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Numero do processo: 10469.722498/2010-00
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 12 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2006
GANHO DE CAPITAL. OPERAÇÕES COM AÇÕES. INTEGRALIZAÇÃO DE QUOTAS DE FUNDO DE INVESTIMENTO. ALIENAÇÃO.
Para fins de apuração do ganho de capital é considerada alienação a operação de integralização de ações com o recebimento de quotas de fundo de investimento. Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de mercado dos valores mobiliários alienados, na data da integralização das quotas, e o respectivo custo de aquisição.
GANHO DE CAPITAL. VALORES MOBILIÁRIOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO ZERO.
O custo de aquisição dos valores mobiliários alienados pela pessoa física será arbitrado em valor zero quando não possa ser determinado em razão da falta de comprovação do preço ou valor pago pelo contribuinte, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, ou pela inexistência de dados suficientes para estabelecer, na ausência daquele, o valor corrente das ações na data de sua aquisição.
GANHO DE CAPITAL. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. INAPLICABILIDADE.
Inaplicável a exclusão da multa de ofício no lançamento de omissão de ganho de capital na integralização de quotas de fundo de investimento quando a falta de recolhimento do imposto, no caso concreto, é decorrente da própria inobservância pelo contribuinte da legislação tributária vigente à época do fato gerador.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS.
A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26.
A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada.
(Súmula CARF nº 26)
Numero da decisão: 2401-006.230
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a infração omissão de ganho de capital.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2006 GANHO DE CAPITAL. OPERAÇÕES COM AÇÕES. INTEGRALIZAÇÃO DE QUOTAS DE FUNDO DE INVESTIMENTO. ALIENAÇÃO. Para fins de apuração do ganho de capital é considerada alienação a operação de integralização de ações com o recebimento de quotas de fundo de investimento. Considera-se ganho de capital a diferença positiva entre o valor de mercado dos valores mobiliários alienados, na data da integralização das quotas, e o respectivo custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. VALORES MOBILIÁRIOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO ZERO. O custo de aquisição dos valores mobiliários alienados pela pessoa física será arbitrado em valor zero quando não possa ser determinado em razão da falta de comprovação do preço ou valor pago pelo contribuinte, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, ou pela inexistência de dados suficientes para estabelecer, na ausência daquele, o valor corrente das ações na data de sua aquisição. GANHO DE CAPITAL. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a exclusão da multa de ofício no lançamento de omissão de ganho de capital na integralização de quotas de fundo de investimento quando a falta de recolhimento do imposto, no caso concreto, é decorrente da própria inobservância pelo contribuinte da legislação tributária vigente à época do fato gerador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26)
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OPERAÇÕES COM AÇÕES. INTEGRALIZAÇÃO DE QUOTAS DE FUNDO DE INVESTIMENTO. ALIENAÇÃO. Para fins de apuração do ganho de capital é considerada alienação a operação de integralização de ações com o recebimento de quotas de fundo de investimento. Considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de mercado dos valores mobiliários alienados, na data da integralização das quotas, e o respectivo custo de aquisição. GANHO DE CAPITAL. VALORES MOBILIÁRIOS. CUSTO DE AQUISIÇÃO ZERO. O custo de aquisição dos valores mobiliários alienados pela pessoa física será arbitrado em valor zero quando não possa ser determinado em razão da falta de comprovação do preço ou valor pago pelo contribuinte, mediante apresentação de documentação hábil e idônea, ou pela inexistência de dados suficientes para estabelecer, na ausência daquele, o valor corrente das ações na data de sua aquisição. GANHO DE CAPITAL. MULTA DE OFÍCIO. EXCLUSÃO. INAPLICABILIDADE. Inaplicável a exclusão da multa de ofício no lançamento de omissão de ganho de capital na integralização de quotas de fundo de investimento quando a falta de recolhimento do imposto, no caso concreto, é decorrente da própria inobservância pelo contribuinte da legislação tributária vigente à época do fato gerador. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. LANÇAMENTO COM BASE EM DEPÓSITOS BANCÁRIOS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 46 9. 72 24 98 /2 01 0- 00 Fl. 271DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 272 2 A presunção legal de omissão de rendimentos tributáveis, prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, autoriza o lançamento com base em depósitos bancários para os quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. PRESUNÇÃO. SÚMULA CARF Nº 26. A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. (Súmula CARF nº 26) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial ao recurso para excluir do lançamento a infração omissão de ganho de capital. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão da 19ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (DRJ/RJ1), por meio do Acórdão nº 1266.058, de 05/06/2014, cujo dispositivo considerou improcedente a impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário (fls. 211/218): Fl. 272DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 273 3 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2006 OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE AÇÕES/QUOTAS NÃO NEGOCIADAS EM BOLSA. O imposto de renda devido sobre o ganho de capital apurado na integralização de cotas de fundos ou clubes de investimentos, por meio da entrega de títulos ou valores mobiliários, deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente à data da integralização à alíquota de 15% (quinze por cento). MULTA DE OFÍCIO. ATO DECLARATÓRIO INTERPRETATIVO. A exclusão de penalidade prevista no inciso I do art. 106 do CTN aplicase, exclusivamente, aos casos de lei interpretativa. Tratandose de Ato Declaratório Interpretativo, de natureza estritamente administrativa, que apenas corrobora o texto legal, não há que se falar em exclusão de penalidade. DEPÓSITOS BANCÁRIOS. ORIGEM. FALTA DE COMPROVAÇÃO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. PRESUNÇÃO LEGAL. A Lei nº 9.430, de 1996, no art. 42, estabeleceu, para fatos ocorridos a partir de 01/01/1997, uma presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente, sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. Impugnação Improcedente Extraise do Relatório Fiscal que foi lavrado auto de infração relativo ao Imposto de Renda da Pessoa Física (IRPF), acrescido de juros e multa de ofício, relativamente ao anocalendário de 2006, decorrente da constatação pela fiscalização das seguintes infrações (fls. 03/24): (i) omissão de ganho de capital apurado em operação de alienação de ações, correspondente à integralização de 65.000 ações da Companhia Vale do Rio Doce com o recebimento de quotas do Fundo de Investimento denominado "Opportunity Silver FIA"; e (ii) omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários com origem na comprovada; O contribuinte foi cientificado da autuação, em 24/12/2010, e impugnou a exigência fiscal no prazo legal (fls. 136/137 e 139/195). Fl. 273DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 274 4 Intimado por via postal em 12/12/2014 da decisão do colegiado de primeira instância, o recorrente apresentou recurso voluntário no dia 29/12/2014, em que repisa os argumentos de fato e direito contidos na sua impugnação, na sequência resumidos (fls. 227/228 e 230/260): (i) está caracterizado o "bis in idem", porque o contribuinte foi tributado duplamente pelo mesmo acréscimo patrimonial; a primeira vez, quando da integralização de quotas no fundo de investimento, pelo presente lançamento de ofício; posteriormente, no momento dos resgates de parcela substancial dos títulos mobiliários aportados no fundo de investimento, nos anoscalendário de 2007 a 2010, em que a instituição financeira fez a retenção na fonte do imposto de renda; (ii) o auto de infração ostenta como fundamento imediato para o lançamento tributário as disposições do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) RFB nº 07/2007, o qual padece de vício de legalidade, porquanto ultrapassou os ditames normativos que visa regulamentar e instituiu obrigação tributária não prevista na legislação pertinente; (iii) a determinação do ADI RFB nº 07/2007 de fazer a apuração do ganho de capital sobre a diferença entre o valor de mercado das ações utilizadas na integralização de quotas do fundo de investimento e o respectivo custo de aquisição é desprovida de substrato jurídico; (iv) a integralização de quotas em fundos de investimento não se confunde com a integralização de capital nas pessoas jurídicas; (v) o arbitramento em valor zero pela fiscalização do custo de aquisição das ações integralizadas está equivocado, visto que possível a apuração do efetivo valor corrente dos valores mobiliários na respectiva data de aquisição pelo recorrente; (vi) caso admitida a subsunção dos fatos à hipótese do ADI RFB nº 07/2007, impõese a exclusão da multa de ofício, considerando que a operação de alienação se deu em marco temporal anterior à edição do ato administrativo; (vii) o lançamento baseado exclusivamente em depósito bancário é ilegal, por constituir simples presunção que não confere consistência à existência do fato gerador do imposto de renda; e Fl. 274DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 275 5 (viii) no que pertine aos lançamentos a crédito nas contas bancárias de titularidade do recorrente já foram prestados os devidos esclarecimentos e informações à autoridade fiscal, não configurando os depósitos uma riqueza nova. É o relatório. Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess Relator Juízo de admissibilidade Uma vez realizado o juízo de validade do procedimento, verifico que estão satisfeitos os requisitos de admissibilidade do recurso voluntário e, por conseguinte, dele tomo conhecimento. Mérito Ao protocolar o recurso voluntário o sujeito passivo não apresentou novas razões de defesa perante a segunda instância, limitandose a reproduzir os mesmos argumentos deduzidos na peça impugnatória. Ganho de Capital Com o respeito ao ganho de capital na alienação de bens e direitos, assim dispõe a Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988: (...) Art. 3º O imposto incidirá sobre o rendimento bruto, sem qualquer dedução, ressalvado o disposto nos arts. 9º a 14 desta Lei. § 1º Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, e ainda os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados. § 2º Integrará o rendimento bruto, como ganho de capital, o resultado da soma dos ganhos auferidos no mês, decorrentes de alienação de bens ou direitos de qualquer natureza, Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 276 6 considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição corrigido monetariamente, observado o disposto nos arts. 15 a 22 desta Lei. § 3º Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. § 4º A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda, e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título. (...) Art. 16. O custo de aquisição dos bens e direitos será o preço ou valor pago, e, na ausência deste, conforme o caso: I o valor atribuído para efeito de pagamento do imposto de transmissão; II o valor que tenha servido de base para o cálculo do Imposto de Importação acrescido do valor dos tributos e das despesas de desembaraço aduaneiro; III o valor da avaliação do inventário ou arrolamento; IV o valor de transmissão, utilizado na aquisição, para cálculo do ganho de capital do alienante; V seu valor corrente, na data da aquisição. § 1º O valor da contribuição de melhoria integra o custo do imóvel. § 2º O custo de aquisição de títulos e valores mobiliários, de quotas de capital e dos bens fungíveis será a média ponderada dos custos unitários, por espécie, desses bens. § 3º No caso de participação societária resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, que tenham sido tributados na forma do art. 36 desta Lei, o custo de aquisição é igual à parcela do lucro ou reserva capitalizado, que corresponder ao sócio ou acionista beneficiário. § 4º O custo é considerado igual a zero no caso das participações societárias resultantes de aumento de capital por incorporação de lucros e reservas, no caso de partes beneficiárias adquiridas gratuitamente, assim como de qualquer Fl. 276DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 277 7 bem cujo valor não possa ser determinado nos termos previsto neste artigo. (...) Art. 19. Valor da transmissão é o preço efetivo de operação de venda ou da cessão de direitos, ressalvado o disposto no art. 20 desta Lei. Parágrafo único. Nas operações em que o valor não se expressar em dinheiro, o valor da transmissão será arbitrado segundo o valor de mercado. Art. 20. A autoridade lançadora, mediante processo regular, arbitrará o valor ou preço, sempre que não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado, o valor ou preço informado pelo contribuinte, ressalvada, em caso de contestação, avaliação contraditória, administrativa ou judicial. (...) (DESTAQUEI) O conceito de alienação de que trata o § 3º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 1988, engloba toda e qualquer operação que importe em transmissão de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos, oferecendo a lei apenas um rol exemplificativo das situações contempladas. O dispositivo de lei enumera, sem esgotálos, negócios jurídicos reconhecidamente distintos, como a compra e venda, permuta, desapropriação, cessão de direitos e os contratos afins. Daí porque, para efeitos tributários, a integralização de quotas de fundo de investimento por meio da entrega de valores mobiliários, como realizada pelo contribuinte, enquadrase em hipótese de alienação de bens ou direitos, estando, desse modo, sujeita à apuração de ganho de capital. O ganho de capital deve ser apurado no momento da operação de alienação, equivalente à diferença positiva entre o valor de transmissão das ações, observado o seu valor de mercado, e o respectivo custo de aquisição dos ativos. Sendo assim, a exigência de imposto de renda da pessoa física sobre o ganho de capital apurado quando da integralização das quotas em fundo de investimento encontra previsão na Lei nº 7.713, de 1988. Por sua vez, o art. 23 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, trouxe hipótese de diferimento do ganho de capital da pessoa física, como exceção à regra de transmissão pelo preço ou valor da operação, na medida em que autorizou a transferência de bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado, Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 278 8 desde que destinados à integralização ao capital social de pessoas jurídicas. Eis a redação do preceptivo de lei: Art. 23. As pessoas físicas poderão transferir a pessoas jurídicas, a título de integralização de capital, bens e direitos pelo valor constante da respectiva declaração de bens ou pelo valor de mercado. § 1º Se a entrega for feita pelo valor constante da declaração de bens, as pessoas físicas deverão lançar nesta declaração as ações ou quotas subscritas pelo mesmo valor dos bens ou direitos transferidos, não se aplicando o disposto no art. 60 do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, e no art. 20, II, do DecretoLei nº 2.065, de 26 de outubro de 1983. § 2º Se a transferência não se fizer pelo valor constante da declaração de bens, a diferença a maior será tributável como ganho de capital. Atrapalhase o recorrente quando diz que o ADI RFB nº 07, de 24 de maio de 2007, acabou extrapolando os seus limites interpretativos, porquanto equiparou a integralização de capital nas pessoas jurídicas à integralização de quotas em fundos de investimentos, com fulcro no art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Para melhor compreensão, confirase o que estabelece o ADI RFB nº 07, de 2007: O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL SUBSTITUTO, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 224 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 95, de 30 de abril de 2007, e tendo em vista o disposto nos arts. 3º, 16, 19 e 20 da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, e no art. 23 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995, e o que consta do processo nº 10168.001281/200743, declara: Artigo único. O imposto de renda devido sobre o ganho de capital apurado na integralização de cotas de fundos ou clubes de investimentos por meio da entrega de títulos ou valores mobiliários deve ser pago até o último dia útil do mês subseqüente à data da integralização à alíquota de 15% (quinze por cento). § 1º Na hipótese de que trata o caput, considerase ganho de capital a diferença positiva entre o valor de mercado dos títulos ou valores mobiliários alienados, na data da integralização das cotas, e o respectivo custo de aquisição. § 2º A Secretaria da Receita Federal do Brasil, mediante processo regular, arbitrará o valor ou preço informado pelo contribuinte, sempre que não mereça fé, por notoriamente diferente do de mercado. O ato interpretativo enfrentou a questão da incidência do imposto de renda na integralização de quotas de fundos ou clubes de investimentos por meio de entrega de títulos Fl. 278DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 279 9 ou valores mobiliários. A conclusão da administração tributária foi que o art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995, não era aplicável a tais operações, que estavam submetidas à regra geral de apuração do ganho de capital prevista na Lei nº 7.713, de 1988. Com efeito, o ganho de capital percebido pela pessoa física deve ser apurado na data de integralização das quotas, equivalente à diferença positiva entre o valor de mercado dos títulos ou valores mobiliários alienados e o respectivo custo de aquisição. É inaplicável nessa hipótese a opção pela entrega do bem e/ou direito pelo valor constante da declaração de bens, conforme possibilita o art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. É fora de dúvidas que a integralização de quotas de fundo de investimento não se amolda ao conceito de integralização de capital em pessoa jurídica, já que os fundos de investimento não se caracterizam como pessoa jurídica, a despeito da obrigatoriedade de inscrição no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica (CNPJ). Embora a linha de defesa se apresente contraditória em alguns pontos, o próprio contribuinte reconhece em seu apelo recursal que a integralização de capital nas pessoas jurídicas não se confunde com a integralização de quotas em fundos de investimentos, tornando inviável a utilização da faculdade do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995. Em resumo, o ADI RFB nº 07, de 2007, não inovou a legislação tributária, até porque não poderia, sob pena de invalidade. Tão somente interpretou adequadamente o que prescrevem os arts. 3º, 16, 19 e 20 da Lei nº 7.713, de 1988, e o