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Numero do processo: 16327.000124/2010-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Feb 13 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 2201-000.340
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Douglas Kakazu Kushiyama - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DOUGLAS KAKAZU KUSHIYAMA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Douglas Kakazu Kushiyama Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 145/161 interposto contra decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP), de fls. 129/137, a qual considerou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, para não reconhecer o direito creditório pleiteado e consequentemente não homologar a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .0 00 12 4/ 20 10 -2 2 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 183 2 O presente processo surgiu do processo das declarações de compensação n° 09243.41635.040305.1.7.047692 e 23962.62680.040305.1.7.047070, de pagamento de IRRF, código de receita 9453, efetuado em 6/12//2004, no valor de R$ 40.000.000,00, com débitos de IRRF relativos a janeiro de 2005 (fls. 4/13). Em 4/12/2009 a contribuinte foi intimada a apresentar os seguintes documentos e informações (fls. 19): • Confrontar os valores declarados na DIRF e os valores declarados na DCTF, relativamente ao IRRF (código 9453) de dezembro de 2004. • Apresentar cópias simples do livro Razão, das contas envolvidas no registro contábil dos valores de IRRF (código 9453) de dezembro de 2004. Demonstrar o estorno ou lançamento em conta de crédito a recuperar do valor alegado como indevidamente recolhido. • Confrontar os valores do item 2 com os valores declarados, apresentados no item 1. • Demonstrar e comprovar que os valores retidos indevidamente a título de IRRF (código 9453) de dezembro de 2004 foram efetivamente devolvidos ao titular/beneficiário dos rendimentos. Caso não tenlia ocorrido a retenção indevida, comprovar. • Para os créditos alegados nos Per/Dcomp's, justificar e comprovar o motivo e as circunstâncias de o pagamento ter sido efetuado e posteriormente considerado indevido ou a maior. • Apresentar cópia do contrato social/estatuto da empresa e suas alterações. A empresa protocolou a resposta de fls. 21/22 Em 5/1/2010 a empresa foi novamente intimada (fls. 43) a: (i) apresentar cópia simples do Razão, da conta onde fica evidenciada a contrapartida do lançamento contábil dos valores do IRRF (código 9453) de dezembro de 2004 efetuado na conta "PROVISÃO P J.C.P. A PAGAR COMPLEM, apresentada na resposta à citada intimação; (ii) apresentar cópia simples do Razão, da conta onde fíca evidenciado o lançamento contábil do DARF de recolhimento de R$ 40.000.000,00, efetuado no dia 06/12/2004, de mesmo vencimento, código de receita 9453, e o respectivo estorno ou lançamento em conta de crédito a recuperar do valor alegado como indevidamente recolhido. Em 19/1/2010 a empresa apresentou informações complementares, anexando os documentos de fls. 49/50. Em 8/2/2010 foi exarado despacho decisório que não homologou a compensação declarada com base nos seguintes fundamentos (fls. 53/58): • Não se observa a contrapartida do lançamento contábil de R$ 113.110.252,85 da provisão para pagamento de IRRF sobre JCP, que se refere ao IRRF devido informado na DCTF relativo aos códigos de receita 9453 e 5706, conforme alegado na resposta à intimação Deinf/SPO/Diort n° 200/2009. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 184 3 • Observase apenas a contrapartida do valor de estorno de R$ 275.104,52. • Não se observa nenhum lançamento relativo ao recolhimento do DARF de 40.000.000,00 efetuado no dia 6/12/2004, de mesma data de vencimento, código de receita 9453, nem o respectivo estorno ou lançamento em conta de crédito a recuperar do valor alegado nas declarações de compensações em análise como indevidamente recolhido. • Cabe ao interessado a demonstração hábil, com comprovação em sua escrituração contábil, quando instado em via de procedimento fiscal de verificação da liquidez e certeza do crédito alegado, apresentar a documentação comprobatória requerida, demonstrando as circunstâncias materiais envolvidas na geração do crédito. • Não há no exame dos documentos apresentados elementos suficientes para a comprovação do crédito alegado. Da Manifestação de Inconformidade Recebida a cientificação da mencionada decisão, a interessada apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: a) Em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 6/12/2004, a impugnante deliberou acerca do pagamento de Juros sobre o Capital Próprio JCP aos seus acionistas, assumindo, por conseguinte, a obrigação da retenção e recolhimento do IRRF incidente sobre o rendimento, sob os códigos de receita 5706 e 9453. b) Considerando que na data da aludida AGE ainda não era conhecida a efetiva composição analítica dos acionistas que seriam beneficiários do pagamento de JCP, a impugnante efetuou no prazo legal o recolhimento de IRRF sobre uma base estimada, pelo valor total de R$ 114.892.659,68. c) Uma vez conhecida em 15/12/2004 a efeüva composição dos acionistas residentes no exterior que seriam beneficiários de JCP, mediante informações obtidas junto à BM&F, acabou por apurar que o efetivo IRRF que deveria ser recolhido correspondia a R$ 112.835.201,04. d) O documento de fls. 23 demonstra a provisão do valor de R$ 903.039.000,15, no Livro Razão, referência 08/85, na conta contábil n° 00000035 denominada "PROVISÃO P. JCP A PAGAR COMPLEMENTAR". O lançamento foi assim registrado: Data Histórico Documento D/C/Saldo 06/12/2004 Saldo em 6/12/2004 903.039.000,15 e) Posteriormente, considerando que o efetivo valor pago a título de JCP foi conhecido apenas em 15/12/2004, após a obtenção de informações acerca das ações negociadas na BM&F, para adequar o saldo da provisão acima ao efetivo valor bruto pago na monta de RS 903.039.000,15, correspondendo a um líquido de R$ 790.196.881,83, a manifestante efetuou os seguintes registros na mesma conta contábil: Fl. 190DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 185 4 1) Valor Bruto de R$ 903.032.082, 81 Data Histórico Documento D/C/Saldo 06/12/2004 Saldo em 6/12/2004 0004133 6.969,58CR* 31/12/2004 Prov. desp. S/inc CPMF 903.039.000,15 Total 903.032.000,15 *Credor 2) Valor líquido de R$ 790.196.881,83 Data Histórico Documento D/C/Saldo 06/12/2004 Prov. desp. S/inc CPMF 0004133 790.286.860,01 31/12/2004 Estorno de lanc. banco 0004133 89.978,18 Total 790.196.881,83 f) o registro contábil dos valores pagos a título de JCP é inquestionável, nada justificando as afirmações contrárias do despacho decisório. g) Do valor de R$ 40.000.000,00, o total de R$ 1.389.399,67 foi recolhido a maior, razão pela qual a contribuinte retificou sua DCTF relativa ao 4° trimestre. h) A contabilidade da contribuinte adota como padrão registrar a débito na própria conta contábil relativa a "Provisão para pagamento de JCP", os valores devidos a título de IRRF. i) No Livro Razão 08/85 foi registrado na mesma contábil o valor total de IRRF de R$ 112.835.148,36, lançado pelo valor de R$ 113.110.252,86, mais o estorno de R$ 275.104,52, da seguinte forma: Data Histórico Documento D/C/Saldo 31/12/2004 Estorno de lanc. banco 0004133 275.104,52 31/12/2004 Prov. desp. S/inc CPMF 0004133 113.110.252,86 Total 112.835.148,36 j) A contrapartida do valor de IRRF de R$ 113.110.252,86, lançado a débito na contabilidade, corresponde ao mesmo valor debitado em sua conta caixa, da qual saíram as quantias utilizadas para a quitação do tributo (.sic). k) O valor de IRRF recolhido a maior no total de R$ 2.057.458,64, no qual o valor de R$ 1.389.399,67, objeto das compensações não homologadas nestes autos está inserido, foi objeto de outro lançamento no Livro Razão, referência 04/83, na conta contábil denominada "IRRF sobre JCP intermediário" n° 00030007, da seguinte forma: Data Histórico Documento D/C/Saldo 31/12/2004 Saldo em 31/12/2004 0004133 2.143.785,97 DC* *devedor 1) Considerando que as compensações em questão não foram homologadas exclusivamente sob o argumento de uma suposta falta de registro contábil dos valores aqui analisados, uma vez comprovadas estes, e demonstrada a liquidez e certeza dos créditos compensados, deve ser reformado o despacho decisório. Fl. 191DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 186 5 m) Requer a produção de prova pericial, formulando quesitos e indicando perito. n) No caso concreto, restará totalmente contrariado o princípio da moralidade se se negar à impugnante a devolução dos valores indicados. Da Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo (SP) entendeu pelo não reconhecimento do direito creditório que a interessada afirmava ter, conforme ementa abaixo (fl. 120): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Data do fato gerador: 06/12/2004 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a maior. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Do Recurso Voluntário A Recorrente, devidamente intimada da decisão da DRJ apresentou o recurso voluntário de fls. 145/161, em que alegou, em apertada síntese: a) liquidez e certeza do crédito oriundo do recolhimento a maior de IRRF incidente sobre JCP pagos a residentes no país; b) contabilização dos lançamentos relativos à compensação efetuada pelo recorrente; c) necessidade de prova pericial; e d) o direito à devolução do indébito tributário. Este recurso compôs lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Douglas Kakazu Kushiyama O Recurso Voluntário é tempestivo e dele conheço. De acordo com a fiscalização e com a decisão recorrida, sem a apresentação dos registros contábeis, não haveria como comprovar a legitimidade do crédito. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 187 6 Por isso, a Recorrente apresentou, desde a Manifestação de Inconformidade, pedido de perícia, indicou o seu perito e formulou os seguintes quesitos: Apesar de ter cumprido os requisitos para a produção de prova pericial, a decisão recorrida houve por bem indeferir o pedido formulado pela Recorrente sob os seguintes argumentos: A manifestante acredita ser necessária a realização de diligência, tendo formulado quesitos e indicado perito nos termos do art. 16, inciso IV, do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal. Os artigos 18 e 28 deste decreto assim dispõem: "Ari. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (redação dada pelo art. 1° da Lei n° 8.748/93). (...) Art. 28. Na decisão em que for Julgada questão preliminar será também Julgado também o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (redação dada pelo art. 1 ° da Lei n° 8.748/93) Fl. 193DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 188 7 A contribuinte, apesar de intimada, não anexou aos autos os elementos solicitados pela autoridade administrativa. Ora, a diligência não se destina a preencher as lacunas a defesa quanto à produção de provas de sua competência, mas a esclarecer aspectos obscuros do processo, no caso de tais esclarecimentos serem considerados indispensáveis à formação da convicção do julgador. Os quesitos formulados poderiam ter sido respondidos a partir da análise dos elementos solicitados pela autoridade administrativa. A escrituração contábil e fiscal é elemento de prova essencial, que está sob a guarda do contribuinte. Diante da falta de apresentação destes elementos, que poderiam ter sido anexados até na impugnação, entendo que não há motivos para deferir a diligência solicitada, nos termos do art. 18 do Decreto n° 70.235/1972, devendo ser aplicada ao caso a regra do ônus da prova, conforme a seguir será demonstrado. Por outro lado, a decisão recorrida fundamentouse exatamente na falta da demonstração de sua contabilidade nos seguintes termos: Contrariamente ao alegado, não está equivocado o entendimento da autoridade administrativa de que o crédito de IRRF objeto de restituição depende de demonstração de sua contabilização para ser considerado líquido e certo. (...) Desta forma, os registros contábeis são o meio de prova mais natural para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Apesar de intimado em duas ocasiões, o sujeito passivo não apresentou os elementos contábeis explicitamente solicitados pela autoridade administrativa. Desta forma, os registros contábeis são o meio de prova mais natural para demonstrar a liquidez e certeza do direito creditório. Apesar de intimado, o sujeito passivo não apresentou os elementos contábeis explicitamente solicitados pela autoridade administrativa. Não há dúvidas sobre o recolhimento efetuado. No entanto, não é possível identificar claramente os lançamentos contábeis realizados. As considerações acima nos levam a conclusão de que é pertinente a afirmação da autoridade administrativa de que o contribuinte não anexou aos autos cópia dos registro contábeis completos (partidas e contrapartidas) que demonstrariam a existência do indébito. Pela descrição dos fatos contábeis narrados pela contribuinte deveríamos encontrar os lançamentos abaixo(valores ilustrativos). Notese que o exemplo é teórico porque não há informações suficientes sobre o sistema contábil adotado pela contribuinte. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 16327.000124/201022 Resolução nº 2201000.340 S2C2T1 Fl. 189 8 1 Pela constituição da provisão para pagamento de JCP D Juros sobre o Capital Próprio (R)*243.333.333,33 C Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC)206.833.333,33 C IRRF a recolher* (PC) 36.500.000,00 •Adotamos alíquota de 15% só para exemplificar (36. 500.000,00/0.15). 2 Pelo pagamento do IRRF D IRRF a recolher(PC) 36.500.000,00 C Caixa (AC) 36.500.000,00 3 Pelo pagamento do JCP D Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC)199.202.l 12,21* C Caixa (AC)199.202.112,21 *(35.153.313,92/0,15) 35.153.313,92 4 Pelo estorno do valor de JCP estimado a maior (243.333.333,33 234.355.426,13) D Juros sobre o Capital Próprio a Pagar (PC)7.631.221,12 D IRRF a recolher 1.346.686,08 C Juros sobre o Capital Próprio (R) 8.977.907,20 (...) No presente caso, o sujeito passivo não se desincumbiu de seu ônus, ou seja, não logrou sucesso ao comprovar, com base na documentação contábil, a liquidez e certeza do direito creditório. Logo, não há que se falar em ofensa a nenhum dos princípios elencados na manifestação de inconformidade. Ocorre que a decisão recorrida só afirma a necessidade da perícia, conforme requerido pela Recorrente desde a apresentação da manifestação de inconformidade. Sendo assim, converto o presente julgamento em diligência para que seja realizada a diligência requerida, com a apreciação do Relatório de revisão dos cálculos de IRRF sobre Juros sobre o Capital Próprio" juntado às fls. 166/179 elaborado pela empresa de auditoria PricewaterhouseCoopers. Conclusão Diante do exposto converto o julgamento do processo em diligência, para que a autoridade lançadora se manifeste sobre as conclusões dispostas no Relatório de revisão de cálculos apresentado pelo contribuinte, bem assim para que junte aos autos extrato em que se verifique a eventual disponibilidade de parte do montante supostamente recolhido indevidamente. (assinado digitalmente) Relator Douglas Kakazu Kushiyama Fl. 195DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912757/2009-75
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO.
O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, faz-se necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3302-006.127
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matéria-prima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, faz-se necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 INDEFERIMENTO DE PEDIDO DE RESSARCIMENTO. NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. O ressarcimento previsto no artigo 11 da Lei nº 9.779/99 somente se opera à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem. Comprovada em procedimento fiscal a inexistência de tais créditos, fazse necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Recurso Voluntário Negado Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Raphael Madeira Abad. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 27 57 /2 00 9- 75 Fl. 9227DF CARF MF Processo nº 10830.912757/200975 Acórdão n.º 3302006.127 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do ressarcimento de crédito de IPI e de não homologação da compensação declarada, tendo como fundamento a inexistência do crédito pleiteado, dada a inobservância do valor tributável mínimo nas transações da fiscalizada com sua única cliente, empresa interdependente, Unilever Brasil Ltda., conforme reconstituição da escrita fiscal. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do seu direito, arguindo que determinadas compensações por ele declarados haviam sido homologadas tacitamente, situação essa não reconhecida no trabalho fiscal. Alegou, ainda, que estava ocorrendo cobrança de tributo em duplicidade, em razão da glosa ocorrida em outro processo, e teceu comentários sobre o "valor tributável mínimo". A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14064.327, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o ressarcimento previsto no art. 11 da Lei nº 9.779/98 somente se operava à vista da comprovação da existência de créditos provenientes da aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, sendo que, uma vez verificada a inexistência de tais créditos, faziase necessário o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação de eventual compensação decorrente. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, repisando praticamente os argumentos de defesa encetados na Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Fl. 9228DF CARF MF Processo nº 10830.912757/200975 Acórdão n.º 3302006.127 S3C3T2 Fl. 4 3 Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.118, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10830.910444/201016, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.118): O Recurso Voluntário é tempestivo, trata de matéria da competência deste Colegiado e atende aos pressupostos legais de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. I Preliminar Sobrestamento e vinculação de processos A recorrente em seu apelo solicitou o sobrestamento do presente feito, até final julgamento de processos judicial, que tem por objeto a existência do crédito objeto do pedido de ressarcimento. Entretanto, entendo não haver a possibilidade de ser atendido o pedido da recorrente, uma vez que o processo administrativo no qual discutiase a existência do crédito, já fora finalizado, sendo certo que em sua decisão restou consignado não existir o crédito pleiteado. Ademais, entendo que um dos princípios que regem o processo administrativo é o da oficialidade, que determina que o processo deva ser impulsionado ex officio, nos exatos termos do inciso XII, do parágrafo único, do art. 2º da Lei nº 9.784/1999. Vale dizer, não há qualquer previsão legal ou regimental que autorize a suspensão do andamento do processo administrativo em razão de processo judicial. Por tais razões rejeito a preliminar trazida pela recorrente. II. Da homologação Tácita Argumenta a recorrente que haveria a homologação tácita das compensações declaradas, tendo em vista ter percorrido o prazo de 5 anos contados da data de entrega da declaração e a prolação do despacho decisório que denegou a compensação. Entretanto, entendo que não há razão que de guarida às alegações trazidas pela recorrente, tendo em vista que o prazo para a contagem do prazo da homologação tácita começa a transcorrere a partir de 04/05/2009, data da retificadora informada no presente processo (art. 78 IN 1300). II Mérito Fl. 9229DF CARF MF Processo nº 10830.912757/200975 Acórdão n.º 3302006.127 S3C3T2 Fl. 5 4 No que diz respeito ao mérito, entendo que melhor sorte não socorre as alegações da recorrente. O que estamos decidindo é a possibilidade de ser deferido o pedido de ressarcimento e homologação de compensação efetuada pela recorrente. As matérias trazidas pela recorrente em seu recurso voluntário que dizem respeito exclusivamente à formação do crédito, não são aqui tratadas, vez que já definitivamente julgadas no processo nº 10480.724644/201156, onde restou decidido não haver crédito em favor da recorrente que pudesse fazer frente a presente pedido de ressarcimento e compensação. Assim, conforme informado no despacho decisório, bem como na decisão da DRJ, não existe crédito passível de ser utilizado para liquidar o débito objeto do pedido de restituição e compensação efetuado pela recorrente. Vale lembrar que a própria recorrente reconhece que o processo administrativo relacionado a existência do crédito esta definitivamente julgado na esfera administrativa, porém, por não concordar com a decisão, discute novamente a matéria, desta vez na esfera judicial. Por derradeiro, ressaltase que as alegações trazidas pela recorrente em seu recurso foram apresentadas de forma genérica, reprisando o que outrora fora discutido em outro processo, como dito no parágrafo anterior, motivo pelo qual não há como serem reconhecidas. Portanto, correto o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação. Por todo o exposto, voto por conhecer parcialmente o recurso voluntário e, na parte conhecida, em lhe negar provimento. Ressaltese que, quanto à alegação do Recorrente de homologação tácita da compensação, neste processo ela também não se configurou, pois, conforme se verifica à fl. 2, a Declaração de Compensação Retificadora fora transmitida em 05/03/2008, tendo o contribuinte sido cientificado do Despacho Decisório respectivo em 04/06/2012 (fl. 8944). Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu conhecer em parte o recurso voluntário e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 9230DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10166.727417/2015-79
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 12 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Feb 28 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013
RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA.
Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas.
COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE.
Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado.
RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS.
Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mão-de-obra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços.
NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS.
Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária.
ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS.
Sujeita-se à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas.
MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ECD. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. BASE DE CÁLCULO.
A base de cálculo da multa aplicada em decorrente de obrigação acessória apresentada com informações inexatas, incompletas ou omitidas deve corresponder a essas irregularidades identificadas.
GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei.
Numero da decisão: 2402-006.965
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais, emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da Instrução Normativa RFB 971/2009, conforme explicitado no voto do Relator, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à Escrituração Contábil Digital (ECD) apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Vencidos o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento em maior extensão, afastando a multa de 150%, bem como a solidariedade.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente
(assinado digitalmente)
Mauricio Nogueira Righetti - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
Nome do relator: MAURICIO NOGUEIRA RIGHETTI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe-se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mão-de-obra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. Sujeita-se à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ECD. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da multa aplicada em decorrente de obrigação acessória apresentada com informações inexatas, incompletas ou omitidas deve corresponder a essas irregularidades identificadas. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais, emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da Instrução Normativa RFB 971/2009, conforme explicitado no voto do Relator, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à Escrituração Contábil Digital (ECD) apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Vencidos o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento em maior extensão, afastando a multa de 150%, bem como a solidariedade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva.
