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Numero do processo: 18088.000553/2008-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF
Ano-calendário: 2003
RECURSO DE OFÍCIO LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017.
De acordo com precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício
Numero da decisão: 2401-004.975
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício
Nome do relator: Luciana Matos Pereira Barbosa
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TRANSP. AUTONOMO DE MATAO ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2003 RECURSO DE OFÍCIO LIMITE PARA INTERPOSIÇÃO. PORTARIA MF nº 63, DE 09 DE FEVEREIRO DE 2017. De acordo com precedentes deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, alteração no limite mínimo para interposição de recurso de ofício deve ser aplicada imediatamente. Nos casos em que o valor do crédito tributário exonerado é inferior ao novo limite, a superveniência da nova legislação acarreta a perda de objeto do recurso de ofício. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 00 05 53 /2 00 8- 71 Fl. 1043DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0119.08570.D8EN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, Francisco Ricardo Gouveia Coutinho, Carlos Alexandre Tortato e Rayd Santana Ferreira. Fl. 1044DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0119.08570.D8EN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000553/200871 Acórdão n.º 2401004.975 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Contra a pessoa juridica epigrafada foi lavrado o auto de infração de fls.878/907, que se prestou a exigir o Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) e consectários legais, incidentes sobre rendimentos pagos decorrentes do trabalho sem vínculo empregatício, remuneração indireta (pagamentos a beneficiários não identificados sem causa ou não comprovados), assim como sobre pagamentos de serviços de propaganda e também de aluguéis pagos a pessoas físicas (rendimentos de capital), ocorridos no ano de 2003. A autuação fundamentouse em diversos dispositivos do Regulamento do Imposto de Renda RIR (Decreto n° 3.000/99), indicados no campo de descrição dos fatos e enquadramento legal, assim como nos seguintes comandos legais: art. 9° da Lei n° 7.713/88; art. 28 da Lei n° 10.833/2003; art. 1° da Lei n° 9.887/99; arts. 142, 144 c 149, inc. I, III, IV, V e VII da Lei n° 5.172/66 (CTN). Especificamente em relação aos pagamentos por serviços de propaganda, a autuação também se fundamentou nos seguintes atos nomiativosz IN SRF n° 123/92; IN SRF n° 269/02 (arts. 15, inc. II, c 16); ADE Corat n° 09/2002. Foi aplicada a multa qualificada (150%) nos termos da atual redação do art. 44, § 1°, da Lei n° 9.430/96. A autoridade autuante justifica a exasperação da multa nos seguintes termos: Convém observar que dada a magnitude das infrações, abrangendo a quase totalidade dos pagamentos realizados pela pessoa jurídica não haveria de ser por descuido ou desconhecimento da legislação. Assim, está evidente o intuito doloso da prática da contribuinte. embora não se saiba se havia à época determinação do corpo diretivo para proceder de forma tão delituosa. Tal fato não afasta a responsabilidade por infrações à legislação tributária que, segundo reza a art. 136 do Código T ributário Nacional. salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade. natureza e extensão dos efeitos do ato. Ou seja, a responsabilidade por infrações à legislação tributária é objetiva. não importando a intenção do agente. Referida autoridade informa, ainda, que “quanto ao aspecto_ penal, será elaborada, no prazo da legislação pertinente, a correspondente REPRESENTACAO FISCAL PARA FINS PENAIS a ser encaminhada ao Ministério Público Federal nos casos previstos na legislação”. A execução do procedimento de fiscalização foi determínada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 08.1.22.002007.001745, da Delegacia da Receita Federal em Araraquara. No curso do referido procedimento, constatouse que a Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF), entregue pela fiscalizada, relativa ao ano Fl. 1045DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0119.08570.D8EN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 4 calendário de 2003, só continha informações de dois beneficiários: o presidente (Sr.ROMILDO PEREIRA DA SILVA) e o secretário da diretoria executiva (Sr. JOSÉ ROBERTO RODRIGUES). Em relação a estes beneficiários, observouse que os valores declarados na DIRF eram inferiores aqueles escriturados pela fiscalizada, tendo sido lançada a diferença do imposto não retido. Entretanto, em consulta às Declarações do Imposto de Renda (DIRPFS) dos cooperados do sujeito passivo, relativas ao mesmo ano calendário, constatouse a informação de rendimentos recebidos conforme valores discriminados no corpo do auto de infração (fls. 881/882). E a soma destes valores (igual a R$ 163.697,37), “supondo que todos apenas receberam rendimentos pagos pela COOTAM”, é bastante inferior ao valor por ela escriturado como fretes que pagou a seus cooperados (igual a R$ 4.560.131,23), ainda que se considere os valores declarados das DIRPFS como correspondentes a apenas 40% do efetivamente recebido (conf. art. 9° da Lei n° 7.713/88). Segundo relata a autoridade fiscal, “a análise dos dados levantados durante o procedimento fiscal pôdese apurar que os pagamentos de fretes aos cooperados, fruto do trabalho sem vinculo empregatício, foram realizados sem qualquer retenção do Imposto de Renda na fonte conforme determina a legislação pertinente. Os valores pagos a título de despesas de fretes e carretos, conforme informações extraídas dos livros Diário e Razão da fiscalizada, foram, então, considerados como bases de cálculo do IRRF (não retido) à razão de 40% dos pagamentos efetuados, sobre as quais, após os seus reajustamentos (aplicável nos casos de pagamentos a beneficiários não identificados), foi aplicada a alíquota de 35%. A autoridade fiscal ressalta, outrossim, que “a contabilidade da fiscalizada apresenta impropriedades e inadequações quanto à formatação e apresentação dos resultados, mas em que pese isto, a verificação do Imposto de Renda retido na fonte, escopo do procedimento fiscal, pode ser realizada a contento”. Segundo relata referida autoridade, também foram identificados outros pagamentos sem a retenção na fonte, tais como pagamentos a diretores, aluguéis pagos a pessoas fisicas, remuneração indireta e honorários pagos a pessoas físicas, conforme valores especificados às fls. 887/888 do auto de infração. A apuração do IRRF sobre estes valores também considerou o reajustamento das bases de cálculo e a aplicação da alíquota de 35%. À fl. 899 do auto de infração encontramse especificados os valores dos aluguéis pagos a pessoas fisicas, que não sofreram retenção do imposto de renda. E à fl. 900, por sua vez, encontrase discriminado o valor pago a título de serviços de propaganda, sobre o qual também não foi retido o imposto de renda. Por fim, assevera a autoridade fiscal que “os fatos geradores de todos os lançamentos efetuados por este auto de infração foram considerados no dia 31/l2/2003 (último dia do anocalendário fiscalizado), em cumprimento ao princípio da eficiência e atendendo ao art. 1l2, inciso Il, do Código Tributário Nacional”. O sujeito passivo foi cientificado do lançamento em l6/ 10/2008, na pessoa de seu Presidente (fl. 879), tendo protocolado sua impugnação em 14/ l 1/2008, conforme peça de fls. 911/923 (firmada por procuradores regularmente estabelecidos, fls. 924/966), na qual aduz, em síntese, que: a) é modesta cooperativa de transporte rodoviário, que atua na defesa de seus associados, “libertandoos, em mútua ajuda, da dependência e exploração a que os submetem as empresas de mercado, conforme dispõe o art. 2° do Estatuto Social anexo”. E o referido Fl. 1046DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0119.08570.D8EN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000553/200871 Acórdão n.º 2401004.975 S2C4T1 Fl. 4 5 Estatuto obedece a legislação vigente, “principalmente no tocante a que todas as operações realizadas pela cooperativa jamais poderão ser realizadas com o objetivo de lucro”; b) conforme legislação em vigor, sua natureza jurídica é de sociedade simples, porque visa fim econômico não empresarial. E apenas uma “mandatária de seus cooperados”; c) a Constituição Federal, conf. art. 146, inc. III, alínea “c”, lhe garante tratamento especial quanto à matéria tributária, nos termos que devem ser prescritos em lei complementar. E o art. 174, § 2°, da Carta Magna, determina que a lei deve apoiar e estimular o cooperativismo. “Não havendo espécie legislativa para a hipótese (princípio constitucional da hierarquia das leis), não há que se falar em obrigação tributária pelo sujeito passivo”. Assim sendo, resta caracterizada a inconstitucionalidade e ilegalidade da presente autuação, devendo ser declarada, de plano, sua nulidade absoluta; d) como seu resultado “está voltado para os cooperados, e não para a entidade em si, não pode ela ser sujeita de obrigação tributária na mesma dimensão das outras sociedades de caráter empresarial, sob pena de ofensa ao principio da igualdade e bi tributação”; e) a lei n° 5.764/71, que regula a Política Nacional do Cooperativismo e institui o regime jurídico das sociedades cooperativas, não foi recepcionada pela atual Constituição Federal como lei complementar (que ainda não foi editada). Referida lei define, em seu art. 79, o ato cooperativo, que “não gera faturamento ou receita à sociedade cooperativa, conseqüentemente, não há base de cálculo imponível”. Aplicandose, então, a “analogia enquanto fonte do direito, os atos apresentados no presente Auto de Infração, são genuinamente atos cooperativos próprios e internos, que não geram lucro para a cooperativa, e desse modo, estão a salvo da incidência do IR”. E este entendimento já está pacificado najurisprudência judicial; f) o art. 182 do RIR garante a não incidência do imposto sobre as atividades econômicas das sociedades cooperativas, de proveito comum, sem objetivo de lucro. E o art. 183 do mesmo diploma excepciona as atividades em que a incidência é devida, as quais não se aplicam ao caso em tela, “considerando que a Autuada é uma cooperativa de transportadores autônomos”. Seu Balanço Patrimonial encerrado em 31/12/2003 apresentou um “prejuízo no montante de R$ 79.729,23”, conforme anexo. Assim sendo, “não há que se falar em resultados obtidos”; g) como não foi editada a lei complementar que regulamenta o recolhimento de tributos pelas cooperativas, assegurandolhes tratamento diferenciado, “a Receita Federal não está autorizada por lei a aplicar às cooperativas a legislação comum, ou seja, a legislação aplicada a todas as demais empresas”. E a impugnante “é uma simples intermediária na contratação dos serviços prestados pelos seus cooperados, sendo inconstitucional a equiparação com as demais sociedades empresariais (ofensa ao princípio da igualdade). Enfim, “não está obrigada por lei a recolher o IR, pois não atua em nome próprio, mas sim em nome dos seus cooperados”; h) é descabida a aplicação da alíquota de 35% porque “todos os pagamentos efetuados pela Autuada foram feitos em beneficio dos seus cooperados, devidamente identificados pelos documentos juntados como tal”. Esta alíquota, ademais, “não tem respaldo legal e se, assim não for, essa mesma alíquota é extremamente excessiva, exorbitante, porque Fl. 1047DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0119.08570.D8EN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. 6 diverge do disposto nos arts 25 e seguintes da Lei n° 7.713/88 e também do art. 47 da referida norma legal”. E o RIR prescreve, em seus arts. 110 e 641/644, as deduções que podem ser efetuadas pelo contribuinte individual; i) a falta de retenção do imposto de renda não causa qualquer prejuizo ao Fisco, porque o imposto será recolhido pelo cooperado, pessoa fisica.“Cabe aos cooperados, enquanto contribuintes individuais ou autônomos, fazerem a competente declaração do imposto sobre a renda auferida, e, conseqüentemente, o seu recolhimento”; j) as DIRPFS dos cooperados revelam que apenas um deles teve rendimento sujeito à alíquota de 27,5%, e os rendimentos dos demais incidiriam na faixa de isentos. Sendo assim, “como poderá exigir a dedução dos 40% (quarenta por cento) retidos na fonte?”. Esta retenção “implica em notório confisco, segundo normas previstas no Código Tributário Nacional”. Ademais, “a alíquota aplicada de 40% (quarenta por cento) fere o princípio fundamental do livre exercício da profissão e da dignidade da pessoa/trabalhador, sendo que o motorista profissional de caminhão não pode e não suporta mais pagar para trabalhar e, ao mesmo tempo, contribuir para o desenvolvimento do Estado brasileiro”; k) “quanto aos valores dos aluguéis, diretores, pessoas físicas e MULTAS, também não há respaldo legal para que a Autuada efetue a retenção das contribuições do imposto sobre a renda, sendo que não há determinação legal orientando a cooperativa a fazêlo e, além disso, a responsabilidade é do contribuinte individual, inclusive o proprietário do imóvel locado”; l) a multa de 150% que lhe foi aplicada “não tem amparo legal porque não houve qualquer intenção de fraude por parte da Autuada, mas sim falta de lei determinando a retenção das contribuições referentes ao Imposto de Renda dos cooperados, lembrando que a cooperativa, na conformidade da Constituição Federal tem tratamento diferenciado”; Concluiu a impugnante requerendo a declaração da nulidade do auto de infração, “considerando que restou provado que o ato administrativo está eivado de inconstitucionalidade e ilegalidade”. Pede, outrossim, “que seja dado efeito suspensivo a presente” e que sua procuradora seja intimada, conforme endereço indicado, “de todos os 'atos concernentes a este feito, sob pena de nulidade”. Requer, ainda, que a impugnação “se estenda a Representação Fiscal para fins Penais n° 18088000554/200815, a fim de que seja determinada a suspensão da referida representação até julgamento final na esfera do processo administrativo fiscal”. É o relatório. Fl. 1048DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0119.08570.D8EN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. Processo nº 18088.000553/200871 Acórdão n.º 2401004.975 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Luciana Matos Pereira Barbosa Relatora 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE DA ADMISSIBILIDADE DO RECURSO DE OFÍCIO O recurso não atende os requisitos de admissibilidade. O Recurso de Ofício foi interposto pelo próprio Órgão julgador de primeiro grau, tendo em vista que o contribuinte foi exonerado da cobrança de imposto e multa parcial em montante de R$ 1.615.905,22(um milhão, seiscentos e quinze, novecentos e cinco e vinte e dois centavos), conforme se observa do Demonstrativo de Débito Exonerado às fls. 1.035 e Extrato às fls. 1.039. Não obstante, em 10 de fevereiro de 2017, foi publicada a Portaria MF nº 63, de 09 de fevereiro de 2017, que estabelece o limite de R$ R$ 2.500.000,00 (dois milhões e quinhentos mil reais) para interposição de Recurso de Ofício. Muito embora a referida portaria tenha entrado em vigor na data de sua publicação, a jurisprudência deste Conselho tem entendido que, em matéria de Recurso de Ofício, a alteração do limite tem aplicação imediata, acarretando, em hipóteses como a presente – em que o valor do crédito exonerado (em montante de R$ 1.615.905,22) é inferior ao novo limite – a perda de objeto da remessa ex officio. Resta claro, portanto, que o presente Recurso de Ofício perdeu seu objeto em decorrência de legislação superveniente. Ante o exposto, voto no sentido de NÃO CONHECER do Recurso de Ofício. 2. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, NÃO CONHEÇO do Recurso de Ofício, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. É como voto. (assinado digitalmente) Luciana Matos Pereira Barbosa Fl. 1049DF CARF MF Documento de 7 página(s) assinado digitalmente. Pode ser consultado no endereço https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx pelo código de localização EP22.0119.08570.D8EN. Consulte a página de autenticação no final deste documento. PÁGINA DE AUTENTICAÇÃO O Ministério da Fazenda garante a integridade e a autenticidade deste documento nos termos do Art. 10, § 1º, da Medida Provisória nº 2.200-2, de 24 de agosto de 2001 e da Lei nº 12.682, de 09 de julho de 2012. Documento produzido eletronicamente com garantia da origem e de seu(s) signatário(s), considerado original para todos efeitos legais. Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001. Histórico de ações sobre o documento: Documento juntado por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA em 17/10/2017 18:49:00. Documento autenticado digitalmente por LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA em 17/10/2017. Documento assinado digitalmente por: MIRIAM DENISE XAVIER em 17/10/2017 e LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA em 17/10/2017. Esta cópia / impressão foi realizada por MARIA MADALENA SILVA em 22/01/2019. Instrução para localizar e conferir eletronicamente este documento na Internet: EP22.0119.08570.D8EN Código hash do documento, recebido pelo sistema e-Processo, obtido através do algoritmo sha2: FD967F76F0B054192994A8AA2979504D74C13535752811ACA66D3BF8A6D3C212 Ministério da Fazenda 1) Acesse o endereço: https://cav.receita.fazenda.gov.br/eCAC/publico/login.aspx 2) Entre no menu "Legislação e Processo". 3) Selecione a opção "e-AssinaRFB - Validar e Assinar Documentos Digitais". 4) Digite o código abaixo: 5) O sistema apresentará a cópia do documento eletrônico armazenado nos servidores da Receita Federal do Brasil. página 1 de 1 Página inserida pelo Sistema e-Processo apenas para controle de validação e autenticação do documento do processo nº 18088.000553/2008-71. Por ser página de controle, possui uma numeração independente da numeração constante no processo.
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Numero do processo: 15586.000635/2009-97
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA.
A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendo-se declarar a definitividade do crédito tributário em litígio.
Numero da decisão: 9202-007.426
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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RECURSO. PEDIDO DE PARCELAMENTO. RENÚNCIA. A adesão a programa de parcelamento especial de débitos configura desistência e renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, devendose declarar a definitividade do crédito tributário em litígio. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para declarar a definitividade do crédito tributário, por desistência do sujeito passivo em face de pedido de parcelamento. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 06 35 /2 00 9- 97 Fl. 265DF CARF MF 2 Mário Pereira de Pinho Filho, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Tratase de Auto de Infração (DEBCAD 37.220.1210) por meio do qual cobrase contribuições devidas à Previdência Social, destinadas à Seguridade Social, correspondente à parte dos empregados e contribuintes individuais, incidente sobre parcela in natura de alimentação fornecida aos segurados empregados, valores pagos a titulo de compensação aluguel e prólabore, e ainda sobre remuneração paga à pessoa física cuja contratação seu de forma supostamente abusiva, haja vista utilização de pessoa jurídica. Após o trâmite processual a 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, por maioria de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário apenas para determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. O acórdão 2403001.075 recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2005 PREVIDENCIÁRIO. RUBRICAS NÃO IMPUGNADAS. INCLUSÃO DOS SÓCIOS NO AUTO DE INFRAÇÃO. NULIDADE DO AI. ALIMENTAÇÃO FORNECIDA SEM A INSCRIÇÃO NO PAT. DESCONSTITUIÇÃO DA PESSOA JURÍDICA. POSSIBILIDADE. MULTA DE MORA. Aplicase o art. 17 do Decreto n. 70.235/72 em relação às rubricas não impugnadas. A relação dos coresponsáveis no Relatório de CoResponsáveis CORESP não atribui responsabilidade tributária aos representantes legais da empresa, apenas lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração fazendária em razão do seu vinculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando tipo de vinculo existente e o período correspondente. O Auto de Infração AI, contém todas as informações necessárias para o exercício da ampla defesa. Deve incidir a Contribuição Previdenciária quando a empresa fornece a alimentação in natura, sem a incrição no PAT. Deve ser desconsiderada a Pessoa Jurídica se verificada a relação empregatícia através de fatos e provas. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte, por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recurso Voluntário Provido em Parte Após rejeição dos seus embargos por suposta contradição no acórdão recorrido, a Fazenda Nacional apresenta Recurso Especial visando rediscutir o critério para aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do Fl. 266DF CARF MF Processo nº 15586.000635/200997 Acórdão n.º 9202007.426 CSRFT2 Fl. 266 3 CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Intimado o contribuinte apresenta contrarrazões pugnando pela manutenção do julgado. Tempestivamente, apresenta ainda o seu próprio Recurso Especial, ao qual foi negado seguimento por ausência de demonstração da divergência alegada. Às efls. 263 consta manifestação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória ES, acerca da inclusão dos débitos exigidos neste processo no programa de parcelamento previsto na Lei nº 12.996/2014. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora O Recurso ora discutido preenche os requisitos legais, razão pela qual dele conheço. Em que pese o objetivo do recurso envolva a discussão acerca do critério de aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, há nos autos fato relevante que deve ser considerado. Conforme descrito no relatório e demonstrado pela Autoridade Fiscal, os débitos abrangidos por este processo foram parcelados pelo Contribuinte. Às efls. 263 consta manifestação da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Vitória ES, com o seguinte teor: Em consulta ao sistema de parcelamento da Lei 12.996/2014, folha anterior, consta que o contribuinte fez adesão ao parcelamento especial para a categoria de débitos previdenciários no âmbito da Receita Federal e incluiu o Debcad 37.220.1210 deste processo, bem como o Debcad 37.220.1229 referente ao processo 15586.000636/200931, atualmente em julgamento no CARF. Diante disto, uma vez que o contribuinte renunciou ao seu direito de discutir o lançamento efetuado, não há mais qualquer matéria em litígio, devendo ser aplicado ao caso o disposto no art. 78 do Regimento Interno que possui a seguinte redação: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fl. 267DF CARF MF 4 Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Pelo exposto, conheço e dou provimento ao Recurso para declarar a definitividade do crédito tributário haja vista adesão do Contribuinte ao programa especial de parcelamento de débitos federais. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 268DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.001048/2010-51
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.
A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
Numero da decisão: 9101-003.831
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto (relator), que não conheceu. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e Jose´ Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rego - Presidente.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araújo Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Arau´jo, Demetrius Nichele Macei, Jose´ Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2007, 2008, 2009 MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do ano-calendário.
