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Numero do processo: 16327.720643/2011-91
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Feb 04 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008
VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO.
O Supremo Tribunal Federal, no RE nº 478410 entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Adoção do mesmo entendimento pela AGU por meio da edição da Sumula nº 60.
BÔNUS CONTRATAÇÃO.
Conflito na autuação que configura a verba como gratificação ajustada, a qual decorre de relação de emprego, porém exige o crédito tributário sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais.
Ausência de demonstração que o bônus de contratação fora pago em decorrência de prestação de serviços.
MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA
Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente NFLD ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
Numero da decisão: 2301-003.086
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em conhecer de ofício a questão sobre o correto enquadramento dos segurados e a sua conseqüente exigência, nos termos do voto do Relator; Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não conhecer da questão; b) em dar provimento ao recurso, sobre o correto enquadramento dos segurados e a sua conseqüente exigência, nos termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento à questão e o conselheiro Mauro José Silva, que votou em anular o lançamento pela existência de vício material; c) em dar provimento ao recurso, a fim de não conceituar as verbas pagas como Salário de Contribuição (SC), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão nesta questão; d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento na questão do vale transporte, nos termos do voto do Relator. Declarações de voto: Damião Cordeiro de Moraes e Mauro José Silva.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2008 VALE TRANSPORTE PAGO EM DINHEIRO. O Supremo Tribunal Federal, no RE nº 478410 entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Adoção do mesmo entendimento pela AGU por meio da edição da Sumula nº 60. BÔNUS CONTRATAÇÃO. Conflito na autuação que configura a verba como gratificação ajustada, a qual decorre de relação de emprego, porém exige o crédito tributário sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Ausência de demonstração que o bônus de contratação fora pago em decorrência de prestação de serviços. MULTA - RETROATIVIDADE BENIGNA Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea c, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente NFLD ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009.
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O Supremo Tribunal Federal, no RE nº 478410 entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Adoção do mesmo entendimento pela AGU por meio da edição da Sumula nº 60. BÔNUS CONTRATAÇÃO. Conflito na autuação que configura a verba como gratificação ajustada, a qual decorre de relação de emprego, porém exige o crédito tributário sobre pagamentos efetuados a contribuintes individuais. Ausência de demonstração que o bônus de contratação fora pago em decorrência de prestação de serviços. MULTA RETROATIVIDADE BENIGNA Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo a multa lançada na presente NFLD ser calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, incluído pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em conhecer de ofício a questão sobre o correto enquadramento dos segurados e a sua conseqüente exigência, nos termos do voto do Relator; Vencidos os conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em não conhecer da questão; b) em dar provimento ao recurso, sobre o correto enquadramento dos segurados e a sua conseqüente exigência, nos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 06 43 /2 01 1- 91 Fl. 171DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 2 termos do voto do Relator. Vencida a Conselheira Bernadete de Oliveira Barros, que votou em negar provimento à questão e o conselheiro Mauro José Silva, que votou em anular o lançamento pela existência de vício material; c) em dar provimento ao recurso, a fim de não conceituar as verbas pagas como Salário de Contribuição (SC), nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Mauro José Silva, que votaram em negar provimento ao recurso nesta questão nesta questão; d) em dar provimento parcial ao Recurso, no mérito, para que seja aplicada a multa prevista no Art. 61, da Lei nº 9.430/1996, até 11/2008, se mais benéfica à Recorrente, nos termos do voto do(a) Relator(a). Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que votaram em manter a multa aplicada; II) Por unanimidade de votos: a) em dar provimento na questão do vale transporte, nos termos do voto do Relator. Declarações de voto: Damião Cordeiro de Moraes e Mauro José Silva. Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira, Damião Cordeiro de Moraes, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratamse os autos dos Autos de Infração nºs 37.234.0377 (parte da empresa) e 37.234.0385 (Terceiros), ambos constantes do presente processo, cientificados ao sujeito passivo em 16/06/2011, o qual exige contribuições previdenciárias sobre as seguintes rubricas: i) vale transporte pago em dinheiro a seus segurados empregados durante o período de 01/2006 a 12/2008; ii) valores pagos a segurados contribuintes individuais a título de bônus de contratação. O sujeito passivo apresentou sua impugnação alegando, em síntese, que o vale transporte pago em dinheiro possui natureza jurídica nitidamente indenizatória e, o bônus de contratação, é pago anteriormente à contratação do segurado e não se trata de “gratificação”, mas de indenização “que serve para cobrir os riscos da perda da estabilidade no emprego anterior e as incertezas em relação ao novo emprego.” A instância a quo julgou improcedente a impugnação e consequentemente manteve a integralidade da autuação. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs recurso voluntário a esse Conselho, o qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. Fl. 172DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 3 3 É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério O recurso reúne as condições de admissibilidade e dele conheço. Vale transporte Segundo a D. Fiscalização, o lançamento das contribuições previdenciárias seriam devidas, uma vez a alínea f, do §9º, do artigo 28, da Lei nº 8.212/91, exclui da base de cálculo das contribuições previdenciárias apenas a parcela recebida a título de vale transporte, na forma do artigo 1º da Lei nº 7.418/85. Contudo, tal entendimento não pode prevalecer, já que o Supremo Tribunal Federal entendeu que mesmo o seu pagamento em pecúnia não retiraria o caráter indenizatório da verba. Ademais, a não aceitação do fornecimento do vale transporte em dinheiro caracterizaria a negação do curso legal da moeda. Cito o precedente do Pretório Excelso: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição Fl. 173DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 4 previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe086 DIVULG 13052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) É importante ressaltar que a Portaria nº 256, de 22 de junho de 2009, a qual instituiu o Regimento Interno desse Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, foi alterado pela Portaria nº 586, de 21 de dezembro de 2010, a qual incluiu o artigo 62A, segundo o qual devem ser observadas nos julgamentos desse Conselho as decisões definitivas de mérito do Pretório Excelso, proferidas na sistemática da repercussão geral, bem como as do C. Superior Tribunal de Justiça, na forma de recurso repetitivo. O que se extrai dessas alterações é que esse Conselho valhase, em suas decisões, daquelas já tomadas pelo Poder Judiciário e que consolidaram seu entendimento final sobre a matéria, pois no sistema jurídico brasileiro esse é o único órgão competente para “dizer o direito” com foros de definitividade. É certo que, até o presente momento, o Supremo Tribunal Federal não julgou a questão ora posta em julgamento na forma de repercussão geral. É medida, pois, que se impõe reconhecer que essa temática já está superada no âmbito do Poder Judiciário, cabendonos, pelos princípios que regem a administração pública, tais como legalidade, moralidade e eficiência (artigo 37 caput da Constituição Federal) aplicála. Por essas razões, inclusive, que a AGU editou a Súmula 60, a qual reconhece o caráter indenizatório da verba. Diante desse panorama jurídico, não há que se falar em incidência de contribuição previdenciária em decorrência do pagamento de vale transporte em dinheiro. Bônus Contratação De acordo com o Relatório Fiscal foram considerados como base de cálculo das contribuições previdenciárias a cargo da empresa, os valores pagos a título de bônus de contratação nas competências de 04/2007, 05/2007, 08/2007, 12/2007, 01/2008 a 09/2008. O citado relatório aponta que o sujeito passivo, devidamente intimado, informou que os valores pagos e declarados em DIRF “não estão relacionados a prestação de serviços, mas sim a bônus de contratação pagos antes do início do vínculo empregatício.” Dessa premissa discordou a fiscalização que fixou o seguinte: i) o bônus contratação tem caráter remuneratório e, portanto, devem incidir as contribuições previdenciárias; e ii) o contribuinte teria classificado corretamente em DIRF esses pagamentos como “rendimentos do trabalho.” Segundo o sujeito passivo, a declaração em DIRF sob o código 588 – Rendimentos do Trabalho ocorreu em razão do fato de não “termos encontrado, na tabela do MAFON, outro código que representasse a classificação adequada para este tipo de pagamento.” Analisando a natureza jurídica desses pagamentos, a fiscalização, no item 3.7 do relatório fiscal qualificouos como gratificação ajustada, a qual encontra fundamento no Fl. 174DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 4 5 artigo 457 § 1º da CLT. Essa classificação também fica evidenciada no item 3.10 do relatório fiscal, cuja redação é a seguinte: “3.10 Nesse sentido, o pagamento de ‘luvas’ ou bônus de contratação que tem natureza de gratificação ajustada, integra do salário de contribuição.” Verificando o Relatório de Lançamentos, contudo, a fiscalização enquadrou tais pagamentos como efetuados a contribuintes individuais. Há, a meu ver, uma contradição insanável no lançamento na medida em que o relatório fiscal, apesar de transcrever o inciso III, do artigo 28 da Lei nº 8.212/91, o qual reflete a base de cálculo da contribuição previdenciária devida pela empresa em relação à prestação de serviços realizados por contribuintes individuais, utiliza como fundamento, para entender que incide as contribuições sobre o bônus de contratação, a qualificação dessa verba como gratificação ajustada, nitidamente verificada apenas nas relações de emprego, ou seja, pagas com habitualidade, em decorrência da natureza da atividade exercida pelo empregado, previamente ajustadas no contrato de trabalho ou em acordos ou convenções coletivas. Registro, entretanto, que tal matéria não foi veiculada no recurso voluntário, mas conhecido de ofício por esse Conselheiro, haja vista que se trata de questão relativa aos pressupostos válidos de existência do próprio ato administrativo que é o lançamento fiscal. Vejase que para qualificar o pagamento como “gratificação ajustada”, deveria o lançamento ter qualificado os segurados beneficiários desses valores como segurados empregados e, consequentemente, exigido da empresa as contribuições previstas nos incisos I e II, do artigo 22 da Lei nº 8.212/91. Entendo que para exigir o cumprimento da obrigação tributária, a autoridade fiscal, a quem compete o lançamento do crédito previdenciário, deverá deixar devidamente caracterizada o seu surgimento, demonstrando cabalmente, no relatório fiscal o porquê, os motivos pelos quais o bônus de contratação, na relação jurídica com o contribuinte individual, é caracterizado como “remuneração”, em conformidade com o artigo 142 do CTN. Portanto, o presente lançamento fiscal, ato administrativo que é está viciado em um dos seus pressupostos, qual seja, a motivação, assim entendida pela doutrina de Eurico Marcos Diniz de Santi, em sua obra, Lançamento Tributário, 2ª Ed. Max Limonad, página 109: “A motivação é o antecedente suficiente do conseqüente do ato norma administrativo. Funciona como descritor do motivo do ato que é fato jurídico. Implica declarar, além do (i) motivo do ato [fato jurídico], o (ii) fundamento legal (motivo legal) que o torna fato jurídico, bem como, especialmente nos atos discricionários, (iii) as circunstâncias objetivas e subjetivas que permitam a subsunção do motivo do ato ao motivo legal.” O preclaro autor vai adiante e assinala que se a motivação não for adequada à realidade do fato então o ato administrativo não é passível de validação, vejamos (pág. 110); “Porém, se faltar a motivação, ou se esta for falsa, i.é., não corresponder à realidade do motivo do ato, ou dela não decorrer nexo de causalidade jurídica com a prescrição do atonorma Fl. 175DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 6 (conteúdo), então, por ausência de antecedente normativo, o ato norma é invalidável.” Ademais, fato incontroverso nesses autos é que os pagamentos a título de bônus de contratação foram efetuados a segurados contribuintes individuais, eis que em momento anterior a esses segurados assumirem relação empregatícia, conforme evidenciado no relatório de lançamentos e nas informações prestadas pelo recorrente no curso da fiscalização, não obstante o vício de fundamentação registrado acima. Segundo o artigo 12, inciso V, alínea “g” da Lei nº 8.212/91 é contribuinte individual “quem presta serviço de natureza urbana ou rural, em caráter eventual, a uma ou mais empresas, sem relação de emprego”. O artigo 22, inciso III, da Lei nº 8.212/91 estabelece, por sua vez, a obrigação da empresa de pagar “vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços.” Desses dispositivos legais verificase que o fato gerador da contribuição previdenciária nessa relação jurídica é “prestar serviços”, ou seja, é imperioso que para que surja a obrigação da empresa de recolher o tributo, o qual utiliza como base de cálculo a remuneração e como alíquota o coeficiente de 20%, que o segurado tenha lhe prestados serviços. Em situação análoga os Tribunais vêm entendendo que o fato gerador da contribuição previdenciária devida sobre a folha de salários e demais rendimentos é a prestação de serviços: “TRIBUTÁRIO CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA PRAZO DE RECOLHIMENTO. 1. O fato gerador da contribuição previdenciária é a relação laboral onerosa, da qual se origina a obrigação de pagar ao trabalhador (até o quinto dia subseqüente ao mês laborado) e a obrigação de recolher a contribuição previdenciária aos cofres da Previdência. 2. A folha de salário é a base de cálculo da exação, sendo irrelevante para o nascimento do fato gerador o pagamento. 3. Disposição expressa do art. 30, I, "b" da Lei 8.212/91 prevendo o recolhimento da contribuição previdenciária até o segundo dia do mês seguinte ao da competência. 4. Recurso improvido.” (REsp 502650/SC, Rel. Ministra ELIANA CALMON, SEGUNDA TURMA, julgado em 16/12/2003, DJ 25/02/2004, p. 149) “TRIBUTÁRIO. AÇÃO ORDINÁRIA. PRELIMINARES DE PRESCRIÇÃO, DECADÊNCIA E FALTA DE INTERESSE DE AGIR. INOCORRÊNCIA. PRAZO PARA RECOLHIMENTO DA Fl. 176DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 5 7 CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE A FOLHA DE SALÁRIOS. 2º DIA ÚTIL APÓS O MÊS TRABALHADO. (...) 2. O fato gerador da contribuição cobrada sobre a folha de salários é a prestação de serviços assalariados, dentre outros, e não o efetivo pagamento do salário.” (AC 200334000138245, Relator Juiz Federal Saulo José Casali Bahia, 7ª Turma Suplementar, TRF 1, eDJF1 29/07/2011) No caso concreto, não se afigura que o bônus de contratação seja decorrente de prestação de serviços, haja vista que, como afirmado no item 3.7 do Relatório Fiscal, esses pagamentos são para incentivar o segurado, que mantém vínculo empregatício em outra empresa, rescinda seu contrato de trabalho, para assumir nova relação jurídica empregatícia. Ou seja, tratase de pagamentos que não assumem feição retributiva da prestação de serviços, até porque esta não ocorreu. Porseia argumentar que essa prestação de serviços ocorreu em momento posterior. Contudo, teríamos aí, no meu sentir, dois graves problemas: i) a prestação de serviços ocorreu após o início do contrato de trabalho, momento em que os segurados deixaram de ser contribuintes individuais para serem empregados, incorrendo, assim, o lançamento em vício, já que efetuado com fundamento no inciso III, do artigo 22 da Lei nº 8.212/91; e ii) de acordo com o comando previsto no artigo 150 § 7º da Constituição Federal, haveria a necessidade de lei dispondo sobre a antecipação do pagamento da contribuição em razão da ocorrência de fato gerador futuro; Ademais, investigando a natureza jurídica do bônus de contratação ou hiring bônus notase que se trata de expediente muito utilizado no meio corporativo para atrair profissionais especializados e reconhecidos, por suas qualidades, no mercado de trabalho e sem dúvida, uma indenização ao segurado que rompe o seu contrato de trabalho anterior e não receberá as verbas indenizatórias a que teria direito, previstas no artigo 477 da CLT, tampouco eventual participação nos lucros ou resultados. Nesse sentido o precedente abaixo do Tribunal Superior do Trabalho, que em caso análogo, entendeu que o bônus de contratação não assume as feições de remuneração: RECURSO DE REVISTA. 1. CONTRATO POR PRAZO DETERMINADO. INDENIZAÇÃO. O recurso de revista se concentra na avaliação do direito posto em discussão. Assim, em tal via, já não são revolvidos fatos e provas, campo em que remanesce soberana a instância regional. Diante de tal peculiaridade, o deslinde do apelo considerará apenas a realidade que o acórdão atacado revelar. Esta é a inteligência das Súmulas 126 e 297 do TST. Recurso de revista não conhecido. 2. BONUS. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. Não verificada a habitualidade no pagamento do bonus, tampouco o seu recebimento em decorrência do labor a ser desenvolvido, mas como incentivo à contratação, não se faz potencial a ofensa Fl. 177DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 8 ao art. 457, § 1º, da CLT. Por sua vez, arestos em desacordo com o art. 896, "a", da CLT ou inespecíficos (Súmula 296/TST) não impulsionam o recurso de revista. Recurso de revista não conhecido.