Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,276)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,062)
- Primeira Turma Ordinária (16,046)
- Primeira Turma Ordinária (16,020)
- Segunda Turma Ordinária d (15,770)
- Segunda Turma Ordinária d (14,393)
- Primeira Turma Ordinária (12,998)
- Primeira Turma Ordinária (12,361)
- Segunda Turma Ordinária d (12,352)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,404)
- Quarta Câmara (84,620)
- Terceira Câmara (67,201)
- Segunda Câmara (55,443)
- Primeira Câmara (19,959)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,825)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,384)
- Segunda Seção de Julgamen (114,111)
- Primeira Seção de Julgame (76,334)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,957)
- Câmara Superior de Recurs (37,862)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,405)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,749)
- HELCIO LAFETA REIS (3,622)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,724)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,481)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10715.000184/2010-95
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006
REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR.
A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3402-004.156
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Augusto Daniel Neto - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
Nome do relator: CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea e, do Decreto-Lei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10715.000184/2010-95
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5730734
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3402-004.156
nome_arquivo_s : Decisao_10715000184201095.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS AUGUSTO DANIEL NETO
nome_arquivo_pdf_s : 10715000184201095_5730734.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto - Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra.
dt_sessao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6788007
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:16 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211855962112
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1556; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10715.000184/201095 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.156 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de maio de 2017 Matéria Aduaneiro Recorrente UNITED AIRLINES INC Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/03/2006 a 31/03/2006 REGISTRO DE DADOS DE EMBARQUE EM ATRASO. PENALIDADE APLICADA POR VIAGEM EM VEÍCULO TRANSPORTADOR. A multa prescrita no art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei nº 37/66 referente ao atraso no registro dados de embarque de mercadorias , destinadas à exportação no Siscomex é cabível quando o atraso é superior a sete dias, nos termos da IN SRF nº 1096/2010. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário para negar provimento, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 71 5. 00 01 84 /2 01 0- 95 Fl. 322DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Auto de Infração que exige do contribuinte a multa pelo atraso na prestação de informações sobre veículo ou carga nele transportada, penalidade prevista no art. 107, inciso IV, alínea "e", do DecretoLei nº 37/1966, cuja redação foi alterada pela Lei 10.833, de 2003. Inconformada com a autuação, o Contribuinte apresentou Impugnação, que foi julgada parcialmente procedente pela DRJ, com a aplicação retroativa da IN SRF nº 1096/2010, que ampliou o prazo de apresentação de informações para 7 (sete) dias, para afastar a multa em todos os casos em que a informação se deu dentro deste prazo. Em seguida, o Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, expondo que: 1 Não houve prejuízo ao fisco ou dificuldade na fiscalização da carga; 2 Solicita a aplicação da denúncia espontânea, tendo em vista que a obrigação seria devida após o desembaraço aduaneiro, que não houve abertura de procedimento fiscalizatório senão graças às informações prestadas anteriormente ao seu inicio pelo recorrente; 3 Aponta como ausente de fundamento legal o prazo previsto no Decreto Lei infringindo o principio da legalidade; 4 Pede pela imposição de multa singular, evocando a espécie jurídica extraída do Código Penal, “Crime Continuado”; Julgando o feito, a Turma recorrida deu provimento ao recurso voluntário, aplicando a denúncia espontânea para afastar a exigência da multa acima citada. Cientificada do acórdão mencionado o Representante da Fazenda Nacional apresentou recurso especial suscitando divergência quanto à exoneração da penalidade em comento por aplicação da denúncia espontânea prevista no art. 102, § 2º, do Decretolei nº 37/1966, com a nova redação dada pela Lei 12.350/2010. Ao julgar o caso, a 3ª Câmara Superior de Recursos Fiscais deste CARF deu provimento parcial ao Recurso Especial da Fazenda Nacional, afastando a possibilidade de aplicação do instituto da denúncia espontânea às penalidades infligidas pelo descumprimento de deveres instrumentais, como os decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela SRF para a prestação de informações à administração aduaneira. Na mesma decisão, determinou que os autos fossem remetidos novamente às Câmaras Baixas para apreciação e deliberação dos demais argumentos apresentados pelo Contribuinte. O contribuinte opôs Embargos de Declaração cuja a admissibilidade foi negada por despacho do Presidente do CARF. Por fim, os autos foram distribuídos à turma 3402, para relatoria do feito. É o relatório. Voto Fl. 323DF CARF MF Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3402004.156 S3C4T2 Fl. 3 3 Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido por este Colegiado. Como se verifica no relatório, apenas o argumento relativo à aplicação da denúncia espontânea em relação a penalidades decorrentes do descumprimento de obrigações acessórias foi enfrentado no acórdão proferido pela 3ª CSRF, justamente por ter sido o fio condutor do acórdão proferido na Câmara Baixa, que deixou de deliberar sobre os demais pontos, a despeito do I. Relator têlos enfrentado em seu acórdão. Desse modo, cabe a este Colegiado discutir, a despeito de concordância ou não com o mérito da decisão da CSRF, apenas os demais argumentos. Tampouco cabe deliberar aqui a respeito da preliminar apreciada no acórdão recorrido, a respeito da existência de erro material na decisão da DRJ, no momento de cálculo do crédito tributário remanescente. Isso se dá em razão de tanto a preliminar quanto ao mérito terem sido apreciados, a despeito de apenas em relação a este último ter versado o Recurso Especial da Fazenda Nacional, o que implica na definitividade do provimento em relação ao erro material apontado pelo Contribuinte. Nessa mesma linha, o provimento da decisão da 3ª CSRF foi exatamente no sentido de que se apreciasse os demais argumentos relativos ao mérito, que deixaram de ser deliberados em razão do provimento meritório. Apenas por razão de cautela, visando evitar omissões ou dificuldades de execução do acórdão, frisase esse ponto para esclarecer o motivo pelo qual tal preliminar não será enfrentada aqui, visto que não é possível nos manifestarmos sobre matéria que já foi julgada e, inclusive, transitou em julgado administrativo por ausência de manifestação. 1) Da Ofensa à Reserva Legal Tal matéria foi devidamente enfrentada pelo Conselheiro Paulo Caliendo no Acórdão CARF nº 3801004.879, pelo que adiro às suas conclusões, reproduzindo seu entendimento: A infração em tese cometida pela recorrente se encontra caracterizada pela apresentação de declaração de informações sobre o vôo e as declarações fora do prazo estabelecido, por força do art. 107, inciso IV, alínea “e”, do DecretoLei 37/66, com redação dada pela Lei nº 10.833/03, c/c art. 44 da Instrução Normativa 28/94, com redação dada pela Instrução Normativa 510/05 e art. 22 da Instrução Normativa 800/07. No que tange a tipificação da conduta do recorrente, a sua descrição consta igualmente e inicialmente tipificada no art. 107 do DecretoLei 31/66, que estabelece a aplicação de multa para quem deixar de prestar a declaração sobre veículo e carga transportada, bem como quem de forma omissiva ou comissiva embaraçar ação de fiscalização. Fl. 324DF CARF MF 4 Ademais, as instruções normativas tem como finalidade de preencher lacunas que por vezes se encontram dentro dos procedimentos fiscais, no caso específico de normas que estabelecem prazo para a apresentação ou recolhimento de obrigações acessórias, não estão sujeitas a reserva legal do art. 97 do CTN, por não compreendem o rol de matérias lá estabelecido, cabendo, portanto, o estabelecimento dos prazos por norma de hierarquia inferior, como as Portarias e Instruções Normativas, conforme tem se posicionado o CARF. ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 31/12/1998 OBRIGAÇÃO ACESSORIA. PRAZO. INSERÇÃO SISCOMEX DE DECLARAÇÃO DE EMBARQUE DE MERCADORIAS. O prazo de inserção das informações do embarque de mercadoria no SISCOMEX é de sete dias, contados do dia do efetivo embarque. Não se aplica a norma processual do artigo 210 do Código Tributário Nacional, neste caso prevalece o prazo fixado em Portarias e Instruções Normativas em razão de que não contemplam aspectos da hipótese de incidência, estão fora da reserva legal prevista no artigo 97 do CTN. Constado inserção além do prazo fixado, impõe negar provimento ao recurso. Recurso Negado. Mais ainda, é preciso distinguir entre a legalidade veiculada no artigo 5º, II e no artigo 150, I, ambos da Constituição Federal: Art. 5º. (...) II ninguém será obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei; Art. 150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça; Apenas o artigo 150, I veicula comando de reserva de lei, restringindo a exigência ou o aumento de tributo ao manejo deste instrumento legislativo, ao determinar expressamente que a lei deverá estabelecer tais matérias. Diferentemente, o art. 5º, II fala apenas que as obrigações de ação ou omissão deverão ser constituídas em virtude de lei, é dizer, podem sêlo diretamente por ela, mas sem prejuízo da lei remeter, por exemplo, à RFB a determinação de certos aspectos relativos a essas obrigações. É exatamente o caso, como se depreende da tipificação da infração administrativa incorrida, prevista no DecretoLei nº 37/66, art. 107, IV, "e": por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e Há uma remissão expressa a ato da RFB que determinará a forma e prazo da prestação de informações, atribuindo competência expressa a esta para regulamentar tal matéria no âmbito infralegal. Frisese, naturalmente, que tal se dá por se tratar de matéria referente a obrigações acessórias, visto que se de tributo se tratasse, somente por lei se poderia criálo ou modificálo. Fl. 325DF CARF MF Processo nº 10715.000184/201095 Acórdão n.º 3402004.156 S3C4T2 Fl. 4 5 Desse modo, não procede o argumento do Contribuinte. 2) Da Ausência de Dano ao Erário Novamente sobre este tópico, adiro às razões do Acórdão CARF nº 3801 004.879, às quais reproduzo: Em que pese não tenha ocorrido dano pecuniário do ente público, o entendimento no caso é por embaraçar a fiscalização do fisco. As declarações a que as empresas de transporte são obrigadas a apresentar são obrigações acessórias com finalidade exclusiva de auxiliar a fiscalização das importações e exportações, possibilitando a ciência do que cada empresa que utiliza a transportadora tem transportado, para onde vai e se foi recolhido o tributo a que esta operação está sujeita. Logo, a responsabilidade de declarar a mercadoria transportada pela empresa, conforme art. 107, IV, alínea “e” do Decreto lei 37/66, é uma obrigação acessória de declaração ao fisco e cujo descumprimento implica na aplicação de multa por embaraço à fiscalização. Nestes termos, entendo que há o embaraço da fiscalização, quando as transportadoras não cumprem o prazo de emissão da declaração, não obstante entenda que não deve incidir a multa regulamentar neste caso, apenas nos casos de omissão. Com razão, é preciso observar, no esteio da jurisprudência deste CARF, que o bem jurídico tutelado pelas obrigações acessórias em matéria aduaneira não é a liquidez do Erário, mas sim o controle das fronteiras, especialmente em relação aos produtos que entram e que saem no transporte internacional. Desse modo, a ausência de prejuízo pecuniário à arrecadação tributária não afeta, de maneira alguma, a aplicação das sanções relativas ao descumprimento de obrigações acessórias com finalidade fiscalização e controle do comércio exterior. Assim, tampouco deve proceder o argumento do contribuinte neste ponto. 3) Da aplicação de multa singular A infração capitulada no art. 107, IV, "e" do DL 37/66 tem o seguinte texto: por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; Não procede a tese de contribuinte de aplicação da regra de "crime continuado" prevista no artigo 71 do Código Penal, por inexistir no contexto fático relação de continuidade entre as omissões quanto à prestação de informações a despeito de concordamos com sua assunção no sentido de tal regra ser relativa à infrações administrativas. Isso se dá pelo fato do artigo 71 do CP exigir algum grau de conexão entre as infrações, para a construção do liame de continuidade, o que não há no caso. Fl. 326DF CARF MF 6 Tampouco caberia se falar na aplicação da multa por embarque, é dizer, por embarcação ou por vôo, com base em possível dúvida interpretativa do tipo infracional, com fundamento no artigo 112 do Código Tributário Nacional, visto que a metodologia aplicada pelo fiscal foi exatamente a de aplicar a multa por embarque e não por carga. Ante o exposto, entendo que não deve prosperar o argumento do contributinte neste ponto. 4) Conclusão Em face do que foi analisado acima, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário do Contribuinte. É como voto. Carlos Augusto Daniel Neto Relator Fl. 327DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.722166/2013-31
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA.
Como o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de Ajuste Anual, o termo inicial do prazo de decadência conta-se a partir do encerramento do ano-calendário.
ORIGENS DE RECURSOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS SEM LASTRO CONTÁBIL E DOCUMENTAL. CRITÉRIO DE ACEITAÇÃO.
Para que haja a aceitação de que determinados pagamentos foram realizados a conta de lucros distribuídos, deve haver o correspondente registro na contabilidade da empresa suportado por documento hábil, não sendo razoável que se atribua a repasses para terceiros e para quitação de contas pessoais dos sócios a automática vinculação a lucros/dividendos, mediante presunção de que a determinados pagamentos, mesmo sem respaldo contábil, seja atribuída uma suposta vontade tácita dos sócios de compensação dos dispêndios com parte do resultado da empresa.
EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO.
Comprovando o sujeito passivo, mediante a juntada de documentos hábeis, que a análise de sua evolução patrimonial levada a efeito pelo fisco contém erros, cabível a retificação da apuração fiscal pelos órgãos de julgamento.
PRÊMIOS ACUMULADOS DE VGBL. IMPOSSIBILIDADE DE CÔMPUTO COMO SALDO INICIAL EM CONTA CORRENTE.
Por se tratarem de valores de natureza jurídica diversa, "os prêmios acumulados de VGBL" não devem integrar o "saldo inicial em conta corrente", para que compor as origens de recursos na análise da variação patrimonial do contribuinte.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2008
ALEGAÇÕES RECURSAIS. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA.
É de quem alega o ônus de comprovar suas alegações, não sendo cabível ao órgão julgador determinar a realização de diligência para atender a pretensão de reforço o conjunto probatório de qualquer das partes.
PEDIDO PARA PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. INDEFERIMENTO.
O pedido para a produção de novas provas deve ser indeferido, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela existência da infração, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2402-005.826
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, em não conhecer do documento de fls. 3.215/3.220, em negar provimento ao recurso de ofício e em afastar a decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de: a) alterar o valor dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, consoante o item 3.1 do voto; b) considerar a distribuição de lucros da MV&P no valor de R$ 36.460,00, nos termos do item 3.2 do voto; c) considerar como saldo inicial em conta corrente a quantia de R$ 213.271,93, conforme item 3.4 do voto; e d) excluir das "aplicações" a parcela de R$ 1.833.333,33, correspondente a rubrica "imóveis", nos meses de novembro e de dezembro, nos termos do item 3.9 do voto. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, que davam provimento em maior extensão. .
(assinado digitalmente)
Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
Nome do relator: KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Como o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de Ajuste Anual, o termo inicial do prazo de decadência conta-se a partir do encerramento do ano-calendário. ORIGENS DE RECURSOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS SEM LASTRO CONTÁBIL E DOCUMENTAL. CRITÉRIO DE ACEITAÇÃO. Para que haja a aceitação de que determinados pagamentos foram realizados a conta de lucros distribuídos, deve haver o correspondente registro na contabilidade da empresa suportado por documento hábil, não sendo razoável que se atribua a repasses para terceiros e para quitação de contas pessoais dos sócios a automática vinculação a lucros/dividendos, mediante presunção de que a determinados pagamentos, mesmo sem respaldo contábil, seja atribuída uma suposta vontade tácita dos sócios de compensação dos dispêndios com parte do resultado da empresa. EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO. Comprovando o sujeito passivo, mediante a juntada de documentos hábeis, que a análise de sua evolução patrimonial levada a efeito pelo fisco contém erros, cabível a retificação da apuração fiscal pelos órgãos de julgamento. PRÊMIOS ACUMULADOS DE VGBL. IMPOSSIBILIDADE DE CÔMPUTO COMO SALDO INICIAL EM CONTA CORRENTE. Por se tratarem de valores de natureza jurídica diversa, "os prêmios acumulados de VGBL" não devem integrar o "saldo inicial em conta corrente", para que compor as origens de recursos na análise da variação patrimonial do contribuinte. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2008 ALEGAÇÕES RECURSAIS. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. É de quem alega o ônus de comprovar suas alegações, não sendo cabível ao órgão julgador determinar a realização de diligência para atender a pretensão de reforço o conjunto probatório de qualquer das partes. PEDIDO PARA PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido para a produção de novas provas deve ser indeferido, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela existência da infração, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.722166/2013-31
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5728859
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue May 30 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2402-005.826
nome_arquivo_s : Decisao_19515722166201331.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19515722166201331_5728859.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, em não conhecer do documento de fls. 3.215/3.220, em negar provimento ao recurso de ofício e em afastar a decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de: a) alterar o valor dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, consoante o item 3.1 do voto; b) considerar a distribuição de lucros da MV&P no valor de R$ 36.460,00, nos termos do item 3.2 do voto; c) considerar como saldo inicial em conta corrente a quantia de R$ 213.271,93, conforme item 3.4 do voto; e d) excluir das "aplicações" a parcela de R$ 1.833.333,33, correspondente a rubrica "imóveis", nos meses de novembro e de dezembro, nos termos do item 3.9 do voto. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, que davam provimento em maior extensão. . (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci.
dt_sessao_tdt : Wed May 10 00:00:00 UTC 2017
id : 6782847
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211888467968
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2073; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 2 1 1 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.722166/201331 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2402005.826 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 10 de maio de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DA PESSOA FÍSICA. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Recorrentes MARIO JOSE COSTA JUNIOR FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TERMO INICIAL DO PRAZO DE DECADÊNCIA. Como o acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurado em bases mensais e tributado na Declaração de Ajuste Anual, o termo inicial do prazo de decadência contase a partir do encerramento do anocalendário. ORIGENS DE RECURSOS. DISTRIBUIÇÃO DE LUCROS SEM LASTRO CONTÁBIL E DOCUMENTAL. CRITÉRIO DE ACEITAÇÃO. Para que haja a aceitação de que determinados pagamentos foram realizados a conta de lucros distribuídos, deve haver o correspondente registro na contabilidade da empresa suportado por documento hábil, não sendo razoável que se atribua a repasses para terceiros e para quitação de contas pessoais dos sócios a automática vinculação a lucros/dividendos, mediante presunção de que a determinados pagamentos, mesmo sem respaldo contábil, seja atribuída uma suposta vontade tácita dos sócios de compensação dos dispêndios com parte do resultado da empresa. EVOLUÇÃO PATRIMONIAL. JUNTADA DE DOCUMENTOS. COMPROVAÇÃO DE ERRO NA APURAÇÃO FISCAL. RETIFICAÇÃO. Comprovando o sujeito passivo, mediante a juntada de documentos hábeis, que a análise de sua evolução patrimonial levada a efeito pelo fisco contém erros, cabível a retificação da apuração fiscal pelos órgãos de julgamento. PRÊMIOS ACUMULADOS DE VGBL. IMPOSSIBILIDADE DE CÔMPUTO COMO SALDO INICIAL EM CONTA CORRENTE. Por se tratarem de valores de natureza jurídica diversa, "os prêmios acumulados de VGBL" não devem integrar o "saldo inicial em conta AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 72 21 66 /2 01 3- 31 Fl. 3252DF CARF MF 2 corrente", para que compor as origens de recursos na análise da variação patrimonial do contribuinte. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008 ALEGAÇÕES RECURSAIS. ÔNUS DA PROVA. DILIGÊNCIA. É de quem alega o ônus de comprovar suas alegações, não sendo cabível ao órgão julgador determinar a realização de diligência para atender a pretensão de reforço o conjunto probatório de qualquer das partes. PEDIDO PARA PRODUÇÃO DE NOVAS PROVAS. INDEFERIMENTO. O pedido para a produção de novas provas deve ser indeferido, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela existência da infração, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos, em não conhecer do documento de fls. 3.215/3.220, em negar provimento ao recurso de ofício e em afastar a decadência. No mérito, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de: a) alterar o valor dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, consoante o item 3.1 do voto; b) considerar a distribuição de lucros da MV&P no valor de R$ 36.460,00, nos termos do item 3.2 do voto; c) considerar como saldo inicial em conta corrente a quantia de R$ 213.271,93, conforme item 3.4 do voto; e d) excluir das "aplicações" a parcela de R$ 1.833.333,33, correspondente a rubrica "imóveis", nos meses de novembro e de dezembro, nos termos do item 3.9 do voto. Vencidos os conselheiros João Victor Ribeiro Aldinucci, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Theodoro Vicente Agostinho e Bianca Felícia Rothschild, que davam provimento em maior extensão. . (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Presidente e Relator Participaram do presente julgamento o(a)s Conselheiro(a)s Kleber Ferreira de Araújo, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Túlio Teotônio de Melo Pereira, Theodoro Vicente Agostinho, Mário Pereira de Pinho Filho, Bianca Felícia Rothschild e João Victor Ribeiro Aldinucci. Fl. 3253DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo acima identificado contra decisão que declarou improcedente em parte a sua impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração AI que integra o presente processo. O órgão prolator também recorreu de sua decisão, por haver exonerado parte do crédito em tela. A discussão diz respeito ao Auto de Infração de fls. 2110/2112, acompanhado dos demonstrativos de apuração de fls. 2113/2117, que lhe exige crédito tributário no montante de R$13.243.421,84, correspondente ao imposto (R$6.109.434,81), multa proporcional (R$2.551.910,92) e juros de mora (R$4.582.076,11, calculados até 11/2013), relativo ao Imposto sobre a Renda de Pessoa Física, exercício 2009, anocalendário 2008. Conforme o anexo "Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal" (fl. 2112), foi efetuado o lançamento de ofício em referência, tendo em vista a apuração da infração abaixo descrita. "001 – IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO Omissão de rendimentos tendo em vista a variação patrimonial a descoberto, ou seja, excesso de aplicações sobre origens, não respaldado por rendimentos tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva, conforme relatório fiscal em anexo." Todos passos trilhados durante o procedimento fiscal, bem como as verificações/análises/conclusões, encontramse detalhadamente relatadas no Termo de Verificação (fls. 2098/2109), parte integrante do Auto de Infração. Informase inicialmente que a ação fiscal teve por objetivo a verificação de rendimentos isentos e/ou não tributáveis e a variação patrimonial do contribuinte. Foram efetuadas várias intimações, as quais foram atendidas pelo sujeito passivo, tendo o fisco concluído que a maior parte dos valores declarados pelo contribuinte foram efetivamente comprovados, todavia, após a verificação da evolução patrimonial mensal, foi apurado no ano calendário de 2008 acréscimo patrimonial a descoberto nos seguintes meses: junho = R$ 1.610.000,00 setembro = R$ 96.613,79 outubro = R$ 11.216.408,06 novembro = 4.976.900,48 dezembro = 4.316.072,30 Fl. 3254DF CARF MF 4 Submetidos esses montantes à tabela progressiva vigente naquele ano calendário, obtevese na apuração do imposto de renda um crédito tributário de R$ 12.243.421,84, incluídos neste montante juros e multa. Cientificado do lançamento, o sujeito passivo ofertou impugnação, a qual foi acolhida em parte pelo órgão de primeira instância, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008 DECADÊNCIA. Tratandose de lançamento ex officio, a regra aplicável na contagem do prazo decadencial é a estatuída pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, iniciandose o prazo decadencial a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Os rendimentos omitidos apurados com base em acréscimo patrimonial a descoberto, embora submetidos à apuração mensal, estão sujeitos à tributação na declaração de ajuste anual, pelo que a contagem do prazo decadencial não é mensal, contados do mês em que a omissão foi apurada. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. Sujeitase à tributação a variação patrimonial apurada, não justificada por rendimentos declarados/comprovados, por caracterizar omissão de rendimentos. Somente a apresentação de provas inequívocas é capaz de elidir uma presunção legal de omissão de rendimentos invocada pela autoridade lançadora. Retificase parcialmente a planilha de evolução patrimonial mensal, à vista da comprovação documental apresentada. Impugnação Procedente em Parte O acórdão da DRJ fez diversas modificações na análise da evolução patrimonial do contribuinte, chegando ao seguinte resultado relativo ao acréscimo patrimonial a descoberto: junho = 0 setembro = 0 outubro = R$ 555.337,81 novembro = 4.922.264,51 dezembro = 4.270.003,90 Fl. 3255DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 4 5 A ciência desta decisão deuse pela via postal em 29/09/2014, fl. 2.984, tendo o contribuinte interposto recurso, o qual foi protocolizado em 29/10/2014, conforme peça e documentos de fls. 2.988/3.185. Passo agora a apresentar, em apertada síntese, os argumentos recursais. Afirma o recorrente que em linhas gerais a suposta omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto apontada pelo fisco foi composta de: a) parcelas de R$ 16.662.450,72, relativa à glosa de valores que lhe foram pagos ou disponibilizados a título de distribuição de lucros pela empresa Costa Negócios e Tecnologia Ltda; e b) parcela de R$ 5.553.675,87 relativa a supostas divergências entre os valores informados na sua DAA e o que foi apurado pelo fisco. Alega que consegue demonstrar que a importância de R$ 70.702.318,63 (dos quais R$ 69.776.554,77 se referem à Costa Negócios) informada na DAA do anocalendário de 2008 a título de distribuição de lucros e dividendos lhe foi integralmente paga/disponibilizada, por meio de transações documentadas nos autos. Assevera que a distribuição de lucros realizada pela Costa Negócios foi reconhecida em laudo contábil elaborado por empresa de auditoria independente, de modo que a parcela de R$ 16.662.450,72 não poderia ter sido glosada pela autoridade fiscal. Quanto ao item "b", o recorrente afirma haver demonstrado em sua impugnação diversos equívocos cometidos pela fiscalização na análise da sua evolução patrimonial no período em questão, por ignorar operações que somam mais de 5 milhões, o que ocasionou parte da suposta omissão de rendimentos. Menciona que a DRJ reconheceu parcialmente os valores recebidos a título de distribuição de lucros e dividendos, bem como erros cometidos pelo fisco na análise de sua variação patrimonial, todavia, deixou de aceitar alguns pagamentos realizados por conta e ordem do recorrente a título de distribuição de dividendos/lucros sob a alegação de falta de comprovação quanto à deliberação/manifestação de vontade dos sócios. Afirma não concordar com tal entendimento. Aduz que a empresa Costa Negócios possui como únicos sócios o recorrente e sua esposa, de modo que não há dúvida de que o lucro obtido pela pessoa jurídica é auferido no interesse dos sócios. Também não se conforma com a manutenção de alguns supostos equívocos cometidos na análise da sua evolução patrimonial, os quais foram apontados na impugnação e demonstrados mediante documentação hábil. Na sequência, passa a individualizar as razões de seu inconformismo, conforme os itens a seguir. Decadência O AI sob discussão foi lavrado em 04/11/2013 e os supostos fatos geradores ocorreram entre junho e dezembro de 2008, assim, é clara a decadência do direito do fisco de constituir o crédito tributário correspondente, nos termos do § 4.º do art. 150 e inciso IV do art. 156, ambos do CTN. Fl. 3256DF CARF MF 6 Comprovação dos valores recebidos a título de distribuição de lucros/dividendos O recorrente assinala que é incontroverso que no anocalendário sob discussão havia lucros passíveis de distribuição pela empresa Costa Negócios, sua principal controlada. Esse fato não foi contestado pelo fisco e foi confirmado por empresa de auditoria independente. Assevera que, conforme consta na sua DAA e também no laudo da consultoria por ele contratada, os sócios controladores da Costa Negócios (o recorrente e sua esposa) receberam desta empresa uma quantia equivalente a R$ 69.776.554,81 a título de lucros e dividendos no anocalendário de 2008, a qual foi disponibilizada mediante: a) cheques emitidos aos sócios no valor de R$ 47.424.418,74; b) transferências bancárias realizadas entre a conta corrente da empresa e a conta dos sócios ou de terceiros (por conta e ordem dos sócios), no valor de R$ 21.398.085,00; e c) pagamentos de despesas pessoais de terceiros, assumidas pelos sócios, mas realizadas diretamente pela empresa por conta e ordem dos próprios sócios no valor de R$ 954.051,07. Sustenta que esses valores foram adequadamente registrados na contabilidade da Costa Negócios e efetivamente desembolsados na forma acima descrita, sempre a beneficiários identificados. Menciona três aspectos que entende foram equivocadamente mantidos no acórdão recorrido quanto aos lucros que lhe foram pagos no período fiscalizado. Cita: a) muito embora o recorrente e sua esposa tenham destinado parte dos recursos ao pagamento de suas despesas pessoais, é fato que o uso que se faz dos valores recebidos/disponibilizados não descaracteriza a natureza original de distribuição de lucros isenta. O Anexo V do laudo de auditores independentes comprova que a maior parte dos cheques emitidos pela Costa Negócios eram nominais aos sócios e foram devidamente contabilizados pela empresa. b) conforme se extrai do laudo elaborado pelos auditores independentes, as poucas transferências realizadas para contas de terceiros foram contabilizadas pela Costa Negócios como distribuição de lucros aos sócios. Aduz que tal procedimento não acarretou qualquer economia tributária à empresa Costa Negócios, aos seus sócios, ou a terceiros que receberam os pagamentos em questão. c) em relação aos pagamentos de contas pessoais dos sócios e de terceiros no valor de R$ 954.051,07, esclarece que se trata de R$ 89.694,38, relativos a diversas despesas pessoais do recorrente, quitadas por sua conta e ordem, as quais estão devidamente contabilizadas pela Costa Negócios como distribuição de lucros isenta, e R$ 591.026,82, que se encontram contabilizadas com idêntica intitulação e remontam a projetos sociais e outros desembolsos de interesse dos sócios. Cita precedente do CARF, cujo entendimento é no sentido de que é possível a distribuição antecipada de lucros ao longo do anocalendário, sem que haja a descaracterização da sua natureza jurídica, desde que não se ultrapasse o montante de lucros efetivamente apurados ao final do período. Fl. 3257DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 5 7 Defende que os documentos juntados aos autos demonstram claramente que houve vontade e intenção dos sócios (que administram a sociedade) em determinar e receber a referida distribuição de lucros, mesmo porque assinaram os cheques para a realização de pagamentos em contrapartida aos lucros sociais apurados no período. Aduz que não há qualquer sentido prático em desconsiderar essas distribuições, posto que: a) os únicos sócios da Costa Negócios são e sempre foram o recorrente e sua esposa, de maneira que os lucros seriam distribuídos a eles para posterior pagamento de suas despesas; b) os pagamentos foram realizados em contrapartida dos lucros auferidos pela sociedade no período; e c) o próprio ato de pagamento que foi levado a efeito pela sociedade emanou dos sócios, o que sem dúvida representa uma manifestação de vontade destes. São citados dois precedentes do CARF, onde se entende que a presunção das autoridades fiscais quanto à existência de acréscimo patrimonial a descoberto é afastada quando o contribuinte comprova, por meio de documentação hábil e idônea, que os valores foram efetivamente recebidos. Evolução patrimonial Segundo o recorrente foram cometidos inúmeros equívocos pela fiscalização na análise de sua evolução patrimonial, razão pela qual juntou à impugnação a planilha de fls. 2.941/42, identificando cada uma das incorreções. Enquanto o recorrente apurou um montante de recursos no valor de R$ 75.790.933,86 e de aplicações da ordem de R$ 72.243.143,75, o fisco apurou, respectivamente, R$ 67.765.305,57 e R$ 89.984.251,26. No julgamento de primeira instância foram reconhecidos alguns dos equívocos apontados pela defesa, contudo, o recorrente entende que é absolutamente descabida a parcela remanescente de evolução patrimonial, posto que os valores por ele indicados estão integralmente suportados por documentos juntados aos autos. Nesse sentido, apresenta nova planilha com os itens de sua evolução patrimonial para confronto com o que ficou decidido pela DRJ (doc. n.º 5), passando a demonstrar, item por item, as razões pelas quais os valores de acréscimo patrimonial a descoberto não merecem prosperar. Rendimentos tributados de pessoa jurídica Afirma que as parcelas recebidas a título de prólabore pelo recorrente e sua esposa somam R$ 58.531,97, conforme declarado na DAA, e não os R$ 57.079,47 apontados pela fiscalização. Sustenta que a divergência foi motivada pelo registro nos Relatórios de Pagamentos Efetuados do valor líquido recebido pela esposa do autuado, com exclusão do desconto do INSS. Apresenta quadro demonstrativo. Fl. 3258DF CARF MF 8 Distribuição isenta da empresa MV&P Aduz o recorrente que foi considerado pela fiscalização um valor de R$ 36.410,00 a título de distribuição de lucros pela empresa MV&P Tecnologia, quando os documentos fiscais apresentados comprovam que o valor efetivamente envolvido é R$ 36.460,00. Para espancar qualquer dúvida quanto à procedência de seu argumento, que foi rechaçado pela DRJ sob a alegação de que o registro no livro Diário estaria ilegível, apresenta cópia do Diário Geral (doc. n.º 8), onde se comprova o erro do fisco. Rendimentos tributados exclusivamente na fonte O recorrente aduziu que o fisco considerou como origem de recursos decorrentes de rendimentos tributados exclusivamente na fonte a irrisória quantia de R$ 444,84, todavia, o acórdão recorrido alterou este valor para R$ 62.421,57, ao reconhecer que deveriam ser considerados os rendimentos líquidos informados nas DIRF de fls. 2.946/47, emitidas pelos Bancos do Brasil e Santander. Para o recorrente tal procedimento da DRJ ainda não reflete a realidade, posto que as DIRF correspondem a apenas uma das contas mantidas pelo recorrente junto a essas instituições financeiras, não se computando outras contas de titularidade do recorrente e de sua esposa, as quais podem ser visualizadas nos informe de rendimentos de fls. 89/94. A seguir passa a mencionar uma série de extratos que foram juntados ao recurso, os quais seriam hábeis a comprovar que o total de rendimentos líquidos tributados exclusivamente na fonte atinge o montante de R$ 91.773,85, valor este que se encontra discriminado em tabela colada no corpo do recurso. Acrescenta que, caso os seus comprovantes não sejam aceitos como provas cabais de suas alegações, devese expedir ofício às instituições bancárias solicitando esclarecimentos quanto aos documentos e informações apresentados no seu recurso. Saldo da conta corrente no início do ano Afirma o autuado que a decisão recorrida deixou de considerar a título de "saldo de conta corrente" os seguintes valores: a) R$ 1.125,00 informado na sua DAA, referente ao Banco Nossa Caixa, sob a justificativa de que não teria sido apresentado o informe de rendimentos; e Fl. 3259DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 6 9 b) R$ 1.800,00 do Banco Santander, relativo a "prêmios acumulados em VGBL", sob o qual a decisão da DRJ sequer teria se manifestado. Entende que, considerando essas alegações e o doc. n.º 13 do recurso, resta demonstrada a necessidade de reforma do acórdão de primeira instância, de modo que seja reconhecido o valor total de R$ 215.071,93, correspondente ao "saldo de conta corrente" detido pelo recorrente no início de 2008. Venda de bens móveis O fisco teria se equivocado ao inserir como "recurso" na análise da evolução patrimonial do recorrente o valor de R$ 35.000,00, decorrente da venda de um automóvel. No entanto, tal operação representou um decréscimo no seu patrimônio, posto que o valor do bem constante em sua DAA era R$ 75.040,00. Sustenta que na interpretação do fisco teria ocorrido um aumento no seu patrimônio, quando, na verdade, houve uma perda de R$ 35.040,00. Venda de bens imóveis e receitas da atividade rural Afirma que adquiriu por R$ 8.000.000,00 a Fazenda Lobo em outubro de 2008, conforme atestam os documentos de fls. 292/328. A quitação desse imóvel deuse mediante dação em pagamento da Fazenda Santa Izabel, cujo valor foi segregado da seguinte forma: a) R$ 3.500.000,00, relativos à terra nua; b) R$ 3.900.000,00, relativos a benfeitorias; e c) R$ 600.000,00, relativos a 729 garrotes. Afirma que a fiscalização registrou como "recursos" na análise da evolução patrimonial os R$ 8.000.000,00 relativos à dação da Fazenda Santa Izabel e mais R$ 4.500.000,00 relativos às benfeitorias e aos garrotes, este último valor considerado pelo fisco como receita da atividade rural. Todavia, a DRJ determinou a exclusão dos R$ 4.500.000,00, sob a justificativa de que tal valor já integraria o montante dos R$ 8.000.000,00 e, portanto, teria sido computado em duplicidade. Alega não concordar com este procedimento, a um, porque o valor de R$ 3.500.000,00 (terra nua) não representa qualquer acréscimo patrimonial, mas apenas uma simples permuta entre os imóveis e, a dois, porque os R$ 4.500.000,00 de fato representam receita da atividade rural, conforme legislação e jurisprudência colacionadas. Venda de quotas da Teconobens e participações societárias A recorrente pleiteia quanto a esse item que o acórdão recorrido seja reformado de modo que se reconheça como "aplicação" o valor de R$ 50.000,00 correspondentes a participações societárias na empresa Tecnobens e que seja excluído do computo dos "recursos" o valor de R$ 700.000,00. Fl. 3260DF CARF MF 10 Bens imóveis itens 12.1 a 12.3 do acórdão recorrido Ressalta a recorrente que os valores que pagou para aquisição de imóveis rurais no anocalendário de 2008 foram considerados pela fiscalização como aplicação de recursos na análise de sua evolução patrimonial. Contesta que os valores relativos às aquisições da Fazenda Santa Izabel (R$ 6.700.000,00 em junho); Fazenda São Francisco da Serra (R$ 1.419.000,00 em outubro) e Fazenda Recanto Alegre (R$ 1.981.000,00 em outubro), os quais, no seu entender deveriam ser segregados em terra nua e benfeitorias, de modo que essas últimas fossem consideradas como despesas da atividade rural, quando da aquisição, e resultados da atividade rural, quando da alienação, independentemente das benfeitorias terem sido ou não realizadas pelo contribuinte. Parcelas referentes à aquisição da Fazenda Lobo O recorrente protesta contra a manutenção pela DRJ do valor de R$ 2.666.666,66 lançado pela fiscalização a título de "aplicação" nos meses de novembro e de dezembro, decorrentes de parcelas previstas no subitem "d" do item 2.3 da Escritura de Promessa de Compra de Venda da Fazenda Lobo, no montante total de R$ 20.000.000,00, a serem pagas em até 24 meses. Alega que não houve qualquer pagamento em 2008 e para provar o alegado junta Termo de Declaração prestado pelo representante legal do vendedor, a sociedade Lobo Agropecuária e Empreendimentos Ltda, conforme doc. n.º 14, onde se declara que não foram efetuados no ano de 2008 os pagamentos das duas parcelas de R$ 2.666.666,66. Pede então que seja excluídos os valores em questão da análise da sua evolução patrimonial. Saldo em conta corrente no final do mês e saldo de rendimentos tributados exclusivamente na fonte. O recorrente afirma que o acórdão atacado alterou parcialmente os lançamentos neste item ao reconhecer o valor de R$ 39.274,32, relativo ao saldo em conta corrente no final do ano de 2008, e de R$ 2.665.243,94, relativo aos rendimentos tributados exclusivamente na fonte. Pretende que a decisão seja modificada em relação ao saldo final em conta corrente, para que se inclua nesse cálculo os valores de R$ 2.580,81, relativo ao Banco Nossa Caixa (vide doc. n.º 13), e R$ 4.276,32, concernente aos "prêmios acumulados em VGBL" (fl. 91). Ao final, requereu: a) a declaração de decadência para os tributos relativos aos meses de junho, outubro e novembro; b) no mérito, que o AI seja declarado integralmente improcedente; c) caso não seja este o entendimento, que os autos sejam baixados em diligência, para melhor elucidação dos fatos e que lhe seja facultada a produção de provas adicionais. Fl. 3261DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 7 11 Em 07/02/2017, o sujeito passivo requereu a admissão de reforço probatório, mediante a juntada do documento de fls. 3.217/3.218, o qual se refere a Ata de Reunião dos Sócios, com pedido de registro na Junta Comercial datado de 27/10/2014, na qual decidiuse por ratificar todos os atos praticados pela sociedade no ano de 2008 "com relação aos cheques, transferências bancárias e pagamentos de despesas dos seus sócios a título de distribuição de lucros/dividendos, no valor total de R$ 69.776.554,84". Suscita que o documento seja conhecido, haja vista que a Ata da Reunião foi registrada na JUCESP somente em outubro de 2014, momento posterior ao protocolo do recurso voluntário, razão pela qual a prova documental deve ser apreciada, nos termos da alínea "b" do § 4.º do artigo 16 do Decreto n.º 70.235/1972. Sem contrarrazões os autos vieram a julgamento. É o relatório. Fl. 3262DF CARF MF 12 Voto Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Relator Admissibilidade O contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 29/09/2014, tendo apresentado a peça recursal em 29/10/2014, portanto, verificase a sua tempestividade. Por terem sido atendidos os demais requisitos legais, deve ser conhecido o recurso voluntário. O recurso de ofício também merece conhecimento, posto que o imposto exonerado (R$ 3.428.843,11) supera o valor de alçada fixado em Portaria do Ministério da Fazenda. Quanto ao documento de fls. 3.217/3.218, entendo que não deva ser conhecido, haja vista que, ao contrário do que insinuou o recorrente a sua protocololização na junta comercial ocorreu em 27/10/2014, ao passo que o recurso foi apresentado em 29/10/2014. Nesse sentido, não há como considerálo documento novo que pudesse ser apreciado com esteio no § 4.º do Decreto n.º 70.235/1972. 1. Decadência Para o recorrente, sendo o IRPF um tributo sujeito ao lançamento por homologação, aplicase a regra decadencial prevista no § 4.º do art. 150 do CTN, tomandose como referência os períodos individualizados e não com base no encerramento do período ao final do anocalendário, como entendeu a DRJ. Não devemos darlhe razão. É que a omissão de rendimentos caracterizada por acréscimo patrimonial a descoberto deve ser apurada em bases mensais, como ocorre com vários tipos de rendimentos auferidos pelas pessoas físicas, em consonância com as disposições da Lei nº 7.713/1988, e tributadas na Declaração de Ajuste Anual DAA. Há de se ter em conta que é com base na DAA que se obtém definitivamente o imposto devido, considerandose aí todos os rendimentos sujeitos à tributação (rendimentos tributáveis recebidos de pessoas jurídicas, rendimentos recebidos do exterior e de pessoas físicas, rendimentos oriundos da atividade rural, rendimentos apurados em decorrência da variação patrimonial a descoberto) e as deduções permitidas em lei. Adicionese a isto que algumas dessas deduções, como as relativas a despesas médicas e com instrução são dedutíveis apenas na DAA. Nessa toada, somente em 31 de dezembro do anocalendário completase o fato gerador do imposto de renda pessoa física, quando se conhecem todos os rendimentos tributáveis auferidos no período e as deduções permitidas em lei. Em relação ao lançamento correspondente à omissão de rendimentos, o fisco somente terá condições de apurar a quantia devida no momento da apresentação da declaração de ajuste anual pelo contribuinte. Em conseqüência, considerase consumado o fato jurídico tributário em 31 de dezembro de cada anocalendário. Reforçando: o imposto é devido à medida em que os rendimentos forem percebidos, todavia, somente com a declaração de rendimentos é que se tem condições de apurar o montante do imposto a pagar. Fl. 3263DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 8 13 Portanto, no caso dos autos, o fato gerador do IRPF relativo ao ano calendário de 2008 perfezse em 31 de dezembro daquele ano. Sendo assim, o dies a quo para a contagem do prazo de decadência iniciase em 01 de janeiro de 2009 e, considerando o lapso temporal de cinco anos para que a Fazenda Pública exerça o direito de efetuar o lançamento, a data fatal completouse em 31 de dezembro de 2013, nos termos do § 4.º do art. 150 do CTN. Como a ciência do lançamento ocorreu em 06/11/2013 (fl. 2.119), o crédito tributário relativo ao anocalendário de 2008 não havia sido atingido pela decadência naquele momento. Nesse sentido, deve ser afastada a suscitada decadência. 