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Numero do processo: 10907.001054/2009-89
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Exercício: 2007
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTESTA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA.
O recurso voluntário, total ou parcial, objetiva contestar a decisão de primeira instância. No caso, o contribuinte pede compensação, cuja apreciação não é da competência do CARF, mas da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte.
Recurso não conhecido.
Numero da decisão: 2101-001.921
Decisão: ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso.
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA
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RECURSO VOLUNTÁRIO QUE NÃO CONTESTA A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. O recurso voluntário, total ou parcial, objetiva contestar a decisão de primeira instância. No caso, o contribuinte pede compensação, cuja apreciação não é da competência do CARF, mas da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte. Recurso não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso. (assinado digitalmente) LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 90 7. 00 10 54 /2 00 9- 89 Fl. 135DF CARF MF Impresso em 30/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10907.001054/200989 Acórdão n.º 2101001.921 S2C1T1 Fl. 69 2 Participaram do julgamento os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos (Presidente), Alexandre Naoki Nishioka (Relator), José Raimundo Tosta Santos, Celia Maria de Souza Murphy, Gilvanci Antônio de Oliveira Sousa e Gonçalo Bonet Allage. Relatório Tratase de recurso voluntário (fls. 60/66) interposto em 04 de novembro de 2009 contra o acórdão de fls. 55/56, do qual o Recorrente teve ciência em 28 de outubro de 2009 (fl. 59), proferido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR), que, por unanimidade de votos, julgou procedente a notificação de lançamento de fls. 07/09, lavrada em 09 de março de 2009, em decorrência de compensação indevida de carnê leão e/ou imposto complementar (mensalão), verificada no anocalendário de 2006. O acórdão teve a seguinte ementa: “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2007 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. CARNÊLEÃO. IMPOSTO COMPLEMENTAR. Cabe manter a glosa do imposto compensado a título de carnêleão e/ou imposto complementar, quando o sujeito passivo admite equívoco na informação consignada na declaração retificadora apresentada. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido” (fl. 55). Não se conformando, o Recorrente interpôs recurso voluntário, pedindo que o valor do imposto apurado na notificação de lançamento, no valor de R$ 4.169,66 (quatro mil, cento e sessenta e nove reais e sessenta e seis centavos), seja compensado com o requerido na PER/DCOMP de fls. 32/36, no valor de R$ 7.247,66 (sete mil, duzentos e quarenta e sete reais e sessenta e seis centavos), sem incidência de multa. É o relatório. Voto Conselheiro Alexandre Naoki Nishioka, Relator. O contribuinte pretende, por meio de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que seja reconhecida a extinção do crédito tributário de que trata este processo, em virtude de compensação entre o imposto pago indevidamente com base em declaração errônea, retificada, no valor de R$ 4.169,66 (quatro mil, cento e sessenta e nove reais e sessenta e seis centavos) e o imposto devido, apurado em notificação de lançamento referente à declaração retificadora, no valor de R$ 7.247,66 (sete mil, duzentos e quarenta e sete reais e sessenta e seis centavos). Fl. 136DF CARF MF Impresso em 30/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10907.001054/200989 Acórdão n.º 2101001.921 S2C1T1 Fl. 70 3 De acordo com as normas reguladoras do processo administrativo fiscal, o recurso voluntário, interposto pelo contribuinte, prestase a contestar a decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento que tenha mantido, no todo ou em parte, o crédito tributário dele exigido, a teor do artigo 73 do Decreto n.° 7.574, de 2011, a seguir transcrito: “Art. 73.O recurso voluntário total ou parcial, que tem efeito suspensivo, poderá ser interposto contra decisão de primeira instância contrária ao sujeito passivo, no prazo de trinta dias, contados da data da ciência da decisão (Decreto n. 70.235, de 1972, art. 33).” Não é o que se observa no presente processo. Em sua peça recursal o contribuinte não questiona, em momento algum, a decisão de primeira instância, que manteve o crédito tributário dele exigido. Pelo contrário, não se manifestando quanto ao mérito da decisão, pede que se reconheça a compensação. Ocorre que o Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n.° 587, de 2010, estipula a competência quanto ao controle dos valores relativos à extinção de créditos tributários, assim prevendo, em seu artigo 220: “Art. 220. Às Delegacias da Receita Federal do Brasil DRF, Alfândegas da Receita Federal do Brasil ALF e Inspetorias da Receita Federal do Brasil IRF de Classes "Especial A", "Especial B" e "Especial C", quanto aos tributos administrados pela RFB, inclusive os destinados a outras entidades e fundos, compete, no âmbito da respectiva jurisdição, no que couber, desenvolver as atividades de arrecadação, controle e recuperação do crédito tributário, de análise dos dados de arrecadação e acompanhamento dos maiores contribuintes, de atendimento e interação com o cidadão, de comunicação social, de fiscalização, de controle aduaneiro, de tecnologia e segurança da informação, de programação e logística, de gestão de pessoas, de planejamento, avaliação, organização, modernização, e, especificamente: [...] XI controlar os valores relativos à constituição, suspensão, extinção e exclusão de créditos tributários”. Concluise, portanto, que a atribuição acerca do cabimento da compensação é da Delegacia da Receita Federal do Brasil da circunscrição do domicílio do contribuinte, ante a competência outorgada pelo artigo 220, XI, da Portaria MF n.° 587, de 2010, e não deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Eis os motivos pelos quais voto no sentido de NÃO CONHECER do recurso. (assinado digitalmente) ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA Relator Fl. 137DF CARF MF Impresso em 30/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10907.001054/200989 Acórdão n.º 2101001.921 S2C1T1 Fl. 71 4 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 30/12/2012 por MARIA APARECIDA PEREIRA DOS SANTOS - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 23/10/ 2012 por ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, Assinado digitalmente em 24/10/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910159/2009-76
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2008
PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE
Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida.
Numero da decisão: 1401-003.238
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.687793/2009-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2008 PROVA DE CRÉDITO . ÔNUS DO CONTRIBUINTE Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo nº10880.687793/2009-08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira.
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ÔNUS DO CONTRIBUINTE Apesar de ser ônus do contribuinte apresentar a prova de seu crédito, não tendo entendido ser suficiente a prova apresentada e a sendo em momento posterior, deve ser considerada, tendo em vista o diálogo com a decisão recorrida. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo nº10880.687793/2009 08, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Eduardo Morgado Rodrigues, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva, Abel Nunes de Oliveira Neto, Letícia Domingues Costa Braga, Cláudio de Andrade Camerano e Carlos André Soares Nogueira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 01 59 /2 00 9- 76 Fl. 138DF CARF MF 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP relativo a pagamento a maior de IRPJ no qual o contribuinte pretende a utilização de crédito na compensação de débitos informados no PER/DCOMP. O PER/DCOMP foi indeferido por meio de análise automática do PER/DCOMP em função de, quando da análise eletrônica do pedido a DCTF do contribuinte informar como valor do débito o valor integral do DARF recolhido não existindo, desta maneira, valor disponível para restituição. Cientificado do indeferimento o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade por meio da qual alegou que errou ao não ter retificado previamente a declaração (DCTF) mas que, no entanto, havia providenciado a retificação da declaração (DCTF) antes da inscrição em DAU do débito e que a DIPJ relativa à apuração do crédito, apresentada antes da emissão do despacho decisório do PER/DCOMP informava o valor correto do débito do período o que confirmaria a existência do pagamento a maior. Alega também nulidade por vício formal em razão de a RFB não ter analisado a DCTF retificadora apresentada. Analisando a manifestação apresentada a Delegacia de Julgamento restringiu sua análise ao fato de a DCTF não ter sido retificada previamente à apresentação do PER/DCOMP e, em esta sendo confissão de dívida, restar comprovado que não existe crédito disponível em benefício da empresa. Não foram aceitas as alegações acerca da apresentação de outras declarações nas quais a empresa demonstrou o real valor devido do tributo e período de apuração relativo ao DARF solicitado. Também foi rejeitada a nulidade aventada. Cientificado da decisão da DRJ, que considerou improcedente a manifestação de inconformidade o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual alega, novamente, que a análise do crédito não pode se limitar unicamente à informação da DCTF existente à época do pedido, mas sim a DIPJ apresentada e a DCTF retificadora. Solicitou, novamente a nulidade da decisão original e do acórdão da Delegacia de Julgamento por não terem apreciado as outras declarações da empresa. O processo chegou então a este CARF para análise do recurso. Este é o relatório Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10880.910159/200976 Acórdão n.º 1401003.238 S1C4T1 Fl. 3 3 1401003.237, de 19/03/2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.687793/2009 08, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº1401003.237): O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e, portanto dele conheço. O recurso voluntário apresentado inicia com a apresentação de uma preliminar de nulidade. Contudo, como será melhor fundamento abaixo, entendo por dar provimento ao recurso e supero a preliminar aventada para reconhecer o mérito do pedido. Inicialmente e antes da análise do mérito do recurso, devem ser feitas algumas considerações acerca da sistemática de processamento dos PER/DCOMP e sua análise diante das informações apresentadas pelo contribuinte em suas declarações. Desde a época em que foi criado o programa gerador das declarações de compensação muitas dúvidas surgiram acerca da forma de análise a ser adotada pelos sistemas informatizados. Tratandose de pagamento a maior ou indevido haviam duas correntes de pensamento: a primeira se declinava no sentido de que a análise deveria ficar restrita à comparação com a DCTF, por esta ser a declaração de confissão de débitos, e a segunda pendia no sentido de que além da DCTF fosse realizado o batimento com os valores de apuração das diversas declarações que o contribuinte deveria apresentar ao fisco (DACON, DIPJ, DIRF, etc). Como resta claro na análise do relatório deste processo, a primeira corrente prevaleceu, até mesmo em função da maior agilidade de processamento. Resultado, foram geradas milhares de decisões automáticas com o mesmo teor da deste processo. Não havendo retificação da DCTF da empresa antes da apresentação do PER/DCOMP e o DARF estando a ela vinculado, indeferese o crédito, sem qualquer outra consideração. Esse procedimento, ressalvando o fato de não ser ilegal em essência, impede a formação de qualquer contraditório sobre o fato de confirmação do crédito do contribuinte contra a Fazenda Nacional apresentado nas outras declarações ao fisco e a existência efetiva de seu direito. Mais ainda quando, pela pouca clareza da decisão, os contribuintes, como o do presente processo, tentam se defender procurando demonstrar que o valor confessado na DCTF estaria incorreto e, assim, há de se verificar as demais declarações por ele apresentadas. Se o contribuinte cumpre obrigações acessórias sujeitas à penalidades por meio da entrega de DIPJ, DACON, DIRF, etc, não entendo ser possível em grau de recurso, diante da alegação da existência de outras declarações infirmando os valores dos Fl. 140DF CARF MF 4 débitos confessados na DCTF, que não se realize nenhum ato de conferência do valor efetivamente devido e de apuração do efetivo valor do crédito,s e acaso for existente. Ora, é bom esclarecer para os que não compreendam o sistema de funcionamento das declarações, que a DCTF, mercê de ser a declaração onde o contribuinte confessa seus débitos perante o fisco, é a declaração mais sujeita a erros de informação. Explico: a DCTF é declaração obrigatória de confissão na qual o contribuinte não informa nenhum valor de apuração dos débitos. Simplesmente informa o valor devido dos tributos e a forma como extinguiu os mesmo. Essa declaração é exigida no mais curto espaço de tempo possível, por exigência do fisco, a fim de propiciar a mais rápida cobrança do crédito tributário. Só que essa agilidade (passando há muito tempo a ser mensal a entrega) milita contra o próprio contribuinte ao passo em que o obriga a informar débitos sem uma adequada revisão dos valores de apuração dos tributos. Vejase que a demais declarações (DIPJ, DACON, DIRF, etc) são apresentadas bem posteriormente, já após o fechamento de balanços, auditorias, etc. Assim, no meu entender, a análise dos PER/DCOMP deveria realizar o batimento de todas as declarações apresentadas pelo contribuinte relativas ao débitos em questão informados no PER/DCOMP. Tal prática é semelhante à que a própria receita federal realiza nos sistemas de revisão interna quando, a partir das divergências entre a DCTF, DIPJ, DIRF e DACON, realiza intimações ao contribuinte a fim de escoimar as divergências. Por isso é que esta forma adotada pela Receita Federal para a conferência dos débitos declarados, deveria atuar o fisco na apuração dos créditos solicitados pelos contribuintes. Infelizmente apenas a pouco tempo foi adotada a sistemática de intimação prévia ao contribuinte, no entanto, resta um enorme estoque de processos, como este, que foi analisado sem maior aprofundamento da análise das demais declarações da empresa. Diante deste entendimento e verificando que existem diversos indícios apresentados na DIPJ da empresa em favor do contribuinte, passo à análise do mérito do direito de crédito do recorrente, a fim de verificar a existência de fato dos créditos em obediência ao princípio da verdade material e o da informalidade. Consoante se demonstra da DIPJ original, relativa ao ano de 2008, apresentada pela empresa antes da prolação do despacho decisório, os valores devidos da IRPJ são bem inferiores aos valores recolhidos pela empresa e informados em DCTF. Da análise da referida DIPJ, nas fichas de apuração do resultado do exercício não se verificam indícios de que houve qualquer irregularidade nas informações prestadas pela empresa. Assim, conforme acima apresentado, não é cabível o puro e simples indeferimento do pedido em função da informação apresentada em DCTF quando este mesmo contribuinte apresenta outra declaração com a demonstração completa dos valores de apuração do tributo devido que Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10880.910159/200976 Acórdão n.º 1401003.238 S1C4T1 Fl. 4 5 simplesmente foi ignorada quando da prolação das duas decisões. Desta forma, a despeito de a DCTF constituir em confissão de dívida da empresa, esta confissão pode ser infirmada por novas informações apresentadas pela empresa em outras declarações exigidas pelo fisco. Assim, entendo que deve ser considerado procedente o recurso a fim de que a existência de crédito relativo a pagamento a maior seja realizada pelo confronto entre o valor do tributo devido informado na DIPJ da empresa e o valor efetivamente recolhido pela empresa, tendo em vista a inexistência de qualquer informação a infirmar os valores de apuração apresentados pelo contribuinte em sua DIPJ. Por todo o exposto voto no sentido de dar provimento ao recurso para determinar que a existência do crédito da empresa relativo a pagamento a maior seja realizada pelo confronto entre os valores devidos apurados na DIPJ e os valores efetivamente recolhidos pela empresa. Quanto à espontaneidade para a retificação da DCTF, observo que a Lei não trata de despacho decisório como prazo para a retificação, sendo certo que o prazo coincide com a homologação da decisão, conforme IN 1.110/2010 da própria Receita: Art. 9º (...) § 5º O direito de o contribuinte pleitear a retificação da DCTF extinguese em 5 (cinco) anos contados a partir do 1 º (primeiro) dia do exercício seguinte ao qual se refere a declaração.” Conclusão Pelo acima exposto, conduzo meu voto o sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o direito creditório e homologar a compensação no limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 142DF CARF MF 6 Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10215.720649/2009-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
PRELIMINAR DE NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MPF.
Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento, lavrada por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal.
Não constitui hipótese de nulidade possível irregularidade referente ao Mandado de Procedimento Fiscal, que se destina ao planejamento interno e controle pela Administração das atividades externas executadas pelos Auditores fiscais da Receita Federal.
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIA-GERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016.
Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. Tal entendimento alinha-se com a orientação da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional.
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP).
O não atendimento à intimação para comprovação da área de preservação permanente por meio de laudo técnico, emitido por profissional habilitado, afasta a isenção.
GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL).
A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto.
Numero da decisão: 2301-005.949
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso.
Antônio Sávio Nastureles - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto.
Nome do relator: ANTONIO SAVIO NASTURELES
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CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. MPF. Não padece de nulidade a Notificação de Lançamento, lavrada por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Não constitui hipótese de nulidade possível irregularidade referente ao Mandado de Procedimento Fiscal, que se destina ao planejamento interno e controle pela Administração das atividades externas executadas pelos Auditores fiscais da Receita Federal. GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL (ADA). NÃO EXIGÊNCIA. ORIENTAÇÃO DA PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL. PARECER PGFN/CRJ Nº 1.329/2016. Para fins de exclusão da tributação relativamente às áreas de preservação permanente e de reserva legal, é dispensável a protocolização tempestiva do requerimento do Ato Declaratório Ambiental (ADA) junto ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (IBAMA), ou órgão conveniado. Tal entendimento alinhase com a orientação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional para atuação dos seus membros em Juízo, conforme Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional. GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE (APP). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 5. 72 06 49 /2 00 9- 25 Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 3 2 O não atendimento à intimação para comprovação da área de preservação permanente por meio de laudo técnico, emitido por profissional habilitado, afasta a isenção. GLOSA DE ÁREA DECLARADA. ÁREA DE RESERVA LEGAL (ARL). A averbação à margem da inscrição da matrícula do imóvel é requisito formal constitutivo da existência da área de reserva legal. Para fins de exclusão da base de cálculo, a área de reserva legal deverá estar averbada até a data de ocorrência do fato gerador do imposto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso. Antônio Sávio Nastureles Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Reginaldo Paixão Emos, Wesley Rocha, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Suplente), Thiago Duca Amoni (suplente), Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e Antônio Savio Nastureles (Presidente substituto), sendo os conselheiros Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Thiago Duca Amoni suplentes convocados, em substituição, respectivamente, aos conselheiros João Maurício Vital e Alexandre Evaristo Pinto. Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.919, de 12 de março de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10215.721241/201276, paradigma deste julgamento, com adaptações na forma a seguir apresentada. Tratase de Notificação de Lançamento referente ao Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do exercício suprareferenciado na ementa. Por representativo, transcrevo o relatório do Acórdão de 1ª instância constante do processo n° 10215.721241/201276, paradigma deste julgamento: Pela notificação de lançamento nº 02102/00027/2012 (fls. 14), a contribuinte em referência foi intimada a recolher o crédito tributário de R$ 847.941,20, resultante do lançamento do ITR/2007, da multa proporcional (75,0%) e dos juros de mora calculados até 22/09/2012, tendo como objeto o imóvel denominado “Terra Preta e Serrinha” (NIRF 4.411.7361), com área total declarada de 25.560,0 ha, localizado no município de Uruara PA. Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 4 3 A descrição dos fatos, o enquadramento legal das infrações, os demonstrativos de apuração do imposto devido e de multa de ofício/juros de mora encontramse às fls. 15/20. A ação fiscal proveniente dos trabalhos de revisão interna da DITR/2007, iniciouse com o termo de intimação de fls. 03/05, para a contribuinte apresentar, dentre outros, os seguintes documentos de prova: cópia do Ato Declaratório Ambiental ADA requerido ao IBAMA e da matrícula do registro imobiliário, com a averbação da área de reserva legal; laudo de avaliação do imóvel, com ART/CREA, nos termos da NBR 14653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, contendo todos os elementos de pesquisa identificados e planilhas de cálculo; alternativamente, avaliação efetuada por Fazendas Públicas ou pela EMATER. Em atendimento, foram anexados os documentos de fls. 23/35. Após análise desses documentos e da DITR/2007, a autoridade fiscal glosou integralmente as áreas informadas de preservação permanente (103,8 ha) e de reserva legal (20.450,9 ha), além de desconsiderar o VTN declarado de R$ 518.356,80 (R$ 20,28/ha) e arbitrálo em R$ 1.876.104,00 (R$ 73,40/ha), com base no SIPT/RFB, com o conseqüente aumento das áreas tributável/aproveitável, do VTN tributável e da alíquota de cálculo, pela redução do GU, tendo sido apurado imposto suplementar de R$ 374.764,08, conforme demonstrativo de fls. 19. Contra a Notificação de Lançamento, foi apresentada impugnação e manifestação de inconformidade. Os argumentos da impugnação foram os seguintes: discorda do referido procedimento fiscal, parcialmente descrito, por ter sido efetuado sem as prorrogações legais previstas para o respectivo mandado (MPF), com validade de 60 dias, prorrogável a cada ciclo de 60 dias, com a necessária ciência à interessada; não exerce a posse, uso e fruição do imóvel, cuja perda ocorreu em razão de bloqueio judicial da respectiva matrícula em 14/07/2006 e posterior cancelamento em 08/09/2010, com severa limitação ao direito de propriedade dos titulares do domínio; a isenção do ITR, para as áreas ambientais de preservação permanente e de reserva legal, independe de prévia comprovação, sendo desnecessários o ADA para ambas e a averbação para a última; cita e transcreve parcialmente a legislação de regência, acórdãos do TRF, do STJ, da DRJ/RJ e do antigo Conselho de Contribuintes, atual CARF, além de ensinamentos doutrinários, para referendar seus argumentos. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 5 4 Em seguida, a 1ª Turma de julgamento da DRJ Brasília (DF) proferiu o acórdão de 1ª instância, considerando a impugnação improcedente e mantendo o crédito tributário, com a seguinte ementa, constante do processo n° 10215.721241/201276, paradigma deste julgamento: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2007 DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Tendo em vista que o procedimento fiscal, instaurado em conformidade com a legislação vigente, não exige a prévia emissão do respectivo Mandado, por originarse da revisão de malhas, não há que se falar em ofensa à legalidade e cerceamento ao direito de defesa. DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. Não comprovada nos autos a transferência de propriedade, a nulidade do respectivo título, ou a imissão prévia pelo Poder Público na posse do imóvel, deve a contribuinte ser mantida no pólo passivo da respectiva obrigação tributária. DAS ÁREAS DE RESERVA LEGAL E DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. Para serem excluídas da área tributável do ITR, exigese que essas áreas ambientais, glosadas pela autoridade fiscal, sejam objeto de Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado em tempo hábil junto ao IBAMA, além de a área de reserva legal estar averbada tempestivamente em cartório. DO VALOR DA TERRA NUA VTN MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Considerase matéria não impugnada o arbitramento do VTN para o ITR/2007, com base no SIPT/RFB, por não ter sido expressamente contestado nos autos, nos termos da legislação processual vigente. Inconformada, a recorrente apresentou Recurso Voluntário, reproduzindo os argumentos da impugnação e acrescentando transcrição de jurisprudência sobre isenção de ITR nas áreas de reserva legal e de preservação permanente. É o relatório. Voto Conselheiro Relator. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 6 5 aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.919, de 12 de março de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10215.721241/201276, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2301005.919, de 12 de março de 2019 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, com adaptações conforme descrito a seguir. O recurso é tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto e passo a julgálo. Da Preliminar de Nulidade ofensa ao Princípio da Legalidade e do Devido Processo Legal Cerceamento de Defesa MPF Alega a recorrente a nulidade do procedimento uma vez que não houve a prorrogação formal do MPF Mandado de Procedimento Fiscal e que isso retirou a transparência da ação fiscal e a segurança jurídica de uma duração razoável do procedimento, ferindo os princípios da legalidade, do devido processo legal, dentre outros. Afirma que, nesse cenário, não há que se falar em prejuízos, mas em lesão às garantias e direitos positivados no ordenamento jurídico pátrio. Afirma taxativamente que os atos praticados após a extinção do MPF são inexistentes. Como esclarecido na decisão de 1ª instância, o MPF não é exigido em procedimentos como o da presente Notificação de Lançamento, em que o procedimento teve origem no trabalho de Malha Fiscal. É o que reza o Decreto 3.724/2001, em seu art. 2º, §3º, inciso IV: § 4º O MPF não será exigido nas hipóteses de procedimento de fiscalização: (...) IV relativo ao tratamento automático das declarações (malhas fiscais). Não obstante, os argumentos preliminares citados foram muito bem analisados e afastados pelo Acórdão da DRJ. Assim, adoto as razões de decidir dessa decisão as quais transcrevo abaixo: A contribuinte alega ofensa à legalidade e cerceamento ao seu direito de defesa, por ter sido o lançamento suplementar efetuado sem as prorrogações legais, previstas no Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, e a respectiva ciência. No entanto, a notificação de lançamento questionada originouse da revisão sistemática das declarações retidas em malha fiscal, que não exige prévia emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF, não se aplicando no caso esse controle administrativo, no teor do inciso IV do § 3º do art. 2º do Decreto nº 3.724/2001 e do inciso IV do art. 10 da Portaria RFB nº 3.014/2011, como bem demonstrado no termo de informação fiscal de fls.104/117. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 7 6 Essa notificação contém os requisitos legais estabelecidos no art. 11 do Decreto nº 70.235/1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, e traz as informações obrigatórias previstas nos incisos I, II, III e IV, necessárias para que se estabeleça o contraditório e permita a ampla defesa da autuada. Assim, a impugnante pôde exercer seu direito de defesa e do contraditório, pois os documentos apresentados na impugnação estão sendo objeto de análise, para julgamento de suas alegações. Salientese que o ônus da prova é da contribuinte, tanto na fase inicial do procedimento fiscal, conforme previsto nos artigos 40 e 47 (caput) do Decreto nº 4.382/2002 (RITR), como na fase de impugnação, no teor do art. 28 do Decreto nº 7.574/2011 que, ao regulamentar no âmbito da RFB o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União, atribui à interessada o ônus de provar os fatos que tenha alegado. Em síntese, o imposto suplementar apurado decorreu da glosa de áreas ambientais e do arbitramento do VTN, dando origem ao lançamento de ofício regularmente formalizado, nos termos do art. 14 da Lei nº 9.393/1996, art. 52 do Decreto nº 4.382/2002 (RITR) e inciso V do art. 149 da Lei nº 5.172/1966 – CTN. Por ser atribuição exclusiva do poder judiciário, o exame das alegações de ilegalidade e de ofensas a princípios constitucionais escapa à competência da autoridade administrativa de julgamento, mera executora da legislação em vigor, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, como previsto no art. 142 do CTN. Desse modo, as argüições de inconstitucionalidade de leis e de violação de princípios constitucionais deverão ser feitas ao Poder Judiciário, cabendo à autoridade administrativa tão somente velar pelo fiel cumprimento das leis. Dessa forma, e enfatizando que o caso em exame não se enquadra nas hipóteses de nulidade previstas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972 PAF, entendo ser incabível a aventada anulação de lançamento, por não se vislumbrar qualquer vício capaz de invalidar o procedimento administrativo adotado. Portanto, não há nulidade na Notificação de Lançamento, lavrada por autoridade competente, contra a qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa, onde constam requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Pelas razões acima expostas, afastase as alegações preliminares quanto à nulidade do lançamento. Do Mérito Da Perda da Posse Impossibilidade de Figurar no Polo Passivo Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 8 7 No mérito, suscitou a recorrente que não detinha a posse do imóvel à época do fato gerador em razão de bloqueio ocorrido em 14/07/2006 por força da Portaria nº 44/2996 da Corregedoria de Justiça do Estado, que teria promovido severa limitação ao direito de propriedade dos titulares do domínio. Essa alegação foi analisada e afastada pela Decisão de 1ª instância proferida no âmbito do processo n° 10215.721241/201276, paradigma deste julgamento. Adoto as razões de decidir daquela decisão em relação a esse ponto, as quais transcrevo abaixo: Da análise do presente processo, verificase que a requerente pretende retirarse do pólo passivo da relação jurídico tributária, no que se refere ao ITR/2007 do imóvel rural “Terra Preta e Serrinha” (NIRF 4.411.7361), sob o argumento de não ter a posse, uso e fruição do imóvel, por decisão judicial, com severa limitação ao seu direito de propriedade. Ocorre que a exigência do ITR, relativa ao exercício de 2007, foi calculada com base nos dados cadastrais constantes da respectiva DITR (fls. 08/12), apresentada em nome da impugnante, cujas informações a identificaram como contribuinte do imposto. Nesse sentido, a interessada assumiu a condição de contribuinte do ITR, passando a ser responsável pelo pagamento do tributo apurados nessa declaração, bem como pelo crédito tributário apurado em procedimento de fiscalização, em discussão neste processo. O CTN assim dispõe sobre o fato gerador e o contribuinte do ITR: “art. 29. O imposto, de competência da União, sobre a propriedade territorial rural tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, como definido na lei civil, localizado fora da zona urbana do Município. .......................................................................................... ............... art. 31. Contribuinte do imposto é o proprietário do imóvel, o titular de seu domínio útil, ou o seu possuidor a qualquer título.” A Lei nº 9.393/1996, que versa sobre ITR, seguiu a mesma orientação do Código Tributário Nacional, ao tratar, nos seus artigos 1º e 4º, o fato gerador e o contribuinte do imposto. “Art. 1º O Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, de apuração anual, tem como fato gerador a propriedade, o domínio útil ou a posse de imóvel por natureza, localizado fora da zona urbana do município, em 1º de janeiro de cada ano. "Art.4º Contribuinte do ITR é o proprietário de imóvel rural, o titular de seu domínio útil ou o seu possuidor a qualquer título.” Fl. 120DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 9 8 Assim, essa Lei, obedecendo a diretriz contida nos artigos 29 e 31 do CTN, fixou as mesmas hipóteses para o fato gerador e elegeu os mesmos contribuintes do imposto, sem fazer distinção entre o proprietário, o titular do domínio e o possuidor da terra, bem como não estabeleceu ordem de preferência quanto à responsabilidade pelo pagamento do imposto. Acrescentese, ainda, que os dados cadastrais informados pela contribuinte na sua DITR/2007 (fls.10), indicando a existência de área de produtos vegetais (4.125,8 ha) e área ocupada com benfeitorias (474,9 ha), não glosadas pela autoridade autuante, pressupõem o exercício do direito de posse em relação ao imóvel rural objeto do presente lançamento. Portanto, mantémse inalterada a ocorrência do fato gerador do ITR/2007 (01/01/2007) e a sujeição passiva da relação tributária, nos termos dos artigos 29 e 31 do Código Tributário Nacional (CTN) e dos artigos 1º e 4º da Lei nº 9.393/1996, que tratam, igualmente, do fato gerador e do contribuinte do imposto. Assim, ainda que com decisões judiciais, discriminadas às fls.104/117, sobre o imóvel incide o ITR, que continua sendo devido por sua proprietária à época do fato gerador do ITR/2007 (01/01/2007), no teor da legislação citada. Face ao exposto e sendo o lançamento tributário atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 do CTN, e o ITR tributo lançado por homologação desde a vigência da Lei n.