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conteudo_txt : Metadados => date: 2019-02-27T12:43:14Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; xmp:CreatorTool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2019-02-27T12:43:14Z; Last-Modified: 2019-02-27T12:43:14Z; dcterms:modified: 2019-02-27T12:43:14Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; Last-Save-Date: 2019-02-27T12:43:14Z; pdf:docinfo:creator_tool: pdfsam-console (Ver. 2.4.3e); access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2019-02-27T12:43:14Z; meta:save-date: 2019-02-27T12:43:14Z; pdf:encrypted: true; modified: 2019-02-27T12:43:14Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2019-02-27T12:43:14Z; created: 2019-02-27T12:43:14Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 31; Creation-Date: 2019-02-27T12:43:14Z; pdf:charsPerPage: 1943; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2019-02-27T12:43:14Z | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 6.301 1 6.300 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10166.727417/201579 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402006.965 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 12 de fevereiro de 2019 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente PLANALTO SERVICE LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2012 a 31/12/2013 RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõese a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinqüenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mãodeobra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 74 17 /2 01 5- 79 Fl. 6301DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.302 2 Sujeitase à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ECD. INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da multa aplicada em decorrente de obrigação acessória apresentada com informações inexatas, incompletas ou omitidas deve corresponder a essas irregularidades identificadas. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais, emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da Instrução Normativa RFB 971/2009, conforme explicitado no voto do Relator, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à Escrituração Contábil Digital (ECD) apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Vencidos o Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior, que deram provimento em maior extensão, afastando a multa de 150%, bem como a solidariedade. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Mauricio Nogueira Righetti, Denny Medeiros da Silveira, Wilderson Botto (suplemente convocado), João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregório Rechmann Junior e Paulo Sergio da Silva. Relatório Cuida o presente de Recurso Voluntário em face do Acórdão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento DRJ, que considerou procedente em parte a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Fl. 6302DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.303 3 Contra o contribuinte foram lavrados Autos de Infração em 17.9.2015, para constituição de Contribuição Previdenciária e multas, em função das seguintes infrações levantadas: TRIBUTO: 1 Valores Indevidamente Compensados Glosa de Retenção (PRESTADOR) principal de R$ 9.122.561,73 período de 1/2012 a 12/2013 acrescido de multa de mora e juros legais Selic; MULTA ISOLADA: 2 Compensação com Falsidade de Declaração período de 1/2012 a 12/2013 multa isolada no valor de R$ 13.683.842,55; MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA: 3 Falta de Destaque dos 11% do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços por empresa cedente de mãodeobra período de 25.8.2015 multa no valor de R$ 1.925,81; 4 Não exibição de documentos ou livro relacionados com as contribuições previstas na Lei 8.212/91 ou apresentação que não atenda às formalidades legais exigidas período de 25.8.2015 multa no valor de R$ 19.257,83; e 5 Apresentação da Escrituração Contábil Digital (ECD) com informações incorretas ou omissas período de 28.8.2015 multa de R$ 12.362.780,49. Relatório Fiscal às fls. 20/184. Foram incluídos como responsáveis solidários as empresas abaixo, em função de comporem, como sustentado pelo Fisco, o mesmo grupo econômico de fato, que decorreria de mero exercício de poder de controle. MOVELARIA E MADEIREIRA MERCEDES LTDA ME CNPJ 72.573.165/000165; PLANALTO SERVIÇOS EMPRESARIAS LTDA ME CNPJ 32.906.349/000183; e PLANALTO EMPRESAS DE VIGILÂNCIA E SEGURANÇA LTDA CNPJ 00.734.276/000101. Regularmente intimados, apresentaram uma única Impugnação que foi julgada parcialmente procedente pela Delegacia da Receita Federal do Brasil DRJ, às fls. 4980/5032, com a seguinte ementa: RETENÇÃO DE 11%. COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. GLOSA. Não atendidas as condições estabelecidas na legislação, deverá a fiscalização efetuar a glosa dos valores indevidamente Fl. 6303DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.304 4 compensados, com o consequente lançamento de ofício das importâncias que deixaram de ser recolhidas. COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALSIDADE NA DECLARAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. MULTA ISOLADA. PERCENTUAL EM DOBRO. APLICAÇÃO. POSSIBILIDADE. Na hipótese de compensação indevida, e uma vez presente falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, impõe se a aplicação da multa isolada no percentual de 150% (cento e cinquenta por cento), calculada com base no valor total do débito indevidamente compensado. RETIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO. Procedida a retificação do lançamento, sendo excluídos dos Autos de Infração os valores lançados a maior, pela fiscalização. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL DIGITAL. APRESENTAÇÃO COM INFORMAÇÕES INEXATAS, INCOMPLETAS OU OMITIDAS. Sujeitase à multa, prevista na legislação, a empresa que apresenta escrituração contábil digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas. RETENÇÃO. FALTA DE DESTAQUE NAS NOTAS FISCAIS. Constitui infração à legislação previdenciária deixar a empresa cedente de mãodeobra de efetuar o destaque na nota fiscal/fatura de 11% (onze por cento) do valor bruto da prestação de serviços. NÃO EXIBIÇÃO DE DOCUMENTOS. Deixar a empresa de exibir qualquer livro ou documento relacionado com as contribuições para a Seguridade Social ou apresentar documento ou livro que não atenda às formalidades legais exigidas, que contenha informação diversa da realidade ou que omita a informação verdadeira constitui infração à legislação previdenciária. MULTA POR DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARGUIÇÃO DE VIOLAÇÃO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E PROPORCIONALIDADE. A multa decorrente de descumprimento de obrigação acessória é aplicada e cobrada em virtude de determinação legal. A alegação de que a multa não atende os princípios da razoabilidade e proporcionalidade não pode ser discutida nesta esfera de julgamento, pois se trata de exigência fundada em legislação vigente, à qual o julgador administrativo é vinculado. GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Fl. 6304DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.305 5 No âmbito previdenciário, verificada a existência de um grupo econômico, o reconhecimento da responsabilidade solidária é impositivo de lei. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento da impugnante, a realização de diligências, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. TERMO DE ARROLAMENTO DE BENS E DIREITOS. As Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ’s) são incompetentes para se manifestar a respeito de Termo de Arrolamento de Bens e Direitos. Em seu Recurso Voluntário às fls. 5068/5098 aduz, em breve síntese: Em preliminar: Que a recorrente, embora reconheça a receita na prestação de serviços pelo regime de competência, consoante dispõe a norma; utilizase do regime de caixa para a contabilização da retenção relativa àquelas mesmas receitas. Assim, uma vez que o recolhimento da contribuição sobre a folha dáse em momento anterior à utilização da retenção sofrida (por compensação), não haveria prejuízo ao erário, na medida em que estaria antecipando a receita ou diferindo o direito de aproveitamento da retenção. No mérito, passo a relatar, segundo a estrutura dos tópicos no recurso: IMPROCEDÊNCIA DA GLOSA DOS CRÉDITOS DE RETENÇÃO DE CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA – AUSÊNCIA DE CONTESTAÇÃO DO CRÉDITO – NECESSIDADE DE REALIZAÇÃO DE DILIGÊNCIA. Que o autuante não procedeu de maneira a comprovar a inexistência do crédito de retenção na fonte; Que no Relatório Fiscal haveria valores em planilhas em campos que consta como "não entregou" ou "não informou", que na realidade constam tanto na nota fiscal emitida, como na planilha do demonstrativo mensal. Que estaria juntando os razonetes das contas "bancos", "clientes" e "previdência social a recolher" SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – APONTAMENTO DE RETENÇÕES A MENOR – IMPACTO NO VALOR FINAL A SER PAGO DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Que o auditor suprimiu valores de contribuição previdenciária retida, seja de GPS não consideradas ou mesmo aquelas nas quais não foram computados os valores relativos à atualização monetária e juros. Fl. 6305DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.306 6 SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – NECESSIDADE DE RECOMPOSIÇÃO DOS VALORES A SEREM PAGOS PELA CONTRIBUINTE – APLICAÇÃO DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Que o autuante desconsiderou os excedentes de retenção havidos nos meses de março, outubro e novembro de 2012, que deveriam ser utilizados em compensações de períodos posteriores. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DO ART. 89, §10º, DA LEI N. 8.212/91 – FALSIDADE DA DECLARAÇÃO. Que em momento algum se alegou ou comprovou que a Contribuinte teria se utilizado de artifícios fraudulentos para lesar o fisco. Ao contrário, ela mesmo, de boafé, expôs à fiscalização a forma como realizava a contabilização dos créditos advindos da retenção em nota fiscal. Que a aplicação da multa de ofício isolada agravada resguardase para as hipóteses em que o contribuinte tenha realmente a intenção de fraudar o Fisco, sendo certo que a autoridade fiscal não comprovou qualquer ato doloso nesse sentido. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA DO ART. 57, III, “A”, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158/01 – APRESENTAÇÃO DE ECD COM INEXATIDÃO Que o fato de a autuada contabilizar suas retenções pelo regime de caixa, fato esse inclusive noticiado pela Contribuinte no curso da fiscalização, não importa em inexatidão, incompletude ou omissão de informações na escrita fiscal, já que a empresa entendia por correta sua forma de reconhecer e mensurar os créditos de retenção de contribuição previdenciária. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – BASE DE CÁLCULO DA MULTA MAJORADA – ERRO NO DIMENSIONAMENTO DA INFRAÇÃO Que interpretação adequada à dosimetria da pena é aquela que leva em consideração o valor das transações ou operações que contenham informações omitidas, inexatas ou incompletas, desde que não seja o valor final inferior à R$ 100,00. Entender pela base de cálculo como sendo o faturamento anual da empresa desvirtua o próprio sentido da norma, transmudando o seu texto e fazendo produzir efeitos que nem mesmo o legislador pensou. Que, nesse rumo, a base de cálculo da multa, na hipótese de manutenção do auto de infração neste ponto, o que se coloca apenas por apego ao debate, deve ser retificada, para que leve em consideração somente as glosas dos créditos de retenção de contribuição previdenciária. SOLUÇÃO SUBSIDIÁRIA – APLICAÇÃO DA MULTA ISOLADA SEGUNDO O TEXTO DO ART. 57, III, “A”, DA MEDIDA PROVISÓRIA N. 2.158/01 DADO PELA LEI N. 12.766/12 – RETROATIVIDADE BENIGNA Que deve ser aplicada a retroatividade benigna, decorrente da redação dada pela Lei 12.873/13, ao artigo 57, III, "a" da MP 2.158/2001. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA POR AUSÊNCIA DE DESTAQUE DE RETENÇÃO EM ALGUMAS NOTAS FISCAIS Fl. 6306DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.307 7 Que o dever de retenção de contribuição previdenciária na prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, desde fevereiro de 1999, é da empresa contratante, e não da empresa prestadora de serviços, conforme previsão contida no artigo 112 da IN n. 971/09. Que em não havendo destaque e retenção, não haverá também proveito de crédito de retenção. IMPROCEDÊNCIA DA MULTA ISOLADA PELA NÃO APRESENTAÇÃO DE ALGUMAS NOTAS FISCAIS. Que não procedeu de forma como afirmado no relatório fiscal, na medida em que teria, sim, apresentado as notas fiscais questionadas pelo autuante. DA INEXISTÊNCIA DE RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA DO GRUPO ECONÔMICO. Que a jurisprudência consolidada do E. Superior Tribunal de Justiça afasta a caracterização de responsabilidade tributária solidária, quando não haja realização conjunta do fato gerador. Que as empresas, de fato, não praticam atividades conjuntamente ou de alguma forma interligadas, o que, por si só, é mais que suficiente a evidenciar a ilegitimidade do respectivo arrolamento das sociedades como devedoras solidárias do presente crédito tributário. Iniciado o julgamento em 5/7/18, decidiuse por convertêlo em diligência para que a autoridade elaborasse planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentas à Fiscalização, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contivessem o regular destaque da retenção, assim como que tivessem sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão, consoante determina o artigo 137 da IN RFB nº 971/2009 e que fosse juntado aos autos o resumo das GFIP (auditadas) do período, de forma a que se evidenciassem os valores apurados, retidos e compensados no mês. Em resposta, foi acostada aos autos a Informação Fiscal de fls. 6193/6272, por meio da qual, praticamente, apenas reafirmou em 80 laudas a acusação posta no Relatório Fiscal. Em nova manifestação, o recorrente sustentou o não cumprimento da diligência, razão pela qual pugnou fosse a mesma reiterada (fls 6291/6297). É o relatório. Voto Conselheiro Mauricio Nogueira Righetti, Relator O recurso foi inicialmente conhecido por este colegiado na sessão de julgamento de 5/7/18. Como consignado naquela oportunidade, os demais solidários teriam sido intimados por edital (fls. 5064), eis que improfícua as intimações pela via postal, e quedaramse inertes. Todavia, há de se notar que o recurso voluntário foi apresentado em nome Fl. 6307DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.308 8 de "PLANALTO SERVICE LTDA E OUTROS", além de fazer referência a "autos de infração lavrados em face da ora Recorrente e das empresas arroladas como responsáveis solidárias....." Confirase: Nesse sentido, voto por conhecer do recurso em sua integralidade, inclusive quanto à parte em que trata da responsabilidade solidária, enfrentada, digase de passagem, pela instância de piso, ainda que suscitada em uma única peça impugnatória apresentada. Baixado em diligência, os autos retornaram a esta Turma para prosseguimento no julgamento, razão pela qual, passo a retomar a análise do caso. De início, cumpre registrar que o tópico classificado pelo recorrente como preliminar (questão do reconhecimento das receitas pelo regime de competência e a retenção, pelo do de caixa), será aqui tratado como mérito, eis que guarda relação direta com o cerne da controvérsia. Mérito Glosa de Retenções. Consoante informa a Fiscalização em seu Relatório Fiscal, o contribuinte teria sido intimado a demonstrar a apuração dos créditos decorrentes da retenção em Notas Fiscais e das compensações realizadas. Em resposta, teria apresentado planilhas dos anos 2012 e 2013 com relação das notas fiscais e percentual dos tributos descontados. Exatamente neste ponto, abro um parênteses para refutar a argumentação do recorrente no sentido de que o autuante não teria procedido de maneira a comprovar a inexistência do crédito de retenção na fonte. Ora, uma vez intimado a detalhar/demonstrar a apuração dos créditos, competiu ao autuado a prova do direito de que se valera em suas GFIP, sendo certo que a documentação por ele apresentada teria sido analisada ao longo do procedimento de ofício empreendido nestes autos. Prosseguindo então, passo a inferir, com isso, que o crédito do contribuinte estaria lastreado em retenções sofridas nos anos de 2012 e 2013 e utilizadas nos respectivos meses de emissão da nota fiscal ou fatura de serviços, para compensar o valor das Fl. 6308DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.309 9 contribuições destinadas à Seguridade Social, devidas sobre a folha de pagamento dos seus segurados. Vale registrar que tal intimação decorreu da constatação de que os valores compensados, com retenções do mês, eram substancialmente maiores do que os recolhimentos identificados nos sistemas. Explico: com o destaque da retenção pelo prestador, o tomador deve efetuar seu recolhimento no CNPJ do prestador, informando na GPS, a data de referência (competência) como a da emissão da nota. Assim, ainda que o recolhimento da retenção se dê em momento posterior, a apropriação, pelo sistema, tomará a da data de referência (competência) informada na GPS, de forma que, se regularmente recolhidas pelo(s) tomador(es) passam a guardar relação com o valor informado pelo contribuinte em suas GFIPs. Desta feita, o valor recolhido em GPS, na competência que lá aparece nos sistemas da RFB, deve, ou ao menos deveria, revelar as retenções sofridas pelo prestador naquele mês. Veja que, com isso, a auditoria fiscal passa, necessariamente, pela consulta a tal sistema. Uma vez verificada a significativa diferença, como no caso em tela, onde os recolhimentos mostraramse inferiores às retenções/compensações declaradas nas respectivas GFIPs, há de se investigar sua causa, como por exemplo: se ausência de recolhimentos pelos tomadores; ou se aproveitamento pelo prestador sem lastro nos documentos fiscais; ou ainda, se erro de tomador ao informar a competência na GPS. Quanto à última hipótese acima, registrese que, com certa freqüência, alguns tomadores informam na GPS um período de referência posterior ao da emissão da nota fiscal, com vistas a furtarse ao recolhimento dos acréscimos legais. Nesse sentido, considerando que na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, artigo 31 da Lei 8.212/91 e §§ 4º, 9º e 10 do artigo 219 do Decreto 3.048/99, o prestador passa ter direito ao crédito, a rigor, já no ato da emissão da nota fiscal ou fatura de serviço com o devido destaque da retenção, faz imprescindível a apresentação das notas fiscais então emitidas no período. Art. 137. O lançamento da retenção na escrituração contábil, de que trata o art. 136, deverá discriminar: I o valor bruto dos serviços; II o valor da retenção; e III o valor líquido a receber. Parágrafo único. Na contabilidade em que houver lançamento pela soma total das notas fiscais, das faturas ou dos recibos de prestação de serviços e pela soma total da retenção, por mês, por contratante, a empresa contratada deverá manter em registros auxiliares a discriminação desses valores, por contratante, conforme disposto no inciso III do art. 134. Fl. 6309DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.310 10 Do dispositivo acima, temse que haverá um lançamento de 3ª fórmula1, no seguinte padrão, tomando por exemplo uma nota fiscal de serviços no valor de R$ 100.000,00: D CONTA DE ATIVO DIREITO Valor Líquido a Receber R$ 89.000,00; D CONTA DE ATIVO DIREITO Valor da Retenção R$ 11.000,00; e C CONTA DE RESULTADO RECEITA Valor Bruto dos Serviços R$ 100.000,00 Com isso, com a emissão da nota, o contribuinte já contará com seu crédito contabilizado em conta de Ativo. Art. 31. A empresa contratante de serviços executados mediante cessão de mão de obra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter 11% (onze por cento) do valor bruto da nota fiscal ou fatura de prestação de serviços e recolher, em nome da empresa cedente da mão de obra, a importância retida até o dia 20 (vinte) do mês subsequente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura, ou até o dia útil imediatamente anterior se não houver expediente bancário naquele dia, observado o disposto no § 5odo art. 33 desta Lei. Percebase da redação acima, que o recolhimento do valor retido darseá, como regra, até o dia 20 do mês subseqüente ao da emissão da respectiva nota fiscal ou fatura. Assim, ainda que o pagamento ao prestador se dê em um outro momento, bem a frente, por exemplo, o fato é que a retenção deve ser recolhida tomando por referência o dia da emissão da nota ou fatura de serviço, fazendo com que não haja substancial distanciamento entre o aproveitamento do crédito pelo prestador (data da emissão da nota) e o ingresso do respectivo valor aos cofres públicos (até o dia 20 do mês subseqüente). Efetuado o recolhimento após o prazo acima assinalado, serão devidos os acréscimos legais, que, por óbvio, não integrarão o valor do crédito do prestador. E mais, a teor do § 5º do artigo 33 da Lei 8.212/91, a empresa contratante dos serviços que deixou de reter os 11%, quando devida a retenção, fica diretamente responsável pelo pagamento do tributo não retido e não recolhido. Confirase o texto. Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos. (...) 1 É o registro do fato contábil envolvendo mais de uma conta devedora e apenas uma conta credora. http://www.portaldecontabilidade.com.br/guia/lancamcont.htm Fl. 6310DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.311 11 § 5º O desconto de contribuição e de consignação legalmente autorizadas sempre se presume feito oportuna e regularmente pela empresa a isso obrigada, não lhe sendo lícito alegar omissão para se eximir do recolhimento, ficando diretamente responsável pela importância que deixou de receber ou arrecadou em desacordo com o disposto nesta Lei. Vejamos, adiante, o que prescreve o artigo 219 do Decreto 3.048/99: Art.219.A empresa contratante de serviços executados mediante cessão ou empreitadade mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, deverá reter onze por cento do valor bruto da nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços e recolher a importância retida em nome da empresa contratada, observado o disposto no § 5ºdo art. 216. §4ºO valor retido de que trata este artigo deverá ser destacado na nota fiscal, fatura ou recibo de prestação de serviços, sendo compensado pelo respectivo estabelecimento da empresa contratada quando do recolhimento das contribuições destinadas à seguridade social devidas sobre a folha de pagamento dos segurados. §9ºNa impossibilidade de haver compensação integral na própria competência, o saldo remanescente poderá ser compensado nas competências subseqüentes, inclusive na relativa à gratificação natalina,ou ser objeto de restituição, não sujeitas ao disposto no § 3ºdo art. 247. §10. Para fins de recolhimento e de compensação da importância retida, será considerada como competência aquela a que corresponder à data da emissão da nota fiscal, fatura ou recibo. Feitas as breves considerações acima, podese resumir o procedimento da seguinte forma: Cabe ao prestador observado o serviço prestado e a legislação pertinente emitir a nota fiscal ou fatura de serviço com o destaque da contribuição a ser retida, o que autorizarlheá sua imediata compensação2 desde que, por óbvio, tenha arcado com o ônus dessa retenção com o valor da contribuição devida sobre a folha naquele mesmo mês de emissão da nota. Somente na hipótese em que houver excesso de retenção em relação ao valor da contribuição devida no mês é que o contribuinte estará autorizado a ver restituído ou a compensar esse excedente em períodos posteriores, na forma da lei. Se, por sua vez, não efetuar o destaque, além de se sujeitar a multa regulamentar, a utilização da retenção em compensações estará condicionada à comprovação de sua efetiva ocorrência. A seu turno, cabe ao tomador observado o serviço contratado e legislação pertinente efetuar a retenção e recolhimento da contribuição no prazo legal, independentemente de ter havido ou não seu destaque. Pois bem. 2 ..ou por outro estabelecimento da mesma empresa. Fl. 6311DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.312 12 A fiscalização efetuou o lançamento das divergências a seguir apontadas, levandose em conta o valor compensado na GFIP e os recolhimentos de retenção identificados no mesmo mês, promovidos por seus tomadores. Vejase: Todavia, consta às fls. 469/517, planilha aparentemente apresentada pelo autuado, na qual relaciona as notas fiscais emitidas no período de 2012 e 2013, com a discriminação dos valores totais e retenções destacadas. O procedimento adotado pelo Fisco foi motivado pela constatação de que nenhuma das retenções e tomadores informados na planilha "Valores Declarados em GFIP por tomador" (fls. 550/569) correspondia aos valores informados pelo recorrente na planilha de notas emitidas no período (2012/2013). Ou seja, desconsiderou todas as notas fiscais emitidas no período, pelo fato de não terem sido informadas (as retenções) na GFIP. A não identificação direta na GFIP, ainda que possa coincidir um ou outro tomador, aparentemente decorre do fato de o recorrente, como já dito alhures, declarar e contabilizar as retenções, observando o regime de caixa. É dizer, quando do recebimento pelo serviço prestado. Fl. 6312DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.313 13 Ademais, a afirmação no item 12 do relatório fiscal (fls. 192), no sentido de que "Nenhum, repito, nenhum desses valores de retenção declarados em GFIP corresponde aos valores informados pelo contribuinte na planilha “Demonstrativo mensal (IN RFB 9712009" merece ser melhor avaliada. Vejamos: Conforme se verifica da planilha de fls. 550 e seguintes, os valores de retenções informados nas GFIPs apresentamse consolidados, mensalmente, por tomador, ao passo que naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), aparentemente detalhado por nota. Veja: Assim, se considerada a sistemática adotada pelo contribuinte e na hipótese de haver nota emitida e liquidada no mesmo mês, há a inafastável possibilidade de que referido documento, listado naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009), esteja integrando o valor consolidado naquela planilha de fl. 550, que retrataria, repito, as retenções informadas em GFIP. Reforça a tese, o comparativo efetuado pelo autuante no item 22 do relatório fiscal, que aparentemente considerou os débitos na conta contábil 2.1.1.3.01.0004 PREVIDÊNCIA SOCIAL A RECOLHER – 2012 e 2013 e as notas fiscais que integraram o sobredito demonstrativo mensal (IN RFB 9712009). Daquele comparativo, pôdese constatar que várias notas emitidas em determinado mês, tiveram suas retenções aproveitadas no próprio mês, na medida em que, muito provavelmente, teriam sido emitidas e liquidadas no mesmo mês. Confirase, por amostragem: Fl. 6313DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.314 14 A partir dos totais mensais daquela planilha de notas emitidas (demonstrativo mensal IN RFB 9712009), chegouse ao comparativo adiante, donde