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Numero do processo: 10640.004151/99-41
Turma: PLENO DA CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: Pleno
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Feb 27 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1995
TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO.
O Supremo Tribunal Federal - STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621).
O Superior Tribunal de Justiça - STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118/05 (09.06.2005).
No presente caso, o pedido de repetição de indébito deu-se antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicando-se, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito.
Tendo em vista o fato de que transcorreram menos de dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito.
Recurso Extraordinário Negado.
Numero da decisão: 9900-000.561
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente
Elias Sampaio Freire Relator
EDITADO EM:19/11/2012
Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
Matéria: PIS - proc. que não versem s/exigências de cred. Tributario
Nome do relator: ELIAS SAMPAIO FREIRE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo - Presidente Elias Sampaio Freire Relator EDITADO EM:19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão.
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1995 NORMAS PROCESSUAIS. ADMISSIBILIDADE. DIVERGÊNCIA COMPROVADA. Ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/10/1989 a 30/09/1995 TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PRAZO PARA REPETIÇÃO DE INDÉBITO. O Supremo Tribunal Federal STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621). O Superior Tribunal de Justiça STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 64 0. 00 41 51 /9 9- 41 Fl. 1DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Tendo em vista o fato de que transcorreram menos de dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Recurso Extraordinário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Pleno da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Otacílio Dantas Cartaxo Presidente Elias Sampaio Freire – Relator EDITADO EM:19/11/2012 Participaram, do presente julgamento, os Conselheiros Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann, Valmar Fonseca de Menezes, Alberto Pinto Souza Júnior, Francisco de Sales Ribeiro de Queiroz, João Carlos de Lima Júnior, Jorge Celso Freire da Silva, José Ricardo da Silva, Karem Jureidini Dias, Valmir Sandri, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Elias Sampaio Freire, Gonçalo Bonet Allage, Gustavo Lian Haddad, Manoel Coelho Arruda Junior, Marcelo Oliveira, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Henrique Pinheiro Torres, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Júlio César Alves Ramos, Maria Teresa Martinez Lopez, Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Possas e Mercia Helena Trajano Damorim, que substituiu Marcos Aurélio Pereira Valadão. Fl. 2DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.004151/9941 Acórdão n.º 9900000.561 CSRFPL Fl. 3 3 Relatório A Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n.º 02 03.101, proferido pela 2ª Turma da CSRF em 04/05/2008, interpôs, dentro do prazo regimental, recurso extraordinário à Câmara Superior de Recursos Fiscais. A decisão recorrida, por maioria de votos, negou provimento ao recurso especial. Segue abaixo sua ementa: “PIS. RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. PRAZO. A decadência do direito de pleitear a compensação/restituição é de 5 (cinco) anos, tendo conto terno inicial, na hipótese dos autos, a data da publicação da Resolução do Senado Federal que retira a eficácia da lei declarada inconstitucional. Recurso Especial do Procurador Negado.” A Fazenda Nacional afirma que o acórdão recorrido diverge da jurisprudência mantida pela Quarta Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (Acórdão CSRF/0400.810). Segue abaixo a ementa do paradigma: “PEDIDO DE RESTITUIÇÃO — ILL — O direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro (art. 165, incisos I e II, e 168, inciso I, do CTN, e entendimento do Superior Tribunal de Justiça). Recurso Especial do Procurador Provido.” (AC CSRF/0400.810) Explica que o aresto recorrido prolatou entendimento segundo o qual o prazo decadencial para o pedido de restituição/compensação de valor pago indevidamente começaria a fluir a partir da Resolução do Senado que dá efeito erga omnes à declaração de inconstitucionalidade de lei ou a partir do ato da autoridade administrativa que concedesse ao contribuinte o direito de pleitear a restituição/compensação. Observa que, por outro lado, o voto condutor do aresto declinado como paradigma entende que o direito de pleitear a restituição de tributo indevido, pago espontaneamente, perece com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data de extinção do crédito tributário, sendo irrelevante que o indébito tenha por fundamento a inconstitucionalidade ou simples erro. No mérito, afirma que o direito de o sujeito passivo pleitear a restituição total ou parcial de tributo pago indevidamente ou maior que o devido, em face da legislação tributária aplicável, ou da natureza ou circunstâncias materiais do fato gerador efetivamente ocorrido, extinguese com o decurso do prazo de cinco anos, contados da data da extinção do crédito tributário, conforme inteligência dos artigos 168, caput e inciso I, 165, inciso I, e 156, inciso I, do CTN. Fl. 3DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Diz que decisão recorrida respaldouse em posicionamento superado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça, pois a referida Corte é unânime em sufragar que a declaração de inconstitucionalidade do tributo não influi no prazo decadencial para a repetição do indébito. Ao final, requer o provimento do presente recurso. Nos termos do Despacho n.º 910000.328, foi dado seguimento ao pedido em análise. O contribuinte não apresentou contrarazões. Eis o breve relatório. Fl. 4DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.004151/9941 Acórdão n.º 9900000.561 CSRFPL Fl. 4 5 Voto Conselheiro Elias Sampaio Freire, Relator Acerca da admissibilidade do recurso extraordinário constatase que ao apreciar regra de norma geral acerca do prazo para repetição de indébito (art. 165, incisos I e II , e 168, inciso I, do CTN), ao contrário do decidido no acórdão recorrido, o acórdão paradigma considerou ser irrelevante que o indébito tenha por fundamento inconstitucionalidade ou simples erro, aplicando o prazo a partir da extinção do crédito tributário. Portanto, demonstrado o dissídio jurisprudencial e preenchidas as demais formalidades, conheço do recurso extraordinário interposto pela Fazenda Nacional. O Supremo Tribunal Federal – STF fixou entendimento no sentido de que deva ser aplicado o prazo de 10 (dez) anos para o exercício do direito de repetição de indébito para os pedidos formulados antes do decurso do prazo da vacatio legis de 120 dias da LC n.º 118/2005, ou seja, antes de 9 de junho de 2005 (RE 566621), em acórdão assim ementado: “DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações Fl. 5DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.” O Superior Tribunal de Justiça – STJ firmou, ainda, entendimento no sentido de que o prazo para pleitear a repetição tributária, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ainda que tenha sido declarada a inconstitucionalidade da lei instituidora do tributo em controle concentrado, pelo STF, ou exista Resolução do Senado (declaração de inconstitucionalidade em controle difuso), é contado da data em que se considera extinto o crédito tributário, acrescidos de mais cinco anos, em se tratando de pagamentos indevidos efetuados antes da entrada em vigor da LC 118∕05 (09.06.2005): “TRIBUTÁRIO. TRIBUTO DECLARADO INCONSTITUCIONAL EM CONTROLE CONCENTRADO. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. PRESCRIÇÃO. TERMO INICIAL. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. REGRA DOS "CINCO MAIS CINCO". PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. A Primeira Seção desta Corte firmou entendimento de que, "mesmo em caso de exação tida por inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal, seja em controle concentrado, seja em difuso, ainda que tenha sido publicada Resolução do Senado Federal (art. 52, X, da Carta Magna), a prescrição do direito de pleitear a restituição, nos tributos sujeitos ao lançamento por homologação, ocorre após expirado o prazo de cinco anos, contados do fato gerador, acrescido de mais cinco anos, a partir da homologação tácita ou expressa." 2. O entendimento jurisprudencial é a síntese da melhor exegese da legislação no momento da aplicação do direito, por isso é aceitável a sua mudança para o devido aprimoramento da prestação jurisdicional. Agravo regimental improvido.” (AgRg no Ag 1406333 / PE, Relator: Ministro Humberto Martins) “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. IMPOSTO DE RENDA O SOBRE O LUCRO LÍQUIDO (ILL). PRESCRIÇÃO. TESE DOS "CINCO MAIS CINCO". RESP 1.002.932/SP (ART.543C DO CPC). COMPENSAÇÃO. LEGISLAÇÃO APLICÁVEL. DATA DO AJUIZAMENTO DA AÇÃO. RESP Fl. 6DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 10640.004151/9941 Acórdão n.º 9900000.561 CSRFPL Fl. 5 7 1.137.738/SP (ART. 543C DO CPC). POSSIBILIDADE, IN CASU, DE COMPENSAÇÃO COM TRIBUTO DA MESMA ESPÉCIE. CORREÇÃO MONETÁRIA. FEV/1991. IPC. 21,87%. 1. Agravos regimentais interpostos pelos contribuintes e pela Fazenda Nacional contra decisão que negou seguimento aos seus recursos especiais. 2. A Primeira Seção adota o entendimento sufragado no julgamento dos EREsp 435.835/SC para aplicar a tese dos "cinco mais cinco" à contagem do prazo prescricional, inclusive para a repetição de tributos declarados inconstitucionais pelo Supremo Tribunal Federal. Precedentes: EREsp 507.466/SC, Rel. Ministro Humberto Martins, Primeira Seção, julgado em 25/3/2009, DJe 6/4/2009; AgRg nos EAg 779581/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, Primeira Seção, julgado em 9/5/2007, DJe 1/9/2008; EREsp 653.748/CE, Rel. Ministro José Delgado, Rel. p/ Acórdão Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, julgado em 23/11/2005, DJ 27/3/2006. 3. O Superior Tribunal de Justiça, em sede de recurso especial representativo de controvérsia (REsp 1.002.932/SP), ratificou orientação no sentido de que o princípio da irretroatividade impõe a aplicação da LC n. 118/05 aos pagamentos indevidos realizados após a sua vigência e não às ações propostas posteriormente ao referido diploma legal, porquanto é norma referente à extinção da obrigação e não ao aspecto processual da ação respectiva. 4. Em sede de compensação tributária, deve ser aplicada a legislação vigente por ocasião do ajuizamento da demanda. "[A] autorização da Secretaria da Receita Federal constituía pressuposto para a compensação pretendida pelo contribuinte, sob a égide da redação primitiva do artigo 74, da Lei 9.430/96, em se tratando de tributos sob a administração do aludido órgão público, compensáveis entre si" (REsp 1.137.738/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Seção, DJe 1º/2/2010, julgado sob o rito do art. 543C do CPC). 5. Na correção de indébito tributário incide o índice de 21,87% em fevereiro de 1991 (expurgo inflacionário, IPC/IBGE em substituição à INPC do mês). Precedentes: REsp 968.949/SP, Rel. Ministro Mauro Campbell Marques, Segunda Turma, DJe 10/3/2011; EDcl no AgRg nos EDcl no REsp 871.152/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, DJe 19/8/2010; AgRg no REsp 945.285/RS, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, DJe 7/6/2010; REsp 1.124.456/DF, Rel. Ministro Castro Meira, Segunda Turma, DJe 8/4/2010. 6. Agravo regimental das contribuintes parcialmente provido para assegurar a correção monetária no mês de fevereiro de 1991 pelo índice de 21,87%. 7. Agravo regimental da Fazenda Nacional não provido.” Fl. 7DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 (AgRg no REsp 1131971 / RJ, Relator: Ministro Benedito Gonçalves) No presente caso, o pedido de repetição de indébito deuse antes do início da vigência da LC nº 118/2005, aplicandose, portanto, o prazo decenal para a contagem do prazo para o exercício do direito de repetição de indébito. Tendo em vista o fato de que transcorreram menos de dez anos entre a data do fato gerador e a data do pedido de repetição do indébito, há de se concluir que o contribuinte exerceu tempestivamente o seu direito. Pelo exposto, voto por CONHECER e NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Extraordinário da Fazenda Nacional. É como voto. Elias Sampaio Freire Fl. 8DF CARF MF Impresso em 28/02/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2012 por AFONSO ANTONIO DA SILVA, Assinado digitalmente em 17/12/2 012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 17/12/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 11020.915066/2009-21
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Jan 22 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005
PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL.
Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado.
É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF).
RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA.
O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal.
ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO.
Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa.
Numero da decisão: 3803-003.741
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Alexandre Kern - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira.
Nome do relator: HELCIO LAFETA REIS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/02/2005 a 28/02/2005 PRELIMINAR. NULIDADE DA DECISÃO A QUO E DO DESPACHO DECISÓRIO. OFENSA AO REQUISITO CONSTITUCIONAL DA FUNDAMENTAÇÃO DO ATO ADMINISTRATIVO E AOS PRINCÍPIOS DA AMPLA DEFESA, DO CONTRADITÓRIO E DO DEVIDO PROCESSO LEGAL. Uma vez observados os requisitos formais e materiais exigidos na legislação, é válido o despacho decisório que não homologou a compensação com base nas informações declaradas pelo próprio interessado. É válida a decisão da Delegacia de Julgamento proferida em total conformidade com as normas que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF). RESTITUIÇÃO. COMPENSAÇÃO. INDÉBITO. ÔNUS DA PROVA. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal. ARGUMENTOS DE DEFESA. PRECLUSÃO. Questão não levada a debate no primeiro momento de pronúncia da parte após a instauração da fase litigiosa no Processo Administrativo Fiscal (PAF) constitui matéria preclusa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 50 66 /2 00 9- 21 Fl. 97DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915066/200921 Acórdão n.º 3803003.741 S3TE03 Fl. 98 2 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Alexandre Kern Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alexandre Kern (Presidente), Hélcio Lafetá Reis (Relator), Belchior Melo de Sousa, Jorge Victor Rodrigues, Juliano Eduardo Lirani e João Alfredo Eduão Ferreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário (fls. 64 a 83) interposto em decorrência da decisão da DRJ Porto Alegre/RS (fls. 57 a 60) que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade (fls. 7 a 43) apresentada pelo contribuinte para se contrapor à não homologação da compensação pleiteada (fls. 1 a 5), nos termos do despacho decisório eletrônico exarado pela repartição de origem (fl. 6). O contribuinte havia transmitido à Receita Federal, em 9 de janeiro de 2009, Pedido de Restituição e Declaração de Compensação (PER/DCOMP), relativos a pretenso pagamento da Cofins não cumulativa efetuado a maior, cujo direito creditório reclamado totaliza o valor de R$ 47.304,69. Por meio de despacho decisório eletrônico, a repartição de origem decidiu por não homologar a compensação, sob o fundamento de que o pagamento informado já havia sido integralmente utilizado para quitação de débito da titularidade do contribuinte. Cientificado da decisão, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade, protestou, com base no princípio da verdade material, pela juntada de outros documentos e outras provas e requereu a declaração de nulidade do despacho decisório, assim como o cancelamento de qualquer cobrança dele advinda, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) ausência de fundamentação do despacho decisório e violação dos princípios constitucionais da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal; b) a Fiscalização deveria ter intimado o contribuinte para obter as informações relativas à origem do crédito, tendo ocorrido ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.123/1972; c) o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade; d) a defesa do contribuinte restou prejudicada por desconhecimento das razões da não homologação da compensação; Fl. 98DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915066/200921 Acórdão n.º 3803003.741 S3TE03 Fl. 99 3 e) inaplicabilidade da multa em razão do princípio constitucional do não confisco e dos princípios administrativos da razoabilidade e da proporcionalidade; f) inaplicabilidade da taxa Selic a título de juros de mora, em razão da limitação dada pelo § 1º do art. 161 do Código Tributário Nacional (CTN), em que se fixam os juros em 1% ao mês, percentual esse passível de redução por lei, mas nunca de ampliação. Junto à Manifestação de Inconformidade, o contribuinte trouxe aos autos cópias de documentos societários. A DRJ Porto Alegre/RS julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade sob os seguintes fundamentos: 1) inocorrência de preterição do direito de defesa, tendo em vista que o despacho decisório consigna, de forma clara e concisa, o motivo da não homologação da compensação, tendo sido observados todos os requisitos formais e materiais para a sua validade; 2) a motivação para a não homologação da compensação foi devidamente explicitada, tendo sido apontado que o pagamento declarado havia sido localizado, mas que teria sido integralmente utilizado na quitação de débito do contribuinte, não restando saldo credor disponível para a quitação do débito informado na declaração de compensação; 3) no que tange à multa de ofício e aos juros de mora, por se tratar o presente processo de compensação, a competência das delegacias de julgamento se limita ao julgamento da manifestação de inconformidade contra a não homologação da compensação declarada, falecendolhes competência para a análise de questões atinentes à cobrança de eventuais débitos. Inconformado, o contribuinte recorre a este Conselho, repisa os argumentos de defesa acerca da nulidade do despacho decisório, exceto em relação à multa de ofício e aos juros de mora, estes não mais contestados, e requer a declaração de nulidade da decisão recorrida por violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e por afrontar os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, valendose dos mesmos argumentos apresentados na Manifestação de Inconformidade. Por fim requer o retorno dos autos à origem para novo julgamento ou o provimento do recurso com a consequente homologação da compensação. Junto à peça recursal, o contribuinte traz aos autos cópias de documentos societários. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Fl. 99DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915066/200921 Acórdão n.º 3803003.741 S3TE03 Fl. 100 4 O recurso é tempestivo, atende as demais condições de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Conforme acima relatado, controvertese nos autos sobre Pedido de Restituição cumulado com Declaração de Compensação (PER/DCOMP), não acatados pela Receita Federal por se referir a pagamento integralmente utilizado na quitação de outro débito do sujeito passivo. I. Preliminares. Violação do requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e ofensa aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal. O Recorrente requer a anulação do despacho decisório e da decisão da Delegacia de Julgamento por ofender o requisito constitucional da fundamentação do ato administrativo e os princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, em razão da falta de intimação prévia voltada à obtenção de informações relativas à origem do crédito e da ofensa ao “dever de instrução” prescrito no art. 7º do Decreto nº 70.235/1972. Segundo ele, o despacho decisório extrapolou sua função, tendo se tornado meio oblíquo para a interrupção do prazo de homologação da compensação declarada, configurandose desvio de finalidade, tendo havido, ainda, prejuízo a sua defesa por desconhecimento das razões da não homologação da compensação. De pronto, devemse afastar tais alegações do Recorrente, pois tanto o despacho decisório quanto a decisão recorrida foram exarados em conformidade com os dispositivos legais e regulamentares que regem o Processo Administrativo Fiscal (PAF), este disciplinado primordialmente pelo Decreto nº 70.235/1972. No despacho decisório, emitido que fora com observância da legislação de regência, consta de forma evidente a razão da não homologação da compensação, qual seja, a inexistência do indébito em razão do fato de que o pagamento declarado em PER/DCOMP, ou seja, pelo próprio sujeito passivo, já ter sido integralmente utilizado na quitação de outro débito da titularidade do contribuinte, constando, ainda, individualizada e pormenorizadamente, todas as informações relativas ao referido pagamento e à compensação pleiteada, de forma que nenhuma informação foi suprimida em prejuízo da defesa do interessado. Inexiste qualquer desvio de finalidade no despacho decisório, pois que ele decorreu de pedido formulado pelo próprio sujeito passivo, cujos termos delimitaram a extensão da matéria a ser analisada pela Administração tributária, encontrandose esta autorizada por lei (art. 74 e §§ da Lei nº 9.430/1996) a proceder daquela forma, com base em informações prestadas pelo próprio contribuinte (PER/DCOMP e DCTF), informações essas suficientes à apreciação do pleito. Uma vez apresentada a declaração de compensação, a Autoridade administrativa tributária, obervado o prazo para a homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996, já se encontra apta a decidir acerca do pedido formulado, pois que todos os contornos já se encontram definidos desde então, inexistindo na lei ou no decreto a estipulação de prazo mínimo para tal apreciação, em razão do que não se cogita de decisão desvirtuada e destinada unicamente à interrupção do prazo de homologação da compensação declarada. Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915066/200921 Acórdão n.º 3803003.741 S3TE03 Fl. 101 5 No acórdão da DRJ Porto Alegre/RS, constam, de forma objetiva, todos os fundamentos que nortearam a decisão tomada, inexistindo qualquer violação aos princípios da ampla defesa, do contraditório e do devido processo legal, pois que não se preteriu o direito do contribuinte a recorrer a este Conselho, oportunidade em que poderiam ter sido trazidos aos autos todos os elementos probatórios que pudessem infirmar os fundamentos da decisão recorrida. Devese ressaltar que, inobstante haver, indubitavelmente, o direito fundamental à ampla defesa e ao contraditório (art. 5º, inciso LV, da Constituição Federal), não se pode perder de vista que inexistem direitos absolutos, devendo todos os direitos e as garantias assegurados pela ordem jurídica ser compreendidos em conjunto e dialogicamente. Os princípios da ampla defesa e do contraditório devem ser sopesados dialeticamente com outros princípios, como o da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal), assim como com o dever do postulante de comprovar as suas alegações contrapostas à decisão administrativa amparada nos elementos fáticos declarados pelo próprio sujeito passivo (artigos 15 e 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/1972). As regras de funcionamento do litígio administrativo, conforme já apontado, devem ser buscadas, primariamente, no Decreto nº 70.235/1972 e, subsidiariamente, nas demais regras que regulam o processo administrativo e/ou judicial, sendo que, não se vislumbrando qualquer ofensa a tais atos normativos, inexiste fundamento a apoiar a pretendida declaração de nulidade do despacho decisório e da decisão da DRJ Porto Alegre/RS. Nesse contexto, afastamse as preliminares de nulidade arguidas. II. Mérito. Origem do crédito. No mérito, registrese que o contribuinte, tanto na Manifestação de Inconformidade – que corresponde à fase de Impugnação prevista no PAF, por força do disposto no art. 74, § 11, da Lei nº 9.430/1996 –, quanto no Recurso Voluntario, restringiu o seu pedido ao reconhecimento do direito creditório decorrente de pagamento indevido, nada dizendo sobre a natureza desses créditos, se referentes, por exemplo, a aquisições de insumos ou a outra forma de creditamento autorizada pela lei, inexistindo, portanto, pronúncia quanto às razões de fato ou de direito que deram ensejo ao indébito. Alega o contribuinte que o crédito pleiteado poderia ser comprovado por meio de investigações por parte da Fiscalização, a partir de intimações a ele direcionadas, não fazendo qualquer referência aos dados declarados em DCFT e no PER/DCOMP, restringindo sua defesa às preliminares de nulidade e à referida ausência de auditoria fiscal. Nesse sentido, temse que, desde a primeira instância, por força do contido no § 4º do art. 16 do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal – PAF), tornouse definitiva na esfera administrativa a discussão acerca dos motivos fáticos e de direito que deram origem ao crédito que se pretende compensar. Esclareçase que matéria não suscitada em sede de defesa no Processo Administrativo Fiscal (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade) submetese à preclusão processual, não devendo ser conhecidas possíveis razões que, em tese, pudessem ser apuradas, como sugere o Recorrente, a partir do retorno dos autos à origem para a prolação de nova decisão, esta pautada em dados apurados de ofício pela Fiscalização. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915066/200921 Acórdão n.º 3803003.741 S3TE03 Fl. 102 6 Registrese que o Recorrente não trouxe aos autos qualquer elemento que pudesse comprovar o indébito alegado, não havendo nenhuma prova, ou mesmo alguma referência, relativamente aos dados declarados. Não há nos autos cópia da DCTF ou de qualquer outro documento ou declaração que pudesse ao menos indicar a origem do pagamento indevido. Dessa forma, mesmo que se superasse a ocorrência de preclusão, temse que nenhuma prova foi apresentada pelo interessado, não havendo como decidir, nos termos do seu pedido, pela homologação da compensação, dado o total desconhecimento da origem e da natureza do crédito. Mesmo considerando o princípio da verdade material, em que a apuração da verdade dos fatos pelo julgador administrativo vai além das provas trazidas aos autos pelo interessado, nos casos da espécie ao ora analisado, a prova encontrase em poder do próprio Recorrente, e uma vez que foi dele a iniciativa de instauração do presente processo, pois que relativo a um direito que ele alega ser detentor, não se vislumbra razão à preponderância do princípio da verdade material sobre, por exemplo, o princípio constitucional da celeridade processual (art. 5º, inciso LXXVIII, da Constituição Federal de 1988). Nos processos administrativos originados de pleito do interessado, como o de pedidos de restituição e de declaração de compensação, “prevalece o princípio do dispositivo, de modo que a atividade probatória deve se desenvolver dentro dos limites do pedido formulado pelo contribuinte. O regime jurídico da prova nesta classe de processos administrativos tributários aproximase muito mais do regime jurídico da prova do processo civil, com as peculiaridades decorrentes do fato de que a prova é produzida e apreciada no âmbito administrativo” 1 Nos termos do art. 16 do Decreto n° 70.235/1972, que regula o Processo Administrativo Fiscal (PAF), aplicável na discussão de processos envolvendo compensação tributária, cabe ao impugnante o ônus da prova de suas alegações contrapostas à decisão de não homologação baseada na DCTF e na base de dados de arrecadação. O referido art. 16 do PAF assim dispõe: Art. 16. A impugnação mencionará: I a autoridade julgadora a quem é dirigida; II a qualificação do impugnante; III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) – Grifei (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: (Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) 1 BIANCHINI, Marcela Cheffer. O prazo para apresentação de provas no processo administrativo tributário e os princípios da verdade material e da ampla defesa. Brasília: ESAF, 2008, p. 25. (Disponível em: www.esaf.fazenda.gov.br/ esafsite/biblioteca/monografias/marcela_cheffer.pdf. Consulta realizada em 3 de setembro de 2012). Fl. 102DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS Processo nº 11020.915066/200921 Acórdão n.º 3803003.741 S3TE03 Fl. 103 7 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) b) refirase a fato ou a direito superveniente;(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.(Incluído pela Lei nº 9.532, de 1997) As exceções previstas no § 4º do art. 16 do PAF, supra reproduzidos, não se aplicam ao presente processo, pois não se trata de (i) impossibilidade de apresentação de provas por motivo de força maior, (ii) de fato ou direito superveniente ou (iii) de prova destinada a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. O ônus da prova recai sobre a pessoa que alega o direito ou o fato que o modifica, extingue ou que lhe serve de impedimento, devendo prevalecer a decisão administrativa que não reconheceu o direito creditório e não homologou a compensação, amparada em informações prestadas pelo sujeito passivo e presentes nos sistemas internos da Receita Federal (DCTF e sistemas de arrecadação), inexistindo, nos casos da espécie, autorização legal para a inversão do ônus da prova, como pretende o Recorrente ao requerer que esta Turma, no caso de não prover seu pedido de homologação da compensação, anule o despacho decisório e determine a prolação de um outro, este baseado em informações a serem apuradas pela Fiscalização. Nesse contexto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso. É como voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis – Relator Fl. 103DF CARF MF Impresso em 22/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/11/2012 p or ALEXANDRE KERN, Assinado digitalmente em 28/11/2012 por HELCIO LAFETA REIS
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Numero do processo: 10580.011328/2005-44
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Wed Jan 16 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL.
