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Numero do processo: 37172.001438/2006-47
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Dec 02 00:00:00 UTC 2010
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/07/2000 a 30/04/2005
DECADÊNCIA, STF, INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. CORESP.. EXCLUSÃO DOS DIRETORES. PERÍCIA, INDEFERIMENTO, SALÁRIO INDIRETO, VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA E ASSISTÊNCIA MÉDICA NÃO INTEGRAM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de perícia, indeferindo-o se a entender desnecessária protelatória ou impraticável.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
No presente caso aplica-se a regra do artigo 150, §4", do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente.
As instâncias administrativas não compete apreciar vícios de
inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua.competência.
Não ocorre cerceamento de defesa so comprovado no processo, que o
autuado tomou ciência do prazo legal para apresentação de defesa,
Os diretores somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN.
O vale-transporte pago em pecúnia pela empresa não integra o salário de contribuição, vez que não possui natureza salarial, estando de acordo com o §9º, artigo 28 da Lei 8..212/91..
SALÁRIO INDIRETO - ASSISTÊNCIA MÉDICA
Para ocorrer a isenção fiscal sobre as despesas com assistência médica concedida aos trabalhadores, a empresa deverá observar a legislação sobre a matéria, Ao ocorrer o descumprimento da Lei 8.212191, as quantias despendidas pela empresa com a assistência medica de seus empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição previdenciária.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Credito Tributário Mantido em Parte
Numero da decisão: 2301-001.782
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Segunda
Seção de Julgamento, em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência de parte do período com base artigo 150, §4º do CTN, vencida a conselheira Bernadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. Quanto As demais preliminares, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de responsabilidade dos sócios. No mérito: por maioria de votos, em relação ao transporte, excluir os valores lançados, vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro Jose da Silva. O Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões, pois seu fundamento é a aplicação do art, 26-A do Decreto 70,235/72; e por voto de qualidade, em
relação ao beneficio de saúde, manter os valores lançados, vencidos os conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzales Silverio que davam provimento.
Apresentará voto vencedor a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros.
Nome do relator: Bernadete de Oliveira Barros
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Turma Ordinária Sessão de 2 de dezembro de 2010 Matéria SALÁRIO INDIRETO: TRANSPORTE SALÁRIO INDIRETO: ASSISTÊNCIA MÉDICA Recorrente PROSEGUR BRASIL S/A - TRANSPORTE DE VALORES F. SEGURANÇA Recorrida DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL EM BELO HORIZONTE - MG ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDE,NCIARIAS Período de apuração: 01/07/2000 a 30/04/2005 DECADÊNCIA, STF, INCONSTITUCIONALIDADE DAS NORMAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. CORESP.. EXCLUSÃO DOS DIRETORES. PERÍCIA, INDEFERIMENTO, SALÁRIO INDIRETO, VALE TRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA E ASSISTÊNCIA MÉDICA NÃO INTEGRAM SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. Cabe ao julgador administrativo apreciar o pedido de realização de perícia, indeferindo-o se a entender desnecessária protelatoria ou impraticável.. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. No presente caso aplica-se a regra do artigo 150, §4", do CTN, haja vista a existência de pagamento parcial do tributo, considerada a totalidade da folha de salários da empresa recorrente. As instancias administrativas não compete apreciar vícios de inconstitucionalidade, cabendo-lhes apenas dar fiel cumprimento à legislação vigente, por extrapolar os limites de sua.competência. Não ocorre cerceamento de defesa so comprovado no processo, que o autuado tomou ciência do prazo legal para apresentação de defesa, Os diretores somente poderão constar na lista de co-responsáveis do lançamento fiscal como mera indicação nominal de representação legal, mas não para os efeitos de atribuição imediata de responsabilidade solidária, visto que deverão ser observadas as condições previstas no artigo 135, do CTN. O vale-transporte pago em pecúnia pela empresa não integra o salário de contribuição, vez que não possui natureza salarial, estando de acordo com o §9", artigo 28 da Lei 8..212/91.. DAMIÃO CORDEIRO RAES - Relator SALÁRIO INDIRETO - ASSISTÊNCIA MÉDICA Para ocorrer a isenção fiscal sobre as despesas corn assistência médica concedida aos trabalhadores, a empresa deverá observar a legislação sobre a matéria, Ao ocorrer o deseumprimento da Lei 8.212191, as quantias despendidas pela empresa corn a assistência medica de seus empregados passa a ter natureza de remuneração, sujeitas, portanto, à incidência da contribuição prevideneidria. Recurso Voluntário Provido em Parte Credito Tributário Mantido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3" Câmara / I" Turma Ordinária da Segunda Seção de Julgamento, em relação à decadência, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso para declarar a decadência de parte do período corn base artigo 150, §4 0 do GIN, vencida a conselheira Bemadete de Oliveira Barros que aplicava o artigo 173, I do CTN. Quanto As demais preliminares, por unanimidade de votos, em acolher a preliminar de responsabilidade dos sOcios . No mérito: por maioria de votos, em relação ao transporte, excluir os valores lançados, vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro Jose da Silva. O Conselheiro Julio Cesar Vieira Gomes acompanhou o relator pelas conclusões, pois seu fundamento é a aplicação do art, 26-A do Decreto 70,235/72; e por voto de qualidade, em relação ao beneficio de saúde, manter os valores lançados, vencidos os conselheiros Damido Cordeiro de Moraes, Edgar Silva Vidal e Adriano Gonzales Silveri° que davam provimento . Apresentará voto vencedo • s e n eira Bemadete de Oliveira Barros. JULIO "ERA GOMES — Presidente r^ , ) BER- NADETE DE OLIV BARROS — Redatora designada Participaram do presente julgamento os conselheiros: Bemadete de Oliveira Banos, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro Jose Silva, Adriano Gonzales Silverio, Damião Cordeiro de Moraes e Julio Cesar Vieira Gomes (presidente). Fez sustentação oral a advogada da recorrente Dra. Raquel Elita Alves Preto, OAB/SP 108004, Relatório I. Trata-se de recurso voluntário interposto pela empresa PROSEGUR BRASIL S/A — TRANSPORTE DE VALORES E SEGURANÇA contra decisão monoeratica que julgou procedente o lançamento fiscal referente As contribuições destinadas a Seguridade Social --- parte do segurado e quota patronal para o financiamento dos beneficios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais 2 Processo n" 37172.001438/2006-47 S2-C3 TI AcórcHio n " 2301-01.782 Fl. 2 do trabalho — e as destinadas a terceiros, no recolhidas em época própria, no período de 01/07/2000 a 30/04/2005 2, Segundo historia o relatório fiscal, os fatos geradores das contribuições lançadas na notificação fiscal são as seguintes: "2 1 Valores pagos em espécie a segurados empregados, a titulo de "Vale Transporte" lançados em Folha de pagamento, no período de 10/2001 a 04/2005, nap considerados pela empresa conic parcela de incidência de contribuição para Previdência Social e terceiros; 2,2 Pagamentos efetuados pela empre.sa, ;detentes a benefício "Assistência Médica-Hospitalar", proporcionado à parle dos seas -seguradas empregados, (salório indhelo), no período de 07/2000 a 12/2004, não considerados pela mesma conto parcela de incidência de contribuição para Previdência Social e Terceiros." (fl .537) 3, A ementa da decisão de primeira instãneia restou vazada nos seguintes termos: "CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIARIA – DECADÊNCIA – PRAZO SUPLEMENTAR CO-RESPONSÃVEL – VALE TRANSPORTE, ASSISTENCIA MÉDICO-HOSPITALAR – SAT – TERCEIROS JUROS SELIC – CONSTITUCIONALIDADE DE NORMA. É de 10 (dez) anos o prazo para Seguridade Social apurar/constituir seus créditos, de acordo com o artigo 45 da Lei n" 8 212/91. Não existe, na legislação, prazo suplementar para apresentação de razões adicionais às suscitadas na defesa. Somente a pessoa jurídica Ibi notificada no pólo passivo do presente crédito previdenciório, as pessoas físicas qualificadas na autuaçdo referem-se aos Diretores da empresa. devida a contribuigdo sobre verbas referentes ao vale-transporte assistência médico-hospitalar não atendidas as condições previstas nos exclusões do art .28, ,sç9", alíneas "I' e 'q', c/c o ai! 214, ,yr 9", VI e XVI do Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto n" 3 048/99 A empresa é obrigada a an ecadar e recolher até o dia dois do mês seguinte ao da competência, as contribuições a seu cargo, bem como as descontadas dOS segurados, con/brine estabelece o art. 30, inciso 1, alíneas 'a e 7,', da lei n" 8. 212/91 A contribuição devida ao INCRA fbi instituída pela Lei .2..613/5.5, sendo devida por todas as empresas, e ndo _somente pelas vinculadas ao setor rural São devidas as contribuições destinadas ãs entidades denominadas terceiros SERRAR, SEST e SENA T, confbrme art 240 CF/88, c/c Leis 8.029/90 e 8.706/93 e Dect elos regulamentado; es. 3 legitima a cobrança de juros incidentes sobre as contribuições previdéncias não recolhidas no prazo estabelecido on lei, confivine art .34, equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SEL1C e de multa moratória, art, 35, ambos da Lei 8.212/91 e alterações posteriores de caráter irreleveivel. O contencioso administrativo fiscal não é .foro adequado pat a discussão de ilegalidade ou inconstitucionalidade de normas LANÇAMENTO PROCEDENTES " 4. 0 contribuinte, por sua vez, manejou recurso voluntário, aduzindo, em sintese, o que se segue: nulidade da decisão recorrida, vez que não foram apreciadas, pelo julgador de primeira instância, as alegações postas no tocante à ineonstitucionalidade e ilegalidade suscitadas em sede de impugnação; b) decadência quinquenal das contribuições previdenciarias conforme preceitua a regra do artigo 173, inciso I, do CTN; e) reforma da decisão vergastada haja vista a ofensa aos princípios da isonomia processual, da proporcionalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa face ao exíguo prazo de 15 dias para defesa sem que fosse autorizada a dilação deste; d) nulidade do lançamento fiscal por vicio material, vez que o débito apurado 6 indevido, posto que inconstitucional e ilegal; e) a indevida indicação dos diretores como co-responsáveis dos débitos previdenciarias lançados ensejando a nulidade do lançamento tributário; f) inexigibilidade da contribuição previdenciaria incidente sobre os valores pagos aos seus empregados a titulo de vale-transporte; vez que não tern natureza salarial independentemente se pago em pecúnia; o beneficio 6 previsto em acordos em Convenções Coletivas de Trabalho descontado do salário base de todos os segurados não ofendendo o princípio da legalidade; impossibilidade de descaracterização das instrumentos de negociação entre o empregador e seus funcionários sob pena de ofensa ao principio da autonomia privada; g) inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre a assistência médica-hospitalar; 11) ilegalidade e inconstitucionalidade da cobrança ao SAT; necessidade de Lei Complementar para a instituição da contribuição ao SAT ate o advento da Emenda Constitucional n" 20/98 — ofensa ao principio da estrita legalidade; não prescrição adequada do fato gerador e do sujeito passivo da contribuição ao SAT e da classificação do grau de risco de acidente do trabalho através de Decreto — ofensa ao principio da estrita legalidade e da segurança juridica; o recolhimento da contribuição ao SAT com base na atividade preponderante or. da empresa 6 urna forma disfarçada de majoração de tributo, logo os decretos 4 Processo n" 37172.001438/2006-47 S2-C3T1 Acórdiio n " 2301-01,782 Fl 3 n" 1173/97 e o if 3.048 padecem de inconstitucionalidade e ilegalidade e afrontam o principio da capacidade contributiva e da igualdade; i) ilegalidade e inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA; j) inexigibilidade da contribuição para o SEST/SENAT, sua inconstitucionalidade e ofensa ao principio da legalidade; k) inexigibilidade da contribuição ao SEBRAE tendo em vista: i) inconstitueionalidade formal, vez que ha necessidade de Lei Complementar para sua instituição; ii) inconstitucionalidade material face a inadequação da sujeição passiva; I) inconstitucionalidade da cobrança de multa corn caráter contiscatório; m) inconstitucionalidade e ilegalidade de juros coin base na taxa Selic; n) inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança antecipada da contribuição previdenciária nos termos da Lei 9,063/95; o) necessidade da produção de prova pericial, 5 . As contra razões do fisco, por sua vez, são no sentido da manutenção da decisão vergastada, qual seja a procedência do lançamento fiscal em sua integralidade.. Após, os autos foram encaminhados a este Conselho.. É: o relatório. Vo to Conselheiro DAMIA0 CORDEIRO DE MORAES, Relator DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1, Conheço do recurso voluntário, posto que atende aos pressupostos de admissibilidade,. DAS QUESTÕES PRELIMINARES DA INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS 2, Inicialmente, a recorrente pugna pela nulidade da decisão recorrida, vez que não foram apreciadas, pelo julgador de primeira instância, as alegações postas no tocante inconstitucionalidade e à ilegalidade suscitadas em sede de impugnação. 3. Não obstante o bom arrazoado trazido pela empresa, o decisum recorrido merece prosperar incólume. 4.. F. que a apreciação de matéria constitucional em tribunal administrativo exacerba sua competência originaria que 6 a de órgão revisor dos atos praticados pela Administração, bem como invade competência atribuida especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal, No Capitulo III do Titulo IV, especificamente no que trata do controle da 5 constitucionalidade das normas, observa-se que o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exciter o controle constitucional das normas juridicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercê-la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal, 5.. Permitir que órgãos colegiadas administrativos reconhecessem a constitucionalidade de normas jurídicas seria infringir o disposto na própria Constituição Federal, padecendo, portanto, a decisão que assim o fizer, ela própria, de vicio de constitucionalidade, já que invadiu competência exclusiva de outro Poder., 6.. 0 professor Hugo de Brito Machado in "Mandado de Segurança em Matéria Tributária", Ed. Revista dos Tribunais, paginas 302/303, assim concluiu: "A conclusão mais consentãnea coin o sistema jurídico brasileiro vigente, portanto, hã de ser no sentido de que a autoridade administrativa não pode deixar de aplicar tuna lei pot consideró-la inconstitticional, ou mais exatamente, a de que a autoridade administrativa não tem competencia para decidir se unta lei é, ou não é inconstitucional " 7, Na mais, o próprio Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e a sumula n° 02 do mesmo órgão trazem a regra proibitiva nesse sentido: Portaria n" 256, de 22 de junho de 2009 (que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais): Art 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARE afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundament() de inconstitticionalickule. Sumula CARE N" 2 O CARE não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Razões pelas quais, rejeito a preliminar. PRAZO PARA DEFESA CERCEAMENTO DE DEFESA 9, Argumenta também a empresa que houve ofensa aos princípios da isonomia processual, da proporcionalidade, do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa face ao exíguo prazo de 15 dias para defesa sem que fosse autorizada a dilação deste.. 10. Data venha, sem razão a recorrente. Primeiro, porque o prazo concedido para a apresentação da defesa é proveniente da própria norma de regência do processo administrativo fiscal, devendo ser obedecida pelas partes . Segundo, porque demonstrado pela documentação acostada aos autos que a recorrente foi devidamente cientificada de todos os documentos no prazo determinado, o que assegura o pleno conhecimento das acusações, de maneira que não ha como determinar' que tenha o contribuinte sofrido qualquer' prejuízo em seu direito A ampla defesa e ao contraditório.. 11. Sendo assim, rejeito a preliminar ora suscitada. DO LANÇAMENTO FISCAL Yrm 6 Processo IV .37172.001438/200647 S2-C31- 1 Ac6n:15o n." 2301-01..782 Fl 4 12. A recorrente, por sua vez, defende ainda a "nulidade do lançamento fiscal por vicio material, vez que o débito apurado é indevido posto que inconstitucional e ilegal," 13. No entanto, a meu ver, tal pretensão não lhe assiste . Isso porque quanto ao procedimento da fiscalização e formalização do lançamento não se observou qualquer vicio que venha causar lesão ao contribuinte, uma vez que foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70,235, de 06/03/72, verbis: "Art. 10. 0 auto de infração verá lavrado por servidor competente, no local da verificação da lidta, e con terá obrigatoriamente. 1 - a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da lavratura, - a descrição do/rio, IV- a disposição legal infringida e a penalidade aphecivel; V - a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta VI - a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo 61gdo que administra o tributo e conterá obrigatoriamente - a qualificação do notificado,. II - o valor cio crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III - a disposição legal infiingida, .ve fin- o caso; IV - a assinatura do chefe do órgão eypedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matricula " 14. Compulsando os autos verifica-se, também, que a apuração da base de calculo do lançamento, o enquadramento legal e a descrição dos fatos foram demonstrados pelo auditor notificante e permitem a perfeita compreensão da origem da exigência lançada. 15. A seu turno, a decisão recorrida de igual modo atendeu as prescrições que regem o processo administrativo fiscal, posto que enfrentou todas as alegações do recorrente, corn a indicação clara dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias, de forma que não contém, portanto, qualquer vicio que suscite a nulidade da NFLD. 16. 0 contribuinte, por sua vez, combate o crédito lançado trazendo argumentação de natureza constitucional, fato que impede maiores comentários sobre as razões recursais haja vista explanação anterior. 17.. Ante o exposto, afasto essa preliminar. DA DECADÊNCIA ) 7 18. No que se retere à decadência, o Supremo Tribunal Federal - STF, por unanimidade de votos, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8,212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, nos seguintes termos: "Súmula Vinca/ante 0 0 08 Sao inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5" do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8 212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário 19. Os efeitos da Súmula Vinculante sao previstos no artigo 103-A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 1 L417, de 19/12/2006, in verbis: "Art 103-A 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de olicio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sabre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinca/ante en' relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bon coimo proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. (Incluido pela Emenda Constitucional n" 45, de 2004). Lei n° 11.417, de 19/12/2006' Regulamenta o art. 103-A da Constituição Federal e altera a Lei no 9.784, de 29 de janeiro de 1999, disciplinando a edição, a revisão e o cancelamento de enunciado de Anuila vinculante pelo Superno Tribunal Federal, e da outras providências. Art 2" 0 Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, após reiteradas- decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efLito vinca/ante cai relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esteios federal, estadual e municipal, bem COMO proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. )1ç. I" 0 enunciado da sinnula terá por objeto a validade, a interpetação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais bola, entre órgãos . judiciários ou entre esses e a administragão pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão. 20. Com efeito, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. 21. Desta forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8,212/91, resta verificar qual regra de decadência prevista no Código Tributário Nacional - CTN se aplica ao caso concreto, 22. Compulsando os autos, depreende-se dos documentos acostados pela fiscalização ?is fls, 550/653 contra a recorrente que o fisco constatou a existência de recolhimento parcial face à totalidade da folha de salários da empresa . Sendo assim, entendo que deva ser aplicada a regra do artigo 150, §4 0, do CTN.. 8 Processo n" .37172.001438/2006-47 S2-C3 TI Ac6R15.o n 2301-01.782 A 5 23, Assim, uma vez cientificado o recorrente do lançamento fiscal em 21/12/2005, referente as contribuições do período de 01/07/2000 a 30/04/2005, fica alcançado pela decadência quinquenal as competências 7/2000 a 11/2000, restando mantidas as competências 12/2000 a 4/2005, 24.. Em razão do exposto, acolho em parte a preliminar de decadência para decotar do lançamento fiscal as competências 7/2000 a 11/2000, E considerando a existência de débito remanescente, passo a examinar mais adiante as questões de fundo. EXCLUSÃO DOS DIRETORES DO ANEXO "CORESP" 25.. Ern suas razões recursais o contribuinte tece considerações defendendo a exclusão dos diretores da empresa da lista indicativa de 'co-responsáveis'. E, no meu sentir, tem razão a empresa recorrente. E. que, uma vez arrolados os diretores na lista anexa, o documento terá como escopo a garantia de inclusão das pessoas nele indicadas no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal. Portanto não se trata de uma simples lista de todas as pessoas fisicas, na qualidade de diretores, como defendido pela Fazenda, 26, Além do aspecto formal, a questão também deve ser analisada sob a perspectiva dos efeitos práticos e imediatos na vida dos contribuintes . E o prejuízo é patente, pois com o exaurimento do contencioso administrativo, o débito lançado sera de pronto inscrito no CADIN, em nome do autuado e também de todos os co-responsáveis listados na relação anexa a NFLD, sem que haja uma única oportunidade concreta de defesa, 27. Não é demais falar que no caso da pessoa jurídica, ela é quase sempre a responsável pelas suas obrigações tributárias, pois, além de ser o sujeito da relação jurídica tributária, tem também, na maioria das vezes, o dever legal de pagar o tributo. 28. Contudo, a lei prevê que, como exceção a regra geral, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições . 29. Nesse sentido, dispõe o inciso III do artigo 135, do Código Tributário Nacional que: "Art. 13.5 São pessoahnente responsáveis pelos créditos correspondentes a obriga cães tributárias re,suitantes de atos praticadas coin excess° de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos - I — (.. ) — ) III — os diretores, gerentes ou representantes de pessoas luridicas de direito privado " 30. Desta forma, diante do referido comando, a responsabilidade só poderá ser transferida para a pessoa do sócio-gerente responsável ou para o representante legal capaz . Além disso, somente poderá acontecer quando houver prova que praticaram qualquer um dos atos irregulares descritos no caput do artigo, 9 31. Encenado o processo administrativo com a confirmação da procedência da divida e não havendo pagamento, sera emitida a Certidão da Dívida Ativa, que fundamentará a execução fiscal,. Nela deve constar o nome do responsável pelo pagamento e, caso se tenha apurado alguma irregularidade capaz de imputar aos diretores ou ao representante legal a responsabilidade pelo pagamento, deverá conter a respectiva indicação, posto que nossos tribunais somente aceitam a citação dos co-responsáveis cujos nomes estejam mencionados na CDA, e apenas nessa hipótese poderá constar o nome do co-responsável. 