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Numero do processo: 11128.720254/2017-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 24 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 15/02/2012, 23/04/2012, 01/08/2012, 27/08/2012
10/09/2012, 02/10/2012, 09/10/2012, 13/11/2012, 21/03/2013, 05/04/2013,
13/05/2013, 05/07/2013, 16/08/2013, 05/09/2013, 02/10/2013, 28/10/2013,
13/11/2013, 02/12/2013, 28/01/2014, 05/02/2014
EFEITOS DA CONSULTA FISCAL. NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. ARTIGO 48 DO DECRETO Nº 70.235/72. POSSIBILIDADE.
Numero da decisão: 3401-006.619
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
Rosaldo Trevisan - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mara Cristina Sifuentes - Relatora.
(assinado digitalmente)
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias.
Nome do relator: MARA CRISTINA SIFUENTES
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NULIDADE DO LANÇAMENTO POR VÍCIO MATERIAL. ARTIGO 48 DO DECRETO Nº 70.235/72. POSSIBILIDADE. O sujeito passivo tem o direito de não ter instaurado contra si nenhum procedimento fiscal relativo à matéria consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência. O Lançamento é nulo, decorrente de vício material, carente de motivação válida, afronta a expressa disposição legal, contida no artigo 48 do Decreto nº 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. Rosaldo Trevisan - Presidente. (assinado digitalmente) Mara Cristina Sifuentes - Relatora. (assinado digitalmente) Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 12 8. 72 02 54 /2 01 7- 84 Fl. 300DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3401-006.619 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720254/2017-84 Lázaro Antônio Souza Soares, Carlos Henrique de Seixas Pantarolli, Oswaldo Gonçalves de Castro Neto, Fernanda Vieira Kotzias. Relatório Trata-se de auto de infração para exigência dos tributos na importação de mercadorias por ter sido identificada a classificação incorreta das mesmas, e aplicada multa por importação desamparada de licença de importação. De acordo com o TVF a ação fiscal resultou na reclassificação fiscal das mercadorias importadas no período de 2012 a 2014, de nome comercial SOLVENT NAPHTHA H, classificadas pelo importador na NCM 2707.99.90, que abrange "Outros óleos e outros produtos provenientes da destilação dos alcatrões e hulhas a alta temperatura; Produtos análogos em que os constituintes aromáticos predominem, em peso, relativamente aos constituintes não aromáticos". A fiscalização, com base em perícia técnica (laudo de análise nº 629/2012-1, elaborado pelo laboratório de análise FALCÃO BAUER) realizada em amostra retirada no curso do despacho aduaneiro, DI nº 12/0299604-5, adição 001, concluiu que sendo a mercadoria uma Mistura de Hidrocarbonetos Aromáticos que destilem, incluindo as perdas, uma fração igual ou superior a 65 %, em volume, a 250 °C, classifica-se no código tarifário da NCM 2707.50.00, consoante as Notas Explicativas e das Regras Gerais 1, 6 e RGC-1 de Interpretação do Sistema Harmonizado. A empresa reconheceu que os produtos importados são idênticos ao que constava em outra DI 12/0299604-5, por isso o laudo de perícia foi aproveitado para todas as importações cujas mercadorias eram idênticas. Para a Fiscalização a mercadoria foi descrita incorretamente pelo importador, tendo em vista a omissão de informação imprescindível, revelada com a realização da perícia técnica, de que "ocorreu uma destilação de '70 ML até 250º C' ", e por isso, de acordo com o Ato Declaratório Cosit nº 12/1997, configura-se a infração administrativa ao controle das importações, de importação desamparada de Licença de Importação. Em resposta a intimação a empresa informou ter feito uma consulta a Receita Federal em 13/01/2016, através do PAF 16682.720196/2016-36 e que até a presente data não havia obtido resposta. A empresa apresentou impugnação em que aduz: a) impossibilidade de alteração no critério jurídico de classificação de mercadorias; b) utilizou a classificação fiscal correta; c) impossibilidade da cobrança da multa ao controle administrativo; c) indevida cobrança da multa de 1% por erro de classificação. A impugnação foi julgada pela DRJ Fortaleza, acórdão nº 08-41.878, de 19 de fevereiro de 2018, por maioria de votos: I – PRELIMINARMENTE, a) CONHECER do teor da peça impugnatória; Fl. 301DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3401-006.619 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720254/2017-84 b) REJEITAR as preliminares de nulidade por contradição e deficiência na descrição da situação fática das autuações. c) NÃO APRECIAR as alegações de violação aos princípios constitucionais da proporcionalidade e da razoabilidade. d) INDEFERIR os pedidos de produção de provas a posteriori e de realização de perícia. O julgador Ricardo Serra Rocha foi vencido na preliminar por ele suscitada no sentido de conversão do julgamento em diligência para manifestação da autoridade autuante sobre os efeitos da consulta referente à classificação fiscal formalizada pelo sujeito passivo (processo nº 16682.720196/2016-36) ao caso em concreto, conforme Declaração de Voto. O julgador Icaro Nonato Lopes Cezar foi vencido na preliminar de nulidade por ele suscitada por entender que a existência de Consulta versa sobre produto idêntico ao objeto da autuação e tendo sido formulada antes do início do procedimento de fiscalização impediria a realização de tal procedimento fiscal, conforme declaração de voto. Regularmente cientificada a empresa apresentou Recurso Voluntário, nos seguintes termos, resumidamente: a) preliminar de nulidade do auto de infração pela existência de consulta formulada quando da sua lavratura; b) impossibilidade de alteração no critério jurídico de classificação de mercadorias; c) a classificação fiscal utilizada foi a correta; d) impossibilidade da cobrança da multa ao controle administrativo; e) indevida cobrança da multa de 1% por erro de classificação. É o relatório. Voto Conselheira Mara Cristina Sifuentes, Relatora. O Recurso Voluntário é tempestivo e preenche as demais condições de admissibilidade por isso dele tomo conhecimento. Preliminarmente a recorrente alega nulidade do auto de infração pela existência de processo de consulta quando da lavratura do auto de infração. O processo de consulta n° 16682.720196/2016-36 foi protocolado em 13/01/2016, o MPF relativo a ação fiscal foi iniciado em 04/11/2016, e a ciência do auto de infração ocorreu em 02/02/2017. Fl. 302DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3401-006.619 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720254/2017-84 Em resposta a intimação, durante o procedimento fiscal, a recorrente informou à fiscalização, em 30/11/2016, a existência de processo de solução de consulta pendente de análise pela RFB. A Solução de Consulta foi publicada no DOU em 24/5/2017 e a ciência do contribuinte ocorreu em 05/06/2017. Segundo o art. 48 do Decreto nº 70.235/72: Art. 48. Salvo o disposto no artigo seguinte, nenhum procedimento fiscal será instaurado contra o sujeito passivo relativamente à espécie consultada, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subseqüente à data da ciência: I - de decisão de primeira instância da qual não haja sido interposto recurso; II - de decisão de segunda instância.” E o Decreto nº 7.574/2011, dispõe no mesmo sentido: Art. 89. Nenhum procedimento fiscal será instaurado, relativamente à espécie consultada, contra o sujeito passivo alcançado pela consulta, a partir da apresentação da consulta até o trigésimo dia subsequente à data da ciência da decisão que lhe der solução definitiva. A recorrente cita também art. 50 da Lei nº 9.430/96, IN RFB nº 1.396/2013 e nº 1.464/2014, acórdão CSRF nº 9303-005.794, Solução de consulta Cosit nº 222/2007, e doutrina, sendo que todos os diplomas normativos corroboram seu entendimento. É primordial verificar se o objeto da consulta e do auto de infração guardam identidade, para que assim se aplique os dispositivos citados sobre a impossibilidade de instauração de procedimento fiscal na pendência da solução da consulta. O produto importado pela recorrente estava assim descrito nas Declarações de Importação: SOLVENT NAPHTHA H NOME COMERCIAL: SOLVENT NAPHTHA H HIDROCARBONETO CICLICO (AQUIL-BENZENO COM 11 CARBONOS) CAS# 64742-94-5 (100%). NOME QUIMICO: HIDROCARBONETO AROMATICO, FAMILIA QUIMICA: HIDROCARBONETO DE PETROLEO, ESTADO FISICO: LIQUIDO, COR.: AMARELO PALIDO, ODOR.: AROMATICO. COMPONENTES.: 1- METILNAFTALENO CAS#90-12-0. 2-METILNAFTALENO CAS#91-57-6. NAFTALENO CAS#92-20-3. FINALIDADE.: SOLVENTE O processo de consulta, em nome da recorrente, versou sobre o seguinte produto: Nome comercial: Solvent Naphtha H (denominação Marpol), Solvesso 200, Aromatic 200. Fl. 303DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3401-006.619 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720254/2017-84 Marca registrada: SolvessoTM. Fabricante: ExxonMobil Chemical Company. Descrição da mercadoria: Óleo derivado de petróleo, com alta concentração de constituintes aromáticos (>99% em peso), especificamente uma mistura de hidrocarbonetos aromáticos com predomínio de isômeros de Alquil Benzenos de 11-12 carbonos. CAS Number 64742-94-5. Forma ou formato: Líquido. Peso líquido: 154 g/mol. Apresentação: A granel. Matéria de que é constituída a mercadoria e suas percentagens em peso ou em volume: Mistura de hidrocarbonetos aromáticos (>99% em peso) com predomínio de isômeros de alquil benzenos de 11-12 carbonos. Função principal e secundária: Produto utilizado pelo consulente para revenda a clientes industriais. Princípio e descrição do funcionamento: Atua como solvente ou diluente nas formulações finais. Aplicação, uso ou emprego: Indústria de agroquímicos; tintas; vernizes e resinas; dentre outros. E a consulente esclarece o motivo do pedido de consulta: Motivo da consulta: Ajustes na qualidade da matéria-prima processada e adequação das condições operacionais de produção alteraram a curva de destilação fracionada do material (ASTM D86), sem alterar suas principais características físico-químicas, especificação para revenda e/ou aplicações. O novo valor (%) de sua destilação a 250 °C implica, todavia, na revisão de seu código tarifário na TEC. O produto originalmente importado pelo consulente no código 2707.99.90 passará a ser classificado no código 2707.50.00, sem qualquer prejuízo ou benefício financeiro ou tributário ao contribuinte, de forma a refletir novo perfil de volatilidade a 250 °C. Da análise das descrições apresentadas, conclui-se sem sombras de dúvida que se trata da mesma mercadoria. Pela aplicação do art. 48 do Decreto 70.235/72, art. 89 do Decreto nº 7.574/2011, e art. 50 da Lei nº 9.430/96, concluo pela nulidade do procedimento fiscal instaurado que não observou os ditames legais. Logo é nulo o auto de infração aplicado. Pelo exposto, voto por conhecer o recurso voluntário e no mérito dar-lhe provimento. Mara Cristina Sifuentes - Relatora (assinado digitalmente) Fl. 304DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3401-006.619 - 3ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 11128.720254/2017-84 Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.674523/2011-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 19 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 31 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.180
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem identifique a metodologia utilizada pelo contribuinte para apurar o valor do crédito e sua liquidez e certeza, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que entenderam pela desnecessidade da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1495; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 2 1 1 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10880.674523/201143 Recurso nº Voluntário Resolução nº 3402002.180 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 19 de junho de 2019 Assunto CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADESOCIAL COFINS Recorrente DOW AGROSCIENCES INDUSTRIAL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência para que a Unidade de Origem identifique a metodologia utilizada pelo contribuinte para apurar o valor do crédito e sua liquidez e certeza, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro e Maria Aparecida Martins de Paula que entenderam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .6 74 52 3/ 20 11 -4 3 Fl. 245DF CARF MF Processo nº 10880.674523/201143 Resolução nº 3402002.180 S3C4T2 Fl. 3 2 Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. PIS. COFINS. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, pelo qual pede a reforma da decisão para que seja homologado o pedido de restituição objeto do PER/DCOMP. Para tanto, a defesa sustenta os seguintes argumentos: Fl. 246DF CARF MF Processo nº 10880.674523/201143 Resolução nº 3402002.180 S3C4T2 Fl. 4 3 i) A Recorrente no ano de 2002 estava sujeita ao recolhimento da COFINS nos termos da Lei nº 9.718/98, calculada à alíquota de 3%; ii) Além de ser contribuinte da COFINS, a Recorrente também está sujeita à incidência do ICMS sobre o valor das operações, de acordo com a LC nº 87/96; iii) O crédito cuja restituição a Recorrente pleiteou é resultado da indevida inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS, resultando, portanto, em um recolhimento a maior e indevido no valor de R$ 8.396,73; iv) O valor do ICMS destacado nas notas fiscais de circulação de mercadoria não pode ser considerado receita ou faturamento da Recorrente para fins de incidência destas Contribuições, então o imposto estadual não deve ser incluído no cômputo das respectivas bases de cálculo; v) Em julgamento do Recurso Extraordinário nº 240.785/MG em outubro de 2014, em controle concentrado de constitucionalidade, o Pleno do Supremo Tribunal Federal entendeu que o valor retido a título de ICMS não refletiria a riqueza obtida com a realização da operação, pois constituiria ônus fiscal e não faturamento; vi) Referendando o mesmo entendimento, em 15 de março de 2017, o Pleno do Supremo Tribunal Federal julgou o Recurso Extraordinário nº 574.706 em sede de repercussão geral, declarando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS; vii) Por outro lado, tratandose de mero erro no preenchimento da declaração, deve prevalecer a verdade material dos fatos, não havendo que se falar em constituição definitiva dos créditos tributários indicados em DCTF, como equivocadamente afirma a DRJ; viii) Sucessivamente, pede pela conversão do julgamento em diligência para que seja comprovada a apuração original da base de cálculo da COFINS; os lançamentos nas contas de ICMS; e, consequentemente, o direito creditório apurado. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.174, de 19 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.902278/201251. Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.174): "2. Do objeto deste processo. Fl. 247DF CARF MF Processo nº 10880.674523/201143 Resolução nº 3402002.180 S3C4T2 Fl. 5 4 Como relatado, alega a Recorrente que recolheu a COFINS no valor de R$ 245.616,36 apurada no período de agosto de 2002 e, desse valor, faz jus ao crédito de R$ 8.396,73, conforme pedido de restituição. Com isso, pede pela reforma da decisão para que seja homologado o pedido de restituição objeto do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.042635, referente a valores recolhidos indevidamente a título de COFINS por ter incluído o ICMS na base de cálculo da contribuição. O Despacho Decisório nº 017674001 (efls. 5) indeferiu o pedido por considerar que foram localizados um ou mais pagamentos integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para restituição. Por sua vez, em julgamento da Manifestação de Inconformidade, a DRJ de origem negou provimento à defesa, em síntese, pelas seguintes razões: i) A empresa apresentou não apresentou DCTF retificadora, conforme apurado pela pesquisa nos sistemas informatizados da Receita Federal. Assim, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o valor do crédito o crédito não existia, pois o pagamento estava integralmente alocado ao débito refletindo as informações declaradas pelo contribuinte e, com isso, o ato administrativo da autoridade foi legítimo e pautado em declaração e em documentos formulados pelo próprio interessado; ii) No mérito, aplicamse os arts. 2º e 3º da Lei nº 9.718/1998, bem como art. 1º da Lei nº 10.637/2002, e art. 1º da Lei nº 10.833/2003; iii) Com isso, ficou estabelecido que a base de cálculo das contribuições devidas pelas pessoas jurídicas de direito privado, é o faturamento do mês, que corresponde à receita bruta. Entendese por receita bruta a totalidade das receitas auferidas, sendo irrelevantes o tipo de atividade exercida pela pessoa jurídica e a classificação contábil adotada para as receitas, consideradas as exclusões, deduções e isenções permitidas pela legislação; iv) O faturamento inclui todas as receitas de vendas, e o ICMS faz parte dele, por integrar o preço de venda das mercadorias; v) As exclusões elencadas nos referidos dispositivos legais não contemplam a exclusão do ICMS incluído nos preços de venda. Assim, não há dispositivo legal que permita a exclusão desse imposto da base de cálculo do PIS e da COFINS; vi) O interessado deixou de apresentar os elementos probatórios hábeis a comprovar a origem e aproveitamento do suposto indébito. Dos fatos acima, resta delimitada a controversa do presente caso na discussão sobre os seguintes argumentos: 1) O direito creditório da Contribuinte em razão da inclusão dos valores relativos ao ICMS na base de calculo da COFINS; Fl. 248DF CARF MF Processo nº 10880.674523/201143 Resolução nº 3402002.180 S3C4T2 Fl. 6 5 2) Desnecessidade de retificação da DCTF e possibilidade de comprovação através da documentação apresentada; 3) Liquidez e certeza do crédito em análise. 3. Da exclusão do ICMS da base de cálculo da COFINS. Argumenta a Recorrente que o mais recente posicionamento da Suprema Corte considera como inconstitucional a inclusão do ICMS na base de cálculo da Contribuição ao PIS e da COFINS, uma vez que o valor do imposto estadual não se enquadra no conceito de receita ou faturamento. De fato, o Supremo Tribunal Federal, por ocasião do julgamento do Recurso Extraordinário nº 574.706, em sede de repercussão geral1, decidiu pela exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições do PIS e da COFINS, conforme Ementa abaixo colacionada: RECURSO EXTRAORDINÁRIO COM REPERCUSSÃO GERAL. EXCLUSÃO DO ICMS NA BASE DE CÁLCULO DO PIS E COFINS. DEFINIÇÃO DE FATURAMENTO. APURAÇÃO ESCRITURAL DO ICMS E REGIME DE NÃO CUMULATIVIDADE. RECURSO PROVIDO. 1. Inviável a apuração do ICMS tomandose cada mercadoria ou serviço e a correspondente cadeia, adotase o sistema de apuração contábil. O montante de ICMS a recolher é apurado mês a mês, considerandose o total de créditos decorrentes de aquisições e o total de débitos gerados nas saídas de mercadorias ou serviços: análise contábil ou escritural do ICMS. 2. A análise jurídica do princípio da não cumulatividade aplicado ao ICMS há de atentar ao disposto no art. 155, § 2º, inc. I, da Constituição da República, cumprindose o princípio da não cumulatividade a cada operação. 3. O regime da não cumulatividade impõe concluir, conquanto se tenha a escrituração da parcela ainda a se compensar do ICMS, não se incluir todo ele na definição de faturamento aproveitado por este Supremo Tribunal Federal. O ICMS não compõe a base de cálculo para incidência do PIS e da COFINS. 3. Se o art. 3º, § 2º, inc. I, in fine, da Lei n. 9.718/1998 excluiu da base de cálculo daquelas contribuições sociais o ICMS transferido integralmente para os Estados, deve ser enfatizado que não há como se excluir a transferência parcial decorrente do regime de não cumulatividade em determinado momento da dinâmica das operações. 4. Recurso provido para excluir o ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS e da COFINS. (RE 574706, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, Tribunal Pleno, julgado em 15/03/2017, ACÓRDÃO ELETRÔNICO REPERCUSSÃO GERAL MÉRITO DJe223 DIVULG 29092017 PUBLIC 02102017) 1 TEMA 69 Inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS. Ementa: Reconhecida a repercussão geral da questão constitucional relativa à inclusão do ICMS na base de cálculo da COFINS e da contribuição ao PIS. Pendência de julgamento no Plenário do Supremo Tribunal Federal do Recurso Extraordinário n. 240.785. (RE 574706 RG, Relator(a): Min. CÁRMEN LÚCIA, julgado em 24/04/2008, DJe088 DIVULG 15052008 PUBLIC 16052008 EMENT VOL0231910 PP02174 ) Fl. 249DF CARF MF Processo nº 10880.674523/201143 Resolução nº 3402002.180 S3C4T2 Fl. 7 6 Após a publicação do acórdão do RE nº 574.706/PR em 02/10/2017, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs Embargos Declaratórios requerendo a modulação temporal dos efeitos da decisão, dentre outras matérias pendentes, os quais aguardam análise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal2. Diante do julgamento em sede de repercussão geral, a Coordenação Geral de Contencioso Administrativo e Judicial (COCAJ) proferiu a Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018, pela qual considerou a aplicação da decisão proferida no Recurso Extraordinário em questão, o que fez com o objetivo de esclarecer sobre o procedimento a ser adotado. Transcrevo a justificativa utilizada pela própria Receita Federal para aplicação do julgado: "13. A legislação aplicável a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins, no regime cumulativo (Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998) e no regime não cumulativo (Leis no 10.637, de 30 de dezembro de 2002 e no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, respectivamente), define os elementos constitutivos da base de calculo das referidas contribuições, na qual se incluem, nas duas modalidades de incidência, os tributos sobre ela (a receita mensal) incidentes, conforme insculpido no art. 12 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, abaixo transcrito: (...) 14. Todavia, o Plenário do Supremo Tribunal Federal no julgamento do Recurso Extraordinário no 574.706/PR, finalizado em 15.3.2017, e submetido ao rito de repercussão geral, conforme definido no Art. 543 B da Lei no 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (antigo Código de Processo Civil), sob a relatoria da ministra Carmen Lucia, definiu que o ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. 15. Após a publicação do acórdão do RE no 574.706/PR em 2.10.2017, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional opôs embargos declaratórios da decisão em foco, em 19.10.2017, nos quais requereu a modulação temporal dos efeitos da decisão e a definição de outras questões pendentes. Fica aqui o registro de que, ate a presente data da edição desta solução de consulta interna, os referidos embargos de declaração apresentados pela Fazenda Nacional aguardam sua analise e julgamento pelo Supremo Tribunal Federal. 16. Em paralelo, deve ser consignado que nas matérias decididas de modo desfavorável à Fazenda Nacional pelo Supremo Tribunal Federal, em sede de repercussão geral reconhecida, como e o caso tratado na presente consulta interna, a Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002, em seu art. 19, estabelece todo um rito próprio a ser observado, para fins de vinculação da Secretaria da Receita Federal do Brasil a decisão desfavorável. Conforme estatuído na referida lei, a vinculação automática da Secretaria da Receita Federal do Brasil ao entendimento adotado nas decisões definitivas de mérito, no tocante a 2 http://portal.stf.jus.br/processos/detalhe.asp?incidente=2585258 Fl. 250DF CARF MF Processo nº 10880.674523/201143 Resolução nº 3402002.180 S3C4T2 Fl. 8 7 constituição de credito tributário e as decisões administrativas sobre a matéria julgada pelo Supremo Tribunal Federal, só se formaliza apos a manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Razão de que, ate o presente momento, a Secretaria da Receita Federal do Brasil não editou parecer normativo delimitando a extensão e o alcance do julgado em referencia pelo Supremo Tribunal Federal, o qual definiu nova tese de ajuste na base de calculo das referidas contribuições sociais. 17. Todavia, em face da profusão de decisões judiciais transitadas em julgado, na esteira do precedente do Supremo Tribunal Federal e com fundamento na tese nele firmada de que trata a presente consulta, urge disciplinar a aplicação, a operacionalidade, o alcance e efeitos da decisão dessa Corte, no sentido não só de nortear os sujeitos ativo (Secretaria da Receita Federal do Brasil) e passivo (Contribuinte) da relação jurídicotributária das referidas contribuições sociais, como também de fornecer toda uma fundamentação estruturada e normativa para fins de subsidiar os cálculos relativos a matéria em lide, no plano do contencioso judicial e administrativo." Consignase, ainda, que o Superior Tribunal de Justiça vem decidindo de acordo com o julgado no RE 574.706, a exemplo do AgInt no AREsp 282.685/CE3. Não obstante a tramitação perante o STF ainda pendente de trânsito em julgado e, sem prejuízo do posicionamento que será adotado por este Colegiado, entendo que, antes de dar prosseguimento ao julgamento do presente recurso, são importantes esclarecimentos adicionais sobre a base de cálculo da COFINS, bem como sobre a certeza e liquidez do crédito invocado pela Contribuinte, como abaixo demonstrado. 4. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência Em pedido de diligência, observa a Recorrente pela possibilidade de análise fiscal para confirmação da correção da base de cálculo da COFINS informada em DIPJ e dos lançamentos nas contas de ICMS do Razão Analítico. 3 "TRIBUTÁRIO. AGRAVO INTERNO NO AGRAVO EM RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. RECENTE POSICIONAMENTO DO STF EM REPERCUSSÃO GERAL (RE 574.706/PR). AGRAVO INTERNO DA FAZENDA NACIONAL DESPROVIDO. 1. O Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar o RE 574.706/PR, em repercussão geral, Relatora Ministra CÁRMEN LÚCIA, entendeu que o valor arrecadado a título de ICMS não se incorpora ao patrimônio do Contribuinte e, dessa forma, não pode integrar a base de cálculo dessas contribuições, que são destinadas ao financiamento da Seguridade Social. 2. A existência de precedente firmado sob o regime de repercussão geral pelo Plenário do STF autoriza o imediato julgamento dos processos com o mesmo objeto,independentemente do trânsito em julgado do paradigma. Precedentes: RE 1.006.958 AgREDED, Rel. Min. DIAS TOFFOLI, Dje 18.9/2017; ARE 909.527/RSAgR, Rel Min. LUIZ FUX, DJe de 30.5.2016. 3. Agravo Interno da Fazenda Nacional desprovido." (AgInt no AREsp 282.685/CE, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, PRIMEIRA TURMA, julgado em 08/02/2018, DJe 27/02/2018) Fl. 251DF CARF MF Processo nº 10880.674523/201143 Resolução nº 3402002.180 S3C4T2 Fl. 9 8 Com relação à ausência de retificações em suas declarações tributárias (DIPJ e DCTF) para evidenciar o alegado pagamento indevido, a Contribuinte invoca decisões deste Tribunal Administrativo e argumenta que, tratandose de mero erro no preenchimento da declaração, deve prevalecer a verdade material dos fatos, não havendo que se falar em constituição definitiva dos créditos tributários indicados em DCTF, como equivocadamente afirma a DRJ. Com efeito, é da Contribuinte o ônus da prova passível de contrapor a constatação de utilização dos créditos declarados, apresentando comprovação que possa ao menos demonstrar o direito creditório perseguido e afastar mero erro formal nas informações prestadas em declarações obrigatórias. A busca pela verdade material vem sendo aplicada pelo CARF, como já decidido por este Colegiado em situações análogas, bem como por outras Turmas, a exemplo do Acórdão nº 3201002.518, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2º Câmara da 3ª Seção, cuja Ementa abaixo transcrevo: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 20/08/2014 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. DCTF COM INFORMAÇÕES ERRADAS. TRIBUTO PAGO INDEVIDAMENTE. CRÉDITO EXISTENTE. HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO. A COFINS apurada e recolhida sob a sistemática cumulativa, quando o contribuinte submetiase a não cumulatividade, em competência cujo saldo de COFINS a pagar, segundo esta sistemática foi zero, consubstanciase em recolhimento indevido. Crédito apto a ser utilizado em compensação, cuja homologação deve ser reconhecida. Da análise dos autos, verifico que a Recorrente instruiu a Manifestação de Inconformidade de fls. 10 a 59 com os seguintes documentos: i) Comprovante de arrecadação no valor total de R$ 245.616,36; ii) Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ; iii) Declaração de Débitos e Créditos Tributários – DCTF original e iv) Planilha de cálculo desconsiderando o ICMS na base de cálculo da contribuição. Já o Recurso Voluntário foi instruído com os mesmos documentos acima mencionados, bem como com o Razão Analítico com respectivos lançamentos nas contas de ICMS. Aplicando o ônus da prova sobre o crédito perseguido e, diante da necessária busca pela verdade material, entendo que, antes do julgamento do presente processo, é importante que seja analisado o Fl. 252DF CARF MF Processo nº 10880.674523/201143 Resolução nº 3402002.180 S3C4T2 Fl. 10 9 direito creditório através da documentação apresentada nestes autos pela Contribuinte, possibilitando a identificação da metodologia utilizada na apuração da base de cálculo da COFINS por ocasião da transmissão do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.042635, bem como os respectivos lançamentos nas contas de ICMS e, por fim, comparando este levantamento com a metodologia considerada em Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018. Com isso, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72 cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, proponho a conversão do julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: Analise os documentos comprobatórios apresentados nestes autos pela Contribuinte; Intime a Recorrente para informar a metodologia utilizada na apuração do valor do crédito, oportunizando a apresentação de documentos adicionais que entender necessários; Elabore parecer conclusivo sobre o valor, liquidez e certeza do crédito, avaliando a metodologia utilizada pela Contribuinte na transmissão do PER/DCOMP nº 42117.25658.040907.1.2.04 2635, bem como comparando com a metodologia orientada através da Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018. Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de Resolução. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: 1. Analise os documentos comprobatórios apresentados nestes autos pela Contribuinte; Fl. 253DF CARF MF Processo nº 10880.674523/201143 Resolução nº 3402002.180 S3C4T2 Fl. 11 10 2. Intime a Recorrente para informar a metodologia utilizada na apuração do valor do crédito, oportunizando a apresentação de documentos adicionais que entender necessários; 3. Elabore parecer conclusivo sobre o valor, liquidez e certeza do crédito, avaliando a metodologia utilizada pela Contribuinte na transmissão do PER/DCOMP, bem como comparando com a metodologia orientada através da Solução de Consulta Interna nº 13 Cosit, de 18 de outubro de 2018; 4. Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. 5. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 254DF CARF MF
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Numero do processo: 10435.000433/2007-93
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Ano-calendário: 2003
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO.
Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil.
MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNE-LEÃO.
Relativamente aos rendimentos recebidos a partir de 19 de janeiro de 1997,
é cabível a exigência da multa isolada, incidente sobre o valor do imposto
mensal devido a título de carnê-leão e não recolhido nas datas previstas na
legislação de regência.
JUROS SELIC. SÚMULA CARF N.º 4
A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
Numero da decisão: 2401-006.636
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário.
(documento assinado digitalmente)
MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente
(documento assinado digitalmente)
MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING - Relator
(documento assinado digitalmente)
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MIRIAM DENISE XAVIER, CLEBERSON ALEX FRIESS, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, JOSÉ LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO, ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, MATHEUS SOARES LEITE, RAYD SANTANA FERREIRA, MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
Nome do relator: MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF) Ano-calendário: 2003 ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRIBUTAÇÃO. Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNE-LEÃO. Relativamente aos rendimentos recebidos a partir de 19 de janeiro de 1997, é cabível a exigência da multa isolada, incidente sobre o valor do imposto mensal devido a título de carnê-leão e não recolhido nas datas previstas na legislação de regência. JUROS SELIC. SÚMULA CARF N.º 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente (documento assinado digitalmente) MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING - Relator (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MIRIAM DENISE XAVIER, CLEBERSON ALEX FRIESS, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, JOSÉ LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO, ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, MATHEUS SOARES LEITE, RAYD SANTANA FERREIRA, MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING
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TRIBUTAÇÃO. Sujeita se à tributação o acréscimo patrimonial apurado pela autoridade lançadora não justificado por rendimentos declarados ou comprovados pelo contribuinte, presunção esta que somente pode ser elidida mediante a apresentação de prova hábil. MULTA ISOLADA. FALTA DE RECOLHIMENTO DO CARNE-LEÃO. Relativamente aos rendimentos recebidos a partir de 19 de janeiro de 1997, é cabível a exigência da multa isolada, incidente sobre o valor do imposto mensal devido a título de carnê-leão e não recolhido nas datas previstas na legislação de regência. JUROS SELIC. SÚMULA CARF N.º 4 A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MIRIAM DENISE XAVIER - Presidente (documento assinado digitalmente) MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING - Relator (documento assinado digitalmente) Participaram do presente julgamento os Conselheiros: MIRIAM DENISE XAVIER, CLEBERSON ALEX FRIESS, LUCIANA MATOS PEREIRA BARBOSA, JOSÉ LUIS HENTSCH BENJAMIN PINHEIRO, ANDREA VIANA ARRAIS EGYPTO, MATHEUS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 43 5. 00 04 33 /2 00 7- 93 Fl. 172DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.000433/2007-93 SOARES LEITE, RAYD SANTANA FERREIRA, MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi lavrado o Auto de Infração de fls. 03/05, para exigência do crédito tributário no valor total de R$ 88.272, 18, referente ao ano- calendário de 2003, em razão de ter sido apuradas pela fiscalização, as infrações abaixo descritas, aos dispositivos legais mencionados, na Declaração de Ajuste Anual do imposto de Renda da Pessoa Física: a) acréscimo patrimonial a descoberto b) multas isoladas falta de declaração/recolhimento do carnê-leão No Termo de Encerramento de Ação Fiscal de fls. 60/62, o Auditor Fiscal traz as seguintes informações em síntese: "a elaboração do Demonstrativo da Evolução Patrimonial (fls.50 e 51) e que é parte integrante deste auto, foi efetivada com base na documentação apresentada pelo contribuinte, no qual foram considerados como recursos os rendimentos recebi- dos pelo fiscalizado e sua mulher - Sra. Adalva Maria das Neves- CPF n° 505.248.304-20 e o produto da venda de veículos e como dispêndios, as deduções pleiteadas na declaração, compra de imóveis, pagamentos dos impostos e o valor do capital da constituição da empresa Credwilly Colchões Ltda, CNPJ n° 05.890.552/0001-36". Devidamente cientificado da autuação, em 17/04/2007, conforme “AR” e- fls.64 do processo, o contribuinte apresenta em 17/05/2007 a impugnação de fls.60/64 do processo, com as seguintes alegações, em síntese: Preliminar de nulidade - do vício da fundamentação: ausência da indicação precisa da forma de cálculo empregada. Segundo o recorrente, não há, no presente auto de infração, descrição clara da forma de cálculo empregada para apurar o IRPF, o que impede total ou parcialmente a compreensão do ato administrativo, bem assim a regularidade do procedimento que o antecedera, impedindo o exercício pleno do direito de defesa na esfera administrativa, garantia decorrente da Constituição Federal e requisito de validade para a cobrança. Do mérito Considera indevido o lançamento , pelos seguintes motivos: a) as aquisições por ele realizadas no ano-calendário de 2003, a saber: um imóvel situado na Rua S. Gabriel, n° 440, no valor de R$ 130.00,00; um imóvel adquirido em abril de 2003, localizado na Rua Gonçalves Dias, n° 22, no valor R$920.000,00 e a aquisição de quotas de capital da constituição da empresa Credvsálly Colchões Ltda, CNPJ n° 05.890.552/0001-36, têm como respaldo doações que lhe foram feitas pela sua esposa, a Sra. Adalva Maria das Neves, com quem é casado em comunhão universal de bens, conforme devidamente registrado em sua DIRPF; b) pondera que os recursos acima não foram considerados pela autoridade fiscal, o que causou, nos seus cálculos, um acréscimo patrimonial a descoberto a maior nas Fl. 173DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.000433/2007-93 quantias de R$ 4.265,85 (para O mês de abril de 2003) e de R$ 6.918,59, para o mês de agosto de 2003. Da irregular imposição da multa isolada cumulada com a multa de ofício Aduz que já é pacifico no Conselho de Contribuintes o entendimento da impossibilidade de se cumular multas por um mesmo fato gerador, conforme ementas de Acórdão que transcreve, para concluir que, diante disto, deverá ser excluída a multa isolada, por ter a mesma base de cálculo. Da inexigibilidade da taxa Selic Entende que a utilização da taxa Selic para remuneração dos juros é inconstitucional e incompatível com a sistemática do Direito Tributário, conforme jurisprudência e doutrina. Do pedido Requer, em face das suas alegações: i) o acolhimento da sua impugnação e das preliminares de nulidade apresentadas e a improcedência da autuação, tendo em vista a apuração da base de cálculo totalmente distinta da realidade; ii) ou da exclusão da base de cálculo do IRPF da quantia de R$ 130.999,87, uma vez que restou comprovada que a cônjuge do impugnante realizou a doação no valor de R$ 78.800,00 no exercício de 2003; iii) protesta pela juntada posterior de documentos e da produção de prova pericial. A DRJ/Recife, por sua vez, julgou, por unanimidade, em 30/07/2009, improcedente a impugnação, conforme e-fls. 122 a 137, nos termos a seguir resumidos: Da preliminar de nulidade com base em cerceamento do direito de defesa 1) Discorre sobre a importância dos princípios do Contraditório e da ampla defesa, bem como sobre a importância da motivação dos atos administrativos para sua legalidade, citando doutrina; 2) Cita os arts. 10, 59 e 60 do Decreto 70.235/72, para concluir que o Auto de Infração atendeu a todos os requisitos pois traz em seu bojo, a qualificação do autuado; o local, a data e a hora da lavratura; a matéria tributável (descrição dos fatos); a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; a determinação da exigência e a intimação para cumpri-la ou impugná-la no prazo de trinta dias e por fim, a assinatura do autuante e a indicação do seu cargo e que o Termo de Encerramento de Ação fiscal, às fls. 60/62, traz todas as razões que ensejaram a lavratura do auto de Infração, indicando, inclusive, quais os recursos que foram considerados na apuração da evolução patrimonial, informados na DIRPF do contribuinte e na carta-resposta por ele apresentada no curso da ação fiscal. 3) conclui que na autuação foram trazidos todos os elementos e fundamentações que originaram o lançamento, concedendo assim, ao contribuinte, a faculdade de manifestar a sua posição sobre fatos ou documentos trazidos ao processo pela fiscalização; 4) analisando os fatos apontados na impugnação apresentada pelo contribuinte, como vícios prejudiciais ao exercício do seu direito de defesa, afirma que o cálculo da evolução patrimonial em discussão foi elaborado no Demonstrativo de Evolução Patrimonial de fls.50/51 e acompanhou o Auto de Infração conforme assinalado pelo Auditor Fiscal autuante no Termo de Encerramento de Ação fiscal, às fls. 60/62, neste contendo, mês a mês, todos os Recursos/Origens e todos os Dispêndios/Aplicações que levaram Fl. 174DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.000433/2007-93 à conclusão da existência do acréscimo patrimonial a descoberto que serviu de base ao lançamento. 5) ressalta que foi exatamente com base no demonstrativo supracitado que o autuado apresentou os seus argumentos quanto aos recursos que deveriam ser acrescentados ao cálculo da evolução patrimonial em questão, e que é exatamente com a impugnação que se instaura o contencioso caracterizado pelo conflito de interesses, sendo esse o momento em que se aplicam as garantias constitucionais da observância do contraditório e da ampla defesa, referidos pelo impugnante, não havendo, portanto, que se falar em cerceamento de direito de defesa durante o curso da ação fiscal. 6) rejeita, portanto, a preliminar de nulidade apresentada. Das razões de mérito. Do acréscimo patrimonial a descoberto 1) O acréscimo patrimonial a descoberto é fato gerador do imposto de renda como proventos de qualquer natureza, como definido art. 43 do CTN, pelo simples fato de que ninguém aumenta seu patrimônio sem a obtenção dos recursos para isso necessários. A eventual diferença ou descompasso demonstrado na evolução patrimonial evidencia a obtenção de recursos não conhecidos pelo Fisco. Porém, a presunção contida no dispositivo citado (CTN, art. 43, II) não é absoluta, mas relativa, na medida em que admite prova em contrário. Entretanto, essa prova deve ser feita pelo contribuinte, uma vez que a legislação define o descompasso patrimonial como fato gerador do imposto, sem impor condições ao sujeito ativo, além da demonstração do referido desequilíbrio; 2) O levantamento de acréscimo patrimonial não justificado é forma indireta de apuração de rendimentos omitidos. Neste caso, cabe à autoridade lançadora comprovar apenas a existência de rendimentos omitidos, que são revelados pelo acréscimo patrimonial não justificado. Nenhuma outra prova a lei exige da autoridade administrativa. Cita doutrina neste sentido 3) Não é a autoridade fiscal que presume a omissão de rendimentos, mas sim a lei, especificamente a Lei n° 7.713/1988, art. 3°, § 1°, tratando-se, portanto, de presunção legal; 4) Provada pelo fisco a aquisição de bens e/ou aplicações de recursos, cabe ao contribuinte a prova da origem dos recursos utilizados. Isto é, a prova “ex ante”, de iniciativa do Fisco, redundará no ônus da contraprova pelo contribuinte. Cita jurisprudência da Câmara Superior de Recursos Fiscais do Ministério da Fazenda (CSRF); 5) No caso presente, conforme consta na narrativa do Auditor Fiscal autuante a elaboração do Demonstrativo da Evolução Patrimonial (fls.50 e 51) e que é parte integrante deste auto, foi efetivada com base na documentação apresentada pelo contribuinte, no qual foram considerados como recursos os rendimentos recebidos pelo fiscalizado declarados na DIRPF/2004 juntamente com os da sua mulher - Sra. Adalva Maria das Neves- CPF n° 505.248.304-20 e o produto da venda de veículos e como dispêndios, as deduções pleiteadas na declaração, compra de imóveis, pagamentos dos impostos e o valor do capital da constituição da empresa Credwilly Colchões Ltda, CNPJ n° 05.890.552/0001-36; 6) O contribuinte, em sua impugnação, refuta a existência do Acréscimo Patrimonial a descoberto, apontado no Auto de Infração, sob a alegação de que os recursos Fl. 175DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.000433/2007-93 utilizados nas aquisições por ele realizadas no ano-calendário de 2003 decorreram em parte de doações que lhe foram feitas pela sua esposa, Sra. Adalva Maria das Neves- CPF n° 505.248.304-20, e que essas doações, devidamente declaradas por ela em sua DIRPF/2004, decorrem de recursos por ela juntados desde o ano de 2000 em dinheiro, igualmente declarados nas suas DIRPF anteriores e elabora as planilhas de fls.88 nas quais são demonstrados recursos em seu nome e no da sua esposa, correspondentes aos anos de 2000 a 2003 todos em dinheiro, em espécie; 7) No que concerne à hipótese de os rendimentos do cônjuge servirem como justificativa do aumento de patrimônio do contribuinte, esta é perfeitamente cabível, uma vez que os bens adquiridos por um ou por ambos os conviventes, na constância da união estável e a título oneroso, são considerados fruto do trabalho e da colaboração comum, tanto que foram considerados pelo Auditor Fiscal autuante como recursos, no Demonstrativo de fls.50/51, todos os 'rendimentos da Sra. Adalva Maria das Neves, apresentados pelo contribuinte e por ela declarados, consoante se constada no demonstrativo “DEMAIS RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA FÍSICA/EXTERIOR” de fl.56; 8) que as Declarações de Ajuste Anual do IRPF, anexadas por contribuinte à sua impugnação ( fls.l01/ 108) e nas quais encontram-se registrados “as disponibilidades em moeda corrente e Bancos no Brasil” aludidas, constata-se que estas foram apresentadas na data de 16/05/2007, posteriormente, portanto, à ciência do Auto de infração que ocorreu em 17/04/2007, e não poderão ser acatadas como provas no presente caso, por força do que dispõe o art.7° e seu parágrafo primeiro, do Decreto n° 70.235, de 1972; 9) que, nas DIRPF dos anos anteriores (2001 a 2003) apresentadas anteriormente e anexadas pela DRJ (fls.1l0/119), não constam os registros dos citados recursos e nem da doação alegada, nas declarações de bens e direitos da Sra. Adalva Maria das Neves- CPF n° 505.248.304-20; 10) que os recursos declarados pela Sra. Adalva Maria das Neves, nas Declarações de Bens e Direitos como dinheiro em moeda corrente se traduzem em informações que, por evidente, têm força probatória bastante reduzida, porque, quanto à disponibilidade em dinheiro, adota-se o entendimento já consagrado pela jurisprudência administrativa, pela qual o dinheiro em espécie constante de declaração de bens entregue sob procedimento fiscal somente pode justificar variação patrimonial quando houver prova inconteste de sua existência no final do ano-calendário em que foi declarado; 11) Que o contribuinte não trouxe ao processo qualquer prova inconteste da existência de qualquer disponibilidade em dinheiro da Sra. Adalva Maria das Neves em 31/12/2000, em 31/12/2001 e em 31/12/2002,, não há como se dar guarida à sua pretensão. Cita acórdãos do Conselho de Contribuintes neste sentido; 12) Que, em se tratando de acréscimo patrimonial a descoberto, a questão é de “prova”, a cargo do contribuinte; e a prova, tendo em vista o princípio da livre convicção do julgador na apreciação das provas, previsto no art. 29 do Decreto n° 70.235/ 1972, calcada exclusivamente na rubrica “dinheiro em espécie” registrados nas declarações de ajuste de IRPF dos exercícios precitados entregues a destempo , para fins de comprovar a origem dos recursos utilizados na aquisição dos bens e direitos no ano-calendário de 2003, não pode ser aceita; 13) Que o mesmo entendimento se aplica aos recursos em “dinheiro em espécie” alegados pelo contribuinte como a ele pertencentes desde o ano de 2000 e demonstrados Fl. 176DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.000433/2007-93 na planilha de fl.88, uma vez declarados a destempo e sem a comprovação da sua existência, razão pela qual não poderão ser acatados como justificativa para o acréscimo patrimonial a descoberto em questão; 14) por fim, que, restando comprovada a ocorrência do fato gerador do tributo, e desde que o contribuinte não comprovou a origem dos recursos que poderiam afastar a variação patrimonial a descoberto, deve ser mantida a autuação. Da aplicação da multa isolada cumulada com a multa de ofício 1) Que, em relação à alegação da impossibilidade de se cumular multas por um mesmo fato gerador, é forçoso chamar a atenção para o fato de que o ato administrativo do lançamento é vinculado e obrigatório, e como tal, deve obedecer às normas tributárias inerentes à matéria, não sendo, portanto, um ato arbitrário da autoridade, que é mera aplicadora e intérprete da lei; 2) Que a autoridade administrativa não tem competência para decidir sobre a inconstitucionalidade ou a ilegitimidade de lei, matéria reservada ao Poder Judiciário. 