Os embargos de declaração merecem ser acolhidos quando verificado erro material na fundamentaço do voto.
Numero da decisão: 1401-000.844
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer e acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão 1401-00.482 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, dando-lhes efeitos infringentes quanto ao item de glosa de redução por reinvestimento.
Por esta razão, acrescenta-se ao Acórdão embargado a seguinte ementa:
REDUÇÃO DO IMPOSTO COMO INCENTIVO FISCAL DEPÓSITO PARA REINVESTIMENTO ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA
O valor do adicional do imposto de renda pode ser computado na base de cálculo para determinar-se o valor da redução por reinvestimento de que tratava o artigo 543 do RIR/1999.
Na fundamentação do voto, o item denominado Glosa da dedução a título de redução por reinvestimento, apurada com base no lucro da exploração passa a ter a seguinte redação:
Assiste razão à Recorrente.
De fato, inexiste dispositivo legal que vede o integral aproveitamento do incentivo de redução por reinvestimento, na forma como procedeu a contribuinte.
Por ausência de fundamemntação legal, não deve prosperar a interpretação constante das instruções de preenchimento da DIPJ/2001,no sentido de limitar o usufruto do retrocitado incentivo fiscal.
Em resumo: inexiste base legal para afirmar que o somatório das deduções do imposto a título de incentivos fiscais não pode ser maior do que o próprio valor do imposto de renda devido (sem o cálculo do adicional).
Assim sendo, deve ser acolhida a presente alegação da Recorrente.
Em tudo o mais, mantém-se o Acórdão embargado tal como lavrado.
(assinado digitalmente)
Jorge Celso Freire da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Fernando Luiz Gomes de Mattos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente).
Nome do relator: FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS
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ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. ERRO MATERIAL. Os embargos de declaração merecem ser acolhidos quando verificado erro material na fundamentaço do voto. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, conhecer e acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão 140100.482 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, dandolhes efeitos infringentes quanto ao item de glosa de redução por reinvestimento. Por esta razão, acrescentase ao Acórdão embargado a seguinte ementa: REDUÇÃO DO IMPOSTO COMO INCENTIVO FISCAL – DEPÓSITO PARA REINVESTIMENTO ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA O valor do adicional do imposto de renda pode ser computado na base de cálculo para determinarse o valor da redução por reinvestimento de que tratava o artigo 543 do RIR/1999. Na fundamentação do voto, o item denominado “Glosa da dedução a título de redução por reinvestimento, apurada com base no lucro da exploração” passa a ter a seguinte redação: Assiste razão à Recorrente. De fato, inexiste dispositivo legal que vede o integral aproveitamento do incentivo de redução por reinvestimento, na forma como procedeu a contribuinte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 01 13 28 /2 00 5- 44 Fl. 302DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 2 Por ausência de fundamemntação legal, não deve prosperar a interpretação constante das instruções de preenchimento da DIPJ/2001,no sentido de limitar o usufruto do retrocitado incentivo fiscal. Em resumo: inexiste base legal para afirmar que o somatório das deduções do imposto a título de incentivos fiscais não pode ser maior do que o próprio valor do imposto de renda devido (sem o cálculo do adicional). Assim sendo, deve ser acolhida a presente alegação da Recorrente. Em tudo o mais, mantémse o Acórdão embargado tal como lavrado. (assinado digitalmente) Jorge Celso Freire da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Bezerra Neto, Alexandre Antônio Alkmim Teixeira, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Maurício Pereira Faro, Karem Jureidini Dias e Jorge Celso Freire da Silva (Presidente). Fl. 303DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10580.011328/200544 Acórdão n.º 1401000.844 S1C4T1 Fl. 253 3 Relatório Tratamse de embargos de declaração apresentados pela Presidente da 1ª TO da 4ª Câmara em face do Acórdão nº 140100482, julgado em 24.02.2001 por esta Turma. O Acórdão em apreço recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Ano calendário: 2000 IRPJ SALDO CREDOR DE CORREÇÃO MONETÁRIA DE BALANÇO— DIFERENÇA IPC/BTNF — TRIBUTAÇÃO INTEGRAL. Não havia a obrigação de se apurar a correção monetária da diferença IPC/BTNF sobre o saldo do lucro inflacionário em 31/12/1989, quando o mesmo tivesse sido integralmente tributado em 31/12/1990. Isto porque tal determinação só existia para os valores que constituiriam adição, exclusão ou compensação a partir do período base de 1991, conforme disposto no art. 4º do Decreto nº 332/91. A ilustre Presidente desta Turma à época do julgado, justificou da seguinte forma a apresentaçãos dos presentes embargos: Após a formalização pelo relator e do voto vencedor pelo conselheiro designado, recebi o acórdão para assinar, na qualidade de presidente da turma à época do julgamento. Ocorre que houve um equívoco quando do julgamento do recurso voluntário. De acordo com a ata publicada, constou o seguinte resultado: Decisão: Por maioria de votos, dar provimento integral ao recurso voluntário, vencidos o relator e o conselheiro Antônio Bezerra Neto, que negavam provimento quanto à parcela referente ao lucro inflacionário. Designada a conselheira Karem Jureidini Dias para redigir o voto vencedor nessa matéria. O resultado do julgamento já denota uma contradição intrínseca: ao mesmo tempo em que registra o “provimento integral”, informa que dois conselheiros foram vencidos porque negavam provimento quanto a determinada parcela do recurso, tendo ficado claro que o voto vencedor seria referente a essa matéria. Ao formalizar o voto vencedor, a conselheira designada bem delimitou seu objeto, in verbis: Fl. 304DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 4 Fui designada para redigir o voto vencedor tão somente em relação ao cálculo da diferença IPC/BTNF sobre o lucro inflacionário. Da análise do recurso voluntário e dos memoriais da recorrente resta ainda mais evidente a contradição no resultado. Tratavase de duas matérias recorridas e o colegiado limitouse a examinar e decidir sobre uma delas (lucro inflacionário). A segunda matéria em discussão, conforme relatado no acórdão embargado, corresponde à glosa da dedução a título de redução por reinvestimento, apurada com base no lucro da exploração. Nessa matéria, o digno relator também negava provimento ao recurso do contribuinte, o que implicaria na necessária indicação de redator do voto vencedor, caso a maioria do colegiado entendesse pelo provimento, restando vencido o relator. Sobre o assunto, contudo, não houve discussão nem votação em plenário. Assim, verificase a omissão do julgado consistente na falta de apreciação de matéria sobre a qual deveria terse manifestado o colegiado, dando ensejo a oposição de embargos de declaração para sanar o vício que macula parcialmente o acórdão resultante do julgamento, o qual teria sido realizado de forma incompleta. Em verdade, a contradição no resultado, que registrou o “provimento integral”, apenas reflete a omissão no julgado, pois a segunda matéria sequer chegou a ser apreciada pela turma. É o relatório. Fl. 305DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10580.011328/200544 Acórdão n.º 1401000.844 S1C4T1 Fl. 254 5 Voto Conselheiro Fernando Luiz Gomes de Mattos Os presentes embargos atendem aos requisitos legais, razão pela qual devem ser conhecidos. De fato, há flagrante contradição entre a parte dispositiva do acórdão e a sua fundamentação. Conforme relatado, havia duas matérias recorridas no presente processo, quais fossem: a) cálculo da diferença IPC/BTNF sobre o lucro inflacionário; b) glosa da dedução a título de redução por reinvestimento, apurada com base no lucro da exploração. O resultado do julgamento informa que dois conselheiros foram vencidos porque negavam provimento quanto a uma parcela do recurso (diferença IPC/BTNF). O voto vencido, de minha lavra, foi apresentado no sentido de negar provimento às duas parcelas do recurso: a) cálculo da diferença IPC/BTNF sobre o lucro inflacionário; b) glosa da dedução a título de redução por reinvestimento. O voto vencedor, da lavra da ilustre Conselheira Karem Jureidini Dias, referiuse apenas à primeira parcela do recurso, qual seja o cálculo da diferença IPC/BTNF sobre o lucro inflacionário. Diante desta realidade, é impossível afirmar, com segurança, o que efetivamente aconteceu naquele julgamento. A embargante levantou a hipótese de que não houve discussão nem votação em plenário sobre a segunda matéria litigiosa (glosa da dedução a título de redução por reinvestimento). Se esta hipótese fosse adotada como verdadeira, em sede de embargos declaratórios deveria este colegiado se pronunciar sobre a referida matéria, supostamente não apreciada No entanto, ao rever os autos, relembro que, por ocasião do julgamento, os demais conselheiros integrantes desta Turma apresentaram sólidos argumentos, que modificaram meu convencimento original, fazendo com que eu concordasse em dar provimento à segunda parcela do recurso (referente à glosa de dedução a título de redução por reinvestimento). Assim sendo, verifico que deve ser modificada a ementa bem como a fundamentação daquele voto, consignando os motivos pelos quais este colegiado, por unanimidade de votos, deu provimento à segunda parcela do recurso. Fl. 306DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 6 Por esta razão, submeto à deliberação desta Turma a seguinte fundamentação de voto, no sentido de dar provimento à segunda parcela do recurso voluntário. A parte do voto que foi modificada aparece sublinhada: Glosa da dedução a título de redução por reinvestimento, apurada com base no lucro da exploração De acordo com as autoridades autuantes, a contribuinte teria registrado um valor a maior na linha 11 da ficha 12A da DIPJ/2001. Apesar de a autuada ter o cálculo do incentivo de redução por reinvestimento, presente à linha 32, ficha 10, estar correto, ao ser transportado para a ficha 12A, linha 11, não foram respeitadas as instruções de preenchimento da aludida ficha 12A da DIPJ/2001. Em outras palavras: a autuada apurou corretamente o montante correspondente à Redução por Reinvestimento (R$115.526,07), na ficha 10, linha 32, da DIPJ/2001, à fl. 72, porém, ao transportar tal valor para a linha 11 da ficha 12A, ignorou a limitação quanto a seu efetivo aproveitamento, dada pela diferença entre o valor do imposto devido (linha 01 da ficha 12A) e o somatório das demais deduções a título de incentivos fiscais relacionadas nas linhas 04 a 10 da ficha 12A. Como o resultado algébrico da operação foi negativo, a Contribuinte não poderia registrar valor algum na linha 11 da ficha 12A. Em sua peça recursal, a empresa autuada a Impugnante reclama da limitação imposta pela fiscalização ao usufruto da Redução por Reinvestimento, uma vez que tal limitação não estaria legalmente amparada, constando apenas das instruções de preenchimento da Declaração de Informações EconômicoFiscais (DIPJ/2001). Além disso, refuta o critério de cálculo utilizado, que excluiu o valor do adicional do imposto informado na linha 03 da ficha 12A da DIPJ/2001, mas manteve a parcela do adicional integrante do valor da isenção/redução do imposto declarado na linha 10 da mesma ficha. Assiste razão à Recorrente. De fato, inexiste expressa determinação legal que vede o integral aproveitamento do incentivo de redução por reinvestimento, na forma como procedeu a contribuinte. Por ausência de fundamentação legal, não deve prosperar a interpretação constante das instruções de preenchimento da DIPJ/2001, no sentido de limitar o usufruto do retrocitado incentivo fiscal. Em resumo: inexiste base legal para afirmar que o somatório das deduções do imposto a título de incentivos fiscais não pode ser maior do que o próprio valor do imposto de renda devido (sem o cálculo do adicional). Assim sendo, deve ser acolhida a presente alegação da Recorrente. Por questão de coerência, também submeto ao julgamento do presente colegiado a ementa correspondente ao julgamento desta matéria: Fl. 307DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS Processo nº 10580.011328/200544 Acórdão n.º 1401000.844 S1C4T1 Fl. 255 7 REDUÇÃO DO IMPOSTO COMO INCENTIVO FISCAL – DEPÓSITO PARA REINVESTIMENTO ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA O valor do adicional do imposto de renda pode ser computado na base de cálculo para determinarse o valor da redução por reinvestimento de que tratava o artigo 543 do RIR/1999. Conclusão Por tais fundamentos, voto no sentido de conhecer e acolher os embargos de declaração para rerratificar o Acórdão 140100.482 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, dandolhes efeitos infringentes quanto ao item de glosa de redução por reinvestimento. Por esta razão, proponho que se acrescente ao Acórdão embargado a seguinte ementa: REDUÇÃO DO IMPOSTO COMO INCENTIVO FISCAL – DEPÓSITO PARA REINVESTIMENTO ADICIONAL DO IMPOSTO DE RENDA O valor do adicional do imposto de renda pode ser computado na base de cálculo para determinarse o valor da redução por reinvestimento de que tratava o artigo 543 do RIR/1999. Na fundamentação do voto, proponho a seguinte redação para o item denominado “Glosa da dedução a título de redução por reinvestimento, apurada com base no lucro da exploração”: Assiste razão à Recorrente. De fato, inexiste dispositivo legal que vede o integral aproveitamento do incentivo de redução por reinvestimento, na forma como procedeu a contribuinte. Por ausência de fundamemntação legal, não deve prosperar a interpretação constante das instruções de preenchimento da DIPJ/2001,no sentido de limitar o usufruto do retrocitado incentivo fiscal. Em resumo: inexiste base legal para afirmar que o somatório das deduções do imposto a título de incentivos fiscais não pode ser maior do que o próprio valor do imposto de renda devido (sem o cálculo do adicional). Assim sendo, deve ser acolhida a presente alegação da Recorrente. Em tudo o mais, mantémse o Acórdão embargado tal como lavrado. (assinado digitalmente) Fernando Luiz Gomes de Mattos Relator Fl. 308DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS 8 Fl. 309DF CARF MF Impresso em 17/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOMES DE MATTOS, Assinado digitalmente em 1 2/12/2012 por JORGE CELSO FREIRE DA SILVA, Assinado digitalmente em 09/12/2012 por FERNANDO LUIZ GOM ES DE MATTOS
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Numero do processo: 16366.000266/2008-17
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 29 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
RECEITA AUFERIDA POR COOPERATIVA QUE EXERCE, CUMULATIVAMENTE, AS ATIVIDADES DE TRANSPORTE, RESFRIAMENTO E VENDA A GRANEL DE LEITE IN NATURA. SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VIGÊNCIA. VENDAS DO 4º TRIMESTRE DE 2005. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO. POSSIBILIDADE.
1. A suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas obtidas por cooperativa que exerce, cumulativamente, as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura entrou em vigor no dia 30 de dezembro de 2004, data da vigência da nova redação atribuída ao art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 11.051, de 2004.
2. As receitas auferidas no 3º trimestre de 2005 estão amparadas pelo referido benefício fiscal e não integram a base de cálculo da referida Contribuição.
REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM AQUISIÇÃO DE PRODUTO QUÍMICO UTILIZADO NA HIGIENIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE.
No regime da não cumulatividade, os gastos da indústria de laticínios com a aquisição de produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e tratamento de resíduos industriais, destinados a atender exigência do Poder Público, são considerados insumos essenciais à manutenção do processo produtivo e, nessa condição, integram a base de cálculo dos crédito da Contribuição para o PIS/Pasep.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3802-001.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, para: (i) restabelecer a dedução da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos valores das receitas obtidas nas vendas com suspensão de leite in natura; (ii) restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das aquisições de produtos químicos utilizado na higienização dos equipamentos industriais e no tratamento dos resíduos industriais; e (iii) homologar as compensações até o limite do valor do crédito reconhecido.