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FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DO IRPJ E DA CSLL. COBRANÇA CONCOMITANTE COM MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO. A partir do advento da Medida Provisória nº 351/2007, convertida na Lei nº11.488/2007, que alterou a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/96, não há mais dúvida interpretativa acerca da inexistência de impedimento legal para a incidência da multa isolada cominada pela falta de pagamentos das estimativas mensais do IRPJ e da CSLL, concomitantemente com a multa de ofício decorrente da falta de pagamento do imposto e da contribuição devidos ao final do anocalendário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencido o conselheiro Luís Flávio Neto (relator), que não conheceu. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa, Demetrius Nichele Macei e José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Rafael Vidal de Araújo. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rego Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 10 48 /2 01 0- 51 Fl. 1683DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo – Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flav́io Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Rafael Vidal de Araújo, Demetrius Nichele Macei, José Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado), Adriana Gomes Rego (Presidente). Fl. 1684DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 4 3 Relatório Tratase de recurso especial interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante “PFN” ou “recorrente”), em face do Acórdão nº 1402002.049 (doravante “acórdão a quo” ou “acórdão recorrido”), em que é interessada BRASÃO OESTE LTDA. O recurso especial versa sobre a aplicação concomitante da multa isolada, prevista no artigo 44, inciso II, “b”, da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pela Lei n° 11.448/07, e da multa de ofício de 75%, prescrita no inciso I do mesmo dispositivo da Lei n° 9.430/96. O período sob julgamento compreendo evento posteriores a 2007. O acórdão recorrido deu provimento parcial ao recurso voluntário, com o cancelamento da multa isolada, em decisão assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 DECADÊNCIA. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CARACTERIZAÇÃO DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173, inciso I, do CTN. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. O procedimento fiscal tem natureza inquisitorial na fase de coleta das informações e documentos que firmam o convencimento da autoridade lançadora. Apenas quando da formalização do lançamento perfazse a necessidade de ciência da interessada. Descabida a arguição de preterição do direito de defesa se a autuada foi devidamente cientificada da autuação e dos documentos que a embasaram , o que possibilitou o pleno conhecimento do contexto em que se deu a formalização da exigência. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009 CUSTOS E DESPESAS. COMPRAS DE MERCADORIAS. COMPROVAÇÃO. O registro da compra de mercadorias no Livro de Entradas mesmo acompanhado dos respectivos pagamentos, não Fl. 1685DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 5 4 demonstra a efetividade da operação se desacompanhado da prova da efetiva circulação do bem adquirido inclusive, se for o caso, a posterior saída com apropriação da receita correspondente. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Correta a qualificação da multa quando o sujeito passivo registra custos ou despesas sem comprovação da efetiva ocorrência da transação a eles referente. MULTA DE OFÍCIO ISOLADA. CONCOMITÂNCIA. FATOS GERADORES ATÉ MAIO/2007. A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. (Súmula CARF nº 101). MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. CONCOMITÂNCIA. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a multa isolada por falta de recolhimento das estimativas quando há concomitância com a multa de oficio proporcional sobre o tributo devido no ajuste anual, mesmo após a vigência da nova redação do art. 44 da Lei 9.430/1996 dada pela Lei 11.488/2007. A PFN interpôs recurso especial contra a aludida decisão, a fim de que seja restabelecida a exigência de multa isolada, mesmo que em concomitância com a multa de ofício, tanto em relação a períodos anteriores e posteriores a 2007 (efls. 1515 e seg.). No entanto, o recurso especial foi admitido parcialmente, apenas em relação ao período posterior a 2007 (efls. 1631 e seg.). O contribuinte foi cientificado da decisão e do recurso especial interposto pela PFN, mas deixou de apresentar contrarrazões (efls. 1657 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Fl. 1686DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 6 5 Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator CONHECIMENTO O recurso especial interposto pela PFN foi tempestivo, fazendose necessário analisar se preenche os demais requisitos de admissibilidade. Ocorre que os acórdãos indicados pela recorrente como paradigmáticos de divergência, embora ainda não tenha sido objeto de reforma, encontrase em desacordo com a Súmula n. 105 do CARF, aprovada na sessão de 08.12.2014. No caso concreto, discutese a cumulação da multa de ofício com a multa isolada pela não apuração de estimativas, atinente a período posterior a vigência da Lei n. 11.488, de 15 de junho de 2007 (fruto da conversão da Medida Provisória 351/2007). Portanto, para que a conclusão quanto ao não conhecimento do recurso especial interposto pela PFN, é imperioso analisar se as alterações introduzidas pela aludida norma afetaram a própria incidência da súmula aos períodos lhe sucederam. Em sua redação original, o art. 44 da Lei n. 9.430/96 assim prescrevia: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; §1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: I juntamente com o tributo ou a contribuição, quando não houverem sido anteriormente pagos; (...); IV isoladamente, no caso de pessoa jurídica sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro líquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente. Com a redação que lhe foi pela Lei n. 11.488/2007, o dispositivo passou a dispor: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de Fl. 1687DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 7 6 pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (…) b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. Tanto no RICARF vigente à época da enunciação da Súmula n. 105 do CARF (08.12.2014) quanto no atual, em uma espécie de julgamento por amostragem, são levados à apreciação dos Conselheiros deste Tribunal, determinado número de julgados sobre a matéria, consideradas capazes de possibilitar a “mais precisa percepção possível não apenas da questão de direito cuja relevância há de se aferir, como também do conflito em que ela se insere”1. Os casos selecionados devem propiciar à ventilação dos mais relevantes argumentos no tocante a interpretação que deve ser atribuída à legislação federal, pois a norma decorrente da súmula deverá ser aplicada a todos os demais casos que apresentem questão de direito equivalente. Por esse arcabouço jurídico, atribuise à súmula do CARF, então, a feição de precedente com “força necessária para servir como ratio decidendi para o juiz subsequente”2. Com a súmula, os fundamentos adotados nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a sua enunciação de todos os demais casos que vierem a ser submetidos ao CARF. Uma súmula do CARF é, portanto, veículo para ratio decidendi presente nos acórdãos paradigmáticos que provocaram a sua enunciação, para que este seja obrigatoriamente aplicado a todos os processos que tratem da mesma matéria, por quaisquer julgadores deste Tribunal. Nesse seguir, a norma enunciada pelo CARF, por meio de súmula, deverá ser aplicada à generalidade dos processos que forem conduzidos em massa perante este Tribunal, com a reprodução a decisões in concreto da ratio decidendi em questão. Tratase a súmula do CARF, portanto, de norma geral e concreta3. Para a solução do presente caso, é preciso compreender essa relação de complementariedade: a ratio decidendi dos acórdãos paradigmas se desprendem da respectiva súmula, nem esta deve ser aplicável a hipóteses que não estariam abrangidas pela ratio decidendi dos referidos paradigmas. Em outras palavras, como a súmula é norma geral e concreta que veicula a ratio decidendi outrora presente em reiterados acórdão individuais e concretos, a sua aplicação é restrita às situações que sejam equivalentes àquelas tratadas nos referidos acórdãos paradigmáticos. A aplicação de uma súmula a um caso concreto pressupõe 1 TALAMINI, Eduardo. Julgamento de recursos no STJ ‘por amostragem’. Informativo Justen, Pereira Oliveira e Talamini, 2008. Disponível em www.justen.com.br/informativo. 2 À semelhança do que ocorre com os recursos repetitivos do STJ. A respeito destes, vide: MESQUITA, José Ignácio Botelho et al. A repercussão geral e os recursos repetitivos: economia, direito e política, In: Revista de Processo, São Paulo, v. 38, n. 220, p. 1332, jun. 2013, p. 29. 3 Vide, sobre o tema: CARVALHO, Paulo de Barros. Direito tributário: fundamentos jurídicos da incidência. 7ª ed. São Paulo: Saraiva, 2009, p. 3541. Fl. 1688DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 8 7 que as premissas fáticas e as normas questionadas neste sejam equivalentes às premissas fáticas e as normas questionadas nos paradigmas que ensejaram a súmula. A compreensão dos acórdãos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF é, portanto, fundamental para a correta aplicação desta. No caso, duas ratio decidendi podem ser abstraídas dos fundamentos dos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF. A primeira delas é que pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais é absorvida pela multa de ofício. É o que se observa de suas respectivas ementas, a seguir transcritas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 2001 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF, 9101001.261, de 22/11/2011) Neste acórdão, houve a transcrição integral dos fundamentos adotados em outro julgamento da CSRF (acórdão CSRF/0105.838, de 15.04.2008), que restou assim ementado: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício. 1999, 2000, 2001, 2002, 2003 Ementa: APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFICIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do ano Fl. 1689DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 9 8 calendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Recurso especial negado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 1998 (...) MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO — Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (CSRF, 9101001.307, de 24/04/2012) IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2002 APLICAÇÃO CONCOMITANTE DE MULTA DE OFÍCIO E MULTA ISOLADA NA ESTIMATIVA Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de ofício pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. CARF, 3ª Turma Especial, 1ª Seção, 1803001.263, de 10/04/2012 A segunda ratio decidendi que se abstrair dos paradigmas da Súmula n. 105 do CARF é que não é cabível o lançamento de multa isolada, cuja base de cálculo seja Fl. 1690DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 10 9 coincidente ou esteja está inserida na base de cálculo das multas de ofício. É o que se observa de suas respectivas ementas, a seguir transcritas: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Exercício: 2000, 2001 Ementa: MULTA ISOLADA. ANOSCALENDÁRIO DE 1999 e 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor das glosas efetivadas pela Fiscalização. Recurso Especial do Procurador conhecido e não provido. (CSRF, 9101001.203, de 17/10/2011) Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 2001 IRFONTE. AFASTAMENTO. O próprio lançamento tributário em razão da desconsideração do planejamento fiscal já atribuiu as respectivas saídas de valores a causa e seus beneficiários. MULTA ISOLADA. ANOCALENDÁRIO DE 2000. FALTA DE RECOLHIMENTO POR ESTIMATIVA. CONCOMITÂNCIA COM MULTA DE OFICIO EXIGIDA EM LANÇAMENTO LAVRADO PARA A COBRANÇA DO TRIBUTO. Incabível a aplicação concomitante da multa por falta de recolhimento de tributo sobre bases estimadas e da multa de oficio exigida no lançamento para cobrança de tributo, visto que ambas penalidades tiveram como base o valor da receita omitida apurado em procedimento fiscal. Recurso especial do Procurador negado. (CSRF, 9101001.238, de 21.11.2011) ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2000, 2001 (...) LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PENALIDADE. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. Fl. 1691DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 11 10 Devem ser exoneradas as multas isoladas por falta de recolhimento de estimativas, uma vez que, cumulativamente foram exigidos os tributos com multa de ofício, e a base de cálculo das multas isoladas está inserida na base de cálculo das multas de ofício, sendo descabido, nesse caso, o lançamento concomitante de ambas. (...) (CARF, 1ªC/2ªTO, 110200.748, de 09.05.2012) Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2003 DECADÊNCIA. MULTA ISOLADA. ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS. A regra geral para contagem do prazo decadencial para constituição do crédito tributário, no caso de penalidades, está prevista no artigo 173, I do CTN, apresentandose regular a exigência formalizada dentro deste prazo. Por sua vez, em relação aos tributos, havendo antecipação de recolhimentos o prazo é contado na forma do art. 150, §4o. do CTN. MULTA DE OFICIO ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de oficio sobre o ajuste anual (mesma base). (...) (CARF, 4ªC/2ªTO, 1402001.217, de 04.10.2012) Em todos esses julgados, portanto, compreendeuse não ser cabível o lançamento de multa isolada, quando: a sua base de cálculo seja coincidente ou esteja está inserida na base de cálculo das multas de ofício; pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pela não apuração de estimativas mensais deva ser absorvida pela multa de ofício. A consequência que a introdução da Lei nº 11.488/07 trouxe em relação as multas isoladas aplicadas no caso de não recolhimento das estimativas foi a redução do seu percentual, por tratarse, de infração de menor potencial ofensivo. É o que de extrai da própria exposição de motivos da MP nº 351/07, a saber: (...) 8. A alteração do art. 44 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, efetuada pelo art. 14 do Projeto, tem o objetivo de reduzir o percentual da multa de ofício, lançada isoladamente, nas hipóteses de falta de pagamento mensal devido pela pessoa física a título de carnêleão ou pela pessoa jurídica a título de estimativa, bem como retira a hipótese de incidência da multa de Fl. 1692DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 12 11 ofício no caso de pagamento do tributo após o vencimento do prazo, sem o acréscimo da multa de mora. Nesse cenário, compreendo que mesmo após as alterações introduzidas pelo referido documento normativo, ambos os fundamentos permanecem válidos, aplicandose a lógica da consunção e a base de cálculo da multa isolada está inserida na base de cálculo das multas de ofício. Concluise, portanto, a aludida alteração em nada afeta a imperiosidade da Súmula nº 105 que deve ser aplicada ao presente caso, o que impede seja conhecido o recurso especial interposto pela PFN, sob pena de ofensa ao art. 67 do RICARF. MÉRITO Por restar vencido quanto ao não conhecimento do recurso especial interposto pela PFN, passo à análise de seu mérito. O cerne da contenda consiste em saber se a multa isolada pelo não recolhimento das estimativas mensais de IRPJ e CSL deve ser cobrada cumulativamente com a multa de ofício, na hipótese de auto de infração lavrado após o término do exercício fiscal. No caso, mesmo após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007 no art. 44 da Lei n. 9.430/96, a questão deve ser analisada com vistas à teoria da consunção. Esse é o entendimento que vem sendo adotado pelo Superior Tribunal de Justiça (doravante “STJ”). Recentemente, no REsp nº 1.496.354/PR, o STJ decidiu ser necessário aplicar o princípio da consunção na interpretação do art. 44 da Lei n. 9.430/96, com a redação que lhe foi dada pela Lei n. 11.488/2007, a fim de afastar a exigência da isolada, absorvida pela multa de ofício. A referida decisão restou assim ementada: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. DEFICIÊNCIA DA FUNDAMENTAÇÃO. SÚMULA 284/STF. MULTA ISOLADA E DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. 1. Recurso especial em que se discute a possibilidade de cumulação das multas dos incisos I e II do art. 44 da Lei n. 9.430/96 no caso de ausência do recolhimento do tributo. 2. Alegação genérica de violação do art. 535 do CPC. Incidência da Súmula 284 do Supremo Tribunal Federal. 3. A multa de ofício do inciso I do art. 44 da Lei n. 9.430/96 aplicase aos casos de "totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata". 4. A multa na forma do inciso II é cobrada isoladamente sobre o valor do pagamento mensal: "a) na forma do art. 8° da Lei no 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na Fl. 1693DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 13 12 declaração de ajuste, no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 2007) e b) na forma do art. 2° desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei n. 11.488, de 2007)". 5. As multas isoladas limitamse aos casos em que não possam ser exigidas concomitantemente com o valor total do tributo devido. 6. No caso, a exigência isolada da multa (inciso II) é absorvida pela multa de ofício (inciso I). A infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Princípio da consunção. Recurso especial improvido. (STJ, REsp 1496354/PR, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/03/2015, DJe 24/03/2015) Em seu voto, acompanhado pela unanimidade da Segunda Turma da 1a Seção do STJ, o i. Ministro HUMBERTO MARTINS, relator do referido julgado, assim explicitou os fundamentos, in verbis: “Sistematicamente, notase que a multa do inciso II do referido artigo somente poderá́ ser aplicada quando não possível a multa do inciso I. Destacase que o inadimplemento das antecipações mensais do imposto de renda não implicam, por si só, a ilação de que haverá tributo devido. Os recolhimentos mensais, ainda que configurem obrigações de pagar, não representam, no sentido técnico, o tributo em si. Este apenas será apurado ao final do ano calendário, quando ocorrer o fato gerador. As hipóteses do inciso II, "a" e "b", em regra, não trazem novas hipóteses de cabimento de multa. A melhor exegese revela que não são multas distintas, mas apenas formas distintas de aplicação da multa do art. 44, em consequência de, nos caso ali descritos, não haver nada a ser cobrado a título de obrigação tributária principal. As chamadas "multas isoladas", portanto, apenas servem aos casos em que não possam ser as multas exigidas juntamente com o tributo devido (inciso I), na medida em que são elas apenas formas de exigência das multas descritas no caput. Esse entendimento é corolário da lógica do sistema normativo tributário que pretende prevenir e sancionar o descumprimento de obrigações tributárias. De fato, a infração que se pretende repreender com a exigência isolada da multa (ausência de recolhimento mensal do IRPJ e CSLL por estimativa) é completamente abrangida por eventual infração que acarrete, ao final do ano calendário, o recolhimento a menor dos tributos, e que dê azo, assim, à cobrança da multa de forma conjunta. Fl. 1694DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 14 13 Em se tratando as multas tributárias de medidas sancionatórias, aplicase a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente. O princípio da consunção (também conhecido como Princípio da Absorção) é aplicável nos casos em que há uma sucessão de condutas típicas com existência de um nexo de dependência entre elas. Segundo tal preceito, a infração mais grave absorve aquelas de menor gravidade. Sob este enfoque, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo.” Em decisão posterior, no REsp 1.499.389/PB, o STJ novamente vivificou o princípio da consunção, para afastar a cumulação da multa de ofício com a multa isolada. A referida decisão restou assim ementada: TRIBUTÁRIO. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. ART. 44 DA LEI N. 9.430/96 (REDAÇÃO DADA PELA LEI N. 11.488/07). EXIGÊNCIA CONCOMITANTE. IMPOSSIBILIDADE NO CASO. PRECEDENTE. 1. A Segunda Turma desta Corte, quando do julgamento do REsp nº 1.496.354/PR, de relatoria do Ministro Humberto Martins, DJe 24.3.2015, adotou entendimento no sentido de que a multa do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/96 somente poderá ser aplicada quando não for possível a aplicação da multa do inciso I do referido dispositivo. 2. Na ocasião, aplicouse a lógica do princípio penal da consunção, em que a infração mais grave abrange aquela menor que lhe é preparatória ou subjacente, de forma que não se pode exigir concomitantemente a multa isolada e a multa de ofício por falta de recolhimento de tributo apurado ao final do exercício e também por falta de antecipação sob a forma estimada. Cobra se apenas a multa de oficio pela falta de recolhimento de tributo. 3. Agravo regimental não provido. (STJ, AgRg no REsp 1499389/PB, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 17/09/2015, DJe 28/09/2015) É fundamental notar que a ratio decidendi presente nos referidos julgados do STJ, que se detiveram às aludidas normas sancionatórias após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, não é distinta das ratio decidendi adotada pelo CARF em seus reiterados julgados proferidos na vigência da redação original do art. 44 da Lei n. 9.430/96. Fl. 1695DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 15 14 É o que se observa dos fundamentos do acórdão 0105.838, proferido pela CSRF em 15.04.2008, da relatoria do então Conselheiro MARCOS VINICIUS NEDER DE LIMA, in verbis: “Quando várias normas punitivas concorrem entre si na disciplina jurídica de determinada conduta, é importante identificar o bem jurídico tutelado pelo Direito. Nesse sentido, para a solução do conflito normativo, devese investigar se uma das sanções previstas para punir determinada conduta pode absorver a outra, desde que o fato tipificado constitui passagem obrigatória de lesão menor, de um bem de mesma natureza para a prática da infração maior. No caso sob exame, o não recolhimento da estimativa mensal pode ser visto como etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. A primeira conduta é, portanto, meio de execução da segunda. Com efeito, o bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. Assim, a interpretação do conflito de normas deve prestigiar a relevância do bem jurídico e não exclusivamente a grandeza da pena cominada, pois o ilícito de passagem não deve ser penalizado de forma mais gravosa que o ilícito principal. É o que os penalistas denominam ‘principio da consunção’. Segundo as lições de Miguel Reale Junior: ‘pelo critério da consunção, se ao desenrolar da ação se vem violar uma pluralidade de normas passandose de uma violação menos grave para outra mais grave, que é o que sucede no crime progressivo, prevalece a norma relativa ao crime em estágio mais grave...’