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Numero do processo: 10283.000116/2005-96
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jul 07 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 08/10/2004
Ementa:
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. CONTRADIÇÕES INEXISTENTES. EMBARGOS REJEITADOS
Inexistindo as contradições alegadas os Embargos Declaratórios deverão ser rejeitados por falta de pressupostos para seu acolhimento.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 3301-003.922
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SEÇÃO DE JULGAMENTO, por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 3101-001.786.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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CONTRADIÇÕES INEXISTENTES. EMBARGOS REJEITADOS Inexistindo as contradições alegadas os Embargos Declaratórios deverão ser rejeitados por falta de pressupostos para seu acolhimento. Embargos Rejeitados. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 01 16 /2 00 5- 96 Fl. 502DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 497 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por unanimidade de votos, Rejeitar os Embargos Declaratórios interpostos pelo contribuinte em face do Acórdão nº 3101001.786. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. Fl. 503DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 498 3 Relatório Cuidase de Embargos Declaratórios interpostos pelo contribuinte, fls. 343/357, em razão de supostas contradições existente no Acórdão nº 3101001.786, de 11 de dezembro de 2014. Tratase de auto de infração lavrado contra o contribuinte para a constituição de crédito tributário relativos à Imposto de Importação, IPI Vinculado à Importação, Multa de Ofício, Multa por Infração Administrativa e Multa Regulamentar, em face de importação de mercadoria usada, sem prévio licenciamento de importação. Ao apreciar Impugnação, a 2ª Turma da DRJ/Fortaleza julgou a autuação improcedente e exonerou totalmente o crédito tributário lançado. Segundo aquele colegiado, houve erro na determinação da matéria tributável (erro material). Em sede de Recurso de Ofício, a 1ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Terceira Seção de Julgamento deu provimento ao recurso, nos termos do Acórdão nº 3101 001.786, ora embargado, assim ementado: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 08/10/2004 DETERMINAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL VÍCIO MATERIAL INEXISTENTE Inexiste vício material na autuação quando os fatos constatados pela fiscalização, inseridos e comprovados nos autos, demonstrarem que a matéria tributável foi devidamente identificada, não restando dúvidas quanto ao conteúdo da autuação. Os manejos operacionais no Siscomex, contemplando o registro de uma "DI preliminar", (i) efetivado pelo importador, (ii) autorizado pela fiscalização aduaneira, (iii) para atender exigência desta, não têm o condão de iniciar novo despacho aduaneiro, tampouco estabelecer nova relação jurídica. ZONA FRANCA ISENÇÃO DE TRIBUTOS DESCARACTERIZAÇÃO DA ISENÇÃO LICENÇA DE IMPORTAÇÃO INTEMPESTIVA LICENÇA DE IMPORTAÇÃO SUBSTITUTIVA O licenciamento nãoautomático, previamente ao despacho aduaneiro, é condição para que o importador usufrua da isenção prevista no art. 3º do DecretoLei 288, de 1967. Ex vi art. 455 do Decreto nº 4543/2002. A retificação da Declaração de Importação para vinculação de novo licenciamento, cuja nova licença não foi deferida na qualidade de "Substitutiva", caracterizase como importação sem Licença de Importação, descaracterizandose a isenção do art. 3º do DecretoLei 288/1967. Ex vi art. 119 do Decreto nº 4543/2002. Fl. 504DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 499 4 O deferimento de Licença de Importação Substitutiva, ainda que no curso do despacho aduaneiro, mantém válidas a natureza e as características, bem assim a data de emissão da LI Substituída, para todos os efeitos fiscais. IMPORTAÇÃO SEM LICENÇA DE IMPORTAÇÃO MULTA POR INFRAÇÃO ADMINISTRATIVA AO CONTROLE DAS IMPORTAÇÕES CABIMENTO É devida a multa por infração administrativa ao controle das importações, pela falta de Licença de Importação (LI), prevista no art. 169, I, "b" do DecretoLei 37/66, quando, havendo necessidade de retificar a LI originariamente vinculada à Declaração de Importação (DI), o importador apresentar uma nova LI. Não será devida a referida multa em caso de deferimento, por parte dos órgãos anuentes, de LI Substitutiva. O deferimento de Licença de Importação Substitutiva, ainda que no curso do despacho aduaneiro, mantém válidas a natureza e as características, bem assim a data de emissão da LI Substituída, para todos os efeitos fiscais. A emissão de LI em data posterior ao registro da Declaração de Importação (DI), não obstante ser necessária e obrigatória para o prosseguimento do despacho aduaneiro, não supre a infração perpetrada, qual seja, a importação sem LI. Esta, por sua vez, não se confunde com LI emitida após o embarque, porém antes do início do despacho (registro da DI). CLASSIFICAÇÃO TARIFÁRIA ERRÔNEA DESCRIÇÃO DA MERCADORIA INCORRETA MULTA REGULAMENTAR CABIMENTO Para fins de classificação fiscal a mercadoria deve ser corretamente descrita e identificada na Declaração de Importação, de forma a permitir sua correta classificação na NCMSH. Em matéria tributária, a intenção do agente é irrelevante para a caracterização da responsabilidade pela infração, ex vi do disposto no art. 136 do Código Tributário Nacional. Recurso de Ofício Provido. Nessa oportunidade o contribuinte interpõe Embargos Declaratórios sob alegação de haver contradição entre os fundamentos do Acórdão e a decisão proferida, notadamente no que tange ao objeto da importação. Foime distribuído o presente feito para relatar e pautar. É o relatório, em sua essência. Fl. 505DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 500 5 Voto Conselheiro José Henrique Mauri Relator Os Embargos Declaratórios foram admitidos por Despacho do Presidente à fls. 487/489. Assim, conheçoos e passo a analisálos. Alega a Embargante existirem diversas contradições, dispersas genericamente no corpo da peça recursal. Tratase de Auto de Infração em que foram exigidos créditos tributários em face de infrações ao controle aduaneiro e ao controle administrativo das importações. O despacho aduaneiro, inicialmente processado com base na DI 04/10193334 (Principal), somente teve seu prosseguimento com adoção de providências por parte do importador no sentido de ver sanadas as irregularidades apontadas pela fiscalização, especialmente quanto à classificação fiscal e à condição de "usado" do bem declarado. Conseqüentemente houve necessidade de se obter "novos" licenciamentos com as correções advindas, bem como autorização para que se processasse a retificação da DI por meio de "DI Complementar" em face de inexistência, à época dos fatos, de funcionalidade no Siscomex para a inclusão de nova adição na DI Principal, razão pela qual foi registrada a DI 04/13138474 (secundária), na modalidade "DI Preliminar". Formalizados os ajustes necessários, houve a conclusão do despacho aduaneiro e a competente lavratura do Auto de Infração para exigência dos tributos e multas devidas em face das irregularidades praticadas, no entender da fiscalização. O colegiado da DRJ/FOR, apreciando a Impugnação, entendeu que o objeto da autuação [uma máquina industrial corrugadora para fabricação de papel ondulado] não seria o mesmo objeto desembaraçado, constante da Declaração de Importação, após os ajustes determinados pela fiscalização. Em sede de Recurso de Ofício o Colegiado do Carf entendeu que inexistia o vício material apontado pelo instância a quo, dando provimento ao referido recurso. Feitas as considerações introdutórias, passamos às pretensas contradições apresentadas pela Embargante, segregandoas, por minha iniciativa, nos tópicos seguintes: 1 Da contradição na determinação da matéria tributável erro material A embargante tece comentários sobre os procedimentos que envolveram o despacho aduaneiro, detalhando a necessidade surgida, no curso do despacho, de desmembramento do conhecimento de embarque para fins de Fl. 506DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 501 6 reclassificacão fiscal do produto, inicialmente declarado em uma única NCM, em quatro módulos e distribuídos em duas Declarações de importação (DI). Aventa existir contradição no fato de que a autuação deuse sobre uma máquina corrugadora e o despacho foi ajustado para o desembaraço de quatro módulos, em NCM distintas. Aponta ainda a embargante que, para justificar seus fundamentos, a decisão embargada desconsiderou a existência da segunda DI, assim expressou a embargante: "No mais, a decisão embargada sustenta que a DI 04/13138474, emitida para acobertar os demais módulos do equipamento importado pela Embargante, seria apenas um apêndice da DI original. Sustenta que, em última análise essa "DI secundária", no Siscomex, prestase exclusivamente para retificar a DI principal, preservandose a natureza e as características da DI principal e conclui que "os dados e informações constantes da DI secundária devem ser interpretados como inseridas no corpo da DI principal, para todos os fins". É contraditória assim a decisão. Não faz sentido a retificação do documento para manter as mesmas características do documento retificado. Ademais, foram incluídos novos produtos o que descaracterizaria o argumento da decisão embargada. E mais, se os dois documentos se referiam a um mesmo produto, porque a Embargante teve que separar em módulos os materiais para procedimentos de importação? E substituir uma licença de importação por outras quatro LIs? Resta evidente a contradição." Transcrevese excertos do Voto Condutor do Acórdão Embargado que explicitam os fundamentos da decisão Embargada: "A DI 04/13138474 (secundária), vista isoladamente, traria efeitos jurídicos inerentes à espécie: início do despacho aduaneiro, perda da espontaneidade por parte do importador, data de vencimento dos tributos incidentes na importação, vinculação com outros sistemas para controle e baixa de carga etc... Contudo, a DI secundária, no caso concreto, não passa de um apêndice à DI principal (04/110193334), a esta atrelada, vinculada, não existe por si só. Tanto o é que, para fins fiscais, a existência da DI secundária não surte efeitos. Todos os tributos, p.ex., recolhidos em face do registro da DI secundária são calculados e devidos com base na data do registro da DI principal, inclusive com exigência de acréscimos legais por pagamento fora do prazo, se for o caso. " Assim, o registro da DI secundária não gera, por si só, efeitos fiscais, prestandose como elemento operacional do Siscomex com vistas a permitir a inserção, na base do Sistema, de dados e informações pertencentes à DI principal, por exigência da fiscalização, inviabilizada de sêla atendida por meio de retificação da DI principal. Isto por falta de funcionalidade do sistema informatizado. Fl. 507DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 502 7 Em última análise, o registro da DI secundária, no Siscomex, prestase, exclusivamente, a retificar a DI principal, preservandose a natureza e as características da DI principal. Assim, os dados e informações constantes da DI secundária devem ser interpretados como inseridas no corpo da DI principal, para todos os fins. Corroborando o que antes foi dito, ressaltese que a DI secundária (04/13138474) foi registrada na modalidade "DI preliminar", somente permitida com prévia autorização da fiscalização, via processo administrativo, com vista a suprir deficiência do Siscomex, não surgindo, desse registro, nenhuma nova relação jurídica, posto que ela estará vinculada (i) ao processo administrativo, (ii) à DI principal (04/110193334) e (iii) a cumprir exigência da fiscalização no curso do despacho aduaneiro da DI principal, para retificála. Os manejos operacionais no Siscomex, contemplando o registro de uma "DI preliminar", (i) efetivado pelo importador, (ii) autorizado pela fiscalização aduaneira, (iii) para atender exigência desta, não têm o condão de iniciar novo despacho aduaneiro, tampouco estabelecer nova relação jurídica. Os dados, elementos e informações constantes do processo administrativo que autorizam formalmente o procedimento atípico de registro de "DI preliminar", bem assim aqueles constantes da própria DI registrada (secundária), representam meros apensos à DI principal, dela herdando a natureza , as características, os direitos e as obrigações. Portanto, não há que se falar em erro material na identificação da matéria tributável em face da indicação, pela fiscalização, unicamente da DI principal (04/10193334). A DI secundária (04/13138474), confeccionada na modalidade preliminar, não tem autonomia, sua existência prestase exclusivamente a permitir a retificação da DI principal para inclusão de novas adições, operação não permitida pelo Siscomex, à época dos fatos. [...] "O produto importado foi declarado como sendo uma "máquina corrugadora completa para fabricação de papelão ondulado", conquanto, submetido à fiscalização, restou comprovado trataremse de vários módulos, com classificações próprias. No entanto, em nenhum momento a fiscalização, nem mesmo o próprio autuado, afirmou que o equipamento deixou de representar, no conjunto dos módulos, uma "máquina corrugadora completa para fabricação de papelão ondulado", um sistema completo ou ainda uma linha de produção. "O que se caracterizou na autuação foi que referido "equipamento" não tem uma classificação autônoma, sendo classificado por seus módulos, individualmente. Para que se chegue a essa realidade e se proceda à correta classificação, o importador deveria ter feito constar no campo "descrição da mercadoria" da DI, as informações referentes aos módulos, de forma a permitir a correta classificação por parte da fiscalização. Fl. 508DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 503 8 Não obstante, a descrição genérica "máquina corrugadora completa para fabricação de papelão ondulado", a meu ver, é suficiente, no caso concreto, para identificar o conjunto de bens resultantes das quatro adições, desembaraçadas por meio da DI principal, subsidiada pelas informações inseridas no Siscomex por intermédio de "DI preliminar" (DI secundária)." Os fatos constatados pela fiscalização, inseridos e comprovados nos autos, não contrapostos pela autuada, dão conta de que a matéria tributável foi devidamente identificada, não restando dúvidas quanto ao conteúdo da autuação. [...] Resta cristalino que a autuação atende integralmente às disposições do art. 142 do Código Tributário Nacional, inclusive com a perfeita determinação da matéria tributável. devendo ser mantido íntegro a autuação". Conforme se depreende dos excertos transcritos, o colegiado foi contundente ao afirmar que a autuação identificou corretamente a matéria tributada, considerandose tratar de despacho aduaneiro retificado por meio de "DI Complementar". Segundo o colegiado, o conjunto dos módulos representa uma "máquina corrugadora completa para fabricação de papelão ondulado", objeto da autuação. Quanto à alegação de ser contraditória a decisão ao afirmar que a retificação da DI não altera as características do objeto, especialmente porque "foram incluídos novos produtos o que descaracterizaria o argumento da decisão embargada", devese ter em mente que natureza da retificação de uma DI, regularmente processada no Siscomex1, é, exatamente, preservar as características essenciais da DI retificada (original), tanto o é que os efeitos fiscais e tributários advindos da retificação reportamse à data do registro da DI original. No caso concreto, a retificação da DI original não foi possível de ser processada em sua forma regular, diretamente na própria DI, em face da necessidade de se incluir nova adição à DI. Para essa particularidade o Siscomex não continha, à época dos fatos, funcionalidade para a retificação. Assim foi autorizado procedimento excepcional de retificação por meio da utilização de "DI Preliminar", nesses casos, o despacho é processado considerandose as informações das duas DI, a Original (Principal) e a Preliminar (Secundária). Outrossim, com suporte nos excertos do Acórdão embargado, suso transcritos, temse que o Acórdão embargado está devidamente fundamentado no sentido de que a mercadoria objeto do auto de Infração [máquina corrugadora completa para fabricação de papelão ondulado] representa igualmente o conjunto de 1 A Declarações de Importação(DI) retificada no Siscomex tem seu número preservado. A retificação efetuada é identificada por um número sequencial de três dígitos que são acrescidos ao número da DI original. Fl. 509DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 504 9 itens formados pelas mercadorias que restaram na DI Principal, após a retificação, acrescidas daquelas desmembradas, e incluídas na DI Secundária. Portanto, não enxergo contradição em relação a identificação do objeto autuado. 2 Contradição entre a identificação do objeto para fins de descaracterização do erro material e para fins de aplicação de multa. Aduz a Embargante que houve contradição do Acórdão ao confrontar os fundamentos do item (i) Do vício material da autuação e do item (V) Da multa por classificação tarifária errônea (multa regulamentar). vejamos os termos dos embargos, nesse pormenor: "Notase também que em determinados momentos a decisão embargada trata os bens importados pela Embargante ora como sendo máquina corrugadora (fls. 317), ora por linha de produção formada por diversas máquinas de funções distintas e integradas (fls. 324), em total ausência de critério sobre o real bem importado. Vejamos os trechos contraditórios: (i) Do vício material da autuação "(...) O produto importado foi declarado como sendo uma máquina corrugadora completa para fabricação de papel ondulado, conquanto, submetido à fiscalização, restou comprovado trataremse de vários módulos, com classificações próprias. No entanto, em nenhum momento a fiscalização, nem mesmo o próprio autuado, afirmou que o equipamento deixou de representar, no conjunto dos módulos, uma máquina corrugadora completa para fabricação de papel ondulado" (...) (V) Da multa por classificação tarifária errônea (multa regulamentar) Não há dúvida que o bem foi incorretamente descrito, em se considerando as informações necessárias para sua correta classificação. No presente caso temse que a empresa autuada importou a mercadoria descrita originalmente na Declaração de Importação (DI) n° 04/13138474 como uma Máquina Industrial Corrugadora para Fabricação de Papelão Ondulado, tendoa classificado na posição NCM 8439.3030. Durante a conferência aduaneira, a fiscalização constatou, com respaldo em laudo pericial técnico, que a referida mercadoria, declarada como se nova fosse, era, na verdade, uma completa linha de produção usada, formada por diversas máquina de funções distintas e integradas com vistas à produção de lâminas de papelão" Portanto, embora o equipamento possa ser chamado vulgarmente de máquina industrial corrugadora completa para fabricação de papelão ondulado, essa denominação não se Fl. 510DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 505 10 presta, isoladamente, para identificar a mercadoria importada na DI" [Destaques são de autoria do embargante] O próprio texto do Acórdão embargado, acima transcrito, trazido pelo embargante, é lúcido e coerente o suficiente para demonstrar que não há contradição. Conforme já explicitado no tópico precedente, o bem importado pode ser descrito, dentre outras formas, como sendo uma máquina corrugadora completa para fabricação de papel ondulado, composto de módulos, conforme identificado no item (i) Do vício material da autuação, suso transcrito e abaixo reiterado. "(...) O produto importado foi declarado como sendo uma máquina corrugadora completa para fabricação de papel ondulado, conquanto, submetido à fiscalização, restou comprovado trataremse de vários módulos, com classificações próprias. No entanto, em nenhum momento a fiscalização, nem mesmo o próprio autuado, afirmou que o equipamento deixou de representar, no conjunto dos módulos, uma máquina corrugadora completa para fabricação de papel ondulado." Contudo, em se tratando de descrição para fins de classificação fiscal, a descrição do bem deve conter, ao menos, os dados e informações, necessárias e suficientes, para que se proceda sua classificação fiscal, nos termos do SH/NCM. Nesse sentido, à descrição acima, terseá que ser acrescida informações técnicas acerca dos ditos módulos, já que, segundo constatou a fiscalização (não contraditado pela então recorrente) a máquina importada deve ser classificada por seus módulos. Isso fica translúcido ao fazermos a releitura do texto acima transcrito, incluindose ao final do último parágrafo a frase "Para fins de classificação fiscal o equipamento deve ser corretamente descrito e identificado de forma a permitir sua correta classificação na NCMSH", constante do texto original, omitida pelo embargante na sua transcrição. Vejamos a transcrição dos mesmos excertos, com outros destaques: (V) Da multa por classificação tarifária errônea (multa regulamentar) Não há dúvida que o bem foi incorretamente descrito, em se considerando as informações necessárias para sua correta classificação. No presente caso temse que a empresa autuada importou a mercadoria descrita originalmente na Declaração de Importação (DI) nº 04/10193334 como uma Máquina Industrial Corrugadora para Fabricação de Papelão Ondulado, tendoa classificado na posição NCM 8439.3030. Durante a conferência aduaneira, a fiscalização constatou, com respaldo em laudo pericial técnico, que a referida mercadoria, declarada como se nova fosse, era, na verdade, uma completa linha de produção, usada, formada por diversas máquinas de funções distintas e integradas com vistas à produção de lâminas de papelão. Portanto, embora o equipamento, como um todo, possa ser chamado vulgarmente de "Máquina Industrial Corrugadora Completa para Fabricação de Papelão Ondulado", essa denominação não se presta, Fl. 511DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 506 11 ISOLADAMENTE, para identificar a mercadoria importada na DI. Para fins de classificação fiscal o equipamento deve ser corretamente descrito e identificado de forma a permitir sua correta classificação na NCMSH. [Destaquei] Como se vê ficou evidenciado que o colegiado entendeu tratarse de uma máquina corrugada para fabricação de papelão ondulado, conforme constou nos documentos que instruiram a Declaração de Importação, contudo, para fins de classificação fiscal, as mercadorias deveriam ser descridas contemplandose as informações técnicas dos módulos que as compõem, conforme as regras do SH. Portanto, também nesse pormenor, não vislumbro contradição. 