3) Que a aplicação das penalidades no lançamento em questão, encontra respaldo na Lei n° 9.430, de 1996 em seu artigo 44 , incisos I e II, que estabelece a aplicação de percentuais de multa para cada tipo de infração; 4) Que, da análise do dispositivo acima, depreende-se, sem nenhuma dúvida, que as multas previstas nos incisos I e II do art.44, serão exigidas, a primeira, no percentual de 75%, juntamente com o tributo, por falta de pagamento deste, e a segunda, isoladamente, no caso de pessoa física, quando esta deixar de recolher o imposto mensal (carnê-leão), na forma do art.8° da Lei n° 7.713, de 1988. Ou seja, são duas penalidades para infrações diferentes, que acontecem em dois momentos: uma, quando 0 contribuinte deixa de recolher o imposto na declaração anual de ajuste anual e a outra, quando da percepção dos rendimentos recebidos de pessoas físicas, sobre os quais deverá ser recolhido o imposto mensal (carnê-leão) e o contribuinte deixar de fazê-lo; 5) Que, portanto, diferentemente do que afirma o autuado, não há a duplicidade na imposição das multas, uma vez que as exigências decorrem de bases de cálculo diferentes: omissão de rendimentos na declaração de ajuste e não recolhimento do Carnê-leão; 6) Que a intenção do legislador em relação à multa exigida isoladamente foi clara: estabelecer uma distinção entre aquele contribuinte que cumpre sua obrigação de recolher o Carnê-leão, mês a mês, nas datas previstas na legislação, e o contribuinte que nada paga, oferecendo à tributação os rendimentos sujeitos ao Carnê-leão apenas quando da entrega de sua declaração de ajuste, o que também não ocorreu, haja vista a mencionada, omissão dos rendimentos recebidos de pessoas físicas confessada pelo autuado; 7) Conclui ser procedente a aplicação das multas de oficio efetivada no Auto de Infração. Do pedido de perícia e da juntada posterior de provas 1) No que se refere ao pedido de realização de perícia efetivada pelo contribuinte, esclarece que de acordo com o determinado pelo art. 16, inciso IV do Decreto n° 70.235/72, o pedido de diligência ou perícia feito pelo impugnante deve expor os motivos que a justifiquem e conter a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, e o §1º Fl. 177DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2401-006.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.000433/2007-93 deste mesmo artigo 16 determina que se considere não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender a estes requisitos; 2) Que os artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, por fim, deixam claro que a determinação de realização de diligências deve ser feita pela autoridade julgadora quando entendê-las necessárias, indeferindo aquelas que considerar prescindíveis; 3) Que, no presente caso, verifica-se que a contribuinte não atendeu aos requisitos legais acima mencionados na formulação do seu pedido de perícia, o que determina, de pronto, que o considere como não formulado, razão pela qual indefiro a sua realização; 4) Que no que se refere à solicitação do impugnante, referente à juntada posterior de provas, estas somente são previstas nos casos elencados no § 4° do art.16 do Decreto n° 70.235, de 1972, e levando-se em conta o fato de o autuado não haver trazido, até a presente data, nenhuma documentação adicional à sua impugnação acompanhada de uma das justificativas enumeradas no dispositivo legal precitado, indefere o pedido em comento. Das decisões administrativas- efeitos 1) Que, no que diz respeito ao entendimento constante dos Acórdãos proferidos pelo Conselho de Contribuintes citados pelo impugnante, embora eles possam ser utilizados como reforço a esta ou aquela tese, eles não se constituem entre as normas complementares contidas no art. 100 do CTN e, portanto, não vinculam as decisões desta instância julgadora, restringindo-se aos casos julgados e às partes inseridas no processo que resultou a decisão, consoante o disposto no Parecer Normativo CST n° 390/ 1971. Cientificado da decisão da DRJ em 02/03/2010, conforme e-fls. 140, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às e-fls.141 a 159, nos termos a seguir resumidos: Dos fatos 1) Que, intimado para apresentar comprovantes das deduções permitidas por lei, comprovante da venda de veículos, cópia de escrituras de imóveis adquiridos pelo recorrente, cópia do Contrato Social da empresa da qual faz parte do quadro societário, bem como relação dos rendimentos recebidos pelo cônjuge Adalva Maria das Neves, CPF n.° 506.248.304-20, o solicitado foi devidamente apresentado; 2) Que, apesar das informações prestadas pelo recorrente, desconsiderou a autoridade fazendária a documentação apresentada por este, realizando o lançamento tributário; 3) Que, apresentada tempestivamente a impugnação, a mesma não foi aceita pela DRJ/Recife, que não levou em consideração os argumentos levantados pelo recorrente, desconsiderando os valores doados da esposa do recorrente, nem realizando os descontos permitidos pela evolução patrimonial de rendimentos economizados durante anos; 4) Que a DRJ também não levou em consideração a impossibilidade de cumulação da multa de oficio com a multa isolada, desde que tenham a mesma base de cálculo; Mérito Da irregular apuração da base de cálculo do IRPF 1) Que a Autoridade Fiscal, ao realizar o lançamento suplementar do IRPF informa que tomou por base a documentação apresentada pelo recorrente, chegando a uma cifra absurda de R$ 88.272,18 (oitenta e oito mil, duzentos e setenta e dois reais e dezoito centavos) e que esses valores não condizem com a realidade; Fl. 178DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2401-006.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.000433/2007-93 2) Que a autoridade julgadora fundamenta a impossibilidade de utilização dos rendimentos da esposa do recorrente, Sra. Adalva Maria das Neves, CPF n.° 505.248.304-20; no instituto da denúncia espontânea, apresentando, para tanto, o dispositivo previsto no art. 7°, § 1° do Dec. 70.235/72. Entretanto, analisando o próprio dispositivo apresentado, podemos observar que a exclusão da espontaneidade é operada apenas com relação ao sujeito passivo, não com relação a terceiros; 3) Que o cônjuge do recorrente não fez parte da ação fiscal proposta pela Receita Federal do Brasil. Portanto, não pode ser considerada sujeito passivo da obrigação tributária. Até porque, se fosse considerada como tal, haveria de ter sido autuada conjuntamente, fato este que não aconteceu. Portanto, não há o que se falar em exclusão da espontaneidade do cônjuge do recorrente, uma vez que não é considerada sujeito passivo da presente relação tributária; 4) Que cabe salientar que o julgador afirmou que a jurisprudência administrativa entende que o dinheiro em espécie constante de declaração de bens entregue sob procedimento fiscal somente pode justificar variação patrimonial quando houver prova inconteste de sua existência no final do ano-calendário em que foi declarado. Mas não informa de que tipo de prova inconteste seria necessária; 5) Questiona que tipo de prova poderá ser inconteste para comprovação da existência de dinheiro em espécie; 6) Que a inversão do ônus da prova não pode ser tomado como absoluto, pois o recorrente apresentou documentos que comprovam a existência do numerário que justificou a aquisição dos imóveis e das quotas, cabendo à autoridade administrativa, caso possível, desconstituir a prova apresentada pelo contribuinte, o que não fez, resumindo-se a afirmar que houve a exclusão da espontaneidade do sujeito passivo; 7) No intuito de frisar sua tese, repete os mesmos fundamentos utilizados na impugnação para justificar a inexistência de acréscimo patrimonial, cuja origem se deveu a doação de dinheiro em espécie recebido de sua esposa Sra. ADALVA MARIA DAS NEVES; Da Irregular imposição da Multa isolada cumulada com Multa de Ofício 1) Que, além de ter tributado de forma equivocada o recorrente, ao desconsiderar o numerário devidamente declarado pela esposa do recorrente, a autoridade julgadora de primeira instância desconsiderou também o argumento de que não era possível a cobrança de multa de ofício cumulativamente com a multa isolada, sob o argumento de que a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, d evendo obedecer às normas tributárias inerentes à matéria, apresentando os fundamentos legais para aplicação das multas de ofício (art. 44, I da Lei n.° 9.430/96) e isolada (art. 44, ll, “a” da Lei n.° 9.430/96); 2) Que, quando o antigo Conselho de Contribuintes definiu que não é possível a cumulação de Multa de Ofício com Multa Isolada, teve por objetivo a aplicação múltipla de penalidades sobre a mesma base de cálculo. E, por base de cálculo, leia-se montante que servirá de suporte para a aplicação das alíquotas, seja do tributo, seja da penalidade. Transcreve julgados; 3) Que a autoridade fiscal ainda aplicou penalidade isolada de 50% (cinqüenta por cento), decorrente do não recolhimento do carnê-leão durante o exercício de 2003 e aplicou, Fl. 179DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2401-006.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.000433/2007-93 em face do recorrente, multa de ofício de 75% (setenta e cinco por cento) pela falta de recolhimento do IRPF, apurado em ação fiscal; 4) Que sobre uma mesma base de cálculo foram aplicadas penalidades distintas, quais sejam, multas de ofício e isolada, onerando sobremaneira o contribuinte em afronta aos princípios da proporcionalidade e razoabilidade; 5) Que não adianta o julgador de primeira instância tentar justificar a possibilidade das duas cobranças, ao argumento de que “diferentemente do que afirma o autuado, não há a duplicidade na imposição das multas, uma vez que as exigências decorrem de bases de cálculo diferentes: omissão de rendimentos na declaração de ajuste e não recolhimento do carnê-leão" que, apesar de tributar momentos distintos, a base de cálculo é a mesma, qual seja, a omissão no pagamento do tributo. Tanto é que a base ser aplicada é a mesma, com apenas uma única diferença: no primeiro caso a aplicação é de uma só vez, enquanto que no segundo caso, a aplicação é mensal. Mas em ambos os casos, há identidade de base de cálculo; 6) Que, desta forma, não poderá a mesma base de cálculo ser utilizada para aplicação de penalidades da mesma natureza concomitantemente, devendo. ser excluída a multa isolada, por basear-se em mesma base de cálculo da multa de ofício. Da inexigibilidade da Taxa SELIC 1) Que, além das referidas deficiências e vícios que maculam o presente lançamento, cabe ainda impor lúcido questionamento sobre o crédito tributário, gravado por juros calculados pela taxa SELIC, esta reconhecidamente instituída com finalidades outras, que não a tributária, fato que o próprio Superior Tribunal de Justiça já houve por reconhecer. Cita, nesse sentido, o Ministro FRANCIULLI NETTO (REsp. 215.881-PR) e doutrina. Do pedido Diante de todos os questionamentos apresentados, requer:: a) Receber o presente recurso para os fins de direito; b) No mérito, julgar totalmente improcedente a autuação, tendo em vista o total equívoco da autoridade fazendária em apurar base de cálculo totalmente distinta da realidade, desconsiderando a doação realizada pelo cônjuge do recorrente, bem como pela utilização da taxa SELIC para remuneração dos juros, taxa esta totalmente inconstitucional e incompatível com a sistemática do Direito Tributário; c) Caso entendam não ser possível a anulação da presente autuação por completo, requer a exclusão da base de cálculo do IRPF a quantia de R$ 130.999,87 (cento e trinta mil, novecentos e noventa e nove reais e oitenta e sete centavos), uma vez que restou comprovada que a cônjuge do recorrente realizou doação no valor de R$ 78.800,00 (setenta e oito mil e oitocentos reais) no exercício de 2003. d) Protesta o alegado por todos os meios de prova admitidos em Direito, em especial a juntada posterior de documentos, produção de prova pericial. É o relatório. Voto Fl. 180DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 2401-006.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.000433/2007-93 Conselheiro MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING, Relator. Admissibilidade. O Recorrente foi cientificado da r. decisão em debate em 02/03/2010 (e-fls.140), sendo o presente Recurso Voluntário apresentado, TEMPESTIVAMENTE, em 30/03/2010, conforme e-fls.141, razão pela qual CONHEÇO DO RECURSO já que presentes os requisitos de admissibilidade. Do mérito 1. da irregular apuração da base de cálculo do IRPF O recorrente, inicialmente, se insurge contra a autuação em questão, mantida pelo Tribunal a quo, vez que tenta justificar a variação patrimonial a descoberto apurada com a doação de dinheiro em espécie recebida de sua esposa. Para tanto, apresenta como prova dessa doação, cópias das declarações de rendimentos de ambos, com data de entrega posterior ao procedimento fiscal. Por essa razão, tais declarações não são reconhecidas pela DRJ, em virtude da perda da espontaneidade prevista no art. 7º, §1º, do Decreto 70.235/72 (PAF). Em sede de recurso voluntário, o recorrente alega que a perda da espontaneidade não se aplica a sua esposa, vez que a mesma não se encontrava sob a ação fiscal que ensejou o lançamento. Entretanto, não assiste razão ao recorrente. Em primeiro lugar porque o próprio dispositivo do PAF mencionado pelo Tribunal a quo estende os efeitos da exclusão da espontaneidade aos demais envolvidos nas infrações verificadas, in verbis: "Art.7º.(...) §1º O início do procedimento exclui a espontaneidade do sujeito passivo em relação a aos atos anteriores e, independentemente de intimação, a dos demais envolvidos nas infrações verificadas. "(grifos nossos) Ademais, a doação em espécie está sujeita à comprovação de sua efetivação, o que não foi demonstrado pelo recorrente, que se limitou a apresentar declarações retificadoras apresentadas justamente após o encerramento do procedimento fiscal. Como bem lembrou o julgador a quo, a variação patrimonial a descoberto decorre de uma presunção legal de que houve omissão de rendimentos apurada em razão da identificação de que houve uma maior aplicação de recursos do que a origem declarada pelo contribuinte, e essa presunção legal para ser afastada requer a produção de prova no sentido de demonstrar que essa origem foi declarada, o que não ocorreu no caso dos autos. Por essa razão, não acolho os argumentos do contribuinte, me filiando integralmente aos termos da decisão a quo. 2. Da Irregular imposição da Multa isolada cumulada com Multa de Ofício Ainda, nos termos da sua argumentação em sede de impugnação, o recorrente insiste na tese de que não é cabível a cobrança de multa de ofício cumulativamente com multa isolada, tendo em vista a ilegalidade dessa cobrança já que ambas as multas teriam a mesma base de cálculo. Fl. 181DF CARF MF Fl. 11 do Acórdão n.º 2401-006.636 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10435.000433/2007-93 Neste ponto também, me filio integralmente aos termos da decisão a quo, pois, sendo a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, e havendo previsão na Lei n° 9.430, de 1996 em seu artigo 44 , incisos I e II, para sua cobrança, não há como sustentar a ilegalidade. Quanto a eventual inconstitucionalidade na cobrança, vale lembrar que a autoridade administrativa não tem competência para decidir, pois constitui matéria reservada ao Poder Judiciário. Ademais, como bem ressaltou o julgador a quo, as bases de cálculo são distintas, pois uma multa incide sobre os rendimentos omitidos na declaração de ajuste, enquanto a outra incide sobre o recolhimento do carnê-leão. Portanto, irretocável a decisão a quo nesse ponto também. 3. Da inexigibilidade da Taxa SELIC O recorrente se insurge contra a cobrança de juros calculados pela taxa Selic, citando doutrina e jurisprudência do STJ no sentido de que não tem aplicação no campo tributário. Sobre a matéria, o assunto já se encontra pacificado conforme Súmula Carf n.º 4, in verbis: "A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais." Conclusão. Pelo exposto, voto por CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) MARIALVA DE CASTRO CALABRICH SCHLUCKING Fl. 182DF CARF MF
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Numero do processo: 16682.903219/2012-12
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 23 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL (COFINS)
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO. ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO
O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72.
