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Numero do processo: 35380.000602/2006-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Jan 10 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/1991 a 31/05/2001
DECADÊNCIA PARCIAL
De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência.
Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo quinquenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional.
CARACTERIZAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COMO SEGURADOS EMPREGADOS.
Para que seja considerado, o contribuinte individual, como segurado empregado, é necessário que ele possua cumulativamente as seguintes características: subordinação, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade. A ausência de qualquer um desses requisitos acaba inevitavelmente descaracterizando a relação jurídica de emprego.
No caso dos autos, faltando o requisito da pessoalidade não há que se falar em relação de emprego entre os contribuintes individuais e o sujeito passivo.
Numero da decisão: 2301-003.078
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que negavam provimento ao recurso. Impedido: Mauro José Silva, com base no Art. 43 do RICARF.
Marcelo Oliveira - Presidente.
Adriano Gonzales Silvério - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Aontonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério.
Nome do relator: ADRIANO GONZALES SILVERIO
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/1991 a 31/05/2001 DECADÊNCIA PARCIAL De acordo com a Súmula Vinculante nº 08 do Supremo Tribunal Federal, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer as disposições da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional, no que diz respeito a prescrição e decadência. Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplica-se o prazo quinquenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COMO SEGURADOS EMPREGADOS. Para que seja considerado, o contribuinte individual, como segurado empregado, é necessário que ele possua cumulativamente as seguintes características: subordinação, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade. A ausência de qualquer um desses requisitos acaba inevitavelmente descaracterizando a relação jurídica de emprego. No caso dos autos, faltando o requisito da pessoalidade não há que se falar em relação de emprego entre os contribuintes individuais e o sujeito passivo.
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Havendo pagamento antecipado do tributo exigido no lançamento, aplicase o prazo quinquenal previsto no artigo 150, § 4º, da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. CARACTERIZAÇÃO DE CONTRIBUINTES INDIVIDUAIS COMO SEGURADOS EMPREGADOS. Para que seja considerado, o contribuinte individual, como segurado empregado, é necessário que ele possua cumulativamente as seguintes características: subordinação, não eventualidade, onerosidade e pessoalidade. A ausência de qualquer um desses requisitos acaba inevitavelmente descaracterizando a relação jurídica de emprego. No caso dos autos, faltando o requisito da pessoalidade não há que se falar em relação de emprego entre os contribuintes individuais e o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, : I) Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso de ofício, nos termos do voto do Relator; II) Por maioria de votos: a) em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. Vencidos os Conselheiros Bernadete de Oliveira Barros e Marcelo Oliveira, que negavam provimento ao recurso. Impedido: Mauro José Silva, com base no Art. 43 do RICARF. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 38 0. 00 06 02 /2 00 6- 18 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 2 Marcelo Oliveira Presidente. Adriano Gonzales Silvério Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Aontonio de Souza Correa, Bernadete de Oliveira Barros, Leonardo Henrique Pires Lopes, Mauro José Silva e Adriano Gonzales Silvério. Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Débito nº 35.137.3861, a qual exige contribuições sociais a cargo da empresa, destinadas ao custeio Seguridade Social, ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho e as destinadas a outras Entidades e Fundos (FNE, INCRA, SESC E SEBRAE), incidentes sobre as remunerações pagas aos trabalhados autônomos, os quais, após a conclusão dos trabalhos fiscais, foram caracterizados como segurados empregados, o que resultou, após ser revertido o valor total recolhido a título de autônomo como empregado, na constituição da diferença do crédito previdenciário, relativo ao período de 01/1991 a 05/2001. Nesse sentido, informa o Relatório Fiscal de fls. 125 a 136 que: “Os fatos geradores do presente lançamento foram apurados com base nas remunerações pagas aos segurados considerados trabalhadores autônomos pela Entidade extraídas dos lançamentos contábeis realizados nas contas "Plantões" e "Contas Correntes — Docentes Prest. Serv. Conv.", localizadas nos Livros Diário referentes ao período da prestação de serviços (relacionados no item 3 Elementos examinados), Relatórios de Serviços Prestados e Relatórios de Plantões Médicos, emitidas pela Entidade ora notificada, nos quais verificamos o tipo do serviço prestado e sua correspondente remuneração.” Com a realização da fiscalização, foi constatada a seguinte situação fática: “Esta fiscalização observou que a Entidade conforme artigo 4° e seus Estatutos "São finalidades básicas da Fundação colaborar para a melhoria das condições gerais e administrativas do Hospital das Clinicas e da Faculdade de Medicina da UNESP em Botucatu, para que possam atingir os objetivos definidos peia própria Faculdade de Medicina de Botucatu da UNESP. "... que em seu artigo 5°, “A fundação atuará, para efeitos do artigo quarto, mediante 'subvenções governamentais, auxílios recebidos, convênios e/ou contratos com Instituições públicas ou privadas."... que em seu artigo 13º "A Diretoria Executiva compete: X Contratar serviços, pessoal e criar comissões de caráter permanente ou transitório, para consecução das atividades inerentes aos objetos da Fundação, ouvido o Conselho de Curadores;"... que em seu artigo 16° "0 regime Jurídico do Pessoal da Fundação será o da Consolidação das Leis do Trabalho CLT.", deixando claro o seu campo de atuação e o regime de contratação do seu pessoal”. (Grifo original) Fl. 2DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 35380.000602/200618 Acórdão n.º 2301003.078 S2C3T1 Fl. 509 3 Dando continuidade os trabalhos de fiscalização, a D. Autoridade Fiscal, ao examinar a possível configuração dos requisitos necessários para a caracterização dos segurados autônomos como empregados, concluiu que: “De tal análise, elencamos os segurados que prestaram serviços nãoeventuais, visando atender as atividades normais da Entidade conforme prevê os seus Estatutos, relacionadas diretamente com os seus fins previstos em seus atos constitutivos. A situação encontrada pela fiscalização é de que a prestação de serviços é feita de forma continuada, não esporádica, com subordinação e pagamento mensal de remuneração, constituindose em necessidade permanente da Entidade para finalidade em que foi criada, atendendo as necessidades da Faculdade de Medicina e do Hospital das Clinicas. Os docente e os mesmos como plantonistas deste Hospital de forma continuada e insofismável, documentos anexos, subordinamse as normas do mesmo, ou seja sob sua direção e comando na determinação da atuação concreta do profissional, controle na prestação do serviço e, ainda, na possibilidade de aplicação de penalidades pelo descumprimento de suas obrigações; mediante remuneração para tanto. Enfim: o tempo de duração do trabalho, bem como o fato de ser intercalado, por si só, não afastam a natureza empregatícia da relação jurídica. Portanto, temse por configurada a subordinação de tais trabalhadores, posto que participam integradamente do processo da Entidade, cumprindo funções indispensáveis e só através deles poder realizar seus fins.” O sujeito passivo apresentou impugnação sustentando, em síntese, a ocorrência de litispendência, haja vista a existência de ações judiciais discutindo o vínculo empregatício dos médicos que prestavam serviços à Impugnante, bem como a ausência do preenchimento dos requisitos necessários para a configuração do vínculo empregatícios nos termos do artigo 3º da CLT. Em 31/08/2001, foi expedido Ofício nº 316/2001 solicitando, no prazo de 3 (três) dias, a juntada da cópia do Convênio firmado entre UNESP e FAMESP, citado no arrazoado da Impugnação. Em atendimento ao referido ofício, o sujeito passivo protocolou petição requerendo a juntada do Convênio, conforme se denota das fls. 274 a 331. Em 20/11/2001, a Diretoria de Arrecadação Gerência Executiva em Bauru/SP proferiu decisão (fls. 338/354) que julgou procedente o lançamento do crédito previdenciário constituído por meio do NFLD nº 35.137.3861. Em face desse r. julgado, o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário, objetivando reformar o r. decisório de 1ª Instância Administrativa. A 2ª Câmara de julgamento do Conselho de Recursos da Previdência Social converteu o julgamento em diligência, determinandose a remessa dos autos do presente processo fiscal à Divisão de Assuntos Jurídicos do CRPS, para que este Órgão se pronunciasse sobre a matéria ora debatida, sobretudo no que se refere aos provimentos judiciais proferidos nas ações trabalhistas que examinam o vínculo empregatício dos médicos. Em parecer de fls. 388/390, a Divisão de Assuntos Jurídicos do CRPS opinou no sentido de dar provimento ao Recurso Voluntário do sujeito passivo, para julgar improcedente o lançamento tributário. Por entender que a matéria discutida nos autos envolveria questão previdenciária de relevante interesse público, o Ministério da Previdência Social também foi chamado a se manifestar sobre o tema, nos termos do artigo 309 do Decreto 3.048/1999. Assim, em 02/09/2003, expediu a Informação AJ/CRPS nº 533/2002, por meio da qual se Fl. 3DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 4 pronunciou no sentido de que o mérito do assunto julgado deveria ser enfrentado pelos membros da 2ª Câmara de Julgamento, sem a participação ministerial para a solução da lide. A 2ª Câmara de Julgamento encaminha novamente o processo em referência à Divisão de Assuntos Jurídicos, em virtude da conclusão de "ser equivocado o entendimento consubstanciado nos Pareceres/CJ MPAS n° 956/97 e 1544/98, vez que, diante do óbice constitucional, não e lícita a vinculação de segurados a órgãos da Administração Pública direta e indireta como "empregados" fossem sem a previa aprovação em concurso público e, por conseguinte, do lançamento fiscal efetuado sob tal fundamento." Em resposta, a Divisão de Assuntos Jurídicos proferiu novo parecer concordando com a conclusão da Informação DAJ/AO nº 306/2003, emitida no processo oriundo da NFLD nº 32.282.1191, no sentido de que “306/2003, emitida no processo oriundo da NFLD n°. 32.282.1191, no sentido de que "...o assunto deve ser enfrentado, no mérito, pelos membros da Segunda CAJ, sem a participação ministerial para a solução da lide." Em 20/02/2006, o sujeito passivo foi intimado a, dentro do prazo 10 (dez) dias, se manifestar sobre os pareceres supramencionados. Assim, em 06/03/2006, o sujeito passivo protocolou a sua manifestação. Após, o 2ª Conselho de Contribuintes proferiu acórdão no sentido de conhecer do Recurso Voluntário e anular a decisão de primeira instância, ante a ocorrência de vícios de cerceamento de defesa, por conta da falta de intimação sobre diligência realizada. Por conta disso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil realizou novo julgamento, no qual foi proferido novo v. acórdão que manteve parcialmente o lançamento do crédito previdenciário lançado na NFLD nº 35.137.3861. Objetivando a reforma da decisão a quo o sujeito passivo interpôs Recurso Voluntário a esse Conselho, por meio do qual reitera os argumentos já despendidos anteriormente. Diante da parcial manutenção do crédito tributário consignado na NFLD nº 35.137.3861, também, a DRJ recorre de ofício ao presente CARF, tendo em vista o valor ultrapassar o limite de alçada. É o relatório. Voto Conselheiro Adriano Gonzales Silvério Os recursos são tempestivos e não há óbices para seus respectivos conhecimentos. Decadência Passo ao exame preliminar da decadência, matéria devolvida a esse Conselho por força de Recurso de Ofício. De acordo com a Súmula Vinculante nº 08, do STF, os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 são inconstitucionais, devendo prevalecer, no que tange à decadência e prescrição, as disposições do Código Tributário Nacional. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 35380.000602/200618 Acórdão n.º 2301003.078 S2C3T1 Fl. 510 5 Nos termos do art. 103A da Constituição Federal, as Súmulas Vinculantes aprovadas pelo Supremo Tribunal Federal, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terão efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. Verificase que a fiscalização lavrou a NFLD discutida com amparo na Lei 8.212, de 24 de julho de 1991 que, em seu art. 45, dispõe que o direito da Seguridade Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito poderia ter sido constituído. No entanto, o Supremo Tribunal Federal, entendendo que apenas lei complementar pode dispor sobre prescrição e decadência em matéria tributária, nos termos do artigo 146, III, ‘b’ da Constituição Federal, negou provimento por unanimidade aos Recursos Extraordinários nº 5596664, 559882, 559943 e 560626, em decisão plenária que declarou a inconstitucionalidade dos artigos 45 e 46, da Lei nº 8212/91. Na oportunidade, foi editada a Súmula Vinculante nº 08 na respeito do tema, publicada em 20/06/2008, transcrita abaixo: Súmula vinculante 8 “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário” Cumpre ressaltar que o art. 62, da Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, veda o afastamento de aplicação ou inobservância de legislação sob fundamento de inconstitucionalidade. Porém, determina, no inciso I do § único, que o disposto no caput não se aplica a dispositivo que tenha sido declarado inconst6itucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou” Portanto, em razão da declaração de inconstitucionalidade dos arts 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991 pelo STF, restaram extintos os créditos cujo lançamento tenha ocorrido após o prazo decadencial e prescricional previsto nos artigos 173 e 150 do Código Tributário Nacional. É necessário observar ainda que as súmulas aprovadas pelo STF possuem efeitos vinculantes, conforme se depreende do art. 103A e parágrafo da Constituição Federal, que foram inseridos pela Emenda Constitucional nº 45/2004, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de oficio ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, Fl. 5DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 6 aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. §1º A Súmula terá por objetivo a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja controvérsia atual entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre questão idêntica. § 2º Sem prejuízo do que vier a ser estabelecido em lei, a aprovação, revisão ou cancelamento de súmula poderá ser provocada por aqueles que podem propor a ação direta de inconstitucionalidade. § 3º Do ato administrativo ou decisão judicial que contrariar a súmula aplicável ou que indevidamente a aplicar, caberá reclamação ao Supremo Tribunal Federal que, julgandoa procedente, anulará o ato administrativo ou cassará a decisão judicial reclamada, e determinará que outra proferida com ou sem a aplicação da súmula, conforme o caso (g.n.).” Da leitura do dispositivo constitucional acima, concluise que a vinculação à súmula alcança a administração pública e, por conseqüência, os julgadores no âmbito do contencioso administrativo fiscal. Ademais, nos termos do artigo 64B da Lei 9.784/99, com a redação dada pela Lei 11.417/06, as autoridades administrativas devem se adequar ao entendimento do STF, sob pena de responsabilidade pessoal nas esferas cível, administrativa e penal. “Art. 64B. Acolhida pelo Supremo Tribunal Federal a reclamação fundada em violação de enunciado da súmula vinculante, darseá ciência à autoridade prolatora e ao órgão competente para o julgamento do recurso, que deverão adequar as futuras decisões administrativas em casos semelhantes, sob pena de responsabilização pessoal nas esferas cível, administrativa e penal” Afastado, pois, o prazo previsto originalmente no citado artigo 45, cabe agora verificar o prazo aplicável, se aquele do 150, § 4º ou 173, inciso I, ambos da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Temos adotado a posição doutrinária e jurisprudencial no sentido de que havendo pagamento antecipado por parte do contribuinte, em relação ao fato gerador posto em discussão, deve incidir o prazo decadencial qüinqüenal previsto no mencionado artigo 150, § 4º. Nesse sentido a decisão proferida pelo Egrégio Superior Tribunal de Justiça, na sistemática de recurso repetitivo, nos autos do Recurso Especial 973.733/SC, a qual deve ser atendida, por força do disposto no artigo 62A Portaria 256/2009, que aprovou o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: “PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. Fl. 6DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 35380.000602/200618 Acórdão n.º 2301003.078 S2C3T1 Fl. 511 7 DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050∕PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758∕SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142∕SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163∕210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa∕concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91∕104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396∕400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183∕199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. Fl. 7DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 8 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08∕2008.” No caso dos autos a autoridade fiscal, conforme se apura às fl. 68 verificou durante o procedimento fiscalizatório os pagamentos efetuados mediante GPS, considerando, assim, a totalidade da folha de salários do sujeito passivo, efetuando o lançamento das diferenças encontradas. Assim, a meu ver, não há dúvidas, pois, de que houve pagamento antecipado e, portanto, deve incidir o prazo quinquenal do artigo 150, § 4º da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966, Código Tributário Nacional. Nesses termos a r. decisão recorrida: “Assim, da análise da NFLD em foco, com ciência do contribuinte datada de 28/06/2001 e constituindo contribuições sociais que remontam ao período compreendido entre janeiro/1991 a maio/2001, aplico ao caso a regra especifica do § 4° do artigo 150, mormente porque a antecipação dos recolhimentos é evidenciada selos anexos da Notifica do Fiscal, e afasto do lançamento as contribuições sociais nela vertidas até a competência maio/1996, consoante novel entendimento.” Sabendose que na espécie o período verificado está compreendido entre janeiro de 1991 a maio de 2001 e que a ora recorrente foi intimada da NFLD em 28 de junho de 2001, verificase que está decaído o período de janeiro de 2000 a maio de 1996, razão pela qual nego provimento ao recurso de ofício. Relação de vínculo empregatício Em relação à parte não decaída, verificase que, por se tratar de cobrança de contribuição previdenciária incidente sobre a remuneração de segurados contribuintes individuais caracterizados, pela D. Fiscalização, como segurado empregado, o cerne da questão reside, assim, em saber se os prestadores de serviços enquadramse ou não na figura jurídica de empregado previsto no artigo 3º da CLT, para efeitos da incidência das contribuições sociais a cargo da empresa, nos moldes como cobrado por meio desse lançamento. Segundo o relatório fiscal, essa contribuição previdenciária é devida tendo em vista a constatação do seguinte: “A situação encontrada pela fiscalização é de que a prestação de serviços é feita de forma continuada, não esporádica, com subordinação e pagamento mensal de remuneração, constituindose em necessidade permanente da Entidade para finalidade em que foi criada, atendendo as necessidades da Faculdade de Medicina e do Hospital das Clínicas. Os docentes e os mesmos como plantonistas deste Hospital de forma continuada e insofismável, documentos anexos, subordinamse as normas do mesmo, ou seja, sob sua direção e comando na determinação da atuação concreta do profissional, controle na prestação do serviço e, ainda, na possibilidade de aplicação de penalidades pelo descumprimento de suas obrigações, mediante remuneração para tanto. Enfim, o tempo de duração do trabalho, bem como o fato de ser intercalado, por si só, não afastam a natureza empregatícia da relação jurídica.” À vista dos argumentos esposados no relatório fiscal, percebese claramente que, para fundamentar a incidência da contribuição previdenciária em julgamento, a Fiscalização examinou a presença de todos os requisitos necessários para a caracterização do segurado empregado que se encontra disposto no artigo 3º da CLT que prevê: Fl. 8DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO Processo nº 35380.000602/200618 Acórdão n.º 2301003.078 S2C3T1 Fl. 512 9 “Art. 3º Considerase empregado toda pessoa física que prestar serviços de natureza não eventual a empregador, sob a dependência deste e mediante salário.” Para que seja considerado, o prestador de serviços, como empregado nos termos da legislação trabalhista, é necessário que ele possua cumulativamente as seguintes características: subordinação, não eventualidade, onerosidade, pessoalidade e que ele seja pessoa física. A ausência de qualquer um desses requisitos anteriormente citado, acaba inevitavelmente descaracterizando a relação jurídica de emprego. Partindo dessa premissa básica e analisando os autos constatei, porém, a inexistência de um dos requisitos necessários para enquadrar os segurados contribuintes individuais como segurados empregados, qual seja, a pessoalidade. Isso acontece porque, conforme se denota do Convênio firmado entre a Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho e a Fundação para o Desenvolvimento Médico e Hospitalar recorrente (fls. 292 a 298), verificase que as suas normas estabelecem (Cláusula 11ª, inciso I, alínea “d”) que caberia a UNESP indicar à FAMESP a equipe de docentes especialistas que iria atuar nos plantões, conforme se depreende dos trechos extraídos do mencionado convênio. Vejase: “CLÁUSULA DÉCIMA PRIMEIRA – DAS OBRIGAÇÕES DA UNESP São obrigações da UNESP: (...) d) indicar à FAMESP, por intermédio dos Departamentos de Ensino da Faculdade de Medicina e aprovação de sua Congregação, bem como com aprovação do Conselho de Administração do Hospital, a equipe de plantonistas especialistas que deverá atuar nos plantões;” Apurase que a prestação de serviços em plantões não era, à época dos fatos, realizada de forma constante por determinado médico, mas por qualquer membro pertence à equipe especializada indicada pela UNESP, o que demonstra, ante a ausência de prova em contrário, que qualquer docente do grupo de especialistas poderia ser colocado à disposição do sujeito passivo para efetuar o atendimento hospitalar. Isso releva, a meu ver, que o sistema de atendimento de plantões não se vinculava a determinado profissional da área médica, ou seja, intuitu personae, mas sim a qualquer um indicado pela UNESP. Para o sujeito passivo bastava que o profissional fosse indicado pela Universidade para prestar o atendimento na modalidade de plantão. Com base nisso, não vejo, in casu, a pessoalidade no atendimento dos plantões, em relação aos membros da equipe, pois qualquer um poderia ser substituído. Por conta da ausência desse requisito, tenho que a relação de emprego sustentada no NFLD não pode ser mantida, pois não foram preenchidos todos os requisitos do artigo 3º da CLT. Corroborando todo o exposto, cabe ainda registrar que, em decorrência do trâmite de processos trabalhistas que não reconheceram o vínculo empregatício dos docentes, a Fl. 9DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO 10 Assessoria Jurídica da Previdência opinou pelo total procedência do Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo, conforme se vê abaixo: “Em outra Demanda, cujos Reclamantes são ARISTIDES AUGUSTO PALHARES NETO e FRANCISCO HABERMANN, também contra a interessada e a UNESP, proc 582/99 (fls. 248/253), destacamos alguns trechos: “Os reclamantes, médicos, estão vinculados à 2ª Reclamada, e o vínculo que os une é celetista.” ...“ Aristides foi vinculados em 21/05/1992 (fl. 216).” ... “Francisco foi admitido em 31/12/69 (fls. 30 e 216).” Agora, querem o reconhecimento de um segundo vínculo de emprego, com a 1ª reclamada, respondendo a 2ª solidariamente." ... “Queremno porque realizam plantões e acham que, por receberem a remuneração a eles corresponde da 1ª reclamada, a quem estariam subordinados, com esta há a formação de outro vínculo de emprego, paralelo ao vínculo de emprego já existente.” ... “O trabalhador, inclusive o médico, pode ter mais de um emprego. A lei o permite, desde que haja compatibilidade de horários, é obvio, e desde que haja, em casos como o destes autos, observância do art. 37, II, XI, XVI e XVII, da Constituição federal.”... “Têm os reclamantes dois empregos, um com a 2ª reclamada e outro com a 1ª ? ... “Não, têm apenas um emprego, com a 2ª reclamada.” ... “Dizer que os plantões têm o condão de fazer nascer um novo emprego é algo que não encontra amparo na lei.”” Diante da não comprovação cumulativa de todos os requisitos previstos no artigo 3º da CTL, sobretudo o da pessoalidade, não há como admitir a existência de vínculo empregatício. Ante o exposto, VOTO no sentido de CONHECER os recursos de ofício e voluntário e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso fazendário e DAR INTEGRAL PROVIMENTO ao recurso do sujeito passivo, cancelandose, assim, integralmente o crédito constituído nesse lançamento. Adriano Gonzales Silvério Relator Fl. 10DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO, Assinado digitalmente em 30/11 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 11/10/2012 por ADRIANO GONZALES SILVERIO
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Numero do processo: 10725.000819/2005-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Fri Nov 16 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2001
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Constatado lapso manifesto na apreciação de prova constante dos autos, devem ser acolhidos os embargos.
IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Comprovado, através de laudos oficiais, que a contribuinte é portadora de doença grave prevista em lei e que seus rendimentos são decorrentes de pensão alimentícia judicial, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88.
Embargos Acolhidos.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2201-001.823
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Declaratórios para, retificando o Acórdão 2201-01.529, de 12/03/2012, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a isenção relativa aos rendimentos de pensão alimentícia judicial, a partir de julho de 2000.
(assinado digitalmente)
MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente
(assinado digitalmente)
RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA Relatora
EDITADO EM: 10/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente).
