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Numero do processo: 10875.722867/2011-45
Turma: Segunda Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 30 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2010
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA.
O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa.
DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA.
A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil.
A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito.
O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal.
Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF.
As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo.
A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição.
MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
Numero da decisão: 1802-001.937
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa- Presidente.
(documento assinado digitalmente)
Nelso Kichel- Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão.
Nome do relator: NELSO KICHEL
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2010 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendo-as, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2).
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DESCRIÇÃO COMPLETA DOS FATOS, APURAÇÃO PRECISA DOS ASPECTOS MATERIAL E QUANTITATIVO DO FATO GERADOR E CAPITULAÇÃO LEGAL PERTINENTE. INEXISTÊNCIA DE VÍCIO. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA NÃO CONFIGURADO. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa. DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA AUTÔNOMA. IMPOSIÇÃO DE PENALIDADE PECUNIÁRIA. A obrigação acessória, prestação positiva ou negativa no interesse do fisco, obrigatoriedade de entrega tempestiva de DCTF está prevista em lei em sentido amplo, e regulamentada por instruções normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil. A imposição de multa pecuniária, por descumprimento de prazo atinente à DCTF, tem amparo na lei em sentido estrito. O retardamento da entrega de DCTF constitui mera infração formal. Não sendo a entrega serôdia de declaração infração de natureza tributária, mas sim infração formal por descumprimento de obrigação acessória AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 72 28 67 /2 01 1- 45 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 94 2 autônoma, não abarcada pelo instituto da denúncia espontânea do artigo 138 do CTN, é legal a aplicação da multa pelo atraso de apresentação da DCTF. As denominadas obrigações acessórias autônomas são normas necessárias ao exercício da atividade administrativa fiscalizadora do tributo, sem apresentar qualquer laço com os efeitos do fato gerador do tributo. A multa aplicada decorre do exercício do poder de polícia de que dispõe a Administração Pública, pois o contribuinte desidioso compromete o desempenho do fisco na medida em que cria dificuldades na fase de homologação do tributo ou contribuição. MULTA PECUNIÁRIA (LEI Nº 10.426/2002, ART. 7º). ARGUIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA DISPOSIÇÃO LEGAL COMINATÓRIA DA PENALIDADE APLICADA. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NO MÉRITO. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária (Súmula CARF nº 2). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, José de Oliveira Ferraz Correa, Nelso Kichel, Marciel Eder Costa, Marco Antônio Nunes Castilho e Gustavo Junqueira Carneiro Leão. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 95 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário de fls. 47/63 contra a decisão da 1ª Turma da DRJ/Campinas (fls.35/40) que julgou improcedente a impugnação da Notificação de Lançamento – multa por atraso na entrega da DCTF do PA junho/2010 , mantendo a exigência do crédito tributário lançado de ofício. Quanto aos fatos: consta da Notificação de Lançamento (fls. 31/32) que a contribuinte, em 29/08/2011, entregou ao fisco a DCTF do PA junho/2010, com atraso de 14 (quatorze) meses. Ou seja: a) prazo limite para entrega tempestiva da DCTF: 20/08/2010; b) data de entrega: 16/09/2011 montante dos tributos informados na DCTF: R$ 225.111,23; multa aplicada por entrega da DCTF em atraso: 2% ao mês calendário ou fração, incidente sobre o montante de tributos informados na DCTF; cálculo da multa: 20% x R$ 225.111,23 = R$ 45.022,31; redução da multa em 50% (entrega voluntária e a destempo da DCTF) = R$ 45.022,31 x 50% = R$ 22.511,15 (multa a pagar). Descrição dos fatos: A entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais fora do prazo fixado enseja a aplicação de multa correspondente a 2% (dois por cento) sobre o montante de tributos e contribuições informados na declaração, ainda que integralmente pago, por mês calendário ou fração, respeitado o percentual máximo de 20% (vinte por cento) (...) A multa aplicada foi reduzida em 50% (cinqüenta por cento) em virtude da entrega espontânea da declaração(...) Fundamentação Legal: Art. 7º da Lei nº 10.426, de 24/04/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051, de 29/12/2004. (...) A contribuinte tomou ciência da Notificação de Lançamento pelo sistema eletrônico em 13/09/2011 (fl. 34), apresentou impugnação ao lançamento fiscal em 07/10/2011 (fls.02/13), cujas razões, em síntese, são as seguintes: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 96 4 que o lançamento fiscal deve obedecer requisitos obrigatórios do ato administrativo sob pena de nulidade; que o lançamento objeto dos autos está eivado de vícios (ilegalidades substanciais) que o tornam nulo.Vale dizer: que o art. 7º da Lei 10.426/2002, o qual comina penalidade pecuniária pela entrega intempestiva de DCTF, fere princípio constitucional, por estabelecer e autorizar a aplicação de multa desproporcional, confiscatória; que é vedado o uso de tributo com efeito de confisco; que a limitação de tributar também estendese às multas por descumprimento de obrigação tributária, ainda que a multa não tenha natureza de tributo; que a multa fixada pela citada lei é excessiva, suficiente para inviabilizar a vida financeira da empresa punida; que, nesse sentido, invoca fato analógico (sic) do RIPI 2002 (Regulamento revogado pelo Decreto nº 7.212/2010): a) que o art. 16 da Lei nº 9.779/99 autorizou a RFB a criar, instituir obrigações acessórias por ato infralegal, o qual é matriz legal do art. 212 do RIPI 2002; que, por outro lado, a instituição de penalidade é matéria privativa de lei; b) que no RIPI 2002 o art. 212 seria genérico e o art. 368 seria específico para a DCTF; que, por conseguinte, a penalidade aplicável para entrega intempestiva de DCTF seria do art. 507 do RIPI, ou seja, R$ 31,65 e não o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/202, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004); c) que o dispositivo específico prevalece em relação ao genérico. que, no caso, houve aplicação equivocada do art. 7º da Lei 10.426/2002; que o lançamento seja declarado nulo por ferir princípios básicos do ato administrativo, devendo, no mínimo, ser retificado; que é pacífica a jurisprudência do STF pela anulação ou redução de multa com feição confiscatória (citou alguns precedentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros, multa moratória e ICMS). que a Administração Pública deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto à aplicação de multas pecuniárias. Por fim, a contribuinte, com base nessas razões, pediu a declaração de nulidade do lançamento fiscal, pois lastreado em norma flagrantemente confiscatória e inconstitucional. A DRJ/Campinas, à luz dos fatos e da legislação tributária de regência, julgou a impugnação improcedente, mantendo a exigência do crédito tributário, conforme Acórdão de 27/03/2012 (fls.35/40), cuja ementa transcrevo a seguir: (...) ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário:2011 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 97 5 MULTA POR ATRASO NA ENTREGA. Restando caracterizada a entrega em atraso da DCTF, é devida a exigência de multa pelo descumprimento da obrigação acessória. Argüições de ilegalidade e inconstitucionalidade. Não compete à autoridade administrativa a apreciação de constitucionalidade e legalidade das normas tributárias, cabendolhe observar a legislação em vigor. MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO A vedação ao confisco previsto na Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a lei nos moldes que o poder competente a instituiu. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido (...) Ciente desse decisum em 16/04/2012 – segundafeira (fls. 44/45), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 16/05/2012 – quartafeira (fls. 47/63), cujas razões, em síntese, são as seguintes: 1) Preliminar de nulidade do lançamento fiscal: que o fisco imputou 14 (quatorze) meses de atraso na entrega da DCTF e multa de 20% (vinte por cento); que, na realidade, o referido atraso foi de 12 meses e 28 dias, posto que a entrega da DCTF deveria ter ocorrido em 20/08/2010, mas somente se efetivou em 16/09/2011; que, nesse sentido, a Lei n° 10.426/2002 (art. 7o, II) estabelece 2% (dois por cento) de multa AO MÊS OU FRAÇÃO sobre o montante de tributos informados na DCTF, ou seja, que se deve aplicar a fração quando for o caso; que o fisco deveria, na situação dos autos, ter apurado e imputado atraso de 12 meses completos e 28 (oito dias) dias, e não 14 (quatorze) meses; que, em face dessse vício do lançamento, a defesa da autuada restou prejudicada. Por conseguinte, a contribuinte pediu que seja reconhecida a nulidade do lançamento. 2) – Mérito: que a penalidade pecuniária aplicada, cominada pelo art. 7º da Lei nº 10.426/2002, não merece prosperar; que citado dispositivo legal viola, afronta a Constituição Federal, pois comina e autoriza a aplicação de multa desproporcional, confiscatória, não observando o princípio da capacidade contributiva; que, no caso, seria hipótese de aplicação da multa de R$ 31,65 (RIPI/2002, art. 368 c/c art. 507) e não da multa do art. 7º da Lei nº 10.426/2002 (art. 506), com redação Fl. 97DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 98 6 dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004; que deve prevalecer a norma especial em relação à norma geral; que é pacífica a jurisprudência do STJ pela anulação ou redução da multa de feição confiscatória (citou alguns precentes envolvendo multas no âmbito da legislação tributária dos Estadosmembros). que a Administração Tributária deverá observar a jurisprudência pacífica do STF sobre interpretação de texto constitucional, quanto a aplicação de multas. que, na hipótese improvável de suas teses não seram acatadas (nulidade do lançamento por multa confiscatória, erro na apuração do seu valor ou retificação do lançamento para exigência da multa de R$ 31,65), ainda assim a recorrente alega que o lançamento não merece prosperar em face de sua conduta de boafé, devendo ser aplicados os princípios da razoabilidade e proporcionalidade para redução da penalidade para o patamar mínimo de 2% sobre o montante de tributos declarados na DCTF, e não 2% por mês calendário ou fração. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 99 7 Voto O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos para sua admissibilidade. Por conseguinte, dele conheço. O litígio versa acerca da exigência de multa pecunária por atraso na entrega de DCTF, ou seja, pela inobservância do prazo no cumprimento de obrigação acessória autônoma de que trata a IN RFB nº 974, de 27/11/2009 (art. 5º), que dispõe: Art. 5ºAs pessoas jurídicas devem apresentar a DCTF até o 15º (décimo quinto) dia útil do 2º(segundo) mês subsequente ao mês de ocorrência dos fatos geradores. (...) Está narrado na Notificação de Lançamento (fls. 31/32), conforme já exposto no relatório, que o prazo limite para entrega tempestiva da DCTF do PA junho/2010 era 20/08/2010. Entretanto, a recorrente cumpriu essa obrigação acessória tãosomente em 16/09/2011. O cumprimento da obrigação acessória, por conseguinte, deuse 14 (quatorze) meses calendário ou fração, após expirado o prazo tempestivo. Foi aplicada multa de 20% sobre o montante dos tributos informados na respectiva DCTF (multa de atraso de 2% por mês calendário ou fração, limitada a 20%), com redução de 50% do seu valor por cumprimento espontâneo da obrigação acessória, conforme demonstrativo de cálculo já transcrito no relatório. ENTREGA INTEMPESTIVA DE DCTF. NOTIFICAÇÃO DE LANÇAMENTO DE MULTA PECUNIÁRIA. ERRO NA APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO E ERRO NA APURAÇÃO DO VALOR DA MULTA. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. VÍCIOS NÃO CONFIGURADOS. PRELIMINAR DE NULIDADE REJEITADA. A recorrente, preliminarmente, suscitou nulidade da notificação de lançamento – multa por apresentação intempestiva da DCTF do PA junho/2010, por vício na aplicação da legislação e apuração do valor da penalidade, gerando prejuízo à defesa. De plano, rejeito a preliminar de nulidade suscitada, pois a notificação do lançamento da multa por descumprimento de prazo da obrigação acessória autônoma (apresentação intempestiva da DCTF) contém adequada descrição dos fatos, apuração precisa e perfeita dos fatos, do valor da multa e pertinente enquadramento legal, possibilitando amplo e pleno entendimento da infração imputada, não se justificando a alegação de prejuízo à defesa, pois não restou caracterizado o alegado vício de cerceamento ao direito de defesa e ao contraditório. Primeiro, o auto de infração foi lavrado por AuditorFiscal competente, apresenta descrição completa dos fatos, matéria tributável, demonstrativo preciso e exato de apuração da multa aplicada e pertinente enquadramento legal, tudo em consoância com o art. 10, III e IV do Decreto nº 70.235/72 e com o art. 142 do CTN. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 100 8 Com relação ao fundamento legal da multa, percentual da multa e apuração do respectivo valor, tudo está em consonância com a legislação de regência vigente na data da infração, ou seja, o art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei 11.051/2004. No entanto, a recorrente, ainda, apresentou tese contra o lançamento da multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, invocando o RIPI/2002, o qual trata da obrigatoriedade de apresentação da DCTF pelos contribuintes do IPI, argumentando que o citado Regulamento estaria possibilitando, no caso, a aplicação da multa fixa de R$ 31,65, e não a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002; que, então, houve: a) equívoco na aplicação da lei que impõe penalidade, pois, em vez do fisco aplicar legislação específica para entrega em atraso da DCTF, norma mais favorável em termos de penalidade, houve, diversamente, aplicação de legislação cominando multa mais pesada, confiscatória e, além disso, teria ocorrido erro na apuração do valor da multa aplicada. b) que o atraso, na entrega, seria de apenas 28 meses e 28 dias. Não tem respaldo jurídico a argumentação da contribuinte. O RIPI 2002 foi revogado pelo RIPI 2010 (Decreto nº 7.212, de 15/06/2010). Não obstante, o art. 507 do RIPI 2002 tratava de multa de R$ 31,65 a cada falta de apresentação da declaração perídica do IPI (fundamento legal: DecretoLei nº 1.680, de 28/03/1979, art. 4º e Lei nº 9.249, de 1995, art. 30). Já, o art. 506 do RIPI 2002 (art. 7º da Lei nº 10.426/2002, com redação dada pelo art. 19 da Lei nº 11.051/2004) tratava da entrega intempestiva da DCTF. Essas multas permanecem em vigor no RIPI 2010, respectivamente nos arts. 594 e 593. Vale dizer, a multa de R$ 31,65 (art. 507/RIPI 2002 ou art.594/RIPI 2010) não se aplica ao caso objeto dos autos, pois tratase de multa aplicável a cada falta de apresentação da declaração periódica do IPI. No caso, a multa aplicada referese à entrega da DCTF em atraso, ou seja, 2% (dois por cento) sobre os tributos e contribuições informados na DCTF por mês calendário ou fração de mês calendário. Como demonstrado, diversamente da tese defendida pela recorrente, não restou caracterizada a alegada violação de principíos, pois as obrigações acessórias são diversas para cada dispositivo legal suscitado do RIPI, um trata de falta de declaração do IPI e, outro, trata de entrega intempestiva de DCTF. Destarte, houve correta aplicação do art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação pelo art. 19 da Lei 11.051/2004, que, de forma expressa, literal, impõe multa de 2% ao mês calendário ou fração de mês calendário, para entrega intempestiva de DCTF. O texto do dispositivo legal é de aplicação direta, sentido literal, devido sua clareza, não comportando elucubração ou tese interpretativa. Cabendo lembrar, no caso, o brocardo latino in claris cessat interpretatio. A propósito, transcrevo o disposto no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2003, com redação do art. 19 da Lei 11.051/2004, in verbis: Fl. 100DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 101 9 Art. 7oO sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I (...) II de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; III – (...) (Grifei) No caso, o fisco apurou atraso na entrega da DCTF de 14 meses calendário ou fração de anocalendário, conforme consta demonstrado na Notificação de Lançamento Fiscal. O cálculo da multa efetuado pelo fisco está correto, conforme demonstrado no relatório, pois, diversamente do alegado pela recorrente de que o mês seria o período sucessivo de 30 (trinta) dias completos a partir do termo final para entrega tempestiva da DCTF), a lei estabeleceu outro critério de contagem de prazo para aplicação da multa, qual seja: a contagem do prazo por mês calendário ou fração de mês calendário, a partir do termo final para entrega tempestiva dessa declaração. Assim, pela aplicação do texto legal, para efeito de apuração e aplicação da multa são, sim, 14 (quatorze) meses calendário ou fração de atraso na entrega da DCTF do PA junho/2010. Portanto, não há ajuste ou reparo a fazer no valor da multa aplicada. Ademais, diversamente do alegado pela recorrente, apenas a falta de descrição dos fatos e a falta de enquadramentio legal da infração imputada têm o condão de nulificar o lançamento fiscal, que não é caso, pois a notificação de lançamento contém correta descrição dos fatos, preciso ou exato valor apurado da multa, e respectivo enquadramento legal. Se houvesse erro na apuração do valor da multa, que não é ocaso, poderia o julgador de ofício ou por provocação da contribuinte corrigir o lançamento sem prejuízo de sua validade, pois a questão seria de vício material sanável. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 102 10 A jurisprudência do CARF é pacífica quanto à validade do lançamento fiscal que tem adequada descrição dos fatos e enquadramento legal. Nesse sentido, transcrevo ementas de precedentes jurisprundencais deste Egrégio Conselho Administrativo, in verbis: NULIDADE – CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA – CAPITULAÇÃO LEGAL E DESCRIÇÃO DOS FATOS INCOMPLETA – IRF – Anos 1991 a 1993 – O auto de infração deverá conter, obrigatoriamente, entre outros requisitos formais, a capitulação legal e a descrição dos fatos. Somente a ausência total dessas formalidades é que implicará na invalidade do lançamento, por cerceamento do direito de defesa. Ademais, se a Pessoa Jurídica revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, uma a uma, de forma meticulosa, mediante defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de cerceamento do direito de defesa (Acórdão nº 10417.364, de 22/02/2001, 1º CC). AUTO DE INFRAÇÃO – DISPOSIÇÃO LEGAL INFRINGIDA – O erro no enquadramento legal da infração cometida não acarreta a nulidade do auto de infração, quando comprovado, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida e a alentada impugnação apresentada pelo contribuinte contra as imputações que lhe foram feitas, que inocorreu preterição do direito de defesa (Acórdão nº 10313.567, DOU de 28/05/1995); PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL – NULIDADE DO LANÇAMENTO. A capitulação legal incompleta da infração ou mesmo a sua ausência não acarreta nulidade do auto de infração, quando a descrição dos fatos nele contida é exata, possibilitando ao sujeito passivo defenderse de forma detalhada das imputações que lhe foram feitas (Acórdão 10806.208, sessão de 17/08/2000). NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO – INOCORRÊNCIA. A inclusão desnecessária de um dispositivo legal, além do corretamente apontado para as infrações praticadas, não acarreta a improcedência da ação fiscal. Outrossim, a simples ocorrência de erro de enquadramento legal da infração não é o bastante, por si só, para acarretar a nulidade do lançamento quando, pela judiciosa descrição dos fatos nele contida, venha a permitir ao sujeito passivo, na impugnação, o conhecimento do inteiro teor do ilícito que lhe foi imputado, inclusive os valores e cálculos considerados para determinar a matéria tributável.(Acórdão nº 10417.253, sessão de 10/11/99). AUTO DE INFRAÇÃO NULIDADE CERCEAMENTO DE DEFESA Para que haja nulidade do lançamento é necessário que exista vício formal imprescindível à validade do lançamento. Desta forma, se o autuado revela conhecer plenamente as acusações que lhe foram imputadas, rebatendoas, mediante substanciosa defesa, abrangendo não só outras questões preliminares como também razões de mérito, descabe a proposição de nulidade do lançamento por cerceamento do Fl. 102DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 103 11 direito de defesa ou por vício formal.(Acórdão nº 10248.141, sessão de 25/01/2007). Nesse sentido, também é o entendimento jurisprudencial da Primeira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Ac. CSRF/0103.264, de 19/03/2001 e publicado no DOU em 24/09/2001), verbis: A imperfeição na capitulação legal do lançamento não autoriza, por si só, sua declaração de nulidade, se a acusação fiscal estiver claramente descrita e propiciar ao contribuinte dele se defender amplamente, mormente se este não suscitar e demonstrar o prejuízo sofrido em razão do ato viciado. Portanto, ante a inexistência de vício no lançamento fiscal, rejeito a preliminar suscitada. INSTITUIÇÃO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. IMPLEMENTAÇÃO DA DCTF. DESCUMPRIMENTO DO PRAZO DE ENTREGA. APLICAÇÃO DE MULTA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA A recorrente alegou que o art. 7º, II, da Lei 10.426/2002, com redação do art. 19 da Lei 10.051/2004, comina multa desproprocional, confiscatória, por entrega em atraso de DCTF e, portanto, essa legislação seria inconstitucional, por violação do princípio do não confisco. Primeiro, a instuição de obrigações acessórias (prestações positivas ou negativas), no interesse da Administração Tributária, estão autorizadas por lei (sentido amplo) e implementadas em documento específico por normas infralegais, ou seja, por normas complementares (normas infralegais), em obediência aos arts. 96, 97 e 100 do CTN. No caso da DCTF (declaração de débitos e créditos federais), essa obrigação acessória autônoma foi implementada pela Instrução Normativa SRF nº 129/86, com fulcro no art. 5º do DL 2.124/84 e no art. 16 da Lei 9.779/99, sendo atualizada, a partir daí, periodicamente. A propósito, transcrevo o disposto no art. 5º do Decreto nº 2.124/84: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. § 2º (...) § 3º Sem prejuízo das penalidades aplicáveis pela inobservância da obrigação principal, o não cumprimento da obrigação acessória na forma da legislação sujeitará o infrator à multa (...) No mesmo sentido, dispõe o art. 16 da Lei nº 9.779/99: Fl. 103DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 104 12 Art.16.Compete à Secretaria da Receita Federal dispor sobre as obrigações acessórias relativas aos impostos e contribuições por ela administrados, estabelecendo, inclusive, forma, prazo e condições para o seu cumprimento e o respectivo responsável. A dispensa de lei em sentido estrito para implementação de obrigação acessória (v. g., DCTF) é matéria pacífica no âmbito do Poder Judiciário. A propósito, transcrevo precedentes jurisprudenciais: 1) TRF/3ª Região, 6ª Turma, sessão de 04/07/2007, processo (AMS 16487 SP 2002.03.99.0164877), in verbis: (...) TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. CRIAÇÃO DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. ILEGALIDADE. INOCORRÊNCIA. ATRASO NA ENTREGA DA DECLARAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. INAPLICABILIDADE. MULTA MORATÓRIA. INCIDÊNCIA. 1. A DCTF veio regulamentar a arrecadação e a fiscalização de tributos federais, tratandose, a bem da verdade, de mero procedimento administrativo, suscetível de criação por norma complementar, não havendo que se falar em ofensa ao princípio da reserva legal em vistas a indelegabilidade da competência tributária. 2. (...) 3.(..). 4. O atraso na entrega da declaração de renda de pessoa física ou jurídica é infração de natureza nãotributária, em razão do descumprimento de uma obrigação acessória autônoma necessária ao exercício da atividade administrativa de fiscalização do tributo, não lhe sendo aplicável, portanto, a regra prevista no art. 138, do CTN. 5. Apelação e remessa oficial providas. Recurso adesivo improvido. (...) 2) – TRF/4ª Região, 1ª Turma, sessão de 23/06/2010, processo (AC 11264 PR 2004.70.01.0112645), in verbis EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. DCTF. INSTRUÇÃO NORMATIVA. SELIC. ENCARGO LEGAL. DL N. 1.025/69. 1.A obrigação acessória de entrega da DCTF está prevista legalmente, sendo apenas regulamentada em instruções normativas da Secretaria da Receita Federal, (...) Fl. 104DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 105 13 2. A incidência da SELIC sobre os créditos fiscais se dá por força de instrumento legislativo próprio (lei ordinária), sem importar qualquer afronta à Constituição Federal. 3. O encargo legal de 20%, referente à inscrição em dívida ativa, é constitucional, compõe o débito exeqüendo e é sempre devido nas execuções fiscais, substituindo, nos embargos, a condenação em honorários por expressa previsão legal (artigo 1º, do Decretolei nº 1.025/69). (...) 2) – TRF/5ª Região, 1ª Turma, sessão de 03/02/2005, processo (Apelação em MS 80402PE 2001.83.00.0192525), in verbis: TRIBUTÁRIO. MULTA POR ATRASO NA ENTREGA DA DCTF. LEGALIDADE. O atraso na entrega da declaração é considerado como sendo o descumprimento de uma atividade fiscal exigida por lei, não se confundindo com o nãopagamento do tributo. A imposição da multa por falta de entrega de Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF tem amparo legal, configurando seu atraso, ou não entrega, em infração autônoma. Precedentes do STJ e desta Corte. Apelação não provida. (...) Em matéria de descumprimento de prazo para entrega tempestiva de declaração (v. g., DCTF) é inaplicável o art. 138 do CTN, quando cumprida a obrigação acessória a destempo e voluntariamente, pois tratase de obrigação autônoma, não relacionada com fato gerador de tributo ou contribuição, cuja infração configurase, simplesmente, pela perda do prazo fixado para cumprimento tempestivo dessa obrigação acessória. Nesse sentido, é a posição consolidada do STJ, in verbis: “TRIBUTÁRIO. MULTA MORATÓRIA. ART. 138 DO CTN. ENTREGA EM ATRASO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS. 1. A denúncia espontânea não tem o condão de afastar a multa decorrente do atraso na entrega da declaração de rendimentos, uma vez que os efeitos do artigo 138 do CTN não se estendem às obrigações acessórias autônomas. Precedentes. 2. Recurso especial não provido.” (STJ, Segunda Turma, RESP RECURSO ESPECIAL – 1129202, Data da Publicação: 29/06/2010) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INAPLICABILIDADE. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 106 14 1. Inaplicável o instituto da denúncia espontânea quando se trata de multa isolada imposta em face do descumprimento de obrigação acessória. Precedentes do STJ. 2. Agravo Regimental não provido. (STJ, 2ª Turma, AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 916.168 SP 2007/00052315, sessão de 24/03/2009, Relator Min. Herman Benjamin). Feitos esses esclarecimentos quanto à instituição de obrigação acessória por lei em sentido amplo, passemos à questão da multa pecuniária. A multa pecuniária pela falta de entrega da DCTF ou pela entrega a destempo, está prevista em lei stricto sensu, ou seja, no art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002, in verbis: (...) Art. 7o O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) (...) IIde dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante dos tributos e contribuições informados na DCTF, na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica ou na Dirf, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega destas Declarações ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; (...) O dispostivo legal transcrito acima é norma específica para o descumprimento de obrigação acessória relativo à não entrega de DCTF no prazo regulamentar ou para entrega efetuada após vencido o prazo regulamentar. Por conseguinte, não tem sentido, não tem o menor cabimento a tese da recorrente de que a multa a ser aplicada, no caso dos autos, para evitar suposto efeito confiscatório, deveria ser a do art. 368 c/c art. 507 (RIPI/2002), pois essas normas do RIPI tratam de multa para hipótese de não entrega de declaração do IPI, obrigação acessória diversa, como já demonstrado quando do enfrentamento da preliminar suscitada. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 107 15 DCTF. ENTREGA INTEMPESTIVA. MULTA PECUNIÁRIA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A contribuinte alegou da ilegalidade da multa; que teria caráter eminentemente confiscatório, violando, por conseguinte, os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade. Como já dito alhures, a multa pela falta de apresentação ou entrega intempestiva da DCTF exige lei em sentido estrito; por isso, a multa, em abstrato, pela não apresentação da DCTF ou entrega extemporânea, está cominada na Lei nº 10.426/2002, art. 7º. No caso, foi aplicada a multa do art. 7º, II, da Lei nº 10.426/2002. Quanto à alegação de inconstitucionalidade desse dispositivo legal, incabível a apreciação, no mérito, de tal arguição, por falta de competência dos órgãos de julgamento administrativo, por ser matéria de competência do Poder Judiciário. Nesse sentido, a questão está sumulada neste Eg. Conselho Administrativo, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ainda, apenas para argumentar, o princípio do não confisco aplicase apenas para tributos (CF, art. 150, IV). A multa não é tributo. O princípio do não confisco dirigese ao legislador infraconstitucional e não ao julgador administrativo. Além disso, a multa pecuniária cominada, abstratamente, pela lei administrativotributária não segue o princípio da capacidade contributiva, mas sim o interesse jurídico tutelado, o interesse público. Na verdade, a pena pecuniária, em abstrato, fixada pela lei deve ser suficientemente significativa, para inibir ou afastar os contribuintes da prática de infração administrativofiscal, pelo receio, medo ou temor de serem apenados em concreto. Para aqueles contribuintes que a norma, em abstrato, não foi suficiente para demovêlos da conduta infracional independentemente do motivo, não resta ao fisco outro caminho, em face de sua atividade vinculada, a não ser a aplicação da lei ao caso concreto, para recompor, restaurar, a ordem jurídica violada. ] Fl. 107DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL Processo nº 10875.722867/201145 Acórdão n.º 1802001.937 S1TE02 Fl. 108 16 Por tudo que foi exposto, voto para REJEITAR a preliminar suscitada e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Nelso Kichel Fl. 108DF CARF MF Impresso em 30/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL, Assinado digitalmente em 27/12/2013 por EST ER MARQUES LINS DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por NELSO KICHEL
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910759/2008-53
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2001
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.004
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 59 /2 00 8- 53 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 64): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador30/06/2000 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ não a admitiu, porquanto ocorrida após cinco anos do fato jurídico tributário, quando já operada a homologação tácita do pagamento. Entendeu ainda que o Darf indicado no PER/Dcomp como origem do crédito teria sido utilizado para quitar o débito confessado em Dctf; e que o contribuinte não logrou provar que a verdade material seria outra. O Recorrente, nas razões de fls. 74 e ss., alega que, após revisar os seus lançamento contábeis e declarações, verificou que o saldo devedor a título de PIS seria inferior ao que foi recolhido. Sustenta ter retificado a Dctf para que esta refletisse as informações que Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910759/200853 Acórdão n.º 3802002.004 S3TE02 Fl. 203 3 constavam de seus livros fiscais. Aduz ter direito à compensação, porquanto a Dctf seria apenas um obrigação acessória imposta para a declaração dos tributos pagos; que eventuais formalidades no preenchimento de documentos fiscais não devem prejudicar a compensação; que os atos anteriores a não homologação da compensação não influem na obrigação tributária. Requer, assim, diante da liquidez e da certeza do direito de crédito, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 23/01/2012 (fls. 73), interpondo recurso tempestivo em 22/02/2012 (fls. 74). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910759/200853 Acórdão n.º 3802002.004 S3TE02 Fl. 204 5 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909818/2006-89
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 11 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999
PIS/PASEP. BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. NÃO INCIDÊNCIA.
A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INDEFERIDA.
A determinação de ofício de diligências não se presta a suprir insuficiência probatória imputada à recorrente.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-002.127
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Bruno Curi e seguida pelo Conselheiro Cláudio Pereira. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Solon Sehn, .Bruno Curi e Cláudio Pereira que davam provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação (produtos em bonificação e remessa em bonificação) acostadas aos autos do processo administrativo fiscal nº 10880.909811/2006-67.
Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248.
(assinado digitalmente)
Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/09/1999 a 30/09/1999 PIS/PASEP. BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INDEFERIDA. A determinação de ofício de diligências não se presta a suprir insuficiência probatória imputada à recorrente. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Bruno Curi e seguida pelo Conselheiro Cláudio Pereira. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Solon Sehn, .Bruno Curi e Cláudio Pereira que davam provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação (produtos em bonificação e remessa em bonificação) acostadas aos autos do processo administrativo fiscal nº 10880.909811/2006-67. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano DAmorim Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi.