se pode observar que mesmo quando comparadas as retenções supostamente informadas pelo próprio recorrente naquele demonstrativo mensal (IN RFB 9712009) com as aproveitadas em GFIP, o cotejo não lhe favoreceu de forma decisiva, demonstrando diferença de aproveitamento a maior em todos os meses em que fora autuado, o que, quando observado em uma série história ao longo de 24 meses põe em cheque a argumentação de que o aproveitamento do crédito derase, apenas e tão somente, quando do recebimento pelas notas emitidas, sem que houvesse, naquele comparativo, uma espécie de compensação entre os saldos. Dessa análise, há de se concluir que há fortes indícios de que o aproveitamento da retenção acabou se dando, de certa forma, de maneira indevida, seja pelo possível aproveitamento em duplicidade da retenção (quando da emissão da nota e quando de sua liquidação), seja pelo seu aproveitamento desprovido de lastro em documento fiscal. Vide coluna "GFIP x PLANIL". RETENÇÃO DIFERENÇA PLANILHA GPS GFIP GFIP x GPS GFIP x PLANIL JANEIRO 1.543.120,48 1.545.525,61 1.763.534,82 218.009,21 220.414,34 FEVEREIRO 1.664.494,46 1.707.060,20 1.827.568,57 120.508,37 163.074,11 MARÇO ABRIL 1.622.309,25 1.602.097,18 1.779.703,62 177.606,44 157.394,37 MAIO 1.497.559,67 1.439.284,26 1.786.620,02 347.335,76 289.060,35 JUNHO 1.792.543,79 1.811.776,52 1.862.140,80 50.364,28 69.597,01 2012JULHO 1.648.295,50 1.726.639,23 1.849.894,39 123.255,16 201.598,89 AGOSTO 1.539.195,40 1.570.523,63 1.907.135,47 336.611,84 367.940,07 SETEMBRO 1.662.119,23 1.553.039,49 1.874.264,31 321.224,82 212.145,08 OUTUBRO NOVEMBRO DEZEMBRO 1.952.269,86 1.719.221,27 1.986.582,01 267.360,74 34.312,15 13 SAL 245.640,39 245.640,39 245.640,39 JANEIRO 1.091.593,98 1.053.300,11 1.883.388,32 830.088,21 791.794,34 Fl. 6314DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.315 15 FEVEREIRO 1.519.729,29 1.754.332,94 2.071.214,77 316.881,83 551.485,48 MARÇO 1.775.488,96 1.599.091,24 2.183.954,96 584.863,72 408.466,00 ABRIL 1.904.776,56 1.843.160,20 2.304.152,22 460.992,02 399.375,66 MAIO 2.350.557,34 1.966.822,79 2.416.145,53 449.322,74 65.588,19 JUNHO 1.860.748,11 1.706.051,62 2.335.786,66 629.735,04 475.038,55 2013JULHO 2.203.469,15 2.365.742,54 2.422.603,31 56.860,77 219.134,16 AGOSTO 2.342.700,63 2.147.840,77 2.478.931,81 331.091,04 136.231,18 SETEMBRO 1.895.446,58 1.905.756,54 2.473.042,56 567.286,02 577.595,98 OUTUBRO 2.502.449,79 2.451.205,42 2.582.965,61 131.760,19 80.515,82 NOVEMBRO 2.461.014,71 2.379.649,45 2.527.744,88 148.095,43 66.730,17 DEZEMBRO 2.737.447,97 2.533.647,15 2.797.010,73 263.363,58 59.562,76 13 SAL 2.144.304,13 2.144.304,13 2.144.304,13 À fl. 201, no item 21 do relatório fiscal, há uma planilha com relação de notas fiscais que não teriam sido apresentadas pelo contribuinte no curso do procedimento fiscal. Por outro lado, a partir da fl. 3924, há vários documentos fiscais acostados, intitulados como "apresentados durante fiscalização e relacionados pelo fiscal como não entregues". Dentre os documentos apontados pelo autuante, podese notar, a partir de fl. 201, que, de fato, há cópias de várias daquelas notas juntadas aos autos. Forte nas considerações acima foi a proposta de conversão do julgamento em diligência à unidade de origem, com vistas a que a Fiscalização elaborasse planilha discriminando, nota a nota, aquelas apresentas à Fiscalização, além das acostadas nestes autos, emitidas pelo autuado no período de 2012 e 2013, que contivessem o regular destaque da retenção, assim como que tivessem sido contabilizadas em conta de receita, no mês de sua emissão, consoante determinava o artigo 137 da IN RFB nº 971/2009. Já a Informação Fiscal, em substanciais 80 laudas, inicialmente procurou esclarecer do que se tratou o caso, que pode ser resumido pelos seguintes parágrafos: E em atenção à diligência, assevera que: Fl. 6315DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.316 16 Todavia, a planilha em referência aparenta ter partido dos valores contabilizados e cotejados com as notas fiscais emitidas em vários períodos, inclusive em 2010 e 2011. No que toca aos documentos alegadamente apresentados e não considerados pelo autuante, bem como quanto à contabilização dos valores retratados nas notas fiscais, assim se reportou o Fisco: [...] De todo o narrado, podese notar que há um imbróglio de difícil solução. Por um lado, o Fisco desconsiderou todas as notas fiscais emitidas no período auditado, pelo fato de, como já dito, não terem sido informadas (as retenções) na GFIP. Por outro, o contribuinte não traz a detalhada comprovação material de seu crédito, resumindose a explicar que o reconheceu no ato do recebimento pelos serviços prestados e não no momento da emissão da nota fiscal. Além do quê, teria sido identificado pelo Fisco o aproveitamento duplicado de créditos e a contabilização de seu aproveitamento sem que tivesse sido informado qualquer retenção na planilha apresentada ao autuante. Em sua nova manifestação, após a Informação Fiscal decorrente da conversão do julgamento em diligência, passou a pugnar o recorrente fosse efetivamente cumprida a determinação deste colegiado. Não obstante, embora reconheça que a diligência não fora cumprida em sua integralidade, penso que os elementos dos autos, ladeados a própria inércia do recorrente em ajustar e demonstrar o quantum de seu crédito em função das inconsistências apontadas pelo Fl. 6316DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.317 17 Fisco, passaram a ser suficientes à conclusão deste julgamento, sendo certo que, quando de sua liquidação, deverão ser observado os estritos termos do decidido por esta Turma. Assim prosseguindo, percebase que o reconhecimento do crédito no momento da emissão da nota fiscal, além de se alinhar ao princípio da competência, é um imperativo legal justamente para que se mantenha um controle padronizado a evitar o aproveitamento desordenado e em duplicidade de créditos indevidos. Assim, é com a emissão da nota fiscal com o regular destaque da retenção e a contabilização da respectiva receita ladeada ao reconhecimento contábil do crédito é que dará suporte ao aproveitamento desse valor na GFIP daquela competência. Note que se faz necessária a contabilização desse direito em conta de ativo e o reconhecimento da receita pelo total da nota fiscal emitida, de forma a evidenciar que o prestador arcará com o ônus da retenção, na medida em que o valor a ser recebido se dará a menor do que a receita reconhecida. Quando da compensação, aquele crédito deverá ser contabilmente baixado contra a conta que registra a obrigação a recolher. É essa a inarredável sistemática que se espera. No que toca à argumentação de que o auditor teria suprimido valores de contribuição previdenciária retida, seja de GPSs não consideradas ou mesmo aquelas nas quais não foram computados os valores relativos à atualização monetária e juros, a decisão de piso bem abordou o assunto, como se segue: Fl. 6317DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.318 18 Após as considerações acima, a primeira instância julgadora revisou o lançamento para excluir aquele valor de R$ 36.446,67, da competência 05/2013 e a correspondente multa isolada, o que justificou o decreto de provimento parcial. Na sequência, sustentou ainda o recorrente que o autuante teria desconsiderado os excedentes de retenção havidos nos meses de março, outubro e novembro de 2012, que deveriam ser utilizados em compensações de períodos posteriores. Nesse ponto, corretamente esclareceu o acórdão recorrido: Fl. 6318DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.319 19 Postas as considerações acima, tenho que devam ser considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montando aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, a teor do § 4 do artigo 16 do Decreto 70235/72, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, conforme explicitado neste voto, ainda que recolhidos em outra competência. Mérito Multa Isolada 150%. Nesse ponto, aduz a recorrente que em momento algum se alegou ou comprovou que a contribuinte teria se utilizado de artifícios fraudulentos para lesar o fisco. Ao contrário, ela mesmo, de boafé, teria exposto à fiscalização a forma como realizava a contabilização dos créditos advindos da retenção em nota fiscal. E mais, que a aplicação da multa de ofício isolada agravada resguardase para as hipóteses em que o contribuinte tenha realmente a intenção de fraudar o Fisco, sendo certo que a autoridade fiscal não comprovou qualquer ato doloso nesse sentido. Pois bem. O § 10 do artigo 89 da Lei 8.212/91 assim dispõe: (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada aplicada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. (destaquei) A seu turno, falsidade é qualidade daquilo que é falso, que, na sequência, pode ser assim definido 3: 1 Oposto à verdade ou à realidade; inexato, infundado. 2 Em que há mentira, fingimento ou dolo. 3 Que não é verdadeiro, mas inventado; fictício, enganoso. 4 Que se faz passar pelo que não é; impostor. 5 Que não é original ou autêntico, mas feito como imitação, às vezes com intenção fraudulenta; falsificado, imitado, postiço. 6 Que não é leal; desleal, pérfido, traidor. Diferentemente da seara criminal, onde para se ter um provimento condenatório fazse necessário, como regra4, provar o dolo na conduta comissiva ou omissiva do agente, na medida em que a pena traz, a rigor, restrições ao seu consagrado direito constitucional à liberdade; no âmbito tributário temse como regra, quanto à imposição de 3 https://michaelis.uol.com.br/modernoportugues/busca/portuguesbrasileiro/falso/ 4 Ressalvados os tipos expressos na lei penal para o s quais basta a culpa na conduta. Fl. 6319DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.320 20 penalidade, a desnecessidade de se apontar/provar o dolo na conduta do contribuinte, como se denota do artigo 136 infra colacionado, eis que, aqui, a penalidade traz implicações, em última análise, ao direito à propriedade. Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Nesse rumo, podese concluir que enquanto no âmbito criminal, a regra é que se demonstre a intenção (dolo) na conduta do agente; no tributário, a responsabilidade pela infração é de natureza objetiva, bastando, para tanto, que se demonstre a ação (ou omissão), o resultado reprovável e o nexo de causalidade entre ambos. Perceba que quando o legislador tributário pretendeu exigir do Estado a comprovação da intenção do agente, o fez expressamente na lei, consoante se denota do parágrafo 1º do artigo 44 da Lei 9.430/96, combinado com os artigos 71, 72 e 73 da Lei 4.502/64. Confirase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Ainda para ilustrar, vejase o que diz o artigo 18 da Lei 8.023/90: Fl. 6320DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.321 21 Art. 18. A inclusão, na apuração do resultado da atividade rural, de rendimentos auferidos em outras atividades que não as previstas no art. 2º, com o objetivo de desfrutar de tributação mais favorecida, constitui fraude e sujeita o infrator à multa de cento e cinqüenta por cento do valor da diferença do imposto devido, sem prejuízo de outras cominações legais. Percebase que a lei estabelece objetivamente situação que uma vez constatada dará ensejo à multa já no patamar original de 150%. Não há qualquer gradação, ao contrário de que se tem para as multas de oficio daquele artigo 44. Nesse mesmo sentido, são os acórdão 9202003.931, de 12.054.2016 e 9202 005160, de 25.01.2017, adiante ementados: COMPENSAÇÃO DE CONTRIBUIÇÕES COM CRÉDITOS INEXISTENTES. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos decorrentes de recolhimentos de contribuições sem efetivamente desincumbirse de demonstrar o efetivo recolhimento. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. COMPENSAÇÃO. PRECATÓRIOS EM AÇÃO JUDICIAL DE CONTRIBUIÇÕES DIVERSAS. INSERÇÃO DE DECLARAÇÃO FALSA NA GFIP. APLICAÇÃO DE MULTA ISOLADA. PROCEDÊNCIA. O sujeito passivo deve sofrer imposição de multa isolada de 150%, incidente sobre as quantias indevidamente compensadas, quando insere informação falsa na GFIP, declarando créditos antes mesmo de decisão judicial ou declaração de inconstitucionalidade da contribuição devida. Para a aplicação de multa de 150% prevista no art. 89, §10º da lei 8212/91, necessário que a autoridade fiscal demonstre a efetiva falsidade de declaração, ou seja, a inexistência de direito "líquido e certo" a compensação, sem a necessidade de imputação de dolo, fraude ou mesmo simulação na conduta do contribuinte. Posto desta forma, penso que toda e qualquer discussão sobre o tema refoge ao âmbito do contencioso administrativo, na medida em que acaba por envolver, inevitavelmente, questões acerca da razoabilidade e do nãoconfisco decorrentes da aplicação da norma. Prosseguindo quanto ao caso em tela. Fl. 6321DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.322 22 O contribuinte, no período de 01/2012 a 13/2012, efetuou compensações em 23 GFIP, procurando extinguir, indevidamente, grande parte dos débitos lá apurados e confessados mediante o aproveitamento de créditos que sequer de longe logrou comprovar sua integralidade. Por outro lado, o autuante logrou demonstrar que parte dos créditos pretensamente utilizados teria se dado de forma irregular, seja mediante sua contabilização e aproveitamento em duplicidade, seja desprovido de lastro em documental fiscal (retenção zerada em planilha, contudo indevidamente contabilizada), seja ainda pela indevida sistemática alegadamente adotada pelo recorrente para o seu aproveitamento. Referidas compensações tiveram o condão de reduzir, na GFIP, o valor devido e que alimentou a cobrança automática previdenciária. Vale dizer: o valor informado como compensado deixou de ser cobrado automaticamente pelos sistemas previdenciários. Em função deste mecanismo, o resultado da conduta frisese: deixar de pagar tributo era, sem sombra de dúvida, vislumbrado, esperado e pretendido pelo contribuinte. Nessa linha, estou certo de que as várias compensações informadas em GFIP não se alinharam à realidade ou à verdade, razão pela qual concluo pela procedência do lançamento a esse título, que não se confunde com o aqueles relativos às multas que serão tratados nos itens a seguir. Mérito Multa por descumprimento de obrigação acessória. Com relação a esta matéria, foram lavrados autos de infração a partir das ocorrências a seguir individualizadas: Ausência de destaque em Notas Fiscais: Sobre esse aspecto, aduz o recorrente que o dever de retenção de contribuição previdenciária na prestação de serviços mediante cessão de mãodeobra ou empreitada, desde fevereiro de 1999, é da empresa contratante, e não da empresa prestadora de serviços, conforme previsão contida no artigo 112 da IN n. 971/09. E prossegue ao afirmar que em não havendo destaque e retenção, não haveria também proveito de crédito de retenção. Não é bem assim. A obrigação de o tomador do serviço efetuar a retenção não desincumbe o prestador de efetuar o regular destaque das retenções nas notas de sua emissão, consoante estabelecem os artigos 92 e 102, ambos a Lei 8.212/91 e artigo 383, caput e § 3º e art 383 do Dec 3.048/99 c/c artigos 31 § 1º da Lei 8.212/91 e artigo 219, § 4º do Dec 3.048/99. Nesse mesmo sentido foi a decisão de piso, com a qual concordo, inclusive no que pertine à alegação de que referidos serviços prestados a órgãos públicos não seriam, conforme entendimentos dos tomadores, sujeitos à retenção. Confirase: Fl. 6322DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.323 23 Não apresentação de algumas Notas Fiscais: Já messe ponto, alega que não procedeu de forma como afirmado no relatório fiscal, na medida em que teria, sim, apresentado as notas fiscais questionadas pelo autuante. Contudo, não apontou em seu recurso o protocolo do recebimento de tais documentos pela Fiscalização, o que impede seja afastada a imputação fiscal. Apresentação da ECD com inexatidão: Nesse quesito, assevera o recorrente que o fato de contabilizar suas retenções pelo regime de caixa, fato esse inclusive por ele noticiado no curso da fiscalização, não importaria em inexatidão, incompletude ou omissão de informações na escrita fiscal, já que a empresa entendia por correta sua forma de reconhecer e mensurar os créditos de retenção de contribuição previdenciária. Ouso discordar. Consoante relatado na acusação fiscal e mencionado no acórdão de piso, foram identificadas várias irregularidades na ECD do autuado que justificaram o entendimento de que as informações teriam sido apresentadas de forma inexata, incompleta ou omitida, como prevê o inciso III do artigo 57 da MP 2.158/2001, com a redação dada pela Lei 12.873/2013. Foram elas: Fl. 6323DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.324 24 Somese a elas, a oportuna consideração feita pelo acórdão recorrido nos seguintes termos: Fl. 6324DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.325 25 Frente ao acima apontado, penso que não há como afastar a imputação fiscal no que tange a ocorrência dos fatos. Quanto ao pleito para que fosse aplicada a retroatividade benigna, cumpre destacar que o autuante valeuse justamente do dispositivo invocado pelo recorrente, qual seja, o artigo 57, III, "a" da MP 2.158/2001, com a redação dada pela Lei 12.873/2013 5, sendo certo que não houve sequer alteração posterior nesse dispositivo a justificar qualquer aplicação retroativa. Por sua vez, no que toca à dosimetria da multa, o autuante assim procedeu: Utilizou, como base de cálculo, o valor das Receitas de Prestação de Serviços e de Revenda de Mercadorias constantes nas Declarações de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) dos anos 2012 e 2013 e sobre elas aplicou a alíquota de 3%, dessa forma: DIPJ ANO RECEITAS ALÍQUOTA MULTA 2012 188.316.906,48 3% 5.649.507,19 2013 223.775.776,56 3% 6.713.273,30 TOTAL => 12.362.780,49 Frente a isso, aduziu o autuado que interpretação adequada à dosimetria da pena seria aquela que leva em consideração o valor das transações ou operações que contivessem informações omitidas, inexatas ou incompletas, desde que não houvesse o valor final inferior à R$ 100,00. E prosseguiu ao sustentar que entender pela base de cálculo como sendo o faturamento anual da empresa desvirtuaria o próprio sentido da norma, transmudando o seu texto e fazendo produzir efeitos que nem mesmo o legislador pensou. E que, em assim sendo, a base de cálculo da multa, na hipótese de manutenção do auto de infração neste ponto, o que se 5 Art. 57 O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) (...) III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta; (Incluído pela Lei nº 12.873, de 24 de outubro de 2013) Fl. 6325DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.326 26 colocaria apenas por apego ao debate, deveria ser retificada, para que levasse em consideração somente as glosas dos créditos de retenção de contribuição previdenciária. Por sua vez, a decisão de piso indeferiu o pleito de ajuste na base de cálculo fundamentando no fato de que lá no dispositivo normativo constar "o valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário" e não o valor das transações ou operações com informações omitidas, inexatas ou incompletas. Pois bem. Vejamos a alteração no dispositivo ao longo do tempo: Redação original: Art. 57. O descumprimento das obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei no 9.779, de 1999, acarretará a aplicação das seguintes penalidades: [...] II cinco por cento, não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta. Alterado pela Lei 12.766/2012: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de apresentar nos prazos fixados declaração, demonstrativo ou escrituração digital exigidos nos termos do art. 16 da Lei nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que os apresentar com incorreções ou omissões será intimado para apresentálos ou para prestar esclarecimentos nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas [...] III por apresentar declaração, demonstrativo ou escrituração digital com informações inexatas, incompletas ou omitidas: 0,2% (dois décimos por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços. Alterado pela Lei 12.873/2013: Art. 57. O sujeito passivo que deixar de cumprir as obrigações acessórias exigidas nos termos do art. 16 da Lei Fl. 6326DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.327 27 nº 9.779, de 19 de janeiro de 1999, ou que as cumprir com incorreções ou omissões será intimado para cumprilas ou para prestar esclarecimentos relativos a elas nos prazos estipulados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil e sujeitarseá às seguintes multas [...] III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta Podese notar a significativa alteração da redação da base de cálculo da multa quando comparadas as redações alteradas pela Lei 12.766/2012 e 12.873/2013, da qual se valera o autuante. Na de 2012, a base era "0,2% (dois décimos por cento)....., sobre o faturamento do mês anterior ao da entrega da declaração, demonstrativo ou escrituração equivocada, assim entendido como a receita decorrente das vendas de mercadorias e serviços", enquanto que na de 2013, "3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário, no caso de informação omitida, inexata ou incompleta". Referida alteração foi implementada por meio de emenda na redação original da MP 619/2013, que foi convertida na Lei 12.873/2013. Em função da evolução da norma, a leitura que faço é que a novel disposição procurou, de fato, desvincular a multa do faturamento ordinário do sujeito passivo, na medida em que deixara de ser o faturamento do mês anterior para passar a ser o valor das transações comerciais ou das operações financeiras (...), no caso de informação omitida, inexata ou incompleta, tendo sua alíquota aumentada em 15 vezes (de 0,2 % para 3 %). Oportuno mencionar que a Instrução Normativa RFB 1.277/2012, que instituiu a obrigação de prestar informações relativas às transações entre residentes ou domiciliados no Brasil e residentes ou domiciliados no exterior que compreendam serviços, intangíveis e outras operações que produzam variações no patrimônio das pessoas físicas, das pessoas jurídicas ou dos entes despersonalizados, valendose da previsão contida naquele artigo 57 da MP 2.158/2001, assim dispôs sobre a penalidade: Art. 4º O sujeito passivo que deixar de prestar as informações de que trata o art. 1º ou que apresentálas com incorreções ou omissões será intimado para apresentálas ou para prestar esclarecimentos no prazo estipulado pela RFB e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1336, de 26 de fevereiro de 2013) Fl. 6327DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.328 28 [...] III por cumprimento de obrigação acessória com informações inexatas, incompletas ou omitidas: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1409, de 07 de novembro de 2013) a) 3% (três por cento), não inferior a R$ 100,00 (cem reais), do valor das transações comerciais ou das operações financeiras, próprias da pessoa jurídica ou de terceiros em relação aos quais seja responsável tributário; (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1409, de 07 de novembro de 2013) [...] § 5º Para fins do disposto no inciso III do caput, o valor das transações comerciais ou operações financeiras corresponde: (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1803, de 06 de abril de 2018) I ao valor da operação sujeita a registro no Siscoserv à qual estejam especificamente vinculadas as informações inexatas, incompletas ou omitidas; ou (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1803, de 06 de abril de 2018) II ao somatório do valor das operações a que as informações inexatas, incompletas ou omitidas se referem, no caso de informações comuns a diferentes operações sujeitas a registro no Sistema Integrado de Comércio Exterior de Serviços, Intangíveis e Outras Operações que Produzam Variações no Patrimônio (Siscoserv) e que componham um conjunto de dados que caracterizam a prestação de um serviço, uma transferência ou aquisição de intangível ou a realização de uma operação que produza variação no patrimônio. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1803, de 06 de abril de 2018) É de se perceber que a base de cálculo da multa relativa ao descumprimento da obrigação acessória instituída por força daquela IN 1.277/2012 assemelhase e valese do mesmo dispositivo legal utilizado para a multa aqui tratada, sendo certo que a interpretação dada ao dispositivo, com a redação dada pela IN RFB 1.803/2018 e no âmbito daquela obrigação acessória, foi no sentido de que o valor das transações comerciais ou operações financeiras corresponderia ao valor da operação sujeita a registro no Siscoserv à qual estejam especificamente vinculadas as informações inexatas, incompletas ou omitidas ou ao somatório do valor das operações a que as informações inexatas, incompletas ou omitidas se referem, conforme o caso. Posto assim, penso que a base de cálculo da multa deve ser considerada como sendo aquela que representa a informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. Mérito Da Solidariedade. Fl. 6328DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.329 29 Nesta matéria, alega o recorrente que a jurisprudência consolidada do E. Superior Tribunal de Justiça afastaria a caracterização de responsabilidade tributária solidária, quando não haja realização conjunta do fato gerador. E que as empresas, de fato, não praticaram atividades conjuntamente ou de uma forma interligadas, o que, por si só, seria mais que suficiente a evidenciar a ilegitimidade do respectivo arrolamento das sociedades como devedoras solidárias do presente crédito tributário. Não comungo dessa tese, ao mesmo tempo em que me alinho ao entendimento da instância de piso, como já me manifestei em outras oportunidades, no que sentido de que a responsabilização, uma vez demonstrada a existência de grupo econômico, se dá por imposição legal, pouco importando tenha sido demonstrado, ou não, pela fiscalização o interesse comum da situação que constituiu o fato gerador da exação. Nesse sentido, tomo como razões de decidir a fundamentação e conclusão a seguir colacionados: Fl. 6329DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.330 30 Fl. 6330DF CARF MF Processo nº 10166.727417/201579 Acórdão n.º 2402006.965 S2C4T2 Fl. 6.331 31 Nesse sentido, VOTO por conhecer do recurso e DARLHE parcial provimento para que sejam considerados no lançamento, em cada competência e até o limite do montante aproveitado na GFIP, os valores destacados nas notas fiscais emitidas nas respectivas competências e apresentadas até a impugnação, que tenham sido contabilizadas na forma do artigo 137 da IN RFB 971/2009, conforme explicitado neste voto, ainda que recolhidos em outra competência, bem como para que a multa relacionada à ECD apresentada com informações omitidas, inexatas ou incompletas seja ajustada para que sua base de cálculo passe a constar aquela que corresponda à informação omitida, inexata ou incompleta apurada pelo autuante. (assinado digitalmente) Mauricio Nogueira Righetti Fl. 6331DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10850.902168/2013-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3401-001.621
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o.