(assinado digitalmente)
Regis Xavier Holanda - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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SUSPENSÃO DA INCIDÊNCIA DA CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. VIGÊNCIA. VENDAS DO 4º TRIMESTRE DE 2005. EXCLUSÃO DA BASE CÁLCULO. POSSIBILIDADE. 1. A suspensão da exigência da Contribuição para o PIS/Pasep incidente sobre as receitas obtidas por cooperativa que exerce, cumulativamente, as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura entrou em vigor no dia 30 de dezembro de 2004, data da vigência da nova redação atribuída ao art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 11.051, de 2004. 2. As receitas auferidas no 3º trimestre de 2005 estão amparadas pelo referido benefício fiscal e não integram a base de cálculo da referida Contribuição. REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM AQUISIÇÃO DE PRODUTO QUÍMICO UTILIZADO NA HIGIENIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade, os gastos da indústria de laticínios com a aquisição de produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e tratamento de resíduos industriais, destinados a atender exigência do Poder Público, são considerados insumos essenciais à manutenção do processo produtivo e, nessa condição, integram a base de cálculo dos crédito da Contribuição para o PIS/Pasep. Recurso Voluntário Provido. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 00 02 66 /2 00 8- 17 Fl. 390DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 2ª Turma Especial da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao recurso, para: (i) restabelecer a dedução da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos valores das receitas obtidas nas vendas com suspensão de leite in natura; (ii) restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das aquisições de produtos químicos utilizado na higienização dos equipamentos industriais e no tratamento dos resíduos industriais; e (iii) homologar as compensações até o limite do valor do crédito reconhecido. (assinado digitalmente) Regis Xavier Holanda Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Regis Xavier Holanda, Francisco José Barroso Rios, José Fernandes do Nascimento, Solon Sehn, Bruno Maurício Macedo Curi e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Ausência momentânea do Conselheiro Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra Acórdão proferido pela 3ª Turma de Julgamento da DRJ – Curitiba/PR, em que, por unanimidade de votos, não acolheu as razões de inconformidade interpostas pela contribuinte e indeferiu a solicitação de reforma do despacho decisório, mantendo o indeferimento do ressarcimento em litígio e a não homologação das compensações pleiteadas, com base nos fundamentos resumidos na ementa a seguir transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 CONTESTAÇÃO DE VALIDADE DE NORMAS VIGENTES. JULGAMENTO ADMINISTRATIVO. COMPETÊNCIA. A autoridade administrativa não tem competência para, em sede de julgamento, negar validade às normas vigentes. VENDAS COM SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO PIS. ART. 9º DA LEI Nº 10.925 DE 2004. VIGÊNCIA. Somente a partir de 04/04/2006, com a edição da IN SRF nº 660, de 2006, é que entraram em vigor as regras para a suspensão da exigibilidade do PIS em relação às vendas efetuadas, nos moldes do previsto no art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. CRÉDITO PRESUMIDO. NÃO CUMULATIVIDADE. FORMA DE UTILIZAÇÃO. Fl. 391DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16366.000266/200817 Acórdão n.º 3802001.482 S3TE02 Fl. 21 3 O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, art. 8º, não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, devendo ser utilizado somente para a dedução do PIS apurado no regime de incidência não cumulativa. RESSARCIMENTO. OPERAÇÕES NO MERCADO INTERNO. No que se refere à receita auferida com operações no mercado interno, apenas o saldo credor do PIS/Pasep e da Cofins acumulado em virtude de vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota zero ou não incidências dessas contribuições é que pode ser compensado com outros tributos ou ser objeto de pedido de ressarcimento a partir da vigência da Lei nº 11.116, de 2005. INSUMO. CONCEITO. Para ser considerado insumo, o bem ou o serviço, desde que adquirido de pessoa jurídica, deve ter sido consumido, desgastado, ou ter perdidas as suas propriedades físicas ou químicas em razão de ação diretamente exercida sobre o produto em elaboração. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 PERÍCIA. REQUISITOS LEGAIS. Considerase não formulado o pedido de perícia que não atenda aos requisitos legais. JUNTADA DE PROVAS DOCUMENTAIS. As provas documentais devem ser apresentadas juntamente com a peça impugnatória, sob pena de preclusão, salvo exceções taxativamente previstas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Por bem descrever os fatos, reproduzo a seguir o relatório que integra Acórdão recorrido: Trata o processo de pedido de ressarcimento de R$ 97.680,81 de crédito de PIS/Pasep não cumulativo (fls. 02/04) relativo ao 4º trimestre de 2005, proveniente de operações no mercado interno (Per/Dcomp nº 19613.81679.211206.1.5.104802, que retificou o Per/Dcomp nº 14289.82603.170706.1.1.102860), apresentado em 21/12/2006. Às fls. 08/15, juntouse cópia do Dacon – Demonstrativo de Apuração das Contribuições Sociais relativo ao 4º trimestre de 2005. Fl. 392DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 4 Às fls. 16/222, intimações fiscais (Intimação Saort nº 428/2008; Intimação Saort nº 628/2008; Intimação Saort nº 735/2008; Intimação Saort nº 851/2008 e Intimação Saort nº 852/2008), e cópias de documentos apresentados pela contribuinte (cópias de fichas de matrícula de associação, declarações, cópia de procurações, esclarecimentos, planilhas diversas e cópia de fichas do razão analítico). O Termo de Informação Fiscal de fls. 223/235, da Seção de Orientação e Análise Tributária da DRF em Londrina, analisa o pleito e propõe o reconhecimento parcial do direito creditório pleiteado. Às fls. 236/247, cópia das Dcomp nºs 10531.10589.281207.1.3.100071, 42511.47846.120208.1.7.10 0284 e 34114.00959.100108.1.3.105415, vinculadas ao pedido de ressarcimento sob análise. Às fls. 249/251, demonstrativos de compensação. Com base no Termo de Informação Fiscal de fls. 223/235, a Saort da DRF em Londrina emitiu, em 29/09/2008, o Parecer Saort/DRF/Lon nº 639/2008 (fls. 253/255), que opina pela admissão das retificadoras apresentadas, pelo deferimento parcial (R$ 35.081,77) do pedido de ressarcimento, pela homologação parcial da compensação constante da Dcomp nº 10531.10589.281207.1.3.100071 e pela não homologação da compensação constante da Dcomp nº 42511.47846.120208.1.7.100284. Acolhido o Parecer, em 29/09/2008 foi emitido o despacho decisório de fl. 256. Cientificada (fls. 260/262) em 09/10/2008, a contribuinte, em 07/11/2008, apresentou a manifestação de inconformidade de fls. 263/289, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, após breve relato dos fatos, discorre sobre a sua atividade e salienta ser o resultado de uma reunião de cooperativas agropecuárias do norte do Paraná, voltadas especialmente para a produção de leite. A seguir, transcreve o texto dos arts. 17 da Lei nº 11.033, de 2005 e 16 da Lei nº 11.116, de 2005 e afirma que “é assegurado às Sociedades Cooperativas o direito de manutenção dos créditos do PIS e COFINS.” No que diz respeito à suspensão, afirma que “demonstrarseá neste texto que o contribuinte possui direito ao cumprimento dos ditames constitucionais da nãocumulatividade, especialmente sobre a possibilidade de aproveitamento de créditos decorrentes do sistema de suspensão.” No tópico seguinte, discorre sobre a não cumulatividade do PIS/Cofins, chamando a atenção para o contido nas Leis nºs 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003. Ressalta, ainda, que a não cumulatividade plena prevê a compensação do valor exigido na operação anterior com o montante devido na operação posterior. Alerta, contudo, que a “nãocumulatividade determinada para estas contribuições não é plena, visto que existem custos, encargos ou despesas que não podem ser Fl. 393DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16366.000266/200817 Acórdão n.º 3802001.482 S3TE02 Fl. 22 5 excluídos; tal situação pode gerar uma ofensa ao regime geral da nãocumulatividade e do sistema constitucional tributário nacional.” Noutro tópico (Do Regime de Aproveitamento de Créditos das Contribuições do PIS e da Cofins no Caso de Vendas com Suspensão.) esclarece que o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins é disciplinado pela Lei nº 11.033, de 2004 (art. 17) e que no caso do setor de leite esta possibilidade está resguardada pelo art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. Considerando a alteração implementada pela Lei nº 11.051, de 2004 (art. 8º, § 4º, I, II), afirma que a vedação do aproveitamento dos créditos da suspensão viola os princípios da não cumulatividade, da isonomia, da capacidade contributiva, da vedação de confisco, da ofensa à neutralidade fiscal e da ofensa à repartição rígida de competências tributárias. Esclarece, a seguir, que no presente caso pretendese “que os créditos de PIS/COFINS de fretes e energia elétrica, embalagens, serviços e insumos utilizados na produção de leite possam ser mantidos, pois, do contrário, há claramente uma oneração do contribuinte que irá suportar um custo adicional que deveria ser resolvido pelo sistema de compensação entre créditos e débitos.” Prossegue, discorrendo sobre o que chama de “questão temporal.” Transcreve o § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004 e diz que não se pode delimitar o prazo de vigência de uma lei benéfica ao contribuinte com base neste dispositivo, afinal, a Lei nº 10.925, de 2004, conforme seu art. 18, entrou em vigor em 26/07/2004, data de sua publicação. Diz, também, que “pela leitura do parágrafo referido, os ‘termos’ e ‘condições’ serão estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal. Em momento algum se diz que cabe a esta determinar a data da vigência da lei.” Acrescenta, ainda, que “não se pode esquecer que a vigência da lei é definida no próprio texto legal, não em Instruções Normativas que não possuem força de Lei” e que “fazer valer a IN sobre a Lei é ferir de morte o princípio da Legalidade.” Prossegue, discorrendo sobre os princípios da legalidade e da irretroatividade. Sobre o crédito presumido, diz que não foi considerado na auditoria a necessidade de serem refeitos os cálculos do crédito presumido pois “uma vez que foi a base de cálculo elevada, devese aumentar o valor do crédito presumido, no caso do indeferimento da concessão dos créditos vinculados às operações com suspensão.” Sobre o assunto, transcreve trechos da Lei nº 10.925, de 2004. Conclui o tópico, pleiteando a realização de perícia técnica para determinar o valor correto dos créditos presumidos que podem ser aproveitados pela contribuinte. Fl. 394DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 6 Quanto ao rateio dos créditos, salienta que se houver o indeferimento da concessão dos créditos vinculados à suspensão deve haver a correta distribuição dos créditos. Esclarece a questão nos seguintes termos: “se reformada a decisão, este pedido perde seu objeto, mas uma vez não ocorrendo o deferimento do requerido previamente apresentado neste recurso, esta distribuição deve ser corretamente observada, pois não há que se falar diretamente em proporcionalidade, como considerado.” Finaliza, requerendo a realização de perícia para a determinação correta dos valores restituíveis à Cooperativa. Quanto aos insumos não considerados (contas 7.0.0.00.09 e 7.1.0.00.09), diz que todos estão enquadrados no conceito desejado pela norma legal. Afirma que definições como estas, tais como as propostas pela fiscalização são “como um todo, até mesmo temerárias, pois são, em sua essência, um desestímulo à higienização de equipamentos que produzirão alimentos que serão consumidos por seres humanos.” Ao final, requer: a) no plano material, o recebimento da manifestação de inconformidade, e a declaração de procedência da manifestação, a liberação dos créditos vinculados às operações sujeitas à suspensão, a homologação das compensações constantes das Dcomp transmitidas, e a decisiva extinção dos créditos tributários, por meio da compensação; b) sucessivamente, o deferimento de perícia técnica para (1) apuração dos valores reais do crédito presumido, (2) a correta distribuição dos créditos entre as operações sujeitas à suspensão e à alíquota zero e (3) responder quesitos suplementares julgados necessários. c) no plano instrumental, o recebimento da manifestação de inconformidade, e, além das provas já apresentadas, a possibilidade de juntar novas provas, necessárias à fiel comprovação do direito, bem como de uma perícia contábil para apuração dos valores reais do crédito presumido e da correta distribuição dos créditos entre as operações sujeitas à suspensão e à alíquota zero. Em 16/5/2011, a Recorrente foi cientificada da decisão. Em 2/6/2011, protocolou Recurso Voluntário, em que reafirmou os argumentos e os pedidos apresentados na presente Manifestação de Inconformidade. Em 24/10/2011, os presentes autos foram enviados a este E. Conselho. Na Sessão de julho 2012, mediante sorteio, foram distribuídos para este Conselheiro. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator Fl. 395DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16366.000266/200817 Acórdão n.º 3802001.482 S3TE02 Fl. 23 7 O presente Recurso foi apresentado dentro do prazo legal e atende os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele tomo conhecimento. De acordo com o Termo de Informação Fiscal de fls. 223/235, a fiscalização glosou: a) os valores das receitas excluídas da base cálculo, relativas às vendas de leite in natura, contempladas com o benefício da suspensão da incidência das Contribuições para o PIS/Pasep e Cofins, se auferidas por pessoa jurídica que exerce, cumulativamente, às atividades de transporte, resfriamento e venda a granel do referido produto; e b) os valores dos créditos referentes (i) aos gastos com produtos químicos, utilizados na limpeza das máquinas e equipamentos industriais e da estação de tratamento de resíduos industriais, e (ii) às aquisições de pessoas físicas, relativas à material de combustão e serviços de transporte de leite. No presente Recurso, não houve contestação da glosa dos créditos atinentes às aquisições de pessoas físicas, o que torna a decisão primeiro grau definitiva em relação a este ponto, nos termos do parágrafo único do art. 421 do Decreto nº 70.235, de 1972. Em decorrência, a presente controvérsia limitase à glosa dos valores das receitas excluídas da base cálculo e dos gastos com os produtos químicos, a seguir analisados. Da glosa das receitas excluídas da base cálculo Segundo a fiscalização, eram indevidas as exclusões da base cálculo das referidas Contribuições, realizadas no 4º trimestre 2005, referentes às receitas obtidas nas vendas de leite in natura, por cooperativas que, cumulativamente, exercessem as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, uma vez que tal beneficio somente entrou em vigor a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 636, de 24 de março de 2006, que regulamentou o art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004. Por outro lado, alegou a Recorrente que o benefício fiscal em destaque entrou em vigor em 26 de julho de 2004, data da publicação da Lei nº 10.925, de 2004, logo, a referida Instrução Normativa não podia protelar o prazo de vigência do citado comando legal, sob pena de grave agressão ao princípio da legalidade. A discórdia evidencia que o cerne da controvérsia encontrase na definição do termo inicial da vigência do benefício fiscal em questão. O motivo da divergência é o teor do § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, com a nova redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004, a seguir transcrito: Art. 9º A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] 1 "Art. 42. São definitivas as decisões: I de primeira instância esgotado o prazo para recurso voluntário sem que este tenha sido interposto; II de segunda instância de que não caiba recurso ou, se cabível, quando decorrido o prazo sem sua interposição; III de instância especial. Parágrafo único. Serão também definitivas as decisões de primeira instância na parte que não for objeto de recurso voluntário ou não estiver sujeita a recurso de ofício." Fl. 396DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 8 II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II2 do § 1odo art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] § 1o O disposto neste artigo:(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6oe 7odo art. 8odesta Lei.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2oA suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF.(Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) – grifos não originais. O benefício reclamado pela Recorrente foi instituído somente a partir da nova redação dada ao referido art. 9º pelo art. 29 da Lei nº 11.051, de 29 de dezembro de 2004, que no seu o art. 34, III, estabeleceu que os efeitos da mencionada alteração somente seriam produzidos a partir de 30 de dezembro de 2004, data da publicação da dita Lei. Definida a data de vigência do benefício fiscal em apreço, remanesce ainda a questão concernente a sua eficácia, ou seja, se o citado benefício fiscal poderia ser usufruído imediatamente, a partir da data da vigência do referido comando legal, ou somente a partir de 4 de abril de 2006, data da publicação da Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006, norma que fixou, inicialmente, os termos e condições previstos no § 2º do art. 9º em destaque. A resposta a essa questão depende da natureza do norma regulamentadora. Se ela for imprescindível para o gozo do benefício, obviamente, a resposta será afirmativa, caso contrário, inexiste razão para protelar a plena eficácia da norma legal em plenas condições de produzir os seus normais efeitos. Os termos e condições, exigidos pelo citado preceito legal, foram estabelecidos pelo art. 2º Na Instrução Normativa SRF nº 636, de 2006, a seguir reproduzido: Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da 2 "Art. 8º As pessoas jurídicas, inclusive cooperativas, que produzam mercadorias de origem animal ou vegetal, classificadas nos capítulos 2, 3, exceto os produtos vivos desse capítulo, e 4, 8 a 12, 15, 16 e 23, e nos códigos 03.02, 03.03, 03.04, 03.05, 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99, 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09, 2101.11.10 e 2209.00.00, todos da NCM, destinadas à alimentação humana ou animal, poderão deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, devidas em cada período de apuração, crédito presumido, calculado sobre o valor dos bens referidos no inciso II do caput do art. 3º das Leis nºs 10.637, de 30 de dezembro de 2002, e 10.833, de 29 de dezembro de 2003, adquiridos de pessoa física ou recebidos de cooperado pessoa física. (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1º O disposto no caput deste artigo aplicase também às aquisições efetuadas de: [...] II pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura; [...]" Fl. 397DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16366.000266/200817 Acórdão n.º 3802001.482 S3TE02 Fl. 24 9 Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: [...] II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel; [...] § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: [...] III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º A suspensão de que trata este artigo alcança somente as vendas efetuadas à pessoa jurídica agroindustrial de que trata o art. 3º. § 3º A pessoa jurídica adquirente dos produtos deverá comprovar a adoção do regime de tributação pelo lucro real mediante apresentação, perante a pessoa jurídica vendedora, de declaração firmada pelo sócio, acionista ou representante legal da pessoa jurídica adquirente. § 4º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a IV do caput o aproveitamento de créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes de aquisição de insumos relativos aos produtos agropecuários vendidos com suspensão da exigência dessas contribuições. (grifos não originais) Comparando a redação do dispositivo legal regulamentado com a do preceito regulamentador, verificase que a única condição neste estatuída que não consta daquele é a necessidade de a pessoa jurídica adquirente dos produtos comprovar “a adoção do regime de tributação pelo lucro real mediante apresentação, perante a pessoa jurídica vendedora, de declaração firmada pelo sócio, acionista ou representante legal da pessoa jurídica adquirente”. Tratase de exigência de natureza meramente procedimental, destinada a comprovar o requisito “de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real”, presente no comando legal regulamentado. Tal circunstância evidencia que a condição fixada na referida Instrução Normativa não era imprescindível, para fosse utilização o referido benefício fiscal já a partir de 30 de dezembro de 2004, data da vigência da nova redação atribuída ao art. 9º da Lei nº 10.925, de 2004, pela Lei nº 11.051, de 2004. Como não há notícias nos autos de que a Recorrente tenha descumprido quaisquer dos requisitos estabelecidos nos citados preceitos normativos, deve ser restabelecida a exclusão da base cálculo das referidas Contribuições, relativa ao 4º trimestre de 2005, dos valores totais das receitas obtidas nas vendas de leite in natura, glosadas pela fiscalização. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 10 Em consequência dessa conclusão, tornase desnecessária a análise dos demais argumentos suscitados pela Recorrente em relação esse ponto, incluindo o pedido de realização de perícia, para recomposição de base de cálculo e rateio de supostos créditos. Da glosa dos créditos apurados sobre os gastos com produtos químicos. Embora a fiscalização tenha reconhecido que tais gastos integrem os custos e as despesas industriais da Recorrente, com base na Instrução Normativa SRF n° 247, de 2002, alegou que eles não se caracterizariam como insumos, uma vez que não eram aplicados ou consumidos diretamente na produção, nem sofriam “alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação”. Por sua vez, a Recorrente alegou que os gastos com os referidos produtos eram considerados insumos, pois, por determinação do Serviço de Inspeção Federal (SIF), eram obrigatoriamente utilizados na assepsia e higienização dos tanques de transporte de leite (caminhões), silos e equipamentos industriais, para evitar a contaminação da matériaprima e do produto acabado, bem como no tratamento de resíduos industriais. Conforme explicitado, a origem da controvérsia decorre da utilização de regimes jurídicos distintos para definir o significado e alcance do termo insumo no âmbito do regime da não cumulatividade que rege a cobrança da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins. A fiscalização adotou o conceito de insumo do regime da não cumulatividade do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), ao passo que a Recorrente utilizou o conceito de insumo explicitado no art. 3º, II, das Leis nºs 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003, a seguir transcrito: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) [...] II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2o da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) [...] (grifos não originais. A razão está com a Recorrente. No Acórdão nº 3802001.418 (Processo nº 16366.000228/200937), prolatado na Sessão de 25 de outubro de 2012, este Colegiado analisou a questão e, na oportunidade, prevaleceu o entendimento de que o conceito de insumo do regime não cumulativo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não se identifica com o conceito restrito da legislação do IPI nem com o amplo de despesa necessária da legislação do Imposto sobre a Renda. No âmbito deste Conselho, o conceito de insumo que vem se firmando é aquele que leva em conta as próprias especificidades do regime da não cumulatividade das referidas Contribuições, instituído pelas referida leis, que se operacionaliza segundo a técnica do “tributo sobre tributo”, em que do valor dos débitos apurados são deduzidos os valores dos Fl. 399DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA Processo nº 16366.000266/200817 Acórdão n.º 3802001.482 S3TE02 Fl. 25 11 créditos admitidos. De acordo com essa sistemática, como os débitos são calculados sobre o valor da receita e os créditos são apurados com base no valor dos insumos utilizados “na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda”, logo, o conceito de insumo abrange todos os gastos inerentes ao processo produtivo. No caso em apreço, a higienização dos equipamentos industriais e o tratamento dos resíduos decorrentes do processo de industrialização são exigências do próprio Poder Público que deve ser cumprida pela Recorrente, sob pena de inviabilizado o processo produtivo. Em consequência, os gastos com a aquisição dos produtos químicos utilizados nessa atividade são considerados insumos, posto que são essenciais à manutenção do processo de fabricação. No Acórdão nº 930301.740, ao analisar questão similar, a 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) manifestou o mesmo entendimento, conforme explicitado na ementa a seguir transcrita: COFINS. INDUMENTÁRIA. INSUMOS. DIREITO DE CRÉDITO.ART. 3º LEI 10.833/03. Os dispêndios, denominados insumos, dedutíveis da Cofins não cumulativa, são todos aqueles relacionados diretamente com a produção do contribuinte e que participem, afetem, o universo das receitas tributáveis pela referida contribuição social. A indumentária imposta pelo próprio Poder Público na indústria de processamento de alimentos exigência sanitária que deve ser obrigatoriamente cumprida é insumo inerente à produção da indústria avícola, e, portanto, pode ser abatida no cômputo de referido tributo. Recurso Especial do Procurador Negado. (CSRF. 3ª Turma. Ac. 930301.740, de 9/11/2011, rel. Nanci Gama). Com base no exposto, fica demonstrado que os gastos com a aquisição dos produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e no tratamentos dos resíduos industriais, enquadramse no conceito de insumo estabelecido no art. 3º, II, da Lei nº 10.637, de 2002, portanto, deve ser computado na base de cálculo dos créditos da Contribuição para o PIS/Pasep. Da conclusão. Por todo o exposto, DOU PROVIMENTO ao presente Recurso, para: (i) restabelecer a dedução da base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep dos valores das receitas obtidas nas vendas com suspensão de leite in natura; (ii) restabelecer a dedução dos créditos apurados sobre o valor das aquisições de produtos químicos utilizado na higienização dos equipamentos industriais e no tratamento dos resíduos industriais; e (iii) homologar as compensações até o limite do valor crédito reconhecido. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 400DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA 12 Fl. 401DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 18 /12/2012 por JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO, Assinado digitalmente em 27/12/2012 por REGIS XAVIER HOLA NDA
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003176/2008-41
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 09/09/2008
NULIDADE
A falta de elemento essenciais à caracterização da infração constitui vício material.
Numero da decisão: 2403-001.512
Decisão: Recurso Voluntário Provido
Crédito Tributário Exonerado
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda seção de julgamento, Por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso.