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BONIFICAÇÃO EM MERCADORIAS. NÃO INCIDÊNCIA. A concessão de bonificação em mercadorias, desvinculada de uma operação de venda, constitui doação, não estando incluída entre as hipóteses de incidência da Contribuição para o PIS/Pasep, por não configurar receita. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DILIGÊNCIA. INDEFERIDA. A determinação de ofício de diligências não se presta a suprir insuficiência probatória imputada à recorrente. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria, negar a proposta de diligência apresentada pelo Conselheiro Bruno Curi e seguida pelo Conselheiro Cláudio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 18 /2 00 6- 89 Fl. 245DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 171 2 Pereira. No mérito, pelo voto de qualidade, negar provimento ao Recurso Voluntário. Vencidos os Conselheiros Solon Sehn, .Bruno Curi e Cláudio Pereira que davam provimento parcial ao recurso apenas para reconhecer o direito de crédito no tocante às notas fiscais de bonificação (“produtos em bonificação” e “remessa em bonificação”) acostadas aos autos do processo administrativo fiscal nº 10880.909811/200667. Fez sustentação oral a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho da Fonte, OAB/PE nº 30.248. (assinado digitalmente) Mércia Helena Trajano D’Amorim – Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, Paulo Sergio Celani, Solon Sehn, Cláudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Maurício Macedo Curi. Relatório Adoto o relatório da decisão de primeira instância administrativa. “Tratase de Despacho Decisório que não homologa Declaração de Compensação (fl 1). A razão foi a falta de crédito pois o pagamento no Darf indicado (data: 30/09/99 ; receita: 8109 – Pis) foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo passível para a compensação declarada (Pis agosto de 2003; valor: 2.507,62;fl 9 ). A base legal foram os artigos 165 e 170, do CTN, e o artigo 74, da Lei 9.430/96. Em 31/7/2008 ocorreu a ciência da decisão (fl 4). Há várias declarações de compensação do Pis de agosto de 2003 (processadas separadamente). Por isso, em 27/8/2008, houve manifestação de inconformidade (processo 10.880.909811/200667) reproduzida nos demais (fl 11 e ss), na qual a defesa pede a apensação de processos afins, para análise conjunta da defesa e das provas e argui: a) nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; b) devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; c) no mérito, ter recolhido indevidamente Pis e Cofins de setembro de 1998 a julho de 2003 sobre produtos em bonificação (sem auferir receita), que não geravam obrigação fiscal, pois não eram vendas. Ao final, requer emissão de novo Despacho e/ou homologação das compensações deste e dos procedimentos que pleiteia anexar. Apensa documentos da representação processual e societários. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 172 3 No processo 10880.909811/200667 foram juntadas cópias de notas fiscais de bonificações, apurações mensais, planilhas dos alegados indébitos e demonstrativos contábeis.” A DRJ/SP1 decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade em acórdão cuja ementa está assim redigida: “Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/10/1998 a 31/07/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Quando o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não cabe falar em nulidade. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento de defesa quando o contribuinte é regularmente cientificado do despacho decisório, sendolhe possibilitada a apresentação de manifestação de inconformidade no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação.” Ciente do acórdão da DRJ, a contribuinte apresentou recurso voluntário ao CARF, no qual alega que: as bonificações praticadas não possuem natureza de desconto incondicional aplicado às suas vendas no período; as saídas em bonificação foram feitas de maneira desvinculada de suas vendas, gratuitamente, e decorrem de contrato de premiação com mercadorias pelo cumprimento de metas ou em comemoração de determinadas datas. Juntou cópias de contratos com grandes empresas do varejo e atacado. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 173 4 Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Não são suscitadas preliminares nem solicitada diligência. Os fundamentos do despacho decisório que não homologou a compensação e da decisão de primeira instância administrativa que considerou correto o despacho decisório não são combatidos. A única questão discutida no recurso é a possibilidade de incidir a contribuição para o PIS/Pasep sobre saídas de produtos em bonificação. Segundo a recorrente, a DRJ/SP1 equivocouse ao considerar que as saídas de produtos em bonificação, no caso, são descontos que só poderiam ensejar restituição/compensação se fossem incondicionais, para o que seria necessário atenderse ao disposto na IN nº 51, de 1978. De fato, a turma da DRJ/SP1 entendeu que somente quando se caracterizarem descontos incondicionais as bonificações em mercadorias poderão ser excluídas da determinação da base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Disto decorre que bonificações desvinculadas de vendas, entregues gratuitamente, por mera liberalidade, por não serem descontos incondicionais, são tributadas pela contribuição. Uma vez que na manifestação de inconformidade a contribuinte não admitiu que as bonificações não estavam vinculadas a vendas, a turma de julgadores esclareceu que no caso não se comprovou serem incondicionais as bonificações, nos termos exigidos pela IN nº 51, de 03/11/1978: “4. A receita líquida de vendas e serviços é a receita bruta da vendas e serviços, diminuídas (a) das vendas canceladas, (b) dos descontos e abatimentos concedidos incondicionalmente e (c) dos impostos incidentes sobre as vendas. 4.1 Vendas canceladas correspondentes a anulação de valores registrados como receita bruta de vendas e serviços; eventuais perdas ou ganhos decorrentes de cancelamento de venda, ou de rescisão contratual, não devem afetar a receita líquida de vendas e serviços, mas serão computados nos resultados operacionais. 4.2 Descontos incondicionais são parcelas redutoras do preço de vendas, quando constarem da nota fiscal de venda dos Fl. 248DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 174 5 bens ou da fatura de serviços e não dependerem de evento posterior à emissão desses documentos. 4.3 Para os efeitos desta Instrução Normativa reputamse incidentes sobre as vendas os impostos que guardam proporcionalmente com o preço da venda ou dos serviços, mesmo que o respectivo montante integra a base de cálculo, tais como o imposto de circulação de mercadorias, o imposto sobre serviços de qualquer natureza, o imposto de exportação, o imposto único sobre energia elétrica, o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes etc (...)” Agora, tendo em vista que no recurso voluntário a recorrente afirma que as bonificações não são descontos incondicionais aplicados às suas vendas no período, não é necessário verificar o atendimento às seguintes disposições da IN nº 51, de 03/11/1978. Bonificações que não se caracterizam descontos incondicionais. Segundo a RFB, as bonificações concedidas em mercadorias somente não compõem a base de cálculo da Cofins e da contribuição para o PIS/Pasep quando se caracterizam descontos incondicionais concedidos. A pergunta e a resposta abaixo foram extraídas do site da RFB na internet: 815. As bonificações concedidas em mercadorias compõem a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins? Os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos. Descontos incondicionais, de acordo com a IN n º 51, de 1978, são as parcelas redutoras do preço de venda, quando constarem da nota fiscal de venda dos bens e não dependerem de evento posterior à emissão desse documento. Portanto, neste caso, as bonificações em mercadoria devem ser transformadas em parcelas redutoras do preço de venda, para serem consideradas como descontos incondicionais e conseqüentemente excluídas da base de cálculo das contribuições. 1 E o Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982, constante do acórdão recorrido, traz o seguinte: “Bonificação significa, em síntese, a concessão que o vendedor faz ao comprador, diminuindo o preço da coisa vendida ou entregando quantidade maior que a estipulada. Diminuição do preço da coisa vendida pode ser entendido também como parcelas redutoras do preço de venda, as quais, quando constarem da Nota Fiscal de venda dos bens e não dependerem 1 http://www.receita.fazenda.gov.br/PessoaJuridica/DIPJ/2005/PergResp2005/pr808a860.htm (Acessado em 18/08/2013, às 13:30 h) Fl. 249DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 175 6 de evento posterior à emissão desse documento, são definidas, pela Instrução Normativa SRF nº 51/78, como descontos incondicionais, os quais, por sua vez, estão inseridos no art. 178 do RIR/80. (sem o destaque no original) Isto pode ser feito computandose, na Nota Fiscal de venda, tanto a quantidade que o cliente deseja comprar, como a quantidade que o vendedor deseja oferecer a título de bonificação, transformandose em cruzeiros o total das unidades, como se vendidas fossem. Concomitantemente, será subtraída, a título de desconto incondicional, a parcela, em cruzeiros, que corresponde à quantidade que o vendedor pretende ofertar, a título de bonificações, chegandose, assim, ao valor líquido das mercadorias. Entretanto, ressaltese que se as mercadorias forem entregues gratuitamente, a título de mera liberalidade, sem qualquer vinculação com a operação de venda, o custo dessas mercadorias, não será dedutível, na determinação do lucro real.”[destaquei] 2 Por outro lado, a Divisão de Tributação da Superintendência da RFB da 8ª Região Fiscal emitiu a seguinte solução de consulta com entendimento diverso. “SOLUÇÃO DE CONSULTA Nº 130, DE 3 DE MAIO DE 2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas à operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a 2 As palavras deste parecer foram extraídas do acórdão recorrido. Fl. 250DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 176 7 operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.637, de 2002 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins BASE DE CÁLCULO DO TRIBUTO. BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS VINCULADAS A OPERAÇÃO DE VENDA. As bonificações em mercadorias, quando vinculadas á operação de venda, concedidas na própria Nota Fiscal que ampara a venda, e não estiverem vinculadas á operação futura, por se caracterizarem como redutoras do valor da operação, constituemse em descontos incondicionais, previstos na legislação de regência do tributo como valores que não integram a sua base de cálculo e, portanto, para sua apuração, podem ser excluídos da base cálculo da Cofins. BASE DE CÁLCULO . BONIFICAÇÕES EM MERCADORIAS A TÍTULO GRATUITO, DESVINCULADAS DE OPERAÇÃO DE VENDA.. A base de cálculo da Cofins é definida legalmente como o valor do faturamento, entendido este como o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Nos casos em que a bonificação em mercadoria é concedida por liberalidade da empresa vendedora, sem vinculação a operação de venda e tampouco vinculada a operação futura, não há como caracterizála como desconto incondicional, pois não existe valor de operação de venda a ser reduzido. Por não haver atribuição de valor, pois que a Nota Fiscal que acompanha a operação tem natureza de gratuidade, natureza jurídica de doação, não há receita e, portanto, não há que se falar em fato gerador do tributo, pois a receita bruta não será auferida. Dessa forma, a bonificação em mercadorias, de forma gratuita, não integra a base de cálculo da Cofins. Dispositivos Legais: Artigo 195 da CF/88; Artigo 1º Lei nº 10.833, de 2003 e Parecer CST/SIPR nº 1.386, de 1982. EDUARDO NEWMAN DE MATTERA GOMES Chefe” Logo, há divergência de entendimento no âmbito da RFB. Esta divergência, porém, não afeta este julgamento. Fl. 251DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 177 8 Nos documentos juntados pela recorrente encontramse contratos firmados entre ela e as empresas Makro Atacadista S/A e Bompreço S/A Supermercados do Nordeste, que, ao contrário do que pretendido pela recorrente, não provam que as bonificações aqui discutidas foram concedidas a título gratuito, por liberalidade do vendedor. Este documentos evidenciam que as ditas bonificações decorreram de negociações, foram concedidas com base em condições previstas em contratos, foram faturadas e resultaram em redução do preço normalmente praticado pelo vendedor com outros compradores. No contrato firmado com a Makro Atacadista S/A, constam as seguintes cláusulas (fl. 99 do eprocesso): “Cláusula 6ª BÔNUS: O “FORNECEDOR” pagará mensalmente (em dinheiro) ao ‘COMPRADOR” bônus, conforme modalidades e respectivos percentuais e/ou valores especificados no “Acordo Comercial e FinanceiroSumário”. 6.1 – Os percentuais relativos a todos os tipos de bônus serão calculados sobre o valor bruto das compras do mês, que são representadas pelas notas fiscais de mercadorias entregues e sobre os pedidos de compra cujas mercadorias não foram entregues no prazo ajustado (pedidos cancelados). Os vencimentos de tais valores ocorrerão no primeiro dia do mês subseqüente ao da entrada das mercadorias. 6.2 – Com o objetivo de incentivar o aumento do volume de negócios, ambas as partes fixarão objetivos de crescimento e o “FORNECEDOR” pagará periodicamente (em dinheiro) ao “COMPRADOR” bônus por crescimento das compras em relação ao exercício anterior e/ou por atingimento de metas pré estabelecidas, de acordo com objetivos, condições de bônus e periodicidade especificada no “Acordo Comercial e Financeiro – Sumário” ou negociados em acordo específico. Parágrafo Único: As condições especificadas no “Acordo Comercial e Financeiro – Sumário” serão válidas para o exercício em curso. Caso este acordo não seja renovado no próximo exercício ou não seja firmado um acordo específico renovando as condições para o novo exercício, prevalecerão as condições especificadas no acordo original, considerando como base as compras realizadas no exercício encerrado e os mesmos objetivos de crescimento e condições de bônus negociadas. Cláusula 7ª BONIFICAÇÃO: O “FORNECEDOR” pagará ao “COMPRADOR” (em dinheiro ou em mercadorias grátis) bonificação por negociações específicas, cujo valor e condições serão firmados em acordo específico. 7.1 – Quando o pagamento for feito através de mercadorias bonificadas, o “COMPRADOR” emitirá “Pedido de Compra Bonificado” especificando os produtos e respectivas quantidades. Nesses casos o “FORNECEDOR” deverá emitir nota fiscal referente às mercadorias grátis pelo preço de última entrada, ficando o “COMPRADOR”, em caso de divergências, Fl. 252DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 178 9 autorizado a debitar do “FORNECEDOR” o valor da eventual diferença de ICMS. 7.2 – Caso o “FORNECEDOR” não entregue o pedido bonificado previsto no item 7.1 acima, ou o entregue parcialmente, o “COMPRADOR”, a partir do 7º dia de atraso da entrega do pedido (ou do saldo), emitirá Nota de Débito contra o “FORNECEDOR” do valor devido.” No Manual de Fornecimento de Mercadorias, Equipamentos e Serviços, fls. 103/104 do eprocesso, anexo ao Acordo Comercial e Financeiro firmado com Macro Atacadista, constam as seguintes cláusulas: “Cláusula 3 – FATURAMENTO: ... 3.2 – Todas as mercadorias deverão ser faturadas em unidade especificada pelo “COMPRADOR”; caso contrário, a relação entre a unidade do “FORNECEDOR” e a unidade indicada pelo “COMPRADOR” deverá estar claramente especificada. 3.3 – As mercadorias deverão ser faturadas com as quantidades, preços e demais condições do Pedido de Compras e do “Acordo Comercial e Financeiro – Sumário”, tais como: descontos, bonificações, prazos de pagamento e outras.” ... 7 – CONDIÇÕES PARA COBRANÇA: ... 7.2 Todos os débitos do “FORNECEDOR” para com o “COMPRADOR”, originários de diferenças de preços, diferenças de ICMS, falta de mercadorias, devoluções de mercadorias e outras, tais como: bônus Aniversário, bônus Fidelidade e outros objetos de acordo, serão descontados no primeiro pagamento. No “Acordo de Fornecimento e Reciprocidade nº AFR 886/03”, firmado entre a recorrente e Bompreço S/A Supermercados do Nordeste, fls. 89 e seguintes do e processo, consta o seguinte: “CLÁUSULA 6ª Pagamento de bônus: A data limite para o pagamento, pelo Fornecedor, dos bônus aqui negociados, será até o dia 20 do mês subsequente as respectivas apurações, exceto para o desconto financeiro, o qual é aplicado sobre os títulos de crédito emitidos contra o BOMPREÇO. Parágrafo único: Os bônus acordados em percentuais serão aplicados sobre o valor das compras efetuadas pelo BOMPREÇO junto ao FORNECEDOR, sendo que, em alguns casos, ocorrerão inclusive sobre as notas bonificadas pelo Fornecedor ao Bompreço, conforme Anexo a este Acordo.” Fl. 253DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 179 10 No Anexo a este acordo, fls. 94/95 do eprocesso, verificase que: bônus são negociados e calculados sobre notas bonificadas; e bônus de crescimento são calculados com base no faturamento bruto. No caso destes autos, verificase que as bonificações não são descontos incondicionais, nem doações. São descontos condicionais. Incidência de PIS/Pasep e Cofins sobre descontos condicionais O STF, no julgamento que decidiu pela inconstitucionalidade do art.3º, §1º, da Lei nº 9.718, de 27/11/1998, assentou que a base de cálculo da Cofins é o faturamento, assim entendido, a venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. A decisão, no caso do RE nº 585.235/MG, foi proferida na sistemática do art. 543B do CPC, logo, deve ser reproduzida nos julgamentos do CARF, por força do art 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, com alterações das Portarias MF nºs. 446, de 27/08/2009, e 586, de 21/12/2010. Se as bonificações são descontos concedidos com base em negociações entre as partes, logo, descontos concedidos condicionalmente, elas não integram o valor da venda das mercadorias. Logo, não compõem a base de cálculo da Cofins, nem da contribuição para o PIS/Pasep. Os acórdãos nºs. 1052.581, de 22/03/1988, da Quinta Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, 1803001.481, de 11/09/2012, da 1ª Turma Especial da 1º Seção de Julgamento do CARF, assentaram que bonificações em mercadorias concedidas condicionalmente classificamse como despesas operacionais para aquele que concede a bonificação. Também a Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, nos acórdãos nºs. 20403.303 e 20403.304, de 1º/07/2008, logo, anteriores ao julgamento pelo STF do RE nº 585.235/MG , assentou que bonificações não são tributadas pela Cofins e pela contribuição para o PIS/Pasep. Entendimento da turma quanto à caracterização das bonificações Os demais Conselheiros da turma discordaram deste relator em relação a considerar as bonificações descontos condicionais. Eles adotam o entendimento exposto pela Divisão de Tributação da Superintendência da RFB da 8ª Região Fiscal na Solução de Consulta nº 130, de 03/05/2012, transcrito acima, segundo o qual, as operações em discussão têm natureza de doação, não caracterizando receita auferida, e, por isso, não integram a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep. Tal divergência de entendimento não afetou o julgamento, de modo que a conclusão do voto do relator foi acolhida pela maioria dos conselheiros. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 180 11 Por força do art. 63, §9º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, são adotados como fundamentos para a conclusão de que as bonificações em mercadorias não são tributadas pela contribuição para o PIS/Pasep os mesmos que embasaram a Solução de Consulta nº 130, de 03/05/2012. Sobre as provas constantes dos autos Além dos contratos, há nos autos cópias de notas fiscais, de demonstrativos contábeis, de apurações mensais e de valores de Cofins e PIS/Pasep calculados sobre valores das notas fiscais. Estes documentos, na maior parte, foram apresentados em setembro de 2013. Nas notas fiscais constam os CFOP 5.99 e 6.99 e, como natureza das operações, remessas de produtos em bonificação. Analisando os mesmos documentos, no julgamento do processo nº 10880.909811/200667, esta turma concluiu não serem suficientes para comprovar o direito creditório pleiteado. Para tanto, valeuse de análise empreendida pelo relator da decisão recorrida, que é igual à realizada pelo relator da decisão contra a qual foi apresentado o recurso voluntário em julgamento. Em resumo: cópias de demonstrativos contábeis ou balancetes ilegíveis; cópias de notas fiscais ilegíveis; conta 311105, que referirseia às operações de bonificação, possui a denominação “Venda de Prod. MI Free Goods”; não há memória de cálculo, ou demonstrativo analítico, que permita verificar como a contribuinte obteve os valores pleiteados. Especialmente, não foram apresentados livros fiscais e contábeis contendo os registros das operações, tais como o diário e o razão, nem DCTF retificadora. Assim, não há provas de que as bonificações foram incluídas no cálculo do tributo recolhido por meio do DARF informado no PER/DCOMP, logo, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior. Sobre a liquidez e certeza O processo se iniciou com PER/DCOMP da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pelo próprio contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível para a compensação declarada. Fl. 255DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 181 12 Com base nisto, a compensação não foi homologada. Os fundamentos legais estão expressos no quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL” do despacho decisório, no qual constam os artigos 165 e 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN), e o artigo 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996. Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foram atendidos os arts. 165 e 170 do CTN, que autorizam a compensação de créditos tributários com créditos do sujeito passivo líquidos e certos, e o art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Várias decisões proferidas pelo CARF têm assentado a necessidade de que o crédito pleiteado seja dotado de certeza e liquidez e que eventual erro em DCTF deve ser comprovado com demonstrativos e documentos fiscais contábeis. Nesta Turma, são exemplos deste entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 182 13 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito Fl. 257DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 183 14 declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 1ª Turma Especial desta Seção de Julgamento também assentou a necessidade de comprovação pelo contribuinte da origem do direito de crédito. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, em que foi relator o Conselheiro Flávio de Castro Pontes: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” A 2ª Turma da 4ª Câmara desta Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Fl. 258DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 184 15 Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre as bonificações em mercadorias. Fundamentos acrescentados durante a sessão de julgamento Os Conselheiros Régis Xavier Holanda e Francisco José Barroso Rios acrescentaram argumentos que haviam sido utilizados no julgamento do processo nº 10880.909811/200667, cuja recorrente também foi a Microlite Sociedade Anônima. Cito as considerações do Conselheiro Régis Xavier Holanda, que também fundamentam a decisão deste julgamento: “A DRJ São Paulo I, ao analisar a matéria, julgou improcedente a manifestação de inconformidade pelos seguintes fundamentos de fato e de direito: a) que enquanto existente a confissão, o débito temse como legítimo e apto a ser extinto pelo correspondente DARF pago. Esgotado o valor do DARF pela sua vinculação ao débito que foi lançado ou confessado por qualquer meio previsto (como, por exemplo, a DCTF), não remanesce valor a ser eventualmente restituído ou compensado; b) que os valores referentes às bonificações concedidas em mercadorias serão excluídos da receita bruta para fins de determinação da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, somente quando se caracterizarem como descontos incondicionais concedidos; c) os documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. A decisão restou assim ementada: PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total do pagamento indicado a um débito do próprio interessado expressa a inexistência de direito creditório para fins de compensação e é circunstância apta a embasar a nãohomologação de compensação. A alegação da existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar decisão não homologatória de declaração de compensação. Negritos apostos. A solução da lide em casos dessa natureza perpassa pelo enfrentamento de duas questões: as de direito e a probatória. Em outras palavras, reconhecido, em tese, os fundamentos jurídicos base do indébito tributário – in casu, a exclusão da base de cálculo das contribuições em tela dos valores referentes à bonificação de mercadorias, há que se passar a uma segunda etapa da análise referente à prova do direito alegado. Inicialmente, ante a ausência de determinação legal, a falta de apresentação de DCTF retificadora, por si só, não constitui motivo suficiente para o indeferimento do Fl. 259DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 185 16 direito creditório pleiteado ou, se for o caso, da não homologação da compensação declarada. Assim, embora adequada e oportuna, a retificação prévia da DCTF não é requisito obrigatório para fim de formalização do pedido de restituição ou da declaração de compensação. Dessa forma, apresentada prova inequívoca quanto ao erro do valor do débito declarado e atendido o prazo quinquenal de decadência, é possível a retificação de ofício da correspondente Declaração e o reconhecimento do indébito tributário. (...) Vencidas, pois, as questões de direito, restanos a análise do conjunto probatório acostado aos autos para aferirmos, atento à dicção legal do artigo 170 do CTN, a certeza e liquidez do crédito pleiteado. Para comprovação do direito alegado juntou a recorrente, essencialmente, cópias de notas fiscais de bonificações (e.g. fl 41), apurações mensais (e.g. fl 39); demonstrativos contábeis (e.g. fl 40) e planilhas de tributos apurados (e.g. fl 80, Cofins). Entretanto, após análise dessa documentação, entendo, data maxima venia, que a mesma não se apresenta hábil à demonstração da existência do direito creditório. Da decisão recorrida, colhemse as seguintes anotações de relevo: As apurações mensais de créditos e débitos Pis e Cofins (e.g. fl 39) parecem agrupar distintos estabelecimentos (001, 067, 106 107) e as parcelas devidas por tipos de operação: “Mercado Interno”; “Diversos”; “Freegoods” bem como mostrar que houve um recolhimento de Pis e um de Cofins (não trouxe cópias dos Darf’s). Há demonstrativos contábeis praticamente ilegíveis (e.g. fls 40 e 355) ou que não indicam quaisquer datas ou períodos de referência dos dados apresentados (e.g. fl 174). Os dados contábeis também não permitem concluir pela verossimilhança das alegações, pois não são trazidos registros específicos das operações. A planilha de tributos apurados por nota fiscal é mensal e cita Cofins nas duas colunas, mas uma delas deve ser de Pis (fl 80). As demais planilhas não têm os títulos nas colunas, mas com base na primeira, podese inferir o que os dados representam (e.g. fl 156). Não foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Portanto, os demais documentos apensados não possuem o teor comprobatório suficiente. Destaques apostos. Com efeito, a documentação juntada não nos permite aferir questões basilares para a definição da certeza e liquidez do crédito pleiteado. É certo que foram apresentadas diversas notas fiscais de bonificações de mercadorias, porém a documentação acostada não nos permite atestar, por exemplo, se as mesmas realmente compuseram a base de cálculo das contribuições. Fl. 260DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 186 17 Como assinalado, os demonstrativos contábeis apresentados não trazem registros específicos das operações, nem sequer foram trazidos elementos comprobatórios oriundos de outros livros (Diário ou Razão, regularmente formalizados). Por fim, entendo também descabida uma possível sugestão de realização de diligência. Com efeito, o Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, em seção dedicada ao respectivo procedimento fiscal, assim dispôs sobre o pedido e processamento de diligências ou perícias: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) (...) Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerarem prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1o da Lei no 8.748/93). Negrito aposto. Dessa forma, com base nesses dispositivos, as diligências ou perícias determinadas pela autoridade julgadora objetivam elucidar questão imprescindível ao julgamento da lide, nunca suprir deficiência probatória imputada ao recorrente que, em diversas oportunidades, poderia ter carreado aos autos os elementos necessários e suficientes à comprovação da certeza e liquidez do direito creditório alegado. Portanto, competindo à declarante o ônus de formar a prova do alegado direito creditório, para fins de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, consoante determina o disposto no art. 170 do CTN, e não logrando êxito em fazêlo, há que se manter o indeferimento do pleito do recorrente.” Conclusão Pelo exposto, tendo em vista insuficiência de provas de que foi recolhido tributo sobre as operações de saídas de mercadorias em bonificação, logo, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior nem existência de direito de crédito líquido e certo, com fundamento nos artigos 170 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito pleiteado e não homologou a compensação declarada. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani. Fl. 261DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.909818/200689 Acórdão n.º 3802002.127 S3TE02 Fl. 187 18 Fl. 262DF CARF MF Impresso em 11/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 10/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 15586.000026/2011-52
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Nov 18 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008
COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO INTEGRALMENTE DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA.
A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN.
A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação.
Recurso ao qual se dá parcial provimento.
Não há nulidade quando a recorrente tem pleno conhecimento dos atos processuais objeto do processo e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, retratado nas robustas alegações aduzidas em sua peça recursal.
TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXAME ADSTRITO ÀS CONDIÇÕES DA AÇÃO E ÀS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. COISA JULGADA QUANTO AOS FATOS NARRADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. INOCORRÊNCIA.
A sentença penal não faz coisa julgada quanto à materialidade dos fatos se estes não são objeto de apreciação e, portanto, não fundamentam o trancamento da ação penal, restrito à análise das condições da ação e de sua procedibilidade.
Realidade em que a extinção da ação penal inaugurada pelo Ministério Público Federal não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno excludente do envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia, mas em vista da impossibilidade de tipificação das condutas em crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90) antes do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante do STF nº 24).
PROVA. DEPOIMENTOS E MENSAGENS COM TRATATIVAS DE NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL ELEMENTO QUE PUDESSE VIR A CARACTERIZAR A ILEGALIDADE DA PROVA. VIOLAÇÃO AO SIGILO DE DADOS DA EMPRESA PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE.
Os depoimentos constituem importante elemento probatório e não podem ser invalidados por simples alegações, sem prova, de eventual suspeição ou vício de consentimento.
A legislação tributária federal garante à Administração Tributária pleno acesso a documentos, inclusive magnéticos, fiscais e não fiscais, do contribuinte, bem como a depoimentos de terceiros, ressalvadas as vedações legais, como forma de averiguar o fiel cumprimento das obrigações tributárias, não podendo a garantia constitucional à privacidade revestir-se de instrumento à salvaguarda de práticas ilícitas.
Numero da decisão: 3802-002.120
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado, no seguinte sentido:
preliminarmente, por unanimidade de votos, não acolher as argüições de nulidade aduzidas pelo sujeito passivo e, por maioria, rejeitar o pedido de juntada dos demais processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria; vencido nesse ponto, o conselheiro Solon Sehn;
no mérito, por maioria de votos, para dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório unicamente quanto aos gastos com serviços de corretagem; vencido o conselheiro Paulo Sérgio Celani, que negava provimento ao recurso.
Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Carvalho da Silva, OAB/ES nº 9.338.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
Francisco José Barroso Rios - Relator.
Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 MATÉRIA NÃO CONHECIDA Não se conhece de argumento que não guarda relação com o objeto da contenda. ARGUIÇÃO DE NULIDADE. SUPOSTA OFENSA AO DIREITO AO CONTRADITÓRIO. INOCORRÊNCIA. O direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, segundo o qual, com respeito à nulidade do processo, somente àquela que sacrifica os fins de justiça deve ser declarada pela autoridade julgadora. Assim, a nulidade por cerceamento ao direito de defesa exige seja comprovado o efetivo prejuízo ao exercício desse direito por parte do sujeito passivo. Não há nulidade quando a recorrente tem pleno conhecimento dos atos processuais objeto do processo e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados, retratado nas robustas alegações aduzidas em sua peça recursal. TRANCAMENTO DA AÇÃO PENAL. EXAME ADSTRITO ÀS CONDIÇÕES DA AÇÃO E ÀS CONDIÇÕES DE PROCEDIBILIDADE. AUSÊNCIA DE MANIFESTAÇÃO SOBRE A INEXISTÊNCIA MATERIAL DO FATO. COISA JULGADA QUANTO AOS FATOS NARRADOS PELO MINISTÉRIO PÚBLICO. INOCORRÊNCIA. A sentença penal não faz coisa julgada quanto à materialidade dos fatos se estes não são objeto de apreciação e, portanto, não fundamentam o trancamento da ação penal, restrito à análise das condições da ação e de sua procedibilidade. Realidade em que a extinção da ação penal inaugurada pelo Ministério Público Federal não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 00 26 /2 01 1- 52 Fl. 2430DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 2 excludente do envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia, mas em vista da impossibilidade de tipificação das condutas em crime contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90) antes do lançamento definitivo do tributo (Súmula Vinculante do STF nº 24). PROVA. DEPOIMENTOS E MENSAGENS COM TRATATIVAS DE NEGOCIAÇÕES COMERCIAIS DA EMPRESA. INEXISTÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE EVENTUAL ELEMENTO QUE PUDESSE VIR A CARACTERIZAR A ILEGALIDADE DA PROVA. VIOLAÇÃO AO SIGILO DE DADOS DA EMPRESA PELO FISCO. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE NULIDADE. Os depoimentos constituem importante elemento probatório e não podem ser invalidados por simples alegações, sem prova, de eventual suspeição ou vício de consentimento. A legislação tributária federal garante à Administração Tributária pleno acesso a documentos, inclusive magnéticos, fiscais e não fiscais, do contribuinte, bem como a depoimentos de terceiros, ressalvadas as vedações legais, como forma de averiguar o fiel cumprimento das obrigações tributárias, não podendo a garantia constitucional à privacidade revestirse de instrumento à salvaguarda de práticas ilícitas. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE DO PIS/PASEP E DA COFINS. DESCONTO DE CRÉDITOS CALCULADOS A PARTIR DE BENS E SERVIÇOS UTILIZADOS COMO INSUMOS E COM BASE EM CUSTOS E DESPESAS LEGALMENTE AUTORIZADOS. DIREITO CREDITÓRIO RECONHECIDO EM PARTE. No regime de incidência nãocumulativa do PIS/Pasep e da COFINS, as Leis no 10.637 de 2002 e 10.833/2003 autorizam o desconto de créditos calculados com base em bens e serviços utilizados como insumos diretamente relacionados à atividade da empresa, bem como apurados a partir de custos e despesas passíveis de creditamento/desconto da contribuição, desde que satisfeitas as condições legais impostas pela norma em evidência. No referido regime não há previsão legal que legitime creditamento do PIS ou da COFINS pelo pagamento, a pessoas jurídicas, de serviços de assessoria. Todavia, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima utilizada na fabricação de produtos destinados à venda integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO NÃO INTEGRALMENTE DEMONSTRADAS. IMPOSSIBILIDADE DE EXTINÇÃO DOS DÉBITOS PARA COM A FAZENDA PÚBLICA. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fl. 2431DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.431 3 Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. A não comprovação da certeza e da liquidez dos créditos alegados impossibilita a extinção do débito para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso ao qual se dá parcial provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, na forma do relatório e do voto que integram o presente julgado, no seguinte sentido: a) preliminarmente, por unanimidade de votos, não acolher as argüições de nulidade aduzidas pelo sujeito passivo e, por maioria, rejeitar o pedido de juntada dos demais processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria; vencido nesse ponto, o conselheiro Solon Sehn; b) no mérito, por maioria de votos, para dar provimento parcial ao recurso no sentido de reconhecer o direito creditório unicamente quanto aos gastos com serviços de corretagem; vencido o conselheiro Paulo Sérgio Celani, que negava provimento ao recurso. Fez sustentação oral o Dr. Leonardo Carvalho da Silva, OAB/ES nº 9.338. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator. Participaram, ainda, da presente sessão de julgamento, os conselheiros Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 17a Turma da DRJ Rio de Janeiro I (fls. 170/182), a qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela interessada, nos termos do acórdão assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2008 a 30/06/2008 FRAUDE. DISSIMULAÇÃO. DESCONSIDERAÇÃO. NEGÓCIO ILÍCITO. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos. Fl. 2432DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 4 PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMOS. Os serviços caracterizados como insumos são aqueles diretamente aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Despesas e custos indiretos, embora necessários à realização das atividades da empresa, não podem ser considerados insumos para fins de apuração dos créditos no regime da nãocumulatividade. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Conforme relatado pela primeira instância, a lide diz respeito a pedido de ressarcimento onde os créditos reclamados correspondem ao PIS/Pasep não cumulativo exportação do segundo trimestre de 2008 (valor pleiteado: R$ 679.275,46). Em consequência da análise do pedido, a DRF Vitória, alicerçada na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES nº 21/2011 (fls. 12/16), decidiu reconhecer em parte o direito creditório, no montante de R$ 117.481,52. O relatório objeto da decisão recorrida apresenta resumo da Informação Fiscal que subsidiou a decisão da DRF Vitória, o qual segue abaixo transcrito: • Diante das fartas provas e documentos acostados ao processo administrativo n° 15586.000089/201117, os AuditoresFiscais constataram na escrituração da CUSTÓDIO FORZZA infração tributária relacionada à apropriação indevida de créditos integrais da contribuição social não cumulativa PIS (1,65%), calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos; quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos (Art. 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004 (DOU 30/12/2004), que deu nova redação ao artigo 8° da lei n° 10.925/2004). • Isso porque as pretensas aquisições de café contabilizadas pela CUSTÓDIO FORZZA em nome de inúmeras empresas de fachada foram usadas para dissimular as verdadeiras operações realizadas, quais sejam: aquisições de café em grãos diretamente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas). • Assim, efetuouse a RECOMPOSIÇÃO dos saldos dos créditos decorrentes de operações do mercado interno e externo. Após o desconto dos créditos com as contribuições do PIS devidos mensalmente, efetuouse o cálculo dos saldos dos créditos passíveis de ressarcimento, os quais foram pleiteados por meio de PER/DCOMP. • Em face da CUSTÓDIO FORZZA foram lançados os valores devidos a titulo de PIS em razão da falta/insuficiência de crédito a descontar no período e, principalmente, a apuração dos novos valores passíveis de ressarcimento. • Os AuditoresFiscais limitaram o valor do PEDIDO DE RESSARCIMENTO ao valor do saldo do crédito a descontar referente à parcela do MERCADO EXTERNO (PASSÍVEL DE RESSARCIMENTO). • Como dito, a recomposição dos créditos a descontar do PIS não cumulativo além de resultar em saldo a pagar dessa contribuição em alguns períodos de apuração acarretou no NÃO RECONHECIMENTO de parte do valor dos créditos pleiteados nos PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. • Em síntese, revendo os detalhamentos de apuração do crédito vindicado, a contabilidade e os documentos fiscais disponibilizados pelo contribuinte, bem como, cotejando com os elementos e documentos Fl. 2433DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.432 5 acostados aos autos do processo administrativo n° 15586.000089/201117, não foi possível reconhecer integralmente o direito creditório pleiteado pelo contribuinte, bem como homologar integralmente as compensações requeridas. Cientificada do despacho decisório que reconheceu apenas em parte o direito pleiteado, o contribuinte, tempestivamente, formalizou manifestação de inconformidade onde aduziu que: • Na impugnação apresentada no processo administrativo nº 15586.000089/201117, foram refutadas individualmente todos os argumentos da Autoridade Fazendária, visto que não há prova alguma que sustente a máfé da recorrente; • A fiscalização tenta provar que a recorrente tinha pleno conhecimento de um esquema em que várias empresas fictícias eram interpostas entre ela e os produtores rurais, para que pudesse auferir créditos integrais de PIS e COFINS, em compensações ou ressarcimentos; • Infelizmente, as ações das autoridades policiais e fazendárias não levaram em conta a realidade do mercado de café. Não sabem a função dos chamados maquinistas ou do poder que os produtores rurais adquiriram após o advento das atacadistas; • Em nenhum momento resta comprovado que a Custódia Forzza deu início a empresas laranjas, ou sabia que elas não recolhiam seus impostos. Quem fomentou o sistema foi o legislador, quem permitiu o não recolhimento e a existência dessas empresas foram as Receitas Estadual e Federal. A ignorância sobre o funcionamento do mercado de café por uns ou a prevaricação ou incompetência de outros não pode infligir danos a empresários que apenas faziam o que devem fazer: adquirir mercadorias pelo menor custo possível, vendendoas ao mercado internacional a um preço competitivo, gerando renda, empregos e impostos; • As provas carreadas naquele processo administrativo são nulas ou anuláveis, pois a Constituição Federal veda a utilização de provas ilícitas; • Ademais, as provas ilícitas contaminam tudo aquilo que tocam, ou seja, geram nulidade por derivação daquelas provas que delas decorreram; • Logo no início do processo administrativo nº 15586.000089/201117, a Fiscalização demonstra o porque de suas conclusões equivocadas: foram ludibriados pelos criadores e gestores das empresas atacadistas e por seus colaboradores, alguns corretores de café do interior ; • Notase que as empresas Colúmbia Comércio de Café, Acádia Comércio Exportação, Do Grão, L & L e R. Araújo – Cafecol Mercantil responderam as perguntas do mesmo modo, através de petições modelo, usando da mesma letra, mesma diagramação, mesmo palavreado. Está claro que apenas uma pessoa redigiu todos esses comunicados. Tudo na intenção de convencer os Fiscais de que aquilo que estavam falando era verdade e, assim, livrar os possíveis fraudadores da condenação certa. Pura enganação; Fl. 2434DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 6 • Para que não haja repetição, na impugnação apresentada ao processo nº 15586.000089/201117, foram refutadas todas as supostas provas, com documentos hábeis e idôneos, em que o Auditor tenta usar para excluir a boa fé da recorrente. Inclusive depoimentos de fornecedores de café; • As provas válidas presentes nos autos levam a conclusão apenas de que a recorrente sabia da procedência do café (questões de qualidade) e preferia que tais produtos fossem adquiridos de pessoas jurídicas (geração integral de PIS e COFINS); • Infelizmente, a Receita Federal se esforça para glosar ao máximo os créditos requeridos, com base em quaisquer argumentos, desconsiderando a necessidade de tal creditamento para a sobrevivência de todo o sistema produtivo; • Foi o que ocorreu nos autos. Primeiro, a Receita Federal de VitóriaES impôs tributação a dezenas de empresas atacadistas por não recolhimento de tributos, surgidos em operações de compra e venda de café de produtores rurais e, ainda, impôs responsabilidade tributária solidária a centenas de pessoas físicas e jurídicas. Para depois, informar que tais empresas atacadistas na verdade não existem e não efetuaram qualquer venda e, portanto, todos os créditos decorrentes da compra de produtos agrícolas dessas atacadistas devem ser glosados; • Apesar de trazer diversas provas quanto a algumas atacadistas (a respeito da maioria prova alguma há nos autos), nenhuma delas foi suficiente para demonstrar que a recorrente, por seus gestores, pretendia lesar a arrecadação de tributos. Pelo contrário, os depoimentos dos produtores rurais, únicos personagens não suspeitos, deixaram evidente que a recorrente não poderia ter conhecimento da operação das atacadistas, uma vez que o contato comercial delas era exclusivo com os corretores de café ou maquinistas; • As conclusões da fiscalização estão associadas a presunções de máfé, ou seja, neste caso específico, de que a recorrente sabia da existência das práticas ilícitas de todas as atacadistas e dos corretores de café, e foi omissa para se beneficiar dos créditos integrais de PIS e COFINS. Jamais foi provado ou mencionado pelos produtores rurais que os gestores da recorrente participaram ativamente desse suposto esquema; • Foram excluídos créditos lançados sobre aquisições de bens e pessoas jurídicas inativas, baixadas, omissas ou com receita declarada incompatível com as vendas realizadas. Essas glosas são equivocadas, já que todos os documentos fiscais atendem os padrões legais, tendo a recorrente, inclusive, consultado o CNPJ e SINTEGRA das emitentes das citadas Notas Fiscais; • Ressaltese que, algumas empresas que hoje, após intimada da autuação, a recorrente sabe fictícias, comunicaram à Receita seu estado de inexistência, por meio de petitório padrão, em março de 2008. Não se entende o motivo de a Receita Federal manter em funcionamento essas empresas que hoje afirma inexistentes por tanto tempo depois de ter certeza de suas práticas. Com isso, manteve as exportadoras reféns dessas fraudes; • A recorrente reafirma a licitude dos créditos, oriundos de documentos hábeis e idôneos. Ademais, todas as notas fiscais foram escrituradas, registradas e contabilizadas dentro dos padrões contábeis. Além disso, os pagamentos são efetuados via depósito, TED ou DOC Fl. 2435DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.433 7 diretamente às empresas emitentes das notas fiscais, demonstrando, assim que agiu, sobretudo, de boafé (§ único, art. 82, da Lei nº 9.430/96); • O artigo 3º da Lei nº 10.637/2002, ao instituir as hipóteses que conferem direito a descontar créditos em relação a bens adquiridos para revenda, não condiciona à requerente, a obrigação de exigir a regularidade fiscal dos fornecedores de mercadorias (café); • Também não procedem as glosas de créditos realizados sobre os gastos com armazenagem, frete, comissões pagas a pessoas jurídicas e combustíveis utilizados nos transportes das mercadorias; • A requerente busca guardar seu direito a recalcular e pedir a restituição do IRPJ e da CSLL, calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, não homologados, uma vez que tais importâncias integraram à base de cálculo de ambos os tributos; • Assim, caso a decisão de não homologar tais créditos for mantida, o IR e a CSLL compensados com estes mesmos créditos terão que ser restituídos. Desse modo, este procedimento administrativo visa afastar a Decadência do direito de pedir a restituição dos tributos citados, uma vez que tal fato se consumará somente se for mantida a decisão de não homologação dos créditos analisados neste processo administrativo. Ainda nos termos relatados pela primeira instância, o sujeito passivo, posteriormente, carreou aos autos petição complementar onde requer: a) improcedência das glosas dos créditos PIS/COFINS, tendo em vista o afastamento dos argumentos embasados nas operações “tempo de colheita” e “operação broca”, uma vez que o TRF da 2ª Região afastou, definitivamente, os supostos crimes que levaram o fisco a glosar os créditos da recorrente, rechaçou todas as acusações e extingui a Ação Penal. b) a unificação das 35 manifestações de inconformidade inseridas na tabela acima, em obediência ao princípio da ampla defesa, economia processual e, sobretudo, para evitar decisões contraditórias ou incompatíveis ( Portaria RFB nº 666/2008). A ciência da decisão que manteve a exigência formalizada contra a recorrente ocorreu em 30/05/2013 (fls. 186). Inconformada, a mesma apresentou, em 25/06/2013, o recurso voluntário de fls. 189/262, onde reitera os argumentos aduzidos na primeira instância, apresentando ainda as questões abaixo referenciadas. Primeiramente, a interessada defende a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria, e que se fundamentam nas mesmas provas e argumentos, a fim de evitar decisões contraditórias e homenagear os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, da economia processual, dentre outros. Fundamentase no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08 e em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99, e ressalta que a não unificação dos processos representaria clara afronta ao princípio da ampla defesa com a consequente nulidade do processo, nos termos do artigo 59, II, do Decreto nº 70.235/72. Ressalta que a própria Delegacia de Julgamento, em voto proferido nos autos do processo 15586.000089/201117, determinou a unificação dos autos no que diz respeito à aplicação da multa isolada. A ausência de provas em algum processo e a necessidade de remissão a outro Fl. 2436DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 8 revelaria a necessidade de unificação dos autos. Assim, ou se unificam os autos ou se declara nulo a cordão por ausência de provas de suas alegações. Assim, devese anular a decisão da Delegacia de Julgamento, tanto porque não permitiu a juntada de provas não anexadas por motivo de força maior, como porque não anexou todos os 36 processos que tratam do mesmo fato e tem por base as mesmas provas e argumentos [...] A recorrente também defende a nulidade em vista da violação do princípio da ampla defesa materializada na ausência de análise da preliminar apresentada na manifestação de inconformidade, inerente a pedido de prorrogação do prazo para a juntada de documentos, uma vez que recebera 35 intimações da DRF Vitória, “[...] tratando da análise e glosa de créditos de PIS e COFINS de 17 trimestres, dos anos de 2005 a 2010 [...]”