3 Contradição em relação às Licenças de Importação (LI) Substitutivas. Alega a Embargante existência de contradições em relação às LI substitutivas, posto que a decisão do Carf, ora embargada, reconhece que a Embargante corrigiu a sua importação, providenciou sanar todas as pendências e ainda assim, contraditoriamente, a decisão mantém a autuação. Vejamos os termos dos embargos: "As contradições no acórdão embargado continuam no que se refere às Lis substitutivas. Vejamos o que restou descrito na fl. 319: "A LI 04/15205910, vinculada à DI 04/10193334}, em sua forma original, acobertava importação de um produto novo, conquanto constatouse tratar de bem usado. Ressaltese que a importação do bem na condição de novo requer anuência exclusivamente da SUFRAMA, conquanto para o bem usado há também anuência do DECEX" Ora, é cristalino que sendo constatado que o bem era usado haveria a necessidade do crivo do DECEX para efetivação da importação, como de fato houve. A própria decisão embargada reconhece que a Embargante obteve anuência da SUFRAMA e do DECEX. Vejam: "(...) destarte, a anuência, deferida por parte da SUFRAMA, deuse para o bem no estado novo, não se prestando para autorizar a importação do bem usado. Razão pela qual o importador foi compelido pela fiscalização a regularizar o licenciamento. Posteriormente foram obtidas anuências para o bem usado (DECEX) e como conseqüência houve também novas anuências por parte da SUFRAMA, desta feita para o bem corretamente declarado como usado" De fato, os procedimentos para regularização da importação foram todos realizados, tanto que o órgão competente autorizou a emissão de LIs substitutivas." Conforme veremos adiante, a Embarcante equivocase, as LIs não tem natureza de Substitutivas. E continua a embargante: Fl. 512DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 507 12 "Conforme decidiu a DRJ, os novos licenciamentos de importação jamais poderiam ter sido concedidos sem o consentimento da DECEX por força do parágrafo segundo da Portaria Secex n°. 17, de Io de dezembro de 2003: "Art. 20 A empresa poderá solicitar a alteração do licenciamento, até o desembaraço da mercadoria, em qualquer modalidade. Mediante a substituição, no Siscomex, da licença deferida. § 2o Não serão autorizadas substituições que descaracterizem a operação originariamente licenciada", Vale dizer ainda que, apesar de reconhecer a necessidade de anuência do DECEX para regularização da licença de importação, acaba por reformar a decisão em completa contradição. Ou seja, reconhece que a Embargante corrigiu a sua importação, mas por castigo mantém a autuação. Ademais, sustenta a decisão que as LIs posteriormente emitidas pela Embargante para substituir a LI original não seriam na verdade LIs Substitutivas mas tratarseiam de nova LI, autônoma e independente. Nesse sentido, vale transcrever trechos da decisão embargada: A decisão parte da premissa de que a LI posteriormente emitida pela Suframa teria a natureza de LI Substitutiva, pois caso houvesse a descaracterização da operação original, a LI não seria emitida, face da vedação do art. 20 da Portaria Secex vigente à época dos fatos. Acontece que o art. 20 trata exatamente de LI Substitutiva, e por óbvio estabelece requisitos e condições para sua emissão. A "descaracterização da operação anteriormente autorizada" é uma das vedações para que se emita LI Substitutiva. Nesse caso, emitese uma nova LI, autônoma e independente. A caracterização de LI Substitutiva, fundamento utilizado no Acórdão recorrido, foi alicerçado, a meu ver, em presunção (por ser anuído novamente, o mesmo equipamento) e argumentações vagas. O autuado, na impugnação não se incumbiu da apresentação de elementos probantes que pudessem atestar a qualidade de Substitutiva que se pretendeu dar à LI obtida. Por sua vez a fiscalização consubstanciou, de forma contundente, tratarse de novo licenciamento, portanto de nova LI. Nos termos da decisão supra transcrita, citado art. 20 da Portaria SECEX n° 17/2003 trata exatamente de LI substitutiva, mas afirma que a descaracterização da operação veda a emissão de LI substitutiva, o que, nesse caso, ocasionaria na emissão de uma nova LI autônoma e independente, apesar de terem sido emitidas as LIs Substitutivas n° 04/19011169, 04/19011185, 04/19011193 e 04/19011215 . Confusos os argumentos da decisão." Ora, por força da própria norma SECEX os licenciamentos posteriormente emitidos para a importação em comento só poderiam ser emitidos (e o foram) na modalidade de Licenciamento Substitutivo. Todavia, se no entender da d. autoridade julgadora houve de fato a descaracterização da operação originalmente licenciada, de modo que a Embargante estaria impedida de proceder à substituição da LI e deveria Fl. 513DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 508 13 emitir uma nova LI, autônoma e independente, mais uma vez a decisão embargada incorre em gritante contradição e merece ser reformada. Isso porque, conforme mencionado anteriormente, o voto vencedor da decisão embargada afirma categoricamente que, apesar da retificação da DI original, emissão de nova DI e substituição das LIs exigidas pela autoridade aduaneira para a liberação da mercadoria, o bem importado não teve suas características alteradas e não deixou de ser uma Máquina Corrugadora para todos os fins. " Antecipase, que se explicitará mais adiante, que não se confundme as regras para registro e retificação de DI com as de análise, deferimento e alteração de LI. A primeira cuida do controle fiscal e aduaneiro, a cargo da RFB, conquanto a segunda (LI) se encarrega do controle administrativo, de responsabilidade dos órgãos anuentes, sob a coordenação da Secex, do MICT. Continua a embargante: "Mas, em absurdo contrasenso impõe à Embargante penalidades decorrentes da falta de LI (tributos, multa de ofício e multa administrativa) por entender que houve a descaracterização da operação originalmente licenciada! Ora, se se trata de LI nova e autônoma conforme afirma a decisão, nesse caso, então, haveria de ser lançado o tributo sobre a nova importação porque o produto é outro, detém outra classificação fiscal, possui outra NCM e outra descrição, fato esse que corrobora a nulidade que permeia a autuação. " De pronto fazse necessário aclarar alguns equívocos por parte da Embargante, em relação às regras estipuladas para o controle administrativos das importações que, na forma posta pela embargante, leva a conclusões igualmente equivocadas. Vejamos. O controle administrativo das importações é processado por meio de licenciamento e formalizado com a Licença de Importação (LI). Uma LI original (inicial, primeira) será vinculada a uma DI para fins de despacho aduaneiro. Nessa condição (vinculada) a LI não poderá ser acessada pelo importador para fins de sua eventual alteração. Em se havendo necessidade de alteração de dados de LI já vinculada a uma DI, o interessado deverá previamente providenciar um licenciamento onde se buscará a obtenção de uma LI Substitutiva que, após deferida, será vinculada à DI, no lugar (em substituição) à LI originariamente vinculada. Nessa hipótese, terseá preservado os dados da LI Original, inclusive a data do deferimento daquela LI, para fins de usufruto de benefícios tributários. A LI Substituída (Original) ficará bloqueada e atrelada à LI Substitutiva, que a substituiu. Não se logrando êxito no deferimento de uma LI Substitutiva, seja por impedimento legal ou por indeferimento do Órgão anuente, a alternativa é a obtenção de uma LI nova que, quando vinculada àquela DI, assumira o papel de uma LI original. Nesse caso a LI substituída [por uma LI nova] voltará ao status de Fl. 514DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 509 14 disponível para eventual futura utilização, se ainda estiver dentro do prazo de sua validade. As razões de fato e de direito que justificam o deferimento de uma ou outra modalidade de licenciamento (LI Nova ou Substitutiva) estão relacionadas às tratativas que ocorreram entre a embargante e o Órgão anuente, no âmbito do processamento do referido licenciamento. Percebese que os Embargos apresentados acabam por misturarem os conceitos e definições que regem o processo de licenciamento e, por conseqüência, contem erros na interpretação dos fatos. Vejamos, p.ex., o Excerto abaixo: Nos termos da decisão supra transcrita, citado art. 20 da Portaria SECEX n° 17/2003 trata exatamente de LI substitutiva, mas afirma que a descaracterização da operação veda a emissão de LI substitutiva, o que, nesse caso, ocasionaria na emissão de uma nova LI autônoma e independente, apesar de terem sido emitidas as Lis Substitutivas n° 04/19011169, 04/19011185, 04/19011193 e 04/19011215 . Confusos os argumentos da decisão. [Destaquei] Diversamente do que diz a Embargante, está cristalino no Voto condutor do Acórdão embargado, que todas as quatro LI foram emitidas na modalidade de LI novas, vale dizer, não há deferimento de LI Substitutiva. Vejamos o que diz o Acórdão embargado: Por sua vez, a fiscalização consubstanciou, de forma contundente, tratar se de novo licenciamento, portanto de nova LI. Eis o que disse a fiscalização:[...] [...] Ressaltese que em nenhuma das novas LI obtidas consta sua vinculação à LI original, condição que indicaria tratarse de uma LI Substitutiva. Assim, os elementos constantes dos autos evidenciam sobremaneira a caracterização de "novo licenciamento", pois (i) a LI anterior era para um bem novo, conquanto se trata de bem usado, (ii) há erro na classificação fiscal, (iii) não há manifestação da Suframa, órgão anuente, quanto á caracterização de LI Substitutiva, (iv) não há indicação da condição de substitutiva em nenhuma das novas LI geradas, (v) As novas LI passaram a ter validades próprias, diferentes da validade do documento original (LI substitutiva mantém intacta a validade da LI original, conforme art. 20, § 1º da Portaria Secex 17/2003) Noutra passagem temos igualmente equívocos nos Embargos Declaratórios, conforme segue: Todavia, se no entender da d. autoridade julgadora houve de fato a descaracterização da operação originalmente licenciada, de modo que a Embargante estaria impedida de proceder à substituição da LI e deveria emitir uma nova LI, autônoma e independente, mais uma vez a decisão embargada incorre em gritante contradição e merece ser reformada. Fl. 515DF CARF MF Processo nº 10283.000116/200596 Acórdão n.º 3301003.922 S3C3T1 Fl. 510 15 Isso porque, conforme mencionado anteriormente, o voto vencedor da decisão embargada afirma categoricamente que, apesar da retificação da DI original, emissão de nova DI e substituição das LIs exigidas pela autoridade aduaneira para a liberação da mercadoria, o bem importado não teve suas características alteradas e não deixou de ser uma Máquina Corrugadora para todos os fins. Nesse caso, o equívoco cometido pela embargante consiste no fato de ter considerado os requisitos e condições estabelecidos para a identificação da mercadoria, pela fiscalização da RFB, no curso do despacho, como se fossem os mesmos observados pelos órgãos anuentes, no momento do licenciamento. Os parâmetros utilizados para o controle administrativo das importações não guardam relação com aqueles aplicados pela fiscalização aduaneira, no controle fiscal. Os fundamentos utilizados pelo Acórdão embargado deve ser vistos no contexto em que se encontram, no tempo e espaço, assim a descaracterização de operação licenciada é matéria que não se confunde com a descaracterização de operação de importação, uma diz respeito à critérios e parâmetros a cargo dos órgãos anuentes, conquanto o outro relacionase s normas destinadas ao controle fiscal, para fins tributário, a cargo da RFB. O voto embargado, ancorado na autuação, na Declaração de Importação e nas demais peças insttutivas do presente processo, deixa claro que inexiste licença de importação Substitutiva. Não se verificam nos autos dados ou informações que possam infirmar noutro sentido. Portanto, aqui também não se verificam contradições. No mais, constam dos Embargos Declaratórios alegações genéricas que apresentam, como pano de fundo, a expectativa de se rediscutir a matéria, o que não se admite na espécie recursal ora apreciada. Dispositivo Com esses fundamentos, voto pela Rejeição dos Embargos Declaratórios interpostos pelo Contribuinte, em face do Acórdão nº 3101001.786. É como voto. José Henrique Mauri Relator Fl. 516DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.905952/2008-65
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Fri Jun 02 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA.
Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado.
CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA
Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa.
COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO.
O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3201-002.762
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado
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EXIGÊNCIA DE PROVA. Não pode ser aceito para julgamento a simples alegação sem a demonstração da existência ou da veracidade daquilo alegado. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Não há que se cogitar em nulidade do lançamento de ofício quando, no decorrer da fase litigiosa do procedimento administrativo é dada ao contribuinte a possibilidade de exercício do direito ao contraditório e à ampla defesa. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUÍDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 90 59 52 /2 00 8- 65 Fl. 59DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Mércia Helena Trajano Damorim, Ana Clarissa Masuko dos Santos Araujo, José Luis Feistauer de Oliveira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Winderley Morais Pereira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. Trata o presente processo fiscal de manifestação de inconformidade contra Despacho Decisório emitido eletronicamente pela DRF jurisdicionante relativo à Cofins, em virtude de exame de declaração de compensação no qual não foi homologado o encontro de contas por ausência/insuficiência de créditos oponíveis contra a Fazenda Pública. A interessada por sua vez, contesta o Parecer alegando sua nulidade em sede de preliminar. Entende que teria havido ausência de fundamentação do Despacho Decisório, o qual também considera que desviou de sua finalidade, pois objetivaria apenas a interrupção do prazo decadencial para a homologação das compensações declaradas. Ao final, reitera suas alegações quanto ã nulidade do despacho decisório e pede o reconhecimento de seu direito creditório com a consequente homologação das compensações realizadas. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento decidiu pela manutenção do despacho decisório, por entender que as alegações e os documentos trazidos pela Recorrente não comprovariam o pagamento a maior da Cofins. A decisão da DRJ foi assim ementada: Assunto: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL Cofins Período de apuração: 01/06/1999 a 30/06/1999 Ementa: RESTITUIÇAOCOMPENSAÇAO. Direitos creditórios pleiteados via Declaração de Compensação Nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional, essencial a comprovação da liquidez e certeza dos créditos para a efetivação do encontro de contas. Manifestação de Inconformidade improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a empresa apresentou recurso voluntário, repisando as alegações apresentadas na impugnação, reafirmando o pleito pela nulidade do despacho decisório e não apresenta nenhuma alegação contra o mérito do despacho decisório. Fl. 60DF CARF MF Processo nº 11020.905952/200865 Acórdão n.º 3201002.762 S3C2T1 Fl. 60 3 É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O recurso é voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecido. A Recorrente alega a nulidade do despacho decisório por não atender as exigências de motivação e finalidade. Entendo não assistir razão ao recurso, A Recorrente foi cientificada do despacho decisório e apresentou sua manifestação de inconformidade alegando questões preliminares sem adentrar a devida comprovação do crédito pleiteado. O julgamento da primeira instância foi claro ao decidir pela manutenção do despacho diante da ausência de comprovação documental dos créditos pleiteados pela Recorrente. Cientificada da decisão da primeira instância, apresentou seu recurso voluntário trazendo em linhas gerais, as mesmas alegações já apresentadas na manifestação de inconformidade e não trouxe nenhuma informações ou documentos que pudessem levantar qualquer dúvida quanto as conclusões do trabalho fiscal. Não apresentando nenhuma contestação objetiva sobre a comprovação do créditos, tampouco indicou a origem dos supostos créditos pleiteados no pedido de compensação. Novamente se resumiu a questões preliminares e quanto ao mérito, reafirma que a obrigação é da Receita Federal em buscar a verdade material e apurar os créditos alegados pela Recorrente. A autoridade fiscal tem o ônus da comprovação dos fatos quando da realização do lançamento tributário. Entretanto, estamos tratando de caso diverso. O despacho foi motivado por falta de comprovação do crédito alegado pela Recorrente. A modificação da decisão recorrida, somente poderia ocorrer com a comprovação da existência do crédito. A simples alegação sem a apresentação de informações não é suficiente para alterar o despacho decisório que não homologou o pedido de compensação, muito menos, obrigar a Fiscalização da Receita Federal que promova a busca das provas necessárias à comprovação das alegações constantes do recurso. A exigência de liquidez e certeza dos créditos sempre foi condição sine qua non, para a compensação, necessitando de prova clara e inconteste do direito creditório. No caso em tela, o contribuinte alega a existência do indébito tributário, sem apresentar indicação clara das provas a comprovar as suas alegações. Analisando a situação da necessidade da prova, lembro a lição de Humberto Teodoro Júnior. “Não há um dever de provar, nem à parte contraria assiste o direito de exigir a prova do adversário. Há um simples ônus, de modo que o litigante assume o risco de perder a causa se não provar os fatos alegados dos quais depende a existência de um direito subjetivo Fl. 61DF CARF MF 4 que pretende resguardar através da tutela jurisdicional. Isto porque, segundo máxima antiga, fato alegado e não provado é o mesmo que fato inexistente.” 1 Diante do exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Winderley Morais Pereira 1 Huberto Teodoro Júnior, Curso de Direito Processual Civil, 41ª ed., v. I, p. 387. Fl. 62DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.902727/2010-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.292
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 27 27 /2 01 0- 61 Fl. 234DF CARF MF Processo nº 16327.902727/201061 Acórdão n.º 1301002.292 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 235DF CARF MF Processo nº 16327.902727/201061 Acórdão n.º 1301002.292 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 236DF CARF MF Processo nº 16327.902727/201061 Acórdão n.º 1301002.292 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 237DF CARF MF Processo nº 16327.902727/201061 Acórdão n.º 1301002.292 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 238DF CARF MF Processo nº 16327.902727/201061 Acórdão n.º 1301002.292 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 239DF CARF MF Processo nº 16327.902727/201061 Acórdão n.º 1301002.292 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 240DF CARF MF Processo nº 16327.902727/201061 Acórdão n.º 1301002.292 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 241DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13888.900314/2014-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jun 19 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Data do fato gerador: 23/03/2012
PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO.
Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
Numero da decisão: 3401-003.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Data do fato gerador: 23/03/2012 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vice-presidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado.