art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995, e conclui que na hipótese de integralização de quotas em fundos de investimentos, como ora se cuida, o ganho de capital é calculado pela diferença entre o valor de mercado, na data da integralização das quotas, e o respectivo custo de aquisição. Ao invocar o inciso I do art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o recorrente argumenta a impossibilidade de aplicação de sanção pecuniária correspondente à multa de ofício de 75% sobre o crédito tributário lançado, tendo em vista a integralização de quotas do fundo de investimento em momento pretérito à publicação do ADI RFB nº 07, de 2007. Sobre a lei expressamente interpretativa, diz o CTN: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; (...) Mesmo que se admita a possibilidade de dispensa de sanção pela infração de dispositivos interpretados por norma infralegal, o afastamento da penalidade não é pronta decorrência do surgimento de uma norma secundária interpretativa. Realmente, a exclusão da aplicação de penalidade de que trata o inciso I do art. 106 do CTN pressupõe a má interpretação pelo contribuinte, e não a inobservância da legislação tributária. Segundo revela o recurso voluntário, no que diz respeito à hipótese de integralização de quotas do fundo de investimento, o contribuinte autuado jamais teve dúvida quanto à inaplicabilidade do art. 23 da Lei nº 9.249, de 1995, que permite à pessoa física fazer Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 280 10 a opção pela apuração do imposto quando do aporte dos bens ou direitos ou em momento posterior. Tanto é assim que a autoridade fiscal identificou que as 65.000 ações da Companhia Vale do Rio Doce alienadas nunca fizeram parte da sua declaração de rendimentos (fls. 25/29). Logo, a multa de ofício no patamar básico de 75% é legal e devida, haja vista que o contribuinte deixou de apurar o ganho de capital sobre a diferença entre o custo de aquisição e o valor de mercado dos títulos mobiliários utilizados quando da integralização de quotas do fundo de investimento, como consequência da própria inobservância da legislação tributária vigente à época do fato gerador. Insurgese também a pessoa física contra o procedimento adotado pela fiscalização no que tange à fixação do custo de aquisição, arbitrado em valor zero. Reclama que forneceu à autoridade lançadora toda a documentação de que dispunha com o escopo de identificar o custo de aquisição das ações utilizadas na integralização das quotas do fundo de investimento, inclusive cópias dos próprios títulos mobiliários transferidos. Malgrado desconhecido o preço ou valor pago, o recorrente defende que havia elementos de prova idôneos à aferição do valor corrente das ações na data de sua aquisição pelo contribuinte (art. 16, inciso V, da Lei nº 7.713, de 1988). Pois bem. Como parâmetro inicial, o custo de aquisição das ações é determinado pelo preço ou valor pago (art. 16, "caput", da Lei nº 7.713, de 1988). Nada obstante, em que pese intimado e reintimado, o contribuinte em qualquer momento fez prova, através de documentação hábil e idônea, do custo de aquisição dos títulos mobiliários, nem mesmo quando da apresentação da impugnação e/ou recurso voluntário. Como antes sublinhado, sequer constou a informação do custo de aquisição na respectiva declaração de ajuste anual, o que até mesmo põe em dúvida se o contribuinte incorreu em alguma despesa na aquisição dos ativos alienados. A documentação fornecida pelo contribuinte é insuficiente para determinação alternativa do valor corrente das ações, na data da aquisição, o qual observará, no caso de títulos e valores mobiliários, a média ponderada dos custos unitários, por espécie (art. 16, inciso V e § 2º, da Lei nº 7.713, de 1988). Com efeito, as cópias dos certificados dos valores mobiliários da Companhia Vale do Rio Doce juntados pelo recorrente, com datas distintas e quantidades de ações variadas, em patamar superior ao transferido ao fundo de investimento, não permitem identificar com segurança o valor corrente das 65.000 ações da Companhia Vale do Rio Doce entregues para a integralização do Fundo de Investimento denominado "Opportunity Silver FIA" (fls. 148 e 150). Além disso, o próprio gestor do fundo de investimento, administrado pelo Banco Opportunity S/A, declarou que à época da integralização das 65.000 ações não era possível apurar o valor de custo de aquisição dos ativos, tendo sido adotado, como solução, o custo zero (fls. 123/124). Apesar de assegurar a possibilidade de aferição do custo de aquisição dos títulos mobiliários alienados, o recorrente não se aventurou a apresentar uma única expressão numérica. Fl. 280DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 281 11 Assim sendo, escorreita a conduta do agente fiscal que considerou o custo de aquisição dos ativos igual a zero, com respaldo na parte final do § 4º do art. 16 da Lei nº 7.713, de 1988. Por fim, o autuado protesta que relativamente aos resgates do fundo de investimento no transcorrer dos anoscalendário de 2007 a 2010 a instituição financeira procedeu à retenção na fonte do imposto de renda sobre o rendimento bruto auferido, levando em consideração o custo de aquisição igual a zero, o que caracteriza inegável ocorrência do fenômeno do "bis in idem". Sem razão, porém. Os eventos correspondem à ocorrência de fatos geradores distintos, nos quais nascem obrigações tributárias autônomas, eis que representam acréscimo patrimonial para o beneficiário. O primeiro, quando da integralização das quotas do fundo de investimento, no dia 02/08/2006. Os subsequentes, a cada resgate do fundo de investimento a partir do ano de 2007. Caso tenha havido excesso na apuração da base de cálculo de retenção do imposto pela fonte pagadora, a provável causa advém da própria conduta do sujeito passivo, que deixou de cumprir a sua obrigação e não disponibilizou os elementos necessários para a descoberta do custo de aquisição dos ativos negociados, com omissão também no registro de valores na sua declaração de rendimentos. De todo modo, não há que se falar em irregularidade no presente lançamento fiscal, que trata da incidência do imposto de renda na operação de integralização de quotas junto ao fundo de investimento, cujo procedimento da autoridade lançadora observou a legislação pertinente. Este processo administrativo não é a via adequada para o contribuinte contestar a tributação na fonte dos resgates do fundo de investimento. Depósitos bancários Nesse tópico, o lançamento abrange valores depositados em conta corrente bancária em que o contribuinte não comprovou a origem. Consiste a autuação fiscal, portanto, na aplicação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, em que se considera omissão de rendimentos tributáveis quando o titular de conta bancária mantida junto à instituição financeira, após regularmente intimado, deixa de comprovar a origem dos recursos nela creditados: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às Fl. 281DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 282 12 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. § 3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; (...) Segundo o preceptivo legal, os extratos bancários possuem força probatória, recaindo o ônus de comprovar a origem dos depósitos sobre o contribuinte, por meio de documentação hábil e idônea, sob pena de presumirse rendimentos tributáveis omitidos em seu nome. A Lei nº 9.430, de 1996, revogou o § 5º do art. 6º da Lei nº 8.021, de 12 de abril de 1990, abaixo reproduzido: Art. 6° O lançamento de ofício, além dos casos já especificados em lei, farseá arbitrandose os rendimentos com base na renda presumida, mediante utilização dos sinais exteriores de riqueza. (...) § 5° O arbitramento poderá ainda ser efetuado com base em depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras, quando o contribuinte não comprovar a origem dos recursos utilizados nessas operações. (...) Sob a égide do dispositivo legal suprimido do mundo jurídico exigiase a prévia demonstração de sinais exteriores de riqueza pelo agente fiscal para o lançamento de ofício com base na renda presumida decorrente de depósitos ou aplicações realizadas junto a instituições financeiras. Com o advento do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, o agente fazendário ficou dispensado de demonstrar, a partir do ano de 1997, a existência de sinais exteriores de riqueza ou acréscimo patrimonial incompatível com os rendimentos declarados pelo contribuinte. Para o lançamento com base nesse dispositivo de lei, nem mesmo há necessidade de descortinar a origem do crédito bancário na obtenção de riqueza nova pelo titular da conta ou mostrar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. É o que diz, de forma sintética, o enunciado sumulado nº 26, deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10469.722498/201000 Acórdão n.º 2401006.230 S2C4T1 Fl. 283 13 Súmula CARF nº 26: A presunção estabelecida no art. 42 da Lei nº 9.430/96 dispensa o Fisco de comprovar o consumo da renda representada pelos depósitos bancários sem origem comprovada. No caso em apreço, o contribuinte não se desincumbiu do seu ônus probatório, na medida em que apenas se presta a afirmar de maneira genérica, desprovida de substrato em documentação hábil e idônea, que os créditos bancários relacionados pela fiscalização são decorrentes de alienação de semoventes e/ou atividade rural, ou mesmo que estão suportados pelos rendimentos declarados. Além disso, o recorrente faz um discurso retórico no sentido de que os valores podem ter origem em transferências de outras contas e/ou aplicações da própria pessoa física, não se constituindo riqueza nova, sem, contudo, apresentar sinais de veracidade de suas alegações. Em síntese, a pessoa física fiscalizada deixou de trazer quaisquer elementos de prova da origem dos valores, na acepção de procedência e natureza, os quais transitaram por suas contas bancárias, discriminados pelo agente fiscal como de origem não comprovada, devidamente correlacionados em datas e valores. Conclusão Ante o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário e, no mérito, NEGOLHE PROVIMENTO. É como voto. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 283DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10840.900699/2016-47
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 24 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.024
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
1.0 = *:*
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(assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. O referido acórdão recebeu a seguinte ementa: (...) DCTF. RETIFICAÇÃO APÓS DESPACHO DECISÓRIO. ESPONTANEIDADE. REDUÇÃO DE TRIBUTO. PAGAMENTO A MAIOR OU INDEVIDO. RESTITUIÇÃO. É legítima a declaração retificadora que reduzir ou excluir tributo se apresentada por contribuinte em espontaneidade legal. No entanto, para que se atribua eficácia às informações nela contidas, especificamente em relação àquelas que suportam a caracterização do pagamento a maior ou indevido de tributo, é mister que a retificadora tenha sido entregue antes do despacho decisório. Se RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 40 .9 00 69 9/ 20 16 -4 7 Fl. 173DF CARF MF Processo nº 10840.900699/201647 Resolução nº 3402002.024 S3C4T2 Fl. 3 2 entregue depois, incumbe ao contribuinte o ônus de comprovar o seu direito creditório mediante a juntada, com a manifestação de inconformidade, não somente da declaração retificadora, mas também de documentos que fundamentam a retificação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário alegando a procedência de seu pedido de restituição e compensação, pela existência do direito creditório pleiteado, mesmo considerado o erro no preenchimento da DCTF já retificada, com base nos demonstrativos fiscais anexados. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 3402002.017, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10840.900702/201622. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 3402002.017): "A questão trazida ao julgamento referese a alegado direito creditório decorrente de recolhimento a maior de PIS e COFINS, e compensação com débitos diversos. A unidade de origem não homologou a compensação pleiteada tendo em vista a utilização do valor indicado na quitação de outros débitos do contribuinte, não restando saldo a compensar. A recorrente alega que cometeu um erro no preenchimento da DCTF, retificandoa posteriormente ao despacho decisório com a informação correta da apuração das contribuições. Teria recolhido as contribuições pelo regime não cumulativo, sendo que sua atividade (construção civil) seria pelo regime cumulativo das contribuições, restando saldo a restituir da contribuição paga indevidamente no código de apuração do regime não cumulativo. Apresenta, como prova de suas alegações, notas fiscais de serviço, registros de notas fiscais, relatório de retenção na fonte, memória de cálculo e comprovante de arrecadação. Dessa forma, entendo que é necessária a conversão do julgamento em diligência para que a unidade de origem verifique as alegações da recorrente, determine o regime de apuração das contribuições conforme as atividades comprovadas da recorrente, e apure saldo passível de restituição. Fl. 174DF CARF MF Processo nº 10840.900699/201647 Resolução nº 3402002.024 S3C4T2 Fl. 4 3 Diante disso, converto o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente, com relação aos regimes de apuração das contribuições e o perfeito enquadramento da recorrente em cada regime com base em suas atividades comprovadas, os valores devidos e aqueles comprovadamente recolhidos a maior; (ii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. É como voto." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento do recurso voluntário em diligência à repartição de origem para que a autoridade preparadora: (i) analise as informações contidas no Recurso Voluntário e manifestese, de forma conclusiva, acerca do alegado direito creditório da recorrente, com relação aos regimes de apuração das contribuições e o perfeito enquadramento da recorrente em cada regime com base em suas atividades comprovadas, os valores devidos e aqueles comprovadamente recolhidos a maior; (ii) apresente um demonstrativo retificador, caso entenda cabível, discriminando os valores passíveis de ressarcimento e compensação. Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Concluída a diligência, os autos deverão retornar a este Colegiado para que se dê prosseguimento ao julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 175DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.902019/2013-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2010
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO.
Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
Numero da decisão: 3301-006.301
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS) Ano-calendário: 2010 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório O presente processo trata de pedido de compensação transmitido eletronicamente com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. Após análise eletrônica, foi emitido Despacho Decisório, onde consta que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP correspondente, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 20 19 /2 01 3- 29 Fl. 73DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.301 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.902019/2013-29 Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade onde argumenta, essencialmente, o que se segue: - que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; - que a autoridade administrativa quedou-se inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; - que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; - que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; - que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; - que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; - que a autoridade administrativa limitou-se a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; - que a única conclusão que se chega é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entregue o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF; - que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; - que a autoridade administrativa furtou-se em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; - que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; - que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; - em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; - que o crédito é legítimo, porque o valor efetivamente pago é maior do que o valor correto do débito apurado pela empresa; Fl. 74DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.301 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.902019/2013-29 - o contribuinte, ao calcular o débito, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente do seu faturamento, mas também receitas que não a deveriam compor; - não providenciou a devida retificação da DCTF, para que ela apresentasse os valores efetivamente devidos; - que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; - há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pede-se que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. Por seu turno, a DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, concluindo que não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que argumenta que o Despacho Decisório não foi motivado, pois não esclareceu o motivo da não homologação. Assim, é nulo, pois violou o princípio da motivação. Além disto, a nulidade do Despacho Decisório decorre também do fato de a ausência de motivação impedir o exercício do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-293. 325, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 13888.901749/2014-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006. 293): O recurso voluntário preenche os requisitos legais e deve ser conhecido. No recurso voluntário, a recorrente alega apenas que o Despacho Decisório não foi motivado, pois não teria informado o motivo pelo qual a compensação não foi homologada. E, uma vez que não foi motivado, seria nulo (art. 50 da Lei nº 9.784/99). Não trouxe aos autos documentos para comprovar a higidez do direito creditório. O Despacho Decisório (fl. 81) informa que o valor do suposto crédito está integralmente vinculado a um débito, pelo que não pode ser utilizado para compensação. Não obstante seu laconismo, entendo que o ato não é nulo. Foi devidamente motivado (art. 50 da Lei nº 9.784/99), pois indica os elementos fático (vinculação do valor a outro débito) e jurídico (artigos 165 e 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96) em que se baseou. Fl. 75DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.301 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.902019/2013-29 A recorrente, todavia, não cumpriu sua parte, isto é, fazer prova do direito que alega deter (inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil). Não apresentou documento ou mesmo informação acerca da origem do crédito. Desta forma, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 76DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720129/2006-94
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 09 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercicio: 2004
NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO
DIREITO DE DEFESA.
