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Numero do processo: 11020.722768/2011-87
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 15 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 17 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009
DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA
A desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa implica em medida extrema, cuja qual deve ser lastreada em casos concretos que demonstre sem dúvida a existência de fraude e ou de simulação.
No caso em tela as Recorrentes, como muito bem demonstrado pela Fiscalização e acudido pela Decisão de piso, utilizou-se de meios forçosos, fraudulentos e simulatórios para o fim de ludibriar o Fisco, já que, em verdade, não se tratava de três empresas, mas de uma só.
AFERIÇÃO INDIRETA PROCEDIDA PELO FISCO
Fiscalização está autorizada a utilizar-se de aferição indireta, pela Lei 8.212/91, se houver a existência comprovada de fraude e ou simulação.
No presente caso, considerando os meios escusos realizados pelas Recorrentes, com fim de ludibriar o Fisco, tem-se que a medida imposta pela autoridade fiscal e pela decisão de piso encontram-se correta, não merecendo reforma, já que comprovada a fraude e a simulação.
DOS JUROS DE MORA
Juros aplicados conforme estabelece o artigo 34 e seu § único, da Lei n.º 8.212/91, onde determinam a incidência de juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia taxa Selic, em caráter irrelevável, sobre o valor das contribuições sociais e outras importâncias incluídas em lançamento fiscal, pagas em atraso; e a incidência, nos meses de vencimento e pagamento das contribuições, do percentual de 1%, a título de juros de mora, estão corretos. Como no caso em tela, não merecendo Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
reforma.Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009
Numero da decisão: 2301-003.769
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
MARCELO OLIVEIRA - Presidente
(assinado digitalmente)
WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa.
Nome do relator: WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA A desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa implica em medida extrema, cuja qual deve ser lastreada em casos concretos que demonstre sem dúvida a existência de fraude e ou de simulação. No caso em tela as Recorrentes, como muito bem demonstrado pela Fiscalização e acudido pela Decisão de piso, utilizou-se de meios forçosos, fraudulentos e simulatórios para o fim de ludibriar o Fisco, já que, em verdade, não se tratava de três empresas, mas de uma só. AFERIÇÃO INDIRETA PROCEDIDA PELO FISCO Fiscalização está autorizada a utilizar-se de aferição indireta, pela Lei 8.212/91, se houver a existência comprovada de fraude e ou simulação. No presente caso, considerando os meios escusos realizados pelas Recorrentes, com fim de ludibriar o Fisco, tem-se que a medida imposta pela autoridade fiscal e pela decisão de piso encontram-se correta, não merecendo reforma, já que comprovada a fraude e a simulação. DOS JUROS DE MORA Juros aplicados conforme estabelece o artigo 34 e seu § único, da Lei n.º 8.212/91, onde determinam a incidência de juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia taxa Selic, em caráter irrelevável, sobre o valor das contribuições sociais e outras importâncias incluídas em lançamento fiscal, pagas em atraso; e a incidência, nos meses de vencimento e pagamento das contribuições, do percentual de 1%, a título de juros de mora, estão corretos. Como no caso em tela, não merecendo Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias reforma.Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009
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Voluntário Acórdão nº 2301003.769 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 15 de outubro de 2013 Matéria CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA Recorrente TRANSPORTADORA TROIAN LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009 DESCONSIDERAÇÃO DA PERSONALIDADE JURÍDICA A desconsideração da personalidade jurídica de uma empresa implica em medida extrema, cuja qual deve ser lastreada em casos concretos que demonstre sem dúvida a existência de fraude e ou de simulação. No caso em tela as Recorrentes, como muito bem demonstrado pela Fiscalização e acudido pela Decisão de piso, utilizouse de meios forçosos, fraudulentos e simulatórios para o fim de ludibriar o Fisco, já que, em verdade, não se tratava de três empresas, mas de uma só. AFERIÇÃO INDIRETA PROCEDIDA PELO FISCO Fiscalização está autorizada a utilizarse de aferição indireta, pela Lei 8.212/91, se houver a existência comprovada de fraude e ou simulação. No presente caso, considerando os meios escusos realizados pelas Recorrentes, com fim de ludibriar o Fisco, temse que a medida imposta pela autoridade fiscal e pela decisão de piso encontramse correta, não merecendo reforma, já que comprovada a fraude e a simulação. DOS JUROS DE MORA Juros aplicados conforme estabelece o artigo 34 e seu § único, da Lei n.º 8.212/91, onde determinam a incidência de juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia taxa Selic, em caráter irrelevável, sobre o valor das contribuições sociais e outras importâncias incluídas em lançamento fiscal, pagas em atraso; e a incidência, nos meses de vencimento e pagamento das contribuições, do percentual de 1%, a título de juros de mora, estão corretos. Como no caso em tela, não merecendo Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias reforma.Data do fato gerador: 01/01/2007, 31/12/2009 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 27 68 /2 01 1- 87 Fl. 1090DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado I) Por voto de qualidade: a) em negar provimento ao recurso, na questão da multa, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Damião Cordeiro de Moraes, Mauro José Silva e Adriano Gonzáles Silvério, que votaram em retificar a multa; II) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao Recurso nas demais alegações da Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) MARCELO OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira, Bernadete de Oliveira Barros, Adriano Gonzáles Silvério, Mauro José Silva, Damião Cordeiro de Moraes e Wilson Antonio de Souza Corrêa. Fl. 1091DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11020.722768/201187 Acórdão n.º 2301003.769 S2C3T1 Fl. 13 3 Relatório Contra a Recorrente foram lavrados os seguintes AI’s: AI DEBCAD nº 37.305.7547, referente a contribuições previdenciárias patronais, incluindo as contribuições para o financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, tendo como base de cálculo a remuneração, aferida indiretamente, de segurados empregados constantes das folhas de pagamento da empresa Transportadora Platanus Ltda., nas competências 01/2007 a 12/2009; AI nº DEBCAD 37.305.7555, referente a contribuições para outras entidades e fundos: Fundo Nacional do Desenvolvimento da Educação FNDE (SalárioEducação), Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária – INCRA, Serviço Social do Transporte SEST, Serviço Nacional de Aprendizagem do Transporte SENAT e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas – SEBRAE, tendo como base de cálculo a remuneração, aferida indiretamente, de segurados empregados constantes das folhas de pagamento da empresa Transportadora Platanus Ltda., nas competências 01/2007 a 12/2009. A Fiscalização autuante informa que as empresas Transportadora Troian Ltda., Transportadora Platanus Ltda. e Transportadora Sulminas Ltda., foram selecionadas para realização de diligências, tendo em vista sua localização em domicílio tributário idêntico, sócios administradores em comum e com grau de parentesco. Dado as idênticas relações pessoais/administrativas e outros do gênero, considerou a Fiscalização como empresa mãe a Recorrente, que possui o patrimônio físico e nela é registrado contabilmente quase que totalidade dos gastos delas, abarcando imobilizado, receitas de serviços e despesas, enquanto que na ‘PLATANUS’ (empresa filha) é registrado contabilmente somente gastos com trabalhadores (salários, encargos sociais, benefícios). Afirma que “Na realidade, as empresas vinculadas são uma só” ...os sócios confundemse, as correspondências tanto de uma empresa como as de outras duas empresas são recebidas de forma indistinta, os administradores, ocultos ou não, são os mesmos, ocorre o poder de mando por sócios ou representantes delegados pelas empresas, os empregados são os mesmos, a atividade é a mesma, o imóvel e o local das atividades são os mesmos, os veículos de transporte das cargas são utilizados por todas as empresas e demais elementos subsidiários.” Em assim sendo, foram lançados, em nome da Transportadora Troian Ltda., os créditos correspondentes às contribuições previdenciárias, parte patronal e para outras entidades e fundos, concernentes às folhas de pagamento da empresa Transportadora Platanus Ltda., aferidas as respectivas bases de cálculo utilizadas a partir das Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP e folhas de pagamento dessa empresa, relativas ao período de 01/2007 a 12/2009. A Recorrente e as empresas ‘filhas’, foram noticiadas dos AI’s e apresentaram impugnações, com suas razões, cujas quais não foram suficientes para modificarem o lançamento. Fl. 1092DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 4 Todas foram noticiadas em 24.JUL.2012 da decisão de piso e em 17.AGO.2012 as três empresas Recorrentes apresentaram Recurso Voluntário, onde alegam em dois recursos, um para cada Auto de Infração: i) nulidade da decisão de 1° grau por descumprimento de requisitos essenciais para julgamento a teor do artigo 31 do Decreto 70.237/73, na redação dada pelo Artigo 1° da Lei n° 9.748/93; ii) da exclusão da empresa Sulminas Ltda., como responsável solidária; iii) § único do Artigo 116 do CTN (norma antielisão), que foi utilizado pelo Fisco por via oblíqua, mas de forma efetiva e real; iv) do direito das pessoas e empresas buscarem relações associativista que melhor lhes aprouver (é defeso ao Fisco proceder a esse tipo de desconsideração dos atos e negócios jurídicos); v) dos indícios, da presunção e da ficção utilizados indevidamente para a autuação; vi) das respostas às acusações do relatório fiscal – a) dos sócios comuns e dos administradores formais – b) da relação de parentesco – c) objeto social – d) dos telefones e fax comuns – e) dos conhecimentos de transporte rodoviário f) dos contratos de fomentos mercantis – g) dos endereços das empresas – h) imóvel em nome da Transportadora Troian e os contratos de locações – i) da utilização do mesmo quadro de pessoal e das reclamações trabalhistas; vii) aferição indireta procedida pelo Fisco viii) juros moratórios. É a síntese do necessário. Fl. 1093DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11020.722768/201187 Acórdão n.º 2301003.769 S2C3T1 Fl. 14 5 Voto Conselheiro WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator Os presentes Recursos Voluntários acodem os pressupostos de admissibilidade, razão pela qual, desde já, deles conheço, passando à análise requerida, com a final decisão. i) NULIDADE DA DECISÃO DE 1° GRAU POR DESCUMPRIMENTO DE REQUISITOS ESSENCIAIS PARA JULGAMENTO A TEOR DO ARTIGO 31 DO DECRETO 70.235/73, NA REDAÇÃO DADA PELO ARTIGO 1° DA LEI N° 9.748/93 Alega a Recorrente que o curso processual não seguiu Decreto 70.235/72, e tão pouco a Lei 9.748/93, eis que, segundo ela, na impugnação foram trazidas várias razões e provas que afastariam as autuações, mas que não foram apreciadas pela decisão de piso. Entretanto, julgo prejudicada tal alegação, eis que não foram demonstradas efetivamente quais foram as matérias e os documentos desconsiderados na impugnação, tornando impossível a análise. Ademais, reza o Artigo 31 do Decreto 70.235/72 que a decisão deverá apresentar relatório resumido do processo, os seus fundamentos legais e por fim a conclusão, o que foi realizado pela decisão de piso, não se verificando nenhum prejuízo ao Recorrente. Mas não é só, eis que o Artigo 33 do mesmo Decreto assim determina: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Desta forma, não se vê previsão legal para decretação da deseja nulidade em caso, somente para argumentar, de deixar a decisão de se pronunciar de alguma matéria. Isto se faz extremamente necessário, pois não cabe ao julgador legislar, ao contrário ele é um escravo da lei, pois sua decisão é pautada nela. Sem razão a Recorrente. ii) DA EXCLUSÃO DA EMPRESA SULMINAS LTDA., COMO RESPONSÁVEL SOLIDÁRIA Diz a Recorrente que a empresa Sulminas foi mantida na autuação, sem que a decisão de piso tenha realizado a devida e imperiosa análise com profundidade os argumentos trazidos na impugnação. Na impugnação alega que a Transportadora Sulminas Ltda., não poderia ser mantida, eis que a própria autuação reconhece que a única beneficiária da alegada simulação teria sido a Transportadora Troian Ltda. Fl. 1094DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 6 Todavia, demonstrou a fiscalização na autuação e foi confirmado pela decisão de piso, cuja qual, desde já tomo também minhas razões, e, diferente do que alega a Recorrente, foi considerada a responsabilidade solidária pelo pagamento das contribuições previdenciárias, a empresa Sulminas, por fazer parte do grupo econômico, com fulcro no Artigo 30, IX, da Lei n.º 8.212/91, combinado com o artigo 222 do Regulamento da Previdência Social RPS aprovado pelo Decreto n.º 3.048, de 06 de maio de 1999, com a redação dada pelo Decreto n.º 4.032, de 26 de novembro de 2001. Ademais, como dito na decisão singular o artigo 124, I do CTN é assaz para determinar a manutenção da responsabilidade solidária da Transportadora Sulminas, conforme reza o dispositivo legal, ‘in verbis’’: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal. E, não é muito dizer que a responsabilidade solidária temse quando há mais de um sujeito passivo responsável pela obrigação tributária, sendo que ela tem origem na vontade das partes ou decorre da lei, quando há interesses comuns. No caso em tela, ela teve origem na vontade das partes que através de simulação tentou benficiarse de movimentos que refletissem em pagar menos impostos, todas, beneficiandose destas razões. Portanto, não há de ser excluído do pólo passivo da autuação e decisão a Transportadora Sulminas. iii) § ÚNICO DO ARTIGO 116 DO CTN (NORMA ANTIELISÃO), QUE FOI UTILIZADO PELO FISCO POR VIA OBLÍQUA, MAS DE FORMA EFETIVA E REAL Em síntese, alega as Recorrentes que não houve nenhum tipo de simulação ou dissimulação, tampouco fraude nos atos e negócios jurídicos das três empresas. E, em não havendo qualquer tipo de ilicitude na construção societária e sendo que as ações de cada qual visam atingir metas próprias, não pode o Fisco desconsiderar a personalidade jurídica delas. Diferentemente do que alegam no presente remédio recursivo, a decisão singular demonstrou minuciosamente a existência de movimentos fraudulentos e simulatórios realizados pelas Recorrentes com fim de pagar menos contribuição social. Ficou claro para este Julgador que uma empresa deixou de recolher contribuições patronais, nas competências janeiro de 2007 a dezembro de 2009, incidentes sobre as remunerações pagas ou creditadas a segurados empregados, contratados através de empresa interposta. Há entre outras a coincidência de domicilio fiscal entre as empresa, sendo que o pavilhão onde estão sediadas as empresas é de propriedade da empresa mãe, existindo uma única sala como recepção para as três empresas, uma única porta e um único setor administrativo, sendo o mesmo local da atividade operacional das empresas, a existência de um único relógio eletrônico para controle de ponto dos empregados das três empresas. Enfim, várias e várias coincidências. Mas não é só, pois as composições societárias são de membros da mesma família, com sobrenome que dá nome a empresa mãe, ou seja, Troian. Fl. 1095DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11020.722768/201187 Acórdão n.º 2301003.769 S2C3T1 Fl. 15 7 E ainda, os sócios são os administradores com poderes para movimentarem as contas bancárias das três empresas, Cleiton Troian; das empresas Transportadora Platanus Ltda. e Transportadora Sulminas Ltda., Naor Troian; e da empresa Transportadora Troian, Leonardo Luiz Troian, filho de Nilo Troian. Não se pode olvidar dos contratos de fomento comercial que têm o mesmo cadastro, avalistas e cláusulas para todas as empresas. São avalistas, nos contratos firmados pelas três empresas com instituições financeiras, Aldino Troian e Cleiton Troian. Os empregados de uma empresa migrou para outra, sem o destrato do contrato de trabalho com a primeira, sendo que houve prestação de serviço de um empregado de uma empresa para outra. Com relação aos empregados necessário que venha à lume que a Transportadora Platanus Ltda., empresa tributada pelo Simples Federal e, após 07/2007, pelo Simples Nacional, detém, na média do período autuado, 63,38% da mãodeobra que presta serviço às três empresas. Há documento do Judiciário Trabalhista onde as empresas confessam responder solidariamente naquela ação. Enfim, não há de se falar de anomalia na decisão ora anatematizada, eis que correta a sua interpretação, ao menos neste quesito. iv) DO DIREITO DAS PESSOAS E EMPRESAS BUSCAREM RELAÇÕES ASSOCIATIVISTA QUE MELHOR LHES APROUVER (É DEFESO AO FISCO PROCEDER A ESSE TIPO DE DESCONSIDERAÇÃO DOS ATOS E NEGÓCIOS JURÍDICOS) Diz as Recorrentes que o Fisco considerounas como se uma fossem, e isto realizado é desconsiderar os atos e negócios jurídicos realizados por ela, afrontando a liberdade de autorganização e que todo indivíduo, seja físico ou jurídico, tem a faculdade de ajustar seus negócios de modo menos oneroso tributariamente. Mas reconhece que esta liberdade esbarra na possibilidade de não ser considerada tal respeito se for agredida a legislação, conforme ocorreu no caso em tela. Despiciendo será enumerar o que alhures já foi realizado, onde as Recorrentes utilizamse de meios fraudulentos ou simulatórios para conseguirem a sua organização tributária em detrimento ao FISCO. Sem razão. v) DOS INDÍCIOS, DA PRESUNÇÃO E DA FICÇÃO UTILIZADOS INDEVIDAMENTE PARA A AUTUAÇÃO Diz que a Fiscalização utilizouse de indícios, presunção e ficção para realizar a autuação, o que não é verdade, pois: Fl. 1096DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 8 Será que são indícios aquisição de valestransporte de uma empresa localizada em Minas Gerais, com uma folha de pagamento com três empregados, adquirir nos meses 06/2008, 07/2008 e 08/2008, valestransporte para 20 empregados? Será que é presunção verificar que a filial de uma das Recorrentes a Transportadora Platanus Ltda., com folha de pagamento de 31 empregados não ter lançamentos contábeis com aquisição de valestransporte? Será que é ficção os recibos de restituição de despesas a empregado da Transportadora Platanus Ltda. utilizando caminhão e recebendo restituição de despesa da Transportadora Sulminas Ltda.? Será que são indícios empregado da Transportadora Platanus Ltda. utilizando caminhão da Transportadora Troian Ltda. com recibo de restituição de despesa pago pela Transportadora Sulminas Ltda? Será presunção empregado da Transportadora Platanus Ltda. utilizando caminhão da Transportadora Sulminas Ltda. e assinando recibo de restituição de despesa para a Transportadora Troian Ltda? Será basear em ficção o fato de empregado da Transportadora Troian Ltda. utilizando caminhão desta empresa mas assinando recibo de restituição de despesa para a Transportadora Sulminas Ltda.? Ademais a presunção de omissão no registro de receita, ressalvada ao contribuinte a prova da improcedência da presunção, a ocorrência das seguintes hipóteses: a) a indicação na escrituração de saldo credor de caixa; b) a falta de escrituração de pagamentos efetuados; c) a manutenção no passivo de obrigações já pagas ou cuja exigibilidade não seja comprovada. No caso em tela, somente para argumentar, as Recorrentes tiveram oportunidade para demonstrar que havia improcedência na presunção levantada pela fiscalização e não fez no momento da impugnação e tão pouco no presente recurso aviado. Em verdade não o fez porque havia a confusão na escrituração de pagamentos efetuados e manutenção indevida no passivo de uma empresa com relação a outra, por se tratarem de uma mesma empresa. A fraude não foi presumida pela fiscalização, mas provada com todos os meios cabíveis e documentos fornecidos pelas Recorrentes. Portanto, não há de se falar em autuação com base em indícios, ficção e presunção. vi) DOS SÓCIOS COMUNS E DOS ADMINISTRADORES FORMAIS / GRAU DE PARENTESCO / OBJETO SOCIAL / DOS TELEFONES E FAX COMUNS / DOS CONHECIMENTOS DE TRANSPORTE RODOVIÁRIO / DOS CONTRATOS DE FOMENTOS MERCANTIS / DOS ENDEREÇOS DAS EMPRESAS / IMÓVEL EM NOME DA TRANSPORTADORA TROIAN E OS CONTRATOS DE LOCAÇÕES / DA UTILIZAÇÃO DO MESMO QUADRO DE PESSOAL E DAS RECLAMAÇÕES TRABALHISTAS Fl. 1097DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11020.722768/201187 Acórdão n.º 2301003.769 S2C3T1 Fl. 16 9 De fato a Carta Maior autoriza a livre iniciativa e estimula a criação de pessoas jurídicas, sem que para isto crie parâmetros não permissíveis que tenha uma pessoa física inserida no contexto contratual de n empresas, podendo inclusive ser da mesma família. Também é bem verdade que não existe legislação que coíba que tenham objeto social em comum, que utilizem do mesmo fax/telefone, que tenham telefones iguais, etc.. O que não pode é associarse de forma fraudulenta com fim de iludir o Fisco para contribuir menos com a Previdência Social, como fez as Recorrentes, que, pelas razões acima expostas, associaramse, criando várias empresas de ‘fachada’. Sem razão as Recorrentes. AFERIÇÃO INDIRETA PROCEDIDA PELO FISCO Diz que não houve simulação e, portanto, não há como a Fiscalização utilizarse de aferição indireta, conforme autoriza a Lei 8.212/91. Pelas razões antes expostas, ficou cristalina a utilização de meios fraudulentos e simulatórios, razão assaz para medida tomada pela fiscalização. Portanto, considerando os meios escusos realizados pelas Recorrentes, com fim de ludibriar o Fisco, temse que a medida imposta pela autoridade fiscal e pela decisão de piso encontramse correta, não merecendo reforma. viii) DOS JUROS DE MORA Os juros foram aplicados consoante o estabelecido no artigo 34 e seu § único, da Lei n.º 8.212/91, redação vigente na forma da Lei n.º 9.528/97, que determinam (a) a incidência de juros moratórios equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia taxa Selic, em caráter irrelevável, sobre o valor das contribuições sociais e outras importâncias incluídas em lançamento fiscal, pagas em atraso; e (b) a incidência, nos meses de vencimento e pagamento das contribuições, do percentual de 1%, a título de juros de mora. Observese que, a partir de 04 de dezembro de 2008, os juros de mora, tendo em vista o disposto no artigo 35 da Lei n.º 8.212/91, na redação que lhe deu a MP n.º 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, passaram a ser calculados consoante o que determina o parágrafo 3.º do artigo 61 da Lei n.º 9.430, de 27 de dezembro de 1996, que manteve, na hipótese, a incidência de juros equivalentes à taxa Selic, calculados até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% no mês do pagamento. Quanto ao artigo 161 e seu parágrafo 1.º do CTN, verificase que, consoante esse dispositivo legal, os juros de mora somente seriam calculados à taxa de 1% ao mês, se não houvesse lei que dispusesse de modo diverso, o que não ocorre no caso em tela, uma vez que existe lei determinando a aplicação de juros moratórios equivalentes à taxa Selic. Vêse, portanto, que a aplicação de juros de mora atinentes à taxa Selic se assenta em bases legais, das quais, inclusive, não pode a Administração Tributária se afastar, sob pena de vulnerar o rígido princípio constitucional da legalidade. Fl. 1098DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 10 MATÉRIAS NÃO RECORRIDAS. Urge tratar das matérias não suscitadas em seu recurso, cujas quais penso não constituir matéria de ordem pública, já que estas normas (ordem pública) são aquelas de aplicação imperativa que visam diretamente a tutela de interesses da sociedade, o que não é o caso. Neste diapasão tenho que a ‘Ordem Pública’ significa dizer do desejo social de justiça, assim caracterizado porque há de se resguardar os valores fundamentais e essenciais, para construção de um ordenamento jurídico ‘JUSTO’, tutelando o estado democrático de direito. Por outro lado, julgar matéria não questionada e que não trate do interesse público é decisão ‘extra petita’, como é o caso em tela onde a multa não foi anatematizada pelo Recorrente, e que tem o meu pronunciamento de aplicação da multa mais favorável ao contribuinte, mas que neste momento não julgo a questão, eis que não refutada no recurso e não se trata de matéria de ordem pública. Tem o meu voto no sentido de que matéria não recorrida é matéria atingida pela instituição do trânsito em julgado, mesmo as matérias de ordem pública não pré questionadas, porque, em não sendo préquestionadas há limite para cognição. Das pesquisas realizadas para definir o que seja ‘matéria de ordem pública’, parecenos que a mais completa seja a de Fábio Ramazzini Becha, que peço vênia para transcrevêla: “.. Matéria de Ordem Pública tratase de conceito indeterminado, a dificuldade de interpretação é maior do que nos conceitos legais determinados. .. Prossegue: “... A ordem pública enquanto conceito indeterminado, caracterizado pela falta de precisão e ausência de determinismo em seu conteúdo, mas que apresenta ampla generalidade e abstração, põese no sistema como inequívoco princípio geral, cuja aplicabilidade manifestase nas mais variadas ramificações das ciências em geral, notadamente no direito, preservado, todavia, o sentido genuinamente concebido. A indeterminação do conteúdo da expressão faz com que a função do intérprete assuma um papel significativo no ajuste do termo. Considerando o sistema vigente como um sistema aberto de normas, que se assenta fundamentalmente em conceitos indeterminados, ao mesmo tempo em que se reconhece a necessidade de um esforço interpretativo muito mais árduo e acentuado, é inegável que o processo de interpretação gera um resultado social mais aceitável e próximo da realidade contextualizada. Se, por um lado, a indeterminação do conceito sugere uma aparente insegurança jurídica em razão da maior liberdade de argumentação deferida ao intérprete, de outro lado é, pois, evidente, a eficiência e o perfeito ajuste à historicidade dos fatos considerada. O fato de se estar diante de um conceito indeterminado não significa que o conteúdo da expressão “ordem pública” seja inatingível.(...)” Fl. 1099DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11020.722768/201187 Acórdão n.º 2301003.769 S2C3T1 Fl. 17 11 (...) A ordem pública representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano. Tratase de instituto que tutela toda a vida orgânica do Estado, de tal forma que se mostram igualmente variadas as possibilidades de ofendêla. As leis de ordem pública são aquelas que, em um Estado, estabelecem os princípios cuja manutenção se considera indispensável à organização da vida social, segundo os preceitos de direito. (...) Para Andréia Lopes de Oliveira Ferreira matéria de ordem pública implica dizer que: “são questões de ordem pública aquelas em que o interesse protegido é do Estado e da sociedade e, via de regra, referemse à existência e admissibilidade da ação e do processo. Tratase de conceito vago, não podendo ser preenchido com uma definição” e cita Tércio Sampaio Ferraz, para quem “é como se o legislador convocasse o aplicador para configuração do sentido adequado” A princípio temse que matéria de ordem pública é aquela que diz respeito à sociedade como um todo, e dentro de um critério mais correto a sua identificação é feita através de se saber qual o regime legal que ela se encontra, ou seja, quando a lei diz. É bem verdade e o difícil é que nem sempre a lei diz se determinada matéria é ou não de ordem publica, e, neste caso, para resolver a questão, urge que a concretização e a delimitação do conteúdo da ordem pública constitui tarefa exclusiva das Cortes Nacionais. Todavia, elas mesmas (Cortes Superiores) não definiram com exatidão o que vem ser matéria de ordem pública, e tão pouco se a multa quando não recorrida deve ou não ser decidido por ser matéria imperiosa de julgamento, tratandose de interesse geral. E mais, mesmo quando a matéria é de ordem pública e não préquestionada, o STJ vem reiteradamente decidindo que, reconhecidamente matérias de ordem pública, quando não analisada em instâncias inferiores e tão pouco préquestionadas, não devem ser analisadas naquela Corte. ‘Ex vi’ Acórdão abaixo: AgRg no REsp 1203549 / ESAGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2010/01195407 Relator Ministro CESAR ASFOR ROCHA (1098) T2 SEGUNDA TURMA Fl. 1100DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA 12 Data de Julgamento 03/05/2012 DJe 28/05/2012 Ementa AGRAVO REGIMENTAL. RECURSO ESPECIAL. SUSPENSÃO DE LIMINARINDEFERIDA. PREQUESTIONAMENTO. QUESTÕES DE ORDEM PÚBLICA. A jurisprudência do STJ é firme no sentido de que, na instância especial, é vedado o exame de questão não debatida na origem, carente de préquestionamento, ainda que se trate eventualmente de matéria de ordem pública.Agravo regimental improvido. Acórdão Vistos, relatados e discutidos os autos em que são partes as acima indicadas, acordam os Ministros da Segunda Turma do Superior Tribunal de Justiça, na conformidade dos votos e das notas taquigráficas a seguir, prosseguindose no julgamento, após o voto vista do Sr. Ministro Mauro Campbell Marques, acompanhando o Sr. Ministro Cesar Asfor Rocha, por unanimidade, negar provimento ao agravo regimental, nos termos do voto do Sr. Ministro Relator. Os Srs. Ministros Castro Meira, Humberto Martins, Herman Benjamin e Mauro Campbell Marques (votovista) votaram com o Sr. MinistroRelator. Assim, tenho que a multa não é matéria de ordem pública porque, como dito por Fábio Rmanssini Bechara, ela não ‘representa um anseio social de justiça, assim caracterizado por conta da preservação de valores fundamentais, proporcionando a construção de um ambiente e contexto absolutamente favoráveis ao pleno desenvolvimento humano’. CONCLUSÃO Diante do acima exposto, como o presente recurso voluntário atende os pressupostos de admissibilidade, dele conheço, para no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É o voto. (assinado digitalmente) WILSON ANTONIO DE SOUZA CORRÊA Relator . Fl. 1101DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA Processo nº 11020.722768/201187 Acórdão n.º 2301003.769 S2C3T1 Fl. 18 13 Fl. 1102DF CARF MF Impresso em 17/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, Assinado digitalmente em 10/12/2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/11/2013 por WILSON ANTONIO DE SOUZA COR REA
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Numero do processo: 10925.002187/2009-54
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3302-000.287
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento o Dr. Alissiano Francisco Miotto - OAB/SC 33.768.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA - Presidente.
(assinado digitalmente)
ALEXANDRE GOMES - Relator.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 23/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator).