Numero da decisão: 3302-007.228
Decisão:
Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO O contribuinte possui o ônus de prova do direito invocado mediante a apresentação de escrituração contábil e fiscal, lastreada em documentação idônea que dê suporte aos seus lançamentos. A juntada dos documentos deve observar a regra prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto 70.235/72. Acordam os membros do Colegiado, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Presidente Substituto e Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (presidente substituto), Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato de Deus e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 90 32 19 /2 01 2- 12 Fl. 246DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.228 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.903219/2012-12 Relatório O presente processo trata de PER/Dcomp, transmitido eletronicamente com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS decorrente de recolhimento em Darf. Após processamento eletrônico, foi emitido Despacho Decisório no qual ficou consignado que o DARF descrito no referido PER/Dcomp fora integralmente utilizado para quitação total ou parcial de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Diante da inexistência de crédito, a compensação declarada não foi homologada. Devidamente cientificada, a contribuinte interpôs Manifestação de Inconformidade, alegando que a empresa realizou um trabalho de análise das despesas, custos e encargos contabilizados à luz da legislação fiscal vigente, com o objetivo de avaliar a possibilidade de aproveitamento de créditos de PIS e Cofins. Como resultado, teriam sido identificadas as seguintes oportunidades: 1) partes e peças de reposição que, durante o processo de fabricação dos medicamentos e cosméticos, se desgastam ou deterioram e são substituídas. Tais peças não são destinadas ao ativo imobilizado, representando custo na produção de suas mercadorias; 2) produtos aplicados no controle de qualidade, como por exemplo reagentes, vasilhames, gases especiais etc, todos passíveis de enquadramento no conceito de insumo; 3) despesa com pagamentos de frete incorridos quando da aquisição de insumos. Acrescenta que todas as oportunidades mencionadas estão em conformidade com o entendimento da Receita Federal no tocante ao crédito de PIS e Cofins, observando que a empresa levantou os créditos relativos aos últimos cinco anos e passou a compensá-los via PER/Dcomp. Argumenta que por uma falha não retificou na época a DCTF e o Dacon relativos ao período de origem do crédito e, tendo em vista o fato de o crédito ainda não ter prescrito, apresenta juntamente com a Manifestação de Inconformidade a DCTF e o Dacon retificadores do período. Por seu turno, DRJ julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, por entender inexistir nos autos prova da origem do crédito apurado pela recorrente, decidindo novamente pela não homologação da compensação pleiteada, em razão da ausência de comprovação da existência do crédito. Irresignada, a Recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese: (i) que o direito creditório é oriundo de dispêndios com insumos, tais como, partes e peças de reposição, produtos utilizados para atendimento da ANVISA e pagamentos de fretes incorridos na aquisição de insumos; (ii) que as retificações realizadas no DACON e na DCTF demonstram ter havido inclusão indevida no valor devido a título de contribuição; e (iii) que existindo dúvida em relação crédito, seja realizada diligência para sanear o processo. Juntou documentos para respaldar suas pretensões. É o relatório. Fl. 247DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.228 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.903219/2012-12 Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 007.212, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 16682.903205/2012-07, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-007.212): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. Conforme exposto anteriormente, a Recorrente apresentou o PER/DCOMP nº .20205.64878.180112.1.7.04-2022 para compensar seu débito com crédito de COFINS apurado no ano calendário de 2008, no valor de R$ 50.146,08. O crédito apurada pela Recorrente foi indeferido e sua declaração de compensação foi considerada "não homologado", considerando que o crédito já havia sido utilizado para quitação de outros débitos do contribuinte. Irresignada com a decisão, Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando que apurou créditos de PIS/COFINS oriundos dispêndios com insumos, tais como, partes e peças de reposição, produtos utilizados para atendimento da ANVISA e pagamentos de fretes incorridos na aquisição de insumos, sendo todos passíveis de creditamento. Disse, ainda, que por uma falha não retificou na época a DCTF, realizando tão somente a retificação quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Anexou em sua manifestação de inconformidade o seguintes documentos: (i) planilha demonstrando os créditos; recibo da DCTF retificada e recibo da DACON retificada. A decisão recorrida, por sua vez, afastou as pretensões da Recorrente, por entender que os documentos trazidos aos autos não se prestam à comprovar seu pretenso direito, cujas razões peço vênia para colacionar: No processo de restituição, de ressarcimento ou de compensação, é o contribuinte quem toma a iniciativa de viabilizar seu direito ao aproveitamento do crédito, mediante a apresentação do PerDcomp. No Processo Civil, o ônus da prova cabe ao autor quanto ao fato constitutivo do seu direito (Código do Processo Civil – CPC, art. 333). No Processo Administrativo Fiscal não há uma regra própria, por isso utiliza-se a existente no CPC. Por essa razão, cabe ao contribuinte provar a existência do crédito pretendido. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). Pelo princípio da Indisponibilidade do Interesse Público e pela vinculação da função pública, é inadmissível que a RFB aceite a extinção do tributo por compensação com crédito que não seja comprovadamente certo nem possa ser quantificado. Esse entendimento aplica-se também à restituição. Fl. 248DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.228 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.903219/2012-12 Se o Darf indicado como crédito foi utilizado para pagamento de um tributo declarado pelo próprio contribuinte, a decisão da RFB de indeferir o pedido de restituição ou de não homologar a compensação está correta. Assim, para modificar o fundamento desse ato administrativo, cabe ao recorrente demonstrar erro no valor declarado ou nos cálculos efetuados pela RFB. Se não o fizer, o motivo do indeferimento permanece. Feitas estas considerações, passemos ao exame da manifestação de inconformidade. A apuração do PIS e da Cofins é consolidada no Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais (Dacon). O valor apurado no demonstrativo apresentado antes da ciência do Despacho Decisório, diverge do valor confessado na DCTF. Conforme se vê, à época da emissão do Despacho Decisório, já havia divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF e nas retificações efetuadas após a ciência desse despacho surgiu ainda um terceiro valor relativamente ao total do débito apurado. O contribuinte apresenta justificativas para a existência do suposto crédito, entretanto não apresenta nenhuma documentação contábil ou fiscal que lhe dê suporte. Limita-se a apresentar uma planilha com a apuração da suposta diferença desamparada de qualquer formalidade e desacompanhada da escrituração contábil fiscal. A existência de crédito líquido e certo é requisito legal para a concessão da compensação (CTN, art. 170). A divergência entre os valores informados no Dacon e na DCTF afasta a certeza do crédito e é razão suficiente para o indeferimento da compensação. As verificações efetuadas nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) e nos autos desse processo confirmam os fatos relatados e podem ser assim consolidadas: (...) Já em sede recursal, a Recorrente traz argumentos mais robustos sobre o direito ao crédito de dispêndios com insumos, bem como sobre o erro na base de cálculo da contribuição apurada, acompanhado de documentos para embasar suas pretensões, a saber: - fls.122: comprovante de arrecadação do valor de R$ 2.554.309,45, datado de 20.02.2008; - fls. 125-145: notas fiscais de aquisição de partes e peça e produtos químicos supostamente utilizados em seu processo produtivo; - fls. 146: planilha contendo o valor global dos insumos utilizados para apuração do crédito; - fls. 148-164: DACON e DCTF retificadoras; - fls. 166-172: razão contábil; e - 174-234: listagem dos produtos utilizados em seu processo produtivo; Contudo, entendo que os documentos carreados autos pela Recorrente, ainda que se prestem à comprovar parcialmente seu pretenso direito, já que não foram carreados cópias de notas fiscais dos fretes, tratando os documentos de custos relacionados aos outros insumos utilizados em seu processo produtivo, não devem ser considerados para julgamento do presente processo, considerando a preclusão prevista no §4º, do artigo 16, do Decreto nº 70.235/72, que assim preceitua: Art. 16. A impugnação mencionará: I - a autoridade julgadora a quem é dirigida; II - a qualificação do impugnante; Fl. 249DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.228 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.903219/2012-12 III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) IV - as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação dos quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do seu perito. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) V - se a matéria impugnada foi submetida à apreciação judicial, devendo ser juntada cópia da petição. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) § 1º Considerar-se-á não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscá-las. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 3º Quando o impugnante alegar direito municipal, estadual ou estrangeiro, provar-lhe-á o teor e a vigência, se assim o determinar o julgador. (Incluído pela Lei nº 8.748, de 1993) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) b) refira-se a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância. (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Com efeito, os documentos carreados no recurso deveriam ter sido trazidos em sede de manifestação de inconformidade, admitindo, no caso de negativa por parte da DRJ, a juntada complementar de documentos para contrapor as razões da decisão recorrida. No presente caso, a Recorrente não trouxe em sua manifestação documentos plausíveis para comprovar seu direito, limitando-se a apresentar uma planilha com a apuração da suposta diferença desamparada de qualquer formalidade e desacompanhada da escrituração contábil fiscal. Neste cenário, não vejo como acolher as pretensões da Recorrente . Diante do exposto, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 250DF CARF MF http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_Ato2004-2006/2005/Lei/L11196.htm#art113 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L8748.htm#art1 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art16§4 http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/LEIS/L9532.htm#art81ii Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.228 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 16682.903219/2012-12 Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário do contribuinte. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 251DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.902648/2008-58
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 01 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1002-000.083
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta responda aos quesitos abaixo: 1. Informe se reconhece o protocolo dos documentos de e-fls 116/117; 2. Caso responda afirmativamente o item 01 acima, esclareça porque os documentos não foram juntados aos presentes autos administrativos.