A ausência nos autos de documento apresentado pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Principio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2102-000.477
Decisão: ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em
ANULAR a decisão de primeira instância, por cerceamento do direito de defesa, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: RUBENS MAURÍCIO CARVALHO
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercicio: 2004 NULIDADE DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. A ausdricia nos autos de documento apresentado pelo interessado e de fundamental importância na resolução lide colide com o Principio da Ampla Defesa e implica em Cerceamento do Direito de Defesa. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os embros do Colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR a decisão 'de primeir nstância, po cerceamento do direito de defesa, nos termos do voto do Relator. EDITADO EM: 01/12/2010 Presentes na sessão de julgamento os Conselheiros NUbia de Matos Moura, Ewan Teles Aguiar, Rubens Mauricio Carvalho, Carlos André Rodrigues Pereira de Lima, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti e Giovanni Christian Nunes Campos. Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto o relatório do acórdão de fls. 74 a 85 da instância a quo, in verbis: Trata o presente processo de Notificação de Lançamento e Anexos, fls. 01 e 05, através do qual se exige, da interessada, o Imposto Territorial Rural — ITR, relativo ao exercício de 2004, acrescido de juros moratórios e multa de oficio, totalizando o crédito tributário de R$ 2.026.864,23, incidente sobre o imóvel rural denominado "Fazenda Mudança", com NIRF Número do Imóvel na Receita Federal — 2,341.538-0, localizado no município de Aripuarid/MT, 2, As alterações no cálculo do imposto estão demonstradas A fl.. 04. 0 fiscal autuante relata que regularmente intimada a apresentar documentos para comprovar os dados declarados na DITR do exercício 2003, a contribuinte não o fez, por esse motivo foram glosadas as Areas de utilização limitada, com exploração extrativa, bem como foi alterado VTN declarado pelo valor constante da tabela do SIPT, porque o Laudo de Avaliação apresentado foi considerado inconsistente por estar em desacordo com a NBR/ABNT n° 14.653-5.. 3. A interessada apresentou impugnação, As fls. 13/39, onde alega, em síntese que: 3.1 Foi autuada relativamente ao exercício de 2004 sob alegação de que não houve comprovação da averbação da área de reserva legal, nas matriculas do imóvel no total de 50% nem apresentação do ADA, embora tenha apresentado Laudo Técnico de Identificação da Area de utilização limitada, preservação permanente e Valor da Terra Nua; 12 Ainda foi alegado que o laudo de avaliação não contemplou o preconizado no item 9.2.3,5 da NBR/ABNT 14.653, porque foram apresentados somente 04 dados coletados, considerados em sua maioria opiniões, caracterizando grau de precisão enquanto que o solicitado na intimação expedida foi grau de precisão II, por esse motivo o VTN declarado foi substituido pelo valor constante da tabela do SIPT; 3.3 Não foram apresentados planos de manejo florestal sustentado nem autorização para exploração da Area declarada como extrativa; 3,4 Transcreveu várias ementas de julgados do Conselho de Contribuintes e do STF para justificar a não obrigatoriedade de apresentação do ADA; 3.5 A Delegacia da Receita Federal não poderia exigir dos contribuintes do ITR do Estado do Mato Grosso o ADA, por força da decisão judicial concessiva em liminar, cuja tutela antecipada se aplica a todos independentemente de filiação a ela; 3.6 A área de reserva legal averbada nas matrículas do imóvel corresponde a 50%, mas esse percentual foi modificado pela Medida Provisória 2.166/2001 para 80%, para tanto, transcreveu a ementa do Acórdão CSRF/03-04.241; 17 A Area de preservação permanente existente no imóvel é 3.339,9 hectares, indicada no Laudo de Identificação e Constatação e imagens do satélite; 3.8 Não concorda com a afirmativa de que o laudo apresentado à fiscalização não atendeu aos requisitos da NBR/ABNT, pois nele estão presentes todas as exigências prescritas na norma citada, Como metodologia, precisão e pesquisa de valores, conforme as peculiaridades inerentes A região; 3.9 Os valores da terra nua utilizados pela SRF' não são válidos porque não foram levantados os preços para o Estado de Mato Grosso conforme determinam os dispositivos legais e normativos; 3.10Está averbado na matrícula do imóvel o 'Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta Manejada correspondente a 3.159,9 hectares; 3.11 Por último, requer: 2 Process() n° 10183 720129/2006-94 S2-C1T2 Ac6rdrio n ° 2102-00.477 Fl 121 a) Area de Utilização Limitada (Reserva Legal) no percentual de 80%, correspondente a 25.998,9 hectares, averbada na matricula do imóvel, indicada no laudo e ADA; b) Area de Preservação Permanente no valor de 3.339,9 ha, como indicada no laudo e imagem de satélite; c) Area de exploração extrativa de 6.499,8 ou de 3.159,9 ha, como indicada nos documentos constantes dos autos; d) Valor da Terra Nua conforme indicado no Laudo apresentado; e) Seja reconhecida a ilegalidade dos acréscimos penais e moratórios do lançamento. 4. Foram juntados à impugnação, os documentos, fls. 53167, que se constituem em cópia do Contrato Social, Alteração Contratual e Procuração. 5. É o relatório. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litigio, em votação unânime, considerou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que os argumentos da recorrente e provas apresentadas foram insuficientes, no seu entender, para desconstituir os fatos postos nos autos que embasaram o lançamento, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa e excertos do voto que transcrevo a seguir livremente: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercicio: 2004 PRESERVAÇÃO PERMANENTE/ÁREA DE UTILIZAÇÃO LIMITADA. A exclusão das áreas declaradas como preservação permanente e de utilização limitada da área tributável do imóvel rural, para efeito de apuração do ITR, está condicionada ao reconhecimento delas pelo MAMA ou por órgão estadual competente, mediante Ato Declaratório Ambiental (ADA), el ou comprovação de protocolo de requerimento desse ato aqueles órgãos, no prazo de seis meses, contado da data da entrega da DITR a que se referir. VALOR DA TERRA NUA O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Pregos de Terras da Secretaria da Receita Federal - SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificagtio, somente, se na contestação forem oferecidos elementos de convicção, coma solicitados na intimação para tal, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as norms da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT EXPLORAÇÃO EXTRATIVA Não comprovada a efetiva exploração extrativa, com observância dos indices de rendimento e da legislação ambiental, nem a aprovação do plano e cumprimento do crono grama de exploração por manejo sustentado de floresta, deve ser tida como procedente a glosa da área declarada a esse título 3 JUROS DE MORA. DA MULTA LANÇADA. É cabível a cobrança de juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic), e da multa de oficio por expressa previsão legal . Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 90 a 108, repisando, os mesmos argumentos trazidos na sua impugnação dirigida A DRJ, alegando ern síntese: a) Cerceamento do direito de defesa pela falta de análise da documentação apresentada e do levantamento real do Sipt; b) Insiste que deve ser reconhecida a Area de Reserva Legal independente da averbação no registro de Imóveis e do Ato Declaratório Ambiental (ADA), Apresenta jurisprudência nesse sentido; f) Pede que, não obstante a falta de declaração, a Area de Preservação Permanente no valor de 3.339,9 ha, deve ser considerada no lançamento corno indicada no laudo e imagem de satélite; c) Defende a aceitação do VTN indicado no Laudo Técnico elaborado conforme Norma da ABNT, especialmente, pela insubsistência do Sipt da RIB; d) Requer aceitação de Area de 6.499,8ha como Exploração Extrativa-ou, em não aceitando, que seja acolhida a Area de 3.159,9ha em face do Laudo. Informe que foram juntadas aos autos as matriculas onde foram averbadas o Termo de Responsabilidade de Manutenção da Floresta Manejada, expedido após aprovação do Ibarna e e) Requer o reconhecimento da ilegalidade dos acréscimos penais e moratórios do lançamento. Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o para julgamento de segunda instancia administrativa. RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Mauricio Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. PRELIMINAR CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA, Alega o contribuinte cerceamento do direito de defesa pela falta de análise da documentação apresentada e do levantamento real do Sistema de Preços de Terms (Sipt). Observamos que na Descrição dos Fatos da autuação, fl. 03 consta: 4 Processo n" 10183.720129/2006-94 S2-C1T2 Acórdão n." 2102-00.477 Fl 122 Valoração da Terra Nua: Laudo de Avaliação de Imóvel Rural, apresentado pelo contribuinte não contempla o preconizado no item 9.3.3.5 da NBR/ABNT No.14653-3 que estabelece no mínimo 5 dados de mercado efetivamente utilizados. (grifei). Ocorre que compulsando os autos não encontramos nenhum Laudo Técnico que pennita nossa avaliação das alegações do presente recurso que ora se julga. Da mesma forma, sem a análise deste documento pela primeira instância entendemos que a decisão recorrida foi realmente proferida com afionta ao Principio da Anyla Defesa e do Contraditório. Destarte, pela ausência nestes autos do Laudo Técnico supra recepcionado pela fiscalização, VOTO POR ACATAR A PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA E ANULAR A DECISÃO ANTERIOR por não ter apreciado o laudo. A unidade de origem pra juntar o laudo técnico citado à fl. 03 ou, se não o tiver, que seja intimado o contribuinte a juntar uma cópia do Laudo Técnico originalmente apresentado que trata do objeto de discussão nesse processo. Posteriormente, dando seguimento ao processo este deverá ser remetido a DIU para proferir novo julgamento. RUBENMAURICIO CARVAI:11 - Relator 5
score : 1.0
Numero do processo: 13768.720078/2011-85
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 22 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. TRANSPORTE EM VEÍCULO PRÓPRIO.
Os rendimentos auferidos pela prestação de serviço de transporte em veículo próprio são considerados rendimentos de pessoa física quando referida prestação se der apenas pelo proprietário, ainda que auxiliado por outros trabalhadores, desde que não qualificados.
PREENCHIMENTO DE DIRPF. ERRO DE FATO. VERDADE MATERIAL. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO.
Provado erro material decorrente de lapso manifesto no preenchimento da Declaração, razoável sua retificação de ofício pela autoridade administrativa, privilegiando o princípio da Verdade Material.
Numero da decisão: 2003-000.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para, na apuração do Imposto Suplementar devido pelo recorrente (fls. 25), considerar, se já quitado, o IRPF na quantia original de R$ 354,89. De modo diverso, caso mencionado crédito ainda esteja em cobrança, o mesmo deverá ser extinto, porquanto indevidamente declarado.
Francisco Ibiapino Luz - Presidente em Exercício e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic.
Nome do relator: FRANCISCO IBIAPINO LUZ
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. TRANSPORTE EM VEÍCULO PRÓPRIO. Os rendimentos auferidos pela prestação de serviço de transporte em veículo próprio são considerados rendimentos de pessoa física quando referida prestação se der apenas pelo proprietário, ainda que auxiliado por outros trabalhadores, desde que não qualificados. PREENCHIMENTO DE DIRPF. ERRO DE FATO. VERDADE MATERIAL. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Provado erro material decorrente de lapso manifesto no preenchimento da Declaração, razoável sua retificação de ofício pela autoridade administrativa, privilegiando o princípio da Verdade Material.
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OMISSÃO DE RENDIMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. TRANSPORTE EM VEÍCULO PRÓPRIO. Os rendimentos auferidos pela prestação de serviço de transporte em veículo próprio são considerados rendimentos de pessoa física quando referida prestação se der apenas pelo proprietário, ainda que auxiliado por outros trabalhadores, desde que não qualificados. PREENCHIMENTO DE DIRPF. ERRO DE FATO. VERDADE MATERIAL. RETIFICAÇÃO DE OFÍCIO. Provado erro material decorrente de lapso manifesto no preenchimento da Declaração, razoável sua retificação de ofício pela autoridade administrativa, privilegiando o princípio da Verdade Material. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso, para, na apuração do Imposto Suplementar devido pelo recorrente (fls. 25), considerar, se já quitado, o IRPF na quantia original de R$ 354,89. De modo diverso, caso mencionado crédito ainda esteja em cobrança, o mesmo deverá ser extinto, porquanto indevidamente declarado. Francisco Ibiapino Luz Presidente em Exercício e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Francisco Ibiapino Luz (Presidente em Exercício), Wilderson Botto e Gabriel Tinoco Palatnic. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 76 8. 72 00 78 /2 01 1- 85 Fl. 48DF CARF MF 2 Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância, que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo contribuinte com o fito de extinguir crédito tributário constituído mediante Notificação de Lançamento. Notificação de Lançamento Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 13.542,96, referente a Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF do exercício de 2009, anobase de 2008, apurado em Notificação de Lançamento, decorrente de omissão de rendimento no valor de R$ 31.266,92 (fls. 23/26). Impugnação Inconformado, o contribuinte apresentou impugnação, solicitando juntada de documentos e argumentando, em síntese, que (fls. 02/05): 1. os rendimentos produzidos por bens comuns serviços de frete foram declarados na proporção de 50% na declaração do impugnante e os outros 50% na declaração do seu cônjuge; 2. dos R$ 19.718,85 informados na DIRF da fonte pagadora Agra Produção e Exportação Ltda, ofereceu R$ 9.859,43 à tributação em sua DAA, sendo os R$ 9.859,43 remanescentes tributados na Declaração do cônjuge; 3. dos R$ 42.815,01 informados na DIRF da fonte pagadora Prefeitura Municipal de Sooretama, tributou R$ 21.407,50 em sua DAA, sendo os R$ 21.407,501 remanescentes oferecidos à tributação pelo cônjuge. Julgamento de Primeira Instância A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre, por unanimidade, julgou improcedente a pretensão externada por meio de mencionada contestação, sob o fundamento de que tais rendimentos representam a remuneração pelo trabalho do recorrente, e não receita originária de bem comum (fls. 33/35). Recurso Voluntário Discordando da respeitável decisão, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, que o rendimento auferido pelo serviço de frete prestado com o uso de bem comum tem igual natureza de bem comum, citando como paradigma o rendimento advindo da suposta exploração de propriedade rural possuída em comunhão com o cônjuge (fls. 42/43). É o relatório. Voto Conselheiro Francisco Ibiapino Luz Relator Admissibilidade O Recurso é tempestivo, pois a ciência da decisão recorrida se deu em 30/12/2014 (fls. 40), e a Peça recursal foi recebida em 26/01/2015 (fls. 42), dentro do prazo Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13768.720078/201185 Acórdão n.º 2003000.120 S2C0T3 Fl. 49 3 legal para sua interposição. Logo, já que atendidos os demais pressupostos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 1972, dele tomo conhecimento. Preliminares Não se aplica, porquanto sem alegação na fase recursal. Mérito Consoante visto no Relatório, a delimitação da lide está em se saber a natureza dos rendimentos auferidos, nestes termos: 1. a Decisão recorrida manteve a autuação sob o fundamento de que houve o auferimento de rendimento próprio, decorrente da prestação de serviço, o qual deve ser oferecido à tributação integralmente pelo impugnante; 2. o recorrente sustenta se tratar de rendimentos produzidos por bem comum, como tais tributados meio a meio com o cônjuge. Delimitado o escopo do litígio, passo à análise da questão suscitada, enfrentando reportada problemática segundo a cronologia a seguir: 1. primeiramente, vai se caracterizar a tributação dos rendimentos provenientes da prestação de serviços de transporte em veículo próprio; 2. na sequência, vai se caracterizar a tributação dos rendimentos decorrentes da ocupação, exploração ou uso dos bens comuns; 3. seguindo, vai se caracterizar a tributação dos rendimentos próprios e daqueles produzidos pelos bens comuns; 4. na ordem, vem a contextualização dos fatos perante os dispositivos legais que tratam do assunto; 5. por fim, tratarseá da tributação em si do IRPF no caso concreto (omissão de rendimentos, acréscimos legais, a intenção do agente e valores tributados em duplicidade). Prestação de serviços de transporte em veículo próprio Os rendimentos auferidos pela prestação de serviço de transporte em veículo próprio são considerados rendimentos de pessoa física quando referida prestação se der apenas pelo proprietário, ainda que auxiliado por outros trabalhadores, desde que não qualificados. Nesse cenário, à época dos fatos, o rendimento bruto dessas atividades era o correspondente a, no mínimo, 40% do valor total dos fretes e carretos, sendo a quantia remanescente declarada como rendimento isento e não tributável (Lei nº 7.290, de 1984; PMF nº 20, de 1979; Ato Declaratório Normativo nº 35, de 1976). Nesse mister, vale o mandamento do Decreto nº 3.000, de 1999, art. 47 vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018, nestes termos: Art. 47. São tributáveis os rendimentos provenientes de prestação de serviços de transporte, em veículo próprio ou Fl. 50DF CARF MF 4 locado, inclusive mediante arrendamento mercantil, ou adquirido com reserva de domínio ou alienação fiduciária, nos seguintes percentuais (Leii nº 7.713, de 1988, art. 9º): I quarenta por cento do rendimento total, decorrente do transporte de carga; [...] § 2º O percentual referido nos incisos I e II constitui o mínimo a ser considerado como rendimento tributável. Ainda sobre o que está posto, confirase aquilo que traz o Parecer Normativo CST Nº 122, de 1974: Rendimentos decorrentes da prestação de serviços de transporte de cargas ou de passageiros: quando dirigido o veículo exclusivamente pelo seu proprietário, são considerados de pessoa física; considerados como de pessoa jurídica se contratado motorista para conduzir o veículo; e igualmente tributados como de pessoa jurídica, se obtidos com a exploração, em conjunto do veículo. [...] 4. Nestes termos, para serem considerados como de pessoa física e, portanto, classificáveis na cédula "D", os rendimentos hão de ser fruto de serviços não comerciais, provindos exclusivamente da exploração individual do trabalho que se especifica. 5. É o caso dos "rendimentos individuais do motorista que faz o serviço de transporte de carga ou de passageiros, em seu próprio veículo", conforme já se pronunciou esta Coordenação, através do Parecer Normativo CST nº 236/71, de 11.03.71, em que é evocado ainda o art. 66 do RIR. 6. A situação não se desnatura se houver a contratação de empregados, como ajudantes ou auxiliares, porque o desempenho da atividade principal (dirigir o veículo) comporta e até pressupõe o concurso de atividades secundárias, de apoio (carga, descarga, etc.). É o que se infere da enumeração das profissões arroladas na letra a do art. 49 – médico, engenheiro, advogado, etc. – cujo exercício faz presumir serviços auxiliares, como por exemplo de enfermeiros, desenhistas, datilógrafos, etc., respectivamente. 7. O mesmo não ocorre, todavia, se contratado profissional para dirigir o veículo, hipótese em que se descaracteriza a exploração individual da atividade, ficando destarte a empresa equiparada à pessoa jurídica. 8. Da mesma forma os casos de exploração conjunta, haja ou não coproprietário do veículo porque passa de individual para social o exercício da atividade econômica. A societas facti resultante, com personalidade própria, distinta da de seus componentes, há que ser tributada como pessoa jurídica. Ocupação, exploração ou uso dos bens comuns Fl. 51DF CARF MF Processo nº 13768.720078/201185 Acórdão n.º 2003000.120 S2C0T3 Fl. 50 5 Noutra perspectiva, o art. 49 de mencionado Decreto define os rendimentos produzidos por bens comuns como sendo aqueles decorrentes da ocupação, exploração ou uso de bens possuídos em comunhão pelos cônjuges, a exemplo dos aluguéis. Confirase: Art. 49. São tributáveis os rendimentos decorrentes da ocupação, uso ou exploração de bens corpóreos, tais como (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 3º, Lei nº 4.506, de 1964, art. 21, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º): I aforamento, locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento, direito de uso ou passagem de terrenos, seus acrescidos e benfeitorias, inclusive construções de qualquer natureza; II locação ou sublocação, arrendamento ou subarrendamento de pastos naturais ou artificiais, ou campos de invernada; III direito de uso ou aproveitamento de águas privadas ou de força hidráulica; IV direito de uso ou exploração de películas cinematográficas ou de videoteipe; V direito de uso ou exploração de outros bens móveis de qualquer natureza; VI direito de exploração de conjuntos industriais. § 1º Constitui rendimento tributável, na declaração de rendimentos, o equivalente a dez por cento do valor venal de imóvel cedido gratuitamente, ou do valor constante da guia do Imposto Predial e Territorial Urbano IPTU correspondente ao anocalendário da declaração, ressalvado o disposto no inciso IX do art. 39 (Lei nº 4.506, de 1964, art. 23, inciso VI). § 2º Serão incluídos no valor recebido a título de aluguel os juros de mora, multas por rescisão de contrato de locação, e quaisquer outras compensações pelo atraso no pagamento, inclusive atualização monetária. Consoante conformação dada pelos dois excertos legislativos acima transcritos, inferese que os rendimentos decorrentes da prestação de serviço com uso de bem comum e aqueles produzidos por citados bens têm naturezas, infinitamente, distintas. Mais especificamente, enquanto nos primeiros, há, sim, a remuneração do trabalho prestado pelo proprietário dos supostos bens; nos segundos, não existe prestação de serviço, mas tão somente a retribuição financeira pelo uso, em si, do mencionado bem. Assim entendido, os pagamentos recebidos pelo serviço prestado e pelo uso do bem comum em si têm natureza de rendimentos próprios e rendimentos produzidos pelos bens comuns respectivamente. Tributação do rendimento próprio e daquele produzido pelos bens comuns Na constância da sociedade conjugal, os rendimentos próprios pertencem a cada um dos cônjuges e devem ser tributados exclusivamente na declaração de quem os auferiu. Por outro lado, em se tratando de rendimentos produzidos pelos bens comuns, citada Fl. 52DF CARF MF 6 tributação se dará na proporção de 50% (cinquenta por cento) para cada cônjuges ou, opcionalmente, integralmente na declaração de um deles. Registrese que o Decreto nº 3.000, de 1999, arts. 6º e 7º vigente até 22/11/2018, quando foi revogado pelo Decreto nº 9.580, de 2018 traz o ordenamento a ser obedecido relativamente à declaração de bens e rendimentos durante a constância da sociedade conjugal. Confirmase: Art. 6º Na constância da sociedade conjugal, cada cônjuge terá seus rendimentos tributados na proporção de (Constituição, art. 226, § 5º): I cem por cento dos que lhes forem próprios; II cinqüenta por cento dos produzidos pelos bens comuns. Parágrafo único. Opcionalmente, os rendimentos produzidos pelos bens comuns poderão ser tributados, em sua totalidade, em nome de um dos cônjuges. Declaração em Separado Art. 7º Cada cônjuge deverá incluir, em sua declaração, a totalidade dos rendimentos próprios e a metade dos rendimentos produzidos pelos bens comuns. [...] § 2º Na hipótese prevista no parágrafo único do artigo anterior, o imposto pago ou retido na fonte será compensado na declaração, em sua totalidade, pelo cônjuge que declarar os rendimentos, independentemente de qual deles tenha sofrido a retenção ou efetuado o recolhimento. § 3º Os bens comuns deverão ser relacionados somente por um dos cônjuges, se ambos estiverem obrigados à apresentação da declaração, ou, obrigatoriamente, pelo cônjuge que estiver apresentando a declaração, quando o outro estiver desobrigado de apresentála. Contextualização dos fatos Analisando a documentação acostada aos autos, constatase que (fls. 07 a 22): 1. os rendimentos tidos por omitidos foram provenientes da prestação de serviços de transporte (fretes) em veículo próprio, possuído em comunhão com o cônjuge, e não de suposto aluguel ou arrendamento do citado bem comum; 2. o recorrente declarou: (a) rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica Agra Produção e Exportação Ltda no valor de R$ 9.859,43, sobre os quais foi retido o IRRF de R$ 185,67; (b) rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica Prefeitura Municipal de Sooretama no valor de R$ 21.407,51, sobre os quais foi retido o IRRF de R$ 740,42; Fl. 53DF CARF MF Processo nº 13768.720078/201185 Acórdão n.