Nome do relator: Não se aplica
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Acompanhou o julgamento o Dr. Alissiano Francisco Miotto OAB/SC 33.768. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 23/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva (Presidente), José Antonio Francisco, Fabiola Cassiano Keramidas, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Alexandre Gomes (Relator). Relatório. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 25 .0 02 18 7/ 20 09 -5 4 Fl. 1107DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.002187/200954 Resolução nº 3302000.287 S3C3T2 Fl. 1.108 2 Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de créditos de Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins, nãocumulativa, decorrentes de operações no mercado interno não tributadas, em razão de vendas efetuadas com alíquota zero, não incidência, isenção ou suspensão da contribuição, que remanesceram ao final do segundo trimestre de 2006, após as deduções do valor das contribuições a recolher, concernentes às demais operações. As glosas efetuadas podem ser assim resumidas: a) aquisições de bens para revenda b) aquisições de bens não enquadrados como insumos: b.1) Material de Embalagens e Etiquetas: caixas de papelão, filme stretch, bobina lisa encolhível, entre outros. b.2) Aquisição de produtos com alíquotas zero: Citrato de sódio, nisina, lenha e produtos químicos. b.3) Peças em geral: Adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, mangueiras, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos, e etc. b.4) Material de Construção: Cimento, brita, tijolo, areia, arame, tinta acrílica, ferragem, e etc. b.5) Conservação e limpeza: Ácido nítrico, soda líquida, detergente, e etc. b.6) Outros itens: boné, avental, botas, luvas, cadeado, grama, desratização e etc; c) aquisições de serviços não enquadrados como insumos valores excluídos da Linha 03 Serviços utilizados como insumos sem comprovação por parte do contribuinte. d) energia elétrica e) frete na operação de venda – por conta da ausência de comprovação hábil f) depreciação de bens do Ativo Imobilizado g) despesas com lubrificantes e combustíveis h) crédito presumido do art 8º da Lei 10.925/04 A Manifestação de inconformidade foi assim resumida pelo acórdão Recorrido: A contribuinte, inicialmente, alega ilegalidade das glosas procedidas pela Autoridade Fiscal em face da ofensa ao Princípio da Não Cumulatividade, "termo utilizado pelo § 12, do art. 195 da CF/88". Nesse sentido, argumenta que, como a contribuição para o PIS e a Cofins, a teor das leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003, incidem sobre "o total das receitas auferidas pela pessoa Jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil", seus respectivos créditos também devem ser calculados sobre os custos e despesas gerais Fl. 1108DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.002187/200954 Resolução nº 3302000.287 S3C3T2 Fl. 1.109 3 necessários à obtenção das receitas e não somente sobre insumos e bens adquiridos para revenda, sob pena de tornar tais contribuições cumulativas, ainda que em parte, numa "clara infração ao art. 111 do CTN". 2. Reclama, a contribuinte, que do montante informado a título de bens adquiridos para revenda, houve glosas em duplicidade e lista as notas fiscais que foram computadas duas vezes na planilha que apresenta a base de cálculo glosada Anexo I. 3. Contesta as glosas dos valores referentes aos bens e serviços utilizados como insumos argumentando que os dispositivos legais que tratam da possibilidade de desconto de créditos referemse a insumos em sentido amplo, sem quaisquer restrições. Bens utilizados como insumos 4. Segue contestando as glosas dos valores referentes a aquisição de embalagens para transporte dizendo que os itens glosados pela fiscalização, aplicados no final do processo de industrialização, consistem de embalagens de apresentação, não podendo ser considerados como embalagens utilizadas apenas para o transporte. Explica que o processo de acondicionamento ao qual o leite e seus produtos derivados são submetidos possui o objetivo de promover o produto através de sua apurada apresentação aos olhos dos potenciais consumidores, preservando, também, a sua integridade. A fim de demonstrar o que defende traz fotos das referidas embalagens. Em que pese esta alegação, argumenta ainda: que as embalagens, mesmo que possam ser consideradas como utilizadas apenas para transporte industrializados são insumos consumidos na fase final da industrialização (acondicionamento), ou seja, utilizados na linha de produção; que tais embalagens não são passíveis de reutilização, e oneram o custo final do produto, da mesma forma que a matéria prima; que a legislação que trata da contribuição para o PIS e da Cofins não faz distinção entre as "embalagens de apresentação" e as "embalagens para transporte", não cabendo, portanto, à fiscalização desconsiderar as disposições normativas, impondo restrições ao desconto de créditos sobre as aquisições de embalagens destinadas ao transporte, quando a lei não o fez; que a distinção entre embalagem de apresentação e para transporte, estabelecida no caput do art. 6o Regulamento do IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), aprovado pelo Decreto n° 4.544/2002, é válida somente "Quando a incidência do imposto estiver condicionada à forma de embalagem do produto" e não pode ser transposta para o âmbito da nãocumulatividade da contribuição para o PIS e da Cofins. 5. A interessada contesta a glosa dos valores de aquisição de nisina defendendo que tal produto, enquanto "conservante utilizado em requeijão", é utilizado como insumo na elaboração e ou beneficiamento de laticínios. Segue argumentando que a lenha, que, informa, é utilizada como fonte de combustível para alimentação de caldeiras utilizadas no seu processo industrial, também consiste de insumo para efeito de cálculo de créditos relativos à contribuição para o PIS e da Cofins. E informa Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.002187/200954 Resolução nº 3302000.287 S3C3T2 Fl. 1.110 4 que junta em cópia de notas fiscais de aquisição de lenha, por amostragem. Argumenta, ainda, que a Autoridade Fiscal classifica tais produto como tributado à alíquota zero, contudo, sem indicar o dispositivo legal infringido em que se baseia. 6. Quanto à glosa de valores relativos às aquisições de peças em geral os quais lista como "(adaptador, adesivo, bucha, broca, correia, cotovelo, disjuntor, joelho, lâmpada, mangueiras, parafuso, pilha, porta, retentor, rolamentos, etc)" , sob o argumento de que tais bens não se enquadram no conceito de insumos, inicialmente a contribuinte alega que a Autoridade Fiscal "não aponta com exatidão todos os bens glosados sob este fundamento e sequer quantifica o montante dos créditos glosados, prejudicando o direito de defesa do Contribuinte". A seguir diz que, não obstante, pode constatar que foram glosadas da base de cálculo dos créditos valores decorrentes da aquisição de materiais de manutenção de máquinas e equipamentos de sua linha de produção", conforme lista em planilha que traz em anexo — Doe. 08. Segue, então, argumentando que referidos materiais destinamse à manutenção das máquinas e equipamentos utilizados na fabricação de laticínios, com o objetivo de garantir que a sua linha de produção opere com o nível de desempenho desejado, proporcionando, ao final, produtos de qualidade. Acrescenta que a possibilidade de desconto de créditos sobre os materiais de manutenção está amparada pelo art. 3o , inciso II da Lei n° 10.833/2003 e pelo art. 8o , § 4o , inciso I, alínea "a" da Instrução Normativa SRF n° 404/2004 e menciona a Solução de Consulta n° 27, de 02 de dezembro de 2008, da DISIT 03 e a Solução de Consulta n° 30, de 26 de janeiro de 2010, da DISIT 09. 7. Em relação à glosa de valores relativos às aquisições de produtos de conservação e limpeza — os quais lista como (ácido nítrico, soda líquida, detergente, etc.)" , reclama que "Da mesma forma como descrito no item anterior, não houve a adequada individualização de todos os produtos e do respectivo montante glosado no Termo de Verificação e Encerramento da Análise Fiscal" e diz que apresenta em anexo planilha com relação dos referidos produtos (Doe. 09). Traz um quadro onde lista os produtos e sua destinação, e menciona a Solução de Corfsulta n° 13, de 06 de janeiro de 2010, da DISIT por meio da qual, argumenta, a Secretaria da Receita Federal afirma que a Contribuinte tem direito de incluir na base de cálculo os produtos de limpeza. 8. A contribuinte contesta ainda a glosa de aquisições de outros insumos, os quais lista em planilha que consta de sua Manifestação de Inconformidade que, ao contrário do que afirma a Autoridade Administrativa, considerando sua descrição/aplicação, consistem de insumos gerando direito a crédito que alega, informa que junta planilha demonstrativa das aquisições dos produtos listados (Doe. 10) e as respectivas notas fiscais. Serviços utilizados como insumos 10. A interessada, inicialmente, informa que dentre os valores glosados há valores que se referem a serviços que são utilizados como insumo. Argumenta, então, que a Autoridade Fiscal agiu de forma arbitrária ao glosar todo o valor Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.002187/200954 Resolução nº 3302000.287 S3C3T2 Fl. 1.111 5 informado a esse título, mesmo considerando o fato de a memória de cálculo apresentada estar em desconformidade com o solicitado. A fim de comprovar a existência de valores que geram créditos, junta uma amostra das notas fiscais relacionadas à presente glosa, fls. 412/417. Por fim, pugna pela realização de diligência, caso se entenda que os documentos acostados não sejam suficientes a comprovar o que pretende. 11. A fim de comprovar a despesa com energia elétrica, referente à junho/2006, traz cópia do documento e relatório denominado "CAEFTARR/CAEFTARR Relatório de faturas arrecadadas", Doe 12, fornecidos pela agência regional da CELESC em Joaçaba. 12. Em relação aos fretes nas operações de venda, alega que, conforme consta do termo fiscal, em atendimento a Intimação SAORT, apresentou cópia de notas fiscais, o que é reconhecido pela própria Autoridade, comprovando as aquisições dos serviços de fretes. Conclui, então, que a Autoridade Fiscal, apesar de reconhece a existência das mencionadas notas fiscais, promoveu a glosa do valor informado a título de frete nas operações de venda, desconsiderando, inclusive, os valores das notas fiscais que já se encontram anexadas ao presente processo. Defende que o direito ao aproveitamento de créditos sobre os valores dos fretes na aquisição de insumos, fretes de transferências de matéria prima entre os estabelecimentos da própria empresa (pontos de coleta do leite e a indústria) está assegurado em lei e argumenta que a inclusão de tais valores na linha do Dacon própria para informar fretes na venda tratase de mero equívoco, que não pode obstar a manutenção dos créditos a que tem direito. Já em defesa do direito ao aproveitamento de créditos sobre os valores dos fretes entre a indústria (produção) e os pontos de venda, a contribuinte alega que os custos com tais fretes consistem de despesas de venda, pois a operação é realizada com esse propósito (de venda) e que o ônus é por ela suportado. Aduz que a despesa de frete na venda pode ocorrer de forma direta, quando os produtos vendidos são remetidos diretamente para o estabelecimento do adquirente, ou de forma indireta, como é o caso, quando os produtos são remetidos do estabelecimento produtor para os pontos de venda. E diz que "O envio do produto final para os ponto de venda é uma etepa essencial à sua comercialização, sem o qual não seria possível fornecêlos às mais diversas e longínquas regiões do país". Encargos de Depreciação 12. Em relação à glosa dos encargos de depreciação, inicialmente, a interessada diz que não pretende discutir a glosa dos bens adquiridos anteriormente a 01/05/2004, dos bens usados, dos veículos da administração, da correção monetária do imobilizado e outros bens, por concordar que não são utilizados em sua linha de produção. No entanto, entende indevida a glosa relativa a uma parcela dos bens que, conforme alega, além de serem utilizados no processo produtivo, são indispensáveis ao mesmo, conforme é possível constatar da descrição de sua aplicação/destinação constante da planilha (Doe. 13) e das respectivas imagens que anexou ao presente processo (Doe. 14). Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.002187/200954 Resolução nº 3302000.287 S3C3T2 Fl. 1.112 6 Defende que, de acordo com o parecer normativo n° 7, de 23 de julho de 1992, da Coordenação do Sistema de Tributação CST definiu quando uma máquina ou equipamento é utilizado no processo industrial, para fins de fruição de benefícios fiscais na esfera do imposto de renda e IPI , consideramse utilizados na produção as máquinas e os equipamentos "empregados na produção industrial, em contraposição aos de utilização comercial ou de uso doméstico". Conclui, então, que como os bens indicados são máquinas e equipamentos incorporados ao ativo imobilizado utilizados na produção de bens destinados à venda (e não para fins comerciais ou domésticos), e foram adquiridos de pessoas jurídicas domiciliadas no Brasil, dão direito a crédito, já que preenchem todos os requisitos legais a sua concessão. Diante disso, defende que não pode a Autoridade Fiscal, "sem qualquer amparo técnico, glosar os créditos sob a singela alegação de que os equipamentos e máquinas apresentadas pela Recorrente nos pedidos administrativos não são utilizados na produção de seus bens destinados à venda". Combustíveis e lubrificantes 13. Contesta a glosa dos valores com aquisição de combustível e lubrificantes, cujos valores de aquisição foram informados como na linha 13 do Dacon, própria para informar "Outras Operações com Direito de Crédito", alegando que dentre os valores glosados constam aquisições de óleo diesel e de gás ultrasystem, que são insumos adquiridos em grandes quantidades (a granel) para consumo no processo de fabricação de laticínios, conforme descrição/aplicação dos produtos que traz em sua Manifestação de Inconformidade. Argumenta que não há na lei qualquer vedação restringindo o desconto dos créditos da Cofins sobre as aquisições de insumos de combustíveis e lubrificantes, e que no caso específico do óleo diesel, utilizado em substituição à energia elétrica adquirida das concessionárias usuais, defende que, mesmo que seja considerado como despesa, deve integrar a base de cálculo dos créditos em face do disposto no art. 3o , inciso III da Lei n° 10.833/2003. Com o objetivo de demonstrar que os gastos com combustíveis e/ou lubrificantes consistem de custos de produção, traz uma amostragem dos lançamentos contábeis dos dispêndios que constam do livro Diário e o Plano de Contas (Doe. 15). Requer que seja julgada procedente a Manifestação de Inconformidade e reformado o Despacho Decisório. A par dos argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada, a DRJ entendeu por bem julgar procedente em parte a manifestação de inconformidade, afastando, em parte, às glosas efetuadas em decisão que assim ficou ementada: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL ANOCALENDÁRIO: 2006 PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. COMPROVAÇÃO DA EXISTÊNCIA DO DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA A CARGO DO CONTRIBUINTE. Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.002187/200954 Resolução nº 3302000.287 S3C3T2 Fl. 1.113 7 No âmbito específico dos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento, é ônus do contribuinte/pleiteante a comprovação minudente da existência do direito creditório. PEDIDOS DE RESTITUIÇÃO, COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. DACON. ANÁLISE DO CRÉDITO. A utilização dos créditos das contribuições do PIS e da Cofins, apurados na sistemática da nãocumulatividade, é estabelecida pelo contribuinte por meio do DACON, não cabendo a autoridade tributária, em sede do contencioso administrativo, assentir com a inclusão, na base de cálculo desses crédito, de custos e despesas não informados ou incorretamente informados no respectivo DACON. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS ANOCALENDÁRIO: 2006 REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. HIPÓTESES DE CREDITAMENTO. A legislação é exaustiva ao enumerar os custos e encargos passíveis de creditamento: além dos custos com bens e serviços tidos como insumos diretamente aplicados na produção de bem destinado à venda, somente dão direito à crédito as despesas e os encargos expressamente previstos na legislação de regência. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. CONCEITO DE INSUMOS. No regime da nãocumulatividade, só são considerados como insumos, para fins de creditamento de valores: aqueles utilizados na fabricação ou produção de bens destinados à venda; as matérias primas, os produtos intermediários, o material de.embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídas no ativo imobilizado; e os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. EMBALAGENS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Apenas as embalagens que se caracterizam como insumos, ou seja, que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, é que dão direito a crédito. As embalagens que não são incorporadas ao produto durante o processo de industrialização (embalagens de apresentação), mas apenas depois de concluído o processo produtivo e que se destinam tãosomente ao transporte dos produtos acabados (embalagens para transporte), não podem gerar direito a creditamento relativo às suas aquisições. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM FRETES NA OPERAÇÃO DE VENDA. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Em se tratando de serviços de frete, em interpretação literal da legislação, somente dará direito a crédito o frete contratado Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.002187/200954 Resolução nº 3302000.287 S3C3T2 Fl. 1.114 8 relacionado a uma "operação de venda", não gerando crédito, portanto, o frete relacionado ao mero deslocamento dos produtos acabados do estabelecimento industrial até o estabelecimento distribuidor da empresa, onde, então, ocorrerá a efetiva venda. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM DEPRECIAÇÃO. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Das máquinas, equipamentos e outros bens incorporados ao ativo imobilizado, somente os que estejam diretamente associados ao processo produtivo é que geram direito a crédito, a título de depreciação, no âmbito do regime da nãocumulatividade. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. PARTES E PEÇAS DE MÁQUINAS E EQUIPAMENTOS. INSUMOS. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. As partes e peças adquiridas para manutenção de máquinas e equipamentos, para que possam ser consideradas como insumos, permitindo o desconto do crédito correspondente da contribuição, devem ser consumidas em decorrência de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação/beneficiamento, e, ainda, não podem representar acréscimo de vida útil superior a um ano ao bem em que forem aplicadas. REGIME DA NÃOCUMULATIVIDADE. DESPESAS COM COMBUSTÍVEIS E LUBRIFICANTES. CONDIÇÕES DE CREDITAMENTO. Somente dão direito a crédito no âmbito do regime da não cumulatividade, as aquisições de combustíveis e lubrificantes utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda. Manifestação de Inconformidade Procedente em Parte Direito Creditório Reconhecido em Parte Contra esta decisão foi apresentado Recurso onde são reprisados os argumentos lançados na manifestação de inconformidade apresentada em relação às glosas que restaram mantidas. É o relatório. Voto Conselheiro Relator ALEXANDRE GOMES O presente Recurso Voluntário é tempestivo, preenche os demais requisitos e dele tomo conhecimento. Conforme se depreende da leitura do relatório acima transcrito, a Recorrente teve seu pedido de ressarcimento parcialmente provido tendo em vista a ocorrência de glosas sobres créditos por ela utilizados em sua apuração. Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.002187/200954 Resolução nº 3302000.287 S3C3T2 Fl. 1.115 9 Em relações as glosas mantidas, destaco, neste momento processual, quatro delas, quais sejam: (i) fretes nas operações de venda; (ii) aquisição de serviços (iii) encargos de depreciação e (iv) embalagens de apresentação. As justificativas apresentadas para manutenção destas glosas são basicamente a ausência de comprovação por parte da Recorrente do direito que pleiteia, ou ainda, que os documentos e informações apresentadas seriam insuficientes. Da decisão recorrida pinço os seguintes enxertos: Inicialmente, em relação aos fretes na operação de venda, como do relato acima se vê, as glosas ocorreram, não pela falta de apresentação das notas fiscais de fretes, mas pela impossibilidade de se fazer a correlação entre a nota fiscal de venda e o seu respectivo frete de venda. A contribuinte não só deixou de individualizar o número da Nota Fiscal de Saída, emitida pela Lacticinios Tirol, referente á\cada frete dito como sendo de operação de venda, como também, quando intimada a apresentar uma amostra de notas de fretes, dentre os conhecimentos de transporte apresentados trouxe vários relacionados a fretes na aquisição de insumos e fretes entre estabelecimentos da empresa. Destarte, para que reste efetivamente comprovada uma despesa com frete na venda, para fins de creditamento, o contribuinte deve ser capaz de demonstrar, de forma clara e individualizada, e comprovar, documentalmente, que os fretes de cujos custos pretende se utilizar de fato estão vinculados a alguma operação de venda de seus produtos, efetivamente realizada. Em assim não tendo agido a contribuinte, deixou de cumprir o ônus que a lei lhe impõe de comprovar os créditos pleiteados, conforme visto no item 1.1 deste voto, não havendo, portanto, como reconhecêlos. (...) De início que se diga que não se contesta o direito de crédito decorrente da aquisição de serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto. (...) Todavia, a interessada, como se viu, não indicou todos os serviços que constam do Anexo III que entende aplicados diretamente a seu processo produtivo, razão pela qual resta prejudicada a análise do crédito pretendido em razão de ser impossível aferir a natureza destes serviços. De outro turno, trazer apenas uma amostragem das notas fiscais dos serviços, cujo montante foi glosado, não é suficiente para comprovar nem a totalidade e nem a natureza dos serviços informados. Em relação à notas juntadas à folhas 412 a 417, pelo que consta do campo próprio para descrição dos serviços, verificase estas não se referem a serviços aplicados diretamente no processo produtivo de bens destinados à venda e, portanto, não podem ser tidos como insumo, a teor do conceito de insumo que já se firmou no item 1.2 deste voto. Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.002187/200954 Resolução nº 3302000.287 S3C3T2 Fl. 1.116 10 No mais, digase que se mostra totalmente descabido a intenção da contribuinte de ter o processo baixado em diligência, a fim de que se comprove o crédito aqui em discussão. Isso em razão de nos pedidos de restituição, compensação ou ressarcimento de créditos tributários, ao contribuinte cabe o ônus, que a legislação lhe atribui, de trazer os elementos de prova que demonstrem a existência do crédito. Ou seja, em qualquer dos tipos de repetição cabe ao contribuinte/pleiteante a apresentação dos documentos comprobatórios da existência do direito creditório como prérequisito ao conhecimento do pleito. (...) Neste caso, o equívoco de inserir custos com aquisições de combustíveis e lubrificantes em linha imprópria do Dacon prejudica totalmente o reconhecimento, em sede de análise de Manifestação de Inconformidade, de eventuais créditos a que tenha direito a esse título, decorrentes dessas aquisições. Como é sabido, deve prevalecer no âmbito do processo administrativo fiscal o princípio da verdade material e tal determinação vem sendo aplicada por este colegiado em decisões reiteradas. Ainda que se trate de pedidos de ressarcimento, que trazem para a contribuinte o dever de prova do direito que se pleiteia, não se pode olvidar que em alguns casos a juntada de todos os documentos pode ser inviável, e é por este motivo que a legislação prevê a possibilidade de realização de diligências e perícias. Importante destacar também em outros processos da mesma Recorrente, julgados, inclusive por esta turma e com relatório do conselheiro José Antonio Francisco, houve a conversão do processo em diligência para apuração inclusive de fatos semelhantes aos tratados no presente processo. Neste contexto, o presente processo deve ser convertido em diligência para que seja oportunizada a Recorrente a prova do direito que busca relacionados a todas as glosas efetuadas, e em especial para que em relação: a) às embalagens de apresentação, junte planilha detalhada relativa as aquisições de embalagens e aponte sua destinação (apresentação ou transporte) com a respectiva demonstração; b) às peças e partes, traga discriminativo detalhado com a vinculação a sua utilização no processo industrial da Recorrente; c) aos combustíveis e lubrificantes, traga discriminativo detalhado com a vinculação a sua utilização no processo industrial da Recorrente; d) a aquisição de serviços, demonstrativo relacionando os serviços e sua aplicação nas atividades da Recorrente; e) aos fretes, elabore demonstrativo informando a utilização dos serviços de frete; Fl. 1116DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES Processo nº 10925.002187/200954 Resolução nº 3302000.287 S3C3T2 Fl. 1.117 11 Em todos os casos acima listados e em relação aos demais eventualmente não apontados, caberá a Recorrente disponibilizar a autoridade preparadora os documentos necessários à comprovação dos direitos pleiteados. Neste contexto, voto por converter por converter o julgamento do presenet recurso em diligência, a fim de que a Fiscalização intime a Interessada a comprovar ou demonstrar as questões tratadas no presente processo. Caberá a Fiscalização lavrar termo de conclusão a respeito dos temas e demonstrativos apresentados na presente diligência, e outros mais que entendam necessários ao bom deslinde do processo, do qual dará ciência à Interessada para se manifestar. Após retornem os autos para julgamento. (assinado digitalmente) ALEXANDRE GOMES Relator Fl. 1117DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES, Assinado digitalmente em 27/01/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ALEXANDRE GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 10880.900100/2009-70
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Wed Jan 08 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003
CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS. DO DECLARANTE. AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO.
Cabe ao declarante da compensação o ônus de demonstrar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita a homologação.
Numero da decisão: 3803-004.327
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa.
Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Hans Bragtner Haendchen - OAB-SP 243.797.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Juliano Eduardo Lirani Relator
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JULIANO EDUARDO LIRANI
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS. DO DECLARANTE. AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Cabe ao declarante da compensação o ônus de demonstrar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita a homologação.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/09/2003 a 30/09/2003 CRÉDITO. COMPENSAÇÃO. LIQUIDEZ E CERTEZA. PROVA. ÔNUS. DO DECLARANTE. AUSÊNCIA. NÃO HOMOLOGAÇÃO. Cabe ao declarante da compensação o ônus de demonstrar a liquidez e certeza do crédito tributário alegado. A ausência de elementos imprescindíveis à comprovação desses atributos impossibilita a homologação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso. Vencido o conselheiro Juliano Eduardo Lirani. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Belchior Melo de Sousa. Fez sustentação oral pela recorrente o advogado Hans Bragtner Haendchen OABSP 243.797. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Juliano Eduardo Lirani – Relator (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa – Redator designado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 01 00 /2 00 9- 70 Fl. 113DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 30/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório O contribuinte supra descrito apresentou PER/DCOMP, em 24.11.2004, com a finalidade de compensar o valor de R$ 5.027,73, proveniente do recolhimento a maior do PIS ocorrido em 05.11.2003, com débito de PASEP. O Despacho Decisório à fl. 01 indeferiu a compensação formulada, sob o argumento de que o pagamento indicado em PER/DCOMP foi utilizado para quitação de débito pertencente ao sujeito passivo, razão pela qual não há crédito disponível para compensação dos débitos indicados. Já as fls. 11/14 o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, instruída com contrato social, despacho decisório, PER/DCOMP, DCTF e DARF à fls. 49/51, por meio da qual argumentou que em 24.11.2004 transmitiu PER/DCOMP correspondente a setembro/2003, no valor de R$ 5.027,73 e procurou demonstrar que o direito creditório originouse do recolhimento a maior da citada contribuição, mais especificamente do pagamento de 3 (três) DARFs, totalizando R$ 30.421,36. Às fls. 69/75 a DRJ de São Paulo proferiu o Acórdão n.° 1631.27412ª Turma, por meio do qual negou o pedido com fundamento no fato de que o contribuinte não comprovou com documentação fiscal idônea a redução do valor do tributo devido e declarado em DCTF, pois deixou de anexar livros contábeis. Além do que, os julgadores de primeiro grau alegaram que cabe ao contribuinte o ônus da prova em relação ao seu direito creditório. A DRJ fundamentou ainda sua decisão denegatória, no fato de que foi transmitida DCTF retificadora somente em 12.02.2009, conforme se verifica dos autos às fls. 49/51, ou seja, após a ciência do despacho decisório que ocorreu em 19.01.2009. Além do que, pondera que os DARFs foram juntados com a Manifestação de Inconformidade e que a DCTF retificadora não tem o condão de comprovar a redução do débito declarado, razão pela qual esta foi recusada para fundamentar o alegado direito. Em seu recurso voluntário, o contribuinte alega ter transmitido PER/DCOMP indicando créditos de PIS, recolhido a maior em 09/2003, no valor de R$ 5.027,73, tendo em vista a constatação da ocorrência de erro no preenchimento da DCTF original, que foi corrigido por meio de DCTF retificadora. Afirma que o valor de R$ 25.393,63, declarado em DCTF, foi apurado no mês de setembro/2003 para o PIS. Ocorre que o pagamento deste débito foi realizado por meio de 3 (três) DARFs, sendo a primeira no valor de R$ 26.353,05, a segunda no valor de R$ 3.791,51 e a última no valor de R$ 276,80, que somando atinge o valor de R$ 30.421,36. Logo, segundo o seu entendimento, restou demonstrado que subtraindo o valor devido a título de PIS para o PA 09/2003, evidenciase o crédito em questão no valor de R$ 5.027,73. Neste passo, na DCTF retificadora o contribuinte corrigiu o equívoco e indicou o DARF no valor de R$ 26.353,05 para fazer frente ao débito de R$ 21.325,32. Fl. 114DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 30/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10880.900100/200970 Acórdão n.º 3803004.327 S3TE03 Fl. 114 3 Ao final, requer o reconhecimento da perda do direito da Fazenda Nacional em constituir o crédito tributário, em razão da não observância do art. 24 da Lei n° 11.457/2007, que impõe prazo de 360 dias para que seja proferida decisão administrativa. Subsidiariamente, a homologação do pedido de compensação transmitido, ou o acolhimento de diligência para a comprovação do seu direito. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Juliano Eduardo Lirani Relator Analisando o recurso voluntário, acostado aos autos, não é possível confirmar a data de seu recebimento, razão pela qual o considero tempestivo e por isso compreendo que atende aos requisitos de admissibilidade, logo dele conheço. O cerne da questão em relação ao presente processo administrativo reside no fato de que o contribuinte apresentou DCTF retificadora somente após a ciência do despacho decisório e ainda desvinculado de qualquer documento contábil com a finalidade de comprovar a redução do débito já declarado. Certamente que em outras ocasiões já votei simplesmente por negar provimento ao recurso voluntário quando o contribuinte não apresenta a prova contábil da redução do débito declarado em DCTF. Entretanto, no caso em exame em razão das peculiaridades do caso vou acolher o pedido de diligência, tendo em vista que o sujeito passivo comprovou ter pago, por meio de DARF, o valor de R$ 30.421,36, referente ao PIS do PA setembro/2009, enquanto que o valor do débito, segundo alega, era somente R$ 25.393,63. Consequentemente, tudo indica que realmente o contribuinte possui direito ao crédito alegado no valor de R$ 5.027,73. É evidente se o contribuinte tivesse colacionado aos autos os livros contábeis não seria o caso de converter o julgamento em diligência, mas sim dar provimento ao apelo se houvesse a comprovação do PIS devido em setembro/2009. Por outro lado, afasto o pedido de reconhecimento da perda do direito da Fazenda em constituir o crédito, por entender que o art. 24 da Lei n.° 11.457/2007 não socorre o contribuinte neste sentido, já que neste artigo não há qualquer menção no sentido apontado pelo recorrente. Desta forma, considerando que o contribuinte aponta um indício de seu direito e com fundamento no princípio da verdade material, converto o julgamento em diligência para que a DRF analise a DCTF retificadora e intime o contribuinte a apresentar livro razão e livro diário para comprovar a redução do débito confessado. É o voto. Sala das sessões, 24 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Fl. 115DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 30/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 Juliano Eduardo Lirani Voto Vencedor Conselheiro Belchior Melo de Sousa – Relator O i. Relator não conseguir atrair a Turma para o encaminhamento do seu voto no sentido de converter o julgamento em diligência. O argumento que maneja não levanta hipótese de cerceamento do direito de defesa, que poderia ser considerada em face de estar a decisão recorrida centrada em fundamento apenas de direito, dando corpo à desinformação quanto aos elementos matérias de prova que a Manifestante teria que ter carreado aos autos para demonstrar a certeza e liquidez do seu crédito. Do voto constante da decisão da DRJ/São Paulo I, não obstante apontar para a apresentação da manifestação de inconformidade como o momento de colacionar a prova, nos termos do art. 16, III, do Decreto nº 70.235/72, a i. Julgadora a quo foi clara em assentar a necessidade de que a Manifestante tivesse anexado a sua defesa os livros contábeis, destacando o Diário e o Razão, e elementos adicionais, para que lograsse um resultado que melhor lhe favorecesse.. A Recorrente reiterou o seu argumento tecido na manifestação de inconformidade, que, apreciado na primeira instância, foi tido como insuficiente para desconstituir a decisão da autoridade administrativa. No recurso, haveria a Recorrente de ou demonstrar a ilegalidade da exigência ou cumprila, para, minimamente, ter a força de inclinar a Turma para acolher a verdade material estampada nos autos, sustentando neles presente uma das ressalvas do art. 16 do Decreto nº 70.235/72, a permitir o acolhimento de tais provas na segunda instância. Contudo, mesmo ciente do argumento central da decisão contra a qual recorre, que fora contrário a sua pretensão a falta da prova consubstanciada na sua escrita fiscal , a Recorrente não se desincumbe de complementar a sua defesa com o que efetivamente poderia afetar o rumo da decisão que tinha em mãos, sua escrita contábil. A conversão proposta arrimase apenas no fato da existência do recolhimento da contribuição, na alegação do pagamento a maior e na retificação extemporânea da DCTF, porquanto efetuada após a ciência da despacho decisório, elementos que esta Turma tem considerado insuficientes para a reforma de decisão de primeira instância. Pelo exposto, voto por negar provimento ao recurso Sala das sessões, 23 de julho de 2013 (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 116DF CARF MF Impresso em 08/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 24/10/2013 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/20 13 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 24/10/2013 por JULIANO EDUARDO LIRANI, Assin ado digitalmente em 30/10/2013 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.000921/99-89
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 03 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Tue Feb 18 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 1995
CSLL. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.DECADÊNCIA.
Não há que se falar em decadência para o exame do encontro de contas das compensações, uma vez que os créditos tributários referem-se ao ano-calendário de 1999, com prazo até 31 de dezembro de 2003 para homologação tácita do lançamento.
ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE.
O julgador não precisa apreciar toda a argumentação das partes para solução da lide, desde que disponha de elementos suficientes para fundamentar sua decisão.
DILIGÊNCIA À AUTARQUIA. NECESSIDADE.
Descabe diligência quando os elementos acostados aos autos suprem os esclarecimentos necessários à fundamentação do acórdão.
CONTRATOS DE CESSÃO. AMORTIZAÇÃO.
Não há previsão legal para adicionar o valor das Perdas de arrendamento a amortizar à base de cálculo da CSLL do cedente.
ARRENDAMENTO MERCANTIL. DESPESAS ANTECIPADAS. REVERSÃO.
A aplicação de recursos baseados no pagamento antecipado do aluguel de debêntures, nas operações de arrendamento mercantil não modifica o lançamento contábil das DESPESAS ANTECIPADAS, com reversão à conta de resultado na apuração da base de cálculo da CSLL.
ARRENDAMENTO MERCANTIL. CONTRATO DE CESSÃO. CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO.
Não se pode excluir da base de cálculo da CSLL do cedende créditos de propriedade do cessionário.
Numero da decisão: 1202-001.072
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: afastar ex-officio a ocorrência da decadência, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, indeferir o pedido de diligência junto ao Banco Central do Brasil e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da CSLL, apurada pela autoridade diligente, o valor de R$ 58.837.874,59, relativo ao ano-calendário de 1995, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
Carlos Alberto Donassolo Presidente em Exercício.
(documento assinado digitalmente)
Plínio Rodrigues Lima - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta.