. E prossegue ‘no crime progressivo portanto, o crime mais grave engloba o menos grave, que não é senão um momento a ser ultrapassado, uma passagem obrigatória para se alcançar uma realização mais grave’. Assim, não pode ser exigida concomitantemente a multa isolada e a multa de oficio na hipótese de falta de recolhimento de tributo apurado no final do exercício e também pela falta de antecipação sob a forma estimada. Cobrase apenas a multa de oficio por falta de recolhimento de tributo.” Nesse seguir, após as alterações introduzidas pela Lei n. 11.488/2007, o mesmo dilema quanto à consunção, anteriormente enfrentado pelo CARF, permanece presente e, conforme o entendimento mantido pelo STJ, deve ser solucionado da mesma forma: a impossibilidade de cobrança da multa isolada cumulada com a multa de ofício. Compreendo que a solução adotada pelo STJ é a mais adequada, não havendo razão para afastarse a ratio decidendi da Súmula n. 105 para fatos ocorridos após a edição da Lei n. 11.488/2007, especialmente por força do princípio da consunção. Fl. 1696DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 16 15 Além disso, no acórdão 110200.748, referido acima entre os paradigmas da Súmula n. 105 do CARF, a então Conselheira ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA consignou que o fundamento para a proibição da cumulação da multa de ofício com a multa isolada se daria pelo fato da base de cálculo desta estar compreendida na base de cálculo daquela, in verbis: “No caso destes autos, constatase que o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício. Levandose em conta que é o bem público que deve ser protegido, aplicar a multa proporcional cumulativamente com a multa isolada, por falta de recolhimento da estimativa sobre os valores apurados, em procedimento fiscal, sobre base de cálculo de idêntico valor, implicaria admitir que, sobre o imposto apurado de oficio, se aplicaria duas punições, que significaria em relação à falta, a imposição de penalidade desproporcional ao proveito obtido. A ratio decidendi adotada nesse julgado, mesmo proferido com vistas à redação original da Lei n. 9.430/96, é perfeitamente aplicável às normas sancionatórios estabelecidas pela Lei n. 11.488/2007: enquanto na redação original a base de cálculo na multa isolada e da multa de ofício seria idêntica, com a redação vigente a partir de 2007, não haverá necessária coincidência, embora seja certo que “o valor da base de cálculo da multa isolada está inserido na base de cálculo da multa de ofício”. Compreendo, assim, que deve ser mantida a ratio decidendi que inspirou a prolação da Súmula n. 105 do CARF, inclusive nos fatos ocorridos sob a vigência da Lei n. 11.488/2007, como é o caso dos autos. Voto, portanto, pelo NÃO CONHECIMENTO do recurso especial interposto pela PFN e, no mérito, para NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1697DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 17 16 Voto Vencedor Conselheiro Rafael Vidal de Araújo Redator designado Abordo neste voto os pontos a respeito dos quais divirjo dos entendimentos expostos pelo i. Conselheiro Relator, com a devida vênia. O nobre Relator restou vencido quanto: (i) ao não conhecimento do recurso especial interposto pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN); e (ii) à negativa de provimento ao mesmo recurso, no que diz respeito à única matéria recorrida que obteve seguimento para apreciação por esta 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), relacionada à possibilidade de cobrança concomitante das multas isolada e de ofício relativas ao anocalendário 2007 e posteriores. Passo, então, a expor o entendimento que prevaleceu no Colegiado a respeito dos referidos temas. I) Conhecimento do recurso especial da Fazenda Nacional O recurso especial da PGFN narra que o acórdão recorrido teria afastado a aplicação da multa isolada prevista no art. 44, II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996, em relação a períodos posteriores ao advento da Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.488/2007), por considerar ilegítima a aplicação concomitante da multa isolada por falta de recolhimento de estimativas com a multa de ofício. Assim teria se inaugurado dissenso jurisprudencial entre a decisão recorrida e os acórdãos paradigmas nº 1401000.761 e nº 910100.947, que defenderiam a legitimidade, a partir do anocalendário 2007, da aplicação cumulativa das duas multas de ofício (a devida pela falta de pagamento do tributo apurado ao final do anocalendário e a decorrente do não recolhimento das estimativas mensais, previstas respectivamente no inciso I e na alínea "b" do inciso II do art. 44 da Lei nº 9.430/1996), uma vez que decorrem de infrações diversas e não configuram bis in idem. O i. Conselheiro Relator deste julgamento votou pelo não conhecimento do recurso especial fazendário em relação à matéria sob o argumento de que os acórdãos paradigmas indicados pela PGFN estariam em desacordo com a Súmula CARF nº 105. Analisando as decisões paradigmáticas que fundamentaram a edição da referida Súmula CARF, o nobre Relator defende que suas duas ratio decidendi não teriam sido afetados pela alteração que a Medida Provisória nº 351/2007 (convertida na Lei nº 11.844/2007) promoveu na redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Segundo a tese defendida, os fundamentos da Súmula CARF nº 105, que permaneceriam válidos para o anocalendário 2007 e posteriores, são: i) pelo critério da consunção, nas autuações realizadas após o término do exercício fiscal, a penalidade atinente à multa isolada pelo não recolhimento de estimativas mensais é absorvida pela multa de ofício pela falta de pagamento do tributo calculado ao final do período de apuração; e ii) não é cabível o lançamento de multa isolada porque sua base de cálculo é coincidente ou está inserida na base de cálculo da multa de ofício. Fl. 1698DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 18 17 Divirjo de tal entendimento. A Súmula CARF nº 105 é explícita ao mencionar a impossibilidade de cobrança concomitante da "multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996" com a "multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual". Observese que o dispositivo legal que fundamenta a cobrança da multa de ofício não é mencionado. Sendo assim, é bastante provável que a intenção da 1ª Turma da CSRF tenha sido exatamente a de delimitar a vedação de aplicação concomitante à multa isolada fundamentada especificamente no inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. Caso a menção ao dispositivo legal tivesse sido feito de forma despretensiosa, apenas com a intenção de identificar de que multa isolada a Súmula estaria tratando, provavelmente a referência à multa de ofício também viria acompanhada da identificação do dispositivo legal que a fundamenta. Além disso, tendo sido a Súmula editada pela 1ª Turma da CSRF apenas em 08/12/2014, muito tempo após a revogação do inciso IV do § 1º do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 e o início da vigência da Lei nº 11.488/2007, seria esperado que ela fizesse alguma referência genérica como "A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas não pode ser exigida (...)" caso não desejasse se referir especificamente à multa isolada prevista no dispositivo revogado em 2007. A previsão legal da multa aplicada isoladamente foi significativamente alterada em janeiro de 2007. Na redação anterior, contida no art. 44, § 1º, inciso IV, da Lei nº 9.430/1996, previase a exigência de multa isolada, calculada sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição, no caso de a pessoa jurídica sujeita ao pagamento do IRPJ e da CSLL, na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, deixar de fazêlo, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. O percentual da multa aplicável era de 75%. Já com a redação introduzida pela MP nº 351/2007 e pela Lei nº 11.488/2007, prevêse no art. 44, inciso II, alínea "b" da Lei nº 9.430/1996 a cobrança de multa isolada de 50%, calculada sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a CSLL no anocalendário correspondente. Verificase, portanto, que houve alterações expressas e significativas na base de cálculo e nos percentuais aplicáveis à multa isolada. Desta forma, não é possível afirmar, em sede de análise do conhecimento do recurso e sem adentrarmos no mérito da discussão, que a Súmula CARF nº 105 abrangeria também períodos posteriores a 2007. Diante do exposto, entendo inaplicáveis ao caso sob análise as restrições tipificadas no § 3º ou no inciso III do § 12 do art. 67 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015 (RICARF/2015), razão pela qual CONHEÇO do recurso especial da PGFN em relação à cobrança concomitante das multas de ofício e isolada relacionadas aos anoscalendário 2007 a 2009. Fl. 1699DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 19 18 II) Mérito No que toca à matéria que obteve seguimento, o recurso especial da Fazenda Nacional contesta o entendimento exposto no acórdão recorrido de que a cobrança concomitante das multas de ofício e isolada seria incabível mesmo para os anoscalendário 2007 e posteriores, quando a redação do art. 44 da Lei nº 9.430/1996 já havia sofrido as alterações impostas pela Medida Provisória nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.488/2007. O i. Conselheiro Relator votou por negar provimento ao recurso fazendário, defendendo que a ratio decidendi que fundamentou a edição da Súmula CARF nº 105 (a necessidade de aplicação do princípio da consunção e o fato de a base de cálculo da multa isolada estar inserida na base de cálculo da multa de ofício) continuou válida sob a nova redação dada ao art. 44 da Lei nº 9.430/1996 a partir de 2007. O voto do nobre Conselheiro Relator restou vencido, tendo prevalecido no Colegiado as razões que passo a expor. Até o advento da MP nº 351/2007, convertida na Lei nº 11.488/2007, a multa isolada devida por ausência de pagamento das estimativa mensais de IRPJ e de CSLL tinha a seguinte previsão legal: Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. § 1° As multas de que trata este artigo serão exigidas: (...) IV isoladamente, no caso de pessoa jurídicas sujeita ao pagamento do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro liquido, na forma do art. 2°, que deixar de fazêlo, ainda que tenha apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no ano calendário correspondente; (...) Com as alterações introduzidas pela Lei nº 11.488/2007, passou a dispor a mesma Lei nº 9.430/1996: Fl. 1700DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 20 19 Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (...) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (...) Observemse as alterações efetivas operadas pela mudança de redação: (i) a multa isolada não é mais calculada sobre "a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição", passando a incidir sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser recolhido na forma prevista no art. 2º da mesma lei; e (ii) o percentual aplicável no cálculo da multa passa de 75% para 50%. A antiga redação do art. 44 efetivamente não deixava tão clara a distinção entre as multas de ofício e isolada. A base sobre a qual as multas incidiam era prevista de forma conjunta, no caput do artigo ("calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição"). O percentual aplicável para ambas as multas também era fixado no mesmo dispositivo, o inciso I do artigo ("setenta e cinco por cento"). Somente no inciso IV do § 1º é que existia a previsão específica da exigência de multa isolada pelo não pagamento de IRPJ ou CSLL na forma do art. 2º da Lei nº 9.430/1996 (estimativas mensais com base na receita bruta do período). A falta de clareza na antiga redação do art. 44 e o fato de parte das previsões das duas multas constarem dos mesmos dispositivos (mesma base de cálculo, inclusive) foram, em grande medida, responsáveis pela sedimentação do entendimento desta Corte no sentido da impossibilidade de cobrança simultânea das multas isolada e de ofício. Por conta disso, editouse a já mencionada Súmula CARF nº 105: Súmula CARF nº 105 : A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Com o advento da MP nº 351, de 22/01/2007, e sua posterior conversão na Lei nº 11.488, de 15/06/2007, julgo terem sido extirpadas as fontes de dúbia interpretação do art. 44 no que diz respeito à previsão das multas isolada e de ofício. A nova redação é clara em relação às hipóteses de incidência de cada uma das multas, suas bases de cálculo e percentuais aplicáveis. Fl. 1701DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 21 20 Conforme expus no tópico relativo ao conhecimento do recurso especial da PGFN, não considero razoável a ilação de que possa ter sido casual a expressa menção, pela Súmula CARF nº 105, do dispositivo que tipificou a multa isolada ali mencionada. A Súmula foi editada pela 1ª Turma da CSRF em 08/12/2014, muitos anos após as mudanças redacionais introduzidas pela Lei nº 11.488/2007. Caso a egrégia Turma quisesse se referir indiscriminadamente a qualquer multa isolada, anterior ou posterior à alteração da redação do art. 44, o teria feito simplesmente deixando de mencionar o art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996. Ao citar expressamente o dispositivo, a Súmula deixa claro que a cobrança concomitante a que se opõe é aquela que envolve a multa isolada fundamentada na antiga redação do art. 44, antes das alterações promovidas pela Lei nº 11.844/2007. Neste mesmo sentido já se manifestou esta 1ª Turma da CSRF, no recente Acórdão nº 9101003.597, cujo voto condutor trouxe: "Já em primeiro plano se verifica que a multa isolada, antes incidente sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição estimada, conforme a prescrição original do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, passou a incidir sobre o valor do pagamento mensal que, na forma do artigo 2º da mesma lei, deixar de ser efetuado, caso a falta de pagamento não esteja justificada em balanços de suspensão ou redução, estabelecidos pelo artigo 35 da Lei nº 8.981/95. A alteração legislativa decorreu do claro propósito de contornar a jurisprudência dominante, ao trazer ao mundo jurídico que a multa isolada não mais incidirá sobre um tributo antecipado, como o próprio caput do artigo 44 sugeria, em sua redação original, ao estabelecer que, “nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição”. Com a Lei nº 11.488/2007, a multa isolada é aplicada sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento integral da estimativa que compõe o esperado fluxo de caixa da União, embora não mais incidente sobre a totalidade ou diferença da antecipação de tributo não recolhida, mas incidente sobre o valor do pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que o contribuinte apure prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao final do anocalendário, caso lhe falte o devido suporte em balanço de suspensão ou redução. A nova disposição do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, com a redação dada pela Lei nº 11.488/2007, não deixa dúvida a respeito de duas multas distintas: a primeira, no inciso I, de 75%, sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição (multa de ofício), aplicável nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, falta de declaração e declaração inexata; a segunda, no inciso II, de 50% (multa isolada), calculada sobre o valor do pagamento de estimativa que deixar de ser efetuado, devida sempre que o contribuinte não efetuar o pagamento da totalidade da estimativa apurada na forma do artigo 2º, sem o apoio de balanço de suspensão ou redução. A ressalva constante da redação atual do inciso II do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, no sentido de que a multa é exigida isoladamente do tributo devido ao final do anocalendário, já traduz, por outro lado, que a multa do inciso I sempre é exigida Fl. 1702DF CARF MF Processo nº 13982.001048/201051 Acórdão n.º 9101003.831 CSRFT1 Fl. 22 21 em conjunto com o tributo devido. Tanto é assim que a multa do inciso I não é aplicada em caso de apuração, no balanço do encerramento do anocalendário, de prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL, ao passo que a multa do inciso II independe da apuração de lucro ou prejuízo fiscal, ou de base de cálculo positiva ou negativa de CSLL. Esta última deve ser exigida se o contribuinte deixar de efetuar o pagamento integral da estimativa sem a cobertura de um balanço de suspensão ou redução, ainda que, ao final do anocalendário, seja apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSLL. Podese ver que os fatos geradores dessas multas são distintos: para o inciso I do artigo 44 da Lei nº 9.430/1996, falta de pagamento ou recolhimento do tributo apurado em declaração de ajuste, falta de declaração e declaração inexata; para o inciso II, falta de pagamento, ou pagamento insuficiente, das estimativas apuradas, desprovida de lastro em balanço de suspensão ou redução. Portanto, são infrações distintas, com graduações distintas e decorrentes de fatos geradores distintos. Não há, por conseguinte, bis in idem." (destaques no original) Diante de todo o exposto, não vislumbro óbice à cobrança cumulativa das multas isolada (art. 44, inciso II, alínea "b", da Lei nº 9.430/1996) e de ofício (art. 44, inciso I, da mesma Lei) para infrações ocorridas a partir de janeiro de 2007, quando teve início a vigência da MP nº 351/2007, posteriormente convertida na Lei nº 11.844/2007. Portanto, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional para restabelecer a exigência das multas isoladas exoneradas pelo acórdão recorrido, em relação aos anoscalendário 2007 e posteriores. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 1703DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.723360/2013-62
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 31 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006, 2007
OMISSÃO. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL.
A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerar-se-á adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, na medida em que justificado por laudo de avaliação constante dos autos expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura.
PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO.
É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembléia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento é possível com a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente.
Numero da decisão: 1402-003.576
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER os embargos com efeitos infringentes para suprir a omissão e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone que negavam provimento. A Conselheira Edeli Pereira Bessa apresentou declaração de voto. Declarou-se impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada).
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira- Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em Exercício).
Nome do relator: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006, 2007 OMISSÃO. INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerar-se-á adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, na medida em que justificado por laudo de avaliação constante dos autos expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura. PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO. É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembléia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento é possível com a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente.
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INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerarseá adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, na medida em que justificado por laudo de avaliação constante dos autos expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura. PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO. É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembléia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento é possível com a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, ACOLHER os embargos com efeitos infringentes para suprir a omissão e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Edeli Pereira Bessa, Evandro Correa Dias e Paulo Mateus Ciccone que negavam provimento. A Conselheira Edeli Pereira Bessa apresentou declaração de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 33 60 /2 01 3- 62 Fl. 28799DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 112 2 voto. Declarouse impedido o Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves, substituído pela Conselheira Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada). (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Bárbara Santos Guedes (Suplente Convocada), Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Júnia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente em Exercício). Relatório Fl. 28800DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 113 3 Tratase de embargos de declaração interpostos por ALESAT COMBUSTÍVEIS S/A em face do r. Acórdão nº 1402002.323 de fls. 12701299, proferido por esta e. 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, em sessão realizada no dia 4 de outubro de 2016. Em breve resumo, tratase de autuação que promoveu glosa de amortização fiscal de ágio apurado, ante a ausência de laudo de avaliação, em operação de reorganização societárias ocorrida entre os anos 2006 e 2007, de incorporação de ações da recorrente pela Cia SAT. Com pouco mais de um mês para o julgamento do Recurso Voluntário a recorrente juntou aos autos o Laudo de Avaliação que, no entanto, não foi apreciado a despeito de imprescindível para determinar o custo efetivamente suportado pela Cia SAT. A decisão restou afinal assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. NATUREZA JURÍDICA. POSSIBILIDADE DE DEDUÇÃO DA AMORTIZAÇÃO DO ÁGIO PARA FINS DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL. A incorporação de ações é operação societária por intermédio da qual a totalidade das ações de emissão de uma sociedade anônima é incorporada ao patrimônio de outra companhia, convertendo aquela em subsidiária integral desta. O ágio absorvido pela controlada quando da incorporação da controladora considerarseá adquirido e, portanto, passível de amortização dedutível para fins do imposto de renda, desde que tal ágio esteja justificado por laudo de avaliação expedido por empresa especializada independente com base em rentabilidade futura. PAGAMENTO DO ÁGIO NA INCORPORAÇÃO DE AÇÕES. COMPROVAÇÃO. PREÇO DE EMISSÃO DAS AÇÕES BASEADO EM LAUDO DE AVALIAÇÃO. É exatamente o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas que representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deverá estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. Na hipótese de ter sido aprovada em assembléia geral a emissão por preço de mercado ou de rentabilidade futura, a comprovação do pagamento somente é possível mediante a apresentação de laudo de avaliação destas ações elaborado por empresa especializada e independente. DECADÊNCIA. ÁGIO. TERMO INICIAL. AMORTIZAÇÃO. É pacífico neste Colegiado que, para início da contagem do prazo decadencial, devese ater à data de ocorrência dos fatos geradores, e não à data de contabilização de fatos passados que possam ter repercussão futura. Com efeito, Fl. 28801DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 114 4 o prazo decadencial somente tem início após a ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4º, do CTN), ou após o primeiro dia do exercício seguinte ao que o lançamento poderia ter sido efetuado nas hipóteses do art. 173, I, do CTN. Portanto, a contagem do prazo decadencial deve se dar, não a partir da formação dos ágios, mas sim de sua efetiva amortização.JUROS DE MORA SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. CABIMENTO.A jurisprudência atual desta Corte é unânime em reconhecer a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício que compõe o crédito tributário a partir do vencimento do lançamento até o pagamento (Acórdão 9101002.180, CSRF, 1ª Turma; Acórdão 9202 003.821, CSRF 2ª Turma; Acórdão 9303003.385, CSRF, 3ª Turma). MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS. MULTA DE OFÍCIO PELA FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE TRIBUTO. MATERIALIDADES DISTINTAS. NOVA REDAÇÃO DADA PELA MP 351/2007. APLICÁVEL À FALTA DE RECOLHIMENTO DAS ESTIMATIVAS A PARTIR DA COMPETÊNCIA DE DEZEMBRO DE 2006.A partir do advento da MP 351/2007, convertida na Lei 11.488/2007 a multa isolada passa a incidir sobre o valor não recolhido da estimativa mensal independentemente do valor do tributo devido ao final do ano, cuja falta ou insuficiência, se apurada, estaria sujeita à incidência da multa de ofício. São duas materialidades distintas, uma referese ao ressarcimento ao Estado pela não entrada de recursos no tempo determinado e a outra pelo não oferecimento à tributação de valores que estariam sujeitos à mesma. Entende a embargante que a decisão é omissa sobre a existência do laudo de avaliação na medida em que consta nos autos o referido relatório de avaliação das ações emitidas pela Cia SAT quando da incorporação de ações da ALE combustíveis, ainda que juntado com um mês de antecedência julgamento RV. Ante aos possíveis efeitos infringentes foi concedida vistas à PGFN para apresentação de suas contrarazões manifestandose a mesma apenas sua ciência do teor da resolução. Os embargos foram acolhidos ante a omissão presente. É o Relatório. Voto Conselheiro Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Relator Fl. 28802DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 115 5 A omissão de fato se faz presente no acórdão lavrado na medida em que se ignorou o laudo de avaliação anexado pela Recorrente aos autos às p. 28656/28709 que deveria ter sido analisado ainda que juntado de véspera do julgamento do recurso voluntário interposto. Já restou decidido, através do v. acórdão embargado, que a incorporação de ações, no caso concreto, foi uma operação societária na qual a totalidade das ações de uma sociedade por ações foi incorporada ao patrimônio de outra, convertendo aquela em subsidiária integral desta e o ágio absorvido pela controlada, quando da incorporação da controladora, foi considerado adquirido e, portanto, passível de amortização como despesa dedutível para fins do imposto de renda, com a ressalva de que tal ágio estivesse justificado em laudo de avaliação expedido por empresa especializada e independente, com base em rentabilidade fu tura. De igual modo decidiuse que o preço de emissão das ações da incorporadora e sua transferência aos titulares das ações incorporadas representa o pagamento do ágio na incorporação de ações. O preço de emissão deve estar fundamentado em valor patrimonial, de mercado ou de rentabilidade futura. A comprovação do pagamento somen te é possível mediante apresentação de laudo de avaliação destas ações, elaborado por empresa especializada e independente. A partir dessas premissas enunciadas no v. acórdão embargado, devese rememorar que a operação societária que ensejou ágio dedutível na incorporação de ações foi realizada entre dois grupos independentes, que fizeram um acordo prévio de associação antes de realizarem a operação de incorporação de ações para se chegar ao resultado pretendido, qual seja, que cada grupo passasse a deter 50% de participação ao final da combinação de negócios. Questão outra já decidida é que a transferência de ações representa transmissão de título de propriedade, nos t ermos do art. 9º da Lei 6.404/76. E que incorporação de ações é um instituto jurídico típico do Direito Societário com especificidades próprias tratadas no art. 252 da mesma Lei. Este CARF, através de sua CSRF, se posiciona no sentido de que a incorporação de ações constitui forma de alienação em sentido amplo (Acórdão nº 9202 00.662). Desta forma, no caso concreto, restou incontroversa a efetiva aquisição pela incorporadora (Cia Sat Participações) das ações da incorporada (Ale Combustíveis) e, posteriormente, a citada incorporadora, na condição de controladora, foi incorporada pela controlada, sua subsidiária integral, a qual passou a fazer jus à dedutibilidade do ágio verificado quando da aquisição desta empresa por aquela, na forma dos arts. 385 e 386 do RIR/99. Assim, a controvérsia tinha se resumido, por ocasião do julgamento do recurs o voluntário da ora Embargante, ao montante efetivo do ágio escriturado pela Cia Sat Participações em decorrência da aquisição de participação na Ale Combustíveis por intermédio de incorporação de ações. Fl. 28803DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 116 6 O laudo de avaliação de p. 691 a 753, que o valor de mercado das ações da Ale Combustíveis, no momento da incorporação, era de R$ 241.723.000,00 e não foi desqualificado pela autoridade fiscal. Mas a diferença para o valor patrimonial, que era de R$ 6.080.551,34, no importe de R$ 235.192.448,86, não foi considerado como ágio pago. Essa dúvida decorreu do fato que a fiscalização não teve, na ocasião, acesso a laudo de avaliação das novas ações emitidas pela Cia Sat a valor de merca do e, por essa razão, não aceitou o valor considerado na Ata da AGE da Cia Sat, de 03.07.2006. Ou seja, sem um laudo para amparar a entrega pela Ale Participações das ações da Ale Combu stíveis em troca das ações da Companhia Sat, não permitiria aferir o efetivo ágio pago na opera ção. Para a fiscalização, o ágio apontado de R$ 235.192.448,86 teve origem quando do lançamento das novas ações da Cia Sat Participações, quando esta adquiriu as ações da Ale Combustíveis. Neste momento, a Ale Participações entregou todas as ações da Ale Combustíveis, avaliadas em R$ 241.273.000,00 em troca de ações da Cia Sat Par, no valor de R$ 55.209.117,00, que foi o efetivo aumento de Capital Social da Cia Sat Participações. Assim, nos termos do art. 14, da Lei 6.404/76, para o caso de ações sem valor nominal, o preço de emissão das ações é fixado em assembléia geral, a qual decide se parte de seu valor será destinado à formação de reserva de capital, não havendo, na legislação, o estabelecimento de montante mínimo ou máximo a ser direcionada à referida reserva, cabend o à assembléia geral a decisão nesta parte. Para aferir o valor efetivamente pago, uma vez que não efetuado em numerár oo, mas em ações, a comprovação do pagamento demanda necessariamente tornase um pouco mais complexa e sujeita a ma maior subjetividade, fato considerado no acórd ão embargado. Desta forma, o valor patrimonial das ações existentes na Cia Sat Participações, antes do aumento de capital para a aquisição das ações da Ale Combustíveis era de R$ 1,00 para cada ação e esta foi a relação feita, na decisão embargada, que justificou a avaliação pelos sócios da Cia Sat Participações e, por conseguinte, pela assembléia geral, para o lastro econômicofinanceiro da operação. Nesse ponto há omissão a ser dirimida. O laudo de avaliação da Cia Sat Participações foi anexado ao feito pela Recorrente às p. 28656/28709, e, especificamente na p. 28706, foi apontado o valor de R$ 241.266.856,03 para a Cia Sat. Nessa perspectiva a questão posta