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Numero do processo: 13151.000012/2002-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon May 15 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Exercício: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que inexistiram os vícios de omissão e contradição alegados pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida.
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS.
Ao se constatar que a forma sintética do acórdão embargado pode conduzir a mais de uma interpretação quanto ao aproveitamento de pagamentos para reduzir o lançamento, cabe prestar os esclarecimentos necessários à correta execução do acórdão. Tendo sido os pagamentos disponíveis feitos em data anterior ao vencimento do principal lançado, o valor principal da exigência deve ser reduzido pelo valor principal dos pagamentos disponíveis.
Numero da decisão: 1301-002.408
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos embargos para esclarecer obscuridade, sem efeitos modificativos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram os vícios de omissão e contradição alegados pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS. Ao se constatar que a forma sintética do acórdão embargado pode conduzir a mais de uma interpretação quanto ao aproveitamento de pagamentos para reduzir o lançamento, cabe prestar os esclarecimentos necessários à correta execução do acórdão. Tendo sido os pagamentos disponíveis feitos em data anterior ao vencimento do principal lançado, o valor principal da exigência deve ser reduzido pelo valor principal dos pagamentos disponíveis.
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que inexistiram os vícios de omissão e contradição alegados pela embargante, os embargos declaratórios devem ser rejeitados. Os embargos declaratórios não se prestam a rediscutir matéria já decidida. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE. APROVEITAMENTO DE PAGAMENTOS. Ao se constatar que a forma sintética do acórdão embargado pode conduzir a mais de uma interpretação quanto ao aproveitamento de pagamentos para reduzir o lançamento, cabe prestar os esclarecimentos necessários à correta execução do acórdão. Tendo sido os pagamentos disponíveis feitos em data anterior ao vencimento do principal lançado, o valor principal da exigência deve ser reduzido pelo valor principal dos pagamentos disponíveis. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial aos embargos para esclarecer obscuridade, sem efeitos modificativos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 15 1. 00 00 12 /2 00 2- 22 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 373 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Trata o presente de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301001.987 (fls. 302/312), prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 07/04/2016. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse por maioria de votos no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 1998 ALOCAÇÕES DE PAGAMENTOS. CORREÇÃO DOS PROCEDIMENTOS. Verificado que as alocações dos pagamentos foram efetuadas segundo o que constou nos documentos de arrecadação e no conjunto de declarações apresentadas pela contribuinte (batimento DIRPJ/DCTF), não merece reparo o lançamento. A Administração Tributária não pode responder pelas informações contraditórias e inexatas que constam das guias de recolhimento e declarações apresentadas pela contribuinte. PAGAMENTO. DISPONIBILIDADE. Desde que, no curso da segunda diligência efetuada, foram identificados pagamentos disponíveis e não alocados automaticamente pelo sistema, tais pagamentos devem ser considerados para reduzir os valores lançados, a exemplo do que já havia sido feito em primeira instância. Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de vícios diversos, a saber: 1. Erros materiais no acórdão embargado. 1.1. Da prescrição dos débitos que foram objeto de alocação. 1.2. Da decadência dos débitos que foram objeto de alocação. 2. Das omissões, contradição e obscuridade no acórdão embargado. 2.1. Da exigência de IRPJ do 2º trimestre de 1997 – Alocações indevidas. 2.2. Do pagamento a maior no 3º trimestre de 1997. 2.3. Da obscuridade quanto à forma de alocação dos pagamentos de R$ 4.257,94 e R$ 1.013,53. Fl. 373DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 374 3 Ao final, a embargante requer o conhecimento e provimento de seus embargos para sanar os vícios apontados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A embargante tomou ciência do acórdão ora embargado em 12/07/2016, terçafeira (termo à fl. 334). Tendo sido os embargos de fls. 338/347 apresentados em 18/07/2016, segundafeira (termo à fl. 337), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, ao requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos, tendo por parâmetros delimitadores aqueles estabelecidos pelo caput do art. 65 do Anexo II do RICARF, verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. 1. Erros materiais no acórdão embargado. 1.1. Da prescrição dos débitos que foram objeto de alocação. Sustenta a embargante que o acórdão embargado teria adotado premissas equivocadas para afastar a alegação de prescrição dos valores de valores de R$ 9.093,53 (adicional do IRPJ do 2º trimestre de 1997), R$ 2.956,03 (IRPJ de 1996) e R$ 5.411,28 (IRPJ do 1º trimestre de 1997) foram atingidos pela decadência. Por sua ótica, a partir do momento em que a DRJ determinou a alocação de pagamentos a esses débitos, todas as questões referentes à existência do crédito tributário se tornaram relevantes, especialmente a prescrição, questão de ordem pública. Acrescenta que, se esses valores (não aqueles exigidos mediante auto de infração) foram declarados pela interessada e supostamente não pagos, os procedimentos para a cobrança e execução fiscal já deviam ter sido adotados e, como não o foram, os débitos estariam prescritos. Requer o afastamento das premissas errôneas e o reconhecimento da prescrição dos débitos indevidamente quitados com alocações de pagamentos pela DRJ. 1.2. Da decadência dos débitos que foram objeto de alocação. A embargante afirma que os débitos dos valores de R$ 9.093,53 (adicional do IRPJ do 2º trimestre de 1997), R$ 2.956,03 (IRPJ de 1996) e R$ 5.411,28 (IRPJ do 1º trimestre de 1997) teriam sido atingidos pela decadência, e que esse teria sido seu argumento em sede de recurso voluntário. A análise feita pelo acórdão embargado teria sido equivocada, pois teriam Fl. 374DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 375 4 sido analisados os débitos exigidos no presente auto de infração, e não aqueles extintos mediante a alocação de pagamentos feita pela DRJ. Os dois pontos acima merecem tratamento conjunto. Registrese, inicialmente, que as alegações soam contraditórias, visto que alegam prescrição e decadência para os mesmos três débitos, R$ 9.093,53 (adicional do IRPJ do 2º trimestre de 1997), R$ 2.956,03 (IRPJ de 1996) e R$ 5.411,28 (IRPJ do 1º trimestre de 1997). A decisão embargada deixou claro que as alocações de pagamentos discutidas ao longo do processo não foram feitas pelo julgador de primeira instância, mas sim muito antes, pela Administração Tributária. E mais, que tais alocações, se feitas por critérios diferentes daqueles que a interessada reputa corretos, foram feitas diante de informações equivocadas e conflitantes prestadas pela própria interessada. Confiramse os seguintes excertos: Inicialmente, de se afastar a alegação de decadência. O fato gerador trimestral do tributo aqui discutido ocorreu em 30/06/1997, e a ciência do lançamento em 22/03/2002 (fl. 74) 1. Em assim sendo, quer sejam consideradas as disposições do art. 150, § 4º, do CTN, quer aquelas do art, 173, I, em qualquer hipótese o lançamento terá sido feito dentro do quinquênio legal. De igual modo devem ser rejeitadas as alegações de prescrição para os valores de R$ 9.093,53, R$ 2.956,03 e R$ 5.411,28. Em primeiro lugar, porque esses débitos não são objeto do lançamento do presente processo. Em segundo lugar, porque, ainda que a discussão acerca da alocação de pagamentos a esses débitos tenha surgido no processo como alegações de defesa, não se há de cogitar de prescrição por alocação de pagamentos a débitos declarados. Se essa alocação foi ou não correta é discussão de mérito, mas nada tem a ver com a prescrição. [...] [...] A decisão de primeira instância esclareceu as alocações feitas para esses pagamentos pela Administração Tributária. [...] [...] As alocações de pagamentos trazidas à luz não foram feitas em sede de julgamento, mas muito antes, pela autoridade administrativa competente. Isso ficou evidenciado, inclusive, pelo resultado da diligência determinada em primeira instância. Na busca da verdade material já foram determinadas e cumpridas duas diligências, após as quais necessário se faz dar solução ao litígio, diante das provas dos autos. [...] Quanto às alocações de pagamentos feitas em divergência com os critérios que a recorrente entende corretos, tenho que, de fato, a situação fática se afigura confusa, mas quem deu causa a essa confusão foi a própria interessada, e não a administração tributária. Senão vejamos: [...] 1 Numeração do sistema eprocesso Fl. 375DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 376 5 Como se vê, a interessada forneceu à Administração Tributária informações conflitantes e/ou errôneas em suas declarações e nas guias de pagamentos (DARFs). Diante disso, a alocação dos pagamentos aos débitos foi feita com as informações disponíveis, seguindo, como orientação subsidiária, a data do vencimento indicada nos DARFs. Incabível, no caso, a pretendida aplicação das disposições do art. 163 do CTN, visto que a alocação foi feita com as indicações da própria interessada. Se tais indicações foram confusas ou errôneas, não se pode imputar essa responsabilidade à Administração. Observese: as alocações feitas pela Administração não foram arbitrárias, descumprindo indicações precisas e corretas feitas pela contribuinte. Ao contrário, diante de informações imprecisas e incorretas, a Administração fez o que lhe foi possível. Como se vê, não se verificam quaisquer premissas errôneas adotadas pelo acórdão embargado, que pudessem ser tidas como erros materiais, a serem sanados pela via dos embargos inominados (art. 66 do Anexo II do RICARF). Muito menos ocorreu qualquer contradição, omissão ou obscuridade. Não se reconheceu a decadência para os débitos extintos pela alocação de pagamentos porque o presente processo não cuida da constituição de tais créditos tributários pela via do lançamento, o que afasta a possibilidade de decadência. |Por outro giro, não foi reconhecida a prescrição porque, para a Administração Tributária (e não para o julgador de primeira instância), tais débitos se encontravam extintos por pagamento, diante do que não se poderia cogitar de providências para sua cobrança e execução. Não há, no caso, qualquer premissa equivocada nem erro material, mas tão somente a inconformidade da interessada com a decisão que lhe foi desfavorável. Os embargos devem ser rejeitados, quanto a estes dois primeiros pontos. 2. Das omissões, contradição e obscuridade no acórdão embargado. 2.1. Da exigência de IRPJ do 2º trimestre de 1997 – Alocações indevidas. A embargante sustenta que teria feito pagamentos dos valores de R$ 2.956,03 (1996), acrescido de juros e multa, em 21/03/2001; e de R$ 5.411,25 (1º trimestre de 1997), igualmente acrescido de juros e multa, em 30/09/1997, conforme DARFs anexados ao processo. Esses pagamentos é que extinguiriam os débitos correspondentes, revelandose, assim, indevida a alocação de pagamentos feita (segundo afirma) pela DRJ. O Acórdão embargado terseia omitido sobre essa alegação. Não assiste razão à embargante. O acórdão embargado expressamente validou as alocações de pagamentos feitas pela Administração Tributária e explicitadas pelo julgador de primeira instância e pelas duas diligências já feitas no curso do processo. O primeiro pagamento a que se refere a interessada se encontra à fl. 183 (correspondente à fl. 179 da antiga numeração manual) e foi objeto do quesito (a) da diligência determinada pela Resolução nº 1051.430, de 16/10/2008. O quesito e a respectiva resposta se encontram transcritos no relatório do acórdão embargado. Para clareza, volto a transcrevêlos: Quesito (a): Verifique se o pagamento representado pelo DARF acostado por cópia à fl. 179 é suficiente para a quitação do débito de IRPJ do anocalendário 1996, ao qual foi alocado parcialmente o pagamento de R$ 7.963,48 (fl. 86). Adicionalmente, informe se o DARF de fl. 179 se encontra alocado para algum outro débito. Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 377 6 Resposta ao Quesito (a): O débito relativo ao adicional do IRPJ (anual) do anocalendário 1996, declarado pelo contribuinte na DIRPJ 1997 (e que está compatível com o lucro presumido total informado na mesma declaração) corresponde a R$ 11.824,12 (dividido em quatro quotas de R$ 2.956,03, vencidas em 31/03/97, 30/04/97, 30/05/97 e 30/06/97 todas liquidadas com pagamentos diversos). Portanto, apenas o pagamento de R$ 2.956,03 (valor do principal), representado pelo DARF de fl. 179, não é suficiente para a quitação do débito em questão. Como já salientado, parte do pagamento de R$ 7.963,48 (R$ 3.081,36) foi alocada à 4ª quota do débito relativo ao adicional do IRPJ do anocalendário 1996 (vencida em 30/06/97), quitandoa. Já o pagamento representado pelo DARF de fl. 179 (valor total de R$ 5.975,60 e do principal de R$ 2.956,03) foi aproveitado para extinguir parte da 3ª quota do mesmo débito (valor amortizado do débito: R$ 2.909,40), como mostram as telas de fls. 247/249. Oportuno ressaltar que não foi localizado (consulta ao Sinal01) outro pagamento de mesmo valor (do principal), ainda que alocado a outro débito, que pudesse corresponder à 4ª quota do IRPJ adicional de 1996. Também não foi localizado qualquer outro pagamento efetuado pelo contribuinte que esteja disponível (não alocado) e que possua as mesmas características desse débito (valor e vencimento). O segundo pagamento a que se refere a interessada se encontra à fl. 188 (correspondente à fl. 184 da antiga numeração manual) e foi objeto do quesito (b) da diligência determinada pela Resolução nº 1051.430, de 16/10/2008. O quesito e a respectiva resposta se encontram transcritos no relatório do acórdão embargado. Para clareza, volto a transcrevêlos: Quesito (b): Verifique se os pagamentos representados pelos DARFs acostados por cópia às fls. 181/184 são suficientes para a quitação do débito de IRPJ do primeiro trimestre do anocalendário 1997. Adicionalmente, informe se os DARFs de fls. 181/184 se encontram alocados para algum outro débito. Resposta ao Quesito (b): O crédito tributário constituído a título de IRPJ do 1º trimestre do ano calendário 1997, mediante entrega da DIRPJ 1998 (fl. 78), é de R$ 16.233,86 (dividido em três quotas de R$ 5.411,28, vencidas em 30/04/97, 30/05/97 e 30/06/97, todas liquidadas). Os pagamentos representados pelos DARFs de fls. 181 a 184 seriam suficientes para a quitação do débito constituído, como mostra os demonstrativos extraídos do sistema Sicalc de fls. 252 a 255. Entretanto, ante a divergência de valores e vencimentos, alguns desses pagamentos não foram alocados ao débito tratado neste item. Segue a situação de cada um deles: o pagamento efetuado em 28/02/97 (DARF de fl. 181), no valor de R$ 4.257,94, encontrase disponível nos sistemas de controle da Receita Federal (sem alocação); Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 378 7 o pagamento efetuado em 31/03/97 (DARF de fl. 182), no valor de R$ 3.969,56, foi alocado parcialmente (R$ 2.956,03) à 1ª quota do IRPJ adicional do anocalendário 1996. O valor remanescente do pagamento (R$ 1.013,53) encontrase disponível (sem alocação); o pagamento efetuado em 30/04/97 (DARF de fl. 183), no valor de R$ 5.112,83, foi totalmente alocado à 1ª quota do IRPJ do 1º trimestre de 1997; o pagamento efetuado em 30/09/97 (DARF de fl. 184), no valor total de R$ 3.750,04 (valor do principal: R$ 2.893,55), também foi alocado integralmente ao débito de IRPJ do 1º trimestre de 97 (R$ 385,11 à 1ª quota e R$ 3.364,93 à 2ª quota). As telas das pesquisas que confirmam estas informações constam das fls. 256 a 260. Cabe lembrar que o artigo 1º da Lei n° 9.430/96 (aplicável ao ano de 1997) determinou que o imposto deveria ser apurado por períodos trimestrais, encerrados em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário. O artigo 5º da citada lei, por sua vez, estabeleceu que o imposto devido deveria ser "pago em quota única, até o último dia útil do mês subseqüente ao do encerramento do período de apuração", ou "em até três quotas mensais, iguais e sucessivas, vencíveis no último dia útil dos três meses subseqüentes ao de encerramento do período de apuração a que corresponder", (sublinhei) Os pagamentos reclamados pelo contribuinte (representados pelos DARFs de fls. 181 a 184) não foram efetuados em três quotas mensais, iguais e sucessivas, tampouco em quota única, conforme determinação legal. Nenhum dos pagamentos possui valor equivalente ao das quotas do débito. Os DARFs relativos aos dois primeiros pagamentos (R$ 4.257,94 e R$ 3.969,56) foram preenchidos com datas de vencimento que não correspondem ao do débito, seja considerado em quota única, seja em três. Tal situação explica o fato de ambos os pagamentos não terem sido alocados ao débito do 1º trimestre de 1997. Como se observa, a diligência tornou claro que o primeiro dos pagamentos aqui referidos foi alocado para quitação da terceira quota do adicional de IRPJ do ano calendário 2006, revelandose correta a alocação de outro pagamento, até então disponível, para extinção da quarta quota, que se encontrava em aberto. Situação semelhante ocorreu com o segundo pagamento, integralmente alocado para o débito de IRPJ do 1º trimestre de 1997. Ao, mais uma vez, tornar explícitos os critérios e alocações feitos pela Administração Tributária e validar essas alocações, não se pode cogitar de qualquer omissão da turma julgadora. Os embargos devem ser rejeitados, também quanto a este ponto. 2.2. Do pagamento a maior no 3º trimestre de 1997. Segundo a embargante, haveria contradição no acórdão embargado, por reconhecer como devidas as alocações de pagamentos realizadas pela DRJ para débitos que não eram exigidos no presente auto de infração, mas considerar que o pagamento a maior no 3º trimestre de 1997 seria matéria estranha à lide. Pede que seja sanada a contradição, reconhecendo o pagamento a maior no valor de R$ 5.990,01, que deverá ser empregado para o pagamento de eventual débito. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 379 8 Conforme anteriormente esclarecido neste voto (como se não estivesse suficientemente claro no acórdão embargado), quem fez alocações de pagamentos foi a Administração Tributária, não o julgador de primeira instância. A DRJ tão somente esclareceu as alocações e os critérios para tanto, inclusive mediante a realização de diligência. A análise dessas alocações surgiu neste processo como razões de defesa, no momento em que a interessada apresentou impugnação ao lançamento alegando que os valores objeto de autuação já haviam sido quitados. A DRJ, corretamente, verificou a destinação dada aos pagamentos especificados pela então impugnante ou, em outras palavras, verificou a alocação dos pagamentos. O exame dessa matéria é, pois, a verificação dos argumentos defesa, totalmente pertinente à lide que se estabeleceu a partir da impugnação ao lançamento. Em sede de recurso voluntário, a então recorrente quis trazer à baila discussão acerca de alegado excesso de pagamento no 3º trimestre de 1997. A alegação foi tida como estranha aos autos pelo acórdão embargado, nos seguintes termos: Finalmente, quanto à alegação de que teria ocorrido pagamento a maior no 3º trimestre de 1997, deve ser esclarecido à recorrente que essa matéria, sim, é completamente estranha à lide. Da argumentação da interessada, depreendese que esse alegado pagamento a maior é totalmente autônomo em relação à discussão do presente processo, não estando de forma alguma ligado a eventuais e hipotéticas alocações indevidas de pagamentos. Por esse motivo, o alegado indébito teria que ser pleiteado e apurado por via própria, nunca nos presentes autos. O fundamento dessa decisão é claro: o alegado excesso de pagamento não corresponde em hipótese alguma ao crédito constituído mediante a autuação, nem guarda qualquer relação com as discussões atinentes à alocação de pagamentos para que pudesse ser tido como razão válida de defesa. Situações diferentes podem demandar soluções diferentes, a partir de diferentes fundamentos. Não há nisso qualquer contradição. Os embargos devem ser rejeitados, também quanto a este ponto. 2.3. Da obscuridade quanto à forma de alocação dos pagamentos de R$ 4.257,94 e R$ 1.013,53. Aqui, a embargante se refere aos dois pagamentos “disponíveis”, ou seja, encontrados nos sistemas da Receita Federal sem alocação a qualquer débito, identificados por ocasião da segunda diligência (Resolução nº 1051.430, de 16/10/2008). Especificamente: (i) o pagamento efetuado em 28/02/97 (DARF de fl. 181)2, no valor de R$ 4.257,94; e (ii) o pagamento efetuado em 31/03/97 (DARF de fl. 182)3, no valor de R$ 3.969,56 (neste caso, a parcela disponível é de R$ 1.013,53). O acórdão embargado determinou que esses pagamentos “disponíveis” fossem aproveitados para reduzir o lançamento então sob discussão, nos seguintes termos: Diante disso, e tendo em vista tudo o que foi exposto, tenho que é medida de justiça o aproveitamento desses dois pagamentos “disponíveis” (o segundo, parcialmente), para reduzir o lançamento ora discutido. Não fazêlo implicaria 2 fl. 185, na numeração do sistema eprocesso. 3 fl. 186, na numeração do sistema eprocesso. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 380 9 enriquecimento ilícito do Estado, posto que o contribuinte não mais teria como recuperar tais pagamentos “não alocados”. [...] Em conclusão, voto pelo provimento parcial do recurso voluntário interposto, para admitir que o valor lançado seja reduzido mediante o aproveitamento das parcelas de R$ 4.257,94 e de R$ 1.013,53, acima especificados. Eis a obscuridade alegada pela recorrente, em suas palavras: Por outro lado, já em primeira instância administrativa, a DRJ havia reduzido o lançamento para R$ 15.133,24, tendo em vista a constatação da disponibilidade de um dos pagamentos efetuados pela Embargante (R$ 7.507,06). Assim sendo, tendo em vistas as reduções determinadas pela a DRJ pelo CARF, a Embargante tinha a justificável pretensão de que o valor principal exigido pelo auto de infração seria reduzido para o montante de R$ 9.861,71. Todavia, quando da sua intimação do teor do v. acórdão, a Embargante foi surpreendida pela cobrança do valor principal de R$ 11.299,45. A embargante não especifica o motivo de sua discordância, mas tão somente sua surpresa diante do principal remanescente em valor superior à sua expectativa. Compulsando os autos, encontro demonstrativos às fls. 317/327 do processo que refletem os cálculos efetuados pela Autoridade Administrativa na execução do acórdão embargado. De especial interesse o demonstrativo do sistema SICALC à fl. 324. Os sistemas da Receita Federal do Brasil contemplam uma enorme variedade de situações e contém grande quantidade de informações. Para aqueles que trabalham diretamente, no diaadia, com um determinado sistema, os demonstrativos podem ser de clareza meridiana, mas não é o que ocorre com aqueles que com eles se deparam apenas eventualmente, observação ainda mais válida em se tratando do contribuinte interessado. Em caso de dúvidas, incumbe à Autoridade Administrativa esclarecer ao contribuinte acerca dos métodos e critérios adotados. Mas isso seria bastante difícil de ser concretizado no exíguo prazo de cinco dias para a oposição dos embargos. É plausível que a expressão sintética empregada pelo acórdão embargado tenha dado margem a mais de uma interpretação possível sobre a forma como deveria ser executada a decisão. Diante disso, cabe esclarecer o alcance do quanto decidido. A decisão foi de provimento parcial do recurso, reduzindo o valor lançado mediante o aproveitamento das duas parcelas especificadas. Desde o relatório e na fundamentação da decisão, ficou evidenciado que a situação fática se afigurava confusa, e que quem deu causa a tal confusão foi a própria interessada, ao fornecer informações conflitantes e/ou errôneas em suas declarações e nas guias de pagamentos (DARFs). Diante disso, foram validadas as alocações de pagamentos feitas pela Administração Tributária, com base nas informações de que dispunha. O aproveitamento dos pagamentos “disponíveis” nada mais foi do que uma complementação dos critérios até então adotados pela Administração. Observese que ambos os pagamentos “disponíveis” foram feitos em datas anteriores (28/02/1997 e 31/03/1997) ao vencimento do principal exigido mediante lançamento (31/07/1997). Por consequência lógica, o valor principal remanescente após a decisão de primeira instância (R$ 15.133,24) deve ser reduzido pelo valor original dos pagamentos “disponíveis”, a saber, R$ 4.257,94 e R$ 1.013,53, do que resultará um valor original remanescente após a decisão de Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13151.000012/200222 Acórdão n.º 1301002.408 S1C3T1 Fl. 381 10 segunda instância de R$ 9.861,77. Os consectários legais de multa de ofício e juros devem ser reduzidos na mesma proporção. Tenho, assim, por esclarecida a obscuridade. Não há efeitos modificativos sobre a decisão, embora possa haver modificação nos critérios adotados em sua execução, de modo a conduzir a um valor remanescente diferente daquele calculado pela Autoridade Administrativa. Conclusão. Em conclusão, por todo o exposto, voto por dar provimento parcial aos presentes embargos tão somente para esclarecer obscuridade quanto ao aproveitamento de pagamentos disponíveis, ratificando em todos os demais aspectos o quanto decidido pelo Acórdão nº 1301001.987, de 07/04/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 381DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.905576/2012-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2008
COMPENSAÇÃO. REQUISITOS.
É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO.
Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado.
PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL.