32. Isso pique parte-se do pressuposto de que, como a CDA tem presunção de certeza e liquidez, estando o nome do diretor ou do representante nela incluído, presumir-se- 6, da mesma forma, que houve uma apuração de responsabilidade no processo administrativo, que garantiu o direito de defesa do incluido. 33. No entanto, no âmbito das execuções fiscais de contribuições previdenciárias, ate a revogação do art. 13, da Lei n. 8.620193, o chamamento dos co- responsáveis ocorria de imediato, independentemente de restarem infrutíferas as tentativas de localização de bens da própria empresa ou da prova da prática de algum dos atos previstos no art 135 do CTN. 34, Nesse aspecto, o Superior Tribunal de Justiça tern farta jurisprudência determinando que se et nome do co-responsável estiver inscrito na CDA, tal fato é suficiente para a sua sujeição passiva solidária, cabendo ao co-responsável apenas via embargos execução (cuja oposição é imprescindível a garantia do juizo), fazer contra-prova a. sua condição de sujeito passivo, inclusive com a inversão do ônus da prova para pessoa do sócio ou do diretor anolado na Certidão. 35, Nesse sentido colhe-se a seguinte decisão ementada: "PROCESSUAL CIVIL — AUSÊNCIA DE PREOUESTIONAMENTO — SÚMULA 211/STJ — NÃO-ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC — RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA — REDIRECIONAMENTO CONTRA SÓCIO CUJO NOME CONSTA NA CDA POSSIBILIDADE I. Des cumprido o necessário e indispensável exame dos artigos pelo acórdao recorrido, apto a viabilizar a pretensão recursal da recorrente, a despeito da oposição dos embargos de declaração. Incidência da Súmula 21 I/STJ. 2 A Primeira Seção, no julgamento dos EREsp 702. 232/RS, de relatoria do Min, Castro Meira, assentou que, se a execução .fiscal Pi promovida contra a pessoa jurídica e o sócio-gerente ou se a execução Pi ajuizada apenas contra a pessoa jurídica, mas o nome do sócio consta da CDA, compete ao sócio o ônus da prova de demonstrar que não incorreu em nenhuma das hipóteses previstas no mencionado art. 135 do CTN, em .face da presunção juris tantunt de liquidez e certeza da referida certidão. 3. Na hipótese dos autos, a Certidão de Divida Ativa, conforme verificado pelo Tribunal de origem, incluiu o sócio como corresponsável tributário, cabendo à executada o ónus de provar os requisitos do art 135 do CIN Agravo regimental improvido." 10 Processo II" 37172 001438/2006-47 S2-C31. 1 Adraliio 2301-01,782 Fl 6 (AgRg nos EDel no Ag 1162734/SP, Rol Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, Julgado em 0.5/11/2009, Die 17/11/2009) 36, Ressalte-se ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11,941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do co-responsável independentemente da pratica de qualquer fato previsto no art.. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no pólo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrárioo. .37. Resta claro o prejuízo pata as pessoas arroladas como responsáveis corn a sua inclusão na relação anexa ao presente lançamento, independentemente da pratica de qualquer ato previsto no art. 135 do CTN, pois a relação servirá de base para uma futura inscrição do debito em divida ativa. 38. Feitas essas considerações, acato esta preliminar a fim de afastar a co- responsabilidade dos diretores listados no CORESP. No entanto, voto por manter a lista nominal apenas corno urna relação meramente indicativa de representantes legais já que posteriormente servirá de consulta para a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, cabendo a ressalva de que esses nomes não poderão ser inscritos imediatamente em divida ativa tão- somente corn base nesta lista. NECESSIDADE DE PERiCIA .39., Ainda em sede preliminar, batalha a recorrente ern demonstrar a necessidade de produção de prova pericial, a qual requereu que fosse a apuração da "sistemática de calcitic) utilizada pelo fisco no que tange A aplicação dos juros pela taxa Selic," 2396) 40. O julgador de primeira instância, por sua vez, assevera que o motivo ensejador do lançamento é "o fato de a empresa não ter considerado as parcelas pagas aos segurados como incidentes de contribuição para a Previdência Social e Terceiros", de maneira que "a base de cálculo foi obtida através dos valores registrados nas folhas de pagamento, referente ao vale transporte, e pelo exame da contabilidade, Contas Contábeis: 3,99.06,02,031- 2 — Assistência Médica e 3..99.09..01.031-3 — Assistência Médica", o que torna desnecessária realização de perícia. (fl. 2022) 41. Entendo que a razão, neste ponto, está com o fisco, haja vista que a perícia no âmbito administrativo é reservada Aqueles casos em que pontos duvidosos são lançados nos autos de forma que somente conhecimentos especializados podem demonstrar a ocorrência ou não de determinados fatos, 42. Não é o caso ora analisado, pois a narrativa trazida pelo auditor em sua peça informativa é suficiente para o conhecimento dos fatos e valores que resultaram na lavratura da notificação fiscal de lançamento de débito. DO MÉRITO - DO PAGAMENTO DE VALE TRANSPORTE EM ESPÉCIE 43, Conforme as razões recursais apresentadas pelo contribuinte, sua pretensão em relação à rubrica 'vale transporte' resta consubstanciada nos seguintes H argumentos: inexigibilidade da contribuição previdenciária incidente sobre os valores pagos aos seus empregados a titulo de vale-transporte; vez que não tern natureza salarial independentemente se pago em pecúnia; o beneficio é previsto em acordos em Convenções Coletivas de Trabalho descontado do salário base de todos os segurados não ofendendo o principio da legalidade; impossibilidade de descaracterização dos instrumentos de negociação entre o empregador e seus funcionários sob pena de ofensa ao princípio da autonomia privada, 44. 0 fisco, par outro lado, pugna pela incidência de contribuição previdenciária sob a alegação de que "a empresa não cumpriu as determinações legais para exclusão das verbas discutidas da base de cálculo de contribuição." Argumenta que o recebimento de vale transporte em dinheiro era vedado pelo Decreto n 0 95.247/87 que regulamentou a Lei n" 7,418/85, instituidora do vale transporte. (fl. 2.012) 45. Com a devida vertia a tese fiscal, tenho por certo que tal pretensão não merece prosperar, vez que o simples fato de os valores relativos ao pagamento de transporte serem pagos aos empregados em espécie não tem o condão de modificar a natureza jurídica dessa verba, transformando-a em outro tipo de rendimento sujeito ao pagamento da contribuição previdenciária, 46. Sendo assim, a origem da verba paga tern natureza jurídica indenizatária, pois foi assim que a norma, que criou o beneficio, deixou consignada. 47., Veja-se que a norma previdenciária tratou da matéria da seguinte forma: "Art. 28 - Entende-se por salário de contribuição. ) Parágrafb 9" - Não integram o salário-de-contribuição pata fins desta Lei, exclusivamente: f) a parcela recebida a titulo de vale -transporte, na forma da legislação própria, (.)" (negritamos e sublinhamos) 48. Como se pode perceber, nos termos do art. 28, parágrafo 9 0, alínea "f', da Lei IV 8.212/91, a quantia (parcela) recebida a título de vale-transporte não compõe o salário de contribuição, para fins de apuração da contribuição previdenciária. 49. Ademais, seria completamente desprovido de sentido entender que o legislador isenta da contribuição previdenciária o vale-transporte fOrnecidos em papel e tributa o que é pago em dinheiro, porquanto em ambas as situações o beneficio é o mesmo para o trabalhador, ou seja, o reembolso pelos valores pagos pelos seus deslocamentos para o trabalho. 50. De mais a mais, o fornecimento de transporte aos seus empregados, quer em dinheiro, quer ern papel (vale-transporte), não possui natureza salarial, pois o seu pagamento é imprescindível para a execução do trabalho e não pela execução do mesmo. Ora, tal ordem de raciocínio é mais do que suficiente para afastar a legitimidade do lançamento efetivado, pois quando o beneficio é ofertado para a execução do trabalho, o mesmo não pode compor a base de cálculo da contribuição previdencidria. 51. Patente que o Decreto n" 95,247/87 ao vedar a antecipação em dinheiro do vale- rar sporte contraia frontalmente o principio da estrita legalidade.. Até porque, a Lei n" 12 Processo n" 37172 001438/2006-47 S2-C31- 1 Acórdfio n 0 2301-01,782 Ft 7 7..418/85 não é expressa no sentido de ser vedado ao empregador pagar o vale-transporte em dinheiro, de maneira que o art, 5" do Decreto 95.247/87 extrapolou em muito o seu campo de ação, pois regulamentou o que não esta na lei. 52.. Vale A pena ressaltar, porque importante, que o entendimento asseverado pelo Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, corroborou o acima exposto quando reconheceu a validade da antecipação em dinheiro do vale-transporte, acordado coletivamente, consoante se observa da ementa a seguir reproduzida: "ACORDO COLETIVO DE TRABALHO — PREVISÃO DE ANTECIPAÇÃO DO VALE-TRANSPORTE E REDUÇÃO DO PERCENTWIL DE PARTICIPAÇÃO DO EMPREGADO — VALIDADE. 'Acordo coletivo — Validade — Antecipação do vale- transporte em janeiro Ao vedar a antecipação em dinheiro do vale-transporte o decreto regulamentador extrapolou os limiteS da lei instituidora do beneficio. Válido o ajuste coletivo que prevê a antecipação em dinheiro do vale-trans-porte e a redução do percentual de participação do trabalhador "(Ac da SDC do TST— Ação Anulatória 366.360/97. 4 — Rel. Min Fernando Eizo Ono —J. 1"06 98— Autor. Ministério PUblico do Trabalho,• Réus. Federação Nacional dos Bancos e outros — DIU I 07 08.98, pp 314/6— ementa oficial)" (in Repertório 1011 de Jurisprudéncia, Caderno 2, prig 381) 5.3. De outro lado, a Lei n" 10,24.3/2001, alterou o §2" do art, 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: ".411. 4.58 § .2" Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como .salário as .seguintes utilidades concedidas pelo empregador.• I — vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do SerVip, II — educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os mimes relativos a matricula, mensalidade, anuidade, livros e material didático, III — transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou ado por transporte público; "(NB) 54. Com isso, considerando o inciso Ill, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores reembolsados pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição 13 55. Deixo registrado, também, que o pagamento do vale transporte em dinheiro não gera nenhum prejuízo ao trabalhador, pois resta mantida a natureza do beneficio concedido pelo empregador. Não ha ganho para o trabalhador, pois a verba 6 paga para que se faça o percurso ao trabalho, e, sendo assim, tem efetivamente o caráter indenizatório, 56. A propósito, recente decisão do Supremo Tribunal Federal veiculada no Informativo n" 578, teceu considerações sobre o conceito jurídico de moeda, afirmando que a incidência de contribuição previdencidria sobre o valor pago, em pecúnia, a titulo de vale- transporte, afronta a Constituição Federal ern sua totalidade normativa, in verbis: "EMENTA. RECURSO EXTRORDINÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA INCIDÊNCIA VALE-TRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFiCIO ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL , CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. I Pogo o beneficio de que se cuida neste recai so extraordinário em vale-transporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do beneficio. 2 A admitirmos não possa esse benefício ser pogo em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional 3 A funcionalidade do conceito de moeda revela-se em sua utilização no plano das relações . juridicas O instrument° monetório válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credo, libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico.. somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas finiçães deco, re do circunstância de ser ela tocada pelos atributos cio eill'AO legal e do curso fbrçado 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulagão, não decorre do curso forçado, dodo que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do C11110 fbrçadal importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor - sua conversão em °Iwo valor 6. A cobrança de contribuição prevideneitiria sobre o valor pago, em dinheiro, a titulo de vales-transporte, pelo recorrente aos setts empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. 1.1,1 Recurso Extraordinário a que se dó provimento. " 11 2 (RE 478410/ SP, Relator Ministro Eros Grau) 57, Neste julgamento, o Ministro Cezar Peluso acompanhou o Ministro Relator Eros Grau consignando que "o fato de a lei prever determinado instrumento para 14 Process() n" 37172 001438/2006-47 S2-C3 1 I Acórdiie ri " 2301-01,782 Fl 8 cumprimento da obrigação de pagar não altera essa obrigação e não descaracteriza a natureza do instituto. Ele continua sendo vale transporte, seja pago mediante pedacinho de papel escrito `vale-transporte', ou seja, pago em dinheiro," E acrescenta ainda que, entender de forma diversa acarretaria na cobrança ilegal de tributo sem previsão legal, 58 . De igual sorte, a Ministra Carmen Lúcia enfatizou que "A lei proibe o ganho a qualquer titulo. Aqui não é ganho. Aqui é o recebimento de um determinado valor para que ele possa ter esse transporte sem que o seu ganho, que este sim é a contraprestação pelo trabalho, possa ser onerado C.)," 59, Dito isso, verifica-se que a exigência pretendida é descabida, razão pela qual deve a mesma ser afastada, vez que, como demonstrado, o pagamento realizado não constitui fato gerador das contribuições devidas a Seguridade Social e as destinadas a Terceiros, ASSISTÊNCIA MÉDICA 60, No ponto, a questão controvertida se resume em saber se ha ou não incidência de contribuições sociais previdenciárias sobre os valores despendidos pela empresa a titulo de assistência medica, visto que a fiscalização considerou que o beneficio não teria sido disponibilizado a todos os empregados, contrariando assim o disposto no art. 28, §9", alínea `ce, da Lei n" 8.212/91, 61, Apenas para melhor informar o caso concreto, transcrevo parte do relatório fiscal, nos seguintes termos: "4.3.2 — ASSISTENC14 MÉDICA-HOSPITALAR - De.scle que a cobertura abranja a totalidade dos empregados e dirigentes da empresa 4 4 — A empresa não cumpriu as exigências legais, para que os valores pagos a titulo de vale transporte e as.sistêncra médica- hospitalar, para seus empregados não sofressem incidência de C0110 buições para a Previdência Social e Terceiros, 44.2 — ASSISTÊNCIA MÉDICA-HOSPITALAR,. 4 4 2.1 — A cobertura não abrange a totalidade dos empregados, estando restrita somente a parte dos trabalhadores, ein função de previsão em acordo ou convenção coletiva de trabalho de alguns estabelecimentos 4 4.2.2 — Vários empregados e dirigentes da empresa não tiveram no período de 07/2000 a 12/2004, cobertura de assistência médica-hospitalar. A titulo exemplificativo encontram-se indicados no "ANEW IV'', que se constitui em parte integrante do presente Relatório, diversos empregados sem cobertura. 4. 5 — Tem-se, portanto, configurada que a parcela paga pela empresa correspondente a Vale-Transporte e ao beneficio concedido a seus trabalhadores, a titulo de "Assistencia Médica" esta em desacordo com a legislação pertinente, integrando assim, o salário-de-contribuição para todos os fins e 15 eleitos, confOrme art. 214 - §10" do Regulamento da previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n" 3.048 de 06/05/1999. " (1.1. 540/543) 62. Com todo o respeito ao posicionamento daqueles que divergem, entendo que a empresa pode inserir em seu plano de beneficios regramento interno para acesso de seus empregados aos pianos de assistência médica, sem que esse procedimento possa ser utilizado pelo fisco para qualificar o beneficio como remuneração, para efeito de incidência de tributos. 63. Isso porque, apesar de o art. 28, da Lei n" 8„212/91 conceituar a remuneração de maneira abrangente, a norma Celetista o faz de forma diferente em seu o § 2" do art. 458, da CET, excluindo expressamente, sem estabelecer qualquer condição, o pagamento de piano de saúde do conceito de salário e, por consequência, do conceito de remuneração, o que faz coin que não se possa admitir a afirmativa do fisco segundo a qual o Plano de Saúde integra o salário para os fins de incidência da contribuição previdenciária, 64. Apenas para melhor me posicionar sobre o tema, transcrevo o inteiro teor do dispositivo: "Art. 458 - Além do pagamento em dinheiro, compreende-se no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras pies/ações "in nature que a empresa, por Ibrça do contrato ou do costume, fbrnecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas §' 2" Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador• ) IV assistência médica, hospitalar e odontolágica, prestada diretamente ou mediante seguro-saúde. 65, Admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o trabalhista deve ser evitado, pois o próprio Supremo Tribunal Federal — STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art.. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do •Trabalho, mesmo para fins previdenciários.. 66 . Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello. "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no ail 195, I, da Carta Politico, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exam e usual dimensão que lutes confere o Direito do Trabalho. 1.3) Morena A hfre.s .) realmente Já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressda "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários — como se vê do art 201 -, "salário" esta sey 16 Processo ri" 37172.001438/200647 S2-C3 T1 Ae6rd5o ri 2301-01.782 Fl 9 empregado no Sentido de remuneravio em decorrência de vinculo emprega//cio " c) Marco Aurélio: "Descabe dar a unia inesina eApressilo — salário utilizada pela Carta relativamente a ntattYias diversas, sentidos diferentes, confarme os interesses em questao Salário, !al coma mencionado no inciso I do art 195, niio pode se configurar como algo que discrepe do conceito que _se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irreehttibilidade inciso VI do artigo 7" da Carta." 67. Assim sendo, o conceito de salário e remuneração utilizado na Constituição é univoco e expressam a mesma ideia, de maneira que não se admite em matéria de vinculação tributária, como no caso de cobrança de contribuição prevideneidria, que possa o lançamento de tributo incidir sobre plano de assistência medica se a própria norma trabalhista retirou o caráter salarial do beneficio, 68. Ressalte-se, porque importante, que a Mensagem n" 1.115/00, do Poder Executivo, que encaminhou o Projeto de Lei convertido na Lei n" 10.243/2001, justifica o acréscimo do § 2" ao art. 458, da CLT, exatamente como proposta para desvincular os beneficias do salário: "4. A proposta modifica, ainda, o 2" do art. 4.58, da CL T, que dispõe sobre o salário in natant, para determinar que os benefício.; concedidos pelo empregador, relativos a educacdo, transporte, assistência médica, hospitalar, e odontológica, seguros de vida e de acidentes pessoais e previdência privada, nil° integram o salário. A carência de serviços e benefícios sociais indica a conveniência de estimular as empresas a concederem benefícios que proporcionem aos trabalhadores maior segurança e satisl açao, .sem Onus subseqUente de outra natureza A proposta atende a essas e.xpectativas desvinculando tais benefícios do salário." (o negrito é. nosso) 69. Veja-se que, em outras ocasiões, o legislador preferiu utilizar o conceito de remuneração da legislação trabalhista. Nesse sentido, o art. 15 da Lei n" 8.0.36/90 (Lei do FGTS) permaneceu com a sua redação original, in verbis: "Art. 15 Para os fins previstos nesta Lei, todos os empregadores ficam t obrigados a depositai; até o dia 7 (vete) de cada mês, em conta bancária vinculada, a iMportáncia correspondente a 8% (oito por cento) da remuneraçõo para ou devida, no mês anterior, a cada trabalhador, incluidas na renumeraçâo as parcelas de que tratam os artigos 457 e 4.58, da CLT,e a gratificaçiio de Natal a que se refere a Lei n" 4 090, de 13 de . julho de 196.2, com a.s modificações da Lei n" 4.749, de 12 de agosto de 1965 " (grifamos) 70. 1É dizer: a Lei do FGTS, ao invés de fazer remissão ao conceito de remuneração previsto no art.. 28, da Lei n" 8212/91, faz remissão expressa ao conceito de remuneração estabelecido nos arts. 457 e 458, da CLT. 71. Assim, diante de tais considerações, sou levado a mi que o art. 28, § 9", "q", da Lei IV 8.212/91, ao determinar condição para que o beneficio fosse retirado do conceito 17 de remuneração, foi na verdade revogado tacitamente pela Lei n° 10.243/2001, que acrescentou o § 2", ao art.. 458 da CET, 72. Considerando que a legislação trabalhista asseverou claramente que o beneficio concedido a titulo de assistência médica não é salário, resta evidente o óbice para que o fisco possa considerá-lo como base de calculo para o saldrio-de-contribuição. 73. Por fim, deve-se aplicar o art, 110 do Código Tributário Nacional que assevera claramente: "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias." 74. De maneira que a incidência da contribuição previdencidria está restrita A folha de salário, conforme formalizado pelo direito trabalhista, pois quem define e limita a competência impositiva 6 a própria Constituição, que circunscreveu o tributo h folha de salário dos empregados. Sendo que o referido conceito não pode ser simplesmente alterado por outra legislação, haja vista a expressa vedação do Código Tributário Nacional. 0 ASPECTO SOCIAL DO BENEFÍCIO 75. De outro lado, as empresas, ao propiciarem diretamente os meios de consecução da assistência social e A saúde a seus empregados, estão contribuindo com o próprio Estado, que há muito não fornece devidamente aos cidadãos uma assistência médica com responsabilidade. 76. Sergio Lindoso Baumann das Neves Pietroluongo, ao tratar da questão, vai mais longe ainda ao defender que: "A empresa sub-roga-se no dever do Estado de ministrai.' a seguridade social. E, por via de conseqiiência, não se justifica tal oferecimento se constituir em hipótese de incidência de exação previdenciaria. Faz parte integrante da natureza da contribuição a sua .finalistica Atendido diretamente o objetivo da previdência social, em condições ideais, dada a proximidade gerada pelo contrato de trabalho, entre quern enseja a proteção e o protegido, não tem cabimento subtrair-se do próprio montame parcela a ser utilizada na sua consecução. Não respeita a lógica sedimentadora da construção do ordenamento cienufico da seguridade social, portanto, tal raciocínio deve ser estendido (e estimulado) a todas as prestações laborais coin cunho previdenciário, principalmente quando o acréscimo operado fica fazendo parte indissociável da pessoa htunana, podendo esta todo o tempo com ele contar." (In 'Da não incidência da contribuição previdenciória sobre planos de saúde oferecidos pelas empresas a seus empregados) 77. Como visto, o beneficio de assistência médica deve ser estimulado e não restringido, como quer fazer o fisco no presente caso, 78. Por todo exposto, constata-se, no presente caso, a inexistência de fato gerador que enseje a incidência de contribuições previdenciárias e as destinadas a terceiros, restando prejudicadas as demais alegações da recorrente que não foram enfrentadas face a insubstencia do lançamento fiscal, 4It 18 Processo ri" 37172.001438/2006-47 S2-C3T 1 Adirtitio n° 2301-01.782 Fl 10 CONCLUSA.0 79, Assim, voto por DAR provimento ao recurso voluntário para afastar a incidência das contribuições previdenciárias e as destinadas a terceiros, incidentes sobre os valores pagos pela empresa a titulo de vale transporte e assistência médica. Sala das Sessões, i d ezembro de 2010 DAMIÃO CORDEI DE MORAES Voto Vencedor Conselheiro BERNADETE DE. OLIVEIRA BARROS, Redatora designada — voto vencedor somente no tocante as parcelas referentes A assistência médica. Permito-me divergir do entendimento manifestado pelo Conselheiro Relator, pelas razões a seguir expostas, O Conselheiro vota por dar provimento ao recurso por entender que a empresa pode inserir em seu plano de beneficios regramento interno para acesso de seus empregados aos planos de assistência médica, sem que esse procedimento possa ser utilizado pelo fisco para qualificar o beneficio como remuneração, para efeito de incidência de tributos. Argumenta que o § 2°, do art. 458, da CLT, revogou tacitamente o disposto no § 90, alínea "q", do art,. 