. Igualmente, não teriam sido apreciados argumentos e documentos objeto da manifestação de inconformidade, notadamente quanto à “regularidade das pessoas jurídicas apelidadas de ‘fictícias’ pela fiscalização”. Sobre o assunto, assevera: A DRJ, na verdade, utilizouse de afirmações contidas no parecer da DRF Vitória (rechaçadas pelo TRF 2ª Região) ou seja, considerou válido o procedimento equivocado da Receita Federal que pinçou poucos depoimentos e desconsiderou a maioria deles, para delinear uma realidade própria que não corresponde à verdade. Não tratou da afirmação de que “Todos os produtores rurais ouvidos deixam evidente que os gestores da Custódio Forzza não sabiam que as atacadistas não recolhiam seus tributos ou que não laboravam na atividade para a qual foram criadas, uma vez que o contato dessas atacadistas era exclusivo com os corretores e a eles cabia indicar o melhor preço para os produtores rurais”. Existem nos autos pelo menos 30 depoimentos em que tal informação fica clara. Outro argumento não mencionado na decisão da DRJ foi a ausência da citação do nome da recorrente ou de seus sócios pela grande maioria das empresas denominadas fictícias pela DRJ. A maioria dos corretores de café citados também não mencionam o nome da recorrente, fato também não tratado pelo acórdão. Nada foi tratado também sobre as empresas que a Receita Federal tem por existentes e delas está cobrando grandes somas em tributos. Como afirmado na impugnação a própria Receita Federal tem por existentes e, dentro da mesma operação "É tempo de colheita!", autuou em milhões de reais e responsabilizou centenas de pessoas físicas e jurídicas. Do contrário, teríamos uma dupla imposição de PIS e COFINS sobre uma mesma base de cálculo, violação clara da nãocumulatividade. [...] A recorrente também aduz que nada foi dito sobre a total ausência de provas quanto a inúmeras empresas, que elenca, algumas inclusive sem o número do CNPJ nos autos, tendo a Receita Federal baseadose, simplesmente, em presunção de máfé, argumento que teria sido rechaçado pelo TRF2. Também nada teria sido dito sobre o princípio da boafé e dos porquês de a Receita Federal haver permitido o funcionamento das empresas que hoje afirma não existentes por tanto tempo, tornando as exportadoras reféns das fraudes. A DRJ não teria, igualmente, se pronunciado sobre a insuficiência de prova das declarações, ou sobre os pedidos de diligência requeridos em preliminar para: a) a juntada ao processo das cópias das notas fiscais, ‘SINTEGRAS’, e ‘CNPJS’ que deverão ser extraídas das cópias que já se encontram nos Fl. 2437DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.434 9 processos sobre os créditos de COFINS deste mesmo trimestre, ou que seja reaberto o prazo para a apresentação destes documentos [...]; b) a juntada ao processo dos autos de infração, dos pedidos de compensação ou ressarcimento, dos arrolamentos e das inscrições em dívida ativa das empresas que a Receita Federal de VitóriaES ora afirma que praticaram atos de compra e venda de café, ora afirma que elas não existem [...]. Portanto, como a DRJ não se pronunciou sobre diversas questões e provas trazidas pela reclamante em sua manifestação de inconformidade, a correspondente decisão seria nula por violação do direito à ampla defesa. Alega ainda a recorrente que os argumentos em que se basearam o parecer da DRF Vitória e o acórdão da DRJ foram rechaçados, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região, que, ao julgar o Habeas Corpus nº 2012.02.01.0143115 resolveu trancar a correspondente ação penal. O acórdão em tela transitou em julgado em 29/01/2013. Sendo assim, cai por terra, todos os argumentos das autoridades fazendárias, inclusive o Acórdão da DRJ/RJ1, de que a recorrente estava envolvida na fraude, simulação/dissimulação, ou seja: sabia e utilizava "interpostas pessoas ("laranjas") com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida". Que apenas vendiam notas fiscais, como intermediárias fictícias na compra de café dos produtores rurais (fls. 267). Estes argumentos que deram base à ação fiscal. Neste contexto, uma vez que o lançamento teve por base tais provas, deve ser anulado o Acórdão da DRJRJ1. Ademais, viola o princípio da ampla defesa, visto que diversos argumentos expostos na Manifestação de Inconformidade não foram apreciados. Na seqüência, a recorrente reafirma os demais argumentos apresentados na primeira instância, separados em tópicos onde destaca: a) a logística do mercado de café, com seus diferentes intermediários, o desbaratamento do esquema de troca de notas feitas pelos atacadistas com o auxílio dos corretores de café, desvendado pela Receita Federal, ciente de tais práticas desde 2007, e o equivocado entendimento oficial segundo o qual a suplicante teria se beneficiado do esquema; b) a aduzida ilicitude das provas juntadas ao processo nº 15586.000089/2011 17, a teoria dos frutos da árvore envenenada, a extinção da ação penal relacionada à “operação broca”, a violação do sigilo de dados e a quebra do sigilo bancário da recorrente sem autorização judicial; c) a nulidade das declarações prestadas pelos gestores das grandes atacadistas e dos corretores envolvidos na interposição de pessoas jurídicas, a suspeição e o interesse de deturpar os acontecimentos e imputar responsabilidade às exportadoras de café; d) a insuficiência de provas das condutas ilícitas aptas a suplantar a boafé da recorrente, considerações e refutações às provas acostadas aos autos, a Fl. 2438DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 10 aduzida ocorrência de bis in idem em vista das autuações formalizadas pela Receita Federal contra empresas atacadistas e seus responsáveis solidários pela sonegação de tributos nas operações de compra e venda de café de produtores rurais; e) a boafé da recorrente, a inexistência de fraude, simulação ou dissimulação, conforme atestado pelo TRF da 2a Região, a inexistência de provas contra a interessada, as conclusões fiscais baseadas em presunções, a não caracterização de evidente intuito de fraude, ainda se considerada a existência de boafé da recorrente com respeito a algumas empresas; f) os procedimentos de verificação da regularidade dos fornecedores adotados pela interessado junto ao CNPJ e SINTEGRA, a regularidade da escrituração contábil da recorrente, o precedente jurisprudencial em sede de recurso repetitivo que deu ganho de causa a contribuintes adquirentes de empresas inidôneas (Recurso Especial nº 1.148.444); g) a inexistência de ato declaratório executivo declarando a inaptidão do CNPJ dos fornecedores, a boafé da reclamante e a impossibilidade de punição do contribuinte pelo descumprimento de dever funcional da fiscalização fazendária; h) a legitimidade do creditamento referente aos reclamados insumos de produção: gastos com armazenagem, frete, comissões pagas a pessoas jurídicas e combustíveis utilizados no transporte da mercadoria; e, i) o direito a recalcular e a pedir restituição do IRPJ e da CSLL calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, mas não homologados, uma vez que tais importâncias integram a base de cálculo de ambos os tributos; j) requer seja determinada diligência ou perícia para juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos vultosos de PIS e COFINS, uma vez que não é lícito à Receita Federal impor referidas contribuições duas vezes sobre a mesma cadeia produtiva; necessário também a juntada aos autos vários depoimentos mencionados no relatório fiscal, em homenagem ao direito de defesa da recorrente. Diante do exposto, requer a recorrente: I) sejam unificados os autos de todos os processos inerentes à matéria; II) seja declarada a nulidade do acórdão tendo em vista que: a) foram afastados os argumentos embasados na “operação broca” pelo TRF da 2a Região; b) não foram analisados, pela primeira instância, diversos argumentos apresentados pela suplicante, notadamente relacionado ao pedido de dilação do prazo para apresentação dos documentos; c) a primeira instância não analisou o pedido de juntada ao processo dos autos de infração, dos pedidos de compensação ou ressarcimento, dos arrolamentos e das inscrições em dívida ativa das empresas que a Fl. 2439DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.435 11 Receita Federal ora afirma que praticaram atos de compra e venda de café, ora afirma que elas não existem; III) na hipótese de não deferimentos dos primeiros pedidos, que seja reformado o acórdão vergastado e deferidos os pedidos no que tange aos créditos glosados, conforme argumentos apresentados no recurso; IV) subsidiariamente, acaso sejam indeferidos os pedidos anteriores: a) que se proceda à homologação dos créditos cujos fatos geradores são posteriores a 2007 (data do início da operação “é tempo de colheita”, ou pelo menos a partir de março de 2008, tempo em que foram entregues à fiscalização diversas petições modelo provenientes de mentores e gestores do esquema e das maiores atacadistas; b) que se homologuem os créditos relacionados às aquisições de empresas que a própria Receita Federal tem por existentes e, dentre da mesma operação “é tempo de colheita”, autuou em milhões de reais e responsabilizou centenas de pessoas físicas e jurídicas, sob pena de dupla imposição do PIS e da COFINS sobre uma mesma base de cálculo; c) que sejam homologados os créditos relacionados às aquisições de empresas contra as quais a Receita Federal simplesmente não trouxe prova alguma e baseouse em presunção de máfé; V) que sejam homologados os créditos decorrentes dos custos ligados à produção; VI) que seja determinada a diligência ou perícia na forma requerida; VII) e, acaso negados os pleitos principais, e visando afastar a decadência, que seja determinada a exclusão da base de cálculo do IRPJ e da CSLL dos valores dos créditos não homologados e restituídos todos os valores pagos indevidamente. É o relatório. Voto Das preliminares e aduzidas prejudiciais de mérito Da admissibilidade parcial do recurso Conforme relatado, a ciência da decisão recorrida se deu em 30/05/2013 (fls. 186). Por sua vez, o recurso voluntário de fls. 189/262 foi apresentado em 25/06/2013, tempestivamente, portanto. Fl. 2440DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 12 Contudo, muito embora os demais requisitos de admissibilidade se encontrem presentes, há argumentos apresentados no recurso que não podem ser conhecidos, uma vez que não tem relação com a lide objeto dos autos. Digo isso em relação ao aduzido direito para recalcular e a pedir restituição do IRPJ e da CSLL calculados sobre os créditos de PIS e COFINS lançados como receitas, mas não homologados, sob o argumento de que tais importâncias integram a base de cálculo de ambos os tributos. Tal pedido, decerto, não compreende a matéria objeto do litígio, razão pela qual não pode ser conhecida. Portanto, e considerando, ainda, a competência material para o julgamento do feito, conheço do recurso, ressalvada a observação supra, posto que atendidos os requisitos formais e materiais exigidos para sua aceitação. Dos argumentos em defesa da nulidade da decisão de primeira instância Dentre os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância, o sujeito passivo defende a necessidade de juntada dos 36 processos da empresa que dizem respeito à mesma matéria, a fim de evitar decisões contraditórias e homenagear os princípios do devido processo legal, da ampla defesa, da economia processual, dentre outros. Fundamentase no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, na Portaria RFB nº 666/08, bem como nos princípios que norteiam o processo administrativo elencados pela Lei nº 9.784/99. Da fundamentação legal adotada pelo sujeito passivo, a Portaria RFB nº 666/08, de fato, prevê a formalização de um único processo administrativo ou a juntada por anexação (artigo 3º), dentre outras hipóteses, relativamente a “Pedidos de Restituição ou de Ressarcimento e as Declarações de Compensação (Dcomp) que tenham por base o mesmo crédito, ainda que apresentados em datas distintas” (artigo 1º, inciso IV). Contudo, não compete a este Conselho questionar procedimento diverso adotado pela Receita Federal que não implique em prejuízo ao direito de defesa do sujeito passivo. Com efeito, muito embora seja nítida a conexão processual entre os pedidos de ressarcimento reportados pela recorrente, não há nada nos autos que alicerce o reclamado cerceamento ao seu direito, uma vez que os elementos comprobatórios do indeferimento do pedido são todos de pronto acesso ao sujeito passivo, notadamente na presente conjuntura de uso do processo digital, em que as peças podem ser acessadas eletronicamente com grande facilidade. Digo isso, inclusive, em relação ao processo nº 15586.000089/201117, ao qual foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente, como, aliás, está consignado na informação fiscal que subsidiou a decisão objeto dos presentes autos. Tendo a interessada irrestrito acesso aos autos, não há que se cogitar em prejuízo para sua defesa. A suplicante se socorre também no § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, bem como em princípios que norteiam o processo administrativo dispostos na Lei nº 9.784/99. Relativamente ao § 3º do artigo 18 da Lei nº 10.833/03, este determina apenas a juntada das peças que tratam da manifestação de inconformidade contra a nãohomologação da compensação e da correspondente impugnação da multa de ofício decorrente de diferenças apuradas, dentre outras, em declaração de compensação (art. 90 da Medida Provisória nº 2.158 35, de 24/08/2001). Logo, não obriga à juntada de todos os processos conexos do mesmo Fl. 2441DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.436 13 sujeito passivo. Já em relação aos princípios do processo administrativo reportados pela Lei nº 9.784/99, não vislumbro nos autos nada que represente ofensa ao direito de defesa da solicitante que pudesse redundar na nulidade de qualquer ato decisório contidos em suas peças, como já ressaltado. O Regimento Interno do CARF (aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/06/2009) também trata da distribuição conjunta de processos conexos. Tal preceito, contudo, não é de natureza cogente, posto que apenas faculta referenciado procedimento, como revela o verbo que integra o núcleo normativo do artigo 6o do Anexo II do Regimento em tela, abaixo transcrito e destacado: Art. 6° Verificada a existência de processos pendentes de julgamento, nos quais os lançamentos tenham sido efetuados com base nos mesmos fatos, inclusive no caso de sujeitos passivos distintos, os processos poderão ser distribuídos para julgamento na Câmara para a qual houver sido distribuído o primeiro processo. Parágrafo único. Os processos referidos no caput serão julgados com observância do rito previsto neste Regimento. (grifo nosso) No mais, reiterese que a não adoção dos procedimentos perquiridos pela recorrente, por não trazerem prejuízo para a defesa, não tem o condão de dar ensejo à nulidade da decisão de primeira instância, até porque o direito processual tem como regra o princípio da instrumentalidade das formas, que traz como consequência, com respeito à nulidade do processo, que somente àquela que sacrifica os fins de justiça do processo deve ser declarada pela autoridade. Tal princípio está assente nos artigos 563 e 566 do Código de Processo Penal1. No âmbito do Código de Processo Civil, dispõe o artigo 244 que, Quando a lei prescrever determinada forma, sem cominação de nulidade, o juiz considerará válido o ato se, realizado de outro modo, lhe alcançar a finalidade. A inocorrência de prejuízo para a defesa também afasta a hipótese de nulidade fundada na ausência de análise de prorrogação do prazo para a juntada de documentos, posto que não demonstrado eventual prejuízo decorrente da citada conduta omissiva. A nulidade também é reclamada pelo fato de a DRJ, segundo alega a reclamante, não ter apreciado argumentos e documentos objeto da manifestação de inconformidade, notadamente quanto à “regularidade das pessoas jurídicas apelidadas de ‘fictícias’ pela fiscalização”. A decisão de primeira instância também teria sido omissa concernente a depoimentos segundo os quais os gestores da recorrente “[...] não sabiam que as atacadistas não recolhiam seus tributos ou que não laboravam na atividade para a qual foram criadas [...]”, bem como no tocante aos lançamentos formalizados dentro da mesma operação de fiscalização, ao princípio da boafé, ao fato de a Receita Federal haver permitido o funcionamento das empresas que hoje afirma não existentes, dentre outros. 1 Art. 563. Nenhum ato será declarado nulo, se da nulidade não resultar prejuízo para a acusação ou para a defesa. Art. 566. Não será declarada a nulidade de ato processual que não houver influído na apuração da verdade substancial ou na decisão da causa. Fl. 2442DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 14 Igualmente, entendo que isso também não leva à nulidade da decisão vergastada, posto que esta se apresenta devidamente motivada em argumentos que alicerçam suficientemente a convicção a que chegou o Colegiado a quo. Com efeito, não é indispensável que a decisão se reporte pontualmente a todas as alegações apresentadas pelo reclamante, e isso não obstante o disposto no artigo 31 do Decreto nº 70.235/72, o qual determina que a decisão deve “[...] referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências” (grifo nosso). De fato, o Superior Tribunal de Justiça, bem como este Conselho, tem adotado a postura de não exigir a apreciação exaustiva de todos os argumentos aduzidos na impugnação, mas isso desde que a autoridade julgadora de primeira instância tenha encontrado razões suficientes para fundamentar sua decisão sobre as matérias em litígio, como ocorreu no caso presente. Nesse sentido, o seguinte julgado: PAF – NULIDADE DA DECISÃO / CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. O julgador não está obrigado a contestar item por item os argumentos expendidos pela parte quando analisa a matéria de mérito, conforme decisão do STJ – Resp 652.422 – (2004/00990870) RET n 43 – maio/junho/2005, p.136:5691 – “VIOLAÇÃO DO ARTIGO 535 DO CPC – INOCORRÊNCIA – TRIBUTÁRIO – ICMS – MANDADO DE SEGURANÇA – AUTORIZAÇÃO PARA IMPRESSÃO DE DOCUMENTOS FISCAIS – DÉBITOS COM A FAZENDA PÚBLICA – PRINCÍPIO DO LIVRE EXERCÍCIO DA ATIVIDADE ECONÔMICA – ART. 170, PARÁGRAFO ÚNICO DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL – SÚMULA Nº 547 DO STF – MATÉRIA CONSTITUCIONAL – NORMA LOCAL – RESSALVA DO ENTENDIMENTO DO RELATOR. 1. Inexiste ofensa ao artigo 535 do CPC, quando o Tribunal de origem, embora sucintamente, pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater um a um os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (...) 6. Recurso não conhecido.” (1º CC, Acórdão 10808866, sessão de 25/06/2006, relator: Ivete Malaquias Pessoa Monteiro). Afastamse, pois, todos os argumentos em prol da nulidade da decisão de primeira instância. Do trancamento da ação penal formalizada contra a interessada A recorrente defende que os argumentos em que se basearam o parecer da DRF Vitória e o acórdão da DRJ teriam sido rechaçados, por unanimidade, pelo Tribunal Regional Federal da 2a Região, o qual, ao julgar o Habeas Corpus nº 2012.02.01.0143115, resolveu trancar a correspondente ação penal. O decisum em tela está anexado às fls. 200/213 do processo 15578.000245/200835, ao qual doravante nos reportaremos no que for relevante, por questões de praticidade. Também nos reportaremos às peças do processo nº 1586.000089/201117, onde foram acostadas as provas e documentos produzidos durante a fiscalização realizada em face da empresa recorrente. Fl. 2443DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.437 15 Aduzida ação penal, de fato, foi extinta em vista da não acolhida opção do Ministério Público Federal de fundamentar a denúncia no Código Penal, e não em crimes contra a ordem tributária, já que ainda não existia o lançamento definitivo do tributo, condição para a materialização de crimes contra a ordem tributária (Lei nº 8.137/90). A leitura dos votos do relator do acórdão, Des. Antonio Ivan Athié, bem como do voto vista do Des. Abel Gomes, retratam muito bem que o trancamento da ação penal foi motivado exclusivamente na afronta ao princípio da especialidade, bem como em vista da Súmula Vinculante nº 24 do STF, segundo a qual “não se tipifica crime material contra a ordem tributária, previsto no art. 1º, incisos I a IV, da lei nº 8.137/90, antes do lançamento definitivo do tributo”. Transcrevo, abaixo, excertos dos votos acima reportados: Voto do relator, Des. Antonio Ivan Athié Em nenhum momento a denúncia trata de outra ação que não a tipificada na Lei 8137/90, tampouco a imputação de crime de quadrilha remanesce, eis que na realidade todos os comerciantes de café da região onde se deram os fatos, com raríssimas exceções, praticavam a mesma conduta, independentemente, tal e qual se comercializa qualquer mercadoria, como ocorre com o café, não existindo qualquer condição que caracterize ajuste de mais de três pessoas para prática de crimes. O impetrantepaciente demonstrou, folhas 739, que não há, ou ao menos não havia, decisão definitiva de constituição de crédito tributário, e também por esta razão apresentase a denúncia sem justa causa para instauração da ação penal. Pelo exposto, e considerando ainda os precedentes do STJ acostados as folhas 741 e seguintes, referentes aos HCs 103.055 e 137.023, CONCEDO A ORDEM, para o fim de trancar a ação penal n° 2008.50.05.0005385, do Juízo Federal de Colatina/ES, em relação ao impetrantepaciente, e aos demais acusados, estendo a ordem, de ofício, com base no artigo 580 do Código de Processo Penal. Voto vistas do Des. Abel Gomes Com efeito, cabe destacar que no trecho reproduzido no voto do e. Relator, às fls. 803/804, consta, em síntese, que a fiscalização "firmou a convicção" quanto à "intenção" da LAURET CAFÉ de se eximir de tributos devidos com a utilização de meios defesos em lei. Isto constou, inclusive, de excerto do Termo de Encerramento da Ação Fiscal, no qual, inclusive, é reproduzido o art 1° da Lei n. 8137/90 (fl. 636). Assim, mesmo sendo certo que não são os agentes da Receita Federal a assumirem a atribuição constitucional de formar opinião técnica sobre o delito e sim o Ministério Público, havendo real provisoriedade na classificação jurídica dos fatos pela Receita, também não se pode olvidar que a classificação jurídica dada pelo MP na denúncia, quando do exercício da opinio delicti também não está imune ao exame de correlação com os fatos narrados que cabe ao Poder Judiciário realizar para fins de aferir a presença ou ausência de uma série de situações jurídicas para a ocorrência ou exercício das quais é imprescindível aferir a correta classificação jurídica dos fatos. Fl. 2444DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 16 Esse é exatamente o caso da incidência da Súmula Vinculante n. 24 do STF no que concerne aos crimes contra a ordem tributária, capitulados na Lei n. 8137/90. Ou seja, é preciso verificar se, materialmente, os fatos narrados na denúncia não configuram crimes relacionados na Lei n. 8137/90 ao invés do Código Penal. Exame dos fatos narrados [...] Vejase que o só fato de haver na base da denúncia uma ação fiscal, já leva à compreensão de que se trata de ilícito fiscal com repercussão penal. Ademais, a narrativa dos fatos mostra que se está diante de falsificação de notas fiscais que traduziriam uma suposta operação com repercussão tributária, o que leva o engodo para o campo da especialidade, ou seja, passa de simples fraude engendrada contra uma pessoa qualquer, para se converter em artifício falso para iludir o fisco, exatamente no sentido do que dispõe o inciso III do art. 1º da Lei n. 8137/90. Posteriormente, a trama narrada ainda dá conta de que as empresas prestariam declarações falsas ao fisco, quais sejam, as de que teriam créditos a serem compensados, créditos, estes, calcados naquelas notas falsas, o que ainda mantém o fato na seara do inciso I do art. 1º da Lei n. 8137/90. Destarte, do que se extrai da denúncia é que se está diante de fatos que, pelo princípio da especialidade, estão mesmo inseridos no art. 1º da Lei n. 8137/90, o que parece que inclui ainda aquela imputação que é feita no que diz respeito ao crime do art. 299 do CP, porquanto as falsidades ideológicas também integram, em princípio, o objetivo de fraudar a fiscalização tributária para sonegar as contribuições. No caso, ainda há que se fazer um juízo utilitário, de custo benefício. É que o processo descortina uma grande operação, expressa numa denúncia substanciosa de centenas de folhas, a mostrar que os crimes contra a ordem tributária em tese cometidos, somente poderiam ter vazão mediante uma série de ardis, dentre eles, as falsidades ideológicas. É possível que a constituição de empresas fictícias e alterações contratuais por meio de falsidade ideológica possibilitasse a prática de outros crimes em tese? Sim. Mas o caso é que o principal na conduta descrita era mesmo a sonegação fiscal. [...] [...] Do crime de quadrilha Quanto ao crime de quadrilha, de fato, tratase de delito autônomo [...]. Entretanto, há que se observar que o tipo penal exige que a associação se constitua para cometer crimes, e no caso, segundo a narrativa acusatória, os crimes para os quais os denunciados se associaram seriam crimes contra a ordem tributária, daqueles para os quais a Súmula Vinculante n. 24 do STF exige a constituição definitiva do crédito tributário para a “tipificação”, sem o que não cabe falar em tipicidade das condutas nem em crimes objeto de quadrilha. Não tem sentido suspender o processo e o curso da prescrição até o definitivo lançamento do crédito tributário para haver configuração de crimes contra a ordem tributária, e dar prosseguimento ao processo pela imputação de quadrilha sem que os crimes que seriam seu objeto estejam definidos. Assim, há que se estender a suspensão do processo e do curso da prescrição também em relação ao disposto no art. 288 do CP, no caso Fl. 2445DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.438 17 específico, porquanto até mesmo sua tipificação depende do preenchimento da condição estabelecida pela Súmula Vinculante n. 24 do STF. Diante do exposto, concedo a ordem para, ingressando no exame de correlação entre narrativa de fatos e classificação jurídica dos mesmos, aplicar o disposto na Súmula Vinculante n. 24 do e. STF, apenas por outros fundamentos que o e. relator no que concerne ao crime de quadrilha. Portanto, é transparente que a extinção da ação penal em tela, absolutamente, não foi motivada por eventual pronunciamento jurígeno que apontasse o não envolvimento da recorrente com os fatos narrados na denúncia. Em outras palavras, o TRF da 2ª Região, em nenhum momento, infirma as evidências materiais decorrentes do procedimento de fiscalização, uma vez que a decisão do Tribunal foi baseada, única e exclusivamente, em questões de natureza processual, quais sejam, o exame quanto ao atendimento das condições da ação ou das condições de sua procedibilidade. Em vista disso, a decisão judicial não faz coisa julgada quanto aos fatos narrados pelo Ministério Público, posto que não apreciados no que concerne à sua materialidade, o que, consequentemente, possibilita a propositura da correspondente ação civil, como, aliás, prescreve textualmente o artigo 66 do Código de Processo Penal CPP: Art. 66. Não obstante a sentença absolutória no juízo criminal, a ação civil poderá ser proposta quando não tiver sido, categoricamente, reconhecida a inexistência material do fato. No mais, o inciso I do artigo 67 do mesmo CPP estabelece que “não impedirão igualmente a propositura da ação civil:” [...] III a sentença absolutória que decidir que o fato imputado não constitui crime”. Pelas razões acima, rejeito o argumento da reclamante que procurava dar à decisão judicial conseqüências alheias ao âmbito em que fora proferida. Do mérito A presente análise de mérito também contempla algumas questões que, a rigor, deveriam ter sido tratadas na parte destinada às preliminares, mas que serão aqui abordadas em vista de sua íntima ligação com a materialidade dos fatos. Conforme relatado, a lide decorre de ação fiscal cujo procedimento e documentação estão acostados aos autos do processo n° 15586.000089/201117 (ao qual nos reportaremos com freqüência), onde a fiscalização relata a apropriação indevida de créditos pelo regime da nãocumulatividade do PIS e da COFINS por parte da recorrente, calculados sobre os valores das notas fiscais de aquisição de café em grãos, quando o correto seria a apropriação de créditos presumidos nos termos do artigo 8° da lei n° 10.925/2004, com a redação dada pelo artigo 29 da Lei n° 11.051, de 29/12/2004. Entendeu a fiscalização que as aquisições de café pela recorrente foram contabilizadas em nome de diversas empresas de fachada, utilizadas para dissimular a real aquisição da mercadoria proveniente de pessoas físicas (produtores rurais/maquinistas), e assim Fl. 2446DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 18 se apropriar de crédito em montante superior ao autorizado pela lei. Segundo a informação fiscal que subsidiou o despacho decisório, a análise e recomposição dos saldos desde janeiro de 2005 demonstrou que a recorrente apropriouse de créditos integrais fictos. Em face da reclamante foram levantadas notas fiscais em nome de empresas de fachada (“laranjas”) em montantes que ultrapassaram o valor de R$ 890 milhões nos anos de 2005 a 2009. Assim, em função do procedimento fiscal foram recompostos os saldos dos créditos decorrentes de operações do mercado interno e externo. Todos os créditos do PIS e da COFINS calculados sobre as notas fiscais dos “pseudoatacadistas de café” foram glosados e reconhecido o direito creditório presumido sobre tais operações. No caso presente, a recomposição dos créditos a descontar do PIS nãocumulativo, além de resultar em saldo a pagar dessa contribuição em alguns períodos de apuração acarretou o não reconhecimento de parte do valor dos créditos pleiteados nos pedidos de ressarcimento. A suplicante alega a ocorrência de bis in idem em vista das autuações formalizadas pela Receita Federal contra empresas atacadistas e seus responsáveis solidários pela sonegação de tributos nas operações de compra e venda de café de produtores rurais. Segundo entende, as autuações contra “centenas de pessoas físicas e jurídicas” representaria “dupla imposição de PIS e COFINS sobre uma mesma base de cálculo, violação clara da não cumulatividade”. Tal argumento, todavia, também não merece prosperar, pois os procedimentos de fiscalização contra cada sujeito passivo são autônomos e individualizados – ressalvada a possibilidade de responsabilização solidária –, apesar de, no caso, decorrer de uma operação para investigação de um setor econômico específico. No mais, não existe fundamento legal que legitime aduzido mecanismo compensatório proposto pelo sujeito passivo, o que também descarta a necessidade de diligência ou perícia para a juntada aos autos dos processos em que houve lançamentos do PIS e da COFINS em face das outras empresas envolvidas. A reclamante argumenta ainda haver adotado os procedimentos ao seu alcance para se certificar da idoneidade das empresas com as quais negociava, notadamente tendo verificado a regularidade de seus fornecedores junto ao CNPJ e ao SINTEGRA. Ademais, a regularidade de sua escrituração contábil, o precedente jurisprudencial em sede de recurso repetitivo que deu ganho de causa a contribuintes adquirentes de empresas inidôneas (Recurso Especial nº 1.148.444), a inexistência de ato declaratório executivo declarando a inaptidão do CNPJ dos fornecedores e a boafé da reclamante impossibilitariam sua responsabilização frente ao descumprimento do dever funcional da fiscalização fazendária, que permitiu funcionassem livremente empresas irregulares. Neste comenos, importa ressaltar que os elementos trazidos pela fiscalização rechaçam a boafé e o desconhecimento da situação irregular das empresas com as quais, em sua maior parte, o sujeito passivo formalizou aquisições de mercadorias. Nessa linha, a grande maioria das pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras da interessada, foram constituídas a partir da vigência do regime da nãocumulatividade, e depoimentos, documentos, arquivos magnéticos e controles internos da empresa revelam que esta não só sabia que as aquisições eram realizadas de produtor pessoa física, como também exigia que as negociações ocorressem em nome de empresa de fachada, orientandoas operacionalmente nesse sentido. É relevante o volume transacionado entre a recorrente e empresas de fachada apurado pela fiscalização: R$ 891 milhões. Não obstante as provas colacionadas aos autos, que apontam para o envolvimento direto da reclamante no esquema fraudulento, foge à razoabilidade admitir que empresa que opera com tamanho volume no mercado de café tenha se deixado, de boafé, ludibriar, a ponto de fazer aquisições em montantes tão significativos de Fl. 2447DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.439 19 “empresas de fachada”, que sequer dispunham de armazéns, funcionários ou estrutura logística adequada à atividade que exploravam. O relatório fiscal ilustra muito bem essa situação (ver, por exemplo, fls. 3601/3607 – processo 15586.000089/201117). Por também corroborar o entendimento ao qual chegou a fiscalização, reproduzo ainda a seguinte trecho extraído das fls. 3607/3611 do relatório fiscal: Ao longo deste Relatório, comprovarseá a existência desse esquema, bem como de que a CUSTÓDIO FORZZA não só tinha consciência de que o café adquirido de pessoas físicas (produtores/maquinistas) era guiado em nome de empresa de fachada (pseudoatacadista) como tinha participação no ilícito praticado. Por conseguinte, tinha pleno conhecimento que as notas fiscais dessas empresas laranjas eram ideologicamente falsas. Não obstante isso, pessoas vinculadas à fiscalizada indicaram empresas laranjas para guiar o café do produtor para a CUSTÓDIO FORZZA. Não raro, a própria CUSTÓDIO FORZZA retirava o café junto aos produtores com notas guiadas em nome de empresas laranjas. A corroborar tais fatos, as declarações prestadas aos AuditoresFiscais pelo produtor rural/maquinista FERNANDO PLANTIKOW NETO (fls. 214/215): 4) (...) que realizava venda de café de sua propriedade e de seus familiares, assim como, intermediava a venda de café de meeiros e pequenos produtores rurais da região diretamente com as seguintes empresas que por ora se recorda: CUSTÓDIO FORZZA, (...) e (...); 5) Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, Sr. Carlos Henrique e Sr. Irineu (CUSTÓDIO FORZZA), (...) e (...), indicaram que o declarante procurasse as "empresas" DO GRÃO, COLUMBIA, ACÁDIA, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a CUSTÓDIO FORZZA. (...) e (...); 6) Que a partir de então o declarante passou a fazer as operações por intermédio dessas empresas, sendo que o café continua sendo guiado para CUSTÓDIO FORZZA, (...) e (...), utilizando as notas fiscais das "empresas" anteriormente citadas; 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$ 1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; 9) Que conheceu o Sr. Altair Brás Alves na NICCHIO SOBRINHO CAFÉ e que ele convidou o declarante para operar com a V. MUNALDI; (...); 11) Que depois passou a utilizar a R ARAUJO CAFECOL para guiar o café; (...) E ainda pelo produtor/maquinista NILSON ALVES (fls. 322/325): 3) Que nos anos de 2003 e 2004 o declarante negociou café com o Sr. Carlos Henrique, genro do Senhor Custódio Forzza, proprietário da CUSTÓDIO FORZZA, sendo que as notas fiscais foram guiadas em nome da MIRANDA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO E IMPORTAÇÃO DE CAFÉ, com descarga nos ARMAZÉNS GERAIS FORZZA LTDA, situados em Colatina e Linhares; que o café era retirado pela própria empresa CUSTÓDIO FORZZA na propriedade do declarante; que as notas fiscais eram Fl. 2448DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 20 preenchidas pelo contador do declarante cujos dados para o preenchimento eram repassados pelos motoristas que eram encaminhados pela CUSTÓDIO FORZZA para retirar o café da propriedade do declarante; que o declarante não conhece e nunca manteve contato com a MIRANDA, seus sócios ou representantes legais, sendo que apenas as notas fiscais foram emitidas em nome da MIRANDA por determinação da própria empresa CUSTÓDIO FORZZA; Acrescentou que nos anos de 2004 e 2005 negociou 5.210 sacas de café para a CUSTÓDIO FORZZA, sendo que as notas fiscais de produtor foram emitidas em nome da C. DÁRIOME por determinação da empresa CUSTÓDIO FORZZA, conforme item 5 do referido Termo de Declarações, de 20/08/2008, com a devida retificação de 23/09/2008. Finalizou afirmando "que não conhece e nunca negociou com o senhor Carliano Dário, proprietário da C. DÁRIO ME". As próprias notas fiscais de produtor de NILSON ALVES de n° 00336 a 00339, 00358 a 00361, 00383, 00385 a 00386, 00390 a 00392 e 00394 a 00395, relativas à citada operação, corroboram que se trata de compras da CUSTÓDIO FORZZA guiadas em nome da empresa de fachada C. DÁRIO ME (fls. 326/341). Por exemplo, as notas n° 00338, 00339, 00358, 00386 e 00395 (fls. 328/330, 336 e 341) indicam que o café foi transportado pelo motorista Lindomar Maciel Rigoni, CPF 083.358.58780, no veículo de placa MRO 2256 COLATINA ES. Dados dos sistemas da RFB (Guia e Renavan) mostram, respectivamente, que o motorista Lindomar era funcionário da CUSTÓDIO FORZZA, assim como o veículo mencionado é de propriedade da referida empresa (fls. 342/345). Outro exemplo: as notas n° 00360, 00385 e 00391 (fls. 332, 335 e 338) mostram que o café foi transportado pelo motorista Antônio Luiz Tófoli, CPF 420.513.39791, no veículo de placa MRI 0177 COLATINA ES. Tratase do motorista e do veículo da própria CUSTÓDIO FORZZA (fls. 346/348). Para arrematar, em 25/08/2004, NILSON ALVES vendeu 300 sacas de café cujas notas fiscais de produtor n° 00341 e 00342, diferentemente da operação anterior, foram emitidas diretamente para a CUSTÓDIO FORZZA (fls. 349/350). Detalhe: o café foi transportado para o armazém da CUSTÓDIO FORZZA pelo mesmo Antônio Luiz Tófoli no veículo da empresa de placa MRI 0177. Outros exemplos em que a própria CUSTÓDIO FORZZA retirou o café do produtor: > café adquirido do produtor Antônio Marcos Zamprogno guiado em nome da V. MUNALDI e DO GRÃO (fls. 164/168): 4) Que no bloco de notas fiscais apresentada pelo declarante a fiscalização constatou e mostrou ao declarante que as notas fiscais n° 03 (21/10/2004), n° 04 (27/10/2004) e n° 05 (03/12/2004), as duas primeiras emitidas em nome da V. MUNALDI e esta última em nome da DO GRÃO, foram todas transportadas pelo motorista EDSON ANTÔNIO TOFFOLI, no veículo de placa CLH 5225 COLATINA/ES, sendo que a fiscalização em consulta realizada no RENAVAN constatou e cientificou o declarante que o referido veículo pertence a empresa CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO LTDA; assim como consulta ao sistema da Receita Federal mostrou que o Sr. EDSON ANTÔNIO TOFFOLI era funcionário da empresa CUSTÓDIO FORZZA COMÉRCIO EXPORTAÇÃO LTDA, sendo que naquele ano auferiu rendimento do trabalho assalariado com vinculo empregatício da referida empresa; > café adquirido do produtor Carlos Antônio Managna guiado em nome da ROMA (fls. 175/193): Fl. 2449DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.440 21 3) Que em 2006 o declarante negociou café de sua propriedade e de seu pai com o corretor Arylson Storck; (...); Que o próprio Arylson informou ao declarante que o café estava sendo descarregado no ARMAZÉM do FORZZA em Barbados (Colatina); (...) Que o café guiado em nome da ROMA se deu através das notas fiscais de produtor n° 031 a n° 033, de 09/01/2006 (Sítio Aurora Dois), n° 06, de 10/01/2006 (Fazenda Palminhas) e n° 044 (09/01/2006), n° 046 (10/01/2006) e n° 047 (10/01/2006), todas do Sítio Managna; Que nestas notas fiscais de produtor constam como motoristas que efetuaram o transporte do café as seguintes pessoas: Juarez Buzetti, CPF 479.373.517 72, Nilson Rodrigues Sousa, CPF 488.038.71772 e Luis Carlos Jordão, CPF 811.246.51772, todos funcionários da CUSTODIO FORZZA conforme consulta realizada pelos auditores no sistema CPF; Que os veículos transportadores indicados nas referidas notas fiscais de produtor de placa CLH 5225 ES, MRI 0483 ES, MRO 2256 ES e MRI 0177 ES pertencem a CUSTÓDIO FORZZA conforme pesquisa junto ao RENAVAN; > Café adquirido do produtor Idelsino Lima Viana guiado em nome da C. DÁRIO e transportado pelo funcionário da CUSTÓDIO FORZZA de nome Nilson Rodrigues Sousa no veículo de propriedade também da empresa de placa MRI 0483 (fls. 231/239): Por derradeiro, os documentos apreendidos, em 01/06/2010 ("OPERAÇÃO BROCA"), na CUSTÓDIO FORZZA e encaminhados à DRF/VTA/ES mediante autorização judicial, nos quais retratam operações de venda do produtor FERNANDO PLANTIKOW para a CUSTÓDIO FORZZA por meio de interposição fraudulenta da empresa de fachada R. ARAUJO MERCANTIL CAFECOL que emitiu a nota fiscal. Na tentativa de dar aparência de legalidade, a própria CUSTÓDIO FORZZA emitiu a "CONFIRMAÇÃO DE COMPRA" tendo como suposto vendedor a R. ARAÚJO MERCANTIL CAFECOL. Todavia, no controle interno da empresa, não era a R. ARAÚJO MERCANTIL CAFECOL quem estava vendendo o café, mas, sim, o produtor FERNANDO PLANTIKOW (fls. 1.776/1.878). [omitido – vide esclarecimentos e documentos às fls. 3611 a 3614] (grifos e destaques do original) Mais adiante, a fiscalização apresenta o resultado das operações realizadas em relação a seis empresas que, juntas, movimentaram 1,75 bilhões de reais nos anos de 2003 a 2007, mas quase nada recolheram a título de PIS e de COFINS. São elas: Colúmbia Comércio de Café Ltda., Acádia Comércio e Exportação Ltda., Do Grão Comércio Exportação e Importação Ltda., L & L Comércio e Exportação Ltda., V. Munaldi ME e J. C. Bins Cafeeira Colatina. Todas, à exceção da J. C. Bins localizavamse em pequenas salas comerciais do mesmo prédio, e encontravamse em situação irregular perante o CNPJ (omissas, baixadas, inaptas... v. fls. 3618 e ss.). A fiscalização demonstrou elo de ligação entre essas pessoas jurídicas e as empresas adquirentes de café, notadamente, pelo liame existente entre os titulares e sócios dessas empresas e os sócios ou empregados de algumas das empresas adquirentes (comerciais exportadoras). Cita, por exemplo que Antônio Gava, fundador da Colúmbia, é sobrinho do sócio fundador da Custódio Forzza, tendo trabalhado nesta por mais de 20 anos, e que a Colúmbia foi a maior fornecedora da recorrente no período de 2005 a 2009, com um volume de Fl. 2450DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 22 mais de R$ 117 milhões. O relatório fiscal apresenta outras provas colhidas no procedimento fiscal que corroboram o modus operandi com utilização de empresas de fachada. Referido modus operandi tornase mais claro diante do depoimento de Antônio Gava, que, como dito, foi fundador da Colúmbia e é sobrinho do sócio fundador da Custódio Forzza. Em seu depoimento, transcrito às fls. 3629/3630 dos autos (Termo de Encerramento da Ação Fiscal) o mesmo declara: 4) Que a COLÚMBIA funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador do café: (grifo nosso) 5) O real comprador do café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; 6) Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da COLUMBIA e esta efetua o pagamento aos produtores rurais. (grifos e destaques do original) Essa logística é corroborada pelos outros depoimentos reproduzidos no relatório fiscal, com destaque para os depoimentos de Altair Bráz Alves, da V. Munaldi – ME, reproduzido às fls. 3630/3635 (lembrando que nos referimos às fls. do processo nº 15586.000089/201117). Questionadas pela fiscalização, as empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L & L corroboraram que atuam apenas na venda de notas fiscais, não sendo, e nem tendo estrutura financeira e material para atuarem como empresas comerciais atacadistas de café (“relataram que não possuem imóveis, veículos, tampouco funcionários [...]”; que os recursos creditados em suas contascorrentes “pertencem a terceiros compradores de café”; que “NÃO são e NUNCA foram empresas COMERCIALIZADORAS ou ATACADISTAS de café”; que em função da compra do café dos produtores rurais / maquinistas – que “guiava” o produto com nota de produtor para a fiscalizada – , emitiam uma nota fiscal própria de venda para a empresa (real) compradora, retendo em seu favor apenas uma quantia, em regra, de R$ 0,15 a R$ 0,30 por saca de café; que, em alguns casos, apenas intermediava o negócio, sendo outra a empresa que recebia a nota fiscal do produtor e emitia a nota fiscal de viagem/venda; que “em certas ocasiões o comprador (indústria, exportador ou corretora), “depois de fazer negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a (...) [COLÚMBIA, ACÁDIA, DO GRÃO e L & L] que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir a nota fiscal de venda / Viagem” – v. fls. 3635/3637). O relatório fiscal é extenso e contempla muitos outros depoimentos e provas que fundamentam suas conclusões e ratificam o que foi acima colacionado. A DRJ Rio de Janeiro II, ao julgar a impugnação objeto do processo nº 15586.000089/000108, que teve como relator o i. AFRFB Ronaldo Souza Dias, ressalta ainda outras evidências importantes trazidas no citado relatório de ação fiscal. Reproduzo, abaixo, trechos que entendo são mais relevantes, e cujos fundamentos também adoto para a resolução da presente lide (acórdão acostado às fls. 4539/4574): Algumas empresas Exportadoras/Indústrias comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto. Fl. 2451DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.441 23 Por exemplo, no depoimento do corretor de café Arylson Storck de Oliveira, às fls. 399/401, textualmente se declara: “(...)ligava para as exportadoras com o objetivo de vender café de produtor rural e era informado de que não havia a menor possibilidade de que as exportadoras adquirissem café de pessoa física, que as exportadoras respondiam ao declarante que somente estavam aceitando café de pessoa jurídica” (item 2) “a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e Indústrias são exfuncionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo” (item 3) “O corretor ratificou a existência de um ‘mercado de notas fiscais’: “pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o ‘mercado de nota fiscal’ chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café” (item 4).