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Numero do processo: 10880.917156/2013-40
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/01/2013
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO
É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório.
ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO.
É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.399
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/01/2013 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO É válido o despacho decisório eletrônico que menciona que "foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados", demonstra os cálculos e apuração, proferido por autoridade competente e que segue os demais requisitos legais, não havendo de se falar em mácula ao contraditório. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DE SEU CRÉDITO. É do Contribuinte interessado na compensação de tributos demonstrar a liquidez e certeza do crédito que alega possuir, trazendo aos autos não apenas as DCTFs mas também documentação que possa fazer a prova ou ser indício do direito creditório. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em exercício), Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 71 56 /2 01 3- 40 Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10880.917156/201340 Acórdão n.º 3302006.399 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de homologação apenas parcial da compensação declarada, pelo fato de que os pagamentos informados já haviam sido parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, limitandose a alegar a nulidade da decisão, sob o argumento de ausência de fundamentação. Questionou o então Manifestante a validade da decisão eletrônica, não submetida ao crivo de um Auditor Fiscal, e discorreu acerca do instituto da nulidade dos atos administrativos, trazendo aos autos farta doutrina e jurisprudência. Pugnou, também, pela posterior produção de provas, considerando a ausência de motivação da decisão a impossibilitar o conhecimento prévio da prova a ser produzida. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1451.448, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, declarando a validade do Despacho Decisório, sob o argumento de que o documento, ainda que eletrônico, possuía todos os elementos legalmente exigidos, proferido por autoridade competente e motivado pela verificação dos valores objeto de outras declarações. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Gilson Macedo Rosenburg Filho, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.361, de 13/12/2018, proferida no julgamento do processo nº 10880.917118/201397, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.361): Sinteticamente, a Recorrente questiona a validade do Despacho Decisório por meio do qual foi denegado o pedido de compensação de tributos, sob o argumento de que ele limitouse a afirmar. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10880.917156/201340 Acórdão n.º 3302006.399 S3C3T2 Fl. 4 3 "A análise do direito creditório está limitada ao "crédito original na data de transmissão" informado no PER/DCOMP, no valor de 1.248,99 Valor do crédito original reconhecido: 114,34 A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas parcialmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, restando saldo disponível inferior ao crédito pretendido, insuficiente para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. (...) Diante do exposto, HOMOLOGO PARCIALMENTE a compensação declarada. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 31/05/2013. (...) Para detalhamento da compensação efetuada, verificação de valores devedores e emissão de DARF, consultar o endereçowww.receita.fazenda.gov.br, menu "Onde Encontro", opção "PERDCOMP", item "PER/DCOMPDespacho Decisório". Enquadramento legal: Arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN). Art. 74 da Lei 9.430, de 1996. Art. 36 da IN RFB nº 900, de 2008." Em sua Manifestação de Inconformidade, a ora Recorrente não traz aos autos qualquer prova documental e para a dilação de sua entrega invoca o artigo 16, § 4º, a), do Dec. 70235 sob o argumento de que "... demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna por força maior." eis que ao seu ver "... a autoridade administrativa quedouse inerte em expor os motivos pelos quais entendeu por não reconhecer o direito creditório e, por conseguinte, não homologar as compensações realizadas." Já no Recurso Voluntário também sustenta tratarse de um ato vinculado que, portanto, necessita ser realizado em conformidade com o ordenamento jurídico. Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, data venia, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Este colegiado possui entendimento consolidado no sentido de que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião em que o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, e não a posterior alegação de argumentos por incompreensão do Despacho Decisório. Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10880.917156/201340 Acórdão n.º 3302006.399 S3C3T2 Fl. 5 4 Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, temse que encontramse presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito, limitandose a afirmar que não lhe foi indicado quais teriam sido os pagamentos localizados, eis que lhe foi informado haver "... um ou mais pagamentos..." Desta forma, diante do fato de que o Contribuinte, ora Recorrente, não se desincumbiu do seu ônus processual de comprovar a liquidez e certeza de seu crédito, não havendo trazido aos autos qualquer documento, indício ou mesmo argumento de liquidez e certeza de seu crédito, e não vislumbrando qualquer ilegalidade no despacho por tratarse de não desincumbência do ônus de demonstrar a origem do direito, é de se negar provimento ao Recurso Voluntário. Por estes motivos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Fl. 82DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.901625/2013-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 31/12/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.613
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 25 /2 01 3- 78 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o PIS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de PIS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.270. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10280.901625/201378 Acórdão n.º 3401005.613 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.723259/2016-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2011
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA.
A decisão de piso enfrentou e afastou todos os argumentos feitos pelo sujeito passivo em sede de impugnação, ainda que de forma objetiva, não tendo havido omissão.
Ademais, o julgador somente está obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, de acordo com o disposto no inciso IV do § 1º do art. 489 do CPC, combinado com o seu art. 1022, parágrafo único, inciso II.
PRELIMINAR. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA.
Admite-se como fundamento do lançamento e no julgamento administrativo a prova produzida em outro órgão administrativo ou na esfera judicial, desde que utilizada com observância das normas que regulam o processo administrativo fiscal.
RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS.
Sob o prisma da primazia da realidade sobre a formalidade dos atos, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente. Nesse escopo, é cabível a reclassificação da receita e sua imputação à pessoa física quando demonstrado que não houve prestação de serviços pela pessoa jurídica e que a pessoa física, revestida da condição de contribuinte, é a efetiva beneficiária dos rendimentos recebidos através da pessoa jurídica interposta.
MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. COMPROVAÇÃO.
Cabível a multa de ofício qualificada quando comprovado que o contribuinte deslocou de forma dolosa a tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, utilizando de estrutura artificial criada pela interposição de escritório de advocacia, conduta que resultou na modificação das características do fato gerador da obrigação tributária, de maneira a ocultar o verdadeiro beneficiário dos rendimentos e reduzir o montante do imposto de renda devido.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2.
Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que fixa o patamar da multa de ofício sobre o tributo devido.
(Súmula CARF nº 2)
RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE.
Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física.
Numero da decisão: 2401-005.827
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido pelas pessoas jurídicas sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira (relator), que dava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. O colegiado deliberou pelo julgamento a portas fechadas por envolver a mesma matéria do processo nº 11060.722991/2016-62, julgado nesta sessão, o qual possuía determinação judicial para que houvesse sigilo preservado.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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NULIDADE DA DECISÃO DA PRIMEIRA INSTÂNCIA. INOCORRÊNCIA. A decisão de piso enfrentou e afastou todos os argumentos feitos pelo sujeito passivo em sede de impugnação, ainda que de forma objetiva, não tendo havido omissão. Ademais, o julgador somente está obrigado a enfrentar os argumentos capazes de, em tese, infirmar a conclusão por ele adotada, de acordo com o disposto no inciso IV do § 1º do art. 489 do CPC, combinado com o seu art. 1022, parágrafo único, inciso II. PRELIMINAR. NULIDADE. PROVA EMPRESTADA. Admitese como fundamento do lançamento e no julgamento administrativo a prova produzida em outro órgão administrativo ou na esfera judicial, desde que utilizada com observância das normas que regulam o processo administrativo fiscal. RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. PRIMAZIA DA REALIDADE DOS FATOS. Sob o prisma da primazia da realidade sobre a formalidade dos atos, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente. Nesse escopo, é cabível a reclassificação da receita e sua imputação à pessoa física quando demonstrado que não houve prestação de serviços pela pessoa jurídica e que a pessoa física, revestida da condição de contribuinte, é a efetiva beneficiária dos rendimentos recebidos através da pessoa jurídica interposta. MULTA QUALIFICADA. DOLO. FRAUDE. SIMULAÇÃO. COMPROVAÇÃO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 72 32 59 /2 01 6- 18 Fl. 5935DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 3 2 Cabível a multa de ofício qualificada quando comprovado que o contribuinte deslocou de forma dolosa a tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, utilizando de estrutura artificial criada pela interposição de escritório de advocacia, conduta que resultou na modificação das características do fato gerador da obrigação tributária, de maneira a ocultar o verdadeiro beneficiário dos rendimentos e reduzir o montante do imposto de renda devido. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE. SÚMULA CARF Nº 2. Este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais é incompetente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade da lei tributária que fixa o patamar da multa de ofício sobre o tributo devido. (Súmula CARF nº 2) RECEITA DA PESSOA JURÍDICA. RECLASSIFICAÇÃO PARA RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS DA PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTO RECOLHIDO NA PESSOA JURÍDICA. MESMA NATUREZA. POSSIBILIDADE. Cabível a dedução no lançamento de ofício do imposto de renda da pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais, com relação aos valores arrecadados de mesma natureza a título de imposto de renda da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos tributáveis auferidos pela pessoa física. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar de nulidade. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário para que seja deduzido do lançamento o imposto de renda recolhido pelas pessoas jurídicas sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. Vencido o conselheiro Rayd Santana Ferreira (relator), que dava provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada) e Miriam Denise Xavier, que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. O colegiado deliberou pelo julgamento a portas fechadas por envolver a mesma matéria do processo nº 11060.722991/201662, julgado nesta sessão, o qual possuía determinação judicial para que houvesse sigilo preservado. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente Fl. 5936DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 4 3 (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Monica Renata Mello Ferreira Stoll (Suplente Convocada), Andrea Viana Arrais Egypto, Matheus Soares Leite e Miriam Denise Xavier. Relatório LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, contribuinte, pessoa física, já qualificado nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 11a Turma da DRJ em São Paulo/SP, Acórdão nº 1679.861/2018, às efls. 5.706/5.789, que julgou procedente o Auto de Infração concernente ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF, decorrente da constatação de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, em relação aos anocalendário 2011, conforme peça inaugural do feito, às efls. 5.037/5.164, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Auto de Infração, lavrado em 13/12/2016 (AR efl. 5.174), nos moldes da legislação de regência, contra o contribuinte acima identificado, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação. Conforme descrição dos fatos e enquadramento legal constantes do Auto de Infração e do Termo de Verificação Fiscal (que acompanha e é parte integrante do AI), foram apuradas infrações tributárias cometidas pelo contribuinte em razão da prática de omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica. Extraise do TVF que: Verificouse que naquele ano o Fiscalizado recebeu rendimentos da empresa RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA, mediante interposição fraudulenta da pessoa jurídica MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, totalizando R$ 6.533.984,00 (seis Fl. 5937DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 5 4 milhões quinhentos e trinta e três mil novecentos e oitenta e quatro reais). A contratação da MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS pela RBS teria como aparente objeto a defesa dos interesses da contratante na discussão administrativa de Autos de Infração lavrados contra si em cerca de R$ 258 milhões, contidos no processo de exigência fiscal de nº 11080.008088/200171. Verseá, todavia, que a despeito do expressivo benefício financeiro auferido pelo Fiscalizado, nem ele, nem sua pessoa jurídica de fachada, nada produziram, situação que se assemelha a de outros pretensos escritórios de advocacia e de consultoria investigados. (...) Ocorre que a OPERAÇÃO ZELOTES, deflagrada conjuntamente pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, pelo Departamento da Polícia Federal, pelo Ministério Público Federal e pela Corregedoria Geral do Ministério da Fazenda, em 26 de março de 2015, descortinou um ardiloso esquema montado no CARF para manipulação de julgamentos de processos administrativos fiscais. Dentre os casos investigados, destacase o da RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA LTDA (processo 11080.008088/200171, “CASO RBS”), posto que, como demonstraremos ao longo deste Relatório, a discussão administrativa restou contaminada pela atuação ilícita de toda sorte de agentes. O papel do Fiscalizado no Caso RBS, cuja participação foi sugerida a integrante da SGR CONSULTORIA EMPRESARIAL LTDA, organização tida por criminosa em circunstâncias semelhantes, ainda segue sob investigação. Entretanto, percebeuse que movimentou elevadas cifras recebidas da RBS, de destino indeterminado, sem prestar serviço lícito algum. Assim, no exercício das atribuições do cargo de Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil, passamos a relatar os aspectos que apresentam contrariedade ao ordenamento jurídico e à legislação tributária vigentes, fatos que ensejaram a lavratura de AUTO DE INFRAÇÃO do IRPF do anocalendário 2011, dos quais o presente Relatório é parte integrante, contido no processo eletrônico de exigência fiscal de nº 11060.723259/201618. (...) 4.1 – MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS A pessoa jurídica foi constituída em julho de 2000. As quotas representativas de seu capital social eram assim distribuídas8: De acordo com a Primeira Alteração de Contrato Social9, PATRICIA retirouse da sociedade em 04 de maio de 2004, Fl. 5938DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 6 5 alienando suas quotas a LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA a valor nominal. Na mesma data, ingressa como sócio, MILTON CAVA CORREA, adquirindo 50 quotas pelo valor nominal de R$ 50,00. Por deliberação unânime, os sócios LUIZ ALBERTO e MILTON, resolvem dissolver a sociedade e dividir o patrimônio apurado no balanço Patrimonial de encerramento levantado em 30/11/2014. A averbação do Distrato Social junto à Ordem dos Advogados do Brasil, bem como a baixa do CNPJ, se deu na data de 26/01/201510. A ação fiscal que se encerra pelo lançamento de ofício ora realizado que teve início nesta pessoa jurídica, quando em diligências coletamos elementos que, além de ratificar as provas compartilhadas no bojo da ZELOTES trouxeram luz acerca do indevido deslocamento de rendimentos tributáveis da pessoa física para a MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS. (...) 6.2.1 – DO PAGAMENTO À MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS: O pagamento efetuado, pela RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA à MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS e os eventos que se sucederam, serão, além de outros fatos, abordados adiante. (...) 7.1 – DILIGÊNCIA FISCAL NA RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA declarado em DIRF46, o que foi posteriormente confirmado em procedimento fiscal, ter efetuado pagamentos, em 2011 e 2012, aos beneficiários indicados a seguir, em razão de seus envolvimentos no caso tramitado na esfera administrativa: (...) Em diligência fiscal, RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA apresentou cópia das notas fiscais emitidas pelos beneficiários dos pagamentos apontados em Dirf e os comprovantes de quitação de honorários, além de cópia de contratos e de propostas de honorários47. Nenhuma comprovação de serviços efetivamente prestados apresentou no que concerne às pessoas jurídicas SGR, MACEIRA e QUEIROZ, apesar de reiteradamente intimada48. Vamos aos Termos expedidos e as respectivas respostas da diligenciada. (...) Fl. 5939DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 7 6 7.7 – DILIGÊNCIA FISCAL MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS Adentremos, agora, em informações e documentos colhidos especificamente junto à beneficiária de rendimentos pagos pela RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA, MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, de titularidade do Fiscalizado, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, à época dos fatos. O escritório de advocacia MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS foi contratado pela RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA84, em 12 de setembro de 2006, para a prestação de serviços profissionais advocatícios consistentes na defesa na esfera administrativa dos direitos da contratante em relação aos autos de infração objeto do processo nº 11080.008088/200171 lavrados por AuditoresFiscais da Receita Federal do Brasil, relativos às exigências de IRPJ e CSLL, pactuandose exclusivamente cláusula de êxito de 0,966%, livre de tributos. Estabeleceuse que os honorários seriam atualizados com base em “índice fixado pela autoridade governamental que melhor reflita a real desvalorização da moeda”. Pactuado tão somente para o acompanhamento processual e assessoramento quanto ao respectivo processo, a empresa de LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, a MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, recebeu da RBS o valor bruto de R$ 6.533.984,00, o que, de pronto, já denota uma total desproporção entre o serviço a ser prestado e o benefício auferido, uma vez que o escritório foi contratado quando o processo administrativo já se encontrava há mais de um ano na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF (3ª instância administrativa), após a apresentação do Recurso Especial pela Fazenda Nacional. A despeito do percentual apresentado na proposta de honorários, RBS remunerou MACEIRA ADVOGADOS em 1,05% do crédito tributário exonerado (provavelmente em razão da cláusula “livre de tributos”, atualizado com base nos índices aplicados pela Receita Federal do Brasil (os mesmos levados a cálculo pela SGR)85, Taxa Referencial Selic. Convém reprisar que Luiz Alberto Cava MACEIRA encaminhou, a integrantes da SGR, memória de cálculo dos valores a serem levados a conta de honorários (descrito no item 6.2),que foram revistos por GRUGINSKI e pagos tal qual por esse elaborados. Embora o escritório MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS tenha sido supostamente contratado pela RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA LTDA para efetivamente atuar na defesa administrativa do processo nº 11080.008088/200171, não se encontra no processo administrativo em questão qualquer material técnico produzido por MACEIRA ADVOGADOS, nem qualquer atuação formal desta. Em verdade, quem apresentou todas as peças do início ao Fl. 5940DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 8 7 fim do curso processual, para o mesmo serviço de acompanhamento processual e assessoramento foi a banca de advogados já constituída para a defesa do processo, DIAS DE SOUZA ADVOGADOS ASSOCIADOS. As receitas auferidas em 2011 por MACEIRA ADVOGADOS, declaradas no montante de R$ 6.536.264,00, estão condizentes com os pagamentos efetuados pela RBS ADM E COBR (R$ 6.533.984,00) e em muito se distanciam dos valores dos demais anos. Em relação ao anocalendário 2010, não declarou receitas. Para 2012, apenas R$ 22.278,00. No intervalo dos anoscalendário 2006 a 2013, somente em 2008 (ano de julgamento do recurso especial da RBS ADM E COBR) e em 2009 teria auferido receitas em valores significativos (R$ 968 mil e R$ 416 mil, respectivamente), mas mesmo assim nada que se compare ao ano de 201186. 7.7.1 – TERMO DE INÍCIO DE PROCEDIMENTO FISCAL – MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS Assim, em 19 de abril 2016, iniciouse procedimento fiscal com o objetivo de coletar documentos e esclarecimentos acerca dos serviços prestados pela pessoa jurídica MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, inscrita no Cnpj sob o nº 03.930.598/000106, nos anoscalendário 2011 e 2012, bem como de outros fatos pertinentes com as respectivas operações, a fim de verificar a regularidade da sua apuração do Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. (...) 9 – LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA Em, 17 de novembro de 2016, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA foi notificado103 de que a ação fiscal relativa ao Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Diligência de n° 10.1.01.002016001385, código de acesso 39712160 estava sendo encerrada, com a consequente abertura de procedimento de fiscalização, mediante a expedição do Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal – Fiscalização de n° 10.1.01.002016 005801, código de acesso 10529790: (...) Face ao exposto e considerando que: LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA foi citado por EIVANY, sócio/exsócio da SGR e pai de José Ricardo da Silva, sócio da SGR, em registro pessoal como sendo a pessoa recomendada e certa a ser procurada naquele momento (junho de 2006), sendo contratada a sua “pessoa jurídica” em setembro daquele ano, com aceite da RBS ADMINSITRAÇÃO E COBRANÇAS, representada pelo seu Diretor Jurídico AFONSO MOTTA; Fl. 5941DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 9 8 LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA encaminhou, a integrantes da SGR, memória de cálculo dos valores a serem levados a conta de honorários, em virtude da participação fracionada de todos os agentes no deslinde do processo da RBS (descrito no item 6.2), que foram revistos por GRUGINSKI e pagos tal qual por esse elaborados; MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS não logrou comprovar a prestação de serviço lícito algum, à RBS ADMINSITRAÇÃO E COBRANÇAS em defesa dos interesses dessa no processo administrativo n.º 11080.008088/200171, embora o contrato previsse que “ os serviços acima referidos compreenderão o acompanhamento processual e assessoramento quanto aos respectivo processo, na esfera administrativa, através da formulação de pareceres, elaboração de memoriais, podendo tais serviços serem prestados em conjunto com outros escritórios de advocacia já contratados pelo cliente em outras situações, bem como qualquer outra medida que, a critério do ESCRITÓRIO, seja necessária à defesa dos direitos do CLIENTE”(grifado), tendo, assim, sua atuação se dado por qualquer outro meio estranho ao processo; DIAS DE SOUZA, patrono da causa, intimado a apresentar esclarecimentos e documentação comprobatória acerca da colaboração de estranhos ao escritório na confecção de peças que constam, ou não, do processo 11080.008088/200171 (recursos, embargos, contrarrazões, memoriais etc), aludiu somente a OUTERELO FERNANDEZ ADVOGADOS ASSOCIADOS e a AFONSO ANTUNES DA MOTTA; Diligenciada, a RBS ADMINSITRAÇÃO E COBRANÇA LTDA, também não apresentou nenhum documento comprobatório da atuação da MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, na defesa do processo administrativo nº 11080.008088/200171; A quantia de R$ 2.063.000,00 (dois milhões e sessenta e três mil reais) recebida por MACEIRA ADVOGADOS da RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇAS LTDA simplesmente evaporou entre novembro de 2011 e fevereiro de 2012; LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA sustenta que os valores (mais de R4 2 milhões) foram aplicados principalmente em seu ativo imobiliário, mas nenhuma comprovação apresentou; A despeito da não comprovação, em documentação hábil e idônea, da aplicação e consumo de R$ 2.063.000,00, forneceu uma nota fiscal de prestação serviço prestado por arquiteto no valor de outros R$ 17.432,14. Ou seja, LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA manteve consigo nota de R$ 17 mil, mas nenhum documento possui no que toca aos R$ 2,063 milhões; e Dado o que dispõe o artigo 845 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR/99), o lançamento se efetua com base nos documentos/informações disponíveis. Fl. 5942DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 10 9 CONCLUISE que o valor bruto de R$ 6.533.984,00 (seis milhões quinhentos e trinta e três mil novecentos e oitenta e quatro reais), pago pela RBS ADMINISTRAÇÃO E COBRANÇA LTDA, no ano de 2011, à LUIZ ALBERTO CAVA MACEIRA, através da interposta MACEIRA ADVOGADOS ASSOCIADOS, representa rendimento da pessoa física do Fiscalizado, sujeitandose à tributação na Declaração de Ajuste Anual. Na sequência, o AuditorFiscal qualificou a multa de ofício e lavrou representação fiscal para fins penais. O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação, requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a Delegacia Regional de Julgamento em São Paulo/SP entendeu por bem julgar procedente o lançamento, conforme relato acima. Regularmente intimado e inconformado com a Decisão recorrida, o autuado, apresentou Recurso Voluntário, às efls. 5.798/5.875, procurando demonstrar sua improcedência, desenvolvendo em síntese as seguintes razões: Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, preliminarmente pugnando pela nulidade da decisão de piso por não ter confrontado todas as matérias trazidas pela impugnação. Alega ter demonstrado na sua impugnação que não era um profissional aventureiro com atuação forjada em delitos de qualquer espécie. Ao contrário, tem e teve atuação profissional bastante destacada, com dupla formação de nível superior, e anos de experiência tanto em empresas privadas, escritórios de advocacia e Tribunal Administrativo. Afirma ter o acórdão recorrido mantido o lançamento fundado em suposições desprovidas de qualquer prova material, em especial no que tange a atuação do recorrente no "Caso RBS", sem sequer ao menos existir outro procedimento conta ele. Restando o lançamento esvaziado de materialidade. Também preliminarmente, pleiteia a nulidade do lançamento porquanto, calcado em prova emprestada, desprovida do devido contraditório. Alega que não basta permitir ao contribuinte manifestarse sobre a prova que foi produzida, sem que tenha tido oportunidade de poder verificar se a prova foi obtida no outro processo de forma lícita, justamente por não participar daquele outro feito. Ainda em caráter preliminar, invoca a nulidade face a desconsideração da personalidade e negócio jurídicos, pois o verdadeiro sujeito passivo tributário, a sociedade de advogados, ofereceu valores à tributação e os recolheu em favor da fazenda Nacional, inexistindo outra obrigação principal a ser satisfeita. Em relação ao mérito, novamente assinala que a autuação e autoridade julgadora de primeira instância ignoraram a atividade profissional realizada por sociedade de advogados legalmente constituída e estabelecida muito antes da contratação para o "caso RBS". Fl. 5943DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 11 10 Repisa que o lançamento teve como base a desconstituição da personalidade jurídica da empresa; e que a autoridade fiscal teria desrespeitado o art. 129, da Lei 11.196/2005. Esclarece que o escritório Maceira Advogados Associados S/C atuou pelo longo período no qual tramitou o caso, podendo cobrar mais ou menos do que outros escritórios cobraram pelo caso, já que se trata de tipo d sociedade que não conforma o denominado elemento de empresa, sendo a relação com os clientes de ordem pessoal e a sociedade uma expressão das competências intelectuais dos sócios, e não da sociedade em si. Por tudo, resta claro que a Meceira Advogados não se tratava de suposta pessoa jurídica, nem de interposta sociedade, bem como o trabalho intelectual restou desenvolvido pelo recorrente de forma mais do que satisfatória à RBS. Considera indevida a aplicação da multa de ofício de 150%, pois agiu de acordo com a legislação, não restando comprovado qualquer intuito doloso, fraude ou simulação. Além de pleitear a inconstitucionalidade, uma vez exagerado o montante devido, que ultrapassa o limite do razoável, e, portanto, deve ser reduzida. Pugna também pela compensação dos valores pagos na pessoa jurídica, referentes aos fatos geradores reclassificados. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoos sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls 19.471/19.503) aos Recursos Voluntários, aduzindo o que segue: a) Da inexistência de qualquer nulidade no compartilhamento de provas; b) O lançamento foi baseado em fatos concretos e não em presunções; c) Inocorrência de nulidade do acórdão recorrido por não enfrentar as matérias deduzidas pela defesa; d) Inocorrência de nulidade do lançamento por ausência de norma que autorize a desconsideração da personalidade jurídica de Maceira Advogados Associados; e) Da adequada identificação do fato gerador do tributo; f) Da necessidade de reclassificação dos rendimentos; g) Descabimento da desqualificação da multa de ofício pela existência de prova de dolo; h) Incabível a compensação dos valores pagos pela pessoa jurídica; Por fim, requer a Fazenda Nacional seja negado provimento ao recurso voluntário, mantendose a decisão recorrida. É o relatório. Fl. 5944DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 12 11 Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINARES DA NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA O contribuinte preliminarmente pugna pela nulidade da decisão de piso por não ter confrontado todas as matérias trazidas pela impugnação. Sem razão o recorrente! Ao analisarmos a decisão de piso, a autoridade julgadora é bastante clara e objetiva do caso concreto, senão vejamos: [...] O lançamento em questão baseouse unicamente na correta identificação do sujeito passivo da obrigação tributária. A desconsideração da personalidade jurídica é empregada quando o ato praticado pela pessoa jurídica tem aparência de legalidade, mas o sócio ou o administrador abusa de seu poder, prejudicando terceiros por desviarse dos objetivos da empresa ou misturando seus negócios pessoais com os da pessoa jurídica (confusão patrimonial). [...] No lançamento em questão, a D. Autoridade Fiscal não aplicou a teoria da desconsideração da pessoa jurídica. Apenas identificou o contribuinte segundo a regra do art. 121, I, do Código Tributário Nacional, ou seja, atribuiuse a responsabilidade pela obrigação principal àquele que de fato teve relação pessoal e direta com a situação que constituiu o fato gerador do imposto de renda. [...] Não houve desconsideração do negócio jurídico. Houve a comprovação de fraude tributária perpetrada por pessoas físicas, com a finalidade de reduzir ou suprimir tributo. [...] Não cabe ao Auditor Fiscal impor aos fiscalizados uma vedação ao exercício do direito de livre condução de seus negócios, mas compete apurar a ocorrência de eventuais situações de ilicitude, as quais devem ser devidamente levadas em consideração Fl. 5945DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 13 12 quando da aplicação da legislação e do lançamento do crédito tributário. [...] A partir do relatório, parcialmente reproduzido acima, peça integrante da presente autuação, foram propostas ações e diligências pela fiscalização responsável pela autuação a empresas, dentre as quais encontravase inserta a Maceira Advogados Associados. Com as diligências, restou cristalino que o Impugnante recebeu valores da da RBS pela interposta pessoa jurídica (Maceira Advogados Associados) sem a devida comprovação da prestação de serviços lícitos, em razão do deslinde do caso “RBS” no CARF, conforme quadro extraído do TVF: [...] Feitas as constatações, a D Autoridade Fiscal, acertadamente, concluiu pela autuação fiscal, considerados os valores percebidos pela interposta pessoa jurídica, por serviços prestados (o que não foi minimamente afastado pelo contribuinte no curso da fiscalização) pela pessoa física. [...] Uma das principais questões levantadas pelo Impugnante refere se à legalidade na constituição da pessoa jurídica com o fim de prestar serviço intelectual, o que motivaria à tributação da sociedade prestadora desse tipo de serviço conforme legislação aplicável às pessoas jurídicas, previsão essa expressa no art. 129 da Lei nº 11.196, de 2005: [...] Pois bem, há previsão e o Impugnante poderia prestar serviços personalíssimos de advocacia utilizandose de pessoa jurídica. Não obstante, a questão de fundo e que nos importa nos presentes autos é a relativa a efetiva prestação de serviço. Qual o serviço de advocacia efetivamente prestado, e comprovado nos presentes autos? O Impugnante não trouxe à instrução qualquer elemento de prova da prestação de serviços, peças judiciais e administrativas subscritas por ele, atas de reuniões, outorgas de poderes, dentre outras. Ao contrário, os elementos juntados ao processo mostramse suficientes para comprovar a utilização de uma interposta pessoa (a sociedade de advogados) para a sonegação ou redução tributária, de forma intencional. [...] Fl. 5946DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 14 13 Ao observar a transcrição acima, não merece prosperar o argumento do contribuinte, pois resta claro que a autoridade julgadora de primeira instância entendeu como não comprovado a prestação de serviços. Depreendese da leitura da decisão vergastada, constatase que o Colegiado a quo se pronunciou de forma adequada e suficiente sobre todas as razões de defesa suscitadas pelo recorrente na Impugnação. Portanto, tratase de decisão adequadamente motivada e fundamentada. Além disso, de acordo com a peça recursal ora em análise, a recorrente demonstrou pleno conhecimento dos fundamentos fáticos e jurídicos aduzidos no voto condutor da questionada decisão. Dessa forma, a decisão de primeira instância, além de analisar a documentação acostada aos autos pelo contribuinte, explicitou as razões pelas quais não acatou as razões de defesa apresentadas, motivo pelo qual, não há que se falar em nulidade da decisão de piso quando o julgador profere decisão fundamentada explicitando as razões pertinentes à formação de sua livre convicção. Destarte, a despeito da apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente a sua convicção, conforme determina o Decreto 70.235/1972, ao dispor na Seção VI acerca do julgamento de primeira instância: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. De qualquer forma, não se pode olvidar que, no âmbito do processo administrativo fiscal, o órgão de julgador deve analisar todas as razões de defesa suscitados pela impugnante/manifestante, porém, sem a obrigatoriedade de rebater, um a um, todos argumentos aduzidos na peça defensiva. No mesmo sentido, tem se pronunciado a jurisprudência do STF, conforme se infere do enunciado da ementa do julgado, analisado sob regime de repercussão geral, que segue transcrito: Questão de ordem. Agravo de Instrumento. Conversão em recurso extraordinário (CPC, art. 544, §§ 3° e 4°). 2. Alegação de ofensa aos incisos XXXV e LX do art. 5º e ao inciso IX do art. 93 da Constituição Federal. Inocorrência. 3. O art. 93, IX, da Constituição Federal exige que o acórdão ou decisão sejam fundamentados, ainda que sucintamente, sem determinar, contudo, o exame pormenorizado de cada uma das alegações ou provas, nem que sejam corretos os fundamentos da decisão. 4. Questão de ordem acolhida para reconhecer a repercussão geral, reafirmar a jurisprudência do Tribunal, negar provimento ao recurso e autorizar a adoção dos procedimentos relacionados à repercussão geral. (BRASIL. STF. AI 791292 QORG, Relator(a): Min. GILMAR MENDES, julgado em 23/06/2010, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe149 DIVULG 12082010 PUBLIC 13082010 EMENT VOL0241006 PP01289 RDECTRAB v. 18, n. 203, 2011, p. 113118). Fl. 5947DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 15 14 Assim, com base nessas considerações, rejeito a preliminar arguida. NULIDADE COMPARTILHAMENTO DE PROVAS CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Também preliminarmente, pleiteia a nulidade do lançamento porquanto, calcado em prova emprestada, desprovida do devido contraditório. Alega que não basta permitir ao contribuinte manifestarse sobre a prova que foi produzida, sem que tenha tido oportunidade de poder verificar se a prova foi obtida no outro processo de forma lícita, justamente por não participar daquele outro feito. Sem razão o recorrente. Primeiramente é de se observar que o procedimento fiscal é uma fase oficiosa em que a fiscalização atua com poderes amplos de investigação, tendo liberdade para interpretar os elementos de que dispõe para efetuar o lançamento. Nessa fase, o Fisco submete se à regra geral do ônus da prova prevista no Processo Civil – que serve como fonte subsidiária ao processo administrativo fiscal. Como, ainda, não há processo instaurado, mas tãosomente procedimento, não cabe falar em direito de defesa. Antes da impugnação não há litígio, não há contraditório e o procedimento é levado a efeito, de ofício, pelo Fisco. Já sob o aspecto da legalidade, a possibilidade de utilização da prova emprestada encontrase, há muito, pacificada no âmbito dos Tribunais Superiores. Acostamse os seguintes precedentes, a título ilustrativo: PROVAS PRODUZIDAS A PARTIR DE LAUDO PERICIAL CONFECCIONADO PELA POLÍCIA FEDERAL DOCUMENTAÇÃO TRAZIDA DO EXTERIOR COM AUTORIZAÇÃO DA JUSTIÇA FEDERAL PROVA EMPRESTADA POSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO PELO FISCO DOCUMENTOS INCIDENTAIS EM LÍNGUA ESTRANGEIRA DESNECESSIDADE DE TRADUÇÃO PARA O VERNÁCULO O fisco pode se valer de prova emprestada, produzida em outro processo administrativo fiscal ou mesmo processo judicial, inclusive em processo criminal. Não há necessidade de que a prova do Processo Administrativo Fiscal seja produzida por AuditorFiscal da Receita Federal. Peças incidentais em língua estrangeira, as quais não criaram qualquer dificuldade para a defesa do recorrente, estando, ressaltese, nos pontos que interessam à solução da presente lide, traduzidas para vernáculo nos ofícios e laudos da Polícia Federal, não inquinam de nulidade o lançamento em debate. 1º CC. / 6a. Câmara / ACÓRDÃO 10617.029 em 07.08.2008. Publicado no DOU: 18.11.2008. IMPOSTO DE RENDA. LANÇAMENTO. PROVA EMPRESTADA. FISCO ESTADUAL. ARTIGO 199 DO CTN. ART. 658 DO REGULAMENTO DO IMPOSTO DE RENDA (ART. 936 DO RIR VIGENTE) 1. O artigo 199 do Código Tributário Nacional prevê a mútua assistência entre as entidades da Federação em matéria de fiscalização de tributos, Fl. 5948DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 16 15 autorizando a permuta de informações, desde que observada a forma estabelecida, em caráter geral ou específico, por lei ou convênio 2. O art. 658 do Regulamento do Imposto de renda então vigente (Decreto nº 85.450/80, atualmente art. 936 do Decreto nº 3.000/99) estabelecia que "são obrigados a auxiliar a fiscalização, prestando informações e esclarecimentos que lhe forem solicitados, cumprindo ou fazendo cumprir as disposições deste Regulamento e permitindo aos fiscais de tributos federais colher quaisquer elementos necessários à repartição, todos os órgãos da Administração Federal, Estadual e Municipal, bem como as entidades autárquicas, paraestatais e de economia mista" 3. Consoante entendimento do Supremo Tribunal Federal, não se pode negar valor probante à prova emprestada, coligida mediante a garantia do contraditório. (RTJ 559/265) 4. STJ RESP RECURSO ESPECIAL 199500631385 05/08/2004 SEGUNDA TURMA Espécie: RESP RECURSO ESPECIAL 81094. Data da Decisão: 05/08/2004. Data da Publicação: 06/09/2004.(grifos nossos) Assim, com base no entendimento unânime dos Tribunais Superiores, judiciais e administrativos, e com amparo no princípio da verdade material, são válidos os procedimentos com base em provas emprestadas de outro processo judicial, ainda mais se respeitado o contraditório, como no presente caso. No mesmo sentido versa a jurisprudência administrativa, vejamos: Acórdão n. 20181083 de 2008 “Contribuição para o PIS/Pasep. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. REVENDA DE CARTÕES TELEFÔNICOS. O produto da revenda de cartões telefônicos, adquiridos por contrato de compra e venda de empresa de telefonia, integra a base de cálculo da contribuição como receita de vendas. COFINS. OMISSÃO DE RECEITA. PROVA. INFORMAÇÕES FORNECIDAS POR SECRETARIA DE ESTADO. A omissão de receita apurada com base em informações fornecidas por Secretaria de Estado, referentes a declarações prestadas pelo contribuinte ao Fisco Estadual, faz PROVA das operações comerciais e financeiras do contribuinte, mormente quando, na fase impugnatória, o interessado não apresentar provas suficientes para descaracterizar a autuação, devendo ser mantida a exigência tributária. Não se pode negar valor probante à PROVA EMPRESTADA, coligida mediante a garantia do contraditório. Precedentes. Recursos de ofício e voluntário negados. Cumpre frisar, ainda, que a alegação do recorrente de que seria essencial que figurasse como parte na ação criminal para que o contraditório fosse respeitado não encontra respaldo legal. A tese foi expressamente rejeitada pelo Superior Tribunal de Justiça em mais de uma oportunidade: HC 292.800/SC 3. Esta Corte Superior manifesta entendimento no sentido de que “a prova emprestada não pode se restringir a processos em que Fl. 5949DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 17 16 figurem partes idênticas, sob pena de se reduzir excessivamente sua aplicabilidade, sem justificativa razoável para tanto. Independentemente de haver identidade de partes, o contraditório é o requisito primordial para o aproveitamento da prova emprestada, de maneira que, assegurado às partes o contraditório sobre a prova, isto é, o direito de se insurgir contra a prova e de refutála adequadamente, afigurase válido o empréstimo” (EREsp 617.428/SP, Rel. Ministra NANCY ANDRIGHI, Corte Especial, DJe 17/6/2014). […] (HC 292.800/SC, Rel. Ministro REYNALDO SOARES DA FONSECA, QUINTA TURMA, julgado em 02/02/2017, DJe 10/02/2017) Ora, no presente caso, o recorrente que teve pleno conhecimento da infração tributária e pode exercer o direito ao contraditório, através da impugnação e Recurso Voluntário do Auto de Infração. Aliás, sua robusta manifestação é bastante para evidenciar a ausência de cerceamento à defesa. Assim, uma vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração. Logo não procede a preliminar de nulidade. NULIDADE DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA Ainda em caráter preliminar, invoca a nulidade face a desconsideração da personalidade e negócio jurídicos, pois o verdadeiro sujeito passivo tributário, a sociedade de advogados, ofereceu valores à tributação e os recolheu em favor da fazenda Nacional, inexistindo outra obrigação principal a ser satisfeita. Em que pesem as razões ofertadas pela contribuinte, seu inconformismo, contudo, não tem o condão de prosperar. Do exame dos elementos que instruem o processo, concluise que os lançamentos, corroborados pela decisão recorrida, apresentamse formalmente incensuráveis, devendo ser mantidos em sua plenitude. Os casos que acarretam a nulidade do lançamento encontramse previstos no art. 59, do Decreto nº 70.235/72, que regula o Processo Administrativo Fiscal: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Fl. 5950DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 18 17 § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo.(...) Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. Art. 61. A nulidade será declarada pela autoridade competente para praticar o ato ou julgar a sua legitimidade. Da leitura dos dispositivos legais transcritos, depreendese que ensejam a nulidade do lançamento os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidas por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Analisando o tema nulidades, a Professora Ada Pellegrini Grinover (As Nulidades do Processo Penal, 6° ed., RT, São Paulo, 1997, pp.26/27) afirma que o “princípio do prejuízo constitui, seguramente, a viga mestra do sistema de nulidades e decorre da idéia geral de que as formas processuais representam tão somente um instrumento para correta aplicação do direito”. No mesmo sentido, Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa M. Lopez (Processo Administrativo Federal Comentado, Dialética, São Paulo, 2002, pp. 413, 426) afirmam que “é inútil, do ponto de vista prático, anularse ou decretar a nulidade de um ato, não tendo havido prejuízo da parte”. E, ao examinar este dispositivo do Decreto 70.235/72, continuam: “É preciso (...) examinar, no caso concreto, se o vício defensivo prejudica a ampla defesa como um todo, ou não. Para Ada Pellegrini Grinover (na obra citada), “há nulidade absoluta quando for afetada a defesa como um todo; nulidade relativa com prova de prejuízo (para a defesa) quando o vício do ato defensivo não tiver esta conseqüência”. Neste caso, o vício pode ser sanado. Segundo a autora, “o vício ou inexistência do ato defensivo pode não levar, como conseqüência necessária, à vulneração do direito de defesa, em sua inteireza, dependendo a declaração de nulidade da demonstração do prejuízo à atividade defensiva como um todo.”(obra citada, pp 425). O recorrente bem compreendeu o teor da autuação, e sua robusta manifestação é bastante para evidenciar a ausência de cerceamento à defesa. Assim, uma vez que todos os atos que ampararam a ação fiscal ocorreram em conformidade com as disposições normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, e tendo a ação fiscal sido conduzida por servidor competente, em obediência aos requisitos do Decreto nº 70.235/1972, e inexistindo prejuízo à defesa, não se há de falar em nulidade do auto de infração. Fl. 5951DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 19 18 Resta evidenciada a legitimidade da ação fiscal que deu ensejo ao presente lançamento, cabendo ressaltar que tratase de procedimento de natureza indeclinável para o Agente Fiscalizador, dado o caráter de que se reveste a atividade administrativa do lançamento, que é vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142, parágrafo único do Código Tributário Nacional, que assim dispõe: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante devido, identificar o sujeito passivo e, sendo o caso, propor a aplicação de penalidade cabível. De fato, o ato administrativo deve ser fundamentado, indicando a autoridade competente, de forma explícita e clara, os fatos e dispositivos legais que lhe deram suporte, de maneira a oportunizar ao contribuinte o pleno exercício do seu consagrado direito de defesa e contraditório, sob pena de nulidade. E foi precisamente o que aconteceu com os presentes lançamentos. A simples leitura dos anexos das autuações, especialmente o “Fundamentos Legais do Débito – FLD”, o "Discriminativo do Débito DD", o Relatório Fiscal e demais informações fiscais, não deixa margem de dúvida recomendando a manutenção do lançamento. Consoante se positiva dos anexos encimados, a fiscalização ao promover os lançamentos demonstrou de forma clara e precisa os fatos que lhes suportaram, ou melhor, os fatos geradores do crédito tributário, não se cogitando na nulidade dos procedimentos. Destarte, é direito do contribuinte discordar com a imputação fiscal que lhe está sendo atribuída, sobretudo em seu mérito, mas não podemos concluir, por conta desse fato, isoladamente, que o lançamento não fora devidamente fundamentado na legislação de regência. O argumento de erro do fato gerador, na desconsideração indevida da pessoa jurídica, na erro na sujeição passiva e demais, se confundem com o mérito que iremos tratar posteriormente, não ensejando em nulidade Dito isto, afasto a preliminar suscitada. MÉRITO DA OMISSÃO DE RENDIMENTOS No curso da investigação denominada Operação Zelotes, apurouse a atuação ilícita de pessoas físicas e jurídicas, que trabalhavam para influir no resultado do julgamento de processos administrativos em julgamento no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda. Houve o compartilhamento das informações e provas constantes em processos judiciais para a COGER/MF e COPEI/RFB. A partir de então, foram apurados fatos, descritos nos relatórios acostados no presente processo. Fl. 5952DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 20 19 A autoridade autuante entendeu ter o contribuinte recebido valores da RBS pela interposta pessoa jurídica (Maceira Advogados Associados) sem a devida comprovação da prestação de serviços lícitos, em razão do deslinde do caso “RBS” no CARF. Feito esse breve resumo, passaremos a análise do mérito, propriamente dito. O contribuinte assinala que a autuação e autoridade julgadora de primeira instância ignoraram a atividade profissional realizada por sociedade de advogados legalmente constituída e estabelecida muito antes da contratação para o "caso RBS". Repisa que o lançamento teve como base a desconstituição da personalidade jurídica da empresa; e que a autoridade fiscal teria desrespeitado o art. 129, da Lei 11.196/2005. Esclarece que o escritório Maceira Advogados Associados S/C atuou pelo longo período no qual tramitou o caso, podendo cobrar mais ou menos do que outros escritórios cobraram pelo caso, já que se trata de tipo d sociedade que não conforma o denominado elemento de empresa, sendo a relação com os clientes de ordem pessoal e a sociedade uma expressão das competências intelectuais dos sócios, e não da sociedade em si. Por tudo, resta claro que a Meceira Advogados não se tratava de suposta pessoa jurídica, nem de interposta sociedade, bem como o trabalho intelectual restou desenvolvido pelo recorrente de forma mais do que satisfatória à RBS. Pois bem! A personalidade jurídica pode ser definida como a aptidão para aquisição de direitos e deveres na ordem civil. Noutras palavras, em regra, a pessoa jurídica é criada para que seus sócios não respondam com seus bens pessoais, uma vez que esta possui personalidade distinta da de seus membros. Há, contudo, algumas hipóteses excepcionais por meio das quais o legislador admite uma exceção a essa regra para responsabilizar os sócios, desde que comprovada existência de abuso da personalidade, o qual é caracterizado pelo desvio de finalidade ou confusão patrimonial. Esta é a redação do art. 50 do Código Civil: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Especificamente na seara tributária, o sujeito passivo da relação jurídica tributária é aquele de quem se exige o cumprimento da obrigação, geralmente sendo aquele sujeito que produz o fato gerador: o contribuinte. Ocorre, no entanto, que outra pessoa, que não aquela que praticou o fato gerador, pode também ser alçada à posição de sujeito passivo da obrigação tributária. A esta pessoa dáse o nome de responsável tributário. A responsabilidade pode ser imputada ao terceiro de três formas diferentes: pessoalmente, subsidiariamente ou solidariamente. Fl. 5953DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 21 20 A responsabilidade será pessoal quando competir exclusivamente ao terceiro adimplir a obrigação desde o nascimento desta. Ou seja, o responsável figurará como único sujeito passivo da obrigação e o contribuinte será, por conseguinte, afastado da obrigação de pagar o tributo. Com relação à responsabilidade subsidiária, nesta o terceiro será chamado para o pagamento somente se restar constatado a impossibilidade de pagamento pelo contribuinte, devedor originário/principal. Ou seja, se determinada responsabilidade for subsidiária, primeiro se cobrará do contribuinte e, somente no caso deste não cumprir com a obrigação tributária devida, se chamará o responsável subsidiário para efetuar o respectivo pagamento. Por fim, a responsabilidade será solidária quando mais de uma pessoa integra o polo passivo da obrigação tributária, sendo todos responsáveis ao mesmo tempo pela integralidade da dívida tributária. O Código Tributário Nacional trata da responsabilidade tributária por meio dos seguintes dispositivos: Art. 134. Nos casos de impossibilidade de exigência do cumprimento da obrigação principal pelo contribuinte, respondem solidariamente com este nos atos em que intervierem ou pelas omissões de que forem responsáveis: I os pais, pelos tributos devidos por seus filhos menores; II os tutores e curadores, pelos tributos devidos por seus tutelados ou curatelados; III os administradores de bens de terceiros, pelos tributos devidos por estes; IV o inventariante, pelos tributos devidos pelo espólio; V o síndico e o comissário, pelos tributos devidos pela massa falida ou pelo concordatário; VI os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício, pelos tributos devidos sobre os atos praticados por eles, ou perante eles, em razão do seu ofício; VII os sócios, no caso de liquidação de sociedade de pessoas. Parágrafo único. O disposto neste artigo só se aplica, em matéria de penalidades, às de caráter moratório. Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I as pessoas referidas no artigo anterior; II os mandatários, prepostos e empregados; Fl. 5954DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 22 21 III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Tratandose, portanto, de atos praticados por pessoas jurídicas, a responsabilidade recairá sobre o patrimônio do sócio e/ou administrador apenas quando se verificar a ocorrência das condições previstas no art. 50 do Código Civil ou daquelas inscritas nos arts. 134 e 135 do Código Tributário Nacional. No presente caso, embora não tenha apontado a ocorrência de nenhum dos requisitos acima previstos, o Fiscal Autuante responsabiliza o recorrente pelo pagamento de impostos incidente sobre receitas inegavelmente recebidas pela pessoa jurídica. Tal fato é afirmado no próprio Termo de Verificação Fiscal: (...) 10.2 – DA AUTUAÇÃO Os artigos 43 e 118 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/1966) estabelecem preceitos importantes acerca do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. § 1o A incidência do imposto independe da denominação da receita ou do rendimento, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem e da forma de percepção. ......................................................................................................... ................. Art. 118. A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; Logo, salvo as exceções previstas em lei, o Irpf incide sobre a universalidade dos rendimentos, sendo irrelevantes a sua denominação, sua localização, sua condição jurídica e outras características, como expressamente disposto no artigo 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, bastando o benefício do contribuinte, por qualquer forma e a qualquer título Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. (Vide Lei 8.023, de 12.4.90) Fl. 5955DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 23 22 § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º omissis. § 3º omissis. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. Em adição, reproduzimos o artigo 26 da Lei nº 4.506, de 1964, cujo teor encontra respaldo no princípio de Direito Tributário pecunia non olet (“o dinheiro não tem cheiro”), espelhado no art. 118 do CTN: Art. 26. Os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas, ou percebidos com infração à lei, são sujeitos à tributação, sem prejuízo das sanções que couberem. Apesar de irrelevante, digase ser inaplicável ao caso concreto o disposto no art. 129 da Lei n° 11.196/2005. Importante ressaltarmos, porém, ser vedado o exercício de atividade ilícita por pessoa jurídica, nos termos do art. 104 do Código Civil (Lei nº 10.406 de 10 de janeiro de 2002). Art. 104. A validade do negócio jurídico requer: I agente capaz; II objeto lícito, possível, determinado ou determinável; III forma prescrita ou não defesa em lei. (...) Ocorre, contudo, que essa conduta não encontra amparo na legislação brasileira. As únicas formas de se imputar responsabilidade aos sócios seriam em decorrência do cumprimento dos requisitos do Código Civil ou do CTN. Dessa forma, com a devida vênia ao ilustre fiscal autuante, não vislumbramos em seus argumentos fundamento suficientemente capaz de amparar o procedimento excepcional de desconsideração da personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços advocatícios, cujo autuado é sócio. Como se sabe, a livre iniciativa, a liberdade negocial e de contratação são direitos do contribuinte, não cabendo à autoridade fiscal rechaçála tão somente porque considera (entende) fora de propósito às contratações. Fl. 5956DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 24 23 Tratandose de procedimento excepcional, a desconsideração da personalidade jurídica de empresas, deve ser devidamente fundamentado em fatos e documentos suscetíveis de comprovação. Não basta a fiscalização simplesmente inferir que não concorda com as condutas do contribuinte, imputando crimes a partir de uma operação da polícia federal, e por conta disso desconsiderálas, sem o devido fundamento legal (tributário). Para que o lançamento tivesse o devido amparo legal e fático, caberia ao fiscal autuante demonstrar que a contribuinte praticou atos simulados objetivando suprimir e/ou diminuir a CARGA TRIBUTÁRIA, ou mesmo suprimir ou maquiar a ocorrência do fato gerador do tributo. Impõese alegar e comprovar qual fora o benefício atingido pelo contribuinte nos seus atos praticados, bem como a conduta dolosa em simular contratações, para se esquivar da tributação. Isso não logrou o Fisco a comprovar na hipótese dos autos. Como se observa, mister se fazer à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de desconsideração da personalidade jurídica de empresas, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou simulação TRIBUTÁRIOS), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito fora efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta à indicação da eventual conduta dolosa, fraudulenta ou simulatória (nos autos de processo crime), a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção pré determinada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Aliás, o fato de existir inquérito/processo criminal, denúncia, etc em face do contribuinte, a partir de operação da Polícia Federal, in casu, Zelotes, não implica dizer, por si só, que sonegou tributos. Ora, devemos “separar o joio do trigo”. Com efeito, uma coisa são os reflexos do eventual processo criminal conduzido em face do contribuinte, onde serão apurados suas eventuais condutas criminosas, com as respectivas penas a serem aplicadas, inclusive, reparação ao erário, se restarem comprovadas as condutas atribuídas ao autuado. Outra coisa é o reflexo tributário de tais condutas, apuradas a partir de aludida operação da Polícia Federal, não bastando, basicamente, adotar o relatório da PF em relação à operação para concluir que houve sonegação tributária. Mesmo porque, se assim o fosse, estaríamos diante de uma verdadeira concomitância e impedidos de julgar na esfera administrativa, uma vez que os crimes atribuídos aos contribuinte no processo crime estariam, igualmente, sendo analisados nos autos do processo administrativo fiscal. Daí porque, importante que a fiscalização, nos autos do lançamento, demonstre qual crime de SONEGAÇÃO FISCAL o contribuinte incorreu de maneira a ensejar a desconsideração da personalidade jurídica de seu escritório com o desclassificação de auferimento de receitas para omissão de rendimentos. Em alguns casos, no decorrer da operação da Polícia Federal, comprovase a ocorrência da conduta conhecida como “Nota calçada”, Subfaturamento, Caixa 2, ocultação de patrimônio com utilização e movimentação financeira ou empresarial de terceiros (laranjas), etc. Nestas hipóteses, a própria conduta do contribuinte já tem um indicativo ou comprovação Fl. 5957DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 25 24 forte de sonegação tributária, o que justificaria a autuação fiscal, com multa qualificada, ou mesmo responsabilização solidária de terceiros interessados no fato gerador do tributo, ou reais sujeitos passivos da relação tributária. Não é o que se vislumbra no caso vertente, onde a fiscalização simplesmente considerou que os valores pagos pela contratante de serviços se destinou aos sócios pessoas físicas das empresas prestadoras de serviços advocatícios, com a respectiva desconsideração da personalidade jurídica dos escritórios, para atribuir ao autuado omissão de rendimentos, adotando basicamente os fundamentos do relatório da Polícia Federal a respeito da Operação Zelotes, o qual apura infrações na esfera criminal e não tributária. Com a devida vênia, o fato de o contribuinte, eventualmente, não ter comprovado a prestação de serviços, ter recebido valores ilegalmente, etc, não é capaz de deslocar a tributação da pessoa jurídica para a física. Aliás, qual seria a diferença? O que o contribuinte estaria pretendendo esconder ou simular ao receber valores em sua pessoa jurídica e não na física? Por que o fato gerador nesta hipótese ocorreria na pessoa física e não na jurídica, como entendeu o Fisco? Qual a conduta do contribuinte com o fito de sonegar tributos ao receber tais importâncias na pessoa jurídica? Aliás, tratandose de prestação de serviços de natureza personalíssima, a atividade desenvolvida pela pessoa jurídica, em verdade, é conduzida pelo sócio pessoa física, havendo uma verdadeira “confusão” de pessoas, razão pela qual dizer que não houve a comprovação dos serviços prestados pela pessoa jurídica implica concluir que a pessoa física, igualmente, não comprovou a sua realização, o que rechaça de pronto a própria ocorrência do fato gerador do tributo. Em outras palavras se não há, eventualmente, a comprovação dos serviços prestados pela pessoa jurídica, igualmente, não ocorre aludida demonstração por parte do sócio pessoa física, fatos que não tem o condão de justificar, motivar e/ou fundamentar a desconsideração da personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços e, conseqüentemente, a própria tributação ora contestada. Com todo respeito ao nobre fiscal autuante, não há sentido lógico nesta desconsideração. Em verdade, o que se percebe, é que a fiscalização pretende penalizar o contribuinte pelo fato de (em tese) ter recebido propina. No entanto, não cabe ao Fisco tributar com espeque em fatos criminais, mas, sim, em fatos tributários. Não tivesse a empresa tributado aludidos valores, aí sim poderia ser objeto de autuação, na PJ, para se exigir os tributos devidos, mas nunca, em nosso entendimento, desconsiderar a personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, com base em fatos da seara criminal, para fins de deslocar a sujeição passiva. Como se observa, estamos diante de uma verdadeira ausência de comprovação da ocorrência do fato gerador do tributo ora lançado, qual seja, omissão de rendimentos, considerando os fatos acima elencados e, especialmente, que os valores ora tributados foram recebidos na própria pessoa jurídica prestadora de serviços advocatícios do autuado. Traçando um paralelo com as contribuições previdenciárias, nas hipóteses de desconsideração de personalidade jurídica (PJtização), o ônus tributário de tal procedimento excepcional recai, via de regra, sobre a empresa contratante de serviços, a qual se beneficiou Fl. 5958DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 26 25 com a contratação de pessoas físicas, por meio de jurídicas, simplesmente para não pagar as contribuições devidas. No caso dos autos, repitase, não conseguimos vislumbrar qual teria sido o benefício tributário, causando supressão de tributos indevidamente, com a conduta do contribuinte de receber as importâncias sob análise em sua pessoa jurídica, independentemente da questão criminal, que está sendo analisada em autos judiciais próprios. Em tese, em nosso entendimento, o ônus de tal conduta do contribuinte, especialmente o fato de não comprovar a prestação de serviços, na forma que o fiscal propôs e fundamentou a presente autuação, deveria dar margem à tributação da empresa contratante sob a roupagem de “IRF Pagamento sem Causa”, com tributação, inclusive, mais elevada que a presente. Ou seja, tal qual na desconsideração da personalidade jurídica no âmbito das contribuições previdenciárias, nos casos de “PJtização”, o ônus tributário do procedimento engendrado pelas partes seria da empresa contratante, por existir fundamento legal próprio ao efetuar despesas sem a comprovação da prestação de serviços, qual seja, IRF – Pagamento sem causa. Destarte, a prevalecer a conduta do Fiscal, chegarseia ao cenário de se imputar responsabilidade às pessoas físicas sempre que a Receita Federal do Brasil entender, sem respaldo judicial pelo Juízo Criminal competente, que houve ilícitos praticados por pessoas jurídicas – o que não é o caso. A meu ver, incabível tal entendimento. DAS DEMAIS QUESTÕES AVENTADAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Na hipótese de restar vencido quanto ao mérito, mister adentrar as demais alegações suscitadas pelo contribuinte em seu recurso voluntário, as quais passamos a contemplar. DA MULTA QUALIFICADA Preambularmente, cumpre transcrever a legislação que fundamentou a exigência da multa no presente lançamento de ofício: Lei nº 9.430, de 1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Fl. 5959DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 27 26 Como se vê, a multa de 75%, prevista no inciso I, acima transcrito, é objetiva e independe da culpa ou dolo do agente. O artigo 136 do Código Tributário Nacional assim diz: Art. 136 Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Contudo, a multa qualificada de 150%, em atendimento ao que disciplina o §1º, art. 44, da Lei nº 9.430, de 1996, poderá ser aplicada somente nos casos previstos nos art. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, 1964, que têm a seguinte redação: Art. 71 Sonegação é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação principal ou o crédito tributário correspondente. Art. 72 Fraude é toda ação ou omissão, dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido, ou a evitar ou deferir o seu pagamento. Art. 73 – Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos no art. 71 e 72. A sonegação pode se dar em razão de uma ação ou omissão, de uma simulação ou ocultação, e pressupõe sempre a intenção de causar dano à fazenda pública, um propósito deliberado de se subtrair, no todo ou em parte, a uma obrigação tributária. Na sonegação sempre existe o dolo, um comportamento intencional, específico, de causar dano à fazenda pública. Para ser enquadrado neste conceito, basta o contribuinte agir com dolo na desobediência da lei fiscal. A sonegação impede a apuração da obrigação tributária principal diante da ocultação de bens ou de fatos jurídicos à incidência fiscal (fato gerador já realizado) enquanto na figura da fraude a ação ou omissão visa escamotear o pagamento do imposto devido reduzilo, evitálo ou retardálo. Depreendese dos dispositivos acima transcritos que para aplicação da multa qualificada deve existir o elemento fundamental de caracterização que é o evidente intuito de fraudar ou de sonegar. Ainda de acordo com os dispositivos legais acima transcritos, impõese à autoridade lançadora a observância dos parâmetros e condições básicas previstas na legislação de regência em casos de imputação da multa qualificada, que somente poderá ser levada a efeito quando àquela estiver convencida do cometimento do crime (dolo, fraude ou sonegação), devendo, ainda, relatar todos os fatos de forma pormenorizada, possibilitando ao contribuinte a Fl. 5960DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 28 27 devida análise da conduta que lhe está sendo atribuída e, bem assim, ao procurador de que o delito efetivamente praticado. Em outras palavras, não basta a indicação da conduta dolosa, fraudulenta, a partir de meras presunções e/ou subjetividades, impondo a devida comprovação por parte da autoridade fiscal da intenção prédeterminada do contribuinte, demonstrada de modo concreto, sem deixar margem a qualquer dúvida, visando impedir/retardar o recolhimento do tributo devido. Este entendimento, aliás, encontrase sedimentado no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, conforme se extrai dos julgados com suas ementas abaixo transcritas: MULTA AGRAVADA – Fraude – Não pode ser presumida ou alicerçada em indícios. A penalidade qualificada somente é admissível quando factualmente constatada as hipóteses de fraude, dolo ou simulação. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.561, Sessão de 16/10/2003) (grifamos) MULTA QUALIFICADA – NÃO CARACTERIZAÇÃO – Não tendo sido comprovada de forma objetiva o resultado do dolo, da fraude ou da simulação, descabe a qualificação da penalidade de ofício agravada. (2ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10245.625, Sessão de 21/08/2002) MULTA DE OFÍCIO – AGRAVAMENTO – APLICABILIDADE – REDUÇÃO DO PERCENTUAL – Somente deve ser aplicada a multa agravada quando presentes os fatos caracterizadores de evidente intuito de fraude, como definido nos artigos 71 a 73 da Lei n° 4.502/64, fazendose a sua redução ao percentual normal de 75%, para os demais casos, especialmente quando se referem à infrações apuradas por presunção. (8ª Câmara do 1° Conselho de Contribuintes – Acórdão n° 10807.356, Sessão de 16/04/2003) (grifamos) Na esteira desse raciocínio, ratificando posicionamento pacífico do então 1º Conselho de Contribuintes, o CARF consagrou de uma vez por todas o entendimento acima alinhavado, editando a Súmula nº 14, determinando que: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a QUALIFICAÇÃO da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo Não é o que se vislumbra na hipótese dos autos, onde o fiscal autuante fundamentou sua pretensão (tanto a tributação como a qualificação da multa), basicamente, no Relatório da Operação Zelotes, deflagrada pela Polícia Federal, no intuito de investigar crimes incorridos em julgamentos no âmbito do CARF. E, como explicitado alhures, o fato de ocorrer apuração de infrações criminais por parte dos envolvidos, um dos quais o contribuinte autuado, por si só, não tem o condão de ensejar a tributação na forma proposta e, igualmente, a aplicação de multa qualificada. Fl. 5961DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 29 28 Destarte, ao meu ver, para aplicar a multa qualificada é necessária a prova da evidente intenção de sonegar ou fraudar, condição imposta pela lei. A prova deve ser material, pois o evidente intuito de sonegação não pode ser presumido. Não basta a prova da falta de recolhimento do tributo devido, tampouco meros indícios na esfera criminal; é necessária que estejam perfeitamente identificadas e comprovadas a circunstância material do fato, com vistas a configurar o evidente intuito de sonegar, relativamente a cada fato gerador do imposto. No caso em concreto, a autoridade lançadora fundamentou a exigência da multa de ofício no patamar de 150% nos seguintes termos: A conduta deliberada e reiterada do sujeito passivo, como largamente demonstrado neste Trabalho, denota evidente intuito de fraude, sendo que, nessa hipótese, a multa de ofício que acompanha os tributos constituídos pelos lançamentos (Irpf) é qualificada, nos termos do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996 Como se observa, a fundamentação para a qualificação da multa de ofício foi exclusivamente ao fato da "conduta deliberada e reiterada", porquanto da suposta prestação de serviços ilícitos apurados no âmbito da Operação Zelotes. Observese, do trecho do Relatório Fiscal acima transcrito, que o nobre fiscal autuante se utilizou de apenas três linhas para imputar o crime de sonegação fiscal ao autuado, sob o argumento da existência de conduta deliberada e reiterada. Não havendo por parte do auditor fiscal a devida subsunção do fato a norma, porquanto qual seria essa conduta deliberada e reiterada? No entanto, em momento algum a fiscalização logrou comprovar o alegado, repousando sua tese no Relatório da Operação Zelotes da Polícia Federal que, em nosso entendimento, sequer se presta a justificar a presente tributação, como acima explicitado, quiçá justificar a qualificação da multa. Em que pese a validade das provas decorrentes da operação, o presente auto trata do lançamento de imposto de renda da pessoa física, o que não foi objeto específico da investigação. Os fatos relatados no procedimento junto ao Ministério Público não repercutiram em sonegação do imposto de renda da pessoa física, mediante sonegação ou fraude, especificamente com relação aos fatos geradores apurados no lançamento em epígrafe, mas sim, uma investigação acerca da atuação ilícita de pessoas físicas junto ao CARF no julgamento de alguns processos administrativos fiscais. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização da multa qualificada, a partir de suas especificidades conceituais, sendo defeso, igualmente, a atribuição de requisitos/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades. Na hipótese dos autos, inobstante o esforço da autoridade lançadora, não conseguimos vislumbrar a existência de dolo e/ou fraude. Pelo menos na forma proposta pelo fiscal autuante. Fl. 5962DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 30 29 Não obstante a autoridade lançadora colacionar aos autos alguns indícios da existência de suposta fraude com base em informações e documentos decorrentes da Operação Zelotes, não contempla com especificidade esse dolo. Em verdade, no Relatório Fiscal, a autoridade autuante simplesmente aduz haver fraude pelo deslocamento da tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, o que, ao meu ver, por si só, não tem o condão de demonstrar a existência de dolo capaz de ensejar a qualificação da multa de ofício. Mais a mais, escora sua pretensão em presunção, a qual, igualmente, no máximo, se prestaria a comprovação indiciária, mas nunca efetiva da qualificadora. Bom que se diga que não estamos aqui afirmando com toda segurança inexistir ato ilícito, até porque a autoridade responsável por este juízo de valor é a Esfera Criminal. Sustentamos, na verdade, que o fiscal autuante não se desincumbiu do ônus de comprovar com especificidade a existência do dolo, fraude e sonegação. Com a devida vênia, o nobre fiscal autuante, em seu Relatório Fiscal, fora por demais superficial, mais precisamente, um parágrafo para contemplar o crime imputado. Devemos considerar que a fiscalização não logrou comprovar ter o recorrente agido com dolo, através de atos ilícitos (tributários), já que toda a fundamentação da autuação se deu apenas e tão somente com base no conteúdo do relatório do MP sobre a Operação Zelotes, o qual se vincular a infrações na esfera criminal e não tributário, incumbindo, portanto, ao fiscal autuante proceder a devida subsunção dos fatos às normas que regulam os requisitos da qualificadora da multa, lastreado em infração tributária de sonegação fiscal, o que não se vislumbra na hipótese dos autos. Ademais, como já dito anteriormente, somente a Justiça poderá dispor sobre os supostos atos ilícitos na seara criminal. Neste diapasão, afasto a qualificação da multa. DA COMPENSAÇÃO DOS TRIBUTOS RECOLHIDOS PELA PESSOA JURÍDICA DESCONSIDERADA Na hipótese de restar vencido no mérito, igualmente, há que se suscitar a necessidade de compensar os eventuais tributos pagos pelas pessoas jurídicas desconsideradas EM RELAÇÃO ÀS NOTAS FISCAIS objeto da presente autuação, sob pena de bis in idem. Em relação a matéria, a jurisprudência deste Tribunal é no sentindo da obrigatoriedade da compensação, conforme Acórdãos abaixo ementados: (...) RECLASSIFICAÇÃO DE RECEITA TRIBUTADA NA PESSOA JURÍDICA PARA RENDIMENTOS DE PESSOA FÍSICA. COMPENSAÇÃO DE TRIBUTOS PAGOS NA PESSOA JURÍDICA.Devem ser compensados na apuração de crédito tributário os valores arrecadados sob o código de tributos exigidos da pessoa jurídica, cuja receita foi desclassificada e convertida em rendimentos de pessoa física, base de cálculo do lançamento de oficio.(...) (Acórdão n° 2201003.302, Rel Ana Cecília Lustosa da Cruz, 17/08/2016) Fl. 5963DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 31 30 (...) TRIBUTOS FEDERAIS RECOLHIDOS NA PESSOA JURÍDICA, APROVEITAMENTO.Em face da declaração de ineficácia dos atos ou negócios celebrados em nome da pessoa jurídica, os valores de tributos federais por ela recolhidos devem ser compensados com o imposto apurado na pessoa física, antes da inclusão dos acréscimos legais.(...) (Acórdão n° 2801 002.733, Rel. Marcelo Vasconcelos de Almeida, 17/10/2002) Isto porque, se a desconsideração da personalidade jurídica de aludidas empresas prosperar, o reflexo deste procedimento deve atingir tanto o bônus quanto o ônus, de maneira que deslocandose a sujeição passiva da obrigação tributária ao sócio, ora autuado, impõese, da mesma forma, retirar da base de cálculo do tributo ora lançado o imposto pago por ocasião da entrada de tais importâncias, relativas as NF’s das contratantes encimadas. Por todo o exposto, por esse motivo resta evidente a improcedência do lançamento, especialmente porque não cumpridos os requisitos legais para imputação de responsabilidade a terceiros. Por todo o exposto, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar as preliminares pleiteadas e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço vênia ao I. Relator para discordar do seu voto no que tange ao mérito do recurso voluntário. Tratase, como visto, de auto de infração de Imposto de Renda de Pessoa Física (IRPF) lavrado em razão de omissão de rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, relativamente ao anocalendário de 2011. Depreendese da acusação fiscal que o lançamento está pautado na reclassificação de rendimentos e imputação deles à pessoa física, visto que não houve prestação de serviços pelas pessoas jurídicas e o efetivo beneficiário dos rendimentos recebidos através de interposição de escritório de advocacia foi a pessoa física de Luiz Alberto Cava Maceira (fls. 5.044/5.165). Inicialmente, é importante assinalar que o arcabouço probatório tem origem nas investigações realizadas por intermédio da Operação Zelotes, em que se descobriu condutas ilícitas na manipulação de julgamentos no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), mediante influência e/ou cooptação de conselheiros e ex conselheiros. Fl. 5964DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 32 31 A atividade de fiscalização tributária, contudo, não ficou restrita ao procedimento de natureza criminal, pois foram realizadas pesquisas e inúmeras diligências fiscais para fins de elucidação dos fatos e reunião de elementos de convicção sobre a matéria tributária. Mesmo que tenha havido compartilhamento do material coletado na Operação Zelotes com a Secretaria da Receita Federal do Brasil, após autorização da Justiça Federal do Distrito Federal, não haverá, necessariamente, dependência do resultado do procedimento fiscal ao que decidido na esfera penal. Evidentemente, a apuração de prática criminosa compete à esfera penal, porém a esfera tributária, que tem por incumbência a identificação do fato gerador e do sujeito passivo responsável pelo cumprimento da obrigação tributária, apenas utilizouse de prova emprestada para instruir o lançamento fiscal, não havendo que se falar em ilegalidade ou limitação ao seu valor probante. Segundo as fls. dos autos, apurouse que empresas que já contavam com profissionais contratados para defesa técnica em processos de auto de infração em tramitação no CARF também celebravam acordos, em algum momento posterior, com determinados escritórios de advocacia e/ou consultorias, cujos pagamentos representavam valores elevados, devidos tão somente na hipótese de sucesso no contencioso administrativo, através do provimento parcial ou total do recurso. Contudo, no que tange aos escritórios e consultorias contratados adicionalmente, o conjunto fáticoprobatório revela a falta de comprovação material da prestação de serviços lícitos, cujas pessoas jurídicas eram empregadas, nessas operações, apenas como subterfúgio para o recebimento pelas pessoas físicas do pagamento convencionado com as empresas autuadas. Ao contrário do afirmado no recurso voluntário, a autoridade tributária não conduz o lançamento fiscal com base em presunções, mas em farto material probatório colacionado aos autos, que se constituem elementos indiciários sérios e convergentes que, ao final, são dotados de força probante para justificar o auto de infração em nome de Luiz Alberto Cava Maceira. A fiscalização juntou aos autos um universo de documentos, tais como mensagens eletrônicas, memórias de cálculo, anotações sobre reuniões e divisão de valores, comprovantes de pagamento e transferências bancárias, além do material coletado nas diligências fiscais, de maneira a fundamentar a colocação da pessoa física no polo passivo da relação tributária. Por outro lado, o apelo recursal, via de regra, contém alegações de caráter genérico, além de não produzir prova para desconstituir os fatos trazidos pela equipe de fiscalização (fls. 5.797/5.875). A atuação ilícita da pessoa física para obtenção de vantagem financeira, conforme descrição pela fiscalização, deuse com respeito a RBS Administração e Cobranças Ltda, pessoa jurídica com pendências de julgamento em relação a auto de infração em tramitação no âmbito do CARF. Fl. 5965DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 33 32 Observase com base no Termo de Verificação Fiscal que, ao longo dos anos, para fins de defesa da RBS Administração e Cobranças Ltda, foram contratados diversos escritórios para atuar no processo administrativo sob o nº 11080.008088/200171(fls. 5.047/5.056). Todavia, a fiscalização conseguiu confirmar apenas a prestação de serviços pelo escritório de advocacia Dias e Souza, contratado inicialmente e que subscreveu as peças apresentadas no âmbito do CARF, recebendo um total de R$ 8,8 milhões pela elaboração da defesa administrativa em todas as fases processuais. Por sua vez, evidenciando a desproporcionalidade de pagamentos, o escritório Maceira Advogados Associados, que tinha como sócio administrador o ora recorrente, também foi contratado pela RBS Administração e Cobranças Ltda, quando o processo administrativo já se encontrava na Câmara Superior de Recursos Fiscais, recebendo um total de R$ 6,5 milhões, após a decisão final, porém sem nenhuma comprovação da efetividade de qualquer serviço lícito executado. Tendo em conta a ausência de comprovação da prestação de serviços pela Maceira Advogados Associados, a fiscalização promoveu diligência junto ao sócio Luiz Alberto Cava Maceira, já que a sociedade havia sido extinta no início do ano de 2015. Na oportunidade, a pessoa física declarou que a prestação de serviços tinha ocorrido ao longo de cinco anos, mediante assessoramento jurídico, realização de reuniões, avaliação processual e apresentação de sugestões para o desfecho favorável do processo administrativo à RBS Administração e Cobranças Ltda (fls. 5.141/5.149). Acontece que, inexplicavelmente, nenhuma prova material da efetividade da prestação de serviços foi apresentada à autoridade tributária ou juntada posteriormente ao contencioso administrativo, nem mesmo uma mensagem eletrônica ou cópia de petição, memorial ou parecer correlacionados à específica atuação no referido processo administrativo fiscal, que tivesse o condão de justificar, ao final, o elevado montante pago ao escritório de advocacia. Na sequência, a pessoa física foi intimada a comprovar a aplicação das expressivas saídas de recursos financeiros em contas de titularidade da extinta pessoa jurídica, da qual era sócia. Todavia, não conseguiu mostrar a existência de lastro documental com respeito a mais de R$ 2 milhões em saques efetuados das contas do escritório Maceira Advogados Associados, a título de distribuição de lucros. Os indícios de que tais valores foram recebidos no contexto da participação na manipulação do julgamento no CARF, mediante pagamento de vantagens indevidas a terceiros, é reforçado pela narrativa fiscal na qual transparece a relação próxima entre o autuado, Luiz Alberto Cava Maceira, e Edison Pereira Rodrigues, sócio da SGR Consultoria Empresarial Ltda, detentor de papel central no esquema criminoso. Segundo a documentação acostada aos autos, Edison Pereira Rodrigues tinha participação ativa no concluo de manipulação de votos, que incluía a cooperação de diversas pessoas, mantendo parceria comercial com o autuado em alguns contratos de valores expressivos (fls. 5.149/5.155). Fl. 5966DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 34 33 Em contraponto ao I. Relator, entendo que não se trata de hipótese de imputação de responsabilidade tributária a sócios, nem o procedimento fiscal significou a desconsideração da personalidade jurídica da sociedade interposta. Sob a ótica da primazia da realidade e da verdade material, cabe à fiscalização lançar de ofício o crédito correspondente à relação tributária efetivamente existente, segundo sua natureza jurídica. No procedimento de verificar o cumprimento das obrigações tributárias, estritamente conforme as prerrogativas e competências estabelecidas em lei, não está a fiscalização refém da forma jurídica adotada pelo particular, nem daquilo que consta em documentos, acordos e instrumentos de controle. Mais que um ônus, é dever do Fisco, em face da legalidade, tipicidade e indisponibilidade do interesse público, investigar e verificar a ocorrência do fato jurídico tributário segundo sucedese no mundo fático. Prevalecerá a realidade dos fatos em detrimento da formalidade dos atos, cabendo à autoridade lançadora demonstrar em qualquer caso, apoiado na linguagem de provas, a ocorrência dos fatos jurídicos que servem de suporte à exigência fiscal. Por sua vez, segundo o ordenamento jurídico, é inadmissível implementar a prática criminosa mediante a utilização de pessoa jurídica para influenciar decisões administrativas e, como tal, os rendimentos percebidos, nessas hipóteses, pertencem efetivamente às pessoas físicas que realizam as condutas ilícitas. O fato gerador da obrigação tributária independe da validade dos atos jurídicos praticados, porém o objeto da sociedade deve ser lícito, sob pena de invalidade do negócio, não produzindo efeitos perante a autoridade fiscal. A pessoa física Luiz Alberto Cava Maceira é a verdadeira beneficiária dos rendimentos, na proporção dos valores recebidos, mantendo relação pessoal e direta com a situação que constitui o fato gerador da obrigação tributária, caracterizado pelo acréscimo patrimonial resultado do auferimento de renda mediante a simulação de prestação de serviços por pessoa jurídica. O art. 129 da Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, estabelece que a prestação de serviços intelectuais estará submetida tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas quando realizada pela sociedade prestadora de serviços, não tendo finalidade de encobrir práticas simulatórias. Por tal motivo, o caso em apreço não se amolda à previsão em lei, uma vez que os serviços contratados são ilícitos, cujo trabalho restou executado pelas pessoas físicas participantes do arranjo delituoso, e não pelas pessoas jurídicas. Não se cuida também, como sugere o I. Relator, de hipótese de pagamento sem causa, que possa atrair a incidência do art. 61 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995. Com efeito, a tributação do imposto de renda à alíquota de 35% é excepcional e pressupõe a sujeição passiva da pessoa jurídica pela entrega de recursos financeiros que lhe pertençam, quando não comprovada a natureza da operação realizada ou a causa do pagamento ou desembolso. Diferentemente, a quantia reservada à pessoa física, desde o nascedouro, decorrente de retribuição pelo negócio de índole criminosa, independentemente da forma de Fl. 5967DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 35 34 percepção, deve sofrer a tributação do imposto de renda na pessoa física, segundo a legislação específica (art. 3º, § 4º, da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988). Em vista do que foi exteriorizado, não há dúvidas da existência de conduta intencional e consciente do recorrente, através de fraude, no sentido de modificar as características do fato gerador da tributária principal, de maneira a reduzir o montante do imposto de renda devido. O contribuinte deslocou de forma dolosa a tributação da pessoa física para a pessoa jurídica, utilizandose de estrutura artificial criada com a interposição do escritório Maceira Advogados Associados, para esconder o negócio ilícito ajustado em conluio com outras pessoas físicas. Em tais circunstâncias, em que comprovada a utilização de interposta pessoa, é bastante para evidenciar o intuito doloso e justificar a manutenção da qualificação da multa de ofício no importe de 150%. Conforme assentado pela decisão de primeira instância, a graduação da penalidade é matéria alheia à vontade do julgador administrativo, não havendo margem para redução, porque determinado o percentual em lei. Tampouco prospera alegações sobre um caráter manifestamente confiscatório da multa de ofício lançada. A eventual ausência de compatibilidade do dispositivo de lei que estabelece a penalidade com a Constituição da República de 1988 é questão inoponível na esfera administrativa. Nesse sentido, não só o "caput" do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, como também o enunciado da Súmula nº 2, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, assim redigida: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No que toca à compensação de valores pagos na pessoa jurídica, é cabível a dedução do lançamento fiscal tão somente em relação aos valores arrecadados a título de imposto de renda das pessoas jurídicas, cuja receita foi desclassificada e considerada rendimentos auferidos pela pessoa física. De fato, é razoável a dedução dos eventuais recolhimentos de mesma natureza efetuados a título de imposto sobre a renda pelo escritório Maceira Advogados Associados, do qual o autuado era sócio, tendo em conta, nesse raciocínio, o tributo exigido da pessoa física no presente auto de infração, reconhecendose que parte dele foi efetivamente pago, ainda que por outrem. O aproveitamento do imposto de renda comprovadamente recolhido no ajuste da pessoa jurídica ou retido pela fonte pagadora, previamente ao início do procedimento de fiscalização, é apto a operar efeitos na base de cálculo da multa de ofício, ou seja, antes da inclusão dos acréscimos legais. Fl. 5968DF CARF MF Processo nº 11060.723259/201618 Acórdão n.º 2401005.827 S2C4T1 Fl. 36 35 No presente caso, cabe deixar consignado que a fiscalização já deduziu as retenções do imposto de renda sofridas na fonte, calculadas a 1,5% do rendimento bruto, tal como destacadas nas notas fiscais (fls. 5.158). Quanto aos demais tributos pagos, distintos do imposto de renda, o aproveitamento entre pessoas distintas, em qualquer hipótese, dependeria de previsão em lei específica autorizadora de sua realização. Como regra, a compensação no âmbito tributário implica a existência de duas pessoas, simultaneamente credoras e devedoras uma da outra desde a origem, havendo obrigações recíprocas entre as partes (art. 170 do CTN). À vista disso, não se deve transmudar o processo fiscal de controle do lançamento em procedimento de compensação. A via adequada é, portanto, o pedido de restituição, sem prejuízo da observância do prazo para repetição do indébito e do cumprimento dos demais requisitos estipulados na legislação. Conclusão Ante o exposto, rejeitadas as preliminares de nulidade, conforme voto do I. Relator, DOU PARCIAL PROVIMENTO ao recurso voluntário para que sejam deduzidos do lançamento o imposto de renda recolhido pelas pessoas jurídicas sobre os valores que foram considerados rendimentos da pessoa física. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 5969DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.720506/2017-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2012, 2013
INTIMAÇÃO POR EDITAL.
No âmbito do processo administrativo fiscal, para cada ato ou termo processual de que deva ser intimado o sujeito passivo deve-se proceder à intimação pessoal ou por via postal e, somente depois, não logrando êxito essa intimação, será efetuada a intimação por edital.
INTIMAÇÃO VIA POSTAL. ERRO DE INDICAÇÃO DE ENDEREÇO. ERRO DA FISCALIZAÇÃO QUE NÃO PODE PREJUDICAR O DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE..
Considera-se inválida a intimação, enviada a endereço incorreto. Erro da fiscalização.
NULIDADE. INTIMAÇÃO IRREGULAR. COMPARECIMENTO AO PROCESSO. SANEAMENTO DO VÍCIO.
O comparecimento do contribuinte supre as faltas ou irregularidades ocorridas nas intimações feitas sem observância das prescrições legais. Restou comprovada a ciência através do termo de vistas, sendo apresentada impugnação dentro do trintídio legal, razão pela qual a mesma é tempestiva.
NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA.
Tendo em vista que a impugnação apresentada foi tempestiva, e não sendo a mesma analisada pela DRJ, é nula a decisão proferida por cerceamento do direito de defesa, nulidade que não pode ser superada sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição administrativa.
Numero da decisão: 1401-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pr unanimidade de votos, acatar a arguição de nulidade da decisão recorrida manifestada no recurso do Sr. André Lira da Silva, determinando o retorno dos autos à Turma a quo para que profira nova decisão, desta feita considerando como tempestiva a irresignação da parte. Por força da declaração de nulidade da decisão recorrida, os recursos de ofício não foram conhecidos.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Ribeiro Silva - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (Vice-Presidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga.
