Busca Facetada
Turma- Terceira Câmara (29,278)
- Segunda Câmara (27,804)
- Primeira Câmara (25,086)
- Segunda Turma Ordinária d (17,704)
- 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR (16,175)
- Primeira Turma Ordinária (16,167)
- Primeira Turma Ordinária (16,049)
- Primeira Turma Ordinária (16,036)
- Segunda Turma Ordinária d (15,777)
- Segunda Turma Ordinária d (14,403)
- Primeira Turma Ordinária (13,018)
- Primeira Turma Ordinária (12,371)
- Segunda Turma Ordinária d (12,356)
- Quarta Câmara (11,514)
- Primeira Turma Ordinária (11,409)
- Quarta Câmara (84,660)
- Terceira Câmara (67,242)
- Segunda Câmara (55,630)
- Primeira Câmara (20,043)
- 3ª SEÇÃO (16,175)
- 2ª SEÇÃO (11,266)
- 1ª SEÇÃO (6,836)
- Pleno (788)
- Sexta Câmara (302)
- Sétima Câmara (172)
- Quinta Câmara (133)
- Oitava Câmara (123)
- Terceira Seção De Julgame (124,588)
- Segunda Seção de Julgamen (114,322)
- Primeira Seção de Julgame (76,395)
- Primeiro Conselho de Cont (49,052)
- Segundo Conselho de Contr (48,959)
- Câmara Superior de Recurs (37,873)
- Terceiro Conselho de Cont (25,978)
- IPI- processos NT - ressa (5,020)
- Outros imposto e contrib (4,458)
- PIS - ação fiscal (todas) (4,061)
- IRPF- auto de infração el (3,972)
- PIS - proc. que não vers (3,961)
- IRPJ - AF - lucro real (e (3,943)
- Cofins - ação fiscal (tod (3,868)
- Simples- proc. que não ve (3,681)
- IRPF- ação fiscal - Dep.B (3,045)
- IPI- processos NT- créd.p (2,251)
- IRPF- ação fiscal - omis. (2,215)
- Cofins- proc. que não ver (2,102)
- IRPJ - restituição e comp (2,088)
- Finsocial -proc. que não (1,996)
- IRPF- restituição - rendi (1,991)
- Não Informado (56,618)
- GILSON MACEDO ROSENBURG F (5,418)
- RODRIGO DA COSTA POSSAS (4,442)
- WINDERLEY MORAIS PEREIRA (4,269)
- CLAUDIA CRISTINA NOIRA PA (4,256)
- PEDRO SOUSA BISPO (3,750)
- HELCIO LAFETA REIS (3,697)
- CHARLES MAYER DE CASTRO S (3,219)
- ROSALDO TREVISAN (3,217)
- MARCOS ROBERTO DA SILVA (3,150)
- Não se aplica (2,924)
- PAULO GUILHERME DEROULEDE (2,728)
- LIZIANE ANGELOTTI MEIRA (2,628)
- WILDERSON BOTTO (2,615)
- HONORIO ALBUQUERQUE DE BR (2,472)
- 2020 (41,088)
- 2021 (35,833)
- 2019 (30,960)
- 2018 (26,046)
- 2024 (25,917)
- 2012 (23,622)
- 2023 (22,471)
- 2014 (22,375)
- 2013 (21,087)
- 2011 (20,979)
- 2025 (19,488)
- 2010 (18,059)
- 2008 (17,134)
- 2017 (16,839)
- 2009 (15,846)
- 2009 (69,612)
- 2020 (39,854)
- 2021 (34,153)
- 2019 (30,463)
- 2023 (25,918)
- 2024 (23,872)
- 2014 (23,412)
- 2018 (23,139)
- 2025 (19,745)
- 2013 (16,584)
- 2017 (16,398)
- 2008 (15,520)
- 2006 (14,857)
- 2022 (13,225)
- 2007 (13,020)
Numero do processo: 10680.011159/2006-03
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/07/2000 a 31/03/2006
COFINS - RESSARCIMENTO
Não há direito a ressarcimento de COFINS sobre a compra de óleo diesel de distribuidoras, uma vez que nessa operação a alíquota que incide sobre o valor da venda é zero, nos termos do art. 42, I, da MP 2.158-35.
Não havendo direito a qualquer ressarcimento, não há valor a ser atualizado monetariamente, restando a análise dessa questão prejudicada.
Recurso Voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-002.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
Antônio Carlos Atulim - Presidente.
Jorge Lock Freire - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/07/2000 a 31/03/2006 COFINS - RESSARCIMENTO Não há direito a ressarcimento de COFINS sobre a compra de óleo diesel de distribuidoras, uma vez que nessa operação a alíquota que incide sobre o valor da venda é zero, nos termos do art. 42, I, da MP 2.158-35. Não havendo direito a qualquer ressarcimento, não há valor a ser atualizado monetariamente, restando a análise dessa questão prejudicada. Recurso Voluntário negado.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10680.011159/2006-03
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5565693
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Feb 03 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3402-002.816
nome_arquivo_s : Decisao_10680011159200603.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
nome_arquivo_pdf_s : 10680011159200603_5565693.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antônio Carlos Atulim - Presidente. Jorge Lock Freire - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro.
dt_sessao_tdt : Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
id : 6266378
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:30 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123580874752
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1698; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 235 1 234 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.011159/200603 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.816 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria COFINS RESSARCIMENTO Recorrente TRANSPORTE URBANO SÃO MIGUEL DE ILHÉUS LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2000 a 31/03/2006 COFINS RESSARCIMENTO Não há direito a ressarcimento de COFINS sobre a compra de óleo diesel de distribuidoras, uma vez que nessa operação a alíquota que incide sobre o valor da venda é zero, nos termos do art. 42, I, da MP 2.15835. Não havendo direito a qualquer ressarcimento, não há valor a ser atualizado monetariamente, restando a análise dessa questão prejudicada. Recurso Voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. Antônio Carlos Atulim Presidente. Jorge Lock Freire Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Maria Aparecida Martins de Paula, Thais De Laurentiis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 01 11 59 /2 00 6- 03 Fl. 236DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.011159/200603 Acórdão n.º 3402002.816 S3C4T2 Fl. 236 2 Galkowicz, Waldir Navarro Bezerra, Diego Diniz Ribeiro e Carlos Augusto Daniel Neto. Ausente a Conselheira Valdete Aparecida Marinheiro. Relatório Versam os autos recurso voluntário contra o Acórdão da 4ª Turma da DRJ Salvador, o qual manteve o despacho da unidade local da RFB que denegou o pleito da contribuinte para reconhecimento de direito creditório, atualizado monetariamente, da COFINS sobre combustíveis. O valor do suposto crédito foi utilizado em diversas declarações de compensação, cujos números constam da peça recursal. A recorrente é prestadora de serviços de transporte de passageiros Em seu recurso, em síntese, historia que até a edição da MP 1.991/2000, as distribuidoras de petróleo e álcool etílico hidratado para fins carburantes recolhiam o PIS e COFINS como substitutas tributárias, uma vez que aquela norma extinguiu a substituição daquelas contribuições pelas refinarias. Aquela MP foi reeditada até a MP 2.258/2001, que ainda vige. Em que pese ter sido extinta essa substituição tributária, entende que a carga tributária restou inalterada uma vez que no preço dos combustíveis que adquire das distribuidoras "se encontra embutido o mesmo encargo tributário que antes existia sob a roupagem da ST". Alega, por isso, que o Fisco teria revogado o § 7º do art. 150 da Constituição, "já que deu nova roupagem à natureza das incidências de PIS e COFINS nas operações de compra de combustíveis". Com essas alterações, argui, não pode mais se valer do ressarcimento de COFINS nos termos da IN SRF 06/99, pela ausência da operação de varejo. Aduz que extinta a substituição tributária, o Fisco "teve aumento de arrecadação na medida em que alem de continuar recebendo o mesmo volume de dinheiro, não mais devolveu aos contribuintes o dinheiro arrecadado por uma operação de venda inexistente". Entende que ao ser extinta a ST, teria sido violado o preceito do art 110 do CTN. Por fim, entende que o direito creditório deve ser atualizado monetariamente com base na taxa SELIC. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire, Relator. Tratase de pedido absolutamente descabido. Em que pese a alegação de que a legislação teria afrontado o § 7º do art. 150 da CF, e que o mérito de matéria constitucional não seja competência de órgão julgadores administrativos, tal alegação não se sustenta. Isso porque, arrimado naquele preceito constitucional, o legislador ordinário pode instituir a substituição tributária. Todavia, assim Fl. 237DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.011159/200603 Acórdão n.º 3402002.816 S3C4T2 Fl. 237 3 como pode criar a substituição tributária para frente, como o fez no caso dos derivados de petróleo, pode, igualmente, extinguilo, como, posteriormente também o fez, como bem historiado no despacho local. Portanto, não houve qualquer alteração no instituto da substituição tributária, o que torna vazia a alegação de afronta ao art. 110 do CTN. O art. 4º da Lei 9.718 estabelecia a substituição tributária para frente, definindo que as refinarias de petróleo ficavam obrigadas, na condição de contribuintes substitutos, a recolher o PIS/PASEP e a COFINS, devidas pelos distribuidores e comerciantes varejistas de combustíveis derivados de petróleo, inclusive gás. Foi dentro desse contexto jurídico que foi editada a IN SRF nº 6, de 29/01/99, com as alterações da IN SRF 24, 25/02/99, que regulou como se daria o recolhimento dessas contribuições pela substitutas, ou seja, as refinarias e distribuidoras. O art. 6º da IN SRF nº 6 assegurava ao consumidor final, pessoa jurídica, o ressarcimento do valor das contribuições referidas, correspondente à incidência na venda a varejo, na hipótese de aquisição de óleo diesel (caso da recorrente) diretamente às distribuidoras. Contudo, e é o que de fato interessa para o deslinde da questão, a MP 1991 15, de 10/03/2000, alterou essa sistemática, eliminando a substituição tributária pelas refinarias, estabelecendo que tanto estas como as distribuidoras pagariam as contribuições exclusivamente como contribuintes, na forma que hoje dispõe o art. 4º da Lei 9.990, de 21/07/2000. Aquela MP e suas subsequentes reedições até a versão hoje vigente (por efeito do art. 2º da EC 32, de 11/09/2001) a MP 2.15835, de 24/08/2001, art. 42, I, reduziu a zero as alíquotas de PIS/PASEP e COFINS "incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de gasolinas, exceto ..., óleo diesel e GLP, auferida por distribuidores e comerciantes varejistas". Com efeito, no valor pago pela recorrente sobre a aquisição de óleo diesel de distribuidoras não houve incidência de COFINS. Em consequência, sequer haveria tributo a ser ressarcido supondo sua incomum tese. De outro turno, se as refinarias e distribuidoras passaram a embutir no preço dos combustíveis a carga tributária, o que não se tem como aferir, isso são delongas de uma economia de mercado como se pretende a nossa, e a que todos, quer empresas quer pessoas físicas, estão sujeitas. Dessarte, é despropositada a pretensão da recorrente. Assim, deixo de apreciar a questão acessória, a atualização monetária, uma vez que não reconheço direito creditório algum. Forte em todo exposto, nego provimento ao recurso voluntário. assinado digitalmente Jorge Lock Freire Relator. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM Processo nº 10680.011159/200603 Acórdão n.º 3402002.816 S3C4T2 Fl. 238 4 Fl. 239DF CARF MF Impresso em 03/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/02/2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/ 2016 por JORGE OLMIRO LOCK FREIRE, Assinado digitalmente em 02/02/2016 por ANTONIO CARLOS ATULIM
score : 1.0
Numero do processo: 13896.002592/2009-55
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1302-000.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, votando pelas conclusões a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13896.002592/2009-55
anomes_publicacao_s : 201512
conteudo_id_s : 5554301
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 1302-000.385
nome_arquivo_s : Decisao_13896002592200955.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : EDELI PEREIRA BESSA
nome_arquivo_pdf_s : 13896002592200955_5554301.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, votando pelas conclusões a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade.
dt_sessao_tdt : Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
id : 6233384
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:39 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123617574912
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1374; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13896.002592/200955 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.385 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 10 de dezembro de 2015 Assunto Vinculação e sobrestamento Recorrente DU PONT DO BRASIL S A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em CONVERTER o julgamento em diligência, votando pelas conclusões a Conselheira Ana de Barros Fernandes Wipprich, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 38 96 .0 02 59 2/ 20 09 -5 5 Fl. 1288DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13896.002592/200955 Resolução nº 1302000.385 S1C3T2 Fl. 3 2 RELATÓRIO DU PONT DO BRASIL S/A, já qualificada nos autos, recorre de decisão proferida pela 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento de Belo Horizonte/MG que, por unanimidade de votos, julgou IMPROCEDENTE a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou compensações com o saldo negativo de IRPJ apurado no anocalendário 2008. Consta da decisão recorrida o seguinte relato: O presente processo trata de DCOMP’s apresentadas pelo contribuinte acima qualificado, mediante a utilização de pretenso “Saldo Negativo de IRPJ” apurado no AC de 2008 no valor de R$ 20.603.845,25. DDeessppaacchhoo DDeecciissóórriioo ddaa DDRRFF 2. A análise dos documentos protocolizados pelo contribuinte foi efetuada pela DRF Barueri/SP através do Despacho Decisório nº 170, de 2013, de onde se extrai: 2.1 Parte das antecipações do IRPJ indicadas pelo contribuinte na DCOMP referese ao IRRF. Verificando as DIRF’s apresentadas pelas fontes pagadoras foi confirmada a retenção no importe de R$ R$ 2.828.846,06, enquanto o contribuinte deduziu na DIPJ o IRF no valor de R$ 2.913.117,61. 2.2 Foi confirmado o pagamento através de DARF as antecipações mensais do IRPJ no valor de R$ 5.803.424,47. 2.3 Parte das estimativas mensais apuradas no período foram extintas sob condição resolutória de ulterior homologação através da compensação declarada em DCOMP. Das parcelas compensadas, o valor de R$ 11.198.739,88 cuja DCOMP encontrase cadastrada no processo 13896.003718/200828 – foi submetida à análise do fisco que NÃO HOMOLOGOU a compensação declarada. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade quanto ao decidido pela DRF naquele processo; a DRJ já julgou improcedentes as razões apresentadas. 2.3.1 Deduzindo a compensação não homologada, a DRF validou a antecipação do IRPJ no importe de R$ 688.563,63, correspondente às compensações válidas. 2.4 O IRPJ apurado pelo contribuinte na DIPJAC 2008 foi objeto de auditoria do fisco que resultou na lavratura do Auto de Infração cadastrado no processo 16561.720193/201245, com a alteração do IRPJ apurado pelo contribuinte para o valor de R$13.604.477,03. 2.5 Deduzindo as antecipações válidas do IRPJ apurado pelo fisco encontrase Saldo de IRPJ a pagar no valor de R$ 4.283.642,87, inexistindo qualquer crédito a título de Saldo Negativo de IRPJ AC 2008 a ser utilizado pelo contribuinte na extinção dos débitos declarados nas DCOMP’s em análise neste processo. 2.6 Diante das constatações acima, a DRF não homologou as compensações declaradas pelo contribuinte mediante a utilização do pretenso crédito advindo do Saldo Negativo do IRPJ AC 2008, em análise neste processo. 3. O contribuinte foi cientificado do procedimento aos 17/07/2013, conforme documento à fl. 901. Aos 15/08/2013, o contribuinte apresenta a manifestação de inconformidade anexada às fls. 904 a 917, onde, em síntese, argumenta: MMaanniiffeessttaaççããoo ddee IInnccoonnffoorrmmiiddaaddee Fl. 1289DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13896.002592/200955 Resolução nº 1302000.385 S1C3T2 Fl. 4 3 4.1 Que a DRF glosou o IRF no valor de R$ 84.271,55; “após rever os informes que fundamentaram parte da compensação postulada, a Requerente constatou que, de fato, os valores apurados pela Autoridade Fiscal estão corretos, razão pela qual providenciará o recolhimento do montante erroneamente compensado”. 4.2 Quanto às estimativas compensadas e glosadas pela DRF, esclarece que apresentou manifestação de inconformidade demonstrando a legitimidade de seu crédito, apresentando cópia de toda a documentação contábil e fiscal relacionada ao crédito postulado, suficiente para demonstrar a sua legitimidade. Não obstante todos os documentos apresentados, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento manteve o posicionamento adotado pelo Despacho Decisório; porém, a Requerente interpôs Recurso Voluntário o qual aguarda até o presente momento inclusão em pauta de julgamento. 4.2.1 Acrescenta que no momento da transmissão da compensação debatida não havia qualquer pronunciamento do fisco contrário ao pagamento da indigitada estimativa, portanto, o Saldo Negativo de R$ 20.603.845,25 era líquido e certo. No momento em que a Requerente pleiteou o direito creditório decorrente do Saldo Negativo de 2008 ele era passível de restituição ou de ressarcimento, razão pela qual não havia qualquer vício na formação do saldo negativo que inviabilizasse o seu aproveitamento. Acrescenta ainda que a decisão contestada pela interposição do Recurso Voluntário certamente será provida, restabelecendo integralmente o saldo negativo ora postulado. 4.3 O direito creditório discutido no presente processo também está vinculado à decisão a ser proferida no processo 16561.720193/201245. O citado processo é originário da fiscalização nos anos calendário de 2007 e 2008, que culminou na lavratura dos autos de infração de IRPJ/CSLL/PIS e COFINS por supostas omissões de receitas, despesas indevidas e custos não comprovados. 4.3.1 As autuações foram devidamente impugnadas sendo que atualmente o processo está pendente de julgamento pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, razão pela qual os débitos tributários lançados naquele feito encontramse suspensos nos termos do art. 151 do CTN. Com efeito, é temerário que o lançamento fiscal formalizado no ano de 2012, o qual está devidamente impugnado, afete o saldo negativo do ano base de 2008. Sendo assim, o presente processo administrativo terá que esperar o resultado a ser proferido nos autos do processo administrativo 16561.720193/201245. 4.4 Argumenta o manifestante que, considerando que o direito creditório postulado está intimamente ligado aos objetos dos processos administrativos 13896.003718/200828 e 16561.720193/201245, deve o presente processo ser sobrestado até que seja proferida decisão definitiva pelo Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). 4.4.1 Esclarece que, embora o Decreto nº 70.235, de 1973 não disponha expressamente sobre o sobrestamento, este instituto é admitido pelo Código de Processo Civil em seu art. 265. Ilustra com passagem de Cândido Rangel Dinamarco. Invoca ainda o princípio da verdade material ilustrando com acórdão do CARF, concluindo que “na hipótese de existir algum fato, ainda não definitivamente julgado, que seja determinante à cobrança do débito tributário discutido, devese, necessariamente, aguardar que a questão prejudicial seja devidamente solucionada.” 4.4.2 O impugnante traça um paralelo entre o Direito Tributário e o Direito Penal, argumentando que “se no Direito Penal um lançamento pendente de decisão definitiva não poderá ser suficiente para caracterizar o tipo penal, resta claro que, transpondo este raciocínio para o campo tributário, não há que prevalecer a exigência de um suposto débito cujo fato jurídico depende de decisão definitiva em outro processo administrativo”. Ilustra com acórdãos do CARF. Fl. 1290DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13896.002592/200955 Resolução nº 1302000.385 S1C3T2 Fl. 5 4 4.5 Por fim, propugna pelo sobrestamento do processo até o desfecho dos processos administrativos 13896.003718/200828 e 16561.720193/201245, para que a RFB se abstenha da prática de qualquer ato tendente à cobrança dos débitos vinculados às DCOMPs em análise neste processo. 5. Diante da manifestação de inconformidade apresentada pelo contribuinte, o processo foi encaminhado a esta DRJ para manifestação acerca da lide. A Turma Julgadora observou que a manifestante concorda com parte da glosa das antecipações efetuadas pela DRF e determinou a apartação dos débitos correspondentes para imediata cobrança. Quanto às antecipações contestadas, observou que a nãohomologação da compensação da estimativa retiralhe a certeza e liquidez e impede a restituição ou compensação do indébito com ela formado. Observou também que as antecipações confirmadas são inferiores ao débito apurado no lançamento de ofício, não se formando saldo negativo em tais circunstâncias. Ainda, rejeitou o pedido de sobrestamento porque não há previsão no Decreto nº 70.235/72 e que a não homologação das estimativas é um risco assumido pelo sujeito passivo. A decisão restou assim ementada: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Na Declaração de Compensação somente podem ser utilizados os créditos comprovadamente existentes, respeitadas as demais regras determinadas pela legislação vigente para a sua utilização. SOBRESTAMENTO DO JULGAMENTO. Inexistindo previsão legal, não podem as autoridades julgadoras administrativas decidir pelo sobrestamento do processo, sob pena de violar o princípio da legalidade inserto na Constituição Federal. Cientificada da decisão de primeira instância em 19/02/2014 (fl. 1244), a contribuinte interpôs recurso voluntário, tempestivamente, em 27/02/2014 (fls. 1246/1283), no qual reprisa os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade, inclusive reconhecendo não contestar a glosa de IRRF no valor de R$ 84.271,55. Reitera que parte da estimativa de agosto/2008 foi objeto de compensação em discussão do processo administrativo nº 13896.003718/200828. Aborda os argumentos ali deduzidos contra a não homologação da compensação e sua apreciação em 1ª instância administrativa de julgamento, e observa que o recurso voluntário interposto aguarda apreciação neste Conselho. Ressalta que no momento da transmissão da DCOMP não havia qualquer pronunciamento do fisco contrário ao pagamento da indigitada estimativa, e que naquele momento o saldo negativo referente a 2008 era passível de restituição ou ressarcimento. Reportase a jurisprudência que localiza o encontro de contas no momento da apresentação da DCOMP, e observa que como o recurso voluntário interposto naqueles autos certamente será provido, o saldo negativo ora postulado será integralmente restabelecido, extinguindo os débitos compensados. Conclui, assim, que a autoridade julgadora não poderia analisar as compensações controladas nos autos do presente processo, antes do desfecho do processo administrativo nº 13896.003718/200828. Com referência ao lançamento promovido no anocalendário 2008, observa que seu saldo negativo foi devidamente informado em DIPJ, e que sua glosa é improcedente porque o lançamento ainda está pendente de decisão definitiva por este Conselho. Observa que a Fl. 1291DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13896.002592/200955 Resolução nº 1302000.385 S1C3T2 Fl. 6 5 impugnação ainda não havia sido apreciada em razão de diligência requerida pela autoridade julgadora de 1ª instância, e que os débitos estão com sua exigibilidade suspensa. Entende ser temário que o lançamento fiscal formalizado apenas no ano de 2012 e que está devidamente impugnado, afete o saldo negativo relativo ao anobase de 2008. Até porque, em sendo obtido êxito nos autos do referido processo administrativo, o saldo negativo de IRPJ utilizado pela Recorrente será restabelecido, acarretando na consequente regularização das compensações discutidas no caso em questão. Defende, assim, o sobrestamento do presente processo, observando que esta providência é admitida no art. 265, IV do Código de Processo Civil, de aplicação subsidiária ao processo administrativo. Cita julgados deste Conselho neste sentido, bem como doutrina, e invoca o princípio da verdade material porque, na hipótese de existir algum fato, ainda não definitivamente julgado, que seja determinante à cobrança do débito tributário discutido, devese necessariamente, aguardar que a questão prejudicial seja devidamente solucionada. Reportase também o princípio da tipicidade, citando jurisprudência acerca de seus efeitos. Afirma, assim, que não se pode admitir que os processos administrativos nº 13896.003718/200828 e 16561.720193/201245 consagrem qualquer efeito sobre o presente processo administrativo até que sejam proferidas decisões finais nos respectivos autos. E prosseguem se opondo à invocação do princípio da oficialidade, citando outros julgados administrativos e judiciais em favor do sobrestamento do feito até a resolução da questão prejudicial. Fl. 1292DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13896.002592/200955 Resolução nº 1302000.385 S1C3T2 Fl. 7 6 VOTO Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado, a apuração do saldo negativo de IRPJ de anocalendário é afetado por dois litígios paralelos: a não homologação de compensação destinada à liquidação de estimativa daquele anocalendário, discutida no processo administrativo nº 13896.003718/200828, e a alteração do imposto devido no período, por meio de lançamento de ofício em debate nos autos do processo administrativo nº 16561.720193/201245. Ambos processos encontramse neste Conselho aguardando apreciação de recurso voluntário interposto pela contribuinte. Em tais circunstâncias, é imperiosa a suspensão do julgamento do presente recurso voluntário até que se confirme a extinção da referida estimativa, bem como se defina qual o valor do IRPJ devido no período. De fato, na medida em que o Decreto nº 70.235/72 nada dispõe a respeito, mostrase aplicável, subsidiariamente, o art. 265, inciso IV do Código de Processo Civil1, assim redigido no que importa ao presente litígio: Art. 265. Suspendese o processo: [...] IV quando a sentença de mérito: a) depender do julgamento de outra causa, ou da declaração da existência ou inexistência da relação jurídica, que constitua o objeto principal de outro processo pendente; [...] § 5o Nos casos enumerados nas letras a, b e c do no IV, o período de suspensão nunca poderá exceder 1 (um) ano. Findo este prazo, o juiz mandará prosseguir no processo. Nas lições de Vicente Greco Filho2, referido dispositivo trata da denominada questão prejudicial, por ele conceituada como relação jurídica controvertida, logicamente antecedente, que subordina a resolução de outra dita principal e apta, em tese, a ser objeto de uma ação principal. No presente caso, segundo a classificação exposta pelo autor, há uma prejudicial externa, na medida em que a relação jurídica antecedente depende de decisão em outro processo, e não no mesmo processo em que vai ser proferida a sentença. Neste sentido, aliás, o novo Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, assim estipulou: Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: § 1º Os processos podem ser vinculados por: I conexão, constatada entre processos que tratam de exigência de crédito tributário ou pedido do contribuinte fundamentados em fato idêntico, incluindo aqueles formalizados em face de diferentes sujeitos passivos; 1 No mesmo sentido é a determinação do atual Código de Processo Civil, aprovado pela Lei nº 13.105/2015 (art. 313, inciso V, alínea "a"). 2 Direito Processual Civil Brasileiro, 2º volume, 14º edição, São Paulo, Editora Saraiva, 2000, p. 63 Fl. 1293DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 13896.002592/200955 Resolução nº 1302000.385 S1C3T2 Fl. 8 7 II decorrência, constatada a partir de processos formalizados em razão de procedimento fiscal anterior ou de atos do sujeito passivo acerca de direito creditório ou de benefício fiscal, ainda que veiculem outras matérias autônomas; e III reflexo, constatado entre processos formalizados em um mesmo procedimento fiscal, com base nos mesmos elementos de prova, mas referentes a tributos distintos. § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão. § 3º A distribuição poderá ser requerida pelas partes ou pelo conselheiro que entender estar prevento, e a decisão será proferida por despacho do Presidente da Câmara ou da Seção de Julgamento, conforme a localização do processo. § 4º Nas hipóteses previstas nos incisos II e III do § 1º, se o processo principal não estiver localizado no CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para a unidade preparadora, para determinar a vinculação dos autos ao processo principal. § 5º Se o processo principal e os decorrentes e os reflexos estiverem localizados em Seções diversas do CARF, o colegiado deverá converter o julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal. § 6º Na hipótese prevista no § 4º, se não houver recurso a ser apreciado pelo CARF relativo ao processo principal, a unidade preparadora deverá devolver ao colegiado o processo convertido em diligência, juntamente com as informações constantes do processo principal necessárias para a continuidade do julgamento do processo sobrestado. § 7º No caso de conflito de competência entre Seções, caberá ao Presidente do CARF decidir, provocado por resolução ou despacho do Presidente da Turma que ensejou o conflito. § 8º Incluemse na hipótese prevista no inciso III do § 1º os lançamentos de contribuições previdenciárias realizados em um mesmo procedimento fiscal, com incidências tributárias de diferentes espécies. (negrejouse) Considerando que: 1) não se trata aqui de conexão, mas sim de decorrência, e que o §2º do art. 6º acima reproduzido autoriza a distribuição do processo decorrente para o Conselheiro responsável pela relatoria do processo principal, mas não o inverso; e 2) os processos principais nº 13896.003718/200828 e 16561.720193/201245 aguardam distribuição/sorteio nesta 1ª Seção de Julgamento, e a decisão deste processo decorrente deve aguardar a decisão de mesma instância relativa ao processo principal na forma do §5º do art. 6º acima reproduzido, necessária se faz a conversão do julgamento em diligência para determinar a vinculação dos autos e o sobrestamento do julgamento do processo na Câmara. Assim, o presente voto é no sentido de CONVERTER o julgamento em diligência para que se proceda à vinculação dos autos e ao sobrestamento do julgamento do processo na Câmara, de forma a aguardar a decisão de mesma instância relativa aos processos principais nº 13896.003718/200828 e 16561.720193/201245. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 1294DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
score : 1.0
Numero do processo: 13886.001034/2003-04
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE MOTIVO. INVALIDADE.
O lançamento de ofício deve se fundar em um motivo real e deve conter a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o lastreiam. Cancela-se o auto de infração fundado em premissa falsa (vício material).
Numero da decisão: 3803-006.978
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
Nome do relator: PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201503
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE MOTIVO. INVALIDADE. O lançamento de ofício deve se fundar em um motivo real e deve conter a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o lastreiam. Cancela-se o auto de infração fundado em premissa falsa (vício material).
turma_s : Terceira Turma Especial da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 13886.001034/2003-04
anomes_publicacao_s : 201509
conteudo_id_s : 5522041
dt_registro_atualizacao_tdt : Wed Sep 16 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 3803-006.978
nome_arquivo_s : Decisao_13886001034200304.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : PAULO RENATO MOTHES DE MORAES
nome_arquivo_pdf_s : 13886001034200304_5522041.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator).
dt_sessao_tdt : Thu Mar 19 00:00:00 UTC 2015
id : 6126936
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:04 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123654275072
conteudo_txt : Metadados => date: 2015-09-02T18:35:48Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.5; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; dcterms:created: 2015-09-02T18:35:48Z; Last-Modified: 2015-09-02T18:35:48Z; dcterms:modified: 2015-09-02T18:35:48Z; dc:format: application/pdf; version=1.5; xmpMM:DocumentID: uuid:2e20fa85-1c66-4bbd-81c4-9c9ed7a3b0bd; Last-Save-Date: 2015-09-02T18:35:48Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2015-09-02T18:35:48Z; meta:save-date: 2015-09-02T18:35:48Z; pdf:encrypted: true; modified: 2015-09-02T18:35:48Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; meta:creation-date: 2015-09-02T18:35:48Z; created: 2015-09-02T18:35:48Z; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; Creation-Date: 2015-09-02T18:35:48Z; pdf:charsPerPage: 1700; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; pdf:docinfo:created: 2015-09-02T18:35:48Z | Conteúdo => S3TE03 Fl. 223 1 222 S3TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13886.001034/200304 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3803006.978 – 3ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2015 Matéria PIS AUTO DE INFRAÇÃO Recorrente BONDUKI LINHAS, FIOS E CONFECÇÕES LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO ELETRÔNICO. VÍCIO MATERIAL. AUSÊNCIA DE MOTIVO. INVALIDADE. O lançamento de ofício deve se fundar em um motivo real e deve conter a indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos que o lastreiam. Cancelase o auto de infração fundado em premissa falsa (vício material). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, para cancelar o auto de infração. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente da 3ª Câmara (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis (Relator ad hoc), João Alfredo Eduão Ferreira, Demes Brito e Paulo Renato Mothes (Relator). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 6. 00 10 34 /2 00 3- 04 Fl. 223DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13886.001034/200304 Acórdão n.º 3803006.978 S3TE03 Fl. 224 2 Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pelo relator original, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento. Inicialmente adoto o relatório lançado no acórdão da DRJ/RPO: A empresa qualificada em epígrafe foi autuada em virtude da apuração de falta de recolhimento da contribuição ao Programa de Integração Social (PIS) no período de janeiro a dezembro de 1998, exigindoselhe contribuição de R$ 75.184,36, multa de ofício de R$ 56.388,27 e juros de mora de R$ 69.848,58, perfazendo o total de R$ 201.421,21. O enquadramento legal encontrase à fl. 23. O lançamento deveuse à compensação com “processo judicial de outro CNPJ”, informada em Declaração de Contribuições e Tributos Federais (DCTF). Inconformada, a autuada impugnou o lançamento alegando, preliminarmente, a decadência do período de janeiro a julho de 1998, uma vez que o auto de infração foi lavrado em julho de 2003. Quanto ao mérito, alega, em resumo, a inobservância do princípio da verdade material porquanto não houve fiscalização, tampouco constatação de qualquer infração. Aduz que não foram seguidos os pressupostos do ato administrativo, quais sejam, sujeito, motivação, requisitos procedimentais, finalidade, causa e formalização, levando à ausência da motivação do lançamento, uma vez que procedeu à compensação dos valores recolhidos do PIS com a própria contribuição, conforme autorização judicial. Por fim, reafirma que ajuizou ação declaratória objetivando a compensação efetuada, tendo sua pretensão deferida. Requer ainda o afastamento da multa. Como o município de AmericanaSP, domicílio da impugnante, passou a pertencer à jurisdição da DRF/Piracicaba, o processo foi para lá encaminhado. Posteriormente, como foi comprovada a existência do processo judicial, que deu causa ao lançamento, o presente novamente retornou à DRF/Limeira para revisão de ofício do lançamento por erro de fato, conforme entendimento da Administração da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) de que cabe à autoridade administrativa da Unidade da RFB onde foi formalizada a exigência fiscal proceder à revisão de ofício do lançamento. Sendo assim, o lançamento foi anulado de ofício pela DRF/Limeira, conforme despacho decisório de fls. 125/127. Fl. 224DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13886.001034/200304 Acórdão n.º 3803006.978 S3TE03 Fl. 225 3 Retornando o presente à DRF/Piracicaba, esta unidade revogou o despacho decisório de fls. 125/127, por entender que o auto de infração foi lavrado em “obediência ao princípio da legalidade e à legislação em regência quando da sua lavratura”, de acordo com despacho decisório de fls. 129/134. A Equipe de Controle e Análise de Ações Judiciais (EQJUD) da DRF/Piracicaba informa, em resumo, conforme relatório de fls. 162/164, que o crédito tributário ora em análise está com a exigibilidade suspensa por medida judicial e que o processo na Justiça continua seu trâmite. A DRJ/RPO julgou parcialmente procedente a impugnação da ora Recorrente, no sentido de reconhecer a decadência em relação aos lançamentos de janeiro a julho de 1998, bem como afastar a multa lançada, por entender que, tratandose de lançamento apenas para evitar a decadência e havendo tutela judicial suspendendo a exigibilidade do crédito, a legislação não comportava a imposição da penalidade. De resto, manteve a exigibilidade do crédito tributário, sobretudo, entendendo que após a apresentação da impugnação não detinha mais competência o Delegado da RFB em Limeira/SP para anular o auto de infração. Ainda, entendeu que seria o caso de aplicar a regra do artigo 170A do CTN, eis que o contribuinte estava amparado em liminar confirmada apenas por sentença, portanto, não sendo admitida a compensação. Em sede de recurso voluntário, a Recorrente repisa seus argumentos despendidos na impugnação. Contudo, dá ênfase que sua compensação fora procedida com amparo em ordem judicial e que cabia à Fiscalização averiguar tal situação antes de lavrar o auto de infração. É o relatório. Voto Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Tendo sido designado como relator ad hoc neste processo, adoto, em conformidade com os termos constantes da ata de julgamento, o voto e a ementa presentes no acórdão nº 3803006.961, exarado na mesma data do presente, por se referirem ambos à mesma matéria de mérito. Preenchidos os requisitos formais de admissibilidade e conhecimento do Recurso Voluntário procedese ao julgamento. De início, registrese que o auto de infração fora lavrado partindose da premissa equivocada de que o processo judicial informado na DCTF pelo contribuinte, de nº 9700554058, para fins de justificar a compensação por ele declarada, não havia sido comprovado, conclusão essa que não se sustenta em razão dos elementos fáticos constantes dos autos, em que, sobre a existência da referida ação judicial, não restaram dúvidas, encontrando se as peças processuais fundamentais acostadas por cópia aos presentes autos. Fl. 225DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13886.001034/200304 Acórdão n.º 3803006.978 S3TE03 Fl. 226 4 Destaquese que o número da ação judicial informado pelo contribuinte em DCTF e reproduzido no Anexo I do auto de infração Demonstrativo dos créditos vinculados não confirmados (fls. 22 a 25) corresponde exatamente ao número constante da petição inicial (fl. 31), constatação essa que retira todo o fundamento fático do auto de infração. Nesse sentido, considerando que o auto de infração fora lavrado a partir de uma premissa falsa, qual seja, a não comprovação da existência do processo judicial (“Proc jud de outro CNPJ”), temse, no caso, uma ausência de motivo real para o lançamento de ofício, a reclamar pela anulação do processo ab initio. Esta 3ª Turma Especial tem decidido dessa forma nos processos da espécie, tratandose de jurisprudência consolidada, conforme é possível verificar, dentre outros, nos acórdãos nº 3803000.299, de 01/02/20091, e 3803000.840, de 27/10/20102. No mesmo sentido, temse o acórdão nº 280200.016, de 10 de março de 2009, da 2ª Turma Especial da 2ª Seção de Julgamento, cujo teor do voto condutor abrangeu as seguintes afirmações: Irrita perceber, neste caso, que o auto de infração singelamente se arrima na inexistência da ação judicial e que, depois de demonstrada a existência da ação judicial, a Autoridade Julgadora de Primeira Instância se arvorou em esmiuçar os detalhes da ação judicial existente, buscando outros motivos de fato para sustentar a manutenção da exigência, passando a argumentar que o lançamento pretenderia prevenir a decadência quanto à exigência dos créditos em discussão na ação judicial justamente aquela ação judicial que a autoridade lançadora dizia não existir! Se a autuação tomou como pressuposto de fato a inexistência de processo judicial, e o contribuinte demonstrou a existência da ação em seu nome, resta patente que o lançamento não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe. De acordo com a teoria dos motivos determinantes, o ato administrativo está forçosamente vinculado aos fatos concretos apurados e aos fundamentos legais que lhe dão suporte. A fiscalização preferiu tomar um suporte fático genérico e impreciso para dar suporte à autuação, ao invés de promover a apuração concreta da realidade do caso. E errou de fundamento, 1 Ementa CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/0411998 a 31/12/1998 AUTO DE INFRAÇÃO. PROCEDIMENTOS INTERNOS DE AUDITORIA DE DCTF. COMPENSAÇÃO. PROCESSO JUDICIAL COMPROVADO. Os atos administrativos devem ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos. Deve ser cancelado o auto de infração quando falso o fundamento fático sobre o qual foi lavrado. Recurso Voluntário Provido. 2 Ementa CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP.Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998AUTO DE INFRAÇÃO. FALTA DE RECOLHIMENTO. COMPENSAÇÃO DOS DÉBITOS COM CRÉDITOS JUDICIALMENTE RECONHECIDOS. PROCESSO JUDICIAL NÃO COMPROVADO.Cancelase a exigência fiscal, formulada sob o fundamento de que não estava comprovado o processo judicial que teria reconhecido os créditos opostos em compensação dos débitos lançados, quando o sujeito passivo comprova que tal imputação é improcedente. Fl. 226DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13886.001034/200304 Acórdão n.º 3803006.978 S3TE03 Fl. 227 5 sendo então incabível que as instâncias julgadoras promovam a atividade de fiscalização que a autoridade lançadora devia ter executado, decantando o suporte concreto que deveria ter sido apurado e indicado pela autoridade lançadora para a lavratura do auto de infração. Devese, pois, reconhecer a nulidade do lançamento por erro e falta de amparo fático. Do excerto supra, relativo a um caso similar ao presente, destacamse as seguintes constatações, todas elas aplicáveis ao presente processo: 1) o lançamento tributário não tem suporte fático válido, pois o motivo que lhe deu causa na verdade não existe; 2) a Delegacia de Julgamento, mesmo ciente da inexistência de motivação do auto de infração, procedeu ao julgamento do processo, esquivandose de enfrentar o vício que o maculava. A doutrina muito bem trabalha a questão relativa à necessária motivação do lançamento de ofício, merecendo registro os seguintes excertos: A importância da descrição dos fatos devese à circunstância de que é por meio dela que o autuante demonstra a consonância da matéria de fato constatada na ação fiscal e a hipótese abstrata constante da norma jurídica. É, assim, elemento fundamental do material probatório coletado pela autoridade lançadora, posto que uma minudente descrição dos fatos pode suprir até eventuais incorreções no enquadramento legal adotado no auto de infração (...); o contrário é que, via de regra, não se admite, até porque, no mais das vezes, não há como aferir a correção do fundamento legal, se não se puder saber, com precisão, quais os fatos que deram margem à tipificação legal e à autuação. Por meio da descrição dos fatos é que fica estabelecida a conexão entre todos os meios de prova coletados e/ou produzidos (documentos fiscais, relatórios, termos de intimação e declaração, demonstrativos, etc.) e explicitada a linha de encadeamento lógico destes elementos, com vistas à demonstração da plausibilidade legal da autuação. Especialmente depois da eliminação da oitiva do autuante, a importância da descrição dos fatos ampliouse muito; é que o auto de infração, no mais das vezes, passou a ser a última oportunidade de o autuante falar nos autos. De se lembrar, ainda, que o auto de infração, depois de lavrado, passa a ser, antes de qualquer outra coisa, uma peça jurídica, e como tal, deve seu objeto estar juridicamente traduzido, independentemente de seus fundamentos de fato terem sido aferidos a partir de uma auditoria contábil ou de uma apreensão de mercadorias; seja qual for o método investigativo, ao final suas conclusões devem estar juridicamente validadas. 3 3 MICHELS, Gilson Wessler. Processo administrativo fiscal: anotações ao decreto nº 70.235, de 06/03/1972, versão 11, dezembro/2005, p. 65. Disponível em: http://www.receita.fazenda.gov.br/publico/Legislacao/Decreto/ProcAdmFiscal/PAF.Pdf. Fl. 227DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13886.001034/200304 Acórdão n.º 3803006.978 S3TE03 Fl. 228 6 Marcos Vinicius Neder e Maria Teresa Martinez López argumentam que “a errônea compreensão dos fatos ocorridos ou do direito aplicável é vício que dificilmente poderá ser sanado no curso do processo, pois incide no motivo do ato. Não é vício formal na descrição, mas no próprio conteúdo do ato. Não adianta a repetição do lançamento pela autoridade com a finalidade de aproveitamento do ato anterior pela sua convalidação, pois remanesce na nova norma individual e concreta introduzida a mesma anomalia. A correção só poderá ser empreendida por meio da invalidação do lançamento original e a formalização de nova exigência fiscal, se ainda dentro do prazo decadencial” 4. (grifei) (...) Se o auditor utilizar sistema informatizado para emissão do auto de infração, muito comum hoje em dia, é necessário que complemente a informação básica do sistema com as peculiaridades do caso concreto; do contrário, a descrição se tornará inadequada ou, até mesmo, equivocada. Não são válidas também as meras conjecturas do auditor baseadas apenas em ilações ou em indício vagos, sob pena de se responsabilizar o agente pelos danos impostos ao contribuinte em face de acusação a título gratuito. 5 Controvertese, portanto, acerca de um motivo inexistente, qual seja, a não comprovação do processo judicial informado em DCTF para justificar a compensação do crédito tributário declarado, fato esse que, ao contrário, restou comprovado desde a segunda instância administrativa. “[Os] motivos que determinaram a vontade do agente, isto é, os fatos que serviram de suporte à sua decisão, integram a validade do ato. Sendo assim, a invocação de “motivos de fato” falsos, inexistentes ou incorretamente qualificados vicia o ato mesmo quando (...) a lei não haja estabelecido, antecipadamente, os motivos que ensejariam a prática do ato” 6. Havendo necessidade de se modificarem as razões de fato e/ou de direito em que se funda o lançamento de ofício, estarseá diante de um erro material e não de um simples erro formal. A Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) já se pronunciou nesse sentido, em caso relativo à falta de indicação da origem do crédito tributário, conforme se verifica da ementa a seguir transcrita: 4 NEDER, Marcos Vinicius; LÓPEZ, Maria Tersa Martinez. Processo administrativo fiscal comentado: de acordo com a lei nº 11.941, de 2009, e o Regimento Interno do CARF. 3. ed. São Paulo: Dialética, 2010, p. 209210. 5 MICHELS, Gilson Wessler. Processo administrativo fiscal: anotações ao decreto n.º 70.235, de 06/03/1972, versão 11, atualizada até 31/Dezembro/2005, p. 65. Disponível em: http://receita.fazenda.gov.br. 6 MELLO, Celso Antônio Bandeira de. Curso de direito administrativo. 15. ed. São Paulo: Malheiros, 2003, p. 369370. Fl. 228DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 13886.001034/200304 Acórdão n.º 3803006.978 S3TE03 Fl. 229 7 AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO DO LANÇAMENTO E DESCRIÇÃO DOS FATOS GERADORES. IMPROCEDÊNCIA. VÍCIO MATERIAL, NÃO FORMAL. A falta de indicação suficiente dos fatos que motivaram o lançamento e da origem do crédito tributário fulmina o lançamento por vício material. (grifei) (Acórdão 9202003.285, sessão de 30 de julho de 2014, 2ª Turma CSRF, Rel. Gustavo Lian Haddad) No presente caso, a DRJ Ribeirão Preto/SP, tendo detectado a efetiva existência da ação judicial, afastou a premissa que ensejara o lançamento de ofício (declaração inexata em razão da não comprovação do processo judicial processo judicial de outro CNPJ) e buscou construir sua decisão com base em alegações genéricas de que o crédito devia ser suficiente e que a compensação somente poderia ter sido feita após o trânsito em julgado, na forma do artigo 170A do CTN. Dessa forma, por ter havido mudança do motivo de fato que ensejara a lavratura do auto de infração, temse que a ação da DRJ Ribeirão Preto/SP não se constituiu em simples complementação ou aclaramento da motivação do lançamento, tendo havido alteração substancial do ato, procedimento esse que não encontra suporte na legislação definidora de competências no âmbito do Ministério da Fazenda. Inexiste preceptivo normativo que autorize a autoridade administrativa julgadora a substituir ou complementar a atividade da autoridade lançadora no mister de constituir o crédito tributário por meio do lançamento, nos termos propugnados pelo art. 142 do CTN acima transcrito. Nesse sentido, considerando o equivocado motivo do lançamento de ofício, voto por DAR PROVIMENTO ao recurso, para cancelar o auto de infração. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 229DF CARF MF Impresso em 16/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 02/09/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 02/09/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
score : 1.0
Numero do processo: 10768.006553/2008-13
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2005
A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas.