(gn) O depoimento (particularmente o afirmado no item 2) contrapõese à alegação de que havia um domínio do mercado pelas atacadistas (identificadas como empresas para guiar o café) atacadistas que “eram imbatíveis concorrentes das exportadoras, pois utilizavam de práticas ilícitas e anticoncorrenciais”, pois as próprias exportadoras somente estavam aceitando café de pessoa jurídica, isto é, recusavam o café da pessoa física. Na verdade continuavam a comprar dos produtores rurais, apenas utilizavam pessoas jurídicas para “guiar o café”, expressão, que neste caso, não passa de eufemismo para a prática simulatória/dissimulatória. Noutro depoimento (fls. 3774 e ss), do corretor Luciano Arpini Gobbi, o depoente afirma que houve uma fase em que o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois estas empresas, exportadoras e indústrias, passaram exigir que o café fosse descarregado nelas com nota fiscal de pessoa jurídica. No depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier (fls. 445/448, item 12), identificase os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal: Que o declarante afirmou que o mercado de café se “prostituiu” porque alguns corretores começaram a negociar café dispensando a cobrança da comissão de corretagem, e devido ao aparecimento de empresas laranjas que entraram no mercado de café vendendo nota fiscal para ganhar um percentual sobre as vendas de café; (gn) Em mais um depoimento, de um outro corretor – Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explícito é descrita a fraude (fls. 501/503): Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém; (...) Fl. 2452DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 24 Registrese que o declarante Valério Antônio Dallapícula atuou como corretor da Custódio Forzza (fl. 501). Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para os pontos acima destacados. As declarações dos produtores rurais esclarecem pontos adicionais e confirmam outros já sublinhados por corretores. É o caso do depoimento do produtor rural/maquinista Sr. Fernando Plantikow Neto (fls. 217/218): (...) 5) Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, Sr. Carlos Henrique e Sr. Irineu (Custódio Forzza), (...) e (...) indicaram que o declarante procurasse as ‘empresas’ Do Grão, Colúmbia, Acádia, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor rural pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a Custódio Forzza, (...) e (...); (...) 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; (...)(gn) Notase aí na citação expressa à Custódio Forzza pelo produtor rural/maquinista o papel ativo da autuada na operação, fato que refuta a hipótese de fraude sem sua participação. Exceto se é admitida a teoria conspiratória, onde “atacadistas”, corretores do ramo e produtores rurais de café conspiram com o único propósito de prejudicar a contribuinte, ora impugnante. Mas diante da convergência irresistível dos depoimentos de personagens, que atuam com funções distintas na cadeia produtiva, a teoria conspiratória revelase mera fantasia. O exame de mais um depoimento, de outro produtor rural, firma mais ainda esta convicção: (...) Que nos anos de 2003 e 2004 o declarante negociou café com o Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Custódio Forzza, proprietário da Custódio Forzza, sendo que as notas fiscais eram guiadas em nome da Miranda Comércio Exportação e Importação de Café, com descarga nos Armazéns Gerais Forzza Ltda, situados em Colatina e Linhares; que o café era retirado pela própria empresa Custódio Forzza na propriedade do declarante, que as notas fiscais eram preenchidas pelo contador do declarante, e que o declarante não conhece e nunca manteve contato com a Miranda, seus sócio ou representantes legais, sendo que apenas as notas fiscais foram emitidas em nome da Miranda por determinação da própria empresa Custódio Forzza; (...) (gn) (depoimento do produtor rural Nilson Alves, fl. 325/326) A fiscalização intimou vários outros produtores rurais para esclarecer pontos dos negócios respectivos, dos resultados obtidos concluiuse, em resumo, que (1) os produtores rurais desconhecem as pessoas jurídicas que constam como destinatárias das suas próprias notas fiscais. Ou seja, eles negociavam o café com a adquirente Custódio Forzza e outros compradores, mas nas notas eram substituídos pela Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, Miranda Com. Exp. e Imp. de Café e outras pseudo empresas; (2) as notas eram ou preenchidas pelos reais compradores (Exportadoras e Indústrias), ou preenchidas pelo produtor com dados que lhes eram fornecidos pela Custódio Forzza; (3) o café era retirado da propriedade Fl. 2453DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.442 25 rural pela Custódio Forzza, e nos seus armazéns descarregado, (4) Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Custódio Forzza, participa ativamente no setor de compra da Custódio Forzza. Repitase: as ‘pseudoempresas’ que constam nas notas fiscais de venda dos produtores rurais não participam da negociação, são desconhecidas dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota Fiscal por exigência do real comprador. Quando a Autoridade Fiscal requisita às Empresas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia informar se era do “pleno conhecimento” dos comerciantes, exportadores e indústrias, ou seja, dos compradores de que apenas forneciam a nota fiscal, para respaldar operação, que na verdade se dava entre comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está fartamente provado: “Sim. Os grandes atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e Cofins. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de várias empresas (...)”. (v. por exemplo fl. 28, item 2). Acrescenta, em outro momento, que “regra geral, é o comprador (torrador, exportador ou atacadista) diretamente por si ou por meio do Corretor que o assessorou no negócio, que determina qual empresa vai faturar, ou melhor, emitir a nota Fiscal para guiar o produto da lavoura para os depósitos dos compradores”. (v. por exemplo fl. 28, item 3, fine) Em outro momento ainda, relatam as empresas citadas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia, que após fiscalização da Receita, as Torradoras passaram a exigir que os antigos maquinistas, “que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café”. E assim, explicam, surgiram outras atacadistas, “que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas”. Estas novas empresas “passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as compras feitas diretamente dos produtores, já que os Maquinistas, só compram café dos produtores rurais de suas comunidades locais” (fls. 29/30, itens 6 e 7). Claro está que as empresas fornecedoras da empresa, ora autuada, tais como Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não operam no mercado de compravenda de café, mas atuam em outro ‘mercado’, a saber, ‘mercado de compravenda de nota fiscal’. Esta conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos, é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Veja, por exemplo, o depoimento (fls. 2113/2114) de Thiago de Resende Gava, assistido por Advogado, sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da SILVA (para quem trabalhou) “nunca comprou nem vendeu um grão de café...”, esclarecendo ainda a finalidade de toda a engrenagem montada: “que o objetivo das operações realizadas desta forma é proporcionar um ganho maior para as empresas exportadoras e/ou torrefadoras de café, pois se fosse emitida nota fiscal do produtor rural diretamente para as empresas exportadoras, estas não teriam direito ao crédito de tributos de 9,25% sobre o valor da compra de café. Que além disso as empresas exportadoras/torrefadoras teriam que recolher o valor referente ao FUNRURAL sobre a nota fiscal do produtor rural (..)” Fl. 2454DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 26 Empresas como Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V. Munaldi, e outras funcionam como ‘laranjas’, termo, aliás, empregado no meio, como se registra no depoimento dos corretores. Por exemplo, em seu depoimento Devanir Fernandes dos Santos “afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas” (fl. 411, item 5). Quanto ao preço da nota fiscal vendida, até final de 2003 era de 1%, o valor de Hum Real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme explicaram Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia “quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo” para R$ 0,50 ou R$ 0,30 (v. fl. 29, item 5). Observar também o que declara a Colúmbia à fl. 32, item b: “para a nossa empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade de sacas, já que a nossa remuneração (é) pelo número de sacas”. Entre as provas documentais as próprias notas fiscais da triangulação comercial (produtor rural/pessoa física ® atacadista (ex. Colúmbia) ® exportadora (ex. Custódio Forzza) indicam a simulação. Vejase, a título de exemplo, a nota fiscal nº 00338 (fl. 331) do produtor rural Nilson Alves, que representaria a venda do produtor para a atacadista C. Dario ME, mas cujo transporte é realizado por Lindomar Maciel Rigoni, funcionário da Custódio Forza, no veículo de placa MRO 2256 (vide nota fiscal) da Custódio Forzza, dados que se confirmam em consulta à Sistema da RFB e do RENAVAM (fl. 348). Outro exemplo: agora a nota fiscal nº 010314 representa a venda da atacadista R. Araújo – Cafecol para a Custódio Forzza (fl. 1802) de 264 sacas de café. Observase a inscrição desnecessária, do ponto de vista legal, no corpo da NF “Venda submetida à incidência do PIS/Cofins”. Na entrada do armazém da empresa a mercadoria novamente pesada resultou em 262,80 sacas, conforme romaneio de entrada nº 5414/09 (fl. 1803). No documento “confirmação de compra” (fl. 1804) referente a esta operação, cujo pedido tem o número 047/2010, há uma observação codificada “Col0220/10”. No controle interno da Custódio Forzza o código reaparece, junto com o número da nota fiscal, e confirmação de pedido, em anotação perfeitamente coerente, mas para atribuir ao produtor rural Fernando Plantikow o crédito de 262,80 de sacas. Justamente o que fora ‘negociado’ com R. Araújo – Cafecol. O controle interno revela claramente a negociação direta da Custódio Forzza com os produtores, pois neste caderno anotase um volume global de mercadoria previamente acordado, e que conforme a entrega vai se efetivando, vai se abatendo para obter um saldo ainda a entregar. Tratase de verdadeira contabilidade paralela. De documentos recebidos da Polícia Federal (fl. 506), a planilha de saídas da Colúmbia (v. fl. 3676/3677) para a Custódio Forzza deixa claro a distinção entre o vendedor ficto (a própria Colúmbia) e o vendedor real, pessoa física/produtor rural. A origem da mercadoria é o produtor rural, no caso tratase de Ailton Noia, e o destino é a Custódio Forzza. Ailton Noia, no entanto, declarou que sua produção é negociada diretamente com Custódio Forzza, mas as notas fiscais são preenchidas por Thiago Gava (fls. 3674/3675). A Fiscalização comprovou que a própria Custódio Forzza depositava os recursos que a Colúmbia necessitava para o pagamento exato aos produtores rurais (fls. 3674/3675). Comparar as planilhas de fls. 3676/3677 com a planilha de fls. 3677/3678: É curioso notar que a “venda” do café para a Colúmbia, e a “revenda” desta para a Custódio Forzza eram efetuadas pelo mesmo preço, situação comercialmente muito heterodoxa. Fl. 2455DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.443 27 Na Confirmação de Pedido nº 1902/2008 (Custódio Forzza à WR da Silva Ltda ME) (fl. 3688) observase o nome manuscrito “mazolini” sobrenome do produtor rural: Luis Mazolini. Tal anotação é pratica entre os corretores, conforme afirmam em seus depoimentos. Vide, por exemplo, declaração muito elucidativa neste sentido às fls. 3684/3686. Documentos apreendidos na própria Custódio Forzza, durante a Operação Broca, confirmam estes depoimentos (vide documentos às fls. 3689 a 3694). Do Ministério Público do Espírito Santo – Grupo GETPOT – a fiscalização recebeu e analisou um relatório financeiro correspondendo a uma espécie de livro caixa (“caixa 2”), documento apreendido na Operação Acádia deflagrada “com o objetivo de coibir sonegação fiscal de ICMS” (fl. 505), que detalha ganhos de Fernando Mattede e Flávio Tardin, sócios das ‘pseudoempresas’ Do Grão e L&L, já citadas neste voto. O documento reproduzido (fls. 3706 e ss) mostra que a receita é claramente proveniente de venda de notas, observese na fl. 3706 nos nomes de pessoas responsáveis pelo crédito, que aparece o de Alair com o valor ao lado de R$3.320,00. O total de ganho no fechamento geral relativo à Empresa Do Grão corresponde à diferença desses créditos (provenientes de pessoas físicas) contra as despesas (nada a ver com compra de café) (vide fl. 3706). O batimento da ‘contabilidade’ à fl. 3706 com a planilha da Empresa Do Grão, exibindo o controle do seu crédito contra Alair, demonstra a exatidão do valor de R$3.320,00 (fl. 3707). Mais ainda, demonstra a razão do débito: para cada saca de café ‘vendida’ para a Custódio Forzza, Alair tornase devedor de Hum real, o que aparece como crédito da Do Grão. Alair, na verdade, é o primeiro nome de Alair Bergameschi, Produtor/Maquinista. Outro fato revelado pelo “Colúmbia Saídas” constante de arquivo da Colúmbia apreendido pela Polícia Federal diz respeito a manobra para eliminar “estoque a descoberto”. Neste caso, a Colúmbia emite simplesmente a nota fiscal, não havendo qualquer movimentação de mercadorias. Observase à fl. 3712, em trecho desta planilha de controle interno, que o destino e o vendedor são os mesmos: “Forzza”. Em seu depoimento à Polícia Federal, Thiago Gava confirmou a existência da manobra (fl. 3711). Documento ainda mais conclusivo – se isso é possível quanto ao efetivo uso do esquema pela Custódio Forzza é o que transcreve conversas efetuadas mediante MSN. Os diálogos são travados entre funcionários do setor financeiro da Custódio Forzza e o corretor Edson Pancieri Filho, que confirmou a conversa. Ali são tratados pagamento da Custódio Forzza a produtor rural. Ocorre que o pagamento ali registrado (R$ 26.758,00) é depositado na conta Colúmbia (vide cópia do extrato onde aparece o TED à fl. 1246) no valor de R$ 26.746,00; onde a diferença devese a despesa de TED, segundo Edson Pancieri Filho. A fiscalização logrou êxito em demonstrar que havia notas fiscais representando “venda” da Colúmbia para a Custódio Forzza, notando mais uma vez que os valores não só correspondiam entre si, como coincidiam com o que estava na nota fiscal do produtor rural (fls. 3722/3726). Há outros diálogos nos autos e reproduzidos no Termo de Encerramento Fiscal. Não há como entender, como requer a impugnante, que a Custódio Forzza comprava das ‘atacadistas’, porque estas dominavam o mercado. Pois, neste caso, não necessitaria haver qualquer tratativa da Custódio Forzza com produtor rural sobre preço e pagamento, como os diálogos comprovam. Além disso, tudo que a Custódio Forzza Fl. 2456DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 28 comprava do, e pagava ao, produtor rural passava, não por Armazéns da Colúmbia, mas por sua ‘contabilidade’, apenas para encenar a pantomima. O papel fictício das “atacadistas” na negociação direta entre produtor rural e a Custódio Forzza evidenciase em muitos documentos nos autos. Mas, apenas os diálogos transcritos bastariam para refutar a tese de conspiração, ainda mais que se compatibilizam perfeitamente com todo o resto do conjunto probatório, inclusive notas fiscais, pagamentos via transferências eletrônicas, e depoimentos de corretores e produtores rurais. Ressaltese que a mecânica desvendada pela Fiscalização extrapola os limites do estado do Espírito Santo e atinge outros membros da Federação, particularmente, atinge Bahia e Minas, onde as autoridades fiscais também diligenciaram e colheram provas que apontam para a mesma conclusão: as empresas “atacadistas” são chamadas no último ato para representar a cena final, sem qualquer participação efetiva do ponto de vista comercial (capítulo 6, do Termo de Encerramento Fiscal, itens 6.21 e 6.22). No que concerne as chamadas compra e venda para entrega futura, também não se vê mudança de enredo ou troca de personagens, o mesmo intuito, o mesmo método. Toda a negociação se dá entre produtor rural e Custódio Forzza (vide item 5.4 do Termo de Encerramento Fiscal e documentos correspondentes, entre os quais, o de fls. 3814/3816, 3817, 3826; e, ainda, o relatório à fl. 3829), sem qualquer relevância comercial a função da “atacadista”. Finalmente, a impugnante menciona que não há liame algum entre a recorrente e algumas empresas atacadistas, seus fornecedores, assim, os créditos derivados das aquisições destas empresas não poderiam ser glosados, requerendo, então que seja afastada toda a imposição tributária relacionada ás aquisições de empresas que a Receita Federal não trouxe prova alguma. No entanto, a alegação não procede porquanto a caracterização daqueles fornecedores como empresa atacadista sem capacidade operacional, com existência fantasmagórica do ponto vista fiscal, mas com movimento apreciável de recursos restou incontroverso. Além disso, encontramse bem definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal (v os exemplos da WR Da Silva, R Araújo Cafecol, Nova Brasília e C Dario ME, v. fls. 3874 e ss), não com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível – contrariando o que afirma seus próprios sócios e administradores – que teria vendido café somente para a Custódio Forzza. (destaques do original) Como se vê, as provas colacionadas aos autos corroboram as conclusões a que chegou a fiscalização no sentido de que o sujeito passivo, deliberadamente, “se valia de pessoas jurídicas fictícias para em nome delas dar entrada no café adquirido de produtor e, assim se beneficiar de créditos da nãocumulatividade de origem ilícita” (fls. 3614). O relatório fiscal é farto em documentos, depoimentos e outras provas que alicerçam as conclusões oficiais, no sentido de uma ação propositada da empresa voltada a se creditar ilicitamente do PIS e da COFINS, conclusões as quais não conseguem ser abaladas pelos argumentos apresentados pela reclamante. Essa comprovada ação deliberada afasta todas as alegações da suplicante baseados na aduzida boafé. Isso se aplica às empresas com respeito às quais a interessada alega que a Receita Federal não apresentou prova (W. R. da Silva, R. Araújo, Nova Brasília Comério de Café, etc.). Os argumentos inerentes a essas empresas constam do item 6 do relatório fiscal “OUTRAS EMPRESAS DE FACHADA QUE FIGURAM COMO FORNECEDORAS DA CUSTÓDIO FORZZA” (fls. 3873 e ss. do processo nº 15586.000089/201117). Fl. 2457DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.444 29 Não obstante o arcabouço probatório inerente a essas outras empresas ser inferior ao levantado para as empresas Do Grão, Acádia, L & L, Colúmbia, V. Munaldi e J. C. Bins, tratados em outros tópicos do relatório de fiscalização, há sim, nos autos, provas que legitimam as glosas oficiais, principalmente quando estas são analisadas frente às evidências encontradas que descortinaram o esquema fraudulento, ainda que, em relação a tais provas possa se dar natureza de presunções. Sobre a importância das presunções no combate aos ilícitos tributários, a relevante lição de Maria Rita Ferragut2: [...] não há como ignorar que, se a segurança jurídica não admitisse as presunções, acabaria dificultando a proteção do direito daqueles que os detêm, mas que são prejudicados pela fraude, dolo, simulação. Dentre esses encontrase, sem dúvida alguma, o Fisco. Assim, o motivo para a criação das presunções foi sanar a dificuldade de se provar certos fatos mediante prova direta, fatos esses que deveriam ser necessariamente conhecidos, a fim de possibilitar a preservação da estabilidade social mediante uma maior eficácia do direito. As presunções suprem deficiências probatórias, disciplinam o procedimento de construção de fatos jurídicos, “alargam o campo cognoscitivo do homem”3, e aumentam a possibilidade de maior realização da ordem jurídica, ao permitir que alguns fatos sejam conhecidos por meio da relação jurídica de implicação existente entre indícios e o fato indiciado. No Direito Tributário, assumem significativa importância, tendo em vista que os fatos juridicamente relevantes são muitas vezes ocultados por meio de fraudes à lei fiscal, ficando o processo de positivação do direito obstado de ocorrer. A presunção em questão, frisese, tem natureza essencialmente procedimental, destinada a auxiliar o aplicador do direito no enquadramento da situação fática à norma. Portanto, não cria, altera ou revoga direitos, conclusão que se extrai diante da lição de Maria Rita Ferragut, in verbis: A previsibilidade quanto aos efeitos jurídicos da conduta praticada não se encontra comprometida quando a presunção for corretamente utilizada para a criação de obrigações tributárias. O enunciado presuntivo não altera o antecedente da regramatriz de incidência tributária, nem equipara, por analogia ou interpretação extensiva, fato que não é como se fosse, nem substitui a necessidade de provas. Apenas, tãosomente, prova o acontecimento factual relevante não de forma direta – já que isso, no caso concreto, é impossível ou muito difícil – mas indiretamente, baseandose em indícios graves, precisos e concordantes, que levem à conclusão de que o fato efetivamente ocorreu4. [...] [...] Ora, diante de tudo o que já foi exposto até aqui, temos que as presunções constituemse em meio de prova que contribui para a eficácia jurídica da norma. E, se é assim, não se trata de alegar que a obrigação decorre de fato não previsto na regramatriz, mas de se reconhecer que o 2 FERRAGUT, Maria Rita. Presunções no Direito Tributário. São Paulo: Quartier Latin, 2005, p. 146147. 3 Cf. Jimir Doniak Jr. 4 Op. cit., p. 168. Fl. 2458DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 30 conhecimento do evento descrito no fato jurídico típico dáse de forma indireta, com base em fatos indiciários graves, precisos e concordantes no sentido da ocorrência pretérita do evento diretamente desconhecido5. (grifos nossos) No caso, temse um arcabouço de muitas provas e indícios que alicerçam as conclusões oficiais. E ainda que, se decorrente de um exame extremamente restrito, tais provas viessem a ser alçadas apenas à condição de indícios, os mesmos são harmoniosos e concordantes com as conclusões dos auditores fiscais responsáveis pela ação fiscal, a ponto de se transmudarem em prova, conforme forte jurisprudência incontáveis vezes retratada da lavra do saudoso Aliomar Baleeiro, no seguinte sentido: “SIMULAÇÃO. INDÍCIOS VÁRIOS E CONCORDANTES SÃO PROVA” (RE nº 68006/MG. Publicado no Diário da Justiça de 14/11/1969). Não há, nos autos, nada que aponte para ilegalidade de prova. Os documentos foram todos obtidos de forma lícita, alguns dos quais provenientes de apreensões realizadas em função de operações conjuntas realizadas pela Receita Federal, Ministério Público Federal e Polícia Federal, com a correspondente autorização judicial. Nos depoimentos não há sinal de existência de vícios de consentimento (coação, prova de interesse em prejudicar a recorrente, ou prova de inimizade entre este e o depoente). No mais, alguns dos documentos foram fornecidos pela própria empresa. Corroborando o que foi afirmado acima, o seguinte trecho do relatório fiscal (fls. 3597/3598): 1.3 PROVAS DOCUMENTAÇÃO REUNIDA Entre os documentos que fundamentaram o presente trabalho estão aqueles carreados ao longo da investigação "TEMPO DE COLHEITA" – como declarações prestadas a termo por produtores rurais/maquinistas, corretores, sócios e pessoas ligadas às empresas de fachada e sobretudo documentos apresentados pela COLUMBIA, ACÁDIA, DO GRAO, L & L. A DRF/VTA/ES recebeu, por meio do Ofício OF/GETPOT/Nº 91/2008, de 1°/04/2008, do MPES CD's contendo documentos digitalizados decorrentes da busca e apreensão na sede da ACÁDIA, deflagrada pelo Grupo Especial de Trabalho de Proteção à Ordem Tributária (GETPOT) (fl. 505). Além disso, por meio do Ofício n° 50/2009/SRRF07/Sefis, a DRF/VTA/ES requereu cópia dos documentos selecionados na sede da Policia Federal. Em atendimento ao solicitado, o referido órgão encaminhou, mediante Ofício n° 4568/2009 SR/DPF/ES, cópias dos documentos contábeis e fiscais (em meio físico e magnético) relativos às empresas de fachada ACÁDIA, L & L, DO GRÃO, COLÚMBIA, W.R. DA SILVA e R. ARAÚJO – CAFECOL MERCANTIL (fls. 506 e 1.224/1.226). A ressaltar ainda que no citado ofício da Superintendência Regional da Polícia Federal no Espírito Santo está consignado que a disponibilização de tais documentos para subsidiar procedimentos fiscais em curso na DRFA/TA/ES foi devidamente autorizada pelas pessoas físicas que fizeram a entrega deles para a Polícia Federal. Entre os documentos recebidos da Polícia Federal, encontrase um aquivo magnético em formato Excel denominado "COLÚMBIA SAÍDAS". Na 5 Op. cit., p. 170. Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.445 31 verdade, trata se de um controle das notas fiscais de saída emitidas pela COLÚMBIA. Além de relacionar o número, data e valor da nota fiscal, identifica o verdadeiro vendedor – distinguindo o fícto (COLÚMBIA) do real vendedor (produtor/maquinista), o comprador e a quantidade adquirida, assim como o corretor envolvido na operação. A Procuradoria da República no Município de ColatinaES, mediante Ofício n° 466/2010 PRM/COL/PAG (fls. 507/508), encaminhou à Receita Federal do Brasil em VitóriaES, cópia dos documentos apreendidos pela autoridade policial por ocasião do cumprimento do MANDADO DE BUSCA E APREENSÃO determinado pela MM Juíza de Direito da Seção Judiciária de Colatina ES, referente ao IPL n° 00541/2008 – SR/DPF/ES – OPERAÇÃO BROCA, "cujo teor tem nítido interesse fiscal, conforme autorizado judicialmente". A Procuradoria da República encaminhou ainda à DRF/VTA/ES cópia da Denúncia oferecida à Justiça Federal, conforme autorização exarada pela Juíza Federal da 1a Vara Federal de Colatina. A recorrente também aponta como ilícitos os depoimentos do Sr. Edson Antonio Pancieri, uma vez que este, sustenta a suplicante, não teria o direito de proceder à quebra do sigilo de dados da empresa. Assim, deveriam ser extirpadas dos autos as fls. 817 a 868 e fls. 416/419. Os documentos em tela dizem respeito, respectivamente, a “mensagens de MSN acerca de negociações de café intermediadas pela CLONAL”, fornecidas em atendimento a intimação remetida pela Receita Federal a Edson Antônio Pancieri Filho, e a termo de declarações do mesmo a respeito das atividades de corretor de café como sócio da Clonal Corretora, onde referido corretor relata o modus operandi das transações realizadas entre os produtores rurais e os exportadores (ver. especialmente, fls. 417 de processo eletrônico – processo 15586.000089/201117). Não obstante os argumentos apresentados pelo sujeito passivo, a fiscalização federal, no exercício de sua atividade, tem amplos poderes investigativos conferidos por lei com fulcro no exame do fiel cumprimento das obrigações tributárias. Citese, por exemplo, o disposto nos artigos 195 e 197 do CTN, abaixo transcritos: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não tem aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. [...] Art. 197. Mediante intimação escrita, são obrigados a prestar à autoridade administrativa todas as informações de que disponham com relação aos bens, negócios ou atividades de terceiros: I os tabeliães, escrivães e demais serventuários de ofício; Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 32 II os bancos, casas bancárias, Caixas Econômicas e demais instituições financeiras; III as empresas de administração de bens; IV os corretores, leiloeiros e despachantes oficiais; V os inventariantes; VI os síndicos, comissários e liquidatários; VII quaisquer outras entidades ou pessoas que a lei designe, em razão de seu cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. Parágrafo único. A obrigação prevista neste artigo não abrange a prestação de informações quanto a fatos sobre os quais o informante esteja legalmente obrigado a observar segredo em razão de cargo, ofício, função, ministério, atividade ou profissão. (grifouse) Ainda, confirase o disposto no artigo 93 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964. Art . 93. A fiscalização externa compete aos agentes fiscais do imposto de consumo e nos casos previstos em lei, aos fiscais auxiliares de impostos internos. Parágrafo único. O disposto neste artigo não exclui a admissibilidade de denúncia apresentada por particulares nem a apreensão, por qualquer pessoa, de produtos de procedência estrangeira encontrados fora dos estabelecimentos comerciais e industriais, desacompanhados da documentação fiscal comprobatória de sua entrada legal no país ou de seu trânsito regular no território nacional. (grifouse) Não bastasse o alicerce legal acima colacionado, citese ainda o artigo 34 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996 (contido no Capítulo IV da referida norma, inerente aos procedimentos de fiscalização), segundo o qual “são também passíveis de exame os documentos do sujeito passivo, mantidos em arquivos magnéticos ou assemelhados, encontrados no local da verificação, que tenham relação direta ou indireta com a atividade por ele exercida”. Logo, não há que se falar em ilicitude da prova juntada aos autos. Passo, agora, ao exame das glosas das despesas com combustíveis, armazenagem, frete e comissões pagas a pessoas jurídicas. Como se sabe, a legislação pertinente ao regime de incidência não cumulativa das contribuições para o PIS/Pasep e para a COFINS (instituído, respectivamente pelas Leis nos 10.637/2002 e 10.833/2002) autoriza o desconto de créditos apurados com base em custos, despesas e encargos da pessoa jurídica, nos termos do artigo 3o das retrocitadas Leis. O inciso II do artigo 3o das normas em tela prevê o cálculo de créditos a serem descontados ou ressarcidos em relação a bens e serviços utilizados como insumos na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes. Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A Processo nº 15586.000026/201152 Acórdão n.º 3802002.120 S3TE02 Fl. 2.446 33 Eis, aqui, uma das questões mais controvertidas em relação à não cumulatividade do PIS/Pasep e da COFINS: definir o que são insumos para fins de creditamento das citadas contribuições. Examinemos, pois, a questão, com foco nas rubricas glosadas pela fiscalização. Segundo o relatório fiscal, “as despesas com energia e armazenagem de mercadorias e frete sobre operações de venda não foram glosadas nesta auditoria; sendo os créditos gerados por tais operações contabilizados pela CUSTÓDIO FORZZA e aproveitados pela fiscalização na recomposição do saldo dos créditos a descontar do PIS/COFINS não cumulativos” (fls. 4026 – item 8.1 do relatório fiscal) (grifo do original). Assim, uma vez que, com respeito às citadas rubricas, não houve nenhuma glosa, não há razão para se manifestar sobre a questão. Ainda sobre despesas de frete, segundo o relatório fiscal (fls. 4028), em janeiro de 2005 o sujeito passivo equivocouse ao informar, indevidamente, como despesas de armazenagem e frete, despesas inerentes a corretagem e combustíveis, que assim foram tratadas. Logo, confirmando o afirmado no trecho do relatório fiscal acima transcrito, não há necessidade de se pronunciar sobre despesas com frete (bem como de energia e armazenagem de mercadorias), pois a ação fiscal não aborda glosa correspondente a referidas rubricas. Com relação às despesas com combustíveis, o item 8.2 do relatório fiscal (fls. 4026/4027) refere que a recorrente apropriouse de créditos da nãocumulatividade do PIS e da COFINS decorrente de despesas com combustíveis consumidos por veículos de sua propriedade utilizados no transporte de café. Os correspondentes valores, contudo, foram glosados, uma vez que as autoridades fiscais não os considerou como insumos. As glosas ocorreram em relação a todo o ano de 2005 e aos meses de janeiro a julho de 2006 (ver demonstrativo de fls. 4027). Assim, o assunto em tela não interessa para o presente processo, dado que o mesmo se refere ao período de 01/04/2008 a 30/06/2008. Houve também glosas em relação a todos os meses dos anos de 2005 a 2009 concernente à parte do crédito calculada sobre comissões de corretagem e de assessoria pagas a pessoas jurídicas, informadas na linha 3 do DACON como serviços utilizados como insumos (ver fls. 4027 – relatório fiscal). Segundo o relatório da fiscalização, “os valores constam da planilha apresentada pela empresa sob o título de ‘OUTROS CRÉDITOS ADQUIRIDOS DE PESSOA JURÍDICA – APROPRIAÇÃO INTEGRAL DOS CRÉDITOS’ (fls. 3.392/3.521)”. O motivo da glosa foi a falta de previsão legal. Relativamente às comissões de corretagem, adoto o precedente desta Turma, nos autos do processo nº 16366.000228/200937 (acórdão nº 3802001.418, de 25/10/2012), da relatoria do i. conselheiro José Fernandes do Nascimento, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2008 a 31/03/2008 REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM SERVIÇOS DE CORRETAGEM NECESSÁRIOS À COMPRA DE MATÉRIAPRIMA. INSUMO APLICADO NA PRODUÇÃO DE BENS DESTINADOS À VENDA. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep, por serem considerados insumos, os gastos com serviços de corretagem de compra de matériaprima, utilizada na fabricação de produtos destinados à Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A 34 venda, integram a base de cálculo do crédito da referida Contribuição, nos termos do art. 3º, § 1º, I da Lei nº 10.637, de 2002. [...] Logo, deverá ser reconhecido o direito creditório calculado sobre os gastos com serviços de corretagem. Todavia, no que diz respeito aos pagamentos relativos a serviços de assessoria pagas a pessoas jurídicas, não há como admitir o desconto de créditos do PIS e da COFINS, por falta de previsão legal. Por fim, diante de tudo o que foi acima tratado, caracterizado está que o crédito tributário pleiteado carece, em sua mais significativa parte, dos requisitos mínimos necessários à homologação da compensação tributária. Não custa lembrar que a compensação, como uma das formas de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Portanto, a certeza e a liquidez do direito creditório alegado deverá ser cabalmente demonstrada pela interessada na extinção do crédito tributário mediante compensação. A caracterização, pela fiscalização, do esquema de creditamento fraudulento acima referenciado descarta o reconhecimento de direito creditório reclamado pelo sujeito passivo, à exceção apenas da pequena parcela reconhecida do crédito sobre aos gastos com serviços de corretagem, como demonstrado. Da conclusão Por todo o exposto, voto para rejeitar as preliminares e prejudiciais aduzidas pelo sujeito passivo, indeferir os pedidos de diligência e de perícia formalizados e, no mérito, para dar parcial provimento ao recurso voluntário, reconhecendo o direito creditório unicamente em relação aos gastos com serviços de corretagem. Sala de Sessões, em 22 de outubro de 2013. (assinado digitalmente) Francisco José Barroso Rios Relator Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 18/11/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 06/ 11/2013 por FRANCISCO JOSE BARROSO RIOS, Assinado digitalmente em 14/11/2013 por REGIS XAVIER HOLAND A
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Numero do processo: 11080.720481/2010-27
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 27 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Jan 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007
DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3801-002.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes- Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes.
Nome do relator: PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DECRETO Nº 4.524/02. Não é possível por Decreto ser criada exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte, eis que não possui ele o poder de limitar, condicionar, ampliar ou reduzir o alcance de lei ordinária. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, EM DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e dos votos que integram o presente julgado. Vencido o Conselheiro Flávio de Castro Pontes que negava provimento ao recurso. Os Conselheiros Paulo Sérgio Celani e Marcos Antônio Borges votaram pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 1 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 04 81 /2 01 0- 27 Fl. 229DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antônio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes. 2 Fl. 230DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra o acórdão n° 1043.195, julgado na sessão de 04 de abril de 2013, pela 2ª. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre (DRJ/POÁ), referente ao processo administrativo n° 11080.720481/201027, em que foi julgada improcedente a manifestação de inconformidade apresenta pela contribuinte, e, portanto, não sendo reconhecido o direito creditório pleiteado pela contribuinte. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Delegacia Regional de Julgamento de origem, que assim relatou os fatos: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório que não reconheceu direito creditório pleiteado e não homologou as compensações declaradas. De acordo com a Informação Fiscal, a interessada vende parte de sua produção de carvão mineral as empresas CGTEE e Tractebel Energia, sendo que ambas atuam na como geradoras de energia através de usinas termoelétricas. Assim, entende o contribuinte que estaria amparado pelo art. 2º da Lei nº 10.312/2001 que estabelece a redução a zero da alíquota do PIS e da Cofins na venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica e por isso teria direito ao ressarcimento de créditos das contribuições não cumulativas. Entretanto, observa a Fiscalização que a eficácia de tal redução está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, nos termos do art. 58, IX do Decreto nº 4.524/2002. A interessada interpôs Processo de Consulta junto à Superintendência da Receita Federal na 10ª Região Fiscal (processo nº 11080.002200/200836) a respeito deste assunto, a qual esclareceu por meio da Solução de Consulta SRRF/10ª RF/ DISIT nº 84 que a eficácia do art. 2º da Lei nº 10.312/2001 está condicionada à publicação de um ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda. Sendo assim, conclui a Fiscalização que as vendas efetuadas pela CRM são tributadas pelo PIS (alíquota de 1,65%) e pela Cofins (alíquota de 7,6%), sendo que os créditos vinculados a estas operações não são passíveis de ressarcimento e/ou compensação, servindo apenas para abater a própria contribuição. Observa ainda que os créditos apurados foram insuficientes para abater a própria contribuição, restando saldo 3 Fl. 231DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 devedor que está sendo exigido por meio de auto de infração constante do processo administrativo nº11080.721627/201051. Na manifestação, tempestivamente apresentada, a empresa argumenta que o Decreto nº 4.524/2002 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor e aplicação da Lei nº 10.312/2001, sob pena de grave ofensa a princípios constitucionais. Disserta a respeito do objetivo governamental de baratear o combustível alternativo parageração de energia. Cita o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 que cria em seu art. 13 a Conta de Desenvolvimento Energético, alegando que valores recebidos a título de reembolso,representando um subsídio ou uma subvenção não podendo ser classificados como receita, estando fora do campo de incidência das contribuições para a Cofins e para o PIS. Discute o conceito de receita, entendendo como receita apenas o ingresso de recursos que passe a fazer parte do patrimônio da empresa.” A manifestação de inconformidade foi conhecida pela DRJ de origem, sendo julgada improcedente, por entender que o art. 13 da Lei nº 10.438/2002 apenas cria a Conta de Desenvolvimento Energético, não havendo definição específica que indique serem os valores recebidos pela interessada das empresas geradoras de energia termoelétrica oriundos dessa Conta. Deste modo, concluiu a DRJ de origem que “tanto a Lei nº 10.637/2002, relativamente ao PIS, como a Lei nº 10.833/2003 referentemente à Cofins, ao conceituarem os valores que deveriam integrar a base de cálculo dessas contribuições foram bastante abrangentes em seus conceitos determinando que deveriam compor o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. Toda e qualquer exclusão da base de cálculo destas contribuições deve necessariamente estar prevista na legislação, conforme ocorre com as situações dispostas no § 3º, art. 1º da Lei nº 10.637/2002 e também da Lei nº 10.833/2003, o que não é o caso dos valores em questão.” Quanto à alegação de que o Decreto nº 4.524/2002 careceria de força legal hierárquica para afastar ou condicionar a aplicação da Lei nº 10.312/2001, entendeu a DRJ/POA que o art. 7º da Portaria MF nº 58, de 17 de março de 2006, que disciplina a constituição das turmas e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJs), estabelece que o julgador deve observar o disposto no art. 116, III, da Lei nº 8.112, de 11 de dezembro de 1990, dispositivo que lhe vincula às normais legais e regulamentares, bem assim ao entendimento da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), expresso em atos normativos, motivo pelo qual, na solução do presente litígio, deverá ser obrigatoriamente aplicado o disposto no Decreto nº 4.524/2002. 4 Fl. 232DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Inconformada com a improcedência da manifestação de inconformidade, a contribuinte interpôs, em 13.05.2013, Recurso Voluntário a este Conselho, a fls. 203219, onde apresentou as suas razões, trazendo consigo precedente da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento (Acórdão nº 3401001.801). Em síntese, alega a recorrente que o Decreto 4.524/02 carece de força legal hierárquica para afastar ou condicionar o vigor da aplicação da Lei nº 10.312/01 aos fatos geradores ocorridos na forma do seu art. 4º, sob pena de grave ofensa aos princípios constitucionais da razoabilidade, da anterioridade da lei tributária, do ato jurídico perfeito, da capacidade contributiva do sujeito passivo, da irretroatividade da lei tributária, da hierarquia das leis (a supremacia da lei ordinária frente ao ato normativo administrativo. Diante disto, requer o acolhimento das razões recursais, para o fim de reformar o acórdão recorrido. É o relatório. 5 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Voto Conselheiro Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. O recurso voluntário foi apresentado dentro do prazo legal, reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. No presente caso, pretende a contribuinte que lhe seja garantido o direito de restituição dos valores pagos a título de PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica. Ocorre que a Lei nº 10.312/01, em seu art. 1º, estabeleceu que: “Art. 1º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das Contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público – PIS/PASEP, e para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gás natural canalizado, destinado à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidos em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda” E no art. 2º da referida legislação estabeleceuse a alíquota zero para PIS e COFINS sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica, sem restrições: “Art. 2º. Ficam reduzidas a zero por cento as alíquotas das contribuições referidas no art. 1º incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de carvão mineral destinado à geração de energia elétrica” Por sua vez, o Decreto nº 4.524/02, em seu art. 58, inciso IX, ao condicionar a alíquota zero à publicação de ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda, cria exigência não prevista na Lei nº 10.312/01. Vejamos: “Art. 58.As alíquotas do PIS/Pasep e da Cofins estão reduzidas a zero quando aplicáveis sobre a receita bruta decorrente 6 Fl. 234DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 42, Lei nº 9.718, de 1998, art. 6º , parágrafo único, com a redação dada pela Lei nº 9.990, de 2000, Lei nº 10.147, de 2000, art. 2º , Lei nº 10.312, de 27 de novembro de 2001, Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, art. 14, Lei nº 10.485, de 2002, arts. 2º , 3º e 5º , Medida Provisória nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001): (...) IX – da venda de gás natural canalizado e de carvão mineral, destinados à produção de energia elétrica pelas usinas integrantes do Programa Prioritário de Termoeletricidade, nos termos e condições estabelecidas em ato conjunto dos Ministros de Estado de Minas e Energia e da Fazenda;” Embora a súmula nº 2 do CARF estabeleça claramente que este Conselho não seja competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. No presente caso, no entanto, como a contribuinte se posiciona contra uma exigência criada por decreto, entendo não ser aplicável a referida Súmula nº 2, consoante igualmente restou decidido no Acórdão nº 3401001.801 da 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. Deste modo, entendo que deve ser provido o recurso voluntário interposto pela contribuinte, pelas razões acima referidas, pois o pedido está em consonância com a jurisprudência deste Egrégio Conselho, inclusive pelo acórdão relacionado pela própria contribuinte em suas razões recursais (Acórdão nº 3401001.801), bem como pelos acórdãos nº 3401001.798, 3401001.799, 3401001.800, 3401001.802, 3401001.803, 3401001.804 e 3401001.805. Por oportuno, transcrevese a ementa de um destes acórdãos, haja vista que, por sua vez, são todas em igual sentido. Aliás, cumpre ressaltar que são todos de processos da contribuinte ora recorrente, julgados em sessão ocorrida em 22.05.2012 pela 1ª Turma Ordinária, da 4ª Câmara, da Terceira Seção de Julgamento. 3401001.804 Acórdão Número do Processo: 11686.000170/200812 Data de Publicação: 19/11/2012 Contribuinte: COMPANHIA RIOGRANDENSE DE MINERACAO CRM Relator(a): FERNANDO MARQUES CLETO DUARTE Período de Apuração: 4º trimestre de 2006 Ementa: DECRETO Nº 4524/02. Não pode Decreto criar exigência não prevista em lei, prejudicando o contribuinte. 7 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA Erro: Origem da referência não encontrada Fl. 2 Em face do exposto, encaminho o voto para DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, reconhecendose o direito creditório pleiteado. É assim que voto. . (assinado digitalmente) Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira Relator. 8 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO ANTONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA, Assinado digi talmente em 21/01/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES, Assinado digitalmente em 26/12/2013 por PAULO AN TONIO CALIENDO VELLOSO DA SILVEIRA
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Numero do processo: 36624.015782/2006-95
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 19 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 05 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12/2003
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD - INOCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO.
A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário.
Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária.
RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS - SÚMULA CARF 88 - PEÇA INFORMATIVA
A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO.
Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91.
