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Numero do processo: 12267.000080/2008-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jun 03 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jun 26 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE EM ACÓRDÃO PROFERIDO PELO CARF.
Na existência de omissão, contradição ou obscuridade em Acórdão proferido por este Conselho, são cabíveis Embargos de Declaração para saneamento da decisão.
CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CESSÃO DE MÃO DE OBRA. Responde solidariamente com o executor o contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, em relação aos serviços a ele prestados, pelas obrigações previdenciárias.
DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. Em face de decisão judicial determinando a verificação dos recolhimentos realizados pela prestadora de serviços, foi constatado que não houve recolhimento compatível com a RAIS nas competências lançadas, mantendo-se a totalidade do crédito tributário apurado.
PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRESTADOR DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. DECADÊNCIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO COOBRIGADO.
Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que, no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado solidário.
Transcorridos mais de 5 anos da data da ocorrência do fato gerador, o crédito tributário não pode mais ser constituído por extinção do direito do fisco de lançamento.
Numero da decisão: 2301-006.101
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, dando-lhes efeitos infringentes, para, rerratificando o Acórdão nº 2301-004.724, de 14/06/2016, sanar os vícios apontados para, em relação ao recurso voluntário do contribuinte (COSAN), rejeitar a decadência e NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantida a decisão relativa ao recurso voluntário da responsável solidária (SPOT).
(assinado digitalmente)
João Maurício Vital - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: João Maurício Vital
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CABIMENTO. EXISTÊNCIA DE OMISSÃO, CONTRADIÇÃO E OBSCURIDADE EM ACÓRDÃO PROFERIDO PELO CARF. Na existência de omissão, contradição ou obscuridade em Acórdão proferido por este Conselho, são cabíveis Embargos de Declaração para saneamento da decisão. CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO - RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA - CESSÃO DE MÃO DE OBRA. Responde solidariamente com o executor o contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra, em relação aos serviços a ele prestados, pelas obrigações previdenciárias. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. Em face de decisão judicial determinando a verificação dos recolhimentos realizados pela prestadora de serviços, foi constatado que não houve recolhimento compatível com a RAIS nas competências lançadas, mantendo-se a totalidade do crédito tributário apurado. PREVIDENCIÁRIO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. PRESTADOR DE SERVIÇOS MEDIANTE CESSÃO DE MÃO DE OBRA. DECADÊNCIA. INTIMAÇÃO. ÚLTIMO COOBRIGADO. Na forma da Portaria MPS n° 520/2004 disciplinadora do processo administrativo no âmbito do INSS, comando enfático estabelecia que, no caso de solidariedade, o prazo seria contado a partir da ciência da intimação do último coobrigado solidário. Transcorridos mais de 5 anos da data da ocorrência do fato gerador, o crédito tributário não pode mais ser constituído por extinção do direito do fisco de lançamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos, dando-lhes efeitos infringentes, para, rerratificando o Acórdão nº 2301-004.724, de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 26 7. 00 00 80 /2 00 8- 17 Fl. 481DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.101 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000080/2008-17 14/06/2016, sanar os vícios apontados para, em relação ao recurso voluntário do contribuinte (COSAN), rejeitar a decadência e NEGAR-LHE PROVIMENTO, mantida a decisão relativa ao recurso voluntário da responsável solidária (SPOT). (assinado digitalmente) João Maurício Vital - Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Marcelo Freitas de Souza Costa, Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente, justificadamente, a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. Relatório Trata-se de Embargos de Declaração opostos por Conselheiro da 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento em face do Acórdão n° 2301-004.724 (e-fls. 466/475), proferido por esta 1ª Turma, em sessão de 14/06/2016, que deu provimento ao recurso voluntário, recebendo as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/11/1995 a 31/12/1996 CRÉDITO PREVIDENCIÁRIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. CESSÃO DE MÃO DE OBRA O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão de obra responde solidariamente com o executor pelas obrigações previdenciárias, em relação aos serviços a ele prestados. DECISÃO JUDICIAL. CUMPRIMENTO. Em cumprimento à decisão judicial que determinou a verificação de recolhimento pela prestadora de serviços, em se constatando que não é possível estabelecer o vínculo entre os recolhimentos efetuados pela empresa prestadora e que não houve recolhimentos compatíveis com a massa salarial em RAIS da prestadora, mantém-se o lançamento por responsabilidade solidária. Recurso Voluntário Provido A parte dispositiva foi assim registrada: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da relatora. Os embargos foram opostos por Conselheiro dessa Turma, designado Redator ad hoc (e-fls. 464/465) e admitidos pelo Presidente da Turma nos termos do despacho s/nº de e-fl. 476. Sustenta o embargante que o Acórdão nº 2301-004.724 contém omissão, obscuridade e contradição, nos seguintes termos: Fl. 482DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.101 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000080/2008-17 (...)Como pode ser constatado, o voto condutor do acórdão considerou que teria havido decadência para a constituição do crédito tributário. Contudo, o lançamento foi realizado em 15/04/1998 para fatos geradores que ocorreram de 01/11/1995 a 31/12/1996, tendo o recorrente principal tomado ciência por aviso de recebimento, fls. 18/19, e com protocolo de sua impugnação no dia 30/04/1998, fls. 23. A alegação de decadência somente veio a ser apresentada pelo responsável solidário prestador de serviços SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA por meio de um recurso voluntário interposto em 10/05/2013, onde sustenta entre outras razões que em relação a ele já havia decorridos mais de cinco anos, fls. 350. Assim, o acórdão ora embargado deixou de examinar que a intimação tardia do prestador de serviços para ciência do lançamento não afetaria a cobrança do crédito tributário em relação ao devedor principal tomador dos serviços. A decisão foi apenas em relação ao recurso voluntário do prestador do serviços SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, provendo-o; portanto, o voto, a ementa e a parte dispositiva foram omissos em relação ao recurso voluntário da COSAN LUBRIFICANTES E ESPECIALIDADES S.A, devedor principal. Verifica-se também que o voto condutor não apontou qual súmula do CARF fundamentaria o caso sob exame para, supostamente, exonerar o crédito tributário em relação a todos os devedores. Em face do exposto, tenho por mim que o acórdão embargado está eivado, conjuntamente, de omissão, obscuridade e contradição. Requer este conselheiro seja sanado o acórdão reconhecendo-se a inexistência de decadência do lançamento para, após, serem apreciadas todas as demais questões apresentadas nos recursos voluntários. É o relatório. Voto Conselheiro João Maurício Vital - Relator. Os embargos são tempestivos e foram regularmente admitidos pelo Presidente desta Turma. Portanto, deles conheço e passo à análise. O acórdão embargado não contém minimamente qualquer análise de mérito. Nele, constata-se a existência de omissão, contradição e obscuridade, devendo ser sanado mediante a prolação de novo acórdão. Pelo parco teor do acórdão, percebe-se que a turma entendeu que aplicável a Súmula Vinculante nº 8, do STF, que julgou inconstitucional os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/199, determinando a aplicação da regra decadencial prevista no CTN para as contribuições sociais. Verifica-se que o lançamento das contribuições previdenciárias referente ao período de apuração de 11/1995 a 12/1996 ocorreu em 16/04/1998 (e-fls. 3/9), tendo o contribuinte sido cientificado nos termos do AR de e-fls. 18/19 ainda no mês de abril, com apresentação de impugnação em 30/04/98 (e-fl.s 23/44). Fl. 483DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.101 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000080/2008-17 Por sua vez, a empresa prestadora dos serviços somente foi chamada ao processo apenas em 17/11/2008, conforme AR e-fl. 144. Portanto, dando efeitos infringentes aos embargos de declaração, deve-se reconhecer a decadência apenas em relação ao responsável solidário (empresa prestadora dos serviços - SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA, CNPJ n° 00.729.160/0001-76). Com relação à empresa tomadora dos serviços (COSAN), não há que se falar em decadência, uma vez que o período de apuração engloba as competências 11/1995 a 12/1996 e a ciência do lançamento ocorreu em abril de 1998. Assim, visando suprir a omissão no acórdão embargado, passa-se à análise do recurso voluntário interposto (e-fls. 79/100), das manifestações de e-fls. 159/162 e e-fls. 217/224 e recurso voluntário interposto às e-fls. 326/331 em face do Acórdão 12-54.082 da 11ª Turma da DRJ/RJ1, que deu parcial provimento à impugnação, mantendo o crédito tributário lançado. A ciência da decisão da DRJ ocorreu em 11/04/2013, sendo o recurso apresentado em 10/05/2013, portanto, verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço. No recurso interposto às efls. 326/331 o contribuinte alega, em síntese: - que as informações prestadas pela fiscalização dão conta da existência de recolhimentos em nome da prestadora de serviços e que tais recolhimentos "se referia especificamente aos funcionários que estavam na prestação de serviço à requerente". Que havendo divergência de recolhimento a menor pela prestadora de serviços, "deve ser referente a outro contrato de prestação de serviços". - que o preenchimento incorreto de guias de recolhimento não é motivo para a manutenção do lançamento; - que é fundamental a verificação dos recolhimentos da empresa prestadora, como determinado na decisão judicial no Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527788-9, sob pena de pagamento em duplicidade; - faz referência às manifestações protocoladas anteriormente em fevereiro de 2012 e "meados de 1997". - e, por fim, sendo mantido o débito, sustenta que devam ser deduzidos os valores recolhidos pela prestadora. Em suas manifestações anteriores destacam-se os seguintes pontos: a) no recurso de e-fls. 79/100 a empresa sustenta, em síntese, que os serviços não foram prestados mediante cessão de mão-de-obra; que não houve fiscalização prévia da prestadora de serviços; que a fundamentação legal está equivocada; que a obrigação da contratante é subsidiária; que houve pagamento integral das contribuições previdenciárias pela prestadora; b) na manifestação de e-fls. 159/162 alega que a informação fiscal não é conclusiva quanto aos recolhimentos efetuados pela prestadora de serviços, que se faz necessário Fl. 484DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.101 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000080/2008-17 verificar se o débito ora lançado já não o foi contra àquela, sob pena de lançamento/recolhimento em duplicidade; c) na manifestação de e-fls. 217/224 alega em síntese que reconhecido pelo fisco a existência de recolhimentos efetuados pela prestadora de serviços resta prejudicada a manutenção do lançamento. O crédito foi apurado com base no instituto da responsabilidade solidária, decorrente da execução de contrato de cessão de mão de obra, de acordo com o art. 31 da Lei nº 8.212/91, com redação vigente à época dos fatos geradores. A responsabilidade solidária na cessão de mão-de-obra está prevista no artigo 31 da Lei nº 8.212/91, bem como no Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social, aprovado pelos Decretos nº 612/92 e nº 2.172/97. Referidas normas legais estabelecem, dentre vários dispositivos, a responsabilidade solidária das contribuições previdenciárias e sua forma de elisão. Art. 31.O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de- obra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta lei, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23. § 1º Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para a garantia do cumprimento das obrigações desta lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2º Entende-se como cessão de mão-de-obra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos não relacionados diretamente com as atividades normais da empresa, tais como construção civil, limpeza e conservação, manutenção, vigilância e outros, independentemente da natureza e da forma de contratação.(Redação dada pela Lei nº 9.129, de 1995). § 3º A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.1995). § 4º Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mão-de-obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (Parágrafo acrescentado pela Lei nº 9.032, de 28.4.95). Vê-se que a lei instituiu a obrigação acessória da empresa cedente de mão-de-obra consistente em elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento específicas por tomador. A lei também tratou de criar a obrigação de a empresa contratante dos serviços exigir do contratado cópia os respectivos documentos para fins de elidir-se da responsabilidade solidária. Compulsando os autos, conclui-se que a empresa contratante dos serviços (COSAN) não apresentou a documentação necessária para elisão da sua responsabilidade solidária, sendo-lhe cobrada as respectivas contribuições previdenciárias incidentes sobre as Fl. 485DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 2301-006.101 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000080/2008-17 notas fiscais de prestação de serviços, nos termos do art. 31 citado, com fundamento no art. 124, II, do CTN. A Ordem de Serviço INSS/DAF nº 83, de 13 de agosto de 1993 instituiu os procedimentos para apuração dos valores decorrentes de responsabilidade solidária, no caso de não ter sido comprovada a elisão da mesma perante a Fiscalização, verbis: ORDEM DE SERVIÇO INSS/DAF Nº 83, DE 13 DE AGOSTO DE 1993 11. Não havendo comprovação do recolhimento, será imediatamente responsabilizada a empresa tomadora, com a consequente lavratura da NFLD, aplicando-se, para a apuração da remuneração, os percentuais estabelecidos de acordo com a atividade desenvolvida pela empresa prestadora de serviço, constantes do subitem 7.2. (...) 