Admite-se ainda a juntada de novos documentos contendo os requisitos faltantes no curso do processo fiscal.
Numero da decisão: 9202-003.693
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional.
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente.
Gerson Macedo Guerra - Relator.
EDITADO EM: 24/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
Nome do relator: GERSON MACEDO GUERRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : 2ª SEÇÃO
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2005 A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas. Admite-se ainda a juntada de novos documentos contendo os requisitos faltantes no curso do processo fiscal.
turma_s : 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
dt_publicacao_tdt : Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10768.006553/2008-13
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5570360
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 29 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 9202-003.693
nome_arquivo_s : Decisao_10768006553200813.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : GERSON MACEDO GUERRA
nome_arquivo_pdf_s : 10768006553200813_5570360.pdf
secao_s : Câmara Superior de Recursos Fiscais
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente. Gerson Macedo Guerra - Relator. EDITADO EM: 24/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Maria Teresa Martinez Lopez (Vice-Presidente).
dt_sessao_tdt : Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6291458
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:27 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123667906560
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1908; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT2 Fl. 174 1 173 CSRFT2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 10768.006553/200813 Recurso nº Especial do Procurador Acórdão nº 9202003.693 – 2ª Turma Sessão de 27 de janeiro de 2015 Matéria IRPF Recorrente Fazenda Nacional Interessado Cláudio Gilberto Knack ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas. Admitese ainda a juntada de novos documentos contendo os requisitos faltantes no curso do processo fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente. Gerson Macedo Guerra Relator. EDITADO EM: 24/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Eduardo de Oliveira Santos (presidente em exercício), Maria Helena Cotta Cardozo, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior e Gerson Macedo Guerra. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente) e Maria Teresa Martinez Lopez (VicePresidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 65 53 /2 00 8- 13 Fl. 174DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 2 Relatório Tratase de notificação de lançamento decorrente de procedimento de revisão da declaração de ajuste apresentada no exercício 2005 pelo contribuinte em epígrafe. As infrações apuradas pela autoridade fiscal foram dedução indevida de pensão alimentícia judicial, pela falta de comprovação e dedução indevida de despesas odontológicas, pois os recibos apresentados não continham a determinação do beneficiário do tratamento e o endereço profissional do prestador. Inconformado com a exigência, o contribuinte apresentou impugnação, que foi considerada procedente em parte pela autoridade julgadora de primeira instância, para restabelecer a dedução de pensão alimentícia judicial. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte apresentou recurso voluntário, que foi provido em parte pela 2ª Turma Ordinária da 1ª, Câmara da 2ª Seção de Julgamento deste Tribunal, para restabelecer a dedução das despesas médicas, conforme ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2005 RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. IRRELEVÂNCIA DA INTENÇÃO. A responsabilidade tributária independe da intenção do agente. DESPESA MÉDICA. COMPROVAÇÃO. RECIBOS. ENDEREÇO DO PROFISSIONAL. NOME DO PACIENTE. A mera falta da indicação do endereço do profissional e/ou do nome do paciente nos recibos apresentados para comprovar despesas médicas não são, por si sós, fatos que autorizem à autoridade fiscal glosar a dedução de despesas médicas, mormente quando não há nenhum outro elemento a evidenciar o uso de despesas médicas fictícias. Recurso Voluntário Provido em Parte Formalizada a decisão, a Procuradoria da Fazenda Nacional interpôs recurso especial, tempestivo, alegando que o acórdão merece ser reformado, tendo em vista que a concepção aludida diverge da interpretação proferida nos Acórdãos nºs 10241.918 e 104 22.840, retratados nas ementas a seguir: Acórdão nº 10241.918: IRPF. DESPESAS MÉDICAS. São indedutíveis as despesas médicas cujos recibos não preencham as formalidades legais indispensáveis para sua aceitação. Fl. 175DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 10768.006553/200813 Acórdão n.º 9202003.693 CSRFT2 Fl. 175 3 Recurso negado. Acórdão nº 10422.840: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF DESPESAS MÉDICAS – COMPROVAÇÃO – A validade da dedução de despesa médica depende da comprovação do efetivo dispêndio do contribuinte e, à luz do artigo 29, do Decreto n° 70.235, de 1972, na apreciação de provas a autoridade julgadora tem a prerrogativa de formar livremente sua convicção. Cabível a glosa de valores deduzidos a titulo de despesas médicas cuja prestação de serviços não foi comprovada. Preliminar rejeitada. Recurso negado. Regularmente intimado o contribuinte apresentou contrarazões ao recurso da União, informando, em suma, que havia protocolado novos recibos, agora contendo os elementos faltantes, quais sejam a informação sobre o beneficiário do tratamento, bem como o endereço profissional. Anexou ditos recibos às contrarazões. Este é o Relatório. Voto Conselheiro Gerson Macedo Guerra Relator Inobstante à análise dos novos comprovantes trazidos aos autos pelo contribuinte, vejo que a glosa de despesas médicas pela falta de informações nos recibos do endereço profissional do prestador do serviço e da indicação do beneficiário do tratamento não é razoável. Isso porque a autoridade fiscal tinha condição de encontrar a profissional já que em todos os recibos havia seu carimbo contendo seu nome completo e número de sua identidade profissional. Logo, apesar da falta de tais elementos nos recibos, poderia a autoridade fiscal ter diligenciado junto ao prestador de serviços odontológicos para questionar sobre a efetividade do tratamento e do seu respectivo pagamento. Não simplesmente desconsiderar os documentos e efetuar a glosa das despesas.. Contudo, pautandose em um formalismo exagerado a autoridade fiscal preferiu autuar o contribuinte em questão. Por esse motivo apenas já fundamentaria minha decisão pela improcedência do recurso da União. Mas não é só. Fl. 176DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS 4 Vejam que o contribuinte autuado trouxe aos autos novos comprovantes, que suprem as formalidades legais. E pelo princípio do formalismo moderado admito tais documentos como prova das despesas, conforme já se pronunciou este tribunal nos acórdãos 280200.802 e 220101.049: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Exercício: 2002 IRPF. GLOSA DE DESPESAS MÉDICAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO. Deve ser restabelecida a dedução com despesas medicas se o contribuinte logra trazer, na fase recursal, a comprovação das despesas médicas, com todos os requisitos exigidos pela legislação, em homenagem ao princípio do formalismo moderado. Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2001 Ementa: DEDUÇÃO. DESPESAS MEDICAS. COMPROVAÇÃO. Supridas as deficiências formais do recibo apresentado como comprovação da despesa médica por meio declaração emitida pelo profissional, confirmando a prestação dos serviços e o recebimento do valor e complementando, ainda, as informações faltantes do recibo, resta comprovada a despesa médica. Diante disso, voto pela improcedência do Recurso Especial da União. Gerson Macedo Guerra Relator Fl. 177DF CARF MF Impresso em 29/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por GERSON MACEDO GUERRA, Assinado digitalmente em 29/02/2016 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10783.720355/2012-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES.
Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3301-002.775
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento.
Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS. NÃO-CUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES. Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados. Recurso Voluntário Negado.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10783.720355/2012-54
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5566131
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Feb 04 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 3301-002.775
nome_arquivo_s : Decisao_10783720355201254.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
nome_arquivo_pdf_s : 10783720355201254_5566131.pdf
secao_s : Terceira Seção De Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento. Andrada Márcio Canuto Natal - Presidente relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
id : 6267723
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:34 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123708801024
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 39; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1803; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 16.516 1 16.515 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10783.720355/201254 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.775 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2016 Matéria Pedido de Ressarcimento Recorrente NICCHIO SOBRINHO CAFÉ S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 PIS. NÃOCUMULATIVIDADE. PEDIDO DE RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. GLOSAS EFETUADAS NO PROCESSO DE LANÇAMENTO. DECISÕES INTERDEPENDENTES. Mantidas as glosas no julgamento do processo de lançamento fiscal, referentes ao mesmo período de apuração, por consequência, devem ser indeferidos os pedidos de ressarcimentos e compensações advindos dos créditos glosados. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencida a Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões que dava provimento. Andrada Márcio Canuto Natal Presidente relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Francisco José Barroso Rios, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, José Henrique Mauri, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Luiz Augusto do Couto Chagas, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 78 3. 72 03 55 /2 01 2- 54 Fl. 16550DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.517 2 Relatório Por economia processual adoto o relatório elaborado na decisão recorrida, abaixo transcrito. Tratase de pedido de reconhecimento de direito creditório (ressarcimento) de PIS do 2° trimestre de 2009, no valor de R$336.315,03 (trezentos e trinta e seis mil, trezentos e quinze reais e três centavos), oriundo do sistema de nãocumulatividade, para fins de compensação com outros tributos (fls. 02/13). A autoridade fiscal decidiu pela improcedência do pedido, conforme Despacho Decisório de fl. 19, com fundamento na Informação Fiscal SEFIS/DRF/VIT/ES n° 02/2012, às fls. 14/18, onde alega que: 1. NICCHIO SOBRINHO CAFÉ foi objeto de procedimento de auditoria amparado pelo Mandado de Procedimento Fiscal Fiscalização n° 07.2.01.00002011014792 que teve como escopo a verificação de pretensos créditos, oriundos principalmente da aquisição de café para revenda, deduzidos contabilmente dos valores devidos das contribuições não cumulativas para o PIS/COFINS, bem como utilizados na compensação de tributos e contribuições mediante pedido de ressarcimento/compensação por meio de PER/DCOMP; 2. a auditoria fiscal comprovou à saciedade que a Empresa autuada apropriouse de créditos integrais fictos decorrentes da compra de café, razão pela qual foram objeto de glosas; 3. a Empresa autuada lançou mão de um ardil disseminado por todo o estado do Espírito Santo e de Minas Gerais, que consiste na interposição fraudulenta de pseudoatacadista para dissimular vendas de café de pessoa física para empresas exportadoras e torrefadoras, gerando créditos ilícitos; 4. as investigações originadas na operação fiscal "TEMPO DE COLHEITA", deflagrada pela DRF/Vitória, em outubro de 2007, resultaram na comunicação de tais fatos ao Ministério Público Federal; 5. em 01/06/2010, deflagrouse a operação BROCA parceria do Ministério Público, Polícia Federal, e Receita Federal, onde foram cumpridos mandados de busca e apreensão em 74 locais, dentre os quais os estabelecimentos da NICCHIO SOBRINHO CAFÉ; 6. a criação e utilização dessas meras figuras formais, travestidas de atacadistas de café em grão, provocaram e provocam notável distorção no mercado de café, beneficiando torrefadoras e grandes exportadoras; 7. na NICCHIO SOBRINHO CAFÉ, o valor das notas fiscais em nome dessas empresas de fachada "laranjas" ultrapassou o valor de R$256 MILHÕES; Fl. 16551DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.518 3 8. provas e documentos produzidos durante os trabalhos fiscais constam do processo fiscal n° 10783.720371/201247, desse modo, a Informação Fiscal e Despacho Decisório, bem como o aludido processo serão cientificados simultaneamente à Empresa, por se tratarem do mesmo objeto, qual seja: análise, glosa e recomposição dos créditos a descontar. Devidamente cientificada, em 12/03/2012 (fl. 27), a interessada apresentou, às fls. 35 e seguintes, em 11/04/2012, a correspondente Manifestação de Inconformidade, onde alegou, na mesma linha da impugnação nos autos do PAF n° 10783.720371/201247, em resumo, que: 1. se impõe a nulidade da decisão, pois houve cerceamento do direito de defesa e do contraditório, vez que a autuada não pode participar da produção da prova, o que gera a invalidade do MPF; 2. a Autoridade Administrativa em momento algum oportunizou à empresa o direito de participar da colheita dos depoimentos prestados pelos produtores rurais, corretores e maquinistas; 3. o mesmo raciocínio se aplica aos documentos que a Receita diz ter recebido do Ministério Público; 4. o direito de crédito decorrente da nãocumulatividade está de acordo com a legislação, pois adquiriu bens de pessoa jurídica domiciliada no País para posterior revenda; 5. as aquisições de bens se deram por intermédio de pessoas jurídicas ativas no CNPJ e no Sintegra, com documentos que não foram declarados inidôneos e pagamentos efetuados por meio de transferência bancária; 6. não há atribuição legal, nem possibilidade de a empresa exportadora verificar a atuação da empresa intermediária, pois tal procedimento cabe à Receita Federal; 7. as empresas citadas como supostamente laranjas procediam por intermédio de corretores de café, vendendo para todo mercado brasileiro, sendo a Impugnante uma das adquirentes; 8. ao adquirir 'café cru em grão' o revende no mercado externo, em alguns casos, antes da revenda, o rebeneficia, sem o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos ou separar por densidade dos grãos; 9. o adquirente das sociedades cooperativas de produção agropecuária tem direito ao aproveitamento integral dos créditos da contribuição em referência, porque estas não têm direito à manutenção dos créditos ordinários originados da aquisição de bens e serviços; 10. a cadeia produtiva do café a ser exportado pressupõe três etapas; 11. na primeira etapa, a venda de café de pessoa física, produtor rural, não há Cofins incidente sobre a venda para cooperativa, mas a venda de pessoa jurídica (cerealista, agropecuária e sociedade cooperativa) para cooperativa de produtos do código NCM 9.01, fazse mediante suspensão da exigibilidade; Fl. 16552DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.519 4 12. o adquirente necessita ter os requisitos apontados na legislação para que a suspensão citada seja aplicável: lucro real, exerça as atividades citadas no §6° do art. 8°, caput, da Lei n° 10.925/2004, e utilização do produto in natura ou insumo na fabricação de produtos classificados no capítulo 9 da NCM; 13. em virtude da suspensão na etapa anterior sociedades cooperativas de produção agropecuária têm direito ao aproveitamento presumido dos créditos da contribuição, visto que produzem "café cru em grão"; 14. a sociedade cooperativa de produção agropecuária, inclusive agroindustrial, antes adquirente na 1a etapa, agora, fornecedora, vende "café cru em grão" beneficiado para empresa exportadora, no caso, a empresa ora impugnante; 15. nesse caso, a recorrente/adquirente tem direito ao aproveitamento do crédito integral, se a venda decorre de ato nãocooperativo; 16. se a venda decorre de ato cooperativo, a recorrente/adquirente também tem direito ao aproveitamento do crédito integral, mas a legislação prevê ajuste na base de cálculo; 17. a autoridade fiscal desconsiderou uma das etapas do processo produtivo do café, mais especificamente, a 2a etapa; 18. somente na saída do café in natura, destinado à utilização como insumo de produção do café cru em grão, é obrigatória a suspensão da exigibilidade da Cofins, assim, o aproveitamento do crédito presumido ocorre apenas na segunda etapa, não sendo o caso da impugnante que atua na terceira etapa; 19. se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade; 20. responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo e decorre sempre de lei, não podendo ser presumida; 21. a impugnante, se solicitada, entregaria os documentos de registros de CNPJ e Sintegra a respeito dos seus fornecedores, e, ainda, notas fiscais e comprovantes de pagamento; 22. a responsabilidade solidária não pode ser presumida, deve ser provada, como não foi provada, a compensação/ressarcimento deve ser deferida; 23. não há prova de dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. A inconformada cita legislação, doutrina e jurisprudência e, com base na argumentação expendida, requer: 1. produção de novas provas mediante diligências para conferência das notas fiscais, pagamentos efetuados e cadastros das pessoas jurídicas fornecedoras; Fl. 16553DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.520 5 2. deferimento da juntada de documentos que acompanham a Manifestação de Inconformidade; 3. reforma da decisão exarada e reconhecimento integral do crédito de ressarcimento pleiteado, visando homologação da compensação declarada; 4. reconhecimento integral do direito creditório de PIS/Cofins decorrente das aquisições de cooperativa. Ao julgar referida manifestação de inconformidade, a 17ª Turma da DRJ/Rio de Janeiro1 proferiu o Acórdão nº 1254.744, de 11/04/2013, com a seguinte ementa: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 Fraude. Dissimulação. Desconsideração. Negócio Ilícito. Comprovada a existência de simulação/dissimulação por meio de interposta pessoa, com o fim exclusivo de afastar o pagamento da contribuição devida, é de se glosar os créditos decorrentes dos expedientes ilícitos, desconsiderando os negócios fraudulentos, a fim de fazer recair a responsabilidade tributária, acompanhada da devida multa de ofício, sobre o sujeito passivo autuado. Uso de Interposta Pessoa. Inexistência de Finalidade Comercial. Dano ao Erário. Caracterizado. Negócios efetuados com pessoas jurídicas, artificialmente criadas e intencionalmente interpostas na cadeia produtiva, sem qualquer finalidade comercial, visando reduzir a carga tributária, além de simular negócios inexistentes para dissimular negócios de fato existentes, constituem dano ao Erário e fraude contra a Fazenda Pública, rejeitandose peremptoriamente qualquer eufemismo de planejamento tributário. Cooperativa. Regime de Suspensão da exigibilidade. Obrigatoriedade. A obrigatoriedade do regime de suspensão de exigibilidade do crédito tributário, no âmbito da nãocumulatividade de PIS e Cofins, nas vendas da cooperativa agropecuária para a agroindústria, não se desqualifica pelo descumprimento de obrigações acessórias impostas às partes envolvidas no negócio, havendo, por outro lado, o benefício fiscal do crédito presumido para o adquirente. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 Nulidade Não padece de nulidade a decisão, lavrada por autoridade competente, contra o qual o contribuinte pode exercer o Fl. 16554DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.521 6 contraditório e a ampla defesa, onde constam os requisitos exigidos nas normas pertinentes ao processo administrativo fiscal. Juntada de Novas Provas A prova documental deve ser apresentada na impugnação; precluído o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, exceto quando justificado por motivo legalmente previsto. Diligência. Perícia. Desnecessária. Indeferimento Indeferese o pedido de diligência (ou perícia) quando a sua realização revelese prescindível ou desnecessária para a formação da convicção da autoridade julgadora. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Não concordando com referida decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário, fls. 16.286 em diante, por meio do qual apresenta basicamente os mesmos argumentos colocados em sua manifestação de inconformidade e que podem ser assim resumidos. nulidade do auto de infração e processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Afirma que a fiscalização parte "de constatações fáticas particulares, pontuais e unilaterais para, com isso, construir uma 'conclusão generalizada' sobre o mercado e a empresa fiscalizada. Cita doutrina e jurisprudência do CARF para fundamentar as suas razões; nulidade da decisão recorrida por ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha; que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte; Fl. 16555DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.522 7 afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor; sustenta que a Receita Federal, está tentando de maneira oblíqua fazer com que o recorrente repare o erário por obrigações tributárias que seriam de responsabilidade de suas fornecedoras de café. Defende que a legislação do PIS/Cofins não atribui como requisito para manutenção dos créditos tributários "ter ou não ter a vendedora armazém, imóvel próprio ou alugado, quantidade mínima ou máxima de funcionários, etc.". Cita doutrina para concluir que cabe ao fisco o ônus de provar o fato constitutivo do lançamento e também a improcedência do fato impeditivo de seu direito ao crédito, com base no art. 9º do Decreto nº 70.235/72; que enquanto a Receita Federal não declarar a inidoneidade, ou inaptidão, das pessoas jurídicas, atribuição que lhe é exclusiva, não há que falar em invalidade das aquisições dos créditos tributários efetuados, uma vez que foram adquiridos de empresas com seu funcionamento regular perante o cadastro do CNPJ; não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco; cita a legislação de regência no sentido de garantir o direito ao aproveitamento integral do crédito nas aquisições de café das cooperativas. Cita, o que segundo ele seriam as três etapas de beneficiamento do café, para concluir que na aquisição das cooperativas ele não atua na 2ª etapa, que seria o beneficiamento propriamente dito, e nesta condição a aquisição do café das cooperativas seria integralmente tributada gerando por consequência direito ao integral aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins; insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". É o relatório. Fl. 16556DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.523 8 Voto Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos legais de admissibilidade, por isso deve ser conhecido. Conforme o que tudo dos autos consta, a glosa de créditos de PIS realizadas no presente processo é decorrência da fiscalização realizada no contribuinte a qual gerou o processo administrativo fiscal nº 10783.720371/201247, no qual houve toda a glosa dos créditos e recomposição de toda a apuração do PIS e da Cofins no regime da não cumulatividade, gerando os correspondentes autos de infração. De forma que o destino do julgamento do presente processo é totalmente dependente do que for decidido no processo nº 10783.720371/201247. Mantido os lançamentos naquele processo, forçoso é manter o indeferimento do pedido de ressarcimento e a não homologação das compensações constantes do presente processo. Da mesma forma a anulação de glosas constantes naquele processo gerariam efeitos correspondentes no presente processo, de acordo com o período de apuração a que se refere. Esclareço ainda que os argumentos de defesa utilizados pelo contribuinte no processo nº 10783.720371/201247, são idênticos aos utilizados no presente processo. De forma que já analisei aquele processo, proferindo voto pela manutenção do lançamento, o qual peço vênia para transcrevêlo abaixo, utilizandoo como razão para negar provimento ao presente recurso voluntário. (...) Nulidade do Lançamento O recorrente solicita a nulidade dos autos de infração e do processo administrativo fiscal em face do cerceamento ao amplo direito de defesa. Argumenta que não foram observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Isto porque os depoimentos pessoais de testemunhas colhidos e utilizados foram realizados à sua revelia. Esclareço que não vislumbrei nos autos de infração constantes do presente processo, qualquer mácula que pudessem tornálos nulos. Prescreve o art. 59 do Decreto nº 70.235/72, com a redação dada pela Lei nº 8.748/93: Art. 59 São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa; Fl. 16557DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.524 9 Todos os atos praticados no presente processo foram executados por pessoa competente e sem preterição do direito de defesa. Cumpre verificar que foram observados os requisitos fundamentais à validade do ato administrativo. Art. 10, inc. III e IV do Decreto 70.235/72: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: (...). III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável. Por sua vez, assim dispõe o art. 142 do CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Verificase que constam adequadamente descritos os fatos apurados pela autoridade, a fundamentação legal, a matéria tributável, os valores apurados e os fatos motivadores da autuação, permitindo ao contribuinte conhecer todos os elementos componentes da ação fiscal e, assim, propiciandolhe todos os meios para livre e plenamente manifestar suas razões de defesa. Não há nem incerteza e nem falta de liquidez na autuação, pois o valor exigido está apontado e a matéria tributável devidamente caracterizada e fundamentada. A análise de mérito destas questões podem levar à improcedência do lançamento e não a sua nulidade. O contribuinte insiste que houve cerceamento ao seu amplo direito de defesa e que não teriam sido observados o art. 5º, inc. LIV e LV da CF e os art. 2º, inc. X, 3º, inc. III, e 38 da Lei nº 9.784/99. Vejamos o que dispõe estes dispositivos constitucionais e legais. Constituição Federal Art. 5º Todos são iguais perante a lei, sem distinção de qualquer natureza, garantindose aos brasileiros e aos estrangeiros residentes no País a inviolabilidade do direito à vida, à liberdade, à igualdade, à segurança e à propriedade, nos termos seguintes: (...) Fl. 16558DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.525 10 LIV ninguém será privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal; LV aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes; (...) Lei nº 9.784/99 Art. 2o A Administração Pública obedecerá, dentre outros, aos princípios da legalidade, finalidade, motivação, razoabilidade, proporcionalidade, moralidade, ampla defesa, contraditório, segurança jurídica, interesse público e eficiência. Parágrafo único. Nos processos administrativos serão observados, entre outros, os critérios de: (...) X garantia dos direitos à comunicação, à apresentação de alegações finais, à produção de provas e à interposição de recursos, nos processos de que possam resultar sanções e nas situações de litígio; (...) Art. 3o O administrado tem os seguintes direitos perante a Administração, sem prejuízo de outros que lhe sejam assegurados: (...) III formular alegações e apresentar documentos antes da decisão, os quais serão objeto de consideração pelo órgão competente; (...) Art. 38. O interessado poderá, na fase instrutória e antes da tomada da decisão, juntar documentos e pareceres, requerer diligências e perícias, bem como aduzir alegações referentes à matéria objeto do processo. § 1o Os elementos probatórios deverão ser considerados na motivação do relatório e da decisão. § 2o Somente poderão ser recusadas, mediante decisão fundamentada, as provas propostas pelos interessados quando sejam ilícitas, impertinentes, desnecessárias ou protelatórias. Fl. 16559DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.526 11 Vêse que a Constituição Federal garante no processo administrativo o contraditório e ampla defesa e que ninguém seja privado da liberdade ou de seus bens sem o devido processo legal. Ora o contribuinte está exercendo o seu direito de ampla defesa. O Decreto nº 70.235/72, o qual regulamenta o processo administrativo tributário, garante duas instâncias administrativas para apresentação da defesa ao lançamento fiscal. Para tanto foi apresentada impugnação ao lançamento e agora, diante de improcedência da impugnação, está sendo apreciado o recurso voluntário. E nem há que se falar que o contribuinte esteja sendo privado de seus bens ou de sua liberdade, sem o devido processo legal, pois o objeto do presente processo é a exigência de crédito tributário e seus consectários legais, cuja exigibilidade está suspensa até a trânsito em julgado do presente processo. Não foi negado acesso ao contribuinte de nenhum elemento de prova constante do presente processo. Tanto é que ele faz referência aos depoimentos pessoais utilizados para compor a convicção da acusação fiscal. No caso a lei não determina que é direito do acusado de participar da tomada de depoimentos e demais diligências realizadas previamente ao lançamento fiscal. Ficaria até impraticável a realização da fiscalização nos contribuintes, caso eles tivessem que obrigatoriamente estar presentes em todos os atos fiscalizatórios. Não houve qualquer afronta aos dispositivos legais da Lei nº 9.784/99, acima citados. No presente caso, o contribuinte está exercendo o seu direito de defesa de forma plena. O fato de os autos de infração terem sido lavrados após colhidos os depoimentos de terceiros e coleta de provas e informações diversas, mas sem intimação prévia do contribuinte, não implica em qualquer ilegalidade. O contencioso administrativo só se inicia, nos termos do art. 14 do Decreto nº 70.235/72 com a apresentação da impugnação ao lançamento por parte do contribuinte. Inclusive, nos termos da Súmula CARF nº 46, "o lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário". Portanto afasto a preliminar de nulidade do auto de infração. Nulidade de Decisão Recorrida O contribuinte pede a nulidade da decisão recorrida por ela ter se valido de provas ilícitas. De acordo com o recorrente a decisão se valeu, em alguns de seus trechos, de provas colhidas no inquérito policial que embasou a ação penal da Operação Broca, autos nº 2008.50.05.005.383, ação que fora trancada por força do HC nº 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no TRF da 2ª Região. Transcreve ementa do citado HC a qual afirma a inexistência de crime de estelionato e de quadrilha. O objetivo do julgamento no processo administrativo é aferir a legalidade dos atos administrativos, para que estes coadunemse o mais próximo possível com a legislação tributária. O art. 31 do Decreto nº 70.235/72 que regula o processo administrativo fiscal, assim dispõe sobre o conteúdo da decisão de 1ª instância: Art. 31. A decisão conterá relatório resumido do processo, fundamentos legais, conclusão e ordem de intimação, devendo referirse, expressamente, a todos os autos de infração e notificações de lançamento objeto do processo, bem como às razões de defesa suscitadas pelo impugnante contra todas as exigências. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Fl. 16560DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.527 12 Por sua vez, o art. 59, inc. II do mesmo decreto aborda as situações quanto à nulidade dos atos adminsitrativos: Art. 59 São nulos: (...); II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. Vêse que a decisão a quo foi proferida por autoridade competente, está devidamente fundamentada e aborda todas as razões de defesa suscitadas pelo contribuinte em sua impugnação. Não houve preterimento do direito de defesa, tanto é que o contribuinte em seu recurso voluntário denota perfeita compreensão do que foi decidido. Quanto a afirmativa de que a decisão teria sido embasada em elementos de prova declarados ilícitos pelo TRF da 2ª Região no HC nº 2012.02.01.0143115, concluo que esta afirmação não está correta. Neste sentido é relevante transcrever o trecho do recurso voluntário: (...) "Não obstante tais transcrições serem um absurdo por si só, é imperioso registrar que esses elementos probatórios encaixamse no conceito de prova ilícita, pois ação penal na qual se encontra vinculada (autos nº 2008.50.05.005383) foi trancada, isto é, extinta, por força da decisão proferida no HC n. 2012.02.01.0143115, impetrado diretamente no colendo TRIBUNAL REGIONAL FEDERAL DA 2ª REGIÃO. (Doc 02). No referido habeas corpus, a egrégia Primeira Turma Especializada do TRF da 2ª Região afirmou categoricamente a inexistência de crime de estelionato, bem como afastou com todo acerto a existência de crime de quadrilha. Eis a ementa do acórdão, cuja relatoria foi confiada ao eminente e culto Des. ANTÔNIO IVAN ATHIE (doc. 02): EMENTA: Princípio da especialidade. Ações visando redução e/ou não recolhimento de tributos não configura estelionato, face estarem tipificadas na Lei 8137/90. Artigo 12 do Código Penal. Tampouco existe eventual crime de quadrilha antes de existir o próprio crime que, em tese, fora praticado. Adaptação do voto do relator neste sentido, adotando a tese desenvolvida pelo Des. Abel Gomes, no julgamento. Ordem concedida, estendida aos demais acusados, para trancar a ação penal. (...) Da leitura da ementa resta claro que não houve qualquer declaração de que as provas obtidas e disponibilizadas à Receita Federal sejam ilícitas. A conclusão é evidente no sentido de que, pelo princípio da especialidade das penas, o crime que Fl. 16561DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.528 13 pode ter sido praticado pelos acusados é o previsto na Lei nº 8.137/90, ou seja, crime contra a ordem tributária. Portanto a ação penal que tratava dos crimes de estelionato e formação de quadrilha foi extinta. Claro que o crime contra a ordem tributária de que trata a Lei nº 8.137/90 não era objeto daquela ação penal, pois nestes casos, a denúncia só pode ser oferecida após a constituição definitiva do crédito tributário, a qual se dá após o trânsito em julgado dos processos de lançamento fiscal. Desta forma, afasto a preliminar de nulidade da decisão recorrida, suscitada pelo contribuinte em seu recurso voluntário. Mérito Glosa dos Créditos de PIS e Cofins nas Aquisições de Pseudo Atacadistas. O contribuinte argumenta em sua defesa que deve ser mantido o seu direito ao aproveitamento dos créditos de PIS e Cofins, uma vez que foram cumpridos, por parte do recorrente, todos os requisitos necessários à utilização dos referidos créditos, quais sejam, "a) aquisição de mercadorias de fornecedoras enquadradas na situação jurídica 'ativa' na RFB; b) emissão de nota fiscal de venda e registro das mesmas na contabilidade da empresa interessada; c) pagamento integral no preço via TED na conta corrente que as fornecedoras mantinham nos bancos mais tradicionais do País e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente". Relaciona, por amostragem, o nome de uma série de fornecedoras que estariam regulares na época da aquisição das mercadorias. Cita jurisprudência do STJ no sentido de que a obrigatoriedade de verificar a idoneidade de documentos e de regularidade da empresa é do fisco e não do contribuinte. Afirma que "não há nos autos qualquer documento ou outro meio de prova que vincule a empresa recorrente às fornecedoras de café, senão na condição de compradora das mercadorias que lhes foram vendidas". Que na condição de compradora, a regra era a utilização do "corretor de café" para intermediar as operações de compra e venda, não sendo comum um relacionamento comercial entre o produtor e o adquirente do café. Desta forma, não havia preocupação da empresa em buscar maiores informações a respeito da fornecedora, sendo que todas as operações de compra estão devidamente registradas na contabilidade e escrita fiscal, fazendo prova em seu favor. Toda esta argumentação já havia sido apresentada na sua impugnação e foi rebatida de forma didática pela decisão recorrida. Da análise dos elementos apresentados pelo contribuinte em sua defesa constato que o conjunto de provas trazidos pela fiscalização são contundentes no sentido de que a recorrente efetivamente participou conscientemente de um esquema fraudulento para burlar a legislação tributária, sobretudo o aproveitamento de créditos de PIS e Cofins de maneira indevida. As inúmeras notas fiscais de aquisição de café apresentadas pelo contribuinte e sua escrituração contábil e fiscal não afasta a acusação fiscal, ao contrário, o aproveitamento dos créditos depende efetivamente de todo os elementos apresentados pelo contribuinte, quais sejam: a) aquisição de mercadorias; b) emissão de nota fiscal de venda por parte do vendedor e seu registro na contabilidade do adquirente; c) pagamento do preço; e d) real ingresso da mercadoria no estoque da adquirente. Ora, a acusação fiscal não nega estes fatos, ao contrário concorda que foram realizados, mas relata com detalhes impressionantes, que tudo isto foi orquestrado para simular a verdadeira operação engendrada na compra do café, ou seja, foi colocado artificialmente entre o produtor rural e os verdadeiros adquirentes do produto, empresas atacadistas que só existiam para emissão de nota fiscal intermediária para permitir o aproveitamento indevido de créditos de PIS e Cofins. Fl. 16562DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.529 14 Longe de escorada em simples presunção, como argúi a Recorrente, a autuação encontra suporte fático, restando comprovada a simulação nas operações de compra às pessoas jurídicas atacadistas, já que de fato eram realizadas aos produtores pessoas físicas. O Termo de Encerramento da Ação Fiscal, fls. 1660/1962, é bastante detalhado e não há razão ao contribuinte em afirmar que não foi cumprido o art. 9º do Decreto nº 70.235/72. Por economia processual e considerando que o contribuinte não rebateu especificamente as conclusões decorrentes do acórdão recorrido, transcrevo abaixo parte do voto, no qual fica evidente sua participação no esquema de fraude. Portanto com base no § 1º do art. 50 da Lei nº 9.784/99, utilizo partes da própria decisão recorrida como razões de decidir. (...) No quadro legal de regime nãocumulativo, que então se instituía, passou a ser tributariamente interessante adquirir bens e serviços de pessoa jurídica, e não diretamente de pessoa física/produtor rural. Assim, optar por uma pessoa jurídica, no caso atacadista de café, em detrimento de um produtor rural pessoa física, pode situarse de fato no domínio do assim chamado planejamento tributário do adquirente. Embora, claro, a introdução de um elo a mais na cadeia produtiva eleve os custos desse adquirente, pois aquele atacadista intermediário, além de seus custos operacionais normais, deverá recolher as contribuições incidentes sobre as receitas auferidas nas suas alíquotas normais (1,65% e 7,6%), podendo se creditar no percentual de apenas 35% do crédito, calculado com as mesmas alíquotas. Evidenciase, então, que a aquisição da mercadoria da Pessoa Jurídica, ao invés da aquisição direta do produtor rural, embora, resulte para o adquirente creditamento integral, o seu custo de aquisição necessariamente será maior. De qualquer forma, a escolha por uma forma, ou outra, poderá fazer parte de um planejamento tributário, sem qualquer óbice legal. Situação bem diferente é aquela em que a pessoa jurídica atacadista introduzse nesta cadeia sob os auspícios do adquirente, sob uma aparência de regularidade formal, apenas para gerar crédito para o comprador; porque, neste caso, o procedimento só gera uma vantagem global apreciável, para ambos, se este atacadista não cumprir com ônus tributário que lhe será próprio. Tal situação nada tem de planejamento tributário, tratandose de pura fraude fiscal. As provas dos autos militam a favor de que esta situação tenha de fato ocorrido. Devese notar, em primeiro lugar, que as pessoas jurídicas atacadistas, fornecedoras do contribuinte autuado, constituídas como visto quase todas já em pleno regime da nãocumulatividade, estiveram, quase sempre, em situação irregular no período em que foram fiscalizadas, seja por omissão em relação as suas obrigações acessórias, seja em relação ao pagamento de tributos... (...) No conjunto as empresas deste quadro movimentaram R$ 1,75 bilhão de Reais mas praticamente nada recolheram de PIS/Cofins, no período de 2003/2007. A este quadro de incompatibilidade entre volume financeiro movimentado e total recolhido de tributos, acrescentado de situação de omissão e inatividade declarada inapta, nula, baixada ou suspensa , junta Fl. 16563DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.530 15 se mais um fato, constatado em diligências nas empresas, nenhuma das empresas diligenciadas possui armazéns, nenhum funcionário contratado e, nenhuma estrutura logística. Ora, tudo que se espera de uma empresa atacadista de café é a existência de uma estrutura que a capacite movimentar grandes volumes de café. Ofende, portanto, a qualquer limite de razoabilidade a inexistência de depósitos, funcionários e logística, encontrando, ao invés disso, escritórios estabelecidos em pequenas salas comerciais de acomodações acanhadas. A fiscalização exemplifica a exiguidade e precariedade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas, com a fotografia do estabelecimento da JC BINS (v. fl. 1675), cujo nome fantasia é Cafeeira Colatina, um imóvel de minguados 40 m2, com equipamentos e material de escritório: uma mesa, um armário, meia dúzia de pastas, telefone, fax e um computador. Vale sublinhar, contudo, que este mesmo atacadista de café movimentou mais de 149 milhões de Reais apenas no período de 2006 a 2007 (fls. 1674/1675). A fiscalização fornece outro exemplo de precariedade das instalações, com a fotografia do estabelecimento da Nova Brasília Comércio de Café Ltda (fl. 1678), onde o mesmo quadro de exiguidade das instalações constatadas nas empresas diligenciadas se repete, um imóvel de minguadas dimensões, com equipamentos e material de escritório: duas mesas, duas cadeiras, um armário, meia dúzia de caixas, telefone, fax e um computador. A Empresa, dotada de tal patrimônio, movimentou mais de 300 milhões de Reais, apenas no período de 2007 a 2009. Como fornecedora da Nicchio Sobrinho teria negociado mais de 8 milhões de Reais, apenas no curto período de janeiro a agosto de 2009 (fl. 1679). Tudo indica até aqui que as autodenominadas "atacadistas" são empresas de fachadas, que se prestaram a uma simulação/dissimulação de uma operação de compra e venda de café, pois financeiramente movimentavam grandes somas, mas não tinham como operar com as mercadorias. Além do fato de ter, como se viu, um existência fantasmagórica do ponto de vista da tributação, descumprindo obrigações acessórias e também a principal, consistente em pagar tributo. É cedo, porém, enunciar esta hipótese como provada, embora seja inegável sua plausibilidade. A impugnante alega que se o esquema ocorreu, não foi com sua conivência, que procurava tão somente adquirir café de pessoas jurídicas, afirmando nada ter a ver com qualquer fraude, ou prejuízo que as atacadistas, seus fornecedores, tenham perpetrado contra o Erário. Não é bem assim, como se verá na seqüência. Antônio Gava, inicialmente sócio e depois administrador da Colúmbia, no depoimento que se encontra às fls. 230/232 dos autos, corrobora a tese da auditoria de modo expresso, e, sem peias ou meias palavras, esclarece o modus operandi das empresas envolvidas: Que a Colúmbia funciona como recebedora da nota fiscal do produtor e emissora da nota fiscal de saída, que vai para o real proprietário do café, ou melhor, o verdadeiro comprador de café; Fl. 16564DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.531 16 O real comprador de café adquire o produto do produtor rural por intermédio de corretores de café; Que os compradores de café efetuam depósitos nas contas correntes da Colúmbia, e esta efetiva o pagamento aos produtores rurais.