º 2003000.120 S2C0T3 Fl. 51 7 (c) rendimento isento e não tributável no valor R$ 34.936,98, decorrente da "PARCELA ISENTA DO FRETE", correspondente à proporção de 60% (sessenta por cento) do valor auferido. 3. o cônjuge do recorrente, Sra. Zilma Ferreira Comin, CPF nº 085.384.817 38, declarou: (a) rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica Agra Produção e Exportação Ltda no valor de R$ 9.859,42, sobre os quais foi retido o IRRF de R$ 185,67; (b) rendimentos tributáveis recebidos da pessoa jurídica Prefeitura Municipal de Sooretama no valor de R$ 21.407,50, sobre os quais foi retido o IRRF de R$ 740,41; (c) rendimento isento e não tributável no valor R$ 34.936,97, decorrente da "PARCELA ISENTA DO FRETE", correspondente à proporção de 60% (sessenta por cento) do valor auferido. Do exposto, ressaltase que, na pessoa física, a legislação não prevê outra possibilidade de tributação dos rendimentos provenientes de bem comum, senão aquela vista no art. 49 do Decreto nº 3.000, de 1999, caracterizada pela ocupação, uso ou exploração em si do mencionado bem. Noutra perspectiva, a prestação do serviço com uso de veículo próprio vista no art. 47 tem o benefício da isenção tributária de até 60% (sessenta por cento) do valor auferido, desde que cumpridos os requisitos legalmente previstos. Quanto a isso, vale ressaltar que a tributação de reportada prestação de serviço poderá se dar integralmente sem o benefício da parcela isenta na pessoa jurídica por opção do prestador do transporte ou involuntariamente, se descumprido requisito exigido pela legislação. Logo, não restam dúvidas de que o recorrente optou pela tributação favorecida na pessoa física, restando declarados como isentos os valores de R$ 34.936,98 e R$ 34.936,97 nas Declarações do contribuinte e na de seu cônjuge respectivamente. Ainda no raciocínio, igualmente se refuta a argumentação trazida no sentido de que a prestação de serviço de transporte com o uso de bem comum se assemelha à exploração de propriedade rural possuída em comunhão com o cônjuge. Tratamse de cenários dotados de comandos legais próprios e específicos, um não se subsumindo ao contexto do outro, pois vistos de modo distinto pela norma tributária. Afinal, aluguel de bem comum jamais se perfilhará com a prestação de serviço com uso de bem comum, como tal beneficiada com a parcela isenta de até 60% (sessenta por cento) do rendimento auferido. Omissão de rendimentos Oportuno ressaltar que a fonte pagadora informou rendimento tributável em sua DIRF, o qual não foi oferecido à tributação pelo contribuinte, razão por que a autoridade administrativa constituiu mencionado crédito tributário, composto do imposto apurado mais os acréscimos legais decorrentes (multa de ofício e juros de mora). Nesse pressuposto, durante o procedimento fiscal, cabe ao seu executante averiguar o cumprimento de todos os requisitos legais pertinentes ao objeto trabalhado, conforme assevera o Decreto citado anteriormente. Nestes termos: Fl. 54DF CARF MF 8 Art. 835. As declarações de rendimentos estarão sujeitas a revisão das repartições lançadoras, que exigirão os comprovantes necessários. [...] § 4º O contribuinte que deixar de atender ao pedido de esclarecimentos ficará sujeito ao lançamento de ofício [...] Nessa seara, por ter sido comprovada a omissão de rendimentos, não restaram outras alternativas para o autuante, senão agir em conformidade com a lei, efetuando o lançamento de oficio com base nas infrações apuradas, de acordo com o art. 841 do citado Decreto. Nestes termos: Art. 841. O lançamento será efetuado de ofício quando o sujeito passivo [...] III fizer declaração inexata, considerandose como tal a que contiver ou omitir, inclusive em relação a incentivos fiscais, qualquer elemento que implique redução do imposto a pagar ou restituição indevida; [...] VI omitir receitas ou rendimentos. Multa de ofício e juros de mora Entendidas as circunstâncias da autuação decorrente da omissão de receitas apurada, a progressão do raciocínio passa pela premissa de que as aplicações da multa de ofício e dos juros de mora se impõem, respectivamente, pelos arts. 44, I, e 61, §3º, da Lei nº 9.430/1996, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Confirmase: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (grifo nosso) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Art. 61. [...]) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (grifo nosso) Como visto, reportada matriz legal impede que a aplicação de tais acréscimos seja submetida à discricionariedade das autoridades tributárias, cujas atividades são vinculadas, nos termos do CTN, art. 142. Por conseguinte, o procedimento fiscal que ensejar lançamento de ofício apurando imposto a pagar, obrigatoriamente, implicará na cominação de mencionados acréscimos legais, nos exatos termos da legislação. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 13768.720078/201185 Acórdão n.º 2003000.120 S2C0T3 Fl. 52 9 O efeito da intenção do agente no acometimento de infração tributária Neste aspecto, a pretensão do recorrente não tem amparo na legislação, porquanto a alegação de que não teve intenção de omitir tais rendimentos da tributação, não se sustenta perante o que se discorreu anteriormente, como também pelo ditame presente no art. 136 do CTN, que patrocina ser a intenção do agente, em regra, irrelevante para a caracterização da infração tributária. Confirmase: Art. 136. Salvo disposição de lei em contrário, a responsabilidade por infrações da legislação tributária independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. Valores tributados em duplicidade Com dito cenário, o contribuinte argumenta e prova que os valores omitidos foram, indevidamente, declarados pelo cônjuge, Sra. Zilma Ferreira Comin, CPF nº 085.384.8173, totalizando rendimentos tributáveis no montante de R$ 31.266,92, cujo IRRF sobre eles incidentes somou R$ 926,08, mais rendimentos isentos e não tributáveis na quantia de R$ 34.936,97, restando saldo do IRPF a pagar na cifra de R$ 354,89. Assim entendido, já que mencionados recursos foram incluídos na DAA do recorrente por ocasião da revisão, em se tratando de erro no preenchimento da declaração do cônjuge, razoável compreender seja esta retificada de ofício, para afastar a incidência tributária acerca dos valores equivocadamente ali oferecido à tributação. A propósito, compreender de modo diverso traduzirá injusto enriquecimento sem causa para o Estado, já que a mesma base tributária estaria sendo tributada em duplicidade, uma na DAA do recorrente e a outra na do seu cônjuge. Por conseguinte, seguramente, esse não é o rumo que se espera da administração tributária, sujeita, especialmente, aos princípios da verdade material, do interesse público e do formalismo moderado. Em virtude disso, a autoridade judicante administrativa deverá prolatar sua decisão com base na versão mais legítima dos fatos, como tal, buscando, de ofício, alcançar as respostas mais apropriadas para o interesse público tutelado. Afinal, assim agindo, atendendo está aos princípios constitucionais próprios da administração pública legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência (CF, de 1988, art. 37). Nessa concepção, os documentos acostados aos autos fazem prova de que o cônjuge do contribuinte foi injustamente tributado na quantia original de R$ 354,89, razão por que mencionado valor, se já quitado, deverá ser considerado na apuração do IRPF devido pelo recorrente. De modo diverso, caso mencionado crédito ainda esteja em cobrança, o mesmo deverá ser extinto, porquanto indevidamente declarado. Conclusão Ante o exposto, DOU PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso interposto, para, na apuração do Imposto Suplementar devido pelo recorrente (fls. 25), considerar, se já quitado, o IRPF na quantia original de R$ 354,89. De modo diverso, caso mencionado crédito ainda esteja em cobrança, o mesmo deverá ser extinto, porquanto indevidamente declarado. É como voto. Francisco Ibiapino Luz Fl. 56DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13956.000229/2007-81
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA.
No lançamento de ofício aplica-se a multa de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata.
JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4.
A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2002-001.208
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas quanto às alegações sobre os acréscimos legais e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento parcial para excluir da base de cálculo do imposto os rendimentos vinculados ao IRRF glosado.
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: MONICA RENATA MELLO FERREIRA STOLL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 CONCOMITÂNCIA. PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA. No lançamento de ofício aplica-se a multa de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata. JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas quanto às alegações sobre os acréscimos legais e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento parcial para excluir da base de cálculo do imposto os rendimentos vinculados ao IRRF glosado. (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
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PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. SÚMULA CARF Nº 1. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICADA. No lançamento de ofício aplicase a multa de 75% nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e de declaração inexata. JUROS. TAXA SELIC. SÚMULA CARF Nº 4. A partir de 1° de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, apenas quanto às alegações sobre os acréscimos legais e, na parte conhecida, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez que lhe deu provimento parcial para excluir da base de cálculo do imposto os rendimentos vinculados ao IRRF glosado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 95 6. 00 02 29 /2 00 7- 81 Fl. 117DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Tratase de Notificação de Lançamento (efls. 45/51) lavrada em nome do sujeito passivo acima identificado, decorrente de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual do exercício 2005 (efls. 17/20), onde se apurou: Omissão de Rendimentos do Trabalho com Vínculo e/ou sem Vínculo Empregatício, Omissão de Rendimentos de Aluguéis ou Royalties Recebidos de Pessoas Jurídicas, Dedução Indevida de Previdência Oficial e Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte IRRF. A Notificação supracitada foi lavrada em decorrência do deferimento parcial da Solicitação de Retificação de Lançamento – SRL apresentada (efls. 08). O contribuinte ingressou com Impugnação (efls. 02/06), cujas alegações foram resumidas no relatório do acórdão recorrido (efls. 74/75): Regularmente cientificado do lançamento por meio de AR em 10/04/2007 (cópia de fl. 48), o interessado ingressou em 24/04/2007 com a impugnação de fls. 01/06, acompanhada dos documentos de fls. 07/12, alegando, que anteriormente fora notificado pela Receita Federal por meio da Notificação de Lançamento No 2005/609400051982043 (fls. 22/26); que apresentou Solicitação de Retificação de Lançamento — SRL a esta notificação (fl. 07) e; que foi acatada a solicitação com o despacho "Deferida Parcialmente" (fl. 07), porém com majoração do lançamento anterior. Aduz que, conforme informação prestada pela fonte pagadora PREVI — Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil, parte do valor glosado de imposto de renda retido na fonte no valor de R$ 5.696,58 foi depositado judicialmente, por tratase de rendimento com exigibilidade suspensa (documento de fl. 27). Sustenta que, por se tratar de imposto retido e depositado por decisão judicial, não pode ser desconhecido do órgão fiscalizador pois consta na informação prestada pela fonte pagadora o número do processo judicial (1999.34.00.0329498), Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13956.000229/200781 Acórdão n.º 2002001.208 S2C0T2 Fl. 118 3 a data da decisão ("24082000"), a Vara da Justiça Federal em Brasília e, portanto, por ser a Receita Federal • parte no feito não existe fundamento legal para glosa. Afirma que é inconteste que o referido valor foi retido pela fonte pagadora e pela mesma depositada à ordem do Fisco, motivo pelo qual não procede a glosa. Pugna que não é justo, nem legal a exigência de outro pagamento da mesma quantia e que caracteriza "bitributação", posto que já retido e depositado pela fonte pagadora à ordem do órgão fiscalizador, a quem compete "levantar esse valor". Alega, sem apresentar qualquer documentação, que está isento da retenção do imposto de renda por contar mais de 68 anos de idade e ser portador de "doença cardiovascular" grave que supostamente o obriga a tomar medicação diária contínua. Discorda também da aplicação das multas de ofício e de mora sobre a quantia glosada a título de imposto de renda na fonte por considerar "serem inexigíveis", e por considerar que "incidem sobre um "tributo pago" na fonte, na época própria". Protesta que a multa de ofício e a multa de mora são exacerbadas e devem ser expurgadas ou reduzidas uma vez que, primeiro, não ocorreu o fato gerador dos encargos, segundo, porque não houve intenção dolosa, mas simples falha no preenchimento do formulário. Assevera que não existe amparo legal para a cobrança dos juros de mora pois a mora, segundo ele, somente ocorre a partir da notificação de lançamento e não da data da declaração de rendimentos. Ao final, o interessado requer que seja acolhida a impugnação e no mérito requer "que sejam revistos e recalculados" os valores das multas e juros, retificandose os lançamentos da notificação expedida e, requer também que seja cancelado o débito fiscal concernente às verbas impugnadas, das respectivas multas e dos juros de mora. A 2ª Turma da DRJ/CTA não conheceu da Impugnação em decisão assim ementada (efls. 72/79): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004 MATÉRIAS .NÃO IMPUGNADAS. Considerase como nãoimpugnadas as partes do lançamento com os quais o contribuinte concorda ou com os quais não se manifesta expressamente. Fl. 119DF CARF MF 4 PEDIDO DE REVISÃO DE VALORES DE MULTA DE OFÍCIO, DE MULTA DE MORA E DE JUROS DE MORA. PREVISÃO LEGAL. FALTA DE INTENÇÃO DOLOSA. IMPROCEDÊNCIA. Não obstante o contribuinte alegar falta de intenção de dolosa, a multa de ofício, a multa de mora e os juros de mora, conforme previsão legal, devem ser aplicados quando verificado o descumprimento da legislação tributária, motivo pelo qual considerase improcedente qualquer pedido de revisão de seus valores. NORMAS PROCESSUAIS. CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSO JUDICIAL E ADMINISTRATIVO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. DECLARAÇÃO DE DEFINITIVIDADE DO LANÇAMENTO EFETUADO. NÃO CONHECIMENTO DA IMPUGNAÇÃO. A propositura de ação judicial, antes ou após o início do procedimento fiscal de lançamento, com o mesmo objeto, implica renúncia à instância administrativa e impede a apreciação das razões de mérito pela autoridade julgadora, motivo pelo qual não deve ser conhecida a impugnação e, por conseguinte, há que ser declarado definitivo na instância administrativa o lançamento efetuado. Impugnação Não Conhecida Crédito Tributário Mantido Cientificado do acórdão de primeira instância em 07/12/2009 (efls. 82), o interessado interpôs Recurso Voluntário em 15/12/2009 (efls. 83/89) com os argumentos a seguir sintetizados. Apresenta breve relato dos fatos processuais. Alega que os julgadores limitaramse a invocar a lei naquilo em que é favorável ao Fisco em menosprezo à prova dos documentos juntados e aos argumentos apresentados. Aduz que "o valor constante na intimação, de R$ 1.847,06, referese a imposto e multa incidente sobre a quantia de R$ 5.500,00, relativa a recursos provenientes de aluguel, que o recorrente nega o recebimento e desconhece a empresa que declarou o pagamento, pois nunca manteve negócios com a mesma nem lhe assinou qualquer recibo, conforme aliás já declarara na "Solicitação de Retificação de Lançamento"". Entende que, se alguém deve ser multado ou intimado a dar explicações, é a empresa que declarou ter feito o pagamento. Quanto à glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte, expõe que a Receita alega que esse valor teria sido depositado em Juízo pela PREVI, mas essa informação não consta do comprovante de rendimentos pagos fornecido pela fonte pagadora ao beneficiário, não podendo portanto ser levada em conta para a glosa. Assevera que, se o Fisco aceita como correto o valor de R$ 107.100,80 relativo aos proventos pagos, tem que aceitar como correto o valor de R$ 17.089,74 relativo à retenção do Imposto de Renda na Fonte. Suscita a pretensão de tributação "bis in idem", que precisa ser afastada. Fl. 120DF CARF MF Processo nº 13956.000229/200781 Acórdão n.º 2002001.208 S2C0T2 Fl. 119 5 Afirma que a parcela de proventos que originou o imposto retido e glosado não precisaria ser declarada no item de "Rendimentos Tributáveis" porque pertence à categoria de "Rendimentos Isentos e Não Tributáveis". Dessa forma, uma vez que foi deduzido e recolhido o imposto na fonte não só sobre dita parcela glosada mas sobre todos os proventos pagos ao recorrente, não há amparo legal para a glosa efetuada. Acrescenta que faz jus à isenção do Imposto de Renda na Fonte sobre todos os proventos recebidos por ser portador de doença cardíaca grave comprovada por perícia médica, conforme consta nas cópias xerográficas inclusas. Nestas circunstâncias, entende que a retenção do imposto por parte da fonte pagadora PREVI foi indevida e que tem direito à restituição do valor recolhido de R$ 17.089,74 devidamente corrigido. Voto Conselheira Mônica Renata Mello Fereira Stoll Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os requisitos de admissibilidade, porém, pelas razões a seguir, deve ser parcialmente conhecido. Cumpre ressaltar, inicialmente, que o litígio a ser analisado por este Colegiado recai somente sobre a Compensação Indevida de IRRF de R$ 5.696,58 referente aos rendimentos com exigibilidade suspensa recebidos da Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil PREVI (efls. 49). As demais infrações não foram contestadas na Impugnação apresentada. Impõese observar nesse ponto que não é permitido ao interessado inovar na postulação recursal para incluir razões diversas daquelas anteriormente ventiladas, sob pena de ofensa ao art. 17 do Decreto 70.235/72. Do exame dos autos verificase que o IRRF de R$ 5.696,58 referese a depósito judicial efetuado no Processo nº 1999.34.00.0329498 (efls. 59/68), como indicado expressamente nas observações complementares do comprovante de rendimentos fornecido pela PREVI (efls. 14), ao contrário do que alega o recorrente. Tal informação também pode ser extraída da DIRF emitida pela fonte pagadora (efls. 41). Em vista do exposto, concluise que a matéria em litígio no presente processo foi objeto de discussão no Poder Judiciário, não cabendo sua apreciação por este Colegiado. Nesse sentido dispõe a Súmula CARF nº 1, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal, nos termos da Portaria MF nº 277 de 07/06/2018: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Fl. 121DF CARF MF 6 Quanto às alegações acerca dos rendimentos declarados para a PREVI, deve se esclarecer ao interessado que a competência deste Colegiado situase dentro dos estritos limites da matéria litigiosa, não cabendo a ele apreciar a alteração de valores que não compõem a lide. A exclusão de rendimentos informados na Declaração de Ajuste em exame representaria retificação após o início da ação fiscal, procedimento expressamente vetado pela legislação pertinente, nos termos do art. 147, § 1º, do CTN. Não obstante, no caso de decisão judicial favorável ao contribuinte, os rendimentos vinculados ao IRRF glosado poderão ser excluídos pela Unidade de Origem na fase de execução do processo. Relativamente aos acréscimos legais, importa registrar que, uma vez constatada a infração à legislação tributária em procedimento fiscal, o crédito deve ser apurado com os encargos do lançamento de ofício, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/96. No presente caso a multa de ofício aplicada foi a de 75% prevista no inciso I do referido artigo, utilizada nos casos de declaração inexata, ou seja, de equívoco do contribuinte, independentemente da sua intenção de fraudar o fisco. Quanto aos juros de mora, deixo de tecer maiores considerações tendo em vista a publicação da Súmula CARF n° 4 abaixo reproduzida, com efeito vinculante em relação à Administração Tributária Federal, nos termos da Portaria MF nº 277 de 07/06/2018: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. (Vinculante, conforme Portaria MF nº 277, de 07/06/2018, DOU de 08/06/2018) Por todo o exposto, voto por conhecer em parte do Recurso Voluntário, apenas quanto às alegações sobre os acréscimos legais e, na parte conhecida, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mônica Renata Mello Fereira Stoll Fl. 122DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16682.902297/2016-23
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 21 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jun 13 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012
DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE.