(PROCESSO Nº TSTRR907/20030720200.2) Pelo exposto, entendo que os valores aqui pagos a título de bônus de contratação não devem sofrer a incidência da contribuição previdenciária prevista no inciso III, do artigo 22, da Lei 8.212/91. Multa Há de se registrar que o dispositivo legal da multa aplicada foi alterado pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, merecendo verificar a questão relativa à retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966. Segundo as novas disposições legais, a multa de mora que antes respeitava a gradação prevista na redação original do artigo 35, da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, passou a ser prevista no caput desse mesmo artigo, mas agora limitada a 20% (vinte por cento), uma vez que submetida às disposições do artigo 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Incabível a comparação da multa prevista no artigo 35A da Lei nº 8.212/91, já que este dispositivo veicula multa de ofício, a qual não existia na legislação previdenciária à época do lançamento e, de acordo com o 106 do Código Tributário Nacional deve ser verificado o fato punido. Ora se o fato “atraso” aqui apurado era punido com multa moratória, consequentemente, com a alteração da ordem jurídica, só pode lhe ser aplicada, se for o caso, a novel multa moratória, prevista no caput do artigo 35 acima citado. Em princípio houve beneficiamento da situação do contribuinte, motivo pelo qual incide na espécie a retroatividade benigna prevista na alínea “c”, do inciso II, do artigo 106, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, devendo ser a multa lançada na presente autuação calculada nos termos do artigo 35 caput da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, se mais benéfica ao contribuinte Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER o recurso voluntário e, no mérito, DARLHE PROVIMENTO. Adriano Gonzales Silvério Relator Declaração de Voto Fl. 178DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 6 9 Conselheiro Damião Cordeiro de Moraes O voto proferido pelo ilustre relator é lapidar por si só, todavia, apenas a título de contribuição para o debate jurídico, exponho meu raciocínio, com o escopo de aprimorar o posicionamento deste colegiado no tocante à matéria ora em questão. Como bem ressaltado pelo douto relator, a fiscalização enquadrou tais pagamentos como efetuados a contribuintes individuais, motivando, contudo, sua autuação, como segurados empregados, ofendendo, assim, o quanto disposto no art. 142, do CTN, que determina ser competência do Fisco o correto enquadramento da matéria tributária no lançamento, maculando, assim, a própria autuação fiscal. Não obstante isso, há outra questão ainda maior que diz respeito ao caráter não salarial da parcela ventilada como mérito, fazendose necessário, no entanto, pinçar alguns pontos sobre o saláriocontribuição para efeitos previdenciários. Como é cediço, a remuneração é instituto próprio do Direito do Trabalho, com conotação específica, que deve ser sempre adotada pelo Direito Previdenciário. Em se tratando de relação de emprego, os conceitos de empregado, empregador, remuneração e outros só podem ser, perante a Previdência Social, os mesmo do Direito do Trabalho, segundo o embasamento legal, jurisprudencial e doutrinário deste ramo do Direito. A Constituição Federal, em seu artigo 7°, não contém preceito maior definidor de salário ou da remuneração, pois apenas se refere ao salário mínimo, ao piso salarial, à irredutibilidade do salário, à garantia do salário, à remuneração do trabalho noturno e a diversos adicionais. Ademais, admitir um conceito de remuneração para o direito previdenciário e outro para o trabalhista deve ser evitado, pois o próprio Supremo Tribunal Federal – STF, no julgamento do RE 166.772/RS, firmou entendimento no sentido de que as definições postas no art. 195, I, da Constituição Federal devem ser interpretadas em conformidade com a dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho, mesmo para fins previdenciários. Nesse sentido, transcrevo abaixo trechos dos votos proferidos pelos Ministros Celso de Mello e Moreira Alves: a) Celso de Mello: "a locução constitucional "folha de salários", inscrita no art. 195, I, da Carta Política, há de ser definida em função de critérios estritamente técnicos, a serem considerados na exata e usual dimensão que lhes confere o Direito do Trabalho."; b) Moreira Alves: "(...) realmente já foi demonstrado, desde o voto do eminente Ministro Relator e em alguns dos votos que o seguiram, que a expressão "salário" é usada univocamente na Constituição no sentido de salário trabalhista. Mesmo para fins previdenciários – como se vê do art. 201 , "salário" está empregado no sentido de remuneração em decorrência de vínculo empregatício." c) Marco Aurélio: “Descabe dar a uma mesma expressão – salário – utilizada pela Carta relativamente a matérias diversas, Fl. 179DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 10 sentidos diferentes, conforme os interesses em questão. Salário, tal como mencionado no inciso I do art. 195, não pode se configurar como algo que discrepe do conceito que se lhe atribuiu quando se cogita, por exemplo, da irredutibilidade salarial, inciso VI do artigo 7º da Carta.” Nossa legislação trabalhista conceitua a remuneração como a contraprestação de serviço e compreende o salário pago diretamente pelo empregador e as gorjetas pagas por terceiros, como preceituado na Consolidação das Leis do TrabalhoCLT. Art. 457 Compreendemse na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber. § 1º Integram o salário, não só a importância fixa estipulada, como também as comissões, percentagens, gratificações ajustadas, diárias para viagem e abonos pagos pelo empregador. § 2° Não se incluem nos salários as ajudas de custo, assim como as diárias para viagem que não excedam de cinqüenta por cento do salário percebido pelo empregado. § 3° Considerase gorjeta não só a importância espontaneamente dada pelo cliente ao empregado, como também aquela que for cobrada pela empresa ao cliente, como adicional nas contas, a qualquer título, e destinada à distribuição aos empregados. O salário in natura, ou ganho habitual sob a forma de utilidade, integrativo da remuneração e do saláriodecontribuição do empregado, consiste na retribuição do seu trabalho, feita pelo empregador, em bem útil e de valor econômico diferente da moeda. A Consolidação das Leis do Trabalho dispõe sobre suas formas e as exceções legais em seu art. 458. Na doutrina, destacamse as lições a seguir transcritas dos mais renomados autores pátrio trabalhistas pertinentes remuneração e ao salário. Arnaldo Sussekind, Délio Maranhão e Segadas Vianna (Instituições do Direito do Trabalho, Editora L TR, São Paulo, 11ª Ed. Volume I, p. 321), doutrinam: "B Distinção legal. Na sistemática da Consolidação das Leis do Trabalho, resultaram bem distintos os conceitos de remuneração e de salário. Com efeito, prescreve o artigo 457: "Compreendese na remuneração do empregado, para todos os efeitos legais, além do salário, devido e pago diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço, as gorjetas que receber". Como se infere, salário é a retribuição dos serviços prestados pelo empregado, por força do contrato de trabalho, sendo devido e pago diretamente pelo empregador que dele se utiliza para a realização dos fins colimados pela empresa; remuneração é a resultante da soma do salário percebido em virtude do contrato de trabalho, e dos proventos auferidos de terceiros, habitualmente, pelos serviços executados por força do mesmo contrato. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 7 11 Ensina Amauri Mascaro Nascimento (Curso de Direito do Trabalho, Editora Saraiva, São Paulo, 1991, 9a Edição, pág. 435): "Salário é a totalidade das percepções econômicas dos trabalhadores, qualquer que seja a forma ou meio de pagamento, quer retribuam o trabalho efetivo, os períodos de interrupção do contrato e os descansos computáveis na jornada de trabalho. Não integram o salário as indenizações, inclusive as diárias e ajudas de custo, os benefícios e complementações previdenciárias, os recolhimentos sociais e parafiscais, os pagamentos de direitos intelectuais e outros pagamentos não considerados salário por lei. " No mesmo diapasão, colocase o magistério de Orlando Gomes E Elson Gottschalk,(Curso de Direito do Trabalho, Edit. Forense Rio de Janeiro 1994 13°Edição, pág. 209): "O conceito de salário não se confunde em todos os seus efeitos com o de remuneração no nosso Direito do Trabalho. O tratamento do salário obedece, em cada ordenamento jurídico, às peculiaridades que lhe são próprias e que vêm adequar o seu conceito ao sistema legislativo de cada país. A Consolidação das Leis do Trabalho, seguindo esta orientação uniforme das legislações sobre salário, propôsse a distinguir, para determinados efeitos, este instituto do da remuneração. Conceitua, assim, como salário, tão só as atribuições econômicas devidas e pagas diretamente pelo empregador, como contraprestação do serviço. Reserva, por outro lado, o termo remuneração para todos os proventos fruídos pelo empregado em função do emprego, inclusive os obtidos por terceiros, como as gorjetas." Exsurge da análise da legislação e doutrinas citadas que, para o empregado, no sistema pátrio o salário é a contraprestação do trabalho, paga diretamente pelo empregador e quando há gorjetas, ofertadas por terceiros, elas são somadas para compor a remuneração, sempre decorrente da prestação laboral. Em não havendo gorjetas, salário e remuneração são sinônimos, mas inconfundíveis com indenização, inclusive para ressarcimento de despesas, ajuda de custo e outras parcelas. Para o administrador do Banco, nãoempregado, sua remuneração é fixada na lei específica das sociedades por ações. Feita essa introdução, passo a conceituar, especificamente, o saláriode contribuição, que é instituto de Direito Previdenciário, e tem por pressuposto os conceitos de remuneração e salário do Direito do Trabalho. Disciplina a Constituição Federal sobre a incorporação dos ganhos habituais ao salário e ao saláriodecontribuição Art. 201 (...) § 11os ganhos habituais do empregado, a qualquer título, serão incorporados ao salário para efeito de contribuição previdenciária e conseqüente repercussão nos benefícios, nos casos e na forma da lei. Fl. 181DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 12 Esse preceito constitucional reflete na legislação ordinária, Lei nº 8212/91, a qual em seu art. 28, retro mencionado, inciso I, estipula ser parte integrante do saláriode contribuição também os ganhos habituais sob forma de utilidades, sendo, necessário examinar esse conceito e como a lei define a incidência da contribuição previdenciária sobre tal verba. Ganhos habituais são entendidos como as contraprestações patronais fornecidas ao empregado de maneira reiterada, duradouro ou freqüente, decorrentes do contrato de trabalho, incluindo tanto o pagamento em dinheiro, como o fornecimento de utilidades. Considerase ganho habitual qualquer prestação proporcionada ao empregado que seja repetida no tempo, excluídos, por consequência, os eventuais ou esporádicos, sem imediata relação com o trabalho prestado ou o tempo em que esteve à disposição do empregador. A lei não oferece um conceito legal preciso sobre o que seja habitualidade, que será interpretada em cada caso concreto e algumas Súmulas do Tribunal Superior do Trabalho TST exigem para haver a integração das horas extras em outras verbas, ser preciso a ocorrência de habitualidade. Consideramse ganhos habituais os pagamentos realizados todo ano, como, por exemplo, gratificação de balanço, mas não há um critério preciso para a configuração da habitualidade, surgindo alguns critérios jurisprudenciais e doutrinários arbitrários, pelos quais se considera habitual o pagamento feito por mais de três meses, ou por mais de seis meses, em um período de doze meses. Os ganhos habituais em utilidades o empregado os recebe, sem despender numerário para adquirir, fazendo com isso uma economia, com agregação ou enriquecimento patrimonial. Ganhos habituais a qualquer título significa ser indiferente o nome que seja utilizado e tanto pode ser contratado diretamente pela prestação de serviços ou indiretamente. Não haverá necessidade de se convencionar expressamente o ganho habitual, podendo ser tácito o pacto, como ocorre com o próprio contrato individual de trabalho, ajustado expressa ou tacitamente, nos termos do art. 442 da CLT. Os ressarcimentos de despesas não têm natureza de ganhos habituais, por não serem ganhos, mas de reembolsos do valor pago, ou, conforme o caso, de adiantamentos para futura prestação de contas. Pagamentos feitos a título de indenização não têm natureza de ganho, mas de reembolso, para compensar certo prejuízo sofrido pelo empregado, enquanto a serviço da empresa. Dispõe a Consolidação das Leis do Trabalho sobre os pagamentos em utilidades ou in natura, no seu art. 458, retrotranscrito. Esse preceito legal determina que o salário in natura compreende alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações que a empresa por força do contrato, ou do costume, fornece habitualmente ao empregado, como ganhos habituais. Por outro lado, o art. 458 da CLT, § 2º, não considera salário as seguintes utilidades: (a)transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; (b) assistência médica, hospitalar e odontológica, prestada diretamente ou mediante segurosaúde; (c) seguros de vida e de acidentes pessoais; (d) previdência privada. Reembolsos de despesas feitos ao empregado não serão considerados ganhos habituais, pois nada lhe acrescentam ao patrimônio, mas apenas lhe permite recuperar numerário despendido. Assim ocorre com pagamentos feitos ao empregado para reembolsar Fl. 182DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 8 13 despesas com viagens, táxi, ônibus, estadia de veículos ou estada pessoal, alimentação, e outras. Sobretudo quando feitos esses reembolsos mediante prestação de contas, não há natureza salarial, nem podem ser considerados ganhos habituais. Se o valor é pago ao empregado a título de indenização, não se pode considerálo ganho habitual, como sucede com o do pagamento feito a título de vale transporte. Se esse pagamento é periódico, porém não há vale transporte a ser utilizado pelo empregado, tem natureza salarial e haverá a incidência da contribuição. Entretanto, ainda que tal pagamento seja feito deforma periódica, mas apenas para indenizar ou compensar o trabalhador em virtude do transporte despendido, não terá natureza salarial, mas de indenização, não podendo haver a incidência da contribuição previdenciária. Ademais, o valetransporte não é considerado ganhos habitual, pois a alínea a do art. 2º da Lei nº 7.418, de 16 de dezembro de 1985, reza que o valetransporte não tem natureza salarial, não constituindo base de incidência da contribuição previdenciária (art. 2º, b). Ora, o saláriodecontribuição para os contribuintes empregados, a Lei nº 8212, de 24.07.91 (Plano de Custeio da Previdência Social), em seu art. 28, I, define serem integrativos da remuneração os ganhos habituais sob a forma de utilidade. Leandro Luis Camargo dos Santos (Curso de Direito da Seguridade Social Editora Ltr São Paulo,2005p.115) oferta sobre o tema os seguintes ensinamentos: “Saláriodecontribuição é o valor, determinado em lei, a partir do qual incidem as alíquotas das contribuições previdenciárias. Nas lições de Fábio Z. Ibrahim(Curso de Direito Previdenciário, p. 462), "O saláriodecontribuição, instituto exclusivo do Direito Previdenciário, é a expressão que quantifica a base de cálculo da contribuição previdenciária dos segurados da previdência social,configurando a tradução numérica do fato gerador. Excepcionalmente, o saláriodecontribuição também é base de cálculo da contribuição do empregador doméstico, e não é aplicado ao segurado especial, que tem regra própria de custeio, sobre a produção rural, salvo quando contribui facultativamente como contribuinte individual. Não seria exagero afirmar que o saláriodecontribuição configura o conceito de maior relevância de Direito Previdenciário, não só devido à sua utilização no custeio, mas também pelo fato de o mesmo ser referência para o cálculo do saláriodebenefício do segurado, responsável pela quantificação do benefício a ser concedido" Sérgio Pinto Martins (Direito da Seguridade Social 22ª edição São Paulo Editora Atlas S.A – 2005, p. 143) esclarece: “Para que haja a incidência da contribuição previdenciária, é preciso que a lei defina o fato gerador, o contribuinte, a base de cálculo e a alíquota (art. 97 do CTN). Nem tudo o que é recebido pelo empregado na constância da relação de emprego deve ter a incidência da contribuição previdenciária, pois o inciso I do art. 28 da Lei nº 8.212 dispõe que a contribuição previdenciária, para o empregado, incide sobre a remuneração, em consonância com a regra do inciso Ido art. 195 da Constituição, que faz referência à folha de salários.” A contribuição social é um tributo vinculado à finalidade específica, o futuro apoio ou auxílio ao segurado e seus beneficiários. Conforme seu fundamento constitucional, só Fl. 183DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 14 pode esse tributo ser exigido se as quantias arrecadadas pela Previdência Social destinaremse a essa cobertura, em consonância com os respectivos planos de custeio e de benefícios. A quantia paga pela empresa a seus empregados, como ressarcimento ou adiantamento de despesas, indubitavelmente é ajuda de custo e o § 2.º do art. 457 da CLT determina a sua não integração salarial. Além do mais, há um pressuposto para a incidência das contribuições: é a repercussão que os valores pagos ao segurado terão no seu futuro de seguridade social, pois se não houver repercussão, não há contribuição. Digo isso porque o presente caso não se adequa a salário, por não houve trabalho, ou prestação de serviços. Ultrapassadas tais conceituações, passo adentrar a análise das incidências impostas pela Fazenda. O conspícuo fiscal entendeu, no momento da lavratura do auto, que os valores pagos a título de bônus de contratação possuem caráter remuneratório e, portanto, devem incidir as contribuições previdenciárias, bem como teria o contribuinte classificado corretamente em DIRF esses pagamentos como “rendimentos do trabalho.” Aduziu ainda, em seu relatório fiscal, as contribuições previdenciárias incidiriam sobre os valores supostamente pagos a segurados contribuintes individuais a título de bônus de contratação. O bônus de contratação (hiring bonus) ou luvas, usual, sobretudo, nos Estados Unidos, Canadá e Europa, é um procedimento lícito e regular, utilizado pelas empresas, numa conjuntura elevadamente competitiva, com o precípuo escopo de possibilitarlhes a contratação de profissionais muito disputados no mercado. Os agentes econômicos, em nossa economia de mercado, têm a autonomia para agir no cenário jurídico, sob a proteção da Constituição Federal, e as garantias que dela decorrem, com base em seus fundamentos insculpidos em seu art. 1º. O pagamento do valor avençado entre as partes, em negócio jurídico válido, sob a égide do Direito Civil, entre agentes capazes, com objeto lícito e realizado sob forma não prescrita em lei, encontra pleno reconhecimento em nosso ordenamento jurídico, nos termos do art. 104 do Código Civil. O valor entregue pelo Recorrente ao futuro funcionário servelhe de atrativo, sem o qual, por certo, continuaria a procurar no mercado, por melhores oportunidades profissionais, aproveitandose do cabedal de conhecimentos científicos, técnicos e de sua experiência anterior na atividade para a qual virá a ser contratado. De verba trabalhista por certo não se trata, pois ao ensejo de seu pagamento não há contrato individual de trabalho firmado, não houve qualquer prestação laboral subordinada, inocorrendo, portanto, a subsunção às normas protetivas do Direito do Trabalho e, por consequência, da Previdência Social. Tratase o hiring bonus ou signon bonus de uma soma em dinheiro que a empresa oferece, normalmente como atrativo que precede a contratação, em detrimento do emprego anterior do profissional que, por muitas vezes, opta pelo novo emprego, ainda que no anterior obtivesse maiores garantias face ao tempo já trabalhado e à confiança conquistada. No universo corporativo, o pagamento do bônus de contratação, luvas ou hiring bonus, é uma prática constante, porque há, no mercado, poucos profissionais com o perfil altamente especializado desejado pelas empresas. Dessa forma, o hiring bonus pode fazer toda a diferença numa negociação, já que no ramo empresarial praticamente não há diferença entre os salários dos executivos de alto escalão. Fl. 184DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 9 15 Esse negócio jurídico só se efetiva entre grandes empresas e pessoas de preparo intelectual diferenciado por sua formação, por sua perfomance, por seu reconhecido mérito no mundo empresarial, longe de serem os hipossuficientes históricos do Direito do Trabalho. Ora, o bônus de contratação é um moderno fenômeno contratual, relativamente recente no Brasil, ao qual não estão afeitos os operadores do direito, em especial os agentes da fiscalização previdenciária, que vêm remuneração integrativa de saláriodecontribuição nos valores pagos a título de hiring bonus, bônus de contratação ou luvas. Infelizmente, ainda, a literatura é rara a respeito do tema, cujo conceito está em elaboração doutrinária, sendo necessário, muitas vezes, abeberarmos do direito alienígena para a sua conceituação. Em apertado escorço, podese afirmar que desse ajuste civil, resulta para o futuro empregado um atrativo à contratação, como compensação pela perda da estabilidade alcançada no emprego anterior e pelo risco que o profissional se expõe lançandose a um novo desafio. Não obstante isso, o hiring bonus possui o escopo de compensar eventuais verbas indenizatórias que tal profissional deixa de receber ao se desligar voluntariamente da empresa anterior. Não se há, ainda, de confundir o bônus de contratação com os valores a serem pagos a contribuintes individuais, pois para estes a incidência é decorrente da prestação de serviço que à empresa aproveita, enquanto que o atrativo de contratação é oferecido sem qualquer relação de serviço prestado, até porque, como já restou demonstrado alhures, o bônus é pago antes do início da relação empregatícia. Ora, não existindo o objeto da efetiva prestação, por consectário lógico, não persistirá qualquer supedâneo para a exação fiscal. Outrossim, o próprio documento apresentado pelo contribuinte à. fl. 115 demonstra a extrema cautela da recorrente ao efetivar a disponibilidade do hiring bonus ao futuro funcionário, demonstrando que: i) há contrato expresso e escrito entre empresa e profissional, em cujo bojo é estabelecida a importância a ser paga, a natureza desta e a forma de pagamento, restando muito bem caracterizado que se trata de bônus de atração e não de verba de natureza salarial; ii) o hiring bonus ou signon bonus é pago em um único ato; iii) o incentivo é pago antes do início efetivo da prestação de serviços. Insta ressaltar, igualmente, que tributar o bônus de contratação é, na verdade, obstaculizar as empresas nacionais na busca pelos profissionais mais capacitados do mercado, mormente porque tal prática já é deveras utilizada por empresas estrangeiras que buscam hodiernamente novos experts dentro do mercado brasileiro. Ademais, ao onerar a contratação de empregados especializados estarseia prejudicando os próprios funcionários, que dispenderam anos e dinheiro na árdua busca da excelência profissional, o que, como é cediço, desconfigura os próprios objetivos da Previdência Social. Destarte, por sua evidência, não há qualquer relação direta ou indireta desse pagamento feito ao futuro funcionário com os riscos sociais cobertos pelo sistema de seguridade social. Pelo fato de não haver previsão legal sobre pagamento do bônus de contratação (hiring bonus) não se pode chegar à ilação equivocada, de viez arrecadatório, que esse valor deve integrar o saláriodecontribuição e a base de cálculo da contribuição previdenciária da empresa. É o próprio Estatuto Supremo quem define como limitação ao poder de tributar (art. 150, 1). A regra máxima: é vedado exigir tributo sem que lei o estabeleça. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 16 A Constituição Federal obstaculiza de modo inarredável esse procedimento da Previdência Social, ao dispor em seu art. 5º, inciso II, que “ninguém será obrigado afazer ou deixar de fazer alguma coisa senão em virtude de lei”. Em se tratando de tributo, acresce a presença do princípio da legalidade restrita, também prescrito na Carta Magna: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: I – exigir ou aumentar tributo sem lei que o estabeleça. O pagamento de bônus de contratação não se enquadra na hipótese descritiva do art. 22, I, da Lei 8.121/91, pois, como já amplamente demonstrado, de empregados não se tratava, já que o pagamento foi efetuado antes da vigência de qualquer relação laboral, e, tampouco, de trabalhadores avulsos, visto que prestação de serviço nunca houve. A natureza jurídica desse bônus que antecede o contrato de trabalho ainda não alcançou sua elaboração científicodoutrinária, pois alguns especialistas consideramno ora indenização, ora abono, mas nunca remuneração, pois: a) não é contraprestação patronal a trabalhos prestados por empregado; b) é pago uma única vez, sob condição resolutiva, pois se houver descumprimento do prazo de permanência, poderá ocorrer devolução total ou parcial; c) não é ganho habitual e, sobretudo, d) não tem previsão legal para considerálo remuneração e tributável para fins previdenciários. O Augusto Tribunal Superior do Trabalho, ao analisar caso em que o empregado requeria a integração do valor recebido a título de bônus de contratação (hiring bonus) às verbas salariais e rescisórias, sotrancou o entendimento do caráter indenizatório de tal verba. Assim, especial destaque merece o voto do Eminente Ministro Alberto Luiz Bresciani de Fontan Pereira, no Recurso de Revista n. 907/20030720200.2, que foi lapidar ao destrinçar o tema: "Manifesta o Reclamante inconformismo com a r. sentença de origem, no tocante à integração do 'hiring bonus' como parte integrante do salário. Argumenta que o valor pago a título de 'luvas' somente foi disponibilizado ao recorrente em oito parcelas ao longo de seu pacto laboral (doc. 41) e que o fato de estar condicionado à devolução na hipótese de pedido de demissão ou dispensa por justa causa caracteriza ainda mais a sua natureza salarial. Mais uma vez, sem razão o recorrente. Tratase o 'hiring bonus' ou 'signon bonus' de uma soma em dinheiro que a empresa oferece, normalmente como atrativo à contratação, em detrimento do emprego anterior do profissional que, por muitas vezes, opta pelo novo emprego, ainda que no anterior obtivesse maiores garantias face ao tempo já trabalhado e à confiança conquistada. No universo corporativo, o pagamento do bônus de contratação, 'luvas' ou 'hiring bonus', é uma prática constante, porque há, no mercado, poucos profissionais com o perfil altamente especializado desejado pelas empresas. Dessa forma, o 'hiring bonus' pode fazer toda a diferença numa negociação, já que no ramo empresarial praticamente não há diferença entre os salários dos executivos de alto escalão. Fl. 186DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 10 17 Desse modo, considerando que a parcela de R$400.000,00 (quatrocentos mil reais) foi condição de contratação, ainda que paga em parcelas, não há amparo legal a justificar sua integração ao salário, não se inserindo no conceito de remuneração estabelecido pelo artigo 457 da CLT. Somente se entende que o 'bônus' corresponda ao conceito de 'gratificação ajustada', possuindo natureza de verba salarial, se verificada a habitualidade da sua concessão, o que não se constata na hipótese em exame. Nada modifico." Em síntese e conclusivamente: o bônus de contratação (hiring bonus) não tem natureza jurídica remuneratória e não integra o saláriodecontribuição do empregado, independente da nomenclatura conferida pelo contribuinte na DIRF, razão pela qual não necessita constar na folha de pagamento mensal, pois é adimplido antes da contratação, mediante promessa formal de sua ocorrência e duração na empresa. Assim, também neste tópico não assiste razão ao fisco, devendo o crédito ser exonerado em sua totalidade. Da Não Incidência da Contribuição Previdenciária sobre Vale Transporte No tocante ao vale transporte pago em pecúnia, acompanho o douto relator que entende que os valores pagos em pecúnia a título valetransporte, por possuírem natureza indenizatória e expressa previsão legal, interpretandose sistematicamente o ordenamento jurídico, não se incorporam ao saláriocontribuição. Outrossim, esta matéria fora definitivamente julgada pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal, através do RE n. 478.410/SP, declarando ser inconstitucional a incidência da contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, já que, qualquer que seja a forma de pagamento, detém o benefício natureza indenizatória. As alegações do contribuinte, neste tópico, merecem prosperar, posto que as importâncias desembolsadas pela empresa a título de valetransporte não integram o salário de contribuição, vez que não possuem natureza salarial. Ainda mais porque entendo que resta nítida a natureza indenizatória do benefício, pois o empregado utiliza os valores recebidos para o custeio da sua locomoção para o trabalho. Tomo como fundamento legal o que dispõe o artigo 28, § 9º, “f”, da Lei 8.212/91: “Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: f) a parcela recebida a título de valetransporte, na forma da legislação própria;(...)” Cabe ressaltar, outrossim, que o Egrégio Tribunal Superior do Trabalho, por ocasião do julgamento da Ação Anulatória n. 366.360/97.4, ajuizada pelo Ministério Público do Trabalho em face da federação Nacional dos Bancos, autorizou, explicitamente, aos bancos o pagamento do vale transporte em moeda corrente, conforme se infere de parte da ementa abaixo: Fl. 187DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 18 ACORDO COLETIVO – VALIDADE – ANTECIPAÇÃO DO VALE TRANSPORTE EM DINHEIRO – Ao vedar a antecipação em dinheiro do vale transporte o decreto regulamentador extrapolou os limites da lei instituidora do benefício. Válido o ajuste coletivo que prevê a antecipação em dinheiro do vale transporte e a redução do percentual de participação do trabalhador. Outrossim, como a Constituição Federal , em seu art. 7º, inciso XXVI, prevê força normativa aos acordos ou convenções coletivas, tornase clara a possibilidade de pagamento do valetransporte em dinheiro, como ocorre no presente caso, não descaracterizando sua natureza indenizatória e não salarial, o que mais uma vez impede a incidência das contribuições previdenciárias sobre os valores pagos a esse título. Corroborando o entendimento anteriormente disposto, têmse o posicionamento recente da Advocacia Geral da União, por meio da Súmula n.º 60, a qual preceitua: "Não há incidência de contribuição previdenciária sobre o vale transporte pago em pecúnia, considerando o caráter indenizatório da verba." E sobre a natureza indenizatória do benefício, o Supremo Tribunal Federal já firmou seu posicionamento considerando que, mesmo quando pago em pecúnia, o vale transporte não possui natureza salarial, in verbis: “EMENTA: RECURSO EXTRORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do Fl. 188DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 11 19 curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.” (RE 478410/ SP; Relator Ministro Eros Grau) Com a devida venia ao entendimento do fisco, tenho como certo que o vale transporte pago em pecúnia possui natureza indenizatória, não sofrendo, por consectário, incidência de contribuições previdenciárias. Ademais, não cabe ao auditor modificar a natureza jurídica dessa verba, transformandoa em outro tipo de verba sujeita ao pagamento de contribuição. De outro lado, a Lei nº 10.243/2001, alterou o §2º do art. 458 da CLT, que passou a ter a seguinte redação: "Art. 458...................................................... § 2º Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: I – vestuários, equipamentos e outros acessórios fornecidos aos empregados e utilizados no local de trabalho, para a prestação do serviço; II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; III – transporte destinado ao deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público; ......................................................................” (NR) Com isso, considerando o inciso III, acima transcrito, o transporte concedido como utilidade não será considerado como salário. Assim, se não é salário o transporte, não creio que os valores pagos pela empresa aos empregados, para o seu deslocamento para o trabalho e retorno, em percurso servido ou não por transporte público, seja considerado para efeito de incidência da contribuição social. Dito isso, verificase que a exigência tributária pretendida é descabida, e por consequência, deve ser afastado o auto de infração neste tópico, uma vez que, como demonstrado, o valetransporte pago em dinheiro possui natureza indenizatória. CONCLUSÃO Fl. 189DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 20 Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DARLHE PROVIMENTO, nos termos alinhavados acima, exonerando o crédito tributário em sua totalidade. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Conselheiro Mauro José Silva: Apresento minhas considerações a respeito dos seguintes aspectos: caráter salarial do bônus de contratação e conhecimento de ofício do enquadramento dos trabalhadores. Inicio tratando do caráter salarial do bônus de contratação, “luvas” ou hiring bônus. A esse respeito, a despeito da jurisprudência do Tribunal Superior do Trabalho (TST) datada de 2003 que foi colacionada pelo eminente Relator, verifiquei que já ficou assentado naquele Tribunal, em inúmeras decisões posteriores, o caráter salarial desse tipo de pagamento. Há Acórdãos do TST que, inclusive foram oriundos de discussões que envolvem a Recorrente, Banco Safra. Vejamos alguns julgados do TST: RECURSO DE REVISTA DO BANCO SAFRA. INCENTIVO FINANCEIRO PARA MUDANÇA DE EMPREGADOR. CONTRATO DE TRABALHO. Não demonstrada divergência jurisprudencial ou ofensa a normas legais e constitucionais quanto ao fundamento do Eg. TRT, que determinou o pagamento do restante da vantagem pecuniária oferecida pelo banco ao autor com o fim de captálo de outra instituição financeira para o seu quadro de pessoal, em razão da sua eficiência no mercado financeiro, e carteira de clientes que traz consigo, a evidenciar a figura equiparada às 'luvas' do atleta profissional. Recurso de revista não conhecido. [...] (TSTRR4200071.2009.5.03.0137, Ac. 6ª Turma, Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, in DEJT 15.10.2010). RECURSO DE REVISTA. LUVAS. NATUREZA SALARIAL. Na esteira de precedentes desta Corte, a verba em discussão, equiparada às luvas do atleta profissional, já que ofertada pelo empregador visando captar profissional disputado no mercado, em detrimento do concorrente, possui verdadeira natureza salarial. Precedentes. Incólumes os arts. 457, § 1º e 458 da CLT. [...] (TSTRR43520002.2008.5.09.0663, Ac. 3ª Turma, Relatora Ministra Rosa Maria Weber Candiota da Rosa, in DEJT 6.5.2011). RECURSO DE REVISTA. INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE CONTRATO DE MÚTUO. LUVAS. NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o Fl. 190DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 12 21 objetivo de tornar mais atraente o ingresso do Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista conhecido e provido (TSTRR110990015.2005.5.09.0012, Ac. 4ª Turma, Relatora Ministra Maria de Assis Calsing, in DEJT 10.6.2011). [...] CONTRATO DE MÚTUO. DESCARACTERIZAÇÃO. LUVAS. NATUREZA SALARIAL. INTEGRAÇÃO. Sendo descaracterizado o contrato de mútuo, a natureza de salarial da parcela paga pelo reclamado (luvas) permite a sua integração ao salário do reclamante. Não conhecido. [...] (TSTRR 212940097.2007.5.09.0006, Ac. 5ª Turma, Relator Ministro Emmanoel Pereira, in DEJT 19.8.2011). AGRAVO DE INSTRUMENTO INTERPOSTO PELO RECLAMANTE AGRAVO DE INSTRUMENTO. RECURSO DE REVISTA. HIPÓTESE DE CABIMENTO. (...) RECURSO DE REVISTA INTERPOSTO PELO BANCO RECLAMADO PRESCRIÇÃO. LUVAS. NATUREZA JURÍDICA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. O direito à integração das luvas ao salário, para efeito de pagamento dos reflexos nas demais parcelas, prolongandose até a extinção da relação de emprego, em razão de sua natureza salarial, afasta a apontada ofensa ao art. 7º, inc. XXIX, da Constituição da República. LUVAS. NATUREZA JURÍDICA. INTEGRAÇÃO AO SALÁRIO. A decisão proferida pelo Tribunal Regional, em que se reconheceu a natureza salarial das luvas e se determinou sua integração ao salário, identificase com o posicionamento desta Corte. Assim, aplicamse a Súmula 333 do TST e o art. 896, § 4º, da CLT como óbice ao conhecimento do Recurso de Revista. (ARR 56610092.2009.5.12.0004 , Relator Ministro: João Batista Brito Pereira, Data de Julgamento: 12/06/2012, 5ª Turma, Data de Publicação: 22/06/2012) RECURSO DE REVISTA. (..). ADIANTAMENTO DE PARCELAS SALARIAIS. LUVAS. CONTRATOS DE MÚTUO. DESCARACTERIZAÇÃO. Não merece reforma a decisão que descaracteriza os contratos de mútuo firmado entre as partes, por representar fraude, já que se tratava de adiantamento de parcelas salariais, destinadas a incentivar a contratação do autor, pois o eg. TRT consigna que era prática no mercado que empregados sejam contratados mediante o pagamento de "luvas". Recurso de revista não conhecido. (RR 675600 35.2009.5.09.0018 , Relator Ministro: Aloysio Corrêa da Veiga, Data de Julgamento: 30/05/2012, 6ª Turma, Data de Publicação: 08/06/2012) I AGRAVO DE INSTRUMENTO EM RECURSO DE REVISTA. GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMOS. Demonstrada a existência de divergência jurisprudencial Fl. 191DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 22 específica, o agravo de instrumento merece ser provido. Agravo de instrumento provido. II RECURSO DE REVISTA (...). GRATIFICAÇÃO AJUSTADA. INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMOS. HABITUALIDADE. Este Tribunal, examinando casos análogos, envolvendo o Banco Safra S.A. tem, reiteradamente, entendido que o pagamento de valores a título de empréstimos pagos extra folha, mesmo que não constatada a habitualidade, evidencia a figura equiparada às luvas do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso do empregado em seu quadro funcional e que, portanto, tais parcelas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Recurso de revista conhecido e provido. (RR 1292898.2010.5.04.0000, Relatora Ministra: Delaíde Miranda Arantes, Data de Julgamento: 02/05/2012, 7ª Turma, Data de Publicação: 11/05/2012) LUVAS. NATUREZA SALARIAL. Na esteira da jurisprudência desta Corte, o contrato de empréstimo realizado entre as partes, equiparase a parcela 'luvas', de caráter nitidamente salarial. Precedentes. Não conhecido. (AIRR e RR 144000 57.2009.5.03.0103, Rel. Min. Emmanoel Pereira, 5.ª Turma, DEJT 19/8/2011) INTEGRAÇÃO DOS VALORES PAGOS A TÍTULO DE EMPRÉSTIMO. 'LUVAS'. NATUREZA SALARIAL. Evidenciada a figura equiparada às 'luvas' do atleta profissional, paga pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente o ingresso da Reclamante em seu quadro funcional, é de se concluir que as parcelas concedidas ostentam nítida natureza salarial, razão pela qual devem integrar o salário para todos os efeitos legais. Nesse sentido, precedentes desta Corte. Recurso de Revista conhecido e provido, no particular. (RR 56741 38.2003.5.04.0028, Rel. Min. Maria de Assis Calsing, 4.ª Turma, DEJT 1.º/4/2011) RECURSO DE REVISTA DO BANCO SAFRA. INCENTIVO FINANCEIRO PARA MUDANÇA DE EMPREGADOR. CONTRATO DE TRABALHO. Não demonstrada divergência jurisprudencial ou ofensa a normas legais e constitucionais quanto ao fundamento do Eg. TRT, que determinou o pagamento do restante da vantagem pecuniária oferecida pelo banco ao autor com o fim de captálo de outra instituição financeira para o seu quadro de pessoal, em razão da sua eficiência no mercado financeiro, e carteira de clientes que traz consigo, a evidenciar a figura equiparada às 'luvas' do atleta profissional. Recurso de revista não conhecido. (RR 4200071.2009.5.03.0137, Rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, 6.ª Turma, DEJT 15/10/2010) INCENTIVO FINANCEIRO PARA MUDANÇA DE EMPREGADOR. LUVAS. CONTRATO DE EMPRÉSTIMO NÃO DEMONSTRADO. Verificado que o valor contratado não se tratava de um empréstimo pessoal, mas destinavase ao pagamento de luvas para que a autora passasse a lhe prestar serviços, ante a expectativa de produtividade que a autora poderia lhe oferecer em razão dos clientes fiéis que tinha enquanto empregada de outro banco, não há de se falar em violação do 5.º, inciso XXXVI, da CF, nem em ato jurídico Fl. 192DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 13 23 perfeito. Recurso de revista não conhecido. Recurso de revista não conhecido. (RR 208240061.2008.5.09.0008, Rel. Min. Aloysio Corrêa da Veiga, 6.ª Turma, DEJT 1.º/10/2010) 'CONTRATO DESPORTIVO. ATLETA PROFISSIONAL DE FUTEBOL. LUVAS. NATUREZA JURÍDICA. As luvas, cujo termo em sentido figurado não é exclusivo do direito desportivo, mas também do Direito Comercial locação comercial , instituto com o qual também guarda semelhança, inclusive no tocante à sua finalidade, pois nesta o valor do 'ponto' (fundo de comércio) aproximase do valor da propriedade do imóvel, implica em dizer que "em certo sentido, as luvas desportivas importam reconhecimento de um fundo de trabalho, isto é, o valor do trabalho desportivo já demonstrado pelo atleta que determinada associação contratar', tudo consoante lição do mestre José Martins Catharino. A verba luvas, portanto, não se reveste de natureza indenizatória, porquanto é sabido que a indenização tem como pressuposto básico o ressarcimento, a reparação ou a compensação de um direito lesado, em síntese, compensa uma perda, de que na hipótese não se trata, na medida em que a verba recebida a título de luvas tem origem justamente na aquisição de um direito em face do desempenho personalíssimo do atleta, ou seja, o seu valor é previamente convencionado na assinatura do contrato, tendo por base a atuação do atleta na sua modalidade desportiva. Recurso de Revista conhecido e provido.' (Proc. TSTRR 418392/1998, 1ª T, Relator Juiz Convocado Vieira de Mello Filho, DJ de 09/08/2002.) '(...)'. 'LUVAS DESPORTIVAS. NATUREZA JURÍDICA. INTEGRAÇÃO SALARIAL. CONHECIMENTO. Nos termos do artigo 12 da Lei n.º 6.354/1976, as luvas desportivas são pagas em razão do contrato de trabalho, tomandose em consideração o desempenho do atleta profissional de futebol ao longo de sua carreira, consoante prelecionam JOSÉ MARTINS CATHARINO e ALICE MONTEIRO DE BARROS. Tratase, portanto, de verba de natureza eminentemente salarial na medida em que caracteriza uma modalidade de contraprestação paga pelo empregador ao empregado. Robustece esta convicção o fato de o artigo 3.º, inciso III, da Lei n.º 6.354/1976 incluir as luvas desportivas no rol de parcelas que compõem a remuneração do atleta profissional de futebol, estabelecendo, inclusive, que tal valor deve estar expressamente especificado no contrato de trabalho, se previamente convencionado. Recurso conhecido, por divergência jurisprudencial, e parcialmente provido'. '(...)'. (Proc. TSTRR 467.125/1998.5, 1ª T, Relator Juiz Convocado Altino Pedrozo dos Santos, DJ de 09/07/2004.) Podemos observar, portanto, que o Tribunal Superior do Trabalho (TST) já analisou a natureza jurídica das luvas em diversas assentadas e vem, reiteradamente, decidindo por sua natureza salarial. Fl. 193DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA 24 Em um trecho do Acórdão no processo TSTERR418.392/1998.7, o Ministro Relator afirma: a parcela denominada luvas tem natureza salarial, por se tratar de contraprestação individual e personalíssima, que adota como base do valor o nível de desempenho alcançado pelo atleta no exercício da modalidade esportiva. Em outro julgado (RR 24434020.2007.5.02.0034), fica afastada a natureza indenizatória dos pagamentos a título de luvas ou bônus de contratação, como argumentou o eminente Relator no presente processo: As luvas, importância paga ao trabalhador para deixar a empresa e ir trabalhar na reclamada, têm caráter salarial, integrando a remuneração para todos os efeitos legais, e constituem reconhecimento pelo desempenho e resultados alcançados pelo profissional em sua carreira. (...) Não faz diferença se as luvas são recebidas de uma única vez ou em parcelas. Elas não correspondem a uma indenização, pois não visam a ressarcimento, compensação ou reparação de nenhuma espécie. As luvas são resultado do patrimônio que o trabalhador incorporou à sua vida profissional que justifica esse pagamento a priori. (...) No âmbito desta egr. Corte, temse deferido a integração da verba em questão por equiparála às "luvas" do atleta profissional, uma vez que oferecida pelo empregador com o objetivo de tornar mais atraente a aceitação ao emprego, corrente à qual ora me filio. Assim, alinhome à jurisprudência do TST que tem reconhecido a natureza salarial do bônus de contratação. Quanto ao conhecimento de ofício do correto enquadramento dos trabalhadores, entendemos não se tratar de questão de ordem pública que suscite o conhecimento de ofício. Não sendo questão de ordem pública, falece competência a este Colegiado para a análise da questão em virtude do art. 25, inciso II do Decreto 70.235/72. Caso conhecido de ofício essa questão, entretanto, suscitaria nulidade por vício material, uma vez que houve equívoco na fundamentação fática do lançamento, tendo em conta que a fiscalização, tratando de contribuintes individuais, não poderia motivar o lançamento na natureza salarial, nos moldes da CLT. (assinado digitalmente) Fl. 194DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 16327.720643/201191 Acórdão n.º 2301003.086 S2C3T1 Fl. 14 25 Mauro José Silva Fl. 195DF CARF MF Impresso em 06/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 01/02/2013 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assin ado digitalmente em 30/01/2013 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 04/02/2013 por MARCELO OLIVEIRA
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Numero do processo: 11444.001656/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 10/01/2005 a 20/02/2006
INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA.
Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
Numero da decisão: 3301-001.638
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora.
[assinado digitalmente]
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
[assinado digitalmente]
Andréa Medrado Darzé - Relatora.
Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso.