(destaquei) Registrese que Thiago de Resende Gava, filho de Antônio Gava, antes de fundar a Colúmbia, trabalhou na Nicchio Sobrinho. Logrou a Colúmbia negociar mais de 55 milhões de Reais em fornecimento de café para a Nicchio Sobrinho, apenas no período de 2006/2008. Em outro depoimento à Fiscalização, agora de Alexandre Pancieri, sócio da Do Grão, encontrase apoio para a hipótese de uma ação coordenada no sentido de fraudar a Fazenda Nacional. Todavia, o apoio desta vez vem no sentido de esclarecer outro aspecto da situação sob suspeita: a de que as empresas (ou pelo menos algumas delas) eram previamente montadas, não nasciam de um acordo livre das vontades dos sócios para atuar na mercado, mas eram engendradas por terceiros interessados: Indagado pela fiscalização, ALEXANDRE PANCIERI confirmou figurar no quadro societário da DO GRAO como interposta pessoa e revelou que, na verdade, é classificador de café na FONTE RICA, corretora de seu irmão Paulo Pancieri Júnior. Assegurou que DO GRAO foi constituída a pedido de LUIZ FERNANDO MATTEDE. (fl. 1687) Destacamos a afirmação do sócio da Empresa Do Grão, cujo quadro societário compunhase de apenas dois sócios, que a empresa fora criada "a pedido" do Sr. Luiz Fernando Mattede. A Empresa, dessa forma constituída, movimentou milhões, entre 2003/2006, mas não recolheu absolutamente nada aos cofres públicos a título de tributo, no período. Entre 2006 e 2008, a Do Grão teria negociado cerca de 9 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Porém, toda a estrutura empresarial da Do Grão restringese a uma pequena sala em Colatina. Vale notar que o Sr. Luiz Fernando Mattede Tomazi, citado no depoimento de Alexandre Pancieri, era um dos administradores da Do Grão, exercendo a função mediante procuração. Foi também um dos sócios fundadores da Acádia Comércio e Exportação Ltda, o outro era Flávio Tardin Faria, que, aliás, era o outro administrador da Do Grão. A Acádia Comércio e Exportação Ltda apresentou recolhimento nulo entre 2003/2009. Luiz Fernando Mattede Tomazi é ainda um dos sócios fundadores da L&L Comércio e Exportação de Café Ltda (fl. 1688), empresa que movimentou milhões entre 2003 e 2006, e apresentou recolhimento ZERO no período. Entre 2008 e 2009, a Do Grão teria negociado cerca de 12 milhões de Reais em café com a Nicchio Sobrinho. Fato notável é que as empresas Do Grão, Acádia e L&L funcionam no mesmo prédio (Av. Silvio Ávidos, Ed. Silver Center) , e ainda têm a Fl. 16565DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.532 17 companhia de mais quatro empresas fiscalizadas na mesma operação: Colúmbia, JC Bins, Stange's Corretagem e a V Munaldi ME. Fato apenas curioso não se tratassem de "atacadistas de café", atividade que por sua própria natureza exige espaço, funcionários e logística sofisticada. Quanto a esta última empresa citada V Munaldi ME, no depoimento de seu titular de direito Vilson Munaldi (fl. 1689) à Fiscalização é declarado que o verdadeiro proprietário é o Sr. Altair Braz Alves. O Sr. Altair Braz Alves confirmou o depoimento de Vilson Munaldi, admitindo ser o verdadeiro proprietário da V Munaldi ME, embora figurasse o nome daquele nesta condição. Mais esclarecedor ainda é o depoimento de Altair quanto ao modus operandi da engrenagem que vai se revelando como esquema fraudulento para vender notas fiscais e simular elo na cadeia produtiva inexistente, tendo por fim ultimo gerar fictícios créditos de PIS/Cofins no regime da nãocumulatividade. No ano de 2006, a Nicchio Sobrinho registrou mais de 4 milhões de reais em notas da V. Munaldi. O depoimento completo de Altair está às fls. 275/278. Na seqüência, destacam se alguns pontos. O citado depoimento estabelece os seguintes pontos cruciais. Afirma que a empresa V Munaldi ME nunca foi atacadista, nem mesmo sequer atuou no seguimento de compra e venda de café, pois, a empresa foi criada unicamente para fornecer notas fiscais para os verdadeiros compradores de café, que adquiriam a mercadoria diretamente dos produtores rurais. Neste sentido, ao receber a nota fiscal do produtor rural por intermédio de officeboy do verdadeiro comprador, emitia Nota Fiscal de Entrada, e, na mesma data, emitia nota fiscal de saída para o verdadeiro comprador. Afirma ainda Altair que a operação real de compra e venda se dava diretamente entre o comprador final e o produtor rural, funcionando a sua empresa como repassadora de recursos financeiros dos compradores para os produtores rurais. Nesta linha, afirma que nunca teve qualquer contato com os produtores rurais, no que tange às operações descritas nas notas. Decorre logicamente, do que fora dito até agora, que a Empresa V Munaldi ME não era remunerada mediante lucro resultante da atividade de compra e venda de café, porque não realizava tais atividades, mas recebia "comissão", conforme admitira Sr. Altair, que precisou o valor na faixa de R$0,35 a R$0,50 por saca de café, pagos pelo verdadeiro comprador. Destaquese que Altair fora empregado da Nicchio Sobrinho, antes de se tornar o "proprietário" da V Munaldi (fl. 276). Em resposta à intimação da autoridade fiscal, as empresas Colúmbia, Acádia, Do Grão e L&L confirmam a dedução acima (v. fls. 248 e ss): Vale ressaltar que em alguns casos, a Fiscalizada nem mesmo procurava o vendedor/produtor, pois o comprador (seja indústria, exportador ou corretora), depois de fazer a negociação direta com o produtor ou com a corretora de mercado futuro, apenas informava a Fiscalizada que iria precisar de seus serviços, quais sejam receber a Nota do Produtor, receber o dinheiro, pagar o produtor e emitir Nota Fiscal de Venda/Viagem. Fl. 16566DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.533 18 Os recursos transitados pela conta da Fiscalizada são dos compradores do café, sejam estes corretores futuros, especuladores de mercado, indústrias torrefadoras, cerealistas, atacadistas ou exportadores. Os sócios e/ou gestores da fiscalizada, na realidade e em verdade, são e sempre foram agentes de comércio (corretores de café), sendo por imposição do mercado (empresas que atuam do mesmo modo que a fiscalizada) transformada em pessoas jurídicas, para continuar ganhando pelo serviço prestado e sujeitandose a situações como a presente fiscalização por exigência e imposição dos compradores, posto que esta seja a única forma de sobreviver em sua atividade comercial (gn) O depoimento denuncia a fraude, confirma seu modus operandi, e, ainda, demonstra a participação efetiva dos compradores, entre os quais está a contribuinte, ora impugnante. Não se trata de depoimento qualquer, mas dos próprios fornecedores da contribuinte. Observese no item 4, fl. 289, citação expressa à Nicchio Sobrinho: Dependendo da necessidade do Comprador em baixar seu caixa "dois" ou de gerar mais créditos de entrada para caucionar as vendas, solicitavam a emissão das notas com valores acima do mercado, inclusive acima da pauta fiscal, que via de regra já é mais elevada que o preço comercial. Todas as empresas fizeram e fazem uso desta prática, podendose destacar .... Nicchio Sobrinho, ... Algumas empresas Exportadoras/Indústrias comprovadamente, pelo que foi registrado até agora, efetivamente participaram da montagem e do uso do esquema fraudulento. Há prova documental neste sentido, e os depoimentos também convergem perfeitamente para este ponto. Por exemplo, no depoimento do corretor de café Arylson Storck de Oliveira, às fls. 412/414, textualmente se declara: "(...)ligava para as exportadoras com o objetivo de vender café de produtor rural e era informado de que não havia a menor possibilidade de que as exportadoras adquirissem café de pessoa física, que as exportadoras respondiam ao declarante que somente estavam aceitando café de pessoa jurídica" (item 2) "a maioria dos sócios ou titulares das empresas constituídas para guiar café para as exportadoras e Indústrias são ex Fl. 16567DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.534 19 funcionários das próprias exportadoras do Estado do Espírito Santo" (item 3) "pela emissão da nota fiscal para guiar o café para as exportadoras as interpostas empresas recebem um determinado valor por saca de café, que o 'mercado de nota fiscal' chegou a tal ponto que há uma disputa para ver quem vende a sua nota fiscal por um menor preço por saca de café " (item 4).(gn) O depoimento esclarece que as próprias exportadoras somente estavam aceitando café de pessoa jurídica, isto é, recusavam o café da pessoa física. Na verdade continuavam a comprar dos produtores rurais, apenas utilizavam pessoas jurídicas para "guiar o café", expressão, que neste caso, não passa de eufemismo para a prática simulatória/dissimulatória. Noutro depoimento (fls. 449/454), do corretor Luciano Arpini Gobbi, o depoente afirma que houve uma fase em que o produtor rural guiava diretamente o café para as exportadoras e indústrias e recebia diretamente o pagamento, mas depois estas empresas, exportadoras e indústrias, passaram exigir que o café fosse descarregado nelas com nota fiscal de pessoa jurídica. No depoimento do corretor João Carlos de Abreu Zampier (fls. 441 e seguintes, item 12), identificase os intermediários como empresas laranjas, cuja finalidade é vender nota fiscal: Que o declarante afirmou que o mercado de café se "prostituiu"porque alguns corretores começaram a negociar café dispensando a cobrança da comissão de corretagem, e devido ao aparecimento de empresas laranjas que entraram no mercado de café vendendo nota fiscal para ganhar um percentual sobre as vendas de café; (gn) Em mais um depoimento, de um outro corretor Valério Antônio Dallapícula , novamente de modo muito explícito é descrita a fraude (fls. 529/534), afirma, por exemplo, que os reais compradores (exportadoras e indústrias) perguntavam aos produtores quem iria "guiar" o café, muitas vezes elas mesmas indicando um nome, denunciando até uma reunião entre as reais compradoras e os corretores para passar "orientações", entre as quais, a de pulverizar o café guiado em várias empresas, diminuindo o volume da Colúmbia, a de não mencionar o nome do produtor rural no fechamento das operações, nem deixar pistas (telefone, email, MSN): Que a interposição de uma pessoa jurídica para mascarar a operação de compra de café das empresas acima relacionadas diretamente do produtor rural iniciouse com as próprias compradoras de café, que no inicio as notas fiscais do produtor eram trocadas pela nota fiscal da interposta pessoa dentro do próprio armazém da empresa compradora, que nessas operações o corretor Fl. 16568DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.535 20 recebia das compradoras o nome da interposta pessoa jurídica pelo qual o café do produtor rural era guiado para dentro do seu armazém;(gn) (...) Que então se criou um círculo vicioso: o comprador satisfeito com o café sendo guiado em nome de uma pessoa jurídica passou a solicitar que os corretores indicassem "empresas" para que os produtores rurais guiassem o café; (...) Que confirma a ocorrência de uma reunião na NICCHIO SOBRINHO, na qual o declarante estava presente, juntamente com outros corretores, onde foi dito que os corretores teriam de diminuir a quantidade de café guiado em nome da COLÚMBIA, pulverizando com outras "empresas"; (gn) (... ) Há, nos autos, outros depoimentos de corretores todos convergindo para os pontos acima destacados. As declarações dos produtores rurais esclarecem pontos adicionais e confirmam outros já sublinhados por corretores. É o caso do depoimento do produtor rural/maquinista Sr. Fernando Plantikow Neto (fls. 307/308): (...) 4)(...) que realizava venda de café de sua propriedade e de seus familiares, assim como, intermediava a venda de café de meeiros e pequenos produtores rurais da região diretamente com as seguintes empresas que por ora se recorda: (...), NICCHIO SOBRINHO e (...); 5)Que, a partir de um determinado momento, o declarante se recorda que os compradores dessas empresas, (...), (...) e Sr Edinho (Nicchio Sobrinho) indicaram que o declarante procurasse as 'empresas' Do Grão, Colúmbia, Acádia, L&L, dentre outras, para que guiasse o café do produtor rural para uma dessas empresas listadas; que, ao depois, era efetuada a troca da nota fiscal do produtor rural pela nota fiscal de uma das empresas indicadas guiando o café para a (...) Nicchio Sobrinho e (...); (...) Fl. 16569DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.536 21 7) Que o declarante afirmou que é descontado um determinado valor, que chegava a R$1,00, do produtor rural, para pagar o fornecedor da nota fiscal que guiou o café para as empresas acima citadas; 8) Que o declarante afirmou que a troca de nota fiscal do produtor rural ocorria em um determinado ponto, previamente estabelecido, sendo que um moto boy comparecia para efetuar a troca; (...)(gn) Notase aí, na citação expressa à Nicchio Sobrinho pelo produtor rural/maquinista, o papel ativo da autuada na operação, fato que refuta a hipótese de fraude sem sua participação, exceto se é admitida a teoria conspiratória, onde "atacadistas", corretores do ramo e produtores rurais de café conspiram com o único propósito de prejudicar a contribuinte, ora impugnante. Mas diante da convergência irresistível dos depoimentos de personagens, que atuam com funções distintas na cadeia produtiva, a teoria conspiratória revelase mera fantasia. O exame de mais um depoimento firma mais ainda esta convicção. Tratase do depoimento do produtor rural Jarbas Alexandre Nicoli, a descrição detalhada torna inteiramente plausível a hipótese de uma intermediação fictícia com a participação ativa dos reais adquirentes (indústrias e exportadores) (fl. 322/323): 1) Que o declarante informou que é produtor de café na região de Jaguaré, com uma produção anual média em torno de 10.000 (dez mil) sacas, sendo a mesma em parceria/meação; 2) Que o declarante afirmou que a comercialização de seu café, produzido em meação, é feita por intermédio de corretores localizados em Colatina; 3) Que Paulo Zache, Junior Preti (RP COMISSÁRIA) e Fernando Alvarenga (CASA DO CAFE) são corretores de café em Colatina e que com quem o declarante, preponderantemente, mantém contato para a venda do café; 4) Que o declarante afirmou nunca ter negociado pessoalmente com a COLÚMBIA, (...) V. MUNALDI (...) ACÁDIA, DO GRÃO; (...) 6) Que o declarante afirmou que os corretores acima citados, por intermédio de FAX, repassavam o nome da empresa que deveria constar na nota fiscal do produtor rural; Fl. 16570DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.537 22 7) Que o declarante afirmou que nunca pagou qualquer tipo de remuneração ou valor de corretagem para os corretores acima citados; (...) 10) Que a partir de 2003, ainda por intermédio de corretores de café da região de Colatina, o declarante não mais conseguia vender sua produção diretamente para exportadores e indústrias, sendo o declarante orientado pelos mesmos corretores a guiar seu café em nome de outras pessoas tais como: COLUMBIA e V. MUNALDI:, (...) 12) Que os corretores informavam ao declarante que as notas fiscais de produtor rural seriam trocadas quando o motorista chegasse nas redondezas de Colatina. que preferencialmente se dava em um posto de gasolina; que neste momento o próprio motorista ligava para determinado número de telefone, fornecido pelo corretor, comunicando a sua chegada a fim de possibilitar o recebimento da nota fiscal para o local onde o café era descarregado; (gn). E, finalmente, o depoimento do produtor rural Américo Barbosa Martins (fls. 295/296): (...) após concretizar a negociação, o café negociado por Junior Pretti é guiado por meio de nota fiscal de produtor do declarante em nome da COLUMBIA, e poucas vezes em nome da C DÁRIO ME, WR DA SILVA LTDA ME e WG DE AZEVEDO BRASIL COFFEE, (...); (...) após a descarga do café o corretor Junior Pretti informa ao declarante que o café foi descarregado/armazenado nos armazéns do (...), NICCHIO SOBRINHO e (...), em Colatina, e (...), em Vitória; O produtor rural (Américo Barbosa Martins) afirma que "do total dos recursos depositados na conta corrente do declarante por cada operação de venda de café é descontado o valor de R$1,00 por saca;que o declarante afirma queopróprio Junior Pretti dizia que esta quantia seria destinada à própria COLÚMBIA". Júnior Pretti aí referido é o corretor encarregado, no caso, da transação real e direta do produtor rural com a Nicchio Sobrinho ( e Fl. 16571DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.538 23 outras empresas), mas que também operava contatos entre a real adquirente e o pseudo adquirente do café do produtor rural, pois o produtor rural afirma na seqüência que "não conhece e nunca negociou com a COLÚMBIA, (...), ou seus sócios, sendo que o único contato do declarante na negociação do café era com o corretor Júnior Pretti" (fl. 296). A fiscalização intimou vários outros produtores rurais para esclarecer pontos dos negócios respectivos, dos resultados obtidos concluiuse, em resumo, que (1) os produtores rurais desconhecem as pessoas jurídicas que constam como destinatárias das suas próprias notas fiscais. Ou seja, eles negociavam o café com a adquirente Nicchio Sobrinho e outros compradores, mas nas notas eram substituídos pela Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, Miranda Com. Exp. e Imp. de Café e outras pseudoempresas; (2) as notas eram ou preenchidas pelos reais compradores (Exportadoras e Indústrias), ou preenchidas pelo produtor com dados que lhes eram fornecidos pela Nicchio Sobrinho; (3) o café era retirado da propriedade rural pela Nicchio Sobrinho, e nos seus armazéns descarregado, (4) Sr. Carlos Henrique, genro do Sr. Nicchio Sobrinho, participa ativamente no setor de compra da Nicchio Sobrinho. Repitase: as 'pseudoempresas' que constam nas notas fiscais de venda dos produtores rurais não participam da negociação, são desconhecidas dos produtores rurais, mas aparecem no momento de preenchimento da Nota Fiscal por exigência do real comprador. Quando a Autoridade Fiscal requisita às Empresas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia informar se era do "pleno conhecimento" dos comerciantes, exportadores e indústrias, ou seja, dos compradores de que apenas forneciam a nota fiscal, para respaldar operação, que na verdade se dava entre real comprador e produtor rural, a resposta corrobora o que já está fartamente provado: "Sim. Os grandes atacadistas, assim como os Torradores e os Exportadores tinham e tem pleno conhecimento de que as notas fiscais são vendidas, como também sabem que nossa empresa nunca recolheu nenhum valor de PIS e Cofins. Vale dizer que eles até incentivaram a abertura de varias empresas (...)". (v. por exemplo fl. 258, item 2). Acrescenta, em outro momento, que "regra geral, é o comprador (torrador, exportador ou atacadista) diretamente por si ou por meio do Corretor que o assessorou no negócio, que determina qual empresa vai faturar, ou melhor, emitir a nota Fiscal para guiar o produto da lavoura para os depósitos dos compradores". (v. por exemplo fl. 258, item 3, fine) Em outro momento ainda, relatam as empresas citadas Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia, que após fiscalização da Receita, as Torrefadoras passaram a exigir que os antigos maquinistas, "que antigamente faziam uso da nossa empresa para guiar o café, constituíssem empresas suas para guiar o café". E assim, explicam, surgiram outras atacadistas, "que na verdade são a personificação jurídica dos antigos maquinistas". Estas novas empresas "passaram a fazer os mesmos atos que os Grandes Atacadistas, Torradores e Exportadores, ou seja, comprar notas de pessoas jurídicas para acobertar as compras feitas diretamente dos produtores, já que os Maquinistas, só compram café dos produtores rurais de suas comunidades locais" (fls. 259/260, itens 6 e 7). Claro está que as empresas fornecedoras da empresa, ora autuada, tais como Do Grão, Acádia, L&L, Colúmbia e outras arroladas nestes autos, não Fl. 16572DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.539 24 operam no mercado de compravenda de café, mas atuam em outro 'mercado', a saber, 'mercado de compravenda de nota fiscal'. Esta conclusão sobejamente demonstrada por farto suporte documental presente nos autos, é constantemente ratificada nos depoimentos dos próprios envolvidos na fraude. Veja, por exemplo, o depoimento (fls. 539/541) de Thiago de Resende Gava, assistido por Advogado, sócio de fato da Colúmbia, admitindo que a W R da SILVA (para quem trabalhou) " nunca comprou nem vendeu um grão de café..", esclarecendo ainda a finalidade de toda a engrenagem montada: "que o objetivo das operações realizadas desta forma é proporcionar um ganho maior para as empresas exportadoras e/ou torrefadoras de café, pois se fosse emitida nota fiscal do produtor rural diretamente para as empresas exportadoras, estas não teriam direito ao crédito de tributos de 9,25% sobre o valor da compra de café. Que alem disso as empresas exportadoras/torrefadoras teriam que recolher o valor referente ao FUNRURAL sobre a nota fiscal do produtor rural (..)" Empresas como Nova Brasília, Colúmbia, Do Grão, Acádia, L&L, V. Munaldi, e outras funcionam como 'laranjas', termo, aliás, corriqueiramente empregado no meio, como se registra no depoimento dos corretores. Por exemplo, em seu depoimento Devanir Fernandes dos Santos "afirmou que as empresas exportadoras e Indústrias, compradoras de café, para os as quais o declarante atua como corretor de café, tem pleno conhecimento de que as empresas que constam nas notas fiscais como vendedoras de café são laranjas" (fl. 423, item 5). Quanto ao preço da nota fiscal vendida, até final de 2003 era de 1%, o valor de Hum Real por saca de café vigorou entre 2004 e 2006, pois conforme explicaram Do Grão, Acádia, L&L e Colúmbia "quando abriram muitas empresas novas, o preço foi caindo'" para R$0,50 ou R$0,30 (v. fl. 259, item 5). Observar também o que declara a Colúmbia à fl. 32, item b: "para a nossa empresa o que importa não é o preço da saca de café, mas sim a quantidade de sacas, já que a nossa remuneração (é)pelo número de sacas". A face financeira da simulação consistiu, conforme demonstrou a Fiscalização, quase sempre na abertura de contascorrentes pela real compradora (Indústria ou exportadora, por exemplo, Nicchio Sobrinho) em nome de uma "atacadista" (por exemplo, V. Munaldi), mas para ser movimentada por um procurador, corretor ou pelo próprio produtor rural (exemplo, Fernando Plantikow Neto): Por exemplo, a conta n° 52.1914 aberta em nome da V. MUNALDI no SICOOB unidade de BAIXO GUANDÚ ES, era movimentada pelo produtor/maquinista FERNANDO PLATIKOW NETO. Indagada sobre a origem dos depósitos na citada conta da V. MUNALDI, Adriana Lopes Dal Cól Soares, então tesoureira da unidade do SICCOB, esclareceu que, em sua maioria, eram da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1709)(gn) Fl. 16573DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.540 25 Às fls. 1723/1724, no Termo de Encerramento Fiscal, há uma lista fornecida pela própria Colúmbia de contascorrentes abertas em seu nome, mas movimentadas por outras pessoas. Como prova documental (v. fl. 1731), a Fiscalização cita dois cadernos contendo anotações de Edson Everaldo Bortolozzo (o citado Edinho), comprador da Nicchio Sobrinho. No caderno de compra da Nicchio Sobrinho aparecem o nome do produtor rural e o nome da empresa "atacadista" contratada para guiar o café, isto é, para vender a falsa nota fiscal. Observese o exemplo destacado à fl. 1731, onde aparece o nome Mazolini (produtor rural) seguida do n° 999 (pedido) e da abreviação "Col" de Colúmbia. O diálogo reproduzido na seqüência, fl. 1732), confirma a real compra e já fecha a simulação. No caso a compra é do produtor rural Ocimar Gomes, mas a nota fiscal deveria ser da Ypiranga. No diálogo "Edinho" da Nicchio Sobrinho adverte o corretor duas vezes, primeiro com a expressão "acorda" e depois, mas diretamente, com "e se espalhar já sabe que acontece". Os diálogos mais completos encontramse reproduzidos às fls. 904/908 e estão recheados de expressões análogas às citadas. No trecho citado no Termo de Encerramento Fiscal (fl. 1732) aparece o número do pedido (nv 112): edinns (14:18:27): cafe do ocimar fica fechado edinns (14:18:31): qual firma? edinns (14:19:24): acorda Sidnei VG (14:19:31): Ypiranga edinns (14:19:38): nv 112 Sidnei VG (14:19:46): Agradecido... edinns (14:19:57): e se espalhar ja sabe que acontece Na nota fiscal da Nicchio Sobrinho aparece todo o combinado no diálogo, vide sua reprodução à fl. 909. O suposto vendedor é a Ypiranga, mas o número nv 112, referente ao pedido fechado do corretor com o produtor rural, aparece no canto inferior esquerdo do engendrado documento, e o transportador é o próprio Ocimar Gomes, o produtor rural! A prova da simulação/dissimulação é cabal. Entre outras provas documentais, há as planilhas de "controle diário de compras", que foram anexadas nos emails de Edson Bortolozzo (o Edinho) para os dirigentes da Nicchio Sobrinho. As planilhas encontramse às fls. 1103/1374 dos autos, e no relatório da Autoridade Fiscal concluise que: Essas planilhas de compras foram anexadas aos emails e encaminhadas por EDSON BORTOLOZZO aos dirigentes da empresa: SÉRGIO NICCHIO, JORGE NICCHIO, MAXWEL NICCHIO, NICCHIO JÚNIOR, PEDRO NICCHIO e outros. É mais um tipo de documento, onde restou, portanto, comprovado que os dirigentes da empresa tinham pleno conhecimento acerca das compras de café de produtores/maquinistas documentadas com notas de empresas laranjas. (gn) Fl. 16574DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.541 26 Também a planilha de fl. 1594 demonstra a existência da operação fictícia, pois ao lado da quantidade de sacas registrase o valor de R$1,30, que representa a aludida remuneração por saca do (pseudo) atacadista para "guiar" o café. As notas fiscais citadas na planilha (2a coluna) simulam a venda de "PJ" para outra PJ, encobrindo a venda real do produtor rural para a PJ: Por exemplo, a planilha mostra que no dia 26/05/2010 foi emitida a nota fiscal n° 4843 com 180 sacas de café ao preço unitário de R$234,00 para a NICCHIO SOBRINHO, referente à compra NV 0684/10 Confirmação n° 0197/10. Compulsando a nota fiscal n° 4843 , da RODRIGO SIQUEIRA, que fora apresentada pela NICCHIO SOBRINHO em atendimento à intimação fiscal, verificase que se trata de venda de Domingos Perim que conduziu o seu próprio veículo de placa MPO 1651 até o armazém da NICCHIO SOBRINHO (fl. 1.613). De documentos recebidos da Polícia Federal (fls. 224/225), a planilha de saídas da Colúmbia (v. fl. 1759 e ss) para a Nicchio Sobrinho deixa claro a distinção entre o vendedor ficto (a própria Colúmbia) e o vendedor real, pessoa física/produtor rural. A origem da mercadoria é o produtor rural, no caso Edmar Muller, e o destino é a Nicchio Sobrinho. Edmar Muller, no entanto, declarou que sua produção é negociada diretamente com Nicchio Sobrinho, mas que em determinado ponto era efetuada a troca das notas fiscais (fls. 304/305). A Fiscalização comprovou que a própria Nicchio Sobrinho depositava os recursos que a Colúmbia necessitava para o pagamento exato aos produtores rurais (fls. 1765/1766). Comparar a planilha de fl. 1764 (Razão Analítico da própria Nicchio Sobrinho) com a planilha de fls. 1765/1766: É curioso notar que a "venda" do café para a Colúmbia, e a "revenda" desta para a Nicchio Sobrinho eram efetuadas pelo mesmo preço, situação comercialmente muito heterodoxa. Antonio Gava (já citado sócio da Colúmbia) confirmou a mecânica de pagamentos da Nicchio Sobrinho aos produtores rurais e, simultaneamente, aos (pseudo) atacadistas (reproduzido parcialmente às fls. 1771/1772): (...) QUE, para pagar a NICCHIO SOBRINHO, mais precisamente para os sócios SÉRGIO, MAXUEL e JORGE, foi orientado por eles a vender nota fiscal, com vistas a possibilitar o creditamento das contrubuições PIS e COFINS por parte da empresa. QUE, esclarecendo melhor, passou a fornecer a nota fiscal de sua empresa, em virtude da compra de café da NICCHIO SOBRINHO diretamente para o produtor; QUE, ficou acertado com os sócios da NICCHIO SOBRINHO que seria abatida da dívida de R$0,80 a R$1,00 por saca de café guiada por sua empresa (...). QUE, fazia contatos com SÉRGIO, MAXUEL e JORGE por telefone, (...) QUE, para pagamento dos produtores rurais de café adquirido pela empresa NICCHIO SOBRINHO, os sócios dessa empresa depositavam os valores em uma conta da COLÚMBIA e Fl. 16575DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.542 27 lhe mandavam posteriormente uma relação dos produtores de café que deveriam ser pagos, com os respectivos montantes discriminados (...). O depoimento resume com coerência tudo o que a documentação extensa amealhada pela Fiscalização (e também pela Polícia Federal e pelo Ministério Público) e constante dos autos confirma. Do Ministério Público do Espírito Santo Grupo GETPOT a fiscalização recebeu e analisou um relatório financeiro correspondendo a uma espécie de livro caixa ("caixa 2"), documento apreendido na Operação Acádia deflagrada "com o objetivo de coibir sonegação fiscal de ICMS" (fl. 223), que detalha ganhos das 'pseudoempresas' Do Grão e L&L, Acádia e D'Cristo. O documento reproduzido (fl. 1866) mostra que a receita é claramente proveniente de venda de notas. O total de ganho no fechamento geral relativo à Empresa Do Grão corresponde à diferença desses créditos (provenientes de pessoas físicas) contra as despesas (nada a ver com compra de café) (vide fl. 3706). Documento ainda mais conclusivo se isso é possível quanto ao efetivo uso do esquema pela Nicchio Sobrinho é o que transcreve conversas efetuadas mediante MSN. Neste voto, parte de tais diálogos já foi citada. Um dos diálogos é travado entre funcionário do setor financeiro da Nicchio Sobrinho e o corretor Edson Pancieri Filho da Clonal Corretora, que confirmou a conversa (fls. 432 e ss) e entregou o arquivo correspondente (fl. 435). Ali são tratados pagamentos da Nicchio Sobrinho a produtor rural. Ocorre que o pagamento ali registrado (R$59.722,00) é depositado na conta de WR da Silva (vide cópia do extrato do Razão analítico à fl. 1719) no valor de R$59.800,00 (2 X 29.900); onde a diferença devese a quebra de peso (fl. 1719). Examinese o que diz Weverton Rosa da Silva (WR DA SILVA): Que a WR DA SILVA não é empresa comercial de café, muito menos atacadista, conforme consta no contrato social; Que na verdade a WR DA SILVA fornece NOTA FISCAL para guiar o café do PRODUTOR RURAL para as empresas exportadoras e indústrias, que são as reais compradoras do café dos produtores rurais; Que pela operação de fornecimento da nota fiscal a WR DA SILVA recebe R$0,30 (trinta centavos) a R$0,50 (cinqüenta centavos)por saca de café; Que o declarante afirmou que as empresas exportadoras e indústrias (para as quais a WR DA SILVA guia o café) compram o café diretamente do produtor rural ou, mais frequentemente, por intermédio de corretores ou corretoras; O papel fictício das "atacadistas" na negociação direta entre produtor rural e a Nicchio Sobrinho evidenciase em muitos documentos nos autos. Mas, apenas os diálogos transcritos bastariam para refutar a tese de conspiração, ainda mais que se compatibilizam perfeitamente com todo o resto do conjunto probatório, inclusive notas fiscais, pagamentos via transferências eletrônicas, e depoimentos de corretores e produtores rurais. Fl. 16576DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.543 28 Ressaltese que a mecânica desvendada pela Fiscalização extrapola os limites do estado do Espírito Santo e atinge outros membros da Federação, particularmente, atinge Minas Gerais, onde as autoridades fiscais também diligenciaram e colheram provas que apontam para a mesma conclusão: as empresas "atacadistas" são chamadas no último ato para representar a cena final, sem qualquer participação efetiva do ponto de vista comercial (capítulo 6, do Termo de Encerramento Fiscal, item 5.10). Finalmente, a impugnante tenta fazer crer que não há liame algum entre a recorrente e algumas empresas atacadistas, seus fornecedores, assim, os créditos derivados das aquisições destas empresas não poderiam ser glosados. Alega que se os fornecedores da impugnante deixaram de recolher tributos ou apresentaram declarações falsas não cabe a esta qualquer responsabilidade. No entanto, a alegação não procede porquanto a caracterização daqueles fornecedores como empresa atacadista sem capacidade operacional, com existência fantasmagórica do ponto vista fiscal, mas com movimento apreciável de recursos restou incontroverso. Além disso, encontramse bem definidas como empresas criadas com o propósito de vender nota fiscal, não com o propósito de comercializar café, logo, não seria crível contrariando o que afirma seus próprios sócios e administradores que teria vendido café somente para a Nicchio Sobrinho. Uma vez confessado pelas próprias "atacadistas", fornecedoras da contribuinte, que não vendiam café, mas apenas forneciam nota fiscal para uma operação eufemisticamente chamada de "guiar o café", concluise que a correspondente compra do café pela contribuinte não passa de simples arranjo documental com vistas a vantagens tributárias ilícitas. Em suma, se não houve a venda conforme confessado por quem podia confessar tampouco poderia ter havido a compra, a contrario senso, estarse ia diante de fenômeno único no mundo jurídico, onde uma compra não se conecta com sua contraparte lógica, a venda. O simples fato de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria", o que seria suficiente para garantir o crédito de PIS/Cofins, na forma do parágrafo único do art. 82, da Lei n° 9.430/96, não é eficaz, porquanto a Fiscalização investiga resposta à outra questão: "de quem ?". E as provas dos autos direcionam para a resposta de que "comprou, pagou e recebeu a mercadoria" de produtor rural (pessoa física), não de pessoa jurídica, no que pese as notas fiscais tenham sido construídas para mascarar a realidade, fazendo nelas constar "empresas" sem qualquer vínculo com o mercado de café, mas criadas para participar de um estratagema de ataque à Fazenda Nacional. No quadro probatório assentado têmse ainda por irrelevantes as alegações da inconformada quanto à inexistência de declaração de inidoneidade/inaptidão das empresas fornecedoras; ao tempo em que efetuou as transações, e de que tomou o cuidado de verificar a regularidade das empresas fornecedoras no CNPJ ou Sintegra. As alegações são irrelevantes porque independentemente da declaração de inaptidão, em ato oficial adequado emitido pela autoridade competente da Receita Federal do Brasil, a documentação fiscal