado junto à DRF Recife em 22/07/2008, referente ao Exercício 2006, efls 76; Fl. 88DF CARF MF 6 DOC 6: Recibo de Entrega de Documentos no 26477 protocolado junto à DRF Recife em 08/08/2008, referente ao Exercício 2006, efls 77; e DOC sem número: cópia de petição dirigida ao Delegado da RFB em Recife/PE, dando cumprimento à intimação 2007/604221495121027, apresentado documentos especificados relativos ao exercício 2007, assinada em 21/07/2008, sem protocolo, efls 78/80. 8. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Chiavegatto de Lima, Relator 9. O Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, o recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Além disso, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal e apresentase tempestivo. Portanto dele conheço. 10. Em princípio, ressaltese que a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo o direito de o sujeito passivo fazêlo em outro momento processual, cf. Decreto nº 70.235/72, arts. 15 e 16, § 4º, abaixo transcritos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei no. 9.532/97) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei no. 9.532/97) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei no. 9.532/97) (grifei) 11. Ainda de início, ressaltese que, uma vez notificado do lançamento, o sujeito passivo não pode mais pretender retificar sua DAA, cf. Artigo 147, § 1º. do CTN Lei nº 5.172/66: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. 12. Isto posto, recordese que o lançamento deuse devido a pretensão de compensação de valores de Imposto de Renda Retido na fonte IRRF, declarados pelo próprio Recursante, no valor de R$ 30.373,96 (Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Igarassu, Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10480.722745/201010 Acórdão n.º 2202004.937 S2C2T2 Fl. 87 7 Itapissuma, Itamaracá, CNPJ 11.547.882/000126 IRRF de R$ 10.064,93. Usina São José, CNPJ 10.362.820/000187 IRRF de R$ 20.309,03). 13. Os referenciados DOC 3 e DOC 4, apresentados apenas em sede recursal, realmente demonstram a vinculação empregatícia do Recursante com o Sindicato. E o DOC 04, o Acordo Judicial, esclarece que os pagamentos efetuados são referentes a honorários devidos ao Recorrente. O recebimento dos rendimentos tributáveis não é controverso na presente lide. 14. Deve ser destacado que o descumprimento de acordo entre particulares não exime o pagamento de tributos pelos responsáveis, e muito menos a imputação de responsabilidade do cumprimento da obrigação pelo outro envolvido nesse acordo eximiria, conforme artigo 123 do CTN: Art. 123. Salvo disposições de lei em contrário, as convenções particulares, relativas à responsabilidade pelo pagamento de tributos, não podem ser opostas à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo das obrigações tributárias correspondentes. (grifei) 15. Se realmente não haveria como o agora Recursante apresentar o DARF do recolhimento efetuado pelo responsável tributário, o Sindicato, pois este não lhe forneceu, ou não efetuou Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF, existiriam outras formas subsidiárias de comprovar a retenção do imposto, como através de todos os documentos enumerados na intimação inicial. 16. E neste escopo, principalmente a apresentação da planilha de cálculos trabalhistas, à qual o recursante atribui irrelevância, poderia na verdade ser substancial, uma vez que, embora não se discuta a natureza dos recursos, os valores correspondentes de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF poderiam estar nela destacados. 17. Nos termos do Art. 15 do Decreto 70.235/72, anteriormente já transcrito, a impugnação formalizada deverá estar instruída com os documentos em que se fundamentar. Ainda no mesmo decreto, mais especificamente no art. 16, está disposto que a impugnação mencionará os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, com as provas que possuir. O interessado teve oportunidade, à luz dos artigos citados, de contestar os dados apurados pela Fiscalização, fundamentando sua defesa com os elementos de prova suficientes e necessários a contrapor os dados utilizados na efetivação do lançamento. 18. Não se encontram nos autos as provas que o Recursante alega ter apresentado após a primeira intimação. E ele também não (re)apresentou tais provas em sua impugnação. Sustenta o recorrente que havia entregue a documentação comprobatória e que nem a fiscalização, nem a autoridade preparadora, , nem a notificante, as juntou ao processo, caracterizando falha por parte da administração pública. 19.As alegações desprovidas de meios de prova que as justifiquem não podem prosperar. Pretendendo comprovar a anterior entrega de documentos, anexa nesta sede recursal as guias de protocolo de documentos DOC 5 e DOC 6 (efls. 66 e 67), mas tais guias são concernentes à apresentação de documentos relativos ao exercício 2006, diverso do exercício da presente lide. 20. Da mesma fora, o DOC sem número, efls. 78/80, é cópia de petição que intentou apresentar à DRF, documentos relativos ao exercício 2007. Mas, além de não apresentar protocolo em seu corpo, pretendeu dar cumprimento à intimação Fl. 90DF CARF MF 8 2007/604221495121027 . A Notificação de Lançamento em pauta é a de no. 2007/604451257764140. 21. Portanto, é fundada a decisão da DRJ/REC de julgar improcedente a impugnação por falta de provas, uma vez que as mesmas não constam nos autos. E não há que se falar em cerceamento de defesa, uma vez que documentos ausentes no processo têm sua análise impossibilitada. Os prazos previstos no Processo Administrativo Fiscal para a apresentação de seus argumentos e documentos pertinentes foram rigorosamente respeitados. 22. Quanto à retenção do imposto pela fonte pagadora, esta se dá na forma do art. 45, § único do Código Tributário Nacional: Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam.(grifei) 23. Já a dedução do IRRF do Imposto de Renda da Pessoa Física apurado na Declaração de Ajuste Anual DAA fundamentase no inciso V, do Artigo 12 da Lei 9.250/95, abaixo destacado: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: (...) V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo;(grifei) 24. Analisando a Notificação de Lançamento em sua página introdutória, verificase que foi lançado Imposto de Renda da Pessoa Física, e não Imposto de Renda Retido na Fonte. E notase que a descrição dos fatos da autuação não é a falta de recolhimento do IRRF, mas sim é a glosa da compensação por falta de comprovação de que o imposto tenha sido efetivamente retido. 25. Eivado de razão está o interessado quanto à responsabilidade única e exclusiva da fonte pagadora pelo recolhimento do IRRF. O recorrente não pode realmente ser responsabilizado por tal falta de recolhimento. Mas por outro lado, também não pode pretender compensar o Imposto a Pagar calculado em sua Declaração de Ajuste Anual com um valor de IRRF sem comprovação de retenção, e está sendo cobrado do Imposto de Renda da Pessoa Física, do qual é o sujeito passivo. 26. Esclarecendo em valores, não está sendo cobrado do contribuinte o valor do IRRF não retido (R$ 30.373,96), mas sim o Imposto de Renda da Pessoa Física devido no anocalendário 2006 (R$ 45.451,59), calculado através da tabela progressiva vigente, sobre o total de seus rendimentos tributáveis por ele mesmo declarados, com as deduções cabíveis e sem a compensação indevida do IRRF erroneamente informado na DAA original. 27. Enriquecedora é a citação dos artigos 941 e 943 do então vigente Regulamento do Imposto de Renda RIR/99: Art. 941. As pessoas físicas ou jurídicas que efetuarem pagamentos com retenção do imposto na fonte, deverão fornecer à pessoa física beneficiária, até o dia 31 de janeiro, documento comprobatório, em duas vias, com indicação da natureza e do montante do pagamento, das deduções e do imposto retido no anocalendário anterior, quando for o caso (Lei nº 8.981, de 1995, art. 86).(Grifei) (...) Fl. 91DF CARF MF Processo nº 10480.722745/201010 Acórdão n.º 2202004.937 S2C2T2 Fl. 88 9 Art. 943. A Secretaria da Receita Federal poderá instituir formulário próprio para prestação das informações de que tratam os arts. 941 e 942 (DecretoLei nº 2.124, de 1984, art. 3º, parágrafo único). § 1º O beneficiário dos rendimentos de que trata este artigo é obrigado a instruir sua declaração com o mencionado documento (Lei nº 4.154, de 1962, art. 13, § 1º). § 2º O imposto retido na fonte sobre quaisquer rendimentos ou ganhos de capital somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, quando for o caso, se o contribuinte possuir comprovante da retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora, ressalvado o disposto nos §§ 1º e 2º do art. 7º, e no § 1º do art. 8º (Lei nº 7.450, de 1985, art. 55).(grifei) 28. O Recursante não pode pretender a compensação de valores de IRRF em sua DAA de 2006, uma vez que não foi apresentado nenhum comprovante da efetiva retenção do valor pretendido, nem na forma descrita nos artigos acima, nem em qualquer outra forma suplementar que suprisse sua ausência. 29. Uma vez que na Notificação de Lançamento exigese então Imposto de Renda da Pessoa Física de quem auferiu a renda, e não Imposto de Renda Retido na Fonte, não há exigência de tributo cuja responsabilidade pelo recolhimento não seja do recorrente, o fato gerador ocorreu, e todas as formalidades prescritas no caput do art. 142 do CTN foram observadas. Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 30. Não há que se falar em nulidade, porquanto todos os requisitos previstos no art. 11 do Decreto nº 70.235/72, foram observados quando da lavratura da Notificação de Lançamento. E o artigo 59 do mesmo Decreto enumera os casos que acarretam a nulidade do lançamento. Transcrevemse a seguir, os dois artigos citados: Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente II – os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 92DF CARF MF 10 31. Por outro lado, quaisquer outras irregularidades, incorreções, e omissões cometidas na Notificação de lançamento não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio (art. 60 do PAF). 32. No presente caso, tais vícios inexistem, pois o agente autuante é competente para efetuar o lançamento fiscal e a infração imputada foi adequadamente descrita e fundamentada, de modo que permitiu ao autuado o mais amplo direito de defesa e o exercício pleno do contraditório, direito este, exercido tanto na impugnação quanto no recurso ora analisado. 33. Da análise da Notificação de Lançamento, constatase que ela demonstra com clareza as infrações imputadas, com a devida indicação do enquadramento legal da matéria apurada. Nesse sentido, não restam dúvidas de que a Notificação contém todos os requisitos legais estabelecidos no art. 11, do Decreto nº 70.235/72, que rege o Processo Administrativo Fiscal, e certamente não fere o princípio da legalidade. 34. Além disso, a Notificação de Lançamento está devidamente instruída com as provas necessárias, sob as formalidades cabíveis, uma vez que foi lavrada com base nas informações presentes na DAA do próprio contribuinte (com base no caput do Artigo 147 do CTN, já citado), onde também se constatou o ilícito tributário pelo sujeito passivo. 35. Não há nulidade da Notificação de Lançamento, não está sendo ferido o princípio da legalidade nem nenhum outro princípio constitucional, e não ocorreu cerceamento de defesa, e foram respeitados os princípios gerais de direito tributário e administrativo. 36. Dessa forma, deve ser mantida a Decisão da DRJ/REC no sentido de procedência do lançamento. CONCLUSÃO 37. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. (Assinado Digitalmente) Ricardo Chiavegatto de Lima Relator. Fl. 93DF CARF MF
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Numero do processo: 10783.910843/2009-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2005
DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA.
A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular.
A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação.