7.2 A aferição indireta do salário de contribuição será procedida com base no valor bruto da nota fiscal de serviço/fatura, sobre o qual será aplicado o percentual mínimo correspondente à atividade da empresa, conforme o quadro seguinte: Verificada a ocorrência da cessão de mão-de-obra, no caso prestação de serviços de limpeza de canaletas, a empresa tomadora dos serviços responde solidariamente com a empresa prestadora dos serviços mediante cessão de mão-de-obra, podendo-se constituir o crédito tributário em face de qualquer delas em caso de inadimplemento, consoante Enunciado nº 30 do CRPS: Enunciado nº 30 Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Sobre a responsabilidade solidária na contratação de serviços mediante cessão de mão-de-obra, transcrevo trecho do voto do Ministro Luiz Fux no REsp Nº 719.350 - SC (2005/0012879-0), que analisa matéria idêntica: Nesse segmento, o artigo 31, da Lei 8.212/91 (em sua redação original), erigiu hipótese de responsabilidade tributária solidária do contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mão-de-obra, no que diz respeito às contribuições previdenciárias devidas pela empresa prestadora do serviços (incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos segurados cedidos à tomadora) e àquelas que deveriam ter sido retidas dos salários-de-contribuição dos segurados empregados e trabalhadores avulsos cedidos, ressalvado o direito de regresso do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias garantidoras do cumprimento das obrigações previdenciárias. ... Conseqüentemente, os créditos tributários ora exigíveis (cujos fatos imponíveis ocorreram entre janeiro de 1996 e janeiro de 1999) subsumem-se ao regime legal anterior à vigência das alterações introduzidas pela Lei 9.711/98, razão pela qual sobressai a responsabilidade tributária solidária do cessionário da mão-de-obra no período, o que facultava ao ente previdenciário eleger o sujeito passivo da obrigação tributária entre os respectivos co-obrigados, observada, entre outras, a possibilidade de o cessionário elidir sua responsabilidade acaso demonstrasse que o cedente comprovara o recolhimento prévio das contribuições sociais pertinentes (mediante cópia autenticada Fl. 486DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 2301-006.101 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000080/2008-17 da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento), quando da quitação da nota fiscal ou da fatura correspondente aos serviços executados. (...) (Grifamos) Também de se destacar o seguinte excerto de voto exarado em julgamento sobre a matéria pelo TRF4: A solidariedade tributária tem assento no art. 124 do CTN, cujo inciso II declara solidariamente obrigadas as pessoas expressamente designadas por lei. De regra, a atribuição de sujeição passiva recai sobre pessoa que participa da ocorrência do fato gerador da obrigação. Há casos, porém, em que não se verifica esse pressuposto, mas outro, bem definido por Paulo de Barros Carvalho: "Falta a ele, legislador, competência constitucional para fazer recair a carga jurídica do tributo sobre pessoa alheia ao acontecimento gravado pela incidência. Diante de óbice de tal porte, incontornável sob qualquer pretexto, devemos entender que os devedores solidários, instituídos pela lei, e estranhos ao evento jurídico-tributário, não são, na verdade, componentes daquele liame obrigacional, mas de outro, de cunho sancionatório, que irrompe à luz pelo descumprimento de algum dever. (...)Pondere-se, contudo, que se falta ao legislador de um determinado tributo competência para colocar alguém na posição de sujeito passivo da respectiva obrigação tributária, ele pode legislar criando outras relações, de caráter administrativo, instituindo deveres e prescrevendo sanções. É justamente aqui que surgem os devedores solidários, estranhos ao acontecimento do fato jurídico tributário. Integram outro vínculo jurídico, que nasceu por força de uma ocorrência tida como ilícita." (Curso de Direito Tributário, 17ª ed., São Paulo, Saraiva, 2005, p. 319/320) Na hipótese dos autos, o art. 31, §§ 3º e 4º, da Lei nº 8.212/91, responsabiliza solidariamente a empresa tomadora de serviços executados mediante cessão de mão-de- obra que não exigiu cópia da guia de recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura, e da respectiva folha de pagamento, distintas para cada contratante. A Lei criou uma obrigação para a prestadora dos serviços - elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento distintas para cada empresa tomadora do serviço -, e outra para a tomadora - exigir cópia autenticada da guia quitada e da respectiva folha de pagamento -, sob pena de sujeição passiva indireta da contratante. A situação enfocada reflete exatamente a hipótese de que fala Paulo de Barros Carvalho. O vínculo obrigacional, em relação ao responsável solidário, decorre unicamente de um dever instituído por lei e descumprido pelo sujeito obrigado à sua observância. Essa técnica de sujeição passiva não acarreta qualquer ofensa à Constituição. ((TRF4, AC 5005520-58.2011.4.04.7100, PRIMEIRA TURMA, Relator JOEL ILAN PACIORNIK, juntado aos autos em 03/10/2013) Ocorre que, a decisão judicial já transitada em julgado, proferida nos autos da Apelação em Mandado de Segurança nº 1999.02.01.0527889 determinou a anulação dos processos administrativos após as autuações, para que fosse apurado se efetivamente foram realizados os pagamentos pela prestadora de serviço. Objetivando atender à determinação judicial, os autos foram encaminhados em diligência à origem, ocasião em que foi proferida Informação Fiscal conclusiva a respeito do caso concreto, às e-fls. 179-181 e Anexos (e-fls. 182/209), indicando que a empresa cedente de mão-de-obra sofreu fiscalização parcial (sem exame da contabilidade) no período de 08/1995 a 02/2002. Ressalta ainda que o fiscal autuante consignou no seu relatório de procedimento fiscal que a empresa cessionária foi autuada por ter deixado de apresentar parte dos elementos solicitados, dentre eles, as notas fiscais de serviços, folhas de pagamento, contratos de prestação de serviços e todos os termos aditivos, prorrogações e cartas aditivas de apresentação dos Fl. 487DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 2301-006.101 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000080/2008-17 trabalhadores temporários, rescisões de contrato de trabalho e GRFP - Guia de Recolhimento Rescisório do FGTS e Informações à Previdência Social. Além disso, conclui que não é possível estabelecer o vínculo entre os recolhimentos efetuados pela empresa SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA e a prestação de serviços em tela, assim como os recolhimentos efetuados não são compatíveis com a massa salarial declarada pela prestadora de serviços em sua RAIS. Informa ainda que da comparação dos valores e vínculos informados pela empresa SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA na RAIS e no FGTS no período em questão percebe-se que existe uma incompatibilidade tanto em número de vínculos quanto em valores dos salários informados. 1.1. Os recolhimentos das contribuições sociais efetuados pela empresa SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA nas competências objetos da lavratura das referidas NFLDs' n9 32.593.588-2 e nQ 32.707.847-2 (11/1995 a 12/1996) foram extraídos do Sistema de Arrecadação e constam do ANEXO I (GRIFEI) 1.7. Da análise dos elementos constantes no processo e daqueles extraídos dos sistemas informatizados descritos acima, esta diligência fiscal conclui: (a) que não é possível estabelecer o vínculo entre os recolhimentos efetuados pela empresa SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA e a prestação de serviços em tela; (b) Não existe compatibilidade dos recolhimentos das contribuições previdenciárias efetuadas pela empresa SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA no período em questão e as contribuições previdenciárias calculadas com base na massa salarial declarada na RAIS, uma vez que, foi apurada insuficiência de recolhimentos (débitos) em todas as competências tratadas na NFLD em questão (11/1995 a 12/1996), vide ANEXO V. c) Da comparação dos valores e vínculos informados pela empresa SPOT REPRESENTAÇÕES E SERVIÇOS LTDA na RAIS e no FGTS no período em questão percebe-se que existe uma incompatibilidade tanto em nº de vínculos quanto em valores dos salários informados. 2. Diante do exposto, encerramos o procedimento de diligência fiscal determinado pela 11ª Turma da DRJ/RJI, através das Resoluções n° 119 e n° 120, de 21/05/2009, no curso dos Processos Administrativos n s 12267.000080/2008-17 e 12267.000069/2008- 57 Pela informação acima, os recolhimentos efetuados pela prestadora de serviços não são passíveis de vinculação específica com os serviços tomados pela contratante (os recolhimentos não podem ser apropriados diretamente a um tomador de serviços por falta de vinculação inequívoca - descrição do tomador no campo "Outras Informações"), também não foram realizados em montante compatível com a massa salarial declarada pela empresa na RAIS (Relatório Anual de Informações Sociais), como ficou demonstrado na planilha elaborada pela fiscalização na Informação Fiscal acima citada. Portanto, mesmo após a verificação na empresa prestadora de serviços, não é possível elidir a responsabilidade solidária do contratante, devendo ser mantido o crédito tributário lançado. CONCLUSÃO Fl. 488DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 2301-006.101 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 12267.000080/2008-17 Pelo exposto, voto por acolher os embargos para rerratificar o Acórdão nº 2301- 004.724, de 14/06/2016, saneando as omissões, obscuridades e contradições apontadas, para, dando-lhe efeitos infringentes, negar provimento ao recurso voluntário do contribuinte (COSAN) e dar provimento ao recurso voluntário da responsável solidária (SPOT). João Maurício Vital - Relator Fl. 489DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16707.002168/2007-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 10 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 30 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 1001-000.114
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta analise os documentos e confirme se os valores recolhidos correspondem, efetivamente, aos encargos moratórios lançados no auto de infração com posterior retorno a este CARF, para continuidade do julgamento.
(assinado digitalmente)
Sérgio Abelson - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Roberto Adelino da Silva - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: JOSE ROBERTO ADELINO DA SILVA
1.0 = *:*
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência à Unidade de Origem, para que esta analise os documentos e confirme se os valores recolhidos correspondem, efetivamente, aos encargos moratórios lançados no auto de infração com posterior retorno a este CARF, para continuidade do julgamento. (assinado digitalmente) Sérgio Abelson Presidente. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sergio Abelson (presidente), Andrea Machado Millan, André Severo Chaves e Jose Roberto Adelino da Silva. Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra o acórdão n° 1125.474 3a Turma da DRJ/REC que negou provimento à impugnação, apresentada pela ora recorrente, contra o Auto de Infração (fls 49/50) referente ao Imposto sobre a Renda Retido na Fonte — IRRF, constituído em face da falta ou insuficiência de acréscimos legais Multa paga a menor (R$1.430,14) e Juros Pagos a Menor ou não pagos (R$ 24,94).. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 67 07 .0 02 16 8/ 20 07 -1 7 Fl. 286DF CARF MF Processo nº 16707.002168/200717 Resolução nº 1001000.114 S1C0T1 Fl. 91 2 Segue o relatório O lançamento, que totaliza R$ 1.455,08, decorreu de auditoria interna na DCTF relativa aos quatro trimestres de 2002. O enquadramento legal e a demonstração do crédito tributário estão consignados no auto de infração. 3. A contribuinte apresentou impugnação (fls. 01/03), alegando, em síntese, a improcedência do lançamento, tendo em vista o tributo ter sido recolhido em valor e datas devidos, conforme provam os documentos anexados is fls. 17/45. Cientificada em 14/05/2009 (fl 131), a recorrente apresentou o recurso voluntário em 12/06/2009 (fl. 133). Voto Conselheiro José Roberto Adelino da Silva Relator Inconformada, a recorrente apresentou o Recurso Voluntário, tempestivo, que apresenta os pressupostos de admissibilidade, previstos no Decreto 70.235/72, e, portanto, dele eu conheço. A DRJ assim decidiu, em apertada síntese, que: 8. No entanto, analisandose os documentos apresentados, percebese que, embora relativos aos mesmos períodos de apuração dos débitos lançados, não se tratam de acréscimos legais, tendo em vista os códigos de receita que portam. 9. Assim, se a contribuinte pretende agora utilizar os pagamentos apresentados para compensar os débitos em questão, deverá retificar os DARFs ou proceder conforme determina a legislação (PERD/DCOMP), sendo que tais procedimentos deverão ser dirigidos a unidade local da RFB que jurisdiciona a pessoa jurídica, pois foge a alçada das Delegacias de Julgamento a apreciação dos mesmos. Em seu recurso, a recorrente argumenta que: No momento em que fez o recolhimento do tributo a Recorrente o fez contabilizando os acréscimos legais até a data do pagamento, utilizandose do código do tributo por estar pagando, no mesmo ato, o tributo e os acréscimos legais pelo atraso. Destarte, não caberia ao Recorrente se utilizar de dois códigos de receitas distintas. Procedendo a uma comparação com o preenchimento de um DARF, vemos que, muito embora existam campos para preenchimento do "valor principal", do "valor da multa" e do "valor dos juros e/ou encargos", temos que existe apenas um campo destinado ao "código da receita", bem como que, quando se está pagando um tributo em atraso o código da receita utilizado é o do tributo e não o dos acréscimos legais. Mal comparando, seria este o procedimento utilizado no SIAF, por essa razão a autoridade fiscal não encontrou nos documentos juntados pela Recorrente o código da receita dos acréscimos legais. A propósito, a autoridade fiscal só encontraria o código de receita dos acréscimos legais se estivéssemos falando do recolhimento isolado dos encargos legais, o que, definitivamente, não é o caso em apreço. Fl. 287DF CARF MF Processo nº 16707.002168/200717 Resolução nº 1001000.114 S1C0T1 Fl. 92 3 O exemplo comparativo foi lançado, com o intuito de clarear a situação guerreada e demonstrar, mais uma vez, a irreparabilidade dos procedimentos adotados pela Recorrente. Requer a reforma da decisão recorrida. A recorrente apresentou as provas, já na fase da impugnação, dos recolhimentos por ela efetuados às fls 34 (renumerada para 17) a 90 (renumerada para 45). É de observarse, pela cópia acima, que, aparentemente, a recorrente tem razão em seus argumentos. Não há um código específico para recolhimento de multa e juros, a não ser de encargos isolados. Assim, não haveria como a recorrente retificar o DARF (através de REDARF) e não me parece ser um caso de compensação (PER/DCOMP). Diante do exposto, voto por converter o presente processo em diligência à unidade de origem para que esta analise os documentos e confirme se os valores recolhidos correspondem, efetivamente, aos encargos moratórios lançados no auto de infração, notificando a recorrente e retornando os autos a este CARF para continuação do julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) José Roberto Adelino da Silva Fl. 288DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13739.000859/2007-11
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jun 18 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI)
Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007
PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO.
Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio.
GLOSA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE.
Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante.
MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS.
As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização. O conceito de insumos, no contexto do IPI, pressupõe que os bens nele subsumidos sejam consumidos - e aqui consumo assume um sentido amplo de desgaste, desbaste, perda de propriedades, etc. - em contato direto com o produto em fabricação, e desde que não integrem o ativo permanente. Nessa linha, não se afiguram como matéria-prima ou produto intermediário, para fins de creditamento do IPI, os bens que forem utilizados apenas indiretamente na produção ou não consumidos em contato direto com o produto em fabricação.
RESSARCIMENTO. CRÉDITO GLOSADO.
Geram direito ao crédito do IPI, além das matérias-primas, produtos intermediários stricto-sensu e material de embalagem, os materiais que se integram ao produto final e quaisquer outros materiais, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente, que se consumam por decorrência de contato físico com o produto em elaboração, excluindo-se, no caso, as peças para reposição do maquinário e as caixas plásticas.
Numero da decisão: 3003-000.264
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva.
Nome do relator: MARCOS ANTONIO BORGES
1.0 = *:*
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ementa_s : ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS (IPI) Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. GLOSA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS. As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização. O conceito de insumos, no contexto do IPI, pressupõe que os bens nele subsumidos sejam consumidos - e aqui consumo assume um sentido amplo de desgaste, desbaste, perda de propriedades, etc. - em contato direto com o produto em fabricação, e desde que não integrem o ativo permanente. Nessa linha, não se afiguram como matéria-prima ou produto intermediário, para fins de creditamento do IPI, os bens que forem utilizados apenas indiretamente na produção ou não consumidos em contato direto com o produto em fabricação. RESSARCIMENTO. CRÉDITO GLOSADO. Geram direito ao crédito do IPI, além das matérias-primas, produtos intermediários stricto-sensu e material de embalagem, os materiais que se integram ao produto final e quaisquer outros materiais, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente, que se consumam por decorrência de contato físico com o produto em elaboração, excluindo-se, no caso, as peças para reposição do maquinário e as caixas plásticas.