pode ser considerada como tributariamente ineficaz, quando comprovado não ter havido a transação a que se refere, permitindo concluir que os documentos apresentados mascaram uma aquisição fictícia de Fl. 16577DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.544 29 mercadorias, impondose afastar a faculdade de a interessada calcular crédito de PIS/Cofins na incidência nãocumulativa. A alegação da contribuinte de que não é possível concluir que teve conhecimento da prática ilícita de fornecedores não prevalece diante dos depoimentos e da prova robusta reunida pela Autoridade Fiscal. Da mesma forma, a alegação de que responsabilidade solidária aplicase somente ao sujeito passivo, decorre de lei e não pode ser presumida é irrelevante, pois não há imputação de solidariedade. Nem a Fiscalização está responsabilizando a autuada por tributos que não foram pagos por seus fornecedores, nem está aplicando penalidade por infração cometida por terceiros, mas essencialmente glosou créditos da nãocumulatividade, que entendeu indevidos, porque decorrentes de negócios inexistentes, meramente simulados, enfim, imputou responsabilidade por atos cometidos pela própria autuada. A infração tributária cometida, independente da repercussão penal dos mesmos atos, consistiu basicamente em se apropriar de créditos fiscais indevidamente, pois já se explicou, neste voto, que a compra de café diretamente de pessoa física dá ao comprador um direito de crédito presumido, correspondente a 35% do crédito que seria devido se o negócio fosse realizado com pessoa jurídica. (...) O contribuinte, em seu recurso voluntário, não contestou especificamente nenhum destes argumentos. Como disse combateu genericamente a acusação de que não teria provas no processo de sua participação. A única questão específica que argumentou nesta parte, em relação à decisão recorrida, é que ela teria utilizado provas ilícitas, situação esta que já foi explicitada neste voto na análise da preliminar de nulidade da decisão da DRJ. Mérito Direito à Manutenção do Crédito na Aquisição de Café das Cooperativas. Após fazer um diagnóstico bem detalhado das aquisições efetuadas diretamente de pessoas físicas, produtores rurais de café, conforme tópico anterior, a fiscalização concluiu que nestas aquisições a recorrente faz jus ao crédito presumido do PIS e Cofins nos termos do art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Portanto, nestas aquisições de café in natura diretamente dos produtores rurais, mas com intermédio da interposição fraudulenta de pseudoatacadistas, a adquirente beneficia este café in natura para venda no mercado externo. Concluise assim que o contribuinte exerce a produção agroindustrial, consistente no exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM (art. 6º da IN SRF nº 660/2006). A partir daí, ao analisar os créditos decorrentes das aquisições de café oriundos de cooperativas de produção rural, a fiscalização conclui que as vendas deveriam ter sido efetuadas com suspensão da incidência do PIS e da Cofins e que o contribuinte somente teria direito ao crédito presumido, efetuando a glosa dos créditos integrais apropriados pelo recorrente. Assim se pronuncia a fiscalização: (...) Fl. 16578DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.545 30 Desse modo, a NICCHIO SOBRINHO preenche os requisitos estabelecidos para a aplicação da suspensão nas compras de café efetuadas com as cooperativas, a saber: a) apura IRPJ com base no lucro real; b) exerce atividade agroindustrial definida no art. 6°, II; e c) utiliza o café adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que trata o inciso I do art. 5°. Portanto, efetuouse a glosa dos créditos integrais sobre tais aquisições e apurouse o crédito presumido previsto no art. 8° da Lei n° 10.925/2004. (...) Em atendimento ao Termo de Início da Ação Fiscal, no qual o contribuinte foi intimado a detalhar o seu processo produtivo, a empresa assim se pronunciou (fl. 6): (...) Item 2.7 Informamos que a empresa é uma produtora na concepção da lei, uma vez que em relação aos produtos classificados no código 0901.11.10 (Café em grãos), adota o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) e separar por densidades de grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial. (...) Agora, após o lançamento consumado, o contribuinte quer alterar totalmente a realidade antes afirmada. Agora ele não é mais um típico beneficiador de café na concepção da lei. De forma inusitada ele agora já adquire o grão beneficiado e é somente um revendedor de café que nesta condição não tem mais direito ao crédito presumido e sim ao crédito integral. Que sua principal atividade é a revenda de café já beneficiado. Para tanto traz como prova, uma amostra das notas de aquisição das cooperativas, nas quais não consta o carimbo indicativo da suspensão do PIS e da Cofins. Junto com esta pretensa prova, apresenta como se fosse uma realidade óbvia do mercado as três etapas da comercialização do café: 1ª) a compra do produto in natura; 2ª ) o beneficiamento transformando o café in natura em "café cru em grão"; e 3º) a revenda do "café cru em grão" pela recorrente no máximo exercendo sobre o produto algum rebeneficiamento, o qual não atingiria as condições cumulativas previstas no art. 6º da IN SRF nº 660/2006. Contrariando o que declarou expressamente, em resposta ao Termo de Início de Ação Fiscal, agora ele afirma que atua na 3ª etapa, o que caracteriza simples revenda. Muito oportuno esta mudança, não fosse uma necessidade essencial de fazer prova efetiva em seu favor. O ônus da prova, na caso é do contribuinte, primeiro porquê ele altera uma realidade antes por ele afirmada e confirmada pela fiscalização. Segundo porque estamos falando de apuração de crédito de PIS e Cofins, cuja certeza e liquidez deve ser comprovada por quem afirma. Veja o que dispõe os art. 333, inc. I do CPC e 170 do CTN: Art. 333. O ônus da prova incumbe: I ao autor, quanto ao fato constitutivo do seu direito; Fl. 16579DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.546 31 (...) Art. 170. A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública.(destaquei) Quanto ao que ele diz ser as três etapas do processo produtivo do café, não vejo qualquer óbice de que qualquer contribuinte, ou membro da cadeia produtiva do café, realize as três conjuntamente, ou somente duas delas, ou até mesma uma em cada elo. Esta situação relatada como óbvia, da realidade do mercado, longe de ser um elemento de prova contundente, não passa de uma afirmação banal, que não traz nenhuma utilidade que possa alterar a realidade fática e a consequente utilização da legislação tributária. Portanto, entendo correta a apuração realizada pela fiscalização e confirmada pelo acórdão recorrido. Vejamos o que diz a legislação a respeito da suspensão do PIS e Cofins e o consequente aproveitamento do crédito presumido. Lei nº 10.925/04 Art. 9o A incidência da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins fica suspensa no caso de venda: (Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) I de produtos de que trata o inciso I do § 1o do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoas jurídicas referidas no mencionado inciso; (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II de leite in natura, quando efetuada por pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1o do art. 8o desta Lei; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) III de insumos destinados à produção das mercadorias referidas no caput do art. 8o desta Lei, quando efetuada por pessoa jurídica ou cooperativa referidas no inciso III do § 1o do mencionado artigo. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 1o O disposto neste artigo: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) I aplicase somente na hipótese de vendas efetuadas à pessoa jurídica tributada com base no lucro real; e (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) II não se aplica nas vendas efetuadas pelas pessoas jurídicas de que tratam os §§ 6o e 7o do Fl. 16580DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.547 32 art. 8o desta Lei. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) § 2o A suspensão de que trata este artigo aplicarseá nos termos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal SRF. (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) (Destaquei) Da leitura desse dispositivo, entendo que a suspensão não é uma mera opção dos contribuintes, ao contrário, estando atendidas as condicionantes impostas pela lei, a suspensão do PIS e Cofins é obrigatória. Note que o § 2º da Lei autoriza que a Secretaria da Receita Federal estabeleça termos e condições para aplicação da suspensão. Neste sentido foi editada a IN SRF nº 660/2006, a qual regulamentou a suspensão das contribuições e o aproveitamento do crédito presumido. Para melhor clareza, transcreve se abaixo trechos essenciais da referida instrução normativa: DO ÂMBITO DE APLICAÇÃO Art. 1º Esta Instrução Normativa disciplina a comercialização de produtos agropecuários na forma dos arts. 8º, 9º e 15 da Lei nº10.925, de 2004. DA SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DAS CONTRIBUIÇÕES DOS PRODUTOS VENDIDOS COM SUSPENSÃO Art. 2º Fica suspensa a exigibilidade da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda: I de produtos in natura de origem vegetal, classificados na Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) nos códigos: a) 10.01 a 10.08, exceto os códigos 1006.20 e 1006.30; b) 12.01 e 18.01; II de leite in natura; III de produto in natura de origem vegetal destinado à elaboração de mercadorias classificadas no código 22.04, da NCM; e IV de produtos agropecuários a serem utilizados como insumo na fabricação dos produtos relacionados no inciso I do art. 5º. § 1º Para a aplicação da suspensão de que trata o caput, devem ser observadas as disposições dos arts. 3º e 4º. Fl. 16581DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.548 33 § 2º Nas notas fiscais relativas às vendas efetuadas com suspensão, deve constar a expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS", com especificação do dispositivo legal correspondente. DAS PESSOAS JURÍDICAS QUE EFETUAM VENDAS COM SUSPENSÃO Art. 3º A suspensão de exigibilidade das contribuições, na forma do art. 2º, alcança somente as vendas efetuadas por pessoa jurídica: I cerealista, no caso dos produtos referidos no inciso I do art. 2º; II que exerça cumulativamente as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel, no caso do produto referido no inciso II do art. 2º; e III que exerça atividade agropecuária ou por cooperativa de produção agropecuária, no caso dos produtos de que tratam os incisos III e IV do art. 2º. § 1º Para os efeitos deste artigo, entendese por: I cerealista, a pessoa jurídica que exerça cumulativamente as atividades de limpar, padronizar, armazenar e comercializar produtos in natura de origem vegetal relacionados no inciso I do art. 2º; II atividade agropecuária, a atividade econômica de cultivo da terra e/ou de criação de peixes, aves e outros animais, nos termos do art. 2º da Lei nº 8.023, de 12 de abril de 1990; e III cooperativa de produção agropecuária, a sociedade cooperativa que exerça a atividade de comercialização da produção de seus associados, podendo também realizar o beneficiamento dessa produção. § 2º Conforme determinação do inciso II do § 4º do art. 8º e do § 4º do art. 15 da Lei nº 10.925, de 2004, a pessoa jurídica cerealista, ou que exerça as atividades de transporte, resfriamento e venda a granel de leite in natura, ou que exerça atividade agropecuária e a cooperativa de produção agropecuária, de que tratam os incisos I a III do caput, deverão estornar os créditos referentes à incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, quando decorrentes da aquisição dos insumos utilizados nos produtos Fl. 16582DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.549 34 agropecuários vendidos com suspensão da exigência das contribuições na forma do art. 2º. § 3º No caso de algum produto relacionado no art. 2º também ser objeto de redução a zero das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, nas vendas efetuadas à pessoa jurídica de que trata o art. 4º prevalecerá o regime de suspensão, inclusive com a aplicação do § 2º deste artigo. DA APLICAÇÃO DA SUSPENSÃO Art. 4º Aplicase a suspensão de que trata o art. 2º somente na hipótese de, cumulativamente, o adquirente: I apurar o imposto de renda com base no lucro real; II exercer atividade agroindustrial na forma do art. 6º; e III utilizar o produto adquirido com suspensão como insumo na fabricação de produtos de que tratam os incisos I e II do art. 5º. (...) § 3º É vedada a suspensão quando a aquisição for destinada à revenda. DO CRÉDITO PRESUMIDO DO DIREITO AO DESCONTO DE CRÉDITOS PRESUMIDOS Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: a) no capítulo 2, exceto os códigos 02.01, 02.02, 02.03, 0206.10.00, 0206.20, 0206.21, 0206.29, 0206.30.00, 0206.4, 02.07, 0210.1; b) no capítulo 4; c) nos códigos 0504.00, 0701.90.00, 0702.00.00, 0706.10.00, 07.08, 0709.90, 07.10, 07.12 a 07.14, exceto os códigos 0713.33.19, 0713.33.29 e 0713.33.99; Fl. 16583DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.550 35 d) nos capítulos 8 a 12, 15 e 16; (Redação original) e) nos códigos 1701.11.00, 1701.99.00, 1702.90.00, 18.01, 18.03, 1804.00.00, 1805.00.00, 20.09 e 2209.00.00; f) no capítulo 23, exceto o código 23.09.90. g) no capítulo 3, exceto os produtos vivos deste capítulo; h) no capítulo 16; II classificados no código 22.04, da NCM. § 1º O direito ao desconto de créditos presumidos na forma do caput aplicase, também, à sociedade cooperativa que exerça atividade agroindustrial. § 2º É vedado às pessoas jurídicas de que tratam os incisos I a III do caput do art. 3º a utilização de créditos presumidos na forma deste artigo. § 3º Aplicase o disposto neste artigo também em relação às mercadorias relacionadas no caput quando, produzidas pela própria pessoa jurídica ou sociedade cooperativa, forem por ela utilizadas como insumo na produção de outras mercadorias. DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL Art. 6º Para os efeitos desta Instrução Normativa, entendese por atividade agroindustrial: I a atividade econômica de produção das mercadorias relacionadas no caput do art. 5º, excetuadas as atividades relacionadas no art. 2º da Lei nº 8.023, de 1990; e II o exercício cumulativo das atividades de padronizar, beneficiar, preparar e misturar tipos de café para definição de aroma e sabor (blend) ou separar por densidade dos grãos, com redução dos tipos determinados pela classificação oficial, relativamente aos produtos classificados no código 09.01 da NCM. DOS INSUMOS QUE GERAM CRÉDITO PRESUMIDO Art. 7º Geram direito ao desconto de créditos presumidos na forma do art. 5º, os produtos agropecuários: I adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País, com suspensão da exigibilidade das contribuições na forma do art. 2º; Fl. 16584DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.551 36 II adquiridos de pessoa física residente no País; ou III recebidos de cooperado, pessoa física ou jurídica, residente ou domiciliada no País. (...) Verificase que a Instrução Normativa editada pela Receita Federal, em atendimento à exigência do § 2º do art. 9º da Lei nº 10.925/2004, estabeleceu alguns regramentos para o cumprimento da suspensão nas aquisições de café para beneficiamento e fica evidente que a suspensão na aquisição era obrigatória da simples leitura do seu art. 4º acima transcrito, pois a recorrente preenche todas as suas condições conforme constatou a fiscalização. A ausência da expressão "Venda efetuada com suspensão da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS" em algumas das notas fiscais de aquisição não são suficientes para fazer prova de que o produto não foi adquirido com suspensão. Pode ter havido somente um descumprimento de uma obrigação acessória, a qual a recorrente poderia ter exigido a sua correção no momento do recebimento da mercadoria. Em seu recurso o contribuinte afirma "da impossibilidade jurídica de aproveitamento do crédito presumido em duplicidade na cadeia do café". Em síntese aduz que tendo a cooperativa já aproveitado do crédito presumido nas aquisições do café do produtor rural este crédito só pode ser aproveitado uma vez, cabendo o crédito integral para a recorrente que adquiriu o café da cooperativa. Correta a primeira afirmação de que não há previsão legal para aproveitamento do crédito presumido em duplicidade. Isto decorre da própria sistemática do sistema de créditos. No caso o § 2º do art. 3º da IN nº 660/2006, acima transcrito, prevê que nestas situações, quando a cooperativa utilizouse do crédito presumido na aquisição do produtor rural e efetuou a venda com suspensão, caso dos autos, ela deve estornar estes créditos apropriados na aquisição. Portanto a segunda afirmação não é verdadeira de que a recorrente poderia apropriarse integralmente do crédito de PIS e Cofins. Assim correta a glosa dos créditos integrais apropriados pelo contribuinte e a manutenção do crédito presumido apropriado pela fiscalização. Mérito Multa Qualificada de 150% Neste ponto o contribuinte afirma que não há prova de fraude ou dolo, e, além disso, a multa de 150% viola os princípios da proporcionalidade e do nãoconfisco. Penso que a questão da existência de fraude ou dolo já foi enfrentada na questão de mérito inicial, pois a exigência do presente lançamento só se sustenta ante a comprovação da prática simulatória de adquirir o produto diretamente de produtores rurais com a inserção fictícia do pseudoatacadista. O dolo restou caracterizado e enseja a qualificação da penalidade nos exatos termos do art. 44, § 1º da Lei nº 9.430/96. Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração Fl. 16585DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.552 37 inexata; (Vide Lei nº 10.892, de 2004) (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis.(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Por sua vez assim dispõe a Lei nº 4.502/64: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. O procedimento sistemático de contribuir para a emissão dessas notas fiscais e depois se utilizar dos créditos básicos do PIS e Cofins, que como se sabe são superiores ao crédito presumido a que faz jus (este foi reconhecido pela fiscalização, cabe ressaltar), caracteriza o dolo, consistente na intenção de impedir ou ao menos retardar o conhecimento, por parte do Fisco, de todas as características essenciais do fato gerador, com vistas a reduzir o montante do tributo devido e evitar ou diferir o seu pagamento. Daí a fraude, cominada com a multa no percentual de 150%. Quanto à argumentação de inconstitucionalidade da norma em decorrência do suposto caráter confiscatório da multa aplicada, é necessário lembrar que este Conselho não é competente para se pronunciar a este respeito, conforme Súmula CARF nº 2: Súmula nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fl. 16586DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.553 38 Pedido de Diligência O contribuinte insiste na realização de diligência para "i) conferir todas as compras da RECORRENTE, sobretudo as notas fiscais dos fornecedores, ii) os comprovantes de pagamento das operações via depósito bancário na conta corrente das empresas, bem como iii) os cadastros das pessoas jurídicas atacadistas de café nas Receitas Federal e Estadual, no período em que ocorreram aquisições de bens". Segundo a defesa a diligência também seria importante para "conferência da legalidade das aquisições provenientes do estado de Minas Gerais, principalmente do Município de Manhuaçu". Também neste caso concordo com a decisão recorrida. No meu entendimento as questões que o contribuinte colocam para ser diligenciadas não são pertinentes, pois já estão exaustivamente demonstradas no lançamento fiscal, ou por intermédio de sua defesa. Não há nenhum questionamento quanto à existência das notas fiscais emitidas pelos fornecedores. A fiscalização reconhece a sua existência tendo sido elas utilizadas para o cálculo matemático das glosas e dos lançamentos sendo que o contribuinte não impugnou qualquer questão relativa a estes cálculos, restringindo a discussão somente quanto ao direito ao crédito. Da mesma forma não há relevância quanto a existência dos pagamentos, depósitos bancários e cadastro ativo ou não nas Receitas Federal e Estadual. De igual forma a fiscalização não negou a existência dos pagamentos, depósitos bancários e as situações cadastrais. Assim também a fiscalização não diferenciou os tipos de operações em conformidade com o local de sua aquisição, seja em Colatina, Manhuaçu ou outro município qualquer. Em conclusão nego o pedido de diligência por entender que constam dos autos todos os elementos necessários para realizar o julgamento. Multas Isoladas Observase que não houve impugnação específica quanto à aplicação das multas isoladas em decorrência da não homologação das compensações declaradas ou do indeferimento dos pedidos de ressarcimento. Certo que se no mérito as glosas e o próprio lançamento fossem afastados haveria também o consequente afastamento destas multas, o que não é o caso. Porém, embora não contestadas especificamente no recurso voluntário, parte das multas isoladas foram aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Estes dispositivos legais foram revogados pelo art. 27, inc. II da Lei nº 13.137/2015, retirando tal penalidade do ordenamento jurídico. Desta forma entendo que a aplicação desta penalidade deve ser excluída do lançamento tributário, em face do disposto no art. 106, inc. II, "a" do CTN. Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido Fl. 16587DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 10783.720355/201254 Acórdão n.º 3301002.775 S3C3T1 Fl. 16.554 39 fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Portanto, diante do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário, somente para afastar a exigência das multas isoladas aplicadas com base nos § 15 e 16 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, mantendo intacto o restante do crédito tributário exigido no presente processo. (...) (Fim da transcrição do voto) Portanto, pelas mesmas razões do voto proferido no processo de lançamento fiscal nº 10783.720371/201247, acima transcrito, voto por negar provimento ao Recurso Voluntário para manter o indeferimento do ressarcimento solicitado e a não homologação das compensações correspondentes. Andrada Márcio Canuto Natal Relator Fl. 16588DF CARF MF Impresso em 04/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL, Assinado digitalmente em 03/ 02/2016 por ANDRADA MARCIO CANUTO NATAL
score : 1.0
Numero do processo: 14041.001383/2007-46
Turma: Terceira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP.
Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999.
VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. PRECEDENTES DO STF. ART. 62, I, do REGIMENTO INTERNO.
A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales-transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição (RE 478410, EROS GRAU, STF, 10.03.2010). Afastamento permitido ao CARF, na ocorrência de precedente julgado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (art. 62, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF-MF)
Numero da decisão: 2803-004.027
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para: a) cancelar os créditos tributários lançados com base nos valores pagos a título de vale-transporte; b) a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO.
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Relator ad hoc na data da formalização
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
Nome do relator: GUSTAVO VETTORATO
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201501
ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. PRECEDENTES DO STF. ART. 62, I, do REGIMENTO INTERNO. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de vales-transporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição (RE 478410, EROS GRAU, STF, 10.03.2010). Afastamento permitido ao CARF, na ocorrência de precedente julgado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (art. 62, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARF-MF)
turma_s : Terceira Turma Especial da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
numero_processo_s : 14041.001383/2007-46
anomes_publicacao_s : 201510
conteudo_id_s : 5538922
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Oct 22 00:00:00 UTC 2015
numero_decisao_s : 2803-004.027
nome_arquivo_s : Decisao_14041001383200746.PDF
ano_publicacao_s : 2015
nome_relator_s : GUSTAVO VETTORATO
nome_arquivo_pdf_s : 14041001383200746_5538922.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para: a) cancelar os créditos tributários lançados com base nos valores pagos a título de vale-transporte; b) a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32-A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA.
dt_sessao_tdt : Thu Jan 22 00:00:00 UTC 2015
id : 6163956
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:43:28 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123743404032
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2237; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2TE03 Fl. 2 1 1 S2TE03 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 14041.001383/200746 Recurso nº 999.999 Voluntário Acórdão nº 2803004.027 – 3ª Turma Especial Sessão de 22 de janeiro de 2015 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS Recorrente ASSOCIACAO DE FORM. DE TRAB. INFORM Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Exercício: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 INFORMAR FATOS GERADORES DE CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS EM GFIP. Deixar de informar em GFIP os fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias constitui infração ao artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, na redação dada pela Lei n°9.528/1997, e artigo 225, IV, do Decreto n. 3.048/1999. VALE TRANSPORTE. NATUREZA INDENIZATÓRIA. PRECEDENTES DO STF. ART. 62, I, do REGIMENTO INTERNO. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição (RE 478410, EROS GRAU, STF, 10.03.2010). Afastamento permitido ao CARF, na ocorrência de precedente julgado pelo Pleno do Supremo Tribunal Federal (art. 62, I, do Anexo II do Regimento Interno do CARFMF) Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso, nos termos do voto do Relator, para: a) cancelar os créditos tributários lançados com base nos valores pagos a título de valetransporte; b) a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 13 83 /2 00 7- 46 Fl. 93DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.001383/200746 Acórdão n.º 2803004.027 S2TE03 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: HELTON CARLOS PRAIA DE LIMA (Presidente), AMILCAR BARCA TEIXEIRA JUNIOR, OSEAS COIMBRA JUNIOR, GUSTAVO VETTORATO (Relator), EDUARDO DE OLIVEIRA. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.001383/200746 Acórdão n.º 2803004.027 S2TE03 Fl. 4 3 Relatório Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização. Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável original ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o relatório. Esclareço que aqui reproduzo o relato do relator original, que se encontrava nos sistemas do CARF, com os quais não necessariamente concordo. Segue o relatório constante dos sistemas do CARF. O presente recurso voluntário busca a reforma da decisão que manteve o auto de infração que constituiu crédito tributário em razão de aplicação de sanção por artigo 32, Inciso IV, da Lei n° 8.212/1991, por não informar em GFIP fatos geradores referentes a pagamentos aos empregados a título de auxílio alimentação, vale transporte (em dinheiro), e pagamentos a contribuintes individuais. O período de apuração foi 01/01/2002 a 31/12/2006. cientificado em 10.12.2007. O Recurso Voluntário foi tempestivo, alegando conexão com lançamentos de obrigação principal (NFLD 37.027.4393 e 37.027.4407), invalidade da aplicação de multa nos casos de pagamento de vale transporte pago em dinheiro, a confiscatoriedade da multa, juros da taxa selic. Os autos foram devolvidos à esta Turma para apreciação. É o relatório. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.001383/200746 Acórdão n.º 2803004.027 S2TE03 Fl. 5 4 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Segue o voto constante dos sistemas do CARF. 1) O recurso é tempestivo, preenchendo os requisitos de admissibilidade, devendo ser conhecido. 2) Quanto à incidência das contribuições sobre verbas pagas a título de ajuda de custo transporte, como valetransporte em dinheiro, conforme levantado pela auditoria fiscal, há o reconhecimento, pelo Supremo Tribunal Federal, reunida em seu pleno, de que tais pagamentos, mesmo que espécie, não afastam a natureza indenizatória. Logo, tais parcelas não podem sofrer a incidência das contribuições previdenciárias e à terceiras entidades, justamente por não se enquadrarem nos casos de incidência dispostas no art. 28, I, da Lei . 8212/1991 (natureza remuneratória), sob pena de afronta ao princípio da estrita legalidade. Ainda, em razão de decisão do Supremo, não há dúvidas quanto a necessidade do afastamento das mesmas sobre tais rubricas (art. 62 e 62A, do Anexo II, do RICARF). Transcrevese uma ementa de arresto exemplar: EMENTA: RECURSO EXTRAORDINÁRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA. VALETRANSPORTE. MOEDA. CURSO LEGAL E CURSO FORÇADO. CARÁTER NÃO SALARIAL DO BENEFÍCIO. ARTIGO 150, I, DA CONSTITUIÇÃO DO BRASIL. CONSTITUIÇÃO COMO TOTALIDADE NORMATIVA. 1. Pago o benefício de que se cuida neste recurso extraordinário em valetransporte ou em moeda, isso não afeta o caráter não salarial do benefício. 2. A admitirmos não possa esse benefício ser pago em dinheiro sem que seu caráter seja afetado, estaríamos a relativizar o curso legal da moeda nacional. 3. A funcionalidade do conceito de moeda revelase em sua utilização no plano das relações jurídicas. O instrumento monetário válido é padrão de valor, enquanto instrumento de Fl. 96DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.001383/200746 Acórdão n.º 2803004.027 S2TE03 Fl. 6 5 pagamento sendo dotado de poder liberatório: sua entrega ao credor libera o devedor. Poder liberatório é qualidade, da moeda enquanto instrumento de pagamento, que se manifesta exclusivamente no plano jurídico: somente ela permite essa liberação indiscriminada, a todo sujeito de direito, no que tange a débitos de caráter patrimonial. 4. A aptidão da moeda para o cumprimento dessas funções decorre da circunstância de ser ela tocada pelos atributos do curso legal e do curso forçado. 5. A exclusividade de circulação da moeda está relacionada ao curso legal, que respeita ao instrumento monetário enquanto em circulação; não decorre do curso forçado, dado que este atinge o instrumento monetário enquanto valor e a sua instituição [do curso forçado] importa apenas em que não possa ser exigida do poder emissor sua conversão em outro valor. 6. A cobrança de contribuição previdenciária sobre o valor pago, em dinheiro, a título de valestransporte, pelo recorrente aos seus empregados afronta a Constituição, sim, em sua totalidade normativa. Recurso Extraordinário a que se dá provimento.(RE 478410, Relator(a): Min. EROS GRAU, Tribunal Pleno, julgado em 10/03/2010, DJe086 DIVULG 13 052010 PUBLIC 14052010 EMENT VOL0240104 PP00822 RDECTRAB v. 17, n. 192, 2010, p. 145166) Assim, quanto aos questionamento tangentes à rubrica auxíliotransporte, devem ser acolhidas as razões recursais. III Quanto à aplicação da multa, no momento do lançamento, está correto o Auto de Infração, a obrigação de informar em GFIP de informar corretamente os dados aos fatos geradores de contribuições previdenciárias, está prevista no art. 32, IV, da Lei n. 8.212/1991. Obrigação essa que tem natureza instrumental (art. 113, do CTN), como forma de auxiliar o controle e arrecadação tributária, mas é autônoma do cumprimento das demais obrigações. O disposto no art. 35, da Lei n. 8.212/1991, destinase a penalizar o descumprimento de obrigação principal, não acessória, como apresentada acima. A sua aplicação contrariaria o princípio da tipicidade tributária, em que a aplicação da legislação ao fato deve ser especificamente prevista na lei (art. 97, do CTN). Quanto à suposta inconstitucionalidade de tal aplicação da sanção em face do principio da vedação ao confisco, é vedado aos Conselheiros do CARFMF afastarem a aplicação da lei ou decreto sob tal argumento, salvo nas exceções expressas dos artigos 62 e 62A do Regimento Interno do CARFMF. IV Todavia, por dever de ofício, ao se verificar a multa aplicada por descumprimento de obrigação acessória prevista no art. 32, IV, §§5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008, devese atentar às alterações legais implementadas por esta e sua lei de conversão (Lei n. 11.941/2009), que revogou os parágrafos e incluiu o art 32A, I,. Recentemente, as normas sancionatórias relativas à GFIP foram Fl. 97DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.001383/200746 Acórdão n.º 2803004.027 S2TE03 Fl. 7 6 alteradas pela lei n º 11.941/09, e provavelmente beneficiam a Recorrente. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212, in verbis: Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitar seá às seguintes multas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos. (Incluído pela Lei nº 11.941, de 2009). Toda multa tributária é uma sanção, ou seja tem natureza primária punitiva, ou de penalização. Contudo, ainda assim podem ser classificadas em multa moratória, decorrente do simples atraso na satisfação da obrigação tributária principal, e multa punitiva em sentido estrito, quando decorrente de infração à obrigação instrumental cumulada ou não com a obrigações principais. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.001383/200746 Acórdão n.º 2803004.027 S2TE03 Fl. 8 7 Tal classificação é necessária pois, apesar de não terem natureza remuneratória, mas sancionatória, os tribunais brasileiros admitem que as multas tributárias devem ser classificadas em moratórias e punitivas (sentido estrito), em razão da existência de tratamentos diversos para cada espécie pelo próprio Código Tributário Nacional e legislação esparsas. (RESP 201000456864, HUMBERTO MARTINS, STJ SEGUNDA TURMA, 29/04/2010; PAULSEN, Leandro. Direito tributário, constituição e código tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 12ª Ed., Porto Alegre : Livraria do Advogado, 2010, p.1103 1109) Assim, coloco como premissa que a diferença entre multa moratória e multa punitiva em sentido estrito. Como supra colocado, a primeira decorre do mero atraso da obrigação tributária principal, podendo sendo constituída pelo próprio contribuinte inadimplente no momento de sua apuração e pagamento. Já, a segunda espécie de multa, a punitiva em sentido estrito, demanda constituição pelos instrumentos de lançamento de ofício por parte dos agentes fiscais (art. 149, do CTN), em que se apura a infração cometida e a penalidade a ser aplicada. Inclusive a estipulação e definição da espécie de multa é dado exclusivamente pela lei, fato ressaltado em face do principio da estrita legalidade a que se regula o Direito Tributário e suas sanções (art. 97, V, do CTN). A mudança de natureza para fins de comparação no tempo, não pode ser realizada sem autorização legal, e por isso não se poderia comparar com multas punitiva em sentido estrito (referente à descumprimento de obrigação exclusivamente instrumental) com multas de natureza moratória a exemplo com a nova redação do art. 35A, da Lei n. 8212/1991, com a redação a partir da Medida Provisória n. 449/2008. Devido ao disposto no art. 112, IV, do CTN, a legislação tributária que define as infrações e comina suas penalidades deve ser interpretada de forma mais favorável ao contribuinte em casos de dúvidas quanto à natureza das infrações e suas penalidades. Interpretação que deve ser conjugada com a retroatividade benigna prevista no art. 106, II, a e c, do CTN, de forma a reduzir ou extinguir penalidades sempre quando lei posterior estabeleça pena menos grave ou não entenda mais como infração tal conduta. Portanto, também deve ser colocado como premissa, que além de retroagir a aplicação de dispositivo legal mais favorável essa retroação também deve sempre buscar uma aplicação mais favorável ao contribuinte. Assim, em razão do princípio da retroatividade benigna (art. 106, do CTN), como o entendimento que a aplicação da sanção deve ser regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. 32, IV, §§ 3º e 5º da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. V – Os demais pontos do lançamento não foram objeto do recurso voluntário, logo não são conhecidos. VI Isso posto, voto por conhecer o Recurso Voluntário e, no mérito, para DARLHE PARCIAL PROVIMENTO, para reformar a decisão a quo e o lançamento para: a) cancelar os créditos tributários lançados com base nos valores pagos a título de valetransporte; b) que a aplicação da sanção seja regida pela multa estabelecida no artigo 32A, I, da Lei n. 8.212/1991, com a redação da Lei n. 11.941/2009, desde que mais favorável ao contribuinte em relação à aplicação do art. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS Processo nº 14041.001383/200746 Acórdão n.º 2803004.027 S2TE03 Fl. 9 8 32, IV, §§ 3º e 5º, da Lei n. 8.212/1991, com redação anterior à Medida Provisória n. 449/2008. É como voto. Foi assim que o conselheiro original votou na sessão de julgamento. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização Fl. 100DF CARF MF Impresso em 22/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 05/10/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 22/10/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
score : 1.0
Numero do processo: 10830.727525/2012-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Exercício: 2008
SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RECURSO INTERPOSTO PELO CONTRIBUINTE EM FAVOR DO RESPONSÁVEL. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE.
A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas físicas. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido.
DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. CONDUTA DOLOSA. USO DE INTERPOSTA PESSOA. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62, § 2º, DO RICARF.
O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543-C do CPC. Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF. No caso vertente, a conduta dolosa, comprovada nos autos, conduz à aplicação do art. 173, I, do CTN, com o que se constata que os lançamentos não foram alcançados pela decadência.
MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA.
Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, ao restar comprovada nos autos a conduta da recorrente de engendrar e participar ativamente de todo um esquema de sonegação fraudulenta, inclusive mediante o uso de conta-corrente bancária cuja titularidade formal era de pessoa jurídica fictícia e inexistente de fato, para ocultar da autoridade fazendária os vultosos recursos financeiros ali movimentados e, desta forma, também os fatos geradores tributários.
Numero da decisão: 1301-001.930
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso interposto pelo responsável tributário Sr. José Roberto Monte, não conhecer dos argumentos e do pedido trazidos pela recorrente Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., acerca da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. José Roberto Monte e, no mais, negar provimento ao recurso voluntário interposto por Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda.