Nome do relator: DANIEL RIBEIRO SILVA
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No âmbito do processo administrativo fiscal, para cada ato ou termo processual de que deva ser intimado o sujeito passivo devese proceder à intimação pessoal ou por via postal e, somente depois, não logrando êxito essa intimação, será efetuada a intimação por edital. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. ERRO DE INDICAÇÃO DE ENDEREÇO. ERRO DA FISCALIZAÇÃO QUE NÃO PODE PREJUDICAR O DIREITO DE DEFESA DO CONTRIBUINTE.. Considerase inválida a intimação, enviada a endereço incorreto. Erro da fiscalização. NULIDADE. INTIMAÇÃO IRREGULAR. COMPARECIMENTO AO PROCESSO. SANEAMENTO DO VÍCIO. O comparecimento do contribuinte supre as faltas ou irregularidades ocorridas nas intimações feitas sem observância das prescrições legais. Restou comprovada a ciência através do termo de vistas, sendo apresentada impugnação dentro do trintídio legal, razão pela qual a mesma é tempestiva. NULIDADE DA DECISÃO DA DRJ. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. DUPLO GRAU DE JURISDIÇÃO ADMINISTRATIVA. Tendo em vista que a impugnação apresentada foi tempestiva, e não sendo a mesma analisada pela DRJ, é nula a decisão proferida por cerceamento do direito de defesa, nulidade que não pode ser superada sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição administrativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 05 06 /2 01 7- 13 Fl. 4535DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, pr unanimidade de votos, acatar a arguição de nulidade da decisão recorrida manifestada no recurso do Sr. André Lira da Silva, determinando o retorno dos autos à Turma a quo para que profira nova decisão, desta feita considerando como tempestiva a irresignação da parte. Por força da declaração de nulidade da decisão recorrida, os recursos de ofício não foram conhecidos. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Daniel Ribeiro Silva (VicePresidente), Abel Nunes de Oliveira Neto Carlos André Soares Nogueira, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça (Conselheira Suplente convocada), Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano e Letícia Domingues Costa Braga. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face do acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal em Brasília (DF), que julgou procedente em parte a impugnação administrativa apresentada pelo contribuinte em virtude de supostas infrações a legislação tributária, exigindose o Imposto de Renda Pessoa Jurídica, Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido, Contribuição para o PIS e COFINS, lavrado para formalização e exigência de crédito tributário, conforme tabela abaixo indicada: No Termo de Verificações Fiscais – TV, “consta que em virtude da não localização da CPA no seu endereço cadastral, bem como pelo não atendimento das intimações por parte de seu sócio, BENEDITO ANTONIO DE OLIVEIRA, a Fiscalização não teve acesso Fl. 4536DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.536 3 aos documentos que deram origem à escrituração comercial da empresa, de forma que foram analisados documentos e informações disponíveis e que deram origem aos valores que compõem as bases de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e reflexos e do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, anoscalendário 2012 e 2013, tais como DIPJ, DCTF, DIMOB, DOI, DIMOF, DARF, SPED Contábil, SPED NFe e extratos bancários, bem como informações e documentos levantados junto a terceiros, que se relacionaram direta ou indiretamente com a fiscalizada e, ainda, documentos requisitados à JUCESP, ARISP, Cartórios de Títulos e Documentos”. Conforme informações da Fiscalização, “a empresa CPA apresentou a DIPJ, anocalendário 2012, adotando a forma de apuração do imposto de renda com base no Lucro Real Trimestral e que essa forma de tributação obriga a empresa a apuração dos valores devidos de Contribuição Social nos mesmos moldes e do PIS e COFINS no regime não cumulativo. No entanto, a empresa não comprovou as condições necessárias para apuração de seus resultados com base no Lucro Real, tendo enviado os arquivos digitais correspondentes ao SPED Contábil do anocalendário 2012”. Aduzindo que as transações que envolvem as empresas CPA, KOLOVEC, JP, SON, FEMAR, VALESP, SYNTHESE, VALEBRASIL, PNE e LIMA & PERGHER vão além de operações comerciais de compra e venda de mercadorias e serviços, pois ocorreram transferências de recursos e pagamentos/recebimentos entre as empresas que não se justificariam, pois serviram apenas para atender aos interesses dos responsáveis tributários”. Afirmou que “tais empresas se encaixariam perfeitamente na caracterização de GRUPO ECONÔMICO DE FATO, cuja expressão, inclusive, consta na Ficha Cadastral da empresa CPA junto ao Banco ABC Brasil, como “Grupo Econômico: JP DISTRIBUIDORA”.” (...) Acrescentou que “as mencionadas empresas movimentaram recursos, efetuaram pagamentos e recebimentos, dos mais variados possíveis (muitos de forma escusa), sob a tutela de seu representado, LUIZ OTÁVIO PATERNOSTRO, executados por dois de seus maiores representantes, GUILHERME CARVALHO COSTA e JASON PAULO DE OLIVEIRA”. Imputouse RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA das seguintes pessoas em virtude de práticas e atos com excesso de poder ou infração de lei e contrato social, pois planejaram, coordenaram e executaram os negócios escusos discriminados conforme o (art. 124, incisos I e II, e art. 135, inciso III, da Lei nº 5.172/66): Benedito Antonio de Oliveira; Luiz Otávio Paternostro; Jason Paulo de Oliveira; Guilherme Carvalho Costa; André Lira da Silva; Edmundo José Fernandes Priante; Femar Rest. Recup. Recomp. Predial Ltda; João Paulo de Oliveira; José Paulo de Oliveira; Josimar Gomes da Silva; JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais; Kolovec do Brasil Distrib. Prods. Químicos Ltda; Kolovec Trading Sociedade Anonima; Lima & Pergher Ind. Com. Repres. S/A; Luiz Gustavo Paternostro; Marco Roberto do Carmo; Maria José Fernandes Priante;. PNE Negócios Esportivos e Repres. Eireli; Renata Paternostro; Sérgio Luiz Battaglin; Son Servicos Administrativos Eireli; Sonia Maria Ribeiro da Silva Oliveira; Synthese Particip. e Empreend. Ltda; Valebrasil Empreend. Imobil. Particip. Assesos. Empresarial Ltda; Valesp Serviços Administrativos Eireli; Valezan Overseas Corp. Ciente da autuação, o interessado/ contribuinte e os responsáveis, apresentam IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA, alegando em síntese: Fl. 4537DF CARF MF 4 A) Impugnação apresentada por CPA Distribuidora de Produtos Industriais Eirele – apresentada em 06/09/2017 fls. 3.763/3.781: 1. Da Decadência: Suscitou que “os tributos, cujos fatos geradores ocorreram entre janeiro e julho de 2012, teriam sido alcançados pela decadência, uma vez que possuem apuração mensal e a empresa teria recolhido os respectivos tributos. Portanto, submeterseiam, ao regime de lançamento por homologação, por terem apuração mensal. Ressaltou que apresentou suas declarações no prazo regulamentar, recolhendo tributos no período objeto da decadência, portanto, a apuração, o lançamento e o pagamento do imposto ocorreram mensalmente, devendo a decadência ser calculada da ocorrência do fato gerador, como estabeleceria expressamente o § 4° do artigo 150 e inciso V do artigo 156do Código Tributário Nacional. Citou entendimento doutrinário e julgado do STJ”. 2. Da Prova Ilícita. Argumentou que “a fiscalização apresentou os dados dados bancários tirados sem qualquer formalidade, trazendo aos autos informações de pessoas e empresas que não compõem o presente processo, bem como arrastando por meio desses documentos ilícitos dezenas de pessoas jurídicas para o pólo passivo da obrigação tributária, o que teria provocado a eventual prática de crime (quebra de sigilo bancário) previsto nos artigos 10 e 11 da Lei Complementar nº 105/2001. Segundo a impugnante, tais provas foram obtidas ilegalmente, quando a autoridade fiscal oficiou às instituições financeiras para que informassem para quem foram depositados valores sacados nas contas correntes da impugnante, porquanto tal beneficiário não teve o seu sigilo afastado por nenhum procedimento fiscal específico. Além disso, assevera que, nos termos do inciso XII da Constituição Federal, o sigilo somente pode ser quebrado por ordem judicial”. (...) Portanto, “requer que os documentos fiscais e os demais que se refiram a sigilo e estejam no presente processo, sem observância da lei, devam ser reconhecidos como prova ilícita e serem excluídos do processo”. 3. Da ilegalidade do arbitramento da base de cálculo do IRPJ: (i) Sustentou que “em virtude de ser conhecida a movimentação comercial da empresa, as quais coincidiriam com as declarações da empresa, bem como os documentos já fornecidos em outros períodos de fiscalização, teria comprovado a sua movimentação fiscal, tanto pelas notas de compra e venda, quanto pela respectiva conciliação bancária com os extratos obtidos pela fiscalização”. Salientou a impugnante que “a auditoria fiscal deveria ter buscado a verdade material e não apenas penalizar o contribuinte, observando o que dispõe o artigo 3º do Código Tributário Nacional, uma vez que o arbitramento do lucro não poderia servir de penalização em virtude de a empresa ter deixado de entregar algum documento e, além disso, haver à disposição do fisco elementos suficientes para comprovação de sua movimentação fiscal. (ii) Dessa forma, acredita que, “em virtude do fisco ter conhecimento da base tributável exata da impugnante, teria ocorrido excesso de exação ao imputar o lucro Fl. 4538DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.537 5 arbitrado sobre o faturamento da empresa. Solicitou que fosse determinado o refazimento do trabalho fiscal, com a exclusão de todas as operações comerciais devidamente comprovadas nos autos (97%) da base de cálculo do imposto, as quais em conjunto com as vendas informadas pela impugnante demonstrariam que a empresa não auferiu o correspondente ao lucro arbitrado. Após citar entendimento doutrinários, argumentou que o fisco não pode agir fora das limitações legais devido a sua atividade vinculada, nos termos do artigo 37 da Constituição Federal, de forma que as presunções que foram levadas a efeito no presente processo teriam sido tiradas de premissa mais desfavorável ao contribuinte, o que os preceitos contidos no artigo 112 do Código Tributário Nacional”. 4. Dos lançamento dos reflexos. Em virtude do que suscitou no julgamento do Imposto de Renda, arguiu que “as demais contribuições estariam maculadas pelas nulidades, devido aos questionamentos sobre a indevida utilização da base de calcula presumida e à tributação arbitrada”. 5. Da multa qualificada e agravada. (i) Argumentou que “não houve nenhuma manobra por parte do contribuinte com intuito de bular o fisco, uma vez que a empresa teria apresentado todos os documentos que possuía e as declarações necessárias para a sua verificação e que o próprio fisco baseouse nas declarações da empresa para arbitrar os tributos lançados, de forma que não teria restado caraterizado o intuito de fraude, o que tornaria incabível a multa qualificada. Citou julgados e súmula 14 do CARF”. (ii) Acrescentou que “também seria improcedente o agravamento da multa pelo não atendimento da intimação, pois considera que não houve qualquer prejuízo à fiscalização e a lavratura do auto se deu em razão das Próprias Notas Fiscais fornecidas pela impugnante. Arguiu que a falta de apresentação de livros e documentos de escrituração não justificariam, por si só, o agravamento da multa de ofício, quando essa omissão tiver motivado o arbitramento dos lucros, de forma que solicita, em caso de remanescer crédito fiscal a ser exigido, que a multa não seja qualificada, nem agravada”. Cita julgados do CARF e das DRJ. B) Da impugnação apresentada por Luiz Otávio Paternostro em 26/07/2017 – fls. 3.655/3.679: 1. Da alegação de que Benedito Antônio De Oliveira, Sócio Administrador da Cpa, não seria "Testa De Ferro" de Terceiros. Suscitou o impugnante que “a premissa inicial da autoridade fiscal, de que o seu sócioadministrador, Sr. Benedito Antônio de Oliveira, seria um "testa de ferro” não possui motivação e tampouco provas. Ademais, argumentou que, no Termo de Constatação Fiscal, a prova dos autos apontaria para Benedito como uma pessoa que se Fl. 4539DF CARF MF 6 relacionava diretamente com o contador de sua empresa, uma vez que ele era o próprio destinatário das quantias sacadas em espécie da conta corrente da empresa, as quais ocorriam conforme a sua determinação e que ele também administrava sua vida pessoal, emprestando e contraindo empréstimo conforme suas necessidades”. 2. Da alegação de que as empresas de Luiz Otávio Paternostro não integram o "Grupo Econômico JP", nem foram incluídas como responsáveis solidárias conjuntamente com a CPA. Asseverou que “o impugnante era um empresário que matinha relações comerciais legítimas de compra e venda de mercadorias com a CPA em 2012, principalmente por meio de suas empresas PATER TRADING e MPA COMERCIAL. Ponderou que a fiscalização evidenciou que BENEDITO não declarava ao Fisco 100% daquilo que a CPA faturava e essa forma de gerir o negócio, a qual não era adotada pelo Impugnante em relação as suas empresas, o que seria comprovado pela exclusão das empresas PATER TRADING, MPA COMÉRCIO e TREVI do rol de responsáveis solidários, acarretou uma confusão entre os negócios da CPA e os negócios pessoais de BENEDITO, daí resultando pagamentos da CPA em favor de um conjunto de pessoas físicas e jurídicas, muitas das quais terminaram sendo arroladas como devedoras solidárias daquela empresa, sem qualquer relação demonstrada entre elas e os fatos geradores”. 3. Dos comentários acerca do Termo De Verificação Fiscal. Asseverou que “a CPA efetuou pagamentos expressivos a diversas pessoas que não tem qualquer relação com o Impugnante, como por exemplo, no valor de R$ 1.017.880,00 (fls. 21), pois ele era um empresário cujas empresas tinham negócios regulares com a CPA e que poderia, em razão disso, receber da CPA valores que não fossem desproporcionais ao porte da relação comercial existente. No entanto, a fiscalização não empreendeu nenhum esforço para desvendar qual a relação dessa pessoa com o BENEDITO ou a CPA (fls. 5 do Termo de Constatação). Quanto ao destaque dado no TVF, fl 28, ao elevado quantitativo de cheques da CPA pagos em dinheiro pelo Banco Itaú (R$ 7,6milhões), indicou como resposta a leitura do depoimento do motoboy, colhido pela fiscalização e referido às fls. 35 do referido Termo. Argumentou que em agosto de 2012, razoável volume de negócios LEGÍTIMOS, por meio das empresas PATER TRADING e MPA, a CPA presenteou o Impugnante com uma viagem ao Chile, cortesia comum mundo empresarial (fls. 31 do TVF) Relatou que o Impugnante sofreu um acidente sério ao escorregar em um caminho coberto de neve, bateu a cabeça e ficou desacordado por cerca de dois dias, tendo como conseqüência fratura na coluna cervical e três convulsões cerebrais, tendo sido proibido pelo neurologista a submissão à pressurização parcial de aviões comerciais. Dessa feita, a remoção de urgência para o Brasil, precisou ser feita por avião fretado, que voa em menor altitude, a qual foi paga por Benedito, num ato de extremo cavalheirismo, o qual enviou às suas expensas um avião para resgatar o Impgnante no montante de R$ 84.500,00, relacionada às fls. 29 e referidas ás fls. 30 do TVF. Fl. 4540DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.538 7 4. Da inclusão indevida da empresa PNE no rol de responsável solidários da CPA. Argumentou que “a inclusão da empresa PNE no denominado "Grupo Econômico JP" em razão de uma movimentação mínima de recursos (inferior a R$ 30.000,00), destoa do critério de exclusão que o AFRFB autuante utilizou no auto de infração, pois Charlene Laura Hirt Coltro recebeu R$ 155.000,00 da CPA sem causa conhecida, e nem por isso foi alçada à condição de devedora solidária da CPA (fls. 32 do termo de verificação). 5. Da ausência de participação do impugnante na elaboração dos fatos Geradores. Pontuou que “somente foram demonstrados pela autoridade fiscal pagamento de pequeno volume se comparados à responsabilização solidária almejada (crédito tributário total da CPA de R$ 87.669.736,32)”. Citou julgados STJ. Asseverou que “ a responsabilização solidária guerreada baseiase apenas interesse econômico e, mesmo assim, em um interesse econômico ínfimo em relação ao crédito tributário do devedor principal: R$ 113.798,00 apontados nas fls. 07/09 do TVF contra um crédito tributário total da CPA de R$ 87.669.736,32”. 6. Argumentou que “não há uma única evidencia nos autos de que o Impugnante dirigisse ou interferisse na gestão da CPA. Aduz que a afirmação de que BENEDITO seria um testa de ferro carece de provas e contrária à prova dos autos. Ademais as empresas do Impugnante, PATER TRADING, MPA e TREVI mantiveram em 2012 operações LEGÍTIMAS coma CPA, o que poderia ser constatado pela sua não inclusão "GRUPO ECONÔMICO JP", ao menos como devedoras solidárias”. 7. Das considerações jurídicas não caracterização da solidariedade tributária: Ressalta que “seria um absurdo a utilizar o artigo 124, I, do CTN para fundamentar a autuação, porque as empresas do Impugnante fizeram negócios legítimos com a CPA, com conteúdo econômico real, pois a PATER TRADING, a MPA COMERCIAL a TREVI não foram incluídas como solidárias da exação principal. Entretanto, argumentou que conforme tal dispositivo, a configuração do interesse comum depende de requisito específico, qual seja, "situação que constitua o fato gerador da obrigação principal", pois seria imprescindível que a responsável solidária tenha contribuído para a geração da obrigação de recolhimento do tributo, o que não restou comprovado no auto de infração”. 8. Citou entendimento doutrinário e julgados de DRJ. Acrescenta que “caberia ao Fisco o ônus de demonstrar que o Impugnante teria efetivamente participado da realização do fato gerador, uma vez que a sujeição passiva tributária subordinarseia ao princípio da legalidade estrita, devendo respeitar as condições contidas no artigos 124, I c/c 121 do CTN. Aduz que as declarações da autoridade fiscal não gozam de presunção de legalidade e que o artigo 90, caput, do Decreto 70.235/19729 determina que a autoridade fiscal produza provas contra Fl. 4541DF CARF MF 8 o administrado, para exigir crédito tributário ou para penalizálo, não existindo fé pública em sua declaração. Cita precedente do CARF, no qual restaria evidente que a autuação de um contribuinte como devedor solidário dependeria da inequívoca demonstração probatória de que ele exerceria o controle operacional de todas as transações comerciais efetuadas pela sociedade empresária autuada”. C) Da impugnação apresentada por Luiz Gustavo Paternostro em 12/07/2017 – fls. 3.129/3.149: 1. Da nulidade do auto de infração ante a ausência de motivação. Argumentou que “a fiscalização não teceu sequer uma linha para explicar a motivação que levou a imputação da conduta ilícita ao impugnante, de forma que o Termo de Responsabilidade Tributária carece de demonstração de vinculo e relação entre as partes, não tendo sido apontada qual seria a ilegalidade de fato de Luiz Gustavo, somente que seria filho do Luiz Otávio. Salienta que seria necessário indicar a participação do lmpugnante nos fatos que deram ensejo aos tributos exigidos, de modo a se aplicar o artigo 124 do CTN”. Quanto ao artigo 135, “seria necessário que se explicasse se o Impugnante seria sócio ou dirigente da CPA, o que o TVF claramente afirma não ser. Acrescenta que o valor de R$ 20.000,00 de fato existiu em 2012 e que, se esse seria o motivo pra se exigir imposto de R$ 87 milhões, não haveria motivação para o ano de 2013, violando o artigo 142 do Código Tributário Nacional e artigos 59 do Decreto 70.235/1972: Suscita que sem a Fiscalização indicar qual seria o ilícito praticado ou qual seria a conduta ilegal que justifica a imputação da responsabilidade solidária não seria possível a elaboração de defesa, incorrendo em expressa nulidade, conforme se depreende do art. 50, I, da Lei 9.784/99”. Cita entendimentos doutrinários. 2. Assevera que “seria incontroverso nos autos o Impugnante não ocupa e nem nunca ocupou cargo algum na empresa autuada, dessa forma não haveria como ser sujeito passivo de uma relação que não fez parte ou não praticou qualquer ato. Portanto, não poderia ser responsabilizado solidariamente com base no artigo 124, I ou 135, III do CTN, uma vez que seria necessário comprovar interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, bem como a ação com excesso de poderes ou infração à lei ou estatuto. No entanto, deveria ocupar cargo de diretor, gerente ou representante da empresa”. D) Da impugnação apresentada por Renata Paternostro em 12/07/2017 – fls. 3.160/3.179: Produziu a impugnante alegações idênticas a Luiz Gustavo Paternostro. E) Da impugnação apresentada por Synthese Particip. e Empreend. Ltda em 12/07/2017 – fls. 3.081/3.102: Produziu a impugnante alegações idênticas a Luiz Gustavo Paternostro. Fl. 4542DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.539 9 F) Da Impugnação apresentada por Jason Paulo de Oliveira em 11/07/2017 – fls. 3.004/3.019: 1. Ponderou o impugnante que “por corretor de mercadorias que transaciona com uma diversidade grande de empresas, realiza contratações comerciais e contatos negociais, exerce sua função em todo território nacional e até internacional. Asseverou que fiscalização afirmou que ele seria um dos beneficiários dos tributos lançados em face da fiscalizada CPA, apurados por arbitramento nos anos de 2012 e 2013. No entanto, teria utilizado argumentos que se referem ao ano de 2010, fatos que já teriam sido analisados em outro processo administrativo fiscal, no qual a Delegacia de Julgamento teria afastado a responsabilidade dele por não entender provado o interesse comum e a prática de atos ilícitos”. 2. Acrescentou que todos “os pagamentos realizados teriam sido devidamente escriturados nos livros fiscais da empresa fiscalizada, não havendo qualquer omissão fiscal ou ato simulado a acobertar a legítima relação jurídica. Ressaltou que no ano de 2012, consta em sua declaração o valor de R$ 9.200,00 declarado por ele como recebido da empresa fiscalizada CPA. 3. Quanto à afirmação da fiscalização de que houve pagamentos de despesas pessoais dele e familiares, dentre outros, efetuados com recursos provenientes da empresa CPA no decorrer do ano 2012, argumentou que “esta informação estaria desacompanhada de provas. Argumentou que a teoria do abuso da personalidade jurídica autorizadora da desconsideração (art. 50 CC) não se aplica ao Impugnante, uma vez que não era sócio da empresa CPA, muito menos se apropriou de qualquer patrimônio daquela empresa”. 4. Apresentou entendimento doutrinário, decisão do CARF e julgado do STJ. G) Da Impugnação apresentada por PNE Negócios Esportivos e Repres. Eireli em 12/07/2017 – fls. 3.472/3.528: 1. Argumentou a Impugnante que “ainda não teve acesso aos documentos anexos ao auto de infração (somente ao texto do auto de infração), dentre os quais estariam aqueles que comprovariam as afirmações neles inseridas pela autoridade fiscal, de forma que necessitará complementar esta impugnação no prazo de até trinta dias, contado da data em que puder acessálos. Asseverou que o fato de a Impugnante ser estabelecida em imóvel locado pela empresa FEMAR, e sublocado a ela, em nada atesta sua responsabilidade tributária solidária para com uma terceira empresa (CPA), uma vez que tal sublocação se deu de forma regular, conforme contrato de sublocação (Anexo I). Ademais acrescentou que tal sublocação, além de não contribuir em nada para a demonstração de alguma vinculação da Fl. 4543DF CARF MF 10 PNE aos fatos geradores dos créditos tributários lançados contra a devedora principal (CPA), ocorreu no segundo semestre de 2014, muito depois do período fiscalizado (2012)”. 2. Aduziu que “mesmo que a PNE tenha sido beneficiada por esses pagamentos (valor total de R$ 24.823,00), isso não conduziria à conclusão de que a empresa tenha participado da elaboração dos fatos geradores do crédito tributário de R$ 87.669.736,32 lançado contra a devedora principal”. 3. Citou julgado do STJ quanto ao tema. 4. Argumenta que “cai por terra qualquer tentativa de caracterizar uma "confusão patrimonial" entre a devedora principal e a Impugnante, dada a disparidade de números, onde aquilo que se atribui de benefício à Impugnante representa menos de 0,03%. Ressalta que a conclusão do capítulo dedicado à PNE no Termo de Responsabilidade Tributária, às fls. 46, está ERRADA, pois a PNE não teria efetuado crédito algum em favor da CPA e não pode ser considerada devedora tributária solidária em relação aos tributos cujos fatos geradores foram esses créditos”. 5. Ressaltou que “a Impugnante não figurou em nenhuma das listas apresentadas pelas instituições financeiras, em resposta aos ofícios enviados pela Fiscalização, como beneficiária dos recursos omitidos e desviados para outras empresas pela CPA (fls. 14, 17 e 27)”. 6. Ponderou que “a PNE também não teve seu nome anotado no cartão de assinaturas para abertura de conta corrente da CPA (fl. 12 do TVF), restando demonstrado, pelas informações prestadas pelas instituições financeiras, que a PNE não participou da cadeiade movimentação financeira referente as receitas omitidas pela CPA, inexistindo qualquer relação ou nexo de causalidade entre a Impugnante e a sonegação de tributos atribuída à devedora principal”. 7. Acrescentou que “pelos depoimentos do contador da CPA, o contato com aquela empresa se dava diretamente por meio do Sr. Benedito, o que reforçaria a inexistência de justa causa para atribuir a terceiros a responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados”. 8. Considerações Jurídicas Não Caracterização da Solidariedade Tributária. Neste item o impugnante suscitou alegações idênticas a Luiz Otavio Paternostro. H) Da Impugnação apresentada por JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais em 11/08/2017 – fls. 3.710/3.718: 1. Aduz o impugnante “em virtude da interrupção de suas atividades em 2013, bem como de seria situação econômicofinanceira, de maneira que se encontra sem condições de contratar profissionais”. Fl. 4544DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.540 11 2. Aduz que “o acesso digital aos autos dos processos administrativos 19515.720506/201713 e 19515.720509/201757, bem como aos documentos que são referidos nos Relatórios Fiscais, especialmente aqueles que se referem a sua pessoa e à da pessoa jurídica de que é sócio e serviram de fundamento para a imputação de responsabilidade administrativa solidária”. 3. No mérito, argüiu: “Que em 2012 e 2013 não era mais sócio da empresa CPA, nem direta nem indiretamente, razão pela qual não tem responsabilidade sobre fatos geradores de tal período”; 4. “Que nega ter participado, direta ou indiretamente, de qualquer atividade conjunta com a CPA, a não ser regulares negócios de venda e compra de mercadorias que circularam, foram entregues e pagas, como de direito”; 5. “Que não praticou qualquer ato em colaboração com a empresa CPA, nem com o respectivo administrador, Benedito Oliveira, que pudesse ser causa da imputação de responsabilidade solidária que lhe foi atribuída” 6. “Que não tem com a empresa lançada qualquer relação, de fato ou de direito, sequer é integrante de grupo de fato ou de direito como alega a fiscalização, devendo ser excluído dos autos de infração”. I) Da Conjunta Impugnação Administrativa apresentada por de KOLOVEC DO BRASIL DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS QUÍMICOS LTDA, SÉRGIO LUIZ BATTAGLIN, KOLOVEC TRADING SOCIEDADE ANÔNIMA e JOÃO PAULO DE OLIVEIRA em 11/07/2017 – fls. 3.532/3.549: 1. Suscitou que “a fiscalização considerou responsabilidade tributária todo tipo de relação pessoal ou profissional com a empresa autuada ou mesmo sem relação nenhuma, criando um alargamento da via de responsabilização tributária infinita. Considerando que o lançamento fiscal se refere a falta de apresentação de documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos fiscais na escrituração da autuada CPA, relativamente aos anos de 2012 e 2103, argúem os impugnantes que estes não são responsáveis pela guarda ou controle do acervo fiscal da autuada”. 2. Asseverou que “a fiscalização não trouxe nenhuma nota fiscal emitida pela autuada em favor da KOLOVEC do BRASIL demonstrando que a mesma tenha se beneficiado dos tributos lançado (interesse comum)”; 3. Aduziu que “a alegação de confusão patrimonial e abuso de personalidade jurídica está colocada nos presentes autos em desacordo com as provas, pois não há a indicação nos autos de qual o Fl. 4545DF CARF MF 12 patrimônio da autuada foi desviado para a KOLOVEC DO BRASIL a ponto de caracterizar tal confusão patrimonial”. 4. Argüiu que” a transferência de cerca de R$ 41 mil reais para um suposto empregado da KOLOVEC DO BRASIL não teria nenhuma relação com o IRPJ, PIS, COFINS e CSLL lançados, nem tampouco com os impugnantes, por se tratar de uma relação entre pessoas distintas da obrigação tributária”. 5. Pontuou que, “além de o fisco não descrever nenhuma operação entre a autuada CPA e a KOLOVEC do BRASIL no período da autuação, as faltas de apresentação de documentos identificadas se referem ao ano de 2010, Conforme destaque no TVF”. 6. Afirmou que “o fato de João Paulo ter recebido R$ 9.000,00 da CPA não o vincularia a uma obrigação tributária de R$ 87 milhões. Argumentou que a autoridade fiscal pretendeu criar uma figura jurídica contrária a Lei, a responsabilidade das pessoas jurídicas por atos praticados por seus sócios em outras empresas, o que não existiria na legislação. 7. Afirmou que “o impugnante SÉRGIO BATTAGLIN não participou da administração da autuada CPA e tampouco estaria em seu contrato social, nem exerceu poder que pudesse contrariar a lei, sendo sócio legítimo da KOLOVEC do BRASIL, cuja argumentação da fiscalização de simulação, estaria desacompanha de provas”. 8. Informou que “esse último somente entrou na sociedade em 2011, em contrapartida às pessoas ouvidas, as quais reportaram fatos ocorridos até 2010. 9. Quanto à impugnante KOLOVEC TRADING, essa é sócia da empresa KOLOVEC do BRASIL desde 2004 e não participa da administração autuada e não teve nenhuma relação empresarial ou pessoal com ela”. 10. Quanto ao impugnante “JOÃO PAULO DE OLIVEIRA, argumentou que esse não recebeu nenhum valor da autuada CPA, sendo que sua atividade se restringe à representação da empresa estrangeira, não participando da administração da KOLOVEC DO BRASIL e que o fisco teria utilizado a procuração como fundamento de responsabilização”. 11. No Mérito suscitou que “o lançamento teria sido efetuado contra parte ilegítima para figurar no polo passivo da obrigação tributária, porque não participou da regra matriz de incidência tributária, sendo, a presunção fiscal desvinculada das provas produzidas no presente processo, uma vez que não haveria qualquer comprovação de dano ao erário nos exatos termos descritos na peça acusatória, pois não teria havido proveito da impugnante que ensejasse a aplicação do artigo 124, l do CTN”. Fl. 4546DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.541 13 J) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR VALEBRASIL EMPREEND. IMOBIL. PARTICIP. ASSESSO. EMPRESARIAL LTDA e JOSE PAULO DE OLIVEIRA em 12/07/2017 – fls. 3.299/3.305: 1. Argumentaram os impugnantes que “o método utilizado pela fiscalização para impor responsabilidade a 26 (vinte e seis) pessoas, além da autuada, foi relatar fatos regulares, descritos no contrato social da VALEBRASIL, registrado na JUCESP e de conhecimento público, mesclados com presunções. Asseverou que o relatório fiscal afirma que a empresa VALEBRASIL foi verificada em processo de fiscalização de outra empresa, a FEMAR, fls. 58, fatos que reportariam aos anos de 2011 e 2014, portanto, sem correlação com os lançamentos referentes aos anos de 2012 e 2013”. 2. Acrescentou que “os demais fatos enumerados pela fiscalização procuraram colocar em dúvida a titularidade da empresa por parte do impugnante JOSÉ PAULO, fazendo referências a contadores que seriam os mesmos de outras empresas fiscalizadas, e relações familiares, argumentos que não seriam suficientes para fundamentar uma responsabilização tributária quando as pessoas não têm conexão com a titularidade da empresa autuada, sua administração, ou com os tributos lançados”. 3. Ressaltou que “a única argumentação existente no processo se refere ao fato de JOSÉ PAULO ter recebido o valor de R$ 18.00000 da empresa CPA, valor que a fiscalização acredita que tenha sido com o intuito de integralizar as cotas sócias da empresa VALEBRASIL. No entanto, tais fatos seriam desvinculados da empresa autuada, da sua atividade e dos tributos lançados. Pondera que haveria uma contradição de raciocínios esposada pela fiscalização, pois em um ponto destaca que a condição de sócio do impugnante JOSÉ PAULO seria uma ficção jurídica, um ato simulado, em outro momento alega que ele seria responsável porque administraria a empresa VALEBRASIL e, assim, os atos seriam de sua responsabilidade”. 4. Afirmam que JOSÉ PAULO “é administrador da VALEBRASIL, uma vez a fiscalização tem efetuado várias intimações e recebido os documentos legítimos e regulares, tendo inclusive visitado a sede da VALEBRASIL e entregue documentos nas mãos de seu sócio administrador JOSÉ PAULO”. 5. Concluiu que “não haveria fundamentos nos fatos relatados pela fiscalização para aplicação dos artigos 124, I e 135, III do CTN, pois seria necessário que as partes tivessem concorrido para a consecução do fato gerador, uma vez que a caracterização da solidariedade por interesse comum na situação que constitui o fato gerador exige ademonstração de que os sujeitos passivos praticaram conjuntamente o fato jurídico tributário ou desfrutaram de seus resultados”. 6. Quanto à transferência de responsabilidade nos termos do inciso III, do artigo 35 do CTN, salienta que “os impugnantes não exercem Fl. 4547DF CARF MF 14 nenhum cargo ou função na empresa autuada, não alteraram seu estatuto social, muito menos desrespeitaram a lei, não havendo como fundamentar a aplicação do referido artigo”. K) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR GUILHERME CARVALHO COSTA EM 11/07/2017 – FLS. 3.3317/3.327: 1. Argumentou o impugnante que, “conforme informado pela fiscalização, declarou regularmente suas declarações de IRPF, nas competências de 2008 a 2013, suas movimentações patrimoniais realizadas nas competências respectivas, bem como os rendimentos percebidos”. 2. Asseverou que “tais valores não foram pagos ao ele, tampouco depositados em sua conta corrente e sua resposta não foi a declarada pela Fiscalização, mas sim que os saques foram feitos por conta e ordem de Benedito. De fato, como constante da contabilidade da empresa, tais valores destinaramse a pagamento de fornecedores da própria empresa e não do impugnante. Requereu a apresentação dos mencionados cheques a fim de demonstrar que não houve qualquer depósito na contacorrente do Contribuinte como declarado no relatório da Fiscalização”. 