Carlos Alberto Mees Stringari
Presidente e Relator
Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
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Recurso Voluntário Provido Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 4ª câmara / 3ª turma ordinária do segunda SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por unanimidade de voto, em dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente e Relator Participaram, ainda, do presente julgamento, os conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente), Ivacir Julio de Souza, Maria Anselma Coscrato dos Santos, Ewan Teles Aguiar, Paulo Mauricio Pinheiro Monteiro e Marcelo Magalhães Peixoto. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 31 76 /2 00 8- 41 Fl. 155DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Secretaria da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora, Acórdão 0928.096 da 5ª Turma, que julgou improcedente a impugnação. A autuação foi assim apresentada no relatório do acórdão recorrido: Tratase de Auto de Infração de Obrigação Acessória AI DEBCAD n° 37.172.5771 lavrado em 09/09/2008, no valor de R$1.254,89 (hum mil, duzentos de cinqüenta e quatro reais e oitenta e nove centavos). A Ação Fiscal iniciouse com a ciência pelo sujeito passivo do Termo de Inicio da Mao Fiscal — TIAF em 28/02/2008, fls. 06/07. Emitidos Termo de Intimação para Apresentação de Documentos —TIAD para apresentação de documentos e a prestar esclarecimentos e informações; em 23/06/2008, documentos de caixa e extracaixa suporte dos lançamentos contábeis do ano de 2003 a 2007 (fls. 08); em 09/07/2008, documentação técnica dos sistemas informatizados de registro de negócios e atividades econômicas, escrituração de livros ou produção de documentos, especificamente em relação a folha de pagamento e contabilidade e ciência que o Mandado de Procedimento Fiscal — MPF teve a validade prorrogada estando o mesmo disponível na página da Secretaria da Receita Federal do Brasil na interne, www.receita.fazenda.gov.br , mediante informação do número do CNPJ e código de acesso (fls. 09); em 09/07/2008, dos documentos que originaram os lançamentos contábeis na relação em anexo intitulada "Amostragem contabilidade 1" (fls. 10); em 11/07/2008, para informar na planilha, em anexo, intitulada "Amostragem contabilidade 2", o nome do beneficiário do adiantamento concedido (fls. 14); em 22/07/2008, "relação dos itens integrantes do ativo imobilizado ... ", "contratos de Leasing ...", "contrato, projeto e memorial descritivo referente aos serviços prestados por Archel Engenharia Ltda, ...", livros Diário dos anos de 2003 a 2007, bem como cópias dos termos de abertura e encerramento e dos balanços patrimoniais que os acompanham, contratos de locação e/ou sublocação firmados pela empresa (fls. 34 e em 28/07/2008, reitera a apresentação dos documentos solicitados no TIAD datado de 22/07/2008 e documentos que originaram os lançamentos contábeis na relação intitulada "Amostragem contabilidade 3", em anexo, "relação de veículos ...", "originais e cópias das faturas mensais dos cartões de crédito em nome da empresa UNIFLEX, ..." (fls. 35). Conforme Relatório Fiscal da Infração, de fls. 39, constatase em síntese que a empresa está sendo autuada por infringir a Lei Fl. 156DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.003176/200841 Acórdão n.º 2403001.512 S2C4T3 Fl. 3 3 n° 8.213, de 24/07/1991, art. 17 combinado com art. 18, I e § 1 0 do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, por deixar de inscrever segurado empregado, conforme fatos abaixo descritos. Em diligencia à Justiça do Trabalho da 3° Vara de Novo Hamburgo evidenciamos o nome do Sr Daniel Lopes de Araújo na ata de audiência do processo de reclamatória trabalhista numero 01180200530304001, realizada em 24/05/2006, como preposto da empresa UNIFLEX. Ao analisarmos os documentos da empresa constatamos que a mesma somente formalizou a sua contratação em 01/02/2007, conforme cópia de sua ficha de registro de empregado n° 281, carimbada e rubricada pela auditoria fiscal, em anexo, juntamente com cópias do contrato de trabalho e termo de compromisso do vale transporte. Anexado cópias de documentos. De acordo com o Relatório Fiscal da Aplicação da Multa, fls. 40, a multa aplicada é a prevista na Lei n° 8.213, de 24/07/1991, arts. 133 e 134, Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, art. 283, "caput", combinado com o § 2° e art. 373, com valor atualizado pela Portaria MPS/MF n° 77, de 11/03/2008. Não ficaram configuradas as demais circunstancias agravantes e atenuantes previstas, respectivamente nos artigos 290 e 291 do Regulamento da Previdência Social — RPS. Não constam antecedentes de autuação em nome da empresa, conforme informações disponíveis no banco de dados das contribuições previdenciárias. Inconformada com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega, em síntese, que: · Inexistência do MPF. · Auto de Infração foi lavrado com fulcro nas disposições do art. 17 da Lei Federal 112 8.212/91, c/c artigo 18, I e parágrafo 1 do Decreto nº 3048/99. Em resumo, teria o contribuinte incorrido nas penalidades ali previstas, pelos seguintes fatos: "Deixar de inscrever segurado empregado." · Não é imposição legal que o preposto seja empregado da empresa. · Decadência. É o relatório. Fl. 157DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI 4 Voto Conselheiro Carlos Alberto Mees Stringari, Relator O recurso é tempestivo e por não haver óbice ao seu conhecimento, passo à análise das questões pertinentes. SEGURADO EMPREGADO VÍCIO A descrição da infração presente na folha 1 evidencia que a fiscalização considerou o senhor Daniel Lopes de Araújo como empregado. DESCRIÇÃO SUMARIA DA INFRAÇÃO E DISPOSITIVO LEGAL INFRINGIDO Deixar a empresa de inscrever o segurado empregado conforme previsto na Lei n. 8.213, de 24.07.91, art. 17, combinado com o art. 18, I e parágrafo 1. do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n. 3.048, de 06.05.99. Concordo com a argumentação apresentada pela empresa de que preposto não necessita ser empregado. O Relatório Fiscal, Abaixo transcrito, apenas afirma que o senhor Daniel atuou como preposto em 24/05/2006 e foi contratado como empregado em 01/02/2007, sem apresentar elementos que caracterizassem a não eventualidade do serviço prestado no ano 2006. RELATÓRIO FISCAL DA INFRAÇÃO: A empresa está sendo autuada por infringir o disposto na Lei no 8.213, de 24/07/1991, art. 17 combinado com art. 18, I e § 1° do Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048, de 06/05/1999, por deixar de inscrever segurado empregado, conforme fatos abaixo descritos. Em diligência à Justiça do Trabalho da 3a Vara de Novo Hamburgo evidenciamos o nome do Sr Daniel Lopes de Araújo na ata de audiência do processo 01180200530304001, apensa ao presente relatório, realizada em 24/05/2006, como preposto da empresa UNIFLEX. Ao analisarmos os documentos Fl. 158DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI Processo nº 11065.003176/200841 Acórdão n.º 2403001.512 S2C4T3 Fl. 4 5 da empresa constatamos que a mesma somente formalizou a sua contratação em 01/02/2007, conforme cópia de sua ficha de registro de empregado no 281, carimbada e rubricada pela auditoria fiscal, em anexo, juntamente com cópias do contrato de trabalho e termo de compromisso do vale transporte. Na apresentação de impugnação, o crédito tributário constituído é identificado na Receita Federal do Brasil pelo protocolo número 11065.003176/200841. Visto que empregado é quem que presta serviço de natureza urbana ou rural à empresa, em caráter não eventual, sob sua subordinação e mediante remuneração, tal falta constitui vício matéria, suficiente para anular o lançamento. CONCLUSÃO. Voto por dar provimento ao recurso. Carlos Alberto Mees Stringari Fl. 159DF CARF MF Impresso em 27/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 16/11/2012 por CLAUDIA DOLORES ROSA, Assinado digitalmente em 26/11/2012 por CARLOS ALBERTO MEES STRINGARI
score : 1.0
Numero do processo: 18088.720163/2011-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 02 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Exercício: 2007
Ementa:
SUJEIÇÃO PASSIVA. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Comprovada a extinção da pessoa jurídica, eis que carreado aos autos documento relativo à dissolução e ao arquivamento do correspondente distrato social, revela-se incabível a formalização de exigência tributária em seu nome, dado que a pessoa jurídica extinta, sendo inexistente no mundo jurídico, não pode compor o pólo passivo da referida obrigação.
RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI.
Enquadra-se nas disposições do art. 135 do Código Tributário Nacional o sócio administrador da sociedade que, detendo perfeito conhecimento acerca dos atos que conduziram à subtração de rendas à tributação, promove a dissolução da referida sociedade. No caso, resta patente que o produto sonegado ao erário constituiu patrimônio absorvido de forma indevida pelo citado sócio, haja vista a extinção da pessoa jurídica.
SIGILO BANCÁRIO. SIGILO FISCAL
Descabe falar em afastamento de sigilo bancário sem autorização judicial quando se constata que o lançamento tributário não tomou por base dados relacionados à movimentação financeira do contribuinte. Improcedente, da mesma forma, a argüição de quebra de sigilo fiscal em razão da utilização, pela autoridade fiscal, de documentos de terceiro relacionado com a infração apurada, eis que, dada a universalidade da documentação que serve de suporte para a imputação feita por meio do procedimento de ofício, referido sigilo deve ser preservado, sob pena de responsabilidade funcional.
INFORMAÇÕES EXTERNAS. PROVA EMPRESTADA.
Se os elementos que serviram de subsídio para o lançamento tributário, originários de informações prestadas ao Fisco estadual, tiveram a sua plausibilidade aferida por investigações complementares promovidas pela autoridade fiscal e decorreram de informações prestadas pelo próprio fiscalizado, há de se manter as imputações infracionais deles decorrentes.
DOLO. MULTA QUALIFICADA.
Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996.
BASE DE CÁLCULO. INCORREÇÃO. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE.
A simples alegação de que a base de cálculo apurada de ofício foi contaminada pela inclusão de valores não tributáveis, desprovida de elementos de comprovação, não tem o condão de afastar a exigência formalizada ou mesmo de reduzir o seu montante.
Numero da decisão: 1301-001.062
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do pólo passivo a Tecneletra Construções Elétrica Ltda.
documento assinado digitalmente
Alberto Pinto Souza Junior
Presidente
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier.
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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PESSOA JURÍDICA EXTINTA. LANÇAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Comprovada a extinção da pessoa jurídica, eis que carreado aos autos documento relativo à dissolução e ao arquivamento do correspondente distrato social, revelase incabível a formalização de exigência tributária em seu nome, dado que a pessoa jurídica extinta, sendo inexistente no mundo jurídico, não pode compor o pólo passivo da referida obrigação. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. ATOS PRATICADOS COM INFRAÇÃO DE LEI. Enquadrase nas disposições do art. 135 do Código Tributário Nacional o sócio administrador da sociedade que, detendo perfeito conhecimento acerca dos atos que conduziram à subtração de rendas à tributação, promove a dissolução da referida sociedade. No caso, resta patente que o produto sonegado ao erário constituiu patrimônio absorvido de forma indevida pelo citado sócio, haja vista a extinção da pessoa jurídica. SIGILO BANCÁRIO. SIGILO FISCAL Descabe falar em afastamento de sigilo bancário sem autorização judicial quando se constata que o lançamento tributário não tomou por base dados relacionados à movimentação financeira do contribuinte. Improcedente, da mesma forma, a argüição de “quebra” de sigilo fiscal em razão da utilização, pela autoridade fiscal, de documentos de terceiro relacionado com a infração apurada, eis que, dada a universalidade da documentação que serve de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 08 8. 72 01 63 /2 01 1- 16 Fl. 424DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 425 2 suporte para a imputação feita por meio do procedimento de ofício, referido sigilo deve ser preservado, sob pena de responsabilidade funcional. INFORMAÇÕES EXTERNAS. PROVA EMPRESTADA. Se os elementos que serviram de subsídio para o lançamento tributário, originários de informações prestadas ao Fisco estadual, tiveram a sua plausibilidade aferida por investigações complementares promovidas pela autoridade fiscal e decorreram de informações prestadas pelo próprio fiscalizado, há de se manter as imputações infracionais deles decorrentes. DOLO. MULTA QUALIFICADA. Se os fatos apurados pela Autoridade Fiscal permitem caracterizar o intuito deliberado da contribuinte de subtrair valores à tributação, é cabível a aplicação, sobre os valores apurados a título de omissão de receitas, da multa de ofício qualificada de 150%, prevista no artigo 44 da Lei nº 9.430, de 1996. BASE DE CÁLCULO. INCORREÇÃO. ALEGAÇÃO. COMPROVAÇÃO. NECESSIDADE. A simples alegação de que a base de cálculo apurada de ofício foi contaminada pela inclusão de valores não tributáveis, desprovida de elementos de comprovação, não tem o condão de afastar a exigência formalizada ou mesmo de reduzir o seu montante. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir do pólo passivo a Tecneletra Construções Elétrica Ltda. “documento assinado digitalmente” Alberto Pinto Souza Junior Presidente “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Alberto Pinto Souza Junior, Paulo Jakson da Silva Lucas, Wilson Fernandes Guimarães, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Júnior e Carlos Augusto de Andrade Jenier. Fl. 425DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 426 3 Relatório TECNELETRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA., já devidamente qualificada nestes autos, inconformada com a decisão da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, São Paulo, que manteve, em parte, os lançamentos tributários efetivados, interpõe recurso a este colegiado administrativo objetivando a reforma da decisão em referência. Trata o processo de exigências de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS), Contribuição para Financiamento da Seguridade Social (COFINS) e Contribuição para a Seguridade Social INSS, relativas ao anocalendário de 2006, formalizadas a partir da imputação de omissão de receitas, apurada a partir do confronto entre os montantes de faturamento informados ao Fisco estadual e as informações consignadas na declaração simplificada (DSPJ) entregue à Receita Federal. Por bem sintetizar os fatos apurados pela Fiscalização e os argumentos de defesa trazidos em sede de impugnação, transcrevo a seguir o relato feito em primeira instância. [...] Do procedimento Fiscal. Ao analisar a Declaração Simplificada (DSPJ) apresentada pela empresa TECNELETRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. relativa ao ano calendário 2006 verificouse que a contribuinte declarou à RFB uma receita total de R$ 122.155,95, enquanto teve uma movimentação financeira de R$ 4.027.995,17, esta auferida pela Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) no mesmo período. Verificouse também que os únicos sócios da TECNELETRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA., Nelson Garcia Fernandes (CPF 050.727.94849) e Eraide Gonçalves Fernandes (CPF 277.901.82838), também eram os únicos sócios da TECNELETRA MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA. (CNPJ 05.342.622/000111) e que ambas as empresas eram optantes do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES), o que limitaria a receita máxima auferida pelas duas Empresas a R$ 2.400.000,00 (dois milhões e quatrocentos mil reais), nos termos do inciso IX do artigo 9° da Lei nº 9.317/1996, para fins de permanência no referido regime tributário. Diante desses fatos deuse início à fiscalização junto às citadas pessoas jurídicas, com objetivo de verificar a regularidade desses contribuintes no cumprimento de suas obrigações tributárias. Por meio do Termo de Intimação nº 01/00525/2010 foi a empresa Tecneletra Construções Elétricas Ltda. intimada a apresentar, no prazo de 20 (vinte) dias, relativamente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006, cópia dos atos constitutivos, os livros fiscais (Livro de Registro de Utilização de Documentos Fiscais e Termos Fl. 426DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 427 4 de Ocorrência, Livro Registro de Apuração do ICMS, Livro de Registro de Prestação de Serviços (municipal), Livros Registro de Entradas; Livro de Registro de Saídas; Livro Caixa, com movimentação financeira, inclusive bancária ou Livro Diário e Livro Razão no caso de possuílos. Solicitou que esclarecesse se a receita auferida pela empresa correspondia ao que foi informado pela empresa na Declaração Simplificada e se o saldo total em caixa e bancos, bem assim o total das compras e das despesas informados estariam corretos e, no caso de ter havido algum erro, que informasse o valor mensal correto, acompanhado dos elementos de prova. Em resposta, a contribuinte, por intermédio de seu advogado, Dr. Maurício Rehder César, informou que os documentos solicitados tinham sido extraviados, conforme cópia da publicação feita no jornal Folha da Cidade, de Araraquara, em 27/07/2010, e acrescentou que referida empresa encerrou suas atividades em 27/02/2009, conforme certidão simplificada expedida pela JUCESP, anexa. Em 27/01/2010 a fiscalização lavrou o Termo de Intimação nº 02/00525/2010 (ciência em 01/02/2011), por meio do qual foi a contribuinte intimada a apresentar cópia dos Atos Constitutivos e o livro Caixa, com movimentação financeira, inclusive bancária, correspondente ao período de 01/01/2006 a 31/12/2006, e esclarecer se os valores informados na Declaração Simplificada estariam corretos e, se não, informar os valores corretos. Exigiuse, no caso de não ter efetuado a escrituração do livro Caixa, a reconstituição da contabilidade e a sua apresentação no prazo de 60 dias, facultada a opção pela modalidade de escrituração que mais lhe convier. Exigiuse ainda a apresentação das Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) e as guias de recolhimento do ICMS, para o período de 01/01/2006 a 31/12/2006. Solicitou esclarecimentos detalhados a respeito da alegada destruição de documentos, inclusive exigiu a comprovação de ter a empresa cumprido as demais exigências contidas no art. 264, § 1°, do RIR/99, ou seja, informar o fato ao órgão de Registro do Comércio em quarenta e oito horas e remeter cópia à Receita Federal do Brasil de sua jurisdição. Em resposta apresentada em 08/02/2011, a empresa juntou cópia dos atos constitutivos, bem como a ficha de breve relato expedida pela JUCESP; ratificou a informação de ter tido os documentos fiscais extraviados e a destruição total de projetos, contratos, etc., relativos às operações realizadas; alegou impossibilidade de apresentar o livro Caixa, bem (como) impossibilidade de conferir se os valores declarados à RFB estariam corretos diante do extravio de documentos já mencionado; afirmou que não se pode confiar nas informações prestadas ao fisco estadual, pelo simples fato de na época haver erros entre CFOP's de remessa e CFOP's de venda, erro este solicitado ao contador anterior para que fosse retificado e, que infelizmente até aquela data não foi realizado. Em 19/05/2011, a Fiscalização enviou por via postal, para o endereço cadastral do Contribuinte, o Termo de Intimação Fiscal (TIF) n° 03/00525/2010, exigindo a apresentação do último Balanço Patrimonial e uma relação discriminativa de todos os bens e direitos integrantes de seu patrimônio naquela data. A correspondência retornou, constando no envelope a indicação "Mudouse". Em 25/05/2011, a Fiscalização tentou novamente enviar correspondência para o endereço cadastral do Contribuinte, postando Termo de Continuidade do Procedimento Fiscal. Esta correspondência também retornou, constando no envelope a mesma indicação. Diante disso, providenciouse a afixação nas dependências da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara do Edital de Intimação n° 36, relativo ao TCPF, no período de 26/05/2011 a 10/06/2011. O Edital de Intimação nº 40, relativo Fl. 427DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 428 5 ao TIF n° 03/00525/2010, ficou afixado nas dependências deste órgão público de 16/06/2011 a 01/07/2011. Posteriormente, foi lavrado em 20/06/2011 o Termo de Intimação nº 04/00525/2010 (fls. 49/53), por meio do qual a fiscalização esclareceu à contribuinte que, tendo em vista a não apresentação do Livro Caixa e das Guias de Informação e Apuração do ICMS (GIA) e o não esclarecimento a respeito das informações prestadas na Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, não havia restado outra opção à Fiscalização para apurar a receita auferida pela empresa a não ser a utilização das Guias de Informação e Apuração do ICMS que constam nos sistemas de informação da RFB, conforme tabela contida em Anexo à Intimação. No mesmo termo consta intimação para a empresa se manifestar a respeito dos valores e informações contidos no Termo de Intimação, apresentando os documentos comprobatórios, sob pena de lançamento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ), Contribuição Social sobre Lucro Líquido (CSLL) e seus Reflexos correspondentes ao anocalendário de 2006, com base nos referidos valores. A intimação se deu através do Edital de Intimação n° 41, afixado de 21/06/2011 a 07/07/2011, nas dependências da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara. A fiscalização ainda providenciou o envio de cópia dos editais, por via postal, para os seguintes endereços: (a) Avenida Sumaré, nº 676, no município de Américo Brasiliense, São Paulo. Apesar de ser o endereço cadastral da Tecneletra Montagens Industriais Ltda., o Procurador da Empresa, em sua resposta ao TIF n° 02/00525/2010, informou tal localidade como sendo aquela em que a Tecneletra Construções Elétricas Ltda. "era estabelecida"; (b) Rua Dom Pedro II, 87, Centro, em Américo Brasiliense, São Paulo. Endereço do Sr. Nelson Garcia Fernandes, sócio administrador, que assumiu a responsabilidade pela guarda dos documentos da Empresa. Consta do relatório que o representante legal da empresa compareceu em 08/07/2011 à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Araraquara e tomou ciência do TCPF, do TIF n° 03/00525/2010 e do TIF nº 04/00525/2010. O Procurador do Contribuinte, em 11/07/2011, protocolou resposta aos citados Termos de Intimação Fiscal (fls. 65/67), reiterando a alegação de extravio de documentos e alegou que a receita apurada pela Fiscalização na Tabela do item 4 do TIF n° 04/00525/2010 estava equivocada por incluir remessa e venda de ativo imobilizado. Acrescentou que não teria como apresentar o último balanço patrimonial porque a empresa havia encerrada regularmente suas atividades em 31/03/2009, conforme print da JUCESP anexo e que, dessa forma, inexistiam bens móveis e imóveis em nome da empresa. Requereu que às intimações fossem encaminhadas para o endereço do Sr. Nelson Garcia Fernandes. A Fiscalização acatou os argumentos do Procurador, efetuando a exclusão dos valores das citadas operações do cálculo da receita, conforme tabela do item 4.13. Concluiu a fiscalização que a receita apurada em conformidade com as informações prestadas pela próprio contribuinte ao Fisco Estadual (Anexo I do Relatório Fiscal) estaria compatível com a movimentação financeira e que estaria comprovado que a contribuinte auferiu receitas superiores aos valores informados na DSPJ. Fl. 428DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 429 6 Assim, a diferença entre a receita apurada mediante a GIA e a receita declarada em DSPJ (quadro 4.17 do Relatório Fiscal) foi levada à tributação como omissão de receita para fins de apuração dos tributos devidos de acordo com o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte (SIMPLES). Sobre os impostos e contribuições foi aplicada a multa qualificada de 150%, nos termos do artigo 44, I e § 1°, da Lei nº 9.430/1996, tendo em vista as circunstâncias relatadas. Ainda, com fundamento no artigo 44, § 2°, da Lei nº 9.430/1996, a multa qualificada foi aumentada de metade em virtude de não atendimento pelo sujeito passivo de intimação para prestar esclarecimentos solicitados através do TIF n° 02/00525/2010, entre eles estariam os esclarecimentos sobre a receita e demais informações prestadas na DSPJ; a não apresentação da lista de clientes e dos respectivos contratos, bem assim o Livro Caixa e as Guias de Informação e Apuração do ICMS. Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva em nome do Sr. Nelson Garcia Fernandes, inscrito no CPF sob o número 050.727.94849, por entender a fiscalização que foram praticados atos com infração à lei e o Sr. Nelson, na condição de sócio administrador, deveria responder pessoalmente pelos créditos constituídos em nome da empresa, com fundamento no art. 135, III, do CTN (Código Tributário Nacional). Inconformada, a empresa ingressou com a impugnação (fls. 349/367) aduzindo como razões de defesa, em síntese, o seguinte: 1 Da quebra do sigilo fiscal A contribuinte alegou que as informações elencadas pelo fisco às fls. 01 do relatório fiscal, em que consta a movimentação financeira da impugnante, foram obtidas de forma indevida, pois inexiste ordem judicial que autorizou a referida quebra do sigilo bancário. Além disso, teria o AuditorFiscal, no curso do procedimento fiscal, violado o sigilo fiscal por ter juntado aos autos, receitas, movimentação financeira, cópias de contratos, propostas, orçamentos, etc., de outra empresa, que apesar de pertencer ao mesmo sócio desta, é personalidade jurídica distinta, razão pela qual requereu a nulidade do auto. 2 Da prova emprestada Alegou que a fiscalização baseouse seu trabalho exclusivamente na prova emprestada pelo fisco estadual, que são as GIAs da impugnante, conforme anexo I do AI lavrado, não se valendo outra prova, o que é nulo de pleno direito. 