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CRÉDITOS DE IPI PAGOS INDEVIDAMENTE OU A MAIOR COM DÉBITOS DA COFINS. AUSÊNCIA DE PROVAS DO CONTRIBUINTE. ÔNUS QUE LHE INCUMBE. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO. Contribuinte que pede compensação, instruindo seu pedido com a DCOMP; sobrevindo decisão dizendo que não há mais créditos a serem aproveitados tem o dever de provar a sua existência por outros meios, dentre outros, por intermédio de DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI, mas não o fez. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário apresentado. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (presidente da turma), Leonardo Ogassawara de Araújo Branco (vicepresidente), Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Augusto Fiel Jorge O'Oliveira, Fenelon Moscoso de Almeida, André Henrique Lemos (relator) e Tiago Guerra Machado. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 8. 90 03 14 /2 01 4- 21 Fl. 62DF CARF MF Processo nº 13888.900314/201421 Acórdão n.º 3401003.699 S3C4T1 Fl. 3 2 Versam os autos sobre PER/DCOMP cujo direito creditório alegado seria oriundo de recolhimento indevido do IPI, a ser compensado com débito de tributo administrado pela RFB. O despacho decisório não homologou a compensação em razão do recolhimento indevido já ter sido integralmente quitado com outros débitos do contribuinte. O contribuinte apresentou tempestivamente sua manifestação de inconformidade, arguindo várias nulidades, mormente que o aludido Despacho não teria fundamentação, teria se desviado de sua finalidade e lhe causado cerceamento de defesa. Sobreveio decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, na qual, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cuja ementa possui o seguinte teor: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Data do fato gerador: 23/03/2012 NULIDADES. As causas de nulidade no âmbito do processo administrativo fiscal são somente aquelas elencadas na legislação de regência. O Despacho Decisório devidamente fundamentado é regularmente válido. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. A homologação das compensações declaradas requer créditos líquidos e certos contra a Fazenda Nacional. Não caracterizado o pagamento indevido, não há créditos para compensar com os débitos do contribuinte. ÔNUS DA PROVA. Cabe à defesa o ônus da prova dos fatos modificativos, impeditivos ou extintivos da pretensão fazendária. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido A contribuinte interpôs tempestivamente o seu recurso voluntário, asseverando que a decisão não levou em consideração, nas razões de decidir a eficácia dos princípios constitucionais da motivação dos atos administrativos e da ampla defesa, impedindo que a Recorrente apresentasse defesa, bem como demonstrasse a existência do crédito, requerendo a nulidade da decisão, vez que não lhe foi oportunizado conhecer os motivos pelos quais sua compensação não foi homologada. É o relatório. Voto Fl. 63DF CARF MF Processo nº 13888.900314/201421 Acórdão n.º 3401003.699 S3C4T1 Fl. 4 3 Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.652, de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 13888.900243/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401003.652): Como se viu do relatório, o presente recurso voluntário visa a nulidade da decisão da DRJ de Ribeirão Preto/SP, entendendo que esta não restou motivada, implicando seu cerceamento de defesa. Não merece prosperar as alegações da Recorrente. A uma, disse o Despacho Decisório: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. A duas, mencionou expressamente a decisão de piso que a Recorrente não trouxe qualquer prova (DARF, DCTF, Livro de Apuração e Registro do IPI), indício ou justificativa que permitisse comprovar o alegado recolhimento indevido. A propósito, merece destaque parte do voto do e. relator: Inicialmente vale verificar o que consta no Despacho Decisório, devidamente assinado pela autoridade competente: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Ou seja, o alegado pagamento indevido não foi restituído porque já tinha sido utilizado para quitar outros débitos. Com efeito, se há erro nos arquivos da Receita, bastaria o interessado juntar a idônea e hábil documentação contraditória (DARF, DCTF e Livro de Apuração e Registro do IPI), até em homenagem o princípio da verdade material tanto invocado, sendo que, se tratam de declarações e livros cuja boa guarda e apresentação imediata estão legalmente determinadas. A manifestação do interessado não traz qualquer prova, indício ou mesmo justificativa que permita comprovar o alegado Fl. 64DF CARF MF Processo nº 13888.900314/201421 Acórdão n.º 3401003.699 S3C4T1 Fl. 5 4 recolhimento indevido, limitandose, tão somente a colecionar julgados e doutrinas sobre nulidades. Considerando que nos sistemas da Secretaria da Receita Federal do Brasil, consta que os valores recolhidos no indigitado DARF já foram utilizados para quitar outros débitos e nada o contribuinte a isto contrapõe, não há o que reconsiderar ou anular, sendo que não se justifica a falta de apresentação de documentos que provassem seu direito creditório, na medida que a alegação de cerceamento da defesa não se sustenta. A três, vêse que a decisão fora motivada, embora cingiramse as assertivas da Recorrente apenas e tão somente na juntada da DCOMP, informando que detinha um crédito de IPI, oriundo de pagamento indevido, o qual seria compensado com débitos da COFINS. A quatro, temse que, sobrevindo a decisão da manifestação de inconformidade, deveria a Recorrente fazer prova deste suposto pagamento indevido ou a maior do IPI, conforme determinava o artigo 333 do CPC, vigente à época ademais, como ressalvada pela decisão da DRJ , porém, quedou silente a contribuinterecorrente. A quinto, o processo há de vir devidamente instruído para que o Colegiado possa apreciálo, de modo que, diante da ausência de qualquer prova, a conclusão que se chega é que a decisão de piso não merece reparos. Não maiores ilações a serem feitas e diante da ausência de provas, voto em negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 65DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13830.900605/2012-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 18 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 31 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2006
ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2.
É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico.
ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA.
Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso.
Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
Numero da decisão: 1302-002.138
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente).
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2006 ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72.
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INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO.INTELIGÊNCIA SÚMULA CARF N.2. É vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. ALEGAÇÕES GENÉRICAS. APLICAÇÃO DO ART. 17, DO DEC. N.° 70.235/72. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Em processo administrativo tributário, o poder instrutório da defesa compete, em princípio, ao sujeito passivo, o que lhe exige carrear aos autos provas capazes de amparar convenientemente seu direito, o que não ocorreu no presente caso. Inexistindo a insurgência específica com relação à fundamentação da decisão recorrida ou à motivação do próprio lançamento tributário, aplicável o art. 17, do Dec. n.° 70.235/72. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 83 0. 90 06 05 /2 01 2- 13 Fl. 75DF CARF MF Processo nº 13830.900605/201213 Acórdão n.º 1302002.138 S1C3T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Júnior, Marcos Antonio Nepomuceno (Relator), Rogério Aparecido Gil, Ester Marques Lins de Sousa e Luiz Tadeu Matosinho Machado (Presidente). Relatório Tratam os autos de análise eletrônica de Pedido de Restituição, por intermédio do qual o contribuinte pretende a restituição de suposto crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ). Como resultado da análise foi proferido despacho decisório que decidiu pelo indeferimento do pedido de restituição, haja vista que o montante recolhido pelo Darf apontado como origem do crédito foi integralmente utilizado para liquidar débito confessado em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF). Cientificado da decisão o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade onde argumenta, em síntese, que os créditos de PIS e Cofins nãocumulativos não devem afetar a determinação do lucro real, nem a base de cálculo da CSLL. A exigência de IRPJ e CSLL sobre tais créditos desrespeita o princípio constitucional da neutralidade tributária. A DRJ ao apreciar a matéria assim decidiu, litteris: ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DE NORMA TRIBUTÁRIA. INCOMPETÊNCIA DO JULGADOR ADMINISTRATIVO. É o administrador um mero executor de leis não lhe cabendo questionar a legalidade ou constitucionalidade do comando legal. A análise de teses contra a legalidade ou a constitucionalidade de normas é privativa do Poder Judiciário, conforme competência conferida constitucionalmente. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Inconformado com o decisium, o recorrente interpôs Recurso Voluntário, alegando, em síntese, os mesmos argumentos da impugnação, acrescentando que a Administração não pode eximirse da competência sobre o controle de constitucionalidade das leis, decretos e portarias, bem como o fato de não ser razoável que a Administração Pública desconsidere as informações prestadas pelo Contribuinte na DCOMP, as quais apresentam presunção de legitimidade. É o relatório. Voto Fl. 76DF CARF MF Processo nº 13830.900605/201213 Acórdão n.º 1302002.138 S1C3T2 Fl. 4 3 Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1302002.134, de 18.05.2017, proferido no julgamento do processo nº 13830.900610/201226, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302002.134): O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme depreendese da leitura do Relatório acima, o Recorrente sustenta seus argumentos com base em supostas inconstitucionalidades perpetradas pela autoridade fiscal e ratificadas pela decisão recorrida. Contudo, é vedado ao julgador administrativo negar aplicação de lei sob alegação de inconstitucionalidade em sede de recurso administrativo. Essa análise foge à alçada das autoridades administrativas, que não dispõem de competência para examinar hipóteses de violações às normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico. As autoridades administrativas, enquanto responsáveis pela execução das determinações legais, devem sempre partir do pressuposto de que o legislador tenha editado leis compatíveis com a Constituição Federal e Código Tributário Nacional. Assim, não há que se cogitar de desobediência aos dispositivos legais elencados, no âmbito da Administração Tributária, quando esta, no exercício da sua atividade de fiscalização, logre efetuar o lançamento de crédito tributário, lastreado em fatos e atos atribuídos ao sujeito passivo, que ensejam a exigência de tributos e dos acréscimos legais pertinentes, desde que referido lançamento seja devidamente fundamentado em regular procedimento de ofício e de acordo com os dispositivos legais que regem a espécie. O tema é pacificado no âmbito deste Conselho Administrativo, nos termos da Súmula 02: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária”. Afasto, portanto, o presente argumento, por não ser o CARF competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Noutra banda, verificase que o recorrente sem acostar documentos comprobatórios aos presentes autos, em seu recurso voluntário, faz referências genéricas aos fatos que motivaram a presente autuação, bem como em relação a decisão proferida em Fl. 77DF CARF MF Processo nº 13830.900605/201213 Acórdão n.º 1302002.138 S1C3T2 Fl. 5 4 primeira instância, sem com isto trazer objetivamente os fundamentos e provas com base nas quais pede para que seja homologado o seu pedido de compensação. Para esse Relator fica claro que o Recorrente se insurge contra decisão proferida pela DRJ de forma genérica, fazendo mera referência parte das razões apresentadas em sede da impugnação e a necessidade de observação das provas já juntadas aos autos, não merecendo prosperar e, por conseguinte, não surte o efeito pretendido em alterar a decisão do julgador a quo. Nesse sentido já decidiu esta Corte Administrativa, conforme se extrai do decidido nos autos do processo nº 10935.720364/2013 45 que teve como relator Amílcar Barca Teixeira Júnior, como segue: "(...) 1. O contribuinte, em seu recurso, no concernente à obrigação principal, limitas se a prestar informações genéricas e não ataca o mérito, situação que não o favorece, enquadrando se, assim, na disciplina do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972 (Acórdão nº 2803003.497. Rel. Amílcar Barca Teixeira Júnior. Sessão de 12/08/2014)." Diante do exposto, NEGO provimento ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. (documento assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 78DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10665.900851/2012-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 29 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 11 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Data do fato gerador: 31/01/2008
Ementa:
RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO.
É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso.
Recurso Voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3301-003.883
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo.
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente.
Valcir Gassen - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: VALCIR GASSEN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Data do fato gerador: 31/01/2008 Ementa: RECURSO VOLUNTÁRIO. PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considera-se intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido.
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PRAZO. INTEMPESTIVO. É assegurado ao Contribuinte a interposição de Recurso Voluntário no prazo de 30 (trinta) dias a contar da data da ciência da decisão recorrida, após esse prazo legal considerase intempestivo o recurso. Recurso Voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do Recurso Voluntário, por ser intempestivo. Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente. Valcir Gassen Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Augusto do Couto Chagas, José Henrique Mauri, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Liziane Angelotti Meira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 5. 90 08 51 /2 01 2- 36 Fl. 108DF CARF MF Processo nº 10665.900851/201236 Acórdão n.º 3301003.883 S3C3T1 Fl. 121 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 98 a 103) interposto pelo Contribuinte, em 22 de agosto de 2013, contra decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458 (fls. 90 a 94), de 25 de junho de 2013, proferido pela 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) – DRJ/BHE – que julgou, por unanimidade de votos, improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 2 a 3) apresentada pelo Contribuinte, para não reconhecer o direito creditório postulado e não homologar a compensação em litígio. Visando a elucidação do caso e a economia processual adoto e cito o relatório do referido Acórdão: DESPACHO DECISÓRIO O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório nº rastreamento 19096371 emitido eletronicamente em 01/03/2012, referente ao PER/DCOMP nº 31567.81394.201109.1.3.042310. A Declaração de Compensação gerada pelo programa PER/DCOMP foi transmitida com o objetivo de compensar o(s) débito(s) discriminado(s) no referido PER/DCOMP com crédito de COFINS, Código de Receita 5856, no valor original na data de transmissão de R$11.164,88, decorrente de recolhimento com Darf efetuado em 20/02/2008. De acordo com o Despacho Decisório a partir das características do DARF descrito no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Assim, diante da inexistência de crédito, a compensação declarada NÃO FOI HOMOLOGADA. Como enquadramento legal citouse: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE Cientificado do Despacho Decisório em 19/03/2012, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade, tendo alegado, em síntese, o seguinte: verificase pelos documentos anexos, que foi realizada a apuração pelo regime não cumulativo no que atine ao mês em questão por meio do Dacon, no valor de R$254.994,31 (183.145,03+ 71.849,29), tendo sido recolhida por meio de Darf a importância de R$183.145,03; ocorre que, segundo se apurou no Dacon retificador o valor do débito não cumulativo importa em R$249.880,74, resultando daí o valor do recolhimento a maior especificado; deve ser esclarecido que, na época própria, o contribuinte realizou a devida retificação em anexo, porém, em virtude de alteração ocorrida na própria legislação que resultou na mudança de versões, tanto do Dacon quanto na DCTF, a retificação foi transmitida, gerando assim o débito constante do Despacho Decisório; contudo, a falha no sistema em deixar de transmitir a devida retificação não pode conduzir a que seja violado o princípio constitucional da nãocumulatividade, ainda Fl. 109DF CARF MF Processo nº 10665.900851/201236 Acórdão n.º 3301003.883 S3C3T1 Fl. 122 3 que posteriormente demonstrada, de forma cabal e inequívoca, a existência do crédito que se pretende compensar; dessa forma, pede que seja acolhida a manifestação de inconformidade para o fim de determinar o cancelamento do débito constante do presente processo. Ao final, a DRF de origem atesta a tempestividade da manifestação de inconformidade apresentada. Tendo em vista a negativa do Acórdão da 2ª Turma da DRJ/BHE, que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo Contribuinte, este ingressou com Recurso Voluntário visando reformar a referida decisão. É o relatório. Voto Conselheiro Valcir Gassen O Recurso Voluntário, de 22 de agosto de 2013, interposto pelo Contribuinte, em face da decisão consubstanciada no Acórdão nº 0245.458, de 25 de junho de 2013, é intempestivo, logo não atende um pressuposto legal de admissibilidade, motivo pelo qual não deve ser conhecido. O prazo para que seja interposto o Recurso Voluntário contra as decisões das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento é de 30 dias a partir da ciência da referida decisão. Observase no presente processo que a Decisão recorrida foi proferida em 25 de junho de 2013 e o Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento (fls. 95): TERMO DE ABERTURA DE DOCUMENTO O Contribuinte tomou conhecimento do teor dos documentos relacionados abaixo, na data 09/07/2013 8:14h, pela abertura dos arquivos correspondentes no link Processo Digital, no Centro Virtual de Atendimento ao Contribuinte (Portal eCAC) através da opção Consulta Comunicados/Intimações. Acórdão de Manifestação de Inconformidade Contribuinte: 21.759.758/000188 DISTRIBUIDORA AMARAL LTDA (ou seu Representante Legal) DATA DE EMISSÃO : 09/07/2013 Já às fls. 96 apurase no Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência por decurso de prazo ocorreu em 19 de julho de 2013: TERMO DE CIÊNCIA POR DECURSO DE PRAZO Foi dada ciência, ao Contribuinte, dos documentos relacionados abaixo, por decurso de prazo de 15 dias a contar da disponibilização destes documentos através da Caixa Postal, Modulo eCAC do Site da Receita Federal. Data da disponibilização na Caixa Postal: 04/07/2013 Data da ciência por decurso de prazo: 19/07/2013 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10665.900851/201236 Acórdão n.º 3301003.883 S3C3T1 Fl. 123 4 Acórdão de Manifestação de Inconformidade DATA DE EMISSÃO : 20/07/2013 Constatase assim que Contribuinte tomou ciência da decisão recorrida em 09 de julho de 2013 como se depreende da leitura do Termo de Abertura de Documento e pelo Termo de Ciência por Decurso de Prazo que essa ciência ocorreu em 19 de julho de 2013. Assim, no melhor dos quadros, o prazo final para interpor o recurso seria em 20 de agosto de 2013, e que só ocorreu em 22 de agosto de 2013. Para bem ilustrar o ocorrido cito abaixo imagem do Recurso Voluntário do Contribuinte com o devido protocolo da Analista Tributário Glêucia Felipe Santiago, matrícula 012.91476 (fls. 107): Portanto, de acordo com a legislação vigente e os autos do processo, voto em não conhecer do Recurso Voluntário por ser intempestivo. Valcir Gassen Relator Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10665.900851/201236 Acórdão n.º 3301003.883 S3C3T1 Fl. 124 5 Fl. 112DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.907522/2010-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 12 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon May 22 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Exercício: 1999
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO.
Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91.