28, da Lei n" 8,212/91. Contudo, entendo que a exigência fiscal encontra amparo legal no inciso I, do art. 28 do referido diploma legal, que estabelece que o conceito de salário de contribuiç5o é ".„a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o Inds, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as golfe/as, Os ganhos habituais sob crforma de utilidades, " (grifei). A própria Constituição Federal, preceitua, no § 4" do art.. 201, re numerado para o § 11 , corn a redação dada pela Emenda Constitucional n" 20/98, o seguinte: 11. OS ganhos habituais do empregado, a qualquer titulo, sercio incorporados ao salário para efeito de contribuiçáo previdenciária e conseqiienlemente repercussdo cal beneficios, nos casos e na fOrma da lei. (grifel) A regra geral é que, se a utilidade é necessária para executar o serviço, ou se o trabalhador paga pela utilidade, essa no constitui salário, trata-se tio-somente de instrumento de trabalho . Se, por outro lado, aumentar seu patrimônio, então integrará o salário para todos os efeitos legais . Verifica-se que as despesas efetuadas pela empresa com a Assistência Médica de alguns de seus empregados se originaram em decorrência única e exclusiva do CL, 19 vincula laboral entre esses empregados e empregador, não devendo, portanto, serem excluídas da base de calculo da contribuição. E, conforme afirmado pelo próprio relator, a assistência médica concedida pela recorrente a alguns dos segurados que lhe prestaram serviços no período de 07/2000 a 12/2004, não está incluído nas hipóteses de isenção da Lei 8.212/91,já que não foi concedida totalidade dos empregados da empresa. Portanto, entendo que a parcela paga a título de assistência médica representa urna vantagem econômica para o trabalhador e integra o salário-de -contribuição. Assim, como a reconente não comprovou que a assistência médica foi fornecido a totalidade de seus empregados, tal rubrica integra o salário de contribuição, já que não se inclui na hipótese de isenção da Lei 8..212/91. 0 Relator argumenta, ainda, que a CUT excluiu da definição legal de remuneração a parcela referente A assistência médica. Porém, a doutrina há muito já consagrou a autonomia cientifica do Direito Previdenciario em face do Direito do Trabalho, O conceito de salário -de-contribuição não se confunde com o conceito de remuneração retirado do Direito Laboral, Segundo Wladimir Novaes Martinez (Comentários A Lei Básica da Previdência Social), "0 conceito previdenciário de salário-de-contribuiçao não tem de coincidir exatamente com a definição trabalhista de remuneração ou, com mars razão, com a descrição de salário. Para isso é necessário o tip° legal circunscrever o lino gerador, impondo suas condições". Em relação ao argumento de que merece destaque a mais recente redação do art. 458, § 2 °, IV, da CLT, atribuida pela Lei 10,243/01, que expressamente exclui do conceito de salário "assistência médica, hospitalar e odontolágica, prestada diretamente ou mediante seguro- satide", cumpre observar que o art. 12, da CUT determina que "Os preceitos concernentes ao regime de seguro social são objeto de lei especial". A Lei 8.212/91 é a lei especial que veio tratar sobre a organização da Seguridade Social e instituir o Plano de Custeio. O att. 458, § 2 °, IV, da CLT, corn a redação dada pela Lei 10243/01 não revogou os arts, 28, § 9 °, da Lei 8212/91. Dessa forma, não pode ser declarado insubsistente o lançamento em relação aos fatos geradores posteriores ao advento da Lei 10243/01, ou seja, a partir de 06/2001, pois, conforme disposto no art. 2", § 2", da Lei de Entrodução ao Código Civil, "A lei nova, que estabeleça disposições gerais ou especiais a par das . já existentes, não revoga nem moth:flea a lei anterior" Cumpre esclarecer que a incompatibilidade de normas pertencente a um mesmo ordenamento jurídico e corn mesmo âmbito de validade se denomina antinomia e, tradicionalmente, os critérios para solucionar a antinomia são três, o cronológico, o hierárquico e o da especialidade. 0 da especialidade ocorre entre duas normas, urna geral e uma especial, prevalecendo a específica apenas na parte da lei geral que é incompatível corn a especial. 20 Processo n" 37172.001438/2006-47 S2 -01- 1 Aenrdao o " 2301-01,782 Fl. 11 Como explica Norberto Bobbio, no caso de antinomia normativa, havendo conflito entre o critério cronológico e o critério de especialidade, prevalece o último, dotado de maior força — por vezes visto como meta-critério de solução de conflitos. A razão é simples e foi realçada, com propriedade, por José de Oliveira Ascensão: "o regime geral não toma em conta as circunsteincias particulares que justificaram justamente a emissão da lei especial. Por isso não Sell/ afetada em razão de o regime geral ter .sido modificado". Não são raros os precedentes encontrados na .jurisprudência que defendem a subsistência da lei especial anterior, mesmo após o advento de lei geral posterior, Conforme Vicente Rao "se a lei não se declarar absoluta, deve-se inJrfr que o legislador pretendeu abolir, tão-somente, aquilo que, até então, vigorava como regra e, em conseqüência, com esta desaparecerão OS -seus corolários, mas continuarão a subsistir as eycecões". Não ha, pois, presunção de revogação da lei especial anterior pela subseqüente aprovação de lei geral. Muito pelo contrário, adverte Carlos Maximilian°, "é mister que esse intuito (de revogação) decorra claramente do contexto". Espinola e Espinola Filho seguem a mesma linha e enunciam, a partir de Saredo, a seguinte consideração: "no silêncio do leg/slat/a;, deve pm esumir-se que a lei nova pode conciliar-se coin a precedente". Portanto entendo que a revogação ou modificação de lei geral por especial ou de especial por geral não pode ser tácita, havendo de ser expressa do tipo "revoga-se o artigo tal, parágrafo tal da lei tal".. Com relação ao tema "aspecto social do beneficio", abordado pelo relator, concordo com a afirmação constante do voto de que "as empresas, ao propiciarem diretamente os meios tie consecução da assistência social e ã conde a .seus empregados, estão contribuindo com o próprio Estado, que há muito não fornece devidamente aos cidadãos uma assistência médica corn responsabilidade", Acredito que essa foi a intenção do legislador ordinário ao isentar da contribuição previdenciária o dispêndio feito pelo empregador com a assistência médica de seus empregados . Contudo, o legislador deixou claro que so seria isenta da contribuição previdenciária a assistência médica fornecida à totalidade dos empregados da empresa, o que não ()corral no caso sob análise . Essa condição inserida na Lei demonstra o cuidado do legislador em evitar que as empresas utilizem a assistência médica como forma de premiar ou bonificar alguns de seus empregados, concedendo-lhes salários indiretos . Assim, discordo do relator em sua afirmação de que o fisco estaria pretendendo restringir o beneficio de assistência médica. Ao contrário do que entende o Relator ., acredito que o procedimento fiscal tem um importante papel para a sociedade, pois desestimula as empresas de substituirem o salário de seus empregados por verbas que, no entendimento do empregador, não integrariam a 21 remuneração do trabalhador, e que, por conseqüência, não teriam reflexos nos valores pagos a titulo de férias, abonos legais, decimo terceiro salário, e diversos beneficios previdenciários, entre eles a aposentadoria. Cumpre observar que a atividade da autoridade fiscal 6 plenamente vinculada ao cumprimento das disposições legais. Nesse sentido, o ilustre jurista Alexandre de Moraes ( curso de direito constitucional, 17" ed. Sao Paulo, Editora Atlas 2004.314) colaciona valorosa lição: "o tradicional principio da legalidade, previsto no ai! .5" II, da CF', aplica-se normalmente na administragdo pública, porém de forma mais rigorosa e especial, pois o administrador público somente poderá fazer o que estivei expressamente autorizado em lei e nas demais espécies normativas, inexistindo, pois, incidência de vontade subjetiva. Esse principio coaduna-se coin a própria fling -do administrativa, de executor cio direito, que atua sem finalidade própria, mas sem em respeito q finalidade imposta pela lei, e com a necessidade de preservar-se a olden! jurídica" E a lei 8,212/91, vigente em nosso ordenamento jurídico, veda a isenção de contribuição previdenciária sobre os valores gastos com assistência médica nos casos em que tal beneficia não é concedido a todos os empregados da empresa Ademais, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF if 256/2009, veda aos Conselhos de Contribuintes afastar aplicação de lei ou decreto que não tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal, confonne disposto em seu art 62. Portanto, ao constatar a concessão de assistência médica a apenas alguns dos empregados da empresa, a fiscalização, a quem compete o lançamento, lavrou corretamente a NFLD, em observância aos ditames legais, Nesse sentido, voto pot ião excluir, do lançamento, as parcelas referentes a assistência médica. Sala das Sessões, em 2 de dezembro de 2010 t,D BERNADETE DE OLIVEIRA BARROS 22
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Numero do processo: 10280.901629/2013-56
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jan 11 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do Fato Gerador: 31/12/2001
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA.
É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito.
Numero da decisão: 3401-005.617
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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BASE DE CÁLCULO DECLARADA INCONSTITUCIONAL. DEFICIÊNCIA PROBATÓRIA. É do contribuinte o ônus de provar a existência e regularidade do crédito que pretende ter restituído. É sua a incumbência demonstrar liquidez e certeza quando do exame administrativo. Se tal demonstração não é realizada não há como deferir seu pleito. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves (suplente convocado), Tiago Guerra Machado, Lazaro Antônio Souza Soares, André Henrique Lemos, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Mara Cristina Sifuentes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 90 16 29 /2 01 3- 56 Fl. 335DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Tratam os autos de Pedido de Restituição de contribuição para o COFINS realizado através de PER/DCOMP, referente pagamento à maior que o devido, incidente sobre base de cálculo definida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718,98, declarada inconstitucional pelo STF em sede de repercussão geral. Inicialmente cabe esclarecer que houve evolução na empresa titular do crédito, na época dos fatos (junho/1999) a empresa denominavase SANDIESEL S/A, que foi incorporada em 17/12/2002 pela BELÉM DIESEL S.A. e que por sua vez foi incorporada em 31/01/2007 pela RODOBENS CAMINHÕES CIRASA S.A. A DRF São José do Rio Preto proferiu Despacho Decisório (eletrônico), indeferindo o Pedido de Restituição por inexistência de crédito. Tomando por base o DARF discriminado no PER/DCOMP, constatou que fora integralmente utilizado para quitação de débito declarado para o mesmo período. Não satisfeito com a resposta do fisco, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade, sob as seguintes razões: (i) por economia processual pede para que seja reunidos todos os processos que relaciona, por conterem o mesmo objeto; (ii) que o Despacho Decisório está equivocado pois não foi examinado o real motivo que sustenta o pedido, que foi o recolhimento de COFINS com base de cálculo alargada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, vigente à época dos fatos; (iii) sendo inconstitucional o dispositivo legal mencionado, que trata da ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, matéria já superada pelo STF com repercussão geral no RE nº 585.235, de 10/09/2008, dá validade ao pedido por pagamento a maior ou indevido; (iv) por força do inciso I do §6º do art. 26A, incluído no Decreto nº 70.325 de 06/03/1972 pela Lei nº 11.941/2009, os órgãos administrativos deverão seguir as decisões com repercussão geral do STF, como aliás, já prevalece nas decisões das CSRF conforme acórdãos que menciona; (v) requer ao final, provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, produção de perícia, realização de diligência e a juntada de documentos. Em Primeiro Grau a DRJ/RPO ratificou inteiramente o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição, nos termos do Acórdão nº 14062.274. O sujeito passivo ingressou tempestivamente com recurso voluntário contra a decisão de primeiro grau, reafirmando: (i) que a base de cálculo para o PIS e COFINS deverá ser composta tão somente do valor do faturamento da empresa; (ii) que o montante que compõe o crédito pleiteado se refere a inclusão indevida, na base de cálculo daquela contribuição, de receitas estranhas do conceito de faturamento, o que implicou em pagamento a maior que o devido, efetuado com base no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98; (iii) que a controvérsia centrase única e exclusivamente na comprovação do direito creditório, porém, entende que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos, a teor do art. 142 do CTN; (iv) que a DCTF não é o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, tal formalidade não pode se sobrepor ao direito substantivo e destaca jurisprudência do CARF sobre o caso; (v) da mesma forma, amparada em jurisprudência do CARF apela pela busca da verdade material no processo administrativo tributário, realizando uma análise ampla de todas as minúcias da situação para descobrir toda a situação fática e aplicar a norma de forma correta e eficaz; (vi) entende que o conjunto probatório é suficiente para lastrear o crédito por ela pleiteado, com a juntada de balancete devidamente transcrito no Livro Diário, Livro Razão e planilha com memória de cálculo; (vii) salienta, também, que a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsto no art. 18 do Decreto nº 70.235, em atenção ao princípio da Fl. 336DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 4 3 verdade material; (viii) ao final reforça seu pedido de reforma da decisão recorrida e a restituição do crédito pleiteado. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401005.560, de 26 de novembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10280.901573/201330, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução 3401005.560): "O recurso voluntário atende aos requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. Destacase, primeiramente, que a Recorrente fez constar do pedido de sua Manifestação de Inconformidade que: “Em atendimento ao disposto no inciso V, do art. 16, do Decreto n. 70235, de 6.3.1972, a requerente informa que a matéria objeto desta manifestação de inconformidade não foi submetida à apreciação judicial”, caso contrário deveria juntar cópia da petição, já que o assunto diz respeito à declaração de inconstitucionalidade de Lei (§1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98). Quanto a inconstitucionalidade do dispositivo legal mencionado, é tema já superado em face da revogação do mesmo pela Lei nº 11.941, de 2009. Enquanto não alterado a redação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, foi expedido Nota Explicativa pela PGFN/CRJ nº 1.114 de 30/08/2012, delimitando o julgado pelo STF no RE nº 585.235, nos seguintes termos: DELIMITAÇÃO DA MATÉRIA DECIDIDA: O PIS/COFINS deve incidir somente sobre as receitas operacionais das empresas, escapando da incidência do PIS/COFINS as receitas não operacionais. Consideramse receitas operacionais as oriundas dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras (serviços remunerados por tarifas e atividades de intermediação financeira). Repetese aqui o que já firmado pela decisão de piso, em que “chegase à conclusão que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS, implementada pelo §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, é inconstitucional e deve ser afastada também no âmbito administrativo”. Vêse, portanto, que em termos teóricos convergem para o mesmo ponto, tanto o entendimento do Fisco quanto ao alegado fato que sustenta a tese da Recorrente, de que não cabe Fl. 337DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 5 4 incidência da Contribuição para o PIS sobre receitas que estão fora do conceito de faturamento. Com a declaração de inconstitucionalidade pelo STF, do §1º do art.3º da Lei 9.718/98, sob o regime previsto pelo art. 543B do CPC, assentado como repercussão geral, abriu espaço para os contribuintes reverem suas bases de contribuição para o PIS e a COFINS e pleitearem junto ao fisco o ressarcimento de eventuais valores pagos a maior ou indevidamente. Pelo que ficou demonstrado no processo ora analisado, a Recorrente deu início com Pedido de Ressarcimento de contribuição para o PIS, do período de apuração 30/06/1999, alegando a existência de indébito fiscal pelo pagamento de valor a maior que o devido, pela inclusão na base de cálculo do PIS de valores referentes a receitas que não integram o conceito de faturamento, compreendido exclusivamente pelo produto das vendas de mercadorias e da prestação de serviços. A causa do pedido de ressarcimento é plausível, a controversa reside nas provas que o caso exige. Não basta que existam hipotéticos pagamentos da contribuição para o PIS sobre base de cálculo fora do alcance do conceito de faturamento, é preciso que exista a certeza do pagamento e seja líquido o valor requerido. A repetição de indébito fundase no princípio da legalidade, sob a premissa da existência de certeza e liquidez do crédito pleiteado. Não basta alegar, deverá ser provado àquilo que se requer. De acordo com o art. 170 do CTN, a compensação de débitos tributários só é autorizada com créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública, da mesa forma deve ser tratado o pedido de ressarcimento. O Despacho Decisório respondeu ao interessado que o valor do indébito fiscal requerido não existe, pois o pagamento que lhe deu suporte (DARF) foi totalmente utilizado para quitar débito declarado em DCTF. A requerente em sua manifestação de inconformidade esclarece a razão de seu pedido, cujo crédito estaria respaldado por pagamento a maior que o devido por ter sido incluído na base de cálculo da contribuição para o PIS, valores que estariam fora do alcance do conceito de faturamento, conforme declaração de inconstitucionalidade pelo STF do §1º do art.3º da Lei nº 9.718/98. Mas deixa de proceder a retificação da DCTF para que nos sistemas da SRFB fique registrado o crédito reivindicado. As provas trazidas aos autos com a manifestação de inconformidade, são o balancete e folhas do Razão do período de 01 a 30/06/1999, além de uma relação de contas e valores de receitas financeiras, cujo valor atribuído ao PIS S/ Receita Financeira diverge do valor do crédito pleiteado. Fl. 338DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 6 5 A decisão de piso confirma a posição da unidade de origem, atestando que incumbe a requerente demonstrar com provas hábeis, a composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. Fundamenta o voto proferido pela DRJ/POR: Para que existisse algum saldo a restituir, seria necessário que, no mínimo, a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão do seu PER/Dcomp, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior. (...) Ocorre que para se aferir qual o valor exato da base de cálculo do PIS e da Cofins que deve ser afastado, é necessário que o contribuinte informe e comprove qual o montante total das receitas, para se apartar o faturamento das demais receitas. Mesmo diante das colocações feitas pela decisão de primeiro grau, a Recorrente nada de novo trouxe em seu Recurso Voluntário, insiste que o Fisco não se aprofundou na investigação dos fatos e quanto ao conjunto probatório ser insuficiente, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, em atenção ao princípio da verdade material. Ora, quem alega deve provar e esse compromisso é do interessado que declarou existir indébito fiscal pelo pagamento a maior que o devido. As provas juntadas com o Recurso, praticamente são as mesmas que foram apresentadas com a Fl. 339DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 7 6 manifestação de inconformidade, o que diverge é a planilha (e fls.340): Insiste a Recorrente em inverter o ônus da prova, querendo que o Fisco faça o papel de demonstrar qual a receita que deu causa ao recolhimento do PIS no valor do DARF apresentado e qual a receita que deve ser excluída por motivo de ampliação indevida de sua base de cálculo. Outro ponto que depõe contra a Recorrente é a ausência de DCTF retificadora. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada, inclusive há previsão normativa para isso, vide INRFB nº 1.110/2010: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. A apresentação de DCTF Retificadora poderá ser acatada, inclusive, quando apresentada depois do despacho decisório, porém, sendo tempestiva a apresentação da manifestação de inconformidade contra o indeferimento do PER/DCOMP, situação em que a Delegacia da Receita Federal Fl. 340DF CARF MF Processo nº 10280.901629/201356 Acórdão n.º 3401005.617 S3C4T1 Fl. 8 7 do Brasil de Julgamento (DRJ) poderá baixar em diligência à Delegacia da Receita Federal (DRF). A administração tributária orienta sobre o tema através do Parecer Cosit nº 02/2015,de 28 de agosto de 2015, cuja ementa se deu nos seguintes termos: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. (...) É lamentável o fato de a Recorrente pleitear a restituição de um crédito que teoricamente lhe assiste razão, com direito assegurado, mas que de fato não consegue fazer prova de sua existência. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 341DF CARF MF
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Numero do processo: 10670.720047/2007-39
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2003
EMPRESAS PÚBLICAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. INCIDÊNCIA.
As empresas publicas, quando prestadoras de serviço público, equiparam-se às autarquias e, portando, são alcançadas pela imunidade tributária recíproca, incidindo, na espécie, o art. 150, inciso VI, alínea "a" e seu § 2º, da CF.
Numero da decisão: 2402-006.772
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, dar-lhe provimento para reconhecer a imunidade tributária da Recorrente, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea "a" e § 2º, da Constituição Federal, cancelando-se o lançamento.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros de Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Renata Toratti Cassini - Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, Luis Henrique Dias Lima, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci (vice-presidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini.