3. Assevera que o impugnante “é tio de RENATA PATERNOSTRO e, de fato, na ocasião, por solicitação de sua sobrinha, que mantinha residência no Rio de Janeiro, mas em virtude de atividades profissionais em São Paulo desejava uma residência alternativa nesta Capital, verificou quem prestava serviços de segurança na rua da casa que fora alugada e contribuiu na contratação de tal profissional autônomo”. 4. Ressaltou que não há nenhuma relação de Guilherme com a CPA, pois os seus atos quando era sócio da FEMAR são lícitos e regulares, as declarações fiscais são regulares e aceitas pela RFB e o fato de ser tio de Renata Paternostro seria igualmente lícito”. 5. Em respeito ao contraditório e ampla defesa do Impugnante, requereu “que a apresentação de todos os documentos em que a Fiscalização fez referencia a ele, especialmente os documentos bancários, termos de intimação, comprovantes de entrega e respectivas respostas, sob pena de caracterizarse a hipótese do art. 59, inc. II, do Decreto 70.235/72”; 6. Solicitou sua exclusão da responsabilização solidária em virtude de falta de fundamento, uma vez que não haveria qualquer beneficio, abuso ou ilegalidade que o justifique”. L) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR DE ANDRÉ LIRA DA SILVA EM 03/08/2017 – FLS 3.649/3.651: Produziu o impugnante alegações idênticas a JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais EIRELI. Fl. 4548DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.542 15 M) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR EDMUNDO JOSÉ FERNANDES PRIANTE E MARIA JOSÉ FERNANDES PRIANTE EM 11/07/2017 – FLS. 3.217/3.228: 1. Preliminar de matéria processual administrativa. Asseverou que “em virtude de a intimação ter sido realizada por correio e que na correspondência recebida constava Compact Disc, no qual não constava nenhum documento dos mencionados nos relatórios fiscais, em específico aqueles nos quais a fiscalização se baseou para atribuir responsabilidade ao impugnante, em respeito ao direito à ampla defesa e ao contraditório, solicitou que fossem apresentados tais documentos de maneira a possibilitar a específica defesa, sem o que o presente processo remanesceria com grave nulidade”. 2. Da matéria de Ordem Pública – nulidade formal. Considerando que “a atividade fiscal é plenamente vinculada, inexistindo espaço para atuações sem base legal, Constituição Federal (art. 37) e Código Tributário Nacional (art. 147a imputação de responsabilidade teria ocorrido ao arrepio da lei, pois nada fizeram ou praticaram os Impugnantes, ou deixaram de praticar quando legalmente obrigados, que os vinculasse e/ou relacionasse com o fato gerador do lançado contra a empresa CPA, devendo o Auto de Infração ser considerado formalmente nulo, bem como improcedente quanto à imputação de responsabilidade de terceira pessoa. 3. Do erro de capitulação legal do ato Administrativo. Considerando que “nenhum interesse dos Impugnantes há no fato gerador dos tributos lançados, não haveria fato narrado que se subsumisse à hipótese legal do art. 124, o que redunda na nulidade e improcedência do auto. Quanto à hipótese do art. 135 do CTN, também não seria cabível, uma vez que se trata de hipótese de direta responsabilidade do terceiro, de caráter pessoal, sujeita à condicionante fática constante do caput e que recai sobre pessoa com vínculo societário com a contribuinte originária. 4. Asseverou que “não praticou o ato omissivo que gerou o lançamento tributário, pois não haveria qualquer descrição fática que implicasse a Impugnante em relação à contribuinte autuada FEMAR, nem descrição de ato ou omissão da Impugnante que tenha sido ilícito, nem liame, direto ou indireto, que atribua pessoal responsabilidade desta quanto ao fato considerado no lançamento”. 5. Citou julgado do STF. 6. Quanto à impugnante “Maria José, essa teria sido sócia efetivamente da empresa FEMAR depois de adquirir cotas, retirandose após transferir tais cotas, nada havendo de ilegal ou simulado”. 7. No mérito, alegaram conjuntamente, que “se defendem com relação a divida tributária de terceira empresa, a qual desconhecem, nunca fizeram parte, nem participaram indiretamente, de maneira que são Fl. 4549DF CARF MF 16 estranhos à relação tributária que originou o lançamento, uma vez que não praticaram qualquer ato relacionado ao fato gerador dos tributos lançados, nem fazem parte do alegado grupo de fato, tanto porque desconhecem a empresa lançada e seus sócios e, tampouco, não haveria descrição fática que fundamentasse sua responsabilização”. N) DA IMPUGNAÇAO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR JOSIMAR GOMES DA SILVA EM 11/07/2017 fls. 3.023/3.031: 1. Pontuou o impugnante que “ele é procurador perante a Receita Federal do Brasil da empresa VALEZAN desde dezembro de 2014, pessoa jurídica domiciliada no exterior, tendo recebido procuração exclusivamente para os termos do que dispõe a Instrução Normativa RFB n° 1183/2011 (alterado pela IN/RFB n° 1634/2016)”. 2. Asseverou que “a própria fiscalização sepulta sua imputação, quando relatou que Josimar seria o atual representante e procurador da empresa VALEZAN, nos termos da Cláusula I, da Alteração Contratual registrada na JUCESP em 19 de dezembro de 2014, uma vez que a autuação se refere a fatos jurídicos tributários relativos aos anos de 2012 e 2013”. 3. Destacou que “o mandato de procuração que foi "citado" na JUCESP não atribuiu ao impugnante nenhum poder de gerência, administração ou mando perante a empresa VALEBRASIL da qual a empresa estrangeira é sócia, não existindo "interesse comum" a caracterizar a imputação descrita no art. 124, I do CTN”. 4. Portanto, “a responsabilização do impugnante seria ilegal, pois não teria praticado nenhum ato contrário à lei, tampouco tinha interesse nos fatos jurídicos tributários apurados nos anos de 2012 E 2013”. 5. Nas Razões de Direto , produziu mesmas alegações de Valezan Overseas Corp. O) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR LIMA & PERGHER IND. COM. REPRES. S/A EM 12/07/2017 – FLS. 3.334/3.353: 1. Da decadência parcial dos créditos tributários. Neste tópico produziu mesmos argumentos apresentados pela CPA. 2. Da nulidade do termo de responsabilidade tributária erro de capitulação legal. Ressaltou que para “a qualificação da existência do grupo econômico de fato, a longa descrição menciona, entre outros indícios, a coincidência de sócios de mais de uma pessoa jurídica; relações de parentesco entre sócios de várias pessoas jurídicas; indícios de existência de interpostas pessoas; realização de constantes transações entre essas várias pessoas jurídicas; não localização de Fl. 4550DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.543 17 estabelecimentos nos endereços cadastrais indicados; e não cumprimento de obrigações tributárias acessórias”. 3. Entretanto, ressaltou que nenhum dos fatos relatados no Termo de Constatação diz respeito à Impugnante, a qual sequer é mencionada como possível integrante do suposto grupo econômico de fato. Suscita que estão ausentes quaisquer provas de envolvimento da Impugnante em negócios escusos supostamente conduzidos pela CPA e demais pessoas físicas e jurídicas mencionadas no item "1.1" do TRT, valeu se a Fiscalização do emprego de presunção não prevista em lei para sustentar a responsabilização tributária solidária da Impugnante. 4. Do mérito. Afirmou que “a mera leitura do dispositivo (art. 135, III, do CTN) revelaria sua inaplicabilidade ao caso da Impugnante, pois esta não seria diretora, gerente ou representante da CPA, muito menos haveria nos autos do procedimento administrativo qualquer indício ou prova de que tenha exercido poderes nesse sentido ou simples alegação fundamentada de que teria atuado tomando decisões ou influindo na gerência e administração da CPA, menos ainda que os créditos tributários de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS decorreriam de atos praticados pela Impugnante”. 5. Citou entendimentos doutrinários e jurisprudência do STF e do CARF. Ressaltou que não poderia ser possível justificar a imposição de responsabilidade à Impugnante por créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos também em 2013, quando a própria Fiscalização somente alega ter a Impugnante recebido pagamentos da CPA ao longo do ano de 2012. 6. Citou jurisprudência do STJ. 7. Asseverou que “Doutrina e jurisprudência pátrias dissecaram e delimitaram a extensão possível do conceito de "interesse comum", como pressuposto da coobrigação e solidariedade passivas, traduzindoo na coincidência de interesses voltados à concretização do fato que desencadeia a incidência tributária, mas não apenas o interesse coincidente, e, sim, o interesse efetivamente comum entre sujeitos que integram um mesmo polo da relação obrigacional”. 8. Dessa forma, suscita que “a única alegação que faz a Fiscalização contra a Impugnante é de que teria recebido recursos provenientes da CPA, o que, por si só, é incapaz de revelar qualquer relação de "interesse comum" nas situações que constituíram fatos geradores de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS. Aliás, se qualquer pagamento houvesse sido efetuado da CPA para a Impugnante, estas estariam em posições jurídicas evidentemente antagônicas. Seus interesses jurídicos seriam contrapostos, e não comuns”. Fl. 4551DF CARF MF 18 P) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR MARCO ROBERTO DO CARMO EM 11/07/2017 – FLS. 3.190/3.206: 1. Preliminar cerceamento de defesa. O Impugnante “não teve acesso à prova definitiva que teria havido depósito em sua conta corrente de valores provenientes da autuada, nem mesmo o acesso ao link SPLASH inserido no CD dá acesso ao referido documento, o que o fez concluir que restou cerceado do Impugnante documento fundamentador de sua responsabilização, havendo fundado receio que represente prova ilícita, imprestável no presente processo, motivo pelo qual requereu o conhecimento para o fim anular a imputação fiscal de responsabilização”. 2. Asseverou que “não haveria nenhum ato praticado pelo Impugnante na gestão da empresa autuada, tampouco algum ato praticado em interesse comum, que fundamentasse a responsabilidade descrita no art. 124, I do CTN”. Q) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR SON SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EIRELI E SONIA MARIA RIBEIRO DA SILVA OLIVEIRA EM 11/07/2017 – FLS. 3.037/3.3046: 1. Argumentaram que “a fiscalização trouxe fatos ocorridos no ano de 2010, desvinculados do período da presente imputação, sendo irrelevante o que aconteceu. Asseveraram que a empresa SON prestou serviços financeiros à empresa CPA, tudo devidamente documentado em sua responsabilidade e de acordo com as notas fiscais emitidas, como demonstram as notas fiscais exemplificativas em anexo”. 2. “As transações financeiras entre a empresa CPA e a SON estão embasadas em documentos fiscais (notas fiscais e lançamentos contábeis) e se referem a prestação de serviços financeiros, nenhum serviço de cunho administrativo ou contábil foi prestado pela impugnante SON ou sua administradora”. 3. Ressaltou que “a Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Recife através do Acórdão n° 11.56.197 ao analisar esse mesmo relatório efetuado pela mesma equipe fiscal entendeu que não haveria nos autos provas suficientes para a inclusão da Impugnante no rol de responsáveis relativamente a fatos do anocalendário autuado (2010) que poderiam caracterizar interesse comum ou ação com excesso de poderes ou infração a lei, contrato social ou estatutos”. R) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR VALESP SERVIÇOS ADMINISTRATIVOS EIRELI EM 11/07/2017 – FLS 2.982 /3.994: 1. Argumentou a impugnante que “apresentou documentos para a fiscalização, sendo as suas prestações de serviços todas comprovadas em seus lançamentos fiscais e que o fisco informa que ela recebeu valores da empresa CPA, mas não diz quanto nem quando, em virtude de haver prova dessa alegação”. Fl. 4552DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.544 19 2. Acrescentou que “pela assertiva fiscal a empresa foi fundada no ano de 2012, mas só começou a operar no ano de 2013 e que ela está sendo responsabilizada por tributos exigidos em período que sequer existia”. 3. Asseverou que “a escrituração contábil da impugnante não foi em nenhum momento rechaçada pela fiscalização e que a acusação seria que o sócio da Impugnante seria também sócio de fato de outras empresas, mas este fato não teria o condão de atrair a responsabilidade tributária em virtude de ausência de fundamento para o interesse comum ou ato ilícito”. 4. Ponderou que “os fatos tributários objeto do lançamento ocorreram até mesmo antes do início das atividades (e existência) da empresa Impugnante, criando a autoridadefiscal a figura da retroatividade fiscal. Argumentou que responsabilidade tributária seria vinculada à lei – não haveria responsabilidade tributária por presunção, ela sempre deveria ser comprovada pelo ente tributante”. 5. Asseverou que “os argumentos trazidos pela fiscalização não se alinham com os fundamentos destacados, inexistindo prova que a Impugnante tivesse qualquer participação societária na empresa autuada. Portanto, o fisco deveria ter perquirido e demonstrado qual ato comissivo foi praticado pela Impugnante em "interesse comum" (não pelo seu sócio em atos que atraem a responsabilidade pessoal)”. 6. Citou entendimentos doutrinários e decisões do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. 7. Quanto à teoria do abuso da personalidade jurídica, “esta não se aplicaria ao caso, pois a impugnante não era sócio da empresa, muito menos se apropriou de qualquer patrimônio da mesma”. S) DA IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA APRESENTADA POR VALEZAN OVERSEAS CORP EM 10/07/2017 – FLS. 3.372/3.379: 1. Ponderou o impugnante que “os fatos descritos pela fiscalização são alheios à empresa autuada, se referem a período distinto e não se enquadram nos fundamentos jurídicos para a responsabilização tributária”. 2. Alegou “falta de nexo causal ou jurídico entre a existência da impugnante no quadro societário da VALEBRASIL e falta de apresentação de documentos da contabilidade da autuada”. 3. Observa que “a legislação tributária que trata da responsabilização de terceiros só é possível quando haja interesse na obrigação principal, que não é o caso dos presentes autos, porquanto não houve nenhuma relação empresarial entre a impugnante e a autuada, ou que haja a Fl. 4553DF CARF MF 20 prática de um ato ilícito diretamente ligado a obrigação principal, quer seja com excesso de poderes, infração a lei ou contrato social”. 4. Asseverou que “na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, sendo indispensável à configuração do interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal”. 5. Ressaltou que “para a configuração da solidariedade entre empresas coligadas ou do mesmo grupo econômico seria preciso não confundir interesse jurídico comum na situação que constitua o fato gerador de que cuida o inciso I do art. 124 do CTN, com o interesse econômico no resultado que constitui o fato gerador da obrigação tributária”. 6. Argumentou, por fim, “que o fundamento trazido pela fiscalização para imputar solidariedade ao impugnante é improcedente, não havendo qualquer interesse comprovado e que a acusação fiscal se daria por ela SER sócia de empresa e não de fazer algo, conforme descrito na fundamentação, onde consta unicamente a informação de que ela é quotista, não que tenha contribuído por qualquer ato ilícito”. O Acórdão ora Recorrido (0379.041 8ª Turma da DRJ/BSB) recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anoscalendário: 2012, 2013 QUEBRA DE SIGILO. INOCORRÊNCIA. O fornecimento de extratos bancários de contribuintes sob fiscalização à administração tributária é mera transferência de sigilo bancário. ARBITRAMENTO DO LUCRO. CABIMENTO. Sujeitase ao arbitramento de lucro o contribuinte que não possuir escrituração na forma das leis comerciais e fiscais. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. CABIMENTO. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, parágrafo 1º, da Lei nº 9.430/96, quando restar demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase na hipótese tipificada no art. 71, da Lei nº 4.502/64. MULTA AGRAVADA. A falta de apresentação de livros e documentos de escrituração não justifica, por si só, o agravamento da multa de oficio, quando essa omissão motivou o arbitramento dos lucros. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anoscalendário: 2012, 2013. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. A decisão relativa ao auto de infração matriz deve ser igualmente aplicada no julgamento dos autos de infração decorrentes ou reflexos, uma vez que o Fl. 4554DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.545 21 lançamento matriz e reflexos estão apoiados nos mesmos elementos de convicção. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anoscalendário: 2012, 2013. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. A caracterização da responsabilidade solidária pelos créditos tributários lançados pressupõe a comprovação pela Fiscalização da existência de interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal (art. 124, I, do CTN). SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE PESSOAL Os sócios de fato de pessoa jurídica de direito privado são pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos (art. 135, III, do CTN). Impugnação Procedente em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte. Conforme entendimento da turma julgadora, verificouse “a correção do procedimento adotado, à vista da ocorrência de uma das hipóteses as quais autorizam a adoção da referida determinação do lucro, qual seja, de que deixou a contribuinte de apresentar a documentação solicitada para a verificação da real receita de serviços havida, mormente os registros contábeis, pois, além de não ter apresentado os documentos que compuseram a sua escrituração comercial e fiscal, do anocalendário 2012, também não apresentou a DIPJ e a escrituração comercial com os respectivos documentos referentes ao anocalendário 2013, a despeito de ter sido intimada para tanto”. E que “a legislação é clara ao enquadrar a presente hipótese como omissão de receitas, uma vez que, apesar de intimada, a interessada não apresentou os esclarecimentos e documentos solicitados pelo Fisco, cabendo o arbitramento sobre a receita bruta conhecida, no caso, as informações referentes às Notas Fiscais Eletrônicas emitidas pelo próprio contribuinte constantes do SPED NFe”. E que “ao contrario do que defendem os impugnantes, constatase que os fatos descritos e a documentação constante dos autos compõem um conjunto probatório não desconstruído pelas Impugnações apresentadas, pois identificase claramente a atuação dos Impugnantes no contexto da confusão patrimonial indicada pela Autoridade Fiscal, uma vez que ficou evidenciado a utilização de recursos da empresa CPA em seus próprios proveitos, inclusive com pagamento de suas despesas pessoais, fato que de demonstra que os impugnantes seriam os gestores de fato daquela empresa autuada (“donos da empresa”), agindo inclusive com excesso de poderes”. Considerou ainda, que “a fiscalização procurou, por meio da identificação dos pagamentos realizados direta ou indiretamente aos impugnantes, correlacionar os pagamentos realizados pela empresa CPA, a partir da hipótese de existência de um grupo econômico, com alguma relação pessoal ou profissional com aquela empresa autuada, com intuito de demonstrar que haveria um vinculo possível de solidariedade tributária com relação aos créditos tributários constituídos por meio de arbitramento. Ocorre que o simples recebimento de tais pagamentos não teria o condão de colocar tais pessoas físicas e jurídicas Fl. 4555DF CARF MF 22 (impugnantes) no mesmo polo passivo da obrigação tributária, uma vez que não restou demonstrada a participação delas na regra matriz de incidência tributária discutida nos presentes autos (arbitramento)”. Em resumo, decidiu a DRJ (1) Declarar definitiva na esfera administrativa a responsabilidade solidária, em virtude de não apresentação de impugnação, dos responsáveis solidários Benedito Antonio de Oliveira e Femar Rest. Recup. Recomp. Predial Ltda; (2) Declarar definitiva na esfera administrativa a responsabilidade solidária, em virtude de apresentação de impugnação intempestiva, do responsável solidário André Lira da Silva; (3) rejeitar as questões preliminares suscitadas e, no mérito, julgar procedente, em parte, a impugnação apresentada por CPA Distribuidora de Produtos Industriais Eirele, a fim de tão somente afastar a multa agravada, mantendose o crédito tributário lançado. (4) rejeitar as questões preliminares suscitadas e, no mérito, julgar improcedentes as impugnações apresentadas pelos administradores da pessoa jurídica Luiz Otávio Paternostro e Jason Paulo de Oliveira; (5) Julgar procedentes as impugnações apresentadas por Guilherme Carvalho Costa, Edmundo José Fernandes Priante, João Paulo de Oliveira, José Paulo de Oliveira, Josimar Gomes da Silva, JP Distribuidora de Insumos Agroindustriais, Kolovec do Brasil Distrib. Prods. Químicos Ltda, Kolovec Trading Sociedad Anonima, Lima & Pergher Ind. Com. Repres. S/A, Luiz Gustavo Paternostro, Marco Roberto do Carmo, Maria José Fernandes Priante, PNE Negócios Esportivos e Repres. Eireli, Renata Paternostro, Sérgio Luiz Battaglin, Son Servicos Administrativos Eireli, Sonia Maria Ribeiro da Silva Oliveira, Synthese Particip. e Empreend. Ltda, Valebrasil Empreend. Imobil. Particip. Assesos. Empresarial Ltda, Valesp Serviços Administrativos Eireli, Valezan Overseas Corp., excluindoos da condição de responsáveis solidários pelo crédito tributário remanescente. Ciente da decisão do Acórdão os interessados apresentam Recursos Voluntários, trazendo em seu bojo as seguintes razões: A) RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR JASON PAULO DE OLIVEIRA EM 20/04/2018 FLS. 3996/ 4015. Apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO idêntico à impugnação Administrativa às fls. 3004/3019. B) RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR CPA DISTRIBUIDORA DE PRODUTOS INDUSTRIAIS EIRELE EM 24/04/2018 FLS. 4029/4054.Apresentou RECURSO VOLUNTÁRIO idêntico à impugnação Administrativa às fls. 3763/3781. C) RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR FEMAR RESTAURAÇÃO, RECUPERAÇÃO E RECOMPOSIÇÃO PREDIAL LTDA EM 22/04/2018 FLS. 4057/4074, TRAZENDO EM SEU BOJO AS SEGUINTES RAZÔES: 1. DA NULIDADE DA INTIMAÇÃO: Afirma que “a Recorrente ou sua representante legal há época da lavratura do auto de infração não foram notificadas”. Assim, “com efeito, o lançamento tributário só nasce com a legítima notificação do contribuinte, nos temos do artigo 145 do CTN, não existe intimação por aproximação ou tácita. A notificação do lançamento ao administrado é condição de nascimento da obrigação tributária, como já fixou entendimento nossos Tribunais Superiores”. “Não notificar o responsabilizado solidariamente representa não fazer nascer o tributo em relação a ele, e pior, cercear o seu direito à defesa”. Requereuse preliminarmente “a nulidade da intimação por edital, tendo em vista a falta de intimação do sócio administrador da sociedade há época da lavratura do auto de infração”. Fl. 4556DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.546 23 2. O AUTO DE INFRAÇÃO E O TERMO DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA: “A empresa FEMAR foi objeto de ação fiscal sob responsabilidade do AFRF13 que aqui subscreve (TDPF ri° 2015 025348). Portanto, a Fiscalização teve acesso aos extratos bancários da empresa FEMAR e constatou que os valores que lhe foram "pagos/atribuídos" pela aquisição de dois imóveis localizados na cidade de Diadema SP, locais onde está estabelecida a empresa KOLOVEC, mesmo sem comprovar ter recursos próprios para tais aquisições. Num curto espaço de tempo, a empresa FEMAR alienou esses imóveis para as empresas VALEBRASIL e SYNTHESE”. 3. A IMPROCEDÊNCIA DO AUTO DE INFRAÇÃO: Afirma que “esta limitação acerca da imputação da responsabilidade tributária tem fundamento na Constituição Federal e se aplica para assegurar que a cobrança do tributo atenda ao requisito da capacidade contributiva”. (...) Aduz que “não se pode responsabilizar qualquer pessoa pela obrigação tributária, e também não é qualquer tipo de vínculo com o fato gerador que pode gerar a responsabilidade, é preciso que esse vínculo permita a esse terceiro responsável fazer com que o tributo seja recolhido sem onerar a si próprio”. 4. Diz que “o interesse comum na hipótese que configura a ocorrência do fato gerador da obrigação, cuja existência dá ensejo à solidariedade, não é um interesse meramente de fato, mas jurídico, isto é, o interesse que decorre de uma situação jurídica, o que não poderia ocorrer no caso concreto, em virtude da completa inexistência de vínculo entre a Recorrente e a empresa fiscalizada”. 5. Entendem que “a sujeição passiva solidária prevista no artigo 124, I, do CTN, depende da prova inequívoca da efetiva participação do contribuinte solidário nas operações que resultaram a autuação ora combatida”. (...) “Isto é, não basta alegar a existência de interesse comum entre os contribuintes, tal alegação deve vir precedida de provas, o que não ocorreu no caso concreto, até mesmo por impossibilidade material em virtude da inexistência de vínculo entre a Recorrente e a empresa fiscalizada”. 6. Destacouse “acerca do suposto pagamento que o sócio, ora Recorrente, tivesse recebido cheques da empresa fiscalizada, o que se admite de forma estritamente hipotética, que isto não seria o suficiente para responsabilizálo por todo o auto de infração por dois fundamentos”. 7. Afirma que “seria totalmente desproporcional afirmar que a Recorrente teria interesse comum com a empresa fiscalizada em toda a extensão do crédito tributário, de mais de setenta e oito milhões de reais, em virtude de suposto porém inexistente recebimento de cheques pelo sócio, que somam apenas cento e trinta e oito mil reais”. 8. Requereu o acolhimento do Recurso Voluntário interposto para: (i) Reconhecer “a nulidade da intimação por edital, tendo em vista a falta Fl. 4557DF CARF MF 24 de intimação do sócio administrador da sociedade à época da lavratura do auto de infração, com retorno dos autos a DRJ/BSB para que a Recorrente possa exercer o seu direito de defesa”; (ii) Caso este não seja o entendimento, “que seja excluída a responsabilidade solidária da Recorrente, como aconteceu com os demais coobrigados, tendo em vista não ter sido comprovado qualquer benefício com suposto ato ilícito praticado pela contribuinte CPA, bem como por não haver qualquer relação civil, comercial ou societária que se enquadre na hipótese do art. 135, do CTN”. D) RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR LUIZ OTÁVIO PATERNOSTRO EM 27/04/2018 FLS. 4082/4166, TRAZENDO EM SEU BOJO AS SEGUINTES RÃZOES: 1. Preliminarmente — Da Descrição da Relação Comercial entre o Recorrente e a CPA Distribuidora: 2. Afirma que “em razão do grande volume de negócios com esse tipo de produto, a CPA possuía grandes clientes (como os identificados no Anexo IV do Termo de Constatação — fls. 2670), que adquiriam óleos para produção de produtos de limpeza por exemplo, o qual por sua vez era adquirido de pequenos e médios frigoríficos/graxarias e pequenos e médios produtores de óleo de palma (agroindústrias de pequeno e médio porte). E que, “como responsável pela área comercial, o Recorrente possuía grande conhecimento sobre as características de qualidade de cada fornecedor que atuava no mercado, como aspectos relacionados à acidez, cor e pureza, o que lhe permitia identificar qual fornecedor era o mais adequado cada para cada tipo de indústria (por exemplo, as indústrias de alimentos exigem padrão superior de qualidade do que as de limpeza em geral)”. 3. E que “o Recorrente não ofereceu valores à tributação na época, motivo pelo qual o pagamento de tal comissão não foi declarado às autoridades fiscais. A comissão foi paga por diversas formas, tais como as que foram objeto de exposição no Termo de Responsabilidade Tributária (em dinheiro diretamente ao Recorrente ou por meio de pagamento de despesas pessoais)”. 4. CPA Distribuidora de Produtos Industriais: Diz que “a Recorrente não nega o pagamento de parte das despesas acima relacionadas pela Fiscalização com os recursos da CPA, mas nega peremptoriamente a distorcida interpretação feita pela Fiscalização de que o Recorrente (i) seria "sócio de fato" da CPA, por ter recebido recursos desta empresa e (ii) seria o maior beneficiado pelo não pagamento de tributos e contribuições federais. E que “ o Recorrente não ofereceu à tributação os relativos à comissão pactuada com a CPA. Como exposto anteriormente, a comissão foi paga por diversas formas, tais como as que foram objeto de exposição no Termo de Responsabilidade Tributária (em dinheiro diretamente ao Recorrente ou por meio de pagamento de despesas pessoais)”. Fl. 4558DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.547 25 5. Da Análise dos Pagamentos Feitos ao Recorrente pela CPA — Necessária Delimitação dos Valores Envolvidos: Diz que “a Fiscalização não comprovou, como seria de rigor, que parte dos valores recebidos pelas pessoas físicas e jurídicas acima identificadas (em amarelo) decorrem dos pagamentos efetuados ao Recorrente pela CPA, fato este que fragiliza, por completo, o trabalho fiscal”. 6. Da Inexistência do Recorrente com as Demais Empresas Envolvidas (31›, KOLOVEC e FEMAR): Afirma que “o Fisco desincumbiu de provar a sua alegação de que o Recorrente seria também "sócio de fato" da KOLOVEC, pois (i) não expôs, no Termo de Constatação ou no Termo Responsabilidade Tributária, os motivos para chegar a esta conclusão; (ii) sequer cita a KOLOVEC no Termo Responsabilidade Tributária ou (iii) aponta algum valor pago pelo Recorrente à esta empresa com recursos da CPA”. Logo, é totalmente descabida e irresponsável a afirmação de que o Recorrente seria "sócio de fato" desta empresa ou teria se beneficiado do não recolhimento dos tributos com base nas provas e informações de pessoas (físicas ou jurídicas) que transacionaram com a KOLOVEC. Não há, repitase, qualquer afirmação ou prova neste sentido”. (...) Não “há qualquer alegação e muito menos prova/informação nos autos que permita concluir que o Recorrente seria "sócio de fato" da FEMAR ou teria sido, de alguma forma, beneficiado com o não recolhimento dos tributos por parte da CPA, como alegou, inadvertidamente, a Fiscalização”. 7. Da CONCLUSÃO: Inexistência de Provas para Suportar as Acusações Fiscais: Diz que “de acordo com o princípio da segurança jurídica, o tributo só pode ser validamente exigido quando um fato se ajusta rigorosamente à hipótese de incidência tributária. Não se pode considerar ocorrido o fato jurídico tributário por mera ficção ou presunção, isto é, independentemente da efetiva verificação, no mundo fenomênico, dos fatos abstratamente descritos na hipótese de incidência tributária”. Além disso, restou também demonstrado a inexistência de qualquer prova para amparar a desmotivada alegação da Fiscalização de que o Recorrente (i) seria "sócio de fato" das empresas KOLOVEC, FEMAR; (ii) teria algum tipo de envolvimento com a empresa 3P ou (iii) teria se beneficiado com o não pagamento de impostos e contribuições com base em provas ou informações de pessoas físicas ou jurídicas que transacionaram com essas empresas”. 8. a Inexistência de Critério Uniforme por Parte da DRJ para Exclusão dos Devedores Solidários e a Manutenção do Recorrente: Afirma que “restou demonstrado, ao longo deste tópico, (i) a impropriedade da indevida presunção fiscal de que o Recorrente seria "sócio de fato" da CPA; (H) a inexistência de provas para subsidiar as alegações da Fiscalização e (iii) a falta de critério da DR] para a exclusão dos devedores solidários e a manutenção do Recorrente, razão pela qual deve este E. Conselho, também por este motivo, reformar a decisão recorrida e excluir a responsabilidade tributária do Recorrente”. Fl. 4559DF CARF MF 26 9. Da Genérica Alegação de Responsabilidade Tributária por parte da Fiscalização / Da Inexistência de Fundamentação Adequada para a Manutenção do Recorrente no Polo Passivo das Autuações Fiscais / Da Falta de Provas de "Atos de Gestão": Notase, assim, que a Fiscalização, se valeu, mais uma vez, de uma afirmação genérica para culpar todos por tudo, como se todos fossem igualmente responsáveis e na mesma medida. Porém, esta lamentável tentativa de atirar para "todos os lados" não foi tão bemsucedida, pois a própria DR] excluiu 21 solidários" (de um total de 23) do polo passivo das autuações, por entender que não havia um vínculo possível de solidariedade tributária com relação aos créditos tributários constituídos por meio do arbitramento”. 10. “Se as provas fossem realmente contundentes, como faz crer a Turma Julgadora, porque nada foi dito sobre elas? A resposta a esta indagação apenas confirma o quanto exposto pelo Recorrente ao longo deste recurso: PORQUE NÃO EXISTEM PROVAS NOS AUTOS DE QUE O RECORRENTE EXERCEU ALGUM TIPO DE GESTÃO NA EMPRESA AUTUADA PARA SER QUALIFICADO COMO "SÓCIO DE FATO". O que existe é apenas uma presunção de que ele ostentaria esta condição por ter recebido pagamentos direta ou indiretamente da CPA! NADA MAIS!”. 11. Da Inexistência de Confusão Patrimonial (Art. 50 da Lei 10.466/2002): Afirma que “o elemento dolo é indispensável para a sua caracterização. O desvio de finalidade e a confusão patrimonial somente ficarão caracterizados se ficar comprovado aue os sócios praticaram atos dessa natureza com a estrita finalidade de causar danos aos credores da pessoa jurídica. Diante disso, fica claro que, para terse como possível a desconsideração da pessoa jurídica, exige se comprovação de que os sócios das empresas integrantes agiram de maneira dolosa, com a finalidade de prejudicar seus credores”. 12. No presente caso, “não se pode admitir a responsabilização solidária do Recorrente. Isso porque, como já amplamente demonstrado, o Recorrente nunca foi sócio de direito e muito menos "de fato" da CPA", já que não há qualquer prova nos autos que comprove a prática de algum ato de gestão por parte dele. Dessa forma, é totalmente presuntiva a afirmação da Fiscalização de que houve confusão entre o patrimônio da CPA e o patrimônio do Recorrente, já que o pressuposto para a incidência da norma veiculada pelo art. 50 do Código Civil (ser sócio) não existe e não foi comprovado o contrário pela Fiscalização”. 