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Numero do processo: 10875.907908/2012-52
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/05/2010
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.816
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 31/05/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
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decisao_txt : Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDÚSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2010 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.815, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 79 08 /2 01 2- 52 Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10875.907908/201252 Acórdão n.º 9303004.816 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/05/2010 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10875.907908/201252 Acórdão n.º 9303004.816 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10875.907908/201252 Acórdão n.º 9303004.816 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 167DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10970.000787/2010-76
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 24 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 10 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-005.486
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento parcial, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 97 0. 00 07 87 /2 01 0- 76 Fl. 913DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, João Victor Ribeiro Aldinucci (suplente convocado), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado auto de infração (DEBCAD 37.289.9331) que nos termos do Relatório Fiscal de fls. 114 e seguintes, referese às contribuições devidas à Seguridade Social, correspondentes à contribuição dos segurados. O fato gerador apurado consiste na caracterização de prestadores de serviços pessoas físicas como segurados empregados ou contribuintes individuais. Contribuinte apresentou impugnação de fls. 361 e seguintes, alegando em síntese ser indevida a tributação dos valores repassados aos médicos haja vista a diferença entre serviços hospitalares e médicos e ainda pela fato do repasse ser regulamentado pela IN 03/2005, argumentou inexistir circunstância para o agravamento da multa de ofício para 112,5%, e por fim afirma que maioria dos segurados já recolhe a sua contribuição previdenciária pelo limite máximo do salário de contribuição, o que a isentaria de fazer tal recolhimento, nos termos do art. 78 da IN 971/09. A 5ª Turma da DRJ/JFA, diante dos documentos juntados com a impugnação, solicitou a realização de diligência no intuito de 1) avaliar circunstâncias que justificassem o agravamento da multa (identificar qual intimação fiscal não foi cumprida) e 2) sanear o lançamento com a indicação dos valores das contribuições dos segurados que eventualmente devem ser excluídos, em razão de o recolhimento da referida contribuição já ter sido efetuado sobre o limite máximo do saláriodecontribuição. Resposta dada a diligência foi juntada às fls. 592/594 e manifestação do contribuinte às fls. 711 e seguintes. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão 09 35.864, julgou procedente em parte a impugnação para determinar a retificação dos valores lançados, excluindose aqueles reconhecidos como indevidos pela diligência fiscal, e ainda para determinar o afastamento da multa agravada. Recurso Voluntário de fls. 849 e seguintes. Em sede de preliminar o Contribuinte questiona o arbitramento por aferição indireta em relação ao levantamento LT e LT1 livro tesouraria, o qual trata dos valores pagos diretamente pelos pacientes aos respectivos médicos. No mérito, reitera a tese de defesa. Por meio do Acórdão 2402003.754, a 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária da 2ª Seção de Julgamento deste Conselho deu provimento parcial ao recurso determinando a nulidade por vício material dos levantamentos RH, RH1 e RH2 (repasse de honorários) e o Fl. 914DF CARF MF Processo nº 10970.000787/201076 Acórdão n.º 9202005.486 CSRFT2 Fl. 913 3 recálculo da multa nos termos do artigo 35 da Lei n° 8.212/91 vigente à época dos fatos geradores, observado o limite de 75%. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2008 CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS A CARGO DOS SEGURADOS. ENTIDADE REPASSADORA DE HONORÁRIOS MÉDICOS. VÍCIO MATERIAL. Aplicação da norma vigente à época dos fatos geradores. Instrução Normativa SRP n° 03/2005. O hospital que fornece ao médico espaço para atendimento de seus pacientes não responde por quaisquer encargos previdenciários, salvo nos casos em que comprovado que não se trata de mero repassador. No caso em análise, o contribuinte conseguiu comprovar que parte dos pagamentos a médicos se tratavam de meros repasses. Cancelamento do crédito nestes casos. Na parte em que a documentação apresentada não foi suficiente para demonstrar a relação entre hospital e médico, necessária a manutenção do auto de infração. MULTA APLICADA. A Fiscalização aplicou multa prevista pelo art. 44, § 2°, da Lei n° 9.430/96, entretanto, a referida penalidade é aplicável somente nos casos em que o contribuinte deixa de apresentar documentação necessária à verificação da ocorrência do fato gerador. No presente caso, apesar de considerada insuficiente pela fiscalização, a documentação foi disponibilizada. Recurso Voluntário Provido em Parte. A Fazenda Nacional interpôs recurso especial questionando o critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Requereu o restabelecimento da integralidade do lançamento. Cientificado, o sujeito passivo apresentou contrarrazões requerendo o seu não provimento, primeiro porque é pedido o restabelecimento integral do lançamento, o que não se admite haja vista as decisões anteriores e ainda os fundamentos do presente recurso, e segundo porque o acórdão recorrido aplicou exatamente o que é defendido pela União, pois a multa do art. 35 da Lei nº8.212/91, no caso concreto, é mais favorável (50%) do que o novo percentual fixado pelo atual art. 35A. É o relatório. Voto Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Fl. 915DF CARF MF 4 Da delimitação da lide: Analisando o inteiro teor da decisão recorrida, do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho que admissibilidade, devemos concluir que, no presente processo, permanece em litígio apenas o critério de cálculo da multa prevista na Lei nº 8.212/91 em face da aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106, II, “c”, do CTN, em razão das alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Diante da ausência que questionamento específico, transitaram em julgado o acórdão 0935.864 da 5º Truma da DRJ/JFA que determinou a retificação do valor lançado e o cancelamento da multa agravada, e o acórdão recorrido de nº 2402003.754 na parte que cancelou, por vício material, os levantamentos RH, RH1 e RH2 (repasse de honorários). Do mérito: No mérito cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Apesar de não ter sido o entendimento inicial desta relatora, após exaustivos debates sobre o tema, a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL Fl. 916DF CARF MF Processo nº 10970.000787/201076 Acórdão n.º 9202005.486 CSRFT2 Fl. 914 5 RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991 regra já adotada pelo fiscal quando do lançamento do débito. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela Fl. 917DF CARF MF 6 decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto proferido no Acórdão nº 9202004.000: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Fl. 918DF CARF MF Processo nº 10970.000787/201076 Acórdão n.º 9202005.486 CSRFT2 Fl. 915 7 Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. No presente caso, conforme consta do relatório, a multa aplicada ocorreu nos termos da Lei nº 8.212/91, art. 35A, c/c art. 44, inciso I, da Lei nº 9.430/96, ambos com redação da MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/09, por ser considerada mais favorável. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106, inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Sobre o assunto foi editada a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto Fl. 919DF CARF MF 8 ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº Fl. 920DF CARF MF Processo nº 10970.000787/201076 Acórdão n.º 9202005.486 CSRFT2 Fl. 916 9 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento parcial ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 921DF CARF MF
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Numero do processo: 12585.000188/2010-21
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 03 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009
AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS. GLOSA DOS CRÉDITOS. CABIMENTO.
Constatado em procedimento fiscal a existência de tomada de crédito sobre aquisições e prestação de serviços não considerados insumos, impõe a glosa dos valores dos créditos indevidamente apropriados.
SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE.
1. A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de exportação, efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestre-calendário.
2. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferido-lhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do procedimento compensatório.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.119
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, parcialmente vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que reconhecia o direito ao aproveitamento dos créditos extemporâneos. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. A Conselheira Lenisa Prado declarou-se impedida.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Domingos de Sá Filho - Relator.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Redator Designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: DOMINGOS DE SA FILHO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS. GLOSA DOS CRÉDITOS. CABIMENTO. Constatado em procedimento fiscal a existência de tomada de crédito sobre aquisições e prestação de serviços não considerados insumos, impõe a glosa dos valores dos créditos indevidamente apropriados. SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de exportação, efetuada após o encerramento do trimestre-calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestre-calendário. 2. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferido-lhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do procedimento compensatório. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1871; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 845 1 844 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 12585.000188/201021 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.119 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 26 de abril de 2017 Matéria COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente MAN LATIN AMERICA INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE VEÍCULOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2009 a 31/07/2009 AQUISIÇÃO DE BENS E SERVIÇOS NÃO CONSIDERADOS INSUMOS. GLOSA DOS CRÉDITOS. CABIMENTO. Constatado em procedimento fiscal a existência de tomada de crédito sobre aquisições e prestação de serviços não considerados insumos, impõe a glosa dos valores dos créditos indevidamente apropriados. SALDOS DE CRÉDITOS VINCULADOS ÀS RECEITAS DE EXPORTAÇÃO. UTILIZAÇÃO NA COMPENSAÇÃO APÓS O ENCERRAMENTO TRIMESTRE CALENDÁRIO. DESCUMPRIMENTO DE REQUISITO FORMAIS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A compensação de créditos da Cofins, vinculados às receitas de exportação, efetuada após o encerramento do trimestrecalendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento vinculado ao saldo apurado em único trimestrecalendário. 2. O descumprimento de requisito formal, estabelecido em ato normativo editado pela Secretaria da Receita Federal, no exercício legítimo do poder regulamentar conferidolhe por lei, impossibilita a análise da certeza e liquidez do direito creditório utilizado e, por conseguinte, da homologação do procedimento compensatório. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar arguída e, no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 00 01 88 /2 01 0- 21 Fl. 845DF CARF MF 2 voluntário, parcialmente vencido o Conselheiro Domingos de Sá, Relator, que reconhecia o direito ao aproveitamento dos créditos extemporâneos. Designado para redigir o voto vencedor, o Conselheiro José Fernandes do Nascimento. A Conselheira Lenisa Prado declarouse impedida. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente. (assinado digitalmente) Domingos de Sá Filho Relator. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Redator Designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Cuidase de Recurso Voluntário visando modificar a decisão de piso que manteve o indeferimento do direito crédito utilizado em compensação no mês de julho de 2009. A contenda se refere a glosa do crédito que se pretendia utilizar em compensação de débitos de tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, no montante de R$ 19.806.424,80. Tratase de glosa de COFINS vinculados à operação de exportação do 1º e 2º trimestre de 2009. A Administração Tributária entendeu que os pedidos deveriam ter sido utilizados em solicitações de compensações especificas, mas relacionada ao trimestre gerador do crédito, isso é, correspondente a cada trimestre, no caso concreto a Interessada utilizou os créditos de dois trimestres distintos em pedido de compensação efetivada em julho de 2009, acrescido de outros créditos de origem diversas, motivo pelo qual teria sido glosado. Em síntese a matéria dos autos se refere: 1. metodologia do cálculo de apuração do crédito sobre saídas destinadas a exportação em razão ter sido computado em conjunto a redução de percentual da base de calculo e das exclusões da comissão; 2. apuração da base de cálculo em razão do modo de contabilização das devoluções de mercadorias; 3. aproveitamento de saldo de créditos de trimestres diferentes (anteriores); 4. Glosa decorrente de valores de insumos. 5. outras operações com direito a crédito. Fl. 846DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 846 3 Adoto o relatório da decisão recorrida por bem refletir a situação dos autos: Tratase de Declaração de Compensação utilizando créditos da Contribuição para Financiamento da Seguridade Social no montante de R$ 19.806.424,80, comprobatórios do crédito requerido pronunciouse pelo reconhecimento parcial dos créditos e pela conseqüente homologação parcial das compensações declaradas. Na construção de sua avaliação a respeito da pretensão da contribuinte, a autoridade fiscal iniciou pela determinação do percentual de rateio entre as receitas auferidas no mercado interno e aquelas oriundas de exportações, considerando como data do fato gerador da receita bruta de venda nas exportações a data de embarque das mercadorias. Na determinação da base de cálculo da contribuição devida, a autoridade desconsiderou exclusões feitas pela empresa sob a denominação de comissão pela venda de caminhões, assim como recalculou valores excluídos a título de devolução de mercadorias. Determinada a contribuição devida no período, a autoridade passou à análise dos créditos da nãocumulatividade apurados pela interessada. A seguir, excertos de suas conclusões: Na análise da DACON relativa a Julho de 2009, verificamos que a empresa utilizou nas DCOMPs transmitidas saldo de créditos remanescentes da Cofins do Exportação de trimestres anteriores para abater débito de IRPJ referente ao mês de julho 2009 (...). A empresa não emitiu PER/DCOMP correspondentes a utilização de saldo de créditos do Exportação tanto do 1º como do 2º trimestre de 2009. Assim os saldos de créditos de aquisição no mercado interno vinculado à receitas de exportação de trimestres anteriores apresentados no PER/DCOMP desse e processo está em desacordo com a Lei 10.833/03 e com a IN SRF no 900 de 30/12/2008 (...) A legislação portanto permite que a empresa utilizese dos créditos resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior desde que o pedido de ressarcimento/compensação refirase ao trimestre onde ocorreram os créditos. A empresa não utilizando os créditos provenientes dos insumos relativos aos produtos por ela exportados nos trimestres anteriores, não solicitou, conforme determina a IN SRF nº 900, o seu ressarcimento/compensação através do envio de PER/DCOMP específicas, tendo apresentado a compensação do total dos saldos de créditos de Jan 09 a Jul 09 na PER/DCOMP de Julho de 2009. No prosseguimento da análise dos créditos, foram glosados os seguintes: a) Bens utilizados como insumo: aquisições classificadas com CFOP fictício e genérico, “9999”, cuja verificação por Fl. 847DF CARF MF 4 amostragem revelou que não se enquadravam no conceito de insumo. Também foram glosadas aquisições de cuja documentação não constava a completa identificação; b) Serviços utilizados como insumo: aquisições documentadas por notas fiscais classificadas no CFOP “9999”, a exemplo do item anterior; c) Despesas de Armazenagem e Fretes nas Operações de Vendas: despesas documentadas por notas fiscais classificadas com CFOP “9999” e cuja análise amostral revelou não se enquadrarem nos parâmetros legais de admissão da despesa. Outra parcela da glosa referese a despesas sem natureza de frete; d) Outras Operações com Direito a Crédito: novamente, a utilização do CFOP “9999” em documentos cujas aquisições foram examinadas por amostragem e não se enquadraram nos conceitos admitidos pela legislação tributária. Cientificada, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade contestando, inicialmente, a glosa de créditos apurados em períodos anteriores a julho de 2009, alegando que a fiscalização não questionara seu direito à compensação, mas tão somente impugnara a forma pela qual houve o aproveitamento do crédito, entendendo que deveria ter havido a apresentação de um PERDCOMP por trimestre. Segundo a interessada, a regra em que se baseou a fiscalização não teria fundamento legal. Em suas palavras: Ocorre que a Lei n° 9.430/96, na qual a IN deveria se basear, ao dispor sobre a restituição e compensação de tributos, não fez tal restrição. Bem ao inverso, ela prevê o direito de compensação de forma ampla, conforme se verifica do "caput" de seu artigo 74 (...). O contribuinte que apura crédito fiscal passível de compensação, o que ocorre quando há crédito de COFINS não cumulativo decorrente de exportação, pode utilizálo na compensação de débitos fiscais próprios, independentemente da forma como ocorre o encontro de contas (se em DCOMP específica ou em DCOMP contendo outros direitos de crédito). O mesmo artigo 74 previu os casos em que a compensação não poderia ser realizada e não consta a restrição imposta pelo artigo 28 da IN SRF 900/08. Percebese, então, que o legislador ordinário assegurou genericamente o direito à compensação de créditos não cumulativos de COFINS e também estabeleceu os casos em que tal direito era vedado. Contudo, não proibiu o aproveitamento desses créditos decorrentes de operação de exportação em DCOMP que contivesse outros direitos de créditos. Nesse cenário, a Secretaria da Receita Federal não poderia criar restrições e proibições não previstas na Lei (...). ... Fl. 848DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 847 5 Conforme já comentado, a Fiscalização não se insurgiu contra o aproveitamento dos créditos de COFINS vinculados às receitas de exportação, tendo efetuado a glosa em questão pelo fato de a Recorrente têlos utilizado em uma declaração de compensação considerada inapropriada. Em outras palavras, se os créditos de que se trata tivessem sido utilizados em DCOMPs específicas, apurandose o mesmo saldo declarado pela Recorrente, não haveria a glosa impugnada, o que mostra o absurdo da exigência. No processo de fiscalização a Recorrente comprovou que os créditos eram passíveis de utilização por intermédio do instrumento colocado à disposição dos contribuintes pela legislação vigente (PERDCOMP), sendo que os valores foram compensados com débitos tributários de titularidade da Recorrente, o que ocasionou a sua extinção nos termos do art. 156 do CTN. Além disso, devese destacar que os créditos em questão foram utilizados em procedimento de compensação antes do início da Fiscalização. Assim, resta demonstrado que a única ocorrência de que se poderia cogitar seria o cometimento de falha formal, a qual, no entanto, não provocou qualquer prejuízo ao Erário Público ou recolhimento a menor das contribuições em questão. ... Disto resulta claro que não é o envio de uma declaração eletrônica de compensação (mesmo que equivocada) ou de qualquer outro formulário que permite a apuração do efetivo aperfeiçoamento de uma compensação tributária, mas sim a efetiva perquirição se houve ou não a utilização de débitos e créditos permitidos pela legislação (atividade privativa da Fiscalização, conforme determinação do art. 142 do CTN). Do contrário, tributarseia algo que não constitui base de cálculo da COFINS, em violação ao princípio da verdade material que rege o lançamento. Na sequência, a contribuinte levanta questão preliminar de nulidade das glosas impostas às aquisições de insumos, alegando falta de verificação efetiva da natureza dos dispêndios. Diz ela: A aquisição desses insumos foi desconsiderada como base para os créditos de COFINS não cumulativo, tendo em vista que as respectivas notas fiscais apresentavam o código CFOP "9999", relacionado a item sem identificação particular. Ou seja, o número de código CFOP foi o que motivou a Fiscalização a não aceitar esses dispêndios como atinentes à aquisição de insumos. ... Neste ponto, em relação à desconsideração das notas fiscais com CFOP "9999", verificase que os próprios diplomas normativos trazidos pela Fiscalização estabelecem critérios para a caracterização do insumo e, dentre eles, não se encontra o Fl. 849DF CARF MF 6 código do CFOP como condição para o reconhecimento do direito creditório a eles relacionados. (...) Da leitura do dispositivo infralegal, [art. 66, § 5º, I, “a” e “b”, da IN SRF nº 247, de 2002] verificamse alguns critérios (os quais não necessariamente condizentes com as normas legais que tratam do tema, mas suficientes para demonstrar a inexistência de regra que sirva de fundamento ao trabalho fiscal): (i) que os bens e serviços sejam efetivamente utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; (ii) no caso das matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, que sofram alterações por intermédio de ação diretamente exercida sobre o produto e (iii) no caso dos serviços, que sejam prestados por pessoa jurídica domiciliada no país e aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. Em nenhum momento