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MPF - REGULARIDADE NA EMISSÃO.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2403-002.347
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Marcelo Freitas de Souza Costa - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. O Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari declarou-se impedido.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12/2003 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD - INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA - NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26-A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE CO-RESPONSÁVEIS E VÍNCULOS - SÚMULA CARF 88 - PEÇA INFORMATIVA A Relação de Co-Responsáveis - CORESP, o Relatório de Representantes Legais - RepLeg e a Relação de Vínculos - VÍNCULOS, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - PROCEDIMENTO FISCAL - GRUPO ECONÔMICO DE FATO - CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - MPF - REGULARIDADE NA EMISSÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. Recurso Voluntário Negado
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Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. RELATÓRIO DE CORESPONSÁVEIS E VÍNCULOS SÚMULA CARF 88 PEÇA INFORMATIVA A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 62 4. 01 57 82 /2 00 6- 95 Fl. 2938DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 2 PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO PROCEDIMENTO FISCAL GRUPO ECONÔMICO DE FATO CONFIGURAÇÃO. Constatados os elementos necessários à caracterização de Grupo Econômico de fato, deverá a autoridade fiscal assim proceder, atribuindo a responsabilidade pelo crédito previdenciário a todas as empresas integrantes daquele Grupo, de maneira a oferecer segurança e certeza no pagamento dos tributos efetivamente devidos pela contribuinte, conforme preceitos contidos na legislação de regência, notadamente no artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO MPF REGULARIDADE NA EMISSÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF confere aos lançamentos e autuações legitimidade de que decorreram dos motivos e informações nele declarados. É também instrumento de controle da atividade de fiscalização. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Marcelo Freitas de Souza Costa Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Freitas de Souza Costa, Marcelo Magalhães Peixoto e Jhonatas Ribeiro da Silva. O Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari declarouse impedido. Fl. 2939DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 230 3 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelos Recorrentes – CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES e o Sr. NEY AGILSON PADILHA contra Acórdão nº 0724.640 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP I que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.038.8771, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 152.266,48. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social relativas à parte do empregado, da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT e as destinadas ao FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. Referidas contribuições têm como fato gerador os valores das remunerações pagas aos segurados empregados apuradas por meio de aferição direta em recibos de pagamento de salários, comprovantes de depósitos bancários, demonstrativos "Relação de Salários", cópias de cheques e outros documentos, no período de 03/2001 a 12/2003. Conforme o Relatório Fiscal, às fls. 154, houve uma operação conjunta da Secretaria da Receita Previdenciária, Polícia Federal e Ministério Público Federal, inclusive com mandados judiciais de busca e apreensão, que então originou o presente procedimento fiscal. GRUPO ECONÔMICO 1.3.1. No cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão Judicial expedidos pelo M.M. Juiz Federal da 1°. Vara de Campo Grande—MS em 26/11/2004 (Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul), Autos de Inquérito Policial n°. 319/02 SR/DPF/MS, em operação realizada pela Policia Federal e Auditores Fiscais da Previdência Social nas dependências das empresas e locais relacionados na Tabela 01, resultou na apreensão de grande quantidade de documentos e microcomputadores. 1.3.2. A análise dos documentos apreendidos demonstrou a existência de um grupo econômico denominado GRUPO MARGEN, composto por unidades frigorificas, transportadoras, holdings e empresas de cessão de mãodeobra, distribuídos nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Parana, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Tocantins e Brasilia. 0 relatório caracterizador do referido grupo econômico intitulado "GRUPO ECONÔMICO: GRUPO MARGEN" encontrase em anexo. MANDADOS DE BUSCA E APREENSÃO 1.4.1. A Auditoria Fiscal foi instaurada na modalidade AFP — Ação Fiscal Plena sob coordenação da Divisão de Auditorias EspeciaisDIVAE / CoordenaçãoGeral de Auditoria Especial Fl. 2940DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 4 CGAUD / Departamento de FiscalizaçãoDEFIS e Delegacia da Receita Previdenciaria em Campo GrandeMS. Emitiuse Mandados de Procedimento Fiscal — MPF's para todas as empresas componentes do Grupo Margen. Para a empresa em epígrafe emitiuse o MPF n°. 09208557, em 07/12/2004, e seus complementares, n°.s 01 a 11. 0 inicio da Auditoria Fiscal foi cientificado a empresa em 09/12/2004 e concomitantemente solicitouse os documentos necessários através do Termo de Intimação para Apresentação de Documentos — TIAD. 1.4.2. A Justiça Federal de Campo Grande — MS, a pedido do Ministério Público Federal, determinou a busca e apreensão de toda a documentação fiscal e contábil através dos Mandados de Busca e Apreensão (MBA), cujas copias encontramse anexadas. Os referidos MBA's foram cumpridos pela Policia Federal e Auditores Fiscais da Previdência Social, concomitantemente, em 01/12/2004, em todos os locais determinados conforme discriminados na Tabela 01. O Relatório Fiscal às fls. 154 a 163, bem como o seu Anexo Relatório de Grupo Econômico às fls. 164 a 192, caracterizou a ocorrência de grupo econômico entre as empresas: Frigorifico Margen Ltda, Eldorado Participações Ltda., MF Alimentos BR Ltda., SS Administradora de Frigorifico Ltda., Magna administração e Participações Ltda., Agua Limpa Transportes Ltda, Ampla Empreendimentos e Participações Ltda, CIA Unido Empreendimentos e Participações e Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. Em relação à caracterização do grupo econômico de fato constituído, disposto no Anexo Relatório de Grupo Econômico às fls. 164 a 192, destacamse, dentre outros aspectos: GRUPO ECONÔMICO: "GRUPO MARGEN" C.N.P.J.'s: 25.068.875/000156 — Frigorifico Margen Ltda.; 05.281.319/000156 — SS Administradora de Frigorifico Ltda.; 02.682.269/000120 — Eldorado Participações Ltda.; 02.135.319/000150 — Magna Administração e Participações Ltda.; 05.300.347/000173 — Ampla Empreendimentos e Participações Ltda.; 05.166.882/000183 — Cia. União Empreendimentos e Participações; 01.169.288/000195 — Agua Limpa Transportes Ltda.; 04.872.265/000130 — Frigorifico Centro Oeste SP Ltda.; 05.307.573/000186 — MF Alimentos BR Ltda 1. HISTÓRICO 1.1. 0 Grupo Margen é um dos maiores processadores de carne bovina da América Latina e está presente em 8 estados Fl. 2941DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 231 5 brasileiros e no Distrito Federal. Sua sede encontrase na cidade de São Paulo e o seu Departamento Comercial está fixado na cidade de Rio VerdeGO. Possui 12 unidades industriais distribuídas nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Paraná e Tocantins. Estas plantas industriais abatem em média 5.000 cabeças de bovinos por dia. 1.2. 0 Grupo realiza o transporte de carne para o mercado interno por meio de frota própria de veículos refrigerados. A distribuição é realizada através de 07 entrepostos localizados nas cidades de BarueriSP, CampinasSP, BauruSP, AraraquaraSP, BrasiliaDF, BlumenauSC e CuritibaPR. Essas unidades realizam mais de 6.000 entregas diárias. 0 Grupo ainda mantém uma unidade na Europa. 1.3. 0 Grupo Margen emprega mais de 5 mil funcionários e geram outros milhares de empregos indiretos. 1.4. Estas informações constam na página mantida pelo Grupo na internet no sitio http://www.marcen.com.br , anexo 01. 3. COMPOSIÇÃO DO GRUPO MARGEN 3.1. 0 Grupo Margem atualmente é composto por nove empresas nos seguintes ramos de atividade: 1. Frigoríficos: Frigorifico Margen Ltda.; MF Alimentos BR Ltda. e Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. 2. Transportes: Agua Limpa Transportes Ltda. 3. Holdings: Ampla Empreendimentos e Participações Ltda.; Magna Administração e Participações Ltda.; Eldorado Participações Ltda. e Cia. União Empreendimentos e Participações. 4. Cessionária de Mãodeobra: SS Administradora de Frigorifico Ltda. 4. HISTÓRICO DAS ALTERAÇÕES SOCIETÁRIAS Frigorifico Margen Ltda. 4.1. A empresa foi constituída inicialmente sob a denominação social "Margen • Transportes Rodoviários Ltda.", ern 08/02/1989. 0 quadro societário inicial era composto pelos Fl. 2942DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 6 senhores Ney Agilson Padilha, Verena Maria Bannwart Suaiden, Roberto Siqueira Rosa, Adair Ermetti Furini e Milton Prearo. 4.2. Em 14/05/1990, a sua denominação social foi alterada para "Frigorifico Margen Ltda." e sua atividade econômica para "abate e frigorificação de bovinos". Em 23/08/1990, retiraram se da sociedade os sócios Roberto Siqueira Rosa e Adair Ermetti Furini. 4.3. Em 10/11/1995 ocorreu uma cisão parcial com versão de parcela do seu patrimônio para a empresa Agua Limpa Transportes Ltda., CNPJ 01.169.288/000195. 4.4. Em 11/11/96 a sócia Verena Maria Bannwart Suaiden retirouse da sociedade, sendo então admitidos os senhores Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto. 4.5. Em 03/12/96 retiraramse da sociedade os senhores Ney Agilson Padilha e Milton Prearo. 4.6. Em 07/10/98 o sócio Jelicoe retirouse da sociedade, sendo admitida a empresa Eldorado Participações Ltda. Com esta alteração o sócio Lourenço Augusto Brizoto passou a deter 1% do capital social e a Eldorado Participações Ltda. ficou com 99%. Em 20/02/2003 retirouse da sociedade Lourenço e foi readmitido o sócio Jelicoe Pedro Ferreira Eldorado Participações Ltda. 4.7. A empresa foi constituída em 10/08/1998 pelos senhores Lourenço Augusto Brizoto, Jelicoe Pedro Ferreira e Aldomiro Lopes de Oliveira. Em 13/07/2004 o sócio Aldomiro Lopes de Oliveira transferiu 100% de sua participação no capital social para a empresa uruguaia Cyndell Company Sociedad Anonima, cujo procurador é o próprio Jelicoe Pedro Ferreira. Em 27/07/2004 o sócio Lourenço Augusto Brizoto transfere suas quotas aos sócios Jelicoe Pedro Ferreira e Cyndell Company Sociedad Anonima. Assim, Jelicoe passou a deter 51% do Capital Social e a empresa uruguaia os 49% restantes. MF Alimentos BR Ltda. 4.8. A MF Alimentos BR Ltda. foi constituída em 23/07/2002 pelo senhor Jelicoe Pedro Ferreira e pela pessoa jurídica Eldorado Participações Ltda. Em 12/08/2002 retirouse da sociedade o sócio Jelicoe, transferindo sua participação societária para o senhor—Lourenço Augusto Brizoto. Com a alteração contratual ocorrida em 10/02/2003, o sócio Lourenço Augusto Brizoto retirase da sociedade, sendo novamente admitido o senhor Jelicoe. SS Administradora de Frigorifico Ltda. Fl. 2943DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 232 7 4.9. A empresa foi constituída em 26/08/2002 pelos senhores Marcelo Ribeiro Rocha e Alberto Asciutti Netto. Posteriormente, ingressou na sociedade a pessoa jurídica Eldorado Participações Ltda. 4.10. A função da SS Administradora de Frigorifico Ltda. é o de prover de mãodeobra as unidades frigorificas do Grupo Margen. Esta empresa foi constituída estrategicamente para receber formalmente toda a mãodeobra das unidades industriais das empresas Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. e MF Alimentos Ltda. Este ardil concebido com a arte da malícia tem por fim afastar os fatos geradores de contribuições previdenciarias incidentes sobre Folha de Pagamento de Salários das unidades industriais e estancar os débitos relativos a estas contribuições na SS Administradora de Frigorifico Ltda. 4.11. A atuação desta empresa restringese a executar as formalidades previstas na legislação trabalhista, pois a relação de emprego de fato estabelecese entre as unidades industriais e as pessoas formalmente contratadas pela SS Administradora. Os documentos arrolados no anexo 04 resgatam a supremacia da realidade dos fatos. Nestes expedientes encaminhados pelo Frigorifico Centro Oeste a SS Administradora consta: • Expediente de 30/04/2003: informa a alteração por parte do Frigorifico do horário de inicio da jornada de trabalho para alguns funcionários e determina o pagamento de horas extras; • Expediente de 08/05/2003: comunica a freqüência correta de funcionários e o direito destes a cesta básica; • Expediente de 13/06/2003: solicita que se faça vale extra para funcionário; • Expediente de 14/06/2003: solicita a demissão imediata de funcionário e determina que o mesmo deverá ter aviso prévio retroativo; • Expediente de 21/07/2003: comunica a alteração de cargos de funcionários; • Expediente de 23/07/2003: solicita advertência a funcionária por ter a mesma trocado horário de trabalho sem aviso prévio à gerência do frigorifico. 4.12. Como se depreende, fica evidente a subordinação dos funcionários diretamente ao frigorifico, responsável de fato pela gestão do pessoal apenas formalmente registrado pela SS Administradora. A planilha intitulada "Relação de Funcionários — C.Oeste", anexo 04, mostra o detalhamento em 07/03/2003 de quais funcionários foram contratados via "registro" pelo próprio Frigorifico Centro Oeste e aqueles via "registro" pela SS Administradora, evidenciando a estratégia adotada pelo Grupo Margen para a formalização das relações de emprego. Fl. 2944DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 8 Magna Administração e Participações Ltda. 4.13. A empresa foi constituída em 23/09/1997 pelos senhores Ney Agilson Padilha, Milton Prearo, Verena Maria Bannwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. Em 06/04/1998 ocorreu incorporação parcial da sociedade Aqua Limpa— Transportes Ltda., com versão de parcela patrimonial no valor de R$ 1.700.831,58. Novamente, em 11/11/1999, a sociedade Magna Administração e Participações Ltda. incorporou parcialmente a empresa Aqua Limpa Transportes Ltda., com recebimento de patrimônio no valor de R$ 389.034,55. Aqua Limpa Transportes Ltda. 4.14. Esta empresa foi constituída em 10/11/1995 especialmente para receber a parcela patrimonial cindida do Frigorifico Margen Ltda., cuja avaliação montou em R$ 1.792.097,78. 0 quadro societário inicial estava composto pelos senhores Ney Agilson Padilha, Milton Prearo e Verena Maria Bannwart Suaiden. Ampla Empreendimentos e Participações Ltda. 4.15. A sociedade foi constituída em 09/09/2002 pelos senhores Ney Agilson Padilha, Milton Prearo, Verena Maria Bannwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. Em 31/05/2004 ingressaram na sociedade os senhores Geraldo Antônio Prearo, Mauro Suaiden e James Celso Lisboa Júnior e retiraramse da sociedade os sócios Milton Prearo, Verena Maria Bannwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. Cia. União Empreendimentos e Participações 4.16. Fundada por Ney Agilson Padilha e Tânia Maria Elias Padilha em 19/07/2002. A companhia tem como presidente o senhor Alexandre Elias, pai da acionista e diretora Tânia Maria Elias Padilha Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. 4.17. A sociedade foi constituída em 14/01/2002 pelos senhores José Geraldo de Freitas e Cláudio Sobral de Oliveira. A empresa Eldorado Participações Ltda. participou da sociedade entre 20/05/2002 e 30/07/2002. 5. OS ATORES PRINCIPAIS: MAURO SUAIDEN, GERALDO ANTONIO PREARO E NEY AGILSON PADILHA 5.1. 0 nome MARGEN advém da Fl. 2945DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 233 9 justaposição das iniciais dos nomes de seus proprietários e administradores de fato — como se demonstrará adiante — os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha, 5.2. Os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha são os personagens centrais no arcabouço constituído pelas empresas aqui citadas. São eles as vigas mestras que provêem sustentação financeira, administrativa e gerencial ao conjunto destas empresas. Formalmente aparecem apenas no quadro societário da empresa Ampla Empreendimentos e Participações Ltda. Nas demais empresas fizeram constar ardilosamente ora os cônjuges (Verena Maria Bannwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha), ora o irmão (Milton Prearo), ora o sogro (Alexandre Elias), ora outros (Jelicoe Pedro Ferreira, Aldomiro Lopes de Oliveira, Lourenço Augusto Brizoto, José Geraldo de Freitas, Cláudio Sobral Oliveira, Marcelo Ribeiro Rocha) que simploriamente cederam seus nomes para figurarem artificialmente como responsáveis pelos empreendimentos ocultando as identidades dos seus verdadeiros proprietários. 5.3. Dentre estes últimos, a pessoa Jelicoe Pedro Ferreira é utilizada de forma ostensiva e amiudamente. Seu nome aparece nos contratos sociais e nas inúmeras alterações contratuais de várias empresas. Atualmente, Jelicoe aparece à frente das— empresas Frigorifico Margen Ltda., MF Alimentos BR Ltda., Eldorado Participações Ltda. e é o representante legal da "offshore" uruguaia Cyndell Company Sociedad Anônima. Como se pode observar no fluxograma do Grupo Margen no anexo 04, após as diversas manobras de reestruturação do quadro societário, Jelicoe Pedro Ferreira tornouse o único responsável pelo Frigorifico Margen Ltda., pois o mesmo é também o sócio gerente da empresa Eldorado Participações e o representante legal no Brasil da Cyndell Company. Assim, todo o poder de gestão dessa empresa estaria ficticiamente a seu encargo. 5.4. Outro fato relevante está na cisão da empresa Frigorifico Margen Ltda. ocorrida em 10/11/1995, com a transferência de 80,6% dos bens que compunham o seu • imobilizado para a empresa Agua Limpa Transportes Ltda. A versão destes ativos implicou em uma redução de seu Patrimônio Liquido de 98,1%. Esta manobra teve como finalidade evidente descapitalizar a empresa Frigorifico Margen para posteriormente passar a operála com a interposição de pessoas travestidas de sócios gerentes. 0 que de fato veio a ocorrer com a modificação do quadro societário em 11/11/1996, ocasião em que a esposa do Sr. Mauro Suaiden, Verena Maria Bannwart Suaiden, transferiu suas quotas para o Sr. Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto. E posteriormente em 03/12/1996, os srs. Ney Agilson Padilha e Milton Prearo também cederam suas participações a Jelicoe e Lourenço. Assim, completouse o ciclo de transformação do quadro societário, resultando em uma empresa exaurida de ativos e com sócios proprietários fictícios. Fl. 2946DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 10 5.5. Os ativos transferidos para a empresa Agua Limpa Transportes Ltda. continuaram a ser utilizados pelo Frigorifico Margen Ltda. em suas atividades operacionais por meio de contratos de arrendamento. As copias de diversos contratos de arrendamento juntados no anexo 05 comprovam tal sistemática, conforme demonstrado a seguir: • Nos "Contratos de Locação Industrial" firmados em 05/05/1996 e 05/01/1998, a Agua Limpa Transportes Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. um "conjunto industrial situado no município de Rio Verde, Estado de Goiás, à Rodovia BR 060, Km 17, composto de dois módulos, sendo um para abate e frigorificação de bovinos e o outro para produção de charque ...". Tratase das instalações industriais onde o Frigorifico Margen sempre operou desde o inicio de suas atividades; • Nos "Contratos de Locação de Veículos" firmados em 01/03/1997, 01/06/1997 e 01/07/1997, a Agua Limpa Transportes Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. diversos caminhões Mercedes Benz equipados com carroceria fechada tipo baú; • Nos "Contratos de Locação Industrial" firmados em 01/05/1998, 01/01/1999, 01/01/2002 e 01/01/2004, a Magna Administração e Participação Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. um "conjunto industrial situado no município de Rio Verde, Estado de Goiás, à Rodovia BR 060, Km 17, composto de dois módulos, sendo um para abate e frigorificação de bovinos e o outro para produção de charque ...". Tratase das mesmas instalações industriais antes pertencentes à Agua Limpa Transportes Ltda.; • Nos diversos "Contratos de Locação de Veículos' firmados em 01/01/2002, a Agua Limpa Transportes Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. caminhões do tipo Furgão lveco Fiat. 5.6. 0 esquema mostrado na figura a seguir ilustra a sistemática adotada pelo grupo de empresas em relação ao ativo composto pelo conjunto industrial situado no município de Rio Verde, Estado de Goiás, à Rodovia BR 060, Km 17. Como se observa, aquele ativo migrou da empresa Frigorifico Margen Ltda. para a empresa Magna Administração e Participação Ltda. Da mesma forma, os sócios Ney Agilson Padilha e Verena Maria Bannwart Suaiden migraram do quadro societário da empresa Frigorifico Margen Ltda. para a empresa Magna Administração e Participação Ltda. Já o quadro societário do Frigorifico Margen passou a ser constituído pelos sócios fictícios Jelicoe Pedro • Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto e as instalações industriais passaram a ser exploradas por meio de arrendamento. 5.7. Esta estratégia teve como finalidade afastar o patrimônio de possíveis execuções fiscais, uma vez que a partir de então o Frigorifico Margen passou a acumular enorme passivo fiscal, mormente em relação ás contribuições devidas a Previdência Social. Fl. 2947DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 234 11 5.8. Outro fato emblemático é o "Contrato de Confissão e Parcelamento de Divida com Garantia Pignoraticia e Avalista", anexo 06, pactuado entre Juma Indústria e Comércio de Carnes Ltda. e Joaquim Carlos Sabino dos Santos. Nesta confissão de divida figuram como avalistas o Frigorifico Margen Ltda., Geraldo Antônio Prearo e sua esposa Rosângela de Lurdes Veronese Prearo. Em todas as situações em que se faz necessário o oferecimento de garantias é praxe ver os nomes dos senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha associados ao Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. e MF Alimentos Ltda As cópias do anexo 07 reforçam ainda mais a estreita vinculação destes senhores com o Frigorifico Margen Ltda. Conforme se observa, estas cópias mostram: • correspondências endereçadas ao Sr. Geraldo Prearo (em 23/11/2004, 25/11/2004 e 27/11/2004) têm como endereço o Frig. Margen Ltda. e o qualificam como "Diretor Geral"; • oficio da AVM Engenharia para o Frig. Margen em atenção ao Sr. Geraldo Antônio Prearo; • "Facsimile Transmission" da Jet Avionics para o Frig. Margen em atenção ao Sr. Mauro Suaiden. 5.10 Os "Termos de Declarações" tomados pelos Delegados da Policia Federal Cristian Arley Silva Lages e Rubens Alexandre de França, anexo 08, mostram que os empregados do Frigorifico Margen Ltda. e Agua Limpa Transportes Ltda., desde o vigilante ao Gerente Financeiro, são unânimes em apontar os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Pad ilha como os proprietários e gestores de fato do Frigorifico Margen Ltda. Nos depoimentos colhidos destacamos as seguintes afirmações: • Wagner Cyrne Diniz, Gerente Comercial do Frigorifico Margen: "...que foi contratado por NEY PADILHA, um dos diretores do FRIGORIFICO MARGEN; que os outros diretores do FRIGORIFICO MARGEN são GERALDO PREARO, MAURO SUAIDEN; ...que a empresa tem uma distribuição em São Paulo, coordenada por MAURICIO SUAIDEN JUNIOR, irmão de MAURO SUAIDEN;..." • José Marcos Giacone, Gerente Financeiro do Frigorifico Margen: "...que fora contratado para trabalhar na empresa pelo Senhor GERALDO ANTONIO PREARO; ...que questionado se recebe orientação direta do proprietário da empresa, senhor JELICOE, o declarante disse que sempre as orientações são passadas pela diretoria que é composta pelos senhores GERALDO ANTÔNIO PREARO, NEY PADILHA e MAURO SUAIDEN; ...que a diretoria geral do frigorifico tem sede na cidade de Rio VerdeGO, sendo que seus três componentes (GERALDO, MAURO e NEY) dispõem de amplos poderes para Fl. 2948DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 12 gerir a empresa; ...que questionado se conhece os senhores LOURENQO AUGUSTO BRIZOTO ou ALDOMIRO LOPES DE • OLIVEIRA, disse não conhece qualquer deles, nunca tendo sequer ouvido falar de tais pessoas;..." • Sebastião Coleoni dos Reis, Gerente de Transportes da Aqua Limpa Transportes Ltda.: " ...que foi contratado para trabalhar na empresa pelo Sr. MAURO SUAIDEN, que é um dos sócios da empresa; que além de MAURO SUAIDEN, também são sócios da empresa AGUA LIMPA os senhores NEY AGILSON PADILHA e GERALDO PREARO; que referidos sócios construíram toda a estrutura da AGUA LIMPA TRANSPORTES e também do FRIGORIFICO MARGEN; ...que esclarece que os únicos sócios da empresa são os acima citados; que MAURO, NEY e GERALDO são os únicos sócios do FRIGORIFICO MARGEN; que questionado sobre a pessoa de JELICOE PEDRO FERREIRA, já o viu uma vez nesta empresa, mais precisamente em uma festa, mas não mantém relacionamento com o mesmo, sabendo dizer que o mesmo não trabalha no FRIGORIFICO MARGEN ou na AAG U LIMPA TRANSPORTES; que reitera que JELICOE nunca mais esteve no FRIGORIFICO MARGEN ou na TRANSPORTADORA AGUA LIMPA; • Airton Prearo Júnior, Assistente Financeiro do Frigorifico Margen, sobrinho de Geraldo Antônio Prearo: "...que informou ainda que seu pai lhe disse que a rede de Frigorifico Margen sempre pertenceu a GERALDO PREARO, MAURO SUAIDEN e NEY PADILHA; ...que questionado se conhece o Sr. JELICOE PEDRO FERREIRA, LOURENÇO AUGUSTO BRIZOTO ou ALDOMIRO LOPES DE OLIVEIRA, disse: nunca ouvi falar de nenhum deles;..." • Suelen Rosa de Castro, Auxiliar de Contabilidade e Recepcionista do Frigorifico Marc:ten: "... que questionada se conhecia os proprietários do frigorifico, a depoente respondeu que sabe que a empresa pertence aos senhores MAURO SUAIDEN, NEY PADILHA e GERALDO PREARO; ...que questionada se conhece os senhores JELICOE PEDRO FERREIRA, LOURENÇO AUGUSTO BRIZOTO ou ALDOMIRO LOPES DE OLIVEIRA, disse que não conhece qualquer dos nominados, também não se recorda têlos atendido, via telefone; ...que sabe que a empresa é de propriedade de GERALDO, MAURO e NEY, pois todos no frigorifico mencionam, inclusive o gerente MARCOS GIACONE;..." • Rodrigo Silveira e Souza, Auxiliar de Escritório do Frigorifico Margen: "...que sabe que os sócios do FRIGORIFICO MARGEN são NEY, GERALDO e MAURO; ..." • Irineu Dantas de Arailio, Auxiliar de Comprador de Bovinos do Frigorifico Margen: "...que sabe dizer que os sócios do FRIGORIFICO MARGEN são MAURO SUAIDEN, NEY AGILSON PADILHA e GERALDO ANTÔNIO PREARO; ..." • Edilson Tavares Melo, Faturista do Frigorifico Margen: "...que não conhece a pessoa de JELICOE, não tendo visto o mesmo em nenhuma oportunidade na sede da empresa Fl. 2949DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 235 13 FRIGORIFICO MARGEN, parecendo ao mesmo que JELICOE trabalha em São Paulo; ...que MAURO SUAIDEN, NEY AGILSON PADILHA e GERALDO PREARO são os donos da empresa FRIGORIFICO MARGEN; ..." • Jailson Pereira Lopes, Vigilante do Frigorifico Margen: " ...que sabe dizer que os sócios do FRIGORIFICO MARGEN são NEY, GERALDO e MAURO; que questionado como sabia que NEY, GERALDO e MAURO eram sócios do FRIGORIFICO MARGEN, informou que antes mesmo de começar a trabalhar, já sabia do fato, que é de conhecimento geral na cidade de Rio Verde/GO; ..." 6. FINANCIAMENTO DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS DO GRUPO 6.1. Dentre os documentos apreendidos há copiosa quantidade de contratos de financiamento firmados com instituições financeiras do Brasil e exterior. Estes financiamentos levantavam recursos para operacionalizar as atividades do Grupo, beneficiando, entre outras, as empresas Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltd a. e MF Alimentos BR Ltda. 6.2. Entrementes, estas empresas não apresentam ativos suficientes para garantir os volumosos empréstimos captados na rede bancária. 0 mesmo se pode constatar em relação aos sôcios formais destas empresas — Senhores Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas — pessoas de acanhadíssima posição patrimonial e, portanto, sem a minima capacidade financeira para obter vultosos empréstimos e oferecer garantias aos financiadores. 6.3. Diante deste quadro, os verdadeiros sócios proprietários destas empresas —Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha — se viram compelidos a avocarem de forma ostensiva as responsabilidades pelos empréstimos • bancários na condição de garantidores, fiadores, responsáveis solidários, etc. 0 quadro 04 mostra sinteticamente dados de algumas operações de financiamento 6.4. Os documentos juntados no anexo 09, selecionados por amostragem, são contundentes e demonstram de forma irrefutável que o suporte financeiro para as atividades operacionais das empresas do Grupo Margen é provido pelos Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha. A seguir temse uma análise sucinta destes documentos. • TERMO DE ADITAMENTO AO CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA N°. 09923479 — VALOR R$ 2.000.000,00 — 29/10/2004 Tratase da abertura de crédito junto ao banco Bankboston Banco Múltiplo S/A, tendo como devedora a empresa MF Alimentos BR Ltda., cujos sócios Fl. 2950DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 14 formais são os Senhores Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto. 0 quadro 04 do citado documento relaciona os abonadores (garantes) desta transação, dentre os quais estão os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Aqilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • INSTRUMENTO PARTICULAR DE ADITAMENTO A CONTRATO / CÉDULA DE CRÉDITO N°. — VALOR R$ 500.000,00 Abertura de crédito no Banco Safra S/A em favor de Frigorifico Centro Oeste SP Ltda.. Assina este documento como avalista o Sr. Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. Observase ainda que o Sr. Mauro Suaiden assina também a Nota Promissória emitida pelo Frig. Centro Oeste em favor do banco. • NOTA DE CRÉDITO INDUSTRIAL Nr.21/001251 — VALOR R$ 1.990.000,00 —24/04/2004 Nota de crédito emitida pelo Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. a favor do Banco do Brasil S.A. Assinam a nota de crédito "POR AVAL AO EMITENTE" os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • CONTRATO ROTATIVO DE LIMITE DE CRÉDITO FIXO — VALOR R$ 2.000.000,00 — 29/08/2003 Contrato firmado entre o Banco Industrial e Comercial S/A — BICBANCO e Frigorifico Margen Ltda., constando como devedores solidários os Senhores Mauro Suaiden e Ney Aqilson Padilha, e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden e Tânia Maria Elias Padilha. • CONTRATO ROTATIVO DE LIMITE DE CRÉDITO FIXO — VALOR R$ 2.000.000,00 — 04/12/2003 Contrato firmado entre o Banco Industrial e Comercial S/A — BICBANCO e Frigorifico Margen Ltda., constando como devedor solidário o Senhor Mauro Suaiden e esposa Verena Maria Banwart Suaiden. • CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO / MÚTUO N°. 675777.0 — VALOR R$ 2.000.000,00 — 24/08/2004 Abertura de crédito no Banco Safra S/A em favor de Frigorifico Margen Ltda.. Assina este documento como avalista o Sr. Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. Atentese para o fato de que os endereços informados para a empresa e para o Sr. Mauro Suaiden são os mesmos, quais sejam, Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912 — 8°. Andar — São Paulo. • TERMO DE ADITAMENTO AO CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA N°. — VALOR R$ 2.000.000,00 — 03/11/2003 Tratase da abertura de crédito junto ao Banco Bankboston Banco Múltiplo S/A, tendo como devedora a empresa Frigorifico Margen Ltda. 0 quadro 04 do citado documento relaciona os abonadores (garantes) desta transação, dentre os quais estão os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Aqilson Padilha e as respectivas esposas Fl. 2951DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 236 15 Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • INSTRUMENTO PARTICULAR DE ADITAMENTO DE CONTRATO — VALOR R$ 170.000,00 Alteração de contrato original de abertura de crédito no Banco Bradesco S.A. em favor de Frigorifico Margen Ltda.. Assinam este documento como avalista / devedores solidários os Senhores Mauro Suaiden e esposa Verena Maria Banwart Suaiden e Ney Agilson Padilha. Observase ainda que estes Senhores assinam também a Nota Promissória no valor de R$ 212.500,00 emitida pelo Frig. Margen em favor do Banco. Novamente os endereços informados para a empresa e para estes Senhores são os mesmos, quais sejam, Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912 — 8°. Andar — São Paulo. • CARTA DE FIANÇA — VALOR US$ 1.900.000,00 — 04/09/2003 Por este instrumento o Sr. Mauro Suaiden e sua esposa Verena Maria Banwart Suaiden se declaram fiadores em favor do Banco Bradesco S/A, responsabilizandose como devedor e principal pagador solidariamente com o Frigorifico Margen Ltda. • CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA N°. 08616552 — VALOR R$ 3.000.000,00 — 06/08/2003 Contrato de abertura de crédito junto ao banco Bankboston Banco Múltiplo S/A, tendo como devedora a empresa Frigorifico Margen Ltda.. 0 quadro 06 do citado documento relaciona os abonadores (garantes) desta transação, dentre os quais estão os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. Observase que o endereço informado por todos é o mesmo endereço da sede do frigorifico: Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912 —8°. Andar — São Paulo. • CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL FINANCEIRO N°. 15.223 —VALOR R$ 371.000,00 — 25/03/2004 Contrato entre a BB Leasing S.A. — Arrendamento Mercantil e o Frigorifico Margen Ltda.. Firmam o presente contrato como fiadores os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Nev Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO CONTA GARANTIDA BB N°. 313.200.161 — VALOR R$ 2.200.000,00 — 25/08/2003 Contrato de abertura de crédito junto ao Banco do Brasil S.A. em favor da empresa Frigorifico Margen Ltda.. Assinam o referido contrato como devedores solidários os Senhores Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. Fl. 2952DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 16 • BRAZILIAN PREEXPORT FINANCING AGREEMENT — VALOR US$ 2.000.000,00 — 08/09/2004 Contrato de financiamento entre o BankBoston localizado em Nassau, Bahamas, e o Frigorifico Margen Ltda.. Firmam o presente contrato como fiadores os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo, Milton Prearo e Ney Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo, Silvana Aparecida Gonçalves Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • TERMO DE FINANCIAMENTO N°. 02 — VALOR R$ 4.000.000,00 — 03/11/2004 Este termo esta vinculado ao Contrato Master de Financiamento de Capital de Giro n°. 46222 celebrado entre o Frigorifico Margen Ltda. e o Banco BBM S.A. Assinam o referido termo como intervenientes avalistas o Senhor Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. Este Termo de Financiamento esta garantido pelo Instrumento Particular de Penhor de Títulos —Anexo de Garantia, cujos garantidores são as empresas MF Alimentos BR Ltda., Frigorifico Margen Ltda. e Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. A divida do financiado decorrente deste Termo de Financiamento é representada pela Nota Promissória no valor de R$ 4.900.000,00, cujos avalistas são o Senhor Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. • PROPOSTA DE TETO DE COMPRADOR PARA DESCONTO DE NPR/DR —VALOR: R$ 500.000,00 — 26/10/2004 Abertura de crédito no Banco do Brasil S/A em favor do Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. para fazer frente aos descontos de Notas Promissórias Rurais e/ou Duplicatas Rurais de responsabilidade do Frigorifico. 0 contrato traz como devedor solidário o Frigorifico Margen Ltda. A Carta de Fiança da presente Proposta está assinada pelos Senhores Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo e por Ney Aqilson Padilha e Verena Maria Bannwart Suaiden, como representantes legais da empresa Magna Administração e Participações Ltda. • CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO "SAQUE FÁCIL DIAS ÚTEIS" — VALOR: R$ 1.500.000,00 — 30/06/2004 Abertura de limite rotativo para saques a descoberto em conta corrente no Banco Bradesco S/A em favor do Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. Os avalistas desta operação financeira é o Senhor Mauro Suaiden e sua esposa Verena Maria Bannwart Suaiden e as empresas Magna Administração e Participações Ltda. e Frigorifico Margen Ltda. 7. GESTÃO ADMINISTRATIVA 7.1. É intuitiva a percepção de que o comando gerencial das empresas que 4110 compõe o Grupo Margen não poderia estar, como de fato não está, nas mãos daqueles que cederam nomes e dados cadastrais para figurarem nos contratos sociais como "sócios" e "sóciosgerentes". É manifesto que os Srs. Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas tãosomente se apresentam no plano da formalidade como responsáveis por empreendimentos e atos de outrem. Os Fl. 2953DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 237 17 papéis desempenhados por estas pessoas correspondem exatamente á definição encontrada no Dicionário Aurélio e consagrada no cotidiano nacional para as expressões "testade ferro" e "laranja f 7.2. PROCURAÇÕES 7.2.1. Os documentos do anexo 10 e descritos a seguir, corroboram que a gestão administrativa é desempenhada por pessoas diversas daquelas que simuladamente nos Contratos Sociais assumem o status de "sóciosgerentes". 9. "MODUS OPERANDI" DA ORGANIZAÇÃO 9.1. 0 grupo está estrategicamente composto por empresas operacionais e de investimentos. As empresas de investimento Magna Administração e Participações Ltda., Cia. União Empreendimentos e Participações e Ampla Empreendimentos e Participações Ltda. possuem em seus quadros societários os próprios senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha ou pessoas dos clãs Suaiden, Prearo e Padilha. Por outro lado, dentre as empresas operacionais apenas uma — Agua Limpa Transportes Ltda. — tem no seu quadro societário estas pessoas. 9.2. As demais empresas — Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltda., MF Alimentos BR Ltda. e SS Administradora de Frigorifico Ltda. — encontramse convenientemente em nome de terceiros interpostos. A razão para tanto se compreende prontamente, pois é nestas que se praticam os fatos geradores de tributos e das contribuições devidas à previdência social, mormente a contribuição incidente sobre a aquisição de bovinos para o abate. 9.3. Assim, as empresas onde se concentram as atividades operacionais do Grupo Margen são empresas descapitalizadas, desguarnecidas de bens — suas instalações industriais são todas arrendadas — e com "sóciosgerentes" perceptivelmente desprovidos de capacidade financeira, patrimonial e gerencial para a monta daqueles empreendimentos industriais. Podese dizer que estas empresas representam a parte "podre" do Grupo Margen, sendo exploradas à exaustão, arrancandolhes faturamentos mirabolantes (R$ 1.176.556.922,84 em 2003 — Frig. Margen Ltda.) e estancando nelas dividas para com a Previdência Social igualmente assombrosas. 9.4. Os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, com seu poderio financeiro arregimentam terceiros incautos para emprestarem seus nomes — Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas —e figurarem como "sóciosgerentes" diante destas Fl. 2954DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 18 empresas. Desta forma, com tais ardis colocam seus patrimônios pessoais em salvaguarda, pois evidente está que sua intenção • velada é a de que, com a fraude perpetrada, o fisco busque seus créditos no patrimônio nulo dos supostos "sóciosgerentes". Com tais subterfúgios, os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, embora sendo os gestores de fato dos empreendimentos, ainda buscam se esquivar da imputação dos inúmeros crimes contra a Previdência Social e a Ordem Tributária cometidos em tese na condução dos negócios. Em suma, aos supostos "sóciosgerentes" cabem arcar com as gigantescas dividas tributárias e as conseqüências penais dos ilicitos, enquanto àqueles os fáceis e gordos lucros obtidos. 