Nome do relator: ANDREA MEDRADO DARZE
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 10/01/2005 a 20/02/2006 CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS ISENTOS. MANUTENÇÃO E APROVEITAMENTO. Somente os créditos relativos às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem sujeitos tributados pelo IPI são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 10/01/2005 a 20/02/2006 INCONSTITUCIONALIDADE. INCOMPETÊNCIA. Nos termos da Súmula nº 2, o CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. [assinado digitalmente] Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. [assinado digitalmente] Andréa Medrado Darzé Relatora. Participaram ainda da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (presidente), José Adão Vitorino de Morais, Maria Teresa Martinez Lopez, Paulo Guilherme Déroulède e Antônio Lisboa Cardoso. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 16 56 /2 00 8- 11 Fl. 1044DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão da DRJ em Salvador que julgou improcedente a Impugnação do contribuinte. A ora Recorrente teve contra si lavrado Auto de Infração para exigir crédito tributário referente ao Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI no valor de R$2.384.226,72, acrescido da multa de ofício e dos juros de mora, totalizando R$5.173.360,55. Consta na descrição dos fatos que a infração decorreu da falta de recolhimento ou recolhimento a menor do imposto, em razão de utilização de supostos créditos de IPI e PIS, nos valores que discrimina às fls.05/07, a título de créditos extemporâneos escriturados como “Outros Créditos”, nos Livros Registro de Apuração do IPI, fls.53/128, no período de 01/01/2005 a 31/12/2006. Descreve a fiscalização, que a interessada, embasada em consultoria jurídica, (fls. 129/219 e conclusão de fl.184), decisões judiciais das quais não era parte, entendeu que fazia jus ao crédito presumido do IPI na entrada de insumos com alíquota zero ou não tributados, quando o produto resultante da industrialização fosse tributado). Tendo apurado que a média dos produtos industrializados pela fiscalizada eram tributados à alíquota de 130% (fl.132), apropriouse de créditos sobre a entrada dos referidos insumos, à alíquota de 50%, conforme planilha contendo as notas fiscais de entrada dos insumos tributados à alíquota zero (fls.185/207), o que, no entender da fiscalização, não teria fundamento jurídico. Quanto ao crédito do PIS, informa a fiscalização que a empresa utilizou os créditos embasados em consultoria jurídica e cálculos, fls.338/349, com a seguinte menção: "documentação pertinente à autorização judicial que declara ser indevida a exação, logo autoriza (sic) a PIS RECEITA OPERACIONAL BRUTA, com o PIS RECEITA" e, instruções para compensação, entretanto, desacompanhado de qualquer dispositivo legal que amparasse a compensação. Intimada a apresentar o dispositivo legal que amparou a dedução dos supostos créditos de IPI e PIS (fls.350/351 e 352/353), a empresa somente se manifestou por contato telefônico alegando que os créditos referentes ao PIS provinham de diferenças resultantes da declaração de inconstitucionalidade dos DecretosLeis 2.445/1998 e 2.449/1988 pelo Supremo Tribunal Federal STF e posterior suspensão da execução dos referidos Decretos Leis pela Resolução no. 49/95 do Senado Federal. Informou, ainda, a fiscalização, que em pesquisa aos arquivos da RFB constatou que o pedido de restituição/compensação, pela fiscalizada, de tais créditos foi indeferido em primeira instância (processo 13831.000302/200489), por entender a autoridade julgadora que teria operado a decadência do direito à restituição/compensação. Entretanto, como a fiscalizada recorreu da referida decisão, o processo ainda tramita na esfera administrativa. Por conta disso, não houve lançamento neste auto de infração do IPI compensado pelos supostos créditos do PIS, uma vez que tais compensações foram devidamente informadas nas Declarações de Débitos e Créditos Tributários – DCTF, nas quais informouse também os números dos Pedidos eletrônicos de ressarcimento ou Declarações de Compensação – PER/DCOMP apresentados. Fl. 1045DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11444.001656/200811 Acórdão n.º 3301001.638 S3C3T1 Fl. 121 3 Assim, foram glosados e lançados pelo presente procedimento fiscal somente o IPI compensado com os supostos créditos presumidos sobre entradas tributadas à alíquota zero, como anteriormente citado, nos valores e períodos relacionados, relativo aos períodos de apuração compreendidos entre o 1º decêndio de janeiro/2005 e 2º decêndio de fevereiro/2006. Regularmente cientificado, o contribuinte apresentou impugnação de fls.573/595 e 599/644, em 16/01/209, fl.573, alegando, em síntese, que: a fiscalização alega que a legislação não ampara o crédito na forma presumida sobre o imposto relativo à entrada de insumos com alíquota zero, e nem previsão legal para créditos calculados sobre aquisições de insumos isentos ou tributados com alíquota zero, não obstante o art.153 da Constituição Federal; o Plenário do Supremo Tribunal Federal já havia explanado ser inequívoco o direito ao aproveitamento do IPI adquirido com isenção ou tributado à alíquota zero, RE 212.4822; seus produtos são fortemente onerados pelo IPI, com alíquotas de até 130%; o direito ao abatimento dos valores tributários obedece a requisitos, tais como documentos hábeis, idôneos, o que não significa restrição ao direito de apropriação; o exercício independe de autorização de legislação infraconstitucional, art.153 da Constituição Federal de 1988, e deste modo a não cumulatividade do IPI visa somente assegurar a compensação em cada operação do imposto pago nas aquisições, e, ao contrário do ICMS, não sofre qualquer restrição, uma vez que o crédito é financeiro, conforme julgados que transcreve; o crédito não constitui uma mera faculdade outorgada ao contribuinte, traduzida em procedimento discricionário, assim se mantém os créditos de IPI nas operações posteriores isentas ou sujeitas à alíquota zero ou imune pois o que se pretende deduzir do imposto devido pelo contribuinte resultam de legítimas operações pelas quais foram adquiridos produtos ou mercadorias para atividade industrial, e a não aplicação do crédito na entrada do insumo adquirido implica em simples postergação para pagamento do imposto, anulandose o benefício; o STF voltou a enfrentar a questão do crédito ficto, aquisição de insumos sujeitos a alíquota zero mas destinados a industrialização, RE 353.6575/ PR em 15/12/2004, tendo se pronunciado no sentido de garantir estabilidade a relação fisco contribuinte, sem que haja alteração de cunho normativo legal ou constitucional; a MP 449/08 concede parcelamento para os casos decorrentes de aproveitamento de crédito de IPI que posteriormente o plenário do STF julgou de forma contrária aos interesses do setor produtivo, pois havia decisão reconhecendo o aproveitamento destes créditos; no que tange ao PIS, embora não tenha havido lançamento do IPI compensado com tais créditos desta exação, efetuou compensação de créditos derivados do PIS RECEITA OPERACIONAL BRUTA dos Decretoslei nº2.445 e 2.449, de 1988, julgados inconstitucionais pelo STF e expurgados do mundo jurídico pela Resolução nº49/95 do senado Fl. 1046DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Federal em outubro de 2000, e assim poderiam os créditos ser aproveitados na compensação de quaisquer tributos, mesmo de destinação constitucional diferente; as multas imputadas tem caráter confiscatório, no valor de 75% do valor da operação, posto que é exagerada conforme jurisprudência que transcreve, caracterizando o confisco, que é vedado pela CF; A DRJ em Salvador julgou improcedente a Impugnação apresentada nos seguintes termos: INSUFICIÊNCIA/FALTA DE RECOLHIMENTO. Apurada a insuficiência ou falta de recolhimento do IPI é devida sua cobrança com os encargos legais correspondentes. CRÉDITOS DE IPI. INSUMOS NÃO TRIBUTADOS OU TRIBUTADOS A ALÍQUOTA ZERO. MANUTENÇÃO E APROVEITAMENTO. Somente os créditos relativos às aquisições de matérias primas, produtos intermediários e materiais de embalagem sujeitos ao pagamento do IPI são suscetíveis de escrituração, apuração e aproveitamento. IPI. CRÉDITOS. INSUMOS. ALÍQUOTA ZERO. Inexiste base jurídica para a pretensão de calcular o crédito ficto de IPI em relação a insumos tributados com alíquota zero, mediante a aplicação de 50% da alíquota a que estão sujeitos os produtos industrializados pelo estabelecimento. MULTA DE OFÍCIO. CONFISCO. ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. O pedido de cancelamento da multa de ofício, por supostamente ter caráter confiscatório, não pode ser conhecido no âmbito administrativo, tendo em vista que o exame da constitucionalidade é matéria exclusiva de apreciação pelo Poder Judiciário. Impugnação Improcedente. Irresignada, a contribuinte recorreu a este Conselho repetindo as razões da Impugnação relativas ao direito ao crédito de IPI nas aquisições de insumos isentos ou tributados à alíquota zero. É o relatório. Voto Conselheira Andréa Medrado Darzé. O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Fl. 1047DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11444.001656/200811 Acórdão n.º 3301001.638 S3C3T1 Fl. 122 5 Como é possível perceber do relato acima, a presente controvérsia se resume à possibilidade de o contribuinte se apropriar de créditos de IPI nas aquisições de matérias primas, materiais de embalagens e produtos intermediários isentos. Isso porque, partimos da premissa que alíquota zero é uma das formas de instituir a isenção, pela mutilação da alíquota. Pois bem. Nos termos do art. 153, § 3°, II, da Constituição da República, o IPI será nãocumulativo, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado na anteriores. O direito ao crédito de IPI decorre, portanto, de norma constitucional, sendo autônomo em relação ao cumprimento da obrigação tributária pelo vendedor de insumos. Tem como hipótese de incidência a compra de matéria prima, materiais de embalagem e produtos intermediários tributados. Em outros termos, nasce de uma relação de direito privado entre o vendedor e o comprador desses produtos. O adquirente poderá apropriar os créditos do IPI na medida em que haja uma operação tributada. A relação entre o adquirente dos insumos e o Fisco não está integrada à regramatriz de incidência do IPI, mas compõe a disciplina que versa sobre a arrecadação, na medida em que implica o direito à compensação, em cada operação, do valor incidente nas anteriores. Cabe, nesse ponto, considerar que as definições dos termos "cobrado" e "devido" são, de longa data, esclarecidas pelos doutrinadores pátrios. Geraldo Ataliba e Cleber Giardino afirmam, de modo elucidativo: Importa observar ser irrelevante o fato de o tributo ter sido ou não lançado nas operações anteriores. E isso, entendendose a expressão lançamento seja no sentido técnico do artigo 142 do CTN, isto é, de ato administrativo; seja no sentido amplo (v.g. lançamento do imposto na nota fiscal nos livros fiscais etc), seja ainda no sentido de significar a atividade de antecipação de cálculo e pagamento, que desenvolve o contribuinte na forma do artigo 150 do CTN. Em qualquer caso, com ou sem esses lançamentos, o abatimento constitucional está assegurado (Diferimento Estudo TeóricoPrático" Estudos e Pareceres n° 1 Ed. Resenha Tributária, pp. 21 e 22). Na mesma linha, Paulo Celso Bergstrom Bonilha afirma: Parecenos que a acepção "montante (de imposto) cobrado" que vem de ser utilizada pelo legislador constitucional nos dois dispositivos acima transcritos,pressupõe. antes de mais nada, que se trata de (montante) imposto que foi objeto de lançamento. Este requisito, ínsito no próprio texto constitucional, não implica, para fins de abatimento ou dedução na prova do pagamento do imposto. Basta que haja formalização regular da obrigação tributária. (IPI ¬ICMS Fundamentos da Técnica NãoCumulativa. São Paulo Coedição IBDT e Resenha Tributária, 1979, p. 143). Observase da leitura atenta dessas considerações doutrinárias, com as quais compartilho, que o princípio constitucional da nãocumulatividade é praticado mediante a apropriação de crédito, pelo estabelecimento destinatário das mercadorias, do valor do IPI Fl. 1048DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 6 incidente nas operações anteriores. O termo "cobrado" empregado pelo Texto Supremo deve ser interpretado como imposto incidente, sendo irrelevante, para fins de legitimação do crédito apropriado pelo destinatário, se o estabelecimento remetente efetivamente recolheu, na integralidade, o valor destacado na nota fiscal de saída. De fato, não há necessidade de que o seu valor tenha sido cobrado efetivamente, ou mesmo que o lançamento correspondente tenha sido efetuado, para que o adquirente tenha direito ao crédito. É imprescindível, contudo, a incidência em concreto, isto é, que o produto adquirido tenha ido gravado com urna alíquota positiva. No caso sob análise, todavia, as operações de aquisição dos insumos foram marcadas pela isenção (o que inclui as hipóteses de alíquota zero, como já adiantado). Deixando o imposto de incidir na etapa anterior – já que, na isenção, a mutilação parcial da regramatriz de incidência que impede a sua aplicação – , não há como se reconhecer o direito ao crédito. Com efeito, o princípio da nãocumulatividade, nos moldes prescritos pela Constituição da República, visa apenas a impedir a tributação em cascata, assegurando que, no preço da venda do produto ao consumidor final, a parcela alusiva ao tributo corresponda a percentual que não exceda ao da alíquota deste. Como bem colocado pelo Min. Ilmar Galvão no RE 212.484, a compensação só se dá com o que for cobrado. Não importa que o consumidor final não tenha sido beneficiado pela não exigência do tributo em uma das etapas do ciclo econômico. Aliás, a isenção na aquisição da matéria prima não visa a beneficiar o consumidor, visto apenas a diferir a incidência do imposto para a operação de vendado produto acabado, mas, tão somente, a empresa industrial, na medida em que a exonera da obrigação de desembolsar, quando da aquisição de matéria prima, o valor alusivo ao tributo. Não se nega que, em casos como o presente, a inexistência de direito ao crédito implica verdadeiro diferimento do imposto não cobrado em uma etapa do ciclo econômico, inviabilizando a efetiva desoneração da cadeia de produção. Ocorre que não pode o intérprete ignorar o texto constitucional, ainda que com o objetivo de buscar uma maior justiça tributária. Se a Constituição Federal, ao delimitar a técnica de nãoumulatividade do IPI, assegurou o crédito apenas nos casos em que houve incidência do tributo na etapa anterior, não pode o aplicador da lei ampliar seu conteúdo, sob pena de estar atuando como verdadeiro legislador positivo, o que é terminantemente vedado pelo sistema. Não se nega que o mais justo seria assegurar crédito presumido nessas situações, mas para isso exigese lei, o que ainda não é o caso. Inúmeros são os precedentes deste Conselho Administrativo nesse sentido: (...) PEDIDO DE RESSARCIMENTO, INSUMO S ISENTO S E COM ALÍQUOTA ZERO. DIREITO AO CRÉDITO, IMPOSSIBILIDADE. Não geram direito a créditos do IPI as aquisições de insumo s isento s, não tributados e com alíquota zero. (CARF 3ª. Seção/ 1ª Turma da 4ª. Câmara / ACÓRDÃO 340100.917, DOU 05.01.11) (...) DIREITO DE CRÉDITO DE INSUMOISENTO. INEXISTÊNCIA. As aquisições de insumos isentos não geram Fl. 1049DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 11444.001656/200811 Acórdão n.º 3301001.638 S3C3T1 Fl. 123 7 crédito de IPI. (CARF 3ª Seção / 1ª Turma da 3ª Câmara/ ACÓRDÃO 330100.666 DOU 18.01.2011 ) Por outro lado, deixo de apreciar as alegações de inconstitucionalidade da cobrança da multa, por violação ao princípio do não confisco e da razoabilidade por se tratar de matérias que escapam à competência deste Tribunal Administrativo: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Pelo exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao presente recurso voluntário. [Assinado digitalmente] ANDRÉA MEDRADO DARZÉ Fl. 1050DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 27/11/2012 por ANDREA MEDRADO DARZE, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 16327.909124/2009-56
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 26 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 15/05/2006
PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE.
Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado. Nos presentes autos não houve tal comprovação, logo, não se acata a retificação do valor débito declarada.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3802-001.323
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Drª Renata Borges La Guardia, OAB/SP nº 182.620, fez sustentação oral.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
EDITADO EM: 09/10/2012
Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. O Conselheiro Solon Sehn declarou-se impedido.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2006 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Não comprovada, na fase recursal, a certeza e liquidez do crédito, mantémse a decisão recorrida que, pelo mesmo motivo, não homologou a compensação declarada pelo sujeito passivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 15/05/2006 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado. Nos presentes autos não houve tal comprovação, logo, não se acata a retificação do valor débito declarada. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 91 24 /2 00 9- 56 Fl. 281DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. A Drª Renata Borges La Guardia, OAB/SP nº 182.620, fez sustentação oral. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. EDITADO EM: 09/10/2012 Participaram da Sessão de julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento e Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. O Conselheiro Solon Sehn declarouse impedido. Relatório Tratase de Recurso Voluntário oposto com o objetivo de reformar o Acórdão proferido pelos membros da 4ª Turma de Julgamento da DRJ – Brasília/DF, em que, por unanimidade de votos, julgaram improcedente a manifestação de inconformidade, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/05/2006 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A ABRILR. Não se reconhece o direito creditório quando o contribuinte não logra comprovar com documentos hábeis e idôneos que houve pagamento indevido ou a abrilr. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos registrados até a prolação do Acórdão de primeiro grau, peço licença para transcrever a seguir o relatório nele encartado: 1. O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação, fls. 44 a 49 (PER/DCOMP nº 12867.76857.140706.1.3.046310), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de PIS (cód. receita 4574) relativo ao período de apuração abril de 2006. 2. Pelo Despacho Decisório de fls. 41 o contribuinte foi cientificado, em 03/08/2009 (fls. 57), de que “A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo Fl. 282DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16327.909124/200956 Acórdão n.º 3802001.323 S3TE02 Fl. 11 3 relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP”. 3. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher o débito indevidamente compensado (principal: R$ 101.993,82). 4. Irresignado, o contribuinte apresentou em 24/08/2009 a Manifestação de Inconformidade de fls. 01 a 04, alegando, em apertada síntese, que: 4.1 Incorreu em erro na ocasião do preenchimento da DCTF, sendo que havia apurado, em abril de 2006, PIS a pagar no montante de R$ 373.169,79, entretanto acabou recolhendo e declarando em DCTF um valor superior (R$ 472.987,58). 4.2 Identificado o equívoco, o recorrente constituiu crédito tributário no valor de R$ 99.817,79 que foi utilizado para compensar os débitos desta DCOMP. 4.3 No entanto o recorrente deixou de corrigir a DCTF do período do crédito, o que acabou gerando a inconsistência entre os valores declarados em DCTF e na PER/DCOMP. 4.4 Para sanar tal pendência o contribuinte retificou a referida DCTF, alterando os valores de PIS apurado, o que, segundo o mesmo, estaria condizente com o apurado na época. 4.5 Condicionar a compensação a qualquer outra condição não estabelecida em lei, ainda mais na modalidade acessória, se constitui em burla ao Art. 170 do CTN e ao Art. 368 do Código Civil. Nesta linha, sustenta que se a obrigação acessória culmina na redução do direito creditório, tal situação deve ser afastada de imediato sob pena de se reportar a gravame novo, ferindo o princípio da legalidade. 