a legislação utilizada pela Fiscalização como subsídio para os seus trabalhos elege o código do CFOP como balizador para a caracterização de determinado bem ou serviço como insumo e, por consequência, a possibilidade de tomada de crédito de PIS e de COFINS. A legislação ordinária que rege a matéria (Leis n° 10.637/02 e n° 10.833/03), da mesma forma, não aborda o código do CFOP como parâmetro para se identificar um insumo para o PIS e a COFINS. Aliás, é razoável que assim não o faça, pois, em razão das diferentes espécies de atividades desenvolvidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime não cumulativo, os gastos por elas incorridos no seu desenvolvimento também variam a partir das particularidades de cada sujeito passivo, de modo que a sua catalogação de forma exaustiva, como parece pretender a Fiscalização, é tarefa impraticável. Por esses motivos que, na análise da correição da importância registrada pela Recorrente, a Fiscalização deveria ter verificado a efetiva natureza de cada dispêndio efetuado com a aquisição de bem ou serviço, para, a partir daí, verificar a existência ou não de um insumo. Verificandose as espécies de bens e serviços cujos custos foram glosados (aquisição de motores, serviços de logística de peças e acessórios e máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado), é fácil perceber o equívoco no critério adotado no trabalho fiscal, tendo em vista trataremse de produtos e serviços facilmente caracterizados como indissociáveis da atividade desenvolvida pela Recorrente (fabricação de caminhões e ônibus) e, nessa medida, dispêndios classificáveis como insumo para a obtenção de receitas sujeitas ao PIS e à COFINS. Assim sendo, percebese que o código CFOP não é critério para caracterização de determinado bem ou serviço como insumo (é falível e induz a erro a quem dele se utiliza), justificandose, por essa razão, a decretação de insubsistência do trabalho fiscal em questão. ... Fl. 850DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 848 7 Se tanto não bastasse, as operações efetivamente ocorreram (houve a entrada dos insumos e os pagamentos foram efetuados), o que confere direito de crédito ao contribuinte. ... Percebese, portanto, que os trabalhos da Fiscalização, ao limitarem suas conclusões aos dados dos documentos fiscais da Recorrente (código CFOP ou a forma de preenchimento da nota fiscal), sem verificar a efetiva natureza de cada dispêndio, não se pautaram pelos requisitos mínimos exigidos pela legislação. Assim, apenas por esse motivo, merecem ser homologados os créditos em questão. Passando a questionar o mérito das glosas impostas pela fiscalização, a contribuinte inicia por discorrer acerca do conceito de não cumulatividade das contribuições e do de insumos. Prossegue: Assim, o critério para a identificação de certo serviço ou bem como insumo é a sua pertinência com o contínuo desenvolvimento da atividade da pessoa jurídica geradora de receita. Em decorrência, o insumo não está limitado ao serviço ou bem consumido no processo produtivo ou incorporado à mercadoria, conforme entendimento já manifestado pelo Fisco. O direito ao crédito deve ser visto do ponto de vista finalístico. Aquilo que é adquirido para auferir receita ou, em outras palavras, em razão da venda de bens e da prestação de serviços. O insumo representa um meio para atingir o fim, que é a receita. Devese "considerar 'utilizados como insumo' para fins de não cumulatividade de PIS/COFINS todos os elementos físicos ou funcionais — o que abrange bens, serviços e utilidades deles decorrentes, ligados aos fatores de produção (capital e trabalho), adquiridos ou obtidos pelo contribuinte e onerados pelas contribuições que sejam relevantes para o processo de produção ou fabricação, ou para o contribuições". Tal avaliação deve ser feita "no específico contexto da atividade econômica desenvolvida pelo contribuinte", uma vez que o insumo "limitase a assegurar que o processo exista ou se desenvolva com as qualidades pertinentes" . O entendimento descrito é o único em conformidade com o limite imposto pela racionalidade no exercício da competência tributária do PIS e da COFINS não cumulativos. Isso porque contempla um delineamento próprio de insumo coerente com a materialidade constitucionalmente definida às contribuições no regime não cumulativo, tal como indicado anteriormente. ... Portanto, consentâneo com a legislação que rege o tema, no que se refere ao PIS e a COFINS, O conceito de insumo vem sendo definido pela jurisprudência administrativa e judicial em vista da instrumentalidade do gasto para a execução da atividade Fl. 851DF CARF MF 8 geradora de receita para a pessoa jurídica. Dessa forma, aplicandose esses conceitos ao caso concreto, verificase a completa improcedência da autuação fiscal, como se passa a demonstrar de forma individualizada das espécies de gastos glosados. Segundo a fiscalização, os dispêndios por ela listados a título de bens e serviços não se enquadrariam no conceito de insumo. Em relação aos bens (item 15.2.), utilizou como fundamento para as autuações o art. 66, § 5O, I, 'a', da IN SRF n° 247/02 e art. 8O, § 9O, da Instrução Normativa RFB n° 404/2004. Quanto aos serviços (item 15.4), as exações fiscais foram lastreadas no art. 66, § 5O, I, 'b', da IN SRF n° 247/02. Ocorre que, no que se refere aos bens a partir dos quais a Recorrente apropriou créditos (basicamente motores para serem utilizados nos caminhões fabricados pela contribuinte) percebe se, sem grande esforço de hermenêutica, que eles foram utilizados diretamente na atividade produtiva dos produtos fabricados. Na medida em que a Recorrente tem por objetivo social a fabricação, o comércio, a importação e a exportação de veículos automotores, como se depreende da clausula 3ª do seu contrato social (doe. 01), evidentemente, as partes e peças por ela adquiridas são utilizadas diretamente nos produtos fabricados (caminhões), de modo que os mesmos sejam adquiridos por terceiros. Com relação aos serviços tomados, como aqueles decorrentes de logística de peças e acessórios, suporte para o sistema de produção e programa para desenvolvimento de chassis, também não pode prevalecer o entendimento fiscal, uma vez que são serviços empregados diretamente na atividade produtiva da contribuinte, de modo a melhorar a eficácia dos seus fluxos produtivos. Ora, é inconcebível supor que não estão atrelados à fabricação de veículos automotores os gastos com o transporte de peças e acessórios, serviços que visam gerar maior eficiência em suas linhas de produção ou atividades de desenvolvimento de novas linhas (chassis) de seus produtos. Todos eles são, na realidade, gastos sem os quais a Recorrente não tem condições de manter suas atividades geradoras de receitas regularmente. Daí porque são inerentes à atividade econômica por ela desenvolvida e, nessa medida, insumos para a obtenção das receitas oneradas pelo COFINS não cumulativo. Tamanha é a vinculação entre os gastos arrolados e o objeto econômico explorado pela Recorrente que, por exemplo, os dispêndios com o transporte de peças e acessórios são classificados como custo de produção e não como meras despesas operacionais pela legislação do IRPJ (arts. 289 e 290 do Decreto 3.000/99 Regulamento do Imposto de RendaRIR/ 99). Percebese, assim, que a Fiscalização desconsiderou por completo a natureza dos dispêndios descritos e a sua relação às atividades da Recorrente, atendose aos dados formais dos Fl. 852DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 849 9 documentos fiscais, o que apenas ratifica a preliminar de nulidade anterior. No que pertine, às outras operações com direito a crédito (item 15.9 do Despacho), tratase de aquisição de ativo imobilizado (máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado), cujo crédito poderia ser reconhecido integralmente já no mês de aquisição, nos termos do art. 1º da Lei n° 11.529/07 (vigente à época dos fatos). Entretanto, a Fiscalização não se preocupou em verificar a efetiva natureza dessas aquisições ou mesmo se tais bens eram efetivamente destinados à produção ou à fabricação de produtos, conforme determinação legal. Apenas pelo código CFOP utilizado ("9999"), o que novamente corrobora a preliminar de nulidade anterior, concluiu a Fiscalização tratarse de operação sem direito a crédito (art. 66 da IN SRF n° 247/02). É inequívoco, entretanto, que as máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado a partir dos quais a Recorrente apropriouse de créditos de COFINS foram utilizados diretamente na linha produção, até porque tal fato não foi nem mesmo questionado pela Fiscalização (tratse, portanto, de questão incontroversa), sendo legítimo o procedimento adotado pela empresa. Por fim, no que tange a despesas de energia elétrica, há previsão expressa no art. 3o das Leis ns. 10.637/2002 e 10.833/2003, que prevê o direito de crédito na aquisição de "energia elétrica e energia térmica, inclusive sob a forma de vapor, consumidas nos estabelecimentos da pessoa jurídica " (respectivamente, incisos IX e III). Entretanto, da mesma forma que nos exemplos anteriores, a Fiscalização desconsiderou a natureza de insumo, conforme expressa disposição legal, apegandose apenas no código CFOP. Nem se alegue que haveria dúvidas acerca da utilização dessa energia elétrica nos estabelecimentos da contribuinte, tendo em vista que esse fato não foi aventado pela Fiscalização, não podendo sêlo agora pela DRJ, sob pena de infringência ao art. 146 do CTN. ... Segundo o Despacho (item 15.5), os créditos glosados advindos das despesas com frete e armazenagem (decorrentes da compra de matériaprima, transferência, remessa e retorno, bem como de transporte de peças) não se enquadrariam no conceito advindo do art. 15, inciso II, da Lei n° 10.833/03. ... A interpretação lógicosistemática revela que o legislador concedeu às pessoas jurídicas (art. 3º , caput) o direito de Fl. 853DF CARF MF 10 calcular créditos de PIS e COFINS sobre as despesas com armazenagem e frete (inciso IX) suportadas na fase de fabricação de produtos (inciso II) e nas sucessivas etapas de comercialização das mercadorias até o consumo final (inciso incidentes sobre a receita bruta auferida pelas empresas que lhe prestam serviços de armazenagem e de transporte de insumos e mercadorias, de sorte a operacionalizar a sistemática de não cumulatividade constitucionalmente prevista. Os únicos requisitos que a lei impõe para a apropriação dos créditos são: (a) a venda da mercadoria e (ii) a assunção do ônus da armazenagem ou do frete pelo vendedor. A razão é óbvia. Se a mercadoria for destinada a autoconsumo, não haverá a obtenção de receita tributável passível de dedução de créditos. Já se os serviços de transporte e armazenagem forem contratados pelo adquirente, o vendedor não sofrerá diminuição de sua receita passível de justificar o creditamento. É por isso que somente há direito aos créditos quando a pessoa jurídica promove a transmissão onerosa da mercadoria a terceiros e se responsabiliza pelas despesas com frete e armazenagem. Tratase de disciplina perfeitamente compatível com o regime de não cumulatividade. Presentes os requisitos legais, tem a pessoa jurídica o direito inconteste à apropriação dos créditos de PIS e COFINS relativos aos serviços que lhe foram prestados. Nada importa o número de etapas que a mercadoria tenha de percorrer ou a quantidade de estabelecimentos pelos quais a mercadoria tenha de transitar. Desde que se verifique a transmissão onerosa da mercadoria a terceiro, tem a pessoa jurídica vendedora o direito de deduzir créditos relativos às despesas incorridas com a contratação dos serviços necessários a viabilizar a obtenção da receita de venda, de modo a neutralizar o ônus das contribuições embutido nos bens e serviços anteriormente adquiridos. É exatamente o que ocorre no caso concreto, no qual o frete de aquisição de matéria prima é considerado custo e, dessa forma, enquadrase no conceito de insumo (sendo considerado parte do custo de aquisição do insumo). Também os créditos decorrentes das notas fiscais emitidas pelas empresas JS Táxi Aéreo e Piquetur Passagens e Turismo são legítimos, tendo em vista que essas empresas prestaram serviço de transporte de mercadorias para a contribuinte (peças para utilização na produção dos caminhões). ... Além disso, a restrição ao direito de crédito frustra o regime de não cumulatividade, pois o valor das contribuições suportado nessas transferências acaba se tornando um custo da pessoa jurídica, passível de ser recuperado apenas mediante acréscimo ao preço de suas mercadorias. Em decorrência, o adquirente recebe a mercadoria com uma parcela adicional de PIS e COFINS embutida no preço, redundando em carga tributária global maior do que resultaria da aplicação das alíquotas das contribuições sobre a receita auferida pela pessoa jurídica vendedora nessa operação. ... Fl. 854DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 850 11 Forçoso concluir, portanto, que, no caso concreto, a Recorrente tem o direito de descontar do PIS e da COFINS incidentes sobre a receita bruta da venda de suas mercadorias créditos calculados em relação às despesas com armazenagem e frete suportadas nas transferências de matériaprima nas etapas prévias à sua efetiva comercialização e entre seus estabelecimentos, bem como aqueles decorrentes do transporte de mercadorias para a contribuinte, como única forma de compatibilizar a sistemática de não cumulatividade das Leis n°s 10.637/02 e 10.833/03. 6. Créditos utilizados pela contribuinte com data de emissão de nota fiscal anterior a 31/07/07. Nos termos do Despacho (item 15.9), a Fiscalização relata que, em razão de operação societária envolvendo a Recorrente, houve a desconsideração dos créditos referentes às aquisições de insumos efetuadas antes da data de 31/07/2007. Afirmouse que a Recorrente, por ser sucessora de outra sociedade que havia registrado os créditos, não poderia aproveitálos na quantificação das suas bases tributáveis pelas contribuições em exame. Assim, as notas fiscais de compra emitidas a partir de 31/07/2007 foram aceitas pela fiscalização, vez que não era possível aos fornecedores alterar o nome ou CNPJ do cliente (VWCO) em seus cadastros antes da efetivação da alteração societária (estas notas fiscais ainda constaram com a denominação e CNPJ da VW BRASIL). Todavia, as notas fiscais foram pagas pela VWCO, quem efetivamente suportou a carga tributária, conforme verificado pela Fiscalização na documentação apresentada pela Recorrente. Sucede que o fato de os créditos terem sido acumulados por pessoa jurídica sucedida pela Recorrente não impede que ela os registre e os aproveite na quantificação do PIS e da COFINS por ela devidos. Ao inverso, justamente o fato de ser sucessora é que lhe garante o direito ao lançamento das parcelas relacionadas às notas fiscais de compra de insumos feitas anteriormente a 31/07/07. ... Em outras palavras, a Recorrente sucede os direitos e as obrigações das sucedidas, o que inclui também os direitos de crédito não cumulativos de PIS e de COFINS. As regras legais e infralegais que disciplinam a apuração do PIS e da COFINS não dispõem acerca do tratamento dos créditos acumulados por sociedade extinta ou que tenha seu patrimônio dividido em função de operações de cisão e incorporação, seja para veda ou autorizar a utilização dos créditos da sucedida pela sucessora. ... Fl. 855DF CARF MF 12 Assim, os créditos de PIS e de COFINS não utilizados constituem um direito da sociedade, como os demais elementos que compõem o patrimônio. Nessa medida, na qualidade de integrantes do ativo, podem ser regularmente transferidos mediante cisão com incorporação em sociedade existente, ficando a critério das sociedades envolvidas acordarem acerca da divisão patrimonial (art. 227, "caput", c/c art. 229, "caput", e § 1º, da Lei n° 6.404/76 Lei das S/A). ... Dessa forma, incabível a glosa dos créditos em questão (cujos documentos fiscais que embasaram a aquisição dos insumos têm data anterior a 31/07/2007), tendo em vista que a Recorrente, na qualidade de sucessora, tem o direito a aproveitar créditos de COFINS não cumulativo das sucedidas. 7.1. Exclusão dos valores devidos pela intermediação ou entrega de veículos. A Fiscalização, no item 11.1.1 do Despacho, desconsiderou a exclusão da base de cálculo efetuada pela Recorrente relativa aos valores devidos pela intermediação ou entrega de veículos, os quais correspondem às comissões passíveis de desconto, nos termos do artigo 2º da Lei 10.485/2002. Entendeu o Fisco pela impossibilidade de exclusão dessas parcelas conjuntamente com a redução do artigo 1º , § 2º da mesma Lei. ... Além disso, restou permitida a exclusão das comissões da base de cálculo do PIS/COFINS dos fabricantes, uma vez que, sem essa disposição, tal valor fatalmente acabaria fazendo parte da base de cálculo dessas contribuições dos fabricantes, quando se trata, na verdade, de uma receita pertencente aos concessionários que intermediam a venda direta aos consumidores. (...). Entende a Fiscalização que o § 1º do art. 2o acima mencionado não permitiria a redução da base de cálculo do artigo 1º e a exclusão das comissões do artigo 2º. Entretanto, a redução da base de cálculo e o desconto das comissões possuem objetivos distintos e, portanto, podem ser utilizados em conjunto. Não se tratam de dois benefícios, para serem objeto de opção por parte do contribuinte, mas sim de critérios definidos para o cálculo do PIS/COFINS monofásico, sem que sejam excludentes. Dessa forma, descabe a glosa da exclusão das comissões da base de cálculo do PIS e da COFINS efetuada pela Fiscalização. 7. 2. Devoluções manuais. A Fiscalização, no item 11.1.2 do Despacho, relata que desconsiderou os valores incluídos na base de cálculo do PIS pela Recorrente relativos aos valores das vendas devolvidas (produtos da posição 87.04 da TIPI) que não foram contabilizados automaticamente, via sistema, dentro do mês. (...). Fl. 856DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 851 13 Verificase entretanto, que o procedimento efetivado pela Recorrente não implicou prejuízo ao Fisco, não sendo passível de desconsideração (quando muito, tratarseia de falha meramente formal). Realmente, o fato de a contabilização das referidas devoluções ter sido efetivado de forma manual não implicou desconsideração dos padrões contábeis geralmente aceitos, uma vez que, no mês seguinte, o processo sistêmico é regularizado, conforme reconhecimento expresso do Fisco, sem reflexos negativos para a apuração do PIS/COFINS. Observese que a própria Administração Fiscal reconhece que "a forma de escriturar as operações é de livre escolha do contribuinte, dentro dos princípios técnicos ditados pela Contabilidade e a repartição fiscal só a impugnará se a mesma omitir detalhes indispensáveis à determinação do verdadeiro lucro tributável". Portanto, não havendo vedação à adoção do procedimento manual adotado pela Recorrente e tendo ele permitido que as autoridades examinassem a natureza e legitimidade da importância aproveitada, afigurase improcedente a sua glosa a partir das justificativas contidas no despacho decisório, o qual, por essa razão, deve ser reformado nesse ponto. Ao fim, aventa a possibilidade de transformação do julgamento em diligência, de modo que sejam confirmadas as informações ora aduzidas, em especial a natureza de insumo dos dispêndios glosados.” Ciente em 21 de agosto de 2013, interpôs o presente recurso em 09 de setembro de 2013. Em sede recursal reprisa os argumentos iniciais. É o que tinha a relatar. Voto Vencido Conselheiro Domingos de Sá Filho, Relator. Cuidase de recurso tempestivo e atende os demais pressupostos de admissibilidade, motivo pelo qual tomo conhecimento. A discussão se refere a metodologia do cálculo de apuração do crédito sobre saídas destinadas a exportação em razão ter sido computado em conjunto a redução de percentual da base de calculo e das exclusões da comissão; Outra contenda se refere apuração da base de cálculo em razão do modo que são contabilizados as devoluções de mercadorias; Outro ponto destacado, referese ao aproveitamento de saldo de créditos de trimestres diferentes (anteriores); Glosa decorrente de insumos. Fl. 857DF CARF MF 14 Outras operações e outras operações com direito a crédito. Não há discussão em relação a base de cálculo, o debate restringese as exclusões procedidas pela fiscalização. Como se vê dos autos não houve glosa efetiva dos valores relativos a comissão, a fiscalização seguiu a metodologia traçada pela IN SRF nº 594/2005, que determina redução à base de cálculo das contribuições incidentes sobre a receita pelo fabricante ou importador das máquinas e dos veículos, no que está correto, primeiro aplicase à redução de 30,2%, depois exclusão da base de cálculo dos valores devidos aos concessionários pela intermediação nas vendas ao consumidor final (comissões), autorizado pelo inciso I do art. 7º da IN aqui anotada. Também é verdade que a Interessada excluiu as comissões antes que esta sofresse a redução. Não se trata de glosa, mas mudança correta na metodologia. Por essa razão não merece reparo. Apuração da base de cálculo devoluções de mercadorias. Nesse ponto a fiscalização não concorda com à inclusão das devoluções à base de cálculo que ainda não foram contabilizadas no sistema, a Impugnante, independemente de registrados os documentos nos livros, mas tendo conhecimento das devoluções procede inclusão à base de calculo, o que não foi colhido pela fiscalização. A fiscalização entendeu tratarse de prática formal, por esse motivo não atende os padrões da contabilidade, motivo que desconsiderou tanto os créditos quanto os débitos efetivados de modo manual, mas não demonstrou que tenha ocorrido prejuízo, conforme afirma que no mês seguinte eram contabilizadas no sistema juntamente com as demais devoluções ocorridos dentro do mês e debitado manualmente à base de cálculo. As devoluções que pende de lançamento no sistema contábil e fiscal dificulta o controle, mesmo tendo sido atestado que os lançamentos ocorrem no mês seguinte, isso implica em verificação mais trabalhosa, embora não se traduz em manobra com intuito de ludibriar o controle, não vislumbro a impedimento, mas transforma a tarefa fiscal bem mais atribulada aumentando consideravelmente o tempo no cumprimento do trabalho. Não há dúvida de que a autoridade fiscal necessita de segurança a autorizar utilização de saldo credor em processo de compensação, aceitar controle paralelo mesmo guardando toda lisura verificada pela fiscalização, se revela angustiante aprovar algo não assentado nos registros contábeis e fiscais. Mesmo sabendo que os valores não lançado no sistema vai acabar fazendo parte da base de cálculo, nesses casos há ajuste espontâneo, cruciante é verificação em dois controles distintos para quem cabe decidir a certeza e