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
Numero da decisão: 1301-002.398
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
[assinado digitalmente]
Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplica-se o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Exercício: 1999 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PRAZO. Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Aplicação da Súmula CARF nº 91. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA DO DIREITO ALEGADO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre quem alega o direito. No caso concreto, não restou comprovada, nos autos, a identidade entre a pessoa jurídica interessada no processo administrativo e aquela que figurava como litisconsorte no processo judicial, nem a existência de eventos societários que permitissem considerar a primeira como sucessora da segunda em direitos e obrigações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha – Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Flávio Franco Corrêa, José Eduardo Dornelas Souza, Roberto Silva Júnior, Marcos Paulo Leme Brisola Caseiro, Milene de Araújo Macedo, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Waldir Veiga Rocha. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 75 22 /2 01 0- 71 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 16327.907522/201071 Acórdão n.º 1301002.398 S1C3T1 Fl. 3 2 BANCO VOLKSWAGEN S.A., já devidamente qualificada nestes autos, recorre a este Conselho contra a decisão prolatada pela 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP, que indeferiu os pedidos veiculados através de manifestação de inconformidade apresentada contra a decisão da DEINF/SP. Trata a lide de Pedido de Restituição (PER/DCOMP), no qual o alegado direito creditório é decorrente de pagamento indevido ou a maior da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL). Posteriormente, o contribuinte usou esse alegado direito creditório para a compensação com débito de sua titularidade, mediante a Declaração Eletrônica de Compensação (PER/DCOMP), transmitida em 2008. Consta dos autos intimação, informando ao contribuinte que o DARF por ele especificado não teria sido localizado nos sistemas da RFB e instandoo à regularização. Não consta do processo qualquer resposta ou providência do contribuinte. A unidade administrativa que primeiro analisou os pedidos formulados pela empresa (DEINF/SP) negou homologação à compensação. O motivo foi a não localização do DARF nos sistemas da RFB, mesmo após a intimação acima referida. Em sua manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório, a interessada, inicialmente, junta comprovante de arrecadação obtido no sítio eletrônico da Receita Federal. Na sequência, esclarece: Esse recolhimento foi indevidamente efetuado pelo Recorrente, uma vez que ele dispunha de decisão judicial definitiva, proferida nos autos do Mandado de Segurança n° 89.00112058, que o exonerava do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no período de 1988 a 09/1997 (data do trânsito em julgado da decisão judicial). Nem se alegue que o pagamento foi efetuado após o trânsito em julgado da decisão judicial exoneratória e com os benefícios previstos na Lei n° 9779/99, tendo em vista que, além desses fatos não servirem de fundamento para a negativa do pedido de restituição, o recolhimento se deu porque a própria Secretaria da Receita Federal, mesmo em face da decisão judicial favorável ao Recorrente, insistia na cobrança de tais valores, ao argumento de que os efeitos da decisão judicial alcançavam apenas a CSLL relativa ao exercício de 1989. Apenas com a decisão do 1º Conselho de Contribuintes (acórdão n° 101 93.610), proferida em 19/09/01, com acórdão formalizado em 11/12/01, que reconheceu expressamente o direito de um dos litisconsortes do ora Recorrente, no Mandado de Segurança n° 89.00112058, de não recolher a CSLL, no período de 1990 a 1997, ou seja, desde a propositura da medida judicial até o trânsito em julgado da decisão favorável, o que se deu em 02/09/97, é que o Recorrente obteve a comprovação de que também estava desobrigado do recolhimento da CSLL nesse período e que, portanto, tinha direito de reaver os montantes indevidamente recolhidos: "Ementa: IRPJ Normas Gerais. Lançamento Tributário. Sentença Judicial. Trânsito em Julgado. Efeitos. A sentença judicial reconhecendo a inconstitucionalidade dos artigos 1º, 2º, 3º e 8º, da Lei n° 7689, de 1988, e, de consequência, desobrigando a pessoa jurídica do recolhimento da CSLL, irradia seus efeitos jurídicos até o período no qual tenha ocorrido seu trânsito em julgado. Fl. 158DF CARF MF Processo nº 16327.907522/201071 Acórdão n.º 1301002.398 S1C3T1 Fl. 4 3 Recurso conhecido e provido. Trecho do Voto do Conselheiro Sebastião Rodrigues Cabral — Relator: Nesta linha de raciocínio, e considerando que no presente caso: i) A sentença judicial que acolheu a pretensão da Recorrente, no sentido de desobrigála do recolhimento da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido instituída pela Lei n° 7689, de 1988, transitou em julgado em 02 de setembro de 1997, tal qual atestado na Certidão fornecida pela 10ª Vara Federal, anexa aos autos às fls.; ii) O Mandado de Segurança interposto pela Recorrente, em 1989, objetivou a dispensa do recolhimento da referida Contribuição sob alegação de inconstitucionalidade da lei que a instituiu (n° 7689, de 1988), o que foi integralmente reconhecido pela referida sentença transitada em julgado; iii) O auto de infração guerreado no presente processo pretende exigir da Recorrente a Contribuição Social relativa aos períodosbase de 1990 a 1994, portanto, anteriores ao trânsito em julgado da sentença judicial; só nos resta concluir que referidos períodos estão albergados pela 'coisa julgada', sendo defeso ao Fisco exigir a Contribuição em causa relativamente àqueles períodosbase." Assim, deve ser prontamente revisto o despachodecisório, ora recorrido, ante a comprovação do recolhimento indevido, a ensejar o direito à restituição, nos termos do artigo 165, I, do Código Tributário Nacional. A 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I / SP analisou a manifestação de inconformidade apresentada pela contribuinte e indeferiu a solicitação. Ciente da decisão de primeira instância e com ela inconformada, a interessada apresentou recurso voluntário, mediante o qual oferece, em apertada síntese, os seguintes argumentos: Acerca do prazo para pleitear o indébito, a recorrente se reporta ao Pedido Eletrônico de Restituição, ao Pedido de Restituição protocolado na Deinf e sustenta que estaria plenamente respeitado, no caso, o prazo prescricional de cinco anos, previsto no art. 168, I, do CTN. A recorrente afirma ter anexado aos autos cópia do Mandado de Segurança nº 89.00112058, em que foi proferida a decisão transitada em julgado que a exonerava do recolhimento da CSLL de 1988 até 09/1997 (data do trânsito em julgado). Da mesma forma, anexa documentos que comprovam ser a recorrente a sucessora de Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. A interessada reitera, ainda, os argumentos trazidos na Manifestação de Inconformidade, acerca da decisão proferida pelo 1º Conselho de Contribuintes em 2001. Conclui com o pedido de provimento de seu recurso e homologação da compensação declarada. É o Relatório. Voto Fl. 159DF CARF MF Processo nº 16327.907522/201071 Acórdão n.º 1301002.398 S1C3T1 Fl. 5 4 Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 1301002.287, de 12/04/2017, proferido no julgamento do processo 16327.900370/201248, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 1301002.287): O recurso voluntário e tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Gira a lide em torno de pedido de restituição, posteriormente cumulado com declaração de compensação. No atual estágio da discussão administrativa, o alegado direito creditório não foi reconhecido por dois fundamentos autônomos, ou seja, cada um deles é suficiente, por si só, para o não reconhecimento do direito creditório. O primeiro fundamento adotado pelo julgador de primeira instância, de caráter preliminar, foi o transcurso do prazo para pleitear o indébito. Alega a recorrente que deveria ter sido considerado o período transcorrido entre a data do recolhimento, em 1999, e a data do protocolo do pedido de restituição, em 2004. Com isso, restaria atendido o prazo de cinco anos de que trata o art. 168, I, do CTN. Examinando a decisão recorrida, constatase que, efetivamente, houve um equívoco do julgador ao não considerar o pedido de restituição originalmente formulado em 2004. Isso fica evidenciado na afirmação de que “... observase que somente em 2008 veio pleitear compensação do referido crédito, ou seja, cerca de sete anos após ‘obter a comprovação’, e nove após a extinção do débito, pelo pagamento”. Ora, a declaração de compensação é datada de 2008, mas reportase ao anterior pedido de restituição, e é esse pedido que deve ser considerado, para fins da contagem do prazo para a repetição de indébito. No entanto, como se verá a seguir, a correção desse equívoco não trará modificação na conclusão. Esse prazo, se de cinco ou dez anos, bem assim a determinação dos termos inicial e final para a contagem, já foram objeto de acirrados debates, tanto no âmbito administrativo quanto no judicial. A inovação legislativa (arts. 3º e 4º da Lei Complementar nº 118/2005) tentou pacificar a questão, mas somente aumentou as divergências, tanto doutrinárias quanto jurisprudenciais. Finalmente, a questão foi pacificada pelo Poder Judiciário. De especial interesse, o Recurso Especial nº 1.002.932, de 25/11/2009, prolatado pelo STJ no regime do art. 543C do CPC então vigente, e o Recurso Extraordinário nº 566.321, de 04/08/2011, proferido pelo STF no regime do art. 543B do mesmo diploma legal. A reiterada aplicação administrativa dessas decisões conduziu à aprovação, em 09/12/2013, pelo Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, da súmula CARF nº 91, a seguir reproduzida. Súmula CARF nº 91: Ao pedido de restituição pleiteado administrativamente antes de 9 de junho de 2005, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, aplicase o prazo prescricional de 10 (dez) anos, contado do fato gerador. Fl. 160DF CARF MF Processo nº 16327.907522/201071 Acórdão n.º 1301002.398 S1C3T1 Fl. 6 5 As súmulas CARF são de observância obrigatória pelos membros deste órgão administrativo, a teor do art. 72 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015 e alterações supervenientes. No caso concreto, o pedido de restituição foi protocolado em 2004, antes da data limite prevista na súmula, aplicandose, portanto, o prazo prescricional de dez anos. O termo inicial da contagem é, também nos termos da súmula, a data do fato gerador. O fato gerador foi fixado pela própria interessada no pedido de restituição. Desta forma, para fatos geradores completados anteriormente a 12/02/1994 o prazo prescricional já se encontrava encerrado no momento do pedido de restituição. Observese que a data do recolhimento não é considerada para este fim, muito menos a circunstância alegada pela interessada acerca do julgamento administrativo de um auto de infração no qual o sujeito passivo seria um dos litisconsortes na ação judicial. Não se vislumbra qual a relação entre aquele julgamento administrativo e o prazo para a formulação do pedido de restituição aqui discutido. A constatação que se impõe é de que o decurso do prazo prescricional impede que seja atendido o pleito da interessada, independentemente de quaisquer considerações de mérito, negandose provimento ao recurso voluntário. O segundo fundamento adotado pelo julgador de primeira instância para o indeferimento do pleito foi a falta de comprovação do direito. O seguinte excerto do voto condutor do acórdão recorrido é elucidativo: Observese que a empresa não trouxe a petição inicial e nenhuma peça do processo judicial que afirma amparala, de forma a se poder verificar a correção de sua alegação central de mérito, o que, como demonstrado acima, seria ônus da empresa. E, em consulta ao sítio do TRF da 3ª Região, utilizandose do número de processo judicial fornecido pela Interessada, na opção “Consulta Processual – Visualizar Processo” a empresa não aparece como parte, mas sim as seguintes empresas: Consórcio Nacional Ford Ltda., Autolatina S/A, Autolatina Financiadora S/A Crédito Financiamento e Investimentos e Ford Brasil S/A. Junto com o recurso voluntário, a interessada faz acostar aos autos peças do processo judicial, e documentos que, segundo ela, comprovariam ser a recorrente sucessora da Autolatina Financiadora S/A, que foi parte no processo judicial. Compulsando os autos, especialmente as peças processuais do Mandado de Segurança nº 89.112058, constato que a impetrante foi Consórcio Nacional Ford Ltda., e que posteriormente foram admitidos como litisconsortes: (i) Autolatina S/A; (ii) Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos; e (iii) Ford Brasil S/A. Prosseguindo na análise, encontro Ata da AGE de 31/05/1996 de Banco Autolatina S.A., na qual se registra a cisão parcial dessa pessoa jurídica, com a versão de parcela de seu patrimônio para o Banco Ford S/A e a mudança do nome da parcela remanescente da cisão do Banco Autolatina S/A para Banco Volkswagen S/A (a interessada). Na sequência, encontro também o Protocolo da cisão e versão do patrimônio. No entanto, não encontro prova de que Banco Autolatina S/A fosse parte da ação judicial. No documento datado de 17/02/2004, dirigido à DEINF/SP, a interessada se identifica como “BANCO VOLKSWAGEN S/A., atual denominação de BANCO AUTOLATINA S.A., anteriormente denominado AUTOLATINA Fl. 161DF CARF MF Processo nº 16327.907522/201071 Acórdão n.º 1301002.398 S1C3T1 Fl. 7 6 FINANCIADORA S.A., ...”. Mas tratase de mera afirmação, da qual não encontro prova documental nos autos. Apesar de saber que esse ponto foi um dos fundamentos adotado pelo julgador de primeira instância para negar seu pedido, a interessada apresentou apenas o documento da cisão parcial de Banco Autolatina S/A e posterior mudança de nome da parcela remanescente para Banco Volkswagen S/A, não se preocupando em rastrear e comprovar os eventos societários desde a litisconsorte na ação judicial (Autolatina Financiadora S/A – Crédito, Financiamento e Investimentos) até a atual pessoa jurídica, nem os direitos que teriam sido transmitidos em cada um desses eventos. Em se tratando de pedido de restituição, é ônus de quem alega o direito creditório comprovar o que alega, especialmente, no caso sob análise, que a pessoa jurídica que efetuou o recolhimento seria a sucessora em todos os direitos e obrigações da pessoa jurídica que foi parte na ação judicial. Ao não se encontrar nos autos essa comprovação, também por esse motivo o recurso voluntário há que ser negado. Os dois fundamentos autônomos anteriormente discutidos já seriam (e são) suficientes para que o recurso voluntário seja desprovido. Penso, entretanto, que uma consideração adicional há de ser feita. É que o pagamento em questão foi feito em 1999, ao amparo do art. 17 da Lei nº 9.779/1999. Confirase seu teor (grifos não constam do original): Art.17.Fica concedido ao contribuinte ou responsável exonerado do pagamento de tributo ou contribuição por decisão judicial proferida, em qualquer grau de jurisdição, com fundamento em inconstitucionalidade de lei, que houver sido declarada constitucional pelo Supremo Tribunal Federal, em ação direta de constitucionalidade ou inconstitucionalidade, o prazo até o último dia útil do mês de janeiro de 1999 para o pagamento, isento de multa e juros de mora, da exação alcançada pela decisão declaratória, cujo fato gerador tenha ocorrido posteriormente à data de publicação do pertinente acórdão do Supremo Tribunal Federal.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Vide Medida Provisória nº 215835, de 2001) §1oO disposto neste artigo estendese:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 2158 35, de 2001) Iaos casos em que a declaração de constitucionalidade tenha sido proferida pelo Supremo Tribunal Federal, em recurso extraordinário;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIa contribuinte ou responsável favorecido por decisão judicial definitiva em matéria tributária, proferida sob qualquer fundamento, em qualquer grau de jurisdição;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIaos processos judiciais ajuizados até 31 de dezembro de 1998, exceto os relativos à execução da Dívida Ativa da União.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Fl. 162DF CARF MF Processo nº 16327.907522/201071 Acórdão n.º 1301002.398 S1C3T1 Fl. 8 7 §2oO pagamento na forma do caput deste artigo aplicase à exação relativa a fato gerador:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iocorrido a partir da data da publicação do primeiro Acórdão do Tribunal Pleno do Supremo Tribunal Federal, na hipótese do inciso I do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIocorrido a partir da data da publicação da decisão judicial, na hipótese do inciso II do § 1o;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIIalcançado pelo pedido, na hipótese do inciso III do § 1o.(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) §3oO pagamento referido neste artigo:(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) Iimporta em confissão irretratável da dívida;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) IIconstitui confissão extrajudicial, nos termos dos arts. 348, 353 e 354 do Código de Processo Civil;(Vide Medida Provisória nº 1.807, de 1999)(Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] Insisto: os pagamentos nesses termos são confissão irretratável da dívida e confissão extrajudicial. Ou seja, ainda que pudessem ser superados os dois fundamentos anteriormente expostos, o pedido de restituição encontraria obstáculo inarredável na disposição expressa da lei acima transcrita. Supondose, como hipótese argumentativa, que a interessada fosse, como afirma, sucessora da litisconsorte na ação judicial, o fato é que espontaneamente decidiu abrir mão do direito conquistado na ação judicial (possivelmente por vêlo ameaçado por reiteradas manifestações do STF no sentido da inconstitucionalidade da CSLL apenas para o primeiro ano de sua vigência) e parcelar o valor da contribuição para os anos subsequentes. A recorrente afirma que somente fez os pagamentos porque a Receita Federal insistia na cobrança, mesmo em face da decisão judicial que havia obtido. Ora, esse era o entendimento administrativo à época, atualmente ainda mais reforçado, tanto pelo sucesso obtido em ações rescisórias diversas propostas perante o Poder Judiciário, quanto por Pareceres da douta PGFN. Se a interessada tivesse plena convicção de seu direito, seu procedimento teria sido o de aguardar o lançamento e discutilo administrativa e judicialmente, nunca o de se antecipar, confessando a dívida de forma irretratável e recolhendo o tributo. A recorrente reclama, ainda, que esse aspecto não teria sido fundamento para a negativa do pedido de restituição, pelo que não poderia, agora, ser abordado. Observese que a DEINF/SP originalmente negou o pedido porque o pagamento (DARF) não foi identificado nos sistemas da RFB. Apesar de intimada, a interessada não se preocupou em trazer aos autos os esclarecimentos que Fl. 163DF CARF MF Processo nº 16327.907522/201071 Acórdão n.º 1301002.398 S1C3T1 Fl. 9 8 permitissem essa correta identificação. Essa questão foi plenamente superada em primeira instância. Somente então foi possível avançar e questionar outros aspectos, a saber, o prazo para pleitear o indébito e a comprovação do direito alegado. Quanto a este último aspecto, o julgador a quo se deteve na falta das peças do processo judicial e na falta de comprovação de que a interessada no processo administrativo fosse também uma das partes do processo judicial. Penso que as considerações aqui tecidas sobre esse ponto nada mais são do que um aprofundamento acerca da análise de mérito do pedido. Seriam, talvez, dispensáveis, como dito anteriormente, mas em nada prejudicam, antes reforçam a conclusão. Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. [assinado digitalmente] Waldir Veiga Rocha Fl. 164DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.903042/2012-31
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Jul 17 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 13/09/2002
REPERCUSSÃO GERAL. RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62-A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 13/09/2002
BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE.
O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3401-003.634
Decisão: Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado, em afastar a proposta, presente na parte inicial do voto do relator, de sobrestar o julgamento de mérito até o trânsito em julgado da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário (RE) n. 574.706. Por maioria de votos, negou-se provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge DOliveira e André Henrique Lemos, ambos defendendo a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas este em função da notoriedade da decisão proferida pela Suprema Corte no citado RE.