em julgamento adquire novos subsídios elucidativos na medida em que a fiscalização entendeu que o valor fixado em assembléia geral estava amparado exclusivamente na vontade dos acionistas e, desta forma, não poderia ser levado em consideração; e a DRJ, por sua vez, entendeu que o valor do ágio seria a diferença entre os valores patrimoniais das ações “trocadas” –R$ 55.209.117,00 e R$ 6.080.551,34, ou seja, R$ 49.128.565,66, fato corroborado na decisão embargada, mas que, com a apresentação do laudo, passase a ter novos valores, quais sejam R$ 241.266.856,03 e R$ 6.080.551,34, o que redunda no reconhecimento de um ágio dedutível de R$ 235.186.304,69, o que praticamente zera os créditos tributários Fl. 28804DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 117 7 constituídos, na medida que em 120 meses o valor dedutível mensal seria de R$ 1.959.885,87, muito próximo ao utilizado pela Recorrente, ora Embargante, de R$ 1.959.937,07. Diante do exposto voto por julgar procedentes os presentes embargos conferindolhe, assim, efeitos infringentes para reformar a decisão antes proferida que ignorou o laudo constante dos autos. É como voto. (assinado digitalmente) Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira Declaração de Voto Conselheira Edeli Pereira Bessa Embora entenda que provas juntadas ao processo antes do julgamento devem ser examinadas pelo Colegiado, sua aceitação está condicionada ao que dispõe o Decreto nº 70.235/72: Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 28805DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 118 8 Considerando que a necessidade de apresentação do laudo em questão está apontada desde a acusação fiscal, e sua existência é pressuposto da operação que motiva o presente lançamento, restam excluídas as hipóteses previstas nas alíneas "b" e "c" do §4º acima transcrito, cumprindo perquirir da impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior. Na petição de fls. 28648/28652, a interessara se reporta aos questionamentos da autoridade lançadora acerca da ausência de apresentação do laudo de avaliação para a determinação do valor das novas ações emitidas pela Cia SAT, no ato da incorporação das ações da ALE Comubstíveis, e afirma ter provado o custo de aquisição pelos meios referidos. Contudo, mesmo entendendo ser desnecessária apresentação do referido laudo, a requerente continuou em busca do mesmo para que lograsse êxito em demonstrar, de todas as formas, a improcedência das alegações realizadas pela fiscalização, ressaltando que não agiu de máfé, até porque desconheceria a efetiva existência de referido documento. O laudo apresentado, por sua vez, está acompanhado de mensagens eletrônicas expedidas a partir de 13/05/2016, nas quais representante do setor jurídico da autuada solicita a representante da empresa avaliadora "segunda via da versão final do laudo de avaliação da Empresa Satélite Distribuidora de Combustíveis (SAT), emitida pela Avaliar em maio de 2006 registrada sob o nº EST 119/2006". Em 16/05/2016 o referido laudo é enviado à solicitante, e em 02/09/2016 (fl. 28647), no mês anterior ao julgamento realizado em 04/10/2016, o documento é juntado aos presentes autos. Nestes elementos não vislumbro qualquer referência a motivo de força maior que tenha impossibilitado a apresentação oportuna do documento. Em tais circunstâncias, a 1ª Turma da CSRF tem se manifestado contrariamente à admissão da prova extemporânea: JUNTADA DOCUMENTOS. FASE RECURSAL. IMPOSSIBILIDADE. Apenas é admitida juntada de documentos posteriormente à apresentação de Impugnação, nas hipóteses previstas no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Não demonstrada a ocorrência de uma daquelas hipóteses, não há como se conhecer prova juntada aos autos posteriormente. (Acórdão nº 9101002.774 Sessão de 6 de abril de 2017). PRECLUSÃO DE INSTÂNCIA. Ressalvados os casos expressos no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, não se pode admitir a prova trazida após a impugnação. (Acórdão nº 9101002.890 Sessão de 7 de junho de 2017). PRECLUSÃO. APRESENTAÇÃO DE DOCUMENTOS APÓS APRESENTAÇÃO DE RECURSO ESPECIAL. IMPOSSIBILIDADE. INTELIGÊNCIA DO ARTIGO 16 §4º DO DECRETO 70.235/72. Apenas há a permissão para juntada de documentos após a apresentação de impugnação se observados os requisitos do artigo 16, §4º do Decreto 70.235/72. No caso, foram juntados documentos após a apresentação do Recurso Especial pelo Contribuinte, sem a comprovação da ocorrência de uma das situações descritas na norma acima referida. (Acórdão nº 9101003.163 Sessão de 5 de outubro de 2017). Fl. 28806DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 119 9 No acórdão nº 9101002.890 foram analisadas ocorrências semelhantes às verificadas nestes autos, razão pela qual adoto os fundamentos lá expostos para declarar preclusa a prova aqui apresentada: Há que se reconhecer, assim, que: (i) as novas provas apresentadas em sessão de julgamento do CARF são inéditas e não meramente complementares e já se encontravam de poder da interessada por ocasião da lavratura do auto de infração, da apresentação da impugnação e da apresentação do Recurso Voluntária e não foram ofertadas nessas oportunidades; (ii) essas novas provas não tiveram por objetivo contrapor novos fatos ou novas razões de decidir adotadas pela turma julgadora de primeira instância, já que a fundamentação para a manutenção da glosa do ágio por aquela autoridade foi exatamente a mesma adotada pelo agente fiscal não comprovação da fundamentação econômica do ágio com base em expectativa de rentabilidade futura, por ausência de documentos contemporâneos ao surgimento do ágio. Definidas essas premissas resta determinar, agora, se é possível conhecer de novas provas em face da preclusão processual expressamente prevista no §4º do art. 16 e quais as implicações, no caso, de se admitilas, ou não. De se ressaltar que, na apreciação da prova, o julgador não é totalmente livre, uma vez que o Direito estabelece regras de fixação formal da prova que regulam a conduta do julgador. São as denominadas normas de natureza "instrumentalprocessual" e disciplinam os modos e as formas nos meios de prova no processo. Cumpre ao Direito Processual regular o modo de oferecimento das provas, o momento de sua produção, as regras de sua apreciação, regulando o momento para a produção de provas periciais e diligências, a preclusão temporal do Direito probatório, o rito de julgamento dos processos, etc. Também existem normas jurídicas que impõem formalidades, solenidades, cuja finalidade é estabelecer requisitos para a validade do ato ou fato jurídico que constitui o direito da parte e sua admissibilidade como prova. Desse modo, a validade das provas depende da obediência aos condicionantes formais estabelecidos pelo direito, vinculados ao procedimento de produção da prova. Por tais razões o desenvolvimento da atividade probatória está amplamente regulamentado, submetendo julgadores, partes e tribunais a regras processuais que condicionam a validade da decisão final do processo. Nesse sentido explica Marcos Vinicius Neder1: O Decreto nº 70.235/72, por exemplo, determina que as provas devem ser acostadas pelos sujeitos na fase inicial do processo. Na instrução do processo administrativo fiscal, que ocorre após o recebimento da impugnação pelo órgão julgador de primeira instância, podem ser produzidas novas provas por iniciativa do julgador ou por requerimento do contribuinte. [...]. Após esse momento, o contribuinte terá limitações a requerer ou produzir provas no processo. O parágrafo 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/72 institui uma regra de preclusão probatória para o andamento lógico do processo administrativo. Decerto, a adoção de uma informalidade absoluta, com direito à prova ilimitado, poderia levar a manipulações indesejáveis e à protelação injustificada de seu término. 1 in "A Prova no Processo Tributário" São Paulo 2010 Dialética, pg.22 Fl. 28807DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 120 10 Em que pese o apregoado informalismo em prol da verdade material, há que se reconhecer que o Processo Administrativo Fiscal prevê a concentração dos atos probatórios em momentos préestabelecidos, tanto no que diz respeito à instrução probatória por parte da Fazenda como por parte do contribuinte, estabelecendo se, assim, em caso de inobservância do momento adequado, a necessária preclusão. A preclusão não é sanção. Não advém de ato ilícito. Mas ela foi definida processualmente para se proteger o Estado da protelação injustificada como também para garantir tratamento isonômico entre os contribuintes. Nesse sentido, Marcela Cheffer Bianchini2: Sendo assim, o próprio devido processo legal manifesta princípios outros além do da verdade material. Como visto, o processo requer andamento, desenvolvimento, marcha e conclusão. A segurança e a observância das regras previamente estabelecidas para a solução das lides constituem valores igualmente relevantes no processo. E, neste contexto, o instituto da preclusão passa a ser figura indispensável ao devido processo legal, e de modo algum se revela incompatível com o Estado de Direito ou com direito de ampla defesa ou com a busca pela verdade material. Vale destacar que, a depender da situação, a norma aceita a apresentação de provas após a impugnação. Contudo, isso é possível desde que dentro das hipóteses previstas na lei. Moacyr Amaral dos Santos ensina3: [...] o que a lei visa, precipuamente, quando traça normas para apresentação de documentos, é vedar a ocultação deles na fase de integração da lide, quer dizer, na fase da formação da questão sujeita a debate das partes e sobre a qual deverá decidir o órgão judicial. O que a lei visa é afastar ou, ao menos reduzir a possibilidade de ficarem o Juiz e as partes à mercê de surpresas consistentes no aparecimento de documentos de que a parte, premeditadamente, guarde segredo para, ocasião propícia, quando não haja mais oportunidade para discussões e mais provas, oferecêlos em juízo. Devese observar que as justificativas comumente apresentadas para o entendimento de que ocorre afronta ao princípio da ampla defesa e da verdade material, quando não são apreciadas provas apresentadas após a impugnação, são de índole constitucional e, portanto, para afastar a aplicabilidade do parágrafo 4º do art. 16, do PAF, devese declarar a sua inconstitucionalidade, mas é proibido por lei aos órgãos administrativos de julgamento, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Além disso, é preciso interpretar a lei conforme a Constituição. Ora, quando a lei excepciona as hipóteses de que trata o §4º do art. 16, ela já está contemplando todos os casos em que, por motivos de força maior, a ampla defesa não pode ser exercida anteriormente. Por tudo o quanto exposto tenho plena convicção de que as provas complementares apresentadas pela pessoa jurídica, somente por ocasião da sessão de julgamento no CARF, por serem inéditas e se encontrarem de posse da interessada desde o curso do procedimento fiscal até a apresentação da impugnação, por violarem as disposições do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, são preclusas. (destaques do original) 2 Op. Cit, pg. 37 3 "Prova Judicial no Civil e Comercial", vol. 4, Max Limonad, São Paulo, 1972, p. 416 Fl. 28808DF CARF MF Processo nº 10469.723360/201362 Acórdão n.º 1402003.576 S1C4T2 Fl. 121 11 Para além disso, observo que não há elementos seguros no referido documento para afirmálo contemporâneo às operações realizadas em 2006. Em sustentação oral, a interessada apontou que a numeração do laudo (EST 119/2006) evidenciaria sua proximidade de avaliação semelhante juntada aos autos e, de fato, constato às fls. 691/774 que avaliação da outra empresa envolvida na operação (Ale Combustíveis S/A) apresenta estrutura semelhante à do documento agora apresentado, e numeração próxima (EST 108/2006). Contudo, nele consta assinatura dos avaliadores, inclusive com carimbo da Junta Comercial do Estado de Minas Gerais datado de 07/08/2006, referências inexistentes no laudo sob exame. Logo, ainda que fosse possível afastar a preclusão, não é possível confirmar a contemporaneidade necessária para afastar o óbice apontado na acusação fiscal e reafirmado no acórdão embargado, razão pela qual discordo da atribuição de efeitos infringentes aos embargos ora apreciados. (assinado digitalmente) Edeli Pereira Bessa Fl. 28809DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.100418/2009-24
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COMPROVADA. CONHECIMENTO.
O recurso especial deve ser conhecido quando comprovada a divergência jurisprudencial e a similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigma. Restando bem caracterizado o dissenso com relação ao mérito - reconhecimento da nulidade de ato administrativo e cerceamento do direito de defesa - deve ter prosseguimento o apelo especial.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009
DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA.
Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade.
Numero da decisão: 9303-007.657
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COMPROVADA. CONHECIMENTO. O recurso especial deve ser conhecido quando comprovada a divergência jurisprudencial e a similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigma. Restando bem caracterizado o dissenso com relação ao mérito - reconhecimento da nulidade de ato administrativo e cerceamento do direito de defesa - deve ter prosseguimento o apelo especial. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LÓTUS CALÇADOS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL COMPROVADA. CONHECIMENTO. O recurso especial deve ser conhecido quando comprovada a divergência jurisprudencial e a similitude fática entre os acórdãos recorrido e aqueles indicados como paradigma. Restando bem caracterizado o dissenso com relação ao mérito reconhecimento da nulidade de ato administrativo e cerceamento do direito de defesa deve ter prosseguimento o apelo especial. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DESPACHO DECISÓRIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS E FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. AUSÊNCIA DE NULIDADE E DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. Não há nulidade do despacho decisório proferido em pedido de compensação quando descreve detalhadamente os fatos e a motivação da glosa do crédito tributário pleiteado, além de indicar a fundamentação legal para o indeferimento do pleito. Satisfazendo os requisitos da legislação que rege os atos administrativos e ausente o prejuízo de defesa às partes, razão pela qual cumpriu o ato com a sua finalidade, não há de se falar em nulidade. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que não conheceu do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencida a conselheira Tatiana Midori Migiyama, que lhe negou provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 04 18 /2 00 9- 24 Fl. 223DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3401002.263, da 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, que deu provimento para anular o processo a partir do despacho decisório, consignando a seguinte ementa: ASSUNTO: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2009 a 31/03/2009 DESPACHO DECISÓRIO QUE DESCONSIDEROU NEGÓCIO JURÍDICO PRATICADO PELO CONTRIBUINTE. FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. NULIDADE. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal.” Irresignada, a Fazenda Nacional interpôs o Recurso Especial contra o r. acórdão, apresentando, em síntese, as seguintes alegações: · Segundo Despacho Decisório (por mera irregularidade denominado de “Auto de Infração”), a Fiscalização glosou o crédito tributário relativo à mão de obra fornecida pelas empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte, por entender que os segurados empregados registrados nas empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, ambas optantes pelo SIMPLES, na realidade deveriam estar registrados na Lotus Calçados Ltda.; · Nos termos do Despacho Decisório, os fatos apurados fundamentaram o entendimento de que a Lotus Calçados Ltda e os “fornecedores” Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte integram o mesmo grupo econômico, tendo sido a contratação das empresas na verdade simulada pela Lotus; · A capitulação errônea ou imprecisa do auto de infração, bem como a ausência de enquadramento legal (citação de norma jurídica), não são causas suficientes para provocar a nulidade do lançamento, ainda mais Fl. 224DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 4 3 quando o direito à ampla defesa foi exercido em sua plenitude, conforme previsão dos arts. 11, 59 e 60 do Decreto nº 70.235/72; · A copiosa jurisprudência desta Câmara Superior tem firmado o entendimento que se o contribuinte revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas ou, no caso, as razões do indeferimento do pedido de compensação, rebatendoas mediante extensa e substanciosa defesa, abrangendo não somente preliminares, mas também razões de mérito, mostrase incabível a declaração de nulidade de lançamento por cerceamento de defesa, devendo prevalecer os princípios da instrumentalidade e economia processual em lugar do rigor das formas; · Não há nulidade se o fato (simulação) é descrito no Despacho Decisório e posteriormente confirmado pela DRJ, bem como se o contribuinte demonstrar ter compreendido as razões do indeferimento. Em despacho de admissibilidade, foi dado seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional. Contrarrazões ao recurso foram apresentadas pelo sujeito passivo, que apresentou, dentre outros, os seguintes argumentos: · Em conformidade com a legislação vigente, o sujeito passivo fez jus a PIS e Cofins não cumulativos, resultantes de incentivo à exportação, razão pela qual formulou vários pedidos administrativos de ressarcimento relativos aos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2008 e 1º e 2º trimestre de 2009; · Não há como se comparar casos totalmente desconexos, considerando o recurso interposto; · O contribuinte tinha prazo para se defender e o fez com o que tinha em mãos; · A discussão travada nas defesas do contribuinte tinha por objetivo esclarecer a forma, a licitude e a idoneidade dos atos praticados, pois o contribuinte desconhece que tenha praticado qualquer ilegalidade; · Faltou no recurso apontar de forma clara e precisa em que parte do despacho decisório da glosa foi feita a capitulação legal – hoje preclusa por decadência. É o relatório. Fl. 225DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303007.655, de 21/11/2018, proferido no julgamento do processo 11065.001696/200908, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, quanto à admissibilidade do recurso e quanto ao mérito (Acórdão 9303007.655): "Admissibilidade A Fazenda Nacional, por meio do recurso especial, suscitou divergência jurisprudencial com relação à (a) nulidade do despacho decisório por falta de indicação de base legal quando a fundamentação é a simulação constatada pela Autoridade Fiscal; e (b) nulidade do ato fiscal por cerceamento do direito de defesa por falta de capitulação legal, quando o contribuinte demonstra em seus atos posteriores ter entendido os termos da acusação fiscal. Para comprovar o dissenso interpretativo, indicou como paradigmas os acórdãos n.º 3302 002.094 e 140100.329. Nos termos do despacho de admissibilidade s/n.º, de 25 de junho de 2015 (efls. 188 a 196), foi dado seguimento ao apelo especial, pois devidamente comprovada a divergência com relação às duas matérias. A fundamentação do ato decisório, com o qual concordou este E. Colegiado e que passa a integrar o presente voto, deuse nos seguintes termos, in verbis: [...] Trata este processo de pedido de ressarcimento do PIS nãocumulativa do 2º trimestre de 2009, com fundamento no §1o, do art. 5o, da Lei n° 10.637/02. A autoridade de jurisdição glosou o crédito relativo à mãodeobra fornecida pelas empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte por entender que essas empresas, apesar de serem formalmente empresas independentes, na verdade são do mesmo grupo econômico da Lótus Calçados Ltda (pleiteante do crédito) e que a separação dessas empresa é simulada. A DRJ em Porto Alegra/RS, após apreciar a contestação da contribuinte, manteve as glosas e o entendimento com a seguinte ementa: "PRESTAÇÃO DE SERVIÇO INEXISTÊNCIA MATERIAL E FACTUAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. DESCARACTERIZAÇÃO DA OPERAÇÃO GLOSA DOS CRÉDITOS FA VORÁVEISÀ CONTRIBUINTE. A realização de prestação de serviços quando a empresa encomendante e as empresas prestadoras de serviços são separadas formalmente, no papel, mas na realidade, de fato, inexiste separação, pois, materialmente, são e atuam como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando beneficios tributários, acarretando a ilegalidade da operação. Por conseguinte, a simulação gera a descaracterização da prestação de serviços por encomenda e a conseqüente glosa dos créditos favoráveis ao contribuinte gerados pela operação realizada de forma ilegal. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 6 5 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido". [...] O Colegiado do CARF que apreciou o recurso voluntário decidiu pela preliminar de nulidade do despacho decisório, pois entendeu que, "no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei n° 10.637/02). Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico." [...] 1º) Sobre a nulidade do despacho decisório por falta de indicação de base legal quando a fundamentação é a simulação constatada pela autoridade fiscal: Para comprovar o dissenso foram colacionados, como paradigmas, os Acórdãos nº 3302002.094 e 140100.329. Vejamos suas ementas, transcritas na parte de interesse ao presente exame: Processo n° 11065.722835/201147 Recurso n° Voluntário Acórdão n° 3302002.094 3a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 21 de maio de 2013 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO PIS E COFINS Recorrente FAZENDA TRADIÇÃO ALIMENTOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Exercício: 2008, 2009 INDUSTRIALIZAÇÃO POR ENCOMENDA. INEXISTÊNCIA MATERIAL DE SEPARAÇÃO ENTRE A ENCOMENDANTE E A PRESTADORA DE SERVIÇOS. SIMULAÇÃO. LANÇAMENTO. POSSIBILIDADE. Quando a empresa que industrializa "por encomenda" e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido. MULTA DE OFÍCIO. MAJORAÇÃO. Cobrase a multa de ofício majorada se estiverem presentes as circunstâncias qualificativas, nos termos da legislação tributária. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. Acórdão 140100.329 Processo n° 19515.000937/200445 Fl. 227DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 7 6 Recurso n° 174.370 Voluntário Acórdão n° 140100.329 4a Câmara / 1a Turma Ordinária Sessão de 02.09.2010 Matéria IRPJ Recorrente UNIVERSAL COMÉRCIO DE DROGAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 1999 OMISSÃO DE RECEITAS. OMISSÃO DE COMPRAS Caracteriza omissão de receitas a falta de registro de pagamento de compras, por presumir a existência prévia de omissão de vendas, gerando recursos para a aquisição de mercadorias sem seu registro contábil. OMISSÃO DE RECEITA. PASSIVO FICTÍCIO. A falta de comprovação de valores mantidos no passivo enseja à presunção de que houve omissão das receitas correspondentes. COFINS 1/3. COMPENSAÇÃO COM A CSLL A compensação de 1/3 da COFINS com a CSLL somente era admitida quando houvesse o efetivo pagamento daquela contribuição social. ENQUADRAMENTO LEGAL INCORRETO O erro na capitulação legal ou mesmo a sua ausência não acarreta a nulidade do auto de infração quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma ampla das imputações que lhe foram feitas. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, afastar a preliminar de nulidade e negar provimento ao recurso." (Grifos no recurso) O Acórdão recorrido decidiu pela nulidade do despacho decisório por entender que faltoulhe fundamento legal para ele desconsiderar os negócios realizados entre a contribuinte as terceirizadas. É nulo o despacho decisório que desconsidera negócio jurídico praticado pelo contribuinte sem apontar o fundamento legal. A esse respeito, ele trouxe o seguinte argumento: "...no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei n° 10.637/02)." "Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração." "Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico." "O cerceamento de defesa ficou ainda mais evidenciado, quando a Recorrente optou por se defender do Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, que autoriza a desconsideração dos negócios jurídicos praticados com intuito de dissimulação, mas a DRJ considerou que no caso não se aplica o Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, mas sim o art. 149, inciso VII, também do CTN. Esse fato demonstra Fl. 228DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 8 7 claramente que a falta de fundamento para a desconsideração do negócio jurídico entre a Recorrente e a terceirizada prejudicou na defesa da Recorrente." "Além disso, a falta de fundamentação no despacho decisório e no relatório fiscal faz com que qualquer fundamentação legal utilizada nos julgamentos posteriores (DRJ e CARF) configurem inovação de fundamento, por utilização de norma não ventilada pela delegacia de origem, como ocorreu, no presente caso, quando a DRJ utilizou o art. 149, inciso VII, do CTN, para fundamentar a desconsideração do negócio jurídico." "Com isso, por estar presente o cerceamento de defesa, devem ser declarados nulos os atos praticados desde o relatório fiscal, para que os autos retornem à delegacia de origem, para retificação da fundamentação da delegacia de origem, para que ela aponte em qual norma se apóia para descaracterizar os negócios jurídicos praticados entre a Recorrente e as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte." (GRIFOS NOSSOS) Por sua vez, o Acórdão paradigma, para sua decisão, se fundamenta em entendimento divergente. Ele afirma que a fundamentação jurídica conforme art. 3º, § 2º, inciso I das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003 somada a descrição fática da simulação é suficiente para afastar a preliminar de nulidade por falta de capitulação legal da desconsideração dos negócios. Quando a empresa que industrializa "por encomenda" e a encomendante são formalmente distintas e, de fato, inexiste tal separação, atuando como uma única entidade, caracteriza simulação de atos visando benefícios tributários e enseja o lançamento do crédito tributário não recolhido. Para demonstrar sua alegação a recorrente traz excerto do Acórdão paradigma em que essa correspondência e conclusão ficariam evidentes: "Conforme consta do Relatório Fiscal, a empresa recorrente e as empresas Skippi Alimentos e Segma Participações pertencem à família Sérgio Luiz Kehl (pai, filhos e esposa), cujas participações societárias foram ajustadas de acordo com os interesses do Sr. Sérgio Luiz Kehl, o verdadeiro proprietário dessas empresas, com o fito de manter a Skippi (encarregada da produção) no SIMPLES e a recorrente (encarregada da comercialização) no regime não cumulativo do PIS e da Cofins, tomando crédito das exações em alíquota superior a efetivamente paga pela Skippi nas receitas faturadas contra a Fazenda Tradição." "Em sede de preliminar, a recorrente alega que no auto de infração não existe fundamentação legal e, também, inexiste pressupostos da relação empregatícia, o que enseja a nulidade do lançamento." "Enganase a recorrente porque tanto no corpo do Auto de Infração como no Relatório Fiscal consta a fundamentação legal a que se refere o art. 10 do Decreto n° 70.235/72 e, também, ficou sobejamente provado a transferência de empregados da recorrente para empresa Skippi, conforme muito bem fundamentou a decisão recorrida." "Isto posto, voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade da decisão recorrida e do lançamento e ratifico a decisão do acórdão recorrido que rejeitou as preliminares suscitadas pela empresa interessada em sua impugnação." Quanto ao mérito, melhor sorte não tem a recorrente. (...)" (Grifos no recurso) Com essas considerações, concluo que a divergência jurisprudencial foi comprovada. Fl. 229DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 9 8 2º) Sobre a nulidade do ato fiscal por cerceamento do direito de defesa por falta de capitulação legal, quando o contribuinte demonstra em seus atos posteriores ter entendido os termos da acusação fiscal. Para comprovar o dissenso foram colacionados os mesmos Acórdãos paradigmas analisados na matéria anterior neste despacho, razão por que deixo de duplicar a reprodução de suas ementas, uma vez que já transcritos acima. O Acórdão recorrido defende a tese que há cerceamento de defesa com a falta de indicação da fundamentação legal do fato imputado pela acusação fiscal. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico. A esse respeito, ele trouxe o seguinte argumento: "... no despacho decisório propriamente dito , a autoridade fiscal apontou somente o fundamento legal que dispõe que o pagamento de mãodeobra à pessoa física não gera crédito do PIS (art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei n° 10.637/02). Todavia, os pagamentos pela mãodeobra foram realizados às terceirizadas. Esse negócio jurídico a autoridade fiscal desconsiderou, por entender ser simulado, mas não apontou qual o fundamento legal que autoriza essa desconsideração. Nesse caso, a falta de indicação do fundamento legal gera o cerceamento de defesa, haja vista que a Recorrente não sabe de qual norma a autoridade fiscal estava se apoiando para desconsiderar o negócio jurídico. O cerceamento de defesa ficou ainda mais evidenciado, quando a Recorrente optou por se defender do Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, que autoriza a desconsideração dos negócios jurídicos praticados com intuito de dissimulação, mas a DRJ considerou que no caso não se aplica o Parágrafo Único, do art. 116, do CTN, mas sim o art. 149, inciso VII, também do CTN. Esse fato demonstra claramente que a falta de fundamento para a desconsideração do negócio jurídico entre a Recorrente e a terceirizada prejudicou na defesa da Recorrente. Além disso, a falta de fundamentação no despacho decisório e no relatório fiscal faz com que qualquer fundamentação legal utilizada nos julgamentos posteriores (DRJ e CARF) configurem inovação de fundamento, por utilização de norma não ventilada pela delegacia de origem, como ocorreu, no presente caso, quando a DRJ utilizou o art. 149, inciso VII, do CTN, para fundamentar a desconsideração do negócio jurídico. Com isso, por estar presente o cerceamento de defesa, devem ser declarados nulos os atos praticados desde o relatório fiscal, para que os autos retornem à delegacia de origem, para retificação da fundamentação da delegacia de origem, para que ela aponte em qual norma se apóia para descaracterizar os negócios jurídicos praticados entre a Recorrente e as empresas Adão Acker e Solange Regia Moraes Matte. (GRIFOS NOSSOS) Mas o Acórdão paradigma n.º 140100.329 traz tese divergente, ao desenvolver o raciocínio e concluir que a falta de fundamentação legal da acusação fiscal não deve ser causa de nulidade por cerceamento de defesa quando o contribuinte demonstra entender o fato que lhe é imputado. O Acórdão paradigma afirma: a ausência de capitulação legal não é motivo para nulidade do auto de infração, caso o contribuinte tenha entendido os termos da acusação fiscal ou, no caso, do indeferimento do direito creditório. [...] Fl. 230DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 10 9 Portanto, restou devidamente comprovada a divergência jurisprudencial com relação aos dois itens contra os quais se insurgiu a Fazenda Nacional, merecendo prosseguimento o recurso especial. Mérito No mérito, não obstante os bem lançados argumentos trazidos pela Nobre Conselheira Relatora, entendeu este Colegiado por dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, afastandose a declaração de nulidade do despacho decisório com base na falta de indicação de base legal e cerceamento do direito de defesa por falta de capitulação legal. O presente processo tem origem em pedido de compensação de COFINS do regime nãocumulativo efetuado pela Contribuinte, com fulcro no art. 6º, §1º, da Lei n.º 10.833/2003, transmitido em 23/07/2009, buscando compensarse do crédito relativo aos serviços de industrialização por encomenda contratados com pessoa jurídica, caracterizandose como insumos que geram direito a crédito das contribuições do PIS e da COFINS nãocumulativas. Nos termos do Despacho Decisório (efls. 61 a 69), em verificação fiscal efetuada junto à empresa foi constatado pela Fiscalização serem indevidos os créditos tributários dos quais pretendia a mesma verse compensada, pois eram relativos à mãodeobra fornecida pelas pessoas jurídicas ADÃO ACKER e SOLANGE REGIA MORAES MATTE, ambas no regime do Simples Nacional, cujos empregados, segundo entendimento da Autoridade Fiscal, deveriam estar registrados na LOTUS CALÇADOS LTDA. A Autoridade Fiscal afirmou ter havido a ocorrência de simulação na contratação das pessoas jurídicas, a partir da conclusão de que as empresas fornecedoras de mãodeobra integram o mesmo grupo econômico da Lotus Calçados Ltda, por isso foi efetuada a glosa dos valores pretendidos compensar pelo Sujeito Passivo. Na elaboração do despacho decisório, houve a descrição suficiente dos fatos e fundamentos que levaram à glosa, dos quais são transcritos os principais excertos, in verbis: [...] 3.1. Glosa de Créditos Relativos à MãodeObra: Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte Constatamos, no decorrer da ação fiscal, que no período de janeiro de 2008 a junho de 2009 o contribuinte teve como maiores fornecedores de mãodeobra as empresas Adão Acker, CNPJ n° 04.321.383/000150 e Solange Regina Moraes Matte, CNPJ n° 07.334.298/000115, conforme demonstrado no quadro a seguir: [...] Em tese, por terem sido prestados por pessoas jurídicas domiciliadas no país, esses insumos e serviços de industrialização configuram operação com direito ao crédito das contribuições na sistemática da nãocumulatividade. No entanto, examinando mais detalhadamente essas operações, verificamos que, embora regularmente constituídas, estas fornecedoras não são, de fato, pessoas jurídicas independentes. Vários indícios nos levaram à conclusão de que estas, juntamente com a Lotus Calçados, formam o mesmo grupo econômico, conforme demonstraremos no decorrer do presente relatório. Fazse necessário informar que, recentemente, o estabelecimento do contribuinte esteve sob ação fiscal da RFB relativamente às contribuições previdenciárias (período: janeiro de 2004 a dezembro de 2008), da qual resultou na emissão do Auto de Infração (parte Patronal) constante do processo administrativo n° Fl. 231DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 11 10 11065.001415/200917. Conforme relatório do Auto de Infração, o AFRFB concluiu que os segurados empregados registrados nas empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, ambas optantes pelo SIMPLES, na realidade deveriam estar registrados na Lotus Calçados Ltda. Deste modo, o auditor caracterizou os empregados das empresas optantes pelo SIMPLES como segurados vinculados à Lotus Calçados. O fato desses empregados não estarem informados nas Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia Por tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP da Lotus originou a emissão pelo o auditor de Representação Fiscal Para Fins Penais, constante dos processos administrativos n° 11065.001426/200999 e n° 11065.001427/200933, tendo em vista que a conduta do contribuinte, em tese, configura a prática de ilícito previsto nas legislações previdenciária e penal. A seguir faremos a exposição dos fatos observados na presente ação fiscal e que fundamentaram o entendimento de que a Lotus Calçados Ltda juntamente com os seus "fornecedores" Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte na verdade formam o mesmo grupo econômico. a) Mesma Localização Visitando os endereços dessas empresas, chegamos a conclusão que a Lotus Calçados Ltda e Adão Acker funcionam no mesmo local, apesar dos diferentes logradouros informados em seus cadastros junto à RFB, e que o endereço da empresa Solange Regina Moraes Matte tratase de uma residência, conforme demonstraremos a seguir: . Lotus Calçados Ltda e Adão Acker Apesar de estabelecidas em endereços distintos, a primeira na Av. Senador Alberto Pasqualini, 90 (A) e a outra na Rua Saldanha da Gama, 511 (B), na realidade elas têm comunicação pelos fundos. A Lotus é a única que demonstra através de sua fachada ser um estabelecimento comercial, no entanto não apresenta nenhuma placa de identificação. Está localizada numa avenida de movimento, por tratarse de uma saída da RS239. Já a Adão Acker está estabelecida numa rua bem tranqüila. Também não havia identificação com placas da empresa Adão Acker e no número constante havia uma propriedade que parecia ser um galpão, estoque ou até mesmo acesso para a empresa Lotus. Essa ligação entre as empresas pode ser evidenciada através do mapa abaixo extraído do site http://maps.google.com.br/. [...] . Solange Regina Moraes Matte, Rua Américo Vespúcio, 59 Bairro Santa Fé em Sapiranga chegando nesse endereço constatamos tratarse de uma grande residência. Abordamos uma moradora de uma casa de frente que declarou o seguinte: "...é uma residência e o dono pelo que eu saiba é proprietário de empresa no Centro de Sapiranga...". Obtivemos, através de dados constantes nos sistemas informatizados da RFB, a informação de que a propriedade constante no endereço acima, apontada como sendo o domicílio da empresa Solange Regina Moraes Matte, na realidade é uma residência e de propriedade do Sr. Ethevaldo Arthur Konrath, CPF n° 022.763.64068, sócioadministrador da Lotus Calçados Ltda, informação esta que vem corroborar a prestada por aquela moradora. Vale esclarecermos, que a Srª Solange Regina Moraes Matte, CPF n° 478.949.03000 figura como empresária da referida empresa, cuja razão social é o seu próprio nome e além disso é esposa do Sr. Lauro Henrique Matte, CPF n° 211.995.31049, administrador e preposto da Lotus Calçados Ltda. b) Mesmo Contador Consta nas DIPJ entregues à RFB no exercício de 2008, o Sr. Fabrício Ardi Werb, CPF n° 751.694.60015, como contador das empresas Lotus, Adão Acker e Solange. c) Migração de Funcionários da Lotus Para a RecémConstituída Adão Acker Analisando a GFIP declarada pela Lotus na competência mar/2001 e a declarada pela Adão Acker na competência abr/2001, percebemos que ocorreu uma migração Fl. 232DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 12 11 dos funcionários da Lotus para a recémconstituída Adão Acker. O quadro abaixo demonstra que quando da criação da Adão Acker, dos 26 novos empregados contratados por ela, 15 eram oriundos da Lotus. [...] d) Empresário da Adão Acker é Exfuncionário da Lotus O Sr. Adão Acker, CPF n° 269.109.18053, figura como empresário desta recémcriada empresa (do item anterior), cuja razão social é o seu próprio nome. Curiosamente, o Sr. Adão Acker foi funcionário da Lotus Calçados, tendo sido demitido em 30/03/2001. Na competência seguinte ao seu desligamento, a sua nova empresa declarou fato gerador para Previdência Social, através da GFIP, na qual, além de seu nome, constavam os dos 15 exfuncionários da Lotus. e) Rodízio de Empregados nas Empresas Optantes Pelo SIMPLES Outro fato que também nos chamou atenção e vem corroborar nossa convicção de tratarse de grupo econômico, foi que os segurados relacionados abaixo, pertenceram, em momentos distintos, ao quadro de empregados da empresa Adão Acker e ao da Solange Regina Moraes Matte: [...] f) Emissão de Notas Fiscais Sequenciais No período analisado as empresa Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte emitiram notas fiscais em ordem seqüencial e exclusivamente para a Lotus, conforme quadros ilustrativos abaixo, extraídos das informações constantes no livro Registro de Entradas entregue em meio digital pelo contribuinte à fiscalização; g) Ausência de Patrimônio das Terceirizadas Através de Intimação, a auditoria anterior obteve declaração das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte de que as mesmas não possuíam bens de sua propriedade, o que confirmamos ao analisar a contabilidade dessas empresas. Não há registro de qualquer ativo permanente nas empresas em questão, o que vem a ser bastante incomum para uma empresa que presta um serviço para terceiros de industrialização por encomenda. Adicionalmente, analisando as informações constantes no livro Razão dessas empresas não constatamos nenhum lançamento que denotasse custos com a produção e/ou manutenção do parque fabril, somente valores pagos à mão de obra. h) Movimentação Financeira Baixa e Dependência de Aportes Financeiros A auditoria anterior constatou no exame da contabilidade das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte diversas operações com o Sr. Ethevaldo Arthur Konrath, CPF n° 022.763.64068, sócioadministrador da Lotus Calçados. Segundo relato do auditor, essas operações ocorriam "através de empréstimos com notas promissórias tentando viabilizar o Caixa das empresas". A seguir demonstraremos tais lançamentos, os quais foram extraídos do livro Razão das respectivas empresas: [...] Apesar de a empresa Adão Acker ter fornecido serviços para a Lotus Calçados num total de R$ 592.477,00 em 2008 e de R$ 393.690,00 no 1º semestre de 2009, em consulta aos sistemas informatizados da RFB verificamos que não consta movimentação financeira para a empresa Adão Acker no anocalendário 2008 e 1" semestre de 2009. Já em relação a empresa Solange Regina Moraes Matte constatamos que no período fiscalizado só ocorreu movimentação financeira no 2° semestre de 2008, num total de apenas R$ 10.432.42. Valores não compatíveis com o montante de R$ 1.249.110,00 de fornecimento de serviços para Lotus Calçados no anocalendário 2008 e de R$ 972.914,40 no 1º semestre de 2009. i) Pagamento em Dinheiro dos Serviços Prestados Pelas Empresas Adão e Solange Atendendo a solicitação do Termo de Intimação n° 001, a empresa Lotus apresentou as seguintes notas fiscais: [....] Fl. 233DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 13 12 A Lotus não conseguiu efetivamente comprovar o pagamento de cada uma dessas notas fiscais, informando apenas que tais pagamentos, em valores bastante expressivos, se deram através de dinheiro. Juntou simples recibos desses pagamentos e apresentou extratos bancários da conta corrente 5240X da Agência 653X do Banco do Brasil, onde identificou os valores sacados em espécie para o pagamento dessas notas. Curiosamente, no histórico do lançamento desses saques consta a informação "Folha de Pagamento". Tal fato fortalece a tese de que essas "prestações de serviços" nada mais eram do que a folha de pagamento da Lotus disfarçada. Não há nenhuma informação no histórico de tratarse de pagamento de prestação de serviços. 4. Conclusão Fica evidente que ao longo de suas existências, tanto a empresa Adão Acker, quanto a Solange Regina Moraes Matte receberam aportes financeiros da Lotus Calçados, demonstrando sua dependência econômica e reforçando os indícios de que juntas formam um grupo econômico. Do acima exposto, fica evidente que ocorreu apenas uma "contratação" simulada pela Lotus das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte em lugar dos seus próprios funcionários. Desta forma, a Lotus vem obtendo o benefício do ingresso de sua mãodeobra no sistema de tributação SIMPLES, reduzindo por conseguinte sua carga tributária previdenciária e ainda usufruindo do benefício do creditamento das contribuições para o PIS/PASEP e da COFINS relativamente aos serviços de industrialização por encomenda, os quais são insumos que geram direito a crédito quando contratados com pessoa jurídica. Cabe lembrar que o benefício do crédito das contribuições para o PIS/Pasep e COFINS não contempla mãodeobra paga à pessoa física (folha de salários), conforme disposição expressa constante no artigo 3º , §2°, inciso I, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03, vedação essa que não ocorre com serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país (artigo 3o , § 3o , inciso I, das Leis n° 10.637/02 e 10.833/03). Tendo em vista todos os fatos e provas acima relatados, concluímos que os supostos serviços de industrialização por encomenda prestados pela Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte são na realidade os custos relativos à própria folha de pagamento da Lotus Calçados Ltda. Restou claro que as duas constituemse em parte da Lotus, formando uma única empresa. Sendo assim, o contribuinte não pode se creditar das contribuições em relação aos serviços de mãodeobra, por expressa vedação legal ao creditamento sobre a folha de salários (mãodeobra paga a pessoa física). Base Legal: Leis s n° 10.637/02 e 10.833/03, artigo 3o , § 2o; [...] Concluindo a análise, fazse necessário desconsiderar os serviços de industrialização por encomenda prestados pelas empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte para efeito de cálculo de créditos das contribuições. Abaixo, listamos os totais mensais, agrupados por trimestre e anocalendário, da aquisição desses serviços e a respectiva glosa efetuada (em R$): [...] Depreendese do relato dos fatos e da fundamentação do despacho decisório os motivos determinantes para a glosa dos créditos tributários pretendidos compensar pela Contribuinte, assim como o fato de as empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes dependerem economicamente da Lótus Calçados, fizeram com que a Autoridade Fiscal entendesse pela ocorrência de simulação na contratação da prestação de serviço de mãode Fl. 234DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 14 13 obra, e pela impossibilidade de lhe serem conferidos os créditos de PIS e COFINS não cumulativos. No decorrer do processo administrativo, a empresa requereu a reversão da glosa por meio da apresentação de manifestação de inconformidade e de recurso voluntário, sendo que na primeira restou claro ter compreendido a motivação do indeferimento do pedido de compensação, conforme se verifica do relato dos fatos empreendido na peça (efls. 88 a 91) e no próprio pedido de reforma do ato administrativo, in verbis: " [...] Diante de todo o exposto, demonstrada a insubsistência do Despacho Decisório DRF/NHO/2010, requer seja acolhida a presente Manifestação de Inconformidade e reformada a Decisão, reconhecendo a procedência do pedido em relação ao item acima relacionado, mantendose a terceirização da mão de obra, por medida de inteira Justiça" (grifouse). Ao apreciar a manifestação de inconformidade da Contribuinte, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre (RS) afastou as preliminares de falta de fundamentação legal do despacho decisório e cerceamento do direito de defesa, julgando procedente o lançamento, consoante Acórdão n.º 1031.495, da 2ª Turma da DRJ/POA, de 20 de maio de 2011 (efls. 129 a 139). Pela clareza da abordagem do tema, entendese pertinente a transcrição dos argumentos do decisum em referência para afastar as alegações de nulidade do despacho decisório, in verbis: [...] Partindo dos pressupostos acima, vamos analisar o litígio que glosou os créditos fiscais da contribuição decorrente das notas fiscais de venda de serviços das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, amplas optantes do SIMPLES, do período em apreço nos autos, pois estas seriam uma forma simulada da contribuinte (Lótus Calçados Ltda) de se beneficiar de mãodeobra como geradora de créditos fiscais, haja vista que os empregados destas (Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte) deveriam ser registrados como empregados da contribuinte, contrariando a legislação que proíbe o crédito sobre mãode obra. Para tanto, a DRF de origem partiu dos seguintes fatos/indícios para chegar a conclusão/presunção, conforme documento fiscal de fls.57/65, da simulação cometida em benefício da contribuinte: 1) a empresa Adão Acker tinha localização no mesmo local da contribuinte, pois os imóveis tem comunicação pelos fundos dos terrenos em que estão situadas, enquanto que a empresa Solange Regina Moraes Matte tem como local uma residência num imóvel de propriedade do sócioadministrador da contribuinte, sendo que está última tem como empresária, de mesmo nome da empresa, a esposa do administrador e preposto da contribuinte; 2) todas as empresas (Lótus Calçados Ltda, Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte) tem o mesmo contador; 3) a empresa Adão Acker, tem como empresário e fundador o sr. Adão Acker, que foi exempregado da contribuinte, tendo sido demitido em 30 de março de 2001 e iniciado as atividade da empresa em abril de 2001; 4) houve a migração de 15, do total de 26 empregados contratados, empregados demitidos da contribuinte, em 30/03/2001, para a, recém constituída, empresa Adão Acker, em 02/04/2001; 5) houve rodízio de vários empregados da empresa Adão Acker para a empresa Solange Regina Moraes Matte, demonstrando a conexão entre elas; 6) ocorreu a emissão seqüencial de notas fiscais de prestação de serviço das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, abordando vários meses, para a contribuinte, demonstrando que a contribuinte, em alguns meses, foi a única cliente das empresas; Fl. 235DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 15 14 7) inexistência de patrimônio das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, nem apresentação, no livro Razão, de custos com a produção ou manutenção, tendo somente valores pagos de mãodeobra; 8) as empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte tem baixa movimentação financeira e dependência de aportes financeiros, através de empréstimos do sócio administrador da contribuinte, sendo que apesar de prestar os supostos serviços para a contribuinte em valores elevados, não consta nos sistemas de controle da RFB movimentação financeira para o anocalendário de 2008 e I o trimestre de 2009, no caso da empresa Adão Acker, e somente no 2o semestre de 2008 e em baixo valor para a empresa Solange Regina Moraes Matte; 9) os pagamentos de notas fiscais de serviços da empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte pela contribuinte foram em dinheiro, apesar de serem de alto valor, sendo que o lançamento na contabilidade da contribuinte deste pagamentos (saques bancários) constava a informação "folha de pagamento", demonstrando que os pagamentos não eram dos serviços, mas da folha de pagamento destas empresas realizadas pela contribuinte. Além disso, os serviços das duas empresas somadas eram, na maior parte dos meses, a maioria dos serviços utilizados como insumo pela contribuinte no período de janeiro de 2008 a junho de 2009. Enfim, um conjunto robusto de fatos/indícios apontados pela DRF de origem para a conclusão/presunção da contratação simulada pela empresa Lótus Calçados Ltda das empresas Adão Acker e Solange Regina Moraes Matte, em lugar de seus próprios funcionários, de modo a gerar benefícios tributários das contribuições de PIS e Cofins nãocumulativas. Em sua defesa, a contribuinte começa apresentando a preliminar de falta de fundamentação do Despacho Decisório, acarretando cerceamento do direito de defesa. O documento fiscal de fls. 57/65 indica a fundamentação legal que impede a utilização da mãodeobra como insumo para gerar créditos da contribuição (art.3°,§2°, inciso I das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003), que fundamentou o Despacho Fiscal, sendo que este também cita a norma que regula a contribuição para fundamentar o deferimento parcial do pedido devido a glosa realizada. Logo, não houve falta de fundamentação da glosa, muito menos cerceamento de defesa, pois a contribuinte apresenta defesa de mérito, contestando as conclusões da DRF, de forma a demonstrar perfeito entendimento dos fatos que lhe foram imputados. [...] De outro lado, as nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal são tratadas nos artigos 59 e 60 do Decreto n.º 70.235/72, segundo os quais somente serão declarados nulos os atos na ocorrência de (a) ato ou decisão lavrado ou proferido por pessoa incompetente ou do qual (b) resulte inequívoco cerceamento do direito de defesa à parte, in verbis: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. Fl. 236DF CARF MF Processo nº 11065.100418/200924 Acórdão n.º 9303007.657 CSRFT3 Fl. 16 15 § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio. (grifouse) A declaração de nulidade dos atos administrativos encontrase relacionada com o princípio do prejuízo. Se não houver prejuízo às partes pela prática de determinado ato no qual se tenha considerado haver suposta irregularidade ou não observância da forma, não há de se falar na sua invalidação, ainda mais quando cumprida a sua finalidade. No caso dos autos, houve a completa descrição dos fatos que levaram à Fiscalização a concluir pela ocorrência de simulação e a indicação da capitulação legal para a glosa dos créditos pretendidos compensar pela Contribuinte. A assertiva resta evidenciada nas defesas apresentadas pela empresa, que demonstrou ter plena compreensão dos fatos que lhe estavam sendo imputados. Além disso, houve a indicação da motivação pela qual a autoridade fiscal desconsiderou o negócio jurídico relativo aos pagamentos de mãodeobra terceirizada, qual seja, a ocorrência de simulação, e, além disso, apontou o dispositivo que impede a tomada de créditos tributários de COFINS decorrentes de pagamentos efetuados a pessoas físicas. Portanto, presente a fundamentação legal do despacho decisório e inexistente o cerceamento do direito de defesa da Contribuinte, pertinente a reforma do acórdão ora recorrido para se declarar a validade do despacho decisório. Tendo em vista que o mérito do crédito tributário pleiteado não foi analisado pelo Coelgiado a quo, impõese o retorno dos autos para apreciação das matérias de mérito. Dispositivo Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional, para declarar válido o despacho decisório e determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para análise das alegações de mérito do recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado deulhe provimento, para declarar válido o despacho decisório e determinar o retorno dos autos ao Colegiado a quo para análise das alegações de mérito do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 237DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.905682/2008-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003
DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO.
Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972).
Numero da decisão: 3201-004.615
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira.
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RESTITUIÇÃO Recorrente CELULAR CRT SOCIEDADE ANONIMA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DESCUMPRIMENTO DE DILIGÊNCIA. INTIMAÇÃO DA CONTRIBUINTE. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA NOVA DECISÃO. Os autos devem retornar à unidade de origem, quando não se promove a intimação do contribuinte, por solicitação da própria DRJ, sobre o resultado de diligência fiscal por ela determinada (art. 59, II, do Decreto nº 70.235/1972). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que se prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada em substituição ao conselheiro Leonardo Correia Lima Macedo), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior, Vinicius Guimarães (suplente convocado em substituição ao conselheiro Paulo Roberto AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 90 56 82 /2 00 8- 88 Fl. 193DF CARF MF 2 Duarte Moreira). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Leonardo Correia Lima Macedo e Paulo Roberto Duarte Moreira. Relatório A interessada apresentou pedido de restituição de PIS, cumulado com compensação de débito próprio, com origem no período de apuração de março de 2003. Por bem retratar os fatos constatados nos autos, passamos a transcrever o Relatório da decisão de primeira instância administrativa: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra despacho decisório eletrônico emitido pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre que não homologou a Declaração de Compensação (Dcomp) 03969.87086.111104.1.7.046043 (em destaque a data de transmissão – fls. 37 a 411). Na Dcomp, a empresa informa crédito, no valor de R$ 115.035,35, decorrente de pagamento indevido ou a maior de PIS cumulativo referente ao período de apuração 03/2003, arrecadado no valor total de R$ 604.713,87. O despacho decisório (fl. 42) aponta como motivo para a não homologação da compensação a inexistência de crédito, uma vez que o pagamento efetuado por meio do DARF indicado já teria sido integralmente utilizado para quitar débito confessado pelo próprio contribuinte em DCTF. Em 28/08/2008, a interessada apresenta manifestação de inconformidade (fls. 02 a 41). Alega que ocorreu erro nos valores informados em DCTF e Dcomp. Esclarece que o período de apuração do crédito seria 02/2003, tendo equivocadamente informado o mês pela data de vencimento, em março. Indica que a base de cálculo e o correto valor apurado encontramse na DIPJ, apresentando como comprovação a declaração retificadora entregue em 2006 (fls. 20 e 21). Na DIPJ, é informado o valor devido de PIS cumulativo para 02/2003 de R$ 565.772,85. Explica que o indébito advém de dois pagamentos efetuados para o período, de R$ 658.671,26 e R$ 22.136,96. Argumenta que a declaração de compensação não pode prevalecer em relação às informações contidas na contabilidade da empresa. Cabe ao Fisco verificar o substrato fático que ampara o crédito, sendo insuficiente a verificação exclusiva por processamento eletrônico. Considera comprovada a legitimidade do indébito, requerendo ser reformado o despacho para reconhecimento do crédito e homologação da compensação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Londrina (DRF/LON, fl. 44) atesta a tempestividade da manifestação de inconformidade e encaminha para apreciação de DRJ. Contudo, em face da divergência entre declarações prestadas e da insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em Dcomp, a DRJ/POA decidiu encaminhar o processo em diligência à DRF jurisdicionante (fl. 47) para providenciar a análise envolvendo a demonstração e composição da base de cálculo e a apuração do PIS cumulativo referente ao período de apuração 02/2003, com a sua comprovação junto à empresa por Fl. 194DF CARF MF Processo nº 11080.905682/200888 Acórdão n.º 3201004.615 S3C2T1 Fl. 194 3 meio de documentos contábeis e/ou fiscais, devendo a DRF pronunciarse a respeito da apuração realizada. Na então unidade da jurisdição da empresa, DRF em Porto Alegre (DRF/POA), a empresa foi intimada por auditorfiscal da RFB para apresentar a documentação (fl. 48). Em resposta, a empresa apresentou a manifestação de fls. 58 a 104, indicando que os livros contábeis encontramse à disposição da fiscalização e que não localizou o balancete analítico requisitado, tendo em vista tratarse de documento muito antigo (mais de 10 anos), solicitado quando já não mais estava obrigada a conservar os documentos de comprovação fiscal, conforme art. 37 da Lei 9.430/96. Através da Informação Fiscal DRF/POA/SEORT/PJ (fls. 105 a 107), são prestadas as informações à DRJ, concluindose que não foi possível a comprovação do direito creditório, uma vez que o contribuinte não apresentou o solicitado. O processo retornou à DRJ. É o relatório. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Porto Alegre julgou improcedente a manifestação de inconformidade, proferindo o Acórdão DRJ/POA n.º 1056.896, de 01/06/2016 (fls. 112 e ss.), assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/2003 a 31/03/2003 DIREITO CREDITÓRIO. CERTEZA E LIQUIDEZ. A restituição e/ou compensação de indébito fiscal com créditos tributários está condicionada à comprovação da certeza e liquidez do respectivo indébito. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a contribuinte apresentou, no prazo legal, recurso voluntário (arquivo não paginável), por meio do qual alega, no que interessa ao deslinde do litígio, a nulidade do acórdão recorrido, com fundamento nas seguintes razões de defesa: Em face das alegações apresentadas pela empresa, a DRJ baixou os autos em diligência, a fim de que a unidade preparadora providenciasse a análise da demonstração e da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Na sua realização, requereuse a entrega do balancete de março de 2003 e orientouse a empresa sobre o fato de que os Livros Diário e Razão deveriam ficar à disposição do Fisco, caso requeridos. A empresa respondeu a intimação, afirmando não possuir mais o balancete, em face do transcurso do tempo, mas que localizou os Livros Diário e Razão. Fl. 195DF CARF MF 4 A DRJ orientou a unidade preparadora que reabrisse o prazo para apresentação de manifestação da empresa sobre o resultado da diligência. Em face do que se passa a expor, as demais razões de defesa não serão aqui relatadas. O processo foi distribuído a este Conselheiro Relator, na forma regimental. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso deve ser conhecido. Em litígio, o direito à restituição/compensação de PIS pago a maior. O pedido eletrônico foi indeferido, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, localizouse pagamento integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em sua manifestação de inconformidade, a Recorrente afirma que cometeu um erro no preenchimento dos valores informados em DCTF. Diz que a base de cálculo e o valor correto da contribuição encontravamse na DIPJ, apresentando, como comprovação, a declaração retificadora entregue em 2006. Em consequência dos argumentos de defesa, a DRJ baixou os autos em diligência, para que se promovesse a análise da composição da base de cálculo do PIS não cumulativo, mediante a sua comprovação por meio de documentos contábeis e/ou fiscais. Daí emitido o Termo de Intimação de fl. 48, com o seguinte teor: Em relação ao crédito apresentado na DComp nº 03969.87086.111104.1.7.046043, alegase que houve erro quanto ao período de apuração desse crédito, devendo ser 02/2003 e não 03/2003 como constou na DComp. A Delegacia de Julgamento constatou que há "insuficiência de comprovação da existência do crédito informado em DComp" e que o contribuinte deve comprovar "por meio de documentos contábeis e/ou fiscais" a "demonstração e composição da base de cálculo e a apuração do PIS cumulativo referente ao período de apuração 02/2003". Essa demonstração deve estar acompanhada do balancete analítico desse mês de fevereiro/2003 (em meio magnético, arquivos digitais SVA1, formato PDF pesquisável). Os livros Diário e Razão desse período deverão estar à disposição desta Fiscalização, caso sejam requeridos. A demonstração deverá incluir a indicação das contas (por totais) que foram utilizadas para a composição da BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDÊNCIA CUMULATIVA, no valor de R$ 87.094.917,27 (linha 29 da Ficha 21 da DIPJ), a partir do valor de R$ 93.627.876,76 (Receita da Revenda de Mercadorias, linha 03 da mesma Ficha).Essa demonstração deve estar acompanhada do balancete analítico desse mês de março/2003 (em meio magnético, arquivos digitais SVA1, formato PDF pesquisável). Fl. 196DF CARF MF Processo nº 11080.905682/200888 Acórdão n.º 3201004.615 S3C2T1 Fl. 195 5 Os livros Diário e Razão desse período deverão estar à disposição desta Fiscalização, caso venham a ser requeridos. A demonstração deverá incluir a indicação das contas (por totais) que foram utilizadas para a composição da BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP INCIDÊNCIA NÃO CUMULATIVA, no valor de R$ 463.222,00 a da base de cálculo do "CRÉDITO TOTAL APURADO NO MÊS" linha 23 da Ficha 20 da DIPJ ativa (ND 1332073), "Apuração dos Créditos do PIS/PASEP Regime NãoCumulativo", no valor de R$ 324.226,42. Após requerer prorrogação de prazo, a Recorrente nada apresentou. Segundo a Informação Fiscal de fls. 105/107, informou que "não conseguiu localizar o balancete analítico requerido, tendo em vista se tratar de documento muito antigo (mais de 10 anos) referente ao mês de março de 2003. A ausência de apresentação desse documento, entretanto, não infirma a existência do direito creditório que pleiteia, mormente, levandose em consideração que a intimação ocorreu após transcorridos mais de 5 (cinco) anos da constituição do mesmo, quando já não estava obrigada a conservar os documentos que comprovam suas informações fiscais, nos termos do artigo 37 da Lei nº 9.430/96", grifouse. Afirmou, por fim, que, "dessa maneira, cabe ao fisco comprovar a suposta inexistência do direito creditório...e não o contrário". Com efeito, depois do pedido inicial de prorrogação do prazo, essa foi, de fato, a resposta da Recorrente, mas, no mesmo documento, ela também informou à fiscalização que os Livros Diário e Razão estavam à disposição do Fisco (fl. 59). Embora seja esse o contexto, vimos que a DRJ orientou a unidade preparadora a reabrir o prazo para manifestação da empresa sobre o resultado da diligência. Não houve, porém, a intimação requerida, tampouco intimação anterior para solicitar os Livros antes referidos. Após prestadas as informações, os autos retornaram à DRJ, sem que a Recorrente pudesse, inclusive, promover a sua entrega, os quais, por orientação daquela, deveriam estar a sua disposição. A nosso juízo, a falta desta intimação – previamente determinada pela DRJ – e, mais importante, a não requisição dos Livros Diário e Razão – aos quais a própria unidade preparadora havia exigido que ficassem a sua disposição – comprometeu a higidez do procedimento. Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que os autos retornem à unidade preparadora a fim de que prolate novo Despacho Decisório, após intimar Recorrente a apresentar os Livros Diário e Razão, bem como outros documentos se fizerem necessários à verificação da existência do crédito. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 197DF CARF MF 6 Fl. 198DF CARF MF
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Numero do processo: 10711.005086/2005-17
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 27/08/2008
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL - ÔNUS DA PROVA
É dever da fiscalização, ao lavrar o Auto de Infração, apresentar acervo probatório com razoável robustez, por meio do qual reste demonstrada a efetiva ocorrência da infração, não se prestando a tal fim laudo desacompanhado de qualquer explicação acerca da metodologia utilizada para se chegar às conclusões obtidas, impedindo inclusive que a Recorrente pudesse atacar o método, vez que foi omisso em relação a ele.
Numero da decisão: 3302-006.139
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Raphael Madeira Abad - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado).