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Ailton Neves da Silva - Presidente
(ASSINADO DIGITALMENTE)
Rafael Zedral - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros Ailton Neves da Silva (Presidente) Rafael Zedral, Breno do Carmo Moreira Vieira e Marcelo José Luz de Macedo
Nome do relator: RAFAEL ZEDRAL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta responda aos quesitos abaixo: 1. Informe se reconhece o protocolo dos documentos de e-fls 116/117; 2. Caso responda afirmativamente o item 01 acima, esclareça porque os documentos não foram juntados aos presentes autos administrativos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ailton Neves da Silva - Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Rafael Zedral - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ailton Neves da Silva (Presidente) Rafael Zedral, Breno do Carmo Moreira Vieira e Marcelo José Luz de Macedo
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que esta responda aos quesitos abaixo: 1. Informe se reconhece o protocolo dos documentos de efls 116/117; 2. Caso responda afirmativamente o item 01 acima, esclareça porque os documentos não foram juntados aos presentes autos administrativos. (ASSINADO DIGITALMENTE) Ailton Neves da Silva Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Rafael Zedral Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros Ailton Neves da Silva (Presidente) Rafael Zedral, Breno do Carmo Moreira Vieira e Marcelo José Luz de Macedo Relatório Por bem sintetizar os fatos até o momento processual anterior ao do julgamento da Manifestação de Inconformidade contra a não homologação da compensação, transcrevo e adoto o relatório produzido pela DRJ: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 05 80 .9 02 64 8/ 20 08 -5 8 Fl. 195DF CARF MF Processo nº 10580.902648/200858 Resolução nº 1002000.083 S1C0T2 Fl. 196 2 "Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade apresentada contra decisão proferida pela DRF Salvador BA em 09/05/2008, que através de Despacho Decisório Eletrônico n° 759922692 (fl. 12) indeferiu o pedido de compensação realizado através do PER/DCOMP n° 29915.27031.171204.1.3.043804. O contribuinte informou como crédito, o valor de R$ 1.148,29, oriundo de "pagamento indevido ou a maior", realizado em 02/10/2002. O pleito foi negado pela DRF Salvador BA sob a seguinte fundamentação (fl. 12): ... A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. O contribuinte tomou ciência do mencionado Despacho Decisório em 20/05/2008 e apresentou a sua Manifestação de Inconformidade em 18/06/2008, alegando, em síntese, que: a)equivocouse quando do preenchimento da DCTF referente ao 3° trimestre de 2002, quanto ao débito correspondente ao período de apuração 28/09/2002, no valor principal de R$ 30.053,48, com respectivo recolhimento em 02/10/2002, quando o correto seria R$ 28.905,19, apresentando assim um valor maior do que o efetivamente devido; b)a existência do crédito fazse clara, conforme podemos comprovar através da cópia autenticada do DARF 0561 no valor de R$ 30.053,48, referente à folha de pagamento do mês de setembro de 2002; da cópia autenticada do Resumo da Folha de Pagamento do mês de setembro de 2002 em anexo (doc.11); cópia do processo de pagamento referente à devolução no dia 07/10/2002 da retenção efetuada a maior na folha de pagamento de setembro de 2002 da participante Sra. Edvalda Souza Mendes de Oliveira (doc. 12); cópia autenticada das paginas 217 e 228, termo de abertura e termo de encerramento do livro Diário volume III/IV do 3° trimestre de 2002 (doc. 13) e páginas 12, 41, 45, 47 e 60, termo de abertura e termo de encerramento do livro diário volume IV/V do 4° trimestre de 2002 (doc. 14), cópia do Razão contábil conta número 2.1.1.8.01.01.00 referente ao período de 09/09 a 12/12/2002 (doc. 15), apensados a esta impugnação; c)A DCTF do 3° trimestre de 2002 não pode ser retificada tendo em vista o prazo de prescrição de 05 anos; Finaliza a sua defesa requerendo o deferimento do PER/DCOMP efetuado". O Acórdão nº 1530.101 da 3 ª Turma da DRJ/SDR decidiu pelo não conhecimento da manifestação de inconformidade sob a alegação de que se verificou a ausência da cópia do documento de identificação da subscritora da manifestação de inconformidade. Apesar de ter sido regularmente intimada a sanear a falta, o documento não teria sido apresentado. O Acórdão foi assim ementado (efls. 71): Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Anocalendário: 2002 AUSÊNCIA DO DOCUMENTO DE IDENTIFICAÇÃO. EFEITOS. Fl. 196DF CARF MF Processo nº 10580.902648/200858 Resolução nº 1002000.083 S1C0T2 Fl. 197 3 Incabível a apreciação do mérito em primeira instância quando ausente o documento de identificação da subscritora da manifestação de inconformidade. Manifestação de Inconformidade Não Conhecida Direito Creditório Não Reconhecido Irresignado, contribuinte apresenta Recurso Voluntário pelo qual afirma que atendeu às duas intimações realizadas no âmbito do presente processo: 1. Intimação para apresentar Documento do representante legal (efls 60/61) o que foi atendido conforme efls 62/63; 2. Intimação para apresentar documento de identificação da subscritora do recurso (efls 65/66) No entanto, afirma a recorrente que apesar de ter atendimento a intimação de e fls.65/66, o documento de identidade da subscritora da Manifestação de Inconformidade não fora juntada aos presentes autos. Juntamente com o seu Recurso Voluntário, a recorrente apresenta cópia de petição (efls. 116) endereçada à DRF Salvador BA solicitando a juntada do documento da Drª Maria Cristina Firpo Mascarenhas Ribeiro subscritora da Manifestação de Inconformidade e da própria petição. Esta petição apresenta carimbo de recebimento da DRF Salvador BA assinado por Gilma Margarida Almeida Sandes. No mérito repisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade de que houve erro no preenchimento da DCTF do débito de IRRF código de receita 0561 PA 08/09/02 pois o débito deveria ser alega a recorrente R$ 28.905,19 e não R$ 30.053,48 conforme constava em DCTF. Apresentou no momento do protocolo da Manifestação de Inconformidade cópias de Livro Razão e Livro Diário. Ao final, requer a reformar da decisão da DRJSalvador BA para fins de reconhecimento do direito creditório e homologação da compensação. É relatório do essencial. Voto Relator Rafael Zedral Preliminarmente, entendo que o Recurso Voluntário não se encontra em condições de ser julgado, pois o documento juntado pela recorrente às efls 116 demonstra que, aparentemente, houve atendimento da intimação de efls 65/66 e que, de fato, poderia ter ocorrido o extravio daquele documento. Com o objetivo de compreender o que poderia ter ocorrido, realizamos pesquisa junto aos processos eletrônicos da recorrente, tentando encontrar algum indício de juntada documento em outro processo. Fl. 197DF CARF MF Processo nº 10580.902648/200858 Resolução nº 1002000.083 S1C0T2 Fl. 198 4 Nos autos do processo 10580.900969/200656 às efls. 164/165 encontramos o documento intitulado "Resposta à intimação". Ao abrilo, encontramos uma petição quase idêntica àquela juntada às efls. 116 dos presentes autos, com a diferença de se referir, obviamente, ao processo 10580.900969/200656, mas tendo sido assina também assinada pela Advogada Drª Maria Cristina Firpo Mascarenhas Ribeiro e também foi recebida 17/09/2010, pela mesma servidora Gilma Margarida Almeida Sandes. Ademais, noto que a petição acima, apesar de ter sido protocolada em 17/09/2010, só foi juntada ao eprocesso em 18/02/2013: Fl. 198DF CARF MF Processo nº 10580.902648/200858 Resolução nº 1002000.083 S1C0T2 Fl. 199 5 Sendo assim, voto por converter o julgamento em diligência, para que a Unidade de Origem responda aos quesitos abaixo: 1. Informe se reconhece o protocolo dos documentos de efls 116/117; 2. Esclareça, caso responda afirmativamente o item 01 acima, porque os documentos não foram juntados aos presentes autos; É como voto. (assinado digitalmente) Rafael Zedral Relator Fl. 199DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900593/2014-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 08 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF)
Data do fato gerador: 31/12/2012
DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE.
Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade.
DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA.
Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa.
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO.
Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
Numero da decisão: 2401-006.311
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(documento assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking.
Nome do relator: MIRIAM DENISE XAVIER
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE (IRRF) Data do fato gerador: 31/12/2012 DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados.
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NULIDADE. Estando demonstrados os cálculos e a apuração efetuada e possuindo o despacho decisório todos os requisitos necessários à sua formalização, sendo proferido por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas legais pertinentes ao processo administrativo fiscal, não há que se falar em nulidade. DESPACHO DECISÓRIO. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. Na medida em que o despacho decisório que indeferiu a restituição requerida teve como fundamento fático a verificação dos valores objeto de declarações do próprio sujeito passivo, não há que se falar em cerceamento de defesa. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INTEGRALMENTE ALOCADO. Correto o despacho decisório que não homologou a compensação declarada pelo contribuinte por inexistência de direito creditório, quando o recolhimento alegado como origem do crédito estiver integralmente alocado na quitação de débitos confessados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.900539/2014-60, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier – Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Miriam Denise Xavier (Presidente), Cleberson Alex Friess, Andréa Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa, José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Matheus Soares Leite, Rayd Santana Ferreira e Marialva de Castro Calabrich Schlucking. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 05 93 /2 01 4- 13 Fl. 67DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2401-006.311 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900593/2014-13 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. “Trata o presente processo de Manifestação de Inconformidade contra ato da autoridade administrativa que não homologou a compensação declarada por meio eletrônico (PER/DCOMP), relativamente a crédito de IRRF que teria sido recolhido a maior no período de apuração constante dos autos. Como bem relatado pela instância a quo , o Despacho Decisório não homologou o pedido de compensação em debate, sob o fundamento de que, embora localizado o pagamento que deu origem ao suposto crédito original de pagamento indevido ou a maior, o mesmo estava à época do encontro de contas integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte não restando crédito disponível para a compensação dos débitos informados. Notificada da decisão a Contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, alegando, em síntese, que: 1. Sem qualquer fundamento legal ou maiores explicações, a autoridade administrativa não homologou a compensação realizada pela empresa, através do despacho decisório proferido nos presentes autos. 2. A alegação de que não existe crédito disponível não pode ser entendida como fundamento do despacho decisório, sem constar o porquê dessa inexistência. 3. A autoridade administrativa não se deu ao trabalho de motivar sua decisão, a teor do art. 50 da Lei n° 9.784, de 1999. 4. A não homologação dessa compensação ocorreu por sistema informatizado, porque o crédito sequer foi apreciado. Limitou-se a autoridade administrativa em fazer uma verificação prévia se o pagamento realizado indevidamente ou a maior estava disponível em seus sistemas. Ainda inconformada, a Recorrente apresenta Recurso Voluntário, repisando parte de suas razões apresentadas em sede de Impugnação que são, em síntese, as seguintes: a) o V. Acórdão merece reforma, basicamente, porque firmou entendimento equivocado, o ato administrativo que não reconheceu o direito creditório do contribuinte é vinculado, devendo conter os pressupostos de fato e de direito, em obediência ao princípio da legalidade; b) Na mesma esteira de entendimento, o ato administrativo deve ser motivado para se mostrar eficaz, razão pela qual não deve prosperar o acórdão ora guerreado; c) o crédito que se fundou o direito subjetivo do contribuinte foi protocolado por meio de compensação, todavia, sem qualquer fundamentação a autoridade não homologou a compensação realizada pela Recorrente, através de Despacho Decisório Fl. 68DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2401-006.311 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900593/2014-13 eletrônico, onde se questiona a falta de elementos do ato administrativo, ou seja, falta de fundamentação e nulidades; d) Todavia entenderam os Nobres Julgadores que o Despacho Decisório foi devidamente fundamentado, cabendo ao Recorrente o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária, julgando improcedente a Impugnação; e) Reitera a necessidade de motivação, a teoria dos motivos determinantes e o cerceamento de defesa como institutos jurídicos a embasarem sua pretensão de reforma do ato administrativo ora em debate ; f) Defende a tese de que a Fazenda Nacional deve rever seus próprios atos, seja para revogá-los (quando inconvenientes) seja para anulá-los (quando ilegais) Cita a Súmula 473 do STF, os arts. 1º e 5º inciso LVI da CF/88., como normas de conteúdo vedatório para obtenção de provas pelo Poder Público que derive de transgressão a cláusulas de ordem constitucional; g) Ao final requer a reforma do v. Acórdão, eis que a controvérsia posta é identificar se o ato administrativo é vinculado ou discricionário. É o Relatório.” Voto Conselheira Miriam Denise Xavier, Relatora. Este processo foi julgado na sistemática prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária, proferido no âmbito do processo n° 10880.900539/2014-60, paradigma deste julgamento. Transcreve-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido na susodita decisão paradigma, a saber, Acórdão nº 2401-006.258, de 08 de maio de 2019 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária: Acórdão nº 2401-006.258 - 4ª Câmara/1ª Turma Ordinária “1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE RECURSO VOLUNTÁRIO O presente Recurso Voluntário foi apresentado, TEMPESTIVAMENTE, razão pela qual dele CONHEÇO, já que presentes os requisitos de sua admissibilidade 2. DA PRELIMINAR a) nulidade A alegação de nulidade do Despacho Decisório não merece prosperar posto que o mesmo foi realizado dentro dos ditames delineados em lei, apresentando de forma clara e objetiva o motivo da não homologação da compensação, qual seja, a Fl. 69DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2401-006.311 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900593/2014-13 inexistência de crédito disponível para a compensação dos débitos informados na declaração de compensação - DCOMP. Nesse diapasão, não há cerceamento de defesa em nenhuma fase do curso processual capaz de produzir qualquer tipo de nulidade ou óbice para que se avance na análise de mérito no presente feito. 