É válido o despacho decisório eletrônico que não homologa a compensação declarada com fundamento fático decorrente da verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo.
INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO.
Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogita-se o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-006.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. É válido o despacho decisório eletrônico que não homologa a compensação declarada com fundamento fático decorrente da verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogita-se o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Recurso Voluntário Negado
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
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PETROBRAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. É válido o despacho decisório eletrônico que não homologa a compensação declarada com fundamento fático decorrente da verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 22 97 /2 01 6- 23 Fl. 603DF CARF MF Processo nº 16682.902297/201623 Acórdão n.º 3301006.123 S3C3T1 Fl. 604 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira, Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 531 a 545) interposto pelo Contribuinte, em 19 de outubro de 2017, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 1290.477 (fls. 518 a 522), de 24 de agosto de 2017, proferido pela 17ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) – DRJ/RJ1 – que decidiu, por unanimidade de votos julgar improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 5 a 14) apresentada pelo Contribuinte. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: Trata o presente processo de apreciação da compensação declarada no PER/DCOMP no 20928.81012.230312.1.3.040700, transmitido em 23/03/2012, de crédito referente ao valor de R$ 11.293.110,22, que teria sido recolhido a maior ou indevidamente em 24/02/2012, a título de PIS (código 6824), atinente ao período de apuração 01/2012, com débitos diversos. Por meio do Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DemacRio de JaneiroRJ (fl.506), não foi homologada a compensação declarada, em virtude de o pagamento do qual seria oriundo o citado pagamento indevido já teria sido utilizado para quitar débitos do contribuinte não gerando saldo disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Cientificada em 20/02/2017 (fl.509), a Interessada ingressou, em 17/03/2017, com manifestação de inconformidade, na qual alega, em síntese, que: 1. Conforme se apura da análise do despacho decisório e das informações complementares fica evidenciado que a interessada foi simplesmente informada que o pedido foi indeferido, contudo sem a devida e obrigatória motivação; 2. Espera o reconhecimento da inobservância dos artigos 50, § 1o e 53, da Lei no 9.784/99 c/c art.59, inciso II do Decreto no 70.235/72, no sentido de tornar sem efeito o despacho decisório, a fim de que seja produzida nova decisão nos estritos termos da Lei; 3. Independente da nulidade citada, cumpre sublinhar que o crédito ora em questão decorre da retificação do DACON, visto ter sido aumentado o crédito a ser descontado da contribuição em comento na ordem de R$ 11.293.110,22; Fl. 604DF CARF MF Processo nº 16682.902297/201623 Acórdão n.º 3301006.123 S3C3T1 Fl. 605 3 4. A diferença apurada entre o valor constante no DACON original em relação ao retificador demonstra o indébito ora pleiteado; 5. Destacase na DCTF (original e retificadora) que aludidos dados apontam para o crédito no montante pleiteado; 6. Diante do exposto, protesta pela juntada das provas trazidas com a manifestação e as provas complementares que venham a contribuir para a apuração da verdade real; 7. E que seja declarada a nulidade do despacho decisório ora atacado e, em pedido sucessivo, seja julgado procedente a presente manifestação de inconformidade. Junto com a manifestação de inconformidade a contribuinte carreou aos autos documentos de representação e cópias das DCTF original e retificadora, e dos DACON original e retificador. Diante da decisão que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen Relator O Recurso Voluntário interposto em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 1290.477 é tempestivo e atende os pressupostos legais de admissibilidade, motivo pelo qual deve ser conhecido. O ora analisado Recurso Voluntário visa reformar decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2012 a 31/01/2012 DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO. FUNDAMENTAÇÃO. ALEGAÇÃO DE NULIDADE. É válido o despacho decisório eletrônico que não homologa a compensação declarada com fundamento fático decorrente da verificação dos valores objeto de declaração pelo próprio sujeito passivo. INDÉBITO FISCAL. COMPENSAÇÃO. Somente com a comprovação da extinção ou do pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, cogitase o reconhecimento de indébito fiscal, e da sua utilização na compensação de outros tributos e contribuições. Fl. 605DF CARF MF Processo nº 16682.902297/201623 Acórdão n.º 3301006.123 S3C3T1 Fl. 606 4 Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido O Contribuinte aduz em seu recurso, em preliminar, que é 1) nulo o Despacho Decisório, visto que não apresenta motivação explícita, clara e congruente para não homologar o crédito pleiteado; no mérito, 2) que o pedido formulado de crédito pode ser constatado em cotejo entre a DCTF original e a retificada e com o intuito de detalhar as linhas retificadas, as quais constam do indébito em análise, trata 2.1.) do crédito referente a importação do gás natural da Bolívia (Linha 01 da Ficha 16B); e, 2.2) dos créditos sobre os bens do ativo imobilizado (Linha 10 da Ficha 16A). Por fim, como pedido, o Contribuinte requer (fls. 544): a) Declarar a nulidade do despacho decisório, uma vez que não houve motivação explícita, clara e congruente das causas que ensejaram a não homologação da PER/DCOMP; b) Se decidir analisar o mérito da questão, determinar que sejam os autos baixados para que a DRJ promova nova decisão, analisando as provas acostadas, sob pena de supressão de instância; ou então, c) Se porventura, o item anterior for superado, apenas pelo amor ao debate, no mérito há robusta evidência quanto a certeza e liquidez do crédito ora perseguido, o qual importará no provimento do presente recurso para fins de homologar a PER/DCOMP sob análise; d) Protesta, desde já, em homenagem ao princípio da verdade material, em acostar nos autos evidências quanto as variações do Ativo Imobilizado, de modo a comprovar as variações na Linha 10 da Ficha 16A da DACON. Com a devida vênia ao entendimento do Contribuinte, não há nulidade do Despacho Decisório, bem como, no que tange ao mérito, não faz prova do direito creditório alegado, e, como se sabe, o ônus da prova cabe ao Contribuinte quando alega existir crédito em seu favor. É necessário que se apresente prova contábilfiscal do crédito de forma concludente. E isso não foi, em nenhum momento, apresentado, tanto que no item “d” acima, quando do pedido, alega que em nome da verdade material, há que se acostar aos autos evidências quanto as variações do Ativo Imobilizado para comprovar as variações na Linha 10 da Ficha 16A da DACON. Mesmo com uma postura interpretativa da Turma de um formalismo moderado, há limites para apresentação das provas. Com essas considerações iniciais, cito trechos do voto da decisão ora recorrida como razões para decidir: O ato combatido aponta como causa da não homologação da compensação pleiteada o fato de que, embora localizado o pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente fora utilizado para a extinção anterior de outros débitos, inexistindo, em conseqüência, pagamento a maior ou indevido passível de restituição. De fato, tal constatação decorre diretamente do exame da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF original apresentada pelo próprio contribuinte em 19/03/2012, e na qual o pagamento apontado na DCOMP, transmitida pelo interessado em 23/03/2012 é utilizado integralmente para a quitação do débito ali também declarado, conforme as pesquisas acostadas às fls.515 e 517. Fl. 606DF CARF MF Processo nº 16682.902297/201623 Acórdão n.º 3301006.123 S3C3T1 Fl. 607 5 A contribuinte entende não ser válida essa motivação, suscitando a nulidade do Despacho Decisório de não homologação. Tal alegação não se revela pertinente, como se passa a demonstrar. A partir da redação conferida pela Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002 ao art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, a compensação tributária passou a ser implementada pelo sujeito passivo com a entrega de declaração de compensação (DCOMP), na qual constariam informações relativas aos créditos utilizados e aos respectivos débitos. O efeito imediato da declaração é a extinção do crédito tributário, ainda que sob condição. Nesses termos, a declaração de compensação se presta a formalizar o encontro de contas entre o contribuinte e a Fazenda Pública, por iniciativa do primeiro a quem cabe, portanto, a responsabilidade pelas informações sobre os créditos e os débitos, cabendo à autoridade tributária a sua necessária verificação e validação. Encontradas conforme, sobrevém a homologação confirmando a extinção. Invalidadas as informações prestadas pelo declarante, o inverso se verifica. No caso, a contribuinte transmitiu sua DCOMP compensando débito com suposto crédito de uma contribuição social decorrente de pagamento indevido ou a maior, apontando um documento de arrecadação como origem desse crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pela contribuinte na DCOMP foi realizada também de forma eletrônica, cotejando os com os demais dados por ela informados à Receita Federal em outras declarações (no caso específico DCTF), bem como outras bases de dados deste órgão (pagamentos, etc), tendo resultado no Despacho Decisório em discussão. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que o crédito utilizado na compensação declarada não existia. Por conseguinte, não havia saldo disponível (é dizer, não havia crédito líquido e certo) para suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação. Daí a não homologação, não havendo qualquer nulidade nesse procedimento. Demais disso, no referido Despacho Decisório consta a fundamentação legal e o referido ato consiste de uma apreciação de compensação declarada pelo sujeito passivo. Importa ressaltar, ainda, que o despacho decisório em foco formaliza a não homologação de declaração de compensação e não embute julgamento de litígio do tipo dos regulados pelo Decreto nº 70.235, de 1972. Esclareçase que a não homologação da compensação não se caracteriza como litígio, pois o sujeito passivo pode reconhecer eventual erro cometido e conformarse com a não homologação. Assim, o litígio somente se instaura com a apresentação tempestiva de manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação. Assim, não há qualquer irregularidade no ato combatido, porquanto o pedido foi apreciado pela autoridade competente, sendo que, ao inconformismo da interessada está sendo assegurado o exame da decisão combatida por esta Delegacia de Julgamento, órgão julgador de primeira instância, garantida ainda a possibilidade de recurso ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, caso também não se conforme com a decisão que será aqui proferida. Sobre o motivo da não homologação, como já antes explicitado neste Voto, revela se procedente, pois, de acordo com as próprias informações prestadas pela Fl. 607DF CARF MF Processo nº 16682.902297/201623 Acórdão n.º 3301006.123 S3C3T1 Fl. 608 6 contribuinte à Receita Federal, o direito creditório apontado na DCOMP era inexistente. Com efeito, é indispensável destacar que nos termos da legislação federal vigente, o indébito fiscal decorrente de pagamento a maior ou indevido, utilizado em compensação deve ser revestido de liquidez e certeza, conforme previsto no artigo 170 Código Tributário Nacional. Neste contexto, a Lei nº 9.430/96 prevê que somente os créditos passíveis de restituição ou ressarcimento poderão ser utilizados em compensação tributária. A simples retificação da DCTF não afasta de nenhum modo o dever de comprovar a origem do crédito alegado na PerdComp, em conformidade com a DCTF retificadora, mas que na DCTF original inexistia. O referido dever decorre não apenas do fato de que é a contribuinte que inicia o procedimento de compensação, alegando direito creditório, também porque, no caso específico em exame, as declarações contraditórias exigem prova contábilfiscal mais robusta para suportar sua alegação. Por oportuno, é mister salientar que no caso em exame, a interessada apresentou DCTF retificadora na data em que foi transmitida a DCOMP (23/03/2012) e, posteriormente, apresentou diversas outras DCTF retificadoras, sendo a mais recente, ativa no sistema, em 03/07/2015, com valores a recolher superiores aos confessados na DCTF apresentada junto com o pedido, o que impossibilita ainda mais analisar a compensação pleiteada sem a devida comprovação do indébito (fls.515/517). De fato, a contribuinte, ora inconformada, não comprova a alegação. Não junta aos autos qualquer documento contábilfiscal que pudesse corroborar o direito alegado. Assim, a fim de comprovar a certeza e liquidez de seu crédito, a contribuinte, obrigatoriamente, deveria ter instruído sua manifestação de inconformidade com documentos que respaldassem seu direito, conforme o disposto nos arts. 15 e 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, a seguir transcritos: Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; § 4o A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. (Redação dada pelo art. 1o da Lei n.o 8.748/93) (gn) Fl. 608DF CARF MF Processo nº 16682.902297/201623 Acórdão n.º 3301006.123 S3C3T1 Fl. 609 7 Contudo, do ônus que lhe cabia, conforme legislação citada, a inconformada não se desincumbiu, deixando sem amparo factual sua alegação de direito de crédito contra a Fazenda Nacional. Por todos os fundamentos expostos, VOTO no sentido de julgar improcedente a manifestação de inconformidade. De acordo com os autos do processo e da legislação vigente, pelo fato do Contribuinte não trazer provas do crédito a seu favor, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Valcir Gassen Fl. 609DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.919897/2017-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Exercício: 2017
"DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES.