Numero da decisão: 1401-003.066
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10783.910652/2009-94, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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PAGAMENTO INDEVIDO Recorrente GARRA ENGENHARIA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2005 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA. INEXISTÊNCIA. A compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação (PER/DCOMP), na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular. A falta da clareza e certeza do crédito pleiteado impede a homologação da compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos em negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10783.910652/200994, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Livia de Carli Germano, Carlos André Soares Nogueira, Abel Nunes de Oliveira Neto, Cláudio de Andrade Camerano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 08 43 /2 00 9- 56 Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Recurso Voluntário contra a decisão de 1ª instância, proferida pela 1ª Turma da DRJ/RJ1 em que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pela Contribuinte, ocasião em que não reconheceu o alegado direito creditório. A seguir, transcrevo excertos dos termos e fundamentos da decisão recorrida: Versa este processo sobre PER/DCOMP. A DRF/Vitória, através do Despacho Decisório [...]que não homologou a compensação declarada no PER/DCOMP que relaciona. O despacho decisório contém a seguinte fundamentação: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP." O interessado, cientificado em [...], apresentou, em [...], manifestação de inconformidade [...]. Nesta peça, alega, em síntese, que: até outubro de 2003, recolheu a Contribuição Social sobre o Lucro Presumido utilizando o percentual de 12%; por cautela, a partir de novembro de 2003, alterou o percentual para 32%; a partir da MP nº 252/2005, voltou a utilizar o percentual de 12%, tendo acumulado crédito de pagamento a maior, conforme tabela, que foi utilizado para a quitação de tributos; a Receita Federal está exigindo multa para pagamento dentro do prazo; a DCTF foi transmitida em data anterior ao pedido de compensação, motivo pelo qual não foi encontrado o crédito; a DCTF foi retificada em 11/08/2009. É o relatório. Voto Tempestiva a manifestação de inconformidade, dela conheço. A teor do art. 170 do Código Tributário Naciona CTN (Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966), na compensação tributária, o direito creditório alegado deve preencher dois requisitos: o da Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 4 3 liquidez, concernente ao aspecto do montante do crédito; e, o da certeza, que diz respeito à prova incontestável do direito alegado. Desde a Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que alterou o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, àquele que pretende compensar débitos tributários com créditos tributários de que se afirma detentor, compete declarar tal pretensão a esta Secretaria: "Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. § 1º. A compensação de que trata o caput será efetuada mediante a entrega, pelo sujeito passivo, de declaração na qual consta informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos compensados." O legislador foi inequívoco: a compensação é efetuada mediante a entrega de declaração de compensação, na qual cabe ao declarante prestar as informações do crédito de que, comprovadamente, declara ser titular, e, também, as informações do débito que, lastreado em documentos e registros contábeis idôneos, apurou. As informações prestadas em Dcomp devem corresponder àquelas que o declarante/fonte já havia prestado a esta Secretaria em outros documentos (darf, DCTF, DIPJ, DIRF, etc). A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O darf foi alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada em 11/08/2009. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Os débitos objeto de compensação não homologada devem ser exigidos com os acréscimos de multa e de juros de mora, por Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 5 4 expressa determinação legal (art. 38 da Instrução Normativa RFB 900/2008 c/c art. 61 da Lei nº 9.430/1996). O Despacho Decisório recorrido deve, então, ser mantido, por não terem sido elididos os fatos que lhe deram causa. É o meu voto. Julgadora Maria de Lourde Cientificada da decisão do referido acórdão, a Contribuinte interpõe Recurso Voluntário onde reitera seus argumentos expendidos na manifestação de inconformidade, acrescentando tabelas com os valores que entende devidos e compensados de vários tributos, diferenças entre os valores recolhidos (origem do eventual crédito), créditos e débitos atualizados, além de tabela comparativa processos de cobrança com a utilização de multa e juros de mora, tudo isto para arrematar com a mesma conclusão da impugnação apresentada: Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401003.061, de 13/12/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10783.910652/2009 94, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401003.061): "Tanto o Despacho Decisório quanto o acórdão proferido pela DRJ estão, considerando as informações do PER/DCOMP, corretos em suas decisões, uma vez que não houve a indicação precisa de eventual pagamento indevido, no caso de CSLL. De se dizer que processos desta natureza (PER/DCOMP) são de rito sumário e devem conter todas as informações necessárias em seu pleito inicial para que a administração tributária tenha condições de analisar seu crédito, oriundo de pagamentos a maior ou utilizado em compensações, como no caso. Não nos olvidemos de que são milhares os PER/DCOMP transmitidos para análises e estão Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 6 5 sujeito à homologação tácita se não apreciados em cinco anos de sua data de transmissão, de forma que, reitero, são decisões de rito sumário e devem estar (os pedidos) devidamente instruídos no que toca a natureza do crédito pleiteado e utilizado para fins de compensação. No caso em questão, a Recorrente, alertada pelo decidido no Despacho Decisório que indeferiu seu pleito, apresentou uma DCTF retificadora onde ali repousariam, então, os valores que entende como devidos. A instância de piso não aceitou tal retificação: A DRF, ao confrontar as informações prestadas no PER/DCOMP com as existentes nos sistemas da RFB, verificou que o DARF discriminado no PER/DCOMP foi integralmente utilizado para quitação de débitos do interessado, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O darf foi alocado conforme DCTF Declaração de Contribuições e Tributos Federais. A DCTF, sendo confissão de dívida, tem o condão de constituir, formalmente, o crédito tributário, materializandoo. Na manifestação de inconformidade, o interessado admite que a DCTF não apontava a existência de crédito, sendo retificada em 11/08/2009. A retificação da DCTF, após o Despacho Decisório, não produz efeito. Em situações desta natureza, onde apenas o crédito pleiteado fora informado de maneira equivocada no PER/DCOMP, entendo que se pode aceitar a DCTF retificadora apresentada após o Despacho Decisório, mas, ressaltese, tratandose de uma situação pontual, onde, de plano, poderseia aferir a existência do direito creditório da Requerente. Mas não é o caso dos autos. De se mostrar. A Recorrente afirmou em sua Impugnação que sua forma de tributação era o lucro presumido, onde o IRPJ é apurado por trimestre, entretanto, "por opção do seu setor financeiro, recolhe antecipadamente ao final de cada mês", procedimento incorreto, pois vedada a apuração e o pagamento mensal do tributo devido (art.516 do RIR/99), aí incluída a CSLL. A Recorrente afirmou que recolhia, até outubro de 2003, a CSLL utilizando como base de cálculo o percentual de 12% da receita bruta e a partir daí até setembro de 2005, utilizou a base de cálculo da CSLL no percentual de 32%, por força do art.22 da Lei 10.684/2003, quando, então, voltou a Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 7 6 utilizar o percentual de 12%, agora em face da Medida Provisória nº 252/2005. Em seu entendimento teria recolhido a maior a CSLL relativa ao período compreendido entre novembro de 2003 a setembro de 2005, entretanto, não apresenta e nem fundamenta suas razões de existência do eventual direito creditório alegado em seu recurso. Pelo exposto, já seria o suficiente para lhe negar seu pleito, mas ainda há outros entraves que impedem ou permitam reconhecer qualquer sinal do eventual crédito nos moldes em que aventado pela Recorrente. Base de Cálculo da CSLL Lei 9.250/1995 Art.20. A partir de 1º de janeiro de 1996, a base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts.27 e 29 a 34 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário. Em 2003, houve alteração do artigo supra, que teria motivado (?) a Recorrente ao recolhimento da CSLL utilizando o percentual de 32% como base de cálculo: Base de Cálculo da CSLL Lei 10.684, de 30 de maio de 2003 Art.22. O art.20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art.20. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, devida pelas pessoas jurídicas que efetuarem o pagamento mensal a que se referem os arts.27 e 29 a 34 da Lei 8.981, de 20 de janeiro de 1995, e pelas pessoas jurídicas desobrigadas de escrituração contábil, corresponderá a doze por cento da receita bruta, na forma definida na legislação vigente, auferida em cada mês do anocalendário, exceto para as pessoas jurídicas que exerçam as atividades a que se refere o inciso III do parágrafo 1º do art.15, cujo percentual corresponderá a trinta e dois por cento. De se ver o dispositivo supra citado, que excepcionou a utilização de percentual de 32%: Lei 9.250/1995 (art.15 com redação anterior à dada pela Lei 12.973/14) Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 8 7 Art.15. A base de cálculo do imposto, em cada mês, será determinada mediante a aplicação do percentual de 8% (oito por cento) sobre a receita bruta auferida mensalmente, observado o disposto nos arts.30 a 35 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 2005. Parágrafo 1º Nas seguintes atividades, o percentual de que trata este artigo será de : [...] III. trinta e dois por cento, para as atividades de: a) prestação de serviços em geral, exceto a de serviços hospitalares; (redação anterior a Lei nº 11.727, de 2008) [...] A Recorrente nem sabe dizer porque passou a utilizar o percentual de 32% na base de cálculo da CSLL. Seu Contrato Social nos dá uma pista, somente isto, desta mudança, pois ali consta em seu objeto social (cláusula terceira, Volume V1) a exploração das seguintes atividades: Se a Recorrente se utilizar de construção civil por empreitada, por exemplo, devese observar a aplicação dos materiais envolvidos, ou seja, se fornecidos pelo empreiteiro, fica sujeito ao percentual de 8% na apuração da base de cálculo do IRPJ, enquadrandose no caput do art.15 da Lei 9.249/95 e assim, o percentual de determinação da base de cálculo da CSLL é de 12%. Serviços de desenho técnico especializados de arquitetura e engenharia, me parece que enquadramse em prestação de serviços em geral, passíveis, portanto, de utilização do percentual de 32% na base de cálculo da CSLL, mas, enfim, nada foi demonstrado pela Recorrente, que possui o exercício, pelo menos consta em seu Contrato Social, de mais de uma atividade, o que pode levar à utilização de percentuais diferentes da base de cálculo da CSLL: 32% sobre a receita bruta da atividade enquadrada no inciso III do parágrafo 1º do art.15 da Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 9 8 Lei 9.249/95 e de 12% sobre a receita bruta das demais atividades. Além desta ausência de fundamentação da razão de pedir, não há nos autos uma nota fiscal sequer que demonstrasse a natureza das atividades exercidas pela Recorrente. Diz a Recorrente ainda, em seu recurso voluntário, que, a partir de setembro de 2005, com a edição da Medida Provisória nº 252/2005, "voltamos a utilizar o percentual de 12% aplicado no cálculo da CSLL." A Medida Provisória nº 252, de 15 de junho de 2005 perdeu sua eficácia, tendo seu prazo de vigência encerrado em 13 de outubro de 2005, conforme Ato Declaratório do Presidente da Mesa do Congresso Nacional nº 38, de 2005. Posteriormente foi editada uma nova MP, agora de nº 255, de 1° de julho de 2005, convertida na Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005 que, naquilo que possa ter alguma alusão ao afirmado pela Recorrente seria o seguinte: Lei 11.196/2005 Capítulo VII DO IMPOSTO DE RENDA DA PESSOA JURÍDICA IRPJ E DA CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Art.34. Os arts. 15 e 20 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 2005, passam a vigorar com a seguinte redação: "Art.15. ........................................................................................ .................................................................................. Parágrafo 4º. O percentual de que trata este artigo também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, quando decorrentes da comercialização de imóveis e for apurada por meio de imóveis ou coeficientes previstos em contrato." "Art.20. ......................................................................................... Parágrafo 1º. A pessoa jurídica submetida ao lucro presumido poderá, excepcionalmente, em relação ao 4º (quarto) trimestrecalendário de 2003, optar pelo lucro real, sendo definitiva a tributação pelo lucro presumido relativa aos 3 (tres) primeiros trimestres. Fl. 90DF CARF MF Processo nº 10783.910843/200956 Acórdão n.º 1401003.066 S1C4T1 Fl. 10 9 Parágrafo 2º. O percentual de que trata o caput deste artigo também será aplicado sobre a receita financeira de que trata o parágrafo 4º do art.15 desta Lei." Depreendese da mencionada Lei que o percentual de 8% também será aplicado sobre a receita financeira da pessoa jurídica que "explore atividades imobiliárias relativas a loteamento de terrenos, incorporação imobiliária, construção de prédios destinados à venda, bem como a venda de imóveis construídos ou adquiridos para revenda, quando decorrentes da comercialização de imóveis e for apurada por meio de imóveis ou coeficientes previstos em contrato", valendo o mesmo para fins de cálculo da CSLL. Nada mais do que isto, ficando sem sentido a afirmação da Recorrente, a seguir reproduzida: Por qualquer ângulo que se analise o pleito da Recorrente, verificase que não há um indício sequer de que a Recorrente possua o alegado crédito de CSLL. Conclusão Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 91DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.903429/2015-59