a liquidez do crédito. A não aceitação do aproveitamento de crédito decorrente de devoluções, neste caso não fere o direito assegurado pela norma do art. 74, § 14 da Lei nº 9.430/96, nesse ponto equivocado o argumento recorrente. Com esse juízo, vislumbrando a segurança do controle e prestigiando a contabilidade, mantenho a glosa dos valores de devoluções não contabilizadas no sistema. Fl. 858DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 852 15 APROVEITAMENTO DE SALDO DE CRÉDITOS DE TRIMESTRES DIFERENTES. O direito assegurado de utilização de saldo credor em compensação de débitos próprios encontram estabelecido pelo art. 74, da Lei nº 9.430/96: “O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretária da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele órgão.” Também não há duvida de que a competência de normatizar o modo pelo qual deve ocorrer é da Receita Federal por força do disposto no parágrafo 14 do art. 74 do mesmo diploma legal acima transcrito. Essa autorização de aproveitamento de utilização dos créditos decorrentes da não cumulatividade encontrase no art. 6º, § 1º, da Lei nº 10.833, 2003. Normatizando o procedimento editouse a Instrução Normativa IN nº 900/2005, em seu artigo 27 impôs restrição quanto ao momento da utilização de saldo credor, decidindo que esses somente após o encerramento do trimestre. No caso concreto os créditos utilizados em compensação referese a dois trimestres, ressalvase, crédito anterior ao pedido de compensação. A glosa decorre do estipulado no inciso I do § 2º do art. 28 da mencionada IN: “I – referirse a um único trimestrecalendário;” Embora se aceita competência da Secretária da Receita Federal em disciplinar ressarcimento, restituição e compensação, penso que nesse aspecto assiste razão ao Contribuinte. Tanto as Leis nº 10.833/2002 e 10.637/02, bem como a Lei 9.430/96 não vedaram o aproveitamento de saldo credor de dois trimestre distintos, sendo assim, jamais poderia a Administração Tributária, como fez por meio do art. 28 da IN SRF 900/08 estabelecer vedação em nome do controle. Os saldos credores são decorrentes de operações de exportação do primeiro e segundo trimestre de 2009, não há como aceitar o argumento da fiscalização de que só poderia ser utilizados em pedido de compensação específico e referente ao trimestre gerador do crédito, penso tratar de condição inaceitável, o aproveitamento em compensação para Administração Fiscal se torna mais segura do que devolver em espécie, porque não aproveitado, inevitavelmente ocorreria o pedido de ressarcimento. Impõe nesse caso rever a decisão recorrida e determinar retificação do Despacho Decisório para aceitar o aproveitamento dos saldos credores de dois trimestres e homologar as compensações de débitos até o limite do crédito. Preliminar de Nulidade do Procedimento Fiscal. Fl. 859DF CARF MF 16 Sustenta a Recorrente nulidade atinente ao item 15 o Despacho Decisório em referência glosas de créditos baseadas em documentos fiscais, alega inexistência de verificação da efetiva natureza do dispêndios. Há límpida exposição do motivo, afirma que analisou os documentos fiscais com CFOP 9999, e, analisando seu conteúdo, concluiu não aceitar os créditos utilizados por enquadrarem no conceito de insumo. Examinando os autos não assiste razão a recorrente. Essa matéria confunde com o mérito, que passo a examinar. GLOSA DECORRENTE DE INSUMOS. A Recorrente reclama glosa dos valores das aquisições de motor para os caminhões que ela produz, assim como, a não aceitação de outros insumos cujas notas fiscais não estavam preenchidas com código CFOP correto, tendo utilizado número genérico – 9999. Também se irresigna com glosa dos créditos de serviços de logística de peças e acessórios, suporte para o sistema de produção, programa para desenvolvimento de chassis. A utilização de CFOP “9999” não prejudicou análise da natureza do dispêndio como restou demonstrado pela fiscalização. Há clara evidência do exame da natureza das aquisições, a fiscalização descreve quais foram as glosas e examinando os documentos fiscais relativos aos serviços, prestação de serviços logísticos, suporte técnico, sortimento de materiais para linhas de pedidos urgentes. A nota fiscal de serviços de sistema nº NF 000552 emitida pela empresa T. Systems, deixou de descreve o serviço prestado pelo qual está sendo cobrado. O mesmo constata das notas fiscais nº 0001333 e 001349, incluído na planilha como serviço de logística, emitidas pela empresa Selpa Prestação de Serviços, não permite definir se o serviço pode ser incluído no rol dos insumos. As demais notas fiscais (fls.257/259), algumas se refere tick refeição e despesas de alimentação pago a empresa Sodexo, e, fornecimento de mão de obra de analista de custo locado na área financeira, deveras não se trata de insumos, devendo ser mantido a glosa. O mesmo consta das notas fiscais emitidas pelas empresas JS Táxi Aéreo e Piquetur Passagens e Turismo, assim como, as despesas de armazenagem, em que pese o contribuinte sustentar tratarse de frete de insumo e de venda de mercadorias suportado por ele, não é o que se vê dos documentos fiscais. O documento fiscal emitido pela empresa Transporte Med Life Ltda., descreve somente locação de veículo, assim como, outras – serviços de analise e modificação de produto. As despesas com armazenagem e frete nas transferências de matéria prima nas etapas prévias a comercialização, por si só revela tratar de transporte entre os seus estabelecimentos – centros logísticos, como se sabe não gera direito a crédito, pode descontar crédito das operações frete de venda e insumos. Concordo plenamente com a fiscalização que foram poucas as informações, além do que, a Recorrente satisfez em discutir apenas o seu direito em vez de descer a detalhes, demonstrar que os dispêndios foram realizados na etapa de elaboração ou se referiram a vendas. Fl. 860DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 853 17 GLOSA DE ENERGIA. Ao analisar conta contábil 14911005 – Outros Créditos – Energia Elétrica, classificadas como insumo, deparouse com valores contabilizados que não guarda vinculo algum com energia elétrica., fl. 711, a fiscalização demonstrou quais foram os itens glosados no montante de R$ 168.898,95. Em planilha a fiscalização demonstrou quais foram as glosas, essas se referiram as notas fiscais emitidas pela empresa Sodexho, referente aquisição de vale refeições, DHL Wordwide Express – serviços de transporte e a empresa Piquetur Passagens e Turismo Ltda. Contra tais evidências, notadamente, dificultou a Interessada se defender de que tratava os valores se referiam de fato a energia, neste caso preferiu silenciar, mantendo o argumento de tomar crédito relativo ao consumo de energia. Assim, os documentos fiscais de fls. 253/271 cujo valores foram objeto de glosa não revela a natureza dos serviços prestados. Não há reparo a fazer ao trabalho fiscal, deve ser mantido a glosa. Com essa exposição, conheço do recurso e dou provimento parcial para assegurar o direito da Recorrente utilizar o somatório de dois trimestre em compensação de débitos. É como voto. Domingos de Sá Filho Voto Vencedor Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Redator Designado. Previamente, cabe esclarecer que a divergência deste Conselheiro em relação ao bem fundamentado voto proferido pelo nobre Conselheiro Relator cingese apenas à questão atinente ao procedimento de compensação de créditos da Cofins, vinculados à operação de exportação, apurados em diferentes trimestres, sem o atendimento da exigência consignada no art. 28, § 2º, I, da Instrução Normativa RFB 900/2008, vigente na data da efetivação do encontro de contas em apreço, o qual, expressamente, determinava que os créditos remanescentes passíveis de ressarcimento, decorrentes do regime da não cumulatividade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, vinculados às operações de exportação, somente poderiam ser formulados por trimestre. Para facilitar a compreensão da referida exigência, segue transcrito o citado preceito normativo: Art. 28. O pedido de ressarcimento a que se refere o art. 271 será efetuado pela pessoa jurídica vendedora mediante a utilização 1 "Art. 27. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão ser objeto de ressarcimento, somente após o encerramento do trimestrecalendário, se decorrentes de custos, despesas e encargos vinculados: Fl. 861DF CARF MF 18 do programa PER/DCOMP ou, na impossibilidade de sua utilização, mediante petição/declaração em meio papel acompanhada de documentação comprobatória do direito creditório. § 1º O pedido de ressarcimento dos créditos acumulados na forma do inciso II do caput e do § 3º do art. 27, referente ao saldo credor acumulado no período de 9 de agosto de 2004 até o final do 1º (primeiro) trimestrecalendário de 2005, somente poderá ser efetuado a partir de 19 de maio de 2005. § 2º Cada pedido de ressarcimento deverá: I referirse a um único trimestrecalendário; e II ser efetuado pelo saldo credor remanescente no trimestre calendário, líquido das utilizações por desconto ou compensação. [...]. (grifos não originais) No caso, é incontroverso que o crédito utilizado pela recorrente no procedimento de compensação em apreço, no valor total de R$ 19.806.424,80, referese a supostos saldos credores passíveis de ressarcimento dos meses de janeiro a julho de 2009, ou seja, saldos credores remanescentes relativos aos 1º e 2º trimestres de 2009 e ao mês julho de 2009. Em cumprimento ao disposto no referido preceito normativo, a autoridade fiscal não analisou a certeza e a liquidez dos saldos dos créditos da contribuição dos 1º e 2º trimestres de 2009 e a legitimidade da utilização dos referidos créditos, em razão do descumprimento da referida formalidade. Em consequência, apenas o saldo dos créditos do mês de janeiro foram analisados e parcialmente acatados pela autoridade fiscal. Essa decisão foi mantida pelo Colegiado de primeiro grau e, nesta parte, confirmada por este Colegiado, com respaldo nos fundamentos apresentados no voto do nobre Relator. Assim, a única questão litigiosa que a maioria do Colegiado divergiu do entendimento i. Relator foi quanto à relevação da exigência da prévia formalização do pedido de ressarcimento, baseada no seguinte argumento, extraído do voto vencido, in verbis: Embora se aceita competência da Secretária da Receita Federal em disciplinar ressarcimento, restituição e compensação, penso que nesse aspecto assiste razão ao Contribuinte. Tanto a lei nº 10.833/2002 e 10.637/02, bem como, a Lei 9.430/96 não vedaram o aproveitamento de saldo credor de dois trimestre distinto, sendo assim, jamais poderia a Administração I às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; ou II às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência. § 1º À empresa comercial exportadora que tenha adquirido mercadorias com o fim específico de exportação é vedado apurar créditos vinculados a essas aquisições. § 2º O disposto neste artigo não se aplica a custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação de produtos ou de prestação de serviços, nas hipóteses previstas no art. 8º da Lei nº 10.637, de 2002, e no art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. § 3º O disposto no inciso II do caput aplicase aos créditos da Contribuição para o PIS/PasepImportação e à CofinsImportação apurados na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004. [...]." Fl. 862DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 854 19 Tributária, como fez por meio do art. 28 da IN SRF 900/08 estabelecer vedação em nome do controle. Com a devida vênia, não se trata de vedação à compensação, como entendeu o nobre Relator. A exigência contida no referido preceito normativo limitase à fixação de prévio requisito necessário à compensação dos créditos das referidas contribuições, realizada após o encerramento do trimestre calendário dos créditos correspondentes, que se encontra expressamente estabelecido no art. 42, §§ 10 e 11, da referida Instrução Normativa RFB 900/2008, que seguem transcritos: Art. 42. Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins apurados na forma do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e do art. 3º da Lei nº 10.833, de 2003, que não puderem ser utilizados no desconto de débitos das respectivas contribuições, poderão sêlo na compensação de débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos de que trata esta Instrução Normativa, se decorrentes de: I custos, despesas e encargos vinculados às receitas resultantes das operações de exportação de mercadorias para o exterior, prestação de serviços a pessoa física ou jurídica residente ou domiciliada no exterior, cujo pagamento represente ingresso de divisas, e vendas a empresa comercial exportadora, com o fim específico de exportação; II custos, despesas e encargos vinculados às vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou nãoincidência; ou III aquisições de embalagens para revenda pelas pessoas jurídicas comerciais a que se referem os §§ 3ºe 4ºdo art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, desde que os créditos tenham sido apurados a partir de 1ºde abril de 2005. [...] § 7º Os créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a que se refere o inciso I do caput, remanescentes do desconto de débitos dessas contribuições em um mês de apuração, embora não sejam passíveis de ressarcimento antes de encerrado o trimestre do anocalendário a que se refere o crédito, podem ser utilizados na compensação de que trata o caput do art. 34. [...] § 10. A compensação de créditos de que tratam os incisos I e II do caput e o § 4º, efetuada após o encerramento do trimestre calendário, deverá ser precedida do pedido de ressarcimento formalizado de acordo com os arts. 27 e 28. § 11. O crédito utilizado na compensação deverá estar vinculado ao saldo apurado em um único trimestrecalendário. [...] (grifos não originais) Fl. 863DF CARF MF 20 Assim, por força do disposto no art. 42, § 7º, da referida Instrução Normativa, por razão óbvia, a única exceção que dispensa a apresentação prévia do respectivo pedido de ressarcimento, cingese a situação em que o contribuinte formaliza a compensação (a apresenta a DComp) antes do encerramento do respectivo trimestre, o que, no caso em tela, ocorreu em relação ao saldo dos créditos do mês de julho de 2009, uma vez que as referidas DComp foram apresentadas antes do encerramento do 3º trimestre 2009. Assim, por estar vinculada aos atos normativos editados pelo Secretário da Receita Federal do Brasil, a autoridade fiscal da unidade da Receita Federal de origem estava obrigada a dar pleno cumprimento ao disposto no art. 42, §§ 10 e 11, da da Instrução Normativa RFB 900/2008. Também não procede a alegação da recorrente de que a exigência de apresentação de pedido de ressarcimento por trimestre calendário extrapolava a competência regulamentar da matéria, atribuída à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), pelo art. 74, § 14, da Lei 9.430/1996, combinado com o disposto art. 6º, § 1º, II, da Lei 10.833/2003, respectivamente, a seguir transcritos: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. [...] § 14. A Secretaria da Receita Federal SRF disciplinará o disposto neste artigo, inclusive quanto à fixação de critérios de prioridade para apreciação de processos de restituição, de ressarcimento e de compensação. (grifos não originais) Art. 6º A COFINS não incidirá sobre as receitas decorrentes das operações de: [...] § 1º Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do art. 3º, para fins de: I dedução do valor da contribuição a recolher, decorrente das demais operações no mercado interno; II compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, observada a legislação específica aplicável à matéria. (grifos não originais) Ora, se a exigência em questão tem natureza meramente procedimental, com vista assegurar o controle e facilitar a verificação/confirmação da correta apuração do crédito pleiteado, inequivocamente, estava incluída no âmbito das prerrogativas conferidas ao Secretário da Receita Federal a competência para regulamentar tal matéria. Portanto, legítima tal exigência. Além disso, diferentemente do alegado pela recorrente, tal procedimento revelase indispensável à verificação eficaz e eficiente da correta apuração dos créditos das Fl. 864DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 855 21 referidas contribuições e assim evitar ou reduzir as possibilidades de utilização ilícita de créditos, mediante de fraudes cometidas mediante a apropriação de créditos em duplicidade ou indevidos. E, como pretende a recorrente, negar legitimidade aos referidos preceitos normativos, editados com respaldo em expressa previsão legal seria o mesmo que afastar a legalidade dos citados preceitos legais que atribuíram à RFB competência para regulamentar a matéria, o que, fora das exceções estabelecidas no art. 26A, § 6º, do Decreto 70.235/1972, é expressamente vedado, no âmbito do processo administrativo fiscal, às autoridades julgadoras de todas instâncias. Enfim, cabe ainda consignar que, diferentemente do alegado pela recorrente, as referidas exigências procedimentais estão em perfeita consonância com o disposto no art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003, a seguir transcrito: Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] § 4º O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [...] Deveras, conforme anteriormente demonstrado, as referidas exigências formais limitamse a estabelecer procedimentos com vistas apenas à facilitar o controle e a verificação/confirmação da correta apuração dos créditos, sem qualquer óbice ou restrição ao direito de aproveitamento do saldo remanescente de créditos nos períodos de apuração subsequentes, previsto no preceito legal em destaque. Tal direito é plenamente assegurado seja a sob a forma de dedução da contribuição devida apurada nos períodos de apuração seguintes, seja sob a forma de compensação com débitos vincendos ou vencidos do próprio contribuinte. A propósito, não se deve confundir procedimentos de controle da legitimidade do crédito, com meios legítimos de aproveitamento do saldo de créditos remanescente de determinado trimestre calendário por meio de compensação, em relação aos quais não há qualquer vedação ou restrição estabelecida nos atos normativos editados pela RFB. Também não se pode confundir aproveitamento de saldo de crédito remanescente existente no final do período de apuração (crédito com os atributos da certeza e liquidez), previsto no referenciado art. 3º, § 4º, da Lei 10.833/2003, com registro de determinadas operações no Dacon, que asseguram a apropriação de crédito, como consignado no voto do i. Relator. Inequivocamente, tratamse de casos completamente distintos. Com efeito, enquanto o primeiro pressupõe o confronto de débitos e créditos e apuração, no final do período de apuração, de saldo credor remanescente, o segundo representa apenas o registro do valor de determinadas operações que comporão a base de cálculo de apuração dos referidos créditos. Fl. 865DF CARF MF 22 Além disso, não é verdade, como afirmado em alguns julgados deste Conselho2, que a “linha 06/31” do Dacon contemplavam o registro de operações de créditos extemporâneos. A simples leitura do texto explicativo do conteúdo da referida linha revela que a citada linha destinavase ao registro de “ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30”, em que registradas às operações normais de créditos relativas às aquisições de embalagens. E “créditos não contemplados”, obvamente, não significa créditos extemporâneos. Para que não reste qualquer dúvida a respeito, seguem transcritos os textos extraídos das orientações de preenchimento do Dacon: CRÉDITOS DECORRENTES DA APURAÇÃO DE EMBALAGENS PARA REVENDA (Lei nº 10.833/2003, art. 51, § 3º) Linha 06A/30 – Créditos Apurados A pessoa jurídica comercial que adquirir para revenda as embalagens referidas no art. 51 da Lei nº 10.833, de 2003, deve informar nesta linha o valor da Contribuição para o PIS/Pasep referente às embalagens que adquirir no período de apuração em que registrar o respectivo documento fiscal de aquisição (§ 3º do art. 51 da Lei nº 10. 833, de 2003, introduzido pelo art. 25 da Lei nº 11.051, de 2004). Linha 06A/31 – Ajustes Positivos de Créditos Informar nesta Linha ajustes positivos de crédito não contemplados na Linha 06A/30. Linha 06A/32 – () Ajustes Negativos de Créditos Informar nesta Linha ajustes negativos de crédito não contemplados na Linha 06A/30, tais como: Não se pode olvidar, ademais, que o registro extemporâneo de créditos, se permitido fosse, além do descumprimento do disposto no art. 3º, § 1º, das Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, impossibilitaria ou dificultaria em muito o controle das operações com direito a crédito. Se houvesse tal permissão, como saber se as operações registradas extemporaneamente não foram registradas anteriormente no mês correspondente e nos seguintes? Somente mediante a realização de auditoria em todos os meses anteriores ao registro extemporâneo do crédito seria possível confirmar ou não essa informação. Ademais, tendo em conta que a autoridade fiscal não é autorizada a fiscalizar/auditar os períodos pretéritos não alcançados pelo procedimento fiscal em curso, o registro de operações de créditos extemporâneas, por certo, oportunizaria e facilitaria a prática de fraudes, mediante a apropriação, por mais de uma vez, de crédito de uma mesma operação. Além disso, o registro de operações em períodos subsequentes, inequivocamente, resultaria no indevido alongamento do prazo de decadência do direito de deduzir, ressarcir e compensar os referidos créditos, com evidente extrapolação do prazo decadencial do direito ao aproveitamento dos referidos créditos. Por todas essas considerações, fica demonstrado que a fiscalização agiu com acerto ao não tomar conhecimento e, em decorrência, indeferir, sem qualquer análise, o valor do suposto saldo crédito da Cofins dos 1º e 2º trimestres de 2009 utilizado no procedimento compensatório em apreço. 2 A título de exemplo, citase os acórdãos nºs 3202001.456 e 9303004.562. Fl. 866DF CARF MF Processo nº 12585.000188/201021 Acórdão n.º 3302004.119 S3C3T2 Fl. 856 23 Por todo exposto e com a licença do nobre Relator, no mérito, votase pelo desprovimento integral do recurso voluntário, para manter na íntegra a decisão recorrida. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 867DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10882.907161/2012-43
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue May 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2008
ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO.
O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.196
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo.