(assinado digitalmente)
Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação carreada aos autos pela recorrente, e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhando-o. (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes.
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(assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Tiago Guerra Machado, Lázaro Antonio Souza, Carlos Henrique Seixas Pantarolli Soares, Cássio Schappo, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco e Rosaldo Trevisan (Presidente). Ausente justificadamente a Conselheira Mara Cristina Sifuentes. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 02 16 8/ 20 13 -2 7 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 10850.902168/201327 Resolução nº 3401001.621 S3C4T1 Fl. 3 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ/POR, que considerou improcedentes as razões da Recorrente sobre a reforma do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição e não homologou as compensações dos débitos pleiteados. A contribuinte pleiteou o ressarcimento e compensação de créditos tributários decorrentes de supostos pagamentos indevidos ou a maior de PIS/Cofins. Em Despacho Decisório, os pedidos foram indeferidos e as compensações não homologadas em razão de não ter sido comprovado o direito creditório, dado que grande parte dos pagamentos restava inteiramente vinculada a débito declarado em DCTF, e, quanto aos pagamentos que evidenciaram recolhimento a maior, o respectivo valor fora previamente utilizado em outras compensações. A Contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando, em síntese, que tem direito aos valores pagos indevidamente em relação à PIS/COFINS, que fora calculada sobre receitas financeiras, e estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 1998, reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal, e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. Apresentou balancetes de verificação, DCTF´s, planilhas de apuração e guias de recolhimento e declarações de compensação para comprovação de suas alegações e dos valores pleiteados. Sobreveio Acórdão da Delegacia de Julgamento, através do qual não foi reconhecido o direito creditório requerido. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3401001.588, de 26 de novembro de 2018, proferida no julgamento do processo 16007.000043/200910, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu na Resolução 3401001.588: "O Recurso é tempestivo, e, reunindo os demais requisitos de admissibilidade, tomo seu conhecimento. Como se aduz da leitura do relatório, restam pendente de análise por esse Colegiado a incidência de COFINS Cumulativa sobre a rubrica "receitas financeiras". Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10850.902168/201327 Resolução nº 3401001.621 S3C4T1 Fl. 4 3 Ora, nos termos do julgamento do RE 585235/MG, julgado sob efeito de repercussão geral, o artigo 3º, §1º, da Lei Federal 9.718/1998, foi considerado inconstitucional, de modo que, para fins de determinação da base de cálculo das contribuições sociais, no caso de empresas que não exercem atividade de instituições financeiras, não cabe a inclusão de receitas financeiras ou outras alheias ao seu objeto social. Desta feita, é de se afastar a glosa com base no artigo 62, §1º, inciso II, b, do RICARF. Contudo, como até o presente momento, a Receita Federal não se pronunciou sobre os documentos juntados desde a impugnação pela Recorrente, é de se converter o julgamento em diligência para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." Importante frisar que os documentos juntados pela contribuinte no processo paradigma, como prova do direito creditório, encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência, para que a unidade preparadora da RFB analise a documentação e se manifeste conclusivamente quanto à existência do crédito, detalhandoo. Em seguida, intimese a Recorrente para, desejando se manifestar, façao no em prazo de 30 dias. Após, os autos devem retornar ao CARF para prosseguir o julgamento." (assinado digitalmente) Rosaldo Trevisan Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10783.914886/2009-19
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jan 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
INCONSTITUCIONALIDADE.
Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3302-006.152
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 INCONSTITUCIONALIDADE. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Recurso Voluntário Não Conhecido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Rodolfo Tsuboi (Suplente Convocado) e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 91 48 86 /2 00 9- 19 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10783.914886/200919 Acórdão n.º 3302006.152 S3C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de não homologação da compensação declarada, por não restar crédito disponível para a compensação dos débitos informados, em virtude do fato de que o pagamento informado já havia sido utilizado para quitar débitos do contribuinte. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte argumentou que, considerando a alteração do regime constitucional das contribuições (PIS/Cofins) por meio da Emenda Constitucional nº 20, de 1998, eram inconstitucionais as Medidas Provisórias n° 66/2002 e nº 135/2003 que alteraram as suas base de cálculo e alíquota, carecendo de validade, por conseguinte, as Leis nº 10.637/2002 e n° 10.833/2003 delas decorrentes. Arguiu, também, o então Manifestante a inexigência da multa moratória, em razão da denúncia espontânea. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 1332.311, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, sob o fundamento de não comprovação do indébito fiscal e da incompetência da autoridade administrativa para apreciar arguições de inconstitucionalidade de norma legitimamente inserida no ordenamento jurídico. Inconformado, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e requereu o reconhecimento do seu direito, reproduzindo seus argumentos apresentados em sede de Manifestação de Inconformidade. É o relatório. Voto Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3302006.147, de 27/11/2018, proferida no julgamento do processo nº 10783.912698/200948, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3302006.147): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10783.914886/200919 Acórdão n.º 3302006.152 S3C3T2 Fl. 4 3 Conforme exposto anteriormente, as alegações da Recorrente se restringem a inconstitucionalidade da MP 135/2003, a saber: l. Considerando que o regime constitucional da COFINS foi alterado pela Emenda Constitucional n” 20, de 15 de dezembro de 1998, concluise ser inconstitucional a Medida Provisória n° 135/2003 que alterou a base de cálculo e alíquota da COFINS; 2. Nesse sentido, carece de validade a Lei n° 10.833/2003, pois decorre de medida provisória inconstitucionalmente editada; 3. Sendo assim, restam indevidos recolhimentos efetuados pela contribuinte com à alíquota majorada de 7,6%, pois deveria ter sido aplicada à alíquota de 3,0%. Neste cenário, impõese observar e aplicar a Súmula CARF nº 2: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Diante do exposto, voto por não conhecer do recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir apenas à Cofins, à Medida Provisória nº 135/2003 e à Lei nº 10.833/2003, a decisão ali tomada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS, à Medida Provisória nº 66/2002 e à Lei nº 10.637/2002. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu não conhecer do recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 44DF CARF MF
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Numero do processo: 10805.901276/2006-07
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Feb 05 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003
RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA.
Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal.
SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO CONSIDERADO NÃO FORMULADO.
Considera-se não formulado o pedido de diligência genérico, efetuado apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário e sem formulação de quesitos, por não se coadunar às regras do artigo 16, § 1º, do Decreto n° 70.235/72.
ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. INADMISSIBILIDADE.
Inadmissível o acolhimento da argüição de cerceamento do direito de defesa quando demonstrado que o Despacho Decisório de indeferimento e o acórdão de Manifestação de Inconformidade foram produzidos sem qualquer eiva de ilegalidade.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2003
PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE.
Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente, por meio de elementos idôneos e na forma da legislação tributária, o direito creditório vindicado, não cabendo ao julgador neste momento processual realizar trabalho de auditoria, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos.
Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2003
HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO.
Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que parte do crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora utilizado para a quitação de débito com características distintas.
Numero da decisão: 1002-000.600
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, por preclusão consumativa, de matéria não arguida na Manifestação de Inconformidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: AILTON NEVES DA SILVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003 RECURSO VOLUNTÁRIO. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO CONSIDERADO NÃO FORMULADO. Considera-se não formulado o pedido de diligência genérico, efetuado apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário e sem formulação de quesitos, por não se coadunar às regras do artigo 16, § 1º, do Decreto n° 70.235/72. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível o acolhimento da argüição de cerceamento do direito de defesa quando demonstrado que o Despacho Decisório de indeferimento e o acórdão de Manifestação de Inconformidade foram produzidos sem qualquer eiva de ilegalidade. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2003 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente, por meio de elementos idôneos e na forma da legislação tributária, o direito creditório vindicado, não cabendo ao julgador neste momento processual realizar trabalho de auditoria, eis que implicaria o revolvimento do contexto fático-probatório dos autos. Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que parte do crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora utilizado para a quitação de débito com características distintas.
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FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. MATÉRIA PRECLUSA. Questões não suscitadas em sede de Manifestação de Inconformidade constituem matérias preclusas, não podendo ser conhecidas pela instância recursal. SOLICITAÇÃO DE DILIGÊNCIA. INOBSERVÂNCIA DOS REQUISITOS LEGAIS. PEDIDO CONSIDERADO NÃO FORMULADO. Considerase não formulado o pedido de diligência genérico, efetuado apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário e sem formulação de quesitos, por não se coadunar às regras do artigo 16, § 1º, do Decreto n° 70.235/72. ARGÜIÇÃO DE NULIDADE DO ACÓRDÃO RECORRIDO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. INADMISSIBILIDADE. Inadmissível o acolhimento da argüição de cerceamento do direito de defesa quando demonstrado que o Despacho Decisório de indeferimento e o acórdão de Manifestação de Inconformidade foram produzidos sem qualquer eiva de ilegalidade. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2003 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 5. 90 12 76 /2 00 6- 07 Fl. 218DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 219 2 PER/DCOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. ONUS PROBANDI DO RECORRENTE. Compete ao Recorrente o ônus de comprovar inequivocamente, por meio de elementos idôneos e na forma da legislação tributária, o direito creditório vindicado, não cabendo ao julgador neste momento processual realizar trabalho de auditoria, eis que implicaria o revolvimento do contexto fáticoprobatório dos autos. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 HOMOLOGAÇÃO PARCIAL DE PER/DCOMP. CRÉDITO DESPIDO DOS ATRIBUTOS LEGAIS DE LIQUIDEZ E CERTEZA. CABIMENTO. Correta a homologação parcial de declaração de compensação, quando comprovado que parte do crédito nela pleiteado não possui os requisitos legais de certeza e liquidez, visto que fora utilizado para a quitação de débito com características distintas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer, por preclusão consumativa, de matéria não arguida na Manifestação de Inconformidade, rejeitar as preliminares suscitadas e, no mérito, na parte conhecida, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva (Presidente), Breno do Carmo Moreira Vieira, Leonam Rocha de Medeiros e Ângelo Abrantes Nunes. Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ/CPS (destaques do original): "Trata o presente processo de Declaração de Compensação de fls. 01/06, apresentada por meio do Programa PER/DCOMP, em 28 de maio de 2003, por meio da qual a contribuinte pretende o Fl. 219DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 220 3 reconhecimento de direito creditório com origem no saldo negativo da CSLL do anocalendário de 2000, para a compensação de débitos relativos a períodos de apuração subseqüentes. 2. A autoridade fiscal indeferiu o pleito da contribuinte, nos termos do Despacho Decisório de fls. 21/23, 11 de setembro de 2007, que se transcreve: 'Relatório Tratase de Declaração de Compensação (fls. 01106) de débito de CSLL do mês de janeiro de 2003, no valor total de R$ 197.657,29, com crédito oriundo de saldo negativo de CSLL de 31.12.2000, no valor de R$ 142.893,88. A Dcomp foi transmitida através de programa PER/IDCOMP sob o n. 33781.25942.280503.1.3.0303 75. O débito foi cadastrado no PROFISC, conforme extrato de fls. 07. Fundamentação de Proposta Análise do direito creditório: Saldo Negativo de CSLL do ano calendário de 2000 Conforme indica a Ficha 17 Cálculo da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, da DIPJ12001, o saldo negativo da CSLL de 31.12.2000, de R$ 492.349,39, foi assim determinado (fls. 08): Após serem auditados os valores determinantes do saldo negativo de 31.12.2000, nada foi encontrado que os alterasse, concluindose pela sua conformidade com os declarados. Este saldo negativo foi parcialmente utilizado nas compensações de débitos de estimativas de CSLL de Julho, Agosto e Novembro de 2001 (fls. 16118), efetuadas nos termos do art. 14, da IN SRF 21, de 10 de março de 1997, resultando num saldo de R$ 108.859, 78, conforme demonstrado no quadro abaixo: Fl. 220DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 221 4 Diante do exposto, proponho o Reconhecimento Parcial do direito creditório de R$ 108.859, 78, base de 31.12.2000, e nos termos do art. 47 da IN SRF n. ° 600, de 28.12.2005, a Homologação da PERDCOMP de n. ° (..) até o limite do valor do crédito reconhecido. ' 3. Cientificada do Despacho Decisório por meio do AR de fl. 27, em 13 de novembro de 2007, a contribuinte apresentou sua manifestação de inconformidade em 12 de dezembro de 2007, fls. 28/30, com as alegações que se seguem. 3.1. Afirma que a autoridade fiscal considerou que em agosto de 2001 (base julho 2001) a empresa teria compensado R$ 79.242,91 com o saldo negativo de CSLL do anocalendário de 2000; R$ 128.234,84 em setembro de 2001 e R$ 227.090,00 em dezembro de 2001. 3.2. No entanto, as compensações relativas ao anocalendário de 2001 foram assim efetuadas: Fl. 221DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 222 5 3.3. Acrescenta que os valores compensados, apresentados nos demonstrativos, foram atualizados pela taxa Selic. 3.4. Conclui, afirmando que com a apropriação das compensações com o saldo negativo da CSLL de 2000, o saldo remanescente seria suficiente para a compensação pretendida por meio da Dcomp apresentada, no valor de R$ 197.657,29." A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente pela DRJ/CPS, conforme acórdão n. 0523.168, 26 11 de setembro de 2008 (efl. 180), que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2000 COMPENSAÇÃO. SALDO NEGATIVO De CSLL O reconhecimento de direito creditório relativo a saldo negativo da CSLL condicionase à demonstração da existência e da liquidez do direito, Fl. 222DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 223 6 o que inclui a comprovação da CSLL retida por órgãos públicos levada à dedução, por meio dos informes de rendimentos emitidos pelas fontes pagadoras ou pela apresentação de cópia das guias de recolhimentos; a identificação, existência e a disponibilidade dos saldos negativos de períodos anteriores, aproveitados para liquidação das estimativas mensais ou no encerramento do ano calendário, bem como a certeza e a liquidez das demais compensações efetuadas, visando a extinção das estimativas ou aproveitadas no encerramento do período. As compensações entre tributos e contribuições da mesma espécie, efetuadas durante a vigência da Instrução Normativa n.° 21, de 1997, embora pudessem ser efetuadas independente de requerimento à Receita Federal do Brasil, deviam ser comprovadas pelos meios adequados e hábeis, além da indicação, pela contribuinte, nas DCTF respectivas. Simples demonstrativos e afirmações, despidos da necessária comprovação, não se prestam a caracterizar ou comprovar a liquidação de estimativas por meio de compensações. Irresignado, o Recorrente apresenta Recurso Voluntário estruturado por tópicos (efls. 52), oferecendo os argumentos abaixo sintetizados (destaques do original). II — DOS FATOS Preliminarmente, sustenta "...haver equívoco na análise realizada pela RFB, especialmente na recomposição do saldo negativo da CSLL referente ao anocalendário 2000, bem como na análise de compensações anteriores que não guardam relação com a que é objeto do PER/DCOMP que originou o presente processo", argumentando que "(...)apesar do débito da CSLL — ago/2001 haver sido quitado mediante compensação, o crédito utilizado para tanto não foi o saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000 (R$ 492.349,39)" e afirmando que "...o crédito decorrente do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000 (R$ 492.349,39) foi utilizado, na verdade, nas compensações com os débitos das estimativas mensais da CSLL de jul/2001, nov/2001, ago/2002 e jan/2003...". Diz que deve ser verificado "...equívoco numérico cometido pela DRF, às fls. 2 da decisão, em relação que ao débito (valor histórico) de nov/2001, devendose ler R$ 194.458,86 onde se lê R$ 196.291,81". Acrescenta que "...em relação ao saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000, em verdade, a Recorrente ainda é titular de crédito no valor originário (principal) de R$ 343,48 (trezentos e quarenta e três reais, e quarenta e oito centavos)". Fl. 223DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 224 7 Afirma que "...a DRF imputou de forma indevida, sem qualquer fundamento fático e/ou legal, que a Recorrente haveria utilizado os créditos do saldo negativo de CSLL (31/12/2000) para compensar débitos de estimativas mensais de CSLL referentes ao mês de ago/2001 (vencimento em set/2001), sendo que a Recorrente jamais pleiteou essa compensação, nesses termos". Aduz que "...a DRJ incidiu no mesmo erro que a DRF, pois tratou de matéria estranha da que está no presente processo. Afinal, o que está em análise é o débito da CSLL de jan/2003 e não os débitos de CSLL de ago/2001, os quais, inclusive, já foram corroídos pela decadência". Conclui que "...através de sua MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE, a Recorrente demonstrou ser titular de créditos legítimos e suficientes para a homologação integral da compensação declarada, relativamente ao débito de CSLL (de jan/2003) no valor originário de R$197.657,29". II — DO DIREITO Com relação a este tópico, diz que o acórdão recorrido partiu de premissa equivocada ao pressupor "...que a Recorrente já não era mais titular do crédito de saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000 (R$ 492.349,39) com o qual compensou o débito de CSLL de jan/2003", sob a justificativa de que "...o crédito decorrente do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/2000 não foi utilizado na compensação do débito de CSLL — ago/2001 (vencimento em set/2001)" e que "o débito de CSLL — ago/2001 foi compensado, na verdade , com créditos decorrentes: i) do saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/1997 e 31/12/1998 pela empresa CONFAB TRADING S/A, incorporada pela Recorrente em 1999; e ii) das retenções sofridas nos anosbase 1997, 1998 e 2000". Em razão disso, conclui que "...faltou, à decisão recorrida, fundamentação coerente com o caso ora tratado, vez que, na verdade, julgouse algo que não existe nem foi pleiteado", pugnando pela nulidade do acórdão recorrido. Sustenta que houve ofensa ao princípio da verdade material, eis que "Para a verificação e comprovação do saldo negativo da CSLL, a DRF não adotou qualquer diligência necessária para tanto" e que "...urge indispensável a reforma da r. decisão recorrida e a realização de diligências para verificar a legitimidade e suficiência do crédito utilizado na compensação, apenas e tão somente, do débito de CSLL de jan/2003, conforme notadamente reconhecido por esse E. CONSELHO DE CONTRIBUINTES". Afirma que desde 08/2006 está extinto por decadência o direito de constituição do crédito tributário relativo a CSLL de 08/2001, defendendo que não se aplica ao caso ora examinado a regra do art. 74, §§4º e 5º da Lei n° 9430/96 "...porque à época dos fatos (ago/2001) não se exigia a apresentação de requerimento para a compensação de tributos como a do presente caso". Como forma de lastrear sua argüição, colaciona no Recurso Voluntário acórdãos de jurisprudência pertinentes às matérias questionadas. Ao final, requer a realização de diligências para confirmação da origem, legitimidade e suficiência do crédito utilizado na compensação de CSLL de 01/2003, a intimação pessoal dos procuradores do Recorrente para realização de sustentação oral e o Fl. 224DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 225 8 provimento do Recurso Voluntário e, alternativamente, na hipótese do improvimento do recurso, a homologação do PER/DCOMP nº 33781.25942.280503.1.3.030375. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Aílton Neves da Silva, Relator I Admissibilidade Inicialmente, reconheço a plena competência deste Colegiado para apreciação do Recurso Voluntário, na forma do art. 23B da Portaria MF nº 343/2015 (Regimento Interno do CARF), com redação dada pela Portaria MF nº 329/2017. Demais disso, observo que o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, entretanto, conheçoo parcialmente, eis que contém matéria nova, não suscitada em sede de Manifestação de Inconformidade, conforme se explica a seguir. A alegação de decadência do crédito tributário relativa a CSLL de 08/2001 apresentada no Recurso Voluntário é totalmente nova em relação às apresentadas na Manifestação de Inconformidade, não podendo ser analisada por este colegiado por falta de prequestionamento, a teor do disposto no artigo art.16, III e 17 do Decreto 70.235/72: “Art. 16. A impugnação mencionará: III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;” Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Por não ter sido apresentado no momento processual oportuno, o referido argumento caracterizase como matéria preclusa, motivo porque o Recurso Voluntário não será conhecido nesta parte, eis que não cabe a esta instância recursal o reexame de matéria não julgada pela DRJ, sob pena de supressão de instância e violação do princípio do contraditório. II Preliminares As matérias do Recurso Voluntário tecnicamente consideradas como preliminares de mérito serão abordadas a seguir neste Voto. IIa Pedido de Sustentação Oral Fl. 225DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 226 9 O pedido de sustentação oral relativo a julgamentos de processos de competência das Turmas Extraordinárias é previsto no parágrafo segundo do artigo 61A do Regimento Interno do CARF RICARF (grifos nossos): Art. 61A. As turmas extraordinárias adotarão rito sumário e simplificado de julgamento, conforme as disposições contidas neste artigo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017) § (...) § 2º A pauta da reunião será elaborada em conformidade com o disposto no art. 55, dispensada a indicação do local de realização da sessão, e incluída a informação de que eventual sustentação oral estará condicionada a requerimento prévio, apresentado em até 5 (cinco) dias da publicação da pauta, e ainda, de que é facultado o envio de memoriais, em meio digital, no mesmo prazo. (Redação dada pela Portaria MF nº 329,de 2017). O Recurso Voluntário, portanto, não é o instrumento jurídico adequado para apresentação de pedido de sustentação oral, o qual deve ser feito por meio de requerimento próprio, com antecedência mínima de 5 (cinco) dias da publicação da pauta e na forma prescrita pelo RICARF. Em razão disso, indefiro o pedido de sustentação oral. IIb Pedido de conversão do processo em diligência Com relação ao pedido de diligência, notase que foi efetuado apenas por ocasião da apresentação do Recurso Voluntário e, ainda assim, de maneira genérica, isto é, sem a formulação de quesitos, o que não se coaduna com as regras insculpidas no inciso IV e no § 1º do artigo 16 do Decreto n° 70.235, de 1972: Art. 16. A impugnação mencionará: I (...); (...); IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (...) § 1º Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. Fl. 226DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 227 10 Ademais, o ônus probatório do direito de crédito é do contribuinte interessado e não do Fisco, a teor do que dispõe o Código de Processo Civil, em seu art. 333 (grifos nossos): Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Pelos motivos expostos considero não formulado o pedido de diligência feito pelo Recorrente. IIc Cerceamento do direito de defesa Nessa preliminar o Recorrente sustenta que houve preterição de seu direito de defesa porque a DRJ tratou de matéria estranha à que fundamenta o PER/DCOMP e não apreciou o fundamento fático e jurídico dos créditos utilizados, vez que o foco de análise é o débito da CSLL de 01/2003 e não os débitos de CSLL de 08/2001. Sem razão o Recorrente. A Compensação tributária é modalidade de extinção do crédito tributário prevista no art. 156, II, do Código Tributário nacional (CTN), mediante a qual se promove o encontro de duas relações jurídicas: (i) a relação jurídica de indébito tributário, na qual o contribuinte tem o direito de exigir e o Estado o dever de restituirlhe determinada quantia; e (ii) a relação jurídica tributária, na qual o Estado tem o direito de exigir e o contribuinte o dever de recolher determinada quantia aos cofres públicos (crédito tributário). Conforme reza o artigo 170 do Código Tributário Nacional CTN, a aplicação do instituto da compensação exige, além do crédito tributário a liquidar, a comprovação de créditos líquidos e certos a favor do contribuinte. Vejase: (grifos nossos): Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. O crédito informado no PER/DCOMP nº 33781.25942.280503.1.3.030375 apresentado pelo contribuinte corresponde ao saldo negativo de CSLL de 31.12.2001, que, de acordo com o Despacho Decisório de efls , foi parcialmente utilizado nas compensações de débitos de estimativa de CSLL de 07, 08 e 11/2001. Fl. 227DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 228 11 Assim, não há qualquer ilegalidade no fato de o Despacho Decisório ter indeferido o PER/DCOMP nº 33781.25942.280503.1.3.030375 sob o argumento de que houve a utilização de parte do crédito postulado nas compensações de débitos de estimativa de CSLL do anocalendário de 2001, eis que a aferição da liquidez e certeza do crédito é requisito legal e condição necessária ao deferimento do pleito. Ante o exposto, rejeito a preliminar suscitada. Mérito Quanto ao mérito, constato que ora Recorrente teve reconhecido parcialmente o direito creditório relativo ao saldo negativo de CSLL do períodobase encerrado em 31.12.2000 e constante do PER/DCOMP nº 33781.25942.280503.1.3.030375, em razão de que parte do valor vindicado ter sido utilizado nas compensações de débitos de estimativa de CSLL de 07, 08 e 11/2001. O Recorrente nega ter utilizado o crédito de saldo negativo da CSLL apurado em 31/12/2000 para quitação do débito de CSLL de 08/2001, afirmando que o referido débito foi compensado com créditos decorrentes de retenções na fonte nos anoscalendário de 1997, 1998 e 2000 e de saldo negativo de CSLL apurado em 31/12/1997 e 31/12/1998 pela empresa Confab Trading S/A, incorporada pela Recorrente em 1999, porém, não apresenta qualquer comprovação nesse sentido. Por outro lado, o Despacho Decisório que reconheceu parcialmente o direito creditório do ora Recorrente tomou por base informações extraídas das bases de dados da RFB e constantes de documentos fiscais e declarações prestadas pelo próprio Recorrente, conforme farta documentação juntada nos autos. Até prova em contrário, essas informações consideramse legalmente válidas, a não ser que tenham sido retificadas na forma da legislação tributária de regência, o que não se verificou nos presentes autos. Diante desse quadro, a falta de comprovação das afirmações do Recorrente não permite atestar a existência e suficiência do crédito pleiteado, restando ausentes os requisitos de liquidez e certeza necessários à homologação do pedido de compensação na forma do artigo 170 do CTN. No presente caso, constatase que o Recurso Voluntário ficou restrito ao campo da argumentação, eis que o Recorrente descreve os fatos sob sua ótica, contradiz os fundamentos do acórdão recorrido com simples alegações e evoca a aplicação do princípio da verdade material à solução da lide, sem, contudo, apresentar provas ou fundamentos consistentes capazes de infirmar a decisão de indeferimento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação do PER/DCOMP, proferida pela instância de origem. Em outras palavras, o Recorrente não juntou aos autos elementos comprobatórios indispensáveis para atestar a legitimidade do direito ao crédito vindicado, tais como, Livro Diário, Livro de Apuração do Lucro Real, balancetes transcritos na escrita contábil, e, igualmente, deixou de apresentar quadro analítico descritivo e detalhado do suposto Fl. 228DF CARF MF Processo nº 10805.901276/200607 Acórdão n.º 1002000.600 S1C0T2 Fl. 229 12 crédito e as declarações fiscais do período a ele relacionadas (DIPJ, DACON, etc), motivo porque o indeferimento do Recurso Voluntário impõese. Neste sentido caminha a jurisprudência do CARF, conforme precedente abaixo: Acórdão n.º 3001000.312 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. Dispositivo Considerando que o artigo 170 do CTN só autoriza a compensação de débitos tributários com créditos líquidos e certos dos interessados frente à Fazenda Pública e que o Recorrente não traz elemento de prova adicional capaz de infirmar os fatos aqui narrados, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso, mantendo integralmente a decisão de piso. É como voto. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Fl. 229DF CARF MF
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Numero do processo: 10970.000936/2010-05
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 06 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2006, 2007, 2008, 2009
PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA.
A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais.
Numero da decisão: 9303-007.592
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas da atividade operacional (receitas financeiras) compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre este tipo de receita, pois estas receitas são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as Conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora), Tatiana Midori Migiyama e Érika Costa Camargos Autran, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 09 36 /2 01 0- 05 Fl. 1212DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.213 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte BANCO TRIÂNGULO S/A (efls. 1.122 a 1.186) com fulcro no art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009, vigente à época da sua interposição, buscando a reforma do Acórdão n.º 3202001.129 (efls. 1.103 a 1.112) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 25 de março de 2014, no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2006, 2007, 2008, 2009 PIS. COISA JULGADA. INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ART. 3º DA LEI 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. COMPOSIÇÃO DA BASE DE CÁLCULO. RECEITAS FINANCEIRAS. INCIDÊNCIA. A declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas operacionais das instituições financeiras. As receitas oriundas de todas as operações bancárias (receitas operacionais), em sentido lato, incluídas as receitas advindas da cobrança de taxas/tarifas (serviços bancários) e das operações de intermediação financeiras, compõem o faturamento das instituições financeiras nos termos do art. 2º e do caput do art. 3º da Lei 9.718/98 e há incidência da contribuição PIS sobre essas receitas, pois são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. Recurso Voluntário negado. Fl. 1213DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.214 3 O Contribuinte suscita divergência jurisprudencial quanto à exigibilidade da contribuição para o PIS/Pasep sobre os valores decorrentes das operações de intermediação financeiras, face a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, §1º, da Lei n.º 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal em sede de repercussão geral. Discutese, em suma, a composição do faturamento das instituições financeiras. Para comprovar o dissenso, colacionou como paradigma o acórdão n.º 3402001.714, que pertence à mesma Recorrente e trata da mesma matéria analisada nos presentes autos. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho s/nº, de 24/06/2015 (efls. 1.189 a 1.191), proferido pelo ilustre Presidente da 2ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época, por entender comprovada a divergência jurisprudencial. A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (efls. 1.193 a 1.209) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora, estando apto a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 343, de 09 de junho de 2015 (anteriormente, Portaria MF n.º 256/2009), devendo, portanto, ter prosseguimento. Mérito A discussão principal posta nos autos referese à possibilidade de exclusão da base de cálculo do PIS das receitas decorrentes de intermediação financeira receitas financeiras frente a declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS estabelecida no art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98. A inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, que alargou o conceito de faturamento para a base de cálculo das contribuições para o PIS e para a COFINS, foi reconhecida pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento dos RE nº 585.235, na Fl. 1214DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.215 4 sistemática da repercussão geral, tendo como leading cases os Res nºs 357.9509/RS, 390.8405/MG, 358.2739/RS e 346.0846/PR. Os fundamentos da decisão foram sintetizados na seguinte ementa, in verbis: EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, Rel. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006) Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. (RE 585235 QORG, Relator(a): Min. CEZAR PELUSO, julgado em 10/09/2008, REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe227 DIVULG 2711 2008 PUBLIC 28112008 EMENT VOL0234310 PP02009 RTJ VOL 0020802 PP00871 ) (grifouse) Pertinente, ainda, colacionar a ementa de julgado do leading case RE nº 357.950/RS, refletindo a posição predominante na Corte Suprema confirmada em sede de repercussão geral: CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (RE 390840, Relator(a): Min. MARCO AURÉLIO, Tribunal Pleno, julgado em 09/11/2005, DJ 15082006 PP00025 EMENT VOL0224203 PP00372 RDDT n. 133, 2006, p. 214215) Fl. 1215DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.216 5 Nessa linha relacional, as decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal que tenham sido afetadas à sistemática da repercussão geral são de observância obrigatória por este órgão administrativo de julgamento, conforme redação do art. 62 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, atualmente em vigor e que obriga os Conselheiros à sua aplicação: Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. [...] b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) Frente à declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS estabelecida pelo art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, em sede de repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, as variações cambiais ativas decorrentes das exportações da Contribuinte não integram a base de cálculo da contribuição, pois não se caracterizam como receitas, não integrando o faturamento da empresa. Além disso, com a decisão do STF em repercussão geral ficou estabelecido o conceito de faturamento como decorrente da venda de mercadorias ou da prestação de serviços, ou da combinação de ambos, não sendo abrangidas as receitas financeiras. Por conseguinte, tornase insustentável o argumento de que haveria a tributação da variação cambial ativa, com fulcro no art. 9º da Lei nº 9.718/98, por se tratar de receita financeira. Esta grandeza não integra o faturamento e, portanto, não sofre a incidência da COFINS. O Supremo Tribunal Federal, por meio do julgamento do Recurso Extraordinário nº 627.815, na sistemática da repercussão geral, decidiu que as receitas de exportação decorrentes de variação cambial não devem ser tributadas pelas contribuições para o PIS e para a COFINS, in verbis: EMENTA RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS Fl. 1216DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.217 6 E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. VARIAÇÃO CAMBIAL POSITIVA. OPERAÇÃO DE EXPORTAÇÃO. I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestarlhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II O contrato de câmbio constitui negócio inerente à exportação, diretamente associado aos negócios realizados em moeda estrangeira. Consubstancia etapa inafastável do processo de exportação de bens e serviços, pois todas as transações com residentes no exterior pressupõem a efetivação de uma operação cambial, consistente na troca de moedas. III – O legislador constituinte ao contemplar na redação do art. 149, § 2º, I, da Lei Maior as “receitas decorrentes de exportação” conferiu maior amplitude à desoneração constitucional, suprimindo do alcance da competência impositiva federal todas as receitas que resultem da exportação, que nela encontrem a sua causa, representando consequências financeiras do negócio jurídico de compra e venda internacional. A intenção plasmada na Carta Política é a de desonerar as exportações por completo, a fim de que as empresas brasileiras não sejam coagidas a exportarem os tributos que, de outra forma, onerariam as operações de exportação, quer de modo direto, quer indireto. IV Consideramse receitas decorrentes de exportação as receitas das variações cambiais ativas, a atrair a aplicação da regra de imunidade e afastar a incidência da contribuição ao PIS e da COFINS. V Assenta esta Suprema Corte, ao exame do leading case, a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS sobre a receita decorrente da variação cambial positiva obtida nas operações de exportação de produtos. VI Ausência de afronta aos arts. 149, § 2º, I, e 150, § 6º, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. (RE 627815, Relator(a): Min. ROSA WEBER, Tribunal Pleno, julgado em 23/05/2013, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe192 DIVULG 30092013 PUBLIC 01102013) No mesmo sentido, já decidiu essa 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, ao julgar os processos que receberam os acórdãos de nºs 9303004.181 e 9303005.032. Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da COFINS pelo STF, em sede de repercussão geral, devem ser excluídas do campo de incidência da referida contribuição todas as demais receitas que não sejam provenientes do faturamento, no caso, àquelas relativas às receitas de intermediações financeiras do banco. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 1217DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.218 7 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Redator designado Com a devida vênia, divirjo da posição adotada pela i. relatora em seu voto. Tal discussão jurídica sobre receitas financeiras, já foi abordada anteriormente nesta Turma em outras oportunidades e, para fundamentar meu posicionamento, aponto julgado recente, no acórdão nº 9303006.236, em 24/01/2018, o i. relator conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, tratando de receitas financeiras de seguradoras, mesmo decorrentes de fundos obrigatórios por lei específica, assim argumentou: A solução do litígio passa pela determinação do conceito de faturamento, que o Supremo Tribunal Federal STF, como se sabe, tem entendido, atualmente, como o que decorre da realização das atividades que compõem o objeto social do contribuinte, ou seja, a sua receita operacional. Notese que, quando o STF considerou incompatível com o então Texto Constitucional a ampliação da base de cálculo do PIS/Cofins (§ 1º do art. 3º da Lei n.º 9.718, bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços (Rel. p/ Acórdão Min. Marco Aurélio Mello, RE 346.084, DJ de 1/09/2006). Contudo, alguns votos dos ministros que participaram do julgamento indicaram – e não como obiter dictum – o verdadeiro sentido que a esta expressão deve ser conferido. Segundo o Min. Cezar Peluso, que foi acompanhado pelo Min. Sepúlveda Pertence: Faturamento nesse sentido, isto é, entendido como resultado econômico das operações empresariais típicas, constitui a base de cálculo da contribuição, enquanto representação quantitativa do fato econômico tributado. Noutras palavras, o fato gerador constitucional da COFINS são as operações econômicas que se exteriorizam no faturamento (sua base de cálculo), porque não poderia nunca corresponder ao ato de emitir faturas, coisa que, como alternativa semântica possível, seria de todo absurda, pois bastaria à empresa não emitir faturas para se furtar à tributação. (g.n.). E, concluindo, asseverou: Por todo o exposto, julgo inconstitucional o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, § 4º, se considerado para efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgo o Fl. 1218DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.219 8 constitucional, para lhe da r interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150.755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (g.n.). Ainda mais preciso, o Min. Ayres Britto, a partir da redação original do art. 195 da Constituição Federal (anterior à promulgação da Emenda Constitucional – EC n.º 20, de 1998), claramente identificou o conceito de faturamento com equivalente à receita operacional: A Constituição de 88, pelo seu art.195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art.22, § 1º, “a”, assim redigido – parece que o Ministro Velloso acabou de fazer também essa remissão à lei: Art.22 [...]§ 1º [...] a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. Logo, receita operacional é receita bruta de tais vendas ou negócios, mas não incorpora outras modalidades de ingresso financeiro: royalties, aluguéis, rendimentos de aplicações financeiras, indenizações etc. (g.n.). E isso porque o inciso I do art. 195 da CF, na redação anterior à EC n.º 20, de receita não falava, mas apenas de faturamento e lucro, como que a abraçar todas as dimensões de riqueza geradas pela pessoa jurídica a partir da realização de seu objeto social – a receita operacional. Além disso, também naquele acórdão, apresentou o seguinte posicionamento do Tribunal Regional da 3ª Região como reforço argumentativo: AGRAVO LEGAL. HIPÓTESE DE APLICAÇÃO DO ART. 557, DO CPC. MANDADO DE SEGURANÇA. PROCESSO ADMINISTRATIVO. PIS/COFINS. SEGURADORAS. RECEITAS FINANCEIRAS LIVRES. INCIDÊNCIA. DECISÃO MANTIDA. AGRAVO IMPROVIDO. 1. O art. 557, caput e § 1ºA do CPC autoriza que o relator negue seguimento ou dê provimento ao recurso quando a decisão recorrida estiver em confronto com a Fl. 1219DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.220 9 jurisprudência dominante no respectivo Tribunal ou de Tribunal Superior. Possibilidade de aplicação do dispositivo à hipótese vertente. 2. Em relação à aplicação da Lei nº 9.718/98 às empresas de seguros privados, como é o caso das impetrantes, observo que o C. STF manteve incólume o caput do art. 3º, nos termos do RE 357.950. 3. Quanto aos efeitos da declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98 pelo Pleno do STF (RE 357.9509/ RS), em relação à base de cálculo das contribuições PIS e COFINS no que pertine às instituições financeiras e equiparadas, o tema foi objeto do Parecer PGFN/CAT/Nº 2773/2007, datado de 28 de março de 2007. 4. As seguradoras não são beneficiadas pela declaração de inconstitucionalidade do parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, pelo Supremo Tribunal Federal, por se sujeitarem a regramento próprio (arts. 2º e 3º, caput e parágrafos 5º e 6º, da Lei 9.718/98). 5. No caso de empresas de seguros privados, cumpre ressaltar, que a própria Lei nº 9.718/98, em seu art. 3º, § 6º, II, prevê quais são as deduções e exclusões possíveis na determinação da base de cálculo do PIS e da Cofins, a saber: o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. 6. A incidência das contribuições ao PIS e à Cofins sobre as receitas financeiras oriundas de aplicações ou de reservas técnica é medida que se impõe, pois tais valores resultam da atividade empresarial típica da seguradora, resultantes de parte dos prêmios captados de seus clientes e investidos no mercado financeiro, integrando, desta feita, o seu faturamento. 7. Tal entendimento restou consignado na Solução de Consulta nº 91, publicada pela Superintendência da Receita Federal em São Paulo, segundo a qual as receitas de seguradoras geradas com a aplicação de valores reservados ao pagamento de sinistros são tributadas pelo PIS e pela Cofins. 8. Não há elementos novos capazes de alterar o entendimento externado na decisão monocrática. 