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.043
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, tudo conforme voto do relator.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Breno do Carmo Moreira Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: BRENO DO CARMO MOREIRA VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à Unidade de Origem, a fim de aferir a suficiência do direito creditório vindicado, tudo conforme voto do relator. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (presidente da Turma), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário (efls. 91 à 96) interposto contra o Acórdão n° 1153.335, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife (efls. 79 à 85), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Por representar acurácia na análise dos fatos, faço uso do Relatório do Acórdão a quo: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 88 .9 03 42 9/ 20 15 -5 9 Fl. 210DF CARF MF Processo nº 13888.903429/201559 Resolução nº 1002000.043 S1C0T2 Fl. 211 2 Tratam os autos de análise da Declaração de Compensação nº 30252.03212.300415.1.3.049645, com cópia às fls. 71 a 75, por intermédio da qual o contribuinte compensou Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) referente ao 3º trimestre de 2012 com suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de mesmo tributo no valor de R$ 18.453,62, decorrente de Darf de R$ 140.355,20, arrecadado em 29/07/2011, no código de receita 2089, relativo ao período de apuração 2º trimestre de 2011. Conforme declarado, foi utilizada na compensação a parcela do crédito de R$ 553,01, restando um saldo a restituir/compensar de R$ 17.900,61. 2. Como resultado da análise foi proferido o Despacho Decisório com nº de rastreamento 111430410, em 09/12/2015, com cópia às fls. 64 a 69, que decidiu por não homologar a compensação declarada em virtude da inexistência do direito creditório pretendido. 2.1. Consoante fundamentação da decisão, o valor recolhido foi integralmente alocado ao débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF), razão pela qual não restou resíduo a restituir/compensar. 3. Cientificado da decisão por via postal em 17/12/2015 conforme cópia do Aviso de Recebimento (AR) à fl. 63, em 18/01/2016 o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade à fl. 2, instruída com os documentos às fls. 3 a 62, onde argumenta que informou equivocadamente em DCTF o valor de R$ 140.355,20 a título de CSLL referente ao 2º trimestre, o qual foi recolhido, quando deveria ter declarado R$ 121.901,58, conforme faz prova sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ). Informa que providenciou a retificação da DCTF. Protesta ao final pela juntada de todos os documentos necessários para a comprovação do crédito. 4. Em 23/02/2016 os autos foram encaminhados à Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Ribeirão Preto – SP para a apreciação da manifestação de inconformidade, com pronunciamento da unidade preparadora pela sua tempestividade (fls. 76 e 77). Entretanto, tendo em vista o disposto na Portaria RFB nº 453, de 2013, e no art. 2º da Portaria RFB nº 1.006, de 2013, em 12/05/2016 os autos foram remetidos a esta DRJ/Recife para proceder ao julgamento da lide (fl. 78). Segundo o teor meritório, não houve lastro probatório suficiente a justificar a compensação pretendida. De igual sorte, não pode o Contribuinte apresentar Declaração Retificadora após a expedição de Despacho Decisório. Transcrevo os principais excertos: 8. Na declaração original o contribuinte confessou CSLL relativa ao 2º trimestre de 2011 no montante de R$ 140.355,20 conforme tela de consulta abaixo copiada. Como até a data do despacho decisório não havia sido entregue declaração retificadora, a decisão baseouse na declaração original, sendo, nesse contexto, acertado o entendimento da autoridade administrativa ao não reconhecer o direito creditório pretendido, vez que o Darf de R$ 140.355,20 estava integralmente absorvido pelo débito declarado. (...) Fl. 211DF CARF MF Processo nº 13888.903429/201559 Resolução nº 1002000.043 S1C0T2 Fl. 212 3 9. Somente quando da ciência do despacho decisório é que o contribuinte entregou DCTF retificadora a fim de alterar o débito confessado para R$ 121.901,58. Tal declaração conduziria a concluir pela existência de um recolhimento a maior de R$ 18.453,62, consoante defendido em sua manifestação de inconformidade. 10. Acontece que na data de entrega dessa DCTF retificadora (13/01/2016) o contribuinte não estava mais amparado pela espontaneidade, já que, conforme dito, a transmissão foi posterior à ciência do despacho decisório. A retificadora, embora válida, não produz efeitos no que se refere ao tributo objeto da compensação, e, por conseguinte não serve como prova da existência do crédito de pagamento indevido ou a maior. 11. Esse entendimento está amparado no disposto no §1º do art. 7º do Decreto nº 70.235, de 1972, e no § 2º do art. 9 da Instrução Normativa (IN) RFB nº 1.599, de 2015 (vigente à época da retificação): (...) 12. Nesse sentido, ainda, a Súmula nº 33 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), que, embora trate de lançamento de ofício, é aplicável também ao despacho decisório relativo à compensação pois ambos decorrem de procedimento fiscal: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. 13. Não obstante isso, é devido ressaltar o disposto no §3º do art. 9º da IN RFB nº 1.599, de 2015, que autoriza a retificação de ofício da DCTF atendidas as seguintes condições: (i) prova inequívoca de erro de fato no preenchimento da declaração, e (ii) que esta retificação ocorra enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente à declaração: § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário correspondente àquela declaração. 14. Ou seja, conforme a norma acima, mesmo sendo não espontânea a DCTF retificadora entregue, em ocorrendo erro de fato no preenchimento da declaração original, e não estando decaído o direito da Fazenda Pública de constituir o crédito tributário relativo ao fato gerador objeto dos autos, há a possibilidade de sua retificação de ofício. No presente caso a segunda condição está atendida, restando verificar a ocorrência de erro de fato. 15. Ademais, ainda que a retificação de ofício na forma acima não fosse possível pelo decurso do prazo decadencial, há ainda o recurso final de se pedir restituição (ou compensação) do valor pago, conforme fez o contribuinte, desde que comprovado o erro de fato no Fl. 212DF CARF MF Processo nº 13888.903429/201559 Resolução nº 1002000.043 S1C0T2 Fl. 213 4 preenchimento da declaração. Este entendimento consta do Parecer Normativo Cosit nº 8, de 2014, cuja parte de interesse transcrevo a seguir: 45. Da mesma forma que a revisão de ofício, a retificação de ofício pode ser feita a qualquer tempo, para crédito tributário não extinto e indevido. Para os casos em que o crédito tributário já se encontre extinto, “deve ser observado, nesse caso, o art. 168 do CTN, que condiciona a correção do erro praticado e a devolução do valor recolhido indevidamente aos cofres públicos à apresentação pelo contribuinte de pedido de restituição antes de transcorrido o prazo fixado no referido dispositivo legal” (Parecer Cosit nº 38, de 2003). 16. Logo, diante da possibilidade de retificação de ofício da DCTF, ademais em virtude de o contribuinte ter apresentado Dcomp, cabe a este colegiado administrativo verificar se houve o alegado erro de fato no preenchimento da DCTF original. 17. Na espécie, a DIPJ foi a única prova carreada aos autos passível de demonstrar a ocorrência de erro de fato no preenchimento da DCTF. 18. Em vista disso é devido esclarecer que, diferentemente da antiga declaração de rendimentos da pessoa jurídica (DIRPJ), cujos saldos a pagar dos tributos apurados representavam confissão de dívida nos termos do art. 1º da IN SRF nº 77, de 1998, a declaração que a substituiu, atual DIPJ, possui apenas valor informativo, haja vista nova redação dada pela IN SRF nº 14, de 2000. 19. Nesse sentido a Súmula nº 92 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf): A DIPJ, desde a sua instituição, não constitui confissão de dívida, nem instrumento hábil e suficiente para a exigência de crédito tributário nela informado. 20. Então, atualmente a DIPJ não possui força probante, por si só, das informações prestadas na Dcomp. Portanto, para provar que a DCTF foi preenchida com erro e, por conseguinte, que a apuração contida na DIPJ representa a realidade fiscal do contribuinte, tornase necessário que o contribuinte traga aos autos provas documentais, tais como os livros contábeis e fiscais, na parte de interesse, e documentos fiscais, conforme o caso, de forma a permitir ao julgador administrativo verificar se o que foi declarado na DIPJ corresponde ao registrado na escrituração. 21. Frisese, adicionalmente, que, ainda que se desconsiderasse o caráter informativo da DIPJ e o caráter de confissão da DCTF, ainda assim seria necessária a comprovação documental (escrituração) do valor correto da CSLL apurada haja vista a discrepância entre as informações constantes nessas duas declarações, ambas de lavra do contribuinte. 22. Como o interessado não trouxe aos autos qualquer outro documento que não a própria DIPJ, entendo que não comprovou o erro Fl. 213DF CARF MF Processo nº 13888.903429/201559 Resolução nº 1002000.043 S1C0T2 Fl. 214 5 de fato no preenchimento da DCTF, sendo devido considerar a utilização integral do Darf para a liquidação do débito nela declarado. 