Nome do relator: RICARDO PAULO ROSA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1493; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10882.907161/201243 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302004.196 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 23 de maio de 2017 Matéria CONTRIBUIÇÕES NÃO CUMULATIVAS. BASE DE CÁLCULO. ICMS. Recorrente INDÚSTRIA DE MÁQUINAS MIRUNA LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/07/2008 ICMS. BASE DE CÁLCULO. PIS/COFINS. COMPOSIÇÃO. O ICMS compõe a base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS, integrando, portanto, o conceito de receita bruta. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Ricardo Paulo Rosa, José Fernandes do Nascimento, Domingos de Sá Filho, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Lenisa Rodrigues Prado, Paulo Guilherme Déroulède, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e Walker Araújo. Relatório Tratase de pedido de PER/DCOMP para restituição de créditos de PIS, cujo pedido foi indeferido, via despacho decisório. Inconformada, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade alegando, em síntese: que o ICMS destacado nas vendas não pode ser considerado como AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 2. 90 71 61 /2 01 2- 43 Fl. 48DF CARF MF Processo nº 10882.907161/201243 Acórdão n.º 3302004.196 S3C3T2 Fl. 3 2 faturamento ou como receita bruta, não devendo, por isso, ser incluído na base de cálculo do PIS e da COFINS; que a inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições em tela desrespeita o preceito do artigo 110 do CTN; que o STF, por meio do RE 240.785/MG, manifestou o entendimento de excluir o ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS. Sobreveio, então, julgamento da DRJ/Belo Horizonte, que indeferiu a manifestação de inconformidade nos termos do Acórdão 02050.799. A contribuinte, então, apresentou recurso voluntário repisando os argumentos da manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Ricardo Paulo Rosa, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.158, de 23 de maio de 2017, proferido no julgamento do processo 10283.902818/201235, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.158): "1. Dos requisitos de admissibilidade O Recurso Voluntário foi apresentado de modo tempestivo, a ciência do acórdão ocorreu em 28 de agosto de 2014, fls. 50, e o recurso foi protocolado em 29 de setembro de 2014, fls. 52. Tratase, portanto, de recurso tempestivo e de matéria que pertence a este colegiado. 2. Do mérito 2.1. Do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS A controvérsia cingese sobre a inclusão ou não do ICMS na base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep e da COFINS. A situação que permeia os tribunais na atualidade é de dois posicionamentos conflitantes quanto à inclusão ou não do tributo na base de cálculo do PIS e da COFINS. O Superior Tribunal de Justiça no REsp 1.144.469/PR, em sistema de recursos repetitivos assim decidiu: RECURSO ESPECIAL DO PARTICULAR: TRIBUTÁRIO. RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. RECEITA OU FATURAMENTO. INCLUSÃO DO ICMS. Fl. 49DF CARF MF Processo nº 10882.907161/201243 Acórdão n.º 3302004.196 S3C3T2 Fl. 4 3 1. A Constituição Federal de 1988 somente veda expressamente a inclusão de um imposto na base de cálculo de um outro no art. 155, §2º, XI, ao tratar do ICMS, quanto estabelece que este tributo: "XI não compreenderá, em sua base de cálculo, o montante do imposto sobre produtos industrializados, quando a operação, realizada entre contribuintes e relativa a produto destinado à industrialização ou à comercialização, configure fato gerador dos dois impostos". 2. A contrario sensu é permitida a incidência de tributo sobre tributo nos casos diversos daquele estabelecido na exceção, já tendo sido reconhecida jurisprudencialmente, entre outros casos, a incidência: 2.1. Do ICMS sobre o próprio ICMS: repercussão geral no RE n. 582.461 / SP, STF, Tribunal Pleno, Rel. Min. Gilmar Mendes, julgado em 18.05.2011. 2.2. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre as próprias contribuições ao PIS/PASEP e COFINS: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 976.836 RS, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.8.2010. 2.3. Do IRPJ e da CSLL sobre a própria CSLL: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.113.159 AM, STJ, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 11.11.2009. 2.4. Do IPI sobre o ICMS: REsp. n. 675.663 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 24.08.2010; REsp. Nº 610.908 PR, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Eliana Calmon, julgado em 20.9.2005, AgRg no REsp.Nº 462.262 SC, STJ, Segunda Turma, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 20.11.2007. 2.5. Das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS sobre o ISSQN: recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP, Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015. 3. Desse modo, o ordenamento jurídico pátrio comporta, em regra, a incidência de tributos sobre o valor a ser pago a título de outros tributos ou do mesmo tributo. Ou seja, é legítima a incidência de tributo sobre tributo ou imposto sobre imposto, salvo determinação constitucional ou legal expressa em sentido contrário, não havendo aí qualquer violação, a priori, ao princípio da capacidade contributiva. 4. Consoante o disposto no art. 12 e §1º, do DecretoLei n. 1.598/77, o ISSQN e o ICMS devidos pela empresa prestadora de serviços na condição de contribuinte de direito fazem parte de sua receita bruta e, quando dela excluídos, a nova rubrica que se tem é a receita líquida. 5. Situação que não pode ser confundida com aquela outra decorrente da retenção e recolhimento do ISSQN e do ICMS pela empresa a título de substituição tributária (ISSQNST e ICMS ST). Nesse outro caso, a empresa não é a contribuinte, o contribuinte é o próximo na cadeia, o substituído. Quando é assim, a própria legislação tributária prevê que tais valores são meros Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10882.907161/201243 Acórdão n.º 3302004.196 S3C3T2 Fl. 5 4 ingressos na contabilidade da empresa que se torna apenas depositária de tributo que será entregue ao Fisco, consoante o art. 279 do RIR/99. 6. Na tributação sobre as vendas, o fato de haver ou não discriminação na fatura do valor suportado pelo vendedor a título de tributação decorre apenas da necessidade de se informar ou não ao Fisco, ou ao adquirente, o valor do tributo embutido no preço pago. Essa necessidade somente surgiu quando os diversos ordenamentos jurídicos passaram a adotar o lançamento por homologação (informação ao Fisco) e/ou o princípio da não cumulatividade (informação ao Fisco e ao adquirente), sob a técnica específica de dedução de imposto sobre imposto (imposto pago sobre imposto devido ou "tax on tax"). 7. Tal é o que acontece com o ICMS, onde autolançamento pelo contribuinte na nota fiscal existe apenas para permitir ao Fisco efetivar a fiscalização a posteriori, dentro da sistemática do lançamento por homologação e permitir ao contribuinte contabilizar o crédito de imposto que irá utilizar para calcular o saldo do tributo devido dentro do princípio da não cumulatividade sob a técnica de dedução de imposto sobre imposto. Não se trata em momento algum de exclusão do valor do tributo do preço da mercadoria ou serviço. 8. Desse modo, firmase para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações". 9. Tema que já foi objeto de quatro súmulas produzidas pelo extinto Tribunal Federal de Recursos TFR e por este Superior Tribunal de Justiça STJ: Súmula n. 191/TFR: "É compatível a exigência da contribuição para o PIS com o imposto único sobre combustíveis e lubrificantes". Súmula n. 258/TFR: "Incluise na base de cálculo do PIS a parcela relativa ao ICM". Súmula n. 68/STJ: "A parcela relativa ao ICM incluise na base de cálculo do PIS". Súmula n. 94/STJ: "A parcela relativa ao ICMS incluise na base de cálculo do FINSOCIAL". 10. Tema que já foi objeto também do recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.330.737 SP (Primeira Seção, Rel. Min. Og Fernandes, julgado em 10.06.2015) que decidiu matéria idêntica para o ISSQN e cujos fundamentos determinantes devem ser respeitados por esta Seção por dever de coerência na prestação jurisdicional previsto no art. 926, do CPC/2015. 11. Ante o exposto, DIVIRJO do relator para NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial do PARTICULAR e reconhecer a legalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS. RECURSO ESPECIAL DA FAZENDA NACIONAL: TRIBUTÁRIO. Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10882.907161/201243 Acórdão n.º 3302004.196 S3C3T2 Fl. 6 5 RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. ART. 543C, DO CPC. PIS/PASEP E COFINS. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DOS VALORES COMPUTADOS COMO RECEITAS QUE TENHAM SIDO TRANSFERIDOS PARA OUTRAS PESSOAS JURÍDICAS. ART. 3º, § 2º, III, DA LEI Nº 9.718/98. NORMA DE EFICÁCIA LIMITADA. NÃO APLICABILIDADE. 12. A Corte Especial deste STJ já firmou o entendimento de que a restrição legislativa do artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9.718/98 ao conceito de faturamento (exclusão dos valores computados como receitas que tenham sido transferidos para outras pessoas jurídicas) não teve eficácia no mundo jurídico já que dependia de regulamentação administrativa e, antes da publicação dessa regulamentação, foi revogado pela Medida Provisória n. 2.15835, de 2001. Precedentes: AgRg nos EREsp. n. 529.034/RS, Corte Especial, Rel. Min. José Delgado, julgado em 07.06.2006; AgRg no Ag 596.818/PR, Primeira Turma, Rel. Min. Luiz Fux, DJ de 28/02/2005; EDcl no AREsp 797544 / SP, Primeira Turma, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 14.12.2015, AgRg no Ag 544.104/PR, Rel. Min. Humberto Martins, Segunda Turma, DJ 28.8.2006; AgRg nos EDcl no Ag 706.635/RS, Rel. Min. Luiz Fux, Primeira Turma, DJ 28.8.2006; AgRg no Ag 727.679/SC, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 8.6.2006; AgRg no Ag 544.118/TO, Rel. Min. Franciulli Netto, Segunda Turma, DJ 2.5.2005; REsp 438.797/RS, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, DJ 3.5.2004; e REsp 445.452/RS, Rel. Min. José Delgado, Primeira Turma, DJ 10.3.2003. 13. Tese firmada para efeito de recurso representativo da controvérsia: "O artigo 3º, § 2º, III, da Lei n.º 9718/98 não teve eficácia jurídica, de modo que integram o faturamento e também o conceito maior de receita bruta, base de cálculo das contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, os valores que, computados como receita, tenham sido transferidos para outra pessoa jurídica". 14. Ante o exposto, ACOMPANHO o relator para DAR PROVIMENTO ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL. (REsp 1144469/PR; Relator: Napoleão Nunes Maia Filho; Relator para o acórdão: Mauro Campbell Maques) (grifos não constam no original) Já o Supremo Tribunal Federal, no RE 574.706RG/PR, julgou, no dia 15.03.2017, no sentido de que: O Tribunal, por maioria e nos termos do voto da Relatora, Ministra Cármen Lúcia (Presidente), apreciando o tema 69 da repercussão geral, deu provimento ao recurso extraordinário e fixou a seguinte tese: "O ICMS não compõe a base de cálculo para a incidência do PIS e da Cofins". Vencidos os Ministros Edson Fachin, Roberto Barroso, Dias Toffoli e Gilmar Mendes. Nesta assentada o Ministro Dias Toffoli aditou seu voto. Plenário, 15.3.2017. Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10882.907161/201243 Acórdão n.º 3302004.196 S3C3T2 Fl. 7 6 (grifos não constam do original) No âmbito do regimento interno deste Egrégio Tribunal Administrativo, existe previsão normativa em seu artigo 62, anexo II, sobre a obrigatoriedade de se observar os precedentes em sistema de repetitivos e/ou repercussão geral na análise dos casos: RICARF Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: (...) II que fundamente crédito tributário objeto de: (...) b) Decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei n º 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, na forma disciplinada pela Administração Tributária; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) O RICARF prevê o requisito da decisão definitiva para a obrigatoriedade da aplicação do precedente; no caso em análise, o REsp 1.144.469/PR transitou em julgado em 10.03.2017 e o RE 574.706 RG/PR ainda espera a modulação de seus efeitos, não havendo, portanto, trânsito em julgado. Logo, devese observar a decisão, já transitada em julgado, do Superior Tribunal de Justiça. Em razão da obrigatoriedade por parte do conselheiro em aplicar o RICARF, acima exposto, os argumentos da Recorrente de desnecessidade de previsão legal para a exclusão do ICMS por respeito ao princípio da capacidade contributiva e da impossibilidade de considerar o ICMS como parte integrante do faturamento encontramse, desde já, fundamentados com a aplicação do precedente obrigatório. Portanto, em conformidade com o REsp 1.144.469/PR, que firmou para efeito de recurso repetitivo a tese de que: "O valor do ICMS, destacado na nota, devido e recolhido pela empresa compõe seu faturamento, submetendose à tributação pelas contribuições ao PIS/PASEP e COFINS, sendo integrante também do conceito maior de receita bruta, base de cálculo das referidas exações", é negado provimento ao recurso voluntário. 3. Conclusão Por todo o exposto, conheço do recurso voluntário, mas, no mérito, nego provimento." Da mesma forma que no caso do paradigma, no presente processo o recurso voluntário também foi apresentado tempestivamente. Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10882.907161/201243 Acórdão n.º 3302004.196 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Ricardo Paulo Rosa Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13977.000347/2003-18
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Aug 03 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA -
Exercício: 2001
INCENTIVOS FISCAIS FINOR/FINAM - OPÇÃO EXERCIDA APÓS A EDIÇÃO DA MP 1145/01 - QUESTÕES RELATIVAS AO DIREITO INTERTEMPORAL
O direito à opção pelos incentivos FINOR/FINAM vinculados ao IRPJ do ano-calendário 2000 surgiu juntamente com essa obrigação tributária, ou seja, com a ocorrência do fato gerador do imposto, em 31/12/2000. A MP 2.145/01 extinguiu os incentivos para as obrigações surgidas a partir de sua publicação. A possibilidade de destinação de parte do IRPJ para os fundos de investimento está relacionada à forma definida em lei para a quitação da
obrigação tributária, e, nesse caso, a estabilidade nas relações jurídicas adquire ainda uma maior relevância para o direito intertemporal. O direito aos incentivos fiscais no exercício financeiro de 2001 resta assegurado, ainda que a entrega da DIPJ, com a opção pela aplicação, tenha sido realizada após a publicação da MB 2.145/01.
Numero da decisão: 1802-000.571
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - Exercício: 2001 INCENTIVOS FISCAIS FINOR/FINAM - OPÇÃO EXERCIDA APÓS A EDIÇÃO DA MP 1145/01 - QUESTÕES RELATIVAS AO DIREITO INTERTEMPORAL O direito à opção pelos incentivos FINOR/FINAM vinculados ao IRPJ do ano-calendário 2000 surgiu juntamente com essa obrigação tributária, ou seja, com a ocorrência do fato gerador do imposto, em 31/12/2000. A MP 2.145/01 extinguiu os incentivos para as obrigações surgidas a partir de sua publicação. A possibilidade de destinação de parte do IRPJ para os fundos de investimento está relacionada à forma definida em lei para a quitação da obrigação tributária, e, nesse caso, a estabilidade nas relações jurídicas adquire ainda uma maior relevância para o direito intertemporal. O direito aos incentivos fiscais no exercício financeiro de 2001 resta assegurado, ainda que a entrega da DIPJ, com a opção pela aplicação, tenha sido realizada após a publicação da MB 2.145/01.
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Recorrida 4" TURMA/DRJ-BELO HORIZONTE/MG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA - Exercício: 2001 INCENTIVOS FISCAIS FINOR/FINAM - OPÇÃO EXERCIDA APÓS A EDIÇÃO DA MP 1145/01 - QUESTÕES RELATIVAS AO DIREITO INTERTEMPORAL O direito à opção pelos incentivos FINOR/FINAM vinculados ao IRPJ do ano-calendário 2000 surgiu juntamente com essa obrigação tributária, ou seja, com a ocorrência do fato gerador do imposto, em 31/12/2000. A MP 2.145/01 extinguiu os incentivos para as obrigações surgidas a partir de sua publicação. A possibilidade de destinação de parte do IRPJ para os fundos de investimento está relacionada à forma definida em lei para a quitação da obrigação tributária, e, nesse caso, a estabilidade nas relações jurídicas adquire ainda uma maior relevância para o direito intertemporal. O direito aos incentivos fiscais no exercício financeiro de 2001 resta assegurado, ainda que a entrega da DIPJ, com a opção pela aplicação, tenha sido realizada após a publicação da MB 2.145/01. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Ester Marques Lins de Sousa. Ester arques Lins D- .01 - Presidente. fose de Oliveira Ferraz Corrêa - Relatar, EDITADO EM: 0 2 SEI' 2010 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ester Marques Lins de Sousa, João Francisco Bianco, José de Oliveira Ferraz Corrêa, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior, Nelso Kichel e Alfredo Henrique Rebello Brandão. 2 Processo n° 13977 000347/2003-18 S1-TE02 Acórdão n 1802-00.571 Fl 2 Relatório Trata-se de Recurso Voluntário interposto contra decisão Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belo Horizonte/MG, que manteve o indeferimento do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC (fl. 1), conforme já havia decidido a Delegacia da Receita Federal em Blumenau/SC, quando proferiu o Despacho Decisório de fis. 21 a 24. A opção pelo incentivo fiscal (FINOR/FINAM) foi realizada para o ano- calendário de 2000, com a apresentação da DIPJ em 27/0612001 (fl. 9), e o extrato de fl. 2 indica sinteticamente a ocorrência que obstou o seu reconhecimento, nos seguintes termos: 16 - SEM EFEITO A OPÇÃO EM DIPJ ENTREGUE APÓS 02/05/2001 PARA FUNDO DIF. DE ART. 9 DA LEI 8.167/91 Em 14/11/200.3, foi apresentado o PERC, cujo indeferimento, de acordo com o referido Despacho Decisório, foi motivado pelo fato de a opção ter ocorrido após 02/05/2001, data em que a MP n° 2.145 revogou o incentivo para as empresas não enquadradas no art. 90 da Lei &167/9L Na seqüência, a Contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 29 a .33, trazendo os seguintes argumentos, conforme descritos na decisão de primeira instância, Acórdão n° 02-17.4.37, de fls. 40 a 44: Alega que em sua declaração de rendimentos (ano 2000 - exercício 2001) optou por aplicar parte do seu imposto de renda no FINOR e FINAM, conforme determinação do artigo 601 do RIR/99 Transcrevendo parte do Despacho Decisório, discorda do fundamento da decisão afirmando que é "impossível no direito que um ato legislativo que veio ao universo jurídico mediante sua publicação em 03 de maio de 2001 (MP 2,145) tenha revogado normativo da mesma natureza que lhe é POSTERIOR ou, no caso, em 26 de maio de 2001 (MP' 2.128-10)" Argumenta ainda que as normas jurídicas NÃO RETROAGEM salvo as de natureza penal mais benéficas, e que em 31/12/2000 consolidou-se o fato gerador do Imposto de Renda e por conseguinte, a legislação aplicável é a vigente nesta data ainda que legislação posterior lhe tenha alterado e que a declaração de rendimentos deve se considerada mero ato acessório. Ao .final requer o reconhecimento do seu direito à aplicação nos incentivos FINOR e FINAM exercido quando da entrega da declaração de rendimentos relativa a 31 .12.2000, dentro do prazo estabelecido pela legislação. 3 Como já mencionado, a DRJ Belo Horizonte/MG manteve o indeferimento do PERC, com base nos mesmos fundamentos da Delegacia de origem, expressando suas conclusões com a seguinte ementa: ASSUNTO . IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA MV Exercício 2001 PEDIDO DE REVISÃO DE ORDEM DE EMISSÃO DE INCENTIVOS FISCAIS - PERC A faculdade de o contribuinte de optar pela aplicação de parcela do IRPJ em investimentos regionais, nos termos dos artigos 601, 609 e 611, do RIR199, foi revogada a partir de 03/05/2001, não prevalecendo indicação nesse sentido feita na DIPJ apresentada após aquela data. Solicitação Indeferida De acordo com a Delegacia de Julgamento, o inciso XVIII do art. 50 da Medida Provisória n° 2,145, de 02/05/2001, expressamente revogou o artigo 1', inciso I, da Lei 8.167/1991, e, posteriormente, a MP n° 2.128-10, de 25/05/2001, confirmou a citada revogação ao excluir os artigos 3 0, 13 e 14 de sua versão anterior, a MP n° 2A28-9, de 26/04/2001. Quanto ao aspecto intertemporal para a aplicação das normas em questão, a DRI decidiu nos seguintes termos: Quando da ocorrência do fato gerador do imposto de renda referente ao ano-calendário de 2000 - 31/12/2000 - a interessada dispunha de uma expectativa de direito, que poderia ser ou não exercido nas datas previstas na legislação e enquanto este direito permanecesse válido na legislação. Se ele não foi posto em prática anteriormente à retirada da norma do ordenamento jurídico pátrio, não há qualquer dispositivo legal que albergue a opção efetivada pelo contribuinte quando da entrega de sua D1PJ/2001, 27/06/2001, momento em que já extinto o direito. Inconformada com essa decisão, da qual tomou ciência em 02/04/2008, a Contribuinte apresentou em 18/04/2008 o recurso voluntário de fis, 46 a 51, onde reitera os mesmos argumentos de sua manifestação anterior, conforme descrito nos parágrafos anteriores. Este é o Relatório Ç 4 Processo e 1 3977 000347/2003-18 S1 -TE02 Acórdão ri ° 1802-00371 Fl 3 Voto Conselheiro José de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos para a sua admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. O presente processo foi instaurado em razão da apresentação do Pedido de Revisão de Ordem de Emissão de Incentivos Fiscais — PERC, à fl. 1, No caso, a opção pelos incentivos fiscais — FINOR e FINAM teve como base o IRPJ referente ao ano-calendário de 2000. De acordo com o relato, tanto o Despacho Decisório de indeferimento do PERC, quanto a decisão de primeira instância, que confirmou esse indeferimento, foram motivados pelo fato de a opção ter ocorrido após 02/05/2001, data em que a MP n° 2.145 revogou o incentivo para as empresas não enquadradas no art. 9° da Lei 8A 67/91. A questão a ser decidida versa sobre o momento em que a Contribuinte poderia optar pelo incentivo fiscal, tendo em vista as mudanças ocorridas na legislação. Entendo que com a ocorrência do fato gerador, em 31/12/2000, surgiu a obrigação tributária, e juntamente com ela todos os seus elementos caracterizadores, os quais não poderiam ser modificados por legislação superveniente, em desfavor dos contribuintes. É importante registrar aqui que a MP n° 2.145 apenas revogou o incentivo, mas não estabeleceu que a revogação atingiria as opções correspondentes aos fatos geradores de 31/12/2000, nos casos em que elas ainda não tivessem sido exercidas. Com efeito, a solução para o problema interternporal na aplicação da norma não foi dada pela MP n" 2.145, tanto o é que a Administração Tributária tratou dessa questão em diversos atos (Nota Cosit n° 236, de 26 de julho de 2001, Nota Cosit n° 374, de 09 de novembro de 2001 e Nota Cosit É' 202, de 10 de julho de 2003), os quais deram sustentação para as decisões já prolatadas neste processo. Ocorre que juntamente com a obrigação tributária, surgiu também para a Contribuinte o "direito de optar" pelo incentivo, e não uma mera expectativa de direito. A expectativa diz respeito ao "direito às quotas" do fundo de investimento, este sim um direito que se adquire somente com o efetivo exercício da opção. A possibilidade de destinação de parte do IRPJ para os fundos FINOR/ FINAM, a meu ver, está na verdade relacionada à forma definida em lei para a quitação da obrigação tributária, e esta forma não pode ser modificada depois do surgimento da obrigação, salvo se for em beneficio do contribuinte. É como se após a ocorrência do fato gerador houvesse modificação na data de vencimento da obrigação, para antecipá-la, o que, a meu ver, também não seria admissivel, Nesse sentido, é importante perceber que não estamos tratando do exercício de um puro direito potestativo. O que está em discussão são formas de adimplemento de uma obrigação já existente, e, nesse caso, a estabilidade nas relações jurídicas adquire ainda uma maior relevância para a solução da referida questão intertemporal, Em outras oportunidades, o antigo Primeiro Conselho de Contribuintes já examinou essa mesma matéria, conforme Acórdão n° 107-08,652, de 26/07/2006, nos seguintes termos: INCENTIVOS FISCAIS - ANO CALENDÁRIO DE 2000 - MP 2.145/01 - REVOGAÇÃO - INDEFERIMENTO - RESPEITO AO DIREITO ADQUIRIDO E AO PRINCIPIO DA IRRETROATIVIDADE DAS LEIS - GARANTIA - O contribuinte, a luz da lei vigente no ano calendário de 2000, teve assegurado o direito de destinar parte do imposto de renda pago em incentivos fiscais, A MP 2,145/01, em respeito ao direito adquirido e ao princípio da &retroatividade das leis, evidentemente não teria o condão de revogar esse direito sob o argumento de que a opção, realizada quando da tempestiva entrega da D1PJ, fora feita quando o incentivo já se achava revogado. A opção feita quando da tempestiva entrega da declaração, é, por assim dizer, ato de manifestação de direito que já se incorporara ao patrimônio do contribuinte, pelo que este pode e deve, no âmbito do processo administrativo fiscal, ver solucionado o litígio instaurado quando do protocolo do denominado PERC, em que buscava assegurar o reconhecimento do direito aos incentivos que postulara. ACORDAM os Membros da Sétima Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, reconhecer o direito ao pleito do incentivo e determinar a Primeira Instância julgadora que prossiga no julgamento do mérito, nos termos do voto do relator. É interessante observar os fundamentos contidos no voto do Conselheiro Natanael Martins, que orientou a decisão acima citada: A Medida Provisória n° 2..145 foi editada em 02.05.2001, de modo que a revogação trazida em seu bojo - em face do principio constitucional da &retroatividade -, somente pode se aplicar em relação aos fatos geradores de imposto de renda ocorridas a partir daquela data, ou melhor, a partir do ano calendário de sua edição, Com efeito, ainda que a opção pelo incentivo fiscal tenha sido formalizada quando da entrega da DIPJ, não se pode perder de vista de que este ato somente tem o condão de . formalizar direito que, à luz da lei vigente ao tempo de sua percepção, já seria de sua titularidade. A opção, por assim dizer, tinha o condão, apenas, de realizar direito já adquirido que, em . face da Constituição, não poderia, jamais, ser vulnerado por norma posterior. 1 6 Processo n° 13977.00034712003-18 81-TE,02 Acórdão n.° 1802-00.571 FI, 4 Aliás, conclusão diversa certamente acabaria por criar situações que vulnerariam o principio da isonomia inserto no caput do art. 5" da Constituição Federal - que prescreve que "todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza" -, na medida em que aqueles que tivessem feito opção no curso do próprio ano calendário de 2000, mediante recolhimento do incentivo em código de DA.RF especifico e aqueles que tivessem antecipado a entrega de sua DIPI teriam o seu direito assegurado. Certamente que esta não é a solução, muito menos a intenção, desejada pela ordem constitucional e pelo legislador ordinário ao editar referida MP Tanto isso é verdade que a própria DIRI atinente ao ano calendário de 2000, entregue no exercício financeiro de 2001, trazia em seu âmago a possibilidade de destinação de parcela do imposto de renda para aplicação em incentivos fiscais (..) Adotando também os fundamentos acima transcritos, considero que o direito à opção pelos incentivos FINOR/FINAM vinculados ao IRRI do ano-calendário 2000 surgiu juntamente com essa obrigação tributária, ou seja, com a ocorrência do fato gerador do imposto, em .31/12/2000, direito esse que não poderia ser extinto por legislação superveniente. Assim, tenho como válida a opção exercida com a apresentação da DIN - , em 27/06/2001, Diante do exposto, voto no sentido de DAR provimento ao recurso. Sala das Sessões, em 03 de agosto de 2010 -7' ,,M'de Oliveira Ferraz Corrêa - Relator 7 =2: f.,}t:,;ü.- MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA - PRIMEIRA SEÇÃO PROCESSO: 13977.000347/2003-18 TERMO DE INTIMAÇÃO Intime-se um dos Procuradores da Fazenda Nacional, credenciado junto a este Conselho, da decisão consubstanciada nos despachos supra, nos termos do art. 81, § 3°, do anexo II, do Regimento Interno do CARI', aprovado pela Portaria Ministerial n" 256, de 22 de junho de 2009. Brasília, 03 de agosto de 2010. AÂJ`j Maria Cone-*. .a-Rodrigues Secretária da Câmara Ciência Data: Nome: Procurador(a) da Fazenda Nacional Encaminhamento da PFN: [ ] apenas com ciência; []com Recurso Especial; []com Embargos de Declaração.