Nome do relator: RENATA TORATTI CASSINI
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PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS PÚBLICOS. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. INCIDÊNCIA. As empresas publicas, quando prestadoras de serviço público, equiparamse às autarquias e, portando, são alcançadas pela imunidade tributária recíproca, incidindo, na espécie, o art. 150, inciso VI, alínea "a" e seu § 2º, da CF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário, afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, darlhe provimento para reconhecer a imunidade tributária da Recorrente, nos termos do art. 150, inciso VI, alínea "a" e § 2º, da Constituição Federal, cancelandose o lançamento. (assinado digitalmente) Denny Medeiros de Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício), Mauricio Nogueira Righetti, Luis Henrique Dias Lima, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci (vicepresidente), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Gregório Rechmann Junior e Renata Toratti Cassini. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 0. 72 00 47 /2 00 7- 39 Fl. 290DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 291 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 0328.817, da 1ª Turma da DRJ de Brasília (fls. 192/203), que julgou procedente a Notificação de Lançamento n° 06108/00008/2007, que tem por objeto a cobrança de crédito tributário no montante de R$ 2.586.638,97 (dois milhões e quinhentos e oitenta e seis mil e seiscentos e trinta e oito reais e noventa e sete centavos) a título de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR do exercício de 2003, acrescido de multa de oficio (75,0%) e juros legais calculados até 29.06.2007, incidentes sobre o imóvel rural denominado “Gleba C2 Projeto Jaíba”, cadastrado na RFB sob o nº 5.460.0189, com área de 11.853,3 ha, localizado no Município de Matias Cardoso/MG. A ação fiscal, proveniente dos trabalhos de revisão das DITR/2003 incidentes em malha valor, iniciouse com a intimação para a contribuinte apresentar laudo de avaliação do imóvel conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, com ART registrada no CREA, contendo todos os elementos de pesquisa identificados, sendolhe informado que a falta de apresentação do laudo de avaliação ensejaria o arbitramento do VTN com base nas informações do SIPT. Em resposta, foram apresentados os documentos de fls. 10/81. No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2003, a autoridade fiscal alterou o Valor da Terra Nua (VTN) do imóvel, que entendeu sub avaliado, com base no Sistema de Preços de Terras (S1PT) instituído pela então SRF, que passou de R$ 355.599,00 (trezentos e cinquenta e cinco mil e quinhentos e noventa e nove reais, à razão de RS 30,00 por hectare, para R$ 5.926.650,00 (cinco milhões e novecentos e vinte e seis mil e seiscentos e cinquenta reais), à razão de R$ 500,00 por hectare, com o consequente aumento do VTN tributado, disso resultando também o imposto suplementar de R$ 1.114.210,20 (um milhão e cento e quatorze mil e duzentos e dez reais e vinte centavos), conforme demonstrativo de fls. 04. A contribuinte apresentou impugnação aos 20.07.2007 (fls. 146) e aos 10.08.2007, foi lavrado o Termo Complementar à Notificação de Lançamento n° 06108/00008/2007 (fls. 86), abrindose prazo para apresentação de nova impugnação pelo contribuinte, o que se deu tempestivamente (fls. 163). A DRJ julgou o lançamento procedente em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2003 DA NULIDADE DO LANÇAMENTO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Fl. 291DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 292 3 Tendo a contribuinte compreendido as matérias tributadas e exercido de forma plena o seu direito de defesa, não há que se falar em NULIDADE do lançamento, que contém todos os requisitos obrigatórios previstos no Processo Administrativo Fiscal PAF. DO VALOR DA TERRA NUA Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, com base no SIPT, por falta de documentação hábil (Laudo Técnico de Avaliação, elaborado por profissional habilitado, com ART devidamente anotada no CREA, em consonância com as normas da ABNT NBR 14.6533), demonstrando, de maneira inequívoca, o valor fundiário do imóvel e a existência de características particulares desfavoráveis, que pudessem justificar a revisão do VTN em questão. Lançamento Procedente. Intimado aos 06/03/09 (fls. 206), sextafeira, o contribuinte interpôs recurso voluntário aos 08.04.09 (fls. 288), alegando, em síntese: Em preliminar, esclarece que o valor da terra nua de seus imóveis, inseridos em perímetros de irrigação, é estabelecido em conformidade com o disposto no art. 17 do Decreto nº 89.495/84, pelo que não elabora laudo específico à época da elaboração de suas declarações de ITR. Assim, considerando o teor das disposições constantes do subitem 7.4.3.3 da NBR 14.6533:2004 da ABNT, não é possível a elaboração do referido laudo retroativamente, em momento posterior, para o imóvel objeto do lançamento; ademais, considerando o subitem 9.1.1 da mesma norma NBR 14.653 3:2004 da ABNT, o grau de precisão do laudo de avaliação exigido pela Receita depende exclusivamente das características da amostra coletada e, por essa razão, não é passível de fixação "a priori". Dessa forma, a exigência de laudo de avaliação conforme estabelecido na NBR 14.653 da ABNT, com fundamentação e grau de precisão II, constitui instrumento de cerceamento ao direito de defesa do contribuinte, uma vez que as exigências são incompatíveis entre si, o que inviabiliza a elaboração do laudo requerido; esclarece que a CODEVASF é uma empresa pública federal criada pela Lei nº 6.088/74, atualmente vinculada ao Ministério da Integração Nacional, que tem por finalidade o aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais dos recursos de água e solo dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba. Os perímetros públicos de irrigação, dos quais o imóvel objeto do lançamento em debate é parte integrante, são empreendimentos voltados aos desenvolvimento de áreas prioritárias para a União por meio da infraestrutura de irrigação implantada com recursos públicos, a eles se aplicando a legislação específica; que se trata de empresa pública, mantida exclusivamente com recursos da União Federal, que presta serviço público típico. Sendo assim, apesar de sua personalidade jurídica de direito privado, equiparase a uma autarquia, conforme tese já assente no Supremo Tribunal Federal acerca do tema (ACO nº 959/RN, rel. Min. Menezes Direito, Tribunal Pleno, DJe 16/05/08) e reconhecido pelo TRF1 na Apelação Cível nº 1997.34.00.0037988/DF. Desse modo, o imóvel sobre qual se exige o tributo questionado, que se presta ao desenvolvimento de serviço público típico, qual seja a implementação de perímetros públicos Fl. 292DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 293 4 de irrigação, é alcançado pela imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, "a" e §2º da CF; No mérito, que os valores declarados estão em perfeita compatibilidade com aqueles estabelecidos pelo INCRA, consideradas as peculiaridades do imóvel, conforme comprovado nos autos por meio de Laudo Técnico e Mapa de Solos firmados por profissionais devidamente habilitados do Perímetro de Irrigação Jaíba; que o imóvel em questão se encontra inserido em perímetro público de irrigação (Perímetro de Irrigação Jaíba), estando sujeito aos ditames da Lei nº 6.662/72 e do Decreto nº 89.496/84, que a regulamenta, cujo art. 17 determina que nas terras já pertencentes a entidades integrantes da administração federal, o valorhectare da terra nua será o mesmo atribuído pelo INCRA; que não há nenhuma incompatibilidade entre a Lei nº 9.393/96 e o Decreto nº 89.496/84, que define a forma de cálculo dos lotes inseridos em perímetro público de irrigação; que não há falar em sub avaliação quando o contribuinte estabelece o Valor da Terra Nua de acordo com a legislação que determina critérios específicos para a avaliação de seu imóvel. Esse entendimento foi acatado pela Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes no Acórdão nº 301.34.161 na análise de situação idêntica à presente e referente ao mesmo imóvel ora tratado; que o VTN considerado para fins de apuração do imposto suplementar foi estabelecido em total discrepância com os valores da terra nua da base das DITR's/2003 e, por conseguinte, em desacordo com o que determina a própria RFB na Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002, que aprova do Sistema de Preços de Terras SIPT; que os valores constantes das planilhas elaboradas pelas Fundação Getúlio Vargas, que serviram de base para a alimentação do SIPT, não se referem à Terra Nua, nos termos da NBR 146533:2004, norma indicada como parâmetro para valoração da Terra Nua pela própria RFB; ademais, que mencionados valores dizem respeito ao primeiro semestre dos anos de 2000 a 2004, refletindo os valores apurados nas negociações realizadas até junho de cada ano. Assim, esses valores violam o disposto no § 2º do art. 8º da Lei nº 9.393/96, que determina que o VTN refletirá o preço de mercado das terras no dia 1° de janeiro a que se referir o DIAT1; no que concerne ao VTN atribuído, não é lícito inferir, sem manifestação oficial da Secretaria de Agricultura, órgão responsável pelo fornecimento à RFB das informações para lançamento no SIPT, que os dados por ela informados contém erro, com o fim de se imputar pesada tributação ao contribuinte; que a Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais EMATER não tem dentre suas atribuições a de proceder à avaliação de terras, razão 1 Documento de Informação e Apuração do ITR Fl. 293DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 294 5 pela qual os dados informados, que serviram de base para alimentar o SIPT, não seguem os critérios estabelecidos pela ABNT para efeito de avaliação de imóveis rurais, referindose, em verdade, aos preços médios de venda de terra, e não considera a Nota Agronômica de cada classe de solos, que é uma das variáveis imprescindíveis para a determinação do valor da terra nua. Assim, o SIPT, no que se refere aos valores serem considerados na região de localização do imóvel objeto do tributo cobrado, não tem sido alimentado em consonância com a Portaria SRF nº 447/2007; a portaria em tela permite a utilização dos preços informados pelas Secretarias de Agricultura bem como por entidades correlatas como forma de alimentação do SIPT. Nessa linha, o INCRA é entidade pública que, nos termos da Lei nº 4.504/64 e dos Decretos nºs 1.110/70 e 5.735/06 tem, dentre sua atribuições, proceder à avaliação de imóveis rurais. Por fim, requer seja dado provimento ao recurso voluntário, cancelandose o débito fiscal. Subsidiariamente, seja seu valor revisto, considerandose os valores informados pela Secretaria de Agricultura comumente usados pela Secretaria da Receita Federal para alimentação do SIPT, sendo de R$ 50,00 (cinquenta reais) por hectare de terra nua. Não sendo acatado esse pedido, que seja revisto o lançamento considerando o valor da terra nua da base de declarações do ITR no exercício de 2003, qual seja R$ 369,95. Sem contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Renata Toratti Cassini – Relatora. O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. PRELIMINAR Cerceamento de defesa Em preliminar, a recorrente alega que, por ser regida por disposição normativa específica, qual seja o Decreto nº 89.496/84, não elabora laudo de avaliação à época de suas declarações de ITR e que, pelos próprios termos do item 7.4.3.3 da NBR 146533, da ABNT, a elaboração do aludido laudo em momento posterior é impossível, uma vez que, de acordo com esse dispositivo, as pesquisas de mercado para fundamentálo devem ser contemporâneas ao período da declaração, o que inviabiliza sua elaboração de forma retroativa. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 295 6 Ademais, de acordo com o item 9.1.1 da mesma norma NBR 146533, o grau de precisão do laudo depende exclusivamente das características da amostra coletada e, desse modo, não é passível de fixação "a priori". Por essas razões, alega a recorrente que a exigência pela RFB, como condição para elidir o lançamento, de laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 146533, com fundamentação e grau de precisão II, constitui elemento de cerceamento de seu direito de defesa por conter exigências incompatíveis entre si, o que inviabiliza a sua elaboração. Neste ponto, entendemos não lhe assistir razão. Com efeito, como bem ressaltado pela decisão recorrida, o fato de o grau de precisão depender das características da amostra coletada não é impedimento para que se consiga alcançar o grau de precisão II, no caso concreto, conforme previsto no subitem 9.3 da NBR 14.6533, até porque a própria NBR l4.653 aponta, no subitem 8.1.2 o caminho a seguir quando não for possível utilizar as metodologias previstas: "8.1.2 Esta parte da NBR 14653 e as demais partes se aplicam a situações normais e típicas do mercado. Em situações atípicas, onde ficar comprovada a impossibilidade de utilizar as metodologias previstas nesta parte da NBR 14653, é facultado ao engenheiro de avaliações o emprego de outro procedimento, desde que devidamente justificado." Assim, parecenos, s.m.j., que não há a incompatibilidade apontada pela recorrente. Da mesma forma não procede a alegação do recorrente de que a elaboração de laudo de avaliação seria impossível tendo em vista que as pesquisas de mercado para fundamentar tal laudo devem ser contemporâneas, o que inviabilizaria sua realização de forma retroativa. Na verdade, conforme disposto no item 7.4.3.3 da NBR 146533, o que devem ser contemporâneos à avaliação do imóvel são os dados relativos às negociações realizadas e ofertas, não à própria pesquisa. Portanto, nada impede que o engenheiro avaliador colete os dados referentes ao exercício de 2003, já que todas as negociações possuem data de realização que podem ser facilmente comprovadas. Desse modo, não se há falar em cerceamento de defesa. MÉRITO Imunidade tributária CF 150, VI, "a" e § 2º Embora essa matéria tenha sido deduzida pela recorrente como preliminar, entendemos que se trata de matéria de mérito, pelo que assim será tratada. A recorrente esclarece que é uma empresa pública federal criada pela Lei nº 6.088/74, atualmente vinculada ao Ministério da Integração Nacional, que tem por finalidade o Fl. 295DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 296 7 aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais dos recursos de água e solo dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba, promovendo o desenvolvimento integrado de áreas prioritárias e a implantação de distritos agroindustriais e agropecuários, conforme a lei que a criou o seu estatuto, anexado aos autos. Tratase de empresa pública mantida exclusivamente com recursos da União Federal que presta serviço público, pelo que, apesar de sua personalidade jurídica de direito privado, goza de ambiguidade jurídica, tida como uma empresa pública de natureza autárquica, conforme tese já assente no Supremo Tribunal Federal (ACO nº 959/RN, rel. Min. Menezes Direito, Tribunal Pleno, DJe 16/05/08) e reconhecido pelo TRF1 na Apelação Cível nº 1997.34.00.0037988/DF. Esclarece que o imóvel sobre qual se exige o tributo questionado se presta ao desenvolvimento de serviço público típico, qual seja a implementação de perímetros públicos de irrigação, que são empreendimentos voltados ao desenvolvimento de áreas prioritárias para a União por meio da infraestrutura de irrigação implantada com recursos públicos, nos termos da Lei nº 6.662/79 e do Decreto nº 89.496/81. Dentre os projetos implantados pela recorrente, destacase o Projeto Jaíba, localizado nos municípios de Matias Cardoso e Jaíba, Estado de Minas Gerais, do qual a Gleba C2, que constitui o imóvel sobre o qual incide o tributo discutido, é parte integrante. Desse modo, argumenta que o imóvel em questão, destinado a prestação de serviço público, é alcançado pela imunidade constitucional prevista no art. 150, VI, "a" e §2º da CF. Pois bem. Inicialmente, cumpre anotar que a nós parece não haver dúvida de que o assunto tratado imunidade tributária tratase de matéria de ordem pública2, que, portanto, pode, e mais, deve ser conhecida pelo julgador em qualquer grau ordinário3 de jurisdição, impondose, portando, o seu conhecimento por este colegiado. 2 "A distinção entre prescrições de ordem publica e de ordem privada consiste no seguinte: entre as primeiras o interesse da sociedade coletivamente considerada sobreleva a tudo, a tutela do mesmo constitui o fim principal do preceito obrigatório; é evidente que apenas de modo indireto a norma aproveita aos cidadãos isolados, porque se inspira antes no bem da comunidade do que no do individuo; e quando o preceito é de ordem privada sucede o contrário: só indiretamente serve o interesse publico, a sociedade considerada em seu conjunto; a proteção do direito do individuo constitui o objetivo primordial. Os limites de uma e outra espécie têm algo de impreciso; os juristas guiamse, em toda parte, menos pelas definições do que pela enumeração paulatinamente oferecida pela jurisprudência." (Hermenêutica e Aplicação do Direito. Rio de Janeiro: Forense, 2005, p. 176) 3 Sobre as questões de ordem pública, ensina Nelson Nery Junior que "essas matérias podem ser alegadas pelas partes ou interessado a qualquer momento, em qualquer grau de jurisdição (CPC 485, IV, VI,VI, IX e § 3º; CPC 337 I a XIII e § 5º) e devem ser analisadas, ex officio, pelo juiz ou tribunal, enquanto não extinto o processo de execução. A prescrição deve ser reconhecida ex officio (CPC 485 IV)" (NERY JUNIOR, Nelson; NERY, Rosa Maria de Andrade. Comentários ao Código de Processo Civil. Novo CPC Lei 13.105/2015. São Paulo: RT, 2015, p. 1829). Ainda a esse respeito, esclareçase que quando se fala em conhecimento ex officio de matéria de ordem pública, evidentemente está a se referir a que essa providência seja tomada em grau ordinário de jurisdição, uma vez que em instâncias extraordinárias, isso é vedado por força do que dispõem os arts. 102, III e alíneas e 105, III e alíneas, ambos da CF, que exigem que para ser levada a conhecimento do STF ou do STJ, a matéria já tenha sido efetivamente decidida pelas instâncias inferiores. Daí a necessidade de oposição de Embargos de Declaração no tribunal "a quo" para provocar a análise da matéria de modo a viabilizar, assim, o conhecimento da questão pelos tribunais superiores (o tal "prequestionamento"). Percebese, desse modo, que o prequestionamento (a que o ilustre doutrinador do Largo São Francisco, Flávio Luiz Yarshell, jocosamente se referia como "prerrespondimento", já que não basta provocar o tribunal "a quo" para que ele aprecie a matéria, sendo necessário que ele efetivamente o faça) decorre de uma exigência constitucional e é necessário, tão somente, para viabilizar o Fl. 296DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 297 8 Realmente, a recorrente se trata de empresa pública que teve sua criação autorizada pelo art. 1º da Lei nº 6.088/79, e conforme disposto no art. 4° dessa mesma lei, "tem por finalidade o aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais, dos recursos de água e solo do Vale do São Francisco, diretamente ou por intermédio de entidades públicas e privadas, promovendo o desenvolvimento integrado de áreas prioritárias e a implantação de distritos agroindustriais e agropecuários, podendo, para esse efeito, coordenar ou executar, diretamente ou mediante contratação, obras de infraestrutura, particularmente de captação de água para fins de irrigação, de construção de canais primários ou secundários, e também obras de saneamento básico, eletrificação e transportes, conforme Plano Diretor em articulação com os órgãos federais competentes". O artigo 6º dessa mesma lei dispõe a respeito da formação do capital da empresa, da seguinte maneira: Art 6º O capital da CODEVASF será de Cr$ 300.000.000,00 (trezentos milhões de cruzeiros), a ser integralizado: a) parte pela incorporação, a CODEVASF, de bem móveis, imóveis e instalações da Superintendência do Vale do São Francisco SUVALE, da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste SUDENE e do Departamento Nacional de Obras Contra as Secas DNOCS, que lhe forem transferidos por força do Artigo 16 desta Lei; b) o restante por subscrição, pelo Tesouro Nacional, nos exercícios de 1974, 1975 e 1976. § 1º O capital da CODEVASF poderá ser aumentado por ato do Poder Executivo, mediante a incorporação de reservas, pela reinversão de lucros e reavaliação do ativo ou por acréscimo de capital da União. § 2º Poderão participar dos aumentos de capital pessoas jurídicas de direito público interno, inclusive entidades da Administração Federal Indireta, observado o disposto no artigo 5º do Decretolei nº 900, de 29 de setembro de 1969. As empresas públicas, em regra, não gozam da chamada imunidade tributária recíproca prevista na CF/88, seja porque não referidas expressamente no art. 150, VI, "a" e seu § 2º, seja porque seu art. 173, § 2º dispõe que a elas não podem ser concedidos privilégios fiscais não extensíveis às empresas privadas. Todavia, consolidouse no Supremo Tribunal Federal o entendimento no sentido de que essas empresas, quando prestadoras de serviço público, equiparamse às autarquias e, portando, são alcançadas pela imunidade tributária recíproca, conforme restou consignado na ACO 95944, ajuizada pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT conhecimento de matérias pelos Tribunais Superiores. Em outros termos, não se há falar em necessidade de prequestionamento como óbice para conhecimento de matéria de ordem pública em sede de instâncias ordinárias, tampouco de tribunais administrativos. Nessa linha, salientese que mesmo as disposições contidas nos arts. 67, § 5º e 68, § 4º não impedem o conhecimento ex offício de matéria de ordem pública pela Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Tribunal. Pois bem. Transpondo a lógica constitucional que fez nascer a necessidade de "prequestionamento" para o processo administrativo fiscal federal, se nos termos do RICARF, a apreciação ex offício de matéria de ordem pública não está impedida sequer à Câmara Superior de Recursos Fiscais, a "instância extraordinária" deste Tribunal Administrativo, com muito maior razão também não está às suas Turmas Ordinárias de julgamento. 4 rel. Min. Menezes Direito, Tribunal Pleno, j. 17/03/08, DJe 16/05/08. Fl. 297DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 298 9 contra o Estado do Rio Grande do Norte visando, sob o fundamento da imunidade, à declaração de inexistência de dever jurídico de recolhimento de IPVA sobre os veículos de sua propriedade. A decisão proferida no julgamento dessa ação, que traz diversos outros precedentes do Supremo Tribunal Federal no mesmo sentido, restou assim ementada: Posteriormente, a matéria foi novamente apreciada em sede de repercussão geral nos RE's nºs 601.392/PR e nº 580.264/RS no que tange às atividades da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos ECT e de hospital vinculado ao Governo do Estado do Rio Grande do Sul. No primeiro caso (RE nº 601.392/PR)5, o Supremo Tribunal Federal declarou relevantes as peculiaridades do serviço postal, conforme consignado na ementa do aresto: Recurso extraordinário com repercussão geral. 2. Imunidade recíproca. Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. 3. Distinção, para fins de tratamento normativo, entre empresas públicas prestadoras de serviço público e empresas públicas exploradoras de atividade. Precedentes. 4. Exercício simultâneo de atividades em regime de exclusividade e em concorrência com a iniciativa privada. Irrelevância. Existência de peculiaridades no serviço postal. Incidência da imunidade prevista no art. 150, VI, “a”, da Constituição Federal. 5. Recurso extraordinário conhecido e provido. (Destacamos) No segundo caso (RE nº 580.264/RS)6, a decisão do Supremo destacou ser importante que a empresa estatal não tenha por fim a obtenção de lucro: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA RECÍPROCA. SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. SERVIÇOS DE SAÚDE. 1. A saúde é direito fundamental de todos e dever do Estado (arts. 6º e 196 da Constituição Federal). Dever que é cumprido por meio de ações e serviços que, em face de sua prestação pelo Estado 5 Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 12/11/2009, Tribunal Pleno meio eletrônico 6 Rel. Min. Joaquim Barbosa, j. 09/10/2008, Tribunal Pleno meio eletrônico Fl. 298DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 299 10 mesmo, se definem como de natureza pública (art. 197 da Lei das leis). 2 . A prestação de ações e serviços de saúde por sociedades de economia mista corresponde à própria atuação do Estado, desde que a empresa estatal não tenha por finalidade a obtenção de lucro. 3. As sociedades de economia mista prestadoras de ações e serviços de saúde, cujo capital social seja majoritariamente estatal, gozam da imunidade tributária prevista na alínea “a” do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. 