2. Comprovação dos valores recebidos a título de distribuição de lucros/dividendos O recorrente apresenta argumentos no sentido de reformular a decisão recorrida na parte relativa aos alegados recebimentos de lucros/dividendos da empresa Costa Negócios. Para tanto afirma que os valores foram contabilizados na escrituração da pessoa jurídica e foram decorrentes da vontade dos sócios, posto que é inegável que os lucros são auferidos em proveito destes. Afirma que o laudo emitido por empresa de auditores independentes, com os documentos que o acompanha, demonstram que os lucros distribuídos pela Costa Negócios, num total de R$ 69.776.554,77, constante na sua DAA, foi integralmente pago/disponibilizado, não sendo aceitável a glosa efetuada pelo fisco no montante de R$ 16.662.450,72. Acrescenta que os recebimentos de lucros/dividendos podem ser assim justificados: a) cheques emitidos aos sócios, no valor de R$47.424.418,74; b) transferências bancárias realizadas entre a conta corrente da empresa e a conta dos sócios ou de terceiros (por conta e ordem dos sócios), no valor de R$21.398.085,00; e c) pagamentos de despesas pessoais de terceiros, assumidas pelos sócios, mas realizados diretamente pela empresa por conta e ordem dos próprios sócios, por questão de conveniência destes, no valor de R$ 954.051,07. A DRJ acolheu em parte os argumentos do recorrente, todavia deixou de reconhecer como distribuição de lucros/dividendos as parcelas em que não havia contabilização do pagamento, bem como não havia manifestação expressa dos sócios determinando as transferências. Sobre o laudo de auditoria independente, o acórdão recorrido menciona que não valeria como prova isolada. Peço licença para transcrever excerto do voto condutor do acórdão de primeira instância que reflete bem essas conclusões: "Como se vê das cláusulas acima, não existe nenhuma previsão contratual, nem foi apresentada Ata de reunião, devidamente registrada na Jucesp, deliberando que a empresa poderá realizar a distribuição de lucros a seus sócios, mediante transferências bancárias para conta de terceiros e pagamentos de despesas pessoais dos sócios. Fl. 3264DF CARF MF 14 Nesse sentido, cabe salientar que a juntada do Laudo Técnico de Natureza Contábil elaborado pela KPMG (fls. 2174/2185) não tem o condão de suprir a lacuna, consistente em ausência de previsão contratual/deliberação dos sócios autorizando a distribuição de lucros na modalidade de pagamentos a terceiros ou pagamentos de despesas pessoais do sócios. Muito menos o Laudo se presta a substituir as provas documentais faltantes. Além da previsão contratual ou deliberação dos sócios, é necessário que, cumulativamente, esses pagamentos realizados pela empresa, por conta e ordem dos sócios, constem nos registros contábeis da empresa como redutor da conta de patrimônio líquido (lucros acumulados). Imprescindível, ainda, que os lançamentos contábeis estejam lastreados em documentos que comprovem que os pagamentos foram realizados por conta e ordem dos sócios. Assim, não estando atendidas as condições acima, de plano, nem os pagamentos de despesas pessoais dos sócios, nem os pagamentos a terceiros realizados pela empresa serão aceitos a título de distribuição de lucros. Quanto aos cheques emitidos aos sócios e às transferências bancárias realizadas entre a conta corrente da empresa e dos sócios, cumpre registrar que não basta a simples apresentação deles, sendo imperiosa a comprovação da natureza jurídica de tais pagamentos." Vejo que o entendimento da DRJ está em sintonia com as provas dos autos. De fato, os atos constitutivos da empresa Costa Intermediação de Negócios de Informática Ltda que mudou a denominação para Costa Negócios e Tecnologia Ltda (ver fls. 150/156) não trazem quaisquer disposição acerca da possibilidade de distribuição de lucros mediante repasse de valores a terceiros ou mesmo pagamentos de despesas pessoais dos sócios. Nesse sentido, para que haja a aceitação de que determinados pagamentos foram realizados a conta de lucros distribuídos devese ter o correspondente registro na contabilidade da empresa, não sendo razoável que se atribua a repasses para terceiros e para quitação de contas pessoais dos sócios a automática vinculação a lucros/dividendos, mediante presunção de que a determinados pagamentos, mesmo sem respaldo contábil, seja atribuída uma suposta vontade tácita dos sócios de compensação dos dispêndios com parte do resultado da empresa. Devese observar ainda que o laudo dos auditores independentes não faz prova por si só, sendo necessária a existência de contabilização da despesa como contrapartida de lucros/dividendos distribuídos, a qual deve estar suportada por documentos comprobatórios. Passemos, agora a avaliar as conclusões da DRJ sobre a distribuição de lucros/dividendos de modo ponderar sobre as razões recursais. janeiro/2008 Foi mantido o valor do lucro distribuído considerado pela autoridade lançadora. Concluiuse que "Os cheques de valores R$5.000,00 (cheque nº 223, à fl. 2246), R$8.003,50 (cheque nº 221, à fl. 2250), R$2.500,00 (cheque nº 225, à fl. 2251), R$2.500,00 (cheque nº 226, à fl. 2252), R$38.823,00 (cheque nº 231, à fl. 2253) e R$10.000,00 (cheque nº 230, à fl.2254), totalizando a importância de R$66.826,50, relativos aos pagamentos realizados a terceiros por Costa Negócios e Tecnologia Ltda/CNPJ 08.510.326/000170, não comprovam que têm a natureza jurídica de lucros distribuídos aos sócios". Fl. 3265DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 9 15 Para o órgão a quo, a falta de previsão ou deliberação dos sócios no sentido de considerar como lucros distribuídos pagamentos realizados a terceiros pela Costa Negócios, aliada a falta de apresentação dos correspondentes lançamentos contábeis, impediram o reconhecimento de que tais parcelas de fato correspondessem a distribuição de lucros. Observase que o recurso voluntário não faz um contraponto a esse análise de cada pagamento como fez o órgão de primeira instância, limitandose a mencionar que se os lucros eram destinados aos sócios e que as assinaturas destes nos cheques seriam uma prova da sua manifestação de vontade. Em outra direção tenta se apoiar em laudo elaborado por empresa de auditores independentes. Penso que devemos manter o que ficou decidido pela DRJ, uma vez que para que os cheques fossem aceitos como distribuição de lucros/dividendos repassados a terceiros, deveria haver uma deliberação expressa, além do correspondente lançamento contábil, o que não restou comprovado pelo recorrente. fevereiro e março/2008 As distribuições de lucros para esses dois meses nos valores de R$ 3.000.000,00 e R$ 2.400.000, respectivamente, foram inteiramente acatadas pelo fisco. abril/ 2008 Segundo a DRJ: "Na falta de prova adicional comprovando que os pagamentos realizados por Costa Negócios e Tecnologia Ltda aos sócios em abril/2008 têm a natureza jurídica de lucros distribuídos, fica mantido o lucro distribuído considerado pela Fiscalização, no valor de R$458.624,53". Como o recorrente não trouxe qualquer consideração adicional sobre este valor, devemos manter o que ficou decidido pela DRJ. maio/2008 A DRJ manteve como lucro distribuído o valor de R$ 1.734.124,53, o mesmo acatado pelo fisco, sob as seguintes alegações: " Não ficou comprovada, mediante documentação hábil e idônea, a natureza jurídica das transferências bancárias realizadas em 09/05/2008, no valor de R$1.150.000,00, a MJP Administradores de Bens (fls. 2367 e 2516) e 16/05/2008, no importe de R$4.800.00,00, para conta corrente do interessado (fls. 2365, 2548 e 2641), por Costa Negócios e Tecnologia Ltda. Tampouco, foi comprovada a existência de deliberação dos sócios autorizando a empresa a efetuar pagamentos a terceiros (MJP Administração de Bens), a título de distribuição de lucros." Não houve impugnação específica contra essa conclusão, assim, devemos manter esse entendimento. junho/2008 Também foi mantido pela primeira instância o valor de distribuição de lucro considerado pela autoridade lançadora. Eis as considerações da DRJ: Fl. 3266DF CARF MF 16 "Não restou comprovada que a transferência interbancária de R$4.824.000,00 efetuada por Costa Negócios e Tecnologia Ltda, em 03.06.2008 (fls. 2373 e 2382/2383), para pagamento de compra de imóvel realizado por Mario Jose da Costa Junior e Marialice Guerrero Bosco, mediante Escritura Pública de Venda e Compra datada de 06.06.2008, no valor de R$6.700.000,00 (fls. 2374/2377), tem a natureza jurídica de lucros distribuídos." De fato, não houve a comprovação da deliberação dos sócios para que a operação acima fosse paga com recursos de distribuição de lucros, nem houve a apresentação dos lançamentos contábeis juntamente com documentos que comprovassem que a transferência se deu a esse título, por conta e ordem dos sócios. Por esses motivos deve ser mantida a glosa desses valores. julho/2008 Além do valor já considerado pelo fisco como distribuição de lucros, no montante de R$ 935.000,00, a DRJ acatou o cheque de n.º 13, nominal ao interessado, no valor de R$ 90.000,00 identificado no verso como "Distribuição de Lucros" (fl. 2.318) e lançado como "Adiantamento a Sócio Mario José Costa Jr (fl. 2.836) Hei de concordar com o aproveitamento adicional deste valor, uma vez que foi apresentado o documento que se compatibiliza com o lançamento contábil. Quanto aos valores não comprovados, assim a DRJ se pronunciou: " Não restou comprovado que o cheque de nº 11, no valor de R$90.000,00 (fl. 2317), bem como as transferências interbancárias de R$10.000,00 (crédito em c/c do interessado em 21/07/2008, à fl. 2387) e R$120.000,00 (TED de fl. 2389, favorecido: MV&P Tecnologia em Informática) têm a natureza jurídica de lucros distribuídos aos sócios." Como no recurso não foram trazidas alegações/documentos adicionais sobre esses pagamentos, há de prevalecer o entendimento da DRJ pela manutenção da glosa. agosto/2008 O lucro distribuído considerado pela fiscalização foi aumentado pela DRJ de R$ 150.415,00 para R$ 1.650.415,00, tendose em conta a identificação de transferência da conta da empresa para a conta do recorrente no valor de R$ 1.500.000,00, valor este contabilizado como "Adiantamento a Sócio". Sobre essa alteração, não resta dúvida que o recorrente conseguiu demonstrar o equívoco do fisco, sendo procedente a exclusão da glosa de R$ 1.500.000,00 levada a efeito pela DRJ. setembro/2018 Foi mantida a glosa efetuada pela fiscalização neste mês. Eis as ponderações da DRJ: " Tratandose de transferências interbancárias realizadas a terceiros (MJP Administradora de Bens Ltda), nos valores de R$130.000,00 e R$1.670,00 (fls. 2398/2399), por Costa Negócios e Tecnologia Ltda, segue inalterado o lucro distribuído considerado pela Fiscalização, no valor de R$150.000,00 (Termo de Verificação de fl. 2103 e cheque nº 23, no valor de R$150.000,00, à fl. 1944 e Fl. 3267DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 10 17 lançamento contábil no Livro Diário Geral à fl. 1930, em conta de Adiantamento a Sócios)." A não apresentação pelo recorrente de provas hábeis a alterar este cenário, levame à manutenção do que ficou decidido em primeira instância. outubro/2008 Além do valor de 38.400.000,00 considerado pela fiscalização como distribuição de lucros, a DRJ decidiu por acatar dois depósitos efetuados pela empresa em conta de titularidade do recorrente. São os valores de R$ 3.400.000,00 e R$ 60.000,00, ambos contabilizados. Tendose em conta a existência do crédito na conta corrente do sócio e a correta escrituração contábil dos valores, são procedentes as exclusões dessas glosas incorretamente efetuadas pelo fisco. Todavia, entendo, assim como a DRJ, que deva ser mantida a glosa de R$ 5.000,00, posto que em relação ao cheque de fl. 2.329, sacado contra a Costa Negócio, não ficou demonstrada a natureza jurídica de distribuição de lucro, por falta de contabilização em título próprio. novembro/2008 Foi mantido o valor de distribuição de lucros considerado pela fiscalização. A DRJ explanou que: " O impugnante não juntou os cheques de nºs 39 e 40 emitidos na data de 17.11.2008, no valor de R$50.000,00 cada um, mas somente os cheques de nºs 41 (R$55.000,00) e 42 (R$50.000,00), já considerados pela Fiscalização. Não há registro de ingressos de recursos nas contas bancárias de titularidade do contribuinte, relativos aos cheques faltantes (fls. 2655, 2666,2670 e 2682)." Não tendo o sujeito passivo apresentado razões específicas para afastar esse entendimento, encaminho por manter o que ficou decidido em primeira instância. dezembro/2008 Ao detectar a existência de cheque no valor de R$ 50.000,00 sacado contra a empresa Costa Negócios em 09/12/2008, no verso do qual consta a descrição "Distribuição de Lucro p/Mário", além.da correta contabilização do pagamento, a DRJ considerou tal valor como distribuição de lucros. Hei de concordar com a decisão neste ponto, haja vista que a existência do registro contábil suportado por documento hábil é motivo para exclusão da glosa. Acerca da não consideração do cheque de R$ 70.000,00, de 10/12/2008, como distribuição de lucro, a DRJ aponta a falta de apresentação do documento e a não comprovação da entrada do valor na conta corrente do interessado, malgrado tenha sido procedida a contabilização do valor. Fl. 3268DF CARF MF 18 Também concordo com o órgão a quo quanto a esse ponto, posto que a aceitação do valor para fazer parte da "recursos" na evolução patrimonial do recorrente, além da escrituração, tem que ser comprovado documentalmente, o que não se viu para este cheque. 3. Evolução patrimonial Não se conformando com a retificação do crédito efetuado pelo órgão de primeira instância, o sujeito passivo apresentou contestação aos valores mantidos de acréscimo patrimonial a descoberto, os quais passamos agora a apreciar na mesma ordem posta no recurso. 3.1 Rendimentos recebidos de pessoas jurídicas Segundo o recorrente a divergência entre o valores recebidos de pessoas jurídicas por ele e sua esposa constantes da DAA e aqueles apurados pelo fisco, reside no fato de que os Relatórios de Pagamentos Efetuados de fls. 76/87, de onde foram coletados os dados que compuseram a análise de sua evolução patrimonial, equivocadamente registraram o valor líquido do prólabore, deixando de considerar o desconto do INSS da sua cônjuge. Por outro lado, o fisco não teria demonstrado que os valores de prólabore recebidos pelo autuado da empresa Premier Educacional Ltda e constante na Declaração de Rendimentos e na DDA estavam incorretos. Assevera que os valores corretos constam na DAA, fls. 5/6, e nos informes de rendimentos de fls. 30, 33, 34, 36, 38, 76, 79, 81, 83 e 85. A DRJ concluiu que o fisco tomou como base para análise da evolução patrimonial do contribuinte o valor mensal constante do Relatório de Pagamentos Efetuados em 2008, conforme determina a legislação. Assim, não haveria equívoco a ser saneado, mantendo inalterado este item. Em relação ao pagamento de prólabore efetuado pela Premier Educacional, verifico que o contribuinte não demonstrou a origem da divergência entre os Relatório de Pagamentos Efetuados, fl. 80, e o Comprovante de Rendimentos de fls. 79. Considerando que, nos termos do art. 2.º da Lei n.º 7.713/1988 a apuração do imposto de renda das pessoas físicas se dá à medida em que os rendimentos forem percebidos, deve prevalecer a apuração do fisco, que tomou como base o demonstrativo mensal para análise da evolução patrimonial do contribuinte. No caso dos rendimentos recebidos pelo cônjuge do recorrente, Marialice Guerrero Bosco, a justificativa apresentada para divergência dos valores é bastante razoável. De fato, os valores lançados como recebimento de prólabore das empresas MJP Administradora de Bens Ltda (fl. 84) e Costa Negócios (fl. 86), sem sombra de dúvida, contêm o pagamento líquido, com desconto do INSS. Não é difícil verificar que os valores do prólabore foram pagos com base no salário mínimo e que, subtraindose o desconto do INSS, a quantia encontrada é exatamente aquela lançada nos Relatórios de Pagamentos Efetuados (fls. 84 e 86). Nesse sentido, cabível a retificação dos "recursos" decorrentes de pagamentos de pessoas jurídicas de R$ 57.114,47 para R$ 58.186,97. Considerando como pró labore recebido pela esposa do autuado das empresas MJP Administradora de Bens Ltda (fl. 84) e Costa Negócios (fl. 86) as quantias de R$ 760,00 (para os meses de janeiro, fevereiro e março) e R$ 830,00 (para os demais meses de 2008). 3.2 Distribuição isenta da empresa MV&P Fl. 3269DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 11 19 Para o sujeito passivo o valor a ser considerado como distribuição de lucros da empresa MV&P seria R$ 36.460,00, todavia, a DRJ alegou que não teria como aferir as divergências entre os documentos apresentados em razão da ilegibilidade das folhas do Livro Diário. Eis o que consta do acórdão recorrido: "Segue inalterado o valor considerado pela Fiscalização (Termo de Verificação de fl. 2102), dada a divergência verificada entre o valor de lucro distribuído informado no Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte (fl. 30)/Discriminação mensal dos pagamentos efetuados a título de Distribuição de Lucro (fls. 31/32) e o constante no item 4 do Termo de Verificação (fl. 2102), haja vista a impossibilidade de aferir o valor reclamado pelo impugnante no Diário Geral (fls. 1686/1691),uma vez que ilegível." Novamente o recorrente trouxe cópia do Livro Diário de junho de 2008 da MV&P, onde dessa vez se pode ver que o valor de adiantamento de lucro aos sócios foi de fato R$ 36.460,00, o qual está em perfeita consonância com a Discriminação Mensal dos Pagamentos Efetuados a Título de Distribuição de Lucro (fls. 31/32). Assim devese considerar como origem de recurso o valor de R$ 36.460,00 correspondente a distribuição de lucros ao recorrente no mês de junho de 2008 pela empresa MV&P Tecnologia em Informática Ltda. 3.3 Rendimentos tributados exclusivamente na fonte A DRJ andou bem quando além do valor já acatado pelo fisco como "recursos" decorrente de rendimentos tributados exclusivamente na fonte, reconheceu os rendimentos constantes nas DIRF de fls. 2.946/47, pelo seu valor líquido, totalizando a esse título uma quantia de R$ 62.421,57. O sujeito passivo argumenta, no entanto, que as DIRF não apresentaram todas as contas que possuía no Banco do Brasil e Santander, de modo que alguns rendimentos não teriam sido considerados pela DRJ. Junta extratos para comprovar o alegado. Como ponto de partida, cabe mencionar que as DIRF analisadas pelo órgão de primeira instância foram trazidas ao processo pelo sujeito passivo juntamente com a peça impugnatória. Com base nessas declarações, a DRJ reconheceu como rendimentos do sujeito passivo R$ 62.421,57, contra apenas R$ 444,84 acatados pelo fisco. Agora em sede de recurso são trazidos aos autos extratos bancários que serviriam para afastar as conclusões tiradas das DIRF´s, que, repito, chegaram ao processo por iniciativa do próprio sujeito passivo. Ou seja, são trazidos no recurso documentos que contestam as próprias provas apresentadas na defesa. As alegações do sujeito passivo sugerem que as DIRF trazem informações apenas de parte das contas de titularidade do recorrente e de seu cônjuge nos bancos do Brasil e Santander. Fl. 3270DF CARF MF 20 Não devemos concordar com essa alegação. As DIRF trazem informação única por beneficiário, que no caso de pessoa física tem que, nos termos da IN RFB n.º 888/2008, contemplar as seguintes informações: Art. 13. A Dirf deverá conter as seguintes informações quando os beneficiários forem pessoas físicas: I nome; II número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas (CPF); III relativamente aos rendimentos tributáveis: a) os valores dos rendimentos pagos durante o anocalendário, discriminados por mês de pagamento e por código de retenção, que tenham sofrido retenção do imposto de renda na fonte, ou não tenham sofrido retenção por se enquadrarem dentro do limite de isenção da tabela progressiva mensal vigente à época do pagamento; b) os valores das deduções, os quais deverão ser informados separadamente conforme refiramse a previdência oficial, previdência privada e Fundo de Aposentadoria Programada Individual (Fapi), dependentes e pensão alimentícia; e c) o respectivo valor do IRRF; Do dispositivo acima é fácil se inferir que não procede o argumento de que as DIRF conteriam apenas parte das contas da pessoa física autuada, a menos que o sujeito passivo trouxesse aos autos informações das instituições bancárias dando conta de erros nas informações constantes nas DIRF que ele próprio apresentou. No formato em que o sujeito passivo trouxe os extratos bancários no recurso, é impossível a esse órgão de julgamento apurar o valor dos rendimentos líquidos mensais e confrontálos com aqueles constantes nas DIRF. Tal análise poderia ser realizada se o recorrente tivesse acostado demonstrativo com indicação dos rendimentos líquidos mensais em que constasse os valores considerados pelo fisco e pela DRJ, com seus documentos correspondentes, e as quantias não consideradas, também com seus comprovantes. Ao apresentar apenas alguns extratos, todavia, sem uma demonstração mensal dos rendimentos líquidos recebidos e sem a possibilidade de se verificar se tais valores já não constariam das DIRF, o sujeito passivo negou a este órgão de julgamento chance de avançar nessa análise. Digo mais, não é cabível nesse momento a realização de diligência fiscal para trazer aos autos informações no sentido de fortalecer o conjunto probatório do sujeito passivo, posto que esse é quem deve suportar o ônus de comprovar as suas alegações. Assim, não devemos acatar o pedido de realização de diligência nas instituições bancárias como requer o sujeito passivo. 3.4 Saldo da conta corrente no início do ano Fl. 3271DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 12 21 O sujeito passivo alegou que deixaram de ser computados pela DRJ no seu "saldo inicial em conta corrente" os valores de R$ 1.185,25 (Banco Nossa Caixa) e R$ 1.800,00, concernente a "prêmios acumulados em VGBL" (Banco Santander). Acerca deste ponto, vejo que o fisco computou os valor de R$ 211.571,62 referente a saldo inicial na conta corrente do autuado (fl. 91) e R$ 514,06 na conta de sua esposa (fl. 94), totalizando R$ 212.085,68. A DRJ, acertadamente, considerou o saldo de R$ 1,00 existente em conta do Bradesco de titularidade do autuado, fl. 92, perfazendo um montante de R$ 212.086,68. Quanto ao valor reclamado referente ao Banco Nossa Caixa, a DRJ não o considerou em razão da falta de comprovante emitido pela instituição bancária. Ocorre que o sujeito passivo trouxe este documento no seu recurso, como se vê a fl. 3.175. Nesse sentido, entendo que tal valor deva ser considerado, posto que declarado na DAA e documentalmente comprovado. Quanto ao valor intitulado como "prêmios acumulados em VGBL" é preciso que investiguemos se tal importância de fato deveria compor o "saldo inicial em conta corrente" para fins de análise da evolução patrimonial do recorrente. Uma primeira observação é que para fins de declaração do IRPF não há de se confundir saldo em conta corrente bancária com valores acumulados de VGBL, haja vista que enquanto o primeiro representa uma disponibilidade financeira entregue a um banco, o segundo corresponde a um produto de seguro com características de aporte financeiro/previdenciário. Por esse motivo no programa gerador da DAA o código utilizado para declaração dos "prêmios acumulados de VGBL" é "97 VGBL Vida Gerador de Benefício Livre", que obviamente difere daquele utilizado para informar saldos em conta corrente bancária. Neste sentido, carece de razão o sujeito passivo ao suscitar a inclusão dos aportes em VGBL no "saldo inicial em conta corrente". Diante do exposto, devemos alterar o item em questão para R$ 213.271,93. 3.5 Venda de bens móveis Ponderou o recorrente que houve má interpretação da autoridade lançadora ao computar como "recurso" na análise de sua evolução patrimonial o valor de venda de um veículo, que foi alienado por valor inferior ao de aquisição. Tratase da venda do veículo Corolla 2005 em 12/08/2008 por R$35.000,00 (Autorização para transferência de veículo de fl. 227), cujo valor foi considerado como "recurso" na análise da evolução patrimonial mensalExercício 2009 (fl. 2097). Não se vislumbra no procedimento adotado pelo fisco qualquer erro de interpretação. Independentemente do bem ter sido vendido com lucro ou prejuízo para o contribuinte, o valor a ser computado como "recurso" deve ser o valor de venda, haja vista que este que vai representar uma disponibilidade financeira a compor a análise da evolução patrimonial. Fl. 3272DF CARF MF 22 Interessaria verificar a existência ou não de ganho financeiro na operação se aqui estivéssemos tratando de lançamento relativo a ganho de capital na alienação de bens e direitos, o que não é o caso. Portanto, não há o que se alterar na decisão recorrida quanto a esse item. 3.6 Venda de bens imóveis e receitas da atividade rural Na análise da evolução patrimonial do contribuinte foi considerado pelo fisco como recurso os seguinte itens, conforme transcrição do TVF: O sujeito passivo questionou a inclusão do valor da terra nua como acréscimo patrimonial, haja vista ter se dado apenas uma simples permuta, por outro lado afirma que as benfeitorias e os garrotes deveriam ser considerados receitas da atividade rural. A DRJ então resolveu manter os R$ 8.000.000,00 como "recurso", tendo em conta que foi este o valor correspondente a Fazenda Santa Izabel, a qual foi dada em pagamento. Todavia, achou por bem excluir dos "recursos" os R$ 4.500.000,00, correspondentes às benfeitorias e aos garrotes, por entender que tal valor já estaria computado no total dado em pagamento. No meu entender andou bem a DRJ, posto que se o valor de R$ 8.000.000,00 (terra nua + benfeitorias + garrotes) já fora computado como "recurso", o cômputo dos R$ 4.500.000,00 (benfeitorias + garrotes), levaria à inclusão como recurso de mesma parcela duas vezes. Quanto ao questionamento da inclusão do valor da terra nua como "recurso" nada deve ser reparado, porque, de fato, a permuta por um lado representa fonte de recursos representada pelo valor do bem que deixa o patrimônio; por outro lado o bem recebido em troca é sem dúvida uma aplicação. Nessa toada, mantenho o que decidiu a DRJ sobre esse item. 3.7 Venda de quotas da Teconobens e participações societárias De acordo com o TVF, o contribuinte declarou a compra de 50% do capital social da empresa Tecnobens Engenharia e Construção Ltda, pelo valor de R$ 50.000,00. Continuando, o fisco afirma que, ao melhor analisar a documentação apresentada, foi constatado que em 15/09/2008 foi constituída a empresa Onyx Construção e Incorporação Ltda com capital social de R$ 1.500.000,00, dos quais o recorrente era possuidor de 75.000 quotas no valor R$ 750.000,00. Fl. 3273DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 13 23 Em 03/11/2008 esta sociedade passa a denominarse Tecnobens Engenharia e Construção Ltda e em 18/11/2008 tem seu capital reduzido para R$ 100.000,00, dos quais Mário José da Costa Júnior detinha a metade. Observo que o fisco considerou a integralização do capital referente a Onyx Construção como "aplicação" do montante de R$ 750.000,00 no mês de setembro, conforme planilha Análise da Evolução Patrimonial Mensal, fls. 2.096/7, na rubrica "participações societárias". Por outro lado, os R$ 700.000,00 recebidos em razão da redução de capital na empresa Tecnobens foram lançadas na mesma planilha como "recurso" no mês de novembro, conforme rubrica "venda quotas Tecnobens". A recorrente pleiteia quanto a esse item que o acórdão recorrido seja reformado de modo que se reconheça como "aplicação" o valor de R$ 50.000,00, correspondentes a participações societárias na empresa Tecnobens e que seja excluído do computo dos "recursos" o valor de R$ 700.000,00. Não tem razão a recorrente em requerer a alteração da análise de sua evolução patrimonial, posto que o fisco efetuou o lançamento dos valores considerando cada mês da ocorrência dos fatos, uma vez que a apuração da evolução patrimonial é feita mensalmente. Nesse sentido, embora no cômputo anual o efeito pudesse ser o mesmo, na apuração mensal haverá uma diferença caso se tome o procedimento adotado pelo sujeito passivo em lugar da planilha elaborada pela autoridade lançadora. Nesse item, devemos manter o que ficou decidido pela DRJ 3.8 Bens imóveis itens 12.1 a 12.3 do acórdão recorrido Ressalta o recorrente que os valores que pagou para aquisição de imóveis rurais no anocalendário de 2008 foram considerados pela fiscalização como "aplicação" na análise de sua evolução patrimonial. Contesta os valores adotados como "aplicações" pelo fisco, relativos às aquisições da Fazenda Santa Izabel (R$ 6.700.000,00 em junho); Fazenda São Francisco da Serra (R$ 1.419.000,00 em outubro) e Fazenda Recanto Alegre (R$ 1.981.000,00 em outubro), os quais, no seu entender deveriam ser segregados em terra nua e benfeitorias, de modo que essas últimas (as benfeitorias) fossem consideradas como despesas da atividade rural, quando da aquisição, e resultados da atividade rural quando da alienação, independentemente das benfeitorias terem sido ou não realizadas pelo contribuinte. Vejamos. a) Fazenda Santa Izabel Item 12.1 Segundo a DRJ, com relação à Fazenda Santa Izabel, o valor de R$6.700.000,00 foi corretamente considerado na análise da evolução patrimonial mensal (fl. 2096) como aplicações no mês de junho/2008, em conformidade com a Escritura Pública de Venda e Compra de 06/06/2008 (fls. 329/332). Fl. 3274DF CARF MF 24 Por considerar que os R$ 6.700.000,00 incluía R$ 3.500.000,00, relativos à terra nua, e o restante (R$ 3.200.000,00) corresponde a benfeitorias, concluiu a DRJ que este último valor não poderia ser considerado pelo fisco como "aplicação" referente à despesa/custo da atividade rural em junho, uma vez que esta parcela já estaria embutida no lançamento do valor da compra da Fazenda em questão. Afirmase que o procedimento acarretou o lançamento em duplicidade da aplicação de R$ 3.200.000,00. Desse modo foi excluído tal valor das "aplicações". No meu entender está correta a avaliação da DRJ, de fato a inclusão das benfeitorias como despesas da atividade rural no mês de junho levou a seu cômputo em duplicidade, prejudicando o sujeito passivo, posto que, ao se aumentar o lado das "aplicações", automaticamente se elevaria o acréscimo patrimonial a descoberto. b) Fazenda São Francisco da Serra Item 12.2 e Fazenda Recanto Alegre Item 12.3 Esses dois itens serão tratados conjuntamente, por se referirem a transações realizadas no mesmo mês, outubro. Segundo a DRJ, com relação à Fazenda São Francisco da Serra, o valor de R$ 1.419.000,00 foi corretamente considerado na análise da evolução patrimonial mensal (fl. 2097) como "aplicação" no mês de outubro/2008, em conformidade com a Escritura Pública de Venda e Compra de 13/10/2008 (fls. 327/332). Por considerar que os R$ 1.419.000,00 incluía R$ 709.500,00, relativos à terra nua, e o restante (R$ 709.500,00) corresponde a benfeitorias, concluiu a DRJ que este último valor não poderia ser considerado pelo fisco como aplicação referente à despesa/custo da atividade rural em outubro, uma vez que esta parcela já estaria embutida no lançamento do valor da compra da Fazenda em questão. Afirmase que o procedimento acarretou o lançamento em duplicidade da "aplicação" de R$ 709.500,00. No meu entender está correta a avaliação da DRJ, de fato a inclusão das benfeitorias como despesas da atividade rural no mês de outubro levou a seu cômputo em duplicidade, prejudicando o sujeito passivo. A mesma situação ocorre em relação à Fazenda Recanto Alegre, o valor de R$ 1.981.000,00 foi corretamente considerado na análise da evolução patrimonial mensal (fl. 2097) como aplicações no mês de outubro/2008, em conformidade com a Escritura Pública de Venda e Compra de 13/10/2008 (fls. 342/346). Por considerar que os R$ 1.981.000,00 incluía R$ 990.500,00, relativos à terra nua, e o restante (R$ 990.500,00) corresponde a benfeitorias, concluiu a DRJ que este último valor não poderia ser considerado pelo fisco como "aplicação" referente à despesa/custo da atividade rural em junho, uma vez que esta parcela já estaria embutida no lançamento do valor da compra da Fazenda em questão. Afirmase que o procedimento acarretou o lançamento em duplicidade como "aplicação" de R$ 990.500,00. Nos dois casos, no meu entender, está correta a avaliação da DRJ, de fato a inclusão das benfeitorias existente em ambas as Fazendas como despesas da atividade rural no mês de outubro levou a seu cômputo em duplicidade, prejudicando o sujeito passivo. Notese que com a exclusão das benfeitorias do campo "aplicações" na análise da evolução patrimonial do contribuinte no valor total de R$ 1.700.000,00 (R$ 709.500,00 + 990.500,00) acarretará em redução do acréscimo patrimonial a descoberto, Fl. 3275DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 14 25 favorecendo, desta forma, o sujeito passivo, a quem não há interesse de se insurgir contra esse procedimento. 3.9 Parcelas referentes à aquisição da Fazenda Lobo Analisandose o Demonstrativo Mensal Consolidado de Compra de Bens Imóveis, fl. 2.093, observase que foram lançados nos meses de novembro e dezembro de 2008 duas parcelas de R$ 2.666.666,66 relativas à aquisição do imóvel denominado Fazenda Lobo. O sujeito passivo não se conforma com o lançamento desses valores como aplicações na análise da evolução patrimonial sob a alegação de que as parcelas não teriam sido pagas em 2008 A DRJ deixou de acatar a alegação, sob o argumento de que não houve comprovação de que tais parcelas teriam sido pagas a posteriori. Manteve, portanto, como aplicações os valores de R$ 2.666.666,66, pagos em novembro e em dezembro. O sujeito passivo juntou então o documento de fl. 3.176, assinado pelo representante legal da empresa vendedora da Fazenda Lobo declarando que não recebeu em 2008 o pagamento dos valores acordados o subitem "d" do item 3.3 da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, firmada em 02/10/2008, no período de novembro e dezembro. Na sequência, afirma haver recebido naquele ano os pagamentos concernentes aos subitens "a", "b" e "c" do item 3.3 da referida Escritura. Verificase que a declaração referese apenas ao subitem "d", silenciando todavia quanto ao subitem "e". Ao apreciar os termos da escritura (fl. 312), verificamos que o valor correspondente ao subitem "d" do item 3.3 da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, que o vendedor declara nada haver recebido em 2008, diz respeito a R$ 22.000.000,00, que seriam pagos em até 12 meses, contados da data da assinatura do contrato, através de TED, para a conta bancária do Outorgante. Assim, entendo que deva ser excluído como "aplicação" apenas as parcelas expressamente mencionadas no termo de fl. 3.176, devendose manter o valor relativo ao subitem "e" do item 3.3 da Escritura Pública de Promessa de Compra e Venda, firmada em 02/10/2008, uma vez que não houve menção a essa disposição no termo firmado pelo representante legal do vendedor. Defendo, assim que seja excluída do cômputo da evolução patrimonial do recorrente o valor de R$ 1.833.333,33 nos meses de novembro e de dezembro lançado como "aplicação". Quanto ao subitem "e" deve ser mantido posto que não é mencionado na declaração citada. Deverá permanecer no cômputo, portanto, a quantia de R$ 833.333,33, correspondente a R$ 20.000.000,00 parcelado em 24 vezes. 3.10 Saldo em conta corrente no final do mês e saldo de rendimentos tributados exclusivamente na fonte. O recorrente afirma que o acórdão atacado alterou parcialmente os lançamentos neste item ao reconhecer o valor de R$ 39.274,32, relativo ao saldo em conta Fl. 3276DF CARF MF 26 corrente no final do ano de 2008, e de R$ 2.665.243,94, relativo aos rendimentos tributados exclusivamente na fonte. Pretende que a decisão seja modificada em relação ao saldo final em conta corrente, para que se inclua nesse cálculo os valores de R$ 2.580,81, relativo ao Banco Nossa Caixa (vide doc. n.º 13), e R$ 4.276,32, concernente aos "prêmios acumulados em VGBL" (fl. 91). A decisão recorrida se pronunciou da seguinte forma sobre a questão: "Examinando o Informe de Rendimentos Financeiros (fls. 89/94) e a Declaração de Ajuste Anual (fls. 08/10), percebese que, em 31.12.2008, o saldo de contas correntes totaliza R$39.274,32 [= R$39.987,04 já admitidos R$712,72 (fl. 92)] e a situação de Rendimentos Tributados Exclusivamente na Fonte é R$2.665.243,94 [= R$2.661.299,10 já admitidos + R$500,00 (fl. 90) + R$444,84 (fl. 91) + R$3.000,00 (fl. 92)]. Dessa forma, fica o Saldo C/C Final Mês alterado de R$39.987,04 para R$39.274,32 e os Rendimentos Tributados Exclusivamente na FonteFinal Ano modificado de R$2.661.299,10 para R$2.665.243,94, na Análise da Evolução Patrimonial MensalExercício 2009, no mês de dezembro/2008 (fl. 2097)." Verifico conforme Comprovante de Rendimentos de fl. 92, que o saldo final na conta corrente do Bradesco apresentava saldo negativo de R$ 712,72, sendo procedente este abatimento da quantia já considerada pelo fisco. Não faz sentido acatar a inclusão de R$ 2.580,81, relativo ao Banco Nossa Caixa no saldo final em conta corrente, posto que tal procedimento acarretaria num aumento do acréscimo patrimonial a descoberto, com agravamento da situação do recorrente. Quanto ao pedido do sujeito passivo para que se inclua neste saldo final o valor dos "prêmios acumulados em VGBL", entendo que deva ser indeferido, posto que, conforme vimos acima, tais valores não tem natureza jurídica de depósito em conta corrente. Apreciando a situação dos rendimentos tributados exclusivamente na fonte, fácil verificar pelos documentos de fls. 90/92 que o reajuste procedido pela DRJ que levou o seu valor final a R$2.665.243,94 tem razão de ser. Assim, nada deve ser alterado nesse item, além do que ficou decidido em primeira instância. 4 Pedido de diligência e produção de novas provas Deixo de acatar o pedido para a produção de novas provas, haja vista que os elementos analisados já são suficientes para concluir pela existência da infração, não havendo necessidade de outras dilações probatórias além daquelas já carreadas ao processo. Além disso cabe frisar que, em respeito ao princípio da verdade material, acatei algumas provas apresentadas apenas com o recurso, de modo que seria atentatório ao princípio da razoável duração do processo reabrir a possibilidade do contribuinte trazer novas provas, quando sabemos que o momento propício para provar as alegações é no momento da impugnação a teor do § 4.º do art. 16 do Decreto n.º 70.235/1972. Por outro lado, como já me antecipei em tópico passado, não devemos converter o julgamento em diligência apenas no sentido de atender a pedido do sujeito passivo, Fl. 3277DF CARF MF Processo nº 19515.722166/201331 Acórdão n.º 2402005.826 S2C4T2 Fl. 15 27 que deseja ver reforçado o seu conjunto probatório, posto que sabemos que esse ônus é exclusivo deste. Recurso de ofício Conforme as ponderações efetuadas no desenvolvimento do voto, são procedentes todas as alterações promovidas pela DRJ que conduziram à retificação do lançamento, neste sentido, devemos negar provimento ao recurso de ofício Conclusão Voto por conhecer dos recursos, para negar provimento ao recurso de ofício, afastar a decadência e dar provimento parcial ao recurso voluntário no sentido de: a) alterar o valor dos rendimentos recebidos de pessoas jurídicas, consoante o item 3.1 do voto; b) considerar a distribuição de lucros da MV&P no valor de R$ 36.460,00, nos termos do item 3.2 do voto; c) considerar como saldo inicial em conta corrente a quantia de R$ 213.271,93, conforme item 3.4 do voto; e d) excluir das "aplicações" a parcela de R$ 1.833.333,33, correspondente a rubrica "imóveis", nos meses de novembro e de dezembro, nos termos do item 3.9 do voto. (assinado digitalmente) Kleber Ferreira de Araújo Fl. 3278DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11610.001014/2010-69
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Numero da decisão: 2202-000.779
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Antonio Carlos Ferraz de Campos resolvem os membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora.
(Assinado digitalmente)
Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente.
(Assinado digitalmente)
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 11610.001014/2010-69
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736525
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2202-000.779
nome_arquivo_s : Decisao_11610001014201069.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
nome_arquivo_pdf_s : 11610001014201069_5736525.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Antonio Carlos Ferraz de Campos resolvem os membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa- Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto
dt_sessao_tdt : Wed Jun 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6819276
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:11 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211904196608
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1573; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 491 1 490 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11610.001014/201069 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2202000.779 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 07 de junho de 2017 Assunto IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente ANTONIO CARLOS FERRAZ DE CAMPOS Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto por Antonio Carlos Ferraz de Campos resolvem os membros da 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da Relatora. (Assinado digitalmente) Marco Aurélio de Oliveira Barbosa Presidente. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Aurelio de Oliveira Barbosa, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Martin da Silva Gesto, Cecilia Dutra Pillar e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente justificadamente Rosemary Figueiroa Augusto Por bem descrever os fatos adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo/SP Em procedimento de revisão da Declaração de Ajuste Anual 006 do contribuinte acima identificado, procedeuse ao lançamento de ofício, originário da apuração das infrações abaixo descritas, por meio da Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física, de fls. 14/17. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 16 10 .0 01 01 4/ 20 10 -6 9 Fl. 41DF CARF MF Processo nº 11610.001014/201069 Resolução nº 2202000.779 S2C2T2 Fl. 492 2 Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido Descrição Valores em Reais 1) Total dos Rendimentos Tributáveis Declarados 29.722,52 2) Omissão de Rendimentos Apurada 286.881,40 3) Total das Deduções Declaradas 12.606,73 4) Glosa de Deduções Indevidas 0,00 5) Prev.Oficial sobre Rendimento Omitido 0,00 6) Base de Cálculo Apurada (1+23+45) 303.997,19 7) Imposto Apurado após as Alterações (Calculado pela Tabela Progressiva Anual) 78.015,02 8) Dedução de Incentivo Declarada 0,00 9) Glosa de Dedução de Incentivo 0,00 10) Total de Imposto Pago Declarado 3.490,49 11) Glosa de Imposto Pago 0,00 12) IRRF sobre infração e/ou CarnêLeão Pago 36.675,61 13) Saldo do Imposto a Pagar Apurado após Alterações (78+ 910+ 1112) 37.848,92 14) Imposto a Restituir Declarado/calculado 3.018,33 15) Imposto já Restituído 0,00 16) Imposto Suplementar 37.848,92 Na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal informa a fiscalização a Omissão de Rendimentos Recebidos a título de Resgate de Contribuições à Previdência Privada, PGBL e Fapi, no valor de R$ 286.881,40, compensado o Imposto de Renda Retido sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 36.675,61. DA IMPUGNAÇÃO Devidamente intimado das alterações processadas em sua declaração, o contribuinte apresentou impugnação por meio do instrumento, de fls. 02/03, e dos documentos de fls. 04/13, alegando, em síntese, que: Não houve omissão de rendimentos, estes foram lançados como rendimentos sujeitos à tributação exclusiva; A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo/SP negou provimento à impugnação em decisão que recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário:2005 Ementa:OMISSÃO DE RENDIMENTOS. RESGATE DE CONTRIBUIÇÕES. São tributáveis na declaração de ajuste anual os rendimentos de resgate de contribuições à previdência privada Cientificado da decisão acima mencionada (AR fls. 26) O contribuinte apresentou o Recurso Voluntário de fls. 28/29, no qual alega, resumidamente, o seguinte: a) Do valor total recebido (R$ 286.881,40) sua empregadora foi responsável pelo pagamento de 60%, conforme comprovado pelo Estatuto da AGPREV, cuja cópia foi anexada ao processo. Sendo assim, nos termos do art. 39, item XI, do Decreto 3000/99 o montante equivalente ao percentual apontado deve ser excluído. b) O item XXXVIII do mesmo artigo 39 determina que não entrarão no cômputo do rendimento bruto "o valor do resgate de contribuições de Previdência Privada, cujos ônus tenham sido de pessoa física, recebidos por ocasião de seu desligamento do plano de benefícios da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995. Como sua adesão ocorreu em setembro de 1992, Fl. 42DF CARF MF Processo nº 11610.001014/201069 Resolução nº 2202000.779 S2C2T2 Fl. 493 3 existira direito à isenção de tributação por período de 40 meses. O resgate do benefício ocorreu em janeiro de 2005, o que resulta em 148 meses de participação. Considerando o valor relativo à isenção em tela, o valor tributável seria de R$ 83.769,37. É o relatório Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora O processo preenche os pressupostos legais de admissibilidade devendo, portanto, ser conhecido. Em sua impugnação o ora Recorrente se limitou a alegar que os valores recebidos em função do plano de previdência privada não foram declarados como rendimentos tributáveis, uma vez que estariam sujeitos a tributação exclusiva. Na Notificação de Lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física (fls. 14/17) foi apontada omissão de rendimentos no montante de R$ 286.881,40, nestes termos: Da análise das informações e documentos apresentados pelo contribuinte, e das informações constantes dos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, constatouse omissão de rendimentos recebidos a titulo de resgate de Contribuições à Previdência Privada, Plano Gerador de Benefício Livre e aos Fundos de Aposentadoria Programada Individual, sujeitos a tabela progressiva, no valor de R$ 286.881,40 recebido(s) pelo titular e/ou dependentes, da(s) fonte(s)pagadora(s) relacionada(s) abaixo. Na apuração do imposto devido, foi compensado o Imposto de Renda Retido (IRRF) sobre os rendimentos omitidos no valor de R$ 36.675,61 O Comunicado da AGPrev, (fls. 8) , por sua vez, informa o valor de R$ 281.299,76 disponível para saque. Logo em seguida, (fls. 9) no termo de opção, Declaração e Quitação firmado pelo Recorrente consta no item 1 o seguinte: 1. Valor a que tenho direito, sem os descontos dos impostos (Saldo Total Participante: R$ 274.034,76 (duzentos e setenta e quatro mil,trinta e quatro reais e setenta e seis centos ) atualizados conforme Termo de Retirada de Patrocínio. O Recorrente, por sua vez, afirma que devem ser excluídos da base de cálculo os montantes recolhidos pela empresa patrocinadora, bem como as contribuições por ele efetuadas no período de 1992 à 1995. Em relação as parcelas pagas pela empresa essas ocorrem no momento da formação do plano não havendo que se falar do valor dos benefícios. O artigo 39 do Regulamento do Imposto de Renda, determina a exclusão das seguintes parcelas: Art.39.Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) Fl. 43DF CARF MF Processo nº 11610.001014/201069 Resolução nº 2202000.779 S2C2T2 Fl. 494 4 XI as contribuições pagas pelos empregadores relativas a programas de previdência privada em favor de seus empregados e dirigentes (...) XXXVIII o valor de resgate de contribuições de previdência privada, cujo ônus tenha sido da pessoa física, recebido por ocasião de seu desligamento do plano de benefício da entidade, que corresponder às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1º de janeiro de 1989 a 31 de dezembro de 1995 No entanto, ao contrário do que afirma o Recorrente, no Estatuto da AGPrev não consta qual o percentual de participação da empresa do montante apurado. Com as provas constantes dos autos não é possível identificar do total recebido qual o montante relativo às parcelas de 1992 à 1995. Em face do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência para DRF de origem : a) Informe qual o percentual do total recebido que corresponde às parcelas de contribuições efetuadas no período de 1992 à 1995. b) Após, dêse vista ao contribuinte para manifestarse no prazo de 30 dias. (Assinatura digital) Júnia Roberta Gouveia Sampaio. Fl. 44DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13005.000688/98-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE.
Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI.
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para aplicação dos juros Selic.
Numero da decisão: 9303-005.033
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Tatiana Midori Migiyama Relatora
(assinado digitalmente)
Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: TATIANA MIDORI MIGIYAMA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI - TIPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para aplicação dos juros Selic.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 13005.000688/98-06
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5727714
dt_registro_atualizacao_tdt : Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-005.033
nome_arquivo_s : Decisao_130050006889806.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : TATIANA MIDORI MIGIYAMA
nome_arquivo_pdf_s : 130050006889806_5727714.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
dt_sessao_tdt : Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6776058
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:43 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211910488064
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 27; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1593; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 13005.000688/9806 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303005.033 – 3ª Turma Sessão de 12 de abril de 2017 Matéria CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COMPANHIA MINUANO DE ALIMENTOS ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1997 a 31/12/1997 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS COM NOTAÇÃO NT NA TIPI. IMPOSSIBILIDADE. Não tem direito ao crédito presumido de IPI, de que trata a Lei nº 9.363/96, as pessoas jurídicas que exportam produtos com notação "NT" na Tabela do IPI TIPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. RESSARCIMENTO. TAXA SELIC. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para aplicação dos juros Selic nos valores decorrentes de ressarcimento de crédito presumido do IPI. Não havendo crédito a ser ressarcido, reconhecido no curso do processo administrativo, não existe objeto para aplicação dos juros Selic. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por voto de qualidade, em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Tatiana Midori Migiyama (relatora), Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 00 5. 00 06 88 /9 8- 06 Fl. 538DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente em exercício (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama – Relatora (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal – Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama (Relatora), Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recursos interpostos pela Fazenda Nacional e pelo sujeito passivo contra o Acórdão nº 20215.017, do 2º Conselho de Contribuintes que, por maioria de votos: · Negou provimento ao recurso quanto aos insumos das rações; · Dar provimento ao recurso, para reconhecer o crédito das embalagens aplicadas em produtos não tributados destinados à exportação e a Taxa SELIC sobre os créditos concedidos. O Colegiado, assim, consignou a seguinte ementa: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. O artigo 1° da Lei n° 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e da COFINS em favor da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Referindose a lei a "mercadorias" foi dado o benefício fiscal ao gênero, não cabendo ao intérprete restringi lo apenas aos "produtos industrializados", que são espécie do gênero "mercadorias". INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE RAÇÃO. Fl. 539DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 4 3 Não é licito incluir na base de cálculo do crédito presumido os valores pertinentes aos insumos utilizados na fabricação de ração entregue aos criadores para alimentação das aves, vez que o produto final exportado não são os galináceos vivos, mas frangos abatidos, para os quais a ração não é matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. AQUISIÇÕES DE PESSOAS FÍSICAS E COOPERATIVAS. A base de cálculo do crédito presumido será determinada mediante a aplicação, sobre o valor total das aquisições de matériasprimas, produtos intermediários, e material de embalagem referidos no art. 10 da Lei n° 9.363, de 13.12.96, do percentual correspondente a relação entre a receita de exportação e a receita operacional bruta do produtorexportador (art. 2° da Lei n° 9.363/96). A lei citada referese a "valor total" e não prevê qualquer exclusão. As Instruções Normativas n's 23/97 e 103/97 inovaram o texto da Lei n° 9.363, de 13.12.96, ao estabeleceram que o crédito presumido de IPI será calculado, exclusivamente, em relação ás aquisições efetuadas de pessoas jurídicas, sujeitas COFINS e às Contribuições ao PIS/PASEP (IN SRF n° 23/97), bem como que as matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem adquiridos de cooperativas não geram direito ao crédito presumido (IN SRF n° 103/97). Tais exclusões somente poderiam ser feitas mediante Lei ou Medida Provisória, visto que as Instruções Normativas são normas complementares das leis (art. 100 do CTN) e não podem transpor, inovar ou modificar o texto da norma que complementam. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4°, da Lei n° 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recurso Fiscais no Acórdão CSRF/020.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidirá, também, sobre o ressarcimento. ” Fl. 540DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 5 4 Irresignada, a Fazenda Nacional opôs Embargos de Declaração ao r. acórdão, alegando omissão, visto não haver manifestação sobre o tema expresso na ementa “Crédito presumido de IPI na exportação. Aquisições de Pessoas físicas e cooperativas”. Em Despacho às fls. 384 a 385, deuse razão ao embargante, manifestando se pelo acolhimento dos embargos: “[...] Aduz que na redação do voto vencedor o ilustre conselheiro relator lançou em sua decisão matéria (crédito presumido — aquisição de pessoas físicas e cooperativas) que não foi objeto de análise pelo conselheiro relator original, não restando, assim, possibilidade de se fazer contraponto jurídico a tema que não foi fundamentado pelo relator. [...] Compulsando os autos verificase assistir razão ao embargante, quanto à contradição apontada, devendo os embargos de declaração ser acolhidos e a matéria novamente submetida ao Colegiado. ” Os Embargos de Declaração foram apreciados pela 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, sendo consignado acórdão 20217.639 com a seguinte ementa: “EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. NORMA PROCESSUAL. Devem ser acolhidos os Embargos de Declaração opostos para corrigir contradição existente entre os fundamentos do voto vencido, os fundamentos do voto vencedor e o resultado da votação realizada pelo Colegiado. MATÉRIA ESTRANHA AOS AUTOS. Excluise do voto proferido a parte que contém matéria estranha aos autos, sem alteração do resultado contido no acórdão original. Embargos de declaração acolhidos. ” A ementa, portanto, nos termos do voto do acórdão objeto dos embargos restou assim ementada: “IPI. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI NA EXPORTAÇÃO. PRODUTOS EXPORTADOS CLASSIFICADOS NA TIPI COMO NÃO TRIBUTADOS. Fl. 541DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 6 5 O artigo 1º da Lei n° 9.363/96 prevê crédito presumido de IPI como ressarcimento de PIS e da COFINS em favor da empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Referindose a lei a "mercadoria" foi dado o benefício fiscal do gênero, não cabendo ao intérprete restringilo apenas aos "produtos industrializados", que são espécie do gênero "mercadorias". INSUMOS UTILIZADOS NA FABRICAÇÃO DE RAÇÃO. Não é licito incluir na base de cálculo do crédito presumido os valores pertinentes aos insumos utilizados na fabricação de ração entregue aos criadores pra alimentação das aves, vez que o produto final exportado não são os galináceos vivos, mas frangos abatidos, para os quais a ração não é matériaprima, produto in ou material de embalagem. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. Incidindo a Taxa SELIC sobre a restituição, nos termos do art. 39, § 4º da Lei nº 9.250/95, a partir de 01.01.96, sendo o ressarcimento uma espécie do gênero restituição, conforme entendimento da Câmara Superior de Recursos Fiscais no Acórdão CSRF/02 0.708, de 04.06.98, além do que, tendo o Decreto n° 2.138/97 tratado restituição e ressarcimento da mesma maneira, a referida Taxa incidiria, também, sobre o ressarcimento. Recurso ao qual se dá parcial provimento." Insatisfeita, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial contra o r. acórdão que deu provimento parcial ao recurso quanto a concessão de crédito presumido de IPI aos produtos não tributados e quanto a aplicação da taxa SELIC sobre os créditos concedidos, trazendo, entre outros, que: · A Lei 9.363/96 ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS no valor agregado dos produtos exportados, o fez na seara do IPI, de tal sorte que apenas os estabelecimentos industriais, contribuintes do IPI na forma da legislação pertinente, podem usufruir o incentivo fiscal; · O art. 3° da Lei 4.502/64, regramatriz do IPI, é categórico ao dispor que se considera estabelecimento produtor todo aquele que Fl. 542DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 7 6 industrializar produtos sujeitos ao imposto, donde se conclui que, sob o ponto de vista exclusivamente fiscal, abstraindo conjecturas de caráter econômico, aqueles que elaboram mercadorias não sujeitas ao IPI não se enquadram no conceito de estabelecimento industrial; · O art. 13 da Lei n° 9.493/971, acresceu ao campo de incidência do IPI os produtos isentos e os tributados à alíquota zero, contudo, manteve a exclusão daqueles a que corresponde a notação NT (nãotributado); · Reconhecer este benefício às pessoas jurídicas não contribuintes do IPI, é criar crédito presumido não previsto em lei, em completa dissonância com a previsão do art. 150, § 6° da CF/88: · Os autos tratam, ainda, de pedido de ressarcimento de IPI com a incidência de atualização monetária, tendo a decisão recorrida concedido correção dos créditos a serem ressarcidos mediante a aplicação da taxa SELIC, prevista na Lei 9250/95. · A Lei 9.250/95, em seu art. 39, § 4°, prevê apenas a atualização, sob forma de juros, dos valores a compensar ou restituir oriundos de pagamento a maior ou indevido, o que efetivamente não se enquadra no conceito de créditos escriturais, que, genericamente, são os créditos legalmente permitidos para aproveitamento na conta gráfica de apuração do IPI, em observância ao princípio da nãocumulatividade. · A admissão da correção monetária pela autoridade administrativa para tais créditos representaria uma indevida inovação da ordem jurídica, cuja competência cabe privativamente ao legislador. Em Despacho às fls. 413 a 414, o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional foi admitido. Contrarrazões foram apresentadas pelo sujeito passivo, trazendo, entre outros, o que segue: · O período em que os produtos estavam classificados, para fins de IPI, como nãotributados (NT) é de 1.1.97 a 16.4.97, eis que posteriormente passaram a ser tributados pela alíquota zero; Fl. 543DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 8 7 · O sujeito passivo é contribuinte de IPI, eis que industrializa e comercializa produtos alimentícios obtidos com carnes de aves; · A partir de 4/97 a mercadoria exportada pelo sujeito passivo passou a ser classificada como tributável, pela alíquota zero. Dessa forma, o sujeito passivo é estabelecimento industrial, nos precisos termos do art. 2° e 3° do RIPI e, consequentemente, a mercadoria exportada é produto industrializado; · O entendimento de que em razão das exportações terem sido de produtos não tributados (NT) não estaria o sujeito passivo enquadrado como contribuinte do IPI fere o art. 110 do Código Tributário Nacional, eis que pretende definir de forma diversa o que vem a ser industrialização; · Ainda que não fosse contribuinte do IPI na Lei 9363/96 não é exigido a condição de contribuinte de IPI do produtorexportador. Aliás, o crédito fiscal referese ao PIS e COFINS, o qual deve primeiramente ser abatido do débito do IPI e, na impossibilidade, ser ressarcido em espécie. · Com efeito, a restrição que pretende impor a Fazenda não possui previsão legal. Aliás, a Carta Magna, no art. 153, §3°, III, é taxativa ao dizer que não incide o IPI sobre os produtos industrializados destinados ao exterior. Portanto, sendo o produto industrializado destinado ao exterior não haverá qualquer tributação relativamente ao IPI; · Quanto à correção pela taxa Selic, a atualização do valor nada acrescenta eis que traduz forma licita e justa de alcançar o maior grau possível de satisfação do direito tutelado, sendo compulsória a inclusão dos índices de atualização monetária. Insatisfeito ainda, o sujeito passivo interpôs Recurso Especial à decisão proferida pela 2ª Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, requerendo o direito ao ressarcimento de que trata a Lei 9.363/96, calculado sobre a totalidade de insumos empregados na produção do frango, posteriormente abatido e exportado, relativo ao período Fl. 544DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 9 8 requerido neste processo, devidamente atualizado pela Taxa SELIC, até a data da efetiva compensação ou restituição. Insurge, entre outros, que: · Em razão de exportações realizadas, postulou administrativamente crédito presumido do IPI, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares 7/70; 8/70; e 70/91 incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, utilizados no processo produtivo, nos termos da Lei 9.363/96, relativamente ao período de outubro a dezembro/98; · A Recorrente demonstrou nos autos que adquiriu no mercado interno o "pintomatriz" de um dia, que serve para fins de reprodução. Posteriormente os ovos produzidos por essas aves vão para o incubatório e, com o nascimento dos pintos, estes são remetidos para os criadores para a respectiva criação; · Fornece aos criadores todos os insumos necessários para a criação das aves, predominantemente a ração. O criador recebe pagamento pela mãodeobra empregada tãosomente, sendo que tal valor não foi considerado pela empresa como matériaprima, no cálculo apresentado. · Ademais, integram a ração produtos intermediários adquiridos no mercado interno tais como farelo de soja, milho, medicamentos, suplementos alimentares, etc. · A matériaprima e os produtos intermediários considerados no cálculo do crédito presumido nada mais são que o material adquirido para obtenção do frango em condições de abate, onde grande parte desses insumos inclusive sofreu incidência do PIS e COFINS nas etapas anteriores, conforme comprovam as notas fiscais anexas aos autos; · Portanto, está equivocado o Acórdão recorrido quando entendeu não ser aplicável a tais mercadorias, eis que deu interpretação errônea ao art. 82 do RIPI. Fl. 545DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 10 9 Em Despacho às fls. 504 a 507, foi negado seguimento ao Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo. O sujeito passivo interpôs, então, Agravo contra a decisão que deu parcial seguimento ao Recurso. Em Despacho às fls. 531 a 532, após ser proposta a rejeição para manter a negativa de seguimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo, tal proposta foi aprovada pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Tatiana Midori Migiyama Relatora Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, entendo que devo conhecêlo – o que concordo com a manifestação exposta em Despacho de Admissibilidade às fls. 413 a 414. Eis que o Recurso observou os pressupostos de admissibilidade exigidos pela legislação de regência: decisão não unânime e demonstração da contrariedade à lei. Ventiladas breves considerações, passo a discorrer sobre as questões postas em recurso, quais sejam: · Se o sujeito passivo tem ou não direito ao crédito previsto na Lei 9.363/96; ou seja, se haveria ou não a possibilidade de se reconhecer o direito à fruição do incentivo fiscal instituído pela Lei 9.363/96, crédito presumido de IPI, como ressarcimento das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, Fl. 546DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 11 10 às pessoas jurídicas que elaboram produtos cuja notação na TIPI é NT (não tributado); · E se os valores a serem restituídos devem ser atualizados ou não pela Selic. No que tange ao crédito presumido de IPI, entendo que o sujeito passivo, em razão da exportação e industrialização, possui o direito ao crédito fiscal do período de 1997, nos termos da Lei 9.363/96. Dessa forma, importante analisar se a caracterização da pessoa jurídica requerente como estabelecimento industrial, à luz da legislação do IPI, poderia influir no direito ao incentivo fiscal. Para tanto, trago o art. 1º da Lei 9.363/96: “Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase, inclusive, nos casos de venda a empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação para o exterior. ” Somente com a leitura desse dispositivo, é possível, a princípio, entender que a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, não circunscrevendo seu alcance aos produtos industrializados. Fl. 547DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 12 11 Não obstante, vêse que a Lei trouxe que, para a fruição do crédito presumido do IPI a dependência de as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem sejam utilizadas no processo produtivo. Nesse ínterim, vêse que a Lei 9.363/96, ao criar o mecanismo do crédito presumido para reduzir o impacto econômico da incidência das contribuições para o PIS e a COFINS considerou o processo produtivo ou seja, a industrialização desses materiais, para fins de se produzir determinado produto a ser exportado. Vêse que o crédito presumido do IPI tem o escopo de ressarcir o contribuinte, do montante pago a título de PIS e COFINS, em todas as operações em que este adquiriu insumos, com o intuito de empregálos na produção de mercadorias exportadas. O dispositivo em referência, trouxe efetivamente um benefício às empresas que industrializam produtos e os vendem para o mercado externo. E, ademais, notase que não condiciona tal fruição para produtos tributos pelo IPI. Ou seja, o crédito trazido pela Lei não delimita o alcance do benefício aos contribuintes do IPI. A Lei n° 9363/96, em seu artigo 1º estabelece que o requisito para a fruição do direito ao crédito presumido é a produção e exportação de mercadorias nacionais, sendo irrelevante que o produto esteja ou não sujeito ao IPI. No caso em comento, o sujeito passivo industrializa e comercializa produtos alimentícios obtidos com carnes de aves. Tanto é assim que, a partir de 4/97 o produto exportado passou a ser classificável à alíquota zero. Ademais, o sujeito passivo é obrigado a entregar a DIPI. Fl. 548DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 13 12 A Minuano é uma operação verticalizada na integração avícola, possuindo desde granja de matrizes até produção e abate de aves. O parque industrial é composto por uma fábrica de industrializados, incubatório, granjas de matrizes, dois abatedouros de aves e fábrica de rações. Sendo assim, expresso minha concordância em relação à conclusão feita pelo nobre exconselheiro Dalton Cesar Cordeiro de Miranda – o que, peço licença, para transcrever parte (Grifos meus): “[...] Antes de adentrar no exame da questão propriamente dita, fazse necessário tecer algumas breves considerações sobre a Lei no 9.363/96, cuja correta interpretação determinará a solução da lide. Com efeito, através do referido diploma legal foi instituído benefício fiscal por meio do qual se objetivou desonerar as exportações de produtos manufaturados brasileiros, mediante o ressarcimento, na forma de crédito presumido de Imposto Sobre Produtos Industrializados (IPI), das Contribuições para o Programa de Integração Social (PIS) e para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS) incidentes sobre os insumos adquiridos para utilização no processo produtivo de bens nacionais destinados ao mercado externo. 0 objetivo que se buscou e se busca alcançar mediante a desoneração tributária das exportações de produtos manufaturados brasileiros, não é o de simplesmente tornar mais competitivos, no mercado externo, tais produtos, mas sim o de melhorar o balanço de pagamentos brasileiro e, via de consequência, diminuir nossa perigosa dependência do cada vez mais volátil capital financeiro internacional. Este pequeno intróito buscou ressaltar o fato de que a questão deve ser examinada A. luz das disposições do artigo 5º da Fl. 549DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 14 13 Lei Introdução ao Código Civil (LICC) lei de introdução a todas as leis, que determina que "na aplicação da lei, o juiz atenderá aos fins sociais a que ela se dirige e às exigências do bem comum". Tendo em vista que segundo o art. 1° da Lei n° 9.363/96 o benefício fiscal consiste no ressarcimento das contribuições incidentes sobre as aquisições dos insumos, afirmase que não entrariam no cômputo da base de cálculo os valores despendidos nas aquisições de produtos cujos fornecedores não se encontrem sujeitos à incidência de PIS e da COFINS. E tal entendimento se baseia no disposto no artigo 5° da Lei n° 9.363/96, que determina que "a eventual restituição, ao fornecedor, das importâncias recolhidas em pagamento das contribuições referidas no art. 1°, bem assim a compensação mediante crédito, implica imediato estorno, pelo produtor exportador, do valor correspondente", pois como o PIS e a COFINS restituídos a fornecedores devem ser estornados do valor do ressarcimento, não haveria corno incluir no cômputo do benefício fiscal em questão as aquisições feitas de não contribuintes. Os demais fundamentos defendidos e contrários a recorrente, sustentamse na pretérita jurisprudência desta Segunda Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, neste particular, notadamente no que se refere à. necessidade de se "simplificar os mecanismos de controle", não se prestam a sustentála, como a seguir restará demonstrado. A questão a meu ver não se apresenta simples. Com efeito, corno se pode perceber das Portarias Ministeriais e Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal que regulam e regularam a matéria, não existe e nunca existiu qualquer norma a regulamentar o citado artigo 5° da Lei n° 9.363/96. Esta lacuna regulamentar, acredito, não é fruto do acaso, mas muito ao contrário, tem fácil explicação, qual seja, o fato de o comando no artigo 5° da Lei n° 9.963/96 ser simplesmente Fl. 550DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 15 14 inaplicável, haja vista contrariar frontalmente toda a sistemática estabelecida no citado diploma legal. Em nosso Direito, friso, só cabe a restituição de tributo pago a maior ou indevidamente. Isto porque, a possibilidade de estorno somente teria razão de ser caso o crédito de IPI em questão não fosse presumido e estimado, mas em sentido contrário, calculado com base em valores efetivamente pagos pelo produtor fornecedor a título de PIS e COFINS, pois somente em tal hipótese o crédito poderia ser calculado com base em valores pagos de forma indevida ou a maior, que, se restituídos, naturalmente deveriam ser estornados da base de cálculo do crédito presumido de IPI. No caso, entretanto, o que ocorre é exatamente o oposto, pois o crédito é calculado de forma presumida e estimada, não levando em conta os valores efetivamente recolhidos pelo produtor fornecedor a título de PIS e COFINS, impossibilitando, assim, a realização do estorno, pois em tal caso estarseia admitindo a realização de estorno decorrente da restituição de valores pagos indevidamente e que, portanto, não redundaram no pagamento de tributo a menor, o que não se afigura jurídico. Todavia, inaplicável ou não, permanecem válidas as disposições do citado artigo 5º, que por isso não podem ser simplesmente desconsideradas pelo julgador, de tal modo que a única maneira de conferir alguma efetividade ao mencionado dispositivo legal, é interpretála de forma que o montante a estornar deve corresponder ao PIS e à COFINS que incidam diretamente sobre as aquisições de insumos pelo titular do crédito, provado que a restituição incidiu sobre estes mesmos valores. Outros métodos de apuração do montante a estornar podem conduzir a situações não jurídicas, contrárias ao espirito da Lei no 9.363/96, sendo vejamos: (i) caso se admita que qualquer restituição, independentemente da causa do pagamento indevido, dê ensejo ao estorno, estarseá admitindo também que mesmo quando o Fl. 551DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 16 15 indébito tenha sido motivado por erro no cálculo do tributo devido e, portanto, a sua restituição não redunde em um recolhimento a menor do tributo efetivamente devido segundo a lei tributária e em prejuízo aos cofres públicos, haverá a necessidade de se realizar o estorno, conclusão que afronta a Lei n° 9.363/96; (ii) considerando que tanto o PIS como a COFINS são calculados com base na receita bruta das empresas, e não sobre vendas isoladas, caso se entenda que o estorno deve corresponder ao exato valor restituído ao fornecedor, estarseá admitindo a possibilidade de que a restituição de PIS e COFINS incidentes sobre vendas não realizadas ao produtorexportador possa causar a redução de seu credito presumido; e (iii) como sustentado pelo patrono da recorrente: "o ressarcimento, por ser presumido e estimado na forma da lei, é referente as possíveis incidências das contribuições em todas as etapas anteriores a aquisição dos insumos e a exportação, as quais integram o custo do produto exportado", de modo que o não pagamento do PIS e da COFINS pelo fornecedor dos insumos não pode impedir o nascimento do credito presumido, sob pena de se contrariar o disposto no artigo 1° da Lei n° 9.363/96. Como já consignado, a finalidade da Lei no 9.363/96 foi a de desonerar as exportações de mercadorias nacionais e, como conseqüência, melhorar o balanço de pagamentos. Aliás, tal entendimento está em linha com o que doutrinariamente defendido por José Erinaldo Dantas Filho, "0 espirito do citado diploma legal foi o de incentivar a exportação de produtos nacionais, tentando diminuir o chamado 'custo Brasil' para os produtos pátrios, de maneira que sejam 'exportados tributos para o exterior'. 0 legislador federal visualizou a extrema necessidade de desonerar a exagerada carga tributária para os produtos exportados, ben2 como visou a combater o acentuado déficit da balança comercial de nosso País, assim gerando mais empregos e maior arrecadaçõo."5 Fl. 552DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 17 16 [...] Neste sentido, vale citar trechos de artigo de Julio M. de Oliveira, intitulado "A Constituição, A Lei e o Regulamento do IPI — Hipóteses de Conflito" 6 : Ao nosso ver, o objeto do imposto não consiste meramente no ato de produzir acima delineado, pelo contrário, a materialidade da hipótese de incidência reside no resultado final deste ato — o produto. Assim não fosse, estaríamos diante de um imposto sobre industrialização e não sobre o produto industrializado. Neste sentido, cabe lembrar as sempre lúcidas considerações do mestre Geraldo Ataliba, verbis: "... Pela sua utilização (desse conjunto de componentes) é que se obtém, afinal, um produto. Se, portanto, a produção ou industrializa cão for posta na materialidade da hipótese de incidência do imposto, já não se estará diante do IPI, mas de tributo diverso. "8 Porém, esgotarse na existência de produtos industrializados a materialidade da hipótese de incidência do IPI, em outras palavras, o mero surgimento de um produto industrializado ê suficiente para caracterização da ocorrência do fato gerador do imposto? Quer nos parecer que não. (.)." Feitas essas considerações, é possível afirmar que as "mercadorias" exportadas pela interessada são sim "produtos industrializados", mesmo que não tributados. Mas, a meu entender, não é essa a questão central que se encontra em debate. E a propósito da discussão central travada nestes autos, necessária se faz reafirmar que o benefício do credito presumido está expressamente direcionado à empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. 0 artigo de lei é abrangente, portanto, daí não ser possível restringir o debate entre a distinção entre "produto Fl. 553DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 18 17 industrializado não tributado" e "produto industrializado tributado", pois tanto um como outro são "mercadorias" 7 e, conseqüentemente, abrangidos pela Lei n° 9.363/96. Dai, sim, se autorizado o pleito de ressarcimento para produtores de produtos NTs, como na hipótese dos autos. Aliás, o credito presumido em análise tem por objetivo o ressarcimento das contribuições incidentes sobre as etapas anteriores da cadeia produtiva, no caso o PIS e a COFINS, não importando se o produto é ou não tributado pelo IPI na saída final. [...]” Em vista do exposto, nego provimento nessa parte ao recurso interposto pela Fazenda Nacional. No que tange à aplicação ou não da taxa Selic sobre os pedidos de ressarcimento, temse que tal previsão consta do §4º do art. 39 da Lei 9.250/95, que estabelece: “Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subsequentes. § 1º (VETADO) § 2° (VETADO) § 3° (VETADO) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da Fl. 554DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 19 18 compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. (Vide Lei nº 9.532, de 1997)” Ora, vêse que a Administração Pública tem como interesse a adoção da referida taxa para cobrar um valor através da aplicação de um percentual de um número real e concreto sendo referencial para as demais taxas de juros aplicáveis na economia brasileira. Tal índice possui aplicação cumulada, seja como correção monetária, seja como juros, visando a penalização do pagamento em mora, ou aplicado com conotação indenizatória, tendo em vista possíveis danos patrimoniais. Frisese que a jurisprudência da E. 3ª Turma da CSRF do CARF, aplicando, inclusive, o art. 62 do RICARF, pacífica quanto a supramencionada incidência da Selic para restituição/compensação do montante de tributo pago indevidamente, em face de mora imputável à administração pública, senão vejamos: "Acórdão 9303002.392 Ementa: IPI. CRÉDITO ACUMULADO. LEI Nº 9.779/1999. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA 62A RICARF. De ser admitida a incidência da taxa Selic a partir da protocolização do pedido de ressarcimento em razão de restar caracterizada a oposição do fisco plasmada no período compreendido entre a protocolização do pedido de ressarcimento – 25.05.2001 – e a homologação – 01.11.2005. " E, salientase ainda que a incidência dessa taxa é critério utilizado pelo Fisco para correção dos débitos cobrados do contribuinte em mora, estando assim, por analogia, demonstrado o direito de o mesmo ao proceder a compensação do montante pago indevidamente, embasado, principalmente, no princípio da isonomia. Fl. 555DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 20 19 Eis que o mínimo esperado é que o indébito/crédito, quando devolvido ou compensado, seja acrescido também de taxa devidamente aplicável para correção do prejuízo sofrido. Portanto, cabe a incidência da taxa Selic para correção do quantum referente ao crédito que tem direito o sujeito passivo. Tal como ocorre, no caso presente, o que entendo que os créditos da recorrente devem, sim, ser corrigidos pela Selic. Suporta ainda tal entendimento o julgado do processo 16366.000228/200937, pela 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento do CARF ao proferir em 25/10/2012 o acordão 3802001.418, assim ementado (grifos e destaques meus): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À C OMPRA DE MATÉRIA PRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compras de matériaprima, utilizada destinados à venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I, da Lei nº 10.637, de 2002. CRÉDITO ESCRITURAL BÁSICO. SALDO CREDOR. ATUALIZAÇÃO PELA A TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. O art. 13 da Lei nº 10.833/2003, que veda a atualização monetária e a incidência dos juros, não se aplica quando a mora decorre de impedimento ou de óbice da Administração Fazendária. Recurso provido em Parte.” Fl. 556DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 21 20 Independentemente desse entendimento, conforme se depreende da análise dos autos do processo, entendo que houve mora da autoridade fazendária em analisar a veracidade do crédito objeto de pedido de ressarcimento. O que resta ainda observar aos que aplicam dessa forma – pela observância do decidido o STJ no REsp 1.150.188 – SP: “TRIBUTÁRIO – RECURSO ESPECIAL – IPI – AQUISIÇÃO DE INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU SUJEITOS À ALÍQUOTA ZERO – CREDITAMENTO – CORREÇÃO MONETÁRIA DOS CRÉDITOS ESCRITURAIS DO IPI DECORRENTES DA AQUISIÇÃO DE INSUMOS E MATÉRIASPRIMAS ISENTOS – INCIDÊNCIA – PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL 1. A jurisprudência do STJ e do STF é no sentido de ser indevida a correção monetária dos créditos escriturais de IPI, relativos a operações de compra de matériasprimas e insumos empregados na fabricação de produto isento. Todavia, é devida a correção monetária de tais créditos quando o seu aproveitamento, pelo contribuinte, sofre demora em virtude resistência oposta por ilegítimo ato administrativo ou normativo do Fisco. Orientação ratificada no julgamento do Recurso Especial representativo de controvérsia 1.035.847/RS, examinado sob o rito do art. 543C do CPC e da Resolução STJ n.º 08/2008. 2. É qüinqüenal a prescrição da ação que pretende reconhecer o direito ao creditamento escritural do IPI. 3. Recurso especial conhecido e parcialmente provido.” (REsp 1.150.188 SP, Rel. Ministro ELIANA CALMON, julgado em 20/04/2010)” Considerando todo o exposto, voto por negar provimento nessa parte. Em vista de todo o exposto, voto por conhecer o Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e negarlhe provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Tatiana Midori Migiyama Fl. 557DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 22 21 Voto Vencedor Andrada Márcio Canuto Natal, redator designado. Com todo respeito ao voto da ilustre relatora, mas discordo de suas conclusões. Direito ao crédito presumido de IPI na exportação de produtos NT Tratase de matéria antiga no âmbito do contencioso administrativo e a controvérsia resumese em saber se há a possibilidade de aproveitamento de crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, na produção e exportação de produtos classificados na Tabela do IPI com notação "NT" (não tributados). Preliminarmente é importante ressaltar que entendo que o crédito presumido de IPI, de que trata o art. 1º da Lei nº 9.363/96, é um benefício fiscal concedido aos produtores/exportadores de produtos nacionais, e, nessa circunstância impõese a interpretação literal dos dispositivos legais nos termos do art. 111 do CTN. Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: I suspensão ou exclusão do crédito tributário; II outorga de isenção; III dispensa do cumprimento de obrigações tributárias acessórias. Na verdade a concessão de isenção, anistia, incentivos e benefícios fiscais decorrem de normas que têm caráter de exceção. Fogem às regras do que seria o tratamento normal. Transcrevo abaixo trecho da doutrina do Professor Eduardo Sabbag: (...) Retomando a análise do art. 111 do CTN, o que se nota é que tal dispositivo disciplina hipóteses de “exceção”, devendo sua interpretação ser literal[44]. Na verdade, consagra um postulado que emana efeitos em qualquer ramo jurídico, isto é, “o que é regra se presume; o que é exceção deve estar expresso em lei”. Fl. 558DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 23 22 Com efeito, a regra não é o descumprimento de obrigações acessórias, nem a isenção concedida e, por fim, nem a exclusão ou suspensão do crédito tributário, mas, respectivamente, o cumprimento de obrigações, o pagamento do tributo e a extinção do crédito, mediante pagamento ou outra modalidade extintiva. Assim, o direito excepcional[45] deve ser interpretado literalmente, razão pela qual se impõe o artigo ora em estudo. Aliás, em absoluta consonância com o art. 111 está a regra do parágrafo único do art. 175, pela qual “a exclusão do crédito tributário não dispensa o cumprimento das obrigações acessórias dependentes da obrigação principal cujo crédito seja excluído, ou dela consequente”. (...) (Trecho extraído da internet no seguinte endereço: https://eduardosabbag.jusbrasil.com.br/artigos/121933898/inter pretacaoeintegracaodalegislacaotributaria) Analisemos então o que consta da Lei nº 9.363/96 que instituiu o benefício do crédito presumido: Art. 1º A empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais fará jus a crédito presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados, como ressarcimento das contribuições de que tratam as Leis Complementares nos 7, de 7 de setembro de 1970, 8, de 3 de dezembro de 1970, e 70, de 30 de dezembro de 1991, incidentes sobre as respectivas aquisições, no mercado interno, de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, para utilização no processo produtivo. (...) Art. 3º .... Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem. Nesse momento é importante destacar que a lei determinou o benefício para a empresa produtora e exportadora de mercadorias nacionais. Se quisesse abarcar todos os exportadores, não necessitaria de incluir a palavra produtora. Seria inócuo. E ao incluir a palavra produtora, determinou no parágrafo único do art. 3º que deve ser utilizada a legislação do IPI para a busca da definição do que se entende por produção. Sendo assim, a legislação do IPI não considera estabelecimento industrial, ou produtor, para fins do tributo, aqueles que produzem produtos que estão fora do seu campo de Fl. 559DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 24 23 incidência. Veja como o Regulamento do IPI disciplina a matéria. Transcrevese abaixo artigos do RIPI/82 que era o vigente à época dos fatos, mas nada mudou a respeito deste assunto nos regulamentos posteriores: Art. 1º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da respectiva Tabela de Incidência (Lei nº 4.502/64, art. 1º, e DecretoLei nº 34/66, art. 1º). (...) Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 3º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Do conjunto dessa leitura, concluise que os produtos "NT" (NÃO TRIBUTADOS) estão fora do conceito de produtos industrializados estabelecidos pela legislação do IPI. Assim, quem os produz, não são considerados estabelecimentos industriais para fins dessa legislação. Assim vem decidindo este colegiado. Para um melhor entendimento transcrevo abaixo trecho de um voto do exConselheiro Henrique Pinheiro Torres proferido no Acórdão nº 20216.066: (...) A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei n° 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque os estabelecimentos processadores de produtos NT não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. Isso ocorre porque, as empresas que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do art. 3º da Lei nº 4.502/1964, considera se estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao imposto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Ora, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou Fl. 560DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 25 24 semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtoresexportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal beneficio, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à aliquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido ao industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o beneficio alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do art. 92 do RIPI/1982. Outro ponto a corroborar o posicionamento aqui defendido é a mudança trazida pela Medida Provisória nº 1.50816, consistente na inclusão de diversos produtos no campo de incidência do IPI, a exemplo dos frangos abatidos, cortados e embalados, que passaram de NT para alíquota zero. Essa mudança na tributação veio justamente para atender aos anseios dos exportadores, que puderam, então, usufruir do crédito presumido de IPI nas exportações desses produtos. Diante de todas essas razões, é de se reconhecer que os produtos exportados pela reclamante, por não estarem incluídos no campo de incidência do IPI, já que constam da tabela como NT (não tributado), não geram crédito presumido de IPI. (...) Cumpre lembrar também recente decisão desta CSRF no Acórdão nº 9303 003.462, de 23/02/2016, relatoria do Presidente da 3ª Seção de Julgamento, Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, que ficou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1999 a 31/03/1999 IPI. CRÉDITOS. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, Lei nº 9.363/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Diante de tudo exposto, voto por dar provimento ao recurso especial interposto pela Fazenda Nacional em relação a esta matéria. Fl. 561DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 26 25 Taxa Selic no ressarcimento No voto vencido da ilustre relatora ela entende que há permissivo legal para admitir a aplicação da Taxa Selic com base no § 4º do art. 39 da Lei nº 9.250/95, in verbis: Art. 39. A compensação de que trata o art. 66 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991, com a redação dada pelo art. 58 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, somente poderá ser efetuada com o recolhimento de importância correspondente a imposto, taxa, contribuição federal ou receitas patrimoniais de mesma espécie e destinação constitucional, apurado em períodos subseqüentes. (...) § 4º A partir de 1º de janeiro de 1996, a compensação ou restituição será acrescida de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia SELIC para títulos federais, acumulada mensalmente, calculados a partir da data do pagamento indevido ou a maior até o mês anterior ao da compensação ou restituição e de 1% relativamente ao mês em que estiver sendo efetuada. Ocorre que esse dispositivo legal prevê a incidência da aplicação da Taxa Selic nas compensações decorrentes de restituições de pagamentos a maior ou indevido e não nas hipóteses de ressarcimento de IPI. Isso tornase cristalino da leitura do próprio art. 66 da Lei nº 8.383/91: Art. 66. Nos casos de pagamento indevido ou a maior de tributos, contribuições federais, inclusive previdenciárias, e receitas patrimoniais, mesmo quando resultante de reforma, anulação, revogação ou rescisão de decisão condenatória, o contribuinte poderá efetuar a compensação desse valor no recolhimento de importância correspondente a período subseqüente. (Redação dada pela Lei nº 9.069, de 29.6.1995) (Vide Lei nº 9.250, de 1995) (...) Portanto, a legislação citada não serve de amparo jurídico para a aplicação da Taxa Selic nos ressarcimentos decorrentes de crédito presumido de IPI, pois não se tratam de valores pagos a maior ou indevido. Como vimos tratase de um benefício fiscal previsto em lei. Da mesma forma as jurisprudências da CSRF citadas pela relatora não são aplicáveis ao presente caso, pois decorrem de reconhecimento da incidência da taxa Selic nas situações em que houve oposição indevida do fisco para o aproveitamento do crédito. Mesma Fl. 562DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 27 26 observação em relação à jurisprudência citada do STJ, na qual se destaca que, em regra, não é admissível a correção monetária de créditos escriturais do IPI, a não ser nos casos de resistência ilegítima oposta pelo Fisco. Aliás, acaso existisse no presente processo a suposta oposição ilegítima do fisco, teríamos que aplicar o que foi decidido pelo STJ no julgamento do REsp nº 1.035.847/RS, abaixo transcrito: PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. PRINCÍPIO DA NÃO CUMULATIVIDADE. EXERCÍCIO DO DIREITO DE CRÉDITO POSTERGADO PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE CRÉDITO ESCRITURAL. CORREÇÃO MONETÁRIA. INCIDÊNCIA. 1. A correção monetária não incide sobre os créditos de IPI decorrentes do princípio constitucional da nãocumulatividade (créditos escriturais), por ausência de previsão legal. 2. A oposição constante de ato estatal, administrativo ou normativo, impedindo a utilização do direito de crédito oriundo da aplicação do princípio da nãocumulatividade, descaracteriza referido crédito como escritural, assim considerado aquele oportunamente lançado pelo contribuinte em sua escrita contábil. 3. Destarte, a vedação legal ao aproveitamento do crédito impele o contribuinte a socorrerse do Judiciário, circunstância que acarreta demora no reconhecimento do direito pleiteado, dada a tramitação normal dos feitos judiciais. 4. Consectariamente, ocorrendo a vedação ao aproveitamento desses créditos, com o consequente ingresso no Judiciário, postergase o reconhecimento do direito pleiteado, exsurgindo legítima a necessidade de atualizálos monetariamente, sob pena de enriquecimento sem causa do Fisco (Precedentes da Primeira Seção: EREsp 490.547/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.09.2005, DJ 10.10.2005; EREsp 613.977/RS, Rel. Ministro José Delgado, julgado em 09.11.2005, DJ 05.12.2005; EREsp 495.953/PR, Rel. Ministra Denise Arruda, julgado em 27.09.2006, DJ 23.10.2006; EREsp 522.796/PR, Rel. Ministro Herman Benjamin, julgado em 08.11.2006, DJ 24.09.2007; EREsp 430.498/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, julgado em 26.03.2008, DJe 07.04.2008; e EREsp 605.921/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 12.11.2008, DJe 24.11.2008). 5. Recurso especial da Fazenda Nacional desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Fl. 563DF CARF MF Processo nº 13005.000688/9806 Acórdão n.º 9303005.033 CSRFT3 Fl. 28 27 Da leitura do referido julgado, podese concluir que de fato não há previsão legal para a aplicação de índices de correção monetária sobre os créditos escriturais de IPI, sendo certo que o crédito presumido do IPI é um crédito escritural. Porém, abrese uma exceção da incidência da correção monetária nas hipóteses em que há comprovada oposição ilegítima do Fisco no pagamento devido do ressarcimento. O CARF e também esta CSRF tem aplicado referida decisão nas situações em que as Delegacias da Receita Federal indeferem o ressarcimento por alguma razão de direito que posteriormente venha a ser modificada no decorrer do trâmite do processo administrativo fiscal. Situação não existente no presente processo. No presente processo, houve o indeferimento do ressarcimento de crédito presumido do IPI desde o início, tendo em vista que a empresa requerente não tem direito em face da exportação de produtos notados na TIPI como NT (NÃO TRIBUTADOS). Ora, não tendo crédito a ser ressarcido inexistem valores a serem aplicados juros moratórios. Diante do exposto, dou provimento ao Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Andrada Márcio Canuto Natal Fl. 564DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12585.000184/2011-24
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS.
A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito.
PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2.
No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004
AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI.
As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3o, I, b, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.