Nome do relator: PLINIO RODRIGUES LIMA
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ARRENDAMENTO MERCANTIL(sucessora por incorporação de UNIBANCO LEASING S.A. ARRENDAMENTO MERCANTIL) Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 1995 CSLL. SALDO NEGATIVO. COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO.DECADÊNCIA. Não há que se falar em decadência para o exame do encontro de contas das compensações, uma vez que os créditos tributários referemse ao ano calendário de 1999, com prazo até 31 de dezembro de 2003 para homologação tácita do lançamento. ACÓRDÃO RECORRIDO. FUNDAMENTAÇÃO. AUSÊNCIA. NULIDADE. O julgador não precisa apreciar toda a argumentação das partes para solução da lide, desde que disponha de elementos suficientes para fundamentar sua decisão. DILIGÊNCIA À AUTARQUIA. NECESSIDADE. Descabe diligência quando os elementos acostados aos autos suprem os esclarecimentos necessários à fundamentação do acórdão. CONTRATOS DE CESSÃO. AMORTIZAÇÃO. Não há previsão legal para adicionar o valor das Perdas de arrendamento a amortizar à base de cálculo da CSLL do cedente. ARRENDAMENTO MERCANTIL. DESPESAS ANTECIPADAS. REVERSÃO. A aplicação de recursos baseados no pagamento antecipado do aluguel de debêntures, nas operações de arrendamento mercantil não modifica o lançamento contábil das DESPESAS ANTECIPADAS, com reversão à conta de resultado na apuração da base de cálculo da CSLL. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 09 21 /9 9- 89 Fl. 1395DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 3 2 ARRENDAMENTO MERCANTIL. CONTRATO DE CESSÃO. CSLL. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO. Não se pode excluir da base de cálculo da CSLL do cedende créditos de propriedade do cessionário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em: afastar exofficio a ocorrência da decadência, rejeitar a preliminar de nulidade do acórdão de primeira instância, indeferir o pedido de diligência junto ao Banco Central do Brasil e, no mérito, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo da CSLL, apurada pela autoridade diligente, o valor de R$ 58.837.874,59, relativo ao anocalendário de 1995, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) Carlos Alberto Donassolo – Presidente em Exercício. (documento assinado digitalmente) Plínio Rodrigues Lima Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto Donassolo, Plínio Rodrigues Lima, Viviane Vidal Wagner, Geraldo Valentim Neto e Orlando José Gonçalves Bueno. Ausente, momentaneamente, a Conselheira Nereida de Miranda Finamore Horta. Relatório Tratase de 2 (duas) Manifestações de Inconformidade de fls. 418 a 451 e fls. 530 a 532, protocolizadas em 05/06/2003 e 06/01/2005, respectivamente, pela Unibanco Leasing S/A Arrendamento Mercantil, CNPJ 44.071.785/000169, sucessora por incorporação, desde 29/06/2001, da Unibanco Leasing S/A Arrendamento Mercantil, CNPJ 34.120.899/0001 06, que por seu turno sucedeu, desde 27/05/1996, a Nacional Leasing S/A Arrendamento Mercantil, CNPJ n° 43.711.746/000116. Constam dos autos que o manifestante insurgiuse contra o despacho decisório de fls. 399 a 404, datado de 10/04/2003, que HOMOLOGOU PARCIALMENTE Declarações de Compensações, originárias de Pedido de Restituição cumulado com Pedidos de Compensação com débitos próprios e de terceiros. O requerente, Unibanco Leasing S/A Arrendamento Mercantil, CNPJ 34.120.899/000106, protocolizou em 07/05/1999, pedido de restituição de R$ 58.881.341,94, cumulado com compensação com débitos próprios e de terceiros acostados às fls. 43, 55, 61, Fl. 1396DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 4 3 66, 76, 79, 95, 104, 110 a 133, 136, 142 a 162, 164, 170, 176, 183, 189, 195, 223, 230, 237, 245, 253, 262, 271, 281, 291 e 292, 303 e 304, 307, 309, 312, 321 e 323 a 327. O pedido se converteu em Declaração de Compensação (fls. 400), consoante §5°, do art. 74, da Lei n° 9.430/1996, com a redação dada pelo art. 49, da Medida Provisória 66, de 12/11/2002, combinado com os artigos 1o e 2o, da IN SRF 233/2002. O direito creditório teria se originado de "Saldo Negativo de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL a Pagar" do anocalendário de 1995, no valor de R$ 34.262.679,69 (conforme cópia da Ficha 11 da DIRPJ/1996, acostada às fls. 24) de titularidade da Nacional Leasing S/A Arrendamento Mercantil, CNPJ n° 43.711.746/000116, empresa incorporada. O referido valor corresponderia ao total de recolhimentos mensais de CSLL estimativa, código 2469, efetuados no anocalendário de 1995, pois aquela empresa teria apurado BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL, no valor de R$ 27.209.883,15 (fls. 24, 209 e 210). Os pagamentos espelhados nas cópias dos DARF's de fls. 06/13, que se referem aos pagamentos das estimativas, foram confirmados pelo sistema de controle de recolhimentos da SRF, SINAL 08, cujos extratos foram anexados às fls. 44 a 51. Foi realizada diligência junto a empresa Nacional Leasing S/A Arrendamento Mercantil, CNPJ n° 43.711.746/000116, conforme relatório de fls. 339 a 370, com a finalidade de se verificar a correção do valor pleiteado como direito creditório. A DIFIS/DEINF apurou, com base nos registros contábeis e fiscais da empresa sucedida, que ao invés de BASE DE CÁLCULO NEGATIVA DE CSLL, no montante de (R$ 27.209.883,15), fls. 24, a empresa teria apurado BASE DE CÁLCULO POSITIVA, no montante de R$ 70.890.485,68, para o anocalendário de 1995. Consta do Relatório de Diligência de fls. 339 a 370, que a diferença encontrada na base de cálculo da CSLL deveuse à falta de adições e excesso de exclusões, na apuração da base de cálculo da CSLL. Teriam deixado de ser adicionados os valores de R$ 58.837.874,59 e R$ 1.183.527,64, referentes às contas "ATIVO DIFERIDO A AMORTIZAR" e "DESPESAS ANTECIPADAS", respectivamente, bem como excluídos R$ 38.078.966,60, relativos a "REVERSÃO DOS SALDOS DAS PROVISÕES NÃO DEDUTÍVEIS", conforme apresentados às fls. 367. Em face dessas constatações a autoridade tributária, prolatora do despachodecisório de fls 399 a 404 recorrido, assim se manifestou: 5. Em conseqüência dessa inversão da base de cálculo negativa para positiva, apurouse VALOR DEVIDO DE CSLL, de 95, de R$16.359.112,08, contra o valor devido zero indicado pela incorporada na DIRPJ 96/95. Tendo em conta que os recolhimentos de CSLL — estimativa efetuados durante o ano de 95 somaram R$ 34.262.679,69, chegouse, então, ao SALDO NEGATIVO DE CSLL A PAGAR de 95, de R$ 17.903.567,61, como direito creditório do interessado, e não de R$ 34.262.679,69, como por ele pleiteado. 6. Em face desses fatos, a autoridade fiscal pode homologar a compensação levada a efeito pelo interessado apenas até o limite do crédito existente, ou seja, até o valor de R$ 17.903.567,61. Fl. 1397DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 5 4 7. Sendo assim, significativa parcela das compensações realizadas pelo interessado, objeto da presente Declaração de Compensação, deve ser considerada indevida, cabendo, então, à autoridade administrativa proceder à constituição e cobrança dos débitos correspondentes não liquidados, por o pretenso crédito terse mostrado insuficiente,conforme determina o artigo 23, da IN SRF 210/02, in verbis: IN SRF 210/02 Art. 23. Verificada a compensação indevida de tributo ou contribuição não lançado de oficio nem confessado, deverá ser promovido o lançamento de oficio do crédito tributário. Parágrafo único.O sujeito passivo será comunicado da não homologação da compensação da compensação, cientificado do lançamento de oficio e intimado a efetuar o pagamento do débito ou a impugnar o lançamento no prazo de trinta dias, contado de sua ciência. 8. Consoante os cálculos produzidos pelo programa Sistema de Apoio Operacional — SAPO, da SRF, que operacionaliza as compensações (fls. 372 a 375), esse valor de R$ 17.903.567,61 é suficiente apenas para liquidar, na integralidade, os débitos próprios e de terceiros, de 99 e 2000, das compensações declaradas nas folhas 43, 55,61, 66, 77, 79, 95, 104, 110 a 133, 136, 142 a 162, 164, 183, 189, protocolizadas até 04/07/00, bem como parte da compensação declarada na folha 170, protocolizada em 25/07/00. 9. Em conseqüência, devem ser constituídos e cobrados os débitos próprios, de 2000, 2001 e 2002, compensados indevidamente, cujas declarações constam das folhas 170 (para apenas os saldos devidos restantes), 176, 195, 223, 230, 237, 245, 253, 262, 271, 281, 291 e 292, 303 e 304, 307, 309, 312, 321 e 323 a 327, protocolizadas entre 25/07/00 e 17/09/02, conforme especifica a planilha de Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes do sistema SAPO (fls. 375 e 376). O contribuinte foi cientificado a respeito do teor do despacho decisório de fls.399 a 404 em 06/05/2003, conforme AR de fls. 409, e apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 418 a 451, por seu representante legal, conforme doe. de fls. 452 a 454 e 466 a 468, acompanhada ainda pelos does. de fls. 458 a 465, apresentando as seguintes alegações: referida decisão mereceria pronta revisão, posto que estaria fundada em premissas da Divisão de Fiscalização que seriam absolutamente equivocadas; a devolução do prazo correspondente ao período durante o qual ficou aguardando a extração de cópias do presente processo, para que pudesse fazer novas alegações e juntar outros documentos julgados indispensáveis ao deslinde da controvérsia, sob pena de que ficaria caracterizado o cerceamento a seu direito de defesa; Fl. 1398DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 6 5 as conclusões da DIFIS/DELNF, quando do procedimento de diligência, teriam sido extraídas de forma precipitada, sem nenhum embasamento técnico na lei, e tampouco nas normas contábeis aplicáveis ao caso concreto; o tratamento contábil dispensado pela autoridade fiscalizadora às operações de arrendamento mercantil examinadas seria incompatível com as regras que disciplinam a matéria; as operações de arrendamento mercantil encontrarseiam disciplinadas pela Lei n° 6.099/74, com as alterações introduzidas pela Lei n° 7.132/83, e regulamentadas pelas Portarias n°s 376 E/76, 564/78 e 140/84, todas expedidas pelo Ministro da Fazenda, e também pela Resolução n° 980/94, do Conselho Monetário Nacional; o tratamento contábil aplicável às operações de arrendamento mercantil seria determinado pelo Banco Central do Brasil que para esse fim teria editado o Plano Contábil das Instituições Financeiras COSIF, cuja observância seria compulsória por parte das instituições autorizadas a operar no mercado financeiro; o leasing financeiro seria uma operação de financiamento estruturada na forma de leasing, cujas características seriam distintas do contrato de locação; como toda operação de financiamento, o seu valor presente se constituiria no efetivo montante do crédito, e seu reflexo nos números contábeis patrimoniais da empresa de leasing ajustariam automaticamente seu resultado ao regime de competência. Esse ajuste seria feito através da apuração da superveniência ou insuficiência de depreciação, que implicaria comparar o saldo contábil das operações de leasing (agrupando todas as contas que refletem saldos contábeis) com o valor presente dessas operações; a superveniência ou a insuficiência de depreciação teria como finalidade ajustar o resultado contábil de uma empresa de arredamento mercantil de modo a refletir a sua situação financeira, uma vez que o valor a receber refletiria não somente a remuneração dos recursos recebidos em dinheiro, mas também a depreciação do bem, pela razão de que o bem seria de propriedade da empresa de arredamento mercantil; a Receita Federal teria editado o Ato Declaratório n° 34, de 23 de abril de 1987, estabelecendo que a insuficiência ou superveniencia de depreciação determinados pela aplicação do COSIF às sociedades de arredamento mercantil "não serão computados na determinação do lucro real, e deverão ser segregados contabilmente, de forma a permitir que seja determinada sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados; referida norma não teria sido observada pela autoridade fiscalizadora, provocando imensa confusão entre conceitos e procedimentos contábeis; a alegação de que o recebimento do valor correspondente à diferença entre ativos (R$ 305.621.478,42) e os passivos (R$ 291.298.862,46) ambos cedidos a valor contábil, deveria ser contabilizada como receita (item 9.2.10), denotaria completo desconhecimento da técnica contábil e do funcionamento do plano de contas. A fiscalização teria confundido os valores classificados na conta “Conta a Receber”, integrante do ativo, com o resultado do exercício; a autoridade fiscal que realizou a diligência teria concluído equivocadamente no item 9.2.3 que a baixa do valor residual garantido ("VRG") recebido antecipadamente corresponderia a uma receita tributária implicando em apuração de resultado tributável; Fl. 1399DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 7 6 após a apresentação de esquemas contábeis para sustentar sua argumentação concluiu que: mesmo que se pudesse aceitar os critérios adotados pela Divisão de Fiscalização, ainda que totalmente desprovido de qualquer amparo técnico, o diferencial entre ativos e passivos cedidos não representou uma receita, e sim mero ativo (contas a receber), não produzindo qualquer efeito fiscal imediato; de se notar ainda a exagerada preocupação do agente fiscal ao concluir que a baixa do passivo seria receita, sem considerar que o valor pago para que o Banco Nacional assumisse esse passivo constituiria uma despesa. Ora, a transferência de um passivo a terceiros não deve e nem pode provocar efeitos fiscais se concomitantemente a essa cessão, o cedente entrega recursos ao cessionário para que ele assuma a obrigação correspondente, pois se a baixa do passivo é receita tributável, a sua contrapartida (baixa do caixa), seria despesa dedutível; a movimentação das contas que registram a operação que seria de cessão de contratos, devem ser consideradas em conjunto e não de forma isolada; ao ceder os contratos de arrendamento mercantil ao Banco Nacional, a Nacional Leasing o teria feito pelo valor contábil, não apurando qualquer resultado tributável, cabendo ao cessionário, o Banco Nacional, dar continuidade às operações, pois como se disse antes, a cessão de contrato implica substituição do cedente pelo cessionário, que o sucede em todos os direitos e obrigações. Os autos foram encaminhados para esta delegacia de julgamento em 03/08/2004, com o seguinte despacho de fls. 499, datado de 17/08/2004: Tratase de Pedido de restituição cumulado com Pedidos de Compensação com débitos próprios e de terceiros, convertidos em Declarações de Compensação que, nos termos do Despacho Decisório da DIORT/DEINF/SPO (fls. 399/404), foram objeto de homologação parcial. Tendo sido cientificado da decisão em 06.05.2003 (fls. 409), o contribuinte protocolizou em 05.06.2003 sua manifestação de inconformidade (fls. 418/451), e o processo foi encaminhado a esta Delegacia de Julgamento. Quanto aos débitos que não tiveram a compensação homologada, foi providenciado o encaminhamento do processo para a constituição do respectivo crédito tributário (fls. 404), para cobrança, redundando em representação para tal fim (fls. 408, 481, 482). Pelo que se extrai de fls. 483 a 492, foi levado a efeito o lançamento de oficio referente aos débitos, mas consulta no sistema Profisc (fls. 498) releva que ainda remanesce débito sendo controlado no presente processo. Além disso, às fls. 470 e 471, foram acostadas Declarações de Compensação que, embora tenham sido protocolizadas na CAC/DEINF/SPO em 16.10.2002, não foram apreciadas pela autoridade administrativa. A nãoapreciação de tais Declarações de Compensação fica evidenciada em face da data do encaminhamento destes documentos (fls. 469), bem assim do próprio teor do Despacho Decisório (fls. 400, 402 e 404). Fl. 1400DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 8 7 Portanto, relativamente às Declarações de Compensação de fls. 470/471, não há que se falar em litígio e, por conseguinte, falece competência à DRJ para julgamento, até porque a manifestação de inconformidade de fls. 418/451 e o despacho decisório de fls. 399/404 não lhes dizem respeito. Sendo assim, encaminhemse os autos à DIORT/DEINF/SPO para saneamento e demais providências de sua alçada. Em seguida, que o processo deverá ser devolvido a esta DRJ/SPOI para julgamento da manifestação de inconformidade. Em conseqüência a DIORT/DEINF prolatou o DEPACHO DECISÓRIO COMPLEMENTAR de fls. 526/528, assim ementado: Mantém decisões do Despacho Decisório (fls. 399 a 403), homologando parcialmente as compensações requeridas e decide colocar em cobrança, por insuficiência de direito creditório, os débitos que não haviam sido apreciados. O contribuinte foi cientificado em 08/12/2004, conforme AR de fls. 528, e apresentou, em 06/01/2005, a Manifestação de Inconformidade de fls. 530 a 532, alegando em síntese que: em razão da homologação parcial em questão, apresentou tempestivamente manifestação de incoformidade, cujas razões encontramse, até o presente momento, pendentes de apreciação; não obstante a pendência de discussão na esfera administrativa acerca da legitimidade do procedimento compensatório, a digna fiscalização houve por bem notificar a Requerente, através da expedição do Aviso de Cobrança n° 66 (doe 2), sobre a existência de crédito tributário remanescente de valores que deixaram de ser recolhidos ao presente processo; seria manifestamente improcedente, a referida cobrança, em razão dos argumentos já aduzidos na manifestação, e por causa de fato superveniente, que seria no caso, a edição da Medida Provisória n° 135, de 30 de outubro de 2003, que ao modificar o art. 74, da Lei n° 9.430/1996, teria consignado em seu art. 17, que a manifestação de inconformidade suspenderia a exigibilidade do crédito tributário; indubitável, nesse contexto, a presença de causa suspensiva da exigibilidade do crédito tributário objeto de questionamento no presente processo, tornandose impositivo o pronto cancelamento do mencionado Aviso de Cobrança em questão; Requereu, por fim, o imediato cancelamento do presente Aviso de Cobrança n° 66, até que venha a ser proferida decisão final nos autos do processo administrativo em referência. A DRJ/SP I, por unanimidade, indeferiu a solicitação do interessado nos seguintes termos : Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Anocalendário: 1997 Ementa: PRELIMINAR. DEVOLUÇÃO DE PRAZO Não constitui cerceamento ao direito de defesa e do contraditório o Fl. 1401DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 9 8 indeferimento do pedido de prorrogação do prazo para oporse manifestação de inconformidade ou mesmo impugnação a auto de infração, por falta de base legal para a concessão. CSLL BASE DE CÁLCULO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. Aplicamse à apuração da base de cálculo da contribuição, para as sociedades de arrendamento mercantil, as normas da legislação tributária vigente, ainda que tenha efetuado os ajustes contábeis, determinados pelo COSIF, em razão de a observância dos normativos do BACEN não produzirem efeitos tributários. Solicitação Indeferida Intimada da referida decisão em primeira instância em 23/12/2005 (Fls. 564), a interessada interpôs o presente recurso em 23/01/2006 (Fls. 567 a 597) aduzindo, em síntese: IDOS FATOS (...) No entanto, referida decisão merece pronta revisão, posto que fundada em premissas que são absolutamente equivocadas, como se verá a seguir. II – DA DECISÃO RECORRIDA De início, cabe informar que a decisão recorrida proferida pela Junta Julgadora é, com a devida vénia, absolutamente vazia, contraditória e sem qualquer substância, limitandose a esclarecer o óbvio, ou seja, que as operações de leasing são disciplinadas por normas tributárias e contábeis contempladas em legislação própria, e que a base de cálculo da CSL é constituída pelo lucro líquido contábil ajustado por adições e exclusões expressamente previstas. Após tecer essas considerações, a Corte "a quo" concluiu afoitamente pela procedência dos argumentos considerados pela fiscalização para determinar adição à base de cálculo da CSLL de valores referentes às contas "Ativo Diferido a Amortizar" e "Despesas Antecipadas", e glosar as exclusões relacionadas a "Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis". (...) Na verdade, o que se verifica da frágil decisão de fls. é que a D. Turma Julgadora procurou, a todo instante, evitar o mérito da discussão, desprezando os argumentos da Recorrente e sequer indicando as normas que a obrigariam a adicionar, à base de cálculo da CSL, os valores referentes às contas "Ativo Diferido a Amortizar", "Despesas Antecipadas" e autorizariam a glosa das exclusões relativas a "Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis". (...) Ora, a Recorrente procurou, através de sua manifestação de inconformidade, rebater, um a um, todos os pontos levantados no Fl. 1402DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 10 9 relatório de diligência, citando as normas nas quais embasava seu entendimento, ilustrando a referida manifestação com gráficos e simulações contábeis, e apresentando exemplos para facilitar a compreensão da questão. Para sua frustração, nada disso foi objeto de comentário na decisão atacada, revelando omissão no trato de questão de natureza complexa, e falta de respeito ao direito do contribuinte de ver analisados os seus argumentos. Por se tratar de decisão sem a necessária fundamentação legal, que se limita a repetir e transcrever trechos do relatório de diligência da fiscalização, deve a mesma ser desde já declarada nula, com o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeiro Grau, para que esta se manifeste de forma exaustiva sobre cada uma das razões oferecidas pela Recorrente para justificar os procedimentos adotados, sem prejuízo do exame das razões a seguir expostas. III — DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA Antes de adentrar no mérito da controvérsia, a Recorrente não pode deixar de registrar fato que parece ser absolutamente incontestável, ou seja, a negativa de homologação integral da compensação de créditos promovida tem como única razão a divergência de entendimentos sobre a forma adequada de contabilizar operações de arrendamento mercantil. Ora, em sendo o Banco Central do Brasil o órgão competente para editar as normas contábeis a serem observadas pelas sociedades de arrendamento mercantil e para fiscalizálas, imprescindível se afigura a manifestação daquela instituição acerca dos procedimentos adotados pela Recorrente. (...) Por se tratar de providência que em nada prejudicará os interesses da Fazenda Nacional pelo contrário, só contribuirá para que se possa chegar à verdade material, que é a razão de ser do processo administrativo e não havendo, por parte da Recorrente, qualquer receio em ter os seus registros e assentamentos contábeis revistos por órgão eminentemente técnico, imparcial e competente para o exercício dessa atribuição, requer, com fundamento no § 7o. do art. 17 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, e no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pelo art. Io. da Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, seja o julgamento do presente caso convertido em diligência, solicitandose ao Banco Central do Brasil que se manifeste sobre a forma de contabilização adotada pela Recorrente no ano calendário de 1995. No mérito, a Recorrente repisou os mesmos argumentos aduzidos na Manifestação de Inconformidade para ao final formular o seguinte pedido: XIDO PEDIDO Fl. 1403DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 11 10 Face ao exposto, requer seja o acórdão de fls. considerado nulo, por falta de substância, já que não entrou no mérito das questões suscitadas pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade, determinandose a sua devolução à Junta de origem, para que todos os pontos levantados pela Recorrente sejam efetivamente analisados. Caso não seja atendido, por qualquer razão, o pedido acima, requer a Recorrente seja acolhido o pedido de conversão de julgamento em diligência, determinandose a remessa dos presentes autos ao Banco Central do Brasil, para que este se manifeste sobre a consonância dos procedimentos contábeis e fiscais adotados pela Recorrente com a legislação aplicável, e com os métodos, postulados e princípios contábeis geralmente aceitos. Ainda na hipótese de não ser acolhido o pedido de diligência, acima formulado, protesta a Recorrente pela juntada de laudo técnico elaborado por empresa especializada e independente, que confirme a adequação, à legislação aplicável, dos procedimentos contábeis adotados. No mérito, querer sejam as razões acima expostas integralmente acolhidas, culminando com o cancelamento da exigência fiscal, posto que embasada em normas e argumentos não aplicáveis ao caso dos autos. Nestes termos, protestando pela produção de todas as provas em Direito admitidas, particularmente pela realização de nova diligência destinada a confirmar a lisura dos procedimentos observados, de perícia, e pela juntada de novos documentos ao processo, p. deferimento. Distribuíramse os autos ao I. Conselheiro Nelson Losso Filho em 22/03/2006 (Fls. 770). Sem contrarrazões da Fazenda Nacional. Em 14/08/2006, a Recorrente fez juntar aos autos laudo pericial contábil elaborado pela KPMG Tax Advisors (Fls. 783 e 784 a 809) com ciência da Fazenda Nacional em 16/04/2008 (Fls. 1.053). Em 03/12/2007, a Recorrente requereu preferência no julgamento e sustentação das razões recursais (Fls. 774). Em 14/08/2008, a Recorrente reitera as razões do presente recurso(Fls. 1.054 a 1.059). Em 04/12/2008, a Recorrente requereu ao Presidente da Oitava Câmara do Primeiro Conselho de Contribuintes a remessa dos autos à unidade de origem para imediata liberação de bem oferecido em garantia (Fls. 1.061). Em 24/03/2009, por meio de Despacho (Fls. 1.063 a 1.065), diligenciaramse os autos à DEINF/SP para elaboração de parecer conclusivo quanto à regularidade dos Fl. 1404DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 12 11 procedimentos contábeis/fiscais adotados pela Recorrente e questionados pelo Fisco em sua diligência. Segundo consta da referida decisão: os documentos juntados aos autos não permitem o julgamento a respeito do recurso, visto ser necessária a confirmação, à luz da legislação tributária, da correção dos procedimentos contábeis e fiscais adotados pela Contribuinte, inclusive com a análise do laudo pericial juntado às fls. 786/809. Em 10/05/2011, intimouse a Recorrente do seguinte parecer conclusivo da Receita Federal (Fls. 1.142 e 1.251 a 1.279): Trata o presente processo de "Pedido de Restituição" de alegado Saldo Negativo da CSLL da sucedida NACIONAL LEASING S/A, cumulado com "Pedidos de Compensação", ora em Recurso Voluntário, conforme segue: Pretendendo aproveitar direito creditório concernente a Saldo Negativo da CSLL, período de apuração anocalendário 95, da sucedida NACIONAL LEASING S/A (CNPJ n° 47.711.746/0001 16), no montante então atualizado de R$ 58.093.875,13, para compensar outros débitos, em 07/05/99 o interessado protocolizou requerimento junto à RFB "Pedido de Restituição", o qual foi formalizado neste processo (folhas 01/02); Conforme se depreende da DIRPJ/96, no encerramento do mencionado exercício a NACIONAL LEASING S/A apurou para a CSLL base de cálculo negativa de R$ 27.209.883,15 e, em decorrência dos valores antes recolhidos a título de estimativas mensais, Saldo Negativo de R$ 34.262.679,69, tudo conforme informado, respectivamente, nas Linhas 17 e 21 da Ficha 11 da declaração (folhas 14 a 32); Por conseguinte, ao amparo do disciplinado pela IN SRF n° 21/97 então vigente, a partir de 26/05/99 o interessado, entendendo não remanescer dúvidas quanto à certeza e liquidez do pleiteado crédito, passou a anexar aos autos "Pedidos de Compensação" de débitos próprios e de terceiros; Apreciando o "Pedido de Restituição", houve por bem a DIORT/DEINF/SPO, considerando o valor do direito creditório e a necessidade de comprovar sua certeza e liquidez, baixar os autos para diligência, procedimento este levado a termo pela DIFIS/DEINF/SPO por meio do MPF n° 0816600200200003 6, tendo essa autoridade fiscal, ao final, lavrado circunstanciado "Relatório de Diligência" (folhas 339 e 340 a 370); Compulsando os apontamentos contidos no procedimento de diligência, constatase ter a autoridade fiscal solicitado esclarecimentos acerca dos reultados fiscais do período de apuração em comento, particularmente das exclusões efetuadas na base de cálculo da CSLL, no montante de R$ 53.115.333,49; Em resposta ao "Termo de Intimação" lavrado pela autoridade fiscal, o interessado justificou que a referida exclusão correspondia a provisões de imposto de renda constituídas sobre Fl. 1405DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 13 12 valores adicionados/excluídos temporariamente na determinação do Lucro Real e revertidas por ocasião da apuração do lucro líquido daquele exercício, sendo R$ 15.036.366,89 concernente à realização integral do Lucro Inflacionário acumulado em 31/12/95 e R$ 38.078.966,60 decorrente de IR pago sobre "receita" diferida de Superveniência de Depreciação (sic); E para sustentar seu entendimento de que as referidas provisões de IR eram passível de dedução na determinação da base de cálculo da CSLL, o interessado recorreu ao disciplinado pelo art. 2o da Lei n° 7.689/88, normativo esse que instituiu a mencionada contribuição e que, ao definir "a base de cálculo da contribuição como sendo o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda", teria permitido a exclusão das previsões eventualmente revertidas na apuração do lucro líquido, como as aludidas no item precedente; Prosseguindo na diligência, após analisar detidamente os documentos apresentados pelo interessado, em particular os balancetes levantados durante o anocalendário 95, constatou a autoridade fiscal que por força de contrato de "Cessão de Ativos, Assunção de Passivos e outras Avenças" celebrado entre o BANCO NACIONAL S/A e o UNIBANCO S/A, em 18/11/95 restou readquirido por aquele direitos e obrigações de sua então controlada NACIONAL LEASING S/A; Da referida operação de cessão/assunção, a NACIONAL LEASING S/A cedeu ao BANCO NACIONAL S/A ativos no valor de R$ 305.621.478,42 e passivos, no valor de R$ 291.2968.862,46, sendo que a diferença líquida, no montante de P$ 14.322.615,96, foi escriturada pelo cedente a débito em conta ativa "Devedores por Compra de Bens"; Dos lançamentos contábeis efetuados pela NACIONAL LEASING S/A em razão dos ativos e passivos cedidos, no entanto, houve por bem a autoridade fiscal, por considerar ter o contribuinte contrariado o quanto previsto na legislação tributária pertinente e, conseqüentemente, distorcido os resultados do período, retificálos parcialmente; Nesse ponto, relativamente aos contratos de arrendamento mercantil, aos bens arrendados e às demais obrigações passivas objetos da apontada operação de cessão, após diligenciar cada uma das respectivas contas, concluiu a autoridade fiscal ter a NACIONAL LEASING S/A apurado, a título de resultado por sua baixa, e já considerado o valor de R$ 14.322.615,96 a que alude o item 10, um "prejuízo" no montante de R$ 20.314.388,39, o qual, segundo consta do relatório, deveria ter sido computado na formação do lucro líquido do período; Da mesma forma, a autoridade fiscal considerou que o passivo escriturado a título de "VRG Antecipado" e o ativo diferido líquido "Perdas em Arrendamentos a Amortizar", nos montantes respectivos de R$ 12.132.045,66 e R$ 58.837.874,59, também deveriam, em razão da baixa dos bens arrendados, ser computados no cálculo do lucro líquido do anocalendário 95; Fl. 1406DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 14 13 Ainda dos ajustes apontados pela autoridade fiscal no relatório de diligência, vale ressaltar a reversão da "Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa", de R$ 26.119.652,07, e a baixa de "Despesas pagas Antecipadamente", de R$ 1.183.527,64, em contrapartida ao resultado do período; E, mais relevante, porém, foi o ajuste proposto pela autoridade fiscal para a baixa nos valores líquidos da "Insuficiência de Depreciação", de R$ 73.831.741,92, e do "Crédito Tributário IR sobre Insuficiência de Depreciação", de R$ 31.747.649,03, também com contrapartida ao resultado do exercício; Por fim, uma vez procedidas, conforme discriminado no relatório de diligência, todas as retificações nos lançamentos originariamente escriturados PAF n° 16327.000921/9989 pela NACIONAL LEASING S/A, as quais, digase, não alteraram o Lucro Líquido Antes da CSLL de R$ 19.540.216,73, concluiu a autoridade fiscal ser improcedente a exclusão do "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação" da base de cálculo da CSLL, bem como, em decorrência dos ajustes efetuados no lucro líquido, ter a cedente deixado de adicionar à base tributável os valores referentes a "Perdas em Arrendamentos a Amortizar", de R$ 58.837.874,59, e a "Despesas Antecipadas", de R$ 1.183.527,64; Com efeito, alterada a base de cálculo, restou como CSLL a pagar no encerramento do anocalendário, no montante de R$ 16.359.112,08, contrariamente à base negativa informada na DIRPJ/96, de R$ 27.209.883,15; Tomando por base o resultado da diligência, decidiu a autoridade administrativa, conforme vazado em Despacho Decisório proferido pela DEINF/SPO em 10/04/03, reconhecer como Saldo Negativo da CSLL do anocalendário 95 o montante de R$ 17.903.567,61, homologando parcialmente as compensações indicadas pelo interessado, com o prosseguimento da cobrança dos débitos remanescentes (folhas 399 a 404); Cientificado da decisão e com ela irresignado, em 06/05/03 o interessado, tempestivamente, na condição de sucessor da NACIONAL LEASING S/A, apresentou "Manifestação de Inconformidade" (folhas 409 e 418 a 451); Em sua defesa, sob a alegação da ocorrência de erros conceituais, o interessado contestou os critérios contábeis adotados pela autoridade fiscal para retificar os lançamentos por ele realizados, e que culminaram com a retificação da base de cálculo da CSLL, quer pela adição dos valores pertinentes ao Ativo Diferido a Realizar, de R$ 58.837.874,59, e a Despesas Pagas Antecipadamente, de R$ 1.183.527,64, quer pela exclusão do valor de R$ 38.078.966,60, relativo à "Reversão de Provisões Não Dedutíveis"; Discorrendo sobre as especificidades das operações de arrendamento mercantil, então disciplinadas pela Lei n° 7.132/83 e regulamentadas pelas Portarias do Ministério da Fl. 1407DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 15 14 Fazenda de n° 376E/76, n° 564/78 e n° 140/84 e pela Resolução do CMN n° 980/94, e o tratamento contábil para elas aplicável, conforme estabelecido pelo Banco Central do Brasil por meio do COSIF, pretendeu o interessado demonstrar os erros cometidos pela autoridade fiscal; Sustentando que a operação de arrendamento mercantil é na verdade uma operação estruturada de financiamento e que seu valor presente constitui o efetivo montante do crédito, o qual deve se refletir nos demonstrativos contábeis da empresa de leasing, o interessado citou que os ajustes necessários se dão por meio da apuração da Superveniência ou Insuficiência de Depreciação, cuja origem decorre da comparação do saldo contábil das operações de leasing com o valor presente das mesmas; Nesse sentido, apontou o Ato Declaratório n° 34/87 expedido pela RFB, o qual não teria sido respeitado pela autoridade fiscal, normativo esse que dispôs que a Insuficiencia/Superveniencia de Depreciação "não serão computados na determinação do lucro real, e deverão ser segregados contabilmente, de modo a permitir que seja determinada sua composição e o tratamento v butário a eles dispensados"; (grifo do interessado) Aduziu, a partir de então, que as conclusões do relatório de diligência teriam decorrido da evidente falta de conhecimento por parte da autoridade fiscal da técnica contábil e do plano de contas aplicável às empresas de arrendamento mercantil; Em seguida, combateu o entendimento da autoridade fiscal de que a diferença líquida de R$ 14.322.615,96 entre os ativos (R$ 305.621.478,42) e os passivos (R$ 291.2968.862,46) cedidos pela NACIONAL LEASING S/A ao BANCO NACIONAL S/A deveria ser computada no resultado do exercício; No mesmo sentido, atacando os critérios contábeis adotados no procedimento de diligência, o interessado opôsse ao entendimento expresso pela autoridade fiscal, de que, em contrapartida à baixa do passivo "VRG Antecipado", no valor de R$ 12.132.045,66, teria havido uma "receita tributária"; Em relação à diferença líquida de R$ 14.322.615,96 então apurada por ocasião da cessão de ativos e passivos, o interessado procurou demonstrar que o referido valor foi contabilizado a débito na conta ativa "Valores a Receber por Venda de Bens", não produzindo nenhum efeito fiscal imediato; Seguindo em sua contestação, o interessado afirma que os lançamentos efetuados em decorrência da cessão de ativos e passivos tratavam, em verdade, da cessão de contratos de arrendamento mercantil, o que, conforme descrito no item 9 do Relatório de Diligência, teria sido expressamente reconhecido pela autoridade fiscal, embora tenha ela, no caso concreto, Fl. 1408DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 16 15 considerado os ativos e passivos cedidos de forma isolada, descaracterizando a operação efetivamente realizada; E para embasar sua premissa, de que os passivos e ativos cedidos deveriam ser considerados em seu conjunto, com a simples baixa dos respectivos valores nos registros contábeis da NACIONAL LEASING S/A e o lançamento da diferença líquida em conta ativa, o interessado procurou distinguir a operação em questão, repitase, que seria de cessão de contratos, esta subsumida ao disposto pelo COSIF (item 7 da Seção 7 das Normas Básicas Operações de Arrendamento Mercantil), daquela concernente à simples cessão de créditos; Para ilustrar o entendimento esposado pelo interessado, vale reproduzir o excerto por ele extraído da obra "Cessão de Contratos" (Saraiva, SP, 1987, pág. 158), do prof° Antonio da Silva Cabral, que, ao distinguir a cessão de créditos da cessão de contratos, asseverou: "como o próprio nome indica, no primeiro caso cedemse apenas os créditos, enquanto que no segundo os créditos e os débitos complexivamente, ou, mais precisamente, cedese a posição contratual"; E mais, afirmou que ao ceder os contratos de arrendamento mercantil ao BANCO NACIONAL S/A, a NACIONAL LEASING S/A o fez, à luz da legislação citada no item 29, pelo valor contábil, não apurando nenhum resultado tributável, cabendo ao cessionário, portanto, visto que a cessão dos contratos implicaria a assunção de todos os direitos e obrigações, dar continuidade às operações cedidas; A partir desse entendimento, o interessado passou a combater todos os demais ajustes procedidos pela autoridade fiscal na apuração do lucro líquido do exercício e, conseqüentemente, na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL; Assim, para a conta ativa "Perdas em Arrendamentos a Amortizar" (R$ 101.724.251,05), líquida da "Amortização Acumulada de Perdas em Arrendamentos a Amortizar" (R$ 42.886.376,46), de R$ 58.837.874,59, e objeto de cessão por parte da NACIONAL, o interessado, amparado em exemplo numérico, procurou demonstrar que o referido valor havia sido neutralizado pela apuração de "Insuficiência de Depreciação", não havendo que se falar em resultado tributável na operação; E ainda que assim não quisesse entender a autoridade julgadora, o interessado assegurou que o raciocínio desenvolvido pela autoridade fiscal acabaria levando à contabilização de uma receita diferida de R$ 58.837.874,59, correspondente à reversão da Insuficiência de Depreciação, e de uma despesa diferida, também de R$ 58.837.874,59, concernente à baixa das "Perdas em Arrendamentos a Amortizar" líquida da "Amortização Acumulada", não restando, da mesma forma, resultado tributável; Quanto ao ativo "Despesas Antecipadas", que a autoridade fiscal baixou contra conta de resultado e, posteriormente, Fl. 1409DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 17 16 reverteu na demonstração da Base de Cálculo da CSLL, o interessado apontou referiremse a despesas com aluguel de debêntures, cujos passivos correspondentes a tais obrigações haviam sido, juntamente com aquele ativo, cedidos ao BANCO NACIONAL 9 A; Com isso, além de confrontar a afirmação da autoridade fiscal, de que "ar baixa não tem nada a ver com o contrato de compra e venda de ativos com o BANCO NACIONAL S/A", o interessado aduziu que tal ativo, em conjunto com seu correspondente passivo, foi cedido pelo valor contábil não tendo sido apurado nenhum ganho na operação; Relativamente à glosa, como procedida pela autoridade fiscal, da exclusão da base de cálculo da CSLL do "IR sobre Insuficiência de Depreciação", no valor de R$ 38.078.966,60, o interessado alegou ser ele totalmente improcedente; E para suportar sua afirmação, o interessado argumentou ter tal ativo decorrido da constituição, ao longo do anocalendário 95, de crédito do imposto de renda incidente sobre valores registrados como Insuficiência de Depreciação, estes considerados como despesas temporariamente indedutíveis, para fins de determinação do Lucro Real; Ademais, argumentou que o crédito de imposto de renda em questão, repitase, de R$ 38.078.966,60, havia sido registrado a débito em conta do Ativo Circulante e, em absoluto respeito à legislação aplicável, conforme demonstrativos trazidos aos autos, a crédito (reversão de despesa de IR) em conta de Resultado, como informado na Linha 08 da Ficha 06 da DIRPJ/96; Portanto, tendo sido computado no lucro líquido a contrapartida do "Crédito do IR sobre "Insuficiência de Depreciação" então constituído naquele exercício, de R$ 38.078.966,60, concluiu o interessado ser absolutamente cabível, à luz do previsto pelo art. 2o da Lei n° 7.689/88, assim como o fez para o "IR sobre o Lucro Inflacionário Realizado" em 31/12/95, de R$ 15.036.366,89, sua exclusão da base de cálculo da CSLL; Ainda em referência ao IR de R$ 38.078.966,60, o interessado disse que "por se tratar de uma receita decorrente de imposto diferido a ser recuperado no futuro, calculado sobre despesa temporariamente indedutível (Insuficiência de Depreciação)", ter promovido, quando da apuração do Lucro Real e da base de álculo da CSLL, "os devidos ajustes, incluindo essa receita nas respectivas bases, por não ser receita tributável'''' (sic); Por fim, em sua "Manifestação de Inconformidade", o interessado atacou as retificações promovidas pela autoridade fiscal no lucro líquido do exercício e a ^cusação de suposta omissão de receita e cometimento de ilícito fiscal, bem como esgrimiu a ocorrência do decurso do prazo para que fosse retificado o resultado do exercício encerrado em 31/12/95; Fl. 1410DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 18 17 Julgando a "Manifestação de Inconformidade", em 26/10/05 a DRJ/SPOI a indeferiu, conforme vazado no Acórdão n° 8.171 (folhas 539 a 549), assim ementado, verbis: "Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL (...) CSLL BASE DE CÁLCULO. ARRENDAMENTO MERCANTIL. Aplicamse à apuração da base de cálculo da contribuição, para as sociedades de arrendamento mercantil, as mesmas normas da legislação tributária vigente, ainda que tenha efetuados os ajustes contábeis determinados pelo COSIF, em razão de a observância dos normativos do BACEN não produzirem efeitos tributários. Solicitação Indeferida"; Como se depreende da