3. Recurso extraordinário a que se dá provimento, com repercussão geral. (Destacamos) Este Tribunal já teve a ocasião de enfrentar a matéria, analisando o posicionamento do STF acerca do tema7, e assim se posicionou: SOCIEDADE DE ECONOMIA MISTA. IMUNIDADE. RECÍPROCA. INOCORRÊNCIA. Se o objeto social da companhia alcança outras atividades para além da prestação de serviço público, e pessoas físicas e pessoas jurídicas privadas podem participar de seu capital, com direito a dividendos, o reconhecimento da imunidade representaria privilégio fiscal não extensivo às pessoas jurídicas do setor privado. (Destacamos) IMUNIDADE CONSTITUCIONAL — SERVIÇOS DE ÁGUA E ESGOTO — AUTARQUIA MUNICIPAL — TAXA — APLICABILIDADE— Uma vez comprovado que se trata de entidade autárquica municipal, que presta diretamente, em nome do Poder Público Municipal, com a finalidade essencial pública [o serviço] de tratamento de água e esgotos, enquadrase na regra constitucional do art. 150, Parágrafo 2° da Constituição Federal, mediante a cobrança de taxa contraprestacional. E, portanto, não auferindo lucro, e não apurando faturamento, na acepção técnica de tal termo, não é passível de tributação reflexa da CSLL, PIS e COFINS.8 (Destacamos) Pois bem. O Estatuto Social da recorrente, anexado aos autos a fls. 241 e seguintes, dispõe o quanto segue acerca de objetivo social: CAPITULO III DO OBJETIVO SOCIAL Art. 5° A CODEVASF tem por finalidade o aproveitamento, para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais, dos recursos de água e solo dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba, diretamente ou por intermédio de entidades públicas e privadas, promovendo o desenvolvimento integrado de áreas prioritárias e a implantação de distritos agroindustriais e agropecuários. Art. 6° Compete especialmente à CODEVASF, no tocante à região dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba: I coordenar a implantação de programas de valorização e aproveitamento dos recursos de água e solo para fins agrícolas, agropecuários e agroindustriais; II coordenar a execução, diretamente ou mediante contratação, de obras de infraestrutura, particularmente de captação de águas para fins de irrigação de 7 Acórdão nº 1101001.241 8 Acórdão nº 10809.360. Fl. 299DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 300 11 canais primários ou secundários, bem assim de obras de saneamento básico, eletrificação e transportes, conforme o plano diretor, em articulação com os órgãos federais competentes; III implantar ou colaborar na implantação de núcleos de colonização para médios e pequenos irrigantes, assim como na implantação de projetos empresariais; IV promover ou manter, em articulação com entidades públicas ou privadas, centros de desenvolvimento e capacitação de irrigantes; V manter articulação com os órgãos da Administração Pública Federal, Estadual e Municipal na execução dos planos, programas e projetos; VI atuar, coordenadamente com os órgãos de desenvolvimento regional, na elaboração de seus programas e projetos e no exercício de sua atuação nas áreas coincidentes com as dessas entidades, a fim de garantir a unidade de orientação das políticas sócioeconômica e agrícola e a eficiência dos investimentos públicos ou privados; VII colaborar, permanentemente, no estudo do regime fluvial e no combate à poluição dos rios São Francisco e Parnaíba e de seus principais afluentes; VIII promover ou executar estudos cartográficos, topográficos, geológicos, pedológicos e de classificação de terras, para irrigação e vocação agropecuária; IX promover a aquisição ou desapropriação de áreas destinadas à implantação de projetos de desenvolvimento agrícola, agropecuário e agroindustrial, inclusive de irrigação, bem como alienálas na forma da legislação vigente; e X exercer atividades necessárias à operacionalização de seus programas e projetos, quando os órgãos específicos não as puderem atender, e desde que expressamente solicitada, podendo ainda celebrar convênios, contratos, acordos ou ajustes, com pessoas jurídicas de direito público ou privado, nacionais, estrangeiras ou internacionais. § 1° No exercício de suas atribuições, a CODEVASF poderá atuar, por delegação dos Órgãos competentes, como agente do Poder Público, desempenhando função de administração e fiscalização do uso racional dos recursos de água e solo. § 2° A CODEVASF, no exercício de suas atribuições, relativas ao uso múltiplo dos recursos hídricos, ficará adstrita a observância das normas e diretrizes dos órgãos reguladores dos recursos hídricos. Art. 7° Para a realização de seus objetivos, poderá a CODEVASF: I estimular e orientar a iniciativa privada, promover a organização de empresas de produção, beneficiamento e industrialização de produtos primários; II promover e divulgar, junto a entidades públicas e privadas, informações sobre recursos naturais e condições sociais, infraestruturais e econômicas, visando à realização de empreendimentos nos vales dos rios São Francisco e Parnaíba; III elaborar, em colaboração com os demais órgãos públicos federais, estaduais ou municipais que atuam na área, os planos anuais e plurianuais de desenvolvimento integrado dos vales dos rios São Francisco e Parnaíba, indicando, desde logo, os programas e projetos prioritários, com relação às atividades previstas neste Estatuto; Fl. 300DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 301 12 IV projetar, construir e operar obras e estruturas de barragem, canalização, bombeamento, adução e tratamento de água e saneamento básico; V elaborar, implantar e operar projetos de irrigação; e VI realizar trabalhos de regularização dos rios São Francisco e Parnaíba, controle de enchentes, de poluição e de combate às secas, e nos seus tributários, mediante Convênio. Art. 8° No desempenho de suas tarefas, a CODEVASF atuará, preferencialmente por intermédio de entidades públicas ou privadas, recorrendo, sempre que possível à execução indireta de trabalhos, mediante convênios, contratos, acordos ou ajustes. O objetivo social constante do estatuto da recorrente revela que sua atividade está, de fato, adstrita à prestação de serviços públicos típicos a cargo do Estado. Nesse contexto, conforme entendimento firmado pelo Supremo Tribunal Federal, a atividade da recorrente é alcançada pela imunidade constitucional invocada, aplicandose, ao presente caso, o art. 150, VI, "a" e § 2º da CF. E mais: a análise da Lei nº 6.662/79, que dispõe sobre a Política Nacional de Irrigação, e do Decreto nº 89.496/84, que a regulamenta, normas estas que erigem as empresas públicas existentes ou que vierem a ser constituídas em consonância com os objetivos daquela lei a órgãos auxiliares do Ministério do Interior, revelam, de maneira muito clara, que os serviços prestados não são apenas tipicamente públicos, mas, muito mais do que isso, têm feição evidentemente social. Salientese que a imunidade tributária da recorrente foi reconhecida judicialmente por decisão proferida na AC nº 1997.34.000037988/DF (fls. 253). Dessa decisão, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional apresentou recurso extraordinário (RE 608.529), que teve seguimento negado sob o fundamento de estar a decisão recorrida de acordo com a jurisprudência firmada por aquela Corte. Vejamos: DECISÃO: O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o ARE 638.315 RG/BA, Rel. Min. CEZAR PELUSO (Presidente), reconheceu existente a repercussão geral da matéria constitucional igualmente versada na presente causa, e, na mesma oportunidade, reafirmou a jurisprudência desta Corte sobre o tema, proferindo decisão consubstanciada em acórdão assim ementado: “RECURSO. Extraordinário. Imunidade tributária recíproca. Extensão. Empresas públicas prestadoras de serviços públicos. Repercussão geral reconhecida. Precedentes. Reafirmação da jurisprudência. Recurso improvido. É compatível com a Constituição a extensão de imunidade tributária recíproca à Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária – INFRAERO, na qualidade de empresa pública prestadora de serviço público.” O exame da presente causa evidencia que o acórdão ora impugnado ajustase à diretriz jurisprudencial que esta Suprema Corte estabeleceu – e reafirmou – na matéria em referência. Cabe observar, de outro lado, que a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal tem reiteradamente enfatizado que, em princípio, as alegações de desrespeito aos postulados da legalidade, da motivação dos atos decisórios, do contraditório, do devido Fl. 301DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 302 13 processo legal, dos limites da coisa julgada e da prestação jurisdicional podem configurar, quando muito, situações caracterizadoras de ofensa meramente reflexa ao texto da Constituição (RTJ 147/251 – RTJ 159/328 – RTJ 161/284 – RTJ 170/627 628 – AI 126.187AgR/ES, Rel. Min. CELSO DE MELLO – AI 153.310AgR/RS, Rel. Min. SYDNEY SANCHES – AI 185.669AgR/RJ, Rel. Min. SYDNEY SANCHES – AI 192.995AgR/PE, Rel. Min. CARLOS VELLOSO – AI 257.310 AgR/DF, Rel. Min. CELSO DE MELLO – RE 254.948/BA, Rel. Min. CELSO DE MELLO, v.g.), o que não basta, só por si, para viabilizar o acesso à via recursal extraordinária. A espécie ora em exame não foge aos padrões acima mencionados, refletindo, por isso mesmo, possível situação de ofensa indireta às prescrições da Carta Política, circunstância essa que impede – como precedentemente já enfatizado – o próprio conhecimento do recurso extraordinário (RTJ 120/912, Rel. Min. SYDNEY SANCHES – RTJ 132/455, Rel. Min. CELSO DE MELLO). Sendo assim, em face das razões expostas, conheço, em parte, do presente recurso extraordinário, para, nesta parte, negarlhe provimento. Como se pode constatar da tela de andamento abaixo reproduzida, essa decisão transitou em julgado aos 18/04/2012, de modo que a recorrente tem a favor de si uma decisão transitada em julgado proferida pelo Supremo Tribunal Federal que reconhece sua condição de entidade que goza da imunidade tributária recíproca. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 10670.720047/200739 Acórdão n.º 2402006.772 S2C4T2 Fl. 303 14 Desse modo, entendo que a recorrente é alcançada pela imunidade tributária prevista no art.150, VI, "a" e § 2º da CF. CONCLUSÃO Diante do exposto, voto no sentido de conhecer do recurso voluntário para afastar a preliminar de cerceamento de defesa e, no mérito, darlhe provimento para reconhecer a imunidade tributária da recorrente, nos termos do art. 150, VI, "a" e § 2º da CF, cancelando se o lançamento. (assinado digitalmente) Renata Toratti Cassini Relatora Fl. 303DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.722324/2017-67
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.534
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Orlando Rutigliani Berri (suplente convocado), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo. Relatório Reproduzo o relatório da primeira instância administrativa: Tratase de impugnação a lançamentos de créditos tributários abrangendo períodos de janeiro a dezembro de 2013, formalizados por meio de Autos de Infração referentes a Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS fls. 445) e a Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS fls. 438), RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 22 32 4/ 20 17 -6 7 Fl. 917DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 3 2 nos valores, respectivamente, de R$ 36.032.871,37 e R$ 5.855.341,48, totalizando R$ R$ 41.888.212,85 (fls. 452), aí incluídos os valores principais, multa de ofício no percentual de 75% e juros de mora calculados até janeiro de 2018. A Fiscalização descreve ter constatado insuficiência de recolhimento das contribuições (PIS E COFINS), com incidência cumulativa padrão, em razão dos fatos consubstanciados no Termo de Verificação Fiscal de fls. 420/434. No referido Termo inicia a Fiscalização identificando a contribuinte como: uma sociedade anônima de capital aberto, regida pelo Estatuto Social de fls. 08 a 42 e pela legislação vigente que lhe for aplicável. que tem por objetivo efetuar operações de resseguro e retrocessão no País e no exterior, não podendo explorar qualquer outro ramo de atividade empresarial, nem subscrever seguros diretos, e participa do Sistema Nacional de Seguros Privados e exerce suas atribuições de acordo com as diretrizes gerais emanadas do Conselho Nacional de Seguros Privados (CNSP) e da Superintendência de Seguros Privados (SUSEP). Informa que o procedimento fiscal tem por finalidade verificar a não inclusão na apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS dos rendimentos auferidos no período compreendido entre janeiro a dezembro de 2013, oriundos dos bens garantidores das provisões técnicas. Reportase à legislação aplicável, esclarecendo que : O IRBBRASIL RESSEGUROS S/A. incluise entre as entidades relacionadas no § 1º do art. 22 da Lei 8.212, de 24 de julho de 1991, as quais apuram as Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) segundo legislação específica. O PIS/PASEP e a COFINS incidem sobre o faturamento, entendido como a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente da sua classificação contábil ou da atividade social exercida. A legislação prevê diversas exclusões/deduções da receita bruta, para fins de determinação da base de cálculo, sendo algumas gerais, e outras específicas para cada tipo de atividade. No período objeto da presente fiscalização, a base de cálculo das seguradoras é definida pela Lei 9.701/98, art. 1º, e Lei 9.718/98, artigos 2º e 3º, com redações alteradas pelas Medidas Provisórias 1.99114/2000, 2.03725/2000, 2.15835/2001 e suas reedições, transcrevendo trechos pertinentes. Descreve o procedimento fiscal, reportandose: ao Termo de Início cientificado em 09/03/2017 com intimação para apresentar, entre outros documentos: estatuto social e eventuais alterações posteriores; demonstrativo detalhado de apuração mensal de PIS e COFINS, na forma de planilha impressa e em meio magnético, Fl. 918DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 4 3 referente ao período compreendido entre janeiro a dezembro de 2013, especificando as contas contábeis que compõem as bases de cálculo das referidas contribuições; plano de contas e balancetes mensais analíticos, em meio magnético, referentes ao mesmo período. Ressalta a Autoridade Fiscal que a resposta foi encaminhada com apresentação de: 1 Atos Societários (fls. 08 a 42); 2 Demonstrativo detalhado de apuração mensal de PIS e COFINS, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2013 (fls. 43 a 48); 3 Plano de contas da Instituição (fls. 49 a 111); 4 Balancetes mensais analíticos, referentes aos meses de janeiro a dezembro de 2013 (fls. 112 a 293). E expõe que: A partir da análise efetuada em seus demonstrativos de apuração de PIS e COFINS, com auxílio dos balancetes mensais apresentados, verificase que o contribuinte deixou de incluir na apuração da base de cálculo das contribuições os rendimentos financeiros oriundos dos ativos garantidores das provisões técnicas, tendo em vista que, de acordo com entendimento desta Fiscalização, baseado no PARECER SUSEP/DECOM/GEACO/ DIMES/ Nº 32/09, de 23 de julho de 2009, (fls. 326 a 328), as receitas financeiras oriundas de investimentos compulsórios (relativas aos ativos garantidores das provisões técnicas), no caso das sociedades que operam com seguros, integram o seu faturamento, sendo, com isso, o resultado direto de sua atividade principal. Portanto, são receitas operacionais, pois advém de sua atividadefim, devendo, desta forma, compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Todavia, não se trata de ampliação do conceito de faturamento ou tributação de receitas que não correspondam à receita bruta. Tratase aqui de receita advinda de investimentos que são operações inerentes às atividades das sociedades seguradoras, partes constituintes de seu objeto social, conforme fica claro na Solução de Consulta nº 91 – SRRF08/Disit, de 02 de abril de 2012, de onde foi extraído o trecho abaixo: ... Na mesma linha de entendimento estão as Soluções de Consulta Cosit nº 84, de 08 de junho de 2016, e nº 83, de 24 de janeiro de 2017. Desta forma, dando prosseguimento à Fiscalização, em 04/05/2017, intimamos o contribuinte (fls. 295 e 296) a apresentar, em relação às planilhas de apuração da base de cálculo de PIS e COFINS, encaminhadas a esta Fiscalização em 27/03/2017, os seguintes documentos e informações, referentes ao período compreendido entre janeiro a dezembro de 2013: 1 – Composição mensal detalhada dos bens garantidores das provisões técnicas; 2 – Composição mensal detalhada dos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas; Fl. 919DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 5 4 3 – Comprovação através de folhas do livro razão dos lançamentos contábeis relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas noperíodo em questão; e 4 – Demonstrações Financeiras Auditadas. Em resposta encaminhada em 18/05/2017 (fls. 297 e 298) o contribuinte apresentou os seguintes documentos: 1. Composição mensal dos bens garantidores das provisões técnicas (fls. 303 a 314; 2. Composição mensal dos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas (fls.315 e 316); Em relação ao item 3 do Termo de Intimação, onde solicitamos a apresentação das folhas do livro razão que demonstrassem os lançamentos contábeis relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas, o contribuinte ao invés de fornecer o razão contábil conforme solicitado, apresentou uma planilha onde detalha os valores dos rendimentos financeiros auferidos, especificando as contas de receita e despesa registradas contabilmente no período de janeiro a dezembro de 2013. Entretanto, de acordo com o razão extraído da escrituração contábil da fiscalizada, obtida junto ao Sistema Público de Escrituração Digital SPED, em conformidade com o disposto nos artigos 7º e 8º da Instrução Normativa RFB 1.420/2013, verificase que, diferente das informações contidas na planilha apresentada pelo contribuinte, a contabilização dos rendimentos financeiros auferidos sobre os bens garantidores das provisões técnicas, referentes aos meses de janeiro a outubro de 2013, foram registradas contabilmente nos meses de novembro e dezembro de 2013, juntamente com os lançamentos próprios de competência desses meses, conforme detalhado em planilha de fls. 405 a 408. Além das inconsistências citadas anteriormente, foram também por nós constatado, através de análise realizada no Demonstrativo de Apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS do período em tela, que, embora não tenha incluído na apuração as receitas relativas à emissão de prêmios de resseguro no exterior, amparado pelo § 1º e o inciso III do art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, o contribuinte se beneficiou indevidamente das deduções/exclusões atreladas a tais receitas. De acordo com o § 1º e o inciso III do art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, são isentas de PIS e COFINS as receitas decorrentes das operações de prestação de serviços a residente ou domiciliado no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, conforme fica claro na Solução de Consulta nº 62 – Cosit, de 20 de janeiro de 2017, ....: ... Desta forma, dando prosseguimento à ação fiscal, em 25/08/2017, intimamos o contribuinte a apresentar justificativas por ter considerado na apuração da base de cálculo de PIS e COFINS as Fl. 920DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 6 5 deduções/exclusões relativas a resseguro no exterior, especificadas abaixo, sem, contudo, ter incluído na apuração as receitas correlatas de prêmios de resseguro auferidos no exterior. Em resposta encaminhada em 15/09/2017, o contribuinte alega que, “considerando a especificidade da sistemática cumulativa do PIS/COFINS a qual se submete a Peticionária, a mesma se submete exclusivamente às exclusões e deduções previstas nas normas legais, sendo certo, inclusive, que algumas das despesas apontadas pela Fiscalização se referem a despesas acessórias vinculadas ao exercício de sua atividade, sendo, portanto, dedutíveis da base de cálculo de PIS/COFINS”. Entretanto, esta Fiscalização entende que as deduções e exclusões previstas em lei foram opções criadas pelo legislador no intuito de atender alguns setores específicos da economia através de várias alterações do texto original das Leis nº 9.701/98 e 9.718/98, por meio das Medidas Provisórias nº 1.99114/2000, 2.03725/2000, 2.158 35/2001 e suas reedições (no caso das Seguradoras e Resseguradoras a legislação está citada no item 3 deste Termo). Desta forma, conclui se que a dedução de custos e despesas na apuração do PIS e da COFINS só será permitida quando tiver correlação direta com as receitas oferecidas à tributação. No caso em tela, as receitas relativas a prêmio de resseguro no exterior, com base no § 1º e o inciso III do art. 14 da MP nº 2.15835, de 2001, não foram oferecidas pelo contribuinte à tributação, portanto, por questão de coerência, as despesas correlacionadas a essas receitas não deverão ser consideradas na apuração da base de cálculo de PIS e COFINS a título de dedução/exclusão. Esclarece, então, a Fiscalização quanto à Apuração do Crédito Tributário, que foi realizada a partir dos Demonstrativos de Apuração do PIS e da COFINS preparados pelo contribuinte, (fls. 43 a 48), baseada em sua escrituração contábil, referentes ao período de janeiro a dezembro de 2013, cujas respectivas bases de cálculo foram ajustadas pelos seguintes assuntos: I) De acordo com o princípio da competência do exercício, foram incluídas na apuração os valores mensais informados pelo contribuinte, relativos aos rendimentos financeiros auferidos sobre os ativos garantidores das provisões técnicas, sendo considerados por esta fiscalização somente aqueles registrados em contas de receita (Planilha de fls. 405 a 408); Fl. 921DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 7 6 II) Glosa de despesa deduzida indevidamente no período sem a devida previsão legal: Conta nº 3242811100 – Outras Despesas Operacionais de Resseguro no País; e III) Glosa de deduções/exclusões relativas a resseguro no exterior (fls. 418):Contas nº 3212171110, 3212171120, 3212171151, 3212171160, 3221171110, 3221171120, 3221311300 e 3223111300. Diante do exposto, foram utilizadas no lançamento do crédito tributário as bases de cálculo do PIS e da COFINS preparadas pela fiscalizada, cujos valores foram conferidos com os razões contábeis, gerados através das informações disponibilizadas no Sistema Público de Escrituração Digital – Escrituração Contábil (SPED Contábil), ajustados pelos eventos descritos no parágrafo anterior, conforme apuração resumida para os meses que apresentaram diferenças positivas refletidas na planilha intitulada “Demonstrativo de Apuração do PIS e da COFINS – Diferenças a Lançar”, de fls. 419, por nós preparada, que é parte integrante do presente Auto de Infração. Na sequência, a Fiscalização também fundamenta a aplicação da multa de ofício de 75% (no art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 1996) e a incidência de juros de mora (citando o art. 953 do RIR/99, com base legal na Lei nº 8.981, de 1995, art. 84, inciso I, e § 1º, Lei nº 9.065, de 1995, art. 13, e Lei nº 9.430, de 1996, art. 61, § 3º. Dada ciência da autuação em 11/01/2018 (fls. 453/455), foi apresentada em 09/02/2018, impugnação de fls. 484/513, acompanhada de documentos de fls. 461/483 e 515/607, com as razões de defesa a seguir sintetizadas. A Interessada registra a tempestividade de sua defesa e, ao expor os fatos, afirma serem insubsistentes as conclusões fiscais. No mérito, a título de esclarecimentos iniciais, expõe que a Impugnante tem por objeto efetuar operações de resseguro e retrocessão no País e no exterior, não podendo explorar qualquer outro ramo de atividade empresarial, nem subscrever seguros diretos, conforme artigo 2º do seu Estatuto Social, estando suas atividades sob controle e fiscalização da Superintendência de Seguros Privados (“SUSEP”) . Reportase à obrigatoriedade de constituição pelas sociedades seguradoras de reservas técnicas, fundos especiais e provisões técnicas, com o objetivo de garantir todas as suas operações, de acordo com o art. 84 do DecretoLei nº 73/1966. Cita Resoluções da CMN acerca do disciplinamento da aplicação dos recursos das reservas, provisões e fundos, alegando rigidez dos critérios de aplicação de tais recursos. Na sequência, defende a não incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre as receitas não operacionais auferidas pela Impugnante, argumentando que está sujeita ao regime cumulativo de apuração de PIS e COFINS previsto na Lei nº 9.718, de 1998 e regulamentado na IN RFB nº 1.285, de 2012. Invoca o Recurso Extraordinário nº 585.235, expondo ter o STF, em repercussão geral, decidido pela inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo promovido pelo § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/1998. Fl. 922DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 8 7 Assevera que, a esse respeito, inclusive, a Impugnante obteve provimento jurisdicional favorável nos autos da Ação Ordinária nº 2006.51.01.0104963, oportunidade em que foi assegurado à Impugnante o direito de recolher o PIS e a COFINS incidentes sobre seu faturamento (entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais), sendo indevida a exigência de tais contribuições sobre receitas não operacionais. Cita emenda e excerto de voto. Reportase à Lei nº 12.973, de 2014 (que alterou o artigo 3º da Lei nº 9.718 e o art. 12 do DecretoLei nº 1.598/1977) e à exposição de motivos da Medida Provisória que a antecedeu (MP nº 627) para alegar que a alteração teria como objetivo apenas incluir os valores decorrentes do ajuste a valor presente decorrente da adoção das novas regras contábeis (IRFS) e, ainda, que não seria aplicável a fatos geradores ocorridos no ano de 2013 discutidos na impugnação. Defende a natureza não operacional das receitas financeiras (rendimentos financeiros) decorrentes de seus investimentos legalmente obrigatórios em ativos garantidores e a impossibilidade de serem tributadas por PIS e COFINS, reprisando a menção aos arts. 73 e 84 do Decretolei 73/1966, e alegando que: a Impugnante é obrigada a registrar os denominados ativos garantidores perante a SUSEP e, não pode deles dispor livremente, salvo se previamente autorizada; as receitas financeiras (rendimentos financeiros) ora questionadas pela fiscalização, não são decorrentes da execução do objeto social da Impugnante, mas sim relacionados à natureza e aos riscos envolvidos na atividade por ela desenvolvida; não está incluída no objeto social da Impugnante a atividade de intermediação de recursos financeiros próprios ou de terceiros desenvolvida (estritamente) por instituições financeiras; sendo o investimento em ativos garantidores decorrente de imposição legal, as receitas financeiras auferidas não podem ser consideradas como receita operacional. Menciona a