Numero da decisão: 3401-003.519
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
(Assinado com certificado digital)
ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201704
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457(2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2. No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 - Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 - COFINS), nos artigos 3o, I, b, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 12585.000184/2011-24
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5729431
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 31 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3401-003.519
nome_arquivo_s : Decisao_12585000184201124.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ROSALDO TREVISAN
nome_arquivo_pdf_s : 12585000184201124_5729431.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (Assinado com certificado digital) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente).
dt_sessao_tdt : Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
id : 6783410
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211918876672
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 12; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1949; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.000184/201124 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401003.519 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de abril de 2017 Matéria PERPIS Recorrente GRAND BRASIL COMERCIO DE VEICULOS E PECAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA APRECIAÇÃO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade de autuação/despacho decisório, nem aproveitamento tácito de crédito. PROCESSO ADMINISTRATIVO. APRECIAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI VIGENTE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF 2. No processo administrativo, o julgador não tem competência para se manifestar sobre eventual alegação de inconstitucionalidade de lei vigente. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/2004 a 30/09/2004 AQUISIÇÃO DE VEÍCULOS E AUTOPEÇAS PARA REVENDA. ALÍQUOTA ZERO. LEI N. 10.485/2002. CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. VEDAÇÃO EXPRESSA EM LEI. As aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda, não geram créditos em função de expressa vedação nas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 COFINS), nos artigos 3o, I, “b”, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV. E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004) que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 84 /2 01 1- 24 Fl. 181DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 3 2 pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldo credor acumulado no trimestre. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. (Assinado com certificado digital) ROSALDO TREVISAN – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente), Robson José Bayerl, Augusto Fiel Jorge D'Oliveira, Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente). Relatório Versa o presente sobre Pedido de Ressarcimento de crédito referente a contribuição nãocumulativa, versando sobre receitas tributadas à alíquota zero, de incidência monofásica (revenda de veículos e autopeças), com fundamento no artigo 17 da Lei no 11.033/2004. O pedido foi indeferido em Despacho Decisório, por haver expressa vedação legal à tomada de créditos, no caso (artigo 3o, I, ”b”, c/c artigo 2o, § 1o, III e IV das Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003, e Lei no 10.485/2002, que trata da incidência monofásica, para veículos e autopeças, com alíquota zero para as receitas apuradas), e por tratar o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Ciente do despacho, a empresa apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: (a) está sujeita à tributação das contribuições nos termos da Lei no 9.718/1998; (b) com a edição da Lei no 10.485/2002, houve a pretensão de se criar uma tributação chamada supostamente de “monofásica”, que objetivou atribuir, para a cadeia produtiva automobilista, uma alíquota elevada para um elo (indústria/importador), e alíquota zero para os demais elos, gerando equívocos de interpretação; (c) na veiculação das leis de regência das contribuições não cumulativas (Lei no 10.637/2002 e Lei no 10.833/2003), foi mantida a sistemática anterior (Lei no 10.485/2002), e restou vedada a possibilidade de tomada de créditos; (d) a situação desigual foi corrigida na Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), que foi alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38); (e) não há qualquer norma de PIS/COFINS que tenha previsão de tributação monofásica (com incidência em uma fase e nãoincidência em todas as demais) para os produtos da empresa, sendo juridicamente vazia qualquer tentativa de retirála do campo da não cumulatividade (com alíquota zero, que pode, em tese, ser majorada), baseado em suposição que existe uma “monofasia” na sua cadeia produtiva; (f) o creditamento das contribuições, por utilizar o método subtrativo indireto, independe de quanto foi, ou sequer se houve, tributação na cadeia anterior, ou mesmo se o elo Fl. 182DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 4 3 anterior estava no regime da não cumulatividade; (g) negar o direito ao crédito, no caso, ofende não apenas a legalidade estrita, mas a não cumulatividade, a moralidade e a segurança jurídica, pois não se coadunava com a sistemática constitucional a anterior vedação de tomar créditos, o que ficou afastado a partir do art. 17 da Lei no 11.033/2004 (confirmado pelo art. 16 da Lei no 11.116/2005); (h) o art. 17 da Lei no 11.033/2004 é especial e não geral, e se destina exatamente aos casos que tinham vedação expressa nas leis de regência das contribuições, porque os demais não precisavam, justamente porque não estavam vedados, então o creditamento era tranquilo, aceito pelo próprio fisco; (i) outro reforço à tese que permite o direito de crédito foi a revogação, pela Lei no 11.727/2008, do inciso IV do § 3o do art. 1o, entre outros, das leis de regência das contribuições; e (j) quando o legislador desejou excluir a aplicação do art. 17 da Lei no 11.033/2004 ele o fez expressamente, como nas Medidas Provisórias no 413/2008 e no 451/2008, nenhuma delas convertida em lei no que se refere a tais dispositivos. A empresa apresenta, posteriormente, nova manifestação, no sentido de que sequer seria necessária a análise de mérito de seus argumentos de defesa, em face do reconhecimento tácito do direito. No julgamento de primeira instância, a DRJ decidiu, unanimemente, pela improcedência da manifestação de inconformidade, sob os seguintes fundamentos: (a) o prazo de cinco anos para o pronunciamento da autoridade administrativa diz respeito apenas à compensação declarada pelo contribuinte, não se aplicando aos casos de restituição e/ou ressarcimento o reconhecimento tácito do direito dos créditos pleiteados; (b) a Lei no 10.485/2002 concentrou a tributação nas pessoas dos fabricantes e importadores de máquinas, veículos e autopeças, sendo denominada de tributação monofásica ou concentrada, sendo as receitas de venda obtidas pelas concessionárias desoneradas com a aplicação da alíquota zero; (c) as leis de regência das contribuições, ao criarem o sistema da não cumulatividade, excluíram da novel sistemática determinadas receitas, cuja apuração deveria ser realizada nos termos da legislação anterior, entre estas a que concentrava a tributação monofásica (Lei no 10.485/2002), sendo expressamente vedado o direito ao crédito em tais aquisições (art. 3o, I das leis de regência); (d) o art. 17 da Lei no 11.033/2004, não ampara o creditamento das contribuições, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência da vedação legal expressa, que persiste, para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica, desde a sua definição; e (e) a tributação monofásica não se confunde com a apuração cumulativa, tendo a tributação monofásica também natureza não cumulativa, quando a pessoa jurídica está submetida ao regime de apuração não cumulativa das contribuições, como é o caso dos autos, o que lhe permite o aproveitamento de créditos, inerente ao regime da não cumulatividade, mas somente em relação aos créditos que são passíveis de utilização, como energia elétrica, aluguéis, depreciação, e não em relação aos créditos expressamente vedados, os referentes a veículos e autopeças adquiridos para revenda. Tendo ciência da decisão da DRJ, a empresa apresenta recurso voluntário, alegando que: (a) o prazo para decidir os processos de restituição não é eterno, como defendeu a DRJ, e está sujeito aos ditames do artigo 74 da Lei no 9.430/1996, além de dever respeito ao prazo de 360 dias (cf. artigo 24 da Lei no 11.457/2007), consolidado pelo STJ na sistemática dos recursos repetitivos, no REsp no 1.138.206/RS; (b) a empresa está sujeita ao regime da não cumulatividade, e adquire produtos com alíquota zero (e não com monofasia), tendo sido a vedação existente nas leis de regência das contribuições revista no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 (norma multitemática), endossado pelo artigo 16 da Lei no 11.116/2005; (c) Fl. 183DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 5 4 quando a lei nova altera a situação legal, ela deve ressalvar os casos que permanecem na dicção antiga (como se tentou fazer, por duas vezes, em relação ao o artigo 17 da Lei no 11.033/2004, que é norma específica aos casos para os quais havia vedação ao creditamento); e (d) o direito de crédito é coerente com a técnica de não cumulatividade para as contribuições (método indireto subtrativo), e independe de haver tributação na etapa anterior. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.517, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 12585.000182/201135, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.517): "O recurso voluntário atende os requisitos de admissibilidade, pelo que dele se toma conhecimento. Dos prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento e da consequência pelo descumprimento Na peça apresentada em complemento a sua manifestação de inconformidade, a recorrente sustentou que seria de cinco anos o prazo máximo para análise de seu pedido, sob pena de atendimento tácito, com fundamento no § 5o do artigo 74 da Lei no 9.430/1996. O PER em análise, recordese, foi transmitido em 30/04/2008. E a DRJ, ainda que sequer tenha verificado a efetiva data de ciência do despacho decisório (15/02/2013, cf. fl. 92), que foi equivocadamente informada pela recorrente como sendo 02/07/2013, resultando na contagem incorreta do prazo, respondeu acertadamente que o prazo a que se refere o § 5o do artigo 74 da Lei no 9.430/1996 se refere a homologação tácita de compensações, e não a restituição/ressarcimento delas desacompanhado. Aliás, tal conclusão deriva da simples leitura da norma: “Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (...) Fl. 184DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 6 5 § 5o O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação.” (grifo nosso) Inaplicável, assim, o comando legal invocado ao caso em análise neste processo. Adicionese que a mesma questão, referente à mesma empresa, e abrangendo as contribuições no ano de 2004, entre outros, foi submetida à Segunda Turma desta Quarta Câmara, tendo o colegiado chegado a conclusão unânime sobre a matéria: “GLOSA DE CRÉDITOS. AUTO DE INFRAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INAPLICABILIDADE. A homologação tácita, prevista no art. 73, § 5o, da Lei no 9.430/1996, limitase às compensações formalizadas em Dcomp, não atingindo o direito de a Fiscalização, em procedimento autônomo, examinar a existência dos créditos e glosar, mediante auto de infração, aqueles para os quais não haja suficiente comprovação. (Acórdão no 3402 003.660, Rel. Cons. Jorge Olmiro Lock Freire, unânime, sessão de 13 dez. 2016)” No recurso voluntário, a empresa adiciona o argumento de que lhe favorece, no presente caso, a decisão do STJ, na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS), no sentido de que se aplica ao processo administrativo tributário o disposto no artigo 24 da Lei no 11.457/2007, que estabelece o prazo de 360 dias para as decisões administrativas: “Art. 24. É obrigatório que seja proferida decisão administrativa no prazo máximo de 360 (trezentos e sessenta) dias a contar do protocolo de petições, defesas ou recursos administrativos do contribuinte.” É cediço que o comando legal indicado inserese em um contexto que busca dotar de maior celeridade o processo administrativo, em consonância com os princípios constitucionais que regem a matéria. Contudo, é preciso reconhecer que não atribuiu o legislador consequência (v.g., reconhecimento tácito do crédito, como demanda a recorrente) ao processo em desacordo com o comando. E poderia têlo feito, se o desejasse, visto que a mesma Lei no 11.457/2007 promove alterações ao Decreto no 70.235/1972, que disciplina o processo administrativo fiscal. Neste Decreto é que se arrolam, por exemplo, as causas de nulidade (art. 59). Também é sabido que no processo há prazos próprios e impróprios, e que estes não acarretam consequências processuais, embora possam ensejar discussões sobre responsabilização funcional, caso o retardo não seja justificável. Vejase, a título ilustrativo, o art. 226 do novo Código de Processo Civil – CPC (artigo 189 do antigo CPC), que também tem por escopo a celeridade nos julgados: “Art. 226. O juiz proferirá: Fl. 185DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 7 6 I os despachos no prazo de 5 (cinco) dias; II as decisões interlocutórias no prazo de 10 (dez) dias; III as sentenças no prazo de 30 (trinta) dias.” Embora se possa entender o objetivo do artigo, afigurase irrazoável dele deduzir que um processo com decisão judicial proferida após trinta dias seria, por exemplo objeto de nulidade, ou subtração de custas ou atualizações, ou ainda reconhecimento de direitos de crédito. No mesmo sentido as observações em relação ao art. 24 da Lei no 11.457/2007. Ademais, o art. 24 da Lei no 11.457/2007 possuía dois parágrafos que foram vetados pelo Poder Executivo (veto mantido). Um deles exatamente porque atribuía efeitos ao processo no caso de descumprimento (o § 2o dispunha que “haverá interrupção do prazo, pelo período máximo de 120 dias, quando necessária à produção de diligências administrativas, que deverá ser realizada no máximo em igual prazo, sob pena de seus resultados serem presumidos favoráveis ao contribuinte”). Na mensagem no 140, de 16/3/2007, são esclarecidas as razões do veto presidencial, proposto pelos Ministérios da Fazenda e da Justiça: “Razões do veto “Como se sabe, vigora no Brasil o princípio da unidade de jurisdição previsto no art. 5o, inciso XXXV, da Constituição Federal. Não obstante, a esfera administrativa tem se constituído em via de solução de conflitos de interesse, desafogando o Poder Judiciário, e nela também são observados os princípios do contraditório e da ampla defesa, razão pela qual a análise do processo requer tempo razoável de duração em virtude do alto grau de complexidade das matérias analisadas, especialmente as de natureza tributária. Ademais, observase que o dispositivo não dispõe somente sobre os processos que se encontram no âmbito do contencioso administrativo, e sim sobre todos os procedimentos administrativos, o que, sem dúvida, comprometerá sua solução por parte da administração, obrigada a justificativas, fundamentações e despachos motivadores da necessidade de dilação de prazo para sua apreciação. Por seu lado, devese lembrar que, no julgamento de processo administrativo, a diligência pode ser solicitada tanto pelo contribuinte como pelo julgador para firmar sua convicção. Assim, a determinação de que os resultados de diligência serão presumidos favoráveis ao contribuinte em não sendo essa realizada no prazo de cento e vinte dias é passível de induzir comportamento não desejável por parte do contribuinte, o que poderá fazer com que o órgão julgador deixe de deferir ou até de solicitar diligência, em razão das consequências de sua não realização. Ao final, o prejudicado poderá ser o próprio contribuinte, pois o julgamento poderá ser levado a efeito sem os esclarecimentos necessários à adequada apreciação da matéria.” Fl. 186DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 8 7 Derradeiramente, não devemos confundir a celeridade procedimental com a duração razoável do processo (ambas garantidas pelo Texto Constitucional): “Embora seja difícil conceituar precisamente a noção de razoável duração do processo, percebese que tal conceito não está relacionado única e exclusivamente ao “processo rápido” propriamente dito. O processo deve ser rápido o suficiente para dar a resposta apropriada à lide, porém adequadamente longo para garantir a segurança jurídica da demanda. Por tal motivo, o princípio da razoável duração do processo é dúplice, pois tanto a abreviação indevida como o alongamento excessivo são potencialmente danosos ao indivíduo.” 1 Improcedente, assim, o pleito no sentido de atribuição de efeitos à inobservância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei no 11.457/2007. Reparese que nem a norma e nem o julgado na sistemática dos recursos repetitivos (REsp no 1.138.206/RS) objetivam as consequências da inobservância, como deseja a recorrente. Nesse sentido já me manifestei em processos julgados neste tribunal, sempre com acolhida unânime da turma: DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. CONSEQUÊNCIAS. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade, nem diminuição dos consectários legais do crédito tributário. (Acórdão no 3403002.782, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 25 fev. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.746, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 30 jan. 2014) NULIDADE. DESCUMPRIMENTO DE PRAZO PARA JULGAMENTO. A impossibilidade de observância do prazo estabelecido no art. 24 da Lei n. 11.457/2007 no julgamento de processos administrativos fiscais não enseja nulidade. (Acórdão no 3403002.374, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime, sessão de 24 jul. 2013) Portanto, não merecem prosperar as alegações de defesa no que se refere a prazos para a Administração se manifestar sobre pedidos de restituição/ressarcimento, ensejando consequências pelo descumprimento. Das considerações preliminares sobre o cerne do contencioso 1 MARINS, James. Direito Processual Tributário Brasileiro (Administrativo e Judicial). 8.ed. São Paulo: Dialética, 2015, p.194195. Fl. 187DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 9 8 Antes de se ingressar, propriamente, nas matérias contenciosas, há que se registrar o que é inconteste, no presente processo. Tanto a recorrente quanto a fiscalização acordam que as operações para as quais se demanda crédito são aquisições de veículos e autopeças, tributados à alíquota zero, em função da Lei no 10.485/2002, para revenda. E ambas também reconhecem que o direito de crédito foi expressamente vedado pelas leis de regência das contribuições (Lei no 10.637/2002 Contribuição para o PIS/PASEP, e Lei no 10.833/2003 – COFINS), nos artigos 3o, I, “b”, combinados com os artigos 1o, § 2o, III e IV: “Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento): (...) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (...) III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, de autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (...) Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (...) b no § 1o do art. 2o desta Lei.” (grifo nosso) Não há nenhuma controvérsia, nos autos, como exposto, sobre estarem as aquisições inseridas no contexto da Lei no 10.485/2002, e sobre haver a vedação nas leis de regência. Tampouco há divergência sobre o fato de que as contribuições em apreço são não cumulativas. Antes do advento da Medida Provisória no 206, de 09/08/2004, posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004, então, o único inconformismo manifestado pela recorrente se refere a eventual incompatibilidade das restrições com o mecanismo inerente à não cumulatividade das contribuições, ou com princípios constitucionais. Fl. 188DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 10 9 No que se refere a tal inconformismo, é de se destacar, preliminarmente, que a Constituição não assegura nãocumulatividade irrestrita ou ilimitada. E sequer diz que a lei fixará os casos de cumulatividade, sendo a contrário senso os demais casos de não cumulatividade. O texto constitucional permite à lei definir exatamente os setores para os quais operará a nãocumulatividade. E também não dispõe que para tais setores a nãocumulatividade será irrestrita ou ilimitada. É nesse contexto que surgem os dispositivos legais que regem as contribuições nãocumulativas, basicamente as Leis no 10.637/2002 (Contribuição para o PIS/PASEP) e no 10.833/2003 (COFINS), que limitam/restringem a nãocumulatividade referida no texto constitucional. Portanto, o simples fato de apurarse a contribuição pela sistemática nãocumulativa não garante à empresa créditos em relação a quaisquer operações, mas somente àquelas para as quais exista previsão legal de amparo, e não estejam contempladas em vedações nas leis de regência. Sobre a afronta a princípios constitucionais por norma legal vigente, não cabe manifestação desta corte administrativa, em função da Súmula CARF no 2: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Basta, assim, que sejam examinadas administrativamente as normas legais vigentes, assumidas como constitucionais (salvo em caso de expressa declaração de inconstitucionalidade pelo juízo competente). É essa tarefa que se empreende a seguir, com especial destaque para o cerne da controvérsia, que se refere à natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004. Da natureza do comando presente no artigo 17 da Lei no 11.033/2004 No próprio despacho decisório, destaca a autoridade fiscal que o artigo 17 da Lei no 11.033/2004 trata de manutenção de créditos existentes, e não de criação de créditos novos. Por outro lado, a recorrente dispõe que a Medida Provisória no 206, de 09/08/2004 (no art. 16), posteriormente convertida na Lei no 11.033, de 22/12/2004 (art. 17), alastrada à Instrução Normativa SRF no 594/2005 (art. 38), veio a corrigir situação desigual entre os diferentes elos da cadeia produtiva automobilística, que, de fato, não é monofásica, mas com um dos elos sujeitos à alíquota zero. Sobre o correto emprego do termo “monofásico”, é de se informar que a legislação aqui já transcrita não se preocupou efetivamente em definilo, precisamente, mas expressamente estabeleceu vedação ao desconto de créditos em relação a determinadas situações (sejam elas ou não “monofásicas”, na acepção restrita do termo, defendida pela recorrente) previstas em lei, entre as quais a Lei no 10.485/2002, na qual indiscutivelmente se enquadram as operações da recorrente. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 11 10 Assim, é irrelevante ao deslinde do presente contencioso a discordância terminológica, visto que as menções da lei não são simplesmente a operações monofásicas, mas a operações expressamente previstas em determinadas leis, entre as quais aquela na qual se enquadra a situação da operação realizada pela recorrente. Aliás, o termo “monofásica” aparece uma única vez na Lei no 10.833/2003, no artigo 12, § 7o (que trata do desconto correspondente ao estoque de abertura). E basta a leitura de tal parágrafo para que se perceba que o legislador não teve a mesma visão restritiva do termo albergada pela recorrente: “§ 7o O disposto neste artigo aplicase, também, aos estoques de produtos que não geraram crédito na aquisição, em decorrência do disposto nos §§ 7o a 9o do art. 3o desta Lei, destinados à fabricação dos produtos de que tratam as Leis nos 9.990, de 21 de julho de 2000, 10.147, de 21 de dezembro de 2000, 10.485, de 3 de julho de 2002, e 10.560, de 13 de novembro de 2002, ou quaisquer outros submetidos à incidência monofásica da contribuição.” (grifo nosso) Portanto, as discussões suscitadas pela recorrente em relação a monofasia, ou à sistemática de apuração das contribuições, assumem reduzida importância diante dos textos expressos dos comandos legais, que indiscutivelmente vedavam o desconto de créditos para as operações em análise, textos legais esses que não podem ser afastados pelo julgador administrativo em função de eventuais inconstitucionalidades apontadas pela empresa, como aqui já destacado. Resta, assim, à defesa, um único argumento que não esbarraria na discussão sobre a constitucionalidade das vedações existentes, de que teria a Lei no 11.033/2004, resultante da conversão da Medida Provisória no 206/2004, efetivamente criado uma nova hipótese de desconto de crédito, derrogando a existente nas leis de regência das contribuições. Sobre a alegação, cabe salientar que, em 09/08/2004 foi publicada a Medida Provisória no 206/2004 (vigente a partir de 09/08/2004), que, em seu art. 16, dispôs:2 “Art. 16. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” A Exposição de Motivos da Medida Provisória (EM No 00111/2004 MF) parece não deixar dúvidas sobre o caráter declaratório (e não constitutivo) do comando: “19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS.”(sic) (grifo nosso) 2 Com a conversão da Medida Provisória no 206/2004 na Lei no 11.033/2004, o comando passou a figurar no art. 17 da lei, com idêntico teor. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 12 11 Não se cria obrigação, assim, com o art. 16, nem se derroga eventual vedação existente nas leis de regência das contribuições. Apenas se garante a “manutenção” (palavra essa que já sugere o caráter interpretativo do comando) dos créditos vinculados, já se destacando que a “manutenção” do crédito pressupõe a prévia existência do direito ao crédito. E isso decorre claramente da conclusão lógica/semântica de que é impossível “manter” aquilo que não se tem. E, com a publicação da Lei no 11.116, de 18/05/2005 (vigente a partir de 19/05/2005), também não há revogação de vedação ou alteração substancial no direito de crédito previsto nas leis de regência das contribuições. Já enfrentamos o tema em mais de uma oportunidade, chegando a entendimento consolidado no sentido de que: “Sintetizando nosso entendimento: é possível a apuração de créditos previstos nas Leis no 10.637/2002 e no 10.833/2003 em relação a insumos tributados na aquisição (ainda que a saída do produto final esteja sujeita a alíquota zero), cabendo apenas observar se tal direito de crédito não encontra óbice nas vedações estabelecidas no corpo das próprias leis (v.g. inciso II do § 2o do art. 3o). E tal situação não foi alterada pela legislação superveniente: nem pelo art. 16 da Medida Provisória no 206/2004 (atual art. 17 da Lei no 11.033/2004), que somente esclareceu que o fato de a alíquota na venda ser zero não impede a manutenção do crédito (obviamente nas hipóteses em que ele já existia), nem pelo art. 16 da Lei no 11.116, de 18/05/2005, que apenas limitou temporalmente a utilização do saldocredor acumulado no trimestre.” (grifo nosso) (Acórdão no 3403003.488, Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime em relação ao entendimento em apreço, sessão de 27 jan. 2015) No mesmo sentido, de que não houve revogação de vedação a direito de crédito existente nas leis de regência pela Lei no 11.033/2004, em casos de revendedora de veículos e autopeças, já decidiu unanimemente este tribunal administrativo: “COFINS. TRIBUTAÇÃO MONOFÁSICA. REVENDEDORA DE VEÍCULOS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. IMPOSSIBILIDADE. A aquisição de máquinas e veículos relacionados no art. 1º da Lei 10.485/02, para revenda, quando feita por comerciantes atacadistas ou varejistas desses produtos, não gera direito a crédito do PIS e da Cofins,, dada a expressa vedação, consoante o art. 3o , inciso I, alínea "b”” das Leis nº 10.637/02 e nº 10.833/03, respectivamente. A previsão contida no art. 17 da Lei n° 11.033/04 tratase de regra geral não se aplicando nos casos de tributação monofásica por força da referida vedação legal.” (grifo nosso) (Acórdãos n. 3801004.111 a 139, todos unânimes, Rel. Cons. Marcos Antonio Borges, sessão de 19 ago. 2014) “DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. INCIDÊNCIA MONOFÁSICA COM ALÍQUOTA ZERO NAS OPERAÇÕES DE REVENDA. IMPOSSIBILIDADE DE CREDITAMENTO NOS TERMOS DO ART. 17 DA LEI 11.033/2004. Os artigos 2º, Fl. 191DF CARF MF Processo nº 12585.000184/201124 Acórdão n.º 3401003.519 S3C4T1 Fl. 13 12 parágrafo 1º, VIII e 3º, I, b, das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente o direito ao creditamento das referidas contribuições em relação a bebidas adquiridas para revenda. O benefício contido no artigo 17 da Lei 11.033, de 2004, de que o vendedor tem direito a créditos vinculados às vendas efetuadas com alíquota zero do PIS e COFINS, não se aplica no caso de os bens adquiridos não estarem sujeitos ao pagamento das contribuições.” (Acórdão n. 3302002.272, unânime, Rel. Cons. Gileno Gurjão Barreto, sessão de 21 ago. 2013) Em síntese, a falta de uniformidade sobre o que se designa exatamente como “monofásico” é absolutamente marginal diante das vedações, que remetem a dispositivos legais, e não à “monofasia”, em geral. E a Lei no 11.033/2004 não afetou a vigência de tais vedações, previstas nas leis de regência das contribuições. Não socorre a recorrente, a nosso ver, então, a tese de que a Lei no 11.033/2004 teria revogado dispositivos legais que vedavam o aproveitamento de créditos, nas leis de regência das contribuições. A Lei no 11.033/2004 não traz disposição “mais específica” que as constantes nas leis de regência, mas disciplina adicional a elas, com caráter explicativo, e não derrogador de disposição legal expressa, não sendo difícil concluir que a palavra “manterão”, nem de longe, parece ter o condão de transformar vedação expressa em permissão. Derradeiramente, adicionese que as disposições constantes em medidas provisórias diversas, e que não foram convertidas em lei, relacionadas pela recorrente, não se prestam a formar conclusões a contrário senso. O complexo processo que leva à não conversão de medidas provisórias em lei (de concordância parcial, discordância, desnecessidade, irrelevância, inadequação redacional, entre outros) não pode ser simploriamente resumido à conclusão de que cada comando da MP não convertida em lei deveria ser interpretado como comando legal vigente com a redação oposta. Destarte, são totalmente improcedentes as alegações de defesa. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário apresentado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário apresentado. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 192DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001968/2010-61
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2006
COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%.
A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2006
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Numero da decisão: 9101-002.862
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam em negar-lhe provimento (i) por voto de qualidade, quanto à trava de 30%, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) por maioria de votos, quanto aos juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201705
camara_s : 1ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
turma_s : 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19515.001968/2010-61
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5727009
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9101-002.862
nome_arquivo_s : Decisao_19515001968201061.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
nome_arquivo_pdf_s : 19515001968201061_5727009.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam em negar-lhe provimento (i) por voto de qualidade, quanto à trava de 30%, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) por maioria de votos, quanto aos juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
dt_sessao_tdt : Fri May 12 00:00:00 UTC 2017
id : 6776006
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:41 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211927265280
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 43; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1721; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT1 Fl. 2 1 1 CSRFT1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 19515.001968/201061 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9101002.862 – 1ª Turma Sessão de 12 de maio de 2017 Matéria COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS E DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DE CSLL. LIMITE LEGAL. JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. Recorrente GHI PARTICIPAÇÕES E SERVIÇOS DE INFORMAÇÕES PARA NEGÓCIOS LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. O prejuízo fiscal poderá ser compensado com o lucro real posteriormente apurado, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro real. Não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 COMPENSAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. DECLARAÇÃO FINAL. LIMITAÇÃO DE 30%. A base de cálculo negativa de CSLL poderá ser compensada com as bases de cálculo posteriormente apuradas, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do lucro líquido ajustado (base positiva). Não há previsão legal que permita a compensação de base negativa acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da empresa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. INCIDÊNCIA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 19 68 /2 01 0- 61 Fl. 456DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 3 2 O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial. No mérito, acordam em negarlhe provimento (i) por voto de qualidade, quanto à trava de 30%, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado) e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) por maioria de votos, quanto aos juros sobre a multa, vencidos os conselheiros Cristiane Silva Costa, Luís Flávio Neto e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, Andre Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Contra o Sujeito Passivo acima identificado foram lavrados: I O Auto de Infração às fls. 108114, com a exigência do crédito tributário no valor de R$5.973.031,09, a título de Imposto Sobre a Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2006. Consta na Descrição dos Fatos: 001 GLOSA DE PREJUÍZOS COMPENSADOS INDEVIDAMENTE INOBSERVÂNCIA DO LIMITE DE 30%. Compensação indevida de prejuízo(s) fiscal(is) apurado(s), tendo em vista a inobservância do limite de compensação de 30% do lucro líquido, ajustado pelas adições e exclusões previstas e autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo que passa a fazer parte integrante e indestacável do presente Auto de Infração. Fl. 457DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 4 3 Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 247, art. 250, inciso III do art. 251 e parágrafo único do art. 510 do Regulamento do Imposto de Renda constante no Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 (RIR, de 1999), bem como §1º do art. 229 e art. 233 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Consta no Termo de Verificação Fiscal, fls. 99107: II DAS IRREGULARIDADES CONSTATADAS II.1 Compensação a maior de Prejuízo Fiscal na Apuração do Lucro Real A empresa cindida [Genexis do Brasil Ltda. CNPJ 00.114.551/0001 86] apresentou sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) referente ao período de 01/01/2006 a 30/09/2006 fls. 02 a fls. 28 como Especial Cisão Total optando pela tributação com base no lucro real. Na referida DIPJ, o contribuinte informou na linha 44 Lucro Real Após Comp. Prej. Próprio Per. de Apuração da ficha 9A o valor de R$ 52.835.384,46. De acordo com o disposto no art. 510 do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n° 3.000 de 26/03/1999 a cindida somente poderia compensar 30% (trinta por cento) desse valor relativamente aos prejuízos acumulados. Desta forma, o contribuinte efetuou compensação indevida como demonstrado abaixo: a) lucro real antes da comp.prej. 52.835.384,46 b) compensação prej. fiscal (30%) 15.850.615,33 c) valor compensado na DIPJ 52.835.384,46 d) valor compensado a maior de prejuízos na DIPJ (bc) 36.984.769,13 Em conformidade com o Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI), sistema da RFB que gerencia esta conta, informa que o contribuinte possuía saldo para efetuar tal compensação fls. 29. Pelo exposto, fica caracterizado o excesso de compensação de prejuízo fiscal na apuração do Lucro Real, no período de 01/01/2006 a 30/09/2006, no valor de R$ 36.984.769,13. No entanto, a empresa GHI Participações e Serv. de Informações para Negócios Ltda. CNPJ 08.091.585/000104 foi detentora de R$ 85.000,00 que corresponde a 30,28% do acervo líquido da cindida. Desta forma, o valor tributável correspondente e objeto do Auto de Infração IRPJ será de: 36.984.769,13 x 30,28% = 11.198.988,09 Fica o contribuinte, acima identificado, INTIMADO neste ato, a proceder a ajustes no controle de compensação de prejuízos fiscais de períodobase anteriores no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR da empresa cindida de forma que fiquem registradas as alterações de valores dos prejuízos fiscais consignados de ofício pelo presente Termo. Fl. 458DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 5 4 As diferenças de IRPJ apurados serão autuadas como inobservância do limite de 30%, conforme arts. 247,250, inciso III, 251, parágrafo único e 510 do RIR/99. II. 2 Compensação a maior da Base de Cálculo Negativa de períodos anteriores na apuração da CSLL. A empresa cindida [Genexis do Brasil Ltda. CNPJ 00.114.551/0001 86] apresentou sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) referente ao período de 01/01/2006 a 30/09/2006 fls. 02 a fls. 28 como Especial Cisão Total optando pela tributação com base no lucro real. Na referida DIPJ, o contribuinte informou na linha 33 Base de Cálculo Negativa da CSLL de Períodos Anteriores o valor de R$ 52.835.384,46. Ocorre que o contribuinte somente poderia compensar R$ 15.850.615,33, corresponde a 30% (trinta por cento) daquele valor. Desta forma, o contribuinte efetuou compensação indevida como demonstrado abaixo: a) base de cálculo antes comp. BC Neg.per.anteriores 52.835.384,46 b) compensação (30%)15.850.615,33 c) valor compensado na DIPJ 52.835.384,46 d) valor compensado a maior de BC.Neg.CSLL na DIPJ (bc) 36.984.769,13 Em conformidade com o Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI), sistema da RFB que gerencia esta conta, informa que o contribuinte possuía saldo para efetuar tal compensação fls. 30. Pelo exposto, fica caracterizado o excesso de compensação da base de cálculo negativa na apuração da CSLL, no período de 01/01/2006 a 30/09/2006, no valor de R$ 36.984.769,13. No entanto, a empresa GHI Participações e Serv. de Informações para Negócios Ltda CNPJ 08.091.585/000104 foi detentora de R$ 85.000,00 que corresponde a 30,28% do acervo líquido da cindida. Desta forma, o valor tributável objeto do Auto de Infração CSLL será de: 36.984.769,13 x 30,28% = 11.198.988,09 Fica o contribuinte, acima identificado, INTIMADO neste ato, a proceder a ajustes no controle de compensação de bases negativas de períodosbase anteriores da CSLL no Livro de Apuração do Lucro Real LALUR da empresa cindida de forma que fiquem registradas as alterações de valores dos prejuízos fiscais consignados de ofício pelo presente Termo. As diferenças de CSLL apuradas serão autuadas como compensação indevida de base de cálculo negativa de períodos anteriores, conforme o art. 2º e §§ da Lei n° 7.689/88, art. 58 da Lei n° 8.981/95, art. 16 da Lei n° 9.065/95 e art. 37 da Lei n° 10.637/02. Fl. 459DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 6 5 Em decorrência de serem os mesmos elementos de provas indispensáveis à comprovação dos fatos ilícitos tributários foi constituído o seguinte crédito tributário pelo lançamento formalizado neste processo: II O Auto de Infração às fls. 114118, com a exigência do crédito tributário no valor de R$2.154.909,27, a título de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), juros de mora e multa de ofício proporcional apurado pelo regime de tributação com base no lucro real no anocalendário de 2006. Consta na Descrição dos Fatos: 001 CSLL BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE PERÍODOS ANTERIORES Valor apurado conforme Termo de Verificação Fiscal em anexo que passa a fazer parte integrante e indestacável do presente Auto de Infração. Para tanto, foi indicado o seguinte enquadramento legal: art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988, art. 58 da Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, art. 16 da Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995 e art. 37 da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, bem como § 1º do art. 229 e art. 233 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976. Cientificado, o Sujeito Passivo apresentou a impugnação, fls. 121147. Está registrado no Acórdão da 7ª TURMA/DRJ/SPOI/SP nº 1628.872, de 11.01.2011, fls. 216242: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 CISÃO TOTAL. APROVEITAMENTO DE PREJUÍZOS FISCAIS DE PERÍODOS ANTERIORES. E indevida a compensação de prejuízos fiscais sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 15 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2006 CISÃO TOTAL. APROVEITAMENTO DE BASES DE CÁLCULO NEGATIVAS DA CSLL DE PERÍODOS ANTERIORES. E indevida a compensação de bases de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado, estabelecido pelo artigo 16 da Lei n° 9.065/95, ainda que, em decorrência da extinção da pessoa jurídica por incorporação, reste saldo que não poderá ser aproveitado pela sucessora. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 7 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2006 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. CISÃO TOTAL. MULTA DE OFÍCIO. SUCESSÃO EMPRESARIAL. A responsabilidade dos sucessores de sociedade extinta em decorrência de deliberação que aprovar operação de incorporação aplicase às obrigações tributárias vinculadas à empresa incorporada, cuja abrangência da sujeição passiva alcança os respectivos tributos devidos, acrescido das multas de natureza fiscal e juros moratórios a eles associados, adstritos às infrações cometidas quanto aos fatos geradores ocorridos antes da concretude do evento societário. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Vistos, discutidos e relatados os autos, ACORDAM os membros da 7a Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, julgar IMPROCEDENTE a impugnação interposta pelo sujeito passivo e mantendo integralmente as autuações dos créditos tributários, nos termos do relatório e voto, que fazem parte do presente julgado. Notificado, o Sujeito Passivo apresentou o recurso voluntário, efls. 250281. Está registrado no Acórdão nº 1302001.653, de 04.03.2015, efls. 320337: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2006 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE.VEDAÇÃO. É vedado o afastamento pelo CARF de dispositivo prescrito em lei com base em alegação de inconstitucionalidade. Aplicação da Súmula CARF nº 02. COMPENSAÇÃO. PREJUÍZO FISCAL. BASE NEGATIVA DE CSLL. TRAVA LEGAL DE 30%. CISÃO TOTAL. APLICABILIDADE. Não há dispositivo legal que afaste a aplicação dos art. 15 e 16 da Lei nº 9.065/95 aos casos de extinção da pessoa jurídica por incorporação. MULTA DE OFÍCIO. CISÃO TOTAL. CONTROLE COMUM. Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. É escorreita a cobrança de juros, calculados à taxa Selic, sobre multa de ofício, nos termos do §3º do art. 61 da Lei nº 9.430/96. [...] Fl. 461DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 8 7 Acordam os membros do colegiado, por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado. O Sujeito Passivo foi cientificado por edital da referida decisão 30.07.2015, efl. 365, termo inicial da contagem do prazo de quinze dias estabelecido no art. 68 do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Em 13.08.2015, efl. 367, tempestivamente, foi interposto o recurso especial, efls. 368429 1. Suscita que: .IV. DAS RAZÕES PARA A PROCEDÊNCIA DO PRESENTE RECURSO ESPECIAL (i) Da Possibilidade de Compensação Integral do Saldo Acumulado de Prejuízo Fiscal na Hipótese de Extinção da Pessoa Jurídica por Cisão Total 30. Conforme mencionado, o acórdão recorrido entendeu que, nos termos dos artigos 42 e 58, da Lei n° 8.981/95, e dos artigos 15 e 16, da Lei n° 9.065/95, não haveria exceção legal a regra que limita a compensação de prejuízos fiscais e de base negativa da CSLL acumulados para os casos de cisão total da pessoa jurídica. 31. Isso porque, no entender do acórdão recorrido, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial a ser tributado, já que o conceito de renda deve ser analisado em um período determinado de tempo, sendo certo que resultados passados não pertenceriam a este conceito. Assim, tais resultados somente poderiam afetar a renda de determinado período quando há expressa permissão legislativa, o que não seria o caso. 32. No entanto, diferentemente do entendimento manifestado no acórdão recorrido, devese ressaltar que o resultado positivo de determinado exercício financeiro não se confunde com o acréscimo patrimonial, que configura o fato gerador do IRPJ e da CSLL (Lucro Real). 33. A legislação tributária, nos termos dos artigos 43, do Código Tributário Nacional e 195, inciso I, alínea 'c', da Constituição Federal, ao determinar que a hipótese de incidência do imposto de renda é a renda e a da contribuição social sobre o lucro líquido é o lucro, evidentemente, está se referindo ao acréscimo patrimonial. Logo, tais tributos não devem incidir sobre o próprio patrimônio da pessoa jurídica. 34. No caso de cisão total, como ocorrido com a empresa Genexis, não há fluxo de receitas tributárias futuras decorrentes do exercício das suas atividades, um acréscimo patrimonial futuro a ser compensado com os prejuízos acumulados. Não há continuidade do empreendimento que possa assegurar pagamento de tributos, quaisquer que sejam, ao Governo Federal. 1 Fundamentação Legal: Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009 e Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Fl. 462DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 9 8 35. Assim, a aplicação da limitação de 30%, para o aproveitamento de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL acumulados, traz como consequência necessária a tributação do patrimônio da empresa e não apenas do seu acréscimo patrimonial. Ou seja, caso não haja a possibilidade de compensação integral de prejuízos fiscais na extinção da pessoa jurídica, o próprio conceito de renda previsto no artigo 43 do Código Tributário Nacional, de acréscimo patrimonial, seria usurpado. O mesmo raciocínio seria estendido à CSLL, no que o conceito de lucro assemelhase ao conceito de renda. 36. No caso das pessoas jurídicas sujeitas à tributação do IRPJ e da CSLL com base no Lucro Real, a existência de acréscimo patrimonial a ser tributado verificase a partir da apuração do Lucro Real e da Base de Cálculo Positiva da CSLL. 37. Nesse contexto, nos termos do artigo 247, do RIR/99, temse como ponto de partida para apuração do Lucro Real, a apuração do Lucro Líquido ou resultado positivo do exercício, como segue: [...] 38. Como se pode verificar, o Lucro Real, fato gerador do IRPJ que configura acréscimo patrimonial, decorre do lucro líquido do exercício ajustado pelas adições, exclusões ou compensações autorizadas no RIR/99. 39. Nesse ponto, cumpre destacar que um ajuste do lucro líquido, para fins de apuração do Lucro Real, é justamente a compensação de prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores, conforme autorizado pelo artigo 510, do RIR/99: [...] 40. Ou seja, a legislação determina que o resultado positivo do exercício seja justamente ajustado pela compensação de prejuízos fiscais acumulados de exercícios anteriores para que não haja a tributação do que não é acréscimo patrimonial, o que violaria o fato gerador do IRPJ e da CSLL. Até porque, a limitação de 30% para compensação dos prejuízos e bases negativas acumulados pode ser legal quando garantida a sua compensação em exercícios posteriores, exatamente a fim de evitar a tributação do que não é acréscimo patrimonial. 41. Com rigor, se os artigos 15 e 16, da Lei n° 9.065/95, autorizam, ainda que com o limite de 30%, a compensação de prejuízos fiscais e da base negativa da CSLL acumulados de exercício anteriores, tal autorização demonstra justamente haver diferença entre o resultado positivo de um único exercício e o efetivo acréscimo patrimonial para fins de apuração do Imposto de Renda, sendo certo que o resultado de um exercício é influenciado por eventuais prejuízos apurados em exercícios anteriores, a fim de apurar o efetivo acréscimo patrimonial. 42. Logo, ao contrário do sustentado no acórdão recorrido, o acréscimo patrimonial a ser tributado pelo IRPJ e pela CSLL não está relacionado apenas ao resultado positivo apurado em determinado período de apuração. E, assim sendo, não há que se falar na vedação à compensação integral de prejuízo fiscal e de base negativa da CSLL acumulados quando da extinção da pessoa jurídica no presente caso, sob pena exatamente de tributação do que não é acréscimo patrimonial. Fl. 463DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 10 9 43. A esse respeito, cumpre destacar mais um trecho do voto do conselheiro relator do acórdão paradigma n° 1103001.093, [...], que é irretocável ao dispor sobre o conceito de limitação temporal para compensação de prejuízo fiscal e base de cálculo negativa da CSLL acumulados, conforme transcrito abaixo: [...] 44. Como se vê, o acórdão paradigma é categórico no sentido de que a limitação quantitativa imposta pelo legislador para a compensação de prejuízos fiscais e base de cálculo negativa da CSLL impõe a necessária continuidade das atividades da pessoa jurídica, não se aplicando à hipótese de extinção da pessoa jurídica, como ocorreu no caso da empresa sucedida pela Recorrente. 45. Assim, diversamente do entendimento adotado no acórdão recorrido, não se pode aplicar a limitação à compensação de prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas da CSLL acumulados de exercícios anteriores nas hipóteses de extinção da pessoa jurídica, sob pena de se tributar o que não representa renda ou outra espécie de acréscimo patrimonial. 46. Outro argumento utilizado pelo acórdão recorrido foi no sentido de que não haveria exceção legal a regra de limitação de prejuízos para os casos de cisão total da pessoa jurídica. 47. Todavia, tal entendimento não merece prosperar. 48. Inicialmente, porque, para sustentar que não haveria exceção legal a regra de limitação para compensar o saldo de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL nos casos de cisão total da pessoa jurídica, o acórdão recorrido transcreve a ementa do acórdão n° 10193438. No entanto, tal acórdão foi reformado pela Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (doc. 04), na sessão de julgamento realizada em 19 de outubro de 2004, que entendeu "A empresa extinta por incorporação não se aplica o limite de 30% do lucro líquido na compensação do prejuízo fiscal" (acórdão n° 0105.100). Ou seja, o acórdão recorrido pauta sua decisão em entendimento que já foi superado. 49. Além do que, não há que se falar em autorização para aplicação de uma regra de exceção, já que, em verdade, não há qualquer restrição legal em relação ao aproveitamento integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas acumulados por parte da empresa sucedida no momento de sua extinção. 