própria ementa, a autoridade julgadora "a quo" não se ateve a cada um dos pontos do procedimento de diligência então atacados pelo interessado, preferindo apontar, para fins tributários, a base legal à qual deve se subsumir as operações de arrendamento mercantil; E para fundamentar o indeferimento da "Manifestação de Inconformidade", a autoridade julgadora recorreu ao ADN CST n° 34, de 23/04/87, normativo esse também citado pelo interessado em sua defesa, por meio do qual foi permitido às sociedades de arrendamento mercantil, tão somente para fins de determinação do lucro líquido, o cômputo dos ajustes a que se refere o Plano de Contas aprovado pelo Banco Central do Brasil; Aliás, os incisos II e III do sobredito normativo são expressos no sentido de que tais ajustes, quando relacionados com as Portarias do Ministério da Fazenda n°'s 376E/76, 564/78 e 140/84, não serão computados na apuração do lucro real e deverão ser segregados contabilmente, de forma a permitir seja determinada sua imposição e o tratamento tributário a eles dispensados, nem poderão alterar os efeitos tributários decorrentes da aplicação da Lei n° 6.099/74, com as alterações dadas pela Lei n° 7.132/83; Noticiado do acórdão exarado pela DRJ/SPOI e com ele insatisfeito, em 23/01/06 o interessado interpôs Recurso Voluntário, pleiteando, de forma resumida, sob o argumento de que a decisão recorrida é vazia, contraditória e que se limitou a esclarecer o óbvio, sem, portanto, apresentar argumentos que permitisse sustentar as razões de decidir, a sua reforma integral (folhas 564 e 567 a 597); Fl. 1411DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 19 18 Argumentou, ainda, que a decisão combatida evitou o mérito da discussão, sequer indicando as normas que a obrigariam a adicionar à base de cálculo da CSLL os valores referentes às contas "Ativo Diferido a Amortizar" e "Despesas Antecipadas" e que justificariam a glosa das exclusões relativas à "Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis", sendo, portanto, nula, por absoluta falta de indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que a motivaram; Diante de tais afirmações, e sustentando que a controvérsia existente tem como única razão a divergência de entendimentos sobre a forma adequada de contabilizar as operações de arrendamento mercantil, o interessado solicitou, preliminarmente, com fundamento no § 7o do art. 17 do Regimento Interno do Conselho de Contribuintes, na redação dada pelo art. Io da Lei n° 8.748/93, fosse o julgamento convertido em diligência, inclusive com a interveniência do Banco Central do Brasil; No mérito, o interessado repisou os mesmos argumentos alinhados na "Manifestação de Inconformidade", e já abordados nos itens 20 a 42, tornandose, por isso, desnecessário citálos novamente, exceto pela reafirmação de que, no caso vertente, os lançamentos efetuados nos registros contábeis e relacionados às operações de arrendamento mercantil referiramse, em verdade, à cessão de contratos e não, simplesmente, de ativos e passivos, como quis entender a autoridade fiscal; E com o propósito de demonstrar que os procedimentos contábeis então adotados pela NACIONAL LEASING S/A por ocasião da discutida cessão de ativos/passivos, além de ter obedecido aos dispositivos legais aplicáveis à matéria, não poderiam ensejar nenhuma exigência tributária, em 14/08/06 o interessado fez juntar aos autos laudo pericial contábil elaborado pela KPMG Tax Advisors ''folhas 783 e 784 a 809); Apreciando o Recurso Voluntário em 24/03/09, houve por bem a autoridade julgadora "ad quem", à luz dos elementos trazidos aos autos pelo interessado, mormente o laudo pericial a que alude o item anterior, e emrespeito ao princípio do contraditório e da ampla defesa, baixar o processo à repartiação de origem, para a realização de novo procedimento de diligência e elaboração de parecer conclusivo (folhas 1063 a 1065); Antes de prosseguir na análise dos novos argumentos e/ou provas documentais trazidos aos autos, vale ressaltar, por não guardarem respeito com a legislação tributária aplicável, alguns equívocos cometidos pelo interessado nos lançamentos contábeis então efetuados, e não observados pela autoridade fiscal diligente, bem como erros conceituais que fundamentaram sua defesa e que se encontram desmentidos pelo próprio laudo pericial da KPMG Tax Advisors; Fl. 1412DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 20 19 Com se enfatizou nos itens 28 e 50, o interessado, para justificar os lançamentos contábeis então efetuados pela NACIONAL LEASING S/A em decorrência da cessão de ativos/passivos ao BANCO NACIONAL S/A, fez questão de afirmar que tal operação tratou tão somente da cessão de contratos de arrendamento mercantil, cujo resultado deveria ser considerado pela autoridade administrativa como um todo, e não de modo isolado; Desse ponto de vista, o resultado líquido da baixa concomitante dos ativos (R$ 305.621.478,42) e dos passivos (R$ 291.298.862,46), todos eles, ativos e passivos, no entender do interessado, relacionados aos contratos de arrendamento mercantil cedidos, só poderia ter como contrapartida o lançamento a débito em conta ativa, no presente caso a de "Devedores por Compra de Bens" (R$ 14.322.615,96); Ainda que tal raciocínio pudesse parecer correto, a premissa sobre a qual se assentou é falsa, como apontado no item 4 do laudo pericial da KPMG, em resposta ao quesito 5) formulado pelo interessado, à folha 794; Da simples leitura do parecer do perito, salta evidente que as operações de cessão realizadas entre a NACIONAL LEASING S/A e o BANCO Da simples leitura do parecer do perito, salta evidente que as operações de cessão realizadas entre a NACIONAL LEASING S/A e o BANCO NACIONAL S/A referiramse tanto à cessão de créditos quanto à cessão de contratos, como bem assentado no referido laudo, verbis: "No que concerne às operações envolvendo contas a receber (devedores por compra de valores e bens, seguros, vendas de debêntures, confissão de dívida), incentivos fiscais, bens não de uso próprio, direitos relativos a contrato de aluguel de debêntures, esses se referiram a cessões de créditos e ativos. No que tange às operações de arrendamento mercantil, na medida em que foi negociada a posição contratual representada pelo conjunto de direitos e obrigações inerentes a essas operações, essas configuraram cessões de contratos''; E mais, na resposta ao quesito 6), o perito esclareceu que a contabilização das operações de cessão de crédito e de contratos de arrendamento mercantil se subsumem ao disciplinado pelo art. 4o da Circular BACEN n° 2.568/95, sendo que, para os contratos de arrendamento, devese observar o disposto pela Circular do BACEN n° 1.429/89 item 1.11 do COSIF, subitem 5, b; Assim, do laudo pericial, ficou explicito, para fins de apuração do "valor contábil do contrato", qual o conjunto de contas que o compõem, nelas não se incluindo várias daquelas então consideradas pela NACIONAL LEASING S/A no computo da operação ora em apreço, particularmente as concernentes à "Insuficiência de Depreciação" e ao "Crédito de IR sobre Fl. 1413DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 21 20 Insuficiência de Depreciação", as quais, portanto, por força do ADN CST n° 34/87, deveriam ser tratadas de forma segregada e, à luz das Circulares BACEN n° 2.568/95 e BACEN n° 1.429/89, baixadas contra contas de resultado, da forma, aliás, como considerou, ainda que parcialmente, o perito; Nesse ponto, é oportuno mencionar que o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", no valor de R$ 38.078.966,60, lançado pela NACIONAL LEASING S/A em 31/12/95 como exclusão na apuração da base de cálculo da CSLL, havia sido, por força do contido no Anexo I Descrição do Ativo, do "Contrato de Compra e Venda" firmado entre o UNIBANCO S/A e o BANCO NACIONAL S/A, integralmente cedido ao BANCO NACIONAL S/A (folhas 811a 814); E para atestar essa afirmação, bastaria a autoridade administrativa, com fulcro nos demonstrativos apresentados pelo interessado no curso do procedimento de diligência e também no consignado pelo perito na resposta ao quesito 15) do laudo pericial, que tal montante foi computado na apuração do valor líquido do "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", de R$ 31.747.649,03 (= R$ 41.075.264,07 R$ 9.327.615,04), objeto de cessão (folhas 804, 895 e 928); Ora, se, c^mo defende o interessado, o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação" fora cedido para o BANCO NACIONAL S/A, o qual teria, então, na condição de cessionário, assumido todos os direitos e obrigações do cedente, não haveria mais como a NACIONAL LEASING S/A, se a legislação assim o permitisse, sob pena de aproveitamento em duplicidade, exclui da base de cálculo da CSLL o montante de R$ 38.078.966,60, como o fez na DIRPJ/96, posto que, repitase, já transferido tal direito ao cessionário, razão pela qual, ainda que de forma transversa, procedente a glosa efetuada pela autoridade fiscal; De outra sorte, porém, o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", bem como a "Insuficiência de Depreciação" que lhe deu origem, deveria, sim, ser baixado pela NACIONAL LEASING S/A, na data da contratação da operação, mas em conta de resultado, visto que, como disciplinado pelo inciso I do ADN CST n° 34/87, compõe o lucro líquido do exercício, a partir do qual se apura a base de cálculo da CSLL; Fez bem, portanto, a autoridade fiscal diligente em retificar o lucro líquido do exercício encerrado em 31/12/95, sem alterar, para a CSLL, os efeitos tributários decorrentes dos ajustes a que alude o ADN CST n° 34/87, entre os quais se inserem o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação" e também a "Insuficiência de Depreciação", não havendo mais que se falar em exclusão de valores da base de cálculo da CSLL, como mais adiante se enfatizará; Fl. 1414DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 22 21 A partir desse ponto, podese abordar as questões suscitadas pela Recorrente, quer no Recurso Voluntário, quer no laudo pericial elaborado pela KPMG Tax Advisors, como segue: DO RESULTADO LÍQUIDO DA OPERAÇÃO DE CESSÃO Como já abordado no item 55, de fato, não fosse inválida a premissa de que a operação de cessão tratou tão somente de contratos de arrendamento mercantil, seria procedente o argumento da Recorrente de que o valor líquido da cessão de ativos/passivos, de R$ 14.322.615,96, então contabilizado em conta do Ativo Circulante ("Devedores por Compra de Bens"), não poderia ser computado no resultado do exercício, contrariamente ao sustentado pela autoridade fiscal; Contudo, tomandose em conta que a operação de cessão envolveu, além de contratos de arrendamento mercantil, outros ativos/passivos, como reconhecido pelo próprio perito, salta evidente que a NACIONAL LEASING S/A deveria, primeiro, ter apurado, com base nas contas previstas pela Circular do BACEN n° 1.429/89 item 1.11 do COSIF, subitem 5, b (folhas 909/910) o valor dos contratos cedidos; Da mesma forma, também em conformidade com a legislação aplicável, em particular a Circular BACEN n° 2.568/95, deveria o cedente, em relação aos demais ativos e passivos cedidos, a menos da "Insuficiência de Depreciação" e do "Crédito de IR sobre a Insuficiência de Depreciação", ter apurado o valor líquido dessa operação e, após a sua confrontação com o obtido no item anterior, registrar o resultado da operação de cessão em conta ativa, se positivo, ou computálo no lucro líquido, se negativo; Com o fim de facilitar o entendimento e sem prejuízo da finalidade do presente trabalho de diligência, podese tratar os ativos/passivos cedidos, exceto as contas de ajustes a que alude o ADN CST n° 34/87, como a "Insuficiência de Depreciação" e o "Crédito de IR sobre a Insuficiência de Depreciação", de forma conjunta, como, aliás, o fez parcialmente o perito em resposta ao quesito 9) do laudo, e reproduzido abaixo: ITEM IRPJ (R$ MIL) CSLL (R$ MIL) Lucro Líquido Antes da Operação de Cessão 19,5 19,5 (+) Reversão Insuficiência de Depreciação 73,8 73,8 (+) Reversão dos Saldos dos demais Ativos cedidos 231,2 231,2 Fl. 1415DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 23 22 () Reversão dos Saldos dos Passivos cedidos (291,0) (291,0) () Diferencial lançado em Contas a Receber (14,0) (14,0) (=) Lucro Liquido Ajustado Após Oper. de Cessão 19,5 19,5 (+) Adições 125,2 6,4 () Exclusões Insuficiência de Depreciação (73,8) ‑ Reversão IR sobre Insuficiência de Depreciação (38,1) (38,1) Outras Exclusões (47,2) (15,0) Lucro Real/Base de Cálculo da CSLL (14,4) (27,2) (+) Insuficiência de Depreciação 73,8 ‑ (=) Lucro Real/Base de Cálculo CSLL (DIRPJ) 59,4 (27,2) Como se extrai do quadro, o valor líquido originalmente apurado pela NACIONAL LEASING S/A na cessão de ativos/ passivos, de R$ 14.322.615,96, foi computado pelo perito no ajuste do lucro líquido do exercício, como o fez a autoridade fiscal diligente, contradizendo, portanto, toda a argumentação do interessado; E a explicação para isso é simples, como também se observa do demonstrativo, visto que, excluída a "Insuficiência de Depreciação", a qual, de fato, não poderia ser computada no resultado da operação de cessão, posto não integrar, conforme previsto na Circular BACEN n° 1429/89, o rol das contas que compõem o "valor contábil dos contratos", mas, sim, tratarse de conta de ajuste do lucro líquido, o resultado da cessão dos ativos/passivos foi negativo (231.789.736,50 291.298.862,38), razão pela qual o perito, acertadamente, reverteu para resultado o alegado valor liquido da operação então lançado em conta ativa; Não se vai aqui, ainda, questionar o motivo pelo qual o perito computou com ajuste, segregadamente, na apuração do lucro líquido a "Insuficiência de Depreciação", excluindoa do resultado da operação de cessão, mas deixou, inexplicavelmente, de fazer o mesmo para o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação"; 65.2 DO ATIVO DEFERIDO A AMORTIZAR Na argumentação alinhada na "Manifestação de Inconformidade" e no Recurso Voluntário, o interessado ataca a Fl. 1416DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 24 23 posição adotada pela autoridade fiscal diligente de adicionar ao lucro líquido, na determinação do Lucro Real e na base de cálculo da CSLL o valor R$ 58.837.874,59 correspondente ao saldo líquido da conta "Perdas em Arrendamentos a Amortizar" (R$ 101.724.251,05), após a dedução da conta retificadora "Amortização Acumulada de Perdas em Arrendamento a Amortizar" (R$ 42.886.376,46); No entender da autoridade fiscal diligente, "o valor dessas Perdas em Arrendamento a Amortizar eram despesas da Nacional Leasing S/A Arrendamento Mercantil, para serem baixadas na conta de resultado, de acordo com o prazo restante da vida útil de cada bem". Portanto, asseverou, "Por ocasião da baixa do dia 18/11/95, deveria ser adicionado na apuração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e não jogado contra uma conta do ativo'"; Contra essa conclusão, o interessado enfatizou a sua total inconsistência com o disciplinado pelo Plano Contábil das Instituições Financeiras COSIF, seção "Normas Básicas", título 7 (Operações de Cessão de Contratos de Arrendamento Mercantil Cedente), e que determinaria a contabilização das cessões de contratos a débito da adequada conta de disponibilidades, em contrapartida com as adequadas conta do subgrupo Operações de Arrendamento Mercantil, e o estorno da parcela de depreciação acumulada para sua baixa, em contrapartida com os desdobramentos de bens arrendados; O laudo pericial, por sua vez, apontou às folhas 18/19, na resposta ao quesito 10), que as perdas em arrendamento a amortizar devem compor o valor contábil dos contratos de arrendamento mercantil, o que não teria sido observado pela autoridade fiscal diligente, a qual considerou tais perdas a amortizar, de R$ 58.837.874,59, como despesa indedutível na determinação do Lucro Real de da base de cálculo da CSLL, majorando, com isso, a base tributária; De fato, merece ser acolhida as alegações apresentadas pelo interessado, visto que, por força da Circular BACEN n° 1.429/89 item 1.11 do COSIF, subitem 5, Z, as contas "Perdas em Arrendamentos a Amortizar" e "Amortização Acumulada de Perdas em Arrend a Amortizar" integram o valor contábil dos contratos, e cujos valores foram cedidos pelo valor contábil ao BANCO NACIONAL S/A, que passou a ser o legítimo sucessor dos direitos e obrigações disso decorrente, inclusive o oferecimento à tributação do citado ativo diferido, não havendo que se falar em despesa indedutível na cedente; 65.3 DAS DESPESAS ANTECIPADAS Para as "Despesas Antecipadas", no valor de R$ 1.183.527,84, considerou a autoridade fiscal, sob a alegação de que o mesmo não teria nenhuma relação com o contrato de compra e venda de Fl. 1417DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 25 24 ativos em comento, que sua baixa deveria ser efetuada de acordo com sua realização e, no caso vertente, determinou sua baixa contra conta de resultado, com posterior reversão na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL; Em sua defesa, o interessado esclareceu: i) que as denominadas "Despesas Antecipadas" se referiam a aluguel de debêntures pago antecipadamente; ii) que as referidas debêntures haviam sido utilizadas na captação de recursos junto ao público e iii) que os passivos correspondentes a essas obrigações haviam sido objeto de cessão. Portanto, sustentando não ter ocorrido nenhum ganho na baixa dos valores contabilizados a esse título, concluiu que o procedimento levado a termo pela autoridade fiscal, em afronta aos princípios contábeis geralmente aceitos, distorceu os resultados do exercício; Por outro lado, o perito resumiu sua análise sobre "Despesas Antecipadas" à sua definição e ao regime de apropriação contábil aplicável, qual seja, o da competência, este vinculado ao prazo de duração do contrato de aluguel das debêntures, conforme descrito nas respostas aos quesitos 11) e 12) do Laudo; Nesse ponto, o Laudo pericial deixou claro que as "Despesas Antecipadas" não poderiam compor o valor contábil dos contratos cedidos, tratandose simplesmente de cessão de outros ativos. Portanto, sua baixa, como despesa, darseia contra conta de resultado, como o fez a autoridade fiscal diligente. De qualquer forma, tal procedimento contábil em nada alteraria o lucro líquido do exercício, como bem apontado no Laudo Pericial e se observa do quadro inserto no item 64.1.1. (Reversão dos demais Ativos Cedidos), porém com reflexos na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL; Assim, diferentemente do sustentado pelo interessado, e não analisado no Laudo Pericial, não haveria como a autoridade fiscal deixar de reverter as "Despesas Antecipadas", no montante de R$ 1.183.527,64, na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, sob pena de sua dedução em duplicidade, visto que esse valor foi, posteriormente, pelo regime de competência, computado como despesa na apuração do lucro líquido do cessionário, o BANCO NACIONAL S/A; E para corroborar essa afirmação, não é demais citar o que ensina o "Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações" (Fipecafi, 6a ed., páginas 137/138) acerca de "Despesas Pagas Antecipadamente": "Esses ativos representam pagamentos antecipados, cujos benefícios ou prestação de serviços à empresa se farão durante o exercício seguinte", "são despesas que efetivamente e de forma objetiva pertencem a exercícios seguintes. Não são ainda despesas incorridas"; No caso vertente, a NACIONAL LEASING S/A alugou debêntures, pagando antecipadamente essa obrigação e, em Fl. 1418DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 26 25 seguida, com lastro nesses títulos, captou recursos no mercado. Portanto, por se tratar de despesa não incorrida, o aluguel então pago só poderia ser baixado contra conta de resultado, na apuração do lucro líquido, por ocasião da liquidação do passivo correspondente aos recursos captados, o que só teria ocorrido, por força da cessão de ativo/passivo, no BANCO NACIONAL S/A; E para afastar qualquer outra interpretação, é preciso esclarecer que o fato de que os recursos obtidos pela cedente terem sido aplicados em operações de arrendamento mercantil, em nada altera a forma de contabilização das "Despesas Antecipadas", visto que, repitase, elas não compõem o "valor contábil dos contratos", devendo, no momento da cessão, ser baixadas contra conta de resultado; DA PROVISÃO P/ CRÉDITOS DE LIQUIDAÇÃO DUVIDOSA Da mesma forma como apontado no item precedente, dúvida não resta de que a "Provisão para Créditos de Liquidação Duvidosa" também não integra o "valor contábil dos contratos de arrendamento mercantil", devendo, assim, em decorrência da operação de cessão, em respeito ao que prescreve os normativos do próprio BACEN, ser revertida para conta de resultado; Dos demonstrativos apresentados pelo interessado, de folhas 465 e 891, sobressai ter a NACIONAL LEASING S/A revertido para conta de resultado, no encerramento do anocalendário 95, a título de "Provisão p/ Créditos de Liquidação Duvidosa", o montante de R$ 4.503.211,00, não o fazendo, todavia, para o valor de R$ 26.119.652,07 então cedido em 19/11/95 ao BANCO NACIONAL S/A; Do Laudo Pericial, no entanto, constatase ter o perito, ainda que de forma indireta, conforme indicado no quadro do item 64.1., computado o referido montante na apuração do lucro líquido ajustado., além dessa reversão não ter alterado o resultado do exercício, ela, contrariamente ao apontado para as "Despesas Antecipadas", não deveria ocasionar nenhum reflexo no Lucro Real e na base de cálculo da CSLL, como, aliás, levado a termo pela autoridade fiscal diligente; 65.5 DO CRÉDITO DE IR SOBRE INSUFICIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO Quanto ao "Crédito de Imposto de Renda sobre a Insuficiência de Depreciação", de R$ 38.078.966,60, entendeu a autoridade fiscal diligente ter a NACIONAL LEASING S/A registrado tal valor em conta de receita, conforme indicado na Linha 08 da Ficha 06 da DIRPJ/96, quando o correto teria sido, por ocasião da operação de cessão, o estorno a débito da referida conta de receita e, como contrapartida, a crédito de "IR sobre Insuficiência de Depreciação"; Fl. 1419DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 27 26 Ademais, após efetuar alguns ajustes na conta "Receita de Imposto de Renda", concluiu não ter havido nenhum valor a ser excluído com "IR s/ Insuficiência de Depreciação" na parte A do LALUR, nem tampouco na base de cálculo da CSLL, mesmo por que, no resultado, teria sido apurado "Superveniencia de Depreciação" e não "Insuficiência de Depreciação"; E para finalizar, afirmou a autoridade fiscal diligente que, relativamente ao crédito de IR decorrente de Insuficiência de Depreciação, o lançam snto contábil correto, de acordo com o COSIF, seria uma contrapartida não ~m conta de receita, mas sim na conta passiva "Provisão para Imposto e Contribuições sobre Lucros"; Em sua contestação, asseverando, inicialmente, a total falta de amparo legal para a citada glosa, o interessado esclareceu que o crédito tributário do IR de R$ 38.078.966,60 foi constituído ao longo do anocalendário 95, e decorreu dos valores registrados a título de insuficiência de depreciação, estes considerados, para fins de determinação do Lucro Real, como despesas temporariamente indedutíveis; Aduziu, por conseguinte, que a reversão do "IR sobre Insuficiência de Depreciação" a crédito da conta de resultado "Receita de Imposto de Renda", como indicado na Linha 08 da Ficha 06 da DIRPJ, em fiel observância às normas contábeis, afetou o lucro liquido antes da CSLL, sendo cabível, portanto, à luz do prescrito pela Lei n° 7.689/88, c/c o art. 194 do RIR/94 e o "Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações" (Fipecafi, Atlas, SP, 2000, pg 28), sua exclusão na base de cálculo da CSLL; Reverberando o mesmo raciocínio adotado pelo interessado, o Laudo Pericial confirmou que o "Crédito de IR sobre a Insuficiência de Depreciação" em comento, repitase, de R$ 38.078.966,60, foi constituído ao longo do anocalendário 95, tendo o interessado, no encerramento do exercício, registrado tal valor a débito da conta ativa COSIF 1.8.8.25.02 e, em contrapartida, a crédito da conta de resultado "Reversão de Provisões Operacionais", subtítulo "Imposto de Renda", COSIF 7.9.90.95.0; É importante aqui salientar não ter o perito abordado no Laudo a questão pertinente à conta ativa credora "Insuficiência de Depreciação", que deu origem ao "Crédito do IR sobre Insuficiência de Depreciação", e que com ele se correlaciona diretamente, as quais, como já antecipado neste relatório, deveriam ser tratadas de forma segregada, e não computadas na apuração do valor líquido dos contratos de arrendamento cedidos, como o fez o interessado; E para justificar, à luz do disposto pelo art. 2o da Lei n° 7.689/88, a exclusão do "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação" na determinação da base de cálculo da CSLL, o Fl. 1420DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 28 27 perito recorreu a julgados proferidos pela esfera administrativa, valendo aqui transcrever alguns excertos, verbis: A legislação tributária federal não se opõe a adoção, pelas empresas em geral, dos procedimentos contábeis normatizados pelo Instituto Brasileiro de Contadores — Ibracon, e constantes de pronunciamento. (...). 2) As receitas geradas pelas contrapartidas contábeis decorrentes do reconhecimento, na escrituração comercial, dos ativos fiscais diferidos encontrados com base nas diferenças temporárias dedutíveis e nos prejuízos fiscais compensáveis, apuradas em conformidade com as normas do pronunciamento do Ibracon, podem não compor as bases de cálculo tanto do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) quanto da Contribuição Social sobre o lucro líquido (CSLL); desde que, obviamente, nelas estejam previamente inseridas. A contabilização desses valores, no entanto, não deve alterar para menos, em nenhum período, as bases de cálculo que seriam encontradas se a escrituração de tais ativos não fosse efetuada" (Decisão n° 200/98 da SRRF da 9a RF) (grifo nosso) "A demonstração do lucro real deverá ser iniciada com o lucro líquido do período de apuração, antes de ser deduzido o valor da provisão para pagamento do imposto de renda e, antes, também, de ser adicionado o valor do Ativo Fiscal Diferido, concernente ao imposto de renda calculado sobre o prejuízo fiscal a compensar que a pessoa jurídica avaliou ser possível a sua recuperação em períodos de apuração futuros. Se no preenchimento da Declaração de Informação EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, o valor do Ativo Fiscal Diferido for computado como receita, poderá o mesmo ser excluído do lucro líquido para fins de determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido." (Ac n° 103 21.799/04 do Io CC) (grifos do interessado); Feitas tais considerações, é preciso reafirmar que no procedimento contábil adotado pela NACIONAL LEASING S/A por ocasião da cessão de ativos/passivos a "Insuficiência de Depreciação" e o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação" foram transferidos para o cessionário, o BANCO NACIONAL S/A; Por tal razão, como já explicitado no item 62, caso a conta "Crédito de IR sobre nsuficiência de Depreciação" estivesse incluída no conjunto daquelas enunciadas pela Circular BACEN n° 1.429/89 para apuração do "valor contábil do contrato", a sua exclusão do crédito nela escriturado da base de cálculo da CSLL pela cedente implicaria, posto que posteriormente também excluído pelo cessionário, o seu aproveitamento em duplicidade, o que v/iende a legislação tributária; Nesse sentido, o Laudo Pericial tratou expressamente da questão do lançamento contábil a ser observado para a "Insuficiência de Depreciação", deixando claro que, à luz da Circular BACEN n° 2.568/95 e das demais normas fiscais já mencionadas, tal conta deveria ter sido tratada de forma segregada pela cedente, e baixada contra conta de resultado, como fez o perito na resposta ao quesito 9); Fl. 1421DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 29 28 De outra sorte, no entanto, em relação ao "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", o qual deveria, por ocasião da operação de cessão, receber, concomitantemente, o mesmo tratamento contábil e fiscal aplicado à "Insuficiência de Depreciação" que lhe deu origem, ou seja, com sua baixa em contrapartida a conta de resultado, o perito limitouse a analisar, conforme descrito na resposta ao quesito 15), os lançamento atinentes à sua constituição; Ora, se a constituição do "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação" implicou o lançamento a débito em conta do ativo (COSIF 1.8.8.25.02), em contrapartida a crédito em conta de resultado (COSIF 7.9.90.95.0), como bem constatou o perito, dúvida não poderia remanescer, em respeito ao disposto pela legislação contábil e fiscal aplicável, de que a baixa a crédito na referida conta ativa só poderia ter como contrapartida débito em conta de resultado (COSIF 8.9.4.10.00.6); Vejase, do apontado no subitem precedente, que o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação" deveria, em decorrência da operação de cessão, e pelo simples fato de se tratar de ajuste que compõe o resultado do exercício, ser deduzido na apuração do lucro líquido, e não, como pretendido pelo interessado, na determinação do lucro real ou da base de cálculo da CSLL. É esse o tratamento contábil que preconiza o COSIF, e acolhido pela legislação tributária; Não há que falar, portanto, para o "Credito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", em controle no LALUR, como deu a entender o interessado. O que, de fato, deve ser adicionado (na constituição) ou excluído (na baixa) na determinação do Lucro Real, mas não da base de cálculo da CSLL, é a "Insuficiência de Depreciação", como, ademais, considerado pelo perito na já citada resposta ao quesito 9); E nem queira aqui o interessado, com o argumento de que o "IR constituído sobre a Insuficiência de Depreciação", no valor de R$ 38.078.966,60, foi revertido na apuração do lucro líquido, como indicado na Linha 08 da Ficha 06 da DIRPJ/96, justificar, nos moldes do disposto pelo art. 2o da Lei n° 7.689/88, sua exclusão na determinação da base de cálculo da CSLL; Como exaustivamente demonstrado, o "IR constituído sobre Insuficiência de Depreciação" não se confunde com a "Provisão para IR sobre Lucros", esta sim, uma vez revertida na apuração do lucro líquido, passível de exclusão da base de cálculo da CSLL, enquanto aquela, ainda que também revertida, só poderia ser deduzida, quando de sua baixa, concomitantemente com a adição da "Insuficiência de Depreciação", na própria na apuração do lucro líquido. Não por outra razão, aliás, a "Provisão para IR sobre o Lucro Inflacionário", excluída pelo interessado na apuração da base de cálculo da CSLL, foi acatada pela autoridade fiscal diligente; A partir do até aqui afirmado, poderseia tomar de empréstimos os julgados colacionados no Laudo Pericial, e transcritos no Fl. 1422DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 30 29 item 65.5.8., para comprovar, contrariamente à tese do interessado, a total improcedência da pretendida exclusão do "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação" da base de cálculo da CSLL, visto, antes, em obediência à legislação contábil e fiscal, ter sido ele deduzido na apuração do lucro líquido; Enfim, relativamente ao "Crédito do IR sobre Insuficiência de Depreciação", podese concluir que a glosa procedida pela autoridade fiscal, embora por meio de argumentos equivocados, foi acertada, não podendo prosperar a pretensão do interessado; Com efeito, de tudo quanto apontado na presente informação fiscal, fica evidente que os quesitos apresentados pelo interessado e objeto do Laudo Pericial encontramse respondidos, porém, para consignar, ainda que de maneira resumida, o entendimento desta DEINF/SPO sobre as questões levantadas, seguem as respostas: Quesito 1. No caso específico das operações contratadas entre o Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A e o Banco Nacional S/A, que valor foi levado em cont< para fins de negociação de ativos e passivos ? R Os valores levados em conta para fins de negociação da operação de cessão de ativos e passivos foram, sem dúvida, aqueles consignados na escrituração contábil da Nacional Leasing S/A. Quesito 2. Em vista da resposta à questão acima, houve, no caso, para a Nacional Leasing apuração de resultado positivo ou negativo nessas negociações ? R. Considerando o entendimento do interessado, de que a operação tratou tão somente de cessão de contratos de arrendamento mercantil, na negociação houve apuração do valor líquido de R$ 14.322.615,96, não se constituindo, no entanto, em resultado tributável. No entanto, como bem observou o perito, a operação envolveu a cessão de outros ativos/passivos não vinculados a contratos de arrendamento. Dessa forma, tendo em vista o tratamento contábil que deveria ser dado aos ativos/passivos cedidos, em particular à "Insuficiência de Depreciação" e ao "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", como exaustivamente analisado e apontado no demonstrativo elaborado por esta DIORT/DEINF/SPO, embora não tenha havido alteração no Fl. 1423DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 31 30 lucro líquido apurado pela cedente, o Lucro Real e a base de cálculo da CSLL sofreram alterações. Quesito 3. A baixa do Valor Residual Garantido (VRG) recebido antecipadamente pela Nacional Leasing correspondeu a uma receita ? Em caso positivo, foi ela tributada para fins de CSLL, e em que momento ? R. Em razão do "VRG" compor o "valor dos contratos de arrendamento", os quais foram cedidos pelo valor contábil, a sua baixa não correspondeu a uma receita, não havendo motivo para seu oferecimento à tributação. Quesito 4. Como foi contabilizado o valor pago pela Nacional Leasing ao Banco Nacional para que esse assumisse passivos relacionados a operações de arrendamento mercantil ? A contabilização realizada esta correta ? R. Conforme respondido no quesito 2, a Nacional Leasing contabilizou o resultado da cessão de ativos/passivos na conta ativa "Devedores por Compra de Bens". Devese lembrar que na operação de cessão, a cedente se limitou a registrar os lançamentos a débito/crédito das respectivas contas do ativo/passivo, como se todos os direitos e obrigações dissessem respeito a contratos de arrendamento, sem transitar nenhuma das baixas em conta de resultado. Por todo o exposto neste relatório e no Laudo Pericial, porém, é evidente que a contabilização não foi efetuada corretamente, particularmente no que diz respeito às "Despesas Antecipadas", à "Insuficiência de Depreciação" e ao "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", com efeitos na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, ainda que, no tocante ao lucro líquido do exercício, nada tenha se alterado; Quesito 5. As operações de cessão contratadas entre o Unibanco e o Banco Nacional referiamse à cessão de créditos ou à cessão de contratos ? R. Como bem explicitado no Laudo Pericial, dúvida não resta, contrariando a própria tese sustentada pelo interessado, de que nem todos os ativos/passivos cedidos diziam respeito a contratos de arrendamento mercantil, portanto, como já mencionado no quesito precedente, com conseqüentes efeitos nos resultados apurados na DIRPJ/96; Quesito 6. Como deveriam ser contabilizadas as operações de cessão de créditos e de cessão de contratos de arrendamento mercantil à luz das normas do COSIF ? R. Como bem apontou o Laudo Pericial, a contabilização das operações de cessão de créditos e de contratos de arrendamento mercantil deveria obedecer ao que prescreve as Circulares BACEN n° 1.429/89 e BACEN n° 2.568/95. Por seu turno, especificamente para a cessão de contratos, a NACIONAL LEASING S/A deveria ter observado o disposto pelo Fl. 1424DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 32 31 capítulo de Normas Básicas do COSIF. Ainda que tenha sido essa a intenção da cedente, como defendido no Recurso Voluntário, contudo, como já exaustivamente citado, equivocou se ao computar no "valor contábil dos contratos" a "Insuficiência de Depreciação" e o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", sem baixar tais ajustes em conta de resultado; Quesito 7. Qual o tratamento contábil a ser dispensado à parcela de rendas a apropriar do subgrupo "Operações de Arrendamento Mercantil" ? Em que situações são sensibilizadas as contas adequadas ao desdobramento de rendas e despesas de arrendamento mercantil ? Qual foi o procedimento contábil adotado pela Nacional Leasing em relação à parcela de rendas a apropriar referente aos contratos cedidos ao Banco Nacional ? R. Nesse aspecto, absolutamente pertinente as considerações e a fundamentação legal apontada pelo perito. No tocante às rendas a apropriar, e considerando que tais contas compõem o "valor contábil dos contratos", deveria a Nacional Leasing, por ocasião da operação de cessão em comento, têlas baixado, juntamente com as demais contas ativas/passivas concernentes aos contratos cedidos, tendo como contrapartida, no caso de resultado pos.uvo, lançamento a débito em conta ativa. Aliás, ao considerar que o resultado de R$ 14.322.615,96, então contabilizado a débito da conta "Devedores por Compra de Bens", seria decorrente da cessão de contratos, quis o interessado sustentar que o procedimento adotado pela Nacional Leasing obedeceu fielmente a disposição legal. Ocorre, porém, vale repetir, para o caso vertente, que a operação de cessão não abrangeu tão somente contratos de arrendamento mercantil, razão pela qual o resultado acima referido não espelhou o real resultado dos contratos cedidos ao Banco Nacional. Quesito 8. Os contratos firmados entre Unibanco e Banco Nacional contemplavam a venda de prejuízos ? E possível afirmar, com base na documentação e nos registros contábeis respectivos, que houve entre as referidas instituições a realização de operações desse gênero ? R. Esse quesito certamente foi suscitado em face das alegações feitas pela autoridade fiscal diligente acerca da baixa do ativo diferido "Perdas em Arrendamentos a Amortizar" e "Amortização Acumulada com Perdas em Arrendamentos a Amortizar". Fl. 1425DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 33 32 Obviamente que o entendimento da autoridade fiscal diligente foi equivocado, como já demonstrado no subitem 65.2. No presente caso, não houve nenhuma venda de "prejuízo" concernente a "Perdas de Arrendamentos a Amortizar", mesmo por que essa conta integra o "valor contábil dos contratos" cedidos, cujo resultado, se positivo, contabilizase, na cedente, em conta ativa ou, se negativo, em conta de resultado. Quesito 9. Em que contas devem ser registrados os valores correspondentes a contratos de arrendamento mercantil cedidos a terceiros? Quais os efeitos contábeis e fiscais provocados pela sistemática de cálculo da superveniência ou insuficiência de depreciação em relação aos ativos relacionados a esses contratos? Qual procedimento foi adotado pela Nacional Leasing em relação ao saldo da superveniência ou insuficiência relacionada aos contratos cedidos? R. Na resposta a esse quesito, o perito deixou claro o erro conceituai cometido pela Nacional Leasing ao computar o saldo da "Insuficiência de Depreciação" no "valor contábil dos contratos" cedidos, quando na verdade esse valor deveria ser revertido para conta de resultado. Ademais, o perito afirmou que tal "receita" não seria tributável na determinação do lucro real à luz do dis^sto pelo ADN n° 34/87, sendo considerada, no entanto, por falta de r jvisão legal, dedutível da base de cálculo da CSLL a despesa de "Insuficiência de Depreciação". Prosseguindo, o perito afirmou que se o saldo da "Insuficiência de Depreciação" objeto de cessão, no montante de R$ 73.831.741,93 (=R$ 95.523.869,92 R$ 21.692.127,99), baixado erroneamente em contrapartida a contas a receber ("Devedores por Compra de Bens"), fosse revertido para conta de resultado não haveria nenhum impacto na CSLL. Embora as considerações apresentadas pelo perito sejam pertinentes, merece ressalva o quanto dito sobre a dedução da "Insuficiência de Depreciação" da base de cálculo da CSLL. Em verdade, a "Insuficiência de Depreciação" é, quando de sua constituição, dedutível na apuração do lucro líquido, porém adicionada na determinação do Lucro Real, mas não da base de cálculo da CSLL. Por outro lado, por ocasião de sua baixa, a "Insuficiência de Depreciação" deve ser revertida na apuração do lucro líquido, com sua exclusão tão somente para efeito de determinação do Lucro Real. De qualquer forma, de fato, como sustentado pelo perito, e também pela autoridade fiscal diligente, o baixa da "Insuficiência de Depreciação" contra conta de resultado não alteraria o lucro líquido do período. Fl. 1426DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 34 33 No entanto, o mesmo tratamento contábil reconhecido pelo perito para a "Insuficiência de Depreciação" deveria ser aplicado ao "Crédito de IR sobre a Insuficiência de Depreciação", ou seja, com sua baixa, pela cessão, a crédito (despesa) de conta de resultado, o que não foi abordado no Laudo Pericial, não havendo mais que se falar em exclusão, quer na determinação do Lucro Real, quer da base de cálculo da CSLL. Quesito 10. As perdas a amortizar integram os ativos contábeis para efeito de cálculo da insuficiência/superveniência de depreciação ? A autoridade da Receita Federal responsável pela diligência feita para fins de confirmação do R. Conforme a já citada Circular BACEN n° 1.429/89, as perdas a amortizar integram o "valor contábil do contrato", o qual, uma vez comparado com o "valor presente" do mesmo dá origem à insuficiência/superveniência de depreciação. Em relação ao procedimento de diligência, a autoridade fiscal, de forma equivocada, baixou as perdas de amortização contra conta de resultado, além de ter adicionado, sem nenhuma previsão legal, tal valor na determinação do lucro real e da base de cálculo de CSLL. Quesito 11. Qual a natureza das denominadas "despesas antecipadas" a que se refere o item 9.2.9. do relatório de diligência da Receita Federal ? R. Referemse a aluguel de debêntures, não integrando, portanto, o "valor contábil dos contratos" cedidos. Quesito 12. Qual o regime de reconhecimento aplicável à baixa dessas despesas ? R. As "despesas antecipadas" deveriam ser baixadas na Nacional Leasing, por ocasião da operação de cessão, contra conta de resultado, não alterando, todavia, o lucro do exercício, mas devendo ser revertida na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, visto que serão, posteriormente, deduzidas na cessionária, como descrito no subitem 65.3. Quesito 13. A cessão, a valor contábil, de contratos de operações de arrendamento mercantil viabilizadas com recursos provenientes da emissão de debêntures, feita de forma concomitante com a cessão dos passivos relativos a essa modalidade de captação de recursos, produziu impactos nas contas de resultado da Nacional Leasing ? R. Os passivos concernentes à emissão de debêntures não poderiam integrar o "valor contábil dos contratos" cedidos, como reconhecido pelo perito e reiterado neste relatório, devendo ser baixados contra conta de resultado, sem, contudo, Fl. 1427DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 35 34 alterar o lucro líquido e, conseqüentemente, a Lucro Real e a base de cálculo da CSLL. Quesito 14. Qual a origem do crédito tributário de imposto de renda, no valor de R$ 38.078.966,60, constituído pela