10. Conclusão 10.1. Portanto, tendo em vista o interrelacionamento e a gestão comum a cargo dos Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, resta caracterizada a existência de um grupo econômico de fato constituído pelas empresas relacionadas no inicio deste relatório. A denominação do grupo utilizada nos diversos relatórios que comporão as notificações fiscais de débito, será "Grupo Margen". Observouse que todas as empresas consideradas como grupo econômico, responsáveis solidárias, foram cientificadas do lançamento, nos termos do art. 748 da IN MPS/SRP n.° 03/2005. O Relatório fiscal informa, em relação aos fatos geradores: 2.1.1 As contribuições lançadas incidem sobre os valores das remunerações pagas aos segurados empregados apuradas em recibos de pagamento de salários, comprovantes de depósitos bancários, demonstrativos "Relação de Salários", copias de cheques e outros documentos conforme copias anexas. 2.1.2. As contribuições aqui lançadas e as suas bases de cálculo não foram declaradas na Guia de Recolhimento do FGTS e Informações a Previdência Social — GFIP, fato este que configura, em tese, a pratica de crime de Sonegação de Contribuição Previdenciária. Desta forma, será encaminhada Representação Fiscal para Fins Penais à autoridade competente para as providências cabíveis. 2.1.3. Não foi emitido o Termo de Arrolamento de Bens — TAB uma vez que a Auditoria Fiscal não teve acesso aos Livros Contábeis do Contribuinte. 2.1.4. As bases de cálculo e alíquotas aplicadas estão demonstradas nos relatórios Discriminativo Analítico de Débito (DAD) e Relatório de Lançamentos (RL), em anexo. Fl. 2955DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 238 19 2.3.1. Os valores apurados encontramse consubstanciados nos levantamentos denominados "CRI — DESCONTO DE SEGURADOS". "CRI — DESCONTO DE SEGURADOS" 2.3.2. Neste levantamento foram lançados como base de cálculo os valores mensais de remuneração de segurados empregados apurados em recibos de pagamento de salários, comprovantes de depósitos bancários, demonstrativos "Relação de Salários", cópias de cheques e outros documentos que caracterizam o pagamento de salários "por fora", cujas cópias encontramse anexadas. A planilha do Anexo 01, denominada "Planilha 01 — Fato Gerador Margen Coxim", discrimina os segurados empregados e os respectivos valores de remuneração apurados A empresa FRIGORÍFICO MARGEN LTDA teve ciência da NFLD em 13.12.2006, conforme o Aviso de Recebimento AR às fls. 1451. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 12, é de 03/2001 a 12/2003. A empresa FRIGORÍCO MARGEN LDTA e os Recorrentes CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES e o Sr. NEY AGILSON PADILHA apresentaram Impugnação tempestiva. Houve Solicitação de Diligência Fiscal emitido pelo órgão julgador de primeira instância e realizado pela AuditoriaFiscal, com abertura de prazo para Manifestações das empresas do grupo econômico. A Recorrida, Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP , fls. 186 a 189, analisou a autuação e a impugnação e emitiu o Acórdão nº 1629.267 12a. Turma julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/03/2001 a 31/12/2003 Ementa: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. OBRIGAÇÃO DO RECOLHIMENTO. A empresa é obrigada a recolher, nos prazos definidos em lei, as contribuições previdenciárias a seu cargo, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas, a qualquer titulo, aos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço. DOMICÍLIO FISCAL. ELEIÇÃO. ATRIBUIÇÃO. Em regra a eleição do domicilio tributário parte do próprio sujeito passivo. No entanto, poderá a autoridade administrativa fiscal recusar o domicilio eleito quanto este procedimento impossibilitar ou Fl. 2956DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 20 dificultar a fiscalização do cumprimento das obrigações tributárias. MPF. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL . CIÊNCIA. PRORROGAÇÕES. 0 Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administradas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, devendo o sujeito passivo ser cientificado deste no inicio da fiscalização. Inexiste previsão legal para ciência ao sujeito passivo relativamente as prorrogações e complementação do Mandado de Procedimento Fiscal inicial, não havendo, portanto, que se falar em nulidade do lançamento fiscal. FPAS. ENQUADRAMENTO. ATIVIDADE DA EMPRESA. 0 enquadramento do sujeito passivo no FPAS deve ser feito considerandose o empreendimento empresarial como um todo, pois é a soma dos vários estabelecimentos que lhe confere unidade, fixando a efetiva natureza das atividades da empresa. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes da Lei n.° 8.212/91, nos termos do art. 30, inc. IX, do mesmo diploma legal. A solidariedade fixada na legislação previdenciária em relação ao grupo econômico (art. 30, inciso IX da Lei n.° 8.212/91 e art. 748 da IN MPS/SRP n.° 03/2005) é bastante ampla. Basta uma das componentes do grupo não cumprir as obrigações previdenciárias, para outra delas assumir a responsabilidade por via da solidariedade, o que possibilita ao FISCO, proceder contra qualquer delas, sem que se possa argüir a defesa de ilegitimidade de parte, ou beneficio de ordem. AFERIÇÃO INDIRETA. NÃO CARACTERIZAÇÃO. APURAÇÃO COM BASE DOCUMENTOS DO SUJEITO PASSIVO. Não se caracteriza a aferição indireta quando o lançamento das contribuições previdenciárias é feito com base nos documentos do sujeito passivo. RELATÓRIO FISCAL. FORMALIDADE. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa quanto a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito e seus anexos obedecem a todos os requisitos essenciais de validade: INCONSTITUCIONALIDADE NA VIA ADMINISTRATIVA. A ilegalidade e a inconstitucionalidade da lei não se discute em instância administrativa. Tais teses deverão ser discutidas na esfera própria, Supremo Tribunal Federal, conforme competência estabelecida no Capitulo III, da Constituição Federal (art. 102, inciso I, alínea `a'). SAT. ENQUADRAMENTO. 0 enquadramento da empresa no SAT/RAT no correspondente grau de risco é de responsabilidade da empresa, observada a sua atividade econômica preponderante. Todos os parâmetros da exação fiscal atinentes ao Seguro Acidente do Trabalho encontramse delineados na lei. Ao decreto coube tão somente a regulamentação do contido na lei. Fl. 2957DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 239 21 SEBRAE. A contribuição ao SEBRAE abrange todas as empresas nos termos da Lei 8.029/90. INCRA. A base legal da contribuição para o INCRA advém da Lei n.° 2.613/55 a qual estabelece obrigação para todos os empregadores de contribuir com o adicional fixado sobre a totalidade da folha de salários, independentemente da atividade que exerçam. TAXA SELIC. As contribuições devidas h. Seguridade Social, incluidas em notificação fiscal de lançamento, ficam sujeitas à multa de mora e aos juros equivalentes à taxa SELIC, incidentes sobre o valor atualizado, ambos em caráter irrelevável, a partir da data de seu vencimento. DECADÊNCIA. INOCORRÊNCIA. . Para fins de cômputo do prazo de decadência, no lançamento de oficio, aplicase a regra do artigo 173, inciso I do Código Tributário Nacional, contando se o prazo cinco anos a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. COISA JULGADA MATERIAL. Não ocorre descumprimento de coisa julgada quando os fatos geradores do crédito tributário lançado não correspondem àqueles discutidos judicialmente JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. INDEFERIMENTO. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; que se refira a fato ou a direito superveniente;ou que se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos do processo em epígrafe, acordam os membros da 12' Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Ao SECOJ para encaminhamento à DERAT jurisdicionante do contribuinte e solidários , para cientificálos deste Acórdão, fornecendolhes cópia, e demais providências cabíveis. Sala de Sessões, em 31 de janeiro de 2011. Fl. 2958DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 22 Após o decurso de prazo para a interposição de Recurso Voluntário, houve o trâmite procedimental que ensejou a inscrição do crédito tributário em Dívida Ativa posto que não teria havido Recurso Voluntário de nenhum Recorrente. No entanto, a PGFN e a RFB verificaram que regularmente intimados da decisão do órgão julgador “a quo”, apenas os Recorrentes– CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES e o Sr. NEY AGILSON PADILHA apresentaram Recurso Voluntário. Observase que a Recorrente CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES foi intimada do Acórdão nº 1629.267 12a. Turma da DRJ SP I em 22.12.2011, conforme o Aviso de Recebimento AR 107510244BR às fls. 1900, e interpôs o Recurso Voluntário em 17.01.2012, conforme chancela de recebimento da RFB às fls. 1978. Em relação ao Sr. NEY AGILSON PADILHA, por constar do quadro societário da empresa CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES , considera se ter tido o mesmo prazo processualadministrativo que a empresa. Em relação ao Recurso Voluntário, os Recorrentes reiteram os argumentos deduzidos em sede de Impugnação e combatem a decisão de primeira instância, em síntese: (i) Irregular inclusão do Sr. NEY AGILSON PADILHA como corresponsável tributário; (ii) Não demonstrada a configuração de grupo econômico em relação à Recorrente CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES; (iii) Inexistência de previsão legal de solidariedade em face das obrigações impostas aos Recorrentes; (iv) Inexistência de grupo econômico ausência de relação jurídica entre Frigorífico Margen Ltda e a Recorrente CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES; (v) MPFF e MPFC Prorrogações intempestivas ausência de comunicação aos autuados ofensa ao devido processo legal. (vi) Da nulidade do Relatório de Grupo Econômico presunções, ilegalidades e inverdades. Fl. 2959DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 240 23 (vii) NFLD 37.038.8771 e NFLD 37.038.8607 possível bis in idem com as demais autuações presentes no procedimento fiscal. POR DERRADEIRO, É IMPERIOSO ATENTAR PARA 0 FATO DE QUE PODE TER OCORRIDO, S.M.J., BIS IN IDEM ACERCA DAS NFLD's 37.038.8771 (AUTOS N. 36624.015782/200695), 37.038.8585 (AUTOS N. 36624.015778/200627), 37.038.8593 (AUTOS N. 36624.015779/200671), 37.038.8607 (Autos N. 36624.015780/200604) E 37.038.8615 (AUTOS N. 36624.015781/200641) 0 QUE É EXPRESSAMENTE VEDADO POR NOSSO ORDENAMENTO PÁTRIO. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 2960DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 24 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Observase que a Recorrente CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES foi intimada do Acórdão nº 1629.267 12a. Turma da DRJ SP I em 22.12.2011, conforme o Aviso de Recebimento AR 107510244BR às fls. 1900, e interpôs o Recurso Voluntário em 17.01.2012, conforme a chancela de recebimento do servidor da RFB, Reginaldo Pires da Costa Analista Tributário Matrícula 26970, às fls. 1978. Em relação ao Sr. NEY AGILSON PADILHA, por constar do quadro societário da empresa CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES , considera se ter tido o mesmo prazo processualadministrativo que a empresa. Portanto, o Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente. Avaliados os pressupostos, passo para as Questões Preliminares e ao Mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento Analisemos. Não obstante a argumentação do Recorrente, não confiro razão ao mesmo pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Tratase de Recurso Voluntário interposto pelos Recorrentes – CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES e o Sr. NEY AGILSON PADILHA contra Acórdão nº 0724.640 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo I SP I que julgou procedente a autuação por descumprimento de obrigação principal, Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.038.8771, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 152.266,48. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social relativas à parte do empregado, da empresa, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho — SAT/RAT e as destinadas ao FNDE, INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE. Referidas contribuições têm como fato gerador os valores das remunerações pagas aos segurados empregados apuradas por meio de aferição direta em recibos de Fl. 2961DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 241 25 pagamento de salários, comprovantes de depósitos bancários, demonstrativos "Relação de Salários", cópias de cheques e outros documentos, no período de 03/2001 a 12/2003. Desta forma, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrada Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº 37.038.8771que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.038.8771) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Não obstante a argumentação da Recorrente, não confiro razão à Recorrente pois, de plano, notase que o procedimento fiscal atendeu a todas as determinações legais, com a clara discriminação de cada débito apurado e dos acréscimos legais incidentes, não havendo, pois, nulidade por vício insanável e tampouco cerceamento de defesa. Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão do Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: Fl. 2962DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 26 a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DAD Discriminativo Analítico do Débito (que discrimina os valores originários das contribuições devidas pelo contribuinte, abatidos os valores já recolhidos e as deduções legais); c. DSD Discriminativo Sintético do Débito (que apresenta os valores devidos em cada competência, referentes aos levantamentos indicados agrupados por estabelecimento); d. DSE Discriminativo Sintético por Estabelecimento (que discrimina sinteticamente, por competência e por estabelecimento, as contribuições, atualização monetária, multa e juros);. e. RL Relatório de Lançamentos (que relaciona os lançamentos efetuados nos sistemas específicos para apuração dos valores devidos pelo sujeito passivo); f. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); g. CORESP Relatório de CoResponsáveis pelo Débito (que indica todos os coresponsáveis legais pelo debito segundo a época de atuação na empresa no período fiscalizado); h. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); i. MPF – Mandado de Procedimento Fiscal; j. TIAD – Termo de Intimação para Apresentação de Documentos;. k. TEAF Termo de Encerramento da Ação Fiscal;. l. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 2963DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 242 27 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Analisandose a NFLD nº 37.013.6250, temse que foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. Desta forma, o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento por preterição aos direitos de defesa, pela ausência de fundamentação legal. (B) Da violação de princípios constitucionais; Analisemos. Não assiste razão à Recorrente pois o previsto no ordenamento legal não pode ser anulado na instância administrativa por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) II – que fundamente crédito tributário objeto de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) Fl. 2964DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 28 a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009) c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009)”(gn). Ademais, há a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. Súmula CARFnº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (C) Da decadência. Devese verificar a ocorrência, ou não, da decadência. O Supremo Tribunal Federal STF, conforme o Informativo STF nº 510 de 19 de junho de 2008, por entender que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, b, da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nºs 556664/RS, 559882/RS, 559.943 e 560626/RS, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8.212/91, atribuindose, à decisão, eficácia ex nunc apenas em relação aos recolhimentos efetuados antes de 11.6.2008 e não impugnados até a mesma data, seja pela via judicial, seja pela administrativa. Após, o STF aprovou o Enunciado da Súmula Vinculante nº 8, publicada em 20.06.2008, nestes termos: Súmula Vinculante nº 8 São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1.569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Publicada no DOU de 20/6/2008, Seção 1, p.1. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafos da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004. in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Fl. 2965DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 243 29 § 1º A súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra seja proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.)." Portanto, da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, no termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, a administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, deve adequar a decisão administrativa ao entendimento do STF, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Cumpre ressaltar que o art. 62, caput do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF do Ministério da Fazenda, Portaria MF nº 256 de 22.06.2009, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, ressalva que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou Fl. 2966DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 30 II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei n° 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar n° 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar n° 73, de 1993. (g.n.)” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, há que serem observadas as regras previstas no Código Tributário Nacional CTN. Dessa forma, constatase que já se operara a decadência do direito de constituição dos créditos ora lançados, nos termos dos artigos 150, § 4o, e 173 do Código Tributário Nacional. O meu posicionamento se identifica com o direcionamento do Superior Tribunal de Justiça – STJ no sentido de no caso de tributo lançado por homologação, desde que haja a antecipação de pagamento e não se configure os casos de dolo, fraude ou simulação, se aplica a regra especial disposta no art. 150, § 4º, CTN, conforme se depreende do REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF. Na hipótese dos autos, não qualquer evidência de ter havido recolhimentos feitos pela empresa FRIGORÍFICO MARGEN LTDA, inclusive conforme também destaca a decisão de primeira instância no sentido de ausência de recolhimentos (em relação à parte da Empresa, Segurados, SAT/RAT e Terceiros) feitos pela empresa, às fls. 1875: Observase dos autos que não foi efetuado pela empresa qualquer recolhimento para os fatos geradores objeto deste lançamento fiscal. Assim sendo, a regra a ser aplicada é aquela estabelecida no artigo 173, inciso I do CTN, segundo o qual, o direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. Desta forma, considerandose o REsp 973.733/SC nos termos do art. 62A, Anexo II, Regimento Interno do CARF – RICARF, adoto o posicionamento de aplica para efeitos de decadência o art. 173, I, CTN por considerar não ter havido recolhimentos feitos pela Recorrente em relação aos fatos geradores objeto do lançamento fiscal. Temos que: A empresa FRIGORÍFICO MARGEN LTDA teve ciência da NFLD em 13.12.2006, conforme o Aviso de Recebimento AR às fls. 1451. O período objeto do auto de infração, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 12, é de 03/2001 a 12/2003. Logo, aplicandose o critério decadencial insculpido no art. 173, I, CTN, constatase que não ocorreu a decadência. Fl. 2967DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 244 31 (i) Irregular inclusão do Sr. NEY AGILSON PADILHA como corresponsável tributário; Analisemos. Tal matéria acerca do Relatório CORESP, como parte integrante da autuação, encontrase pacificada no âmbito deste Egrégio Conselho, conforme o disposto na Súmula CARF nº 88, no sentido de que este Relatório tem finalidade meramente informativa. Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (ii) Não demonstrada a configuração de grupo econômico em relação à Recorrente CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES; (iii) Inexistência de previsão legal de solidariedade em face das obrigações impostas aos Recorrentes; (iv) Inexistência de grupo econômico ausência de relação jurídica entre Frigorífico Margen Ltda e a Recorrente CIA UNIÃO EMPREENDIMENTOS E PARTICIPAÇÕES; (vi) Da nulidade do Relatório de Grupo Econômico presunções, ilegalidades e inverdades. Analisemos os tópicos (ii), (iii), (iv) e (vi). I. Configuração do Grupo Econômico de fato I.1 Aspectos gerais Na alegação do Recurso Voluntário, pretende o contribuinte que seja afastada a coresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização ex ofício de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. Fl. 2968DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 32 A corroborar tal entendimento, a Recorrente infere que os fatos elencados em sua peça recursal rechaçam de plano a pretensão fiscal, uma vez que referidas pessoas jurídicas não se vinculam ao fato gerador, sendo empresas absolutamente independentes e autônomas, inobstante terem possuído o mesmo controle. Em que pesem as razões de fato e de direito ofertadas pelo contribuinte na peça recursal, seus entendimentos não têm o condão de macular a exigência fiscal, senão vejamos. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal, às fls. 154 a 163, e no Relatório Grupo Econômico, às fls. 164 a 192, as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta. I.2 Aplicação dos artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional Como se sabe, a solidariedade previdenciária é legal e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Nesse sentido, os artigos 121, 124 e 128, do Código Tributário Nacional, assim prescrevem: “ Art. 121 Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo Único O sujeito passivo da obrigação principal diz se: I contribuinte, quando tenha relação pessoal e direita com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. Art.124 São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo Único A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Art.128 Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação.” (gn) I.3 Aplicação dos artigos da Lei 6.404/1976 Fl. 2969DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 245 33 Por sua vez, a Lei nº 6.404/76, igualmente, oferece proteção ao entendimento da autoridade fiscal, ao conceituar Grupo Econômico em seus artigos 116, 265 e 267, como segue: “Art. 116. Entendese por acionista controlador a pessoa, natural ou jurídica, ou o grupo de pessoas vinculadas por acordo de voto, ou sob controle comum, que: a) é titular de direitos de sócio que lhe assegurem, de modo permanente, a maioria dos votos nas deliberações da assembléiageral e o poder de eleger a maioria dos administradores da companhia; e b) usa efetivamente seu poder para dirigir as atividades sociais e orientar o funcionamento dos órgãos da companhia. Parágrafo único. O acionista controlador deve usar o poder com o fim de fazer a companhia realizar o seu objeto e cumprir sua função social, e tem deveres e responsabilidades para com os demais acionistas da empresa, os que nela trabalham e para com a comunidade em que atua, cujos direitos e interesses deve lealmente respeitar e atender. Art. 265 A sociedade controladora e suas controladas podem constituir, nos termos deste Capítulo, grupo de sociedades, mediante convenção pela qual se obriguem a combinar recursos ou esforços para a realização dos respectivos objetos, ou a participar de atividades ou empreendimentos comuns. § 1º A sociedade controladora, ou de comando do grupo, deve ser brasileira, e exercer, direta ou indiretamente, e de modo permanente, o controle das sociedades filiadas, como titular de direitos de sócio ou acionista, ou mediante acordo com outros sócios ou acionistas. § 2º A participação recíproca das sociedades do grupo obedecerá ao disposto no artigo 244. Art. 267 O grupo de sociedades terá designação de que constarão as palavras "grupo de sociedades" ou "grupo". Parágrafo Único Somente os grupos organizados de acordo com este Capítulo poderão usar designação com as palavras "grupo" ou "grupo de sociedade".” Entretanto, tem sido cada vez mais freqüente a constatação da existência de empresas controladas direta ou indiretamente pela(s) mesma(s) pessoa(s), sem que estejam formalmente revestidas da condição (nem com os mesmos objetivos) do grupo econômico de que trata a Lei 6 404/76. Estes são os que se podem denominar “grupos econômicos de fato". I.4 Aplicação da Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 e da IN RFB 971/2009: Fl. 2970DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 34 Por outro lado, a Instrução Normativa MPS/SRP nº 3/2005 trata o grupo econômico nos artigos 179, 748 e 749, na redação vigente à época dos fatos geradores, a seguir: Art. 179. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si; (Redação original) I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme previsto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; (Nova redação dada pela IN MPS SRP nº 20, de 11/01/2007) Art. 748. Caracterizase grupo econômico quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. (gn) Art. 749. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do art. 30, inciso IX, da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. No mesmo sentido, a IN RFB 971/2009: Art. 152. São responsáveis solidários pelo cumprimento da obrigação previdenciária principal: I as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, entre si, conforme disposto no inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991; Art. 494. Caracterizase grupo econômico quando 2 (duas) ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas, compondo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica. Art. 495. Quando do lançamento de crédito previdenciário de responsabilidade de empresa integrante de grupo econômico, as demais empresas do grupo, responsáveis solidárias entre si pelo cumprimento das obrigações previdenciárias na forma do inciso IX do art. 30 da Lei nº 8.212, de 1991, serão cientificadas da ocorrência. Não vincula, portanto, a existência de "grupo econômico" ao cumprimento das formalidades da Lei 6.404176, do que se infere, evidentemente, que a Instrução Normativa MPS/SRP n° 3/2005 não se refere apenas e necessariamente aos grupos formalmente constituídos, mas à hipótese geral de "quando duas ou mais empresas estiverem sob a direção, o controle ou a administração de uma delas". Para a caracterização e identificação de "grupo econômico", importa, portanto, investigar a situação real (verificação dos vínculos entre as empresas e das circunstâncias em que se constituíram e realizam suas atividades) e não apenas a situação Fl. 2971DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 246 35 meramente formal (de estarem ou não constituídas como "grupo econômico" da forma da Lei 6.404/76). I.5 Aplicação do o artigo 2º, § 2º, da CLT Em outra via, o artigo 2º, § 2º, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: “Art. 2º Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. § 1º [...] § 2º Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas.” (gn) Resta evidente que o artigo 2º, § 2º, da CLT não faz qualquer distinção entre "grupo econômico de fato ou de direito", o que, aliás, pode ser facilmente constatado pelos reiterados julgados da Justiça do Trabalho, vinculando invariavelmente as demais empresas de um grupo econômico, ainda que não formalmente constituído, à reclamatória trabalhista, desde que demonstrada a relação, mesmo informal, entre o empregador direto e demais empresas vinculadas. Assim, a possibilidade (ou mesmo a determinação) legal da vinculação por solidariedade dos integrantes de "grupos econômicos", sejam eles formais ou informais, se justifica em ambos os casos — cobrança de direitos trabalhistas ou de contribuições previdenciárias — pelo relevante interesse social que os casos envolvem. I.6 Procedimentos que caracterizaram o grupo econômico de fato. Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pelos Auditores fiscais da RFB ao promoverem o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o artigo 30, inciso IX, da Lei nº 8.212/91, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: “ Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: [...] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei;” Fl. 2972DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 36 Anotase que o art. 222 do Decreto 3.048/1999 também trata da matéria acerca de grupo econômico: Decreto 3.048/1999 Art. 222.As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento.(Redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 2001) (gn) No presente caso concreto, ao contrário do entendimento do Recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato. Somente a título elucidativo, para não restar dúvidas a propósito do tema, transcreveremos abaixo a síntese das razões que levaram a fiscalização concluir pela existência de Grupo Econômico de Fato, onde o AuditorFiscal autuante, com muita propriedade/especificidade, demonstrou e comprovou os argumentos da pretensão fiscal, senão vejamos: O Relatório fiscal informa, em relação às empresas: 1.3.1. No cumprimento dos Mandados de Busca e Apreensão Judicial expedidos pelo M.M. Juiz Federal da 1°. Vara de Campo Grande—MS em 26/11/2004 (Seção Judiciária de Mato Grosso do Sul), Autos de Inquérito Policial n°. 319/02 SR/DPF/MS, em operação realizada pela Policia Federal e Auditores Fiscais da Previdência Social nas dependências das empresas e locais relacionados na Tabela 01, resultou na apreensão de grande quantidade de documentos e microcomputadores. 1.3.2. A análise dos documentos apreendidos demonstrou a existência de um grupo econômico denominado GRUPO MARGEN, composto por unidades frigorificas, transportadoras, holdings e empresas de cessão de mãodeobra, distribuídos nos Estados de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Parana, São Paulo, Santa Catarina, Goiás, Tocantins e Brasilia. 0 relatório caracterizador do referido grupo econômico intitulado "GRUPO ECONÔMICO: GRUPO MARGEN" encontrase em anexo. O Relatório Fiscal às fls. 154 a 163, bem como o seu Anexo Relatório de Grupo Econômico às fls. 164 a 192, caracterizou a ocorrência de grupo econômico entre as empresas: Frigorifico Margen Ltda, Eldorado Participações Ltda., MF Alimentos BR Ltda., SS Administradora de Frigorifico Ltda., Magna administração e Participações Ltda., Agua Limpa Transportes Ltda, Ampla Empreendimentos e Participações Ltda, CIA Unido Empreendimentos e Participações e Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. Em relação à caracterização do grupo econômico de fato constituído, disposto no Anexo Relatório de Grupo Econômico às fls. 164 a 192, destacamse, dentre outros aspectos: GRUPO ECONÔMICO: "GRUPO MARGEN" C.N.P.J.'s: 25.068.875/000156 — Frigorifico Margen Ltda.; 05.281.319/000156 — SS Administradora de Frigorifico Ltda.; Fl. 2973DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 247 37 02.682.269/000120 — Eldorado Participações Ltda.; 02.135.319/000150 — Magna Administração e Participações Ltda.; 05.300.347/000173 — Ampla Empreendimentos e Participações Ltda.; 05.166.882/000183 — Cia. União Empreendimentos e Participações; 01.169.288/000195 — Agua Limpa Transportes Ltda.; 04.872.265/000130 — Frigorifico Centro Oeste SP Ltda.; 05.307.573/000186 — MF Alimentos BR Ltda 1. HISTÓRICO 1.1. 0 Grupo Margen é um dos maiores processadores de carne bovina da América Latina e está presente em 8 estados brasileiros e no Distrito Federal. Sua sede encontrase na cidade de São Paulo e o seu Departamento Comercial está fixado na cidade de Rio VerdeGO. Possui 12 unidades industriais distribuídas nos estados de Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Rondônia, Paraná e Tocantins. Estas plantas industriais abatem em média 5.000 cabeças de bovinos por dia. 1.2. 0 Grupo realiza o transporte de carne para o mercado interno por meio de frota própria de veículos refrigerados. A distribuição é realizada através de 07 entrepostos localizados nas cidades de BarueriSP, CampinasSP, BauruSP, AraraquaraSP, BrasiliaDF, BlumenauSC e CuritibaPR. Essas unidades realizam mais de 6.000 entregas diárias. 0 Grupo ainda mantém uma unidade na Europa. 1.3. 0 Grupo Margen emprega mais de 5 mil funcionários e geram outros milhares de empregos indiretos. 1.4. Estas informações constam na página mantida pelo Grupo na internet no sitio http://www.marcen.com.br , anexo 01. 3. COMPOSIÇÃO DO GRUPO MARGEN 3.1. 0 Grupo Margem atualmente é composto por nove empresas nos seguintes ramos de atividade: 1. Frigoríficos: Frigorifico Margen Ltda.; MF Alimentos BR Ltda. e Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. 2. Transportes: Fl. 2974DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 38 Agua Limpa Transportes Ltda. 3. Holdings: Ampla Empreendimentos e Participações Ltda.; Magna Administração e Participações Ltda.; Eldorado Participações Ltda. e Cia. União Empreendimentos e Participações. 4. Cessionária de Mãodeobra: SS Administradora de Frigorifico Ltda. 4. HISTÓRICO DAS ALTERAÇÕES SOCIETÁRIAS Frigorifico Margen Ltda. 4.1. A empresa foi constituída inicialmente sob a denominação social "Margen • Transportes Rodoviários Ltda.", ern 08/02/1989. 0 quadro societário inicial era composto pelos senhores Ney Agilson Padilha, Verena Maria Bannwart Suaiden, Roberto Siqueira Rosa, Adair Ermetti Furini e Milton Prearo. 4.2. Em 14/05/1990, a sua denominação social foi alterada para "Frigorifico Margen Ltda." e sua atividade econômica para "abate e frigorificação de bovinos". Em 23/08/1990, retiraram se da sociedade os sócios Roberto Siqueira Rosa e Adair Ermetti Furini. 4.3. Em 10/11/1995 ocorreu uma cisão parcial com versão de parcela do seu patrimônio para a empresa Agua Limpa Transportes Ltda., CNPJ 01.169.288/000195. 4.4. Em 11/11/96 a sócia Verena Maria Bannwart Suaiden retirouse da sociedade, sendo então admitidos os senhores Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto. 4.5. Em 03/12/96 retiraramse da sociedade os senhores Ney Agilson Padilha e Milton Prearo. 4.6. Em 07/10/98 o sócio Jelicoe retirouse da sociedade, sendo admitida a empresa Eldorado Participações Ltda. Com esta alteração o sócio Lourenço Augusto Brizoto passou a deter 1% do capital social e a Eldorado Participações Ltda. ficou com 99%. Em 20/02/2003 retirouse da sociedade Lourenço e foi readmitido o sócio Jelicoe Pedro Ferreira Eldorado Participações Ltda. 4.7. A empresa foi constituída em 10/08/1998 pelos senhores Lourenço Augusto Brizoto, Jelicoe Pedro Ferreira e Aldomiro Lopes de Oliveira. Em 13/07/2004 o sócio Aldomiro Lopes de Oliveira transferiu 100% de sua participação no capital social para a empresa uruguaia Cyndell Company Sociedad Anonima, cujo procurador é o próprio Jelicoe Pedro Ferreira. Em 27/07/2004 o sócio Lourenço Augusto Brizoto transfere suas Fl. 2975DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 248 39 quotas aos sócios Jelicoe Pedro Ferreira e Cyndell Company Sociedad Anonima. Assim, Jelicoe passou a deter 51% do Capital Social e a empresa uruguaia os 49% restantes. MF Alimentos BR Ltda. 4.8. A MF Alimentos BR Ltda. foi constituída em 23/07/2002 pelo senhor Jelicoe Pedro Ferreira e pela pessoa jurídica Eldorado Participações Ltda. Em 12/08/2002 retirouse da sociedade o sócio Jelicoe, transferindo sua participação societária para o senhor—Lourenço Augusto Brizoto. Com a alteração contratual ocorrida em 10/02/2003, o sócio Lourenço Augusto Brizoto retirase da sociedade, sendo novamente admitido o senhor Jelicoe. SS Administradora de Frigorifico Ltda. 4.9. A empresa foi constituída em 26/08/2002 pelos senhores Marcelo Ribeiro Rocha e Alberto Asciutti Netto. Posteriormente, ingressou na sociedade a pessoa jurídica Eldorado Participações Ltda. 4.10. A função da SS Administradora de Frigorifico Ltda. é o de prover de mãodeobra as unidades frigorificas do Grupo Margen. Esta empresa foi constituída estrategicamente para receber formalmente toda a mãodeobra das unidades industriais das empresas Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. e MF Alimentos Ltda. Este ardil concebido com a arte da malícia tem por fim afastar os fatos geradores de contribuições previdenciarias incidentes sobre Folha de Pagamento de Salários das unidades industriais e estancar os débitos relativos a estas contribuições na SS Administradora de Frigorifico Ltda. 4.11. A atuação desta empresa restringese a executar as formalidades previstas na legislação trabalhista, pois a relação de emprego de fato estabelecese entre as unidades industriais e as pessoas formalmente contratadas pela SS Administradora. Os documentos arrolados no anexo 04 resgatam a supremacia da realidade dos fatos. Nestes expedientes encaminhados pelo Frigorifico Centro Oeste a SS Administradora consta: • Expediente de 30/04/2003: informa a alteração por parte do Frigorifico do horário de inicio da jornada de trabalho para alguns funcionários e determina o pagamento de horas extras; • Expediente de 08/05/2003: comunica a freqüência correta de funcionários e o direito destes a cesta básica; • Expediente de 13/06/2003: solicita que se faça vale extra para funcionário; Fl. 2976DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 40 • Expediente de 14/06/2003: solicita a demissão imediata de funcionário e determina que o mesmo deverá ter aviso prévio retroativo; • Expediente de 21/07/2003: comunica a alteração de cargos de funcionários; • Expediente de 23/07/2003: solicita advertência a funcionária por ter a mesma trocado horário de trabalho sem aviso prévio à gerência do frigorifico. 4.12. Como se depreende, fica evidente a subordinação dos funcionários diretamente ao frigorifico, responsável de fato pela gestão do pessoal apenas formalmente registrado pela SS Administradora. A planilha intitulada "Relação de Funcionários — C.Oeste", anexo 04, mostra o detalhamento em 07/03/2003 de quais funcionários foram contratados via "registro" pelo próprio Frigorifico Centro Oeste e aqueles via "registro" pela SS Administradora, evidenciando a estratégia adotada pelo Grupo Margen para a formalização das relações de emprego. Magna Administração e Participações Ltda. 4.13. A empresa foi constituída em 23/09/1997 pelos senhores Ney Agilson Padilha, Milton Prearo, Verena Maria Bannwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. Em 06/04/1998 ocorreu incorporação parcial da sociedade Aqua Limpa— Transportes Ltda., com versão de parcela patrimonial no valor de R$ 1.700.831,58. Novamente, em 11/11/1999, a sociedade Magna Administração e Participações Ltda. incorporou parcialmente a empresa Aqua Limpa Transportes Ltda., com recebimento de patrimônio no valor de R$ 389.034,55. Aqua Limpa Transportes Ltda. 4.14. Esta empresa foi constituída em 10/11/1995 especialmente para receber a parcela patrimonial cindida do Frigorifico Margen Ltda., cuja avaliação montou em R$ 1.792.097,78. 0 quadro societário inicial estava composto pelos senhores Ney Agilson Padilha, Milton Prearo e Verena Maria Bannwart Suaiden. Ampla Empreendimentos e Participações Ltda. 4.15. A sociedade foi constituída em 09/09/2002 pelos senhores Ney Agilson Padilha, Milton Prearo, Verena Maria Bannwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. Em 31/05/2004 ingressaram na sociedade os senhores Geraldo Antônio Prearo, Mauro Suaiden e James Celso Lisboa Júnior e retiraramse da sociedade os sócios Milton Prearo, Verena Maria Bannwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. Fl. 2977DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 249 41 Cia. União Empreendimentos e Participações 4.16. Fundada por Ney Agilson Padilha e Tânia Maria Elias Padilha em 19/07/2002. A companhia tem como presidente o senhor Alexandre Elias, pai da acionista e diretora Tânia Maria Elias Padilha Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. 4.17. A sociedade foi constituída em 14/01/2002 pelos senhores José Geraldo de Freitas e Cláudio Sobral de Oliveira. A empresa Eldorado Participações Ltda. participou da sociedade entre 20/05/2002 e 30/07/2002. 5. OS ATORES PRINCIPAIS: MAURO SUAIDEN, GERALDO ANTONIO PREARO E NEY AGILSON PADILHA 5.1. 