Matéria: IRPF- auto de infração eletronico (exceto multa DIRPF)
Nome do relator: RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2001 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Constatado lapso manifesto na apreciação de prova constante dos autos, devem ser acolhidos os embargos. IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Comprovado, através de laudos oficiais, que a contribuinte é portadora de doença grave prevista em lei e que seus rendimentos são decorrentes de pensão alimentícia judicial, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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RETIFICAÇÃO DE ACÓRDÃO. Constatado lapso manifesto na apreciação de prova constante dos autos, devem ser acolhidos os embargos. IRPF. ISENÇÃO. MOLÉSTIA GRAVE. PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Comprovado, através de laudos oficiais, que a contribuinte é portadora de doença grave prevista em lei e que seus rendimentos são decorrentes de pensão alimentícia judicial, é forçoso reconhecer o seu direito à isenção do Imposto de Renda, conforme previsto no art. 6º, incisos XXI e XIV da Lei nº 7.713/88. Embargos Acolhidos. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, ACOLHER os Embargos Declaratórios para, retificando o Acórdão 220101.529, de 12/03/2012, DAR provimento PARCIAL ao recurso para reconhecer a isenção relativa aos rendimentos de pensão alimentícia judicial, a partir de julho de 2000. (assinado digitalmente) MARIA HELENA COTTA CARDOZO– Presidente (assinado digitalmente) RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANÇA – Relatora EDITADO EM: 10/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 72 5. 00 08 19 /2 00 5- 78 Fl. 110DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente). Relatório Tratase de Embargos de Declaração interpostos por mim, Relatora, com base no art. 66 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em face do Acórdão nº 220101.529, julgado por essa Turma em 12/03/2012, no qual, por lapso manifesto, utilizei de premissa equivocada para a conclusão do julgamento, em detrimento de elemento de prova constante dos autos. A controvérsia nos autos restringese em determinar se a contribuinte tinha ou não, direito à isenção do IRPF por moléstia grave, no anocalendário de 2000. No meu voto, utilizei a premissa da falta de comprovação da natureza do rendimento recebido pela contribuinte, para concluir que a mesma não atendia os requisitos para usufruir da isenção prevista no inciso XXXIII do artigo 39 do RIR/99, in verbis: “Conforme acima explanado, o pressuposto desde a decisão de primeira instância para o não reconhecimento da isenção foi de que não restou comprovado que a natureza dos rendimentos recebidos pela contribuinte, são relativos a aposentadoria ou pensão, visto que na DIRF (fls.70), apresentada pela fonte pagadora consta a informação de que se trata de rendimentos do trabalho assalariado. Assim, não há reparos a fazer ao lançamento.” Ao rever os autos, percebi que tal premissa carecia de validade, uma vez que consta, às fls.88 dos autos, Declaração,emitida pela Divisão de Pessoal da Magistratura do Departamento de Administração de Pessoal da Diretoria Geral de Gestão de Pessoas do Poder Judiciário do Estado do Rio de Janeiro, em 11 de dezembro de 2009, atestando que os rendimentos recebidos pela contribuinte são relativos a pensão alimentícia, nos seguintes termos: “Declaro, para fins de prova junto a Receita Federal que VANDA PASSOS PERES percebe pensão alimentícia desde agosto de 1986 de acordo com o Oficio 492/85/R do Juízo da 1a Vara de Família da Comarca de Campos do Goytacazes de 25 de junho de 1986, no percentual de 50%, paga pelo Exm°. Desembargador aposentado ANTÔNIO SAMPAIO PERES, matricula 11046, membro deste Egrégio Tribunal de Justiça desde 30 de julho de 1962.” Para esclarecer os fatos em apreciação, transcrevo o relatório constante do acórdão embargado: Contra a contribuinte acima identificada, foi lavrado Auto de Infração (fls.10/17) relativo ao IRPF, exercício 2001, tendo sido apurado crédito tributário no montante total de R$ 52.768,44, incluindo juros e multa pertinentes, originado da omissão de rendimentos no valor de R$55.888,13 recebidos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro e dedução indevida R$11.173,78 a título de carneleão. Fl. 111DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10725.000819/200578 Acórdão n.º 2201001.823 S2C2T1 Fl. 111 3 Intimada do lançamento, a contribuinte apresentou impugnação, fls.01/02, argumentado em síntese que é Portadora de Doença Grave e que declarou apenas o valor de R$45.088,14 como tributáveis, por ter sido considerada portadora de moléstia grave desde julho de 2000, por meio do processo administrativo n.10725.002242/9966. No curso do procedimento fiscal, a contribuinte foi intimada a apresentar o comprovante de rendimentos do exercício 2001, anocalendário 2000, recebidos da fonte pagadora Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro (fls.67) e quedouse inerte, sendo assim, enviado para Delegacia de Julgamento (fls.69). Após analisar a matéria, os Membros da 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento no Rio de Janeiro, acordaram, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, nos termos do Acórdão DRJ/RJO RJ2 n° 13 26.871 de 19 de outubro de 2009, fls. 71/72, pelas razoes sintetizadas no seguinte enxerto do voto condutor: “Com relação à moléstia grave ficou comprovado que a partir de julho de 2000 a contribuinte poderia ser considerada portadora do Mal de Parkinson, conforme documento de fl.56, emitido pela Junta Médica da GRA/ NUCAM (fl.56) Quanto a natureza dos rendimentos recebidos não foi provada que é de aposentadoria ou pensão, a contribuinte não apresentou nenhum documento que pudesse alterar os dados prestados por meio da DIRF de fl.70, na qual consta a informação de que se tratam de rendimentos do trabalho assalariado. Por conseguinte, diante das exposições supra, o contribuinte não faz jus A isenção prevista no inciso XIV do artigo 6°, da Lei n° 7.713/1988 com a redação dada pelo artigo 47 da Lei n° 8.541/1992 e alterações introduzidas pelo artigo 30 e §§ da Lei n° 9.250/1995 , por na obter cumprido as duas condições cumulativas. Com relação ao valor de carnêleão não foi apresentado qualquer documento que pudesse afastar a glosa efetuada.” Cientificada da decisão da DRJ em 19/12/2009 (“AR”fls.75), a contribuinte apresentou, através do seu procurador, na data de 15/12/2009, Recurso Voluntário Tempestivo (fls.76/84), argumentando em síntese: Preliminarmente, nulidade do acórdão de primeira instância “que não apreciou detidamente todas as questões que foram colocadas na Impugnação, notadamente a natureza do rendimento da contribuinte, contrariando posicionamento do próprio fisco nos despachos de fls. 55 e 64, taxativos no sentido proclamar a natureza jurídica do rendimento auferido pela recorrente: "Tratase de Pensão Judicial". No mérito, requer o cancelamento do lançamento por ser a contribuinte comprovadamente portadora de moléstia grave (mal de Parkinson), conforme comprovado pelo atestado médico de fls. 19, emitido por médico do Sistema Uni ficado de Saúde SUS, e Declaração Médica de fls. 20, emitida por médico particular. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 4 Afirma ainda que nunca manteve relação de emprego com Tribunal de Justiça do RJ e que a relação existente sempre foi desde agosto de 1986, decorrente da percepção de pensão alimentícia. É o relatório. A decisão do acórdão embargado, que negou provimento ao recurso por unamidade de votos, estava assim ementada: “MOLÉSTIA GRAVE. COMPROVAÇÃO. ISENÇÃO. REQUISITOS. Para a configuração da isenção do imposto de renda aos portadores de moléstia grave, dois requisitos precisam estar presentes, simultaneamente: a existência da doença por intermédio de laudo pericial emitido por serviço médico oficial do qual conste, de forma inequívoca, a existência de moléstia grave prevista no inc. XXVII do art. 40 do RIR/94 e os rendimentos devem estar comprovadamente relacionados à aposentadoria, reforma ou pensão. Recurso Voluntário Negado.” É o relatório. Voto Conselheira Rayana Alves de Oliveira França Relatora Analisando novamente o processo, verificase que a premissa ignorada quando do julgamento original – mas constatada a tempo é determinante na análise do caso concreto. A matéria em questão – isenção do IRPF sobre proventos de aposentadoria ou reforma e pensão por ser o contribuinte portador de moléstia grave – está disciplinada no artigo 6º, incisos XXI e XIV, da Lei nº 7.713/88, com a redação dada pelo artigo 47, da Lei nº 8.541/92. Em sua defesa, a contribuinte sustentou que era portadora de Mal de Parkinson, desde julho de 2000, fato que restou incontroverso desde o julgamento em primeira instância, bem como que os rendimentos recebidos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, sobre os quais versou a parte do lançamento relativa a omissão de rendimentos, era decorrente de pensão alimentícia judicial. Ocorre que essa dúvida foi afastada pela declaração trazida às fls.88, amoldando o caso concreto à isenção legal prevista o no artigo 6º, da Lei nº 7713/88, matriz legal do artigo 39, do RIR/99, aprovado pelo Decreto nº 3000/99: “Artigo 39 Ficam isentos do imposto de renda os seguintes rendimentos percebidos por pessoas físicas: ......... XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a Fl. 113DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10725.000819/200578 Acórdão n.º 2201001.823 S2C2T1 Fl. 112 5 concessão da pensão (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XXI, e Lei nº 8.541, de 1992, art. 47); ......... XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço, e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (Lei nº 7.713, de 1988, art. 6º, inciso XIV, Lei nº 8.541, de 1992, art. 47, e Lei nº 9.250, de 1995, art. 30, § 2º) " (grifei). Comprovado que a contribuinte é portadora de moléstia grave relacionada no inciso XXXIII , desde julho de 2000, e que conforme alegado, a relação com a fonte pagadora é decorrente da percepção de pensão alimentícia judicial, é forçoso reconhecer o direito da recorrente à isenção do Imposto de Renda a partir desta data. Neste sentido, há muito já se pronunciou a jurisprudência administrativa: “Pensão judicial Estão abrangidos pela isenção os valores recebidos a título de pensão em cumprimento de acordo ou decisão judicial, inclusive a prestação de alimentos provisionais.” (ADN 35/95). PENSÃO ALIMENTÍCIA JUDICIAL. Estão isentos de tributação pelo imposto de renda os rendimentos de pensão alimentícia judicial somente quando forem auferidos por pessoa física comprovadamente portadora de qualquer das moléstias elencadas no inciso XXVII do art. 40 do RIR/94 (Dec. 7ª RF 329/97). Inclusive para que fosse afastada qualquer controvérsia, relativa à isenção da pensão alimentícia judicial, recebida por portador de moléstia grave, consta no Perguntas e Respostas IRPF – 2012, publicado no site Receita Federal do Brasil (http://www.receita.fazenda.gov.br/pessoafisica/irpf/2012/perguntao/assuntos/rendimentos isentosenaotributaveis.htm), a seguinte orientação: 267 É tributável a pensão alimentícia judicial ou por escritura pública recebida por portador de doença grave? Não. Os valores recebidos a título de pensão em cumprimento de acordo ou decisão judicial, ou ainda por escritura pública, inclusive a prestação de alimentos provisionais, estão abrangidos pela Fl. 114DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO 6 isenção de portadores de moléstia grave. (Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – Regulamento do Imposto sobre a Renda (RIR/1999), art. 39, inciso XXXI) Referente ao valor declarado de carnêleão, nada foi apresentado, não havendo portanto qualquer reparo a fazer ao lançamento neste tocante. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os presentes Embargos Declaratórios para, retificando o Acórdão nº 220101.529 de 12/03/2012, DAR provimento parcial ao recurso para reconhecer a isenção relativa aos rendimentos de pensão alimentícia judicial, recebidos do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, a partir de julho de 2000. (assinado digitalmente) Rayana Alves de Oliveira França Relatora Fl. 115DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO Processo nº 10725.000819/200578 Acórdão n.º 2201001.823 S2C2T1 Fl. 113 7 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA CÂMARA DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO TERMO DE INTIMAÇÃO Em cumprimento ao disposto no § 3º do art. 81 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria Ministerial nº 256, de 22 de junho de 2009, intimese o (a) Senhor (a) Procurador (a) Representante da Fazenda Nacional, credenciado junto à Segunda Câmara da Segunda Seção, a tomar ciência da decisão consubstanciada no acórdão supra. Brasília/DF, 10/11/2012 __________(assinado digitalmente)_____________ MARIA HELENA COTTA CARDOZO Presidente da Segunda Câmara / Segunda Seção Ciente, com a observação abaixo: (......) Apenas com ciência (......) Com Recurso Especial (......) Com Embargos de Declaração Data da ciência: _______/_______/_________ Procurador(a) da Fazenda Nacional Fl. 116DF CARF MF Impresso em 16/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 12/11/2012 por RAYANA ALVES DE OLIVEIRA FRANCA, Assinado digitalmente em 14/11/2012 por MARIA HELEN A COTTA CARDOZO
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Numero do processo: 10940.900849/2008-84
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu May 24 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 04 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2003, 2004
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PROVA.
Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações.
COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA
Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional.
Recurso Voluntário negado,
Numero da decisão: 3801-001.283
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Flavio De Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Sidney Eduardo Stahl - Relator.
EDITADO EM 13/09/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator)
Nome do relator: SIDNEY EDUARDO STAHL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl - Relator. EDITADO EM 13/09/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator)
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PROVA. Cabe ao contribuinte o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Inadmissível a mera alegação da existência de um direito sem os documentos fiscais comprobatórios de suas alegações. COMPENSAÇÃO TRIBUTÁRIA Somente os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação nos termos do artigo 170 do Código Tributário Nacional. Recurso Voluntário negado, Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Flavio De Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Sidney Eduardo Stahl Relator. EDITADO EM 13/09/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 0. 90 08 49 /2 00 8- 84 Fl. 45DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio De Castro Pontes (Presidente), José Luiz Bordignon, Paulo Sérgio Celani, Jacques Maurício Ferreira Veloso De Melo, Maria Inês Caldeira Pereira Da Silva Murgel e eu Sidney Eduardo Stahl (Relator) Fl. 46DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900849/200884 Acórdão n.º 3801001.283 S3TE01 Fl. 37 3 Relatório Trata o presente processo administrativo de pedido de compensação realizado através de PER/DCOMP, transmitida em 20/09/2006 (fls. 12/16), com base em suposto pagamento a maior a título de PIS/PASEP do período de apuração de dezembro de 2003, por meio de guia DARF cujo recolhimento se deu em 15/01/2004, com débitos de COFINS do período de apuração de setembro de 2004, tendo sido objetivada compensação no montante total de R$ 2.997,38. A DRF de origem proferiu despacho decisório (fls. 02) não homologando a compensação sob o fundamento de que o pagamento informado em PER/DCOMP, através de guia DARF, foi integralmente utilizado para quitar débitos do contribuinte. Inconformado, apresentou o contribuinte manifestação de inconformidade às fls. 01, sustentando, em síntese, que a origem do seu crédito decorre de pagamentos a maior, realizados em função da ausência de dedução da base de cálculo da Contribuição de valores legalmente dedutíveis, conforme supostamente lhe autorizaria a Lei nº 10.833/2003, sendo tais créditos aferíveis das respectivas DACON e DIPJ do período. A DRJ em Curitiba – PR, por sua vez, julgou improcedente a manifestação de inconformidade ofertada pelo contribuinte através do acórdão de fls. 19/20, considerando a ausência de comprovação do direito ao credito objeto da compensação materializada na PER/DCOMP, o que se confirmaria, inclusive, a partir inconsistências apuradas conta dos documentos mencionados pelo contribuinte na sua Manifestação de Inconformidade (DACON, DIPJ e DCTF) e planilha apresentada. Devidamente intimado para tanto (fls. 21), interpôs o contribuinte o presente Recurso Voluntário de fls. 22 (em 15/01/2004), através do qual sustenta, em síntese, que o argumento trazido em sua Manifestação de Inconformidade foi equivocado, e que em verdade “(...) os valores apropriados em Perd/Comp tem como sua origem o crédito de PIS nas entradas de Produtos e Serviços, como permite o contido no artigo 3º e parágrafos da MP 66/2002.” É o relatório. Fl. 47DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 Voto Conselheiro Sidney Eduardo Stahl O recurso é tempestivo e reúne os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele se conhece. O argumento recursal fundamental é o de que a Recorrente tem direito a indébitos de PIS/COFINS por recolhimentos foram feitos a maior por conta de não aproveitamento dos créditos que teria direito em decorrência da legislação pertinente. Para tanto a Recorrente juntou as planilhas demonstrativas dos créditos não aproveitados em suas operações. A DRJ com base nas declarações da contribuinte (DACON, DIPJ e DCTF), entendeu não estarem comprovados os créditos requeridos, mantendo o mesmo suporte do despacho decisório. Despacho Decisório este, ressaltese, elaborado eletronicamente, isto é, a partir de um mero confronto de informações realizadas pelos sistemas de controle da Receita Federal do Brasil (Dacon x DCTF x Darf), do qual exsurgiu a informação de que valor algum havia sido recolhido a maior, e, portanto, crédito algum haveria de ser reconhecido. No caso em concreto, o Contribuinte administrado deve apresentar as provas do seu direito creditório. Tratase de postulado do Código de Processo Civil, subsidiariamente aplicável ao PAF, vejamos: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; II ao réu, quanto à existência de fato impeditivo, modificativo ou extintivo do direito do autor. Art. 396. Compete à parte instruir a petição inicial (art. 283), ou a resposta (art. 297), com os documentos destinados aprovarlhe as alegações. No processo administrativo fiscal, temse como regra que cabe àquele que pleiteia o direito, provar os fatos, prevalecendo o princípio de que o ônus da prova cabe a quem dela se aproveita. Portanto, no caso em apreço, compete ao sujeito passivo. À ora Recorrente, a comprovação de que preenche os requisitos para fruição do ressarcimento. Ademais, do mesmo modo que o Decreto nº 70.235/1972 estabelece, em seu artigo 9°, a obrigatoriedade da autoridade fiscal traduzir por provas os fundamentos do lançamento, também atribui ao contribuinte, no inciso III do artigo 16, o ônus de comprovar as alegações que oponha ao ato administrativo. Em verdade, este dispositivo legal apenas transfere, para o processo administrativo fiscal, o sistema adotado pelo Código de Processo Civil, que, em seu artigo 333, ao repartir o ônus probandi, o faz inadmitindo a mera alegação e a negação geral. Assim, na hipótese de ressarcimento pleiteado, recai sobre a interessada o ônus de provar a pretensão deduzida. Logo, é imprescindível que as provas e argumentos sejam Fl. 48DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10940.900849/200884 Acórdão n.º 3801001.283 S3TE01 Fl. 38 5 carreados aos autos, no sentido de refutar o procedimento fiscal, se revistam de toda força probante capaz de propiciar o necessário convencimento e, conseqüentemente, descaracterizar o que lhe foi imputado pelo fisco. Do exame desse litígio administrativo, verificase que a Recorrente não apresentou documentos suficientes para demonstrar o seu crédito, juntando mera planilha de valores que pretende compensar de que sorte o pedido de compensação nos moldes requeridos não deve prosperar. Consignese que o artigo 170 da Lei nº 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional) estabelece como requisito para compensação que o crédito seja líquido e certo. No caso em discussão, o direito creditório não se apresentou líquido e certo, pois a requerente não comprovou por meio de demonstrativos, da escrituração fiscal, notas fiscais que alega estarem canceladas e dos lançamentos contábeis o valor de seu crédito. Nesse sentido voto por negar provimento ao presente recurso voluntário. É como voto. Sidney Eduardo Stahl Relator Fl. 49DF CARF MF Impresso em 04/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 28/09/2012 por SIDNEY EDUARDO STAHL, Assinado digitalmente em 01/10/2012 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
score : 1.0
Numero do processo: 10983.901219/2008-21
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 20 00:00:00 UTC 2013
Numero da decisão: 3401-000.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte.
Júlio César Alves Ramos - Presidente
Emanuel Carlos Dantas de Assis - Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos.
Nome do relator: EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS
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RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Fernando Marques Cleto Duarte. Júlio César Alves Ramos Presidente Emanuel Carlos Dantas de Assis Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Emanuel Carlos Dantas de Assis, Jean Cleuter Simões Mendonça, Ângela Sartori, Odassi Guerzoni Filho, Fábia Regina Freitas e Júlio César Alves Ramos. Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão que manteve Despacho Decisório eletrônico não homologando compensação constante de PER/DCOMP, cujo crédito tem origem, segundo a contribuinte, em retenções feitas pela Universidade Federal de Santa Catarina. Segundo o Despacho denegatório o DARF não foi localizado nos sistemas da Receita Federal. O processo retorna a este Colegiado após duas diligências: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 83 .9 01 21 9/ 20 08 -2 1 Fl. 158DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.901219/200821 Resolução nº 3401000.587 S3C4T1 Fl. 159 2 a primeira determinou ao órgão de origem se pronunciar sobre a DCTF retificadora e a existência de pagamento a maior ou não, quando a DRF de Florianópolis entendeu não caber qualquer revisão no Despacho Decisório que não reconheceu o crédito e, além do mais, afirmou que o recurso voluntário não devia ser conhecido porque firmado por pessoa sem poderes de representação para tanto; a segunda visou sanar a falha na representação e intimar a contribuinte a se pronunciar sobre o entendimento da DRF FlorianópolisSC, exposto na primeira diligência. Intimado por ocasião da segunda diligência, a contribuinte insiste na compensação, referindose a outros dois processos semelhantes a este – os de nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872 – e afirmando que as telas SIAFI demonstram a retenção pelos órgãos públicos. Requer a reforma do acórdão recorrido ou, então, nova diligência para que se proceda à juntada dos “Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS”, expedidos pelos órgãos públicos pagadores, que são espelhos das telas SIAFI, tal como adotado nos dois processos acima referidos, nos quais o valor compensado decorrente das retenções foi confirmado pela DRF. É o relatório, elaborado a partir do processo digitalizado. Voto Conselheiro Emanuel Carlos Dantas de Assis, Relator Diante da insuficiência das diligências realizadas até agora, e por ter sido regularizada a representação processual, carece realizar uma nova, desta feita para que a unidade de origem adote procedimentos semelhantes aos realizados nos processos nºs 10983.901218/200886 e 10983.901097/200872, investigando a fundo a existência de pagamento a maior ou não. Para tanto, deve buscar junto ao SIAFI os dados das retenções e, se necessário, solicitar à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS fornecidos por órgãos públicos (incluindo autarquias e fundações da administração pública federal) a pessoas jurídicas fornecedoras de bens ou prestadoras de serviços, nos termos do art. 64 da Lei nº 9.430/96. A Recorrente possui inúmeros processos semelhantes ao presente, sendo em que alguns foram comprovadas, ao menos em parte, as retenções alegadas. Diante dessas comprovações, reforçase a necessidade de nova investigação. Pelo exposto, voto por converter o presente julgamento em nova diligência para que a unidade de origem, primeiro, verifique as retenções alegadas, seja por meio do sistema SIAFI, seja obtendo junto à contribuinte os Comprovantes Anuais de Retenção de IRPJ, CSLL, COFINS e PIS, e segundo, emita parecer conclusivo sobre a compensação, respondendo: a) se restaram comprovadas tais retenções, discriminando os seus valores em caso positivo, e b) se houve ou não compensação com os montantes devidos, elaborando demonstrativo com os valores retidos, compensados e os saldos porventura disponíveis. Fl. 159DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS Processo nº 10983.901219/200821 Resolução nº 3401000.587 S3C4T1 Fl. 160 3 Do parecer deve ser dada ciência à contribuinte, abrindoselhe o prazo de trinta dias para, querendo, se manifestar sobre o resultado desta nova diligência. Emanuel Carlos Dantas de Assis Fl. 160DF CARF MF Impresso em 21/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 04/01/2013 por EMANUEL CARLOS DANTAS DE ASSIS, Assinado digitalmente em 12/01/2013 por JULIO CESAR A LVES RAMOS
score : 1.0
Numero do processo: 13629.001488/2005-70
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 11/11/2000 a 31/12/2000
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. SEUJEIÇÃO PASSIVA.
Mera Solução de Consulta não possui o condão de trazer para o pólo pasivo da relação jurídico-tributária terceiro não-contribuinte do tributo lançado, mormente não tendo sido esse terceiro o consulente.
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. LANÇAMENTO.
Salvo se houver expressa determinação judicial, é incabível auto de infração de IPI contra distribuidora de bebida que não se subsume à definição legal de contribuinte desse tributo.
SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA.
Afastada a responsabilidade da pessoa jurídica pelo crédito tributário, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo, fica também afastada a responsabilidade pessoa do sócio dessa pessoa jurídica.
Numero da decisão: 3402-001.897
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira seção de julgamento, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Gilsonn Macedo Rosenburg Filho e Mário César Fracalossi Bais.
O Conselheiro Mário César Fracalossi Bais apresentará declaração de voto.
Fez sustentação oral o Dr. Aylan César de Melo Júnior, OAB/MG 112670.
Gilson Macedo Rosemburg Filho
Presidente
Relatora Sílvia de Brito Oliveira
Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto).
Nome do relator: SILVIA DE BRITO OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 11/11/2000 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. SEUJEIÇÃO PASSIVA. Mera Solução de Consulta não possui o condão de trazer para o pólo pasivo da relação jurídico-tributária terceiro não-contribuinte do tributo lançado, mormente não tendo sido esse terceiro o consulente. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. LANÇAMENTO. Salvo se houver expressa determinação judicial, é incabível auto de infração de IPI contra distribuidora de bebida que não se subsume à definição legal de contribuinte desse tributo. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Afastada a responsabilidade da pessoa jurídica pelo crédito tributário, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo, fica também afastada a responsabilidade pessoa do sócio dessa pessoa jurídica.