(assinado digitalmente)
Wilson Fernandes Guimarães - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Veiga Rocha - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
Nome do relator: WALDIR VEIGA ROCHA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201603
camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Exercício: 2008 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RECURSO INTERPOSTO PELO CONTRIBUINTE EM FAVOR DO RESPONSÁVEL. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas físicas. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. CONDUTA DOLOSA. USO DE INTERPOSTA PESSOA. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543-C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62, § 2º, DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) conta-se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543-C do CPC. Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF. No caso vertente, a conduta dolosa, comprovada nos autos, conduz à aplicação do art. 173, I, do CTN, com o que se constata que os lançamentos não foram alcançados pela decadência. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, ao restar comprovada nos autos a conduta da recorrente de engendrar e participar ativamente de todo um esquema de sonegação fraudulenta, inclusive mediante o uso de conta-corrente bancária cuja titularidade formal era de pessoa jurídica fictícia e inexistente de fato, para ocultar da autoridade fazendária os vultosos recursos financeiros ali movimentados e, desta forma, também os fatos geradores tributários.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.727525/2012-19
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5573165
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Mar 10 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1301-001.930
nome_arquivo_s : Decisao_10830727525201219.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : WALDIR VEIGA ROCHA
nome_arquivo_pdf_s : 10830727525201219_5573165.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso interposto pelo responsável tributário Sr. José Roberto Monte, não conhecer dos argumentos e do pedido trazidos pela recorrente Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., acerca da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. José Roberto Monte e, no mais, negar provimento ao recurso voluntário interposto por Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães.
dt_sessao_tdt : Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
id : 6306714
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:52 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123755986944
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 36; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2303; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T1 Fl. 1.520 1 1.519 S1C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.727525/201219 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1301001.930 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 01 de março de 2016 Matéria IRPJ e OUTROS Recorrente ASPEN DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA e OUTROS Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Exercício: 2008 CONTACORRENTE EM NOME DE INTERPOSTA PESSOA. TITULARIDADE DE FATO. PROVA. Comprovado pelo Fisco, mediante amplo procedimento de circularização de informações, que a pessoa jurídica, formalmente titular da contacorrente bancária investigada, era fictícia e inexistente de fato; e que os recursos movimentados nessa contacorrente foram empregados para satisfazer as atividades operacionais de terceiro, correta a atribuição de titular, de fato, a essa terceiro. OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. PROCEDÊNCIA. Caracterizam omissão de receita os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular de fato, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, coincidente em datas e valores, a origem dos recursos utilizados nessas operações. MULTA QUALIFICADA. PROCEDÊNCIA. Correta a aplicação da multa qualificada de 150%, ao restar comprovada nos autos a conduta da recorrente de engendrar e participar ativamente de todo um esquema de sonegação fraudulenta, inclusive mediante o uso de conta corrente bancária cuja titularidade formal era de pessoa jurídica fictícia e inexistente de fato, para ocultar da autoridade fazendária os vultosos recursos financeiros ali movimentados e, desta forma, também os fatos geradores tributários. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Exercício: 2008 AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 75 25 /2 01 2- 19 Fl. 1520DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.521 2 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA. RECURSO INTERPOSTO PELO CONTRIBUINTE EM FAVOR DO RESPONSÁVEL. FALTA DE INTERESSE DE AGIR E DE LEGITIMIDADE DE PARTE. A pessoa jurídica, apontada no lançamento na qualidade de contribuinte, não possui interesse de agir nem legitimidade de parte para questionar a responsabilidade tributária solidária atribuída pelo Fisco a pessoas físicas. A falta de interesse de agir se evidencia porque, qualquer que fosse a decisão a ser tomada acerca dessa matéria, inexiste dano ou risco de dano aos interesses da pessoa jurídica. E, por não ter direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada quanto a esse ponto, não se qualifica como parte legítima, não podendo pleitear direito alheio em nome próprio. Não se há, portanto, de conhecer desse pedido. DECADÊNCIA. TERMO INICIAL. CONDUTA DOLOSA. USO DE INTERPOSTA PESSOA. APLICABILIDADE DO ART. 173, I, DO CTN. DECISÃO DO STJ NO REGIME DO ART. 543C DO CPC. APLICABILIDADE DO ART. 62, § 2º, DO RICARF. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito. Decisão do Superior Tribunal de Justiça no REsp nº 973.733, no regime do art. 543C do CPC. Aplicabilidade do art. 62, § 2º, do Regimento Interno do CARF. No caso vertente, a conduta dolosa, comprovada nos autos, conduz à aplicação do art. 173, I, do CTN, com o que se constata que os lançamentos não foram alcançados pela decadência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso interposto pelo responsável tributário Sr. José Roberto Monte, não conhecer dos argumentos e do pedido trazidos pela recorrente Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., acerca da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. José Roberto Monte e, no mais, negar provimento ao recurso voluntário interposto por Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. (assinado digitalmente) Wilson Fernandes Guimarães Presidente (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Relator Fl. 1521DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.522 3 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Waldir Veiga Rocha, Hélio Eduardo de Paiva Araújo, Paulo Jakson da Silva Lucas, Gilberto Baptista e Wilson Fernandes Guimarães. Relatório ASPEN DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA (contribuinte); JOSÉ ROBERTO MONTE e BALTAZAR BORGES FIUZA FILHO (responsáveis tributários), já qualificados nestes autos, inconformados com o Acórdão n° 0540.833, de 18/06/2013, da 4ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Campinas/SP, recorrem voluntariamente a este Colegiado, objetivando a reforma do referido julgado. Cuida o presente processo de autos de infração para constituição de créditos tributários de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ, fl. 5), Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL, fl. 21), Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (COFINS, fl. 39) e Contribuição para o Programa de Integração Social (PIS, fl. 33), por fatos geradores ocorridos no anocalendário 2007. O total da exação alcançou R$ 27.028.480,81, conforme demonstrativo à fl. 4, aí incluídos multa de ofício de 150% e juros moratórios calculados até a data do lançamento. Os procedimentos e conclusões da fiscalização, bem assim as infrações apuradas, se encontram minuciosamente descritas no Relatório Fiscal (fls. 45/69), a seguir transcrito parcialmente (conforme consta também do relatório elaborado por ocasião do julgamento do processo em primeira instância). 1. Tratase de Relatório Fiscal, parte integrante e indissociável dos Autos de Infração de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ), (...), relativos ao ano calendário 2007, lavrados em face da pessoa jurídica Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., CNPJ: 01.382.912/000138, doravante denominada ASPEN, sendo responsáveis tributários as pessoas físicas José Roberto Monte (...), e Baltazar Borges Fiúza Filho, (...). 2. A fiscalização iniciouse junto à pessoa jurídica Campineira Rádio Táxi Serviços Ltda, CNPJ: 05.942.639/000100, doravante denominada CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI SERVIÇOS DE TRANSPORTES LTDA., na qual constatouse que tratase de empresa constituída com a finalidade de abrigar e ocultar recursos financeiros de propriedade da empresa ASPEN, conforme será detalhado no presente relatório. I Da Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. 3. A Aspen (...) é uma sociedade empresária ltda, com sede na Av. Cardoso de Melo, nº 1.470, 8º andar, conj. 803, Vila Olímpia, São Paulo –SP. O quadro societário é composto desde 26/09/2006 pelo Sr. José Roberto Monte, CPF (...), com atual participação de R$ 990.000,00 no capital social, e pela pessoa jurídica GRANADA PETROLEUM LCC, sediada no exterior, na Silverside Road, conjunto 100,Wilmington, Delaware, DE19809, EUA, com participação de R$ 10.000,00, representada no Brasil pelo próprio José Roberto Monte. Fl. 1522DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.523 4 4. A ASPEN tem como objetivo social o comércio atacadista de álcool carburante, biodiesel, gasolina e demais derivados de petróleo, exceto lubrificantes, não realizado por transportador retalhista (TRR). 5. A ASPEN declarou no anocalendário de 2007, conforme DIPJ 2008, Receita Líquida de R$ 114.503.577,24, e apurou Lucro Real de R$ 68.250,40 no 1º trimestre de 2007; R$ 70.125,05 no 2º trimestre de 2007; R$ 72.125,20 no 3º trimestre de 2007 e R$ 74.124,31 no 4º trimestre de 2007. 6. a ASPEN possui atualmente 4 filiais localizadas em PaulíniaSP, Cuiabá MT, GuarulhosSP e AssisSP, conforme Contrato Social consolidado pela 54ª alteração. II Da Campineiro Radio Táxi Serviços de Transporte Ltda 7. A CAMPINEIRA RADIO TÁXI foi constituída em 15/09/2003 como sociedade empresária limitada pelos sócios Baltazar Borges Fiúza Filho, CPF (...) e Pablo Luz Lima, (...), tendo como objetivo social, conforme cláusula IV do contrato social, “prestação de serviços na área de transporte rodoviário de passageiros e encomendas”, com capital social de R$ 30.000,00. 8. Em 27/01/2005 o sócio Pablo Luiz Lima retirouse da sociedade cedendo a título gratuito a totalidade de suas quotas (R$ 15.000,00) ao sócio Baltazar Filho, o qual permaneceu como único sócio até o término da sociedade em 28/06/2006, conforme Distrato Social registrado (...) em 09/11/2007. 9. A CAMPINEIRA RADIO TÁXI entregou declarações de imposto de renda relativas aos anoscalendário 2003 a 2007, na forma do lucro presumido, totalmente “zerada” (receita bruta igual a zero em todos os meses). Para o anocalendário 2008 foi entregue declaração como inativa. Não obstante, movimentou a vultosa quantia de R$ 23.641.554,62 em sua conta bancária no anocalendário 2007. III – Da Fiscalização na Campineira Radio Táxi 10. A fiscalização na Campineira Radio Táxi iniciouse em 05/04/2010 pela Auditora Fiscal da RFB Márcia Schiavetti Bortolai, sob o Mandado de Procedimento Fiscal (MPF) nº 08.1.04.002010002910, ocasião em que fora constatado que a empresa Campineira Rádio Táxi nunca operou no endereço constante em seu Contrato Social e informado à Receita Federal com domicílio fiscal, conforme Termo de Constatação nº 01. 11. Diante da não localização do endereço, foi dada ciência dos Termos de Início de Ação Fiscal e do Termo de Constatação n° 01 através da publicação do Edital/SEFIS/108/2010 em 05/04/2010. 12. Por meio do Termo de Início de Ação Fiscal a Campineira Rádio Táxi foi intimada a apresentar os livros contábeis e os extratos bancários relativos à movimentação financeira no Banco Bradesco S.A. no montante de R$ 23.641.554,62. 13. Em 16/06/2010 foi publicado o Edital/SEFIS/197/2010 para cientificar a Campineira Rádio Táxi do Termo de Intimação n° 02, através do qual foi reintimada a apresentar os elementos inicialmente solicitados e comunicada de que o responsável pela fiscalização passara a ser o AuditorFiscal Humberto Melo Patrocínio. Fl. 1523DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.524 5 14. O Termo de Intimação n° 03 foi encaminhado ao endereço constante no cadastro CPF do sócio Baltazar Borges Fiúza Filho, R. Uruana, 282, Jd. Planalto, PaulíniaSP, porém foi devolvido pelos Correios com o motivo "mudouse". O Termo de Intimação n° 05, após correção do endereço constante do Termo de Intimação n° 04, foi encaminhado ao endereço do outro sócio, Pablo Luz Lima, Av. João Vieira, 1441, Bela Vista, PaulíniaSP, porém também foi devolvido pelos Correios, com o motivo "desconhecido". 15. Em 03/08/2010 foi publicado edital (Edital/SEFIS/266/2010) reintimando novamente a fiscalizada (Termo de Intimação n° 06). 16. Em razão da não localização da empresa, nem de seus sócios, a Campineira Radio Táxi foi declarada INAPTA com a publicação no D.O.U. em 06/09/2010 do Ato Declaratório Executivo n° 29/2010 (processo administrativo n° 10830.009752/201005). 17. Em 10/09/2010 foi expedida Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) ao Banco Bradesco S.A., com fundamento no art. 4º , § 6º, do Decreto n° 3.724/2001, solicitando cópia dos extratos bancários, ficha cadastral e instrumento de procuração relativos à Campineira Rádio Táxi. 18. Enquanto se aguardava a entrega dos documentos requisitados à instituição financeira e, posteriormente, eram analisados tais documentos, foram publicados os Editais/SEFIS n°s 324/2010 (20/09/210), 391/2010 (10/11/2010) e 28/2011 (05/01/2011), para ciência, respectivamente, dos Termos de Continuidade do Procedimento Fiscal n°s 07, 08 e 09. 19. De acordo com o Bradesco S.A. não há procuração outorgada pela Campineira Rádio Táxi. 20. Com base no indício de interposição de pessoas, previsto no art. 3º, inciso XI do Decreto 3.724/2001 foram solicitadas ao Banco Bradesco S.A., por meio das Requisições de Informações sobre Movimentação Financeira (RMF) expedidas em 03/02/2011, 10/07/2012 e 03/10/2012, cópias dos documentos de débito e crédito, selecionados por amostragem, com o intuito de identificar o titular de fato da movimentação financeira. 21. Em 25/02/2011 foi publicado o Edital/SEFIS/97/2011 dando ciência do Termo de Intimação n° 10, através do qual intimouse a Campineira Rádio Táxi a comprovar, por meio de documentação hábil e idônea, a origem dos recursos correspondentes aos lançamentos de créditos individualmente relacionados no anexo ao termo. 22. Enquanto se realizavam investigações para identificação do real titular da movimentação financeira foram publicados os Editais/SEFIS n°s 165/2011 (13/04/2011), 241/2011 (07/06/2011), 306/2011 (28/07/2011), 372/2011 (14/09/2011), 437/2011 (09/11/2011), 003/2012 (04/01/2012), 048/2012 (01/03/2012), 098/2012 (27/04/2012), 142/2012 (22/06/2012), 173/2012 (17/08/2012) e 208/2012 (11/10/2012) para ciência, respectivamente, dos Termos de Reintimação n°s 11, 12, 13, 14, 15 e 16 e Termos de Continuidade do Procedimento Fiscal n°s 17, 18, 19, 20 e 21. IV Dos Elementos Probatórios da Interposição Fraudulenta de Pessoa Fl. 1524DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.525 6 23. Neste item detalharemos os elementos coligidos no curso da ação fiscal que levam a conclusão de que a Campineira Radio Táxi foi constituída para ocultar o titular de fato da movimentação financeira. 24. Preliminarmente, cabe destacar que Baltazar Borges Fiúza Filho não tinha capacidade econômica compatível para a condição de sócioadministrador de uma empresa com movimentação financeira de R$ 23 milhões em 2007, pois possuía como únicos bens, de acordo com sua declaração de imposto de renda do ano calendário 2007, quotas de sociedades e um veículo da marca Fiat modelo Palio financiado em 60 parcelas. 25. A CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI não fora constituída para a prestação de serviços de transportes, haja vista que uma empresa atuante neste ramo com movimentação financeira no montante de R$ 23 milhões de reais certamente seria proprietária de uma frota de veículos, bem como necessitaria de uma estrutura para gerenciála, ao contrário da constatação de sequer ter funcionado no endereço constante dos seus atos constitutivos, conforme Termo de Constatação n° 02. 26. Como serão adiante detalhados, os elementos revelados no curso da ação fiscal, através de informações prestadas por terceiros, análise do fluxo dos recursos financeiros e outros dados coletados, indicam que a empresa Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda, CNPJ: 01.382.912/000138 era a titular de fato da movimentação financeira ocorrida na conta bancária da Campineira Rádio Táxi. IV. 1 Das Informações Prestadas por Terceiros 27. A partir da cópia dos documentos de crédito e débito referentes ao extrato bancário da Campineira Rádio Táxi foram realizadas diligências com o objetivo de identificar o responsável de fato pelos recursos movimentados pela Campineira. Vejamos as informações prestadas pelo diligenciados: 28. Intimada a justificar o recebimento de R$ 70.000,00 da Campineira Radio Táxi, via TED em 19/06/2007, a empresa Univen Refinaria de Petróleo Ltda respondeu o seguinte: "(...)A Univen, há vários anos, tem dentro de seu rol de clientes de produtos derivados de petróleo, as empresas Monte Cabral Distribuidora de Combustíveis Ltda., CNPJ 04.138.529/000127 e Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda CNPJ 01.382.912/000138, o que comprovamos, neste momento, apresentando a titulo de exemplo, cópia de NFs de Venda para a Aspen e os devidos lançamentos das mesmas na contabilidade da nossa empresa (Doc.1). Esclarecemos que, como este é um mercado em que, de regra geral, os pagamentos são antecipados ou à vista, sendo neste último caso, normalmente antes da efetiva saída do produto da refinaria, tal procedimento era, à época, o caso de nossa política de vendas e de recebimentos para as empresa Monte Cabral e Aspen, comercialmente, um cliente conjunto/único. Deste modo, esclarecemos que a forma de operacionalidade, é a de receber o pagamento antecipado a título de adiantamento, e à medida que os produtos forem sendo entregues, baixase tal montante do referido adiantamento do cliente (Does. 2, 2.1 e 1). Fl. 1525DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.526 7 No caso questionado por V.sa., constante do Termo de Intimação Fiscal, "1) Que tipo de negócio justificou tal operação financeira?", esclarecemos que os depósitos feitos por nossos clientes, são registrados em nossa contabilidade como Adiantamento de Clientes, assim como esclarecido acima. No caso específico, a importância de R$ 70.000,00, proveniente de depósito em nossa conta bancária, por Campineira Rádio Táxi Serviços de Transporte Ltda, CNPJ 05.942.639/000100, foi proveniente de pagamento por fornecimento de produtos derivados de petróleo, produzidos por nossa refinariaUniven, por conta e ordem de nossos clientes, Aspen e Monte Cabral. Portanto, esclarecemos em tempo, que não temos quaisquer relacionamentos comerciais com a empresa Campineira Rádio Táxi, citada em vosso Termo. Apresentamos neste momento, os registros contábeis, fiscais e bancários do referido depósito por nós recebido em nome destes nossos clientes, para se comprovar os fatos que descrevemos (Doe. 2 e 2.1).(...)" (grifo nosso) 29. Intimada a justificar o pagamento feito por sua incorporada Polipetro Distribuidora de Combustíveis Ltda, CNPJ: 00.377.115/000108 à Campineira Radio Táxi, via TED em 27/07/2007, no valor de R$ 333.000,00, a empresa Alesat Combustíveis S.A., CNPJ: 23.314.594/000100, respondeu: "(...) 1) Que tipo de negócio justificou tal operação financeira? Resposta: A ALESAT (Polipetro) esclarece que não realizou nenhuma operação direta com a empresa Campineira Rádio Táxi Serviços. O depósito em questão decorre da compra de Gasolina A da empresa UNIVEN Petroquímica Ltda, CNPJ n° 67.276.923/000494, localizada na Rua João Batista Pessini, 399, Bairro da Chave, Itupeva/SP, conforme Notas Fiscais n°s 049450, 049451 e 049452 (documento 2), que totalizam um montante de R$ 333.000,00. No momento da realização do pagamento, a credora UNIVEN autorizou a ALESAT (POLIPETRO) a realizar o depósito por sua conta e ordem na conta corrente da Campineira Radio Táxi Serviços de Transportes Ltda., conforme pode ser comprovado pelos registros contábeis e documentos anexos (documento 3). 2) Apresentar cópia de documentos hábeis comprobatórios da ocorrência do negócio (exemplo: notas fiscais, contratos, conhecimentos de transporte, etc.)? Resposta: apresentamos as Notas Fiscais da UNIVEN (documento 2) que originaram o pagamento por conta e ordem, bem como cópia da solicitação realizada ao financeiro da ALESAT (POLIPETRO) pela empresa, VIBRAPAR Participações Ltda. (empresa holding controladora da UNIVEN) para realização de depósito para Campineira Rádio Táxi Serviços de Transportes Ltda, bem como o comprovante de depósito da operação (documento 4). (...)" (g.n.) 30. Diante da resposta da empresa Alesat intimamos a empresa Univen que justificou: Fl. 1526DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.527 8 "(...) No caso questionado por V.sa., constante do Termo de Intimação Fiscal, "1) Qual a relação da intimada com a empresa Campineira Rádio Táxi Serviços de Transporte Ltda CNPJ: 05.942.639/000100?", esclarecemos que não tínhamos e não temos quaisquer relacionamentos comerciais com tal empresa. Em relação ao questionado no item "2) Qual a razão do referido pagamento ter sido recebido através da empresa Campineira Rádio Táxi Serviços de Transporte Ltda.?", esclarecemos que referese a devolução de valores antecipados por nossos clientes Monte Cabral e Aspen, devido à não possibilidade de entrega de produtos por estes encomendados, sendo tal devolução efetuada por indicação dos mesmos. (...)" (g.n.) 31. Intimada a justificar a remessa de R$ 47.790,00 à Campineira, via TED em 30/07/2007, a empresa Posto de Serviços Jotas Ltda, CNPJ: 03.117.624/000181, esclareceu: "(...) 1. A operação em referência está devidamente contabilizada no Registro de Entrada n° 00100 (Doc. 01), no qual destacase as seguintes Notas Fiscais: I. NF 111369, de 08/08/2007, no valor de R$ 29.599,50; II. NF 111370, de 08/08/2007, no valor de R$ 8.133,00; III. NF 111371, de 08/08/2007, no valor de R$ 9.866,50. 2. Ressaltese, nesse aspecto, que as notas fiscais são datadas de 08/08/2007, pois no âmbito do mercado livre de combustíveis o pagamento tem que ser realizado na ocasião da realização do pedido, para a subsequente entrega do combustível efetivamente pago dentro dos seguintes 10 dias após a confirmação do recebimento do pagamento por parte do vendedor. 3. Assim sendo, e tendo em vista a coleta de informações necessárias, em resposta ao quesito n° 1, cumpre explicar que o negócio jurídico que justificou a operação financeira acima descrita foi de compra e venda de combustível derivado de petróleo, combustível esse comprado da ASPEN DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA e que foi pago à EMPRESA CAMPINEIRA por solicitação da própria ASPEN. 4. Já em atendimento ao ponto n° 2, juntase cópia de folha nº 00100 do Livro de Registro de Entradas n° 07,de 2007, onde encontramse registradas as Notas Fiscais n° 111369, 111370 e 111371 que lastreiam a operação. 5. Não obstante, caso seja necessária a apresentação de cópia autenticada dessas notas fiscais, requerse desde já prazo suplementar de dez dias para juntada, uma vez que tais documentos precisarão ser buscados no arquivo morto da empresa.. 6. Por último, em resposta ao quesito n° 3, esclarece que o contato com a empresa ASPEN, a revendedora dos combustíveis comprados por meio da transferência bancária realizada em Fl. 1527DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.528 9 30/07/2011, foi sempre realizado pelo telefone (19)78022752, diretamente com o Sr. Volnei, gerente da área comercial da Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., CNPJ n° 01.382.912/000219, com endereço na Av. Estocolmo, n" 1438, sala 6 Cascata Paulínia SP, CEP: 13140000, telefone (19) 21029680. 7. Esclarece, também, que o pagamento foi realizado à Campineira Rádio Táxi Serviços de Transporte Ltda. por ordem da própria Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., com quem a Posto de Serviços Jotas Ltda. efetivamente realizou a referida compra de combustíveis, sendo certo que na ocasião a ASPEN informou que a CAMPINEIRA seria uma empresa com a qual mantinha relações negociais."(g.n.) 32. Intimada a esclarecer o recebimento de R$ 12.824,00 da Campineira Rádio Táxi, via TED em 25/01/2007, a Sra. Leila Sandra de Jesus Simone justificou: "LEILA SANDRA DE JESUS SIMONE, brasileira, "do lar", portadora da Cédula de Identidade (RG) 20.941.7493 e inscrita no CPF/MF sob o nº 173.823.48865, casada com CARLOS SIMONE, brasileiro, casado, "comerciante", portador da Cédula de Identidade (RG) n° 16.985.7588 e inscrito no CPF/MF sob o n° 104.960.05847, ambos residentes e domiciliados à Rua Jose Bonifácio, n° 346, na cidade de AguaíSP, vem respeitosamente, a fim de ser apreciado, expor o que segue: 1 Na data do ocorrido, em meados de janeiro de 2007, o relatante exercia a função de "vendedor de óleo lubrificante usado". 2 Casado com Leila Sandra de Jesus Simone, ele freqüentemente movimentava a conta bancária que esta em nome da sua esposa, sob o n° 4984243, agência 320, Banco Unibanco, efetuando transações, pagamentos, transferências, inclusive utilizandoa para o recebimento dos pagamentos dos produtos que na época comercializava. 3 O mesmo vendia "óleo lubrificante usado" de uma empresa chamada "Aspen Distribuidora", onde recebia comissões de suas vendas, o qual tinha como intermediário o Sr. Moacir Capucci, atualmente com qualificação e paradeiro totalmente desconhecido. 4 Conforme segue em anexo, o extrato comprovando as transações efetuadas para a conta bancaria de Leila Sandra de Jesus Simone, mais especificamente a de n° 3293740, no valor de R$12.824,00 (Doze Mil, Oitocentos e Vinte e quatro Reais), transferida de "Campineira radio taxi", é pagamento de produto negociado entre as partes, ou seja, entre Carlos e Moacir. 5 Alguns pagamentos foram efetuados pelo Sr. Moacir nesta conta bancaria, e conforme pode verificar no anexo, remetidas ora pela empresa denominada "Aspen distribuidora" e numa única oportunidade pela empresa "Campineira radio taxi". Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.529 10 6 Porém o relatante, jamais teve algum contato ou negócio com a empresa denominada "campineira radio taxi", inclusive desconhece seu ramo de atividades comerciais, pois seu único contato era feito com o Sr. Moacir Capucci. 7 Passados alguns anos, a relação comercial entre as partes foi encerrada, e o relatante nunca mais teve contato com seu ex cliente."(g.n.). IV.2 Da análise do fluxo financeiro da conta bancária 33. Além das informações prestadas por terceiros, de que os recursos movimentados na conta bancária da CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI eram recebimentos e pagamentos realizados pela ASPEN, constam na referida conta bancária diversos créditos e débitos a ela vinculados, vejamos: 34. A ASPEN efetuou diversas remessas de valores para a conta bancária da CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI através de transferências eletrônicas totalizando o montante de R$ 3.268.427,43, conforme tabela a seguir: [Demonstrativo de fls. 54/55] 35. Em resposta ao Termo de Intimação no qual questionouse sobre as razões da remessa do montante de R$ 474.447,43 (09/01/2007 R$ 122.450,00; 22/01/2007 R$ 11.000,00; 27/04/2007 R$ 289.997,43 e 15/05/2007 R$ 51.000,00) para a CAMPINEIRA RADIO TÁXI, a ASPEN justificou: "Prezado Sr. Auditor. Considerando intimação recebida na data de 20/08/2011, visando a coleta de informações e documentos a respeito de hipotético negócio jurídico realizado em 2007 entre a peticionária e a sociedade empresaria Campineira Radio Táxi Serviços de Transportes Ltda; Considerando que a empresa Campineira Radio Táxi Serviços de Transportes Ltda e a empresa Tupi Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda possuem em seu quadro societário o mesmo sócio Sr. Baltazar Borges Fiúza Filho; Serve a presente para informar que as operações financeiras do período em questão referemse à transação comercial realizada entre a contribuinte e a empresa Tupi Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda. Assim, por orientação e solicitação do sócio proprietário Sr. Baltazar Borges Fiúza Filho, os pagamentos para quitação dos combustíveis adquiridos pela contribuinte foram realizados na conta corrente da Campineira Radio Táxi. Por fim, visando atender a o que determina a notificação, apresentamos neste momento as notas fiscais de aquisição de combustível abaixo relacionadas: [Demonstrativo de fl. 55] 36. Posteriormente, conforme Termo lavrado em 26/07/2012, a empresa Aspen foi intimada a esclarecer a remessa do restante, no montante de R$ Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.530 11 2.793.980,00. Em resposta datada de 24/09/2012 alegou que os recursos são referentes ao contrato de mútuo celebrado com a CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI, vejamos: "No tocante às informações e documentos solicitados no termo de intimação MPF 08104002012005445 referente às operações que originaram a remessa de recursos à empresa Campineira Rádio Táxi Serviços de Transportes no ano de 2007 esclarecemos que tais remessas referemse a empréstimo realizado para subsidiar os investimentos financeiros da empresa Campineira Rádio Táxi Serviços de Transportes na expansão de seus negócios, assim como, na sua área de atuação, conforme contrato de mútuo em anexo. Informamos ainda, que tal empréstimo realizado, no decorrer de 2007, teve como único objetivo estreitar o relacionamento comercial para garantia do direito de preferência quanto ao fornecimento dos combustíveis comercializados pela ora notificada (...)". (g.n.) 37. Em 04/10/2012 foi lavrado Termo de Intimação através do qual a ASPEN foi intimada a apresentar a via original do contrato de mútuo, bem como esclarecer de que forma o empréstimo fora liquidado, haja vista a previsão contratual de que a Campineira deveria quitalo até 31/12/2007. No entanto, a ASPEN não atendeu a intimação e não apresentou qualquer documento comprobatório de que o empréstimo fora quitado pela CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI. 38. Como é possível uma pessoa jurídica emprestar mais de R$ 3 milhões a outra que não tenha uma sede, um local de funcionamento ou qualquer indício de atividade, com a expectativa de recebelos acrescidos em 10% num prazo de 12 meses, sem qualquer garantia? E mais, vencido o prazo para quitação do empréstimo, não proceder a sua cobrança, seja administrativa ou judicialmente? Resta claro, que se trata de um contrato de mútuo fictício, confeccionado com o intuito de dissimular o verdadeiro motivo da remessa de quantia tão expressiva para uma empresa inoperante, qual seja, a existência de uma conta bancária mantida de forma oculta, através de interposta pessoa. 39. Verificouse ainda, por amostragem, a emissão pela CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI de diversos cheques nominais à ASPEN, totalizando R$ 979.500,00, a seguir relacionados. É de se estranhar que tais valores não tenham sido relacionados pela ASPEN como sendo pagamentos de parte do empréstimo concedido à CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI. [Demonstrativo de fl. 56] 40. Há uma transferência bancária no valor de R$ 160.650,00 em 31/01/2007 da CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI para a Destilaria Nova Era, CNPJ: 07.736.245/000120, que tem como sócio o Sr. José Roberto Monte (mesmo sócio da empresa Aspen), a qual justificou tratarse do recebimento pela venda de dois equipamentos industriais à Campineira, entre os quais uma "Bomba Centrífuga de Alta Pressão". No entanto, da análise detida do extrato bancário da CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI constatase inverídica tal versão, pois no dia anterior (30/01/2007) foi creditada exatamente a mesma quantia (R$ 160.650,00) pela empresa ASPEN. Isto é, tal quantia foi transferida entre empresas do Sr. José Roberto Monte passando pela Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.531 12 conta da CAMPINEIRA RADIO TÁXI. Ademais, não houve apresentação de qualquer documento comprobatório de que tal operação comercial tenha ocorrido. 41. Constatouse ainda, por amostragem, a emissão pela CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI de cheques a JR Investimentos, Participações e AgroNegócios Ltda, CNPJ: 07.245.496/000102, empresa controlada por José Roberto Monte, em 5 oportunidades, totalizando R$ 79.056,55, conforme relação abaixo: [Demonstrativo de fl. 57] IV.3 Demais Elementos que vinculam a ASPEN à CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI IV.3.a Dos vínculos entre José Roberto Monte e Baltazar Borges Fiúza Filho 42. Em diligência no município de PaulíniaSP obtevese a informação com a vizinhança de que o Sr. Baltazar Borges Fiúza Filho de fato residiu no endereço constante do cadastro CPF, R. Uruana, 282 Jd. Planalto, e que o imóvel teria sido alugado através da imobiliária Hermes localizada no centro daquele município. 43. Formalmente intimada, a imobiliária Hermes Administração de Bens Imóveis Ltda, CNPJ: 02.128.695/000107, forneceu os documentos relacionados às locações contratadas pelo Sr. Baltazar, dos quais constatase que: • O Sr. Baltazar alugou dois imóveis através da imobiliária Hermes. O primeiro localizado na R. Uruana, 282 Jd. Planalto Paulínia SP , no período de 01/10/2002 a 01/09/2007 e o segundo na R. Regina Basseto Bordginon, 584 São José Paulínia/SP no período de 07/02/2007 a 23/08/2011; • Em ambos os contratos de locação, o Sr. Baltazar teve como seu fiador o Sr. José Roberto Monte. 44. Ressaltese que o imóvel localizado na R. Uruana, residência de Baltazar em 2007 é uma construções modesta, corroborando com a constatação de que ele não possuía capacidade econômica compatível com um sócioadministrador de empresa de vultosa movimentação financeira. 45. José Roberto Monte não apenas foi o fiador de Baltazar Borges Fiúza Filho, em duas oportunidades, como também declarou ter emprestado a quantia expressiva de R$ 195.000,00 em 2007, mediante emissão de nota promissória com vencimento em 12/2008, conforme DIRPF 2008. Consta inclusive na última declaração de ambos (DIRPF 2012) o referido empréstimo. 46. Em 20/03/2007, em entrevista pessoal à Secretaria da Fazenda do Estado de São Paulo, relacionada ao processo de recadastramento da inscrição estadual da empresa Tupi Distribuidora de Combustíveis Ltda (1000035¬ 747565/2006), Baltazar Borges Fiúza Filho declarou, na condição de sócio desta empresa, que conheceu José Roberto Monte em Goiânia, aproximadamente em 1990, enquanto prestava serviços em sua oficina mecânica para o mesmo. Afirmou ainda, que José Roberto Monte, como dono da empresa ASPEN convidouo para vir trabalhar em São Paulo, não necessariamente com ele. 47. Importante destacar que Baltazar Borges Fiúza Filho figurou no quadro societário da ASPEN por menos de três meses, entre 26/02/2002 e 20/05/2002, período em que José Roberto Monte curiosamente ausentouse do quadro societário. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.532 13 IV.3.b Dos vínculos entre funcionários da ASPEN e a CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI 48. Cirele Amorim, CPF:288.707.44825, funcionária da ASPEN desde 01/09/2001, conforme Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), assinou como testemunha no Instrumento de Contrato Social datado de 15/09/2003 e no Instrumento de 2a Alteração do Contrato Social datado de 27/01/2005, ambos da CAMPINEIRA RADIO TÁXI. 49. Quando da rescisão do contrato de locação do imóvel situado na R. Regina Basseto Bordginon, as chaves da residência foram devolvidas à imobiliária por Marcos Eduardo Bossolan e deixado como contato o nome de Cirele Amorim, conforme "Termo de Entrega de Chaves Rescisão Contratual". 50. Marcos Eduardo Bossolan, CPF: 175.899.44874, funcionário da ASPEN desde 01/08/2005, conforme Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS), aparece ainda como destinatário de 9 (nove) cheques nominais emitidos pela CAMPINEIRA RADIO TÁXI (selecionados por amostragem), no montante de R$ 38.713,00, a seguir relacionados: [Demonstrativo de fl. 59] IV.3.c Do Rastreamento das Declarações transmitidas à RFB 51. Analisandose os dados relativos à transmissão das declarações à Receita Federal do Brasil da CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI e da ASPEN Distribuidora de Combustíveis Ltda, verificase que, embora já tivesse sido protocolado o Distrato Social junto a JUCESP, a Campineira Radio Táxi e a ASPEN transmitiram diversas declarações à Receita Federal em mesma data e exatamente do mesmo computador, haja vista a semelhança do Mac Adress, vejamos: [Demonstrativo de fl. 60] 52. Constatouse também que as declarações de imposto de renda da pessoa física, referentes aos anoscalendário 2010 e 2011, dos Srs. Baltazar Borges Fiúza Filho e José Roberto Monte, sóciosadministradores, respectivamente, da Campineira Radio Táxi e da Aspen, foram transmitidas à Receita Federal pelo mesmo computador: [Demonstrativo de fl. 60] 53. Portanto, constatase dos elementos acima expostos que: 54. Em 2007, Baltazar Borges Fiúza Filho residia em uma moradia simples alugada; possuía um veículo "popular", Fiat Palio financiado em 60 parcelas. Não possuía, portanto, tanto, capacidade econômica característica de um sócio administrador de uma empresa com movimento anual superior à R$ 20 milhões. 55. Baltazar Filho gozava de grande confiança do Sr. José Roberto Monte, proprietário da Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda (importante distribuidora de combustíveis com faturamento declarado superior a R$ 100 milhões em 2007), pois o teve como seu fiador em contrato de locação, pelo menos em duas oportunidades. Ademais, recebera em 2007 empréstimo pessoal de José Roberto Monte da vultosa quantia de R$195.000,00, mediante assinatura de nota promissória, ainda pendente de pagamento, segundo informações das Declarações de Imposto de Renda de ambos. Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.533 14 56. A Campineira Radio Táxi foi constituída em 2003, tendo com um dos sócios Baltazar Borges Fiúza Filho e como testemunha em seu Contrato Social a funcionária da ASPEN Cirele Amorim. Como a Campineira seria apenas uma empresa fictícia, o local escolhido para sediála foi o endereço de lotes de difícil identificação e sem qualquer edificação. 57. Montouse assim, um esquema com interposição fraudulenta de pessoa com o intuito de ocultar a propriedade de milhões de reais, o qual só foi possível de ser revelada após complexa investigação. 58. José Roberto Monte utilizou a fictícia CAMPINEIRA RADIO TÁXI para efetuar pagamentos de fornecedores, funcionários, prestador de serviço e recebimentos de valores relacionados à comercialização de combustíveis pela sua empresa ASPEN DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS. Além disso, efetuou transferências da conta bancária mantida de forma oculta para a JR Investimentos, Holding por controlada por ele. 59. Após grande movimentação financeira de janeiro a outubro de 2007 foi protocolado em 09/11/2007 o Distrato Social da Campineira Radio Táxi com data de 28/06/2006, o que sugere a intenção de despistar ou não revelar através deste instrumento contratual, a existência de intensa atividade financeira em 2007. 60. Diante da utilização fraudulenta da conta bancária da Campineira Rádio Táxi pela empresa Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., esta sob o comando do sócio José Roberto Monte, não é de se estranhar que diversas declarações fiscais destas pessoas jurídicas tenham sido transmitidas à Receita Federal pelo mesmo computador, assim como as declarações pessoais de imposto de renda de José Roberto Monte e Baltazar Borges Fiúza Filho. 61. Face ao exposto, resta esclarecido que a titularidade de fato da conta bancária aberta no Banco Bradesco S.A., agência 3182, conta corrente 51771 2, em nome da Campineira Rádio Táxi Serviços de Transportes Ltda pertence à ASPEN DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS f LTDA. V Da Fiscalização da ASPEN Distribuidora de Combustíveis Ltda. 62. Diante da constatação de que a ASPEN é a titular de fato da movimentação financeira ocorrida no Banco Bradesco S.A., este Auditor Fiscal da Receita Federal foi incluído no MPF – 08190002010038247, procedendose à intimação da ASPEN para comprovar a origem dos créditos na conta bancária em questão, conforme relação individualizada dos créditos em planilha anexa ao Termo de Início, Constatação e Intimação lavrado em 01/11/2012, cuja ciência foi dada por via postal em 06/12/2012. 63. Para estrita observância dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório foram encaminhados anexos ao Termo de Início, Constatação e Intimação cópia integral do extrato bancário da conta mantida em nome da Campineira Rádio Táxi e as respostas de terceiros aos questionamentos feitos por esta fiscalização federal, caracterizadores da titularidade de fato pela ASPEN. 64. Passado o prazo estipulado para os esclarecimentos, a ASPEN protocolizou resposta em 26/11/2012, assinada por José Roberto Monte, na qual nega a titularidade da conta, vejamos: "(...)Considerando se tratar de conta jurídica, extrato bancário e movimentações financeiras cuja titularidade referese à Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.534 15 Campineira Radio Táxi Serviços de Transportes Ltda e não à ora intimada Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda; Considerando ainda se tratar de quebra de sigilo bancário de terceiro e envio de informações financeiras para conferência e esclarecimentos; Serve a presente para solicitar prazo adicional de 30 dias, uma vez que estaremos consultando nosso departamento jurídico para levantamento das informações e cumprimento da referida notificação. (...)" (g.n.) VI – DA SUJEIÇÃO PASSIVA 65. O Código Tributário Nacional (CTN), Lei n° 5.172, de 25 de outubro de 1966, define no art. 121 o sujeito passivo da obrigação tributária: (...) 66. Identificada como titular de fato da conta bancária mantida no Banco Bradesco S.A. em nome da Campineira Radio Táxi, pelos motivos já detalhadamente expostos, a empresa ASPEN DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA assume a condição de CONTRIBUINTE por ter relação econômica com os fatos jurídicos tributários relacionados à movimentação financeira e, portanto, relação pessoal e direta com as situações que constituem fatos geradores das obrigações tributárias, nos termos do diploma legal. VI. 1 Da Responsabilidade Solidária de José Roberto Monte 67. JOSÉ ROBERTO MONTE, CPF: 034.186.97674, na condição de sócio administrador da ASPEN Distribuidora de Combustíveis Ltda, agiu com infração a legislação tributária, pois, ao utilizarse de esquema fraudulento de interposição de pessoa, modificou um dos aspectos da obrigação tributária, qual seja, o aspecto pessoal relativo ao sujeito passivo previsto no art. 121 do CTN, colocando de forma ideologicamente falsa a empresa CAMPINEIRA RADIO TÁXI como contribuinte das obrigações tributárias decorrentes de fatos geradores praticados pela ASPEN, incorrendo na conduta prevista no art. 71 da Lei n° 4.502/64: (...) 68. Tal conduta constitui também infração a legislação penal, especialmente ao art. 1º , incisos I e II da Lei n° 8.137/90, pois de forma intencional, dolosa, deixou de declarar os tributos decorrentes das receitas omitidas e ocultadas na conta bancária de interposta pessoa, vejamos: (...) 69. Desta forma, JOSÉ ROBERTO MONTE é RESPONSÁVEL SOLIDÁRIO pelo crédito tributário apurado no presente auto de infração, nos termos do art. 135, inciso III do CTN: (...) VI.2 Da Responsabilidade Solidária de Baltazar Borges Fiúza Filho 70. Considerando que a titularidade de fato da conta bancária era da ASPEN DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS e que BALTAZAR BORGES FIÚZA Fl. 1534DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.535 16 FILHO, CPF: 340.785.41615, na condição de sócioadministrador da CAMPINEIRA RADIO TÁXI era quem tinha poderes para movimentar a conta bancária, e de fato o fez assinando todos os cheques que foram coligidos por esta fiscalização federal, concluise que sua participação no esquema fraudulento montado para a pratica de sonegação fiscal de tributos devidos pela ASPEN foi fundamental, colocandoo na condição de verdadeiro preposto da ASPEN com poderes para movimentar recursos de propriedade desta. 