O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado.
No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos.
Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização
Numero da decisão: 3302-007.145
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Exercício: 2017 "DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO. RECEITA NO MODELO DE TELECOMUNICAÇÕES QUE SE UTILIZA DO COMPARTILHAMENTO DE REDES. O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa Recorrente é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. Não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 98 97 /2 01 7- 99 Fl. 154DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 Relatório Trata-se de processo administrativo no qual discute-se a tributação dos valores recebidos pela recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes. O reconhecimento do direito creditório foi requerido por meio de Pedido de Restituição Eletrônico – PER/DCOMP, no qual é alegado pagamento indevido e/ou a maior de contribuições, apontando-se o DARF correspondente. Conforme Despacho Decisório Eletrônico, o direito creditório não foi reconhecido com o fundamento de que o pagamento apontado foi integralmente utilizado, seja em alocação a débito confessado em declaração entregue pela contribuinte, seja em DCOMP transmitida pela contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, onde observa que tomou ciência de um total de 48 despachos decisórios de não homologação de indébitos de PIS e Cofins com a mesma fundamentação. Pede o reconhecimento da conexão e interdependência dos processos administrativos correspondentes e julgamento conjunto, de forma a evitar decisões conflitantes. Argumenta que os créditos de PIS/COFINS foram aproveitados de forma extemporânea pela requerente e decorrem do pagamento a maior de PIS/COFINS, em virtude da indevida inclusão na base de cálculo de tais contribuições de valores referentes a receitas de outras operadoras, relacionadas à interconexão de redes, o que motivou o pedido de restituição/compensação. Esclarece que, para a prestação dos serviços de telecomunicação a seus clientes, as prestadoras de serviços de telecomunicação, invariavelmente, têm que se valer da rede de outras prestadoras de telecomunicação, na forma denominada “interconexão de rede”, prevista nos dispositivos que menciona integrantes da legislação que rege os serviços de telecomunicações no âmbito da Anatel. Registra que a disponibilização da rede de telecomunicação para a Requerente é compulsória, por imposição legal e regulatória. Cita previsão legal de que as redes sejam interconectadas e de que haverá preço justo e adequado para esse uso da rede alheia. Nos casos em que a prestação do serviço de telecomunicação por parte da requerente envolve a cessão de meio de redes de um terceiro (doravante denominada genericamente de “interconexão de redes”), uma parte dos valores recebidos pela requerente dos seus clientes será necessariamente transferida a esse terceiro, como forma de remuneração por esse uso da rede. Portanto os valores recebidos pela requerente dos usuários a título de interconexão de rede não podem integrar a base de cálculo das contribuições, uma vez que esses valores não configuram receita da requerente, mas sim das outras operadoras que cederam as suas redes. Todavia, no entender da fiscalização, os valores pagos pela “interconexão de redes”, nada mais são do que uma despesa das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, havendo duas relações jurídicas distintas no caso, uma entre a requerente e os usuários e outra entre a requerente e as operadoras. Ou seja, os usuários não teriam relação jurídica com as operadoras cedentes, mas apenas com a requerente. Assim, os valores recebidos pela requerente dos usuários a título de interconexão de rede, ainda que repassados às operadoras cedentes, configurariam receita da requerente. Fl. 155DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 Na sequência, procura fazer a distinção entre receitas e meros ingressos patrimoniais, para concluir que valores como aqueles recebidos e repassados a título de interconexão de redes, que não incrementam o patrimônio da empresa, que simplesmente é obrigada, por lei ou por acordo, a arrecadar e a transferir tais valores para outra empresa, havendo um mero trânsito de numerário pelo caixa da empresa que arrecada. Tais valores, portanto, não podem ser considerados como receitas próprias, para fins de incidência das contribuições. Discorre também acerca de seu entendimento de que as receitas de interconexão configuram repasse a terceiros, sobre os quais não incidem tributos, não havendo necessidade de previsão legal para exclusão da base de cálculo. Cita decisões do CARF e decisão judicial do TRF da 4ª Região, bem como invoca, como discussão análoga, decisão acerca da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições, no RE 574.706, com repercussão geral. Também defende a ocorrência de dupla tributação de uma única prestação de serviço o que entende caracterizar bis in idem, invocando a sujeição das receitas decorrentes de prestação de serviço de comunicação à sistemática cumulativa (art. 8º, VIII, da Lei 10.637, de 2002, e art. 10 da Lei 10.833, de 2003). Em suas palavras há tributação pelo PIS/Cofins da receita total auferida pela requerente pela prestação do serviço de telecomunicação, incluindo a parcela que será repassada a terceiros pela interconexão de redes. E, além dessa tributação, nos termos da pretensão fiscal, haveria uma nova incidência do PIS/Cofins pelo terceiro que realiza a interconexão, no momento em que ele apropriar a receita que lhe é repassada. Finaliza reprisando seus argumentos e pedindo a integral procedência do pedido de restituição. Após a análise do processo a DRJ não reconheceu o crédito pleiteado e julgou improcedente a manifestação de inconformidade, consignando que receitas auferidas por empresas de telecomunicação (ainda que utilizem redes interligadas de outras operadoras) não têm sua exclusão prevista na determinação da base de cálculo estabelecida pela Lei nº 9.718, de 1998. Observou ainda que a interessada não trouxe aos autos qualquer documento que comprove a existência do crédito que pretende ver reconhecido. Registra que o chamado ônus da prova é da contribuinte no que tange à existência e regularidade do crédito que pretende ser restituído. Conforme consignado no acórdão, ao declarar à Autoridade Tributária que dispunha de crédito passível de restituição, o contribuinte assume a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza quando do exame administrativo. Como visto, a disponibilidade do crédito não existia na fase em que aconteceu a conferência eletrônica do Pedido de Restituição e sua liquidez e certeza não foi demonstrada nessa fase de contestação do despacho resultante. Irresignada, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário, reiterando os argumentos de que se trata de um mero ingresso patrimonial e não uma receita, bem como que, ao contrário do entendimento esposado pela DRJ, não há necessidade de previsão legal para a exclusão da base de cálculo. Fl. 156DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.140, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 10880.919888/2017-06, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.140): O Recurso Voluntário é tempestivo e a matéria é de competência deste Colegiado, razão pela qual dele conheço. A discussão em torno da qual gravita o presente processo é sobre a composição da base de cálculo das contribuições, especificamente se os valores recebidos a título de interconexão telefônica a integram, ou não. Em ocasiões anteriores, a última dela em 31 de janeiro de 2018 Acórdão 3302-006.530 exarado no processo 10880.919894/2017-55, de Relatoria do Conselheiro Jorge Lima Abud, tive a oportunidade de votar no sentido de que os referidos valores não integram a referida base de cálculo, em harmonia com o entendimento de outras Turmas deste Colegiado. Contudo, atualmente este entendimento é isolado, como se infere do julgamento do processo 10768.906953/200669, acórdão 3301005.669 proferido por unanimidade pela Primeira Turma desta mesma Câmara também no dia 31 de janeiro de 2019, Por esta razão, em homenagem à colegiabilidade, adoto e transcrevo o voto do Conselheiro Jorge Lima Abud, no qual restei vencido em 31 de janeiro de 2019, nesta Turma, ainda que com composição diversa, para admitir a inclusão da "Receita de Interconexão de Rede" na base de cálculo do PIS e da COFINS. "Para o adequado deslinde da questão é necessária uma abordagem a respeito da forma como as redes são organizadas como vias integradas de livre circulação. O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa TIM CELULAR S.A. é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. A organização dos serviços de telecomunicações está regulada pelo art. 146 da Lei n o 9.472, de 16 de julho de 1997, que assim estabelece: Art. 146. As redes serão organizadas como vias integradas de livre circulação, nos termos seguintes: - é obrigatória a interconexão entre as redes, na forma da regulamentação; - deverá ser assegurada a operação integrada das redes, em âmbito nacional e internacional; - o direito de propriedade sobre as redes é condicionado pelo dever de cumprimento de sua função social. Parágrafo único. Interconexão é a ligação entre redes de telecomunicações funcionalmente compatíveis, de modo que os usuários de serviços de uma das redes possam comunicar-se com usuários de serviços de outra ou acessar serviços nela disponíveis. Fl. 157DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. Essa regra decorre das disposições contidas nos arts. 2 o e 3 o da Lei n~ 9.718, de 27 de novembro de 1998, alterada pela Medida Provisória n° 2.158-35, de 24 de agosto de 2001, editadas, portanto, após a publicação da Lei n° 9.472, de 1997, que assim dispõe: Art. 2° As contribuições para o PIS/Pasep e a Cofins, devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, serão calculadas com base no seu faturamento, observadas a legislação vigente e as alterações introduzidas por esta Lei. Art. 3° O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. § 1° Entende-se por receita bruta a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas. § 2° Para fins de determinação da base de cálculo das contribuições a que se refere o art. 2°, excluem-se da receita bruta: (Grifou-se) I - as vendas canceladas, os descontos incondicionais concedidos, o Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI e o Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação - ICMS, quando cobrado pelo vendedor dos bens ou prestador dos serviços na condição de substituto tributário; II - as reversões de provisões operacionais e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita;- revogado pela alínea “b” do inciso IV do art. 47 da Medida Provisória n° 1.991-18, de 09 de junho de 2000, atual Medida Provisória n° 2.158-35, de 2001; III - a receita decorrente da venda de bens do ativo permanente. § 4° Nas operações de câmbio, realizadas por instituição autorizada pelo Banco Central do Brasil, considera-se receita bruta a diferença positiva entre o preço de venda e o preço de compra da moeda estrangeira. § 5° Na hipótese das pessoas jurídicas referidas no § 1° do art. 22 da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, serão admitidas, para os efeitos da COFINS, as mesmas exclusões e deduções facultadas para fins de determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP. § 6° Na determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei n° 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5°, poderão excluir ou deduzir: I - no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: despesas incorridas nas operações de intermediação financeira; despesas de obrigações por empréstimos, para repasse, de recursos de instituições de direito privado; deságio na colocação de títulos; perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; Fl. 158DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 perdas com ativos financeiros e mercadorias, em operações de hedge; II - no caso de empresas de seguros privados, o valor referente às indenizações correspondentes aos sinistros ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de cosseguro e resseguro, salvados e outros ressarcimentos. III - no caso de entidades de previdência privada, abertas e fechadas, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de benefícios de aposentadoria, pensão, pecúlio e de resgates; IV - no caso de empresas de capitalização, os rendimentos auferidos nas aplicações financeiras destinadas ao pagamento de resgate de títulos. § 7° As exclusões previstas nos incisos III e IV do § 6° restringem-se aos rendimentos de aplicações financeiras proporcionados pelos ativos garantidores das provisões técnicas, limitados esses ativos ao montante das referidas provisões. § 8° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, poderão ser deduzidas as despesas de captação de recursos incorridas pelas pessoas jurídicas que tenham por objeto a securitização de créditos: I - imobiliários, nos termos da Lei n° 9.514, de 20 de novembro de 1997; II - financeiros, observada regulamentação editada pelo Conselho Monetário Nacional. § 9° Na determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, as operadoras de planos de assistência à saúde poderão deduzir: I - co-responsabilidades cedidas; II - a parcela das contraprestações pecuniárias destinada à constituição de provisões técnicas; III - o valor referente às indenizações correspondentes aos eventos ocorridos, efetivamente pago, deduzido das importâncias recebidas a título de transferência de responsabilidades. (NR) Não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e deduções da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços”. Nesse sentido, as Leis n° 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que tratam da incidência não-cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins, respectivamente, em seus art. 8°, inciso VIII e art. 10, inciso VIII, assim dispõem: - Lei n° 10.637, de 2002. Art. 8° Permanecem sujeitas às normas da legislação da contribuição para o PIS/Pasep, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 6°: (...) VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; (...) - Lei n ° 10.833, de 2003. Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1° a 8°: (...) VIII as receitas decorrentes de prestação de serviços de telecomunicações; Fl. 159DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 (...) Transcreve-se os itens 13 a 16 da Solução de Consulta da COSIT de nº 06, de 31/03/2004: Assim sendo, deve ser ressaltado que, em matéria de exclusão e dedução de base de cálculo, a interpretação deve ser estrita, afastando-se a possibilidade de uma interpretação que permita, por via de uma abordagem mais restritiva do conceito de receita bruta, excluir valores da base de cálculo não expressamente autorizados por lei. Logo, analisada a legislação transcrita que trata da matéria sob exame, chega- se ao entendimento de que não há qualquer dispositivo legal que autorize as concessionárias prestadoras de serviços ao usuário demandante a excluir ou deduzir de seu faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, os valores pagos ou repassados a outras operadoras pela “co-prestação dos serviços”. Desta forma, conclui-se que o legislador entendeu que os valores pagos pela “co-prestação de serviços”, nada mais é que uma despesa das concessionárias que prestam serviços para o usuário final, uma vez que se não fossem utilizados os serviços de outras concessionárias para a conclusão do serviço solicitado, a empresa operadora teria que possuir instalações próprias, equipamentos, empregados etc., nas diversas localidades para executar o serviço requerido pelo usuário do sistema, o que implicaria, sem dúvida alguma, para a operadora que atendeu o seu cliente, incorrer em novos custos e despesas próprios para a obtenção daquela mesma receita. Cabe registrar ainda, por ser oportuno, que as notas fiscais/faturas emitidas, recentemente pelas concessionárias de serviços de telecomunicações aos usuários finais de seus serviços, deixam claro e evidente, e sem qualquer equívoco, que sobre os valores totais das contas/telefônicas faturadas aos usuários, incluem-se os custos das mencionadas contribuições. Ademais, cabe esclarecer que outros setores da economia nacional devido à natureza de suas atividades também se sujeitam a disciplinamentos e regulamentos baixados pelo Poder Público, tais como: o de produção, transmissão e comercialização de energia elétrica, o de seguros, o de saúde, o de exploração de petróleo (onde existe o pagamento obrigatório de royalties), o de combustíveis líquidos gasosos, o de transportes coletivos (que se obriga ao pagamento de taxas de embarques). Sendo certo que os valores do PIS/Pasep e da Cofins são recolhidos sobre os 100% da receita bruta arrecadada. E, por fim, a conclusão: Conclusão 17. Diante do exposto, ... os valores pagos pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres, a título de “co-prestação de serviços”, por serem considerados despesas das operadoras, não podem ser excluídos do faturamento (receita bruta) mensal, base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. No mesmo sentido, a Solução de Consulta DISIT / SRRF da 7 a Região, de n° 329, de 22 julho de 2004, está assim ementada: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins RECEITA. CONCEITO. SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÃO. CUSTOS COM USO DE REDE ALHEIA PARA COMPLEMENTAÇÃO DE LIGAÇÃO TELEFÔNICA. roaming .Receita, que não se confunde com o lucro, significa o preço recebido pela prestação de serviço contratado de modo bilateral com o cliente, sem qualquer consideração a respeito dos custos e despesas necessários à prestação. Se o ajuste de vontade dá-se única e exclusivamente entre a operadora de telefonia e seu cliente, que não conhece e nem se relaciona com Fl. 160DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 eventuais empresas cujas redes são necessárias para o complemento da ligação, o valor pago pelo segundo é receita exclusiva da primeira. Não é lícito às prestadoras de serviços de telecomunicações excluir da base de cálculo da contribuição os custos conhecidos como roaming . (destaques incluídos) - A HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA DO PIS E DA COFINS E AS RECEITAS DE INTERCONEXÃO DE REDES - A DISTINÇÃO ENTRE RECEITA E MEROS INGRESSOS PATRIMONIAIS. É alegado nos itens 19 e 20 do Recurso Voluntário: 19. Os valores recebidos pela Recorrente e repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes não se configuram como receita tributável pelo PIS e COFINS, pois não são "receitas" da Recorrente, quer do ponto de vista jurídico, quer mesmo do ponto de vista contábil. 