(Assinado digitalmente)
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge DOliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (Vice-Presidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl e André Henrique Lemos.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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RECONHECIMENTO. PROCESSO ADMINISTRATIVO. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. O reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, ainda que julgado o respectivo recurso extraordinário, porém pendente de publicação e definitividade a decisão prolatada, não importa o sobrestamento do processo administrativo que trata da mesma matéria, por ausência de previsão regimental, não se aplicando as disposições do Código de Processo Civil, por força da evolução histórica do art. 62A, §§ 1º e 2º do RICARF/09 (Portaria MF nº 256/09), incluídos pela Portaria MF 586/2010 e revogados pela Portaria MF nº 545/2013. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/09/2002 BASE DE CÁLCULO DA CONTRIBUIÇÃO AO PIS. EXCLUSÃO DO ICMS. OPERAÇÕES INTERNAS. IMPOSSIBILIDADE. O ICMS devido pela pessoa jurídica na condição de contribuinte do imposto em virtude de operações ou prestações próprias compõe o preço da mercadoria e, logo, o seu faturamento, não havendo previsão legal que possibilite a sua exclusão da base de cálculo cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep devida nas operações realizadas no mercado interno. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, preliminarmente, por voto de qualidade, vencidos os Conselheiro Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, Eloy Eros da Silva Nogueira, André Henrique Lemos, e Tiago Guerra Machado, em afastar a proposta, presente na parte inicial do voto do relator, de sobrestar o julgamento de mérito até o trânsito em julgado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 30 42 /2 01 2- 31 Fl. 131DF CARF MF Processo nº 10880.903042/201231 Acórdão n.º 3401003.634 S3C4T1 Fl. 3 2 da decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal no Recurso Extraordinário (RE) n. 574.706. Por maioria de votos, negouse provimento ao recurso voluntário apresentado, vencidos os Conselheiros Augusto Fiel Jorge D’Oliveira e André Henrique Lemos, ambos defendendo a exclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas este em função da notoriedade da decisão proferida pela Suprema Corte no citado RE. (Assinado digitalmente) ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan (Presidente), Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araujo Branco (VicePresidente), Eloy Eros da Silva Nogueira, Fenelon Moscoso de Almeida, Robson Jose Bayerl e André Henrique Lemos. Relatório Tratase de Pedido de Restituição de crédito de contribuição para o PIS/Pasep, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior. A Delegacia da Receita Federal (DRF) proferiu Despacho Decisório indeferindo o pedido formulado, uma vez que o pagamento indicado no PER/Dcomp em referência teria sido integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte. A contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade na qual alegou, em síntese, que: (i) à época do fato gerador, apurou incorretamente a contribuição ao PIS, pois efetuou o recolhimento sobre o ICMS, cujos valores não compõem a base de cálculo das contribuições sociais, o que resultou em recolhimento indevido com base no art. 165 do Código Tributário Nacional; (ii) não procedeu à retificação de suas declarações (DIPJ e DCTF) para que restasse evidenciado o pagamento indevido, o que levou a autoridade fiscal a não constatar o recolhimento a maior; (iii) o mero erro de preenchimento da DCTF não possui o efeito de constituir a obrigação tributária, devendo a Administração, em prestígio à verdade material, rever de ofício os erros formais quando constatados. Foi proferido Acórdão DRJ nº 14053.273, julgando improcedente a manifestação de inconformidade interposta, de maneira a não reconhecer o direito creditório pleiteado, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 13/09/2002 PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. PRESCINDIBILIDADE. INDEFERIMENTO. Estando presentes nos autos todos os elementos de convicção necessários à adequada solução da lide, indeferese, por prescindível, o pedido de diligência ou perícia. Fl. 132DF CARF MF Processo nº 10880.903042/201231 Acórdão n.º 3401003.634 S3C4T1 Fl. 4 3 CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Não se configura cerceamento do direito de defesa se o conhecimento dos atos processuais pelo acusado e o seu direito de resposta ou de reação se encontraram plenamente assegurados. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. As argüições de nulidade do despacho decisório só prevalecem se enquadradas nas hipóteses previstas na lei para a sua ocorrência. Não provada violação às disposições do artigo 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, rejeitase a alegação de nulidade do Despacho Decisório Eletrônico. JUNTADA POSTERIOR DE DOCUMENTOS. Em regra, não se admite a juntada posterior de documentos, salvo nas hipóteses expressamente previstas em lei. INTIMAÇÃO. REPRESENTANTE LEGAL. ENDEREÇAMENTO. Dada à existência de determinação legal expressa, as notificações e intimações devem ser endereçadas ao sujeito passivo, no domicílio fiscal eleito por ele. DCTF. CONFISSÃO DE DÍVIDA. Considerase confissão de dívida os débitos declarados em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), motivo pelo qual qualquer alegação de erro no seu preenchimento deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos idôneos para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos.Nesses termos, não pode ser acatada a mera alegação de erro de preenchimento desacompanhada de elementos de prova que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DO ICMS. IMPOSSIBILIDADE. PIS. COFINS. O ICMS integra a receita bruta da empresa e, não havendo dispositivo legal que assim determine, não pode ser excluído da base de cálculo da Contribuição para o PIS e COFINS. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. A contribuinte interpôs Recurso Voluntário, reiterando as razões veiculadas em sua manifestação de inconformidade. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan Relator Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10880.903042/201231 Acórdão n.º 3401003.634 S3C4T1 Fl. 5 4 O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401003.627 de 25 de abril de 2017, proferido no julgamento do processo 10880.903037/201229, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão, (Acórdão 3401003.627): "7. O recurso voluntário é tempestivo e preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele tomo conhecimento. 8. Entendeu o julgador de primeira instância administrativa, após minuciosa análise dos fatos e documentos que instruem o presente feito, que a DCTF é um instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, em conformidade com o § 1º do art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 1984, e Instruções Normativas da RFB que dispõem sobre a obrigação acessória em referência. Desta forma, quando da transmissão da PER/DComp, diante da inexistência do crédito em virtude de o pagamento estar integralmente alocado ao débito, não houve outra possibilidade à autoridade fiscal senão indeferir o pleito formulado. 9. Contudo, ainda que transposto tal obstáculo, e ainda que se compreenda que a DCTF apresentada com erro jamais poderá afastar a existência de pagamento indevido, justamente por não guardar entre seus predicados o condão de definir o conteúdo material e quantitativo do fato gerador, cabendolhe unicamente refletir a obrigação tributária, declarandoa, e não criála, ainda que constitua o crédito correspondente, há de se perquirir a questão de fundo que fundamentou a pretensão da contribuinte: a possibilidade ou não da exclusão dos valores correspondentes ao ICMS da base de cálculo da contribuição ao PIS. 1 Da necessidade do sobrestamento do presente feito (...)1 Nada obstante as bem lançadas razões do eminente Cons. Relator, peço vênia para dele divergir quanto à proposta de sobrestamento deste processo administrativo, a fim de se aguardar a publicação da decisão exarada no RE nº 574.706RG, que fixou a tese consoante a qual o ICMS não compõe a base de cálculo do PIS e da Cofins. Nesse passo, a remissão ao RE nº 566.622/RS, como paradigma da providência indicada, a meu sentir, não serve ao caso dos autos, haja vista que naquela situação, como destacado pelo próprio Relator, houve ordem expressa do Min. Marco Aurélio, a pedido de parte interessada, para que o presidente do CARF suspendesse o curso de todos os processos administrativos que versassem sobre a matéria discutida no recurso extraordinário, o que inocorre em relação ao RE 574.706RG, não podendo serlhe estendido os efeitos daquele por analogia. 1 Não foi transcrita a parte do voto do relator do paradigma que tratou do sobrestamento por ser entendimento que restou vencido na votação, e por constar, na íntegra, do acórdão do processo paradigma. Transcreveuse, tão somente, o entendimento que prevaleceu sobre a questão. Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10880.903042/201231 Acórdão n.º 3401003.634 S3C4T1 Fl. 6 5 Respeitante às disposições do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015, arts. 927 e 928), não é demais lembrar que sua admissão no processo contencioso administrativo se faz de maneira subsidiária, acaso inexistente norma que regule a questão processual. No caso vertente, a possibilidade de sobrestamento dos processos administrativos, ante o reconhecimento da repercussão geral pelo Supremo Tribunal Federal, encontrava expressa previsão no art. 62A, §§ 1º e 2º do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, incluído pela Portaria MF nº 586/2010, verbis: “Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. § 1º Ficarão sobrestados os julgamentos dos recursos sempre que o STF também sobrestar o julgamento dos recursos extraordinários da mesma matéria, até que seja proferida decisão nos termos do art. 543B. § 2º O sobrestamento de que trata o § 1º será feito de ofício pelo relator ou por provocação das partes.” (destacado) Aludida previsão de sobrestamento, no entanto, foi posteriormente revogada pela Portaria MF 545, de 18/11/2013: “Art. 1º Revogar os parágrafos primeiro e segundo do art. 62A do Anexo II da Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, publicada no DOU de 23 de junho de 2009, página 34, Seção 1, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Art. 2º Esta Portaria entra em vigor na data de sua publicação.” Com o advento da Portaria MF nº 343/2015, que veiculou o novo regimento interno do sodalício, não foi reproduzido o instituto, o que demonstra a opção por não acolher, nesse ponto, as determinações do Código de Processo Civil, de modo que a sua reimplantação significaria, por via oblíqua, repristinálo na contramão das disposições e alterações regimentais havidas ao longo do tempo. A ausência de referência ao sobrestamento, uma vez reconhecida a repercussão geral do tema, não denota omissão regimental, como pode parecer, mas intenção deliberada de não adotar a providência em sede administrativa, o que implica no necessário julgamento do processo no estado em que se encontra, à luz da legislação e jurisprudência vinculante vigentes nessa ocasião. Oportuno destacar que a observância obrigatória das decisões prolatadas pelo Supremo Tribunal Federal, em repercussão geral, ex vi do art. 62 do RICARF/15, somente é exigível após o respectivo trânsito em julgado, consoante inteligência do art. 1.040, caput, do CPC (Lei nº Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10880.903042/201231 Acórdão n.º 3401003.634 S3C4T1 Fl. 7 6 13.105/15) e art. 28 da Lei nº 9.868/99, o que não ocorre com o RE 574.706RG, cuja decisão plenária sequer foi publicada e ainda sujeita a recursos. Com essas considerações, voto por não acolher o sobrestamento proposto. ... 2. Da exclusão do ICMS da base de cálculo do PIS 20. Uma vez não acolhida a proposta de resolução deste relator, em conformidade com o resultado do julgamento registrado em ata, passa se ao exame do mérito. 21. Excelentes argumentos militam em favor das contribuintes no sentido da exclusão do ICMS da base de cálculo das contribuições sociais, entre os quais se destacam: (i) a existência de destaque do ICMS que torna possível se aferir o montante exato que se inclui na base de cálculo das contribuições, (ii) a existência de repercussão jurídica, no sentido de que o imposto se materializa em um valor repassado juridicamente à contribuinte tendo como destino os cofres públicos, o que implica a ideia de mera transferência ou repercussão, (iii) configuração de situação nãoisonômica, uma vez que contribuintes que exercem a mesma atividade passam a ser tratados desigualmente a depender da alíquota aplicável de ICMS. 22. Entendemos, contudo, que o ICMS integra o valor final da operação de venda e compra, e a chamada "incidência por dentro" não é vedada, salvo nos casos específicos previstos pela legislação. Assim, não há vedação genérica para que um tributo inclua outro, ou até mesmo ele próprio, em sua base de cálculo, e este é o caso do IPI ao incidir sobre o ICMS ou do ICMS, ao incidir não apenas sobre o próprio ICMS, como também sobre o IPI. Tal circularidade em nada destoa das normas de regência do sistema tributário nacional: a incidência por dentro convive em igualdade de condições com a incidência por fora, como ocorre no caso da CSL, hipótese em que se verifica a exclusão do tributo da sua base de cálculo. Há de se destacar, ainda, que a Lei nº 10.637/2002 (arts. 1o ao 11) e a Lei nº 10.833/2003 (arts. 1o ao 16) não contemplam a hipótese da exclusão do ICMS incluído no preço de venda. Destacase trecho do voto do Ministro Gilmar Mendes para subsidiar a argumentação do presente voto: "(...) a COFINS não incide sobre a renda, sobre o incremento patrimonial líquido, que considera custos e demais gastos que viabilizaram a operação (como o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro), mas sobre o produto das operações (antes da EC 20/1998: as operações restringiamse a vendas e prestações de serviços), da mesma maneira que outros tributos como o ICMS e o ISS. Com efeito, a imposição sobre o produto de vendas e prestação de serviços como ocorre com a COFINS, o ICMS e o ISS cuida de tributo real (Objektsteuer), que não exige a observação das circunstâncias pessoais do contribuinte (...). Logo, a receita bruta (faturamento, produto das operações) em oposição à receita líquida compreende a importância total recebida pelo contribuinte sem exclusão a priori de quaisquer componentes independentemente de sua destinação ou natureza como margem de lucro, custos diretos, custos indiretos ou ônus tributário. Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10880.903042/201231 Acórdão n.º 3401003.634 S3C4T1 Fl. 8 7 Ora, se a importância correspondente ao ICMS integra o valor da operação final, na linha do decidido pelo Plenário no RE 212.209/RS, constitui também produto da venda ou da prestação de serviço e faturamento do contribuinte, da mesma maneira que os outros fatores do preço das mercadorias e serviços. Em outras palavras, o montante relativo ao ICMS incorporase ao preço, de forma que é pago pelo comprador e é recebido pelo vendedor ou pelo prestador de serviço, ingressando em seu domínio, em consequência da respectiva operação. Em se tratando de tributos reais, como a COFINS, a exclusão de qualquer fator que componha seu objeto na espécie, o produto da operação, deve ser expressamente prevista , seja por meio de imunidade, como no art. 155, § 2º, XI, da Carta Magna que retira o montante do IPI da base de cálculo do ICMS; seja por meio de isenção, como disposto no art2º, parágrafo único, da Lei Complementar 70/1991, que excepciona o valor correspondente ao IPI da base de cálculo da COFINS. De fato, as expressões faturamento e receita bruta, por si só, não distinguem quaisquer ingressos operacionais percebidos nem excluem de antemão qualquer elemento do resultado da operação. Portanto, montante subtraído do resultado das operações, a qualquer título, é exceção à base de cálculo e depende de previsão legal. Interpretação diversa entenderia como inócuos os citados arts. 155, § 2º, XI, a Carta Magna e 2º, parágrafo único, da LC 70/1991, o que não é razoável. (...) Com efeito, se excluída da base de cálculo da COFINS a importância correspondente ao ICMS, questiono: por que não retirar o valor do ISS, do Imposto de Renda, do Imposto de Importação, do Imposto de Exportação, das taxas de fiscalização, da taxa do IBAMA, do PIS, além da própria COFINS? Obviamente, o simples fato de fundarse em ônus tributário não desqualifica a parte do preço como receita bruta. Além disso, também não impressiona o argumento de que o valor do ICMS seja destinado não ao contribuinte, mas ao estado federado. De fato, é necessário dissociar o preço das mercadorias e serviços, ou seja, o quantum entregue pelo comprador e recebido pelo vendedor, das obrigações decorrentes e atreladas à operação. Caso contrário, também as comissões de intermediários, a participação dos empregados, royalties, licenças, direitos autorais, seguro, frete, despesas aduaneiras, além de tarifas de crédito, por exemplo, também deveriam ser subtraídas do resultado. Na verdade, o acolhimento do entendimento da recorrente abrirá diversas fragilidades no sistema da COFINS, criando outro tributo pautado pelas circunstâncias pessoais do contribuinte e de cada parcela que integra o resultado das operações. Indevidamente, passase a tratar a presente contribuição como tributo pessoal, aproximandoa de tributo sobre a renda ou sobre o lucro. Rigorosamente, os fundamentos aqui apresentados para excluir o ICMS da base de cálculo da COFINS poderiam também ser aplicados para afastar diversos custos que viabilizam as operações de compra e venda e de prestação de serviço, sejam de natureza tributária, sejam de natureza civil. Ainda que transferido apenas temporariamente ao contribuinte, qualquer parcela do valor do preço das vendas e dos serviços (após a EC Fl. 137DF CARF MF Processo nº 10880.903042/201231 Acórdão n.º 3401003.634 S3C4T1 Fl. 9 8 20/1998, também outras operações) irrefutavelmente faz parte do faturamento. De fato, após a entrega do numerário, o contribuinte dispõe dela da forma que entender conveniente: utilizando para quitar outros débitos que vencem primeiro, movimentando como capital de giro até a apuração, investindo em aplicações financeiras, etc. Repitase que a COFINS cuida de tributação sobre o faturamento, a receita bruta, o produto das vendas, não de imposição sobre a renda ou o lucro. O fundamento ou a destinação final do quantum não é relevante para a base de cálculo da COFINS, apenas o recebimento pelo contribuinte no curso de suas atividades. (...) Em primeiro lugar, conforme já destacado, esta Corte reconheceu no RE 212.209/RS, Redator para o acórdão Min. Nelson Jobim, DJ 14.2.2003, que o quantum referente ao ICMS compõe o valor da operação e, por isso, também está incluído, como outros custos de viabilização, em sua própria base de cálculo . Consequentemente, o destaque do ICMS é apenas para controle fiscal, não para diferenciar a natureza da parcela. Em segundo lugar, frisese que o ICMS não funciona como imposto retido. De fato, o ICMS não é recolhido automaticamente com a ocorrência da operação, mas é recebido pelo vendedor, que o integra ao seu caixa, ao seu patrimônio e, apenas ao término do período de apuração, repassao ao Estado federado, depois de considerada a compensação de créditos. Em terceiro lugar, é importante destacar que nem sempre a totalidade do valor correspondente ao ICMS recebido pelo contribuinte será repassado ao Estado , seja porque em muitos casos há crédito de operações anteriores a serem considerados, consoante o princípio da não cumulatividade, seja porque o fenômeno da substituição tributária pode ter exigido antes o recolhimento do tributo" (seleção e grifos nossos). 23. Logo, insubsistente é o crédito, pois amparado em concepção equivocada do vocábulo "receita": o ICMS, pelos motivos acima dispostos, integra a base de cálculo do PIS e da Cofins. 24. De toda sorte, diante da inexistência de amparo legal que fundamente a pretensão da contribuinte, ou tampouco de decisão judicial (norma individual e concreta) que a lastreie, o que se observa é que, no momento da transmissão da PER/DComp, a recorrente não apenas não procedeu à retificação de seus registros contábeis e fiscais, como tampouco comprovou o erro que fundamentaria a oportuna retificação da declaração, não restando, portanto, saldo de crédito de tributo indevido a compensar no momento do encontro de contas, o que milita em favor da correção do despacho decisório que não homologou o pleito formulado. 25. Ressaltase, ademais, que, nos pedidos de compensação ou de restituição, como o presente, o ônus de comprovar o crédito postulado permanece a cargo da contribuinte, a quem incumbe a demonstração do preenchimento dos requisitos necessários para a compensação, pois "(...) o Fl. 138DF CARF MF Processo nº 10880.903042/201231 Acórdão n.º 3401003.634 S3C4T1 Fl. 10 9 ônus da prova recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato".2 26. Neste sentido, já se manifestou esta turma julgadora em diferentes oportunidades, como no Acórdão CARF nº 3401003.096, de 23/02/2016, de relatoria do Conselheiro Rosaldo Trevisan: VERDADE MATERIAL. INVESTIGAÇÃO. COLABORAÇÃO. A verdade material é composta pelo dever de investigação da Administração somado ao dever de colaboração por parte do particular, unidos na finalidade de propiciar a aproximação da atividade formalizadora com a realidade dos acontecimentos. PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO/RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. DILIGÊNCIA/PERÍCIA. Nos processos derivados de pedidos de compensação/ressarcimento, a comprovação do direito creditório incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. Não se presta a diligência, ou perícia, a suprir deficiência probatória, seja do contribuinte ou do fisco. 27. Verificase, portanto, a completa inviabilidade do reconhecimento do crédito pleiteado em virtude da inexistência de crédito a compensar. Assim, voto por conhecer e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente. Rosaldo Trevisan Relator 2 CINTRA, Antonio Carlos de Araújo; GRINOVER, Ada Pellegrini; e DINAMARCO, Cândido Rangel. Teoria geral do processo. São Paulo: Malheiros Editores, 26ª edição, 2010, p. 380. Fl. 139DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11070.001390/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 09 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jun 01 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010
SIMPLES NACIONAL. EXCLUSÃO.
Incabível rediscutir no processo de crédito tributário matéria já tratada em processo específico acerca da procedência do ato de exclusão do Simples.
LANÇAMENTO. NULIDADE.
É regular o lançamento formalizado por agente competente e sem preterição do direito de defesa.
Numero da decisão: 2201-003.602
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Carlos Henrique de Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator.