0 nome MARGEN advém da justaposição das iniciais dos nomes de seus proprietários e administradores de fato — como se demonstrará adiante — os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha, 5.2. Os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha são os personagens centrais no arcabouço constituído pelas empresas aqui citadas. São eles as vigas mestras que provêem sustentação financeira, administrativa e gerencial ao conjunto destas empresas. Formalmente aparecem apenas no quadro societário da empresa Ampla Empreendimentos e Participações Ltda. Nas demais empresas fizeram constar ardilosamente ora os cônjuges (Verena Maria Bannwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha), ora o irmão (Milton Prearo), ora o sogro (Alexandre Elias), ora outros (Jelicoe Pedro Ferreira, Aldomiro Lopes de Oliveira, Lourenço Augusto Brizoto, José Geraldo de Freitas, Cláudio Sobral Oliveira, Marcelo Ribeiro Rocha) que simploriamente cederam seus nomes para figurarem artificialmente como responsáveis pelos empreendimentos ocultando as identidades dos seus verdadeiros proprietários. 5.3. Dentre estes últimos, a pessoa Jelicoe Pedro Ferreira é utilizada de forma ostensiva e amiudamente. Seu nome aparece nos contratos sociais e nas inúmeras alterações contratuais de várias empresas. Atualmente, Jelicoe aparece à frente das— empresas Frigorifico Margen Ltda., MF Alimentos BR Ltda., Eldorado Participações Ltda. e é o representante legal da "offshore" uruguaia Cyndell Company Sociedad Anônima. Como se pode observar no fluxograma do Grupo Margen no anexo 04, após as diversas manobras de reestruturação do quadro societário, Jelicoe Pedro Ferreira tornouse o único responsável pelo Frigorifico Margen Ltda., pois o mesmo é também o sócio gerente da empresa Eldorado Participações e o representante Fl. 2978DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 42 legal no Brasil da Cyndell Company. Assim, todo o poder de gestão dessa empresa estaria ficticiamente a seu encargo. 5.4. Outro fato relevante está na cisão da empresa Frigorifico Margen Ltda. ocorrida em 10/11/1995, com a transferência de 80,6% dos bens que compunham o seu • imobilizado para a empresa Agua Limpa Transportes Ltda. A versão destes ativos implicou em uma redução de seu Patrimônio Liquido de 98,1%. Esta manobra teve como finalidade evidente descapitalizar a empresa Frigorifico Margen para posteriormente passar a operála com a interposição de pessoas travestidas de sócios gerentes. 0 que de fato veio a ocorrer com a modificação do quadro societário em 11/11/1996, ocasião em que a esposa do Sr. Mauro Suaiden, Verena Maria Bannwart Suaiden, transferiu suas quotas para o Sr. Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto. E posteriormente em 03/12/1996, os srs. Ney Agilson Padilha e Milton Prearo também cederam suas participações a Jelicoe e Lourenço. Assim, completouse o ciclo de transformação do quadro societário, resultando em uma empresa exaurida de ativos e com sócios proprietários fictícios. 5.5. Os ativos transferidos para a empresa Agua Limpa Transportes Ltda. continuaram a ser utilizados pelo Frigorifico Margen Ltda. em suas atividades operacionais por meio de contratos de arrendamento. As copias de diversos contratos de arrendamento juntados no anexo 05 comprovam tal sistemática, conforme demonstrado a seguir: • Nos "Contratos de Locação Industrial" firmados em 05/05/1996 e 05/01/1998, a Agua Limpa Transportes Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. um "conjunto industrial situado no município de Rio Verde, Estado de Goiás, à Rodovia BR 060, Km 17, composto de dois módulos, sendo um para abate e frigorificação de bovinos e o outro para produção de charque ...". Tratase das instalações industriais onde o Frigorifico Margen sempre operou desde o inicio de suas atividades; • Nos "Contratos de Locação de Veículos" firmados em 01/03/1997, 01/06/1997 e 01/07/1997, a Agua Limpa Transportes Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. diversos caminhões Mercedes Benz equipados com carroceria fechada tipo baú; • Nos "Contratos de Locação Industrial" firmados em 01/05/1998, 01/01/1999, 01/01/2002 e 01/01/2004, a Magna Administração e Participação Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. um "conjunto industrial situado no município de Rio Verde, Estado de Goiás, à Rodovia BR 060, Km 17, composto de dois módulos, sendo um para abate e frigorificação de bovinos e o outro para produção de charque ...". Tratase das mesmas instalações industriais antes pertencentes à Agua Limpa Transportes Ltda.; • Nos diversos "Contratos de Locação de Veículos' firmados em 01/01/2002, a Agua Limpa Transportes Ltda. arrenda para o Frigorifico Margen Ltda. caminhões do tipo Furgão lveco Fiat. Fl. 2979DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 250 43 5.6. 0 esquema mostrado na figura a seguir ilustra a sistemática adotada pelo grupo de empresas em relação ao ativo composto pelo conjunto industrial situado no município de Rio Verde, Estado de Goiás, à Rodovia BR 060, Km 17. Como se observa, aquele ativo migrou da empresa Frigorifico Margen Ltda. para a empresa Magna Administração e Participação Ltda. Da mesma forma, os sócios Ney Agilson Padilha e Verena Maria Bannwart Suaiden migraram do quadro societário da empresa Frigorifico Margen Ltda. para a empresa Magna Administração e Participação Ltda. Já o quadro societário do Frigorifico Margen passou a ser constituído pelos sócios fictícios Jelicoe Pedro • Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto e as instalações industriais passaram a ser exploradas por meio de arrendamento. 5.7. Esta estratégia teve como finalidade afastar o patrimônio de possíveis execuções fiscais, uma vez que a partir de então o Frigorifico Margen passou a acumular enorme passivo fiscal, mormente em relação ás contribuições devidas a Previdência Social. 5.8. Outro fato emblemático é o "Contrato de Confissão e Parcelamento de Divida com Garantia Pignoraticia e Avalista", anexo 06, pactuado entre Juma Indústria e Comércio de Carnes Ltda. e Joaquim Carlos Sabino dos Santos. Nesta confissão de divida figuram como avalistas o Frigorifico Margen Ltda., Geraldo Antônio Prearo e sua esposa Rosângela de Lurdes Veronese Prearo. Em todas as situações em que se faz necessário o oferecimento de garantias é praxe ver os nomes dos senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha associados ao Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. e MF Alimentos Ltda As cópias do anexo 07 reforçam ainda mais a estreita vinculação destes senhores com o Frigorifico Margen Ltda. Conforme se observa, estas cópias mostram: • correspondências endereçadas ao Sr. Geraldo Prearo (em 23/11/2004, 25/11/2004 e 27/11/2004) têm como endereço o Frig. Margen Ltda. e o qualificam como "Diretor Geral"; • oficio da AVM Engenharia para o Frig. Margen em atenção ao Sr. Geraldo Antônio Prearo; • "Facsimile Transmission" da Jet Avionics para o Frig. Margen em atenção ao Sr. Mauro Suaiden. 5.10 Os "Termos de Declarações" tomados pelos Delegados da Policia Federal Cristian Arley Silva Lages e Rubens Alexandre de França, anexo 08, mostram que os empregados do Frigorifico Margen Ltda. e Agua Limpa Transportes Ltda., desde o vigilante ao Gerente Financeiro, são unânimes em apontar os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Pad ilha como os proprietários e gestores de fato do Frigorifico Margen Fl. 2980DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 44 Ltda. Nos depoimentos colhidos destacamos as seguintes afirmações: • Wagner Cyrne Diniz, Gerente Comercial do Frigorifico Margen: "...que foi contratado por NEY PADILHA, um dos diretores do FRIGORIFICO MARGEN; que os outros diretores do FRIGORIFICO MARGEN são GERALDO PREARO, MAURO SUAIDEN; ...que a empresa tem uma distribuição em São Paulo, coordenada por MAURICIO SUAIDEN JUNIOR, irmão de MAURO SUAIDEN;..." • José Marcos Giacone, Gerente Financeiro do Frigorifico Margen: "...que fora contratado para trabalhar na empresa pelo Senhor GERALDO ANTONIO PREARO; ...que questionado se recebe orientação direta do proprietário da empresa, senhor JELICOE, o declarante disse que sempre as orientações são passadas pela diretoria que é composta pelos senhores GERALDO ANTÔNIO PREARO, NEY PADILHA e MAURO SUAIDEN; ...que a diretoria geral do frigorifico tem sede na cidade de Rio VerdeGO, sendo que seus três componentes (GERALDO, MAURO e NEY) dispõem de amplos poderes para gerir a empresa; ...que questionado se conhece os senhores LOURENQO AUGUSTO BRIZOTO ou ALDOMIRO LOPES DE • OLIVEIRA, disse não conhece qualquer deles, nunca tendo sequer ouvido falar de tais pessoas;..." • Sebastião Coleoni dos Reis, Gerente de Transportes da Aqua Limpa Transportes Ltda.: " ...que foi contratado para trabalhar na empresa pelo Sr. MAURO SUAIDEN, que é um dos sócios da empresa; que além de MAURO SUAIDEN, também são sócios da empresa AGUA LIMPA os senhores NEY AGILSON PADILHA e GERALDO PREARO; que referidos sócios construíram toda a estrutura da AGUA LIMPA TRANSPORTES e também do FRIGORIFICO MARGEN; ...que esclarece que os únicos sócios da empresa são os acima citados; que MAURO, NEY e GERALDO são os únicos sócios do FRIGORIFICO MARGEN; que questionado sobre a pessoa de JELICOE PEDRO FERREIRA, já o viu uma vez nesta empresa, mais precisamente em uma festa, mas não mantém relacionamento com o mesmo, sabendo dizer que o mesmo não trabalha no FRIGORIFICO MARGEN ou na AAG U LIMPA TRANSPORTES; que reitera que JELICOE nunca mais esteve no FRIGORIFICO MARGEN ou na TRANSPORTADORA AGUA LIMPA; • Airton Prearo Júnior, Assistente Financeiro do Frigorifico Margen, sobrinho de Geraldo Antônio Prearo: "...que informou ainda que seu pai lhe disse que a rede de Frigorifico Margen sempre pertenceu a GERALDO PREARO, MAURO SUAIDEN e NEY PADILHA; ...que questionado se conhece o Sr. JELICOE PEDRO FERREIRA, LOURENÇO AUGUSTO BRIZOTO ou ALDOMIRO LOPES DE OLIVEIRA, disse: nunca ouvi falar de nenhum deles;..." • Suelen Rosa de Castro, Auxiliar de Contabilidade e Recepcionista do Frigorifico Marc:ten: "... que questionada se conhecia os proprietários do frigorifico, a depoente respondeu que sabe que a empresa pertence aos senhores MAURO SUAIDEN, NEY PADILHA e GERALDO PREARO; ...que Fl. 2981DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 251 45 questionada se conhece os senhores JELICOE PEDRO FERREIRA, LOURENÇO AUGUSTO BRIZOTO ou ALDOMIRO LOPES DE OLIVEIRA, disse que não conhece qualquer dos nominados, também não se recorda têlos atendido, via telefone; ...que sabe que a empresa é de propriedade de GERALDO, MAURO e NEY, pois todos no frigorifico mencionam, inclusive o gerente MARCOS GIACONE;..." • Rodrigo Silveira e Souza, Auxiliar de Escritório do Frigorifico Margen: "...que sabe que os sócios do FRIGORIFICO MARGEN são NEY, GERALDO e MAURO; ..." • Irineu Dantas de Arailio, Auxiliar de Comprador de Bovinos do Frigorifico Margen: "...que sabe dizer que os sócios do FRIGORIFICO MARGEN são MAURO SUAIDEN, NEY AGILSON PADILHA e GERALDO ANTÔNIO PREARO; ..." • Edilson Tavares Melo, Faturista do Frigorifico Margen: "...que não conhece a pessoa de JELICOE, não tendo visto o mesmo em nenhuma oportunidade na sede da empresa FRIGORIFICO MARGEN, parecendo ao mesmo que JELICOE trabalha em São Paulo; ...que MAURO SUAIDEN, NEY AGILSON PADILHA e GERALDO PREARO são os donos da empresa FRIGORIFICO MARGEN; ..." • Jailson Pereira Lopes, Vigilante do Frigorifico Margen: " ...que sabe dizer que os sócios do FRIGORIFICO MARGEN são NEY, GERALDO e MAURO; que questionado como sabia que NEY, GERALDO e MAURO eram sócios do FRIGORIFICO MARGEN, informou que antes mesmo de começar a trabalhar, já sabia do fato, que é de conhecimento geral na cidade de Rio Verde/GO; ..." 6. FINANCIAMENTO DAS ATIVIDADES OPERACIONAIS DO GRUPO 6.1. Dentre os documentos apreendidos há copiosa quantidade de contratos de financiamento firmados com instituições financeiras do Brasil e exterior. Estes financiamentos levantavam recursos para operacionalizar as atividades do Grupo, beneficiando, entre outras, as empresas Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltd a. e MF Alimentos BR Ltda. 6.2. Entrementes, estas empresas não apresentam ativos suficientes para garantir os volumosos empréstimos captados na rede bancária. 0 mesmo se pode constatar em relação aos sôcios formais destas empresas — Senhores Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas — pessoas de acanhadíssima posição patrimonial e, portanto, sem a minima capacidade financeira para obter vultosos empréstimos e oferecer garantias aos financiadores. Fl. 2982DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 46 6.3. Diante deste quadro, os verdadeiros sócios proprietários destas empresas —Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha — se viram compelidos a avocarem de forma ostensiva as responsabilidades pelos empréstimos • bancários na condição de garantidores, fiadores, responsáveis solidários, etc. 0 quadro 04 mostra sinteticamente dados de algumas operações de financiamento 6.4. Os documentos juntados no anexo 09, selecionados por amostragem, são contundentes e demonstram de forma irrefutável que o suporte financeiro para as atividades operacionais das empresas do Grupo Margen é provido pelos Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Prearo e Ney Padilha. A seguir temse uma análise sucinta destes documentos. • TERMO DE ADITAMENTO AO CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA N°. 09923479 — VALOR R$ 2.000.000,00 — 29/10/2004 Tratase da abertura de crédito junto ao banco Bankboston Banco Múltiplo S/A, tendo como devedora a empresa MF Alimentos BR Ltda., cujos sócios formais são os Senhores Jelicoe Pedro Ferreira e Lourenço Augusto Brizoto. 0 quadro 04 do citado documento relaciona os abonadores (garantes) desta transação, dentre os quais estão os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Aqilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • INSTRUMENTO PARTICULAR DE ADITAMENTO A CONTRATO / CÉDULA DE CRÉDITO N°. — VALOR R$ 500.000,00 Abertura de crédito no Banco Safra S/A em favor de Frigorifico Centro Oeste SP Ltda.. Assina este documento como avalista o Sr. Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. Observase ainda que o Sr. Mauro Suaiden assina também a Nota Promissória emitida pelo Frig. Centro Oeste em favor do banco. • NOTA DE CRÉDITO INDUSTRIAL Nr.21/001251 — VALOR R$ 1.990.000,00 —24/04/2004 Nota de crédito emitida pelo Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. a favor do Banco do Brasil S.A. Assinam a nota de crédito "POR AVAL AO EMITENTE" os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • CONTRATO ROTATIVO DE LIMITE DE CRÉDITO FIXO — VALOR R$ 2.000.000,00 — 29/08/2003 Contrato firmado entre o Banco Industrial e Comercial S/A — BICBANCO e Frigorifico Margen Ltda., constando como devedores solidários os Senhores Mauro Suaiden e Ney Aqilson Padilha, e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden e Tânia Maria Elias Padilha. • CONTRATO ROTATIVO DE LIMITE DE CRÉDITO FIXO — VALOR R$ 2.000.000,00 — 04/12/2003 Contrato firmado entre o Fl. 2983DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 252 47 Banco Industrial e Comercial S/A — BICBANCO e Frigorifico Margen Ltda., constando como devedor solidário o Senhor Mauro Suaiden e esposa Verena Maria Banwart Suaiden. • CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO / MÚTUO N°. 675777.0 — VALOR R$ 2.000.000,00 — 24/08/2004 Abertura de crédito no Banco Safra S/A em favor de Frigorifico Margen Ltda.. Assina este documento como avalista o Sr. Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. Atentese para o fato de que os endereços informados para a empresa e para o Sr. Mauro Suaiden são os mesmos, quais sejam, Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912 — 8°. Andar — São Paulo. • TERMO DE ADITAMENTO AO CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA N°. — VALOR R$ 2.000.000,00 — 03/11/2003 Tratase da abertura de crédito junto ao Banco Bankboston Banco Múltiplo S/A, tendo como devedora a empresa Frigorifico Margen Ltda. 0 quadro 04 do citado documento relaciona os abonadores (garantes) desta transação, dentre os quais estão os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Aqilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • INSTRUMENTO PARTICULAR DE ADITAMENTO DE CONTRATO — VALOR R$ 170.000,00 Alteração de contrato original de abertura de crédito no Banco Bradesco S.A. em favor de Frigorifico Margen Ltda.. Assinam este documento como avalista / devedores solidários os Senhores Mauro Suaiden e esposa Verena Maria Banwart Suaiden e Ney Agilson Padilha. Observase ainda que estes Senhores assinam também a Nota Promissória no valor de R$ 212.500,00 emitida pelo Frig. Margen em favor do Banco. Novamente os endereços informados para a empresa e para estes Senhores são os mesmos, quais sejam, Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912 — 8°. Andar — São Paulo. • CARTA DE FIANÇA — VALOR US$ 1.900.000,00 — 04/09/2003 Por este instrumento o Sr. Mauro Suaiden e sua esposa Verena Maria Banwart Suaiden se declaram fiadores em favor do Banco Bradesco S/A, responsabilizandose como devedor e principal pagador solidariamente com o Frigorifico Margen Ltda. • CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO EM CONTA N°. 08616552 — VALOR R$ 3.000.000,00 — 06/08/2003 Contrato de abertura de crédito junto ao banco Bankboston Banco Múltiplo S/A, tendo como devedora a empresa Frigorifico Margen Ltda.. 0 quadro 06 do citado documento relaciona os abonadores (garantes) desta transação, dentre os quais estão os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. Observase que o endereço Fl. 2984DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 48 informado por todos é o mesmo endereço da sede do frigorifico: Av. Brigadeiro Faria Lima, 1912 —8°. Andar — São Paulo. • CONTRATO DE ARRENDAMENTO MERCANTIL FINANCEIRO N°. 15.223 —VALOR R$ 371.000,00 — 25/03/2004 Contrato entre a BB Leasing S.A. — Arrendamento Mercantil e o Frigorifico Margen Ltda.. Firmam o presente contrato como fiadores os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Nev Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • CONTRATO DE ABERTURA DE CRÉDITO CONTA GARANTIDA BB N°. 313.200.161 — VALOR R$ 2.200.000,00 — 25/08/2003 Contrato de abertura de crédito junto ao Banco do Brasil S.A. em favor da empresa Frigorifico Margen Ltda.. Assinam o referido contrato como devedores solidários os Senhores Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden e Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo. • BRAZILIAN PREEXPORT FINANCING AGREEMENT — VALOR US$ 2.000.000,00 — 08/09/2004 Contrato de financiamento entre o BankBoston localizado em Nassau, Bahamas, e o Frigorifico Margen Ltda.. Firmam o presente contrato como fiadores os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo, Milton Prearo e Ney Agilson Padilha e as respectivas esposas Verena Maria Banwart Suaiden, Rosângela de Lurdes Veronesi Prearo, Silvana Aparecida Gonçalves Prearo e Tânia Maria Elias Padilha. • TERMO DE FINANCIAMENTO N°. 02 — VALOR R$ 4.000.000,00 — 03/11/2004 Este termo esta vinculado ao Contrato Master de Financiamento de Capital de Giro n°. 46222 celebrado entre o Frigorifico Margen Ltda. e o Banco BBM S.A. Assinam o referido termo como intervenientes avalistas o Senhor Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. Este Termo de Financiamento esta garantido pelo Instrumento Particular de Penhor de Títulos —Anexo de Garantia, cujos garantidores são as empresas MF Alimentos BR Ltda., Frigorifico Margen Ltda. e Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. A divida do financiado decorrente deste Termo de Financiamento é representada pela Nota Promissória no valor de R$ 4.900.000,00, cujos avalistas são o Senhor Mauro Suaiden e a esposa Verena Maria Banwart Suaiden. • PROPOSTA DE TETO DE COMPRADOR PARA DESCONTO DE NPR/DR —VALOR: R$ 500.000,00 — 26/10/2004 Abertura de crédito no Banco do Brasil S/A em favor do Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. para fazer frente aos descontos de Notas Promissórias Rurais e/ou Duplicatas Rurais de responsabilidade do Frigorifico. 0 contrato traz como devedor solidário o Frigorifico Margen Ltda. A Carta de Fiança da presente Proposta está assinada pelos Senhores Mauro Suaiden e Geraldo Antônio Prearo e por Ney Aqilson Padilha e Verena Maria Bannwart Suaiden, como representantes legais da empresa Magna Administração e Participações Ltda. Fl. 2985DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 253 49 • CÉDULA DE CRÉDITO BANCÁRIO "SAQUE FÁCIL DIAS ÚTEIS" — VALOR: R$ 1.500.000,00 — 30/06/2004 Abertura de limite rotativo para saques a descoberto em conta corrente no Banco Bradesco S/A em favor do Frigorifico Centro Oeste SP Ltda. Os avalistas desta operação financeira é o Senhor Mauro Suaiden e sua esposa Verena Maria Bannwart Suaiden e as empresas Magna Administração e Participações Ltda. e Frigorifico Margen Ltda. 7. GESTÃO ADMINISTRATIVA 7.1. É intuitiva a percepção de que o comando gerencial das empresas que 4110 compõe o Grupo Margen não poderia estar, como de fato não está, nas mãos daqueles que cederam nomes e dados cadastrais para figurarem nos contratos sociais como "sócios" e "sóciosgerentes". É manifesto que os Srs. Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas tãosomente se apresentam no plano da formalidade como responsáveis por empreendimentos e atos de outrem. Os papéis desempenhados por estas pessoas correspondem exatamente á definição encontrada no Dicionário Aurélio e consagrada no cotidiano nacional para as expressões "testade ferro" e "laranja f 7.2. PROCURAÇÕES 7.2.1. Os documentos do anexo 10 e descritos a seguir, corroboram que a gestão administrativa é desempenhada por pessoas diversas daquelas que simuladamente nos Contratos Sociais assumem o status de "sóciosgerentes". 9. "MODUS OPERANDI" DA ORGANIZAÇÃO 9.1. 0 grupo está estrategicamente composto por empresas operacionais e de investimentos. As empresas de investimento Magna Administração e Participações Ltda., Cia. União Empreendimentos e Participações e Ampla Empreendimentos e Participações Ltda. possuem em seus quadros societários os próprios senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha ou pessoas dos clãs Suaiden, Prearo e Padilha. Por outro lado, dentre as empresas operacionais apenas uma — Agua Limpa Transportes Ltda. — tem no seu quadro societário estas pessoas. 9.2. As demais empresas — Frigorifico Margen Ltda., Frigorifico Centro Oeste SP Ltda., MF Alimentos BR Ltda. e SS Administradora de Frigorifico Ltda. — encontramse convenientemente em nome de terceiros interpostos. A razão para tanto se compreende prontamente, pois é nestas que se praticam os fatos geradores de tributos e das contribuições Fl. 2986DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 50 devidas à previdência social, mormente a contribuição incidente sobre a aquisição de bovinos para o abate. 9.3. Assim, as empresas onde se concentram as atividades operacionais do Grupo Margen são empresas descapitalizadas, desguarnecidas de bens — suas instalações industriais são todas arrendadas — e com "sóciosgerentes" perceptivelmente desprovidos de capacidade financeira, patrimonial e gerencial para a monta daqueles empreendimentos industriais. Podese dizer que estas empresas representam a parte "podre" do Grupo Margen, sendo exploradas à exaustão, arrancandolhes faturamentos mirabolantes (R$ 1.176.556.922,84 em 2003 — Frig. Margen Ltda.) e estancando nelas dividas para com a Previdência Social igualmente assombrosas. 9.4. Os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, com seu poderio financeiro arregimentam terceiros incautos para emprestarem seus nomes — Jelicoe Pedro Ferreira, Cláudio Sobral Oliveira e José Geraldo de Freitas —e figurarem como "sóciosgerentes" diante destas empresas. Desta forma, com tais ardis colocam seus patrimônios pessoais em salvaguarda, pois evidente está que sua intenção • velada é a de que, com a fraude perpetrada, o fisco busque seus créditos no patrimônio nulo dos supostos "sóciosgerentes". Com tais subterfúgios, os Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, embora sendo os gestores de fato dos empreendimentos, ainda buscam se esquivar da imputação dos inúmeros crimes contra a Previdência Social e a Ordem Tributária cometidos em tese na condução dos negócios. Em suma, aos supostos "sóciosgerentes" cabem arcar com as gigantescas dividas tributárias e as conseqüências penais dos ilicitos, enquanto àqueles os fáceis e gordos lucros obtidos. 10. Conclusão 10.1. Portanto, tendo em vista o interrelacionamento e a gestão comum a cargo dos Senhores Mauro Suaiden, Geraldo Antônio Prearo e Ney Agilson Padilha, resta caracterizada a existência de um grupo econômico de fato constituído pelas empresas relacionadas no inicio deste relatório. A denominação do grupo utilizada nos diversos relatórios que comporão as notificações fiscais de débito, será "Grupo Margen". Verificase, portanto, que a AuditoriaFiscal não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente relacionados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. Dessa forma, resta claro que as empresas do Grupo Econômico de fato têm, efetivamente, interesse comum no fato gerador dos tributos ora exigidos, na forma estipulada Fl. 2987DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 254 51 no artigo 124, inciso I, do CTN, impondo a manutenção do feito em sua plenitude, não se cogitando em ilegalidade e/ou irregularidade na atuação fiscal. Diante do exposto, não prospera a alegação da Recorrente. (v) MPFF e MPFC Prorrogações intempestivas ausência de comunicação aos autuados ofensa ao devido processo legal. Analisemos o tópico (v). 0 Mandado de Procedimento Fiscal, MPF, atende ao disposto no art. 196, CTN e nos termos do art. 2° e seguintes do Decreto n° 3.969/01 e art 587 e seguintes da IN SRP n° 03/2005. Decreto n° 3.969, de 15/10/2001: 'Art. 12. Os MPFs terão os seguintes prazos máximos de validade: I cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, no caso de MPFD. Art. 13. A prorrogação do prazo de que trata o art. 12 poderá ser efetuada pela autoridade outorgante, tantas vezes quantas necessárias, observados, a cada ato, os limites estabelecidos naquele artigo Parágrafo único. A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPFC." Instrução Normativa MPS/SRP n° 03/2005: "Art. 574. 0 MPF será emitido por ocasião do inicio do procedimento fiscal e dele será dada ciência ao representante legal, ao mandatário ou ao preposto do sujeito passivo, na forma do art. 588. Art. 583. 0 MPF conterá: I numeração de identificação e de controle, II dados identificadores do sujeito passivo; III tipo de procedimento fiscal a ser executado (Auditoria Fiscal previdenciária ou Diligência Fiscal); IV prazo para a realização do procedimento fiscal; V identificação (nome e matricula) do(s) AFPS responsável (eis) pela execução do mandado; Fl. 2988DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 52 VI identificação (nome, matricula e assinatura) da autoridade emissora do mandado e, na hipótese de delegação de competência, a indicação do respectivo ato de delegação; VII ciência do representante legal, mandatário ou preposto do sujeito passivo, com seus dados identificadores; VIII nome, endereço e telefone funcionais da chefia do(s) AFPS responsável(eis) pela execução do mandado. § 1° A assinatura da autoridade emitente, prevista no inciso VI do caput, se caracterizará pelo acesso exclusivo ao sistema informatizado da SRP para a emissão do MPF. Ademais, conforme o já argumentado na decisão de primeira instância, às fls. 1851, não há expressa previsão legal determinando prazo para a ciência do sujeito passivo, no caso de MPFC (Complementar), sendo "a seqüência natural do trabalho de auditoria suficiente para observarse que o procedimento fiscal ainda não se encerrou. Apenas o que se busca preservar é que o MPF inicial delimite o inicio da ação fiscal, e informe sobre os seus termos." Já em relação ao prazo do MPFF (Fiscalização), se fixa um período máximo de 120 dias para a realização do procedimento de fiscalização que pode ser prorrogado, tantas vezes quantas necessárias, por meio de MPFC (Complementar), conforme o art. 587, parágrafo único da IN MPS/SRP n° 03/2005: Art. 587. 0 MPF terá validade de até: 1 cento e vinte dias, nos casos de MPFF e de MPFE; II sessenta dias, nos casos de MPFD e de MPFEx. §1° A prorrogação do prazo de validade do MPF será formalizada mediante a emissão do MPFC, tantas vezes quantas necessárias, observados, em cada mandado, os limites estabelecidos no caput. Inclusive a decisão de primeira instância, reforçando o posicionamento de não acolher os argumentos da então Impugnante, relaciona no Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF, às fls. 273: No presente caso, verificase, de acordo com o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação de MPF, fls. 273, que para o MPF — F n° 09.208.557, foram emitidos 11 (onze) MPFs — Complementares, em 17/03/2005, 06/04/2005, 01/06/2005, 31/10/2005, 18/11/2005, 17/01/2006, 17/03/2006, 12/05/2006, 30/06/2006, 29/08/2006 e 20/10/2006, prorrogando o prazo de validade da ação fiscal, respectivamente, até 06/04/2005, 21/06/2005, 29/10/2005, 26/12/2005, 17/01/2006, 18/03/2006, 16/05/2006, 04/07/2006, 29/08/2006, 23/10/2006 e 19/12/2006. Por tudo, concordo com a decisão de primeira instância no sentido de que se mostra irrelevante por não violar os ditames da ampla defesa e do contraditório, além de não causar qualquer prejuízo á defesa da Recorrente, o fato de a prorrogação do MPFC 03 ter sido efetuado pelo MPFC 04 apenas em 31/10/2005, quando vencido o prazo em 29/10/2005, uma vez que o dia 29/10/2005 era um sábado, e somente na segundafeira, dia 31/10/2005, que houve expediente administrativo é que fora emitido o novo MPF C 04. Fl. 2989DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA Processo nº 36624.015782/200695 Acórdão n.º 2403002.347 S2C4T3 Fl. 255 53 Diante do exposto, não prospera a argumentação da Recorrente. (vii) NFLD 37.038.8771 e NFLD 37.038.8607 possível bis in idem com as demais autuações presentes no procedimento fiscal. POR DERRADEIRO, É IMPERIOSO ATENTAR PARA 0 FATO DE QUE PODE TER OCORRIDO, S.M.J., BIS IN IDEM ACERCA DAS NFLD's 37.038.8771 (AUTOS N. 36624.015782/200695), 37.038.8585 (AUTOS N. 36624.015778/200627), 37.038.8593 (AUTOS N. 36624.015779/200671), 37.038.8607 (Autos N. 36624.015780/200604) E 37.038.8615 (AUTOS N. 36624.015781/200641) 0 QUE É EXPRESSAMENTE VEDADO POR NOSSO ORDENAMENTO PÁTRIO. Analisemos o tópico (vii). A Recorrente argumenta, de forma genérica e imprecisa que a presente NFLD pode incorrer em bis in idem em decorrência da lavratura das demais NFLD. Ora, a Recorrente não aponta, de forma específica, quais os fatos geradores ou levantamentos realizados no procedimento fiscal, que resultou nas autuações de obrigações principais e acessórias, que ensejariam tal hipótese de bis in idem. Diante dessa argumentação genérica e imprecisa da Recorrente, não há como prosperar tal linha de defesa. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 2990DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA 54 Fl. 2991DF CARF MF Impresso em 05/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 08/01/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por MARCELO F REITAS DE SOUZA COSTA
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Numero do processo: 10725.000729/2006-68
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2003
ISENÇÃO. CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE.
Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2102-002.015
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer a isenção pleiteada somente a partir de março de 2002.
Assinado digitalmente.
Jose Raimundo Tosta Santos Presidente na data da formalização.
Assinado digitalmente.
Rubens Maurício Carvalho - Relator.
EDITADO EM: 27/01/2014
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Atílio Pitarelli.
Nome do relator: RUBENS MAURICIO CARVALHO
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CONTRIBUINTE PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Fazem jus à isenção do imposto os proventos de aposentadoria, pensão ou reforma recebidos por contribuinte portador de doença especificada em lei, comprovada por meio de laudo emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados e dos Municípios. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR PARCIAL provimento ao recurso para reconhecer a isenção pleiteada somente a partir de março de 2002. Assinado digitalmente. Jose Raimundo Tosta Santos – Presidente na data da formalização. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. EDITADO EM: 27/01/2014 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Giovanni Christian Nunes Campos (Presidente), Rubens Mauricio Carvalho, Núbia Matos Moura, Roberta de Azeredo Ferreira Pagetti, Carlos André Rodrigues Pereira Lima. Ausente justificadamente o Conselheiro Atílio Pitarelli. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 07 29 /2 00 6- 68 Fl. 81DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000729/200668 Acórdão n.º 2102002.015 S2C1T2 Fl. 71 2 Relatório Para descrever a sucessão dos fatos deste processo até o julgamento na Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), adoto de forma livre o relatório do acórdão da instância anterior de fls. 48/49: Contra o contribuinte acima qualificado foi lavrado o auto de infração do ano calendário 2002 às fls. 03 a 06, tendo sido apurada omissão de rendimentos. A auto de infração possui um crédito tributário total de R$ 5.640,92. O contribuinte contesta o lançamento por meio da impugnação de fl. 01, alegando, em síntese, ser portador de moléstia isentiva, tendo juntado laudo do Hospital Geral de Guarus, que teria sido emitido por serviço médico do Município de Campos dos Goytacazes. Diante desses fatos, as alegações da impugnação e demais documentos que compõem estes autos, o órgão julgador de primeiro grau, ao apreciar o litígio, em votação unânime, julgou procedente o lançamento, mantendo o crédito consignado no auto de infração, considerando que não restou comprovado que o contribuinte era portador da moléstia grave no ano autuado, portanto, sem direito ao benefício da isenção do IR pleiteado, o, resumindo o seu entendimento na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Anocalendário: 2002 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. MOLÉSTIA GRAVE. Para fazer jus à isenção de imposto de renda sobre proventos de aposentadoria, cabe ao contribuinte provar, por meio de Laudo Médico Oficial, que era portador de moléstia grave no ano calendário correspondente. Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, de fls. 54 a 56, ratificando os argumentos de fato e de direito expendidos em sua impugnação e requerendo pelo provimento ao recurso e cancelamento da exigência, cujo conteúdo se resume nos seguintes excertos: I. Válido esclarecer que, equivocadamente, o conselheiro apenas se ateve data de emissão do laudo expedido pelo Hospital Geral de Guarus Campos/RJSUS, datado de 18/08/2004 não observando, porém, que no teor do mesmo consta que a doença que afeta o requerente de maneira irreversível foi contraída desde março de 2002 e II. Juntese ao presente recurso, cópia da Comunicação n° 455/2007, da lavra da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campos SAORT / DRF / CGZ / RJ na qual, em sede de processo administrativo n° 10725.000590/200571, com parecer conclusivo n° 284/07, foi deferido o pedido de isenção do IRPF do anocalendário 2002, reconhecendo direito creditório do valor retido no 13° salário, fundado no referido laudo, conforme texto a seguir transcrito: (Doc. 04) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000729/200668 Acórdão n.º 2102002.015 S2C1T2 Fl. 72 3 Dando prosseguimento ao processo este foi encaminhado para o julgamento de segunda instância administrativa. É O RELATÓRIO. Voto Conselheiro Rubens Maurício Carvalho. ADMISSIBILIDADE O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Assim sendo, dele conheço. Pleiteia o reconhecimento de isenção do IRPF sobre seus rendimentos tributáveis por ser aposentado e portador de moléstia grave. De acordo com o RIR/99, a isenção relativa aos rendimentos percebidos a título de aposentadoria ou pensão por contribuintes portadores de doença grave somente se inicia na data em que a doença for contraída, quando identificada no laudo pericial (art. 39, §5o do Decreto n. 3.000/99). No mesmo sentido, a Instrução Normativa/SRF/nº 25, de 29/04/1996, que já dispunha sobre a matéria anteriormente ao Decreto n. 3.000/99, determina, em seu art. 5º, parágrafos 1º e 2º, o seguinte: Art. 5º (...) § 1º A concessão das isenções de que tratam os incisos XII e XXXV, solicitada a partir de 1º de janeiro de 1996, só poderá ser deferida quando a doença houver sido reconhecida mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. § 2º A isenção a que se refere o inciso XII se aplica aos rendimentos recebidos a partir: ... b) do mês da emissão do laudo pericial, emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, que reconhecer a moléstia, se esta for contraída após a aposentadoria ou reforma.” Ao cuidar deste tema, o Ato Declaratório Normativo COSIT nº 10, de 16/05/96, fixou as seguintes regras: I a isenção a que se referem os incisos XII e XXXV do art. 5º IN SRF nº 025/96 se aplica aos rendimentos recebidos a partir da data em que a doença foi contraída, quando identificada no laudo pericial; Fl. 83DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S Processo nº 10725.000729/200668 Acórdão n.º 2102002.015 S2C1T2 Fl. 73 4 Como se vê, a solução da lide cingese à comprovação da moléstia e se os rendimentos são provenientes de aposentadoria e o cerne da questão a ser aqui examinada, portanto, é se os documentos apresentado se prestam como documento hábeis e idôneos a comprovar a moléstia. Em relação a proveniência dos rendimentos, inconteste que se tratam de aposentadoria, considerando que a fonte pagadora, fl. 10, é a Caixa de Previdência dos Funcionários do Banco do Brasil. Além do mais, Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal do Auto de Infração, já somente fundamentou o lançamento na falta de apresentação de laudo pericial médico atestando a doença grave. Nessa linha para provar que é portadora de moléstia grave foi apresentado o Laudo do Hospital Geral de Guarus da Prefeitura Municipal de Campus dos Goytacazes, fl. 07, onde está claro que a recorrente é portadora de moléstia grave, qual seja cegueira desde março de 2002. De outro lado a Comunicação N° 455 /2007 de fls. 63 a 66 da própria Delegacia da Receita Federal / Campos, RJ, reconheceu a validade deste Laudo e com base nele deferiu a restituição referente ao 13o salário nesse mesmo anocalendário. Portanto, já foi reconhecida pela própria autoridade lançadora a prova na forma pretendida pelo contribuinte. Do exposto, estou convencido que as formalidades legais, laudo pericial emitido por serviço médico oficial e rendimento de aposentadoria estão presentes e assim a contribuinte faz jus ao benefício da isenção pleiteada e é devida a restituição pleiteada, contudo, somente a partir de março de 2002, conforme estabelecido nos destaques da legislação supra. CONCLUSÃO Pelo exposto, VOTO PELO PROVIMENTO PARCIAL DO RECURSO, reconhecendo a isenção pleiteada somente a partir de março de 2002. Assinado digitalmente. Rubens Maurício Carvalho Relator. Fl. 84DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/01/2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/ 2014 por RUBENS MAURICIO CARVALHO, Assinado digitalmente em 28/01/2014 por JOSE RAIMUNDO TOSTA SANTO S
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Numero do processo: 16832.000686/2009-22
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 10 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2005
MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. ALEGAÇÃO DE VÍCIOS QUANTO AO SEU PROCESSAMENTO. CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO CARACTERIZAM NULIDADE DA AUTUAÇÃO.
O Mandado de Procedimento Fiscal - MPF se constitui em instrumento de controle da Administração que tem por objetivo conferir transparência ao Fiscalizado. É por meio do MPF que o contribuinte tem condições de conferir se quem se apresenta em nome da Administração, como auditor fiscal, efetivamente detém tal função e está autorizado a fiscalizá-lo. Assim, eventuais falhas quanto à prorrogação do MPF, desde que não resultem na obtenção de prova ilícita, não constitui em nulidade do lançamento feito em conformidade com o artigo 142 do CTN.