º 9.393/1996, entendo estar correto o presente lançamento, ao identificar o requerente como contribuinte à época do fato gerador do ITR/2007 (artigos 1º e 4º da Lei 9.393/1996 e art. 5º do Decreto nº 4.382/2002 / RITR). Dessa forma, entendo que a autuada deva ser mantida no pólo passivo da obrigação tributária, referente ao ITR/2007 do imóvel denominado “Terra Preta e Serrinha” (NIRF 4.411.736 1), com área total declarada de 25.560,0 ha, informado na respectiva DITR. Resta, assim, com base nos argumentos acima, afastada a alegação de que a recorrente não poderia figurar no polo passivo por não ter tido a posse quando da ocorrência do fato gerador. Da Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal Argumentou a recorrente que teria direito à isenção de ITR em relação às áreas declaradas como Área de Preservação Permanente e Área de Reserva Legal por força do art. 104 da lei 8.171/91 e do art. 10, §7º, da lei 9.393/96. E que seria indevida a exigência de Ato Declaratório Ambiental (ADA) como requisito para tal isenção, baseado em precedente administrativo do CARF e jurisprudência. Advoga ainda que não pode ser exigida a averbação à margem do registro do imóvel da área de reserva legal como condição para obtenção da isenção de ITR dessa área. Cita, para amparar sua pretensão, jurisprudências. Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 10 9 Este Conselho enfrentou recentemente tais questões, tendo sido afastada a exigência de prévia apresentação do ADA para gozo da isenção relativa às Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal. Na mesma decisão, foi considerada necessária a averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel para gozo da isenção. Tal decisão constou do Acórdão nº 2401005.483 4ª Câmara / 1ª Turma, de relatoria do Conselheiro Cleberson Alex Friess. Transcrevo abaixo tal decisão e adoto como minhas suas razões de decidir, feitas as necessárias adaptações ao presente caso, adiante explicitadas: 16. A autoridade fiscal efetivou a glosa das áreas declaradas pelo recorrente a título de preservação permanente e reserva legal, equivalentes, respectivamente, a 771,2 ha e 3.484,8 ha, sob a justificativa de que, após regularmente intimado, deixou de comprovar o cumprimento dos requisitos para usufruir da isenção tributária sobre as áreas de conservação ambiental do imóvel (fls. 110/112). 16.1 Quanto a essas áreas do imóvel rural, o recorrente assevera que a apresentação do ADA não é condição necessária e obrigatória para a fruição da redução do valor a pagar do imposto. 17. Pois bem. Verifico do acórdão recorrido que manteve a exigência da protocolização tempestiva do ADA para exclusão das áreas de reserva legal e de preservação permanente, além da averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel rural, até a data de ocorrência do fato gerador do imposto. 18. As áreas de preservação permanente e de reserva legal estão excluídas da tributação pelo ITR, segundo previsto na alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996. Reproduzo a redação do dispositivo de lei na redação vigente à época do fato gerador: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarse á: (...) II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; (...) Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 11 10 19. Nada obstante, para fins de afastar a tributação no tocante às áreas não tributáveis a que alude a lei, inclusive de preservação permanente e de reserva legal, é necessária, como regra geral, a informação tempestiva da respectiva área ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) por intermédio do ADA, a cada exercício, nos prazos definidos na legislação infralegal. 19.1 Nesse escopo interpretativo, o texto expresso do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, que regulamenta o ITR: Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas (Lei nº 9.393, de 1996, art. 10, § 1º, inciso II): I de preservação permanente (Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965 Código Florestal, arts. 2º e 3º, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989, art. 1º); II de reserva legal (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, art. 1º); (...) § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e II estar enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos I a VI em 1º de janeiro do ano de ocorrência do fato gerador do ITR. (...) (GRIFEI) 20. Em nível de lei ordinária, a apresentação do ADA para efeito de redução da área tributável, antes opcional, passou a ser obrigatória com o advento da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000, que alterou a redação do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981: Art. 17O. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 12 11 importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei no 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria. § 1º A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (...) (GRIFEI) 21. A exclusão da tributação de determinadas áreas de interesse de preservação e de caráter limitado quanto ao seu aproveitamento econômico ficou condicionada à informação tempestiva ao Ibama, permitindo o controle e a verificação delas pelo órgão nacional responsável pela proteção ambiental. 22. Segundo o ponto de vista pessoal, o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, revogado pela Lei nº 12.651, de 25 de maio de 2012, não quis tornar inexigível a apresentação do ADA para o reconhecimento das áreas não tributáveis, em detrimento ao conteúdo do § 1º do art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981: Art. 10 (...) § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis 22.1 A meu ver, o texto do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, cuidou de explicitar apenas que o ITR é um tributo sujeito ao lançamento por homologação, ficando dispensada, no momento da entrega da declaração, a comprovação da informação da área em ADA. 23. Como argumento de reforço, sublinho que a interpretação da lei acima está alinhada com o entendimento dado pelo Poder Executivo quando da regulamentação da matéria, por meio do inciso I do § 3º do art. 10 do Decreto nº 4.382, de 2002, antes reproduzido. 24. Nada obstante, a despeito da opinião acima, é mister dizer que o Poder Judiciário tem inúmeros precedentes, aplicáveis a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, a qual aprovou o Novo Código Florestal, no sentido da dispensa da apresentação do ADA para reconhecimento da isenção das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas a afastálas da tributação do ITR, a partir de um determinado viés interpretativo para o § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Fl. 124DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 13 12 24.1 Com essa finalidade, inclusive, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), órgão responsável pela defesa em juízo do crédito tributário da União, elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, em que dispensa o Procurador da Fazenda Nacional, relativamente a fatos geradores anteriores à Lei nº 12.651, de 2012, de contestar e recorrer nas demandas judiciais que versem sobre a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR em área de preservação permanente e de reserva legal. 24.2 Tal orientação foi incluída no item 1.25, "a", da Lista de dispensa de contestar e recorrer, tendo em vista a jurisprudência consolidada no Superior Tribunal de Justiça, desfavorável à Fazenda Nacional (art. 2º, incisos V, VII e §§3º a 8º, da Portaria PGFN nº 502/2016). 25. À vista disso, embora o entendimento não tenha caráter vinculante no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a falta de ADA não deve ser considerada impeditiva à exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal, mantendo, desse modo, coerência com a conduta que seria adotada pela Procuradoria da Fazenda Nacional caso a questão controvertida fosse levada à apreciação do Poder Judiciário. 26. (...) 27. Desse modo, cabe restabelecer a Área de Preservação Permanente de 771,2 ha declarada pelo sujeito passivo. 28. Quanto à área de reserva legal, entretanto, a solução é distinta. É que a alínea "a" do inciso II do § 1º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, alhures reproduzida, reportase expressamente às disposições da Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, à época o Código Florestal brasileiro. Por sua vez, o art. 16 do Código Florestal disciplinava características da área de reserva legal. Transcrevo o § 8º desse artigo: Art. 16. As florestas e outras formas de vegetação nativa, ressalvadas as situadas em área de preservação permanente, assim como aquelas não sujeitas ao regime de utilização limitada ou objeto de legislação específica, são suscetíveis de supressão, desde que sejam mantidas, a título de reserva legal, no mínimo: (...) § 8º A área de reserva legal deve ser averbada à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, sendo vedada a alteração de sua destinação, nos casos de transmissão, a qualquer título, de desmembramento ou de retificação da área, com as exceções previstas neste Código. (...) (GRIFEI) Fl. 125DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 14 13 29. É de verse do texto de lei em destaque que, diferentemente da área de preservação permanente, a legislação traz a obrigatoriedade da averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, a fim de fazer prova formal da área preservada destinada à reserva legal. 29.1 O ato de averbação é dotado de eficácia constitutiva, condicionante do direito de usufruir a isenção fiscal. Para escapar à incidência tributária é indispensável a prévia averbação da área de reserva legal à margem da inscrição da matrícula do imóvel. 29.2 Em outros dizeres, a averbação deverá ocorrer até a data da ocorrência do fato gerador do imposto como prova da existência da área de reserva legal. Senão vejamos, o § 1º do art. 12 do Decreto nº 4.382, de 2002: Art. 12. São áreas de reserva legal aquelas averbadas à margem da inscrição de matrícula do imóvel, no registro de imóveis competente, nas quais é vedada a supressão da cobertura vegetal, admitindose apenas sua utilização sob regime de manejo florestal sustentável (Lei nº 4.771, de 1965, art. 16, com a redação dada pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001). § 1º Para efeito da legislação do ITR, as áreas a que se refere o caput deste artigo devem estar averbadas na data de ocorrência do respectivo fato gerador. (...) 30. Contudo, dos documentos que instruem os autos, não houve qualquer comprovação da averbação da área de reserva legal, ou seja, inexistente a prova da anotação de reserva legal à margem da inscrição da matrícula, ou das matrículas correspondentes ao imóvel rural objeto do lançamento fiscal. 31. Ressalto que a lei, no momento da declaração fiscal, dispensa a prova da averbação da reserva legal no registro de imóveis. Todavia, não desobriga a posterior comprovação da averbação, desde que solicitado, em procedimento de fiscalização ou no contencioso administrativo tributário. (...) Quanto à exigência de averbação da área de reserva legal, à margem da matrícula do imóvel, para gozo do benefício de isenção do ITR, tal entendimento consta também da observação do item 1.25 da Lista de Dispensa de Contestar e Recorrer da PGFN. Transcrevo: 1. Temas em relação aos quais se aplica o disposto no art. 19 da Lei nº 10.522/02 e nos arts. 2º, V, VII, §§ 3º a 8º, 5º e 7º da Portaria PGFN Nº 502/2016: Item 1.25, “a”, da Lista de dispensa de contestar e recorrer Fl. 126DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 15 14 1.25 ITR a) Área de reserva legal e área de preservação permanente Precedentes: AgRg no Ag 1360788/MG, REsp 1027051/SC, REsp 1060886/PR, REsp 1125632/PR, REsp 969091/SC, REsp 665123/PR e AgRg no REsp 753469/SP. Resumo: O STJ entendeu que, por se tratar de imposto sujeito a lançamento que se dá por homologação, dispensase a averbação da área de preservação permanente no registro de imóveis e a apresentação do Ato Declaratório Ambiental pelo Ibama para o reconhecimento das áreas de preservação permanente e de reserva legal, com vistas à concessão de isenção do ITR. Dispensase também, para a área de reserva legal, a prova da sua averbação (mas não a averbação em si) no registro de imóveis, no momento da declaração tributária. Em qualquer desses casos, se comprovada a irregularidade da declaração do contribuinte, ficará este responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa. (grifei) OBSERVAÇÃO: Caso a matéria discutida nos autos envolva a prescindibilidade de averbação da reserva legal no registro do imóvel para fins de gozo da isenção fiscal, de maneira que este registro seria ou não constitutivo do direito à isenção do ITR, devese continuar a contestar e recorrer. Com feito, o STJ, no EREsp 1.027.051/SC, reconheceu que, para fins tributários, a averbação deve ser condicionante da isenção, tendo eficácia constitutiva. Tal hipótese não se confunde com a necessidade ou não de comprovação do registro, visto que a prova da averbação é dispensada, mas não a existência da averbação em si. OBSERVAÇÃO 2: A dispensa contida neste item não se aplica para as demandas relativas a fatos geradores posteriores à vigência da Lei nº 12.651, de 2012 (novo Código Florestal) (GRIFEI) Nos presentes autos, a recorrente não fez prova da averbação da área de reserva legal, à margem da matrícula do imóvel, e ainda manifestou no recurso voluntário seu entendimento pela desnecessidade dessa exigência. Quanto à Área de Preservação Permanente (APP), em que pese restar afastada a necessidade de apresentação do ADA para fins do reconhecimento do direito à isenção do ITR, a recorrente não atendeu à intimação fiscal para comprovar, por meio de laudo técnico emitido por engenheiro agrônomo ou florestal, a existência dessa APP, conforme reportado no relatório fiscal: Como não ficaram comprovadas as áreas declaradas a título de Preservação Permanente e Reserva Legal, uma vez que o contribuinte, devidamente intimado por via postal, em 07/02/12, não apresentou Ato Declaratório Ambiental ADA que reconhecesse as áreas beneficiadas, não apresentou Laudo Técnico emitido por profissional habilitado identificando o Fl. 127DF CARF MF Processo nº 10215.720649/200925 Acórdão n.º 2301005.949 S2C3T1 Fl. 16 15 imóvel rural e detalhando a localização e a dimensão das áreas de preservação permanente ... A comprovação da área de preservação permanente, para fins de isenção, não é exigida previamente à declaração, mas deverá obrigatoriamente ser apresentada quando requerida pela autoridade fiscal. É o que reza, a contrario sensu, o Art. 10, §7º da lei 9.393/96: § 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (Revogada pela Lei nº 12.651, de 2012) (GRIFEI) Restou, portanto, afastada a isenção de ITR em relação às áreas declaradas como de Preservação Permanente e de Reserva Legal, haja vista a ausência de laudo técnico a respaldar a área de preservação permanente e a ausência de averbação da área de reserva legal à margem da matrícula do imóvel. Conclusão Pelo exposto, voto por rejeitar as preliminares e no mérito POR NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Antônio Savio Nastureles Relator Fl. 128DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.000941/2007-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Apr 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 30/03/2003 a 31/12/2003
MULTA DE MORA. DÉBITO DECLARADO.