23. Ao fim, o contribuinte protesta pela juntada de todos os documentos que se julgar necessários para a comprovação do crédito. Quanto a tal pedido, esclareço que a produção de provas de suas alegações é direito do contribuinte a ser exercido quando da apresentação da manifestação de inconformidade, nos termos do art. 16, III e §4º do Decreto nº 70.235, de 1972, com redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993, c/c o art. 74, §11 da Lei nº 9.430, de 1996, com redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003, como também, após esta, nas hipóteses listadas no referido §4º, por meio de requerimento específico consoante §5º do mesmo artigo. Na espécie, o contribuinte deixou de exercer este direito após apresentação da manifestação de inconformidade, limitandose a protestar na manifestação de inconformidade por sua garantia, a qual, conforme visto, já está assegurada por lei, sendo desnecessário o pleito. O Recurso Voluntário, em sua essência, reitera os argumentos veiculados na exordial, sendo que apresenta um amplo rol de documentos aptos a justificar seu pedido, verbis: Cópia do Livro Diário, que revela o valor do faturamento percebido no 2º trimestre de 2011, cujo montante é o primeiro valor utilizado para o cálculo da base presumida da CSLL (doc. 08); Cópias do Razão Analítico, onde constam, da mesma forma, os valores correspondentes ao faturamento (receitas de venda de mercadorias e de prestação de serviços) do 2º Trimestre de 2011 (doc. 09); Cópia do Registro de Apuração dos tributos, cuja base foi retirada dos lançamentos contidos nos livros contábeis e que provam, de forma cabal, o valor correto que deveria ter sido lançado e recolhido (doc. 10); Cópia dos Balancetes de Verificação do trimestre, onde se observa, no mês 06/2011, o valor correto da CSLL lançado na conta contábil “2.1.03.0013 – “CONTRIB. SOCIAL A RECOLHER” – de R$ 121.901,58 (doc. 11); Dessa forma, ao contrário do que foi afirmado no Despacho Decisório e na r. Decisão Recorrida, a existência do crédito alegado pela Recorrente está calcada em elementos consistentes de prova. Por essa razão, não é jurídico, sobretudo à luz do princípio da busca pela verdade material, negar o direito da Recorrente à compensação, somente por ter ela deixado de retificar a DCTF no momento oportuno. (...) Notase, pois, que a jurisprudência firmada no âmbito desse E. Conselho determina a necessidade de reconhecimento do direito creditório dos contribuintes, ainda que haja falha vinculada à não retificação das obrigações acessórias. Em resumo, uma vez comprovado o crédito, a homologação das compensações a ele vinculadas é a providência que se impõe. Fl. 214DF CARF MF Processo nº 13888.903429/201559 Resolução nº 1002000.043 S1C0T2 Fl. 215 6 Por outro lado, ainda que haja questionamento quanto à apresentação tardia de provas, não se pode negar ao contribuinte sua análise por parte das autoridades administrativas de julgamento, por necessária obediência ao princípio da verdade material. Vossas Senhorias, portanto, estão amplamente autorizadas a fazer o efetivo controle da legalidade do indigitado Despacho Decisório e da r. decisão recorrida. É o Relatório. VOTO Conselheiro Breno do Carmo Moreira Vieira Relator. O presente Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Passo à análise dos pontos suscitados no Recurso. Por primeiro, cumpre destacar a existência de conexão com o processo n° 13888.903430/201583, conforme bem pontuado pela Autoridade Julgadora a quo no Acórdão n° 1153.336. Sendo assim, o desiderato final da análise compensatório encontrase umbilicalmente vinculado àqueles autos, haja vista tratarem da mesma operação de cotejo entre débitos e créditos. Portanto, há de se dispor de sinergia entre as decisões exaradas neste e naquele processo. Pois bem; como se sabe, o CARF já dispõe de vasta jurisprudência no sentido de admitir apresentação documental em sede de Recurso Voluntário, desde que isso não seja reflexo de inegável desídia do Contribuinte, inovação jurídica, ou que se trate de acervo essencial à instrução do PAF ab initio. Nenhum desses aspectos macula o presente caso, que ainda se acrescenta o aspecto do Recorrente ter juntado suas provas após saber o motivo do indeferimento de seu pedido. Portanto, tais fatos corroboram a intelecção jurisprudencial adotada por este Colegiado Administrativo, calcada na verdade material. Por fim, assevero que não é possível esta Turma Extraordinária proceder prontamente com a homologação da compensação dos valores pleiteados no Recurso Voluntário. Isso porque haveria inegável supressão de instância, razão pela qual se torna imperativo o retorno dos presentes autos à instância a quo, para que realize uma nova análise compensatória, considerando, doravante, os documentos acostados em sede recursal. Portanto, reitero que foi apresentado amplo acervo probatório em ambos os autos (13888.903429/201559 e 13888.903430/201583), e, considerando a ausência de preclusão consumativa, quedase viável a apreciação da coletânea documental, em especial. Conclusão Ante o exposto, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, o meu voto é por converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, com o objetivo de reavaliar o pedido de compensação, considerando a documentação acostada em sede de Recurso Voluntário e conjugando o desiderato de ambos os processos n° 13888.903429/2015 59 e n° 13888.903430/201583. Fl. 215DF CARF MF Processo nº 13888.903429/201559 Resolução nº 1002000.043 S1C0T2 Fl. 216 7 Esclareço que, por força do parágrafo único do art. 35 do Decreto n.º 7.574, de 2011, o sujeito passivo deverá ser cientificado do resultado da realização da diligência, sempre que novos fatos ou documentos sejam trazidos ao processo, hipótese em que deverá ser concedido prazo de trinta dias para sua manifestação. É como Voto. (Assinado digitalmente) Breno do Carmo Moreira Vieira Fl. 216DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.002754/2007-31
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004
DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos.
Numero da decisão: 2002-000.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Ferreira Stoll - Redatora Designada.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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COMPROVAÇÃO. É licita a exigência de outros elementos de prova além dos recibos das despesas médicas quando a autoridade fiscal não ficar convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os conselheiros Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil (relator), que lhe deram provimento. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Redatora Designada. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 00 27 54 /2 00 7- 31 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10183.002754/200731 Acórdão n.º 2002000.760 S2C0T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 65/77) contra decisão de primeira instância (fls. 46/54), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: LANÇAMENTO Trata o presente processo de Notificação de Lançamento do Imposto sobre a Renda Pessoa Física, fls 09/12, em face do sujeito passivo acima identificado, referente ao exercício 2005, anocalendário 2004, com ciência em 11/06/2007 (fl34), sendo constituído crédito tributário no valor de R$ 7.678,67, composto das seguintes parcelas: Conforma a DESCRIÇÃO DOS FATOS E ENQUADRAMENTO LEGAL 09/12 foi lançado de ofício o presente crédito tributário, em decorrência das seguintes constatações durante a ação fiscal: · Glosa do valor de R4 16.272,72, indevidamente deduzido a título de Despesas Médicas, por falta de comprovação, ou por falta de previsão legal para sua dedução. · Não houve comprovação do efetivo desembolso com os serviços prestados. Não há identificação do endereço do profissional nos recibos emitidos pela Sra. Kelvia Karina da Costa. Não foi apresentado qualquer documento comprobatório dos dispêndios com plano de saúde (Unimed). Impugnação Na impugnação de fls. 01/08, apresentada em 09/07/2007, instruída com os documentos de fls. 13/31, a interessada, profere as seguintes alegações: · Apresentou comprovantes originais e cópias das despesas médicas, relativas a Declaração de Imposto de renda Pessoa Física, exercício 2005, anocalendário 2004. · Deu total cumprimento ao termo de intimação fiscal nº 2005/6013750063481056. · No dia 27/04/2007, recebeu outro termo de intimação fiscal para apresentar, no prazo de 5 (cinco) dias úteis, “Comprovantes dos efetivos pagamentos das despesas médicas relacionadas na respectiva declaração (cópia de cheque, extrato bancário, fatura de cartão de crédito) aos Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10183.002754/200731 Acórdão n.º 2002000.760 S2C0T2 Fl. 4 3 senhores Rogério Bonacci e à senhora Kelvia Karina da Costa.”, (doc XIV). · Em data de 03/05/2007, protocolizou novamente, junto a Secretaria da Receita Federal, resposta por escrito, datada e assinada pela mesma, esclarecendo que os pagamentos foram realizados de forma mensal, em espécie, conforme acordo com os prestadores de serviço, e, no caso do Sr. Rogério Bonacci, o recibo foi expedido após pagamento integral do valor acordado. Merecendo registrar, que mais uma vez, o aludido documento foi recebido pela Auditora Fiscal da Receita Federal – Cristiane Glerian, (doc. XV). · As despesas com o plano de saúde UNIMED, estão devidamente comprovadas, mediante o INFORME PARA DECLARAÇÃO DO IMPOSTO DE RENDA / ANO – 2004, expedido em 18/02/2005, pela UNIMED CUIABÁ – COOPERATIVA DE TRABALHO MÉDICO, inscrita no CNPJ sob o nº 03.533.726/000188, com endereço localizado à Rua Barão de Melgaço, nº 2.713, Bairro Centro Sul, CuiabáMT, totalizando R$ 1.322,72 (hum mil, trezentos e vinte e dois reais e setenta e dois centavos), (DOC. IV). · Os pagamentos efetuados à Fisioterapeuta Dra. Kelvia Karina da Costa, devidamente inscrita no CREFITO sob o nº 9/20580 F, e no C.P.F. 531.673.33120, com endereço profissional localizado à Avenida das Flores, nº 843, Bairro Jardim Cuiabá, CuiabáMT, perfazendo um total de R$ 5.000,00 (cinco mil reais), estão amplamente comprovados pelas fotocópias autenticadas em Cartório, dos 08 (oito) recibos referentes ao pagamento de tratamento fisioterápico denominado Reeducação Postural Global – RPG, emitidos pela profissional, (DOCs. V, VI, VII, VIII, IX, X, XI e XII), e atualmente confirmados pela DECLARAÇÃO assinada pela mesma, com firma reconhecida em Cartório, (DOC. XVI). · O procedimento de fisioterapia denominado Reeducação Postural Global – RPG, não é coberto pelo plano de saúde contratado pela Impugnante, conforme consta da Declaração firmada pelo Gerente de Mercado da UNIMED CUIABÁ, Senhor Cypriano A. Curvo, (DOC. XVII). · O pagamento efetuado ao Odontólogo Dr. Rogério Bonacci, devidamente inscrito no CROMT sob o nº 1156, e no C.P.F.033.891.67846, com endereço profissional localizado à Rua Safira, nº 208, Bairro Bosque da Saúde, CuiabáMT, no valor de R$ 9.950,00 (nove mil, novecentos e cinquenta reais), encontrase também, de forma irretorquível comprovado, bastando examinar a fotocópia autenticada em Cartório, do recibo referente ao pagamento de tratamento odontológico, emitido pelo profissional, (DOC. XIII). · Necessita de cuidados médicos especiais, conforme comprovação diagnóstica de Osteopenia, obtida mediante exames de Densiometria Óssea de Coluna Lombar em AP e Densiometria Óssea de Fêmur Proximal Direito, realizados em data de 18 de junho de 2004, (DOC. XIX). Pedido Fl. 84DF CARF MF Processo nº 10183.002754/200731 Acórdão n.º 2002000.760 S2C0T2 Fl. 5 4 A interessada requer a improcedência do crédito tributário apurado. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: GLOSA DESPESAS MÉDICAS A eficácia da prova de despesas médicas, para fins de dedução da base de cálculo do imposto de renda pessoa física, está condicionada ao atendimento de requisitos objetivos, previstos em lei, e de requisitos de julgamento baseados em critérios de razoabilidade. Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação e requerendo a improcedência do auto de infração. É o relatório. Passo ao voto. Voto Vencido Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 13/07/2009 (fl. 63); Recurso Voluntário protocolado em 07/08/2009 (fl. 65), assinado pela própria contribuinte. Responde a contribuinte nestes autos, pela seguinte infração: a) Dedução Indevida de Despesas Médicas. O Sr. AFRF, relata que não houve comprovação do efetivo desembolso com os serviços prestados, bem como não foi apresentado qualquer documento comprobatório dos dispêndios com plano de saúde. A r. decisão de origem, concedeu provimento parcial à impugnação da contribuinte. Irresignada, a recorrente maneja recurso próprio combatendo o mérito. Diz a r. decisão revisanda, que a declaração é documento válido para comprovar o pagamento do plano de saúde pela própria interessada, em razão da declaração a prova foi efetivamente considerada. A recorrente juntou recibos às fls. 20/23, da profissional de saúde, Kelvia Karina da Costa; juntou recibo à fl. 24 do também profissional de saúde, Dr. Claudemir Rogério Bonacci, ocorre também que destes profissionais a recorrente carreou aos autos as respectivas declarações às fls. 27 e 30, que suprem os defeitos apontados nos recibos, desta forma, entende este relator, que como a declaração da UNIMED foi aceita, seria de bom senso aceitar também as declarações dos profissionais. Fl. 85DF CARF MF Processo nº 10183.002754/200731 Acórdão n.º 2002000.760 S2C0T2 Fl. 6 5 Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito dáse provimento para anular a ação fiscal. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10183.002754/200731 Acórdão n.