A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.797
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2008 COMPENSAÇÃO. REQUISITOS. É vedada a compensação de débitos com créditos desvestidos dos atributos de liquidez e certeza. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ÔNUS DA PROVA. FATO CONSTITUTIVO DO DIREITO NO QUAL SE FUNDAMENTA A AÇÃO. INCUMBÊNCIA DO INTERESSADO. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado. PROVA DOCUMENTAL. PRINCÍPIO PROCESSUAL DA VERDADE MATERIAL. A busca da verdade real não se presta a suprir a inércia do contribuinte que tenha deixado de apresentar as provas necessárias à comprovação dos créditos alegados. Recurso Voluntário Negado ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Votaram pelas conclusões os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo e Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 55 76 /2 01 2- 11 Fl. 134DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, José Luiz Feistauer de Oliveira, Marcelo Giovani Vieira, Mércia Helena Trajano D'Amorim, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araújo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima e Tatiana Josefovicz Belisário. Relatório GENERAL CHAINS DO BRASIL LTDA. transmitiu PER/DCOMP alegando indébito da contribuição social (PIS ou Cofins). A repartição de origem emitiu Despacho Decisório Eletrônico não homologando a compensação, em virtude de o pagamento informado ter sido integralmente utilizado para quitação de débitos declarados pelo contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Em Manifestação de Inconformidade, o declarante informou que o direito creditório decorrera do recolhimento indevido da contribuição sobre receitas financeiras, que, segundo ele, estavam sujeitas à alíquota zero. Argumentou que, apesar de não ter declarado o referido pagamento por compensação em DCTF, procedera à retificação da declaração logo após ter sido notificado, tratandose, portanto, de mero erro de fato, passível de superação em prol da justiça e da boa fé. Não obstante essa sua afirmação, o contribuinte alegou também em sua Manifestação de Inconformidade o seguinte: Não há meios para efetuar a DCTF retificadora de forma a corrigir o inequívoco erro, o que a Lei admite, pois expirou o prazo prescricional de 05 anos para referida retificação via meios eletrônicos e ainda em face de que a empresa teve os seus demonstrativos da época em referência nesta manifestação extraviados (DACONs), em decorrência de alteração da administração contábil da empresa. Dessa forma requer que a administração promova a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido pelo contribuinte. (destaques nossos) Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte anexou cópias do Despacho Decisório, do PER/Dcomp e do recibo da DCTF original. Nos termos do Acórdão nº 02050.324, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a DRJ fundamentado sua decisão no fato de que o recolhimento alegado como origem do crédito encontravase integralmente alocado para a quitação de débito confessado, não se tendo por caracterizado o alegado pagamento indevido ou a maior, dada a inexistência de comprovação de erro no preenchimento da DCTF. Em seu recurso voluntário, a Recorrente repisa suas razões de defesa, destacando que o direito creditório decorre da inclusão equivocada, na base de cálculo da Fl. 135DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 4 3 contribuição, de receitas financeiras sujeitas à alíquota zero, desde 02/08/2004, por força do Decreto nº 5.164/2004. Na sequência, sustenta que seu direito creditório é legítimo e incontestável e que promovera a retificação da DCTF em razão do erro de fato ocorrido em seu preenchimento. Destaca a Recorrente que é "dever da administração promover a retificação ex oficio das declarações, a fim de que a contabilidade da empresa e seus documentos fiscais espelhem a realidade dos fatos diante do erro cometido". Cita doutrina, transcreve jurisprudência do STJ e deste Conselho para amparar sua alegações e argumenta que o Código Tributário Nacional (CTN) admite a remissão total ou parcial do crédito tributário no caso de erro de matéria de fato escusável e requer a observância ao princípio da boa fé. Reclama que a turma julgadora de primeira instância centrou seu juízo em interpretação restritiva "pelo texto frio da lei" e repisa seus argumentos no sentido de que se trata de um inequívoco erro de fato no preenchimento da DCTF. Conclui que a jurisprudência de nossos Tribunais Judiciais admite a realização de correções em DCTF até mesmo após a inscrição do débito em dívida ativa ou mesmo após a sua execução. Aponta que a intimação que antecedeu o despacho decisório não teve o intuito de estabelecer o procedimento fiscal e argumenta que a documentação apresentada à Receita Federal era satisfatória para a comprovação da compensação (DCTF retificadora, Dacon retificadora, DIPJ e as correspondentes planilhas de cálculo em que se apurou o pagamento a maior da contribuição). Por fim, requer a declaração de nulidade do procedimento e, por conseguinte, a reforma da decisão de primeira instância. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201002.770, de 26/04/2017, proferido no julgamento do processo 13888.905548/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201002.770): Fl. 136DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 5 4 Observados os pressupostos recursais, a peça (...) merece ser conhecida como recurso voluntário contra o Acórdão DRJ/Belo Horizonte/2ª Turma (...) de 29 de outubro de 2013. No presente caso, a decisão recorrida não acolheu a alegação de erro na apuração da contribuição social, nem a simples retificação da DCTF para efeito de alterar valores originalmente declarados, porque o declarante, em sede de manifestação de inconformidade, não se desincumbiu do ônus probatório que lhe cabia e não juntou nos autos seus registros contábeis e fiscais, acompanhados de documentação hábil, para infirmar o motivo que levou a autoridade fiscal competente a não homologar a compensação ou mesmo para eventualmente comprovar a alegada inclusão indevida de valores na base de cálculo das contribuições, que poderiam levar a reduções de valores dos débitos confessados em DCTF. Neste ponto, cabe transcrever excertos da decisão recorrida (grifei): A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2º, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. Agora, no recurso voluntário, o interessado informa que aportou aos autos novos documentos, planilhas de cálculo, que Fl. 137DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 6 5 não haviam sido oferecidas à autoridade julgadora de primeira instância. A possibilidade de conhecimento desses novos documentos, não oferecidos à instância a quo, deve ser avaliada à luz dos princípios que regem o Processo Administrativo Fiscal. O PAF, assim dispõe, verbis: Art. 14. A impugnação da exigência instaura a fase litigiosa do procedimento. Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. [...] Art. 16. A impugnação mencionará: [...] III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) [...] § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente; (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) [...] Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997). O processo administrativo fiscal pode ser considerado como um método de composição dos litígios, empregado pelo Estado ao cumprir sua função jurisdicional, com o objetivo imediato de aplicar a lei ao caso concreto para a resolução da lide. Em razão de vários fatores, a forma como o processo se desenvolve assume feições diferentes. Humberto Theodoro Júnior em "Curso de Direito Processual Civil, vol. I" (ed. Forense, Rio de Janeiro, 2004, p.303) assim diz: “enquanto processo é uma unidade, como relação processual em busca da prestação jurisdicional, o procedimento é a exteriorização dessa relação e, por isso, pode assumir diversas feições ou modos de ser.” Ensina o renomado autor que “procedimento é, destarte, sinônimo de ‘rito’ do processo, ou seja, o modo e a forma por que se movem os atos do processo”. Neste sentido, o procedimento está estruturado segundo fases lógicas, que Fl. 138DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 7 6 tornam efetivos os seus princípios fundamentais, como o da iniciativa da parte, o do contraditório e o do livre convencimento do julgador. Conforme os antes transcritos artigos 14 e 15 do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF), é a impugnação da exigência, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, que instaura a fase litigiosa do procedimento. (grifei) Por sua vez, o art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235/1972, estabelece que as provas devem ser apresentadas juntamente com a impugnação, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Contudo, uma fria análise da norma pode vir a chocarse com os princípios da verdade material e da ampla defesa. Vejamos que a Lei nº 9.784/1999, que regula o processo administrativo em geral, no art. 3º, possibilita a apresentação de alegações e documentos antes da decisão e, no art. 38, permite que documentos probatórios possam ser juntados até a tomada da decisão administrativa. Entretanto, conforme a melhor doutrina, deve ser aplicada ao caso a lei específica existente, Decreto nº 70.235/1972, que determina o rito do processo administrativo fiscal, em detrimento da lei geral. Neste ponto, sobre o momento da apresentação da prova no processo administrativo fiscal, cabe mencionar que de fato existe na jurisprudência uma tendência de atenuar os rigores da norma, afastando a preclusão em alguns casos excepcionais, que indicam tratarse daqueles que se referem a fatos notórios ou incontroversos, no tocante a documentos que permitam o fácil e rápido convencimento do julgador. Logo, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação e será determinado a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, bem como à percepção de que efetivamente houve um esforço na busca de comprovar o direito alegado, que é ônus daquele que objetiva a restituição, ressarcimento e/ou compensação de tributos. Como se vê, as alegações de defesa são faculdades do demandado, mas constituemse em verdadeiro ônus processual, porquanto, embora o ato seja instituído em seu favor, não sendo praticado no tempo certo, surgem para a parte conseqüências gravosas, dentre elas a perda do direito de fazêlo posteriormente, pois operase, nesta hipótese, o fenômeno da preclusão, isto porque, conforme já dito, o processo é um caminhar para a frente, não se admitindo, em regra, ressuscitar questões já ultrapassadas em fases anteriores. Fl. 139DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 8 7 O § 4º do art. 16 do PAF estabelece que só é lícito deduzir novas alegações em supressão de instância quando: relativas a direito superveniente, demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior ou destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Compete ainda ao julgador administrativo conhecer de ofício de matérias de ordem pública, a exemplo da decadência; ou por expressa autorização legal. Finalmente, o § 5º do mesmo dispositivo legal exige que a juntada dos documentos deve ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. Especificamente no caso desses autos, o recorrente não se preocupou em produzir oportunamente os documentos que comprovariam suas alegações, ônus que lhe competia, segundo o sistema de distribuição da carga probatória adotado pelo Processo Administrativo Federal: o ônus de provar a veracidade do que afirma é do interessado, segundo o disposto na Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999, art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido o art. 330 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I – ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. O recorrente tampouco comprovou a ocorrência de qualquer das hipóteses das alíneas “a” a “c” do § 4º do art. 16 do PAF, que justificasse a apresentação tão tardia dos referidos documentos. No caso, o acórdão da DRJ foi bastante claro ao fundamentar suas conclusões pela insuficiência da comprovação do direito creditório alegado quando afirmou: "o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Ele não comprova seu vínculo à tese apresentada. Afirma que o erro está comprovado nos documentos contábeis anexos, mas tais documentos não existem no processo." (grifei). Ao final, a decisão recorrida novamente destaca: "Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado." A propósito dos novos documentos anexados que instruem a peça recursal (planilhas de cálculo [...], cópia do DACON [...], cópia da DIPJ [...]), verificase que o contribuinte anexou na verdade algumas planilhas confeccionadas com a finalidade exclusiva de amparar suas alegações no presente recurso, mas Fl. 140DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 9 8 não trouxe aos autos qualquer documentação contábil que permita a comprovação as informações constantes das referidas planilhas. No caso, optou por reiterar suas alegações quanto à existência de erro de fato e à obediência ao princípio da boa fé, quando deveria procurar demonstrar de maneira efetiva suas alegações juntando cópias de pelo menos parte de sua documentação contábil, para que o julgamento ocorresse com base em elementos concretos, capazes de comprovar a veracidade do alegado direito creditório. Como se vê, novamente, agora em sede de recurso voluntário, a documentação juntada pelo recorrente não se revela suficiente para atestar liminarmente a liquidez e a certeza do crédito oposto na compensação declarada e demandaria a reabertura da dilação probatória, o que, de regra, como já visto, não se admite na fase recursal do processo, exceto em casos excepcionais. Devese, mais uma vez, ressaltar que o contribuinte já havia sido alertado na decisão recorrida, quando esta critica a defesa por apontar que o erro estaria comprovado em documentos contábeis, mas verifica que tais alegados documentos não existem no processo. A comprovação do valor do tributo efetivamente devido (e, por conseqüência, do direito à restituição de eventual parcela recolhida a maior) deveria ter sido efetuada mediante apresentação de documentos contábeis e fiscais que patenteassem que o valor da contribuição do período de apuração de interesse não atingiu o valor informado na DCTF vigente quando da emissão do Despacho Decisório aqui analisado, mas apenas o valor informado na DCTF retificadora (que no presente caso sequer efeitos surte quanto à redução deste débito). Como tal documentação não foi juntada no momento processual oportuno e nem mesmo agora em sede de recurso voluntário foi integralmente apresentada, quedou sem comprovação a certeza e liquidez dos créditos do contribuinte contra a Fazenda Pública, atributos indispensáveis para a homologação da compensação pretendida, nos termos do art. 170 do CTN. Sobre a jurisprudência, decisões administrativas e judiciais, trazidas à colação pelo recorrente, devese contrapor que se trata de decisões isoladas, que não se enquadram ao caso em exame e nem vinculam o presente julgamento, podendo cada instância decidir livremente, de acordo com suas convicções. Além disso, tratase de precedentes que não constituem normas complementares, não têm força normativa, nem efeito vinculante para a administração tributária, pela inexistência de lei nesse sentido, conforme exige o art. 100, II, do CTN. Alertandose para a estrita vinculação das autoridades administrativas ao texto da lei, no desempenho de suas atribuições, sob pena de responsabilidade, motivo pelo qual tais decisões não podem ser aplicadas fora do âmbito dos processos em que foram proferidas. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 13888.905576/201211 Acórdão n.º 3201002.797 S3C2T1 Fl. 10 9 Com essas considerações, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário, para não reconhecer o direito creditório em litígio e manter a não homologação das compensações. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 142DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.724360/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 06 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
AÇÃO JUDICIAL. CONCOMITÂNCIA DO OBJETO.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, quando houver.
CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO.
O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado.
SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE.
Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas.
Numero da decisão: 2201-003.665
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o recurso, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as pessoas físicas que não tiveram o vínculo reconhecido em reclamatória trabalhista e aquelas que não perceberam seguro de vida ou assistência médica. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator) e Marcelo Milton da Silva Risso, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira.
(Assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente e Redator designado
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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CONCOMITÂNCIA DO OBJETO. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial, quando houver. CONTRATAÇÃO DE PESSOA FÍSICA POR INTERPOSTA EMPRESA. OCORRÊNCIA DOS ELEMENTOS CARACTERIZADORES DA RELAÇÃO DE EMPREGO. EXIGÊNCIA DAS CONTRIBUIÇÕES SOBRE REMUNERAÇÃO PAGA A SEGURADO EMPREGADO. O fisco, ao constatar a ocorrência da relação empregatícia, dissimulada em contratação de pessoa jurídica, deve desconsiderar o vínculo pactuado e exigir as contribuições sociais sobre remuneração de segurado empregado. SERVIÇOS INTELECTUAIS. PRESENÇA DA RELAÇÃO DE EMPREGO. CARACTERIZAÇÃO COMO SEGURADO EMPREGADO. FATOS GERADORES OCORRIDOS APÓS O ADVENTO DO ART. 129 DA LEI N. 11.196/2005. POSSIBILIDADE. Mesmo após a entrada em vigor do art. 129 da Lei n. 11.196/2005, é possível ao fisco, desde que consiga comprovar a ocorrência da relação de emprego, caracterizar como empregado aquele trabalhador que presta serviço intelectuais com respaldo em contrato firmado entre pessoas jurídicas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 43 60 /2 01 3- 75 Fl. 1815DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.816 2 Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer parcialmente o recurso, rejeitar as preliminares arguidas e, no mérito, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para excluir do lançamento as pessoas físicas que não tiveram o vínculo reconhecido em reclamatória trabalhista e aquelas que não perceberam seguro de vida ou assistência médica. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator) e Marcelo Milton da Silva Risso, que negavam provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira. (Assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente e Redator designado (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão administrativa de primeira instância proferida pela DRJ Rio de Janeiro (Acórdão nº 1280.370 13a Turma da DRJ/RJO) que julgou procedente em parte o lançamento tributário formalizado por intermédio de Autos de Infração. Adotamos, em parte, o relatório da decisão de primeira instância pela sua completude e capacidade de elucidação dos fatos O presente processo versa sobre Autos de Infração (DEBCAD 51.053.1253) nos quais são exigidas as contribuições previdenciárias patronais, especificamente sobre o adicional do FAP (art. 10 da Lei n° 10.666/2003, Decreto 3.048/1999, art.202A, atualizado pelo Decreto 6.957/2009, assim como na Resolução CNPS n° 1.316, de 2010), incidindo sobre o GILRAT, organizadas nos seguintes levantamentos. LEVANTAMENTO DJ (DIFERENÇA FAP DECISÃO JUDICIAL) incidentes sobre valores pagos a pessoas físicas, sócios de empresas interpostas, considerados pela fiscalização como segurados empregados, através de notas fiscais. LEVANTAMENTO DF (DIFERENÇA FAP FOLHA DE PAGAMENTO) Calculada sobre os valores mensais de folha de pagamento, declaradas em GFIP, como base de cálculo para as contribuições previdenciárias. Em seu relatório (fls. 14/26), esclarece o autuante que a Contribuição adicional do FAP Fator Acidentário de Fl. 1816DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.817 3 Prevenção sobre o GILRAT de 3,0% em 2010, com acréscimo de 1,5855, resultando em alíquota de 1,7565%. Explica que houve decisão judicial, em caráter liminar, da 21a Vara Federal, de 23022010 que determinou ao fisco que se abstivesse de exigir da impetrante a contribuição do SAT/RAT majorada pelo índice do FAP, garantindo seu direito de continuar recolhendo a exação com base nas alíquotas previstas no art. 22, II, da Lei n. 8212/91. Em 24062010 (fls. 666/671) o mesmo juízo, em sentença de mérito, manteve a decisão liminar até o julgamento final da lide. Dessa forma, informa que apurou o crédito previdenciário em separado da parcela do FAP que majorou o RAT em 2010, ficando o mesmo sobrestado, para fins de evitar a decadência do crédito tributário, até o trânsito em julgado do processo judicial. Os lançamentos citados referemse tanto ao levantamento PJ que engloba os segurados empregados sócios das empresas interpostas, como da folha de pagamento normal da empresa levantamento DF, informando que ambos encontramse sub judice. Anexa cópias das decisões liminar e de mérito em mandado de segurança (fls. 657/671) e planilha com os valores bases para cálculo do levantamento DF (valores extraídos das folhas de pagamento). Em relação ao levantamento DJ, o Autuante informa que as contribuições apuradas incidem sobre remunerações pagas a segurados caracterizados como empregados, mediante notas fiscais de prestação de serviços, emitidas por pessoas jurídicas, as quais foram consideradas intermediárias na relação contratual entre a autuada e tais pessoas físicas que lhes prestaram serviços com pessoalidade, mediante remuneração, de forma não eventual e com subordinação. Fundamentou no que preceitua a Lei n° 8.212/91 art. 12, inciso I, alínea "a". Esclarece o Auditor que a fiscalização na empresa ECM S.A PROJETOS INDUSTRIAIS caracterizase por uma continuidade da auditoria fiscal referente ao exercício de 2008, que culminou em detalhado trabalho, com diligências e perícias, tendo sido pormenorizados os fatos geradores de contribuições previdenciárias nos pagamentos realizados a pessoas físicas, sócios de pessoas jurídicas interpostas. Salienta que se tratam das mesmas pessoas jurídicas intermediadoras, recebendo pagamentos mensais, via Notas Fiscais, repetindose, em 2009 e 2010, os mesmos fatos colhidos na Ação referente a 2008. Relata que a empresa se recusou a informar à RFB quais sócios ou sócio de cada empresa contratada prestavam serviço efetivamente, sob a alegação que se trataria de contratação por empreitada. Salienta que as empresas interpostas não estão expostas ao risco da atividade econômica, pois que suas despesas Fl. 1817DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.818 4 operacionais para checagem da elaboração dos projetos ou execução são custeadas pela empresa contratante ECM S.A. Os funcionários estão sujeitos ao cumprimento de prazos, normas e procedimentos da contratante. Explicita: “Todas as Pessoas Jurídicas interpostas, através das pessoas fisicas/sócios que atuam efetivamente na prestação do serviço em 2009 e 2010, período desta ação fiscal, constantes nos Anexos IJIJUJV ( ordem de nota fiscal e ordem alfabética, 2009/2010) tem o benefício do seguro de vida. Uma quantidade significativa destas supracitadas Pessoas Jurídicas, também tem contabilizado em seu nome (com benefício obviamente da pessoa físicassócio que presta o serviço) benefícios como Plano de Saúde e Vale Refeição. Além de a maioria ter suas despesas de Telefone e Viagens pagos pela empresa contratante, mesmo que não existindo previsão contratual. Sobre estas rubricas detalharemos mais à frente. ” Destaca, ainda, que todas as empresas/sócios recebem o benefício seguro de vida nos moldes contidos na Convenção Coletiva de Trabalho CCT 2009/2010 Cláusula Vigésima Sexta. Expõe que quantidade significativa destes também recebem o beneficio de assistência Médica, também previsto na Convenção, e que tais sócios prestam o serviço em caráter exclusivo, sem o concurso de empregados e com escritório nas dependências da contratante. No item 6.2.3 demonstra que vários sócios das empresas interpostas recebem Vale Refeição nos mesmos moldes da referida CCT. Acrescenta que há pagamento de contas telefônicas das empresas interpostas, ressaltando que as despesas dos benefícios relacionados não estão previstas nos contratos de prestação de serviço efetivados entre as partes, apesar de serem custeadas pela contratante. Anexa cópias dos supracitados contratos, destacando que seguem um padrão uniforme. No Anexo X, o auditor acosta relação de segurados empregados registrados na empresa que recebem remuneração como tal, declarados em GFIP e ao mesmo tempo agem como sócios de empresas que prestam serviços a ECM, recebendo, além dos salários, parcela da remuneração significativa mediante Nota Fiscal. Tais contratos estão assinados pelos mesmos segurados empregados sócios constantes no Anexo X. Fl. 1818DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.819 5 Cita o TERMO DE REGISTRO DE INSPEÇÃO DO TRABALHO, de 2006 em que a Auditoria do Trabalho verificou que a empresa ECM foi intimada a registrar diversos empregados, que, segundo a fiscalização da DRT: “trabalhavam como Prestadores de Serviços Pessoas Jurídicas”. No item 8 o auditor expôs sua análise quanto aos pressupostos da relação de emprego observados na Ação Fiscal: Não Eventualidade: (...) “Todas as atividades dos sócios contratados mediante empresas interpostas são de profissionais vinculados ao objeto social da empresa ECM S.A . São Engenheiros, projetistas, arquitetos, desenhistas, entre outros. Durante toda fiscalização anterior realizada no período de 2008 e agora nos períodos de 2009 e 2010, praticamente TODOS os sócios das empresas interpostas, sem o concurso de empregado, com exclusividade, continuam a prestar o mesmo serviço a contratante, ou seja, elaboração de projetos de engenharia ” (...) Pessoalidade: No período fiscalizado 2009 e 2010, o sócio ou os sócios das empresas interpostas, sem o concurso de empregados, com exclusividade na prestação do serviço à empresa ECM S.A , prestaram o serviço técnico para qual foram contratados, com garantia de seguro de vida, plano de assistência médica, vale refeição, todas verbas previstas na convenção coletiva do trabalho da categoria, além de pagamento de despesas efetuadas pelos sócios, tais como telefones e despesas de viagem conforme comprovamos anteriormente. Remuneração: Os anexos I, II, III, IV, comprovam os pagamentos mensais, mediante nota fiscal numerada, em sua maioria, as empresas interpostas, recebendo os valores da prestação do serviço, o sócio ou os sócios que prestam efetivamente o serviço, na qualidade de pessoa física, técnicos de áreas diversas de projetos de engenharia, que tem, inclusive, várias despesas pagas pelo empregador/contratante, como telefone e viagens para acompanhamento dos projetos por eles elaborados, sendo que estas despesas não estão previstas no contrato de prestação de serviço, com a PJ interposta. Subordinação e Dependência: (...) Face à necessidade de interligação entre os profissionais é preciso que estejam em mesmo ambiente de trabalho, na maioria das vezes. Exatamente por este motivo que no Fl. 1819DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.820 6 Contrato de Empreitada Padrão, que a empresa firma com as pessoas físicas, mediante interposição de pessoa jurídica, estabelece na sua Cláusula Primeira 1.3 que: “O objeto contratado poderá ser desenvolvido por profissionais (sócios/e ou empregados) da contratada em escritórios disponibilizados pela ECM em sua sede, mediante contrato de comodato, tácito ou escrito ”. Em sua Cláusula 4.1 “A contratada se obriga a executar o objeto contratado dentro dos prazos combinados, com boa qualidade e dentro dos padrões, normas, critérios e procedimentos da ECM”. (SUBORDINAÇÃO JURÍDICA) Cláusula 8.1 “Pelo presente instrumento, a contratada cede a ECM, em caráter irrevogável e irretratável, de forma total e exclusiva, pelo período máximo permitido na legislação vigente, os direitos patrimoniais de propriedade intelectual e autoria, relativamente a todo e qualquer produto material ou intelectual, resultante deste contrato, ” Cláusula 8.2 “Todo e qualquer trabalho resultante do presente contrato será de propriedade exclusiva da ECM... O crédito lançado encontrase fundamentado na legislação constante do anexo de "Fundamentos Legais do Débito FLD", com os períodos de vigência e as alíquotas aplicadas sobre a base de cálculo do débito com os respectivos períodos de vigência estão discriminadas no relatório "DD Discriminativo do Débito”. O Relatório de Lançamentos RL, relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração com observações sobre sua natureza ou fonte documental. Da impugnação Cientificada do lançamento em 11/11/2013, a autuada apresentou sua impugnação em 11/12/2013, através do instrumento de fls. 679/773, aduzindo, em síntese, o seguinte: Preliminarmente, aduz a nulidade dos Autos de Infração em razão de não restarem acostadas ao processo cópia dos lançamentos contábeis obtidos via SPED e as respostas às intimações. Não foi solicitado pelo Auditor que a Impugnante apresentasse os contratos firmados com seus clientes. Afirma que houve dirigismo contra a Impugnante, “(...)uma pré concepção da autuação, que acabou sendo um procedimento não de investigação, mas sim de busca de provas para uma suposta situação de ilicitude julgada existente antes Fl. 1820DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.821 7 mesmo da fiscalização, e não como consequência desta, como deveria ser, fato este confessado pelo Fiscal ao signatário da presente desde a apresentação da primeira resposta pela Impugnante (desde já o signatário põese à disposição das autoridades administrativas e judiciais para confirmar o que ora se afirma)”. Frisa os princípios da verdade material e da eventualidade. Propõe a incompetência do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil para desconsiderar a personalidade jurídica das contratadas e reconhecer vínculo empregatício. “ (...) o §2° do art. 229 do Decreto n° 3.048/99 não deu autorização para o Auditor desconsiderar a personalidade jurídica das contratadas pela Impugnante. (...) a aplicação do instituto da desconsideração da personalidade jurídica compete tão somente aos juízes”. Afirma que o procedimento do Auditor de ignorar a existência de contratos de empreitada entre a Impugnante e as pessoas jurídicas das quais as aludidas pessoas físicas eram representantes gerou ofensa a uma série de princípios constitucionais e de legislação ordinária, tais como livre iniciativa, livre exercício profissional, livre atividade econômica, livre associação etc, cuja exegese sistemática apontaria para a plena licitude da conduta da autuada. Defende a competência exclusiva da Justiça do Trabalho e da Fiscalização do Trabalho para declarar a existência de vínculo de emprego, competência esta ampliada com o advento da Emenda Constitucional n° 45, em 08/12/2005. “Nopresente caso, para deixar ainda mais claro como a atitude do i. Fiscal causou grave prejuízo, é oportuno frisar que em 2005 a Impugnante sofreu fiscalização trabalhista realizada pelo Órgão de Fiscalização do Trabalho em sua sede (DOC. 08), que compreendia o período 2005, sendo que naquela oportunidade constatouse nenhuma irregularidade. ” Afirma que o judiciário trabalhista nos poucos processos de pedido de vínculo empregatício, houve por bem declarar os contratos por ela firmados como escorreitos e conforme a lei, pelo que não haveria razão, pois, para que esta D. Delegacia de Julgamento decida diferente. Argumenta que não houve descrição do fato gerador por faltar a identificação dos requisitos da relação de emprego individualmente para cada segurado empregado. Cita Parecer Técnico CJ N° 2.324 (DOU de 07/11/2000), aprovado pelo então Ministro Waldeck Orneia, determinando a análise "caso a caso" para a caracterização do vínculo de emprego. Fl. 1821DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.822 8 Alega que para nenhum dos empregados foi descrito o serviço por ele prestado, nem discriminada individualmente a remuneração paga relacionandoos às contratadas, bem como não individualizados os requisitos à configuração do vínculo empregatício. Afirma que o trabalho teria sido superficial, eis que sem diligência no estabelecimento ou coleta de depoimento dos envolvidos, que o Auditor teria presumido que os representantes legais das sociedades seriam as pessoas que tivessem prestado materialmente os serviços e pessoalmente recebido seguro de vida, plano de saúde e valerefeição. Aduz que o Autuante não seguiu os critérios já decididos pela Delegacia de Julgamento e pelo CARF para o caso, afirmando que o Fiscal cometeu os mesmos erros da fiscalização anterior (relativamente ao ano de 2008), que as pessoas físicas discriminadas no arrazoado continuam a ser consideradas empregadas da Impugnante. Alega que há incongruências entre os Anexos I a IV do Relatório Fiscal e entre estes a lista de representantes legais apresentada pela Impugnante no decorrer da fiscalização. Argumenta que sempre cumpriu com as obrigações fiscais e que está sendo obrigada a deixar centenas de trabalhadores desempregados, em função de autuações tão descabidas. Defende a legalidade das contratações firmadas com as pessoas jurídicas em questão, inexistência de vínculo empregatício, e, que não houve planejamento tributário, evocando ainda o art. 129 da Lei n° 11.196/05 para defender que não existiria margem para que a autoridade administrativa considerasse a relação entre a pessoa física prestadora e a empresa contratante para fins de tributação, aduzindo: “Neste caso e pelo absurdo, ainda que planejamento tributário fosse, careceria ao Auditor competência para desconsiderar tais contratações, uma vez que, para tanto, dependería da regulamentação prevista do art. 116 do CTN que ainda não adentrou em nosso Ordenamento. ” Afirma que a disponibilização de seguros e o adiantamento de despesas são “contraprestações acordadas dentro da mais lícita liberdade negocial, não se podendo inferir a partir disso a existência de vínculo empregatício” (...) Justifica que assim o faz porque lhe é mais barato contratar em maior volume, sendo mais vantajoso economicamente do que esperar que Fl. 1822DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.823 9 tais despesas sejam incluídas no custo do serviço tomado (incidências tributárias). Entende inaplicável o método de apuração indireta da base de cálculo (arbitramento) ou, pela eventualidade, pede a retificação de erros na base de cálculo. Traz entendimento do TRF no sentido de que deve ser afastada a aferição indireta quanto é possível a aferição direta. Afirma que o caso configura confisco. Em relação à relatada falta de previsão dos benefícios nos contratos firmados, justifica que “tratouse apenas de uma forma de a Impugnante diminuir o impacto causado pela previsão contida na cláusula 3.2 dos contratos de empreitadas, no sentido de que todas as despesas incorridas pela contratada necessárias à realização dos serviços serão incluídas no preço. “O fato de algumas delas terem sido custeadas parcialmente ou administradas pela Impugnante não significa que deixaram de estar no preço dos serviços, uma vez que, na prática o efeito do repasse de custos existiu, ainda que menor do que seria se as próprias contratadas tivessem incluído tais custos na Nota Fiscal e/ou administrado parte deles.” Em relação aos empregados que também prestaram serviços por meio de pessoas jurídicas, argumenta: Tais alegações do Fiscal são outros resultados da visão limitada que possui a respeito das normas que se aplicam às sociedades. Ora, o fato de uma pessoa ser empregada não a impede de constituir sociedade e mesmo de ser sua representante legal. E a qualidade de sóciogerente de uma sociedade limitada, como visto acima, não significa que necessariamente serão estas as pessoas que executarão materialmente o serviço pela sociedade. Em suma, nada do constatado pelo Fiscal permitia a ele que concluísse que os supostos empregados por ele mencionados trabalhavam para a Impugnante ao mesmo tempo como empregados e sócios de pessoas jurídicas por ela contratadas. Frisese, além, que o Auditor não prova que tais empregados tenham recebido remuneração por meio das respectivas contratadas. Nada há de ilegal, portanto, nesta situação. Quanto à menção do relatório acerca do desrespeito ao produto da Auditoria do Trabalho no sentido de que algumas pessoas físicas teriam voltado a prestar serviço à ECM S/A PROJETOS INDUSTRIAIS por meio de pessoas jurídicas, esclarece “que o registro de determinados profissionais foi um imperativo de ordem comercial e não um reconhecimento de conduta ilegal. Preferiuse, na ocasião, acatar o entendimento da Delegacia do Trabalho para que não se criassem embaraços à conclusão de um serviço”. Fl. 1823DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.824 10 Argumenta que não se pode inferir que há pessoalidade: Do simples fato não provado de que as contratadas não possuíam empregados não resulta a pessoalidade alegada, já que o vínculo de emprego não é a única forma possível de contratação de trabalho em nosso Direito. Ou seja, dada a autonomia conferida pela cláusula 1.3, poderiam as contratadas, por exemplo, subcontratar outras pessoas jurídicas, contratar autônomos, etc. Não havia, outrossim, exclusividade, conforme cláusula 1.4 dos contratos firmados. A também mera circunstância de se disponibilizar a um determinado profissional seguro de vida, plano de saúde, valerefeição e adiantamentos não significa, por si só, que este prestador não pudesse se fazer substituir dentro da autonomia de gerência que as contratadas possuíam para a execução dos ajustes por elas firmados. E ainda que assim não fosse, não se poderia concluir pela existência de pessoalidade, uma vez que o fato ora suposto de terem apenas as pessoas físicas elencadas nos Anexos I a IV executado