Sobre o pagamento de tributo a destempo, desde que declarado em DCTF, incide a multa moratória, pois nessa hipótese não há que se falar em denúncia espontânea. Precedentes STJ.
Recurso especial do contribuinte negado.
Numero da decisão: 9303-008.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 30/03/2003 a 31/12/2003 MULTA DE MORA. DÉBITO DECLARADO. Sobre o pagamento de tributo a destempo, desde que declarado em DCTF, incide a multa moratória, pois nessa hipótese não há que se falar em denúncia espontânea. Precedentes STJ. Recurso especial do contribuinte negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 00 09 41 /2 00 7- 31 Fl. 176DF CARF MF Processo nº 13888.000941/200731 Acórdão n.º 9303008.422 CSRFT3 Fl. 3 2 Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo contribuinte (fls. 127/139), admitido pelo despacho de fls. 158/160, contra o Acórdão 3803001.779 (fls. 117/120), de 02/06/2011, assim ementado: AUDITORIA INTERNA NA DCTF. COFINS. MULTA DE MORA. JUROS. INAPLICABILIDADE DA DENÚNCIA ESPONTÂNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos fora do prazo legal. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL REPRODUÇÃO DAS DECISÕES DEFINITIVAS DO STJ, NA SISTEMÁTICA DO 543C. PRAZO PARA REPETIR INDÉBITO TRIBUTÁRIO ANTES DA VIGÊNCIA DA LC 118/2005. No julgamento dos recursos no âmbito do CARF devem ser reproduzidas pelos Conselheiros as decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigo 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, em conformidade com o que estabelece o art. 62A Regimento Interno. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. Em síntese, postula o contribuinte a reforma do recorrido alegando a ocorrência da denúncia espontânea, a teor do art. 138 do CTN, pelo que, entende, não haveria incidência de multa de mora. Em contrarrazões (fls. 161/174), a Fazenda Nacional pede que seja negado provimento ao recurso especial. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator Conheço do recurso do contribuinte nos termos em que foi admitido. O presente processo trata de lançamento de ofício, consubstanciado no Auto de Infração de fls. 22/23 e anexos, para formalizar a exigência da multa de mora paga a menor por ocasião do recolhimento a destempo dos débitos de COFINS relativos aos períodos de março a dezembro de 2003, no valor total histórico de R$ 7.035,32. Os vencimentos variavam de 15/04/2003 a 15/01/2004 (fl. 34), tendo o contribuinte efetuado o pagamento em Fl. 177DF CARF MF Processo nº 13888.000941/200731 Acórdão n.º 9303008.422 CSRFT3 Fl. 4 3 30/03/2007, sendo que as DCTF foram entregues antes do pagamento, e posteriormente ao mesmo retificadas (fl. 22). Ou seja, os pagamento efetuados, como dito, em 30/03/2007, foram levados a efeito posteriormente à entrega da declaração. Demais disso, como anota o recorrido, os fatos tributados estava regularmente escriturados nos livros contábeis e fiscais do contribuinte. Portanto, não há que se falar em espontaneidade, pois incide na hipótese os termos do decidido no REsp 1.149.022SP, julgado sob o rito dos recursos repetitivos e a própria Súmula 360 do STJ, vazada nos seguintes termos: O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. Assim, entendo que deva ser mantido o recorrido em todos seus termos. DISPOSITIVO Em face do exposto, conheço, mas nego provimento ao recurso do contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 178DF CARF MF Processo nº 13888.000941/200731 Acórdão n.º 9303008.422 CSRFT3 Fl. 5 4 Fl. 179DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13887.000202/2003-26
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 20 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 05 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1003-000.074
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pelo Sujeito Passivo, para converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ do ano-calendário de 2002 para compensação dos débitos ali confessados em especial a análise dos novos documentos apresentados em sede de recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama.
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pelo Sujeito Passivo, para converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 para compensação dos débitos ali confessados em especial a análise dos novos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva (Presidente), Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Wilson Kazumi Nakayama. Relatório A Recorrente formalizou o Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação (Per/DComp) em 29.04.2003, fls. 0102 e 3033, utilizandose do saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) no valor de R$130.579,05, apurado pelo regime de tributação com base no lucro real anual do anocalendário de 2002 para compensação dos débitos ali confessados. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 87 .0 00 20 2/ 20 03 -2 6 Fl. 474DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Resolução nº 1003000.074 S1C0T3 Fl. 470 2 Consta no Parecer DRF/Limeira/SP/SAORT de 25.03.2008, fls. 262270, os seguintes fundamentos: CONCLUSÃO Isso posto, encaminhese ao Gabinete da DRF/Limeira para reconhecimento do direito creditório no valor de R$ 87.420,69 (oitenta e sete mil, quatrocentos e vinte reais e sessenta e nove centavos), referente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2002 e homologação das compensações analisadas neste processo, até o limite do crédito proposto. (grifos do original) Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 1ª Turma/DRJ/RJI/RJ nº 1232.497, de 05.08.2010, fls. 321323: COMPENSAÇÃO. Mantémse o Despacho Decisório recorrido, se não apresentado elemento de prova que o modifique. Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário. Está registrado na ementa e na parte dispositiva do Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003000.203, de 02.10.2018, efls. 417423: PER/DCOMP. COMPROVAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA. O procedimento de apuração do direito creditório não prescinde comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do valor de direito creditório pleiteado. [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Intimada da referida decisão em 30.10.2018, efls. 445446, a Recorrente opôs embargos de declaração em 05.11.2018, efls. 449455, (art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), suscitando que: II. DO DIREITO II.1 – Da Omissão quanto à Comprovação da Compensação da Estimativa Mensal de IRPJ de Abril de 2002. Conforme denota o acórdão embargado, o indeferimento do direito creditório da ora EMBARGANTE decorre da conclusão de que a empresa não comprovou o seu direito creditório, especialmente a compensação das estimativas mensais de IRPJ realizadas diretamente na sua escrita contábil. Todavia, a conclusão havida no v. acórdão prolatado resta equivocada, na medida em que não houve a devida apreciação pela Turma Julgadora dos documentos colacionados aos autos, os quais evidenciam o correto valor da estimativa mensal de IRPJ de abril de 2002 e igualmente a sua liquidação pela compensação realizada pela EMBARGANTE, deflagrandose evidente omissão do julgado. A este propósito, insta salientar que desde o início do processo, a EMBARGANTE comprovou pela informação constante na sua DIPJ do exercício de Fl. 475DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Resolução nº 1003000.074 S1C0T3 Fl. 471 3 2003 – anocalendário de 2002 (fls. 49) que o valor da estimativa mensal de abril de 2002 corresponde a R$ 54.735,35. Neste caso, a DIPJ deve ser utilizada de forma alternativa para demonstrar a verdade material, haja vista que a DCTF foi preenchida de maneira incorreta, por sinal, motivo ÚNICO da existência do presente processo, pois caso ela tivesse sido preenchida corretamente, o saldo negativo do ano de 2002 dificilmente teria sido sequer questionado pela Receita Federal. Se mais não bastasse, salientese que como a EMBARGANTE utilizavase naquela época de uma única conta contábil para controlar todos os seus saldos negativos, independente do ano da geração, a melhor forma de se comprovar a compensação das estimativas mensais, inclusive a apurada em abril de 2002 e, por conseguinte, a verdade material dos fatos ocorridos, seria, através do razão contábil que consta no processo, comparando o saldo inicial da conta IRPJ A COMPENSAR com o saldo final existente em 31/12/02. Assim sendo, é certo que se a fiscalização tivesse analisado o saldo existente em 31/12/01, da conta contábil 1.1.2.08.0004 000030 – IRPJ A COMPENSAR (Livro Razão – fls. 382 a 384) e o comparado com a utilização no ano de 2002, teria observado que ele foi integralmente consumido no curso do anocalendário de 2002, [...]Saldo em 31/12/01 R$ 91.168,79 * [...] (composto pelos saldos negativos dos anos de 2000 e 2001 conforme validado pela fiscalização – FOLHA 267 – onde concluiu que o saldo negativo dos anos de 2000 e 2001 eram de R$ 75.707,06 e R$ 66.746,73 que somados totalizam R$ 142.453,79 que é bem superior ao saldo contabilizado pelo contribuinte que foi de R$ 91.168,79). Estimativas de 2002, valores compensados: Compensação Aceita Estimativa de JAN/02 R$ 19.088,20 Compensação Aceita Estimativa de FEV/02 R$ 5.333,86 Compensação Aceita Estimativa de MAR/02 R$ [23.588,37] Compensação em discussão Estimativa de ABR/02 R$ 43.158,36 TOTAL COMPENSADO R$ 91.168,79 * [...]Somente através desta demonstração já é possível verificar que toda discussão do contribuinte durante estes 16 anos está suportada nas operações que de fato ocorreram naquele ano de 2002, a somatória das 4 estimativas compensadas É EXATAMENTE o mesmo valor do saldo de abertura da conta IRPJ A COMPENSAR. Além disso, se considerarmos que o saldo da referida conta em 31/12/02 correspondia a R$ 130.579,05, conforme pode ser visto na imagem abaixo, EXATAMENTE o valor do saldo negativo de 2002 informado na DIPJ do exercício de 2003 (fls. 45) fica claro e evidente, que independente da forma de contabilização adotada pela EMBARGANTE durante o anocalendário de 2002, QUE OS SALDOS NEGATIVOS DE 2000 E 2001 foram integralmente consumidos no decorrer do ano de 2002 para compensar as estimativas mensais de IRPJ apuradas nas 4 competências apresentadas acima (JAN, FEV, MAR E ABR/02). [...]Portanto, a única conclusão possível é que, pela simples análise da movimentação dos saldos a EMBARGANTE comprova tanto a existência de saldo negativo de IRPJ suficiente, como igualmente a regularidade da compensação da estimativa mensal de IRPJ de abril/2002 que foi efetivada pela EMBARGANTE, sendo de rigor a sua homologação e a respectiva confirmação desta parcela no cômputo do saldo negativo do anocalendário de 2002. Nestes termos, é imprescindível o pronunciamento desta Colenda Turma acerca dos documentos já colacionados aos autos que atentam e comprovam a regularidade da compensação da estimativa mensal de abril/2002, sanandose, assim, a omissão apontada. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Resolução nº 1003000.074 S1C0T3 Fl. 472 4 II.2 – Da Omissão quanto à Existência de Saldo Negativo de IRPJ suficiente mesmo se Desconsiderada a Compensação da Estimativa Mensal de Abril de 2002. O v. acórdão embargado, pautandose as informações fiscais já apresentadas nos autos, concluiu pela inexistência de saldo negativo de IRPJ suficiente para homologação das compensações efetivadas com o saldo negativo de IRPJ do ano calendário de 2002. Todavia, mais uma vez equivocouse a Colenda Turma, na medida em que deixou de considerar as próprias conclusões trazidas aos autos pela fiscalização tributária, no sentido de que restaram sem utilização parte do saldo negativo de 2000 a 2002, do que se concluiu que há saldo disponível suficiente para a homologação de todas as compensações efetivadas. Pois bem. Conforme verificase dos autos, a fiscalização tributária analisou todo o saldo negativo da EMBARGANTE desde o ano calendário de 1.995 (vide fls. 237), chegando à conclusão, após recomposição das compensações, de que ainda restam saldos negativos de IRPJ dos seguintes anos: Saldo negativo de 2.000 restante > R$ 35.706,19 (após compensações de estimativas de 2.002 – fl. 267) Saldo negativo de 2.001 restante > R$ 66.746,73 (Fiscal não considerou qualquer utilização desse saldo – fl. 267) Saldo negativo de 2.002 restante > R$ 87.420,69 (desconsiderandose compensação de abril/2.002 – fl. 278) SALDO NEGATIVO ATÉ 31/12/2.002 > R$ 189.873,61 [...] Assim, com base nas provas produzidas pela própria fiscalização tributária, claro está que havia saldo suficiente para homologar as compensações de estimativas de 2003 mesmo desconsiderando a compensação da estimativa de abril de 2002, já que os saldos dos anos de 2000 e 2001 não foram utilizados na recomposição feita pelo D. Agente Fiscal. Caso o D. Agente Fiscal tivesse realizado a recomposição das compensações até o ano de 2002 e não até o ano de 2001, como o fez, e ainda tivesse considerado os demais saldos de 2000 e 2001, teria inegavelmente verificado a existência de saldo suficiente para a compensação tanto da estimativa de abril de 2002, quanto dos débitos ora em discussão, uma vez que a compensação da estimativa de abril de 2002 por um lado reduziria o saldo de 2001, mas comporia o saldo de 2002, de forma que os efeitos seriam os mesmos. Nesse momento, oportuno lembrar que anteriormente a setembro de 2002 não havia a necessidade de declaração de compensação para que a compensação fosse realizada, bastando a existência do crédito contábil e a informação de sua utilização em DIPJ e DCTF. A EMBARGANTE, portanto, preencheu dois dos três requisitos (contabilidade e DIPJ). Portanto, em respeito ao princípio da verdade material, todos os elementos de prova devem ser sopesados pela Turma Julgadora, pois eles comprovam a existência inequívoca de crédito suficiente para a liquidação integral de todas as compensações efetivadas. Destarte, é premente que seja sanada a omissão apontada, com pronunciamento expresso desta Turma Julgadora sobre os documentos apresentados e acerca das Fl. 477DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Resolução nº 1003000.074 S1C0T3 Fl. 473 5 conclusões trazidas aos autos pela própria Fiscalização Tributária, a fim de que seja refeita a recomposição dos saldos e das compensações até o final do ano de 2002. E, consequentemente, seja reconhecida a integralidade do crédito pleiteado, homologandose, por decorrência, as compensações das estimativas mensais de janeiro a março de 2003. No entanto, caso Vossas Senhorias entendam que mesmo depois de sanadas as omissões alhures apontadas não seja possível a convalidação pela Turma Julgadora da compensação em tela com base nos saldos negativos apurados pela fiscalização nos autos desde o ano de 2000, necessário se faz que o presente processo seja baixado em diligência para constatação da existência do crédito, pois os saldos foram ignorados a fim de se evitar a perpetuação da afronta à ampla defesa e à verdade material. III – DO PEDIDO Diante do exposto, a EMBARGANTE requer que seus Embargos de Declaração sejam conhecidos e totalmente acolhidos, a fim de que sejam sanadas as omissões aventadas, pelas razões acima expostas. Uma vez sanados os vícios apontados nestes declaratórios, requer seja concedido efeitos infringentes ao mesmo, reconhecendose o direito ao crédito de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002, com a consequente homologação integral de todas as compensações efetivadas. E na remota hipótese de não se entender possível que esta convalidação seja efetivada por esta Turma Julgadora, requer sejam os autos baixados em diligência para a devida constatação da existência e suficiência do crédito pleiteado. O recurso voluntário está instruído com cópias do Livro Diário Geral, fls. 363 384. Os embargos foram admitidos, conforme Despacho de efls. 462468. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os Embargos de Declaração opostos pelo Sujeito Passivo atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Preliminar A Recorrente argui que houve omissão no acórdão embargado em relação: (a) à comprovação da compensação da estimativa mensal de IRPJ de abril de 2002; e Fl. 478DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Resolução nº 1003000.074 S1C0T3 Fl. 474 6 (b) à existência de saldo negativo de IRPJ suficiente para a extinção dos débitos indicados mesmo se desconsiderada a compensação da estimativa mensal de abril de 2002. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Analisando a Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF) do segundo trimestre de 2002, fl. 61, foi confessado, entre outros, o débito de IRPJ, código 5993, do período de apuração de abril de 2002 no valor de R$11.576,99, coincidente com o DARF arrecadado em 31.05.2002, conforme consta nos sistemas internos da RFB, fl. 60. Porém na Ficha 11 Cálculo do Imposto de Renda Mensal por Estimativa da Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) do ano calendário de 2002, o IRPJ a pagar de abril de 2002 consta o valor de R$54.735,35. Estes valores foram analisados. Está registrado no Parecer DRF/Limeira/SP/SAORT de 25.03.2008, fls. 262270, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Retornando por fim ao anocalendário de 2002, o saldo negativo apurado nos anoscalendário de 2000 e 2001 é suficiente para validar a compensação das estimativas de IRPJ dos meses de janeiro a março (fls. 253 a 261), declaradas em DCTF (fls. 58 a 60): Mês DIPJ DCTF Pagamento Compensação Janeiro/2002 19.088,20 19.088,20 19.088,20 Fevereiro/2002 20.252,74 20.252,74 14.918,88 5.333,86 Março/2002 23.588,37 23.588,37 23.588,37 Abril/2002 54.735,35 11.576,99 11.576,99 Maio/2002 7.699,40 7.699,40 7.699,40 Junho/2002 1.676,08 1.676,08 1.676,08 Julho/2002 1.338,33 1.338,33 1.338,33 Agosto/2002 994,33 994,33 994,33 Setembro/2002 402,63 402,63 402,63 Outubro/2002 482,68 482,68 482,68 Novembro/2002 2.213,19 2.213,19 2.213,19 Dezembro/2002 19.949,32 19.949,32 19.949,32 Total 152.420,62 109.262,26 61.251,83 48.010,43 Ante a confirmação do recolhimento das demais estimativas (fl. 70), de retenção em fonte (fl. 71) e da existência de crédito para as compensações (fl. 254), o contribuinte poderia deduzir R$ 2.130,68 a título de fonte e R$ 109.262,26 como estimativa, diferentemente dos R$ 152.420,62 deduzidos na apuração anual (fl. 45) que não foram declarados na DCTF nem consta comprovação da extinção. Portanto, o saldo negativo comprovado para o anocalendário de 2002 e passível de ser utilizado para compensação neste processo é de R$ 87.420,69: FICHA 12A CÁLCULO DO IR SOBRE LUCRO REAL AC 2002 01. Alíquota de 15% 23.972,25 03. Adicional 0,00 13. () Imposto de Renda Retido na Fonte 2.130,68 16. () Imposto de Renda Mensal Pago por Estimativa 109.262,26 18. Imposto de Renda a Pagar 87.420,69 Fl. 479DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Resolução nº 1003000.074 S1C0T3 Fl. 475 7 Verificase que o IRPJ pago por estimativa durante o ano de 2002 perfaz o total de 109.262,26 resultante do somatório das parcelas pagas (R$61.251,83) e das parcelas compensadas (R$48.010,43). montante está contido o valor de IRPJ determinado pela base estimada de abril de 2002 no valor de R$11.576,99. O valor de R$54.735,35 de IRPJ de abril de 2002 informado na DIPJ não pode ser considerado pois não foram produzidos no processo novos elementos de prova, de modo que o conjunto probatório já produzido evidencia que o procedimento de ofício está correto. A alteração de ofício de elemento consignado na DCTF originalmente apresentada não tem amparo legal. O suposto erro de fato não está evidenciado pois não há pagamento tampouco compensação coincidente no valor de R$54.735,35 de IRPJ referente a abril de 2002. Consta no Acórdão da 1ª Turma/DRJ/RJOI/RJ nº 091232.497, de 05.08.2010, fls. 321323, cujos fundamentos de fato e direito são acolhidos de plano nessa segunda instância de julgamento (art. 50 da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999): Como visto no Relatório, a DRF/Limeira/SP, através do Despacho Decisório de fls. 262/270, reconheceu parcialmente o direito creditório pleiteado, referente ao saldo negativo de IRPJ apurado no ano calendário de 2002, no valor de R$87.420,69, e homologou as compensações declaradas neste processo até o limite do crédito reconhecido. Na referida decisão, a DRF/Limeira apresenta análise dos saldos negativos apurados pelo interessado desde o ano calendário de 1995. Na manifestação de inconformidade, o interessado alega que houve erro de fato no preenchimento da DCTF do mês de abril/2002 — o valor total do débito apurado é R$54.735,35, com pagamento de R$11.576,99, através de Darf, e compensação de R$43.158,36 com saldo negativo referente a 2001, conforme tabela. O pagamento de R$11.576,99, através de Darf, foi considerado pela DRF (planilha à fl. 269). Resta, então, analisar a alegação de, no mês de abril/2002, ter havido compensação de estimativa de IRPJ, no valor de R$43.158,36 com saldo negativo referente a 2001. A partir do exercício 1993, foi permitida a compensação do saldo credor de IRPJ e do de CSLL, apurados nas Declarações de Rendimentos das pessoas jurídicas, compensação que, até setembro de 2002, podia ser feita na própria contabilidade do contribuinte (mediante registro nos livros contábeis e fiscais), independente de requerimento à SRF, abrangendo débitos de mesma natureza e de períodos de apuração posteriores (IN SRF 21/97, revogada pela IN SRF 210/2002). As compensações efetuadas na contabilidade deveriam ser informadas na DCTF. O interessado, no entanto, não juntou aos Autos elementos que comprovem ter havido compensação na forma da legislação. A simples apresentação de planilha não prova a alegação de ter havido erro de fato no preenchimento da DCTF. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e da existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas a liquidez e a certeza pela autoridade administrativa. Uma vez que o interessado entende que teria um valor a ser restituído/compensado, cabe unicamente a ele o ônus da prova, por meio de documentos hábeis, como os livros contábeis e fiscais. Fl. 480DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Resolução nº 1003000.074 S1C0T3 Fl. 476 8 O Despacho Decisório deve, então, ser mantido, por não ter sido apresentado elemento de prova que o modifique. (grifos do original) As situações de omissões estão apontadas objetivamente de modo que os embargos de declaração devem ser acolhidos. Mérito A Recorrente argui que: (a) comprova a compensação da estimativa mensal de IRPJ de abril de 2002; e (b) existe saldo negativo de IRPJ suficiente para a extinção dos débitos indicados, mesmo se desconsiderada a compensação da estimativa mensal de abril de 2002. O sujeito passivo que apurar crédito relativo a tributo administrado pela RFB, passível de restituição, pode utilizálo na compensação de débitos. A partir de 01.10.2002, a compensação somente pode ser efetivada por meio de declaração e com créditos e débitos próprios, que ficam extintos sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Também os pedidos pendentes de apreciação foram equiparados a declaração de compensação, retroagindo à data do protocolo (art. 165, art. 168, art. 170 e art. 170A do Código Tributário Nacional, art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 com redação dada pelo art. 49 da Medida Provisória nº 66, de 29 de agosto de 2002, que entrou em vigor em 01.10.2002 e foi convertida na Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002). Posteriormente, ou seja, em 31.10.2003, ficou estabelecido que a Per/DComp constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência dos débitos indevidamente compensados, bem como que o prazo para homologação tácita da compensação declarada é de cinco anos, contados da data da sua entrega. Ademais, o procedimento se submete ao rito do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional (§1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, art. 17 da Medida Provisória nº 135, de 30 de outubro de 2003 e art. 17 da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003). No que se refere à comprovação da compensação da estimativa mensal de IRPJ de abril de 2002 e à existência de saldo negativo de IRPJ suficiente mesmo se desconsiderada a compensação da estimativa mensal de abril de 2002, temse que a Instrução Normativa SRF nº 210, de 30 de setembro de 2001, que vigorava à época previa: Art. 14. Os créditos decorrentes de pagamento indevido, ou a maior que o devido, de tributos e contribuições da mesma espécie e destinação constitucional, inclusive quando resultantes de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, poderão ser utilizados, mediante compensação, para pagamento de débitos da própria pessoa jurídica, correspondentes a períodos subseqüentes, desde que não apurados em procedimento de ofício, independentemente de requerimento. Nesse sentido, a Recorrente teria que fazer constar em seus registros contábeis e ainda na DCTF correspondente a compensação de saldos negativos de IRPJ dos anos calendário de 2000 e 2001 com a estimativa devida em abril de 2002 no valor de R$43.158,36. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Resolução nº 1003000.074 S1C0T3 Fl. 477 9 Os diplomas normativos de regências da matéria, quais sejam o art. 170 do Código Tributário Nacional e o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, deixam clara a necessidade da existência de direto creditório líquido e certo no momento da apresentação do Per/DComp, hipótese em que o débito confessado encontrarseia extinto sob condição resolutória da ulterior homologação. Conforme determinam os §§ 1º e 3º do art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do sujeito passivo dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais, exceto nos casos em que a lei, por disposição especial, atribua a ele o ônus da prova de fatos registrados na sua escrituração. A Recorrente tem o ônus de instruir os autos com documentos hábeis e idôneos que justifiquem a retificação das informações. Nesse sentido também vale ressaltar o disposto no art. o art. 195 do Código Tributário Nacional e o art. 4º do DecretoLei nº 486, de 03 de março de 1969, que preveem, em última análise, "que os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram." A pessoa jurídica pode deduzir do tributo devido o valor dos incentivos fiscais previstos na legislação de regência, do tributo pago ou retido na fonte, incidente sobre receitas computadas na determinação do lucro real, bem como a IRPJ determinado sobre a base de cálculo estimada no caso utilização do regime com base no lucro real anual, para efeito de determinação do saldo de IRPJ a pagar ou a ser compensado no encerramento do ano calendário, ocasião em que se verifica a sua liquidez e certeza (art. 170 do Código Tributário Nacional, art. 34 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995 e art. 2º da Lei nº 9.430, 27 de dezembro de 1996). Temse que nos estritos termos legais este entendimento está de acordo com o princípio da legalidade a que o agente público está vinculado (art. 37 da Constituição Federal, art. 116 da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, art. 2º da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 26A do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de julho de 2015). Tendo em vista o início de prova produzido pela Recorrente e com observância do disposto no art. 18 do Decreto nº 70.235, de 1972, voto em converter o julgamento na realização de diligência para a autoridade preparadora da Unidade da Receita Federal do Brasil que jurisdicione a Recorrente cotejar as informações fornecidas pela Recorrente mediante apresentação dos elementos de prova constantes nos assentos contábeis, tais como cópias do Livro Diário Geral, fls. 363384.l, fls. 363384, que evidenciem as alegações constantes no recurso voluntário com os registros internos da RFB para aferir a verossimilhança, a clareza, a precisão e a congruência das informações ali constantes. A autoridade designada para cumprir a diligência solicitada deverá elaborar o Relatório Fiscal circunstanciado e conclusivo sobre os fatos averiguados, em especial verificar a comprovação inequívoca da liquidez e da certeza do direito creditório pleiteado a título de saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2002 para compensação dos débitos ali confessados, em especial a análise dos novos documentos apresentados em sede de recurso voluntário. Fl. 482DF CARF MF Processo nº 13887.000202/200326 Resolução nº 1003000.074 S1C0T3 Fl. 478 10 A Recorrente deve ser cientificada dos procedimentos referentes às diligências efetuadas e do Relatório Fiscal para que, desejando, se manifeste a respeito dessas questões com o objetivo de lhe assegurar o contraditório e a ampla defesa com os meios e recursos a ela inerentes1. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva 1 Fundamentação legal: inciso LV do art. 5º da Constituição da República. Fl. 483DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.913121/2009-10
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2005
CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SÚMULA PUBLICADA POSTERIORMENTE. SÚMULA CARF Nº 84.
Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso.
Numero da decisão: 9101-004.179
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Viviane Vidal Wagner - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: VIVIANE VIDAL WAGNER
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner - Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
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ESTIMATIVA. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado BANCO MERCANTIL DE INVESTIMENTOS S/A ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2005 CONHECIMENTO. RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SÚMULA PUBLICADA POSTERIORMENTE. SÚMULA CARF Nº 84. Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 31 21 /2 00 9- 10 Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10680.913121/200910 Acórdão n.º 9101004.179 CSRFT1 Fl. 164 2 Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado, por meio de recurso especial de divergência, em face de decisão que restou assim ementada: Acórdão nº 180100.956, de 10/04/2012 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2005 RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. ADMISSIBILIDADE. Somente são dedutíveis do IRPJ e da CSLL apurados no ajuste anual as estimativas pagas em conformidade com a lei. O pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subseqüente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. Eficácia retroativa da Instrução Normativa RFB nº. 900/2008. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. ANÁLISE INTERROMPIDA. Inexiste reconhecimento implícito de direito creditório quando a apreciação da restituição/compensação restringese a aspectos como a possibilidade do pedido. A homologação da compensação ou deferimento do pedido de restituição, uma vez superado este ponto, depende da análise da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. O colegiado a quo decidiu, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para admitir a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação pretendida, em virtude da ausência da análise do mérito pela autoridade preparadora. Cientificada, a Procuradoria da Fazenda Nacional (PFN), tempestivamente, apresentou Recurso Especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. ), suscitando dissenso jurisprudencial em relação aos seguintes acórdãos paradigmas, assim ementados: Acórdão nº 10708.989 CSLL. RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. PRETENSÃO DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES. IMPOSSIBILIDADE. Os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, sendo possível ao contribuinte, Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10680.913121/200910 Acórdão n.º 9101004.179 CSRFT1 Fl. 165 3 verificando o pagamento de contribuição em montante superior ao devido no exercício de apuração, pugnar pela restituição do saldo negativo. Os recolhimentos por estimativa não são, por si só, passíveis de restituição. Acórdão nº 110200.291 IRPJ. ANTECIPAÇÕES DO TRIBUTO DEVIDO NO FINAL DO ANOCALENDÁRIO. COMPENSAÇÃO, Os recolhimentos mensais do IRPJ calculados sobre a receita bruta auferida nesses períodos, as denominadas estimativas, caracterizam meras antecipações do imposto a ser apurado com o balanço patrimonial levantado no final do anocalendário. A feição de pagamento, modalidade extintiva da obrigação tributária, só se exterioriza em 31 de dezembro, pois aí ocorrente o fato gerador do imposto de renda de pessoa jurídica optante pelo regime de tributação do lucro real anual. Do confronto entre o montante antecipado ao longo do ano calendário e o quantum do tributo apurado em 31 de dezembro poderá resultar saldo de imposto a pagar ou saldo negativo de IRPJ, este último, pagamento a maior que o devido, é passível de restituição ou compensação, sobre o qual serão acrescidos de juros à taxa Selic contados a partir de 1" de janeiro subsequente. Eventuais diferenças, a maior, de estimativas recolhidas podem ser compensadas com estimativas mensais devidas ao longo do anocalendário em curso, dada a mesma natureza de antecipação, não, porém, com qualquer outro tipo de dívida. O recurso especial foi admitido pelo Presidente da Câmara, através do despacho de admissibilidade de efls. 118121. Contrarrazões do contribuinte às efls.128159, em que sustenta o não seguimento do recurso fazendário uma vez que a recorrente aponta como paradigmas da divergência acórdãos antigos do então Conselho de Contribuintes, cuja tese já está superada no âmbito deste egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e, mais ainda, sedimentada em sentido contrário, em favor do contribuinte, conforme evidenciado pela Súmula CARF nº 84, aprovada pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais em sessão de 10 de dezembro de 2012. Aponta, ainda, ausência do inteiro teor dos paradigmas e ausência de comprovação de divergência. Sucessivamente, no mérito, pede que seja negado provimento ao recurso especial, mantendose o recorrido. É o relatório. Voto Conselheira Viviane Vidal Wagner Relatora Conhecimento Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10680.913121/200910 Acórdão n.º 9101004.179 CSRFT1 Fl. 166 4 Tratase de analisar o recurso especial da PFN, admitido pelo despacho de e fls. 118121, contra decisão que reconheceu que o pagamento a maior de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento e, com o acréscimo de juros à taxa SELIC, acumulados a partir do mês subsequente ao do recolhimento indevido, pode ser compensado, mediante apresentação de DCOMP. A recorrente apresentou paradigmas que decidiram, em sentido contrário, que os valores recolhidos a título de estimativa devem ser levados à declaração de ajuste anual, não sendo os recolhimentos por estimativa, por si só, passíveis de restituição. Sobre a admissibilidade do recurso especial, o Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015, prevê em seu art. 67 do Anexo II: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. [...] § 3º Não cabe recurso especial de decisão de qualquer das turmas que adote entendimento de súmula de jurisprudência dos Conselhos de Contribuintes, da CSRF ou do CARF, ainda que a súmula tenha sido aprovada posteriormente à data da interposição do recurso. [...] § 12 Não servirá como paradigma o acórdão que, na data da análise da admissibilidade do recurso especial, contrariar: I Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; II decisão judicial transitada em julgado, nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC); e III Súmula ou Resolução do Pleno do CARF (grifouse) O presente litígio diz respeito à possibilidade de aproveitamento de indébitos a título de estimativa de IRPJ e de CSLL como direito creditório em declarações de compensação. Esse tema foi objeto de amplos debates neste órgão de julgamento colegiado e decisões reiteradas no mesmo sentido deram origem à Súmula CARF nº 84, atualmente com efeito vinculante a toda a Administração Pública, de seguinte teor: Súmula CARF nº 84 É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10680.913121/200910 Acórdão n.º 9101004.179 CSRFT1 Fl. 167 5 11/09/2018). (Vinculante, conforme Portaria ME nº 128, de 01/04/2019, DOU de 02/04/2019). Portanto, considerase possível a formação e o aproveitamento em compensações de indébitos de estimativa, desde que o sujeito passivo comprove, perante a autoridade administrativa que o jurisdiciona: (a) o erro cometido no cálculo ou no recolhimento da estimativa; (b) a sua adequação para a formação do indébito; e (c) a correspondente disponibilidade, mediante prova de que já não se valeu desse indébito para liquidação do IRPJ devido no ajuste anual ou para formação do correspondente saldo negativo. Verificase, assim, o acerto da decisão recorrida que reconheceu a possibilidade de formação de indébitos em recolhimentos por estimativa, mas sem homologar a compensação no presente caso, por ausência de análise do mérito pela autoridade preparadora, determinando o retorno dos autos à unidade de jurisdição da contribuinte para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. E, caso tal decisão não resulte na homologação total das compensações promovidas, será facultado ao contribuinte uma nova manifestação de inconformidade, possibilitandolhe a discussão do mérito da compensação nas duas instâncias administrativas de julgamento. Nesse sentido, concluise que a decisão recorrida está em consonância com o disposto na Súmula CARF nº 84, enquanto o paradigma apontado, por sua vez, contraria o disposto na referida súmula, impedindo o conhecimento do recurso especial fazendário, a teor do disposto no art. 67 e §§ 3º e 12 do Anexo II do RICARF. Por fim, cabe observar que, consoante destacado pela decisão recorrida, ainda não houve a apreciação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pela autoridade administrativa que jurisdiciona a contribuinte. Neste caso, uma vez não admitido o recurso especial da Fazenda Nacional quanto ao direito posto em discussão, prevalece a decisão recorrida que deu parcial provimento ao recurso voluntário e determinou o retorno dos autos à unidade de jurisdição do contribuinte, para verificação da existência, suficiência e disponibilidade do crédito pretendido em compensação. Conclusão Por todo o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Viviane Vidal Wagner Fl. 167DF CARF MF Processo nº 10680.913121/200910 Acórdão n.º 9101004.179 CSRFT1 Fl. 168 6 Fl. 168DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904476/2008-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Data do fato gerador: 03/11/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
Numero da decisão: 2201-004.899
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Data do fato gerador: 03/11/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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NULIDADE DO ACÓRDÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. É nula, por preterição do direito de defesa, a decisão que deixa de enfrentar todos os argumentos deduzidos na impugnação que sejam essenciais à solução da lide administrativa, à luz do que determina o art. 59, II, do Decreto 70.235, de 1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar suscitada de ofício pelo Conselheiro Relator, para considerar nula, por cerceamento do direito de defesa, a decisão proferida em sede de 1ª instância e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 44 76 /2 00 8- 34 Fl. 170DF CARF MF Processo nº 16327.904476/200834 Acórdão n.º 2201004.899 S2C2T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo negando o direito ao crédito do IRRF recolhido a ser compensado com outro tributo administrado pela Receita Federal. De acordo com o despacho decisório, o pagamento indicado não possui saldo disponível para compensação, visto que foi integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte. O contribuinte alega que efetuou a retenção de forma equivocada de IRRF sobre operações de ganho de capital em operação de compra e venda em bolsa de valores pois considerou diversas empresas investidoras não residentes e situadas em países com tributação favorecida (paraíso fiscal). Aduz que houve erro, pois de acordo com a IN 188/02 as empresas situadas em Luxemburgo que não sejam constituídas na forma de Holding Company não estão sujeitas a retenção do IRRF e, portanto o pagamento do tributo foi compensado. A Delegacia da Receita de Julgamento julgou improcedente a manifestação de inconformidade do contribuinte sob o fundamento em síntese de falta de comprovação dos documentos societários constitutivos da empresa investidora para não ter o tratamento de holding company na forma da legislação luxemburguesa, sendo que considerando esses fatos, foi apresentado recurso voluntário para este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Neste colegiado, o processo em análise compôs lote sorteado em sessão pública para este Conselheiro. É o que havia para ser relatado." Fl. 171DF CARF MF Processo nº 16327.904476/200834 Acórdão n.º 2201004.899 S2C2T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 16327.904487/200814, paradigma deste julgamento. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2201004.880, de 17 de janeiro de 2019 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária: "Acórdão nº 2201004.880 2ª Câmara/1ª Turma Ordinária O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e, portanto, o conheço. Tratase de recurso voluntário apresentado em face da decisão de primeiro grau que negou provimento à manifestação de inconformidade formalizada pelo sujeito passivo mantendo integralmente os termos do despacho decisório que não homologou o crédito de IRRF para compensação com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. No presente recurso o contribuinte questiona além do fato de existir provas de que a empresa investidora não era à época dos fatos holding company para se inserir na regra de retenção do IRRF, argumenta também sobre a existência de erro de fato. Contudo não foi enfrentada no acórdão da decisão da DRJ e não dedicada nem uma só linha sequer sobre o assunto do erro de fato muito embora seja ela essencial ao deslinde desta lide administrativa e tenha constado na manifestação de inconformidade do contribuinte. O contribuinte destaca em seu recurso e na manifestação de inconformidade tanto o tema quanto a ocorrência de erro de fato quanto a questão da comprovação da natureza societária em Luxemburgo da empresa investidora. Contudo, pela análise da decisão de piso, verifico que apenas a questão sobre a natureza societária da empresa investidora, no caso a comprovação se era a época dos fatos, holding company, foi objeto de decisão de primeiro grau, deixando a C. Turma do colegiado a quo de se manifestar em relação a questão do erro de fato, que foi objeto de capítulo exclusivo na manifestação de inconformidade do contribuinte. Portanto, nesse caso, de ofício e de forma preliminar entendo que para evitar supressão de instância devido ao fato da DRJ não ter analisado essa questão quanto ao erro de fato, levantada pelo contribuinte desde a manifestação de inconformidade e também em recurso voluntário, entendo que houve preterição ao direito de defesa de acordo com art. 59, II do Decreto 70.235/72 devendo ser anulada a r. decisão recorrida para que a DRJ a analise, ressalvado ao Fl. 172DF CARF MF Processo nº 16327.904476/200834 Acórdão n.º 2201004.899 S2C2T1 Fl. 5 4 contribuinte, posteriormente o recurso em relação aos demais itens não abordados nessa decisão. Com efeito, os demais argumentos trazidos no recurso ficam prejudicados quanto a sua análise em vista das razões acima, sendo que ficam ressalvados em caso de necessidade de posterior análise após nova decisão da DRJ. Conclusão Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo." Diante do exposto, conheço e DOU PROVIMENTO AO RECURSO para reconhecer de ofício a nulidade da decisão de primeira instância administrativa, por cerceamento do direito de defesa, e determinar o retorno dos autos à Delegacia de Julgamento para que emita nova decisão, oportunidade em que todos os temas tratados na impugnação deverão ser analisados pelo colegiado administrativo. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Fl. 173DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.009210/2002-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed May 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 1997
RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZADA.