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Recorrida DRJ em JUIZ DE FORAMG ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 11/11/2000 a 31/12/2000 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOLUÇÃO DE CONSULTA. SEUJEIÇÃO PASSIVA. Mera Solução de Consulta não possui o condão de trazer para o pólo pasivo da relação jurídicotributária terceiro nãocontribuinte do tributo lançado, mormente não tendo sido esse terceiro o consulente. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. IPI. DISTRIBUIDORA DE BEBIDAS. LANÇAMENTO. Salvo se houver expressa determinação judicial, é incabível auto de infração de IPI contra distribuidora de bebida que não se subsume à definição legal de contribuinte desse tributo. SÓCIO DE PESSOA JURÍDICA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. Afastada a responsabilidade da pessoa jurídica pelo crédito tributário, em virtude de erro na identificação do sujeito passivo, fica também afastada a responsabilidade pessoa do sócio dessa pessoa jurídica. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 2ª turma ordinária da terceira SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, por maioria de votos, em dar provimento aos recursos. Vencidos os Conselheiros Gilsonn Macedo Rosenburg Filho e Mário César Fracalossi Bais. O Conselheiro Mário César Fracalossi Bais apresentará declaração de voto. Fez sustentação oral o Dr. Aylan César de Melo Júnior, OAB/MG 112670. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 62 9. 00 14 88 /2 00 5- 70 Fl. 812DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 813 2 Gilson Macedo Rosemburg Filho Presidente Relatora Sílvia de Brito Oliveira Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros Sílvia de Brito Oliveira, Fernando Luiz da Gama Lobo D'Eça, Mário César Fracalossi Bais (Suplente), João Carlos Cassuli, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto). Relatório Contra a pessoa jurídica qualificada nestes autos foi lavrado auto de infração para formalizar a exigência de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) decorrente de fatos geradores ocorridos no período de 11 de novembro de 2000 a 31 de dezembro de 2000. A exigência foi formalizada com incidência da multa de ofício qualificada sob a acusação de existência de conluio entre a autuada e o Grupo Schincariol Indústria, que, de acordo com a fiscalização, comandou esquema de sonegação de IPI e de Imposto sobre Circulação de Mercadorias (ICMS), mediante utilização das suas distribuidoras, que ingressaram com ações judiciais para não pagar e impedir a indústria de destacar e recolher o IPI. Sobre a empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A, consta do Termo de Verificação Fiscal (TVF) que ela comunicou à Secretaria da Receita Federal que, em virtude da antecipação de tutela concedida nos autos da Ação Ordinária n° 98.00073302, ajuizada pela pessoa jurídica Refrigerantes Iate S/A em 22 de julho de 1998, tendose admitido como litisconsorte a pessoa jurídica aqui autuada, estava procedendo à venda de produtos tributados pelo IPI à Mas Import Comércio e Distribuidora Ltda. sem destaque desse tributo. Consta ainda que essa mesma empresa formalizou consulta à Superintendência Regional da Receita Federal do Brasil da 7ª Região Fiscal (SRRF/7ª RF) para solicitar esclarecimentos sobre sua situação perante o Fisco. A consulta, posteriormente submetida à CoordenaçãoGeral de Tributação (Cosit) para solução de divergência, obteve a manifestação daquela CoordenaçãoGeral no sentido de que os efeitos da ação movida pelo contribuinte de fato não se estenderiam ao contribuinte de direito, se este não tiver participado da demanda. Também foi autuado, com lavratura de Termo de Declaração de sujeição Passiva Solidária, o Sr. Otacílio de Araújo Costa, que seria o sócio de fato da pessoa jurídica autuada. Fl. 813DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 814 3 Os autuados apresentaram impugnação à peça fiscal e, para esclarecimentos mais minudentes sobre a ação fiscal e as peças impugnatórias, transcrevo trechos do relatório do Acórdão nº 0916.624, de 5 de julho de 2007, elaborado pelo Julgador Alessandro Saggioro Oliveira, da 3ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Juiz de ForaMG (DRJ/JFA): (...) Na descrição dos fatos e enquadramento legal de fl. 09, a Fiscalização assim fundamentou a lavratura do auto de infração: “001 – IPI NÃO LANÇADO – BEBIDAS DO DECRETO nº 97.976/89 SAÍDA DE PRODUTOS SEM LANÇAMENTO OU COM INSUFICIÊNCIA DE LANÇAMENTO DO IMPOSTO O estabelecimento industrial ou equiparado promoveu a saída, de produto(s) tributado(s) sem o lançamento do imposto.” (...) No termo de verificação fiscal de fls. 14/35, foram detalhados os procedimentos, critérios e conclusões fiscais que ensejaram a autuação, assim sintetizados: em 15/08/2002, o estabelecimento Primo Schincariol Indústrias de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A, localizado no município de Cachoeiras de MacacuRJ, formalizou representação perante a DRFNiterói/RJ (processo administrativo n° 10730.003802/200251), relatando que estava promovendo a venda de produtos industrializados de sua produção (bebidas) à empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. sem o devido destaque do IPI por força de tutela antecipada exarada nos autos da ação ordinária (processo n° 98.00073302), declaratória de inexistência de relação obrigacional tributária, ajuizada em 22/07/1998 e em trâmite perante a 4a Vara da Justiça Federal em VitóriaES; a empresa comercial distribuidora MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, anteriormente denominada GD Comercial Ltda., participava (juntamente com outras distribuidoras) como litisconsorte ativa da ação judicial supraaludida, cujo objeto visava à declaração de ilegalidade do regime de pautas fiscais de valores consoante o Decreto n° 97.976, de 1989; à desobrigação do recolhimento do IPI nas transações das distribuidoras com seus fornecedores industriais e à devolução do que aquelas ativas pagaram como contribuintes de fato do tributo; em 29/07/1998, o juízo de 1º grau concedera a antecipação da tutela requerida, estabelecendo que as empresas fornecedoras Indústria de Bebidas Antárctica do Rio de Janeiro S/A e Bridgestone Firestone do Brasil Indústria e Comércio Ltda. deixassem de reter o IPI nas vendas às distribuidoras litisconsortes ativas e, também, que aquelas deixassem de Fl. 814DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 815 4 recolher diretamente aos cofres da União os tributos federais sujeitos a lançamento por homologação (IPI, PIS, COFINS, CSLL e IRPJ), determinando o depósito em juízo dos valores e, posteriormente, a compensação (denominada “compensação indireta”) com a tributação anterior do IPI entendida como indevidamente suportada pelas autoras; além das duas empresas fornecedoras acima destacadas (Antárctica e Bridgestone), foram expedidos ofícios judiciais a inúmeros fornecedores industriais, comunicandolhes a aplicação da tutela antecipada para a total desoneração das distribuidoras litisconsortes ativas quanto à tributação do IPI, devendose, inclusive, deixar de ser destacado o IPI nas notas fiscais de venda (remessas) daqueles a estas. Dentre esses ofícios, destacamse os 186/2000/JF4ª (cópia à fl. 466) e 218/2001/JF4a, encaminhados à empresa Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio do Janeiro S/A; diante da compensação indireta determinada judicialmente pela tutela antecipada às duas empresas industriais fornecedoras outrora mencionadas (Antárctica e Bridgestone), a Indústria de Bebidas Antárctica do Rio de Janeiro S/A interpôs agravo de instrumento (processo n° 98.02335738) perante o TRF2ª Região, questionando a legalidade daquela determinação, tendo sido a tutela antecipada suspensa em 24/08/1998, mas restabelecida em 29/09/1999. Tal industrial fornecedora não efetuou os depósitos determinados pela tutela, levando o caso à apreciação do Superior Tribunal de Justiça (STJ) por meio da interposição da ação cautelar n° 2.887/ES; na citada ação cautelar, o STJ, liminarmente, suspendeu os efeitos da tutela antecipada exarada nos autos da ação judicial ordinária principal (processo n° 98.00073302), com posterior confirmação em decisão de mérito (acórdão de 14/08/2001 – de fls. 345/355, repetido às fls. 522/532), cuja relatora, Ministra Eliana Calmon, concluiu: “não tem sentido a tutela antecipada concedida na ação principal, a qual fica inteiramente afastada por força desta cautelar, que é julgada procedente”, entendimento ratificado em julgados posteriores (sobre embargos de declaração e agravos regimentais), sendo que, em acórdão (datado de 10/12/2002 – de fls. 356/366, repetido às fls. 540/550) sobre agravo regimental nessa cautelar – que teve a empresa GD Comercial Ltda. (MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda.) como uma das agravantes e cuja alegação foi de que elas (as agravantes) não estariam atingidas pela medida cautelar concedida pelo STJ por não figurarem no pólo passivo da ação cautelar –, novamente houve decisão em sentido contrário ao pleito das agravantes, com a reafirmação de que “suspensa está a tutela antecipada, em todos os seus itens e em relação aos demais fornecedores até o julgamento do recurso especial em pendência”; diante da antecipação de tutela exarada nos autos da ação judicial ordinária principal (processo n° 98.00073302), determinando o nãodestaque do IPI nas alienações (remessas) Fl. 815DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 816 5 de produtos industrializados (bebidas, no caso) efetuadas pelas industriais fornecedoras à empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda., o estabelecimento industrial fornecedor Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A, CNPJ nº 02.864.417/000128, efetuou consulta à Disit da SRRF07 (cópia às fls. 463/464), solicitando esclarecimentos sobre a sua situação perante o Fisco Federal relativamente a conseqüências tributárias do nãocumprimento da obrigação de recolher o IPI, como, por exemplo, a posterior exigência dos valores nãorecolhidos, expressando que entendia ser incabível a exação do tributo contra ele na hipótese de ser julgada improcedente a ação, não podendo ser ele responsabilizado passivamente, posto que não havia sido chamado a integrar a lide judicial. A consulta formalizouse nos autos do processo administrativo n° 10768.012484/0068. O entendimento da Disit da SRRF07 foi materializado através da solução de consulta, decisão SRRF/7ªRF/DISIT n° 139, de 04 de julho de 2000 (cópia às fls. 392/396); posteriormente, o entendimento da Disit da SRRF07 à aludida consulta foi submetido ao crivo e aprovação da Coordenação Geral de Tributação (Cosit), que assim decidiu por meio da solução de divergência Cosit n° 27, de 29 de outubro de 2002 (cópia às fls. 397/399), prolatada no processo administrativo n° 10580.009660/200204: “Os efeitos da sentença em ação judicial movida pelo contribuinte de fato contra a União Federal não se estendem ao contribuinte de direito se este não participou da demanda”. Sendo assim, deduziu a Fiscalização (final do tópico 3 do termo de verificação fiscal – fls. 17/18) que “as decisões acima transcritas concluíram que, no caso em questão, o sujeito passivo da obrigação tributária que deixou de ser recolhida em função da tutela antecipada, no caso de insucesso da ação, é o contribuinte de fato, ou seja, a autora da ação judicial (MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda)”; nos tópicos “4.a” e “4.b” (fls. 18/21) do termo de verificação fiscal, constam várias informações da empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. relativamente a alterações de razão social, endereço, atividade econômica e quadro societário, tendo sido manifestada a conclusão de que os sócios que compunham o quadro societário – Antônio Alves Agrela de Lima, CPF n° 205.708.99834, e Antônio Reis Rodrigues, CPF nº 074.848.60891 – apresentavam perfis econômicos incompatíveis com o porte dos negócios desenvolvidos pela empresa na condição de distribuidora da cervejaria Schincariol, tratandose, na verdade, de pessoas que apenas figuravam na composição social, já que o Sr. Otacílio de Araújo Costa, CPF nº 070.067.99600, era o verdadeiro responsável por todas as atividades comerciais daquela empresa, conforme demonstrado no item “4.e” (fls. 23/28) bem como no termo de declaração de sujeição passiva solidária de fls. 130/135; no tópico “4.d” (fls. 22/23) do termo de verificação fiscal, foi mencionada a existência de investigações acerca de ligações entre empresas distribuidoras e a cervejaria Schincariol Fl. 816DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 817 6 voltadas para a prática de infrações tributárias, principalmente quanto ao IPI e ICMS, englobando, dentre outros procedimentos, a obtenção judicial, pelas distribuidoras, de liminares que desobrigavam o pagamento/destaque dos tributos nas suas aquisições de produtos (bebidas) fabricados pela Schincariol, além da utilização de “laranjas” no quadro societário das distribuidoras. A empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda., anteriormente denominada GD Comercial Ltda, foi acusada de fazer parte desse grupo de distribuidoras, com vinculação direta à empresa Dismar Comercial Ltda. (CNPJ n° 01.852.174/000145), porquanto havia indícios de que esta era administrada pelo Sr. Otacílio de Araújo Costa com a utilização de interpostas pessoas e que as atividades de distribuição dos produtos da Schincariol desenvolvidas pela MAS Import foram paulatinamente substituídas pela Dismar Comercial; no tópico “4.e” (fls. 23/28) do termo de verificação fiscal, com base na previsão do art. 124 do CTN e no termo de declaração de sujeição passiva solidária de fls. 130/135, foram explanados os fundamentos e conclusões que apontavam o Sr. Otacílio de Araújo Costa como devedor solidário com a MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. quanto ao crédito exigido no auto de infração. Nesse contexto, foi exposto (fls. 24/28 – grifos e negritos originais) que: “(...)As provas que demonstram a participação do Sr. Otacílio de Araújo Costa como administrador de fato das operações executadas pela MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda encontramse juntadas ao processo e foram repassadas pela Polícia Federal à Receita Federal. Tais documentos foram obtidos através da ação conjunta Receita Federal/Polícia Federal, onde se apurou o envolvimento da cervejaria Primo Schincariol em operações fraudulentas contra o sistema tributário nacional. A busca e apreensão destes documentos, bem como a permissão para sua utilização para apuração de suposta lesão fiscal, foram judicialmente autorizados nos autos da Ação Judicial n° 2005.51.07.0006503 (Inquérito Policial), em trâmite na Justiça Federal de Itaboraí/RJ, através de despacho do MM. Juiz Federal de Seção Judiciária no Rio de Janeiro, Dr. Viamir Costa Magalhães, com data de 03/06/2005 (cópia juntada). O relato desta apuração de sujeição passiva solidária pode ser conferido junto ao Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária, que passa a ser peça integrante da presente autuação fiscal. A responsabilidade tributária solidária do Sr. Otacílio de Araújo Costa, nos termos do artigo 124 do CTN, fundamentase nos seguintes elementos/constatações: 4.e.1) Contrato de Fiança assinado em 11/04/2001 FIADORES Otacílio de Araújo Costa e seu cônjuge Lúcia Duca Costa. DEVEDORAS MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, matriz (CNPJ 01.135.937/000137) e filial (CNPJ Fl. 817DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 818 7 01.135.937/000722), juntamente com as demais filiais existentes ou que venham a existir. CREDORAS Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A, Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes do Nordeste S/A e Schimar Propaganda e Publicidade Ltda. No contrato, os fiadores (Otacílio de Araújo Costa e Lúcia Duca Costa) comprometemse a honrar e cumprir todos os compromissos contratuais, fiscais e financeiros, presentes e futuros, assumidos pelas devedoras (MAS Import matriz e filiais). Na Cláusula Primeira consta a informação de que a fiança perdurará ‘pelo prazo de 5 (cinco) anos, contados da data de cada evento, até que se atinja a decadência ou a prescrição ou, antes disso, se a questão ficar definitivamente resolvida, por meio de decisão administrativa ou judicial’. No parágrafo primeiro desta Cláusula evidenciase a administração da fiscalizada (MAS Import) por parte de seus fiadores (Otacílio de Araújo Costa e esposa): ‘Toda e qualquer obrigação tributária imputada às CREDORAS, oriunda do Termo de Acordo de Regime Especial n° 1086/2001, deverá ser comunicada imediatamente aos FIADORES, para que os mesmos possam, juntamente com as CREDORAS, providenciar o patrocínio de todas as defesas administrativas e judiciais cabíveis.’ Os FIADORES confessam ser devedores solidários nas obrigações assumidas pelas DEVEDORAS. Fica demonstrado o estreito vínculo entre os fiadores e os devedores, que não nos parece ser outro que não o de sócio ostensivo. A cláusula quarta confirma esse entendimento quando os fiadores renunciam ao benefício de ordem previsto nos artigos 1.491, 1.493 e 1.499 do antigo Código Civil e artigo 261 do Código Comercial. ‘CLÁUSULA QUARTA: Os FIADORES, que também confessam ser devedores solidários das obrigações assumidas pelas DEVEDORAS, renunciam, expressamente, ao beneficio previsto no art. 1.491, 1.493 e 1.499 do Código Civil, bem como ao previsto no artigo 261 do Código Comercial.’ Assim diz o Código Comercial (Lei 556, de 25/06/1850): ‘Art. 261. Se o fiador for executado com preferência ao devedor originário, poderá oferecer à penhora os bens deste, se os tiver desembargados, mas, se contra eles aparecer embargo ou oposição, ou não forem suficientes, a execução ficará correndo nos próprios bens do fiador, até efetivo e real embolso do exeqüente.’ O Código Civil/1916 (Lei 3071, de 01/01/1916), por sua vez, estabelece: ‘Art. 1491. O fiador demandado pelo pagamento da dívida tem direito de exigir, até à contestação da lide, que sejam primeiro excutidos os bens do devedor. Fl. 818DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 819 8 Parágrafo único: O fiador, que alegar o benefício de ordem a que se refere este artigo, deve nomear bens do devedor, sitos no mesmo município, livres e desembargados, quantos bastem para solver o débito (art. 1504). Art. 1493. A fiança conjuntamente prestada a um só débito por mais de uma pessoa importa o compromisso de solidariedade entre elas, se declaradamente não se reservaram o benefício de divisão. Art. 1499. O fiador, ainda antes de haver pago, pode exigir que o devedor satisfaça a obrigação, ou o exonere da fiança desde que a dívida se torne exigível, ou tenha decorrido o prazo dentro no qual o devedor se obrigou a desonerálo.’ A cláusula quinta especifica o montante da fiança, revelandose, pelo seu expressivo valor, que tal contrato visava, efetivamente, a garantir o grupo Schincariol em todas as operações comerciais empreendidas junto à MAS Import, sendo que esta garantia firmavase na pessoa daquele que diretamente negociava em nome da empresa, ou seja, o seu verdadeiro dono (Otacílio de Araújo Costa): ‘CLÁUSULA QUINTA: A presente fiança garante às CREDORAS até o montante de R$ 3.000.000,00 (três milhões de reais), sendo aceita pelas partes contratantes sua natureza de título executivo extrajudicial, consoante o artigo 585 do Código de Processo Civil.’ 4.e.2) Termo de Assunção de Obrigações firmado em 14/10/2002 Para fortalecer as evidências de envolvimento direto do Sr. Otacílio de Araújo Costa com a propriedade de fato da fiscalizada, de sua responsabilidade solidária perante as obrigações tributárias da MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, e de que o atual quadro societário da empresa é juridicamente representado por interpostas pessoas, juntamos cópia do ‘Termo de Assunção de Obrigações’, firmado pelo Sr. Otacílio em 14/10/2002, no qual assume e se obriga, ‘em caráter ilimitado e de forma irretratável e irrevogável, na forma e modo como previsto e admitido no art. 1.065 e seguintes do Código Civil Brasileiro, por todas e quaisquer obrigações pessoais, pretéritas, presentes ou futuras. porventura assumidas, imputadas ou imputáveis à sociedade MAS IMPORT COMERCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, de qualquer natureza jurídica, cujos respectivos fatos geradores tenham ocorrido posteriormente à 1° de setembro de 2.000, decorrentes única e exclusivamente, de operações celebradas entre a citada sociedade e as empresas: PRIMO SCHINCARIOL INDÚSTRIA DE CERVEJAS E REFRIGERANTES S.A., TBW ALIMENTOS LTDA. e PHOENIX INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE TABACOS LTDA., à exceção apenas daquelas eventuais obrigações decorrentes de ressarcimento do IPI Imposto sobre Produtos Industrializados, autorizado judicialmente em favor da referida sociedade, acaso a respectiva liminar judicial concessiva venha a ser reformada ulteriormente.’ (os destaques grifados não constam do original) Vêse, por este termo, a total assunção de responsabilidade do Sr. Otacílio, em ‘caráter Fl. 819DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 820 9 ilimitado’, junto a todas as operações firmadas pela MAS Import junto ao grupo Schincariol a partir de 01/09/2000. E improvável que uma pessoa assuma tal responsabilidade, exceto se, efetivamente, for o verdadeiro detentor do negócio. O citado Termo também preocupouse em resguardar a situação dos sócios de direito da MAS Import, garantindolhes o direito de regresso contra o Sr. Otacílio no caso da ocorrência de qualquer obrigação, seja de natureza trabalhista, tributária, comercial ou civil pela qual venha a empresa ser responsabilizada. Vejamos: ‘Por outro lado, fica assegurado à MAS Import Comércio e Distribuidora LIDA. em relação ao Sr. OTACÍLIO DE ARAÚJO COSTA, amplo e irrestrito direito de regresso referente a Qualquer obrigação de natureza trabalhista, tributária, comercial ou civil vela qual, eventualmente, venha a ser responsabilizada, ficando a mesma e seus sócios absolutamente exonerados de responderem por Qualquer obrigação assumida, contratada ou imputada aos mesmos posteriormente a citada data de 1° de setembro de 2.000.’ (o grifo não é do original) Na verdade, como se vê acima e nos documentos anexados, a redação do Contrato de Fiança e do Termo de Assunção de Obrigações revela, principalmente, que a sua função essencial era de garantir as empresas do grupo Schincariol em relação às vendas de bebidas e demais operações comerciais junto à empresa MAS Import. Ou seja: os diretores do grupo tinham ciência da situação da MAS Import, uma empresa cujo quadro societário é composto de interpostas pessoas, e, como os negócios eram feitos diretamente com o Sr. Otacílio, de alguma maneira eles deveriam se garantir e, então, firmavam estes verdadeiros ‘contratos de gaveta’ que ficavam no poder dos credores (ressaltese que tais documentos foram apreendidos pela Polícia Federal nas dependências das empresas envolvidas, por ocasião do cumprimento do mandado de busca e apreensão autorizado nos autos do processo n° 2005.51.070006503), que os utilizariam, caso necessário, para execução junto ao verdadeiro titular da empresa devedora. O fato de serem ‘contratos de gaveta’, não levados a registro público, também indicam a gestão do Sr. Otacílio de Araújo Costa nos negócios da MAS Import, sendo que, de outro modo, o seu nome não apareceria nos documentos oficiais (registrados), uma vez que não figura no QSA da devedora. Também é relevante o fato que o Sr. Otacílio assume expressamente todas as obrigações, de quaisquer naturezas, junto à empresa e seus ‘sócios’, em todas as operações por eles firmadas. 4.e.3) Contrato NãoResidencial de Locação do Imóvel situado à Rua da Soja, n° 120/120A Mercado São Sebastião Penha Rio de Janeiro RJ Em 01/10/2001 o Sr.Otacílio de Araújo Costa, representado por Luciana Duca Costa, filha do mesmo, assinou esse contrato de aluguel como locatário, constando que, em momento oportuno, seria o mesmo substituído pela empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. E de se ressaltar que neste mesmo endereço (Rua da Soja, n° 120 Bairro Penha Rio de Janeiro/RJ) conta, nos cadastros da RFB (CNPJ), desde 14/09/2004, uma filial da empresa Dismar Comercial Ltda, Fl. 820DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 821 10 também pertencente ao ‘grupo’ do Sr. Otacílio, conforme demonstrado no subitem ‘4.d’ acima. No parágrafo primeiro do contrato vem escrito: ‘(...) e como locatário, OTACÍLIO DE ARAÚJO COSTA, brasileiro, casado, carteira de identidade nº M925.614 SSP/MG, C.P.F. n° 070.067.99600, residente e domiciliado à Rua Matias Cardoso n° 268, aptº 302, Bairro Santo Agostinho, Belo Horizonte, MG, Cep 30170050, que será substituído em momento oportuno vela empresa MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, CNPJ nº 01.135.937/000137, com sua sede à Rua Rubi nº 37, Bairro Bom Jesus, Coronel Fabriciano\MG, Cep 35171112, representada por seu sócio Márcio Aguiar da Silva, acordam em contratar a locação do imóvel acima referido, sob as cláusulas e condições seguintes.’ (grifamos) Mais uma evidência do envolvimento direto do Sr. Otacílio de Araújo Costa com a administração da MAS Import Comércio e Distribuidora LTDA, revelandose como dono de fato da mesma. 4.e.4) Outros elementos Informamos abaixo a movimentação financeira da MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, com base em informações extraídas dos sistemas da Secretaria da Receita Federal SRF, em: 1999 R$ 24.171,05; 2000 R$ 882,772,10; 2001 R$ 7.058.701,41; 2002 R$ 27.848.630,12; 2003 R$ 21.543.905,51; 2004 R$ 3.296.840,73; 2005 R$ 6.467,91. Os rendimentos tributáveis e não tributáveis declarados à Receita Federal do Brasil pelos atuais sócios de direito ANTÔNIO ALVES AGRELA DE LIMA e ANTÔNIO REIS RODRIGUES são definitivamente incompatíveis com a condição de proprietários da fiscalizada. As investigações da Polícia Federal e as informações extraídas dos sistemas da SRF vêm mostrando que os sócios de direito da MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda não possuem condições econômicas ou financeiras de serem proprietários de empresa desse porte. Vale lembrar que o Sr. Otacílio de Araújo Costa foi considerado dono de fato da Beagabeer Distribuidora de Bebidas Ltda, CNPJ 02.026.139/000130, com sede em Belo Horizonte/MG, conforme comprovado pela fiscalização da Receita Federal em apuração de movimentação financeira incompatível no ano de 1998, Fl. 821DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 822 11 iniciada em maio de 2001 e encerrada com resultado em dezembro de 2003, resultado que originou o processo n° 10680.018549/200353. Durante os trabalhos de fiscalização, o sócio cotista da empresa Beagabeer Distribuidora de bebidas Ltda, Sr. Renato Lúcio de Lima Guimarães, CPF 257.790.286 72, afirmou, em termo lavrado pela fiscalização, que a empresa era de fato do Sr. Otacílio de Araújo Costa, sendo efetuado, ao término dos trabalhos de fiscalização, uma representação fiscal para fins penais contra o contribuinte Otacílio, conforme processo n° 10680.018566/200391.” no tópico “5.a” (fls. 28/31) do termo de verificação fiscal, foram informados detalhes da ação fiscal que redundou no lançamento de ofício. Dentre o detalhamento informado, consta que: “Diante da documentação encaminhada pela empresa Primo Schincariol Indústria de Cerveja e Refrigerantes do Rio de Janeiro S/A (Cachoeiras de Macacu/RJ), e dada a ausência do atendimento às intimações direcionadas à empresa compradora (MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda) e ao sujeito passivo solidário (Sr. Otacílio de Araújo Costa), procedemos à apuração do crédito tributário referente ao IPI não destacado/não lançado nas notas fiscais de vendas de bebidas à MAS Import, como se visualiza pelos demonstrativos/planilhas anexados ao presente termo. A apuração do IPI constante dos lançamentos que compõem a presente ação fiscal levou em consideração os dados/documentos enviados pela unidade industrial da Schincariol localizada em Cachoeiras de Macacu/RJ, tendo por destino o estabelecimento matriz da MAS IMPORT COMÉRCIO E DISTRIBUIDORA LTDA, localizado na cidade de Ipatinga/MG (CNPJ 01.135.937/000137), relativamente aos períodos de apuração (...)” [os períodos de apuração estão compreendidos entre o 2º decêndio de novembro de 2000 até o 3º decêndio de dezembro de 2000]. no tópico “5.b” (fls. 31/33) do termo de verificação fiscal, constam as razões para a aplicação da multa de ofício qualificada de 150%, nos termos do art. 80, inciso II, da Lei n° 4.502, de 1964, com a redação trazida pelo art. 45 da Lei n° 9.430, de 1996; do disposto no art. 44 desta última lei; do art. 461, inciso II, do Regulamento do IPI de 1998 (RIPI/98 – Decreto n° 4.637, de 1998) e do art. 488, inciso II, do Regulamento do IPI de 2002 (RIPI/2002 – Decreto nº 4.544, de 2002), além dos arts. 71 a 73 da Lei n° 4.502, de 1964. Nessa linha, foi exposto que: “A utilização de interpostas pessoas no quadro societário da MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda, por parte de seu proprietário de fato (Sr. Otacílio de Araújo Costa), assim como a existência de fortes indícios, apurados pelas investigações, que demonstram o provável conluio entre a MAS Import e a Primo Schincariol com vistas à obtenção de vantagens com o não destaque de IPI nas operações de vendas de produtos por esta Fl. 822DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 823 12 industrializados, através de obtenção de liminares em ações judiciais, conforme ficou demonstrado através dos elementos obtidos pela Polícia Federal na recente operação conjunta com a Receita Federal, são elementos suficientes, nos termos da legislação acima, à aplicação da multa de ofício qualificada (150%). O intuito de ‘impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal’ (art. 72) ou de ‘impedir o seu conhecimento por parte da autoridade fazendária’ (art. 71) fica, ainda, mais evidente diante dos fatos demonstrados no presente Termo de Verificação fiscal, onde ficou caracterizada a utilização de interpostas pessoas, de forma a encobrir a identidade dos verdadeiros administradores do empreendimento. Os ‘sócios de direito’ Antônio Alves Agrela de Lima e António Reis Rodrigues, ao constarem ostensivamente no QSA da MAS Import, tinham, na verdade, a função de deixarem à margem das infrações fiscais e acobertarem as ações fraudulentas empreendidas pelo ‘sócio de fato’ e verdadeiro titular da empresa Sr. Otacílio de Araújo Costa, conforme relatado no competente Termo de Declaração de Sujeição Passiva Solidária. Já a utilização de distribuidoras de bebidas (dentre elas a MAS Import que, de acordo com as apurações da Receita Federal/Polícia Federal, foi posteriormente substituída pela distribuidora Dismar, também de propriedade do Sr. Otacílio de Araújo Costa) dentro do possível ‘esquema’ comandado pela cervejaria Schincariol, conforme apurado pelas investigações, que foi amplamente divulgada pela imprensa nacional em data recente (ver cópias de algumas reportagens anexadas ao processo), tipificam claramente o ‘conluio’ entre essas empresas com vistas à sonegação e fraudes fiscais. Tal esquema utilizava se das distribuidoras de bebidas que obtinham liminares que as desobrigavam do recolhimento de impostos federal e estaduais (notadamente IPI e ICMS) na aquisição de bebidas (cervejas e refrigerantes), como foi o caso da liminar obtida pela MAS Import, conforme descrito no item ‘2’ acima; envolvia a utilização de ‘placas frias’ de caminhões para indicar vendas de produtos para estados da federação com benefícios fiscais relativos ao ICMS, quando, na prática, as mercadorias eram dirigidas a locais com alíquotas de tributação mais elevadas; utilização de notas fiscais ‘frias’ para acobertar operações inexistentes; práticas de subfaturamento na venda de produtos com o recebimento ‘por fora’ da diferença entre o real valor de venda e o valor declarado nas notas fiscais; utilização operações de ‘exportação fictícia’ e importação com falsa declaração de conteúdo, dentre outros ilícitos. Diante de todos os fatos demonstrados, concluise que está plenamente caracterizada a atitude dolosa por parte da empresa, tendente a ‘impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal’ ou de ‘impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento do parte da autoridade fazendária’, devendo, portanto, os Fl. 823DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 824 13 lançamentos serem efetuados com a aplicação da multa de ofício de 150% (cento e cinqüenta por cento) calculada sobre a totalidade ou diferença do imposto, em consonância com o artigo 80, inciso II, da Lei n° 4.502/1964, e artigo 44, inciso II, da Lei n° 9.430/1996.” no tópico “5.c” (fls. 33/34) do termo de verificação fiscal, foi informada a ausência de representação fiscal para fins penais, “consoante preceitua a Portaria SRF nº 326, de 15 de março de 2005, tendo em vista tratarse de ação fiscal motivada por elementos oriundos da Polícia Federal, conforme prescreve o § 7º do artigo 1º da citada Portaria” Cientificado da autuação em 07/11/2005 via Correios, (fl. 414), o Sr. Otacílio Araújo Costa postou nos Correios (fl. 433) em 06/12/2005 sua impugnação de fls. 427/432, na qual expôs, em síntese, que: para fins de responsabilização solidária, a previsão legal do art. 124, do CTN exigia, no inciso I, a participação no fato gerador e, no inciso II, que a responsabilidade solidária fosse expressamente designada por lei, sendo que nenhuma das duas situações se verificava no caso concreto, pois, relativamente ao inciso II, não existia lei “atribuindo ao signatário, supostamente o ‘proprietário de fato’ ou o ‘verdadeiro dono’ da empresa MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. a qualidade de co devedor solidário de impostos por ela eventualmente devidos”, e, quanto ao inciso I, o signatário não praticara ou participara do fato gerador do IPI, ou seja, não dera saída ao produto industrializado cerveja, havendo nesse sentido, inclusive, trechos do relatório da Fiscalização, transcritos nas fls. 429/430; a Fiscalização confundira a responsabilidade tratada pelos arts. 128 a 138 do CTN com a solidariedade tributária descrita nos arts. 124 e 125 do CTN. Citou excerto de doutrina para embasar sua assertiva, aduzindo, ainda, que “Ao tentar encaixar no instituto da solidariedade algo que, se fosse o caso, seria, no máximo, responsabilidade de terceiro, a Receita Federal acabou cometendo erro de enquadramento legal gravíssimo, o qual, por si, já serve para afastar o signatário da autuação, pois, como demonstrado, de solidariedade não se trata (e é isto e apenas isto – o que lhe está sendo imputado)”; havia ausência de certeza no termo de verificação fiscal, a exemplo do trecho: “Fica demonstrado o estreito vínculo entre os fiadores e os devedores, que não nos parece ser outro que não o de sócio ostensivo”, o que não poderia levar à responsabilização solidária; “(...) as ilações feitas pela Receita Federal acerca de diversos contratos celebrados pelo signatário, em nenhuma hipótese, caracterizam a solidariedade a que se refere o art. 124 do CTN, o que, evidentemente, desqualifica a tentativa e responsabilização da pessoa física. Com efeito, meras relações comerciais, ainda que íntimas como quer a Receita Federal, não são suficientes à caracterização da solidariedade (...). É Fl. 824DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 825 14 exatamente isso o que diz o artigo 123 do Código Tributário Nacional:(...). Chamase atenção, ainda, para o fato de que a Receita Federal não demonstrou como, quando ou porquê teria nascido o vínculo obrigacional direto entre o ente tributante e o signatário”. Citou excerto de doutrina que entendeu corroborar sua argumentação; com amparo em transcrição de trecho de decisão judicial, argüiu: “Ora, ficou provado que o signatário tirou algum proveito do fato gerador do IPI que se quer atribuir a ele? Não. Então, também por esse motivo, não é o caso de responsabilizá lo solidariamente pelo débito”; Por tudo que expôs, requereu o afastamento da responsabilidade tributária lhe imputada. A empresa autuada, MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda., por sua vez, tomou ciência do lançamento de ofício em 17/11/2005 (fl. 08) por meio do sócio de direito Sr. Antônio Alves Agrela de Lima, tendo postado nos Correios (fl. 461) em 19/12/2005 a impugnação de fls. 434/451 elaborada por procurador constituído à fl. 452, cujos argumentos estão sintetizados abaixo: a Fiscalização, acatando a decisão SRRF/7ª RF/DISIT nº 139/2000 (solução de consulta), entendera que “o fato de a Impugnante ter ajuizado ação judicial contra a sistemática do IPI/Bebidas a transformaria no sujeito passivo da obrigação tributária respectiva”. Porém, “o sujeito passivo do IPI/Bebidas escolhido pela lei foi o fabricante”, não tendo havido alteração sobre isso na decisão judicial concessiva da antecipação da tutela. “De fato, se, temporariamente, o Judiciário suprimiu do fabricante a obrigação fiscal de destacar e recolher o IPI, afastando dele qualquer responsabilidade, o juiz, em nenhum momento, colocou a distribuidora no lugar do contribuinte originário (...). Essa suposta troca de posições decorre, na verdade, de mera ilação fiscal, a qual, entretanto, não encontra nenhum amparo na lei”; concedida liminarmente a tutela antecipada, a União, como prevenção da decadência, poderia ter lançado o IPI contra a indústria com suspensão da exigibilidade do crédito tributário nos termos do art. 63 da Lei nº 9.430, de 1996, até o fim do processo judicial. “De qualquer forma, mesmo que o Fisco enfrentasse algum prejuízo, sempre lhe seria possível recorrer ao art. 811 do CPC (...). Se ato da distribuidora causar algum prejuízo à Fazenda Nacional, é evidente que a comerciante deve reparar o dano. Indenizar, pode até ser. Estarseá, contudo, no campo do Direito Obrigacional Civil, mas em hipótese alguma, poderseá falar em nascimento de uma obrigação tributária, a qual, além de não se caracterizar como sanção de ato ilícito, decorre exclusivamente da lei (o que o art. 811 do CPC autoriza é a indenização e não a alteração do sujeito passivo)”; “Não bastasse tudo o que já foi falado, não se poderia deixar de ressaltar, também, o fato de que, no momento da realização Fl. 825DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 826 15 do lançamento, a tutela antecipada já não mais estava em vigor, razão pela qual não havia mesmo nenhum óbice à autuação do fabricante. O entendimento pela continuidade dos efeitos de tutela antecipada já cassada significa admitir a perenização de decisão judicial que não existe mais, o que data vênia, é completamente absurdo e despropositado”. Citou excertos e doutrina e decisões administrativas entendidas como amparo a sua argumentação; a Fiscalização, quando do lançamento de ofício, momento no qual não mais vigorava a tutela antecipada, reconhecendo o status quo ante, aplicou a multa de ofício por todo o período, como se a decisão judicial da tutela não tivesse existido, mas, no tocante à responsabilidade pelo tributo, ou seja, à identificação do sujeito passivo, acatou plenamente o conteúdo da liminar, não admitindo a volta à situação anterior. “Como se vê, foram dotados dois pesos e duas medidas, o que, data venia, não pode prosperar”; “o afastamento definitivo do fabricante como sujeito passivo do IPI/Bebidas só poderia ocorrer com decisão judicial transitada em julgado (art. 156, X, do CTN) e não com mera liminar precária, provisória e recorrível”; “Cabe observar, ainda, que a Decisão SRRF/7ª RF/DISIT nº 139/2000 valeu (produziu efeitos) apenas enquanto vigorou a liminar. Quando a tutela antecipada deixou de existir, a consulta mencionada perdeu a eficácia. Essa decisão pode ser extraída da própria Decisão 139/2000”. Transcreveu parte da decisão (solução de consulta) referida, dela extraindo conclusões para amparar as assertivas da impugnação; levantou porquês sobre: a) o fato de a industrial fornecedora da Schincariol não ter atacado a ordem judicial de antecipação de tutela como fizera sua concorrente Antárctica; b) o fato de o Fisco, mencionado um “possível esquema” e “fortes indícios” ligados e à existência de um conluio entre a autuada e a Schincariol “com vistas à obtenção de vantagens com o não destaque do IPI nas operações de vendas de produtos por esta industrializados, através de obtenção de liminares em ações judiciais”, ter afastado do fabricante a obrigação tributária que sabidamente lhe pertencia; a indicação indevida do sujeito passivo da obrigação tributária tornava ineficaz o auto de infração, o que implicava o cancelamento da autuação; sendo o IPI um imposto nãocumulativo nos termos do art. 153, § 3º, da Constituição Federal de 1988, o lançamento de ofício não mudava a necessidade de dedução dos créditos a que o contribuinte fizesse jus. “Pois bem, tendo em vista que ‘os contribuintes fabricantes de bebidas poderão se creditar do imposto incidente sobre os recipientes e embalagens para empregos nos citados produtos’ (artigo 5º da Lei nº 7.797/1989), bem como em relação àqueles utilizados como matériasprimas e produtos intermediários, de duas uma: ou se reconhece a Fl. 826DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 827 16 impossibilidade de se apurar os créditos em relação à Impugnante (mera distribuidora), e, com isso, acatase o erro na identificação do sujeito passivo (...); ou mantémse a tributação e, de algum modo, encontrase uma maneira de a Impugnante aproveitar os créditos inerentes aos insumos, situação que, contudo, por caracterizar erro na apuração da base de cálculo do imposto, ensejará, de qualquer forma, o cancelamento do AI”; a multa qualificada prevista no art. 80 da Lei nº 4.502, de 1964, com a redação dada pelo art. 45 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicavase “em relação à falta de destaque e/ou recolhimento do IPI. Ora, cabia à Impugnante destacar e recolher imposto relativamente à operação da saída de bebidas do estabelecimento industrial? Não. Então, a multa prevista no artigo 80 da lei nº 4.502/1964 não contempla a hipótese dos autos”; “A fiscalização alega, por outro lado, que a conduta da Impugnante caracterizaria o evidente intuito de fraude a que se refere o artigo 44, II, da Lei nº 9.430/96. É imperioso observar, no entanto, que ônus da prova é do Fisco (...). Mas não basta que a auditoria fiscal aponte ou indique a conduta perpetrada. É preciso que ela comprove, de modo cabal, inconteste, inequívoco, e estreme de dúvidas, a vontade de fraudar”. Citou excertos de decisões administrativas para corroborar sua defesa; a Fiscalização não provou de modo inequívoco e exclusivo o propósito de esconder o conhecimento ou a ocorrência do fato gerador. Pelo contrário, as expressões da Fiscalização de um “provável conluio” ou “possível esquema” denotavam incerteza quanto à real intenção da impugnante, sendo que “fraude não se presume, provase” (...). Portanto, mesmo que a fiscalização tenha enxergado na conduta da Impugnante um indício da intenção de impedir o conhecimento da obrigação tributária, data venia, ela não é evidente (e, nos termos da lei, para ensejar a mula agravada, precisaria sêlo); não havia provas da “utilização de interpostas pessoas no quadro societário da MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda”, além do que, “se os sócios confiaram a administração da empresa a preposto, ou se esse preposto possuía intenso relacionamento comercial com a Impugnante, nada disso caracteriza o evidente intuito de fraude exigido pela lei”; não havia procedência na acusação do Fisco de suposto “conluio” entre a distribuidora e a industrial fornecedora “com vista à sonegação e fraude fiscais”, porquanto “tudo foi feito às claras”, ou seja, “Fazendo uso de uma faculdade constitucional, já que quem se sentir lesado ou ameaçado tem o direito de buscar guarida no Poder Judiciário, a Impugnante ajuizou medida judicial com pedido de tutela antecipada e, por um determinado período de tempo, teve a sua pretensão acolhida. A União foi citada para contestar e, evidentemente, teve toda a Fl. 827DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 828 17 oportunidade do mundo para recorrer ou se insurgir contra a antecipação dos efeitos da tutela”; não houve artifício para esconder ou encobrir os fatos geradores, pois as correspondências elaboradas pelo estabelecimento industrial fornecedor, relacionando as operações/transações de interesse da impugnante, efetuadas sem o destaque do IPI, foram apresentadas à Receita Federal; as acusações de utilização de placas frias de caminhões e de notas fiscais frias; de subfaturamento na venda, com recebimento por fora da diferença de preço; de operações de exportação fictícia e importação com falsa declaração de conteúdo, nada disso estava comprovado nos autos, além de se referir apenas ao ICMS, não tendo o condão de alterar o quadro do IPI; “É prática reiterada da DRF/Coronel Fabriciano/MG fazer incidir juros SELIC sobre a multa de ofício cobrada, o que, todavia, segundo o Conselho de Contribuintes, não encontra respaldo legal”. Citou trecho de acórdão do mencionado Conselho para corroborar sua assertiva e pediu que a DRJ afastasse a aplicação da taxa Selic sobre a multa exigida. (...) A 3ª Turma de Julgamento da DRJ/JFA julgou procedente o lançamento, nos termos do voto condutor do Acórdão constante das fls. 583 a 637, ensejando a apresentação de recurso voluntário, em 20 de novembro de 2007, pela pessoa jurídica MAS Import Comércio e Dstribuidora Ltda., e, em 27 de dezembro de 2007, pela pessoa física Otacílio de Araújo Costa. Na peça recursal, a pessoa jurídica manifestouse sobre a tempestividade do recurso, alegando que fora intimada por edital afixado em 4 de outubro de 2007, começando, portanto, a fluir o trintídio para recorrer da decisão da DRJ/JFA em 19 de outubro de 2007, o que implica o termo final para interposição do recurso em 18 de novembro de 2007, que, sendo domingo, fica prorrogado para o primeiro dia útil seguinte, que foi 19 de novembro de 2007. Alegouse ainda a de violação do direito de defesa pela DRJ/JFZ, visto que a decisão recorrida teria contrariado os arts. 145 e 149 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), pois alterou o lançamento, ao inovar a fundamentação legal para responsabilização da recorrente, invocando o art. 124, inc. I, do CTN, que só foi indicado pela fiscalização para atribuir responsabilidade solidária ao Sr. Otacílio de Araújo Costa, mas sequer foi mencionada possível solidariedade entre a MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. e a Schincariol, conforme fundamentos da decisão recorrida; No mérito, a MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. alegou, em síntese que: I – foi claramente violado o direito de defesa da recorrente, pois, antes, sua responsabilidade decorria de ter obtido tutela antecipada e, após a decisão do colegiado de piso, essa responsabilidade passou a sustentarse na solidariedade entre a recorrente e a Schincariol, hipótese sequer ventilada no auto de infração ou no Termo de Verificação Fiscal (TVF); Fl. 828DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 829 18 II – tendo sido alterado o critério jurídico do lançamento, há que se cancelar a decisão recorrida; III – ainda que se pudesse inovar o lançamento, o art. 124, inc. I, do CTN não autoriza a inclusão da recorrente no pólo passivo da obrigação tributária, pois, não se pode incluir terceiros nesse pólo passivo e tanto a Decisão Disit/SRRF/7ª RF nº 139/2000 como a decisão recorrida reconhecem que a recorrente não é contribuinte do IPI; IV – houve erro na identificação do sujeito passivo e a recorrente só foi mantida como tal porque a DRJ, conquanto tenha manifestado sua discordância da Solução de Divergência Cosit nº 27/2002, ratificou a legitimidade passiva da recorrente sob o fundamento de que as soluções de consulta possuem força normativa, com caráter vinculativo e cogente; contudo os Conselhos de Contribuintes não estão vinculados a essas soluções de consulta; V – a decisão judicial que antecipou os efeitos da da tutela e determinou a suspensão do destaque e do recolhimento do IPI pelo fabricante de bebidas, que é o real contribuinte desse imposto, não possui o condão de alterar a sujeição passiva tributária; VI – se na decisão judicial não houve ordem expressa para alterar o sujeito passivo da obrigação tributária, a autoridade lançadora não poderia caracterizar a distribuidora de bebidas como tal; VII – com a concessão da medida liminar, ao Fisco caberia formalizar o lançamento contra a indústria, que é a contribuinte do IPI, para prevenir a decadência; VIII – se ato da distribuidora causar algum prejuízo à Fazenda Nacional, há de se recorrer ao art. 811 do Código de Processo Civvil (CPC) para se deduzir a indenização cabível; contudo, estarseá no campo do direito obrigacional civil, não se podendo falar de nascimento de obrigação tributária, que, além de não se caracterizar como sanção de ato ilícito, decorre exclusivamente de lei; IX – o art. 811 do CPC autoriza a indenização a ser requerida nos próprios autos em que foi proferida a decisão que teria causado o dano, mas não o lançamento de crédito tributário contra a recorrente; X – não há lei que autoriza a substituição pretendida pelo Fisco para que a distribuidora de bebidas que ajuizar ação judicial ocupe o lugar do fabricante como contribuinte do IPI; XI – no momento do lançamento, a a tutela antecipada já não estava em vigor e, portanto, não havia nenhum óbice à autuação do fabricante; XII – se o próprio Fisco suscitou possível esquema comandado pela cervejaria Schincariol e relatou a presença de “fortes indícios, apurados pelas investigações, que demonstra o provável conluio entre a MAS Import e a Primo Schincariol com vistas à obtenção de vantagens com o não destaque de IPI nas operações de vendas de produtos por esta industrializados, através de obtenção de liminares em ações judiciais”, como pôde afastar do fabricante obrigação tributária que, sabidamente, é dele? XIII – em face do princípio da nãocumulatividade do IPI, ou