materialmente os serviços das pessoas jurídicas lá também mencionadas não teria decorrido de uma condição negocial imposta pela Impugnante, mas sim de uma opção gerencial da própria contratada. Isto significa que o caráter intuito personae, na relação empregatícia, deve ser buscada na vontade do tomador, e não do prestador, o que não ocorreu in casu. Entende que a nãoeventualidade deve ser afastada no presente caso, afirmando que apenas são nãoeventuais os profissionais que realizam a concepção das soluções de engenharia, identificam quais serviços especializados serão necessários contratar e posteriormente os integram, formatando o resultado final a ser entregue a seus clientes. Acrescenta que possui uma equipe de centenas de empregados para tais tarefas. Defende a ausência de subordinação por não haver coordenação, por parte da ECM S/A de prestação de serviços, mas sim de resultados de cada consultoria e projetos especializados contratados. Ataca: “Querer deduzir subordinação da Cláusula 4.1 dos contratos, também, é outra impropriedade perpetrada pelo Auditor no Relatório Fiscal. Ora, compromissos com relação a prazo e qualidade e mesmo a definição acerca de padrões, normas, critérios e procedimentos a serem seguidos são naturais em contratos de prestação de serviço, e não revelam subordinação pelo simples fato de por si só não denotarem interferência no modo como o serviço é prestado. Raciocinar diferente, como fez o Fiscal, Fl. 1824DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.825 11 seria o mesmo, por exemplo, que dizer que um acadêmico quando escreve um artigo científico está subordinado à ABNT e que, ao contratar um marceneiro para fazer um armário para suas residências, V. Sas., ilustres julgadores, estariam subordinando o profissional a ponto de ter vinculo de emprego com ele por definirem a cor, o modelo, a madeira do imóvel, bem como o momento mais adequado de sua entrega e instalação! ” Quanto ao fato de as contratadas cederem a título oneroso os direitos intelectuais, entende que apenas comprova a efetiva inexistência de relação empregatícia. Qualifica como falaciosa a caracterização da subordinação feita pelo Auditor através de cláusula contratual que estaria a vedar a subcontratação: “Primeiro, é no mínimo discutível a tese de que a contratação de consultorias e projetos especializados, no caso, se trata de subcontratação, uma vez que é intenso o trabalho de processamento dos resultados de tais contratações que é feito pela Impugnante em sua atividade de integração, de sorte que o que o cliente recebe é, de fato, um produto com a cara e a alma da Impugnante, e não apenas um repasse de projetos intermediados. Segundo, ainda que subcontratação fosse, ela representaria, no máximo, uma infração a regra contratual e nunca uma prova cabal de vínculo empregatício. ” (...) De mencionar ainda que a forma de remuneração pelas empreitadas demonstra bem que os profissionais das contratadas não estavam à disposição da Impugnante, pois estas faturavam de acordo apenas com o número de horas efetivamente gastas para a produção dos projetos e das consultorias, e não por hora a disposição, assumindo cada qual das contratadas, portanto, os riscos dos seus respectivos empreendimentos. Acosta declarações das Pessoas Jurídicas contratadas no intuito de demonstrar a inexistência de vínculos empregatícios. Aponta equívocos na apuração da base de cálculo em planilha especificando as notas fiscais por pessoa jurídica considerada no lançamento. Pede a exclusão do levantamento referente ao Sr. Karl William Shurskis argumentando que haveria uma transação judicial sem reconhecimento de vínculo empregatício e que não fora contestada pela PGFN. Fl. 1825DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.826 12 Pede o cancelamento da emissão da Representação Fiscais para Fins Penais, aduzindo que não teria havido dolo, fraude ou simulação. Requer seja cancelado o Auto de Infração em referência em razão da inconstitucionalidade e ilegalidade do adicional FAP; Pede diligência. Das Diligências e manifestações da Autuada: Tendo em vista os apontamentos de duplicidades pela impugnante, os Autos foram baixados em diligência para que o Autuante revisasse a apuração das bases de cálculo. Foi solicitado na mesma ocasião que se elucidasse as supostas incongruências relatadas pela Defesa no que tange à listagem de pessoas físicas e jurídicas. Às fls 1.088/ 1.109, o Autuante respondeu aos questionamentos da Defendente em cada tópico, explicitando e apontando seus fundamentos fáticos nos itens do relatório e documentos acostados. Quanto ao questionado na diligência fiscal, ressalta que os registros foram retirados diretamente da contabilidade da empresa, tendo sido, portanto, os lançamentos contábeis em duplicidade provenientes de equívoco da própria empresa. Entretanto, reconhece que se trata de fato de duplicidade, motivo pelo qual propôs a retificação das bases de cálculo nos termos descritos. Propõe também a retificação da coluna sócios/segurados empregados considerando as informações fornecidas posteriormente pelo contribuinte. Mantém seu entendimento em relação à caracterização de segurado empregado de Karl William Shurskis. Em 05/03/2015 foi proposta nova diligência (fls. 1.390/ 1.392) considerando que o CARF, em julgamento da ação fiscal anterior, havia se pronunciado pela necessidade de apontamento de outros indícios da relação de emprego de determinadas pessoas físicas, tais como Eduardo Portillo e Alexandre Magno. Nesta segunda diligência, solicitouse à Fiscalização, em síntese: Indicação dos elementos que reforçassem a pessoalidade da relação estabelecida entre a Autuada e as pessoas que representavam as empresas Ellport Engenharia Ltda e Construtora Ramos Ribeiro. Fl. 1826DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.827 13 Análise das ações judiciais indicadas pela Impugnante no item 64 de sua manifestação, verificando se o objeto e período coincidiriam com o do lançamento, visando excluir do mesmo aquelas que porventura estivessem arroladas em decisão judicial pelo não reconhecimento do vínculo empregatício, em respeito ao que prevê o art. 102, § 6° da IN 971/2009. Comprovação do recebimento pelo contribuinte da totalidade dos documentos listados pela autoridade fiscal. Foi reiterado o que solicitado na diligência anterior, a saber, que os valores a serem excluídos fossem detalhados nos moldes do sistema informatizado utilizado pela RFB. A segunda Informação Fiscal (fls. 1.396/ 1.406) reforça as afirmativas do Autuante. Destaca: Quanto a alegação da empresa de que as PJEllport Engenharia e Construtora Ramos Ribeiro prestaram poucos meses o serviço à ECM, temos a informar que: Nas duas PJ citadas foram lançadas na contabilidade SEGURO DE VIDA. Anexamos planilhas onde se demonstra que foi efetivado o pagamento de seguro de vida aos sócios/segurados empregados das empresas supracitadas em 2009 e 2010, com lançamento contábil formalizado em nome da PJ. 3.1) Reiteramos o que foi informado no relatório fiscal dos autos de infração, que em TODAS as PJ interpostas listadas nos ANEXOS I, II (ordem alfabética de PJ) 2009 e Anexos III e IV (ordem alfabética de PJ) 2010 foram lançadas na contabilidade pagamentos de seguro de vida. Além disso, em muitas também ocorreu lançamentos de plano de saúde Anexo VII, pagamento de telefone e outras verbas de natureza trabalhista (demais anexos). Podese verificar no AnexoV (ordem alfabética de PJ) 2009 lançamentos de seguros de vida e Anexo VI (ordem alfabética de PJ) 2010 lançamentos de seguros de vida. (...) No caso específico da ECM Projetos Industriais os lançamentos de seguro de vida, planos de saúde foram efetivados em nome de Pessoas Jurídicas, que realmente não precisam de seguro de vida e assistência médica e odontológica. Os lançamentos corretos deveriam ser em nome do sócio que efetivamente presta o serviço mediante empresa interposta. Fl. 1827DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.828 14 As apólices de seguro, no entanto, são efetivadas em nome da pessoa física. A empresa alega que em sua defesa apresentou ao FISCO relação de sócios com seguro de vida. Pode se verificar que a relação apresentada pela seguradora nos documentos da impugnação, foram dos sócios que NÃO tem seguro de vida. Já o plano de saúde que não engloba todas as PJ, este sim, foi enviado com a relação dos que possuem este benefício. 3.4) Com relação às empresas ELLPORT Engenharia Ltda e Construtora Ramos Ribeiro, vamos destacar parte dos Anexos V 2009 DOCC 4 e Anexos VI 2010 DOCC 5, onde constam os pagamentos de seguros as supracitadas PJ, inclusive em meses onde não foi emitida nota fiscal de serviços. Acrescenta que, com relação ao questionamento sobre acordos conciliatórios não considerados, a contestação da empresa anexou acordos, mas deixou de anexar decisão de mérito do mesmo período do lançamento em questão na qual o magistrado reconhece o vínculo empregatício de um sócio de PJ CLR Desenhos Ltda, onde na sentença se descreve em detalhes como se efetivava a prestação de serviços dessa “pessoa jurídica” dentro da empresa ECM, com testemunhas, demonstrando subordinação, pessoalidade, não eventualidade, etc. Transcreve parte da sentença e do acórdão na Informação Fiscal e ressalta que anexou a íntegra das decisões judiciais ao relatório. Frisa: Parte da sentença que se encontra anexo a este relatório na íntegra, reconhecendo o vínculo empregatício do sócio segurado empregado, cuja empresa PJ foi incluída em nosso lançamento Anexo I, II,III,IV, tinha plano de saúde e seguro de vida em nome da PJ. CRL DESENHOS LTDA sócio Carlos Rogério Maia. (...) 4.3) MAIS UMA VEZ ESTAMOS APRESENTANDO AS DECISÕES JUDICIAIS TRABALHISTAS A TÍTULO DE ILUSTRAÇÃO E REFORÇODE NOSSO ENTENDIMENTO QUE NO CASO DA PJ EM TELA SEVERIFICA OS PRESSUPOSTOS BÁSICOS DA CARACTERIZAÇÃO DE EMPREGADO NOS TERMOS DA CLT. POR OUTRO LADO FICA CLARO NOS TERMOS DA LEI 8212/91 ART.12, I, alínea "a” A CARACTERIZAÇÃO Fl. 1828DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.829 15 TAMBÉM COMO SEGURADO EMPREGADO, OU SEJA: NÃO EVENTUALIDADE, SUBORDINAÇÃO, REMUNERAÇÃO E PESSOALIDADE. Com relação a Karl William Shurskis/PJ KWS Consultoria Ltda, Gilson Antônio Mendes de Queiroz/PJ Estrutural Projetos Industriais, Edílson Nery/PJ Nery Project Ltda, Eloisio Borges de Lima/PJ Borges & Sanna Projetos Ltda, Edson Pereira/PJ ERP Desenhos, Projetos e Planejamento Ltda e Haroldo Alves/PPI Projetos e Informática Ltda, ressalta o Autuante que não houve julgamento de mérito relativamente ao vínculo empregatício dos sócios, motivo pelo qual entende que não se aplica o disposto no art. 102 da IN 971/2009. Sobre a CLR DESENHOS LTDA, reforça que várias foram as ações impetradas por pessoas jurídicas interpostas que possuem objeto social similar a, justamente no período que foi prolatada sentença de primeira instância, posteriormente confirmada pelo Tribunal, confirmando o vínculo empregatício do sócio. Discorre sobre as diferenças entre os institutos de Direito Previdenciário e do Direito do Trabalho, destacando a autonomia dos ramos e reforçando o entendimento afirmado em decisão do CARF (PROCESSO COMPROT 10680.722449/2010 54) já citada no relatório da primeira diligência fiscal. Confirma o reconhecimento de duplicidades na base de cálculo e anexa planilha com base de cálculo e contribuições remanescentes por competência, DEBCAD e rubrica do levantamento PJ Segurado Empregado Pessoa Jurídica nos termos solicitados pela DRJ RJO. A empresa foi cientificada desta diligência fiscal em 10/07/2015. Às fls. 1.602/ 1.604 informou listagem de Acordos Trabalhistas anexados aos Autos. Em Manifestação (fls. 1.516/ 1.521), produziu as seguintes argumentações: Reafirma que os anexos listados no parágrafo 4 da Manifestação anterior não foram por ela recebidos. Afirma que, no caso das empresas Ellport Engenharia Ltda e Construtora Ramos Ribeiro, não restou comprovado a que suposto segurado empregado o benefício de seguro de vida era dirigido. Evoca o princípio da Primazia do Poder Judiciário para condicionar a incidência da contribuição previdenciária no âmbito administrativo ao reconhecimento do vínculo empregatício na esfera judicial. Inconformada com os lançamentos, a contribuinte juntou documentação e apresentou a impugnação de fls. 679/773. Fl. 1829DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.830 16 A DRJ Rio de Janeiro julgou improcedente a impugnação (fls. 1592/1624), cuja decisão restou consubstanciada na seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 AÇÃO JUDICIAL. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. MATÉRIA DIFERENCIADA. A propositura pelo sujeito passivo de ação judicial, por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento, que tenha por objeto idêntico pedido sobre o qual trate o processo administrativo, importa renúncia ao contencioso administrativo, conforme art. 126, § 3°, da Lei no 8.213/91, combinado com o art. 307 do RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/99. O julgamento administrativo limitarseá à matéria diferenciada, se na impugnação houver matéria distinta da constante do processo judicial, conforme art. 35 da Portaria RFB n° 10.875/2007. PROCEDIMENTO FISCAL. NATUREZA INQUISITÓRIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Por ter o procedimento fiscal natureza inquisitória, não se aplica nessa fase o direito ao contraditório e à ampla defesa. Somente depois de cientificado da exigência e dos elementos em que se funda, o contribuinte impugna a exigência, devendo para tanto lhe ser franqueadas amplas condições para o exercício do direito de defesa. Verificandose que o auto de infração e seus anexos permitem ao autuado amplas condições de conhecer os fundamentos da exigência e, portanto, exercer o amplo direito ao contraditório, não há falarse em cerceamento do direito de defesa no processo administrativo fiscal. CARACTERIZAÇÃO DE SEGURADO EMPREGADO. ENQUADRAMENTO PARA FINS TRIBUTÁRIOS. É segurado obrigatório da Previdência Social, como empregado, a pessoa física que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, nos termos do art. 12, inciso I, alínea "a" da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991 e alterações posteriores. Constatado que a contratação de pessoa jurídica deuse na atividade fim da empresa e envolveu todos os pressupostos da relação de emprego, impõese a configuração do fato gerador atinente à contribuição previdenciária. O auditor poderá desconsiderar o vínculo pactuado com o trabalhador e enquadrálo como segurado empregado desde que preenchidas as condições, efetuando o enquadramento como Fl. 1830DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.831 17 segurado empregado, conforme previsto no artigo 229, §2° do Decreto 3.048/99. PERSONALIDADE JURÍDICA DE EMPRESA TERCEIRIZADA. DESCONSIDERAÇÃO. INOCORRÊNCIA. A imposição da incidência imperativa das normas tributárias inscritas na Lei n° 8.212/91 sobre a empresa tomadora e sobre o segurado não implica a desconsideração da personalidade jurídica da empresa prestadora de serviços, a qual permanece produzindo todos os demais efeitos no mundo jurídico. Irresignado, o sujeito passivo apresentou recurso voluntário (fls. 1632/1735) em 13/06/2016, em face da decisão da qual foi cientificado em 23/05/2016, alegando, em síntese, que: al) omissão da juntada de documentos imprescindíveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa, garantias do devido processo legal ou, na eventualidade, a conversão do julgamento em diligência para que o Auditor Fiscal responsável os junte aos autos; e a2) incompetência do Auditor Fiscal da Secretaria da Receita Federal do Brasil para desconsiderar a personalidade jurídica das contratadas dos apontadas pela fiscalização e reconhecer vínculo empregatício; b) o cancelamento dos Autos de Infração em razão da: b.l) inconstitucionalidade e ilegalidade do adicional FAP; b.2) não identificação dos requisitos da relação de emprego para cada seguradoempregado, descumprindo legislação de regência e, por conseqüência, não descrevendo sequer minimamente o fato gerador; b.3) utilização de critérios absurdos e presunções não previstas em lei para a caracterização dos elementos do vínculo empregatício de modo geral; b.4) da legalidade das contratações firmadas entre a Recorrente e as pessoas jurídicas listadas nos Anexos I a IV do Primeiro Relatório Fiscal, com a inexistência de vínculo empregatício entre a Relatório e as pessoas físicas listadas nos Anexos I a IV do Primeiro Relatório Fiscal; b.5) da ofensa ao art. Io, IV; art. 5o, II, XII e XVII e art. 170, capuí e parágrafo único da CF/88 e ao art. 44, II; art. 594; art. 610, §2° e art. 981 do Código Civil; b.6) da ofensa ao art. 129 da Lei n. 11.196/05; b.7) da inexistência de planejamento tributário pela Recorrente ou, pela eventualidade, compreendendose como ocorrido o planejamento, da impossibilidade de aplicação do art. 116 do CTN, por ausência de regulamentação legal; b.8) da inaplicabilidade do método de apuração indireta da base de cálculo (arbitramento). Fl. 1831DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.832 18 c) pela eventualidade, na hipótese de validação do lançamento, que se determine: cl) a exclusão da base de cálculo dos pagamentos feitos a pessoas jurídicas cujos sócios ajuizaram reclamação trabalhista contra a Recorrente postulando vínculo empregatício (vide tópico II. 1.2.13); c2) nos casos em que mais de um sócio da mesma contratada tenha sido considerado empregado da Recorrente, que se divida o valor da Nota Fiscal igualmente entre os mesmos, excluindo, em qualquer caso (isto é, nos casos também em que só há um sócio por contratada) da base de cálculo os pagamentos relacionados a pessoas físicas que não tenham recebido concomitantemente seguro de vida/acidentes e seguro saúde (vide tópico II. 1.2.3); c3) a exclusão dos lançamentos em duplicidade remanescentes (vide tópico II. 1.2.12). Do cancelamento da emissão de reclamação para fins penais. Requer o cancelamento da emissão de reclamação para fins penas tendo em vista a inexistência de fraude, dolo ou simulação. É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator Admissibilidade O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche aos demais requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Considerações Iniciais Matéria submetida ao Poder Judiciário Renúncia ao Contencioso Administrativo De início, impende ressaltar que o presente processo tem os mesmos elementos de prova do processo nº 15504.730950/201391. Ambos são decorrentes da mesma ação fiscal e, segundo a Fiscalização, só foram apartados em função do vertente possuir ação judicial questionando o adicional do FAP. Como relatado, de acordo com a Fiscalização: houve decisão judicial, em caráter liminar, da 21ª Vara Federal, de 23022010 que determinou ao fisco que se abstivesse de exigir da impetrante a contribuição do SAT/RAT majorada pelo índice do FAP, garantindo seu direito de continuar recolhendo a exação com base nas alíquotas previstas no art. 22, II, da Lei n. 8212/91. Em 24062010 (fls. 666/671) o mesmo juízo, em sentença de mérito, manteve a decisão liminar até o julgamento final da lide. Dessa forma, informa que apurou o crédito previdenciário em separado da parcela do FAP que majorou o RAT em 2010, ficando o mesmo sobrestado, para fins de evitar a decadência do crédito tributário, até o trânsito em julgado do processo judicial. Os lançamentos citados referemse tanto ao levantamento PJ que engloba os Fl. 1832DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.833 19 segurados empregados sócios das empresas interpostas, como da folha de pagamento normal da empresa levantamento DF, informando que ambos encontramse sub judice. Como se vê, a matéria objeto deste processo administrativo é a mesma daquela constante da ação judicial ajuizada pela autuada. Com efeito, nos termos do art. 5°, XXXV, da Constituição Federal, é assegurado a todos o acesso ao Poder Judiciário para defesa de seus direitos, sendo que as decisões judiciais transitadas em julgado se revestem do caráter de definitividade e de imutabilidade, sendo, portanto, a ultima ratio na solução de conflitos. Submetida determinada matéria à apreciação do Poder Judiciário, cuja decisão se reveste do caráter definitivo e imutável prevalecendo na ordem jurídica, qualquer outra discussão paralela mostrase inoportuna e ineficiente, diante do fato de que prevalecerá a decisão judicial. O tema não merece maiores digressões e já se encontra sumulado (Súmula CARF n° 1), com o seguinte teor: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Como se vê, cabe a apreciação por esse Tribunal Administrativo, da matéria diferenciada, que, no caso, são os questionamentos da recorrente quanto à inexistência de fato gerador para se apurar o FAP. Segundo o seu entendimento, os contratos celebrados com os prestadores de serviços estão sob a órbita do Direito Civil, não havendo que se falar em caracterização do vínculo empregatícios. Passemos à análise das razões recursais, no que tange à matéria diferenciada da submetida ao crivo do Poder Judiciário. Preliminarmente Da alegada omissão da juntada de documentos imprescindíveis ao exercício do contraditório e da ampla defesa Diferentemente do alegado pela recorrente, o presente lançamento é decorrente de trabalho minucioso desenvolvido pela ação fiscal e está lastreado vasto arcabouço probatório, tendo havido o cumprimento de todos os requisitos do art. 142, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 1833DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.834 20 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Assim, não vislumbro qualquer irregularidade no desenvolvimento do procedimento fiscal. A decisão de primeira instância, por sua vez, valorou todas as manifestações efetuadas pela recorrente, quando cientificada do resultado das duas diligências determinadas pela DRJ Rio de Janeiro. Ainda que eventualmente alguns desses petitórios não tenham sido juntados aos presentes autos, as manifestações compõe o processo nº 10805.721660/201519, o qual se funda nos mesmos elementos de prova do vertente processo. Assim, temse a certeza que todas as manifestações do sujeito passivo foram apreciadas pela decisão de piso e valoradas para a formação da convicção do julgador. Em sede recursal, a recorrente procedeu à juntada de cópias de suas manifestações, suprindo qualquer omissão de ausência de documentos essenciais ao desfecho da presente lide. Desse modo, não vislumbro qualquer prejuízo à defesa, restando afastada a argüição de nulidade por cerceamento ao direito de defesa. Incompetência da Receita Federal do Brasil para desconsiderar a personalidade jurídica e reconhecer vínculo empregatício De início, impende ressaltar que não houve desconsideração da personalidade jurídica das empresas que efetuaram contratos com a recorrente. A desconsideração da personalidade jurídica, nos termos do art. 50, do Código Civil é de exclusiva competência do Poder Judiciário. A autoridade fiscal efetuou a desconsideração do negócio jurídico que tinha uma aparência formal de ajuste contratual submetido às regras do Direito Civil, para caracterizar a relação de emprego, uma vez que se constataram presentes na realidade fática, os requisitos da pessoalidade, onerosidade, não eventualidade e subordinação. Desse modo, agiu o Fisco, com base no parágrafo único, do art. 116, do Código Tributário Nacional, verbis: Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) Ademais, a Fiscalização, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do vínculo de emprego. Essa autorização é dada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/1999, que no § 2.° do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) Fl. 1834DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.835 21 §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Desse modo, resta demonstrada a competência do Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil para reconhecer o vínculo de emprego para fins fiscais. Do Mérito Da Caracterização dos Segurados Empregados não aplicabilidade do art. 129 da Lei nº 11.196/2005 Como já abordado em sede de preliminar, que ora se confunde com o mérito, a autoridade fiscal tem o poderdever caracterizar o segurado empregado para fins previdenciários, caso constate situação jurídica motivadora. Após o advento da Lei nº 11.196/2005, que introduziu no ordenamento jurídico brasileiro a norma insculpida em seu art. 129, passou a ser comum a prática adotada pelas empresas empregadoras de contratação de pessoas jurídicas, muitas das vezes com o objetivo de substituir a mão de obra assalariada, pensando estarem abalizadas por um dispositivo legal permissivo. Todavia, a referida norma não foi inaugurada para precarizar as relações de trabalho. Muito pelo contrário, o objetivo foi regular situações em que verdadeiras pessoas jurídicas prestam serviços intelectuais em caráter personalíssimo, ou não, a um tomador de serviços, sem que se submetam ao poder diretivo desse. Reza o art. 129, da Lei nº 11.196/2005: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Qualquer relação jurídica que se proteja sob o manto do dispositivo legal supra citado, mas que se revista das características de uma relação de emprego, deve ser rechaçada, para se adequar à realidade fática encontrada, devendo prevalecer o principia da primazia da realidade, que encontra suas raízes no Direito do Trabalho, mas que se irradia para todo o direito, que é uno. A divisão em ramos do direito só se justifica para fins didáticos e acadêmicos. Assim sendo, deparandose a Fiscalização tributária com uma situação que constitua fato gerador da contribuição social previdenciária, tem o poderdever, de acordo com o balizamento definido no art. 142, do CTN, de lançar o crédito tributário correspondente. Fl. 1835DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.836 22 Deverá prevalecer a realidade da relação jurídica de emprego sobre a forma, a contratação de pessoas jurídicas para a realização de trabalhos intelectuais. No caso que se cuida, poucas vezes me deparei com um relatório fiscal, que se consubstancia na motivação do ato administrativo de lançamento, de tamanha completude, que esmiúça com riqueza de detalhes toda a situação fática encontrada e a tentativa do sujeito passivo de efetuar um planejamento tributário ilícito, objetivando não recolher os tributos devidos e reduzir e não adimplir com os direitos trabalhistas dos prestadores de serviços disfarçados de pessoa jurídica. A Fiscalização, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do vínculo de emprego. Essa autorização é dada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/1999, que no § 2.° do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) A autoridade fiscal apresenta robusto arcabouço probatório que converge para o reconhecimento dos sócios das pessoas jurídicas como segurado da Previdência Social na qualidade de segurado empregado. Vejamos alguns aspectos da narrativa fiscal que corrobora para essa conclusão: Salienta que as empresas interpostas não estão expostas ao risco da atividade econômica, pois que suas despesas operacionais para checagem da elaboração dos projetos ou execução são custeadas pela empresa contratante ECM S.A. Os funcionários estão sujeitos ao cumprimento de prazos, normas e procedimentos da contratante. Explicita: Todas as pessoas jurídicas interpostas, através das pessoas físicas/sócios que atuam efetivamente na prestação do serviço em 2009 e 2010 têm o benefício do seguro de vida. Uma quantidade significativa das pessoas jurídicas, também tem contabilizado em seu nome (com benefício da pessoa física sócio que presta o serviço) benefícios como plano de saúde e vale refeição. Além de a maioria ter suas despesas de telefone e viagens pagos pela empresa contratante, mesmo que não existindo previsão contratual. Destaca, ainda, que todas as empresas/sócios recebem o benefício seguro de vida nos moldes contidos na Convenção Coletiva de Trabalho CCT 2009/2010 Cláusula Vigésima Sexta. Expõe que quantidade significativa destes também recebem o benefício de assistência Médica, também previsto na Convenção, e que tais sócios prestam o serviço em caráter exclusivo, sem o concurso de empregados e com escritório nas dependências da contratante. Fl. 1836DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.837 23 Demonstrouse que vários sócios das empresas interpostas recebem vale refeição nos mesmos moldes da referida CCT. Houve pagamento de contas telefônicas das empresas interpostas, ressaltando que as despesas dos benefícios relacionados não estão previstas nos contratos de prestação de serviço efetivados entre as partes, apesar de serem custeadas pela contratante. Havia um contrato padrão uniforme. Foi juntada aos autos relação de segurados empregados registrados na empresa que recebem remuneração como tal, declarados em GFIP e ao mesmo tempo agem como sócios de empresas que prestam serviços a ECM, recebendo, além dos salários, parcela da remuneração significativa mediante nota fiscal. Tais contratos estão assinados pelos mesmos segurados empregados sócios. Há Termo de Registro de Inspeção do Trabalho, de 2006 em que a Auditoria do Trabalho verificou que a empresa ECM foi intimada a registrar diversos empregados, que, segundo a fiscalização da DRT: “trabalhavam como Prestadores de Serviços Pessoas Jurídicas”. A autoridade fiscal assim expôs sua análise quanto aos pressupostos da relação de emprego observados na ação fiscal: Não Eventualidade: (...) “Todas as atividades dos sócios contratados mediante empresas interpostas são de profissionais vinculados ao objeto social da empresa ECM S.A . São Engenheiros, projetistas, arquitetos, desenhistas, entre outros. Durante toda fiscalização anterior realizada no período de 2008 e agora nos períodos de 2009 e 2010, praticamente TODOS os sócios das empresas interpostas, sem o concurso de empregado, com exclusividade, continuam a prestar o mesmo serviço a contratante, ou seja, elaboração de projetos de engenharia ” (...) Pessoalidade: No período fiscalizado 2009 e 2010, o sócio ou os sócios das empresas interpostas, sem o concurso de empregados, com exclusividade na prestação do serviço à empresa ECM S.A , prestaram o serviço técnico para qual foram contratados, com garantia de seguro de vida, plano de assistência médica, vale refeição, todas verbas previstas na convenção coletiva do trabalho da categoria, além de pagamento de despesas efetuadas pelos sócios, tais como telefones e despesas de viagem conforme comprovamos anteriormente. Remuneração: Os anexos I, II, III, IV, comprovam os pagamentos mensais, mediante nota fiscal numerada, em sua maioria, as empresas interpostas, recebendo os valores da prestação do serviço, o sócio ou os sócios que prestam efetivamente o serviço, na qualidade de pessoa física, técnicos de áreas diversas de Fl. 1837DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.838 24 projetos de engenharia, que tem, inclusive, várias despesas pagas pelo empregador/contratante, como telefone e viagens para acompanhamento dos projetos por eles elaborados, sendo que estas despesas não estão previstas no contrato de prestação de serviço, com a PJ interposta. Subordinação e Dependência: (...) Face à necessidade de interligação entre os profissionais é preciso que estejam em mesmo ambiente de trabalho, na maioria das vezes. Exatamente por este motivo que no Contrato de Empreitada Padrão, que a empresa firma com as pessoas físicas, mediante interposição de pessoa jurídica, estabelece na sua Cláusula Primeira 1.3 que: “O objeto contratado poderá ser desenvolvido por profissionais (sócios/e ou empregados) da contratada em escritórios disponibilizados pela ECM em sua sede, mediante contrato de comodato, tácito ou escrito ”. Em sua Cláusula 4.1 “A contratada se obriga a executar o objeto contratado dentro dos prazos combinados, com boa qualidade e dentro dos padrões, normas, critérios e procedimentos da ECM”. (SUBORDINAÇÃO JURÍDICA) Cláusula 8.1 “Pelo presente instrumento, a contratada cede a ECM, em caráter irrevogável e irretratável, de forma total e exclusiva, pelo período máximo permitido na legislação vigente, os direitos patrimoniais de propriedade intelectual e autoria, relativamente a todo e qualquer produto material ou intelectual, resultante deste contrato... Cláusula 8.2 “Todo e qualquer trabalho resultante do presente contrato será de propriedade exclusiva da ECM... O crédito lançado encontrase fundamentado na legislação constante do anexo de "Fundamentos Legais do Débito FLD", com os períodos de vigência e as alíquotas aplicadas sobre a base de cálculo do débito com os respectivos períodos de vigência estão discriminadas no relatório "DD Discriminativo Do Débito”. O Relatório de Lançamentos RL, relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração com observações sobre sua natureza ou fonte documental. Em razão do quadro probatório coligido, entendeu a autoridade autuante que a empresa fiscalizada contratou profissionais pessoas físicas por meio de PJ, sendo que estas emitiam ao final de cada mês notas fiscais de serviço para justificar o recebimento de remunerações daquelas, mascarando a verdadeira relação jurídica existente entre ambos, de um lado, profissionais pessoas físicas como empregados de fato e, de outro, a ECM S/A como empregador, dada a existência dos pressupostos fáticojurídicos da relação de emprego, Fl. 1838DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.839 25 definidos nos artigos 2° e 3° da CLT e, bem assim, no inciso I do art. 12 da Lei 8.212, de 1991, quais sejam: pessoalidade, não eventualidade, subordinação e remuneração. E não poderia ser outra a solução adotada pela Fiscalização. Diante da vasta narração fática, evidenciaramse presentes com robustez os requisitos da relação de emprego. É de clareza solar a ocorrência da pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação. Essa última, pode ser facilmente constatada através da cláusula contratual que assegura à recorrente, exclusividade sobre os direitos de autoria aplicados ou originados dos contratos celebrados com as supostas pessoas jurídicas. Assim, diferentemente da decisão proferida por este CARF que decidiu processo semelhante com os fatos geradores de 2008, entendo que restaram caracterizados à robustez os elementos caracterizadores da relação de emprego para fins previdenciários. A concessão de planos de saúde e seguros de vida aos sócios das pessoas jurídicas são apenas dois dos vastos elementos que se prestam para formar a convicção do julgador nesse sentido. A Câmara Superior de Recursos Fiscais já enfrentou caso análogo ao dos autos, como se infere do voto da eminente Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, proferido através do acórdão nº 9202004.641 2a Turma da CSRF, cujos excertos relacionados ao tema transcrevemos abaixo: Primeiramente, entendo que no procedimento em questão a AUTORIDADE FISCAL EM IDENTIFICANDO a condição de vínculo empregatício com empresa que simulou a contratação por intermédio de empresas interpostas, procedeu a caracterização de vínculo de emprego para efeitos previdenciários na empresa notificada, que encontravase, na verdade na condição de empregadora. A Auditoria Fiscal, tendo inegavelmente a atribuição de aplicar a legislação previdenciária, é competente para, diante do caso concreto, interpretar se determinada relação jurídica revestese das características do liame de emprego. Essa autorização é dada pelo Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n.° 3.048/1999, que no § 2.° do art. 229 dispõe: Art.229. O Instituto Nacional do Seguro Social é o órgão competente para: (...) §2° Se o Auditor Fiscal da Previdência Social constatar que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições referidas no inciso I do caput do art. 9°, deverá desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado. (...) Fl. 1839DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.840 26 Por outro lado, a constituição do crédito tributário sobre as parcelas pagas aos empregados é autorizada ao Fisco, conforme dispõe a Lei n.° 11.457/2007: “Art. 6° São atribuições dos ocupantes do cargo de AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil: I no exercício da competência da Secretaria da Receita Federal do Brasil e em caráter privativo: constituir, mediante lançamento, o crédito tributário e de contribuições; (...) Assim, de pronto, afasto qualquer alegação de incompetência da autoridade fiscal para caracterização de vínculo, e que essa competência seria adstrita ao poder Judiciário. Passo agora a identificar os pontos trazidos pelo contribuinte em seu recurso especial aos quais deuse seguimento ao recurso. Item (a): art. 12, I da Lei n° 8.212/91 e dos requisitos para a configuração do seguradoempregado (existência de processos trabalhista no bojo do qual foi reconhecida a inexistência de vínculo empregatício entre as mesmas partes do presente caso. Conforme descrito acima, entendo encontrarse dentro da competência da autoridade fiscal a caracterização de vínculo de emprego para efeitos previdenciários, desde que devidamente demonstrado por meio dos elementos identificados durante a fiscalização que esclarecem como se dava efetivamente a contratação dos serviços. Notese que um dos princípios norteadores do direito quanto a formação de vínculo de emprego é o da "primazia da realidade", ou seja, atribuise maior relevância a realizados dos fatos, ou como no caso concreto, como se dava a prestação de serviço do que os contratos formalmente apresentados. Contudo, ao contrário do argumentado, a improcedência de reclamatórias trabalhistas não afasta o vínculo configurado para efeito previdenciários, tendo em vista a autonomia da autoridade fiscal, prevista na legislação. Da leitura do dispositivo normativo descrito acima, não se identifica o condicionamento da formação dos vínculos de emprego à existência de reclamatórias trabalhistas procedentes,. No presente caso, a utilização indevida de contratação de pessoas jurídicas foi também suscitada pela autoridade fiscal do ministério do trabalho, que inclusive comunicou a situação à Receita Federal, ensejando o presente lançamento. Quanto a impossibilidade de formação de vínculo por força do disposto na lei 11.196/05, entendo que razão não assiste ao recorrente. A suposta incompatibilidade entre o § 2.