9. Agravo legal improvido. (TRF da 3ª Região, rel. Desembargadora Consuelo Yoshida, AMS 00087126520154036100, eDJF3 Judicial 1 DATA:01/04/2016) Ressaltese, ainda, que o Banco Triângulo, no processo nº 10675.907434/200908, que tratava de pedido de restituição de PIS/Pasep, suportado pelo mesmo Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782, cuja matéria julgada é fulcro da argumentação no presente processo, teve sua apreciação por esta 3ª Turma em 03/06/2014, no acórdão nº 9303002.984. Naquele decisum, igualmente foi esquadrinhada a questão no tocante às receitas financeiras, como decorrentes das atividades empresariais das instituições financeiras, sendo componentes de suas receitas operacionais, e por isso para elas englobadas no conceito de faturamento; também lhe sendo desfavorável o entendimento, portanto. Em face daquele resultado a empresa, em 17/11/2015, ingressou com novo Mandado de Segurança, naquela oportunidade discutindo especificamente o alcance do faturamento para sua atividade, haja vista o posicionamento do fisco ao analisar o alcance do Mandado de Segurança n° 2000.38.03.0007782. Recebida a liminar favoravelmente, o novo mandado foi julgado em primeira instância, pelo Juiz Federal Lincoln Rodrigues de Faria, com Fl. 1220DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.221 10 sentença1, em 10/05/2017, que revogou a liminar concedida, utilizandose da seguinte argumentação, sobre a qual também me apoio: A Segurança concedida em favor da impetrante (RE nº 401.348 7)reconheceu a inconstitucionalidade da modificação da base de cálculo do PIS proposta pelo artigo 3º, § 1º da Lei nº 9.718/98 (evitandose a incidência sobre a totalidade de suas receitas), para que houvesse a incidência “das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (fl. 444). Do exame do teor da decisão proferida em favor da impetrante, notase que não houve, em momento algum, enfrentamento jurisdicional a respeito da inclusão ou não de receitas operacionais na base de cálculo do PIS. Ou seja, em que pese o reconhecimento de aplicação de interpretação restrita ao conceito de receita bruta, não houve autorização judicial para que se determinasse a exclusão de receitas operacionais na base de cálculo do PIS. Como se sabe, a coisa julgada faz lei entre as partes, mas tão somente quanto ao que foi expressamente decidido, tendo o legislador consignado que: Art. 503 do CPC. A decisão que julgar total ou parcialmente o mérito tem força de lei nos limites da questão principal expressamente decidida. Mesmo que a parte impetrante tenha mencionado, em causa de pedir no aludido writ, que sobre o faturamento não poderia incidir outras receitas, como as receitas financeiras (fls. 122/123), como o tema sequer fora enfrentado judicialmente, não se pode suscitar proteção do manto da coisa julgada a esse respeito. Trago à colação acórdão nesse sentido, que se amolda ao presente caso ante a similitude existente: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. VÍCIOS. AUSÊNCIA. PREQUESTIONAMENTO. EMBARGOS CONHECIDOS PARCIALMENTE E, NA PARTE CONHECIDA, REJEITADOS. 1 (...) 3 Ao contrário do alegado pelo recorrente, não há de se falar em violação à coisa julgada no mandado de segurança MS nº 1999.61.00.0451169. 4 Verificase, à vista da decisão proferida no referido mandamus, objeto de recurso extraordinário interposto pelo impetrante (RE 485.125/SP, de Relatoria do Ministro Sepúlveda Pertence), que foi dado parcial provimento ao recurso, nos termos do disposto no art. 557, § 1ºA, do antigo CPC, para: "reformar o acórdão recorrido na parte em que julgou válida a ampliação da base de cálculo do PIS/COFINS". Esse é o teor da decisão que transitou em julgado em 5 de maio de 2006 (fls. 55/57). 5 Desse modo, foi 1 https://processual.trf1.jus.br/consultaProcessual/processo.php?proc=00143971420154013803&secao=UDI&pg=1 &enviar=Pesquisar Fl. 1221DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.222 11 reconhecido ao apelante, ora embargante na aludida ação mandamental o direito ao recolhimento da contribuição ao PIS/COFINS sem a ampliação da base de cálculo promovida pela Lei 9.718/98, ao reconhecimento da inconstitucionalidade perpetrada pelo § 1º, do art. 3º, desse diploma legal, objeto de pedido da inicial nos autos do referido MS. 6 A referida decisão, contudo, ao contrário do que entende o recorrente, não tem o condão de infirmar a validade dos débitos apontados nos processos administrativos impugnados, porquanto tratou apenas do reconhecimento de inconstitucionalidade do referido dispositivo legal sem adentrar na discussão de mérito acerca da distinção entre receitas (receitas provenientes de operações financeiras e não financeiras) para fins de composição do faturamento da empresa e incidência da exação. 7 – (...) 12 Embargos de declaração parcialmente conhecidos e, na parte conhecida, rejeitados. (AMS – 336594 Relator(a) DESEMBARGADOR FEDERAL NERY JUNIOR Órgão julgador TERCEIRA TURMA Fonte eDJF3 Judicial 1 DATA:03/05/2017 – TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 3ª REGIÃO) Também, por ter o Supremo Tribunal Federal decidido que a base de cálculo do PIS deveria ser a “receita bruta das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais” (fl. 444), necessário verificar o enquadramento das receitas operacionais nestas atividades. Assim, por se tratar de instituição financeira, impende vislumbrar quais seriam as suas atividades empresariais para, então, saber se os serviços que culminam receitas operacionais estariam ali abrangidas. Nos termos do artigo 17 da Lei nº 4.595/1964, o legislador conceituou o que seja instituição financeira e suas atividades regulares, senão vejamos: Art. 17 da Lei nº 4.595/64. Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros. Noutro norte, conceituando o que seriam receitas operacionais, o dicionário Wikipédia (2) assim dispõe: Receitas operacionais são as provenientes do objeto de exploração da empresa ou de sua atividade principal e classificamse em: Receita da atividade técnica ou principal, que diz respeito à atividade principal da empresa, como venda de produtos, mercadorias ou serviços. Receita acessória ou complementar, que normalmente decorre da receita da atividade principal e representa rendimentos complementares. No Brasil, denominase contabilmente esse grupo de "outras receitas Fl. 1222DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.223 12 operacionais", as quais se constituem basicamente de rendimentos de aplicações financeiras. Por ser objeto de exploração da instituição financeira, as receitas operacionais se inserem no conceito de faturamento acatado pelo STF, que, por interpretação teleológica e sistemática, excluiu somente as receitas não operacionais, sendo aquelas não decorrentes da atividade regular explorada pela sociedade contribuinte. Nesse sentido, os seguintes precedentes judiciais: TRIBUTÁRIO. COFINS. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. LEI 9.718/98. LC 70/91. BASE DE CÁLCULO. CONCEITO DE FATURAMENTO. INCIDÊNCIA SOBRE RECEITAS OPERACIONAIS. PRECEDENTES DO STF, DO STJ E DESTA CORTE. 1. A jurisprudência da Suprema Corte firmouse no sentido da inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei n. 9.718/98, que teria ampliado a base de cálculo das contribuições ao PIS e COFINS ao arrepio do texto constitucional vigente no momento da sua edição, CF, art. 195, I (RE ns. 357950, 390840, 358273 e 346084). 2. Ao contrário da Lei n. 9.718/98, as Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003 são posteriores à EC 20/98, que autorizou a incidência das exações sobre o faturamento e a receita. (...) 4. As instituições financeiras e as demais pessoas jurídicas a elas equiparadas devem ter sua incidência de PIS e COFINS nos termos do art. 3º, caput e §§ 5º e 6º da Lei n. 9.718/98 sobre o faturamento, assim entendido como a receita bruta da venda de mercadorias e da prestação de serviços, que abrange também toda receita operacional auferida mediante a atividade típica da empresa, segundo o seu objeto social. Portanto, estão excluídas da base de cálculo da referida contribuição social as receitas de natureza nãooperacional, durante a vigência da Lei n. 9.718/98. 5. No mesmo sentido, vem decidindo esta Corte: 3ª Turma Especializada, AMS 200651010226515, Rel. Des. Fed. LANA REGUEIRA, EDJF2R 12.7.2013; 4ª Turma Especializada, APELRE 200951010106419, Rel. Des. Fed. LUIZ ANTONIO SOARES, EDJF2R 11.9.2012; 3ª Turma Especializada, APELRE 200851040042166, Rel. Des. Fed. SALETE MACCALOZ, EDJF2R 5.7.2011. 6. Apelação do Demandante não provida e da União parcialmente provida. (AMS 00021460620044025101 Relator(a) RICARDO PERLINGEIRO Data da Publicação 03/06/2014 – TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO) TRIBUTÁRIO. PIS/COFINS. PRESCRIÇÃO. BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. INAPLICABILIDADE DAS LEIS 10.637/2002 E 10.833/2003. ART. 3º, § 1º DA Lei 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DECLARADA PELO STF. COMPENSAÇÃO. CORREÇÃO MONETÁRIA. 1. A segunda parte do art. 4º da LC 118/2005 foi declarada inconstitucional, e considerouse válida a aplicação do novo prazo de cinco anos apenas às ações ajuizadas a partir de 9/6/2005 após o decurso da vacatio legis de 120 dias (STF, RE 566621/RS, rel. ministra Ellen Gracie, Tribunal Pleno, DJe Fl. 1223DF CARF MF Processo nº 10970.000936/201005 Acórdão n.º 9303007.592 CSRFT3 Fl. 1.224 13 de 11/10/2011). 2. O Supremo Tribunal Federal firmou entendimento pela inconstitucionalidade da ampliação do conceito de faturamento, previsto no art. 3º, caput, § 1º, da Lei 9.718/1998 (repercussão geral, RE 585.235 QORG/ MG). 3. As instituições financeiras estão obrigadas ao recolhimento do PIS e da COFINS de acordo com a base de cálculo estabelecida nas Leis Complementares 7/1970 e 70/1991. Apenas a eventual incidência dessas contribuições sobre receitas não operacionais é que será indevida. 4. Não se aplica a tais instituições às disposições das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, consoante disposto no inciso I dos arts. 8º e 10, respectivamente. 5. Apelação da Fazenda Nacional e remessa oficial, tida por interposta, a que se nega provimento. 6. Apelação da parte autora a que se dá parcial provimento. (APELAÇÃO CIVEL Relator(a) DESEMBARGADORA FEDERAL MARIA DO CARMO CARDOSO Sigla do órgão TRF1 Órgão julgador OITAVA TURMA Fonte eDJF1 DATA:06/09/2013) (Destaques do original) Pelo conjunto das razões expostas, voto por não dar provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1224DF CARF MF
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Numero do processo: 10283.720432/2006-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001
NORMAS PROCESSUAIS. ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual.
DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL.
Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do ait. 150. §4°. do CTN.
DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF (VINCULANTE).
O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano-calendário.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996.
A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
CONTRATO DE MUTUO. CONDIÇÕES DE VALIDADE.
Para que seja comprovada a relação obrigacional estabelecida em um contrato de mútuo é necessário que esse contrato esteja amparado em determinadas condições que atestem a sua efetividade, dentre elas a existência de contrato escrito com definição do valor mutuado e da data da sua disponibilidade, previsão de cobrança de juros e de prazo de vencimento do mútuo e prova do pagamento dos juros e da quitação do valor do empréstimo, pelo mutuário, ao final do contrato. Contratos meramente verbais desprovidos de elementos probatórios não possuem validade frente à administração tributária.
SÓCIO DE: PESSOA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO INDIRETA. TRIBUTAÇÃO.
Constituem rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual na declaração de rendimentos da pessoa física os benefícios complementares e vantagens indiretas concedidas pela pessoa jurídica a seus sócios, pois caracterizam remunerações indiretas.
Numero da decisão: 2202-004.892
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo de Sousa Sáteles - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia.
Nome do relator: MARCELO DE SOUSA SATELES
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ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Os argumentos de defesa trazidos apenas em grau de recurso, em relação aos quais não se manifestou a autoridade julgadora de primeira instância, impedem a sua apreciação, por preclusão processual. DECADÊNCIA. RENDIMENTOS SUJEITOS AO AJUSTE ANUAL. Na hipótese de pagamento antecipado do tributo, o direito de a Fazenda lançar o Imposto de Renda Pessoa Física devido no ajuste anual decai após cinco anos contados da data de ocorrência do fato gerador que se perfaz em 31 de dezembro de cada ano, desde que não seja constada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, nos termos do ait. 150. §4°. do CTN. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. FATO GERADOR. SÚMULA 38 DO CARF (VINCULANTE). O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do anocalendário. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ARTIGO 42 DA LEI Nº 9.430, DE 1996. A presunção legal de omissão de rendimentos, prevista no art. 42, da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTRATO DE MUTUO. CONDIÇÕES DE VALIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 72 04 32 /2 00 6- 69 Fl. 390DF CARF MF 2 Para que seja comprovada a relação obrigacional estabelecida em um contrato de mútuo é necessário que esse contrato esteja amparado em determinadas condições que atestem a sua efetividade, dentre elas a existência de contrato escrito com definição do valor mutuado e da data da sua disponibilidade, previsão de cobrança de juros e de prazo de vencimento do mútuo e prova do pagamento dos juros e da quitação do valor do empréstimo, pelo mutuário, ao final do contrato. Contratos meramente verbais desprovidos de elementos probatórios não possuem validade frente à administração tributária. SÓCIO DE: PESSOA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO INDIRETA. TRIBUTAÇÃO. Constituem rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual na declaração de rendimentos da pessoa física os benefícios complementares e vantagens indiretas concedidas pela pessoa jurídica a seus sócios, pois caracterizam remunerações indiretas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andréa de Moraes Chieregatto, Ludmila Mara Monteiro de Oliveira, Marcelo de Sousa Sáteles (Relator) Martin da Silva Gesto, Ricardo Chiavegatto de Lima e Ronnie Soares Anderson (Presidente). Ausente o Conselheiro: Rorildo Barbosa Correia. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0111.193, proferido pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belém PA (DRJ/BEL) que julgou procedente o lançamento. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ de origem que assim os relatou: Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 107/113, no qual é exigido Imposto sobre a Renda de Pessoa Física (IRPF) referente ao anocalendário 2001, na quantia de R$ 251.624,13, compreendendo principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2006. Fl. 391DF CARF MF Processo nº 10283.720432/200669 Acórdão n.º 2202004.892 S2C2T2 Fl. 391 3 2. As infrações atribuídas pela autoridade fiscal, de cujos montantes (bases tributáveis) resultaram a exigência fiscal objeto do lançamento, correspondem a) omissão de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício recebidos de pessoa jurídica; b) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada. 3. Cientificado do lançamento em 22.12.2006 (fl. 107) o interessado apresentou, em 19.01.2007 (fl. 121), impugnação na qual alega: a) A Constituição Federal estipula uma série de garantias ao contribuinte contra a voracidade fiscal, estabelecendo lindes à competência tributária estatal. Por sua vez, os princípios constituem a estrutura do sistema jurídico, os vetores do sistema. Relaciona ensinamentos acerca dos princípios da segurança jurídica e da legalidade tributária. b) Houve decadência do direito de a Fazenda efetuar o lançamento tributário. O auto de infração aponta fatos geradores materializados nos meses de janeiro e março/dezembro de 2001, sendo que cada um desses meses constituía um fato gerador do imposto de renda, com ciência ao autuado, do lançamento respectivo, apenas em 22 de dezembro de 2006. Cita jurisprudência. c) Não pôde exercer na plenitude a sua defesa, porque não teve acesso aos documentos fiscais em que se pautou o lançamento tributário, para contradizer as argumentações produzidas pela Receita Federal, restando patente a violação aos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. Leciona longamente acerca dos princípios do devido processo legal, do contraditório e da ampla defesa. d) Depósitos bancários não constituem por si só fato gerador do imposto de renda, havendo a necessidade de que fosse demonstrado que o uso de tais recursos resultou em aumento da riqueza do impugnante ou ainda que sinais exteriores de riquezas apontem para a renda consumida. Refere jurisprudência e decisões administrativas. e) No que diz respeito ao pagamento de despesas pessoais do impugnante pela empresa São Jorge Participações Ltda, não procede o argumento fiscal no sentido de que, a despeito de tais valores terem sido contabilizados como empréstimos, consistiam, em verdade, em benefícios indiretos pagos. É que a lei civil que regulamenta os contratos de empréstimo, nas modalidades mútuo e comodato, não estabelece forma para que eles tenham validade e, desse modo, é possível contratar um empréstimo verbalmente sem que isso prejudique a sua eficácia. Em face de grave crise econômica, a empresa São Jorge Transportes Especiais SA, por muito tempo, “apurou prejuízo no fim dos exercícios sociais, não pôde distribuir lucros, por não têlos auferido, e não pôde pagar ao seu administrador (o impugnante) o prólabore. A saída por ela encontrada para que, como administrador, o impugnante não fosse obrigado a trabalhar sem Fl. 392DF CARF MF 4 qualquer remuneração foi emprestar dinheiro à São Jorge Participações Ltda (única sócia que compunha e ainda compõe seu quadro societário), para que esta última, por sua vez, o emprestasse ao impugnante, a fim de que ele pudesse manterse e à sua família, com o compromisso de devolver tudo, assim que possível, ou mesmo de abater do que viria a ter direito, posteriormente, como contraprestação do seu trabalho. (...) a contabilização das operações realizadas entre a empresa São Jorge Transportes Especiais SA, a empresa São Jorge Participações Ltda e o impugnante está correta. O fato de os valores repassados corresponderem, muitas vezes, ao montante das despesas do Senhor Lúcio Flávio e de seus familiares não as descaracteriza (...), sendo impossível transformálas em benefícios indiretos, para o fim de incidência do imposto de renda” (fl. 153). O direito tributário nacional não admite interpretação econômica. Aduz que, acaso os empréstimos tomados pelo impugnante pudessem ser considerados remuneração, pelo menos a empresa São Jorge Transportes Especiais SA teria o direito de deduzilos da base de cálculo do IRPJ e da CSLL 4. Com fundamento em tais alegações, pugna para que seja reconhecida a nulidade do lançamento, em face da decadência tributária e, ainda, para que seja proferida a improcedência do lançamento. O crédito tributário foi julgado procedente. A decisão teve a seguinte ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2001 INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A autoridade administrativa não possui atribuição para apreciar argüição de inconstitucionalidade ou de ilegalidade de disposições normativas. A legislação regularmente editada, segundo o procedimento próprio, goza de presunção de constitucionalidade e de legalidade. DECISÕES JUDICIAIS E ADMINISTRATIVAS. EFEITOS. São improfícuos os julgados judiciais e administrativos trazidos pelo sujeito passivo, por lhes falecer eficácia normativa, na forma do artigo 100, II, do Código Tributário Nacional. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE FISCALIZATÓRIA. INEXISTÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa antes de iniciado o prazo para a impugnação do lançamento, haja vista que, no decurso da ação fiscal, inexiste litígio ou contraditório, por força do artigo 14 do Decreto n° 70.235/1972. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2001 DECADÊNCIA. FALTA DE PAGAMENTO. REGRA GERAL. Fl. 393DF CARF MF Processo nº 10283.720432/200669 Acórdão n.º 2202004.892 S2C2T2 Fl. 392 5 O prazo para a Fazenda Pública constituir o crédito tributário do IPI que não tenha sido declarado e nem recolhido é de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. RENDIMENTOS. OMISSÃO. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. Caracterizam omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos respectivos. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. REMUNERAÇÃO INDIRETA. TRIBUTAÇÃO. Constituem rendimentos tributáveis sujeitos ao ajuste anual na declaração de rendimentos da pessoa física os benefícios complementares e vantagens indiretas concedidas pela pessoa jurídica a seus sócios, pois caracterizam remunerações indiretas. O contribuinte interpôs recurso voluntário em 18/08/2018 (efls. 362/387), alegando, em apertada síntese: Preliminarmente Decadência o imposto de renda das pessoas físicas é devido mensalmente, consoante art. 3º da Lei 7.713/88, sendo o fato gerado mensal, logo a decadência começa a contar do fim de cada mês de apuração; logo o crédito tributário levantado estaria decadente Do Mérito a lei civil, que regulamenta os contratos de empréstimo, nas modalidades mútuo e comodato, não estabelece forma para que eles tenham validade, portanto, é possível contratar um empréstimo apenas verbalmente, sem que isso prejudique a sua eficácia no mundo jurídico; considerando, portanto, que os contratos de empréstimo podem ser verbais, a contabilização das operações realizadas entre a São Jorge Transportes Especiais S/A, a São Jorge Participações Ltda. e o recorrente estão corretos. O fato de os valores repassados corresponderem, muitas vezes, ao montante das despesas do Sr. Lúcio Flávio e de seus familiares não as descaracteriza (às operações de empréstimo), sendo impossível transformá las em benefícios indiretos, para o fim de incidência do imposto de renda, como pretendeu a fiscalização; outrossim, se os empréstimos tomados pelo recorrente pudessem ser considerados remuneração, pelo menos a São Jorge Transportes Especiais S/A (optante pelo lucro real) teria o direito de deduzilos, nessa condição, como despesa do cálculo do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido; Fl. 394DF CARF MF 6 se fosse realmente possível desqualificar os empréstimos feitos pela São Jorge Participações Ltda. ao recorrente, classificandoos como remuneração por meio de benefícios indiretos, o imposto deveria ter sido requerido única e exclusivamente da referida empresa; nunca do recorrente. É de se estranhar que as DRF de Manaus e de Belém tenham ignorado esse mandamento legal, no tão festejado exercício plenamente vinculado de suas atividades funcionais; no que diz respeito à suposta omissão de receita, caracterizada pela ausência de justificativa para os depósitos feitos numa conta do recorrente, o que houve foi que, com o objetivo de investir em empresas do grupo e de empreender outros novos investimentos, a Tetoplan Construções Ltda., na ausência de uma empresa controladora (holding), que viria a se constituir posteriormente, depositou os valores ditos "não identificados" na conta n° 198402, do Banco Safra S/A, de titularidade do recorrente, para uma melhor coordenação e controle. O intuito da operação era economizar CPMF e evitar que o dinheiro se misturasse ao caixa da Léo Comercial Ltda. (empresa da qual era sócio o recorrente, na qual se pretendia investir, naquela oportunidade). Em 23/04/2004 foi solicitado o encerramento da conta, como já exaustivamente mencionado e provado nos autos do procedimento fiscal. O Simples Depósito não Constitui Fato Gerador de Imposto de Renda os depósito bancários não constituem fato gerador do imposto de renda, pois não caracterizam disponibilidade econômica de renda ou proventos, portanto, não podem servir de base para apuração da referida exação; colaciona decisões judiciais e administrativas para embasar suas alegações; Da Ilegitimidade Passiva do Recorrente entende que tanto no caso dos depósito, quanto de empréstimo o contribuinte é parte ilegítima para figurar no pólo passivo do lançamento tributário, requer então a nulidade do lançamento; Da Multa a alíquota de 75 % usado pra o cálculo da multa aplicada na autuação é abusiva, consistindo em flagrante confisco, o que é repudiado pelo ordenamento jurídico pátrio, indo de encontro ao princípio da proporcionalidade razoável É o relatório. Voto Marcelo de Sousa Sáteles, Conselheiro Relator O recurso foi apresentada tempestivamente. Fl. 395DF CARF MF Processo nº 10283.720432/200669 Acórdão n.