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Numero do processo: 10875.907884/2012-31
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 22 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri May 26 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 28/02/2009
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido.
Recurso Especial do Contribuinte não conhecido.
Numero da decisão: 9303-004.793
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COMPROVAÇÃO DO DIREITO CREDITÓRIO. Recorrente CONTINENTAL BRASIL INDUSTRIA AUTOMOTIVA LTDA. Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2009 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 256, de 22/06/2009, só se justifica quando, em situações idênticas, são adotadas soluções diversas. Não sendo o caso, o recurso não deve ser conhecido. Recurso Especial do Contribuinte não conhecido. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela contribuinte contra o Acórdão nº 3801003.791, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, que fora assim ementado: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 78 84 /2 01 2- 31 Fl. 183DF CARF MF Processo nº 10875.907884/201231 Acórdão n.º 9303004.793 CSRFT3 Fl. 3 2 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 28/02/2009 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. ERRO DE FATO. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOS CRÉDITOS. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A prova do indébito tributário, fato jurídico a dar fundamento ao direito de repetição ou à compensação, compete ao sujeito passivo que teria efetuado o pagamento indevido ou maior que o devido. Recurso Voluntário Negado No Recurso Especial, por meio do qual pleiteou, ao final, a reforma do decisum, a Recorrente suscita divergência quanto ao entendimento adotado no acórdão recorrido de não acatar a compensação declarada por considerar que o ônus da prova do crédito alegado é do contribuinte, mesmo após a apresentação de DCTF retificadora. Alega divergência de entendimento em relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.207 e 3302002.378. O exame de admissibilidade do Recurso Especial, do Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF, deu seguimento ao especial da Contribuinte. A Procuradoria da Fazenda Nacional apresentou contrarrazões ao recurso especial. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303004.792, de 22/03/2017, proferido no julgamento do processo 10875.907897/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303004.792): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos, diferentemente do que exarado no seu exame, que o recurso especial não deve ser conhecido. É que se passa a demonstrar. No acórdão recorrido, afastouse a pretensão do contribuinte de compensar valores de PIS pago a maior, ao fundamento de que não restou demonstrada a liquidez e a certeza do crédito. É como constou do seu voto condutor: Fl. 184DF CARF MF Processo nº 10875.907884/201231 Acórdão n.º 9303004.793 CSRFT3 Fl. 4 3 O entendimento predominante deste Colegiado é no sentido da prevalência da verdade material, que ademais é um dos princípios que regem o processo administrativo, devendo ser considerada a DCTF como indício de prova dos créditos sem no entanto conferir a liquidez e certeza necessários ao reconhecimento do direito creditório advindo do pagamento a maior e a homologação das compensações. (...) Portanto, mesmo que haja impedimento legal para a retificação da DCTF, isto não exclui o direito da recorrente à repetição do indébito. Caso o indébito exista tem o contribuinte direito à sua repetição, nos termos do art. 165 do CTN ou de pleitear a compensação dos créditos tributários. Não obstante, em sede de restituição/compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 333, inciso I. Ou seja, é o contribuinte que toma a iniciativa de viabilizar seu direito à compensação, mediante a apresentação da PERDCOMP, de tal sorte que, se a RFB resiste à pretensão do interessado, não homologando a compensação, incumbe a ele, o contribuinte, na qualidade de autor, demonstrar seu direito. No caso vertente o Recorrente não trouxe aos autos elementos suficientes para comprovar a origem do seu crédito. Não apresentou nenhuma prova do seu direito creditório, em especial, a escrituração fiscal e contábil do período de apuração em que se pleiteou o crédito. Se limitou, tão somente, a argumentar que houve um erro de fato no preenchimento da DCTF original e que, por isso, faz jus ao reconhecimento do crédito. Para que se possa superar a questão de eventual erro de fato e analisar efetivamente o mérito da questão, deveriam estar presentes nos autos os elementos comprobatórios que pudéssemos considerar no mínimo como indícios de prova dos créditos alegados e necessários para que o julgador possa aferir a pertinência do crédito declarado, o que não se verifica no caso em tela. No mais, considerandose que as informações prestadas na DCTF situamse na esfera de responsabilidade do próprio contribuinte, cabe a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. (g.n.) Portanto, a alegação de erro no preenchimento da DCTF não foi acompanhada da sua necessária comprovação e da origem do crédito vindicado. O contribuinte não se desincumbiu de demonstrar o erro que suscitou ter cometido. A nosso juízo, este entendimento está repisado nos acórdãos paradigmas, consoante indicam as suas próprias ementas. Vejam: Acórdão nº 3302002.207: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Exercício: 2005 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Fl. 185DF CARF MF Processo nº 10875.907884/201231 Acórdão n.º 9303004.793 CSRFT3 Fl. 5 4 Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, se o contribuinte demonstra que as informações nela constantes estão erradas, pois foram por ele prestadas equivocadamente, deve ser observado o princípio da verdade material, afastando quaisquer atos da autoridade fiscal que tenham se baseado em informações equivocadas. Recurso parcialmente provido. Acórdão nº 3302002.378: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2004 a 28/02/2004 ERRO FORMAL PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL PREVALÊNCIA. Embora a DCTF seja o documento válido para constituir o crédito tributário, o ordenamento jurídico permite sua retificação, razão pela qual as DCTFs retificadas não podem ser simplesmente ignoradas pelas autoridades fazendárias por prevalência do princípio da verdade material. Acatados os indícios, caberá ao contribuinte demonstrar que as informações constantes na DCTF retificada estão erradas, com a apresentação da documentação suporte necessária. Recurso Voluntário Parcialmente Deferido. No primeiro paradigma, dizse que, se o contribuinte demonstra que as informações que constam da DCTF retificada estão equivocadas, não pode a fiscalização ignorálas; no segundo, que, retificada a DCTF, caberá ao contribuinte demonstrar o erro que no seu preenchimento cometera. Em resumo: todos os acórdãos, recorrido e paradigmas, consolidam o mesmo entendimento: a retificação da DCTF deve ser acompanhada da comprovação do erro perpetrado na retificada, de modo que cabe ao contribuinte o ônus da prova do crédito reclamado, cuja compensação eventualmente requeira. Não há, pois, divergência, a viabilizar a admissibilidade do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, não conheço do recurso especial do Contribuinte. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 186DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.724112/2010-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 04 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2009
NULIDADE. LANÇAMENTO.
Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade.
OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CFL 78.
Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, acrescido pela Lei nº 9.528/97 e redação MP nº 449/08, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias.
BOLSA DE ESTUDO. DEPENDENTES DE EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS.
De acordo com a legislação aplicável, em particular o disposto no art. 28, § 9º, 't' da Lei nº 8.212/91, antes da vigência da redação dada pela Lei nº 12.513/11, estão sujeitas à contribuição previdenciária as bolsas de estudo concedidas por empregador aos dependentes de seus funcionários.
AFERIÇÃO INDIRETA. PRO LABORE.
Não havendo o contribuinte, devidamente intimado, apresentando escrituração contábil apta a comprovação dos fatos, pode a fiscalização, sem prejuízo da penalidade cabível, levantar de ofício importância que apurar devida, inclusive a correspondente a pro labore, resultando no lançamento por aferição indireta, que encontra amparo nos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91.
OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE PENALIDADES.
Tendo por pressupostos fatos e fundamentação jurídica distintos, não há falar em cumulação de penalidades na coexistência de infrações relativas a obrigação principal e acessórias.
INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 do Decreto nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido.
Numero da decisão: 2402-005.895
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Mário Pereira de Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. Recorrente K. R. ORGANIZACAO EDUCACIONAL S/C LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/05/2007 a 31/12/2009 NULIDADE. LANÇAMENTO. Estando devidamente circunstanciado no lançamento fiscal as razões de fato e de direito que o lastreiam, e não verificado cerceamento de defesa, não há motivos para decretação de sua nulidade. OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. INFRAÇÃO. GFIP. APRESENTAÇÃO COM OMISSÃO DE FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CFL 78. Constitui infração ao artigo 32, inciso IV, acrescido pela Lei nº 9.528/97 e redação MP nº 449/08, a empresa apresentar a GFIP com omissão de fatos geradores de contribuições previdenciárias. BOLSA DE ESTUDO. DEPENDENTES DE EMPREGADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. De acordo com a legislação aplicável, em particular o disposto no art. 28, § 9º, 't' da Lei nº 8.212/91, antes da vigência da redação dada pela Lei nº 12.513/11, estão sujeitas à contribuição previdenciária as bolsas de estudo concedidas por empregador aos dependentes de seus funcionários. AFERIÇÃO INDIRETA. PRO LABORE. Não havendo o contribuinte, devidamente intimado, apresentando escrituração contábil apta a comprovação dos fatos, pode a fiscalização, sem prejuízo da penalidade cabível, levantar de ofício importância que apurar devida, inclusive a correspondente a pro labore, resultando no lançamento por aferição indireta, que encontra amparo nos §§ 3º e 6º do artigo 33 da Lei nº 8.212/91. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. AUSÊNCIA DE CUMULAÇÃO DE PENALIDADES. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 41 12 /2 01 0- 66 Fl. 274DF CARF MF 2 Tendo por pressupostos fatos e fundamentação jurídica distintos, não há falar em cumulação de penalidades na coexistência de infrações relativas a obrigação principal e acessórias. INTIMAÇÃO PESSOAL DE PATRONO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 do Decreto nº 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado, tampouco o RICARF apresenta regramento nesse sentido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso, rejeitar a preliminar e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Mário Pereira de Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Mário Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, João Victor Ribeiro Aldinucci, Luis Henrique Dias Lima, Theodoro Vicente Agostinho, Maurício Nogueira Righetti, Jamed Abdul Nasser Feitoza e Bianca Felícia Rothschild. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 10380.724112/201066 Acórdão n.º 2402005.895 S2C4T2 Fl. 108 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) DRJ/RJO, que julgou procedente auto de infração DEBCAD nº 37.295.5436 (fls. 2/16), decorrente do fato de que o contribuinte não informou a totalidade das remunerações pagas aos empregados e aos contribuintes individuais (autônomos e diretores) que lhe prestaram serviços em Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, no período de 07/2007 a 12/2009, sendo a lavrada a correspondente multa por descumprimento de obrigação acessória (CFL 78 legislação posterior à MP nº 449/08). O relatório da decisão contestada bem resumiu os termos da autuação, cabendo sua transcrição, no essencial (fls. 237/241): 2. O Relatório Fiscal explana como foi calculada a presente autuação O valor da multa apurada, de acordo com o CFL 78, encontrase prevista na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, "caput", inciso II e §§ 2º e 3º, incluídos pela MP nº 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941, de 2009. A Lei 8.212/91 em seu art. 32A, inciso II, prescreve in verbis : Art. 32 A . O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do art. 32 no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentala ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I ... II de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas. §3º A multa mínima a ser aplicada será de: I R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária;e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. 3. De acordo com o Relatório Fiscal, desta forma, em decorrência da infração praticada, o valor da multa cabível é de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de dez informações incorretas ou omitidas, observado o valor mínimo de R$ 500, 00 para cada competência (inciso II do parágrafo 3° do art. 32A da Medida Provisória n. 449, de 04.12.2008, convertida na Lei 11.941, de 2009). (...) 8. COMPARATIVO DAS MULTAS Procedendo à comparação das multas de fundamentação legal – CFL 68, multa de mora de 24% (legislação anterior) com as multas de fundamentação legal – CFL 78, e a multa de ofício de 75% (legislação atual), podese verificar, consoante planilha abaixo, as competências em que prevaleceu a aplicação das multas anteriores à vigência da MP 449/2008, convertida na Lei 11.941, de 2009, que regiam a obrigação acessória na data da ocorrência do fato gerador, por serem mais benéficas ao contribuinte, bem como as competências em que a multa mais favorável encontrada foi a prevista na MP 449/2008, convertida na Lei 11.941/2009. Fl. 276DF CARF MF 4 (...) 4. Assim, o valor da multa apurada no presente crédito previdenciário, segundo o CFL 78, disposta na Lei nº 8.212, de 24/07/1991, art. 32A, “caput”, inciso II e §§ 2º e 3º. incluídos pela MP 449, de 03/12/2008, resultou no valor de R$ 6.500,00, respeitado o disposto no art. 106, inciso II, alínea “c” da Lei 5.172, de 2510/1966 – CTN. (...) Muito embora impugnada (fls. 173/228), a exigência foi mantida no julgamento de primeiro grau (fls. 235/249), ensejando a interposição de recurso voluntário em 7/4/2015 (fls. 254/266), no qual foram repisadas as razões da impugnação, a seguir sintetizadas: os valores objeto do auto de infração encontramse parcelados conforme Lei nº 11.941/09; as bolsas de estudo concedidas a filhos ou dependentes de empregados não se constituem em salário in natura ou remuneração em decorrência de decisões de tribunais e da própria Lei nº 8.212/91 e da Lei nº 10.243/01; as remunerações de sócios e diretores constituemse de fato em lucros e dividendos pagos, demandandose, daí, a realização de análise pericial que assim o demonstrará, sendo indicado o nome do responsável para tanto; o mesmo fato não pode ensejar duas penalidades, o que está a ocorrer tendo em vista os lançamentos DEBCAD nº 37.295.5436 e nº 37.295.5452; Requer ao final a nulidade da autuação face à adesão ao parcelamento, e a intimação do procurador dos atos processuais. É o relatório. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 10380.724112/201066 Acórdão n.º 2402005.895 S2C4T2 Fl. 109 5 Voto Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Inicialmente, deve ser destacado que não há comprovação de que os débitos veiculados neste processo tenham sido incluídos em parcelamento. De fato, o contribuinte colacionou à impugnação (fls. 213 e ss) diversos "RECIBO DE PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941, DE 27 DE MAIO DE 2009", datados de 25/8/2009, e "RECIBO DA DECLARAÇÃO DE INCLUSÃO DA TOTALIDADE DOS DÉBITOS NO PARCELAMENTO DA LEI Nº 11.941/2009", datados de 09/06/2010. Entretanto, o lançamento ora discutido foi lavrado em 28/9/2010 (fl. 2), data posterior à de emissão daqueles documentos. Notese, aliás, que a referida declaração de inclusão da totalidade dos débitos no parcelamento, diz respeito, obviamente, "aos débitos constituídos no âmbito da PGFN e da RFB", não a débitos a constituir a partir daquele momento. Acrescentese que a instância a quo registrou ter realizado consulta nos sistemas informatizados da RFB para fins de verificação de inclusão do lançamento em tela em parcelamento (fl. 269), o que não foi constatado. Ainda que seja possível cogitar da posterior inclusão dos créditos tributários constituídos ulteriormente, no âmbito daquele parcelamento, é ônus do contribuinte trazer prova, ainda que indiciária, de que tal evento tenha efetivamente ocorrido. Não o trazendo, queda sem suporte fático o pedido de nulidade formulado, devendo ser reparado, por oportuno, que não se verifica no particular qualquer das hipóteses ensejadoras da decretação de nulidade do lançamento consignadas no art. 59 do Decreto nº 70.235/1972, havendo sido todos os atos do procedimento lavrados por autoridade competente, sem qualquer prejuízo ao direito de defesa do contribuinte, o qual recorre de seus termos evidenciando pleno conhecimento das exigências que lhe são imputadas. De resto, o recurso voluntário se atém as questões de mérito de modo similar ao que foi levado a efeito quando de sua contestação das obrigações principais correlatas. No que tange às bolsas de estudo concedidas aos filhos dos professores funcionários, cabe frisar que ganhos habituais em forma de utilidades sofrem, como regra, a incidência de contribuições previdenciárias, em consonância com o disposto no art. 195, incisos I e II, e 201, § 11 da CF, c/c o inciso I do art 22 da Lei nº 8.212/91 Já as hipóteses isentivas são numerus clausus, a rigor do art. 111, inciso II do CTN, e estão discriminadas no art. 28 da Lei de Custeio, sendo que, no tocante ao caso em Fl. 278DF CARF MF 6 foco, devese transcrever a redação do § 9º, 't' desse artigo (reproduzida no art. 214, § 9º, inciso XIX do RPS), de acordo com a redação vigente à época dos fatos, ou seja, antes da vigência da nova redação dada pela Lei nº 12.513/11: § 9° Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (...) t) O valor relativo a plano educacional que vise à educação básica nos termos do artigo 21 da Lei n° 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados as atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e 4.6 que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; O enunciado legal é bastante claro ao prever o benefício de isenção como estímulo à melhora da educação dos trabalhadores de modo a melhor contribuir para as atividades da empresa ou entidade, não estando nele contemplada a concessão de bolsas de estudo aos dependentes de empregados ou contribuintes individuais. como requer o recorrente. Nesse diapasão, é fato que eventuais julgados trabalhistas ou convenções/acordos laborais, bem como eventuais decisões isoladas de órgãos judiciais não se sobrepõem aos ditames da legislação tributária, tampouco vinculam este Colegiado, salvo nas hipóteses previstas no Regimento Interno do CARF (Portaria MF nº 343/15), do que não se trata o caso em tela. Mencionese que recentes decisões da CSRF a respeito do tema caminham no mesmo rumo ora trilhado, conforme ilustram os Acórdãos de nº 9202004.008, 9202004.007 e 9202004.006, todos publicados em 10/10/2016 e disponíveis no respectivo sítio na internet. Citese, ainda, o Acórdão nº 2402004.830, proferido por esta Turma em 26/1/2016. Assim, deve ser mantida a exigência no particular. Noutro giro, temse que o contribuinte deixou de informar a totalidade de fatos geradores incidentes sobre a remuneração paga aos contribuintes individuais (sócios diretores e autônomos). Assim, a remuneração paga aos sócios diretores Ricardo Pereira e Karla Pereira foi aferida indiretamente com base na maior remuneração paga a segurado empregado (Maria Erivanda Moreira Jorge) no valor de R$ 2.461,00, por sócio diretor, abatidos os valores já informados em GFIP. Isso porque, como observa a decisão de piso (fl. 247): 37. A fiscalização informa que, de acordo com o Termo de Início de Procedimento Fiscal, o Contribuinte, não atendeu à intimação para apresentação dos arquivos em meio digital da contabilidade da empresa, bem como à solicitação , por Fl. 279DF CARF MF Processo nº 10380.724112/201066 Acórdão n.º 2402005.895 S2C4T2 Fl. 110 7 escrito, acerca do uso de meio digital para prestar informações dos segurados e as informações contábeis, sendo considerado como omissão dolosa de informação a fim de impedir ou retardar, total, ou parcialmente, o conhecimento, por parte da autoridade fazendária, motivo pelo qual houve, inclusive agravamento da multa. 38. De acordo com o art. 33 da Lei nº 8.212/1991, §3º, ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal pode , sem prejuízo da penalidade, lançar de ofício a importância devida, sendo aberto prazo de defesa para o contribuinte demonstrar documentalmente que estão incorretos os valores lançados. 39. Embora alegue que os valores lançados como pró labore se tratam na realidade de lucros e dividendos, a Impugnante não trouxe aos autos qualquer comprovação de sua alegação. Destarte, à míngua da apresentação dos documentos contábeis aptos a lastrear o adequado reconhecimento fático da remuneração, correto o proceder da autoridade fiscal no sentido de realizar a aferição indireta do pro labore dos sócios. Nessa esteira, há que se esclarecer que a realização de perícia, como postula o recorrente, não se presta para suprir o ônus da prova da parte. Se esta teve toda oportunidade de trazer os documentos que atestariam as suas razões, em particular a natureza de dividendos dos valores considerados pelo Fisco como pro labore, e nada produziu em termos probatórios, o pedido de perícia desvelase como mero expediente procrastinatório, cabendo sua rejeição. Por seu turno, a ilação de que estaria havendo bis in idem com relação aos lançamentos consubstanciados nos DEBCAD nº 37.295.5436 e nº 37.295.5452 não tem como prosperar. Notese que se tratam de contribuições diversas, ainda que tendo por suporte material os mesmos fatos. No presente caso, analisase infração de multa por descumprimento de obrigação acessória, dado que o autuado não informou a totalidade das remunerações pagas aos empregados e aos contribuintes individuais (autônomos e diretores) que lhe prestaram serviços em Guia de Recolhimento de FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP, no período de 07/2007 a 12/2009 Já o DEBCAD nº 37.295.5452 (processo nº 10380.724114/201055) está cobrando as contribuições dos segurados empregados, ou seja, das pessoas físicas, mas cuja responsabilidade de retenção e recolhimento é da empresa. E o DEBCAD nº 37.295.5436 (processo 10380.724112/201066) diz respeito à multa prevista no art. 32, inciso IV da Lei nº 8.212/91, visto que a empresa apresentou a GFIP omitindo fatos geradores de contribuições previdenciárias, descumprimento assim de obrigação acessória, a qual, a teor do que disciplina o art. 113, § 2º, do CTN, decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela prevista, no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. Cada uma das infrações, repitase, possui embasamento legal próprio, correspondendo a fatos diferentes previstos nas respectivas hipóteses de incidência. Fl. 280DF CARF MF 8 Por fim, registrese que é demandada a ciência do patrono do contribuinte, todavia os incisos I a III do art. 23 do Decreto nº 70.235/72 estabelece que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF (Portaria MF nº 343/15). Ante o exposto, voto no sentido de conhecer do recurso para, rejeitando a nulidade suscitada, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Fl. 281DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11634.720109/2011-98
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 20 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Exercício: 2007, 2008, 2009
EMBARGOSDECLARATÓRIOS.AUSÊNCIA DE OMISSÃO.