5. Por fim requer que seja provida a manifestação de inconformidade, desconstituindose a exigência fiscal formulada, seja reconhecida a DCTF retificadora e conseqüentemente o crédito tributário e homologado o pedido de compensação em sua totalidade. Em 15/08/2011, a Interessada foi cientificada do referido Acórdão. Inconformada com teor da decisão prolatada, em 14/09/2011, protocolou o presente Recurso Voluntário, em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na manifestação de inconformidade. Em aditamento, alegou que: a) efetuou pagamento da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de abril de 2006, no valor de R$ 472.987,58, quando o valor correto seria de R$ 373.188,13, porque, quando da apuração preliminar do valor do referido débito, esquecerase de excluir da base de cálculo da referida Contribuição determinadas despesas financeiras, no montante de R$ 15.353.761,34, o que foi realizado somente por ocasião do preenchimento da Ficha 08B do Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais (Dacon) do 2º trimestre 2006, o que Fl. 283DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 resultou na redução da base de cálculo, inicialmente apurada, do valor de R$ 72.767.320,00 para R$ 57.413.558,66; b) a despeito do direito ao crédito e de sua correta informação no Dacon do 2º trimestre 2006 e na DCTF retificadora do 2º trimestre de 2006, o r. Despacho Decisório houve por bem não homologar a compensação declarada, sob o fundamento de que não havia crédito disponível; c) a despeito dos relevantes argumentos suscitados e da documentação trazida aos autos, a Turma de Julgamento a quo manteve inalterado o r. Despacho Decisorio, sob o fundamento de que a Recorrente não havia logrado comprovar, com documentação hábil e idônea, que o valor do débito informado na DCTF original estava incorreto; d) o Balancete Analítico, apresentado com o presente Recurso, e os demais documentos colacionados aos autos na fase de manifestação de inconformidade permitiam compreender, sem margem a dúvida, que a base de cálculo da Contribuição para PIS/Pasep do mês de abril de 2006 era de R$ 57.413.558,66, conforme informada no Dacon do 2º trimestre 2006, e não de R$ 72.767.320,00, utilizada na apuração do valor do débito informado na DCTF retificada; e e) não havia dúvidas de que, para que fosse atendido o princípio da verdade material, que devia reger todos os processos administrativos de natureza tributária, o Recorrente teria direito à homologação da compensação objeto dos presente autos, visto que o crédito informado na presente DComp foi adequadamente comprovado no âmbito do presente Recurso Voluntário, que complementou e reforçou as provas e as razões de defesa suscitada na Manifestação de Inconformidade anterior. No final, requereu o provimento do presente Recurso, para que fosse reconhecido o valor do crédito informado, no valor de R$ 99.817,79, e homologada a compensação declarada na presente DComp. Em 25/08/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de março de 2012 mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro, em conformidade com o disposto no art. 49 do Anexo II do Regimento Interno deste Conselho, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator O presente Recurso é tempestivo, foi apresentado por parte legítima, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, incluindo o limite alçada, portanto, dele tomo conhecimento. Conforme delineado no Relatório precedente, a presente controvérsia limita se a questão atinente à comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado na compensação do débito confessado na DComp nº 12867.76857.140706.1.3.046310 (fls. 28/33). Fl. 284DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16327.909124/200956 Acórdão n.º 3802001.323 S3TE02 Fl. 12 5 De fato, compulsando Acórdão recorrido, verificase que a Turma de Julgamento a quo manteve a decisão não homologatória da compensação, consignada no contestado Despacho Decisório, sob o fundamento de que o Recorrente não havia comprovado, por meio de documentação hábil e idônea, que estava incorreto o débito da Contribuição para o PIS/Pasep do mês de abril de 2006, inicialmente informado na DCTF original (fls. 255/257), no valor de R$ 472.987,58. Por sua vez, no presente Recurso, reafirmou o Recorrente que o valor correto do citado débito era R$ 373.188,13, com base no argumento de que no cálculo do primeiro valor não havia excluído da base de cálculo determinadas despesas financeiras, no montante de R$ 15.353.761,34, o que foi realizado somente por ocasião do preenchimento da Ficha 08B do Dacon do 2º trimestre de 2006, o que resultou na redução do valor da base de cálculo de R$ 72.767.320,00 para R$ 57.413.558,66. Com vista a comprovar o citado erro de apuração, foram carreados autos, juntamente com o presente Recurso, as cópias da DCTF original (fls. 255/257) e retificadora (fls. 266/268), do Dacon do 2º trimestre de 2006 (fls. 258/265) e do Balancete Analítico e Sintético do mês de abril de 2006 (fls. 269/279). Em relação ao alegado erro de apuração do referido débito, o Recorrente limitouse em afirmar que o montante de R$ 15.353.761,34, excluído da base de cálculo somente no ato do preenchimento do Dacon, era proveniente de determinadas despesas financeiras, no entanto, não discriminou tais despesas, nem tampouco apresentou qualquer documento que ratificasse essa alegação, nem sequer as folhas do Livro Razão foram apresentadas. A especificação das citadas despesas, ao meu ver, era imprescindível, haja vista que nem todas as despesas financeiras são dedutíveis da base cálculo da referida Contribuição, a exemplo dos prejuízos decorrente das operações financeiras de renda variável com ações, conforme previsto no art. 3º1, § 6º, I, “d”, da Lei nº 9.718, de 27 de novembro de 1998, com a redação da Medida Provisória nº 2.15835, de 2001. Além da ausência da citada discriminação, condição necessária para comprovação do erro de apuração alegado, ainda tenho por insuficiente as provas carreadas aos autos com o objetivo de comprovar o alegado erro de cálculo do valor debito informado na DCTF original, haja vista a impossibilidade de confirmação do tipo e valor das despesa em questão, o que poderia ser feito mediante apresentação das folhas do Livro Razão correspondentes as respectivas contas de despesas em destaque. 1 "Art. 3º O faturamento a que se refere o artigo anterior corresponde à receita bruta da pessoa jurídica. [...] § 6oNa determinação da base de cálculo das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS, as pessoas jurídicas referidas no § 1o do art. 22 da Lei no 8.212, de 1991, além das exclusões e deduções mencionadas no § 5o, poderão excluir ou deduzir: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) I no caso de bancos comerciais, bancos de investimentos, bancos de desenvolvimento, caixas econômicas, sociedades de crédito, financiamento e investimento, sociedades de crédito imobiliário, sociedades corretoras, distribuidoras de títulos e valores mobiliários, empresas de arrendamento mercantil e cooperativas de crédito: (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...] d) perdas com títulos de renda fixa e variável, exceto com ações; (Incluído pela Medida Provisória nº 215835, de 2001) [...]". Fl. 285DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 É oportuno ressaltar que os valores registrados no citado Balancete apenas ratificam os valores globais das despesas financeiras discriminados no referido Dacon, porém, não comprovam que o valor de R$ 15.353.761,34 fosse decorrente de despesas financeiras dedutíveis da base de cálculo da referida Contribuição. Na ausência desses elementos probatórios, tenho por incomprovado o alegado erro de apuração do débito informado na DCTF original e, em decorrência, o suposto indébito, no montante de R$ 99.817,79. A alegação em apreço trata de questão defesa que este Colegiado já apreciou e, por unanimidade, tem manifestado o entendimento de que, a simples retificação da DCTF, desacompanhada de prova robusta do alegado equívoco, não tem o condão de comprovar a existência da certeza e liquidez do crédito compensado. Com efeito, não se pode olvidar que, em conformidade com o disposto no art. 7º do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, aplicável ao processo de compensação em apreço, a ciência do primeiro ato de oficio tem o condão de excluir a espontaneidade do sujeito passivo em relação aos atos anteriores. No caso em tela, após ciência do Despacho Decisório, a redução do valor débito, objeto da compensação não homologada, somente seria admitida se demonstrada e comprovada, por meio de documentação adequada, a origem do erro na apuração do valor do débito retificado. Especificamente em relação à redução dos débitos tributários, em consonância com o referido preceito legal, é oportuno ressaltar que somente nas hipóteses em que caracterizada a espontaneidade a DCTF retificadora tem a mesma natureza da DCTF original, substituindoa integralmente. Por outro lado, afastada a espontaneidade, evidentemente, tal retificação não pode mais ser admitida com a simples retificação da dita Declaração. Corrobora o asseverado, o disposto nos §§ 1° e 2º do art. 9º da Instrução Normativa RFB nº 1.1102, de 24 de dezembro de 2010, que, com pequenas alterações, manteve a redação das Instruções Normativas anteriores, conforme o teor dos referidos dispositivos, a seguir transcritos: Art. 9º A alteração das informações prestadas em DCTF, nas hipóteses em que admitida, será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já 2 Na data da apresentação da presente DCTF retificadora estava em vigência a Instrução Normativa RFB nº 786, de 19 de novembro de 2007, cujo art. 11 assim dispunha sobre o assunto: “Art. 11. A alteração das informações prestadas em DCTF será efetuada mediante apresentação de DCTF retificadora, elaborada com observância das mesmas normas estabelecidas para a declaração retificada. § 1º A DCTF retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, substituindoa integralmente, e servirá para declarar novos débitos, aumentar ou reduzir os valores de débitos já informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto alterar os débitos relativos a impostos e contribuições: I cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; II cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU; ou III em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. [...]”. Fl. 286DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16327.909124/200956 Acórdão n.º 3802001.323 S3TE02 Fl. 13 7 informados ou efetivar qualquer alteração nos créditos vinculados. § 2º A retificação não produzirá efeitos quando tiver por objeto: I reduzir os débitos relativos a impostos e contribuições: a) cujos saldos a pagar já tenham sido enviados à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) para inscrição em DAU, nos casos em que importe alteração desses saldos; b) cujos valores apurados em procedimentos de auditoria interna, relativos às informações indevidas ou não comprovadas prestadas na DCTF, sobre pagamento, parcelamento, compensação ou suspensão de exigibilidade, já tenham sido enviados à PGFN para inscrição em DAU;ou c) que tenham sido objeto de exame em procedimento de fiscalização. II alterar os débitos de impostos e contribuições em relação aos quais a pessoa jurídica tenha sido intimada de início de procedimento fiscal. § 3º A retificação de valores informados na DCTF, que resulte em alteração do montante do débito já enviado à PGFN para inscrição em DAU ou de débito que tenha sido objeto de exame em procedimento de fiscalização, somente poderá ser efetuada pela RFB nos casos em que houver prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no preenchimento da declaração e enquanto não extinto o crédito tributário. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1.177, de 25 de julho de 2011) [...]. (grifos não originais) Inequivocamente, o presente Despacho Decisório representa o ato administrativo final, resultante do procedimento de controle da legalidade da compensação declarada pela Recorrente, previsto nos §§ 2º e 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Nesta hipótese, a redução do valor do débito somente seria admitida se existisse prova inequívoca da ocorrência de erro de fato cometido no preenchimento da DCTF retificada. Dessa forma, para que seja aceita tal retificação, ela deve atender, necessariamente, todos os requisitos previsto na legislação que rege o contraditório na esfera do processo administrativo fiscal, dentre os quais merece destaque a comprovação, com documentação adequada, do equívoco cometido, especialmente, quando o erro informado não se encontra apenas no preenchimento da DCTF, mas na própria apuração do valor débito em questão. Neste último caso, admitir a simples retificação da DCTF como suficiente para comprovar a existência do crédito glosado, resultaria sem efeito a atividade de controle da regularidade da compensação declarada prevista no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores, uma vez que o Despacho Decisório, regularmente prolatado, tornarseia juridicamente inexistente, sem que fosse pronunciada a sua inexistência ou nulidade, afrontando regras basilares que regem o processo administrativo fiscal. Fl. 287DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 Não é demais lembrar que, no presente caso, por força do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF), era ônus do Interessado trazer aos autos os documentos comprobatórios hábeis e idôneos do alegado equívoco na apuração do débito em comento, o que não ocorreu, conforme explicitado. Como de sabença, em relação ao fato constitutivo do direito pleiteado, o ônus da prova incumbe sempre a quem o alega, conforme dispõe expressamente inciso do I do art. 3333 do CPC, que se aplica subsidiariamente ao processo administrativo fiscal. Não se pode olvidar que a homologação da compensação depende da comprovação, na data da realização do procedimento compensatório, da certeza e liquidez do crédito passível de restituição ou ressarcimento, conforme exige o art. 170 do CTN, combinado com o disposto no caput do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996, com as alterações posteriores. Entretanto, nos presentes autos, nenhum dos referidos requisitos foi comprovado, por essa razão, deve ser mantida a não homologação do presente procedimento compensatório. Por todo o exposto, NEGO PROVIMENTO ao presente Recurso, para manter na íntegra o Acórdão recorrido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento 3 "Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor". Fl. 288DF CARF MF Impresso em 14/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09 /10/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 11020.720014/2008-97
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sun Oct 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2004
ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. AVERBAÇÃO DE TERMO DE PRESERVAÇÃO DE FLORESTA.
Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de preservação permanente reconhecidas em Termo de Preservação de Floresta firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2801-002.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Área de Preservação Permanente (APP) de 70,0 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, que negava provimento ao recurso.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães - Presidente
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: TANIA MARA PASCHOALIN
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AVERBAÇÃO DE TERMO DE PRESERVAÇÃO DE FLORESTA. Cabe excluir da tributação do ITR as áreas de preservação permanente reconhecidas em Termo de Preservação de Floresta firmado entre o proprietário do imóvel e a autoridade ambiental competente, devidamente averbado antes da ocorrência do fato gerador. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Área de Preservação Permanente (APP) de 70,0 ha, nos termos do voto da Relatora. Vencido o Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, que negava provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Ewan Teles Aguiar, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Tânia Mara Paschoalin e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 00 14 /2 00 8- 97 Fl. 194DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11020.720014/200897 Acórdão n.º 2801002.693 S2TE01 Fl. 195 2 Relatório Trata o presente processo de auto de infração que diz respeito a Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR), por meio do qual se exige do sujeito passivo acima identificado o montante de R$ 80.440,25, referente ao exercício de 2004. O lançamento é decorrente da glosa da área de preservação permanente declarada e alteração do Valor da Terra Nua –VTN. Em sua impugnação, o contribuinte apresentou as razões de defesa abaixo, extraídas do Acórdão recorrido: “10.1. Em Os Fatos explanou sobre as características florestais da propriedade, tecnicamente comprovadas no Relatório Técnico, cuja conclusão reproduziu parcialmente. 10.2. Frisou que, não obstante a apresentação de laudos técnicos, na Descrição dos Fatos da fiscalização consta que o contribuinte não comprovou a isenção da área declarada a titulo de APP, bem como a apresentação da certidão da matricula do imóvel, na qual se encontra averbado o Termo de Preservação de Floresta, foi simplesmente desconsiderada na lavratura da autuação. 10.3. Em Do direito, sob os títulos A) Da possibilidade de comprovação de área de reserva legal sem a averbação em matricula do imóvel ou apresentação de ADA e B) Da necessidade de realização de prova pericial, a fim de comprovar a veracidade das declarações (DIAT) do impugnante se aprofundou na discordância quanto A exigência do ADA. 10.4. Explanou sobre a avaliação qualiquantitativa do Relatório Técnico; da composição da área com os diversos tipos de florestas; da impossibilidade de desenvolvimento de atividade rural na área; do principio da legalidade para afirmar que a lei 9.393/1996 não prevê a obrigação de apresentar ADA ou averbação na matricula. 10.5. Reproduziu jurisprudência do Conselho de Contribuintes que trata da matéria. 10.6. Disse que se mantido o entendimento de que as áreas em questão s6 seriam consideradas de preservação permanente ou de interesse ecológico após a apresentação de ADA ou averbação na matricula, pelo mesmo raciocínio estaria, também, o proprietário autorizado a desmatar a área para utilização na atividade rural, eis que não teria qualquer responsabilidade em preservála, o que seria, no mínimo, um absurdo, visto que, certamente, estaria praticando crime ambiental. 10.7. Após outros argumentos reforçou o fato de haver provas suficientes da existência de APP, ARL e de Interesse Ecológico e que, não obstante a juntada de laudos e documentos capazes de Fl. 195DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11020.720014/200897 Acórdão n.º 2801002.693 S2TE01 Fl. 196 3 comprovar o equivoco cometido pelo reconhecimento da totalidade do imóvel como área tributável, se mostra imprescindível a realização de prova pericial no local, a fim de que seja sanada a controvérsia. 10.8. Após outros argumentos a respeito, apresentou os quesitos que entende imprescindíveis, bem como nomeou perito. 10.9. Requerimento de Procedência, Ante o exposto, requereu: a) Seja deferida a produção de prova pericial, a fim de se verificar a real situação do imóvel. b) Ao final, seja julgada procedente a presente impugnação, com a conseqüente desconstituição da NL. c) Valor impugnado: A totalidade do tributo e penalidades impostas na NL.” A 1ª Turma da DRJ/CGE/MS julgou improcedente a impugnação, conforme Acórdão de fls. 138/149, que restou assim ementado: Áreas Isentas Requisitos de Isenção A concessão de isenção de ITR para as Áreas de Preservação Permanente APP e Areas de Utilização Limitada AUL, está vinculada â comprovação de suas existências, através de Certidão de órgão Público competente ou laudo técnico especifico para a APP e averbação da AUL na matricula do imóvel, bem como à regularização das mesmas através do Ato Declaratório Ambiental ADA, cujo requerimento deve ser protocolado no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, em até seis meses após o prazo final para entrega da Declaração do ITR. A prova de uma não exclui a necessidade da outra. Isenção – Hermenêutica A legislação tributária para concessão de beneficio fiscal interpretase literalmente, assim, se não atendidos os requisitos legais para a isenção, a mesma não deve ser concedida. Valor da Terra Nua VTN Laudo Técnico O lançamento que tenha alterado o VTN declarado, utilizando valores de terras constantes do Sistema de Pregos de Terras da Secretaria da Receita Federal SIPT, nos termos da legislação, é passível de modificação somente se, na contestação, forem oferecidos elementos de convicção, embasados em Laudo Técnico, elaborado em consonância com as normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas ABNT, que apresente valor de mercado Fl. 196DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11020.720014/200897 Acórdão n.º 2801002.693 S2TE01 Fl. 197 4 diferente ao do lançamento, relativo ao mesmo município do imóvel e ao ano base questionado. Regularmente cientificado daquele Acórdão em 31/08/2010 (fl. 191), o interessado, representado pelos seus advogados (fl. 174), interpôs recurso voluntário de 155/173, em 29/09/2010. Em sua defesa, alega, em síntese, que: · a apresentação do ADA não é requisito indispensável para a exclusão de áreas impróprias à exploração rural da base de cálculo do tributo, mas, sim, a apresentação de documentos que demonstrem a veracidade das DIATs apresentadas pelo recorrente, comprovando, portanto, estar a referida área fora da hipótese de incidência do tributo; · resta evidente que as áreas em questão são as descritas nas letras "c", "d" e "e" do artigo 2º do Código Florestal, para as quais, segundo reconhecido pela própria decisão recorrida, basta a apresentação de laudo técnico eficazmente elaborado por profissional habilitado, acompanhado de ART, atestando a existência de florestas, detalhando as dimensões e locais listados no referido artigo de lei; · da simples leitura dos documentos apresentados pelo recorrente pode se observar que a área em questão é uma área de utilização limitada devido à existência de área de preservação permanente, reserva legal, interesse ecológico, além de ser coberta por florestas nativas, primárias ou secundárias em estado médio ou avançado de regeneração; · não procede o entendimento fiscal no sentido de que o protocolo do ADA no IBAMA, ou mesmo a existência de averbação em registro de imóveis na data do fato gerador é condição essencial para a exclusão destas glebas da base de apuração do ITR, seja porque a Lei n° 9.393/96 não estabeleceu expressamente tal requisito, seja pelo fato de que, mais importante do que a previsão desse procedimento no Decreto no 4.382/02, é possível a comprovação a qualquer momento de que a área em questão está sendo preservada, o que foi, de fato, realizado no processo administrativo mediante a juntada do Relatório Técnico para Diagnóstico Ambiental que instrui a presente impugnação, elaborado pela empresa Neocorp Desenvolvimento de Projetos Ltda, empresa devidamente registrada no CREA/RS conforme se constara pela ART nº 4111420, acostada dos autos (fls. 25 a 30). · foi simplesmente desconsiderado pela decisão recorrida o fato de que o contribuinte apresentou a certidão de matricula do imóvel, na qual se encontra averbado (Av110715) o "TERMO DE PRESERVAÇÃO DE FLORESTA", o que também demonstra a limitação da utilização da área objeto da autuação. É o relatório. Fl. 197DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11020.720014/200897 Acórdão n.