Não se conhece de recurso especial que não demonstra a divergência.
Estando a decisão recorrida fundada em aspecto de fato diverso dos aventados nos acórdãos indicados como paradigma, é de se concluir que estes não se prestam a demonstrar divergência jurisprudencial.
Numero da decisão: 9101-004.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que conheceu do recurso.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 1997 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial que não demonstra a divergência. Estando a decisão recorrida fundada em aspecto de fato diverso dos aventados nos acórdãos indicados como paradigma, é de se concluir que estes não se prestam a demonstrar divergência jurisprudencial.
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AUTO DE INFRAÇÃO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado ORGANIZAÇÃO HOSPITALAR DE PERNAMBUCO LTDA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 1997 RECURSO ESPECIAL. DIVERGÊNCIA. NÃO CARACTERIZADA. Não se conhece de recurso especial que não demonstra a divergência. Estando a decisão recorrida fundada em aspecto de fato diverso dos aventados nos acórdãos indicados como paradigma, é de se concluir que estes não se prestam a demonstrar divergência jurisprudencial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Viviane Vidal Wagner, que conheceu do recurso. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Lívia De Carli Germano, Daniel Ribeiro Silva (suplente convocado) e Adriana AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 00 92 10 /2 00 2- 31 Fl. 413DF CARF MF Processo nº 10480.009210/200231 Acórdão n.º 9101004.169 CSRFT1 Fl. 414 2 Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Demetrius Nichele Macei, substituído pelo conselheiro Daniel Ribeiro Silva. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pela Fazenda Nacional contra o acórdão nº 1801001.788, da 1a Turma Especial da 1a Seção, proferido em 3 de dezembro de 2013. Cientificada, a Recorrente interpôs embargos de declaração que restaram rejeitados por meio do Acórdão nº 1801002.042, de 30 de julho de 2014. Encaminhados os autos à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional em 11 de agosto de 2014, para fins de ciência do acórdão, nos termos do §3º do art. 81 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, restou configurada a intimação do Procurador da Fazenda Nacional em 9 de setembro de 2014, nos termos do §9º do art. 23 do Decreto nº 70.235/1972. A Recorrente interpôs recurso especial em 4 de setembro de 2014, alegando divergência jurisprudencial em relação ao entendimento do acórdão recorrido que reconheceu a existência de concomitância entre os processos administrativos e judicial e deu provimento ao recurso voluntário para cancelar o lançamento sob o fundamento de que houve pagamento (conversão em renda) do valor em cobrança. A decisão recorrida recebeu como ementa e dispositivo os seguintes: Acórdão recorrido: 1801001.788, de 3 de dezembro de 2013 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 1997 NULIDADE. INTIMAÇÃO PARA PRESTAR JUSTIFICATIVAS. AUSÊNCIA DE OBRIGAÇÃO PELO FISCO. NATUREZA INQUISITÓRIA DA AÇÃO FISCAL. Dada a natureza inquisitória do procedimento fiscal, durante o qual o fisco não imputa acusação contra o contribuinte, a fiscalização não tem a obrigação de intimar a empresa para prestar esclarecimentos, quando já dispuser de informações suficientes para efetuar o lançamento, cabendo ao sujeito passivo contestálo na fase litigiosa, que tem início com a interposição da impugnação. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1997 CSLL. REVISÃO INTERNA DCTF. AÇÃO JUDICIAL. CONVERSÃO EM RENDA DA UNIÃO. CANCELAMENTO DO LANÇAMENTO. Confirmada a informação de que houve ação judicial já transitada em julgado, com a conversão em renda da União, dos mesmos valores exigidos Fl. 414DF CARF MF Processo nº 10480.009210/200231 Acórdão n.º 9101004.169 CSRFT1 Fl. 415 3 em auto de infração, convém cancelar o lançamento em vez de não conhecer do recurso voluntário, com fulcro no art. 5°, inciso LXXVIII da CF/88, que garante a celeridade do processo administrativo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. A Recorrente indica como paradigmas hábeis para sustentar a divergência: o Acórdão nº 30133.151, de 18 de setembro de 2006, proferido pela 1ª Câmara do 3º Conselho de Contribuintes e o Acórdão nº 10422.180, de 24 de janeiro de 2007, proferido 4ª Câmara do 1º Conselho de Contribuintes. As ementas desses julgados são as seguintes: Acórdão paradigma nº 30133.151, de 18 de setembro de 2006 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NORMAS PROCESSUAIS. MANDADO DE SEGURANÇA COLETIVO. A propositura de ação judicial afasta o pronunciamento da jurisdição administrativa sobre mesma matéria objeto da pretensão judicial, razão pela qual não se conhece do recurso interposto. RECURSO VOLUNTÁRIO NÃO CONHECIDO Acórdão paradigma nº 10422.180, de 24 de janeiro de 2007 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL OPÇÃO PELA VIA JUDICIAL CONCOMITÂNCIA A opção pela via judicial importa em renúncia da discussão administrativa, inibindo o conhecimento do Recurso Voluntário. O despacho de admissibilidade de fls. 401404, de 25 de maio de 2015, deu seguimento ao recurso especial, observando que "Nos acórdãos paradigmas, verificada a existência de concomitância entre os processos administrativo e judicial sobre a matéria em litígio, os colegiados decidiram não conhecer do recurso interposto, enquanto que, no acórdão recorrido, diante de idêntica situação o colegiado decidiu conhecer do recurso e darlhe provimento para cancelar o lançamento, ao fundamento de que o crédito tributário respectivo já havia sido extinto mediante a conversão em renda dos depósitos judiciais." Intimado em 20 de julho de 2015 (fl. 408), o contribuinte não se manifestou. Contexto fático dos autos No caso, a Recorrente ajuizou a ação em 1991 e esta transitou em julgado em 1996. O auto de infração pretendeu a cobrança do tributo discutido na ação judicial (CSLL) referente ao 3o e 4o trimestres de 1997, respectivamente no valor de principal de R$28.831,41 e R$45.667,30 (fls. 2123). As Guias de Recolhimento Judicial à Ordem da Justiça Federal juntadas às fls. 2728 confirmam que estes exatos valores foram depositados, tempestivamente, nos autos da ação judicial em questão. A DRJ cancelou os lançamentos de multa e juros e esta matéria não foi devolvida à apreciação do CARF (por não ser o caso de recurso de ofício), remanescendo em sede de recurso voluntário apenas a discussão sobre o principal de tributo devido. Fl. 415DF CARF MF Processo nº 10480.009210/200231 Acórdão n.º 9101004.169 CSRFT1 Fl. 416 4 É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano Relatora Admissibilidade recursal O recurso especial é tempestivo, no entanto compreendo que não pode ser conhecido. Nesse ponto, observo que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) é instância especial de julgamento com a finalidade de proceder à uniformização da jurisprudência do CARF. Desse modo, a admissibilidade do recurso especial está condicionada ao atendimento das condições previstas no art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343, de 9 de junho de 2015: Art. 67. Compete à CSRF, por suas turmas, julgar recurso especial interposto contra decisão que der à legislação tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar a legislação tributária interpretada de forma divergente. (...) § 8º A divergência prevista no caput deverá ser demonstrada analiticamente com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido. Destacase, de início, que o alegado dissenso jurisprudencial se estabelece em relação à interpretação das normas, devendo, pois, a divergência, se dar em relação a questões de direito, tratandose da mesma legislação aplicada a uma mesma situação fática. No caso, compreendo que os paradigmas apresentados não se prestam a demonstrar a divergência na interpretação da legislação tributária em relação à decisão recorrida, nos termos do art. 67, Anexo II do RICARF, na medida em que os contextos fático e jurídico discutido em cada um deles é diverso. De fato, os paradigmas tratam de casos em que o recurso voluntário não foi conhecido em virtude de ter sido verificada a propositura de ação judicial com o exato objeto que pretendia ser discutido nos autos do processo administrativo. Fl. 416DF CARF MF Processo nº 10480.009210/200231 Acórdão n.º 9101004.169 CSRFT1 Fl. 417 5 Especificamente, o acórdão 30133.151 tratou de pedido de restituição de FINSOCIAL apresentado pela contribuinte com fundamento em declaração de inconstitucionalidade de majoração de alíquota declarada pelo Supremo Tribunal Federal, no entando foi constatado que o sindicato do qual ela participava já havia demandado judicialmente tal pretensão. Diante disso, o voto condutor não conheceu do recurso voluntário interposto, por considerar que "a ora recorrente é parte interessada tanto na ação judicial quanto na demanda administrativa, coincidindo também o mesmo propósito entre eles". Já o acórdão 10422.180 é de embargos, e nele o voto condutor retifica o acórdão anteriormente proferido para não conhecer do recurso interposto, já que "no julgado anterior não foi devidamente considerada a prova constante dos autos (ação judicial) resultando em franca contradição entre as razões de decidir e os fatos trazidos aos autos, o que recomenda não só o acolhimento dos embargos, mas, também, os efeitos infringentes requeridos.". Na hipótese, ambos os processos, administrativo e judicial, discutiam a tributação devida sobre uma operação específica de alienação de um veículo. O acórdão recorrido, por sua vez, cancela o lançamento especificamente em virtude de os débitos em questão terem sido quitados, sendo válido citar os seguintes trechos do voto (grifamos): (...). O litígio discutido nos presentes autos são as exigências de CSLL do terceiro e quarto trimestres do ano 1997. Essas mesmas exigências foram discutidas na ação ordinária pela qual a recorrente postulou judicialmente a declaração de inexigibilidade da CSLL. Como o período em questão está contido nos períodos analisados pela Justiça Federal, entendo que o objeto do presente processo administrativo está contido no objeto do processo judicial, impondose a aplicação da súmula n°1 do CARF: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Segundo o verbete, somente cabe apreciar matéria distinta. No caso, a DRJ corretamente julgou a multa de ofício, cancelando a, já que a penalidade não foi objeto de ação judicial. (...) Em suma, como no processo judicial e no PAF o conteúdo da exigência é o mesmo, qual seja, crédito tributário de CSLL do terceiro e quatro trimestres de 1997 com mesmo fato gerador, houve renúncia à instancia administrativa. Por outro lado, a recorrente trouxe informação relevante para a presente decisão, à fl. 311: 27 Em 19/08/1999, o MM Juízo de primeiro grau julgou o pedido parcialmente procedente para acolher a pretensão da Recorrente de repetição das parcelas da CSLL apenas em relação ao ano de Fl. 417DF CARF MF Processo nº 10480.009210/200231 Acórdão n.º 9101004.169 CSRFT1 Fl. 418 6 1988 (doc. 06), que foi mantido na íntegra pelo Tribunal Regional Federal da 5a Região (doc. 07) e pelo Superior Tribunal de Justiça (doc. 08); 28 Transitada em julgado a r. decisão em 11 de dezembro de 2006 (doc. 09), foi iniciado o processo de execução de sentença, e, por manifesta desídia da Fazenda Nacional, a conversão em renda dos depósitos realizados pela Recorrente apenas ocorreu em 18/09/2009, satisfazendo em definitivo os créditos tributários, inclusive dos 3 o e 4 o trimestres de 1997 (doc. 10); (...) Em síntese, temse, de um lado, a configuração da identidade de objetos, que impede o conhecimento do recurso. E de outro, a plena convicção de que não há o menor sentido em dar prosseguimento ao processo administrativo. Essa colisão se supera por norma de hierarquia maior: o art. 5°, inciso LXXVIII da CF/88, que garante a celeridade do processo administrativo: LXXVIII a todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. (Incluído pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) Entendo que o lançamento tendente a constituir um crédito tributário já quitado não merece outra decisão senão o imediato cancelamento. CONCLUSÃO. Por todo o exposto, voto em rejeitar a preliminar de nulidade, e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, para cancelar o lançamento. Como visto, o voto condutor do acórdão recorrido decide cancelar o lançamento, dando assim provimento ao recurso voluntário, ante a específica consideração de que o presente auto de infração está quitado (eis que os débitos exigidos no presente processo foram depositados judicialmente e efetivamente convertidos em renda em favor da União). Ao fazêlo, ele na verdade realiza a liquidação da decisão recorrida, trabalho que, de qualquer forma, seria realizado pela unidade de origem ao confrontar o débito do auto de infração e os valores dos depósitos judiciais convertidos em renda. A situação dos autos é específica e não pode ser comparada aos casos tratados nos paradigmas, em que os recursos simplesmente não foram conhecidos porque constatada a concomitância. Basta verificar que o exercício de buscar saber o que os colegiados dos acórdãos paradigmas concluiriam da análise do caso concreto se revela infrutífero em face desse aspecto peculiar dos autos relativo à quitação dos tributos aqui cobrados. Estando a decisão do acórdão recorrido fundada em aspecto de fato diverso dos aventados nos acórdãos indicados como paradigma, concluo que estes não se prestam a demonstrar divergência jurisprudencial no caso dos autos. Neste sentido, oriento meu voto para não conhecer do recurso especial. Fl. 418DF CARF MF Processo nº 10480.009210/200231 Acórdão n.º 9101004.169 CSRFT1 Fl. 419 7 Conclusão Ante o exposto, oriento meu voto por não conhecer do recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Fl. 419DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12326.000157/2010-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007
IMPOSTO COMPLEMENTAR.
Somente os recolhimentos efetuados no decorrer do ano-calendário, até o ultimo dia útil de dezembro, podem ser objeto de compensação a titulo de imposto complementar na DAA do exercício correspondente.