se reconhece a impossibilidade de se apurar os créditos em relação à recorrente e, com isso, reconhecese o Fl. 829DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 830 19 erro na identificação do sujeito passivo, ou mantémse a exigência, mas com dedução dos créditos relativos à aquisição de insumos, sendo que, neste último caso, concluise que houve erro na apuração da base de cálculo, o que acarreta o cancelamento do auto de infração; XIV – a decisão recorrida não pode ser mantida, pois manteve a legitimidade passiva da recorrente e, ao mesmo tempo, garantiu à Schincariol os créditos da aquisição de insumos, não se pautando, portanto, pelos princípios da razoabilidade, proporcionalidade, moralidade interesse público e eficiência; XV – a multa majorada foi mantida apenas porque a recorrente teria tentado esconder o sócio Otacílio Costa e isso teria caracterizado sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964; contudo, a suposta ocultação de sócio não impede ou retarda o conhecimento do fato gerador; e XVI – é incabível a incidência de juros sobre a multa de ofício e deve ser cancelada a incidência da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia (Selic) nos períodos em que ela for superior a um por cento (1%). Ao final, a MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. solicitou o provimetno do seu recurso para reforma a decisão do colegiado de piso e julgar improcedente o auto de infração. Às fls. 688 a 700, consta recurso voluntário do Sr. Otacílio de Araújo Costa recebido em 27 de dezembro de 2007, em foi aduzida a tempestividade do recurso, com a afirmação de que teria recebido a decisão recorrida em 23 de novembro de 2007, sextafeira, e, por isso, o prazo para interposição do recurso começaria a fluir em 26 de novembro de 2007, segundafeira, terminando em 25 de dezembro de 2007, que, sendo feriado, levaria o termo final para 26 de dezembro de 2007, quartafeira. No mérito, o Sr. Otacílio de Araújo Costa alegou, em síntese, que: I – de acordo com o art. 124, inc. II, do CTN não serve para embasar a responsabilidade pretendida pelo Fisco, pois não há lei que atribua ao recorrente, suposto proprietário de fato da pessoa jurídica autuada, a qualidade de codevedor solidário dos impostos eventualmente devidos pela pessoa jurídica; II – o recorrente não participou nem praticou o fato gerador do IPI, isto é, não deu saída ao produto industrializado cerveja, como se depreende do próprio relatório fiscal; portanto, não se configura a hipótese descrita no art. 124, inc. I, do CTN; III – a fiscalização está confundindo a responsabilidade tributária de que tratam os arts. 128 a 138 do CTN com a solidariedade tributária descrita nos arts. 124 e 125 do CTN; IV – no próprio Termo de Verificação Fiscal, fica claro que o recorrente, suposto dono ou administrador da pessoa jurídica, só poderia ser responsabilizado por força do art. 135, inc. III, do CTN, não se podendo manter a solidariedade tributária do auto de infração; V – a decisão recorrida não só alterou os fundamentos de fato dolançamento como também tentou consertar o lançamento, abandonando a questão de ser o recorrente o Fl. 830DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 831 20 suposto dono de fato ou administrador da pessoa jurídica para tentar caracterizar a existência de pretensa sociedade de fato envolvendo a empresa e a pessoa física do recorrente; VI – a revisão do lançamento só é permitida nas hipótese dos arts. 145,inc. III, e 149 do CTN e desde que observado oo art. 18, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, com lavratura de auto de infração complementar; e VII – as ilações feitas pela fiscalização e pela DRJ sobre os diversos contratos celebrados pelo recorrente , em nenhuma hipótes, caracterizam a solidariedade referida no art. 124 do CTN, pois meras relações comerciais não são suficientes à caracterização da solidariedade, conforme se depreende do art. 123 do CTN. Por fim, solicitou o recorrente o provimento do seu recurso para cancelar a exigência em relação à pessoa física , por não restar caracterizada a hipótese de solidariedade prevista no art. 124 do CTN. Na sessão de 24 de maio de 2010, por meio da Resolução n° 340200.076, este colegiado resolveu, por maioria de votos, com voto vencedor proferido pelo Conselheiro Júlio César Alves Ramos, converter o julgamento dos recursos em diligência para que fossem esclarecidos alguns aspectos da operação, solicitandose cópia da petição inicial da Ação Ordinária n° 98.00073302 e da decisão judicial em que foi deferida a antecipação de tutela e esclarecimentos quanto aos depósitos feitos pela Schincariol e quanto ao levantamento de depósitos pela Mas Import e, ainda, informação sobre repasse indireto do IPI, via preço, na vigência da antecipação de tutela. Na realização da diligência, a Schincariol informou que não realizou depósito, recolheu os demais tributos normalmente e não incluiu o valor do IPI no preço dos produtos vendidos. Com este processo, foi remetido ao Conselho Administrativo de recursos Fiscais (Carf) CD com cópia das principais peças do processo judicial, as quais permitem concluir que: a) a concessão de tutela antecipada para que as autoras da ação declaratória de inexistência de relação obrigacional tributária deixassem de recolher o IPI com base em pautas fiscais não restaurou a cobrança com base na Tabela de Incidência do IPI (TIPI), pois assim ficou esclarecido com a colhida dos embargos declaratórios propostos pelas autoras; b) estavam obrigados ao depósito todos os fornecedores das autoras da ação, os quais foram devidamente oficiados; contudo, a Schincariol afirmou não ter realizado nenhum depósito; c) a questão dos depósitos também foi objeto de tutela antecipada a pedido das pessoas jurídicas admitidas na Ação Ordinária n° 98.00073302 como litisconsortes; d) os depósitos foram exigidos das fornecedoras das autoras da ação até o limite de eventual crédito destas decorrente do pagamento indevido do IPI e prestarseiam a liquidar os demais tributos sujeitos ao lançamento por homologação devidos pelas autoras da ação; e Fl. 831DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 832 21 e) o Juiz determinou o levantamento de cinquenta por cento dos valores depositados. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Sílvia de Brito Oliveira, Relatora Sobre os requisitos de admissibilidade dos recursos, notese que a unidade preparadora do processo encaminhou estes autos ao extinto Segundo Conselho de Contribuintes com o despacho exarado à fl. 715, em que afirmase serem tempestivas ambas as peças recursais. Quanto ao recurso da pessoa jurídica MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda., a ciência da decisão recorrida se deu por edital afixado em 4 de outubro de 2007 e desafixado em 19 de outubro de 2007. Assim, de acordo com o art. 23, § 2º, inc. III, do Decreto nº 70.235, de 1972, com as alterações posteriores, considerase feita a intimação trinta dias após a afixação do edital; portanto, tal intimação se deu em 05 de novembro de 2007. Dessa forma, em conformidade com os arts. 5º e 33 desse mesmo Decreto, o prazo para interposição do correspondente recurso venceu em 05 de dezembro de 2007. Destarte, é tempestivo o recurso interposto pela MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. em 20 de novembro de 2007. O Sr. Otacílio de Araújo Costa foi intimado por via postal. Contudo, não se pode dizer que ficou configurada a intimação prescrita pelo art. 23, Inc. II, do Decreto nº 70.235, de 1972, visto que não consta dos autos a necessária prova do recebimento. Notese que as normas reguladoras do processo de determinação e exigência de crédito tributário trata da hipótese de nãoaposição da data de recebimento no comprovante, entretanto, exigese, para a intimição por via postal, que exista a prova do recebimento. Assim, em face da ausência dessa prova, tenho por tempestivo o recurso do Sr. Otacílio de Araújo Costa. Concluise, pois, que ambos os recursos atendem os requisitos de admissibilidade e, por isso, devem ser conhecidos. Incialmente, sobre a alegada violação ao direito de defesa da pessoa jurídica autuada, por inovação do lançamento quanto ao fundamento legal da sujeição passiva, notese que, no enquadramento legal do auto de infração, relativamente à sujeição passiva, foram mencionados o art. 23, inc. II, do Decreto nº 2.637, de 25 de junho de 1998 – Regulamento do IPI (Ripi/98), e o art. 124 do CTN. Contudo, a descrição pormenorizada dos fatos no TVF permite concluir que a identificação da pessoa jurídica como sujeito passivo no lançamento em questão foi amparada pelo art. 23, inc. II, do referido Decreto, prestandose o art. 124 do CTN para sustentar a acusada responsabilidade solidária do suposto sócio de fato dessa pessoa jurídica. Fl. 832DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 833 22 Ora, a decisão recorrida, com efeito, manteve a sujeição passiva da ora recorrente com fundamento no indigitado art. 124, inc. I, conforme se conclui da leitura do voto condutor do Acórdão nº 0916.624, de 2007, da DRJ/JFA, cujo trecho transcrevese: (...) Ainda em complemento às razões supra do citado juiz federal, encampadas no presente voto, salientese que as disposições sobre a obrigação/responsabilidade solidária (ou seja, a sujeição passiva solidária) em direito tributário revestemse de natureza material, estando previstas no art. 124 do CTN: “Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; (...) Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem.” Ora, a empresa distribuidora MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda., sendo litisconsorte ativa na ação judicial ordinária principal (processo n° 98.00073302) que visa ao questionamento da validade da tributação do IPI em bebidas sob a sistemática de pauta de valores e por ter sido requerente e beneficiária da tutela antecipada (concedida em tal ação judicial) destinada a obstar desde logo a tributação do IPI sob a sistemática questionada (ou sob qualquer outra) nas remessas (saídas – fato gerador do IPI) de bebidas dos industriais fornecedores, fica evidente, no tocante ao período abrangido pela antecipação da tutela, o grande, real e efetivo interesse da aludida distribuidora nas situações constituintes do fato gerador da obrigação tributária principal do IPI, ensejando o seu enquadramento (da distribuidora), diretamente, na hipótese de solidariedade passiva prevista no art. 124, inciso I, do CTN. (...) Em face disso, entendo que assiste razão à recorrente quanto a esse aspecto, visto que a a acusação fiscal, ao cabo, atribuiu a responsabilidade pelo pagamento do IPI à pessoa jurídica autuada como contribuinte, nos termos do art. 23, inc. II, do Ripi/98, e não caberia à instância julgadora, por exorbitar os limites de sua competência regimental, inovar o lançamento, alterando o critério jurídico adotado pela fiscalização. Todavia, com fundamento no art. 59, § 3º, do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, deixo de declarar a nulidade da decisão recorrida e passo à apreciação das demais alegações trazidas no recurso. As razões recursais focalizam precipuamente questões relativas ao erro na identificação do sujeito passivo e, na análise dessa matéria, cumpre primeiro salientar que o fato gerador do IPI lançado descrito no TVF foi a saída de bebidas do estabelecimento industrial para a distribuidora MAS Import e, nesse contexto, contribuinte do imposto definido pelo art. 23, inc. II, do Ripi/98, cuja matriz legal é o art. 35, inc. I, alínea “a”, da Lei nº 4.052, Fl. 833DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 834 23 de 30 de novembro de 1964, é o estabelecimento industrial que promoveu a saída do produto industrializado do seu estabelecimento. Assim sendo, é patente a ilegitimidade passiva da MAS Import, nestes autos, visto que, não é ela o industrial que deu saída ao produto industrializado, nos termos do mencionado dispositivo legal. Nesse ponto, por bem esclarecer minha convicção sobre a matéria, cabe transcrever trecho da sentença proferida pelo Juiz Federal Substituto Odilon Romano Neto, nos autos do Mandado de Segurança nº 2005.51.04.00014546, também transcrito na decisão recorrida: (...) Desta sorte, vêse com absoluta clareza que as distribuidoras de bebidas não ostentam quer a qualidade de contribuintes de direito, quer a qualidade de contribuintes de fato, circunstância esta corretamente apontada pela autoridade impetrada ao alertar acerca da impossibilidade jurídica de constituição do crédito tributário em face das distribuidoras, que não detêm a qualidade de sujeitos passivos do tributo. (Grifouse) Observese que, à época do lançamento em questão, a antecipação de tutela concedida nos autos da ação n° 98.00073302, que obstara a imposição tributária em questão, já havia sido suspensa por decisão judicial hierarquicamente superior, não mais subsistindo óbice à lavratura do auto de infração contra a o estabelecimento industrial, o real contribuinte do IPI. Ao que parece, a fiscalização entendeu que a contribuinte, Primo Schincariol Indústria de Cervejas e Refrigerantes, estaria protegido pela Decisão SRRF/7ª RF/Disit nº 139, de 4 de julho de 2000, cuja cópia consta das fls. 392 a 396, confirmada com a Solução de Divergência Cosit nº 27, de 29 de outubro de 2002, que solucionou divergência suscitada pela Divisão de Tributação da Superintendência Regional da Receita Federal da 5ª Região Fiscal. No entanto, a meu ver, ainda que os efeitos dessa consulta pudessem perdurar após a supensão da antecipação de tutela, matéria que não cabe aqui analisar, visto que a pessoa jurídica autuada não figura como consulente, mera Solução de Consulta não poderia ter o condão de transferir a sujeição passiva do contribuinte definido em lei para pessoa jurídica que não se subsume a essa definição. A fiscalização invocou, para atribuir a responsabilidade à Mas Import, o art. 811, inc. I, da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC) fundamento legal do entendimento explicitado nas soluções de consulta ; contudo, essse dispositivo legal referese a responsabilidade por prejuízo causado com a execução da medida cautelar. Tratase, portanto, de indenização pelos danos sofridos pelo requerido com a execução da medida cautelar. Essa indenização deve ser apurada e liquidada nos próprios autos da medida cautelar e, de forma nenhuma, se confunde com tributo que, nos dizeres do art. 3° da Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966 – Código Tributário Nacional (CTN), é toda prestação pecuniária compulsória, em moeda ou cujo valor nela se possa exprimir, que não constitua sanção de ato ilícito, instituída em lei e cobrada mediante atividade administrativa plenamente vinculada. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 835 24 Assim sendo, não vislumbro que os esclarecimentos a respeito da ação judicial e dos correspondentes depósitos possam vir a determinar a propriedade da incidência do art. 811 do CPC no caso para exigência do tributo devido. Notese que as soluções de consulta citadas alhures, ao consignarem conclusão de que o lançamento do crédito tributário deveria ser feito contra as distribuidoras que propuseram a ação judicial com vista a afastar o destaque do IPI em notas fiscais e o seu conseqüente recolhimento, produziram o mesmo imbróglio gerado pelo Poder Judiciário, ao conceder antecipação de tutela nessas ações propostas por pessoas jurídicas que, não sendo contribuintes do IPI, não poderiam ser legitimadas para deduzir em juízo essa pretensão. Cumpre ressaltar ainda que, no TVF, há referências a indícios de sonegação, indícios de provável conluio entre a MAS Import e a Primo Schincariol e possível esquema comandado pela cervejaria Schincariol para concluir que “está plenamente caracterizada a atitude dolosa por parte da empresa, “tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação principal” ou de “impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento do (sic) parte da autoridade fazendária””. Todavia, os os autos não estão instruídos com elementos de prova necessários a transfigurar os indícios e possibilidades de forma a imprimirse certeza de ocorrência da conduta dolosa. Ademais, ainda que provado o concluio de que se noticiou a existência de indícios, o contribuinte do IPI, nos termos do art. 23, inc. II, do Ripi/98, que foi o fundamento legal do auto de infração para a sujeição passiva da MAS Import, seria o estabelecimento industrial. Pelas razões expostas, voto por dar provimento ao recurso voluntário interposto pela MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda. para cancelar a exigência tributária, por erro na identificação do sujeito passivo. Quanto ao recurso interposto pelo Sr. Otacílio de Araújo Costa, notese que foilhe atribuída responsabilidade solidária, com fundamento no art. 124, inc. I, do CTN, em face da acusação fiscal de que ele seria sócio de fato da pessoa jurídica MAS Import Comércio e Distribuidora Ltda.. Ora, uma vez afastada a sujeição passiva da pessoa jurídica autuada, na hipótese de que trata este processo, também o seu suposto sócio de fato não pode ser responsabilizado. Ademais, os elementos probantes carreados aos autos para sustentar a acusação fiscal contra a pessoa física são contratos particulares que, ao cabo, constituem tão somente indícios dessa acusação e, em conformidade com o art. 123 do CTN, especificamente para o contrato de assunção das obrigações tributárias, não pode este ser oposto à Fazenda Pública, para modificar a definição legal do sujeito passivo dessas obrigações. Cabe ainda registrar que, mesmo que se tenha por comprovado que o Sr. Otacílio de Araújo Costa é o sócio de fato, entendo que o art. 124, inc. I, do CTN não se presta à responsabilização dos sócios, cuja responsabilidade pelo crédito tributário é pessoal, e não solidária, e resulta de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos, conforme prescrito pelo art. 135 do CTN. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 836 25 Por essas razões, voto pelo provimento do recurso do Sr. Otacílio de Araújo Costa. Sala das Sessões, em 25 de setembro de 2012 Relatora Sílvia de Brito Oliveira Fl. 836DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 837 26 Declaração de Voto Conselheiro Mário César Fracalossi Bais Com a devida licença, passo a tecer breves comentários sobre o julgamento deste auto de infração. Analiso a questão da responsabilidade pela obrigação de pagar o IPI e, posteriormente, os demais itens atacados no Recurso Voluntário. 1) CERCEAMENTO DE DEFESA O recorrente alega cerceamento de defesa, posto que a DRJ inovou o fundamento legal para responsabilização, com fundamento no CTN 124 I. Tal dispositivo alcança somente o sócio de fato – Senhor Otacílio – não a Mas. A fiscalização apontou que a responsabilização decorre de tutela antecipada, e a decisão da DRJ sustentou em solidariedade com a Shincariol, de maneira a alterar o critério jurídico. Acrescenta que a DRJ discordou da SD Cosit 27/2002, mas a acatou. O Carf não está vinculado à Cosit. Adiciona que decisão judicial não tem o condão de alterar a sujeição passiva solidária. Aduz que o art. 811 do CPC estabelece a indenização por ato ilícito, matéria atinente ao Direito Privado. Falta previsão legal para alterar a sujeição passiva. Alega ainda que o Fisco não deveria afastar a fabricante da autuação. À fl. eletrônica 13, a autoridade lançadora mencionou o art. 124 do CTN como fundamento legal da autuação, de maneira a rechaçar a inovação promovida pela DRJ. Como a solidariedade passiva também diz respeito à questão de mérito, passo a analisála a partir do item seguinte. 2) INTERESSE COMUM DE FATO A pessoa jurídica autuada apresentava as seguintes irregularidades, conforme atesta o relatório fiscal, acompanhado do respectivo conjunto probatório: a) sócios sem perfil econômico para investir e gerir empresa de tal porte do ramo de distribuição de bebidas (fl. eletrônica 24 e 32); b) sócios participam nas demais sociedades, inclusive no Uruguai (fl. eletrônica 24); c) rendimentos dos sócios pouco acima do limite de isenção do imposto de renda, estando a pessoa jurídica faturando R$ 6.200.000,00 em 2001, constituição de empresa com capital de R$ 200.000,00 e seu aumento para R$ 50.000.000,00 (fl. eletrônica 24); d) além do faturamento, o porte da empresa é comprovado pelo elevado número de filiais em diversos pontos do território nacional (fl. eletrônica 25); e) a fabricante se utilizava de diversas distribuidoras que conseguiam liminares na Justiça para absterse de pagar ICMS e IPI, e também de atacadistas com vida de curta duração, objetivando dificultar a ação fiscalizadora da União e dos Estados (fl. eletrônica 26); Fl. 837DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 838 27 f) utilização de laranjas no quadro societário das demais distribuidoras, inclusive em relação à ora recorrente (fl. eletrônica 26); g) o responsável – pessoa natural – também é sócio de demais distribuidoras do Grupo Dismar Comercial, utilizandose dos mesmos artifícios ora revelados (fl. eletrônica 26); h) o sócio de direito, Senhor Antônio Alves Agrela de Lima, também é sócio, apenas no papel, de demais distribuidoras, com mesmos endereços ou endereços bem próximos da ora recorrente (fl. eletrônica 27); i) as atividades da ora recorrente foram paulatinamente transferidas para Dismar Comercial (fl. eletrônica 27); j) comprovação de que o sócio de fato é o responsável apontado no lançamento, em face dos seguintes documentos: I Contrato de Fiança assinado em 11/04/2001, pelo qual o Senhor Otacílio garante perante a Shincariol o cumprimento de todas as obrigações fiscais e comerciais assumidas pela ora recorrente pessoa jurídica (fl. eletrônica 28, 139 e ss.); II Termo de Assunção de Obrigações firmado em 14/10/2002, com matéria similar (fl. eletrônica 30 e 138); III Contrato NãoResidencial de Locação de Imóvel, revelando que o locatário incial – Senhor Otacílio – pretendia constituir estabelecimento da ora recorrente pessoa jurídica (fl. eletrônica 31, 169 e ss.); e IV – reiteração da conduta de utilização de laranjas, comprovada nos autos dos processos nº 10680.018549/200353 e 10680018566/200391 (fl. eletrônica 32). Além dos fatos aduzidos pela fiscalização, verifico nestes autos que a fabricante se absteve não só de depositar a quantia litigada pela distribuidora, mas também de repassar o custo do IPI na venda (fl. eletrônica 786). A redução do preço de venda visava ampliar a participação da marca Shincariol no mercado de bebida fria, em benefício da fabricante, distribuidora e sócio de fato. Em prol dessa aliança – de grande retorno econômico –, as partes ajustaram os interesses conflitantes, mediante contrato de fiança e termo de assunção de obrigações assumidas pelo Senhor Otacílio, de maneira a reduzir os riscos da fabricante. A existência de interesses conflitantes não colide com o ajuste para redução do preço de venda, com o objetivo de ampliar a participação no mercado consumidor de bebida fria. Por tratar de relações entre três partes diferentes, eles se autoregulamentam, para preservar a geração de riqueza. O mesmo procedimento adotado pela ora recorrente foi seguido pelas diversas distribuidoras da marca Shincariol. A fabricante devolvia os riscos para as distribuidoras, mediante contratos e declarações unilaterais similares àqueles firmados pelo Senhor Otacílio. Isto vem a demonstrar o paralelismo de ações dirigidas pela fabricante e seguidas pelas diversas distribuidoras, com o mesmo objetivo de reduzir o preço de venda e ampliar a participação no mercado consumidor de bebida fria. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 839 28 Demonstrado o interesse comum entre as partes, subsiste a responsabilidade solidária invocada no lançamento, com base no art. 124 inciso I do CTN (fl. eletrônica 13). 