º 2801002.693 S2TE01 Fl. 198 5 Voto Conselheira Tânia Mara Paschoalin, Relatora O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade, portanto merece ser conhecido. No caso, o lançamento cuida de glosa da Área de Preservação Permanente e alteração do Valor da Terra Nua (VTN) declarado. Ressaltese que a alteração do VTN não foi contestada pelo recorrente. Quanto à exclusão, para fins de cálculo do ITR, de Área de Preservação Permanente, registrese que a motivação da autoridade lançadora foi que a cópia de ADA apresentada referese a documento protocolado no Ibama em 18/11/2007 (fl. 37), portanto, extemporaneamente. Diante disso, vale fazer uma breve recapitulação de parte da legislação referente ao ADA. Sua exigência, inicialmente, foi estabelecida no §4º, art. 10, da Instrução Normativa SRF nº 43, de 08 de maio de 1997, com a redação dada pela IN SRF nº 67, de 1º de setembro de 1997: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel excluídas as áreas: I de preservação permanente; II de utilização limitada. (...) § 4º As áreas de preservação permanente e as de utilização limitada serão reconhecidas mediante ato declaratório do IBAMA, ou órgão delegado através de convênio, para fins de apuração do ITR, observado o seguinte: (Redação dada pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...) II o contribuinte terá o prazo de seis meses, contado da data da entrega da declaração do ITR, para protocolar requerimento do ato declaratório junto ao IBAMA; (Incluído pela IN SRF nº 67/97, de 01/09/1997) (...)” (Grifos acrescidos). O Ibama, por sua vez, por meio da Portaria nº 162, de 18 de dezembro de 1997, cuidou, entre outras providências, de estabelecer o modelo do ADA, bem como instruções para preenchimento (pelos solicitantes) e recepção dos correspondentes formulários. Estabeleceu, em seu art. 1º: Fl. 198DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11020.720014/200897 Acórdão n.º 2801002.693 S2TE01 Fl. 199 6 “Art. 1º. O Ato Declaratório Ambiental ADA, conforme modelo apresentado no anexo I da presente Portaria, representa a declaração indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de apuração do ITR.” (Grifos acrescidos) Posteriormente, a Lei 10.165, de 27 de dezembro de 2000, alterou a redação do §1º, art. 17O, da Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, determinando a obrigatoriedade de utilização do ADA para fins de redução do valor a pagar do ITR: "Art. 170. Os proprietários rurais que se beneficiarem com redução do valor do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural — ITR, com base em Ato Declaratório Ambiental ADA, deverão recolher ao IBAMA a importância prevista no item 3.11 do Anexo VII da Lei nº 9.960, de 29 de janeiro de 2000, a título de Taxa de Vistoria (Redação dada pela Lei n° 10.165. de 2000) § 1ºA. A Taxa de Vistoria a que se refere o caput deste artigo não poderá exceder a dez por cento do valor da redução do imposto proporcionada pelo ADA (incluído nela Lei n° 10.165. de 2000) §1º. A utilização do ADA para efeito de redução do valor a pagar do ITR é obrigatória. (Redação dada pela Lei n°10.165, de 2000)" (grifos acrescidos) Observese que o modelo do ADA não sofreu alteração desde a edição da Portaria Ibama nº 162, de 1997, até o advento da IN Ibama nº 76, de 31 de outubro de 2005, que expressamente revogou a mencionada Portaria e estabeleceu: “Art. 1º O Ato Declaratório Ambiental ADA representa o cadastro indispensável ao reconhecimento das áreas de preservação permanente e de utilização limitada para fins de isenção do Imposto Territorial Rural ITR. Parágrafo único. O ADA deve ser preenchido e apresentado pelos declarantes de imóveis obrigados a apresentação da Declaração de Imposto Territorial Rural DITR, que tenham informado: I a área de preservação permanente e/ou de utilização limitada, objetivando a isenção do lTR; e II a área de reflorestamento com essências exóticas ou nativas e a área extrativa no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, conforme Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996; (...) Art 7º O declarante deverá apresentar o ADA em uma das modalidades que segue: I pela apresentação por meio eletrônico ADAWeb; II pela apresentação do formulário padrão conforme anexo I. Fl. 199DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11020.720014/200897 Acórdão n.º 2801002.693 S2TE01 Fl. 200 7 (...) Art 9º O prazo de entrega do ADA será de 1º de janeiro a 31 de setembro do ano em exercício. Parágrafo único. Excepcionalmente, o prazo de entrega do ADA relativo a DITR2005 será até 31 de março de 2006 e para a DITR 2006 o prazo será de 1º de abril a 30 de setembro de 2006. Art 10. A apresentação do ADA se fará uma única vez, devendo ser apresentada uma declaração retificadora apenas quando houver alguma alteração dos dados informados na DITR. Parágrafo único. A Declaração Retificadora deverá ser feita em casos de alteração da dimensão de quaisquer das áreas, alteração de endereço ou alienação de parte ou toda a propriedade rural, dentre outras.” (Grifos acrescidos) Finalmente, a IN Ibama nº 76, de 2005 foi expressamente revogada pela IN Ibama nº 5, de 25 de março de 2009, a qual, entre outras determinações, definiu modelo de laudo técnico de vistoria de campo um dos documentos comprobatórios das declarações prestadas no ADA, passível de ser exigido em momento posterior à apresentação do ADA , deixou de contemplar o formulário padrão como um dos modelos de apresentação do ADA e determinou o prazo para a apresentação do ADA bem como de sua retificação: “Art. 1º O Ato Declaratório AmbientalADA é documento de cadastro das áreas do imóvel rural junto ao IBAMA e das áreas de interesse ambiental que o integram para fins de isenção do Imposto sobre a Propriedade Territorial RuralITR, sobre estas últimas. (...) Art. 6º O declarante deverá apresentar o ADA por meio eletrônico formulário ADAWeb, e as respectivas orientações de preenchimento estarão à disposição no site do IBAMA na rede internacional de computadores www.ibama.gov.br ("Serviços online"). (...) § 3o O ADA deverá ser entregue de 1º de janeiro a 30 de setembro de cada exercício, podendo ser retificado até 31 de dezembro do exercício referenciado. (...) Art. 9º. Não será exigida apresentação de quaisquer documentos comprobatórios à declaração, sendo que a comprovação dos dados declarados poderá ser exigida posteriormente, por meio de mapas vetoriais digitais, documentos de registro de propriedade e respectivas averbações e laudo técnico de vistoria de campo, conforme Anexo desta Instrução Normativa, permitida a inclusão, no ADAWeb, das informações obtidas em campo, quando couber.” (Grifos acrescidos) Fl. 200DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11020.720014/200897 Acórdão n.º 2801002.693 S2TE01 Fl. 201 8 Quanto ao § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996, incluído pelo art. 3º da Medida Provisória nº 2.16667, de 24 de agosto de 2001, registrese que sua redação apenas determina que não se exige do declarante a prévia comprovação das informações prestadas na DITR em relação às áreas de preservação permanente e de utilização limitada: “§ 7º A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1º, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis." (grifos acrescidos) Diante da legislação acima transcrita, que inclusive avança no tempo além do exercício em exame, verificase que a partir do exercício 2001 a Lei estabeleceu a utilização do ADA como um dos requisitos para que algumas áreas não sejam tributadas pelo ITR. Entre tais áreas, sempre previstas na legislação, se incluem as de utilização limitada (Reserva Legal, Reserva Particular do Patrimônio Natural – RPPN ou área declarada de Interesse Ecológico), de Preservação Permanente ou, mais recentemente, as de Servidão Florestal ou Ambiental (prevista nas Leis nos 4.771, de 1965, e 11.284, de 2 de março de 2006, averbadas à margem da inscrição da matrícula do imóvel no cartório de registro de imóveis competente), as Coberta por Florestas Nativas, primárias ou secundárias em estágio médio ou avançado de regeneração (Lei no. 11.428, de 22 de dezembro de 2006) ou as Alagadas para Fins de Constituição de Reservatório de Usinas Hidrelétricas, autorizada pelo poder público (Lei no 11.727, de 23 de junho de 2008). Inferese que essa foi a forma escolhida pela Administração Pública para evitar distorções e assegurar que a exclusão do crédito tributário está em consonância com a realidade material do imóvel. Vale dizer que a protocolização do ADA marca a data em que o interessado comunica ao órgão oficial de fiscalização ambiental a existência de áreas de interesse ambiental em seu imóvel rural e, em última análise, solicita que tais áreas sejam reconhecidas como tal pelo Poder Público inclusive para fins de redução do valor do ITR. Nesse contexto, por óbvio, deve haver prazo para a protocolização do formulário do ADA. Se tal prazo não for expressamente estabelecido em Lei, a rigor, ele expiraria na data de ocorrência do fato gerador, no caso do ITR, 1º de janeiro de cada exercício. Ocorre que o Decreto nº 4.382, de 19 de setembro de 2002, Regulamento do ITR, determina: “Art. 10. Área tributável é a área total do imóvel, excluídas as áreas: I de preservação permanente (...); (...) § 2º A área total do imóvel deve se referir à situação existente na data da efetiva entrega da Declaração do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural – DITR. Fl. 201DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11020.720014/200897 Acórdão n.º 2801002.693 S2TE01 Fl. 202 9 § 3º Para fins de exclusão da área tributável, as áreas do imóvel rural a que se refere o caput deverão: I ser obrigatoriamente informadas em Ato Declaratório Ambiental ADA, protocolado pelo sujeito passivo no Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis IBAMA, nos prazos e condições fixados em ato normativo (Lei nº 6.938, de 31 de agosto de 1981, art. 17O, § 5º, com a redação dada pelo art. 1º da Lei nº 10.165, de 27 de dezembro de 2000); e (...)”. (grifos acrescidos) Ora, para o exercício em questão, além do disposto nos atos já mencionados anteriormente, tal prazo estava estabelecido na IN SRF nº 256, de 11 de dezembro de 2002, art. 9º, § 3º, incs. I e II, sendo de seis meses, contado a partir da data final da entrega da DITR. Não obstante as considerações acima, não se pode esquecer que o formulário ADA apresentado pelo contribuinte ao Ibama ou órgão conveniado – até que haja uma vistoria pelo órgão competente e a ratificação ou retificação das declarações ali prestadas – restringese a informações prestadas pelo contribuinte ao órgão ambiental acerca da existência, em seu imóvel, de áreas que têm, em última análise, algum interesse ecológico. Assim, no exame do caso concreto, se o único fundamento do lançamento, no que se refere a esse aspecto, foi a protocolizado intempestiva do ADA, como aqui se verifica, se faz necessário investigar se o contribuinte, até a data de ocorrência do fato gerador, já havia informado a órgão ambiental estadual ou federal a existência das áreas de interesse ecológico incluídas na DITR e se tais áreas estão devidamente identificadas e passíveis de serem ratificadas pelos órgãos competentes. Na espécie, observase, às fls. 32/33, que foi promovida a averbação na matrícula do imóvel, em 27/08/1997, do Termo de Preservação de Floresta, segundo o qual a área 70,0 ha foi preservada ao Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal – IBDF. Nestes termos, restando comprovada a comunicação ao órgão ambiental competente anterior ao fato gerador de 01/01/2004, devese considerar a referida Área de Preservação Permanente. Diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer Área de Preservação Permanente (APP) de 70,0 ha. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Fl. 202DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN Processo nº 11020.720014/200897 Acórdão n.º 2801002.693 S2TE01 Fl. 203 10 Fl. 203DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 27/09/201 2 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 26/09/2012 por TANIA MARA PASCHOA LIN
score : 1.0
Numero do processo: 13807.006726/00-41
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Feb 25 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/1991 a 01/07/1994
NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543-B DO CPC.
Consoante art. 62-A do Regimento Interno do CARF, As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543-B e 543-C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE).
Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerando-se válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão-somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543-B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados
Numero da decisão: 9303-002.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício.
JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator.
NOME DO REDATOR - Redator designado.
EDITADO EM: 19/02/2013
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo De Oliveira Santos. Ausentes justificadamente o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffman. O Presidente Otacílio Cartaxo foi substituído pelo Presidente da Segunda Seção na forma regimental.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: JULIO CESAR ALVES RAMOS
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS - Relator. NOME DO REDATOR - Redator designado. EDITADO EM: 19/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo De Oliveira Santos. Ausentes justificadamente o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffman. O Presidente Otacílio Cartaxo foi substituído pelo Presidente da Segunda Seção na forma regimental.
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Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado TATU LONAS ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/1991 a 01/07/1994 NORMAS REGIMENTAIS. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO CONTEÚDO DE DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO RITO DO ART. 543B DO CPC. Consoante art. 62A do Regimento Interno do CARF, “As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF”. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. PRESCRIÇÃO. DIREITO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TERMO INICIAL. DECISÃO PROFERIDA PELO STF NO JULGAMENTO DO RECURSO EXTRAORDINÁRIO 566.621/RS (RELATORA A MINISTRA ELLEN GRACIE). “Reconhecida a inconstitucionalidade do art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de cinco anos tão somente às ações ajuizadas após o decurso da vacacio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º do CPC aos recursos sobrestados” Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 7. 00 67 26 /0 0- 41 Fl. 224DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 2 LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS – Presidente em exercício. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator. NOME DO REDATOR Redator designado. EDITADO EM: 19/02/2013 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Marcos Aurélio Pereira Valadão, Maria Teresa Martinez López e Luiz Eduardo De Oliveira Santos. Ausentes justificadamente o Presidente Otacílio Cartaxo e a Conselheira Susy Gomes Hoffman. O Presidente Otacílio Cartaxo foi substituído pelo Presidente da Segunda Seção na forma regimental. Relatório Pretende a Fazenda Nacional ver reformada decisão proferida pela Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes que afastou a prescrição do direito à restituição de indébitos do PIS porque o pedido administrativo foi protocolizado antes de passados cinco anos da edição da Resolução nº 49 do Senado Federal. Mais especificamente, o pedido foi formalizado em 13 de julho de 2000 e englobou recolhimentos efetuados a partir de 15 de abril de 1991. Todos os recolhimentos ocorreram, portanto, há menos de dez anos da data de protocolização do pedido administrativo. A decisão atacada afastou a prescrição com respeito aos recolhimentos havidos entre 1991 e 1994, e o recurso especial alega terem sido violados os arts. 165 e 168 do CTN por força das disposições da Lei Complementar nº 118/205, especialmente os seus arts. 3º e 4º. É o Relatório. Voto Conselheiro JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS O recurso foi protocolizado pela Fazenda Nacional em 02 de dezembro de 2008 e sua admissibilidade foi examinada em junho de 2009. Em ambas as datas ainda não vigia o art. 62A do Regimento Interno do CARF. Atualmente, já não teria sido sequer admitido. Isso porque após o surgimento daquela disposição regimental – a partir de junho de 2010 – impossível é a adoção do entendimento pretendido pela Fazenda Nacional. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13807.006726/0041 Acórdão n.º 9303002.202 CSRFT3 Fl. 4 3 Por ter sido anterior, no entanto, dele conheço. Mas como já adiantado, a ele somente cabe negar provimento. Isso porque já definido pelo e. Supremo Tribunal Federal que a regra oriunda da Lei Complementar nº 118/2005 não é meramente interpretativa e, pois, não se aplica a pedidos de restituição que lhe sejam anteriores. Por ocasião do julgamento pelo Pleno do CARF, entre outros, do recurso extraordinário interposto no processo 13832.000210/9914, assim me pronunciei quanto à matéria: A matéria ora discutida, contagem do prazo para postularse restituição de quantias indevidamente recolhidas a título de tributo submetido à sistemática do lançamento por homologação, que tantos e tão acalorados debates já suscitou, encontrase inteiramente pacificada com o advento da decisão do colendo Supremo Tribunal Federal no julgamento do recurso extraordinário nº 566.621/RS. Nele discutiuse a constitucionalidade dos arts. 3º e 4º do referido diploma legal, que o pretendiam expressamente interpretativo de modo a poder ser aplicado mesmo às restituições requeridas judicialmente antes de sua publicação. Não se trata disso aqui, é certo, visto que a pretensão fazendária é apenas desconstituir a tese que prevaleceu no julgado administrativo segundo a qual o marco inicial é o dia de publicação de ato legal que “reconheceu” a inconstitucionalidade do dispositivo em que se baseou o recolhimento. Em outras palavras, não pugna a Fazenda pela aplicação retroativa da referida Lei, embora a forma de contagem do prazo prescricional por ela defendida isso implique. Isso não obstante, a ilustre Relatora no STF não deixa de enfrentar a discussão aqui posta. Com efeito, são suas palavras: “...Logo, aquela Corte firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão de inconstitucionalidade da lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos ERESp 329.160/DF e ERESp 435.835/SC julgados pela Primeira Seção daquela Corte...” Assim, entendo eu, merece de fato reforma a decisão proferida, na medida em que aplicou entendimento não mais de acordo com a jurisprudência predominante no “tribunal ao qual cabe dar a interpretação definitiva da legislação federal”, nos dizeres da douta Ministra. Em suma, deve ser afastada a tese que demarca o início do prazo no “reconhecimento de inconstitucionalidade”. Ele é, sem mais discussão, a data de extinção do crédito tributário, consoante norma do art. 168, I do CTN como pretendido pela Procuradoria. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS 4 O que isso implica, porém, não é, na inteireza, o que deseja a representação da Fazenda Nacional. Deveras, a mesma decisão reitera, como já se disse, que a interpretação que prevalecia no STJ era a dos cinco mais cinco mesmo para esses casos de declaração de inconstitucionalidade do ato legal instituidor ou majorador da exação. E que esse entendimento deve ser respeitado, em louvor ao princípio da segurança jurídica, quando a postulação seja anterior à edição da Lei Complementar. Sendo essa a expressa conclusão do acórdão, prolatado pelo STF já na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, é obrigatória sua adoção pelos Conselheiros Membros do CARF, por força do art. 62A do Regimento Interno. No presente caso, indubitável que a petição do contribuinte deu entrada administrativamente em data bem anterior à edição daquela Lei Complementar. É de rigor, pois, reconhecer, que o termo inicial para contagem do prazo de cinco anos previsto no art. 168, I do CTN somente tem início após findo aquele que vem estipulado no art. 150, § 4º do mesmo Código. A aplicação ao caso concreto leva à conclusão de que não estava prescrito o direito do contribuinte à restituição de quantias atinentes a fatos geradores ocorridos anteriormente a 15 de dezembro de 1989, dado que o seu pedido ingressou administrativamente apenas em 15 de dezembro de 1999. Voto, assim, pelo não provimento do apelo fazendário de modo a manter o afastamento da prescrição com respeito aos recolhimentos efetuados pelo contribuinte, embora por fundamento diverso daquele adotado nos julgados já ocorridos. A situação deste recurso especial é exatamente a mesma: a Câmara recorrida rejeitou a prescrição por aplicar a tese de que o prazo é delimitado pela Resolução do Senado Federal. Essa interpretação tem de ser superada pela tese dos cinco mais cinco visto que o pedido é anterior à entrada em vigor da Lei Complementar 118. Mas com essa forma de contagem o resultado é o mesmo, ou seja, todos os recolhimentos discutidos no pedido ocorreram há menos de dez anos do seu protocolo, estando, portanto, afastada a prescrição pretendida pela Fazenda Nacional segundo o entendimento do STF que somos obrigados a adotar por força da disposição regimental. Com essas considerações, voto por negar provimento ao apelo da Fazenda Nacional. JÚLIO CÉSAR ALVES RAMOS Relator Fl. 227DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS Processo nº 13807.006726/0041 Acórdão n.º 9303002.202 CSRFT3 Fl. 5 5 Fl. 228DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES RAMOS, Assinado digitalmente em 22/02/2 013 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 19/02/2013 por JULIO CESAR ALVES R AMOS
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Numero do processo: 10880.000628/00-00
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Feb 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/1990 a 29/02/1992
FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543-B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005.
O art. 62-A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005.
Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador.
Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 17/01/2000, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 17/01/1990.
Recurso extraordinário negado.
Numero da decisão: 9900-000.821
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões.