Numero da decisão: 2401-006.241
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Relatora e Presidente.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Recorrente ADOLPHO DOS SANTOS MARQUES DE ABREU Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 IMPOSTO COMPLEMENTAR. Somente os recolhimentos efetuados no decorrer do anocalendário, até o ultimo dia útil de dezembro, podem ser objeto de compensação a titulo de imposto complementar na DAA do exercício correspondente. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Relatora e Presidente. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, José Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento de imposto de renda pessoa física IRPF, fls. 16/19, anocalendário 2007, que apurou imposto suplementar de R$ 11.723,26, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 32 6. 00 01 57 /2 01 0- 21 Fl. 72DF CARF MF Processo nº 12326.000157/201021 Acórdão n.º 2401006.241 S2C4T1 Fl. 73 2 acrescido de juros de mora e multa de mora, em virtude de compensação indevida de imposto complementar (mensalão), referente à diferença entre o valor declarado R$ 12.814,70 e o valor efetivamente recolhido com código de receita 0246 de R$ 1.083,04. Em impugnação apresentada às fls. 3/4, o contribuinte afirma que houve erro material, pois pagou a DARF de R$ 12.814,70, no dia 25/09/2006 e se equivocou em informar o pagamento em 2007. A DRJ/POA, julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão 10 53.629 de fls. 28/31, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 NULIDADE DO LANÇAMENTO. ARGÜIÇÃO. A Notificação contendo a qualificação do autuado, o local, a data e a hora da lavratura, a descrição do fato, o valor do crédito tributário, a disposição legal infringida e a intimação para cumprilo ou impugnálo no prazo de trinta dias, perfeitamente se mostram atendidos os princípios constitucionais da legalidade, da ampla defesa e do contraditório. IMPOSTO COMPLEMENTAR. PRAZO DE RECOLHIMENTO. Sendo um recolhimento facultativo, o imposto complementar pode ser efetuado pelo contribuinte para antecipar o pagamento do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, devendo ser efetuado, no curso do anocalendário, até o último dia útil do mês de dezembro. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Consta do acórdão de impugnação que: O recolhimento complementar (mensalão) é um recolhimento facultativo que pode ser efetuado pelo contribuinte para antecipar o pagamento do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual, no caso de recebimento de rendimentos tributáveis de fontes pagadoras pessoa física e jurídica, ou de mais de uma pessoa jurídica, ou, ainda, de apuração de resultado tributável da atividade rural. Este recolhimento deve ser efetuado, no curso do anocalendário, até o último dia útil do mês de dezembro, sob o código 0246. Não há data para o vencimento do imposto. Assim, não incide multa no recolhimento do mensalão, por não se tratar de pagamento obrigatório. No caso concreto o contribuinte afirma que efetivamente pagou DARF de R$ 12.814,70 referente ao processo Fl. 73DF CARF MF Processo nº 12326.000157/201021 Acórdão n.º 2401006.241 S2C4T1 Fl. 74 3 2000.51.01.0288970, haja vista o recebimento de honorários no exercício/anocalendário 2007/2006, tendo sido o DARF pago no dia 25/09/2006. Admite que se equivocou ao informar que esse pagamento foi realizado em 2007, quando na realidade recebeu os honorários e pagou o devido tributo no ano de 2006. Assim, resta confirmado que não houve imposto complementar pago no anocalendário 2007 de modo a permitir sua compensação na Declaração de Ajuste Anual do Exercício 2008, AnoCalendário 2007. Cientificado do Acórdão em 10/7/15 (Aviso de Recebimento AR de fl. 44), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 3/8/15, fls. 49/51, que contém, em síntese: Entende que deve ser reconhecido o erro material cometido que, na falta de dolo, não pode imputar ônus desproporcional e irrazoável ao contribuinte. Diz que não houve o fato gerador que ensejasse o recolhimento de imposto complementar. Que tudo ocorreu por erro ao preencher a DAA, não havendo dolo. Acrescenta que a autuação é nula, pois não existem valores lançados, o que impossibilita a contestação. Pede seja anulado o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. ADMISSIBILIDADE O recurso voluntário foi oferecido no prazo legal, assim, deve ser conhecido. NULIDADE Rejeitase o argumento de que o auto de infração é nulo, pois não há valores lançados. No caso, não há que se falar em impossibilidade de contestação, pois restou evidente qual foi o valor lançado: glosa de compensação indevida de imposto complementar (mensalão), referente à diferença entre o valor declarado R$ 12.814,70 e o valor efetivamente recolhido com código de receita 0246 de R$ 1.083,04, no anocalendário 2007. O contribuinte entendeu perfeitamente o lançamento, tanto que se defendeu alegando erro material, que referido valor foi recolhido em 2006, sendo indevidamente informado na DAA do anocalendário 2007. MÉRITO Fl. 74DF CARF MF Processo nº 12326.000157/201021 Acórdão n.º 2401006.241 S2C4T1 Fl. 75 4 Sobre a dedução do imposto complementar recolhido, a Lei 9.250/95 assim dispõe: Art. 12. Do imposto apurado na forma do artigo anterior, poderão ser deduzidos: [...] V o imposto retido na fonte ou o pago, inclusive a título de recolhimento complementar, correspondente aos rendimentos incluídos na base de cálculo; A Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001, vigente à época, determina: Art. 25. É facultado ao contribuinte antecipar o imposto devido na Declaração de Ajuste Anual mediante o recolhimento complementar do imposto. § lº O recolhimento deve ser efetuado, no curso do ano calendário, até o último dia útil do mês de dezembro. O próprio contribuinte afirma que pagou o imposto complementar em 2006, DARF no valor de R$ 12.814,70, em 25/09/2006, referente ao processo 2000.51.01.0288970, haja vista o recebimento de honorários no anocalendário 2006. Admite que se equivocou ao informar que esse pagamento de imposto complementar foi realizado em 2007. Juntamente com o recurso, foi juntada a DAA do anocalendário 2006, fls. 55/58, na qual consta o imposto complementar recolhido no valor de R$ 12.814,70, que foi aproveitado para reduzir o saldo de imposto a pagar naquele anocalendário. Às fls. 60/64, foi juntada a DAA do anocalendário 2007, na qual foi novamente informado o imposto complementar recolhido em 2006 no valor de R$ 12.814,70, o que determinaria imposto a restituir naquele ano. Em 2017 restou apurado um imposto devido de R$ 15.095,99, do qual, deduzindo o imposto retido na fonte de R$ 2.289,69, ainda restaria de imposto devido o montante de R$ 12.806,30. Ao informar, incorretamente, o imposto complementar, no valor de R$ 12.814,70, além de não pagar o imposto devido, o contribuinte ainda teria restituição de R$ 8,40. Não restou comprovado nos autos possível erro ao informar os rendimentos tributáveis recebidos no anocalendário 2007. Evidentemente, não pode o contribuinte aproveitar de um mesmo recolhimento de imposto complementar em dois anoscalendários (2006 e 2007). Logo, mesmo que tenha havido o erro material alegado pelo contribuinte, independentemente de dolo, tal fato não exclui o imposto devido apurado quando da exclusão dos valores decorrentes de referido erro. Portanto, correto o lançamento que apurou os valores indevidamente informados como recolhidos em 2007, quando na verdade, tais valores já haviam sido, inclusive, aproveitados no anocalendário 2006, para reduzir o imposto devido nesse ano. CONCLUSÃO Fl. 75DF CARF MF Processo nº 12326.000157/201021 Acórdão n.º 2401006.241 S2C4T1 Fl. 76 5 Ante o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000551/2008-67
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 13 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Apr 29 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
VALE-TRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
O pagamento de verbas a título de vale-transporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89.
Numero da decisão: 2402-007.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarou-se impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira.
Nome do relator: DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1546; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.000551/200867 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 2402007.081 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 13 de março de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Recorrente LUBRIFICANTES GASOL INDUS. E COM. LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 VALETRANSPORTE. VERBA DE NATUREZA INDENIZATÓRIA. NÃO INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. O pagamento de verbas a título de valetransporte, qualquer que seja a forma de pagamento, possui natureza indenizatória, não passível, portanto, de incidência de contribuição previdenciária. Súmula CARF nº 89. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. Declarouse impedido de participar do julgamento o conselheiro Gregório Rechmann Junior, substituído pelo conselheiro José Alfredo Duarte Filho. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Paulo Sérgio da Silva, João Victor Ribeiro Aldinucci, Maurício Nogueira Righetti, Wilderson Botto (suplente convocado), Luís Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, José Alfredo Duarte Filho (suplente convocado) e Denny Medeiros da Silveira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 05 51 /2 00 8- 67 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 14041.000551/200867 Acórdão n.º 2402007.081 S2C4T2 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "Cuidase de Recurso Voluntário em face da Decisão de 1ª Instância Administrativa que julgou procedente o lançamento de Contribuições Previdenciárias incidentes sobre verbas pagas pela empresa, a título de "Vale Transporte", a segurados obrigatórios do RGPS, conforme discriminado no relatório fiscal. Irresignado, o Contribuinte apresentou impugnação administrativa em resistência ao lançamento em tela, a qual se houve por julgada improcedente pelo Órgão Julgador de 1ª Instância. Devidamente cientificada da susocitada decisão, a Impugnante, agora Recorrente, interpôs Recurso Voluntário pugnando, ao fim, pela improcedência do lançamento. É o relatório." Voto Conselheiro Denny Medeiros da Silveira Relator. Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019, proferido no âmbito do processo n° 18050.003581/200877, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevemos, a seguir, nos termos regimentais, o excerto de interesse do voto condutor proferido pelo Conselheiro Luís Henrique Dias Lima, digno Relator da decisão paradigma suso citada, o qual versa especificamente sobre a matéria de mérito que permeia o acima referenciado Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária, de 13 de março de 2019. Acórdão nº 2402007.072 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária "1 Do Conhecimento do Recurso O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235/72 e alterações posteriores. Portanto, dele CONHEÇO. Fl. 251DF CARF MF Processo nº 14041.000551/200867 Acórdão n.º 2402007.081 S2C4T2 Fl. 4 3 [...] 3 Do Mérito Inicialmente, é oportuno destacar que o art. 28, § 9°, alínea "f", da Lei nº 8.212/1991, estabelece que a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria, não integra o salário de contribuição. O valetransporte foi instituído pela Lei nº 7.418/85 e regulamentado pelo Decreto nº 95.247/87, definindo um paradigma procedimental no qual o empregador fornecerá os vales a seus empregados para utilização efetiva em despesas de deslocamento residênciatrabalho e viceversa, através do sistema de transporte coletivo público, urbano ou intermunicipal/interestadual, excluídos os serviços seletivos e os especiais. De se observar que a exclusão do valetransporte do saláriode contribuição pressupõe o seu fornecimento de acordo com a legislação, sob pena de incidência de contribuição previdenciária. No que pertine à natureza indenizatória do valetransporte, é oportuno resgatar o estabelecido no Parecer PGFN/CRJ nº 189/2016, aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda DOU de 29/03/2016: Parecer PGFN/CRJ nº 189/20 [...] 5. Não obstante, o Pleno do STF, no julgamento do Recurso Extraordinário n° 478.410/SP (não submetido ao rito do art. 543B do CPC), em 10/03/2010, firmou o entendimento de que é inconstitucional a incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em espécie, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o beneficio natureza indenizatória. De acordo com a Corte Suprema, ao admitirse que o valetransporte possa ter a sua natureza alterada pelo fato de ser pago em dinheiro importaria em relativizar o curso legal da moeda. Sendo assim, considerou que a cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago em pecúnia a título de valetransporte afrontaria a Constituição em sua totalidade normativa. Eis a ementa do julgado: (grifei) EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o beneficio de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse beneficio ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de Fl. 252DF CARF MF Processo nº 14041.000551/200867 Acórdão n.º 2402007.081 S2C4T2 Fl. 5 4 moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido e padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório e qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento. (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10103/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) 6. Em sequência, no julgamento de Embargos de Declaração,o STF, utilizando a técnica da declaração de inconstitucionalidade parcial sem redução de texto, fez constar da conclusão do acórdão embargado a proclamação da "inconstitucionalidade da aplicação do art. 5° do Decreto n° 95.247/87 e do art. 4°, caput, da Lei n° 7.418/85 como fundamentos para a incidência de contribuições previdenciária sobre os valores pagos em pecúnia a título de valetransporte aos trabalhadores", sem qualquer modificação, portanto, do teor da deliberação anterior. [...] Na esteira do supra citado Parecer, a PGFN editou o Ato Declaratório nº 004/2016 determinando que nas ações judiciais fundadas no entendimento de que não há incidência de contribuição previdenciária sobre o valetransporte pago em pecúnia considerando o caráter indenizatório da verba. No mesmo diapasão seguiu a Secretaria da Receita Federal do Brasil consoante o entendimento consolidado na Solução de Consulta Cosit nº 146, de 27 de setembro de 2016, sumarizado na ementa abaixo: Solução de Consulta Cosit nº 146/2016 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. VALETRANSPORTE. PAGAMENTO EM PECÚNIA. NÃO INCIDÊNCIA. Não incide contribuição previdenciária sobre os valores pagos em dinheiro a título de valetransporte. Fl. 253DF CARF MF Processo nº 14041.000551/200867 Acórdão n.º 2402007.081 S2C4T2 Fl. 6 5 A não incidência da contribuição está limitada ao valor pago em dinheiro estritamente necessário para o custeio do deslocamento residênciatrabalho e viceversa, em transporte coletivo, conforme prevê o art.1º da Lei nº 7.418, de 1985. Dispositivos Legais: Lei nº 10.522, de 2002, art. 19, inciso II e §4º, Ato Declaratório nº 4, de 31 de março de 2016, da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional. Súmula AGU nº 60, de 8 de dezembro de 2011. No mesmo sentido segue a Súmula nº 89 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 89 A contribuição social previdenciária não incide sobre valores pagos a título de valetransporte, mesmo que em pecúnia. Nessa perspectiva, considerandose a natureza indenizatória do valetransporte, são procedentes as alegações da Recorrente, impondose o cancelamento do lançamento em apreço, não havendo que se falar de remuneração indireta a atrair a incidência de contribuições previdenciárias. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Henrique Dias Lima" Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, cancelando se integralmente o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Relator. Fl. 254DF CARF MF
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