° do art. 229 do RPS e o art. 129 da Lei n.° 11.196/2005 pode ser resolvida mediante Fl. 1840DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.841 27 interpretação sistemática das normas aplicáveis à espécie. Eis o dispositivo: Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tão somente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no 10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil. Dos termos legais acima, percebese que o dispositivo é aplicável às prestações de serviço intelectuais realizados por pessoas jurídicas, mesmo que esse serviço deva ser obrigatoriamente prestado pelo sócio ou qualquer empregado e independentemente de haver designação de obrigações aos trabalhadores. Todavia, verificandose presentes os elementos caracterizadores da relação de emprego (conforme descrito no item anterior) não há de se cogitar da aplicação do art. 129 da Lei n.° 11.196/2005, mas do art. 9.° da CLT, in verbis: Art. 9° Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação. Ou seja, se a Auditoria observa que a execução de um contrato, formalmente firmado entre pessoas jurídicas, na verdade busca desvirtuar uma relação de emprego, esse negócio jurídico há de ser afastado de modo que se preservem os direitos dos empregados consagrados pela Carta Magna. Vejamos trecho do relatório fiscal: Observese que tal procedimento não implica em desconsideração da personalidade jurídica da empresa, que permanece incólume, mas apenas de caracterização do liame empregatício, privilegiando a realidade verificada durante o procedimento fiscal, em detrimento da aparência formal de que se revestem determinados contratos. Um argumento que nos parece muito válido para chancelar a caracterização de segurado empregado nesses casos diz respeito às considerações lançadas para vetar o parágrafo único do mencionado artigo, que fora assim redigido: Parágrafo único. O disposto neste artigo não se aplica quando configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. São ponderações, conforme veremos, que chamam atenção para a necessidade de se preservar a competência da fiscalização para lançar os tributos correspondentes sempre que verificada a existência de trabalho prestado mediante relação de emprego Fl. 1841DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.842 28 travestido de avenca entre empresas. Eis os termos lançados nas razões do veto do parágrafo único do art. 129 da Lei n. 11.196/2005: “Razões do veto O parágrafo único do dispositivo em comento ressalva da regra estabelecida no caput a hipótese de ficar configurada relação de emprego entre o prestador de serviço e a pessoa jurídica contratante, em virtude de sentença judicial definitiva decorrente de reclamação trabalhista. Entretanto, as legislações tributária e previdenciária, para incidirem sobre o fato gerador cominado em lei, independem da existência de relação trabalhista entre o tomador do serviço e o prestador do serviço. Ademais, a condicionante da ocorrência do fato gerador à existência de sentença judicial trabalhista definitiva não atende ao princípio da razoabilidade ” (grifamos) A jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho corrobora o entendimento de que o artigo 129 da Lei 11.196/2005 não teve o condão de legalizar toda e qualquer prestação de serviço por meio de pessoa jurídica, ficando a salvo a relação de emprego. AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1.VÍNCULO DE EMPREGO CONFIGURADO. PROFISSIONAL CONTRATADO MEDIANTE PEJOTIZAÇÃO(LEI N° 11.196/2005, ART. 129). ELEMENTOS DA RELAÇÃO DE EMPREGO EVIDENCIADOS. PREVALÊNCIA DA RELAÇÃO EMPREGATÍCIA. A relação empregatícia é a principal fórmula de conexão de trabalhadores ao sistema socioeconômico existente, sendo, desse modo, presumida sua existência, desde que incontroversa a prestação de serviços (Súmula 212, TST). A Constituição da República, a propósito, elogia e estimula a relação empregatícia, ao reportar a ela, direta ou indiretamente, várias dezenas de princípios, regras e institutos jurídicos. Em conseqüência, possuem caráter manifestamente excetivo fórmulas alternativas de prestação de serviços a alguém por pessoas naturais, como, ilustrativamente, contratos de estágio, vínculos autônomos ou eventuais, relações cooperativadas, além da fórmula apelidada de pejotização. Em qualquer desses casos além de outros , estando presentes os elementos da relação de emprego, esta prepondera, impõese e deve ser cumprida. No caso da fórmula do art. 129 da Lei n° 11.196, de 2005, somente prevalecerá se o profissional pejotizado tratarse de efetivo trabalhador autônomo ou eventual, não prevalecendo a figura jurídica como mero simulacro ou artifício para impedir a aplicação da Constituição da República, do Direito do Trabalho e dos direitos sociais e individuais fundamentais trabalhistas. Trabalhando a Obreira cotidianamente no estabelecimento empresarial e em viagens a serviço, com todos os elementos fático jurídicos da relação empregatícia, deve o vínculo de emprego ser reconhecido (art. 2°, caput, e 3°, caput, CLT), com todos os seus consectários pertinentes. Notese que o TRT deixa claro, a propósito, a presença da subordinação jurídica em todas as suas três dimensões (uma só já bastaria, como se sabe), ou seja, a tradicional, a objetiva e a estrutural. Fl. 1842DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.843 29 2. VÍNCULO EMPREGATÍCIO RECONHECIDO EM JUÍZO. FÉRIAS EM DOBRO. DECISÃO DENEGATÓRIA. MANUTENÇÃO. É devido o pagamento em dobro das férias vencidas, ainda que o vínculo de emprego somente tenha sido reconhecido em Juízo (exegese do art. 137 da CLT). Precedentes. Sendo assim, não há como assegurar o processamento do recurso de revista quando o agravo de instrumento interposto não desconstitui os fundamentos da decisão denegatória, que subsiste por seus próprios fundamentos. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 63935.2010.5.02.0083, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 19/06/2013, 3a Turma, Data de Publicação: 21/06/2013)(grifamos) Há um outro precedente também do TST que não poderíamos deixar de citar, posto que vem bem nessa linha de entendimento de que a norma do art. 129 da Lei 11.196/05 não autoriza a prestação de serviços com as típicas características da relação de emprego por meio da interposição de pessoas jurídicas. Vejamos: AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. 1) NEGATIVA DE PRESTAÇÃO JURISDICIONAL. 2) EMBARGOS DE DECLARAÇÃO PROTELATÓRIOS. MULTA. 3) VERBAS RESCISÓRIAS. 4) RECONHECIMENTO DE VÍNCULO DE EMPREGO. TRABALHO EMPREGATÍCIO DISSIMULADO EM PESSOA JURÍDICA. FENÔMENO DA PEJOTIZAÇÃO. PREVALÊNCIA DO IMPÉRIO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (ART. 7°, CF/88). MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 126/TST. A Constituição da República busca garantir, como pilar estruturante do Estado Democrático de Direito, a pessoa humana e sua dignidade (art. 1°, caput e III, CF), fazendoo, entre outros meios, mediante a valorização do trabalho e do emprego (art. 1°, IV, in fine; Capítulo II do Título II; art. 170, caput e VIII; art. 193), da subordinação da propriedade à sua função social (art. 5°, XXIII) e da busca do bem estar e da justiça sociais (Preâmbulo; art. 3°, I, III e IV, ab initio; art. 170, caput; art. 193). Com sabedoria, incentiva a generalização da relação empregatícia no meio socioeconômico, por reconhecer ser esta modalidade de vínculo o patamar mais alto e seguro de contratação do trabalho 16 humano na competitiva sociedade capitalista, referindose sugestivamente a trabalhadores urbanos e rurais quando normatiza direitos tipicamente empregatícios (art. 7°, caput e seus 34 incisos). Nessa medida incorporou a Constituição os clássicos incentivos e presunção trabalhistas atávicos ao Direito do Trabalho e que tornam excetivos modelos e fórmulas não empregatícias de contratação do labor pelas empresas (Súmula 212, TST). São excepcionais, portanto, fórmulas que tangenciem a relação de emprego, solapem a fruição de direitos sociais fundamentais e se anteponham ao império do Texto Máximo da Fl. 1843DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.844 30 República Brasileira. Sejam criativas ou toscas, tais fórmulas têm de ser suficientemente provadas, não podendo prevalecer caso não estampem, na substância, a real ausência dos elementos da relação de emprego (caput dos artigos 2° e 3° da CLT). A criação de pessoa jurídica, desse modo (usualmente apelidada de pejotização), seja por meio da fórmula do art. 593 do Código Civil, seja por meio da fórmula do art. 129 da Lei Tributária n° 11.196/2005, não produz qualquer repercussão na área trabalhista, caso não envolva efetivo, real e indubitável trabalhador autônomo. Configurada a subordinação do prestador de serviços, em qualquer de suas dimensões (a tradicional, pela intensidade de ordens; a objetiva, pela vinculação do labor aos fins empresariais; ou a subordinação estrutural, pela inserção significativa do obreiro na estrutura e dinâmica da entidade tomadora de serviços), reconhecese o vínculo empregatício com o empregador dissimulado, restaurandose o império da Constituição da República e do Direito do Trabalho. Por tais fundamentos, que se somam aos bem lançados pelo consistente acórdão regional, não há como se alterar a decisão recorrida. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 98161.2010.5.10.0006, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 29/10/2012, 3a Turma, Data de Publicação: 31/10/2012)(destacamos) Assim, mesmo após a edição da Lei n.° 11.196/2005 é perfeitamente aplicável os preceitos do § 2.° do art. 229 do RPS, não devendo prevalecer a tese de incompetência da Auditoria Fiscal para caracterizar a relação de emprego e fazer valer os ditames da legislação previdenciária, uma vez que a norma citada não pode ser utilizada como PEJOTIZAÇÃO. PREVALÊNCIA DO IMPÉRIO DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA (ART. 7°, CF/88). MATÉRIA FÁTICA. SÚMULA 126/TST. A Constituição da República busca garantir, como pilar estruturante do Estado Democrático de Direito, a pessoa humana e sua dignidade (art. 1°, caput e III, CF), fazendoo, entre outros meios, mediante a valorização do trabalho e do emprego (art. 1°, IV, in fine; Capítulo II do Título II; art. 170, caput e VIII; art. 193), da subordinação da propriedade à sua função social (art. 5°, XXIII) e da busca do bem estar e da justiça sociais (Preâmbulo; art. 3°, I, III e IV, ab initio; art. 170, caput; art. 193). Com sabedoria, incentiva a generalização da relação empregatícia no meio socioeconômico, por reconhecer ser esta modalidade de vínculo o patamar mais alto e seguro de contratação do trabalho 16 humano na competitiva sociedade capitalista, referindose sugestivamente a trabalhadores urbanos e rurais quando normatiza direitos tipicamente empregatícios (art. 7°, caput e seus 34 incisos). Nessa medida incorporou a Constituição os clássicos incentivos e presunção trabalhistas atávicos ao Direito do Trabalho e que tornam excetivos modelos e fórmulas não Fl. 1844DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.845 31 empregatícias de contratação do labor pelas empresas (Súmula 212, TST). São excepcionais, portanto, fórmulas que tangenciem a relação de emprego, solapem a fruição de direitos sociais fundamentais e se anteponham ao império do Texto Máximo da República Brasileira. Sejam criativas ou toscas, tais fórmulas têm de ser suficientemente provadas, não podendo prevalecer caso não estampem, na substância, a real ausência dos elementos da relação de emprego (caput dos artigos 2° e 3° da CLT). A criação de pessoa jurídica, desse modo (usualmente apelidada de pejotização), seja por meio da fórmula do art. 593 do Código Civil, seja por meio da fórmula do art. 129 da Lei Tributária n° 11.196/2005, não produz qualquer repercussão na área trabalhista, caso não envolva efetivo, real e indubitável trabalhador autônomo. Configurada a subordinação do prestador de serviços, em qualquer de suas dimensões (a tradicional, pela intensidade de ordens; a objetiva, pela vinculação do labor aos fins empresariais; ou a subordinação estrutural, pela inserção significativa do obreiro na estrutura e dinâmica da entidade tomadora de serviços), reconhecese o vínculo empregatício com o empregador dissimulado, restaurandose o império da Constituição da República e do Direito do Trabalho. Por tais fundamentos, que se somam aos bem lançados pelo consistente acórdão regional, não há como se alterar a decisão recorrida. Agravo de instrumento desprovido. (AIRR 98161.2010.5.10.0006, Relator Ministro: Mauricio Godinho Delgado, Data de Julgamento: 29/10/2012, 3a Turma, Data de Publicação: 31/10/2012)(destacamos) Assim, mesmo após a edição da Lei n.° 11.196/2005 é perfeitamente aplicável os preceitos do § 2.° do art. 229 do RPS, não devendo prevalecer a tese de incompetência da Auditoria Fiscal para caracterizar a relação de emprego e fazer valer os ditames da legislação previdenciária, uma vez que a norma citada não pode ser utilizada como escudo para proteger situações de clara afronta aos princípios dos Direitos Previdenciário e Trabalhista. Na situação posta em julgamento não existe dúvida quanto à verdadeira relação jurídica dos sócios das pessoas jurídicas contratadas para atingir os objetivos sociais da empresa, que exerciam a atividade fim da recorrente, com pessoalidade, não eventualidade, onerosidade e subordinação, requisitos da relação de emprego que restaram sobejamente comprovado nos autos. Merece ser refutada, também, a alegação recursal de que a autoridade fiscal deveria ter configurado o vínculo de forma individualizada para cada segurado. Não há essa obrigatoriedade na legislação. Se todos os contratos eram semelhantes e decorriam da mesma situação jurídica; sendo uma praxe da empresa contratar empregados com a roupagem de prestação de serviços por intermédio de pessoas jurídicas, não há óbice para que todas as notas fiscais sejam somadas para compor a base de cálculo de incidência da contribuição previdenciária. Fl. 1845DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.846 32 Destaquese, contudo, que todos os segurados caracterizados como empregados e os respectivos valores recebidos constam de planilhas anexas ao Auto de Infração. Desse modo, não procedem as alegações recursais. Da inconstitucionalidade e ilegalidade do adicional FAP A recorrente em longo arrazoado sustenta a inconstitucionalidade do adicional do Fator Acidentário de Prevenção FAP. Quanto a estes argumentos, cabe destacar, de pronto, que este não é o foro adequado para discussão nesse sentido, seja pelo que dispõe o artigo 26A do Decreto nº 70.235/72, seja pelo que dispõe a Súmula CARF n° 2: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Repitase o que dito no início, esta questão foi submetida ao Poder Judiciário, o que importa renúncia à via administrativa. Da Aferição Indireta Inferese dos elementos constantes dos autos que não houve uma aferição indireta propriamente dita. Houve sim, uma caracterização de sócios das pessoas jurídicas formando um liame jurídico diretamente com a recorrente na condição de segurados empregados. A base de cálculo foi aferida diretamente, posto que ela é coincidente com o valor das notas fiscais das pessoas jurídicas interpostas que prestavam serviços sob a roupagem de uma relação jurídica de direito civil. Da Redução da Base de Cálculo Cumpre ressaltar que a decisão de piso já reduziu o valor da base de cálculo e, consequetemente, o valor do crédito tributário lançado. Todavia, em suas razões recursais o sujeito passivo requer uma redução em maior extensão, nos seguintes termos: Contratada Comp. Descrição do Equívoco Referência nos Autos Eletrônicos TECSAI TECN. SIST. DE AUTOMOAÇÃO IND. LTDA abr/09 NF 225, no valor de R$ 8.054,28, lançada em duplicidade Planilha de fls. 10851180, p. 16 Planilha de fls. 11811274, p. 42 DHEMARCAS LTDA jun/09 NF 168, no valor de R$ 3.038,00, lançada em duplicidade Planilha de fls. 10351180, p. 11 Planilha de fls. 11811274, p. 42 PFB AUTOMAÇÃO E CONTROLE INDUSTRIAL LTDA set/09 NF 57, no valor de R$ 24.524,23, lançada em duplicidade Planilha de fls. 10851180, p. 35 Planilha de fls. 11311274, p. 34 TREVISANI VIEIRA VALADARES LTDA set/09 NF 209, no valor de R$ 7.030,03, lançada em duplicidade Planilha de fls. 10851180, p. 36 Planilha de fls. 11811274, pp. 42 43 Fl. 1846DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.847 33 SIMETRIA DESENHOS TÉCNICOS LTDA jan/10 NF 63, no valor de R$ 5.356,56, lançada em duplicidade Planilha de fls. 12751310, p. 03 Planilha de fls. 1.3111346, p. 30 ZMS PROJETOS LTDA jun/10 NF 72, no valor de R$ 4.935,36, lançada em duplicidade Planilha de fls. 12751310, p. 17 Planilha de fls. 1.3111346, p. 35 GEDRAKIS ASSESSORIA EM PROJETOS LTDA set/10 NF 51, no valor de 4.853,84, lançada em duplicidade Planilha de fls. 12751310, p. 24 Planilha de fls. 1.3111346, p. 13 LINDENBERG & CORRÊA LTDA set/10 NF 176, no valor de R$ 10.757,00, lançada em duplicidade Planilha defls. 12751310, p. 25 Planilha de fls. 1.3111346, p. 18 Analisando as questões ventiladas de duplicidade da base de cálculo, resultando em lançamento maior que o devido, não verificamos a duplicidade alegada pelo sujeito passivo, além da redução já verificada pela Fiscalização e já considerada pela decisão de piso. Das Ações Trabalhistas Pleiteia o sujeito passivo que sejam excluídos do presente lançamento os segurados cuja relação de emprego não fora reconhecida pela Justiça do Trabalho. Contudo, cumpre ressaltar que essa instância administrativa não se vincula às decisões tomadas no âmbito da Justiça do Trabalho, que se limitam a pôr termo a um conflito de interesse privado, enquanto que este Tribunal Administrativo está julgando em sede de recurso o processo administrativo fiscal. Não há vinculação entre a esfera privada (relação trabalhista) e o lançamento do crédito tributário (relação jurídicotributária). Assim, não obstante pudesse o julgador administrativo formar o seu convencimento balizado em questões tratadas na querela trabalhista, não há obrigatoriedade de seguir os julgados trabalhistas, sendo certo que pode o Fisco caracterizar a relação de emprego para fins fiscais, ainda que a Justiça do Trabalho tenha declarado a inexistência do vínculo empregatício. Dessa forma, não há como ser atendido o pleito recursal. Da Representação Fiscal para Fins Penais Em relação à alegação da recorrente em relação à Representação Fiscal para Fins Penais, tem aplicabilidade ao caso a Súmula Vinculante nº 28, verbis: Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Destarte, deixamos de apreciar as alegações recursais no que pertine à Representação Fiscal para Fins Penais. Conclusão Diante de todo o exposto, voto conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. Fl. 1847DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.848 34 Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Voto Vencedor Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Em que pesem os argumentos e logicidade do voto do ilustre Conselheiro Relator, ouso dele discordar nos pontos abaixo explicitados. Assim, mister algumas considerações sobre a prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica. Preceitua a Carta da República que a ordem econômica é fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, com expressa garantia para todos do livre exercício de qualquer atividade econômica. Assim está redigido o artigo 170: "Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social, observados os seguintes princípios: (...) Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei." O preceito constitucional é claro em garantir que qualquer do povo pode exercer todo tipo de atividade econômica encontrando, por óbvio, na lei, o limite desse exercício. Dessa constatação, podemos inferir que é lícito ao profissional que presta serviços, fazêlo por meio de uma pessoa jurídica, uma vez que o exercício dessa atividade econômica não encontra óbice legal, tampouco a constituição de uma empresa com essa mister ofende a ordem jurídica. Cediço que a conformação societária dessa pessoa jurídica é critério daquele que a constitui, existindo no ordenamento pátrio diversos modelos societários que se amoldam a esse mister . Constituída a pessoa jurídica, essa ficção passa a contar com a tutela do ordenamento jurídico que empresta personalidade ficta a essa pessoa, que passa a ser objeto e sujeito de direito. Não obstante, a prestação de serviços atividade econômica cujo o objeto é uma obrigação de fazer por vezes também é prestada por uma pessoa física, realizada pelo trabalho dessa pessoa, atividade também valorizada pelo mesmo comando constitucional acima mencionado. Fl. 1848DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.849 35 Por muito tempo, a doutrina distinguiu pelo atributo da pessoalidade, a prestação de serviços realizado pela pessoa jurídica daquele prestado pela pessoa física. Assim, quando o contratante precisava que tal serviços fosse prestado por determinada pessoa, era essa a contratada, em razão da característica única que é atributo típico do ser humano, do trabalhador. Se, por outro lado, a prestação do serviço se resumia a um objetivo determinado, um 'facere' pretendido, a contratação de pessoa jurídica atendia a essa necessidade, vez que despicienda a característica de personalidade para a execução do objeto do contrato de prestação de serviços. Se por um lado, no âmbito dos contratos, tal diferenciação interessa somente às partes, causando pouco, ou nenhum, impacto a terceiros, por outro, no âmbito tributário, tal diferenciação é ponto fulcral, em razão da diferenciação da exação incidente sobre as duas formas de prestação de serviços, menos onerosa quando prestada por pessoa jurídica. O menor custo tributário, tanto para o contratante, quanto para o prestador de serviços, fomentou uma crescente transformação de pessoas físicas que prestavam serviços, trabalhadores portanto, em empresas. Em 2005, com o advento da Lei nº 11.196, a legislação tributária passou a explicitamente admitir tal fenômeno. Vejamos a redação do artigo 129: "Art. 129. Para fins fiscais e previdenciários, a prestação de serviços intelectuais, inclusive os de natureza científica, artística ou cultural, em caráter personalíssimo ou não, com ou sem a designação de quaisquer obrigações a sócios ou empregados da sociedade prestadora de serviços, quando por esta realizada, se sujeita tãosomente à legislação aplicável às pessoas jurídicas, sem prejuízo da observância do disposto no art. 50 da Lei no10.406, de 10 de janeiro de 2002 Código Civil." Claríssima a disposição legal. Havendo prestação de serviços por meio de pessoa jurídica, mesmo que atribuição de obrigações às pessoas físicas, e sendo esses serviços de natureza intelectual, assim compreendidos os científicos, os artísticos e os culturais, o tratamento fiscal e previdenciário deve ser aquele aplicável as pessoas jurídicas, exceto no caso de desvio de finalidade ou confusão patrimonial, como consta das disposições do artigo 50 do Código Civil Brasileiro. Não obstante o exposto, cediço recordar que a CLT impõe limite legal à prestação de serviços por pessoa jurídica. Tal limite se expressa exatamente na relação de trabalho. Vejamos as disposições da Lei Trabalhista: " Art. 2º Considerase empregador a empresa, individual ou coletiva, que, assumindo os riscos da atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviço. (...) Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário. Fl. 1849DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.850 36 Parágrafo único Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição de trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual. (...) Art. 9º Serão nulos de pleno direito os atos praticados com o objetivo de desvirtuar, impedir ou fraudar a aplicação dos preceitos contidos na presente Consolidação." (destaquei) Patente o limite da prestação de serviços personalíssimos por pessoa jurídica: a relação de emprego. Ao recordarmos as disposições do CTN, constantes não só do parágrafo único do artigo 116, como também do inciso VII do artigo 149, podemos asseverar que, encontrando a Autoridade Tributária as características da relação de emprego na contratação de prestação de serviços por pessoa jurídica, surge o direito do Fisco de desconsiderar tal situação jurídica, vez que dissimuladora do contrato de trabalho, e constituir o crédito tributário decorrente da constatação do fato gerador verificado com o trabalho da pessoa física. Dito de maneira diversa: para que haja o lançamento tributário por desconsideração da prestação de serviços por meio de pessoa jurídica é ônus do Fisco a comprovação da existência da relação de emprego entre a pessoa física que prestou os serviços objeto da desconsideração da personalidade jurídica e o contratante desses serviços. A doutrina trabalhista é assente em reconhecer o vínculo de emprego quando presentes, simultaneamente, as características da pessoalidade, da onerosidade, da habitualidade e da subordinação. Confrontemos as disposições da melhor lição trabalhista com os ditames específicos da Lei nº 11.196/05, com o objetivo de encontrarmos a exata diferenciação entre a relação de emprego e a prestação de serviços por pessoa física. Em primeiro lugar é necessário observar que a pessoalidade não é relevante no distinção em apreço. Tal afirmação se corrobora com a simples leitura do artigo 129 da Lei nº 11.196, que explicitamente afasta a questão do caráter personalíssimo e da atribuição de obrigações às pessoas que compõe a sociedade prestadora de serviços. Em segundo lugar, forçoso reconhecer que a habitualidade não apresenta relevância como fato distintivo entre a prestação de serviços por pessoa física ou jurídica, vez que tanto numa como em outra, a habitualidade, ou ausência desta, podem estar presentes. Nesse ponto é necessário recordar que nas relações comerciais também se instaura uma relação de confiança, decorrente do conhecimento da excelência na prestação de serviços do fornecedor habitual. A análise da onerosidade também não ajuda no traço distintivo. Cediço que tanto no emprego quanto na mera relação comercial de prestação de serviços, o pagamento pelos serviços prestados está presente. Logo, o ponto fulcral da distinção é a subordinação. Somente na relação de emprego o contratante, no caso empregador, subordina o prestador de serviços, no caso , o empregado. Fl. 1850DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.851 37 Porém, não se pode, sob pena de ofensa ao direito, entender que qualquer forma de direção da prestação de serviços é a subordinação típica das normas trabalhistas. Esta, a subordinação trabalhista, se apresenta em duas situações específicas. A primeira se observa quando o empregador, no nosso caso o contratante da prestação de serviços conduz, ordena, determina a prestação de serviços. É a chamada subordinação subjetiva onde o prestador de serviços, o trabalhador, recebe ordens específicas sobre seu trabalho, assim entendida a determinação de como trabalhar, de como executar as tarefas a ele, trabalhador, atribuídas. É a subordinação típica, aquela presente no modelo fordistataylorista de produção. Modernamente, encontramos o segundo modelo de subordinação, erroneamente chamado por muitos de subordinação jurídica. Não se pode admitir tal denominação, quanto mais a afirmação que esta subordinação decorre do contrato. Ora, qualquer contrato imputa direitos e deveres e por certo, desses decorre subordinação jurídica, posto que derivada de um negócio jurídico que atribui obrigações. Essa moderna subordinação é a chamada subordinação estrutural, nos dizeres de Maurício Godinho Delgado. É a subordinação consubstanciada pela inserção do trabalhador no modelo organizacional do empregador, na relação institucional representada pelo fluxo de informações e de prestação de serviços constante do negócio da empresa contratante desses serviços. Mister realçar que é por meio da subordinação estrutural que o empregador, o tomador de serviços que subordina o prestador, garante seu padrão de qualidade, uma vez que controla todo o fluxo da prestação dos serviços necessários a consecução do mister constante de seu objeto social, ou seja, é por meio de um modelo de organização que há o padrão de qualidade necessário e o controle das atividades e informações imprescindíveis para a prestação final dos serviços, para a elaboração do produto, para a venda da mercadoria que é o fim da atividade econômica pretendida pelo contratante dos serviços, pelo empregador. Com essa considerações, a solução da lide tributária instaurada por meio do presente recurso voluntário será encontrada a partir da comprovação, ou não, da existência da relação de emprego, consubstanciada pela comprovação da subordinação, entre as pessoas físicas que prestaram os serviços mencionados no auto de infração e a Recorrente. Observo que não soube a Autoridade Lançadora comprovar a subordinação por meio da verificação da inserção na estrutura organizacional do sujeito passivo de todos os prestadores de serviço por meio de pessoas jurídicas. Não há nos autos prova cabal de tal controle dos fluxos de trabalho pela Recorrente. Ressalto, com tintas fortes, que mero controle do produto da prestação de serviços, de seu resultado final, não torna a prestadora de serviços subordinada, do ponto de vista trabalhista, à Contratante. Como dito acima, mero controle contratual não indica a subordinação do contrato de trabalho e sim um direito do contratante de verificar se o objeto da prestação de Fl. 1851DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.852 38 serviços avençada foi cumprido de acordo com os padrões ajustados. Isso, reafirmo com o perdão pela repetição, é ínsito ao contrato de prestação de serviços. Como ensina Silvio de Salvo Venosa (Direito Civil, III, Contratos em Espécie, 14ª ed., Ed. Atlas, pg.231), ao tratar do objeto e do alcance da prestação de serviços: "O objeto desse contrato é uma obrigação de fazer, uma conduta, tanto material, como intelectual. A lei não faz distinção quanto à natureza do serviço. Se o prestador não foi contratado para certo e determinado trabalho, entendese que sua obrigação diz respeito a todo e qualquer serviço compatível com suas forças e condições, dai então os chamados serviços gerais nos usos trabalhistas (art. 601). Não pode o dono do serviço exigir do prestador que faça o que o seu físico ou seu intelecto não suporta. Por outro lado, não pode também o prestador de serviços recusarse a desempenhar atividade para o qual foi contratado e que era de sua ciência. Importa que fiquem bem claros os serviços contratados." (destaquei) Reproduzo trechos fundantes da imputação fiscal sobre a subordinação, segundo o claro e fiel relatório apresentado no voto, que explicitam as razões da autoridade lançadora sobre o tema: " Ainda sobre a relação de emprego, preceitua também o Art. 3º da Consolidação das Leis do Trabalho – CLT: “Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviço de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste (grifo nosso) e mediante salário. Parágrafo único. Não haverá distinções relativas à espécie de emprego e à condição do trabalhador, nem entre o trabalho intelectual, técnico e manual”. Frisamos as palavras subordinação e dependência na RELAÇÃO DE EMPREGO, como forma de chamar a atenção para o fato que a CLT ao afirmar sob dependência deste, nos permite visualizar de forma clara e convincente a relação de emprego que queremos demonstrar, senão vejamos: Quem conhece um projeto de Engenharia sabe que várias áreas da engenharia trabalham em conjunto: Civil, mecânica, elétrica, eletrônica, projetistas, desenhistas e muitas vezes arquitetos. Precisa que haja sincronia entre estas áreas, para que se possa cumprir o cronograma físico do projeto. Acompanhar o desenvolvimento do projeto no campo (local que se desenvolve) fazendo os ajustes necessários. As áreas técnicas supracitadas precisam estar dentro do cronograma do projeto, cada qual em seu setor. Logicamente para que isso ocorra é preciso coordenação, supervisão de quem contratou os profissionais (subordinação jurídica), no intuito de disponibilizar o trabalho final ao contratante maior, ou seja, por exemplo, uma Mineradora. A empresa ECM S.A desenvolve projetos para grandes empresas, tais como: Cia Vale do Rio Doce, Mineração Fl. 1852DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.853 39 Corumbaense, MMX Mineração S.A, Samarco Mineração, entre outras. Face à necessidade de interligação entre os profissionais é preciso que estejam em mesmo ambiente de trabalho, na maioria das vezes. Exatamente por este motivo que no Contrato de Empreitada PADRÃO, que a empresa firma com as pessoas físicas, mediante interposição de pessoa jurídica, estabelece na sua Cláusula Primeira – 1.3 que: “O objeto contratado poderá ser desenvolvido por profissionais (sócios/e ou empregados) da contratada em escritórios disponibilizados pela ECM em sua sede, mediante contrato de comodato, tácito ou escrito”. Em sua Cláusula 4.1 – “A contratada se obriga a executar o objeto contratado dentro dos prazos combinados, com boa qualidade e dentro dos padrões, normas, critérios e procedimentos da ECM”. (SUBORDINAÇÃO JURÍDICA) Cláusula 8.1 – “Pelo presente instrumento, a contratada cede a ECM, em caráter irrevogável e irretratável, de forma total e exclusiva, pelo período máximo permitido na legislação vigente, os direitos patrimoniais de propriedade intelectual e autoria, relativamente a todo e qualquer produto material ou intelectual, resultante deste contrato, ...” Verifico a inexistência de prova cabal da subordinação necessária para a caracterização da relação de emprego, verdadeiro óbice à contratação de pessoa jurídica para a prestação pessoal de serviços. O que há é a explicitação das responsabilidades dos prestadores de serviços, das obrigações destes na execução da tarefa, de qual o resultado a ser obtido. Porém é possível, como fez o Fisco, antever características da relação de emprego, de algum nível de subordinação estrutural. Necessário considerar as provas indiciárias de tal situação. Em que pese inexistir uma situação patente da relação de emprego, observo situações múltiplas onde há tais características, por exemplo, quando da concessão de típicos benefícios trabalhistas, muitos dos quais constantes de acordos e convenções coletivas firmados pela empresa ou sindicato que a representa. Não se pode olvidar que a comprovação indiciária é suficiente quando o fato a ser provado se demonstra perfeitamente caracterizado pela inferência de várias situações típicas, e cujo conjunto, cuja reunião explicitada, firma e afirma a existência do fato a ser comprovado. É o ocorre no caso em concreto e que me convence da existência de alguns vínculos de emprego dentre os apontados pelo Fisco. Explico melhor minhas razões de decidir, o convencimento que obtenho pelas provas dos autos. Fl. 1853DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.854 40 Há no caso em apreço a comprovação de contratos de prestação de serviços pessoais. Tais obrigações de fazer, quando presentes os requisitos da relação de emprego em especial da subordinação por expressa determinação da CLT devem se submeter aos ditames aplicáveis às relações típicas do contrato de trabalho, do contrato de emprego. Vejo comprovadas a pessoalidade, a onerosidade, a habitualidade e a subordinação em alguns casos. Tais casos são aqueles em que o Fisco demonstra o pagamento de valores, a entrega de bens, a oferta de benefícios que normalmente são realizados pelo empregador a seus empregados. Não é usual o reembolso de despesas incorridas quando uma pessoa jurídica presta serviço a outra. Também não o é a oferta de seguro de uma pessoa jurídica para o sócio de outra pessoa ficta quando esta presta serviço àquela. Muito mais raro ainda, para não dizer inexistente, que uma pessoa jurídica providencie, pague, ou facilite que os sócios de sua prestadora de serviços obtenha plano de assistência médica. Tais situações demonstram, ao menos indiciariamente, que os sócios dessas prestadoras de serviço estão inseridos no modelo organizacional da contratante, fazendo parte de sua estrutura produtiva e prestando serviços dentro desse modelo de organização e administração dos meios de produção da empresa contratante. Assim, os sócios dessas prestadoras de serviços que obtém tais vantagens tais benesses, são subordinados ao contratante que do serviços deles dispõem de maneira pessoal, onerosa, habitual e subordinada É o que verifico no caso concreto. A caracterização, mesmo que indiciária, da relação de emprego nos casos mencionados. Assim, para que reste claro a base de cálculo do lançamento tributário, determino a exclusão dos valores referentes às notas fiscais emitidas pelas empresas cujos sócios não receberam ao menos um dos dois benefícios mais comuns aos empregados: o seguro de vida e a assistência médica. Por óbvio que as pessoas jurídicas cujos sócios propuseram reclamatórias trabalhistas que resultaram em sentença em que não houve o reconhecimento, pelo Juiz do Trabalho, da relação de emprego, devem ser excluídas do lançamento, posto que houve a declaração pela autoridade competente da inexistência do fato jurídico transformado em fato gerador, pela lei tributária. Como dito acima, são somente esses os motivos de minha divergência com o nobre Relator, acompanhando seu voto em todos os demais aspectos. CONCLUSÃO Diante do exposto e pelos fundamentos apresentados, voto por dar provimento parcial ao recurso para retirar do lançamento os valores relativos às prestadoras de serviços cujos sócios não receberam ao menos um entre os benefícios assistência médica e seguro de vida; e também daqueles prestadores de serviços cujos sócios propuseram reclamatória trabalhista e não tiveram seu vínculo reconhecido pela Justiça do Trabalho, órgão competente para declarar a existência de relação de emprego. Fl. 1854DF CARF MF Processo nº 10680.724360/201375 Acórdão n.º 2201003.665 S2C2T1 Fl. 1.855 41 Carlos Henrique de Oliveira Redator designado Fl. 1855DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.015971/2002-62
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/12/2000 a 31/03/2002
RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN.