3) INTERESSE COMUM DE DIREITO Nos autos do processo nº 98.00073302 – em trâmite perante a 4ª Vara da Justiça Federal em Vitória – figurando como autora a pessoa jurídica autuada, foi concedida medida judicial precária, autorizando a aquisição de bebida fria, sem destaque e cobrança de IPI. Posteriormente, a medida foi cassada por decisão proferida pelo STJ. A fabricante formulou consulta à administração tributária, obtendo como resposta que não se poderia lançar, em face do contribuinte de direito, o IPI que deixou de ser recolhido, por força de ordem judicial em processo iniciado pelo adquirente. Tendo em vista a segurança jurídica proporcionada pelo resultado da consulta – com efeito vinculante para a administração tributária – a autoridade lançadora se absteve de inserir o contribuinte de direito no pólo passivo, e atribuiu aos responsáveis o crédito tributário constituído mediante auto de infração (fl. eletrônica 38), com fundamento no art. 124 do CTN. Ao deferir a medida judicial de caráter precário, o juiz abstevese de exigir garantia em sua execução, de modo a se perder a arrecadação do IPI. O prejuízo de natureza tributária gerado em desfavor da União é passível de reposição, conforme previsão constante do art. 811 do CPC. Em tal dispositivo, é atribuída ao exeqüente provisório a responsabilidade por ressarcir o prejuízo. O termo “lei” referido no inciso II do art. 124 não pode ser interpretado restritivamente como lei de natureza tributária. As normas de mesma hierarquia, regentes do direito privado, estão aptas a gerar os efeitos da responsabilização. Ocorrido o fato gerador do IPI, nasceu a obrigação tributária de o contribuinte de direito apurar o crédito tributário e efetuar seu recolhimento. Havendo o contribuinte de fato impedido a atuação da fabricante, seu ato ilícito gerou prejuízo à União. Se o tributo nasceu mediante a ocorrência de ato lícito, e seu recolhimento foi obstado por ato ilícito, o praticante do ato ilegal privado deve ser responsabilizado pelo prejuízo causado; caso contrário, o ordenamento jurídico estaria premiando a ilicitude, ao excluir a responsabilização. Quando o dispositivo do CTN 124 II atribuiu à lei definir hipótese de responsabilização de terceiro, o contribuinte obteve a segurança de que apenas a norma com hierarquia de lei poderia definir ato de tal magnitude. Se no Direito Tributário ato lícito pode definir obrigação tributária, quanto mais ato ilícito processual, de natureza privada, pode gerar responsabilização por prejuízo de natureza tributária. O princípio da legalidade serve de abrigo ao contribuinte, no sentido de impor limite ao Estado que pretende ampliar o campo de tributação de riquezas, bem como aumentar o número de responsáveis pelo cumprimento das obrigações fiscais. O contribuinte de fato e de direito já conhece a tributação do IPI, o fabricante formalizou consulta a respeito da responsabilidade de pagar o tributo, distribuidor e industrial firmaram contrato e declaração unilateral de exoneração e assunção de riscos pelo pagamento do IPI. Por conhecer de maneira antecipada as obrigações de recolher e se responsabilizar pelo pagamento do IPI, o princípio da legalidade não pode conferir segurança ao contribuinte que pretendeu subtrair os efeitos da lei. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 840 29 O processo administrativo fiscal – regido pelo Decreto nº 70.235/72 – é instrumento – que garante ao administrado – meios de defesa mais amplos e eficazes que o procedimento de liquidação, preconizado no parágrafo único do art. 811 do CPC. Portanto, a opção pelo PAF viabilizou defesa de melhor qualidade ao autuado; ao passo que em sede de liquidação nos próprios autos do processo judicial, o distribuidor estaria restrito a discutir valores do prejuízo causado. Por estes motivos, verifico como viável interpretar o termo “lei” constante do art. 124 inciso II do CTN, como abrangendo inclusive os ilícitos processuais de natureza privada. 4) LANÇAMENTO RESTRITO AO RESPONSÁVEL A consulta formulada pelo fabricante conferiulhe a segurança jurídica de que a administração tributária não lhe poderia cobrar o IPI, que deixou de ser destacado e recolhido, por força de medida judicial em processo iniciado pelo adquirente. Sendo a fabricante excluída do pólo passivo do auto de infração, a autoridade lançadora, com amparo no parágrafo único do art. 124 do CTN, apontou como sujeito passivo os responsáveis pelo crédito tributário, em face do interesse comum de fato e de direito, amplamente demonstrado. A impossibilidade de autuar o fabricante restou patente no Acórdão nº 11 27.268 5ª Turma da DRJ/REC, julgado na sessão de 12 de agosto de 2009, nos autos do processo 19647.004847/200771, cuja parte dispositiva mencionou: “Em conclusão, ao estabelecimento industrial não poderia ser exigido o imposto não pago por ocasião de suas vendas ao contribuinte de fato, já que se encontrava amparado por decisão judicial, determinando a aquisição desonerada. Tal entendimento vem sendo sufragado na esfera administrativa, conforme ementas de Soluções de Divergência (COSIT) e Consultas (DISIT da 7ª e 8ª Regiões Fiscais) a seguir reproduzidas: ... Ante o exposto, voto por julgar PROCEDENTE a impugnação, para exonerar o crédito tributário exigido.” Havendo interposição de pessoa, configurado está o interesse comum bem como excluído o benefício de ordem disposto no art. 124 do CTN, conforme julgado do 2º Conselho de Contribuintes (acórdão nº 20311.330, de 20/09/2006): “RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. LARANJAS, TESTAS DEFERRO OU INTERPOSTAS PESSOAS. SOCIEDADE DE FATO. SOLIDARIEDADE. CTN, ART. 124, I. Comprovada a utilização de pessoa jurídica de modo fraudulento, por pessoas físicas e outra pessoa jurídica que dela se utilizaram como meio de fugirem da tributação, cabe responsabilizar, de modo solidário e sem benefício de ordem, todos os proprietários de fato, nos termos do art. 124, I, do CTN.” Fl. 840DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 841 30 Não comportando benefício de ordem, a solidariedade da obrigação tributária autoriza o lançamento diretamente nos responsáveis, sem imputar cobrança ao contribuinte de direito – que estava protegido por resultado de consulta formalizada perante a administração tributária. 4) QUALIFICAÇÃO DA MULTA No recurso voluntário consta a alegação de que a multa majorada foi mantida, apenas porque a recorrente teria tentado esconder o sócio Otacílio Costa, e isso teria caracterizado sonegação, nos termos do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964; contudo, a suposta ocultação de sócio não impede ou retarda o conhecimento do fato gerador. Em se tratando de tributo lançado por homologação, o contribuinte tem o dever de apurar e recolher o imposto antes de qualquer ação de ofício. Tendo o autuado impedido o fabricante de recolher o IPI, e precavendose em face da execução fiscal, esvaziou seu patrimônio e colocou no quadro societário pessoas cujos bens não quitariam o crédito tributário em aberto. A utilização de tal expediente – interposição fraudulenta de pessoa – exterioriza a vontade inequívoca de absterse de pagar o IPI devido. Demonstrado o dolo, merece ser mantida a exigência de multa qualificada. 5) APROPRIAÇÃO DE CRÉDITOS NA APURAÇÃO O recorrente alega que na apuração do imposto, a autoridade lançadora não considerou os créditos, de maneira a violar o princípio da nãocumulatividade. Argumenta que os créditos foram mantidos na fabricante. O autuado buscou na Justiça e obteve sucesso, no sentido de impedir o recolhimento de IPI na saída das bebidas do fabricante. Se o imposto é nãocumulativo, de maneira a descontar na saída o que foi pago na entrada, concluise que o crédito cabível é zero. Uma vez recolhido o imposto, aplicandose a base de cálculo e alíquota prevista na legislação, antes da entrada na distribuidora, a Fazenda Nacional nada exigiria da atacadista autuada. Acrescento ainda que o Regimento Interno do Carf (art. 62) veda o afastamento de aplicação de lei impositiva do IPI, em face de princípios constitucionais. 6) JUROS SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO O autuado alega ser indevida a incidência de juros Selic sobre a multa de ofício. Passo a explicar a necessidade do acréscimo legal. A finalidade do art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 é desviada, na medida em que se defende a incidência de juros somente sobre o principal, e não sobre a multa de ofício. Não faz sentido somente manter atualizado o valor do principal e não a multa. A interpretação literal é pobre, visto que a multa decorre de débito com a União, logo está incluída no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996. Dispõe o CTN que se aplicam juros sobre os créditos tributários, nestes incluída a multa (arts. 113 e 161 do CTN). Verifico o seguinte julgado: Fl. 841DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO Processo nº 13629.001488/200570 Acórdão n.º 3402001.897 S3C4T2 Fl. 842 31 “IRRF. Incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. A 2ª Turma, por voto de qualidade, negou provimento ao recurso do contribuinte, referente ao Processo nº 10768.010559/200119. O sujeito passivo, em síntese, alegou em seu recurso contra o Acórdão nº 10422.956 que o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996 dispõe apenas sobre a incidência de juros de mora sobre os tributos e não sobre multa de ofício (multa punitiva). Relatou o processo o Conselheiro Gustavo Lian Haddad, que entendeu não caber incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, e com ele votaram os Conselheiros Gonçalo Bonet Allage, Manoel Coelho Arruda Júnior, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira e Susy Gomes Hoffmann. Os Conselheiros Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Marcelo Oliveira, Francisco de Assis Oliveira Junior e Elias Sampaio Freire e Henrique Pinheiro Torres entenderam que incidia juros de mora sobre a multa de ofício. O Acórdão nº 10422.956 tem a seguinte ementa quanto à matéria recorrida: “ACRÉSCIMOS LEGAIS – JUROS MORATÓRIOS INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFICIO Desde 1° de janeiro de 1997, as multas de oficio que não forem recolhidas dentro dos prazos legais previstos estão sujeitas à incidência de juros de mora equivalente à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC.” Em face do exposto, mantenho a exigência de juros Selic sobre a multa de ofício. CONCLUSÃO Diante do exposto, nego provimento aos recursos voluntários interpostos pelos responsáveis tributários. Mário César Fracalossi Bais Fl. 842DF CARF MF Impresso em 30/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/ 10/2012 por MARIO CESAR FRACALOSSI BAIS, Assinado digitalmente em 09/10/2012 por SILVIA DE BRITO OLI VEIRA, Assinado digitalmente em 18/10/2012 por GILSON MACEDO ROSENBURG FILHO
score : 1.0
Numero do processo: 11613.000250/2008-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Data do fato gerador: 22/10/2008
NAFTA UTILIZADA POR CENTRAL PETROQUÍMICA. DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA.
Restando comprovado nos autos que a nafta importada não se destinava à produção de gasolina, mas sim à produção de petroquímicos básicos, ficando caracterizada a formulação residual de gasolina como subproduto necessário ao processo produtivo, não há porque excluir a nafta petroquímica importada do benefício da tributação à alíquota zero, previsto no §3º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, regulamentado pelo Decreto nº. 4.940/2003.
Recurso de ofício negado.
Numero da decisão: 3202-000.610
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior declararam-se impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303.
Irene Souza da Trindade Torres Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro.
Nome do relator: IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
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DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA. Restando comprovado nos autos que a nafta importada não se destinava à produção de gasolina, mas sim à produção de petroquímicos básicos, ficando caracterizada a formulação residual de gasolina como subproduto necessário ao processo produtivo, não há porque excluir a nafta petroquímica importada do benefício da tributação à alíquota zero, previsto no §3º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, regulamentado pelo Decreto nº. 4.940/2003. Recurso de ofício negado. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Os Conselheiros Rodrigo Cardozo Miranda e Gilberto de Castro Moreira Júnior declararamse impedidos. Fez sustentação oral, pela contribuinte, o advogado Luiz Paulo Romano, OAB/DF nº. 14.303. Irene Souza da Trindade Torres – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres, Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Adriana Oliveira e Ribeiro. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 61 3. 00 02 50 /2 00 8- 13 Fl. 384DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 2 Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da decisão recorrida, o qual passo a transcrever: ““Trata o presente processo de exigência da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (Cide), incidente sobre a importação, acrescida de multa de ofício de 75% e juros de mora, perfazendo, na data da autuação, o crédito tributário no valor total de R$ 17.428.493,25, objeto do Auto de Infração fls. 0212. De acordo com a descrição dos fatos constante do Auto de Infração, a empresa em epígrafe promoveu a importação de nafta petroquímica (NCM 2710.11.41), por meio da DI no 08/16724711, de 22/10/2008, deixando de recolher a Cide, apesar da qualidade de indústria petroquímica produtora de gasolina. A fiscalização assevera ainda que "existe a possibilidade legal de comprovação de que uma importação de nafta não será destinada à produção de combustível, para que o contribuinte, central petroquímica, possa se valer da isenção prevista na lei, nos termos do inc I do art. 6o da IN SRF 422/2004 e do §4°, do art. 5o, da Lei n° 10.336/2001. Todavia, (...), tal comprovação tem de ser objetiva e prévia ao uso, portanto, no momento do desembaraço aduaneiro, o que nunca ocorreu, presumese, pela impossibilidade mesma do feito." Cientificado do lançamento em 22/12/2008, conforme fl. 05, o contribuinte insurgiuse contra a exigência, apresentando a impugnação de fls. 4766, em 15/01/2009, por meio da qual expõe suas razões de defesa, a seguir resumidas: a) a requerente é empresa petroquímica, não tendo como finalidade precípua a produção de gasolina automotiva, sendo que durante o processo de fabricação dos produtos petroquímicos, a gasolina é obtida residualmente como subproduto, que em parte é utilizada no próprio processo produtivo, sendo recolhida a Cide quando da venda da outra parcela deste combustível; b) o Decreto n° 4.940/2003 reduziu a zero a alíquota da Cide na importação de correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, dentre elas, a nafta petroquímica; c) o Decreto nº 6.683/2008. publicado em 10/12/2008, confirma que a mera produção residual de gasolina decorrente da industrialização de nafta, em volume até 12% da produção total, não afasta a aplicação da alíquota zero, referente à Cide na importação; d) a autuação deve basearse na realidade dos fatos ocorridos, sendo ilegal o uso da presunção como meio de prova, ou seja, que a importação de nafta tenha sido destinada à produção de gasolina e não de produtos petroquímicos, não havendo prova dessa alegação, mas mera interpretação subjetiva; e) a compensação de valores eventualmente recolhidos a título de Cide na importação não seria instrumento eficaz e justo para estabelecer a neutralidade tributária, pois o montante de tributos federais devidos seria bem menor do que o total da Cide paga na importação, de modo que a requerente ficaria com um saldo credor cuja compensação seria impossível; f) o objetivo do legislador ao instituir a dispensa de recolhimento da Cide na importação de nafta petroquímica é o de favorecer a indústria petroquímica, setor estratégico da indústria nacional, elo inicial de extensa cadeia produtiva; g) é inaplicável a taxa Selic, para cálculo dos juros de mora, em razão da sua inconstitucionalidade.” Fl. 385DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000250/200813 Acórdão n.º 3202000.610 S3C2T2 Fl. 385 3 A DRJFortaleza/CE, em sessão realizada em 30/09/2009, decidiu converter o julgamento em diligência, para que fossem respondidos os quesitos formulados às fls. 174/175, o que culminou com a elaboração do Parecer Técnico constante às fls. 271/282. Diante dos elementos constantes dos autos, aquela DRJ julgou procedente a impugnação (fls. 271/282), em decisão cuja ementa abaixo reproduzse: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE Data do fato gerador: 22/10/2008 NAFTA UTILIZADA POR CENTRAL PETROQUÍMICA. DESTINAÇÃO CARACTERIZADA. FORMULAÇÃO RESIDUAL DE GASOLINA. Restando comprovado que a nafta importada foi efetivamente destinada à o produção de produtos petroquímicos, a formulação residual de gasolina, demonstrada nos autos por prova pericial como inerente ao ciclo produtivo destes, não tem o condão de descaracterizar a incidência de alíquota zero. Impugnação procedente. Crédito tributário exonerado. Da decisão, recorre a DRJFortaleza/CE de ofício, em razão de o crédito tributário exonerado ser superior ao limite de alçada. É o Relatório. Voto Conselheira Irene Souza da Trindade Torres, Relatora Ao teor do relatado, chegam os autos, para apreciação deste Colegiado, em razão de recurso de ofício interposto pela DRJFortaleza/CE, por haver aquele órgão julgador exonerado a contribuinte BRASKEM S/A de crédito tributário em valor superior ao limite de alçada. A autuação deveuse ao fato de ter a Fiscalização entendido que a nafta petroquímica importada pela contribuinte, pelo fato desta produzir gasolina, não estaria albergada pela isenção prevista no §4º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001 e. Dispõe a Lei nº. 10.336/2001: Art. 1o Fica instituída a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico incidente sobre a importação e a comercialização de petróleo e seus derivados, gás natural e seus derivados, e álcool etílico combustível (Cide), a que se refere os Fl. 386DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 4 arts. 149 e 177 da Constituição Federal, com a redação dada pela Emenda Constitucional nº33, de 11 de dezembro de 2001. Art. 2o São contribuintes da Cide o produtor, o formulador e o importador, pessoa física ou jurídica, dos combustíveis líquidos relacionados no art. 3o. ......................................................................................................... Art. 3o A Cide tem como fatos geradores as operações, realizadas pelos contribuintes referidos no art. 2o, de importação e de comercialização no mercado interno de: I – gasolinas e suas correntes; II diesel e suas correntes; III – querosene de aviação e outros querosenes; IV óleos combustíveis (fueloil); V gás liqüefeito de petróleo, inclusive o derivado de gás natural e de nafta; e VI álcool etílico combustível ......................................................................................................... Art. 5o A Cide terá, na importação e na comercialização no mercado interno, as seguintes alíquotas específicas:(Redação dada pela Lei nº 10.636, de 2002) ................................................................................................... § 1o Aplicamse às correntes de hidrocarbonetos líquidos que, pelas suas características físicoquímicas, possam ser utilizadas exclusivamente para a formulação de diesel, as mesmas alíquotas específicas fixadas para o produto § 2o Aplicamse às demais correntes de hidrocarbonetos líquidos utilizadas para a formulação de diesel ou de gasolinas as mesmas alíquotas específicas fixadas para gasolinas. § 2o Aplicamse às correntes de hidrocarbonetos líquidos as mesmas alíquotas específicas fixadas para gasolinas. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 3o As correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à produção ou formulação de gasolinas ou diesel serão identificadas mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. § 3o O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) 4o Fica isenta da Cide a nafta petroquímica, importada ou adquirida no mercado interno, destinada à elaboração, por Fl. 387DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000250/200813 Acórdão n.º 3202000.610 S3C2T2 Fl. 386 5 central petroquímica, de produtos petroquímicos não incluídos no caput deste artigo, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. §4o Os hidrocarbonetos líquidos de que trata o § 3o serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) § 5o Presumese como destinado a produção de gasolina nafta, adquirida ou importada na forma do § 4o, cuja utilização na elaboração do produto ali referido não seja comprovada.(Revogado pela Lei nº 10.833, de 2003) § 6o Na hipótese do § 5o a Cide incidente sobre a nafta será devida na data de sua aquisição ou importação, pela central petroquímica. (Revogado pela Lei nº 10.833, de 2003) Primeiramente, é de se notar que, com a edição da Lei nº. 10.833/2003, à época da ocorrência dos fatos geradores, em 2008, não mais se poderia falar em isenção da CIDE, em razão da alteração sofrida pelo §4º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001. Demais disso, restaram, ainda, revogados os §§5º e 6º do art. 5º da Lei nº 10.336/2001, de forma que, àquela época, não mais existia a presunção legal adotada pela Fiscalização, a qual alicerçou o entendimento de que a nafta importada destinavase à produção de gasolina. Assim, resta perquirir se, à época dos fatos geradores, a contribuinte fazia jus à dispensa de pagamento da CIDE prevista no §3º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001, a qual foi regulamentada pelo Decreto nº. 4.940/2003. O Decreto nº 4.940/2003, em seu art. 1º, reduziu a zero as alíquotas da CIDE Combustíveis incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da relação que indica. Dentre os códigos elencados, encontrase, logo de plano, o código 2710.11.41, correspondente à nafta petroquímica, produto objeto da importação ora analisada. Vejase: Decreto nº. 4.940/2003 O PRESIDENTE DA REPÚBLICA, no uso das atribuições que lhe confere o art. 84, inciso IV, da Constituição, e tendo em vista o disposto no § 3o do art. 5o da Lei no 10.336, de 19 de dezembro de 2001, DECRETA: Art. 1o Ficam reduzidas a zero as alíquotas da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico (CIDECombustíveis) incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da seguinte relação: Código NCM Produto 2710.11.41 Nafta petroquímica Fl. 388DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 6 Assim, a nafta petroquímica, classificada no código 2710.11.41, não destinada à formulação de gasolina ou diesel, estava, à época dos fato geradores, tributada à alíquota zero. Vejase que, pela redação do § 3º da Lei nº 10.336/2001, a dispensa de pagamento prevista por aquela lei e regulamentada pelo Decreto nº.4.940/2003, somente seria aplicável às correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel. Pois bem, no caso concreto, entendeu a Fiscalização que, pelo fato de a contribuinte produzir gasolina, desde já estaria impossibilitada à comprovação de que a nafta importada não se destinava à formulação de gasolina. Vejase o que afirmou a autoridade autuante: [...]. Durante a análise da declaração, constatouse que a autuada não havia recolhido a CIDE, apesar de tratarse de uma central petroquímica que produz gasolina a partir da nafta que adquire no mercado externo. 2. Ao ser admoestada, a interessada demonstrou dúvida quanto ao cabimento do recolhimento da contribuição para o caso em análise, haja vista, segundo ela, tratarse de importação de nafta, por central petroquímica, para fins petroquímicos, A fiscalização, então, requereu que fosse feita a devida comprovação necessária à isenção [sic] da CIDE. 3. Em resposta a esta exigência, foram apresentados o Relatório de Produção de Gasolina Automotiva nos Processos Industriais da Braskem/Unib e a Relação entre a Venda de Gasolina Automotiva e a Importação de Nafta pela Braskem/Unib ambos desenvolvidos por empresa independente, a pedido da própria interessada, Nesses relatórios, temse a confirmação de que a Braskem, efetivamente, produz gasolina a partir de naftas. E nada foi apresentado no sentido de comprovar que a nafta objeto desta DI não teria a mesma destinação. 4. Em vista do exposto, decidiuse pelo lançamento de ofício. Ao meu sentir, tal entendimento se mostra equivocado. O fato de a Braskem produzir gasolina não afasta, por si só, a possibilidade do benefício da tributação à alíquota zero. Isso porque, conforme estabelecido pela legislação de regência, somente a nafta petroquímica destinada à produção de gasolina é que estaria fora do benefício. O texto da lei fala em destinação, ou seja, aquela nafta reservada para o fim de produzir gasolina. Destinar, no Dicionário Aurélio, quer dizer determinar com antecipação, fixar previamente, designar, reservar para certo fim. Vejase, então, que, para estar excluída do benefício, é preciso que a nafta petroquímica seja destinada à finalidade de produzir gasolina, o que é diferente da nafta que, incidentalmente, produza gasolina como subproduto resultante do processo produtivo de petroquímicos, como é o caso em questão. O Parecer Técnico de fls. 271/282, elaborado em razão da diligência solicitada pela DRJ, deixa claro que “a atividade principal da Braskem é a produção de insumos básicos petroquímicos (Eteno, Propeno, Butenos, etc), além de utilidades (águas industriais, nitrogênio, ar comprimido, vapor de alta e média pressão, etc) para atender às necessidades de diversas outras indústrias instaladas [no] Complexo Industrial” e que, de acordo com as características e condições do processo industrial analisado, é obrigatória a produção de gasolina “como forma de utilização completa de todas as correntes obtidas”. Fl. 389DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000250/200813 Acórdão n.