50. Com efeito, a inexistência de menção específica sobre esse tema se sustenta em razão do próprio fundamento e justificativa da legalidade da limitação quantitativa da compensação de prejuízos fiscais, estabelecida pela Lein° 9.065/95. 51. Isto porque a intenção do legislador, ao extinguir a limitação temporal (4 anos) para compensar o saldo de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa da CSLL, até então existente, e impor a limitação quantitativa de 30% para tal compensação, foi apenas diferir o aproveitamento dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL ao longo do tempo para garantir uma arrecadação mínima à Fazenda Pública, mas nunca, em hipótese alguma, vedar a compensação dos valores acumulados em questão. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 11 10 52. Tal intenção pode ser confirmada pela análise da exposição de motivos da Medida Provisória n° 998/95, que foi convertida na Lei n° 9.065/95: [...] 53. Portanto, a possibilidade de compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa da CSLL acumulados, por parte da empresa sucedida no momento de sua extinção, está em linha com um dos métodos de hermenêutica, que é a interpretação teleológica da norma, a fim de permitir a sua aplicação conforme a exata intenção e finalidade do legislador. 54. E é exatamente o que a Recorrente está pretendendo no presente caso, no qual é possível constatar, pela simples leitura da Exposição de Motivos supra mencionada, que o legislador, ao criar a dita limitação de 30%, pretendeu gerar um melhor fluxo de caixa ao Governo Federal, sem, por outro lado, impedir o exercício pelo contribuinte do seu direito à compensação de prejuízos fiscais acumulados. 55. A norma limitadora não teve ou tem o intuito de extinguir o direito à compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL acumulados, mas tãosomente diferir o seu aproveitamento, visando garantir uma arrecadação tributária mínima. 56. Ressaltese, ainda, que, quando da instituição dessa limitação quantitativa, muitos contribuintes questionaram a sua legalidade, sob a alegação de que, ao se limitar o aproveitamento dos prejuízos fiscais, estar seia tributando o patrimônio das empresas, em afronta ao artigo 43 do Código Tributário Nacional. 57. No entanto, ao analisar a matéria, o Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido da legalidade da limitação de 30% para aproveitamento dos prejuízos fiscais, com base na alegação de que a legislação não alterou o conceito de renda, na medida em que manteve assegurado ao contribuinte o direito à compensação integral dos prejuízos fiscais nos anos seguintes, tendo apenas diferido esta compensação, não atingindo, assim, o patrimônio do contribuinte, conforme se verifica do voto da Ministra Eliana Calmon, quando do julgamento do RESP n° 183.155: [...] 58. Ou seja, o STJ somente reconheceu a legalidade da limitação quantitativa para compensação de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL e a ausência de violação ao artigo 43, do Código Tributário Nacional, porque haveria a continuidade da pessoa jurídica. 59. Assim é que a constitucionalidade e a legalidade dessa limitação quantitativa estão no pressuposto de que haja a continuidade das atividades da pessoa jurídica, de modo que, ainda que não haja a compensação integral do saldo acumulado de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativa de CSLL em um determinado exercício, possa o saldo remanescente ser aproveitado em períodos subsequentes, a fim de evitar a tributação do patrimônio da pessoa jurídica e não do mero acréscimo patrimonial, o que afrontaria o fato gerador do IRPJ e da CSLL, conforme anteriormente tratado. 60. Ou seja, a regra de compensação delineada, por pressupor a continuidade das atividades da empresa, prestigia o fato gerador do IRPJ e Fl. 465DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 12 11 da CSLL, o qual, conforme mencionado, recai sobre o acréscimo patrimonial auferido pela pessoa jurídica. 61. No caso de extinção da pessoa jurídica por cisão total, os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas não poderão ser compensados a qualquer tempo, além do que a sucessora não poderá aproveitarse desses prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas acumulados pela empresa sucedida, de modo que o direito à sua compensação não se mantém assegurado. 62. Logo, nessa hipótese, impedir a compensação integral, diversamente do alegado no acórdão recorrido, importa em tributação do patrimônio da pessoa jurídica, afrontando o conceito de renda, hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL, nos termos do artigo 43 do Código Tributário Nacional e do artigo 195, inciso I, alínea "c" da Constituição Federal. 63. Nesse ponto, nem se alegue, ainda, conforme sustentado no acórdão recorrido, que a Recorrente pretende que este E. Tribunal reconheça a inconstitucionalidade de qualquer dispositivo legal, tendo em vista que, por todos os motivos acima expostos, restou claro que, além de inexistir necessidade de previsão expressa na legislação, a inaplicabilidade da limitação de 30% para a compensação dos prejuízos fiscais e da base de cálculo negativa da CSLL nos casos de pessoas jurídicas extintas decorre da interpretação teleológica dos dispositivos legais que criaram tal limitação, sob pena de violação da intenção do legislador. 64. Portanto, demonstrada a regularidade do aproveitamento integral, quando da extinção da Genexis por cisão total, de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas da CSLL acumulados de períodos anteriores, e refutados todos os argumentos trazidos no acórdão ora recorrido para tentar sustentar o lançamento que assim não considerou, não resta dúvida de que tal acórdão deve ser reformado, sob pena de se admitir a tributação do patrimônio da Genexis, em verdadeira afronta aos artigos 43 do Código Tributário Nacional e 195, inciso I, alínea "c" da Constituição Federal. (ii) Da Ilegalidade da Incidência de Juros de Mora Sobre a Multa de Ofício 65. Por fim, caso venha a ser mantido o lançamento, o que se admite apenas para fins de argumentação, a Recorrente solicita que seja reconhecida a impossibilidade de exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, conforme exatamente disposto no acórdão paradigma n° 9202002.600, no qual restou decidido que "os juros de mora à taxa SELIC só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada proporcionalmente ". 66. Isto porque o acórdão recorrido, equivocadamente, entendeu pela incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, sob o argumento de que a multa de ofício deve receber o mesmo tratamento do crédito tributário, nos termos dos artigos 3º, 113 e 139, todos do Código Tributário Nacional. 67. No entanto, ao contrário do que a acórdão recorrido pretende fazer crer, não há previsão legal para exigência de juros de mora sobre multa de ofício. Muito pelo contrário! Fl. 466DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 13 12 68. De acordo com a regra insculpida no artigo 61, parágrafo 3º, da Lei n° 9.430/96, erroneamente interpretada no acórdão recorrido, a incidência de acréscimos de mora deve ocorrer sobre "débitos decorrentes de tributos e contribuições", sendo certo que a multa de ofício não é débito decorrente de tributos e contribuições, mas sim do descumprimento do dever legal de pagálo ou declarálo, conforme preceitua o artigo 44 do mesmo diploma legal, como segue: [...] 69. Além disso, a expressão "penalidade pecuniária" descrita no artigo 113, parágrafo 1º, do Código Tributário Nacional, não se refere à multa de ofício, mas sim à multa de descumprimento de obrigação acessória. 70. Dessa forma, caso o entendimento disposto no acórdão recorrido seja mantido, estarseia admitindo que a multa de ofício pudesse ser objeto de auto de infração. Ou seja, que poderia haver a lavratura de auto de infração tão somente para exigir a multa de ofício desvinculada de qualquer lançamento de tributo. Nada mais absurdo! 71. Quanto ao cálculo dos juros de mora, o artigo 161, do Código Tributário Nacional, ao falar do crédito não integralmente pago, estabelece claramente, em seu parágrafo 1º, que "Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês.". 72. Ocorre que existe lei dispondo de modo diverso. Com rigor, a Lei n° 8.981/95, em seu artigo 84, combinado com o artigo 13, da Lei n° 9.065/95, estabelece de modo cristalino que os juros de mora incidirão exclusivamente sobre os tributos e contribuições sociais, nos seguintes termos: [...] 73. Da leitura das normas acima transcritas, é possível perceber que, conforme autorizado pelo próprio artigo 161, do Código Tributário Nacional, há lei dispondo de modo diverso, alterando a forma de cálculo dos juros de mora, que passaram a ser cobrados apenas sobre os tributos e contribuições sociais, o que obviamente não inclui eventuais multas aplicadas sobre os mesmos. 74. Nesse sentido, cumpre destacar o acórdão paradigma julgado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, que decidiu pela inaplicabilidade da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, conforme ementa transcrita abaixo: [..] 75. Por esclarecedor, seguem abaixo trechos do voto vencedor, do Conselheiro [...]: 76. Desta forma, resta comprovada a indevida exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício aplicada no presente caso, por total ausência de previsão legal e, assim, a Recorrente espera que o acórdão recorrido seja reformado quanto a este ponto. .V. DO PEDIDO 77. Ante todo o exposto, a Recorrente solicita que o presente recurso especial seja conhecido e provido para que seja reformado o acórdão recorrido que negou provimento ao recurso voluntário interposto e, consequentemente, seja julgado integralmente improcedente o lançamento. Fl. 467DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 14 13 78. Por fim, caso venha a ser mantido o lançamento, subsidiariamente, a Recorrente requer que, ao menos, seja parcialmente provido o seu recurso especial, de modo que seja afastada a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício lançada, em razão do disposto no artigo 161, do Código Tributário Nacional, conforme já decidido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, no julgamento do recurso especial interposto nos autos do processo administrativo n° 10830.004756/200611 (acórdão n° 9202002.600), realizado na sessão do dia 07.03.2013. Houve seguimento ao recurso especial do Sujeito Passivo (Despacho de Admissibilidade do Recurso Especial de 21.09.2015, efls. 432435), uma vez que as conclusões sobre as matérias ora recorridas nos acórdãos examinados revelamse discordantes, restando plenamente configurada a divergência jurisprudencial em relação: 1) Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativas da CSLL sem Observância do Limite de 30% do Lucro Líquido Ajustado no Caso de Extinção da Pessoa Jurídica por Cisão a partir do exame do seguinte paradigma: Acórdão nº 1103001.093, de 31.07.2014; e 2) Incidência de Juros de Mora Sobre a Multa se Ofício Proporcional a partir do exame do seguinte paradigma: Acórdão nº 9202002.600, de 07.03.2013. Notificada em 25.09.2015, efl. 436, a PGFN apresentou em 06.10./2015, e fl. 455, as suas contrarrazões, efls. 437454. Argui que: II. DAS RAZÕES PARA MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO. Tratase de recurso especial recebido quanto à limitação de 30% para compensação de saldo acumulado de prejuízos fiscais e de bases de cálculo negativas de CSLL, no caso de extinção de sociedades em decorrência de cisão total, e à incidência de juros sobre a multa de ofício. A decisão merece ser mantida, pois é devida limitação de 30% na compensação no caso de incorporação, bem como a incidência de juros moratórios sobre os valores correspondentes à multa de ofício, visto que o crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal (tributo e multa proporcional). A lei 8.981/95, em seu art.58, estabelece: [...] Sobre o tema, o Primeiro Conselho editou a súmula nº 3, que apresenta o seguinte teor: [...] Como se vê, a legislação, bem como a jurisprudência administrativa consolidada, limitam compensação dos prejuízos ficais e das bases negativas de CSLL ao percentual de 30 % do lucro liquido ajustado, sem fazer nenhuma ressalva. Nessa perspectiva, o intérprete não pode estabelecer exceção à incorporada, se a norma legal não o fez, sob pena de incorrer em expressa afronta à lei. Fl. 468DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 15 14 Portanto, os arts. 15 e 16 da lei 9.065/1995, estabelecem as seguintes regras para compensação de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL anteriores: [...] Não há, na legislação, exceção quanto à limitação da compensação de prejuízos fiscais e bases negativas e, assim sendo, por absoluta falta de previsão legal, não é permitida a compensação acima do limite máximo de 30% do lucro real, mesmo no caso em que se apresenta uma Declaração de Rendimentos final, decorrente da extinção da pessoa jurídica. A possibilidade de compensar prejuízos fiscais de períodos anteriores é uma liberalidade do legislador, pois o acréscimo patrimonial, expressado pela existência do Lucro Real, é observado dentro de um período de apuração, não existindo razão, a priori, para sofrer influência de resultados negativos apurados em períodosbase anteriores. Assim, respeitado o princípio da anterioridade, poderia o legislador ordinário, simplesmente, suprimir a possibilidade de efetuar a mencionada compensação. Adiante citamos jurisprudência do Conselho de Contribuintes consentânea com nosso entendimento. [...] Em suma, o acórdão recorrido merece ser mantido, pois, afastar a limitação à compensação dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSLL nos casos de incorporação, estarseia a contrariar o disposto na legislação de regência, em especifico o art. 58 da Lei 8981/1995, os arts. 15 e 16 da Lei 9065/1995. Quanto à incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, é preciso mencionar, inicialmente, que as decisões administrativas que afastam a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício o fazem a partir da literalidade do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Convém enunciarmos a redação do dispositivo: [...] Como destacamos no texto acima, os defensores da tese da não aplicação de juros sobre a multa salientam a menção do legislador a débitos de tributos e contribuições, diferentemente de legislação anterior, que reportava a débitos de qualquer natureza (DecretoLei nº 2.323, de 1987, e Lei nº 8.218, de 1991). A partir de uma interpretação supostamente literal, os que advogam essa tese defendem que apenas o valor de tributos e contribuições submeterseia aos juros moratórios. Assim, a multa de ofício, por não decorrer de tributo ou contribuição, mas sim do descumprimento de dever legal de declarálo ou pagálo, não sofreria a incidência de juros de mora. Esse entendimento, com o devido respeito, incompleto e incorreto, foi defendido no voto vencedor do Acórdão nº 10196.523 e no voto vencido do Acórdão nº CSRF 910100.539, que passamos a transcrever a título de exemplo: Acórdão nº 10196.523 [...] Acórdão nº CSRF 910100.539 [...] Dissemos acima que a tese partiu de interpretação supostamente literal. Queremos dizer, com isso, que uma interpretação efetivamente literal conduz igualmente à conclusão de incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 16 15 Ora senhores Conselheiros, uma interpretação literal não pode olvidar do termo “decorrente de”, aposto antes das palavras “tributos e contribuições” no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Segundo o dicionário Aurélio, o verbete decorrente significa: Decorrente. [Do lat. Decurrente.] Adj. 2 g. 1. Que decorre, que passa, que se escoa; decursivo. 2. Que decorre, que se origina: [...]Dizer que “os débitos decorrentes de tributos e contribuições”, ou seja, “débitos cuja origem remonta a tributos e contribuições”, se sujeitam a juros de mora não é o mesmo que afirmar que “apenas os débitos de tributos e contribuições submeterseiam aos juros de mora”. Mais do que isso, uma interpretação meramente literal do dispositivo, em verdade, advoga contra a tese da não incidência de juros, senão vejamos: para que os juros moratórios atingissem apenas o valor de tributos e contribuições, seria necessária que a redação do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, fosse a seguinte: “Art. 61. Os débitos de tributos e contribuições para com a União, administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Ocorre que a redação, como vimos acima, não é essa! Não se pode suprimir a expressão “decorrente de”, constante do texto real e em vigor. A bem da verdade, acrescentese, uma interpretação exclusivamente literal do citado art. 61 é totalmente desaconselhável. Ora, o dispositivo fala em tributos e contribuições. Alguém ousaria nos dias atuais defender o caráter não tributário das contribuições? Queremos com isso dizer que, a partir de uma interpretação literal, poderseia cometer o equívoco de pensar que contribuições não são tributos. Neste ponto, duas conclusões já se apresentam. A primeira delas é que não há respaldo legal para uma interpretação supostamente literal do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, limitadora da incidência de juros de mora ao valor de tributos e contribuições e que a sua incidência sobre a multa de ofício. Essa manobra suprime indevidamente a expressão “decorrente de tributos e contribuições”. Portanto, literal por literal, é de prevalecer a interpretação que considera a incidência de juros moratórios sobre os tributos e quantias decorrentes, a exemplo da multa de ofício. (Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições...). A segunda conclusão diz respeito à necessidade de lembrarmos das finalidades da lei para alcançar a efetiva compreensão do comando legal. Com efeito, uma interpretação pautada na finalidade do dispositivo legal ressalta sobremaneira a necessidade de incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. É preciso ser dito, que as multas encerram em si duas finalidades precípuas: uma finalidade punitiva, em razão da prática de uma conduta reprovada pelo ordenamento jurídico e uma finalidade educativa, na medida em que a Contribuinte transgressor, bem como os demais Contribuintes, serão compelidos a não repetir tal conduta juridicamente indesejada. Fl. 470DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 17 16 Nosso ordenamento jurídico busca concretizar essas finalidades mediante uma expressão pecuniária. Ou seja, por meio de um gravame no patrimônio da Contribuinte infrator ou de uma ameaça de onerosidade no patrimônio dos demais Contribuintes são alcançados os caracteres punitivos e educativos da multa tributária. Ora senhores Conselheiros, afastar a incidência de juros moratórios sobre as multas de ofício seria frustrar totalmente a finalidade dos dispositivos legais que cominam multa de ofício. Sejamos pragmáticos: considerando que o Processo Administrativo Tributário se desenvolva e chegue ao seu final em aproximadamente 4 anos, e, sendo otimista, admitindo que uma posterior fase judicial seja concluída em 3 anos, a multa de ofício lançada teria algum impacto punitivo ou educativo após 7 anos de corrosão pela inflação? Decerto que não! Assim, afastar a incidência de juros moratórios das multas de ofício significa igualmente retirar a finalidade a que se propõem os dispositivos que veiculam multas de ofício. Despiciendo mencionar o impacto negativo que tal entendimento traria nas boas praticas tributárias, bem como nos cofres públicos. Vislumbrase ainda outro grave comprometimento da administração tributária. Como se sabe, não adimplida a obrigação tributária no prazo legal, nasce para a Contribuinte o dever de pagar o valor do tributo e mais a multa por sua mora. Por ocasião de posterior lançamento, a multa de ofício correspondente passa a integrar aquele valor, aquele todo, composto de tributo e multa de mora, devido pela Contribuinte. Como se observa, a partir do lançamento, a tributo e multa de ofício passam a ser devidos pela Contribuinte, e esse valor será uniformemente corrigido de acordo com a legislação. Não há possibilidade para a segregação das formas de correção deste montante total. Em outras palavras, não é lógico que valor do tributo sofra a incidência de juros moratórios, enquanto que a multa de ofício não, sendo que ambas as verbas fazem parte de um mesmo todo (crédito tributário). Os próprios votos que pugnam pelo afastamento dos juros sobre a multa de ofício reconhecem essa unidade do crédito tributário, senão vejamos no já citado voto vencido do Acórdão nº 910100.539 da CSRF: [...] Ora senhores(as) Conselheiros(as), se o crédito tributário possui a mesma natureza da obrigação principal e esta, por sua vez, é composta tanto pelo tributo quanto pela penalidade pecuniária (leiase: multa de ofício), não é defensável um tratamento diferenciado para tais valores. Após o lançamento, tributo e multa se convolam em crédito tributário, e é sobre essa quantia que os juros deverão incidir. Convém transcrever julgado do Tribunal Regional Federal da 4ª Região, que utiliza justamente o fundamento acima exposto para manter os juros sobre a multa de ofício: [...] Convém mencionar, a propósito, dispositivos pertinentes do CTN: [...] Não há dúvidas, segundo a dicção do art. 161 do CTN, do acréscimo de juros de mora sobre o crédito não adimplido no vencimento. Uma simples Fl. 471DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 18 17 análise sistemática dos arts. 113, 139 e 161 do CTN revela que a multa de ofício (penalidade pecuniária), por integrar o crédito tributário, recebe igualmente o acréscimo moratório de juros. [...] No âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, a jurisprudência preponderante sobre o tema não é diferente. Há diversos julgados do CARF reconhecendo a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício, dentre eles mencionemse: [...] Merece especial destaque voto proferido no Acórdão 10422.956, da lavra do Conselheiro [...], ante a profundidade e clareza com que o tema foi abordado. Com efeito, o ilustre julgador dividiu a analise do tema em duas questões principais: I possibilidade genérica da incidência de juros sobre a multa, centrada na interpretação do art. 161 do CTN; e II – existência de previsão legal para exigência de juros sobre a multa, cobrados com base na taxa SELIC. [...] A dicção da Súmula nº 4 do CARF corrobora nossos argumentos, na medida em que fala genericamente em débitos tributários: [...] Em respeito ao princípio da eventualidade, caso os ilustre julgadores entendam que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não abrange a multa de ofício, é preciso deixar claro que, ainda assim, incidiriam juros de mora à taxa de 1% ao mês. Isso porque não se poderia desprezar o comando do já citado art. 161 do CTN, [...]. Como se observa, o caput determina a incidência dos juros de mora, facultando ao legislador ordinário a estipulação de juros em taxa diversa de 1% (um por cento) ao mês. Por tudo o que já expusemos, cremos que a lei (Lei nº 9.430/96, art. 61, §3º), de fato, “dispôs de modo diverso” e determinou a aplicação da taxa Selic aos juros de mora. Os que defendem que a multa de ofício não sofre a incidência de juros de mora à taxa Selic não podem se furtar da aplicação da taxa de 1%. Assim, já entendeu algumas vezes o CARF: [...] Repitase mais uma vez, a título de conclusão: cremos que o entendimento correto, pautado em uma interpretação sistemática e finalística das normas tributárias envolvidas, é aquela que afirma a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício e utilizase da taxa Selic. [...] III – DO PEDIDO Ante todo o exposto pugna a Fazenda Nacional que seja negado provimento ao citado recurso, mantendose o acórdão proferido pela e. Turma a quo por seus próprios e jurídicos fundamentos. É o Relatório. Fl. 472DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 19 18 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araújo, Relator Verificase que o Acórdão nº 1103001.093, de 31.07.2014, foi reformado pelo Acórdão nº 9101002.455, de 22.09.2016. Ocorre que, na data da interposição do recurso especial do Sujeito Passivo, o Acórdão nº 1103001.093, de 31.07.2014, ainda não tinha sido reformado na matéria que lhe aproveita e por isso deve ser mantido como paradigma (§ 15 do art. 67 do Anexo II do RICARF). O Acórdão nº 9202002.600, de 07.03.2013, também apresentado como paradigma, não foi reformado. Por conseguinte, não cabem reparos ao seguimento da admissibilidade do recurso especial do Sujeito Passivo e assim voto por CONHECER o recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo. Passo à análise do mérito em relação: 1) à compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado no caso de extinção da pessoa jurídica por cisão, e 2) incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional. Mérito 1) Compensação de Prejuízos Fiscais e de Base de Cálculo Negativas da CSLL sem Observância do Limite de 30% do Lucro Líquido Ajustado no Caso de Extinção da Pessoa Jurídica por Cisão O Sujeito Passivo procura demonstrar, em síntese, que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL não se aplica nas hipóteses de descontinuidade da pessoa jurídica extinta por cisão. A Lei nº 8.981, de 20 de janeiro de 1995, disciplinou a questão da seguinte forma a partir de 01.01.1995: Art. 42. A partir de 1º de janeiro de 1995, para efeito de determinar o lucro real, o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas ou autorizadas pela legislação do Imposto de Renda, poderá ser reduzido em, no máximo, trinta por cento. Parágrafo único. A parcela dos prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, não compensada em razão do disposto no caput deste artigo poderá ser utilizada nos anoscalendário subseqüentes. [...] Art. 58. Para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, o lucro líquido ajustado poderá ser reduzido por Fl. 473DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 20 19 compensação da base de cálculo negativa, apurada em períodosbase anteriores em, no máximo, trinta por cento. O Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 344.994/PR declarou a constitucionalidade do art. 42 e do art. 58 da Lei n.º 8.981, de 1995: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. LIMITAÇÕES. ARTIGOS 42 E 58 DA LEI N. 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E "B", E 5º, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. 1. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido 2. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. [...] Vale transcrever excertos do VotoVista da Ministra Ellen Gracie: Como sabido, em matéria de Imposto de Renda, a lei aplicável é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Entendo com a devida vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8.981/95 mera expectativa de direito donde o nãocabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Ora, o Regulamento do Imposto de Renda – RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8.981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não tem ‘crédito’ oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito líquido e certo à ‘socialização’dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. É apenas por benesse da política fiscal – atenta a valores mais amplos como a estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos – que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante par ao exercício que definirá se o benefício será calculado sobre 10, 20 ou 30% ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Pacificando este entendimento, ainda o Supremo Tribunal Federal (STF) no julgamento do RE 545.308/SP declarou novamente a constitucionalidade do art. 42 e do art. 58 da Lei n.º 8.981, de 1995: Fl. 474DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 21 20 EMENTA: DIREITO TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO. BASE DE CÁLCULO: LIMITAÇÕES À DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS. ARTIGO 58 DA LEI 8.981/1995: CONSTITUCIONALIDADE. ARTIGOS 5º, INC. II E XXXVI, 37, 148, 150, INC. III, ALÍNEA "B", 153, INC. III, E 195, INC. I E § 6º, DA CONSTITUIÇÃO DA REPÚBLICA. PRECEDENTE: RECURSO EXTRAORDINÁRIO 344.944. RECURSO EXTRAORDINÁRIO NÃO PROVIDO. 1. Conforme entendimento do Supremo Tribunal Federal firmado no julgamento do Recurso Extraordinário 344.944, Relator o Ministro Eros Grau, no qual se declarou a constitucionalidade do artigo 42 da Lei 8.981/1995, "o direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de benefício fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido". 2. Do mesmo modo, é constitucional o artigo 58 da Lei 8.981/1995, que limita as deduções de prejuízos fiscais na formação da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro. 3. Recurso extraordinário não provido. Assim o STF fixou que o direito a compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL tem natureza jurídica de benefício fiscal em favor do contribuinte. Desse modo pode ser revista pelo ente tributante e não se caracteriza direito adquirido, ou seja, direito subjetivo definitivamente incorporado ao patrimônio jurídico do titular (art. 6º do DecretoLei nº 4.657, de 04 de setembro de 1942 e art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Por seu turno, a Lei nº 9.065, de 20 de junho de 1995, manteve o benefício fiscal nos mesmos moldes da Lei nº 8.981, de 1995 e assim dispõe a partir de 01.01.1996: Art. 15. O prejuízo fiscal apurado a partir do encerramento do ano calendário de 1995, poderá ser compensado, cumulativamente com os prejuízos fiscais apurados até 31 de dezembro de 1994, com o lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação do imposto de renda, observado o limite máximo, para a compensação, de trinta por cento do referido lucro líquido ajustado. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios do montante do prejuízo fiscal utilizado para a compensação. [...] Art. 16. A base de cálculo da contribuição social sobre o lucro, quando negativa, apurada a partir do encerramento do anocalendário de 1995, poderá ser compensada, cumulativamente com a base de cálculo negativa apurada até 31 de dezembro de 1994, com o resultado do período de apuração ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação da referida contribuição social, determinado em anoscalendário subseqüentes, observado o limite máximo de redução de trinta por cento, previsto no art. 58 da Lei nº 8.981, de 1995. Parágrafo único. O disposto neste artigo somente se aplica às pessoas jurídicas que mantiverem os livros e documentos, exigidos pela legislação fiscal, comprobatórios da base de cálculo negativa utilizada para a compensação. Ademais, nesse mesmo sentido está registrado no enunciado da Súmula CARF nº 3: Fl. 475DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 22 21 Para determinação da base de cálculo do Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas e da Contribuição Social Sobre o Lucro, a partir do ano calendário de 1995, o lucro líquido ajustado pode ser reduzido em, no máximo, trinta por cento, tanto em razão da compensação de prejuízo, como em razão da compensação da base de cálculo negativa. Por conseguinte, restou cristalino o entendimento de que a Lei nº 8.981, de 1995 e por inferência também a Lei nº 9.065, de 1995, que tratam da limitação legal de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL são constitucionais, mesmo porque não foi declarada a inconstitucionalidade de nenhuma delas pelo Supremo Tribunal Federal (art. 102 da Constituição Federal). Aliás, como se trata de benefício fiscal pode ser revisto a qualquer tempo pelo ente público competente para a instituição do tributo e se restringe às condições fixadas em lei (caput do art. 37 da Constituição Federal). Verificase, por conseguinte, que a mencionada compensação não pode ser considerada como direito adquirido, senão nos limites da legislação que rege a matéria. Nos julgamentos pelo STF do RE 344.994/PR e do RE 545.308/SP, apesar de não ter examinada a questão do limite legal de 30% para compensação de prejuízo fiscal e da base de cálculo negativa de CSLL em caso de extinção de pessoa jurídica, restou cristalino que a lei aplicável em relação a essa compensação é aquela vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Aliás assim se pronunciou o Superior Tribunal de Justiça no REsp 1107.518/SC: "A homenagem ao princípio da legalidade tributária exige expressa disposição na lei da conduta a ser praticada pelo ente tributante e pelo contribuinte." Sobre o conceito legal de renda, temse que para fins de IRPJ em seu aspecto material da hipótese de incidência deve ser entendido como o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos (art. 43 do Código Tributário Nacional CTN). Fica a cargo de lei ordinária federal fixar os demais aspectos da hipótese de incidência, inclusive o temporal, uma vez que a competência para instituir o IRPJ e a CSLL é da União (inciso III do art. 153 e alínea c do inciso I do art. 195, todos da Constituição Federal). A limitação de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL não pode ser traduzida em instituição de novo tributo, o que somente poderia ser efetivado nos estritos termos das determinações constantes na Constituição Federal. Tratase tão somente de instrumento de política tributária. Este benefício fiscal, constituído dentro de parâmetros legais, tem natureza jurídica de dedução da base de cálculo do IRPJ e da CSLL em relação a períodos futuros (art. 6º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988). Nada mais é que a utilização delimitada de prejuízos fiscais acumulados ou bases de cálculo negativas de CSLL acumuladas de períodos anteriores. O conceito de renda não foi adulterado, tampouco extravasada a competência tributária da União acarretando tributação do patrimônio. Em relação ao conceito de lucro, cabe explicitar que tem caráter eminentemente legal (art. 6º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977 e art. 2º da Lei nº 7.689, de 15 de dezembro de 1988), o que pode não corresponder às perspectivas societárias e econômicas, conforme entendimento do STF esposado no RE 344.994/PR. Reiterese que a limitação de 30% para compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL não tem o condão de criar "artificialmente um lucro nas pessoas jurídicas deficitárias, para tributarlhes o patrimônio", como bem elucidado acima pelo Voto Vista da Ministra Ellen Gracie. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 23 22 Podese concluir que a continuidade da pessoa jurídica não implica um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL afastada do limite legal de 30%, o que não desnatura a materialidade da hipótese de incidência do IRPJ e da CSLL, nem o conceito para fins tributários de renda ou de lucro em determinado período de apuração, no sentido preciso de confirmar a independência entre os exercícios. Ainda, o art. 32 e art. 33 do DecretoLei nº 2.341, de 29 de junho de 1987, vedaram à pessoa jurídica compensar seus próprios prejuízos se entre a data da apuração e da compensação houver ocorrido modificação de seu controle acionário e do ramo de atividade, bem como vedou a compensação, pela pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão, de prejuízos da sucedida e não estabeleceu exceções a esta regra. A interpretação sistemática da Lei n° 8.981, de 1995, da Lei nº 9.065, de 1995 e do DecretoLei nº 2.341, de 1987, leva a conclusão de que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL aplicase nas hipóteses de descontinuidade da pessoa jurídica por incorporação, já que inexiste neste contexto norma implícita. Reiterese que não há previsão legal que permita a compensação de prejuízos fiscais acima deste limite, ainda que seja no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Já restou bem esclarecido que o presente litígio abrange questões sobre o direito à compensação de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL em anos futuros, especificamente no que toca às nuances desse direito diante do quadro de continuidade ou não das atividades da pessoa jurídica. Não deixo de reconhecer que a matéria em pauta ainda é objeto de controvérsias no CARF, mas, como já apontado resumidamente acima, eu me filio à interpretação que já há algum tempo vem prevalecendo na Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), no sentido de que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por incorporação, ou por qualquer outro evento. Entre as razões de decidir, adoto o brilhante voto do Conselheiro Marcelo Cuba Netto no Acórdão nº 1201000.888, de 09/10/2013, que fez um perspicaz estudo do tema: "Feitas essas considerações iniciais, passemos a examinar os fundamentos da tese proposta pela interessada. Afirma a recorrente que o significado de uma norma jurídica não é aquele que advém diretamente da literalidade do texto normativo, devendo, ao contrário, ser extraído mediante o emprego dos métodos de interpretação aceitos tanto pela doutrina quanto pela jurisprudência, em especial o histórico, o sistemático e o teleológico. Nesse sentido, explica que a nova sistemática de compensação de prejuízos fiscais introduzida pela Lei nº 9.065/95 há que ser compreendida mediante comparação com o sistema vigente até então. Diz que, na sistemática anterior (Lei nº 8.541/92), era possível a compensação integral de prejuízos, porém com limitação temporal de quatro períodosbase. Alega que a nova sistemática extinguiu o limite temporal, mas manteve o direito à Fl. 477DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 24 23 compensação integral, observado o limite de 30% em cada períodobase futuro. Conclui, assim, que no período em que ocorrer incorporação, fusão ou cisão, ainda que parcial, da pessoa jurídica, não sendo mais possível a compensação dos prejuízos em períodosbase futuros, a única solução jurídica possível, consentânea com o preceito contido na Lei nº 9.065/95 de que o sujeito passivo não perde o direito à compensação, é que o limite de 30% não se aplica. Pois bem, relativamente a essa argumentação é preciso, inicialmente, concordar com a recorrente quando afirma que o significado da norma jurídica deve ser compreendido mediante o emprego dos métodos de hermenêutica jurídica. No entanto, a interpretação histórica empreendida pela recorrente parte de uma premissa equivocada, qual seja, a de que tanto na sistemática de compensação vigente antes do advento da Lei nº 9.065/95, quanto na atual, o sujeito passivo tem direito à compensação integral de prejuízos fiscais. Vejamos. Na sistemática anterior o sujeito passivo tinha o direito à compensação de prejuízos, desde que observado o limite temporal de quatro anos. Exemplifiquemos com duas situações distintas: a) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 200,00, R$ 300,00, R$ 400,00 e R$ 400,00; b) o sujeito passivo apura no ano “X” prejuízo fiscal de R$ 1.000,00. Nos quatro anos subsequentes apura lucro líquido ajustado, respectivamente, nos valores de R$ 100,00, R$ 200,00, R$ 200,00 e R$ 300,00; Na hipótese descrita na situação “a” o sujeito passivo poderá compensar integralmente o prejuízo. Já na hipótese descrita na situação “b” o sujeito passivo não poderá, e, ainda que se diga que isso se deva à imposição do limite temporal, o fato iniludível é que restará uma parcela que não mais será passível de compensação. Em outras palavras, na situação “b” não haverá compensação integral do prejuízo apurado no ano “X”. Portanto, resta claro que a previsão, por lei, de um limite temporal é incompatível com a premissa afirmada pela recorrente de existência de um direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. O que existia na sistemática anterior era algo distinto, qual seja, um direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais, a depender do caso concreto, como ilustrado nas situações “a” e “b” retro. E dizer que a compensação poderá ser realizada até integralmente é algo distinto de dizer que poderá ser realizada integralmente. É que ao estabelecer que a compensação poderá ser realizada até integralmente a lei, desde logo, admite que poderá haver hipóteses em que a compensação não se dará integralmente, conforme visto na situação “b”. Fl. 478DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 25 24 Seguindo a trilha da interpretação histórica proposta pela interessada, é de se dizer que a nova sistemática introduzida pela Lei nº 9.065/95, na linha da sistemática anterior, manteve o direito do sujeito passivo em compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Afastado o limite temporal de quatro anos, e introduzido o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%, o direito à compensação (até integral) passou a poder ser exercido ao longo da existência da pessoa jurídica. A própria exposição de motivos à Medida Provisória nº 998/95, posteriormente convertida na Lei nº 9.065/95, e apontada pela interessada para sustentar a sua tese, expressamente prevê que o sujeito passivo poderá compensar até integralmente seus prejuízos fiscais. Confira sua redação: "Arts. 15 e 16 do Projeto: decorrem de Emenda do Relator, para restabelecer o direito à compensação de prejuízos, embora com as limitações impostas pela Mediada Provisória n. 812/94 (Lei n. 8981/95). Ocorre hoje vacatio legis em relação à matéria. A limitação de 30% garante uma parcela expressiva da arrecadação, sem retirar do contribuinte o direito de compensar, até integralmente, num mesmo ano, se essa compensação não ultrapassar o valor do resultado positivo." (Grifamos) Assim, a compensação poderá se dar até integralmente, seja em um mesmo ano, seja em diversos anos ao longo da existência da pessoa jurídica, desde que observado, em cada um desses anos, o limite máximo de redução do lucro líquido ajustado em 30%. Se no ano da extinção da pessoa jurídica, ou da sua cisão parcial, o valor dos prejuízos acumulados for superior a 30% do lucro líquido ajustado, ainda assim o limite deverá ser observado. É que tal como na situação “b” referente à sistemática antiga, também na sistemática atual poderá haver casos, como o retratado nos presentes autos, em que o sujeito passivo não poderá compensar integralmente seus prejuízos acumulados, haja vista a imposição do limite de 30%. E não há nada de ilegal nisso, pois a lei não garante o direito à compensação integral. Na sequência de sua peça recursal a interessada enfatiza o emprego da interpretação sistemática. Argumenta que, ao contrário do que disse a fiscalização, o caso dos autos não é de lacuna no ordenamento jurídico (inexistência de norma), e sim de uma norma jurídica existente, porém implícita. Diz, primeiramente, que o exame conjunto do aludido art. 15 da Lei nº 9.065/95 com o abaixo transcrito art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 conduziria à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo seria a inaplicabilidade do limite de 30% quando da extinção da pessoa jurídica ou de sua cisão parcial. Art. 33. A pessoa jurídica sucessora por incorporação, fusão ou cisão não poderá compensar prejuízos fiscais da sucedida. Parágrafo único. No caso de cisão parcial, a pessoa jurídica cindida poderá compensar os seus próprios prejuízos, proporcionalmente à parcela remanescente do patrimônio líquido. Fl. 479DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 26 25 Também aqui não me parece estar correta a interpretação proposta pela defesa. Vejamos. O art. 15 da Lei nº 9.065/95 veda a compensação de prejuízos em montante que reduza em mais do que 30% o lucro líquido ajustado do período. Não há menção, nesta norma, aos eventos de extinção da pessoa jurídica ou sua cisão parcial. Por sua vez, o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 veda que a sucessora compense prejuízos da sucedida, e, em caso de cisão parcial, limita a compensação, pela própria pessoa jurídica, ao valor de seu prejuízo proporcional à parcela do patrimônio não objeto da cisão. A incidência isolada de cada uma dessas duas normas à hipótese de extinção de pessoa jurídica que possua prejuízos fiscais acumulados em montante superior a 30% do lucro líquido ajustado conduzirá às seguintes conclusões: a) art. 15 da Lei nº 9.065/95 impossibilidade de compensação, pela pessoa jurídica extinta, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado por força do limite de 30%; b) art. 33 do Decretolei nº 2.341/87 impossibilidade de compensação, pela sucessora, do valor do prejuízo fiscal acumulado não compensado pela sucedida. Já a interpretação conjunta dessas duas normas sobre a mesma situação hipotética acima descrita conduziria, de acordo com a recorrente, à conclusão da existência de uma norma implícita cujo conteúdo afastaria a aplicação do limite de 30% à pessoa jurídica extinta. Ocorre que o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado na hipótese aventada. Dito de outro modo, se as premissas (o art. 15 da Lei nº 9.065/95 e o art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) do silogismo lógicodedutivo proposto pela recorrente não conduzem necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado no caso de extinção da pessoa jurídica, então a recorrente deve reconhecer que não logrou êxito em demonstrar a existência da aludida norma implícita. (...) Prossegue a recorrente em sua defesa afirmando, com fundamento nas lições de Karl Larenz, que a já citada norma implícita também pode ser deduzida a partir do silêncio eloquente da lei. No Capítulo V.2 de sua famosa obra (Metodologia da Ciência do Direito, 3a. ed., pg. 524 e ss.), o prestigiado filósofo do direito citado pela recorrente discorre sobre o conceito e espécies de lacunas. Nesse sentido, explica que nem todo silêncio da lei deve ser tido como uma lacuna, conforme trecho a seguir transcrito: "Poderia pensarse que existe uma lacuna só quando e sempre que a lei (...) não contenha regra alguma para uma determinada configuração no caso, quando, portanto, “se mantém em silêncio”. Mas existe também um “silêncio eloquente” da lei." Fl. 480DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 27 26 Assim é que, pelas lições de Larenz, nem todo silêncio da lei deve ser compreendido como uma lacuna a ser preenchida pelo aplicador do direito. Casos há em que, embora o legislador haja silenciado sobre determinado assunto, não significa que haja ali uma lacuna, daí porque não pode o aplicador pretender regulála por meio de analogia, princípios gerais do direito ou qualquer outro método de integração do direito. É o que o autor chama de silêncio eloquente. Pois bem, a idéia de lacuna corresponde à antítese da idéia de existência de norma, seja explicita seja implícita. Em outras palavras, se há norma regulando o caso, ainda que implícita, então não haverá ali uma lacuna. Inversamente, se há lacuna, não há norma regulando o caso, ainda que implícita. A questão do silêncio eloquente da lei, segundo leciona Larenz, está afeto ao campo das lacunas, e não ao campo da existência de normas, sejam estas explícitas ou implícitas. Portanto, ao procurar conectar o problema das normas implícitas à questão do silêncio eloquente da lei a recorrente mistura alhos e bugalhos. Na sequência, a interessada faz uso do princípio da eventualidade alegando que, se for entendido haver lacuna, e não norma implícita, deve ela ser preenchida segundo o espírito da lei. Argumenta que, como o espírito do art. 15 da Lei nº 9.065/95 não foi vedar a compensação integral, qualquer integração só poderá ser produzida no sentido de assegurar a compensação sem a observância do limite de 30%, nas situações em que em virtude de outra norma (art. 33 do Decretolei nº 2.341/87) a limitação nessas situações frustraria qualquer possibilidade de compensação futura do excedente. Novamente a recorrente traz à baila a questão da compensação integral do prejuízo. Sua argumentação, agora, é que há uma lacuna na Lei nº 9.065/95, a qual deixou de excepcionar o limite de 30% previsto no art. 15 às hipóteses de extinção ou cisão parcial da pessoa jurídica. No entanto, conforme Larenz, nem todo silêncio da lei pode ser tido como uma lacuna. Nesse sentido, o simples fato de a Lei nº 9.065/95 não excepcionar a incidência de seu art. 15 a casos como o dos presentes autos, não nos autoriza concluir que exista uma lacuna naquela lei. Mas, então, quando é que poderseá dizer que existe uma lacuna na lei? A resposta pode ser encontrada também em Larenz (sobre o assunto vide, também, Aleksander Peczenik, in On Law and Reason, pg. 24 e ss.). Haverá uma lacuna na lei quando, com base nos valores albergados pelo sistema jurídico, for possível afirmar que a norma deveria existir. E se o legislador não produziu uma norma que, em razão dos valores presentes no ordenamento jurídico, deveria existir, então o próprio direito autoriza ao aplicador promover a integração da lacuna, por meio de analogia, princípios gerais do direito, equidade, etc. Já vimos anteriormente que não existe norma jurídica, sequer implícita, estabelecendo o direito do sujeito passivo em compensar integralmente seus prejuízos fiscais. Investiguemos agora se essa propalada compensação integral, apesar de não ser um direito formalmente estabelecido, constituise em um valor resguardado pelo ordenamento jurídico. Se a resposta for positiva, então, conforme afirmado pela Fl. 481DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 28 27 recorrente, há que se reconhecer a existência de uma lacuna na Lei nº 9.065/95 ao não excepcionar a incidência de seu art. 15 aos casos de extinção ou cisão parcial. A defesa não aponta qual a norma ou conjunto de normas do ordenamento que albergaria esse suposto valor. Certamente não está ele contido no art. 33 do Decretolei nº 2.341/87, pois, como dito outrora, o simples fato de o prejuízo não compensado pela sucedida também não ser passível de compensação pela sucessora não conduz, necessariamente, à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado nas hipóteses de extinção ou cisão parcial. Talvez a única norma do ordenamento jurídico em que seria possível vislumbrar a existência do afirmado valor (compensação integral de prejuízos) é a contida no art. 153, III, da Constituição da República, o qual estabelece competir à União instituir imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. Ocorre que o próprio STF, ao examinar por diversas vezes a questão, já afirmou e reafirmou que a limitação de 30% à compensação de prejuízos não ofende o conceito constitucional de renda, daí porque é de se concluir não ser possível dele se inferir a existência do alegado valor concernente à compensação integral de prejuízos." Entendo completamente aplicáveis à discussão desenvolvida nos presentes autos as considerações expostas no voto reproduzido. A tese no sentido de que existiria, no ordenamento atinente ao IRPJ, norma implícita que determina a possibilidade de afastamento da trava de 30% no ano de encerramento das atividades da pessoa jurídica, é devidamente refutada. Demonstrase que a interpretação conjunta dos arts. 15 da Lei nº 9.065/1995 e do art. 33 do DecretoLei nº 2.341/1987 (reproduzido no art. 514 do RIR/1999) não conduz necessariamente à conclusão de que o limite de 30% deva ser afastado. Assim, improcede a defesa da existência de uma aventada norma implícita. O voto ainda aborda a questão do pretenso direito adquirido das pessoas jurídicas à compensação integral dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas de CSLL acumulados ao longo dos exercícios anteriores. A este respeito, concluise que inexiste tal direito adquirido no sistema atualmente adotado para as compensações (limitação quantitativa em cada exercício, sem limite temporal), assim como não existia na regra anterior (limitação temporal de quatro anos para a compensação, sem limite quantitativo para cada exercício). O Acórdão CSRF nº 910100.401, de 02/10/2009 também discute se existe ou não direito adquirido dos contribuintes à compensação de resultados negativos anteriores. Tal decisão representou uma mudança de posicionamento da CSRF a respeito do tema, motivada, entre outras razões, por decisões do próprio Poder Judiciário: "Voto Conselheira IVETE MALAQUIAS PESSOA MONTEIRO (...) Fl. 482DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 29 28 Os Tribunais Superiores já definiram que na compensação de prejuízos não se trata de direito adquirido, mas sim de uma expectativa de direito, como demonstram decisões do Superior Tribunal de Justiça, como exemplo o Recurso Especial nº. 307.389 RS, que ao enfrentar semelhante questão pronunciase da forma seguinte: (...) Também o STF se pronunciou acerca do tema, em 25/03/2009, no RE 344.9940 do Paraná, cujo Relator inicial, o Ministro Marco Aurélio restou vencido. Redige o voto vencedor o Ministro Eros Grau, acórdão assim ementado: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA. DEDUÇÃO DE PREJUÍZOS FISCAIS LIMITAÇÕES ARTIGOS 42 E 58 DA LEI Nº 8.981/95. CONSTITUCIONALIDADE. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO DO DISPOSTO NOS ARTIGOS 150, INCISO III, ALÍNEAS "A" E 'B", E 5°, XXXVI, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. O direito ao abatimento dos prejuízos fiscais acumulados em exercícios anteriores é expressivo de beneficio fiscal em favor do contribuinte. Instrumento de política tributária que pode ser revista pelo Estado. Ausência de direito adquirido. A Lei n. 8.981/95 não incide sobre fatos geradores ocorridos antes do início de sua vigência. Prejuízos ocorridos em exercícios anteriores não afetam fato gerador nenhum. Recurso extraordinário a que se nega provimento. Neste recurso pretendia o autor que a trava não incidisse sobre os saldos de prejuízos ocorridos até dezembro de 1994, sob argumento de que se estava diante de um direito adquirido à compensação de todo prejuízo e a nova lei não poderia restringir tal direito. Aliás, quanto à interpretação teleológica pretendida no paradigma trazido à colação, no que toca aos prejuízos fiscais, o Supremo Tribunal Federal decidiu, em sua composição Plenária, que a compensação de prejuízos fiscais tem natureza de beneficio fiscal e pode, como instrumento de política tributária, ser revisto pelo legislador sem implicar, sequer, no direito adquirido. Destaque é de ser dado ao voto da Ministra Ellen Gracie, que bem traduz a lógica do que aqui defendemos e neutraliza os argumentos da Recorrente nos seguintes termos: (...) 5. (...) Entendo, com vênia ao eminente Relator, que os impetrantes tiveram modificada pela Lei 8981/95 mera expectativa de direito donde o não cabimento da impetração. 6. Isto porque, o conceito de lucro é aquele que a lei define, não necessariamente, o que corresponde às perspectivas societárias ou econômicas. Fl. 483DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 30 29 Ora, o Regulamento do Imposto de Renda RIR, que antes autorizava o desconto de 100% dos prejuízos fiscais, para efeito de apuração do lucro real, foi alterado pela Lei 8981/95, que limitou tais compensações a 30% do lucro real apurado no exercício correspondente. 7. A rigor, as empresas deficitárias não têm "crédito" oponível à Fazenda Pública. Lucro e prejuízo são contingências do mundo dos negócios. Inexiste direito liquido e certo à "socialização" dos prejuízos, como a garantir a sobrevivência de empresas ineficientes. E apenas por benesse da política fiscal atenta a valores mais amplos como o da estimulação da economia e o da necessidade da criação e manutenção de empregos que se estabelecem mecanismos como o que ora examinamos, mediante o qual é autorizado o abatimento dos prejuízos verificados, mais além do exercício social em que constatados. Como todo favor fiscal, ele se restringe às condições fixadas em lei. É a lei vigorante para o exercício fiscal que definirá se o beneficio será calculado sobre 10, 20 ou 30%, ou mesmo sobre a totalidade do lucro líquido. Mas, até que encerrado o exercício fiscal, ao longo do qual se forma e se conforma o fato gerador do Imposto de Renda, o contribuinte tem mera expectativa de direito quanto à manutenção dos patamares fixados pela legislação que regia os exercícios anteriores. Não se cuida, como parece claro, de qualquer alteração de base de cálculo do tributo, para que se invoque a exigibilidade de lei complementar. Menos ainda, de empréstimo compulsório. Não há, por isso, quebra dos princípios da irretroatividade (CR, art. 150, III, a e b ) ou do direito adquirido (CF, art 5°, XXXVI). (...) 8. Por tais razões, peço licença para seguir a linha da divergência inaugurada pelo Ministro Eros Grau. Em sendo a compensação de prejuízos fiscais espécie de incentivo fiscal outorgado por lei e não um patrimônio do contribuinte a ser socializado, não se pode ampliar o sentido da lei nem ampliar o seu significado, eis que as normas que cuidam de benefícios fiscais devem ser interpretadas de forma restritiva nos termos do artigo 111 do Código Tributário Nacional. (...) Dessa forma, em homenagem ao comando legal do art. 111 do CTN, que impõe restrição de interpretação das normas que concedem benefícios fiscais, como é o caso, descabe o elastério interpretativo pretendido pela Recorrente." Em que pese o RE nº 344.9940 efetivamente não tratar de hipótese idêntica à discutida nos presentes autos (ou no processo em que foi prolatado o Acórdão CSRF nº 9101 00.401), a mencionada decisão judicial joga luz sobre aspectos extremamente úteis à discussão acerca da aplicabilidade da trava de 30% na compensação realizada por empresas prestes a serem incorporadas. Fl. 484DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 31 30 De início, estabelecese que a possibilidade de compensação de resultados negativos passados é um benefício fiscal, concedido pelo Estado, mediante lei perfeitamente constitucional, como instrumento de política tributária e econômica. Assim sendo, leis que limitem a possibilidade de compensação (até totalmente) são igualmente constitucionais. Por fim, entendeu a Suprema Corte que a compensação de eventuais prejuízos fiscais já acumulados revestese da condição de mera expectativa de direito, inexistindo direito adquirido à sua utilização tributária posterior. Trazendose tais conclusões para a discussão travada nos presentes autos, podese construir o entendimento de que não é correta a premissa de que existe um direito sagrado à compensação integral dos prejuízos fiscais e bases de cálculo negativas de CSLL já registrados. Somente tomandose por intocável tal premissa é que se pode defender que a única solução possível para a situação em que uma pessoa jurídica terá suas atividades encerradas, por conta de sua cisão total, é pela dispensa da limitação da compensação a 30% do resultado positivo apurado. Após a prolação do Acórdão nº 910100.401, a CSRF proferiu uma série de outras decisões em que prevaleceu a tese de que a trava de 30% na compensação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, prevista nos arts. 42 e 58 da Lei nº 8.981/1995 e arts. 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995, é obrigatória mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica. Uma destas decisões é o Acórdão CSRF nº 9101001.337, de 26/04/2012, que faz uma pertinente observação acerca da evolução da legislação que trata da compensação de prejuízos fiscais, ao mesmo tempo em que aborda os aspectos materiais e temporais para a incidência do IRPJ. Com isso, visouse a afastar o argumento de que a negativa da compensação integral de prejuízos fiscais representaria tributação de outra grandeza que não a renda: "Voto Vencedor Conselheiro Alberto Pinto S. Jr.. Com a devida vênia do ilustre Relator, ouso discordar do seu tão elaborado voto, por enxergar, nele, um caráter muito mais propositivo do que analítico do Direito posto. Sustenta o ilustre relator que: “o direito à compensação existe sempre, até porque, se negado, estarseá a tributar um não acréscimo patrimonial, uma não renda, mas sim o patrimônio do contribuinte que já suportou tal tributação”. Ora, se isso fosse realmente verdade, a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 154/47 teria ofendido o conceito de renda e chegaríamos à absurda conclusão de que, até essa data, tributouse, no Brasil, outra base que não a renda. Da mesma forma, mesmo após a autorização da compensação de prejuízos fiscais (Lei 154/47), também não se estaria tributando a renda, pois sempre foi imposto um limite temporal para que se compensasse o prejuízo fiscal, de tal sorte que, em não havendo lucros suficientes em tal período, caducava o direito a compensar o saldo de prejuízo fiscal remanescente. Pelo entendimento esposado pelo Fl. 485DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 32 31 ilustre Relator, a perda definitiva do saldo de prejuízos fiscais, nesses casos, também contaminaria os lucros reais posteriores, já que não mais estariam a refletir “renda”. Não é razoável imaginar que toda a legislação do IRPJ que vigorou até a entrada em vigor da Lei 9.065/95 (ou do art. 42 da Lei 8.981/95) tenha ofendido o conceito de renda, nem também é possível sustentar que a Lei 9065/95 tenha instituído um novo conceito de renda. Notese que o art. 43 do CTN trata do aspecto material do imposto de renda, seja de pessoa jurídica ou física, e não há que se dizer que a legislação do IRPF ofende o conceito de renda ali previsto, pelo fato, por exemplo, de não permitir que a pessoa física que tenha mais despesas médicas do que rendimento em um ano leve o seu descréscimo patrimonial para ser compensado no ano seguinte. Na verdade, o CTN não tratou do aspecto temporal do IRPJ, deixando para o legislador ordinário fazêlo. Ora, se o legislador ordinário define como período de apuração um ano ou três meses, é nesse período que deve ser verificado o acréscimo patrimonial e não ao longo da vida da empresa como quer o Relator. Sobre isso, vale trazer à colação trecho colhido do voto do Min. Garcia Vieira no Recurso Especial nº 188.855GO, in verbis: “Há que compreenderse que o art. 42 da Lei 8.981/1995 e o art. 15 da Lei 9.065/1995 não efetuaram qualquer alteração no fato gerador ou na base de cálculo do imposto de renda. O fato gerador, no seu aspecto temporal, como se explicará adiante, abrange o período mensal. Forçoso concluir que a base de cálculo é a renda (lucro) obtida neste período. Assim, a cada período corresponde um fato gerador e uma base de cálculo próprios e independentes. Se houve renda (lucro), tributase. Se não, nada se opera no plano da obrigação tributária. Daí que a empresa tendo prejuízo não vem a possuir qualquer "crédito" contra a Fazenda Nacional. Os prejuízos remanescentes de outros períodos, que dizem respeito a outros fatos geradores e respectivas bases de cálculo, não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda do período em apuração, constituindo, ao contrário, benesse tributária visando minorar a má atuação da empresa em anos anteriores..” Data máxima venia, confundese o Relator quando cita o art. 189 da Lei 6.404/76, para sustentar que “o lucro societário somente é verificado após a compensação dos prejuízos dos exercícios anteriores”. Primeiramente, por força do disposto nos arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77, o lucro real parte do lucro líquido do exercício, ou seja, antes de qualquer destinação, inclusive daquela prevista no art. 189 em tela (absorver prejuízos acumulados). Em segundo, os arts. 6 e 67, XI, do DL 1598/77 já demonstram, à saciedade, que o acréscimo patrimonial que se busca tributar é de determinado período lucro líquido do exercício. Sustenta também o Relator que “a compensação de prejuízos fiscais não deve ser entendida como um beneficio fiscal” e traz jurisprudência do STJ nesse sentido. Todavia, a jurisprudência do Supremo Tribunal Federal é em sentido contrário, ou seja, que “somente por benesse da política fiscal que se estabelecem mecanismos como o ora analisado, por meio dos quais se autoriza o abatimento de prejuízos verificados, mais além do exercício social Fl. 486DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 33 32 em que constatados”, conforme dicção da Min. Ellen Gracie ao julgar o RE 344994. Evidencia ainda o caráter de mera liberalidade do legislador ordinário, quando se verifica que, para o IRPF, decidiuse que apenas os resultados da atividade rural podem ser compensados com prejuízos de períodos anteriores. Ou seja, o benefício de poder compensar prejuízos fiscais foi concedido apenas a uma parte do universo de contribuinte de IRPF. Duas verdades óbvias se deduz de tal entendimento: primeiro, renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei; segundo, a compensação de prejuízo poderia ser totalmente desautorizada pelo legislador ordinário, pois não haveria ofensa ao conceito de renda (art. 43 do CTN). (...) Vale ainda ressaltar que, quando o legislador ordinário quis, ele expressamente afastou a trava de 30%. Refirome ao art. 95 da Lei 8.981/95. Assim, nem mesmo o Poder Judiciário poderia chegar tão longe a ponto de criar, por jurisprudência, uma nova exceção à regra da trava de 30%, sob pena de se estar legislando positivamente." O voto vencedor redigido pelo Conselheiro Alberto Pinto S. Jr. faz um interessante apanhado das normas concernentes ao imposto de renda, tanto de pessoas jurídicas quanto de físicas, que não permitem(iam) o aproveitamento tributário de resultados negativos anteriores e nem por isso desnaturaram o conceito constitucional de renda. Para corroborar sua tese, traz trecho de julgado do Superior Tribunal de Justiça (STJ) que declara expressamente que tais resultados negativos anteriores não são elementos inerentes da base de cálculo do imposto de renda. Seu aproveitamento tributário seria, isso sim, benesse tributária instituída pelo Estado para "minorar a má atuação da empresa em anos anteriores". Após diferenciar o tratamento dado ao tema pelas Ciências Contábeis daquele que interessa à seara tributária ("renda é o acréscimo patrimonial dentro do período de apuração definido em lei"), o Redator faz observação relevante para o deslinde da controvérsia aqui examinada: existem exceções, legalmente previstas, à submissão da compensação ao limite de 30% do resultado positivo do período de apuração. E, entre elas, não está a pretendida pelo contribuinte. Em outras palavras: quando o legislador quis estabelecer exceções à regra geral, o fez expressamente. A controvérsia também é abordada no voto vencedor do Acórdão CSRF nº 9101001.760, de 16/10/2013, que trata com profundidade de vários aspectos relevantes para a discussão proposta: "Voto Vencedor Mérito Marcos Aurélio Pereira Valadão Redator Designado (...) Sopesando os argumentos da Fazenda e do Contribuinte, a I. Relatora inicialmente traça um histórico da legislação que rege a matéria da compensação de prejuízos. Peço vênia para reproduzir entre aspas trechos do voto da I. Relatora, porque desta forma se torna mais clara a Fl. 487DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 34 33 contraposição de argumentos. A I. Relatora parte da constatação de que "nunca subsistiram limitações temporais e quantitativas concomitantemente" e conclui que isto se deve à razão de ser a compensação de prejuízos um direito do contribuinte, "inerente aos princípios que regem a apuração do IRPJ/CSLL e à lógica contábil que determina os efeitos intertemporais dos atos das pessoas jurídicas, a qual atribui os critérios de apuração do lucro líquido, ponto de partida para a apuração do IRPJ e da CSLL". Primeiramente, embora nunca tenham subsistido limitações temporais e quantitativas concomitantemente, até 1945, no Direito brasileiro, não existia possibilidade de compensação de prejuízos, ou seja, a limitação era total, assim os prejuízos de um período de apuração não eram transportados para o período seguinte, que eram considerados estanques. Ora, isto era muito pior para o contribuinte, pois não havia limites porque simplesmente não era possível compensar o prejuízo, e a norma não foi considerada inconstitucional. No que diz respeito ao segundo argumento, embora a lógica contábil seja usada para o cálculo da base tributável do IRPJ e da CSLL, a base de cálculo do imposto está sob o império da lei que pode, inclusive, ser diferente, ou mesmo contrária à lógica contábil, que é lastreada em princípios geralmente aceitos, resoluções e pronunciamentos de instituições de Direito Privado, etc... Ocorre que em matéria de direito público, sempre prevalece a lei. Assim, em que pesem argumentos que possam ser procedentes dentro da lógica contábil na qual todo prejuízo deve ser confrontado com os resultados dos períodos seguintes (e imediatamente), esta não é a lógica legal. Na verdade, a lógica da lei tem a ver com dois aspectos essenciais ao caso, a periodização e o fato gerador do imposto de renda. A periodização é importante pois há que se confrontar situações em tempos diferentes para que se identifique se a empresa tem ou não prejuízo, se a empresa tem ou não lucro. Esta lógica contábil existe para se informar ao dono do "equity" acionista ou sócio, como está evoluindo seu patrimônio, o que só tem lógica se forem confrontados períodos distintos. E daí se faz a escolha temporal, que pode ser cinquenta anos, dez anos, um ano, seis meses, três meses, um mês, etc, aquilo que a lógica contábil entender conveniente em termos de mercado, pois como foi dito informar ao dono do capital a situação do seu patrimônio é a função da contabilidade. No caso brasileiro, este prazo está na própria lei comercial (art. 175 da Lei. 6.404/1977, prevê o exercício social de um ano, e em seu Par. Único permite períodos distintos). Daí que em função da continuidade, ou princípio da continuidade, os prejuízos têm que ser levados em conta, pois o acionista ou sócio não olha o seu investimento por períodos equivalentes ao exercício social, mas por todo o período do investimento que planejou, embora tenha que “tomar o pulso” de tempos em tempos (e.g., balanços mensais, semestrais ou anuais, com os prejuízos passando para o período seguinte). Assim, um acionista que tem em perspectiva ações de uma empresa por um determinado período, olha o quanto o investimento vale no início e no final do período; assim, vinculado a uma lógica contábil, todos os ganhos e todas as perdas do período devem ser computados continuamente, é o princípio da continuidade operando, o que lhe dá o resultado final ao longo do período. Vejase que a função da contabilidade, ou pelo menos uma das funções principais, é informar ao dono do capital a situação do seu investimento. Fl. 488DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 35 34 Na verdade, está se assumindo o princípio da continuidade e seus efeitos nos lucros, mais no seu sentido econômico, porque no seu sentido contábil mais exato o princípio da continuidade não trata disto, mas sim na forma com que os ativos são avaliados, a depender da continuidade da empresa. Diz a resolução CFC 750/1993 (com redação dada pela Resolução CFC nº. 1.282/10), quando trata dos princípios da contabilidade: “Art. 5º O Princípio da Continuidade pressupõe que a Entidade continuará em operação no futuro e, portanto, a mensuração e a apresentação dos componentes do patrimônio levam em conta esta circunstância.” Ou seja, este princípio diz respeito à precificação dos componentes do patrimônio, nada indicando que decorre dele a imposição principiológica do aproveitamento de prejuízos de um período em relação a outro. Mas, ad argumentandum tantum e seguindo a lógica econômica da compensação de prejuízos como decorrência da continuação da empresa, que se presume indefinidamente, os prejuízos e lucros se compensariam contínua e indefinidamente. Mas esta não é a lógica da legislação tributária. Para efeitos tributários, a periodização tem como função firmar o aspecto temporal para efeito de se verificar se entre o momento inicial e momento final houve variação patrimonial positiva (atualmente a lei prevê este lapso em três meses, e opcionalmente de um ano, para o lucro real). Vejase que o fato de a legislação tributária permitir que se transponha o prejuízo de um período para o período seguinte é uma decisão de política tributária. Digase de passagem, uma política correta, mas que obedece aos princípios legais e não aos princípios contábeis. Assim, o aproveitamento de prejuízos é uma decisão de política tributária (em linha com a política econômica), mas não entendo que seja um benefício fiscal, pois não se enquadra neste conceito, mesmo porque é geral. Neste aspecto específico concordo com a posição da I. Relatora. Benefício fiscal ocorre quando a lei tributária concede o aproveitamento integral (sem a trava dos 30%) para algumas atividades, isto porque difere da regra geral da sujeição à limitação dos 30 %. Ou seja, o aproveitamento de prejuízos não pode ser considerado um benefício fiscal, mas tão somente nas situações que se dirijam a atividades específicas em que se permite um tratamento mais benéfico, com o aproveitamento integral (enquanto os outros contribuintes têm a “trava”). Posto de outra forma, decorre de decisão em sede política tributária e econômica que a legislação tributária permita a dedução de prejuízos, mas isto por uma lógica econômica de formação de capital, e não simplesmente por uma lógica contábil. A lógica econômica é que a dedução de prejuízo na verdade implica em um alongamento do período de apuração, permitindo que a empresa se recupere de períodos sem lucro (como é típico do início das atividades, em face de perspectivas futuras). Em suma, a dedutibilidade do prejuízo, embora impacte a base de cálculo do imposto de renda, é matéria legal, não se contrapondo a princípios constitucionais que informam a matéria tributária, como entende a I. Relatora. A lei pode tanto impedir totalmente o aproveitamento do prejuízo, como, de fato, fazia por volta de 68 anos atrás para pessoas jurídicas em geral e assim o faz até hoje, tanto para pessoas físicas quanto para pessoas jurídicas optantes pelo lucro presumido ou pelo Simples. Por outro lado, a lei pode permitir o aproveitamento integral, como faz para algumas atividades, como pode impor limites temporais (como fazia até pouco tempo) ou quantitativos (como o faz atualmente), sem que possa ser considerada violadora de qualquer princípio ou regra constitucional. (...) Fl. 489DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 36 35 (...) Outro argumento expedido pela I. Relatora, muito semelhante ao primeiro, diz respeito à obediência da norma tributária aos princípios e normas contábeis, no que se refere à apuração da base do IRPJ e da CSLL. Ocorre que, neste caso, o tratamento dado pela legislação tributária diverge da norma comercial, mas é consentâneo com a própria Lei n. 6.404/1977, a lei comercial e contábil, que prevê em seu art. 177, §7º (redação atual dada pela Lei nº 11.941/ 2009) que tratamento tributário diferente pode ser dado pela legislação tributária, conforme seu art.177, in verbis: (...) Ou seja, a própria lei que dispõe sobre o tratamento tributário da apuração contábil ressalva que a aplicação das normas tributárias com critérios diferentes deve ser observada. Assim, não há contradição entre norma tributária e norma contábil, mesmo porque o tratamento dado à apuração do lucro real direciona justamente à apuração do lucro com base na legislação comercial sucedido pelos ajustes previstos da norma tributária (adições e exclusões), conforme preconiza o art. 6º do Decretolei nº 1.598/1977, e também o art. 17 da Lei nº 11.941/2009 (Lei que tratou das novas normas contábeis) e tributação, introduzindo o denominado regime tributário de transição RTT). Ou seja, a vedação de aproveitamento de prejuízos persiste mesmo no caso de encerramento da empresa, à míngua de previsão legal tributária. Não se pode impor normas e princípios contábeis para alterar a legislação tributária, criando uma situação excepcional onde a norma tributária não prevê exceção. (...) Outra linha argumentativa da I. Relatora se fia na história legislativa do dispositivo que implementou a trava dos 30% (MP n. 998/1995). Todos os argumentos normogenéticos são pertinentes e admissíveis, e é justamente o que se debate aqui, mas a lei não criou exceções. O que a exposição de motivos (EM) noticia é justamente que o aproveitamento não é limitado no tempo, mas não cogita e nem especifica o que ocorreria caso a empresa encerrasse as atividades, assim como não o faz a lei. Tratase de interpretação da exposição de motivos, pois ela, a EM, literalmente não diz que não há trava no enceramento das atividades. Por outro lado, a história legislativa de determinado dispositivo não permite um embargo interpretativo com efeitos legislativos infringentes, mas tão somente teleológicos. (...) Nesta linha de argumentos, durante os debates da sessão foi também foi suscitada a tese de que o prejuízo teria a mesma natureza de patrimônio, isto seria um "ativo". Disto decorreria que haveria tributação sobre o patrimônio (prejuízo), se não fosse permitida sua dedutibilidade. Ocorre que prejuízo (perda), no meu entender não é ativo. A legislação tributária, norma de sopreposição, consentânea com a economia e as bases econômicas da atividade empresarial, concede o aproveitamento dos prejuízos dentro da lógica da continuidade empresarial, mas daí a entender que prejuízo acumulado pode representar patrimônio, é o mesmo que dizer que tanto faz lucro ou prejuízo, o que contrasta com a própria lógica econômica. A empresa distribui lucro ou ativa lucro, não distribui prejuízo, nem ativa Fl. 490DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 37 36 prejuízo. Ninguém persegue o prejuízo, a atividade empresarial persegue o lucro. Norma que permite transmutar perda em lucro com base na rationale de que a perda tem valor patrimonial é uma contradição em si mesma. Contudo, é verdade que dada a perspectiva (expectativa) de que o prejuízo fiscal em um dado exercício diminua o tributo devido em um exercicio posterior, no futuro, há a possibilidade se ativar esta expectativa de direito, a título de ativo fiscal diferido (conforme, e.g., Resolução CFC n. 1189/09). Tratase de perspectiva de impacto patrimonial positivo, como é qualquer redução de custo, ainda que tributário. Assim, o prejuízo fiscal, que difere do prejuízo contábil (podendo haver caso de lucro contábil com prejuízo fiscal, o que não é infrequente) pode ser considerado uma espécie de expectativa de direito com perspectivas de consequências patrimoniais positivas. Contudo, é um argumento puramente contábil e se aplica, na perspectiva puramente contábil. Ou seja, isto tudo é uma questão contábil e que, neste aspecto, nada tem a ver com a limitação legal de aproveitamento de prejuízo fiscal, que só comporta exceções legais. O fato dos prejuízos fiscais acumulados constarem da parte B do Lalur e de reduzirem tributo a pagar no futuro, não lhes dá o condão de patrimônio. (...) Quanto ao argumento relacionado à jurisprudência judicial, o único ponto relevante é que entendo que a decisão do STF de que a trava é constitucional impacta o presente processo ainda que indiretamente. Uma coisa o STF reconhece de pronto, qual seja: o tema é matéria de lei e esta lei não é inconstitucional. Embora o STF não tenha discutido a questão da trava na extinção da empresa especificamente, a decisão é um indicativo claro de que a vedação total no encerramento da empresa é também matéria de lei infensa à questionamento constitucional. De outro lado, se não for assim entendido estaríamos a discutir a inconstitucionalidade de lei, o que regimentalmente não podemos fazer, ou então, haveria uma omissão legal, o que não há. O que corrobora a conclusão de que para se aceitar o afastamento da trava na hipótese em debate teria que haver previsão expressa da lei tributária, o que também não há. (...) Assim, o entendimento que adoto é também consentâneo com a direção que está seguindo a jurisprudência contemporânea do CARF, embora reconheça que haja divergências, as quais respeito, embora divirja. Desta forma, entendo não deve ser admitida exceção não prevista em lei tributária, quando a lei tributária fixa limites para o aproveitamento de prejuízos, devendo ser negada o aproveitamento integral dos prejuízos no enceramento das atividades da empresa, que está limitado a 30%, na forma da legislação tributária." O I. Redator expõe brilhantemente, com notável grau de detalhamento, as razões que prevaleceram naquele julgamento a respeito de vários aspectos relevantes para o debate acerca do afastamento da trava de 30% no caso de empresa extinta: inexistência de direito adquirido à compensação de prejuízos fiscais já registrados; independência da lei tributária em relação às normas contábeis; constitucionalidade das restrições legais à possibilidade de compensação pelos contribuintes. Fl. 491DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 38 37 Além disso, aborda também outro tipo de argumentação a meu ver inadequada, que procura defender o entendimento de que a aplicação da trava de 30% à compensação promovida por pessoa jurídica prestes a ser incorporada resultaria no abandono forçado de um ativo seu, de origem tributária, assegurado em lei. Com muita propriedade, o voto transcrito há pouco admite que tal tese pode ser dotada de algum sentido se analisada sob o ponto de vista puramente contábil. Mas não se pode admitir a tentativa de se atribuir ao prejuízo fiscal acumulado a natureza de patrimônio. Tal configuração afrontaria a própria lógica econômica das empresas, uma vez que, de certa forma, estarseia pretendendo transmutar a perda em lucro. Considero que os argumentos que fundamentaram a decisão recorrida foram corroborados pelas decisões administrativas acima referidas, cujas razões de decidir transcritas adoto como minhas. Acrescento ainda, a título de ilustração, que esta CSRF, em seus julgamentos mais recentes, tem se mantido fiel ao entendimento aqui adotado, pela impossibilidade de dispensa do limite legal, para a compensação, de 30% do lucro real (ou da base de cálculo positiva de CSLL), mesmo no encerramento das atividades da pessoa jurídica. Neste sentido os Acórdãos nº 9101002.153, nº 9101002.191, nº 9101002.192, nº 9101002.207, nº 9101 002.208, nº 9101002.209, nº 9101002.210, nº 9101002.211 e nº 9101002.225. A meu ver, o principal aspecto da polêmica em pauta reside no equivocado entendimento de que necessariamente deve haver uma completa comunicação entre os períodos de apuração do IRPJ e da CSLL. É precisamente esse entendimento que dá azo à idéia de que todo o prejuízo ao longo da história da empresa deve ser confrontado com todo o lucro auferido ao longo do tempo. Entretanto, a tributação do IRPJ e da CSLL não se dá dessa forma. Com efeito, o que se tributa é a renda/lucro (acréscimo patrimonial) auferida em um determinado período de apuração, e não a renda/lucro resultante de toda a existência da empresa. No julgamento do já referido RE nº 344994, o STF, apesar de não ter examinado a questão do limite de 30% para compensação de prejuízo fiscal em caso de extinção de empresa, deixou bem claro que a lei aplicável em relação à compensação de prejuízo fiscal é a lei vigente na data do encerramento do exercício fiscal. Tal pronunciamento veio no sentido preciso de afirmar a independência entre os exercícios, o que também ficou bem evidenciado pelas situações apontadas nas decisões da Câmara Superior de Recursos Fiscais transcritas neste voto (em especial, a evolução histórica do instituto e o paralelo com a tributação da renda das pessoas físicas). Nesse mesmo passo, vale ainda observar que não há doutrinadores defendendo a possibilidade de compensação de prejuízos futuros com lucros anteriores, dando margem a repetição de indébitos. Caso isso fosse possível, pagamentos realizados no passado poderiam vir a ser considerados indevidos em razão de prejuízos futuros. Contudo, tal hipótese Fl. 492DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 39 38 é prontamente repelida pelo senso comum da prática tributária, e a ilustração permite visualizar claramente que os exercícios devem mesmo ser independentes. De todo o exposto, podese concluir que a continuidade da empresa não implica em um direito adquirido à compensação de prejuízo fiscal e de base negativa de CSLL, independentemente do aspecto temporal para a incidência do imposto/contribuição; que o referido limite de 30% não desnatura a materialidade do imposto/contribuição (renda/lucro em determinado período de apuração); e que a compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas deve observar o limite legal de 30% do lucro líquido ajustado pelas adições e exclusões previstas na legislação, mesmo no caso de encerramento das atividades da pessoa jurídica, seja por cisão/incorporação, ou por qualquer outro evento. Temse que no anocalendário de 2006 (29.09.2006), Genexis do Brasil Ltda., CNPJ 00.114.551/000186, foi extinta por cisão total. A sucessora GHI Participações e Serviços de Informações para Negócios Ltda. é responsável pelos tributos devidos pela sucedida. A Genexis do Brasil Ltda., em razão de sua extinção, compensou o lucro ajustado apurado no decorrer de 2006 com os prejuízos fiscais e as bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores, sem a limitação de 30% prevista na legislação tributária. Verificase que a circunstância de a pessoa jurídica Genexis do Brasil Ltda. ter sido cindida, com a extinção de sua personalidade jurídica, não permite a compensação sem limitação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL dos anos anteriores. Restou bastante evidenciado que deve prevalecer a regra geral impositiva para todos os efeitos legais, qual seja, que a limitação a 30% da compensação dos prejuízos fiscais e das bases de cálculo negativas da CSLL impõese inclusive no caso de extinção da pessoa jurídica. Nesse passo, devem ser mantidas as autuações fiscais a título de IRPJ e CSLL. Por conseguinte, voto por NEGAR provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo quanto a esta matéria. 2) Incidência de Juros de Mora Sobre a Multa se Ofício Proporcional O Sujeito Passivo discorda da incidência de juros de mora sobre a multa de ofício proporcional por falta de previsão legal. O Código Tributário Nacional determina: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Fl. 493DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 40 39 § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. [...] Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. [...] Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1º Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Por sua vez, a obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas que, pelo simples fato da sua inobservância e convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. Para todas as situações em que os débitos tributários não são pagos nos prazos legais, sobre eles incidem de juros equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia – Selic, seja qual for o motivo determinante da falta. Sobre a matéria, a Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, prevê: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. [...] Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. [...] §3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o §3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Depreendese que incidem juros de mora sobre os débitos para com a União de tributos administrados pela RFB, inclusive sobre o crédito decorrente de exigência correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora exigidos isolada ou conjuntamente não pagos nos prazos previstos pela legislação específica. Fl. 494DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 41 40 A jurisprudência administrativa reiterada e uniformes estão consubstanciadas em enunciados de súmula de observância obrigatória pelos membros do CARF (art. 72 do Anexo II do RICARF) que dispõem: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais. Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ademais, este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) em Recurso Especial Repetitivo nº 1.111.175/SP, cujo trânsito em julgado ocorreu em 09.09.20092 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF3: 2. Aplicase a taxa SELIC, a partir de 1º.1.1996, na atualização monetária do indébito tributário, não podendo ser cumulada, porém, com qualquer outro índice, seja de juros ou atualização monetária. 3. Se os pagamentos foram efetuados após 1º.1.1996, o termo inicial para a incidência do acréscimo será o do pagamento indevido; no entanto, havendo pagamentos indevidos anteriores à data de vigência da Lei 9.250/95, a incidência da taxa SELIC terá como termo a quo a data de vigência do diploma legal em tela, ou seja, janeiro de 1996. Esse entendimento prevaleceu na Primeira Seção desta Corte por ocasião do julgamento dos EREsps 291.257/SC, 399.497/SC e 425.709/SC. Ainda o Tribunal Regional Federal (TRF) 4ª Região no julgamento da Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC mantém os juros de mora sobre a multa de ofício proporcional TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. REPETIÇÃO. JUROS SOBRE A MULTA. POSSIBILIDADE. ART. 113, § 3º, CTN. LEI Nº 9.430/96. PREVISÃO LEGAL. 1. Por força do artigo 113, § 3º, do CTN, tanto à multa quanto ao tributo são aplicáveis os mesmos procedimentos e critérios de cobrança. E não poderia ser diferente, porquanto ambos compõe o crédito tributário e devem sofrer a incidência de juros no caso de pagamento após o vencimento. Não haveria porque o valor relativo à multa permanecer congelado no tempo. 2. O artigo 43 da Lei nº 9.430/96 traz previsão expressa da incidência de juros sobre a multa, que pode, inclusive, ser lançada isoladamente. 3. Segundo o Enunciado nº 45 da Súmula do extinto TFR "As multas fiscais, sejam moratórias ou punitivas, estão sujeitas à correção monetária." 2 BRASIL. Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1111175/SP. Ministra Relatora: Denise Arruda. Primeira Seção, Brasília, DF, 10 de junho de 2009. Disponível em: < https://ww2.stj.jus.br/revistaeletronica/Abre_Documento.asp?sSeq=892437&sReg=200900188256&sData=20090 701&formato=PDF>. Acesso em: 31 ago.2011. 3 Fundamentação legal: art. 113 e art. 161 do Código Tributário Nacional, art. 5º e art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, Súmulas CARF nºs 4 e 5 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 495DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 42 41 4. Considerando a natureza híbrida da taxa SELIC, representando tanto taxa de juros reais quanto de correção monetária, justificase a sua aplicação sobre a multa." (TRF4ª Região, Ap. Cível nº 2005.72.01.0000311/SC, Rel. Des. DIRCEU DE ALMEIDA SOARES, 2ª T., v.u., j. em 29/01/2008, DE de 21/02/2008). Pacificando este entendimento, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1146859/SC, assim assentou: TRIBUTÁRIO PROCESSO CIVIL MULTA PUNITIVA CORREÇÃO MONETÁRIA JUROS DE MORA INCIDÊNCIA. 1. Incide juros de mora e correção monetária sobre o crédito tributário consistente em multa punitiva. 2. Perfeitamente cumuláveis os juros de mora, a multa punitiva e a correção monetária. Precedentes. 3. Recurso especial não provido. (STJ, 2ª T, REsp 1146859/SC, Rel. Ministra Eliana Calmon, publ: 11/05/2010) Também o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do REsp 1129990/PR, assim decidiu: TRIBUTÁRIO. MULTA PECUNIÁRIA. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA. LEGITIMIDADE. 1. É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário. 2. Recurso especial provido. (STJ, 2ª T, REsp 1129990/PR, Rel. Ministro Castro Meira, publ: 14/09/2009) Ainda o Superior Tribunal de Justiça (STJ) no julgamento do AgRg no REsp 1335688/PR, declarou a legalidade da incidência de juros de mora: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: ‘É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário.’ (REsp 1.129.990/PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14/9/2009). De igual modo: REsp 834.681/MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2/6/2010. Por essa razão, adotando a interpretação sistemática inferese que quando não integralmente pagos no vencimento incidem juros de mora sobre o crédito tributário, que inclui o tributo e a multa de ofício proporcional. Tem cabimento adotar a interpretação da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) no seguinte sentido: Fl. 496DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 43 42 Acórdão nº 9101002.180, de 20.01.2016: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de ofício proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de ofício, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Acórdão nº 9202003.821, de 08.03.2016: JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. TAXA SELIC. A obrigação tributária principal surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto tanto o pagamento do tributo como a penalidade pecuniária decorrente do seu inadimplemento, incluindo a multa de oficio proporcional. O crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Acórdão nº 9303003.385, de 26.01.2016: JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. A jurisprudência CSRF é congruente no sentido de que o crédito tributário corresponde a toda a obrigação tributária principal, incluindo a multa de oficio proporcional, sobre a qual devem incidir os juros de mora à taxa Selic. Assim, voto por NEGAR provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo, também em relação a esta matéria. Conclusão Desse modo, voto no sentido de: CONHECER o recurso especial interposto pelo Sujeito Passivo; NEGAR provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo: 1) no que se refere à compensação de prejuízos fiscais e de base de cálculo negativas da CSLL sem observância do limite de 30% do lucro líquido ajustado no caso de extinção da pessoa jurídica por cisão, mantendose os lançamentos tributários relativos ao IRPJ e à CSLL; 2) em relação ao cabimento de incidência de juros de mora sobre multa de ofício proporcional. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Fl. 497DF CARF MF Processo nº 19515.001968/201061 Acórdão n.º 9101002.862 CSRFT1 Fl. 44 43 Fl. 498DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19404.000099/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE.
É intempestivo o recurso apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida não podendo ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 2201-003.707
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Relatora) e José Alfredo Duarte Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Redator designado.
EDITADO EM: 27/06/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201706
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida não podendo ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 19404.000099/2010-13
anomes_publicacao_s : 201707
conteudo_id_s : 5739089
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2201-003.707
nome_arquivo_s : Decisao_19404000099201013.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : ANA CECILIA LUSTOSA DA CRUZ
nome_arquivo_pdf_s : 19404000099201013_5739089.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Relatora) e José Alfredo Duarte Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz - Relatora. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Redator designado. EDITADO EM: 27/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
dt_sessao_tdt : Thu Jun 08 00:00:00 UTC 2017
id : 6840947
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:48 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211952431104
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1499; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 2 1 1 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19404.000099/201013 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201003.707 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de junho de 2017 Matéria IRPF Recorrente JOAQUIM FRANCISCO DIAS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 PRAZO RECURSAL. INTEMPESTIVIDADE. É intempestivo o recurso apresentado após o prazo de trinta dias a contar da ciência da decisão recorrida não podendo ser conhecido, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em não conhecer do recurso em face de sua intempestividade. Vencidos os Conselheiros Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Ana Cecília Lustosa da Cruz (Relatora) e José Alfredo Duarte Filho. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Redator designado. EDITADO EM: 27/06/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 40 4. 00 00 99 /2 01 0- 13 Fl. 100DF CARF MF 2 Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada pelo sujeito passivo. Nesta oportunidade, utilizome trechos do relatório produzido em assentada anterior, eis que aborda de maneira elucidativa os fatos objeto dos presentes autos, nos termos seguintes: Tratase de Notificação de Lançamento (fls. 25 e ss) em nome do sujeito passivo em epígrafe, decorrente de procedimento de revisão da sua Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF), em que foram apuradas a(s) seguinte(s) infração(ões): 1. Compensação Indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte, no valor de R$ 27.368,47. Inconformado(a) com a exigência, o(a) contribuinte apresentou impugnação, conforme fls. 02, alegando, em síntese, que anexa a comprovação do valor retido. Em 28/12/2010, foi juntada certidão de óbito do contribuinte e protocolada petição, assinada pela viúva do contribuinte, requerendo urgência na análise do presente processo, com base no estatuto do idoso, e informando que: “foi descontado na indenização indevidamente pelo fato de não ser tributável, devido ser fruto de FGTS não depositado pela Prefeitura de Macaé”, conforme fl. 50. Com base no procedimento regulamentado na Instrução Normativa RFB n.° 958, de 15 de julho de 2009, a autoridade lançadora analisou a impugnação apresentada e, através do Despacho Decisório de fls. 53/54, decidiu pela manutenção total da Notificação de Lançamento. (...). A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou improcedente a impugnação, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2008 GLOSA DE IRRF. O imposto de renda retido na fonte só é compensável com o imposto apurado no ajuste anual, quando correspondente aos rendimentos devidamente informados na DIRPF. Impugnação Improcedente Outros Valores Controlados Fl. 101DF CARF MF Processo nº 19404.000099/201013 Acórdão n.º 2201003.707 S2C2T1 Fl. 3 3 Posteriormente, foi interposto recurso voluntário, no qual a representante do espólio dispôs, inicialmente, sobre a intempestividade, nos termos seguintes: Além disso, aduziu a recorrente que o valor de R$ 27.368,47 é realmente devido, pois o Sr. Joaquim Francisco foi funcionário público da PMM (Prefeitura Municipal de Macaé) durante 22 anos e nunca teve IRRF, durante esse tempo. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Ana Cecília Lustosa da Cruz 1. Da preliminar Conforme narrado, a recorrente reconhece a intempestividade do recurso e a justifica, nos termos seguintes: Diante da situação descrita, cabe mencionar o art. 67 da Lei n.º 9784/99 (regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), que assim dispõe: Art. 67. Salvo motivo de força maior devidamente comprovado, os prazos processuais não se suspendem. No presente caso, embora a situação descrita possa se enquadrar como "motivo de força maior", não há nos autos prova das alegações. Fl. 102DF CARF MF 4 Não obstante o exposto, em razão do princípio do formalismo moderado, que é uma decorrência do princípio da eficiência, a formalidade não pode servir de óbice às finalidades que justificam o procedimento. Com a leitura do recurso simples apresentado, depreendese a necessidade de resposta da Administração quanto ao mérito do recurso, a fim de que seja devidamente esclarecida a controvérsia. 2. Do mérito Consoante narrado, a notificação de lançamento sob análise decorreu do não atendimento de intimação, sendo glosado o valor de R$ 27.368,47 indevidamente compensado a título de Imposto de Renda Retido na Fonte correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Posteriormente, o Despacho decisório de fls. 53 consignou o reconhecimento da comprovação da retenção de R$ 27.368,47, mas entendeu pela manutenção do lançamento, em razão da ausência de consignação em sua DIRPF dos rendimentos recebidos pelo Município de Macaé, conforme abaixo transcrito: Cumpre destacar que o motivo da glosa não foi a omissão de rendimentos, mas, conforme a notificação de lançamento, a compensação indevida de imposto de renda retido na fonte correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (DIRF). Caso os presentes autos se referissem à omissão de rendimentos, certamente, o contribuinte teria sido intimado a demonstrar a isenção das verbas recebidas, o que não ocorreu. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 19404.000099/201013 Acórdão n.º 2201003.707 S2C2T1 Fl. 4 5 Assim, não pode o Acórdão da Delegacia de Origem ou o Despacho monocrático inovarem no lançamento sob pena de causarem prejuízos ao contraditório e à ampla defesa. Diante do exposto, comprovada a retenção motivadora do lançamento, voto por conhecer e, no mérito, dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ana Cecília Lustosa da Cruz Relatora Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso –Redator Designado 1. Da preliminar Após esclarecedor e fundamentado voto da ilustre Conselheira Relatora desta C. Turma, Dra. Ana Cecília Lustosa da Cruz, – a quem rendo as minhas homenagens – cujo relatório adoto na integralidade, que deu provimento ao recurso voluntário, ouso divergir com a devida vênia de seu posicionamento, pelas razões que passo a expor. O Acórdão nº 1279.640 da 19ª Turma da DRJ/RJ (fls. 81/83) foi cientificado ao contribuinte em 17/03/2016, uma quintafeira (fl. 86). Com efeito, o prazo para interposição de Recurso Voluntário, de 30 dias (art. 33 do Decreto 70.235/72), esgotouse em 16/04/2016, um sábado, contudo com prorrogação para o primeiro dia útil seguinte que foi dia 18/04/2016 (art. 5º do Decreto 70.235/72). O Recurso Voluntário somente foi apresentado em 20/04/2016, conforme atesta o carimbo de protocolo de recepção à fl. 89 na própria unidade da RFB em Macaé/RJ, domicílio fiscal da contribuinte. A própria contribuinte reconhece que houve a intempestividade e tenta justificar de alguma forma a protocolização fora do prazo legal em seu arrazoado. Contudo, a meu ver não há provas robustas quanto ao alegado, e, a meu ver no mínimo a contribuinte sabedora do seu estado de saúde deveria ter se antecipado ao referido prazo com prudência a fim de se desincumbir do seu ônus e evitar eventuais percalços. Tratase, portanto, de recurso intempestivo, que não pode ser conhecido (art. 42,I do Decreto 70.235/72), nos termos rígidos das regras processuais de preclusão temporal a que este órgão administrativo não pode se furtar. Desse modo, voto por não tomar conhecimento do Recurso Voluntário, em vista de sua intempestividade. 2. Conclusão Fl. 104DF CARF MF 6 Diante do exposto, com fundamento na legislação competente e nas disposições acima mencionadas, voto por NÃO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO ante a sua intempestividade na forma da fundamentação acima. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso – Redator designado Fl. 105DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10983.721464/2011-51
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004.