As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para a Cofins, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional.
Numero da decisão: 9303-004.834
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os recursos. E, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que negaram provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e deram provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: DEMES BRITO
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ZONA FRANCA DE MANAUS Recorrentes FAZENDA NACIONAL ACHE LABORATÓRIOS FARMACÊUTICOS S/A ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/03/2002 RECEITAS DE VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. TRIBUTAÇÃO. APLICAÇÃO DOS ARTIGOS 111 E 177 DO CTN. As receitas decorrentes de vendas a empresas estabelecidas na Zona Franca de Manaus não configuram receitas de exportação e sobre elas incide a contribuição para a Cofins, conforme exegese dos artigos 111 e 177 do Código Tributário Nacional. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer de ambos os recursos. E, no mérito, por voto de qualidade, em dar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte, vencidos os conselheiros Demes Brito (relator), Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que negaram provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e deram provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 0. 01 59 71 /2 00 2- 62 Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.039 2 (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Erika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de divergência interposto pela Fazenda Nacional e pela Contribuinte com fundamento nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, contra ao acórdão nº 330100.204, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção de julgamento, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário da Contribuinte, reconhecendo o direito à restituição/compensação da contribuição paga sobre as vendas de mercadorias destinadas a empresas localizadas na Zona Franca de Manaus e que comprovadamente foram internalizadas naquela zona, referente aos fatos geradores ocorridos a partir de 22/12/2000 a 31/03/2002. Transcrevo, inicialmente, excerto do relatório da decisão de primeiro grau: "Por meio do Despacho Decisório de fls. 283/287v, a DRF indeferiu o pedido de restituição não reconhecendo o direito creditório da contribuinte, tendo em vista que as operações da interessada não estão compreendidas entre as hipóteses de isenção da Cofins para as vendas A Zona Franca de Manaus". A decisão recorrida entendeu que, com a edição da Medida Provisória nº 2.037, de 21/12/2000 (atual MP nº 2.15835/2001) em especial a nova redação dada ao seu artigo 14, a Cofins passou a não incidir sobre receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, e que comprovadamente foram internalizadas naquela zona. Segundo o acórdão, tais vendas a empresas situadas nessa zona especial são equiparadas à exportação, nos termos do artigo 4º do Decretolei nº 288/1967. O Acórdão, restou assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2000 a 31/03/2002 ISENÇÃO RECEITAS. ZONA FRANCA DE MANAUS As receitas decorrentes de vendas mercadorias e serviços e/ ou de serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ ou industrialização, realizadas até a data de 21/03/2000 estavam sujeitas A Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000. RESTITUIÇÃO A Cofins apurada e paga sobre as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus, efetivamente Fl. 1040DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.040 3 internalizadas naquela zona franca, a partir de 22/12/2000, constitui indébito tributário passível de restituição. Recurso Voluntário Provido em Parte. Não conformada com tal decisão, a Fazenda Nacional interpõe o presente Recurso, sustentando que o acórdão recorrido não merecer prosperar. Tal como julgado pelos acórdãos paradigmas ora trazidos, a isenção da Cofins não deve abarcar as receitas de vendas de mercadorias e serviços para empresas situadas na Zona Franca de Manaus desde que elas sejam internalizadas nessa zona. Para que haja a isenção da contribuição em comento tais receitas devem ser enquadradas nas hipóteses legais dos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da MP nº2.15835/2001. Característica essa que, no presente caso, a decisão de primeira instância atestou não ocorrer. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigmas, os Acórdãos nºs 20400.708 e 20180.803. Em seguida, por ter sido comprovada a divergência jurisprudência, por meio do Despacho de Admissibilidade de fls. 805/808, foi dado seguimento total ao Recurso considerando que: "No paradigma, decidiuse que a isenção aplicase, a partir de 18/12/2000, apenas às receitas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art 14 da MP nº 2.15835, de 2001, enquanto na decisão recorrida, decidiuse que a isenção aplicase, a partir de 22/12/2000, a quaisquer receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus". A contribuinte apresentou contrarrazões, fls.864/886, aduz que o Recurso da Fazenda Nacional não deve ter seguimento, considerando que: "o acórdão recorrido categoricamente diz que: " as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21/03/2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000". Já o acórdão paradigma trazido pela Fazenda, por sua vez, foi proferido no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou seja, ambos tratam do mesmo assunto.Em ambas as decisões fixam como premissa que, até dezembro do ano de 2000 as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus não estavam isentas, pois, a partir de janeiro de 2001, todas as receitas advindas dessa operação estariam isentas. Logo, o acórdão foi proferido no mesmo sentido da decisão recorrida e confirma o entendimento defendido pela Contribuinte. Nessa linha considerando que a situação analisada no presente processo é completamente diversa daquela tratada no paradigma, é evidente que o acórdão apresentado pela Fazenda Nacional não se presta a comprovar divergência jurisprudencial para admissão do Recurso. Por fim, requer que seja negado seguimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, e, na eventualidade de ser admitido, requer o seu improvimento para que seja mantida a parte da decisão recorrdia que autorizou a restituição dos valores indevidamente recolhidos da Cofins. Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.041 4 Ainda assim, não conformada, a Contribuinte também interpõe Recurso Especial, fls.893/915, pugna pelo provimento do Recurso, de modo que seja reformada parcialmente o acórdão recorrido de maneira que seja reconhecido seu direito a restituir os valores indevidamente recolhidos a título de Cofins das vendas realizadas para Zona Franca de Manaus anteriormente a 22 de dezembro de 2000. Para comprovar o dissenso jurisprudencial, foi apontado, como paradigma, o Acórdão nº 3801002.026, de 20/08/2013, da 1ª TE da 3ª Seção de Julgamento do CARF. Por ter sido comprovada a divergência jurisprudência o Recurso foi admitido, fls. 966/982. A Fazenda Nacional, apresentou contrarrazões, fls.971/982, narra a evolução histórica da legislação relativa à isenção das Contribuições Sociais, sustenta a impossibilidade de aplicação do decretolei 288/67, considerando que o art. 4º é claro ao afirmar que “os efeitos fiscais” à vista dos quais estabelece a equiparação das vendas de mercadorias à zona franca às vendas de mercadorias para o estrangeiro são aqueles (e exclusivamente aqueles) vigentes à época em que editado o DL 288/1967, e não efeitos de normas posteriores. Por fim, conclui que o Supremo Tribunal Federal (STF), na ADIn nº 2.3489, impetrada pelo Governador do Estado do Amazonas, na sessão plenária do dia 7 de dezembro de 2000, deferiu medida cautelar quanto ao disposto no inciso I do § 2º do artigo 14 da Medida Provisória nº 2.03724, de 2000, suspendendo com efeitos ex nunc, a eficácia da expressão “na Zona Franca de Manaus”. A liminar concedida pelo STF foi publicada no Diário da Justiça e no Diário Oficial da União de 18 de dezembro de 2000. Todavia, em relação à ADIn nº 2.3489, a Fazenda Nacional destaca que houve prejuízo do pedido por perda de objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. Vejamos: “DECISÃO AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE MEDIDA PROVISÓRIA REEDIÇÕES AUSÊNCIA DE ADITAMENTO À INICIAL PRECEDENTE PREJUÍZO (QUESTÃO DE ORDEM NA AÇÃO DIRETA DE INCONSTITUCIONALIDADE Nº 1.952/DF). 1. Conforme ressaltado pelo ProcuradorGeral da República na peça de folha 545 a 547, a medida provisória atacada mediante esta ação direta de inconstitucionalidade foi objeto de reedições sucessivas, não havendo ocorrido aditamento à inicial. 2. Nos termos do precedente revelado na apreciação da Questão de Ordem na Ação Direta de Inconstitucionalidade nº 1.952/DF, relatada pelo ministro Moreira Alves, com decisão publicada no Diário da Justiça de 9 de agosto de 2002, declaro o prejuízo do pedido por perda de objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. 3. Publiquese. Brasília, 2 de fevereiro de 2005. Ministro MARCO AURÉLIO Relator. (fonte: www.stf.gov.br)". É o relatório. Fl. 1042DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.042 5 Voto Vencido Conselheiro Demes Brito Relator O Recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, restando contudo investigar adequadamente o atendimento aos demais pressupostos de admissibilidade, prerrogativa, em última análise, da composição plenária da Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, a qual tem competência para não conhecer de recurso especiais nos quais não estejam presentes os pressupostos de admissibilidade respectivos. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. Após essa breve introdução, passemos, então, ao exame de admissibilidade do Recurso Especial. A Contribuinte, aduz que o Recurso da Fazenda Nacional não deve ter seguimento, considerando que o acórdão paradigma nº 204.00708, trata de PIS/PASEP e não da COFINS, valendose da interpretação restritiva de normas veiculadoras da isenção sob a luz do parágrafo 6º, do artigo 150 da CF/88, e artigo 111 do CTN, ou seja, fatos não discutidos no presente caso. Verifico pela confrontação da decisão recorrida e do paradigma que: A "DRJ em Florianópolis — SC decidiu pela procedência parcial do lançamento. Afastou a ocorrência de decadência em face do prazo de dez anos para o direito de constituir créditos; afirmou que as isenções para saídas destinadas à Zona Franca de Manaus aplicase somente aos fatos geradores ocorridos a partir de 18 de dezembro de 2000 e é exclusivo para receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do artigo 14 da MP 2.03725; considerou a exclusão da base de cálculo do PIS/Pasep a recuperação de créditos baixados com perda que não representem o ingresso de novas receita" De igual modo, a decisão recorrida trata da isenção prevista no art. 14 da Medida Provisória n°2.03725, de 2000, atual MP nº 2.15835, de 2001, referente a vendas destinadas para Zona Franca de Manaus, aplicase tãosomente às receitas de vendas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX, do citado artigo. Fl. 1043DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.043 6 Em que pese o argumento de que o paradigma não se presta a comprovar divergência pelo fato de se tratar de PIS/PASEP e não da COFINS, não prospera. Houve a demonstração e comprovação da mesma legislação tributária que estaria sendo interpretada de forma divergente. Portanto, a matéria foi prequestionada, o paradigma analisado foi proferido por colegiado distinto, restou demonstrada a divergência alegada e estão presentes os demais pressupostos de admissibilidade, devendo o recurso especial ser admitido. Referente ao Acórdão paradigma nº 201.80803, a contribuinte sustenta que: " O acórdão recorrido categoricamente diz que as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e serviços para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus para consumo e/ou industrialização, realizadas até a data de 21/03/2000 estavam sujeitas à Cofins, tornandose isenta dessa contribuição somente a partir de 22/12/2000". Já o acórdão paradigma trazido pela Recorrente, por sua vez, foi proferido no mesmo sentido do acórdão recorrido, ou seja, ambos tratam do mesmo assunto.Em ambas as decisões fixam como premissa que, até dezembro do ano de 2000 as receitas de vendas de mercadorias para empresas localizadas na Zona Franca de Manaus não estavam isentas, pois, a partir de janeiro de 2001, todas as receitas advindas dessa operação estariam isentas. Logo, o acórdão foi proferido no mesmo sentido da decisão recorrida e confirma o entendimento defendido pela Contribuinte". Pela análise entre as ementas e fragmentos da decisão recorrida e do referido paradigma, comprovase a divergência, conforme narra o exame de admissibilidade: "No paradigma, decidiuse que a isenção aplicase, a partir de 18/12/2000, apenas às receitas enquadradas nas hipóteses previstas nos incisos IV, VI, VIII e IX do art 14 da MP nº 2.15835, de 2001, enquanto na decisão recorrida, decidiuse que a isenção aplicase, a partir de 22/12/2000, a quaisquer receitas de vendas destinadas à Zona Franca de Manaus. Quanto ao Recurso da Contribuinte, verificase que a matéria foi prequestionada, o paradigma analisado foi proferido por colegiado distinto, restou demonstrada a divergência alegada e que estão presentes os demais pressupostos de admissibilidade, devendo o recurso especial ser admitido. Passo ao julgamento do mérito do Recurso. Com efeito, a decisão recorrida entendeu que as disposições da originária MP nº 1.8566, de 29 de junho de 1999, posteriormente reeditada até a MP nº 2.03724, de 23 de novembro de 2000, somente deixaram de produzir seus efeitos, quando o STF determinou que fosse suspensa a eficácia da expressão " Zona Franca de Manaus" constante do inciso I, parágrafo 2º do artigo 14 desta MP, em decisão liminar proferida nos autos da ADIN nº 2.348 9, ajuizada pelo Governador do Amazonas, já que o referido dispositivo excluía da hipótese de não incidência da COFINS ( isenção) as vendas efetuadas para a ZFM. Fl. 1044DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.044 7 Por outro lado, em relação à ADIn nº 2.3489, a Fazenda Nacional destaca que houve prejuízo do pedido por perda de objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. Nada obstante, já é de conhecimento desta turma minha convicção de que vendas de mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus equivale à exportação de produto brasileiro para o estrangeiro, em termos de efeitos fiscais, não incidindo sobre tais receitas a contribuição social do PIS nem da COFINS, ainda que as empresas sejam sediadas na própria Zona Franca de Manaus. A questão se origina da pretensão do desenvolvimento da Amazônia Ocidental, assim como sustenta o autor Demes Brito (Importação de insumos por empresa sediada na Zona Franca de Manaus Saída do Bem para São Paulo Disciplina Jurídica do IPI aplicável, considerando o descredenciamento dos benefícios fiscais perante a Suframa, São Paulo, 2011, in Revista de Direito Aduaneiro, Marítimo e Portuário. pg. 20/21) com a criação da Zona Franca de Manaus ZFM, instituída pela lei nº 3.173/1957, como Porto Livre dez anos depois, o Governo Federal, por meio do Decreto nº 288/1967, ampliou essa legislação e reformulou o modelo, estipulando incentivos fiscais por 30 (trinta) anos para implantação de um polo industrial, comercial e agropecuário na Amazônia. Assim, foi estabelecido o atual modelo de crescimento, que engloba uma área física de 10 mil km quadrados, tendo como centro a Cidade de Manaus, e está assentado em Incentivos Fiscais e Extrafiscais, com objetivo de reduzir desvantagens locais e propiciar condições de alavancagem do processo de desenvolvimento da área incentivada1. Em 1967, por meio do Decreto Lei nº291, o Governo Federal define a Amazônia Ocidental tal com ela é conhecida, abrangendo os Estados do Amazonas, Acre, Rondônia e de Roraima. A medida tinha como objetivo promover a ocupação dessa região e elevar o nível de segurança para manutenção de sua integridade. Um ano depois, em 15 de agosto de 1968, por meio do Decreto lei nº 356/1968, o Governo Federal estendeu parte dos benefícios do modelo ZFM e a toda Amazônia Ocidental2. Já no atual sistema constitucional, com advento da Constituição de 1988, a manutenção da Zona Franca de Manaus foi assegurada até o ano de 2013, por meio do artigo 40 e seu parágrafo único do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT) 3. Contudo, a Emenda Constitucional 83/2014, que insere o artigo 92A na redação do ADCT (Ato das Disposições Constitucionais Transitórias), para prever que os incentivos fiscais especiais da Zona Franca de Manaus, com base no artigo 40, serão mantidos até 2073, ou seja, por mais 50 anos. Oriunda da Emenda à Constituição a EC nº 83/2014. É forçoso lembrar que os dispositivos em destaque se encontram no mesmo plano hierárquico das normas constitucionais, ou seja, o legislador entendeu que a manutenção da ZFM, não versam apenas sobre benefícios fiscais, mas também do desenvolvimento da atividade econômica da região, observandose a distância dos grandes polos industriais. 1 Fonte Histórica da criação e desenvolvimento da Zona Franca de Manaus. disponível no sítio da Internet: www.suframa.gov.br 2 Ja escrevi sobre o tema. Importação de insumos por empresa sediada na Zona Franca de Manaus Saída do Bem para São Paulo Disciplina Jurídica do IPI aplicável, considerando o descredenciamento dos benefícios fiscais perante a Suframa, São Paulo, 2011, in Revista de Direito Aduaneiro,Marítimo e Portuário. pg. 20/21 3 "Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição". Fl. 1045DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.045 8 Delimitado o marco normativo, verifico que a discussão em relação à ADIn nº 2.3489, referente a suspensão da eficácia da expressão "Zona Franca de Manaus", conforme exposto pela Fazenda Nacional, houve prejuízo do pedido por perda de objeto, ficando prejudicada a medida liminar deferida. Deste modo, o DecretoLei 288/1967, que criou a Zona Franca de Manaus, determina no art. 4º que: “a exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro”. Portanto, bem decidiu a turma a quo, o qual entendeu que tais vendas a empresas situadas nessa zona especial são equiparadas à exportação, nos termos do artigo 4º do Decretolei nº 288/1967. Nesse sentido, destaco entendimento jurisprudencial do Egrégio Superior Tribunal de Justiça STJ, por meio do Agravo em Recurso Especial nº 691.708 AM (2015/000822964). Vejamos: "TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. VIOLAÇÃO AO ART. 535 DO CPC. NÃO OCORRÊNCIA. PIS. COFINS. VERBAS PROVENIENTES DE VENDAS REALIZADAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. NÃO INCIDÊNCIA. INTELIGÊNCIA DO DEC. LEI 288/67.PRECEDENTES. 1. A jurisprudência desta Corte é pacificada no sentido de que as operações envolvendo mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação, para efeitos fiscais, conforme disposições do DecretoLei 288/67, não incidindo a contribuição para o PIS nem a Cofins sobre tais receitas. Precedentes: AgRg no REsp 1141285/RS, Rel. Ministro Arnaldo Esteves Lima, Primeira Turma, DJe 26/05/2011; REsp 817.847/SC, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 25/10/2010; REsp 1276540/AM, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 05/03/2012. 2. Agravo regimental não provido. (AgRg no Ag 1400296/SC, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/05/2012, DJe 14/05/2012). Grifos acrescidos. PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO RECURSO ESPECIAL. ART. 535, II, DO CPC. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. SÚMULA 284/STF. ARTS. 110, 111, 176 E 177, DO CTN. PREQUESTIONAMENTO. AUSÊNCIA. SÚMULA 211/STJ. DESONERAÇÃO DO PIS E DA COFINS. PRODUTOS DESTINADOS À ZONA FRANCA DE MANAUS. ART. 4º DO DL 288/67. INTERPRETAÇÃO. EMPRESAS SEDIADAS NA PRÓPRIA ZONA FRANCA. CABIMENTO. 1. O provimento do recurso especial por contrariedade ao art. 535, II, do CPC pressupõe seja demonstrado, fundamentadamente, entre outros, os seguintes motivos: (a) a questão supostamente omitida foi tratada na Fl. 1046DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.046 9 apelação, no agravo ou nas contrarrazões a estes recursos, ou, ainda, que se cuida de matéria de ordem pública a ser examinada de ofício, a qualquer tempo, pelas instâncias ordinárias; (b) houve interposição de aclaratórios para indicar à Corte local a necessidade de sanear a omissão; (c) a tese omitida é fundamental à conclusão do julgado e, se examinada, poderia levar à sua anulação ou reforma; e (d) não há outro fundamento autônomo, suficiente para manter o acórdão. Esses requisitos são cumulativos e devem ser abordados de maneira fundamentada na petição recursal, sob pena de não se conhecer da alegativa por deficiência de fundamentação, dada a generalidade dos argumentos apresentados. 5. As operações com mercadorias destinadas à Zona Franca de Manaus são equiparadas à exportação para efeitos fiscais, conforme disposto no art. 4º do DecretoLei 288/67, de modo que sobre elas não incidem as contribuições ao PIS e à Cofins. Precedentes do STJ. 6. O benefício fiscal também alcança as empresas sediadas na própria Zona Franca de Manaus que vendem seus produtos para outras na mesma localidade. Interpretação calcada nas finalidades que presidiram a criação da Zona Franca, estampadas no próprio DL 288/67, e na observância irrestrita dos princípios constitucionais que impõem o combate às desigualdades sócioregionais. 7. Recurso especial conhecido em parte e não provido. (REsp 1276540/AM, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/02/2012, DJe 05/03/2012). Grifos acrescidos. Confiramse, ainda, os seguintes julgados desta Corte no mesmo sentido: AREsp 944269, Rel. Min. Assusete Magalhães, DJe 30/06/2016; AREsp 820600, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, DJe 17/02/2016; AREsp 708492, Rel. Min. Herman Benjamin, DJe 19/06/2015; AREsp 690708, Rel. Min. Benedito Gonçalves, DJe 11/06/2015; Ag 1417811, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, DJe 19/12/2013. Incide, portanto, a Súmula 83 do STJ. Assim, o recurso é manifestamente improcedente, o que atrai a multa prevista no art. 1.021, § 4º, do CPC/2015, na razão de 1% a 5% do valor atualizado da causa. Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao agravo interno e aplico multa à agravante de 1% sobre o valor atualizado da causa. Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Fazenda Nacional, e dar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto é como penso. (assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 1047DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.047 10 Voto Vencedor Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Redator. Discordamos. A nosso juízo, as vendas a empresas situadas na ZFM não são equiparadas à exportação para os fins da legislação do PIS/Cofins. Como o nosso entendimento e os motivos que o fundamentam coincidem com o exposto no voto condutor do Acórdão nº 9303004.430, de 7/12/2016, de relatoria do il. Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, passamos a aqui adotálo como razão de decidir (advirtase que a pequena divergência entre os períodos de apuração objeto dos autos e os referidos no voto em nada modificam o entendimento): Como relatado, a controvérsia decorre de divergência na interpretação da legislação tributária quanto à possibilidade de isenção do PIS e da Cofins nas vendas efetuadas à Zona Franca de Manaus nos períodos de apuração referentes aos anos calendários de 2001 e 2002. De acordo com o contribuinte e o acórdão recorrido estas vendas são isentas com base no art. 4º do DecretoLei nº 288/67 e o art. 40 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias – ADCT da Constituição Federal. Não concordo com esse entendimento. Vejamos o que dispõe o art. 4º do DL nº 288/67: Art. 4º A exportação de mercadorias de origem nacional para consumo ou industrialização na Zona Franca de Manaus, ou reexportação para o estrangeiro, será para todos os efeitos fiscais, constantes da legislação em vigor, equivalente a uma exportação brasileira para o estrangeiro. (destaquei). Observase que o dispositivo legal estabeleceu uma equivalência entre vendas de mercadorias de origem nacional para a Zona Franca de Manaus e exportação para o estrangeiro. Deixou claro porém que esta regra valia para todos os efeitos fiscais em relação à legislação em vigor na data de sua publicação em 1967. Esta regra não poderia ser aplicada ao PIS, que foi criado pela Lei Complementar 7/70, e à Cofins que foi criada pela Lei Complementar nº 70/91. Ambas contribuições não existiam na data da edição do DL nº 288/67 e, portanto, por ele não poderiam ser reguladas. Esta também é a dicção do disposto nos art. 177 do CTN, in verbis: Art. 177. Salvo disposição de lei em contrário, a isenção não é extensiva: I – às taxas e às contribuições de melhoria; II – aos tributos instituídos posteriormente à sua concessão.(destaquei). Fl. 1048DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.048 11 Já o art. 40 do ADCT da CF/88, nada inovou no assunto. Somente estendeu o prazo de duração de um benefício fiscal no qual já não continha as isenções do PIS e da Cofins. Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Portanto, não há como acatar que o art. 4º do Decreto Lei nº 288/67 permitia qualquer isenção/imunidade de PIS e da Cofins nas vendas de produtos para empresas situadas na Zona Franca de Manaus. Nesta linha de raciocínio, não procede a argumentação de imunidade na incidência destas contribuições nas operações de venda para a ZFM, pois elas não foram equiparadas a exportação como defende o contribuinte, para efeito destas contribuições, portanto inaplicável a imunidade prevista no art. 149, § 2º, inc. I da CF. Resta analisar se a própria legislação destas contribuições permitia, no período solicitado, a exclusão destas receitas de sua base de cálculo. Sempre lembrando que se interpreta literalmente a lei que dispõe sobre outorga de isenção, nos termos do art. 111 do CTN. A Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, que trouxe diversas alterações relativas à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, não fez qualquer referência à exclusão de receitas de exportações ou à isenção das contribuições sobre tais receitas. Em seguida, foi publicada a Medida Provisória nº 1.8586, de 29 de junho de 1999, que em seu art. 14 dispôs sobre as regras de desoneração das contribuições em tela, nas hipóteses especificadas, tendo revogado expressamente todos os dispositivos legais relativos à exclusão de base de cálculo e isenção existentes até o dia 30 de junho de 1999: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da Cofins as receitas: (...) II – da exportação de mercadorias para o exterior; (...) § 1º. São isentas da contribuição para o P1S/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º. As isenções previstas no caput e no parágrafo anterior não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Zona Franca de Manaus na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; (...) (destaquei) Ressaltese que esta Medida Provisória foi objeto da Ação Direta de Inconstitucionalidade – ADIn nº 2.3489 (DOU de Fl. 1049DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.049 12 18/12/2000), que requereu a declaração de inconstitucionalidade e ilegalidade da restrição feita à Zona Franca de Manaus. O Supremo Tribunal Federal – STF, nesta ação, deferiu medida cautelar suspendendo a eficácia da expressão "na Zona Franca de Manaus", disposta no inciso I do § 2º do art. 14 da Medida Provisória Nº 2.03724/00, com efeitos ex nunc. Posteriormente, em 02/02/2005, foi prolatada decisão julgando prejudicada a ADIn, sendo o processo arquivado sem apreciação do mérito. Posteriormente à decisão liminar do STF na ADIn nº 2.3489, foi editada a Medida Provisória nº 2.03725, de 21 de dezembro de 2000, atual Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, a qual suprimiu a expressão "na Zona Franca de Manaus" do inciso I do § 2º do art. 14, acima citado, que vinha constando em suas edições anteriores. Desta forma, as exclusões da base de cálculo do PIS e da Cofins, no período solicitado no presente processo, anoscalendários de 2001 e 2002, eram as previstas no art. 14 da MP 2.158/200135, abaixo transcrito: Art. 14. Em relação aos fatos geradores ocorridos a partir de 1º de fevereiro de 1999, são isentas da COFINS as receitas: I – dos recursos recebidos a título de repasse, oriundos do Orçamento Geral da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, pelas empresas públicas e sociedades de economia mista; II – da exportação de mercadorias para o exterior; III – dos serviços prestados a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas; IV – do fornecimento de mercadorias ou serviços para uso ou consumo de bordo em embarcações e aeronaves em tráfego internacional, quando o pagamento for efetuado em moeda conversível; V – do transporte internacional de cargas ou passageiros; VI – auferidas pelos estaleiros navais brasileiros nas atividades de construção, conservação modernização, conversão e reparo de embarcações préregistradas ou registradas no Registro Especial Brasileiro REB, instituído pela Lei nº 9.432, de 8 de janeiro de 1997; VII – de frete de mercadorias transportadas entre o País e o exterior pelas embarcações registradas no REB, de que trata o art. 11 da Lei nº 9.432, de 1997; VIII – de vendas realizadas pelo produtorvendedor às empresas comerciais exportadoras nos termos do DecretoLei nº 1.248, de 29 de novembro de 1972, e alterações posteriores, desde que destinadas ao fim específico de exportação para o exterior; Fl. 1050DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.050 13 IX – de vendas, com fim específico de exportação para o exterior, a empresas exportadoras registradas na Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior; X – relativas às atividades próprias das entidades a que se refere o art. 13. § 1º São isentas da contribuição para o PIS/PASEP as receitas referidas nos incisos I a IX do caput. § 2º As isenções previstas no caput e no §1º não alcançam as receitas de vendas efetuadas: I – a empresa estabelecida na Amazônia Ocidental ou em área de livre comércio; II – a empresa estabelecida em zona de processamento de exportação; (Revogado pela Lei nº 11.508, de 2007) III – a estabelecimento industrial, para industrialização de produtos destinados à exportação, ao amparo do art. 3º da Lei nº 8.402, de 8 de janeiro de 1992. Da leitura do dispositivo legal não é possível localizar que havia previsão legal para exclusão da base de cálculo do PIS e da Cofins, das receitas decorrentes de vendas de mercadorias para empresas sediadas na Zona Franca de Manaus. Por óbvio não é possível aplicar a isenção constante do inc. II do caput, já que a Zona Franca de Manaus não é localizada no exterior e já proferimos o entendimento de que não é aplicável o disposto no art. 4º do DL nº 288/67. Somente a partir da edição da Medida Provisória nº 202/2004, que foi convertida na Lei nº 10.996/2004, é que foi reduzida a zero as alíquotas de PIS e Cofins sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus, nos termos do seu art. 2º, in verbis: Art. 2º Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da Contribuição para o PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS incidentes sobre as receitas de vendas de mercadorias destinadas ao consumo ou à industrialização na Zona Franca de Manaus – ZFM, por pessoa jurídica estabelecida fora da ZFM. Necessário concluir que caso estas receitas já eram isentas/imunes das referidas contribuições sociais, seria totalmente inócua a edição desta lei reduzindo a alíquota para zero. Até porque não se poderia estabelecer alíquota zero para uma operação que estaria fora do campo de incidência das contribuições por força de imunidade constitucional. Ressalto que este colegiado, embora utilizando de fundamentação discretamente diferente, também vem decidindo Fl. 1051DF CARF MF Processo nº 11610.015971/200262 Acórdão n.º 9303004.834 CSRFT3 Fl. 1.051 14 assim. Transcrevese abaixo a ementa do Acórdão nº 9303 003934, cujo julgamento deuse em 07/06/2016: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/2002 a 28/02/2002 PIS e COFINS. RECEITAS DE VENDAS A EMPRESAS SEDIADAS NA ZONA FRANCA DE MANAUS. INCIDÊNCIA. Até julho de 2004 não existe norma que desonere as receitas provenientes de vendas a empresas sediadas na Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS, a isso não bastando o art. 4º do DecretoLei nº 288/67. Recurso Especial do Contribuinte Negado Ante o exposto, dou provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional e nego provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 1052DF CARF MF
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Numero do processo: 10865.905009/2012-34
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 27 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 27 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2005
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO.