3 Da ausência de dolo e/ou fraude no extravio dos documentos solicitados e da nulidade das multas aplicadas no auto de infração Alegou que, por motivos completamente alheios à sua vontade, foi surpreendida com a destruição de documentos que deveriam estar sob sua guarda (caso fortuito), mas logo que teve conhecimento deste fato, lavrou Boletim de Ocorrência e comunicou os órgãos competentes. No entanto, podese verificar pelo auto de infração lavrado que a autoridade fiscal não acreditou na situação ocorrida com a recorrente, consistente na deterioração e extravio da documentação fiscal citada nos autos, mas as "evidências" apresentadas pelo digno fiscal não passam de meras suposições, não servindo de base para atestar a caracterização de dolo por parte da impugnante. Fl. 429DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 430 7 Segundo a impugnante, em nosso ordenamento jurídico, o caso fortuito é excludente de responsabilidade, fato que impede a responsabilização do contribuinte em virtude da deterioração dos documentos apontados. Se isso não bastasse, o extravio dos documentos se deu em momento anterior à instauração do procedimento de fiscalização, fato este que demonstra a boafé da autuada. Sustentou que não atendeu a solicitação do fisco porque não tinha a documentação solicitada, pelo extravio acima aludido, e que em nenhum momento houve interesse em protelar e/ou mesmo impedir o trabalho da autoridade fiscalizadora, razão pela qual qualquer penalidade aplicada à impugnante advinda da falta de apresentação dos documentos deve ser cancelada. Concluiu que, ante a inexistência de dolo por parte da impugnante, não haveria que se falar em aplicação das multas previstas no artigo 44, I e § 1° da Lei 9.430/96, pois todos os atos praticados pela impugnante leva a crer que ela não cometeu nenhum ato que pudesse se amoldar nas figuras de sonegação, fraude ou conluio, sendo certo que fraude não se presume e, assim sendo, deveria o fisco ter demonstrado a ocorrência de fraude, o que não ocorreu. Acrescentou que a simples omissão de rendimentos não enseja a aplicação de multa qualificada conforme a Súmula Vinculante n° 25, proferida pelo CARF. Contestou a aplicação da multa agravada pela falta de atendimento as intimações alegando ser ato totalmente arbitrário. 4 – Da inclusão irregular de rendimentos isentos/não tributáveis na base de cálculo do crédito tributário apurado. Alegou que a fiscalização considerou como rendimento tributável as mercadorias de simples remessa (CFOP 5949 e 6949), quando deveria ter excluído da base de cálculo dos tributos apurados, por expressa disposição legal, e que a inclusão de tais valores indevidos acarreta a nulidade do lançamento. 5 Da responsabilidade solidária do representante legal Alegou que não há que se falar em responsabilidade do representante legal da empresa autuada, uma vez que inexiste qualquer fundamento jurídico para justificar a imputação feita pelo digno fiscal. Com efeito, a responsabilização do sócio só é possível naquelas hipóteses previstas no artigo 135, III do CTN, o que não é o caso dos autos em questão. No final, requereu que seja: (a) declarada a nulidade do lançamento ou (b) retirados da base de cálculo os rendimentos isentos/não tributáveis; (c) deduzidos da base de cálculo os valores declarados e pagos pela contribuinte; e (d) anulada a multa qualificada imposta à impugnante. A já citada 5a Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, analisando o feito fiscal e a peça de defesa, decidiu, por meio do Acórdão nº. 1435.836, de 18 de novembro de 2011, pela procedência parcial dos lançamentos tributários. O referido julgado restou assim ementado: ÔNUS DA PROVA. A atribuição do ônus da prova ao Fisco não o impede de efetuar o lançamento de ofício com base nos elementos de que dispuser, quando o contribuinte, obrigado a Fl. 430DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 431 8 prestar declaração ou intimado a informar sobre fatos de interesse fiscal de que tenha ou deva ter conhecimento, se omite, recusese a fazêlo, ou o faz insatisfatoriamente. DIVERGÊNCIAS ENTRE OS VALORES DE FATURAMENTOS INFORMADOS AOS FISCOS ESTADUAL E FEDERAL. OMISSÃO DE RECEITAS. Correta a exigência, fundamentada em divergências apuradas entre os valores relativos aos faturamentos mensais, informados aos fiscos estadual e federal, quando estes se apresentam em valores inferiores àqueles, caracterizando a ocorrência de omissão de receitas. MULTA DE OFÍCIO QUALIFICADA. Cabível a imposição da multa qualificada de 150%, prevista no artigo 44, inciso II, da Lei nº 9.430 de 1996, quando demonstrado que o procedimento adotado pelo sujeito passivo enquadrase nas hipóteses tipificadas no art. 71, I, da Lei nº 4.502 de 1964. AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO. FALTA DE ATENDIMENTO À INTIMAÇÃO FISCAL. Não restando perfeitamente caracterizada a recusa do contribuinte em atender a intimação fiscal, é de se afastar o agravamento da multa de ofício. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. OBRIGAÇÃO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Comprovado que, no exercício de sua administração praticaram os sócios, gerentes ou representantes da pessoa jurídica atos com excesso de poderes ou infração de lei, tipificada estará a sua responsabilidade solidária prescrita pelo art. 135 do Código Tributário Nacional. Irresignada, a contribuinte apresentou o recurso de folhas 397/412, por meio do qual renova os argumentos expendidos na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 431DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 432 9 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Pelo que se pode depreender, a ação fiscal de que trata o presente processo foi iniciada por meio do Termo de Intimação nº 01/00525/2010 (fls. 07), datado de 20 de dezembro de 2010. Em resposta ao referido Termo, o Sr. MAURÍCIO REHDER CÉSAR, procurador constituído pelo Sr. NELSON GARCIA FERNANDES, sócio da fiscalizada, além de informar que os documentos solicitados haviam sido extraviados, afirmou que a empresa havia encerrado suas atividades em 27 de fevereiro de 2009, antes, portanto, do início do procedimento fiscal. Como elemento de comprovação do aludido encerramento de atividades, foi trazido aos autos o documento de fls. 14/15 (CERTIDÃO SIMPLIFICADA), do qual releva destacar os seguintes elementos: i) emissor: Junta Comercial do Estado de São Paulo; ii) nome comercial: TECNELETRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. EPP; CNPJ nº 01.550.295/000132; iii) situação: DISSOLVIDA iv) último documento arquivado (data: 31/03/2009): DISTRATO SOCIAL DATADO DE 27/02/2009 Seguindo orientação contida no referido documento, foi possível confirmar sua autenticidade por meio do endereço eletrônico www.jucesp.fazenda.sp.gov.br. A autoridade fiscal, apesar de registrar a apresentação da CERTIDÃO SIMPLIFICADA (Termo de Intimação nº 02/00525/2010 – fls. 16), nenhuma outra consideração fez a respeito do fato de a empresa fiscalizada ter sido extinta. A autoridade julgadora de primeira instância, na mesma linha, nenhuma consideração fez em relação ao fato em questão (extinção da pessoa jurídica fiscalizada). Em que pese a ausência de manifestação do representante da autuada acerca da matéria, penso que, relativamente à pessoa jurídica TECNELETRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA., o lançamento tributário não pode subsistir. Alinhome aqui ao entendimento esposado pelo ilustre Conselheiro Waldir Veiga Rocha, que nos autos do processo administrativo nº 18471.001516/200694 (acórdão nº 130100.753, de 23 de novembro de 2011) assinalou, in verbis: Fl. 432DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 433 10 [...].Com a extinção por liquidação voluntária, cessa a personalidade jurídica daquela tida por contribuinte no lançamento ora discutido, o qual não pode, assim, subsistir. A jurisprudência majoritária da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do extinto Primeiro Conselho de Contribuintes e também deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com a qual concordo, é de que pessoa jurídica extinta não pode figurar no pólo passivo da relação jurídicotributária, conforme ilustram as decisões cujas ementas são a seguir transcritas: LANÇAMENTO – PESSOA JURÍDICA EXTINTA – LIQUIDAÇÃO – O artigo 121 estabelece que o sujeito passivo é quem estiver obrigado ao pagamento do tributo, que pode ser o contribuinte ou o responsável indicado na lei. A pessoa jurídica subsiste até o final de sua liquidação, de modo que não é possível promover lançamento (formalização da relação jurídico tributária) contra uma pessoa extinta pois ela é inexistente no mundo jurídico. ERRO DE IDENTIFICAÇÃO DE SUJEITO PASSIVO – PESSOA JURÍDICA EXTINTA – É inadmissível a lavratura de auto de infração contra pessoa jurídica extinta, bem como a transferência do pólo passivo da relação jurídica tributária no curso do processo administrativo a um dos sócios da empresa sem o devido processo legal para identificar o responsável conforme previsto no Código Civil e no Código Tributário Nacional (arts. 128 a 135), abrindo a possibilidade do direito à ampla defesa e ao contraditório. (Ac. CSRF/0105.352, de 05/12/2005, Rel. Cons. José Henrique Longo). SOCIEDADE EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. NULIDADE DO LANÇAMENTO. A pessoa jurídica dissolvida por deliberação social não é titular de direitos, nem sujeito de obrigação. Os direitos se transmitem aos seus membros de acordo com a vontade expressa no contrato de dissolução e as obrigações, inclusive as tributárias, por força de lei. (Ac. 10322.779, de 06/12/2006, Rel. Cons. Paulo Jacinto do Nascimento). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, sendo inadmissível a lavratura de auto de infração contra ela após sua liquidação. (Ac. 10323.204, de 14/09/2007, Rel. Cons. Leonardo de Andrade Couto). LANÇAMENTO DE OFÍCIO. PESSOA JURÍDICA EXTINTA. ERRO NA IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. A pessoa jurídica formal e regularmente extinta não tem existência no mundo jurídico, e deve ser excluída do pólo passivo de lançamento efetuado após sua liquidação. (Ac. 10516.986, de 27/05/2008, Rel. Cons. Waldir Veiga Rocha) No caso vertente foi aportada ao processo certidão que atesta a dissolução da pessoa jurídica em data anterior ao início do procedimento fiscal, não se podendo admitir, Fl. 433DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 434 11 assim, a formalização de obrigação contra referida pessoa, eis que inexistente no mundo jurídico. Em que pese o fato de que, em determinadas circunstâncias, a indicação equivocada do sujeito passivo da obrigação tributária pode representar vício meramente formal, passível até mesmo de desconsideração no que tange aos efeitos jurídicos do ato praticado1, penso que no caso vertente a situação seja outra. Com efeito, a Fiscalização identificou como sujeito passivo da obrigação tributária, na qualidade de contribuinte, pessoa jurídica que já se encontrava extinta em momento anterior ao início do procedimento fiscal. Destaco, inclusive, que, na situação retratada nos autos, estamos diante de vício material inibidor da realização de novo lançamento nos termos preconizado pelo inciso II do art. 173 do Código Tributário Nacional. Em vista do exposto, pronunciome pelo cancelamento das exigências relativamente à TECNELETRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. No que tange à indicação do Sr. NELSON GARCIA FERNANDES como responsável tributário, contudo, penso diferente. Na esteira de mansa e pacífica jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça, é certo que “a simples falta de pagamento, pela empresa, de débito nascido de ato lícito do seu administrador, não torna o seu administrador por ele responsável.” Assim, “a responsabilidade tributária prevista no art. 135, III, do mesmo Código2, somente se configura se tiver ele dado, em razão da prática de atos com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos causa ao nascimento da obrigação tributária inadimplida” (EDcl no RECURSO ESPECIAL Nº 1.153.873 RS 2009∕01646598) – GRIFEI. Penso, pois, que os elementos reunidos ao processo pela autoridade fiscal conduzem à conclusão inafastável de que o Sr. Nelson Garcia Fernandes, sócio administrador da pessoa jurídica dissolvida, que detinha 95% das quotas representativas do capital social da empresa extinta, tem responsabilidade pessoal pelo crédito tributário constituído, eis que pautou sua conduta com evidente infringência da lei. Os elementos a seguir indicados corroboram a tese aqui esposada, senão vejamos: a) a empresa fiscalizada, da qual o senhor Nelson Garcia Fernandes era sócio e administrador, faturou, conforme informações prestadas à Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo, R$ 4.595.293,39 no anocalendário de 2006, enquanto à Receita Federal declarou ter auferido receita de apenas R$ 122.155,95, sendo que, relativamente a esse valor declarado, nenhum pagamento efetuou; b) o Sr. Nelson Garcia Fernandes também era sócio da empresa TECNELETRA MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA., em que, por meio de procedimento 1 Entendo que, relativamente à ação fiscal desenvolvida com perfeito conhecimento do verdadeiro sujeito passivo da obrigação, inclusive com o exercício, por este, do direito de defesa, havendo, tãosomente, equívoco na identificação feita na peça acusatória, descabe a decretação da nulidade do ato administrativo. 2 Código Tributário Nacional Fl. 434DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 435 12 fiscal simultâneo, foram apuradas irregularidades idênticas às que foram retratadas no presente processo, o que denota conduta reiterada; c) no caso da empresa TECNELETRA MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA., a receita declarada no anocalendário de 2006 foi ZERO enquanto a informada à Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo foi de R$ 4.315.053,13, e, da mesma forma, nenhum pagamento foi realizado; d) diante da grandeza dos valores envolvidos e da identidade de conduta, a eventual alegação de mero erro na apuração das exações devidas não tem espaço, restando clara a intenção de, por meio do fornecimento de informações inverídicas ao Fisco federal, submeter à incidência tributária parcela mínima da renda auferida; e) inadmissível também a tese de que o Sr. Nelson Garcia Fernandes, sendo sócio administrador da empresa dissolvida, desconhecesse, a partir da disparidade dos valores movimentados e das informações prestadas ao Fisco federal, a ação de subtração à tributação das rendas geradas em razão dos atos negociais praticados; f) não obstante o fato de a fiscalização não ter sido direcionada nesse sentido, elementos aportados ao processo indicam que a constituição das empresas TECNELETRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. e TECNELETRA MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA., ambas administradas pelo Sr. Nelson Garcia Fernandes, visou, apenas, adequar o montante de receita auferido por cada uma delas aos limites estabelecidos pela legislação do SIMPLES (citadas empresas apresentam identidade de objeto social; têm o mesmo quadro societário; e chegaram a funcionar no mesmo local); g) a comunicação acerca dos extravio dos documentos fiscais e contábeis, publicado em jornal local em 27 de julho de 2010, se acolhida como meio de prova, atesta a negligência do Sr. Nelson Garcia Fernandes na guarda dos documentos que, de acordo com a certidão expedida pela Junta Comercial do estado de São Paulo, seria de sua inteira responsabilidade; h) não obstante o considerado no item anterior, os fatos apontados como motivadores do extravio da documentação (infiltração de água e cupim); a indicação do local da sua ocorrência (laje do escritório); e o extravio concomitante dos documentos das duas empresas (TECNELETRA CONSTRUÇÕES e TECNELETRA MONTAGENS), desprovidos, por completo, de elementos complementares de prova, contaminam de suspeição a alegação e fortalecem a tese da prática intencional da infração; i) pesquisa realizada na INTERNET pela Fiscalização em 27 de junho de 2011 aponta para fatos que fragilizam alegações trazidas no curso do procedimento fiscal pelo representante legal da fiscalizada, e que, por outro lado, robustecem a tese de conduta dolosa na prática da infração (o sítio na INTERNET, ressalvada a indicação do endereço, não distingue a TECNELETRA CONSTRUÇÕES da TECNELETRA MONTAGENS; apesar de, quando intimado, o representante da fiscalizada alegar que, em razão do extravio dos documentos, não tinha meios para identificar clientes, o sítio na INTERNET revela laços estreitos da fiscalizada com empresas contratantes; fotos das instalações da fiscalizada, reveladoras do elevado grau de limpeza e conservação, conflitam com as circunstâncias causadoras do extravio da documentação – infiltração e cupim); e Fl. 435DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 436 13 j) a Fiscalização carreou aos autos contratos de prestação de serviços e fornecimentos de bens no anocalendário de 2006, bem como cópia de notas fiscais, que indicam faturamento, com um único cliente (UNIALCO S/A Açúcar e Álcool), no referido ano, no montante de R$ 2.109.056,91. Cabe destacar que o Sr. Nelson Garcia Fernandes, ao deliberar pela dissolução da sociedade, apropriouse indevidamente do patrimônio desta, em detrimento do pagamento do crédito tributário, concorrendo assim para a sua extinção irregular. Andou bem a Fiscalização, pois, ao enquadrar a conduta do Sr. Nelson Garcia Fernandes nas disposições do art. 135, III, do Código Tributário Nacional. Em razão dos argumentos antes expendidos e em homenagem ao princípio do contraditório, recepciono a peça recursal como impetrada pelo Sr. Nelson Garcia Fernandes, motivo pelo qual passo a abordar as alegações ali esposadas. SIGILO FISCAL – SIGILO BANCÁRIO Alega o Recorrente que as informações elencadas no Relatório Fiscal, em que consta a movimentação financeira da empresa fiscalizada, foram obtidas de forma indevida, pois inexiste ordem judicial autorizando o afastamento do sigilo bancário. Diz que a autoridade fiscal violou também o sigilo fiscal, pois trouxe aos autos dados de empresa que, apesar de pertencer ao mesmo sócio, tem personalidade distinta. Não merecem acolhimento tais argumentos. Em primeiro lugar, descabe falar em afastamento de sigilo bancário, vez que a Fiscalização, para fins de constituição dos créditos tributários, não tomou por base qualquer informação relativa à movimentação financeira da empresa fiscalizada. Quando muito, os dados serviram apenas para confirmar que as informações prestadas à Receita Federal relativas às receitas auferidas no anocalendário de 2006 não guardavam qualquer relação com o faturamento efetivo do referido ano. Aqui, à evidência, não se trata de lançamento tributário que tomou por base extratos bancários. Ainda que se despreze o fato de que as empresas TECNELETRA CONSTRUÇÕES e TECNELETRA MONTAGENS, considerados os elementos trazidos ao processo e antes referenciados no presente voto, representam um único ente, a Fiscalização, ao fazer referência ou mesmo colacionar ao feito dados relativos a empresas que com a fiscalizada guardam estreita relação, seja de natureza negocial, seja de natureza societária, não incorre em ilegalidade de qualquer natureza. Como é cediço, as informações e dados retratados e revelados nos autos acerca de pessoas intervenientes nos atos investigados pela Fiscalização revelam uma única universalidade, sendo esta protegida pelo sigilo fiscal, sob pena de responsabilidade funcional. À evidência, acatar a tese expendida pelo Recorrente significaria em última análise cercear por completo o poder investigativo do Fisco, impedindoo de, em homenagem ao princípio da verdade material, retratar no processo os fatos justificadores da peça de autuação. Fl. 436DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 437 14 Não obstante as considerações acima, cabe notar que a autoridade fiscal cuidou de, adequadamente, tratar da questão do sigilo fiscal referenciado pelo Recorrente. Às fls. 18 do Relatório Fiscal restou assinalado, in verbis: 7. Considerações sobre o Sigilo Fiscal 7.1 Tendo em vista que a Fiscalização cita no presente Relatório Fiscal dados relativos a outra pessoa jurídica, fazse necessário (sic) algumas considerações a cerca (sic) do instituto do sigilo fiscal aplicado na situação em pauta, no caso de, eventualmente, tal questão ser argüida pelo interessado. 7.2 Como Tecneletra Construções Elétricas Ltda. – EPP e Tecneletra Montagens Industriais Ltda. possuem o mesmo representante legal, o Sr. Nelson Garcia Fernandes, os dados citados a respeito das duas pessoas jurídicas já são do seu conhecimento. Assim como o resultado dos procedimentos fiscais realizados nas duas Empresas que, por fim, também serão inevitavelmente de seu conhecimento. 7.3 Portanto, não é possível a esta Fiscalização ter revelado ou vir a revelar fato protegido pelo sigilo a terceiro, simplesmente porque este não existe. [...] 7.5 Tendo em vista que este instituto visa proteger a sociedade da conduta irregular praticada por funcionário público, entender que a quebra de sigilo poderia ter ocorrido no presente processo administrativo traria conseqüências absurdas, uma vez que tal dispositivo funcionaria como forma de proteger o mau contribuinte e, portanto, em detrimento do interesse público. Destacase que as informações das duas Empresas foram importantes, em seu conjunto, para a apuração das circunstâncias e fatos, sendo, inclusive, relevantes na caracterização do dolo. (GRIFEI) PROVA EMPRESTADA Alega o Recorrente que a autoridade fiscal baseouse exclusivamente na prova emprestada pelo fisco estadual, não se valendo de outra prova, o que é nulo de pleno direito. De fato, a autoridade fiscal, diante da ausência de explicação do Recorrente acerca da divergência apurada entre as informações prestadas ao Fisco estadual e à Receita Federal, serviuse dos dados transmitidos por ele próprio (pelo contribuinte) à Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo por meio de GUIAS DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO DO ICMS (GIA). Todavia, como destacado pela autoridade autuante (fls. 15 do Relatório Fiscal), as informações obtidas junto à Secretaria da Fazenda do estado de São Paulo foram amparadas por convênio, sendo, portanto, legais; referidas informações foram prestadas pelo próprio contribuinte; e os valores ali espelhados guardam compatibilidade com os montantes descritos em contratos de prestação de serviços e fornecimentos de bens firmados pela TECNELETRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA. e com as notas fiscais colhidas por meio de diligência fiscal (destaca a Fiscalização que, somente com o grupo Unialco S/A Açúcar e Álcool, a TECNELETRA faturou R$ 2.109.056,91). Fl. 437DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 438 15 Não encontra respaldo nos autos, portanto, a alegação do Recorrente de que a autoridade fiscal baseouse em procedimento desprovido de amparo legal e fundamentado exclusivamente em prova emprestada. Cumpre salientar ainda que, ao promover a quantificação da matéria tributável, a Fiscalização, acolhendo argumentação do representante habilitado, cuidou de excluir valores que comprovadamente não correspondiam a receitas. CONDUTA DOLOSA Alega o Recorrente que o dolo do contribuinte deve ser provado, não havendo que se falar em presunção neste caso. Diz que a autoridade fiscal não acreditou na deterioração e extravio da documentação e que está devidamente demonstrado que não se aplica ao caso vertente a multa qualificada. Equivocase o Recorrente. Extraise dos autos que a autoridade fiscal, diferentemente do alegado na contestação, não baseouse em presunções para a qualificação da multa, mas, sim, em informação prestada pela própria fiscalizada ao Fisco estadual, que foi, em parte significativa, comprovada por meio de contratos de prestação de serviços e fornecimento de bens, bem como de notas fiscais, que foram colhidos por meio de diligência fiscal. Enganase o Recorrente quando concentra seus argumentos no fato de não ter apresentado documentos no curso do procedimento fiscal, visto que não foi essa a razão que levou à qualificação da penalidade. Tal conduta (falta de apresentação de documentos) serviu para o agravamento da penalidade, mas, não, para a sua qualificação. Como se viu, o agravamento em questão foi afastado pela decisão de primeiro grau. A autoridade fiscal apenas assinalou que, de forma complementar, a implausibilidade do motivo que levou ao extravio dos documentos e das explicações que foram apresentadas no curso da ação fiscal poderia indicar, também, a ocorrência de fraude, nos termos do art. 72 da Lei nº 4.502, de 1964. Para fins de qualificação, a autoridade autuante, servindose das disposições do art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, descreveu os seguintes fatos (fls. 17 e 18 do Relatório Fiscal): i) a TECNELETRA faturou R$ 4.595.293,39 e declarou à Receita Federal R$ 122.155,95; ii) a TECNELETRA sequer recolheu os tributos declarados à Receita Federal; iii) o ora considerado Recorrente (Sr. Nelson Garcia Fernandes ), sócio administrador da TECNELETRA, manteve ativa duas pessoas jurídicas, distinta do ponto de vista formal, que, considerados os indícios levantados, atuavam de fato como uma única unidade empresarial; e Fl. 438DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 439 16 iv) a identidade de irregularidades apuradas nas empresas administradas pelo Sr. Nelson Garcia Fernandes3, somada aos indícios da atuação fática de um único ente empresarial, denota conduta reiterada e afasta a ocorrência de mero erro na prestação de informações ao Fisco federal. Penso, em convergência com o narrado pela autoridade autuante, que a divergência entre as informações prestadas ao Fisco estadual e à Receita Federal, devidamente corroboradas, ao menos em parte, por contratos e notas fiscais, e que não foram, em nenhum momento, objeto de esclarecimento por parte dos investigados, retrata, nos exatos termos do disposto no art. 71 da Lei nº 4.502, de 1964, ação dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições pessoais da fiscalizada, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. INCLUSÃO DE RENDIMENTOS ISENTOS/NÃO TRIBUTÁVEIS NA BASE DE CÁLCULO Alega o Recorrente que a autoridade fiscal considerou, na apuração do crédito tributário com base nas GIAs informadas ao Fisco estadual, valores referentes a mercadorias de simples remessa, que deveriam ter sido abatidos. Referida alegação, como ressaltado pela decisão recorrida, encontrase desprovida de elementos de comprovação, motivo pelo qual descabe o seu acolhimento. Como é cediço, àquele que aponta deficiências na quantificação da matéria tributável incumbe aportar ao processo prova do alegado. Assim, esclarecendo que a questão da responsabilidade tributária do Sr. Nelson Garcia Fernandes já foi objeto de apreciação, conduzo meu voto no sentido de DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso para excluir do pólo passivo da obrigação, em virtude de sua extinção, a pessoa jurídica TECNELETRA CONSTRUÇÕES ELÉTRICAS LTDA., mantendo a exigência em relação ao Sr. NELSON GARCIA FERNANDES. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães – Relator 3 A empresa TECNELETRA MONTAGENS INDUSTRIAIS LTDA., também administrada pelo Sr. Nelson Garcia Fernandes, foi submetida a procedimento fiscal simultâneo com o presente, tendo sido apurados os mesmos fatos e circunstâncias. Referida empresa declarou receita nula à Receita Federal relativamente ao ano calendário de 2006, e, da mesma forma, não efetuou qualquer recolhimento a título do SIMPLES. Fl. 439DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR Processo nº 18088.720163/201116 Acórdão n.º 1301001.062 S1C3T1 Fl. 440 17 Fl. 440DF CARF MF Impresso em 06/11/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 10/10/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 10/1 0/2012 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/10/2012 por ALBERTO PINTO SOUZA J UNIOR
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Numero do processo: 11080.011014/2008-98
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 19 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Sun Oct 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
DESPESAS MÉDICAS. DEDUÇÃO. GLOSA.