É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-003.905
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO DA NÃO-CUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1º-A DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1-A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10983.721464/2011-51
anomes_publicacao_s : 201705
conteudo_id_s : 5722256
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 3302-003.905
nome_arquivo_s : Decisao_10983721464201151.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : RICARDO PAULO ROSA
nome_arquivo_pdf_s : 10983721464201151_5722256.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 29 00:00:00 UTC 2017
id : 6755427
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:00:06 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211956625408
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1743; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10983.721464/201151 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.905 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de março de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. DIREITO DE CRÉDITO. INCIDÊNCIA CONCENTRADA. Recorrente GLOBO COMÉRCIO DE VEÍCULOS E PEÇAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CRÉDITO DA NÃOCUMULATIVIDADE. BENS PARA REVENDA ADQUIRIDOS POR COMERCIANTES ATACADISTAS E VAREJISTAS DE PRODUTOS SUJEITOS À TRIBUTAÇÃO CONCENTRADA DE QUE TRATAM OS §1º E 1ºA DO ARTIGO 2º DAS LEIS Nº 10.637/2002 E 10.833/2002. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. INAPLICABILIDADE DO ARTIGO 17 DA LEI Nº 11.033/2004. É vedado o creditamento na aquisição de bens para revenda dos produtos referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis. Tal disposição não foi revogada pelo artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, pois que não versa sobre hipóteses de creditamento, mas apenas sobre a manutenção de créditos, apurados conforme a legislação específica. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Domingos de Sá Filho, José Fernandes do Nascimento, Lenisa Rodrigues Prado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 3. 72 14 64 /2 01 1- 51 Fl. 752DF CARF MF Processo nº 10983.721464/201151 Acórdão n.º 3302003.905 S3C3T2 Fl. 3 2 Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza, Walker Araújo e Ricardo Paulo Rosa. Relatório Tratase de Pedido Eletrônico de Restituição e Ressarcimento – PER, formulado através do programa PER/Dcomp, pelo qual a Recorrente pleiteia o ressarcimento em espécie do saldo credor acumulado de COFINS incidência não cumulativa – mercado interno. O Pedido de Ressarcimento foi indeferido, por ausência de direito ao crédito pleiteado, devido a vedação legal de aproveitamento de créditos incidente nas operações de aquisição de produtos sujeitos a tributação monofásica/concentrada. A DRJ indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 06047.657. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que o art. 17 da Lei nº 11.033, de 2004, não ampara o creditamento das contribuições ao PIS/Pasep e à COFINS, com base na sistemática da não cumulatividade, pelas revendedoras de veículos automotores, em decorrência de vedação legal expressa para o aproveitamento do crédito nas vendas submetidas à incidência monofásica. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, reiterando as alegações deduzidas em manifestação de inconformidade, calcadas nas seguintes premissas: 1. Que a recorrente se sujeita à incidência nãocumulativa; 2. Que havia uma vedação ao creditamento conforme o disposto no artigo 3º, I, “b”, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003; 3. Que foi atribuída alíquota zero aos produtos da recorrente, portanto, não se trata de monofasia, o que ocorreria se houvesse apenas uma incidência na cadeia; 4. Que a nãocumulatividade foi aperfeiçoada com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e que esta é uma norma multitemática, ou seja, não restrita ao REPORTO; 5. Que o artigo 16 da Lei 11.116/2005 robusteceu o caráter abrangente do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004; 6. Ambas as leis não ressalvaram quais os casos permaneceriam na regra antiga e que o direito ao creditamento é coerente à técnica da nãocumulatividade das contribuições (método subtrativo indireto); 7. O artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 veio justamente para os casos em que havia vedação ao creditamento; 8. Que pretendeuse mitigar a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 com a edição das MP nº 413/2008 e 451/2008, criando vedações ao creditamento, as quais não foram mantidas na conversão de ambas medidas provisórias; Fl. 753DF CARF MF Processo nº 10983.721464/201151 Acórdão n.º 3302003.905 S3C3T2 Fl. 4 3 9 Que a nãocumulatividade das contribuições não guarda relação com o arrecadado anteriormente ou posteriormente na cadeia produtiva. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302003.750, de 29 de março de 2017, proferido no julgamento do processo 10120.720142/201145, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302003.750): "O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. O pedido de ressarcimento foi efetuado com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 combinado com o artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, abaixo transcritos: Lei nº 11.116/2005: Art. 16. O saldo credor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurado na forma do art. 3o das Leis nos 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, e do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004, acumulado ao final de cada trimestre do anocalendário em virtude do disposto no art. 17 da Lei no 11.033, de 21 de dezembro de 2004, poderá ser objeto de: I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria; ou II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria. Lei nº 11.033/2004: Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. O fundamento da recorrente recai essencialmente na possibilidade de se tomar créditos da nãocumulatividade de Cofins em razão do disposto no artigo 17 da Lei nº 11.033/2004 e de se pedir o ressarcimento com fulcro no artigo 16 da Lei nº 11.116/2005. Fl. 754DF CARF MF Processo nº 10983.721464/201151 Acórdão n.º 3302003.905 S3C3T2 Fl. 5 4 A Lei nº 10.485/2002 estabeleceu a concentração de tributação no fabricante e importadores de determinados veículos e autopeças, dispondo no §2º que os comerciantes atacadistas e varejistas ficassem sujeitos à alíquota zero sobre suas receitas de revendas: § 2o Ficam reduzidas a 0% (zero por cento) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, relativamente à receita bruta auferida por comerciante atacadista ou varejista, com a venda dos produtos de que trata: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) I o caput deste artigo; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II o caput do art. 1o desta Lei, exceto quando auferida pelas pessoas jurídicas a que se refere o art. 17, § 5o, da Medida Provisória no 2.18949, de 23 de agosto de 2001. (Redação dada pela Lei nº 10.925, de 2004) Com base, nesta receita sujeita à alíquota zero, é que a recorrente entende possível a aplicação do artigo 17 da Lei nº 11.033/2004, isto é, a tomada de créditos sobre a revenda de máquinas e veículos constantes das posições da TIPI constantes do artigo 1º da Lei nº 10.485/2002 e de autopeças constantes dos Anexos I e II da referida lei. Ocorre que, não obstante estar sujeita ao regime nãocumulativo das contribuições, as alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 vedam expressamente a tomada de créditos sobre bens adquiridos para revenda pelas pessoas jurídicas que comercializam os produtos referidos nos artigos 1º e 3º da Lei nº 10.485/2002, como transcrevese a seguir: Art. 2o Para determinação do valor da COFINS aplicarseá, sobre a base de cálculo apurada conforme o disposto no art. 1o, a alíquota de 7,6% (sete inteiros e seis décimos por cento). (Produção de efeito) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) § 1o Excetuase do disposto no caput deste artigo a receita bruta auferida pelos produtores ou importadores, que devem aplicar as alíquotas previstas: (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] III no art. 1o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, e alterações posteriores, no caso de venda de máquinas e veículos classificados nos códigos 84.29, 8432.40.00, 84.32.80.00, 8433.20, 8433.30.00, 8433.40.00, 8433.5, 87.01, 87.02, 87.03, 87.04, 87.05 e 87.06, da TIPI; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) IV no inciso II do art. 3o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, no caso de vendas, para comerciante atacadista ou varejista ou para consumidores, das autopeças relacionadas nos Anexos I e II da mesma Lei; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) (Vide Lei nº 11.196, de 2005) [...] Fl. 755DF CARF MF Processo nº 10983.721464/201151 Acórdão n.º 3302003.905 S3C3T2 Fl. 6 5 Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: Produção de efeito (Vide Lei nº 11.727, de 2008) (Produção de efeitos) (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) (Regulamento) I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) a) no inciso III do § 3o do art. 1o desta Lei; e (Redação dada pela Lei nº 11.727, de 2008). (Produção de efeitos) b) nos §§ 1o e 1oA do art. 2o desta Lei; (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 2008) (Vide Lei nº 9.718, de 1998) Por sua vez, o artigo 17 dispôs genericamente que as vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações. Ora, este artigo não traz nenhuma hipótese de creditamento, mas apenas esclarece que nas situações ali previstas, os créditos vinculados àquelas vendas são mantidos. E tais créditos são, justamente, as hipóteses que a legislação faculta ao contribuintes a sua tomada, como por exemplo, os artigos 3º das leis acima citadas, o artigo 15 da Lei nº 10.865/2004 e outros quaisquer artigos que veiculem hipóteses de creditamento. O item 191 da exposição de motivos da MP nº 206/2004, cuja conversão resultou na Lei nº 11.033/2004, confirma este entendimento na medida que dispôs que a redação do artigo 16, convertido no artigo 17 acima referido, visava "esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS." Não por outro motivo, que o artigo 16 da Lei nº 11.116/2005 dispôs sobre a possibilidade de ressarcimento e compensação do saldo credor vinculado às vendas mencionadas no artigo 17, vinculandoos à forma de apuração do artigo 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003 e do artigo 15 da Lei nº 10.865/2004, reconhecendo, por óbvio, que ali estavam listadas as hipóteses de creditamento e não que o artigo 17 inovara toda a legislação, revogando o artigo 3º e redefinindo as hipóteses de creditamento, o que seria a consequência inevitável da tese da recorrente. Ressaltase, porém, que o artigo 17 não proibiu a tomada de créditos vinculados às receitas sujeitas à alíquota zero decorrentes das revendas dos bens de que tratam este processo em relação às demais hipóteses previstas no artigo 3º, proibição esta que foi, conforme mencionado pela recorrente, objeto de duas tentativas propostas pelo Executivo Federal nas MPs nº 413/2008 e 451/2008. Ocorre que, como também já mencionado na peça recursal, tais dispositivos não foram contemplados na conversão das duas MPs, mantendose a possibilidade de creditamento em relação às demais hipóteses do artigo 3º, entendimento confirmado na Solução de Consulta nº 218/2014. Assim, referidas MP´s pretenderam impedir o creditamento das demais hipóteses legais previstas nos artigos 3º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, mas 1 19. As disposições do art. 16 visam esclarecer dúvidas relativas à interpretação da legislação da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS Fl. 756DF CARF MF Processo nº 10983.721464/201151 Acórdão n.º 3302003.905 S3C3T2 Fl. 7 6 foram irrelevantes em relação à vedação específica contida na alínea "b" do inciso I do artigo 3º, que se destina justamente à vedação do creditamento relativo aos bens adquiridos para revenda de que tratam os §§1º e 1ºA do artigo 2º das referidas leis. Neste diapasão, citase o Acórdão nº 340301.566: Ementa: COFINS – REGIME MONOFÁSICO – IMPOSSIBILIDADE DE MANUTENÇÃO DE CRÉDITOS O artigo 17 da Lei 11.033/2004, que garante a manutenção do crédito às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS, só se aplica aos setores ou produtos sujeitos regime nãocumulativo, não se aplicando aos produtos sujeitos ao regime monofásico. Portanto, diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário." Nos termos do entendimento exarado no paradigma, a impossibilidade de creditamento, no regime nãocumulativo, na aquisição de bens para revenda adquiridos por comerciantes atacadistas e varejistas de produtos sujeitos à tributação concentrada referidos nos §1º e §1A do artigo 2º das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2003, nos termos das alíneas "b" dos incisos I dos artigos 3º das referidas leis, se aplica tanto à Contribuição para o PIS/Pasep quanto à COFINS. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Fl. 757DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.001341/2006-53
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005
DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08.
De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. EQUIVALENTE A PAGAMENTO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR.
Configurado o lançamento por homologação e realizados depósitos judiciais pela Contribuinte, que se equivalem a pagamento, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador.
Numero da decisão: 9303-004.721
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram e, no mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Júlio César Alves Ramos.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Júlio César Alves Ramos - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201703
camara_s : 3ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. EQUIVALENTE A PAGAMENTO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Configurado o lançamento por homologação e realizados depósitos judiciais pela Contribuinte, que se equivalem a pagamento, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício rege-se pela regra do art. 150, §4º do CTN, operando-se em cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador.
turma_s : 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 16327.001341/2006-53
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5735363
dt_registro_atualizacao_tdt : Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 9303-004.721
nome_arquivo_s : Decisao_16327001341200653.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : VANESSA MARINI CECCONELLO
nome_arquivo_pdf_s : 16327001341200653_5735363.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram e, no mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negar-lhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Júlio César Alves Ramos. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello - Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos - Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
dt_sessao_tdt : Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
id : 6814294
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:01:57 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211961868288
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 11; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1920; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 812 1 811 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.001341/200653 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9303004.721 – 3ª Turma Sessão de 22 de março de 2017 Matéria PIS. AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado COOPERATIVA DE ECONOMIA E CRÉDITO MÚTUO DOS MÉDICOS E DEMAIS PROFISSIONAIS DE NÍVEL SUPERIOR DE SAÚDE DE SÃO JOSÉ DOS CAMPOS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 DECADÊNCIA. INCONSTITUCIONALIDADE. STF. SÚMULA VINCULANTE Nº 08. De acordo com a Súmula Vinculante n° 08, do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência, o prazo de 5 (cinco) anos nos termos do que dispõe o § 4º do art. 150 ou art. 173 e incisos do Código Tributário Nacional. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DEPÓSITO JUDICIAL. EQUIVALENTE A PAGAMENTO. PRAZO DE CINCO ANOS CONTADOS A PARTIR DA OCORRÊNCIA DO FATO GERADOR. Configurado o lançamento por homologação e realizados depósitos judiciais pela Contribuinte, que se equivalem a pagamento, o prazo de decadência do direito do Fisco efetuar o lançamento de ofício regese pela regra do art. 150, §4º do CTN, operandose em cinco anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional, vencidas as conselheiras Vanessa Marini Cecconello (relatora) e Érika Costa Camargos Autran, que não conheceram e, no mérito, acordam, por unanimidade de votos, em negarlhe provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao conhecimento, o conselheiro Júlio César Alves Ramos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 13 41 /2 00 6- 53 Fl. 812DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora (assinado digitalmente) Júlio César Alves Ramos Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Júlio César Alves Ramos, Tatiana Midori Migiyama, Andrada Márcio Canuto Natal, Demes Brito, Érika Costa Camargos Autran, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela FAZENDA NACIONAL (fls. 472 a 489) com fulcro nos artigos 67 e seguintes, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 340200.858 (fls. 466 a 469), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 27/10/2010, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, tendo recebido a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 PIS. DECADÊNCIA. SÚMULA VINCULANTE N°8 DO STF. Salvo a ocorrência de e dolo, fraude ou simulação, é de cinco anos contados a partir do fato gerador o prazo de que dispõe a Fazenda Nacional para constituir o crédito tributário relativo à contribuição para o PIS. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/1999 a 31/12/2005 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. EXIGIBILIDADE SUSPENSA. DEPÓSITO JUDICIAL. LANÇAMENTO. É cabível o lançamento do credito tributário para prevenir a decadência na hipótese de a exigibilidade estar suspensa por efetivação de depósito judicial. Fl. 813DF CARF MF Processo nº 16327.001341/200653 Acórdão n.º 9303004.721 CSRFT3 Fl. 813 3 DEPÓSITO JUDICIAL. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO. INCABÍVEL. No lançamento para prevenir a decadência, é incabível a exigência de juros moratórios sobre os valores objeto de depósito judicial. Recurso provido em parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até agosto de 2001, inclusive, e excluir os juros moratórios sobre os valores objeto de depósito judicial. Na data de 18/09/2006 (A.R. à fl. 136), a Contribuinte foi cientificada da lavratura do Auto de Infração (fls. 128 a 134), para prevenir a decadência do PIS, face a suspensão da exigibilidade do crédito tributário decorrente dos depósitos judiciais efetuados nos autos do mandado de segurança nº 2004.61.00.0341480 em tramitação perante a 5ª Vara da Justiça Federal da Seção Judiciária do Estado de São Paulo (art. 151, incisos II e IV do CTN). Após cientificada da autuação, a Contribuinte insurgiuse por meio de Impugnação (fls. 137 a 157), julgada improcedente pela 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, nos termos do Acórdão nº 1616.957, de 23/04/2008 (fls. 298 a 307), sob o fundamento de que (a) o prazo decadencial para constituir o crédito tributário relativo a contribuição para a seguridade social, no caso o PIS, é de 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído, conforme art. 45 da Lei 8.212/91; (b) a realização de depósito judicial não dispensa o lançamento fiscal e (c) cabível a incidência de juros de mora sobre o crédito tributário lançado com a exigibilidade suspensa. A decisão de impugnação, que manteve o lançamento na íntegra, foi contestada por meio de recurso voluntário (fls. 315 a 341), por sua vez julgado parcialmente procedente para reconhecer a decadência em relação aos fatos geradores ocorridos até agosto de 2001, inclusive, e excluir os juros de mora sobre os valores depositados judicialmente, conforme Acórdão nº 340200.858 (fls. 466 a 469), proferido pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 27/10/2010, ora recorrido. No ensejo, a Fazenda Nacional interpôs o presente recurso especial de divergência (fls. 472 a 489), com amparo no acórdão paradigma nº 20180.517, alegando, em síntese, que: (a) o auto de infração foi lavrado para prevenir a decadência, pois impetrado o mandado de segurança nº 2005.61.00.02503257, tendo havido depósitos judiciais efetuados pela Recorrida; (b) os depósitos judiciais efetuados para suspender a exigibilidade do crédito tributário, bem como obstar a cobrança de juros de mora e de multa, não se equivalem a pagamento antecipado, devendo ser aplicada Fl. 814DF CARF MF 4 a regra de contagem do prazo decadencial do art. 173, inciso I do CTN, e não do art. 150, §4º do CTN; (c) em relação aos fatos geradores de janeiro a novembro de 2001, o lançamento poderia ser efetuado ainda em 2001, sendo contado o prazo de 5 (cinco) anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte a 2001, qual seja, 1º de janeiro de 2002, findando o prazo para o Fisco lançar o tributo em 31/12/2006. Como o contribuinte foi notificado em 18/09/2006, não há falar em decadência; (d) referido entendimento está em consonância com o decidido pelo STJ, pela sistemática dos recursos repetitivos, ao interpretar a combinação entre os dispositivos do art. 150, §4º e 173, inciso I do CTN. O recurso especial da Fazenda Nacional foi admitido quanto à matéria do termo inicial da contagem do prazo de decadência para o Fisco constituir crédito tributário relativo ao PIS, por meio do Despacho s/nº, de 20 de julho de 2015 (fls. 505 a 506). A Contribuinte apresentou contrarrazões (fls. 629 a 647) postulando, preliminarmente, o não conhecimento do recurso especial, face à ausência de identidade entre o paradigma e o recorrido, e, no mérito, a sua negativa de provimento. O Sujeito Passivo interpôs ainda recurso especial (fls. 516 a 526), ao qual foi negado seguimento, conforme despacho s/nº, de 09/12/2015 (fls. 771 a 776). O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria da Fazenda Nacional é tempestivo, restando analisarse o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Com relação à comprovação da divergência jurisprudencial no tocante ao termo inicial para contagem do início do prazo decadencial para constituição do crédito tributário do Fl. 815DF CARF MF Processo nº 16327.001341/200653 Acórdão n.º 9303004.721 CSRFT3 Fl. 814 5 PIS, se do art. 150, §4º ou do art. 173, I, ambos do CTN, há de ser reconhecida a inadmissibilidade do recurso por não ter sido comprovado o dissenso interpretativo. Da análise dos casos confrontados, verificase que, embora ambos versem sobre a decadência, há diferença substancial que retira a possibilidade de ser comprovada a divergência, isso porque: (a) no acórdão recorrido, foi aplicada a regra do art. 150, §4º do CTN para contagem do prazo decadencial sob o fundamento de se tratar o PIS de tributo sujeito ao lançamento por homologação e inexistir nos autos dolo, fraude ou simulação. Na análise do caso, a realização de depósito judicial foi irrelevante para determinação da regra da decadência, sequer sendo analisado sob este enfoque. A argumentação relativa ao depósito judicial deuse no tópico referente à necessidade ou não de proceder a Autoridade Administrativa ao lançamento de ofício face ao depósito judicial. (b) o acórdão paradigma, por sua vez, traz a aplicação do art. 173, inciso I do CTN, sob o fundamento de não ser considerado o depósito judicial como pagamento, argumento que não foi objeto de análise no acórdão recorrido, não se podendo estabelecer, assim, o dissenso interpretativo. Para melhor elucidar as assertivas, pertinente transcreverse parte do voto proferido no acórdão recorrido, in verbis: [...] Inicialmente, quanto â decadência do direito de formalização da exigência tributária, cumpre lembrar que, na sessão plenária de 12 de junho de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou a Sumula Vinculante n° 8, com o seguinte enunciado: São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei n° 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei le 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Por conseguinte, uma vez que a publicação do enunciado vinculante por meio da imprensa oficial deflagra a sua imediata eficácia, notadamente para a Administração Pública, impõese que se afaste a aplicação dos dispositivos legais declarados inconstitucionais e se aplique ao caso, por tratarse de tributo sujeito ao lançamento por homologação, o art. 150, § 4° do CTN, que estabelece prazo qüinqüenal, contado a pa ir da ocorrência do fato gerador, para a Fazenda Pública formalizar a exigência tributária. Em face disso, considerando que a recorrente teve ciência do lançamento, por via postal, em 18 de setembro de 2006, há que se reconhecer extinto, na forma do art. 156, inc. V, do CTN, o crédito tributário decorrente dos fatos geradores anteriores a setembro de 2001. Fl. 816DF CARF MF 6 [...] Diverso o fundamento jurídico trazido no acórdão paradigma, conforme se depreende da análise da ementa e do voto, in verbis: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 31/03/1999, 30/04/1999,3010611999 Ementa: PIS. DECADÊNCIA. O depósito judicial não se equipara ao pagamento antecipado, em cuja ausência a regra para determinação do termo inicial para contagem do prazo decadencial, relativamente aos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, deslocase para o previsto no art. 173, I, do CTN. DEPÓSITOS JUDICIAIS. INTEGRAL1DADE SUSPENSÃO DE EXIGIBILIDADE MULTA DE OFICIO. INAPLICABILIDADE A realização de depósitos judiciais no montante integral do lançamento implica a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e impede a aplicação de multa de oficio. Recurso provido em parte. Voto [...] Quanto à decadência, tratandose de PIS lançado em 21 de julho de 2004, relativamente a valores não recolhidos de abril a junho de 1999, a regra a ser aplicada, a vista da ausência de pagamentos antecipados (que não se confundem com depósitos judiciais), seria a do art. 173, I, do CTN. A respeito da matéria, o Superior Tribunal de Justiça pacificou seu entendimento, como demonstra a ementa abaixo reproduzida (REsp n 2 512.840/SP; Relatora: Ministra Eliana Calmon, DJ de 23/05/2005, p. 194): "TRIBUTÁRIO DECADÊNCIA LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO (ART. 150 § 4° E 173 DO C7N). 1. Nas exações cujo lançamento se faz por homologação, havendo pagamento antecipado, contase o prazo decadencial a partir da ocorrência do fato gerador (art. 150, § 4°, do CTN). 2. Somente quando não há pagamento antecipado, ou há prova de fraude, dolo ou simulação é que se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. 3. Em normais circunstâncias, não se conjugam os dispositivos legais. Fl. 817DF CARF MF Processo nº 16327.001341/200653 Acórdão n.º 9303004.721 CSRFT3 Fl. 815 7 4. Precedentes das Turmas de Direito Público e da Primeira Seção. 5. Recurso especial provido." No caso dos autos não houve pagamentos antecipados, uma vez queos depósitos judiciais não se equiparam ao pagamento, razão pela qual se aplica o disposto no art. 173, I, do CTN. O termo inicial, portanto, somente ocorreria em 1 2 de janeiro de 2000. [...] Portanto, temse que a decisão proferida no acórdão paradigma no sentido de aplicação do art. 173, inciso I do CTN, foi fundamentada justamente no fato de não ser considerado o depósito judicial como pagamento, enquanto no acórdão recorrido foi irrelevante o fato de existir ou não pagamento e/ou depósito judicial para aplicação do art. 150, §4º do CTN. O paradigma colacionado pela Fazenda Nacional não se presta a comprovar a divergência jurisprudencial alegada nos presentes autos. Diante do exposto, por estar ausente um dos requisitos de admissibilidade, há de ser negado seguimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Mérito Na hipótese de ser ultrapassada a questão referente à admissibilidade do recurso especial, necessário adentrarse a análise de mérito da demanda, restrita à determinação da regra aplicável como termo inicial para a contagem do prazo de decadência, se do art. 150, §4º ou do art. 173, I, ambos do CTN. A presente autuação abarcou os fatos geradores ocorridos nos anoscalendário de 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005, período sobre o qual recai a discussão acerca da decadência do direito de o Fisco proceder ao lançamento de PIS, única matéria a ter seguimento na admissibilidade do apelo especial. A divergência a ser apreciada referese ao termo inicial de contagem da decadência do direito de lançamento, se a data do fato gerador artigo 150, §4º do CTN ou Fl. 818DF CARF MF 8 primeiro dia do exercício seguinte ao em que poderia ser lançado, no caso de não existir pagamento antecipado artigo 173, I do CTN. Pertinente esclarecer que, em razão da declaração de inconstitucionalidade do art. 45 da Lei 8.212/91 pelo Supremo Tribunal Federal, ao julgar os recursos extraordinários nºs 556664, 559882 e 560626, oportunidade em que aprovou a Súmula Vinculante STF nº 08, indubitável estarse diante de hipótese de aplicação do prazo decadencial de 5 (cinco) anos do Código Tributário Nacional: Súmula Vinculante STF nº 08 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.5g69/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam da prescrição e decadência do crédito tributário. Portanto, após a edição da Súmula Vinculante nº 08, a controvérsia a respeito do prazo decadencial para as contribuições previdenciárias cingese à aplicação dos artigos 150, §4º ou 173, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Nos termos do art. 62A do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, e reproduzido em sua íntegra no art. 62, §2º do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, no que tange à contagem do prazo decadencial de tributos e contribuições deve ser observado o posicionamento do Superior Tribunal de Justiça firmado no julgamento do recurso especial nº 973.733, pela sistemática dos recursos repetitivos, restando superada a tese da irrelevância de ter ocorrido ou não pagamento, in verbis: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN.IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005) [...] Fl. 819DF CARF MF Processo nº 16327.001341/200653 Acórdão n.º 9303004.721 CSRFT3 Fl. 816 9 Para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, como no caso do PIS, na inteligência do acórdão do STJ cuja ementa transcreveuse acima: (i) a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado (art. 173, inciso I do CTN) em caso de dolo, fraude ou simulação; quando não houver pagamento antecipado ou inexistir declaração prévia do débito; ou (ii) a partir do fato gerador (art. 150, §4º do CTN) nas hipóteses de pagamento parcial ou integral do débito ou existência de declaração prévia do mesmo. Feitas estas considerações, passese ao exame do artigo de lei aplicável ao caso destes autos. O litígio decorre de lançamento de ofício com exigibilidade suspensa em razão da existência de depósitos judiciais realizados no Mandado de Segurança nº 2004.61.00.0341480, para prevenir a decadência, relativo ao crédito tributário da contribuição para o PIS dos anos calendário de 1999, 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 e 2005. O auto de infração foi lavrado em 04/09/2006 (fl. 128) e a Contribuinte teve ciência em 18/09/2006 (fl. 136). Conforme restou comprovado nos autos do presente processo administrativo, no âmbito da discussão judicial em sede de mandado de segurança, a Contribuinte efetuou o depósito judicial das parcelas controversas a título de contribuição para o PIS. Uma vez sendo os valores depositados em juízo automaticamente convertidos em renda da União na hipótese de o Sujeito Passivo restar vencido na demanda judicial, temse que o depósito judicial equivale ao pagamento do crédito tributário. Nesse sentido, já se manifestou o Superior Tribunal de Justiça, conforme ementa do julgado proferido no agravo regimento no recurso especial nº 1163271/PR, de Relatoria do Ministro Castro Meira, in verbis: RECURSO ESPECIAL. AGRAVO REGIMENTAL. TRIBUTÁRIO. DEPÓSITO DO MONTANTE INTEGRAL. ART. 151, II, DO CTN. SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. CONVERSÃO EM RENDA. DECADÊNCIA. 1. Com o depósito do montante integral temse verdadeiro lançamento por homologação. O contribuinte calcula o valor do tributo e substitui o pagamento antecipado pelo depósito, por entender indevida a cobrança. Se a Fazenda aceita como integral o depósito, para fins de suspensão da exigibilidade do crédito, aquiesceu expressa ou tacitamente com o valor indicado pelo contribuinte, o que equivale à homologação fiscal prevista no art. 150, § 4º, do CTN. 2. Uma vez ocorrido o lançamento tácito, encontrase constituído o crédito tributário, razão pela qual não há mais falar no transcurso do prazo decadencial nem na necessidade de lançamento de ofício das importâncias depositadas. Precedentes da Primeira Seção. 3. Agravo regimental não provido. Fl. 820DF CARF MF 10 (AgRg no REsp 1163271/PR, Rel. Ministro CASTRO MEIRA, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/04/2012, DJe 04/05/2012) Em consonância com o entendimento do STJ consignado no recurso especial nº. 973.733, em sede de recurso repetitivo, de observância obrigatória por este Colegiado, as circunstâncias acima descritas levam à conclusão de que havendo o depósito judicial, que é equivalente ao pagamento antecipado do tributo, a contagem do prazo decadencial deve se dar na forma do art. 150, §4º do CTN, observandose o prazo de 05 (cinco) anos contados a partir da ocorrência do fato gerador. Portanto, tendo ocorrido a ciência do auto de infração em 18/09/2006, encontramse extintos pela decadência os créditos tributários de PIS dos períodos de apuração de janeiro de 1999 a agosto de 1991. Por fim, cumpre mencionar que, embora exista discussão no âmbito do processo judicial, não há de se falar em concomitância nos termos da Súmula CARF nº 01, pois as matérias discutidas nos processos administrativo e judicial são distintas: enquanto no Judiciário discutese a constitucionalidade da exigência da contribuição para o PIS sobre os atos cooperativos, na lide administrativa a controvérsia ficou restrita à regularidade do lançamento fiscal em questão (em suma, a decadência e a dispensabilidade do lançamento de ofício frente aos depósitos judiciais). Diante do exposto, negase provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional. É o Voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Voto Vencedor Conselheiro Júlio César Alves Ramos, Redator designado Fui incumbido de apresentar as razões que levaram o colegiado, por maioria, a rejeitar a proposta de não conhecimento externada pela n. relatora. Para ela, com efeito, não se conformara a divergência de entendimentos porque no acórdão paradigma não se examinaram os efeitos da realização de depósitos judiciais sobre a questão da decadência, tendose limitado o relator a entender que sempre se aplicaria a regra do § 4º do art. 150 quando se trate de tributo sujeito ao lançamento por homologação. Já para o paradigma, reconhece ela, a presença de depósitos foi expressamente considerada, afastandose sua equiparação a pagamento para efeito de definição quanto à regra decadencial. Fl. 821DF CARF MF Processo nº 16327.001341/200653 Acórdão n.º 9303004.721 CSRFT3 Fl. 817 11 Entendemos, porém, que é precisamente por esse motivo que há a divergência. Realmente, ela se forma, já o dissemos inúmeras vezes, em relação à matéria a ser analisada e não quanto aos argumentos que cada relator adota no seu exame. Aqui, a matéria é decadência de tributo sujeito a lançamento por homologação. Para a câmara recorrida, tributo sujeito a lançamento por homologação sempre está sujeito à regra do art. 150, não sendo, por isso, necessário examinar se os depósitos suspensivos são equiparados a pagamento ou não. Essa circunstância só precisa ser enfrentada se o colegiado entender que o art. 150 somente tem aplicação quando há pagamento, tese abraçada pela decisão apontada como divergente. A divergência é, ao meu ver, evidente. Ela não ocorreria apenas se estivéssemos examinando um acórdão que aplicasse a segunda tese a necessidade de pagamentos. Aí tanto no caso de ter motivadamente a eles equiparado os depósitos e estivesse sendo confrontado por um pretendido paradigma em que não tivesse havido nem depósitos nem pagamentos em DARF. Não haveria divergência porque a existência dos depósitos, elemento essencial à tese abraçada na decisão recorrida, não teria sido enfrentada no paradigma. Ou se a equiparação fosse feita sem qualquer justificativa no acórdão recorrido e no pretendido paradigma se houvesse motivado a impossibilidade de equiparação de depósitos a pagamentos. Nesse caso, por falta de prequestionamento, que teria de ter sido confrontado por meio de embargos. No caso que examinamos, negar o conhecimento seria querer exigir do relator do recorrido, que sequer vê necessidade de pagamento para aplicar o 150, que se pronunciasse sobre uma equiparação que para ele não faria a menor diferença. É o mesmo que, por exemplo, exigir que um relator enfrente de ofício por ser matéria de ordem pública decadência que ele não entende ter ocorrido... Com essas considerações, votamos pelo conhecimento do recurso. Conselheiro Júlio César Alves Ramos Fl. 822DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10803.000055/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
LANÇAMENTO. PRESSUPOSTOS LEGAIS. ATENDIMENTO. PROCEDIMENTO REGULAR.
Uma vez que a autoridade fiscal comprovou a ocorrência do fato gerador, identificou o verdadeiro sujeito passivo, determinou a matéria tributável, calculando o montante do tributo devido e acréscimos legais, e fundamentou os fatos apurados com o devido enquadramento legal em procedimento isento de vícios, não há o que se contestar quanto a validade do lançamento.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007
INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. NEGÓCIOS ILÍCITOS. FRAUDE TRIBUTÁRIA. IDENTIFICAÇÃO REAL BENEFICIÁRIO PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Comprovado, por meio de conjunto probatório robusto e convergente, que pessoas jurídicas foram utilizadas, em esquema de interposição fraudulenta, para operacionalizar rendimentos de pessoa física em negócios ilícitos, a autoridade fiscal deve identificar o real beneficiário dos rendimentos, apurar o crédito tributário e efetuar o lançamento do imposto e acréscimos legais devidos, por força do disposto no artigo 142 do CTN.
EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO FISCAL COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. LANÇAMENTO COM MULTA QUALIFICADA.
Comprovado que pessoas jurídicas foram utilizadas, em esquema de interposição fraudulenta, para operacionalizar ganhos de pessoa física em negócios ilícitos deve a autoridade fiscal aplicar a multa qualificada nos termos fixados na legislação.
DEDUÇÃO. IMPOSTO PAGO.
Uma vez que a receita bruta declarada pelas interpostas pessoas jurídicas, utilizadas no esquema fraudulento, foi atribuída às pessoas físicas dos sócios, os tributos recolhidos, calculados sobre o faturamento e o lucro, devem ser deduzidos do imposto sobre a renda das pessoas físicas dos sócios, apurado pela fiscalização.
Recursos de Ofício e Voluntário Negados.