3. DO MÉRITO Em seu Recurso Voluntário o contribuinte, em síntese, se restringe a alegar que o ato administrativo, que não reconheceu o seu direito creditório, é vinculado , devendo conter os pressupostos de fato e de direito que o motivaram, sob pena de cerceamento do seu direito de defesa e desobediência ao princípio da legalidade. O que se observa é que assim, as alegações preliminares acabam se confundindo com as de mérito. Todavia, razão não assiste à Recorrente, senão vejamos: Conforme esclarecido pela instância de piso e verificado pela análise dos autos, as próprias declarações e documentos produzidos pela Recorrente fundamentaram os motivos da não-homologação do Despacho Decisório in casu, caracterizando assim a prova e a motivação do ato administrativo, sendo de pleno conhecimento do Recorrente já que por ele produzidos. Após análise detalhada, não foi identificado por esta Relatora qualquer erro na decisão de indeferimento da compensação, nem tampouco a Recorrente apontou eventual divergência, capaz de maculá-lo. A causa da não homologação é clara e objetiva, e se deve ao fato de que, nos sistemas da Receita Federal, embora localizado o DARF do pagamento apontado na DCOMP como origem do crédito, o valor correspondente foi totalmente utilizado e alocado aos débitos informados em DCTF, não restando dele o saldo apontado na DCOMP como crédito. Logo, não padece de nulidade o despacho decisório proferido por autoridade competente, contra o qual o Recorrente pôde exercer o contraditório e a ampla defesa e onde constam todos os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Conforme se verifica, o débito declarado e pago encontra-se em conformidade com a correspondente DCTF, a qual tem seus efeitos determinados pelo § 1º do artigo 5º do Decreto lei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, entre eles o da confissão da dívida e o condão de constituir o crédito tributário, dispensada qualquer outra providência por parte do Fisco. Como ja esclarecido acima, quando da transmissão e da análise do PER/DCOMP em tela, o crédito efetivamente não existia, pois o pagamento efetuado estava integralmente alocado ao débito declarado pela própria contribuinte em sua DCTF. Dessa forma, a recorrente, na data da transmissão do PER/ DCOMP não era detentora de crédito líquido e certo, condição sem a qual não há direito à restituição ou compensação. E não tendo trazido elementos hábeis a desconstituir a confissão do débito que fez na DCTF, inexiste razão para se reconhecer o pleiteado direito Fl. 70DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2401-006.311 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900593/2014-13 creditório relativo a pagamento pretensamente maior do que o devido, referente ao período de apuração. Ou seja, de maneira diametralmente oposta às suas alegações recursais, o ato administrativo foi motivado e fundamentado, todavia não foi homologado por absoluta falta de amparo legal para sua concessão. Da análise da DCTF retificadora ativa da Requerente (juntada por imagem no Acórdão de Manifestação de Inconformidade, referente ao tributo e período em análise, verificou-se que ela declarou um débito de IRRF referente ao fato gerador daquela data e vinculou um pagamento de igual valor. Já no quadro reproduzido no voto, podemos verificar que o DARF, pago em atraso com multa de mora e juros de mora, foi integralmente alocado para o saldo a pagar do débito declarado, cujos valores são idênticos. A Requerente pagou em atraso o tributo e corretamente adicionou a multa de mora e os juros de mora, valor que ele agora indevidamente reclama de volta para compensação. Conforme informado pela DRJ , além do DARF constante dos presentes autos, ter sido alocado ao débito normal do período, regularmente declarado em DCTF, a Recorrente solicita sobre esse valor, a homologação de 152 pedidos de compensação que, somados, resultam em um valor de R$ 1.974.130,39, conforme relação dos processos de PER/DCOMP para o mesmo DARF, transcritas no voto do Acórdão ora recorrido. E este fato indica que a Recorrente se movimenta no sentido de efetuar compensação administrativa, não amparada na legislação, para liquidar débitos com créditos inexistentes. Todavia, utiliza-se do expediente de prestação de informação falsa, pois no PER/DCOMP há um campo onde é perguntado se aquele crédito proveniente de pagamento indevido ou a maior já foi informado em outro PER/DCOMP, ao que a Recorrente respondeu “Não” em todos os PER/DCOMP, em infração que ensejaria a aplicação da Lei n° 10.833, de 2003, art. 18, §2º, com a redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007. 4. CONCLUSÃO: Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. É como voto.” Pelos motivos expendidos, voto para CONHECER do recurso e, no mérito, NEGAR-LHE PROVIMENTO, nos termos do relatório e voto. (documento assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Fl. 71DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2401-006.311 - 2ª Sejul/4ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 10880.900593/2014-13 Fl. 72DF CARF MF
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Numero do processo: 13888.900829/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 17 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3301-006.294
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior, Marco Antonio Marinho Nunes, Semíramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). Relatório O presente processo trata de pedido de compensação transmitido eletronicamente com o objetivo de compensar o(s) débito(s) nele discriminado(s) com crédito de COFINS. Após análise eletrônica, foi emitido Despacho Decisório, onde consta que a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP correspondente, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 08 29 /2 01 4- 21 Fl. 151DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3301-006.294 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.900829/2014-21 Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou Manifestação de Inconformidade onde argumenta, essencialmente, o que se segue: - que a alegação de que não restou crédito disponível não pode ser entendida como fundamento para o despacho decisório; - que a autoridade administrativa quedou-se inerte na análise de qualquer situação que legitima o crédito postulado; - que o processo administrativo no âmbito federal tem regulamentação própria e deve ser observada pela autoridade julgadora; - que a Lei 9784, de 1999, no art. 2, inciso VIII, dispõe, entre outros, sobre os princípios da legalidade, motivação e observância das formalidades; - que a autoridade não se deu nem sequer ao trabalho de motivar seu despacho; - que se torna evidente que a não homologação desta compensação ocorreu por uma questão de sistema de informática, porque o crédito propriamente dito nem sequer foi apreciado; - que a autoridade administrativa limitou-se a verificar se o pagamento realizado estava disponível em seus sistemas; - que a única conclusão que se chega é a de que se trata do encontro de contas realizado pelo sistema da Receita Federal entregue o débito recolhido por DARF e o crédito declarado em DCTF; - que diversas situações que acarretariam na restituição do valor recolhido, seja pela inclusão indevida de valores na base de cálculo, seja por erro de fato na apuração do imposto, seja por situações que autorizam o contribuinte a reduzir valores da base de cálculo, hipóteses que são regulamentadas pela IN 1.300/2012; - que a autoridade administrativa furtou-se em analisar qualquer das possibilidades que ensejaria a restituição postulada; - que simplesmente não homologar a compensação sem explicar os motivos da suposta indisponibilidade do crédito, torna a decisão totalmente nula, por não oferecer os elementos necessários para que a empresa possa promover sua defesa e a prova da existência deste crédito; - que houve cerceamento de direito de defesa, porque a autoridade não analisou o mérito da compensação efetuada e nem sequer intimou a empresa a prestar os esclarecimentos necessários; - em observância ao princípio constitucional da eficiência, a administração está obrigada a intimar o interessado a fazer os esclarecimentos necessários e comprovar o alegado, sempre que lhe restar dúvidas; - que o crédito é legítimo, porque o valor efetivamente pago é maior do que o valor correto do débito apurado pela empresa; Fl. 152DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3301-006.294 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.900829/2014-21 - o contribuinte, ao calcular o débito, incluiu na base de cálculo não só a receita decorrente do seu faturamento, mas também receitas que não a deveriam compor; - não providenciou a devida retificação da DCTF, para que ela apresentasse os valores efetivamente devidos; - que ficou impossibilitada a oportuna apresentação de prova do direito alegado, já que nem a autoridade administrativa sabe o motivo do indeferimento, tampouco a impugnante; - há de ser aplicada a regra autorizadora da produção posterior de provas, para o momento em que a lide esteja delineada em seus termos. Ao final, pede-se que seja determinada a suspensão da exigibilidade do crédito tributário e que seja acatada a preliminar de nulidade. Por seu turno, a DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, concluindo que não se admite a compensação se o contribuinte não comprovar a existência de crédito líquido e certo. Irresignado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que argumenta que o Despacho Decisório não foi motivado, pois não esclareceu o motivo da não homologação. Assim, é nulo, pois violou o princípio da motivação. Além disto, a nulidade do Despacho Decisório decorre também do fato de a ausência de motivação impedir o exercício do direito de defesa. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3301-293. 325, de 17 de junho de 2019, proferido no julgamento do processo 13888.901749/2014-93, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3301-006. 293): O recurso voluntário preenche os requisitos legais e deve ser conhecido. No recurso voluntário, a recorrente alega apenas que o Despacho Decisório não foi motivado, pois não teria informado o motivo pelo qual a compensação não foi homologada. E, uma vez que não foi motivado, seria nulo (art. 50 da Lei nº 9.784/99). Não trouxe aos autos documentos para comprovar a higidez do direito creditório. O Despacho Decisório (fl. 81) informa que o valor do suposto crédito está integralmente vinculado a um débito, pelo que não pode ser utilizado para compensação. Não obstante seu laconismo, entendo que o ato não é nulo. Foi devidamente motivado (art. 50 da Lei nº 9.784/99), pois indica os elementos fático (vinculação do valor a outro débito) e jurídico (artigos 165 e 170 do CTN e 74 da Lei nº 9.430/96) em que se baseou. Fl. 153DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3301-006.294 - 3ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13888.900829/2014-21 A recorrente, todavia, não cumpriu sua parte, isto é, fazer prova do direito que alega deter (inciso I do art. 373 do Código de Processo Civil). Não apresentou documento ou mesmo informação acerca da origem do crédito. Desta forma, nego provimento ao recurso voluntário. É como voto. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. Assinado digitalmente Winderley Morais Pereira Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 10640.001176/2005-10
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 04 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 02 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO
Data do fato gerador: 31/12/2002, 30/11/2002
INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. TRIBUTO NÃO DECLARADO.
Como os recolhimentos efetuados pela contribuinte, com sua espontaneidade excluída, não são hábeis para descaracterizar a infração cometida, é cabível o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora; todavia, os tributos e os acréscimos legais recolhidos sob ação fiscal, relativos à exigência contida no auto de infração, devem ser utilizados para a quitação parcial do crédito tributário lançado.
Numero da decisão: 1003-000.724
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(documento assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva - Presidente
(documento assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente)
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 31/12/2002, 30/11/2002 INÍCIO DO PROCEDIMENTO FISCAL. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. TRIBUTO NÃO DECLARADO. Como os recolhimentos efetuados pela contribuinte, com sua espontaneidade excluída, não são hábeis para descaracterizar a infração cometida, é cabível o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora; todavia, os tributos e os acréscimos legais recolhidos sob ação fiscal, relativos à exigência contida no auto de infração, devem ser utilizados para a quitação parcial do crédito tributário lançado.
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LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PERDA DA ESPONTANEIDADE. TRIBUTO NÃO DECLARADO. Como os recolhimentos efetuados pela contribuinte, com sua espontaneidade excluída, não são hábeis para descaracterizar a infração cometida, é cabível o lançamento do tributo, acompanhado da multa de ofício e dos juros de mora; todavia, os tributos e os acréscimos legais recolhidos sob ação fiscal, relativos à exigência contida no auto de infração, devem ser utilizados para a quitação parcial do crédito tributário lançado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (documento assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva - Presidente (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Wilson Kazumi Nakayama, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente) Relatório Trata-se de recurso voluntário contra acórdão de nº 09-20.165, de 13 de agosto de 2008, da 2ª Turma da DRJ/JFA, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 11 76 /2 00 5- 10 Fl. 96DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 1003-000.724 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.001176/2005-10 A Autuação objeto deste processo refere-se ao lançamento de ofício pela falta de recolhimento de IRRF sobre trabalho assalariado e sobre trabalho sem vínculo de emprego, acrescido de multa de ofício e juros de mora em razão de batimento de DIRF x DARF, ano de 2003, tendo sido evidenciado que o pagamento do principal não foi espontâneo e ocorreu após início da fiscalização. Foi constituído crédito tributário no valor de R$ 46.468,52 (Auto de Infração às fls. 01 e 06). A Recorrente apresentou manifestação de inconformidade pleiteando a improcedência da autuação por ter efetuado o pagamento integral dos valores lançados no auto de infração relativo ao IRRF, e, portanto, deve o crédito tributário ser extinto, com fulcro no art. 156 do CTN. A 2ª Turma da DRJ/JFA julgou a manifestação de inconformidade improcedente, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 31/12/2002, 30/11/2002, 31/12/2002 CRÉDITO TRIBUTÁRIO. coNsTITUIÇÃo. Ante a falta de recolhimento da contribuição, cabe à autoridade fiscal efetuar o lançamento de oficio, em conformidade com a legislação de regência da matéria. Lançamento Procedente Os julgadores de piso, no r. acórdão mantiveram o lançamento tributário, porém ressalvaram que deve ser considerado, para fins de extinção do crédito, os recolhimentos apresentados nos DARF anexados ao processo, mantendo a aplicação dos juros de mora e da multa de ofício de 75%. A Recorrente foi intimada do acórdão da DRJ no dia 17/11/2008 (fl. 81) e, inconformada com a decisão, apresentou recurso voluntário no dia 19/12/2008 (fls. 82 a 85), no qual destacou, em síntese ter havido revogação da multa de ofício, em função da nova redação dada pelos artigos 9º da Lei 10.426/2002 e 44 da Lei 11.488/20007. Aduz que a multa por recolhimento em atraso, com a nova legislação, deixou de ter fundamento legal, visto que as hipóteses que autorizam o lançamento da multa isolada estaria prevista no inciso II, do art. 44, da Lei nº 9.430/96, a que o art. 9º da Lei 10.426/2002 não se reporta. Apresenta Acórdão do CARF sobre o tema; Por fim, requereu a procedência do presente Recurso, e o cancelamento da multa de 75%, considerando que o imposto já foi recolhido aos cofres públicos. É o Relatório. Voto Conselheiro Bárbara Santos Guedes, Relator. Fl. 97DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 1003-000.724 - 1ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 10640.001176/2005-10 De inicio, observo que a competência para julgamento deste processo foi conferida pela Portaria CARF nº 146, de 12/12/2018. O recurso é tempestivo e cumpre com os demais requisitos legais de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento e passo a apreciar. A Recorrente insurge-se contra a multa de ofício mantida, alegando que, como foi efetuado o pagamento do IRRF lançado, a multa deve ser cancelada, em razão de ausência de previsão legal, haja vista que a alteração legislativa em relação ao art. 44 da Lei 9.430/96. De fato, com o advento da Lei nº 11.488/20007, que alterou o art. 44, I da Lei 9.430/96, deixou de ser aplicada a multa de ofício/ isolada para os casos de atraso no pagamento do tributo. Esse Conselho inclusive já tratou da questão através da Súmula nº 74. Contudo, a Recorrente engana-se ao tratar o caso dos autos como pagamento em atraso, visto que, no início do procedimento fiscal, restou verificada a ausência de recolhimento do IRRF. O caso dos autos é, em verdade, de não pagamento do imposto. Isso porque, apenas após iniciado o procedimento fiscal, a Recorrente efetuou o recolhimento do IRRF sem os acréscimos legais, conforme se depreende dos DARF acostados ao processo (fls. 66 a 71). Esses pagamentos foram realizados no dia 29/04/2005, posteriormente à ciência do início do procedimento fiscal com o recebimento do Termo de Intimação Fiscal (fl. 09 e 50), ocorrido no dia 25/04/2005. Ou seja, o pagamento do imposto ocorreu após a ciência do início do procedimento fiscal. Em razão disso, a Recorrente perde a espontaneidade do pagamento e deve arcar com a respectiva penalidade (parágrafo único do art.138 do CTN). Isto posto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 98DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.003332/2004-14
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999
COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO À CSLL. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO CARF.
À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo ao CSLL, uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3402-002.874
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção do CARF, a quem compete o julgamento do feito.