º 2002000.760 S2C0T2 Fl. 7 6 Voto Vencedor Conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll – Redatora Designada. Com a devida vênia, divirjo do Relator quanto à comprovação das despesas médicas em litígio. Cumpre esclarecer que a dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual está sujeita à comprovação por documentação hábil e idônea a juízo da autoridade lançadora, nos termos do art. 73 do Regulamento do Imposto de Renda RIR/99, aprovado pelo Decreto 3.000/99. Dessa forma, ainda que a contribuinte tenha apresentado recibos emitidos pelos profissionais, é licito a autoridade fiscal exigir, a seu critério, outros elementos de prova caso não fique convencida da efetividade da prestação dos serviços ou da materialidade dos respectivos pagamentos. Havendo questionamento acerca das despesas declaradas, cabe ao sujeito passivo o ônus de comproválas de maneira inequívoca, sem deixar margem a dúvidas. Ressaltese que tal exigência não está relacionada à constatação de inidoneidade dos recibos examinados, mas tão somente à formação de convicção da autoridade lançadora. As decisões a seguir, proferidas pela Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF e pela 1ª Turma da 4ª Câmara da 2ª Seção do CARF, corroboram esse entendimento: IRPF. DESPESAS MÉDICAS.COMPROVAÇÃO. Todas as deduções declaradas estão sujeitas à comprovação ou justificação, mormente quando há dúvida razoável quanto à sua efetividade. Em tais situações, a apresentação tãosomente de recibos e/ou declarações de lavra dos profissionais é insuficiente para suprir a não comprovação dos correspondentes pagamentos. (Acórdão nº9202005.323, de 30/3/2017) DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. APRESENTAÇÃO DE RECIBOS. SOLICITAÇÃO DE OUTROS ELEMENTOS DE PROVA PELO FISCO. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, podendo a autoridade lançadora solicitar motivadamente elementos de prova da efetividade dos serviços médicos prestados ou dos correspondentes pagamentos. Em havendo tal solicitação, é de se exigir do contribuinte prova da referida efetividade. (Acórdão nº9202005.461, de 24/5/2017) IRPF. DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA EFETIVA PRESTAÇÃO DOS SERVIÇOS E DO CORRESPONDENTE PAGAMENTO. A Lei nº 9.250/95 exige não só a efetiva prestação de serviços como também seu dispêndio como condição para a dedução da despesa médica, isto é, necessário que o contribuinte tenha Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10183.002754/200731 Acórdão n.º 2002000.760 S2C0T2 Fl. 8 7 usufruído de serviços médicos onerosos e os tenha suportado. Tal fato é que subtrai renda do sujeito passivo que, em face do permissivo legal, tem o direito de abater o valor correspondente da base de cálculo do imposto sobre a renda devido no ano calendário em que suportou tal custo. Havendo solicitação pela autoridade fiscal da comprovação da prestação dos serviços e do efetivo pagamento, cabe ao contribuinte a comprovação da dedução realizada, ou seja, nos termos da Lei nº 9.250/95, a efetiva prestação de serviços e o correspondente pagamento. (Acórdão nº2401004.122, de 16/2/2016) A contribuinte deve levar em consideração que o pagamento de despesas médicas não envolve apenas ela e o profissional, mas também o Fisco, caso haja intenção de se beneficiar da dedução correspondente em sua Declaração de Ajuste Anual. Por esse motivo, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade dos pagamentos e dos serviços prestados. É possível que a recorrente tenha feito seus pagamentos em espécie, tal como alega, não havendo nada de ilegal neste procedimento. A legislação não impõe que se faça pagamentos de uma forma em detrimento de outra. Não obstante, verificase que esta não trouxe aos autos nenhum documento bancário a fim de demonstrar a correspondência de datas e valores entre os saques efetuados em sua conta e os recibos apresentados, permanecendo sem comprovação o efetivo pagamento das despesas. Importa salientar que não é o Fisco que precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas a contribuinte que deve apresentar as devidas comprovações quando solicitadas. Isto porque, sendo a inclusão de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual nada mais do que um benefício concedido pela legislação, incumbe à interessada provar que faz jus ao direito pleiteado. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Ferreira Stoll Fl. 88DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.003804/2010-54
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006
CONSTATADA OMISSÃO NA DECISÃO PROFERIDA NO ACÓRDÃO. SANÁVEL PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO.
Verificada a omissão do dispositivo do acórdão quanto ao encaminhamento dado a demanda cabível sua correção pela via de embargos de declaração
PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO.
As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional
Numero da decisão: 9202-007.411
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para sanar as omissões apontadas no Acórdão nº 9202-005.977, de 26/09/2017, sem efeitos infringentes, mantida a decisão original.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006 CONSTATADA OMISSÃO NA DECISÃO PROFERIDA NO ACÓRDÃO. SANÁVEL PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a omissão do dispositivo do acórdão quanto ao encaminhamento dado a demanda cabível sua correção pela via de embargos de declaração PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituir-se em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional
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SANÁVEL PELA VIA DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. Verificada a omissão do dispositivo do acórdão quanto ao encaminhamento dado a demanda cabível sua correção pela via de embargos de declaração PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer e acolher os Embargos de Declaração, para sanar as omissões apontadas no Acórdão nº 9202 005.977, de 26/09/2017, sem efeitos infringentes, mantida a decisão original. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 38 04 /2 01 0- 54 Fl. 455DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratam os presentes de Embargos de Declaração apresentados pela Fazenda Nacional, em relação ao Acórdão nº 9202005.977, proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O presente lançamento (DEBCAD nº 37.225.6503) teve origem do descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.225.6503, no montante de R$ 208.609,03. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, destinamse aos Terceiros – SalárioEducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a título de PLR Programa de Participação nos Lucros e Resultados pagos e/ou creditadas em desacordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000. Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições sociais apuradas e lançadas foi o pagamento das verbas relativas ao Programa de Participação nos Lucros e ou Resultados PLR durante as competências 06/2005 e 06/2006, conforme planilha demonstrativa constante do Anexo I do Relatório Fiscal. O Contribuinte apresentou a impugnação, às fls. 52/81. A DRJ/SDR, às fls. 282/292, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, reconhecendo a extinção do crédito tributário da competência 06/2005, em função da decadência, mantendo, no entanto, o crédito tributário referente à competência 06/2006. O Contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 299/330. A 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 335/369, DEU PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, para se excluir, na competência 06/2006, o Código de levantamento PL PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS PLR. A Decisão restou assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/06/2005 a 30/06/2006 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO REGULARIDADE DO LANÇAMENTOINOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram a autuação, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do Fl. 456DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202007.411 CSRFT2 Fl. 10 3 contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade da autuação. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO PLR REGRAS CLARAS E OBJETIVAS REQUISITOS PREVISTOS NA LEI 10.101/2000 LIBERDADE PARA FIXAÇÃO DE CRITÉRIOS E CONDIÇÕES POR MEIO DE NEGOCIAÇÕES A jurisprudência do CARF, nos dizeres de Elias Sampaio Freire (Freire, Elias Sampaio. A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições previdenciárias. In Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Freire, Elias Sampaio. Peixoto, Marcelo Magalhães (coords). São Paulo: MP Ed., 2012. p. 9.) aponta no sentido de que a Lei 10.101/2000 não traz regras detalhadas, justamente porque privilegia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. Ademais, nem poderia a autoridade fiscal criar critérios subjetivos no caso concreto, sob pena de violação do Princípio da Legalidade, artigo 37, caput, da Constituição Federal. Recurso Voluntário Provido Às fls. 370/378, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial, arguindo, divergência jurisprudencial acerca da seguinte matéria: Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para empregados (aspecto temporal considerase cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000). Diferentemente do decidido no acórdão recorrido, o julgado paradigma assinalou que não basta o prévio debate das regras e metas, sendo necessária a formalização da negociação em instrumento próprio, anteriormente ao período de apuração. O paradigma considerou descumpridos os requisitos legais para o pagamento a título de PLR diante da inexistência de acordo formalizado anteriormente ao período de apuração do lucro ou resultado. Fl. 457DF CARF MF 4 Ao realizar o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, às fls. 390/392, a 4ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, DEU SEGUIMENTO ao recurso, concluindo restar demonstrada a divergência de interpretação em relação à seguinte matéria: Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para empregados (aspecto temporal considerase cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000). O Contribuinte foi cientificado, conforme fl. 394, apresentando Contrarrazões às fls. 397/404, reiterando, no mérito, as alegações já feitas anteriormente, além de reforçar o Acórdão recorrido. Às fls. 408/418, esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, DEU PROVIMENTO ao Recurso Especial da União. Às fls. 425/429, o Contribuinte apresentou Embargos de Declaração por omissão, alegando que a Decisão, em seu dispositivo, não se pronunciou sobre parcela atingida pela decadência. Ao realizar o Exame de Admissibilidade dos Embargos de Declaração interpostos pelo Contribuinte, às fls. 448 e ss., a 2ª Câmara do CSRF acolheu os Embargos de Declaração, vindo novamente para julgamento deste colegiado. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora Os Embargos de Declaração apresentados pelo Contribuinte são tempestivos e atendem aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merecem ser conhecidos. Tratam os presentes de Embargos de Declaração apresentados pelo Contribuinte, em relação ao Acórdão nº 9202005.977, proferido por esta 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais. O presente lançamento (DEBCAD nº 37.225.6503) teve origem do descumprimento de obrigação tributária legal principal, fl. 01, Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 37.225.6503, no montante de R$ 208.609,03. Segundo a AuditoriaFiscal, o lançamento referese às contribuições devidas a Seguridade Social, destinamse aos Terceiros – SalárioEducação, INCRA, SESI, SENAI e SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas e/ou creditadas a título de PLR Programa de Participação nos Lucros e Resultados pagos e/ou creditadas em desacordo com a Lei 10.101 de 19/12/2000. Conforme o Relatório Fiscal, o fato gerador das contribuições sociais apuradas e lançadas foi o pagamento das verbas relativas ao Programa de Participação nos Lucros e ou Resultados PLR durante as competências 06/2005 e 06/2006, conforme planilha demonstrativa constante do Anexo I do Relatório Fiscal. A decisão embargada DEU PROVIMENTO ao Recurso Especial da União, que dispunha sobre Salário indireto Participação nos Lucros e Resultados (PLR) para Fl. 458DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202007.411 CSRFT2 Fl. 11 5 empregados (aspecto temporal considerase cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101/2000). O Contribuinte apresentou Embargos de Declaração por omissão, alegando em síntese: a) omissão pela falta de exclusão de parcela atingida pela decadência; b) omissão pela falta de explicitação de fundamento legal (expresso artigo de lei) que determina que a formalização do Acordo de PLR deve preceder o período de vigência; c) omissão por falta de apreciação de argumento apresentado em contrarrazões, no sentido de que o plano de PLR questionado era de conhecimento dos empregados desde os planos de anos anteriores. No tocante a falha de fundamentação legal, de fato assiste razão ao Contribuinte, considerando que foram julgados em conjunto 4 processos do mesmo Contribuinte, houve falha por parte desta relatora ao repetir o voto da acessória na obrigação principal. Isso se deu por que a obrigação acessória estava discutindo a matéria principal, referente a PLR, o que fez com que todos os 4 acórdãos tratassem da matéria salário indireto alterando apenas o fato gerador se era obrigação patronal, segurados ou terceiros. Contudo, tendo esta Conselheira entendido que se tratava de obrigação acessória, restou o acórdão embargado sem as razões do voto vencedor, os quais agora transcrevo retirandoos do voto vencedor do Conselheiro Heitor, designado apara elaborálos a época:. Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior, Redator designado. Com a devida vênia ao entendimento esposado pela Relatora, ouso divergir quanto ao aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei no. 10.101, de 2000. Inicialmente, de se reproduzir a base legal da exclusão do conceito de salário de contribuição da participação nos lucros ou resultados da empresa, contida no art. 28, §9o., caput e alínea "j", da Lei no 8.212, de 1991, verbis: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica;(grifei) Fl. 459DF CARF MF 6 Condicionada, assim, a exclusão do conceito de salário de contribuição dos valores pagos a título de PLR à observância dos requisitos previstos em lei específica, mais especificamente, in casu, na Lei no. 10.101, de 2000. De interesse, para o deslinde do presente litígio, os requisitos constantes daquele diploma legal em seu art. 2o., em especial o contido em seu § 1o., expressis verbis: Art.2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. §1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. (grifei) §2o O instrumento de acordo celebrado será arquivado na entidade sindical dos trabalhadores. §3o Não se equipara a empresa, para os fins desta Lei: I a pessoa física; II a entidade sem fins lucrativos que, cumulativamente: a) não distribua resultados, a qualquer título, ainda que indiretamente, a dirigentes, administradores ou empresas vinculadas; b) aplique integralmente os seus recursos em sua atividade institucional e no País; c) destine o seu patrimônio a entidade congênere ou ao poder público, em caso de encerramento de suas atividades; d) mantenha escrituração contábil capaz de comprovar a observância dos demais requisitos deste inciso, e das normas fiscais, comerciais e de direito econômico que lhe sejam aplicáveis. (...) Fl. 460DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202007.411 CSRFT2 Fl. 12 7 A propósito, inicialmente, de se ressaltar que não vislumbro como associar a característica de necessário rendimento de capital à Participação de Lucros e Resultados auferida, uma vez que tal tese implicaria, em meu entendimento, quanto às rubricas em litígio, que se assumisse serem os empregados necessariamente participantes do capital social da empresa, qualidade reservada somente aos sócios do empreendimento. Ou seja, entendo que só se poderia fazer a construção de que há um necessário rendimento de capital (e não de trabalho) disponibilizado, para o caso de empregados que se revestissem da qualidade de acionistas ou quotistas da empresa e que, assim, houvessem subscrito e/ou integralizado capital no empreendimento, recebendo rendimentos decorrentes desta qualidade de sócios e não se confundindo, assim, com outros empregados, quando estes últimos, tal como no caso em questão, não restem caracterizados como detentores de ações ou quotas. Entendo, a propósito, que, neste caso (empregados ou trabalhadores não acionistas ou quotistas), o que os empregados estão, sim, a auferir, é uma remuneração decorrente de seu trabalho, ainda que de natureza variável, dependente de metas e regras vinculadas a critérios capazes de alterar o montante a ser recebido. Ou seja, com a devida vênia aos que esposam entendimento contrário, em meu entendimento reservase o conceito de necessário rendimento de capital auferido àqueles que efetivamente contribuíram com este fator de produção (capital) para fins de realização do ciclo empresarial, normalmente em detrimento da contribuição com o fator trabalho (como no caso dos empregados). Feita tal digressão inicial, entendo que a melhor interpretação a ser dada ao dispositivo (art. 2o. da Lei no 10.101, de 2000) deve ser no sentido de que se busca, a partir do texto legal, um binômio de aumento de produtividade e garantia de participação aos empregados, de forma a que seja atingido, pela empresa, um maior nível de competitividade e, consequentemente, pela economia nacional como um todo, sem que se abra mão, todavia, de que este aumento de competitividade (e consequente rentabilidade empresarial) seja revertido, em parte, aos empregados que colaboraram diretamente para tal aumento. Mais especificamente, em linha com o entendimento majoritário esposado por esta Turma, entendo só ser possível a consecução de tal binômio caso a formalização do instrumento de acordo se dê antes do período de aferição (exercício), de forma a que o empregado, com prévia ciência de metas e/ou regras claras e objetivas, devidamente formalizadas (visto não haver que se falar em obrigatoriedade legal de distribuição/pagamento sem um instrumento legal que a respalde formalmente), possa saber o esforço adicional a ser executado de forma a auferir rendimento financeiro adicional, conforme muito bem resumido no voto prolatado no âmbito do Acórdão 9202005.704, pelo Conselheiro Relator, Dr. Luiz Eduardo de Oliveira Santos e ao Fl. 461DF CARF MF 8 qual acedi integralmente, daí adotando o seguinte excerto do mesmo como razões de decidir, verbis: (...) Saliento ainda o entendimento expresso pela Dra. Elaine Cristina Monteiro e Silva Viera no voto condutor do acórdão paradigma nº 2401000.545, indicado no recurso especial de divergência da Fazenda: Como é sabido, o grande objetivo do pagamento de participação nos lucros e resultados e a participação do empregado no capital da empresa, de forma que esse se sinta estimulado a trabalhar em prol do empreendimento, tendo em vista que o seu engajamento, resultará em sua participação (na forma de distribuição dos lucros alcançados). Assim, como falar em engajamento do empregado na empresa, se o mesmo não tem conhecimento prévio do quanto a sua dedicação irá refletir em termos de participação. É nesse sentido, que entendo que a lei exigiu não apenas o acordo prévio ao trabalho do empregado, ou seja, no início do exercício, bem como o conhecimento por parte do trabalhador de quais as regas (ou mesmo metas) que deverá alcançar para fazer jus ao pagamento. Entendo que o acordo necessita ser assinado antes de iniciado o período a que se refere, porquanto a PLR tem por finalidade incentivar o trabalhador a incrementar sua produtividade, situandoa acima do que lhe é usual ou ordinário. Sem que o acordo se dê antes de iniciado o período, não haveria como o trabalhador saber, com precisão, em quanto deveria aumentar o seu esforço para alcançar metas e qual o possível efeito financeiro que isto lhe acarretaria. Ainda que se possa alegar que os acordos pouco mudaram relativamente a critérios que estavam estabelecidos anteriormente, nada disso seria garantia de que as regras não pudessem ser modificadas. O único instrumento constante da Lei nº 10.101/2000 que assegura ao trabalhador o direito à retribuição é o acordo firmado com a observância dos princípios legais, sobretudo o da não surpresa e da livre negociação com a participação da representação sindical. A fim de que o trabalhador não fique ao talante do empregador, e, ao mesmo tempo, que o empregador tenha assegurado o necessário incremento de produtividade para justificar o compartilhamento do seu lucro, o acordo deve ser celebrado antes da vigência do período em que vigorará, de modo a que as partes iniciem esse tempo conhecedoras de todas as regras a cumprirem. (...) Ainda, faço notar que a literalidade do texto legal também suporta integralmente o entendimento acima adotado de necessidade, para fins de cumprimento aos requisitos legais, de formalização prévia do acordo empresatrabalhadores contendo metas e regras claras vinculadas a um aumento de produtividade (futuro), uma vez que estabelece: Fl. 462DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202007.411 CSRFT2 Fl. 13 9 a) a sugestão de vinculação à índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; b) A condição de quando da utilização de programas de metas, resultados e prazos, estes serem pactuados previamente; c) A necessidade de arquivamento do instrumento de acordo na entidade sindical dos trabalhadores e d) A necessidade de previsão, no instrumento de acordo, de mecanismos de aferição aplicáveis e seu período de vigência (o que levaria a uma necessária aceitação de uma incomum vigência retroativa e aferição aplicável a competências passadas, caso se adotasse a tese de possibilidade de formalização após o início do período de aferição). Entendo que a previsão de tais elementos em conjunto, consoante o referido art. 2o. caput, §§1o. e §§2o. respalda a interpretação aqui adotada de forma integral, em detrimento da tese alternativa de inexistência de vedação legal expressa à formalização após o início do período de aferição (exercício) para fins de manutenção da não incidência. Assim, aplicandose tal entendimento ao caso sob análise, verifico que, na forma relatada, no presente caso (efl 17): "(...) 6.1 A empresa apresentou para a fiscalização dois Acordos para Fins de Participação nos Lucros e Resultados, que foram assinados pela empresa, pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Afins de Capivari, Rafard, Elias Fausto, Mombuca, Conchas, Pereiras, Laranjal Paulista e Cesário Lange e pela Comissão de Trabalhadores em 30 de junho de 2006, para justificar o pagamento do P.L.R para os anos de 2005 e 2006, (...). 6.2 Portanto não era possível que os empregados tivessem conhecimento prévio das metas e dos resultados a serem atingidos cujos recebimentos da participação ocorreram em 06/2005, ou seja um ano antes da formalização do acordo e em 06/2006 no mesmo mês da ocorrência do acordo. (..)"Assim, uma vez formalizado somente após ou durante o período de aferição o instrumento de acordo, entendo como violados os requisitos legais estabelecidos pela Lei no. 10.101, de 2000, não havendo, assim, que se falar em possibilidade de exclusão da incidência das contribuições previdenciárias para os valores assim distribuídos a título de Participação nos Lucros e Resultados. Destarte, quanto ao aspecto temporal em que se considera cumprido o requisito da necessidade de acordo prévio e existência de regras previamente ajustadas, nos ditames da Lei 10.101, de 2000, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, mantendose o crédito tributário na forma que lançado, a menos da decadência declarada pela autoridade Fl. 463DF CARF MF 10 julgadora de 1a. instância para a competência de 06/2005 e, agora, já objeto de trânsito em julgado administrativo. Assim, diante do exposto, voto por dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Heitor de Souza Lima Junior Do mesmo voto verifico a necessidade de se proceder adequação da Ementa, que deve ser substituída para a seguinte redação: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS OU RESULTADOS REQUISITOS DA LEI Nº 10.101/2000. CELEBRAÇÃO DO ACORDO APÓS O INÍCIO DO PERÍODO DE APURAÇÃO. As regras para percepção da PLR devem constituirse em incentivo à produtividade, devendo assim ser estabelecidas previamente ao período de aferição. Regras e/ou metas estabelecidas no decorrer do período de aferição não estimulam esforço adicional Quanto a decadência esta não foi discutida nestes autos, (tão somente nos autos 13.888.003829/201058) no presente processo ela não foi admitida pelo exame de admissibilidade do Recurso Especial, motivo pelo qual eventuais declarações de abrangência da decadência quanto aos fatos geradores da AIOP serão oportunamente avaliadas pela Unidade Preparadora. Diante do exposto conheço e acolho os Embargos de Declaração, para sanar as omissões apontadas no Acórdão nº 9202005.977, de 26/09/2017, sem efeitos infringentes, mantida a decisão original. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 464DF CARF MF Processo nº 13888.003804/201054 Acórdão n.º 9202007.411 CSRFT2 Fl. 14 11 Fl. 465DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.905274/2013-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2011
APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL
A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia.
Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal.
DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO
A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
Numero da decisão: 3201-004.628
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazê-lo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideram-se preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado.