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DESNECESSIDADE. INDEFERIMENTO. Somente é cabível o pedido de diligência quando esta for imprescindível ou praticável ao desenvolvimento da lide, devendo ser afastados os pedidos que não apresentam este desígnio. GLOSA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, considera-se não impugnada matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. MATÉRIAS-PRIMAS E PRODUTOS INTERMEDIÁRIOS. DIREITO AO CRÉDITO DE IPI. CONCEITO DE INSUMOS. As matérias-primas e produtos intermediários somente geram créditos de IPI se integrarem o produto fabricado ou se forem consumidos no processo de industrialização. O conceito de insumos, no contexto do IPI, pressupõe que os bens nele subsumidos sejam consumidos - e aqui consumo assume um sentido amplo de desgaste, desbaste, perda de propriedades, etc. - em contato direto com o produto em fabricação, e desde que não integrem o ativo permanente. Nessa linha, não se afiguram como matéria-prima ou produto intermediário, para fins de creditamento do IPI, os bens que forem utilizados apenas indiretamente na produção ou não consumidos em contato direto com o produto em fabricação. RESSARCIMENTO. CRÉDITO GLOSADO. Geram direito ao crédito do IPI, além das matérias-primas, produtos intermediários “stricto-sensu” e material de embalagem, os materiais que se integram ao produto final e quaisquer outros materiais, desde que não contabilizados pela contribuinte em seu ativo permanente, que se consumam por decorrência de contato físico com o produto em elaboração, excluindo-se, no caso, as peças para reposição do maquinário e as caixas plásticas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR Dà O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 73 9. 00 08 59 /2 00 7- 11 Fl. 343DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3003-000.264 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13739.000859/2007-11 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, por unanimidade de votos, negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcos Antonio Borges, Vinícius Guimarães, Márcio Robson Costa e Muller Nonato Cavalcanti Silva. Relatório Adoto o relatório da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento, que narra bem os fatos: Trata o presente processo de PEDIDO DE RESSARCIMENTO DE IPI de fl. 03, relativo ao 2° Trimestre do ano-calendário de 2007, formulado, em 16/07/2007, no montante de R$24.389,39, com fulcro no artigo 11 da Lei n° 9.779, de 19/01/1999. Vinculada ao ressarcimento, à fl. 01 do processo apensado n° 13807006409/2007-81, encontra-se a declaração de compensação do debito de R$24.389,39 da Cofins Não Cumulativa (código 5856), com vencimento em 20/07/2007. lnstruída pelo Parecer SEORT/DRF/NITERÓI N° 2.207/2009, às fls 150/151, a autoridade competente exarou, à fl. 152, Despacho Decisório para reconhecer em parte o direito creditório, na quantia de R$7.490,04, e, conseqüentemente, homologar em parte a compensação declarada. No citado parecer, o auditor fiscal - encarregado de proceder aos exames necessários à análise do presente pleito - informou que: 1) a atividade do contribuinte era a elaboração de gêneros alimentícios provenientes da pesca, cuja classificação na TlPl confere-lhes alíquota zero; 2) o crédito solicitado é composto por parcela de credito extemporâneo de R$18.365,74 (fl. 72), escriturado no mês de abril de 2007, referente a materiais intermediários e material auxiliar. O crédito relativo a esses materiais, segundo explicação do próprio contribuinte (fls. 25 e 97), foi apurado com base em reavaliação de uma empresa de consultoria que re-classificou materiais de uso e consumo como itens ligados ao processo de produção; 3) as notas fiscais referentes ao crédito extemporâneo (fls. 98/ 146) são, na sua quase totalidade, de material de embalagem e de reposição de peças de maquinário instalado; ' 4) o material de embalagem (fl. 136), fornecido por Cangost Plastic SA (fls. 102 e 106), foi o item preponderante na formação do crédito extemporâneo, somando R$10.021,23. Eram caixas plásticas, enquanto o acondicionamento citado nos processos de produção apresentados especificam o enlatamento e caixas de papelão como formas de embalagem dos produtos industrializados pelo contribuinte. Além disso, o CFOP 3.556 indicado nas notas fiscais de entrada indica que tais aquisições foram efetivadas para uso e consumo do estabelecimento. Tendo em vista tratar-se de crédito extemporâneo e de material que pode ter tido funções generalizadas pelo contribuinte, não há como ratificar a proposta de reavaliação, em razão da incerteza associada ao uso de tais embalagens; 5) o item tintas e solventes, fornecido pela Comprint Ind. e Com. de Materiais Gráficos, no valor total de R$3.676,75 (fl. 136), não pode ser considerado como matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem. Tais produtos têm apenas função acessória para atendimento de exigência legal de informação de validade, não participando diretamente de nenhum processo de produção listado, devendo dessa forma ser desconsiderado. O mesmo acontece com o credito de R$690,17, consignado na Nota Fiscal n° 162.552, emitida pela Videojet do Brasil (fl. 70); Fl. 344DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3003-000.264 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13739.000859/2007-11 6) com relação às peças para reposição do maquinário (fls. 136 e 137), o inciso 1 do art. 164 do RIPI/2002 exclui os produtos que integram o ativo permanente da composição do crédito devido; 7) com relação ao item Floculante Flonex, listado na fi. 137, houve o decurso de prazo de cinco anos, previsto no art. 1° do Decreto n° 20.910, de 1932, para o uso do respectivo crédito; 8) os demais produtos listados na fl. 137 - presilhas p/ container e produtos químicos para análise laboratorial - não fazem parte diretamente do processo produtivo. Regularmente notificado, o requerente apresenta, por meio de seus procuradores (fls. 168/169), a manifestação de inconformidade de fls. 156/166, para, em extenso arrazoado, discorrer sobre o direito: I) “ao creditamento pela aquisição de produtos inteiramente consumidos no processo de industrialização”; Il) “a crédito sobre tintas e solventes utilizados nas embalagens utilizadas' no processo produtívo”; e p Ill) “a crédito sobre as caixas de plástico”. No item (l), o interessado alegou direito sobre crédito decorrente das peças para reposição de maquinário. No seu entender, o Despacho Decisório não está em consonância com precedentes firmados nos Conselhos de Contribuintes e nos Tribunais. Nesse sentido, reproduziu ementas de acórdãos do Superior Tribunal de Justiça e do Conselho de Contribuintes. Resumidamente, as razões de defesa apresentadas são: a) primeiramente, a de que é equivocado o entendimento de que produtos intermediários são aqueles consumidos no processo produtivo em decorrência de contado direto com o produto em fabricação. Na sua versão, é necessário tão›somente que o produto seja utilizado e consumido (desgastado) na fabricação do produto final; b) em segundo lugar, que o art. 164, inc. 1, do RIPI/2002, só exclui o direito de crédito de lP1 sobre o bem que integrar o ativo fixo, o que, segundo ele, não é o caso das peças de reposição por ele utilizadas. Sempre no sentido de provar seu direito, o interessado afirmou ainda que a questão relativa à natureza do desgaste experimentado pelos materiais adquiridos era fundamental para o deslinde da controvérsia. Assim sendo, embasado em textos doutrinários, recorreu ao art. 18 do Decreto 70.235, de 1972, para solicitar perícia técnica para que se respondesse às seguintes indagações e ainda a quesitos suplementares: 1) Os materiais adquiridos pela Requerente, objeto do pedido de ressarcimento em referência, são desgastados ao longo de seu processo produtivo? 2) Em caso positivo, como se dá, detalhadamente, o referido desgaste? Para tanto, nos termos do art. 16, IV, do Decreto n° 70.235/72, indicou como perito o Sr. Miguel Orosco, brasileiro, casado, contador, inscrito no CPF/MF sob o n° 070.312.628-87, inscrito no CRC-1-SP sob o n° 123714/0-1, residente e domiciliado na Capital do Estado de São Paulo, onde tem escritório na Rua Verbo Divino, 1.661, 7° andar, Chácara Santo Antonio. No item (ll), direito de credito sobre tintas e solventes, alegou o interessado que a interpretação dada pelo Despacho Decisório era avessa ao entendimento firmado no Conselho de Contribuintes, a exemplo dos Acórdãos 204-03190, 204-03191 e 204- 00035). No item (Ill), direito a crédito sobre caixas de plástico, o contribuinte opôs-se à Receita Federal sob dois aspectos. Um, dizia respeito ao fato de os materiais de embalagem para uso do estabelecimento não gerarem direito ao crédito. Outro, à dúvida que o ente demonstrou ter com relação à função exercida pelas caixas no processo produtivo. Quanto ao primeiro aspecto, afirmou se tratar de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, sobre os quais a Lei n° 9.779, de 1999, estabelece o direito ao ressarcimento. Para o segundo aspecto, afirmou aplicarem-se as regras concernentes Fl. 345DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3003-000.264 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13739.000859/2007-11 à perícia. Nesse ponto asseverou: se há dúvida sobre a utilização do produto, essa deve ser sanada mediante procedimento de perícia a ser determinada pelo ente público. Por fim, o interessado concluiu seu arrazoado com o pedido deferimento da manifestação de inconformidade e reafirmou, que se assim não fosse, se determinasse a realização de perícia técnica, com o fim de provar a legitimidade de sua petição. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Juiz de Fora (MG) julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade com base na seguinte ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 SALDO CREDOR TRIMESTRAL DE IPI. CONCEITO DE MP, PI E ME. Somente podem ser considerados como matéria~Prima ou produto intermediário, além daqueles que se integram ao produto novo, os bens que sofrem desgaste ou perda de propriedade, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, ou proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização e desde que não correspondam a bens do ativo permanente e ainda os materiais de embalagem utilizados nos produtos fabricados. Dessa maneira, o IPI incidente sobre as PEÇAS DE REPOSIÇAO DE, MAQUINÁRIO, elementos que não atuam diretamente sobre o produto não se enquadram nos conceitos de matéria prima ou produto intermediário e o MATERIAL DE USO E CONSUMO ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL (caixas plásticas no caso), que não lhes servem de embalagem. Contrário senso, reconhece-se como integrante do saldo credor trimestral as TINTAS E SOLVENTES utilizados. para a marcação da data de validade e de fabricação dos produtos elaborados, tendo em vista comporem de maneira indelével a embalagem (PN CST n°`65, de 1979, Lei n°9 363, de 1996) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 DILIGÊNCIA. PERÍCIA. PRESCINDÍVEL E IMPRATICÁVEL Há de se denegar a realização de diligência ou perícia quando demonstrado sua impraticabilidade e sua desnecessidade, conforme disposto no art. 18 do Decreto n° 70.235, de 1972. 2- DILIGÊNCIA. PERÍCIA. FALTA DOS REQUISITOS EXIGIDOS. Faltantes os requisitos previstos no § 1° do art. 16 do PAF, no tocante a perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional do perito, e à perícia e à diligência, os quesitos 3- GLOSA NÃO CONTESTADA. DEFINITIVIDADE. Nos termos do art. 17 do PAF, é definitiva, na esfera administrativa, a glosa não expressamente contestada pelo manifestante. Inconformada, a contribuinte interpôs Recurso Voluntário no qual alega, em preliminar, a nulidade da decisão recorrida por não ter analisado glosa contestada, e, no mérito, repisa as razões apresentadas por ocasião da Manifestação de Inconformidade em relação às glosas que foram mantidas. É o Relatório. Fl. 346DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3003-000.264 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13739.000859/2007-11 Voto Conselheiro Marcos Antonio Borges O recurso é tempestivo e atende aos demais pressupostos recursais, portanto dele toma-se conhecimento. Conforme já relatado, o direito creditório pleiteado pela Recorrente relativo ao ressarcimento de credito de IPI apurado no 2° Trimestre do ano-calendário de 2007 foi parcialmente deferido e as compensações vinculadas homologadas até o limite do crédito reconhecido. Conforme informação fiscal, a parte glosada referem-se a Caixas Plásticas, Tintas e Solventes, Peças importadas para Reposição do Maquinário, Floculante FLONEX, Presilha CKM e Ácido Sulfúrico para análise laboratorial. A decisão de 1ª instância reverteu as glosas das aquisições de tintas e solventes, mantendo as demais. Apreciando a matéria, o colegiado a quo se posicionou, in suma, por manter a glosa decorrente de aquisições de peças de reposição de máquinas por não haver contato direto entre tais peças e os produtos em fabricação, não atendendo ao Parecer Normativo CST n° 65, de 1969 e as caixas de plástico utilizadas pelo contribuinte por serem para uso e consumo do estabelecimento industrial, não sendo considerados matérias-primas, produtos intermediários ou material de embalagem capazes de gerarem o direito ao crédito de IPI. Como relatado, a recorrente sustenta que é equivocado o entendimento de que produtos intermediários são aqueles consumidos no processo produtivo em decorrência de contado direto com o produto em fabricação. Na sua versão, é necessário tão somente que o produto seja utilizado e consumido (desgastado) na fabricação do produto final; b) em segundo lugar, que o art. 164, inc. 1, do RIPI/2002, só exclui o direito de crédito de lP1 sobre o bem que integrar o ativo fixo, o que, segundo ele, não é o caso das peças de reposição por ele utilizadas. Quanto ao direito a crédito sobre caixas de plástico, o contribuinte opôs-se à Receita Federal sob dois aspectos. Um, dizia respeito ao fato de os materiais de embalagem para uso do estabelecimento não gerarem direito ao crédito. Outro, à dúvida que o ente demonstrou ter com relação à função exercida pelas caixas no processo produtivo. Quanto ao primeiro aspecto, afirmou se tratar de matéria-prima, produto intermediário ou material de embalagem, sobre os quais a Lei n° 9.779, de 1999, estabelece o direito ao ressarcimento. Para o segundo aspecto, afirmou aplicarem-se as regras concernentes à perícia. Preliminarmente, quanto à alegação de nulidade da decisão recorrida por não ter analisado glosa contestada e o conseqüente cerceamento ao direito de defesa entendo que não assiste razão à recorrente. A decisão recorrida considerou não impugnada as glosas dos itens Floculante FLONEX, Presilha CKM e Ácido Sulfúrico para análise laboratorial. A recorrente alega que houve na Manifestação de lnconformidade apresentação de tópico especifico em relação à essas matérias intitulado "Produtos inteiramente Consumidos no Processo de lndustrialização". Conforme consta no PARECER SEORT/DRF-NITERÓI N° 2.207/2009, às fls. 184/186, em relação ao item Floculante Flonex, listado na fl. 137, a glosa de deu por decurso de prazo de cinco anos para o uso do crédito previsto no art. 1° do Decreto 20.910/32, e quanto aos Fl. 347DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3003-000.264 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13739.000859/2007-11 itens da fl. 137 - presilhas p/container e produtos químicos para análise laboratorial, a glosa de deu por entender a fiscalização que não fariam parte diretamente dos processos produtivos. Analisando a Manifestação de lnconformidade apresentada, não consta nenhuma contestação em relação ao motivo da glosa do