As despesas médicas, inclusive aquelas relacionadas com o pagamento de plano de saúde, somente são admitidas pela legislação fiscal como dedutíveis dos rendimentos tributáveis percebidos, quando efetuadas em beneficio do sujeito passivo ou de dependente relacionado na respectiva Declaração de Ajuste Anual.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2801-002.696
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Antonio de Pádua Athayde Magalhães Presidente e Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar e Luiz Cláudio Farina Ventrilho.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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DEDUÇÃO. GLOSA. As despesas médicas, inclusive aquelas relacionadas com o pagamento de plano de saúde, somente são admitidas pela legislação fiscal como dedutíveis dos rendimentos tributáveis percebidos, quando efetuadas em beneficio do sujeito passivo ou de dependente relacionado na respectiva Declaração de Ajuste Anual. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin, Ewan Teles Aguiar e Luiz Cláudio Farina Ventrilho. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 01 10 14 /2 00 8- 98 Fl. 72DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.011014/200898 Acórdão n.º 2801002.696 S2TE01 Fl. 73 2 Relatório Tratase de Notificação de Lançamento, às fls. 03/04, para exigência de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, relativo ao exercício 2005, anocalendário 2004, no valor total de R$ 8.295,96, sendo R$ 3.757,23 a título de principal (imposto suplementar), R$ 2.817,92 de multa de oficio, e R$ 1.720,81 de juros de mora, estes calculados até 30/09/2008. Segundo a descrição dos fatos e o enquadramento legal constantes da peça de autuação, foram glosadas, por falta de comprovação, deduções no valor de R$ 13.662,67 pleiteadas pela contribuinte a título de despesas médicas. Cientificada do lançamento, a interessada protocolizou tempestivamente sua impugnação, à fl. 01, argumentando, em síntese, que não apresentou a documentação pertinente às deduções em razão de não ter sido intimada, pelo que solicitou a revisão da notificação, com base na documentação anexada à sua defesa. Ressaltou ainda que o montante das despesas comprovadamente documentadas atinge o valor de R$ 13.662,67, coincidente com o valor que foi indevidamente glosado pelo fisco. Ao apreciar o litígio, a 7a Turma de Julgamento da DRJ/Porto Alegre (RS) decidiu, por unanimidade de votos, considerar procedente em parte a impugnação, para restabelecer tãosomente o valor de R$ 395,00, referente à parte das despesas médicas glosadas na autuação, o que resultou na redução do Imposto Suplementar de R$ 3.757,23 para R$ 3.648,61. Consta do Acórdão DRJ/POA nº 1026.442, de 26/07/2010, o seguinte ementário: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA – IRPF Anocalendário: 2004 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. VACINA. DESPESA NÃO DEDUTÍVEL. São dedutíveis, para fins de apuração da base de cálculo do imposto de renda da pessoa física, as despesas médicas realizadas com o contribuinte ou com os dependentes relacionados na declaração de ajuste anual, que forem comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Os gastos com vacinas não podem ser deduzidos a titulo de despesas médicas, por falta de previsão legal. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Com a ciência da decisão a quo ocorrendo em 01/09/2010, nos termos do AR – Aviso de Recebimento à fl. 27, o contribuinte interpôs em 16/09/2010 o Recurso Voluntário às fls. 28/30, alegando basicamente que: foram glosadas despesas médicas efetuadas pela requerente e por sua mãe Hilma Kelm Meyer, a qual foi registrada como sua dependente junto à Receita Federal Fl. 73DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.011014/200898 Acórdão n.º 2801002.696 S2TE01 Fl. 74 3 conforme constante em Declarações de Ajuste Anual de anos anteriores, e de seu marido João Marcos Leão da Rocha que é dependente somente junto ao Programa de Saúde e Assistência Social – PLAN/ASSISTE; sua genitora não foi incluída como dependente na Declaração de Ajuste Anual objeto do lançamento por ter falecido em 22/08/2004, no entanto, foram registrados no item “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas Pelo Titular”, os valores recebidos por sua mãe na condição de aposentada do INSS (no ano de 2004) até a data de seu falecimento; sua mãe constava como sua dependente junto ao Programa de Saúde e Assistência Social – PLAN/ASSISTE do Ministério Público da União/Ministério Público do Trabalho/Procuradoria Regional do Trabalho da 4a Região, conforme Declaração da Gerência Regional daquele Programa, visto que era viúva e recebia um salário mínimo como aposentada pelo INSS; e mais, seu esposo João Marcos Leão da Rocha também é seu dependente somente junto ao citado Programa; as despesas médicas que foram objeto de glosa devem ser aceitas, com exceção daquela efetuada com a R.R.M.G. Clinica de Vacinas Ltda., no valor de R$ 24,00 (vinte e quatro reais), face a inexistência de previsão legal para sua inclusão. Ao final, a contribuinte requer seja dado provimento ao seu recurso. Submetido o presente processo à apreciação deste Colegiado, decidiuse, à unanimidade de votos, pela conversão do julgamento em diligência (Resolução n° 280100057, de 29/07/2011, às fls. 51/54), no sentido de que a recorrente fosse intimada a apresentar a seguinte documentação: i) declaração da entidade PLAN/ASSISTE Programa de Saúde e Assistência Social, com a informação dos valores efetivamente pagos pela recorrente no ano de 2004 a título de despesas com o referido Programa, de forma individualizada, ou seja, identificando os valores pagos em relação a cada um dos beneficiários (titular e dependentes); e ii) documentação comprobatória do rendimento de R$ 190,66 declarado na DIRPF do exercício 2005, anocalendário 2004, às fls. 16/17, como recebido do INSS (CNPJ nº 29.979.036/000140). A Unidade de origem adotou as providências solicitadas na citada Resolução, juntando ao processo a documentação apresentada pela contribuinte. Em seguida, devolveu os autos a este E. Conselho para julgamento do recurso interposto. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso foi tempestivamente apresentado, preenchendo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 74DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.011014/200898 Acórdão n.º 2801002.696 S2TE01 Fl. 75 4 Face a ausência de questão preliminar, passo à análise do mérito, que, como se observa do relatório, nesta instância de julgamento, se limita à discussão em torno de dedução pleiteada pelo recorrente inerente a despesas médicas no valor de R$ 13.267,67, correspondente à diferença entre o valor glosado constante da Notificação de Lançamento (R$ 13.662,67) e o valor que foi restabelecido pela decisão DRJ (R$ 395,00). Tais glosas de despesas médicas ocorreram sob as determinações restritivas contidas no artigo 8°, inciso II, alínea “a”, e § 2o, da Lei n° 9.250, de 1995, e diante da regulamentação estabelecida pelos artigos 43 a 48 da Instrução Normativa SRF n° 15, de 2001. O artigo 8° da Lei n° 9.250, de 1995, assim dispõe: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: II das deduções relativas. a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias; (....) § 2° O disposto na alínea a do inciso II: I aplicase, também, aos pagamentos efetuados a empresas domiciliadas no País, destinados à cobertura de despesas com hospitalização, médicas e odontológicas, bem como a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza; II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Geral de Contribuintes CGC de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; IV não se aplica às despesas ressarcidas por entidade de qualquer espécie ou cobertas por contrato de seguro; V no caso de despesas com aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias, exigese a comprovação com receituário médico e nota fiscal em nome do beneficiário. (destaque nosso) Assim, na espécie, primeiramente no que diz respeito às despesas constantes dos recibos e notas fiscais às fls. 07/13, entendeu o Colegiado de primeira instância que, pelo fato de terem sido suportadas ou terem como beneficiária a Sra. Hilma Kelm Meyer genitora Fl. 75DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.011014/200898 Acórdão n.º 2801002.696 S2TE01 Fl. 76 5 da recorrente não indicada como dependente na declaração de rendimentos tais dispêndios não poderiam ser considerados para fins de dedução da base de cálculo do imposto. Sobre esse ponto, em seu recurso, alega a contribuinte que teria efetivamente suportado o ônus dessas despesas médicas efetuadas com sua mãe, falecida em agosto de 2004; no entanto, afirma que teria deixado de incluíla como sua dependente somente na declaração de rendimentos do anocalendário em discussão, diferentemente dos anos anteriores em que teria declarado corretamente tal relação de dependência. Destaca ainda que informou no item “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoas Jurídicas Pelo Titular” da DIRPF sob análise os valores recebidos por sua mãe, em 2004, na condição de aposentada do INSS, até a data de seu falecimento. De fato, o resultado da diligência empreendida por este Colegiado trouxe aos autos documentação que identifica o valor de R$ 190,66 como sendo referente ao recebimento, pela recorrente, de rendimento relacionado ao benefício de aposentadoria (n° 076.417.3340) de sua genitora, inerente aos dias 01/08/2004 a 22/08/2004, ou seja, período imediatamente anterior ao falecimento da Sra. Hilma Kelm Meyer, que se deu em 22/08/2004. Todavia, entendo, que tal ocorrência, por si só, não encontra amparo legal a permitir que a recorrente possa deduzir tais valores declarados como despesas médicas realizadas com sua genitora. E Explico. No caso, a litigante sequer relacionou a Sra. Hilma Kelm Meyer como sua dependente na declaração de rendimentos. Pelo que se observa, se houve algum erro ou equívoco da autuada, por certo foi em declarar apenas este pequeno valor de aposentadoria de sua mãe que lhe foi pago pelo INSS, visto que, se a intenção fosse considerála (mãe) sua dependente, a teria relacionado no campo próprio da declaração destinado a tal informação, e mais, teria a recorrente, como dever, que oferecer à tributação a totalidade dos rendimentos/benefícios mensais pagos pelo INSS, em 2004, à Sra. Hilma Kelm Meyer, além de outros rendimentos isentos e/ou tributáveis porventura percebidos por sua genitora no referido anocalendário. Assim, não vejo razão na argumentação desenvolvida na peça recursal. Como bem destacou a decisão recorrida, as despesas médicas (inclusive o pagamento de plano de saúde) e odontológicas somente são admitidas pela legislação tributária, como dedutíveis do rendimento bruto, quando efetuadas em beneficio do contribuinte ou de dependente relacionado na declaração de rendimentos, nos termos do citado artigo 8° da Lei n° 9.250, de 1995. Portanto, as despesas constantes dos recibos e notas fiscais às fls. 07/13 não podem ser consideradas como dedução do imposto por se referirem à Sra. Hilma Kelm Meyer que não é dependente da litigante no anocalendário em exame. No tocante às despesas no montante de R$ 11.977,31 declaradas pela contribuinte como tendo sido efetuadas com o plano de saúde PLAN/ASSISTE Programa de Saúde e Assistência Social, após análise minuciosa dos documentos anexados pela recorrente, inclusive, da declaração fornecida pelo Departamento de Recursos Humanos da PGT/DF, à fl. 62, podese concluir que, mesmo após a realização da diligência solicitada por este Colegiado, permanecem ausentes nos autos dados relevantes para validação da dedução em comento, quais sejam: i) a informação acerca dos beneficiários do referido plano de saúde, e ii) em havendo outros participantes/beneficiários, necessária a discriminação dos valores efetivamente pagos em relação a cada um. Como se vê, no presente caso, não é possível aferir sequer se esta Fl. 76DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES Processo nº 11080.011014/200898 Acórdão n.º 2801002.696 S2TE01 Fl. 77 6 despesa é relativa somente à própria declarante. Cabe salientar que na DIRPF a contribuinte não informou dependentes. Portanto, também deve ser mantida essa glosa fiscal. Por fim, ressaltese que, na análise de prova, à autoridade julgadora é assegurada a liberdade de convicção, a teor do art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972: Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Face ao exposto, VOTO por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 77DF CARF MF Impresso em 22/10/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES, Assinado digitalmente em 02/10/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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Numero do processo: 10380.006056/2007-89
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 12 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Jan 07 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006
PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DA NFLD - OCORRÊNCIA.
Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade do lançamento.
Recurso de Ofício Negado
Numero da decisão: 2403-001.540
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar.
Matéria: Outros imposto e contrib federais adm p/ SRF - ação fiscal
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Tendo o fiscal autuante não demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, há que se falar em nulidade do lançamento. Recurso de Ofício Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício. Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Marcelo Magalhães Peixoto, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Ewan Teles Aguiar. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 00 60 56 /2 00 7- 89 Fl. 3912DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 2 Relatório Tratase de Recurso de Ofício, interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE contra Acórdão nº 11024.881 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE que julgou nula, por vício formal, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.044.9436, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 3.405.876,99. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social incidente sobre os pagamentos efetuados aos empregados e contribuintes individuais apurados através da folha de pagamento, recibos e contabilidade, correspondentes: a) à parte da empresa (quota patronal — 20%); b) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (também conhecido por Seguro de Acidente de Trabalho — SAT — 3%); c) à contribuição devida pelo segurado, cuja responsabilidade tributária de retenção e recolhimento a lei atribui à pessoa jurídica contratante do serviço, sendo que esta responsabilidade tributária engloba os contribuintes individuais a partir de 04/2003; d) a contribuição referente a outras entidades (terceiros) encontrase em outras NFLDs. O Relatório Fiscal, às fls. 310, informa que constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, as remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo no decorrer do mês aos segurados empregados e contribuintes individuais, obtidas através da folha de pagamento recibos e dos Livros Contábeis da empresa (Diário/Razão). Em relação aos procedimentos adotados, o Relatório Fiscal informa que o cálculo das contribuições devidas foi elaborado tomando por base o valor bruto dos pagamentos efetuados aos funcionários e contribuintes individuais apurados diretamente na contabilidade, folha de pagamento e recibos, a seguir discriminados: a) a empresa não lançou todas as verbas como base de calculo de contribuições previdenciárias; b) a empresa também não informou todos os dados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, exigência do Art. 32, inciso IV, da lei 8.212/91, combinado com o Art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, o que também foi objeto de auto de infração. O período objeto da NFLD, conforme o Relatório Discriminativo Sintético do Débito DSD, às fls. 48, é de 01/2004 a 10/2006. Fl. 3913DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.006056/200789 Acórdão n.º 2403001.540 S2C4T3 Fl. 494 3 O contribuinte teve ciência da NFLD em 28.02.2007, conforme Aviso de Recebimento – AR às fls. 368. A Recorrente apresentou Impugnação tempestiva, na qual alega em síntese, conforme o Relatório da decisão de primeira instância: I — Preliminarmente, nulidade: a) Em virtude da não apresentação do Demonstrativo de Emissão e Prorrogação. Tendo havido a prorrogação dos MPF, o fiscal deveria ter apresentado o referido demonstrativo. Como não o fez, cometeu irregularidade formal que enseja a nulidade do ato, caracterizandose, também, como ofensa ao direito a ampla defesa; b) A empresa já havia sido fiscalizada no período de junho/1997 a julho/2004. Segundo a defendente, o lançamento somente poderia ser efetuado ou revisto de oficio, pela autoridade administrativa, nas hipóteses do art. 149 do CIN. Assim, tendo em vista que a atividade administrativa do lançamento é vinculada e obrigatória, o fisco deveria ter apresentado a motivação para a revisão do lançamento. Agindo de forma diversa teria ofendido o direito A ampla defesa do contribuinte. Colaciona decisões judiciais; c) Falta de clareza na indicação das bases de cálculo utilizadas pela fiscalização, para fins de incidência das contribuições previdenciárias. Ora a fiscalização fala em dados constantes das GFIP, ora se refere A Folha de Pagamento, ora i Contabilidade, sendo que nenhuma delas corresponde aos valores constantes dos documentos produzidos pela impugnante. Tal situação torna o lançamento passível de nulidade, havendo também afronta ao principio da ampla defesa. Para sustentar o argumento, aponta, exemplificativamente, a competência 08/2004 do estabelecimento matriz. Nesta o fiscal lança como base de cálculo o valor de R$ 753.012,24, obtido da folha. Contudo, na folha de pagamento acostada pelo impugnante, a remuneração seria de R$ 723.523,58 e a GFlP dessa mesma competência traz o valor de R$ 723.977,41; d) Não foram indicados os contribuintes individuais que prestaram serviços h. notificada, logo não seria possível identificar a base de cálculo utilizada, levando, por conseguinte, a impossibilidade de se apurar o valor devido. Como a base de calculo e o valor da contribuição devida são elementos essenciais e indispensáveis a validade da presente notificação, impõemse a nulidade da NFLD. Colacio ou decisões do Conselho de Recursos da Previdência Social e do Conselho de Contribuintes; Fl. 3914DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 4 II — No mérito: a) 0 fisco teria cruzado informações de competências diferentes, ensejando graves distorções entre as folhas de pagamento e as GFIP informadas, o que gerou diferenças de contribuições a pagar em todos os estabelecimentos da impugnante. Traz como exemplo a competência junho de 2005. Nesta, segundo o fiscal, a remuneração auferida por Francisco Garcia Cavalcante seria R$ 920,28. Comparou com a suposta GFIP da competência 06/2005, na qual o valor ali informado seria R$ 775,21. Assim o fez com todos os demais empregados. Ocorre que a GFIP analisada pelo fiscal era da competência 04/2005 e não a 06/2005, razão da divergência encontrada. b) 0 agente fiscal alocou os créditos decorrentes das retenções sofridas pela defendente em competências diversas daquelas em que houve a emissão da nota de serviço, o que gerou consideráveis distorções nos cálculos elaborados e conseqüentes diferenças a recolher. Exemplificou que para o ano de 2004, as retenções sofridas pelo impugnante totalizaram R$ 3.657.335,71; enquanto o levantamento fiscal totalizou, nas GPS de códigos 2631 e 2640, o montante de R$ 3.505.535,63, gerando um diferença na ordem de R$ 151.800,08, não alocados como créditos da impugnante. Durante todo o período fiscalizado, haveria um crédito em favor da notificada de R$ 752.581,69. Juntou planilha detalhando os cálculos e anexou cópias das notas fiscais. c) Após a compensação feita na competência de emissão da nota fiscal, vislumbrase a existência de saldo credor em nome da defendente, sendo que este, na maioria das vezes, não foi devidamente apropriado nas competências subseqüentes, afrontando a legislação vigente. Deste equivoco, teria sido gerado o saldo credor não aproveitado no montante de R$ 377.974,75; d) Parte dos valores cobrados nesta NFLD, referese as verbas não salariais, pois dizem respeito ao abono de risco de vida pago aos empregados da defendente por força da Convenção Coletiva do Trabalho celebrada entre os sindicatos das categorias envolvidas. Assim, nos termos do art. 28, §9°, letra `e', item '7' da Lei 8.212/91, não integrariam o salário de contribuição para fins de cálculo das contribuições previdencidrias, os abonos expressamente desvinculados do salário, como é o presente caso. Os valores pagos a titulo de risco de vida totalizam R$ 718.455,62, somente na filial 0003/58. Colacionou decisões do CRPS e do STF. e) A empresa teria recolhido os valores relativos ao SAT na modalidade depósito em juizo, não tendo sido tais valores considerados por ocasião do lançamento. Os valores depositados totalizariam R$ 105.826,93; Fl. 3915DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.006056/200789 Acórdão n.