EDITADO EM: 22/05/2017
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO DO AMARAL AZEREDO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negar-lhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira - Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
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EXCLUSÃO. Incabível rediscutir no processo de crédito tributário matéria já tratada em processo específico acerca da procedência do ato de exclusão do Simples. LANÇAMENTO. NULIDADE. É regular o lançamento formalizado por agente competente e sem preterição do direito de defesa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Carlos Henrique de Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator. EDITADO EM: 22/05/2017 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Ana Cecília Lustosa da Cruz, Dione Jesabel Wasilewski, José Alfredo Duarte Filho, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 07 0. 00 13 90 /2 01 0- 16 Fl. 120DF CARF MF 2 Relatório O presente processo trata de Auto de Infração referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, parte patronal, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho (GILRAT). Como se observa no Termo de Encerramento de Procedimento Fiscal de fl. 36, do procedimento fiscal resultaram os seguintes lançamentos: AIOP 37.290.2375: No valor consolidado de R$ 63.226,90, controlado no presente processo; AIOP 337.276.7290: No valor consolidado de R$ 12.029,30, controlado pelo processo administrativo nº 11070.001391/201052; AIOA 37.290.2383: No valor consolidado de R$ 14.317,78, controlado pelo processo administrativo nº 11070.001392/201005. O Relatório Fiscal de fl. 37/38 descreve os motivos que ensejaram o lançamento, afirmando que a empresa foi excluída do Simples Nacional através do Ato Declaratório nº 092, de 08 de julho de 2010, pela negativa injustificada de exibição de livros e documentos a que estava obrigada. Ciente do lançamento em 20/07/2010, inconformada, o contribuinte apresentou a impugnação de fl. 42/47, na qual expressou suas alegações nos seguintes termos: que as pequenas e médias empresas têm incentivo constitucional para funcionamento em condições mais favoráveis em relação às grandes empresas, cabendo ao Estado a efetivação de tal comando, o que foi levado a termo com a edição da LC 123/2006, que instituiu do Simples, que garante aos pequenos empresários a possibilidade de enfrentamento da concorrência; que a exclusão de pequenas empresas do Simples têm reflexos jurídicos, sociais e econômicos graves, diminuindo as oportunidades de emprego e desenvolvimento sócioeconômico do país; que a legislação dispensa as pequenas empresas de diversas obrigações contábeis, bastando, por exemplo, a escrituração de Livro Caixa, diferentemente da empresas em geral, para as quais são mais complexas as exigências; que os servidores dos órgãos fazendários devem estar imbuídos dessa prioridade de que gozam as pequenas empresas, devendo conhecer a realidade das pequenas empresas para não aplicar rigor desnecessário, não podendo, por exemplo, criar prazo tão exíguo (cinco dias fixado no início do procedimento fiscal) que dificulte a defesa da empresa; que o servidor não pode extrapolar a previsão legal para criar uma situação de exclusão da empresa do Simples Nacional, sustentando que não houve embaraço à fiscalização, já que tudo que foi pedido foi apresentado e que a situação denota uma pré decisão de dificultar a defesa e punir a empresa com o desenquadramento; Fl. 121DF CARF MF Processo nº 11070.001390/201016 Acórdão n.º 2201003.602 S2C2T1 Fl. 121 3 que a empresa possui o livrocaixa e que, no caso de falhas de sua escrituração, a empresa não deve ser punida, mas apoiada para promover as correções devidas; aduz que o Relatório Fiscal está em desacordo com os fundamentos da exclusão e que o Ato Declaratório de exclusão apresentaria, da mesma forma, incorreções gramaticais; que a noticia de que a empresa possui movimentação bancária não deve ser fundamento para exclusão, pois poderiam ser relativas a valores de outras pessoas, empréstimos, etc, devendo ser oportunizado ao contribuinte apresentar alegações, provas, bem assim a possibilidade de escrituração desses registros; cita alguns princípios e entendimentos doutrinários para afirmar que a motivação é um dos pressupostos de validade e legitimidade do procedimento administrativo; afirma que os prazos estipulados eram curtos e que foram requeridos livros contáveis que não estava obrigada a mantêlos, o que, em seu entendimento, demonstra que o procedimento fiscal está eivado de nulidades e tem caráter puramente arrecadatório; Por fim, o contribuinte requer, no caso de interpretação contrária aos argumentos acima, que seja mantida a opção pelo Simples Nacional. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, a 14ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro/RJI, por unanimidade de votos, negou provimento à impugnação, mantendo integralmente o crédito tributário lançado, nos termos que podem ser assim resumidos: que o procedimento seguiu o rito definido na legislação, apresentando todos os seus requisitos essenciais, sendo executado por agente competente e sem preterição do direito de defesa, asseverando que, na etapa fiscalizatória, não há que se falar contraditório, por configurar fase prélitigiosa; que nada nos autos contradiz os motivos que conduziram à exclusão do Simples Nacional e, portanto, passam a ser devidas as contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento. Ciente do Acórdão da DRJ em 28/04/2011, conforme AR de fl. 82, a contribuinte formalizou, em 26/05/2011, fl. 84, o Recurso Voluntário de fl. 86/91, no quail reitera integralmente as razões já expressas em sede de Impugnação. Submetido ao Colegiado de 2ª Instância, a 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara decidiu converter o julgamento em diligência para que a unidade de origem juntasse aos autos cópia da decisão exarada no recurso formalizado no processo de Exclusão do Simples Nacional. Em cumprimento à diligência, foi juntado o Acórdão deste Conselho que tornou definitiva a exclusão da recorrente do Simples Nacional fl. 99/106. É o relatório necessário. Fl. 122DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Por ser tempestivo e por atender as demais condições de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário. Inicialmente cumpre destacar que, limitandose a questionar a regularidade de sua exclusão do Simples Nacional, o contribuinte não traz em seu Recurso uma única linha para tratar do mérito do Auto de Infração referente às contribuições previdenciárias devidas à Seguridade Social, parte patronal, inclusive para financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais de trabalho (GILRAT). A regularidade da exclusão do Simples já teve seu objeto exaurido no curso do processo 11070.001283/201080, conforme de verifica no Acórdão da 1ª Turma Especial da 1ª Seção de Julgamento desta CARF acostado às fl. 99 e seguintes. A leitura superficial do relatório de tal Acórdão é suficiente para constatar que todos os temas trazidos à balha no Recurso Voluntário ora sob análise já foram objeto de manifestação desta Corte. Ademais, a exclusão, inclusão e exigência de tributos decorrentes da aplicação da legislação referente ao Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das micro e pequenas empresas são matérias de competência da 1ª Seção de Julgamento deste CARF, restando a esta Turma, que compõe a Segunda Seção, dentre outros temas, a competência para processar e julgar Recursos Voluntários que versem sobre a aplicação da legislação previdenciária. Desta forma, o presente voto não entrará no mérito da exclusão do contribuinte do Simples Nacional, restringindose aos temas que possam ter reflexos no lançamento em discussão no presente. Ao contrário do que alega o contribuinte, não há qualquer nulidade que possa invalidar o lançamento, pois foi levado a termo por autoridade competente e sem preterição do direito de defesa, não sendo verificada nenhuma das hipótese de nulidade elencadas no art. 59 do Decreto 70.235/72. Mesmo o prazo de 5 dias que o contribuinte alega que foi criação da fiscalização, o próprio termo de intimação já aponta seu fundamento legal (§ 1º do art. 19 da Lei 3.470/58). Assim, a autoridade fiscal nada mais fez do que atuar nos limites dos preceitos legais que tratam da matéria, em particular por conta da essência vinculada e obrigatória da atividade de lançamento (art. 142 da Lei 5.172/66 CTN). A motivação da autuação, da mesma forma, resta clara no Relatório Fiscal de fl. 37/38, onde se constata que decorre da exclusão do contribuinte do Simples Nacional e da necessidade de, assim sendo, aplicar à recorrente o mesmo tratamento dispensado às demais pessoas jurídicas. Como se verifica da literalidade do art. 13 da Lei Complementar 123, de 14 de dezembro de 2006, o Simples Nacional implica o recolhimento mensal, mediante Fl. 123DF CARF MF Processo nº 11070.001390/201016 Acórdão n.º 2201003.602 S2C2T1 Fl. 122 5 documento único de arrecadação, de vários tributos, dentre eles, a Contribuição Patronal Previdenciária tratada no art. 22 da Lei 8.212/91. A mesma Lei Complementar, em seu art. 32, estabelece que as micro e pequenas empresas excluídas do Simples, a partir do período em que se processarem a exclusão, sujeitamse às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas. O Ato Declaratório DRF/Santo Ângelo/RS nº 092/2010, que excluiu a recorrente do Simples Nacional, foi claro ao definir os efeitos da exclusão a partir de julho de 2007. Considerando que lançamento em discussão é relativo aos períodos de apuração de julho de 2007 a maio de 2010 e que, consultando o Portal do Simples Nacional, não foram identificadas opções posteriores ao procedimento de exclusão, que lá consta devidamente registrado, contatase que, na integralidade do período fiscalizado a recorrente não gozava das benesses da LC 123/2006. Portanto, considerando, ainda, que o mérito dos valores lançados não foram discutidos pelo contribuinte, não há retoques a serem feitos na decisão recorrida. Conclusão: Assim, tendo em vista tudo que conta nos autos, bem assim na descrição e fundamentos legais que constam do presente, voto por conhecer do Recurso Voluntário e, no mérito, negarlhe provimento. Carlos Alberto do Amaral Azeredo Relator Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 10580.723447/2014-34
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 17 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Thu Jul 06 00:00:00 UTC 2017
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011
LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO
A falta de questionamento de determinada matéria pela Recorrente, quando da sua impugnação, leva à consolidação administrativa desta parte. Como o mérito da infração não foi impugnado, deve ser mantido.
MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO.
A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu.
QUALIFICAÇÃO DA MULTA
A utilização de interpostas pessoas, através da fraude na composição societária, criando a figura dos sócios aparentes, os quais são normalmente chamados de "laranjas" ou "testas de ferro", em geral, como verificado no contribuinte fiscalizado, utilizando-se de pessoas, como os atuais sócios formais, indivíduos com reduzida capacidade econômica, demonstra o caráter doloso das ações.
MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA
É exigível a multa de 225 % nos casos de evidente intuito de fraude em que o contribuinte deixa de atender seguidamente às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos.
RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA.
Quando constatado por meio de provas o interesse e a prática conjunta da infração, deve ser mantida a responsabilização solidária da pessoa física que não consta no contrato social da empresa, nos termos do artigo 124 do CTN.
RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO.
Quando não restar constatado nos autos por meio de provas que a autuada foi sucedida por outra empresa, não pode ser mantida a responsabilidade por sucessão nos termos do artigo 133 do CTN. A sucessão deve ser documentalmente comprovada, eis que a empresa sucessora não praticou ou participou da infração tributária, mas sim seus representantes legais quando a empresa autuada estava ativa.
Numero da decisão: 1402-002.509
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) não conhecer em parte do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e, na parte conhecida negar-lhe provimento; ii) negar provimento ao recurso voluntário do coobrigado Raimundo Costa Sampaio; e: iii) dar provimento ao recurso voluntário da coobrigada HD Montagem Eletrônicos Ltda. Ausência momentânea: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA.
(assinado digitalmente)
Leonardo de Andrade Couto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Luis Pagano Gonçalves - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto.
Nome do relator: LEONARDO LUIS PAGANO GONCALVES
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Recorrida FAZENDA PÚBLICA. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011 LANÇAMENTO. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. PRECLUSÃO A falta de questionamento de determinada matéria pela Recorrente, quando da sua impugnação, leva à consolidação administrativa desta parte. Como o mérito da infração não foi impugnado, deve ser mantido. MULTA DE OFÍCIO. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa apenas aplicar a multa de ofício, nos moldes da legislação que a instituiu. QUALIFICAÇÃO DA MULTA A utilização de interpostas pessoas, através da fraude na composição societária, criando a figura dos sócios aparentes, os quais são normalmente chamados de "laranjas" ou "testas de ferro", em geral, como verificado no contribuinte fiscalizado, utilizandose de pessoas, como os atuais sócios formais, indivíduos com reduzida capacidade econômica, demonstra o caráter doloso das ações. MULTA AGRAVADA E QUALIFICADA É exigível a multa de 225 % nos casos de evidente intuito de fraude em que o contribuinte deixa de atender seguidamente às intimações da Fiscalização para prestar esclarecimentos. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Quando constatado por meio de provas o interesse e a prática conjunta da infração, deve ser mantida a responsabilização solidária da pessoa física que não consta no contrato social da empresa, nos termos do artigo 124 do CTN. RESPONSABILIDADE POR SUCESSÃO. Quando não restar constatado nos autos por meio de provas que a autuada foi sucedida por outra empresa, não pode ser mantida a responsabilidade por sucessão nos termos do artigo 133 do CTN. A sucessão deve ser documentalmente comprovada, eis que a empresa sucessora não praticou ou AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 34 47 /2 01 4- 34 Fl. 6823DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.823 2 participou da infração tributária, mas sim seus representantes legais quando a empresa autuada estava ativa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos: i) não conhecer em parte do recurso voluntário da pessoa jurídica autuada e, na parte conhecida negarlhe provimento; ii) negar provimento ao recurso voluntário do coobrigado Raimundo Costa Sampaio; e: iii) dar provimento ao recurso voluntário da coobrigada HD Montagem Eletrônicos Ltda. Ausência momentânea: LUCAS BEVILACQUA CABIANCA VIEIRA. (assinado digitalmente) Leonardo de Andrade Couto Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Paulo Mateus Ciccone, Caio Cesar Nader Quintella, Luiz Augusto de Souza Gonçalves, Demetrius Nichele Macei e Leonardo de Andrade Couto. Relatório Tratamse o presente de Recursos Voluntários (fl.43504/43514 43517/43534) interpostos pela empresa autuada e pela pessoa física responsável solidária e a empresa indicada como sucessora HD, face v. acórdão proferido pela Delegacia da Receita Fl. 6824DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.824 3 Federal do Brasil de Curitiba (fls.43453/43493) que manteve integralmente as exigências perpetradas nos Autos de Infração, bem como a responsabilidade solidária no pólo passivo da pessoa física e da empresa indicada como sucessora. Histórico dos fatos: Para detalhar as ocorrências dos autos, utilizo a parte do relatório do v. acórdão recorrido que nos interessa. Após tentativa frustrada de ciência pessoal, não tendo sido, em uma primeira tentativa, possível localizar o endereço cadastral do contribuinte, a fiscalização encaminhou correspondência contendo Termo de Início do Procedimento Fiscal com aviso de recebimento, cientificada ao contribuinte em 06/12/2013. O contribuinte foi cientificado do Termo de fiscalização 01, em 21/01/2014. Foi encaminhada via postal, com aviso de recebimento, Termo de Fiscalização 02, postado em 30/01/2014, cópia em anexo, correspondência devolvida, conforme indicação dos Correios, em função de ter mudado, cópia em anexo. Também retornou, com a mesma informação, Termo de Fiscalização 03, cópia em anexo. O sócio administrador Florisvaldo teve a correspondência devolvida, com a indicação de ser desconhecido, conforme AR em anexo. Cientificado através de edital SEFIS/DRFSalvador N. 14/2014, em 13/02/2014, cópia em anexo, não atendeu à intimação. O sócio Ivan Soares recusouse a receber a correspondência, conforme indicado no AR em anexo. Termo reencaminhamento em 25/02/2014, cientificado em 13/02/2014, foi intimado através do edital SEFIS/DRFSalvador nº 15/2014, em 13/02/2014 e em 11/03/2014, devolvido o Termo do Termo de Fiscalização 02, após, conforme indicação dos Correios, de três tentativas frustradas de ciência, com o contribuinte ausente. Não atendeu às intimações. A exsócia Simone foi cientificada em 12/02/2014, conforme cópia de AR em anexo e em 27/02/14 reintimada através do Termo de Fiscalização 02. Não atendeu às intimações. Em relação à exsócia Simone, a fiscalização ressaltou que ela figura como outorgada em procuração pública que lhe confere amplos poderes conferidos pela também exsócia Alzerina de oliveira Costa, para poder representála de maneira ampla, na administração da WORLD, cópia em anexo. Os sócios atuais, Florivaldo Santos Lima, CPF 148.113.08549 e Ivan soares Dias, CPF 535.647.88687,assim como as ex sócias, ambas administradoras da WORLD até 22/09/2011, Simone Alves Souza, CPF CPF882.173.02553 e Alzerina de Oliveira Costa, CPF 187.155.67591, além de Raimundo Costa Fl. 6825DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.825 4 Sampaio, CPF959.746.28500, outorgado em ampla procuração conferida pelo sócio administrador Florisvaldo, foram todos regularmente intimados a comprovar a aquisição/alienação das cotas patrimoniais, patrimônio atual, rendimentos recebidos, justificativa para as procurações conferidas, além de indicar data e horário para prestarem esclarecimentos, não tendo atendido à fiscalização. A sócia Alzerina tomou ciência em 03/02/2014, cópia em anexo, novamente intimada, Termo de Fiscalização 02, cientificada em função de erro dos Correios na digitalização do AR correspondente ao Termo de Fiscalização 01, encaminhado à ex sócia Alzerina, foi encaminhadoTermo de Fiscalização 02, copia em anexo, cientificada em 21/02/2014, cópia,em anexo. O exsócio Raimundo foi cientificado em 05/02/2014. Em 29 de janeiro de 2014 foi localizado o endereço cadastral da WORLD. No local funciona a HD. A Sr. Juliana afirmou que a WORLD funcionava em uma sala no prédio que é alugado pela HD. A Sr. Juliana afirmou não haver nenhum vínculo da HD com a WORLD. Em 21/02/2014, a empresa HD foi cientificada em 21/02/2014, de Termo de Fiscalização 01, cópia em anexo, através de correspondência com, aviso de recebimento. O contribuinte foi cientificado em 28/02/201.4, do Termo de Fiscalização 02, também enviado via postal, através do edital SEFIS/DRFSalvador N. 35/2014, cópia em anexo. Não tendo, mais uma vez atendido às intimações, além de evidenciar a dissolução irregular conforme descrito no item 5 abaixo: "Da dissolução irregular". Em 18/04/2014, a WORLD foi cientificada através do edital SEFIS/DRFSalvador N. 86/2014, cópia anexa, do Termo de Fiscalização 03. Foi encaminhada Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira para as instituições financeiras com as quais a WORLD operou no período, com o objetivo de identificar eventuais procurações para movimentação financeira nas respectivas instituições, ANEXO 14. Considerando a falta de atendimento às intimações, tanto por parte da WORLD, como dos seus sócios e exsócios, apesar de regularmente intimados, visando obter informações que subsidiassem a ação fiscal em andamento, relativa ao período compreendido entre janeiro de 2010 e dezembro de 2011, após a emissão de mandados de Procedimento Fiscal de Diligência correspondentes, foram encaminhados Termos de Fiscalização e Requisições de Movimentações financeiras, RMF visando obter o faturamento e retenções tributárias, assim como Fl. 6826DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.826 5 elementos que possibilitassem identificar responsabilização dos gestores, incluindo reais beneficiários. Para a obtenção do faturamento e retenções de tributos administrados pela RFB, a fiscalização tomou como ponto de partida as Declarações de Imposto de Renda Retido na Fonte, DIRF apresentadas pelos tomadores de serviços que contrataram a WORLD. Ressaltando que a DIRF traz também informações relativas aos demais tributos retidos. Nos Anexos 22 e 23, respectivamente os extratos consolidados com detalhamento mensal correspondente aos tomadores de serviço da WORLD, relativos aos anos de 2010 e 2011. A partir da análise das mencionadas DIRF, foram circularizados os contribuintes relacionados no TVF, todos tomadores de serviço com retenção efetuada, com código 1708, já que os pagamentos efetuados a órgãos públicos vinculados aos Estados não estão sujeitos à retenção de valores relativos às contribuições CSLL, PIS c COFINS. Desta forma, com base nos documentos recebidos destes tomadores, podese apurar e provar os valores incorridos. Foram oficiados os cartórios de registro de Títulos e documentos de Salvador visando obter informações quanto à existência de