item Floculante Flonex, decurso de prazo de cinco anos, aventado pela fiscalização, bem como, em relação ao tópico aludido pela recorrente, não há contestação expressa da glosa dos demais itens considerados não impugnados. A menção expressa que se faz é apenas em relação as “peças para reposição de maquinário", não podendo se inferir que a contestação se estenderia aos demais itens. Assim, mantenho o entendimento da decisão recorrida quanto a não impugnação das glosas dos itens Floculante FLONEX, Presilha CKM e Ácido Sulfúrico para análise laboratorial, por não terem sido expressamente contestadas pela recorrente, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235/72, não restando caracterizada a alegada nulidade. Quanto ao mérito, melhor sorte não assiste à recorrente. A recorrente argumenta que o acórdão recorrido e as glosas efetuadas pela fiscalização se baseiam em premissa errônea, qual seja, a de considerar que a caracterização de produto intermediário exige o contato direto entre o insumo e o produto em fabricação, entendimento consolidado no Parecer Normativo CST nº 65/1979. Entendo que a fiscalização e a decisão recorrida adotaram entendimento correto quanto à delimitação do conceito de produtos intermediários, conforme consta no Parecer Normativo CST nº. 65/1979, o qual delimitou e alargou o significado da expressão "consumidos na produção", tendo consignado que tal expressão abrange, exemplificativamente, o desgaste, o dano e a perda de propriedades físicas ou químicas, desde que decorrentes de ação direta do bem sobre o produto em fabricação. Tal entendimento é muito bem sintetizado no item 11 do referido parecer: 11. Em resumo, geram o direito ao crédito, além dos que se integram ao produto final (matérias-primas e produtos intermediários, “stricto senso”, material de embalagens), quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função de ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação; ou vice-versa, proveniente de ação exercida diretamente pelo bem em industrialização, desde que não devam, em face dos princípios contábeis geralmente aceitos, ser incluídos no ativo permanente.” A Súmula CARF nº. 19 condensa, a propósito, o raciocínio de que deve haver o contato direto do bem com o produto em fabricação para que se fale em matéria-prima e produtos intermediários: Súmula CARF nº 19 Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matéria-prima ou produto intermediário. Depreende-se, da leitura da súmula, que a ratio decidendi para a exclusão da aquisição de combustível da base de cálculo do crédito presumido de IPI é, precisamente, a constatação que aquele material não é consumido em contato direto com o produto em fabricação, conforme conceito estabelecido nos Pareceres Normativos CST nºs. 181/1974 e 65/1979. Fl. 348DF CARF MF Fl. 7 do Acórdão n.º 3003-000.264 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13739.000859/2007-11 No âmbito do Judiciário, a matéria ora discutida não ganhou contornos distintos. Entre as várias decisões, há que se recordar do julgamento do REsp 1.075.508/SC, submetido ao regime de recursos repetitivos (art. 543-C do antigo CPC), cuja ementa e excertos do relatório e voto condutor seguem transcritos (grifei algumas partes): PROCESSO CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543-C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IPI. CREDITAMENTO. AQUISIÇÃO DE BENS DESTINADOS AO ATIVO IMOBILIZADO E AO USO E CONSUMO. IMPOSSIBILIDADE. RATIO ESSENDI DOS DECRETOS 4.544/2002 E 2.637/98. 1. A aquisição de bens que integram o ativo permanente da empresa ou de insumos que não se incorporam ao produto final ou cujo desgaste não ocorra de forma imediata e integral durante o processo de industrialização não gera direito a creditamento de IPI, consoante a ratio essendi do artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (Precedentes das Turmas de Direito Público: AgRg no REsp 1.082.522/SP, Rel. Ministro Humberto Martins, Segunda Turma, julgado em 16.12.2008, DJe 04.02.2009; AgRg no REsp 1.063.630/RJ, Rel. Ministro Francisco Falcão, Primeira Turma, julgado em 16.09.2008, DJe 29.09.2008; REsp 886.249/SC, Rel. Ministro Luiz Fux, Primeira Turma, julgado em 18.09.2007, DJ 15.10.2007; REsp 608.181/SC, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, Primeira Turma, julgado em 06.10.2005, DJ 27.03.2006; e REsp 497.187/SC, Rel. Ministro Franciulli Netto, Segunda Turma, julgado em 17.06.2003, DJ 08.09.2003). 2. Deveras, o artigo 164, I, do Decreto 4.544/2002 (assim como o artigo 147, I, do revogado Decreto 2.637/98), determina que os estabelecimentos industriais (e os que lhes são equiparados), entre outras hipóteses, podem creditar-se do imposto relativo a matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindo-se "aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente". 3.In casu, consoante assente na instância ordinária, cuida-se de estabelecimento industrial que adquire produtos "que não são consumidos no processo de industrialização (...), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final", razão pela qual não há direito ao creditamento do IPI. 4. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543-C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Excertos do relatório e voto condutor do Relator Min. Luiz Fux (...) Noticiam os autos que METALÚRGICA RIO-SULENSE S/A, "fabricante de peças e acessórios para o sistema motor", ajuizou ação ordinária, em 12.11.2004, contra a UNIÃO, objetivando o reconhecimento, nos cinco anos que antecedem o ajuizamento da ação, do direito aos créditos do IPI decorrentes da aquisição de materiais intermediários (que se desgastam durante o processo produtivo sem contato físico ou químico direto com as matérias-primas). Na inicial, alegou que "dentre os vários materiais utilizados no processo produtivo, a Autora vale-se de produtos intermediários tais como anéis de retenção, rolos de esfera, rotores, selos mecânicos, brocas, hastes, cilindros, ogivas, palhetas, e outros que se desgastam no processo produtivo, todavia, sem integrarem-se física ou quimicamente ao novo produto". De acordo com a autora, "produto secundário (ou intermediário) é todo elemento utilizado no processo produtivo que não se integra física ou quimicamente ao novo produto, mas que nele está inserido", não se podendo impor restrições ao creditamento do IPI. (...) Fl. 349DF CARF MF Fl. 8 do Acórdão n.º 3003-000.264 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13739.000859/2007-11 O ponto nodal da atual controvérsia cinge-se à possibilidade de creditamento, a título de IPI, dos valores decorrentes da aquisição de bens destinados ao uso e consumo e ao ativo fixo do estabelecimento que, apesar de não integrarem fisicamente o produto final nem se desgastarem por ação direta - física ou química -, sofrem desgaste indireto no processo produtivo, integrando-se financeiramente ao produto final. A sentença bem concluiu, ao vaticinar que: "... não é todo o IPI pago pelas indústrias que gera creditamento. A legislação do IPI limita o creditamento aos produtos intermediários utilizados na produção de bens industriais, isto é, produtos que tenham contato físico direto com o bem produzido - produtos que embora não se integrando ao novo produto são consumidos no processo de industrialização. Note-se que a doutrina e a jurisprudência também adotam o conceito de crédito físico para reconhecer o direito ao creditamento. No caso, as notas fiscais de fls. 31 a 42 indicam a compra de 'anel retenção', 'rol esfera', 'rolos con.', 'voluta em fofo inferior', 'rotor em bronze', 'selo mecânico metal duro', 'rolamento', 'facas retas', 'cilindro polido', 'jogo de palheta', 'rodizio', 'ogiva mecânica com contado para controlar' e 'palheta delta', produtos estes que não são consumidos no processo de industrialização (consigne-se que a inicial não veio acompanhada de descrição do processo produtivo da empresa), mas que são componentes do maquinário (bem do ativo permanente) que sofrem o desgaste indireto no processo produtivo e cujo preço já integra a planilha de custos do produto final. Não há, portanto, que se confundir o consumo do produto com o mero desgaste do produto. Note-se que no caso a empresa autora é a consumidora final, pois não existe operação posterior à aquisição dos referidos produtos, e como consumidora final, deve arcar com o IPI, não havendo que se falar em creditamento. (...) Assim, não há que se falar em desrespeito à Constituição Federal (art. 153, § 3º), como quer a autora. Ao contrário, se adotada a tese da autora, todo e qualquer bem adquirido pela empresa daria direito ao creditamento, o que é incompatível com o princípio da não-cumulatividade, que pressupõe o pagamento sucessivo de IPI nas várias etapas de produção." Analisando a decisão do STJ, resta evidente que o conceito de insumos ali consubstanciado pressupõe a ocorrência de desgaste direto da matéria-prima ou produto intermediário para o reconhecimento do direito ao crédito de IPI, endossando, em síntese, o conceito de insumos consagrado ao longo de décadas no arcabouço normativo que rege o IPI. Em face do exposto, filio-me ao entendimento firmado no REsp 1.075.508/SC e, também, na Súmula CARF nº. 19. Assim, no presente caso, entendo que o conceito de insumos exige que os bens nele subsumidos sejam consumidos em contato direto com o produto (além de não integrar o ativo permanente), não se afigurando, como matéria-prima ou produto intermediário, para fins de creditamento do IPI, os bens que forem utilizados apenas indiretamente na produção. Resta, pois, analisar se, no caso concreto, os produtos cujos créditos foram glosados pela fiscalização poderiam se subsumir ao conceito de insumos acima enunciado. a)Peças importadas para Reposição do Maquinário. Alega a recorrente que as peças de reposição não necessitam estar em contato direito com o produto em fabricação, bem como não integrariam o ativo permanente. Fl. 350DF CARF MF Fl. 9 do Acórdão n.º 3003-000.264 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13739.000859/2007-11 Nos termos do conceito retro exposto, para enquadramento como matéria-prima ou produto intermediário, necessário se faz que os bens nele subsumidos sejam consumidos em contato direto com o produto (além de não integrar o ativo permanente). Pelo exame das notas fiscais e da relação de notas (fls. 136 e 137), observa-se que os materiais descritos, facas, rótulas, são atinentes a elementos e peças de máquinas e equipamentos, não se subsumindo, portanto, ao conceito de insumos no âmbito do IPI. É de se lembrar que a decisão do STJ, no REsp 1.075.508/SC, traz, como exemplos de materiais que não se subsumem ao conceito de insumos, as roldanas, óleos lubrificantes, brocas, hastes, correias, rolamentos, rotores, cilindros, anéis de retenção, entre outros, os quais são partes, peças ou elementos do maquinário industrial, mas que não são consumidos, de forma imediata e integral, em contato físico com o produto em industrialização. Assim, observa-se que os itens identificados como peças de reposição não se enquadram no conceito de insumos adotado neste julgamento e sedimentado na jurisprudência, ou seja, nenhum dos produtos são consumidos, de forma imediata e integral, em contato físico com o produto em industrialização, de maneira que é correta a glosa dos créditos decorrentes de sua aquisição. b) Caixas Plásticas. Conforme consta das notas fiscais e da relação de notas (fls. 102, 106 e 136), tratam-se de Caixas Plásticas, e que pelos elementos acostados aos autos, não teriam como função a utilização no processo produtivo, mas seriam materiais de uso e consumo, conforme comprovam as notas fiscais de entrada, que não dão direito a crédito do IPI. Mesmo se fossem consideradas como embalagens, para gerarem direito a crédito, essas deveriam ser utilizadas na produção do bem, caracterizando-se como tal aquelas que, ao envolverem o produto, alteram a sua apresentação, conforme se verifica no art. 4º, inc. IV, do Regulamento do IPI de 2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). Se forem incorporadas após o produto estar pronto, como é o caso das embalagens de transporte, não se caracterizam como insumo, não sendo passíveis de gerarem crédito do IPI. No presente caso, agiu com acerto a fiscalização ao glosar as aquisições das caixas plásticas, pois conforme informações prestadas pelo contribuinte, o acondicionamento citado nos processos de produção apresentados especificam apenas o enlatamento e as caixas de papelão como as formas de embalagem dos produtos industrializados pelo contribuinte. É de se manter assim a glosa sobre as caixas plásticas. Quanto ao pedido de diligência da requerente, os artigos 18 e 29 do Decreto 70.235 de 1972 revelam que a realização de diligências deve ser determinada pela autoridade julgadora apenas quando esta entender necessárias e imprescindíveis à formação da sua convicção, verbis: Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendê-las necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pela Lei nº 8.748, de 1993) Art. 29. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. No entanto, entendo como desnecessária a realização de perícia. Há, nos autos, elementos suficientes para o julgamento do feito: todas as notas fiscais foram juntadas aos autos, Fl. 351DF CARF MF Fl. 10 do Acórdão n.º 3003-000.264 - 3ª Sejul/3ª Turma Extraordinária Processo nº 13739.000859/2007-11 assim como relação completa de notas fiscais, trazendo informações essenciais sobre os produtos adquiridos - tais como, destinação, relação de contato (ou não) com o produto industrializado, etc. -, e, ainda, laudo produzido pela recorrente com descrição detalhada do processo produtivo. Há que se lembrar, ademais, que a recorrente teve todas as oportunidades, no curso do procedimento fiscal e do contencioso administrativo, para trazer os elementos suficientes e necessários para comprovar seu direito creditório, não se justificando, no presente caso, a realização de perícia, seja para suprir carência probatória - uma vez que a diligência não se afigura como remédio processual para suprir injustificada omissão probatória -, seja para contemplar necessidade de análise técnica dos documentos trazidos ao processo - porque, neste último caso, a autoridade fiscal e os órgãos julgadores são plenamente capazes e tecnicamente habilitados para apreciar as questões postas em análise. Em sede de pedido de ressarcimento cumulado com compensação compete ao contribuinte o ônus da prova do fato constitutivo do seu direito, consoante a regra basilar extraída do Código de Processo Civil, artigo 373, inciso I, cabendo a este demonstrar, mediante adequada instrução probatória dos autos, os fatos eventualmente favoráveis às suas pretensões. Portanto, a diligência não pode ser utilizada como um meio para suprir a deficiência das provas carreadas pelo sujeito passivo aos autos. Diante do exposto, voto por rejeitar a preliminar suscitada e, no mérito, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Marcos Antonio Borges Fl. 352DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13609.001244/2005-25
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jun 07 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Wed Jul 03 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA (IRPF)
Exercício: 2001, 2002
GANHO DE CAPITAL.
Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins.
ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO.
São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
JURO DE MORA.
As normas reguladoras do juro de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontram-se disciplinadas em lei.
Numero da decisão: 2301-006.249
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento a aplicação de R$ 30.000,00 indicada no mês de fevereiro de 2000.