º 2202004.892 S2C2T2 Fl. 393 7 DAS PRELIMINARES 1 Da supressão de instância Analisando a impugnação do contribuinte (efls. 242/314), verificase que os seguintes argumentos apresentados em grau de recurso, não constavam de sua impugnação: ilegitimidade passiva do Recorrente, onde requereu a nulidade do lançamento, e a alíquota abusiva da multa de ofício, no percentual de 75%. Mister notar que o recorrente não pode modificar o pedido ou invocar outra causa petendi (causa de pedir) nesta fase do contencioso, sob pena de violação dos princípios da congruência, estabilização da demanda e do duplo grau de jurisdição administrativa, em ofensa aos arts. 14 a 17 do Decreto nº 70.235/72 (em especial o § 4º do art. 16), bem como aos arts. 141, 223, 329 e 492 do Código de Processo Civil (CPC), mormente quando não há motivo para só agora aduzir os questionamentos referidos. Revelase, portanto, que a adução recursal em específico, não antes levantada no curso do contencioso, tem fins precipuamente procrastinatórios, não merecendo ser conhecida, à míngua de amparo normativo para tanto. 2 Da decadência Quanto à suposta decadência, é preciso esclarecer que o fato gerador do IRPF é complexivo. Ou seja, embora apurado mensalmente, está sujeito ao ajuste anual quando é possível definir a base de cálculo e aplicar a tabela progressiva, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. ''Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2005,2006 IRPF. DECADÊNCIA. FATO GERADOR QUE SOMENTE SE APERFEIÇOA NO DIA 31 DE DEZEMBRO DE CADA ANO. O fato gerador do IRPF é complexivo, aperfeiçoandose no dia 31/12 de cada anocalendário. Assim, como não houve o transcurso do prazo de 5 (cinco) anos entre a ocorrência do fato gerador e a intimação do contribuinte da lavratura do auto de infração, devese afastar a alegação de decadência do crédito tributário. (...) (acórdão n°2402005.594; 19/01/2017) Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2006, 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 (...) Fl. 396DF CARF MF 8 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGA ÇÃO. PRAZO DECADENCIAL DE CONSTITUIÇÃO DO CRÉDITO. Existindo a comprovação de ocorrência de dolo, fraude ou simulação por parte do contribuinte, o termo inicial da contagem do prazo decadencial será o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (CTN, Art. 173, I). Súmula CARF n° 72: Caracterizada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo decadencial regese pelo art. 173,1, do CTN. Quando não configurada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação e havendo antecipação do pagamento do imposto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, a contagem do prazo se inicia na data de ocorrência do fato gerador (CTN, Art. 150, § 4o), esclarecendose que o fato gerador do imposto sobre a renda se completa e se considera ocorrido em 31 de dezembro de cada ano calendário. (...) Recurso Voluntário Provido em Parte. (processo n° 10980.725701/201183,1a Turma Especial da 2a Seção do CARF, julgado em 18/02/2014). Nesse sentido consta a Súmula n. 38 do CARF, in verbis: Súmula CARF nº 38 (VINCULANTE): O fato gerador do Imposto sobre a Renda da Pessoa Física, relativo à omissão de rendimentos apurada a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, ocorre no dia 31 de dezembro do ano calendário. Como regra geral, o termo inicial para a contagem do prazo decadencial é aquele definido no inciso I, do art. 173 do do CTN, nos seguintes termos: Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento. Entretanto, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, como é o caso do Imposto de Renda , havendo pagamento antecipado por parte do sujeito passivo, ainda que parcial, o prazo decadencial contase nos termos do §4o do art. 150 do CTN, que assim dispõe: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, Fl. 397DF CARF MF Processo nº 10283.720432/200669 Acórdão n.º 2202004.892 S2C2T2 Fl. 394 9 tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. (...) § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação.” Destarte, é primordial verificar a existência ou não de pagamento a fim de ser fixada qual das duas regras será utilizada para a determinação do termo inicial para a contagem do prazo decadencial. No presente caso, constatase em análise na DIRPF (efls. 14/18) do contribuinte que inexiste qualquer recolhimento antecipado por parte do contribuinte. Em assim sendo, fica afastada a regra especial constante do artigo 150, § 4°. do CTN, havendose de computar a decadência pela regra geral do artigo 173, inciso I, do referido diploma legal, segundo a qual o prazo respectivo é contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que os lançamentos, referentes a cada período de apuração, poderiam ter sido efetuados, No presente caso, tratandose de fatos ocorridos no anocalendário de 2001, o termo inicial da decadência é o primeiro dia do exercício seguinte, isto é, 01/01/2002. Tendo sido cientificado regularmente o lançamento ao sujeito passivo em 22/12/2006, constatase que não se operou a decadência argüida. DO MÉRITO Da Omissão de Rendimentos do Trabalho sem Vinculo Empregatício Quanto à infração de rendimentos do trabalho sem vínculo empregatício, transcrevemos parte do auto de infração, por bem descrever a infração em questão: (...) Em 22 de junho de 2004 foi dada ciência ao contribuinte do Termo de Início de Fiscalização, através de sua representante legal Maria Joaquina Oliveira de Souza CPF 239.786.78268 (fls. 10 a 12). Entre outros documentos, foi solicitada a documentação comprobatória de dívidas e ônus reais informados pelo contribuinte em sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física relativa ao ano 2001. . Em 09/07/2004 o contribuinte apresentou resposta ao Termo de Início, disponibilizando cópias do Razão Analítico da empresa São Jorge Participações Ltda CNPJ 04.769.006/000189, doravante denominada "Limitada", onde constam os saldos de RS 999.315,45 em 31/12/200 e R$ 1.205.682,28 em 31/12/2001 na conta "Lucio Flávio M. de I Oliveira", e tais valores estavam lançados a título de empréstimos (fls. 24 a 26). Fl. 398DF CARF MF 10 Desta forma, em 20/07/2004 o contribuinte foi intimado a apresentar os livros Diário e Razão da empresa São Jorge Participações Ltda, bem como contratos de empréstimo/financiamento com sócios (fl. 27). Em 27/07/2004 o fiscalizado disponibilizou os livros solicitados, e informou não ter localizado contratos de empréstimos/financiamentos. Na análise dos livros contábeis, foi constatada a necessidade de se verificar lançamentos na empresa São Jorge Transportes Especiais S/A CNPJ 63.658.256/000100, doravante denominada "S/A" Em 27/08/2004 esta fiscalização, através de diligência na empresa, obteve cópias de livros contábeis (fls. 28 a 42). Analisandose as informações contidas nas escriturações das duas empresas, e as confrontando com documentos obtidos no curso da fiscalização, constatouse que os empréstimos obtidos pelo contribuinte eram, na verdade, pagamentos de suas despesas pessoais e particulares, tais como contas de telefone, mensalidades de planos de saúde, colégio e faculdade dos filhos etc. Ao confrontarmos as despesas escrituradas com os comprovantes de pagamento, constatase a correção das informações contabilizadas (fls. 47 a 70 e 80 a 93). O procedimento contábil adotado foi o de consolidar as despesas diárias do contribuinte e seus dependentes, despesas pagas pela S/A, em uma conta denominada "São Jorge Participações Ltda". Na contabilidade da Ltda esses valores eram distribuídos e consolidados em outras contas, dentre as quais a conta "Lúcio Flávio M. de Oliveira". Conforme relatado anteriormente, regularmente intimado o contribuinte não apresentou contratos de empréstimos. Desta forma, inferese que tais empréstimos consistem, na verdade, em um modo de empresa distribuir rendimentos a seu sócio, rendimentos esses qualificados como benefícios indiretos, de acordo com o art. 43, XVII do Regulamento do Imposto de Renda/1999, reproduzido a seguir: (...) (grifos nosso) Por anuir com os seguintes fundamentos do julgador a quo, adotoos como razões de decidir, no essencial: Verificase que parcela do lançamento foi efetuado com base na apuração de omissão de rendimentos em virtude de se haver constatado que os empréstimos obtidos pelo contribuinte eram, na verdade, pagamentos de suas despesas pessoais, sendo que “o procedimento contábil adotado foi o de consolidar as despesas diárias do contribuinte e seus dependentes, despesas pagas pela S/A, em uma conta denominada ‘São Jorge Participações Ltda’. Na contabilidade da Ltda esses valores eram distribuídos e consolidados em outras contas, dentre as quais a conta ‘Lúcio Flávio M. de Oliveira’ (...)” (fl. 109). Nesse passo, cumpre observar que os artigos 43 e 622 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99 – estabelecem que são tributáveis as Fl. 399DF CARF MF Processo nº 10283.720432/200669 Acórdão n.º 2202004.892 S2C2T2 Fl. 395 11 remunerações pagas aos sócios da empresa pela prestação de serviços (prólabore), bem como os benefícios e vantagens concedidos a seus administradores e diretores, como seguem: “Art.43.São tributáveis os rendimentos provenientes do trabalho assalariado, as remunerações por trabalho prestado no exercício de empregos, cargos e funções, e quaisquer proventos ou vantagens percebidos, tais como (Lei nº 4.506, de 1964, art. 16, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, Lei nº 8.383, de 1991, art. 74, e Lei nº 9.317, de 1996, art. 25, e Medida Provisória nº 1.769 55, de 11 de março de 1999, arts. 1º e 2º): [...] XIIIas remunerações relativas à prestação de serviço por: [...] d)titular de empresa individual ou sócios de qualquer espécie de sociedade, inclusive as optantes pelo SIMPLES de que trata a Lei nº 9.317, de 1996; [...] XVII benefícios e vantagens concedidos a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, ou a terceiros em relação à pessoa jurídica, tais como: a)a contraprestação de arrendamento mercantil ou o aluguel ou, quando for o caso, os respectivos encargos de depreciação, relativos a veículos utilizados no transporte dessas pessoas e imóveis cedidos para seu uso;b)as despesas pagas diretamente ou mediante a contratação de terceiros, tais como a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa, os pagamentos relativos a clubes e assemelhados, os salários e respectivos encargos sociais de empregados postos à disposição ou cedidos pela empresa, a conservação, o custeio e a manutenção dos bens referidos na alínea "a". [...] Remuneração Indireta Art. 622. Integrarão a remuneração dos beneficiários (Lei nº 8.383, de 1991, art. 74): [...] II as despesas com benefícios e vantagens concedidos pela empresa a administradores, diretores, gerentes e seus assessores, pagos diretamente ou através da contratação de terceiros, tais como: a) a aquisição de alimentos ou quaisquer outros bens para utilização pelo beneficiário fora do estabelecimento da empresa; [...]” Fl. 400DF CARF MF 12 Vejase que no caso concreto, além das provas carreadas aos autos pela Fiscalização, também a própria argumentação articulada pelo impugnante é confirmativa da natureza tributável dos valores em questão, na medida em que, em suas próprias palavras, a empresa São Jorge Transportes Especiais SA, para que o impugnante: “não fosse obrigado a trabalhar sem qualquer remuneração, foi emprestar dinheiro à São Jorge Participações Ltda (...) para que esta última, por sua vez, o emprestasse ao impugnante” (fl. 153). Ora, o que o relato em destaque sustenta é tão somente que a pessoa jurídica São Jorge Transportes Especiais SA, com a finalidade de remunerar o impugnante, tomou valores em empréstimo de outra pessoa jurídica. Ou seja, os valores assim recebidos pelo interessado constituíram remuneração, submetendose, pois, à tributação pelo imposto de renda. Portanto, diante da existência de prova material do recebimento de rendimentos indiretos (pagamento de despesas pessoais) não declarados pelo contribuinte, impõese o lançamento dos rendimentos omitidos. Ressaltese, por último, que é absolutamante irrelevante para o deslinde dos fatos sob apreciação eventuais efeitos tributários que os pagamentos em tela – representados por remuneração em forma de benefícios – haveriam de produzir na base de cálculo do IRPJ e da CSLL da pessoa jurídica São Jorge Transportes Especiais SA, posto que o presente processo versa exclusivamente acerca do imposto de renda devido pelo impugnante. Acrescento à decisão do juízo a quo que ao contrário do alegado pelo Recorrente de que os contratos de empréstimo, nas modalidades mútuo e comodato, não estabelecem forma para que eles tenham validade, portanto, é possível contratar um empréstimo apenas verbalmente, não merece prosperar, em face da Fazenda Pública. Para que os contratos de empréstimos sejam oponíveis a terceiros, mormente quando este terceiro é a Fazenda Pública e a finalidade é a comprovação de operação sobre a qual não incide tributos, os contratos de empréstimos devem ser escritos e registrados. É o que dispõe o 221 do Código Civil Brasileiro( Lei n.° 10.406, de 10 de janeiro de 2002): Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. As cautelas adotadas pela lei justificamse por razões de variada ordem, estando entre elas, por certo, as intenções de dar publicidade a determinados atos e a de evitar que terceiros sejam prejudicados por simulações negociais. Afinal, fácil seria a produção de instrumentos nos quais os elementos da transação data, valores, atribuição de responsabilidades, etc. , ou mesmo o conteúdo precípuo da própria transação, fossem, a qualquer tempo, modificados pelos contratantes. Somente por meio do contrato escrito é possível verificar: · o prazo do contrato; Fl. 401DF CARF MF Processo nº 10283.720432/200669 Acórdão n.º 2202004.892 S2C2T2 Fl. 396 13 · os valores envolvidos no empréstimo; · as datas que serão disponibilizados os valores emprestados ao Mutuário; · expirado o prazo contratual, a comprovação da quitação do empréstimo; · os juros envolvidos no contrato. Sobre este aspecto, já está consolidado administrativamente neste E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais a necessidade de que os contratos de mútuos devem ser por escrito. Confirase: Acórdão n. 2201000.781 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 (...) OPERAÇÃO DE MÚTUO REQUISITOS DE PROVA Para comprovação da operação de mútuo, além do registro público do contrato, é indispensável documentação hábil e idônea que demonstre a efetiva ocorrência do pactuado, o cumprimento das cláusulas aceitadas, como pagamentos em datas e valores convencionados; a simples apresentação de documentos particulares e/ou seu lançamento na contabilidade, por si sós, são insuficientes para opor a operação a terceiros e, principalmente, para afetar a tributação. (...) (Acórdão n. 2201000.781, 2a Câmara / 1a Turma Ordinária/2aSeção, Sessão de 08 de novembro de 2018) Acórdão n. 2201004.529 Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004. 2005. 2006 (...) EMPRÉSTIMO. COMPROVAÇÃO. Para a comprovação do mútuo, é necessário, além da indicação na declaração de rendimentos, da capacidade financeira do mutuante e da comprovação da efetiva entrega do numerário à pessoa física, a existência de contrato de mútuo que. por ser instrumento particular, para que possa valer como elemento de prova oponível a terceiros, é imperativo que seja esteja registrado no Registro de Títulos e Documentos. Fl. 402DF CARF MF 14 (...) (Acórdão n. 2201004.529, 2a Câmara / 1a Turma Ordinária/2aSeção, Sessão de 10 de maio de 2018) No caso em concreto, ficou evidente que os supostos empréstimos obtidos pelo contribuinte eram, na verdade, pagamentos de suas despesas pessoais e particulares do ora Recorrente, tais como contas de telefone, mensalidades de planos de saúde, colégio e faculdade dos filhos etc, caracterizando então remuneração indireta, conforme legislação tributária supracitada. Da Omissão de Rendimentos Depósitos Bancários de Origem não Comprovada Considerando que os autos tratam da presunção de omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, é importante fazer um breve histórico da legislação que trata do assunto, antes de passar à análise da lide. A lei que primeiramente autorizou a utilização de depósitos bancários injustificados para arbitramento de omissão de rendimentos foi a Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, que assim dispõe em seu art. 6º e parágrafos: Art. 6º O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. § 1º Considerase sinal exterior de riqueza a realização de gastos incompatíveis com a renda disponível do contribuinte. § 2º Constitui renda disponível a receita auferida pelo contribuinte, diminuída dos abatimentos e deduções admitidos pela legislação do Imposto de Renda em vigor e do Imposto de Renda pago pelo contribuinte. § 3º Ocorrendo a hipótese prevista neste artigo, o contribuinte será notificado para o devido procedimento fiscal de arbitramento. § 4º No arbitramento tomarseão como base os preços de mercado vigentes à época da ocorrência dos fatos ou eventos, podendo, para tanto, ser adotados índices ou indicadores econômicos oficiais ou publicações técnicas especializadas. § 5º O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 6º Qualquer que seja a modalidade escolhida para o arbitramento, será sempre levada a efeito aquela que mais favorecer o contribuinte. O texto legal, portanto, permitiu o arbitramento dos rendimentos omitidos utilizandose depósitos bancários injustificados desde que demonstrados os sinais exteriores de riqueza, caracterizados por gastos incompatíveis com a renda disponível, e desde que este fosse o critério de arbitramento mais benéfico ao contribuinte. Percebese claramente que, na vigência da Lei nº 8.021, de 1990, o fator que permitia presumir a renda omitida eram os sinais Fl. 403DF CARF MF Processo nº 10283.720432/200669 Acórdão n.º 2202004.892 S2C2T2 Fl. 397 15 exteriores de riqueza, que deviam ser comprovados pela fiscalização, e não os depósitos bancários injustificados, mero instrumento de arbitramento. Porém, a partir de 01/01/1997, a tributação com base em depósitos bancários passou a ter um disciplinamento diferente daquele previsto na Lei nº 8.021, de 1990, com a entrada em vigor da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cujo art. 42, com a alteração introduzida pelo art. 4º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 12.000,00 (doze mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 80.000,00 (oitenta mil reais). § 4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. (...) Art. 88. Revogamse: (...) XVIII o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990; Desta forma, o legislador estabeleceu, a partir da referida data, uma presunção legal de omissão de rendimentos com base nos depósitos bancários condicionada apenas à falta de comprovação da origem dos recursos que transitaram, em nome do contribuinte, em instituições financeiras, ou seja, temse a autorização para considerar ocorrido Fl. 404DF CARF MF 16 o fato gerador quando o contribuinte não logra comprovar a origem dos créditos efetuados em sua conta bancária, não havendo a necessidade de o fisco juntar qualquer outra prova. Como regra, para alegar a ocorrência de fato gerador, a autoridade deve estar munida de provas. Porém, nas situações em que a lei presume a ocorrência do fato gerador, a produção de tais provas é dispensada. Sobre a questão, estabelece o Código de Processo Civil, nos seus artigos 333 e 334: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. (...) Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A presunção legal estabelecida pelo art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, é presunção relativa (juris tantum), a qual admite a prova em contrário, cabendo, pois, ao contribuinte, a sua produção. No caso em tela, a fiscalização, de posse dos valores movimentados nas contas do contribuinte mantidas junto às instituições financeiras, intimouo a comprovar e justificar documentalmente a origem dos depósitos nelas efetuados. Por comprovação de origem, entendese a apresentação de documentação hábil e idônea que possa identificar a fonte do crédito, o valor, a data e, principalmente, que demonstre, de forma inequívoca, a que título o beneficiário recebeu aquele valor, de modo a poder identificar a natureza da transação, se tributável ou não. Fazse necessário esclarecer que o que se tributa não são os depósitos bancários, como tais considerados, mas a omissão de rendimentos por eles representada. Os depósitos bancários são apenas a forma, o sinal de exteriorização, pelos quais se manifesta a omissão de rendimentos objeto de tributação. Depósitos bancários se apresentam, num primeiro momento, como simples indício da existência de omissão de rendimentos. Entretanto, esse indício se transforma na prova da omissão de rendimentos, quando o contribuinte, tendo a oportunidade de comprovar a origem dos recursos aplicados em tais depósitos, se nega a fazêlo, ou não o faz satisfatoriamente. Assim sendo, não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder/dever de considerar os valores depositados como rendimentos tributáveis e omitidos na declaração de ajuste anual, efetuando o lançamento do imposto correspondente. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a administração pública, cabendo ao agente fiscal tão somente a inquestionável observância do diploma legal. Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10283.720432/200669 Acórdão n.º 2202004.892 S2C2T2 Fl. 398 17 À vista do exposto, concluise que não cabe razão ao impugnante ao defender a impossibilidade de efetuar o lançamento do IRPF exclusivamente com base nos dados de depósitos bancários, sob a alegação de que o depósito bancário não constitui fato gerador de imposto de renda. Alega ainda o Recorrente de que a Tetoplan Construções Ltda depositou os valores ditos "não identificados" com o objetivo de investir em empresas do grupo e de empreender outros novos investimentos, no intuito de economizar CPMF e evitar que o dinheiro se misturasse ao caixa da Léo Comercial Ltda. Contudo, a fiscalização esclareceu no auto de infração (efls. 222) que: (...) Intimado, em 24/09/2004, a comprovar a origem dos valores creditados em suas cor bancárias, em 26/11/2004 o contribuinte respondeu justificando parte dos depósitos. Dos depósitos justificados, confirmouse que alguns são originados da empresa Tetoplan R$ 300.000,00, R$ 118.000,00 e R$ 55.840,00 e foram objeto de auto de infração na própria empresa mediante fiscalização desta Delegacia da Receita Federal. O depósito de R$ 27.000,00 consta do razão da empresa São Jorge Transportes Especiais S/A, e está incluído na análise efetuada por esta fiscalização e que resultou na infração "Omissão de Rendimentos Recebidos de Pessoas Juridicas". Os créditos restantes não foram devidamente justificados ou identificados pelo contribuinte. Desta forma, os valores de R$ 30.000,00, R$ 100.000,00 e R$ 75.000,00 (...) Assim, não tendo o contribuinte comprovado com documentação hábil e idônea a origem dos recursos nos valores de R$ 30.000,00, R$ 100.000,00 e 75.000,00, seja quando foi intimado pela fiscalização, seja agora, na impugnação, comprovada está a omissão de rendimentos apontada no lançamento, que por isso deve ser mantida. Conclusão Ante o exposto, voto em conhecer parcialmente do recurso para, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Marcelo de Sousa Sáteles Relator Fl. 406DF CARF MF 18 Fl. 407DF CARF MF
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Numero do processo: 13982.001191/2008-28
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Feb 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 08/08/2008
IPI. MULTA POR POSSE DE PRODUTOS SEM SELOS DE CONTROLE. ART. 585I DO DECRETO 7212/2010.