PAGAMENTO SEM CAUSA. EXISTÊNCIA DE DOCUMENTOS COMPROVANDO QUE OS PAGAMENTOS REFERIAM-SE AO RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESA DO GRUPO. EXIGÊNCIA INSUBSISTENTE
Identificada a beneficiária dos pagamentos e estando demonstrado, com os documentos de fls. 102 a 354, que os pagamentos foram feitos a título de rateio das despesas, o fato de conterem imprecisões quanto à especificação detalhada, tais como a demonstração de que os beneficiários do plano de saúde, que gerou parte das as despesas pagas, eram funcionários e ou diretores das empresas do grupo empresarial é causa que enseja a glosa das despesas, mas não caracteriza pagamento sem causa. A causa está comprovada.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-001.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do IRRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto votaram pelas conclusões em relação a esse cancelamento.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente
(assinado digitalmente)
Moisés Giacomelli Nunes da Silva - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA
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ALEGAÇÃO DE VÍCIOS QUANTO AO SEU PROCESSAMENTO. CIRCUNSTÂNCIAS QUE NÃO CARACTERIZAM NULIDADE DA AUTUAÇÃO. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF se constitui em instrumento de controle da Administração que tem por objetivo conferir transparência ao Fiscalizado. É por meio do MPF que o contribuinte tem condições de conferir se quem se apresenta em nome da Administração, como auditor fiscal, efetivamente detém tal função e está autorizado a fiscalizálo. Assim, eventuais falhas quanto à prorrogação do MPF, desde que não resultem na obtenção de prova ilícita, não constitui em nulidade do lançamento feito em conformidade com o artigo 142 do CTN. PAGAMENTO SEM CAUSA. EXISTÊNCIA DE DOCUMENTOS COMPROVANDO QUE OS PAGAMENTOS REFERIAMSE AO RATEIO DE DESPESAS ENTRE EMPRESA DO GRUPO. EXIGÊNCIA INSUBSISTENTE Identificada a beneficiária dos pagamentos e estando demonstrado, com os documentos de fls. 102 a 354, que os pagamentos foram feitos a título de rateio das despesas, o fato de conterem imprecisões quanto à especificação detalhada, tais como a demonstração de que os beneficiários do plano de saúde, que gerou parte das as despesas pagas, eram funcionários e ou diretores das empresas do grupo empresarial é causa que enseja a glosa das despesas, mas não caracteriza pagamento sem causa. A causa está comprovada. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 83 2. 00 06 86 /2 00 9- 22 Fl. 785DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 3 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para cancelar a exigência do IRRF, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Os Conselheiros Fernando Brasil de Oliveira Pinto e Leonardo de Andrade Couto votaram pelas conclusões em relação a esse cancelamento. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Frederico Augusto Gomes de Alencar, Carlos Pelá, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 786DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 4 3 Relatório O auto de infração de que trata o presente processo diz respeito ao ano calendário de 2005, lavrada em face da empresa antes indicada que é tributada com base n lucro real anual. O auto de infração de fls. 446 e seguintes encontrase acompanhado do termo de verificação fiscal de fls. 439 e seguintes, notificado à recorrente em 20/08/2009 (fl. 447), indicando as seguintes infrações: 001 Omissão de receita. Passivo não comprovado (fls 442 e 448) item 3 do TVF) Fato gerador Valor Tributável Multa 31/12/2005 R$ 824.378,67 75% 002 Glosa de despesas (fl. 448 e 449) Fato gerador Valor Tributável Multa 30/06/2005 21.347,02 75% 30/06/2005 20.000,02 75% 30/09/2005 24.508,47 75% 30/09/2005 20.055,55 75% 31/12/2005 20.000,00 75% 31/12/2005 22.369,81 75% 31/12/2005 21.372,17 75% 31/12/2005 20.000,00 75% 31/12/2005 20.000,00 75% 003 Glosa de prejuízos compensados indevidamente Fato gerador Valor Tributável Multa 31/12/2005 R$ 44.564,02 75% 004 IRRF sobre pagamento a beneficiários não identificado/sem causa. Art. 674, § 1º, do RIR Fato gerador Valor Tributável Multa Nas datas indicadas Valores indicados 75% à fl. 474 à fl. 474 OBS. A base de cálculo do IRRF corresponde ao valor das despesas que foram glosadas, indicadas no item 2, com base reajustada e data do fato gerador na data do lançamento e não no trimestre. Da análise do termo de verificação fiscal temse que em relação às despesas glosadas (item 02 da autuação), a autoridade exigiu IRRF, considerando pagamento sem causa (fl. 440 do TFV). Observo que em relação ao PIS (fls. 457/458) e à Cofins (fls. 462/463), exigido em face do passivo não comprovado, o auto de infração indica como fato gerador a data de 31/12/2005, no valor de R$ 824.378,67. Fl. 787DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 5 4 Quanto aos demais aspectos, adoto o relatório da decisão recorrida, nos pontos que passo a transcrever: "2. De acordo com o termo de verificação e constatação fiscal TVF de fls. 439/445, foram apuradas as seguintes infrações: 2.1. GLOSA DE DESPESAS NÃO COMPROVADAS. 2.2. Foi considerada imprestável a documentação apresentada pelo interessado em nome da empresa NPR Representações e Comércio Ltda, que participa de seu capital, para a comprovação das despesas operacionais contabilizadas a título de “Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica”, com base nas notas de débito abaixo relacionadas: Data da nota de débito Nota de débito Valor da nota de débito 03/05/2005 LP11405 20.000,02 27/05/2005 LP11505 21.347,02 01/08/2005 LP15505 20.055,55 01/08/2005 LP15605 24.508,47 03/10/2005 LP18505 21.372,17 03/10/2005 LP18605 22.369,81 31/10/2005 LP 203605 20.000,00 01/12/2005 LP23905 20.000,00 28/12/2005 LP24905 20.000,00 2.3. OMISSÃO DE RECEITA. 2.4. Caracterizada pela não comprovação de parte dos valores contabilizados no passivo circulante. Intimado a comprovar os valores mais relevantes referente ao fornecedor Petrobrás Distribuidora S/A, de um total de R$ 1.018.465,59, o interessado apresentou documentação comprobatória de R$ 194.086,92 e solicitou que fossem indicados quais os outros valores deveriam ser comprovados, em face de grande volume de notas fiscais. 2.5. Indicados os valores significativos a comprovar, o interessado deixou de fazê lo. A diferença de R$ 824.378,67 foi então autuada como omissão de receita, com fulcro no art. 14 da Lei nº 9.249,de 1995. Arts. 249, II; 251 e parágrafo único, 278, 279, 1280 e 288, do RIR1/999. 2.6. COMPENSAÇÃO INDEVIDA DE PREJUÍZO FISCAL E BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL. 2.7. Em virtude das infrações acima descritas, foi reajustado o lucro real nos 3º e 4º trimestre de 2005, resultando na compensação indevida de prejuízo fiscal e de base de cálculo negativa de CSLL, no valor de R$ 44.564,02, em 31/12/2005. 2.8 LANÇAMENTOS DECORRENTES. 2.9. Em decorrência, foi ainda lavrado o auto de infração de CSLL. A omissão de receita originou os lançamentos de PIS e COFINS. 2.10 PAGAMENTO SEM CAUSA. Fl. 788DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 6 5 2.11. Os pagamentos das notas de débito listadas no parágrafo 2.2, não contabilizados como mútuos (empréstimos), foram considerados pagamentos sem causa, sobre os quais reajustados, na forma do art. 61, parágrafos 2º e 3º da Lei nº 8.981, de 1995, incidiu o imposto de renda retido na fonte à alíquota de 35% (trinta e cinco por cento). 3. Cientificado dos lançamentos em 20/08/2009, o interessado apresentou em 18/09/2009 a impugnação de fls.503/513, acompanhada dos documentos de fls.514/623, alegando, em síntese, que: em razão da suposta omissão de receitas, bem como da decorrente glosa de prejuízos compensados, foilhe exigido IRPJ e multa, além de tributos decorrentes da mesma apuração. nulidade do lançamento, pois a presunção de omissão de receita apontada não encontra amparo na legislação de imposto de renda; não prevalece a omissão de receitas com base no passivo fictício quando a fiscalização tributa integralmente o saldo da conta fornecedor sem determinar quais obrigações se encontram pagas e mantidas no passivo, bem como não aponta as exigibilidades que não foram comprovadas; cerceamento de defesa decorrente de falta de cientificação de eventuais alterações ocorridas no procedimento fiscal, bem como da não entrega de Mandado Procedimento Fiscal MPF para aferimento da legalidade de todo o procedimento fiscal; os documentos relativos aos fornecedores não foram apresentados em virtude de exíguo tempo disponibilizado pelo fisco e na recusa de atender a pequena dilação de prazo requerida; junta ao presente documentos fiscais comprobatórios no valor de R$ 588.964,33; por fim, requer que diligência para que agente do fisco se manifeste quanto aos documentos que entende não foram comprovados, relativamente a conta Fornecedores. Em 23/11/2009, o interessado apresenta a petição de fls. 634/636, por meio da qual requer a juntada das notas fiscais 881071, 323686 e 287857 para a comprovação de mercadorias adquiridas junto à Petrobrás Distribuidora S.A (fls. 637/639). A DRJ, por meio do acórdão de fls. 595 e seguintes, deu parcial provimento para excluir da presunção de omissão de receita o valor de R$ 13.590,00 Nota fiscal nº 881071 (item 33 do acórdão fl. 703). Da decisão recorrida a parte interessada foi intimada em 20/7/2012 (fl. 723 sextafeira) e em 20/8/2012 ingressou com o recurso de fls. 723 e seguintes, alegando: a) não pode prevalecer a omissão de receitas com base no passivo fictício quando a fiscalização tributa integralmente o saldo da conta fornecedor, sem determinar quais as obrigações que se encontravam pagas e mantidas no passivo, assim como deixa de apontar quais as exigibilidades que não foram comprovadas. Tal fato, por si só, gera a nulidade da autuação por cerceamento do direito de defesa. Fl. 789DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 7 6 b) A falta de emissão do MPF também gera nulidade por ferir o princípio da moralidade; c) Quanto ao mérito da autuação, essa deve cair por terra tendo em vista que o conjunto probatório aponta para norte completamente diverso do que constou na autuação fiscal. d) Ao final, requer seja conhecido e provido o recurso para declarar nulidade do procedimento fiscal; ou, alternativamente, sua insubsistência ou, no mínimo, para reduzir a exigência fiscal. É o relatório. Fl. 790DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Moisés Giacomelli Nunes da Silva Relator O recurso é tempestivo, foi interposto por parte legítima e está devidamente fundamentado. Desta forma, preenche os requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço e passo ao exame das questões suscitadas. I Da preliminar de nulidade do lançamento em face de alegação de vício do MPF Aportaria da SRF n° 3.007, de 26 de novembro de 2001, revogada pela Portaria RFB nº 4.328, de 05.09.2005, que foi publicada no DOU 08.09.2005, trata do planejamento das atividades fiscais e estabelece normas para a execução de procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Por meio da norma antes referida se disciplinou a expedição do MPF – Mandado de Procedimento Fiscal que se constitui em elemento de controle da administração tributária. A eventual inobservância dos procedimentos e limites fixados por meio do MPF, salvo quando utilizado para obtenção de provas ilícitas, não gera nulidades no âmbito do processo administrativo fiscal, mormente quando foram emitidos MPF Complementares antes da lavratura do Auto de Infração. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF, constituise em instrumento de controle criado pela Administração Tributária para dar segurança e transparência à relação fiscocontribuinte, que objetiva assegurar ao sujeito passivo que o agente fiscal indicado recebeu da Administração a incumbência para executar a ação fiscal. Pelo MPF o auditor está autorizado a dar início ou a levar adiante o procedimento fiscal. Se ocorrerem problemas com a prorrogação do MPF estes não invalidam os trabalhos de fiscalização desenvolvidos. Isto se deve ao fato de que a atividade de lançamento é obrigatória e vinculada, e, detectada a ocorrência da situação descrita na lei como necessária e suficiente para ensejar o fato gerador da obrigação tributária, não pode o agente fiscal deixar de efetuar o lançamento, sob pena de responsabilidade funcional. Salvo nos casos de ilegalidade, a validade do ato administrativo é subordinada ao autor ser titular do cargo ou função a que tenha sido atribuída a legitimação para a prática daquele ato. Assim, legitimado o AFRF para constituir o crédito tributário mediante lançamento, não há o que se falar em nulidade por falta de prorrogação do MPF que se constitui em instrumento de controle da Administração. O artigo 13, § 2°, da Portaria n° 3007, de 2001, prevê que “após cada prorrogação, o AFRF responsável pelo procedimento fiscal fornecerá ao sujeito passivo, quando do primeiro ato de ofício praticado junto ao mesmo, o Demonstrativo de Emissão e Prorrogação, contendo o MPF emitido e as prorrogações efetuadas, reproduzido a partir das informações apresentadas na Internet, conforme modelo constante do Anexo VI. (NR) Fl. 791DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 9 8 (Redação dada ao artigo pela Portaria SRF nº 1.468, de 06.10.2003, DOU 08.10.2003).” A norma aqui prevista tem sua razão de ser em virtude da circunstância do contribuinte somente estar obrigado a prestar esclarecimentos ao AFRF que estiver devidamente munido de MPF. Vencido o MPF inicialmente entregue ao contribuinte, este pode condicionar o fornecimento de qualquer informação à apresentação do respectivo instrumento de prorrogação. É por esta razão que a norma prevê que o AFRF, após cada prorrogação, deve informar ao sujeito passivo, sob pena deste, de forma legítima, negarse a contribuir com a fiscalização. A não prorrogação do MPF ou a sua não ciência ao contribuinte, por si só não gera nulidade do lançamento. Por tais razões, desacolho a tese de nulidade do lançamento sustentada com base na não intimação de sua prorrogação. II Da análise da autuação por glosa das despesas não comprovadas (item 2.1 do TVF). O item 2.1 do TVF (fl. 440) indica que em resposta aos diversos Termos de Intimação Fiscal lavrados, para que comprovasse com documentação hábil e idônea a dedução como despesas operacionais a título de "Prestação de Serviços por Pessoa Jurídica", diversas Notas de Débitos abaixo relacionas, a empresa apresentou como comprovantes a documentação arroladas às fls. 102/354, todas em nome de NPR Representações e Comércio Ltda, empresa que tem participação no capital da TRAMP OIL, (fiscalizada). Os valores cujos comprovantes de pagamento foram considerados ineficazes constam da planilha indicada à fl. 441 (item 2.2 do termo de verificação fiscal), em relação aos quais também foi exigido IRRF, por pagamento sem causa, a seguir transcritos: Data da nota de débito Nota de débito Valor da nota de débito 03/05/2005 LP11405 20.000,02 27/05/2005 LP11505 21.347,10 01/08/2005 LP15505 20.055,55 01/08/2005 LP15605 24.508,47 03/10/2005 LP18505 21.372,17 03/10/2005 LP18605 22.369,81 31/10/2005 LP 203605 20.000,00 01/12/2005 LP23905 20.000,00 28/12/2005 LP24905 20.000,00 A acusação faz referência a diversos documentos indicados às fls. 102/354. Assim, por amostragem e indicando a numeração decorrente da digitalização, passo a identificação dos referidos documentos para posterior análise: Fl. Tipo documento Observações 104 Termo de entendimento operacional datado de 2/1/2003 entre a empresa NPR e TRAMP OIL A TRAMP OIL se compromete a reembolsar mensalmente a NPR pelas despesas operacionais de responsabilidade da TRAMP OIL e arcadas pela NPR, até o limite de R$ 20.000,00 mensais. Fl. 792DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 10 9 106 Nota de débito datada de 02/07/2005, no valor de 20.055,00, indicando reembolso de despesas para com a NPR, tais como "vale refeição funcionários Tramp Oil, seguro saúde, uso de internet, telefone, despesas com condução "ouro taxi") Fl. Tipo documento 107 Planilha junho/05 indicando despesas TRAMP OIL Esta planilha contém valores segregados em: plano de Saúde, telefonia, internet, reembolso salário de pessoal etc. 108 Recibo bancário no valor de R$ 10.959,07 referente a pagamento plano de saúde. Este valor coincide com o valor indicado à fl. 107 e no boleto bancário de fl. 109. 109 Fatura Bradesco Saúde referente julho/2005 Valor R$ 10.751,03 110 Guias recolhimento FGTS 111/112 Lista com nome dos Segurados junto ao Plano de Saúde em nome da NPR 113 Planilha indicando o valor total e o nome dos beneficiários do Plano de saúde que seriam de responsabilidade da NPR Pelo que se extrai desta planilha, quando confrontada os nomes relacionados à fl. 111, que integram o Plano de Saúde, junto com os nomes dos funcionários relacionados na folha de pagamento de salários da NPR fls. 156 a 159, há indicativo de que a empresa NPR celebrou contrato com Plano de Saúde contemplando os funcionários seus e os da Tramp Oil 114 a 117 Comprovantes pagamentos valesrefeição Pagamentos realizados em nome da NPR 118 a 123 Comprovantes pagamentos de contas telefônicas Pagamentos realizados em nome da NPR Ao analisar os documentos de fls. 102 a 354 indicados no termo de verificação fiscal, observei que após cada nota de débito encontrase conjunto de documentos indicando as despesas a que se referem. Ao confrontar os nomes indicados na folha de salário da empresa NPR fl 156 a 159, em nome de quem os débitos eram pagos e a relação das pessoas beneficiadas no Plano de Saúde, cujos nomes encontramse relacionados à fl. 111, tem se que o referido Plano contempla pessoas em número aparentemente superior aos empregados da NPR. Em se tratando de empresas sob o mesmo controle acionário não vejo irregularidade no fato de apenas uma delas, por questões comerciais e econômicas, celebrar contrato com Operadora de Planos de Saúde contemplando todas as empresas do grupo. No mais, os documentos anexos, tais como comprovantes de pagamento de Internet, telefone e transporte, para citar alguns, estão a indicar que estas despesas encontravamse centralizadas na NPR e eram rateadas com a Tramp Oil. O que faltou em relação ao rateio das despesas entre a NPR e a Tramp Oil, mais do que um contrato registrando tais ajustes, foi melhor organização. A título de exemplo, observo que não há nos autos a folha de salários dos empregados da Tramp Oil para que fosse possível conferir se estes encontramse relacionados como contemplados no Plano de Saúde cuja relação dos beneficiários consta da fl. 111 e nos demais documentos anexados após respectivas notas de débito. Desta forma, em relação a exigência de IRRF e a CSLL a título de pagamento sem causa, existem duas razões para provimento do recurso. A primeira delas, em relação à qual não há divergência, é a que decorre das considerações feitas pelos Conselheiros Fernando Brasil e Leonardo Couto. Identificada a beneficiária dos pagamentos e estando demonstrado, em especial da prova consubstanciada nos documentos de fls. 102 a 354, que os pagamentos foram feitos a título de rateio das despesas que indicam, o fato de conterem imprecisões quanto à especificação mais detalhada, tais como a demonstração de que os beneficiários do plano de Fl. 793DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 11 10 saúde, que gerou parte das as despesas pagas, eram funcionários e ou diretores das empresas do grupo empresarial é causa que enseja a glosa das despesas, mas não a caracterização de pagamento sem causa. A causa está comprovada. O que faltou foi melhor especificação das despesas, fato que ensejou a glosa, sem que isto, contudo, possa caracterizar que ditos pagamentos foram feitos sem motivação alguma. O fundamento acima, por si só, é suficiente para provimento do recurso em relação à exigência do IRRF. Contudo, ainda existe uma segunda razão. O fato de se considerar que a fiscalizada não apresentou, de forma adequada, os documentos para que se admitisse a dedução das despesas, não enseja a exigência de pagamento sem causa em relação a estes valores, indicados no item 2.2 do TVF e no item 3 ao auto de infração. As situações de glosa de despesas em decorrência de documentos que não possuem descrição adequada, tais como notas fiscais que carecem de maiores especificações ou falta de contratos prévios prevendo rateio das despesas, é motivo para glosa e exigência do IRPJ e da CSLL. Contudo, tal fato não pode ensejar, a um só tempo, a glosa das despesas e o lançamento de pagamento sem causa. Neste sentido destaco os seguintes precedentes da CSRF: IRRFONTE PAGAMENTO SEM CAUSA ART. 61 DA LEI Nº. 8981/95 LUCRO REAL REDUÇÃO DE LUCRO LÍQUIDO MESMA BASE DE CÁLCULO INCOMPATIBILIDADE A aplicação do art. 61 está reservada para aquelas situações em que o fisco prova a existência de um pagamento sem causa ou a beneficiário não identificado, desde que a mesma hipótese não enseje tributação por redução do lucro líquido, tipicamente caracterizada por omissão de receita ou glosa de custos/despesas, situações próprias da tributação do IRPJ pelo lucro real.(acórdão CSRF 0401.094. Quarta Turma da CSRF. J. 03/11/2008. Relatora Ivete Malaquias Pessoa Monteiro. Na mesma linha do acórdão acima citase o acórdão 104.22.169, da Quarta Câmara do Primeiro Conselho, julgado em 24/01/2007. Rel. Oscar Luiz Mendonça de Aguiar, confirmado em posterior julgamento da CSRF, do qual fui relator. Em síntese, quer sob a ótica do que foi decidido no acórdão CSRF 0401.094, quer em face dos fundamentos declinados anteriormente, não subsiste a exigência do IRRF. III Da questão relacionada ao passivo não comprovado item 3 do TVF fl. 442 que resultou na autuação indicada no item 001 do auto de infração. Segundo descrição no item 3 do TVF, "do total de R$1.721.066,55, constante na conta Fornecedores no Passivo Circulante, Ficha 37 A da DIPJ/2006, anocalendário de 2005, a empresa foi intimada a apresentar documentação hábil e idônea, que comprovasse os valores mais relevantes, de R$1.018.465,59, referente ao fornecedor Petrobrás Distribuidora S/A, e de R$423.658,59, referente ao fornecedor Petróleo Brasileiro S/A (Petrobrás). A empresa comprovou com documentação hábil e idônea, o valor de R$423.658,59, referente ao fornecedor Petróleo Brasileiro S/A (Petrobrás). Com referência ao fornecedor Petrobrás Distribuidora S/A, de um total de 1.018465,59, a empresa comprovou inicialmente o valor de R$194.086,92. Fl. 794DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 12 11 À fls. 442 a autoridade fiscal relacionou 10 (dez) transações pagas entre os dias 02 e 12 de janeiro de 2006 e intimou a recorrente a apresentar Livro de Registro de Entradas de Mercadorias, onde foram registradas as notas fiscais emitidas por Petrobrás Distribuidora S/A, lançado na conta Fornecedores no Passivo Circulante, Ficha 37 da DIPJ/2006, anocalendário de 2005, no valor de R$ 824.378,6, e também, a apresentar documentação que comprovasse o saldo de R$ 824.378,67, (R$1.018.465,59 R$194.086,92) lançado na conta Fornecedores no Passivo Circulante, Ficha 37 A da DIPJ/2006, ano calendário de 2005. Transcorrido o prazo do Termo de Intimação, a empresa não apresentou qualquer documentação comprobatória do valor de R$824.378,67, (R$1.018.465,59 R$194.086,92 doc. fls. 363 a 498), referente à conta fornecedores no Passivo Circulante, ano calendário de 2005, o que caracteriza omissão de receitas por falta de comprovação do passivo, de acordo com os art. 24 da Lei n° 9.249/95, art.4 0 da Lei n°9.430/96, art. 249, inciso II, 251 e parágrafo, 279, 281, inciso III, e 288 do RIR/99. Em sua impugnação, à fl. 512, destaca a fiscalizada que discorda dos valores apresentados como omissão de receitas e que os documentos necessários ao suprimento da conta fornecedores somente não foram apresentados, em virtude do exíguo tempo disponibilizado pelo fisco e na sua recusa em atender a pequena dilação de prazo requerida, na oportunidade, pela impugnante, haja vista o volume de operações com que se depara a empresa e ainda ao fato de que o período a que se referia a verificação fiscal, já estar se aproximando da decadência. Diz a recorrente que "a se confirmar a informação acima, no breve período disponibilizado para a apresentação da presente impugnação, foi possível proceder ao levantamento de documentos fiscais, no valor de R$588.964,53, equivalentes aproximadamente 79% do valor tido como omitido." Além dos atos constitutivos, a impugnação se fez acompanhar dos documentos de fls. 577 a 623, destacandose dentre estes a planilha de fls. 577/578 onde a fiscalizada elabora quadro contendo informações relacionadas a 45 (quarenta e cinco) operações, indicando, conforme exemplo abaixo, o número da nota fiscal, data de emissão, valor, código e data de pagamento, totalizando o valor de R$ 588.964,53. Nº da NF Data de emissão Valor NF CÓD TOB Data do pagamento A DRJ, no item 29 do acórdão recorrido (fl. 702), relaciona as notas trazidas aos autos pela recorrente e destaca que nenhuma delas corresponde ao valor registrado no contas a pagar em 31/12/2005. Em relação ao que foi fundamentado na decisão da DRJ o recurso, quanto a este item, nada aponta, limitandose a sustentar que "não pode prevalecer a omissão de receita com base no passivo fictício, mormente quando a fiscalização tributa o saldo da conta fornecedor, sem determinar quais as obrigações e/ou exigibilidades que se encontram pagas e mantidas no passivo, assim como deixa de apontar quais as exigibilidades que não foram comprovadas." Fl. 795DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 16832.000686/200922 Acórdão n.º 1402001.482 S1C4T2 Fl. 13 12 O argumento da recorrente não subsiste. No caso concreto, conforme anteriormente apontado, da conta fornecedores a autoridade fiscal excluiu os valores cuja origem foi demonstrada. ISSO POSTO, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso para cancelar a exigência do IRRF (assinado digitalmente) Moisés Giacomelli Nunes da Silva Fl. 796DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente e m 11/12/2013 por MOISES GIACOMELLI NUNES DA SILVA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por LEONARDO DE ANDRADE COUTO
score : 1.0
Numero do processo: 10880.910760/2008-88
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 24 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Feb 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 30/04/2001
PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA.
O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação.
Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Numero da decisão: 3802-002.005
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM - Presidente, em exercício.
(assinado digitalmente)
SOLON SEHN - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira
Nome do relator: SOLON SEHN
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 30/04/2001 PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. AUSÊNCIA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. A simples retificação, desacompanhada de qualquer prova, não autoriza a homologação da compensação. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) MÉRCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Presidente, em exercício. (assinado digitalmente) SOLON SEHN Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sergio Celani, Bruno Mauricio Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 07 60 /2 00 8- 88 Fl. 202DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão da 13ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I/SP, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo Recorrente, assentada nos fundamentos resumidos na ementa seguinte (fls. 64): “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador31/07/2000 DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. Motivada é a decisão que, por conta da vinculação total de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a inexistência de direito creditório disponível para fins de compensação. ALTERAÇÃO DE CRÉDITO TRIBUTÁRIO. PAGAMENTO HOMOLOGADO TACITAMENTE. IMPOSSIBILIDADE. Crédito tributário definitivamente constituído e extinto pelo pagamento, em virtude do transcurso do lustro previsto no § 4º, art. 150 do CTN, não é passível de alteração pelo Contribuinte e nem pela Administração Tributária. DCOMP. DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO INDEVIDO. Considerando que o DARF indicado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição/Declaração de Compensação PER/DCOMP como origem do crédito foi utilizado para quitar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, e que o Contribuinte não logra comprovar que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” O interessado apresentou o PER/Dcomp (Pedido Eletrônico de Restituição, Ressarcimento ou Reembolso e Declaração de Compensação), sem retificar a Dctf (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais). Tal fato fez com que o pagamento continuasse atrelado à quitação do débito originário, inviabilizando a homologação da compensação. Embora o contribuinte tenha retificando a Dctf após o despacho decisório, a DRJ não a admitiu, porquanto ocorrida após cinco anos do fato jurídico tributário, quando já operada a homologação tácita do pagamento. Entendeu ainda que o Darf indicado no PER/Dcomp como origem do crédito teria sido utilizado para quitar o débito confessado em Dctf; e que o contribuinte não logrou provar que a verdade material seria outra. O Recorrente, nas razões de fls. 74 e ss., alega que, após revisar os seus lançamento contábeis e declarações, verificou que o saldo devedor a título de PIS seria inferior ao que foi recolhido. Sustenta ter retificado a Dctf para que esta refletisse as informações que Fl. 203DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910760/200888 Acórdão n.º 3802002.005 S3TE02 Fl. 203 3 constavam de seus livros fiscais. Aduz ter direito à compensação, porquanto a Dctf seria apenas um obrigação acessória imposta para a declaração dos tributos pagos; que eventuais formalidades no preenchimento de documentos fiscais não devem prejudicar a compensação; que os atos anteriores a não homologação da compensação não influem na obrigação tributária. Requer, assim, diante da liquidez e da certeza do direito de crédito, o recebimento do recurso voluntário e o seu integral provimento. É o relatório. Voto Conselheiro Solon Sehn O sujeito passivo teve ciência da decisão no dia 23/01/2012 (fls. 73), interpondo recurso tempestivo em 22/02/2012 (fls. 74). Assim, presentes os demais requisitos de admissibilidade do Decreto no 70.235/1972, o recurso pode ser conhecido. No presente feito, consoante destacado, a compensação não foi homologada porque o Recorrente transmitiu o PER/Dcomp sem a retificação da Dctf. Em circunstâncias dessa natureza, ao contrário do que entendeu a decisão recorrida, a Turma tem interpretado que o contribuinte, por força do princípio da verdade material, tem direito à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado. Nesse sentido, cumpre destacar os seguintes julgados da Turma: “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS A INSCRIÇÃO DO DÉBITO EM DÍVIDA ATIVA DA UNIÃO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova da existência do crédito compensado (art. 12, § 3o, da Instrução Normativa SRF nº. 583/2005, vigente à época da transmissão das DCTF’s retificadoras). A retificação, porém, não produz efeitos quando o débito já foi enviado à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em Dívida Ativa. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E.Acórdão nº 380201.078. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Fl. 204DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 4 Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. [...] Recurso Voluntário Negado.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.290. Rel. Conselheiro José Fernandes do Nascimento. S. 25/09/2012). “COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 3802001.593. Rel. Conselheiro Francisco José Barroso Rios. S. 27/02/2013). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF. PROLAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. APRESENTAÇÃO DA PROVA DO CRÉDITO APÓS DECISÃO DA DRJ. HIPÓTESE PREVISTA NO ART. 16, § 4º, “C”, DO DECRETO Nº 70.235/1972. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. A prova do crédito tributário indébito, quando destinada a contrapor razões posteriormente trazidas aos autos, pode ser apresentada após a decisão da DRJ, por força do princípio da verdade material e do disposto no art. 16, § 4º, “c”, do Decreto Fl. 205DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM Processo nº 10880.910760/200888 Acórdão n.º 3802002.005 S3TE02 Fl. 204 5 nº 70.235/1972. Havendo prova do crédito, a compensação deve ser homologada, a despeito da retificação a posteriori da Dctf. Recurso Voluntário Provido Direito Creditório Reconhecido.” (Carf. 3ª S. 2ª T.E. Acórdão nº 380201.005. Rel. Solon Sehn. S. 22/05/2012). “PER/DCOMP. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. AUSÊNCIA DE PROVA DO DIREITO CREDITÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. O contribuinte, a despeito da retificação extemporânea da Dctf, tem direito subjetivo à compensação, desde que apresente prova contábil da existência do crédito compensado. A simples retificação após o despacho decisório não autoriza a homologação da compensação do crédito tributário. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 380201.112. Rel. Conselheiro Solon Sehn. S. 27/07/2012). “COMPENSAÇÃO. REQUISITOS FORMAIS. AUSÊNCIA DE RETIFICAÇÃO DA DCTF. IMPOSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO PELO CONTRIBUINTE APÓS DECORRIDOS CINCO ANOS DA EXTINÇÃO DO CRÉDITO. EXCEPCIONALIDADE DE ACEITAÇÃO PELO CARF. A retificação de DCTF constitui requisito formal do contribuinte, ao efetuar pedido de compensação com base em créditos decorrentes de retificação de documentos de cunho declaratório (DACON, DIPJ, dentre outros). Assim, a ausência de apresentação da DCTF retificadora é causa para negação do crédito pleiteado. Todavia, excepcionalmente se permite a compensação caso o contribuinte demonstre que a retificação só foi apontada como não efetuada após o decurso dos cinco anos contados da extinção do crédito, sendo certo que a negativa importaria em situação excepcional de restrição formal à verdade material, contrassenso à própria finalidade do processo administrativo tributário. Recurso voluntário provido. Direito creditório reconhecido.” (Carf. S3TE02. Acórdão nº 3802001.642. Rel. Conselheiro Bruno Macedo Curi. S. 28/02/2013) Fl. 206DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM 6 No presente caso, o contribuinte limitouse a retificar a Dctf, sem apresentar qualquer prova da liquidez e da certeza do direito de crédito. Portanto, nada justifica a reforma da decisão recorrida, porque cabe ao interessado o ônus da prova nos pedidos de compensação e de restituição. Votase pelo conhecimento e integral desprovimento do recurso. (assinado digitalmente) Solon Sehn Relator Fl. 207DF CARF MF Impresso em 12/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 02/02/2014 por SOLON SEHN, Assinado digitalmente em 06/02/2014 por MERCIA HELENA TRAJANO DAMORIM
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Numero do processo: 16027.000071/2009-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 05 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Jan 07 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2001
SALDO NEGATIVO. IRRF. AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. DEDUÇÃO DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE.
O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, salvo se houver comprovação por outros meios de prova. Na ausência de elementos comprobatórios, não se reconhece o direito crédito pleiteado.
COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO.
Homologa-se a compensação declarada até o limite de crédito reconhecido.
Numero da decisão: 1402-001.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 3.804,39, referente ao imposto de renda retido na fonte pelo Banco Safra, homologando a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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IRRF. AUSÊNCIA OU INSUFICIÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DA RETENÇÃO. DEDUÇÃO DO IRPJ. IMPOSSIBILIDADE. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos, salvo se houver comprovação por outros meios de prova. Na ausência de elementos comprobatórios, não se reconhece o direito crédito pleiteado. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO. RECONHECIMENTO PARCIAL DO DIREITO CREDITÓRIO. Homologase a compensação declarada até o limite de crédito reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para reconhecer o direito creditório no montante de R$ 3.804,39, referente ao imposto de renda retido na fonte pelo Banco Safra, homologando a compensação pleiteada até esse limite, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 02 7. 00 00 71 /2 00 9- 91 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16027.000071/200991 Acórdão n.º 1402001.540 S1C4T2 Fl. 348 2 (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Paulo Roberto Cortez e Leonardo de Andrade Couto. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16027.000071/200991 Acórdão n.º 1402001.540 S1C4T2 Fl. 349 3 Relatório Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão nº 1237.849 da DRJ/RJI que não homologou compensações declaradas pela Interessado em razão da ausência de confirmação de imposto de renda na fonte que compunha o saldo negativo declarado pelo contribuinte em relação ao anocalendário de 2001. Adoto o relatório da decisão recorrida, a seguir transcrito: Após análise, foi exarado Despacho Decisório DRF/SOR/SEORT nº 387, de 09 de junho de 2009, pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Sorocaba, fls. 193/197, não reconhecendo o direito creditório e não homologando as compensações. A decisão se fundamentou nas seguintes constatações: o imposto de renda pago por estimativa, no valor de R$ 6.153.684,20, é composto exclusivamente por imposto de renda retido na fonte declarado em dezembro/2001. consta como dedução de IRRF na apuração anual o valor de R$ 1.278.999,63. o valor total de IRRF seria de R$ 7.432.683,93 (R$ 6.153.684,20 + R$ 1.278.999,63). do cotejo das retenções declaradas na DCOMP e as constantes nas DIRF, e com os comprovantes apresentados pela interessada, não houve a comprovação dos seguintes valores: * Caixa Econômica Federal – R$ 128.679,72 * Primo Schincariol Ind. Cerv. Refrig. S.A. – R$ 1.252.071,00 * Embraer Empresa Aeronáutica S.A. – R$ 0,08 * Banco Safra S.A. – R$ 3.803,69 (comprovação parcial de R$ 19.153,44) com relação à retenção no valor de R$ 1.252.071,00, em resposta às intimações para prestar esclarecimentos, a interessada informou que já teria sido objeto de MPF nº 08.1.71.0020058000134, que deu origem a auto de infração com IRPJ devido no valor de R$ 25.166.230,52; entretanto, o auto não utilizou as deduções do IRRF e pagamento por estimativa para a dedução do IRPJ devido, sendo desconsiderado para análise do saldo negativo. ainda em relação a esta retenção, a interessada foi novamente intimada, e em resposta esclareceu que a origem do IRRF decorre Fl. 371DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16027.000071/200991 Acórdão n.º 1402001.540 S1C4T2 Fl. 350 4 da retenção feita pela Schincariol Empreedimentos Imobiliários S.A. quando do pagamento de remuneração de debêntures a Primo Schincariol Internacional, e que a cessão do crédito à interessada foi contabilizada a débito da conta “IR a compensar” e a crédito da conta “dividendos a receber”. por conta do artigo 30 da IN SRF nº 210/2002, a compensação com crédito de terceiros é vedada, sendo desconsiderado o valor de R$ 1.252.071,00. logo, foram excluídas as retenções não confirmadas, e o total de IRRF a ser considerado na determinação do saldo negativo é de R$ 6.048.129,42. desta forma, a apuração do final do período foi reajustada, revertendo de saldo negativo de IRPJ para imposto a pagar, conforme tabela abaixo: Declarado Confirmado IRPJ devido 6.305.594,47 6.305.594,47 () Prog. Trab 151.910,27 151.910,27 () IRRF 1.278.999,63 1.278.999,63 () IR estimativa 6.153.684,20 4.769.129,79 SN ou IRPJ a pagar 1.278.999,63 105.554,78 A interessada tomou ciência da decisão em 13/10/2009 (AR fls. 205). Inconformada, apresentou manifestação de inconformidade, em 12/11/2009, fls. 207/208, com os seguintes argumentos: todos os créditos informados nos pedidos de compensação foram devidamente recolhidos aos cofres da Fazenda Pública, não havendo motivo para o indeferimento. visando comprovar tais recolhimentos, protesta por juntada posterior dos comprovantes dos valores que compõem o IRRF de referidas retenções. requer o integral acolhimento da manifestação de inconformidade, para fim de deferir seus PER/DCOMP. A competência para julgamento deste processo foi transferida para Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro I (RJ) por meio da Portaria n° 1.036, de 05 de maio de 2010. A turma julgadora a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, tendo a ementa do julgado recebido a seguinte redação: COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Fl. 372DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16027.000071/200991 Acórdão n.º 1402001.540 S1C4T2 Fl. 351 5 A falta de comprovação do direito líquido e certo, requisito necessário para compensação, conforme o previsto no art. 170 da Lei nº 5.172/66 do Código Tributário Nacional, acarreta o indeferimento do pedido e a nãohomologação da compensação. A interessada foi intimada da decisão em 25 de agosto de 2011 (fl. 269). Inconformada, apresentou recurso voluntário em 26 de setembro de 2011 (fls. 270276). Em resumo, anexa documentos que comprovariam a retenção de IRRF realizadas pelo Banco Safra (informe de rendimento fornecido pela instituição financeira e lançamentos no livro razão), cópia do livro do razão onde consta a retenção de imposto de renda realizado pela Embraer Empresa Aeronáutica S/A, e cópia do livro razão consta o valor de R$ 1.262.613,01 a título de IRRF realizada pela empresa Schincariol Empreendimentos Imobiliários S/A em desfavor de Primo Schincariol Internacional, a qual teria cedido tais créditos à Recorrente, deduzidos de R$ 10.452,01 para ajuste à variação do Euro no período. No que tange à suposta retenção de R$ 128.679,72 realizada pela Caixa Econômica Federal, informa que “diligenciará junto à instituição financeira responsável com vistas a trazer aos autos elementos que possam comprovar a retenção informada nos PER/DCOMP´s em apreço”. É o relatório. Fl. 373DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16027.000071/200991 Acórdão n.º 1402001.540 S1C4T2 Fl. 352 6 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O trigésimo dia após ciência da decisão recorrida foi um sábado, dia 24 de setembro de 2011. Portanto, o recurso apresentado em 26 de setembro do mesmo ano (segundafeira) é tempestivo. Preenchidos os demais requisitos de admissibilidade, dele conheço. O acórdão recorrido, confirmando decisão da Delegacia de origem, não reconheceu o suposto direito creditório em razão da ausência de documentos comprobatórios de retenções de imposto de renda na fonte que compunham o saldo negativo de IRPJ relativo ao anocalendário de 2001. Em consequência, não se homologaram compensações declaradas pela Recorrente. Passo a analisar cada rubrica de IRRF sob litígio. BANCO SAFRA Conforme consta à fl. 5, a DRF de origem deixou de reconhecer o valor de R$ 3.804,39 de imposto de renda retido pelo Banco Safra no código de receita 6800 em razão de divergência entre o CNPJ da fonte pagadora constante do comprovante e o informado em DIRF. Compulsando o documento anexado pela Recorrente à fl. 314 (informe de rendimentos fornecido pelo Banco Safra), constatase que de fato há divergência entre o CNPJ da fonte pagadora constante de tal documento e o constante na DIRF (fl. 5). Por outro lado, os valores de rendimentos de aplicações financeiras e retenções de imposto de renda sob a rubrica 6800 são idênticos em ambos os documentos. Tanto a DIRF transmitida quanto o informe de rendimentos foram transmitidos/fornecidos pelo Banco Safra, havendo divergência em relação aos números de CNPJ informados. Entendo que tal divergência não deve servir de empecilho para o reconhecimento do direito creditório do contribuinte. Concluo, portanto, que os elementos constantes dos autos são suficientes para comprovação do IRRF em questão, devendose reconhecer o direito creditório correspondente, homologandose as compensações declaradas até o montante de crédito reconhecido. IRRF OBJETO DE CESSÃO DE PRIMO SCHINCARIOL INTERNACIONAL À RECORRENTE A Recorrente limitouse a anexar cópia do livro razão onde comprovaria o imposto de renda retido na fonte que foi objeto de cessão à Recorrente por outra empresa do seu grupo (Primo Schincariol Internacional). Fl. 374DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16027.000071/200991 Acórdão n.º 1402001.540 S1C4T2 Fl. 353 7 Sem adentrar no mérito quanto à compensação do crédito de terceiros, entendo que o direito crédito correspondente não pode ser reconhecido em razão da ausência de comprovação do fato alegado. Em princípio, o aproveitamento do imposto retido na fonte na declaração de rendimentos está sujeito à comprovação da retenção mediante documento próprio emitido pela fonte pagadora em nome do beneficiário dos rendimentos, sendo esta a disposição contida no art. 55 da Lei nº 7.450, de 1985: Art. 55. O imposto de renda retido na fonte sobre quaisquer rendimentos somente poderá ser compensado na declaração de pessoa física ou jurídica, se o contribuinte possuir comprovante de retenção emitido em seu nome pela fonte pagadora dos rendimentos. [grifo nosso] Admitese, contudo, outros meios de prova a fim de se evitar que o contribuinte que sofreu retenção de imposto de renda na fonte seja penalizado por omissão de terceiros, no caso, a fonte de pagadora que deixar de lhe fornecer o comprovante de retenção ou deixar de declarar tal retenção à Receita Federal do Brasil. Conforme dito, o único elemento de prova carreado aos autos foi cópia do livro razão onde constaria a retenção de imposto de renda cujo direito à repetição ora se discute. Contudo, deixou a Recorrente de comprovar documentalmente os registros efetuados em sua contabilidade. E tais documentos deveriam preencher os requisitos de diversos dispositivos legais, dentre os quais, destacamse inúmeros arquivos do RIR/1999, in verbis: Art. 251. A pessoa jurídica sujeita à tributação com base no lucro real deve manter escrituração com observância das leis comerciais e fiscais (Decreto lei nº 1.598, de 1977, art. 7o.). Parágrafo único. A escrituração deverá abranger todas as operações do contribuinte, os resultados apurados em suas atividades no território nacional, bem como os lucros, rendimentos e ganhos de capital auferidos no exterior (Lei nº 2.354, de 29 de novembro de 1954, art. 2o., e Lei nº 9.249, de 1995, art. 25). [...] Art. 264. A pessoa jurídica é obrigada a conservar em ordem, enquanto não prescritas eventuais ações que lhes sejam pertinentes, os livros, documentos e papéis relativos a sua atividade, ou que se refiram a atos ou operações que modifiquem ou possam vir a modificar sua situação patrimonial (DecretoLei nº 486, de 1969, art. 4o.). [...] Art. 276. A determinação do lucro real pelo contribuinte está sujeita à verificação pela autoridade tributária, com base no exame de livros e documentos de sua escrituração, na escrituração de outros contribuintes, em informação ou esclarecimentos do contribuinte ou de terceiros, ou em Fl. 375DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16027.000071/200991 Acórdão n.º 1402001.540 S1C4T2 Fl. 354 8 qualquer outro elemento de prova, observado o disposto no art. 923 (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9o). [...] Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9o., § 1o.).” (grifo nosso) Conforme se observa, a escrituração contábil não constitui prova, por si mesma, a favor do contribuinte, mas tão somente quando lastreada em documentação hábil e idônea que comprove de forma irretorquível os fatos registrados. Cabe ao contribuinte, portanto, manter sob sua guarda, enquanto não prescritas as ações cabíveis, todos os documentos necessários à comprovação das operações apontadas em seus assentos contábeis. Ocorre que a Recorrente apenas carreou aos autos demonstrativos elaborados por ela e cópia dos registros contábeis, sem que fossem apresentadas provas documentais, cabais e irrefutáveis, a atestar a veracidade da informação contida em sua contabilidade, em especial quanto às retenções de imposto de renda na fonte em questão. Nesse contexto, impende concluir que competia ao contribuinte provar a veracidade do que afirmou, nos termos da Lei nº 9.784, de 29 de janeiro de 1999 (texto legal que regula o processo administrativo no âmbito da Administração Pública Federal), art. 36: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no artigo 37 desta Lei. No mesmo sentido dispõe o art. 330 da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (CPC): Art. 333. O ônus da prova incumbe: [...] II – ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Corroborando tal tese, convém transcrever jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça: Allegare nihil et allegatum non probare paria sunt — nada alegar e não provar o alegado, são coisas iguais. (Habeas Corpus nº 1.1710 — RJ, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 4, (39): 211276, novembro 1992, p. 217) Alegar e não provar significa, juridicamente, não dizer nada.(Intervenção Federal Nº 83 — PR, R. Sup. Trib. Just., Brasília, a. 7, (66): 93116, fevereiro 1995. 99) RECURSO ORDINÁRIO EM MANDADO DE SEGURANÇA – APOSENTADORIA – NEGATIVA DE REGISTRO – TRIBUNAL DE CONTAS – ATOS Fl. 376DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16027.000071/200991 Acórdão n.º 1402001.540 S1C4T2 Fl. 355 9 ADMINISTRATIVOS NÃO COMPROVADOS – ART. 333, INCISO II, DO CPC – PAGAMENTO DOS PROVENTOS DE NOVEMBRO/96 E DÉCIMO TERCEIRO SALÁRIO DAQUELE MESMO ANO – IMPOSSIBILIDADE – SÚMULAS 269 E 271 DA SUPREMA CORTE – 1. O ônus da prova incumbe ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (art. 333, II, do Código de Processo Civil). Incumbe às Secretarias de Educação e da Fazenda a demonstração de que a professora havia sido notificada da suspensão de sua aposentadoria. (STJ – ROMS 9685 – RS – 6ª T. – Rel. Min. Fernando Gonçalves – DJU 20.08.2001 – p. 00538) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IMPOSTO DE RENDA – VERBAS INDENIZATÓRIAS – FÉRIAS E LICENÇAPRÊMIO – NÃO INCIDÊNCIA – COMPENSAÇÃO – AJUSTE ANUAL – ÔNUS DA PROVA – O ônus da prova incumbe ao autor quanto ao fato constitutivo de seu direito e ao réu quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Cabe ao contribuinte comprovar a ocorrência de retenção na fonte do imposto de renda incidente sobre verbas indenizatórias e à Fazenda Nacional incumbe a prova de eventual compensação do imposto de renda retido na fonte no ajuste anual da declaração de rendimentos. Recurso provido. (STJ – REsp 229118 – DF – 1ª T. – Rel. Min. Garcia Vieira – DJU 07.02.2000 – p. 132) PROCESSO CIVIL E TRIBUTÁRIO – EXECUÇÃO FISCAL – EMBARGOS DO DEVEDOR – NOTIFICAÇÃO DO LANÇAMENTO – IMPRESCINDIBILIDADE – ÔNUS DA PROVA – 1. Imprescindível a notificação regular ao contribuinte do imposto devido. 2. Incumbe ao embargado, réu no processo incidente de embargos à execução, a prova do fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor (CPC, art. 333, II). 3. Recurso especial conhecido e provido. (STJ – REsp 237.009 – (1999/00996607) – SP – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 27.05.2002 – p. 147) TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL – IRPF – REPETIÇÃO DE INDÉBITO – VERBAS INDENIZATÓRIAS – RETENÇÃO NA FONTE – ÔNUS DA PROVA – VIOLAÇÃO DE LEI FEDERAL CONFIGURADA – DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA – SÚMULA 13/STJ PRECEDENTES – Cabe ao autor provar que houve a retenção do imposto de Fl. 377DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16027.000071/200991 Acórdão n.º 1402001.540 S1C4T2 Fl. 356 10 renda na fonte, por isso que é fato constitutivo do seu direito; ao réu competia a prova de eventual compensação na declaração anual de rendimentos dos recorrentes, do imposto de renda retido na fonte, fato extintivo, impeditivo ou modificativo do direito do autor – Incidência da Súmula 13 STJ – Recurso especial conhecido pela letra a e provido. (STJ – RESP 232729 – DF – 2ª T. – Rel. Min. Francisco Peçanha Martins – DJU 18.02.2002 – p. 00294) Desse modo, não há como reconhecer o crédito tributário em questão, mantendose a decisão recorrida. EMBRAER – EMPRESA AERONÁUTICA S/A Novamente a Recorrente limitouse a anexar cópia do livro razão. Conforme já analisado no item precedente, não há como reconhecerse o crédito tributário pleiteado, devendo ser mantida a decisão recorrida. CAIXA ECONÔMICA FEDERAL A própria Recorrente, em seu recurso, esclarece que “diligenciará junto à instituição financeira responsável com vistas a trazer aos autos elementos que possam comprovar a retenção informada nos PER/DCOMP´s em apreço”. Não há nos autos qualquer documento adicional. Ante a ausência de novos elementos, mantémse a decisão recorrida, não reconhecendose o direito crédito pleiteado. CONCLUSÃO Isso posto, voto por dar parcial provimento ao recurso, reconhecendo o direito creditório de R$ 3.804,39 referente ao imposto de renda retido na fonte pelo Banco Safra, homologando as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 378DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 16027.000071/200991 Acórdão n.º 1402001.540 S1C4T2 Fl. 357 11 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 07/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 17/12/2013 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 19/12/2013 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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