71. Desta forma, a conduta de Baltazar Borges Fiúza Filho constitui infração a legislação tributária e penal, referente aos mesmos dispositivos legais infringidos por José Roberto Monte, incidindo, portanto, a RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA pelo crédito tributário apurado neste auto de infração, com fundamento no art. 135, inciso II do Código Tributário Nacional. VII DA OMISSÃO DE RECEITA 72. Regularmente intimada conforme relatado no item V, a ASPEN não apresentou qualquer documento comprobatório da origem dos valores creditados na conta bancária mantida em nome da Campineira Rádio Táxi, da qual é titular de fato. 73. Assim, resta caracterizada a omissão de receita nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430/96: (...) 74. A tabela seguinte apresenta os totais de receitas omitidas pela ASPEN, mensal e trimestralmente no anocalendário 2007, concernentes à titularidade de fato da conta bancária em nome Campineira Rádio Táxi, já com os ajustes referentes aos estornos, cheques devolvidos e exclusão das transferências bancárias: [Demonstrativo de fl. 66] VIII DO LANÇAMENTO DE OFÍCIO DO IRPJ E REFLEXOS 75. Constatada a omissão de receitas pela ASPEN, estão sendo lançados de ofício os valores de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) e Contribuição Social Sobre o Lucro Líquido (CSLL), devidos nos 1º, 2º, 3º e 4º trimestres de 2007, com base no lucro real, e de PIS e COFINS devidos nos meses de janeiro/07 a dezembro/07, nos termos da legislação aplicável: (...) 76. Conforme dados constantes do "Anuário Estatístico Brasileiro do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis 2008", publicado no site da Agência Nacional de Petróleo (ANP), a ASPEN comercializou em 2007 Gasolina C, Óleo Diesel e Álcool Etílico Hidratado. Destarte, para efeitos de apuração do PIS e COFINS foram consideradas as alíquotas incidentes sobre a receita de revenda de álcool, respectivamente, de 1,46% e 6,74%, por serem as mais elevadas entre as previstas para as receitas auferidas pela ASPEN em 2007, conforme se verifica dos seguintes dispositivos legais: (...) IX DA MULTA QUALIFICADA Fl. 1535DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.536 17 77. Para o presente caso será aplicada multa de 150% prevista no art. 44, incu I, § lº da Lei 9.430/96, pois a ASPEN deixou de recolher os tributos devidos com base nas receitas omitidas, utilizandose de interposta pessoa de forma a ocultar a ocorrência do fato gerador ou retardar o seu conhecimento por parte da autoridade fiscal. 78. Oportuno se faz a transcrição do art. 44 da Lei n° 9.430/96 e dos artigos nela mencionados da Lei n° 4.502/64: (...)” Ciente das exigências e com elas irresignada, a contribuinte Aspen Distribuidora de Combustíveis apresentou a impugnação de fls. 707/726. Suas razões foram assim sintetizadas pelo relator do processo, em primeira instância: 3.1. De início, faz um resumo do procedimento de fiscalização, referese aos Mandados de Procedimento Fiscal, aos esclarecimentos prestados, à quebra de sigilo bancário de terceiros (Campineira Radio Táxi Serviços Ltda) e afirma que os lançamentos são ilegais e inconstitucionais. 3.2. Aduz que a autoridade fiscal teria excedido o prazo de execução dos trabalhos, previsto no MPF. Referese ao artigo 7º, § 2º, do Decreto n.º 70.235, de 1972. Colaciona jurisprudência. Em suas palavras: “Sendo assim, interessante firmar que – após o decurso do prazo de 60 dias do Mandado de Procedimento Fiscal sem a notificação do contribuinte da prorrogação da fiscalização – considerase encerrada a fiscalização. Aliás, ao contrário do que alega a fiscalização, o mandado de procedimento fiscal e os termos de prorrogação somente produzem efeitos após a notificação válida do contribuinte, isto é, no momento em que o contribuinte recebe os mandados. Portanto, frisese, os mandados (seja de inicio da fiscalização, seja de prorrogação do procedimento fiscal) não produz qualquer efeito no momento a sua expedição ou postagem, como quer fazer a Receita Federal no presente caso. (...) Ora Excelência, no caso em tela, o contribuinte fora notificado da prorrogação do procedimento fiscal após o prazo de 60 (sessenta) dias, tornando inválida toda a fiscalização que resultou na lavratura do presente auto de infração. Isto porque, ao deixar de prorrogar o mandado de procedimento fiscal tempestivamente, considerase homologado todo o crédito tributário, não sendo possível nova fiscalização sobre o mesmo tributo e período sem ao menos violar o princípio da legalidade e da segurança jurídica. Além disso, o entendimento majoritário do Superior Tribunal de Justiça é de que o ato administrativo que informa ao contribuinte do prosseguimento da fiscalização deve ser motivado, o que também NÃO ocorreu no caso em comento. Fl. 1536DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.537 18 Ora Nobre Julgador tributário, pode o Agente Fiscal prorrogar/perpetuar a fiscalização por tempo indeterminado e sem qualquer motivação? Obviamente que não, pois violaria – além do princípio constitucional da legalidade – o da segurança jurídica. Portanto, esta mais que demonstrada a nulidade do Auto de Infração em epígrafe, razão pela qual deve ser anulado.” 3.3. Alega a violação dos princípios constitucionais da ampla defesa e do contraditório, tendo em conta que a autuação teria sido lavrada com base na presunção de que (i) a empresa Campineira Rádio Táxi Serviços Ltda seria interposta da Impugnante e, assim, (ii) as receitas por ela auferidas seriam da titularidade da ASPEN. 3.4. Argumenta que prestou todas as informações solicitadas, juntando documentos que comprovariam a celebração de contratos de mútuos entre as empresas e a realização de operações comerciais com a empresa Tupi Distribuidora de Derivados de Petróleo Ltda, cujo sócio era o mesmo da Campineira Rádio Táxi Serviços Ltda. No entanto, a autoridade fiscal desprezou os fatos e documentos sob a alegação absurda de que (i) ninguém emprestaria três milhões de reais a uma empresa sem garantias e (ii) não existia cobrança do contrato de mútuo entre as empresa. E continua: “Ora, Excelência, é dever do Fiscal analisar com IMPARCIALIDADE todas as alegações e documentos, o que não existiu no caso em tela. Tanto é assim que, em 06.11.2012, a Impugnante recebeu o termo de início, constatação e intimação (DOC. 03), requerendo esclarecimentos acerca dos extratos bancários da empresa Campineira Rádio Táxi Serviços Ltda (...). Diante da dúvida sobre a legalidade da intimação que quebrou o sigilo bancário de terceiros, a Impugnante, em 26.11.2012 – portanto, dentro do prazo para prestar esclarecimentos – requereu a concessão de prazo complementar para cumprimento da notificação, sendo que tal pedido simplesmente fora desprezado pela fiscalização e a autuação foi lavrada.” 3.5. Dessa forma, restaria evidenciado o interesse da Receita Federal em responsabilizar a Impugnante, empresa séria e idônea, por débito de outra pessoa jurídica, conforme se vê no Item V – do Termo elaborado pela autoridade fiscal. 3.6. Acrescenta que a autoridade fiscal diz que o titular de fato na conta bancária mantida no Banco Bradesco seria a Impugnante, mas despreza a alegação do próprio banco de que não existia procurações outorgadas pela Campineiro Rádio Táxi. Ademais, houve a presunção de omissão de receitas sem a análise de sua documentação contábil e fiscal. Em suas palavras: “Aliás, conforme consta nas alegações juntadas ao Auto de Infração, todos os valores depositados por clientes da ASPEN na conta bancária da CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI SERVIÇOS LTDA (CNPJ Nº ...) se deram em razão de operações comerciais com a respectiva emissão e escrituração dos documentos contábeis e fiscais. Fl. 1537DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.538 19 Ou seja, e situações em que a CAMPINEIRA RADIO TÁXI SERVIÇOS LTDA necessitava de valores com urgência e a ASPEN não os tinha, a impugnante – ao invés de receber de seus clientes os valores e depois transferir para a conta bancária da CAMPINEIRA – solicitava que os seus clientes depositassem diretamente na conta da empresa CAMPINEIRA, mas a ASPEN não deixava de emitir os documentos fiscais e escrituralos. O mesmo acontecia quando a CAMPINEIRA desejava pagar parte dos valores dos contratos de mútuos à ASPEN: ao invés de pagar à credora (Impugnante), pagava diretamente aos fornecedores da ASPEN com uma ordem desta, evitando assim, que a Impugnante pagasse multas em razão de atrasos no fornecimento de mercadorias aos seus clientes. E isto tinha uma explicação simples: neste segmento, as mercadorias somente são liberadas com a compensação da operação financeira (pagamento à vista), portanto, aguardar a compensação do pagamento do empréstimo para depois pagar à mercadoria significava prejuízo, perda de clientes e, em alguns casos, multas pelo não fornecimento do produto. Isto tudo acontecida com a devida escrituração das operações nos livros contábeis e fiscais da Impugnante. Fato é que a alegação de omissão de receitas é bastante precária, pois o Fisco sequer analisou e confrontou se o documento fiscal que embasou a operação comercial não estava escriturado!!! Portanto, o que a Administração tributária faz é cobrar 2 (duas) vezes o mesmo imposto do mesmo contribuinte, fenômeno ilegal e inconstitucional denominado de bitributação, isto porque, todas as operações comerciais da Impugnante estavam acompanhadas de documentos fiscais, os quais foram devidamente escriturados e tributados.” 3.7. Afirma que, embora a autoridade fiscal relate que houve a omissão de receitas, simplesmente não demonstra qual receita fora omitida, o que é impossível sem a análise de sua documentação contábil, o que demonstra, mais uma vez, o intuito do Fisco em responsabilizar a ASPEN por débitos de outra empresa. Acrescenta que a ausência da descrição clara e precisa da infração impossibilita a impugnação adequada, cerceando seu direito de defesa. 3.8. Requer a decadência do crédito tributário formalizado, tendo em conta que a lavratura dos autos de infração ocorreu apenas em 10 de dezembro de 2012, mais de cinco anos depois do fato gerador. Recorre ao artigo 150, § 4º, do Código Tributário Nacional e acrescenta que houve recolhimento antecipado dos tributos, sendo evidente a decadência para o anocalendário de 2007. 3.9. Insurgese contra a quebra do sigilo bancário da empresa Campineira Rádio Táxi Serviços Ltda. Em suas palavras: “Ora, se a própria Lei Complementar nº 105/2001 e o Decreto n.º 3.724/2001 exigem a instauração de procedimento administrativo para a quebra do sigilo bancário do contribuinte, por que razão não teria concedido o prazo pleiteado pelo Fl. 1538DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.539 20 contribuinte? Tal negativa demonstra a ilegalidade da quebra do sigilo bancário. Ainda que tal ilegalidade pudesse ser afastada, há de se dizer que houve a quebra do sigilo bancário de terceiros e sem ordem judicial. A priori, pela leitura das referidas normas, concluise que é vedado a quebra do sigilo bancário de terceiros como ocorreu no caso em tela. Aliás, acerca de tal fato, desnecessárias maiores argumentações, pois desrespeitaria inúmeras cláusulas pétreas, inclusive da inviolabilidade da intimidade e vida priva do contribuinte.” 3.10. Disserta sobre o sigilo bancário, recorrendo à Constituição Federal e a posicionamentos do Supremo Tribunal Federal. Afirma que somente o Poder Judiciário pode ter acesso aos dados bancários. Cita o Recurso Extraordinário nº 389808PR, por meio do qual o STF teria reconhecido a inconstitucionalidade da Lei Complementar nº 105, de 2001 e de todas as demais normas correlatas. Conclui sua defesa: “4 – DOS PEDIDOS Diante de todo o exposto, requer: a) Preliminarmente, seja reconhecida a nulidade do Auto de Infração em epígrafe, anulando todo o lançamento tributário, tendo em vista as violações aos princípios basilares do ordenamento jurídico brasileiro e a ausência dos elementos necessários ás autuações; b) Seja reconhecida a ocorrência da decadência de todo o exercício de 2007 – nos termos do artigo 150 do Código Tributário Nacional – e extinto o crédito tributário em conformidade com inciso V, do artigo 156 do Codex Tributário; c) Seja reconhecida a ilegalidade e inconstitucionalidade da quebra do sigilo bancário da empresa CAMPINEIRA RADIO TÁXI SERVIÇOS LTDA (CNPJ nº...) E, ASSIM, CANCELADO O PRESENTE Auto de Infração. Por fim, requer sejam todas as publicações e intimações feitas exclusivamente em nome de seu patrono, o advogado OCTÁVIO TEIXEIRA BRILHANTE USTRA, (...).” 4. Em 10 de janeiro de 2013, a contribuinte apresentou o documento de fls. 1261/1.273, datado de 04 de janeiro de 2013, referido á COFINS, por meio do qual apresenta, em síntese, as mesmas razões de defesa da impugnação acima transcrita, com os seguintes acréscimos, específicos para a COFINS e Contribuição ao PIS: “As autuações foram lavradas com base na suposta omissão de receitas pela empresa ASPEN DISTRIBUIDORA DE COMBUSTÍVEIS LTDA, ora impugnante, no entanto, o Fisco utilizouse de bases de cálculos presumidas, o que não se pode admitir no ordenamento jurídico brasileiro. Fl. 1539DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.540 21 Notese que nitidamente, a Fiscalização presumiu a base de cálculo do PIS e da COFINS dos meses de janeiro a março de 2008 e outubro a dezembro de 2008, cujo trecho segue transcrito (fls 9/10): (...) Ora Excelência, presumir que todos os produtos comercializados pela Impugnante possuem a mesma margem de lucro é um absurdo, isto porque, a Impugnante comercializa commodities, cujos valores variam diariamente de acordo com a oferta e a procura, sendo impossível manter margens de lucro semelhantes entre álcool e gasolina. Destarte, latente a nulidade da autuação, pois não se pode tributar aquilo que não é tributável, sob pena de violação, além do princípio do contraditório e da ampla defesa – também da legalidade. Nada obstante a referida nulidade, o Fisco presumiu que (i) toda a mercadoria adquirida de determinadas pessoas jurídicas é Álcool Hidratado e (ii) foi vendida como Álcool Hidratado, o que não é verdade!! Ora, no exercício de suas atividades, a Impugnante adquire Álcool e mistura na Gasolina, nos termos da legislação da Agência Nacional de petróleo (ANP), dessa forma, nem todo álcool que é adquirido pela Impugnante é revendido com Álcool. Assim, inquestionável a nulidade do Auto de Infração, pois, mais uma vez, o Fisco tenta tributar aquilo que não é tributável. (...) 3.2 – DA CORRETA TRIBUTAÇÃO DE TODA COMERCIALIZAÇÃO DE ÁLCOOL HIDRATADO Ainda que por mera argumentação, necessário se faz demonstrar que todas as alienações de Álcool Hidratado foram devidamente tributadas pela Impugnante. É o que se passa a fazer. Conforme consta no Auto de Infração em epígrafe, fora constituído o crédito tributário, ora impugnado, em razão da suposta omissão de receitas referente à comercialização de Álcool Hidratado. Fato é que a alegação de omissão de receitas é bastante precária, pois o Fisco – além de “partir” de presunções para lavrar a autuação – não considerou que todas as operações foram devidamente tributadas, nos termos da legislação de regência. Portanto, resta mais que demonstrada a ilegalidade do Auto de Infração em epígrafe, razão pela qual deve ser cancelada a exação.” Fl. 1540DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.541 22 A 4ª Turma da DRJ em Campinas/SP analisou a impugnação apresentada pela contribuinte e, por via do Acórdão nº 0540.833, de 18/06/2013 (fls. 1330/1378), considerou procedente o lançamento com a seguinte ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 SUJEIÇÃO PASSIVA. RESPONSABILIDADE TRIBUTÁRIA SOLIDÁRIA. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA. Operase a preclusão processual relativamente à sujeição passiva da pessoa física e/ou jurídica que deixa de apresentar argumentos de defesa em relação à atribuição da respectiva responsabilidade solidária pelo crédito tributário constituído. LANÇAMENTO. NULIDADE. MPF. Tendo sido o lançamento efetuado com observância dos pressupostos legais e não havendo prova de violação das disposições contidas no artigo 142 do CTN e artigos 10 e 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, não há que se falar em nulidade do lançamento em questão. O Mandado de Procedimento Fiscal MPF é um instrumento de controle, planejamento e gerenciamento interno, que visa institucionalizar, no âmbito da Secretaria da Receita Federal, o procedimento fiscal. A eventual inobservância às normas que o regulamentam jamais pode invalidar o lançamento fiscal constituído nos moldes do art. 142 do CTN e demais regras relativas ao Processo Administrativo Fiscal. NULIDADE. PROVA ILÍCITA. Os extratos bancários contendo movimentação financeira em nome de interposta pessoa não constituem prova ilícita quando fornecidos pelas instituições bancárias ao Fisco em decorrência da instauração de processo administrativo fundamentado na legislação em vigor. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. PIS. COFINS. Na medida em que as exigências reflexas têm por base os mesmos fatos que ensejaram o lançamento do imposto de renda, a decisão de mérito prolatada naquele constitui prejulgado na decisão dos autos de infração decorrentes. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 DEPÓSITOS BANCÁRIOS. OMISSÃO DE RECEITA. Evidenciam omissão de receita os depósitos realizados em conta de interposta pessoa, em relação aos quais a contribuinte, regularmente intimada, não comprove, mediante documentação Fl. 1541DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.542 23 hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. CONTAS BANCÁRIAS EM NOME DE TERCEIRO. É válida a presunção legal de receita omitida, com base em depósitos sem prova da origem dos recursos, quando a interessada movimenta e utiliza conta bancária em nome de interposta pessoa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2007 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. PRESENÇA DE DOLO, FRAUDE OU SIMULAÇÃO. Diante da caracterizada da fraude, em vista da interposição de pessoa, a decadência regese pelo artigo 173, inciso I, do Código Tributário Nacional, não se caracterizando para os fatos geradores objeto do lançamento. MULTA QUALIFICADA. INTERPOSTA PESSOA. A multa de ofício de 150% é devida nos casos em que for comprovado o evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502, de 1964. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2007 ARGÜIÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE. A apreciação de inconstitucionalidade da legislação tributária não é de competência da autoridade administrativa, mas sim exclusiva do Poder Judiciário. A pessoa jurídica Aspen Distribuidora de Combustível Ltda. (contribuinte) tomou ciência da decisão de primeira instância, por via postal, em 24/10/2013, conforme Aviso de Recebimento à fl. 1398. Às fls. 1399/1413 encontro recurso voluntário interposto em conjunto por Aspen Distribuidora de Combustível Ltda. e José Roberto Monte. O documento foi postado em 25/11/2013, conforme fls. 1413 e 1399. O recurso é subscrito pelo Advogado Dr. Marcos Vinícius Costa. Procuração outorgada pela Aspen à fl. 1418. Não encontrei nos autos procuração outorgada por José Roberto Monte. No recurso interposto, os argumentos trazidos podem ser sintetizados como segue: · Valendose da Súmula CARF nº 32, a recorrente sustenta que não haveria prova de todos os depósitos havidos na conta bancária da empresa Campineira, mas tão somente de três movimentações específicas. Não seria possível, por sua ótica, atribuir à interessada toda a movimentação financeira ocorrida. O lançamento seria, então, nulo. · Outro motivo de nulidade do lançamento seria o fato de que depósito bancário não constitui fato gerador de IRPJ, CSLL, PIS nem COFINS. Fl. 1542DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.543 24 · Com base nas súmulas CARF nº 14 e nº 25, a recorrente combate a multa qualificada aplicada ao lançamento. Lembra que a autuação se deu exclusivamente com base em presunção legal de omissão de receitas e que não estaria comprovada a ocorrência de fraude, sonegação nem conluio. · Na mesma linha de raciocínio, sustenta: o que não haveria fundamento para a responsabilização pessoal dos sócios, segundo art. 135 do CTN; o que o crédito tributário teria sido constituído quando já operada a decadência. · Requer, ainda, a extinção da representação fiscal para fins penais. O processo foi levado a julgamento perante a 2ª Turma Ordinária desta 3ª Câmara da 1ª Seção de Julgamento do CARF em 04/03/2015. Na oportunidade, o Colegiado considerou a necessidade da adoção de medidas saneadoras, pelo que, mediante a Resolução nº 1302000.368 (fls. 1457/1478), o julgamento foi convertido em diligência “para que o Sr. José Roberto Monte e o Sr. Baltazar Borges Fiúza Filho sejam cientificados do Acórdão nº 05 40.833, de 18/06/2013 (fls. 1330/1378), facultandolhes ainda a interposição de recurso voluntário no prazo legal”. A intimação (fl. 1482) dirigida ao Sr. José Roberto Monte, em seu domicílio tributário, foi devolvida pelos Correios (fl. 1487), com a indicação “desconhecido”. Em seguida, a ciência da decisão de primeira instância foi feita em 11/06/2015 mediante o Edital Eletrônico de fl. 1488. Às fls. 1496/153 encontro recurso voluntário interposto por esse sujeito passivo. A peça recursal é datada de 18/08/2015, tendo sido entregue à repartição fiscal por via postal. A data de postagem foi 20/08/2015, conforme documento de fls. 1515/1518. Instrumento de procuração à fl. 1514. A intimação (fl. 1484) dirigida ao Sr. Baltazar Borges Fiúza Filho, em seu domicílio tributário, foi devolvida pelos Correios (fl. 1490), com a indicação “não procurado”. Em seguida, a ciência da decisão de primeira instância foi feita em 21/07/2015 mediante o Edital Eletrônico de fl. 1491. Não encontro nos autos recurso voluntário interposto por esse sujeito passivo. É o Relatório. Voto Conselheiro Waldir Veiga Rocha, Relator Registro, inicialmente, que o sujeito passivo Sr. Baltazar Borges Fiúza Filho, cientificado da decisão de primeira instância, não apresentou recurso voluntário. Quanto ao Sr. José Roberto Monte, devese ressaltar que a peça recursal de fls. 1399/1413 seria, por análise inicial, um recurso voluntário interposto em conjunto por Aspen Distribuidora de Combustível e José Roberto Monte. No entanto, o recurso é subscrito Fl. 1543DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.544 25 pelo advogado Dr. Marcos Vinícius Costa, e somente encontro nos autos procuração outorgada pela pessoa jurídica Aspen (fl. 1418). Não encontro nos autos procuração outorgada a esse advogado pelo Sr. José Roberto Monte. Concluo que o advogado que subscreve a peça recursal representa tão somente a pessoa jurídica e esse recurso não pode ser tido como subscrito também pela pessoa física do Sr. José Roberto Monte. Após as providências saneadoras determinadas pela Resolução nº 1302 000.368 (fls. 1457/1478), o Sr. José Roberto Monte foi intimado da decisão de primeira instância, sendolhe facultado o prazo legal para a interposição de recurso voluntário. A correspondência enviada ao seu domicílio tributário foi devolvida pelos Correios, com a indicação "desconhecido". Em seguida, foi publicado o edital de fl. 1488, em 27/05/2015. Conforme as regras para a ciência por edital (art. 23 do Decreto nº 70.235/1972), a ciência ocorreu no décimo sexto dia, a contar da publicação do edital, isto é, em 11/06/2015, iniciando se, a partir dessa data, a contagem do prazo de trinta dias para a interposição do recurso voluntário. A data limite seria em 11/07/2015, sábado, estendendose até 13/07/2015, segunda feira. A peça recursal de fls. 1496/1513, postada em 20/08/2015, é flagrantemente intempestiva. Observo, finalmente, que a única menção feita à questão da tempestividade, na peça recursal, é o pedido de que "para fins de aferição da tempestividade [...] seja observada a data da postagem do recurso [...]". Ora, mesmo assim, não há como considerar que possa ser tempestivo o recurso postado com mais de sessenta dias da data da ciência regular da decisão de primeira instância. Com essas considerações, tenho por intempestivo o recurso interposto pelo sujeito passivo Sr. José Roberto Monte, e dele não tomo conhecimento. O recurso do sujeito passivo Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. (fls. 1399/1413) é tempestivo, e foi subscrito por procurador com poderes para tanto (procuração à fl. 1418). Dele conheço. O primeiro ponto a ser apreciado é a afirmação da recorrente, baseada na Súmula CARF nº 32, de que não haveria prova de todos os depósitos havidos na conta bancária da empresa Campineira, mas tão somente de três movimentações específicas. Não seria possível, por sua ótica, atribuir à interessada toda a movimentação financeira ocorrida. O lançamento seria, então, nulo. A movimentação financeira na contacorrente em nome da Campineira Radio Taxi, cuja titularidade de fato foi imputada à ora recorrente Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., montou, no anocalendário 2007, o total aproximado de R$ 23 milhões, como se viu no relatório que antecede a este voto. As três movimentações específicas a que se refere a recorrente, embora não individualizadas no recurso voluntário, certamente são aquelas decorrentes das circularizações levadas a efeito pelo Fisco, e relatadas no Termo de Verificação Fiscal (item IV.1), a saber: · R$ 70.000,00, recebidos pela Univen Refinaria de Petróleo e pagos pela Campineira, em 19/06/2007. Fl. 1544DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.545 26 · R$ 333.000,00, recebidos pela Campineira e pagos pela Polipetro Distribuidora de Combustíveis Ltda. (posteriormente incorporada por Alesat Combustíveis S/A), em 27/07/2007. · R$ 47.790,00, recebidos pela Campineira e pagos pelo Posto de Serviço Jotas, em 30/07/2007. Em primeiro lugar, registrese que existe, além das movimentações acima, um pagamento de R$ 12.824,00, feito pela Campineira à Sra. Leila Sandra de Jesus Simone, em 25/01/2007 (item 32 do TVF). Em todos esse quatro casos, restou comprovado, acima de qualquer dúvida, que os pagamentos/recebimentos se deram em decorrência da atividade operacional da Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda., sendo usada a conta da Campineira como artifício para ocultação dos valores. Foi identificada também (item 40 do TVF) a transferência de R$ 160.650,00, em 30 e 31/01/2007, da Aspen para a Destilaria Nova Era (ambas de propriedade do Sr. José Roberto Monte), passando pela contacorrente da Campineira, a qual serviu meramente como "cortina de fumaça" para a transferência. Em segundo lugar, em fiscalizações envolvendo interposição de pessoas, é cediço que não é materialmente possível a comprovação exaustiva acerca de cada real que ingressa ou deixa a conta bancária investigada. O procedimento fiscal é de selecionar os valores mais relevantes, que permitam firmar o convencimento acerca da real titularidade dos valores movimentados, que foi exatamente o caso. Em terceiro lugar, não se pode levar em consideração exclusivamente os valores das movimentações, mas todo o contexto. Não se pode perder de vista que a Campineira Radio Taxi era empresa comprovadamente fictícia, inexistente de fato, e que a pessoa que figurava como seu sócio administrador (e que, de fato, praticava os atos necessários à movimentação da contacorrente bancária), Sr. Baltazar Borges Fiuza Filho, não revelou capacidade econômicofinanceira para gerir uma empresa com movimento superior a R$ 23 milhões anuais, além de notórios e comprovados vínculos, pessoais e financeiros, com o Sr. José Roberto Monte, proprietário da Aspen (itens 42 a 47 do TVF). Igualmente não se pode esquecer a relevante e sistemática movimentação financeira identificada entre a Aspen e a Campineira (totalizando R$ 3.268.427,43 em 2007), para a qual a então fiscalizada apresentou, a título de justificativa, a cópia de um singelo contrato de mútuo. Não há notícia, nos autos, de que tais movimentações tenham sido contabilizadas pela Aspen, muito menos a existência de documentos comprobatórios. A propósito, cabe relembrar as pertinentes considerações então feitas pelo Fisco: 37. Em 04/10/2012 foi lavrado Termo de Intimação através do qual a ASPEN foi intimada a apresentar a via original do contrato de mútuo, bem como esclarecer de que forma o empréstimo fora liquidado, haja vista a previsão contratual de que a Campineira deveria quitálo até 31/12/2007. No entanto, a ASPEN não atendeu a intimação e não apresentou qualquer documento comprobatório de que o empréstimo fora quitado pela CAMPINEIRA RÁDIO TÁXI. 38. Como é possível uma pessoa jurídica emprestar mais de R$ 3 milhões a outra que não tenha uma sede, um local de funcionamento ou qualquer indício de atividade, com a expectativa de recebêlos acrescidos em 10% num prazo de 12 Fl. 1545DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.546 27 meses, sem qualquer garantia? E mais, vencido o prazo para quitação do empréstimo, não proceder a sua cobrança, seja administrativa ou judicialmente? Resta claro, que se trata de um contrato de mútuo fictício, confeccionado com o intuito de dissimular o verdadeiro motivo da remessa de quantia tão expressiva para uma empresa inoperante, qual seja, a existência de uma conta bancária mantida de forma oculta, através de interposta pessoa. Finalmente, quanto a este ponto, as ligações entre funcionários da Aspen com a Campineira (itens 48a 50 do TVF) e a constatação de que diversas declarações dessas duas pessoas jurídicas foram transmitidas à Receita Federal em mesma data e a partir do mesmo computador. O mesmo ocorreu com declarações de imposto de renda de pessoa física dos Srs. José Roberto Monte e Baltazar Borges Fiúza Filho (2010 e 2011). Como se vê, a conclusão do Fisco de que os valores que transitaram pela contacorrente bancária em nome da Campineira pertenciam, de fato, à Aspen não se baseou exclusivamente naquelas três movimentações a que se referiu a recorrente. Antes, baseouse em todo o conjunto probatório trazido aos autos e aqui exaustivamente examinado. Nessas condições, a Súmula CARF nº 321, invocada pela recorrente, na verdade milita em seu desfavor. Comprovada, acima de qualquer dúvida, a titularidade dos recursos que transitaram pela conta da Campineira, correto o procedimento do Fisco, e o argumento da recorrente deve ser rejeitado. Quanto a este ponto, pede ainda a recorrente a utilização, por analogia, da Súmula CARF nº 302. No entanto, não esclarece em que residiria tal analogia, ou de que forma daí lhe poderia advir algum benefício. Assim, tal pedido deve ser desconsiderado. A recorrente alega também a nulidade do lançamento, ao argumento de que depósito bancário não constitui fato gerador de IRPJ, CSLL, PIS nem COFINS. Esclareçase que a acusação trata de omissão de receitas, caracterizada por depósitos bancários de origem não comprovada, nos termos do art. 42 da Lei n° 9.430, com a redação dada pela Lei n° 10.637/2002, a seguir transcrito: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às 1 Súmula CARF nº 32: A titularidade dos depósitos bancários pertence às pessoas indicadas nos dados cadastrais, salvo quando comprovado com documentação hábil e idônea o uso da conta por terceiros. 2 Súmula CARF nº 30: Na tributação da omissão de rendimentos ou receitas caracterizada por depósitos bancários com origem não comprovada, os depósitos de um mês não servem para comprovar a origem de depósitos havidos em meses subsequentes. Fl. 1546DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.547 28 normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do ano calendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. Tratase, como é cediço, de presunção relativa, que admite prova em contrário. Mas essa prova cabe aos recorrentes. Ao Fisco cabe provar o fato indiciário, definido na lei como necessário e suficiente ao estabelecimento da presunção, qual seja, a ocorrência de depósitos bancários de origem não comprovada. Não há dúvidas de que os depósitos efetivamente ocorreram. No entanto, regularmente intimada, a recorrente poderia afastar a presunção de omissão de receitas, desde que apresentasse, nos termos da lei, documentação hábil e idônea que comprovasse, individualizadamente, a origem dos valores creditados nas contacorrentes da pessoa jurídica. Registrese, mais uma vez, que entendo não restar qualquer dúvida acerca da titularidade, de fato, da contacorrente investigada pelo Fisco. Em assim sendo, a presunção legal quantifica as receitas omitidas, descabendo alegar que movimentações bancárias não são fato gerador de tributo. A obrigação de escriturar toda a movimentação financeira, inclusive bancária e, ainda, de guardar todos os documentos e demais papéis que sirvam de base para a escrituração está prevista na legislação fiscal, e aplicase, com pequenas variações, aos contribuintes tributados com base no lucro real, presumido (situação da recorrente) ou mesmo optantes pelo SIMPLES. Fl. 1547DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.548 29 Ao descumprir a obrigação de escriturar, a interessada queda sem meios hábeis para comprovação da origem dos valores que transitaram por suas contascorrentes. Não tendo a interessada qualquer cautela em documentar adequadamente os fatos, ficam por sua conta e risco as conseqüências de tal negligência. No caso, a conseqüência é a aplicação da presunção legal de omissão de receitas, nos estritos termos da lei, conforme anteriormente mencionado. Com base nas súmulas CARF nº 14 e nº 25, a recorrente combate a multa qualificada aplicada ao lançamento. Lembra que a autuação se deu exclusivamente com base em presunção legal de omissão de receitas e que não estaria comprovada a ocorrência de fraude, sonegação nem conluio. Eis o teor das súmulas invocadas pela recorrente: Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. A multa qualificada, no percentual de 150%, requer a comprovação do evidente intuito de fraude (expressão da redação antiga do art. 44 da Lei nº 9.430/1996), consubstanciada em uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502/1964. De especial interesse, para o caso vertente, o art. 71, a seguir transcrito: Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; [...] Diante de todo o exposto anteriormente, tanto no relatório quanto neste voto, não tenho qualquer dúvida de que a ora recorrente engendrou e participou ativamente de todo um esquema de sonegação fraudulenta, inclusive mediante o uso de contacorrente bancária cuja titularidade formal era de pessoa jurídica fictícia e inexistente de fato, para ocultar da autoridade fazendária os vultosos recursos financeiros ali movimentados e, desta forma, também os fatos geradores tributários. Muito embora a quantificação das receitas omitidas tenha se dado mediante presunção legal, há todo um robusto conjunto probatório, a evidenciar que não se trata de "simples apuração de omissão de receita" e que a presunção legal não foi empregada "por si só", com o que afasto a aplicação das súmulas CARF nº 14 e nº 25, supra. Por outro lado, trago à colação a Súmula CARF nº 34, perfeitamente aplicável ao caso sob análise: Súmula CARF nº 34: Nos lançamentos em que se apura omissão de receita ou rendimentos, decorrente de depósitos bancários de Fl. 1548DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.549 30 origem não comprovada, é cabível a qualificação da multa de ofício, quando constatada a movimentação de recursos em contas bancárias de interpostas pessoas. Rejeito, com essas considerações, os argumentos contrários à multa qualificada. Na mesma linha de raciocínio, a recorrente alega que o crédito tributário teria sido constituído quando já operada a decadência. A decadência, especialmente no que toca aos tributos sujeitos ao lançamento dito por homologação, é matéria tormentosa, que tem suscitado interpretações variadas mesmo no âmbito deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Em oportunidades anteriores, tenho me manifestado no sentido de que o critério aplicável para se distinguir se um lançamento é por homologação ou de ofício deve ser a própria sistemática de apuração do tributo. Os tributos sujeitos a lançamento por homologação seriam aqueles para os quais a lei estabelece para o sujeito passivo que apure o valor devido e antecipe o pagamento, sem prévio exame da Autoridade Administrativa. Seria essa sistemática, a atividade exercida pelo contribuinte, que faria com que o lançamento fosse por homologação, e não a mera presença ou ausência de pagamento. Entretanto, com o louvável fito de fazer com que as decisões administrativas se conformassem à jurisprudência pacificada do Supremo Tribunal Federal e do Superior Tribunal de Justiça, o Regimento Interno deste Conselho (RICARF), aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, fez constar o § 2º do art. 62 do Anexo II, a seguir transcrito: Art. 62 [...] § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Ocorre que a matéria sob exame, a saber, a aplicabilidade do art. 150, § 4º, ou do art. 173, I, ambos do CTN, já foi objeto de decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça, em regime de recursos repetitivos (art. 543C do CPC), nos autos do Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940). O julgamento se deu em 12/08/2009 e o acórdão foi publicado no DJe de 18/09/2009, restando assim ementado (grifos constam do original): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. Fl. 1549DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.550 31 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial qüinqüenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. Fl. 1550DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.551 32 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Posteriormente, o próprio STJ reviu seu posicionamento quanto ao termo inicial para a contagem do prazo decadencial, nos EDcl nos EDcl no AgRG no Recurso Especial nº 674.497 – PR (2004/01099782). Ressalto que o ilustre Ministro Relator, após mencionar expressamente o REsp nº 973.733, registra que “impõese o acolhimento dos presentes embargos de declaração, a fim de se adequar o decisório embargado à jurisprudência uniformizada no âmbito do STJ sobre a matéria”. O julgamento ocorreu em 09/02/2010, e o acórdão foi publicado no DJe em 26/02/2010, com a seguinte ementa: PROCESSUAL CIVIL. EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. RECOLHIMENTOS NÃO EFETUADOS E NÃO DECLARADOS. ART. 173, I, DO CTN. DECADÊNCIA. ERRO MATERIAL. OCORRÊNCIA. ACOLHIMENTO. EFEITOS MODIFICATIVOS. EXCEPCIONALIDADE. 1. Tratase de embargos de declaração opostos pela Fazenda Nacional objetivando afastar a decadência de créditos tributários referentes a fatos geradores ocorridos em dezembro de 1993. 2. Na espécie, os fatos geradores do tributo em questão são relativos ao período de 1º a 31.12.1993, ou seja, a exação só poderia ser exigida e lançada a partir de janeiro de 1994. Sendo assim, na forma do art. 173, I, do CTN, o prazo decadencial teve início somente em 1º.1.1995, expirandose em 1º.1.2000. Considerando que o auto de infração foi lavrado em 29.11.1999, temse por não consumada a decadência, in casu. 3. Embargos de declaração acolhidos, com efeitos modificativos, para dar parcial provimento ao recurso especial. De se observar a diferença relevante entre um e outro julgados: no primeiro caso (REsp nº 973.733), o termo inicial para a contagem do prazo decadencial era tido como sendo o primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, interpretação esta que fugia por completo à textualidade do art. 173, I, do CTN. No segundo julgado, revendo o posicionamento anterior, o Tribunal passou a considerar que (naquele caso), completandose o fato gerador em 31 de dezembro de 1993, o lançamento somente poderia ser feito a partir de 1994, e o prazo decadencial começaria a fluir em 1º de janeiro de 1995. De se ver, portanto, de que forma tais decisões devem ser reproduzidas no caso sob exame, em cumprimento das disposições regimentais. O Superior Tribunal de Justiça aponta, inequivocamente, para a contagem do prazo decadencial segundo as disposições do art. 173, I, do CTN, como regra geral. Esse seria também o dispositivo aplicável quando a lei determine o pagamento antecipado do tributo e o contribuinte não cumpra com essa obrigação e, ainda, inexistindo declaração prévia do débito. Além disso, também seria a aplicável a regra geral (art. 173, I) quando constatado dolo, fraude ou simulação na conduta do contribuinte. E é precisamente este o motivo que vislumbro para que a contagem do prazo decadencial se dê a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ser efetuado. Fl. 1551DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.552 33 Tenho me manifestado em diversas ocasiões no sentido de que o dolo deve ser extraído de cada situação concreta sob exame. No caso vertente, a conduta de engendrar e participar ativamente de todo um esquema de sonegação fraudulenta, inclusive mediante o uso de contacorrente bancária cuja titularidade formal era de pessoa jurídica fictícia e inexistente de fato, para ocultar da autoridade fazendária os vultosos recursos financeiros ali movimentados não pode levar a conclusão diversa: tais atos foram conscientes e intencionais, com o objetivo de impedir ou retardar o conhecimento por parte da autoridade fazendária da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária, conformandose essa conduta à sonegação, na dicção do art. 71 da Lei nº 4.502/1964. A aplicação correta da lei ao reconhecimento ou não da decadência depende tão somente da presença do elemento volitivo, do dolo na conduta do contribuinte relacionada às infrações apuradas. Aplicandose ao caso concreto as disposições do art. 173, I, do CTN temos: Para IRPJ e CSLL, com apuração trimestral, o fato gerador mais antigo ocorreu em 31/03/2007. O lançamento poderia ser efetuado em 01/04/2007, pelo que a fluência do prazo quinquenal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte, a saber, em 01/01/2008, encerrandose em 31/12/2012. Tendo sido o lançamento cientificado ao sujeito passivo em 10/12/2012 (fl. 697), não se há de falar em decadência. O mesmo se pode constatar para PIS e COFINS, com apuração mensal: o fato gerador mais antigo ocorreu em 31/01/2007. O lançamento poderia ser efetuado em 01/02/2007, pelo que a fluência do prazo quinquenal se inicia no primeiro dia do exercício seguinte, a saber, em 01/01/2008, encerrandose em 31/12/2012. Tendo sido o lançamento cientificado ao sujeito passivo em 10/12/2012 (fl. 697), também aqui não se há de falar em decadência. Se os fatos mais antigos não foram alcançados pela decadência, a mesma conclusão se pode estender aos fatos mais recentes. Por todo o exposto, concluo da mesma forma que a autoridade julgadora a quo, pela inocorrência da decadência no caso sob exame. A recorrente sustenta que não haveria fundamento para a responsabilização pessoal dos sócios, segundo art. 135 do CTN e, com isso, pretende obter a exclusão da responsabilidade tributária imputada ao sócio Sr. José Roberto Monte. Entendo que a contribuinte Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. carece de interesse de agir e de legitimidade processual, no que toca à responsabilidade tributária atribuída ao Sr. José Roberto Monte. O Decreto nº 70.235/1972 não se refere de forma específica às condições de interesse e legitimidade para propor impugnação e recurso, mas, do conteúdo de seus artigos 14 e seguintes depreendese que é legitimado para tanto aquele indicado como sujeito passivo no lançamento. Fl. 1552DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.553 34 A Lei nº 9.784/1999, em seu artigo 9º, inciso II, traz de forma expressa o vínculo entre legitimidade no processo administrativo e interesse de agir, nos seguintes termos: Art. 9o São legitimados como interessados no processo administrativo: [...] II aqueles que, sem terem iniciado o processo, têm direitos ou interesses que possam ser afetados pela decisão a ser adotada; Releva, também, observar o que dispõe a Lei nº 5.869, de 11/01/1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicável de forma subsidiária ao processo administrativo fiscal. Transcrevo, abaixo, os artigos 2º, 3º e 6º. Art. 2o Nenhum juiz prestará a tutela jurisdicional senão quando a parte ou o interessado a requerer, nos casos e forma legais. Art. 3o Para propor ou contestar ação é necessário ter interesse e legitimidade. [...] Art. 6o Ninguém poderá pleitear, em nome próprio, direito alheio, salvo quando autorizado por lei. O interesse de agir e a legitimidade de parte são duas das três condições da ação3, segundo a teoria do Direito Processual Civil. Ensina Humberto Theodoro Júnior4 que: [...] a existência da ação depende de alguns requisitos constitutivos que se chamam “condições da ação”, cuja ausência, de qualquer um deles, leva à “carência de ação”, e cujo exame deve ser feito, em cada caso concreto, preliminarmente à apreciação do mérito, em caráter prejudicial. Nessa ordem de idéias, condições ou requisitos da ação, como os conceitua Arruda Alvim, “são as categorias lógicojurídicas, existentes na doutrina e, muitas vezes na lei (como é claramente o caso do direito vigente), mediante as quais se admite que alguém chegue à obtenção da sentença final”. Por conseguinte, à falta de uma condição da ação, o processo será extinto, prematuramente, sem que o Estado dê resposta ao pedido de tutela jurisdicional do autor, isto é, sem julgamento de mérito (art. 267, nº VI). Haverá ausência do direito de ação, ou, na linguagem corrente dos processualistas, ocorrerá carência de ação. Prossegue o Mestre5, especificamente acerca do interesse de agir: A segunda condição da ação é o interesse de agir, que também não se confunde com o interesse substancial, ou primário, para cuja proteção se intenta a mesma ação. O interesse de agir, que é instrumental e secundário, surge da necessidade de obter através do processo a proteção ao interesse substancial. Entendese, dessa maneira, que há interesse processual “se a parte sofre um prejuízo, 3 A terceira condição da ação é a possibilidade jurídica do pedido, de que aqui não se trata. 