Nome do relator: RAPHAEL MADEIRA ABAD
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Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Gilson Macedo Rosenburg Filho, Jorge Lima Abud e Paulo Guilherme Deroulede que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Deroulede (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Rodolfo Tsuboi (suplente convocado). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 1. 00 50 86 /2 00 5- 17 Fl. 548DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de processo no bojo do qual discutese a classificação fiscal de mercadoria importada, especificamente se é um "UISQUE DE MALTE" e que portanto se amoldase à descrição do EX.01 da posição 2208.30, qual seja "Destilado Alcoólico chamado de uísque de malte ("malt whisky") com teor alcoólico em volume de 59,5% GayLussac +/ 1,5% vol (59,5º +/), obtido de cevada maltada." sobre o qual se exige o IPI à alíquota de 20% ou se a mercadoria seria classificada como "outras preparações próprias para elaboração de uísque" sobre as quais o IPI incide à alíquota de 70%. Em razão da precisão com que tratou os fatos até então ocorridos no presente processo, adoto parcialmente o Relatório redigido quando da prolação da Resolução n. 3302 000.668, que por sua vez utilizouse de trechos da Resolução n. 3102000.304. "Trata o presente processo de AI lavrado para a exigência de credito tributário no valor de 668.614,00 referente a Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, multa de ofício e juros de mora em função deenquadramento em “ex” tarifário de mercadoria importada. Depreendese da descrição dos fatos do AI que a empresa em epígrafe submeteu a despacho de importação, por meio de DI n.º 01/03436936 mercadorias descritas como “63189 Bulk litros de destilado alcoólico chamado de malte uísque (MALT WHISKY) com graduação alcoólico de 59,5% Gay Lussac obtido de cevada maltada com mínimo de 3 anos de envelhecimento”, e classificoua no código NCM 2208.30.10, enquadrando as mesmas em seu “ex” tarifário 001. Durante o procedimento de verificação física, a autoridade preparadora retirou amostra do produto e encaminhou ao LABOR, que emitiu o Laudo nº 2372/01, bem como a informação técnica 040/05. Tal Laudo e informação técnica foram conclusivos no sentido de que a mercadoria se referia a “MATÉRIA PRIMA OBTIDA DE CEREAL DESTINADA À PRODUÇÃO DE UÍSQUE”, não se tratando de MALT WHISKY ou GRAIN WHISKY, tampouco de cereal não maltado, Acrescentou ainda que a graduação alcoólica era igual a 63,9%,. Em conseqüência, as mercadorias foram reenquadradas no “ex” tarifário 003 da mesma NCM 2208.30.10, sendo lavrado auto de infração para cobrança da diferença do IPI, bem como da multa prevista no art. 80, inciso I, da Lei n.º 4.502/64, com redação dada pelo art. 45 da Lei n.º 9.430/96 e juros moratórios. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação, anexado os documentos de fls. 53 a 104. Alega Fl. 549DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 4 3 que, embora resultado do laudo técnico que embasou a autuação tenha constatado uma graduação alcoólica superior à que foi efetivamente utilizada na mercadoria importada, é de ser considerado que tal mercadoria constitui produto controlado pelo Ministério da Agricultura que aprovou a sua importação através da LI n.º 01/08332095. Aduz que o resultado de análise laboratorial da mercadoria em questão indica que a graduação alcoólica do produto corresponde a 59,5% GayLussac, com no mínimo 3 anos de envelhecimento, o que levou o Ministério da Agricultura a autorizar a importação e a expedir o certificado de inspeção vegetal n.º 258/2001, relativo à DI sob apreço. Neste passo, argumenta que referido certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e a comercialização da mercadoria, após ter realizado a análise de seu conteúdo, comprova que a graduação alcoólica utilizada foi aquela declarada pelo importador, razão pela qual faz jus à aplicação da alíquota de IPI prevista no “ex” tarifário 001. Reclama que a fiscalização inobservou o princípio da verdade material ao desconsiderar a existência de certificado que, expedido por ente público, autorizou a importação sob apreço, presumindo, sem a devida comprovação, que o produto importado possuía graduação alcoólica superior a 59,5%. Em outra vertente, aduz que no caso em comento não houve prejuízo ao Erário, haja vista que, em razão do princípio da não cumulatividade que rege o IPI e acaso houvesse pago o imposto à alíquota de 70%, teria direito ao crédito consistente do valor do imposto recolhido, quando da saída da mercadoria de seu estabelecimento. Reclama também que, uma vez apurada a legalidade das importações em causa, a multa lançada de ofício é totalmente indevida e configura excesso de exação, nos termos do art. 316, § 1º, do Código Penal. Finalmente, em face do que foi exposto, requer o cancelamento do auto de infração ora hostilizado. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a impugnação nos seguintes termos: EX TARIFÁRIO. ENQUADRAMENTO. O enquadramento de mercadoria em ex tarifário exige que a mesma possua todas as características previstas no mesmo. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, basicamente reafirmando os argumentos da Impugnação ao Lançamento. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 5 4 Alegou que “o certificado expedido pelo Ministério da Agricultura, autorizando a importação e comercialização da mercadoria, após a análise de seu respectivo conteúdo, comprova o teor de graduação alcoólica do mesmo, cuja classificação corresponde à utilizada pela RECORRENTE, não incorrendo em qualquer utilização indevida como sustentado no lançamento tributário”. Que “todos os Certificados acostados aos autos (de origem, inspeção vegetal e de análise) comprovam que a graduação alcoólica corresponde à que fora utilizada pela RECORRENTE”. Que a decisão de primeira instância desconsiderou “o CERTIFICADO DE INSPEÇÃO VEGETAL que somente foi expedido, considerando as informações constantes no CERTIFICADO DE ANALISE, onde está comprovado que o produto tratase de malte uísque, com graduação alcoólica de 59,5% (...)”. Citou decisão tomada no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil em outro Processo Administrativo Fiscal. Referiuse, mais uma vez, à verdade material. Requereu a realização de diligência para esclarecimento dos fatos. Relembrou tratarse de tributo não cumulativo, razão pela qual não haveria prejuízo ao Erário. Ao final, asseverou “que a aplicação de qualquer tipo de multa é totalmente indevida, e por isso mesmo, passível de excesso de exação”. De uma primeira análise, considerouse que os elementos constantes no processo não eram suficientes para o julgamento da lide. Naquela oportunidade esta E. Turma determinou a CONVERSÃO DO JULGAMENTO em diligência, para que a Unidade de Origem providenciasse a confecção de laudo complementar a ser elaborado pelo INT ou por congênere para esclarecer os seguintes quesitos: 1) se o produto tratase de destilado alcoólico chamado Malt Whisky? 2) se o produto tratase de destilado alcoólico chamado de uísque de cereais (Grain Whisky)? 3) se o produto tratase de preparação própria para elaboração de uísque? 4) qual o teor alcoólico em volume de produto. Intimado do resultado do julgamento, o contribuinte apresentou quesitos complementares. O INT, por sua vez, manifestase por meio do ofício nº 019/INT informando que não é acreditado para realizar a presente diligencia e, por conta disso, procedeu a devolução Fl. 551DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 6 5 da amostra das contraprovas. Diante disso, elas foram encaminhadas para o Labor. Posteriormente, a SECAD entendeu em manter a diligencia, reenviando as amostras ao INT, o qual solicitou o pagamento de custas para a elaboração do Parecer Técnico no importe de R$ 2.000,00, o que foi feito pelo contribuinte. O INT apresenta seu parecer técnico de fls. 354/359. Intimado do resultado da diligencia, o contribuinte se manifesta alegando que, de acordo com o LAQAM, o produto (‘malt whisky’) então examinado (i) tinha graduação alcoólica de 54,87% vol. e que (ii) não se tratava de produto acabado, assim entendido como aquele que esteja pronto para consumo. Acrescenta que o que se pode extrair do quanto está sendo verificado nos autos da presente disputa é que, até o momento, o MAPA, a d. fiscalização e o INT apresentaram conclusões divergentes sobre a graduação alcoólica do mesmo “malt whisky” importado pela Recorrente, pois: para o MAPA, referido produto teria graduação alcoólica de 59,50% vol; para a d. fiscalização, referido produto teria graduação alcoólica de 63,5% vol; para o LAQAM, o mesmo produto teria graduação de 54,87% vol. Considera que a dúvida é, por si só, razão suficiente para o cancelamento do Auto de Infração. Por fim, acrescenta que “não há divergência quanto ao fato de que o ‘malt whisky’ importado pela Recorrente tratase de matéria prima para produção da bebida ‘whisky de malte’”, que a própria legislação confirma que a bebida pronta para consumo não pode ter graduação alcoólica acima de 54% vol. Na Sessão de 23 de abril de 2014, por meio da Resolução nº 3102000.304 (fls. 471/476), os integrantes da extinta 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara deste Conselho, converteram novamente o julgamento em diligência, para que o INT complementasse o Laudo anteriormente emitido com as respostas aos seguintes quesitos: 1 A mercadoria importada pode ser identificada como matéria prima para elaboração do chamado uísque de malte (“malt whisky”)? 2 A mercadoria importada pode ser identificada como matéria prima para elaboração do chamado uísque de cereais (“grain whisky”)? 3 Outras considerações que julgar pertinentes. Cientificada do teor da referida Resolução, por meio da petição de fls. 485/489, a recorrente apresentou quesitos complementares. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 7 6 Em atendimento ao que solicitado na referida diligência, por meio do Relatório Técnico nº 000.122/15, de 1/3/2015 (fls. 503/508), o INT apresentou as respostas aos quesitos formulados na referida Resolução, bem como os quesitos complementares apresentados pela recorrente. Em 16/11/2015, os autos retornaram a este Conselho que, mediante sorteio, foram regularmente distribuído a este Relator. Por meio da petição de fls. 526/529, no dia 19/10/2017, a recorrente comunicou que não fora cientificada do resultado da diligência, consequentemente, sob pena de afronta ao seu direito de defesa, pleiteou a retirada do processo de pauta ou a conversão do julgamento em diligência, para saneamento feito, mediante intimação da recorrente, para, no prazo de 30 dias, manifestar se sobre o resultado da diligência. Em razão do fato do processo haver retornado de diligência sem que à Recorrente houvesse sido permitido manifestarse acerca do seu resultado, a Resolução n. 3302000.668 determinou o retorno dos autos à unidade da RFB de origem para que a contribuinte fosse cientificada do inteiro teor do Relatório Técnico nº 000.122/15, de 1/3/2015, da lavra do INT, bem como lhe seja aberto prazo para manifestarse acerca das respostas do referido Relatório Técnico. (efls. 534) Contudo, não obstante a Recorrente haver sido cientificada da abertura do prazo em fevereiro de 2018 (efls. 542), ter aberto os arquivos digitais (efls. 547), passados mais de oito meses não apresentou qualquer manifestação acerca do Relatório Técnico, tendo retornado o processo para julgamento por este colegiado. É o Relatório. Voto Conselheiro Raphael Madeira Abad Relator. 1. Admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva, a matéria é de competência deste colegiado e restam presentes os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. A controvérsia gravita em torno da classificação fiscal da mercadoria importada, especificamente se é um "uísque de malte", como declarado, ou uma "preparação para elaboração de uísque.", com consequências tributárias diversas: Fl. 553DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 8 7 Vale destacar que existe uma polissemia na palavra "UISQUE DE MALTE (MALT WISKY)", significante que na forma do Decreto 2.314/97 se presta para representar tanto o "Malt Wisky" produto final, que deve ter graduação alcoólica entre 38 e 54%, como o "Malt Wisky" matéria prima para outros produtos, cuja concentração varia entre 58 e 61%, na forma da NCM acima transcrita. Para ilustrar esta diferença merece transcrição fragmento do voto proferido pelo Ilmo. Conselheiro Jorge Lima Abud na ocasião do julgamento do processo 10711.001012/200692, que resultou no acórdão 3302005.819 em sessão no dia 24/09/2018. A legislação regulatória, nos termos do Decreto n° 2.314, de 04 de setembro de 1997, vigente à época da importação, distingue em7 duas seções separadas o que é matéria prima ("destilados alcoólicos") e o que é produto final ("bebidas alcoólicas destiladas"). Por disposição expressa do Decreto n° 2.314/97, não é possível classificarem um mesmo gênero a bebida alcoólica e o destilado alcoólico. Essa distinção tem por fundamento o artigo 10° do próprio Decreto, segundo o qual bebida alcoólica (produto final) é a "bebida com graduação alcoólica acima de meio e até cinqüenta e quatro por cento em volume, a vinte graus Celsius", in verbis: Art. 10. As bebidas serão classificadas em bebida não alcoólica e bebida alcoólica. §1° Bebida não alcoólica é a bebida com graduação alcoólica até meio por cento em volume, a vinte graus Celsius. §2° Bebida alcoólica é a bebida com graduação alcoólica acima de meio e até cinqüenta e quatro por cento em volume, a vinte graus Celsius. Por disposição expressa do artigo 88 do Decreto n° 2.314/97, o destilado alcoólico possui graduação alcoólica acima de 54% e abaixo de 95%, não sendo possível, portanto, classificarem um Fl. 554DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 9 8 mesmo gênero a bebida alcoólica e o destilado alcoólico, in verbis: Art. 88. Destilado alcoólico simples de origem agrícola é o produto com graduação alcoólica superior a cinqUenta e quatro e inferior a noventa e cinco por cento em volume, a vinte graus Celsius, destinado à elaboração de bebidas alcoólicas, e obtido pela destilação simples ou por destiloretificação parcial seletiva de mosto, ou subprodutos provenientes unicamente de matériaprima de origem agrícola, de natureza açucarada ou amilácea, resultante da fermentação alcoólica. Por este motivo, o Decreto n° 2.314/97 trata de dois tipos de Malt Whisky: o Malt Whisky produto final; e o Malt Whisky matéria prima em artigos diversos, Um na seção separada para produto final e outro na de matérias primas." Assim, para o deslinde do presente caso é necessário classificar o produto importado em uma das duas categorias possíveis: · "uisque de malte" que se amolda à descrição do EX.01 da posição 2208.30, qual seja "Destilado Alcoólico chamado de uísque de malte ("malt whisky") com teor alcoólico em volume de 59,5% +/1,5% vol (59,5º +/ GayLussac), obtido de cevada maltada." sobre o qual se exige o IPI à alíquota de 20% ou · "outras preparações próprias para elaboração de uísque" sobre as quais o IPI incide à alíquota de 70%. Para que seja considerado um "uisque de malte", e seja enquadrado no Ex. 01 da NCM 2208.30.10, como afirma a Recorrente, é necessário que o produto possua concomitantemente as seguintes características: · Ser um uísque de malte. · Possuir teor alcoólico de 59,5% com variação de 1,5% para mais ou para menos. · Ser obtido de cevada maltada. Com o objetivo de chegar a estas conclusões este colegiado deve buscar arrimo em laudos técnicos que, com o auxílio de modernas tecnologias e expertos, estabeleça balizadas e precisas informações acerca do produto sob análise. No caso concreto há informações conflitantes: Em 06.04.2001 a importadora Seagram do Brasil Ind. e Com. Ltda registrou a Declaração de Importação n. 01/03463636 (efls. 18) descrita como "Malte Uisque (Malt Fl. 555DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 10 9 Wiskey) com graduação alcoólico 59,5 GayLussac obtido de cevada maltada com no mínimo 3 anos de envelhecimento, o que corresponderia ao conceito o Ex 01. Contudo, ao ser retirada amostra física do produto e submetida à análise do Laboratório de Análises do Ministério da Fazenda LABOR, foi emitido o Laudo n. 2372/01, de 23.03.2004, acompanhado da Informação Técnica n. 040/05, no sentido de que não se tratava de "Malt Whisk", mas sim de "matéria prima obtida de cereal maltado destinada à produção de uísque", com teor alcoólico de 63,9%, e não de 59,5, como teria afirmado a Recorrente. (efls. 11) Acerca deste laudo merece destaque o fato de que foi redigido em uma folha e menciona a fonte de consulta apenas como "métodos analíticos do Ministério da Agricultura". Tendo sido determinada a realização de novo laudo, onde foi facultada a elaboração de quesitos tanto por parte da Fazenda Nacional como da Recorrente, o Relatório Técnico n. 000.122/15, acostado às efls. 503 e seguintes, de lavra do Instituto Nacional de Tecnologia INT afirma, em síntese, que a amostra apresentada é um destilado com concentração alcoólica de 54.87%. Ao final do referido relatório técnico a química industrial signatária afirma que "... existem variáveis envolvidas, tais quais, tempo decorrido, armazenamento, transporte entre outros fatores que poderiam influenciar na quantificação de componentes." (efls. 354 e seguintes e 507 e seguintes) Em outras palavras, enquanto o primeiro laudo apontou para um produto de concentração alcoólica de 63,9%, superior à maxima permitida para a classificação como Uisque, o segundo laudo apontou para uma concentração de 54,87%, inferior à mínima permitida para a classificação como Uisque, que varia entre 58 e 61%, segundo a metodologia de GayLussac. Assim, em relação aos requisitos para a classificação das mercadorias, não se sabe se é um destilado alcoólico preparado a partir de cereais maltados, como atesta o próprio laudo de efls. 11 e 12 ou se é impossível afirmar tal fato, eis que o laudo do INT afirmou que não há literatura científica que oriente uma investigação acerca da origem do destilado, se proveniente de cevada maltada ou de outros cereais. Neste sentido as informações são conflitantes. Há controvérsias também acerca da sua concentração alcoólica, uma vez que a tributação é mais gravosa se o teor alcoólico do produto for superior a 59,5% com variação de 1,5% para mais ou para menos. É de se admitir uma enorme discrepância existente entre a informação apresentada pelo Contribuinte, os dados constantes no primeiro laudo realizado pelo LABOR (que aponta graduação alcoólica muito superior à máxima permitida para o enquadramento no Ex 01 da NCM), e pelo segundo laudo, realizado pelo INT, (que aponta em sentido diametralmente oposto ao primeiro laudo, ou seja graduação alcoólica muito inferior). Efetivamente, constatase que o laudo de fls. 11, que embasou a autuação, não veio acompanhado de qualquer explicação acerca da metodologia utilizada para se chegar às conclusões obtidas, impedindo inclusive que a Recorrente pudesse atacar o método, vez que foi omisso em relação a ele. Fl. 556DF CARF MF Processo nº 10711.005086/200517 Acórdão n.º 3302006.139 S3C3T2 Fl. 11 10 Por sua vez, o laudo de fls. 503 afirma que não é possível afirmar se o produto é produzido a partir de malte ou de cereais não maltados, mas possui concentração alcoólica de 54,87%, abaixo do mínimo admitido para a classificação na Ex 01 da NCM. Assim, em razão da precariedade das provas utilizadas para demonstrar o equívoco na classificação fiscal das mercadorias, voto no sentido de dar provimento integral ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Raphael Madeira Abad Relator Fl. 557DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.007570/2004-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 10/01/1999 a 20/12/1999
DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA.
O IPI por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, trata-se de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário.
Numero da decisão: 1402-003.610
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência e dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 10/01/1999 a 20/12/1999 DECADÊNCIA. OCORRÊNCIA. O IPI por ser tributo cuja legislação atribui ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, trata se de lançamento por homologação. É de cinco anos, a partir do fato gerador, o prazo de decadência para o Fisco constituir o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, reconhecer a decadência e dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 00 75 70 /2 00 4- 43 Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.107 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogerio Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Edeli Pereira Bessa, Leonardo Luis Pagano Goncalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Junia Roberta Gouveia Sampaio e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP). Adoto, em sua integralidade, o relatório do Acórdão de Recurso de Impugnação nº 1428.665 2ª Turma da DRJ/RPO, complementandoo, ao final, com as pertinentes atualizações processuais. " Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados (RIPI/98), aprovado pelo Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998; consoante capitulação legal consignada às fls. 21 e 24, foi lavrado o auto de infração de fl. 15, em 27/12/2004, pela Auditora Fiscal da Receita Federal Maria Hermínia do Nascimento, para exigir R$ 1.360.286,62 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 927.494,11 de juros de mora calculados até 30/11/2004 e R$ 1.020.214,50 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 3.307.995,23. O lançamento de ofício de IPI é parcialmente decorrente do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), sendo o processo principal de nº 10830.007571/200498, em cuja ação fiscal foi constatada omissão de receitas referente a depósitos bancários sem origem comprovada, nos anos de 1999 a 2003, nos montantes especificados nos autos, além da falta de recolhimento do IPI caracterizado pelo indeferimento de pedido de inclusão retroativa no SIMPLES, de 1999 a 2002, conforme a descrição dos fatos de fls. 16/24 e o termo de verificação de fls. 04/14 e os demonstrativos de fls. 56/69 e 164/167 (apuração efetuada com base em produto com classificação fiscal 3923.21.90 e alíquota de 15%). O representante legal da pessoa jurídica tomou ciência da peça acusativa em 28/12/2004. Em 26/01/2005, insubmissa, a empresa apresentou a impugnação de fls. 476/503, subscrita pelo mesmo representante legal, em que, em síntese, sustenta que: a) Preliminarmente: a.1) o auto de infração deve ser cancelado em razão da inexistência de MPF específico de IPI; a.2) as respostas da contribuinte teriam sido dificultadas porque os livros em que se encontram registradas as operações permaneceram em poder da fiscalização desde o atendimento à intimação de 24/08/2004, sendo eivado de ilegalidade o trabalho fiscal caracterizado pela concessão de prazos exíguos; Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.109 4 a.3) o lançamento é nulo pois teria havido a requisição e análise da movimentação bancária sem determinação expressa no MPF; a.4) parte do crédito tributário exigido teria sido atingido pela decadência, em virtude do decurso de prazo (5 anos), previsto no CTN, art. 150, § 4º, a partir da ocorrência do fato gerador, sendo o IPI um imposto que se caracteriza pelo lançamento por homologação, conforme jurisprudência do Conselho de Contribuintes e do STJ; b) No mérito: b.1) não há caracterização de obtenção de receita com o simples depósito ou crédito bancário; b.2) irregularidades foram cometidas na apuração da suposta receita omitida, o que revela a impertinência da alegação fiscal de que “todos” os depósitos/créditos na conta bancária da Caixa Econômica Federal, sendo que, no caso do IPI, não houve intimação específica, já que este imposto não é mera decorrência do Imposto de Renda e depende de levantamento da produção; b.3) há inconsistências na apuração: quanto ao mês de janeiro de 1999, foi considerado como receita omitida o valor de R$ 250.341,52, sendo que o total de depósitos do mês seria de R$ 121.485,54; quanto à receita declarada, houve a exclusão da alíquota de 0,50% da base de cálculo, mas não houve exclusão da mesma alíquota na base de cálculo do IPI utilizada no auto de infração; b.4) como a fiscalização foi realizada sem o comparecimento da autoridade fiscal no estabelecimento industrial, sem uma auditoria da produção para a comprovação de que a diferença encontrada decorreria da efetiva saída de produtos industrializados, não houve o levantamento e demonstração dos créditos admitidos a que faria jus a fiscalizada, ou seja, sem a observância do princípio da nãocumulatividade; b.5) não houve a devida compensação no lançamento de ofício dos pagamentos efetuados sob o sistema simplificado, tendo a autoridade fiscal se limitado a afirmar no termo de verificação que os recolhimentos na forma do SIMPLES devem ser objeto de restituição/compensação na forma da lei; ora, se a autoridade fiscal tem a competência para formular a exigência do crédito tributário, deveria, também, providenciar a compensação dos valores recolhidos indevidamente. Por fim, requer, diante da total improcedência da acusação fiscal, o acolhimento da impugnação para o cancelamento do auto de infração, a extinção do crédito tributário e o arquivamento do processo." Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.110 5 O Acórdão de Impugnação nº 1428.665 2ª Turma da DRJ/RPO, julgou a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário lançado, conforme a seguinte ementa: " ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 IPI. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. RECOLHIMENTOS DE SIMPLES. CÓDIGOS DE RECEITA DISTINTOS. COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de códigos de receita distintos, são insuscetíveis de compensação no âmbito do lançamento de ofício do IPI do regime comum os recolhimentos efetuados no regime do SIMPLES. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DECORRENTE. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. A existência de depósitos bancários sem comprovação faz presumir a ocorrência de omissão de receitas; caracterizada a omissão de receitas em lançamento de ofício respeitante ao IRPJ, cobrase, por decorrência, em virtude da irrefutável relação de causa e efeito, o IPI correspondente, com os consectários legais, mas com o expurgo de parcelas indevidas. OMISSÃO DE RECEITAS. PRESUNÇÃO LEGAL. SAÍDA DE PRODUTOS SEM A EMISSÃO DE NOTAS FISCAIS. CÁLCULO DO IMPOSTO DEVIDO. APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA MAIS ELEVADA OU DA ÚNICA PRATICADA. No caso de omissão de receitas, devido à presunção legal de saída de produtos à margem da escrituração fiscal e à conseqüente impossibilidade de separação por elementos da escrita, utilizase a alíquota mais elevada, daquelas praticadas pelo sujeito passivo, ou a única existente, para a quantificação do imposto devido. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. A matéria tributável não especificamente contestada na impugnação é reputada como incontroversa, insuscetível de posterior invocação. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1999 a 31/12/2003 DECADÊNCIA. A contagem do prazo qüinqüenal de decadência se inicia no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, se Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.111 6 for o caso de falta de execução de atos de iniciativa do sujeito passivo tendentes ao lançamento por homologação, incluída a antecipação de pagamento do imposto segundo o código de receita correspondente. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO. ATIVIDADE VINCULADA. O MPF representa mero instrumento de controle da Administração Tributária, sendo disciplinado por ato administrativo. Eventuais vícios, incompatibilidades entre seu objeto e o do lançamento, ou mesmo a sua própria ausência, não maculam ou evitam o procedimento do lançamento tributário, que é vinculado por lei, sob pena de responsabilidade funcional." Recurso Voluntário Inconformada com a decisão a quo, a recorrente interpôs recurso voluntário no qual reproduz os argumentos apresentados em sua Impugnação ao Lançamento, por fim, requerendo preliminarmente o reconhecimento da decadência dos débito, bem como sua improcedência. É o relatório. Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.112 7 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Verificase que a recorrente apresentou desistência parcial impugnação aos lançamento de IPI, referentes aos fatos geradores de 31/12/1999 a 31/12/2003, no âmbito do parcelamento PAEX, instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (fls. 917 a 919). Portanto a presente lide diz respeito somente aos lançamentos de IPI referentes aos fatos geradores de 10/01/99 a 20/12/99. Da Preliminar de decadência A recorrente reitera a inexigibilidade do crédito tributário remanescente por parte do fisco, com referência aos fatos geradores de 10/01/1999 a 20/12/1999, sob a alegação que tais períodos de apuração foram atingidos pelo prazo de decadência, nos termos do art. 150, § 4o, do Código Tributário Nacional. Destacase que nos pagamentos efetuados no âmbito do SIMPLES, a pessoa jurídica recolhe, mensalmente, todos os tributos devidos nessa sistemática, já incluídos no código de arrecadação de receita 6106 o IRPJ e as contribuições CSLL, PIS, e COFINS, dentre outros (IPI e INSS), englobando percentuais destinados a cada um dos tributos e contribuições. Verificase que a recorrente recolhimento pelo SIMPLES durante todo o período fiscalizado, conforme documentos acostados ao processo (fls. 887 a 906). Observase que a ciência do auto de infração ocorreu em 28/12/2004. Logo, assiste razão à impugnante no que concerne à decadência dos períodos de apuração de janeiro a novembro de 1999, visto que a empresa efetuou mensalmente a apuração e recolhimento dos tributos na sistemática do SIMPLES, devendo, pois, ser aplicada a regra de contagem do prazo decadencial prevista no artigo 150 §4° do CTN, que admite ao fisco o direito de exigir qualquer diferença de tributo no prazo de 5 (cinco) anos a contar do fato gerador mensal de cada um deles. Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 10830.007570/200443 Acórdão n.º 1402003.610 S1C4T2 Fl. 1.113 8 Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de acatar a preliminar de decadência para os fatos geradores de 10/01/1999 a 20/12/1999. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 1113DF CARF MF
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Numero do processo: 10855.908020/2009-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 29 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2004
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE.
Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garante-se, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório.
EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC.
O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS.
O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS.