eventuais procurações conferidas pelos sócios e exsócios. Na resposta dada pelo 6º tabelionato de Notas de Salvador, foi informado que o sócio Florisvaldo Santos Lima, na qualidade de sócio da Empresa World Service Terceirização LTDA, CNPJ 00.491.542/000104, outorgou procuração conferindo amplos poderes a Raimundo Costa Sampaio, CPF959.746.285 00, para gerir e administrar a empresa WORLD. Há também registro de procuração outorgada pela exsócia Alzerina de Oliveira Costa, em favor da também exsócia Simone Alves Sofia, autorizandoa a ampla movimentação financeira, assim como a representar a empresa perante diversos órgãos públicos. A fiscalização encaminhou Requisição de Informações sobre/Movimentação Financeira para as instituições financeiras com as quais a WORLD operou no período, com o objetivo de identificar eventuais procurações para movimentação financeira nas respectivas instituições. Na resposta fornecida pelo Banco do Brasil, cópia em anexo, há o registro de autorização ampla para Raimundo Costa Sampaio realizar qualquer operação relativa à movimentação financeira. Vale ressaltar que, regularmente intimado, o ex sócio Raimundo não se pronunciou a respeito. Também na resposta fornecida pela Caixa Econômica Federal, cópia em anexo, o documento "Ficha de abertura e autógrafos Pessoa Jurídica" indica Raimundo Costa Sampaio como representante legal, autorizado a movimentar conta bancária do contribuinte fiscalizado. Fl. 6827DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.827 6 A fiscalização Ressaltou, ainda, que nem a WORLD nem a HD promoveram alteração cadastral indicando a sucessão do domicilio tributário, somente constatado através de diligência registrada no Termo de Constatação 01, ANEXO 1. Assim, a fiscalização concluiu ficar evidenciado que o contribuinte encerrou suas atividades sem efetuar a baixa do registro nos órgãos competentes, ocorrendo, assim, a dissolução irregular de suas atividades, caracterizando hipótese prevista no art. 135 do CTN, pelo descumprimento da lei n° 10.406/2002, art. 1033 e 1034, tendo como conseqüência a responsabilidade tributária dos sócios com poderes de gerência. Para comprovar a dissolução irregular da empresa, uma vez que o contribuinte não foi localizado no seu domicílio tributário, foi declarada a inaptidão do contribuinte, após tentativa frustrada de localização assim como a seus sócios e exsócios, atendendo os requisitos para tal declaração. Frustradas também as diversas tentativas de obtenção de esclarecimentos através das intimações encaminhadas para Raimundo Costa Sampaio, a quem se imputa a condição de real beneficiário. A fiscalização ressaltou que não foi encontrado na Junta Comercial do Estado da Bahia, JUCEB, distrato social ou qualquer comunicado de encerramento de atividades. DA APURAÇÃO DA BASE DE CÁLCULO Considerando a não apresentação de Livros e Documentos obrigatórios, foi realizado o lançamento tributário do IRPJ com base no Lucro Arbitrado trimestral apurandose as infrações distintas, que ensejaram lançamentos por Omissão de Receita, com reflexo na CSLL. Com base nos valores apurados mensalmente, foram lançados os valores correspondentes às contribuições COFINS e PIS. Para a apuração da base de cálculo dos tributos objeto de lançamento no curso da ação fiscal, em relação aos serviços prestados aos contribuintes que foram objeto de circularização, foram considerados os valores constantes nas Notas Fiscais fornecidas; "Em relação aos demais tomadores de serviços, foram considerados os valores informados à RFB por meio das respectivas DIRF. Da multa qualificada O atual responsável perante a RFB é Florivaldo Santos Lima, que detém 60% da cotas, e Ivan Soares Dias que detém 40% das cotas. Ambos ingressaram na sociedade em 09/2011 em substituição a Simone Alves Souza, e Alzerina de Oliveira Costa. Simone e Alzerina detinham 50% das cotas. A ciência aos atuais sócios formais Florisvaldo Santos Lima e Ivan Soares Dias, sujeitos sem qualquer patrimônio de acordo Fl. 6828DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.828 7 com a fiscalização, renda ou histórico de recebimento de remuneração só foi possível através de edital em função de não serem localizados, apesar das vultosas participações societárias. Florisvaldo adquiriu as quotas da contribuinte por R$ 456.000,00 sem nunca ter apresentado DIRPF. A fiscalização, ainda, informou que o último registro dele foi de porteiro, e que ele não apresentou movimentação financeira. Florisvaldo outorgou procuração a Raimundo Costa Sampaio para exercer todos os poderes, inclusive movimentação financeira. A fiscalização, também informa que ele nada assinara. Concluindo tratarse de interposta pessoa. Ivan Soares Dias, apresentou somente uma DIRPF com renda de R$ 23.040,00, no entanto, aportou R$ 304.000,00 na contribuinte, portanto interposta pessoa. A exsócia Alzerina de Oliveira Costa, sócia entre 19/06/2009 e 22/09/2011, consta como dependente na DIRPF relativas aos anos de 2012 e 2011 da contribuinte, Ilma Costa Sampaio, sua filha e irmã de Raimundo. Apresentou DIRPF/2011, ANEXO 10, na qual informa ter auferido rendimentos isentos provenientes da WORLD no valor de R$120.000,00 dos quais, teria doado R$100.000,00 para Raimundo Costa Sampaio. Informa ainda possuir um apartamento no valor de R$240.000,00, nada informando em relação às cotas do contribuinte fiscalizado. Foi admitida na sociedade em 01/07/2009 mediante a aquisição de 50% das cotas pelo valor de R$380.000,00 (trezentos e oitenta mil reais), conforme indicado na alteração contratual correspondente, sem que tenha patrimônio compatível ou comprovado a origem destes recursos. Não há registro de movimentação financeira realizada por Alzerina, seja através de contas da WORLD, seja através de contas da pessoa física. Com poderes de gerência vigentes no período submetido á fiscalização, mesmo não tendo sido encontrado nenhum contrato ou aditivo por ela firmado, considerando que, não atendeu à fiscalização apesar de reiteradamente intimada, foi imputada a responsabilidade tributária com base no art. 135 do CTN. Simone Alves Souza Outra que não possui patrimônio. Porém possuía amplo poderes de administração. Mesmo após sua saída do quadro societário registrase várias assinaturas de termos aditivos. A fiscalização imputoa a responsabilidade do art. 135 do CTN. Assim como imposto à exsócia Alzerina, imputase também responsabilidade tributária na forma do art. 135 do CTN à ex sócia Simone Alves Souza, já que apresentou poderes de administração até 29/07/2011, conferidos pela alteração contratual de 03/07/2009, até sua substituição pela alteração posterior, ANEXO 5. Caracterização do Real Beneficiário Fl. 6829DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.829 8 Raimundo Costa Sampaio (filho de Alzerina de oliveira Costa, sócia formal da WORLD até 22/09/2011), juntamente com os seus irmãos, Ilka Costa Sampaio, e Manoel Carlos Costa Sampaio, constituíram a empresa fiscalizada em 15/02/1995, conforme contrato social, ANEXO 5, que à época se denominava: CSR comércio e Representações LTDA. Beneficiário de ampla procuração para representar a empresa, conferida pelo atual sócio administrador, Florisvaldo Santos Lima, possui, conforme informa em suas DIRPF, ANEXO 8, expressivo patrimônio quando comparado aos demais, sócios e exsócios formais da WORLD. Raimundo declarou através das suas DIRPF, ANEXO 8, expressivos valores que teriam sido recebidos como rendimentos isentos e não tributados, respectivamente: R$1.624.000,00 em 2012; R$418.000,00 em 2011 e R$485.000,00 cm 2010. Além de um significativo patrimônio, que alcançou um valor declarado de R$6.702.300,00 em 31/12/2012. Tais valores destoam de forma significativa em relação" ao patrimônio e renda auferidas, pelos sócios e exsócios do contribuinte fiscalizados. Ele, Raimundo, assina vários contratos, e no TRTBA, figura como réu junto com a WORLD, em função de ter sido constatada pela Justiça do Trabalho a desconstituição irregular da sociedade denominada "O Novo Rio Empreendimentos LTDA, CNPJ 01.339.922/000190", e a configuração de grupo econômico com a World Service. O formalmente exsócio de ambas as empresas, Raimundo Sampaio, atuou como preposto em várias ações que tramitam na Justiça do Trabalho, reforçando o vínculo com a empresa WORLD da qual já não era mais integrante do quadro societário. A seguir, alguns destes processos: Processo N° RT1842/20060300500.7 Reclamante Adeline dos Santos Saturnino Dias. Processo N° RT1768/20060280500.2 Reclamante Dulce Neide Vilas Boas. Processo N° RT16250056.2006.5.05.0028 Reclamante Alexandre Maico Rocha da Silva. Concluiu a fiscalização que o exsócio Raimundo Costa Sampaio, à luz dos elementos obtidos no curso da ação fiscal, tratarse de Real beneficiário da empresa WORLD, utilizandose de interpostas pessoas, o fato de ter sido designado como procurador para movimentação, financeira e ter assinado aditivos contratuais, além de representar a empresa como preposto na Justiça Trabalhista, mesmo não sendo formalmente integrante do quadro societário. Além do estranho silêncio, não apresentando qualquer justificativa apesar de cientificado através de reiteradas intimações. Em palavras da fiscalização: Fl. 6830DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.830 9 A vinculação de Raimundo Costa Sampaio com a WORLD, empresa sucedida pela HD, conforme descrito no item 6.1.3, e sucessora da NOVO RIO, parece não ser o único vínculo oculto com empresas da área de terceirização de mão de obra. Além das empresas das quais faz parte do quadro societário, recebeu pagamentos, com o objetivo de pagar parcelas de parcelamento de débitos junto à RFB, oriundos de outras empresas de locação de mão de obra. Da caracterização da Sucessão da empresa HD Montagens eletrônicas LTDA Do TVF se extrai que o titular da HD (100%), Aesio Ferreira Lima foi sócio administrador da WORLD de 03/10/2006 a 15/08/2007, já foi empregado da empresa NOVO Rio (que teve Raimundo Sampaio como sócio/administrador), também já foi porteiro da VISA comércio (empresa onde Raimundo Sampaio é réu em processo). Aesio apresentou movimentação financeira irrelevante nos últimos cinco anos. Só em 2012 apresentou declaração de bens no montante de R$ 205.000,00, no entanto tem participações societárias em várias empresas. O sócio administrador Gilvan Malta Cairo, também sócio administrador da HD, entre 2011 e 2013, chegou a deter 99% das cotas da HD, também foi sócio administrador da WORLD, de 2006 a 2009. Assinara aditivos contratuais mesmo depois de sua saída formal do quadro societário. Em 2013 constava como funcionário da WORLD. Também tinha vínculo empregatício com a DELTA (empresa administrada pelo irmão do Raimundo Sampaio). Gilvam é sócio de Raimundo na empresa CONVIC. Concluiu a fiscalização ficar evidente o estrito vínculo dos sócios administradores da HD com a WORLD e seu real beneficiário, Raimundo Costa Sampaio. Adicionalmente a fiscalização informou que a empresa HD, na sua constituição, teve a empresa VISAPTA Empreendimentos e Participações LTDA, CNPJ01.859.064/000105, como integrante do seu quadro societário. A VISAPTA, por sua vez, pertencente à VISINVEST Investimentos e Participações LTDA, pertencente a Ilma Costa Sampaio, irmã de Raimundo Costa Sampaio, reforçando o vínculo entre a HD e a WORD, extratos de pesquisa no ANEXO 16. A empresa HD, conforme indicado no seu contrato social, ANEXO 16, atua também na área de locação de mão de obra. Mas até o ano de 2011 não havia registro de prestação deste tipo de atividade o que só passou a ocorrer após o ingresso dos sócios Aesio e Gilvan, em 20/11/2011, momento no qual praticamente se encerraram todos os contratos da WORLD. Destacando que a HD no momento da inclusão destes novos sócios, possuía o registro de apenas um funcionário, alcançando o montante de 103 em 2013, conforme indicado no ANEXO 17. A fiscalização observou que a dissolução irregular, combinada com a também irregular sucessão empresarial, parece ser Fl. 6831DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.831 10 prática usual das empresas vinculadas ao Sr. Raimundo Costa Sampaio conforme explicitado pela Exma. Juíza do Trabalho Maria da Graça Antunes Varela, que, no embargo de declaração onde a empresa Novo Rio sucedida pela WORLD, configurou grupo econômico. Concluiu a fiscalização que o que acontecera com a Novo Rio acontece agora com a WORLD sucedida pela HD. A HD deve responder pelos créditos de acordo com o art. 133 do CTN. Quanto a qualificação da multa temos: A multa de ofício está prevista na Lei n° 9.430/96, Art. 44, inciso I, cujo percentual de 75% foi duplicado em função do disposto no §1° do mesmo dispositivo legal; transcritos parcialmente a seguir, tendo em vista que o sujeito passivo praticou atos enquadrados no art. 71 da Lei n° 4.502/de 30,de novembro de 1964. Dos fatos já relatados, em especial a caracterização, do real beneficiário do contribuinte fiscalizado, além da reiterada prática de dissolução irregular das empresa vínculadas ao Real Beneficiário Raimundo Costa Sampaio, fica demonstrada a incidência da previsão de qualificação da multa. (...) A utilização de interpostas pessoas, através da fraude na composição societária, criando a figura dos sócios aparentes, os quais são normalmente chamados de "laranjas" ou "testas de ferro", em geral, como verificado no contribuinte fiscalizado, utilizandose de pessoas, como os atuais sócios formais, indivíduos com reduzida capacidade econômica, com o intuito de excluir a responsabilidade dos verdadeiros proprietários das cotas societárias. Da multa Agravada O agravamento se deu pela falta de atendimento às intimações indicadas. SUJEIÇÃO PASSIVA SOLIDÁRIA A fiscalização considerou os fatos acima relatados, e com base no artigo 135, combinado com o art. 124, da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código tributário Nacional, lavrou Termos de Sujeição Passiva Solidária em nome de: Raimundo Costa Sampaio; Florisvaldo Santos Lima; Simone Alves Souza, sócia entre 15/O8/2007 até 22/09/2011; Alzerina de Oliveira Costa, CPF187.155.67591, sócia entre 19/06/2009 e 22/09/2011. Já a empresa HD Montagens Industriais, a fiscalização entendeu configurarse como sucessora da WORLD, sujeitandose a responder pelos tributos devidos pela WORLD com base no art. 133 CTN. Fl. 6832DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.832 11 A WORLD SERVICE apresentou sua impugnação onde resumidamente alega: Alega nulidade, pois, teria havido erro na capitulação, pois, o art. 135 do CTN prevê substituição tributária e não solidariedade. Alega que como não existiria utilização de interpostas pessoas e, há a continuidade da empresa não há que se falar do art. 135 do CTN, e assim, seria impossível a responsabilização solidária dos impugnantes. Alega tratarse apenas de um caso simples de inadimplência de tributos. Alega a continuidade da empresa, e a conseqüente separação das personalidades jurídicas. Só os atos com infração à lei acarretariam a responsabilidade do sócio ou administrador. Alega ser impossível a responsabilização dos sócios solidários, pois, houve só um inadimplemento. Não pode haver a desconsideração da personalidade jurídica. Não haveria prova de encerramento irregular da empresa. A Sra. Alzenira, não possui poderes de gerência. A Simone Alves Sousa, Florisvaldo Santos Lima e Ivan Soares não agiram com excesso de poderes, sendo os reais beneficiárias da empresa. Alega não haver motivo para a representação fiscal para fins penais. Quanto às multas, alega excesso, pois, não fora provado o dolo. A HD Montagens apresentou impugnação com os seguintes argumentos: Alega que não sucedeu a WORLD, pois, ela funciona. Alega que o novo endereço da WORLD seria Rua Jaqueira 37, 2º andar, sala 202. Quanto as multas, alega que não cabe a duplicação, e que prestara todas as informações por sua preposta. A responsabilidade tributária do sucessor não se inclui a multa punitiva. O Sr. Raimundo Costa Sampaio apresentou impugnação alegando: O Auditor teria errado na capitulação da responsabilização, pois, o art. 135 do CTN exige a exclusão da empresa. Também, não haveria indicação de excesso de poder ou infração à lei ou ao contrato social ou ao estatuto. Fl. 6833DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.833 12 Não prova que caracterize responsabilidade pessoal, quiçá solidária. Questiona a representação fiscal para fins penais. Em seguida a DRJ profere v. acórdão, afastando a preliminar de erro de capitulação alegada pela Recorrente, mantendo integralmente as exigências fiscais perpetradas nos Autos de Infração, declarando definitivo o crédito exigido em relação World Service (Recorrente), com exceção da multa. Da mesma forma, declara preclusa a matéria relativa a responsabilidade solidária de Florisvaldo Santos Lima, Simone Alves Souza e Alzerina de Oliveira Costa, pois não comparecerem nos autos. (na realidade, a Recorrente World Service foi quem apresentou impugnação defendendo a responsabilidade das pessoas físicas ora indicadas, entretanto, não tinha procuração para tanto). Negou provimento as impugnações do Sr. Raimundo Costa Sampaio e da HD Montagens Industriais, mantendo as respectivas sujeições passivas solidárias. Restou decidido no acórdão o seguinte: As impugnações são tempestivas e atendem as formalidades legais, razão pela qual delas se conhece. A WORLD SERVICE em sua peça impugnatória alega nulidade devido à capitulação errada, contudo a capitulação do art. 135 do CTN referese as questões da solidariedade, que em nada aproveita a WORLD SERVICE, assim, rejeitase a nulidade suscitada. Quanto as responsabilidades em si, primeiramente alega que não caberia o art 135 do CTN, pois, não haveria interpostas pessoas, e a empresa teria continuado etc. Observamos, no entanto, que o questionamento da responsabilidade pela WORLD SERVICE não tem validade haja vista ela não ter procuração para defender os responsabilizados. Alega que não teria havido dissolução irregular, contudo, a fiscalização esgotou todos os meios de comunicação com a empresa (pessoal, postal, inclusive para seus sócios e exsócios). Ademais no endereço da contribuinte funciona a HD. A respeito de dissolução irregular o STJ sumulou: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Dessa forma, houve sim a dissolução irregular, que a contribuinte não conseguiu ilidir. Fl. 6834DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.834 13 No que diz respeito ao dolo, observamos que quando da caracterização de interpostas pessoas notadamente do relatório temos, que o Sr. Florisvaldo Santos Lima (que detém 60% da cotas), Florisvaldo teria adquirido as quotas da contribuinte por R$ 456.000,00 sem nunca ter apresentado DIRPF. A fiscalização, ainda, informou que o último registro dele foi de porteiro, e que ele não apresentou movimentação financeira. Florisvaldo outorgou procuração a Raimundo Costa Sampaio para exercer todos os poderes, inclusive movimentação financeira. Além disso ele nada assinara. Concluise, pois, tratarse de interposta pessoa. Ivan Soares Dias (que detém 40% das cotas) também não apresentou rendimentos, apresentou somente uma DIRPF com renda de R$ 23.040,00, no entanto, aportou R$ 304.000,00 na contribuinte, portanto também é interposta pessoa. Dessa forma, quanto a alegação de que a fiscalização não teria provado o dolo, não procede razão, pois, de tudo o que consta nos autos, interpostas pessoas e dissolução irregular da sociedade, resta claro o intuito da WORLD SERVICE de “sumir” sem pagar seus tributos, ou até mesmo seus débitos trabalhistas. Em palavras da fiscalização: A utilização de interpostas pessoas, através da fraude na composição societária, criando a figura dos sócios aparentes, os quais são normalmente chamados de "laranjas" ou "testas de ferro", em geral, como verificado no contribuinte fiscalizado, utilizandose de pessoas, como os atuais sócios formais, indivíduos com reduzida capacidade econômica, com o intuito de excluir a responsabilidade dos verdadeiros proprietários das cotas societárias. A propósito a fiscalização observou que a dissolução irregular, combinada com a também irregular sucessão empresarial, parece ser prática usual das empresas vinculadas ao Sr. Raimundo Costa Sampaio conforme explicitado pela Exma. Juíza do Trabalho Maria da Graça Antunes Varela, que, no embargo de declaração onde a empresa Novo Rio sucedida pela WORLD, configurou grupo econômico. Dessa forma não resta dúvida a respeito do dolo, e assim, a multa deve ser mantida no patamar lançado. A HD Montagens apresentou impugnação alegando que não sucedera a SERVICE, contudo, não traz prova da existência da mesma. Na realidade, tudo leva a crer que a HD é continuidade da WORLD SERVICE, seria de fato a mesma empresa. Aesio Ferreira Lima (o titular da HD) foi sócio administrador da WORLD de 03/10/2006 a 15/08/2007, já foi empregado da empresa NOVO Rio (que teve Raimundo Sampaio como sócio/administrador), também já foi porteiro da VISA comércio (empresa onde Raimundo Sampaio é réu em processo penal). Aesio apresentou movimentação financeira irrelevante nos Fl. 6835DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.835 14 últimos cinco anos. Só em 2012 apresentou declaração de bens no montante de R$ 205.000,00, no entanto tem participações societárias em várias empresas. De acordo com o relatório a empresa HD, conforme indicado no seu contrato social, ANEXO 16, atua também na área de locação de mão de obra. Mas até o ano de 2011 não havia registro de prestação deste tipo de atividade o que só passou a ocorrer após o ingresso dos sócios Aesio e Gilvan, em 20/11/2011, momento no qual praticamente se encerraram todos os contratos da WORLD. Destacando que a HD no momento da inclusão destes novos sócios, possuía o registro de apenas um funcionário, alcançando o total de 103 em 2013, conforme indicado no ANEXO 17. Dessa forma, a fundamentação do art. 133 do CTN cai perfeitamente: Art. 133. A pessoa natural ou jurídica de direito privado que adquirir de outra, por qualquer título, fundo de comércio ou estabelecimento comercial, industrial ou profissional, e continuar a respectiva exploração, sob a mesma ou outra razão social ou sob firma ou nome individual, responde pelos