João Maurício Vital - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, substituído pelo conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: JOAO MAURICIO VITAL
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Na apuração do ganho de capital serão consideradas as operações que importem alienação, a qualquer título, de bens ou direitos ou cessão ou promessa de cessão de direitos à sua aquisição, tais como as realizadas por compra e venda, permuta, adjudicação, desapropriação, dação em pagamento, doação, procuração em causa própria, promessa de compra e venda, cessão de direitos ou promessa de cessão de direitos e contratos afins. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. São tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, quando esse não for justificado pelos rendimentos isentos, tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. JURO DE MORA. As normas reguladoras do juro de mora que determinam a aplicação do percentual equivalente à taxa Selic encontram-se disciplinadas em lei. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento a aplicação de R$ 30.000,00 indicada no mês de fevereiro de 2000. João Maurício Vital - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Sávio Nastureles, Wesley Rocha, Cleber Ferreira Nunes Leite, Gabriel Tinoco Palatnic (suplente convocado), Sheila Aires Cartaxo Gomes, Virgílio Cansino Gil (suplente convocado), Wilderson Botto (Suplente convocado) e João Maurício Vital (Presidente). Ausente o Conselheiro Marcelo Freitas de Souza Costa, substituído pelo conselheiro Gabriel Tinoco Palatnic. Ausente a conselheira Juliana Marteli Fais Feriato, substituída pelo conselheiro Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 60 9. 00 12 44 /2 00 5- 25 Fl. 278DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 2301-006.249 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.001244/2005-25 Relatório Trata-se de lançamento de Imposto de Renda de Pessoa Física, apurado em face de omissão de rendimentos caracterizada acréscimo patrimonial a descoberto, nos anos de 2000 e 2001, e falta de recolhimento do Imposto de Renda incidente sobre o ganho de capital, no ano de 2001. O lançamento foi impugnado (e-fls. 180 a 189) e a impugnação foi considerada procedente em parte (e-fls. 245 a 255). Foi manejado recurso voluntário (e-fl. 263 a 275) no qual o recorrente alegou: a)que o lançamento e o acórdão recorrido incorreram em ilegalidade ao: i)não considerar que o valor de R$ 30.000,00 tinha como origem informações declaradas no ano de 1999 e, portanto, não poderia ser considerado aplicação no ano seguinte; ii)admitir como aplicação os cheques emitidos mais os saldos existentes em banco, bem como o rateio por doze meses dos rendimentos declarados pelo recorrente dos dispêndios efetuados em apartamento; iii)considerar os valores dos cheques sacados como aplicação, porquanto os saques bancários, quando não comprovada a destinação, não se prestam a lastrear o lançamento; iv)lançar os saldos finais de cada mês (origens) no quadro de apurações (gastos) e, ainda, computar todos os cheques emitidos pelo recorrente como aplicação; v)ratear mensalmente os valores declarados na declaração de bens e direitos; vi)apurar mensalmente a variação patrimonial com base no rateio por doze meses dos dispêndios e considerando os valores declarados, resultando em mera presunção; b)que as exigências fiscais para a legitimação do empréstimo de R$ 60.000,00 não têm previsão legal e que o recorrente comprovou ter liquidado o empréstimo nos anos de 2002, 2003 e 2004; c)a declaração apresentada faz prova em favor do recorrente, cabendo ao Fisco a prova em contrário; d)que o uso da taxa selic para cálculo dos juros ofende a Constituição Federal e, ademais, não há previsão legal para a sua aplicação. É o relatório. Voto Fl. 279DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 2301-006.249 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.001244/2005-25 Conselheiro João Maurício Vital, Relator. O recurso é tempestivo e dele conheço, exceto quanto às alegações de inconstitucionalidades, por força do que dispõe a Súmula Carf nº 2. Registre-se que o recorrente não se insurgiu contra o lançamento, no que se refere ao ganho de capital. Do acréscimo patrimonial a descoberto Os acréscimos patrimoniais constituem proventos, nos termo do art. 43 do Código Tributário Nacional. O § 1º do art. 3º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, estabelece que constitui rendimento bruto, sobre o qual incide o Imposto de Renda, os proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos detectados. O inc. XIII do art. 55 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999, determina que são tributáveis as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréscimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. O recorrente alega várias ilegalidades que maculariam o lançamento, mas não apontou que leis teriam sido infringidas (excluídas as alegações de inconstitucionalidade, que não podem ser conhecidas neste feito). O que percebo é exatamente o contrário, todos os atos perpetrados pela Autoridade Lançadora e pelo colegiado a quo têm fundamentação legal substancial. As planilhas de apuração da variação patrimonial (e-fls. 140 a 143) foram devidamente confeccionadas apurando-se origem a aplicação de recursos a cada mês. Quanto ao valor de R$ 30.000,00 incluído como aplicação em fevereiro de 2000, (e-fl. 141, linha 10), o recorrente confunde-se ao alegar que o valor foi tributado em 1999 com a sua indicação como aplicação de recursos. Para a apuração do acréscimo patrimonial, é necessário considerar-se todos os dispêndios, independentemente de haverem sofrido tributação, porque o que se busca é saber se há origem suficiente para fazer frente às aplicações. Ocorre que a aplicação de R$ 30.000,00 constante na planilha tem por fundamento documental a escritura de compra e venda do imóvel (e-fl. 12 e 13). Como não há informação de quando o pagamento aconteceu, não posso endossar o entendimento do acórdão recorrido de que todas as informações e valores contidos nesta escritura pública de compra e venda (...) indicam que a transação ocorreu em 2000 (e-fl. 250); pelo contrário, a escritura, embora tenha sido lavrada em 2000, não informa quando foi pago o valor. Na Declaração de Ajuste Anual de 2000 (e-fl. 218), o bem já constava do rol de bens e direitos ao valor de R$ 30.000,00 desde o ano de 1998. Portanto, é plenamente admissível a alegação do recorrente de que a aplicação não ocorreu em 2000, quando da lavratura da escritura, mas em ano anterior. Fl. 280DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 2301-006.249 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.001244/2005-25 Entendo que, em relação aos R$ 30.000,00, o Fisco não se desincumbiu de comprovar que a aplicação teria ocorrido em fevereiro de 2000, como indicado, mesmo tendo tido acesso à informação constante da Declaração de Ajuste Anual de 2001 (e-fl. 148) onde já estava indicado que o bem compunha o patrimônio do contribuinte em 1999. O valor da aplicação deve, pois, ser excluído da planilha e, por consequência, os valores de acréscimo patrimonial deverão ser recalculados em face dessa exclusão. Quanto a considerar os cheques emitidos como aplicações, o procedimento está correto, pois representam desembolso. Quanto ao rateio dos dispêndios no apartamento, a divisão em doze meses apenas favoreceu o contribuinte que, intimado, não apresentou os comprovantes de pagamentos desses gastos para que fossem apropriados no mês do desembolso. Quanto aos valores das linhas 11 e 12 (e-fl. 141), não merece reparo o acórdão a quo e o lançamento. O procedimento está correto. Para efeito de cálculo do acréscimo patrimonial, os cheques e débitos bancários são aplicações de recursos, assim como os saldos bancários líquidos e o valor em moeda corrente declarado da Declaração de Ajuste Anual. Isso porque, para fazer frente a essas aplicações, o contribuinte terá que ter obtido rendimentos suficientes, daí a necessidade de confrontá-los com os as origens conhecidas. Nota-se que os saldos negativos constam das aplicações (linha 12) e os saldos positivos constam das origens (linha 4) e o saldo inicial de dinheiro em espécie, R$ 10.000,00, consta das origens, enquanto o saldo final, R$ 24.500,00, consta das aplicações. Quanto ao empréstimo de R$ 60.000,00, corroboro o acórdão recorrido. Cabia ao recorrente, intimado, apresentar provas idôneas de que o mútuo teria ocorrido, já que foi ele quem alegou essa origem. Por prova idônea, entende-se elementos que demonstrem, efetivamente, que houve a transferência de numerário pelo mutuante e a assunção da obrigação pelo mutuário, nada disso consta dos autos. Ainda que houvesse comprovado o pagamento do suposto empréstimo (o que, de fato, não provou), não seria suficiente para comprovar a origem do recurso, que é o que pretendeu o recorrente. Tal empréstimo, se existiu, poderia ter sido contraído antes do período fiscalizado e em valor diferente do informado. Enfim, a alegação carece de prova mínima de veracidade. Quanto à utilização da taxa Selic para o cálculo dos juros, cumpre observar a Súmula Carf nº 4: Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia - SELIC para títulos federais. Conclusão Voto por conhecer, em parte, do recurso, não conhecendo das alegações de inconstitucionalidade, e, no mérito, DAR-LHE PARCIAL PROVIMENTO para excluir do lançamento a aplicação de R$ 30.000,00 indicada no mês de fevereiro de 2000. João Maurício Vital - Relator Fl. 281DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 2301-006.249 - 2ª Sejul/3ª Câmara/1ª Turma Ordinária Processo nº 13609.001244/2005-25 Fl. 282DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.912424/2016-72
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 25 00:00:00 UTC 2019
Ementa: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano-calendário: 2012
ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL.
No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
Numero da decisão: 3302-007.004
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal.
(assinado digitalmente)
Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano-calendário: 2012 ÔNUS DA PROVA. PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado.
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PRECLUSÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF DESACOMPANHADA DE PROVAS CONTÁBEIS E DOCUMENTAIS QUE SUSTENTEM A ALTERAÇÃO. MOMENTO PROCESSUAL. No processo administrativo fiscal o ônus da prova do crédito tributário é do contribuinte (Artigo 373 do CPC). Não sendo produzidas nos autos provas capazes de comprovar seu pretenso direito, o despacho decisório que não homologou o pedido de restituição deve ser mantido. O momento legalmente previsto para a juntada dos documentos comprobatórios do direito da Recorrente, especialmente notas fiscais ou documentos contábeis, é o da apresentação da Impugnação ou Manifestação de Inconformidade, salvo as hipóteses legalmente previstas que autorizam a sua apresentação extemporânea, notadamente quando por qualquer razão era impossível que ela fosse produzida no momento adequado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares arguidas, e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. O Conselheiro Walker Araújo votou pelas conclusões na questão de produção de prova apresentada na fase recursal. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator e Presidente Substituto Participaram do presente julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho (Presidente Substituto), Corintho Oliveira Machado, Walker Araujo, Luis Felipe de Barros Reche (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad e Denise Madalena Green. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 91 24 24 /2 01 6- 72 Fl. 146DF CARF MF Fl. 2 do Acórdão n.º 3302-007.004 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912424/2016-72 Relatório O presente processo trata de Manifestação de Inconformidade contra o Despacho Decisório, emitido eletronicamente que não homologou a compensação de crédito de PIS/Cofins declarado em PER/DCOMP. Tal decisão estaria fundamentada no fato de que a partir das características do DARF descrito na declaração, foram localizados um ou mais pagamentos, integralmente utilizados para quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados. Como enquadramento legal citou-se: arts. 165 e 170, da Lei nº 5.172 de 25 de outubro de 1966 (Código Tributário Nacional - CTN), art. 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Devidamente cientificado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade alegando, pleiteando, preliminarmente, a nulidade do despacho decisório. No particular alega ausência de fundamentação, ausência de motivação e inocorrência de intimação para prestar esclarecimentos, os quais permitiriam ao Fisco conhecer a origem do crédito pretendido. Cita o art. 37 da CF, e observa que o ato administrativo deve respeitar o principio da legalidade, impessoalidade, moralidade, publicidade e eficiência. Por outro lado, defende que houve desvio de finalidade do ato administrativo. Sustenta que o despacho teria a função de exprimir o parecer da fiscalização e que, ao decidir pela não homologação da declaração de compensação, permitiria a instauração do contraditório administrativo. Entretanto, o despacho em comento teria extrapolado sua função precípua, tornando-se meio oblíquo para interrupção do prazo de homologação previsto no § 5º do art. 74 da Lei n. 9.430, de 1996. No seu entendimento, o desvio de finalidade teria se materializado porque a interrupção do prazo de decadência é consequência do ato, jamais podendo ser seu objetivo. Argumenta, ainda, que houve prejuízo ao contraditório, ampla defesa e devido processo legal, pois a contribuinte não disporia das razões da não homologação da compensação declarada. No mérito, defende a reforma da decisão, aduzindo, incialmente que o Princípio da Verdade Material deve possibilitar à contribuinte a posterior juntada de documentos que comprovem as alegações trazidas na presente manifestação. Requer a inaplicabilidade da multa em face do princípio do não confisco, da razoabilidade e da proporcionalidade. Sustenta que a multa aplicada sobre o montante do tributo devido é inconstitucional e ilegal, sendo seu valor excessivo. Defende que multa aplicada em razão de infrações não pode ultrapassar os limites da lei e que o tributo deve ser regulado pelo princípio da capacidade contributiva. Argumenta que o Ministro Celso de Mello reconheceu como confiscatória a multa do art. 3º, § único, da Lei n.º 8.846, de 1994. Acrescenta que há impedimento constitucional e legal à bitributação e ao bis in idem. Sustenta que, em que pesem a previsibilidade legal dos dispositivos que fixam os parâmetros da multa, no caso de imposto informado e recolhido em atraso, existem princípios que se irradiam sobre diferentes normas, compondo-lhes o espírito e servindo como critérios para sua exata compreensão, razão pela qual as leis não podem distanciar-se dos princípios fundamentais que regem o ordenamento jurídico. Fl. 147DF CARF MF Fl. 3 do Acórdão n.º 3302-007.004 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912424/2016-72 Por seu turno, a DRJ indeferiu a Manifestação de Inconformidade, firmando o entendimento de que não havia sido juntada aos autos documentação que comprovasse o crédito alegado. Irresignado, o contribuinte apresentou recurso voluntário onde defende a possibilidade de posterior juntada de documentos, especialmente em razão de fato superveniente, e aborda novamente os pontos tratados na impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplica-se o decidido no Acórdão 3302- 006.958, de 22 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 11020.912379/2016-56, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevem-se, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3302-006.958): O Recurso Voluntário foi apresentado de forma tempestiva e reveste-se dos demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele conheço. Sinteticamente, entende-se que em relação a requerimentos de compensação de créditos tributários compete a quem requer o reconhecimento do direito aos créditos produzir as provas que demonstrem a liquidez e certeza dos mesmos. No caso concreto, tendo sido o Despacho Decisório prolatado eletronicamente, a oportunidade de se provar a liquidez e certeza dos créditos é quando da apresentação da Manifestação de Inconformidade, o que não ocorreu. A Recorrente não juntou à Manifestação de Inconformidade qualquer documento que pudesse demonstrar o seu direito aos créditos pleiteados. Posteriormente, apenas quando da interposição do Recurso Voluntário foram juntadas planilhas, todavia desacompanhadas de qualquer livro contábil ou nota fiscal. Entende-se que o momento final para produção de provas do crédito pleiteado é, no máximo, quando da apresentação da manifestação de inconformidade e a produção de provas no Recurso Voluntário somente tem lugar na hipótese da decisão da DRJ haver as considerado insuficientes, situação na qual elas poderão ser complementadas quando da apresentação do Recurso Voluntário. No caso concreto a Manifestação de Inconformidade veio desacompanhada de quaisquer documentos, na qual a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação de mérito ou qualquer documento que pudesse corroborar o seu alegado direito ao crédito, atacando tão somente as razões de direito. Passo à análise dos argumentos recursais. 1. ANÁLISE DAS PRELIMINARES (i) Preliminar - possibilidade de juntada de documentos em sede recursal, especialmente em razão de fato superveniente. (B.1 do Recurso Voluntário) Como já salientado, o momento para a produção das provas acerca do direito creditório pleiteado é quando da apresentação da manifestação de inconformidade. Fl. 148DF CARF MF Fl. 4 do Acórdão n.