Provada a materialidade da infração, ou seja, a exposição à venda de mercadorias (relógios) desprovidas de selos, impõe-se a manutenção da multa regulamentar aplicada.
Numero da decisão: 3001-000.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco Martins Leite Cavalcante - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante.
Nome do relator: FRANCISCO MARTINS LEITE CAVALCANTE
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1271; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C0T1 Fl. 2 1 1 S3C0T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13982.001191/200828 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3001000.691 – Turma Extraordinária / 1ª Turma Sessão de 22 de janeiro de 2019 Matéria IPI COMPENSAÇÃO. FALTA DE SELO. Recorrente TITTO JOIAS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 08/08/2008 IPI. MULTA POR POSSE DE PRODUTOS SEM SELOS DE CONTROLE. ART. 585I DO DECRETO 7212/2010. Provada a materialidade da infração, ou seja, a exposição à venda de mercadorias (relógios) desprovidas de selos, impõese a manutenção da multa regulamentar aplicada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Renato Vieira de Avila, Marcos Roberto da Silva e Francisco Martins Leite Cavalcante. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 11 91 /2 00 8- 28 Fl. 108DF CARF MF 2 A impugnante foi autuada ao argumento de ter exposto à venda relógios de pulso sem a aplicação do selo de controle de IPI. Consequentemente, nos termos do artigo 499, inciso I, do Decreto n° 4.544/02, foi aplicada multa de 100% do valor comercial do produto, totalizando o montante de R$ 24.437,53 (vinte e quatro mil, quatrocentos e trinta e sete reais, e cinqüenta e três centavos). Malgrado tal fato, também, restaram apreendidas as mercadorias desprovidas de selo, mesmo após a aplicação da multa fiscal. . Adoto, por transcrição, o resumido e bem elaborado relato que precedeu à decisão consusbstanciada no v. Acórdão recorrido (fls. 58/59), verbis. Tratase de auto de infração de fls.02/04, para imposição da penalidade prevista no art.499, inciso I, do Decreto nº4.544, 26 de dezembro de 2002, que aprova o Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, pela venda ou exposição à venda de produtos sem selo de controle ou com selo reutilizado, com base no inciso I do art. 33 do DecretoLei nº 1.593, de 1977, com a alteração dada pelo art. 52 da Lei nº 10.637, 30 de dezembro de 2002. Consta no Termo de Verificação Fiscal de fls.10/11 que o estabelecimento expôs à venda os relógios de pulso, discriminados na relação de fl.09, estando a aplicação do selo de controle nos relógios de pulso prevista no art.223 do RIPI/2002 combinado com o art.2º da Instrução Normativa SRF nº30, de 01 de março de 1999. O valor comercial do produto foi declarado pela autuada conforme informação contida no Termo de Apreensão de fl.09. Cientificada do lançamento, fl.11, a interessada apresenta sua impugnação de fls.14/23, alegando em síntese que: • foi autuada com a multa de 100% do valor comercial do produto, totalizando o montante de R$24.437,53, e apreensão das mercadorias desprovidas de selo; • registrase que a omissão do auditor em autuar a impugnante no sentido de exigir o IPI sobre as mercadorias cujo selo esta a faltando, o que é prova de que as mercadorias cujo selo estava faltando foram adquiridas regularmente, não se tratam de mercadorias frias ou sonegação fiscal, e sim mero descumprimento de obrigação acessória, conforme jurisprudência que transcreve; • grande parte das mercadorias cujos selos estavam ausentes foram adquiridas há mais de cinco anos, eis que seus registros já foram destruídos, porém é plenamente presumível ante a conduta do auditor em não exigir o IPI porque se convenceu que as operações foram registradas e o imposto restou devidamente recolhido, e não ocasionou qualquer prejuízo ao erário a ausência do selo, de modo que não poderia ser aplicada a multa, conforme reconheceu o Superior Tribunal de Justiça; • ausência de selo nas mercadorias é plenamente justificável ante a passagem do tempo entre aquisição destes e a longa exposição às intempéries que fez com que o selo se desprendesse, Fl. 109DF CARF MF Processo nº 13982.001191/200828 Acórdão n.º 3001000.691 S3C0T1 Fl. 3 3 fato que se deve relevar no julgamento da causa em respeito ao Princípio da Proporcionalidade na aplicação das sanções fiscais, conforme julgado pelo Ministro Luiz Fux, no julgamento REsp 728999/PR, em 12/09/2006; • se o selo se presta para demonstrar que houve recolhimento do IPI, já houve o cumprimento do seu objetivo; • o parágrafo único do art.195 do Código Tributário NacionalCTN é claro em estabelecer que os livros obrigatórios da escrituração comercia e fiscal e comprovantes de lançamentos serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos decorrentes das operações a que se refiram, conforme jurisprudência que transcreve; • o IPI se sujeita ao lançamento por homologação, e o CTN determina em seu art.150, §4º, o prazo de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador para constituição do crédito tributário, sendo assim, se o selo de IPI é obrigação acessória responsável para que a fiscalização confirme o recolhimento, já expirou a obrigação legal de se manter os selos apostos nestas mercadorias, nos termos do parágrafo único do art.195 c/c o inciso IV do art.108 do CTN; • transcrevendo os dispositivos legais art.223, 243 e 499 do RIPI/2002 e RE 79.951SP, RTJ 78/2157 do Ministro Cunha Peixoto do STF, conclui que em sendo a impugnante não industrial e a coisa não sendo produto e sim mercadoria, eis que adquirida por comerciante para revendêla, as regras do auto de infração não se subsumem aos fato apurados dirigidas a outra pessoa e a outra coisa, que não à impugnante e suas mercadorias; • assim, empregar uma norma direcionada aos industriais e aos seus produtos à impugnante, comerciante, e às suas mercadorias, ofende ao primado da Legalidade e Tipicidade;a lei faz uma distinção clara quanto ao sistema de rotulagem para os produtos estrangeiros (art.46 da Lei nº4.502/64) e nacionais. Para os primeiros, o regulamento poderá determinar a rotulagem, bem como autorizar o Ministro da Fazenda para que o faça, enquanto para os nacionais, a lei é clara no sentido de que apenas o regulamento pode prescrever s hipóteses em que o selo deva ser utilizado, fato que implica na nulidade da Instrução Normativa SRF nº30, de 1/03/99, porquanto contrária ao Princípio de Legalidade, art.113, §2º, do CTN e art.150, I, da CF/88; • a multa tem efeito confiscatório, devendo ser cancelada dada a boa fé da impugnante, porquanto não pode ser penalizado quando agiu desprovido de dolo. Fl. 110DF CARF MF 4 O processo foi transferido para esta DRJ/Salvador em cumprimento ao contido na Portaria RFB/Sutri nº 2.977, de 21 de junho de 2011, em 22/06/2011, conforme Despacho de fl.53. Cientificada dos termos da r. decisão recorrida em 10.09.2012 (fls. 70), a empresa protocolizou seu Recurso Voluntário em 01.10.2012 (fls. 72/89 juntando documentos, fls. 90/111), reiterando seus argumentos anteriores, principalmente para insisti4 que : (a) é importante e relevante sim a exibição das notas fiscais de aquisição comprovando que adquiriu as mercadorias de fornecedores idôneos; (b) a decisão recorrida está equivocada, até porque a exigência do selo é obrigação acessória e não principal, conforme jurisprudência que cita e transcreve (fls. 73); (c) foi abusiva a conduta da fiscalização, posto que a empresa foi autuada em desrespeito às regras insculpidas nos arts. 62 e § 2º c/cv 66 da Lei 4.502/64, (d)são apenas 3 (três) as penalidades aplicáveis nas hipóteses de ausência do selo: (1) cobrança de impostos; (2) multas; e, (3) perdimento; e que, no caso em tela, não houve cobrança de imposto, motivo pelo qual deixouse de observar a legalidade estrita, como exigido pelas normas tributárias que regem à espécie em exame. Passou a discorrer longamente sobre a inexistência de multa para a hipótese dos autos (fls. 84/87), e assim finalizou seu apelo (fls. 88), verbis. À vista de todo exposto, demonstrada a insubsistência e a improcedência da ação fiscal, requer a recorrente o provimento deste recurso para o fim de reformar a decisão de primeira instância e em face disso determinar o cancelamento do débito fiscal reclamado ou, quanto menos, que seja reduzida a multa para 30% do valor das mercadorias. É o relatório. Ci Voto Conselheiro Francisco Martins Leite Cavalcante Relator A empresa foi cientificada dos termos da r. decisão recorrida em 10.09.2012 (fls. 70), e protocolizou seu Recurso Voluntário em 01.10.2012 (fls. 72/89), através de procurador, preencheu os demais pressupostos processuais, pelo que tomo conhecimento do apelo. Como alhures relatado, a impugnante foi autuada por entender o fiscal autuante que ela havia exposto à venda relógios de pulso sem a aplicação do selo de controle de IPI. Consequentemente, nos termos do artigo 499, inciso I, do Decreto n° 4.544/02, foi aplicada multa de 100% do valor comercial do produto, totalizando o montante de R$ 24.437,53 (vinte e quatro mil, quatrocentos e trinta e sete reais, e cinqüenta e três centavos). Malgrado tal fato, também, restaram apreendidas as mercadorias desprovidas de selo, mesmo após a aplicação da multa fiscal. . Embora a empresa sustente que houve a aplicação da multa cumulada com a pena de perdimento (apreensão) da mercadoria, no presente processos cuidase tão somente da multa regulamentar decorrente de "venda ou exposição à venda de produtos sem o selo de controle", como se extrai da ementa da decisão recorrida (fls. 56)., resumindo os fundamentos do v. Acórdão recorrido (fls. 59/63). Fl. 111DF CARF MF Processo nº 13982.001191/200828 Acórdão n.º 3001000.691 S3C0T1 Fl. 4 5 A matéria é por demais conhecida desse colegiado, inclusive com a prolação do Acórdão 3001000.525, de 16 de outubro de 2018, de minha relatoria, assim ementado. IPI. MULTA POR POSSE DE PRODUTOS SEM SELOS DE CONTROLE. ART. 585I DO DECRETO 7212/2010. Provada a materialidade da infração, ou seja, a exposição à venda de mercadorias (relógios) desprovidas de selos, impõese a manutenção da multa regulamentar aplicada. Como se tem sustentado em diversas decisões, seja das Delegacias de Julgamento, seja das diversas Turmas e Câmara deste CARF, seja da própria CASRF, a venda ou exposição à venda de produtos sem o selo obrigatório enseja a aplicação da multa regulamentar, como ocorre no presente processo. Repitase, pois, o que já foi escrito em diversas outras oportunidades, verbis. Verificada, pois, a infração à legislação de regência, como no caso vertente, cumpre à autoridade administrativa efetuar o lançamento, que constitui atividade vinculada e obrigatória, nos termos do art. 142 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN). Acrescentese que, em seu art. 136, estabelece o CTN que a responsabilidade por infração à legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza ou extensão dos efeitos do ato. Salientese, ainda, por oportuno, que o art. 465 do RIPI/2002 – cuja matriz legal é o art. 64 da Lei nº 4.502/64 –, dispõe no sentido de que “constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe em inobservância de preceitos estabelecidos ou disciplinados por este Regulamento ou pelos atos administrativos de caráter normativo destinados a complementálo”, acrescentando, seu parágrafo único – cuja base legal é o art. 136 do Código Tributário Nacional (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966) –, que, “salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações independe da intenção do agente ou do responsável, e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato”, motivo por que, não merece prosperar os argumentos da defesa. Assim, diante da objetividade da responsabilidade por infrações, em virtude da clareza da norma e encontrandose a penalidade aplicada em conformidade com o comando do inciso I do art. 499 do RIPI/2002 (cuja matriz legal é o inciso I do art. 33 do DecretoLei nº 1.593/77, com a redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002), motivos não há para cancelamento da exigência, uma vez que a imposição da penalidade encontrase em perfeita consonância com a legislação de regência, ou seja, o tratamento tributário dispensado à contribuinte segue estritamente os preceitos legais pertinentes à espécie, os quais devem ser fielmente observados pela autoridade lançadora, sob pena de responsabilidade funcional. Diante do exposto, tendo em vista a vasta jurisprudência deste colegiado no mesmo sentido da decisão objeto do v. acórdão recorrido; e, ainda, coerente com Fl. 112DF CARF MF 6 pronunciamentos anteriores deste Relator, VOTO no sentido de tomar conhecimento e negar provimento ao recurso voluntário, mantendo o v. acórdão recorrido, por seus próprios e jurídicos fundamentos. (assinado digitalmente) Francisco Martins Leite Cavalcante Relator Fl. 113DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.721779/2015-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jan 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3302-000.812
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/2015-39 e seus desmembramentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fenelon Moscoso de Almeida Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em sobrestar o julgamento na Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF até à decisão definitiva a ser proferida no processo nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Fenelon Moscoso de Almeida – Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida (Relator), Walker Araújo, Vinicius Guimarães (Suplente), José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 66 82 .7 21 77 9/ 20 15 -0 1 Fl. 292DF CARF MF Processo nº 16682.721779/201501 Resolução nº 3302000.812 S3C3T2 Fl. 293 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, que passo a transcrever e grifar: "Trata o presente processo de auto de infração (fls. 30/33) de multa em decorrência de DCOMP não homologada, no valor de R$ 16.616.504,23. De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fl. 34/35) a Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 não foi homologada, conforme Despacho Decisório 0017/2015 exarado no Processo Administrativo nº 16682.720030/201539. A Declaração de Compensação nº 04102.45828.200411.1.3.047247 foi apresentada em 20/04/2011, portanto, após a publicação da Lei nº 12.249/10 em 14/06/2010, cujo art. 62 deu nova redação ao §17 do art. 74 da Lei 9.430/96. A MP 656/2014 e Lei nº 13.097/2015 alteraram a redação original do parágrafo citado. Antes da MP 656/14, a multa era calculada como 50% sobre o valor do crédito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Depois da publicação da MP 656/14, a penalidade passou a ser calculada como 50% sobre o valor do débito objeto da Declaração de Compensação não homologada. Tendo em vista o art. 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, há que se aplicar a penalidade menos severa entre as duas redações acima. Como são aritmeticamente idênticas, tornase óbvio que o cálculo resulta igual, e, desse modo, enquadramos a infração no dispositivo referido, com a redação da Lei nº 12.249/2010. O contribuinte foi cientificado em 21/03/2016 (fl. 40) e apresentou impugnação (fl. 42/51) em 15/04/2016 alegando em síntese: Nulidade do auto de infração A aplicação da multa, no presente caso, não encontra motivação válida, uma vez que não restou demonstrado no auto de infração qualquer conduta ilícita ou abusiva por parte da impugnante. A interessada cita doutrina no sentido da necessidade de configuração da máfé do requerente para que se possa aplicar a multa isolada. Cita ainda decisões judiciais no mesmo sentido. Cumulação de multa configurando BIS IN IDEM Na eventualidade da não homologação da compensação, o débito já é penalizado com a cobrança do débito levado à compensação, acrescido com a multa de mora, cuja essência consiste, repisa se, em verdadeira penalidade. Posto isto, ao desconsiderar essa situação, a intenção de fazer incidir a multa isolada, sem qualquer evidência de ilicitude ou abusividade, configura verdadeiro bis in idem a ensejar o enriquecimento sem causa do erário, ao passo que em condições normais, como no caso em tela, já será recompensado pela incidência da multa de mora posto que a não homologação da compensação (à míngua de prova de ilicitude e má fé do contribuinte) se equipara, sob qualquer ângulo de análise, ao pagamento realizado a destempo. Da apensação A presente autuação consiste na cobrança de multa isolada, em virtude da não homologação do PER/DCOMP n º 04102.45828.200411.1.3.047247, constante do processo administrativo nº 16682.720030/201539. Este processo está aguardando julgamento do recurso voluntário. A Portaria RFB nº 354 de 2016 em seu art. 3º, inciso III exige que os autos sejam juntados por apensação. Fl. 293DF CARF MF Processo nº 16682.721779/201501 Resolução nº 3302000.812 S3C3T2 Fl. 294 3 Assim, requer a apensação do presente processo ao PAF nº 16682.720030/201539. Suspensão do processo Na eventualidade de se superar o item anterior, resta de imediato a suspensão do presente processo, pautado nos seguintes fundamentos: A interessada recorreu da decisão de não homologação, portanto, não há que se falar em declaração de compensação não homologada, uma vez que o crédito ainda se encontra sob discussão administrativa e que, ante ao teor do recurso voluntário, tornase inconcebível, permissa vênia, outro resultado que não seja a homologação integral da DCOMP envolvida. Portanto, por imposição legal e havendo evidência do recurso voluntário, devese suspender o andamento do presente, especialmente ante a apensação requerida no item anterior, bem como da imperiosa necessidade de conclusão do PAF 16682.720030/201539, pois não parece crível a cobrança do acessório antes da definição final do processo principal. Ao final requer: a) seja anulado o presente auto de infração ante a inexistência de conduta ilícita ou abusiva do contribuinte a justificar a aplicação da penalidade prevista no art. 74 §§15 e 17, da Lei nº 9.430/96, na redação da Lei nº 12.249/2010; b) na eventualidade de superar os itens anteriores, que seja reconhecida a cobrança de multa em bis in idem, uma vez que a multa de mora, única devida no presente caso (na hipótese da manifestação de inconformidade não logre o êxito almejado pela contribuinte, fato que se admite pela necessidade de argumentação), não pode ser acrescida da multa isolada, uma vez que não houve qualquer comprovação de ilicitude ou abusividade a ensejar a sua incidência; e c) a apensação do presente processo o PAF 16682.720030/201539, por força do artigo 3º, inciso III da Portaria RFB 354 de 2016; d) uma vez demonstrado o caráter acessório da presente autuação com o PAF nº 16682.720030/201539 sua suspensão se mostra imperiosa, pois caso contrário acarretará a solução atabalhoada da autuação sem a definitiva conclusão do processo principal que, pela lógica processual, redundará em decisão teratológica, ou seja, verdadeiro processo de Kafka. e) que todas as intimações pertinentes a este processo sejam feitas ao procurador da requerente." A decisão de primeira instância, proferida em 16/05/2016 (fls. 250/260) foi no sentido de julgar procedente em parte a impugnação para manter o crédito tributário lançado e dar provimento ao pedido de apensação ao processo nº 16682.720030/201539: Após ciência ao acórdão de primeira instância (TERMO à fl. 266), em 25/05/2016, irresignada, a contribuinte apresentou o recurso voluntário de fls. 268/278, em 20/06/2016, em essência, reprisando os argumentos trazidos na peça de impugnação, requerendo: a) a distribuição deste processo vinculada ao PAF nº 16682.720030/201539, por se tratar de processo conexo e decorrente do primeiro, nos termos do art. 6º do RICARF e sua imediata suspensão até o julgamento final daquele; e que b) seja dado provimento ao presente recurso, anulandose o presente auto de infração em sua totalidade. É o relatório. Fl. 294DF CARF MF Processo nº 16682.721779/201501 Resolução nº 3302000.812 S3C3T2 Fl. 295 4 Voto Conselheiro Fenelon Moscoso de Almeida Relator O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Quanto à questão da suspensão, na verdade, sobrestamento do processo, quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF, existe previsão específica no parágrafo único, do art. 12, da Portaria CARF Nº 34, de 31 de agosto de 2015: Art. 12. O processo sobrestado ficará aguardando condição de retorno a julgamento na Secam. Parágrafo único. O processo será sobrestado quando depender de decisão de outro processo no âmbito do CARF ou quando o motivo do sobrestamento não depender de providência da autoridade preparadora. (grifei) Ainda que corretamente negado o pedido de sobrestamento do julgamento do presente processo, na instância administrativa de julgamento a quo, por falta de previsão legal para tal procedimento, especificamente no âmbito do CARF, a Portaria CARF Nº 34/2015, abre essa possibilidade, existindo precedentes (Processo nº 16327.721542/201308), inclusive, dessa Turma (Resolução nº 3302000.702, de 20/03/2018 – 3ª Câmara/2ª Turma Ordinária), aplicando o sobrestamento em caso semelhante, nos termos do voto condutor do Relator, abaixo transcrito e adotado como razão de decidir do presente processo: "Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento Relator. Segundo o delineado no relatório precedente, os presentes autos tratam de cobrança da multa isolada de 50% (cinqüenta por cento) calculada sobre o valor do crédito informado nas Declarações de Compensação (DComp) não homologadas. O referenciado procedimento compensatório, que motivou a presente autuação, encontrase sob julgamento no âmbito do processo principal de nº 16327.720993/201239, ainda pendente de decisão definitiva na esfera administrativa. Assim, uma vez configurada dependência do julgamento deste processo do desfecho final e definitivo do julgamento do processo principal, com respaldo no art. 6º, § 1º, II, do Regimento Interno deste Conselho (RICARF/2015), propõe o sobrestamento do julgamento dos presentes autos perante à 3ª Câmara desta Seção. E uma vez o concluído o julgamento do processo principal, com a prolação da decisão definitiva, a Câmara deverá providenciar o retorno dos presentes autos a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento." Fl. 295DF CARF MF Processo nº 16682.721779/201501 Resolução nº 3302000.812 S3C3T2 Fl. 296 5 Pelo exposto, proponho o sobrestamento do julgamento dos presentes autos, perante à Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento do CARF, e, uma vez concluído o julgamento do processo principal nº 16682.720030/201539 e seus desmembramentos, com a prolação da decisão administrativa definitiva, deverá ser providenciado o retorno dos autos sobrestados a este Colegiado, para o prosseguimento do julgamento. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 296DF CARF MF
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