Verifica-se no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada.
Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.564
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE DIREITO DE CREDITO. Recorrente O. G. SISTEMAS DE EXAUSTÃO LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2005 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO TRIBUTÁRIO. DCTF RETIFICADORA. PRAZO. NÃO COMPROVADO. Verificase no presente caso que o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, pelo que deve ser indeferida a compensação realizada. Não deve ser admitida a apresentação de DCTF retificadora após decorrido o prazo de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Jose Henrique Mauri, Liziane Angelotti Meira e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. Relatório Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra Despacho Decisório que não homologou a compensação declarada em PER/DCOMP pela contribuinte acima qualificada, sob o fundamento de que, a partir das características do DARF AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 86 5. 90 50 09 /2 01 2- 34 Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10865.905009/201234 Acórdão n.º 3301003.564 S3C3T1 Fl. 3 2 descrito no PerDcomp, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PerDcomp. Inconformada com a não homologação de sua compensação, interpôs a contribuinte manifestação de inconformidade, conforme relatado na decisão recorrida, alegando que após análise efetuada junto a seus arquivos verificou que pediu restituição para o período em discussão e solicitou futura compensação, na qual a empresa se beneficia de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, daí a origem do crédito. Por não ter feito a retificação da DCTF, houve o indeferimento. Solicita que seja feita a retificação na DCTF, uma vez que não há tempo hábil nem permitido para devida retificação, pois assim se fará um ato de justiça. Requerendo, ainda, a reavaliação do Despacho Decisório. Ao analisar o caso, a DRJ entendeu por julgar improcedente a manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão 02049.469. O fundamento adotado, em síntese, foi a necessidade de comprovação pelo contribuinte do direito creditório pretendido. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, através do qual alega, resumidamente: (i) que o crédito pleiteado decorre do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%); (ii) que o indébito em questão estaria comprovado por meio da documentação acostada em seu recurso voluntário (faz pedido alternativo de diligência, caso se entenda necessário); (iii) que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. Requer, então, que o recurso seja provido, a fim de reformar a r. decisão de primeira instância, culminando com o reconhecimento do direito creditório e a consequente homologação das compensações vinculadas. Posteriormente, o contribuinte protocolizou nova petição aos autos, através da qual requereu a juntada de notas fiscais, no intuito de comprovar o seu direito creditório. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.443, de 27 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10865.905013/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.443): "O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10865.905009/201234 Acórdão n.º 3301003.564 S3C3T1 Fl. 4 3 Conforme relatado acima, a compensação apresentada pelo contribuinte fora indeferida por ausência de comprovação do crédito pleiteado. Os fundamentos do voto proferido pela DRJ consta da transcrição a seguir: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utilizase a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplicase também à restituição. Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS 5 ANOS DO FATO GERADOR A DCTF retificada após a ciência do despacho decisório não constitui prova nem tem nenhuma força de convencimento e só pode ser considerada como argumento de impugnação, não produzindo efeitos quando reduz débitos que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização (Instrução Normativa RFB 1.110/2010, art. 9º, § 2o, I, c). A declaração apresentada presumese verdadeira em relação ao declarante (CC, art. 131 e CPC, art. 368). A DCTF válida, oportunamente transmitida, faz prova do valor do débito contra o sujeito passivo e em favor do fisco. Entretanto, essa presunção é relativa, admitindose prova em contrário. No caso, o contribuinte não comprova o erro ou a falsidade da declaração entregue. Limitase a informar que se beneficia de tributação monofásica de “alguns produtos” que comercializa, mas não informa quais são os produtos. Além disso, não apresenta nenhum documento fiscal ou contábil que confirme seus argumentos. Ademais, o prazo estabelecido pela legislação para o direito de constituir o crédito tributário é o mesmo para que o contribuinte proceda Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10865.905009/201234 Acórdão n.º 3301003.564 S3C3T1 Fl. 5 4 à retificação da respectiva declaração apresentada. Esse entendimento foi adotado pelo Parecer Cosit nº 48, de 7 de julho de 1999, que trata da declaração de rendimentos, mas que se aplica por analogia à presente situação: “Dos comandos legais citados, temos que extinguese no prazo de cinco anos, contado da data da apresentação da declaração de rendimentos ou da data em que se tornar definitiva a decisão que anulou, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário. Assim, da mesma forma que a Fazenda Pública submetese a um prazo final para rever de ofício seu lançamento ou para constituir o crédito tributário, o contribuinte deve igualmente dispor de um termo para que sejam corrigidos eventuais erros cometidos quando da elaboração de sua declaração de rendimentos.” (grifouse) O Conselho de Contribuintes (atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF) também já se pronunciou nesse sentido: “DECLARAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES E TRIBUTOS FEDERAIS DCTF RETIFICAÇÃO PRELIMINAR DE DECADÊNCIA Nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, o direito de o contribuinte proceder à retificação das DCTF trimestrais extinguese após 5 (cinco) anos contados da data da ocorrência dos correspondentes fatos geradores, como analogamente ao Fisco seria vedado o direito de proceder à sua revisão. IRPJ e CSLL COMPENSAÇÃO. INDEFERIMENTO A compensação de tributos em face de seu alegado pagamento a maior condicionase à demonstração efetiva da ocorrência do pagamento em excesso, mediante documentação hábil (1º CC; 8ª Câmara; processo 13707.001451/0087; Acórdão nº 10808913; data da sessão: 23/06/2006). (grifouse) Diante disso, verificase que já decaíra o direito de o contribuinte proceder à retificação da DCTF. APURAÇÃO DO TRIBUTO A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, não evidencia a existência de pagamento indevido ou a maior. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...). Em face do exposto, voto por julgar IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar as compensações em litígio. Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10865.905009/201234 Acórdão n.º 3301003.564 S3C3T1 Fl. 6 5 Concordo com os termos da decisão recorrida, a qual entendo não merecer reparos. Como é cediço, é do contribuinte o ônus da prova do seu direito creditório. Tanto que este, em seu recurso voluntário, reconhece a ausência de comprovação do seu direito creditório nas fases anteriores do presente processo. Pleiteia, contudo, que a documentação apresentada quando do Recurso Voluntário seja levada em consideração por este Conselho, seja para fins de reconhecimento do crédito pleiteado, seja para fins de, ao menos, determinar diligência para fins de confirmação do direito requerido. Alega, para tanto, que a verdade material deve prevalecer sobre a verdade formal. É importante que se esclareça, em princípio, que esta turma julgadora tem, em determinadas situações, admitido a análise de documentos anexados pelo contribuinte a destempo, desde que aptas a comprovar o direito alegado, em atenção ao princípio da verdade material. Entendo, contudo, que não deve ser esta a conduta a ser adotada neste caso concreto. Isso porque, consoante bem assinalou a decisão recorrida, o contribuinte apresentou DCOMP indicando um suposto crédito oriundo de DARF já integralmente utilizado para fins de quitação de outro débito do contribuinte. Logo, não havia como se admitir a compensação apresentada, por ausência de direito creditório. Em sua manifestação de inconformidade, o contribuinte limitouse a alegar que o seu direito creditório decorreria do recolhimento indevido realizado em razão de tributação monofásica de alguns produtos que comercializa, e que o indeferimento teria se dado em razão da ausência de retificação da DCTF, uma vez que não havia tempo hábil para proceder à devida retificação. Neste ponto, entendeu corretamente a decisão recorrida no sentido de que não se deve admitir DCTF retificadora fora do prazo legal de 5 (cinco) anos contados do fato gerador. Verificase no caso concreto aqui analisado que o período que o contribuinte pretende retificar reportase ao 2º semestre de 2005, ao passo que a primeira manifestação de que haveria informação incorreta na referida DCTF outrora apresentada reportase a setembro de 2012, quando o contribuinte apresentou a sua manifestação de inconformidade, já comunicando a impossibilidade de apresentação da DCTF retificadora. Sendo assim, não havia mais tempo hábil para se admitir a retificação da DCTF pretendida pelo contribuinte, ou mesmo para se reanalisar as informações ali transmitidas pelo próprio contribuinte. Nesse sentido, inclusive, trazse à colação decisões deste Conselho, proferidas à unanimidade de votos: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 30/09/2003 COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. INTEMPESTIVIDADE. AUSÊNCIA DE PROVA. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10865.905009/201234 Acórdão n.º 3301003.564 S3C3T1 Fl. 7 6 É ineficaz a DCTF retificadora transmitida após o decurso do prazo de 5 anos contados do fato gerador ou da entrega da declaração para fins de comprovação de pagamento indevido passível de compensação. O prazo para constituição do crédito tributário deve ser o mesmo para o Fisco e para o contribuinte. Também ineficaz a DCTF retificadora se desacompanhada de documentação comprobatória hábil e idônea que comprove a existência e a disponibilidade do crédito reclamado. (Acórdão n. 3802001.464). *** Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/05/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. CRÉDITO TRIBUTÁRIO NÃO COMPROVADO Compete àquele quem pleiteia o direito o ônus de sua comprovação, devendo ser indeferido pedido de compensação que se baseia em mera alegação de crédito sem que faça prova de sua liquidez e certeza. DCTF. RETIFICAÇÃO. PRAZO QUINQUENAL. Por aplicação do parágrafo único do art 149 do CTN, as novas informações trazidas em DCTF retificadora somente produzem efeito se a retificação ocorrer dentro do prazo de cinco anos, contados da data da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário negado. (Acórdão n. 3202000.862). É importante que se tenha em mente que o direito não socorre aos que dormem. Nesse contexto, da mesma forma que a Fazenda possui prazos para fiscalizar o contribuinte, este possui prazos para retificar as suas declarações, no intuito de constituir direito creditório que entende fazer jus. A observância de tais prazos legais, inclusive, precisam ser observadas em benefício da sociedade como um todo, em prol da segurança jurídica. É importante que se esclareça que não se está aqui dispondo que a verdade material não deve prevalecer sobre a verdade formal. Contudo, a aplicação do princípio da verdade material possui limites que precisam ser observados, a exemplo dos prazos decadencial e prescricional, os quais devem ser observados sem distinção, às vezes a favor, às vezes contra o contribuinte/Fisco. E, uma vez encerrado o prazo legal para retificação da DCTF, resta forçoso reconhecer que a documentação apresentada pelo contribuinte em seu Recurso Voluntário não o socorre em seu pleito. Ainda que tivesse o contribuinte direito ao crédito pleiteado em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não poderia o contribuinte pleitear tal crédito ad eternum. Existe um marco temporal que precisa ser observado e a apresentação de documentos comprobatórios quando já decorrido tal prazo não deve ser considerada. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10865.905009/201234 Acórdão n.º 3301003.564 S3C3T1 Fl. 8 7 É a mesma situação que ocorre quando um crédito tributário resta fulminado pela decadência. Ainda que a Receita Federal tenha provas cabais de que determinado montante é devido, não pode exigilo após o decurso do prazo quinquenal previsto na legislação. Diante das razões acima expostas, entendo que deverá ser negado provimento ao Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, mantendo a decisão recorrida em sua integralidade, por seus próprios fundamentos." Da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o contribuinte não logrou comprovar o crédito que alega fazer jus, em razão do pagamento indevido da contribuição sobre receitas decorrentes de produtos tributados pelo regime monofásico (alíquota de 0%), não se admitindo a DCTF retificadora e a documentação comprobatória apresentados a destempo. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10510.720095/2013-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Jun 28 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011
CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. DEMONSTRAÇÃO DE INTERESSE COMUM. DESNECESSIDADE.
Em face da previsão contida no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991, a caracterização de grupo econômico constitui-se em fundamento suficiente para caracterizar a responsabilidade solidária entre as empresas integrantes do grupo.
Numero da decisão: 2402-005.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negar-lhe provimento pelo voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho.
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
(Assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2011 CONTRIBUIÇÕES DEVIDAS À SEGURIDADE SOCIAL. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. DEMONSTRAÇÃO DE INTERESSE COMUM. DESNECESSIDADE. Em face da previsão contida no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991, a caracterização de grupo econômico constitui-se em fundamento suficiente para caracterizar a responsabilidade solidária entre as empresas integrantes do grupo.
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SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA. GRUPO ECONÔMICO. PREVISÃO EXPRESSA EM LEI. DEMONSTRAÇÃO DE INTERESSE COMUM. DESNECESSIDADE. Em face da previsão contida no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991, a caracterização de grupo econômico constituise em fundamento suficiente para caracterizar a responsabilidade solidária entre as empresas integrantes do grupo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 72 00 95 /2 01 3- 16 Fl. 1030DF CARF MF 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso e, no mérito, negarlhe provimento pelo voto de qualidade. Vencidos os Conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci (Relator), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator (Assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Tulio Teotonio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felicia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 1031DF CARF MF Processo nº 10510.720095/201316 Acórdão n.º 2402005.812 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Inicialmente, adotase parte do relatório da decisão recorrida: Tratase de Autos de Infração lavrados em nome da Auto Viação Cidade Histórica e outros Ltda. e outros, para a constituição de créditos tributários relativos a contribuições previdenciárias, na forma discriminada abaixo: AUTO DE INFRAÇÃO. 51.008.797 3 OBJETO DO LANÇAMENTO Contribuições previdenciárias patronais, incidentes sobre a parcela da remuneração paga a segurados empregados e contribuintes individuais que não foi declarada em GFIP, com alíquota de 20%. Além dela, também foi lançada a contribuição para o financiamento da aposentadoria especial e dos benefícios devidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa associado aos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT) incidente apenas sobre a remuneração paga aos segurados empregados. A alíquota desta contribuição é 3%. A partir de janeiro de 2010, em razão da aplicação do Fator Acidentário de Prevenção – FAP, esta alíquota foi multiplicada por 0,891, ao longo do ano de 2010, e por 1,000, ao longo do ano de 2011. Período: 01/2009 a 07/2012. VALOR ATUALIZADO. R$ 1.069.022,20 AUTO DE INFRAÇÃO. 51.008.7981 OBJETO DO LANÇAMENTO Contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, descontadas pela empresa quando do pagamento da remuneração e não declaradas em GFIP. Período: 01/2009 a 07/2012. VALOR ATUALIZADO. R$ 13.917,46 AUTO DE INFRAÇÃO. 51.008.7990 OBJETO DO LANÇAMENTO Contribuições previdenciárias devidas pelos segurados empregados, não descontadas pela empresa quando do pagamento da remuneração e não declaradas em GFIP. Fl. 1032DF CARF MF 4 Período: 01/2009 a 07/2012. VALOR ATUALIZADO. R$ 47.286,46 O relatório fiscal afirma ser de conhecimento público a existência de um grupo econômico, denominado grupo Bomfim, que engloba, dentre outras, as empresas abaixo mencionadas: [...] Bonfim – Empresa Sr. do Bomfim Ltda. 13.012.141/000176 LM Pneus e Transportes Ltda. 32.890.915/000106 São Cristóvão Transportes Ltda. 03.250.884/000120 Viação Cidade de Aracaju Ltda. 05.952.305/000117 Viação Senhor do Bomfim Ltda. 13.180.559/000192 Viação São Pedro Ltda. 13.074.901/000170 LM3 Holding S/A 08.991.106/000106 Administradora e Gestão Santo Antonio S/A 07.632.733/000198 Vetor 8 Comunicações Imediatas Ltda. 07.834.358/000169 Gyros Gestão Empresarial S/A 09.059.514/000197 Bomfim Tour Locações e Turismo Ltda. 02.715.291/000120 Auto Viação Cidade Histórica Ltda. 06.066.059/000169 Hotel Fazenda Boa Luz Ltda. 02.777.550/000147 Express Participação Ltda. 03.470.559/000173 ADPAR Administradora de Participações S/A. 10.371.905/000121 LA Empreendimentos e Participações S/A 08.437.978/000127 CGL Empreendimentos e Participações S/A 09.204.464/000194 Viação Princesa do Sertão Ltda. 07.706.202/000100 Auto Viação Nordeste Ltda. 13.170.314/000184 Segundo o Relatório Fiscal, em última análise, todas as referidas pessoas jurídicas são controladas pelo sr. Lauro Antonio Teixeira Menezes e pelo seu pai, Sr. José Lauro Menezes Silva. Em seguida, o Relatório Fiscal discrimina a composição do capital social de cada uma das empresas do grupo econômico, bem como algumas das modificações societárias ocorridas ao longo do tempo em cada uma delas. O grande volume de empréstimos entre as empresas do grupo Bonfim revela o flagrante grau de proximidade entre elas. Vultosas quantias são emprestadas e pagas em curtos intervalos de tempo, conduzindo ao entendimento de que os valores tomados destinamse a cobrir deficiências momentâneas de caixa. Para comprovar esta afirmação, o relatório apresenta registros contábeis efetuados em contas de ativo da empresa São Cristóvão Transportes Ltda., correspondentes aos empréstimos por ela efetuados a diversas empresas do grupo. O saldo destas contas em 01/01/2009 era de R$ 1.864.015,35, passando a R$ 6.146.814,71 em 31/12/2009. Em atendimento a intimação efetuada pela fiscalização, as empresas São Cristóvão Transportes Ltda. e Viação São Pedro Ltda. apresentaram contratos de mútuo sem maiores formalidades: não há estipulação expressa a respeito dos prazos de pagamento e os juros cobrados são de 0,5% ao mês, percentual bem abaixo do que as instituições financeiras costumam cobrar. Fl. 1033DF CARF MF Processo nº 10510.720095/201316 Acórdão n.º 2402005.812 S2C4T2 Fl. 4 5 A Auto Viação Cidade Histórica Ltda., empresa autuada, também mantém contratos de mútuo com outras empresas do grupo econômico. Estes contratos estão registrados no grupo de contas “4.1.2.01.04 – Créditos com pessoas jurídicas”, integrante do seu ativo realizável a longo prazo, cujo saldo em 31/12/2009 era de R$ 3.086.309,30. No curso do procedimento fiscal foi observado que diversos empregados laboram, indiscriminadamente, para todas as empresas do grupo Bomfim, embora sejam registrados por uma delas. É o caso da sra. Dinack Maria do Rosário e Silva Neta, encarregada do setor de pessoal; do Sr. Lucas Oliveira Estevão de Souza, auxiliar de setor de pessoal; e de Jackson Soares dos Santos. Todos eles são funcionários registrados na empresa São Cristóvão Transportes Ltda., mas trabalham para todas as empresas do grupo. As fiscalizações e diligências foram desenvolvidas na sede do grupo econômico, localizada em imóvel que margeia as avenidas Tancredo Neves e Tiradentes, em Aracaju/SE. De acordo com os respectivos contratos sociais e alterações, além da empresa autuada, as seguintes empresas têm sede neste endereço: LM Pneus e Transportes Ltda. 32.890.915/000106 São Cristóvão Transportes Ltda. 03.250.884/000120 Viação Cidade de Aracaju Ltda. 05.952.305/000117 Viação Senhor do Bomfim Ltda. 13.180.559/000192 Viação São Pedro Ltda. 13.074.901/000170 LM3 Holding S/A 08.991.106/000106 Gyros Gestão Empresarial S/A 09.059.514/000197 Bomfim Tour Locações e Turismo Ltda. 02.715.291/000120 Auto Viação Cidade Histórica Ltda. 06.066.059/000169 Express Participação Ltda. 03.470.559/000173 CGL Empreendimentos e Participações S/A 09.204.464/000194 Auto Viação Nordeste Ltda. 13.170.314/000184 A fiscalização foi efetuada em um conjunto de salas correspondentes à diretoria do grupo, onde se verificou a existência de salas utilizadas pelos srs. Givanildo Francisco da Silva, Antonio Carlos Pinto da Silva e Lauro Antonio Teixeira Menezes. Anteriormente, foram realizadas diligências nas empresas Viação Cidade de Aracaju Ltda., Bomfim Tour Locações e Turismo Ltda., Hotel Fazenda Boa Luz Ltda., Auto Viação Cidade Histórica Ltda. e LM Pneus e Transportes Ltda. Todas elas tiveram o Termo de Início de Procedimento Fiscal – TIPF assinado em 03/11/2000, no mesmo momento e lugar, pelo Sr. Givanildo Francisco da Silva, que detinha procurações outorgadas pelas empresas para representálas perante quaisquer pessoas naturais e jurídicas. O grupo Bomfim edita um boletim de notícias denominado “Notícias no ponto”, no qual são veiculados informes relativos a pelo menos três das empresas integrantes do grupo: Viação Cidade de Aracaju Ltda., São Cristóvão Transporte Ltda. e Auto Fl. 1034DF CARF MF 6 Viação Cidade Histórica Ltda. O exemplar de outubro de 2010 foi juntado aos autos. Diante destes fatos, a fiscalização que a Auto Viação Cidade Histórica Ltda. compõe o grupo econômico Bomfim, imputando responsabilidade solidária pelo crédito tributário apurado às demais empresas do grupo, com fundamento no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991. Em adição, o Relatório Fiscal afirma que as evidências fáticas demonstram a existência de interesse comum entre as empresas integrantes do grupo econômico, de modo que a responsabilidade solidária imputada encontra amparo também nos incisos I e II do Código Tributário Nacional – CTN. Além de imputar responsabilidade solidária às empresas integrantes do grupo econômico, a fiscalização incluiu o sr. Lauro Antonio Teixeira Menezes, CPF nº 138.863.12534, como sujeito passivo do crédito tributário constituído, na qualidade de responsável solidário, com fundamento no inciso I do art. 124 do CTN. Como sóciogerente, ele tem interesse comum na ocorrência do fato gerador. Ele era oficialmente o sócio administrador no período de 20/11/2003 a 29/03/2010 e sócio no período de 30/03/2010 a 25/11/2011. De acordo com os fatos relatados pela fiscalização, o sr. Lauro Antonio Teixeira Menezes é o principal executivo do grupo Bomfim, embora tenha se valido de empresas e pessoas interpostas para gerilo. Alega ainda o relatório que a prática de atos que configuram, em tese, a prática de crimes, faz surgir a responsabilidade prevista nos incisos I, II e III do art. 135 do CTN. Foram lançadas nestes Autos de Infração as contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração paga aos segurados empregados e contribuintes individuais, mas não declaradas em GFIP. As contribuições lançadas foram agrupadas nos seguintes levantamentos: Levantamento NG, NG1 e NG2 – contribuições incidentes sobre a remuneração obtida a partir do confronto entre as informações constantes da folha de pagamento e as declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP. Subsidiariamente , foram utilizadas também as remunerações declaradas pela empresa na RAIS. Este confronto está discriminado no Anexo II dos Autos de Infração. Levantamentos DE, DE1 e DE2 – Contribuições devidas pelos segurados, descontadas quando do pagamento da remuneração, mas não declaradas em GFIP. Levantamentos CE, CE1 e CE2 – Contribuições devidas pelos segurados, não descontadas quando do pagamento da remuneração e não declaradas em GFIP. Fl. 1035DF CARF MF Processo nº 10510.720095/201316 Acórdão n.º 2402005.812 S2C4T2 Fl. 5 7 Levantamento PL2 – Contribuições incidentes sobre o pró labore do sócioadministrador Lauro Antonio Teixeira Menezes. Levantamentos SF, SF1 e SF2 – neste levantamento foram lançadas as glosas dos valores pagos indevidamente aos segurados empregados a serviço da empresa a título de salário família. Os segurados que receberam saláriofamília indevidamente, por terem remuneração superior ao limite máximo fixado pela legislação encontramse relacionados no Anexo III. Levantamento FA – o FAP do contribuinte no ano de 2010 foi de 0,891, ao passo que, em 2011, o FAP foi de 1,000. Contudo, nas competências janeiro a setembro de 2010, o contribuinte declarou em GFIP um FAP de 0,500, enquanto nas competências janeiro a dezembro de 2011, a empresa declarou um FAP de 0,891. A declaração do FAP em valor inferior ao fixado pela Previdência Social implica declaração a menor das contribuições previdenciárias devidas. O anexo IV compara as contribuições previdenciárias devidas ao SAT/RAT devidas e aquelas declaradas em GFIP pelo contribuinte, evidenciando as diferenças objeto de lançamento. Levantamento AL – contribuições previdenciárias patronais incidentes sobre o salárioindireto alimentação, em virtude de inexistir adesão ao PAT. Levantamento EA – contribuições previdenciárias devidas pelo segurado, incidentes sobre o salárioindireto alimentação, em virtude de inexistir adesão ao PAT. Levantamento GC – O contribuinte declarou em GFIP, no período de setembro de 2009 a abril de 2012, que uma parte das contribuições previdenciárias devidas seria quitada por meio de compensação. Intimado a justificar e apresentar a comprovação dos créditos utilizados no procedimento de compensação, informou que os referidos créditos lastravamse em títulos públicos dos quais a empresa era detentora. A Lei nº 11.051, de 2004, entretanto, expressamente afirma que a compensação será considerada não declarada quando o crédito se refira a título público. Nos autos do processo judicial invocado pelo contribuinte para justificar as compensações, não há qualquer despacho que defira o pagamento de contribuições previdenciárias. Tais créditos foram considerados inexistentes e os valores compensados foram glosados. O contribuinte foi pessoalmente cientificado dos Autos de Infração em 22/01/2013. Os devedores solidários foram cientificados por via postal. Dentre todos os sujeitos passivos, somente a Bomfim Empresa Senhor do Bomfim Ltda., CNPJ nº 13.012.141/000176, cientificada por via postal em 28/01/2013, apresentou impugnações aos Autos de Infração em 27/02/2013, nas quais aduz, em síntese, os seguintes argumentos: Fl. 1036DF CARF MF 8 Afirma que não foi indicada uma fundamentação legal coerente para a responsabilização solidária da impugnante, posto que foram mencionados dois dispositivos do CTN, sem especificar em que situação a impugnante se enquadra. Argumenta que a empresa autuada não possui relação com a impugnante, sequer possuindo sócios em comum. São pessoas jurídicas distintas. Além disso, argumenta que a responsabilização solidária depende da comprovação de que o impugnante participou do fato gerador da obrigação tributária. Alega que não se deve confundir interesse jurídico comum, com interesse econômico comum. O último é irrelevante para a configuração de responsabilidade tributária, como é o caso da impugnante e da Auto Viação Cidade Histórica Ltda. Assim, afirma que não é possível a responsabilização da impugnante com fundamento no inciso I do art. 124 do CTN. Aduz ainda que não é possível a responsabilização com base no inciso II do art. 124, pois quando o referido inciso II atribui responsabilidade às pessoas expressamente designadas por lei está se referindo à lei complementar, que tem competência para dispor sobre obrigação tributária. Requer seja dado provimento à impugnação para que seja julgada insubsistente a responsabilização da impugnante. A DRJ não acolheu os fundamentos da impugnação, mantendo a imputação de solidariedade à impugnante, mas, de ofício, determinou a retificação do lançamento, para determinar a exclusão dos valores pagos a título de alimentação in natura (v. fls. 911/913). O montante exonerado não implicou a interposição de recurso de ofício (v. fl. 903). Segue a ementa do decisum: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/07/2012 GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. O Código Tributário Nacional CTN estipula que serão solidariamente responsáveis as pessoas expressamente designadas na lei. A Lei nº 8.212, de 1991, designa como responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias as empresas integrantes de grupo econômico. Os fatos descritos no relatório fiscal demonstram que impugnante e autuada compõem o mesmo grupo econômico. Logo, correta a atribuição de responsabilidade solidária. ALIMENTAÇÃO IN NATURA. CONTRIBUIÇÕES. NÃO INCIDÊNCIA. ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 03/2011. O Ato Declaratório PGFN nº 03/2011 autoriza a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional a não apresentar contestação, a não interpor recursos e a desistir dos recursos já interpostos nas ações judiciais que visem obter a declaração da não incidência das contribuições sobre o auxílioalimentação pago in natura. Fl. 1037DF CARF MF Processo nº 10510.720095/201316 Acórdão n.