º 3302-007.004 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912424/2016-72 Não há dúvidas que a busca da verdade material é um princípio norteador do Processo Administrativo fiscal. Contudo, ao lado dele, também de matiz constitucional está o princípio da legalidade, que obriga a todos, especialmente à Administração pública, da qual este Colegiado integra, a obediência as normas legais vigentes, merecendo destaque o Decreto 70.235 estabeleceu o momento da prática dos atos, sob pena ainda de se atentar ainda contra outro princípio constitucional, qual seja o da duração razoável do processo. O referido Decreto especifica objetivamente o momento da produção das provas no seu artigo 16. "Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III - os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir;" O próprio Decreto 70.235, no mesmo artigo 16 especifica as hipóteses em que é possível a produção posterior de provas, o que faz de forma taxativa. "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refira-se a fato ou a direito superveniente; c) destine-se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. § 6º Caso já tenha sido proferida a decisão, os documentos apresentados permanecerão nos autos para, se for interposto recurso, serem apreciados pela autoridade julgadora de segunda instância". É certo que este colegiado admite a juntada de provas em sede recursal, contudo apenas nos casos em que o Recorrente tenha demonstrado, na Impugnação, ou Manifestação de Inconformidade, como é o caso, a impossibilidade de se trazer aquela prova no momento oportuno (Impugnação ou Manifestação de Inconformidade), o que definitivamente não ocorreu no caso concreto. Admitir-se deliberadamente a produção probatória na fase recursal subverteria todo o rito processual e geraria duas consequências indesejáveis (i) caso fosse determinado que o feito retornasse à instância original, implicaria uma perpetuação do processo e, (ii) caso as provas fossem apreciadas pelo CARF sem que tivessem sido analisadas pela DRJ, geraria indesejável supressão de instância e, em ambos os casos, representaria afronta direta ao texto legal que rege o processo administrativo fiscal. Por esta razão afasto as preliminares arguidas. (ii) Preliminar de nulidade do despacho decisório eletrônico. (B.2. do Recurso Voluntário) (iii) Preliminar de nulidade do despacho decisório por ausência de fundamentação. (B.2.1 do Recurso Voluntário) (iv) Preliminar de nulidade do despacho decisório por desvio de finalidade. (B.2.2. do Recurso Voluntário) e (v) Preliminar de prejuízo do contraditório, ampla defesa e devido processo legal (B.2.3 do Recurso Voluntário). Inicialmente, pela análise do Despacho Decisório é possível aferir que, respeitosamente, ao contrário do que afirma a Recorrente, foi redigido de forma a permitir o exercício do devido processo legal, inclusive com expressa menção à legislação atinente e ao motivo do deferimento parcial. Entende-se que a Manifestação de Inconformidade é a ocasião na qual o Contribuinte possui a oportunidade de trazer aos autos os elementos probatórios que estiverem ao seu Fl. 149DF CARF MF Fl. 5 do Acórdão n.º 3302-007.004 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912424/2016-72 alcance produzir, como notas fiscais e livros contábeis. É por meio da apresentação de tais provas, ou apenas indícios, se for o caso, que é possível, por exemplo, determinar a produção de outras mais robustas ou que se mostrem mais adequadas. O que não se pode admitir é que a Recorrente apresente alegações genéricas, sob o argumento de que não compreendeu o perfeito sentido e alcance do Despacho Decisório. Em relação à interpretação do artigo 16 do Dec. 70.235, vale destacar que ele permite a ulterior apresentação de provas em caso de força maior, o que não restou demonstrado no caso concreto, não podendo ser a citada decisão proferida pelo STF considerada como tal, eis que em nada altera a situação concreta. Quanto aos elementos essenciais ao ato administrativo, tem-se que encontram-se presentes todos eles, quais sejam a autoridade competente, motivo, finalidade, objeto e forma. O ato também foi fundamentado na legislação nele apresentada. Especificamente no que diz respeito à motivação, a própria Recorrente reconhece que o ato foi motivado pela verificação da inexistência de crédito disponível a ser aproveitado, apresentando cálculos, cabendo a ela, interessada na compensação do crédito, demonstrar a existência do referido crédito, com documentação idônea. No caso concreto a Recorrente não trouxe aos autos qualquer alegação ou qualquer indício de crédito. A Recorrente afirma que o despacho decisório foi praticado em desvio de finalidade. Desvio de Finalidade, segundo o Professor Alessandro Dantas Coutinho, é "... quando o agente, apesar de competente para a prática do ato, o faz buscando alcançar outro interesse que não é o público." (COUTINHO, Alessandro Dantas e RODOR, Ronald Kruger Manual de Direito Administrativo. Rio de Janeiro, Forense, 2015 p. 406), o que não ocorreu no caso concreto, eis que não foi proferido como meio de interromper o prazo quinquenal para homologação do crédito, como afirma a Recorrente, mas é um procedimento oficial adotado pela Receita Federal do Brasil e plenamente reconhecido pelo CARF e pelo Poder Judiciário. Finalmente, também ao contrário do que afirma a Recorrente, o despacho eletrônico não violou o contraditório, a ampla defesa, nem o devido processo legal, inclusive possibilitando que ela apresentasse as provas do seu crédito. A Recorrente não apontou de que maneira a suposta ilegalidade teria limitado o seu direito, prevalecendo a regra segundo a qual não há nulidade sem que seja demonstrado o prejuízo eventualmente advindo do alegado vício. Por estas razões, afasto a preliminar suscitada. 2. ANÁLISE DO MÉRITO. Mérito - Princípio da Verdade Material que norteia o processo administrativo. (C.1 do Recurso Voluntário) e materialidade e suficiência dos créditos compensados. recolhimento de contribuições sobre base de cálculo indevida. decisão definitiva proferida pelo STF durante o curso do processo administrativo fiscal (C.2 do Recurso Voluntário) O mérito da presente controvérsia deveria ser o direito da Recorrente aos créditos que alega possuir. Contudo, diante do fato de que não produziu provas da existência dos alegados créditos, a discussão no Recurso Voluntário foi deslocada para o momento da produção das provas. Em relação ao referido direito à produção de provas, a Recorrente defende que este direito não deve encontrar qualquer limite temporal, verbis: "... devendo ser assegurado ao contribuinte o direito de apresentação de prova sem qualquer limitação...". A ponderação entre a verdade material invocada pela Recorrente e os demais princípios que norteiam o processo administrativo fiscal já foi anteriormente realizada e embora Fl. 150DF CARF MF Fl. 6 do Acórdão n.º 3302-007.004 - 3ª Sejul/3ª Câmara/2ª Turma Ordinária Processo nº 11020.912424/2016-72 efetivamente constitua um relevante princípio constitucional, não existem princípios constitucionais absolutos, e ele deve coexistir com os demais, especialmente o da legalidade e o da duração razoável do processo. Em relação à referida decisão judicial, tratada pela Recorrente como fato novo, efetivamente não tem o condão de reabrir a fase probatória. Merece destaque que o termo "fato ou a direito superveniente" deve dizer respeito a algo novo que não existia à época em que o ato deveria ser realizado. No caso concreto este "fato superveniente" em nada influiu na possibilidade ou não da Recorrente ter juntado, à época própria, os documentos comprobatórios do seu crédito. Mérito - inaplicabilidade da multa em face do princípio constitucional do não confisco e dos princípios da razoabilidade e proporcionalidade. (C.3 do Recurso Voluntário) A Recorrente insurge-se contra a alegada falta de razoabilidade e de proporcionalidade da multa aplicada, todavia esta análise é vedada ao CARF por força da Súmula CARF 2, com efeitos vinculantes, que veda a este colegiado manifestar-se acerca da constitucionalidade de norma jurídica em vigor. Conclusivamente, é de se afastar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao Recurso Voluntário. Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a decisão no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicando-se a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu afastar as preliminares e, no mérito, NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Gilson Macedo Rosenburg Filho - Relator Fl. 151DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10183.720112/2006-37
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Mar 10 00:00:00 UTC 2010
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE ARBITRAMENTO DO VTN. PARÂMETROS ADOTADOS.
Para se contrapor ao lançamento, que teve por base o arbitramento do valor da terra nua (VTN), basta que o contribuinte apresente laudo de avaliação do imóvel, nos termos da NBR/ABNT 14653 - parte 3, sendo, portanto, prescindível para sua defesa o conhecimento dos parâmetros adotados pela autoridade lançadora, quando do levantamento do VTN arbitrado.
ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA.
A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação.
LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO.
Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor.
MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCO.
A vedação constitucional ao confisco aplica-se tão-somente à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo.
Numero da decisão: 2102-000.508
Decisão: Acordam os Membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em NEGAR
provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora.
Nome do relator: NUBIA MATOS MOURA
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 NULIDADE. CERCEAMENTO DO DIREITO DE ARBITRAMENTO DO VTN. PARÂMETROS ADOTADOS. Para se contrapor ao lançamento, que teve por base o arbitramento do valor da terra nua (VTN), basta que o contribuinte apresente laudo de avaliação do imóvel, nos termos da NBR/ABNT 14653 - parte 3, sendo, portanto, prescindível para sua defesa o conhecimento dos parâmetros adotados pela autoridade lançadora, quando do levantamento do VTN arbitrado. ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E DE RESERVA LEGAL. OBRIGATORIEDADE DE APRESENTAÇÃO DO ADA. A partir do exercício de 2001 é indispensável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental como condição para o gozo da redução do ITR em se tratando de áreas de preservação permanente e de reserva legal, tendo em vista a existência de lei estabelecendo expressamente tal obrigação. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO DO CONTRIBUINTE. COMPETÊNCIA DA FISCALIZAÇÃO. Compete à autoridade fiscal rever o lançamento realizado pelo contribuinte, revogando de ofício a isenção quando constate a falta de preenchimento dos requisitos para a concessão do favor. MULTA. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. CONFISCO. A vedação constitucional ao confisco aplica-se tão-somente à instituição do tributo, em nada limitando a instituição das sanções de caráter eminentemente repressivo.
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Numero do processo: 12585.720234/2012-74
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed May 22 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Mon Jul 15 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008
PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS
FINANCEIRAS.
As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e
encargos comuns.
As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017).
RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO.
Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas.
A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros.
A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo.
PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO.
Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03.
INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações.
No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País.
INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE.
Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas são de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Destarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
Numero da decisão: 3201-005.382
Decisão:
Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I - Por unanimidade de votos, para: (a) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (b) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (c) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (d) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; II - Por maioria de votos: (a) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (a.1) às tarifas aeroportuárias, (a.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de "handling", serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; e (a.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que negava provimento quanto aos serviços de comunicação de rádio entre funcionários e com os gastos com atendimento ao passageiro; (b) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, davam provimento ao Recurso; III - Por voto de qualidade: a) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, quanto a tais matérias, deram provimento ao Recurso.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente).
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas são de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Destarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2008 a 31/12/2008 PIS/COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. CRÉDITOS. RECEITAS FINANCEIRAS. As receitas financeiras devem ser consideradas no cálculo do rateio proporcional entre a receita bruta sujeita à incidência não cumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês, aplicável aos custos, despesas e encargos comuns. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa das contribuições de PIS/Pasep e Cofins e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa (Solução de Consulta Cosit nº 387/2017). RECEITAS. TRANSPORTE INTERNACIONAL DE PASSAGEIROS. REGIME NÃO CUMULATIVO. Estão excluídas do regime não cumulativo as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros no que concerne somente ao transporte em linhas regulares domésticas. A expressão "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas" contida no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”. A exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção, comporta interpretação restritiva, de forma que as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros não foram excluídas do regime não cumulativo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 58 5. 72 02 34 /2 01 2- 74 Fl. 430DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 2 PIS/COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03. INSUMOS IMPORTADOS. FRETE NACIONAL. DESPESAS COM DESPACHANTES. CREDITAMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Por falta de previsão legal, incabível o creditamento das despesas relativas ao frete nacional e despesas com despachantes aduaneiros, eis que essas rubricas não integram a base de cálculo, estabelecida em lei, do crédito das contribuições relativo às importações. No caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, que é a norma especial, que não prevê a inclusão dos gastos com frete nacional ou com despachantes aduaneiros, mas é a que prevalece em relação a outras normas gerais. Ainda que assim não fosse, não se vislumbraria a possibilidade de creditamento das contribuições de PIS/Cofins como "serviços utilizados como insumo", pois esses não são aplicados na prestação de serviços de transporte de passageiros e carga pela recorrente, nem tampouco juntamente com os "bens utilizados como insumo" em face de os bens importados não terem sido adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País. INSUMOS. UNIFORMES DE AERONAUTAS. APURAÇÃO DE CRÉDITOS. POSSIBILIDADE. Os dispêndios com aquisição de uniformes para aeronautas são de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Destarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo dos serviços prestados, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais, gerando direito a crédito no regime de apuração não cumulativa da Contribuição ao PIS e da COFINS. Acordam os membros do colegiado em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, nos seguintes termos: I Por unanimidade de votos, para: (a) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (b) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (c) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (d) reverter a glosa Fl. 431DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 3 para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; II Por maioria de votos: (a) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (a.1) às tarifas aeroportuárias, (a.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de "handling", serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; e (a.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"). Vencido o conselheiro Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, que negava provimento quanto aos serviços de comunicação de rádio entre funcionários e com os gastos com atendimento ao passageiro; (b) manter as glosas das despesas de frete pagos após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros. Vencidos os conselheiros Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, no ponto, davam provimento ao Recurso; III Por voto de qualidade: a) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; (b) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres. Vencidos os Conselheiros Tatiana Josefovicz Belisario, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior, que, quanto a tais matérias, deram provimento ao Recurso. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Larissa Nunes Girard (suplente convocada), Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Laércio Cruz Uliana Junior e Charles Mayer de Castro Souza (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário contra decisão de primeira instância administrativa, Acórdão n.