Súmula Vinculante nº 32 do STF acerca da não incidência de ICMS na alienação de salvados de sinistro pelas seguradoras para alegar que se em caso de mera disposição contratual – na qual está presente a autonomia da vontade , o STF já se manifestou pela restrição da atividade operacional à atividade de seguro, não faz qualquer sentido que, transações compulsórias decorrentes de imposição legal (que em nada se identifique com a atividade de resseguro desempenhada pela Impugnante), a administração Tributária interprete de forma diversa. Reportase a decisão da DRJ Ribeirão Preto, alegando que, em julgamento de caso análogo do mesmo contribuinte, entendeuse, por unanimidade, pela não incidência de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras de investimentos legalmente obrigatórios, transcrevendo ementa e trechos do voto. Fl. 923DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 9 8 Menciona também julgados do CARF (um de interesse de outra pessoa jurídica que identifica como Caso Azul Seguros Gerais e outro em que figura como Interessada a própria contribuinte ora Impugnante), Nota Técnica COSIT nº 21/2006, Parecer PGFN/CAT nº 2773/2007, Parecer SUSEP/DITEC/GEACO/COASO/DIREF/nº 64/2013, outro julgado do CARF em processo de interesse de Companhia de Seguros Minas Brasil e, ainda, sentença judicial da 14ª Vara Federal de São Paulo em Mandado de Segurança. Acrescenta que o resseguro representa a assunção, pela resseguradora, mediante o pagamento do prêmio, de um interesse legítimo do ressegurado, relativo a pessoa ou coisa, contra riscos predeterminados, como elucida o artigo 757 do Código Civil. Também defende a possibilidade de deduções/exclusões de despesas operacionais de resseguro no país e no exterior, opondose às glosas procedidas pela Fiscalização, mediante as alegações seguintes: Assevera que não oferece à tributação os valores relativos aos resseguros efetuados no exterior em razão de expressa previsão legal. Invoca o art. 1º, inciso IV, da Lei nº 9701, de 1998, e artigo 3º, § 5º, da Lei nº 9718, de 1998, bem como o art. 27 do Decreto 4.524, de 2002 e art. 28 da IN SRF 247, de 2002, e expõe que: De igual forma, e considerando a especificidade da sistemática cumulativa do PIS/COFINS a qual se submete a Peticionária, a mesma se submete exclusivamente às exclusões e deduções previstas nas normas legais, sendo certo, inclusive, que algumas das despesas apontadas pela Fiscalização se referem a despesas acessórias vinculadas ao exercício de sua atividade, sendo, portanto, dedutíveis da base de cálculo de PIS/COFINS. Cita ementa de Acórdão do CARF e requer que devem ser afastadas as glosas das despesas operacionais de resseguro no País, bem como as despesas com resseguros no exterior. Finaliza formulando pedido de cancelamento dos autos de infração e, caso mantida qualquer parcela dos lançamentos, requer que seja reconhecida a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do CTN, e conforme decisão da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais no julgamento do Recurso Especial interposto nos autos do processo administrativo nº 10680.002472/200723, de 09.11.2010. Relaciona como anexos à Impugnação os seguintes documentos: Fl. 924DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 10 9 A 11ª Turma da DRJ/Ribeirão Preto/SP, por meio do Acórdão 14 85.879, de 10/05/2018, decidiu pela improcedência da Impugnação, mantendo integralmente o lançamento. Transcrevo a ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. As decisões judiciais e administrativas relativas a terceiros não possuem eficácia normativa, uma vez que não integram a legislação tributária de que tratam os artigos 96 e 100 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADESOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO JUDICIAL. A declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, que ensejou a posterior extirpação desse parágrafo por efeito da Lei nº 11.941, de 2009, não alterou, em particular, o critério definidor da base de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, que continua a ser o faturamento. Pelo contrário, apenas firmou o entendimento de que não é qualquer receita que pode ser considerada faturamento para fins de incidência dessas contribuições sociais, mas apenas aquelas vinculadas à atividade mercantil típica da empresa, afastando a incidência sobre receitas não operacionais. BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. ATIVIDADE EMPRESARIAL. SEGURADORAS. As receitas financeiras oriundas das atividades empresariais (econômicas) da pessoa jurídica, obtidas a partir de investimentos necessários para o exercício da atividade fim, integram o seu faturamento e, portanto, compõem a base de cálculo. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÕES. As exclusões da base de cálculo da contribuição são apenas aquelas legalmente previstas. A previsão legal de dedução/exclusão pressupõe que a receita correlata tenha sido oferecida à tributação. Fl. 925DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 11 10 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2013 a 31/12/2013 LEGISLAÇÃO CORRELATA. APLICAÇÃO. Dada a correlação entre as normas que regem as contribuições, aplicamse na íntegra as mesmas ementas e conclusões da COFINS à contribuição ao PIS. No Recurso Voluntário, a empresa reforça os argumentos da Impugnação. Reitera seu entendimento: as receitas financeiras não são decorrentes da execução do seu objeto social, mas sim relacionados à natureza e aos riscos envolvidos na atividade desenvolvida; ressalta que atividades financeiras não estão incluídas em seu objeto social. Colaciona precedente do STF para dizer que o “o objeto das operações das seguradoras é o seguro. A alienação de salvados não os torna mercadorias”; colaciona precedentes do Carf (ac.3401002.708, 3302002.841, 3302002.071) e jurisprudência (Processo 0003315 88.2016.4.03.6100, 4ª Vara da Justiça Federal/SP); reafirma a interpretação da Nota Técnica Cosit 21/2006 em conjunto com o Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, no sentido de que as receitas das seguradoras são advindas do recebimento dos prêmios; sustenta que a Susep teria dado alcance restritivo à expressão “receita bruta”, por não estarem diretamente relacionadas ao seu objeto social; reitera a possilidade legal de dedução/exclusão relativa a despesas operacionais de resseguro no país, bem como com as despesas com resseguros no exterior. É o relatório. Voto Conforme relatado, a recorrente impetrou ação judicial para discutir a base de cálculo do Pis e da Cofins, em vista da ampliação do conceito de faturamento contida no §1º do art. 3º da Lei 9.718/98. No Recurso Voluntário, a recorrente noticia que a Ação Ordinária 2006.51.01.0104963, teve a seguinte ementa, no TRF 2ª Região: “PIS E COFINS. PRESCRIÇÃO. LC 118/2005. ART. 3º, §1º, DA LEI Nº 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. PESSOA JURÍDICA ENQUADRADA NO REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. TAXA SELIC. 1. Quanto à aplicação do prazo prescricional previsto na Lei Complementar nº 118/2005, o Superior Tribunal de Justiça assim se manifestou: “Assim, na hipótese em exame, com o advento da LC 118/05, a prescrição, do ponto de vista prático, deve ser contada da seguinte forma: relativamente aos pagamentos efetuados a partir da sua vigência (que ocorreu em 09.06.05), o prazo para a ação de repetição do indébito é de cinco a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior, limitada, porém, ao prazo máximo Fl. 926DF CARF MF Processo nº 16682.722324/201767 Resolução nº 3201001.534 S3C2T1 Fl. 12 11 de cinco anos a contar da vigência da lei nova” (AI nos EREsp 644736/PE, Rel. Ministro TEORI ALBINO ZAVASCKI, CORTE ESPECIAL, julgado em 06.06.2007, DJ 27.08.2007 p. 170). 2. O § 1º do art. 3º da lei nº 9718/98, que alterou a base de cálculo da COFINS e do PIS, foi declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. 3. A empresa autora deve recolher o PIS e a Cofins incidentes sobre seu faturamento, este entendido como a receita bruta oriunda do desenvolvimento de suas atividades empresariais. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas nãooperacionais é que será indevida, ensejando a compensação dos valores que eventualmente tenham sido recolhidos a esse título. 4. A correção do indébito observará a disposição da Lei nº 9.250/95, que criou a Taxa SELIC, excluindose qualquer índice de correção monetária ou juros de mora (art. 39, § 4º, da Lei nº 9.250/95). 5. Remessa necessária e apelação da parte autora parcialmente providas. Apelação da União Federal improvida.” Todavia, não encontrei nos autos cópias das peças judiciais ou certidão de objeto e pé. Portanto, é preciso converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora providencie, por si ou por intimação à recorrente, as cópias das peças judiciais e certidão de objeto e pé da Ação Ordinária 2006.51.01.0104963. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira Relator Fl. 927DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001658/2009-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF.
1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo.
2. Devem ser replicados ao julgamento relativo ao descumprimento de obrigação acessória os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental.
Numero da decisão: 2402-006.905
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ARBITRAMENTO. GFIP Recorrente SANTAMÁLIA SAÚDE S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. APRESENTAÇÃO DA GFIP COM DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DAS CONTRIBUIÇÕES. RESULTADO DOS JULGAMENTOS DOS PROCESSOS RELATIVOS ÀS OBRIGAÇÕES TRIBUTÁRIAS PRINCIPAIS. APLICAÇÃO. RICARF. 1. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF) preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. 2. Devem ser replicados ao julgamento relativo ao descumprimento de obrigação acessória os resultados dos julgamentos dos processos atinentes ao descumprimento das obrigações tributárias principais, que se constituem em questão antecedente ao dever instrumental. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 58 /2 00 9- 11 Fl. 389DF CARF MF Processo nº 19515.001658/200911 Acórdão n.º 2402006.905 S2C4T2 Fl. 390 2 (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Paulo Sergio da Silva. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da DRJ, que julgou improcedente a impugnação apresentada em face de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, lavrado por ter a empresa deixado de informar, em GFIP, os fatos geradores de contribuições previdenciárias, incidentes sobre remunerações de empregados. Segue acórdão e ementa da decisão: Acórdão: Acordam os membros da 14” Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ementa: [...] Período de apuração: 01/02/2004 a 31/12/2004 OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA NA GFIP. INFRAÇÃO. Apresentar a empresa GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração à legislação previdenciária. PEDIDO DE JUNTADA POSTERIOR DE PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido de juntada de documentos e outras provas admitidas em direito após a impugnação deve ser indeferido quando não tenha sido demonstrada a impossibilidade de apresentação oportuna da prova documental por motivo de força maior, não se refira esta a fato ou direito superveniente, e nem se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos, e quando os elementos do processo forem suficientes para o convencimento do julgador. Fl. 390DF CARF MF Processo nº 19515.001658/200911 Acórdão n.º 2402006.905 S2C4T2 Fl. 391 3 Relatou a acusação fiscal que a empresa teria lançado em sua contabilidade, como despesa de serviços médicos, valores que declarou em DIPJ como sendo de remuneração de empregado, contudo sem considerálos como base de cálculo das contribuições. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 08/02/2011 e interpôs recurso voluntário em 01/03/2011, no qual basicamente reiterou os mesmos termos de sua impugnação, mais especificamente a alegação de que não haveria necessidade de apresentação da GFIP, pois os valores que supostamente deveriam ser declarados seriam relativos a outro tributo, o que seria comprovado nas impugnações relativas aos autos de infração lavrados por descumprimento das obrigações principais. Sem contrarrazões ou manifestação pela Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo, visto que interposto dentro do prazo legal de trinta dias, e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 No mérito Este lançamento decorre do descumprimento de obrigação acessória vinculada ao descumprimento de obrigação tributária principal (o pagamento de remuneração declarada em DIPJ, conforme processos administrativos fiscais 19515.001660/200982, 19515.001659/200958 e 19515.001661/200927), inclusive o valor lançado corresponde, em parte, ao valor das contribuições devidas à seguridade social. Expressandose de outra forma, caso fossem insubsistentes as contribuições lançadas, seria igualmente insubsistente a multa aplicada neste Auto de Infração, tanto porque não haveria fatos geradores a serem informados em GFIP, quanto porque não haveria base de cálculo para a aplicação da sanção pecuniária, a qual incide sobre o valor relativo à contribuição. Pois bem. A fim de evitar decisões conflitantes e de propiciar a celeridade dos julgamentos, o RICARF preleciona que os processos podem ser vinculados por conexão, decorrência ou reflexo. Entre os processos reflexos incluemse os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies (vide § 8º do art. 6º do Regimento), como é o caso sob apreço. Dentro desse espírito condutor, deve ser replicado ao presente julgamento, relativo ao descumprimento de obrigação acessória, o resultado do PAF principal, no qual houve o lançamento das contribuições. Deve ser assinalado, aliás, que o recurso voluntário Fl. 391DF CARF MF Processo nº 19515.001658/200911 Acórdão n.º 2402006.905 S2C4T2 Fl. 392 4 interposto neste processo não tem matéria distinta daquela constante do recurso interposto no PAF principal. No PAF principal, este colegiado votou por negar provimento ao recurso voluntário. Desta forma, este mesmo resultado deve ser replicado para o presente julgamento. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 392DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10380.732877/2012-31
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 09 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 9101-000.079
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa se manifeste sobre a questão relacionada à suspensão da imunidade tributária.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto.
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que essa se manifeste sobre a questão relacionada à suspensão da imunidade tributária. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo, Luis Fabiano Alves Penteado, Viviane Vidal Wagner, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado para substituir o conselheiro Luis Flávio Neto), Caio César Nader Quintella (suplente convocado), Adriana Gomes Rêgo (Presidente). Ausente o conselheiro Luis Flávio Neto. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela contribuinte acima identificada, fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência de interpretação da legislação tributária quanto ao que se decidiu sobre a necessidade de arbitramento dos lucros para fins de apuração de RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 03 80 .7 32 87 7/ 20 12 -3 1 Fl. 2087DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 3 2 IRPJ/CSLL, e sobre a possibilidade de exigência das contribuições PIS/COFINS com base no faturamento. A recorrente insurgese contra o Acórdão nº 1401001.712, de 13/09/2016, por meio do qual a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF decidiu, entre outras questões, manter o lançamento de IRPJ/CSLL com base no lucro real (entendendo que não era caso de arbitramento), e também manter a incidência de PIS e COFINS sobre o faturamento. O acórdão recorrido contém a ementa e a parte dispositiva descritas abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009, 2010 PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da parte, a realização de perícias desde que entendida como necessária ao deslinde da situação posta em consideração, indeferindo motivadamente a que for considerada prescindível ou impraticável. PRELIMINAR DE NULIDADE. AUSÊNCIA DE FUNDAMENTAÇÃO DOS FATOS QUE MOTIVARAM A AUTUAÇÃO. NÃO CONFIGURAÇÃO. CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PARA A IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. MATÉRIA PRECLUSA. Descabe a alegação de nulidade por cerceamento do direito de defesa quando a questão relacionada à suspensão da imunidade, que implicou no lançamento de ofício, foi devidamente apreciada e deliberada em processo administrativo fiscal específico, tratandose de matéria preclusa, pelo que não cabe nova apreciação. IRPJ. APURAÇÃO COM BASE NA ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. AUSÊNCIA DO LALUR. TRIBUTAÇÃO PELO LUCRO REAL. POSSIBILIDADE. Reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. A alegada obediência aos preceitos das Leis n° 8.212, de 1991, e n° 12.101, de 2009, não ampara a pretensão da litigante, tendo em vista o artigo 55 da Lei n° 8.212, de 1991, haver sido expressamente revogado pela Lei n° 12.101, de 2009, que Fl. 2088DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 4 3 estabelece a necessidade de a entidade dita imune obter uma certificação, documento que não foi apresentado pela Recorrente. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. PIS/PASEP. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. COFINS. Tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, deve a tributação da COFINS se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, NÃO CONHECER de matéria ligada aos juros por ser considerada matéria preclusa, Vencidas as Conselheiras Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin e Lívia De Carli Germano e, no mérito, em NEGAR provimento ao recurso, nos seguintes termos: I) Por unanimidade de votos, NEGAR provimento mantendo integralmente os lançamentos do IRPJ/CSLL; e II) Pelo voto de qualidade, NEGARAM provimento em relação PIS e COFINS. Vencidos os Conselheiros Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Julio Lima Souza Martins, Aurora Tomazini de Carvalho e Lívia De Carli Germano que davam provimento parcial para considerar o recolhimento pelo Pis pela folha de salário e a isenção da Cofins sobre receitas próprias para a Fundação. No recurso especial, a contribuinte afirma que o acórdão recorrido deu à legislação tributária interpretação divergente da que foi dada em outros processos, relativamente às matérias acima mencionadas. Em relação às divergências jurisprudenciais suscitadas, a contribuinte desenvolve os seguintes argumentos: tratase de recurso especial interposto face ao Acórdão que não conheceu de matéria de ordem pública por equivocadamente considerar matéria preclusa e, no mérito, negou provimento ao recurso voluntário ao argumento de que: (a) Em razão de supostas particularidades da demanda, o IRPJ seria apurado pelo “lucro real” mesmo inexistindo LALUR, não cabendo arbitramento; possibilidade de apuração do o PIS/Pasep e COFINS – supostamente reflexos – sob o “regime nãocumulativo; e Fl. 2089DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 5 4 (b) Possibilidade de tributação reflexiva de PIS/Pasep e COFINS, com base no IRPJ. em relação ao tópico (a), embora o Acórdão recorrido não mencione expressamente a violação ao inciso III, do art. 14, do CTN (sobretudo por tal matéria equivocadamente constar no outro PAF, autos nº 10380.729113/201269, conforme mencionado), percebese claramente, tanto na ementa quanto nas razões de decidir, os fundamentos da decisão pela ‘validade da apuração por “lucro real”, inobstante não tenha sido apresentado LALUR ou livros revestidos de formalidades capazes de auferir receitas e despesas contabilizadas’, em enfrentamento ao argumento suscitado pela obrigatoriedade de apuração via “lucro arbitrado”; não obstante a notória incoerência, com o devido acatamento, a conclusão adotada pelo Acórdão ora desafiado pelo presente Recurso Especial findou por inequivocamente divergir de julgados desse Colendo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, especificamente quanto ao fato de que é absolutamente ilegítima e ilegal a fixação do regime de apuração do lucro, em desfavor desta recorrente, a par da modalidade “lucro real”, posto aplicável/impositivo ao caso dos autos a modalidade “lucro arbitrado”; a propósito, eis os trechos seccionados das ementas dos acórdãos que apontam e corroboram a divergência ora suscitada para fins de admissibilidade do presente Recurso Especial (acórdãos na íntegra seguem anexos): “PRIMEIRO PARADIGMA” Acórdão nº 1202001.201 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006, 2007 IRPJ. IMUNIDADE. ENTIDADE BENEFICENTE. Caracterizado o descumprimento de requisito previsto no CTN, art. 14, inciso III, suspendese a imunidade ao IRPJ, prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal. [...] ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ IRPJ E CSLL. LUCRO REAL. REQUISITOS. ESCRITURAÇÃO DO LALUR. Não tendo o sujeito passivo apresentado Lalur, descabe a apuração de resultados com base no lucro real. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP IMPOSSIBILIDADE DE UTILIZAÇÃO DO LUCRO REAL. REGIME NÃO CUMULATIVO. INAPLICABILIDADE. A aplicabilidade do regime nãocumulativo é condicionada à apuração do IRPJ com base no lucro real. “SEGUNDO PARADIGMA” Fl. 2090DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 6 5 Acórdão nº 1201001010 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2006 LUCRO ARBITRADO. A falta de apresentação do livro registro de inventário e do LALUR à fiscalização, quando regularmente intimado o sujeito passivo, dá ensejo à apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social segundo as regras do lucro arbitrado. Assunto: Normas de Administração Tributária Anocalendário: 2006 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. SUSPENSÃO. A distribuição, a qualquer título, de parte do patrimônio ou da renda da pessoa jurídica imune dá ensejo à suspensão do benefício. em relação ao tópico (b), é flagrantemente nulo, por absoluta inexistência de verificação dos motivos determinantes e respectiva motivação, o lançamento pertinente ao PIS e COFINS a título de “efeito reflexo” da suspensão da imunidade tributária, perpetrada em relação ao IRPJ; eis os Acórdãos paradigmáticos: “TERCEIRO PARADIGMA Acórdão nº 3401001.945 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/11/2003 a 31/05/2008 INSTITUIÇÃO RECREATIVA E CULTURAL, SEM FINS LUCRATIVOS. AUTUAÇÃO FUNDAMENTADA NA LEGISLAÇÃO DO IRPJ E CSLL. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO. NULIDADE. É nulo, por ausência de motivação, o auto de infração da Cofins que desconsiderou alegada isenção de entidade sem fins lucrativos com base na legislação do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, por aplicar àquela normas jurídicas próprias destes dois tributos, quando ambas são inconfundíveis. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 31/07/2003 a 31/12/2005 INSTITUIÇÕES DE CARÁTER RECREATIVO E CULTURAL, SEM FINALIDADE LUCRATIVA. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. A isenção preconizada pelo artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10/12/1997, para as instituições de caráter recreativo e cultural, sem fins lucrativos, aplicase, consoante expressamente determinado no seu § 1º, exclusivamente em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre Fl. 2091DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 7 6 o lucro líquido. Em relação ao PIS/Pasep, referidas instituições não estão isentas e devem submeterse à regra do inciso IV, do art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24/08/2001, isto é, recolher a contribuição mediante a aplicação da alíquota de 1% sobre a sua folha de salários. No caso, de se cancelar a autuação para a exigência da contribuição com base no faturamento sob a alegação de que a “isenção” fora suspensa. “QUARTO PARADIGMA” Acórdão nº 310201.333 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. COFINS. ISENÇÃO. São isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. ATIVIDADES PRÓPRIAS. DEFINIÇÃO. ESTATUTO. Consideramse atividades próprias da entidade aquelas para as quais as mesmas foram criadas e que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2007 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. BASE DE CÁLCULO. A contribuição para o PIS/PASEP das entidades educacionais é determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento. neste panorama e a par das considerações que se seguem, resta plenamente demonstrado o cumprimento dos requisitos formais para a interposição do presente Recurso Especial, haja vista que a decisão da 1ª Turma Ordinária dessa 4ª Câmara, ora recorrida, deu à lei tributária interpretação divergente das que foram dadas por outras Turmas desse CARF, conforme trechos de acórdãos supradescritos (na íntegra em arquivos anexos), razão pela qual resta evidente o cumprimento do art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais; DAS RAZÕES DE REFORMA DO JULGADO A QUO. DA IMPOSSIBILIDADE DE ARBITRAMENTO POR “LUCRO REAL”. no presente caso, um dos motivos que deram ensejo à suspensão da imunidade da recorrente foi a violação ao inciso III, do art. 14, do CTN, que expressamente dispõe: “a falta de manterem escrituração de suas receitas e despesas em livros revestidos de formalidades capazes de assegurar sua exatidão”; Fl. 2092DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 8 7 isto é, para a Fiscalização, a contabilidade apresentada pela Fundação Edson Queiroz foi imprestável a auferir as receitas e despesas contabilizadas; em ululante contradição, a apuração dos tributos se deu pela modalidade “lucro real” utilizandose a própria contabilidade apresentada (tida como imprestável), preterindose a impositiva apuração na modalidade “lucro arbitrado”; é absolutamente ilegítima e ilegal a fixação do regime de apuração do lucro, em desfavor desta recorrente, pela modalidade “lucro real”, posto aplicável/impositivo ao caso dos autos a modalidade “lucro arbitrado”, uma vez que os seus livros contábeis foram declaradamente tidos como imprestáveis aos fins de aferição de receita e despesa, o que enseja inexoravelmente a apuração via lucro arbitrado; ora, por decorrência lógica, se os livros contábeis são imprestáveis ao seu fim (ao ensejo do afastamento da imunidade – inc. III, art. 14, CTN), aqueles livros não podem, em hipótese alguma, servir de base para apuração de tributos, a se impor apuração via “lucro arbitrado”, conforme constam nos acórdãos apontados; portanto, o lançamento de origem é nulo/improcedente de pleno direito; importa consignar que a aplicabilidade do regime nãocumulativo é condicionado à apuração do IRPJ com base no lucro real, devendo assim consequentemente ser anulada; DA IMPOSSIBILIDADE DE TRIBUTAÇÃO REFLEXIVA DE PIS/PASEP E COFINS, COM BASE NA APURAÇÃO DO IRPJ DECORRENTE DE SUSPENSÃO DE IMUNIDADE. o Ato Declaratório Executivo nº 80, de 26 de outubro de 2012, que suspendeu a imunidade tributária da recorrente, anoscalendário 2008, 2009 e 2010, tratou de afastar a imunidade acerca do IRPJ e CSLL; o PIS/Pasep e a Cofins não podem ser tributados reflexamente. A suspensão da imunidade feita por conta de supostas irregularidades e desvios de finalidade não podem afetar a situação da Fundação em relação às suas obrigações com o PIS/Pasep e com a Cofins; o art. 13, da Medida Provisória 215835, de 2001, é claro neste sentido: Art. 13. A contribuição para o PIS/PASEP será determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento, pelas seguintes entidades: VIII fundações de direito privado e fundações públicas instituídas ou mantidas pelo Poder Público; não consta na norma que define a forma de pagamento do PIS/Pasep pelas fundações que elas devem atender ou deixar de atender outros requisitos, por exemplo aqueles da Lei 9.532/97, conforme insinuado pelo Acórdão recorrido. Quem deve obedecer aquelas disposição são instituições isentas de IRPJ e CSLL; Fl. 2093DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 9 8 portanto, a tributação com base na suspensão da imunidade para fins de IRPJ não pode ser invocado para modificar a forma de sujeição de uma Fundação ao recolhimento do PIS/Pasep; a Fundação não estava imune ao recolhimento de PIS/Pasep, mas estava submetida a uma forma de recolhimento que a diferenciava. Ou seja, em vez de recolher tal contribuição sobre o faturamento, o faz com base na folha de salários; igualmente se dá em relação a Cofins; os fundamentos tratados no Acórdão recorrido cuidam da imunidade específica dos impostos prevista no art. 150, V, “c”, da CF/88, que não se confunde com a imunidade para contribuições vide a Cofins; descartada a imunidade de impostos, conforme aduzido no Acórdão, com efeitos para IRPJ, caberia averiguar as circunstâncias acerca da isenção própria das contribuições para seguridade social. A imunidade própria das contribuições para a seguridade social está no §7º, do art. 195, da CF/88; na situação dos autos, o Acórdão ratifica a fiscalização, que em vez de se guiar pela legislação própria da Cofins, buscou amparo na legislação do IRPJ e da CSLL, como se fosse possível aplicar as normas atinentes a estes dois tributos; portanto, deve ser cancelada a exigência de PIS em relação aos lançamentos efetuados com base no faturamento da recorrente, bem como cancelado o lançamento acerca da COFINS ante a isenção sobre receitas próprias da Fundação, conforme dispõe a legislação aplicável à espécie; desta forma, imperiosa se faz a conclusão de que o lançamento originário mostrase flagrantemente nulo, porquanto levado a efeito em contrariedade às normas aplicáveis. Quando do exame de admissibilidade do recurso especial da contribuinte, o Presidente da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do despacho exarado em 19/04/2017, deu seguimento ao recurso para as divergências suscitadas, nos seguintes termos: a) Regime de Tributação com Base no Lucro Arbitrado Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que não tendo o sujeito passivo apresentado Lalur, descabe a apuração de resultados com base no lucro real. Ademais, a falta de apresentação do livro registro de inventário e do LALUR à fiscalização, quando regularmente intimado o sujeito passivo, dá ensejo à apuração do lucro real e da base de cálculo da contribuição social segundo as regras do lucro arbitrado. [...] O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que reiterada e incontroversa é a jurisprudência administrativa no sentido de que o arbitramento do lucro, em razão das consequências tributáveis a que conduz, é medida excepcional, somente aplicável quando no exame de escrita a Fiscalização comprova que as falhas apontadas se constituem em fatos que, Fl. 2094DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 10 9 camuflando expressivos fatos tributáveis, indiscutivelmente, impedem a quantificação do resultado do exercício. A simples falta de escrituração do LALUR, sem demonstrar a ocorrência do efetivo prejuízo para o Fisco, não é suficiente para sustentar a desclassificação da escrituração contábil e o consequente arbitramento dos lucros. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, demonstrando qual a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente, qual seja, art. 530 do RIR, de 1999, referente aos critérios do regime de tributação do lucro arbitrado. b) Bases de Cálculo do Pis e da Cofins Folha de Pagamento Examinando os acórdãos paradigmas verificase que trazem o entendimento de que a isenção preconizada pelo artigo 15 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, para as instituições de caráter recreativo e cultural, sem fins lucrativos, aplicase, consoante expressamente determinado no seu § 1º, exclusivamente em relação ao imposto de renda da pessoa jurídica e à contribuição social sobre o lucro líquido. Em relação ao PIS/Pasep, referidas instituições não estão isentas e devem submeterse à regra do inciso IV, do art. 13 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24.08.2001, isto é, recolher a contribuição mediante a aplicação da alíquota de 1% sobre a sua folha de salários. No caso, de se cancelar a autuação para a exigência da contribuição com base no faturamento sob a alegação de que a “isenção” fora suspensa. De se manter o lançamento realizado para constituir valores do PIS/Pasep na modalidade “folha de salários”, recolhidos a menor. Ademais, são isentas da Cofins apenas as receitas relativas às atividades próprias das instituições de educação, sem fins lucrativos, que prestem os serviços para os quais houverem sido instituídas e os coloque à disposição da população em geral, em caráter complementar às atividades do Estado. Consideramse atividades próprias da entidade aquelas para as quais as mesmas foram criadas e que tenham sido previstas em seu Estatuto, independentemente da sua fonte de financiamento. A contribuição para o PIS/PASEP das entidades educacionais é determinada com base na folha de salários, à alíquota de um por cento. [...] O acórdão recorrido, por seu turno, vem considerar que tratandose de exigência reflexa, que tem por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do IRPJ, a decisão de mérito prolatada no principal constitui prejulgado na decisão dos decorrentes, mormente quando as bases de cálculo são corretamente explicitadas. Estando a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP e da COFINS tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral. Portanto, as conclusões sobre a matéria ora recorrida nos acórdãos examinados revelamse discordantes, demonstrando qual a legislação tributária que está sendo interpretada de forma divergente, quais sejam, a Leis n° 8.212, de 1991, e a Lei n° 12.101, de 2009, que tratam da base de cálculo do PIS e da Cofins sobre a folha de pagamento. Vale registrar que a contribuinte, no contexto do recurso especial, trouxe também questionamentos sobre a fixação do termo inicial para incidência dos juros de mora, Fl. 2095DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 11 10 defendendo a ideia de que esta matéria deveria ser examinada, ainda que inexistente expresso préquestionamento, por se tratar de questão de ordem pública. Todavia, tanto a questão sobre a obrigatoriedade de apreciação de matéria de ordem pública quanto a questão relativa ao seu próprio conteúdo (forma de incidência dos juros) não foram admitidas em razão da absoluta falta de indicação de acórdão paradigma. Na verdade, não houve alegação de divergência jurisprudencial em relação a essas matérias no âmbito do CARF, e a negativa de seguimento no despacho de exame de admissibilidade foi proferida em caráter definitivo. A contribuinte ainda apresentou agravo contra o exame de admissibilidade, mas esse recurso não foi conhecido pelo Presidente da CSRF, porque "nos termos do art. 69, §3º do Anexo II do Regimento Interno do CARF RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, é definitivo o despacho que negar seguimento ao recurso especial por absoluta falta de indicação de acórdão paradigma proferido pelos Conselhos de Contribuintes ou pelo CARF". No mesmo despacho, o Presidente da CSRF também indeferiu o pedido da contribuinte para que o agravo fosse ao menos recepcionado e acolhido com amparo legal no seu constitucional direito de petição, com supedâneo legal no artigo 5º, inciso XXXIV, alínea "a", da Constituição Federal de 1988. De acordo com o Presidente da CSRF, "inexiste qualquer erro no despacho questionado, ou mesmo inexatidão material devida a lapso manifesto ou erros de escrita ou de cálculo existentes no despacho, cujo saneamento se imporia em razão do art. 60 do Decreto nº 70.235/72". Desse modo, o seguimento do recurso abrangeu apenas as matérias para as quais houve alegação e comprovação de divergência jurisprudencial no âmbito do CARF. Em 08/05/2017, o processo foi encaminhado à PGFN, para ciência do despacho que deu seguimento ao recurso especial da contribuinte, relativamente às divergências suscitadas, e em 17/05/2017, o referido órgão apresentou tempestivamente as contrarrazões ao recurso, com os seguintes argumentos: DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. DO REGIME DE TRIBUTAÇÃO COM BASE NO LUCRO ARBITRADO. como visto, o acórdão recorrido entendeu como correta a apuração de resultados com base no lucro real, mesmo quando o contribuinte não apresenta o Lalur; sobre a inaplicabilidade do arbitramento do lucro apenas por falta de apresentação do Lalur, vale destacar o didático voto do Conselheiro Paulo Roberto Cortez, aprovado por unanimidade pela antiga Primeira Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, e consolidado na Ementa do Acórdão n° 10196.469, de Sessão em 05/12/2007: "O sistema contábil de uma empresa deve ser constituído de uma estrutura que atenda a todos os requisitos inseridos nas Normas Brasileiras de Contabilidade, de acordo com os Princípios Fundamentais de Contabilidade, cujo resultado deve ser a correta demonstração do patrimônio da entidade, com o registro de todas as suas transformações e apuração das causas que Fl. 2096DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 12 11 resultem em modificações no resultado do período e que possibilite o exame de todos os registros nele inseridos, bem como a aferição do resultado tributável. (...) Como é cediço, a desclassificação de escrita com o consequente arbitramento de lucros é uma salvaguarda do crédito tributário cujo exercício somente se justifica em caso extremo quando a contaminação seja de tal monta que inviabilize a apuração do lucro real da pessoa jurídica. (...) A jurisprudência administrativa e a judicial é pacífica no sentido de somente aceitar a desclassificação da escrita quando as deficiências apresentadas na escrituração sejam de tal monta que as tornam insanáveis, apesar dos esforços envidados pela fiscalização para o seu aproveitamento. Aos acórdãos citados e transcritos pela defesa inúmeros outros podem ser acrescentados, sempre nessa direção. O arbitramento somente pode ser acolhido quando as falhas e vícios encontrados e devidamente demonstrado pela fiscalização, levam à imprestabilidade do conjunto da escrituração é que podem determinar desclassificação da escrita. (. ..) Destarte, resta claro e cristalino que a escrituração contábil da interessada está revestida de todas as formalidades legais, a qual comprova a real margem de lucro da empresa, deverá prevalecer como prova, mesmo que no momento da fiscalização tenha ocorrido a falta de apresentação do LALUR, posto que, por se tratar de um livro cujo preenchimento depende dos dados inseridos na escrituração regular, nada impede que a qualquer momento o mesmo seja regularizado e apurado o lucro real com os elementos extraídos da própria escrituração." no caso presente, a falta de apresentação do Lalur, assim como as inexatidões contábeis detectadas pela fiscalização, consideradas pontuais e perfeitamente sanáveis, não justificaram o arbitramento do lucro, bem como foi informado que o arbitramento do lucro da entidade no período abrangido pela suspensão da imunidade tributária seria cabível apenas nos casos da contabilidade conter deficiências que pudessem caracterizála como imprestável para a apuração do lucro real; neste sentido, o CARF tem reiteradamente decidido que a modalidade de arbitramento é excepcional e deve ser aplicada apenas quando esgotadas, de fato, as possibilidades de apuração do lucro real da pessoa jurídica, como mostram as ementas abaixo: [...]; o fato do recorrente manter escrituração regular, com a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade (PFCs), onde seu resultado, tido inicialmente como Fl. 2097DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 13 12 SUPERAVIT, passa a ser considerado LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO, impôs a necessidade dessa fiscalização apurar o IRPJ e a CSLL com base lucro real; salientamos que o Item 10.19.1.3 da Norma Brasileira de Contabilidade (NBC) no. T 10.19, aprovada pela Resolução do Conselho Federal de Contabilidade (CFC) n2. 877, de 18/04/2000, dispõe que as entidades sem finalidade de lucros são aquelas em que o resultado positivo não é destinado aos detentores do patrimônio líquido, e o LUCRO ou prejuízo é denominado, respectivamente, de superávit ou déficit; além disso, os Itens 10.19.1.6 e 10.19.3.1 dispõem que aplicamse às entidades sem finalidade de lucros os Princípios Fundamentais de Contabilidade válidos para todas as pessoas jurídicas, e que a metodologia de apuração das demonstrações contábeis consiste em utilizar a norma contábil geral divulgada pela NBC T 3, a qual foi aprovada pela Resolução CFC n9 686, de 14/12/1990, e que vigorou até a edição da Resolução CFC IV 1.283, de 28/5/2010, com a adoção de pequenas alterações de denominação para adaptála â finalidade nãolucrativa, tais como "Lucros ou Prejuízos Acumulados" para "Superávits ou Déficits Acumulados", "Demonstração do Resultado" para "Demonstração do Superávit ou Déficit", e "Resultado" para "Superávit ou Déficit"; assim, é cabível a apuração de ofício do IRPJ com base no lucro real, quando a entidade que teve a imunidade suspensa mantém escrituração regular, com a observância dos Princípios Fundamentais de Contabilidade e das Normas Brasileiras de Contabilidade (NBCs) e suas Interpretações Técnicas e Comunicados Técnicos, editados pelo Conselho Federal de Contabilidade (CFC), onde o resultado da mesma, tido inicialmente como superávit, passa a ser considerado lucro líquido do período e apto a servir de elemento para a composição do lucro real; ademais, suspensa a imunidade da entidade e não ocorrendo uma das situações autorizadoras do arbitramento, a forma de tributação a ser aplicada e o lucro real, uma vez que não foi feita a opção pelo lucro presumido; o entendimento utilizado pela fiscalização, de que a falta de apresentação do Lalur não impede que o lucro real seja apurado a partir de elementos extraídos da própria escrituração contábil, uma vez que o Lalur e livro fiscal que depende dos dados inseridos na escrituração regular, a qual deve ser revestida de todas as formalidades legais, foi compartilhado por procedimentos de fiscalização que resultaram em diversos Acórdãos do CARF, cujas Ementas foram colacionadas alhures; por todas essas razões, concluise que a simples não apresentação do Lalur não é suficiente para se utilizar o arbitramento do lucro, que, de acordo com a legislação tributária, só deve ser aplicado em casos extremos de imprestabilidade da contabilidade da empresa; BASES DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS FOLHA DE PAGAMENTO. também no que concerne a este tópico, o acórdão ora recorrido não merece quaisquer reparos; o contribuinte sustenta que não pode ser tributado pelo PIS e a COFINS de forma reflexa pois a suspensão da sua imunidade se deu unicamente com base nos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III do CTN, que seriam aplicáveis apenas ao IRPJ e à CSLL. Entende que a Fl. 2098DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 14 13 imunidade própria das contribuições para a seguridade social está no §7º, do art. 195, da CF/88 e que cumpriu os requisitos estabelecidos nas Leis n° 8.212, de 1991, e Lei n° 12.101, de 2009; o processo de n° 10380.729113/201269, que tratou da suspensão da imunidade da autuada, onde a fiscalização descreveu uma série de irregularidades praticadas pela interessada a implicar na subsunção dos fatos às hipóteses estabelecidas pelos artigos 9°, § 1° e 14, incisos I a III do CTN, e que teve por consequência a suspensão da imunidade do sujeito passivo concretizada através da edição do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, foi julgado recentemente pelo CARF, tendo o colegiado mantido a suspensão da imunidade para o IRPJ e seus reflexos. É a ementa do julgado: Acórdão nº 1401001.713 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008, 2009, 2010 INSTITUIÇÃO DE EDUCAÇÃO E DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMUNIDADE. FISCALIZAÇÃO. ATO DECLARATÓRIO DE EXCLUSÃO. IMPUGNAÇÃO. Representa desatendimento aos requisitos necessários ao gozo da imunidade destinada às instituições de educação e de assistência social a constatação de que a beneficiária adotou as condutas a seguir elencadas: o oferecimento de publicidade em equipe esportiva da entidade para empresa do mesmo grupo econômico, sem a devida cobrança pelo serviço prestado; a concessão pela entidade de bolsas de estudo a empregados das empresas que compõem o grupo econômico em que se encontra inserida, sem qualquer contrapartida por parte das empregadoras; o pagamento de anúncios publicitários em empresas pertencentes ao grupo econômico de seus dirigentes em valores superiores aos preços praticados para os demais anunciantes; e a participação da interessada em grupo econômico com fins lucrativos. importante consignar que o argumento de que a suspensão da imunidade seria válida apenas em relação ao IRPJ e a CSLL não foi suscitado no processo que julgava a referida suspensão; assim, o acórdão proferido naqueles autos julgou procedente a suspensão da imunidade em relação ao IRPJ e também em relação aos seus reflexos, que no caso são a CSLL, o PIS e a COFINS; a despeito de tais argumentos terem sido trazidos somente no processo que versa sobre os autos de infração, tratemos deles mesmo assim; como muito bem salientado pela decisão proferida em primeira instância e reiterado pelo colegiado a quo, o artigo 55 da Lei n° 8.212/91 estabelecia os requisitos para o gozo da isenção das contribuições de que tratam os artigos 22 e 23 da mesma norma para a entidade de assistência social que atendesse os requisitos ali estipulados; acontece que, no processo n° 10380.729113/201269, reconhecese expressamente que houve frontal infringência do inc. V do art. 55 da Lei n° 8.212/91, que determina que a entidade aplique integralmente o eventual resultado operacional positivo obtido na manutenção e desenvolvimento de seus objetivos institucionais; Fl. 2099DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 15 14 também naqueles autos, ficou claro que a contribuinte não é detentora do CEBAS Certificação de Entidades Beneficentes de Assistência Social e que a mesma aplica em bolsas de estudos valores muito aquém daquele determinado pela norma e do que seria esperado para uma instituição sem fins lucrativos (aplica 2,55% quando a lei exige 20%). Portanto, como restou consignado no acórdão proferido nos autos do processo nº 10380.729113/201269, a autuada não cumpre os requisitos estabelecidos nas Leis n° 8.212/91 e Lei n° 12.101/2009; a sua insurgência tem como pretensão rediscutir a suspensão da imunidade tributária já julgada nos autos do processo n° 10380.729113/201269; alega, ainda, a autuada que a base de cálculo do PIS e da COFINS estaria incorreta, haja vista que, para a referida apuração, deve ser aplicado o art. 13, III, da MP n° 2.15835/2001, aplicável às instituições de educação e de assistência social, ou seja, com base na folha de salários à alíquota de 1% e não sobre o faturamento; a autoridade fiscal entendeu, com total propriedade, que o inciso III do artigo 13 da Medida Provisória n° 2.15835, de 2001, não se aplica à Fundação em decorrência do desvio de finalidade da entidade que restou evidenciado no processo n° 10380.729113/2012 69; como muito bem salientado pelo colegiado a quo, estando “a Recorrente com a imunidade suspensa para os anoscalendário em questão, incabível a apuração do PIS/PASEP tomando por base a folha de pagamento, devendo a tributação se pautar nos preceitos determinados para as demais pessoas jurídicas em geral”. Constatado desvio de finalidade, que imponha a apuração de lucro tributável pelo imposto de renda, em determinado período, incidirá o PIS sobre o faturamento; portanto, não merece quaisquer reparos a decisão ora recorrida; DO PEDIDO. ante todo o exposto, requer a União (Fazenda Nacional) que seja negado provimento ao recurso especial interposto, mantendose o acórdão proferido pela eg. Turma a quo por seus próprios fundamentos. Finalmente, cabe registrar que a contribuinte desistiu do litígio em relação aos débitos de IRPJ, e que esses débitos foram transferidos para o processo nº 10380 727.472/201796. É o relatório. Fl. 2100DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 16 15 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator. O presente processo tem por objeto lançamento para a constituição de crédito tributário a título de IRPJ e tributos reflexos (CSLL, PIS e COFINS) sobre fatos geradores ocorridos nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010. A autuação fiscal é decorrente da edição do Ato Declaratório Executivo n° 80, de 26 de outubro de 2012, fl. 607, que suspendeu a imunidade tributária da Fundação Edson Queiroz nos anoscalendário 2008, 2009 e 2010, com repercussão no Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ e nas contribuições sociais reflexas (Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins). As questões referentes à suspensão da imunidade tributária foram objeto do processo nº 10380.729113/201269, enquanto que as questões sobre a forma de constituição dos créditos tributários são objeto do presente processo. As exigências fiscais foram mantidas no julgamento de primeira instância administrativa. O lançamento também foi mantido pela decisão de segunda instância administrativa (acórdão ora recorrido). E nesta fase de recurso especial, a contribuinte suscita divergência jurisprudencial em relação à manutenção do lançamento de CSLL com base no lucro real, e também à manutenção da incidência de PIS e COFINS sobre o faturamento. Conforme já esclarecido no relatório, a contribuinte desistiu do litígio em relação aos débitos de IRPJ, e esses débitos foram transferidos para o processo nº 10380 727.472/201796. É importante mencionar que a contribuinte também interpôs recurso especial no processo nº 10380.729113/201269 (que trata das questões referentes à suspensão da imunidade tributária), e que esse recurso especial não foi admitido. Considerando que teria sido confirmada a suspensão da imunidade naquele outro processo (questão da qual o presente processo é dependente), caberia, via de regra, apenas prosseguir no julgamento do recuso especial sob exame, dirimindo as divergências que tratam de questões sobre o lançamento em si, sem espaço para novos questionamentos ou considerações a respeito do ato de suspensão da imunidade. Entretanto, em razão da petição apresentada pela contribuinte, juntada às efls. 2068/2086 dos presentes autos, surgiram dúvidas durante a sessão de julgamento, sobre a definitividade ou não da decisão proferida no processo de suspensão de imunidade. O colegiado entendeu, então, que este processo deveria ser enviado à Delegacia de origem, para que ela: se pronuncie sobre a existência ou não de Agravo no processo principal (processo nº 10380.729113/201269); explique a razão pela qual a efl. 1025 não Fl. 2101DF CARF MF Processo nº 10380.732877/201231 Resolução nº 9101000.079 CSRFT1 Fl. 17 16 aparece no eprocesso do processo principal; e forneça ou se pronuncie sobre a tela do Ecac mencionada na fl. 3 da referida petição da contribuinte, que está ilegível. Desse modo, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que sejam prestadas as informações acima solicitas. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 2102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.005812/2001-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO
O prazo legal para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias. O Recurso apresentado após o prazo não pode ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3201-004.661
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em vista de sua intempestividade.