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DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Recorrente AGT ARMAZÉNS GERAIS E TRANSPORTES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2011 APRESENTAÇÃO DE PROVAS. PRECLUSÃO. MOMENTO PROCESSUAL A prova documental deve ser produzida até o momento processual da reclamação, precluindo o direito da parte de fazêlo posteriormente, salvo prova da ocorrência de qualquer das hipóteses que justifiquem sua apresentação tardia. Consideramse preclusas as alegações não submetidas ao julgamento de primeira instância, apresentadas somente na fase recursal. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. RETIFICAÇÃO. DESPACHO DECISÓRIO. DIREITO CREDITÓRIO A DCTF é instrumento formal de confissão de dívida, e sua retificação, posterior à emissão de despacho decisório, exige comprovação material a sustentar direito creditório alegado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisario, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocado para substituir o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 52 74 /2 01 3- 13 Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10880.905274/201313 Acórdão n.º 3201004.628 S3C2T1 Fl. 3 2 Relatório O interessado recorre a este Conselho de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte. O presente processo trata de Per/Dcomp transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. A unidade de origem indeferiu o pleito do contribuinte sob o fundamento de que, "a partir das características do DARF descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp". Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. O interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando que houve erro no preenchimento da DCTF, já retificada, após a ciência do despacho. A DRJ/Belo Horizonte julgou improcedente a manifestação de inconformidade por intermédio do Acórdão 02056.781. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2011 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite compensação com crédito que não se comprova existente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário visando a reforma da decisão recorrida, para que lhe seja reconhecido o direito creditório e homologada a sua compensação. Traz como argumento novo que o crédito decorre do ativo imobilizado, com fundamento nas Leis nº 10.865/2004 e 12.546/2011, conforme o documento "Demonstrativo Contábil", cujo valor é o que informa no documento "Planilha para credito de PIS/Cofins sobre ativo imobilizado". Por fim, afirma que a exigência de certeza e liquidez do direito creditório está comprovada com os documentos que apresenta em sede de recurso voluntário. É o relatório. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10880.905274/201313 Acórdão n.º 3201004.628 S3C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.621, de 12/12/2018, proferido no julgamento do processo 10880.660628/201204, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.621): (...) "O Recurso Voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Consta dos autos que o litígio versa sobre o inconformismo do contribuinte em face do despacho decisório, mantido hígido na decisão a quo, que não homologou a Dcomp em razão de inexistência de comprovação de certeza e liquidez do crédito pretendido. Não há matéria preliminar, passemos à questão de mérito. O despacho decisório consignou que o Darf a que a contribuinte atribuiu o crédito por pagamento a maior que o devido foi integralmente utilizado para quitação de débitos, não restando crédito disponível para a compensação informada. Interposta manifestação de inconformidade, a contribuinte alegou ter demonstrado pagamento a maior na apresentação de sua DCTF retificadora e DARF de pagamento da Contribuição, após a prolação do despacho decisório. Em sede de julgamento na DRJ, o relator assentou que as retificações no Dacon e DCTF não evidenciaram o suposto pagamento a maior, porquanto apenas informaram um valor diverso do original. Conquanto os julgadores entenderam que as retificações após a ciência no despacho decisório não produzem efeitos para a redução dos débitos, porque não tem força de convencimento, o fundamento da decisão a quo é a ausência de prova do erro nas declarações anteriormente transmitidas. No recurso voluntário, a recorrente alega que "... tenha efetivamente demonstrado o seu direito ao crédito mediante a apresentação de toda a documentação necessária...". Faz menção ao DARF, ao lançamento fiscal da Contribuição devida originalmente e ao valor a qual foi reduzido o débito. Pois bem; constatase a inexistência nos autos de qualquer documento que demonstra lançamentos efetuados para a pretendida redução da Contribuição do PIS/Cofins em função da apuração de créditos com ativo imobilizado. A recorrente, agora em recurso voluntário, apresenta quadro demonstrativo com informações de bens e serviços (benfeitorias, adaptações, manutenções, pintura e instalações) Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10880.905274/201313 Acórdão n.º 3201004.628 S3C2T1 Fl. 5 4 de seu ativo imobilizado e o documento "Planilha para Credito de PIS/Cofins sobre Ativo Imobilizado" no qual relaciona possível fornecedores e valores das Contribuições, que informa materializarse nos créditos. Como se vê, a esses documentos a contribuinte atribui a certeza e liquidez de seu direito creditório, que sequer demonstra a apuração e os registros em sua escrita contábil dos pretensos créditos, antes e após as retificações de Dacon e DCTF, e que resultaram em pagamento a maior de PIS e Cofins. A transmissão de Dacon e DCTF retificadoras consignando um valor de tributo menor que o originalmente informado não é suficiente para comprovar a certeza e liquidez de seu créditos. Esse era o fundamento sustentado pela contribuinte em sua manifestação de inconformidade. Os documentos que pretendem fazer prova do direito creditório, não apresentados em sede de julgamento de 1ª instância, mas somente em recurso voluntário, são meras informações sem a comprovação de lastro na escrita regular e em documentos idôneos, e tampouco submetido à análise fiscal quanto aos insumos e despesas com direito ao crédito de PIS e Cofins dispostos no art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03. Ademais, a recorrente não observou e não atendeu aos dispositivos legais que trazem regramentos às declarações retificadoras do contribuinte, ao momento da apresentação da prova, sua ausência na instauração da fase litigiosa e ao ônus probatório de quem alega os fatos constitutivos de seu direito. As matérias estão disciplinadas nos artigos 14 a 17 do Decreto nº 70.235/76 PAF, art. 373 da Lei nº 13.105/2015 Novo CPC, e art. 147 da Lei nº 5.172/1966 CTN: Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10880.905274/201313 Acórdão n.º 3201004.628 S3C2T1 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). Lei nº 13.105/2015 CPC: "Art. 373. O ônus da prova incumbe: I — ao autor, quanto ao fato constitutivo de seu direito; II — ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor." Lei nº 5.172/1966 CTN: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. § 1º. A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento Cabe assinalar que à luz do art. 170 do CTN1, o reconhecimento de direito creditório contra a Fazenda Nacional exige a averiguação da liquidez e certeza do suposto pagamento indevido ou a maior de tributo, fazendose necessário verificar a exatidão das informações a ele referentes, confrontandoas com os registros contábeis e fiscais efetuados com base na documentação pertinente, com análise da situação fática, de modo a se conhecer qual seria o tributo devido e comparálo ao pagamento efetuado. A fim de comprovar a certeza e liquidez do crédito, o interessado deve, sob pena de preclusão, instruir sua manifestação de inconformidade com os motivos de fato e de direito que fundamentam sua pretensão, acompanhados dos documentos que respaldem suas afirmações, considerando o que dispõem os dispositivos legais transcritos. Este Colegiado tem flexibilizada o entendimento quanto à preclusão, mormente em face de despacho decisório em que o tratamento do Perdcomp tenha sido apenas eletronicamente, desde que a apresentação de provas, apenas em recurso voluntário, tenha respaldo em algumas das hipóteses elencadas no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 ou se consubstanciam (as provas) na complementação de elementos indiciários que indubitavelmente já apontavam para a provável veracidade da pretensão creditória é o que se denomina "prova mínima" ou "início de prova". Tratandose de direito creditório pleiteado, decorrente de retificação de DCTF com a redução de PIS/Cofins devido no período de apuração, sem respaldo na escrita contábil regular e em documentos fiscais que comprovassem de forma hábil e idônea o alegado pagamento a maior, importa em reconhecer o acerto da decisão recorrida em não homologar a compensação declarada 1 Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10880.905274/201313 Acórdão n.º 3201004.628 S3C2T1 Fl. 7 6 É dever/ônus do contribuinte municiar sua defesa com os elementos de prova que suportassem as informações consignadas em suas DCTFs retificadoras. A simples retificação da DCTF, com a redução do valor do PIS devido, sem qualquer comprovação de erro no preenchimento da declaração original não atribui certeza e liquidez à pretensão de pagamento a maior e importa inadmissibilidade da DCTF retificadora, consoante o § 1º do art. 147 do CTN. Denotase ainda que as explicações e demonstrativos apresentados no tocante aos supostos créditos decorrentes de encargos de depreciação, sem a necessária força probatória e apenas no julgamento do recurso voluntário são extemporâneos pois ausentes os requisitos que autorizariam o afastamento da preclusão de que trata as alíneas do § 4º do art. 16 do PAF. Ademais, consoante o art. 17 do PAF, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido diretamente contestada pelo impugnante, sendo inadmissível a apreciação em grau de recurso de matéria não suscitada na instância a quo. Desse modo, a contribuinte não se desincumbiu do ônus probatório do seu direito creditório, que restou incerto e ilíquido. Assim, não vislumbro espaço para reanálise do despacho decisório, tampouco qualquer reforma na decisão recorrida, mantendose não reconhecido o direito creditório e não homologada a compensação declarada. Conclusão Diante de todo o exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado NEGOU PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.930852/2011-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/04/2001
MATÉRIA NÃO CONTESTADA EM IMPUGNAÇÃO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO.
Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.455
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho.
7
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO EM DUPLICIDADE. COMPROVAÇÃO DA INEXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. Comprovada a inexistência do direito creditório por se encontrar alocado a outros débitos (pagamento/compensação), deve o pedido de restituição ser indeferido. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. Ausente o Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 93 08 52 /2 01 1- 68 Fl. 80DF CARF MF Processo nº 11080.930852/201168 Acórdão n.º 3302006.455 S3C3T2 Fl. 3 2 7 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferir o Pedido de Restituição (PER), em razão do fato de que o pagamento informado já se encontrava alocado a outros débitos declarados pelo próprio contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, com a anulação do despacho decisório, arguindo o seguinte: a) trata o pedido de restituição de créditos da contribuição (PIS/Cofins) incidente sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, cuja alíquota havia sido reduzida a zero por força do art. 2º da Lei nº 10.312/2001; b)14 tem direito à restituição com base no art. 165 do CTN e na Lei nº 10.312/2001, tratandose de incentivo dado pelo governo, tendo em vista o risco do País em ficar dependente exclusivamente de energia gerada pelo setor hidrelétrico; c) diante do contido no art. 13 da Lei nº 10.438/2002, que criou em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, os valores recebidos a título de reembolso, representando um subsídio ou uma subvenção, não podem ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições (PIS/Cofins), pois, no conceito de receita, incluise apenas o ingresso de recursos constitutivos do patrimônio da empresa; d) a autoridade Fiscal, sem qualquer justificativa fática ou legal, ignorou o disposto na Lei nº 10.312/2001, bem como o art. 165 do CTN, afrontando princípios constitucionais invioláveis, ao deixar de reconhecer o pedido de restituição. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 10043.340, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que a aplicação da redução de alíquota da contribuição prevista nos art. 1º e 2º da Lei n.º 10.312/2001 restou condicionada à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, ainda não efetivada, tratandose, portanto, de norma de eficácia limitada ou condicionada, não aplicável de imediato por depender de regulamentação. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as alegações concernentes à redução a zero das alíquotas de PIS/Pasep e Cofins sobre a venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, previstas nos artigos 1º e 2º da Lei nº 10.312/2001, e à não incidência das contribuições sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção. Ainda pugnou pela ilegalidade e inconstitucionalidade do artigo 58 do Decreto nº 4.524/2002, ao estabelecer requisito condicional para a redução a zero sobre a venda de carvão mineral, não existente na Lei nº 10.312/2001. É o relatório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 11080.930852/201168 Acórdão n.º 3302006.455 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.454, de 30/01/2019, proferida no julgamento do processo nº 11080.930902/201115, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.454): O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A recorrente, desde a manifestação de inconformidade, alegou que o crédito seria decorrente das apurações das contribuições para o PIS/Pasep nãocumulativo, decorrente da redução a zero sobre as vendas de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e da não incidência sobre o reembolso da Conta de Desenvolvimento Energético, previsto no artigo 13 da Lei nº 10.438/2002, por se tratar de subvenção, tendo a decisão de primeira instância analisado a matéria de direito relativa a esta redução, bem como considerando a ausência de prova de que os valores objeto da restituição seriam oriundos do reembolso da referida Conta de Desenvolvimento e, ainda que estivesse comprovado, tal reembolso seria tributável por ausência de previsão legal . Ocorre que toda a discussão travada é estranha ao motivo do indeferimento do pedido de restituição. Observase que o despacho decisório de efl. 27 indeferiu a restituição por ter o crédito pleiteado sido utilizado em outra declaração de compensação de nº 33017.86154.300905.1.7.042407, entregue em 30/09/2005, portanto, anterior à aqui considerada, que foi entregue em 30/03/2006. Constatase que à efl. 33, consta tela do sistema SIEF no qual o valor de R$ 11.693,53 do DARF recolhido em 15/04/2004, relativo ao fato gerador de 31/03/2004, foi bloqueado e vinculado à declaração de compensação nº 33017.86154.300905.1.7.042407, cujo débito era de R$ 13.168,08, que foi totalmente homologada. Assim, a discussão sobre as matérias de direito até agora aqui travadas são completamente estranhas ao motivo de indeferimento do pedido de restituição, que se referiu, tão simplesmente, à já utilização do referido DARF em outra declaração de compensação anteriormente transmitida e homologada. Assim, o crédito relativo ao DARF de R$ 11.693,53 já foi reconhecido pela Administração Tributária e utilizado para compensar débito da declaração de compensação 33017.86154.300905.1.7.042407, já homologada. Destarte, não há qualquer litígio sobre a natureza jurídica do direito creditório, mas apenas Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11080.930852/201168 Acórdão n.º 3302006.455 S3C3T2 Fl. 5 4 o indeferimento de sua duplicidade de utilização, o que sequer foi contestado pela recorrente em sua manifestação de inconformidade. Diante do exposto, voto para conhecer, parcialmente, do recurso voluntário e, na parte conhecida, para negarlhe provimento. Ressaltese que, também no presente processo, o motivo do indeferimento do pedido de restituição foi a alocação anterior do crédito pleiteado, conforme tela(s) de consulta ao sistema de Arrecadação presente(s) à(s) efl.(s) 33. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13851.902648/2016-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do Fato Gerador: 23/11/2012
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO INTEMPESTIVO.
Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3402-005.918
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz.
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RECURSO INTEMPESTIVO. Não se conhece do recurso apresentado após o prazo de trinta dias contados da ciência da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Não Conhecido Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Waldir Navarro Bezerra (presidente da turma), Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Diego Diniz Ribeiro, Cynthia Elena de Campos, Renato Vieira de Ávila (suplente convocado), Pedro Sousa Bispo e Rodrigo Mineiro Fernandes. Ausente, justificadamente, a Conselheira Thais de Laurentiis Galkowicz. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 1. 90 26 48 /2 01 6- 19 Fl. 125DF CARF MF Processo nº 13851.902648/201619 Acórdão n.º 3402005.918 S3C4T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Pedido de Restituição (PER), indeferido em decorrência do crédito alegado não estar disponível, por se encontrar o valor do DARF recolhido vinculado a um débito declarado. Cientificada, a contribuinte interpôs manifestação de inconformidade em que solicitou a revisão do despacho decisório, tendo em vista que retificou a DCTF do respectivo período de apuração. Alega que diversos pagamentos de PIS/Pasep e de Cofins “foram recolhidos indevidamente, de acordo com a Lei n° 10.925, de 2004, artigo 1o, inciso XVIII – Solução de Consulta Cosit de 29/06/2016, na qual determina a redução para zero das alíquotas incidentes”. Ato contínuo, a DRJCURITIBA (PR) julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06058.391. Neste Recurso, a Empresa repisou os mesmos argumentos apresentados na sua Impugnação e juntou aos autos as notas fiscais eletrônicas de vendas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3402005.906, de 28 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 13851.902629/201692, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3402005.906): "O recurso em análise não atende a todos os requisitos de admissibilidade, pois, no que se refere especificamente à tempestividade, quando da interposição do recurso, já havia transcorrido o prazo legal. Extraise do Decreto 70.235 de 06.03.1972 (PAF), dentre outros comandos, que o prazo para a interposição de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias da ciência da decisão de 1ª instância. Segue transcrito os excertos normativos que importam ao presente exame: Fl. 126DF CARF MF Processo nº 13851.902648/201619 Acórdão n.º 3402005.918 S3C4T2 Fl. 4 3 (...) Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Parágrafo único. Os prazos só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser aplicado o ato Art.23 Farseá a intimação:. (...) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelosujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº9.532/97) (...) §2º Considerase feita a intimação : (...) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (...) § 4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº11.196/2005) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº11.196, de 2005) (...) Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. (...) Temse que a data ciência do acórdão por meio eletrônico foi realizada em 27/04/2017 (fls.26). No caso sob exame, segundo a legislação de regência anteriormente transcrita, o termo final do prazo em questão ocorreu em 27/05/2017 (sábado), que por não ser dia útil, transferese o prazo para o dia 29/05/2017. Na folha 27 é demonstrado que o Recurso Voluntário somente foi apresentado no dia 31/05/2017. Portanto, o presente recurso é extemporâneo, pois foi apresentado fora do prazo legal. Fl. 127DF CARF MF Processo nº 13851.902648/201619 Acórdão n.º 3402005.918 S3C4T2 Fl. 5 4 Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo." Importa registrar que nos autos ora em apreço, assim como no paradigma, a ciência do acórdão da DRJ e a interposição do Recurso Voluntário ocorreram, respectivamente, em 27/04/2017 e 31/05/2017. Desta sorte, por absoluta identidade fática e jurídica, a decisão lá esposada pode ser perfeitamente aqui aplicada. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do Recurso Voluntário, por intempestivo. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 10932.000323/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/1999 a 01/01/2004
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN.
Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN.
Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
Numero da decisão: 9202-007.353
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/1999 a 01/01/2004 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
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AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 2. 00 03 23 /2 00 7- 11 Fl. 384DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, efls. 325/348, contra o acórdão nº 2403000.861, proferido na sessão do dia 26 de outubro de 2011 pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção, cuja ementa transcrevo abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/1999 a 01/01/2004 PREVIDENCIÁRIO. DECADÊNCIA. ART. 45 DA LEI 8.212/91. SÚMULA VINCULANTE Nº 08 DO STF. GFIP. DADOS RELACIONADOS AOS FATOS GERADORES. INFRAÇÃO. RECÁLCULO DA MULTA COM OBSERVÂNCIA DO ART. 32A DA LEI N. 8.212/91. APLICAÇÃO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. O prazo decadencial das contribuições previdenciárias é de 05 (cinco) anos, nos termos dos arts. 150, § 4º, havendo antecipação no pagamento, mesmo que parcial, por força da Súmula Vinculante nº 08, do Supremo Tribunal Federal. Constitui infração, punível na forma da Lei, a apresentação de Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, conforme disposto na Legislação. Aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN, para a plicar a multa do art. 32A da Lei n. 8.212/91. Recurso Voluntário Provido em Parte. Na origem, como bem relatado: Tratase de auto de Infração n° 37.096.8964, lavrado por ter a empresa apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, com informações inexatas, ou omissas, em campos não relacionados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, período 12/1999 a 01/2004, infringindo desse modo o disposto na Lei 8.212/91, artigo 32, IV, § 6°, c/c artigo 225, IV e parágrafo 4°, do Regulamento da Previdência social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. Em Relatório Fiscal da Infração à fl. 11, o Auditor Fiscal Autuante, em ação fiscal procedida na empresa Dikar Comércio e Serviços Automotivos Ltda., informa ter constatado em Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social — GFIP, de 12/1999 a 01/2004, valores de salário família informados em desacordo com os constantes nas folhas de pagamento, conforme explicitado em demonstrativo à parte. No período, o número de segurados da empresa variou de 20 a 40, enquadrandose para fins de aplicação da multa, na faixa correspondente de 16 a 50 segurados. Não constam Autos de Fl. 385DF CARF MF Processo nº 10932.000323/200711 Acórdão n.º 9202007.353 CSRFT2 Fl. 384 3 Infração lavrados contra a empresa em ações fiscais anteriores, e nem ocorrências de outras circunstâncias agravantes. Em Relatório Fiscal da Aplicação da Multa às fls. 12, o Auditor Fiscal Autuante esclarece que, conforme disposto no artigo 32, parágrafo 5° da Lei n° 8.212/91, e artigo 284, inciso II e artigo 373, do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99, o cálculo da multa para infrações desta natureza corresponde à multa prevista de 5% (cinco por cento) do valor mínimo por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos na tabela do artigo 32, parágrafo 4 ° da Lei n° 8.212/91, em função do número de segurados e equivalente, nesta data, ao valor de R$ 1.195,13, atualizado pela portaria MPS/GM n ° 142, de 11 de abril de 2007. Considerando que o valor da multa para cada campo com dados incorretos ou omissos é de R$ 59,76, e que a empresa preencheu 50 (cinqüenta) campos incorretamente, foi aplicada a multa de 50 x R$ 59,76 = R$ 2.988,00. Em seu Recurso Especial a Fazenda Nacional requer: a) seja aplicada a regra do art. 173, I, do CTN para contagem da decadência, tendo em vista tratarse de auto de infração lavrado para exigência de multa por descumprimento de obrigação acessória, cujo lançamento será sempre de ofício. b) seja aplicada a regra do art. 35A da Lei nº 8.212/91 como parâmetro para recálculo da multa de mora, devendose verificar, na execução do julgado, qual é norma mais benéfica ao contribuinte: se a soma das duas multas anteriores (art. 35, II, e 32, IV, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Conforme despacho de efls. 351/354, foi dado parcial seguimento ao Recurso Especial apenas em relação a 1ª divergência, qual seja, questão referente a aplicação do art. 173, I do CTN, confirmado pelo reexame de admissibilidade de efls. 355. Intimado o Contribuinte apresentou Contrarrazões de efls. 360/364, requerendo que seja mantida a decisão ora recorrida, para manter a aplicação do art. 150, § 4º do CTN. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O Recurso Especial interposto pela PGFN é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual o conheço. Fl. 386DF CARF MF 4 A matéria que será objeto de análise e em relação a aplicação do prazo decadência para o descumprimento de obrigação: art. 150, § 4 º do CTN ou art. 173, I do CTN. A decisão recorrida apresentou o seguinte fundamento para aplicação do art. 150, § 4º do CTN: O período de apuração compreendeu a competência compreendida entre 12/1999 a 01/2004. A notificação ocorreu em 05/07/2007. A DRJ, de ofício, aplicou a decadência referente às competências compreendidas entre 12/1999 a 11/2001, com base no art. 173, I do CTN. In casu, como se trata de multa isolada, vinculada a contribuições sociais previdenciárias, que são tributos sujeitos a lançamento por homologação, e partindo do pressuposto de que o acessório segue o principal, contase o prazo decadencial nos termos do artigo 150, § 4º, do CTN. Logo, o prazo decadencial ocorreu, também, em relação ao período compreendido entre: 12/2001 a 06/2002 (nos termos do art. 150, § 4º do CTN), conforme explicado. A decadência é matéria de ordem pública que deve ser declarada a qualquer tempo e até mesmo de oficio. A matéria já foi objeto de vários julgamentos deste E. Colegiado, que firmou o entendimento em que se tratando de Auto de Infração de Obrigação Acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Seguindo o entendimento, destaco o acórdão nº 9202005.229, de relatoria da Ilma. Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido na sessão do dia 21 de fevereiro de 2017, conforme ementa transcrita abaixo: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. OMISSÃO EM GFIP. PERÍODO ALCANÇADO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL. AUSÊNCIA DE RECOLHIMENTO ANTECIPADO. ART. 173, I DO CTN. Nos Autos de Infração de Obrigação Acessória não há que se falar em recolhimento antecipado, devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. Na hipótese de aplicação do art. 173, inciso I, do CTN, o termo inicial do prazo decadencial é o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Assim, por se tratar de Auto de Infração de Obrigação Acessória, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, para que seja aplicado o prazo decadencial previsto no art. 173, I do CTN, observando o disposto na Súmula CARF nº 101. (assinado digitalmente) Fl. 387DF CARF MF Processo nº 10932.000323/200711 Acórdão n.º 9202007.353 CSRFT2 Fl. 385 5 Patrícia da Silva Fl. 388DF CARF MF
score : 1.0