º 3202000.610 S3C2T2 Fl. 387 7 Referido Parecer afirma, ainda, que “ a formulação de gasolina a partir dos subprodutos gerados durante o processamento é necessária como forma de maximizar economicamente todo o processo envolvendo a Nafta Petroquímica. A não formulação de gasolina, com os subprodutos, conduz a usos menos nobres desses citados subprodutos (queima como combustível).” E mais: que “a quantidade total de Gasolina produzida, tomandose como base apenas a nafta petroquímica processada, encontrase sempre abaixo de 10% do volume total da Nafta Petroquímica adquirida.” Assim, restou claramente comprovado nos autos que a nafta petroquímica importada não se destinava à formulação de gasolina, conforme entendeu a Fiscalização, mas sim à produção de petroquímicos básicos (eteno, propeno, butenos, etc). Na produção desses petroquímicos são gerados vários subprodutos, dentre os quais a gasolina, cuja formulação se mostra como resultado necessário à obtenção dos referidos petroquímicos básicos, como forma de maximixação dos processos produtivos. Destarte, acertada a declaração de voto constante à fls. 368/378, a qual demonstra, claramente, a inviabilidade de se transferir ao contribuinte o ônus de comprovação de utilização futura do produto, que sofre a ação de diversos mecanismos de controle impostos pela Administração Pública. Vejase: “Acontece que, dentre as correntes referidas nos incs. I e II do art. 3º existem aquelas que tanto podem ser utilizadas na produção de gasolina ou diesel, como também para outras finalidades. Assim, os §§ 3º e 4º, do art. 5º, da mesma lei, com a alteração introduzida pela Lei nº 10.833/03 vieram reforçar que: Art. 5º [...]. [...]. § 3º O Poder Executivo poderá dispensar o pagamento da Cide incidente sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel, nos termos e condições que estabelecer, inclusive de registro especial do produtor, formulador, importador e adquirente. § 4º Os hidrocarbonetos líquidos de que trata o § 3º serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP. [Destaquei]. Duas conclusões podem ser tiradas de imediato desses dispositivos: 1ª) a possibilidade da dispensa de pagamento da Cide, a que a lei se refere no § 3º, está imediatamente relacionada ao produto “hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel” e não à qualidade do sujeito passivo; 2ª) a lei procurou garantir o controle da concessão da dispensa quando no § 4º tratou de determinar que os hidrocarbonetos líquidos, sobre os quais ocorreu a dispensa da Cide, fossem marcados “nos termos e condições estabelecidos pela ANP”. Antes mesmo da publicação da Lei nº 10.336/01, a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíves (ANP), entidade integrante da Fl. 390DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 8 Administração Federal Indireta, órgão regulador da indústria do petróleo, gás natural, seus derivados e biocombustíveis, vinculado ao Ministério de Minas e Energia, no uso das atribuições que lhe foram conferidas pela já referenciada Lei nº 9.478/97, havia editado a Portaria ANP nº 274, de 01/11/01 (DOU 05/11/01), onde, entre outras, estabeleceu a definição de Produtos de Marcação Compulsória (PMC) (art. 1º, inc. II) e determinou a obrigatoriedade de marcação dos PMC, tanto pelos produtores nacionais como pelos importadores e que a marcação de PMC importado deveria ocorrer no local e no momento de sua internação no País (art. 2º, caput, e § 2º). Registrese que no site da ANP pode ser encontrada a seguinte explicação para a marcação compulsória de produtos1: MARCAÇÃO COMPULSÓRIA DE PRODUTOS APRESENTAÇÃO A Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, estabelece que correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel poderão ser dispensados de contribuição da Cidecombustíveis se forem identificados mediante marcação nos termos e condições estabelecidos pela ANP. A ANP denomina as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel como Produtos de Marcação Compulsória (PMC). A marcação consiste na adição de marcador aos PMC no momento de sua internação no País, ou na saída da unidade produtora ou da distribuidora. As amostras de gasolina coletadas em postos revendedores de combustíveis pelo Programa de Monitoramento da Qualidade dos Combustíveis (PMQC) da ANP, pela fiscalização da Agência e por órgãos conveniados com a ANP são encaminhadas para o laboratório (contratado pela ANP para realização de análises do PMQC) mais próximo do local da coleta e submetidas à análise de detecção de presença de marcador. [Sublinhei] Atualmente, o art. 2º, inc. I, da Resolução ANP nº 13, de 09/06/09 (DOU 10/06/09) (que alterou o art. 1º, inc. II, da Portaria ANP nº 274/01) traz a definição técnica de PMC, nos seguintes termos: Art. 2º Para os fins desta Resolução ficam estabelecidas as seguintes definições: I Produtos de Marcação Compulsória (PMC) hidrocarbonetos derivados de frações resultantes do processamento de petróleo, de gás natural, de frações de indústrias petroquímicas, passíveis de serem utilizados como dissolventes de substâncias sólidas e/ou líquidas, puros ou em mistura, cuja faixa de destilação tenha seu 1 http://www.anp.gov.br/?pg=16344&m=&t1=&t2=&t3=&t4=&ar=&ps=&cachebust=1317040002139. Consulta realizada em 26/09/11. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000250/200813 Acórdão n.º 3202000.610 S3C2T2 Fl. 388 9 ponto inicial de ebulição superior a 25ºC e ponto final de ebulição inferior a 280ºC, com exceção de qualquer tipo de gasolina, querosene de aviação ou óleo diesel especificados pela ANP; A resolução acima referida, que estabelece os requisitos necessários para o cadastramento de empresas interessadas em fornecer produto marcador, exercendo suas atividades no âmbito da marcação dos PMC indicados pela ANP, entre outras disposições também define no inc. VII, do mesmo art. 2º que o ponto de marcação é o local determinado pela ANP, onde é realizada a adição de marcador e abrange as unidades dos produtores nacionais, portos, terminais, estações aduaneiras e pontos de fronteira com o País. Interessante também trazer à lume parte do preâmbulo dessa Resolução ANP nº 13/09: [...] Considerando que a Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, alterada pela Lei nº 10.833, de 29 de dezembro de 2003, estabelece, em seu art. 5º, § 4º, que os hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel serão identificados mediante marcação, nos termos e condições estabelecidos pela ANP; e Considerando que a Portaria ANP nº 274, de 1º de novembro de 2001, estabelece a obrigatoriedade de adição de marcador a solventes e a derivados de petróleo eventualmente indicados pela ANP, bem como a proibição da presença de marcador na gasolina. [...]. Vejase que essa introdução da resolução deixa bastante claro que o controle da destinação dos hidrocarbonetos líquidos será realizado mediante a marcação, ficando proibida a presença de tais marcadores na gasolina. No âmbito do Poder Executivo, com amparo legal do § 3º, do art. 5º, da Lei nº 10.336/01, também foi editado o Decreto nº 4.940, de 29/12/03, cujo art. 1º reduz a zero as alíquotas da CIDECombustíveis incidente na importação e na comercialização sobre as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, constantes da relação que divulga. Entre os códigos elencados está o 2710.11.41, nafta petroquímica, produto objeto da importação aqui tratada. Mais uma vez, percebese que a redução a zero das alíquotas da Cide diz respeito aos produtos elencados e não à qualidade do sujeito passivo, como, aliás, não poderia deixar de ser, uma vez que um Decreto não pode extrapolar o que a lei determina. O benefício foi concedido para as correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinadas à formulação de gasolina ou diesel, que são relacionadas no Decreto nº 4.940/03, importados por qualquer empresa autorizada pela ANP para tal, e não apenas para as centrais petroquímicas. O fato de uma empresa produzir gasolina ou diesel não afasta, por si só, a possibilidade dela vir a ser beneficiária da Fl. 392DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 10 alíquota zero no produto importado, nafta petroquímica, com mais razão ainda se essa empresa for uma Central de MatériaPrima Petroquímica (CPQ). (...) O modo de viabilizar a concessão do benefício que a lei instituiu, sem que ocorra prejuízo aos controles a cargo da Administração Pública, é um problema que deve ser resolvido no âmbito desta e que não pode ser imposto como ônus ao contribuinte. Em particular, no que se refere a nafta petroquímica, temse que esse produto tanto pode ser utilizado para a formulação de gasolina ou diesel como no processo produtivo de uma CPQ [Central de MatériaPrima Petroquímica]. É o que se depreende do Ato Declaratório Interpretativo (ADI) SRF nº 34, de 28/12/04 que dispõe sobre a classificação fiscal da “nafta normalparafina”, da “normalparafina” e da “parafina”, bem como sobre a incidência ou não da Cide sobre essas mercadorias, estabelecendo no seu art. 1º que: Art. 1º A nafta petroquímica denominada “nafta normalparafina” classificase no código 2710.11.41 da Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM). § 1º A “nafta normalparafina” não deve ser tomada como equivalente a quaisquer querosenes e pode servir à formulação de gasolina ou diesel. § 2º Na hipótese de servir à formulação de gasolina ou diesel, a “nafta normalparafina” está sujeita à incidência da Contribuição de Intervenção do Domínio Econômico (Cide Combustíveis), instituída pela Lei nº 10.336, de 19 de dezembro de 2001, e regulada pela Instrução Normativa SRF nº 107, de 28 de dezembro de 2001. [...]. Notese que embora o ADI acima referenciado afirme a existência de uma nafta petroquímica denominada “nafta normalparafina” que serve para a formulação de gasolina ou diesel, o usual é que a nafta seja utilizada principalmente como matériaprima da indústria petroquímica ("nafta petroquímica" ou "nafta não energética") na produção de eteno e propeno, além de outras frações líquidas, como benzeno, tolueno e xilenos. É o que explica o glossário disponível no site da ANP2, que classifica a nafta em apenas dois tipos: a nafta petroquímica ou nãoenergética e nafta energética, assim consignando: Nafta Derivado de petróleo utilizado principalmente como matériaprima da indústria petroquímica ("nafta petroquímica" ou "nafta nãoenergética") na produção de eteno e propeno, além de outras frações líquidas, como benzeno, tolueno e xilenos. A nafta energética é utilizada para geração de gás de síntese através de um processo industrial (reformação com vapor d'água). Este gás é utilizado na produção do gás canalizado doméstico. 2 http://www.anp.gov.br/?id=582#n. Consulta realizada em 23/09/11. Fl. 393DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000250/200813 Acórdão n.º 3202000.610 S3C2T2 Fl. 389 11 Nafta Petroquímica Ver Nafta. De qualquer modo, levando em conta o teor do ADI e do glossário da ANP, o que temos, no caso da naftapetroquímica, é um mesmo código de NCM abarcando um produto que pode servir a mais de uma utilização, sendo que em uma delas (utilização em gasolina ou diesel) ocorre a tributação normal e na outra (utilização como matériaprima em CPQ), redução a zero das alíquotas da Cidecombustíveis. Ora, essa questão, de um mesmo código de NCM dar guarida a produtos diversos, distintos nas suas qualidades intrínsecas ou extrínsecas é um problema enfrentado rotineiramente pelas autoridades administrativas encarregadas do controle aduaneiro e não representa nenhuma novidade na área. Relembrese, embora não tenha relação direta com o caso, mas apenas como exemplo, que foi em razão desse tipo de dificuldade que foi instituída, pela IN SRF nº 80, de 27/12/96, a Nomenclatura de Valor Aduaneiro e Estatística (NVE), de modo a poder distinguir produtos, que apesar de estarem classificados dentro de um mesmo subitem da NCM, na verdade possuem características que os distinguem substancialmente uns dos outros e que, justamente por essas diferenças, apresentam se com valores ou especificidades bastante distintos, fazendo com que, para que não haja prejuízo ao controle do valor aduaneiro e aos dados estatísticos de comércio exterior, o produto, para além da sua identificação em um determinado código da NCM, seja desdobrado em atributos e especificações. Voltando a fazer referência a controles a cargo da ANP, temse que esse órgão estabeleceu, no que diz respeito especificamente à naftapetroquímica, a regulamentação para a sua importação por meio da Portaria ANP nº 32, de 23/02/00 (DOU 24/02/00). É pertinente destacar que, referida portaria estabelece no seu art. 1º, caput e parágrafo único que “fica sujeito à prévia e expressa autorização da ANP a importação de nafta petroquímica” e que “somente será autorizada a importação de nafta petroquímica que seja destinada ao uso exclusivo como matériaprima para o processo produtivo de Central de MatériaPrima Petroquímica”. Por seu turno, os arts. 3º e 4º da mesma norma definem que: Art. 3º. A autorização mencionada no artigo 1° fica condicionada a: I cadastramento da empresa ou do consórcio de empresas junto à ANP; e II anuência prévia da ANP, para cada carga de nafta petroquímica a ser importada. Art. 4º. O importador poderá solicitar autorização da ANP para uma programação semestral de importação de nafta petroquímica, ficando, na hipótese de deferimento dessa solicitação, dispensado da anuência de que trata o inciso II do artigo anterior. § 1º A solicitação de autorização mencionada no caput deste artigo deverá ser enviada à ANP com uma Fl. 394DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 12 antecedência mínima de 30 (trinta) dias em relação à data prevista para o início da importação. § 2º O importador poderá solicitar mais de uma autorização semestral para a importação de nafta petroquímica, desde que possua contratos com mais de uma CPQ. Convém trazer à luz também o disposto no art. 11 da mesma Portaria ANP nº 32/00, que preconiza, in verbis: Art. 11. Quando a importação não for realizada diretamente por uma CPQ, o importador deverá instruir a solicitação de anuência prévia para cada carga ou a solicitação de autorização para uma programação semestral, com o pedido de aquisição da nafta petroquímica firmado entre o mesmo e uma CPQ. Notese que o código 2710.11.41 (“naftas para petroquímica”) se encontra elencado entre aqueles produtos sujeitos a licenciamento não automático, tendo como órgão anuente a ANP, situação que já se observava na data do fato gerador e que atualmente se encontra divulgada por meio da Portaria Secex nº 23, de 14/07/113. Vêse, portanto, que só são deferidas licenças de importação de nafta petroquímica para as empresas cadastradas (em caráter precário), junto à ANP. Essas empresas, autorizadas a importar, não precisam ser Centrais de MatériaPrima Petroquímica, mas têm que importar sob a condição de que a mercadoria será destinada ao uso exclusivo como matériaprima para o processo produtivo daquelas centrais, fazendo prova disso o(s) contrato(s) firmado(s) entre importador e CPQ. Ou seja, a autorização da importação de naftapetroquímica, materializada por meio do deferimento da Licença de Importação, pelo órgão da Administração Federal Indireta, legalmente instituído para tal, permite que no momento do despacho aduaneiro a autoridade da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) encontre respaldo para presumir que o produto foi importado por empresa autorizada pela ANP para tal atividade e que será destinado exclusivamente como matéria prima para o processo produtivo de Central de MatériaPrima Petroquímica, conforme exigência prévia condicionante do deferimento para a autorização de importação, expressa no parágrafo único do art. 1º, c/c o teor dos arts. 3º e 4ºda referenciada Portaria ANP nº 32/00, todos já transcritos. Notese que, no mesmo sentido, o art. 6º da IN SRF nº 680, de 02/10/06 determina que: Art. 6º A verificação do cumprimento das condições e exigências específicas a que se refere o art. 512 do Decreto nº 4.543, de 26 de dezembro de 2002, inclusive daquelas que exijam inspeção da mercadoria, conforme estabelecido pelos competentes órgãos e agências da administração pública federal, será realizada exclusivamente na fase do licenciamento da importação. Observese que as disposições do art. 512, do Decreto nº 4.543/02, referidas no art. 6º da IN acima citado, encontramse atualmente exaradas nos mesmos termos no art. 572, do Decreto nº 6759/09, que revogou aquele: 3 Vide http://www.mdic.gov.br//arquivos/dwnl_1305913858.pdf (consulta realizada em 26/09/11). Fl. 395DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES Processo nº 11613.000250/200813 Acórdão n.º 3202000.610 S3C2T2 Fl. 390 13 Art. 572. Quando se tratar de mercadoria sujeita a controle especial, a depósito ou a pagamento de qualquer ônus financeiro ou cambial, o desembaraço aduaneiro dependerá do prévio cumprimento dessas exigências (DecretoLei nº 37, de 1966, arts. 47 e 48, com a redação dada pelo DecretoLei no 2.472, de 1988, art. 2º). Vêse pelo que até agora foi explicado que a importação seja de nafta petroquímica, em particular, ou de petróleo e qualquer de seus derivados, em geral, é uma operação que se submete a um controle rigoroso por parte das legislação nacional, desde a Constituição Federal, até normas infralegais. Tal qual acontece na importação de outros produtos sensíveis, como por exemplo armas e munições, certos insumos farmacêuticos..., o produto em comento somente recebe licença para ser importado após análise prévia do órgão anuente (licenciamento não automático). Não havendo razões para se concluir pela irregularidade na emissão da Licença de Importação, essa deve ser acatada no momento do despacho aduaneiro, sem prejuízo de controles a posteriori dos órgãos, no âmbito de suas respectivas atribuições legais. Ou seja, não se quer com isso, por óbvio, afastar o poder/dever das autoridades competentes de verificar posteriormente se não há desvios que descaracterizem o benefício fiscal concedido, mas, repitase, o modo de viabilizar a concessão do benefício que a lei instituiu, sem que ocorra prejuízo aos controles a cargo da Administração Pública é um problema que deve ser resolvido no âmbito desta e que não pode ser imposto como ônus ao contribuinte. Notese que a marcação compulsória das correntes de hidrocarbonetos líquidos não destinados à formulação de gasolina ou diesel objetiva viabilizar uma fiscalização a posteriori da destinação que foi dada ao produto, mas não representa garantia que não haverá desvios. Assim, não há meios de previamente provar qual o destino que será dado àqueles produtos. Se existissem esses meios, não seria necessário todo o aparato de controle que foi instituído para tal pela ANP, não tendo sentido fazer exigência de provas sobre “o uso futuro do produto”, sob pena de inviabilizar o benefício fiscal instituído por lei.” Deste modo, não vislumbro qualquer fundamento que alicerce o afastamento do benefício previsto no §3º do art. 5º da Lei nº. 10.336/2001, regulamento pelo Decreto nº. 4.940/2003, razão pela qual entendo como acertada a decisão proferida em primeira instância. Pelo exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso de ofício. É como voto. Irene Souza da Trindade Torres Fl. 396DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES 14 Fl. 397DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES, Assinado digitalmente em 21/12/2012 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TORRES
score : 1.0
Numero do processo: 10845.000937/2009-43
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 17 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Oct 22 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO.
A falta da identificação do beneficiário do serviço impede que seja verificado se o beneficiário foi o contribuinte ou um dependente seu nos termos do inciso II do §2º do art. 8º da lei 9.250/1995, o que impede que se admita a dedução.
IRPF. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. ENDEREÇO.
O endereço do emitente é requisito expresso na lei. A apresentação de recibos que não cumprem integralmente os requisitos legais para a dedução, por si só, justifica a glosa das deduções a que se referem.
Numero da decisão: 2802-001.954
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator.
(Assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/10/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente).
Nome do relator: JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. A falta da identificação do beneficiário do serviço impede que seja verificado se o beneficiário foi o contribuinte ou um dependente seu nos termos do inciso II do §2º do art. 8º da lei 9.250/1995, o que impede que se admita a dedução. IRPF. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. ENDEREÇO. O endereço do emitente é requisito expresso na lei. A apresentação de recibos que não cumprem integralmente os requisitos legais para a dedução, por si só, justifica a glosa das deduções a que se referem. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos NEGAR PROVIMENTO ao recurso nos termos do voto do relator. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jaci de Assis Júnior, Sidney Ferro Barros, Dayse Fernandes Leite, Ewan Teles Aguiar, German Alejandro San Martín Fernández e Jorge Cláudio Duarte Cardoso (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 5. 00 09 37 /2 00 9- 43 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Relatório Tratase de lançamento de Imposto de Renda Pessoa Física (IRPF) do exercício 2006 , anocalendário 2005, em virtude de glosa de dedução de despesas médicas no valor de R$32.230,00 pelas seguintes razões: a) recibo de R$ 7.500,00 emitido por Álvaro Luiz Barreto por ser genérico de tratamento vascular especializado, sem especificar os procedimentos adotados, datas dos atendimentos, endereço, etc; b) nota fiscal de R$416,00 emitida por Cirúrgica Santa Rita por não se caracterizar despesas médica nos termos da legislação aplicável e por sequer constar o nome do paciente; e c) recibos emitidos por Lar Evangélico de Amparo à Velhice por não ser hospital e pelo fato de o paciente indicado, Iris Franco Peres, não ser dependente da contribuinte. O contribuinte alegou que a despesa médica referese a tratamento vascular, que não conseguiu detalhes técnicos sobre o tratamento por falecimento do médico, que os pagamentos eram efetuados em espécie e que não possui outro documento além do que apresentou à fiscalização. A impugnação foi indeferida sob o fundamento de que, ao ser intimado pela fiscalização, o contribuinte tem o ônus de comprovar as despesas (art. 73 e 80 do RIR1999), que a princípio os recibos emitidos por profissionais legalmente habilitados e que atendam os requisitos legais são hábeis, porém isto não ocorreu neste processo, pois o recibo de fls. 02 (Álvaro Luiz Barreto) não indica o endereço nem o nome do beneficiário, além de não especificar o serviço prestado, uma vez que limitase a utilizar termo genérico. Ciente da decisão de primeira instância em 11/01/2011, o recorrente apresentou recurso voluntário em 09/02/2011, mediante o qual: 1. reitera que a despesa médica foi realizada em dinheiro ao longo de 2005 e que ao final foi emitido um recibo único pelo Dr. Álvaro Luiz Barreto, após ser autuado pela Receita Federal procurou o médico para atender às exigências fiscais porém ele havia falecido, de forma que não há outros documentos a apresentar; e 2. junta documento apresentado à fiscalização onde o contribuinte informa o endereço onde foi feito o tratamento (fls. 63). O recibo em questão consta das fls. 61. É o relatório. Fl. 73DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10845.000937/200943 Acórdão n.º 2802001.954 S2TE02 Fl. 73 3 Voto Conselheiro Jorge Claudio Duarte Cardoso, Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele devese tomar conhecimento. Parte da autuação não foi contestada. O litígio trata exclusivamente da dedução de despesa médica de R$7.500,00 referente ao recibo de fls. 61 que não contém a indicação do beneficiário do tratamento nem o endereço do emitente. A comprovação das despesas médicas é feita com documentação que atenda os requisitos legais e somente são dedutíveis as despesas com o próprio contribuinte e seus dependentes. O endereço do emitente é um requisito expresso na lei e a falta de indicação do beneficiário das despesas impossibilita aferir se foram feitas ao contribuinte ou seus dependentes, estas razões impedem a dedução (incisos III e II do §2º do art. 8º da Lei 9.250/1995). Portanto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO, Assinado digitalmente em 18 /10/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 19740.720243/2009-79
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2009
DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA.
Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2801-002.829
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalins Presidente em exercício.
Assinado digitalmente
Carlos César Quadros Pierre - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araújo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, e Sandro Machado dos Reis.
Nome do relator: CARLOS CESAR QUADROS PIERRE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Exercício: 2009 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal. Recurso Voluntário Provido.