(assinado digitalmente)
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Nome do relator: Francisco José Barroso Rios
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO À CSLL. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - CARF não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo ao CSLL, uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Recurso Voluntário Não Conhecido
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO RECLAMADO RELATIVO À CSLL. INCOMPETÊNCIA MATERIAL DAS TURMAS DA TERCEIRA SEÇÃO DO CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS. RECURSO NÃO CONHECIDO. ENVIO DOS AUTOS PARA A PRIMEIRA SEÇÃO CARF. À Terceira Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF não compete analisar recursos relativos a pedidos de compensação em que o crédito aduzido seja relativo ao CSLL, uma vez que a matéria é da competência da Primeira Seção do mesmo Conselho, para onde os autos deverão ser movimentados para apreciação da lide. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso por falta de competência material para exame da lide, devendo os autos ser movimentados para a Primeira Seção do CARF, a quem compete o julgamento do feito. (assinado digitalmente) Antônio Carlos Atulim Presidente. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 33 32 /2 00 4- 14 Fl. 217DF CARF MF 2 Waldir Navarro Bezerra Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Jorge Olmiro Lock Freire, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da 2ª Turma da DRJ de Ribeirão Preto – SP (fls. 158/160 do processo eletrônico), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação apresentada pela interessada, referente ao Auto de Infração lavrado em 21/12/2004 (fls. 28/33), exigindose Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), juros de mora e multa proporcional ao valor do imposto. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, a seguir transcrito na sua integralidade: Com fulcro no Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados, aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998, foi lavrado o auto de infração de fl. 29, em 21/12/2004, pelo AFRF Nagib Elias Vesper, para exigir R$ 36.165,35 de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), R$ 35.577,64 de juros de mora calculados até 30/11/2004 e R$ 27.124,00 de multa proporcional ao valor do imposto, o que representa o crédito tributário consolidado de R$ 98.866,99. Consoante a descrição dos fatos, de fl. 30, e o termo de verificação fiscal de fl. 25, reconhecido o direito creditório materializado no processo n° 13807.000521/9829, este foi integralmente utilizado para a compensação de débitos de IPI (código 1097). Contudo, foram compensados débitos em montante superior ao crédito reconhecido. Foi encetado, pois, o lançamento de oficio dos débitos indevidamente compensados, sem declaração em DCTF, no que concerne aos períodos de apuração indicados na ementa deste Acórdão. Regularmente cientificado da peça acusativa em 21/12/2004, por meio do respectivo procurador, apresentou o sujeito passivo a impugnação de fls. 33/35 em 18/01/2005, subscrita pelos procuradores constituídos mediante os instrumento de fls. 37 e 39, ,em que denuncia, basicamente, a cobrança indevida dos débitos compensados, referentes a março de 1999, exatamente com o crédito no montante de R$ 39.118,69 (processo n° 13807.000521/98 29, de 30/07/1998), conforme o quadro demonstrativo de fl. 35, sendo a compensação forma de extinção do crédito tributário e, portanto, requer a anulação do auto de infração. No entanto, os argumentos da Recorrente não foram, por unanimidade de votos, acatados pela DRJ/RPO, que julgou improcedente a Impugnação formalizada, nos termos do Acórdão assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS — IPI Fl. 218DF CARF MF Processo nº 19515.003332/200414 Acórdão n.º 3402002.874 S3C4T2 Fl. 218 3 Período de apuração: 01/03/1999 a 31/03/1999 COMPENSAÇÃO INDEVIDA. FALTA DE RECOLHIMENTO. É devido o imposto compensado em montante superior ao do direito creditório reconhecido administrativamente. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Cientificada da referida decisão em 24/05/2013 (fl. 167), a interessada, em 25/06/2013 (fl. 171), apresentou o recurso voluntário de fls. 171/181, com as alegações resumidas abaixo: Em preliminar, alega que houve a homologação tácita, conforme art. 74, §§ 4º e 5º, da Lei n° 9.430/96, uma vez que os pedidos de compensação foram efetuados pela Recorrente em 17 e 24 de março e 09 de abril, todos do ano de 1999, de modo que o lustro decadencial disposto à fiscalização para a realização das glosas, mediante o lançamento tributário, teve como prazo final, respectivamente, 17 e 24 de março e 09 de abril, todos do ano de 2004. Como o Auto de Infração foi lavrado em 21 de dezembro de 2004, quando da notificação da Recorrente encontravamse homologados tacitamente os pedidos de compensações dos débitos do IPI, ensejando a extinção dos mencionados débitos. No mérito, aduz que: “(...) Com efeito, o discriminativo identificando o direito de crédito reivindicado pela Recorrente, oriundo do saldo negativo da CSLL (código 2484) do anobase de 1994, bem como o seu pedido de restituição, coligidos às fls. 127/128, ambos alcançando o importe de R$ 50.191,38 (cinqüenta mil cento e noventa e um reais e trinta e oito centavos), utilizados pelo decisório recorrido para não homologar as compensações dos débitos de IPI, não condizem, por sua vez, com a verdade material retratada no vertente contencioso administrativo, no que se refere à efetiva mensuração do direito de crédito comprovado e, por conseguinte, utilizado nos abordados procedimentos de compensação. (...) Desse modo, em 30 de julho de 1998. ocasião em que instaurado o processo administrativo n°. 13807.000521/9829, o direito de crédito relacionado a saldo negativo de CSLL, perfazia o montante de R$ 127.833,51 (cento e vinte e sete mil e oitocentos e trinta e três reais e cinqüenta e um centavos), como demonstrado pela planilha de fl. 72, todo originado no anobase de 1994, em que pese parte dele ter sido apropriado no anobase de 1997, contudo, tendo em vista nova base de cálculo negativa, convalidouse em novo saldo negativo, por imperativo lógico. Pelo exposto, confia a Recorrente que seja conhecido e dada provimento ao recurso voluntário, para o fim de, reformando o decisório e homologar a compensação dos débitos do Imposto sobre Produtos Industrializados, conforme requerido pelos pedidos de compensação de fls. 148/151 do processado, seja em razão da decadência, seja em razão da verdade material. É o relatório. Fl. 219DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra Na fl. 142 dos autos, constatase na motivação do Pedido de Restituição, que: “(...) Porém na Declaração de Imposto de Renda de ajuste do final deste exercício, apuramos base de calculo negativa da Contribuição Social, portanto os pagamentos efetuados foram indevidos”. No mesmo sentido, no Acórdão recorrido (fl. 159), verificase que o crédito informado no pedido referese à Contribuição Social (código da receita: 2484 CSLL Pessoas Jurídicas não Financeiras Resultado Ajustado Estimativa Mensal): (...) Conforme cópia anexada aos autos (fl. 128), o direito creditório reconhecido administrativamente diz respeito a pedido de restituição de antecipações de Contribuição Social (código 2484) no importe de R$ 50.191.38, com protocolo de 30/07/1998. Somente os débitos compensados nos pedidos de fls. 129 e 130 e parcialmente de fl . 131 têm lastro no predito direito creditório. A Recorrente em seu recurso alega que “(...) Com efeito, o discriminativo identificando o direito de crédito reivindicado pela Recorrente, oriundo do saldo negativo da CSLL (código 2484) do anobase de 1994 (...)”, referindose às planilhas demonstrativas de fls. 75/80, DARF de fls. 136/138 e a Descrição do Crédito tributário fls. 141/142, juntados aos autos. É o que basta, no presente momento, para a análise restrita a ser feita por este colegiado. De acordo com o artigo 7°, § 1º, combinado com o art. 2º, inciso II, do Anexo II, do Regimento Interno do CARF (RICARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 2015): § 1º A competência para o julgamento de recurso em processo administrativo de compensação é definida pelo crédito alegado, inclusive quando houver lançamento de crédito tributário de matéria que se inclua na especialização de outra Câmara ou Seção. No caso presente, o assunto em debate se enquadra na hipótese de que trata o inciso II, do artigo 2º, do Anexo II do RICARF, segundo o qual compete à Primeira Seção deste Colegiado: Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: I (...); II Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL); III (...). Fl. 220DF CARF MF Processo nº 19515.003332/200414 Acórdão n.º 3402002.874 S3C4T2 Fl. 219 5 A Terceira Seção do CARF, portanto, não pode se manifestar sobre o mérito do litígio, uma vez que a competência para o seu exame é da Primeira Seção deste Conselho, conforme acima demonstrado. Da Conclusão Por todo o exposto, e considerando a falta de competência material desta Terceira Seção do CARF para o exame da contenda, voto para não conhecer do recurso voluntário interposto pela interessada, devendo os autos ser encaminhados à Primeira Seção deste Conselho, a quem compete o julgamento do feito. Sala de Sessões, em 27/01/2016. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16143.000016/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3402-002.131
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator. Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Vencidos os Conselheiros Maysa de Sá Pittondo Deligne e Pedro Sousa Bispo, que entendiam pela desnecessidade da diligência. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Rodrigo Mineiro Fernandes, Diego Diniz Ribeiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Cynthia Elena de Campos, Thais de Laurentiis Galkowicz e Waldir Navarro Bezerra (Presidente). Relatório Trata de Recurso Voluntário contra decisão da DRJ, que considerou improcedente a Manifestação de Inconformidade contra despacho decisório, nos seguintes termos: (...) DESPACHO DECISÓRIO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. MOTIVAÇÃO. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 61 43 .0 00 01 6/ 20 10 -1 6 Fl. 51DF CARF MF Processo nº 16143.000016/201016 Resolução nº 3402002.131 S3C4T2 Fl. 3 2 Motivada é a decisão que, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, expressa a insuficiência de direito creditório disponível para fins da compensação pleiteada pelo contribuinte. DCOMP. DARF ALOCADO A DÉBITO CONFESSADO EM DCTF. SALDO DISPONÍVEL INSUFICIENTE PARA A COMPENSAÇÃO DECLARADA. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi parcialmente utilizado para quitar débito confessado em declaração (DCTF) ativa na data da emissão do Despacho Decisório, a compensação ficará limitada ao saldo disponível do pagamento. Em sendo o montante disponível insuficiente para extinção integral dos débitos declarados em PER/DCOMP, sobrevem a homologação parcial da compensação declarada. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Intimada desta decisão, a Contribuinte apresentou o Recurso Voluntário, pelo qual pede, em síntese, pela homologação do crédito, convalidando a compensação efetuada e o reconhecimento do direito creditório. Para tanto, a defesa sustenta os seguintes argumentos: i) Não possuía um sistema contábil capaz de apurar com precisão a base de cálculo do PIS e da COFINS tendo em vista a dificuldade em calcular os créditos passíveis de serem apropriados referentes a armazenagem, energia elétrica, depreciação, dentre outros; ii) Efetuou o pagamento maior que o devido. Portanto, tem crédito; iii) É patente a duplicidade de débitos, bem como o equívoco da “não homologação da compensação”, com o surgimento de outro débito referente ao mesmo tributo e ao mesmo mês de referência. iv) Alternativamente, pede pela conversão do julgamento em diligência para que a fiscalização possa efetivamente verificar sobre a ocorrência de fato gerador do tributo em referência. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3402002.119, de 18 de junho de 2019, proferido no julgamento do Processo nº 10880.692270/200975. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 16143.000016/201016 Resolução nº 3402002.131 S3C4T2 Fl. 4 3 Portanto, transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3402002.119): "2. Da necessidade de conversão do julgamento em diligência 2.1. Conforme relatado, a Contribuinte apresentou Declaração de Compensação para o fim de quitar os débitos declarados de PIS/COFINS com créditos decorrentes de recolhimento indevido por meio do DARF. 2.2. O pedido foi analisado através do Despacho Decisório, pelo qual foi considerada a utilização do crédito informado pela Contribuinte para compensação com outro débito, restando saldo devedor consolidado para pagamento, acrescido de multa e juros. 2.3. A DRJ de origem negou o pedido da Recorrente pelas seguintes razões: 4.3. No caso concreto, o contribuinte declarou débitos de PIS/COFINS e apontou o suposto saldo não alocado no DARF supracitado como origem do crédito. Em se tratando de declaração eletrônica, a verificação dos dados informados pelo contribuinte foi realizada também de forma eletrônica, tendo resultado no Despacho Decisório em discussão; 4.4. O ato combatido aponta como causa da homologação parcial o fato de que, embora localizado o pagamento indicado no PER/DCOMP como origem do crédito, parte do saldo disponível fora utilizada para a extinção do débito declarado em DCTF, tudo conforme apontado no próprio Despacho Decisório; 4.5. Assim, o exame das declarações prestadas pela própria interessada à Administração Tributária revela que parte do crédito declarado no presente PER/DCOMP já havia sido aproveitado para liquidar, por meio de pagamento, débitos distintos anteriormente declarado pelo contribuinte em DCTF. Por conseguinte, estes valores não poderiam suportar uma nova extinção, desta vez por meio de compensação, o que justifica a não homologação do montante que já estava vinculado a tributo anteriormente confessado, conforme consta do Despacho Decisório; (...) 6.3. Não tendo o contribuinte apresentado qualquer prova documental da ocorrência de erro nos cálculos sumarizados no Despacho Decisório contestado, não prosperam suas alegações genéricas de que os débitos estariam extintos pela compensação. (sem destaque no texto original) Fl. 53DF CARF MF Processo nº 16143.000016/201016 Resolução nº 3402002.131 S3C4T2 Fl. 5 4 2.4. Em síntese, a controvérsia deste processo reside na afirmação da Contribuinte de que os Ilustres Julgadores de primeira instância se equivocaram ao concluir que parte do crédito declarado no PERDCOMP já havia sido aproveitado para liquidar débitos distintos anteriormente declarados em DCTF e PEDCOMP. 2.5. Afirma tratarse de duplicidade, uma vez que não seria possível possuir dois débitos para o mesmo período de apuração e do mesmo tributo, devendo ser considerada a compensação objeto do PER/DCOMP em análise e cancelado o saldo devedor apontado. 2.6. Para justificar os argumentos de defesa foram apresentados os seguintes esclarecimentos em Recurso Voluntário: Fl. 54DF CARF MF Processo nº 16143.000016/201016 Resolução nº 3402002.131 S3C4T2 Fl. 6 5 2.7. Ao que pese a Contribuinte não ter apresentado a prova necessária por ocasião da impugnação, destaco que anexou ao Recurso Voluntário, documentos que torna possível a averiguação do direito invocado, a exemplo do DARF recolhido. 2.8. Considerando os fatos apresentados e, em homenagem à necessária apuração da verdade material para que sejam sanadas as dúvidas acerca das questões aventadas, justificase a proposta de conversão do julgamento em diligência, nos termos permitidos pelos artigos 18 e 29 do Decreto nº 70.235/72, cumulados com artigos 35 a 37 e 63 do Decreto nº 7.574/2011, para que a Unidade de Origem proceda às seguintes providências: a) Analise os documentos anexados com o Recurso Voluntário (e fls. 2943), esclarecendo sobre a eventual existência da duplicidade de débitos na compensação objeto do Despacho Decisório nº 849793979 (efls. 7), como apontado pela defesa; b) Elabore Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; c) Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. 2.9 Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. É a proposta de Resolução." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 16143.000016/201016 Resolução nº 3402002.131 S3C4T2 Fl. 7 6 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o colegiado decidiu por determinar a conversão do julgamento em diligência para que a Unidade Preparadora de Origem proceda às seguintes providências: a) Analise os documentos anexados com o Recurso Voluntário, esclarecendo sobre a eventual existência da duplicidade de débitos na compensação objeto do Despacho Decisório, como apontado pela defesa; b) Elabore Relatório Conclusivo sobre as apurações e resultado da diligência; c) Intime a Contribuinte para, querendo, apresentar manifestação sobre o resultado no prazo de 30 (trinta) dias. Após, com ou sem resposta da parte, retornem os autos a este Colegiado para julgamento. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 56DF CARF MF
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