Devem ser rejeitados os embargos quando constatado que não há omissão na decisão questionada, sendo vedada, pela via estreita dos embargos, nova discussão sobre questões de mérito já apreciadas pelo Colegiado.
Numero da decisão: 1201-001.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos pelo sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
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EPP Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2007, 2008, 2009 EMBARGOSDECLARATÓRIOS.AUSÊNCIA DE OMISSÃO. Devem ser rejeitados os embargos quando constatado que não há omissão na decisão questionada, sendo vedada, pela via estreita dos embargos, nova discussão sobre questões de mérito já apreciadas pelo Colegiado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos pelo sujeito passivo. (assinado digitalmente) ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA – Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Caparroz de Almeida, Luis Fabiano Alves Penteado, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Luis Henrique Marotti Toselli, Eva Maria Los, Rafael Gasparello Lima e José Carlos de Assis Guimarães. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 63 4. 72 01 09 /2 01 1- 98 Fl. 549DF CARF MF Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1201001.769 S1C2T1 Fl. 3 2 Tratase de embargos declaratórios opostos pelo Contribuinte contra o Acórdão n. 1202001.118. Aduz a embargante que o Acórdão padeceria de dissociação entre o decidido e o recurso voluntário, com as consequentes omissões, verbis: Com efeito, analisandose o recurso voluntário apresentado, extraise que foi alegado o seguinte: (i) suspensão do processo administrativo; (ii) nulidade dos autos de infração, face o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade apresentada em face da exclusão do SIMPLES; (iii) nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa; (iv) nulidade do lançamento realizado com base exclusivamente em movimentação financeira; (v) caráter confiscatório da multa; e (vi) não incidência de juros sobre multa. Porém, a ementa do acórdão embargado demonstra que somente os pontos (i), (iv) e (vi), acima apontados, foram analisados, tendo sido julgado ainda tema atinente à exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS e da COFINS, que sequer foi suscitado pela recorrente/embargante. Como se observa, o acórdão embargado não guarda relação direta com o recurso voluntário interposto; ao que parece, o acórdão foi "aproveitado" de outra demanda, sem que nem mesmo tenham sido realizadas as adaptações necessárias para adequálo ao caso particular. Com isso, fazse imperioso realizar novo julgamento, apreciandose, efetivamente, as razões recursais apresentadas. (grifamos) Alternativamente, solicita a embargante que sejam sanadas as omissões apontadas, para que o Colegiado se manifeste sobre: (i) a nulidade dos autos de infração, face o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade apresentada em face da exclusão do SIMPLES; (ii) nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa; e (iii) caráter confiscatório da multa. Os embargos foram admitidos e encaminhados para análise e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator Os embargos são tempestivos e atendem aos pressupostos legais, razão pela qual deles conheço. Fl. 550DF CARF MF Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1201001.769 S1C2T1 Fl. 4 3 Verificase da manifestação da embargante que o pedido principal formulado visa à anulação do julgado. Contudo, a análise do acórdão embargado nos leva a concluir que não se trata de hipótese de nulidade, posto que os requisitos formais e materiais da decisão se encontram presentes. Ressaltese que, apesar de ter sido formalizada por Redator ad hoc (de turma do CARF hoje extinta), a decisão é coerente e seus fundamentos foram apresentados, de sorte que não há de se falar em nulidade, até porque contra o Acórdão a PGFN apresentou Recurso Especial (já admitido) e a própria interessada ofereceu contrarrazões. Afastada, portanto, qualquer possibilidade de nulidade, cabenos analisar se a decisão incorreu em omissões, como aduz a embargante. Como relatado, a interessada indica objetivamente três supostas omissões no Acórdão, conforme descrição a seguir. (i) a nulidade dos autos de infração, face o efeito suspensivo da manifestação de inconformidade apresentada em face da exclusão do SIMPLES; (ii) nulidade da decisão recorrida por cerceamento de defesa; e (iii) caráter confiscatório da multa. Em relação aos dois primeiros argumentos entendo que não assiste razão à embargante. O dispositivo do Acórdão demonstra que foram rejeitadas as preliminares suscitadas pela Recorrente, de acordo com o trecho abaixo transcrito: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em REJEITAR as preliminares suscitadas; em NÃO CONHECER do pedido de perícia; e, no mérito, por maioria de votos, em DAR provimento parcial ao recurso voluntário, para excluir a exigência dos juros de mora sobre a multa de ofício, vencido o Conselheiro Carlos Alberto Donassolo, que negava integralmente provimento ao recurso. A leitura do voto condutor nos leva a concluir que os dois temas trazidos pela embargante foram enfrentados pela decisão atacada. Em relação à nulidade dos autos de infração, por força do efeito suspensivo da manifestação de inconformidade e do cerceamento ao direito de defesa, assim entendeu o voto condutor (verbis): Tratamse os autos de exclusão do SIMPLES, consoante Atos Declaratórios Executivos de nº 46 que determinou sua exclusão do Simples Federal, retroativa à data de 1º de janeiro de 2007, e de nº 47, que determinou sua exclusão do Simples Nacional, retroativa à data de 1º de janeiro de 2007. Em decorrência da exclusão do SIMPLES, está sendo cobrado IRPJ, CSLL, Fl. 551DF CARF MF Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1201001.769 S1C2T1 Fl. 5 4 contribuição ao PIS e COFINS com base no lucro arbitrado para o período em análise. A exclusão foi fundamentada no artigos 9º, II, e 13, II, da Lei nº 9317/1996, pelo fato da autoridade fiscal ter constatado que o montante da receita bruta era superior ao limite previsto para opção do SIMPLES, com efeitos a partir de 1º de janeiro de 2007. (...) Constatado que o limite excedeu o permitido com base no artigo 9º, II, da Lei nº 9317/1996, ou seja, receita bruta foi superior a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), portanto, é vedada a opção ao SIMPLES, dáse a exclusão nos termos do artigo 13, II, da mesma lei. O início da exclusão dar seá a partir de 1º de janeiro de 2007, nos termos do artigo 15, IV, da Lei nº 9317/2007. Portanto, entendemos procedentes os Atos Declaratórios Executivos emitidos em face dos fatos constatados, estando a recorrente excluída do SIMPLES a partir de 1º de janeiro de 2007. Feita a exclusão do SIMPLES com base em omissão de receitas, foi apurada os tributos devidos com base no lucro arbitrado, consoante o artigo 530, III, do Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto 3000/99, tendo em vista que o contribuinte deixou de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou o Livro Caixa, na hipótese do parágrafo único do artigo 527 do mesmo Regulamento. A recorrente alega que houve cerceamento de defesa, pois a autoridade fiscal utilizou percentual para o cálculo do lucro arbitrado que não consegue entender e não ficou esclarecido no Auto de Infração. Além disso, não segregou os valores que correspondem às receitas, imputou os créditos em conta corrente como base de cálculo. A alegação da recorrente não procede; no Auto de Infração consta a apuração do lucro arbitrado e do IRPJ, com detalhes dos valores e base legal. Portanto, está sim esclarecido e apresentado, não podendo ser acatado o alegado pela recorrente em relação ao cerceamento de defesa. A questão aqui é que não há contestação objetiva alguma das diferenças apresentadas pela fiscalização entre os valores creditados e os declarados, não há comprovação da origem dos créditos, portanto, a autoridade fiscal se valeu do artigo 42 acima transcrito, conjugado com o artigo 530, III, do RIR/99 para a apuração do lucro arbitrado. Fl. 552DF CARF MF Processo nº 11634.720109/201198 Acórdão n.º 1201001.769 S1C2T1 Fl. 6 5 O procedimento da fiscalização está correto, seguindo o disposto no artigo 142 do CTN e fundamentado na legislação tributária específica ao caso. (grifamos) Constatase, portanto, que a decisão não deixou de se pronunciar acerca dos argumentos formulados pela embargante. O terceiro ponto trazido pela embargante diz respeito à ausência de manifestação do Colegiado sobre o caráter confiscatório da multa. Neste passo, também não assiste razão à embargante. Além de o Colegiado ter decidido afastar a incidência dos juros sobre a multa o que ensejou o Recurso Especial da Fazenda Nacional , o Acórdão, em relação ao caráter confiscatório, expressamente se manifestou, nos seguintes termos: Em relação à aplicação de multa de ofício de 75%, os termos da Súmula 2 do CARF, esse colegiado não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Desse modo, devem ser seguidos os ditames do artigo 44, I, da Lei nº 9430/1996. (grifamos) Entendo que o trecho acima transcrito, que remete a matéria sumulada no âmbito deste Conselho, é claro e suficiente para expressar a posição do Colegiado sobre a impossibilidade de se analisar o efeito confiscatório das multas aplicadas, razão pela qual não se constata a aludida omissão. Ante o exposto, voto por rejeitar os embargos opostos pelo sujeito passivo. É como voto. (assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 553DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002327/99-43
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu May 25 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1996, 1997
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE DE APRECIAÇÃO EM 01/10/2002. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL PARA CONTAGEM DO PRAZO LEGAL.
Conforme o §4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pela Lei nº 10.637/2002, os Pedidos de Compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertem-se em Declaração de Compensação para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do §5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contados da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considera-se tacitamente homologada a compensação efetuada. De acordo com as próprias Instruções Normativas da Receita Federal, IN SRF nº 460/2004, IN SRF nº 600/2005, IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012, a data de início da contagem do prazo de homologação tácita, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido.
Numero da decisão: 9101-002.790
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencido o conselheiro André Mendes de Moura, que lhe deu provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Cristiane Silva Costa.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Araujo - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Adriana Gomes Rego, Cristiane Silva Costa, André Mendes de Moura, Luis Flavio Neto, Rafael Vidal de Araújo, Jose Eduardo Dornelas Souza (suplente convocado em substituição à ausência da conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio), Gerson Macedo Guerra, Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: RAFAEL VIDAL DE ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Ano-calendário: 1996, 1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE DE APRECIAÇÃO EM 01/10/2002. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL PARA CONTAGEM DO PRAZO LEGAL. Conforme o §4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pela Lei nº 10.637/2002, os Pedidos de Compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertem-se em Declaração de Compensação para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do §5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contados da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considera-se tacitamente homologada a compensação efetuada. De acordo com as próprias Instruções Normativas da Receita Federal, IN SRF nº 460/2004, IN SRF nº 600/2005, IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012, a data de início da contagem do prazo de homologação tácita, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido.