º 2403001.540 S2C4T3 Fl. 495 5 f) Por fim, requereu perícia contábil com indicação de assistente e formulando quesitos, protestando pela juntada posterior de documentos que se fizerem necessários. Ademais, houve Solicitação de Diligência Fiscal, conforme o relatado na decisão de primeira instância: 0 processo foi baixado em diligência (fls. 1703/1706) para que a fiscalização esclarecesse os seguintes pontos: a) para cada competência: a. 1. A origem da base de cálculo; a.2. Quais as rubricas salariais que foram consideradas salário de contribuição b) se foram comparadas GFIP e folhas pagamento de competências diferentes, como alega o contribuinte que, inclusive, exemplificou. c) se ha diferenças entre os valores retidos destacados nas notas fiscais e os valores considerados pela fiscalização. Havendo diferenças, apontar as alterações no montante das contribuições levantadas nesta NFLD. Devem ser consideradas as planilhas acostadas pela defesa (fls. 904/908) e as cópias de notas fiscais anexadas (fls. 909/1558), devendo, ainda, o fiscal atestar a autenticidade das mesmas. d) em relação ao saldo remanescente, elaborar planilha abatendo o saldo nas competências subseqüentes. e) se os depósitos judiciais a titulo de SAT, alegados pela defesa, deixaram de ser considerados quando do levantamento. Em caso afirmativo, quais as alterações no montante do crédito levantado. Deve o fiscal levar em consideração as planilhas de fls. 1669/1670 e as guias de fls. 1676/1698, atestando a autenticidade das mesmas. Em resposta à Diligência Fiscal solicitada, a fiscalização pronunciouse, conforme o relatado na decisão de primeira instância: a) Anexou ao processo as bases de cálculo, definidas por trabalhador, retiradas do Sistema de Auditoria Digital — AUDIG (fls. 1709/2696), referentes ao batimento Folha de Pagamento x GFIP, juntando planilha (f. 2697) que indicam os sistemas em que foram consultadas as GFIP; b) Juntou planilhas (fls. 2706/2727) com todas as rubricas consideradas pela auditoria como salário de contribuição; c) Ressaltou que, na confecção do crédito originário, considerou as últimas GRP apresentadas quando da ação fiscal, enquanto que a defesa se baseou em GF1P apresentadas após a ação fiscal; Fl. 3916DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 6 d) Constatou lançamento em duplicidade de alguns segurados, por essa razão propõe a exclusão desses valores e elabora a planilha base de calculo definitiva (fls. 2700/2705); e) A fiscalização considerou as guias de recolhimento constante do Conta Corrente da empresa. Contudo, na diligência, foi apresentado o demonstrativo mensal de retenções de todas as filiais (fls. 2864/3185) e foram analisadas as Notas Fiscais em confronto com os Demonstrativos, concluindo pela autenticidade das notas fiscais anexadas ao processo. Ao final, foi elaborada planilha (fls. 3526/3528) constando a diferença de valores entre o Conta Corrente e retenção apresentada na defesa. O Quanto ao saldo remanescente da apropriação de retenções, haverá mudanças em virtude da alteração das bases de cálculo definidas durante a fiscalização (fls. 1709/2696) e dos créditos a serem considerados. Assim, o setor de julgamento, com base na planilha de fls. 3526/3528, deve fazer os ajustes que considerar necessários no Relatório de Documentos Apresentados — RDA, excluindo as GPS 2631 e 2640 e alocando o crédito constante das retenções sofridas pela empresa, para que possa obter o novo valor do débito do contribuinte e assim saber o valor do saldo remanescente nas competências subseqüentes. g) Em relação ao SAT, atestou a autenticidade das guias de depósito, elaborando planilha (f. 3621) onde constam os valores a serem excluídos do débito do contribuinte após análise dos depósitos judiciais. ' Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte peticionou as fls. 3683/3692 dos autos, ratificando a defesa anteriormente apresentada, argumentando, ainda, que apesar da nova planilha elaborada, permanecem segurados em duplicidade e foram incluídos inativos como segurados obrigatórios. Argumenta, ainda, que mesmo após a diligência, não houve a apropriação do saldo das retenções nas competências subseqüentes. A primeira instância analisou a autuação e a impugnação, julgando nula a NFLD nº 37.044.9436, submetendo ao reexame necessário do então Conselho de Contribuintes, nos termos do Acórdão nº 11024.881 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 RETENÇÃO. APROPRIAÇÃO DOS RECOLHIMENTOS. VÍCIO INSANÁVEL. A apropriação das retenções deve ser feita de acordo com os valores destacados nas notas fiscais. 0 abatimento dos valores recolhidos, ao invés dos valores retidos, gerou diferenças em todas as competências, algumas com crédito para o contribuinte outras com débito. Como não é possível, por problemas operacionais, retificações que impliquem majoração do valor lançado, o vicio apresentase insanável. Fl. 3917DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.006056/200789 Acórdão n.º 2403001.540 S2C4T3 Fl. 496 7 MULTA DE MORA. REDUÇÃO INDEVIDA. VÍCIO INSANÁVEL. Verificada a redução indevida da multa de mora, o lançamento deve ser anulado pela impossibilidade de saneamento do processo, em face de restrições operacionais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e A. ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal. Lançamento Nulo Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, por unanimidade de votos, julgar NULO o lançamento consubstanciado na NFLD n° 37.044.9436, nos termos do voto do relator, parte integrante deste Acórdão. Submetase à apreciação do Egrégio 2° Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Cientifiquese à fiscalização para que sejam adotadas as providências que entender cabíveis. Intimese a empresa para conhecimento do presente Acórdão. Sala de Sessões, em 12 de dezembro de 2008. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão, fls. 3848. É o Relatório. Fl. 3918DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 8 Voto Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso foi interposto tempestivamente, conforme informação à fl. 3848. O Recurso está dentro do limite de alçada para Recurso de Ofício, conforme artigo 1º da Portaria MF nº 03/2008. Avaliados os pressupostos, passo para as Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES (A) Da regularidade do lançamento. Analisemos. Confiro razão à decisão de primeira instância ao anular a NFLD nº 37.044.9436 pois, de plano, notase que o procedimento fiscal não atendeu a todas as determinações legais, havendo, pois, nulidade por vício formal e cerceamento de defesa. Tratase de Recurso de Ofício, interposto pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE contra Acórdão nº 11024.881 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE que julgou nula, por vício formal, a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD nº. 37.044.9436, às fls. 01, com valor consolidado inicial de R$ 3.405.876,99. O crédito previdenciário se refere às contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social incidente sobre os pagamentos efetuados aos empregados e contribuintes individuais apurados através da folha de pagamento, recibos e contabilidade, correspondentes: Fl. 3919DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.006056/200789 Acórdão n.º 2403001.540 S2C4T3 Fl. 497 9 a) à parte da empresa (quota patronal — 20%); b) ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (também conhecido por Seguro de Acidente de Trabalho — SAT — 3%); c) à contribuição devida pelo segurado, cuja responsabilidade tributária de retenção e recolhimento a lei atribui à pessoa jurídica contratante do serviço, sendo que esta responsabilidade tributária engloba os contribuintes individuais a partir de 04/2003; d) a contribuição referente a outras entidades (terceiros) encontrase em outras NFLDs. O Relatório Fiscal, às fls. 310, informa que constitui fato gerador do crédito tributário ora lançado, as remunerações pagas ou creditadas a qualquer titulo no decorrer do mês aos segurados empregados e contribuintes individuais, obtidas através da folha de pagamento recibos e dos Livros Contábeis da empresa (Diário/Razão). Em relação aos procedimentos adotados, o Relatório Fiscal informa que o cálculo das contribuições devidas foi elaborado tomando por base o valor bruto dos pagamentos efetuados aos funcionários e contribuintes individuais apurados diretamente na contabilidade, folha de pagamento e recibos, a seguir discriminados: a) a empresa não lançou todas as verbas como base de calculo de contribuições previdenciárias; b) a empresa também não informou todos os dados na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social — GFIP, exigência do Art. 32, inciso IV, da lei 8.212/91, combinado com o Art. 225, inciso IV, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99, o que também foi objeto de auto de infração. Ademais, houve Solicitação de Diligência Fiscal, conforme o relatado na decisão de primeira instância: 0 processo foi baixado em diligência (fls. 1703/1706) para que a fiscalização esclarecesse os seguintes pontos: a) para cada competência: a. 1. A origem da base de cálculo; a.2. Quais as rubricas salariais que foram consideradas salário de contribuição b) se foram comparadas GFIP e folhas pagamento de competências diferentes, como alega o contribuinte que, inclusive, exemplificou. c) se ha diferenças entre os valores retidos destacados nas notas fiscais e os valores considerados pela fiscalização. Havendo diferenças, apontar as alterações no montante das contribuições Fl. 3920DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 10 levantadas nesta NFLD. Devem ser consideradas as planilhas acostadas pela defesa (fls. 904/908) e as cópias de notas fiscais anexadas (fls. 909/1558), devendo, ainda, o fiscal atestar a autenticidade das mesmas. d) em relação ao saldo remanescente, elaborar planilha abatendo o saldo nas competências subseqüentes. e) se os depósitos judiciais a titulo de SAT, alegados pela defesa, deixaram de ser considerados quando do levantamento. Em caso afirmativo, quais as alterações no montante do crédito levantado. Deve o fiscal levar em consideração as planilhas de fls. 1669/1670 e as guias de fls. 1676/1698, atestando a autenticidade das mesmas. Em resposta à Diligência Fiscal solicitada, a fiscalização pronunciouse, conforme o relatado na decisão de primeira instância: a) Anexou ao processo as bases de cálculo, definidas por trabalhador, retiradas do Sistema de Auditoria Digital — AUDIG (fls. 1709/2696), referentes ao batimento Folha de Pagamento x GFIP, juntando planilha (f. 2697) que indicam os sistemas em que foram consultadas as GFIP; b) Juntou planilhas (fls. 2706/2727) com todas as rubricas consideradas pela auditoria como salário de contribuição; c) Ressaltou que, na confecção do crédito originário, considerou as últimas GRP apresentadas quando da ação fiscal, enquanto que a defesa se baseou em GF1P apresentadas após a ação fiscal; d) Constatou lançamento em duplicidade de alguns segurados, por essa razão propõe a exclusão desses valores e elabora a planilha base de calculo definitiva (fls. 2700/2705); e) A fiscalização considerou as guias de recolhimento constante do Conta Corrente da empresa. Contudo, na diligência, foi apresentado o demonstrativo mensal de retenções de todas as filiais (fls. 2864/3185) e foram analisadas as Notas Fiscais em confronto com os Demonstrativos, concluindo pela autenticidade das notas fiscais anexadas ao processo. Ao final, foi elaborada planilha (fls. 3526/3528) constando a diferença de valores entre o Conta Corrente e retenção apresentada na defesa. O Quanto ao saldo remanescente da apropriação de retenções, haverá mudanças em virtude da alteração das bases de cálculo definidas durante a fiscalização (fls. 1709/2696) e dos créditos a serem considerados. Assim, o setor de julgamento, com base na planilha de fls. 3526/3528, deve fazer os ajustes que considerar necessários no Relatório de Documentos Apresentados — RDA, excluindo as GPS 2631 e 2640 e alocando o crédito constante das retenções sofridas pela empresa, para que possa obter o novo valor do débito do contribuinte e assim saber o valor do saldo remanescente nas competências subseqüentes. Fl. 3921DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.006056/200789 Acórdão n.º 2403001.540 S2C4T3 Fl. 498 11 g) Em relação ao SAT, atestou a autenticidade das guias de depósito, elaborando planilha (f. 3621) onde constam os valores a serem excluídos do débito do contribuinte após análise dos depósitos judiciais. ' Cientificado do resultado da diligência, o contribuinte peticionou as fls. 3683/3692 dos autos, ratificando a defesa anteriormente apresentada, argumentando, ainda, que apesar da nova planilha elaborada, permanecem segurados em duplicidade e foram incluídos inativos como segurados obrigatórios. Argumenta, ainda, que mesmo após a diligência, não houve a apropriação do saldo das retenções nas competências subseqüentes. A primeira instância analisou a autuação e a impugnação, julgando nula a NFLD nº 37.044.9436, submetendo ao reexame necessário do então Conselho de Contribuintes, nos termos do Acórdão nº 11024.881 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento de Recife PE, conforme Ementa a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2004 a 31/10/2006 RETENÇÃO. APROPRIAÇÃO DOS RECOLHIMENTOS. VÍCIO INSANÁVEL. A apropriação das retenções deve ser feita de acordo com os valores destacados nas notas fiscais. 0 abatimento dos valores recolhidos, ao invés dos valores retidos, gerou diferenças em todas as competências, algumas com crédito para o contribuinte outras com débito. Como não é possível, por problemas operacionais, retificações que impliquem majoração do valor lançado, o vicio apresentase insanável. MULTA DE MORA. REDUÇÃO INDEVIDA. VÍCIO INSANÁVEL. Verificada a redução indevida da multa de mora, o lançamento deve ser anulado pela impossibilidade de saneamento do processo, em face de restrições operacionais. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. DIREITO DE DEFESA. CERCEAMENTO. NULIDADE. nulo o lançamento realizado sem a exposição clara e precisa dos fatos geradores da obrigação previdenciária, por caracterizar cerceamento do direito ao contraditório e A. ampla defesa do sujeito passivo, dificultar a adequada análise por parte dos órgãos julgadores administrativos e não revestir o crédito dos atributos da certeza e liquidez para garantia de futura execução fiscal. Lançamento Nulo Acordam os membros da 7ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Recife, por unanimidade de votos, julgar NULO o lançamento consubstanciado na Fl. 3922DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 12 NFLD n° 37.044.9436, nos termos do voto do relator, parte integrante deste Acórdão. Submetase à apreciação do Egrégio 2° Conselho de Contribuintes, de acordo com o art. 34 do Decreto n° 70.235, de 6 de março de 1972, e alterações introduzidas pela Lei n° 9.532, de 10 de dezembro de 1997, e Portaria MF n° 03, de 03 de janeiro de 2008, por força de recurso necessário. A exoneração do crédito procedida por este acórdão só será definitiva após o julgamento em segunda instância. Cientifiquese à fiscalização para que sejam adotadas as providências que entender cabíveis. Intimese a empresa para conhecimento do presente Acórdão. Sala de Sessões, em 12 de dezembro de 2008. Ora, conforme o artigo 37 da Lei n° 8.212/91, foi lavrado a NFLD nº 37.044.9436que, conforme definido no inciso IV do artigo 633 da IN MPS/SRP n° 03/2005, é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal: (redação à época da lavratura da NFLD nº 37.248.4875) Lei n° 8.212/91 Art. 37. Constatado o atraso total ou parcial no recolhimento de contribuições tratadas nesta Lei, ou em caso de falta de pagamento de beneficio reembolsado, a fiscalização lavrará notificação de débito, com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, conforme dispuser o regulamento. IN MPS/SRP n° 03/2005 Art. 633. São documentos de constituição do crédito tributário, no âmbito da SRP: IV Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD, que é o documento constitutivo de crédito relativo às contribuições devidas à Previdência Social e a outras importâncias arrecadadas pela SRP, apuradas mediante procedimento fiscal; Podese elencar as etapas necessárias à realização do procedimento: · A autorização por meio da emissão de TIAF – Termo de Início da Ação Fiscal, o qual contém o Mandado de Procedimento Fiscal – MPF F, com a competente designação do AuditorFiscal responsável pelo cumprimento do procedimento; Fl. 3923DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.006056/200789 Acórdão n.º 2403001.540 S2C4T3 Fl. 499 13 · A intimação para a apresentação dos documentos conforme Termo de Intimação para Apresentação de Documentos – TIAD, intimando o contribuinte para que apresentasse todos os documentos capazes de comprovar o cumprimento da legislação previdenciária; · A autuação dentro do prazo autorizado pelo referido Mandado, com a apresentação ao contribuinte dos fatos geradores e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes: a. IPC Instruções para o Contribuinte (que tem a finalidade de comunicar ao contribuinte como regularizar seu débito, como apresentar defesa e outras informações); b. DD Discriminativo do Débito; c. RDA – Relatório de Documentos Apresentados. d. RADA Relatório de Apropriação de Documentos Apresentados e. FLD Fundamentos Legais do Débito (que indica os dispositivos legais que autorizam o lançamento e a cobrança das contribuições exigidas, de acordo com a legislação vigente à época do respectivo fato gerador); f. VÍNCULOS Relatório de Vínculos (que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, indicando o tipo de vínculo existente e o período); g. TIPF – Termo do Procedimento Fiscal; h. TEPF Termo do Procedimento Fiscal;. i. REFISC – Relatório Fiscal. Cumprenos esclarecer ainda, que o lançamento fiscal não foi elaborado nos termos do artigo 142 do Código Tributário Nacional, especialmente a verificação da efetiva ocorrência do fato gerador tributário, a matéria sujeita ao tributo, bem como o montante individualizado do tributo devido. De plano, o art. 142, CTN, estabelece que: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 3924DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 14 Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” A decisão de primeira instância aponta expressamente as violações ao art. 142, CTN, às fls. 3835 a 3839: DA FALTA DE CLAREZA DA BASE DE CALCULO UTILIZADA No Relatório Fiscal o auditor informa que a base de calculo foi apurada na contabilidade, folha de pagamento e recibos, contudo, não aponta em cada competência lançada, em qual documento foi obtida a referida base de cálculo ou mesmo se ha coincidência entre os valores encontrados nas GF1P, folhas de pagamento e contabilidade, de sorte a possibilitar a conferência dos mesmos pela empresa. Também no Relatório de Lançamentos não consta a origem dos valores. 0 contribuinte, por sua vez, trouxe aos autos informações de folhas de pagamento e registros contábeis diferentes dos lançados. Desse modo, impossível ao contribuinte verificar em seus documentos a origem dos valores lançados, ensejando, assim, prospere a argüição de cerceamento de defesa. Vêse, pois, que o Relatório Fiscal não atende as exigências da legislação, que além de permitir a escorreita constituição do crédito pela determinação da contribuição social devida, deveria reverenciar o principio da ampla defesa, que condiciona o procedimento fiscal, vinculado e obrigatório, conforme disposto no art. 37 da Lei 8.212/91 e o art. 243 do Decreto 3.048/99: Da forma como se encontra o lançamento sob análise, entendemos que não estão claros todos os seus elementos nos moldes estabelecidos pelo art. 142 do Código Tributário Nacional — CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Diante da incerteza do presente crédito, do prejuízo i ampla defesa e ao contraditório não pode o presente lançamento ser convalidado (...) DA MULTA FIXADA A MENOR Fl. 3925DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 10380.006056/200789 Acórdão n.º 2403001.540 S2C4T3 Fl. 500 15 De acordo com o artigo 35, da Lei n° 8.212, de 1991 abaixo transcrito, sobre o valor das contribuições sociais arrecadadas pelo INSS, quando recolhidas fora dos prazos legais, incidem multa de mora, nos termos ali especificados , todas de caráter irrelevável. Analisando o DAD — Discriminativo Analítico do Débito, constatase que o presente processo foi apurado como se as contribuições tivessem sido declaradas em GFIP. Assim, a multa foi fixada com redução de 50% do seu valor, nos termos do §4° acima transcrito. Ocorre que os valores informados em GFIP, conforme cópias em anexo ( fls. ) são menores do que os valores que a fiscalização afirma terem sido declarados e que foram considerados como base de calculo, consoante o citado Demonstrativo. Desse modo, a totalidade da base de calculo apurada não foi objeto de declaração por parte da empresa, fato que, inclusive, deu origem a lavratura do Auto de Infração de n° 37.044.9401. A situação descrita gerou a cobrança de multa a menor do que o valor efetivamente devido pela empresa, o que é considerado um vicio insanável, dada a impossibilidade de majoração da mesma nos sistemas informatizados da Receita Federal. (...) No presente processo, foram verificadas as seguintes falhas: 1. A multa não poderia ter sido lançada com redução de 50%, tendo em vista que os fatos geradores não foram integralmente declarados em GF1P, não sendo possível a majoração da mesma; 2. Não é possível, da forma como foi apurado o crédito, fazer a correta apropriação dos valores que foram retidos da defendente, conforme reconhecido pela própria fiscalização; 3. Não houve a discriminação clara e precisa dos fatos geradores, exigida pela Lei 8.212/1991, Art. 37; 4. Não se permitiu o contraditório e a ampla defesa do sujeito passivo, nem propiciou a adequada análise do crédito e não ensejou ao crédito o atributo de certeza e liquidez para garantia da futura execução fiscal. Por conseguinte, devese reconhecer a nulidade do presente crédito por vicio formal do lançamento que não contemplou todos os requisitos e atributos consoante os fundamentos de fato e de direito demonstrados. Por fim, analisandose a NFLD em comento, temse que não foi cumprido integralmente os limites legais dispostos no art. 142, CTN. Fl. 3926DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI 16 Ademais, não compete ao AuditorFiscal agir de forma discricionária no exercício de suas atribuições. Desta forma, em constatando a falta de recolhimento, face a ocorrência do fato gerador, cumprilhe lavrar de imediato a notificação fiscal de lançamento de débito de forma vinculada, constituindo o crédito previdenciário. O art. 243 do Decreto 3.048/99, assim dispõe neste sentido: Art.243. Constatada a falta de recolhimento de qualquer contribuição ou outra importância devida nos termos deste Regulamento, a fiscalização lavrará, de imediato, notificação fiscal de lançamento com discriminação clara e precisa dos fatos geradores, das contribuições devidas e dos períodos a que se referem, de acordo com as normas estabelecidas pelos órgãos competentes. CONCLUSÃO Voto no sentido de CONHECER do recurso de ofício, NO MÉRITO, NEGAR PROVIMENTO AO RECURSO DE OFÍCIO. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 3927DF CARF MF Impresso em 07/01/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 12/12/2012 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 13/12/2012 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 15504.012543/2009-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 23 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Fri Mar 01 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2005
PREVIDENCIÁRIO. AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, A, LEI Nº 8.212/91.
De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea a, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social.
AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO.
Impõe-se a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, cuja obrigação principal fora lançada em Auto de Infração correlato, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula.
ESCREVENTES E NOTÁRIOS. VINCULAÇÃO AO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL - IPSEMG. ESTADO DE MINAS GERAIS. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO OPÇÃO POR OCASIÃO DA EDIÇÃO DA LEI N° 8.935/1994. EFEITOS EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/1998.