(Assinado digitalmente)
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator
EDITADO EM : 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/1990 a 29/02/1992 FINSOCIAL. PRAZO PARA PEDIDO DE REPETIÇÃO DE INDÉBITO. MATÉRIA DECIDIDA NO STF NA SISTEMÁTICA DO ART. 543B DO CPC. TEORIA DOS 5+5 PARA PEDIDOS PROTOCOLADOS ANTES DE 09 DE JUNHO DE 2005. O art. 62A do RICARF obriga a utilização da regra do RE nº 566.621/RS, decidido na sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil, o que faz com que se deva adotar a teoria dos 5+5 para os pedidos administrativos protocolados antes de 09 de junho de 2005. Essa interpretação entende que o prazo de 5 anos para se pleitear a restituição de tributos, previsto no art. 168, inciso I, do CTN, só se inicia após o lapso temporal de 5 anos para a homologação do pagamento previsto no art. 150, §4o, do CTN, o que resulta, para os tributos lançados por homologação, em um prazo para a repetição do indébito de 10 anos após a ocorrência do fato gerador. Como o pedido administrativo de repetição de FINSOCIAL foi protocolado em 17/01/2000, permanece o direito de se pleitear a restituição pretendida, já que engloba apenas tributos com fatos geradores ocorridos após 17/01/1990. Recurso extraordinário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, mantendo o direito à restituição dado pelo acórdão recorrido, e determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 00 06 28 /0 0- 00 Fl. 307DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 2 (Assinado digitalmente) Otacílio Dantas Cartaxo Presidente (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos – Relator EDITADO EM : 21/11/2012 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo, Marcos Tranchesi Ortiz que substituiu Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias,Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Relatório Tratase de recurso extraordinário ao pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, com fundamento no artigo 9º do antigo Regimento Interno da Câmara Superior de Recursos Fiscais RICSRF, aprovado pela Portaria MF nº 147, de 25 de junho de 2007. Observese que, embora não esteja previsto no atual Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22 de junho de 2009, os recursos extraordinários interpostos contra acórdãos proferidos até 30 de junho de 2009 serão, por força do artigo 4° do mesmo Regimento, processados de acordo com o rito previsto no RICSRF. O Acórdão no 0305.858 da 3a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (fls. 115 a 120) reconheceu o direito do contribuinte pleitear, em17/01/2000, repetição de FINSOCIAL referente a fatos geradores ocorridos de 31/01/1990 a 29/02/1992. A Fazenda Nacional apresentou tempestivamente recurso extraordinário (fls.124 a 136), onde afirma que somente é possível se pleitear a repetição do indébito no prazo de 5 anos após o recolhimento indevido. Para comprovar a divergência, indicou três paradigmas, destacandose o Acórdão CSRF/0400.810, da 4a Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, julgado em 03 de março de 2008, utilizado no exame de admissibilidade, cuja ementa se transcreve: PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ILL O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de Fl. 308DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10880.000628/0000 Acórdão n.º 9900000.821 CSRFPL Fl. 6 3 extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos 1 e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido. O recurso foi admitido pelo despacho de fls. 141 a 142, que considerou a divergência jurisprudencial comprovada. Devidamente cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos,Relator Data do pedido: 17/01/2000. Fatos Geradores: de 31/01/1990 a 29/02/1992. O presente recurso extraordinário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, tendo em vista que a recorrente logrou demonstrar a divergência jurisprudencial suscitada. Portanto, dele conheço. Discutese qual o prazo para se pleitear a restituição dos tributos lançados por homologação, especificamente no caso de tributo declarado inconstitucional. Nessa situação, o CARF está obrigatoriamente vinculado ao posicionamento dos Tribunais Superiores nos termos do art. 62A do anexo II do RICARF, segundo o qual se deve reproduzir o conteúdo das decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil. Isso porque, no Recurso Extraordinário n° 566.621/RS, julgado em 11/10/2011, com trânsito em julgado em 17/11/2011, o STF decidiu que (a) considerase o prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias da LC 118/05, ou seja a partir de 9 de junho de 2005, e (b) para os demais casos, aplicase a posição do STJ de que o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados da ocorrência do fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4o, 156, VII, e 168, I do CTN. Não há que se falar em tratamento diverso do acima exposto para o caso de inconstitucionalidade de lei. Nesse sentido: no RESP nº 1.002.932SP, de 05/11/2009, em regime de Recurso Repetitivo, o Ministro Relator, Luiz Fux, faz expressa referência, em seu voto (fls. 6 e 7) à jurisprudência do STJ, reproduzindo o ERESP n° 4.35835SC, nos termos a seguir: Fl. 309DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS 4 ... 2. Não há que se falar em prazo prescricional a contar de declaração de inconstitucionalidade pelo STF ou da Resolução do Senado. ... o Supremo Tribunal Federal confirma essa afirmação, no RE nº 566.621 RS, de 11/10/2011, da relatoria da Ministra Ellen Gracie, em que é definido o critério de aplicação da tese dos 5 + 5 anos, em detrimento da redação dada ao art. 168 do CTN pela Lei Complementar n° 118, de 2005, e, à fl. 11 do voto, é também referida a jurisprudência consolidada do STJ, nos termos a seguir: ... é que a União invoca precedentes relativos a questões específicas, como tributos retidos no regime de substituição tributária e tributos inconstitucionais, em que chegou a haver, é verdade, alguma dúvida quanto à aplicação da regra geral dos 10 anos, mas que não perdurou. Logo, aquela Corte [STJ] firmou posição no sentido de que, também em tais situações de retenção e de reconhecimento do indébito em razão da inconstitucionalidade de lei instituidora, deverseia aplicar, sem ressalvas, a tese dos dez anos, conforme se vê dos EREsp 329.160/DF e EREsp 435.835/SC, julgados pela Primeira Seção daquela Corte. Aliás, nada melhor do que o próprio STJ para reconhecer que se tratava de jurisprudência consolidada. esse entendimento foi confirmado pelo próprio STJ, quando adaptou sua jurisprudência à decisão do STF, conforme RESP n° 1.269.570MG, de 23/05/2012, da relatoria do Ministro Mauro Campbell, em que se esclarece que a única alteração foi referente à data da mudança de critério, qual seja, para pedidos a partir da vigência da Lei Complementar n° 118, de 2005. Salientese, adicionalmente, que a expressão "ações ajuizadas" na decisão referida deve ser entendida como a realização do pedido de repetição de valor à autoridade competente para tal, o que inclui o processo administrativo, no âmbito da Administração Tributária. No presente caso, o pedido de repetição do indébito ocorreu antes de 09 de junho de 2005 e, portanto, aplicase o prazo de 10 anos a partir da ocorrência do fato gerador. Como o pedido foi feito em 17/01/2000, estava apto a pleitear a restituição de tributos com fatos geradores ocorridos após 17/01/1990. Dessa forma, como o pleito se refere a fatos geradores ocorridos de 31/01/1990 a 29/02/1992, o direito não estava fulminado pelo transcurso do prazo fatal. Assim, voto no sentido de conhecer do recurso extraordinário da Fazenda Nacional para, no mérito, negarlhe provimento, determinando o retorno dos autos à unidade de origem para exame das demais questões. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 310DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS Processo nº 10880.000628/0000 Acórdão n.º 9900000.821 CSRFPL Fl. 7 5 Fl. 311DF CARF MF Impresso em 07/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 14/12/2012 por LUIZ EDUARDO DE OLI VEIRA SANTOS
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Numero do processo: 11516.001590/2010-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 2301-000.342
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Marcelo Oliveira - Presidente
Adriano Gonzales Silvério - Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira - Presidente Adriano Gonzales Silvério - Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
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Resolvem os membros do colegiado, I) Por maioria de votos: a) em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do(a) Relator(a). Marcelo Oliveira Presidente Adriano Gonzales Silvério Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os Conselheiros Marcelo Oliveira (Presidente), Damião Cordeiro de Moraes, Bernadete de Oliveira Barros, Wilson Antonio de Souza Correa, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Tratase de Auto de Infração nº 37.279.9434, o qual exige multa do Contribuinte por ter sido constatado apresentação da GFIP com informações não correspondentes a fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, configurando, assim, o descumprimento de obrigação acessória prevista no §5º, artigo 32, da Lei n 8.212/91. Registra o relatório fiscal fls. 5/8 que “1. Em ação fiscal junto ao Contribuinte constatouse que o mesmo elaborou e apresentou Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações a Previdência Social GFIP, com as seguintes irregularidades: a) No período de julho de 2005 a março de 2009, o contribuinte se declarava RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 15 16 .0 01 59 0/ 20 10 -8 4 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.001590/201084 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.342 S2C3T1 Fl. 3 2 como integrante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e Empresas de Pequeno Porte SIMPLES, indicando nas GFIP's Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social no campo, "Opção pelo SIMPLES", o código "2" que caracteriza tal situação, conforme pode se observar, por amostragem, nas folhas 31, 66. 96, 131, 151 e 181 do ANEXO I do presente Auto de Infração. b) A exclusão do contribuinte do SIMPLES Federal, instituído pela Lei n° 9.317/96 ocorreu a partir de 26/01/2005, conforme íl. 235 do ANEXO I, sendo que a partir do exercício de 2005 o contribuinte optou pelo regime de tributação como Lucro Presumido, conforme se constata a fls. 236, não optando também SIMPLES NACIONAL conforme fl. 237 deste Anexo citado. 2. As irregularidades citadas implicaram em informações incorretas à Previdência Social tendo, por conseguinte, não sido calculado as contribuições patronais devidas, correspondentes à parte da empresa (patronal), ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do Grau de Incidência de Incapacidade Laborativa, decorrentes dos Riscos Ambientais do Trabalho GILRAT e a Terceiros, calculadas sobre as folhas de pagamentos da empresa, cuja base de cálculo consta das Colunas I e III do DEMONSTRATIVO I anexo.” Diante dessa autuação, o sujeito passivo, regularmente intimado, apresentou impugnação alegando em síntese que o auto de infração é nulo, devido adesão ao parcelamento dos débitos previdenciários apurados antes de 2008, não haveria que se falar na aplicação dessa multa, uma vez que a dívida fora confessada com o parcelamento. A 5ª Turma de Julgamento da DRJ em Florianópolis/SC julgou a impugnação improcedente, mantendo, assim, o crédito tributário. Inconformado com a decisão, o Recorrente apresentou recurso voluntário, reiterando os argumentos expedidos na impugnação. Diante da alegação genérica de que houve adesão ao REFIS, em relação a fatos geradores ocorridos antes da 2008, foi necessária a conversão do julgamento do recurso voluntário em diligência, para averiguar quais autos de infração foram realmente parcelados, motivo pelo qual os autos do presente processo foram encaminhados à Receita Federal do Brasil em São José/SC para prestar tal informação. Em resposta de fls. 303, a RFB informou o quanto segue: “1. O presente processo foi baixado em diligência para informar se débito referente ao Auto de Infração 37.279.9434 foi incluído ou não no parcelamento da Lei 11.941/2009. 2. Efetuada consulta ao sistema de cobrança foi constatado que a empresa fez adesão aos parcelamentos da Lei 11.941, modalidade Art. 1º PGFN – Débitos Previdenciários com inclusão dos débitos 36.651.3750 e 36.426.2656, e Art.1º RFB – Débitos Previdenciários com inclusão dos débitos 37.279.9388, 37.279.9396, 37.279.9400 e 37.279.9418, conforme extratos em anexo. 3. Em consulta ao sistema de acompanhamento de processos, não consta pedido de revisão da Lei 11.941/2009. 4. Portanto o débito relativo ao AI nº 37.279.9434 não foi incluído no parcelamento da Lei 11.941/2009.” Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 11516.001590/201084 Erro! A origem da referência não foi encontrada. n.º 2301000.342 S2C3T1 Fl. 4 3 É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério, Relator. Da análise do Auto de Infração nº 37.279.9434, verificase que se trata de lançamento de multa, lavrada contra o Contribuinte acima indicado, por ter prestado, conforme visto acima, informações incorretas à Previdência Social que impediram o cálculo das contribuições patronais devidas, infringindo, dessa forma, a regra contida no inciso IV, c/c §4º e §5º, do artigo 32, da Lei nº 8.212/1991. Defendese o Contribuinte sustentando que a lavratura do auto de infração é indevida, uma vez que os débitos fiscais ensejadores da incidência da multa foram parcelados, o que ocasionou, à época da adesão ao REFIS, a confissão de dívida, a ponto de afastar a necessidade do lançamento tributário ora questionado. Convertido o julgamento em diligência, a Receita Federal do Brasil em São José/SC informou que o auto de infração nº 37.279.9434, objeto do presente processo administrativo, não foi incluído no parcelamento da Lei nº 11.941/2009. Contudo, dessa informação não foi intimada para se manifestar o sujeito passivo, em desrespeito ao contraditório inserto no artigo 5º, inciso LV, da Constituição Federal. Destaques para a doutrina de JAMES MARINS, em sua obra Direito Processul Tributário Brasileiro, Dialética, 6ª ed., pag. 167, que assim afirma: “Além da formulação da impugnação administraiva à pretensão fiscal – iniciado o processo, portanto – assiste ao contribuinte o direito de manifestarse, na oportunidade prevista em lei, sobre as informações, pareceres, decisões, perícias e documentos formulados ou apresentados pelo órgão exator ou pela procuradoria, conforme o caso. O direito a ser ouvido revelase como uma das mais importantes manifestações do princípio da ampla defesa.” Pelo exposto, VOTO no sentido de converter o julgamento em diligência, para que o sujeito passivo seja intimado a se manifestar sobre a informação e documentação trazida aos autos pela autoridade fiscal. Adriano Gonzales Silvério Fl. 311DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 15/01 /2013 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10935.720300/2011-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2008
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO PELA DECISÃO NOTIFICAÇÃO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DA DECISÃO.
Os pontos trazidos pelo impugnante devem ser devidamente refutados na decisão notificação, sob pena de cercear o direito de defesa e o contraditório implicando nulidade.
A autoridade julgadora não rebateu devidamente os argumentos apresentados na impugnação, quanto a ausência de fundamentação da base de cálculo de autônomos e cooperativas, implicando cerceamento do direito de defesa e por conseguinte nulidade da decisão.
Decisão de Primeira Instância Anulada
Numero da decisão: 2401-002.687
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/05/2006 a 31/12/2008 PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - AUSÊNCIA DE ENFRENTAMENTO DE TODOS OS ARGUMENTOS TRAZIDOS NA IMPUGNAÇÃO PELA DECISÃO NOTIFICAÇÃO - CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA - NULIDADE DA DECISÃO. Os pontos trazidos pelo impugnante devem ser devidamente refutados na decisão notificação, sob pena de cercear o direito de defesa e o contraditório implicando nulidade. A autoridade julgadora não rebateu devidamente os argumentos apresentados na impugnação, quanto a ausência de fundamentação da base de cálculo de autônomos e cooperativas, implicando cerceamento do direito de defesa e por conseguinte nulidade da decisão. Decisão de Primeira Instância Anulada
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire - Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
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Os pontos trazidos pelo impugnante devem ser devidamente refutados na decisão notificação, sob pena de cercear o direito de defesa e o contraditório implicando nulidade. A autoridade julgadora não rebateu devidamente os argumentos apresentados na impugnação, quanto a ausência de fundamentação da base de cálculo de autônomos e cooperativas, implicando cerceamento do direito de defesa e por conseguinte nulidade da decisão. Decisão de Primeira Instância Anulada Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, anular a decisão de primeira instância. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 72 03 00 /2 01 1- 82 Fl. 369DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 370DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.720300/201182 Acórdão n.º 2401002.687 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório A presente Auto de Infração de Obrigação Principal, lavrado sob o n. nº 37.327.2324, 37.327.2332 e 37.327.2340, tem por objeto as contribuições sociais destinadas ao custeio da Seguridade Social, parcela a cargo da empresa, incluindo as destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrentes dos riscos ambientais do trabalho, parcelas destinadas a terceiros, bem como diferenças de contribuições descontadas de segurados empregados não recolhidas em sua totalidade sobre os valores pagos aos segurados empregados e contribuintes individuais. O lançamento compreende competências entre o período de 05/2006 a 12/2008. Destacase que conforme descrito no relatório fiscal, o objeto do lançamento foi assim descrito: O contribuinte identificado em epígrafe está sendo autuado através do Auto de Infração nº 37.327.2324 devendo a recolher à Secretaria da Receita Federal do Brasil – RFB , débito no montante de R$ 1.226.445,41 (Um milhão, duzentos e vinte e seis mil, quatrocentos e quarenta e cinco reais e quarenta e um centavos) consolidado em 13 de abril de 2011 , referente a contribuições sociais patronais (empresa+SAT) destinadas à Seguridade Social , incidentes sobre as remunerações pagas/devidas/creditadas aos segurados empregados e contribuintes individuais, referente ao período de Maio/2006 a Dezembro/2008, inclusive sobre o décimoterceiro salário. 4.1 O contribuinte está sendo autuado também através do Auto de Infração nº 37.327.2332 a recolher à Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), débito no montante de R$ 56.555,08 (Cinqüenta e seis mil, quinhentos e cinqüenta e cinco reais e oito centavos) referente às contribuições sociais a cargo dos segurados empregados e contribuintes individuais relativo ao período de Maio/2006 a Dezembro/2008, inclusive o décimo terceiro salário. 4.2 Está sendo autuado também através do Auto de Infração nº 37.327.2340 a recolher à Secretaria da Receita Federal do Brasil débito no montante de R$ 366.793,93 (Trezentos e sessenta e seis mil, setecentos e noventa e três reais e noventa e três centavos) referente a contribuições destinadas a Outras Entidades (Terceiros) incidentes sobre as remunerações pagas/devidas ou creditadas aos segurados empregados referente ao período de Janeiro/2006 a Dezembro/2008, inclusive o décimo terceiro salário. Ainda conforme descrito no referido relatório na autuação os fatos geradores foram separados em códigos denominados “levantamentos”, códigos estes utilizados para a individualização e a identificação nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, de forma a permitir a apuração das contribuições sociais e a possibilitar o exato enquadramento na Fl. 371DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 legislação de regência, a saber: CÓDIGO DO LEVANTAMENTO e FATO GERADOR / CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. FP Contribuições sociais patronais (empresa + SAT) apuradas mediante a aplicação das alíquotas respectivas destinadas a Seguridade Social e incidentes sobre as remunerações pagas/devidas/creditadas aos segurados empregados e contribuinte individual , bem como as contribuições a cargo dos segurados empregados e contribuinte individual referente ao período de 05/2006 a 13/2008; T1 Contribuições sociais destinadas a Outras Entidades (Terceiros) referente ao período de 01/2006 a 11/2008; T2 Contribuições sociais destinadas a Outras Entidades (Terceiros) referente as competências de 12/2008 e 13/2008; Com vistas a fundamentar o lançamento descreveu o auditor o objeto da empresa, bem como em que condições davamse os trabalhos, esclarecendo assim, sua impossibilidade de opção pelo SIMPLES e por consequência encontrarse em débito em relação as contribuições previdenciárias: Fato a ser observado é que a empresa acima teve seu novo nome empresarial alterado na segunda alteração contratual registrada na JUCEPAR Agência de Toledo (PR) sob nº 20102574650 em 25.03.2010. O nome anterior era A.L. Meneguello & Cia Ltda. 9. Concluído o planejamento dos procedimentos fiscais, a fiscalização deu ciência do início do procedimento fiscal ao representante legal da empresa, Sr. Nilson Oliveira dos Santos , no dia 24 de Fevereiro de 2011 através do Termo de Início de Procedimento Fiscal (TIPF). Após a ciência do TIPF pelo representante legal da empresa foi concedido prazo para a entrega dos documentos e arquivos digitais necessários ao trabalho da auditoriafiscal. 10. No transcorrer do procedimento fiscal a empresa foi intimada no dia 17.03.2011 e 19.04.2011 através dos Termos de Intimação Fiscal 001/2011 e 002/2011 a apresentar outros documentos necessários à fiscalização. 11. Durante a fase da análise documental propriamente dita, foi constatado por essa auditoriafiscal , que a empresa ALM Marketing Promocional Ltda optante do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples Federal instituído pela Lei 9.317/1996 e do Simples Nacional instituído pela Lei Complementar 123, de 14.12.2006, estava cadastrada com o CNAE 47.29.6.99 – Comércio varejista de produtos alimentícios em geral ou especializado em produtos alimentícios não especificados anteriormente, porém a atividade econômica da empresa mencionada no Artigo 3º da Primeira Alteração Contratual de 30 de Junho de 2005 é o Comércio varejista de produtos alimentícios, cosméticos, higiene e limpeza, através de catálogos e prestação de serviços de promoção de vendas, merchandising, abordagem e degustação de gêneros alimentícios . Notase que no comprovante de inscrição e de situação cadastral do CNPJ da empresa não consta como atividade Fl. 372DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.720300/201182 Acórdão n.º 2401002.687 S2C4T1 Fl. 4 5 econômica principal nem secundária a prestação de serviços de promoção de vendas. 12. A fiscalização verificou que a totalidade da receita bruta obtida pela empresa nos anos de 2006, 2007 e 2008 é decorrente da prestação de serviços a terceiros. Esses serviços executados pela ALM Marketing Promocional Ltda referiamse a Promoções de Vendas e Merchandising, bem como a reposição e abastecimento de mercadorias em expositores e gôndolas nas lojas especificadas pelo contratante dos serviços. Anexo ao presente relatório fiscal cópias de algumas notas fiscais de prestação de serviços emitidas pela ALM ( por amostragem), cópia dos registros contábeis dos lançamentos efetuados na conta 3.1.501.001 Serviços A Vista extraídas dos Livros Diário/Razão de 2006 e 2008. 13 Da análise dos contratos de prestação de serviços firmados entre a ALM Marketing Promocional Ltda ME e algumas empresas, dentre elas, a Bettanin Industrial S.A, SEPAC Serrados e Pasta de Celulose Ltda, Aloés Ind e Comércio Ltda e A C Comercial, Importação e Exportação Ltda, notase claramente que os serviços contratados objetos dos contratos eram o Abastecimento ou Reposição de Mercadorias nas gôndolas, prateleiras e demais expositores , bem como a Promoção de Vendas e o Merchandising dos produtos fabricados pelos contratantes. 15. Os locais de prestação dos serviços eram determinados pelos contratantes dos serviços, os quais eram principalmente, grandes redes de supermercados e atacadistas, localizados nos estados do Paraná e Santa Catarina. 16. A característica essencial dos serviços prestados pela ALM Marketing Promocional Ltda é a cessão ou locação de mãode obra, a qual é uma espécie de contrato em que uma pessoa disponibiliza algo, no caso, “mãodeobra”, a uma outra pessoa por determinado prazo, para trabalhar segundo orientações do contratante, mediante pagamentos periódicos em decorrência dessa utilização. (...) 18. A fiscalização observou nas fichas de registro de empregados que a empresa ALM Marketing Promocional Ltda, embora sediada em Cascavel mantinha apenas um “escritório” nessa cidade e teve vários segurados empregados que lhe prestaram serviços mas que residiam em localidades diferentes de Cascavel, como por exemplo Curitiba, Londrina, Maringá, Foz do Iguaçu, Colombo, São José dos Pinhais, conforme quadro e gráfico descritos no próprio relatório. (...) 19. Da análise do quadro acima é possível verificar que a maioria dos empregados da empresa ALM Marketing Promocional Ltda não residiam em Cascavel ,ou seja, moravam Fl. 373DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 em outras cidades e lá prestavam os serviços para as contratantes dos serviços e mantinham vinculo empregatício com a ALM. Isso é característico da cessão/locação de mãodeobra, onde não é necessário que os empregados morem na cidade sede da empresa, haja vista que o trabalho por eles prestados serão executados nas dependências do contratante ou nos locais por eles determinados 20. A fiscalização apurou também nas folhas de pagamento da empresa que dos 1.070 (um mil e setenta) empregados que prestaram serviços durante os anos de 2006, 2007 e 2008, 998 (novecentos e noventa e oito) exerciam a função de Promotor de Vendas, concluindo que a atividade principal da empresa ALM Marketing Promocional era a prestação de serviços de promoção de vendas. Conforme descrito no relatório fiscal a Secretaria da Receita Federal em solução de consulta formulada a este órgão já havia se posicionado a respeito do assunto, concluindo que é vedada a opção pelo SIMPLES o exercício de atividades de exposição e demonstração de mercadorias em supermercados e lojas, promoção de vendas, assessoria e contratação de recursos humanos. Assim, indevida a opção pelo SIMPLES. Ainda em seu relatório esclarece a autoridade como se deu a exclusão: 22. Desta forma, restou comprovado que o contribuinte exerceu atividade que lhe impedia de adotar o regime especial, nos termos do Art. 9º, inciso XII “f” da Lei 9.317/96 e Art. 17, inciso XII da Lei Complementar nº 123/2006, devendo, portanto, submeterse ao regime tributário das empresas em geral. 23. A exclusão do regime do SIMPLES Federal ocorreu de ofício conforme previsto nos arts. 12 e 14, inciso I da Lei nº 9.317/96, surtindo efeitos a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente nos termos do Art. 15, II do mesmo diploma legal. Considerando que o contribuinte já exercia a atividade impeditiva à opção pelo Simples Federal desde o período anterior a 1º de janeiro de 2006, a exclusão do regime simplificado retroagiu até aquela data, conforme constante do Ato Declaratório Executivo de Exclusão do Simples nº 005/2011 de 26 de Abril de 2011. 24 A exclusão do SIMPLES NACIONAL ocorreu conforme previsto nos arts. 28 e 29, inciso I da LC nº 123/2006, surtindo efeitos a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente nos termos do Art. 31, II do mesmo diploma legal. Considerando que o contribuinte já exercia a atividade impeditiva à opção pelo Simples Nacional desde o período anterior a 1º de julho de 2007, a exclusão do regime especial retroagiu até aquela data, conforme constante do Termo de Exclusão do Simples Nacional nº 008/2011 de 26 de Abril de 2011. 25. Tendo em vista que a empresa teve sua exclusão do SIMPLES efetivada com os atos acima descritos (item 23 e 24) e considerando que os efeitos foi retroativo a 01/01/2006 quanto ao Simples Federal e 01/07/2007 relativo ao Simples Nacional, a Fl. 374DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.720300/201182 Acórdão n.º 2401002.687 S2C4T1 Fl. 5 7 fiscalização procedeu aos lançamentos das contribuições previdenciárias incidentes sobre a folha de pagamento dos segurados empregados e contribuintes individuais relativo aos períodos em que surtiram os efeitos da exclusão do SIMPLES (anos de 2006 a 2008) Importante, destacar que a lavratura da NFLD deuse em 09/05/2011, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 23/05/2011. Não conformada com a notificação, foi apresentada defesa pela notificada, fls. 258 a 275. A Decisão de Primeira Instância confirmou a procedência, total do lançamento, fls. 323 a 326. ASSUNTO: SIMPLES NACIONAL Ano calendário: 2007, 2008 UNICIDADE DE PROCESSO. MESMO ELEMENTOS DE PROVA. POSSIBILIDADE. Os autos de infração e as notificações de lançamento tributário, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. SIMPLES NACIONAL. LOCAÇÃO OU CESSÃO DE MÃO DE OBRA. IMPEDIMENTO. Constitui impedimento ao ingresso do Simples Federal e do Simples Nacional o exercício da atividade de cessão ou locação de mãodeobra. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 331 a 345. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: 1. Seja declarada a nulidade do lançamento anterior, pois o julgador a quo preferiu “julgar as escuras” do que determinar a diligência para compreender a atividade real exercida pela empresa. 2. Na hipótese de se entender que a nulidade anterior pode ser sanada nesta fase processual, que determinem a realização de diligência, a fim de sanar a questão central do processo. 3. Na hipótese de entender não ser cabível a diligência, requerse ao menos seja permitido ao contribuinte juntar Ata Notarial e Declarações de testemunhas, para com fépública provar que não há cessão de mão de obra. Fl. 375DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 4. No mérito que se reconheça que a atividade da empresa é de promoção de vendas e marketing direto, atividades estas que podem optar pelo simples. Sustenta que o procedimento fiscal é improcedente, visto que as atividades secundárias de promoção de vendas (CNAE 73190/ 02) e de marketing direto (73190/ 03 não constam das atividade impeditivas ao Simples Nacional relacionadas nas Resoluções do Comitê Gestor do Simples Nacional nº 06/2007 e 77/2010. Acrescenta que as atividade de promoção de vendas e merchandising (marketing direito), não estão englobadas no conceito de cessão de mão de obra, conforme equivocadamente foi considerado pelo auditor fiscal. 5. A autoridade fiscal entendeu que sua atividade é sinônimo de locação de mãodeobra com base em solução de consulta técnica, formulada por terceiro, em 2005, na qual a consulente prestava além de promoção de vendas, também a cessão de mão de obra, que não é o caso em análise. 6. Por consequência declarar o direito da empresa de ter estado no SIMPLES no período, e anular o auto de infração em tela. 7. Entretanto, caso seja diverso o entendimento de Vossas Senhorias e sejam mantidos os lançamentos de ofício, requer sejam apreciadas as razões recursais no tópico III, no sentido de reconhecer o direito da recorrente de abater do montante que está sendo cobrado, o valor que a mesma já pagou relativamente a contribuição previdenciária patronal. A unidade da DRFB encaminhou o recurso a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 376DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10935.720300/201182 Acórdão n.º 2401002.687 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE: O recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 330. Superados os pressupostos, passo as preliminares ao exame do mérito. DAS QUESTÕES PRELIMINARES: Pela análise dos autos identificase que o fato que ensejou a lavratura dos Autos de infração nos moldes em que se encontram, foi o indevido enquadramento no SIMPLES de acordo com informações prestadas pelo próprio auditor fiscal em seu relatório. A autoridade julgadora de 1ª instância julgou o AI procedente, tendo em vista o julgamento de procedência do ato de exclusão do SIMPLES em primeira instância QUANTO A NÃO APRECIAÇÃO DA POSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO DOS VALORES RECOLHIDOS PELO SIMPLES. Em sua impugnação, a ora Recorrente argumentou acerca da possibilidade da compensação da contribuição previdenciária patronal, conforme verificase no item V, fl. 274. A decisão do julgador do órgão "a quo", em sua fundamentação, sequer esboçou reação contra os argumentos da Recorrente quanto a possibilidade de dita compensação. Dessa forma, entendo que a análise do lançamento por parte da autoridade de 1. Instância deve cumprir os preceitos constitucionais quanto ao princípio constitucional do contraditório e a ampla defesa. Assim, ao não apreciar devidamente os argumentos do recorrente em primeira instância, impossibilita a autoridade julgadora o exercício do poder de defesa em toda a sua plenitude, o que enseja a nulidade da mesma. E, conforme art. 32, inciso II, da Portaria MPAS nº 520/04, são nulas as decisões proferidas com preterição do direito de defesa. Art. 32. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; III o lançamento não precedido do Mandado de Procedimento Fiscal. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 377DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir o mérito a favor do sujeito passivo, a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. Portanto, a nulidade da Decisão de Primeira Instância merece ser decretada afim de que se possa ofertar o pleno exercício do contraditório e da ampla defesa. Embora, o processo esteja retornando a origem para emissão de nova Decisão, entendo exista outro ponto que merece ser observado após a emissão da nova decisão e antes do retorno a este Conselho para novo julgamento. Apesar de terem sido apresentados e rebatidos diversos argumentos em sede de recurso, a decisão da procedência ou não do presente autodeinfração está ligado à sorte da Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10935.720415/201177, considerando que as contribuições aqui lançadas deramse exclusivamente pela exclusão da empresa do sistema SIMPLES. Assim, para evitar decisões discordantes fazse imprescindível primeiro a análise da Representação de Exclusão, para só então julgarse a procedência da autuação. Dessa forma, entendo que o melhor encaminhamento é determinar o retorno do processo a este Conselho após a decisão final acerca do referido processo, devendo o auto deinfração ficar sobrestado aguardando o julgamento das do AI conexa(s). Tão logo o processo de Representação Fiscal – Exclusão do SIMPLES, Processo n. 10935.720415/2011 77 seja julgado, devem os autos retornar ao CARF para que seja dado prosseguimento ao julgamento. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto por ANULAR A DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA, nos termos acima expostos. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 378DF CARF MF Impresso em 12/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 29/10/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 09/11/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 10320.006378/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/08/2003 a 31/07/2007
CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. LANÇAMENTO COM BASE EM DIFERENÇA ENTRE FOLHA DE PAGAMENTO E GFIP.