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HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. TERMO INICIAL PARA CONTAGEM DO PRAZO LEGAL. Conforme o §4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, introduzido pela Lei nº 10.637/2002, os Pedidos de Compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Declaração de Compensação para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do §5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contados da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considera se tacitamente homologada a compensação efetuada. De acordo com as próprias Instruções Normativas da Receita Federal, IN SRF nº 460/2004, IN SRF nº 600/2005, IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012, a data de início da contagem do prazo de homologação tácita, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. 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Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN), fundamentado atualmente no art. 67 e seguintes do Anexo II da Portaria MF nº 343, de 09/06/2015, que aprova o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), em que se alega divergência jurisprudencial relativamente ao reconhecimento de homologação tácita para Pedido de Compensação que foi convertido em Declaração de Compensação, por força do §4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002. A recorrente insurgiuse contra o Acórdão nº 130200.464, de 26/01/2011, por meio do qual a 2a Turma Ordinária da 3a Câmara da 1a Seção de Julgamento do CARF, por maioria de votos, deu provimento a recurso voluntário da contribuinte acima identificada, para fins de reconhecer a homologação tácita de pedido de compensação por ela protocolizado em 10/06/1999, com despacho denegatório a ela cientificado em 30/08/2007. O acórdão recorrido contém a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1996, 1997 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO PENDENTE DE APRECIAÇÃO EM 01/10/2002. PRAZO PARA HOMOLOGAÇÃO. Conforme § 4º, do art. 74, da Lei nº 9.430/96, com a redação dada pela Lei nº 10.637/2002, os pedidos de compensação pendentes de apreciação em 01/10/2002 convertemse em Dcomp para efeitos de aplicação das regras do mencionado artigo. Sob esse prisma, nos termos do § 5º do dispositivo em referência, o prazo para homologação da compensação declarada é de 5 (cinco) anos contado da data da protocolização do pedido. Decorrido esse prazo sem manifestação da autoridade competente, considerase tacitamente homologada a compensação efetuada. A PGFN afirma que a decisão do CARF deu à lei tributária interpretação divergente da que tem sido dada em outros processos, relativamente à matéria acima mencionada. Para o processamento de seu recurso, a PGFN desenvolve os argumentos descritos abaixo: Fl. 308DF CARF MF Processo nº 13804.002327/9943 Acórdão n.º 9101002.790 CSRFT1 Fl. 4 3 o acórdão recorrido considerou que o prazo para homologação da compensação é de 5 (cinco) anos contados da data do protocolo do pedido, independentemente de este ter sido realizado antes ou após a MP N.° 135, de 30/10/2003, embasando tal entendimento em interpretação do art. 74, § 5º, da Lei n.° 9.430/96; ocorre que a Terceira Câmara do então Segundo Conselho de Contribuinte, analisando o mesmo dispositivo legal, fixou exegese diversa da esposada pela e. câmara a quo, sob o fundamento de que o prazo de 5 anos para homologação, disposto no art. 74, §5º, da Lei n° 9.430/96, com a redação conferida pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, apenas se aplica a partir de 30/10/2003: Acórdão n.° 20311.648 [...] COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. IRRETROATIVIDADE DAS LEIS. O disposto no § 5° do artigo 74 da Lei n° 9.430/96, com a redação dada pelo art. 17 da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, segundo o qual considerase homologada tacitamente a compensação objeto de pedido de compensação convertido em declaração de compensação que não seja objeto de despacho decisório proferido no prazo de cinco anos, contado da data do protocolo do pedido, independentemente da procedência e do montante do crédito, aplicase somente a partir de 30/10/2003. [...] apresentase, portanto, clara divergência entre a e. câmara a quo e a Terceira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes relativamente ao âmbito de aplicação do art. 74, §5º, da Lei n.° 9.430/96, visto que, com base em situação tática similar em ambos os feitos pedido de compensação efetuado anteriormente a 30 de outubro de 2003 , há interpretações jurídicas díspares; se, por um lado, o acórdão ora recorrido, com fulcro no art. 74, § 5° da Lei n.° 9.430/96, considera ter havido homologação tácita da compensação, pelo decurso de mais de cinco anos entre o pedido e a ciência do despacho decisório, o acórdão apontado como paradigma, de outra banda, considera que o lapso de cinco anos, por incidência do mesmo dispositivo legal acima citado, só pode ser contado a partir de 30 de outubro de 2003, data da alteração legislativa, visto que, antes de tal marco, não havia para a administração tributária qualquer prazo limite para a homologação; antes da Medida Provisória n.° 135/2003, não havia que se cogitar de qualquer prazo para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação; quando do pedido de compensação formulado nos presentes autos, em 10 de junho de 1999, não estava a administração, por lei, obrigada a cumprir qualquer lapso findo o qual estaria caracterizada a homologação do referido pleito. De fato, como visto, a obrigação de cumprimento de prazo somente surgiu com a edição da Medida Provisória n.° 135/2003, de 30 de outubro de 2003. Entendimento diverso do aqui esposado conduziria à situação esdrúxula de ser a administração tributária literal e sumariamente surpreendida com a repentina fluência Fl. 309DF CARF MF Processo nº 13804.002327/9943 Acórdão n.º 9101002.790 CSRFT1 Fl. 5 4 de um prazo que, quando do pedido de compensação formulado pelo contribuinte, sequer existia; a correta exegese exige que o prazo para homologação (5 anos) apliquese tão somente aos pleitos formulados após o marco de 30 de outubro de 2003, data da edição da Medida Provisória n.° 135/2003, posteriormente convertida na Lei n.° 10.833/2003, visto que, antes disso, não havia qualquer limitação temporal para a respectiva apreciação pela administração fiscal; outrossim, ainda que se pretendesse aplicar o referido prazo de 5 anos para homologação aos pleitos anteriores, pendentes de apreciação à época da edição da MP N.° 135, de 30 de outubro de 2003, então, que fosse o referido lapso, em tais hipóteses, contado a partir do mencionado marco, sendo qualquer outra exegese contrária ao princípio da irretroatividade da lei tributária e ofensiva ã legislação de regência; oportuno registrar, a esse respeito, que Cândido Rangel Dinamarco, ao tratar da Teoria do Isolamento dos atos processuais, correlacionada ao princípio da retroatividade das leis ("tempus regit actum"), ambos consagrados em nosso ordenamento jurídico, nega aplicação imediata da lei processual nova quando esta retirar a proteção antes outorgada a determinada pretensão, excluindo ou comprometendo radicalmente a possibilidade do exame desta, de modo a tornar impossível ou particularmente difícil a tutela anteriormente prometida. O referido autor, ademais, rejeita a aplicação imediata da lei processual quando seu objetivo é criar novas impossibilidades jurídicas antes inexistentes; no caso vertente, não se verifica qualquer das hipóteses elencadas no art. 106 do CTN, não sendo autorizada a retroatividade da lei para alcançar fatos pretéritos; são elucidativas as ponderações encartadas no voto condutor do acórdão paradigma e na declaração de voto do conselheiro Antônio Bezerra Neto (transcrições contidas no recurso); ressaltese que já é posição pacífica do Superior Tribunal de Justiça que a lei que rege a compensação é a vigente à época do encontro de contas (EDcl no AgRg no REsp 701865 ementa transcrita); assim, tendo em vista o princípio da legalidade e a regra de que o fato regulase juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência (irretroatividade das leis), concluise ser imperiosa a reforma do julgado pelos seguintes motivos: a) o pedido de compensação foi protocolado em 10/06/1999, anteriormente, portanto, à alteração legislativa inaugurada pela MP n° 135, de 30 de outubro de 2003, convertida na Lei n° 10.833, de 29 de dezembro de 2003, que alterou a redação do art. 74, §5º, da Lei n° 9.430/1996, introduzindo, somente a partir de então, o prazo de cinco anos para homologação da compensação; b) considerando o disposto no item 'a', não há que se cogitar, no presente caso, de homologação tácita, ainda que decorridos mais de cinco anos entre a data de protocolização do pedido e a ciência do respectivo despacho decisório, pelo fato de que, à época do pleito, marco definidor da legislação aplicável, não estava a administração tributária obrigada ao cumprimento de qualquer prazo para referida apreciação. Fl. 310DF CARF MF Processo nº 13804.002327/9943 Acórdão n.º 9101002.790 CSRFT1 Fl. 6 5 Quando do exame de admissibilidade do Recurso Especial da PGFN, o Presidente da 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF, por meio do Despacho nº 164/2011, de 05/09/2011, admitiu o recurso especial com base na seguinte análise sobre a divergência suscitada: [...] Da contraposição dos fundamentos expressos na ementa e no voto condutor dos Acórdãos paradigmas, evidenciase que a recorrente logrou êxito em comprovar a ocorrência do alegado dissenso jurisprudencial, pois em situações fáticas semelhantes, chegouse a conclusões distintas. Com efeito, o voto do acórdão recorrido sustenta que “protocolizado o pedido de compensação [em 10/06/1999], e ultrapassado o período qüinqüenal sem manifestação hábil da autoridade sobre o débito original, há de se considerálo homologado tacitamente, nos termos do §5° do art. 74 da Lei n° 9.430/96.” Em sentido inverso, porém, é o entendimento firmado pelo acórdão paradigma, haja vista expor tese no sentido de que “pedido de compensação entregue no dia 19/11/1999, por força de dispositivo legal convertido em DCOMP, não foi homologado tacitamente, ainda que entre a data de sua protocolização e a data de sua apreciação tenha transcorrido o prazo de cinco anos.” Ante ao exposto, o acórdão apresentado pela Fazenda Nacional, ao meu ver, cumpre a exigência de demonstrar, fundamentadamente, a divergência de interpretação de lei tributária entre Câmaras do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em 03/05/2012, foi elaborada intimação para que a contribuinte tomasse ciência do Acórdão nº 130200.464, do recurso especial da PGFN e do despacho que admitiu esse recurso. Não consta dos autos a data em que a contribuinte foi cientificada dessa intimação. Em 29/05/2012, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da PGFN, com os seguintes argumentos: DA TEMPESTIVIDADE a RECORRIDA foi intimida do v. acórdão proferido pela Colenda Segunda Turma Ordinária da Primeira Seção do CARF, bem como da interposição do Recurso Especial apresentado pela RECORRENTE, na data de 11 de maio de 2012, assim sendo, a presente peça vestibular deverá ser considerada tempestiva quando protocolada até o dia 29 de maio de 2012; DAS RAZÕES PARA A MANUTENÇÃO DO ACÓRDÃO RECORRIDO considerando que os §§ 4º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 estão em plena e eficácia vigência e tendo em vista o lapso temporal decorrido entre o protocolo do pedido de compensação (10/06/1999) e a intimação da decisão de indeferimento (31/08/2007), não há que se reconhecer as alegações feitas pela RECORRENTE sobre interpretação diversa à lei tributária; Fl. 311DF CARF MF Processo nº 13804.002327/9943 Acórdão n.º 9101002.790 CSRFT1 Fl. 7 6 a RECORRENTE alega que o acórdão apontado como paradigma considera que o lapso de cinco anos, por incidência do mesmo dispositivo legal acima citado, só pode ser contado a partir de 30 de outubro de 2003, data da alteração legislativa, visto que, antes de tal marco, não havia para a Administração Tributária qualquer prazo limite para a homologação; ocorre que não é esse o entendimento predominante na doutrina, uma vez que, por opção do Constituinte, a lei mais favorável retroage em favor do contribuinte (princípio da retroatividade benigna); em igual sentido, verificase precedente da relatoria do Ministro Teori Albino Zavascki (ementa transcrita); portanto, tendo em vista o disposto nos §4° e §5° do art. 74 da Lei 9.430/96, bem como o princípio da retroatividade benigna, concluise que a compensarão em análise foi objeto de homologação tácita, devendo, portanto, ser mantida em sua integralidade a decisão ora recorrida. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Processo nº 13804.002327/9943 Acórdão n.º 9101002.790 CSRFT1 Fl. 8 7 Voto Conselheiro Rafael Vidal de Araujo, Relator Conheço do recurso, pois este preenche os requisitos de admissibilidade. A controvérsia que chega a essa fase de recurso especial diz respeito à divergência jurisprudencial em relação ao reconhecimento de homologação tácita para Pedido de Compensação de que foi convertido em Declaração de Compensação, por força do §4º do art. 74 da Lei nº 9.430/96, com redação dada pela Lei nº 10.637/2002. O acórdão recorrido deu provimento a recurso voluntário da contribuinte, para fins de reconhecer a homologação tácita de pedido de compensação por ela protocolizado em 10/06/1999, com despacho denegatório a ela cientificado em 30/08/2007. A PGFN pretende reverter essa decisão, sustentando a tese de que o prazo de homologação tácita aplicase tão somente aos pleitos formulados após 30/10/2003, data da edição da Medida Provisória n° 135/2003, que introduziu o §5º no art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Ainda de acordo com a PGFN, mesmo que se pretendesse aplicar o referido prazo aos pleitos anteriores, pendentes de apreciação à época da edição da MP nº 135, de 30/10/2003, esse prazo deveria ser contado somente a partir do mencionado marco temporal, sendo qualquer outra exegese contrária ao princípio da irretroatividade da lei tributária e ofensiva à legislação de regência. É interessante transcrever o conteúdo do acórdão que serviu como paradigma de divergência, na parte que trata da matéria: Acórdão n.° 20311.648 Voto [...] foram feitas novas alterações no artigo 74 da Lei n° 9.430/96, merecendo destaque para o presente caso a do parágrafo 5°, a saber: "§ 5º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação" (redação dada pelo artigo 17 da Lei n° 10.833, de 29/12/2003, conversão da MP n° 135, de 30/10/2003)." Até a edição desse ato legal, portanto, não havia prazo limite para que a administração tributária homologasse os pedidos de compensação então entregues pelos contribuintes, de maneira que toda DCOMP entregue anteriormente a 30/10/2003 e cuja análise ou apreciação pela autoridade administrativa tenha se dado em período superior a cinco anos, contado a partir da data de sua protocolização, não pode ser considerada tenha sido homologada tacitamente, a teor do parágrafo § 5° acima reproduzido. Fl. 313DF CARF MF Processo nº 13804.002327/9943 Acórdão n.º 9101002.790 CSRFT1 Fl. 9 8 Se, de um lado, o alcance temporal do § 4° acima mencionado está claramente delineado quando diz que "Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo (...)", o mesmo não se pode dizer, de outro, do § 5°, que deixa no ar uma ambigüidade por mim posta nos seguintes termos: retroagiria e alcançaria a todos pedidos de compensação convertidos em DCOMP entregues em data anterior a 30 de outubro de 2003, ou se aplicaria somente às DCOMP entregues após referida data? Essa minha suposição quanto à ambigüidade presente no referido § 5º parece não existir se interpretados literalmente os enunciados dos artigos 29 e 70, da IN SRF 460, de 18/10/2004 que regulavam os procedimentos da autoridade administrativa para a análise das Declarações de Compensação, após as alterações acima mencionadas, senão vejamos: "Art. 29. A autoridade da SRF que nãohomologar a compensação cientificará o sujeito passivo e intimáloá a efetuar, no prazo de trinta dias, contados da ciência do despacho de nãohomologação, o pagamento dos débitos indevidamente compensados". § (...) "§ 2º O prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de cinco anos, contados da data da entrega da Declaração de Compensação". "Art. 70. A data de início da contagem do prazo previsto no § 2º do art. 29, na hipótese de pedido de compensação convertido em Declaração de Compensação, é a data da protocolização do pedido na SRF". Ou seja, a própria Secretaria da Receita Federal admitiu o efeito retroativo do citado parágrafo 5°. Tenho comigo, porém, que a segunda das alternativas deve prevalecer, haja vista a aplicação do princípio da irretroatividade das leis, ou seja, em princípio, os fatos regulamse juridicamente pela lei em vigor na época de sua ocorrência. Em princípio, pois o Código Tributário Nacional trata das hipóteses em que é possível a aplicação de lei nova a fatos ocorridos em momento anterior ao de sua vigência. Tais hipóteses estão previstas no artigo 106, incisos I e II, quais sejam, quando as leis forem interpretativas, ou quando, se referindo a atos ou fatos não definitivamente julgados, deixar de definilos como infração; deixar de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão; e quando lhe cominar penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. E para o caso em que estamos debruçados nenhuma dessas hipóteses ocorreu. Fl. 314DF CARF MF Processo nº 13804.002327/9943 Acórdão n.º 9101002.790 CSRFT1 Fl. 10 9 Invoco julgado do Superior Tribunal de Justiça em que, embora tenha tratado de matéria envolvendo a decadência de ato administrativo, bem pode servir de lume para o presente caso, senão vejamos a sua ementa: "MANDADO DE SEGURANÇA N° 9.115DF (2003/01018996). ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. ATO ADMINISTRATIVO. REVOGAÇÃO. VANTAGEM FUNCIONAL DECADÊNCIA. LEI N° 9.784/99. DIREITO ADQUIRIDO. A Lei n°9.784/99, que disciplina o processo administrativo, estabeleceu em seu art. 54, o prazo de cinco anos para que a Administração Pública possa revogar seus atos. Contudo, dentro de uma lógica interpretativa, esse lapso temporal há de ser contado da vigência do dispositivo, e não da data em que o ato foi praticado, sob pena de se emprestar efeito retroativo à citada Lei. (destaques meus) Dito isto, podese afirmar que o argumento da interessada, ainda que formulado mediante a indicação de dispositivo legal inapropriado, não procede, ou seja, aquele seu pedido de compensação entregue no dia 19/11/1999, por força de dispositivo legal convertido em DCOMP, não foi homologado tacitamente, ainda que entre a data de sua protocolização e a data de sua apreciação tenha transcorrido o prazo de cinco anos. O acórdão paradigma reconhece que a própria Secretaria da Receita Federal admitiu o efeito retroativo do citado §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 (introduzido pela MP nº 135/2003) para os pedidos de compensação pendentes de apreciação, conforme os artigos 29 e 70 da IN SRF nº 460/2004, e mesmo assim defende tese contrária (não aplicação desse efeito retroativo). Vale registrar que a mesma regra contida na IN SRF nº 460/2004 (acima transcrita), tratando do efeito retroativo do prazo de homologação tácita para os Pedidos de Compensação que foram convertidos em Declaração de Compensação, foi sucessivamente reproduzida nas IN SRF nº 600/2005, IN RFB nº 900/2008 e IN RFB nº 1300/2012, o que corrobora a decisão manifestada pelo acórdão recorrido. O fato é que a Lei nº 10.637/2002, quando introduziu os §§ 2º e 4º no art. 74 da Lei nº 9.430/1996, estabeleceu que a declaração de compensação extinguiria o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, e que os pedidos de compensação pendentes de apreciação seriam considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos no referido art. 74: Lei nº 9.430/1996 Art. 74 [...] § 2º A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002) [...] §4º Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de Fl. 315DF CARF MF Processo nº 13804.002327/9943 Acórdão n.º 9101002.790 CSRFT1 Fl. 11 10 compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo. (Incluído pela Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002) O efeito de extinção do crédito tributário, sob condição resolutória da ulterior homologação da compensação, não foi introduzido pela MP nº 135/2003 (convertida na Lei nº 10.833/2003), mas sim pela MP nº 66/2002 (convertida na Lei nº 10.637/2002). Cabe destacar que a condição resolutória, nessa situação que trata de extinção de crédito tributário pelo contribuinte, não poderia ficar eternamente em aberto (vigente), o que afrontaria a própria lógica do sistema. Nesse contexto, o que a referida MP nº 135/2003 fez foi apenas definir um termo para a extinção da condição resolutória, seguindo a trilha já traçada pelo próprio Código Tributário Nacional para os casos de lançamento por homologação (CTN, art. 150, §§ 1º e 4º). A diferença é que lá a extinção se dá pelo pagamento antecipado, e aqui se dá pela apresentação de pedido/declaração de compensação. Não há dúvida de que algum prazo, legal ou jurisprudencial, seria definido para a extinção da mencionada condição resolutória, por exigência da própria lógica do sistema. O que é importante perceber é que a Lei nº 10.637/2002 introduziu uma regra central e bastante inovadora para o mecanismo de compensação tributária, que apenas foi complementada pela Lei nº 10.833/2003. A Lei nº 10.637/2002, ao estabelecer que a declaração de compensação extinguiria o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação (§2º acima transcrito), deixou bem claro no referido §4º que os pedidos de compensação pendentes de apreciação seriam considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, inclusive para o efeito previsto no §2º. O texto introduzido pela Lei nº 10.637/2002 determina expressamente que os pedidos de compensação pendentes de apreciação extinguem, desde o seu protocolo, o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação. Posteriormente, a Lei nº 10.833/2003 definiu o termo para a extinção dessa condição resolutória (homologação tácita). Apesar de surgirem em momentos distintos, os §§ 2º e 5º introduzidos no art. 74 da Lei nº 9.430/1996 fazem parte de um todo indissociável, e a sistemática traçada nesses dispositivos deve ser aplicada aos pedidos de compensação pendentes de apreciação, desde a data de seu protocolo, por força do §4º que também integra o mesmo art. 74 da Lei nº 9.430/1996. Esse é conteúdo expresso da lei, e não cabe a esse órgão administrativo segregar o §5º dos §§2º e 4º, para fins de afastar sua aplicação a casos como o presente, nem pelo fato de o §5º ser posterior aos §§ 2º e 4º do mesmo artigo, e nem por afronta ao princípio da irretroatividade das leis, ou qualquer outra norma jurídica. Fl. 316DF CARF MF Processo nº 13804.002327/9943 Acórdão n.º 9101002.790 CSRFT1 Fl. 12 11 Não era necessário que o legislador dissesse novamente, na edição da Lei 10.833/2003, que o §5º também deveria ser aplicado aos pedidos de compensação pendentes, desde a data de seu protocolo, porque o §4º já estendia (e continua estendendo) a esses pedidos todos os efeitos previstos no art. 74 da Lei 9.430/1996 (que abarca o referido §5º). As sucessivas Instruções Normativas da Receita Federal, conforme já mencionado, corroboram esse entendimento, o que reforça a conclusão de que o acórdão recorrido não merece reparo. Deste modo, voto no sentido negar provimento ao recurso especial da PGFN. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araujo Fl. 317DF CARF MF
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Numero do processo: 11070.721845/2013-58
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Mar 23 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO.
Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido).
Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011
COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO.
Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido).
Numero da decisão: 9303-004.889
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Érika Costa Camargos Autran - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Erika Costa Camargos Autran, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: ERIKA COSTA CAMARGOS AUTRAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 PIS/PASEP. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2008, 2009, 2010, 2011 COFINS. REGIME NÃO-CUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para torná-lo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran - Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Erika Costa Camargos Autran, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello.