Nacional Leasing no anocalendário de 1995 ? R. Como comprovado pelos documentos anexados aos autos, tal crédito decorreu da "Insuficiência de Depreciação" apurada naquele anocalendário, e lançado a débito em conta ativa, para posterior baixa, como despesa, em conta de resultado d° períodos futuros. Quesito 15. De que forma foi registrado contabilmente o referido crédito tributário ? A forma de contabilização adotada pela Nacional Leasing estava em consonância com as regras do COSIF ? R. A resposta a esse quesito se encontra no subitem 65.5. Todavia, nunca é demais lembrar que, em razão de não integrar o "valor contábil dos contratos" cedidos, o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação" deveria ter sido baixado a débito contra conta de resultado, não havendo nenhum fundamento para sua posterior exclusão da base de cálculo da CSLL. Vale ressaltar, ainda, que no valor da "Reversão dos saldos dos demais ativos cedidos", de R$ 231,2 mil, informado pelo perito no demonstrativo à resposta ao quesito 9), o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", de R$ 38.078.966,60 está incluído, não podendo se sustentar, portanto, a sua exclusão, em duplicidade, na determinação da base de cálculo da CSLL. Quesito 16. Quais foram os ajustes feitos pela Nacional Leasing na base de cálculo do imposto de renda e da contribuição social sobre o lucro em relação à receita de imposto de renda diferido? Esses ajustes encontramse previstos na legislação aplicável? R. Inicialmente, tomando em conta o objeto em discussão neste processo, qual seja, o Saldo Negativo da CSLL, não será aqui abordada a questão pertinente à determinação da base de cálculo do imposto de renda, qual seja, o Lucro Real. Prosseguindo, como já explicitado neste relatório, a Nacional Leasing computou o "Crédito do IR sobre Insuficiência de Depreciação" no "valor contábil dos contratos" cedidos, excluindoo, posteriormente da base de cálculo da CSLL. O tratamento contábil então adotado pela cedente, como deveras reiterado, foi absolutamente equivocado, visto tratarse o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação" de ajuste a ser procedido na apuração do lucro líquido. Portanto, sua baixa, pela cedente, darseia em contrapartida a débito em conta de resultado. Conseqüentemente, o tratamento fiscal adotado pela Nacional Leasing, com a exclusão do "Crédito de IR sobre Insuficiência de Fl. 1428DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 36 35 Depreciação" da base de cálculo da CSLL foi improcedente, não podendo prosperar. É importante repisar que, em consonância com a legislação contábil e fiscal, por ocasião da sua constituição, a "Insuficiência de Depreciação" deveria ter sido deduzida do lucro líquido, assim como o imposto dela decorrente, deveria ter sido revertido (adicionado), como, aliás, neste caso, demonstra o lançan snto efetuado na Linha 08 da Ficha 06 da DIRPJ/96. Por outro lado, quando da operação de cessão, tanto a "Insuficiência de Depreciação", quanto o "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", deveria ser baixado em conta de resultado, aquela a crédito (receita) e esse, a débito (despesa). Ora, se o imposto decorrente da insuficiência de depreciação foi, por ocasião da operação de cessão, deduzido na apuração do lucro líquido, como dispõe a legislação já mencionada, não mais haveria como excluílo na determinação da base de cálculo da CSLL. Quesito 17. Por que razão a Nacional Leasing apurou base de cálculo negativa de CSLL no valor de R$ 27.209.833,15? Essa base de cálculo foi corretamente calculada, em vista das normas contábeis e fiscais aplicáveis ? R. Por todo o demonstrado no relatório, salta evidente que a base de cálculo da CSLL foi erroneamente apurada, quer pela exclusão do "Crédito de IR sobre a Insuficiência de Depreciação", de R$ 38.078.966,60, quer pela não adição das "Despesas Antecipadas", de R$ 1.183.527,64. Quesito 18. Como se chegou ao valor de R$ 58.881.341,94, considerado como montante a restituir ou compensar? Por que razão a fiscalização federal impugnou o valor da base de cálculo negativa da CSLL apurada pela Nacional Leasing? R. Logicamente, o valor consignado no "Pedido de Restituição", de R$ 58.881.341,94, referese ao Saldo Negativo da CSLL, de R$ 34.262.679,69, apurado na DIRPJ/96, este decorrente dos valores das estimativas mensais recolhidas ou compensadas com outros créditos, e a maior do que o devido no encerramento do exercício, acrescido dos juros SELIC a que alude o § 4o do art. 39 da Lei n° 9.250/95. Já a impugnação da base de cálculo negativa da CSLL, de R$ 27.209.833,15, ocorreu em razão dos ajustes efetuados pela autoridade fiscal diligente, quer dizer, da adição das "Perdas em Arrendamentos a Amortizar", "Despesas Antecipadas" e "Crédito do IR sobre Insuficiência de Depreciação". Por derradeiro, tendo em vista os argumentos alinhados neste relatório, podese concluir, uma vez efetuados os ajustes necessários no lucro líquido do exercício, bem como na determinação da base de cálculo da CSLL, restar como Saldo Fl. 1429DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 37 36 Negativo do anocalendário 95 o montante de R$ 30.481.307,90, como demonstrado no quadro abaixo: ITEM CSLL (R$ MIL) Lucro Líquido Antes da Operação de Cessão 19.540.216,73 (+) Reversão dos Saldos dos demais Ativos cedidos (263.537.385,53) () Reversão dos Saldos dos Passivos cedidos 291.298.862,38 (+) Reversão Insuficiência de Depreciação 95.523.869,92 () Reversão Superveniencia de Depreciação (21.692.127,99) () Reversão Diferencial lançado em Contas a Receber (14.322.615,96) () Reversão Crédito IR sobre Insuficiência Depreciação (41.075.264,07) (+) Reversão Crédito IR sobre Superveniencia Depreciação 9.327.615,04 (=) Lucro Liquido Ajustado Após Operação de Cessão 19.540.216,73 (+) Adições Provisões não Dedutíveis 537.959,99 Reversão Despesas Antecipadas 1.183.527,64 Outras Adições 5.827.273,62 Soma das Adições 7.548.761,25 () Exclusões Reversão Provisões não Dedutíveis (IR sobre Lucro Inflac) (15.036.366,89) Soma das Exclusões (15.036.366,89) Base de Cálculo da CSLL 12.052.611,09 CSLL DEVIDA 2.781.371,79 () CSLL Estimativas (34.262.679,69) (31.481.307,90) Fl. 1430DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 38 37 Do acima exposto, entendemos ter sido atendido o determinado pelo CARF, motivo pelo qual submetemos o presente relatório à apreciação superior, ressaltando, no entanto, antes do encaminhamento dos autos àquela autoridade administrativa julgadora "ad quem", sua ciência ao interessado, com a abertura, conforme dispõe o art. 59 da Lei n° 9.784/99, do prazo de 10 (dez) dias para apresentação de contrarazões. Em 20/05/2011, a Recorrente apresentou contrarrazões ao referido parecer (Fls. 1.281 a 1.344), solicitando ao final nova oitiva da autoridade fiscal sobre os novos esclarecimentos da perícia contábil, nos seguintes termos em síntese: TERMO DE ESCLARECIMENTO KPMG Tax Advisors Ltda., com sede na Rua Dr. Renato Paes de Barros, n9 33, São Paulo, Capital, devidamente inscrita no CNPJ sob o n9 05.480.570/000140 e no CRC 2SP022767/O5 ("Perito"), neste ato representada por seu sóciodiretor Celso Pompeu Alcantara, brasileiro, casado, contador, inscrito no CPF sob o n9 271.120.51851, portador da carteira de identidade do Conselho Regional de Contabilidade de Contabilidade CRC n9 1SP264636/05, a pedido da parte interessada Dibens Leasing S.A. Arrendamento Mercantil, com sede na Cidade de Barueri, Estado de São Paulo, na Rua Alameda Rio Negro, n9 433, inscrita no CNPJ/MF sob o n9 65.654.303/000173 (sucessora, por incorporação, de Unibanco Leasing S.A. Arrendamento Mercantil), vem apresentar, em face do laudo pericial emitido em 21 de julho de 2006, esclarecimentos acerca da informação prestada pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil no despacho de encaminhamento anexo aos autos do Processo Administrativo n9 16327.000921/998, formalizado através do Termo de Ciência n9 499, de 09 de maio de 2011, conforme segue: Em 21 de julho de 2006, os administradores da Dibens Leasing S.A. Arrendamento Mercantil (sucessora, por incorporação, de Unibanco Leasing S.A. Arrendamento Mercantil) nos solicitaram a emissão de laudo pericial contábil ("Laudo" Anexo 1) para tratar dos aspectos contábeis e fiscais abordados pelo Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil no Relatório de Diligência Unibanco Leasing CNPJ n9 34.120.899/000106, MEMO DIFIS/DEINF/SP/N9 101/2003, de 17 de março de 2003, que compõe o Processo Administrativo n9 16327.000921/9989. Segundo nos foi informado, o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ao receber o recurso voluntário do contribuinte, julgou por bem baixar o processo administrativo à repartição de origem para realização de novo procedimento de diligência, especialmente em face do conteúdo do Laudo juntado pela parte. Ato contínuo, foi exarado pela autoridade administrativa o "despacho de encaminhamento" (Anexo 2) e juntado aos autos do Processo Administrativo n5 16327.000921/998 pelo Termo de Ciência n^ 499, de 09 de Fl. 1431DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 39 38 maio de 2011, no qual são feitas referências ao Laudo para sustentar algumas das controvérsias discutidas entre as partes. Assim, considerando o acima exposto, passamos a prestar os seguintes esclarecimentos sobre os pontos de controvérsia levantados pela autoridade fiscal no referido despacho de encaminhamento, à luz do laudo pericial contábil emitido em 21 de julho de 2006. 2 Esclarecimentos necessários a) Efeitos contábeis e fiscais da "Insuficiência de Depreciação" e do "Crédito Tributário de IR sobre a Insuficiência de Depreciação" Em relação aos efeitos contábeis e fiscais provocados pela sistemática de cálculo da superveniencia ou insuficiência de depreciação, relacionados aos contratos de arrendamento mercantil cedidos, a autoridade administrativa consignou em sua manifestação (Quesito 9 do despacho de encaminhamento) que o Perito teria afirmado que a receita decorrente da constituição da superveniencia de depreciação " (...) não seria tributável na determinação do lucro real à luz do disposto no ADN n° 34/87, sendo considerada, no entanto, por falta de previsão legal, dedutível da base de cálculo da CSLL a despesa de 'Insuficiência de Depreciação'." (grifos no original) A autoridade fiscal, no referido despacho, também entendeu que caberiam ressalvas sobre "(...) o quanto dito pelo laudo sobre a dedução da "Insuficiência de Depreciação" na base de cálculo de CSLL", afirmando, mais à frente, que "(...) por ocasião de sua baixa, a Insuficiência de Depreciação deve ser revertida na apuração do lucro líquido, com sua exclusão tão somente para efeito de determinação do Lucro Real. De qualquer forma, de fato, como sustentado pelo Perito, e também pela autoridade fiscal diligente, o (sic) baixa da 'Insuficiência de Depreciação' contra conta de resultado não alteraria o lucro líquido do período." (grifamos) Neste particular, cumpre esclarecer que o Laudo apresentado tratou da questão nos seguintes termos: "(...) eventual receita deve ser considerada não tributável assim como a despesa não dedutível para fins de determinação do lucro real, à luz do determinado no Ato Declaratório Normativo ADN n? 34 (Anexo 9). No entanto, no que concerne à CSLL, em razão de não existir qualquer previsão para tanto, a receita de superveniencia é tributável assim como a despesa de insuficiência é dedutível de sua base de cálculo." (Laudo, resposta ao quesito 9, pág. 17, grifos nossos) Assim sendo, fica demonstrado que houve manifestação expressa no Laudo sobre o assunto, e também sobre o efeito fiscal do procedimento adotado pelo contribuinte na apuração do imposto de renda da pessoa jurídica. Tal foi numericamente demonstrado no Laudo por intermédio do quadro abaixo: Fl. 1432DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 40 39 R$ mil IRPJ CSLL Resultado contábil antes das negociações e dos tributos* ** Reversão da insuficiência dos contratos cedidos Reversão dos saldos dos demais ativos cedidos () Reversão dos saldos dos demais passivos cedidos () Diferenciai lançado em contas a receber 19.5 73.8 231.2 (291.0) (140) 19.5 73.8 231.2 (291.0) (14.0) Resultado após negociações e antes dos tributos 19.5 19.5 () Exclusão da reversão da insuficiência (+/) Outras adições/exclusões ** (73.8) 39.9 (46.7) Base de cálculo considerada a insuficiência (14.4) (27.2) Base de cálculo sem considerar a insuficiência ** 59.4 (27.2) Diferença (73.8) 0 *Conforme demonstrado na pág. 27 do Relatório de Diligência da Divisão de Fiscalização da Secretaria da Receita Federal (Anexo 2). **Conforme DIPJ/1996, anobase 1995 (Anexo 27). Também merece esclarecimento a afirmação feita pela autoridade fiscal em seu despacho de que "(...) o mesmo tratamento contábil reconhecido pelo perito para a 'Insuficiência de Depreciação' deveria ser aplicado ao 'Crédito de IR sobre a Insuficiência de Depreciação', ou seja, com a sua baixa, pela cessão, a crédito (despesa) de conta de resultado, o que não foi abordado no Laudo Pericial, não havendo mais que se falar em exclusão, quer na determinação do Lucro Real, quer da base de cálculo da CSLL." Neste ponto, apesar da autoridade fiscal em seu despacho afirmar que o Laudo não tratou do tratamento contábil e tributário a ser dado ao "Crédito de IR sobre a Insuficiência de Depreciação", cabe fazer a correção de que o tema foi tratado nas respostas aos quesitos 14 e 15 do Laudo (páginas 20 a 22 do Laudo). Com efeito, observase na resposta ao referido quesito 14, ter ficado consignado no Laudo que o crédito tributário do imposto de renda, no valor de R$ 38.078.966,60, "(...) foi constituído durante o anocalendário de 1995, tendo como base os valores registrados de insuficiência de depreciação registrada naquele anocalendário, considerada não dedutível para fins de apuração do lucro real, conforme planilha anexa fornecida pelo Unibanco à fiscalização da Secretaria da Receita Federal SRF (Anexo 12)." (grifamos). Fl. 1433DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 41 40 Da mesma forma, também se esclareceu no Laudo a contabilização efetuada pela pessoa jurídica em vista da documentação apresentada ao Perito (Anexos 13 e 14 ao Laudo), bem como a correspondência da contabilização efetuada com as regras do "Plano de Contábil das Instituições do Sistema Financeiro Nacional COSIF (Anexos 20 e 21 ao Laudo), conforme resposta ao quesito 15 do Laudo, assim reproduzido: "O referido crédito crédito tributário foi registrado em conta do ativo de crédito tributário (imposto de Renda Diferido s/Insuficiência de depreciação, código 1.8.8.25.02) em contrapartida de conta de resultado credora, título Reversão de Provisões Operacionais e subtítulo Imposto de Renda (código 7.9.90.95.0, vide Anexo 21), e de conta de resultado devedora, título Imposto de Renda (código 8.9.4.10.00.6, vide Anexo 20), conforme verificado na resposta a termo de intimação fiscal emitido pela SRF (Anexo 13). A partir das planilhas que compõem o Anexo 14 deste documento, constatamos que, para o períodobase de 1995, a parcela credora do crédito tributário de imposto de renda sobre insuficiência de depreciação, no montante de R$ 48.041.308,19, foi contabilizada na rubrica de código 7.1.9.90.950, e a parcela devedora, de R$ 9.962.341,59, foi contabilizada na rubrica de código 8.9.4.10.00.6, que consideradas juntas perfazem o valor credor líquido de R$ 38.078.966,60." A afirmação fiscal, acima já transcrita, segundo a qual "(...) o mesmo tratamento contábil reconhecido pelo perito para a 'Insuficiência de Depreciação' deveria ser aplicado ao 'Crédito de IR sobre a Insuficiência de Depreciação' (...) não havendo que se falar em exclusão, quer na determinação do Lucro Real, quer na base de cálculo da CSLL" deve ser analisada à luz das decisões administrativas transcritas no Laudo (resposta ao quesito 16, páginas 22 a 24 do Laudo). Referidas decisões administrativas afirmam, em homenagem ao quanto previsto na legislação tributária, ser necessária a exclusão da receita contabilizada por força da constituição do ativo diferido sobre a insuficiência de depreciação ("Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação"), tanto na base do imposto de renda da pessoa jurídica (IRPJ) quanto da contribuição social sobre o lucro líquido (CSLL) (Decisão n° 200/98 SRRF da 9ª Região Fiscal; Conselho de Contribuintes, Acórdão n° 10321.799/04 e Solução de Consulta n° 21 SRRF 9ª RF). Incute suscitar, ainda, que o lançamento em conta do ativo diferido decorre do efeito fiscal produzido pela apuração de insuficiência de depreciação, representado pelo ajuste a ser feito no LALUR e exigido pela legislação tributária na base de cálculo do imposto de renda ("Lucro Real"), nos termos do Ato Declaratório Normativo ADN n° 34/87 (Anexo 3). Este crédito, registrado meramente para fins contábeis, corresponde ao valor do imposto de renda (fruto de diferença temporária) sobre o ajuste, representando o benefício fiscal futuro. Daí a razão pela qual as decisões administrativas suprareferidas determinarem que a receita contábil não componha as bases de apuração do IRPJ e da CSLL Fl. 1434DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 42 41 Desta forma, o que se procurou demonstrar no Laudo, é que a insuficiência de depreciação e o ativo diferido dela decorrente (crédito tributário de IR) recebem tratamento contábil distinto do tributário, eis que a contabilização da insuficiência de depreciação, ao afetar o resultado do exercício, deve se subsumir aos efeitos fiscais previstos no referido ADN n° 34/78 (despesa indedutível para o IRPJ e dedutível para a CSLL), enquanto que o ativo fiscal diferido, dada sua natureza meramente contábil, não deve impactar nenhuma das bases tributáveis, seja do IRPJ seja da CSLL. b) Efeitos contábeis e tributários das "despesas antecipadas" Em relação ao tratamento contábil e fiscal das despesas antecipadas, autoridade fiscal discorre no despacho que as mesmas referidas despesas devem ser revertidas contra conta de resultado por ocasião da operação de cessão, não alterando o lucro líquido, "mas devendo ser revertida na determinação do lucro real e da base de cálculo da CSLL, visto que serão, posteriormente, deduzidas na cessionária". Sobre esta questão, o Laudo mencionou, na resposta ao quesito 12 do Laudo (página 20 do Laudo), que a contabilização segue o normatizado no COSIF, no Capítulo Elenco de Contas, Seção Função das Contas, sendo feita no código 1.9.9.10.002 (Anexo 11 ao Laudo) cujo objetivo é o de registrar a aplicação de recursos em pagamentos antecipados, de que decorrerão, para a instituição, benefícios ou prestação de serviços em períodos seguintes. Mencionouse, ainda, que a apropriação destas despesas em resultado deve observar o princípio da competência, ou seja, ocorrer em conformidade com a fluência do contrato que as originou. Esclareçase que, o desembolso realizado com a antecipação de despesas, de acordo com a regra contábil vigente até 31 de dezembro de 2007, era contabilizado a crédito de caixa em contrapartida de um débito no ativo diferido e amortizado pelo prazo do contrato. Quando da cessão deste ativo pelo cedente, o mesmo deveria ser revertido como custo para apuração de eventual ganho ou perda de capital. O cessionário, por sua vez, deveria registrar o ativo cedido da mesma forma que o cedente o fez antes da cessão, ou seja, constituindo o ativo contra em contrapartida do caixa. A partir disto, do mesmo modo, deveria o cessionário apropriar a despesa pelo prazo remanescente de exploração do direito previsto em contrato. Tratandose de despesa operacional e necessária nos termos do previsto no art. 299 do Regulamento do Imposto de Renda (Decreto 3.000/99), tal despesa seria dedutível no cessionário para fins de determinação do lucro real. (...) Em 12/04/2012, a Recorrente reitera ao Presidente da Segunda Turma da Segunda Câmara da Primeira Seção preferência para julgamento (Fls. 1.349). Fl. 1435DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 43 42 Em 22/04/2013, encaminharamse os autos para novo sorteio em função do término de mandato do I. Conselheiro relator (Fls. 1.350). Ocorrido o sorteio em 08/08/2013, distribuíramse os autos a este relator. O processo foi retirado da pauta da sessão de 09/10/2013 para intimação da Fazenda Nacional do resultado da diligência solicitada pela Presidência da Segunda Câmara da 1ª Seção. Em 21/10/2013, houve ciência da Procuradoria da Fazenda Nacional do resultado da diligência consubstanciada na Informação Fiscal (Fls. 1.390 e 1.391). Os autos retornaram a este relator em 23/10/2013. É o relatório. Fl. 1436DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 44 43 Voto Conselheiro Plínio Rodrigues Lima, Relator O presente recurso objetiva rever o Acórdão da DRJ/SP nº que manteve a homologação parcial no valor de R$17.903.567,31 (referência anocalendário de 1995) do crédito compensado pela Recorrente, resultante de saldo negativo de CSLL, sobre o qual entendera a autoridade fiscal diligente ser improcedente a exclusão do "Crédito de IR sobre Insuficiência de Depreciação", no valor de R$38.078.966,60 (referência anocalendário de 1995),da base de cálculo da CSLL, bem como, em decorrência dos ajustes efetuados no lucro líquido, ter a cedente deixado de adicionar à base tributável os valores referentes a "Perdas em Arrendamentos a Amortizar", de R$ 58.837.874,59 (referência anocalendário de 1995), e a "Despesas Antecipadas", de R$ 1.183.527,64 (referência anocalendário de 1995). A diferença na base de cálculo da CSLL objeto do litígio resta demonstrada na seguinte tabela (Fls. 849): Discriminação Apresentada Apurado Diferença 01. Lucro Liquido Antes da Contribuição Social s/ o Lucro 19540216,73 19.540.216,73 0,0 ADIÇÕES: 02. Provisões Não Dedutíveis 537.959,99 537.959,99 0 03. Ativo Diferido a Amortizar 0 58.837.874,59 58837874,59 08. Outras Adições 5827273,62 5827273,62 Despesas Antecipadas 0,00 1.183.527,64 1183527,64 09. SOMA DAS ADIÇÕES 6365233,61 66.386.635,84 60021402,2 EXCLUSÕES: 10. Reversão dos Saldos das Provisões Não Dedutíveis 53.115.333,49 15036366,89 38078966,6 15. SOMA DAS EXCLUSÕES: 53.115.333,49 15.036.366,89 38078966,6 17. BASE DE CÁLCULO DA CSLL (27.209.883,15) 70.890.485,68 98.100.368,83 19. Contr. Social Dev. Base Rec. Bruta e Acrésc/Bal. (34.262.679,69) Em relação à tempestividade, a Recorrente cumpriu o disposto no art. 33 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972.: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Quanto ao prazo decadencial de o Fisco examinar a apuração de crédito da CSLL relativa ao anocalendário de 1995, constatase dos autos que, inicialmente, o pedido de restituição data de 07/05/1999, os créditos tributários referemse ao anocalendário a partir de Fl. 1437DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 45 44 1999 e o Despacho Decisório data de 10/04/2003. Segundo o §5° do art. 74 da Lei n° 9.430, de 1996: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) (Vide Decreto nº 7.212, de 2010)(Vide Medida Provisória nº 608, de 2013) (Vide Lei nº 12.838, de 2013) (…) §2o A compensação declarada à Secretaria da Receita Federal extingue o crédito tributário, sob condição resolutória de sua ulterior homologação §4o Os pedidos de compensação pendentes de apreciação pela autoridade administrativa serão considerados declaração de compensação, desde o seu protocolo, para os efeitos previstos neste artigo No caso, não há que se falar em prazo decadencial, uma vez que não há como o Fisco homologar a compensação sem a comprovação dos créditos alegados pela Recorrente, ainda que ultrapassado o prazo do §4° do art. 150 do CTN. O que se encontra decaído é o prazo para lançamento da correspondente CSLL, não o prazo para o exame do encontro de contas das compensações, uma vez que os correspondentes créditos tributários referemse ao anocalendário de 1999, com prazo até 31 de dezembro de 2003 para homologação tácita do lançamento. Portanto, não há que se falar em decadência do direito de o Fisco examinar a apuração de saldo negativo de CSLL relativa ao anocalendário de 1995. A seguir, analisase cada um dos pontos abordados pela Recorrente na mesma ordem de apresentação do presente recurso: Quanto ao item II DECISÃO RECORRIDA, consta do presente recurso: De início, cabe informar que a decisão recorrida proferida pela Junta Julgadora é, com a devida vênia, absolutamente vazia, contraditória e sem qualquer substância, limitandose a esclarecer o óbvio, ou seja, que as operações de leasing são disciplinadas por normas tributárias e contábeis contempladas em legislação própria, e que a base de cálculo da CSL é constituída pelo lucro líquido contábil ajustado por adições e exclusões expressamente previstas. Após tecer essas considerações, a Corte "a quo" concluiu afoitamente pela procedência dos argumentos considerados pela Fl. 1438DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 46 45 fiscalização para determinar adição à base de cálculo da CSLL de valores referentes às contas "Ativo Diferido a Amortizar" e "Despesas Antecipadas", e glosar as exclusões relacionadas a "Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis". Lamentavelmente, ao proferiresse acórdão, a D. Junta Julgadora não demonstrou qualquer preocupação em apresentar qualquer argumento que permitisse sustentar as razões de decidir, não esclarecendo, em momento algum, o motivo pelo qual pela qual entende que o procedimento contábil considerado pela fiscalização para definir a metodologia que lhe parece ser mais adequada deva prevalecer sobre aquela observada pela Recorrente, auditada sem ressalvas por empresa independente e fiscalizada pelo Banco Central do Brasil, que é o órgão competente para se manifestar sobre o assunto. Na verdade, o que se verifica da frágil decisão de fls. é que a D. Turma Julgadora procurou, a todo instante, evitar o mérito da discussão, desprezando os argumentos da Recorrente e sequer indicando as normas que a obrigariam a adicionar, à base de cálculo da CSL, os valores referentes às contas "Ativo Diferido a Amortizar", "Despesas Antecipadas" e autorizariam a glosa das exclusões relativas a "Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis". Sob esse aspecto, merece destaque a lição dos ilustres Conselheiros Marcos Vinícius Neder e Maria Teresa Martinez Lopes ("Processo Administrativo Fiscal Comentado", Dialética, SP. 2004, pg.60), que ao interpretar os artigos 49 e 50 da Lei n° 9.784, de 29 de janeiro de 1999, concluíram que "os atos administrativos deverão ser motivados de modo explícito, claro e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos anteriores", sempre "com a indicação dos fatos e fundamentos jurídicos que o embasaram ". Salientese que a omissão dos fundamentos nos quais se sustenta a decisão de fls. implica sua automática nulidade, não apenas por cercear o direito de defesa, mas por impedir a revisão da decisão pela própria autoridade julgadora de segunda instância, conforme atesta a seguinte ementa: Preliminar — Nulidade do Lançamento por Cerceamento do Direito de Defesa. A Ausência, nos autos, de descrição minuciosa dos fatos e, ainda, de demonstrativos hábeis a esclarecer o critério adotado para apurar o montante de 'recursos' e 'aplicações', consignados nos demonstrativos de acréscimo patrimonial a descoberto, além de cercear a garantia constitucional de ampla defesa, impedem o exame da matéria pela autoridade julgadora de segunda instância. (Acórdão n° 10611.750, publicado no Diário Oficial da União de 5 de abril de 2001). Ora, a Recorrente procurou, através de sua manifestação de inconformidade, rebater, um a um, todos os pontos levantados no relatório de diligência, citando as normas nas quais embasava seu entendimento, ilustrando a referida manifestação com gráficos e simulações contábeis, e apresentando exemplos para Fl. 1439DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 47 46 facilitar a compreensão da questão. Para sua frustração, nada disso foi objeto de comentário na decisão atacada, revelando omissão no trato de questão de natureza complexa, e falta de respeito ao direito do contribuinte de ver analisados os seus argumentos. Por se tratar de decisão sem a necessária fundamentação legal, que se limita a repetir e transcrever trechos do relatório de diligência da fiscalização, deve a mesma ser desde já declarada nula, com o retorno dos autos à Turma Julgadora de Primeiro Grau, para que esta se manifeste de forma exaustiva sobre cada uma das razões oferecidas pela Recorrente para justificar os procedimentos adotados, sem prejuízo do exame das razões a seguir expostas. (...) XIDO PEDIDO Face ao exposto, requer seja o acórdão de fls. considerado nulo, por falta de substância, já que não entrou no mérito das questões suscitadas pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade, determinandose a sua devolução à Junta de origem, para que todos os pontos levantados pela Recorrente sejam efetivamente analisados. Conforme se pode inferir do Acórdão da DRJ/SPO I n° 8.171, de 2005, os fundamentos do voto condutor não se referiram a cada um dos pontos da Manifestação de Inconformidade. Porém, isso não significa ausência de motivação da decisão. O Superior Tribunal de Justiça já firmou entendimento de o julgador não ter que apreciar toda a argumentação das partes para solução da lide, desde que disponha de elementos suficientes para fundamentar sua decisão: (...) 4.Inexiste ofensa ao art. 535, I e II, CPC, quando o Tribunal de origem pronunciase de forma clara e suficiente sobre a questão posta nos autos, cujo decisum revelase devidamente fundamentado. Ademais, o magistrado não está obrigado a rebater, um a um, os argumentos trazidos pela parte, desde que os fundamentos utilizados tenham sido suficientes para embasar a decisão (RESP 889.414/RJ, DJ 14.5.2008)(sem destaques no original). No caso, o relatório do referido Acórdão descreve detalhadamente o essencial dos Despachos Decisórios e da Manifestação de Inconformidade e apresenta o voto na mesma ordem de apresentação da impugnante. Senão, vide a transcrição dos pedidos com os respectivos fundamentos a seguir: referida decisão mereceria pronta revisão, posto que estaria fundada em premissas da Divisão de Fiscalização que seriam absolutamente equivocadas; Fl. 1440DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 48 47 Pugna o reclamante pela revisão do despacho decisório pois estaria fundado em premissas da Divisão de Fiscalização que seriam absolutamente equivocadas. Sustenta a sua argumentação alegando que o tratamento contábil dispensado pela autoridade fiscalizadora às operações de arrendamento mercantil seria incompatível com as regras que disciplinam a matéria. Inicialmente, fazse necessário tecer algumas considerações a respeito do Contrato de Arrendamento Mercantil, mais conhecido como Contrato de Leasing e que, dada a especificidade como é acordado no país, como o próprio impugnante admite no caso, tem características acentuadamente financeiras. a devolução do prazo correspondente ao período durante o qual ficou aguardando a extração de cópias do presente processo, para que pudesse fazer novas alegações e juntar outros documentos julgados indispensáveis ao deslinde da controvérsia, sob pena de que ficaria caracterizado o cerceamento a seu direito de defesa; O suplicante requer a devolução do prazo equivalente ao período em que aguardou a extração de cópias do presente processo sob pena de se caracterizar o alegado cerceamento ao direito de defesa e ao amplo contraditório, visto ter sido reduzido o seu prazo de defesa. Devese ressaltar que não há nenhuma previsão legal que estabeleça que a autoridade tributária entregue de ofício cópias de partes do processo, juntamente com a intimação do lançamento, formalizado pelo AUTO DE INFRAÇÃO. No entanto, quando solicitadas pelo interessado, em qualquer momento processual, este deverá ser prontamente atendido, consoante o disposto pelo art. 46, da Lei n° 9.784/1999, que regulamenta o processo no âmbito da administração pública federal. Frisese ainda que as normas previstas para protocolização da impugnação não contemplam a hipótese de pedido de prorrogação de prazo para sua apresentação, haja vista que o art.6°, do Decreto 70.235/1972 foi revogado pelo art. 7o, da Lei n° 8.748/1993. as conclusões da DIFIS/DELNF, quando do procedimento de diligência, teriam sido extraídas de forma precipitada, sem nenhum embasamento técnico na lei, e tampouco nas normas contábeis aplicáveis ao caso concreto; o tratamento contábil dispensado pela autoridade fiscalizadora às operações de arrendamento mercantil examinadas seria incompatível com as regras que disciplinam a matéria; as operações de arrendamento mercantil encontrarseiam disciplinadas pela Lei n° 6.099/74, com as alterações Fl. 1441DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 49 48 introduzidas pela Lei n° 7.132/83, e regulamentadas pelas Portarias n°s 376E/76, 564/78 e 140/84, todas expedidas pelo Ministro da Fazenda, e também pela Resolução n° 980/94, do Conselho Monetário Nacional; o tratamento contábil aplicável às operações de arrendamento mercantil seria determinado pelo Banco Central do Brasil que para esse fim teria editado o Plano Contábil das Instituições Financeiras COSIF, cuja observância seria compulsória por parte das instituições autorizadas a operar no mercado financeiro; o leasing financeiro seria uma operação de financiamento estruturada na forma de leasing, cujas características seriam distintas do contrato de locação; Socorrome dos valiosos ensinamentos dos Professores Jorge Katsumi Niyama e Amaro L. Oliveira Gomes que, na obra "Contabilidade de Instituições Financeiras", São Paulo, Atlas, 2000, p. 58, assim, prelecionam a respeito dos fatores que caracterizam o leasing no Brasil como operação financeira: " transferência de todos os riscos e/ou benefícios decorrentes do uso do bem arrendado à arrendatária; garantia do valor residual, ou seja, um preço mínimo que, contratualmente, deve ser pago pela arrendatária ao final do contrato; o valor residual, base para a opção de compra pela arrendatária, é significativamente inferior ao valor de mercado do bem, representando, usualmente, uma parcela simbólica. Dessa forma, na prática, a aquisição do bem pela arrendatária está assegurada desde o início da vigência contratual." Mais adiante, esclarecem os eminentes professores de contabilidade que numa contradição aparente, o tratamento contábil do 'leasing' não reflete com propriedade a modalidade eminentemente financeira da transação, já que seu efeito econômico é similar à aquisição de ativos a prazo, na arrendatária, e financiamento de bens, na arrendadora. Regulamentadas pela Lei n° 6.099, de 12 de setembro de 1974, com alterações introduzidas pela Lei n° 7.132, de 26 de outubro de 1983, como bem discorreu o impugnante, as operações de leasing são controladas e fiscalizadas pelo Banco Central do Brasil BACEN. No entanto, cumpre frisar que para fins tributários se sujeitam à legislação tributária, que consagrou a contabilização do leasing à semelhança do aluguel (locação) desde a entrada em vigor da Portaria MF n° 140, em 28 de julho de 1984, assim resumida pelos acima citados contabilistas, na mesma obra, p. 60: " as contraprestações de arrendamento integram o lucro líquido da arrendatária e da arrendadora quando exigíveis. Equivale a dizer que a parcela dedutível na arrendatária é tributável na arrendadora no mesmo exercício fiscal; o bem arrendado integra o Ativo Permanente da arrendadora por seu custo de aquisição e as depreciações são registradas mês a mês, Fl. 1442DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 50 49 segundo a competência. Admitese a redução de 30% no prazo da vida útil do bem arrendado; o contrato de arrendamento é classificado na arrendadora como Ativo Circulante/Realizável a Longo Prazo, com contraprestações a receber equivalentes às receitas de arrendamento a apropriar. Isso significa que o valor do ativo será sempre nulo se as contraprestações forem liquidadas pontualmente; o prejuízo na baixa do bem arrendado decorrente de opção de compra pela arrendatária continua a ser registrado em "Perdas em Arrendamento a Amortizar" no Ativo Diferido da arrendadora, para amortização em seu prazo remanescente de vida útil; há simetria contábil com os registros da arrendatária, já que as parcelas de despesa (na arrendatária) e receita (na arrendadora) se equivalem. Nenhuma parcela é refletida no passivo da arrendatária como obrigação, nem no ativo da arrendadora como direito”. como toda operação de financiamento, o seu valor presente se constituiria no efetivo montante do crédito, e seu reflexo nos números contábeis patrimoniais da empresa de leasing ajustariam automaticamente seu resultado ao regime de competência. Esse ajuste seria feito através da apuração da superveniência ou insuficiência de depreciação, que implicaria comparar o saldo contábil das operações de leasing (agrupando todas as contas que refletem saldos contábeis) com o valor presente dessas operações; a superveniência ou a insuficiência de depreciação teria como finalidade ajustar o resultado contábil de uma empresa de arredamento mercantil de modo a refletir a sua situação financeira, uma vez que o valor a receber refletiria não somente a remuneração dos recursos recebidos em dinheiro, mas também a depreciação do bem, pela razão de que o bem seria de propriedade da empresa de arredamento mercantil; A respeito do tratamento tributário dos ajustes, em razão da característica de ocorrência de descasamento entre receitas e despesas das sociedades de leasing, cumpre esclarecer que são disciplinados pelo BACEN, estando em vigor a Circular n° 1.429, de 20 de janeiro de 1989, do BACEN, que estabeleceu que o valor do ativo, deve refletir o valor presente dos contratos, assim a retificação do imobilizado, pode vir a gerar as denominadas insuficiência de depreciação ou superveniência de depreciação, como expôs o impugnante em sua peça de defesa; a Receita Federal teria editado o Ato Declaratório n° 34, de 23 de abril de 1987, estabelecendo que a insuficiência ou superveniência de depreciação determinados pela aplicação do COSIF às sociedades de arredamento mercantil "não serão computados na determinação do lucro real, e deverão ser segregados contabilmente, de forma a permitir que seja determinada sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados; Fl. 1443DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 51 50 referida norma não teria sido observada pela autoridade fiscalizadora, provocando imensa confusão entre conceitos e procedimentos contábeis; a alegação de que o recebimento do valor correspondente à diferença entre ativos (R$ 305.621.478,42) e os passivos (R$ 291.298.862,46) ambos cedidos a valor contábil, deveria ser contabilizada como receita (item 9.2.10), denotaria completo desconhecimento da técnica contábil e do funcionamento do plano de contas. A fiscalização teria confundido os valores classificados na conta 'Conta a Receber", integrante do ativo, com o resultado do exercício; Ocorre, entretanto, que para fins tributários os referidos ajustes são regulamentados pelo ADN CST n° 34, de 23 de abril de 1987, que assim dispõe: Na determinação do lucro líquido das sociedades de arrendamento mercantil deverão ser observadas as disposições da Lei n°.6.099, de 12 de setembro de 1974, com as alterações introduzidas pela Lei n".7.132, de 26 de outubro de 1983 e o disciplinado nas Portarías MF n°s: 376 E, de 28 de setembro de 1976, 564, de 3 de novembro de 1978 e 140, de 27 de julho de 1984, permitidos os ajustes determinados pela aplicação do Plano de Contas aprovado pelo Banco Central do Brasil. II — Os ajustes de que trata o item anterior, quando relacionados com fatos administrativos cuja apropriação está disciplinada pelos atos ministeriais referidos, não serão computados na apuração do lucro real e deverão ser segregados contabilmente, de forma a permitir seja determinada sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados. III — O mencionado procedimento de ajustes não poderá alterar os efeitos tributários decorrentes da aplicação das disposições dos atos legais referidos no item I. De sorte que, ao ser apurada insuficiência de depreciação, ocorre despesa de arrendamento e este resultado do ajuste não pode ser levado para o lucro real, ou seja, não é dedutível. Por outro lado, no caso da superveniência de depreciação, apurase renda de arrendamento que não é tributada. São segregados contabilmente, a insuficiência em conta de ativo e a superveniência de passivo. Alega o impugnante que o Ato Declaratório n° 34/1987 não teria sido observado pela autoridade tributária que realizou a diligência, provocando imensa confusão entre conceitos e procedimentos contábeis. O cerne da questão residiria na contabilização da cessão de contratos pela Nacional Leasing ao Banco Nacional. Aduz que ainda que se pudessem aceitar os critérios adotados pela fiscalização, os quais estariam totalmente desprovidos de amparo técnico, o diferencial entre ativos e passivos cedidos não representou uma receita, e sim mero ativo (contas a receber), não produzindo qualquer efeito fiscal imediato. Complementa, alegando que a movimentação das contas que registraram a Fl. 1444DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 52 51 operação que seria operação de cessão de contratos, devem ser consideradas em conjunto e não de forma isolada. Inicialmente, cumpre esclarecer que o ADN CST n° 34/1987, acima transcrito não disciplina a contabilização para fins fiscais da operação de cessão de contratos de leasing.Tampouco a Resolução n° 980/1994 do Conselho Monetário Nacional tem esse condão. Aliás a referida resolução aprova um Regulamento anexo, que disciplina as operações de arrendamento mercantil, define a competência e regula a atuação das sociedades autorizadas à prática dessas operações. O regulamento é composto por 41 artigos, dentre eles é prevista a operação de cessão, bem assim a de aquisição de contratos de arrendamento no mercado interno. No referido regulamento é estabelecido que serão aplicadas às sociedades de arrendamento mercantil as normas em vigor para as instituições financeiras em geral, no que diz respeito à competência privativa do Banco Central do Brasil, no entanto, nada define a respeito da forma de contabilização da operação de cessão de crédito. E mesmo que o fizesse, como é sabido aplicamse à apuração da base de cálculo da contribuição, para as sociedades de arrendamento mercantil, as normas da legislação tributária vigente, ainda que tenha efetuado os ajustes contábeis, determinados pelo COSIF, em razão de a observância dos normativos do BACEN não produzirem efeitos tributários. Sendo assim, entendo que andou bem a fiscalização ao adicionar à base de cálculo da CSLL os valores referentes às contas "Ativo Diferido a Amortizar" e "Despesas Antecipadas", bem como ao glosar as exclusões relativas a "Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis". Requereu, por fim, o imediato cancelamento do presente Aviso de Cobrança n° 66, até que venha a ser proferida decisão final nos autos do processo administrativo em referência. Já, no tocante à irresignação do suplicante quanto ao Aviso de Cobrança decorrente da homologação parcial da declaração de compensação devese esclarecer que, os débitos foram lançados de ofício, nos termos do art. 90 da MP 215835 de 24/08/2001, e constituíram os processos administrativos fiscais arrolados nas fls. 483/490, sendo a questão da exigibilidade daqueles valores matéria