13. Inexistência de Solidariedade (art.124, inciso I do CTN): Afirma que “a única acusação que recai sobre ele diz respeito aos pagamentos feitos direta ou indiretamente ao Recorrente pela CPA! Nada mais! Este fato, entretanto, não guarda qualquer conexão com a prática de atos planejados, coordenados e executados com os demais responsáveis tributários, como inadvertidamente mencionou, mas não comprovou, a Fiscalização. A incongruência desta alegação é tamanha e não resiste a uma análise mais aprofundada. Ora, se todos os solidários agiram de forma coordenada e planejada, na visão da Fl. 4560DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.548 27 Fiscalização, como é possível que 21 deles tenham sido excluídos do polo passivo pela DR] e apenas 02 deles mantidos? Com quem o Recorrente planejou todos os negócios escusos? Que atos foram esses? Mais uma vez, essas perguntas ficam sem resposta”. 14. Ad argumentandum Da Inexistência de Interesse Jurídico do Recorrente: Afirma que “enquanto na hipótese de responsabilidade tributária existe a possibilidade de se atribuir a terceiro o cumprimento da obrigação tributária, por outro lado, no campo da solidariedade por interesse comum (situação pretendida pelo Sr. Agente Fiscal), os tributos somente podem ser cobrados daqueles que praticarem o fato gerador, ou seja, dos contribuintes propriamente ditos, nos casos de pluralidade no campo da sujeição passiva. Vejase, neste mesmo diapasão, o entendimento do E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais ("CARF") a respeito da necessidade de existência da pluralidade de contribuintes, praticando a conduta lícita descrita na regramatriz de incidência tributária (hipótese de incidência ou fato gerador), para a caracterização do artigo 124, inciso I, do CTN”. (...) Que no caso concreto, “a Fiscalização e a DRJ se equivocaram ao estender ao Recorrente, uma "responsabilidade tributária" com base no artigo 124, inciso I, do CTN, que trata de "solidariedade" e somente pode ser aventado nos casos em que o sujeito passivo incorre na prática do fato gerador como contribuinte da obrigação tributária. Por esta razão, a solidariedade deve ser prontamente afastada por este E. CARF”. 15. Da Inexistência de Atos Praticados com Excesso de Poderes ou Infração de Lei, Contrato Social ou Estatutos: Diz que “como é sabido, configurase o excesso de poder quando o administrador, investido dos poderes de gestão da sociedade, vier a praticar algum ato, ainda que em nome da sociedade, mas extrapolando os limites contidos no contrato social. No presente caso, é impossível que o Recorrente tenha excedido o poder da pessoa jurídica (CPA), justamente porque ele nunca deteve poder algum sobre esta sociedade. Como demonstrado ao longo desta peça recursal, o Recorrente nunca assumiu a posição de sócio (seja de direito, seja de fato), pois não há prova alguma nos autos que comprova a existência de atos de gestão dele, mas apenas a acusação rasa de que ele foi beneficiado com os recursos da CPA, o qual não é indício suficiente para supor que ele seria gestor dessa empresa”. 16. Da Nulidade da Modalidade de Arbitramento Realizado em Face dos Fatos Alegados: Diz que “os autos de infração lavrados padecem de outro vício insanável, decorrente da total contradição entre (i) os fundamentos aduzidos para configurar a suposta infração tributária ("pagamentos e recebimentos entre as empresas não possuem justificativa) e (ii) o critério jurídico para apuração da base de cálculo dos tributos (arbitramento com base na "receita bruta conhecida"), devendo ser declarado nulo por este E. Conselho Administrativo também por este ângulo”. Fl. 4561DF CARF MF 28 17. Da inexistência de Fraude / Da Inaplicabilidade da Multa Qualificada: Aduz que “não restou comprovadas condutas e omissões dolosas dos representantes do contribuinte no sentido que preconiza o artigo 71, da Lei 4.502/64, no intuito de impedir o conhecimento, pela autoridade fazendária, do nascimento da obrigação tributária, devendo ser afastada a qualificação da multa”. 18. Da Decadência Parcial do Crédito Tributário: Diz que “com efeito, caso mantida a responsabilidade do Recorrente em face dos autos de infração ora em anáilse, o que se admite apenas a título argumentativo, bem como (i) comprovandose a ocorrência de pagamentos antecipados a título de IRRI, CSLL PIS e COFINS referentes ao anocalendário de 2012; e que (ii) que não foi verificado o dolo na suposta conduta de simulação; requerse a contagem do prazo decadencial nos termos do artigo 150, parágrafo 4° do CTN, com o consequente reconhecimento da decadência para cobrança dos períodos encerrados até 11/08/2012”. 19. Da Ilegalidade da Incidência dos Juros sobre a Multa: Afirma que “os juros calculados com base na taxa Selic não poderão ser exigidos sobre a multa de ofício lançada, por absoluta ausência de previsão legal”. 20. Requereu que seja conhecido e provido o presente Recurso Voluntário, “reformandose a decisão recorrida para determinar o cancelamento do Termo de Responsabilidade Tributária lavrado contra o Recorrente, para que seja excluído do polo passivo do presente processo”. 21. Caso assim não se entenda, requereuse que “os autos sejam baixados em diligência para que seja juntado aos autos o Termo de Intimação no. 0638 e respectiva resposta da empresa RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES LTDA., para que o Recorrente tenha conhecimento de seu conteúdo”. 22. Caso não seja cancelada a responsabilidade tributária do Recorrente, requereuse a reforma da decisão recorrida para que (i) seja declara a consequente nulidade dos autos de infração lavrados, em razão dos vícios materiais apontados pelo Recorrente; ou, caso assim não se entenda, ao menos (H) seja cancelada a multa qualificada exigida de 150%, reconhecida a decadência para os períodos encerrados até 11/08/2012 e a ilegalidade da exigência de juros sobre a multa”. E) RECURSO VOLUNTÁRIO APRESENTADO POR ANDRÉ LIRA DA SILVA EM 07/05/2018 FLS. 4490 /4501, TRAZENDO EM SEU BOJO AS SEGUINTES RÃZOES: 1. Preliminarmente Cerceamento à Defesa: Aduz que “só será realizada a intimação por Edital quando forem impraticáveis as intimações pessoais ou por meio de registro postal”. E que, “essas condições não foram observadas no presente processo, quando se observa que o Fl. 4562DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.549 29 Recorrente já havia sido intimado em seu domicílio por via postal às fls. 1287/1289, sendo do conhecimento da autoridade fiscal que procedeu a intimação ou seja, Rua dos Pacus, 16 Parque do Lago, São Paulo SP. CEP: 04.944.080”. 2. Afirma que “o erro na intimação fica explicito quando se observa que no TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, a autoridade fazendária destaca o endereço correto do Recorrente, ou seja, Rua Pacus, 16: fls. 2918”. 3. Das Razões de mérito: Aduz “que não há nos autos qualquer prova que autorize a imputação de responsabilidade tributária, nos temos do art. 124 ou 135 do CTN, e, caso seja apresentada alguma prova nesse sentido que lhe seja possibilitado o acesso digital, através de Certificado Digital de Pessoa Física (CPF aos autos dos processos administrativos 19515.720506/201713 e 19515.720509/201757, bem como aos documentos que são referidos nos Relatórios Fiscais, especialmente aqueles que se referem a sua pessoa e à da pessoa jurídica de que é sócio e serviram de fundamento para a imputação de responsabilidade administrativa solidária”. 4. “Nega, peremptoriamente, ter participado, direta ou indiretamente, de qualquer atividade conjunta com a CPA, a não ser regulares negócios de venda e compra de mercadorias que circularam, foram entregues e pagas, como de direito”. 5. Afirma que “não praticou qualquer ato em colaboração com a empresa CPA, nem com o respectivo administrador, Benedito Oliveira, que possa ser causa da imputação de responsabilidade solidária que lhe foi atribuída nos PAs já referenciados, não havendo qualquer prova nesse sentido”. 6. Diz que “não mantém relações pessoais ou profissionais com qualquer das outras pessoas físicas ou jurídicas também imputadas nos processos administrativos em questão, pelo que reitera que formula, neste ato, negativa geral quanto aos fatos considerados pela fiscalização como causas da imputação administrativa ora atacada, fatos tais que ficam contraditados, ficando declarado, em definitivo, que discorda completamente com a imputação de responsabilidade solidária a sua pessoa por dívida de responsabilidade de terceira empresa, uma vez que não tem com a empresa lançada qualquer relação, de fato ou de direito, sequer é integrante de grupo de fato ou de direito como alega a fiscalização, devendo ser excluído dos Autos de Infração”. 7. Requereu “o conhecimento do presente Recurso, com a reforma da decisão recorrida, para o fim de afastar a intempestividade indicada, e no mérito requer a exclusão de sua responsabilidade, por não estarem presentes os requisitos dos art. 124 ou 135 do CTN”. Fl. 4563DF CARF MF 30 É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Daniel Ribeiro Silva Relator Os recursos preenchem os requisitos de admissibilidade, portanto devem ser conhecidos. Inicio a análise pelo Recurso apresentado pela Femar Restauração, Recuperação e Recomposição Predial, ressaltando que a decisão recorrida julgou definitivo o lançamento contra o referido solidário em razão da ausência de impugnação. Em seu Recurso, a Femar aduz em sede de preliminar ter sido nula a intimação do lançamento, realizada exclusivamente através de Edital. O agente fiscal aduz em seu TVF que a referida empresa é inexistente de fato, e teve o seu CNPJ baixado de ofício, sendo esta a motivação da intimação por Edital. Outrossim, ressaltese que, a sócia de direito da Femar, a Sra. Maria Priante, foi devidamente intimada a apresentou impugnação, a qual foi acolhida pela DRJ. Em seu Recurso, dentre os fundamentos de sua irresignação, a Femar alega em resumo que: Fl. 4564DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.550 31 Assim, tendo em vista que a Recorrente não apresentou impugnação e, a princípio, o lançamento se tornou, contra ela, definitivo, faz se necessário analisar inicialmente a preliminar de nulidade da intimação do lançamento, a qual se resume, basicamente, à folha de seu recurso acima reproduzida. Da análise do lançamento e das razões de recurso, entendo não assistir razão à Recorrente. Fl. 4565DF CARF MF 32 Com a devida vênia, a Recorrente aduz razões que podem ser classificadas, no mínimo, como absurdas. Aduz que é contribuinte regular e que, de fato, funciona no endereço cadastral indicado. Diz ainda que as condições do imóvel são condizentes com a atividade por ela desenvolvida. Ocorre que, como muito bem instruído no processo, o agente fiscal foi absolutamente diligente e procurou localizar a empresa mas, no local por ela indicado como estabelecimento, encontrou uma casa em ruínas e sem qualquer condição de habitabilidade ou exercício de atividade administrativa. O estabelecimento empresarial é o conjunto dos bens indispensáveis à atividade principal e ao desenvolvimento da empresa; tais como mercadorias em estoque, máquinas, veículos, marca e outros sinais distintivos, tecnologia etc., de sorte que este conjunto de elementos constitui parte essencial e indissociável à empresa. Para o exercício do objeto social da Recorrente é necessário que a mesma possua um mínimo de estrutura administrativa e maquinário, vez que é construtora e realiza reformas e restaurações. O imóvel indicado como endereço, e que a Recorrente insiste ser de fato sua sede, pode até fazer parte do patrimônio da empresa, mas jamais ser considerado como sede de suas atividades empresariais. Para tanto, basta verificar algumas das fotos (fls. 1475 a 1478) do termo de diligência para chegar a tal conclusão, e defender o contrário, como faz a Recorrente é, no mínimo, duvidar da inteligência destes julgadores. Apenas para exemplo, segue foto do imóvel indicado como sede da empresa: Fl. 4566DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.551 33 Ademais, em uma consulta através do Google Maps, cujas imagens foram capturadas já no ano de 2018, é possível confirmar que o referido imóvel continua nas mesmas condições: Assim é que, não são críveis as alegações da Recorrente. Outrossim, o agente fiscal também promoveu diligências no endereço da Sra. Maria José Priante, sócia à época dos fatos geradores, tendo encontrado uma Sra. de 83 anos à época, que nenhum conhecimento tinha sobre as atividades da empresa. Na referida diligência ficou claro que a mesma era uma sócia meramente de direito, que emprestou o nome a pedido de seu filho Edmundo Priante, sócio da Synthese. Todos estes imputados como responsáveis solidários, sendo devidamente cientificados do lançamento e, apresentaram impugnações que foram providas pela DRJ. Desta feita, sendo incerto o endereço da Recorrente, outra medida não poderia ter adotado o agente fiscal a não ser a intimação através de edital, razão pela qual entendo restar absolutamente válida. Nestes termos, entendendo válida a intimação da Femar, e não tendo a empresa apresentado a impugnação, contra ela não se instaurou litígio administrativo, razão pela qual não acolho a preliminar arguída, restando prejudicadas as demais razões recursais. Assim, nego provimento à preliminar de nulidade da intimação e não conheço das demais razões de defesa, sendo definitivo o lançamento contra a referida empresa. Passo à análise do Recurso Voluntário apresentado por André Lira da Silva. Ressaltese que a DRJ deixou de apreciar a impugnação por ele apresentada em razão da sua intempestividade. Fl. 4567DF CARF MF 34 Por sua vez, em sede recursal o contribuinte aduz, em primeiro momento, preliminar de cerceamento do direito de defesa. Defende que “só será realizada a intimação por Edital quando forem impraticáveis as intimações pessoais ou por meio de registro postal”. E que, “essas condições não foram observadas no presente processo, quando se observa que o Recorrente já havia sido intimado em seu domicílio por via postal às fls. 1287/1289, sendo do conhecimento da autoridade fiscal que procedeu a intimação ou seja, Rua dos Pacus, 16 Parque do Lago, São Paulo SP. CEP: 04.944.080”. Afirma que “o erro na intimação fica explicito quando se observa que no TERMO DE CIÊNCIA DE LANÇAMENTOS E ENCERRAMENTO TOTAL DO PROCEDIMENTO FISCAL – RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA, a autoridade fazendária destaca o endereço correto do Recorrente, ou seja, Rua Pacus, 16: fls. 2918”. Da análise dos autos entendo assistir razão ao Recorrente nesse particular. A jurisprudência é uníssona no sentido de que a intimação por Edital deve ser a última via. No caso do RPAF, este CARF também possui sólida jurisprudência no sentido de que a intimação por Edital apenas deve ser realizada caso a intimação pessoal ou postal seja infrutífera, senão vejamos: CIÊNCIA DO CONTRIBUINTE. VIA POSTAL IMPROFÍCUA. UTILIZAÇÃO DE EDITAL VÁLIDA. Com base no art. art. 23, § 1º, do Decreto nº 70.235/1972, a intimação improfícua por via postal, autoriza a ciência pela utilização de edital. Não sendo a contribuinte capaz de comprovar erro dos Correios na tentativa de entrega de intimação para ciência de decisões e despachos do processo fiscal, é válida a ciência pro meio de edital. CIÊNCIA DO SUJEITO PASSIVO SOLIDÁRIO. INEXISTÊNCIA. NULIDADE. A inexistência de intimação para ciência do sujeito passivo solidário, com relação à notificação de lançamento, inquina de nulidade, por cerceamento do direito de defesa, todos os atos posteriores a essa notificação. (Acórdão CSRF n. 9202006.232 Sessão de 28/11/2017) INTIMAÇÃO POR EDITAL. No âmbito do processo administrativo fiscal, para cada ato ou termo processual de que deva ser intimado o sujeito passivo devese proceder à intimação pessoal ou por via postal e, somente depois, não logrando êxito essa intimação, será efetuada a intimação por edital. INTIMAÇÃO VIA POSTAL. MUDANÇA DE ENDEREÇO. Considerase inválida a intimação, enviada a endereço constante do cadastro CPF, quando restar comprovado nos autos que o contribuinte já havia informado na Declaração de Ajuste Anual a mudança de domicílio. NULIDADE. INTIMAÇÃO IRREGULAR. COMPARECIMENTO AO PROCESSO. SANEAMENTO DO VÍCIO. Fl. 4568DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.552 35 O comparecimento do contribuinte supre as faltas ou irregularidades ocorridas nas intimações feitas sem observância das prescrições legais. (Acórdão n. 2002000.353 Sessão de 26/09/2018) No caso concreto, entendo ter sido inválida a intimação editalícia do recorrente vez que, os atos de intimação postal ao contribuinte apenas passaram a ser infrutíferos após o agente fiscal passar a intimálo em endereço incorreto. Senão vejamos. Desde o ingresso do Recorrente no quadro societário da empresa JP, ele sempre indicou como endereço de residência a Rua Pacus, 40264, apt. n. 16: Este também é o endereço indicado pela autoridade fiscal no termo de sujeição passiva lavrado contra o recorrente, assim como o indicado no auto de infração: Outrossim, durante o procedimento fiscalizatório o agente fiscal logrou êxito em intimar o Recorrente no endereço indicado, senão vejamos: Fl. 4569DF CARF MF 36 A devolução das intimações por via postal apenas passaram a ocorrer depois que o agente fiscal passou a encaminhar as intimações para endereço com numeração incorreta, que retornavam com a informação de número inexistente: Ao meu ver, tratase de claro erro cometido pelo agente fiscal, em que pese toda a qualidade do trabalho fiscalizatório por ele desenvolvido. Entretanto, tratandose de equívoco cometido pela fiscalização, não há como ser válida a intimação editalícia, vez que nos termos da jurisprudência deste conselho, não foram tentadas, de maneira válida, a realização de intimação pessoal ou postal. Ademais, em que pese o Recorrente seja sócio da outra solidária JP Distribuidora, também intimada por edital, mas que apresentou tempestivamente a sua impugnação, o fato é que o Recorrente logrou êxito em comprovar que apenas teve ciência inequívoca do lançamento e, da sua solidariedade, ao obter vistas do presente PAF em 20/07/2017: Fl. 4570DF CARF MF Processo nº 19515.720506/201713 Acórdão n.º 1401003.115 S1C4T1 Fl. 4.553 37 Assim é que, a impugnação apresentada pelo recorrente em 03/08/2017 é tempestiva, e não tendo sido analisada pela DRJ, restou cerceado o direito de defesa do Recorrente. Desta forma, sob pena de ferir o duplo grau de jurisdição, bem como diante do claro cerceamento do direito de defesa, entendo restar nula a decisão da DRJ, nos termos do que dispõe o inc. II do art. 59 do Decreto 70.235/72. Neste espeque, a DRJ deverá realizar novo julgamento apreciando as razões de impugnação apresentadas pelos contribuintes e responsáveis, considerando a impugnação apresentada pelo Sr. André Lira como tempestiva. Fl. 4571DF CARF MF 38 Por conseqüência, restam prejudicados as demais razões de mérito, bem como os demais Recursos Voluntários e de Ofício. É como voto. (assinado digitalmente) Daniel Ribeiro Silva Fl. 4572DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.721063/2011-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
RATEIO DE DESPESAS. EMPRESAS INTERLIGADAS.
Os valores recebidos de empresas interligadas, em virtude do uso compartilhado de serviços operacionais e administrativos, representam receitas de serviços e integram a base de cálculo da COFINS.
Para que os valores movimentados sejam aceitos em razão do rateio de custos e despesas exige-se que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos.
Conforme comprova-se pela própria comunicação da pessoa jurídica diligenciada, os referidos itens não foram apresentados, tornando assim impossível ao fisco verificar, por meio das contabilidades, as receitas líquidas de cada empresa, as despesas próprias e rateadas, tanto da centralizadora quanto das beneficiárias.
Numero da decisão: 3302-006.358
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos conselheiros Walker Araújo, José Renato Pereira de Deus e Raphael Madeira Abad, que davam provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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CRÉDITOS NÃO CUMULATIVOS. INSUMOS. Recorrente BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007 RATEIO DE DESPESAS. EMPRESAS INTERLIGADAS. Os valores recebidos de empresas interligadas, em virtude do uso compartilhado de serviços operacionais e administrativos, representam receitas de serviços e integram a base de cálculo da COFINS. Para que os valores movimentados sejam aceitos em razão do rateio de custos e despesas exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos. 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(assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente Substituto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 10 63 /2 01 1- 99 Fl. 6015DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Aproveitase o Relatório do Acórdão de Impugnação. Trata o presente processo de autos de infração lavrados contra a empresa acima identificada, gerando créditos de Cofins e PIS/Pasep nos valores respectivos de R$ 8.416.228,76 e R$ 1.827.207,70 (incluídos nesses valores o principal, multa de ofício e juros de mora). 2. Segundo a descrição dos fatos constante do auto, a empresa deixou de recolher as contribuições incidentes sobre os serviços prestados a outras pessoas jurídicas. Quando requisitada a apresentar os contratos de prestação de serviços e dos respectivos tomadores, a fiscalizada informou que, por não prestar serviços, não tinha como disponibilizar os aludidos contratos, assim como o rol dos beneficiários dos serviços por ela prestados. Reiterou ainda que os valores recebidos das outras pessoas jurídicas do grupo de empresas, referiamse tão somente a reembolso de despesas. Acrescentou que, pelo mesmo motivo, não emitia notas fiscais de serviços, e que os documentos comprobatórios dos reembolsos das despesas, seriam notas de débitos expedidas em desfavor das pessoas jurídica ligadas, integrantes do grupo empresarial. 3. Foram feitas as seguintes observações pela fiscalização: “Examinando com mais acuidade a escrita contábil da fiscalizada e a documentação pertinente disponibilizada por ela, a fiscalização constatou que, pelo menos em relação a algumas das contas examinadas e envolvidas nas operações dos serviços prestados, o contribuinte não observou as mais comezinhas regras contábeis no registro das transações comerciais, envolvendo as outras pessoas jurídicas do grupo empresarial.”; Cita como exemplo “os lançamentos relativos às transações envolvendo a conta contábil ItaúNAA, cód. 11010200903, que deveria espelhar a movimentação bancária do contribuinte junto ao banco Itaú, mas que na verdade mostramse dissonantes em relação aos valores registrados nos extratos bancários da instituição financeira anexos.” Informa a fiscalização que “Instada a se manifestar sobre o fato, por meio do termo de Fl. 6016DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 3 3 intimação de 19/01/2011, item 6, a pessoa jurídica limitouse a responder, laconicamente, que a incompatibilidade decorre da contabilização efetuada com base nas informações da conta caixa. Como se observa, uma justificativa sem sentido .”; Prossegue: “A fiscalização concluiu, não após um demorado esforço, que pareceu querer dizer o contribuinte, que as operações expressas nos extratos bancários do banco Itaú, estariam registradas na conta caixa. Fato esse, de per si, uma verdadeira anomalia contábil, caso fosse verdade, visto que fere os princípios e as regras elementares da ciência contábil. Ora, se existe no plano de contas da pessoa jurídica, uma conta referente às operações da conta banco Itaú, por quê utilizar se de uma outra conta, no caso a conta Caixa? Mas isso não é tudo. Seguindo a informação da pessoa jurídica, examinouse a conta Caixa Geral, cód: 11010100208, e restou comprovado que esta conta, também não apresenta concordância com os registros dos extratos bancários do banco ITAÚ, como declarado pelo contribuinte. Vejamos alguns exemplos. No dia 02/01/2006, o extrato do ITAÚ, apresenta um registro no valor de R$ 182.490,48, e o histórico se refere a DI DIN, que seria um depósito identificado em dinheiro, todavia não existe lançamento algum neste valor, nem conta caixa nem na conta banco Itaú. O mesmo acontece em relação ao valor de R$ 446.123,81, de 22/12/2006, o de R$ 453.832,00, do dia 28/06/2007, o de R$ 296.774,00, do dia 19/12/2007, e vários outros expressos nos extratos dos períodos. Restou assim constatado, sem embargo, que a movimentação financeira, do banco ITAÚ, não encontra correspondência na escrita contábil da fiscalizada.”; d) Cita outro exemplo, referente a uma conta no Unibanco cujos extratos não teriam sido disponibilizados pelo banco, mesmo após repetidas tentativas. Estranhando o fato a fiscalização assim procedeu, segundo seu relato: “Diante da recalcitrância em atender a requisição do fisco, o auditor responsável pelo feito, examinou os controle internos da Receita Federal do Brasil e constatou não existir, nos anos calendário de 2006 e 2007, referência nas DCPMFS Declarações da Contribuição Provisória Sobre Movimentação Financeira, à conta alguma de titularidade da fiscalizada junto ao UNIBANCO. Por conseguinte, foi lavrado o termo de intimação de 28/04/2011, onde solicitou se que o contribuinte apresentasse justificativas, com base na legislação e em documentação hábil e idônea, sobre o fato apurado pela fiscalização, além dos documentos que embasaram os registros na conta BANCO UNIBANCONAA, cód: 11010201004. Fl. 6017DF CARF MF 4 A pessoa jurídica respondeu que os lançamentos na conta retro citada, decorreram do lapso na parametrização do sistema da empresa e informou que estava disponibilizando os resumos mensais dos lançamentos na conta contábil em questão. Notase assim que o contribuinte não levou a sério as requisições do fisco federal. Primeiro afirmou, por duas vezes, estar em contato com o UNIBANCO, para conseguir os extratos bancários solicitados. Em seguida, só após ser confrontado com a prova, alegou que os registros da conta foram conseqüência do lapso de parametrização do sistema. Uma explicação totalmente sem sentido que não foi, nem poderia ser considerada pela autoridade fiscal. Pode ser verificado também que a documentação mencionada pelo sujeito passivo, na sua justificativa infundada referente aos lançamentos na conta do UNIBANCO, resumese, basicamente, às notas de débitos e créditos que teriam lastreado as operações dos serviços prestados às ligadas. Asseverese que grande parte da documentação mencionada, não foi apresentada ao fisco.” e) Sobre o fato, assim concluiu a fiscalização: “Inferese assim que o sujeito passivo fiscalizado, criou irregularmente a conta BANCO UNIBANCONAA, cód: 11010201004, visando uma forma a mais de controlar as transações suspeitas com suas ligadas. Reputase suspeitas estas operações em virtude de alguns aspectos a seguir listados. Primeiramente, os documentos utilizados para registrar na contabilidade, as operações entre a fiscalizada e as pessoas jurídicas ligadas, foram, como já mencionado, as notas de débito e crédito. As primeiras (notas de débito) eram emitidas quando havia uma prestação de serviço pela fiscalizada, as segundas (notas de crédito) quando havia um registro de uma contrapartida dos serviços prestados (pagamentos). Ora, tanto as notas de débito como as de crédito, que foram preenchidas todas no NAA NÚCLEO DE APOIO ADMINISTRATIVO, localizado no estabelecimento da fiscalizada, até pelo fato de não serem notas fiscais, foram emitidas graciosamente, de acordo com as necessidades e conveniência das pessoas jurídicas envolvidas nestas operações de prestações de serviços, visto que, a fiscalizada não pagava nada das contribuições sociais incidentes sobre as receitas e as beneficiárias dos serviços, por sua vez, utilizaram os valores desses serviços para diminuir os seus resultados, implicando assim em diminuição nas bases de cálculo do IRPJ e da CSLL nos períodos.”; Cita exemplo das irregularidades na escrita da empresa: “Tomese como exemplo, o valor de R$ 418.864,24, lançado na conta 101010102 Caixa Geral, da fiscalizada REFRIGERANTES DA AMAZÔNIA LTDA, no dia 28/06/2007, e que seria relativo aos serviços prestados por ela à MANAUS REFRIGERANTES LTDA, mas que não encontra correspondência na escrita contábil desta última. E isso acontece com todos os outros valores lançados nesta conta. Fl. 6018DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 4 5 Por seu turno os valores lançados na conta 32990199990 NÚCLEO DE APOIO ADMINISTRATIVO, da MANAUS REFRIGERANTES LTDA, representativa das despesas relativas aos serviços prestados, também não encontra harmonia com os montantes registrados na conta da fiscalizada () APROP DESPESAS OPERACIONAIS, CÓD: 32999999905, dos períodos em exame.”; “Cumpre destacar que estes fatos, por estarem mais afetos a auditoria do IRPJ, não são objeto do presente lançamento de ofício. Apenas foram narrados, para que se entenda a contextualização que levou e reforçou o convencimento da fiscalização, de estar diante de um quadro de ilicitude tributária total, sanável apenas em parte neste procedimento fiscal, porquanto o feito presente restringese à cobrança de ofício do PIS e da COFINS. Podese então concluir, em resumo, que a fiscalizada não pagou e nem paga ainda, as contribuições incidentes sobre as receitas da prestação dos serviços, e ao mesmo tempo produz para as outras pessoas jurídicas ligadas, despesas que afetaram e ainda atingem, diretamente, o IRPJ e a CSLL devidos por estas.”; Com referência às contribuições afirma a fiscalização ser “pacífico na legislação, na doutrina e na jurisprudência que os valores recebidos pela fiscalizada das outras pessoas jurídicas ligadas, conforme a situação em tela, são tributáveis pelo PIS e pela COFINS. Consoante o estipulado nos art. 1°. das Lei n° 10.637/2002 e 10.833/2003. As mencionadas contribuições incidem sobre o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Significa dizer que os valores recebidos pela fiscalizada deveriam ter integrado as bases de cálculo das retro aludidas exações fiscais. Mas tal não aconteceu, conforme se verifica nos dados expressos nas DACONS dos períodos examinados.”; Cita doutrina e jurisprudência nesse sentido; Justifica a majoração da multa de ofício: “Cumpre assinalar que em decorrência da pessoa jurídica fiscalizada não ter atendido a requisição do fisco (item 5, do termo de intimação de 16/11/2010), para apresentar os arquivos digitais referentes as notas fiscais de entradas e saídas, nem justificou sua falta, procedese ao agravamento da multa de ofício, nos termos do art. 44, parágrafo 2o , inciso II, da Lei n° 9.430/96.” 4. Cientificada em 29.09.2011, a interessada apresentou, tempestivamente, em 31.10.2011, impugnação (fls. 1361/1386) na qual apresenta as seguintes alegações: “(...) os valores identificados como suposta receita na escrita da Impugnante pela fiscalização nada mais são do que o movimento financeiro entre as empresas pertencentes ao Grupo Empresarial Fl. 6019DF CARF MF 6 denominado GRUPO SIMÕES , decorrente de prática muito comum no meio empresarial, qual seja o rateio de despesas relacionadas ao compartilhamento e centralização de estrutura administrativa. No presente caso, estas despesas são custeadas pelas empresas beneficiárias e pagas pela Impugnante.”; “Por esta razão, tendo em conta que as empresas que compõem o Grupo Simões não mantêm em sua estrutura departamentos de assessoria administrativa, pois, todas essas atividades são realizadas pelo Núcleo de Apoio Administrativo (NAA) sediado na Impugnante, e que a forma de reembolso dos custos do NAA ocorre em função de rateio total dos mesmos de modo diretamente proporcional ao faturamento líquido de cada empresas, firmaramse contratos7 entre a Impugnante e as demais empresas do Grupo, regulando: i) a centralização das atividades de assessoramento administrativo em um único setor, o Núcleo de Apoio Administrativo (NAA), e; ii) o procedimento de reembolso de despesas decorrentes desta centralização.”; “Não há que se falar, portanto, em prestação de serviços propriamente dita, mas, apenas e tão somente, em compartilhamento de despesas, custos, estruturas administrativas e operacionais, não podendo os valores repassados à Impugnante serem caracterizados como RECEITAS desta, para fins de incidência do PIS/COFINS.”; “Nessa esteira, os valores recebidos pela Impugnante NADA MAIS SÃO DO QUE O EFETIVO RESSARCIMENTO DAS DESPESAS ARCADAS POR ESTA ENQUANTO CENTRALIZADORA DO RATEIO DE DESPESAS DO GRUPO, não havendo que se falar em receita e, por conseguinte, inclusão dos valores na base de cálculo da PIS.”; Cita doutrina e jurisprudência acerca do conceito de receita; Reclama do fato da fiscalização não haver avaliado os critérios utilizados no rateio das despesas e se aprofundado nos procedimentos contábeis e financeiros realizados pela impugnante e empresas do grupo; Argumenta: “Apegandose apenas a pequenos equívocos nos lançamentos contábeis incorridos pela Impugnante, PRETENDE A AUTORIDADE FISCAL DESCONSIDERAR TODA UMA GAMA DE PROCEDIMENTOS, que, data máxima vénia, na opinião da impugnante, NÃO FORAM DE FATO COMPREENDIDOS. Afirmar que alguns lançamentos contábeis que deveriam ser idênticos em 7 (sete) ou mais empresas não batem exatamente, num período de 2 (dois) anos, É DESCONSIDERAR QUE LANÇAMENTOS CONTÁBEIS SÃO FEITOS POR PESSOAS, E, PORTANTO, SUJEITOS À ERROS. Todavia, houvesse a fiscalização aprofundado sua análise, buscando entender como ocorria o registro e fluxo dos pagamentos no Rateio de Despesas levado a efeito no Grupo Simões, teria constatado que de fato há critérios definidos e contabilização das transferências.”; Fl. 6020DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 5 7 Descreve os procedimentos realizados para pagamentos das despesas, exemplificando o mês de janeiro de 2006 e informando a anexação dos documentos comprobatórios das operações; Entende que “não EXISTINDO UMA AVALIAÇÃO EFETIVA QUANTO AOS PROCEDIMENTOS E À REGULARIDADE DO RATEIO DE DESPESAS LEVADO A EFEITO PELA IMPUGNANTE E AS EMPRESAS PERTENCENTES AO MESMO GRUPO EMPRESARIAL, NECESSÁRIO É O CANCELAMENTO INTEGRAL DO LANÇAMENTO. PELA AUSÊNCIA DE DEMONSTRAÇÃO DO FATO IMPONÍVEL”; Cita doutrina e decisões administrativas, concluindo que “que OS VALORES RECEBIDOS PELA IMPUGNANTE PROVENIENTES DE DESPESAS COMPARTILHADAS ENTRE ESTA E AS DEMAIS EMPRESAS DO GRUPO EMPRESARIAL CORRESPONDEM A EFETIVO RESSARCIMENTO EM RATEIO DE DESPESAS, não constituindo receita, motivo pelo qual, não deve haver a incidência do PIS/COFINS.” Contesta o agravamento da multa em função do não atendimento da requisição do fisco, argumentando haver informado à fiscalização que não dispunha das notas por não haver prestado nenhum tipo de serviço e que para os valores envolvidos foram feitas notas de débitos. Assim não se trataria de “não cumprimento” da intimação, mas de impossibilidade de cumprimento frente à inexistência dos documentos solicitados; Além disso, aduz que a multa aplicada possui caráter confiscatório, devendo ser reduzida em observância dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade; Ao final, requer: “Por todo o exposto a Impugnante comparece perante este justo órgão julgador administrativo para requerer o recebimento e processamento da presente Impugnação, para, julgandoa, seja reconhecida a IMPROCEDÊNCIA TOTAL do lançamento ora impugnado. Não sendo acolhido o pedido de cancelamento integral supra referido, seja cancelada a aplicação da multa agravada para o caso, visto que, conforme descrito, inexistindo o documento solicitado pela fiscalização, não há que se falar em enquadramento da conduta da Impugnante no artigo 44, §2° inciso II da Lei 9.430/96. Tendo em vista e grande quantidade do conjunto probatório a ser produzido, requer desde já seja autorizada a juntada a posterior, nos termos da alínea "a", §4° do art. 16 do Dec. 70.235/72, da documentação suplementar que está sendo levantada”. Em 13 de maio de 2013, através do Acórdão de Impugnação n° 0126.285, a 3ª Turma da DRJ/BEL, por unanimidade de votos, julgou procedente em parte a impugnação, Fl. 6021DF CARF MF 8 sendo mantidos os créditos lançados nos valores de: Cofins: R$ 7.206.742,42 e PIS/Pasep : R$ 1.564.622,42, incluídos nesses valores as contribuições, multa de ofício e juros de mora. A empresa BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA foi intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 17 de junho de 2013 (folhas 3.904). A empresa BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA ingressou com Recurso Voluntário, folhas 3.905, em 05 de junho de 2013, de folhas 3.906 à 3.934. Foi alegado em resumo que: ü Rateio de Despesas Não Incidência de PIS E COFINS SOBRE VALORES QUE NÃO CONFIGURAM RECEITAS DA ENTIDADE; ü O Rateio de Despesas levado a efeito pela Recorrente e as empresas integrantes do Grupo Simões Regularidade formal e MATERIAL SISTEMÁTICA DE PAGAMENTOS DESCONSIDERADA PELA FISCALIZAÇÃO. PEDIDO: Por todo o exposto, a Recorrente comparece perante este Conselho Julgador Administrativo para requerer o recebimento do presente recurso em seu efeito suspensivo, bem como o seu devido processamento para que, julgandoo procedente, seja reconhecida a IMPROCEDENCIA TOTAL do lançamento, reformando a decisão de primeira instância em sua integralidade. Em 28 de fevereiro de 2018, a 2a Turma Ordinária, da 3a Câmara, da 3a Seção de Julgamento do CARF baixou os autos em diligência, através a Resolução n° 3302 000.692 para que a autoridade preparadora informasse: a) O rateio das despesas administrativas entre as empresas se procedeu através de critérios razoáveis e objetivos? Que critérios foram esses? b) O rateio das despesas administrativas entre as empresas foi devidamente formalizado por instrumento firmado entre os intervenientes? Juntar cópia desse instrumento. c) O critério de rateio das despesas administrativas entre as empresas está de acordo com o efetivo gasto de cada empresa e com o preço global pago pelos bens e serviços? Fazer uma breve explanação sobre o critério de rateio utilizado. d) O rateio das despesas administrativas entre as empresas está em observância aos princípios técnicos ditados pela Contabilidade? e) A empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços apropriou como despesa tãosomente a parcela que lhe cabia de acordo com o critério de rateio utilizado? f) As empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços apropriaram como despesa tãosomente a parcela que lhes cabiam de acordo com o critério de rateio utilizado? Fl. 6022DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 6 9 g) As empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços contabilizaram as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar, orientando a operação conforme os princípios técnicos ditados pela Contabilidade? h) A empresa centralizadora da operação de aquisição de bens e serviços, assim como as empresas descentralizadas, mantiveram escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas? Após a prestação das informações, que a autoridade preparadora abra prazo de trinta dias para manifestação do contribuinte e depois retorne para decisão final. O destinatário teve ciência dos documentos relacionados abaixo por meio de sua Caixa Postal, considerada seu Domicílio Tributário Eletrônico (DTE) perante a RFB, na data de 04/09/2018 (folhas 4.922). O interessado apresentou manifestação de folhas 4.956 à 4.959, em 05/10/2018. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância, via Aviso de Recebimento, em 17 de junho de 2013 (folhas 3.904). A empresa BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA ingressou com Recurso Voluntário, folhas 3.905, em 05 de junho de 2013. O Recurso é tempestivo. Da controvérsia. No Recurso Voluntário foram alegados os seguintes pontos: ü Rateio de Despesas Não Incidência de PIS e COFINS sobre valores que não configuram receitas da entidade; ü O Rateio de Despesas levado a efeito pela Recorrente e as empresas integrantes do Grupo Simões Regularidade formal e material sistemática de pagamentos desconsiderada pela fiscalização. Fl. 6023DF CARF MF 10 Passase à análise. O caso em análise encontra ressonância na aplicação da Solução de Divergência n° 23, de 23/09/2013, cuja Ementa assim dispõe: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO EMENTA: É possível a concentração, em uma única empresa, do controle dos gastos referentes a departamentos de apoio administrativo centralizados, para posterior rateio dos custos e despesas administrativos comuns entre empresas que não a mantenedora da estrutura administrativa concentrada. Para que os valores movimentados em razão do citado rateio de custos e despesas sejam dedutíveis do IRPJ, exigese que correspondam a custos e despesas necessárias, normais e usuais, devidamente comprovadas e pagas; que sejam calculados com base em critérios de rateio razoáveis e objetivos, previamente ajustados, formalizados por instrumento firmado entre os intervenientes; que correspondam ao efetivo gasto de cada empresa e ao preço global pago pelos bens e serviços; que a empresa centralizadora da operação aproprie como despesa tãosomente a parcela que lhe cabe de acordo com o critério de rateio, assim como devem proceder de forma idêntica as empresas descentralizadas beneficiárias dos bens e serviços, e contabilize as parcelas a serem ressarcidas como direitos de créditos a recuperar; e, finalmente, que seja mantida escrituração destacada de todos os atos diretamente relacionados com o rateio das despesas administrativas. Relativamente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, observadas as exigências estabelecidas no item anterior para regularidade do rateio de dispêndios em estudo: a) os valores auferidos pela pessoa jurídica centralizadora das atividades compartilhadas como reembolso das demais pessoas jurídicas integrantes do grupo econômico pelo pagamento dos dispêndios comuns não integram a base de cálculo das contribuições em lume apurada pela pessoa jurídica centralizadora; b) a apuração de eventuais créditos da não cumulatividade das mencionadas contribuições deve ser efetuada individualizadamente em cada pessoa jurídica integrante do grupo econômico, com base na parcela do rateio de dispêndios que lhe foi imputada; c) o rateio de dispêndios comuns deve discriminar os itens integrantes da parcela imputada a cada pessoa jurídica integrante do grupo econômico para permitir a identificação dos itens de dispêndio que geram para a pessoa jurídica que os suporta direito de creditamento, nos termos da legislação correlata. DISPOSITIVOS LEGAIS: arts. 251 e 299, 'Decreto n° 3.000, de 26 de março de 1999; art. 123 da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 2° e 3° da Lei n° 9.718, de 27 de novembro de 1998; art. 1° da Lei n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002; e art. 1° da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Informação Fiscal de 27 de agosto de 2018, de folhas 4.919, oriunda da autoridade reparadora esclareceu que: Para fins de cumprir o determinado no despacho do CARF, de 28/02/2018, nos autos do processo em epígrafe, temos a informar o que segue: 1. Após ser devidamente intimada a apresentar os elementos necessários ao atendimento da requisição do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a pessoa jurídica interessada apresentou comunicações Fl. 6024DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 7 11 recebidas no SEFIS Serviço de Fiscalização da DRF/MNS, em 30/07/2018 e 14/08/2018. 2. Junto com o primeiro documento apresentou, cópia de contratos denominados “Instrumento Particular de Contrato Específico de Reembolso de Despesas Firmado Entre as Parte Abaixo”, firmado com as empresas do grupo, SANTASANTARÉM REFRIGERANTES S/A, CNPJ: 05.035.324/000189, COMPAR CIA. PARAENSE DE REFRIGERANTES, CNPJ: 04.928.297/000100, RONDÔNIA REFIGERANTES S/A, CNPJ: 04.777.678/000136, REFRIGERANTES DO AMAPÁ S/A, CNPJ: 05.878.442/0001 59, MANAUS REFRIGERANTES LTDA, CNPJ: 34.590.315/000158, RORAIMA REFRIGERANTES S/A, CNPJ: 04.650.248/000159, CACOAL REFRIGERANTES S/A, CNPJ: 05.966.627/000115, RIO BRANCO REFRIGERANTES LTDA, CNPJ: 34.709.287/000145, MARABÁ REFRIGERANTES S/A, CNPJ: 04.318.556/000181, BENEVIDES ÁGUAS S/A, CNPJ: 15.887.193/000111, GÁS CARBÔNICO DO PARÁ, CNPJ: 83.834.952/000138, onde vislumbramse, conforme os parágrafos únicos das cláusulas terceira, de todas as avenças, que o critério de rateio das despesas teria sido efetuado levando em consideração os custos totais dispendido pela empresa centralizadora em proporção direta ao faturamento líquido de cada empresa beneficiária do grupo. 3. Junto com a segunda comunicação, a interessada apresentou diversos documentos relativos a encargos previdenciários e trabalhistas (GFIP, FGTS, GPS, DARFs etc), mas continuou sem apresentar os elementos fundamentais para o deslinde da questão. 4. Estes elementos, no entendimento da fiscalização, seria os solicitados nos itens 3 a 6, do Termo de Intimação Fiscal, pois só com o auxílio daquela documentação seria possível constatar a efetiva subsunção das medidas adotadas pela empresa centralizadora e pelas beneficiárias, ao estabelecido na Solução de Divergência n° 23 COSIT, de 23/09/2013 5. Apenas com a identificação das contas contábeis que foram utilizadas para registro das despesas de cada uma das empresas beneficiárias e da empresa centralizadora, assim como a entrega dos arquivos digitais com as contabilidades das empresas mencionadas, poderia se avaliar com exatidão se foram observados os critérios estabelecidos no item 17, do ato administrativo supramencionado, para efeito de consideração do rateio das despesas. 6. Contudo, conforme comprovase pela própria comunicação da pessoa jurídica diligenciada, os Fl. 6025DF CARF MF 12 referidos itens não foram apresentados, tornando assim impossível ao fisco verificar, por meio das contabilidades, as receitas líquidas de cada empresa, as despesas próprias e rateadas, tanto da centralizadora quanto das beneficiárias, restando assim prejudicado o atendimento integral do requisitado na Resolução do CARF. 7. Por fim, considerando o comando estipulado ao final da supracitada Resolução, fica estabelecido o prazo de 30 dias, a contar da ciência desta Informação, para a manifestação do contribuinte a respeito dos fatos aqui relatados ou para apresentar quaisquer outros elementos que entender cabíveis. 8. É o que tem a ser informado. (Grifo e negrito nossos) A empresa BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA assim se manifestou sobre o retorno da diligência, às folhas 4.958. O que se verifica é, nesta ordem: 1. a entrega de grande volume de documentos de uma década atrás, o despacho da Auditoria indicando que a Contribuinte não cumpriu a diligência; 2. a manifestação da Contribuinte de ontem (04102018) para chamar a atenção quanto as juntadas dos documentos e informações solicitadas pelo Mandado Fiscal (inclusive com a repetição da juntada de todos os documentos); 3. a completa desconsideração destas informações pela RFB e, na presente data dois despachos que entendem por cumprida a diligência solicitada pelo CARF e determinam a devolução do processo àquele órgão julgador. A Intimada presume haver algum tipo de problema interno (na RFB) após a entrega dos documentos diretamente na RFB (verificados no momento da entrega pelo SVA, com recebimento firmado pela servidora da RFB), assim como no protocolo da petição de ontem (04/10/2018) que esclarecia estes fatos. Diante da comprovação documental da entrega dos documentos pela Intimada, salvo melhor juízo, para que a diligência solicitada pelo D. Relator do Respeitável Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) seja cumprida, a R. fiscalização pode verificar a real localização dos arquivos após a entrega destes na RFB em 30/07/2018, 14/08/2018 e 04/10/2018. Ou ainda, caso tenha ocorrido qualquer espécie de problema sistêmico dos arquivos (tamanho, formato, versão, etc.) a R. fiscalização pode intimar a Contribuinte para que entregue novamente os arquivos. A empresa BRASIL NORTE BEBIDAS LTDA em sua manifestação não trouxe qualquer fato capaz de ilidir o resultado da Resolução n° 3302000.692. Fl. 6026DF CARF MF Processo nº 10283.721063/201199 Acórdão n.º 3302006.358 S3C3T2 Fl. 8 13 Consoante a Solução de Divergência n° 23, de 23/09/2013, uma vez que não foi apresentada a identificação das contas contábeis que foram utilizadas para registro das despesas de cada uma das empresas beneficiárias e da empresa centralizadora, assim como a entrega dos arquivos digitais com as contabilidades das empresas mencionadas tornase impossível ao fisco verificar, por meio das contabilidades, as receitas líquidas de cada empresa, as despesas próprias e rateadas, tanto da centralizadora quanto das beneficiárias Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. É como voto. Jorge Lima Abud Relator. Fl. 6027DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19647.016189/2008-41
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.986
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 64 7. 01 61 89 /2 00 8- 41 Fl. 112DF CARF MF 2 Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 23.347,80. Foi constatada a seguinte irregularidade, conforme a Descrição dos Fatos, às fls. 6/7: dedução indevida de despesas médicas, especialmente pela falta de comprovação do efetivo pagamento no valor de R$34.500,00. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação argumentando que o valor referese a despesas médicas odontológicas do próprio contribuinte, e que foram pagas em espécie ou cheques. A DRJ Recife, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pelo Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega o contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando se apresenta recibos completos. Colaciona doutrina e traz argumentos jurídicos para buscar sustentar suas despesas. Salientese que em sede de Recurso Voluntário junta o contribuinte declaração para fins fiscais, emitida e assinada por cada profissional de saúde que prestou serviço a ele, corroborando o valor recebido, a forma de pagamento, o serviço executado e detalhamento do tratamento. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 19647.016189/200841 Acórdão n.º 2001000.986 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos que geraram dúvidas na autoridade fiscal, a qual pediu maiores detalhes da comprovação da despesa, como o pagamento, a qual não foi apresentada pelo Contribuinte. No entanto, em sede de Recurso Voluntário junta o contribuinte declaração para fins fiscais, emitida e assinada por cada profissional de saúde que prestou serviço a ele, corroborando o valor recebido, a forma de pagamento, o serviço executado e detalhamento do tratamento. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Do exposto se depreende que as declarações e recibos, por si sós, podem ser frágeis, principalmente se estão desacompanhadas da prova da efetiva transferência dos numerários, não eximindo nestes casos, portanto, os seus interessados do ônus de provar a veracidade das informações neles contidas quando sobre os mesmos possa pairar alguma dúvida, pois unicamente as informações contidas em declarações e recibos podem se mostrar insuficientes ao convencimento do julgador, nos termos permitidos no art. 29 do Decreto n° 70.235/72, já supra transcrito, o que ocorreu no caso pela falta, entre outros, de comprovação da efetivação do pagamento através de extratos, cópias de cheques nominativos compensados ou outros documentos bancários. 23. ln casu, não há, no processo, qualquer outro meio de prova das deduções declaradas, além de recibos e documentos de lavra dos emitentes dos recibos. Fl. 114DF CARF MF 4 29. É preciso esclarecer que o responsável pelas informações prestadas na declaração de ajuste anual é o declarante, que, assim, deve adotar as cautelas necessárias ao perfeito cumprimento da obrigação acessória e que, de conformidade com o disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato 30. Assim, deve ser mantida a glosa efetuada pela fiscalização. 31. Diante do exposto, voto pela procedência da Notificação de Lançamento fls. 09 a 16.. [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal ficou com muitas dúvidas acerca da existência de tais despesas. No entanto o contribuinte, ora Recorrente, demonstrou boa fé e disponibilidade para esclarecer as duvidas e comprovar a existência das despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade Fl. 115DF CARF MF Processo nº 19647.016189/200841 Acórdão n.º 2001000.986 S2C0T1 Fl. 4 5 material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na prova documental do Recorrente, bem como sua postura colaborativa e visivelmente de boa fé, entendo, que deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para serem acatadas as despesas médicas anteriormente glosadas. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar as despesas médicas glosadas anteriormente. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.905218/2009-79
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jan 14 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Os serviços médicos de atendimento em consultórios, prestados em clínicas médicas, não podem ser considerados como serviços hospitalares para fins de aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 8%. O ônus da prova para comprovação da prestação de serviços com estrutura equiparada ao serviço hospitalar é do contribuinte. Na falta de comprovação de equiparação, não há que se falar de direito creditório baseado em suposto recolhimento a maior baseado na aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32%, principalmente quando o contribuinte modifica o objetivo social para acrescentar a prestação de serviço ambulatorial anos após os recolhimentos efetivados.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.546
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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MARCELO G. REIS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2001 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Os serviços médicos de atendimento em consultórios, prestados em clínicas médicas, não podem ser considerados como serviços hospitalares para fins de aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 8%. O ônus da prova para comprovação da prestação de serviços com estrutura equiparada ao serviço hospitalar é do contribuinte. Na falta de comprovação de equiparação, não há que se falar de direito creditório baseado em suposto recolhimento a maior baseado na aplicação do coeficiente de presunção do lucro presumido de 32%, principalmente quando o contribuinte modifica o objetivo social para acrescentar a prestação de serviço ambulatorial anos após os recolhimentos efetivados. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 52 18 /2 00 9- 79 Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 133 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 109/115) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo, apenso ao Processo n.º 10580.905930/200978 ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 102/105), proferida em sessão de 30 de agosto de 2013, consubstanciada no Acórdão n.º 1142.467, da 3.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Recife/PE (DRJ/REC), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 33/35) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 09/04/2009 (efl. 29), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 32299.86346.140706.1.3.044235 (efls. 02/06), transmitido em 14/07/2006, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2001 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. A certeza e a liquidez dos créditos são requisitos indispensáveis para a compensação autorizada por lei. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. UTILIZAÇÃO INTEGRAL. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. Mantémse o despacho decisório que não homologou a compensação quando constatado que o recolhimento indicado como fonte de crédito foi integralmente utilizado na quitação de débito confessado em DCTF. Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 134 3 INDÉBITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DE DCTF. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DE ERRO MATERIAL. O erro do valor do débito apontado na DCTF, de cuja retificação resulte crédito ao sujeito passivo, precisa ser comprovado mediante apresentação de documentos hábeis. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: A interessada acima qualificada apresentou Declaração de Compensação – DCOMP, por meio da qual compensou crédito do Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ com débito de sua responsabilidade. O crédito seria decorrente de pagamento indevido ou a maior do imposto. Através de despacho emitido eletronicamente, a Delegacia da Receita Federal identificou integral utilização anterior do pagamento, em face do que não homologou a compensação declarada. A interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que apurou o imposto a pagar com o percentual de presunção de 32%, enquanto o correto seria de 8%. Diz que, por equívoco, deixou de retificar a DCTF oportunamente. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 10.573,17, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi quitado, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 30/09/2001 2089 R$ 10.573,17 31/10/2001 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 3180141388 R$ 10.573,17 DB: cód 2089 PA 30/09/2001 R$ 10.573,17 Valor Total R$ 10.573,17 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 30/04/2009 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 135 4 Principal: R$ 191,73 Multa: R$ 38,34 Juros: R$ 62,06 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito objeto da irresignação e, por conseguinte, não homologando a compensação no limite do crédito objeto do inconformismo, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Conforme relatado, a DRF constatou a existência do pagamento, todavia observou que o recolhimento fora integralmente vinculado a débito confessado em DCTF. Assim, restou inexistente o crédito reclamado na DCOMP, razão pela qual não foi homologada a compensação nela declarada. Como se sabe, nos termos da legislação de regência (Instruções Normativas SRF n.º 077, de 24 de julho de 1998; 016, de 14 de fevereiro de 2000, e posteriores), a DCTF constitui instrumento de confissão de dívida quanto aos débitos nela declarados. Alega a inconformada que se equivocou no percentual de presunção do lucro, pois desenvolve serviços hospitalares, aduzindo que retificou a DCTF posteriormente à decisão denegatória. A Solução de Divergência Cosit n.º 10, de 14 de setembro de 2007, traz as seguintes conclusões acerca do tema: (...) Isto posto, concluise que, para ser considerado prestador de serviços hospitalares, sobre cuja receita caberá a aplicação do percentual de 8% (oito por cento), para fins de determinação da base de cálculo do lucro presumido, e do percentual de 12% (doze por cento), para fins de determinação da base de cálculo da CSLL, o estabelecimento assistencial de saúde deverá atender cumulativamente aos seguintes requisitos, previstos no art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1.º da IN SRF n.º 539, de 2005: a) desempenhar uma ou mais das atribuições do inciso I, do art. 27 da IN SRF n.º 480, de 2004, com a alteração introduzida pelo art. 1.º da IN SRF n.º 539, de 2005, ou, no caso da atribuição “Prestação de Atendimento de Apoio ao Diagnóstico e Terapia”, exercer uma ou mais das atividades descritas nos itens 4.1 a 4.14, da RDC n.º 50, de 2002, da Anvisa; b) prestar os serviços em ambientes desenvolvidos de acordo com a Parte II Programação Físico Funcional dos Estabelecimentos de Saúde, item 3 Dimensionamento, Quantificação e Instalações Prediais dos Ambientes, da RDC n.º 50, de 2002, da Anvisa, com a alteração introduzida pela RDC n.º 307, de 14 de novembro de 2002, e pela RDC n.º 189, de 18 de julho de 2003, cuja comprovação deve ser feita por meio de documento competente expedido pela vigilância sanitária estadual ou municipal; e c) ser empresário ou pessoa jurídica constituída sob a forma de sociedade empresária, nos termos do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF n.º 18, de 23 de outubro de 2003, e do Novo Código Civil. Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 136 5 Relevese que a disponibilidade do crédito pleiteado é examinada no momento do despacho proferido pela autoridade a quo. Se a retificação somente foi promovida após exarado o despacho, como admite a interessada, cabialhe o ônus de provar o erro em que fundada a modificação. Entretanto, não há, nos autos, comprovação de que a interessada efetivamente seja prestadora de serviços hospitalares, nas condições da legislação regente. Como a simples retificação da DCTF, desacompanhada de documentos que demonstrem a ocorrência de erro de fato, não tem o condão de comprovar as alegações trazidas na manifestação de inconformidade, temse que quando da transmissão do PER/DCOMP em análise o crédito não existia, já que o pagamento estava integralmente vinculado a débito declarado pela contribuinte em DCTF. Assim, não poderia a autoridade a quo reconhecer crédito algum para a interessada, dado que o valor recolhido já fora, ao tempo do decisório, integralmente alocado a débito regularmente confessado pelo sujeito passivo. E, não sendo líquido e certo o crédito contra a Fazenda Pública, não pode ser postulada sua compensação para extinguir débitos do sujeito passivo (art. 170 do CTN). Ante o exposto, voto por julgar improcedente a manifestação de inconformidade. No recurso voluntário (efls. 109/115), em apertada síntese, invocando os princípios da legalidade objetiva e da verdade material, o contribuinte argumenta que exerce a atividade de prestação de serviço médico ambulatorial, com recursos para realização de procedimentos cirúrgicos serviços hospitalares. Por isso, diz que se equivocou no recolhimento tributário, pois ao invés de imputar o percentual de 8% do Lucro Presumido o fez em base maior (32%), pelo que teria crédito a restituir passível de posterior compensação. Sustenta que retificou a DIPJ e a DCTF por se enquadrar no conceito de "serviços hospitalares". Pondera, também, que a decisão de primeira instância não reformou o despacho decisório com base na premissa de que a DCTF retificadora foi posterior ao despacho decisório e pelo fato de não terem sido apresentadas provas para satisfazer a comprovação da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido. Neste prisma, alega que a retificação da DCTF e da DIPJ são permitidas, face a verdade material e jurisprudência administrativa. Por sua vez, a exigência de provas para comprovação da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido não poderia ser levada em consideração, pois o cerne da questão que motivou o despacho decisório era a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado o mesmo considerando o contexto da DCTF original ao se confrontar créditos e débitos. Por fim, defende que presta serviço equiparado ao hospitalar, inclusive argui que teria apresentado Consulta na RFB da 5.ª Região Fiscal, cuja resposta teria sido objeto da Solução de Consulta n.º 9, de 31 de março de 2008. Juntou contrato social, com data no ano de 2005, no qual consta como objetivo social "a prestação de serviços médicos em geral e especializado" (efls. 121/125). Juntou, outrossim, alteração social, com data no ano de 2006, no qual consta modificação do Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 137 6 objetivo social para "prestação de serviços clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios)" (efls. 126/127). Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 10.573,17. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 18/10/2013, sextafeira, efls. 106/107, e protocolo recursal em 19/11/2013, efl. 109), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 138 7 Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação no despacho decisório, eis que não se reconheceu o direito creditório; naquela ocasião ainda não havia sido retificada a DIPJ e a DCTF. A fim de refutar tal constatação, o contribuinte retificou a DCTF e afirma que a DIPJ corroboraria a informação e também foi apresentada a retificadora. Ocorre que, após analisar os autos, constato que não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da redução do valor devido a título do tributo que estava inicialmente alocado no DARF objeto do crédito anotado no PER/DCOMP, de forma que inexiste comprovação, pelo contribuinte, de certeza e liquidez para o crédito vindicado. Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 139 8 Fato é que quando o despacho decisório analisou o PER/DCOMP o crédito estava integralmente alocado face ao conteúdo da DCTF e DIPJ, inexistindo saldo disponível, inexistindo crédito apto a restituição. Quando do recurso para a primeira instância, sobreveio argumentos no sentido de que o saldo passou a estar disponível, pois ocorrera a retificação da DCTF e da DIPJ, no entanto, observo que a liquidez e certeza do crédito não foram demonstradas, haja vista que a mera retificação, apesar de possível, face a verdade material, por si só não dá certeza e liquidez ao crédito vindicado. Aliás, a DCTF e a DIPJ foram retificadas após o prazo legal de 5 anos, o que lhes retira o valor probante para o efeito de gerar direito creditório, a não ser que estivessem acompanhadas de documentos contábeis e fiscais, o que não é o caso dos autos. A questão é que o crédito é bastante controvertido. Vejase. A despeito do contribuinte alegar que exerceu a atividade de prestação de serviço médico ambulatorial, procedimentos cirúrgicos, supostamente tendo se equiparado a serviços hospitalares, o que lhe daria permissão ao recolhimento tributário com base no percentual de 8% do Lucro Presumido, quando o fez em base de cálculo maior (32%), não se comprovou que efetivamente tenha exercido as supostas atividades de "serviços hospitalares" na época do recolhimento. Aliás, no contrato social, datado do ano de 2005, consta como objetivo social "a prestação de serviços médicos em geral e especializado" (efls. 121/125), não havendo verossimilhança de que se equiparou a serviços hospitalares por ocasião do recolhimento. Por sua vez, somente na alteração social datada do ano de 2006 constou a modificação do objetivo social para "prestação de serviços clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios)" (efls. 126/127), sendo que esta modificação é posterior ao período em litígio. Logo, inexistindo provas do efetivo serviço prestado equiparado ao serviço hospitalar, bem como diante destas observações dos atos constitutivos, não visualizo certeza e liquide no crédito. Importante ponderar, ainda, que tendo o contribuinte constituído nova linguagem competente com a apresentação da DIPJ e da DCTF retificadas, dando nova roupagem a lide tributária, entendo que agiu corretamente a primeira instância quando manteve a não homologação do PER/DCOMP após efetivar uma adequada análise da matéria de prova presente nos autos, quando julgou a contenda. A retificação efetivada pelo contribuinte constituiu nova situação fáticojurídico que prescinde da análise probatória, não sendo, portanto, correta a afirmativa da defesa no sentido de que a exigência de provas para comprovação da aplicação do percentual reduzido do lucro presumido não poderia ser levada em consideração, pois o cerne da questão que motivou o despacho decisório era a inexistência do direito ao crédito por não ter sido identificado o mesmo. Ora, aceitar tal conclusão seria permitir o "Tu quoque" (a categoria está intimamente ligada a teoria dos atos próprios), isto é, uma prática que estimularia uma ofensa a boafé objetiva; o contribuinte poderia se valer de sua própria torpeza, o que é vedado pelo direito em sua função de controle, que impõe o dever de agir conforme a boafé. Por fim, o Decreto n.º 70.235, de 1972, que disciplina o processo administrativo fiscal no âmbito Federal, bem enuncia que na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção (art. 29). Fl. 139DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 140 9 De mais a mais, uma suposta consulta apresentada não foi anexada nos autos para eventual análise, mas, de toda forma, o contrato social e a alteração efetivada no ato constitutivo foram colacionados e não apontam para uma eventual certeza e liquidez do vindicado crédito, como explanado em linhas pretéritas, uma vez que somente após o recolhimento alegado como indevido exsurgiu no contrato social a "prestação de serviços clínica médica (clínicas, consultórios e ambulatórios)" (efls. 126/127). Logo, em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. A despeito da retificação da DCTF, inexistiu provas, mínimas que fossem, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. As conclusões da DRJ não foram infirmadas de modo apto a justificar uma eventual reforma ou nulidade. Por conseguinte, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Demais disto, a retificadora desprovida de outros elementos não corrobora com a certeza e liquidez necessárias para autorizar o reconhecimento do crédito. Da forma como este é vindicado apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez. Desprovidos de outros elementos, não resta comprovado o crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração da comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Fl. 140DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 141 10 Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam dos documentos. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Outrossim, não compete a este julgador sanear os autos para colacionar provas ao processo, quando sequer está convencido quanto a verossimilhança das alegações. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária e a primeira instância não agiram em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 10580.905218/200979 Acórdão n.º 1002000.546 S1C0T2 Fl. 142 11 (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.908018/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE.
Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garante-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.
O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
Numero da decisão: 3201-004.861
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente SATURNIA SISTEMAS DE ENERGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2003 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garantese, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. “A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral.” (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01 062018 PUBLIC 04062018) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 80 18 /2 00 9- 09 Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de pedido de compensação lastreado em crédito de COFINS paga a maior, em razão de o ICMS ter sido incluído na base de cálculo da contribuição. Por bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da instância a quo: (...) Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Cofins, código de arrecadação 5856), (...). Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: “II. DO DIREITO A. PRELIMINARMENTE A. 1. 1a PRELIMINAR DO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DO CONTRADITÓRIO Dispõe o artigo 5o, LV da Constituição Federal o seguinte: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e amola defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Ora, no caso em tela, em decorrência de obrigação legal, a Defendente efetuou a sua declaração de crédito e de compensação via PER/DCOMP com base na internet, instrumento ágil e eficiente, que, entretanto, deveria ser apreciado com mais atenção por parte do fisco, o que não aconteceu no caso em tela. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 4 3 Antes de indeferir de imediato, sem qualquer contraditório, o pedido da Defendente alegando a inexistência de crédito, deveria o fisco intimar a empresa a explicar a origem do crédito, quando então tudo seria provado através de documentos, uma vez que é impossível enviar qualquer informação quando a compensação é feita via internet. Tivesse a Receita Federal intimado a Defendente certamente ter seia iniciado o contraditório, a Receita Federal saberia exatamente como o crédito nasceu e o direito à ampla defesa ficaria assegurado, o que não ocorreu. A fim de combater a r. decisão, no mérito, a Defendente apresenta todos os documentos que justificam a origem do crédito e os respectivos fundamentos de ordem jurídica. Merece assim a preliminar merece ser acatada para julgar nulo o decisório e determinar que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, a fim de que todos os documentos sejam apreciados e nova decisão seja proferida. A. 2. 2ª PRELIMINAR DA SUSPENSÃO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO NOS TERMOS DO ARTIGO 265. IV. "a" DO CPC ATÉ JULGAMENTO DA ADC 18 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O crédito utilizado pela ora Defendente referese ao PIS/COFINS pago indevidamente sobre o ICMS e a matéria já se encontra em fase de julgamento perante o STF, nos autos da ADC 18, que terá efeito "erga omnes", em que inclusive foi concedida liminar objetivando paralisar todos os processos em andamento, nos seguintes termos: "EMENTA: Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3o,§ 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal". Vêse, portanto, que o STF determinou a suspensão de todos os processos, uma vez que se tratando ação direta de constitucionalidade, o resultado do seu julgamento terá efeito "erga omnes". Assim, requer a ora Defendente que o presente processo também permaneça em suspenso, nos termos do artigo 265, IV, "a" até julgamento final da ADC 18 por parte do STF, quando então a mencionada decisão favorável ou desfavorável será aplicada no caso em tela. Fl. 155DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 5 4 A. 3. 3ª PRELIMINAR DA UNIÃO DOS PROCESSOS De forma indevida, ou seja, antes que tivesse ocorrido o trânsito em julgado pela via administrativa, a Receita Federal do Brasil em Sorocaba abriu outro Processo Administrativo de número 10855908.304/200966, relacionado com o débito para iniciar de imediato a cobrança, uma vez que até o DARF já foi emitido. Entretanto, tal procedimento não tem amparo legal, uma vez que não se pode separar o débito em um processo e o crédito em outro, pois o processo administrativo é único e tal procedimento só poderia ser feito após decisão final do processo administrativo. Tal procedimento além de ilegal, ainda prejudicou a Defendente que foi obrigada a apresentar duas defesas praticamente idênticas, ou seja, uma para o processo relacionado com o débito e outra relacionada com o crédito, havendo necessidade, portanto, que ambos os Processos sejam juntados, a fim de que as decisões sejam proferidas simultaneamente. B.QUANTO AO MÉRITO Entende a ora Defendente que os autos retornarão á Delegacia de origem, sem apreciação do mérito, a fim de que nova decisão seja proferida, agora com a apreciação dos documentos juntados e que nunca foram pedidos pelo fisco. Caso, entretanto, os dignos julgadores entenderem de forma diferente, no mérito razão também assiste à Defendente, uma vez que o crédito utilizado é legítimo e por conseqüência, legítima também é a compensação efetuada, como a seguir exposto: B.l. O CRÉDITO UTILIZADO PELA DEPENDENTE É LEGÍTIMO. UMA VEZ QUE SE TRATA DO TRIBUTO COFINS/PIS PAGO INDEVIDAMENTE SOBRE O ICMS QUE SE ENCONTRA EM JULGAMENTO PERANTE O STF O Artigo 195, § 45 assim dispõe: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 4o A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no artigo 154,1." Por sua vez, o Artigo 154, I da Carta Magna assim dispõe: "A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no Artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;". Fl. 156DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 6 5 Ora, apesar de todas as fontes de custeio previstas na Constituição Federal, mesmo assim o legislador constituinte ainda deixou um cheque em branco para a União criar a qualquer momento uma nova fonte de custeio, condicionando, entretanto, sua criação, apenas mediante lei complementar, o que não aconteceu no caso em tela, pois a incidência do PIS/COFINS a partir da Carta de 1988 foi introduzida pela Lei ordinária 9.718/99 e sucessivas alterações sempre através de Medidas Provisórias e Leis Ordinárias, havendo assim patente ofensa ao Artigo 195, § 4o, cominado com o Artigo 154, I da Constituição Federal. B. 2. DOS MOTIVOS PELOS QUAIS O ICMS IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO FAZ PARTE DO FATURAMENTO. SOB PENA DE OFENSA DIRETA AO ARTIGO 195.1. ALÍNEA "h" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL O Artigo 195 da Constituição Federal, assim ensina: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, deforma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Seguindo a ordem processual, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14041.425, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2003 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins não cumulativa. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma da decisão a quo por entender que: Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 7 6 a) houve cerceamento do direito de defesa – ausência do contraditório; b) deve ser suspenso o processo administrativo até o julgamento da ADC 18, pelo Supremo Tribunal Federal; c) o ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS; d) o valor pleiteado para utilização do crédito seria a diferença paga a maior por conta do ICMS estar na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.717, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10855.908014/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.717): O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente não há de se falar em cerceamento de defesa e ausência ao contraditório, uma vez, que tratase de regra, que previamente ao despacho decisório devese intimar o contribuinte para apresentar qualquer defesa. Ao ser intimado, podendo o Contribuinte apresentar sua defesa, não há qualquer supressão ao seu direito, sendo que o crédito apontado pelo contribuinte é decorrente da exclusão do ICMS. Ademais, a matéria ventilada é meramente de direito em sua primeira fase, pois, o Contribuinte alega ter direito ao crédito COFINS, diante da inclusão do ICMS na base de cálculo. Pois bem! O Supremo Tribunal Federal em repercussão geral, firmou o seguinte entendimento: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 8 7 contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2o, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3o, § 2o, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Ressaltase que o Pretório Excelso tem aplicado o entendimento em que não é necessário aguardar o julgamento dos Embargos de Declaração do RE 574706, vejamos: COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01062018 PUBLIC 04062018) Finalmente, essa Turma tem adotado o posicionamento de que deve ser excluído o ICMS da base de Cálculo do PIS/COFINS, vejamos: Acórdão: 3201004.124 Número do Processo: 10880.674237/201188 Data de Publicação: 12/09/2018 Contribuinte: RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES SA Relator(a): LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exc Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andr Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10855.908018/200909 Acórdão n.º 3201004.861 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante disso, resta prejudicado o pleito de sobrestamento do feito, concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 160DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.725113/2016-95
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2013
MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR.
São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.
Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância.
Numero da decisão: 2001-001.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Ricardo Moreira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE RICARDO MOREIRA
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PROVENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO. ISENÇÃO. COMPROVAÇÃO. LAUDO PERICIAL. DOCUMENTAÇÃO COMPLEMENTAR. São isentos os rendimentos de aposentadoria/pensão auferidos por portador de moléstia grave, elencada em Lei, reconhecida mediante Laudo Pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. Há de ser reconhecida a isenção quando o recorrente apresenta nos Autos documentação suficiente para suprir as falhas apontadas no lançamento e/ou decisão de primeira instância. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes (Presidente), Fernanda Melo Leal, José Alfredo Duarte Filho e José Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 51 13 /2 01 6- 95 Fl. 62DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, relativa ao Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF), por meio da qual se exige crédito tributário do exercício de 2013, anocalendário de 2012, em que foi apurada omissão de rendimentos. A contribuinte apresentou impugnação, que foi julgada improcedente, mediante Acórdão da DRJ Salvador. Cientificada, a interessada apresentou recurso voluntário de f. 43. Em síntese, informa que apresenta Laudo, subscrito por médico pertencente ao Serviço Oficial de Saúde, comprovando a moléstia grave. Solicita que seja reconhecida a isenção. É o relatório. Voto Conselheiro José Ricardo Moreira Relator O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Temos que, em cumprimento à regra geral prevista no art. 176 do Código Tributário Nacional CTN, especificando o tributo a que se aplica, as condições e requisitos exigidos para sua concessão, a isenção do IRPF sobre os rendimentos, no caso do contribuinte ser portador de determinadas espécies de doenças, foi instituída pela Lei n° 7.713, de 1988, mais especificamente no inciso XIV do artigo 6º, com redação dada pelo artigo 47 da Lei nº 8.541, de 23/12/92 e artigo 30, § 2º da Lei nº 9.250/95, e pela Lei nº 11.052, de 2004, in verbis: “Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente sem serviços e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma;” (Redação dada pela Lei nº 11.052, de 2004) Referida disposição encontrase regulamentada no Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto nº 3.000, de 1999, art. 39, XXXI, que estabelece: Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10480.725113/201695 Acórdão n.º 2001001.022 S2C0T1 Fl. 3 3 “Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Proventos de aposentadoria por Doença Grave XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º);” (...) § 5º As isenções a que se referem os incisos XXXI e XXXIII aplicamse aos rendimentos recebidos a partir: I – do mês da concessão da aposentadoria, reforma ou pensão; II – do mês da emissão do laudo ou parecer que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria, reforma ou pensão; III – da data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial. Importa destacar que o art. 30 da Lei nº 9.250, de 1995, veio estabelecer que, a partir de 1996, a moléstia deveria ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, assim: “Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios.” Com o recurso voluntário, foi apresentado Laudo Médico Oficial e documentação complementar que atestam a moléstia grave (f. 50/54), atestando a moléstia grave e suprindo falhas apontadas pelas autoridades lançadoras e julgadora. de primeira instância. Fl. 64DF CARF MF 4 Com base nestes fundamentos, devese reconhecer o direito à isenção pleiteado pela recorrente, haja vista que foi feita prova neste processo. CONCLUSÃO: Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) José Ricardo Moreira Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11817.000179/2005-30
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 05/05/2005
RECURSO INTEMPESTIVO. NÃO CONHECIMENTO.
Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto após o prazo legal.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3002-000.537
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente
(assinado digitalmente)
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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NÃO CONHECIMENTO. Não deve ser conhecido o recurso voluntário interposto após o prazo legal. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Relatora), Carlos Alberto da Silva Esteves e Alan Tavora Nem. Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório da decisão da DRJ, à fl. 126 dos autos: Trata o presente processo de Auto de infração, de fls. 01/06, referente à multa de R$ 5.000,00, prevista no art. 107, inc. IV, alinea “c”, do Decretolei n° 37, de 18 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 81 7. 00 01 79 /2 00 5- 30 Fl. 157DF CARF MF 2 de novembro de 1966, com redação dada pelo art. 77, da Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003. Da autuação Na descrição dos fatos, de fls. 02/03 a fiscalização narra, em resumo, que após o trânsito em julgado na esfera judicial de Mandado de Segurança, ocorrido no inicio do ano de 1999, que ao final negou a regularização de veículo estrangeiro usado, a então Secretaria da Receita Federal passou a diligenciar no sentido de buscar apreender o bem em questão, em face da irregularidade definida como Dano ao Erário, já declarada na inicial no mês de abril de 1988, quando o requerimento original foi apresentado na esfera administrativa. O autuante informa que “vencidas as diligências promovidas pela Receita Federal em São Paulo e após, ficar conhecido pelo Sistema Renavam o paradeiro do veiculo procurado foi o assunto encaminhado a esta Seção no mês de maio de 2004, quando passamos q tomar conhecimento dos fatos e, por conseguinte, buscar a apreensão do veículo”. Por meio da Intimação Safia n° 057/2004 (fls. 50/52) foi constatada a transferência de propriedade e identificado o Sr. João Carlos Montenegro como proprietário do veículo desde o dia 12/06/02, conforme Documento Único de Transferência do Detran que foi apresentado (fl. 55). Tal fato levou a fiscalização a proceder à nova intimação (Intimação Safia n° 071/2004 fls. 57/59), que compelia o interessado a “apresentar o veículo discriminado (..) no prazo de 5 (cinco) dias, a partir da data do recebimento desta intimação, ou, no mesmo interregno, prestar esclarecimentos, por escrito, se houver impossibilidade de cumprimento desta exigência, relacionada com a localização, posse ou detenção do referido bem” (fl. 57, negrito do original). O fiscal continua a expor que: diante da intimação, o Sr. João Carlos Montenegro, passou a promover a sua defesa judicial impetrando Mandado de Segurança na Justiça Federal. A liminar foi indeferida no dia 22/06/04 pelo Juiz Federal Substituto da 13” Vara Seção Judiciária do DF. De tal decisão o Sr. João Carlos Montenegro apresentou Agravo, tendo o desembargador decidido mantêlo na posse do veiculo até a decisão de mérito; no mérito foi denegada a segurança, fato ocorrido em 07/03/05, assim procedeuse a reintimação do Sr. João Carlos Montenegro para apresentar o veiculo, no prazo de cinco dias, a contar do recebimento da reintimação Safia n° 44/2005 (fl. 103), datada de 15/04/05. O Aviso de Recebimento retomou devidamente carimbado pelos Correios e Telégrafos indicando ter o mesmo sido entregue, no dia 20/04/05, no endereço constante dos registros cadastrais da Receita Federal e declarado pelo intimado. Conclui a autoridade autuante: Assim já transcorridos 15 dias da ciência da intimação e não cumprida a mesma na forma e no prazo estabelecidos (05 dias a contar do recebimento da reintimação para proceder à entrega do veículo a Receita Federal), tendo já o nominado proprietário tido ciência por duas vezes na área administrativa de que deveria proceder a entrega do veículo, e por estar ciente inclusive em razão dos procedimentos judiciais que encaminhou junto ao judiciário de que o Mandado de Segurança foi denegado e não tendo apresentado a Receita Federal qualquer justificativa escrita no sentido de responder a reintimação, restou proceder com o Fl. 158DF CARF MF Processo nº 11817.000179/200530 Acórdão n.º 3002000.537 S3C0T2 Fl. 158 3 presente Auto de Infração, uma vez que, diante do silêncio do intimado, fica caracterizado o ato de embaraço à fiscalização. Além disso, cabe registrar o duplo ato de desobediência o primeiro a não responder na forma e no prazo com a reintimacão e o segundo a não proceder à entrega do veículo, em conformidade com a reintimação já citada. Da impugnação Cientificado, em 23/05/05, por meio do Aviso de Recebimento (AR) de fl. 112, o interessado apresentou, em 10/06/05, a impugnação de fls. 114/121, onde alega, em síntese, que: é o 6° proprietário na cadeia dominial do automóvel e o adquiriu cercando se de todos os cuidados necessários junto ao Departamento de Trânsito Detran, onde não constava qualquer pendência, restrição ou irregularidade. Além disso, 4 anteriores proprietários do veículo, constantes da documentação fornecida por aquele Departamento, renovaram por mais de 10 anos seguidos o licenciamento do carro sem que esse órgão acusasse qualquer irregularidade; após receber, em 14/06/04, a notificação da Safia, determinando a entrega de veículo de sua propriedade em 5 dias, houve por bem o Impugnante, a fim de assegurar seu direito liquido e certo à propriedade e a manutenção na posse do bem, impetrar Mandado de Segurança com Pedido Liminar, processo n° 2004.34.00.0200477; indeferida a liminar pleiteada, o Impugnante agravou de Instrumento para o Tribunal Regional Federal da 1” Região, processo n° 2004.01.00.0319007, onde a decisão foi reformada, autorizando que ele permanecesse na posse do veiculo, até decisão final de mérito; posteriormente, por ocasião da sentença de mérito publicada no Diário Oficial de 19/04/05, foi denegada a segurança pleiteada pelo ora Impugnante, tendo sido interposto recurso de apelação em face da sentença. entretanto, durante o interregno entre a prolação da sentença (07/03/05) e sua publicação no Diário de Justiça (19/04/05), a Seção de Fiscalização Aduaneira (SAF IA), partindo de premissa equivocada de que a sentença de lª instância se tratava de decisão final de mérito, em 15/04/05, reintimou o Contribuinte (reintimação Safia n° 44/2005), para que, em 05 (cinco) dias entregasse o veículo, sob pena de multa; todavia, enquanto não publicada a sentença de mérito, ela não produzirá efeitos (artigo 463 do CPC). Portanto, a liminar concedida pela Eminente Desembargadora Federal Maria Isabel Gallotti Rodrigues encontravase em pleno vigor; deste modo, é nula de pleno direito a reintimação' SAFIA n° 44/2005. porque a liminar que assegurava ao Impugnante manterse na posse do veículo ainda estava em pleno vigor, posto que não havia sido publicada a sentença denegatória da segurança no órgão oficial, o que afasta qualquer pretensão de aplicação de pena pecuniária, mas também porque a SAFIA ao reintimar o Contribuinte incorreu em gritante descumprimento de ordem judicial; ressaltase, mais uma vez, que não se tratava de decisão final de mérito, eis que da sentença cabia recurso, e esta faculdade foi exercitada pelo Contribuinte; Fl. 159DF CARF MF 4 com efeito, inconformado com a decisão denegatória da segurança, o Contribuinte interpôs, em 29/04/05, recurso de apelação com pedido de recebimento em duplo efeito, contudo, o recurso foi recebido apenas no efeito devolutivo; assim, mais uma vez irresignado com a decisão que recebeu a apelação apenas no efeito devolutivo, em 29/04/2005, o Contribuinte interpôs agravo de instrumento com pedido de tutela antecipada, processo n° 2005.01.00.0280642, com fito a emprestar efeito suspensivo à apelação interposta contra a sentença denegatória da segurança, a fim de manter o Impugnante na posse do veículo, ou seja, de forma coerente com a liminar anteriomiente concedida pelo Egrégio Tribunal naquele Agravo de Instrumento de n° 2004.01.00.031900 7/DF. em 05/05/05, por decisão liminar foi concedido efeito suspensivo à apelação interposta. Desse modo, foram restabelecidos os efeitos da liminar anteriormente concedida, mantendo, assim, o Impugnante na posse do bem, afastando a pretensão da Safia em apreender o referido veículo ou.de.aplicar qualquer. penalidade pecuniária. Cumpre frisar que a Procuradoria da Fazenda Nacional já foi devidamente intimada dessa decisão; o presente auto de infração foi lavrado consubstanciado em pretenso embaraço ou impedimento à ação da fiscalização, inclusive não atendimento à intimação. Consta do referido auto de infração que a data do suposto fato gerador (embaraço ou impedimento à fiscalização), 05/05/05 se deu em virtude de "...transcorridos l5 dias da ciência da intimação e não cumprida a mesma na forrma e no prazo estabelecido..."; porém, por cautela, há que se lembrar que o caso em exame está sub judice, e diferentemente do que arguido pela SAFIA, ainda não há decisão judicial definitiva, em prestígio ao duplo grau de jurisdição; portanto, não há como conceber que a Safia, em 05/05/05, mesma data da concessão do efeito suspensivo à apelação pelo MM Desembargador Federal Carlos Fernando Mathias, que restabeleceu a liminar anteriormente concedida, mantendo, assim, o Impugnante na posse do veículo, possa aplicar multa conta o Contribuinte em favor da Fazenda Nacional; a Safia, mais uma vez, ao lavrar o auto de infração contrariou decisão judicial que afastou qualquer pretensão de aplicação de penalidade até o julgamento final da apelação interposta no Mandado de Segurança. Resta claro, por conseguinte, que se houve "duplo ato de desobediência", se deu por parte da Safia, que vem sistematicamente descumprindo as duas liminares obtidas pelo Impugnante perante o Tribunal Regional Federal da 1” Região. Por fim, requer o impugnante que “seja julgado INSUBSISTENTE o auto de infração ora impugnado, quer pela nulidade da reintimação supostamente não atendida, quer pelo descumprimento de ordem judicial”. Registrese que em face da mudança de jurisdição instituída pela Portaria SRF n° 179, de 13/02/07, DOU de 14/02/07, o presente processo foi encaminhado pela DRJ/São Paulo II para esta DRJ/FOR. Com sua impugnação, o contribuinte juntou a procuração de fl. 123. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, conforme decisão que restou assim ementada: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 05/05/2005 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 11817.000179/200530 Acórdão n.º 3002000.537 S3C0T2 Fl. 159 5 NULIDADE DA INTIMAÇÃO. INOCORRÊNCIA A apreciação de matéria no Judiciário não e motivo de impedimento da expedição de intimações pela fiscalização. A intimação exarada por autoridade competente, nos termos da lei, e regularmente notificada ao sujeito passivo é plenamente válida. Assumo: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 05/05/2005 EMBARAÇO A AÇAO FISCAL. NAO ATENDIMENTO A INTIMAÇAO. MULTA. Aplicase a multa no valor de R$ 5.000,00 (cinco mil reais) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de não apresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte foi intimado da decisão em 07/10/10 (vide AR à fl. 137 dos autos) e, insatisfeito com o seu teor interpôs, em 16/12/2010, Recurso Voluntário (fls. 142/150). Em seu recurso, o contribuinte argumentou, preliminarmente, a nulidade da intimação acerca do acórdão, por ter sido enviada para endereço onde não mais residia, apesar do mesmo ter informado seu endereço correto desde a impugnação. Requereu a devolução do prazo ou o recebimento do recurso, bem como informou endereço para envio de comunicações. Segue, então, narrando que, tendo adquirido o veículo objeto da discussão, dirigiuse ao Detran, onde se certificou da regularidade do automóvel, não tendo sido constatado qualquer problema. Recebida a notificação fiscal com a determinação de entrega do bem sob pena de multa, impetrou mandado de segurança tendo obtido decisão liminar através de agravo de instrumento autorizandoo a permanecer na posse do bem até decisão final. Na decisão final do processo, narra o contribuinte que obteve, em sede de apelação, decisão favorável, tendo ocorrido seu trânsito em julgado. No mérito, frisou que foi reconhecida judicialmente a decadência do direito da Administração de impor a pena de perdimento sobre seu veículo, e que foi reconhecida sua boafé por ter buscado verificar a regularidade do veículo no órgão público competente e confiado nas informações obtidas. Argumentou que tal confiança nos órgãos da Administração resta mais uma vez abalada, pois o acórdão, na tentativa de manter a aplicação da multa, teria chegado a entrar em contradição em relação ao objeto da reintimação enviada ao contribuinte. Teria, ainda, a decisão, adotado premissa equivocada, ao entender que, com a prolação da sentença, o mandado de segurança teria recebido decisão negativa definitiva, quando, na realidade, ainda cabia recurso, o qual foi manejado e provido. Considera que houve por parte das autoridades fiscais, assim, desrespeito a decisão judicial que afastou a possibilidade de aplicação de penalidade, tanto a de perdimento, quando a de multa. Fl. 161DF CARF MF 6 O contribuinte argumentou, ainda, que não houve qualquer omissão de sua parte em relação às intimações que lhes foram enviadas, pois em sua impugnação teria restado justificada a não entrega do veículo, quando informou acerca do processo judicial em trâmite, de modo que o que teria ocorrido no presente processo administrativo teriam sido sucessivos descumprimentos de decisão judicial. Argumentou, ao fim, que, sendo insubsistente a penalidade principal (perdimento de bens), também o é a acessória (multa), principalmente por ter sido aplicada em razão de reintimação contrária a decisão judicial. Requereu, ao fim, o reconhecimento da nulidade da intimação acerca do acórdão para que lhe seja devolvido o prazo ou recebido o presente recurso. No mérito, requereu a declaração de insubsistência do auto de infração e da multa aplicada. Juntou os documentos de fls. 151/154, quais sejam: procuração e comprovantes de endereço. Os autos, então, vieramse conclusos para fins de análise do Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte. É o relatório Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora: O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. 1. Do argumento preliminar de nulidade da intimação acerca do acórdão Consoante acima narrado, o contribuinte apresenta em seu Recurso Voluntário argumento preliminar no sentido de que a intimação acerca do acórdão seria nula, visto que fora encaminhada para endereço onde não mais residia (SQS 208, Bloco C, apto 403, 70254030, Asa Sul, Brasília/DF), apesar do mesmo ter informado seu endereço correto desde a sua impugnação (SQS, Bloco R, apto. 110, Asa Sul, Brasília/DF). Requereu, então, a devolução do prazo ou o recebimento do recurso, bem como informou um terceiro endereço para envio de comunicações (SHIS QL 14, Conjunto 06, Casa 16, Lago Sul, CEP: 71.640065, Brasília/DF). No intuito de comprovar o seu domicílio atual (SHIS QL 14, Conjunto 06, Casa 16, Lago Sul, CEP: 71.640065, Brasília/DF), para onde requer que as novas intimações sejam enviadas, anexou aos autos contas da TIM e do Extra, direcionadas para este endereço (vide fls. 153/154 dos autos). Foi anexada aos autos, ainda, consulta à base do "CPF" do contribuinte, realizada em 17/12/2010, em que consta como endereço cadastrado o mesmo para o qual fora enviada a notificação do acórdão recorrido, qual seja, SQS 208, Bloco C, apto 403, 70254030, Asa Sul, Brasília (vide fl. 155). Ao analisar o pleito do contribuinte, penso que, para que seja reconhecida a nulidade da intimação realizada no presente caso, não basta que o contribuinte tenha indicado outro endereço em sua impugnação. Isso porque, como é cediço, o endereço que deverá ser considerado pela Receita Federal para fins de envio de notificações é o endereço eleito pelo Fl. 162DF CARF MF Processo nº 11817.000179/200530 Acórdão n.º 3002000.537 S3C0T2 Fl. 160 7 próprio contribuinte, conforme cadastro realizado perante este órgão. Esse entendimento, inclusive, encontrase sedimentado por meio da súmula CARF nº 09, in verbis: Súmula CARF nº 9: É válida a ciência da notificação por via postal realizada no domicílio fiscal eleito pelo contribuinte, confirmada com a assinatura do recebedor da correspondência, ainda que este não seja o representante legal do destinatário. Acontece que, em consulta à base do "CPF" do contribuinte, realizada em 17/12/2010, ou seja, pouco tempo após o envio da notificação, concretizada em 07/10/2010, foi constatado que o endereço registrado permanecia na SQS 208, Bloco C, apto 403, 70254030, Asa Sul, Brasília/DF. Nesse contexto, há de se reputar válida a notificação enviada a este endereço. Afasto, portanto, a preliminar de nulidade suscitada pelo Recorrente. 2. Da intempestividade do Recurso Voluntário interposto Sendo assim, considerando que o contribuinte fora intimado da decisão em 07/10/10 (vide AR à fl. 137 dos autos) e que o Recurso Voluntário fora interposto tão somente em 16/12/2010 (fls. 142/150), não restam dúvidas acerca da sua intempestividade. 3. Da conclusão Diante do acima exposto, voto no sentido de não conhecer do Recurso Voluntário, em razão da sua intempestividade. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora Fl. 163DF CARF MF
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