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REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do PIS/PASEP, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 COFINS. REGIME NÃOCUMULATIVO. INSUMOS. CREDITAMENTO. Para se verificar se determinado bem ou serviço prestado pode ser caracterizado como insumo para fins de creditamento do COFINS, impende analisar se há: pertinência ao processo produtivo (aquisição do bem ou serviço especificamente para utilização na prestação do serviço ou na produção, ou, ao menos, para tornálo viável); essencialidade ao processo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 72 18 45 /2 01 3- 58 Fl. 943DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 944 2 produtivo (produção ou prestação de serviço depende diretamente daquela aquisição) e possibilidade de emprego indireto no processo de produção (prescindível o consumo do bem ou a prestação de serviço em contato direto com o bem produzido). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, vencidos os conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado) e Rodrigo da Costa Possas, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza, Andrada Márcio Canuto Natal, Erika Costa Camargos Autran, Julio Cesar Alves Ramos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pelo Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF n.º 256, de 22 de junho de 2009, em face do Acórdão n.º 3403003.549, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. ANÁLISE ADMINISTRATIVA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA 2/CARF. Fl. 944DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 945 3 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. SÚMULA 4/CARF. A partir de 01/04/1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela RFB são devidos, no período de inadimplência, à taxa SELIC. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A título exemplificativo, não constituem insumos, no caso em análise, as despesas com comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social, despesas com marcas e patentes, e despesas com denominações genéricas que não permitam a verificação de vínculo com o processo produtivo. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011 NÃO CUMULATIVIDADE. BASE DE CÁLCULO. INCLUSÃO DE ICMS. Na sistemática da não cumulatividade, o valor do ICMS devido pela própria contribuinte integra a base de cálculo da COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. A título exemplificativo, não constituem insumos, no caso em análise, as despesas com comunicação, seguros, despesas de viagens, assistência social, propaganda e publicidade, publicações legais, alimentação de empregados, jornais, despesas com exposições, impostos e taxas, representação social, despesas com marcas e patentes, e despesas com denominações genéricas que não permitam a verificação de vínculo com o processo produtivo. Fl. 945DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 946 4 A decisão recorrida assentou que o conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. E o contribuinte em razões de Recurso Especial defende que o conceito de insumo, para fins de tomada de créditos das contribuições sociais não cumulativas, deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária a atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do .IPI, uma vez que a materialidade do imposto é distinta da materialidade das contribuições. A Fazenda em contrarrazões alega que as Instruções Normativas SRF n.º 247/02 e 404/04 editadas pela Secretaria da Receita Federal apenas explicitaram a definição de insumo já prevista pelas Leis n.ºs 10.637/02 e 10.833/03, para efeitos de “descontos de créditos” de PIS e COFINS nas aquisições de bens e serviços empregados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. E que no caso de uma empresa cuja atividade principal seja a produção de bens e produtos, serão insumos aqueles elementos (bens ou serviços) utilizados diretamente em sua fabricação; e no caso de uma empresa cuja atividade preponderante seja a prestação de serviços, serão insumos os elementos aplicados diretamente na sua prestação. É o relatório, em síntese. Voto Conselheira Érika Costa Camargos Autran Relatora Da admissibilidade Inicialmente cabe mencionar que o Recurso Especial interposto pelo Contribuinte é tempestivo e, a meu ver, encontramse reunidos os pressupostos de admissibilidade. Fl. 946DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 947 5 A divergência suscitada pelo Contribuinte diz respeito ao conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Os acórdãos indicados como paradigma são os de n.° 930301.035 e 3202 00.226. Transcrevemse as respectivas ementas: 930301.035 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 CRED1TO. RESSARCIMENTO. A inclusão no conceito de insumos das despesas com serviços contratados pela pessoa jurídica e com as aquisições de combustíveis e de lubrificantes, denota que o legislador não quis restringir o creditamento do PIS/Pasep As aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e ou material de embalagens (alcance de insumos na legislação do IPI) utilizados, diretamente, na produção industrial, ao contrário, ampliou de modo a considerar insumos como sendo os gastos gerais que a pessoa jurídica precisa incorrer na produção de bens ou serviços por ela realizada. Recurso negado 320200.226 ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2005 a 30/06/2005 PRELIMINAR DE CERCEAMENTO DE DEFESA. Inexistem quaisquer indícios de cerceamento do direito de defesa, haja vista que a Recorrente acompanhou e teve ampla ciência de todos os atos adotados no procedimento de fiscalização. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. VENDA PARA COMERCIAL EXPORTADORA. Para que sejam excluídas da base de cálculo da contribuição, as operações de vendas para comercial exportadora, com o fim especifico de exportação, devem se enquadrar em algumas das disposições legais para isenção, fazendo prova de tal enquadramento. REGIME NÃO CUMULATIVO. INSUMOS. MATERIAIS PARA MANUTENÇÃO DE MÁQUINAS. O conceito de insumo dentro da sistemática de apuração de créditos pela não cumulatividade de PIS e Cofins deve ser entendido como toda e qualquer custo ou despesa necessária a atividade da empresa, nos termos da legislação do IRPJ, não devendo ser utilizado o conceito trazido pela legislação do .IPI, uma vez que a materialidade de tal tributo é distinta da materialidade das contribuições em apreço. CRÉDITO DE ENERGIA ELÉTRICA. COMPROVAÇÃO DO EFETIVO CONSUMO. O creditamento relativo a custo com energia elétrica só pode ser admitido mediante a comprovação do efetivo consumo integral do valor faturado ao estabelecimento da empresa, não havendo previsão legal que ampare e regulamente o aproveitamento, mediante rateio de qualquer espécie. Fl. 947DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 948 6 CONTROLE DE CONSTITUCIONALIDADE DE NORMAS. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF N° 2. O controle de constitucionalidade da legislação que fundamenta o lançamento é de competência exclusiva do Poder Judiciário, não podendo ser objeto de pronunciado pelo CARF. Recurso Voluntário provido em Parte. A decisão recorrida assentou que o conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Confrontando os acórdãos recorrido e os indicados como paradigma, fica patente a ocorrência do dissídio jurisprudencial. Enquanto o voto condutor da decisão recorrida afasta o conceito vinculado à legislação do IRPJ ou IPI, os Acórdãos paradigmas adotam o conceito do IRPJ, qual seja um conceito mais amplo. Diante do exposto, conheço o Recurso Especial do Contribuinte. Do mérito A discussão principal posta nos autos referese ao conceito de insumos para determinação do que pode ser utilizado pela Contribuinte como crédito de PIS e de COFINS no regime nãocumulativo. Em relação ao conceito de insumo, para fins de fruição do crédito de PIS e da COFINS não cumulativos, não é demais enfatizar que se trata de matéria controvérsia. Nos autos do processo administrativo n.º 13984.001511/200587, em sede de julgamento de Recurso Especial pelo Colegiado da 3ª Turma da CSRF, a ilustre Conselheira Tatiana Midori Migiyama expôs brilhantemente o conceito de insumo, que passam a integrar a presente fundamentação: Fl. 948DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 949 7 " Vêse que a Constituição Federal não outorgou poderes para a autoridade fazendária para se definir livremente o conteúdo da não cumulatividade. O que, por conseguinte, concluo que a devida observância da sistemática da não cumulatividade exige que se avalie a natureza das despesas incorridas pelo contribuinte – considerando a legislação vigente, bem como a natureza da sistemática da não cumulatividade. Sempre que estas despesas/custos se mostrarem essenciais ao exercício de sua atividade, devem implicar, a rigor, no abatimento de tais despesas como créditos descontados junto à receita bruta auferida. Importante elucidar que no IPI se tem critérios objetivos (desgaste durante o processo produtivo em contato direto com o bem produzido ou composição ao produto final), enquanto, no PIS e na COFINS essa definição sofre contornos subjetivos. Tenho que, para se estabelecer o que é o insumo gerador do crédito do PIS e da COFINS, ao meu sentir, tornase necessário analisar a essencialidade do bem ao processo produtivo da recorrente, ainda que dele não participe diretamente. Continuando, frisese tal entendimento que vincula o bem e serviço para fins de instituição do crédito do PIS e da Cofins com a essencialidade no processo produtivo o Acórdão 3403002.765 – que, por sua vez, traz em sua ementa: "O conceito de insumo, que confere o direito de crédito de PIS/Cofins nãocumulativo, não se restringe aos conceitos de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, tal como traçados pela legislação do IPI. A configuração de insumo, para o efeito das Leis nºs 10.637/2002 e 10.833/2003, depende da demonstração da aplicação do bem e serviço na atividade produtiva concretamente desenvolvida pelo contribuinte." Vêse que na sistemática não cumulativa do PIS e da COFINS o conteúdo semântico de insumo é mais amplo do que aquele da legislação do IPI, porém mais restrito do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e serviços que integram o custo de produção. Fl. 949DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 950 8 Ademais, vêse que, dentre todas as decisões do CARF e do STJ, é de se constatar que o entendimento predominante considera o princípio da essencialidade para fins de conceituação de insumo o que, por sua vez, foi confirmado pela pesquisa desenvolvida no âmbito do Núcleo de Estudos Fiscais da FGV Direito SO sob a coordenação dos estudiosos Breno Vasconcelos, Daniel Santiago, Eurico de Santi, Karem Dias e Suzy Hoffman. Não obstante à jurisprudência dominante, importante discorrer sobre o tema desde a instituição da sistemática não cumulativa das r. contribuições. Em 30 de agosto de 2002, foi publicada a Medida Provisória 66/02, que dispôs sobre a sistemática não cumulativa do PIS, o que foi reproduzido pela Lei 10.637/02 (lei de conversão da MP 66/02) que, em seu art. 3º, inciso II, autorizou a apropriação de créditos calculados em relação a bens e serviços utilizados como insumos na fabricação de produtos destinados à venda. É a seguinte a redação do referido dispositivo: “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI;” Em relação à COFINS, temse que, em 31 de outubro de 2003, foi publicada a MP 135/03, convertida na Lei 10.833/03, que dispôs sobre a sistemática não cumulatividade dessa contribuição, destacando o aproveitamento de créditos decorrentes da aquisição de insumos em seu art. 3º, inciso II, em redação idêntica àquela já existente para o PIS/Pasep, in verbis (Grifos meus): “Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: [...] Fl. 950DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 951 9 II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei nº10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da TIPI; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)”. Posteriormente, em 31 de dezembro de 2003, foi publicada a Emenda Constitucional 42/2003, sendo inserida ao ordenamento jurídico o § 12 ao art. 195: “Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições: [...] §12 A lei definirá os setores de atividade econômica para os quais as contribuições incidentes na forma dos incisos I, b; e IV do caput, serão não cumulativas.” Com o advento desse dispositivo, restou claro que a regulamentação da sistemática da não cumulatividade aplicável ao PIS e à COFINS ficaria sob a competência do legislador ordinário. Vêse, portanto, em consonância com o dispositivo constitucional, que não há respaldo legal para que seja adotado conceito excessivamente restritivo de "utilização na produção" (terminologia legal), tomandoo por "aplicação ou consumo direto na produção" e para que seja feito uso, na sistemática do PIS/Pasep e Cofins não cumulativos, do mesmo conceito de "insumos" adotado pela legislação própria do IPI. Nessa lei, há previsão para que sejam utilizados apenas subsidiariamente os conceitos de produção, matéria prima, produtos intermediários e material de embalagem previstos na legislação do IPI. Ademais, a sistemática da não cumulatividade das contribuições é diversa daquela do IPI, visto que a previsão legal possibilita a dedução dos valores de determinados bens e serviços suportados pela pessoa jurídica dos valores Fl. 951DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 952 10 a serem recolhidos a título dessas contribuições, calculados pela aplicação da alíquota correspondente sobre a totalidade das receitas por ela auferidas. Não menos importante, vêse que, para fins de creditamento do PIS e da COFINS, admite se também que a prestação de serviços seja considerada como insumo, o que já leva à conclusão de que as próprias Leis 10.637/2002 e 10.833/2003 ampliaram a definição de "insumos", não se limitando apenas aos elementos físicos que compõem o produto. Nesse ponto, Marco Aurélio Grego (in "Conceito de insumo à luz da legislação de PIS/COFINS", Revista Fórum de Direito Tributário RFDT, ano1, n. 1, jan/fev.2003, Belo Horizonte: Fórum, 2003) diz que será efetivamente insumo ou serviço com direito ao crédito sempre que a atividade ou a utilidade forem necessárias à existência do processo ou do produto ou agregarem (ao processo ou ao produto) alguma qualidade que faça com que um dos dois adquira determinado padrão desejado. Sendo assim, seria insumo o serviço que contribua para o processo de produção – o que, podese concluir que o conceito de insumo efetivamente é amplo, alcançando as utilidades/necessidades disponibilizadas através de bens e serviços, desde que essencial para o processo ou para o produto finalizado, e não restritivo tal como traz a legislação do IPI. Frisese que o raciocínio de Marco Aurélio Greco traz, pra tanto, os conceitos de essencialidade e necessidade ao processo produtivo. O que seria inexorável se concluir também pelo entendimento da autoridade fazendária que, por sua vez, validam o creditamento apenas quando houver efetiva incorporação do insumo ao processo produtivo de fabricação e comercialização de bens ou prestação de serviços, adotando o conceito de insumos de forma restrita, em analogia à conceituação adotada pela legislação do IPI, ferindo os termos trazidos pelas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003, que, por sua vez, não tratou, tampouco conceituou dessa forma. Resta, por conseguinte, indiscutível a ilegalidade das Instruções Normativas SRF 247/02 e 404/04 quando adotam a definição de insumos semelhante à da legislação do IPI. As Instruções Normativas da Secretaria da Receita Federal do Brasil que restringem o conceito de insumos, não podem prevalecer, pois partem da Fl. 952DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 953 11 premissa equivocada de que os créditos de PIS e COFINS teriam semelhança com os créditos de IPI. Isso, ao dispor: · o art. 66, § 5º, inciso I, da IN SRF 247/02 o que segue (Grifos meus): “Art. 66. A pessoa jurídica que apura o PIS/Pasep nãocumulativo com a alíquota prevista no art. 60 pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 5º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) I utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) a.matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) b.os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. ( Incluído pela IN SRF 358, de 09/09/2003 ) [...]” art. 8º, § 4ª, da IN SRF 404/04 (Grifos meus): “Art. 8 º Do valor apurado na forma do art. 7 º, a pessoa jurídica pode descontar créditos, determinados mediante a aplicação da mesma alíquota, sobre os valores: [...] § 4 º Para os efeitos da alínea "b" do inciso I do caput, entendese como insumos: utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda: a) a matériaprima, o produto intermediário, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da Fl. 953DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 954 12 ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto; II utilizados na prestação de serviços: a) os bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado; e b) os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no país, aplicados ou consumidos na prestação do serviço. [...]” Tais normas infraconstitucionais restringiram o conceito de insumo para fins de geração de crédito de PIS e COFINS, aplicandose os mesmos já trazidos pela legislação do IPI. O que entendo que a norma infraconstitucional não poderia extrapolar essa conceituação frente a intenção da instituição da sistemática da não cumulatividade das r. contribuições. Considerando que as Leis 10.637/02 e 10.833/03 trazem no conceito de insumo: a. Serviços utilizados na prestação de serviços; b. Serviços utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; c. Bens utilizados na prestação de serviços; d. Bens utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda; e. Combustíveis e lubrificantes utilizados na prestação de serviços; f. Combustíveis e lubrificantes utilizados na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Vêse claro, portanto, que não poderseia considerar para fins de definição de insumo o trazido pela legislação do IPI, já que serviços não são efetivamente insumos, se considerássemos os termos dessa norma. Não obstante, depreendendose da análise da legislação e seu histórico, bem como intenção do legislador, entendo também não ser cabível adotar de forma ampla o conceito trazido pela legislação do IRPJ como arcabouço interpretativo, tendo em vista que nem todas as despesas operacionais Fl. 954DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 955 13 consideradas para fins de dedução de IRPJ e CSLL são utilizadas no processo produtivo e simultaneamente tratados como essenciais à produção. Ora, o termo "insumo" não devem necessariamente estar contidos nos custos e despesas operacionais, isso porque a própria legislação previu que algumas despesas não operacionais fossem passíveis de creditamento, tais como Despesas Financeiras, energia elétrica utilizada nos estabelecimentos da empresa, etc. O que entendo que os itens trazidos pelas Leis 10.637/02 e 10.833/03 que geram o creditamento, são taxativos, inclusive porque demonstram claramente as despesas, e não somente os custos que deveriam ser objeto na geração do crédito dessas contribuições. Eis que, se fossem exemplificativos, nem poderiam estender a conceituação de insumos as despesas operacionais que nem compõem o produto e serviços – o que até prejudicaria a inclusão de algumas despesas que não contribuem de forma essencial na produção. Com efeito, por conseguinte, podese concluir que a definição de “insumos” para efeito de geração de crédito das r. contribuições, deve observar o que segue: · Se o bem e o serviço são considerados essenciais na prestação de serviço ou produção; · Se a produção ou prestação de serviço são dependentes efetivamente da aquisição dos bens e serviços – ou seja, sejam considerados essenciais. Tanto é assim que, em julgado recente, no REsp 1.246.317, a Segunda Turma do STJ reconheceu o direito de uma empresa do setor de alimentos a compensar créditos de PIS e Cofins resultantes da compra de produtos de limpeza e de serviços de dedetização, com base no critério da essencialidade. Para melhor transparecer esse entendimento, trago a ementa do acórdão (Grifos meus): “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. AUSÊNCIA DE VIOLAÇÃO AO ART. 535, DO CPC. VIOLAÇÃO AO ART. 538, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CPC. INCIDÊNCIA DA SÚMULA N. 98/STJ. CONTRIBUIÇÕES AO PIS/PASEP E COFINS NÃOCUMULATIVAS. CREDITAMENTO. CONCEITO DE INSUMOS. ART. 3º, II, DA LEI N. Fl. 955DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 956 14 10.637/2002 E ART. 3º, II, DA LEI N. 10.833/2003. ILEGALIDADE DAS INSTRUÇÕES NORMATIVAS SRF N. 247/2002 E 404/2004. 1. Não viola o art. 535, do CPC, o acórdão que decide de forma suficientemente fundamentada a lide, muito embora não faça considerações sobre todas as teses jurídicas e artigos de lei invocados pelas partes. 2. Agride o art. 538, parágrafo único, do CPC, o acórdão que aplica multa a embargos de declaração interpostos notadamente com o propósito de prequestionamento. Súmula n. 98/STJ: "Embargos de declaração manifestados com notório propósito de prequestionamento não têm caráter protelatório ". 3. São ilegais o art. 66, §5º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 247/2002 Pis/Pasep (alterada pela Instrução Normativa SRF n. 358/2003) e o art. 8º, §4º, I, "a" e "b", da Instrução Normativa SRF n. 404/2004 Cofins, que restringiram indevidamente o conceito de "insumos" previsto no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e n. 10.833/2003, respectivamente, para efeitos de creditamento na sistemática de nãocumulatividade das ditas contribuições. 4. Conforme interpretação teleológica e sistemática do ordenamento jurídico em vigor, a conceituação de "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, não se identifica com a conceituação adotada na legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posto que excessivamente restritiva. Do mesmo modo, não corresponde exatamente aos conceitos de "Custos e Despesas Operacionais" utilizados na legislação do Imposto de Renda IR, por que demasiadamente elastecidos. 5. São "insumos", para efeitos do art. 3º, II, da Lei n. 10.637/2002, e art. 3º, II, da Lei n. 10.833/2003, todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade da Fl. 956DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 957 15 empresa, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. 6. Hipótese em que a recorrente é empresa fabricante de gêneros alimentícios sujeita, portanto, a rígidas normas de higiene e limpeza. No ramo a que pertence, as exigências de condições sanitárias das instalações se não atendidas implicam na própria impossibilidade da produção e em substancial perda de qualidade do produto resultante. A assepsia é essencial e imprescindível ao desenvolvimento de suas atividades. Não houvessem os efeitos desinfetantes, haveria a proliferação de microorganismos na maquinaria e no ambiente produtivo que agiriam sobre os alimentos, tornandoos impróprios para o consumo. Assim, impõese considerar a abrangência do termo "insumo" para contemplar, no creditamento, os materiais de limpeza e desinfecção, bem como os serviços de dedetização quando aplicados no ambiente produtivo de empresa fabricante de gêneros alimentícios. 7. Recurso especial provido.” Aquele colegiado entendeu que a assepsia do local, embora não esteja diretamente ligada ao processo produtivo, é medida imprescindível ao desenvolvimento das atividades em uma empresa do ramo alimentício. Em outro caso, o STJ reconheceu o direito aos créditos sobre embalagens utilizadas para a preservação das características dos produtos durante o transporte, condição essencial para a manutenção de sua qualidade (REsp 1.125.253). O que, peço vênia, para transcrever a ementa do acórdão: COFINS – NÃO CUMULATIVIDADE – INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA – POSSIBILIDADE – EMBALAGENS DE ACONDICIONAMENTO DESTINADAS A PRESERVAR AS CARACTERÍSTICAS DOS BENS DURANTE O TRANSPORTE, QUANDO O VENDEDOR ARCAR COM ESTE CUSTO – É INSUMO NOS TERMOS DO ART. 3º, II, DAS LEIS N. 10.637/2002 E 10.833/2003. 1. Hipótese de aplicação de interpretação extensiva de que resulta a simples inclusão de situação fática em hipótese legalmente prevista, que não ofende a legalidade estrita. Fl. 957DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 958 16 Precedentes. 2. As embalagens de acondicionamento, utilizadas para a preservação das características dos bens durante o transporte, deverão ser consideradas como insumos nos termos definidos no art. 3º, II, das Leis n. 10.637/2002 e 10.833/2003 sempre que a operação de venda incluir o transporte das mercadorias e o vendedor arque com estes custos.” Tornase necessário se observar o princípio da essencialidade para a definição do conceito de insumos com a finalidade do reconhecimento do direito ao creditamento ao PIS/Cofins nãocumulativos." Sendo assim, entendo não ser aplicável o entendimento de que o consumo de tais bens e serviços sejam utilizados DIRETAMENTE no processo produtivo, bastando somente serem considerados como essencial à produção ou atividade da empresa. No caso dos autos, o Contribuinte atua no ramo de fabricação de máquinas e equipamentos agrícolas, e requer que sejam que as despesas com água e esgoto, seguros, viagens, custos com pesquisas, comunicação, gastos com marcas e patentes, despesas com exposições, publicações legais, livros, propaganda e publicidade, assistência social, alimentação com empregados, custos vários (suprimentos), impostos e taxas, despesas com causas judiciais, representação social, sejam aptas a gerar crédito, por entender que são custos necessários a atividade da empresa nos temos legislação do IPPJ. Ou seja, a recorrente invoca o entendimento do IRPJ para servir de fonte aos critérios de determinação dos insumos para o PIS e para a COFINS. Mas não me parece que seja ele adequado, conforme já bem fundamentado acima. Sobre as despesas relacionadas diretamente na produção das maquinas agrícolas, entendo que atendem aos critérios para caracterização como insumo somente as despesas e custos com o consumo de água utilizado na produção, pois a mesma é utilizada para a realização de banhos, especialmente antes e depois das pinturas em partes e peças dos maquinários, e como forma de reter os resíduos vaporosos da tinta, servindo de veículo para purificação do ar. Proponho dar provimento ao recurso neste item. Fl. 958DF CARF MF Processo nº 11070.721845/201358 Acórdão n.º 9303004.889 CSRFT3 Fl. 959 17 Quantos as outras despesas citadas pelo Contribuinte, entendo que não foram demonstrados com sendo essências na produção ou atividade do Contribuinte, assim entendo que as glosas devem ser mantidas. Diante do exposto, dáse provimento parcial ao Recurso Especial do Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Érika Costa Camargos Autran Fl. 959DF CARF MF
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