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EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA. Conforme decidido pelo Superior Tribunal de Justiça em sede de recurso repetitivo, é descabida a exigência da multa de mora quando ocorre o recolhimento extemporâneo de tributo, na hipótese de os débitos não terem sido anteriormente declarados à Receita Federal. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalins – Presidente em exercício. Assinado digitalmente Carlos César Quadros Pierre Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, José Evande Carvalho Araújo, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Luiz Cláudio Farina Ventrilho, e Sandro Machado dos Reis. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 74 0. 72 02 43 /2 00 9- 79 Fl. 376DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 19740.720243/200979 Acórdão n.º 2801002.829 S2TE01 Fl. 376 2 Relatório Adoto como relatório aquele utilizado pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, 4ª Turma da DRJ/RJ1 (Fls. 276), na decisão recorrida, que transcrevo abaixo: Trata o presente processo de exigência fiscal formulada contra a interessada acima identificada, por meio do auto de infração de fls. 20/25, para exigir imposto de renda retido na fonte (IRRF), referente ao anocalendário 2009, no valor de R$ 24.228,43, acrescido multa proporcional de 75% e juros de mora. Através do termo de verificação fiscal (TVF) de fls. 14/19, o fisco trouxe à colação a descrição: a) A fiscalizada recolheu o valor relativo ao principal de IRRF sobre aplicações em fundo de investimentos (código 6800) fora do prazo, visto que o vencimento do tributo havia sido em 03/06/2009 período de apuração de 31/05/2009 sem que, no entanto, fosse recolhido os devidos acréscimos de multa de mora, supostamente ancorada na tese da espontaneidade; b) Entende que a multa de mora está diretamente adstrita ao pagamento feito fora do prazo legal, o que não constitui afronta ao disposto no artigo 138 do CTN, já que esse dispositivo legal obsta apenas a imposição da multa punitiva, ou seja, a multa de ofício, no recolhimento intempestivo do tributo, desde que o contribuinte efetue o pagamento do principal acrescido dos encargos moratórios e antes de qualquer procedimento administrativo; c) Com base no pagamento efetuado, conforme DARF apresentado, procedeuse à apuração do imposto (principal) devido, utilizandose o denominado “método proporcional”, que consiste em tomar por base o total recolhido em cada documento de arrecadação, desconsiderando a distribuição nos campos das diversas rubricas e arbitrar a repartição proporcional do valor pago entre as mesmas (principal, multa e juros); d) O cálculo do IRRF devido foi efetuado conforme a seguinte expressão: X + 0,0891X = R$ 296.152,56. X = 296.152,56/1,0891. X = R$ 271.924,13. e) Dessa forma, calculouse o valor do imposto (principal) que foi utilizado para a apuração do crédito tributário mensal, relativo ao período de apuração de 31/05/2009, conforme abaixo: Período de Valor do Imposto Crédito Fl. 377DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 19740.720243/200979 Acórdão n.º 2801002.829 S2TE01 Fl. 377 3 Apuração DARF Método Proporcional Tributário Apurado 31/05/2004 296.152,56 271.924,13 24.228,43 Inconformada com a autuação, da qual tomou ciência em 03/12/2009 (fls.21), a interessada apresentou, em 22/12/2009 (fls. 132/156), impugnação (fls. 132/156), alegando, em síntese: a) Teve contra ela a lavratura de idêntico auto de infração, o qual foi julgado improcedente pela 6ª Turma de Julgamento desta DRJ/RJ 1; b) Naquela ocasião restou evidente que o método de “imputação proporcional de pagamento”, do qual decorreu a cobrança de imposto, de multa de ofício de 75% e dos juros de mora, foi incorretamente aplicado pela autoridade fiscal, razão pela qual necessário se torna a extinção total do presente lançamento; c) A intenção da impugnante era a de quitar o débito referente ao imposto não recolhido, fazendose imperiosa a improcedência do auto de infração em referência pela manifesta inaplicabilidade da “imputação proporcional”; d) O auto de infração é absolutamente improcedente, eis que não há que se falar em recolhimento do valor da multa de mora para caracterizar o instituto da denúncia espontânea e o método utilizado pela fiscalização para calcular o imposto devido é ilegal; e) Os artigos 163 e 167 do CTN não legitimam de modo algum o método adotado pelo fisco para apurar o suposto montante devido, quando este recolhe o valor do imposto principal sem o valor da multa de mora; f) Depreendese de tais dispositivos que não há qualquer menção à imputação do cálculo proporcional, tornandose altamente duvidoso o método utilizado pela fiscalização; g) A ação fiscal operou o afastamento da aplicação do artigo 138 do CTN, apesar de a impugnante ter recolhido o valor integral do principal, com a exclusão da multa, por ter se antecipado a qualquer procedimento fiscalizatório ou de declaração, requisito essencial da denúncia espontânea; h) A Receita Federal realizou um cálculo que desconsiderou todo o pagamento feito pela impugnante a título de principal (IRRF), já que a multa moratória não era devida, em razão da denúncia espontânea, imputando para dele ao pagamento de tal multa, restando, assim, uma quantia remanescente a título de principal e multa de mora; i) Vale ressaltar que, de acordo com o artigo 43 da Lei nº 9.430/1996, o procedimento correto para a cobrança de Fl. 378DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 19740.720243/200979 Acórdão n.º 2801002.829 S2TE01 Fl. 378 4 qualquer encargo que não tenha sido recolhido pelo contribuinte é o lançamento deste com acréscimo de forma isolada; j) Este artigo proíbe a prática da imputação proporcional, pois determina o lançamento isolado; k) É imperioso o reconhecimento da denúncia espontânea no presente caso, tendo em vista a boafé da impugnante, já que, percebendo a sua situação de mora, espontaneamente, procurou sanála, satisfazendo a obrigação, da qual, até então, o fisco não possuía conhecimento; l) Por derradeiro, convém destacar que, por se tratar de evidente caso de denúncia espontânea, a cobrança da multa moratória é flagrantemente insubsistente; m) É indiscutível o entendimento atualmente consolidado de que a denúncia espontânea tem o objetivo de “premiar” o contribuinte de boafé que constata o atraso e informa ao Fisco, apresentando, paralelamente, a quitação do crédito, com o afastamento da multa de mora; n) A impugnante não somente quitou o débito como tratou de esclarecer a fiscalização, por meio de petição protocolada junto à DEINF/RJ em 01/07/2009, que realizou o recolhimento à luz da denúncia espontânea. Passo adiante, a 4ª Turma da DRJ/RJ1 entendeu por bem julgar a Impugnação Improcedente, em decisão que restou assim ementada: PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA MORATÓRIA. Nos pagamentos extemporâneos, as multas moratórias são sempre devidas, com ou sem denúncia espontânea, porquanto fixadas em lei e de natureza indenizatória, nitidamente apartadas das penalidades pecuniárias. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTOS EM ATRASO. IMPUTAÇÃO PROPORCIONAL. CABIMENTO. Na apuração do saldo devedor remanescente de crédito tributário recolhido em valor insuficiente e em atraso, não se pode romper o vínculo de proporcionalidade entre o principal (tributo) e seus acessórios (juros e multa de mora), por se tratar de relação jurídicotributária em que o valor do tributo, o principal, deve ser identificado no momento de liquidação. Cientificada em 25/08/2010 (Fls.288), a Recorrente interpôs Recurso Voluntário em 24/09/2010 (fls. 289 308), reforçando os argumentos apresentados quando da impugnação. É o Relatório. Fl. 379DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 19740.720243/200979 Acórdão n.º 2801002.829 S2TE01 Fl. 379 5 Voto Conselheiro Carlos César Quadros Pierre, Relator. Conheço do recurso, posto que tempestivo e com condições de admissibilidade. Tratase, na origem, de Auto de Infração lavrado sob a justificativa de que, ao valerse de denúncia espontânea para pagamento de tributos no anocalendário de 2008, deixou a contribuinte de quitar montante correspondente à multa de mora. Em sua impugnação, alega a ora Recorrente que, a teor do art. 138 do Código Tributário Nacional, o instituto da denúncia espontânea afasta a aplicação tanto da multa de ofício quanto da multa de mora, motivo pelo qual se configuraria absolutamente inconsistente a cobrança levada a efeito no Auto de Infração. Em análise àqueles argumentos, decidiu a primeira instância administrativa pela manutenção do lançamento, sob a justificativa de que, mesmo havendo a denuncia espontânea, a multa de mora seria devida: in verbis: Em suma, nos pagamentos extemporâneos, as multas moratórias são sempre devidas, com ou sem denúncia espontânea, porquanto fixadas em lei e de natureza indenizatória, nitidamente apartadas das penalidades pecuniárias. (pág. 281 dos autos) Como se infere da análise do processo, a Recorrente realizou o pagamento do tributo, com vencimento em 03/06/2009, a destempo, em 30/06/2009. Frisese que não há dúvidas de que o contribuinte declarou posteriormente o crédito tributário; sendo o auto de infração lavrado unicamente em razão de entender a fiscalização de que a denuncia espontânea não alcança a multa de mora. Especificamente quanto ao instituto da denúncia espontânea, imperioso transcreverse o art. 138 do Código Tributário Nacional: “Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração.” Ademais, a questão relativa à denúncia espontânea nos casos de tributos recolhidos espontaneamente com atraso, foi submetida pelo Superior Tribunal de Justiça ao rito do recurso repetitivo (art. 543C, do Código de Processo Civil), por meio do REsp 1.149.022, com decisão proferida em 09/06/10 (publicada em 24/06/10) e trânsito em julgado ocorrido em 30/08/10, sendo oportuno transcrever a ementa do respectivo julgado: “RECURSO ESPECIAL Nº 1.149.022 SP (2009/01341424) RELATOR: MINISTRO LUIZ FUX Fl. 380DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 19740.720243/200979 Acórdão n.º 2801002.829 S2TE01 Fl. 380 6 RECORRENTE: BANCO PECÚNIA S/A ADVOGADO: SERGIO FARINA FILHO E OUTRO(S) RECORRIDO: UNIÃO FEDERAL (FAZENDA NACIONAL) PROCURADOR: PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL EMENTA PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante Fl. 381DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 19740.720243/200979 Acórdão n.º 2801002.829 S2TE01 Fl. 381 7 devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine . 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008.” Pelo exposto, resta caracterizada a denúncia espontânea, que exclui a incidência da multa de mora nos casos em que houve o recolhimento com atraso de tributos que ainda não haviam sido declarados à Receita Federal do Brasil, como ocorre nos casos em que o pagamento extemporâneo de tributos declarados em DCTF, entregue após o citado pagamento. Diante da abordagem definitiva da matéria pelo STJ, foi editada a Nota Técnica da CoordenaçãoGeral de Tributação da Receita Federal do Brasil com o objetivo de orientar as unidades daquele órgão a intepretar as consequências decorrentes dos Atos Declaratórios PGFN nº 4/2011 e 8/2011, sendo que este último autorizou a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, nos casos alcançados pela decisão proferida no Resp 1.149.022. A aludida Nota esclarece que, nos casos em que o contribuinte não apresenta DCTF, mas paga o débito, ou quando o pagamento do débito é feito concomitantemente com a entrega da DCTF, resta configurada a denúncia espontânea. Conseqüentemente, a multa moratória não era devida quando do pagamento do IRRF realizado pelo contribuinte. Deixo de analisar os demais argumentos do contribuinte, em razão do reconhecimento da denuncia espontânea. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto por dar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Fl. 382DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE Processo nº 19740.720243/200979 Acórdão n.º 2801002.829 S2TE01 Fl. 382 8 Carlos César Quadros Pierre Fl. 383DF CARF MF Impresso em 09/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, Assinado digitalmente em 12/ 12/2012 por TANIA MARA PASCHOALIN, Assinado digitalmente em 12/12/2012 por CARLOS CESAR QUADROS PIER RE
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Numero do processo: 13618.000616/2008-30
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 18 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES.
Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão.
Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado.
Embargos de declaração conhecidos e rejeitados
Numero da decisão: 2802-001.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora
(assinado digitalmente)
Jorge Claudio Duarte Cardoso - Presidente.
(assinado digitalmente)
Dayse Fernandes Leite - Relatora.
EDITADO EM: 21/11/2012
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros
Nome do relator: DAYSE FERNANDES LEITE
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados
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OBSCURIDADE OU CONTRADIÇÃO. INEXISTÊNCIA. REEXAME DE MATÉRIA JÁ DECIDIDA. IMPOSSIBILIDADE DE IMPRIMIR EFEITOS INFRINGENTES. Os embargos declaratórios somente são cabíveis para modificar o julgado que se apresentar contraditório ou obscuro, bem como para sanar possível erro material existente no acórdão. Não há contradição e obscuridade a ser sanado no acórdão embargado, o qual se encontra suficientemente fundamentado. Embargos de declaração conhecidos e rejeitados Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: por unanimidade de votos REJEITAR os Embargos de Declaração, nos termos do voto da relatora (assinado digitalmente) Jorge Claudio Duarte Cardoso Presidente. (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora. EDITADO EM: 21/11/2012 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 61 8. 00 06 16 /2 00 8- 30 Fl. 74DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), German Alejandro San Martin Fernandez, Jaci de Assis Junior, Carlos Andre Ribas De Mello, Dayse Fernandes Leite, Sidney Ferro Barros Relatório Tratam os autos de embargos de declaração interpostos por JORGE MANUEL VIANA DE MELO (fls. 276/288), em face do Acórdão 280201.090, de 25 de outubro de 2011, fls. 61/64. de lavra desta relatora. No arrazoado, a embargante denuncia omissão/contradição no acórdão. Os fundamentos da denunciada omissão/contradição estão consubstanciados nos parágrafos, a saber: “Na forma do v. acórdão embargado, afirmouse no comprovante de rendimentos juntados à fl 05, consta apenas a indicação do rendimento tributável de R$157.091,00, IRF de R$39.237,00 e como responsável Juracy Pereira da Silva.” Há obscuridade no trecho acima transcrito na medida em que diversamente do afirmado pela Ilma. Conselheira Relatora, consta do referido documento o nome completo do EMBARGANTE e o numero de se CPF. Notese por oportuno, que o referido documento fora, inclusive autenticado pela servidora da Receita Federal. O destaque fazse importante porque a retenção na fonte de IRRF restou comprovada, foi discutida no recurso voluntário de fls. 58/59 e não foi analisada pelo v. acórdão embargado, justificando os presentes aclaratórios, ademais, em razão da omissão apontada.” É o relatório. Voto Conselheira Relatora. Dayse Fernandes Leite A despeito da tempestividade, os embargos de declaração carecem de seus pressupostos de admissibilidade. Com efeito, devese observar que “cabem embargos de declaração quando o acórdão contiver obscuridade, omissão ou contradição entre a decisão e os seus fundamentos, ou for omitido ponto sobre o qual devia pronunciarse a turma” (art. 65, do Anexo II, do RICARF). Nessa linha, obscuro é o acórdão que não explicita adequadamente os fundamentos da decisão e contraditório é aquele que tem fundamentos em oposição, total ou parcial, com sua decisão. O processo diz respeito à auto de infração lavrado devido à compensação indevida a título de IRRF, correspondente ao valor declarado R$ 39.237,00, e o informado pela fonte pagadora Consórcio Intermunicipal de Saúde do Baixo Araguaia, CNPJ nº 02.601.738/000130, no montante R$0,00.” Fl. 75DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 13618.000616/200830 Acórdão n.º 2802001.841 S2TE02 Fl. 3 3 O acórdão embargado, por unanimidade de votos NEGOU provimento ao recurso . Entendo não caber razão ao embargante. Verifico que o relatório do acórdão descreve os fatos que ensejaram manutenção da exigência. O argumentos apresentados pelo recorrente não foram suficientes para modificarem a convicção do julgador. Por fim, cabe frisar que as matérias expostas nas razões recursais como supostas contradições e/ou obscuridades encontram se devidamente enfrentadas no acórdão embargando, demonstrando que o fato o qual se busca é a reforma da decisão ora analisada, ou seja, a Embargante, ao trazer à baila assuntos devidamente abordados no acórdão embargado, ou tentar imprimir efeitos infringentes ao seu recurso, o que é amplamente rechaçado pelos tribunais pátrios quando não existe omissão, contradição ou obscuridade nas decisões, podendo se apontar diversas decisões do STF e STJ acerca do tema, destacando se as seguintes: 1. Os embargos de declaração não constituem meio processual cabível para reforma do julgado, não sendo possível atribuirlhes efeitos infringentes, salvo em situações excepcionais. 2. Inexistência de omissão, contradição ou obscuridade a sanar. A parte embargante repisa argumentos já devidamente apreciados por esta Turma. 3. Os dispositivos constitucionais tidos como violados não foram abordados pelo acórdão recorrido, nem foram opostos embargos de declaração para satisfazer o requisito do pré questionamento. Incidência das Esclarecida essa situação e mantido o mesmo entendimento do acórdão embargado, vêse claramente que não há qualquer obscuridade ou contradição no Acórdão nº. 280201.090, de 29 de novembro de 2011, razão que me leva a declarar os embargos improcedentes, rejeitandoos de forma definitiva, (assinado digitalmente) Dayse Fernandes Leite Relatora Fl. 76DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Fl. 77DF CARF MF Impresso em 29/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 21/11/2012 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 21/11/201 2 por DAYSE FERNANDES LEITE, Assinado digitalmente em 22/11/2012 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
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Numero do processo: 13896.911938/2009-16
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Nov 07 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 18/01/2008
ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento.
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
Numero da decisão: 3803-003.663
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 18/01/2008 ARGUMENTOS DE DEFESA. INOVAÇÃO EM SEDE DE RECURSO. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 6. 91 19 38 /2 00 9- 16 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em decorrência da decisão da DRJ Campinas/SP que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada, nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem. O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 20 de maio de 2008, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins não cumulativa efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado neste processo totaliza o valor de R$ 223.050,90. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, protestou pela juntada de outros documentos e outras provas e requereu a homologação da compensação declarada, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o erro cometido no preenchimento da DCTF não poderia invalidar o direito de compensação e o reconhecimento de ofício do crédito líquido e certo; b) o Fisco deveria observar o princípio da verdade material e aceitar a documentação acostada aos autos; c) inexistiria possibilidade de incidência de multa ou de imputação de juros pelo fato de não haver débitos a serem liquidados; d) no caso, caberia apenas multa por descumprimento de obrigação acessória. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias do contrato social consolidado, do despacho decisório, do Dacon entregue em 18/02/2008, da DCTF retificadora entregue em 11/04/2008, da declaração de compensação, do DARF relativo ao pagamento sob comento e de planilhas por ele elaboradas. A DRJ Campinas/SP julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 54 a 59), tendo sido o acórdão ementado nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2007 a 31/12/2007 DCTF E DCOMP. CONFISSÃO DE DÍVIDA. DACON. NATUREZA JURÍDICA. Considerase confissão de divida os débitos declarados em DCTF, motivo pelo qual qualquer alegação de erro nos valores Fl. 224DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.911938/200916 Acórdão n.º 3803003.663 S3TE03 Fl. 224 3 nela declarados deve vir acompanhada de declaração retificadora munida de documentos hábeis e suficientes para justificar as alterações realizadas no cálculo dos tributos devidos. Considerando que o DARF indicado no PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição / Declaração de Compensação) como origem do crédito foi utilizado para guitar débito confessado em DCTF (Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais), e que o Contribuinte não logra comprovar por meio de provas robustas que a verdade material é outra, não há que se falar em pagamento indevido. O DACON tem caráter meramente informativo, não se constituindo em instrumento de confissão de divida. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Credit6rio Não Reconhecido Segundo o relator a quo, o contribuinte não providenciou a retificação da DCTF que pudesse refletir a alteração pretendida, não tendo havido, ainda, comprovação, com documentação hábil e idônea, do crédito pleiteado. Na sequência, afirmou que o Dacon não se prestava à comprovação do indébito, por ter cunho apenas informativo, não se constituindo em confissão de dívida. Em relação aos juros e multa, argumentou o julgador que, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430/1996, eles seriam devidos por se referirem a valores da contribuição compensados em DCOMP transmitida em data pretérita. Ao final, indeferiuse o pedido de sustentação oral por ausência de previsão legal. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa, protesta pela juntada de novos documentos e requer a homologação da compensação ou a baixa do processo à repartição de origem para que se confirmem as informações trazidas aos autos, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: i) o Dacon não tem cunho apenas informativo, pois, se assim fosse, não haveria necessidade de sua existência; ele contém os dados detalhados sobre a base de cálculo e serve para comprovar a contribuição efetivamente devida; ii) uma vez que a Cofins informada no Dacon perfaz o total de R$ 95.537,29 e o declarado em DCTF de R$ 363.768,55, temse a diferença que corresponde ao crédito pleiteado nos autos: R$ 268.231,26; iii) o pagamento indevido ou a maior tem origem na reversão contábil de uma receita de R$ 6.235.906,74 que foi indevidamente lançada no mês de dezembro de 2005, referente a uma antecipação recebida da pessoa jurídica “International Paper do Brasil Ltda.”, oriunda de um contrato de longo prazo, cuja receita deve ser reconhecida à medida em que se registra o custo do projeto executado e não pelo regime de competência, como inicialmente havia sido feito; Fl. 225DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 4 iv) o contrato de longo prazo que gerou o faturamento foi celebrado originalmente, em 15/03/2007, entre a International Paper e a Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda., com previsão de conclusão em fevereiro de 2009 (contrato de longo prazo), cuja cláusula 8 autoriza a subcontratação de determinados serviços; v) a falta de retificação da DCTF não desnatura o direito creditório pleiteado, devendo este ser reconhecido de ofício pela Administração tributária; vi) o Dacon não pode ser desconsiderado como prova, pois ele fornece os elementos de composição da base de cálculo do tributo; vii) todo erro de forma que não turbe o direito material é passível de retificação, havendo sempre a possibilidade, seja na esfera judicial ou na administrativa, de revisão de procedimentos, declarações e decisões conflitantes, de ofício ou por provocação das partes; viii) a presente demanda deveria ser baixada à Fiscalização para se apurar o erro de fato informado, a fim de descer no detalhe através da documentação acostada aos autos. Anexos à peça recursal, o contribuinte traz aos autos os seguintes documentos: 1) Doc. 01 – após a folha de identificação, não há qualquer documento anexado (fl. 90); 2) Doc 02 – cópia de uma nota fiscal de saída, sem identificação do produto e do valor, acompanhada de uma folha em que constam dados relativos a uma prestação de serviços no valor de R$ 7.834.823,69, com data de 20/12/2007 (fls. 92 a 93); 3) Doc 03 – cópia do contrato celebrado em 15/03/2007 entre “International Paper do Brasil Ltda.” (proprietária) e “Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda.” (fornecedora), cujo objeto é “engenharia, compra, instalação, teste de operação, início de operação e teste de Pacote de Linha de Processo na Unidade da Fábrica Três Lagoas” (fls. 95 a 206); 4) Doc. 04 – cópia do Pedido de Serviço datado de 07/01/2008 referente a gerenciamento da montagem mecânica e elétrica no valor de R$ 39.174.118,42, tendo como fornecedor o Recorrente e local de entrega o endereço da pessoa jurídica “International Paper do Brasil Ltda.” (fls. 208 a 211); 5) Doc. 05 – informação relativa a conta do Razão no valor total de R$ 6.235.906,74, com data de lançamento 31/12/2007, e dados relativos a pagamentos efetuados por cliente (fls. 213 a 215); 6) Doc 06 – cópia de demonstrativo de apuração das contribuições PIS e Cofins (fls. 216 a 217); 7) Doc 07 – planilha não identificada (fl. 219). É o relatório. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.911938/200916 Acórdão n.º 3803003.663 S3TE03 Fl. 225 5 Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. O contribuinte, em sua Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Alegou o então Manifestante que o crédito pleiteado seria líquido e certo e que, em face do princípio da verdade material, ele não poderia ser obstado por meros erros formais no preenchimento da DCTF, nada dizendo sobre a sua origem. Somente no Recurso Voluntário o contribuinte informou que o direito creditório decorreria da reversão contábil de uma receita de R$ 6.235.906,74 que havia sido indevidamente lançada no mês de dezembro de 20051, referente a uma antecipação recebida da pessoa jurídica “International Paper do Brasil Ltda.”, oriunda de um contrato de longo prazo, cuja receita deveria ser reconhecida à medida em que se registrasse o custo do projeto executado e não pelo regime de competência, como inicialmente havia sido feito. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar, em razão do que eles não serão apreciados neste Conselho. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas as razões e as alegações somente trazidas aos autos em sede de Recurso Voluntário, ou seja, questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF), somente demandada em sede de recurso, constitui matéria preclusa da qual não se toma conhecimento. 1 Que na verdade se refere a dezembro de 2007. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 6 Na primeira instância administrativa foram trazidos aos autos apenas cópia do Dacon, do DARF, da DCTF retificadora e de uma planilha de apuração referente ao mês de abril de 2008, período esse que não corresponde ao ora sob análise (dezembro de 2007). A DCTF apresentada, embora retificadora, não traz qualquer alteração relativamente aos dados considerados na emissão do despacho decisório, pois o valor da contribuição ali apurado coincide com o recolhido pelo sujeito passivo (R$ 363.768,55). O Dacon não veio acompanhado da escrituração contábilfiscal e da documentação que a lastreia. O Recorrente, para se contrapor à decisão de primeira instância que não homologou a compensação pleiteada, se reporta ao princípio da verdade material, segundo o qual a autoridade administrativa estaria obrigada a proceder às investigações necessárias à apuração dos fatos, independentemente da retificação da DCTF. Contudo, ressaltese que não existem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. O princípio da verdade material deve ser sopesado dialeticamente com os princípios da celeridade processual, da eficiência, da oficialidade, dentre outros, na tarefa de se reconstruir os fatos sob análise no processo. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 2 Nos processos de restituição e compensação, “vige a regra geral de distribuição do ônus da prova prevista no art. 333 do CPC, pela qual cabe ao autor a prova dos fatos constitutivos do seu direito e ao réu a prova dos fatos impeditivos, modificativos e extintivos do direito do autor” (idem). Os motivos de fato e de direito devem ser apresentados desde a primeira instância e as provas trazidas aos autos a destempo somente podem ser acatadas se devidamente justificada e fundamentada a razão de sua intempestividade, nos termos do art. 16, caput, e § 4º do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cujo teor segue transcrito: 2 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 228DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.911938/200916 Acórdão n.º 3803003.663 S3TE03 Fl. 226 7 Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ora Recorrente deveria ter apresentado, desde o primeiro momento de sua manifestação nos autos, os motivos e os documentos necessários à demonstração do direito creditório, mas assim não procedeu, não havendo, conforme já afirmado, previsão legal para a inversão do ônus da prova. Ainda que, em tese, se superasse a ocorrência de preclusão temporal, temse que as provas apresentadas no Recurso Voluntário não são bastantes para comprovar a existência do alegado indébito. A cópia do contrato celebrado em 15/03/2007 entre “International Paper do Brasil Ltda.” (proprietária) e “Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda.” (fornecedora), inobstante o fato de prever a possibilidade de subcontratação em sua cláusula 8, não faz qualquer referência ao nome do Recorrente (fls. 95 a 206). Não consta dos autos que a “Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda.” tenha firmado contrato com o Recorrente, havendo apenas uma cópia de Pedido de Serviço, datado de 07/01/2008, referente a gerenciamento da montagem mecânica e elétrica no valor de R$ 39.174.118,42, tendo como fornecedor o Recorrente e local de entrega o endereço da pessoa jurídica “International Paper do Brasil Ltda.”, com previsão de pagamentos ao longo do período abril de 2007 e outubro de 2008 (fls. 208 a 211). Nesse pedido, não há qualquer referência à pessoa jurídica “Voith Paper Máquinas e Equipamentos Ltda.”. Verificase que o valor total contratado com o Recorrente tem o pagamento estipulado para ocorrer ao longo de 19 meses, inexistindo nos autos qualquer comprovação de Fl. 229DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS 8 que no mês de dezembro de 2007 não tenha havido custo por parte do Recorrente a reclamar pela postergação do lançamento da receita. À fl. 205, consta um cronograma de entrega dos serviços por parte da Voith Paper, em que se prevê a prestação de serviços de engenharia mecânica e elétrica no mês de dezembro de 2007. O anexo relativo à conta do Razão, no valor total de R$ 6.235.906,74, reproduzida à fl. 213, identifica a data do lançamento ocorrido em 31/12/2007, mas não esclarece acerca das implicações das informações ali contidas. O anexo da nota fiscal de saída (fls. 92 a 93) identifica a prestação de serviço de montagem pela Recorrente à “International Paper do Brasil Ltda.”no valor de R$ 7.834.823,69, constando dele a data de 20/12/2007. O demonstrativo de apuração das contribuições PIS e Cofins no mês de dezembro (fls. 216 a 217) não se encontra acompanhado da escrituração contábilfiscal respectiva. Não bastassem tais constatações, temse que a planilha presente à fl. 219 identifica o valor faturado (invoiced amount) em dezembro de 2007 no total de R$ 36.335.059,00, com custos incorridos no mês (incurred costs) no montante de 7.110.103,00. Nesse contexto, constatase inexistir comprovação das alegações do Recorrente, havendo dados nos documentos anexos que indicam justamente o contrário. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao sugerir que esta Turma converta o julgamento em diligência para que a Fiscalização confirme os dados informados no Dacon. Diante do exposto, voto por NÃO CONHECER do recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 230DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 13896.911938/200916 Acórdão n.º 3803003.663 S3TE03 Fl. 227 9 Ministério da Fazenda Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Terceira Seção Terceira Câmara TERMO DE ENCAMINHAMENTO Processo nº: 13896.911938/200916 Interessada: VOITHMONT MONTAGENS E SERVIÇOS LTDA. Encaminhemse os presentes autos à unidade de origem, para ciência à interessada do teor do Acórdão no 3803003.663, de 25 de outubro de 2012, da 3a. Turma Especial da 3a. Seção e demais providências. Brasília DF, em 25 de outubro de 2012. [Assinado digitalmente] Alexandre Kern 3a Turma Especial da 3a Seção Presidente Fl. 231DF CARF MF Impresso em 07/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 25/10/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 25/10/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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