Numero da decisão: 2401-004.581
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos de voto vencedor. Votou o conselheiro Denny Medeiros da Silveira - suplente - que substituiu na reunião anterior o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio de Lacerda Martins.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente
(assinado digitalmente)
Carlos Alexandre Tortato - Relator
(assinado digitalmente)
Marcio de Lacerda Martins - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CARLOS ALEXANDRE TORTATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201702
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. PRESSUPOSTOS LEGAIS. ATENDIMENTO. PROCEDIMENTO REGULAR. Uma vez que a autoridade fiscal comprovou a ocorrência do fato gerador, identificou o verdadeiro sujeito passivo, determinou a matéria tributável, calculando o montante do tributo devido e acréscimos legais, e fundamentou os fatos apurados com o devido enquadramento legal em procedimento isento de vícios, não há o que se contestar quanto a validade do lançamento. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2004, 2005, 2006, 2007 INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. NEGÓCIOS ILÍCITOS. FRAUDE TRIBUTÁRIA. IDENTIFICAÇÃO REAL BENEFICIÁRIO PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Comprovado, por meio de conjunto probatório robusto e convergente, que pessoas jurídicas foram utilizadas, em esquema de interposição fraudulenta, para operacionalizar rendimentos de pessoa física em negócios ilícitos, a autoridade fiscal deve identificar o real beneficiário dos rendimentos, apurar o crédito tributário e efetuar o lançamento do imposto e acréscimos legais devidos, por força do disposto no artigo 142 do CTN. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO FISCAL COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. LANÇAMENTO COM MULTA QUALIFICADA. Comprovado que pessoas jurídicas foram utilizadas, em esquema de interposição fraudulenta, para operacionalizar ganhos de pessoa física em negócios ilícitos deve a autoridade fiscal aplicar a multa qualificada nos termos fixados na legislação. DEDUÇÃO. IMPOSTO PAGO. Uma vez que a receita bruta declarada pelas interpostas pessoas jurídicas, utilizadas no esquema fraudulento, foi atribuída às pessoas físicas dos sócios, os tributos recolhidos, calculados sobre o faturamento e o lucro, devem ser deduzidos do imposto sobre a renda das pessoas físicas dos sócios, apurado pela fiscalização. Recursos de Ofício e Voluntário Negados.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
numero_processo_s : 10803.000055/2010-16
anomes_publicacao_s : 201706
conteudo_id_s : 5736548
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jun 22 00:00:00 UTC 2017
numero_decisao_s : 2401-004.581
nome_arquivo_s : Decisao_10803000055201016.PDF
ano_publicacao_s : 2017
nome_relator_s : CARLOS ALEXANDRE TORTATO
nome_arquivo_pdf_s : 10803000055201016_5736548.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos de voto vencedor. Votou o conselheiro Denny Medeiros da Silveira - suplente - que substituiu na reunião anterior o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio de Lacerda Martins. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini - Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato - Relator (assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins - Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 07 00:00:00 UTC 2017
id : 6819299
ano_sessao_s : 2017
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 11:02:12 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713049211967111168
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 24; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2040; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10803.000055/201016 Recurso nº De Ofício e Voluntário Acórdão nº 2401004.581 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 7 de fevereiro de 2017 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOAS FÍSICAS Recorrentes CID GUARDIA FILHO FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 LANÇAMENTO. PRESSUPOSTOS LEGAIS. ATENDIMENTO. PROCEDIMENTO REGULAR. Uma vez que a autoridade fiscal comprovou a ocorrência do fato gerador, identificou o verdadeiro sujeito passivo, determinou a matéria tributável, calculando o montante do tributo devido e acréscimos legais, e fundamentou os fatos apurados com o devido enquadramento legal em procedimento isento de vícios, não há o que se contestar quanto a validade do lançamento. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2004, 2005, 2006, 2007 INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS JURÍDICAS. NEGÓCIOS ILÍCITOS. FRAUDE TRIBUTÁRIA. IDENTIFICAÇÃO REAL BENEFICIÁRIO PESSOA FÍSICA. LANÇAMENTO. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Comprovado, por meio de conjunto probatório robusto e convergente, que pessoas jurídicas foram utilizadas, em esquema de interposição fraudulenta, para operacionalizar rendimentos de pessoa física em negócios ilícitos, a autoridade fiscal deve identificar o real beneficiário dos rendimentos, apurar o crédito tributário e efetuar o lançamento do imposto e acréscimos legais devidos, por força do disposto no artigo 142 do CTN. EVIDENTE INTUITO DE FRAUDE. SONEGAÇÃO FISCAL COM INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. LANÇAMENTO COM MULTA QUALIFICADA. Comprovado que pessoas jurídicas foram utilizadas, em esquema de interposição fraudulenta, para operacionalizar ganhos de pessoa física em negócios ilícitos deve a autoridade fiscal aplicar a multa qualificada nos termos fixados na legislação. DEDUÇÃO. IMPOSTO PAGO. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 80 3. 00 00 55 /2 01 0- 16 Fl. 2990DF CARF MF 2 Uma vez que a receita bruta declarada pelas interpostas pessoas jurídicas, utilizadas no esquema fraudulento, foi atribuída às pessoas físicas dos sócios, os tributos recolhidos, calculados sobre o faturamento e o lucro, devem ser deduzidos do imposto sobre a renda das pessoas físicas dos sócios, apurado pela fiscalização. Recursos de Ofício e Voluntário Negados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 2991DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 3 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer dos recursos de ofício e voluntário, para, no mérito, por unanimidade, negar provimento ao recurso de ofício e, por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos de voto vencedor. Votou o conselheiro Denny Medeiros da Silveira suplente que substituiu na reunião anterior o conselheiro Cleberson Alex Friess. Vencidos o relator e os conselheiros Rayd Santana Ferreira, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Márcio de Lacerda Martins. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Lazarini Presidente (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Relator (assinado digitalmente) Marcio de Lacerda Martins Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Márcio de Lacerda Martins, Andréa Viana Arrais Egypto, Maria Cleci Coti Martins, Luciana Matos Pereira Barbosa e Rayd Santana Ferreira. Relatório Tratamse de recurso voluntário e de ofício interpostos em face do Acórdão nº. 1751.688 (fls. 2905/2927), que julgou parcialmente procedente a impugnação apresentada pelo contribuinte, nos termos da ementa a seguir reproduzida: LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Nas hipóteses em que inexistir pagamento antecipado ou em que estiver comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, a contagem do prazo de que dispõe o Fisco para efetuar o lançamento é disciplinada pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional (CTN), que fixa como termo inicial o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Fl. 2992DF CARF MF 4 SIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO DE ATO OU NEGÓCIO JURÍDICO. Demonstrada a existência de indícios veementes de que o contribuinte praticou atos jurídicos simulados, com o intuito doloso de excluir ou modificar as características essenciais do fato gerador da obrigação tributária, impõese a desconsideração dos efeitos dos atos viciados, para que se operem consequências no plano da eficácia tributária, independentemente de prévia manifestação judicial. OMISSÃO DE RENDIMENTOS TRIBUTÁVEIS RECEBIDOS POR MEIO DE PESSOAS JURÍDICAS INTERPOSTAS. Evidenciado que o contribuinte recebeu rendimentos tributáveis por intermédio de pessoas jurídicas interpostas em vários anos calendário e não os ofereceu à tributação nas correspondentes declarações de ajuste anual, resta confirmada a omissão de rendimentos apurada. Todavia, uma vez que a receita bruta declarada pelas empresas interpostas foi atribuída às pessoas físicas dos sócios, os tributos recolhidos, calculados sobre o faturamento e o lucro, devem ser deduzidos do IRPF devido. MULTA QUALIFICADA. É cabível a aplicação da multa qualificada quando restar comprovado o intento doloso do contribuinte de reduzir indevidamente a base de cálculo do imposto devido. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O lançamento fiscal, nos termos do Termo de Verificação (fls. 2264/2728), foi motivado pela apuração de omissão de rendimentos referente a participação do fiscalizado em esquema de interposição fraudulenta, conforme as razões apresentadas pela fiscalização. Em decorrência do Procedimento Criminal nº. 2005.61.0092851, em curso na Quarta Vara Federal Criminal da 1ª Subseção Judiciária de São Paulo (SP), foi deflagrada a "Operação Persona", pela qual a Receita Federal do Brasil, conjuntamente com a Polícia Federal e o Ministério Público Federal, investigou um esquema fraudulento de importações que se utilizava de empresas e pessoas interpostas para a prática de sonegação fiscal, sendo os reais beneficiários das operações a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. (CNPJ nº. 04.867.975/000172) e a multinacional americana CISCO CYSTEMS INC., ambas ocultas pelas diversas operações simuladas de compra e venda de mercadorias. Segundo a Fiscalização, restou comprovado que o grupo K/E, controlado por CID GUARDIA FILHO e ERNANI BERTINO MACIEL, participou ativamente da logística de importação e distribuição de produtos eletroeletrônicos e de telecomunicações da empresa norteamericana CISCO, formada pela sucessão de empresas exportadoras e distribuidoras nos EUA e, no Brasil, por uma cadeia de importadoras, distribuidoras, de assessoria comercial e de despacho aduaneiro, aparentemente, distintas umas das outras, mas que, de fato, constituam uma organização sob comando único, conforme vínculos de seus integrantes, interagindo em uma série de operações comerciais simuladas, manipulando a base de cálculo de tributos federais e estaduais excluindo, por meio de interposição fraudulenta, do rol de contribuintes do IPI a empresa MUDE. Fl. 2993DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 4 5 O fluxo de mercadorias, que se inicia com a negociação realizada entre o encomendante e a CISCO DO BRASIL LTDA., materializase através do pedido da MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. à fábrica da CISCO SYSTEM INC, nos Estados Unidos, e por uma série de operações comerciais simuladas de venda de mercadorias ocorridas entre as empresas de fachada,que assumem os papeis de exportadoras, importadoras e distribuidora, até chegar à MUDE, que, ao recebêlas já nacionalizadas, as transfere ao cliente final (encomendante). O esquema apresenta uma divisão de tarefas e responsabilidades entre os agentes envolvidos na consecução das diversas condutas relacionadas a tal logística, do qual foram identificados os grupos a seguir: SOUTH, em referência à empresa de logística responsável pelas operações de comércio exterior SOUTH e outras a ela associadas; K/E, em referência à CID GUARDIA FILHO, vulgo Kiko, e ERNANI BERTINO MACIEL, que controlavam, de fato, as interpostas exportadoras, importadoras e distribuidoras; MUDE, em referência à MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA., líder na venda de produtos CISCO no Brasil e real adquirente, pois controlava detalhadamente todas as operações de importação realizadas apenas formalmente pelas pessoas jurídicas interpostas, às quais repassava antecipadamente os recursos necessários à realização das importações; CISCO, em referência à CISCO BRASIL beneficiária última do esquema, pois abastecia o mercado nacional com produtos bem abaixo dos de mercado, bem como reduzia a carga tributária e evitava o controle da fiscalização de Preços de Transferência e Tributação em Bases Universais. Ainda, segundo a fiscalização, caso a MUDE realizasse diretamente as importações ou aparecesse como adquirente nas Declarações de Importação, não conseguiria esconder a sua condição de estabelecimento equiparado a industrial e, portanto, contribuinte do imposto sobre Produtos Industrializados, conforme Decreto nº. 4.544/2002 (RIPI). Além desses grupos, identificouse mais um nível do que seria uma blindagem, pois a CISCO USA simulava a venda dos produtos, como se fosse uma operação interna nos Estados Unidos, para uma empresa do esquema, FULFILL, ou, em operações mais recentes, a MUDE USA. Estas duas últimas pessoas jurídicas atuavam entre a CISCO USA e as exportadoras interpostas. Com relação ao Grupo K/E, aponta a fiscalização que este é composto pelas seguintes empresas: a) EXPORADORAS INTERPOSTAS: 3 TECH, LATAM e ROMFORD; b) IMPORTADORAS INTERPOSTAS: PRIME TECNOLOGIA IND. E COM. LTDA., D´LUCK COM. IMP. EXPO. LTDA., ARCO EQUIPAMENTOS LTDA., BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA., ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA. e LIVON IND. E TECNOLOGIA EM ELETRÔNICA DA BAHIA LTDA.; Fl. 2994DF CARF MF 6 c) DISTRIBUIDORAS INTERPOSTAS: TECNOSUL DIS. PROD. ELETROELETRÔNICOS E INFORM. LTDA., NACIONAL DISTR. DE PROD. ELETRÔNICOS LTDA., SPCOM PREST. DE SERVIÇOS EM INFORMÁTICA LTDA. e COMTEC COM. E DISTR. PROD. ELETROELETRÔNICOS LTDA. Segundo o Termo de Verificação as principais características das empresas pertencentes a esse grupo, com exceção da LIVON, são: a) quadros societários constituídos por interpostas pessoas, em geral sem capacidade econômicofinanceira ou empresas offshore sediadas em paraísos fiscais; b) número reduzido de funcionários; c) operações em imóveis alugados; d) ausência de estoque de mercadorias; e) reduzidos investimentos em ativo imobilizado. Referidas empresas agiam como fábricas de emissão de notas fiscais, vez que não possuíam atividade comercial verdadeira, sendo suas operações comerciais meras simulações com o objetivo de ocultação da verdadeira responsável pelas operações de comércio exterior, a empresa MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Por constituírem a parte visível do esquema, tais empresas, notadamente as importadoras interpostas, vinham sendo alvo constante de autuações por parte da Receita Federal do Brasil. Mas, na medida em que uma delas sofria fiscalização, o grupo prontamente criava outra pessoa jurídica com o fim de substituir a empresa investigada, de modo a promover a continuidade do esquema fraudulento. A empresa LIVON tinha como sócios CID e ERNANI e, porteriormente, o Sr. JOSÉ CARLOS MENDES PIRES, com 6% (seis por cento) do capital social, que se tornara homem de confiança de CID GUARDIA e atuava como seu representante perante as empresas do grupo (ABC, PRIME e BRASTEC). A LIVON foi utilizada para ocultar o real adquirente das mercadorias, a partir de 10 de setembro de 2007. Houve o registro de apenas 04 (quatro) declarações de importação por essa empresa, em razão do diminuto espaço de tempo entre o início de suas operações e a deflagração da "Operação Persona", em 16 de outubro de 2007. Evidenciouse que os "laranjas" (confessos remunerados), utilizados como sócios na rede de empresas interpostas exportadoras, importadoras e distribuidoras, eram desprovidos de capacidade financeira para suportar o volume das transações de comércio exterior realizadas e, embora sejam diretores de empresas que operam na atividade de eletroeletrônica e informática, desconhecem o significado do termo "TI" (Tecnologia da Informação") e têm origem humildade, tais como auxiliar administrativo, officeboy, desempregado, pedreiro, gerentes de vendas, exbancário e exferramenteiro, ou possuem vínculo de amizade ou familiar com CID ou ERNANI. Constatouse, ainda, que o contador dos "laranjas" e da rede de interpostas empresas controladas pelo grupo K/E, WALDOMIRO ALVES ROSA, participou ativamente das providências fiscais e das simulações de composição do capital social e se autodenominou como "officeboy de luxo" no depoimento prestado à Polícia Federal. Para a distribuição dos recursos financeiros obtidos (lucros e remuneração) às pessoas que comandavam o Grupo K/E, CID e ERNANI, foram constituídas as empresas de Fl. 2995DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 5 7 fachada CMGUARDIA ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO S/C LTDA. (CNPJ nº. 04.900.813/000199 em nome de CID, com 99%, e sua esposa Marilena, com 1%) e CIDER ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA. (CNPJ nº. 08.350.057/000122 em nome de CID e ERNANI com 50% cada), que emitiram notas fiscais de prestação de serviços de assessoria junto à rede de interpostas empresas sob seu controle, tais como 3 TECH INTERNACIONAL INC., ARCO EQUIPAMENTOS LTDA., BRASTEC TECNOLOGIA E INFORMÁTICA LTDA., NACIONAL DISTRIBUIDORA DE ELETRÔNICOS LTDA., TECNOSUL DISTR. PROD. ELETR. E INF. LTDA., ABC INDUSTRIAL DA BAHIA LTDA., HORIZON ARTEFADOS DE BORRACHA LTDA. e WKR BRASIL LTDA., e demais empresas participantes do esquema fraudulento, tais como: grupo SOUTH/PAULO MOREIRA, MPLI LTDA., SMITH LOGISTICS DO BRASIL LTDA., SOUTH AMERICA OVERSEAS LOGÍSTICA LTDA., ACTION CORRETORA DE CÂMBIO S/A e PROP. INTELECTUAL COM. REPR. LTDA. Assim, entendendo ser o contribuinte, ora recorrente, o real beneficiário dos valores representados pelas notas fiscais de emissão das empresas CM GUARDIA e CIDER, a base de cálculo do Imposto de Renda Pessoa Física foi o faturamento destas empresas, verificado no período de 2004 a 2007, realizandose o lançamento com a imputação de multa qualificada prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº. 9.430/96. Para fins de apuração da base de cálculo do lançamento, a fiscalização atribuiu ao Sr. CID GUARDIA FILHO a totalidade do faturamento da empresa CMGUARDIA (da qual detinha 99% do capital social) e 50% do faturamento da CIDER, empresa da qual dividia a participação societária com ERNANI BERTINO MACIEL. Após tomar ciência do auto de infração em comento, o contribuinte apresentou sua peça impugnatória (fls. 2745/2767) que resultou no acórdão cuja ementa foi acima reproduzida e a julgou parcialmente procedente, posto que considerou o desconto dos pagamentos de tributos realizados pela pessoa jurídica, que devem ser abatidos do cômputo do IRPF lançado. Intimado do acórdão nº. 1751.688 em 06 de dezembro de 2011 (AR fl. 2931), o contribuinte apresentou, tempestivamente, o seu recurso voluntário de fls. 2932/2958 em 03 de janeiro de 2012, alegando, em síntese: a) impossibilidade de desconsideração da personalidade jurídica pela administração fiscal, posto que não realizada a desconsideração nos termos do art. 50 do Código Civil, que exige prévia medida judicial para tal; b) improcedência da autuação por alteração do critério jurídico, ao passo que a DRJ na decisão recorrida se utilizou de argumentos não utilizados no lançamento, especificamente, do art. 116, parágrafo único do CTN. Rechaça, inclusive, a possibilidade de fundamentação do lançamento com base na referida norma; c) inexistência dos pressupostos autorizadores da desconsideração dos serviços prestados e da personalidade jurídica das empresas CMGUARDIA e CIDER, posto que não houve comprovação pela autoridade fiscal de que os serviços prestados pelas referidas empresas de fato não ocorreram, posto que fora comprovado que as empresas tem porte e estrutura condizente com os serviços prestados e atendem outras pessoas jurídicas que não àquelas apontadas como sendo do grupo K/E; Fl. 2996DF CARF MF 8 d) os agentes fiscais simplesmente presumiram a inexistência dos serviços prestados pelas empresas CMGUARDIA e CIDER, sem se aprofundar na fiscalização das referidas empresas, sem questionar as tomadoras dos serviços, baseandose simplesmente no fato da coincidência entre os sócios de parte das tomadoras de serviços e das prestadoras; e) improcedência do lançamento com base em imputação de omissão de receitas, ao passo que diante dos fatos narrados, caso as empresas prestadoras dos serviços de consultoria não existissem, como afirma a fiscalização, deveria o recorrente ser tributado como sócio das empresas contratantes, como a fiscalização menciona o ser de fato. Tal situação resultaria na aplicação do artigo 10 da Lei nº. 9.249/95, que isentam dos IRPF os lucros ou dividendos; f) requer a improcedência da multa qualificada em razão de a autuação estar fundamentada em presunção de omissão de rendimentos e não estar comprovado no processo administrativo, posto não haver nenhuma prova direta da comprovação da omissão de rendimentos, baseandose em meras presunções; g) decadência do lançamento referente aos períodos de janeiro/2004 a outubro/2005, posto que o auto de infração foi lavrado em novembro de 2010 , nos termos da contagem do prazo decadencial pelo artigo 150, § 4º do CTN, já que o fato gerador do IRPF nos casos de omissão de rendimentos é mensal, conforme disposição expressa do art. 2º da Lei nº. 7.713/88 utilizado pela fiscalização para fundamentar o lançamento. É o relatório. Fl. 2997DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Juízo de admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Do Recurso de Ofício Há a interposição de recurso de ofício em decorrência da conclusão da DRJ/SP2 no Acórdão nº. 1751.688 de que deveriam ser excluídos do lançamento em face da pessoa física autuada, os valores pagos pelas pessoa jurídicas, tidas como interpostas pessoas, que seria o real sujeito passivo dos rendimentos auferidos pelas pessoas jurídicas CMGUARDIA e CIDER. Assim, o acórdão recorrido excluiu do lançamento em face do ora recorrente os tributos pagos pelas referidas pessoa jurídicas, incidentes sobre o faturamento e o lucro (códigos 2089, 23372, 2171 e 8109). Sob esse prisma, o colenda turma da instância a quo considerou que ante o fato de parte do faturamento da empresa CMGUARDIA ter sido apontado como simulado, o montante a ser abatido no presente lançamento foi proporcional à razão entre o faturamento simulado e o faturamento declarado nas respectivas DIPJ, atribuindo esta proporção ao valor recolhido pela empresa para desconto no presente lançamento. Quanto à empresa CIDER, a totalidade de sua receita bruta foi atribuída às pessoas físicas dos sócios CID e ERNANI, à proporção de 50% para cada um. Considerando que parte dos valores relativos à referida empresa foi recolhida de forma parcelada, o valor do principal amortizado relativo aos recolhimentos efetuados após o vencimento do prazo para o pagamento do imposto de renda pessoa física foi considerado. No tocante ao referido recurso, entendo que a este deve ser negado provimento, posto que correto o procedimento adotado pela DRJ/SP2. Ora, se uma determinada pessoa jurídica é tida como interposta, ou seja, inexistente de fato, o seu faturamento simulado é todo atribuído aos seus sócios, verdadeiros sujeitos passivos da tributação decorrente daquele rendimento, nos parece óbvio que se eram estas pessoas físicas auferindo aquelas receitas, eram estas mesmas pessoas aquelas realizando o pagamento dos tributos. A possibilidade de compensação é conclusão lógica do entendimento de atribuição de verdadeiro responsável, posto que ao se atribuir aquela receita bruta a uma pessoa física e não verdadeiramente à pessoa jurídica formalmente constituída que a auferiu, os tributos pagos devem ser considerados, ou estarseia punindo duplamente aquela pessoa física, já que o acusaria de ser o verdadeiro beneficiário da receita obtida (onde a empresa não Fl. 2998DF CARF MF 10 existiria de fato) e não considerar o pagamento dos tributos seria, ao inverso, admitir a existência e a regularidade daquela mesma pessoa jurídica. Do Recurso Voluntário a) Da ilegalidade do procedimento de desconsideração da personalidade jurídica O recorrente alega a irregularidade do procedimento de lançamento que desconsiderou a personalidade jurídica das empresas CMGUARDIA e CIDER, que desconsiderou os serviços por elas prestados e atribuiu suas receitas proporcionalmente aos seus sócios. Nesse sentido, alega que para efetivar tais conclusões, a autoridade fiscal teria que se ancorar no artigo 50 do Código Civil, assim disposto: Art. 50. Em caso de abuso da personalidade jurídica, caracterizado pelo desvio de finalidade, ou pela confusão patrimonial, pode o juiz decidir, a requerimento da parte, ou do Ministério Público quando lhe couber intervir no processo, que os efeitos de certas e determinadas relações de obrigações sejam estendidos aos bens particulares dos administradores ou sócios da pessoa jurídica. Assim, como no presente caso não haveria a autorização judicial mencionada no referido artigo, seria vedado à autoridade fiscal, unilateralmente, desconsiderar a personalidade das sociedades mencionadas e imputar os seus ganhos às pessoas físicas dos sócios. Entendo que não assiste razão ao recorrente. O artigo 50, por si só, não se aplica ao caso em exame, o que faria por necessária a existência de decisão judicial. Vejase que a conclusão do AFRFB se dá com base em robusto conjunto de provas, originário da mencionada "OPERAÇÃO PERSONA" que, diante de diversas provas produzidas no âmbito daquela operação policial, demonstrou que as empresas CMGUARDIA e CIDER seriam meramente de fachada. Os efeitos tributários dessa conclusão serão analisados nos tópicos seguintes, todavia, a simples ausência de decisão judicial determinando a desconsideração da personalidade jurídica, em ato próprio, não fulmina o presente lançamento, razão pela qual nego provimento ao recurso voluntário no presente ponto. b) Da improcedência da autuação por alteração do critério jurídico O recorrente ataca a legalidade do lançamento ante o fato da DRJ ter se utilizado, como fundamento, do artigo 116, parágrafo único, do CTN, ao passo que mencionado dispositivo sequer foi mencionado pela fiscalização na lavratura do Auto de Infração. Entendo que não assiste razão ao recorrente. Ora, o fato da DRJ trazer determinados argumentos em suas razões de decidir que, necessariamente, não constavam do auto de infração, não implica na ilegalidade do lançamento, mas sim em, eventualmente, insubsistência da própria decisão recorrida. O acórdão de primeira instância é ato administrativo posterior que, claro, está adstrito ao lançamento e a impugnação, todavia, se utilizar de fundamentos, para fins de Fl. 2999DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 7 11 argumentação, que não constantes do lançamento, não inviabiliza o mesmo. Tal fato pode, é claro, causar nulidade da própria decisão, mas se, e somente se, no caso de causar mutações no lançamento, ou mesmo se alterar razões fáticas relatadas pela autoridade fiscal, o que não ocorreu no presente caso. Por essas razões, visto que as razões da DRJ não implicam em alteração do lançamento, tampouco das razões fáticas do mesmo, mas simplesmente escorase em outros fundamentos legais para mantêlo, necessariamente não implicam em nulidade do lançamento, mas somente da própria decisão, quando assim for verificado. Assim, nego provimento ao recurso voluntário no ponto específico. c) Da inexistência dos pressupostos autorizadores da desconsideração dos serviços prestados e da personalidade jurídica das empresas CMGUARDIA e CIDER Alega o recorrente que a premissa utilizada pela fiscalização, de que os serviços de fato não foram prestados pelas empresas mencionadas, por ser sócio das prestadoras e das tomadoras, não é suficiente para concluir pela ausência de prestação de serviços. Menciona que as próprias planilhas colacionadas pela fiscalização demonstram que as referidas empresas prestaram serviços há mais de uma dezenas de empresas ao longo do período autuado, empresas que, inclusive, sequer foram cogitadas como participantes do mencionado grupo econômico. Cita as empresas "Construtora Claudio Helou Ltda. e Zarpa Comércio de Alimentos Ltda. Para melhor elucidação, vejamos as planilhas a que se refere o recorrente (fls. 2652 e ss.): Fl. 3000DF CARF MF 12 Fl. 3001DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 8 13 Apesar do reconhecimento destas receitas, a conclusão fiscal, para o presente lançamento, foi a de considerar que as receitas decorrentes daquelas empresas tidas como pertencentes ao esquema fraudulento constatado na operação "Persona", seriam meros recebimento da pessoa física do recorrente e, assim, deveriam ser tributados como omissão de rendimentos. Eis o que apresentado no TVF, à fls. 2267 e ss.: Como dito, aglutinouse as receitas das empresas CMGUARDIA e CIDER auferidas junto às empresas pertencentes ao grupo econômico que fraudava as operações de importação e, na proporção de 100% das receitas de CMGUARDIA (o recorrente possuía 99% do capital social da referida empresa, sendo a sua esposa a proprietária dos 1% restantes) e 50% das receitas da CIDER, da qual era sócio com o Sr. Ernani, seu sócio de fato no grupo econômico "K/E". O enquadramento legal do lançamento é o seguinte (fls. 2262 e ss): Fl. 3002DF CARF MF 14 Toda a legislação acima é, simplesmente, a que trata da incidência do imposto de renda da pessoa física, renda tributável, alíquotas etc. Ocorre que, ante toda a situação fática proposta, verifico uma grande incongruência na conclusão do AFRFB para a realização do presente lançamento. O AFRFB desconsiderou a personalidade jurídica (de fato) das pessoas jurídicas CMGUARDIA e CIDER, pelo fato do recorrente (e seu sócio Ernani) serem sócios dessas empresas e do grupo econômico de fato denominado "K/E" e que estava (conforme as conclusões da operação "Persona", das quais nesse ponto compartilho) envolvido naquelas operações fraudulentas de importações. Porém, para o AFRFB, toda a renda auferida pelas duas empresas citadas que correspondiam a contratantes contidos no rol de empresas envolvidas da operação "Persona", foi desconsiderada sob a acusação de que se trata simples e diretamente de renda das pessoas físicas dos Srs. Cid Guardia Filho e Ernani Bertino Maciel. Ao mesmo tempo, parte das receitas dessas empresas (conforme vimos na planilha acima) não foi desconsiderada, não adentrou na base de cálculo do lançamento e, via de consequência, concluiu o AFRFB que não foram fraudulentas e os serviços foram prestadas e as receitas eram, de fato, das próprias pessoas jurídicas. Ora, primeira indagação que faço: AS EMPRESAS EXISTIAM, DE FATO, OU NÃO? Fl. 3003DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 9 15 Pela conclusão do AFRFB, a resposta que obtemos era SIM, para os serviços prestados para empresas "terceiras", e NÃO, para empresas ligadas com a operação "Persona". Todavia, em que pese as conclusões de fato ou não com relação as empresas envolvidas, as operações fraudulentas etc, o importante para o presente lançamento e o que deve, de fato, ser analisado, é a questão tributária e o lançamento realizado. Vejamos o que dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. (grifamos) Assim, qual a conclusão lógica que podemos extrair do lançamento fiscal realizado? Sem sombra de dúvidas, que o AFRFB segregou as receitas das pessoas jurídicas CMGUARDIA e CINDER entre distribuição disfarçada de lucros para os seus sócios em decorrência de suas participações ou relações com certas contratantes dos serviços, e outra parte que seriam simplesmente receitas válidas e legalmente obtidas pelas referidas pessoas jurídicas, já que, como visto, não entraram no cômputo da base de cálculo do lançamento. Ocorre que não há liberalidade para o agente fiscal agir da maneira como do caso concreto. Ora, o simples fato das relações observadas na operação persona (as quais, novamente repito, não desconheço, inclusive me convencem da existência do esquema fraudulento) implica na imediata simulação da obtenção de receitas das pessoas jurídicas desconsideradas no presente lançamento? Ao que nos parece, não. Este posicionamento aqui defendido, inclusive, é o mesmo apresentado no PAF nº. 10803.000076/201023, onde o mesmo recorrente figura como sujeito passivo, onde tive a oportunidade de ser o relator do voto vencedor no Acórdão nº. 2401004.263 proferido nesta r. turma., que restou assim ementado: LANÇAMENTO. MOVIMENTAÇÃO BANCÁRIA DE "INTERPOSTA PESSOA". AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE BASE DE CÁLCULO. FALTA DE FUNDAMENTAÇÃO LEGAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. OFENSA AO ARTIGO 142 DO CTN. Apontado e comprovado pela fiscalização que determinada pessoa física utilizava suas contasbancárias para servir como "interposta pessoa" de pessoas físicas e jurídicas, bem como comprovada a destinação dos valores movimentados para diversos fins (pagamentos de despesas operacionais, pessoais, distribuição de lucro etc) não há como se atribuir automaticamente 50% (cinquenta por cento) da movimentação financeira a uma terceira pessoa, ainda que esta seja apontada como uma das reais proprietárias da conta bancária, sem apresentar a fundamentação legal que legitime tal procedimento, bem como sem quantificar e individualizar qual o real montante atribuído a pessoa indicada como sujeito tributário passivo. Fl. 3004DF CARF MF 16 Nulidade do lançamento, por vício material, ante a ausência de indicação da correta e real base de cálculo. Ofensa ao artigo 142 do CTN. As relações eventualmente criminosas, fraudulentas, simuladas, no âmbito da operação policial, não dão livre arbítrio ao agente fiscal para, ao seu bel prazer, identificar eventual omissão de receita sem segregar efetivamente o que pertence a pessoa física, a pessoa jurídica, desconsiderando parcialmente a existência de duas empresas. Para o cálculo do montante do tributo devido, exigência do art. 142, deve a autoridade fiscal identificar a base de cálculo do lançamento, tarefa que, no presente, caso, deixou de fazer especificamente ao sujeito passivo do presente lançamento. Ou aquelas pessoas jurídicas não existem, era simuladas, fraudulentas, e toda a sua receita era, na verdade, uma forma disfarçada de transferir valores aos seus verdadeiros sócios (Cid Guardia e Ernani), ou essas empresas de fato existiam e, nesse caso, deveria ser comprovado, receita a receita, contrato a contrato, fatura a fatura, que tais atos não existiram e eram, assim, simulados e seriam receitas das pessoas físicas. Vejase, inclusive, que pela própria conclusão do AFRFB, se o Sr. Cid Guardia era o verdadeiro sócio de empresas contratantes que pagaram às empresas CMGUARDIA e CINDER, estaria então sendo realizado o lançamento de "distribuição de lucros" a essas pessoas? Ao mesmo tempo, não seriam os lucros distribuídos aos sócios isentos do IRPF? Tais indagações, aliadas a todas as demais aqui realizadas, demonstram a fragilidade do lançamento e a inconsistência do mesmo. Isto posto, por ofensa ao artigo 142, pela inconsistência da base de cálculo apurada no presente lançamento, entendo pela nulidade do lançamento, por vício material. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO e no sentido de declarar nulo o lançamento, por vício material, e assim DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Alexandre Tortato Fl. 3005DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 10 17 Voto Vencedor Conselheiro Márcio de Lacerda Martins Peço vênia para discordar do i, relator, uma vez que não constato qualquer vício nos procedimentos fiscais passíveis de tornar nulo o lançamento, que deve ser mantido integralmente pelas razões que exponho em sequência. Desde logo ressalto que este voto faz referência somente ao recurso voluntário, não existindo divergência no recurso de ofício. Nesta preliminar, considero relevante reprisar os pontos questionados pelo Recorrente, nos exatos termos em que foram postos no recurso voluntário, sabendo desde logo que a pessoa jurídica CMGUARDIA Organização e Planejamento S/C Ltda. foi identificada em diversos pontos dos autos como "CMG" ou "CMGUARDIA"; e CIDER Assessoria Empresarial Ltda., simplesmente como "CIDER.". Neste voto farei referência a essas pessoas jurídicas como CMG e CIDER. No recurso voluntário, o contribuinte apresenta seus questionamentos encabeçados nos seguintes itens: "a) Impossibilidade da desconsideração da personalidade jurídica das pessoas jurídicas CMG e CIDER pela administração fiscal; b) Inconsistência da autuação alteração do critério jurídico e inaplicabilidade do art. 116 § único do CTN por ausência de regulamentação; c) Inexistência dos pressupostos autorizadores da desconsideração dos serviços prestados pelas pessoas jurídicas CMG e CIDER; d) Regime fiscal improcedência da exigência lucros distribuídos pelas pessoas jurídicas; e) Multa qualificada inadequada quando a autuação está fundamentada em presunção de omissão de rendimentos." Quanto à matéria descrita nos itens "a" e "b", ratifico o entendimento esposado pelo i. relator do voto vencido, sendo que as matérias descritas nos itens "c", "d" e "e" do recurso foram tratadas pelo o i. Conselheiro Carlos Alexandre Tortato, englobadas no item "c" de seu voto, porque as análises individualizadas desses itens da defesa restaram prejudicadas, face à conclusão do voto vencido pela nulidade do lançamento, por vício material. Assim sendo, uma vez vencido o entendimento pela nulidade do lançamento, enfrentarei neste voto as razões expostas pelo Recorrente nos itens "c", "d" e "e" de seu recurso. Da alegada inexistência dos pressupostos autorizadores da desconsideração dos serviços prestados pelas pessoas jurídicas CMG e CIDER Trata o presente caso de tributação do Imposto de Renda Pessoa Física na pessoa do Recorrente, de receitas auferidas por empresas de sua titularidade (CMG e CINDER), haja vista terem sido consideradas meras empresas de fachada. Fl. 3006DF CARF MF 18 Segundo o Voto do Relator, o lançamento em questão seria frágil e inconsistente, visto que a fiscalização não teria considerado parte das receitas obtidas das empresas CMG e CINDER, por serem válidas e legalmente obtidas. O Relator entende que se as empresas eram inexistentes, fraudulentas, simuladas ou de fachada, toda a receita obtida por essas empresas deveria ter sido tributada na pessoa do Recorrente. Porém, como parte das receitas foi considerada válida e legal, teria restado não demonstrada a inexistência dessas empresas e, dessa forma, se as empresas existem, a fiscalização deveria ter “comprovado, receita a receita, contrato a contrato, fatura a fatura, que tais atos não existiram e eram, assim, simulados e seriam receitas das pessoas físicas”, ou ter considerado tais receitas como lucros distribuídos, e, nesse caso, não haveria a incidência da exação em comento. Diante desse quadro, o Relator conclui seu voto pela nulidade do lançamento, por ofensa ao art. 142 do CTN, em razão de “inconsistência da base de cálculo apurada”. Pois bem, conforme já deixamos bem claro no início do presente Voto, não comungamos desse entendimento do Relator. Primeiramente, percebese que o Termo de Verificação Fiscal, em suas 459 páginas, descreve com detalhes a Operação Persona e seus desdobramentos, que resultaram na ação fiscal em questão, além do que, está acompanhado de um farto conjunto probatório. Para melhor análise do caso, tomo a liberdade de colacionar, neste Voto, trecho da decisão de primeira instância, a qual, por sinal, está muito bem fundamentada e sequer foi rebatida no Voto Vencido: No caso concreto em análise, de acordo com as conclusões expendidas no Termo de Verificação de Infração de fls. 2216 a 2678, conforme síntese contida no relatório supra, evidenciouse a participação efetiva do impugnante no esquema de importação com interposição fraudulenta de pessoas jurídicas. O interessado encaminha a questão de forma equivocada ao alegar que teria sido desconsiderada a personalidade jurídica das empresas CMGUARDIA e CIDER. No presente lançamento, não se cogitou desconsiderar a existência das referidas pessoas jurídicas, que permanecem com sua personalidade intacta. A autoridade fiscal, com fundamento no artigo 116, parágrafo único, do Código Tributário Nacional, desconsiderou os atos jurídicos representados pela maior parte das notas fiscais de prestação de serviços de consultoria emitidas por tais empresas e reclassificou os respectivos valores como rendimentos pagos pelo esquema de importação fraudulenta às pessoas físicas que comandavam a rede de interpostas pessoas, as quais ostentavam os papéis de exportadoras, importadoras e distribuidoras, ocultando a real importadora, MUDE COMÉRCIO E SERVIÇOS LTDA. Incide também em erro a defesa ao afirmar que a Fiscalização teria presumido ter sido simulado o faturamento das empresas CMGUARDIA e CIDER e reclassificado os rendimentos como lucros distribuídos aos sócios de forma disfarçada, pelas tomadoras dos serviços, tãosó porque o contribuinte também seria sócio destas, segundo teria sido concluído nas investigações efetuadas no bojo da chamada “Operação Persona”. Fl. 3007DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 11 19 Isso porque não há que se falar em lucro auferido pelas interpostas pessoas, uma vez fartamente demonstrado no Termo de Verificação de Infração que eram empresas de fachada, constituídas por "offshores" sediadas em paraísos fiscais e “laranjas” confessos remunerados, ou empresas que apenas emprestaram os nomes ao esquema. Pelas mesmas razões, não merece guarida a tese de que os rendimentos auferidos pelo autuado corresponderiam a lucros regularmente oferecidos à tributação pelas supostas contratantes dos serviços e, portanto, isentos de tributação em relação à pessoa física dos sócios. Ademais, não procede a alegação de que não seria dado ao Fisco negar validade aos lançamentos contábeis das empresas CMGUARDIA e CIDER, posto que condizentes com as notas fiscais emitidas, sem apresentar qualquer prova de vício. Citese a legislação que dispõe sobre a necessidade de os lançamentos contábeis basearemse em documentos hábeis e idôneos, para que produzam os efeitos tributários que lhes são próprios. Os artigos 276 e 923 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR Decreto n° 3.000/1999) assim determinam: Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 922 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º). Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, § 1º). (Destaques da transcrição) É evidente que a mera exibição de contratos e notas fiscais não é bastante para comprovar a efetividade da prestação de serviços. Além disso, "in casu", são fartas e irrefutáveis as provas de que as pessoas indicadas como tomadoras dos serviços de consultoria são empresas de fachada utilizadas como interpostas pessoas pelo esquema de importação fraudulenta, conforme descrito no Termo de Verificação de Infração, em seu Capítulo “B”, itens 6 (INTERPOSTAS CONTROLADAS PELO GRUPO K/E) e 7 (DAS EXPORTADORAS INTERPOSTAS CONTROLADAS PELO GRUPO K/E), págs. 34 a 97 (fls. 2249 a 2312 dos autos), e em seu Capítulo “E” (DEPOIMENTO PRESTADO POR WALDOMIRO ALVES ROSA E PELOS LARANJAS UTILIZADOS PELO GRUPO K/E COMO SÓCIAS/PROCURADORAS DAS INTERPOSTAS EMPRESAS: BARRA DO PIRAÍ, TECNOSUL, ARCO, COMTEC, BRASTEC, PRIME, ABC, HORIZON, LOUIN LIMITED e SOFTWARE LINKS), págs. 175 a 212 (fls. 2390 a 2429). Aliás, o teor dos ditos depoimentos, segundo relatado no referido Capítulo “E”, constitui prova direta, e não presuntiva, de que as interpostas pessoas eram empresas de fachada, controladas pelo Grupo K/E. Fl. 3008DF CARF MF 20 Segundo Moacyr Amaral Santos (in Primeiras Linhas de Direito Processual Civil, 2º vol., 18ª ed., Saraiva, 1997, p. 329330), a prova direta consiste no próprio fato probando ou se refere imediatamente a ele, como faz a prova testemunhal: Se se refere ao próprio fato probando, ou consiste no próprio fato, a prova é direta. (...) a testemunha ou o documento são provas diretas, pois se referem imediatamente ao fato probando, reproduzindoo ou representando. Se se não refere ao próprio fato probando, mas sim a outro, do qual, por trabalho do raciocínio, se chega àquele, a prova é indireta. (...) não há referência direta ao fato probando, mas a outros fatos, dos quais, pelo raciocínio, se pode chegar a uma conclusão quanto à existência daquele fato. São provas indiretas as presunções e indícios. Enquanto na prova direta a conclusão objetiva é conseqüente da afirmação da testemunha ou da atestação da coisa ou documento, sem necessidade maior de raciocínio, na indireta o raciocínio reclama a formulação de hipótese, sua apreciação, exclusão de umas, aceitação de outras, enfim trabalhos indutivos maiores ou menores, para se atingir a verdade relativa ao fato probando. (Destaques da transcrição). Consta, ainda, do Termo de Verificação de Infração, em seu Capítulo “F”, págs. 213 a 381 (fls. 2430 a 2598), a análise dos documentos apreendidos junto às interpostas pessoas utilizadas pelo Grupo K/E, os quais, segundo a Fiscalização, são relevantes na compreensão do funcionamento da organização criminosa e comprovam o vínculo dos “laranjas” com o referido grupo. No Capítulo “C” – GRUPO K/E (Kiko e Ernani) – do mesmo Termo, às págs. 98 e 99 (fls. 2313 e 2314), a Fiscalização consigna o que segue (os destaques constam do original): 5)– Uma análise dos documentos apreendidos, em meio físico e eletrônico, indica que CID GUARDIA FILHO (KIKO) e ERNANI BERTINO MACIEL, exercem atividades relacionadas à importação de mercadorias, por intermédio de diversas empresas interpostas que estão sob seu controle (ex.: ABC, PRIME, BRASTEC). Como não participa formalmente do quadro societário destas empresas, os ganhos deste negócio não podem ser transferidos diretamente para KIKO. Neste ponto, as empresas CIDER ASSESSORIA EMPRESARIAL LTDA, da qual é sócio, em conjunto com ERNANI BERTINO MACIEL, e CMGUARDIA ORGANIZAÇÃO E PLANEJAMENTO S/C LTDA têm papel fundamental. 6) Escudado pela CIDER e CMGUARDIA, seriam firmados contratos de prestação de serviços com as empresas importadoras e exportadoras do esquema, com objeto bem genérico (ex. “planejamento, coordenação, programação e organização” de atividades), apenas com o objetivo de formalizar e dar uma aparência legal a estas transferências de recursos. Este modelo permitiria a CID e ERNANI permanecer oculto e, portanto, não ser responsabilizado pelas operações de suas importadoras (mais expostas à atuação das autoridades fiscais brasileiras), garantindo o recebimento de sua participação no esquema, através dos contratos de prestação de serviços firmados com suas empresas patrimoniais, no caso: CIDER e CMGUARDIA. Fl. 3009DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 12 21 Os documentos apreendidos na residência do autuado e nas empresas patrimoniais sob seu controle, que dão suporte às conclusões expendidas pela Fiscalização nos itens acima reproduzidos, são minuciosamente analisados no referido Capítulo “C”, págs 100 a 129 do Termo de Verificação de Infração (fls. 2315 a 2344). Portanto, há nos autos indícios contundentes e convergentes no sentido de que a emissão das notas fiscais de prestação de serviços de consultoria pelas empresas CMGUARDIA e CIDER, em favor das interpostas pessoas, foi utilizada como artifício para encobrir a distribuição, aos mentores do Grupo K/E, da remuneração a eles devida pela sua participação no esquema, com vistas a ocultar a figura do efetivo sujeito passivo, evitar a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal e reduzir a carga tributária. O impugnante busca desqualificar a presunção construída nos autos com argumentos tais como: a) CMGUARDIA e CIDER prestaram serviços a várias empresas ao longo do período autuado e algumas delas são empresas independentes com as quais mantêm relação profissional, como, por exemplo, a Construtora Cláudio Helou Ltda., e a Zapra Comércio de Alimentos Ltda.; b) as atividades executadas por CMGUARDIA e CIDER são coerentes com as formações profissionais dos sócios, com o porte das empresas e com a qualificação técnica dos funcionários de cada uma delas; c) as remunerações recebidas por CMGUARDIA e CIDER são compatíveis com as atividades executadas a cada contratação, não havendo o pagamento de um valor fixo a cada período préajustado, dissociado do serviço executado; d) as empresas CMGUARDIA e CIDER são existentes de fato e de direito, cumprem com suas obrigações tributárias e continuaram prestando serviços de consultoria, inclusive a novos contratantes. Vêse, assim, que as razões de defesa passam ao largo dos elementos que dão respaldo ao lançamento em questão, não tendo o condão de abalar a convicção desta julgadora quanto à ocorrência do fato gerador da obrigação tributária nos moldes apurados pela Fiscalização. (Grifos no original) Conforme se observa, não houve, no caso em julgamento, a desconsideração da personalidade jurídica das empresas CMG e CIDER, mas sim a desconsideração de atos jurídicos, nos termos do que dispõe o Código Tributário Nacional (CTN), em seu art. 116, § único: Parágrafo único. A autoridade administrativa poderá desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados com a finalidade de dissimular a ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária, observados os procedimentos a serem estabelecidos em lei ordinária. (Incluído pela Lcp nº 104, de 2001) A autoridade fiscal desconsiderou os atos jurídicos representados pela maior parte das notas fiscais de prestação de serviços de consultoria, emitidas em relação a empresas de fachada, constituídas por offshores, sediadas em paraísos fiscais, e “laranjas” confessos remunerados, ou empresas que apenas emprestaram os nomes ao esquema, reclassificando os respectivos valores recebidos como rendimentos pagos no esquema de importação fraudulenta às pessoas físicas que comandavam a rede de interpostas pessoas, ou seja, o Recorrente e seu sócio. Fl. 3010DF CARF MF 22 Nesse contexto, não importa se as empresas existem ou não, pois foram desconsiderados apenas os atos jurídicos simulados, eivados de fraude. E mais ainda, compulsando os autos, observase que a autoridade fiscal identificou o sujeito passivo corretamente, detectou a ocorrência do fato gerador, determinou a matéria tributável, calculou o montante devido e aplicou a penalidade cabível, tudo conforme determina o artigo 142 do CTN, a saber: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. O sujeito passivo foi identificado após investigações que permitiram apontar os reais beneficiários do esquema fraudulento, montado a partir de empresas constituídas e utilizadas para sonegar impostos e encobrir as pessoas físicas interessadas Não constato equívocos no enquadramento legal citado no lançamento, pois todos fazem referencias aos rendimentos de pessoas físicas e possibilitam a base legal exigida. Destacamse os artigos do Decreto nº 3.000, de 1999, que transcrevo a seguir para evidenciálos: (grifei) Art. 38 A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º). Parágrafo único.Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. [...] Art. 55 São também tributáveis: (Lei nº 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, §4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, §2º, inciso IV, e 70, §3º, inciso I) I as importâncias com que for beneficiado o devedor, nos casos de perdão ou cancelamento de dívida em troca de serviços prestados; II as importâncias originadas dos títulos que tocarem ao meeiro, herdeiro ou legatário, ainda que correspondam a período anterior à data da partilha ou adjudicação dos bens, excluída a parte já tributada em poder do espólio; III os lucros do comércio e da indústria, auferidos por todo aquele que não exercer, habitualmente, a profissão de comerciante ou industrial; IV os rendimentos recebidos na forma de bens ou direitos, avaliados em dinheiro, pelo valor que tiverem na data da percepção; Fl. 3011DF CARF MF Processo nº 10803.000055/201016 Acórdão n.º 2401004.581 S2C4T1 Fl. 13 23 [...] X os rendimentos derivados de atividades ou transações ilícitas ou percebidos com infração à lei, independentemente das sanções que couberem; Pertinente lembrar que o artigo 118 do CTN dispõe que: Art. 118 A definição legal do fato gerador é interpretada abstraindose: I da validade jurídica dos atos efetivamente praticados pelos contribuintes, responsáveis, ou terceiros, bem como da natureza do seu objeto ou dos seus efeitos; II dos efeitos dos fatos efetivamente ocorridos. Assim, correto o lançamento formalizado no Auto de Infração e seus anexos, o qual se encontra respaldado em legislação pertinente e válida, não se constatando qualquer vício de nulidade. Dessa forma, restou improcedente a alegada inexistência dos pressupostos autorizadores da desconsideração dos serviços prestados. Da alegada distribuição de lucros Alega o Recorrente a improcedência do lançamento, pois, conforme os "fatos narrados, caso as empresas prestadoras dos serviços de consultoria não existissem, como afirma a fiscalização, deveria o recorrente ser tributado como sócio das empresas contratantes [...]. Tal situação resultaria na aplicação do artigo 10 da Lei nº. 9.249/95, que isentam dos IRPF os lucros ou dividendos." Em que pesem tais alegações, pelas razões já expostas no item anterior, não há como dar guarida à defesa pretendida. Não houve a desconsideração de pessoas jurídicas, mas, tãosomente, a desconsideração de atos jurídicos tidos como fraudulentos. Além do mais, como apontado na decisão e primeira instância "não há que se falar em lucro auferido pelas interpostas pessoas, uma vez fartamente demonstrado no Termo de Verificação de Infração que eram empresas de fachada, constituídas por 'offshores' sediadas em paraísos fiscais e 'laranjas' confessos remunerados, ou empresas que apenas emprestaram os nomes ao esquema." Sendo assim, também improcede a alegada distribuição de lucros. Da alegada inadequação da multa qualificada quando a autuação está fundamentada em presunção de omissão de rendimentos O Recorrente alega a improcedência da multa qualificada em razão de a autuação estar fundamentada em presunção de omissão de rendimentos e não estar comprovado no processo administrativo, posto não haver nenhuma prova direta da comprovação da omissão de rendimentos, baseandose em meras presunções. Aqui, mais uma vez, colaciono o entendimento da DRJ, ao qual me filio: Fl. 3012DF CARF MF 24 Não se sustenta a alegação de que, nos casos em que é indireta a prova da infração, seria inviável a acusação da prática de evidente intuito de fraude. Como se viu anteriormente neste voto, nas hipóteses em que presente a figura da simulação, a prova da existência de dolo é sempre presuntiva. [...] Na situação sob exame, embora a autuação se fundamente em presunção simples, está perfeitamente configurado o intuito de fraudar o Fisco, uma vez evidenciado que o impugnante participou e se beneficiou de um esquema engendrado com vistas à redução da carga tributária, que incluía, dentre outros ilícitos, o subfaturamento de importações, a sonegação de tributos estaduais e federais, notadamente IPI, e a falsidade ideológica e documental, além da movimentação de recursos através de interpostas pessoas. Além disso, a reiteração da conduta em vários anoscalendário é mais um elemento a demonstrar o intuito de fraude. Portanto, não há como se acatar a defesa, devendo ser mantida a multa qualificada, na forma como lançada pela fiscalização. Conclusão Isso posto, NEGO PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Márcio de Lacerda Martins Fl. 3013DF CARF MF
score : 1.0