(assinatura digital)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinatura digital)
Marcelo Giovani Vieira - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
Nome do relator: MARCELO GIOVANI VIEIRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 1989, 1990, 1991, 1992 RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVIDADE. RECURSO NÃO CONHECIDO O prazo legal para interposição de Recurso Voluntário é de 30 dias. O Recurso apresentado após o prazo não pode ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Não Conhecido
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, em vista de sua intempestividade. (assinatura digital) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinatura digital) Marcelo Giovani Vieira - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinícius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Júnior. Ausente, justificadamente, o conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo.
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score : 1.0
Numero do processo: 10783.916367/2009-87
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004
INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.162
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/12/2004 a 31/12/2004 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 63 67 /2 00 9- 87 Fl. 38DF CARF MF Processo nº 10783.916367/200987 Acórdão n.º 3302006.162 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, por não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que, considerando a alteração do regime constitucional das contribuições (PIS/Cofins) por meio da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, eram inconstitucionais as Medidas Provisórias n° 66/2002 e nº 135/2003 que alteraram as suas base de cálculo e alíquota, carecendo de validade, por conseguinte, as Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003 delas decorrentes. Arguiu, também, o então Manifestante a inexigência da multa moratória, em razão da denúncia espontânea. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1331.920, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de não comprovação do indébito fiscal e da incompetência da autoridade administrativa para apreciar arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.147, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10783.912698/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.147): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 39DF CARF MF Processo nº 10783.916367/200987 Acórdão n.º 3302006.162 S3C3T2 Fl. 4 3 Conforme exposto anteriormente, as alegações da Recorrente se restringem a inconstitucionalidade da MP 135/2003, a saber: l. Considerando que o regime constitucional da COFINS foi alterado pela Emenda Constitucional n” 20, de 15 de dezembro de 1998, concluise ser inconstitucional a Medida Provisória n° 135/2003 que alterou a base de cálculo e alíquota da COFINS; 2. Nesse sentido, carece de validade a Lei n° 10.833/2003, pois decorre de medida provisória inconstitucionalmente editada; 3. Sendo assim, restam indevidos recolhimentos efetuados pela contribuinte com à alíquota majorada de 7,6%, pois deveria ter sido aplicada à alíquota de 3,0%. Neste cenário, impõese observar e aplicar a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, à Medida Provisória nº 135/2003 e à Lei nº 10.833/2003, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, à Medida Provisória nº 66/2002 e à Lei nº 10.637/2002. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 40DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16403.000375/2008-32
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003, 2004
NULIDADE. PRAZO PARA DECISÃO ADMINISTRATIVA PREVISTO NA LEI Nº 9.784/99. INAPLICABILIDADE
O processo administrativo tributário encontra-se regulado pelo Decreto 70.235/72 - Lei do Processo Administrativo Fiscal -, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte.
REQUISITOS PARA COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. ASSUNÇÃO DE ÔNUS.
Na vigência da IN SRF nº 210/02, na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios.
Numero da decisão: 1402-003.710
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Edeli Pereira Bessa - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2003, 2004 NULIDADE. PRAZO PARA DECISÃO ADMINISTRATIVA PREVISTO NA LEI Nº 9.784/99. INAPLICABILIDADE O processo administrativo tributário encontra-se regulado pelo Decreto 70.235/72 - Lei do Processo Administrativo Fiscal -, o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. REQUISITOS PARA COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. ASSUNÇÃO DE ÔNUS. Na vigência da IN SRF nº 210/02, na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa - Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva.
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PRAZO PARA DECISÃO ADMINISTRATIVA PREVISTO NA LEI Nº 9.784/99. INAPLICABILIDADE O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. REQUISITOS PARA COMPENSAÇÃO. DESISTÊNCIA DA EXECUÇÃO. ASSUNÇÃO DE ÔNUS. Na vigência da IN SRF nº 210/02, na hipótese de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive os honorários advocatícios. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Presidente. (Assinado digitalmente) Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 40 3. 00 03 75 /2 00 8- 32 Fl. 125DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Evandro Correa Dias, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Ailton Neves da Silva (suplente convocado), Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Edeli Pereira Bessa (Presidente). Ausente o conselheiro Paulo Mateus Ciccone substituído pelo conselheiro Ailton Neves da Silva. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade (fls. 47/) contra o Despacho Decisório (fls. 47/48 ) que não homologou a compensação formalizada por meio dos PER/DCOMP´s nº 40937.88179.051004.1.543483 e 41936.94901.121103.1.3.54 5186 com base nos seguintes fundamentos: a) A ação judicial que originou o direito a crédito transitou em julgado em 27/11/1991, já tendo caducado o direito à restituição na data da entrega das DCOMPs. b) O contribuinte promoveu a execução do julgado e, concomitantemente ao deslinde do processo, transmitiu as DCOMPs em 12/11/2003 e 05/10/2004, por meio das quais, utilizouse do crédito reconhecido na ação judicial. Conforme legislação vigente à época (art. 37, §2º, da IN SRF nº 210/02) caberia ao contribuinte desistir da execução na esfera judicial antes de lançar mão dos procedimentos administrativos necessários a sua pretensão de compensação. Cientificado em 16/05/2008 (AR fls. 49), o contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls.50/52 na qual alegou o seguinte a) A afirmação de que sentença teria transitado em julgado em 27/11/1991 é incorreta porque referese apenas à primeira sentença prolatada no processo original nº 00.01.054732 (PR). Ocorre que esse processo tem vários desdobramentos, a saber: Apelação Cível nos Autos 89.04.010098; Apelação Cível Autos 93.04.415535; Embargos à Execução Autos 97.00165311 e Precatória Autos 2003.04.02.0084354, nos quais foram prolatados váris despachos, sentenças e acórdãos. Após o ganho de causa da compensação, interpôs ação declaratória incidental da diferença de correção monetária/IPC que também teve ganho de causa, sendo que sentença embasadora dos valores compensados foi prolatada em 15 de janeiro de 2001; Em 22 de junho de 2011, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Curitiba (PR) negou provimento à Manifestação de Inconformidade com base nos seguintes fundamentos: a) Decadência do direito à compensação uma vez que o transito em julgado da ação relativa ao crédito e as DECOMP´s foram transmitidas em 12/11/2003 e 05/10/2004; b) Descumprimento na norma do art. 37, §2º, da IN SRF nº 210/02, vigente à época em que foram apresentadas as DCOMP´s Cientificado do teor da referida decisão (AR fls. 199), o contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 112/122, no qual alega o seguinte: a) Quanto à decadência, repete ipisis litteris as alegações constantes da manifestação de inconformidade; Fl. 126DF CARF MF Processo nº 16403.000375/200832 Acórdão n.º 1402003.710 S1C4T2 Fl. 126 3 b) Nulidade do processo administrativo, uma vez que não teria sido observado o prazo de 60 (sessenta) dias previsto no artigo 49 da Lei nº 9.784/99 para a prolação do Acórdão recorrido. c) em relação a exigência prevista no artigo 37, §2º, da IN SRF nº 210/02 alegou que "Como os créditos compensáveis advieram de créditos de expurgos inflacionários não admitidos "ex officio" pela RFB e decorrentes de sentença judicial transitada em julgado, a renúncia ao Processo equivaleria a renúncia ao Direito, destarte esta condição foi e é impossível de ser atendida. É o relatório. Voto Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O recurso preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. 1) PRELIMINAR NULIDADE DO PROCESSO ADMINISTRATIVO POR EXTRAPOLAÇÃO LEGAL DO PRAZO PARA DECISÃO. Preliminarmente, alega o Recorrente que o presente processo é nulo, uma vez que "como o interstício entre o protocolo da Impugnação, que deuse em 03/06/2008 e a prolação do Acórdão em 22/06/2011, transcorreu (sic) mais de 720 dias, qual seja, NÃO foi observado o prazo de 60 (sessenta) dias expressamente previsto no art. 49 da Lei nº 9.784, de 29/01/1999." O processo administrativo fiscal é disciplinado por lei específica Decreto nº 70.325/72, o qual prevê em seu art. 59 as seguintes hipóteses de nulidade: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Não há, portanto, que se falar em nulidade na hipótese dos autos, uma vez que todos atos foram proferidos pelas autoridades competentes e sem qualquer preterição de direito de defesa. O máximo que a Recorrente poderia alegar é a mora da administração pública em decidir e, assim, peticionar (em sede administrativa ou judicial) requerendo a decisão em tempo hábil. De todo modo, o Superior Tribunal de Justiça já se manifestou quanto à inaplicabilidade do prazo previsto no artigo 49 da Lei nº 9.784/99 aos processos administrativos fiscais. Tal decisão foi proferida no julgamento do RESP nº 1.138.206/RS submetido à sistemática dos recursos repetitivos prevista no artigo 543C do Código de Processo Civil de 1973: Fl. 127DF CARF MF 4 TRIBUTÁRIO. CONSTITUCIONAL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. DURAÇÃO RAZOÁVEL DO PROCESSO. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL FEDERAL. PEDIDO ADMINISTRATIVO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO PARA DECISÃO DA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. APLICAÇÃO DA LEI 9.784/99. IMPOSSIBILIDADE. NORMA GERAL. LEI DO PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DECRETO 70.235/72. ART. 24 DA LEI 11.457/07. NORMA DE NATUREZA PROCESSUAL. APLICAÇÃO IMEDIATA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC NÃO CONFIGURADA. (...) 3. O processo administrativo tributário encontrase regulado pelo Decreto 70.235/72 Lei do Processo Administrativo Fiscal , o que afasta a aplicação da Lei 9.784/99, ainda que ausente, na lei específica, mandamento legal relativo à fixação de prazo razoável para a análise e decisão das petições, defesas e recursos administrativos do contribuinte. Em face do exposto, rejeito a preliminar suscitada. 2) MÉRITO 2.1) DA DECADÊNCIA DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO Quanto à alegação de decadência constante do despacho decisório, o contribuinte reproduz as alegações já suscitadas quando da manifestação de inconformidade e rejeitadas pela DRJ de origem com base nos seguintes fundamentos: 14. As apelações cíveis nº 89.04.01.0098 e 93.04.4155535 referemse, respectivamente: 15. Apelação Cível nº 89.04.010098: à apelação contra a decisão de primeira instância, versando sobre a exigibilidade de correção monetária do IR/PIS, conforme fls. 24, à qual foi negado provimento por unanimidade. Após, foi inadmitido recurso especial interposto pela União, fls. 26, vindo, então, a transitar em julgado a decisão em 27/11/1991, conforme fls. 27 16. Apelação Cível nº 93.04.0415535: apelação contra a decisão de primeiro grau em sede de liquidação de sentença, promovida pela União Federal, em que esta resultou vencedora, após a subida do Recurso Especial ao STJ (nº 85.715), logrando reduzir o percentual da correção monetária de 70,28%, originalmente fixado, para 42,72%. O acórdão do STJ data de 23/05/1996, conforme fls. 44. 17. Já com relação ao que o contribuinte designou de "Ação Declaratória Incidental", conforme pesquisa feita no site do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, a ação foi recebida como Ação Ordinária, o que se pode subentender que tenha acontecido em razão de a ação declaratória incidental ser procedimento necessariamente incidental a outra ação, principal, com o objetivo de conferir a qualidade de coisa Fl. 128DF CARF MF Processo nº 16403.000375/200832 Acórdão n.º 1402003.710 S1C4T2 Fl. 127 5 julgada à questão meramente prejudicial ao mérito da ação principal e que, não fosse a ação declaratória incidental, manterseia forma do dispositivo da sentença, compondo apenas sua fundamentação. 18. Finalmente, o contribuinte alega que o termo a quo do prazo decadencial seria 15/01/01, data da prolação da sentença que junta às fls. 775/85. Tratase de sentença proferida em outro procedimento de conhecimento Embargos à Execução de sentença ação essa que foi promovida pela União Federal para questionar a execução. Nesta ação, a autora obteve provimento parcial do seu pedido, reduzindo o valor objeto da execução. 19. Ora, o prazo para que o contribuinte exerça administrativamente o direito de compensar, de cinco anos, contase a partir do trânsito em julgado da ação de conhecimento que reconheceu o direito creditório. Quando muito, poderseia cogitar da hipótese de deslocar o momento inicial da contagem do quinquídio para o trânsito em julgado da fase de liquidação de sentença, que, no caso da espécie, aconteceu em 1996. O prazo não pode ser contado a partir da data da decisão em sede de Embargos à Execução, que é ação de conhecimento interposta pela Fazenda Nacional objetivando reduzir o valor que já está sendo objeto de uma Ação de Execução em curso, proposta pelo contribuinte. E, além de tudo, resta claríssimo que o contribuinte não satisfez os requisitos do art. 37, §2º, IN SRF nº 210/02. Além do mais, conforme sentença prolatada em 24/08/2006, fls. 45, houve a extinção da execução promovida pelo contribuinte, tendo a União efetuado o depósito dos valores em favor dos credores. Em face do exposto, decaído o direito à compensação tendo em vista o disposto no artigo 57, § 3º do RICARF. 2.2) DO CUMPRIMENTO DOS REQUISITOS PREVISTOS NO ART. 37, §2º, IN SRF Nº 210/02 Por fim, alega o contribuinte que a condição estabelecida no artigo 37, §2º da IN SRF nº 210/02 era impossível de ser atendida, uma vez que os créditos compensáveis decorreram de expurgos inflacionários não admitidos "ex officio" pela RFB. Dessa forma, a renúncia ao processo equivaleria renúncia ao seu direito. Conforme disposto no artigo 170 do Código Tributário Nacional a compensação, em matéria tributária, não é um direito do contribuinte. Está sujeita a expressa previsão legal e aos condicionantes estabelecidos pelas autoridades administrativas: Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. (grifamos) Na época em que foi realizado o presente pedido de compensação esta era disciplinada pela IN 210/02, a qual estabeleceu, em seu artigo 37, §2º as seguintes condições: Fl. 129DF CARF MF 6 Art. 37 (...) §2º Na hipóteses de título judicial em fase de execução, a restituição ou o ressarcimento somente será efetuado pela SRF se o requerente comprovar a desistência da execução do título judicial perante o Poder Judiciário e a assunção de todas as custas do processo de execução, inclusive honorários advocatícios. Não faz sentido a alegação do contribuinte no sentido de que estaria renunciando o seu direito ao crédito, uma vez que este foi reconhecido em ação de conhecimento. Uma vez definido o direito, o contribuinte tem o direito de requerer a restituição dos valores indevidamente recolhidos pela via judicial ou administrativa. Todavia, ao optar pela compensação deve se submeter as condicionantes impostas pela administração pública. 3) CONCLUSÃO Em face do exposto, nego provimento ao recurso voluntário (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 130DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10580.901201/2008-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003
COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS.
Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, cumpre indeferir o pleito de restituição da recorrente, bem como a homologação das compensações declaradas
Numero da decisão: 3302-006.352
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício).
Nome do relator: CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, cumpre indeferir o pleito de restituição da recorrente, bem como a homologação das compensações declaradas
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2003 a 31/10/2003 COMPENSAÇÃO. DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO DE CRÉDITOS. Restando infrutífera a diligência para que o contribuinte comprovasse a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, cumpre indeferir o pleito de restituição da recorrente, bem como a homologação das compensações declaradas Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Walker Araújo, Jorge Lima Abud, José Renato Pereira de Deus, Raphael Madeira Abad e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente em Exercício). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 90 12 01 /2 00 8- 61 Fl. 367DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 367 2 Relatório Por bem descrever os fatos do contencioso, adoto e transcrevo o relatório da Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012: No dia 10/08/2004 a empresa TELEDATA SOLUÇÕES INTEGRADAS DE COMUNICAÇÃO LTDA. apresentou PER/DCOMP pleiteando a restituição de Cofins pago a maior no dia 14/11/2003 (PA 10/2003) por erro de apuração. A RFB indeferiu o pleito da recorrente, e não homologou as compensações declaradas, sob a alegação de que o pagamento indicado no PER/DCOMP fora integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando saldo credor disponível para compensação dos débitos informados na PER/DCOMP, conforme Despacho Decisório emitido no dia 24/04/2008 (fl. 68). Ciente, a empresa interessada apresenta manifestação de inconformidade na qual alega, em síntese, que errou no cálculo da Cofins, conforme DIPJ/2004 e livro Razão. A DRJ em Salvador BA indeferiu a manifestação de inconformidade sob a alegação de que a DIPJ não tem caráter de confissão de dívida, não modificando os efeitos advindos da DCTF, nos termos do Acórdão nº 1525.249, de 28/10/2010 fls. 83/84. A recorrente tomou ciência da decisão de primeira instância no dia 15/02/2011 e, não se conformando, apresentou recurso voluntário no dia 16/03/2011 (fls. 86/87), no qual reitera as razões da manifestação de inconformidade, demonstra a base de cálculo da Cofins de 10/03 e a necessidade de retificar a DCTF para sanar a razão do indeferimento do seu pleito. No dia 15/06/2011, a empresa recorrente solicita a “juntada do pedido da DCTF período 2003 juntamente com o pedido de retificação de ofício em virtude da impossibilidade de envio pelo programa disponibilizado pela Receita da DCTF do período de 2003”. A Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012 foi para que a d. autoridade administradora executora da decisão intimasse a contribuinte, concedendolhe o prazo de 30 dias. para que apresentasse as provas necessárias para comprovar a existência do crédito tributário pleiteado. Nesse sentido, o dispositivo contou com mais detalhes: (...) Neste aspecto, apenas o livro razão não é suficiente, sendo necessário que se comprove a diferença da base de cálculo do tributo que transformou o valor recolhido em indébito. A título de exemplificação deverão ser apresentados os elementos que compuseram o faturamento, os contratos Fl. 368DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 368 3 referentes às operações canceladas (se o caso); os estornos financeiros respectivos; planilha demonstrativa e relatório circunstanciado das diferenças, etc, etc. A autoridade administrativa deverá analisar as informações apresentadas e elaborar parecer conclusivo sobre a existência (ou não) do crédito tributário, indicando valores e esclarecimentos. Deste parecer, a Recorrente deverá ser intimada para apresentar manifestação em 30 dias. Após, os autos deverão ser encaminhados a este E. Conselho para julgamento. A i. relatora assim fundamentou a necessidade de diligência: (...) Conforme relatado, tratase de restituição de pagamento indevido de valores que não constam como crédito na DCTF. Em virtude deste fato não são reconhecidos como crédito pela Receita Federal e, consequentemente, não podem ser restituídos. O contribuinte esclareceu que tentou fazer a retificação da DCTF, mas não teve sucesso em virtude de já haver transcorrido o prazo decadencial de 5 anos. Para comprovar seu direito traz documento contábil com claro indício de existência do crédito pleiteado. Conforme tenho me manifestado em outros julgamentos, entendo que mais relevante do que o acerto do instrumento acessório (DCTF) é a substância do ato praticado, a realidade dos fatos. Neste sentido, se o contribuinte comprovar a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, o valor restituível não pode lhe ser negado. Registro que com isso não estou validando o comportamento de não apresentar DCTF (ou DCTF Retificadora), esta obrigação é do Contribuinte e deve ser cumprida com o costumeiro zelo. Todavia, excepcionalmente, entendo que a análise deve ser realizada in casu, principalmente em situações nas quais o contribuinte é impedido de apresentar a retificação do instrumento. Após intimação e reintimação da recorrente, veio aos autos a Informação fiscal em atendimento à Resolução nº 3302000.179, de 25/01/2012, com o seguinte conteúdo, em síntese: (...) Objetivando acatar ao referido Despacho, e com fundamento no artigo 23 do Decreto 70.235/72 (Processo Administrativo Fiscal) c/c o artigo 835, § 3º do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), foram emitidos documentos de intimação e reintimação, a fim de que fosse apresentada comprovação da existência do crédito pleiteado, ressaltando não Fl. 369DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 369 4 ser suficiente somente o Livro Razão, sendo necessária a elucidação da diferença da base de cálculo do tributo que teria transformado o valor recolhido em indébito. Os avisos de Recepção AR encontramse anexos aos autos, com datas de ciência em 13/07/2017 e 26/10/2017, respectivamente – fls.348/355. O Contribuinte, contudo, não atendeu às intimações. (...) Em razão do não atendimento, inviabilizamse as condições para elaboração de relatório circunstanciado acerca do assunto, motivo pelo qual determinamos pela ciência da presente Informação ao Interessado, com posterior retorno dos Autos ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF Terceira Seção de Julgamento. Cientificada da informação acima, para se manifestar, no prazo de 30 (trinta) dias, a recorrente deixou fluir o prazo in albis, e retornou o processo. Após, o expediente retornou a este Conselho, para prosseguimento do julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Relator. O recurso voluntário é tempestivo, e considerando o preenchimento dos demais requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Em não havendo preliminares, passase de plano à questão de fundo da lide. Como se viu, o contribuinte teve mais uma chance para comprovar a ocorrência do fato gerador da restituição do tributo pleiteado, e a consequente validade da compensação empreendida, todavia, o que se observou foi o silêncio às intimações para tanto. Corolário disso, é possível pronunciarse, conclusiva e fundamentadamente, pelo indeferimento do pleito de restituição da recorrente, e bem assim pela não homologação das compensações declaradas. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 370DF CARF MF Processo nº 10580.901201/200861 Acórdão n.º 3302006.352 S3C3T2 Fl. 370 5 Fl. 371DF CARF MF
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