A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe-109 DIVULG 01-06-2018 PUBLIC 04-06-2018)
Numero da decisão: 3201-004.863
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente SATURNIA SISTEMAS DE ENERGIA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO DE COFINS. CERCEAMENTO DO DIREITO À AMPLA DEFESA E AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. NULIDADE. Observadas as normas inerentes ao procedimento administrativo, havendo a oportunidade para esclarecer os fatos controvertidos, garantese, assim, o exercício da ampla defesa e ao contraditório. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CALCULO DO PIS/COFINS. APLICAÇÃO DO PARADIGMA POSTERIOR SUA PUBLICAÇÃO. ART. 1.040. CPC. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o no 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS. “A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral.” (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01 062018 PUBLIC 04062018) Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da Cofins, apurando o valor do crédito pleiteado, vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 90 80 20 /2 00 9- 70 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laercio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de pedido de compensação lastreado em crédito de COFINS paga a maior, em razão de o ICMS ter sido incluído na base de cálculo da contribuição. Por bem relatar os fatos, transcrevese trechos do relatório da instância a quo: (...) Tratase de Manifestação de Inconformidade interposta em face do Despacho Decisório em que foi apreciada Declaração de Compensação (PER/DCOMP), por intermédio da qual a contribuinte pretende compensar débitos de sua responsabilidade com crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior de tributo (Cofins, código de arrecadação 5856), (...). Por despacho decisório, não foi reconhecido direito creditório a favor da contribuinte e, por conseguinte, não homologada a compensação declarada no presente processo, ao fundamento de que os pagamentos informados foram integralmente utilizados para quitação de débitos da contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando o seguinte: “II. DO DIREITO A. PRELIMINARMENTE A. 1. 1a PRELIMINAR DO CERCEAMENTO DE DEFESA FALTA DO CONTRADITÓRIO Dispõe o artigo 5o, LV da Constituição Federal o seguinte: "aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e amola defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Ora, no caso em tela, em decorrência de obrigação legal, a Defendente efetuou a sua declaração de crédito e de compensação via PER/DCOMP com base na internet, instrumento ágil e eficiente, que, entretanto, deveria ser apreciado com mais atenção por parte do fisco, o que não aconteceu no caso em tela. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 4 3 Antes de indeferir de imediato, sem qualquer contraditório, o pedido da Defendente alegando a inexistência de crédito, deveria o fisco intimar a empresa a explicar a origem do crédito, quando então tudo seria provado através de documentos, uma vez que é impossível enviar qualquer informação quando a compensação é feita via internet. Tivesse a Receita Federal intimado a Defendente certamente ter seia iniciado o contraditório, a Receita Federal saberia exatamente como o crédito nasceu e o direito à ampla defesa ficaria assegurado, o que não ocorreu. A fim de combater a r. decisão, no mérito, a Defendente apresenta todos os documentos que justificam a origem do crédito e os respectivos fundamentos de ordem jurídica. Merece assim a preliminar merece ser acatada para julgar nulo o decisório e determinar que os autos retornem à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, a fim de que todos os documentos sejam apreciados e nova decisão seja proferida. A. 2. 2ª PRELIMINAR DA SUSPENSÃO DO PRESENTE PROCESSO ADMINISTRATIVO NOS TERMOS DO ARTIGO 265. IV. "a" DO CPC ATÉ JULGAMENTO DA ADC 18 PELO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL O crédito utilizado pela ora Defendente referese ao PIS/COFINS pago indevidamente sobre o ICMS e a matéria já se encontra em fase de julgamento perante o STF, nos autos da ADC 18, que terá efeito "erga omnes", em que inclusive foi concedida liminar objetivando paralisar todos os processos em andamento, nos seguintes termos: "EMENTA: Medida cautelar. Ação declaratória de constitucionalidade. Art. 3o, § 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. COFINS e PIS/PASEP. Base de cálculo. Faturamento (art. 195, inciso I, alínea "b", da CF). Exclusão do valor relativo ao ICMS. 1. O controle direto de constitucionalidade precede o controle difuso, não obstando o ajuizamento da ação direta o curso do julgamento do recurso extraordinário. 2. Comprovada a divergência jurisprudencial entre Juízes e Tribunais pátrios relativamente à possibilidade de incluir o valor do ICMS na base de cálculo da COFINS e do PIS/PASEP, cabe deferir a medida cautelar para suspender o julgamento das demandas que envolvam a aplicação do art. 3o,§ 2o, inciso I, da Lei 9.718/98. 3. Medida cautelar deferida, excluídos desta os processos em andamentos no Supremo Tribunal Federal". Vêse, portanto, que o STF determinou a suspensão de todos os processos, uma vez que se tratando ação direta de constitucionalidade, o resultado do seu julgamento terá efeito "erga omnes". Assim, requer a ora Defendente que o presente processo também permaneça em suspenso, nos termos do artigo 265, IV, "a" até julgamento final da ADC 18 por parte do STF, quando então a mencionada decisão favorável ou desfavorável será aplicada no caso em tela. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 5 4 A. 3. 3ª PRELIMINAR DA UNIÃO DOS PROCESSOS De forma indevida, ou seja, antes que tivesse ocorrido o trânsito em julgado pela via administrativa, a Receita Federal do Brasil em Sorocaba abriu outro Processo Administrativo de número 10855908.304/200966, relacionado com o débito para iniciar de imediato a cobrança, uma vez que até o DARF já foi emitido. Entretanto, tal procedimento não tem amparo legal, uma vez que não se pode separar o débito em um processo e o crédito em outro, pois o processo administrativo é único e tal procedimento só poderia ser feito após decisão final do processo administrativo. Tal procedimento além de ilegal, ainda prejudicou a Defendente que foi obrigada a apresentar duas defesas praticamente idênticas, ou seja, uma para o processo relacionado com o débito e outra relacionada com o crédito, havendo necessidade, portanto, que ambos os Processos sejam juntados, a fim de que as decisões sejam proferidas simultaneamente. B.QUANTO AO MÉRITO Entende a ora Defendente que os autos retornarão á Delegacia de origem, sem apreciação do mérito, a fim de que nova decisão seja proferida, agora com a apreciação dos documentos juntados e que nunca foram pedidos pelo fisco. Caso, entretanto, os dignos julgadores entenderem de forma diferente, no mérito razão também assiste à Defendente, uma vez que o crédito utilizado é legítimo e por conseqüência, legítima também é a compensação efetuada, como a seguir exposto: B.l. O CRÉDITO UTILIZADO PELA DEPENDENTE É LEGÍTIMO. UMA VEZ QUE SE TRATA DO TRIBUTO COFINS/PIS PAGO INDEVIDAMENTE SOBRE O ICMS QUE SE ENCONTRA EM JULGAMENTO PERANTE O STF O Artigo 195, § 45 assim dispõe: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: § 4o A lei poderá instituir outras fontes destinadas a garantir a manutenção ou expansão da seguridade social, obedecido o disposto no artigo 154,1." Por sua vez, o Artigo 154, I da Carta Magna assim dispõe: "A União poderá instituir: I mediante lei complementar, impostos não previstos no Artigo anterior, desde que sejam nãocumulativos e não tenham fato gerador ou base de cálculo próprios dos discriminados nesta Constituição;". Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 6 5 Ora, apesar de todas as fontes de custeio previstas na Constituição Federal, mesmo assim o legislador constituinte ainda deixou um cheque em branco para a União criar a qualquer momento uma nova fonte de custeio, condicionando, entretanto, sua criação, apenas mediante lei complementar, o que não aconteceu no caso em tela, pois a incidência do PIS/COFINS a partir da Carta de 1988 foi introduzida pela Lei ordinária 9.718/99 e sucessivas alterações sempre através de Medidas Provisórias e Leis Ordinárias, havendo assim patente ofensa ao Artigo 195, § 4o, cominado com o Artigo 154, I da Constituição Federal. B. 2. DOS MOTIVOS PELOS QUAIS O ICMS IMPOSTO SOBRE CIRCULAÇÃO DE MERCADORIAS NÃO FAZ PARTE DO FATURAMENTO. SOB PENA DE OFENSA DIRETA AO ARTIGO 195.1. ALÍNEA "h" DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL O Artigo 195 da Constituição Federal, assim ensina: "Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, deforma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da Unido, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: Seguindo a ordem processual, a DRJ julgou improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 14041.427, que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2004 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. O valor do ICMS compõe a base de cálculo da Cofins não cumulativa. DCOMP. CRÉDITO. INDEFERIMENTO. Pendente, nos autos, a comprovação do crédito indicado na declaração de compensação formalizada, impõese o seu indeferimento. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme artigo 170 do Código Tributário Nacional. Inconformada com r. julgado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário requerendo reforma da decisão a quo por entender que: Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 7 6 a) houve cerceamento do direito de defesa – ausência do contraditório; b) deve ser suspenso o processo administrativo até o julgamento da ADC 18, pelo Supremo Tribunal Federal; c) o ICMS não compõe a base de cálculo da COFINS; d) o valor pleiteado para utilização do crédito seria a diferença paga a maior por conta do ICMS estar na base de cálculo da COFINS. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201004.717, de 29/01/2019, proferido no julgamento do processo 10855.908014/200912, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201004.717): O Recurso Voluntário preenche todos os requisitos e merece ser conhecido. Inicialmente não há de se falar em cerceamento de defesa e ausência ao contraditório, uma vez, que tratase de regra, que previamente ao despacho decisório devese intimar o contribuinte para apresentar qualquer defesa. Ao ser intimado, podendo o Contribuinte apresentar sua defesa, não há qualquer supressão ao seu direito, sendo que o crédito apontado pelo contribuinte é decorrente da exclusão do ICMS. Ademais, a matéria ventilada é meramente de direito em sua primeira fase, pois, o Contribuinte alega ter direito ao crédito COFINS, diante da inclusão do ICMS na base de cálculo. Pois bem! O Supremo Tribunal Federal em repercussão geral, firmou o seguinte entendimento: "RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 8 7 contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2o, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3o, § 2o, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) Ressaltase que o Pretório Excelso tem aplicado o entendimento em que não é necessário aguardar o julgamento dos Embargos de Declaração do RE 574706, vejamos: COFINS E PIS – BASE DE CÁLCULO – ICMS – EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços – ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. Precedentes: recurso extraordinário 240.785/MG, relator ministro Marco Aurélio, Pleno, acórdão publicado no Diário da Justiça de 8 de outubro de 2014 e recurso extraordinário nº 574.706/PR, julgado sob o ângulo da repercussão geral, relatora ministra Cármen Lúcia, Pleno, acórdão veiculado no Diário da Justiça de 2 de outubro de 2017. REPERCUSSÃO GERAL – ACÓRDÃO – PUBLICAÇÃO – EFEITOS – ARTIGO 1.040 DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. A sistemática prevista no artigo 1.040 do Código de Processo Civil sinaliza, a partir da publicação do acórdão paradigma, a observância do entendimento do Plenário, formalizado sob o ângulo da repercussão geral. (AI 523706 AgR, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Primeira Turma, julgado em 10/04/2018, PROCESSO ELETRÔNICO DJe109 DIVULG 01062018 PUBLIC 04062018) Finalmente, essa Turma tem adotado o posicionamento de que deve ser excluído o ICMS da base de Cálculo do PIS/COFINS, vejamos: Acórdão: 3201004.124 Número do Processo: 10880.674237/201188 Data de Publicação: 12/09/2018 Contribuinte: RHODIA POLIAMIDA E ESPECIALIDADES SA Relator(a): LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 14/09/2001 PIS BASE DE CÁLCULO ICMS EXCLUSÃO. O Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e a Prestação de Serviços ICMS não compõe a base de incidência do PIS e da COFINS. O Supremo Tribunal Federal STF por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário autuado sob o nº 574.706, em sede de repercussão geral, decidiu pela exc Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso. Vencidos os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira e Charles Mayer de Castro Souza, que lhe negavam provimento. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andr Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10855.908020/200970 Acórdão n.º 3201004.863 S3C2T1 Fl. 9 8 Diante disso, resta prejudicado o pleito de sobrestamento do feito, concluo, o voto é no sentido de CONHECER e DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado deu PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para que a unidade preparadora exclua o ICMS da base de cálculo da COFINS, apurando o valor do crédito. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 167DF CARF MF
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Numero do processo: 15971.000162/2007-12
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 01 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2004
DESPESAS MÉDICAS. RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE.
Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas.
JUROS SELIC.
Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula no 4 do 1° Conselho de Contribuintes.
MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO.
No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicá-la, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicá-las, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96.
Numero da decisão: 2001-000.961
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e redator designado
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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RECIBOS GLOSADOS SEM QUE TENHAM SIDO APONTADOS INDÍCIOS DE SUA INIDONEIDADE. Os recibos de despesas médicas não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, mas a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve ser acompanhada de indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, os recibos comprovam despesas médicas. JUROS SELIC. Os juros calculados pela Taxa Selic são aplicáveis aos créditos tributários não pagos no prazo de vencimento consoante previsão do § 1° do artigo 161 do CTN, artigo 13 da Lei n.° 9.065/95 e artigo 61 da Lei n.° 9.430/96 e Súmula no 4 do 1° Conselho de Contribuintes. MULTA DE OFÍCIO E VEDAÇÃO AO CONFISCO. No lançamento de oficio a multa a ser aplicada é de 75% conforme estabelece a legislação. Uma vez positivada a norma, é dever da autoridade administrativa aplicála, não lhe competindo o exame da constitucionalidade das Leis, nem deixar de aplicálas, salvo se já houver decisão do Supremo Tribunal Federal neste sentido. Art. 44, I da Lei 9.430/96. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencidos os conselheiros José Ricardo Moreira e Fernanda Melo Leal, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Jorge Henrique Backes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 97 1. 00 01 62 /2 00 7- 12 Fl. 391DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e redator designado (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Relatório Contra o contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2004, anocalendário de 2003, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 43.821,00, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário de imposto de renda suplementar acrescido de juros e multa de oficio. O interessado foi cientificado da notificação e apresentou impugnação de fls 01 e ss, juntando documentos para tentar comprovar as despesas. Alega, em síntese, que se trata de despesa própria, consigna a anexação dos documentos probatórios correspondentes e requer o acolhimento da impugnação. Questiona aplicação da taxa Selic e Multa supostamente confiscatória. A DRJ São Paulo, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não comprovam o pagamento de despesas médicas. Ratifica a DRJ que o notificado informou em sua Declaração de Ajuste, que no ano de 2003 despendeu, apenas com despesas médicas, o importe de R$ 47.690,51, representando 74% (setenta e quatro por cento) dos rendimentos declarados pelo contribuinte. Solicitou comprovação de pagamento e o contribuinte apenas alega que foram pagos em espécie e nem extrato bancário junta para tentar comprovar as suas alegações. Em sede de Recurso Voluntário, repisa o contribuinte mesmos argumentos e fundamentos para tentar comprovar seu guerreado direito, no entanto não junta nenhuma prova documental que demonstre seu esforço em comprovar o efetivo pagamento. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Fl. 392DF CARF MF Processo nº 15971.000162/200712 Acórdão n.º 2001000.961 S2C0T1 Fl. 3 3 Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física os desembolsos a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou recibos médicos diversos para comprovar as despesas médicas incorridas. No entanto, a decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas , nos seguintes termos: “[...] O notificado informou em sua Declaração de Ajuste, que no ano de 2003 despendeu, apenas com despesas médicas, o importe de R$ 47.690,51, representando 74% (setenta e quatro por cento) dos rendimentos declarados pelo contribuinte, dos quais foram comprovados à autoridade lançadora, apenas o valor de R$ 3.869,51, sendo glosando o valor de R$ 43.821,00 por falta de comprovação do pagamento. Depreendese das legislações transcritas, principalmente as que se grifou, que todas as deduções estão sujeitas ao crivo do Fisco, Fl. 393DF CARF MF 4 e conforme consta da descrição dos fatos do Auto de Infração, fls. 159, o contribuinte foi intimado pela autoridade fiscal a comprovar a efetividade dos pagamentos , e não o fez. Com a impugnação traz a Impugnante as mesmas cópias de recibos já apresentados ao Auditor Fiscal, das quais se verifica que a maioria dos recibos nem preenchem todos os requisitos da lei, eis que sem endereço do prestador do serviço. Salientamos que a legislação tributária não dá aos comprovantes, ainda que revestidos de todas as formalidades, valor probante absoluto. Não há dúvidas de que a efetividade do pagamento a titulo de despesa médica não se comprova com a mera exibição de recibos, mormente quando os valores pleiteados, com deduções de despesas médicas, são expressivos em relação aos rendimentos.declarados. (§ 1°, art. 73 do RIR/99). A dedução de despesas médicas na declaração do contribuinte está, assim, condicionada a comprovação hábil e idônea dos gastos efetuados. Registrese que em defesa do interesse público, é entendimento no âmbito da Receita Federal do Brasil que para gozar as deduções com despesas médicas não basta o contribuinte ter a disponibilidade de simples recibos, cabendo a este, comprovar, de forma objetiva a efetiva prestação do serviço médico e o pagamento realizado. 0 contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde (prestador de serviços), mas também o Fisco caso haja intenção de se beneficiar da dedução na declaração de rendimentos. Por isso, este deve se acautelar na guarda de outros elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço, ainda mais quando o valor do pagamento é alto e contumaz. A emissão de recibo de pagamento serve muito bem para quitar um débito e fazer prova contra o credor, mas não para comproválo junto a terceiros interessados. A comprovação da efetivação dos pagamentos já havia sido solicitada pela autoridade fiscal, poderia o impugnante, se assim quisesse, ter juntado aos autos documentos que reforçassem a convicção de que de fato houve o pagamento como cópia de cheques, extratos bancários, transferências bancárias (TED's, DOC's), etc.. O Impugnante, em que pesem os esforços expendidos, não logrou demonstrar a efetiva transferência dos valores, e, em sua impugnação questiona qual a legislação que proíbe pagamento em dinheiro. Tendo em vista que todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação a juízo da autoridade administrativa e que estas não foram realizada Fl. 394DF CARF MF Processo nº 15971.000162/200712 Acórdão n.º 2001000.961 S2C0T1 Fl. 4 5 [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal entende que a documentação apresentada não foi suficiente para comprovar as despesas posto que não foi formada a convicção livre da autoridade fiscal. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Fl. 395DF CARF MF 6 Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se no quanto exposto de DRJ, entendo que negado provimento ao Recurso Voluntário e mantida a glosa das despesas médicas por falta de comprovação de pagamento. SELIC Juros e multa aplicada No que se refere aos tributos federais, a partir de 1º de janeiro de 1996, a taxa SELIC passou a ser o índice de juros e correção monetária a ser aplicado desde o pagamento indevido, por força do art. 39, § 4º, da Lei9.250/95. Assim, para os tributos federais iremos aplicar a taxa Selic (instituída pela Lei nº 9.250/95) e não mais o regramento previsto no Código Tributário Nacional, haja vista que ele próprio abre espaço para que cada ente da federação legisle de forma distinta quanto aos seus tributos. Repetindo: o termo inicial da fluência tanto da correção monetária quanto dos juros de mora, nos tributos federais, após 1º de janeiro de 1996, será a data do recolhimento indevido. Os demais tributos estaduais e municipais, salvo disposição em lei em sentido contrário dos respectivos entes da federação, se submetem ao regramento supramencionado contido no CTN. Nesta senda, resta claro que no caso de repetição de indébito de tributos federais, tendo que considerar como termo inicial para contagem da SELIC a data do recolhimento indevido, que no caso em comento, ocorreu em abril de 2003. Não há que se falar em outro período de termo inicial da fluência da correção monetária. No entanto, como muito bem colocado na decisão a quo, deve ser observado o pagamento já efetuado pelo contribuinte no Darf juntado aos autos do processo (fls.2) Por fim, a Súmula CARF de número 4 não traz nenhum ponto de dúvida em relação à sua aplicação. Portanto, não há discussão em relação a sua aplicação. Súmula nº 4 CARF: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil são devidos nos períodos de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Em que pese a multa não seja tributo, mas sim penalidade que tem por fim coibir o cometimento de infrações, ainda que, hipoteticamente, fosse aplicável a questão de confisco, não compete a esta instância administrativa sopesar a exigência tributária: se é ou não demasiada. Essa tarefa assiste ao Legislador e ao Poder Judiciário. No âmbito do Poder Executivo, deve a autoridade fiscalizadora apenas cumprir a determinação legal, de forma vinculada e obrigatória, aplicando o ordenamento vigente às infrações concretamente constatadas. CONCLUSÃO: Fl. 396DF CARF MF Processo nº 15971.000162/200712 Acórdão n.º 2001000.961 S2C0T1 Fl. 5 7 Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para manter o crédito tributário lançado. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Voto Vencedor Conselheiro Jorge Henrique Backes, redator designado Discordo do Relator em relação às despesas médicas. Os recibos não tem valor absoluto para comprovação de despesas médicas, podendo ser solicitados outros elementos de prova, tanto do serviço como do pagamento. Mesmo que não sejam apresentados outros elementos de comprovação, a recusa a sua aceitação, pela autoridade fiscal, deve estar fundamentada. Como se trata do documento normal de comprovação, para que seja glosado devem ser apontados indícios consistentes que indiquem sua inidoneidade. Na ausência de indicações desabonadoras, na falta de fundamentação na recusa, os recibos comprovam despesas médicas. No caso, não foram solicitados outros elementos de prova de maneira objetiva, e o fundamento para lançar limitase a que recibos não comprovam pagamento de despesas médicas. O lançamento pode até ocorrer sem pedido de esclarecimentos ou de prévia intimação ao contribuinte, como consta inclusive em súmula do CARF: Súmula CARF nº 46: O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário. No entanto, a recusa a documentos usuais não pode prescindir de justificativa, inclusive porque deduções elevadas podem estar completamente dentro da lei e do direito do contribuinte. Não deixo de fazer aqui uma fundamentação do entendimento expresso acima, pois a falta de fundamentação é a matéria em discussão. Muitas vezes a autoridade fiscal baseia a recusa a deduções no art.73 do Decreto nº 3.000, de 1999, que assim dispôs: Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). Tal artigo indica que determinados documentos não fazem prova absoluta, podendo ser solicitados elementos adicionais de comprovação. No entanto, isso não significa 8 Fl. 397DF CARF MF 8 que o juízo, o fundamento da autoridade, dos fatos e do direito, não necessite ser apresentado. E tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como se pode ver no art 2º Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. A rigidez dos termos do art. 73 e § 1º está mais para o período em que foi concebido do que para o ordenamento jurídico atual. Além disso, mesmo na vigência do referido DecretoLei a austeridade do instrumento não era plena, visto que o art. 79, § 1º, do mesmo diploma legal lhe impunha limitações, no seguinte dizer: “Art. 79. Farseá o lançamento exofficio: § 1º Os esclarecimentos prestados só poderão ser impugnados pelos lançadores, com elemento seguro de prova, ou indício veemente de sua falsidade ou inexatidão.”. Assim, na ausência de fundamentação plausível para a recusa de documentos usuais de comprovação é indevida a glosa de despesas médicas. Diante do exposto, voto por dar provimento integral ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Fl. 398DF CARF MF
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