Inexistindo nos autos comprovação de que os notários e/ou escreventes foram contratados anteriormente à edição da Lei n° 8.935/1994, bem como que optaram pela manutenção da vinculação ao Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Minas Gerais - IPSEMG, não há razão para se discutir os efeitos da Emenda Constitucional n° 20/1998, uma vez que os contratados posteriormente ou que não fizeram referida opção passaram, já naquela oportunidade, a ser segurados obrigatórios do RGPS.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2401-002.859
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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AUTO DE INFRAÇÃO. INOBSERVÂNCIA DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. ARTIGO 30, INCISO I, “A”, LEI Nº 8.212/91. De conformidade com o artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constitui infração deixar a empresa de arrecadar as contribuições previdenciárias, mediante desconto nas remunerações dos segurados empregados e contribuintes individuais a seu serviço, abrangidos pelo Regime Geral de Previdência Social. AUTO DE INFRAÇÃO DECORRENTE DE LANÇAMENTO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL JULGADO PROCEDENTE. AUTUAÇÃO REFLEXA. OBSERVÂNCIA DECISÃO. Impõese a manutenção da multa aplicada decorrente da ausência de arrecadação das contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, cuja obrigação principal fora lançada em Auto de Infração correlato, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula. ESCREVENTES E NOTÁRIOS. VINCULAÇÃO AO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL IPSEMG. ESTADO DE MINAS GERAIS. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO OPÇÃO POR OCASIÃO DA EDIÇÃO DA LEI N° 8.935/1994. EFEITOS EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/1998. Inexistindo nos autos comprovação de que os notários e/ou escreventes foram contratados anteriormente à edição da Lei n° 8.935/1994, bem como que optaram pela manutenção da vinculação ao Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Minas Gerais IPSEMG, não há razão para se discutir os efeitos da Emenda Constitucional n° 20/1998, uma vez que os contratados posteriormente ou que não fizeram referida opção passaram, já naquela oportunidade, a ser segurados obrigatórios do RGPS. Recurso Voluntário Negado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 01 25 43 /2 00 9- 12 Fl. 104DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Relator Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 105DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.012543/200912 Acórdão n.º 2401002.859 S2C4T1 Fl. 50 3 Relatório FRANCISCO JOSÉ REZENDE DOS SANTOS, contribuinte, equiparado à empresa na condição de Titular de Cartório, já qualificado nos autos do processo administrativo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 6a Turma da DRJ em Belo Horizonte/MG, Acórdão n° 0228.637/2010, às fls. 29/38, que julgou procedente a autuação fiscal lavrada contra a empresa, nos termos do artigo 30, inciso I, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, c/c artigo 216, inciso I, alínea “a”, do RPS, por ter deixado de arrecadar as contribuições previdenciárias devidas, mediante desconto das respectivas remunerações pagas ou creditadas aos segurados empregados a seu serviço, em relação ao período de 11/2005 a 13/2005, consoante Relatório Fiscal, às fls. 11/12. Tratase de Auto de Infração (obrigações acessórias), lavrado em 17/08/2009, nos moldes do artigo 293 do RPS, contra a contribuinte acima identificada, constituindose multa no valor de R$ 1.329,18 (Um mil, trezentos e vinte e nove reais e dezoito centavos), com base nos artigos 283, inciso I, alínea “g”, e 373, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto 3.048/99. De conformidade com o Relatório Fiscal, o contribuinte, equiparado à empresa em razão da condição de Titular de Cartório, nos termos do artigo 15, parágrafo único, da Lei n° 8.212/91, deixou de arrecadar as contribuições previdenciárias devidas incidentes sobre as remunerações dos funcionários contratados pelo Titular, por meio de designação, através do regime trabalhista estatutário e que não havia em folha, desconto a titulo de previdência. Esta designação não lhes conferiu a situação de servidores do Estado, já que sempre foram remunerados pelo Cartório, através do seu Titular e nunca pelos cofres públicos. Concluiu, assim, a fiscalização que os funcionários estatutários, uma vez que não são detentores de cargos efetivos no Estado e nem estavam amparados por regime próprio de previdência social, vinculamse ao Regime Geral de Previdência Social, sendo devida a contribuição para o INSS — Instituto Nacional da Seguridade Social. Informa, ainda, o fiscal autuante, que o contribuinte concedia a parte dos seus funcionários pagamentos a título de plano de saúde, o qual fora considerado como remuneração em virtude de não ser disponibilizados à totalidade dos empregados e dirigentes. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às fls. 66/71 (nos autos do processo n° 15504.012540/200989 – em razão de estarem anteriormente apensados), Procurando demonstrar a improcedência do lançamento, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases ocorridas no decorrer do processo administrativo fiscal, insurgese contra a exigência consubstanciada na peça vestibular do procedimento, mormente em relação à incidência de contribuições previdenciárias sobre a remuneração dos escreventes e auxiliares de cartório, aduzindo para tanto que os funcionários do Cartório estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais – IPSEMG. Fl. 106DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 4 Em defesa de sua pretensão, assevera que há de ser resguardado o direito adquirido do Recorrente, eis que, foi muito preciso pelo legislador quando da edição da Lei 8.935/1994 em seus artigos 40 e 48, §2°, quando estipulou a opção do serventuário a escolha dos dois regimes, IPSEMG ou RGPS. Salientando que, aqueles que não fizeram à opção continuariam vinculados ao IPSEMG. Esta ferramenta legal é nada menos, nada mais, que a proteção do direito adquirido no período de transição da Ordem Jurídica. Assevera que o artigo 9° do Decreto n° 3.048/99, Regulamento da Previdência Social, é por demais enfático ao afirmar que somente são vinculados obrigatoriamente ao RGPS os escreventes e auxiliares contratados a partir de 24 de novembro de 1994, ou aqueles que, contratados, anteriormente, optaram por aquele regime. Com mais especificidade, sustenta que o Estado de Minas Gerais legislou sobre o assunto mediante a edição da Lei Complementar n° 64/2002, alterada pela Lei Complementar n° 70/2003, corroborando os preceitos do dispositivo legal encimado, resguardando o direito adquirido de tais funcionários, o que veio a ser ratificado pela Portaria n° 2.701/1995 do Ministério da Previdência Social. Neste sentido, defende que a Emenda Constitucional n° 20/1998 não tem qualquer interferência no caso dos autos, impondo seja aplicada a legislação pertinente, que oferece proteção às razões de recurso, sob pena de afronta ao instituto de direito adquirido, consoante resta assentado na jurisprudência transcrita na peça recursal. Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar o Auto de Infração, tornandoo sem efeito e, no mérito, sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.012543/200912 Acórdão n.º 2401002.859 S2C4T1 Fl. 51 5 Voto Conselheiro Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso voluntário e passo a análise das alegações recursais. Consoante se positiva da peça vestibular do feito, o presente crédito tributário fora lavrado em razão de a empresa deixar de arrecadar a contribuição dos segurados empregados a seu serviço, cujas contribuições previdenciárias (obrigação principal – parte dos segurados) pertinentes foram lançadas no AI n° 37.230.1312 – Processo n° 15504.012540/200989. Com mais especificidade, a presente autuação fora lavrada em face do contribuinte, na condição de Titular de Cartório e, por conseguinte, equiparado a empresa, por ter deixado de arrecadar as contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos escreventes e notários, mais precisamente funcionários contratados pelo Titular, por meio de designação, através do regime trabalhista estatutário e que não havia em folha, desconto a titulo de previdência. Esta designação não lhes conferiu a situação de servidores do Estado, já que sempre foram remunerados pelo Cartório, através do seu Titular e nunca pelos cofres públicos. Com arrimo nas disposições da Emenda Constitucional n° 20/1998, concluiu a fiscalização que os funcionários estatutários, uma vez que não são detentores de cargo efetivo no Estado e nem estavam amparados por regime próprio de previdência social, vinculamse ao Regime Geral de Previdência Social, sendo devida a contribuição para o INSS — Instituto Nacional da Seguridade Social. Nesse contexto, o contribuinte foi autuado com fundamento no artigo 30, inciso “I”, alínea “a”, da Lei nº 8.212/91, constituindose crédito previdenciário decorrente da penalidade aplicada nos termos do artigo 283, inciso “I”, alínea “g”, do RPS, que assim prescrevem: “Lei 8.212/91 Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: I – A empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração;” Regulamento da Previdência Social “Art. 283. Por infração a qualquer dispositivos das Leis 8.212 e 8.213, ambas de 1991, e 10.666, de 08 de mais de 2003, para a Fl. 108DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 6 qual não haja penalidade expressamente cominada neste Regulamento, fica o responsável sujeito a multa variável [...], conforme gravidade da infração, aplicandoselhe o disposto nos arts. 290 a 292, e de acordo com os seguintes valores: I – a partir de R$ 636,17 nas seguintes infrações: g) deixar a empresa de efetuar os descontos das contribuições das contribuições devidas pelos segurados a seu serviço;” Verificase que, de acordo com o Relatório Fiscal, o recorrente não apresentou a documentação e/ou informações exigidas pela fiscalização na forma que determina a legislação previdenciária, incorrendo na infração prevista nos dispositivos legais supracitados, o que ensejou a aplicação da multa, nos termos do Regulamento da Previdência Social, como procedeu, corretamente, a fiscal autuante, não se cogitando em improcedência do lançamento como pretende a recorrente. Em suas razões de recurso, pretende o contribuinte a reforma da decisão recorrida, a qual manteve a exigência fiscal em sua plenitude, aduzindo, em síntese, que os funcionários do Cartório estão vinculados ao Regime Próprio de Previdência do Estado de Minas Gerais – IPSEMG, devendo ser resguardado o direito adquirido do Recorrente, eis que, foi muito preciso pelo legislador quando da edição da Lei 8.935/1994 em seus artigos 40 e 48, §2°, quando estipulou a opção do serventuário a escolha dos dois regimes, IPSEMG ou RGPS. Salientando que, aqueles que não fizeram à opção continuariam vinculados ao IPSEMG. Esta ferramenta legal é nada menos, nada mais, que a proteção do direito adquirido no período de transição da Ordem Jurídica. A fazer prevalecer seu entendimento, sustenta que o artigo 9° do Decreto n° 3.048/99, Regulamento da Previdência Social, é por demais enfático ao afirmar que somente são vinculados obrigatoriamente ao RGPS os escreventes e auxiliares contratados a partir de 24 de novembro de 1994, ou aqueles que, contratados, anteriormente, optaram por aquele regime. Assevera que o Estado de Minas Gerais legislou sobre o assunto mediante a edição da Lei Complementar n° 64/2002, alterada pela Complementar n° 70/2003, corroborando os ditames do dispositivo legal retro, resguardando o direito adquirido de tais funcionários, o que veio a ser ratificado pela Portaria n° 2.701/1995 do Ministério da Previdência Social. Partindo dessas premissas, defende que a Emenda Constitucional n° 20/1998 não tem qualquer interferência no caso dos autos, impondo seja aplicada a legislação pertinente, que oferece proteção às razões de recurso, sob pena de afronta ao instituto de direito adquirido, consoante resta assentado na jurisprudência transcrita na peça recursal. Inicialmente devese frisar que, não obstante tratarse de autuação face a inobservância de obrigações acessórias, os argumentos do recorrente estão ligados basicamente à procedência da exigência fiscal consubstanciada no AI n° 37.230.1312 – Processo n° 15504.012540/200989, onde o Fisco promoveu o lançamento exigindo as contribuições previdenciárias devidas pela empresa, incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados. Registrese, que em nenhum momento o contribuinte alega não ter incorrido na falta imputada, se limitando a questionar o mérito da autuação fiscal correlata acima mencionada. Fl. 109DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA Processo nº 15504.012543/200912 Acórdão n.º 2401002.859 S2C4T1 Fl. 52 7 Em verdade, o contribuinte faz confusão ao tratar da questão, trazendo à colação argumentos relativos à constituição de créditos previdenciários decorrentes do descumprimento de obrigações principais. Consoante se positiva do artigo 113 do Código Tributário Nacional, as obrigações tributárias são divididas em duas espécies, obrigação principal e obrigação acessória. A primeira diz respeito à ocorrência do fato gerador do tributo em si, por exemplo, recolher ou não o tributo propriamente dito, extinguindo juntamente com o crédito decorrente. Por outro lado, a obrigação acessória, relacionase às prestações positivas ou negativas, constantes da legislação tributária de interesse da arrecadação ou fiscalização tributária, sendo exemplo de seu descumprimento o contribuinte deixar de arrecadar a totalidade das contribuições previdenciárias, situação que se amolda ao caso sub examine. Com efeito, restou circunstanciadamente demonstrado pela autoridade lançadora, que a lavratura do presente auto de infração se deu em virtude do contribuinte ter deixado de arrecadar, mediante desconto nas respectivas remunerações, às contribuições previdenciárias dos segurados empregados. Ocorre que, incluído nesta mesma pauta de julgamento, esta Egrégia 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª SJ do CARF achou por bem negar provimento ao recurso voluntário interposto nos autos do processo n° 15504.012540/200989 (AI n° 37.230.1312), mantendo a tributação sobre os valores pagos/remunerações dos segurados empregados, o fazendo sob o manto dos fundamentos consubstanciados na seguinte ementa: “Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/11/2005 a 31/12/2005 CONTRIBUIÇÕES SEGURADO EMPREGADO OBRIGAÇÃO RECOLHIMENTO. Nos termos do artigo 30, inciso I, alíneas “a” e “b”, da Lei nº 8.212/91, a empresa é obrigada a arrecadar as contribuições dos segurados empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais a seu serviço, descontandoas das respectivas remunerações, e recolher o produto no prazo estipulado na legislação de regência. ESCREVENTES E NOTÁRIOS. VINCULAÇÃO AO REGIME PRÓPRIO DE PREVIDÊNCIA SOCIAL – IPSEMG. ESTADO DE MINAS GERAIS. AUSÊNCIA COMPROVAÇÃO OPÇÃO POR OCASIÃO DA EDIÇÃO DA LEI N° 8.935/1994. EFEITOS EMENDA CONSTITUCIONAL N° 20/1998. Inexistindo nos autos comprovação de que os notários e/ou escreventes foram contratados anteriormente à edição da Lei n° 8.935/1994, bem como que optaram pela manutenção da vinculação ao Regime Próprio de Previdência Social do Estado de Minas Gerais – IPSEMG, não há razão para se discutir os efeitos da Emenda Constitucional n° 20/1998, uma vez que os contratados posteriormente ou que não fizeram referida opção passaram, já naquela oportunidade, a ser segurados obrigatórios do RGPS. Fl. 110DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA 8 Recurso Voluntário Negado.” Dessa forma, no julgamento do presente Auto de Infração impõese à observância à decisão levada a efeito na autuação retromencionada, em face da íntima relação de causa e efeito que os vincula, uma vez que as contribuições que pretensamente deixaram de ser arrecadadas foram lançadas naquele lançamento principal. Na esteira desse entendimento, no mérito, uma vez mantida a exigência fiscal/contribuições previdenciárias incidentes sobre as remunerações dos segurados empregados, funcionários estatutários do Cartório (Escreventes e Notários), não há que se falar na improcedência da autuação sob análise, como pretende fazer crer a recorrente, impondo seja mantida a exigência na forma lançada. No que tange a jurisprudência trazida à colação pelo recorrente, mister elucidar, com relação às decisões exaradas pelo Judiciário, que os entendimentos nelas expresso sobre a matéria ficam restritos às partes do processo judicial, não cabendo a extensão dos efeitos jurídicos de eventual decisão ao presente caso, até que nossa Suprema Corte tenha se manifestado em definitivo a respeito do tema. Quanto às demais alegações do contribuinte, não merece aqui tecer maiores considerações, uma vez não serem capazes de ensejar a reforma da decisão recorrida, especialmente quando desprovidos de qualquer amparo legal ou fático, bem como já devidamente rechaçadas pelo julgador de primeira instância. Assim, escorreita a decisão recorrida devendo nesse sentido ser mantido o lançamento na forma ali decidida, uma vez que o contribuinte não logrou infirmar os elementos colhidos pela Fiscalização que serviram de base para constituição do crédito previdenciário, atraindo para si o ônus probandi dos fatos alegados. Não o fazendo razoavelmente, não há como se acolher a sua pretensão. Por todo o exposto, estando o Auto de Infração sub examine em consonância com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO DE CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO E NEGARLHE PROVIMENTO, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira Fl. 111DF CARF MF Impresso em 01/03/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 07/02/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM, Assinado digitalmente em 26/02/2 013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, Assinado digitalmente em 07/02/2013 por RYCARDO HENRIQUE MAGALHAES DE OLIVEIRA
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Numero do processo: 12269.002156/2009-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 16 00:00:00 UTC 2012
Data da publicação: Mon Sep 17 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004
Ementa: SIMPLES A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno -SIMPLES, implica em que as GFIPs devem conter as informações atinentes às contribuições previdenciárias da empresa. AUTO-DE-INFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32-A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplica-se a ato ou fato pretérito, tratando-se de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de defini-lo como infração; b) quando deixe de tratá-lo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2302-002.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32-A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32-A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco Andre Ramos Vieira - Presidente. Liege Lacroix Thomasi - Relatora. EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi,Adriana Sato.
Nome do relator: LIEGE LACROIX THOMASI
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 01/05/2004 a 31/12/2004 Ementa: SIMPLES A exclusão do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno SIMPLES, implica em que as GFIP’s devem conter as informações atinentes às contribuições previdenciárias da empresa. AUTODEINFRAÇÃO. GFIP. DADOS NÃO CORRESPONDENTES A TODOS OS FATOS GERADORES. Constitui infração a apresentação de GFIP com dados não correspondentes a todos os fatos geradores de contribuições previdenciárias, conforme artigo 32, Inciso IV e §5º, da Lei nº 8.212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Recurso Voluntário Provido em Parte AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 9. 00 21 56 /2 00 9- 18 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conceder provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. A multa deve ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. Marco Andre Ramos Vieira Presidente. Liege Lacroix Thomasi Relatora. EDITADO EM: 20/08/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros:Marco Andre Ramos Vieira (Presidente), Manoel Coelho Arruda Junior, Arlindo da Costa e Silva, Liege Lacroix Thomasi,Adriana Sato. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.002156/200918 Acórdão n.º 2302002.044 S2C3T2 Fl. 133 3 Relatório Trata o presente de autodeinfração, lavrado em 29/05/2009, em desfavor do sujeito passivo acima passivo acima identificado, com ciência em 01/06/2009, em virtude do descumprimento do artigo 32, inciso IV, §5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, com multa punitiva aplicada conforme dispõe o artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, por ter informado nas Guias de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social – GFIP’s do período de 05/2004 a 12/2004, o código 2, como optante do SIMPLES, quando já tinha sido excluída do sistema. A recorrente impugnou a autuação e Acórdão de fls. 102/108, julgou o lançamento procedente. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário, onde alega em síntese: a) que o processo administrativo não obedeceu aos pressupostos do artigo 142, do CTN, nem do artigo 10, do Decreto 70.235/72, cerceando a defesa do contribuinte; b) que não teve direito de discutir administrativamente a constituição do crédito; c) que a exclusão do SIMPLES somente poderia ter sido efetuada após procedimento administrativo que garantisse o contraditório e a ampla defesa; d) que o sócio que motivou a sua exclusão do SIMPLES retirouse da sociedade em 31/12/2003; e) a inexigibilidade e inconstitucionalidade da multa devido à vedação ao confisco; f) a exclusão da taxa SELIC, por ser incabível. Requer a extinção da cobrança em apreço. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 4 Voto Conselheira Liege Lacroix Thomasi, Relatora Cumprido o requisito de admissibilidade, frente à tempestividade, conheço do recurso e passo ao seu exame. Da Preliminar A recorrente argúi a nulidade da autuação por cerceamento de defesa, indignandose com sua exclusão do SIMPLES, que segundo ela, se deu sem o devido procedimento administrativo que lhe permitisse o contraditório e a ampla defesa. Não merece guarida a alegação da recorrente, posto que já lhe foi informado pela decisão recorrida, que o procedimento administrativo relativo à exclusão do SIMPLES já está encerrado com decisão definitiva proferida através do Acórdão n.º 1013.155, de 29/08/2007, da DRJ de Porto Alegre/RS, já que a empresa não interpôs recurso no prazo concedido para tanto, fazendo com que a decisão transitasse em julgado, produzindo seus efeitos legais. Portanto, não cabe mais o exame desta questão por este Colegiado, ainda considerando que o prazo para interposição de recurso transcorreu sem manifestação, por parte do contribuinte, naquele processo, não havendo hipótese de reabertura de processo para apreciação de caso extemporâneo. Também, não vislumbro a tese de nulidade da autuação, pois não foi observado qualquer vício no procedimento da fiscalização e formalização do lançamento. Foram cumpridos todos os requisitos dos artigos 10 e 11 do Decreto n° 70.235, de 06/03/72, verbis: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; Fl. 139DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.002156/200918 Acórdão n.º 2302002.044 S2C3T2 Fl. 134 5 II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. O recorrente foi devidamente intimado de todos os atos processuais que trazem fatos novos, assegurandolhe a oportunidade de exercício da ampla defesa e do contraditório, nos termos do artigo 23 do mesmo Decreto: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.1997) III por edital, quando resultarem improfícuos os meios referidos nos incisos I e II. (Vide Medida Provisória nº 232, de 2004) A decisão recorrida também atendeu às prescrições que regem o processo administrativo fiscal: enfrentou as alegações pertinentes do recorrente, com indicação precisa dos fundamentos e se revestiu de todas as formalidades necessárias. Não contém, portanto, qualquer vício que suscite sua nulidade, passando, inclusive, pelo crivo do Egrégio Superior Tribunal de Justiça: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 9.12.1993). “PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. NULIDADE DO ACÓRDÃO. INEXISTÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. SERVIDOR PÚBLICO INATIVO. JUROS DE MORA. TERMO INICIAL. SÚMULA 188/STJ. 1. Não há nulidade do acórdão quando o Tribunal de origem resolve a controvérsia de maneira sólida e fundamentada, apenas não adotando a tese do recorrente. Fl. 140DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 6 2. O julgador não precisa responder a todas as alegações das partes se já tiver encontrado motivo suficiente para fundamentar a decisão, nem está obrigado a aterse aos fundamentos por elas indicados “. (RESP 946.447RS – Min. Castro Meira – 2ª Turma – DJ 10/09/2007 p.216) Portanto, em razão do exposto e nos termos das regras disciplinadoras do processo administrativo fiscal, não se identificam vícios capazes de tornar nulo quaisquer dos atos praticados: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Superadas as questões preliminares para exame do cumprimento das exigências formais, passo à apreciação do mérito. Do Mérito Referese o auto de infração ao descumprimento de obrigação acessória, qual seja a falta de informação em GFIP de todos os fatos geradores de contribuição previdenciária, uma vez que a autuada informou o código de optante do SIMPLES, quando já se encontrava excluída do sistema. Ao ser excluída do SIMPLES a recorrente sujeitase ao cumprimento das obrigações acessórias relativas às empresas em geral, devendo informar a GFIP corretamente. Ao informar a situação de optante, deixou de prestar informações sobre todos os fatos geradores de contribuição previdenciária. Ao não informar os valores relativos aos pagamentos efetuados aos segurados empregados e contribuintes individuais, a recorrente infringiu o artigo 32, inciso IV, § 5º, da Lei n.º 8.212/91 e artigo 225, inciso IV do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, pois é obrigada a informar, mensalmente, ao INSS, por intermédio da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social – GFIP, na forma por ele estabelecida, dados cadastrais, todos os fatos geradores de contribuição previdenciária e outras informações do interesse do Instituto, sendo que a apresentação do documento com dados não correspondentes aos fatos geradores sujeitará o infrator à pena administrativa correspondente à multa de cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada. A multa referente ao descumprimento da obrigação acessória, que originou este auto de infração, estava contida no artigo 32, § 5º da Lei n.º 8.212/91 e artigo 284, inciso II, do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99: Art.284. A infração ao disposto no inciso IV do caput do art. 225 sujeitará o responsável às seguintes penalidades administrativas: I valor equivalente a um multiplicador sobre o valor mínimo previsto no caput do art. 283, em função do número de segurados, pela não apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social, independentemente do recolhimento da contribuição, conforme quadro abaixo: Fl. 141DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.002156/200918 Acórdão n.º 2302002.044 S2C3T2 Fl. 135 7 0 a 5 segurados ½ valor mínimo 6 a 15 segurados 1 x o valor mínimo 16 a 50 segurados 2 x o valor mínimo 51 a 100 segurados 5 x o valor mínimo 101 a 500 segurados 10 x o valor mínimo 501 a 1000 segurados 20 x o valor mínimo 1001 a 5000 segurados 35 x o valor mínimo Acima de 5000 segurados 50 x o valor mínimo II cem por cento do valor devido relativo à contribuição não declarada, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com dados não correspondentes aos fatos geradores, seja em relação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção ou substituição, quando se tratar de infração cometida por pessoa jurídica de direito privado beneficente de assistência social em gozo de isenção das contribuições previdenciárias ou por empresa cujas contribuições incidentes sobre os respectivos fatos geradores tenham sido substituídas por outras; e (Redação dada pelo Decreto nº 4.729, de 9/06/2003) III cinco por cento do valor mínimo previsto no caput do art. 283, por campo com informações inexatas, incompletas ou omissas, limitada aos valores previstos no inciso I, pela apresentação da Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social com erro de preenchimento nos dados não relacionados aos fatos geradores. § 1º A multa de que trata o inciso I, a partir do mês seguinte àquele em que o documento deveria ter sido entregue, sofrerá acréscimo de cinco por cento por mês calendário ou fração. § 2º O valor mínimo a que se refere o inciso I será o vigente na data da lavratura do autodeinfração. Era considerado, por competência, o número total de segurados da empresa, para fins do limite máximo da multa apurada também por competência, somandose os valores da contribuição não declarada, e seu valor total era o somatório dos valores apurados em cada uma das competências. Entretanto, apesar de estar correta a aplicação da multa, há que se observar a retroatividade benigna prevista no art. 106, inciso II do CTN. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, que beneficiam o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, já na redação da Lei n.º 11.941/2009, nestas palavras: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA 8 “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Assim, no caso presente, há cabimento do art. 106, inciso II, alínea “c” do Código Tributário Nacional. Deixo de me manifestar sobre os argumentos expendidos acerca da taxa SELIC, porque o assunto não faz parte desta autuação, já que não incidem juros neste auto de infração por descumprimento de obrigação acessória. Pelo exposto, voto pelo provimento parcial do recurso, devendo a multa ser calculada considerando as disposições do artigo 32A , inciso I, da Lei n.º 11.941/2009. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA Processo nº 12269.002156/200918 Acórdão n.º 2302002.044 S2C3T2 Fl. 136 9 Liege Lacroix Thomasi Relatora Fl. 144DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2012 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 27/08/201 2 por LIEGE LACROIX THOMASI, Assinado digitalmente em 12/09/2012 por MARCO ANDRE RAMOS VIEIRA
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