tributos, relativos ao fundo ou estabelecimento adquirido, devidos até à data do ato. A qualificação da multa já foi detalhadamente analisada anteriormente. Quanto a sucessão, resta claro que o Sr. Raimundo Costa Sampaio, é, de fato o “dono” das duas empresas. Quanto responsabilidade da multa, como já adiantado na realidade, a HD é mais do que sucessora ela é a própria continuação dos negócios do Sr. Raimundo Costa Sampaio, e, inclusive não seria a primeira vez que ele tenta fechar fraudulentamente uma empresa trocando de nome, já acontecera com a empresa Novo Rio. De fato, o Sr. Raimundo Costa Sampaio, é, o “dono” das duas empresas. Ou se assim, preferir tem o controle das duas empresas. O que também pode ser entendido como fazerem parte de um mesmo grupo econômico. A este respeito a súmula nº 47 do CARF dispôs: Súmula CARF nº 47: Cabível a imputação da multa de ofício à sucessora, por infração cometida pela sucedida, quando provado que as sociedades estavam sob controle comum ou pertenciam ao mesmo grupo econômico. Dessa forma, deve ser mantida a responsabilidade solidária da empresa HD. O Sr. Raimundo Costa Sampaio alega erro na capitulação, no entanto, à luz dos elementos obtidos no curso da ação fiscal, tratarse de Real beneficiário da empresa WORLD, utilizandose de interpostas pessoas, o fato de ter sido designado como Fl. 6836DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.836 15 procurador para movimentação, financeira e ter assinado aditivos contratuais, além de representar a empresa como preposto na Justiça Trabalhista, mesmo não sendo formalmente integrante do quadro societário. A justiça do trabalho reconheceo como ter de habito o encerramento fraudulento de empresas. Ele, Raimundo, assina vários contratos, e no TRTBA, figura como réu junto com a WORLD, em função de ter sido constatada pela Justiça do Trabalho a desconstituição irregular da sociedade denominada "O Novo Rio Empreendimentos LTDA, CNPJ 01.339.922/0001 90", e a configuração de grupo econômico com a World Service. Raimundo Sampaio atuou como preposto em várias ações que tramitam na Justiça do Trabalho, reforçando o vínculo com a empresa WORLD da qual já não era mais integrante do quadro societário. Dessa forma, não resta dúvida que o “dono” da WORLD é o Sr. Raimundo Costa Sampaio. Quanto a alegação que a fundamentação do 135 excluiria a empresa, observase que ele é combinado com o art. 124 que trata de solidariedade. Dessa forma, não procede a afirmação do impugnante. De qualquer maneira, doutrinadores, como Leandro Paulsen1, acreditam que o artigo 135 trata de responsabilidade solidária existente entre o administrador da sociedade e a própria sociedade, não havendo exoneração da pessoa jurídica porque ela se beneficiaria da conduta ilícita ou irregular praticada pelos seus diretores ou gerentes. Há julgados no Superior Tribunal de Justiça2 sustentando o entendimento de que o artigo 135 do CTN traria hipótese de responsabilidade solidária entre o administrador e a sociedade como por exemplo : "Em se tratando de sociedade que se extingue irregularmente, impõese a responsabilidade tributária do sóciogerente, autorizandose o redirecionamento, cabendo ao sóciogerente provar não ter agido com dolo, culpa, fraude ou excesso de poder. (...) Imposição da responsabilidade solidária". Este entendimento é o aplicável para o caso dos autos. Quanto à questões relativas a representação fiscais para fins penais a Súmula CARF nº 28 esclarece: “O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.” Dessa forma a esfera administrativa não pode se pronunciar sobre este tema. Observese que quanto aos autos de infração a única matéria discutia pelos impugnantes foi a multa, portanto todo o resto é matéria preclusa, não mais podendo ser discutido na esfera administrativa. Fl. 6837DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.837 16 Inconformados com a r. decisão "a quo", a empresa e os responsáveis solidários interpõe os respectivos Recursos Voluntários, repisando as mesma alegações, requerendo a reforma do v. acórdão " a quo". Ato contínuo, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Voto Conselheiro Leonardo Luis Pagano Gonçalves Relator Recurso Voluntário da Autuada World Service. Fl. 6838DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.838 17 Com exceção da multa aplicada no Auto de Infração, a Recorrente não apresentou nenhuma alegação em relação ao mérito da acusação e não enfrentou a infração tributária propriamente dita de omissão de receita e arbitramento do lucro, abarcando apenas a matéria relativa a sujeição passiva solidária das pessoas físicas Florisvaldo Santos Lima, Simone Alves Souza e Alzerina de Oliveira Costa, bem como alegou impossibilidade de representação criminal com base nos fundamentos da acusação. Entretanto, em relação a matéria relativa a sujeição passiva solidária, a Recorrente não tinha procuração para defender tais pessoas físicas no processo, motivo pelo qual deixo de conhecer tais alegações. Da mesma forma, quanto a alegação relativa a representação criminal, o verbete da Súmula CARF/MF 28 determina que este Colegiado não tem competência para analisar tal matéria, motivo pelo qual, também não conheço do recurso nesta parte. Desta forma, como o recurso é tempestivo e preenche os requisitos mínimos de admissibilidade, conheço apenas as alegações relativas a multa aplicada. Das alegações relativas a multa aplicada, que foi qualificada e agravada: Com exceção das alegações relativa as responsabilidade solidária aplicada nos termos do artigo 135 do CTN e da impossibilidade da representação criminal, a Recorrente Autuada literalmente alega o seguinte em seu Recurso Voluntário em relação a multa, conforme o trecho abaixo colacionado. Insta ressaltar, que a infração de omissão de receita e arbitramento do lucro, se fundamentou pelo fato de a fiscalização constatar dissolução irregular da Recorrente e utilização de interpostas pessoas ("testas da ferro laranjas") com um sistema de alterações societárias e criação de novas empresas para tentar não pagar o imposto devido pela Autuada World Service. A Recorrente se apresenta nos autos e não produz alegações ou o instrui com provas para refutar tais acusações da fiscalização. Pois bem. Passo a análise das alegações relativas as multas. Transcrevo abaixo as alegações da Recorrente: Fl. 6839DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.839 18 Em primeiro lugar, não é correta a alegação da Recorrente de que a decisão "a quo" não motivou a manutenção da multa nos temos em que se encontra no Auto do Infração. A parte do v. acórdão recorrido, abaixo colacionada, mostra que não confere com a realidade a alegação da Recorrente de que o acórdão não se manifestou sobre a manutenção da multa. Alega que não teria havido dissolução irregular, contudo, a fiscalização esgotou todos os meios de comunicação com a empresa (pessoal, postal, inclusive para seus sócios e exsócios). Ademais no endereço da contribuinte funciona a HD. A respeito de dissolução irregular o STJ sumulou: Presumese dissolvida irregularmente a empresa que deixar de funcionar no seu domicílio fiscal, sem comunicação aos órgãos competentes, legitimando o redirecionamento da execução fiscal para o sóciogerente. Dessa forma, houve sim a dissolução irregular, que a contribuinte não conseguiu ilidir. No que diz respeito ao dolo, observamos que quando da caracterização de interpostas pessoas notadamente do relatório Fl. 6840DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.840 19 temos, que o Sr. Florisvaldo Santos Lima (que detém 60% da cotas), Florisvaldo teria adquirido as quotas da contribuinte por R$ 456.000,00 sem nunca ter apresentado DIRPF. A fiscalização, ainda, informou que o último registro dele foi de porteiro, e que ele não apresentou movimentação financeira. Florisvaldo outorgou procuração a Raimundo Costa Sampaio para exercer todos os poderes, inclusive movimentação financeira. Além disso ele nada assinara. Concluise, pois, tratarse de interposta pessoa. Ivan Soares Dias (que detém 40% das cotas) também não apresentou rendimentos, apresentou somente uma DIRPF com renda de R$ 23.040,00, no entanto, aportou R$ 304.000,00 na contribuinte, portanto também é interposta pessoa. Dessa forma, quanto a alegação de que a fiscalização não teria provado o dolo, não procede razão, pois, de tudo o que consta nos autos, interpostas pessoas e dissolução irregular da sociedade, resta claro o intuito da WORLD SERVICE de “sumir” sem pagar seus tributos, ou até mesmo seus débitos trabalhistas. Em palavras da fiscalização: A utilização de interpostas pessoas, através da fraude na composição societária, criando a figura dos sócios aparentes, os quais são normalmente chamados de "laranjas" ou "testas de ferro", em geral, como verificado no contribuinte fiscalizado, utilizandose de pessoas, como os atuais sócios formais, indivíduos com reduzida capacidade econômica, com o intuito de excluir a responsabilidade dos verdadeiros proprietários das cotas societárias. A propósito a fiscalização observou que a dissolução irregular, combinada com a também irregular sucessão empresarial, parece ser prática usual das empresas vinculadas ao Sr. Raimundo Costa Sampaio conforme explicitado pela Exma. Juíza do Trabalho Maria da Graça Antunes Varela, que, no embargo de declaração onde a empresa Novo Rio sucedida pela WORLD, configurou grupo econômico. Dessa forma não resta dúvida a respeito do dolo, e assim, a multa deve ser mantida no patamar lançado. Desta forma, não verifico qualquer nulidade ou ausência de fundamentação do v. acórdão recorrido. Da qualificação da multa: A Fiscalização entendeu inicialmente que os pressupostos para a qualificação da multa de oficio no importe de 150% e definidos em lei nos artigos 71, 72 e 73 (a prática de sonegação, simulação, fraude ou o conluio) restou configurado nos autos. Fl. 6841DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.841 20 As irregularidades existentes que envolveram a Recorrente, foram devidamente apontadas pela Fiscalização no TVF e indubitavelmente caracterizam a conduta dolosa, no intuito de se esquivar indevidamente do pagamento de tributos, notadamente pelo(s) fatos a seguir narrados: Conforme muito bem explanado pelo TVF, os atos praticados pela Recorrente comprovam sua conduta dolosa para qualificar a multa de ofício. Sendo assim, entendo que a multa no importe de 150% foi devidamente aplicada. Inclusive, esta matéria já foi analisada por este E. CARF/MF, conforme pode se verificar na ementa do v. acórdão abaixo colacionada, da Primeira Turma, desta mesma Quarta Câmara, da Primeira Seção, nos autos do processo 10320.723622/201373. (Relatora Lívia de Carli Germano). ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2008 AUTO DE INFRAÇÃO. TERMO DE SUJEIÇÃO PASSIVA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. Somente ensejam a nulidade os atos e termos lavrados por pessoa incompetente e os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA. FASE PROCEDIMENTAL. Fl. 6842DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.842 21 CARÁTER INQUISITÓRIO. No processo administrativo fiscal de lançamento é a impugnação que instaura a fase propriamente litigiosa ou processual. Não encontra amparo jurídico a alegação de cerceamento do direito de defesa ou de inobservância ao devido processo legal durante o procedimento administrativo de fiscalização, que tem caráter meramente inquisitório. AUDITOR FISCAL DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL. COMPETÊNCIA. LANÇAMENTO E JULGAMENTO. O Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil é a autoridade administrativa a quem compete privativamente constituir o crédito tributário por meio do lançamento de ofício, ao sujeito passivo e responsáveis solidários, bem como elaborar e proferir decisões ou delas participar em processo administrativo fiscal. PRINCÍPIO DA DIALETICIDADE. Recurso voluntário que não apresente indignação contra os fundamentos da decisão supostamente recorrida ou a apresentação de motivos pelos quais deveria ser modificada fere o princípio da dialeticidade, segundo o qual os recursos devem expor claramente os fundamentos da pretensão à reforma. DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. FRAUDE, DOLO OU SIMULAÇÃO. Nos casos em que comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação, o prazo decadencial deslocase daquele previsto no artigo 150 para o estabelecido no artigo 173 (ambos do CTN), começando a fluir no primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o tributo poderia ser lançado. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Uma vez demonstrados o exercício de fato de poderes de administração pelas pessoas físicas apontadas como responsáveis, bem como o seu interesse jurídico comum na situação que gerou o fato gerador, estão presentes os requisitos para a responsabilização tanto com base no artigo 135 III do CTN quanto no art. 124, I do mesmo diploma. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSIÇÃO DE PESSOAS. SONEGAÇÃO. CABIMENTO. É cabível a responsabilização dos sócios e administradores de fato pela qualificação da multa no caso de sonegação, caracterizada pela utilização de interpostas pessoas e de sistema de controle de vendas realizadas sem a emissão de notas fiscais e mantido à margem da escrituração contábil e fiscal, de modo a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade tributária das condições pessoais do contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributaria principal ou o credito tributário correspondente. Fl. 6843DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.843 22 JUROS DE MORA. APLICABILIDADE DA TAXA SELIC. Estando os juros lançados em absoluta conformidade com a legislação de regência, não podem ter seus percentuais reduzidos aleatoriamente pelo julgador administrativo, em virtude de alegada feição de inconstitucionalidade/ilegalidade da exigência de juros com base na taxa Selic. Sobre os débitos tributários para com a União, não pagos nos prazos previstos em lei, aplicamse juros de mora calculados, a partir de abril de 1995, com base na taxa SELIC. PROTESTO GENÉRICO PELA PRODUÇÃO POSTERIOR DE PROVAS. INADMISSIBILIDADE. As regras do Processo Administrativo Fiscal estabelecem que a impugnação deverá ser instruída com os documentos em que se fundamentar, mencionando, ainda, os argumentos pertinentes e as provas que o reclamante julgar relevantes. Descabe atendimento a pedido de apresentação posterior de prova que destoam das hipóteses excepcionais previstas no § 4º, do art. 16, do Decreto 70.235/72, sobretudo quando a natureza do pedido é genérica. PEDIDO DE PERÍCIA. INDEFERIMENTO. A perícia é reservada à elucidação de pontos duvidosos que exijam esclarecimentos especializados para o deslinde da questão. Restringindose a questão controversa à apresentação de prova documental, tornase prescindível, para solução do litígio, a realização de perícia visando tão somente suprir a obrigação do sujeito passivo em comprovar a regularidade de sua escrituração. ARGÜIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE DA LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Do agravamento da multa: Segundo a Fiscalização, conforme trecho abaixo colacionado, a multa aplicada ao caso em epígrafe foi agravada para 225% devido a Recorrente não ter entregue os arquivos ou documentos solicitados. Fl. 6844DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.844 23 Sobre o agravamento da multa, a Recorrente apenas alega que não praticou tal ato de deixar de entregar os documentos solicitados pela fiscalização e nada mais. Assim, entendo que a majoração da multa no importe de 225% também esta correta. A Recorrente não atendeu a notificação para entregar os documentos ou arquivos digitais previstos nos artigos 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991. Portanto foi correta a capitulação da multa nos termos do artigo art. 44, § 1 e 2, I, da Lei nº 9.430, de 1996. Em relação a alegação de que a multa é excessiva, como os dispositivos que a regulamentam estão em vigor e gozam de validade jurídica e suas respectivas aplicações estão devidamente fundamentadas, deixo de acolher tal requerimento. Ademais, em respeito ao principio da estrita legalidade, mantenho a multa em seus termos. Do Recurso Voluntário do responsável solidário Raimundo Costa Sampaio: O recurso preenche todos os requisitos legais, motivo pelo qual deve ser admitido. Quanto a alegação de que a fiscalização errou no dispositivo indicado para responsabilizar (artigo 135 do CTN) o Sr. Raimundo e que por isso deve ser afastada, entendo que não merece ser acolhida. Conforme fls. 18 do TVF (item 7), os responsáveis pessoas físicas foram responsabilizados pelo artigo 135 e pelo artigo 124 do CTN. Assim, por mais que a indicação do artigo 135 não seja a mais adequada, a do artigo 124 do CTN está correta, não tendo como se acolher a alegação de que a capitulação quanto a responsabilidade solidária esteja equivocada a ponto de se cancelar o Termo de Sujeição de Responsabilidade Solidária. Fl. 6845DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.845 24 Passo então, a analisar as condições de mérito para verificar se os atos constatados pelo Agende Fiscal são suficientes para caracterizar a responsabilidade do Sr. Raimundo nos termos do artigo 124 do CTN. Para isso colaciono a parte do TVF que tratou sobre este ponto: Fl. 6846DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.846 25 Assim, verifiquei que constam provas nos autos de que o Sr. Raimundo obteve vantagem e participou conjuntamente da irregularidade que constituiu o fato gerador da obrigação tributária que ensejou a autuação, estando correto a aplicação da responsabilidade solidária nos termos do artigo 124 do CTN. Apesar das ações judiciais não tratarem especificamente das infrações analisadas nestes autos, ajudaram a compor o arcabouço probatório no sentido de se constatar Fl. 6847DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.847 26 que o Sr. Raimundo era o real proprietário e o responsável pela empresa World Service, bem como que obteve vantagem e participou das irregularidades tributárias. Ademais, outro ponto importante a ser destacado, é que a empresa Recorrente não existe mais, conforme constatado no TVF, após a incessante busca do paradeiro da empresa pelo Agente Fiscal. A Recorrente e o responsável solidário alegam que ela existe, mas não carrearam aos autos nenhuma prova de que a empresa está operando ou ainda existe no papel. Desta forma, frente aos argumentos acima expostos e de acordo com os fatos e provas dos autos, mantenho o Sr. Raimundo como responsável solidário da sujeição passiva da exigência tributária ora perpetrada nestes Autos de Infração. Ante o acima exposto, conheço do Recurso Voluntário do responsável solidário e nego provimento para manter o Sr. Raimundo Costa Sampaio como responsável solidário no pólo passivo da exigência tributária. Do Recurso Voluntário da empresa HD Montagens, responsabilizada solidariamente como sucessora da empresa World Service Autuada, nos termos do artigo 133 do CTN: Fl. 6848DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.848 27 Fl. 6849DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.849 28 Do exposto acima, não consegui constatar que a Fiscalização conseguiu comprovar que a empresa HD Montadora é sucessora da empresa Autuada World Service. Apesar de inúmeras coincidências, dentre as quais, o mesmo endereço, continuidade da mesma atividade empresarial, proximidade de parentesco e de relacionamento com o responsável solidário da World Service, Sr. Raimundo, não constatei que a empresa HD é de fato e de direito sucessora da Autuada. Está situação, na minha opinião, não restou comprovada nos autos, obrigação esta que era da fiscalização. Ademais, a autuação foi direcionada para a World Service e não para a empresa HD. O débito tributário é de responsabilidade da empresa World Service e seus representantes e não da empresa que possivelmente à sucedeu. Se a fiscalização tem total convicção de que a HD era a sucessora, então deveria ter sido lavrado Auto de Infração contra a HD. Neste sentido, entendo que a análise da sucessão da empresa autuada deve ser feita em sede de execução, caso se constate que a autuada foi realmente sucedida pela empresa HD Montadora. Não se pode estender a responsabilidade pelo pagamento do débito tributário de uma empresa para outra, sendo que está ultima a HD Montadora não praticou ou participou conjuntamente dos atos que geraram a irregularidade tributária. Ao menos, tal ligação não ficou comprovado nos autos. Fl. 6850DF CARF MF Processo nº 10580.723447/201434 Acórdão n.º 1402002.509 S1C4T2 Fl. 6.850 29 Também não verifico que seja caso de aplicação da Súmula CARF/MF 47, onde se impõe a responsabilidade pela multa de ofício a sucessora, quando a sucessora é a própria autuada, conforme aplicado pelo v. acórdão recorrido. No presente caso, foi a autuada World Service, em conjunto com o Sr. Raimundo que praticaram a infração tributária e não a possível sucessora HD. Outro ponto importante, é que o lançamento de ofício esta tentando responsabilizar solidariamente a empresa possivelmente sucessora da autuada, quando tenta imputála na qualidade de interposta pessoa. Tal procedimento, no meu entender, não restou comprovado nos autos e deve ser feito no momento da Execução Fiscal, quando restar constatado que a empresa HD Montadora é a sucessora nos termos do artigo 133 do CTN, e não por meio de responsabilidade solidária em conjunto do auto de infração. Sendo assim, além de não estar devidamente comprovado nos autos a sucessão da empresa HD montagem, também não se pode responsabilizála solidariamente por atos que foram praticados pela Autuada e seu real beneficiário, Sr. Raimundo, conforme comprovado nos autos. Desta forma, por tudo que consta processado nos autos, conheço do Recurso Voluntário e dou provimento para afastar a responsabilidade solidária por sucessão fundamentada nos termos do artigo 133 do CTN da empresa HD Montagem Eletrônicos Ltda. (assinado digitalmente) Leonardo Luis Pagano Gonçalves Fl. 6851DF CARF MF
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