Tendo sido o lançamento apurado com base nas diferenças encontradas entre a folha de pagamento e a GFIP, não há necessidade do auditor fiscal identificar qual a natureza de cada uma das rubricas.
LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. EXECUÇÃO IMEDIATA DO DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE.
Tratando-se de lançamento suplementar, não há como se proceder à execução imediata, sem a constituição formal do débito.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 2402-003.075
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
Júlio César Vieira Gomes - Presidente.
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/08/2003 a 31/07/2007 CONTRIBUIÇÕES DE TERCEIROS. LANÇAMENTO COM BASE EM DIFERENÇA ENTRE FOLHA DE PAGAMENTO E GFIP. Tendo sido o lançamento apurado com base nas diferenças encontradas entre a folha de pagamento e a GFIP, não há necessidade do auditor fiscal identificar qual a natureza de cada uma das rubricas. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. EXECUÇÃO IMEDIATA DO DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE. Tratando-se de lançamento suplementar, não há como se proceder à execução imediata, sem a constituição formal do débito. Recurso voluntário negado.
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LANÇAMENTO COM BASE EM DIFERENÇA ENTRE FOLHA DE PAGAMENTO E GFIP. Tendo sido o lançamento apurado com base nas diferenças encontradas entre a folha de pagamento e a GFIP, não há necessidade do auditor fiscal identificar qual a natureza de cada uma das rubricas. LANÇAMENTO SUPLEMENTAR. EXECUÇÃO IMEDIATA DO DÉBITO. IMPOSSIBILIDADE. Tratandose de lançamento suplementar, não há como se proceder à execução imediata, sem a constituição formal do débito. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Júlio César Vieira Gomes Presidente. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Ana Maria Bandeira, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo, Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 32 0. 00 63 78 /2 00 8- 13 Fl. 321DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 2 Relatório Tratase de NFLD constituída em 10/11/2008 (fl. 02) para exigir contribuições destinadas a outras entidades e fundos (INCRA, SALÁRIO EDUCAÇÃO, SENAI, SESI e SEBRAE), no período de 08/2003 a 07/2007. De acordo com o relatório fiscal (fl. 38), a base de cálculo compreende valores relativos a salários, recibos de rescisões de contrato de trabalho e recibos de férias que não foram declarados em GFIP. A Recorrente apresentou impugnação (fls. 50/113) pleiteando pela decadência parcial do crédito, pela anulação do lançamento, bem como pela redução da alíquota do SAT. A d. Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Fortaleza determinou a realização de diligência para que fosse juntada no processo, por amostragem, cópia da documentação que foi utilizada para se compor a base de cálculo do lançamento (fls. 123/124). A DRF em São Luís informou que readequou a alíquota do SAT da empresa de 1% para 3% pelo fato dela realizar atividades de sepultamento e afins (e não de “administração, conservação e arrecadação de taxas”, como informado em seu objeto social), bem como pelo fato de ela já pagar adicional de insalubridade (fls. 234/235). Juntouse no processo cópia das folhas de pagamento e memória de cálculo. A Recorrente, em resposta, pontuou que a fiscalização não teceu qualquer consideração sobre a natureza das verbas autuadas, o que importa na nulidade da autuação (fls. 238/239). A DRJ julgou a autuação procedente em parte, consignando que: (i) o pedido de perícia não atendeu aos requisitos legais; (ii) deve ser aplicado o art. 150, § 4º, do CTN, por existir pagamentos antecipados no sistema da RFB; (iii) não há que se discutir a alteração da alíquota de SAT neste processo, haja vista que este versa apenas sobre as contribuições de terceiros; (iv) não se verificou verbas indenizatórias ou benefícios previdenciários na base de cálculo do lançamento (fls. 241/258). A Recorrente interpôs recurso voluntário (fls. 293/319) alegando que: (i) o lançamento é nulo, haja vista que não tratou sobre a natureza das verbas autuadas; (ii) o lançamento tomou como base as informações contidas em GFIP, que já poderiam ser executadas, sem a constituição formal do débito; (iii) a alíquota de SAT deve ser reduzida; e (iv) não incide contribuição previdenciária sobre verbas indenizatórias. É o relatório. Fl. 322DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES Processo nº 10320.006378/200813 Acórdão n.º 2402003.075 S2C4T2 Fl. 322 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que o presente recurso é tempestivo e preenche a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele tomo conhecimento. A Recorrente defende, inicialmente, que o lançamento é nulo, haja vista que não possui qualquer consideração sobre a natureza das verbas autuadas, se indenizatórias ou não. Analisando o processo, verificase que a fiscalização considerou como base de cálculo as diferenças existentes entre a folha de pagamento e a GFIP. Os valores autuados, constantes no Discriminativo Analítico do Débito (DAD), representam as diferenças listadas na planilha “TAB01” (fls. 35/36), na parte “Diferença entre FP e GFIP”, na coluna “Remuneração (BC)”. Ora, se a própria empresa considerou tais valores como remuneração dos empregados, lançandoos na respectiva folha de pagamento, não há necessidade do auditor fiscal buscar desvendar qual é a natureza dessas diferenças, para somente após efetuar o lançamento. Posto isso, não se verifica qualquer irregularidade na fundamentação do lançamento que resulte em uma anulação. Sustenta a Recorrente também que o lançamento tomou como base as informações contidas em GFIP, as quais já poderiam ser executadas sem a constituição formal do débito. Entretanto, como já mencionado acima, este processo não tomou como base valores declarados em GFIP, mas sim a diferença existente entre as GFIP’s e as folhas de pagamento. Não há, portanto, qualquer razão no argumento. A Recorrente alega também que a alíquota de SAT foi indevidamente majorada. Contudo, a discussão atinente à alíquota do SAT neste processo é inócua, haja vista que aqui se exige tão somente a parte relativa às contribuições destinadas a outras entidades e fundos. Deixo, portanto, de apreciar esse argumento. Por fim, defende a Recorrente que não há incidência das contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias, tais como o terço constitucional de férias, adicional de horas extras e aviso prévio indenizado. Fl. 323DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES 4 No entanto, cumpre destacar que a Recorrente não demonstrou se as diferenças existentes entre as folhas de pagamento e GFIP’s são mesmo relativas a verbas indenizatórias. Pelo contrário, notase que em alguns períodos autuados (13/2003, 13/2004, 10/2005, 03/2006, entre outros), a base de cálculo representa a totalidade (ou quase ela) das remunerações pagas naquele determinado mês, o que evidencia que não se está diante apenas de verbas indenizatórias. Portanto, vislumbrase que as alegações de defesa da Recorrente, no que se refere à não incidência das contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias, não possuem correlação com que está sendo exigido neste processo administrativo, razão pela qual deve ser negado provimento ao seu recurso. Diante do exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para NEGAR LHE PROVIMENTO. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues Fl. 324DF CARF MF Impresso em 23/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 23/10/2012 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 20/11/2012 por JULIO CESAR V IEIRA GOMES
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Numero do processo: 10735.900328/2008-52
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 21 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999
ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.735
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 90 03 28 /2 00 8- 52 Fl. 102DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 72 a 74) interposto para se contrapor à decisão da DRJ Rio de Janeiro II/RJ (fls. 55 a 59) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do contribuinte (fl. 11), esta manejada contra o despacho decisório da repartição de origem (fl. 2), que não reconhecera o direito creditório por ausência de confirmação da existência do indébito referente à Cofins informado no Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP). Inicialmente, o contribuinte fora intimado (fl. 1) para esclarecer o fato de que o pagamento informado no PER/DCOMP1 não havia sido localizado nos sistemas da Receita Federal, não constando dos autos resposta por parte do interessado. Cientificado do despacho decisório, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e alegou que teria havido erro de digitação no preenchimento do PER/DCOMP relativamente aos dados do pagamento efetuado. Na ocasião, trouxe aos autos cópias de documentos societários (fls. 12 a 27), de comprovante de arrecadação2 (fl. 33), do PER/DCOMP (fls. 34 a 38) e da DCTF retificadora entregue em 04/10/2004 (fls. 39 a 47). O acórdão da DRJ Rio de Janeiro II/RJ, denegatório do direito pleiteado, foi ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/1999 a 31/12/1999 MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. ALEGAÇÃO SEM PROVAS. Cabe ao contribuinte no momento da apresentação da manifestação de inconformidade trazer ao julgado todos os dados e documentos que entende comprovadores dos fatos que alega. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Ressaltou o relator a quo que o contribuinte não trouxera aos autos qualquer comprovação do direito alegado, não tendo sido apresentado nem mesmo cópia do DARF a que fizera referência, o que comprovaria a inexistência desse documento atestada no despacho decisório. No que tange à DCTF relativa ao mês de dezembro de 1999, destacou o julgador de piso que, de sua análise, foi possível verificar que o contribuinte havia apresentado três DCTFs; tendo sido a (i) original transmitida em 24/03/2000, em que constou o débito da 1 Valor total de R$ 20.124,74; tributo: Cofins (2172); PA: dezembro de 1999; data da arrecadação: 29/02/2000. 2 Valor total: R$ 56.631,50. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10735.900328/200852 Acórdão n.º 3803003.735 S3TE03 Fl. 103 3 Cofins (código 2172) no valor de R$ 49.023,11, quitado com pagamento de mesmo de valor; uma (ii) DCTF complementar, apresentada em 16/05/2001, em que se informou um novo valor da contribuição de R$ 23.264,35, também quitada com pagamento de igual valor; e uma (iii) DCTF retificadora, esta enviada em 04/10/2004, após a apresentação do PER/DCOMP, desta feita informando um novo valor da Cofins de R$ 9.295,47, com pagamento no mesmo valor. Por fim, destacou o relator que o contribuinte deveria ter apresentado ao Fisco “os comprovantes fiscais e contábeis — documentos de arrecadação e livros fiscais e contábeis — relativos ao crédito pleiteado, sob pena de seu suposto direito não poder ser exercido por falta de requisito fático, que é a liquidez e certeza deste.” (fl. 58). Irresignado, o contribuinte recorre a este Conselho e requer o cancelamento do débito reclamado, alegando a existência de uma solução de consulta que lhe garantiria o direito creditório pleiteado, em razão do que a sua escrituração dos últimos cinco anos havia sido retificada, sendo o direito à compensação assegurado por lei independentemente de requerimento. Segundo o Recorrente, amparado na solução de consulta, a base de cálculo da contribuição passou a ser a comissão recebida por sua atividade de distribuição de obras audiovisuais a empresas que exploram cinema, televisão e vídeo, decorrendo daí o crédito relativo a pagamento a maior. Alega, ainda, o Recorrente, que submeteuse à fiscalização da Administração federal, que teria validado seu pedido de compensação a partir da verificação dos livros contábeis, bem como dos documentos que deram origem aos lançamentos. De acordo com suas palavras, “Dentre o crédito homologado pela administração federal, está o pagamento em 15/03/2000 de R$ 42.851,06, através do DARF código 2172, período de apuração 02/2002, (documento anexo), onde o correto seria o pagamento da Cofins no valor de R$ 11.486,04” (fl. 73), do que resultou o saldo credor de R$ 31.365,02. Junto à peça recursal, traz aos autos, dentre outras, cópias de parte do Livro Diário referente ao período de janeiro a junho de 2000 (fls. 85 a 89), de parte do balancete de verificação de março de 2000 (fl. 90) e da Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 305/2005 (fls. 92 a 97). É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento não localizado nos sistemas da Receita Federal. O contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº Fl. 104DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 9.430/1996 –, restringiu o seu pedido ao reconhecimento de erro de digitação no preenchimento do PER/DCOMP relativamente aos dados do pagamento efetuado, nada dizendo sobre a natureza do direito creditório reclamado, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Somente no Recurso Voluntário o contribuinte informa que o direito creditório decorreria da apuração da contribuição para além da comissão recebida por sua atividade de distribuição de obras audiovisuais a empresas que exploram cinema, televisão e vídeo. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar, em razão do que eles não serão apreciados neste Conselho. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas as razões e as alegações somente trazidas aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. Na primeira instância administrativa, foram trazidos aos autos apenas cópias de documentos societários (fls. 12 a 27), de comprovante de arrecadação extraído do sítio da Receita Federal na internet (fl. 33), do PER/DCOMP (fls. 34 a 38) e da DCTF retificadora entregue em 04/10/2004 (fls. 39 a 47). A DCTF apresentada, embora retificadora, informa valores que não guardam qualquer relação com os informados no PER/DCOMP. Enquanto naquela se declara um débito da Cofins de dezembro de 1999 no montante de R$ 9.295,47, quitado com DARF de mesmo valor (fl. 47), neste, informase um saldo credor de R$ 20.124,74 (fl. 35), decorrente de um pagamento de mesmo valor da mesma contribuição devida no mesmo periodo de apuração (fl. 36). Além disso, tais documentos não vieram acompanhados da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia. Devese ressaltar que, nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 3 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos 3 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 10735.900328/200852 Acórdão n.º 3803003.735 S3TE03 Fl. 104 5 fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). Os motivos de fato e de direito devem ser apresentados desde a primeira instância e as provas trazidas aos autos a destempo somente podem ser acatadas se devidamente justificada e fundamentada a razão de sua intempestividade, nos termos do art. 16, caput, e § 4º do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cujo teor segue transcrito: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os motivos e os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo previsão legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao sugerir que esta Turma converta o julgamento em diligência para que a Fiscalização confirme os dados informados no Dacon. Ainda que, em tese, se superasse a ocorrência de preclusão temporal, temse que as provas apresentadas no Recurso Voluntário não são bastantes para comprovar a existência do alegado indébito. Além do fato de que as informações constantes da DCTF não guardam correspondência com os dados declarados no PER/DCOMP, os novos elementos fáticos trazidos aos autos nesta instância se referem a outros períodos de apuração. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 A parte do Livro Diário reproduzida no recurso se refere ao período de fevereiro a março de 2000 (fls. 87 a 89) e não ao período de 1º a 31 de dezembro de 1999, e a parte do balancete de verificação é relativa ao mês de março de 2000 (fl. 90). Inobstante o fato de a Solução de Consulta SRRF/7ª RF/DISIT nº 305/2005 (fls. 92 a 97) garantir ao sujeito passivo o direito de apurar a contribuição somente sobre a receita auferida a título de comissões pela comercialização, distribuição e locação de obras audiovisuais, não constam dos autos qualquer demonstração ou indicação de prova quanto à receita auferida no mês de dezembro de 1999, este objeto da controvérsia sob análise, que possibilitasse a verificação da real extensão da base de cálculo do período. Desfavorece, ainda, a defesa do Recorrente, a alegação de que se submetera à fiscalização da Administração federal, que, segundo ele, teria validado seu pedido de compensação a partir da verificação dos livros contábeis, bem como dos documentos que deram origem aos lançamentos, pois, segundo suas prórpias palavras, “Dentre o crédito homologado pela administração federal, está o pagamento em 15/03/2000 de R$ 42.851,06, através do DARF código 2172, período de apuração 02/2002, (documento anexo), onde o correto seria o pagamento da Cofins no valor de R$ 11.486,04” (fl. 73). Verificase que o Recorrente se equivocou totalmente quanto ao período de apuração do direito creditório pleiteado por meio do PER/DCOMP (dezembro de 1999) em relação àqueles constantes das alegações e dos elementos fáticos trazidos aos autos em grau de recurso (fevereiro a março de 2000). Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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