4 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil, 40ª Ed., vol. I. Rio de Janeiro: Forense, 2003, p. 49. 5 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Obra citada, p. 52. Fl. 1553DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.554 35 não propondo a demanda, e daí resulta que, para evitar esse prejuízo, necessita exatamente da intervenção dos órgãos jurisdicionais”. Localizase o interesse processual não apenas na utilidade, mas especificamente na necessidade do processo como remédio apto à aplicação do direito objetivo no caso concreto, pois a tutela jurisdicional não é jamais outorgada sem uma necessidade [...]. Essa necessidade se encontra naquela situação “que nos leva a procurar uma solução judicial, sob pena de, se não o fizermos, vermonos na contingência de não podermos ter satisfeita uma pretensão (o direito de que nos afirmamos titulares)”. [...] Só o dano ou o perigo de dano jurídico, representado pela efetiva existência de uma lide, é que autoriza o exercício do direito de ação. Quanto à legitimidade de parte, o trecho a seguir transcrito6 é de clareza lapidar e, entendo, perfeitamente aplicável à situação sob exame: Destarte, legitimados ao processo são os sujeitos da lide, isto é, os titulares dos interesses em conflito. A legitimação ativa caberá ao titular do interesse afirmado na pretensão, e a passiva ao titular do interesse que se opõe ou resiste à pretensão. De par com a legitimação ordinária, ou seja, a que decorre da posição ocupada pela parte como sujeito da lide, prevê o direito processual, em casos excepcionais, a legitimidade extraordinária, que consiste em permitirse, em determinadas circunstâncias, que a parte demande em nome próprio, mas na defesa de interesse alheio. Ressaltese, porém, a excepcionalidade desses casos que, doutrinariamente, se denominam “substituição processual”, e que podem ocorrer, por exemplo, com o marido na defesa dos bens dotais da mulher, com o Ministério Público na ação de acidente do trabalho, ou na ação civil de indenização do dano ex delicto, quando a vítima é pobre etc. A não ser, portanto, nas exceções expressamente autorizadas, em lei, a ninguém é dado pleitear, em nome próprio, direito alheio (art. 6º) [...]. Quanto à falta de interesse de agir, observo que o pedido, feito pela Aspen, de exclusão da responsabilidade solidária atribuída ao Sr. José Roberto Monte em nada aproveita à recorrente. Examinemos, por hipótese, a situação em que o crédito tributário fosse mantido, e excluída a responsabilidade da pessoa física indicada: a Aspen ocuparia, sozinha, o pólo passivo da relação jurídicotributária, e somente dela poderia ser exigido o crédito mantido. Vejamos, agora, outra situação igualmente hipotética, em que o crédito tributário fosse mantido, e também assim a responsabilidade da pessoa física indicada: desde que a responsabilidade, no caso, é solidária, o crédito tributário mantido poderia ser exigido, integralmente, de qualquer um dos sujeitos passivos solidários, inclusive a Aspen, sem benefício de ordem. Uma terceira hipótese seria a exoneração integral do crédito tributário, caso em que não faria qualquer sentido se falar em responsabilidade tributária. Como se vê, esse pedido é absolutamente desnecessário aos interesses da recorrente Aspen. Não lhe adviria qualquer prejuízo, se negado, nem ganho algum, se provido. Não há dano nem perigo de dano jurídico, caracterizandose, assim, a falta de interesse de agir. Diretamente ligada ao exposto verifico a ilegitimidade da Aspen como parte, no que toca à responsabilidade tributária. Aqueles que teriam direitos ou interesses passíveis de serem afetados pela decisão a ser adotada nessa matéria seriam o Sr. Baltazar Borges Fiúza 6 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Obra citada, p. 54. Fl. 1554DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 10830.727525/201219 Acórdão n.º 1301001.930 S1C3T1 Fl. 1.555 36 Filho e o Sr. José Roberto Monte. O primeiro não veio ao processo em sede de recurso. O segundo foi moroso, e recorreu a destempo. Ao pleitear a exclusão da responsabilidade tributária atribuída à pessoa física, a Aspen pleiteia direito alheio em nome próprio, o que somente seria admissível em caráter excepcional, mediante expressa autorização legal. Pelos fundamentos acima desenvolvidos, deixo de conhecer dos argumentos e do pedido trazidos pela recorrente Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. acerca da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. José Roberto Monte. Finalmente, quanto ao pedido de extinção da representação fiscal para fins penais, é suficiente trazer a lume o teor da Súmula CARF nº 28, com o que me eximo de maiores considerações. Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Em conclusão, voto por: 1. Não conhecer do recurso voluntário interposto pelo responsável Sr. José Roberto Monte. 2. Não conhecer dos argumentos e do pedido trazidos pela recorrente Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. acerca da responsabilidade tributária atribuída ao Sr. José Roberto Monte. 3. No mais, rejeitar as preliminares e negar provimento ao recurso voluntário interposto por Aspen Distribuidora de Combustíveis Ltda. (assinado digitalmente) Waldir Veiga Rocha Fl. 1555DF CARF MF Impresso em 10/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/03/2016 por WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 09/03/2016 p or WALDIR VEIGA ROCHA, Assinado digitalmente em 10/03/2016 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721731/2011-19
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, cabendo à Administração impulsionar o processo até o seu desfecho, mormente quando não se observa qualquer prejuízo ao sujeito passivo.
JUROS DE MORA. CABIMENTO.
São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
Numero da decisão: 1201-001.336
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário na parte objeto de concomitância com o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo, e, quanto à parte conhecida, de mérito, negar-lhe provimento. Os créditos tributários sub judice permanecem com sua exigibilidade suspensa até decisão final do MS 2008.61.00.006351-4.
(documento assinado digitalmente)
Marcelo Cuba Netto Presidente
(documento assinado digitalmente)
Roberto Caparroz de Almeida Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
Nome do relator: ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201602
camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2007 PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, cabendo à Administração impulsionar o processo até o seu desfecho, mormente quando não se observa qualquer prejuízo ao sujeito passivo. JUROS DE MORA. CABIMENTO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral.
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
dt_publicacao_tdt : Fri Feb 19 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 16327.721731/2011-19
anomes_publicacao_s : 201602
conteudo_id_s : 5568157
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 1201-001.336
nome_arquivo_s : Decisao_16327721731201119.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA
nome_arquivo_pdf_s : 16327721731201119_5568157.pdf
secao_s : Primeira Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário na parte objeto de concomitância com o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo, e, quanto à parte conhecida, de mérito, negar-lhe provimento. Os créditos tributários sub judice permanecem com sua exigibilidade suspensa até decisão final do MS 2008.61.00.006351-4. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa.
dt_sessao_tdt : Tue Feb 02 00:00:00 UTC 2016
id : 6283473
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:13 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123770667008
conteudo_txt : Metadados => date: 2016-02-15T19:01:25Z; pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; Last-Modified: 2016-02-15T19:01:25Z; dcterms:modified: 2016-02-15T19:01:25Z; dc:format: application/pdf; version=1.4; Last-Save-Date: 2016-02-15T19:01:25Z; access_permission:fill_in_form: true; pdf:docinfo:modified: 2016-02-15T19:01:25Z; meta:save-date: 2016-02-15T19:01:25Z; pdf:encrypted: true; modified: 2016-02-15T19:01:25Z; Content-Type: application/pdf; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; pdf:charsPerPage: 2195; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf | Conteúdo => S1C2T1 Fl. 2 1 1 S1C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16327.721731/201119 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 1201001.336 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 02 de fevereiro de 2016 Matéria Auto de Infração Recorrente BANCO SANTANDER BRASIL S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007 AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DOCUMENTAL. INEFICÁCIA. Para a comprovação de seus argumentos, deve o recurso ser instruído com todos os documentos e provas necessários. Meras alegações, desacompanhadas dos documentos comprobatórios, não são suficientes para infirmar a procedência do lançamento efetuado. TRIBUTAÇÃO REFLEXA. CSLL. DECORRÊNCIA. Tratandose de tributação reflexa decorrente de irregularidades apuradas no âmbito do Imposto sobre a Renda, constantes do mesmo processo, aplicamse à CSLL, por relação de causa e efeito, os mesmos fundamentos do lançamento primário. JUROS DE MORA. CABIMENTO. São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2007 PROCESSO JUDICIAL E IMPUGNAÇÃO ADMINISTRATIVA. CONCOMITÂNCIA. RENÚNCIA. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. SOBRESTAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 17 31 /2 01 1- 19 Fl. 734DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 3 2 Não há previsão legal para o sobrestamento do processo administrativo, que se rege pelo princípio da oficialidade, cabendo à Administração impulsionar o processo até o seu desfecho, mormente quando não se observa qualquer prejuízo ao sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso voluntário na parte objeto de concomitância com o mandado de segurança impetrado pelo sujeito passivo, e, quanto à parte conhecida, de mérito, negarlhe provimento. Os créditos tributários sub judice permanecem com sua exigibilidade suspensa até decisão final do MS 2008.61.00.0063514. (documento assinado digitalmente) Marcelo Cuba Netto – Presidente (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Cuba Netto, Roberto Caparroz de Almeida, Gilberto Baptista, Luis Fabiano Alves Penteado, João Carlos de Figueiredo Neto e Ester Marques Lins de Sousa. Relatório Tratase de Autos de Infração de IRPJ e CSLL lavrados contra o contribuinte em epígrafe, sucessor do Banco Sudameris (BCIS), relativos ao processo de desmutualização ocorrido em 2007, para os membros da BOVESPA. Segundo a fiscalização, o sujeito passivo não ofereceu à tributação do IRPJ e da CSLL, no anocalendário de 2007, o ganho auferido na devolução de títulos patrimoniais da instituição isenta BM&F, apurado pela diferença entre o valor das ações recebidas de emissão da BM&F S/A e o valor entregue para a formação do patrimônio da referida associação. A decisão de primeira instância aponta, em detalhes, a matéria fática e jurídica em discussão, razão pela qual reproduzimos, a seguir, os principais trechos do relatório: Fl. 735DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 4 3 1) Da ações ordinárias de emissão da BM&F S/A recebidas como devolução dos títulos patrimoniais da associação isenta BM&F A desmutualização da associação BM&F foi aprovada pelos associados em 20/09/2007, com efeitos a partir de 01/10/2007, e consistiu na cisão parcial da BM&F e na incorporação da parcela cindida pela BM&F S/A, que assumiu todas as atividades comerciais da BM&F, a qual manteve apenas atividades educacionais, assistenciais e esportivas. O BCIS detinha títulos patrimoniais de membro de compensação e de sócio efetivo da BM&F registrados no ativo permanente. No entanto, o BCIS não apresentou comprovação dos valores entregues para a formação do patrimônio da BM&F, nem do custo de aquisição dos títulos patrimoniais. Os títulos eram atualizados periodicamente e as contrapartidas eram registradas no patrimônio líquido, na conta Cosif “6.1.3.70.009 – Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais”. O saldo contábil desses títulos em 09/2007 era de R$4.981.610,00. Com a desmutualização da BM&F, os associados da BM&F receberam ações da BM&F S/A de acordo com cada categoria de título patrimonial, da seguinte forma: Emissão de ações da BM&F S/A por categoria de título patrimonial No caso do BCIS, os títulos foram baixados em 01/10/2007, em razão do recebimento de 4.981.610 ações ordinárias de emissão da BM&F S/A, no valor total de R$4.981.610,00, as quais foram contabilizadas como investimentos no ativo permanente. Nesse processo, o BCIS não apurou ganho nem perda. 2) Da medida judicial O BCIS impetrou, juntamente com outras empresas, o Mandado de Segurança (MS) nº 2008.61.00.0063514 para afastar a incidência do IRPJ e da CSLL sobre o valor da atualização dos títulos patrimoniais da Bovespa e BM&F (fls. 4560). Fl. 736DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 5 4 A liminar foi concedida em 18/03/2008, suspendendo a exigibilidade do crédito tributário constituído com base na Solução de Consulta Cosit nº 10/2007. Foram interpostos embargos de declaração pelas impetrantes, sendo a decisão foi alterada para (fls.61 64 e 74): (...) constar a concessão da segurança nos termos em que requerida na petição inicial, restando afastada a incidência do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais que as impetrantes detinham da Bovespa e da BM&F, espelhados pela conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais” e que foram convertidos em ações. Em razão de recurso de apelação da Fazenda Nacional, os autos foram remetidos ao Tribunal Regional Federal da 3ª Região, estando conclusos ao relator. Ressaltese que o BCIS não detinha títulos patrimoniais da Bovespa, mas ações da Companhia Brasileira de Liquidação e Custódia (CBLC), empresa privada com fins lucrativos. Por não ter oferecido à tributação o ganho apurado no recebimento de ações de emissão da Bovespa Holding pelas ações da CBLC, a contribuinte foi autuada pelo IRPJ e pela CSLL, exigidos no processo nº 16327.721732/201155. 3) Da análise dos fatos e da legislação aplicável Conforme a Solução de Consulta Cosit nº 10/2007, a desmutualização se enquadra no art. 17 da Lei nº 9.532/97, pois envolve a devolução do capital de associação civil sem fins lucrativos por meio de transferência de bens do patrimônio dessa associação para o patrimônio de outra pessoa jurídica, tornando os associados da entidade isenta acionistas da nova empresa. Assim, há incidência de tributos sobre a diferença entre o valor das ações recebidas pelos associados e o custo de aquisição das cotas do patrimônio das bolsas de valores. A consulta também concluiu que a participação em sociedades civis sem fins lucrativos não deve ser avaliada pelo MEP, mas sim, pelo custo de aquisição. Considerando que o BCIS não comprovou os valores entregues na formação do patrimônio social da BM&F, nem o custo de aquisição dos títulos patrimoniais, será atribuído custo zero aos referidos títulos. Sendo assim, o valor nominal de R$ 4.981.610,00, referente às ações ordinárias recebidas de emissão da BM&F S/A, representa o ganho auferido na devolução dos títulos patrimoniais de entidade isenta, tributável pelo IRPJ e CSLL, de acordo com o art. 17 da Lei nº 9.532/97. Em vista da segurança concedida no MS 2008.61.00.0063514, o crédito tributário apurado será lançado com a exigibilidade suspensa, nos termos do art. 151, IV, do CTN. Os autos de infração constam às fls. 14191435, e foram fundamentados nos seguintes dispositivos legais: Fl. 737DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 6 5 (...) Da impugnação Inconformada, a contribuinte apresentou a impugnação de fls. 436465, acompanhada dos documentos de fls.466637, alegando, em síntese: 1) Dos fatos Na desmutualização, os títulos patrimoniais da BM&F foram substituídos por ações da BM&F S/A, e a fiscalização lançou os tributos sobre o ganho representado pela diferença entre o valor original dos títulos e sua valorização no momento da desmutualização, atribuindo custo zero aos referidos títulos. Tal entendimento é equivocado, como se demonstrará. Além disso, o crédito tributário está suspenso em razão de concessão de segurança no MS nº 2008.61.00.0063514, impetrado para afastar a incidência de IRPJ e de CSLL sobre o valor da atualização dos títulos patrimoniais da BM&F. Em vista do exposto, devem ser cancelados os autos de infração, como se verá a seguir. 2) Da preliminar: inexistência de renúncia administrativa e necessidade de sobrestamento do processo administrativo A interpretação do Ato Declaratório Normativo Cosit nº 03/96 para o art. 38 da Lei nº 6.830/80, de que a propositura de ação judicial pelo contribuinte, mesmo que anterior à autuação fiscal, implica renúncia à esfera administrativa, não é adequada, pois nessa Lei o legislador pretendeu considerar apenas as hipóteses em que a medida judicial é interposta após a lavratura do auto de infração. Na exposição de motivos do dispositivo, veiculada pela Mensagem do Congresso Nacional nº 87/80, o legislador afirmou que somente há renúncia quando há o ingresso em juízo “contra o título materializado da obrigação”, isto é, contra o auto de infração. Essa conclusão aplicase igualmente ao disposto no art. 1º, §2º, do DecretoLei nº 1.737/79, pelo qual o lançamento também deve ser anterior à medida judicial. Se o processo judicial for extinto sem julgamento de mérito, e houver sido presumida a renúncia à via administrativa, a discussão sobre a exigência tributária não será apreciada em qualquer esfera. Como não ocorreu renúncia à via administrativa, requerse a apreciação da impugnação, levandose ao cancelamento da exigência fiscal. Caso assim não se entenda, deverá ser sobrestado o julgamento administrativo até decisão judicial definitiva, conforme art.265, IV, do Código de Processo Civil. 3) Do Direito Fl. 738DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 7 6 3.1) Do art. 17 da Lei nº 9.532/97 Para a fiscalização, a desmutualização envolveu a extinção da associação BM&F e a criação da BM&F S/A, com a devolução dos títulos patrimoniais aos associados, justificandose a aplicação do art.17 da Lei nº 9.532/97. No entanto, a substituição dos títulos por ações decorreu da transformação da associação em sociedade por ações, conforme art. 2.033 do Código Civil. Na desmutualização houve mera reclassificação de direitos, ou uma permuta de ativos, aplicando se às ações recebidas o mesmo tratamento contábil e tributário dispensado aos títulos patrimoniais. Como não houve subsunção do fato à norma, devem ser cancelados os autos de infração. Não ocorreu extinção da BM&F, pois os sócios não foram convocados para receber seus ativos de volta. Assim, também não ocorreu a extinção dos títulos, tampouco uma devolução de patrimônio que justifique a aplicação do art. 17 da Lei nº 9.532/97. A desmutualização não pode ser classificada como alienação (nem como a realização da reserva de atualização dos títulos), pois não possibilitou aos associados da BM&F alternativa à substituição dos títulos por ações. Ressaltese que não se verifica na desmutualização a intenção de os sócios se desfazerem de seus títulos patrimoniais. Assim, não houve ganho da impugnante na desmutualização, eis que não houve pagamento em dinheiro nessa ocasião, sendo recebidas ações de valor total idêntico ao dos títulos. Ainda que se entenda que a atualização do valor dos títulos fosse um ganho de capital, certo é que esse ganho não foi realizado, pois não ocorreu a disponibilidade econômica passível de tributação. Na Decisão Cosit nº 13/97 a RFB analisou operação análoga, concluindo que houve mera permuta prevista no art. 22 da Lei nº 9.249/95, não incidindo o IRPJ nessa operação. Pelo exposto, é indevida a incidência de IRPJ e de CSLL sobre a atualização dos títulos patrimoniais, devendo ser cancelados os autos de infração. 3.2) Da Port. MF nº 785/77, do Método da Equivalência Patrimonial (MEP) e da inexistência de disponibilidade passível de tributação A fiscalização tributou a valorização dos títulos, apesar de reconhecer que essa atualização não fora tributada por força da Port. MF nº 785/77 e de informar que tributou a “devolução do patrimônio”. Ocorre que, de acordo a referida Portaria, tais atualizações não podem ser tributadas. As agências reguladoras podem impor às entidades reguladas o MEP em outras hipóteses além daquelas previstas na Lei nº Fl. 739DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 8 7 6.404, conforme reconheceu a União no Parecer Normativo (PN) CST nº 78/78. Nesse passo, o Banco Central do Brasil (Bacen) e a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) impõem a adoção de sistemática idêntica ao MEP, previsto no art. 248 da Lei n° 6.404/76, para avaliação dos títulos patrimoniais das bolsas de valores. Por sua vez, o Conselho Monetário Nacional (CMN) estabeleceu no capítulo 1, item 11, subitem 3, § 3º, do Cosif, que a atualização do valor dos títulos de bolsas de valores deve ser feita tendo como contrapartida a conta de “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais”. Tal norma é de observância obrigatória pela contribuinte, conforme Circular Bacen nº 1.273/87. No mesmo sentido, o Ofício Circular CVM nº 325/79 estabeleceu que os títulos das bolsas devem ser ajustados pelo MEP, sendo tal norma reconhecida pela União no Parecer CST nº 2.254/81 e na Decisão Cosit nº 13/97. Pelo exposto, aplicamse ao presente caso os art. 225, §1º, e 389 do RIR/99, que estabelecem a não incidência do IRPJ e da CSLL no resultado da avaliação de investimento pelo MEP. 3.3) Da iliquidez e incerteza dos autos de infração De acordo com o fundamento legal utilizado na autuação, art. 17 da Lei nº 9.532/97, a diferença apurada deverá ser computada na determinação do lucro real. Assim, a fiscalização deveria ter recomposto o lucro real apurado pela contribuinte no ano calendário 2007, conforme os art. 247 e 249 do RIR/99. Em razão de não ter sido recomposto o lucro real, a alíquota aplicável ao IRPJ seria de 15%, prevista no art. 17 da Lei nº 9.532/97. A fiscalização não poderia ter aplicado o adicional de 10% sobre a diferença considerada tributável, pois tal adicional é devido apenas sobre a parcela que exceder o valor resultante de R$ 20.000,00 multiplicado pelo número de meses do período de apuração, consoante o art. 3º da Lei nº 9.249/95, alterado pela Lei nº 9.430/96. Além disso, não poderia ter sido atribuído custo zero à aquisição dos títulos patrimoniais em razão de suposto não recebimento da documentação comprobatória desse valor. A fiscalização poderia ter analisado os registros contábeis da impugnante. Por conterem erro de cálculo, os lançamentos não possuem os atributos de liquidez e certeza previstos no art.142 do CTN e art. 10 e 11 do Decreto nº 70.235/72, sendo, portanto, nulos. 3.4) Da inaplicabilidade da exigência dos juros de mora Em razão de a exigibilidade do crédito estar suspensa, não podem ser cobrados juros de mora. A submissão da matéria ao Fl. 740DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 9 8 Judiciário exclui a mora, garantindo assim o acesso à Justiça previsto no art.5º, XXXIV e XXXV, da CF/88. Em sessão de 10 de outubro de 2013, a 10a Turma da Delegacia de Julgamento de São Paulo, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, para manter os lançamentos a título de IRPJ e CSLL. Com a decisão, o interessada interpôs Recurso Voluntário, no qual repetiu, basicamente, os argumentos da impugnação. Os autos foram encaminhados a este Conselho para apreciação e julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Roberto Caparroz de Almeida, Relator O recurso é tempestivo e atende aos pressupostos legais, razão pela qual dele conheço. Tendo em vista os argumentos trazidos pela defesa, faremos a análise tópica dos pontos levantados na peça recursal. Preliminar Como preliminar, alega o interessado que não houve desistência na esfera administrativa e que o processo deve ser sobrestado até a apreciação da matéria pelo Poder Judiciário. Neste ponto, descabe qualquer digressão teórica acerca da validade ou não do Ato Declaratório COSIT n. 03/96, bem assim sobre o momento da eventual propositura da ação judicial (se antes ou depois do lançamento, como quer a Recorrente), pois a matéria encontra se sumulada neste Conselho: Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Portanto, sempre que houver concomitância entre as matérias discutidas no judiciário e aquelas objeto de processo administrativo teremos a conformação da renúncia automática do contribuinte. Fl. 741DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 10 9 Conquanto no caso em tela nem se questione se há ou não identificação entre as matérias discutidas no MS 2008.61.00.0063514, convém destacar os trechos mais relevantes do pedido formulado ao Poder Judiciário (fls. 46 e seguintes dos autos) para nos certificarmos da perfeita identidade entre parte do alegado neste processo e aquilo que está em debate no TRF da 3a Região: Em outras palavras, a pretensão reside na não incidência dos tributos sobre o valor da atualização efetivada até a data da operação societária de desmutualização. Assim, mesmo em eventual venda das ações, o valor da reserva de atualização dos títulos não estaria sujeito à incidência do IRPJ e da CSL. Nesse caso, a base de cálculo dos tributos deve ser a diferença entre o valor de venda e o valor atualizado dos títulos que foram convertidos em ações até a data da desmutualização, e não a diferença entre o valor de venda e valor de aquisição, como pretende a Autoridade Coatora, de modo a se excluir, justamente, a quantia correspondente à atualização dos títulos, que não é passível de tributação. (...) requerem (...) seja concedida a segurança para o fim de se afastar a incidência do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais que as Impetrantes detinham da Bovespa e da BM&F, espelhados pela conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais”, e que foram convertidos recentemente em ações. Subsidiariamente, requerem: (...) que seja reconhecido que ainda não ocorreu a hipótese de incidência do IRPJ e da CSL no caso dos autos, o que só pode ocorrer por força de potencial alienação desses títulos convertidos em ações, declarandose, em consequência, a não incidência do IRPJ e da CSL sobre o valor correspondente às ações que não eventualmente foram alienadas. (grifos no original) Como bem destacado pela decisão recorrida, que adotou posição idêntica ao nosso entendimento, os próprios fundamentos utilizados no Mandado de Segurança confirmam a concomitância entre as esferas, com prejuízo da discussão no processo administrativo: fls. 4647 (...) os títulos dessas bolsas anteriormente detidos pelas instituições associadas dessas entidades (tais como as Impetrantes) foram substituídos por ações da Bovespa Holding S.A. e da BM&F S.A., conforme previamente deliberado nas respectivas AGEs. Por se tratar de mera permuta, sem auferimento de acréscimos patrimoniais, entendem as Impetrantes que não haveria que se falar em incidência do IRPJ e da CSLL. (...) a Receita Federal assentou, na Decisão nº13/97 da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (COSIT), que o Fl. 742DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 11 10 valor correspondente a essa atualização não era passível de incidência de IRPJ e de CSL. Todavia, recentemente, a União alterou seu entendimento na Solução de Consulta nº10/07, da COSIT (...) Para tanto, asseverou que a tributação estaria fundada no art.17 da Lei nº 9.532/97. Contudo, tal fundamento não é aplicável ao caso dos autos (....) fls. 4849 Tratase da Portaria nº 785/77, pela qual o Ministério da Fazenda dispôs expressamente que essas atualizações de títulos patrimoniais nas bolsas de valores contabilizadas pelas instituições, quando positivas, não estariam sujeitas à tributação pelo IRPJ (...) fls. 5156 Desse poder [das agências reguladoras] deriva a faculdade de impor às reguladas a adoção do regime jurídico da equivalência patrimonial em outras hipóteses além daquelas previstas na Lei nº 6.404/76. A União partilha de tal entendimento (...) conforme se infere do item 7 do Parecer Normativo do Coordenador do Sistema de Tributação nº 78/78 (...) Com efeito, o Conselho Monetário Nacional estabeleceu, no plano de contas que deve ser seguido pelas instituições financeiras e equiparadas, dentre elas as Impetrantes, que a atualização do valor dos Títulos Patrimoniais que tais instituições detenham de bolsas deve ser contabilizada [conforme o Cap.1, item 11, subitem 3, § 3º, do Cosif] Tal norma é de observância compulsória pelas Impetrantes, (...), nos termos da Circular nº 1.273, de 29 de dezembro de 1987, do Banco Central do Brasil (...) A mesma orientação do Conselho Monetário Nacional também foi instituída pela Comissão de Valores Mobiliários, que, pelo Ofício Circular CVM nº 325, de 21 de fevereiro de 1979, estabeleceu que os títulos das bolsas devem ser ajustados pelas associadas – dentre elas as Impetrantes – de acordo com o método da equivalência patrimonial. Nessa mesma linha manifestouse a União (...) conforme exposto no Parecer do Coordenador do Sistema de Tributação (“CST”) nº 2.254/1981 e na Decisão nº13/1997 da CoordenaçãoGeral do Sistema de Tributação (“COSIT”) (...) Logo, aplicamse ao caso em exame os preceitos legais que versam sobre o tratamento tributário das avaliações procedidas pelo método da equivalência patrimonial, quais sejam, os artigos 225 e 389 do Regulamento do Imposto sobre a Renda de 1999 (Decreto nº 3.000/99). 2.3 A Impropriedade do novo entendimento da Receita Federal (...) o entendimento anterior manifestado pela Receita Federal, Fl. 743DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 12 11 consubstanciado na Decisão nº 13/97 da COSIT, foi, posteriormente, suplantado quando da Solução de Consulta nº 10/07 do mesmo órgão (...) (...) a Receita Federal pauta seu entendimento em alguns dispositivos; especificamente, para justificar a tributação em comento, invoca o artigo 17 da Lei nº 9.532/97. Depreendese deste dispositivo e, portanto, do entendimento manifestado pelo Fisco na referida ementa à solução de consulta, que haveria no caso dos autos a devolução do patrimônio aplicado pelas associações nas bolsas para a aquisição dos títulos patrimoniais, o que justificaria a incidência do IRPJ em razão da operação objeto desta demanda. Ocorre que a aplicação do aludido dispositivo somente seria possível caso tivesse ocorrido a extinção das associações e a constituição de novas sociedades, o que não é a hipótese dos autos (...) 2.4 Momento da ocorrência do ganho de capital Ainda que se entenda que a atualização dos títulos até a desmutualização representa ganho de capital, certo é que esse ganho não foi realizado pela mera transformação das bolsas em sociedades anônimas, uma vez de (sic) tal fato não decorre a disponibilidade econômica desse valor. É que a operação de desmutualização, anteriormente definida como a substituição dos títulos por ações da companhia resultante da reorganização, representa mera reclassificação de um direito ou, quando muito, uma permuta de ativos, pela qual um determinado bem é substituído por outro de igual valor. Esse ato permutativo é previsto no art. 22 da Lei nº 9.249/95, que assevera não haver incidência do Imposto sobre a Renda em decorrência de operações dessa natureza, (...) Demais disso, na desmutualização não se verifica, em qualquer momento, a intenção das instituições de se desfazerem de seu ativos (títulos). Percebese, à evidência, que toda a questão de fundo da presente autuação, bem assim como os fundamentos de fato e de direito dos lançamentos e da consequente linha de defesa do sujeito passivo foram expressamente consignados no Mandado de Segurança, o que enseja, sem margem para dúvidas, hipótese de aplicação da Súmula 1 deste Conselho. Assim, a coisa julgada no Poder Judiciário deverá sempre prevalecer, sem qualquer possibilidade de alteração ou redução no âmbito administrativo, razão pela qual, ante o princípio da jurisdição una, deve a discussão ser parcialmente encerrada neste processo, como bem anotado pela Delegacia de Julgamento. No que tange ao sobrestamento deste feito também não assiste razão à Recorrente. Primeiro porque não há previsão legal para tal medida, além do que isso em nada lhe traria qualquer benefício ou prejuízo. Fl. 744DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 13 12 Ademais, mesmo a eventual preocupação manifestada no Recurso, de que se não houvesse apreciação do mérito (extinção do julgamento judicial sem análise do mérito) poderseia incorrer numa situação de non liquet, tal presunção resta afastada, visto que já houve decisão de primeira instância, sintetizada, após os embargos de declaração apresentados pelo interessado, nos seguintes termos: (...) constar a concessão de segurança nos termos em que requerida na petição inicial, restando afastada a incidência do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido sobre o valor correspondente à atualização dos títulos patrimoniais que as impetrantes detinham da Bovespa e da BM&F, espelhados pela conta “Reserva de Atualização de Títulos Patrimoniais” e que foram convertidos recentemente em ações. (grifamos) Dessa decisão apelou a União, sendo que, conforme consulta efetuada no sítio do TRF da 3a Região, os autos encontramse conclusos para o Relator, desde 2013. Ante o exposto, voto por afastar as preliminares suscitadas. Mérito Quanto ao mérito, devem ser analisados os tópicos não prejudicados pelo reconhecimento da concomitância, conforme descritos a seguir. Com efeito, foram abordadas cinco questões no Recurso Voluntário: a) Da aplicabilidade do artigo 17 da Lei n. 9.532/97; b) Da Portaria do Ministério da Fazenda, do Método da Equivalência Patrimonial e da Inexistência de Disponibilidade Passível de Tributação; c) Ausência de Acréscimo Patrimonial no Momento da Desmutualização Não Realização da Renda; d) Iliquidez e Incerteza das Autuações Fiscais Necessidade de Cancelamento das Autuações; e) Da Inaplicabilidade da Exigência dos Juros de Mora. Os itens "a", "b" e "c" acima tratam de questões de mérito que estão em discussão no Poder Judiciário, de sorte que, na esteira do raciocínio desenvolvido em sede preliminar, não devem ser objeto de apreciação na esfera administrativa. Remanescem, portanto, o tema da iliquidez e incerteza do lançamento e o dos juros de mora. No que tange à iliquidez do lançamento, que seria capaz de fulminar a pretensão do Fisco, assim se manifestou, em síntese, a Recorrente: Fl. 745DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 14 13 De fato, o montante do crédito tributário de IRPJ e CSLL supostamente devido pelo Recorrente foi apurado de forma equivocada, o que deve ensejar a nulidade do lançamento, motivo pelo qual o entendimento firmado pelo acórdão recorrido merece ser reformado por este E. CARF, conforme se passa a demonstrar. Conforme se depreende da análise do Termo de Verificação Fiscal, entendeu o Agente Fiscal que a aludida operação de desmutualização propiciou ao Recorrente um ganho de R$ 4.981.610,00 no anobase de 2007, em virtude do suposto "custo zero" na aquisição dos títulos patrimoniais da BM&F. Todavia, mesmo que se considerasse que a desmutualização configurou acréscimo patrimonial, o que se alega por argumentação, a Fiscalização deveria ter subtraído da base de cálculo do IRPJ e da CSLL (R$ 4.981.610,00) o valor registrado na contabilidade do Recorrente referente aos títulos patrimoniais, e não simplesmente ter considerado como "zero" o custo de tais títulos. Isso porque, conforme reconhecido pela própria Fiscalização no Termo de Verificação Fiscal que acompanhou os autos de infração ora combatidos, o Recorrente atualizava periodicamente a valorização dos títulos patrimoniais da BM&F pelo Método da Equivalência Patrimonial MEP, motivo pelo qual se registrou um aumento do seu custo de aquisição ano a ano. Entende o Recorrente que, com fulcro no artigo 195 do CTN, teria se consumado o prazo decadencial (ou de preclusão), não sendo mais possível qualquer discussão acerca "da legalidade dos atos societários que originaram o custo de aquisição do Título Patrimonial da BM&F". Entendo que não assiste razão ao interessado. Primeiro, porque há, no raciocínio, confusão quanto ao conceito de "decadência" formulado pelo Código Tributário Nacional. Diz o artigo 195 do CTN: Art. 195. Para os efeitos da legislação tributária, não têm aplicação quaisquer disposições legais excludentes ou limitativas do direito de examinar mercadorias, livros, arquivos, documentos, papéis e efeitos comerciais ou fiscais, dos comerciantes industriais ou produtores, ou da obrigação destes de exibilos. Parágrafo único. Os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados serão conservados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. Com base no parágrafo único acima transcrito, o Recorrente entende que teria ocorrido a decadência do direito do Fisco de exigir (ou do seu dever de manter a guarda) os Fl. 746DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 15 14 documentos que comprovariam o real valor de aquisição, porque teria transcorrido o lapso decadencial de cinco anos entre o fato que ensejou a apuração do custo de aquisição e a lavratura dos autos de infração em questão (10/02/2012). Como se sabe, a desmutualização foi decidida em Assembleia Geral em setembro de 2007, com produção de efeitos a partir de outubro do mesmo ano. Ora, como o próprio interessado reconhece que tomou ciência dos autos de infração em fevereiro de 2012 (fls. 411 e ss.), resta evidente que não ocorreu decadência nem qualquer outro obstáculo de natureza legal que pudesse macular os lançamentos efetuados. O que se discute, neste tópico, seria o dever do contribuinte em manter documentos que atestassem o valor de aquisição dos títulos, conforme estabelece o artigo 923 do Decreto n. 3.000/99: Art. 923. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a favor do contribuinte dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais. Entende a empresa que inexistiria tal dever, razão pela qual os lançamentos deveriam ser cancelados, posto que deveriam ser considerados os registros contábeis da empresa. Ocorre que a interessada foi intimada a apresentar a documentação de suporte aos registros, mas não entregou, durante todo o processo, qualquer documento hábil a comprovar o custo de aquisição dos títulos patrimoniais da BM&F. Aplicável, pois, de forma integral o artigo 923 do Decreto n. 3.000/99, já que seria do interesse do contribuinte apresentar documentos que fundamentassem suas alegações. Ante a ausência de comprovação dos valores, prevalece o entendimento da autoridade fiscal: Dessa forma, considerando que o BCIS não apresentou a documentação comprobatória dos valores entregues na formação do patrimônio social da BM&F ou o custo de aquisição dos títulos patrimoniais, a presente Fiscalização está atribuindo "custo zero" aos referidos títulos. Portanto, o valor registrado no ativo na conta Cosif "2.1.4.10.208 Títulos Patrimoniais de Bolsas de Mercadorias e Futuro", no montante de R$4.981.610,00, não pode ser considerado custo de aquisição, pois é apenas reflexo do engrandecimento constante do patrimônio social da BM&F; sendo atualizado conforme as regras do Cosif, aprovado pela Circular BACEN n° 1.273/87. Portanto, o valor nominal de R$4.981.610,00 referente às ações ordinárias recebidas de emissão da BM&F S.A, entidade privada, representa o próprio ganho auferido, na devolução dos títulos patrimoniais de entidade isenta, para fins de tributação do IRPJ e da CSLL, conforme disposto no art. 17 da Lei n° 9.532/97. Assim, referido valor está sendo objeto de tributação por meio de auto de infração que faz parte integrante deste Termo de Verificação Fiscal. (grifamos) Fl. 747DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 16 15 A Recorrente questiona, ainda, o cálculo efetuado pela fiscalização, que padeceria de vícios quanto à aplicação do adicional de IRPJ. Acerca da questão, convém reproduzir, pela clareza e correção, os fundamentos utilizados pela decisão de primeira instância, que acolho integralmente: Em relação à composição da base de cálculo do adicional de IRPJ, verificase que foi corretamente calculada, pois o BCIS já havia descontado dessa base a parcela referida no §1º do art.3º da Lei nº 9.249/95, conforme informado nas fichas 09B e 12B da DIPJ do anocalendário 2007 (fls.642). Na realidade, a impugnante é quem não levou em conta a recomposição da base de cálculo do adicional de IRPJ, eis que pede, em duplicidade, o desconto de parcela que já fora abatida, pelo BCIS, da base de cálculo do adicional de IRPJ na respectiva DIPJ. Por sua vez, a alíquota de IR exclusiva de 15%, referida no art. 17 da Lei nº 9.532/97, referese apenas a pessoa física, o que não é o caso da impugnante. Sendo assim, constatase que não há erro nos valores lançados, eis que, de acordo com o art. 17 da Lei nº 9.532/97 (matriz legal do art. 239 do RIR/99), fundamento legal da autuação, o valor a ser computado na apuração do lucro real é a diferença entre o valor dos bens recebidos da instituição isenta, no caso R$ 4.981.610,00, e o valor entregue para a formação do patrimônio dessa instituição (igual a zero devido à não comprovação pela contribuinte), mesmo valor apurado nos autos de infração (fls. 422 e 428). Descabe, portanto, qualquer alegação de vício ou nulidade dos lançamentos efetuados pela autoridade fiscal. Por fim, entende a Recorrente que não podem ser cobrados juros de mora, por força de a exigibilidade do crédito tributário estar suspensa por medida judicial. Contudo, o artigo 161 do Código Tributário Nacional expressamente autoriza a cobrança dos juros de mora, independente da justificativa: Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantias previstas nesta Lei ou em lei tributária. (grifamos) Idêntico comando também pode ser encontrado no artigo 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 748DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO Processo nº 16327.721731/201119 Acórdão n.º 1201001.336 S1C2T1 Fl. 17 16 (...) § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Percebese que a legislação de regência não traz qualquer exceção ou modulação para a regra geral de incidência de juros, inclusive na hipótese de suspensão da exigibilidade do crédito, motivo que certamente ensejou a publicação da Súmula n. 5 deste Conselho, que vaticina: Súmula CARF nº 5: São devidos juros de mora sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral. Ante o exposto NÃO CONHEÇO do Recurso Voluntário quanto ao itens objeto de concomitância, e na parte conhecida, de mérito, voto por NEGARLHE provimento, ressaltando que os créditos sub judice continuam com a exigibilidade suspensa até decisão final do MS nº 2008.61.00.0063514. É como voto. (documento assinado digitalmente) Roberto Caparroz de Almeida Relator Fl. 749DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 15/ 02/2016 por ROBERTO CAPARROZ DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por MARCELO CUBA NETTO
score : 1.0
Numero do processo: 18239.000795/2010-16
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
NORMAS GERAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Conforme determina a legislação, da decisão sobre a impugnação caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão.