20. Do ponto de vista jurídico, para que possa ser qualificada como "receita", a entrada de recursos no patrimônio da pessoa jurídica não deve ser meramente transitória, mas sim em caráter definitivo, como que se integrando e aumentando o patrimônio da entidade. E prossegue nos itens 24 a 27 do Recurso Voluntário: No caso dos valores recebidos pela Recorrente e repassados a terceiros a título de interconexão de redes, o que se verifica é um mero e transitório ingresso de recursos que devem ser repassados ao terceiro que cedeu seus meios de rede à Recorrente. Não há, portanto, qualquer efetivo acréscimo patrimonial da Recorrente, porque já há um imediato e compulsório destino para aquele valor recebido, que é repassado para as outras operadoras de telecomunicação. Em suma, os valores de interconexão são cobrados ou arrecadados por conta e ordem dos terceiros titulares efetivos desses ingressos, pois foram esses terceiros que viabilizaram uma parte do serviço de telecomunicação e deverão auferir e tributar a receita correspondente a essa parcela que executaram. Não se trata de equiparar receita a lucro, mas saber distinguir entre receitas verdadeiras e meros ingressos patrimoniais transitórios. Como dito no tópico anterior, não está relacionado entre as hipóteses admitidas de exclusões e deduções da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços”. Nesta matéria, a NBC T 19.30, norma brasileira de contabilidade aprovada pelo Conselho Federa de Contabilidade, dispõe que Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período proveniente das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto as contribuições dos proprietários. O Pronunciamento Técnico CPC 30 do Comitê de Pronunciamentos Contábeis assim define receita: Objetivo A receita é definida no Pronunciamento Conceitual Básico Estrutura Conceitual para a Elaboração e Apresentação das Demonstrações Contábeis como aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos que resultam em aumentos do patrimônio líquido da entidade e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. As receitas englobam tanto as receitas propriamente ditas como os ganhos. A receita surge Fl. 161DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 no curso das atividades ordinárias da entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos e royalties. O objetivo deste Pronunciamento é estabelecer o tratamento contábil de receitas provenientes de certos tipos de transações e eventos. A questão primordial na contabilização da receita é determinar quando reconhecê-la. A receita é reconhecida quando for provável que benefícios econômicos futuros fluam para a entidade e esses benefícios possam ser confiavelmente mensurados. Este Pronunciamento identifica as circunstâncias em que esses critérios são satisfeitos e, por isso, a receita deve ser reconhecida. Ele também fornece orientação prática sobre a aplicação desses critérios. Conceitualmente, receita é o ingresso econômico representado por um aumento de ativo ou diminuição de passivo que resultam em aumentos de patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte de recursos dos proprietários da entidade. Previamente, cabe esclarecer que, na legislação tributária, não se encontra a definição do conceito de receita. Por se tratar de um conceito eminentemente contábil, utilizado pela legislação tributária, a definição que melhor representa o conceito de receita, inequivocamente, é que aquele veiculado pelas normas contábeis editadas pelo CFC, de obediência obrigatória por todo o profissional que atua na área contábil. E no âmbito das referidas normasn contábeis, a definição de receita encontra-se estabelecida no item 7 da Resolução CFC 1.412/2012 1 , que deu nova redação à “NBC TG 30 – Receitas”, com os seguintes dizeres: Receita é o ingresso bruto de benefícios econômicos durante o período observado no curso das atividades ordinárias da entidade que resultam no aumento do seu patrimônio líquido, exceto os aumentos de patrimônio líquido relacionados às contribuições dos proprietários. No “Apêndice A - Definição de termos” da Norma Brasileira de Contabilidade, NBC TG 47 2 , de 25 de novembro de 2016, vigente a partir de 1/1/2018, a definição de receita passou ter a seguinte redação: Aumento nos benefícios econômicos durante o período contábil, originado no curso das atividades usuais da entidade, na forma de fluxos de entrada ou aumentos nos ativos ou redução nos passivos que resultam em aumento no patrimônio líquido, e que não sejam provenientes de aportes dos participantes do patrimônio. Com mais detalhes, a referida definição também encontra-se estabelecida na Norma Brasileiro da Contabilidade, que dispõe sobre a Estrutura Conceitual para Elaboração e Divulgação de Relatório Contábil-Financeiro (NBC TG ESTRUTURA CONCEITUAL), aprovada pela Resolução CFC 1.374/2011 3 , a seguir reproduzido: 70. Receitas e despesas são definidas como segue: (a) Receitas são aumentos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de entrada de recursos ou aumento de ativos ou diminuição de passivos, que resultem em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de aporte dos proprietários da entidade; e (b) Despesas são decréscimos nos benefícios econômicos durante o período contábil sob a forma de saída de recursos ou redução de ativos ou incremento em passivos, que resultem em decréscimo do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de distribuição aos proprietários da entidade. 1 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1412.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 2 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/NBCTG47.pdf> Acesso em: 21 mar. 2017. 3 Disponível em: <http://www1.cfc.org.br/sisweb/SRE/docs/RES_1374.pdf> Acesso em 21 mar. 2017. Fl. 162DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 71. As definições de receitas e despesas identificam os seus aspectos essenciais, mas não especificam os critérios que precisam ser satisfeitos para que sejam reconhecidas na demonstração do resultado. Os critérios para o reconhecimento das receitas e despesas são comentados nos itens 82 a 98. 72. As receitas e despesas podem ser apresentadas na demonstração do resultado de diferentes maneiras, de modo que prestem informações relevantes para a tomada de decisões. Por exemplo, é prática comum distinguir entre receitas e despesas que surgem no curso das atividades usuais da entidade e as demais. Essa distinção é feita porque a fonte de uma receita é relevante na avaliação da capacidade que a entidade tenha de gerar caixa ou equivalentes de caixa no futuro; por exemplo, receitas oriundas de atividades eventuais como a venda de um investimento de longo prazo normalmente não se repetem numa base regular. Nessa distinção, deve-se levar em conta a natureza da entidade e suas operações. Itens que resultam das atividades ordinárias de uma entidade podem ser incomuns em outras entidades. 73. A distinção entre itens de receitas e de despesas e a sua combinação de diferentes maneiras também permitem demonstrar várias formas de medir o desempenho da entidade, com maior ou menor abrangência de itens. Por exemplo, a demonstração do resultado pode apresentar a margem bruta, o lucro ou prejuízo das atividades ordinárias antes dos tributos sobre o resultado, o lucro ou o prejuízo das atividades ordinárias depois desses tributos e o lucro ou prejuízo líquido. Receitas 74. A definição de receita abrange tanto receitas propriamente ditas como ganhos. A receita surge no curso das atividades ordinárias de uma entidade e é designada por uma variedade de nomes, tais como vendas, honorários, juros, dividendos, royalties e aluguéis. 75. Ganhos representam outros itens que se enquadram na definição de receita e podem ou não surgir no curso das atividades ordinárias da entidade, representando aumentos nos benefícios econômicos e, como tal, não diferem, em natureza, das receitas. Conseqüentemente, não são considerados como um elemento separado nesta Estrutura Conceitual. 76. Ganhos incluem, por exemplo, aqueles que resultam da venda de ativos não- correntes. A definição de receita também inclui ganhos não realizados; por exemplo, os que resultam da reavaliação de títulos negociáveis e os que resultam de aumentos no valor de ativos a longo prazo. Quando esses ganhos são reconhecidos na demonstração do resultado, eles são usualmente apresentados separadamente, porque sua divulgação é útil para fins de tomada de decisões econômicas. Esses ganhos são, na maioria das vezes, mostrados líquidos das respectivas despesas. 77. Vários tipos de ativos podem ser recebidos ou aumentados por meio da receita; exemplos incluem caixa, contas a receber, mercadorias e serviços recebidos em troca de mercadorias e serviços fornecidos. A receita também pode resultar da liquidação de passivos. Por exemplo, a entidade pode fornecer mercadorias e serviços a um credor em liquidação da obrigação de pagar um empréstimo. [...] (grifos não originais) Com base nos textos transcritos, pode-se afirmar que as receitas se caracterizam pelos aumentos nos benefícios econômicos, que podem ser representados pela (i) aumento de ativos com a entrada de recursos, ou (ii) diminuição de passivos sem a saída de recursos, que resultem, nas duas hipóteses, em aumento do patrimônio líquido e que não sejam provenientes de recursos aportados pelos proprietários da entidade. O conceito amplo (lato sensu) de receita compreende o conceito estrito (stricto sensu) de receita ou receita propriamente dita e os Fl. 163DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 ganhos. As receitas propriamente ditas incluem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária, enquanto que os ganhos compreendem os benefícios econômicos provenientes da atividade ordinária ou não. No mesmo sentido a abalizada doutrina de Solon Sehn, para quem: [...] O dispositivo [art. 1º, § 1º, da Lei 10.833/2003]deve ser interpretado conforme a Constituição, de modo que por receita se entendam apenas os ingressos de soma em dinheiro ou qualquer outro bem ou direito susceptível de apreciação pecuniária decorrente de ato, fato ou negócio jurídico apto a gerar alteração positiva do patrimônio líquido da pessoa jurídica que a aufere, sem reservas, condicionamentos ou correspondências no passivo. Daí resulta que não podem ser incluídos na base de cálculo da Cofins, os ingressos que não se enquadram no conceito de receita, como as simples entradas de caixa, os reembolsos, as cauções, depósitos, os empréstimos contraídos ou amortizações dos concedidos, enfim, todas as demais somas escrituradas sob reserva de serem restituídas ou pagas a terceiro por qualquer razão de direito e as indenizações (por dano emergente) 4 . (os últimos destaque não constam dos originais). Com base nesse entendimento, chega-se à conclusão de que o pagamento efetuado pelas concessionárias de serviços de telecomunicações a outras congêneres a título de “co-prestação de serviços” representam ingressos de valores no ativo sem correspondência no passivo, o que implica aumento do patrimônio líquido. Dessa forma, se o referido valor representa ganho não decorrente da atividade principal, ele representa receita da atividade não ordinária, sob a forma de incremento do ativo e do patrimônio líquido, portanto, receita integrante da base de cálculo das contribuições. E como não há previsão legal de exclusão desse tipo de receita da base de cálculo das referidas contribuições, ela foi corretamente submetida à tributação pela fiscalização. - AS RECEITAS DE INTERCONEXÃO E O REPASSE A TERCEIROS - A NÃO INCIDÊNCIA DO TRIBUTO E A DESNECESSIDADE DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. É alegado nos itens 34 a 37 do Recurso Voluntário: Cabe destacar que não há, no caso da interconexão de redes, uma duplicidade de relações jurídicas: uma primeira, entre a Recorrente e o seu cliente, e uma segunda, entre a Recorrente e outras operadoras de telecomunicação. O que existe é uma única relação jurídica incindível relativa à prestação do serviço de telecomunicação, que, para ser executada, depende da intervenção de um terceiro - outra operadora - que deve necessariamente ceder os meios de rede para que a prestação de telecomunicação se aperfeiçoe. Não há propriamente uma prestação do serviço de telecomunicação entre a Recorrente e a outra operadora. Na verdade, a outra operadora tem que compartilhar a sua rede para que a Recorrente possa prestar o serviço de telecomunicação. E será devidamente remunerada por esse uso. Considerar a interconexão de redes uma prestação de um serviço é, data venia, admitir que, quando a rede de mais de uma prestadora é acionada na prestação de um serviço de telecomunicação, tem-se não a prestação de um único serviço de telecomunicação, mas tantas prestações de serviços quantas forem as redes utilizadas. Esse raciocínio não faz qualquer sentido, tendo em vista que a prestação do serviço de telecomunicação se estabelece para que uma pessoa 4 SEHN, Solon. PIS-COFINS: Não Cumulatividade e Regime de Incidência. São Paulo: Quartier Latin, 2011, p. 230. Fl. 164DF CARF MF Fl. 12 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 consiga transmitir uma mensagem a outra, por meio de um terceiro, que é o prestador do serviço. (Grifo e negrito próprios do original) Repisa-se: O modelo de telecomunicações utiliza-se do compartilhamento de redes. A Empresa de telecomunicação escolhida pelo usuário registra, como receita, o total a ele faturado e repassa às demais a parcela a que cada uma corresponde o faturamento é realizado. No caso, empresa TIM CELULAR S.A. é responsável pela prestação de serviços aos seus clientes, que são cobrados na fatura por ela emitida. Se, para prestar o serviço ao seu cliente, necessita utilizar-se de rede de terceiros (rede de outras empresas do ramo), a Interessada deve arcar com os correspondentes custos. As pessoas jurídicas de direito privado estão obrigadas a efetuarem os recolhimentos da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, calculados com base no faturamento (receita bruta) mensal, depois de efetuadas as exclusões e deduções legalmente admitidas. (...) - A DUPLA TRIBUTAÇÃO DE UMA ÚNICA PRESTAÇÃO DE SERVIÇO - O BIS IN IDEM TRIBUTÁRIO. É alegado no item 63 do Recurso Voluntário: Na prática, a tributação pelo PIS/COFINS das receitas de interconexão de rede implica um bin in idem tributário, isto é, a dupla imposição dessas contribuições sobre um único fato gerador consubstanciado na receita oriunda da prestação do serviço de telecomunicação. E prossegue nos itens 68 e 69 do Recurso Voluntário: Isso significa, portanto, que a receita da prestação do serviço de telecomunicação é tributada sem que haja a possibilidade de desconto de créditos decorrentes do tributo incidente sobre prestações de serviço necessárias àquela prestação do serviço de telecomunicação. Não há, pois, qualquer desconto de crédito sobre eventuais valores repassados a outras operadoras a título de interconexão de redes. Daí porque se verifica que a tributação nos moldes pretendidos pelo Fisco implica uma dupla incidência tributária de PIS/COFINS sobre uma mesma prestação de serviço. A argumentação de bis in idem não procede. Isso porque a empresa TIM CELULAR S.A. assume com outras operadoras uma dívida por utilização de redes interconectadas e esse fato não guarda qualquer relação com o pagamento da conta individual pelo cliente. Os dois fatos se revelam independentes. Mesmo que o cliente não pague ou atrase o pagamento de sua conta, a empresa TIM CELULAR S.A. permanece devedora da outra operadora cuja rede foi utilizada por seu cliente. Diante de tudo que foi exposto, conheço do RECURSO VOLUNTÁRIO e voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao Recurso do Contribuinte. Entendimento análogo foi adotado pela Primeira Turma da Terceira Câmara dessa Terceira Sessão, que também nega a pretensão da Recorrente de retirar as receitas de interconexão da base de cálculo das contribuições sociais, acórdão 3301005.669 proferido nos autos do processo 10768.906953/200669, verbis. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 SERVIÇOS DE TELECOMUNICAÇÕES. DESPESAS DE INTERCONEXÃO Fl. 165DF CARF MF Fl. 13 do Acórdão n.º 3302-007.145 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 10880.919897/2017-99 TELEFÔNICA - INDEDUTIBILIDADE. A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e Cofins é o total do valor cobrado pela prestação de serviços de telecomunicação. A remuneração recebida dos usuários é preço do serviço de comunicação e as despesas incorridas pelas operadoras de telefonia para interconexão telefônica, utilizando-se de infraestrutura de telecomunicações de outra concessionária de serviço para a adequada prestação de seu serviço é despesa operacional da prestação de serviços, não podendo ser excluídos da base de cálculo das contribuições. Do preço do serviço cobrado dos consumidores, a parcela repassada para outras empresas de telefonia compõem a receita bruta, não se tratando de mero ingresso financeiro. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. Os Conselheiros Marcelo Costa Marques D´Oliveira, Ari Vendramini, Marco Antônio Marinho Nunes e Valcir Gassen, votaram pelas conclusões, para negar provimento em razão da aplicação do art. 62 do Regimento Interno do CARF que determina a reprodução nos julgados das decisões do STJ em repetitivo. Julgou-se suspeita a Conselheira Semírames de Oliveira Duro e não participou do julgamento. Desta feita, concordando com tais argumentos, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 166DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10920.900010/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Apr 25 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 11 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-002.054
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente em Exercício.