estranha ao presente processo Destarte, o voto condutor considerou os pontos levantados pela impugnante, trouxe a fundamentação legal que entendera relevante ao caso e valorou as provas referentes aos lançamentos contábeis corrigidos inicialmente pelo Fisco, referenciados no respectivo relatório. Diante do exposto, REJEITO a preliminar de nulidade do Acórdão recorrido. Fl. 1445DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 53 52 Quanto ao item III DA NECESSIDADE DE DILIGENCIA, consta do presente recurso: Antes de adentrar no mérito da controvérsia, a Recorrente não pode deixar de registrar fato que parece ser absolutamente incontestável, ou seja, a negativa de homologação integral da compensação de créditos promovida tem como única razão a divergência de entendimentos sobre a forma adequada de contabilizar operações de arrendamento mercantil. Ora, em sendo o Banco Central do Brasil o órgão competente para editar as normas contábeis a serem observadas pelas sociedades de arrendamento mercantil e para fiscalizálas, imprescindível se afigura a manifestação daquela instituição acerca dos procedimentos adotados pela Recorrente. Tenhase em conta que a CSL é apurada a partir do lucro líquido apurado pela pessoa jurídica. Logo, uma vez determinado o lucro líquido segundo a sistemática estabelecida pela legislação aplicável que no caso, encontrase consolidada no Plano Contábil das Instituições Financeiras (COSIF) bastará então promover as adições e exclusões expressamente previstas na legislação da CSL (que não se confundem com aquelas contempladas na legislação do imposto de renda), para que se possa confirmar que o presente caso é de compensação, como entende a Recorrente, ou de exigência, como entende a fiscalização. Por se tratar de providência que em nada prejudicará os interesses da Fazenda Nacional pelo contrário, só contribuirá para que se possa chegar à verdade material, que é a razão de ser do processo administrativo e não havendo, por parte da Recorrente, qualquer receio em ter os seus registros e assentamentos contábeis revistos por órgão eminentemente técnico, imparcial e competente para o exercício dessa atribuição, requer, com fundamento no §7o. do art. 17 do Regimento Interno dos Conselhos de Contribuintes, e no inciso IV do art. 16 do Decreto n° 70.235/72, na redação dada pelo art. 1o. da Lei n° 8.748, de 9 de dezembro de 1993, seja o julgamento do presente caso convertido em diligência, solicitandose ao Banco Central do Brasil que se manifeste sobre a forma de contabilização adotada pela Recorrente no ano calendário de 1995. Concluída a diligência, e havendo, por parte daquela instituição, concordância com os métodos e procedimentos adotados pela Recorrente, bastará então verificar se os ajustes (adições e exclusões) feitos no valor apurado a esse título encontram ou não amparo na legislação que disciplina a CSL. 20. Essa medida poupará tempo das partes e certamente elucidará questões cruciais ao deslinde da controvérsia, oferecendo a essa Colenda Corte preciosos subsídios para a prolação da decisão nos presentes autos. (...) Fl. 1446DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 54 53 XIDO PEDIDO Caso não seja atendido, por qualquer razão, o pedido acima, requer a Recorrente seja acolhido o pedido de conversão de julgamento em diligência, determinandose a remessa dos presentes autos ao Banco Central do Brasil, para que este se manifeste sobre a consonância dos procedimentos contábeis e fiscais adotados pela Recorrente com a legislação aplicável, e com os métodos, postulados e princípios contábeis geralmente aceitos. Os elementos colacionados pelo Fisco, especialmente o Relatório da Fiscalização e a Informação Fiscal decorrente do laudo pericial contábil acostados aos autos , e pela Recorrente, especialmente os esclarecimentos do presente recurso e do laudo pericial contábil, e o Acórdão ora recorrido permitem a formação de convicção deste julgador nas questões fáticas e de direito decorrentes. Pelas razões expostas, INDEFIRO o referido pedido de diligência. A Recorrente pugna pela juntada de laudo técnico, nos seguintes termos: (...) XIDO PEDIDO Ainda na hipótese de não ser acolhido o pedido de diligência, acima formulado, protesta a Recorrente pela juntada de laudo técnico elaborado por empresa especializada e independente, que confirme a adequação, à legislação aplicável, dos procedimentos contábeis adotados. Conforme exposto neste relatório, houve deferimento do relator anterior de juntada de laudo técnico, o que gerou a Informação Fiscal solicitada pela Presidência da Segunda Câmara da Primeira Seção, também juntada aos autos, e um dos motivos para o indeferimento do pedido anterior. Razão pela qual, CONFIRMO o deferimento inicial (Fls. 1.063 a 1.065). Esclareçase que o referido laudo técnico encontrase acostado aos autos (Fls. 783 e 784 a 809). Em relação ao item IV OS ERROS CONCEITUAIS INCORRIDOS PELA FISCALIZAÇÃO , argumenta a Recorrente: Sem prejuízo do pedido de declaração de nulidade e de realização de diligência anteriormente feitos, as razões nas quais a r. decisão de fls. se assenta carecem de qualquer fundamento. Senão vejamos. A Divisão de Fiscalização chegou à conclusão de que a base de cálculo da CSL da empresa incorporada pela Recorrente não foi negativa, e sim positiva, em face de três razões distintas. A primeira delas é de que não teria sido incluído como adição, na apuração da base de cálculo da CSL, o valor de R$ Fl. 1447DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 55 54 58.837.874,59, relativo às contas do Ativo Diferido a Amortizar. A segunda razão, é de que o valor relacionado a despesas antecipadas, no montante de R$ 1.183.527,64, também deveria ter sido adicionado à base de cálculo da CSL. Por fim, entendeu a Divisão de Fiscalização ter havido lançamento em excesso, no valor de R$ 38.078.966,60, como exclusão da base de cálculo da CSL, pertinente à reversão dos saldos das provisões não dedutíveis. No entanto, essas conclusões foram extraídas de forma precipitada, sem nenhum embasamento técnico na lei, e tampouco nas normas contábeis aplicáveis ao caso concreto, revelando pouca familiaridade da autoridade responsável pela diligência com as peculiaridades do setor de arrendamento mercantil, com os fatos que ensejaram a transferência de ativos e passivos, e com a disciplina legal que rege a matéria. Na verdade, o tratamento contábil dispensado pela autoridade fiscalizadora às operações de arrendamento mercantil examinadas é absolutamente incompatível com as regras que disciplinam a matéria, o que acabou levandoa a conclusões totalmente equivocadas acerca da base de cálculo da CSL e do imposto de renda apurada pela Recorrente. Por essa razão, imprescindível se faz, antes de mais nada, reiterar as normas aplicáveis a tais operações, permitindo assim que essa Corte possa situarse no contexto dos fatos e na realidade do mercado arrendador. Prossegue a Recorrente em sua argumentação: V DA DISCIPLINA LEGAL E CONTÁBIL APLICÁVEL ÀS OPERAÇÕES DE ARRENDAMENTO MERCANTIL As operações de arrendamento mercantil encontramse disciplinadas pela Lei n° 6.099/74, com as alterações introduzidas pela Lei n° 7.132/83, e regulamentadas pelas Portarias n°s 376E/76, 564/78 e 140/84, todas expedidas pelo Ministro da Fazenda, e também pela Resolução n° 980/94, do Conselho Monetário Nacional. 27. Por sua vez, o tratamento contábil aplicável às operações de arrendamento mercantil é determinado pelo Banco Central do Brasil, que para esse fim específico editou o Plano Contábil das Instituições Financeiras COSIF, cuja observância é compulsória por parte das instituições autorizadas a operar no mercado financeiro. Vejase que o leasing financeiro não guarda qualquer relação com uma operação de mera locação, onde o aluguel constitui receita da locadora, pois os contratos de locação, via de regra não contemplam previsão de manutenção do imobilizado pelo locatário ao final da operação. Na verdade, o leasing financeiro é, como próprio nome indica, uma operação de financiamento estruturada na forma de arrendamento mercantil, cujas características são distintas do contrato de locação. Fl. 1448DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 56 55 A nítida distinção entre o contrato de leasing e o de locação implica, obviamente, dispensa de tratamento contábil diferenciado a essas operações, conforme aponta com precisão o ilustre Professor Eliseu Martins, que em artigo integralmente dedicado ao tema publicado na edição do Boletim IOB "Temática Contábil e Balanços" n° 13, de 2002, pg. 5, no qual esclareceu sobre a metodologia adotada pelas sociedades arrendadoras, salienta as seguintes características: " as sociedades arrendadoras contabilizam o ativo objeto de arrendamento financeiro como se fosse imobilizado seu e o deprecia pelo prazo legal atribuído; contabilizam como receita o valor total da contraprestação recebida; calculam quanto seria o valor do ativo caso a contabilização fosse efetuada como operação de financiamento, ou seja, qual o valor presente da carteira a receber, descontando as prestações futuras pelas taxas intrínsecas de cada contrato; a diferença entre o passivo contabilizado (imobilizado depreciado) e o valor da carteira financiada é ajustada por meio de uma conta a aumentar o ativo ou a diminuílo, de forma que o total do ativo corresponda exatamente ao que seria obtido caso se registrasse a operação como simples financiamento; com isso, o ativo e o patrimônio líquido ficam iguais aos que seriam obtidos com a contabilização como financiamento, ao invés de aluguel, e o resultado também'." Após tecer essas considerações, conclui o renomado autor que "as linhas do ativo estão incorretas individualmente, mas o total está correto; as linhas de demonstração do resultado também estão incorretas, mas o resultado final está tecnicamente correto; e o patrimônio líquido está correto também. " Pois bem. Como toda operação de financiamento, o valor presente de uma operação de leasing é constituído pelo efetivo montante do crédito e pelos ajustes nos números contábeis patrimoniais da empresa arrendadora, feitos para compatibilizar o seu resultado com o regime de competência. Esses ajustes são promovidos mediante registro, nas rubricas adequadas, de superveniência ou insuficiência de depreciação, que implica comparar o saldo contábil das operações de leasing (agrupamento todas as contas que refletem saldos contábeis) com o valor presente dessas operações. Ou seja, a superveniência ou a insuficiência de depreciação tem como finalidade ajustar o resultado contábil de uma empresa de arrendamento mercantil de modo a refletir adequadamente a sua situação financeira, permitindo aferir não somente a remuneração dos recursos recebidos em dinheiro, mas também o efetivo custo incorrido com a depreciação do bem, que, ao contrário do que ocorre nas demais operação de financiamento, é de propriedade da empresa de arrendamento mercantil até o final do contrato, ocasião em que o arrendatário poderá exercer a opção de compra Fl. 1449DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 57 56 O tratamento fiscal desses ajustes encontrase previsto no Ato Declaratório (Normativo) n° 34, de 23 de abril de 1987, ao qual está vinculada a fiscalização federal, segundo o qual a insuficiência ou superveniência de depreciação determinados pela aplicação do COSIF às sociedades de arrendamento mercantil "não serão computados na determinação do lucro real, e deverão ser segregados contabilmente, de forma a permitir que seja determinada sua composição e o tratamento tributário a eles dispensados." Ocorre que como se disse acima, referidas normas e disposições não foram observadas pela autoridade fiscalizadora, provocando imensa confusão entre conceitos e procedimentos contábeis, provocando, por conseqüência, reflexos tributários. Ou seja, a acusação de que teria havido distorção na apuração do resultado do período, apesar de extremamente grave, decorre, como acima dito, de evidente confusão feita pelo agente responsável pela diligência, que além de demonstrar pouco conhecimento da ciência contábil, revela total desconhecimento do plano contábil aplicável às empresas de arrendamento mercantil. Com efeito, a alegação de que o recebimento do valor correspondente à diferença entre ativos (R$ 305.621.478,42) e os passivos (R$ 291.298.862,46), ambos cedidos a valor contábil, deveria ser registrada como receita (item 9.2.10) denota completo desconhecimento da técnica contábil e do funcionamento do plano de contas. Nesse ponto, o laborioso agente acabou provocando confusão entre os valores classificados na conta "Contas a Receber", integrante do ativo, com o valor do resultado do exercício. Esse equívoco levou o agente fiscal designado para a diligência a concluir no item 9.2.3 que a baixa do valor residual garantido ("VRG") recebido antecipadamente corresponderia a uma "receita tributária" (?), implicando necessariamente apuração de resultado tributável. Nesse ponto, oportuno se faz a transcrição, a título exemplificativo, do seguinte esquema contábil destinado a ilustrar a movimentação das contas patrimoniais nas operações de cessão de ativos e passivos: (...) A linha seguida pelo agente designado para diligência é tão absurda que caberia indagar, a essas alturas, em que hipótese a cessão de valores inscritos em contas a receber, feita a valor contábil, constitui receita, e como se não bastasse, base tributável do imposto de renda e CSL? Mas ainda que fosse aceitável a premissa do Agente Fiscalizador, o que se admite apenas para argumentar, os lançamentos relativos à operação de cessão deveriam ser feitos da seguinte forma: (...) Fl. 1450DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 58 57 Conforme acima demonstrado, mesmo que se pudesse aceitar os critérios adotados pela Divisão de Fiscalização, ainda que totalmente desprovidos de qualquer previsão regulamentar, o diferencial entre ativos e passivos cedidos não representaria uma receita, e sim mero ativo (contas a receber), não produzindo qualquer efeito fiscal imediato. De se notar ainda a exagerada preocupação do agente fiscal ao concluir que a baixa do passivo seria receita, sem considerar que o valor pago para que o Banco Nacional assumisse esse passivo constituiria uma despesa. Ora, a transferência de um passivo a terceiros não deve e nem pode provocar efeitos fiscais se concomitantemente a essa cessão, o cedente entrega recursos ao cessionário para que ele assuma a obrigação correspondente, pois se a baixa do passivo é receita tributável, a sua contrapartida (baixa do caixa), seria despesa dedutível. Mas não é só, pois a confusão entre elementos e conceitos contábeis não se resume a esse item, estendendose a todo o relatório de diligência, como se verá a seguir. Prossegue a Recorrente: VI DA MOVIMENTAÇÃO DAS CONTAS QUE REGISTRAM A OPERAÇÃO DE CESSÃO DE CONTRATOS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL Conforme registra a própria fiscalização às fls. 346 dos autos, em 18 de novembro 1995, o UNIBANCO União de Bancos Brasileiros S.A. CNPJ n° 33.700.394/000140 ("Unibanco"), contratou com o Banco Nacional S/A CNPJ 17.157.777/000167, ("Nacional"), ambos atuando em nome próprio e de suas controladas direta ou indiretamente, no país e no exterior, a compra e venda de ativos, assunção de passivos e outras avenças. Referido contrato foi celebrado no âmbito do programa PROER Programa de Apoio à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro. Vejase, contudo, que muito embora tivesse pleno conhecimento de que os lançamentos feitos em contas relacionadas às operações de arrendamento mercantil referiamse à cessão de contratos (o que é de todo demonstrado na pagina 9 do relatório de diligência, que indica no campo "descrição do ativo" os "contratos de arrendamento mercantil"), a Divisão de Fiscalização insiste em conferir ao caso concreto o tratamento dispensado às operações de cessão de créditos de arrendamento a receber, de rendas a apropriar, do valor residual garantido recebido antecipadamente, do imobilizado de arrendamento, de depreciação acumulada, de superveniencia de depreciação e de perdas a amortizar, consideradas de forma isolada, e não em seu conjunto. Nas palavras felizes de Antonio da Silva Cabral, que se debruçou sobre o assunto por ocasião de profundo estudo motivado por debates travados no âmbito da Associação Brasileira das Empresas de Leasing ABEL e do qual resultou Fl. 1451DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 59 58 a respeitada e singular obra intitulada "Cessão de Contratos" (Saraiva, SP, 1987, pág. 158), a cessão de créditos se distingue da cessão de contratos porque "como o próprio nome indica, no primeiro caso cedemse apenas os créditos, enquanto no segundo os créditos e os débitos complexivamente, ou, mais precisamente, cedese a posição contratual". Ou seja, na cessão de contratos operase mera substituição do cedente do contrato pelo cessionário, que toma o lugar daquele, assumindo todos os direitos e obrigações do cedente. Repitase, a propósito, que se a cessão de contratos se dá pelo valor contábil e isso não é contestado em momento algum pela fiscalização nenhum resultado poderia advir dessa operação. De se salientar que o próprio Conselho Monetário Nacional, ao disciplinar as operações de arrendamento mercantil através da Resolução n° 980, de 13 de dezembro de 1984, contemplou expressamente a possibilidade de cessão de contratos, distinguindoa da operação de cessão de créditos. A essas alturas, seria de se indagar a razão pela qual a Recorrente adotou o procedimento de cessão de contratos. A razão é simples : a cessão de contratos elimina qualquer vínculo contratual com os arrendatários. Pois bem. Ao ceder os contratos de arrendamento mercantil ao Banco Nacional, a Nacional Leasing o fez pelo valor contábil, não apurando, portanto, qualquer resultado tributável pela CSL e pelo imposto de renda, cabendo ao cessionário (ou seja, o Banco Nacional) dar continuidade às operações, pois como se disse antes, a cessão de contrato implica mera substituição do cedente pelo cessionário, que o sucede em todos os direitos e obrigações. Embora não diga isso claramente, a Divisão de Fiscalização parece sugerir que a Recorrente estaria impedida de ceder os contratos a terceiros, devendo apurar resultado na transferência dos ativos e passivos cedidos. É o que se pode depreender, após muito esforço, das obscuras e incompreensíveis alegações feitas no item 9.2.4 do relatório utilizado para embasar a decisão recorrida, sobretudo no ponto em que insiste que "o valor dessas perdas em arrendamentos a amortizar (saldo de R$58.837.874,59, eram despesas (prejuízos) da Nacional Leasing S/A — adicionado na apuração do Lucro Real e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e não julgado (sic) contra uma outra conta do ativo. " As razões expostas pela fiscalização para sustentar seu entendimento demonstram, de forma clara e inequívoca, total desconhecimento ou absoluta falta de interesse em analisar as normas contábeis aplicáveis à cessão de contratos de arrendamento mercantil disciplinadas pelo Plano Contábil das Instituições Financeiras COSIF que se encontram inseridas na seção "Normas Básicas, título 7 (Operações de Cessão de Contratos de Arrendamento Mercantil Cedente), cuja cópia foi anexada aos autos juntamente com a manifestação de Fl. 1452DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 60 59 inconformidade, e determinam a contabilização das cessões de contratos a débito da adequada conta de Disponibilidades, em contrapartida com as adequadas contas do subgrupo Operações de Arrendamento Mercantil, e o estorno da parcela de depreciação acumulada para sua baixa, em contrapartida, com os desdobramentos de bens arrendados. Quanto à parcela de rendas a apropriar do subgrupo "Operações de Arrendamento Mercantil", determina o item 3 do referido título o estorno da mesma, tendo como contrapartida: as contas adequadas do subgrupo operações de arrendamento mercantil, pelo valor necessário à sua baixa. as contas adequadas dos desdobramentos Bens Arrendados, pelo valor necessário à sua baixa. as contas adequadas do desdobramento de Rendas de Arrendamento Mercantil, no caso de lucro na operação. as contas adequadas do desdobramento de Despesas de Arrendamento Mercantil, no caso de prejuízo na operação; Salientese que de acordo com as regras acima transcritas, a parcela de rendas a apropriar deve ser sempre objeto de estorno, tendo como contrapartida as contas adequadas do subgrupo de operações de arrendamento mercantil e as contas adequadas dos desdobramentos bens arrendados, pelo valor necessário à baixa. Apenas nos casos em que seja registrado lucro ou prejuízo na operação de cessão é que são sensibilizadas as contas adequadas ao desdobramento de Rendas ou Despesas de arrendamento mercantil, respectivamente. É evidente que se a própria norma reguladora da contabilização da operação de cessão de contratos exige que a contrapartida do estorno da parcela de rendas a apropriar seja o valor necessário à sua baixa, a Recorrente não poderia ter apurado qualquer resultado nessa cessão, pois levou em conta, para esse efeito, o valor contábil dos contratos Mais uma vez, repitase que os contratos de arrendamento mercantil foram objeto de cessão ao Banco Nacional por valor contábil, não ensejando, pois, a apuração de resultado, o que é perfeitamente admitido pela legislação acima mencionada. Ao contrário do que dá a entender a Divisão de Fiscalização, inexiste norma proibindo a cessão desses contratos, e tampouco determinando a apuração de perda ou ganho na operação, se ela for feita a valor contábil. O que as normas inseridas no COSIF determinam é que a contabilização da cessão de contratos seja feita pelo valor necessário à sua baixa, que no caso concreto resumese ao valor de livros. (...) Fl. 1453DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 61 60 Toda esta seqüência de lançamentos é exposta com o único objetivo de evidenciar que as operações de Arrendamento Mercantil obedecem a uma forma específica de contabilização, segundo a qual no caso da cessão de contratos, todas as contas relacionadas aos mesmos, quando cedidos, devem ser baixadas Diante do exposto, é evidente que os argumentos do Agente Fiscalizador são desprovidos de qualquer lógica, e, principalmente sem embasamento técnico contábil, posto que fundados na falsa premissa de que a Recorrente havia cedido as contas individualmente, e não os contratos de arrendamento, o que efetivamente não aconteceu. Assim, a adoção do procedimento entendido como adequado pela fiscalização não afetou, de qualquer forma, a situação tributária da Recorrente, já que as despesas com a baixa do custo do arrendamento teriam como contrapartida as receitas pela cessão. Irrelevante, portanto, o fato de ter sido lançado contra outra conta do ativo, como alega a fiscalização, pois tal lançamento teria produzido o mesmo efeito que adviria caso a Recorrente deixasse de observar as normas do COSIF às quais deve obediência, e adotasse o singular procedimento preconizado pela Divisão de Fiscalização. Ou seja, analisada por qualquer ângulo, a alegação da fiscalização que embasou a parte desfavorável da decisão proferida mostrase nesse ponto, totalmente inconsistente, pois a aplicação ao presente caso do método por ela considerado adequado não produziria qualquer resultado a ser registrado na operação. VII DA MOVIMENTAÇÃO DAS CONTAS DO ATIVO DIFERIDO (PERDAS A AMORTIZAR) A decisão que não homologou, em grande parte, a compensação de tributos feita pela Recorrente, sustentouse igualmente em premissa equivocada constante do relatório de diligência da Divisão de Fiscalização, relativamente ao exposto no item 9.2.4, que trata de Baixa do Diferido. Em relação a esse item específico, o Agente fiscalizador utilizou os seguintes argumentos: "Não se vende despesa (prejuízos), portanto, a instituição utilizou esse contrato de compra e venda, para baixar tais prejuízos, sem preocupação com o reflexo no resultado do período e na tributação, sendo seus lançamentos corretos: (...) O valor dessas Perdas em Arrendamentos a Amortizar (saldo de R$ 58.837.874,59, eram despesas (prejuízos) da Nacional Leasing S/A Arrendamento Mercantil, para serem baixadas na conta de resultado, de acordo com o prazo restante de vida útil de cada bem (sic). Por ocasião dessa baixa do dia 18/11/95, deveria ser adicionado na apuração do Lucro Real e da Fl. 1454DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 62 61 Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, e não julgado (sic) contra uma outra conta do ativo. " (grifos no texto original) Ao contrário do que afirma a digna fiscalização, não se trata de operação de venda de despesa (prejuízos), e sim da cessão de um ativo relacionado aos contratos de arrendamento mercantil, que pela específica sistemática de contabilização, devem ser mantidos pelas empresas de arrendamento mercantil registrados em conta do ativo diferido. No entanto, pela sistemática de cálculo da superveniência/insuficiência definida pela Circular 1.429/89, este ativo é neutralizado por registro de insuficiência de igual valor. Mais uma vez, verificase a existência de uma enorme confusão do agente responsável pela diligência empreendida no que respeita às normas contábeis aplicáveis as operações de arrendamento mercantil, pois a forma de apuração da Superveniência/(Insuficiência) de Depreciação, prevista na Circular n° 1.429/89 do BACEN, determina que o valor das perdas a amortizar integram os ativos contábeis para o cálculo da Superveniência/(Insuficiência) de Depreciação. Analisando individualmente esta conta e admitindose que a empresa tivesse apenas este ativo, e levandose em conta a Circular n° 1.429/89, do Banco Central do Brasil, o cálculo da superveniencia (insuficiência) deve ser apurado extra contabilmente, conforme se demonstra abaixo: (...) Mesmo que fosse aceitável a recomendação do agente responsável pela diligência, hipótese assumida apenas para argumentar, a base de cálculo da Contribuição Social não seria afetada, pois segundo o seu raciocínio, a Recorrente acabaria contabilizando uma receita de R$ 58.837.874,59, correspondente a reversão da insuficiência de depreciação, e uma despesa de R$ 58.837.874,59 , correspondente à baixa do custo contábil líquido das perdas a amortizar. Ora, se a despesa com as perdas a amortizar fosse temporariamente indedutível, com base no argumento de que só deveria ser reconhecida com a fluência do prazo, então esse mesmo procedimento deveria ser aplicado à receita, por se tratarem de itens diretamente relacionados. Ou seja, a receita só existiria em função da contabilização da despesa (baixa do ativo), em face do método de emparelhamento de receitas e despesas cuja observação é imposta pela legislação comercial O Acórdão em primeira instância manifestouse sobre tema, nos seguintes termos: Inicialmente, cumpre esclarecer que o ADN CST n° 34/1987, acima transcrito não disciplina a contabilização para fins fiscais da operação de cessão de contratos de leasing. Fl. 1455DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 63 62 Tampouco a Resolução n° 980/1994 do Conselho Monetário Nacional tem esse condão. Aliás a referida resolução aprova um Regulamento anexo, que disciplina as operações de arrendamento mercantil, define a competência e regula a atuação das sociedades autorizadas à..prâtíca dessas operações. O regulamento é composto por 41 artigos, dentre eles é prevista a operação de cessão, bem assim a de aquisição de contratos de arrendamento no mercado interno No referido regulamento é estabelecido que serão aplicadas às sociedades de arrendamento mercantil as normas em vigor para as instituições financeiras em geral, no que diz respeito à competência privativa do Banco Central do Brasil, no entanto, nada define a respeito da forma de contabilização da operação de cessão de crédito. E mesmo que o fizesse, como é sabido aplicamse à apuração da base de cálculo da contribuição, para as sociedades de arrendamento mercantil, as normas da legislação tributária vigente, ainda que tenha efetuado os ajustes contábeis, determinados pelo COSIF, em razão de a observância dos normativos do BACEN não produzirem efeitos tributários. Sendo assim, entendo que andou bem a fiscalização ao adicionar à base de cálculo da CSLL os valores referentes às contas "Ativo Diferido a Amortizar" e "Despesas Antecipadas", bem como ao glosar as exclusões relativas a "Reversão dos Saldos das Provisões não Dedutíveis". Conforme a Cirular BACEN n° 1.429/89 item 1.11 do COSIF, subitem 5, b, as contas Perdas em Arrendamento a Amortizar e Amortização Acumulada de Perdas em Arrendamento a Amortizar fazem parte do valor contábil dos contratos de cessão, o que torna o Banco Nacional S/A sucessor dos correspondentes direitos e obrigações do cedente (UNIBANCO LEASING S/A), não existindo previsão legal para adicionar o valor das Perdas de arrendamento a amortizar à base de cálculo da CSLL do cedente, como enfatizado no item 65.2 – DO ATIVO DIFERIDO A AMORTIZAR da informação fiscal constante na sua íntegra neste relatório. Em face das razões expostas, DOU provimento ao Recurso Voluntário para excluir da base de cálculo da CSLL o valor das “Perdas de arrendamento a amortizar” Quanto ao item VIII – DESPESAS ANTECIPADAS, argumenta a Recorrente: A decisão que não homologou, em parte, a compensação de tributos feita pela Recorrente, sustentouse também em premissa equivocada da Divisão de Fiscalização, relativamente ao exposto no item 9.2.9 do relatório de diligência (erroneamente numerado como item 7.2.9), que trata da baixa dos valores das despesas antecipadas. A propósito, cabe esclarecer que (i) as denominadas "despesas antecipadas" referemse a aluguel de debêntures pago antecipadamente, (ii) as referidas debêntures haviam sido utilizadas na captação de recursos junto ao público, e (iii) que os passivos correspondentes a essas obrigações foram objeto de cessão, como descrito no próprio relatório de diligência. Fl. 1456DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 64 63 Em resumo, alega a referida Divisão que a Recorrente baixou os valores da conta que registrava despesas pagas antecipadamente, e que deveriam ser lançados de acordo com suas realizações. Assim por entender que a referida baixa foi feita sem observância do regime de competência, concluiu a Divisão de Fiscalização que a Recorrente deveria ter adicionado o respectivo valor ao livro de apuração do lucro real, sob o argumento de que "essa baixa não tem nada haver (sic) com o contrato de compra e venda de Ativos, com o Banco Nacional S/A " Ora, a Recorrente não apurou qualquer ganho na baixa dos valores contabilizados a esse título pela simples razão de têlos cedido pelo valor contábil, em conjunto com os correspondentes passivos. Lamentavelmente, a Divisão de Fiscalização ignorou a cessão dos ativos relacionados às despesas pagas antecipadamente, tratando a operação como se a transferência desses ativos e passivos não houvesse ocorrido. Nesse ponto, cumpre esclarecer que a apuração de resultado "de acordo com suas realizações" só faria sentido se não tivesse havido a cessão, ou se essa cessão fosse proibida por lei. Importante notar que, independentemente da vinculação aos contratos de arrendamento mercantil, o valor correspondente aos ativos cedidos estava diretamente associado ao dos passivos, também cedidos. Ora, é inegável que a cessão dos ativos decorrentes da antecipação de despesas ocorreu concomitantemente com a transferência, ao cessionário, dos correspondentes passivos, também a valor contábil. Inexistindo norma que impeça ou limite tal cessão a valor contábil, e tendo sido ele adotado, impossível falarse em contabilização de resultado da cessão, e menos ainda em tributação desse resultado. No entanto, assim como ocorreu em relação ao item 9.2.3, o agente fiscal indicado para a diligência acabou por interpretar as normas contábeis e fiscais aplicáveis às operações de arrendamento mercantil partindo de uma visão oblíqua dos fatos, atentando apenas para o lado das receitas, e silenciando sobre as despesas, como se elas não existissem. Esse procedimento implica distorção dos resultados e dos princípios contábeis geralmente aceitos, pois despreza a contrapartida dos lançamentos em contas patrimoniais, levando em conta apenas os elementos do balanço que representem receitas, causando surpresa a qualquer pessoa que reúna conhecimentos básicos de contabilidade, e subestimando a inteligência dos profissionais que lidam com essa matéria em seu dia a dia. Analogamente ao item anterior, o Acórdão em primeira instância confirmou o procedimento adotado pela autoridade fiscal diligente, qual seja, a reversão de rubrica Fl. 1457DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 65 64 DESPESAS ANTECIPADAS, no valor de R$1.183.527,64, na apuração da base de cálculo da CSLL, por não guardar relação alguma com o contrato de compra e venda de ativos. Entendo não assistir razão à Recorrente. A aplicação de recursos captados pela Recorrente, e baseados no pagamento antecipado do aluguel de debêntures, nas operações de arrendamento mercantil não modifica o lançamento contábil das DESPESAS ANTECIPADAS, por uma única razão: referida conta não faz parte do valor contábil dos contratos cedidos, como bem apontou o laudo pericial contábil, logo deve ser revertida à conta de resultado na apuração da base de cálculo da CSLL. Pelo regime de competência, a dedução do aluguel só deve ocorrer na apuração do lucro líquido do cessionário. Conforme exposto na íntegra da informação fiscal supra: Assim, diferentemente do sustentado pelo interessado, e não analisado no Laudo Pericial, não haveria como a autoridade fiscal deixar de reverter as "Despesas Antecipadas", no montante de R$ 1.183.527,64, na determinação do Lucro Real e da base de cálculo da CSLL, sob pena de sua dedução em duplicidade, visto que esse valor foi, posteriormente, pelo regime de competência, computado como despesa na apuração do lucro líquido do cessionário, o BANCO NACIONAL S/A; Por conseguinte, NEGO provimento ao presente recurso em relação ao aproveitamento das despesas pagas antecipadamente no aluguel de debêntures na apuração da base de cálculo da CSLL. Finalmente, em relação ao item IX DO IMPOSTO DIFERIDO SOBRE A INSUFICIÊNCIA DE DEPRECIAÇÃO, aduziu a Recorrente: O agente fiscalizador promoveu a glosa da exclusão efetuada pela Recorrente, no valor de R$ 38.078.966,60, sem amparo em qualquer fundamentação legal. De fato, segundo os comentários expostos pela referida autoridade no item 14 do relatório de diligência (fls. 368), as glosas nas bases do imposto de renda e CSL (fls. 366 e 367) decorrem do simples fato de ter a Recorrente lançado o referido valor em uma conta de receita. Essa glosa é, no entanto, absolutamente injustificável, como se demonstrará a seguir. Durante o ano calendário de 1995, a Recorrente constituiu crédito tributário de imposto de renda no montante de R$38.078.966,60, incidente sobre os valores registrados como insuficiência de depreciação, que são considerados despesas temporariamente indedutíveis, para fins de determinação do Lucro Real. No presente caso, o crédito tributário foi constituído por ocasião da apuração de insuficiência de depreciação, sendo registrado a débito de Ativo Circulante Créditos Tributários, e a crédito de Resultado Receita de Imposto de Renda. Esse foi o procedimento contábil adotado pela Recorrente, que observou fielmente as normas aplicáveis nessa situação específica. Fl. 1458DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 66 65 A movimentação da conta na qual é registrado o crédito tributário constituído a esse título é refletida em planilha indicativa do controle de constituição de Créditos Tributários sobre Provisões Temporárias, que confirma a exatidão do valor contabilizado pela Recorrente, e em planilha indicativa da composição da ficha 06, Demonstração do Lucro Líquido Linha 008 Reversão dos Saldos das Provisões Operacionais, ambos juntados à manifestação de inconformidade. Nesse ponto, imprescindível notar que à época dos fatos ora discutidos, o registro do crédito do IR diferido era efetuado em conta de receita operacional e afetava o lucro líquido antes da CSL, sendo portanto necessária sua exclusão no cálculo da contribuição. Atualmente, a Declaração do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica já considera o registro desse imposto de renda diferido em conta própria após o lucro líquido antes do imposto de renda e da CSL, razão pela qual não há, atualmente, a necessidade de se proceder à exclusão. As planilhas ora anexadas demonstram que a Recorrente agiu de conformidade com as normas contábeis e fiscais aplicáveis às operações de arrendamento mercantil, não podendo ser penalizada pela escassa compreensão do assunto revelada pelo agente fiscal designado para a diligência. Considerese ainda que, por se tratar de receita relativa a imposto de renda diferido (ativo) a ser recuperado no futuro, calculado sobre despesa temporariamente indedutível (insuficiência de depreciação), a Recorrente, quando da apuração do lucro real e da base de cálculo da CSL, promoveu os devidos ajustes exigidos pelo Ato Declaratório Normativo n° 34, de 23 de abril de 1987 já que o mero registro de ativo diferido não representa receita tributável. Notese, aliás, que a contabilização feita pela Recorrente está em absoluta consonância com a legislação que trata da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (Lei n° 7.689/88), cujo art. dispõe que "a base de cálculo da contribuição é o valor do resultado do exercício, antes da provisão para o imposto de renda". Essas regras contábeis estão ainda de conformidade com o próprio Regulamento do Imposto de Renda aprovado pelo Decreto n.° 1.041 de 11/01/1994 ("RIR/94"), em vigor na data em que ocorreram os fatos acima comentados, que conceituou o lucro líquido da seguinte forma: "Art. 194. O lucro líquido do período de apuração é a soma algébrica do lucro operacional (Capítulo V), dos resultados não operacionais (Capítulo VII), e das participações, e deverá ser determinado com observância dos preceitos da lei comercial (DecretoLei n° 1.598. de 1977. art. 6o, § Io. Lei n° 7.450, de 1985. art. 18, e 7.799, art. 4.°, IV). Fl. 1459DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 67 66 Esclareçase que a lei comercial à qual se refere o legislador é a Lei n° 6.404/76, cujo art. 191 conceitua o lucro líquido como sendo "o resultado do exercício que remanescer depois de deduzidas as participações de que trata o art. 190", enquanto que o art. 189 desse mesmo diploma legal determina que do resultado do exercício "serão deduzidos (...) a provisão para o imposto sobre a renda." A esse respeito, o Manual de Contabilidade das Sociedades por Ações (Fipecafi, Atlas, SP., 2.000, pg. 28), afirma de forma contundente: "A lei define com clareza, por meio da Demonstração de Resultado do Exercício, o conceito de lucro líquido, estabelecendo os critérios de classificação de certas despesas. De fato, o lucro ou prejuízo líquido apurado nessa demonstração é o que se pode chamar de lucro dos acionistas, pois, além dos itens normais, já se deduzem como despesas o Imposto de Renda e as participações sobre os lucros a outros que não os acionistas, de forma que o lucro líquido demonstrado é o valor final a ser adicionado ao patrimônio líquido da empresa que, em última análise, pertence aos acionistas, ou é distribuído como dividendo." (Grifamos) À luz das normas tributárias acima referidas, é inevitável concluir que se a provisão do imposto de renda é obrigatoriamente constituída e não se qualifica como despesa dedutível na apuração do lucro tributável, sua reversão também não é receita tributável. Assim, fica evidenciado que a exclusão da receita relativa ao imposto de renda diferido promovida pela Recorrente por ocasião da apuração do Lucro Real e da base da CSL, foi feita em total consonância com os dispositivos legais acima indicados, não produzindo qualquer efeito fiscal, nem tampouco implicando qualquer prejuízo ao erário. Ratificado pelo Acórdão recorrido, o entendimento da autoridade fiscal diligente considerou que a NACIONAL LEASING registrou incorretamente o valor do crédito de IR sobre a Insuficiência de Depreciação em conta de receita (Linha 08 da Ficha 06 da DIRPJ/96), quando deveria, de acordo com o COSIF, ter registrado o crédito na conta de passivo “Provisão para Imposto e Contribuições sobre Lucros.” Ainda segundo a autoridade fiscal diligente, houve “Superveniência de Depreciação e não Insuficiência de Depreciação” (Fls. 840 a 842). Segundo o contrato de compra e venda entre o UNIBANCO S/A e o BANCO NACIONAL S/A, o crédito de IR sobre a Insuficiência de Depreciação fora integralmente cedido a este em 18/11/1995 (Fls. 811 a 814). Os demonstrativos acostados aos autos (Fls. 895 e 928) e os esclarecimentos do laudo pericial contábil – quesito 15 (Fls. 804) provam que o referido valor fora considerado no cálculo do valor líquido do Crédito IR sobre a Insuficiência de Depreciação (R$41.075.264,07 – R$9.327.615,04 = R$31.747.649,03) cedido pela NACIONAL LEASING S/A. Fl. 1460DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 68 67 Se os referidos créditos foram cedidos em 18/11/1995, a NACIONAL LEASING S/A não poderia, em 31/12/1995, excluílo da base de cálculo da CSLL, por se tratar de direito do cessionário, como bem destacou a informação fiscal supracitada sobre o tema. Por estas razões, NEGO provimento ao presente recurso contra a Reversão de Saldo de Provisões não dedutíveis no valor original de R$38.078.966,60. A tabela seguinte corrige aquela apurada pela Fiscalização e transcrita no início deste voto, restando um saldo negativo de CSLL, relativo ao anocalendário de 1995, de R$ 31.481.307,90. ITEM CSLL (R$ MIL) Lucro Liquido Ajustado Após Operação de Cessão 19.540.216,73 (+) Adições Provisões não Dedutíveis 537.959,99 Reversão Despesas Antecipadas 1.183.527,64 Outras Adições 5.827.273,62 Soma das Adições 7.548.761,25 () Exclusões Reversão Provisões não Dedutíveis (IR sobre Lucro Inflac) (15.036.366,89) Soma das Exclusões (15.036.366,89) Base de Cálculo da CSLL 12.052.611,09 CSLL DEVIDA 2.781.371,79 () CSLL Estimativas (34.262.679,69) (31.481.307,90) Em face de todo o exposto e do constante dos autos, DOU parcial provimento ao presente recurso tão somente para excluir da base de cálculo da CSLL apurada pela autoridade diligente o valor, referente ao anocalendário de 1995, de R$ 58.837.874,59 correspondente às perdas em arrendamento a amortizar, devendo os autos retornarem à DEINF para que se homologue a compensação dos débitos objeto das Declarações de Compensação destes autos com o crédito oriundo do saldo negativo de CSLL, anocalendário de 1995, ATÉ O LIMITE DE R$31.481.307,90, acrescido da devida atualização. É como voto. Plínio Rodrigues Lima. Fl. 1461DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO Processo nº 16327.000921/9989 Acórdão n.º 1202001.072 S1C2T2 Fl. 69 68 Fl. 1462DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 13/02/2014 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 13/02/201 4 por PLINIO RODRIGUES LIMA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por CARLOS ALBERTO DONASSOLO
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Numero do processo: 11065.000026/2009-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Dec 19 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008
CESSÃO DE ICMS - INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS .
A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até 1° de janeiro de 2009, nos termos do disposto nos arts. 7°, 8° e 90, da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008.
Recurso Voluntário conhecido e não provido.
Numero da decisão: 3102-001.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Fábio Miranda Coradini, Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Nanci Gama.
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1805; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C1T2 Fl. 99 1 98 S3C1T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11065.000026/200966 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3102001.570 – 1ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 18 de julho de 2012 Matéria COFINS Ressarcimento Recorrente HG INDUSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até 1° de janeiro de 2009, nos termos do disposto nos arts. 7°, 8° e 90, da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. Recurso Voluntário conhecido e não provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luis Marcelo Guerra de Castro, Winderley Morais Pereira, Luciano Pontes de Maya Gomes, Fábio Miranda Coradini, Álvaro Almeida Filho e Helder Massaaki Kanamaru. Ausentes, justificadamente, os conselheiros Ricardo Paulo Rosa e Nanci Gama. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 00 26 /2 00 9- 66 Fl. 103DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.000026/200966 Acórdão n.º 3102001.570 S3C1T2 Fl. 100 2 Tratase de Recurso Voluntário que chega para exame deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF em razão da insurgência do contribuinte epigrafado ao Acórdão nº. 1023.746 (fls. 8687), da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Porto Alegre/RS. Em instante prévio à apreciação da manifestação recursal, convém que sejam revisitados os atos e fases processuais já vencidas. Pois bem. Conforme bem descrito no relato empreendido pela autoridade julgadora de origem: “Trata o presente processo de manifestação de inconformidade contra Despacho de Decisório proferido pela DRF Nova Hamburgo que glosou parcialmente o direito creditório relativo à Cofins não cumulativa, ressarcindo o contribuinte até o limite do direito creditório reconhecido. Inconformada, a interessada apresentou tempestivamente manifestação de inconformidade, onde discorda da glosa efetuada, insurgindose contra a inclusão na base de cálculo da contribuição das receitas provenientes de transferências de ICMS.” Após delimitar a matéria impugnada, a 2a. Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Porto Alegre/RS, através do acórdão já referenciado, manteve a linha do Despacho Decisório de fls. 63, o que se colhe da ementa clara e precisa do julgado guerreado: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 CESSÃO DE ICMS INCIDÊNCIA DE PIS/PASEP E COFINS . A cessão de direitos de ICMS compõe a receita do contribuinte, sendo base de cálculo para o PIS/PASEP e a COFINS até 1° de janeiro de 2009, nos termos do disposto nos arts.7°, 8° e 90 da Medida Provisória 451, de 15 de dezembro de 2008. TAXA SELIC VEDAÇÃO LEGAL De acordo com o disposto nos arts. 13 e 15 da Lei n° 10.833/2003, não incide correção monetária e juros sobre os créditos de PIS e de Cofins objeto de ressarcimento”. Regularmente intimado, o contribuinte manejou o Recurso Voluntário em análise, pelo qual basicamente reitera os argumentos já deduzidos em sua manifestação de inconformidade, continuando sua defesa quanto: (i) à inexistência da natureza de receita do resultado das operações de cessão de ICMS nascido de operação de exportação dotada de imunidade ou isenção; (ii) à aplicação da taxa SELIC como índice de correção monetária e juros sobre os crédito de PIS e Cofins. Fl. 104DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.000026/200966 Acórdão n.º 3102001.570 S3C1T2 Fl. 101 3 Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado Reproduzo o voto que foi discutido em sessão e referendado pela maioria dos presentes: Verificado o preenchimento dos pressupostos de admissibilidade recursal, dele tomo conhecimento. No que concerne ao primeiro ponto abordado no recurso voluntário, quanto à natureza de receita do resultado das operações de transferência dos créditos do ICMS, o recorrente busca sustentar que este não se caracterizaria como receita, uma vez que consistiria em uma operação de mera mutação patrimonial, pela simples transferência a terceiros nas hipóteses legais. Cabe destacar, de início, que em relação ao ICMS, o art. 155, §2º, inciso X, da Constituição Federal de 1988, dispõe que este não incidirá sobre as operações que destinem mercadorias para o exterior, sendo assegurada a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações anteriores. Dando complementação a esse dispositivo constitucional, a Lei Complementar 87/1996, em seu artigo 25, § 1°, II, permite que os saldos credores acumulados possam ser transferidos a outros contribuintes do mesmo estado, mediante a emissão pela autoridade competente de documento que reconheça o crédito. Para o caso em tela, portanto, pela legislação do ICMS no Rio Grande do Sul, o saldo credor, poderá ser transferido para outro estabelecimento seu dentro do Estado do Rio Grande do Sul ou para outro contribuinte, também no interior desse. Desta forma, no que se refere à exclusão da receita oriunda desses créditos, a argumentação oferecida pelo recorrente, todavia, não se mostra suficiente para a alteração do entendimento dado pela instância a quo. Uma interpretação histórica da legislação relacionada à contribuição ao PIS e à Cofins demonstra claramente que a exclusão em referência só passou a ser possível a partir de janeiro de 2009, com a alteração promovida nas Leis n ºs 10.637/2002 e 10.833/2003 pela Lei n º 11.945/2009. Confirase: “Art. 1º A contribuição para o PIS/Pasep tem como fato gerador o faturamento mensal, assim entendido o total das receitas Fl. 105DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.000026/200966 Acórdão n.º 3102001.570 S3C1T2 Fl. 102 4 auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil. § 1º Para efeito do disposto neste artigo, o total das receitas compreende a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica. § 2º A base de cálculo da contribuição para o PIS/Pasep é o valor do faturamento, conforme definido no caput. § 3º Não integram a base de cálculo a que se refere este artigo, as receitas: I decorrentes de saídas isentas da contribuição ou sujeitas à alíquota zero; II (VETADO) III auferidas pela pessoa jurídica revendedora, na revenda de mercadorias em relação às quais a contribuição seja exigida da empresa vendedora, na condição de substituta tributária; IV de venda dos produtos de que tratam as Leis nº 9.990, de 21 de julho de 2000, nº 10.147, de 21 de dezembro de 2000, ou quaisquer outras submetidas à incidência monofásica da contribuição; IV de venda de álcool para fins carburantes; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004)(Vide Medida Provisória n° 413, de 3 de janeiro de 2008)(Vide art. 42 da Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) (Revogado pela Lei nº 11.727, de 23 de junho de 2008) V referentes a: a) vendas canceladas e aos descontos incondicionais concedidos; b) reversões de provisões e recuperações de créditos baixados como perda, que não representem ingresso de novas receitas, o resultado positivo da avaliação de investimentos pelo valor do patrimônio líquido e os lucros e dividendos derivados de investimentos avaliados pelo custo de aquisição, que tenham sido computados como receita. VI–não operacionais, decorrentes da venda de ativo imobilizado. (Incluído pela Lei nº 10.684, de 30.5.2003) VII (Vide Art. 8º e Art. 22 da Medida Provisória nº 451, de 15/12/2008) VII decorrentes de transferência onerosa a outros contribuintes do Imposto sobre Operações relativas à Circulação de Mercadorias e sobre Prestações de Serviços de Transporte Interestadual e Intermunicipal e de Comunicação ICMS de créditos de ICMS originados de operações de exportação, Fl. 106DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.000026/200966 Acórdão n.º 3102001.570 S3C1T2 Fl. 103 5 conforme o disposto no inciso II do § 1o do art. 25 da Lei Complementar no 87, de 13 de setembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.945, de 4 de junho de 2009) (Grifos nossos)” Enfim, da leitura da legislação pertinente ao PIS e à Cofins, extraise que estas contribuições possuem como fato gerador o faturamento mensal, o qual pode ser entendido o total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, de forma a compreender a receita bruta da venda de bens e serviços nas operações em conta própria ou alheia e todas as demais receitas auferidas pela pessoa jurídica, a exceção das receitas a que a lei autoriza a exclusão. Outrossim, ainda que se pudesse aderir ao entendimento do contribuinte, estarseia a afrontar ao próprio princípio da legalidade, pois não obstante a alteração realizada pela Lei 11.945/2009, resultante da conversão em Lei da Medida Provisória 451/2009, que introduziu o inciso VI do §3º do artigo 1º da Lei 10.833/2003 e o inciso VII do §3º da Lei 10.637/2002, o próprio artigo 33 do aludido diploma legal realiza modulação dos efeitos destas modificações, condicionando sua eficácia para os fatos ocorridos a partir de 1º de janeiro de 2009, tal como se extrai do dispositivo abaixo: “Art. 33. Esta Lei entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1o de janeiro de 2009, em relação ao disposto: a) nos arts. 4o a 6o, 18, 23 e 24; b) no art. 15, relativamente ao inciso V do § 2o do art. 3o da Lei no 9.718, de 27 de novembro de 1998; c) no art. 16, relativamente ao inciso VII do § 3o do art. 1o da Lei no 10.637, de 30 de dezembro de 2002; d) no art. 17, relativamente ao inciso VI do § 3o do art. 1o e ao art. 58J da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003; e) no art. 19, relativamente aos §§ 11 e 12 do art. 15 da Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004; f) no art. 20, relativamente ao § 6o do art. 64 e ao § 8o do art. 65 da Lei no 11.196, de 21 de novembro de 2005 (…)”(grifos nossos) Por conseguinte, não é possível enquadrar o período de apuração da recorrente, que remete àquele de 01/07/2008 a 30/09/2008, no âmbito de vigência do referido dispositivo acima aludido, ao qual não foi conferido efeitos retroativos e, por logo, não prospera a pretensão do contribuinte, haja vista que o produto da cessão de créditos de ICMS não estão excluídos da base de cálculo da contribuição ao PIS e da Cofins antes de 1º de janeiro de 2009. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 11065.000026/200966 Acórdão n.º 3102001.570 S3C1T2 Fl. 104 6 Prejudicado, ademais, o pedido referente à correção monetária, pois os créditos para os quais se pleiteou o ressarcimento não foram reconhecidos pela instância a quo ou por este Colegiado. Ante ao exposto, voto no sentido de conhecer do presente recurso voluntário para lhe negar provimento. Sala das Sessões, em 18 de julho de 2012 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 108DF CARF MF Impresso em 19/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 8/12/2013 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
score : 1.0
Numero do processo: 10540.900050/2008-09
Turma: Segunda Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 10 00:00:00 UTC 2011
Data da publicação: Mon Jan 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/01/2003
APRESENTAÇÃO DE DCTF - RETIFICADORA APÓS DESPACHO DECISÓRIO - POSSIBILIDADE. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal.
Recurso Voluntário Parcialmente Provido
Numero da decisão: 3102-001.265
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar o impedimento ao conhecimento da DCTF retificadora, apresentada posteriormente a intimação do despacho decisório, determinando, ainda, o retorno do processo a unidade da jurisdição para apuração do crédito pretendido. O Conselheiro Winderley Pereira votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Luis Marcelo Guerra de Castro - Presidente e Redator Designado.
EDITADO EM: 09/01/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho e Winderley Morais Pereira..
Nome do relator: LUCIANO PONTES DE MAYA GOMES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/01/2003 APRESENTAÇÃO DE DCTF - RETIFICADORA APÓS DESPACHO DECISÓRIO - POSSIBILIDADE. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Voluntário Parcialmente Provido
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Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS DESPACHO DECISÓRIO POSSIBILIDADE. A declaração retificadora possui a mesma natureza e substitui integralmente a declaração retificada. Descaracterizadas às hipóteses em que a retificadora não produz efeitos. 1. Saldos enviados à PGFN para inscrição em DAU. 2. Valores apurados em procedimentos de auditoria interna já enviados a PGFN. 3. Intimação de início de procedimento fiscal. Recurso Voluntário Parcialmente Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar parcial provimento ao recurso voluntário, para afastar o impedimento ao conhecimento da DCTF retificadora, apresentada posteriormente a intimação do despacho decisório, determinando, ainda, o retorno do processo a unidade da jurisdição para apuração do crédito pretendido. O Conselheiro Winderley Pereira votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Luis Marcelo Guerra de Castro Presidente e Redator Designado. EDITADO EM: 09/01/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luis Marcelo Guerra de Castro, Nanci Gama, Ricardo Paulo Rosa, Luciano Pontes Maya Gomes, Álvaro Almeida Filho e Winderley Morais Pereira.. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 54 0. 90 00 50 /2 00 8- 09 Fl. 78DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10540.900050/200809 Acórdão n.º 3102001.265 S3C1T2 Fl. 75 2 Relatório Tratase de recurso voluntário visando a reforma do acórdão nº 1520.264–4ª Turma da DRJ/SDR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade. De acordo com o relato da decisão recorrida é possível identificar que: O estabelecimento acima identificado formalizou PERDCOMP eletrônica, fls. 08 a 12, visando compensar os débitos nele declarados com o crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior, do tributo de código 6912 – PIS (Programa de Integração Social), referente ao PA de 31/01/2003. A DRF/Vitória da Conquista emitiu Despacho Decisório eletrônico, nº de rastreamento 757696640, de 24/04/2008, fl. 03, não homologando a compensação pleiteada, em face de que o pagamento foi integralmente utilizado na quitação de débitos da contribuinte, “não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. Cientificada do despacho decisório em 05/05/2008, conforme informação à fl. 22, a contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, fls. 01 a 02, alegando que: Þ efetuou pagamento a maior de valores devidos a título de PIS/Cofins, em face da não aplicação da Lei n° 10.637, de 2002; Þ considerando as movimentações da empresa e com espeque na Lei nº 10.637, de 2002, art. 3º, o valor apurado do referido tributo fica limitado R$ 143,26. Assim, no período de apuração mencionado foi pago a maior o valor de R$ 7.325,39, que foi objeto de compensação, conforme PERDCOMP às fls. 08 a 12; Þ requer, com base nos fatos relatados, o deferimento do processo de compensação. Após analisar a manifestação de inconformidade, decidiu a 4ª Turma da DRJ/SDR, pela improcedência não reconhecendo o direito creditório nos termos da ementa do voto abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 31/01/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. A apresentação de DCTF retificadora, após o despacho decisório que denegou a restituição, em razão da coincidência entre os débitos declarados e os valores recolhidos, deve vir acompanhada dos documentos que indiquem prováveis erros cometidos, no cálculo dos tributos devidos, resultando em recolhimentos a maior. Fl. 79DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10540.900050/200809 Acórdão n.º 3102001.265 S3C1T2 Fl. 76 3 Não apresentada a escrituração contábil/fiscal, nem outra documentação hábil e suficiente, que justifique a alteração dos valores registrados em DCTF, mantémse a decisão proferida, sem o reconhecimento de direito creditório, com a conseqüente não homologação das compensações pleiteadas. Inconformada com a decisão acima, a contribuinte apresenta recurso voluntário alegando em síntese que: 1 – Realizou o pagamento a maior do tributo ao não observar os créditos da Lei nº 10.637/2002, referentes às compras do mês; 2 – Afirma que, equivocadamente, promovera o recolhimento de R$ 7.468,65, mas que, em razão das aquisições de produtos e ao estoque de abertura, faria jus a um crédito de R$ 7.587,62, conforme escriturado nos livros. Assim, só caberia recolher aos cofres públicos a diferença entre esses dois valores. 3 Tal divergência só teria sido apurada em 2004, razão pela qual optou pela compensação ora debatida. 4 – De acordo com os documentos anexos seria possível identificar os créditos referente às compras. Anexa cópia dos livros diário e razão, além de planilhas de cálculo e pugna pela sua análise em nome do princípio da verdade real. Em face do encerramento do mandato do conselheiro relator e de que, até a presente data, não foi formalizado o acórdão, me autodesignei para tal tarefa. É o relatório. Voto Conselheiro Luis Marcelo Guerra de Castro, Redator Designado A matéria é idêntica à tratada em outros processos de interesse do mesmo contribuinte. A decisão do Colegiado, na oportunidade, foi seguir a mesma solução adotada por ocasião do julgamento do processo 10540.900262/200888, de interesse do mesmo contribuinte, que foi alvo do Acórdão 310200.173, de 1º de setembro de 2011. Reproduzo o votocondutor do aresto, que foi referendado pela unanimidade dos presentes: Busca a recorrente em suas razões demonstrar a existência do crédito de PIS a ser compensado com débitos declarados, decorrente do pagamento a maior só constatados após a entrega da DCTF original e posteriormente incluídos na DCTF retificadora. (...) Fl. 80DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10540.900050/200809 Acórdão n.º 3102001.265 S3C1T2 Fl. 77 4 De acordo com o despacho decisório(fls.03) de 24/04/2008, quando da transmissão do PER/DCOMP no valor de R$ 5.032,75, observando o DARF discriminado foi identificado um ou mais pagamentos “mas integralmente utilizados para a quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/COMP”. Tal e qual se verificou naquele processo, após o despacho decisório, foi apresentada DCTF retificadora, conforme demonstra recibo de entrega fls. 06, oportunidade em que foi informado um débito de R$ 143,26 de Contribuição para o PIS no 2º Trimestre de 2003 (demonstrativo à fl. 07). Retomo a reprodução do voto condutor: Assim resta analisar a possibilidade de compensar crédito acrescidos em DCTF retificadora mesmo após ciência do despacho decisório que indeferiu o pedido de compensação. O decretolei nº 2.124 de 1984 autorizou, em seu art. 5º, o Ministro da Fazenda instituir obrigações acessórias relativas a tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal, sob esse contexto o Ministro delegou sua competência ao Secretário da Receita Federal através da portaria nº 118 de 1984, esse, por sua vez instituiu a Declaração de Contribuições e Tributos Federais – DCTF, através da instrução normativa nº 129/1986, a qual vem sendo modificada ao longo do tempo. No caso dos autos quando da apresentação da DCTF retificadora, estava em vigor a IN/RFB nº 786/2007, estabelecendo as diretrizes a serem seguidas pelas pessoas jurídicas para apresentarem a DCTF e suas retificadoras. Essa instrução definiu em seu art. 11 caput que a retificadora obedecerá as mesmas normas da declaração retificada e a substituirá integralmente, nos termos do § 1º, “e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados”. Ressaltese ainda que o art. 18 da medida provisória nº 218949, também estabelece que a retificação terá a mesma natureza da declaração original, in verbis: Art.18.A retificação de declaração de impostos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, nas hipóteses em que admitida, terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, independentemente de autorização pela autoridade administrativa. Percebese a princípio a inexistência de óbices para alterar débitos e créditos, entretanto a mesma instrução, logo em seguida, estabelece as hipóteses em que a retificação, não produzirá efeitos, nos termos do § 2º do art. 11 in verbis: Fl. 81DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10540.900050/200809 Acórdão n.º 3102001.265 S3C1T2 Fl. 78 5 §2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada sobre o início de procedimento fiscal. De acordo a norma acima, no caso em liça, não existe impedimento para a retificação produzir seus efeitos, pois não há débitos enviados à PGFN e inscritos em dívida ativa, com também não houve procedimento de auditoria ou início de procedimento fiscal e sim indeferimento ao pedido de compensação, assim a DCTF retificadora passa a substituir integralmente a DCTF original, produzindo seus efeitos. De se acrescentar, ademais, que o acórdão recorrido consignou, dentre as razões de decidir, que a recorrente não teria feito prova dos créditos que dariam respaldo à compensação declarada. Em que pese a respeitável opinião daquele Colegiado, não vejo como, no presente processo, indeferir sumariamente o pleito em razão da não apresentação de elementos da escrita em sede de manifestação de inconformidade. De fato, analisando o despacho decisório à fl. 03, verificase que a justificativa para a nãohomologação da compensação teria sido exclusivamente a utilização do crédito para pagamento de outro tributo, consequência, como já apontado, da não retificação da DCTF. Ou seja, o fato é que, em momento algum o contribuinte foi informado de que, quando da apresentação da sua inconformidade, além de demonstrar a realocação do crédito, deveria apresentar elementos da sua escrita. Como se viu, o despacho decisório não traz qualquer consideração acerca desse aspecto e não consta dos autos qualquer intimação para apresentação de documentos. Assim sendo, em homenagem à regra gizada no § 4º, “c”, do art. 16 do Decreto 70.235, de 1972, devem ser levados consideração os elementos da escrita apresentados em instância recursal1. Ocorre que promover tais análises, no presente momento processual, representaria supressão de instância, eis que nem a autoridade fiscal nem as autoridades 1 § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) (...) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) Fl. 82DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO Processo nº 10540.900050/200809 Acórdão n.º 3102001.265 S3C1T2 Fl. 79 6 julgadoras de primeira instância tiveram oportunidade de se manifestar acerca dos créditos decorrentes de aquisição de produtos para revenda, ou, se for o caso, aprofundar suas verificações com vistas à busca da verdade material. Igualmente temerário, a meu ver seria homologar a compensação à vista da mera retificação da DCTF. Ante ao exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário para afastar o óbice ao conhecimento da DCTF retificadora apresentada após o despacho decisório e determinar o retorno dos autos ao órgão de jurisdição para verificação da procedência ou não dos créditos alegados. Sala das Sessões, em 10 de novembro de 2011 Luis Marcelo Guerra de Castro Fl. 83DF CARF MF Impresso em 13/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO, Assinado digitalmente em 1 0/01/2014 por LUIS MARCELO GUERRA DE CASTRO
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Numero do processo: 10850.907653/2011-25
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 26 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Dec 09 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3803-000.382
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábil-fiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, João Alfredo Eduão Ferreira, Juliano Eduardo Lirani e Jorge Victor Rodrigues. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto para se contrapor à decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade manejada em decorrência da emissão de despacho decisório que não reconhecera o direito creditório pleiteado por meio de Pedido Eletrônico de Restituição (PER), pelo fato de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado na quitação de débitos da titularidade do contribuinte. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 50 .9 07 65 3/ 20 11 -2 5 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907653/201125 Resolução nº 3803000.382 S3TE03 Fl. 297 2 Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte requereu o reconhecimento do direito à plena restituição, assim como a reunião dos processos ali identificados para julgamento em conjunto, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o indébito decorreria da inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998, dispositivo esse que promovera o alargamento da base de cálculo da contribuição para além do faturamento, este consistente no resultado das vendas de mercadorias e da prestação de serviços; b) o CARF tem reconhecido o direito pleiteado, por força do contido na Lei nº 11.941, de 2009, que revogou o § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, assim como do disposto no Decreto nº 7.574, de 2011, no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, e no art. 62A do Regimento Interno do CARF; c) o despacho decisório fora emitido em desacordo com a legislação e a jurisprudência pacificada sobre o tema, não tendo a autoridade administrativa aprofundado na investigação dos fatos, dada a falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos acerca da higidez do crédito, o que contrariaria o art. 65 da Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários, do despacho decisório, do DARF, de planilha de cálculo da contribuição e de partes do Livro Diário e do Balancete, acompanhadas dos termos de abertura e de encerramento. A DRJ Ribeirão Preto/SP rejeitou a reunião dos processos para julgamento conjunto, por se referirem a fatos e provas distintos, e não reconheceu o direito creditório, considerando que a autoridade administrativa teria procedido corretamente ao indeferir o pleito do contribuinte, em razão do fato de que o débito confessado em DCTF seria do mesmo valor do montante recolhido, o que evidenciaria a inexistência de saldo credor, conclusão essa reforçada pela inocorrência de retificação da DCTF. Aduziu o relator do voto condutor da decisão recorrida que, no tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, no presente caso, não se discutiria o entendimento do STF, tampouco se questionaria a vinculação do CARF à decisão proferida no Recurso Extraordinário (RE) julgado na sistemática da repercussão geral, e que a revogação do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, pela Lei nº 11.941, de 2009, não alcançaria este processo por não se aplicar retroativamente. Destacou, ainda, o julgador de piso, que o caput do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, vedaria o afastamento da aplicação de lei sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as exceções previstas no § 6º, incisos I e II, do mesmo artigo, exceções essas não aplicáveis ao presente caso. Segundo o relator, amparandose no Parecer PGFN/CDA nº 2.025, de 2011, as condições previstas no inciso II do § 6º do 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não se verificariam em relação à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo da contribuição, sendo inaplicáveis ao presente caso; e, no que se refere ao inciso I do mesmo dispositivo, ele não abrangeria decisão proferida em controle difuso de constitucionalidade, a qual produziria efeitos somente em relação às partes da relação processual, mesmo que proferida em processo julgado pela sistemática da repercussão geral. Fl. 297DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907653/201125 Resolução nº 3803000.382 S3TE03 Fl. 298 3 Destacou, também, o julgador de primeira instância, que, ainda que os óbices à utilização integral do recolhimento não existissem, o contribuinte não teria se desincumbido de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior, tendo requerido a restituição de todo o valor da contribuição recolhido no período, o que só seria possível se não tivesse auferido nenhum faturamento, apenas receitas financeiras, o que não ficou comprovado. Finalmente, ressaltou o relator de piso, que a cópia parcial do livro Diário apresentada, constando apenas algumas folhas de lançamentos e parte do balancete do período em exame, permitiria vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa, em razão do que não haveria como se apurar o total da base de cálculo da contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse acerca de eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Cientificado da decisão em 22 de abril de 2013, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário em 21 de maio do mesmo ano, reiterou o pedido de julgamento em conjunto dos processos ali identificados e requereu o reconhecimento do direito à plena restituição da contribuição calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, repisando os mesmos argumentos de defesa apresentados na primeira instância, sendo acrescentadas as seguintes alegações: a) a DCTF não seria o único meio de prova da existência de crédito passível de restituição, devendose elucidar que nem o art. 165 do CTN nem o art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996, condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações, tratandose de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo; b) “[a] exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei, tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público”; c) “a afirmação do acórdão recorrido está em total desconformidade com o princípio da verdade material, que rege o processo administrativo fiscal, e pelo qual o julgador deve buscar a verdade dos fatos, desconsiderando as formalidades, cabendolhe analisar todos os vieses da situação fática antes de lançar mão do ato administrativo, notadamente em casos em que a interpretação do contexto fático dependa, exclusivamente, da devida análise probatória”; d) “[o] princípio de que a contabilidade, lastreada em documentação idônea, faz prova a favor do contribuinte não é estranho ao direito tributário, estando expressamente previsto no Decretolei nº 1.598/77, fundamento legal do artigo 923 do RIR/99”, sendo de “manifesta obviedade que as autoridades administrativas almejam negar o reconhecimento ao crédito a todo custo, o que não tem mínimas condições de prevalecer, haja vista que, além dos argumentos expostos, a jurisprudência administrativa já se manifestou no sentido de que, quando em boa ordem, a escrituração contábil faz prova em favor do contribuinte”; e) a Planilha de cálculo, o DARF, o livro Diário,o balancete e os respectivos termos de abertura e encerramento apresentados, referentes ao período sob análise, foram considerados insuficientes na decisão recorrida, o que denotaria a ocorrência de uma análise superficial dos documentos acostados; Fl. 298DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907653/201125 Resolução nº 3803000.382 S3TE03 Fl. 299 4 f) “ainda que a documentação juntada não fosse suficiente para comprovar o crédito, o que se admite apenas em caráter argumentativo, a DRJ deveria ter convertido o julgamento em diligência, conforme previsão do art. 18 do Decreto nº 70.235”; g) ao invocar a preclusão do direito de apresentação de novas provas após a manifestação de inconformidade, a autoridade julgadora não se dera conta de que “uma das hipóteses que autoriza a apresentação posterior de prova documental se configura no momento em que se faz necessário contrapor fatos ou razões que, porventura, foram trazidos posteriormente aos autos”, conforme disciplina do art. 16, § 4o, "c", do Decreto nº 70.235, de 1972; h) no acórdão recorrido, afirmouse que os órgãos administrativos não estariam vinculados a decisões de inconstitucionalidade exaradas na esfera judicial em controle difuso de constitucionalidade, sendo que tal afirmação encontrarseia “em total desconformidade com o que vem decidindo a jurisprudência administrativa, que já se manifestou favoravelmente à aplicação, pelo fisco, das decisões que declararam a inconstitucionalidade do parágrafo 1o, do art. 3o, da Lei 9.718/98, em razão de terem sido proferidas em sessão plenária do Supremo Tribunal Federal e demonstrarem o entendimento pacífico e inequívoco daquela Corte sobre a matéria”; i) “um dispositivo de lei declarado inconstitucional é uma norma absolutamente nula, impossibilitada de produzir efeitos jurídicos válidos, em razão do seu desacordo com o texto constitucional, a quem deve irrestrita obediência. Ora, seria ilógico que a administração fazendária continuasse a reconhecer a validade de um artigo de lei já declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal”; j) “o inciso I, do parágrafo 6o, do art. 26A, incluído no Decreto n. 70.235, de 6.3.1972, pela Lei n. 11.941, de 27.5.2009, "in verbis", determina que, nos casos de lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal, os órgãos de julgamento da administração fiscal federal devem afastar sua aplicação consoante o entendimento exarado na decisão:” Junto ao Recurso Voluntário, o contribuinte trouxe aos autos cópia integral do livro Diário e dos balancetes relativos ao anocalendário 2000 e da Demonstração de Lucros e Prejuízos Acumulados. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos acerca do pedido de restituição de valor recolhido a maior da contribuição apurada sobre receitas que extrapolam o conceito de faturamento, com fundamento na inconstitucionalidade declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF), em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral, do alargamento da base de cálculo promovido pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907653/201125 Resolução nº 3803000.382 S3TE03 Fl. 300 5 Quanto ao pedido de julgamento em conjunto dos processos identificados na peça recursal, informase que eles foram incluídos na pauta da mesma sessão, encontrandose, portanto, atendido o pedido do Recorrente acerca dessa questão. De início, devese registrar que a decisão da DRJ Ribeirão Preto/SP encontrase em conformidade com a legislação processual então vigente, uma vez que sua prolação se dera em 28 de março de 2013, data essa anterior à alteração do art. 19, inciso IV, e § 5º, da Lei nº 10.522, de 2002, promovida pelo art. 21 da Lei nº 12.844, de 2013, cuja vigência se deu a partir de 19 de julho de 2013. Tal alteração legislativa se refere à determinação dirigida às unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil de reproduzirem em suas decisões o entendimento adotado em decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (repercussão geral), após manifestação da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional. Anteriormente a essa alteração da lei, a disciplina da matéria restringiase ao art. 62A do Regulamento do CARF, aplicável apenas a este órgão colegiado, e ao contido no art. 26A, § 6º, inciso I, do Decreto nº 70.235, de 1972, que excetuava a hipótese de inconstitucionalidade declarada por decisão plenária do STF da vedação dirigida aos órgãos de julgamento administrativos relativa à impossibilidade de afastamento da aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade,. Notese que essa exceção contida no § 6º, inciso I, do art. 26A do Decreto nº 70.235, de 1972, não obrigava o julgador administrativo a reproduzir o teor da decisão plenária do STF, tratandose de hipótese de permissão autorizada de adoção do entendimento da Corte Constitucional. Feitas essas considerações, passase à análise do fundamento legal do pedido de restituição. A inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo da contribuição, para além do faturamento, operado pela Lei nº 9.718, de 1998, foi objeto de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF) 1, em julgamento submetido à sistemática da repercussão geral (art. 543B do Código de Processo Civil CPC), cujo teor deve ser, obrigatoriamente, observado por este Colegiado, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF. A Lei n° 9.718, decorrente da conversão da Medida Provisória nº 1.724, de 29 de outubro de 1998, foi publicada em novembro de 1998, quando vigia a redação original do art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, em que se previa apenas o faturamento como hipótese de incidência da contribuição social, não constando a possibilidade de alcançar outras receitas auferidas pela pessoa jurídica, o que veio a ocorrer somente em dezembro do mesmo ano por meio da Emenda Constitucional n° 20. 1 Em 27 de novembro de 2008, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no âmbito do Recurso Extraordinário nº 585.235, cujo mérito da repercussão geral foi julgado em 10 de setembro de 2008, pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo do PIS e da Cofins prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, cujo teor passou, desde então, a vincular os demais órgãos judiciais e o CARF. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907653/201125 Resolução nº 3803000.382 S3TE03 Fl. 301 6 De acordo com o entendimento do STF2, o alargamento posterior da base de cálculo das contribuições de “faturamento” para “receita e faturamento”, operada por meio da Emenda Constitucional n° 20/1998, não teve o condão de convalidar legislação anterior que previa a incidência da Cofins e da Contribuição para o PIS sobre a totalidade das receitas da pessoa jurídica. Não se pode olvidar que o termo faturamento referese ao somatório das receitas decorrentes de vendas de mercadorias ou serviços, conforme se depreende do contido no art. 2° da Lei Complementar n° 70, de 1970, in verbis: Art. 2° A contribuição de que trata o artigo anterior será de dois por cento e incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifei) Parágrafo único. Não integra a receita de que trata este artigo, para efeito de determinação da base de cálculo da contribuição, o valor: a) do imposto sobre produtos industrializados, quando destacado em separado no documento fiscal; b) das vendas canceladas, das devolvidas e dos descontos a qualquer título concedidos incondicionalmente. O fato de o Supremo Tribunal Federal ter considerado o conceito de faturamento equivalente ao de “receita bruta” não pode ser interpretado como dilatação autorizada do alcance de tais institutos, pois o termo “receita bruta” foi considerado como coincidente com o de faturamento, ou seja, a totalidade das receitas provenientes da venda de mercadorias e serviços. A possibilidade de se tributarem outras receitas somente passou a vigorar após a vigência da Emenda Constitucional n° 20, de 1998, quando se incluiu, dentre as hipóteses de fatos geradores das contribuições sociais, a “receita” genericamente considerada. Dessa forma, por força do contido no art. 62A do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que estipula que as decisões definitivas do STF proferidas na sistemática da repercussão geral devem ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento de recursos no âmbito do CARF, concluise pelo direito do contribuinte de obter a restituição de recolhimentos relativos à contribuição apurada sobre as receitas não abrangidas pelo conceito de faturamento, restando verificar, nos autos, a existência inequívoca de prova do indébito reclamado. Desde a Manifestação de Inconformidade, o Recorrente já havia trazido aos autos cópia de parte do Livro Diário, relativa ao período sob comento, em que se encontram identificadas inúmeras contas, dentre elas algumas relativas a rendimentos de aplicação financeira e de lucros obtidos no mercado de renda variável, que vêm a ser a receita correspondente ao alegado alargamento da base de cálculo da contribuição. Junto ao Recurso Voluntário, o Recorrente, em razão da alegação do julgador de piso de que as partes o livro Diário e do Balancete então apresentadas não seriam suficientes à apuração da base de cálculo total da contribuição no período, trouxe aos autos cópia integral do 2 REs nº 585.235, 346.084, 357.950, 358.273, 390.840, dentre outros. Fl. 301DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907653/201125 Resolução nº 3803000.382 S3TE03 Fl. 302 7 livro Diário e do Balancete correspondentes ao anocalendário sob análise, em que se confirmam as informações que já haviam sido apresentadas na primeira instância. Contudo, conforme já havia destacado o julgador de primeira instância, tendo o contribuinte requerido no Pedido Eletrônico de Restituição (PER) a devolução de todo o valor da contribuição recolhido no período, a conclusão a que se chega é que toda a receita auferida teria natureza financeira, não tendo havido então a ocorrência de faturamento, conclusão essa que se confirma no Balancete e na planilha trazida aos autos pelo Recorrente. Nesse sentido, não remanescem dúvidas quanto ao auferimento de receitas financeiras no período, tratandose de elemento de prova consistente que robustece a tese defendida pelo Recorrente. Contudo, apenas essa constatação não se mostra suficiente para se decidir, peremptoriamente, acerca do direito creditório pleiteado pelo Recorrente, pois, nos termos do art. 923 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, “[a] escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 9º, §1º)” – grifei. Além disso, o fato de não se constatar do livro Diário e do Balancete a ocorrência de faturamento, mas apenas de receitas financeiras, indica a necessidade de se estender a pesquisa a toda a escrituração contábilfiscal do Recorrente para se esclarecer essa peculiaridade, tendose em conta que o seu objeto social encontrase definido no estatuto como “a) administração de bens móveis por conta própria ou de terceiros; b) representação comercial; c) promoção e publicidade; d) prestação de serviços técnicos; e) participação no capital e proventos de :outras sociedades.” Nesse contexto, com base no contido no art. 18, inciso I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF, que prevê a realização de diligências para suprir deficiências do processo, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que a autoridade administrativa audite a escrituração contábilfiscal da pessoa jurídica, assim como os documentos fiscais que a lastreiam, com vistas a se apurarem o faturamento e as demais receitas auferidas no período sob análise neste processo, bem como a contribuição devida, tendose em conta a inconstitucionalidade já declarada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) do alargamento da base de cálculo da contribuição operado pelo art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718, de 1998. Mostrase relevante verificar se o objeto social da pessoa jurídica não abrange a prestação de serviços de caráter financeiro, situação em que parte ou a totalidade das receitas financeiras auferidas pode se configurar faturamento ou receita bruta, suscetível de tributação com base na Lei nº 9.718, de 1998, mesmo considerando a inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo já declarada pelo STF. Após as providências ora requeridas, o Recorrente deverá ser cientificado dos seus resultados, franqueandolhe o prazo de 30 (trinta) para se pronunciar, devendo, ao final, os autos retornar a esta 3a Turma Especial da 3ª Seção do CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Fl. 302DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10850.907653/201125 Resolução nº 3803000.382 S3TE03 Fl. 303 8 Hélcio Lafetá Reis Relator Fl. 303DF CARF MF Impresso em 09/12/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 05/12/2013 p or CORINTHO OLIVEIRA MACHADO, Assinado digitalmente em 05/12/2013 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 16327.002721/2003-62
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 22 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Jan 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. NULIDADE.
Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte (proc jud nao comprovado e proc jud de outro CNPJ), e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, deve-se reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes.
Recurso voluntário provido. Recurso de ofício prejudicado.
Numero da decisão: 3403-002.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e não tomar conhecimento do recurso de ofício.
(assinado digitalmente)
Antonio Carlos Atulim - Presidente
(assinado digitalmente)
Ivan Allegretti - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti.
Nome do relator: IVAN ALLEGRETTI
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NULIDADE. Se a autuação toma como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial em nome do contribuinte (“proc jud nao comprovado” e “proc jud de outro CNPJ”), e o contribuinte demonstra a existência desta ação, bem como que figura no pólo ativo, devese reconhecer a nulidade do lançamento por absoluta falta de amparo fático. Não há como manter a exigência fiscal por outros fatos e fundamentos, senão aqueles especificamente indicados no lançamento. Teoria dos motivos determinantes. Recurso voluntário provido. Recurso de ofício prejudicado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário e não tomar conhecimento do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Antonio Carlos Atulim Presidente (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Alexandre Kern, Domingos de Sá Filho, Rosaldo Trevisan, Marcos Tranchesi Ortiz e Ivan Allegretti. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 27 21 /2 00 3- 62 Fl. 276DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 2 Relatório Tratase de auto de infração eletrônico que promoveu a constituição de crédito tributário de Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS) em relação a fatos geradores ocorridos em 1998 (fls. 21/31e). em relação aos quais a contribuinte informou em DCTF a existência dos processos judiciais nº 98.00143688 e n° 94.00033222 (fls. 24, 26/27e). Em sua impugnação (fls. 3/8e) a contribuinte informa que os referidos processos judiciais existem e foi proposto por ela mesma. Junta cópias comprovando a existência dos referidos processos. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento de São Paulo1/SP(DRJ), por meio do Acórdão nº 1634.297, de 18 de outubro de 2011 (fls. 162/170e), manteve em parte o lançamento, afastando apenas a aplicação da multa de ofício, conforme se verifica de sua ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 1998 LANÇAMENTO DE OFÍCIO. DUPLICIDADE. Há de ser cancelada a exigência fiscal quando comprovado nos autos que o respectivo crédito tributário já fora objeto de lançamento fiscal anterior. PIS. DECISÃO JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO TRIBUTÁRIO. COMPROVAÇÃO DO VALOR. AUSE NCIA. A autorização judicial para se proceder à compensação dos valores recolhidos indevidamente a título da contribuição ao PIS por força dos DecretosLei 2445 e 2449, de 1998, com parcelas vincendas do próprio PIS, nos termos da Lei Complementar no 07/70, desacompanhada da comprovação do valor do indébito e do controle de sua utilização, impossibilita que se verifique a alegada quitação da exigência. MULTA DE OFÍCIO. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado, quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo de sua prática. No julgamento dos processos pendentes, cujo cred́ito tributário foi constituído com base no art. 90 da MP no 2.15835, de 2001, as multas de ofício exigidas em decorrência das diferenças de tributo/contribuição apuradas devem ser exoneradas pela aplicação retroativa do art. 18 da Lei no 10.833, de 2003, em razão de lei nova deixar de caracterizar o fato como hipótese para aplicação de multa de ofício. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. Fl. 277DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.002721/200362 Acórdão n.º 3403002.522 S3C4T3 Fl. 277 3 A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte O contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 241/252) reiterando os mesmos argumentos da sua impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Ivan Allegretti, Relator O recurso foi protocolado em 26/01/2012 (fl. 241e), dentro do prazo de 30 dias contado da data da notificação do acórdão da DRJ, ocorrida em 13/01/2012 (fls. 177/178 e) Por ser tempestivo e por apresentar razões de reforma ao acórdão da DRJ, conheço do recurso. No auto de infração a descrição dos fatos é feita de forma genérica, indicando apenas e exclusivamente a ocorrência de “Proc jud nao comprovado” e “Proc jud de outro CNPJ”. Presumese, com isso, que o auto de infração foi lavrado em virtude de acreditar a fiscalização que uma ação judicial não existia e a outra ação judicial referiase a outro contribuinte. Ocorre que as cópias das peças processuais apresentadas às fls. 43/137e demonstram tanto que existia a ação judicial nº 98.00143688, como que a contribuinte figurava como parte autora do processo judicial n° 94.00033222. Ou seja, o pressuposto de fato que dá suporte ao auto de infração é falso. A respeito do tema, vale a pena transcrever as seguintes considerações, extraídas de voto vencido no Acórdão nº 7.386, de 17 de novembro de 2004, da DRJ Curitiba/PR, proferido em situação parecida: 3. Respeitosamente, considero que fazer agora tais considerações, no âmbito do processo, e manter o lançamento sob pressupostos outros que sequer foram, ou puderam ser, cogitados pela autoridade autuante corresponde à verdadeira inovação no que pertine à valoração jurídica dos fatos, em época em que descabe à autoridade julgadora proceder ao agravamento da exigência, por força do que determina o § 3º do Fl. 278DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM 4 art. 18 do Decreto n.º 70.235, de 1972, com redação dada pelo art. 1º da Lei n.º 8.748, de 1993, in verbis: “§ 3º. Quando, em exames posteriores, diligências ou perícias, realizadas no curso do processo, forem verificadas incorreções, omissões ou inexatidões de que resultem agravamento da exigência inicial, inovação ou alteração da fundamentação legal da exigência, será lavrado auto de infração ou emitida notificação de lançamento complementar devolvendose, ao sujeito passivo, prazo para impugnação no concernente à matéria modificada.” 4. Em sintonia com o que determina a disposição legal supra, também a doutrina jurídica, na exegese de MARCOS VINICIUS NEDER e MARIA TERESA MARTINEZ LOPES (in Processo Administrativo Fiscal Federal Comentado, Dialética, 2002, p.184), recomenda o seguinte: “Assim, constatadas pela autoridade julgadora inexatidões na verificação do fato gerador, relacionadas com o mesmo ilícito descrito no lançamento original, o saneamento do processo fiscal será promovido pela feitura de Auto de Infração Complementar. Esta peça, sob pena de nulidade, deverá descrever os motivos que fundamentam a alteração do lançamento original, indicando o fato ou circunstância que ele pretende aditar ou retificar, demonstrando o crédito tributário unificado, de modo a permitir ao contribuinte o pleno conhecimento da alteração”. 5.No caso em pauta, sabemos todos que o auto de infração é lavrado mediante simples cruzamento de dados entre o que é informado pelo contribuinte e os demais registros contidos no sistema informatizado da Receita Federal. O procedimento in casu é totalmente eletrônico e não obstante a sua validade, visto que autorizado por autoridade competente, fundamentase apenas no estreito limite desse cruzamento de informações. A descrição do fato, requisito de validade do auto de infração e elemento essencial ao exercício do direito à ampla defesa do sujeito passivo, encontrase no âmbito de competência da autoridade lançadora, descabendo à autoridade julgadora supri lo, ao argumento de que a exigência seria válida sob o prisma da “falta de recolhimento”. Ora, a falta de recolhimento é, em sentido amplo e via de regra, a razão de qualquer lançamento de ofício efetuado de modo a constituir o crédito tributário. Vale dizer, em linguagem mais simples, que o Fisco não pode, durante o procedimento, atirar no que vê e, então, a autoridade julgadora, já no curso do processo, fazêlo acertar no que não viu, subtraindo ao impugnante o direito de opor contrarazões, quaisquer que sejam, sem que isto, pelo menos a meu juízo, resulte na preterição do direito de defesa do contribuinte autuado. 6.Em apertada síntese, estas são as razões pelas quais, não promovido o aludido saneamento processual e ante a insubsistência do fato que ensejou a lavratura do auto de infração em exame, visto que agora são outros os pressupostos que o ensejariam, divirjo, respeitosamente, da relatora e dos demais colegas julgadores que votaram pela procedência do Fl. 279DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 16327.002721/200362 Acórdão n.º 3403002.522 S3C4T3 Fl. 278 5 feito, eis que, a meu juízo, sem que o processo seja saneado, impõese o cancelamento do auto de infração, cabendo ao Fisco efetuar o lançamento que achar devido, então já sob o pálio de novos pressupostos, e desde que dentro de prazo decadencial. 7.Isto posto, VOTO PELA IMPROCEDÊNCIA do lançamento, bem assim respectiva multa lançada de ofício e juros moratórios. Concordo com este entendimento. Se a autuação tomou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial ou que o processo judicial não existia em relação ao CNPJ, e, depois, o contribuinte demonstrou a existência da ação em seu nome, resta patente que o lançamento não tem suporte, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. Errou de fundamento, sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado como fundamento no momento da lavratura do auto de infração. Devese, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de amparo fático. O provimento do recurso voluntário, como se percebe, implica na anulação do lançamento como um todo, de maneira que acarreta a perda do objeto em relação ao recurso de ofício, cujo julgamento fica prejudicado. Diante do exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, para anular o auto de infração, deixando de conhecer do recurso de ofício. (assinado digitalmente) Ivan Allegretti Fl. 280DF CARF MF Impresso em 31/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 21/01/2014 por IVAN ALLEGRETTI, Assinado digitalmente em 23/01/2014 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 10680.005089/2008-16
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jan 21 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Feb 19 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2801-000.279
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin Presidente.
Assinado digitalmente
Marcio Henrique Sales Parada- Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: MARCIO HENRIQUE SALES PARADA
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decisao_txt : Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada- Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
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Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin – Presidente. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Em desfavor do contribuinte recorrente foi lavrada, em 11/03/2008, Notificação de Lançamento (fl. 12) de Imposto sobre a Renda de Pessoas Físicas, relativo ao exercício de 2004, anocalendário de 2003. Observase que no demonstrativo do crédito tributário existe o imposto de renda da pessoa física de R$ 14.340,94, com multa de mora de 20%, no importe de R$ 2.868,18, e juros de mora, calculados pela taxa Selic. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .0 05 08 9/ 20 08 -1 6 Fl. 85DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.005089/200816 Resolução nº 2801000.279 S2TE01 Fl. 86 2 Verificase, das infrações apontadas, que a autoridade fiscal que procedeu à apuração e lançamento do crédito tributário, consignou, em suma, que “regularmente intimado a comprovar os valores compensados a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte o contribuinte não atendeu a intimação...Em decorrência do não atendimento da intimação, foi glosado o valor de R$ 18.604,26 . indevidamente compensado a titulo de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF), correspondente à diferença entre o valor declarado e o total de IRRF informado pelas fontes pagadoras na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte (Dirf), para o titular e/ou dependentes.” (folha 13) Identificase a fonte pagadora Rede Ferroviária Federal S/A, CNPJ 33.813.332/000109. Inconformado, o contribuinte apresentou Impugnação ao lançamento, que foi conhecida e tratada pela DRJ/BHE nos seguintes e resumidos termos: Em análise do conjunto probatório juntado aos autos, em especial o oficio n° 02236/03, fls. 25, da 2 Vara do Trabalho de Divinópolis/MG, e tela de consulta ao endereço eletrônico da justiça do trabalho, fls. 47/48, vêse que os honorários periciais liberados para depósito na conta bancária do impugnante é de R$ 36.256,67, corrigidos até 03/2000. 0 valor 41, liquido dos honorários depositado para o impugnante, conforme fls. 26, soma a importância de R$ 50.607,96, em 12/11/2003. Nenhum outro documento foi juntado aos autos que comprovasse o valor da retenção do imposto de renda sobre os rendimentos pagos a titulo de honorários periciais. A legislação do imposto de renda determina que os honorários periciais são passíveis de incidência de imposto de renda de acordo com o art. 28 da Lei 10.833, de 29/12/03, art. 45, inciso VIII e art. 718, ambos do Dec. 3000/99: (...) Para provar o valor do IRRF, o impugnante elabora cálculos juntados as fls. 27/29, com base no valor liquido recebido. No entanto, tais cálculos não comprovam que houve a retenção sobre os rendimentos de honorários periciais, nem que os valores condizem com o valor que deveria ter sido retido, quando do recebimento dos honorários. De acordo com legislação citada anteriormente, o imposto incidente sobre o total dos rendimentos tributáveis pagos em cumprimento de decisão judicial deve ser retido na fonte, quando for o caso, pela pessoa fisica ou jurídica obrigada ao pagamento, no momento em que o rendimento se torne disponível para o beneficiário. Realizadas consultas nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, vêse que os rendimentos recebidos pelo impugnante na DIRF — Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte, no anocalendário de 2003, pagos pela Rede Ferroviária Federal S/A — Em liquidação são de apenas R$ 1.113,31, com IRRF de R$ 8,30, fls.46. Fl. 86DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.005089/200816 Resolução nº 2801000.279 S2TE01 Fl. 87 3 Assim, pela ausência de comprovação da retenção por documento hábil e idôneo, improcede o acolhimento da compensação glosada do IRRF no valor de R$ 18.604,26. Quanto ao pedido de diligência para que a Justiça do Trabalho seja oficiada para comprovar a retenção do IRRF no processo n° 631/94, cumpre esclarecer que as provas devem ser anexadas pelo contribuinte junto com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento, a teor do art. 16, III, §4 0 e alíneas, do Decreto n° 70.235/72: ... Também entendeu a Autoridade Julgadora a quo pela impossibilidade da alteração da base de cálculo do imposto declarado, baseandose no art. 147, § 1º do CTN. E assim deuse o resultado do Julgamento recorrido, para considerar a Impugnação improcedente e manter o crédito tributário lançado. Não satisfeito, o contribuinte apresentou recurso voluntário, com as seguintes razões, em resumo: o contribuinte informou, mediante declaração transmitida em 02/08/2005, o recebimento de rendimentos tributáveis da fonte pagadora Rede Ferroviária Federal S/A no montante de R$ 69.220,52, com imposto retido na fonte de R$ 18.612,56; tais rendimentos referemse a honorários periciais pagos nos autos da Reclamação Trabalhista que teve curso na Justiça do Trabalho; o valor que cabia ao Recorrente foi calculado em 29 de fevereiro de 2000 em R$ 36.256,67, sendo que no mesmo cálculo se fez constar dentre os valores a serem deduzidos quando do efetivo pagamento o imposto de renda a ser retido, tendo contudo sido calculado “de forma global”, não se vê ali destacado o valor do IRF relativo ao pagamento do aqui Recorrente; em 11/11/2003, recebeu o valor de R$ 50.607,96, sendo que a partir dos dados do processo, sua contadora elaborou cálculo para apurar o imposto de renda retido na fonte quando do pagamento em juízo. A partir desse cálculo, declarou em sua DIRPF 2004 os valores brutos e imposto retido apurados pela Contadora. não pode a Turma julgadora desconsiderar as peças processuais arroladas na impugnação. o Recorrente não tem como obter documento que está de posse da Justiça, por isso requer a realização de diligência, que não foi motivadamente negada pela DRJ; Assim, requer que seja cancelado o débito fiscal porque entende haver demonstrado a retenção do IRF no processo judicial, cujas peças foram arroladas. Subsidiariamente, que seja determinada diligência para que se oficie a Justiça do Trabalho a fim de constatar o valor real dos rendimentos recebidos e a retenção de imposto na fonte. Caso não seja deferida a diligência, que lhe seja concedido prazo para obter documentos e certidões ou, por fim, que se reconsidere a base de cálculo declarada, reduzindoa ao valor efetivamente recebido em 11/11/2003. Fl. 87DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.005089/200816 Resolução nº 2801000.279 S2TE01 Fl. 88 4 É o relatório. Voto Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada, Relator. A ciência do Acórdão de 1ª instância se deu em 21/11/2011 (fl. 62) e o recurso voluntário foi protocolado, dentro do prazo legal, em 16/12/2011 (fl. 66). O recurso é tempestivo e, obedecidas as demais formalidades legais, dele tomo conhecimento. Não se identificando questões preliminares a serem tratadas, mencionando en passant o recurso sobre “nulidade” parcial da decisão recorrida, mas sem apontar qualquer fundamento para tal, vamos direto ao mérito. A existência da obrigação acessória de prestar declarações ao Fisco raramente diz respeito a um lançamento por declaração. Não é sua existência que define a modalidade de lançamento, mas quem efetua os cálculos e define o montante a pagar. Assim, o IR é tributo sujeito a lançamento por homologação e não por declaração. Tendo em conta que a quase totalidade dos tributos, atualmente, sujeitamse ao lançamento por homologação, o § 1º do art. 147 do CTN tem sido invocado e aplicado por analogia para definir o marco até quando pode o contribuinte retificar livremente suas declarações, com eficácia imediata. Considerando que a decisão administrativa de 1ª instância baseouse no § 1º do art. 147 do CTN para negar que sejam consideradas alterações pretendidas na base de cálculo declarada em DIRPF, é de se citar LEANDRO PAULSEN: “... O § 1º simplesmente retira do contribuinte a possibilidade de tornar, por ato próprio, insubsistente a sua declaração originária, quando já notificado o lançamento...Não compromete, porém, os direitos de petição e de acesso ao Judiciário. Poderá o contribuinte, pois, a qualquer tempo, enquanto não decaído seu direito, peticionar administrativamente noticiando os equívocos e solicitando a revisão de ofício pela autoridade, forte no art. 149 do CTN. Poderá também ajuizar ação no sentido de ver anulado lançamento e cancelada inscrição indevidos...” (PAULSEN, Leandro. Direito tributário: Constituição e Código Tributário....15. ed. Porto Alegre : Livraria do Advogado Editora, ESMAFE, 2013, p.1054) O STJ já reconheceu a possibilidade do contribuinte socorrerse da via judicial para anular crédito oriundo de lançamento eventualmente fundado em erro de fato, em que o contribuinte declarou base de cálculo superior à realmente devida para a cobrança de imposto. (STJ, 2ª T. Resp 1015623/GO, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, maio/2009). O sistema da oficialidade, adotado no processo administrativo, e a necessidade da marcha para frente, a fim de que o mesmo possa atingir seus objetivos de solução de conflitos e pacificação social, impõem que existam prazos e o estabelecimento da preclusão. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.005089/200816 Resolução nº 2801000.279 S2TE01 Fl. 89 5 Desta feita, o direito da parte à produção de provas posteriores, até o momento da decisão administrativa comporta graduação, a critério da autoridade julgadora, com fulcro em seu juízo de valor acerca da utilidade e da necessidade, de modo a assegurar o equilíbrio entre a celeridade, a oficialidade, a segurança indispensável, a ampla defesa e a verdade material, para a consecução dos fins processuais. A ausência de documentos do processo judicial trabalhista que especifiquem quais foram os valores pagos a título de honorários ao Recorrente, no ano de 2003, impedem que se forme um juízo de valor acerca da controvérsia instaurada. A alegada “retenção de imposto” pela fonte pagadora está demonstrada apenas em cálculos particulares elaborados pela Contadora do próprio Recorrente, como ele mesmo esclarece. É preciso lembrar que o imposto incide sobre o rendimento bruto, e não sobre o rendimento líquido, como pretende o contribuinte em um de seus pedidos alternativos. Se recebeu R$ 69.000,00, sendo essa a quantia da qual adquiriu a disponibilidade econômica ou jurídica, nos termos do art. 43 do CTN, esta é a correta base de cálculo do imposto. Outrossim, diversas decisões deste CARF, e, especificamente, desta Turma Especial, tem assentado sobre a responsabilidade do contribuinte sobre o imposto que não foi retido pela fonte pagadora, após o prazo legal para a entrega da DIRPF, quando o declarante não dispõe de documento que comprove a retenção. Citese o seguinte Acórdão, da Câmara Superior de recursos Fiscais CSRF: Acórdão nº 920201.553 – 2ª Turma Sessão de 10 de maio de 2011 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Ano calendário: 1997, 1998 IRRF. HOMOLOGAÇÃO DE ACORDO NA JUSTIÇA DO TRABALHO. RESPONSABILIDADE DO BENEFICIÁRIO DE RECOLHER O IMPOSTO DE RENDA NA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. Se a constatação da ausência de retenção do imposto de renda ocorreu após a data da declaração do ajuste anual do beneficiário do pagamento, não se pode mais exigir o imposto da fonte pagadora. Recurso especial negado. (...) Com efeito, em se tratando de constatação de ausência de retenção do imposto de renda pela fonte pagadora após o ano de declaração de rendimentos pelo beneficiário do pagamento, não se pode mais exigir da fonte pagadora o imposto. Restaria ao beneficiário do pagamento oferecer os rendimentos em questão à tributação, como restou demonstrado no Acórdão recorrido e que entende que deve prevalecer em sua plenitude.(...) À guisa de exemplo, também o Acórdão 2801002.973, desta Turma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2006 Fl. 89DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.005089/200816 Resolução nº 2801000.279 S2TE01 Fl. 90 6 RETENÇÃO NA FONTE. COMPROVAÇÃO. O documento hábil a comprovar a retenção na fonte sofrida pelas pessoas físicas em decorrência de prestação de serviços a pessoas jurídicas é o Comprovante de Rendimentos. Ausentes esse documento e a informação da fonte pagadora em DIRF, incabível restabelecer o IRRF glosado. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. A omissão da fonte pagadora de retenção e recolhimento do imposto não exclui a responsabilidade do contribuinte que auferiu a renda, pois é este quem tem relação pessoal e direta com a situação que configura o fato gerador da exação. Recurso Voluntário Negado. Também creio que não cabe determinar à Receita Federal que produza provas que só aproveitam ao contribuinte. Instaurada a controvérsia, as diligências ou perícias necessárias ao deslinde da questão ficam ao juízo da autoridade julgadora, conforme a norma do Decreto nº 70.235/1972. No caso, entendo que se trata de situação diversa, onde o que se objetiva é a produção de prova a favor do Recorrente, pleiteada e indicada pelo próprio na Impugnação e no Recurso. Este ônus, portanto, nos termos da lei processual civil, é seu. Neste aspecto, aliás, é de ser citado outro Acórdão da CSRF, deste CARF: Acórdão nº 9303002.485 – 3ª Turma ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/09/2001 NORMAS PROCESSUAIS. NULIDADE. Não cabe à Administração suprir, por meio de diligências, mesmo em seus arquivos internos, má instrução probatória realizada pelo contribuinte. Sua denegação, pois, não constitui cerceamento do direito de defesa que possa determinar a nulidade da decisão nos termos dos arts. 59 e 60 do Decreto 70.235/72. A ausência de prova do direito alegado, autoriza seu indeferimento. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Também não vejo razão na afirmativa do Recorrente de serlhe impossível obter cópias ou certidões de um processo judicial trabalhista, onde figurou como perito, pelo que consta destes autos. CONCLUSÃO Assim, estando em aberto discussão administrativa sobre lançamento que se baseia na DIRPF/2004 do contribuinte, considerando o art. 149, VIII, do CTN, com o fito de evitar uma desnecessária demanda judicial e também em homenagem aos princípios da verdade Fl. 90DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN Processo nº 10680.005089/200816 Resolução nº 2801000.279 S2TE01 Fl. 91 7 material, da ampla defesa e do contraditório, voto no sentido de converter o julgamento em diligência para: a) que o contribuinte recorrente seja intimado desta decisão, abrindolhe o prazo regulamentar para apresentação de documentos, certidões, cópias ou tudo mais que lhe aprouver, especialmente do processo judicial trabalhista, onde constem especificados o valor dos rendimentos tributáveis brutos recebidos no ano de 2003 e a comprovação de que houve retenção de imposto de renda na fonte; b) após, retornem os autos a este CARF para prosseguimento do julgamento. Assinado digitalmente Marcio Henrique Sales Parada Fl. 91DF CARF MF Impresso em 19/02/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17 /02/2014 por MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, Assinado digitalmente em 17/02/2014 por TANIA MARA PASCHO ALIN
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Numero do processo: 10183.722327/2011-50
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 21 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Thu Jan 16 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO.
A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2801-003.318
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 3.696,91, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 3.696,91, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin - Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 3; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1711; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE01 Fl. 64 1 63 S2TE01 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10183.722327/201150 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2801003.318 – 1ª Turma Especial Sessão de 21 de novembro de 2013 Matéria IRPF Recorrente JOSÉ MARIA FLORES LOPES Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. COMPROVAÇÃO. A apresentação de documentação hábil e idônea dos valores informados a título de dedução de despesas médicas na Declaração de Ajuste Anual implica no restabelecimento das despesas glosadas e posteriormente comprovadas. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 3.696,91, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Valdemir da Silva, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 18 3. 72 23 27 /2 01 1- 50 Fl. 64DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10183.722327/201150 Acórdão n.º 2801003.318 S2TE01 Fl. 65 2 Por bem descrever os fatos, adotase o “Relatório” da decisão de 1ª instância (fl. 23 deste processo digital), reproduzido a seguir: Trata o presente processo de impugnação à exigência formalizada através de notificação de lançamento de imposto de renda pessoa física, f. 37, do exercício 2010, anocalendário 2009, por meio da qual se exige o crédito tributário consolidado de R$ 5.043,19 calculados até 29/07/2011. Segundo descrição dos fatos e enquadramento legal, f. 45, o lançamento de ofício decorre das seguintes infrações: Dedução indevida de despesas médicas no valor de R$ 9.749,55, declarado como pago à Unimed Cuiabá Cooperativa de Trabalho (03.533.726/000188). O contribuinte, apesar de regularmente notificado a apresentar os comprovantes de pagamento com plano de saúde para si ou dependentes, em 18/05/2011, optou por não fazêlo. Em sua impugnação de folha 2, o interessado alega, em síntese, que o valor de R$ 9.749,55 referese a despesas médicas do próprio contribuinte e junta comprovante de pagamento emitido pelo plano de saúde em que constam, discriminadamente, os valores relativos ao titular e aos demais beneficiários. Assim, solicita o cancelamento da Notificação de Lançamento. A impugnação apresentada foi julgada improcedente, nos termos da ementa abaixo transcrita: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2010 DESPESAS MÉDICAS Para fazer jus à dedução da despesa médica na DIRPF, devese comprovar o efetivo pagamento, o tratamento efetuado e quem é o paciente. Cientificado da decisão de primeira instância em 10/01/2012 (fl. 31), o Interessado interpôs, em 19/01/2012, o recurso de fl. 33, acompanhado dos documentos de fls. 34/39. Na peça recursal limitase a pedir o restabelecimento da despesa médica realizada com a UNIMED. Por intermédio da Resolução nº 2801000.217, acostada aos autos às fls. 42/44, o julgamento do recurso foi convertido em diligência, a fim de que o Recorrente apresentasse os comprovantes de despesas médicas relativos ao anocalendário de 2009, emitidos pela própria operadora do planos de saúde, referente às despesas realizadas com o mesmo (José Maria Flores Lopes) e a única dependente relacionada na Declaração de Ajuste Anual (Marilda Pacheco Flores Lopes). Intimado pela DRF de origem, o Interessado colacionou aos autos os documentos de fls. 50/57 deste processo digital. Voto Fl. 65DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10183.722327/201150 Acórdão n.º 2801003.318 S2TE01 Fl. 66 3 Conselheiro Marcelo Vasconcelos Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. A “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” de fls. 4/5 deste processo digital revela que foram glosadas, na declaração de ajuste anual do Recorrente, despesas médicas no valor de R$ 9.749,55, tendo como beneficiária a UNIMED Cuiabá Cooperativa de Trabalho. Às fls. 50/53 foram juntados os “Informes de Recebimento de Pagamento de Plano de Saúde”, emitidos pela beneficiária, relativos ao período de 01/2009 a 12/2009, totalizando despesas com plano de saúde do Interessado e de sua dependente Marilda Pacheco Flores Lopes no valor de R$ 3.696,91. Os “Informes de Recebimento de Pagamento de Plano de Saúde” de fls. 56/57 referemse ao anocalendário de 2008, de forma que devem ser desconsiderados no presente julgamento. Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer despesas médicas no valor de R$ 3.696,91. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos Almeida Fl. 66DF CARF MF Impresso em 16/01/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/12/2013 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 22/12/2013 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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