O descumprimento do prazo para a interposição do recurso acarreta seu não conhecimento, devido à preclusão temporal, como ocorreu no presente caso.
Recurso Voluntário Não Conhecido.
Numero da decisão: 2402-004.911
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade.
Ronaldo de Lima Macedo - Presidente
Marcelo Oliveira - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201601
camara_s : Quarta Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 NORMAS GERAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Conforme determina a legislação, da decisão sobre a impugnação caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O descumprimento do prazo para a interposição do recurso acarreta seu não conhecimento, devido à preclusão temporal, como ocorreu no presente caso. Recurso Voluntário Não Conhecido.
turma_s : Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 18239.000795/2010-16
anomes_publicacao_s : 201603
conteudo_id_s : 5572466
dt_registro_atualizacao_tdt : Mon Mar 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2402-004.911
nome_arquivo_s : Decisao_18239000795201016.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : MARCELO OLIVEIRA
nome_arquivo_pdf_s : 18239000795201016_5572466.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo - Presidente Marcelo Oliveira - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado.
dt_sessao_tdt : Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
id : 6300251
ano_sessao_s : 2016
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:45:45 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123776958464
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1356; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T2 Fl. 94 1 93 S2C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 18239.000795/201016 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2402004.911 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente WALDYR CARDOSO MOREIRA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 NORMAS GERAIS. PRECLUSÃO TEMPORAL. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Conforme determina a legislação, da decisão sobre a impugnação caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. O descumprimento do prazo para a interposição do recurso acarreta seu não conhecimento, devido à preclusão temporal, como ocorreu no presente caso. Recurso Voluntário Não Conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 07 95 /2 01 0- 16 Fl. 94DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 2 ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso voluntário por intempestividade. Ronaldo de Lima Macedo Presidente Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Ronaldo de Lima Macedo, João Victor Ribeiro Aldinucci, Natanael Vieira dos Santos, Marcelo Oliveira, Ronnie Soares Anderson, Kleber Ferreira de Araújo e Lourenço Ferreira do Prado. Fl. 95DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18239.000795/201016 Acórdão n.º 2402004.911 S2C4T2 Fl. 95 3 Relatório Tratase de recurso voluntário apresentado contra Decisão da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ), que julgou impugnação procedente em parte, nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO INDEVIDA DE DEPENDENTE. A dedução de cota relativa a dependente qualificado como companheiro(a) requer a prova de coabitação, por prazo superior a cinco anos; ou a comprovação de que, da união, tenha resultado o nascimento de filho(s). DEDUÇÃO INDEVIDA DE DESPESAS MÉDICAS. A comprovação, mediante apresentação de documentação idônea, de parte das despesas médicas glosadas, impõe o restabelecimento das correspectivas deduções, em relação às despesas efetivamente comprovadas. Recibos emitidos sem a identificação do responsável pelo pagamento, e/ou sem a especificação do serviço prestado, não são hábeis à comprovação de despesas médicas. As deduções de despesas médicas restringemse àquelas incorridas com o próprio e com os dependentes, validamente informados na DIRPF. DEDUÇÃO INDEVIDA DE PENSÃO ALIMENTÍCIA. A dedução de despesas incorridas com pagamento de pensão alimentícia está restrita àquelas incidentes sobre os rendimentos sujeitos ao ajuste anual, o que exclui o 13º salário. Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Acórdão Acordam os membros da 19ª Turma de Julgamento, por unanimidade, julgar procedente em parte a impugnação, mantendo o imposto suplementar de R$ 1.348,44, sujeito à multa de ofício e juros legais. Segundo a fiscalização, de acordo com o Notificação de Lançamento (NL), o lançamento referese a: Fl. 96DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO 4 1. Dedução indevida de dependente, regularmente intimado o contribuinte não atendeu a intimação para esclarecimentos; 2. Dedução indevida de despesas médicas, regularmente intimado o contribuinte não atendeu a intimação para esclarecimentos; e 3. Dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública, regularmente intimado o contribuinte não atendeu a intimação para esclarecimentos. Os motivos que ensejaram o lançamento estão descritos nos autos e nos demais anexos que o configuram. Contra o lançamento, a recorrente apresentou impugnação, fls. 001, em 03/03/2010, acompanhada de anexos, argumentando, como muito bem demonstra a decisão a quo, em síntese, que o contribuinte busca justificar deduções glosadas por documentos apresentados. A DRJ solicitou diligência, para apresentação de novos documentos. O contribuinte apresentou documentação, em resposta à diligência. A Delegacia analisou o lançamento e a impugnação, julgando a impugnação procedente em parte, pois manteve no lançamento : 1. A dedução indevida de dependente, pois, em síntese, o contribuinte não conseguiu comprovar que a vida em comum por prazo superior a cinco anos, como determina o II, § 1º, Art. 77, do Decreto 3.000/99; 2. A dedução indevida de despesas médicas com dependente, co participação, que foi excluída dessa condição e deduções indevidas, devido a recibos de prestação de serviços não estarem de acordo com o que determina a legislação; 3. Parte da dedução indevida de pensão alimentícia judicial e/ou por escritura pública. Em 15/04/2013, o recorrente foi cientificado da decisão, conforme AR. Inconformado com a decisão, a recorrente apresentou recurso voluntário, em 21/05/2013, acompanhado de anexos, onde alega, em síntese, apresenta documentação comprobatória para contestar as parcels mantidas no lançamento. Os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o relatório. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO Processo nº 18239.000795/201016 Acórdão n.º 2402004.911 S2C4T2 Fl. 96 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator ADMISSIBILIDADE Quanto à tempestividade, há questão a ser analisada. O contribuinte, conforme AR, foi cientificado da decisão em 15/04/2013. A apresentação de seu recurso foi em 21/05/2013, conforme carimbo. O prazo para apresentação de recurso consta da legislação. Decreto 70.235/1972: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A apresentação do recurso extrapolou o prazo determinado, motivo de seu não conhecimento. CONCLUSÃO Em razão do exposto, Voto por não conhecer do recurso voluntário, nos termos do voto. Marcelo Oliveira Fl. 98DF CARF MF Impresso em 07/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 25/02/2016 por RONALDO DE LIMA MACEDO
score : 1.0
Numero do processo: 10830.016523/2009-03
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2301-000.542
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos documentos apresentados na sessão para converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Luciana Simões de Souza, OAB/SP 272.318.
João Bellini Júnior- Presidente.
Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
Nome do relator: Não se aplica
1.0 = *:*
toggle all fields
dt_index_tdt : Fri Oct 08 01:09:55 UTC 2021
anomes_sessao_s : 201512
camara_s : Terceira Câmara
turma_s : Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
dt_publicacao_tdt : Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
numero_processo_s : 10830.016523/2009-03
anomes_publicacao_s : 201601
conteudo_id_s : 5556928
dt_registro_atualizacao_tdt : Thu Jan 07 00:00:00 UTC 2016
numero_decisao_s : 2301-000.542
nome_arquivo_s : Decisao_10830016523200903.PDF
ano_publicacao_s : 2016
nome_relator_s : Não se aplica
nome_arquivo_pdf_s : 10830016523200903_5556928.pdf
secao_s : Segunda Seção de Julgamento
arquivo_indexado_s : S
decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos documentos apresentados na sessão para converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Luciana Simões de Souza, OAB/SP 272.318. João Bellini Júnior- Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva.
dt_sessao_tdt : Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
id : 6243492
ano_sessao_s : 2015
atualizado_anexos_dt : Fri Oct 08 10:44:03 UTC 2021
sem_conteudo_s : N
_version_ : 1713048123848261632
conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 10; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1421; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C3T1 Fl. 44 1 43 S2C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.016523/200903 Recurso nº Voluntário Resolução nº 2301000.542 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Data 08 de dezembro de 2015 Assunto Solicitação de Diligência Recorrente EATON LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, conhecer dos documentos apresentados na sessão para converter o julgamento em diligência, nos termos do voto da relatora. Fez sustentação oral a Dra. Luciana Simões de Souza, OAB/SP 272.318. João Bellini Júnior Presidente. Luciana de Souza Espíndola Reis Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Júnior, Julio Cesar Vieira Gomes, Alice Grecchi, Ivacir Julio de Souza, Nathalia Correia Pompeu, Luciana de Souza Espíndola Reis, Amilcar Barca Teixeira Junior e Marcelo Malagoli da Silva. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .0 16 52 3/ 20 09 -0 3 Fl. 44DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016523/200903 Resolução nº 2301000.542 S2C3T1 Fl. 45 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o Acórdão n.º 0529.575 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) CampinasSP, f. 1947 1984, com ciência ao sujeito passivo em 03/09/2010, que julgou improcedentes as impugnações apresentadas contra os créditos tributários constituídos por meio dos seguintes autos de infração: 1. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.257.9655 (Processo nº 10830.016522/200951): referese às contribuições a cargo da empresa, inclusive a destinada ao custeio dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/RAT), no período de 01/2005 a 12/2008, incidentes sobre: a) os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de contribuição a programa de previdência complementar de caráter fechado (Eatonprev), o qual não é destinado à totalidade de seus empregados e dirigentes; b) os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), em desacordo com a Lei 10.101/2000. 2. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.257.9663 (Processo nº 10380.016523/200903): referese às contribuições a cargo dos segurados empregados, no período de 01/2005 a 08/2008, incidentes sobre os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), em desacordo com a Lei 10.101/2000. 3. Auto de Infração de Obrigação Principal (AIOP) Debcad nº 37.257.9671 (Processo nº 10380.016524/200940): referese às contribuições devidas a outras entidades e fundos (terceiros), relativas à contribuição do salárioeducação e as destinadas ao INCRA, SENAI, SESI e SEBRAE, no período de 01/2005 a 12/2008, incidentes sobre: a) os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de contribuição a programa de previdência complementar de caráter fechado (Eatonprev), o qual não é destinado à totalidade de seus empregados e dirigentes; b) os valores pagos pela empresa a seus empregados a título de Participação nos Lucros ou Resultados (PLR), em desacordo com a Lei 10.101/2000. 4. Auto de Infração de Obrigação Acessória (AIOA) Debcad nº 37.257.9680 CLF 68 (Processo nº 10380.016525/200994): tratase de exigência de penalidade por infração ao artigo 32, inciso IV, parágrafo 5º da Lei n.° 8.212, de 24/07/1991, na redação da Lei n.° 9.528, de 10/12/1997, com base no fato de a empresa ter apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com omissão das remunerações pagas aos segurados empregados a título de previdência privada complementar de caráter fechado (Eatonprev) e Participação nos Lucros ou Resultados (PLR). Os Processos nºs 10380.016523/200903, 10380.016524/200940 e 10380.016525/200994 estão apensados ao Processo nº 10830.016522/200951. A autuada impugnou os lançamentos tributários, cujos pontos controvertidos foram sintetizadas no relatório do acórdão recorrido, o qual adoto aqui: Fl. 45DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016523/200903 Resolução nº 2301000.542 S2C3T1 Fl. 46 3 Após ciência pessoal da autuação em 03/12/2009, o contribuinte apresentou defesa ao auto principal Debcad n° 37.257.9655, fls. 586/634, alegando em síntese, o que se passa a expor. Em preliminar alega a nulidade da autuação por ofensa ao princípio da verdade material, pois a fiscalização analisou superficialmente os lançamentos e documentos apresentados, sem observar que o Plano de Previdência Privada é oferecido a todos os empregados conforme leitura mais atenta de seu regulamento, e, em relação aos pagamentos de PLR, estes seguiram as determinações legais, com a efetiva participação do sindicato, o que afasta a tributação sobre as referidas verbas e torna nula a autuação pela falta de verificação da natureza e habitualidade de tais pagamentos Ao contrário do que afirma a fiscalização, o Plano de Previdência Privada abrange todos os funcionários da empresa e atende as determinações da Lei 8.212/91, e, na esfera Constitucional, houve concessão de imunidade a pagamentos a tal título, conforme artigo 202, § 2o, da Carta e incentivos concedidos pelo Decreto Lei n° 2.296/89. Posteriormente a Lei n° 8.212/91 excluiu da incidência de contribuições previdenciárias as referidas verbas desde que atendidos os requisitos legais, o que foi feito pela empresa. Afirma que o plano de previdência privada é estendido a todos os funcionários, conforme se verifica do informativo que junta (Doc 03), entregue ao empregado no momento de sua contratação, portanto, todos os empregados são elegíveis ao plano instituído pela Eatonprev, independentemente do valor do salário, o que pode também ser verificado no Regulamento do Plano (Doc 04) e nos Termos de Opção (Doc 05). Destaca que a legislação previdenciária, no que pertine à isenção da verba paga a título de Previdência Privada, somente determina que haja disponibilização do plano de previdência a todos os empregados, inclusive como dispõe a Solução de Consulta n° 407/2009, da 8ª Região Fiscal, publicada em 07/12/2009, e jurisprudência a respeito, não existindo obrigação de adesão ou depósito nas contas de todos os funcionários, pois possível que nem todos empregados optem pela adesão ao Plano, fato que por si só não justifica qualquer tributação. Menciona que efetua depósitos/aportes de forma universal no Plano de Previdência Privada instituído pela EatonPrev de forma a garantir os benefícios a todos os empregados, anexando para melhor compreensão do tema, os relatórios anuais da entidade de previdência privada fechada, com o valor total das contribuições e o valor total dos benefícios concedidos, em que se verifica o absoluto cumprimento das determinações legais. Alega que a fiscalização entendeu equivocadamente que não houve extensão da cobertura do Plano de Previdência à totalidade dos empregados pelo fato de haver previsão no referido plano de diversas contribuições, quais sejam, contribuição normal, especial, complementar ou suplementar, de acordo com a faixa salarial do empregado, o que não afasta a sua disponibilidade para todos os empregados, conforme se verifica dos formulários e termos de opção (Doe 07), inclusive sendo a interpretação dada pela fiscalização Fl. 46DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016523/200903 Resolução nº 2301000.542 S2C3T1 Fl. 47 4 afastada pela Câmara Superior do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais /CARF (Doc 07). O Plano prevê a obrigatoriedade de contribuição por parte da impugnante com o objetivo de garantir um benefício mínimo aos empregados e, ainda, contribuição adicional de acordo com o tipo de contribuição escolhida pelo empregado, o que não significa ofensa às normas legais como entendeu a fiscalização em interpretação equivocada, como se somente houvesse contribuição em relação às contrapartidas do empregado quanto às contribuições normal ou especial, olvidando que a empresa já contribui com fundo de reserva para custear a parte do empregado, sem distinção quanto ao tipo de contribuição, o que poderia ser concluído com a análise do regulamento, item 5.21. da Seção III, e como evidenciado nas cópias de documentos relativos a realização dos depósitos que junta(Doc 08). Os aportes feitos pela patrocinadora têm a finalidade de garantir o benefício mínimo a todos os empregados, como se depreende do Regulamento, item 7.2.5, do Capítulo VII. Junta comprovante de concessão de benefício a funcionário (Doe 09) a exemplificar o alegado. Salienta que a entidade privada fechada EatonPrev Sociedade Previdenciária, que instituiu o Plano de Previdência Complementar aos funcionários desde 1989, é idônea e fiscalizada pela Secretaria da Previdência Complementar do Min. da Previdência. Acrescenta que jamais usou de manobras para evitar tributação de suposta remuneração de empregados, pois os valores do plano não poderiam ser sacados mensalmente. Conclui que não há incidência de contribuições sobre os valores pagos a título de previdência privada, devendo ser cancelada a autuação. Em relação às verbas a título de Participação nos Lucros e Resultados/PLR sustenta que foram pagas de acordo com o que preceitua a Constituição Federal e normas legais vigentes, e que tais pagamentos são imunes à incidência de contribuições previdenciárias, pois desvinculados do conceito de remuneração ex vi do artigo 7º, inciso XI e ainda artigo 218, § 4º, ambos da Constituição, tendo a Lei n° 10.101/00 facultado às empresas utilizar os critérios nela previstos, não cabendo ao intérprete restringir o seu alcance sob pena de ofensa ao princípio da legalidade. Acrescenta que seguiu todas as regras prescritas em lei e que, em virtude de possuir diversos estabelecimentos e em razão dos cargos profissionais esclarece que para melhor distribuição do PLR houve a divisão por filial e cargos mensalistas e folha confidencial , sendo os acordos relativos aos anos de 2004 a 2008 firmados devidamente na forma da lei, conforme visam comprovar os documentos que junta. Menciona que as participações nos lucros foram firmadas por meio de acordos de PLR negociados pela comissão mista juntamente com os Sindicatos da região, em que estabelecidas regras claras de participação, tendo como beneficiários todos os empregados da empresa, mas a fiscalização exigiu as verbas por ter entendido que foram apurados os valores de forma prévia sem negociação com as partes, em interpretação equivocada à resposta dada pela impugnante Fl. 47DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016523/200903 Resolução nº 2301000.542 S2C3T1 Fl. 48 5 em 04/06/2009, pois o que se pretendia esclarecer era que a fórmula prévia era baseada em negociações de anos anteriores com a empresa, aprovadas pelos representantes da empresa e trabalhadores. Afirma que os acordos de PLR, tanto para mensalistas como para funcionários em folha confidencial, tiveram a participação do sindicato, cumprindo todos os requisitos da Lei n° 10.101/00, apegandose a fiscalização ao exagerado formalismo da norma em detrimento da finalidade da participação nos lucros, que representa um beneficio ao trabalhador, estando a atitude do fisco em descompasso com os ditames constitucionais, conforme jurisprudência que colaciona. Em relação ao acordo do PLR referente a filial de Caxias do Sul no ano de 2004 (Doc 10), alega que a motivação da fiscalização se funda em mera formalidade, pois o fato de ter sido assinado o acordo próximo à data de pagamento do PLR não é motivo para desconsideração do Programa PLR, pois este foi acordado desde o início do período, apenas não formalizado à época, não tendo a fiscalização apontado sequer o dispositivo legal que foi infringido. Colaciona jurisprudência a respeito. Aduz que a falta de assinatura do representante do sindicato não é motivo para incidência de contribuição previdenciária, pois demonstrada a participação deste em documentos apresentados à fiscalização, tais como: cópias da lista de presença, cópias das comunicações entregues ao sindicato o que será juntado na defesa, sendo óbvia a participação do sindicato no acordo firmado em 2006 2008 pela filial Caxias do Sul, pois contem o carimbo deste. Ressalta que não há obrigatoriedade de concessão de poder de veto ao ente sindical como considerou a fiscalização e, ainda, a empresa não pode ser penalizada pela omissão do sindicato em participar do acordo, pois não lhe foi dada outra alternativa a não ser iniciar as negociações diretamente com seus funcionários, conforme autoriza o artigo 617, § 1º, da CLT, destacando jurisprudência a respeito. Enfatiza que o plano de PLR não se confunde com remuneração, conforme prevê o artigo 7º, inciso XI, da Constituição Federal, corroborado por julgados que transcreve, agindo a fiscalização em desrespeito a Carta, pois as empresas e os sindicatos podem estabelecer livremente os critérios para pagamento e a forma e periodicidade deste, não pode ir d fiscalização restringir o alcance da lei, conforme jurisprudência que cita. Refuta pontualmente os argumentos da fiscalização em relação aos acordos PLR, abaixo descritos, afirmando que não incidem contribuições previdenciárias a este título: em relação ao acordo PLR matriz, aplicável ao ano de 2004, houve entendimento equivocado da fiscalização em razão de suposta ausência de acordo específico para os empregados mensalistas e constantes em folha confidencial, no entanto estes foram realizados para estas categorias (Doc. 11 e 12) e com a ciência do sindicato (Doc. 13), e, em relação a matriz, acordo ano de 2005 2006, 2007, houve efetiva participação do sindicato quanto a ambas as categorias, conforme acordos que junta (Doc 14 e 15, 17 e 18, 20 e 21), e ainda com ciência Fl. 48DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016523/200903 Resolução nº 2301000.542 S2C3T1 Fl. 49 6 e participação do sindicato (Doc 19, 22), não podendo se afirmar que há disposição normativa que estipule obrigatoriedade de poder de veto ao sindicato; em relação aos acordos PLR filial Valinhos, ano de 2004, foram celebrados acordos com os dois tipos de categorias, mensalistas e confidencial (Doc 23), com assinatura do representante do sindicato e ainda com ciência das negociações (Doc já citados) e em relação ao PLR 2005, 2006, 2007 com participação do sindicato para as negociações e ambas as categorias (doc pré citado e doc 24 , 25) com ciência e participação do sindicato (Doc pré citado) não podendo se afirmar que há disposição normativa que estipule obrigatoriedade de poder de veto ao sindicato; em relação aos acordos PLR filial Mogi Mirim, ano de 2004, 2005, 2007 houve a assinatura do sindicato no acordo referente a folha confidencial (Doc 26, 27, 32), com ciência e participação do sindicato (Doc 28, 33) e em relação ao PLR 2006, houve assinatura do acordo com participação do sindicato para as negociações em ambas as categorias (Doc 29 e 30) com ciência do sindicato nas negociações (Doc 31); em relação aos acordos PLR filial Caxias do Sul, ano 2004, esclarece que as regras gerais, metas, benefícios e data de pagamento da participação foram negociados com os empregados desde o início do período, ainda que em alguns casos não tenha sido formalizado à época, e, o fato de o acordo relativo ao ano de 2004 ter sido assinado em dezembro de 2005, próximo ao pagamento de PLR, não pode descaracterizar o pagamento por excesso de formalismo, dispensável para a constituição do programa, pois assinado pelo sindicato, e quanto as parcelas pagas em 2005, se referem a parcelas em atraso do acordo de 2004, acrescentando em relação ao PLR 2006, 2007 que foram celebrados acordos com os dois tipos de categorias, mensalistas e confidencial (Doc 34, 35, 36, 37), com assinatura do representante do sindicato e ainda com ciência das negociações (Doe precitado) e, em relação ao PLR 2008 com assinatura do sindicato para as negociações a categoria mensalista (doc 38). Insurgese contra a aplicação da multa no percentual de 75% a que diz respeito a Lei n° 11.941/09, uma vez que a multa estabelecida na redação do antigo artigo 35 da Lei n° 8.212/91 é mais benéfica por situarse na faixa de 24 a 50% , pleiteando a nulidade da autuação ou ao menos sua retificação para o percentual estabelecido no antigo art. 35 da Lei n° 8.212/91. Requereu ao final a improcedência das exigências, a produção de provas admitidas em direito, e que as intimações sejam também dirigidas aos patronos da causa no endereço a fl. 634. Juntou documentos, fls.671/923. Com relação aos Debcad n° 37.257.9663, Debcad n° 37.257.9680 (AI FL 68), Debcad n° 37.257.9671, o contribuinte apresentou defesa às fis. 20/56, 241/295, fis. 926/979 do auto principal, respectivamente, de conteúdo idêntico ao acima relatado, acrescentando em relação à Fl. 49DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016523/200903 Resolução nº 2301000.542 S2C3T1 Fl. 50 7 multa lançada por omissão em guias GFIP e em relação às contribuições de terceiros, em síntese: Debcad n° 37.257.9680 (AI FL 68) Afirma que a fiscalização realizou o cálculo da multa de forma equivocada, pois para as infrações impostas até 12/2008 deveria ser aplicado o novo critério mais benéfico ao contribuinte, com base no artigo 32A da Lei n° 8.212/91, requerendo: a revisão do valor da multa em função do princípio da penalidade mais benéfica; após a retificação do valor, que seja intimada para nova manifestação em respeito ao contraditório e ampla defesa; subsidiariamente, a retificação do valor da multa de ofício aplicando se o artigo 35 da Lei n° 8.212/91 e o sobrestamento do processo em que lançada a obrigação acessória em virtude das impugnações apresentadas nos autos de obrigação tributária principal. Debcad n° 37.257.9671 terceiros Em relação aos terceiros, sustenta a inconstitucionalidade da contribuição ao INCRA, pois possui base de cálculo idêntica a instituída sobre a folha de salários e por ser cobrada por ente público que não presta serviços previdenciários, além de não estar incluída no rol previsto no artigo 240 da Constituição Federal ou amparada pelo artigo 149 da Carta, tampouco caracterizandose como contribuição de intervenção no domínio econômico. Acrescenta que não houve recepção da contribuição ao INCRA pela Constituição Federal, a teor do disposto no artigo 34, §5°, do ADCT, e ainda que assim não fosse, não há lei complementar a instituir sua base de cálculo, e, por outro lado, há impossibilidade jurídica de cobrança das empresas urbanas, pois a tributação está vinculada à previdência rural, como se infere da Lei Complementar n° 11/71, e ainda dos julgados e doutrina que cita. A DRJ julgou a impugnação improcedente e manteve integralmente o crédito tributário, cujo julgado restou assim ementado: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2005 a 31/12/2008 LANÇAMENTO FISCAL. PREVIDÊNCIA COMPLEMENTAR CUSTEIO SEM ATENDIMENTO AOS PRESSUPOSTOS DA LEI. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integra o saláriodecontribuição o valor pago pela pessoa jurídica relativo a programa de previdência complementar, aberto ou fechado, quando não custeado à totalidade de seus empregados e dirigentes. PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Fl. 50DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016523/200903 Resolução nº 2301000.542 S2C3T1 Fl. 51 8 Integra o saláriodecontribuição a verba intitulada participação nos lucros ou resultados da empresa quando paga ou creditada em desacordo com a lei específica. A contribuição destinada ao INCRA é devida tanto pela empresa urbana como pela empresa rural em face do princípio constitucional da solidariedade social. MULTA. ALTERAÇÃO LEGISLATIVA. RETROATIVIDADE BENIGNA. Aplicase a lei superveniente quando cominar penalidade menos severa que a prevista naquela vigente ao tempo de sua lavratura. PROVAS. O momento para apresentação de documentos se dá com a impugnação precluindo o direito de apresentação de provas após o decurso do prazo. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Em 06/10/2010, foi interposto recurso voluntário1, no qual a recorrente reitera as razões apresentadas na defesa. Em 30/03/2015 a Recorrente apresentou petição, fls. 2930, suscitando a tempestividade dos recursos, alegando, em síntese, que recebeu a decisão de primeira instância em 03 de setembro de 2010, conforme comprovam o envelope e o rastreador extraído do sítio dos correios na internet, em anexo, e que os recursos foram enviados pelos correios em 05 de outubro de 2010. Em 08/12/2015 a Recorrente apresentou os avisos de recebimento dos correios (AR) correspondentes à remessa dos recursos voluntários (fls. 31323139 do Processo nº 10830.016522/200951 e fls. 3542 desses autos). É o relatório. 1 Recurso referente ao AIOP nº 37.257.9655 (Processo nº 10830.016522/200951) juntado às fls. 19882040; recurso referente ao AIOP nº 37.257.9663 (Processo nº 10830.016523/200903) juntado às fls. 20752129, recurso referente ao AIOP n° 37.257.9671 (Processo nº 10830.016524/200940) juntado às fls. 21652219, recurso referente ao AIOA nº 37.257.9680 (Processo nº 10830.016525/200994) juntado às fls. 22512310. Fl. 51DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016523/200903 Resolução nº 2301000.542 S2C3T1 Fl. 52 9 Voto Conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis, Relatora. Admissibilidade do Recurso. Diligência O art. 33 do Decreto 70.235/72, que regula o processo administrativo tributário, estabelece que o prazo para recorrer de decisão das Turmas de Julgamento das Delegacias de Julgamento da Receita Federal do Brasil é de trinta dias contados da ciência da decisão: Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. A ciência, ao sujeito passivo, do acórdão n.º 0529.575 da 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) CampinasSP, ocorreu no dia 03 de setembro de 2010, sextafeira, conforme comprova o aviso de recebimento dos correios juntado às f. 1.986. Aplicandose a regra do art. 5o do Decreto 70.235/722, a contagem do prazo teve início na segundafeira, dia 06 de setembro de 2010, encerrandose no dia 05 de outubro de 2010, terçafeira. Segundo a petição da recorrente de fls. 2930, os recursos foram enviados pelos correios em 05 de outubro de 2010 e a data da postagem seria comprovada pelos avisos de recibos dos correios por ela apresentados nessa ocasião, identificados como “doc.02”. Constituem anexos da petição, a cópia do envelope da intimação, à recorrente, do acórdão de primeira instância (intimação nº 1045/10 da SECAT/DRFCPS/AAP) e o rastreamento da entrega dessa intimação à recorrente, pelos correios. Esses documentos confirmam que a data da ciência da decisão de primeira instância ocorreu em 03 de setembro de 2010. Entretanto, mão foram anexados à petição de fls. 2930, os avisos de recebimento dos correios correspondentes aos recursos voluntários, nela citados. Extraise dos autos que os recursos da interessada foram recepcionados no Serviço de Programação e Logística da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas (SP) em 06 de outubro de 2010, conforme protocolo de fls. 1988 (recurso referente ao AIOP nº 37.257.9655 Processo nº 10830.016522/200951), 2075 (recurso referente ao AIOP nº 37.257.9663 Processo nº 10380.016523/200903), 2165 (recurso referente ao AIOP nº 37.257.9671 Processo nº 10380.016524/200940) e 2251 (recurso referente ao AIOA nº 37.257.9680 Processo nº 10380.016525/200994), portanto, fora do prazo legal de trinta dias. Em análise preliminar, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas (SP) considerou o recurso intempestivo. Entretanto, durante a sessão de julgamento de 08 de dezembro de 2015, a Recorrente apresentou os supostos comprovantes dos correios indicando que os recursos foram postados em 05 de outubro de 2010, dentro do prazo legal. 2 Art. 5º Os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento. Fl. 52DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR Processo nº 10830.016523/200903 Resolução nº 2301000.542 S2C3T1 Fl. 53 10 Os comprovantes foram juntados aos autos, fls. 3542. A tempestividade é um dos requisitos de admissibilidade do recurso, de modo que não é possível dele conhecer quando interposto fora do prazo legal. Portanto, diante do fato novo aqui mencionado, por cautela, devolvo os autos à Delegacia da Receita Federal do Brasil em Campinas (SP) para se manifestar a respeito da pertinência e autenticidade dos avisos de recebimento dos correios (AR) correspondentes à remessa dos recursos, podendo, para tanto, intimar o contribuinte a apresentar os ARs originais. Após, os autos deverão ser devolvidos a este Conselho. Conclusão Com base no exposto, voto por converter o julgamento em diligência. Luciana de Souza Espíndola Reis Fl. 53DF CARF MF Impresso em 07/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 30/12/2015 por LUCIANA DE SOUZA ESPINDOLA REIS, Assinado digitalmente em 05/01/2016 por JOAO BELLIN I JUNIOR
score : 1.0