º 2402005.812 S2C4T2 Fl. 6 9 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. NÃO CONHECIMENTO. Nos termos do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Por esta razão, as alegações de inconstitucionalidade das multas aplicadas não são apreciadas nesta decisão. A impugnante foi intimada da decisão em 16/10/2013 (fl. 956) e interpôs recurso voluntário 12/11/2013 (fls. 993 e seguintes), no qual afirmou que não basta a existência de grupo econômico, sendo necessário que se comprove a sua participação no fato gerador. Os demais sujeitos passivos não apresentaram impugnação e nem interpuseram recurso voluntário. Sem contrarrazões. É o relatório. Fl. 1038DF CARF MF 10 Voto Vencido Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da solidariedade fundada na existência de grupo econômico O recurso voluntário se restringe a afirmar que não basta a existência de grupo econômico, sendo necessário comprovar a participação do sujeito passivo no fato gerador da obrigação. É que a decisão recorrida assentou a solidariedade da recorrente pelo pagamento do débito com base no inc. II do art. 124 do Código Tributário Nacional (são solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei) combinado com o inc. IX do art. 30 da Lei 8212/91 (as empresas que integram grupo econômico respondem solidariamente pelos débitos para com a seguridade social), tendo afirmado, ainda, que não se pode, em sede administrativa, declarar ilegalidade ou inconstitucionalidade, de sorte que outra atitude não competiria à fiscalização, senão caracterizar a solidariedade com base em tais preceitos legais. Pois bem. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça pacificou o entendimento de que a existência de grupo econômico, por si só, não é suficiente para ensejar responsabilidade solidária, na forma prevista no art. 124 do Código Tributário Nacional. Colacionase, abaixo, a ementa de duas decisões recentes, para, em seguida, transcrever a numeração de sucessivas decisões no mesmo sentido: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. EXECUÇÃO FISCAL. ISS. SUJEIÇÃO PASSIVA. ARRENDAMENTO MERCANTIL. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. VERIFICAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 7/STJ. 1. "'Na responsabilidade solidária de que cuida o art. 124, I, do CTN, não basta o fato de as empresas pertencerem ao mesmo grupo econômico, o que por si só, não tem o condão de provocar a solidariedade no pagamento de tributo devido por uma das empresas' (HARADA, Kiyoshi. 'Responsabilidade tributária solidária por interesse comum na situação que constitua o fato gerador')" (AgRg no Ag 1.055.860/RS, Rel. Min. Denise Arruda, Primeira Turma, julgado em 17.2.2009, DJe 26.3.2009). [...] Fl. 1039DF CARF MF Processo nº 10510.720095/201316 Acórdão n.º 2402005.812 S2C4T2 Fl. 7 11 (AgRg no AREsp 603.177/RS, Rel. Ministro BENEDITO GONÇALVES, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/03/2015, DJe 27/03/2015) ................................................................................................ PROCESSO CIVIL. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INEXISTENTE. EXECUÇÃO FISCAL. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO. LEGITIMIDADE PASSIVA. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. SÚMULA 7/STJ. [...] 4. Correto o entendimento firmado no acórdão recorrido de que, nos termos do art. 124 do CTN, existe responsabilidade tributária solidária entre empresas de um mesmo grupo econômico, apenas quando ambas realizem conjuntamente a situação configuradora do fato gerador, não bastando o mero interesse econômico na consecução de referida situação. [...] (AgRg no AREsp 429.923/SP, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/12/2013, DJe 16/12/2013) ......................................................................................................... (i) AgRg no Ag 1415293/RS, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 19/06/2012, DJe 21/09/2012; (ii) AgRg no REsp 1535048/PR, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/09/2015, DJe 21/09/2015; (iii) AgRg no AREsp 21.073/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/10/2011, DJe 26/10/2011; (iv) AgRg no Ag 1392703/RS, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, julgado em 07/06/2011, DJe 14/06/2011 Logo, muito embora o art. 30, inc. IX, da Lei 8.212/91, preveja a existência de solidariedade entre as empresas que integram o mesmo grupo econômico, interpretase tal dispositivo em conformidade com o art. 124, inc. I, do Código Tributário Nacional, que requer um plus para a efetiva existência de solidariedade, a saber: o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. Vejase que a própria fiscalização compartilha desse entendimento, embora tenha afirmado, por equívoco, que "na hipótese do inciso I, os grupos econômicos, justamente por constituírem um conjunto de contribuintes, sob a direção, controle ou administração de um mesmo conjunto de pessoas, têm interesses comuns no fato gerador" (v. fl. 68), quando se é sabido que, em verdade, a responsabilidade das empresas integrantes do mesmo grupo estaria assentada no inc. II, e não no inc. I do art. 124. A solidariedade (assim como a responsabilidade, com a qual não se confunde) pressupõe a regra matriz de incidência e a regra matriz de solidariedade, cada uma com seus pressupostos fáticos e seus sujeitos próprios (contribuintes e solidários). Fl. 1040DF CARF MF 12 Neste caso concreto, não tendo havido a efetiva demonstração de que todas as pessoas jurídicas tinham interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal, deve ser afastada a solidariedade imputada à recorrente, dandose provimento ao recurso voluntário por ela interposto, para excluílas do polo passivo do lançamento. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para excluir a recorrente do polo passivo do lançamento. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 1041DF CARF MF Processo nº 10510.720095/201316 Acórdão n.º 2402005.812 S2C4T2 Fl. 8 13 Voto Vencedor Conselheiro Mário Pereira de Pinho Filho – Redator Designado Não obstante os fundamentos aduzidos pelo D. Relator, segundo os quais, a teor do inciso I do art. 124 do Código Tributário Nacional – CTN, a caracterização da solidariedade pressupõe “a efetiva demonstração de que todas as pessoas jurídicas tinham interesse comum na situação constitutiva do fato gerador da obrigação principal”, entendo que referido dispositivo não se amolda à situação que aqui se analisa, não se lhe aplicando, por conseguinte, o entendimento erigido nas decisões do STJ trazidas à colação no voto vencido. É que, em se tratando de contribuições previdenciárias, a solidariedade, em relação a empresas que formam grupo econômico, encontrase expressamente prevista no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212/1991. Confirase: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei; [...] Isso posto, o dispositivo do CTN aplicável à matéria é aquele insculpido no inciso II do art. 124 do Códex. Senão vejamos: Art. 124. São solidariamente obrigadas: [...] II as pessoas expressamente designadas por lei. [...] Dessarte, verificase acertada a decisão consubstanciada no acórdão recorrido, cuja ementa fazse mister reproduzir: GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. O Código Tributário Nacional CTN estipula que serão solidariamente responsáveis as pessoas expressamente designadas na lei. A Lei nº 8.212, de 1991, designa como responsáveis solidárias pelas contribuições previdenciárias as empresas integrantes de grupo econômico. Os fatos descritos no relatório fiscal demonstram que impugnante e autuada compõem Fl. 1042DF CARF MF 14 o mesmo grupo econômico. Logo, correta a atribuição de responsabilidade solidária. Ante o exposto, voto no sentido de CONHECER do recurso e, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho. Fl. 1043DF CARF MF
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Numero do processo: 10280.720817/2008-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2003
CONDOMÍNIO. EXERCÍCIO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL. INCIDÊNCIA.
Condomínio que exerce atividade empresarial apresenta capacidade tributária passiva independentemente de estar regularmente constituído como pessoa jurídica (art. 126, III, do CTN), sujeitando-se a renda decorrente dessa atividade à incidência de IRPJ.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES.
Pela íntima relação de causa e efeito, aplica-se o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL.
Numero da decisão: 9101-002.813
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise das demais questões postas no recurso voluntário.
Julgamento iniciado na reunião de 04/2017 e concluído em 10/05/2017.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise das demais questões postas no recurso voluntário. Julgamento iniciado na reunião de 04/2017 e concluído em 10/05/2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Daniele Souto Rodrigues Amadio.
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EXERCÍCIO DE ATIVIDADE EMPRESARIAL. INCIDÊNCIA. Condomínio que exerce atividade empresarial apresenta capacidade tributária passiva independentemente de estar regularmente constituído como pessoa jurídica (art. 126, III, do CTN), sujeitandose a renda decorrente dessa atividade à incidência de IRPJ. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 LANÇAMENTOS REFLEXOS OU DECORRENTES. Pela íntima relação de causa e efeito, aplicase o decidido ao lançamento principal ou matriz de IRPJ também ao lançamento reflexo ou decorrente de CSLL. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, com retorno dos autos ao colegiado de origem, para análise das demais questões postas no recurso voluntário. Julgamento iniciado na reunião de 04/2017 e concluído em 10/05/2017. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 08 17 /2 00 8- 18 Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.259 2 (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Adriana Gomes Rêgo, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luís Flávio Neto, Rafael Vidal de Araújo, José Eduardo Dornelas Souza, Gerson Macedo Guerra e Carlos Alberto Freitas Barreto. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Marcos Aurélio Pereira Valadão e Daniele Souto Rodrigues Amadio. Relatório A FAZENDA NACIONAL recorre a este Colegiado por meio do Recurso Especial de efls 1.160/1.174, contra o acórdão nº 1302001.296 (efls. 1.149/1.158), que, por unanimidade de votos, deu provimento ao recurso voluntário interposto por CONDOMÍNIO VOLUNTÁRIO PÁTIO BELÉM, reconhecendo que houve erro na identificação do sujeito passivo nos lançamentos de IRPJ e CSLL. Transcrevese a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 SHOPPING CENTER. CONDOMÍNIO PRO INDIVISO. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. Os condomínios na propriedade de imóveis não serão considerados sociedades de fato, ainda que deles façam parte também pessoas jurídicas (art. 7º do Decretolei nº 1.381/74). Os coproprietários, ao se organizarem para explorar "Shopping Center" em condomínio pro indiviso, tornamse sujeitos passivos dos tributos devidos sobre o retorno econômico do empreendimento. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. Tratandose da mesma situação fática e do mesmo conjunto probatório, a decisão prolatada no lançamento do IRPJ é aplicável, mutatis mutandis, ao lançamento da CSLL. Irresignada com o acórdão supra, a Recorrente aponta divergência jurisprudencial em relação à identificação de condomínio como sujeito passivo de obrigação tributária. Transcrevese a ementa do acórdão indicado como paradigma: Acórdão nº 3201000.720: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2003 PIS. SUJEIÇÃO PASSIVA. CONDOMÍNIO. PRÁTICA DE ATOS DE COMÉRCIO. RECEITA DE ESTACIONAMENTO. O condomínio que, exercendo atividade comercial típica, aufere receita da prestação de serviços de estacionamento, equiparase Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.260 3 à pessoa jurídica contribuinte do PIS relativamente a tais serviços, sujeitandose à incidência tributária respectiva. Após tratar como incontroversa a natureza de condomínio do recorrido e que os condomínios realmente não se encontram no rol das pessoas jurídicas, a Recorrente defende que o Recorrido deve figurar como sujeito passivo da obrigação tributária objeto do presente processo administrativo fiscal, alegando, em síntese, o que segue: a) que a prestação de serviços remunerados foge ao arcabouço jurídico a que se submetem tais entes despersonalizados, de forma que ao auferir receitas de terceiros, em razão do exercício de atividade tipicamente comercial, o condomínio não o faz ao abrigo da lei civil, caracterizandose, em relação ao exercício de tais atividades, como pessoa jurídica; b) que as áreas que constituem objeto das locações em questão são parte comum do condomínio e, como resultado de sua exploração comercial, são auferidas receitas várias, sendo que a percepção de tais receitas constitui fato imponível do IRPJ e da CSLL; c) que o contribuinte guarda relação pessoal e direta com o fato gerador da contribuição, nos termos do artigo 121, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN). E, nos termos do artigo 126, inciso III, do CTN, atua como uma unidade econômica, na medida em que presta serviço, aufere receita e contabilizaa. Assim, embora o contribuinte seja intitulado condomínio, tem caráter societário e intuito lucrativo; d) que ao exercer a própria atividade comercial, que seria dos co proprietários, o contribuinte, mesmo nomeandose condomínio, por haver auferido receitas, configurase como pessoa jurídica contribuinte. Subsidiariamente, a Procuradoria pugna para que, caso seja confirmada a existência de erro na identificação do sujeito passivo, seja declarada a nulidade do lançamento por vício de natureza formal, por estar relacionada a elemento de exteriorização do ato administrativo (cf. artigos 10 e 11 do Decreto nº 70.235, de 1972). Assim, restaria configurada a nulidade do lançamento, mas não a improcedência total da exigência. Nesse sentido, colaciona a ementa do Acórdão nº 30133.686: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR Exercício: 2002 NULIDADE ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO É nulo, por vício formal, de lançamento constituído mediante auto de infração lavrado em face de sujeito passivo diverso daquele elencado pela norma tributária. Ao final requer a Recorrente que o presente recurso seja conhecido e provido, "para reformar o acórdão recorrido restabelecendose o lançamento em sua integralidade". Caso não seja acatado o pedido de restabelecimento integral do lançamento, requer seja declarada a nulidade desse por vício formal. O recurso foi admitido por meio do Despacho de efls. 1.176/1.179. A Contribuinte apresentou, tempestivamente, contrarrazões (efls. 1.185/1.254). Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.261 4 Preliminarmente, o Recorrido defende que o Recurso Especial não deve ser conhecido, pelas razões que seguem: a) a Procuradoria deixou de promover a demonstração analítica com a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido, conforme exigência do § 6º, do artigo 67, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009, vigente à época da interposição do recurso; b) a pretensão da Recorrente tem amparo em paradigma dotado de fundamentação distinta do acórdão recorrido, o que inviabilizaria o conhecimento do recurso; c) a tese adotada pelo acórdão indicado como paradigma foi superada, não representando o atual entendimento do CARF. Com relação ao mérito, a fim de demonstrar não haver amparo legal capaz de ensejar a reforma da decisão recorrida, o Contribuinte afirma, em apertada síntese o seguinte: a) que, com base no Ato Declaratório SRF nº 2, de 2007, "a receita auferida através de condomínio pertence aos condôminos, e somente estes podem ser sujeitos passivos da obrigação tributária originada deste fato imponível (receita)". De forma que "os condôminos são os sujeitos passivos do Pis, Cofins, IR e CSLL, e não o condomínio, ora recorrido". Defende que, por força do art. 100, inciso I, do CTN, o referido ato "obriga o contribuinte" e "vincula a atuação da administração tributária"; b) que constitui condomínio ordinário, regulado pelos arts. 1.314 a 1.326 do Código Civil, e não é pessoa jurídica de direito privado, tendo em vista que o condomínio não foi incluído no rol do art. 44 daquele código. Ademais, com relação a sua natureza, afirma ser condomínio pro indiviso, constituindo bem de titularidade coletiva, dividido em frações ideais de titularidade de seus condôminos (coproprietários), sendo, portanto, desprovido de personalidade jurídica; c) que as áreas que constituem os objetos das locações em questão não são de propriedade do condomínio, tendo em vista que não é sujeito de direito. Desse modo, os beneficiários e empreendedores da locação dos imóveis de propriedade comum são os próprios condôminos, os quais exploram a atividade de locação diretamente, representados pela pessoa jurídica por eles contratada para as funções de administração. Nesse ponto, afirma, ainda, que "os proveitos são auferidos diretamente pelos condôminos", funcionando como mero ente repassador, transferindo o produto da atividade mensalmente aos condôminos, o que é lançado no livro razão sob a rubrica "remessa de aluguel empreendedores"; d) que a legislação previu expressamente as hipóteses em que entes que não são pessoas jurídicas podem ser sujeitos passivos do IRPJ, não havendo previsão de que o condomínio pode ser sujeito passivo desse tributo. Tendo em vista os princípios da estrita legalidade e da tipicidade cerrada no direito tributário, defende que "não pode sofrer a incidência de tributos pretendida pela Recorrente". Sustenta, ainda, que "a decisão recorrida acertadamente foi lastreada no artigo 155 do RIR/99 e no art. 7º do Decreto Lei no. 1.381/74"; e) que não há fato imponível do imposto de renda e da CSLL, uma vez que a receita dos aluguéis não foi destinada ao condomínio, mas sim aos seus condôminos. Estando ausente, portanto, o aspecto material da hipótese de incidência do tributo; Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.262 5 f) que o lançamento questionado é flagrantemente inconstitucional, uma vez que o condomínio não possui capacidade contributiva nesse caso, já que a receita obtida não pertence a ele, representando a cobrança uma ofensa ao Princípio da Vedação ao Confisco. Além disso, como os condôminos já recolheram os tributos devidos, a presente autuação "representa tentativa flagrante de BiTributação". Afirma que foram juntados aos autos os documentos que comprovam o efetivo recolhimento dos tributos. Ao final, o Contribuinte requer não seja conhecido o recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, seja negado provimento. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo Relatora O recurso é tempestivo e, em que pesem as alegações preliminares do Recorrido, adiante enfrentadas, atende aos demais requisitos de admissibilidade, motivo pelo qual dele tomo conhecimento. Antes de adentrar na apreciação da preliminar de não conhecimento do recurso apresentada nas contrarrazões, cumpre assinalar o que segue. Conforme se extrai do Relatório Fiscal (fls. 300 e ss), o presente lançamento teve origem na falta de tributação de receita operacional oriunda de atividade empresarial exercida pela Recorrida no anocalendário 2003, tendo a Fiscalização consignado que "as receitas de aluguéis supra referidas, bem como as demais receitas auferidas foram apuradas mensalmente e devidamente escrituradas, porém não oferecidas à tributação". A infração resultou no lançamento de ofício de créditos de IRPJ, CSLL, Contribuição para o PIS/Pasep e COFINS. Os lançamentos de IRPJ e de CSLL deram origem ao presente processo, ao passo que o lançamento de Contribuição para o PIS/Pasep originou o processo nº 10280.720815/200829, e o de COFINS, o processo nº 10280.720816/200873. As impugnações apresentadas pela ora Recorrente nos três processos foram julgadas improcedentes pelas respectivas DRJ. Quanto aos recursos voluntários correspondentes, verificase que, enquanto no presente processo (IRPJ e CSLL) a Turma ora recorrida deu provimento ao recurso por entender que houve erro na identificação do sujeito passivo, no processo referente à Contribuição para o PIS/Pasep a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 3ª Seção negou provimento ao recurso (acórdão nº 3201000.720, de 02/06/2011, o qual foi objeto de recurso especial da contribuinte, pendente de julgamento pela 3ª Turma da CSRF). Já no processo referente à COFINS, a 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da 3ª Seção declinou da competência em favor da 1ª Seção do CARF, sendo que o recurso voluntário se apresenta ainda pendente de julgamento, no âmbito da 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara desta 1ª Seção. Preliminar de Não Conhecimento do Recurso Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.263 6 O Recorrido alega em suas contrarrazões que o recurso da Fazenda Nacional não pode ser conhecido uma vez que a Recorrente (1) deixou de demonstrar analiticamente a divergência de interpretação suscitada, assinalando também que a pretensão da Recorrente tem amparo em paradigma dotado de fundamentação distinta do acórdão recorrido; e (2) a tese adotada pelo acórdão indicado como paradigma foi superada, não representando o atual entendimento do CARF. Sem razão o Contribuinte. Compulsandose o item III do recurso fazendário, intitulado "Do Cabimento do Recurso Especial", vêse que a Recorrente inicia a demonstração do dissídio jurisprudencial pontuando que "mesmo diante de caso idêntico relativo à mesma contribuinte", a Turma julgadora do paradigma "não afastou a sujeição passiva e negou provimento ao recurso voluntário". Adiante, após transcrever a ementa do paradigma, dá conta de que "na ementa do paradigma, consta expressamente que a 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento do CARF tomou conhecimento da alegação formulada pelo autuado de erro na identificação do sujeito passivo da obrigação tributária, tendo em vista que se trata de um condomínio pro indiviso, mas mesmo assim rejeitou a preliminar arguída e negou provimento ao recurso do condomínio recorrente" e transcreve trecho do voto condutor do paradigma. Não há falar que se falar, portanto, em descumprimento do § 6º do art. 67 do RICARF vigente quando da apresentação do presente recurso1, uma vez que resta clara no recurso "a indicação dos pontos nos paradigmas colacionados que divirjam de pontos específicos no acórdão recorrido", como exige o dispositivo regimental em tela. Não procede também a alegação acerca da impossibilidade de se estabelecer a divergência em razão da "fundamentação distinta do acórdão recorrido". Ora, o acórdão paradigma indicado foi exarado no processo nº 10280.720815/200829, o qual, como se viu, tem origem no mesmo procedimento fiscal do presente processo, com a diferença de que naquele processo se alberga o auto de infração da Contribuição para o PIS/Pasep. É dizer, ambos os julgados enfrentam a mesma questão, qual seja, a de caracterizar ou não os valores recebidos pelo condomínio autuado, dos lojistas que possuem lojas no shopping center formado por ele formado, como receita operacional oriunda de atividade empresarial sua. Cada processo trata da repercussão de tal caracterização no âmbito do tributo de que abrange, não havendo diferença a descaracterizar a divergência entre os respectivos acórdãos. Finalmente, no que se trata à alegação de que o presente recurso especial não pode ser conhecido porque a tese adotada pelo paradigma foi superada, vêse que o dispositivo regimental que tratava dessa questão quando da apresentação do presente recurso é o § 10 do art. 67 do RICARF então vigente, o qual estatui que "o acórdão cuja tese, na data de interposição do recurso, já tiver sido superada pela CSRF, não servirá de paradigma, independentemente da reforma específica do paradigma indicado". Não se vê nas contrarrazões do Contribuinte, no entanto, referência a um único acórdão exarado pela Câmara 1 Aprovado pela Portaria MF nº 256, de 2009. Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.264 7 Superior de Recursos Fiscais CSRF que contradiga a conclusão do acórdão paradigma. Pelo contrário, como se verá adiante, há julgado da CSRF que vai na mesma linha do paradigma. Rejeito, portanto, a preliminar de não conhecimento do recurso apresentada pelo Contribuinte. Mérito A controvérsia trazida à apreciação desta 1ª Turma da CSRF reside em determinar se os valores recebidos pelo condomínio autuado dos lojistas que possuem lojas no shopping center por ele constituído representam receita operacional do condomínio, oriunda de atividade empresarial sua, sofrendo a tributação de IRPJ e CSLL (os lançamentos de Contribuição para o PIS/Pasep e o de COFINS se encontram em outros processos); ou se os sujeitos passivos dos tributos incidentes sobre o retorno econômico do empreendimento só podem ser os coproprietários já que o condomínio não tem personalidade jurídica e os contratos de aluguel são celebrados pelos próprios condôminos, como entendeu a Turma recorrida. Compulsandose os autos verificase que na Convenção de Condomínio (fls. 75 e ss) através da qual o condomínio autuado foi instituído2 consta que as unidades autônomas que compõem o condomínio integram o "Shopping Center Iguatemi Belém", bem como que as condôminas (Multicorp e Prebeg) são titulares de partes ideais correspondentes a percentuais do quantitativo das unidades autônomas que formam o condomínio, em regime "'pro indiviso', na forma do art. 623 e seguintes do Código Civil Brasileiro" (referiase ao Código de 1916, sendo que os dispositivos correspondentes no Código Civil de 2002 correspondem aos arts. 1314 e ss). É dizer, tratase de condomínio em que a copropriedade se estabelece sobre bem que não se divide materialmente mas de forma idealizada (fração ideal). Aliás, a respeito da natureza do condomínio em análise, de início já cumpre esclarecer que a Fiscalização afirmou que, segundo as decisões da Receita Federal, apenas para os condomínio em edifício é que a tributação recai sobre os condôminos. No entanto, um primeiro equívoco que observo na decisão recorrida é quando afirmou: “Assim, entendo equivocado o Relatório Fiscal quando trata a recorrente como um condomínio edilício, pois, a recorrente não está dividida em unidades autônomas (lojas, Box etc.) pertencentes cada uma a um proprietário. O bem em tela é uno, indivisível, pois que forma um condomínio pro indiviso”. Pois, em nenhum momento a Fiscalização afirmou que o caso em apreço se tratava de um condomínio edilício. De outra banda, no Relatório Fiscal (fls. 300 e ss) consta que os lojistas que ocupam as unidades do shopping center se obrigam a pagar valor a título de "aluguel percentual", que corresponde a "percentual incidente sobre seu faturamento, desde que assegurado um valor mínimo (fixo)", sendo que caso o valor do aluguel percentual apurado venha a suplantar o valor do aluguel mínimo (também referido como "piso"), o lojista deverá pagar, além do mínimo, quantia correspondente à diferença entre os dois. 2 Então Condomínio Civil Iguatemi Belém, posteriormente Condomínio Voluntário Pátio Belém. Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.265 8 Trazendo a baila os exemplos de que se serviu o Relator do acórdão recorrido, temse que, de fato, quando duas ou mais pessoas têm propriedade comum de um bem imóvel, os rendimentos da locação de tal imóvel (ou mesmo de mais de uma parte dele) são tributados na pessoa dos condôminos (coproprietários), sejam eles pessoas físicas ou jurídicas. A simples copropriedade não tem o condão de caracterizar o condomínio como sociedade de fato, o que vai ao encontro do que estabelece o art. 7º do DecretoLei nº 1.381, de 1974, base legal do art. 155 do RIR/1999 ("os condomínios na propriedade de imóveis não serão considerados sociedades de fato, ainda que deles façam parte também pessoas jurídicas"). Ocorre, no entanto, que, o exercício de atividade de shopping center, como a que o Contribuinte autuado se dedica não constitui simples locação de imóvel ou parte de imóvel, nem é ele mero ente repassador que transfere o produto da atividade mensalmente aos condôminos, como afirma em suas contrarrazões. Nesse sentido, convém observar que os exemplos trazidos no acórdão recorrido muito se distanciam do caso presente, uma vez que não dizem respeito a uma sociedade de fato que tem receitas escrituradas em um livro Razão, receitas identificadas como de cessão de uso – no dizer da Fiscalização: “sobrefundo de comércio, representada pelos bens imateriais de que o empreendimento é detentor” , além de receitas financeiras, por exemplo. O que se tem no caso em apreço, na realidade, é o exercício de atividade econômica bem mais complexa, que se encaixa na definição de atividade empresarial do art. 966 do Código Civil de 2002 ("atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços"), a seguir reproduzido juntamente com o art. 982 do mesmo codex, que define como sociedade empresária aquela que "tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário" (sublinhouse): Art. 966. Considerase empresário quem exerce profissionalmente atividade econômica organizada para a produção ou a circulação de bens ou de serviços. Parágrafo único. Não se considera empresário quem exerce profissão intelectual, de natureza científica, literária ou artística, ainda com o concurso de auxiliares ou colaboradores, salvo se o exercício da profissão constituir elemento de empresa. (...) Art. 982. Salvo as exceções expressas, considerase empresária a sociedade que tem por objeto o exercício de atividade própria de empresário sujeito a registro (art. 967); e, simples, as demais. No caso presente, a análise das atividades ao encargo do condomínio, para a execução das quais foi contratada empresa terceira (vide contrato firmado com a empresa "AD Shopping Agência de Desenvolvimento de Shopping Centers S/C Ltda.", às fls. 50 e ss) bem evidencia que muito além de apenas ceder espaço para uso dos lojistas e por isso ser remunerado, o condomínio autuado não só estabelece relação comercial com os lojistas, como exerce atuação sinérgica com eles, no intuito de promover suas vendas de produtos e serviços, sendo recompensado pelos resultados alcançados através do percentual que recebe do faturamento do lojista. Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.266 9 Vejase que a descrição dos serviços em questão começa pela "administração comercial do SHOPPING IGUATEMI BELÉM, em todos os seus aspectos" (item 3.1.1 do contrato), atividade dentro da qual se inserem não apenas a gestão do shopping em si e a gestão comercial dos contratos com os lojistas mas até ações promocionais, de marketing e de publicidade, além da gestão do mix de lojas, como se vê a seguir: subitem "m": "gestão do fundo de promoção", a qual engloba "o planejamento e execução das atividades promocionais, diretamente com pessoal da estrutura local do SHOPPING CENTER ou com terceiros", a "seleção e contratação dos serviços de agências.de publicidade, assessoria de imprensa, produtores de eventos e demais prestadores de serviços para atividade de promoção e marketing do SHOPPING CENTER" e a "supervisão e acompanhamento do planejamento, aprovação e execução das campanhas publicitárias, promocionais e de relações públicas do SHOPPING IGUATEMI BELÉM"; subitem "h": revisão do "tenant mix", que vem a ser o plano de distribuição dos tipos e tamanhos de lojas pelo shopping center, de modo a gerar conveniência lucrativa para os lojistas e para os empreendedores dos shopping centers. Observese, também, a significativa diferença entre o que é faturado pelo condomínio e o que é repassado aos condôminos, diferença essa que foi assim sublinhada no acórdão que julgou a impugnação ao presente lançamento3 (grifos originais): Vejase, ainda, que o Razão e os extratos bancários trazidos aos autos pelo próprio interessado demonstram que a receita total (bruta) auferida pelo condomínio é significativamente superior aos valores “repassados” aos condôminos a título de “remessa de aluguel”, correspondendo apenas a uma fração da receita total do condomínio. Com efeito, no mês de fevereiro de 2003, a receita apurada pelo condomínio, conforme consolidada pela autoridade fiscal no Demonstrativo de fl. 126, foi de R$ 973.459,55, enquanto o total “repassado” aos condôminos foi de R$ 589.903,56 (como se constata na cópia do Razão, às fls. 373/396, e na cópia de extrato de contacorrente, à fl. 404), o mesmo se verificando em relação aos meses subseqüentes do anocalendário de 2003. Ou seja, a prova trazida aos autos pelo impugnante não lhe vem em proveito, muito antes confirmando que a receita que aufere é diversa daquela a que fazem jus os condôminos, também ratificando a conclusão de que tal faturamento não foi, como deveria haver sido, oferecido à tributação. Anotese, ainda, que, de forma coerente com a atuação empresarial que o condomínio tem na promoção dos negócios dos lojistas que se instalam no seu shopping center, parte da sua remuneração corresponde à percentual incidente sobre o faturamento do lojista. Além disso, a Fiscalização esclarece que as atividades próprias dos condomínios em imóveis edificados, no caso em apreço, são exercidas em nome de outro 3 Acórdão da DRJ Belém nº 0123.033, reproduzindo trecho do acórdão nº 0115.577 da mesma Delegacia, que apreciou o lançamento de Contribuição para o PIS/Pasep, o qual deu origem ao já referido processo nº 10280.720815/200829. Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.267 10 CNPJ: Condomínio Shopping Center Iguatemi Belém, CNPJ 84.154.160/000185, que inclusive, foi objeto de outro procedimento fiscal, sob o MPF 155/2008. Dito isso, outra não pode ser a conclusão senão a de que se aplicam aqui os arts. 121 e 126, inciso III, do Código Tributário Nacional CTN, colocandose o condomínio autuado na condição de sujeito passivo dos tributos que decorrem da atividade empresarial que exerceu, independentemente de estar regularmente constituído como pessoa jurídica. Vale transcrever os dispositivos em questão: Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento do tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal, diz se: I – o contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; (...) Art. 126. A capacidade tributária passiva independe: (...) III – de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Mais especificamente no âmbito do imposto sobre a renda, aplicase aqui o art. 146 do RIR/1999, o primeiro do Livro II "Tributação das Pessoas Jurídicas", que, através de seu § 1º, estatui que a condição de contribuinte do IRPJ recai sobre "todas as firmas e sociedades, registradas ou não". Confirase: LIVRO II TRIBUTAÇÃO DAS PESSOAS JURÍDICAS TÍTULO I CONTRIBUINTES E RESPONSÁVEIS SUBTÍTULO I CONTRIBUINTES Art. 146. São contribuintes do imposto e terão seus lucros apurados de acordo com este Decreto (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27): I as pessoas jurídicas (Capítulo I); II as empresas individuais (Capítulo II). § 1º As disposições deste artigo aplicamse a todas as firmas e sociedades, registradas ou não (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 27, § 2º). E aqui convém também esclarecer que, ao contrário do que fora consignado no acórdão recorrido, a presente autuação não significa uma exigência de um contrato de sociedade, para exploração da atividade em comum. Não foi isso que disse a Fiscalização. Ela apenas identificou que o CNPJ 83.368.894/000102, objeto do Mandado de Procedimento Fiscal nº 156/2008, exercia atividade empresarial no ano de 2003, e, a partir das receitas que o próprio condomínio contabilizava em seus livros, efetuou os lançamentos de ofício em face da identificação que tais receitas eram tributáveis. Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.268 11 Vale aqui destacar julgado da 1ª Turma do Superior Tribunal de Justiça STJ em que se considerou que shopping center, mesmo que constituído na forma de condomínio, tem atuação empresarial, possuindo capacidade tributária passiva independentemente de estar regularmente constituído como pessoa jurídica, na inteligência do art. 126, inciso III, do CTN (Recurso Especial nº 1.301.956RJ, 10/02/2015, Relator Ministro Benedito Gonçalves). Confirase a ementa e os excertos a seguir do julgado (sublinhouse): TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AÇÃO ANULATÓRIA. COFINS. BASE DE CÁLCULO. LC N. 70/1991. LOCAÇÃO DE VAGAS EM ESTACIONAMENTO EM CENTRO COMERCIAL SHOPPING CENTER . RECEITA SOBRE A QUAL INCIDE A COFINS. 1. A receita proveniente da locação de vagas em estacionamento em centros comerciais shopping centers , mesmo que estes estejam estruturados na forma de condomínio, compõe a base de cálculo da COFINS, por força do art. 2º da LC n. 70/1991, porquanto referidos centros comerciais são unidades econômicas autônomas para fins de tributação, nos termos do art. 126, inciso III, do CTN. 2. Recurso especial não provido. (...) De fato, os shopping centers ou centros comerciais de prestação de serviços ou venda de produtos não têm uma estrutura societária obrigatória delineada no ordenamento jurídico; porém, o condomínio que se forma tem a natureza jurídica das pessoas jurídicas condôminas, locatárias ou proprietárias, ou das pessoas jurídicas de direito privados que, em conjunto, construíram o empreendimento para exploração desse ramo de atividade; tudo a depender do seu objeto social e/ou da forma de sua constituição. E a sociedade de comerciantes empresários, ou de sociedades empresárias, mesmo que constituída em forma de condomínio (shopping centers ), caracteriza unidade econômica, autônoma em relação aos condôminos e sua atividades, com finalidade e receita próprias, inclusive como se pode presumir da simples existência de inscrição específica no Cadastro Nacional de Pessoas Jurídicas CNPJ. Se no caso, o centro comercial recorrente não foi adequadamente constituído, em sua forma societária, totalmente pertinente, portanto, a aplicação do art. 126, III, do CTN, segundo o qual a capacidade tributária passiva independe de estar a pessoa jurídica regularmente constituída, bastando que configure uma unidade econômica ou profissional. Também na esfera administrativa há jurisprudência nessa mesma linha. Com efeito, em situação muito semelhante a ora enfrentada, a 2ª Turma da CSRF (acórdão nº CSRF/0201.995, de 05/07/2005, Relator Henrique Pinheiro Torres), por maioria de votos, deu provimento ao recurso especial fazendário, reformando acórdão da 3ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, que considerara que "o condomínio, por não ser pessoa jurídica, não pode ser sujeito passivo da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social, sob pena de ferirse o Princípio da Legalidade Estrita". Confirase a ementa do julgado: Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.269 12 COFINS — ILEGITIMIDADE PASSIVA. A sujeição passiva dos tributos e das contribuições em geral não está necessariamente afeta à forma jurídica adotada pelas empresas (sociedades, associações etc) em seu ato constitutivo, mas sim a ter o agente relação direta ou, em alguns casos, indireta, com o fato jurídico econômico antevisto na norma imponivel como necessário e suficiente à ocorrência do fato gerador do tributo ou da contribuição. Com isso aquele que obtém faturamento em decorrência da venda de serviços de qualquer natureza figura deve assumir o pólo passivo da obrigação tributária da Cofins. Recurso especial provido. De se assinalar que o voto condutor do acórdão em questão deixou assentado que o condomínio do shopping center autuado, "possuindo ou não personalidade jurídica tem, de fato, o affectio societatis consistente no objetivo empresarial de explorar comercialmente os serviços do estacionamento visando faturamento e lucro", concluindo que "nessa atividade comercial, a autuada deixa de se comportar como condomínio para personificar em todos os aspectos uma empresa prestadora de serviços normal". Vale destacar interessante trecho deste julgado em que o Relator se serve de excerto de declaração de voto do acórdão recorrido para assinalar o caráter empresarial da atividade de shopping center exercida pelo condomínio autuado4: Antes porém,como bem observou a Conselheira Luciana Pato Peçanha Martins, em sua declaração de voto, que passo a transcrever: (...) da análise da escritura de instituição, especificação e convenção do Condomínio do Shopping Center Recifè (fls. 91/68), da Convenção do Condomínio do Shopping Center Recife (fls. 228/243) e da Escritura declaratória de normas gerais complementares regedoras das locações e outras avenças dos salões comerciais situados no Shopping Center Recifè (fls. 287/304) verificase que o "Condomínio do Shopping Center Recife", apesar de intitularse condomínio, tem caráter societário e reclama o intuito lucrativo. Tratase de uma associação dos chamados "condôminosempreendedores" (Ancor — Empreendimentos Comerciais S.A., Encisa Engenharia Comércio e Indústria S.A., Magus Investimentos Lida, Milburn do Brasil Ltda, Ceres — Fundação de Seguridade Social do Sistemas Embrapa e Embrater), coproprietários do Shopping Center Recife com a finalidade principal de explorar comercialmente a locação de lojas. Nos documentos mencionados fica claro que são estes "condôminos empreendedores" que ditam as regras de convenção de condomínio e as normas das locações. Sob o enfoque econômico, os centros comerciais constituemse em espécie de associação organizacional, que tem em mira os ganhos de eficiência. O professor e economista Carlos Geraldo Langoni, opinando sobre a nova forma de atividade 4 Na citação do entendimento de Carlos Geraldo Langoni é feita referência à obra Shopping Centers Aspectos jurídicos e suas origens. (VERRI, Maria Elisa Gualandi. Belo Horizonte: Dei Rey, 1996. p. 38/44). Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.270 13 mercadológica, assegura que há nela a participação de investidores em uma atividade única, na qual cada um faz a sua parte, visando o faturamento, os lucros. Não há que se falar, por outro lado, em aplicação ao caso, como reclama o Recorrido, do Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 2, de 2007, que a seguir se transcreve (sublinhouse): Ato Declaratório Interpretativo SRF nº 2, de 2007 DOU 28.03.2007 Dispõe sobre o tratamento tributário dos rendimentos decorrentes de locação de partes comuns de condomínio edilício. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 230 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal, aprovado pela Portaria MF nº 30, de 25 de fevereiro de 2005, e tendo em vista o que consta no processo nº 10980.010644/200596, declara: Artigo único. Na hipótese de locação de partes comuns de condomínio edilício, será observado o seguinte: I os rendimentos decorrentes serão considerados auferidos pelos condôminos, na proporção da parcela que for atribuída a cada um, ainda que tais rendimentos sejam utilizados na composição do fundo de receitas do condomínio, na redução da contribuição condominial ou para qualquer outro fim; II o condômino estará sujeito ao cumprimento de todas as exigências tributárias cabíveis, relativamente aos tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal (SRF), especialmente no que tange às normas contidas na legislação do imposto sobre a renda referentes à tributação de rendimentos auferidos com a locação de imóveis. Ora, o ADI em questão trata da hipótese de locação de partes comuns de condomínio edilício. Ocorre que, como se viu, o exercício de atividade empresarial pelo Recorrido lhe confere capacidade tributária passiva, sujeitandose a renda decorrente dessa atividade à incidência de IRPJ na forma do art. 126, III, do CTN. Ademais, como assinala o Recorrido em suas contrarrazões e como deixa consignado o acórdão recorrido, o condomínio autuado é ordinário (arts. 1.314 a 1.330 do Código Civil de 2002) e indiviso (a copropriedade se estabelece sobre bem que não se divide materialmente mas de forma idealizada fração ideal), e não edilício (arts. 1.331 e ss do Código Civil de 2002, em que há partes exclusivas e partes comuns). No que se refere à alegação do Recorrido de que não aufere renda na medida em que a receita decorrente dos aluguéis não pertence a ele, mas aos seus condôminos, proprietários dos imóveis locados, temse que não se sustenta, uma vez que, como se viu, a receita operacional de que decorre a autuação fiscal corresponde à atividade empresarial exercida pelo autuado. À corroborar tal conclusão a antes destacada diferença entre os valores recebidos dos lojistas e transferidos aos condôminos, além do fato, também destacado no acórdão de primeira instância, de que "é o autuado quem contrata, aufere e escritura em nome próprio receitas de aluguéis e demais valores previstos nos contratos respectivos (cessão de Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10280.720817/200818 Acórdão n.º 9101002.813 CSRFT1 Fl. 1.271 14 direito de uso, multas rescisórias, taxas de transferências etc), juntamente com as correspondentes despesas efetuadas no auferimento desses valores". Não se sustenta, igualmente, a alegação do Recorrido de impossibilidade de tributação de sua receita sob pena de bitributação. Ora, o fato gerador de IRPJ e de CSLL do qual o autuado é sujeito passivo exsurge da atividade empresarial que exerce, a qual não se confunde com a exercida pelos coproprietários, sejam eles pessoas físicas ou jurídicas, bem como independe da destinação que venha a dar a parcelas dessa receita. Além disso, não há que se falar em dupla tributação quando estamos tratando de rendas auferidas por pessoas jurídicas distintas. Entender diferente seria usando a metodologia do acórdão recorrido de exemplificar não tributar a renda de um empregado de uma pessoa jurídica, posto que recebe uma parte do que é percebido por essa pessoa jurídica. Finalmente, quanto à alegação de que o lançamento é inconstitucional, uma vez que o condomínio não possui capacidade contributiva, representando a cobrança ofensa ao princípio da vedação ao confisco, temse que, como se viu, o condomínio manifesta capacidade contributiva no momento em que exerce atividade de cunho empresarial, independentemente de estar regularmente constituído como pessoa jurídica. Ademais, não é dado a este Colegiado afastar a aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, conforme prevêem o art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, e o art. 62 do Anexo II do RICARF. Conclusão Em face do exposto, conheço do recurso da Fazenda Nacional e, no mérito, DOULHE PARCIAL PROVIMENTO, para devolver os autos ao colegiado a quo afim de que sejam analisados os demais argumentos trazidos pelo Recorrido por ocasião do seu recurso voluntário. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 1271DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13896.721362/2013-75
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2014
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA.
Ao se constatar que a alegada omissão incidiria sobre tema que não fez parte das alegações de defesa, não se há de cogitar de embargos de declaração.
Numero da decisão: 1301-002.481
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos.
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2014 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. INOCORRÊNCIA. Ao se constatar que a alegada omissão incidiria sobre tema que não fez parte das alegações de defesa, não se há de cogitar de embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento aos embargos. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório Trata o presente de embargos de declaração opostos pelo Contribuinte acima identificado, em face do acórdão nº 1301002.119 (fls. 118/122), prolatado por esta 1ª Turma na sessão de julgamento de 11/08/2016. No referido julgado, o Colegiado pronunciouse por AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 72 13 62 /2 01 3- 75 Fl. 156DF CARF MF Processo nº 13896.721362/201375 Acórdão n.º 1301002.481 S1C3T1 Fl. 157 2 unanimidade de votos no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, em decisão assim ementada: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Exercício: 2014 ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. MULTA. Comprovada a sujeição do contribuinte à obrigação, o descumprimento desta ou seu cumprimento em atraso enseja a aplicação das penalidades previstas na legislação de regência. Alega a embargante que o aresto combatido padeceria de omissão, que especifica: · Omissão quanto à existência do RE nº 606010, pendente de julgamento pelo STF, onde foi reconhecida a repercussão geral da imposição de multa prevista no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002 à contribuinte que atrasa a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Esse fato deveria ensejar a suspensão do presente processo administrativo. Ao final, a embargante formula seu pedido como segue: Diante de todo o exposto, a Embargante requer sejam os presentes Embargos de Declaração conhecidos e admitidos, para que o r. acórdão n.º1301002.119 de 11.08.2016 seja reapreciado por esse E.CARF e, atribuindolhes excepcionalmente efeitos infringentes, sejam as omissões acima indicadas devidamente sanadas, inclusive para fins de prequestionamento. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator A embargante tomou ciência do acórdão ora embargado em 05/12/2016, segundafeira (termo à fl. 130). Tendo sido os embargos de fls. 132/137 apresentados em 12/12/2016, segundafeira (termo à fl. 131), tenho que são tempestivos, à luz do prazo de cinco dias estabelecido pelo § 1º do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. Ademais, a embargante apontou objetivamente os vícios que pretende ver sanados, atendendo, desta forma, ao requisito regimental. Atendidos os demais requisitos processuais, conheço dos embargos e passo a analisálos, tendo por parâmetros delimitadores aqueles estabelecidos pelo caput do art. 65 do Anexo II do RICARF, verbis: Art. 65. Cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual deveria pronunciarse a turma. Fl. 157DF CARF MF Processo nº 13896.721362/201375 Acórdão n.º 1301002.481 S1C3T1 Fl. 158 3 1. Omissão quanto à existência do RE nº 606010, pendente de julgamento pelo STF, onde foi reconhecida a repercussão geral da imposição de multa prevista no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002 à contribuinte que atrasa a entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Anotese, inicialmente, que o Recurso Extraordinário nº 606.010, em trâmite junto à Suprema Corte, não foi mencionado em parte alguma do recurso voluntário interposto pela interessada contra a decisão de primeira instância e não integra as razões de defesa. Assim sendo, a princípio, descaberia cogitar de omissão do Colegiado por não levar em conta sua existência ao proferir a decisão ora embargada. Afastada a omissão, o que se evidencia é a pretensão da interessada de obter o sobrestamento do julgamento administrativo, até decisão final do Supremo Tribunal Federal sobre a matéria, com efeitos erga omnis. Tal pretensão não se sustenta, visto que o sobrestamento de julgamento administrativo em tais condições há muito deixou de ter amparo regimental, e a aplicação obrigatória de decisões do STF, com repercussão geral reconhecida, é apenas para as decisões definitivas1, o que, no caso, a própria embargante reconhece que ainda não ocorreu. 1 Regimento Interno do CARF, Anexo II, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: [...] II que fundamente crédito tributário objeto de: [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 13896.721362/201375 Acórdão n.º 1301002.481 S1C3T1 Fl. 159 4 Conclusão. Em conclusão, por todo o exposto, voto por negar provimento aos presentes embargos, ratificando integralmente o quanto decidido pelo Acórdão nº 1301002.119, de 11/08/2016. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 159DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10469.720021/2013-24
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.844
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente NATAL VEÍCULOS LIMITADA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 00 21 /2 01 3- 24 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10469.720021/201324 Acórdão n.º 3302003.844 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06049.627. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10469.720021/201324 Acórdão n.º 3302003.844 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10469.720021/201324 Acórdão n.º 3302003.844 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10469.720021/201324 Acórdão n.º 3302003.844 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10469.720021/201324 Acórdão n.º 3302003.844 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 102DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10120.902757/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL.
No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003.
CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE.
A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-003.339
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques dOliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas.
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime não-cumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, b, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado.
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TOMADA DE CRÉDITOS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA. Recorrente COTRIL MOTORS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PIS/COFINS. AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS NOVOS SUBMETIDOS AO REGIME MONOFÁSICO PARA REVENDA. MANUTENÇÃO DE CRÉDITO PELO COMERCIANTE ATACADISTA E VAREJISTA. VEDAÇÃO LEGAL. No regime nãocumulativo das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, por expressa determinação legal, é vedado ao comerciante atacadista e varejista, o direito de descontar ou manter crédito referente às aquisições de veículos novos sujeitos ao regime monofásico concentrado no fabricante e importador. A aquisição de veículos relacionados no art. 1º da Lei n° 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS/COFINS, dada a expressa vedação, consoante os art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.637/2002 e da Lei nº 10.833/2003. CRÉDITOS. MANUTENÇÃO. ART. 17 DA LEI Nº 11.033/2004. IMPOSSIBILIDADE. A manutenção dos créditos, prevista no art. 17 da Lei nº 11.033/04, não tem o alcance de manter créditos cuja aquisição a lei veda desde a sua definição. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 12 0. 90 27 57 /2 01 1- 98 Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10120.902757/201198 Acórdão n.º 3301003.339 S3C3T1 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d’Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Marcelo Giovani Vieira, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Luiz Augusto do Couto Chagas. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Ressarcimento PER, formulado através do programa PER/Dcomp, por intermédio do qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS NãoCumulativa – Mercado Interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado. A origem do direito creditório alegado seria o saldo credor acumulado em razão da aquisição de produtos monofásicos (veículos novos). A Recorrente tem como atividade comercial a compra e venda, no atacado e varejo, de veículos novos e peças em geral, relacionadas na Lei nº 10.485/02. A Lei nº 10.485/02, no art. 3º, § 2º, I e II, prescreve que os produtos nela relacionados têm as alíquotas de PIS e COFINS reduzidas a 0% relativamente à receita bruta auferida por comerciantes atacadistas e varejistas. A Recorrente alega que com a edição das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, os produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 compõem a sua receita bruta para efeito de apuração de PIS e COFINS sob o regime da nãocumulatividade e que a manutenção dos créditos decorrentes da aquisição desses produtos tem como fundamento legal o art. 17 da Lei n° 11.033/2004 e o pedido de ressarcimento em espécie tem como fundamento legal o art. 16 da Lei n° 11.116/2005. Assim, com esse entendimento, os créditos de COFINS nãocumulativa, objeto do ressarcimento deste processo fiscal pela Recorrente, têm origem exclusiva na aplicação direta das alíquotas previstas nas leis 10.637/02 (PIS) e 10.833/03 (COFINS), que introduziram a nova sistemática do regime da nãocumulatividade para ambas as Contribuições, sobre o valor de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), pois a alíquota da Contribuição nas saídas subsequentes desses produtos foi reduzida a 0%. Então, a controvérsia nestes autos é o direito ao creditamento, no regime não cumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), ou seja, crédito com origem nas aquisições de produtos com incidência monofásica. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06050.378. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que há vedação legal e normativa para o aproveitamento do crédito das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, nas vendas submetidas à incidência monofásica. Fl. 116DF CARF MF Processo nº 10120.902757/201198 Acórdão n.º 3301003.339 S3C3T1 Fl. 4 3 Tanto na manifestação de inconformidade, quanto em seu recurso voluntário, a Recorrente tece longo arrazoado para justificar o seu direito ao creditamento, para tanto interpreta a legislação federal e o princípio constitucional da nãocumulatividade. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301003.248, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.902719/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301003.248): O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Não há direito ao creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos), conforme se justifica a seguir. Os art. 1o e 3o da Lei n° 10.485/2002 prescrevem: Art. 1o.As pessoas jurídicas fabricantes e as importadoras de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI, aprovada pelo Decreto no 4.070, de 28 de dezembro de 2001, relativamente à receita bruta decorrente da venda desses produtos, ficam sujeitas ao pagamento da contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, às alíquotas de 2% (dois por cento) e 9,6% (nove inteiros e seis décimos por cento), respectivamente. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Art. 3o As pessoas jurídicas fabricantes e os importadores, relativamente às vendas dos produtos relacionados nos Anexos I e II desta Lei, ficam sujeitos à incidência da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS às alíquotas de: II 2,3% (dois inteiros e três décimos por cento) e 10,8% (dez inteiros e oito décimos por cento), respectivamente, nas vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores. (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) Fl. 117DF CARF MF Processo nº 10120.902757/201198 Acórdão n.º 3301003.339 S3C3T1 Fl. 5 4 § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) Assim, para os veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI e dos produtos relacionados nos Anexos I e II, a cobrança da COFINS terá incidência monofásica, com alíquotas diferenciadas para as pessoas jurídicas fabricantes e importadoras. O regime monofásico concentra a cobrança do tributo em uma etapa da cadeia produtiva, desonerando a etapa seguinte. E ainda, a referida lei reduziu a zero as alíquotas da COFINS incidentes sobre as receitas auferidas pelos comerciantes atacadistas ou varejistas com a venda desses mesmos produtos. O regime monofásico impõe que o fabricante ou importador dos produtos (monofásicos) recolham o PIS/COFINS em uma alíquota diferenciada e majorada, bem como a fixação de alíquota zero de PIS/COFINS sobre a receita auferida com a venda dos mesmos pelos demais participantes da cadeia produtiva (distribuidores, atacadistas e varejistas). Então, não se cogita do sistema de compensação entre créditos e débitos. Deste modo, a Lei nº 10.485/02 fixou a tributação devida ao PIS e à COFINS no início da cadeia produtiva, fabricantes e/ou importadores de veículos automotores e autopeças, estabelecendo alíquota mais elevada nesta etapa de comercialização, desonerando a fase em que se integram as concessionárias, mediante atribuição de alíquota zero, nos termos dos seus artigos 2º, § 2º, II; 3º, § 2º, I e II; e 5º, parágrafo único, esses dispositivos não foram revogadas pela Lei nº 10.833/03. A incidência monofásica das contribuições discutidas incorre na inviabilidade lógica e econômica do reconhecimento de crédito recuperável pelos comerciantes varejistas e atacadistas, pois inexistente cadeia tributária após a venda destinada ao consumidor final, razão pela qual o art. 17 da Lei nº 11.033/04, afigurase incompatível com este caso. Ademais, não há crédito em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485/2002 adquiridos para revenda, por vedação expressa dos art. 2º, § 1º, III e art. 3º, I, “b”, c/c da Lei nº 10.833/2003, verbis: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b) no § 1º do art. 2º desta Lei; Art. 2º Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art.1º, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). Fl. 118DF CARF MF Processo nº 10120.902757/201198 Acórdão n.º 3301003.339 S3C3T1 Fl. 6 5 § 1º Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) III no art. 1º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) IV no inciso II do art. 3º da Lei nº 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) Logo, pela redação dos dispositivos supracitados, é expressamente vedado descontar créditos calculados em relação aos veículos classificados nos códigos 87.01 a 87.06 da TIPI e aos produtos relacionados nos Anexos I e II da Lei nº 10.485, de 2002, adquiridos para revenda. Alega a Recorrente que teria direito ao creditamento com base no art. 17 da Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Esse dispositivo não se aplica ao caso em comento, pelas seguintes razões: 1 Referese a “manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados” nas operações de vendas com isenção, alíquota zero ou nãoincidência da COFINS, ou seja, tratase de créditos legalmente autorizados da COFINS (neste caso o crédito está proibido); 2 É regra geral que coexiste com vedação ao creditamento por norma específica e 3 Não revoga expressa ou tacitamente o inciso I, alínea “b”, do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Por fim, quanto a argumentos de inconstitucionalidade da vedação ao creditamento, por afronta ao princípio da nãocumulatividade, saliento que sobre esta matéria o CARF não pode se pronunciar, de acordo com a Súmula nº 2 (O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária). Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, dos valores de aquisição dos produtos relacionados Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10120.902757/201198 Acórdão n.º 3301003.339 S3C3T1 Fl. 7 6 na Lei n° 10.485/2002 (veículos automotores novos) aplicase tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 120DF CARF MF
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