(assinado digitalmente)
Tatiana Josefovicz Belisário - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: TATIANA JOSEFOVICZ BELISARIO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso em diligência. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente em Exercício. (assinado digitalmente) Tatiana Josefovicz Belisário Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente em Exercício). Ausente o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Recurso Voluntário apresentado pelo Contribuinte em face do acórdão nº 07.21.890, proferido pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC), que assim relatou o feito: Trata o presente processo de Declaração de Compensação — Per/Dcomp, transmitida em 15/12/2003, onde foi verificado que o valor RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .9 00 01 0/ 20 08 -8 4 Fl. 97DF CARF MF Processo nº 10920.900010/200884 Resolução nº 3201002.054 S3C2T1 Fl. 98 2 contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando créditos disponíveis para compensação com os débitos informados. Inconformada com a não homologação de sua compensação, a contribuinte encaminhou a presente manifestação de inconformidade, na qual aduz que o Per/Dcomp objeto do Despacho Decisório, foi preenchido incorretamente, tendo faltado a informação nos campos "Informado em Processo Administrativo Anterior" e "Número do Processo" (n°. 13973.000286/200329). Informa, ainda, que a DCTF do período de apuração foi preenchida incorretamente, tendo a retificação sido efetuada de acordo com a Intimação n°. 73/2008 do referido processo. Termina por afirmar que estão anexadas as fotocópias do Despacho Decisório do Processo n°. 13973.000286/200329 e da intimação n°. 73/2008, protocolada em 22/02/2008, e que resta demonstrado o erro no preenchimento e a suficiência de saldo. Requer, por fim, que seja retificada a Per/Dcomp e acolhida a impugnação. Após exame da defesa apresentada pelo Contribuinte, a DRJ proferiu acórdão assim ementado: Assumo: Normas Gerais de Direito Tributário Anocalendário: 2003 COMPENSAÇÃO. REQUISITO DE VALIDADE A compensação de créditos tributários depende da comprovação da liquidez e certeza dos créditos contra a Fazenda Nacional. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado, o Contribuinte apresentou Recurso Voluntário reiterando os argumentos de defesa apresentados quanto ao crédito tributário mantido. Após os autos foram remetidos a este CARF e distribuídos por sorteio à então Conselheira Mércia Helena Trajano DAmorim. Em primeiro exame do feito, esta Turma Julgadora deliberou, por maioria, pela conversão do feito em diligência, tendo sito esta Conselheira designada para a redação do voto vencedor, nos seguintes termos: Por meio de Despacho Decisório eletrônico, a unidade de origem indeferiu o pleito, ao fundamento de que, a partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP, foram localizados um ou mais pagamentos realizados pela Recorrente, mas integralmente utilizados para quitação de débitos dela própria, não restando, assim, crédito disponível para compensação. Não houve, todavia, antes de prolatada a decisão, intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos sobre o pedido que formulou, muito embora, como se sabe, a Lei n.º 9.784, de 1999, que rege o Processo Administrativo Federal, aplicável subsidiariamente ao Processo Administrativo Fiscal PAF por força do disposto em seu art. 69, determina que o administrado tem, entre outros direitos perante a Administração Pública, o de formular alegações e apresentar Fl. 98DF CARF MF Processo nº 10920.900010/200884 Resolução nº 3201002.054 S3C2T1 Fl. 99 3 documentos antes da decisão, os quais devem ser objeto de consideração pelo órgão competente (inciso III do art. 3º). Pelo exposto, voto por CONVERTER O FEITO EM DILIGÊNCIA para determinar que a unidade de origem promova a intimação da Recorrente para apresentar esclarecimentos e documentos que se fizerem necessários e, sendo o caso, profira novo Despacho Decisório a partir dos esclarecimentos e documentos apresentados. A Contribuinte, intimada, reiterou os argumentos de defesa apresentados, notadamente quanto ao Despacho Decisório proferido no Processo n°. 13973000287/200373, reconhecendo a totalidade do crédito postulado. .É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Josefovicz Belisário Relatora Em exame do feito, observo que a Resolução anterior redigida por esta Relatora não se mostrou suficientemente clara para que a Autoridade Preparadora efetuasse o adequado exame das questões a serem apuradas em diligência. Isso porque, ao afirmar que a Recorrente não foi intimada a prestar esclarecimentos sobre pedido formulado, diz respeito ao Processo nº 13973.000287/200373, em sede do qual apresentou petição esclarecendo o cometimento de equívoco no preenchimento da DCTF relativa ao período do crédito postulado. Esclareceu, nessa mesma oportunidade, que ao crédito lá controlado, foram vinculados diversos Pedidos de Compensação, dentre os quais aquele analisado no presente feito. Como se verifica pelo relato dos fatos tratase, basicamente, de Declaração de Compensação não homologada em decorrência da constatação de insuficiência do crédito informado. De acordo com a DRF e a DRJ, "o valor contido no DARF lá discriminado, objeto do pedido de compensação, já teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos da contribuinte, não restando créditos disponíveis para compensação dos débitos informados." No PER/DCOMP examinado a Recorrente indicou como "Valor Original do Crédito Inicial" o montante de R$119.976,00 (fl. 3), oriundo de DARF no valor de R$532.393,50, Código de Receita 2172, PA 30/11/2002, Vencimento e recolhimento em 12/12/2002. (fl. 4) O despacho decisório de fl. 7 informa a não homologação da compensação uma vez que, segundo constava nos sistemas da RFB, o valor originário do DARF (R$532.393,50) havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito em igual montante. Pois bem, em sua impugnação a Recorrente informa a ocorrência de 2 equívocos que ocasionaram o não reconhecimento do crédito, quais sejam: Fl. 99DF CARF MF Processo nº 10920.900010/200884 Resolução nº 3201002.054 S3C2T1 Fl. 100 4 (i) Deixou de informar no PER/DCOMP enviado que o crédito ali pleiteado havia sido informado em Processo Administrativo Anterior, que seria o Processo nº 13973.000287/200373; (ii) Que em sua DCTF relativa ao Período de Apuração 30/11/2002 (PA do crédito utilizado) teria informado o valor equivocado do débito apurado a título de COFINS. Que, embora tenha originariamente informado um débito no valor de R$532.393,50, vinculando a este o pagamento do DARF, também no valor de R$532.393,50, posteriormente efetuou a retificação da DCTF para registrar um débito de COFINS no período no montante de R$ 413.412,48., sendo esta diferença, portanto, a origem do valor do crédito informado no PER/DCOMP de R$119.976,00. Na impugnação junta cópias de petições protocoladas nos autos do referido Processo inicial nº 13973.000287/200373, por meio das quais esclarecia os erros cometidos, informando estarem ali anexados os documentos comprobatórios dos equívocos cometidos, tanto da DCTF, quando no PER/DCOMP, bem como acosta cópia da DCTF retificadora. É incontroverso que a apresentação da DCTF retificadora, por meio da qual ocorreu a "liberação" do crédito postulado pela Recorrente, foi feita posteriormente à prolação do despacho decisório. E foi esse fato que acarretou a prolação de decisão negativa pela DRJ e que também fundamente o voto proferido pela d. Relatora original do feito. Trago o seguinte trecho do acórdão DRJ: Em que pese o fato da interessada ter retificado o documento no sentido de identificar o recolhimento que diz ter sido indevido, este procedimento foi feito após a análise do .Per/Dcomp que resultou na decisão pela nãohomologação, conforme descrito no Despacho Decisório. Ou seja, o procedimento compensatório, objeto da análise, foi realizado quando ainda não estava configurada a existência do pagamento indevido por meio da respectiva DCTF, documento este em que o sujeito passivo formalmente apura e declara a contribuição devida à Receita Federal. ' Como se constata nos autos, a contribuinte retificou a DCTF em momento posterior ao pleito compensatório, por conseguinte, a compensação teria sido formalizada quando o crédito alegado no Per/Dcomp, objeto do Despacho Decisório, ainda não possuia a liquidez e certeza para que pudesse ser objeto de repetição. Não se trata aqui de invalidar as retificações efetuadas pela contribuinte tanto em sua forma quanto em seu conteúdo mas simplesmente de afirmar que a compensação ora pleiteada so poderia ser validada no caso em que, à data da apresentação do Per/Dcomp sob análise, já tivesse a contribuinte retificado a DCTF e, com isso, conformada juridicamente a existência do pagamento indevido. Ou seja, nem a DRJ, e tampouco a d. Relatora sorteada chegam a adentrar ao mérito no que diz respeito à existência ou não do crédito, mas, apenas, invalidam o procedimento de correção das informações prestadas pretendido pela Recorrente. Todavia, reputo necessário o exame das alegações trazidas pelo Recorrente quanto à existência de erro manifesto no preenchimento de suas declarações. Fl. 100DF CARF MF Processo nº 10920.900010/200884 Resolução nº 3201002.054 S3C2T1 Fl. 101 5 A jurisprudência deste CARF e especialmente desta turma é tranqüila no sentido de afirmar que a correção de erros no preenchimento de declarações pelos contribuintes é possível em sede de procedimento administrativo de revisão do crédito tributário, quando devidamente comprovado o direito pelo contribuinte. Tanto em sua Manifestação de Inconformidade, quanto em em seu Recurso Voluntário, a Recorrente apresentou cópias do Processo Administrativo nº 19973.000287/200373, que demonstram que o crédito utilizado pela Recorrente no valor original de R$119.976,00 foi devidamente reconhecido pela Receita Federal do Brasil. Tratase da Intimação nº 74/2008 de 06/02/2008 (fl. 68) e do Despacho Decisório datado de 24/06/2008 (fls. 69/71), cuja decisão transcrevo: DECISÃO De acordo com o parecer retro, que aprovo, no uso da competência definida pelo artigo 243, II do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF n“ 95/2007, e delegada pelo art. 4° da Portaria DRF/Joinville n“ 48/2007, DECIDO deferir o pedido, reconhecendo o direito creditório no valor originário do R 119.976,00 (cento e dezenove mil, novecentos e setenta e seis reais centavos), correspondente ao recolhimento além do devido de COFINS, efetuado em 13/l 2/2002 (fl. 18), acrescido de juros, nos termos do art. 52, § 1°, III, “c", da Instrução Normativa SRF nº 600/2005, bem como homologando, até o limite deste crédito, a Declaração de Compensação, nos moldes do anexo VI da IN SRF 210/2002, entregue cm 05/05/2003 (fls. 01/02) e retificada em 19/03/2003 (fls. 03 a 05) e as Declarações Eletrônicas de Compensação listadas na primeira folha do presente despacho decisório. Ou seja, pelas cópias apresentadas, me parece incontroverso que a própria Delegacia da Receita Federal de jurisdição do contribuinte houve por bem acatar a integralidade do crédito informado pela Recorrente em seu PER/DCOMP, e que seria decorrente da retificação do erro no preenchimento de sua DCTF, não havendo falar em ausência de liquidez do crédito pleiteado. Nesse sentido, trago à colação os termos do Parecer Normativo COSIT nº 8, de 3 de setembro de 2014: REVISÃO DE DESPACHO DECISÓRIO QUE NÃO HOMOLOGOU COMPENSAÇÃO, EM SENTIDO FAVORÁVEL AO CONTRIBUINTE. A revisão de ofício de despacho decisório que não homologou compensação pode ser efetuada pela autoridade administrativa local para crédito tributário não extinto e indevido, na hipótese de ocorrer erro de fato no preenchimento de declaração (na própria Declaração de Compensação – Dcomp ou em declarações que deram origem ao débito, como a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF e mesmo a Declaração de Informações Econômico Fiscais da Pessoa Jurídica – DIPJ, quando o crédito utilizado na compensação se originar de saldo negativo de Imposto sobre a Renda da Pessoa Jurídica IRPJ ou de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL), desde que este não esteja submetido aos órgãos de julgamento administrativo ou já tenha sido objeto de apreciação destes. Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10920.900010/200884 Resolução nº 3201002.054 S3C2T1 Fl. 102 6 Lado outro, é certo que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não detêm competência para examinar a suficiência do crédito informado para a quitação da totalidade dos débitos declarados, sendo inviável, assim, o julgamento de procedência do Recurso Voluntário apresentado, também consoante citado Parecer COSIT nº 8/2014: COMPETÊNCIA PARA EFETUAR A REVISÃO DE OFÍCIO. Compete à autoridade administrativa da unidade da RFB na qual foi formalizada a exigência fiscal proceder à revisão de ofício do lançamento, inclusive para as hipóteses de tributação previdenciária. REVISÃO DE OFÍCIO – ATO INSTRUMENTO DA REVISÃO. O despacho decisório é o instrumento adequado para que a autoridade administrativa local efetue a revisão de ofício de lançamento regularmente notificado, a retificação de ofício de débito confessado em declaração, e a revisão de ofício de despacho decisório que decidiu sobre reconhecimento de direito creditório e compensação efetuada. Logo, ao deslinde da presente controvérsia, basta averiguar, diante do crédito já reconhecido nos autos do Processo Administrativo nº 19973.000287/200373, se tal montante é suficiente para a extinção dos débitos declarados nos presentes autos (10920.900006/200816), assim como dos demais processos analisados conjuntamente (10920.900010/200884; 10920.900018/200841; 10920.900028/200886; 10920.900986/200695 e 10920.900988/200684). E, em caso positivo, efetuar a devida vinculação entre crédito reconhecido e débitos declarados. Desse modo, fazse necessário o retorno dos presentes autos ao órgão de origem para que sejam realizadas as providências de verificação do crédito reconhecido no Processo Administrativo nº 19973.000287/200373, bem como a suficiência deste para a extinção dos débitos controlados pelos Processos 10920.900006/200816, 10920.900010/200884; 10920.900018/200841; 10920.900028/200886; 10920.900986/200695 e 10920.900988/200684). Poderão ser solicitados ao contribuinte demais documentos reputados necessários. Pedese, ainda, a anexação de cópia do Processo Administrativo nº 19973.000287/200373 aos presentes autos. Ao final, seja proferido relatório conclusivo, do qual deve ser dado vista ao contribuinte para se manifestar no prazo de 30 dias. Concluído, retornemse os autos para julgamento. É como voto. Tatiana Josefovicz Belisário Fl. 102DF CARF MF
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Numero do processo: 10675.902092/2008-41
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 14 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 15/04/2004
CRÉDITO PLEITEADO. RECONHECIMENTO EM OUTRO PROCESSO.
Tendo sido o crédito pleiteado nos autos já reconhecido por Acórdão no processo nº 10675.902093/2008-95, não cabe mais a esta Turma se pronunciar sobre a restituição, devendo a compensação declarada no presente processo ser homologada no limite do saldo remanescente naquele processo.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3002-000.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para determinar à Unidade de Origem que homologue a compensação declarada no presente processo até o limite do saldo remanescente do crédito reconhecido no processo nº 10675.902093/2008-95.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DA SILVA ESTEVES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para determinar à Unidade de Origem que homologue a compensação declarada no presente processo até o limite do saldo remanescente do crédito reconhecido no processo nº 10675.902093/2008-95. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR COFINS Recorrente PONTO FORD COMÉRCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/04/2004 CRÉDITO PLEITEADO. RECONHECIMENTO EM OUTRO PROCESSO. Tendo sido o crédito pleiteado nos autos já reconhecido por Acórdão no processo nº 10675.902093/200895, não cabe mais a esta Turma se pronunciar sobre a restituição, devendo a compensação declarada no presente processo ser homologada no limite do saldo remanescente naquele processo. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, para determinar à Unidade de Origem que homologue a compensação declarada no presente processo até o limite do saldo remanescente do crédito reconhecido no processo nº 10675.902093/200895. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 67 5. 90 20 92 /2 00 8- 41 Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10675.902092/200841 Acórdão n.º 3002000.726 S3C0T2 Fl. 152 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório O processo administrativo ora em análise trata do PER/DCOMP (fl. 02/06), transmitido em 14/12/2004, cujo crédito teria origem em recolhimento da COFINS efetuado a maior em 15/04/2004. A compensação declarada foi não homologada, conforme despacho decisório (fl. 07), pelos seguintes motivos: "A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP". Após ser intimada dessa decisão em 28/05/2008, a ora recorrente apresentou tempestivamente Manifestação de Inconformidade (fl. 11/13), na qual repisou a afirmação de possuir o crédito pleiteado e informou que transmitiu DCTF retificadora, a qual comprovaria sua demanda. Juntou como prova do suposto direito aos autos somente cópia da DCTF retificadora transmitida em 24/06/2008. Em seqüência, analisando as argumentações e os documentos da contribuinte, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Juíz de Fora (DRJ/JFA) julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por decisão que possui a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE A manifestação de inconformidade deve mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir. COMPENSAÇÃO Após a instituição da Declaração de Compensação, a compensação se dá na data de transmissão da Dcomp, sendo que o crédito deve estar disponível nessa data. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10675.902092/200841 Acórdão n.º 3002000.726 S3C0T2 Fl. 153 3 Cientificada dessa decisão, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fl. 51/60), no qual requereu a reforma do Acórdão recorrido, tecendo comentários sobre a evolução legislativa da contribuição e do direito à compensação, além disso, informa que a DRJ se equivocou ao considerar que a DCTF retificadora foi transmitida após a emissão do Despacho Decisório e, por fim, protestou pela ocorrência de mero erro formal. Em 14/04/2016, foi juntada aos autos a Informação Fiscal (fl. 143/144) exarada no processo administrativo nº 10675.902093/200895. É o relatório, em síntese. Voto Conselheiro Carlos Alberto da Silva Esteves Relator O direito creditório envolvido no presente processo encontrase dentro do limite de alçada das Turmas Extraordinárias, conforme disposto no art. 23B do RICARF. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. Primeiramente, embora seja irrelevante para o deslinde do caso concreto, cabe concordar com o argumento de que a DRJ teria cometido um erro, pois a DCTF retificadora teria sido transmitida antes da emissão do Despacho Decisório. Basta se compulsar os autos para perceberse que o Despacho Decisório foi emitido em 18/07/2008 (fl. 7), tendo a contribuinte tomado ciência de seu teor em 30/07/2008 (fl. 09), e a DCTF retificadora foi transmitida somente em 30/06/2008 (fl. 21), ou seja, correta a informação prestada pela recorrente. Porém, isso não afastaria a necessidade de comprovação do crédito pleiteado. De forma diversa, por outro lado, não procede o argumento recursal de mero erro formal, pois não estamos diante de um equívoco no preenchimento de qualquer declaração, mas de alteração do entendimento jurídico do próprio contribuinte do quantum devido, conforme se verifica da leitura da peça recursal. Com efeito, entendo que a questão fundamental que deveria ser decidida no presente julgamento se referiria ao direito probatório em processos administrativos fiscais. Contudo, apesar do meu entendimento sobre essa matéria, reiteradamente, já manifestado no âmbito deste Tribunal, tendo em vista que o crédito objeto do pedido de restituição nos autos já foi reconhecido no processo administrativo nº 10675.902093/200895, conforme cópia por mim anexada (fl. 146/150), não cabe mais a esta Turma se pronunciar sobre tal demanda. Transcrevese excerto do voto condutor do Acórdão nº 3401004.355, da lavra do I. Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, no processo supramencionado: Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10675.902092/200841 Acórdão n.º 3002000.726 S3C0T2 Fl. 154 4 "Em conformidade com o relatório de diligência, fundamentado com os documentos de fls. 226 a 228, denotase débito de COFINS, no valor de R$ 1.682,26, liquidado pelo pagamento nº 1581679371, realizado em 15/04/2004, no valor total de R$ 5.498,46, remanescendo, como pagamento a maior, o saldo de R$ 3.816,20, que corresponde ao valor pleiteado como crédito no presente processo: Desta forma, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário, acolhendo integralmente o resultado da diligência." Dessa forma, por todo o exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, determinando à Unidade de Origem que homologue a compensação declarada no presente processo até o limite do saldo remanescente do crédito reconhecido no processo nº 10675.902093/200895. (assinado digitalmente) Carlos Alberto da Silva Esteves Fl. 154DF CARF MF
score : 1.0