º 06054.501, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, não reconhecendo o direito creditório pleiteado. Inconformada, a ora Recorrente apresentou, no prazo legal, Recurso Voluntário, por meio do qual, requer que a decisão da DRJ seja reformada, alegando, em síntese: I Dos Fatos A Recorrente explica que no ano de 2011 reanalisou suas receitas declaradas desde janeiro de 2007 a março de 2011 e verificou que parte dessas receitas teriam sido inseridas no regime cumulativo do Pis e da Cofins, quando, na verdade, deveriam ter sido declaradas como pertencentes ao regime não cumulativo. Fl. 432DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 4 Em resumo, as receitas que passaram a ser consideradas no regime não cumulativo referemse (i) às receitas financeiras e (ii) às receitas decorrentes da prestação de serviço de transporte internacional de pessoas. A fiscalização discordou da reanálise de receitas e refez toda a escrita fiscal da Recorrente. Além disso, entendeu que diversos gastos incorridos pela Recorrente não dariam direito ao crédito do PIS e da COFINS nos termos dos arts. 3º da Lei nº 10.637/02 e 10.833/03. Diante disso, concluiu pela inexistência do direito creditório alegado, realizando a glosa e proferindo inúmeros despachos decisórios referentes aos trimestres dos anos de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, períodos nos quais os créditos se originaram. A Recorrente contesta as glosas dos seguintes itens: II – Do Direito II.1 – Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas Financeiras Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas A Recorrente alega que para o presente caso interessa a regulamentação que versa sobre os Regimes Especiais relacionados às “Alíquotas Concentradas”. Nessa linha, argumenta que as “as receitas financeiras são inquestionavelmente pertencentes ao rol de receitas não cumulativas auferidas pelas pessoas jurídicas contribuintes do Pis e da Cofins.” A seu favor, cita o art. 2º do Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 07/06/2016. Ao final, a Recorrente sustenta quanto a correição do procedimento de incluir as financeiras no cálculo das receitas brutas não cumulativas. II.2 – Dos Fundamentos que Confirmam que as Receitas de Transporte Internacional de Passageiros Pertencem às Receitas Brutas Não Cumulativas A Recorrente alega que as receitas de transporte internacional de passageiros pertencem às receitas brutas não cumulativas. Nesse sentido, interpreta o inciso XVI, do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Faz referência ainda ao Código Brasileiro Aeronáutico – CBA, instituído por meio da Lei Federal nº 7.565 de 1986. Ao final, a Recorrente chega a conclusão de que as receitas vinculadas à prestação de serviços de transporte aéreo de passageiros em percurso internacional estão, necessariamente, submetidas ao regime não cumulativo das contribuições ao Pis e a Cofins. II.3 – Do Regime Não Cumulativo das Contribuições ao PIS e a COFINS A Recorrente discorre sobre o conceito de insumo constante nas Leis nº 10.637 de 2002 e nº 10.833 de 2003. Nesse sentido, contesta a interpretação restritiva da decisão de primeira instância, baseada nos comandos da Instrução Normativa SRF nº 247, de 21 de novembro de 2002 e Instrução Normativa SRF nº 404, de 12 de março de 2004. Em seguida, contesta as glosas efetuadas pela fiscalização. Fl. 433DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 5 II.3.1 – Da Glosa Relacionada às Tarifas Aeroportuárias No que diz respeito a glosa relacionada às tarifas aeroportuárias, a d. fiscalização sustenta que a Recorrente não estaria autorizada a apropriar os créditos de PIS e da COFINS calculados sobre os valores pagos a título de tarifas aeroportuárias, por entender – equivocadamente que os serviços prestados pela INFRAERO não se incorporariam aos serviços prestados pela Recorrente. A decisão de primeira instância deferiu os créditos relacionados ao transporte aéreo internacional de cargas, sendo que a Recorrente pede que este entendimento seja ampliado a totalidade dos créditos pleiteados. II.3.2 – Da Glosa Relacionada aos Créditos Extemporâneos A Recorrente alega quanto à apropriação de crédito, em momento posterior daquele que poderia ter sido feito, ou seja, a utilização de crédito extemporâneo. II.3.3 – Da Glosa Relacionada aos Gastos com Atendimento ao Passageiro A Recorrente se insurge contra a glosa de gastos passíveis de crédito com os serviços relacionados atendimento do passageiro no transporte aéreo internacional. Alega que as receitas provenientes do transporte internacional de passageiros estariam vinculadas ao regime não cumulativo e que tais atividades seriam indispensáveis ao exercício da atividade. Em seguida discorre sobre cada uma das atividades em particular. II.3.4 – Da Glosa Relacionada às Aquisições de Bens Patrimoniais A Recorrente alega que os gastos relativos às despesas com manutenção predial, gastos com combustíveis para equipamentos de rampa, materiais de infraestrutura de redes de dados e voz, despesas com veículos e satélite estão diretamente relacionados à sua atividade. II.3.5 – Da Glosa Relacionada aos Gastos com Importação A Recorrente combate a glosa relativa aos serviços com despachantes aduaneiros, alegando que os mesmos são imprescindíveis para a sua atividade. Nesse linha, afirma que há divergência do conceito relacionado a insumo. II.3.6 – Da Glosa Relacionada aos Gastos com Estadia de Tripulantes A Recorrente alega que é da natureza da sua atividade que o tripulante se desloque de sua base até o destino do voo em que foi alocado, motivo pelo qual ensejaria o direito creditório. Dessa forma, sustenta que tais gastos se enquadrariam como insumos. II.3.7 – Da Glosa Relacionada aos Gastos com o Reparo de Equipamentos Fl. 434DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 6 Item tratado no II.3.4 II.3.8 – Da Glosa Relacionada aos Gastos Não Relacionados à Atividade de Transporte Aéreo A Recorrente discute neste tópico diversos créditos relacionados aos gastos decorrentes da (i) contratação de serviços de comunicação por rádio, (ii) serviços de despachantes, (iii) serviços de segurança patrimonial, (iv) serviços gráficos, (v) serviços gerais de limpeza, (vi) gastos com treinamentos, (vii) serviços de telefonia e banda larga, (viii) serviços de lavagem, (ix) abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações, (xi) aparelhos telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de raio X, (xv) cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, (xvi) rede de dados e voz. Quanto a tais gastos, alega que são essenciais a sua atividade. II.3.9 – Da Glosa Relacionada aos Gastos Não Considerados Insumos – Bens de Uso e Consumo A Recorrente sustenta os gastos não considerados como insumo, bens de uso e consumo, se enquadrariam no conceito de insumos por terem vinculação direta com a prestação de serviço. II.3.10 – Da Glosa Relacionada aos Combustíveis Utilizados no Transporte A Recorrente faz uso da interpretação sistemática para justificar os créditos com os gastos de combustíveis utilizados no transporte. II.3.11 – Da Glosa Relacionada aos Gastos com Fornecedor com Inscrição Baixada pela RFB A Recorrente confere razão a fiscalização e manifesta a sua vontade de realizar o pagamento devido. III Do Pedido Ao final do Recurso Voluntário, a Recorrente pede: Provimento para reconhecer a existência do crédito; Conexão do presente processo ao processo, relativo ao Auto de Infração lavrado para cobrança do saldo devedor do Pis e da Cofins decorrente da glosa de créditos discutida neste caso. É o relatório. Voto Fl. 435DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 7 Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3201005.376, de 23 de maio de 2019, proferido no julgamento do processo 12585.720232/201285, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Acórdão 3201005.376): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A seguir passo a análise do Recurso Voluntário. Em apertada síntese, tratase de processo relativo a glosa de insumos passíveis de gerar créditos de PIS/COFINS. A fiscalização aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos e negou a utilização de créditos extemporâneos, dentre outros tópicos. De forma geral, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de não cumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, tratase de analisar se os insumos atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Para fins de se tomar créditos de PIS/COFINS, no regime nãocumulativo por meio dos chamados insumos não se torna necessário que os bens sejam consumidos ou desgastados no contato direto com o processo produtivo, mas que tenham uma relação direta com o mesmo. Da Conexão Fl. 436DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 8 A Recorrente alega que existe conexão deste processo com o processo nº 10888.722355/201452, relativo ao Auto de Infração lavrado para cobrança do saldo devedor do Pis e da Cofins decorrente da glosa de créditos discutida neste caso. De fato, existe conexão, sendo que é impossível fazer a reunião dos processos tendo em vista que o processo nº 10888.722355/201452 encontrase julgado. Na verdade, a conexão abrange um número maior de processos, conforme planilha trazida aos autos pela própria Recorrente e aqui reproduzida. Processo Tributo Período Natureza Localização Situação 16692.720719/201463 PIS/COFINS jan/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720720/201498 PIS/COFINS Feb07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720721/201432 PIS/COFINS mar/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720722/201487 PIS/COFINS Apr07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720723/201421 PIS/COFINS May07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16349.720144/201227 PIS/COFINS jun/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720724/201476 PIS/COFINS jul/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720725/201411 PIS/COFINS Aug07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.722141/201486 PIS/COFINS nov/07 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720038/201314 PIS 2º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 16692.720037/201370 COFINS 2º TRIM 2008 Ressarciment o 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720729/201407 PIS/COFINS Apr08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720730/201423 PIS/COFINS May08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 16692.720731/201478 PIS/COFINS jun/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720022/201297 PIS 3º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720009/201238 COFINS 3º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720229/201261 PIS/COFINS jul/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído Fl. 437DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 9 12585.720230/201296 PIS/COFINS Aug08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720231/201231 PIS/COFINS Sep08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720023/201231 PIS 4º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720010/201262 COFINS 4º TRIM 2008 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720232/201285 PIS/COFINS Oct08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720233/201220 PIS/COFINS nov/08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720234/201274 PIS/COFINS Dec08 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720024/201286 PIS 1º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720011/201215 COFINS 1º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720235/201219 PIS/COFINS jan/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720236/201263 PIS/COFINS Feb09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720237/201216 PIS/COFINS mar/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720025/201221 PIS 2º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720012/201251 COFINS 2º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720238/201252 PIS/COFINS Apr09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720239/201205 PIS/COFINS May09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720240/201221 PIS/COFINS jun/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.722355/201452 PIS/COFINS 3º TRIM 2009 a 1º TRIM 2011 Auto de Infração 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720026/201275 PIS 3º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720013/201204 COFINS 3º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720241/201276 PIS/COFINS jul/09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720027/201210 PIS 4º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720014/201241 COFINS 4º TRIM 2009 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720243/201265 PIS/COFINS Dec09 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído Fl. 438DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 10 12585.720028/201264 PIS 1º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720015/201295 COFINS 1º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720244/201218 PIS/COFINS jan/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720245/201254 PIS/COFINS Feb10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720246/201207 PIS/COFINS mar/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720029/201217 PIS 2º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720016/201230 COFINS 2º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720247/201243 PIS/COFINS Apr10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720248/201298 PIS/COFINS May10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720249/201232 PIS/COFINS jun/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720030/201233 PIS 3º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720017/201284 COFINS 3º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720250/201267 PIS/COFINS jul/10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720251/201210 PIS/COFINS Aug10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720252/201256 PIS/COFINS Sep10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720031/201288 PIS 4º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720018/201229 COFINS 4º TRIM 2010 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720253/201209 PIS/COFINS Oct10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720255/201290 PIS/COFINS Dec10 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720032/201222 PIS 1º TRIM 2011 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720019/201273 COFINS 1º TRIM 2011 Ressarciment o 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Julgado 12585.720256/201234 PIS/COFINS jan/11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720257/201289 PIS/COFINS Feb11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 12585.720258/201223 PIS/COFINS mar/11 Restituição 1ª TO, 2ªC,3ªS, CARF Distribuído 10880.938833/201363 PIS 2º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento Fl. 439DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 11 10880.938832/201319 COFINS 2º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938835/201352 PIS 3º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938834/201316 COFINS 3º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938836/201305 PIS 4º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 10880.938837/201341 COFINS 4º TRIM 2011 Ressarciment o DRJ Pendente julgamento 16692.721933/201780 PIS/COFINS 1º TRIM a 4º TRIM 2012 Auto de Infração 2ªTO, 4ªC, 3ªS, CARF Distribuído 10880.938839/201331 PIS 1º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938838/201396 COFINS 1º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938840/201365 PIS 2º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938841/201318 COFINS 2º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938843/201307 PIS 3º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938842/201354 COFINS 3º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938845/201398 PIS 4º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa 10880.938844/201343 COFINS 4º TRIM 2012 Ressarciment o DERAT Prazo defesa Fonte: Planilha elaborada pela Recorrente No particular, notase que o processo ora em julgamento cujo período de apuração é outubro/2008 está relacionado aos processos nº 12585.720023/201231 e nº 12585.720010/201262, ambos do 4º. Trimestre de 2008. Do Voto para o Presente Processo Tendo em vista a constatação quanto a conexão com outros processos da Recorrente que já foram julgados, bem como buscando atender o pedido da Recorrente no seu Recurso Voluntário para evitar divergências no julgamento de processos conexos, entendo como correto colher o voto proferido nos processos nº 12585.720023/201231 e nº 12585.720010/201262, como votos condutores para o presente processo de restituição. Nesse sentido colho a seguir o voto da i. Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, bem como o voto vencedor da i. Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz constantes do processo nº 12585.720010/201262, Acórdão nº 3402005.316 como se meu fosse como razão de decidir do presente processo. Voto Vencido Conselheira Maria Aparecida Martins de Paula, Relatora Nos termos do art. 26, §5º da Lei nº 9.784/99, a falta de intimação é considerada suprida pelo comparecimento do administrado. Fl. 440DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 12 Atendidos aos requisitos de admissibilidade, tomase conhecimento do recurso voluntário. I Rateio Proporcional Receitas Financeiras Como se sabe, os créditos das contribuições do PIS e da Cofins podem somente ser apropriados pela contribuinte em relação à receita bruta não cumulativa, sendo que, na hipótese de a empresa auferir receitas nos dois regimes (cumulativo e não cumulativo), o crédito da contribuição deverá ser apurado em conformidade com o disposto nos arts. 3º, §§7º a 9º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep): Lei nº 10.833/2003: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 7o Na hipótese de a pessoa jurídica sujeitarse à incidência nãocumulativa da COFINS, em relação apenas à parte de suas receitas, o crédito será apurado, exclusivamente, em relação aos custos, despesas e encargos vinculados a essas receitas. § 8o Observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal, no caso de custos, despesas e encargos vinculados às receitas referidas no § 7o e àquelas submetidas ao regime de incidência cumulativa dessa contribuição, o crédito será determinado, a critério da pessoa jurídica, pelo método de: I apropriação direta, inclusive em relação aos custos, por meio de sistema de contabilidade de custos integrada e coordenada com a escrituração; ou II rateio proporcional, aplicandose aos custos, despesas e encargos comuns a relação percentual existente entre a receita bruta sujeita à incidência nãocumulativa e a receita bruta total, auferidas em cada mês. [negritei] § 9o O método eleito pela pessoa jurídica para determinação do crédito, na forma do § 8o, será aplicado consistentemente por todo o anocalendário e, igualmente, adotado na apuração do crédito relativo à contribuição para o PIS/PASEP nãocumulativa, observadas as normas a serem editadas pela Secretaria da Receita Federal. (...) No caso, a recorrente adota o método do rateio proporcional, sendo o crédito da contribuição determinado pela multiplicação do valor integral do crédito por um percentual obtido pela razão entre a receita bruta não Fl. 441DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 13 cumulativa e a receita bruta total auferida pela empresa no mês. Sustenta a fiscalização que as receitas financeiras, por não serem relacionadas aos insumos sobre os quais são apurados os créditos, não deveriam ser consideradas no estabelecimento da relação percentual destinada à apropriação dos créditos. No entanto, as receitas financeiras integram, sim, a receita bruta não cumulativa, inclusive, posteriormente aos períodos de apuração sob análise, mediante o Decreto nº 8.426/2015, foram restabelecidas as alíquotas das contribuições de PIS/Pasep e Cofins incidentes sobre as receitas financeiras auferidas pelas pessoas jurídicas sujeitas ao regime de apuração não cumulativa dessas contribuições. Nessa linha também é a orientação da própria Cosit órgão central da Receita Federal na Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, assim ementada: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep RECEITAS FINANCEIRAS. REGIME DE APURAÇÃO. As receitas financeiras não estão listadas entre as receitas excluídas do regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e, portanto, submetemse ao regime de apuração a que a pessoa jurídica beneficiária estiver submetida. Assim, sujeitamse ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep as receitas financeiras auferidas por pessoa jurídica que não foi expressamente excluída desse regime, ainda que suas demais receitas submetamse, parcial ou mesmo integralmente, ao regime de apuração cumulativa. Dispositivos Legais: Lei nº 10.833/2003, arts. 10 e 15, V. Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – Cofins (...) Ademais, como se vê nos §§8º dos arts. 3º das Leis nºs 10.833/2003 (Cofins) e 10.637/2002 (PIS/Pasep) não há qualquer ressalva a respeito das receitas sujeitas à alíquota zero das contribuições ou da necessidade de ter havido pagamento das contribuições para o cômputo nas receitas brutas. Temse como princípio fundamental da hermenêutica que onde a lei não distingue, não pode o intérprete distinguir. A respeito do tema, Carlos Maximiliano afirmou que,"quando o texto dispõe de modo amplo, sem Fl. 442DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 14 limitações evidentes, é dever do intérprete aplicálo a todos os casos particulares que se possam enquadrar na hipótese geral prevista explicitamente; não tente distinguir entre as circunstâncias da questão e as outras; cumpra a norma tal qual é, sem acrescentar condições novas, nem dispensar nenhuma das expressas" (in "Hermenêutica e Aplicação do Direito", 17ª ed., Rio de Janeiro: Forense, 1998, p. 247). Dessa forma, no cálculo do rateio proporcional entre a receita auferida sob o regime não cumulativo em relação ao total das receitas auferidas pela pessoa jurídica, devem ser consideradas as receitas financeiras como integrantes dessas outras duas receitas, ainda que tributadas à alíquota zero nos períodos de apuração. Nesse mesmo sentido já decidiu este Colegiado, por unanimidade de votos, no Acórdão cuja ementa se transcreve abaixo, relativamente a consideração das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional das receitas de exportação não cumulativas: Processo nº 16366.000413/200689 Recurso nº Embargos Acórdão nº 3402004.312– 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 25 de julho de 2017 Relatora: Maria Aparecida Martins de Paula ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/04/2006 a 30/06/2006 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. SANEAMENTO. Caracterizada a omissão sobre ponto que deveria o Colegiado se pronunciar, ela deve ser suprida pelos embargos de declaração com a apreciação da correspondente alegação. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. RECEITA BRUTA TOTAL. O método de rateio proporcional utilizado na apuração dos créditos da Cofins vinculados à exportação consiste na aplicação, sobre o montante de custos, despesas e encargos vinculados comumente a receitas brutas não cumulativas do mercado interno e da exportação, da proporcionalidade existente entre a Receita Bruta da Exportação não cumulativa e a Receita Bruta Total no regime não Cumulativo. Não há permissivo legal para a exclusão de qualquer valor, inclusive receitas financeiras, Fl. 443DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 15 da Receita Bruta da Exportação não Cumulativa ou da Receita Bruta Total no Regime não cumulativo. Embargos acolhidos Também no Acórdão nº 3201002.235– 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária, de 22 de junho de 2016, sob a relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, foi assim decidido: (...) Exclusão das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional O terceiro tema é matéria recorrente neste Colegiado Administrativo. Diz com a exclusão, pela fiscalização, das receitas financeiras no cálculo do rateio proporcional, previsto no art. 3º, § 8º, II, das Leis nº 10.637, de 2002 e 10.833, de 2003, dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. Essa mesma Turma de Julgamento já se posicionou a respeito, entendendo ilegal a exclusão, uma vez que, não falando a lei em receita bruta sujeita ao pagamento da Cofins, mas apenas em receita bruta sujeita à incidência não cumulativa, não caberia ao intérprete restringir o que a lei não restringiu. Eis a ementa da decisão: CRÉDITOS DE COFINS. RATEIO PROPORCIONAL. RECEITAS FINANCEIRAS. ALÍQUOTA ZERO. INCLUSÃO NO CONCEITO DE RECEITA BRUTA TOTAL. O art. 3º, § 8º, II, da Lei nº 10.833/2003 não fala em receita bruta total sujeita ao pagamento de COFINS, não cabendo ao intérprete criar distinção onde a lei não o faz. Impõese o cômputo das receitas financeiras no cálculo da receita brutal total para fins de rateio proporcional dos créditos de COFINS não cumulativo. (CARF/3ª Seção/2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária, rel. Conselheiro Thiago Moura de Albuquerque Alves, Acórdão n.º 3202000.597, de 28/11/2012). De conseguinte, as receitas financeiras devem, sim, ser consideradas no cálculo do rateio proporcional dos custos, despesas e encargos vinculados às receitas submetidas aos regimes cumulativo e não cumulativo do PIS/Cofins. (...) Assim, cabe reforma na decisão recorrida para que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total e efetuado o Fl. 444DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 16 correspondente ressarcimento/compensação no montante adicional. II Receitas de Transporte Internacional de Passageiros A matéria controvertida neste tópico envolve a interpretação do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, aplicável à Cofins e também ao PIS/Pasep2, que assim dispõe: Art. 10. Permanecem sujeitas às normas da legislação da COFINS, vigentes anteriormente a esta Lei, não se lhes aplicando as disposições dos arts. 1o a 8o: I as pessoas jurídicas referidas nos §§ 6o, 8o e 9o do art. 3o da Lei no 9.718, de 1998, e na Lei no 7.102, de 20 de junho de 1983; II as pessoas jurídicas tributadas pelo imposto de renda com base no lucro presumido ou arbitrado; (Vide Medida Provisória nº 497, de 2010) III as pessoas jurídicas optantes pelo SIMPLES; IV as pessoas jurídicas imunes a impostos; V os órgãos públicos, as autarquias e fundações públicas federais, estaduais e municipais, e as fundações cuja criação tenha sido autorizada por lei, referidas no art. 61 do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias da Constituição; VI sociedades cooperativas, exceto as de produção agropecuária (...) VII as receitas decorrentes das operações: (...) XII as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros; (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, e as decorrentes da prestação de serviço de transporte de pessoas por empresas de táxi aéreo; (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) [negritei] (...) Sustenta a autoridade administrativa no item 5.2 do Despacho Decisório que: "O contribuinte, na qualidade de “empresa aérea regular de passageiros”, deve, no entanto, observar o disposto nos incisos XVI do art. 10° e V do art. Fl. 445DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 17 15º da Lei N° 10.833/2003, que manteve regime cumulativo as receitas do transporte aéreo de passageiros, tenham elas sido obtidas no mercado doméstico ou no mercado internacional". O julgador a quo, com esteio na Solução de Consulta Interna nº 12 Cosit, de 11 de junho de 2014, interpreta a questão da seguinte forma: No caso ora debatido, interessa a análise da espécie de receita citada na 1ª parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003. Da literalidade do texto, constatase que se trata de norma que alberga dois requisitos: permanecem na cumulatividade das contribuições determinadas receitas (“receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”) se auferidas por determinadas pessoas jurídicas (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”). O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. Deveras, se o legislador não estabeleceu expressamente, nem implicitamente, diferenciação de tratamento entre as duas modalidades de transporte aéreo citadas, não cabe ao intérprete fazêlo. Se o legislador almejasse estabelecer essa distinção, teria feito de forma clara, como fez no art. 14 da Medida Provisória nº 2.15835, de 24 de agosto de 2001, ao isentar das contribuições em tela apenas as receitas decorrentes do “transporte internacional de cargas ou passageiros”. Por outro lado, o segundo requisito estabelecido na primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, para aplicação da cumulatividade do PIS/Pasep e da Cofins, versa sobre as pessoas jurídicas que devem auferir as receitas contempladas pela norma: segundo o texto legal, tais receitas devem ser auferidas por “empresas regulares de linhas aéreas domésticas”. É de se concluir, portanto, que as empresas devem operar linhas aéreas domésticas, o que equivale a exigir que tais empresas sejam brasileiras, uma vez que, pela legislação atual, apenas essas podem prestar serviços de transporte aéreo público doméstico. Quanto à menção legal a “empresas regulares”, como condição a ser cumprida pela pessoa jurídica, é de se ressaltar que a legislação estabelece que a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora. Daí porque imperioso concluir que, conquanto se refira a “empresas regulares”, o dispositivo legal em Fl. 446DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 18 comento quis alcançar as empresas que operam linhas aéreas regulares. Afinal, é ilógica a interpretação de que a qualidade “regular” atribuída ao vocábulo “empresa” tenha objetivado restringir a permanência na cumulatividade das contribuições em estudo às receitas auferidas pela empresa que esteja em situação regular. Apesar da atecnia, o legislador pretendeu apenas estabelecer paralelismo redacional no inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003, referindose em sua primeira parte às “empresas regulares de linhas aéreas”, para versar sobre o transporte aéreo regular, e às “empresas de táxi aéreo”, para versar sobre o transporte aéreo não regular (conforme art. 220 do CBA, “os serviços de táxiaéreo constituem modalidade de transporte público aéreo não regular”). Diante do exposto, concluise que a primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833, de 2003, determina que permanecem sujeitas ao regime de apuração cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins as receitas decorrentes da prestação de serviços de transporte coletivo aéreo de passageiros, nacional (doméstico) ou internacional, efetuado por empresa que opera linhas aéreas domésticas e regulares. Por tal razão, a pessoa jurídica que opera linhas aéreas domésticas regulares de transporte coletivo não pode apurar créditos previstos na legislação da apuração não cumulativa do PIS/Pasep e da Cofins em relação a custos, despesas e encargos vinculados à prestação de serviços de transporte aéreo internacional de passageiros. [negritei] Como se vê, a estratégia hermenêutica utilizada pela DRJ foi a seguinte: separou a primeira parte do inciso em dois requisitos, quais sejam, “receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” e “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” e conectou as duas com o vocábulo "auferidas", no lugar do vocábulo original "efetuado" do dispositivo legal. Daí, interpretou os dois requisitos de forma independente para juntálos, ao final, com o vocábulo "auferidas". Ocorreu que os pressupostos adotados pelo intérprete da DRJ já direcionaram a interpretação no sentido desejado previamente. Em verdade, no esforço interpretativo, partiuse da hipótese de que os dois requisitos seriam independentes para concluir que eles realmente são independentes, como se depreende do seguinte trecho do Acórdão recorrido: "O primeiro requisito exige apenas que tais receitas sejam decorrentes da “prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, sem qualquer condição adicional. [negritei] Em consequência, tais receitas alcançam tanto as decorrentes de transporte doméstico quanto de transporte internacional de passageiros. (...)". Fl. 447DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 19 Ora, não se pode separar a primeira parte do inciso em dois requisitos independentes quando eles estão interligados! Os "dois requisitos" estão justamente ligados no pelo vocábulo "efetuado", que concorda em gênero e número com o substantivo "serviço", certamente com a função de restringilo. O dispositivo de interesse poderia ser reescrito com o termo omitido na construção linguística da redação original na seguinte forma: Art. 10 (...) [Lei nº 10.833/2003] (...) XVI as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros, [quando o serviço for] efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas, (...); Ademais, como dito no próprio acórdão recorrido, "a qualidade de regular ou não regular é vinculada à modalidade do transporte aéreo praticada não à pessoa jurídica prestadora", o que é mais um elemento que corrobora no sentido de que o "segundo requisito" (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas”) consta na redação do dispositivo para restringir o alcance do termo "serviço de transporte coletivo de passageiros" constante no "primeiro requisito". Seria até um contrassenso entender, no fim das contas, que “empresas regulares de linhas aéreas domésticas” [negritei] limitaria somente a "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros” no que concerne à modalidade de transporte regular aéreo e não quanto ao percurso doméstico, também expressamente referido no dispositivo. Aliás, tratase de mais elemento que corrobora o quanto os dois "requisitos" separados pela DRJ são interdependentes. Segundo o entendimento da fiscalização e da DRJ, a recorrente teria sido alcançada quanto à exclusão do regime não cumulativo porque opera no transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares, sejam elas domésticas ou internacionais, o que se contrapõe à ideia expressa no dispositivo de restringir tanto a modalidade de transporte aéreo regular quanto o percurso doméstico (“empresas regulares de linhas aéreas domésticas). Também não se coaduna com a boa regra hermenêutica substituir o vocábulo "efetuado", ligado por concordância com o substantivo "serviço", pela palavra "auferidas", que estaria relacionada ao termo "as receitas", como feito no acórdão recorrido. Oportuno, neste ponto, transcrever algumas lições de Carlos Maximiliano: Fl. 448DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 20 114 O processo gramatical exige a posse dos seguintes requisitos: (...) 4) certeza da autenticidade do texto, tanto em conjunto como em cada uma das partes (1). (...) 116 Merecem especial menção alguns preceitos, orientadores da exegese literal: a) Cada palavra pode ter mais de um sentido; e acontece também o inverso vários vocábulos se apresentam com o mesmo significado; por isso, da interpretação puramente verbal resulta ora mais, ora menos do que se pretendeu exprimir. Contornase, em parte, o escolho referido, com examinar não só o vocábulo em si, mas também em conjunto, em conexão com outros; e indagar do seu significado em mais de um trecho da mesma lei, ou repositório. Em regra, só do complexo das palavras empregadas se deduz a verdadeira acepção de cada uma, bem com idéia inserta no dispositivo" (1). (...) f) Presumese que a lei não contenha palavras supérfluas; devem todas ser entendidas como escritas adrede para influir no sentido da frase respectiva (6). (...) i) Pode haver, não simples impropriedade de termos, ou obscuridade de linguagem, mas também engando, lapso, na redação. Este não se presume: Precisa ser demonstrado claramente. Cumpre patentear, não só a exatidão, mas também a causa da mesma, a fim de ficar plenamente provado o erro, ou o simples descuido (9). (...) Commodissimum est, id accipi, quo res de qua agitur, magis valeat quam pereat: "Prefirase a inteligência dos textos que torne viável o seu objetivo, ao invés da que os reduza à inutilidade" (3). 304 (...) (...) 343. Não pode o intérprete alimentar a pretensão de melhorar a lei com desobedecer às suas prescrições explícitas. (...) Pelo que se depreende da leitura da Lei nº 10.833/2003, como regra geral, todas as pessoas jurídicas estão sujeitas Fl. 449DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 21 a não cumulatividade da Cofins e do PIS/Pasep, excepcionandose dessa regra aquelas pessoas expressamente referidas nos incisos I a VI do seu art. 10, as quais permanecem sob o anterior regime cumulativo. De outra parte, cuida também o art. 10 da Lei nº 10.833/2003 de excepcionar algumas receitas da incidência não cumulativa, mesmo que a pessoa jurídica esteja sujeita ao regime não cumulativo. Esse entendimento veio depois ser confirmado na referida Solução de Consulta nº 387 Cosit, de 31 de agosto de 2017, nestes termos: (...) 12. A primeira forma de exceção à apuração não cumulativa exclui desse regime determinadas pessoas jurídicas. Assim, em função do objeto social ou de aspectos específicos (por exemplo, imunidade a impostos ou tributação pelo Imposto de Renda com base no lucro presumido), certas pessoas jurídicas permanecem sujeitas às normas da legislação anterior à instituição da não cumulatividade. 13. A segunda forma de exceção à apuração não cumulativa não se relaciona com nenhuma propriedade das pessoas jurídicas, mas decorre de uma característica do fato gerador das contribuições em questão. Assim, receitas específicas foram excluídas do regime de apuração não cumulativa, devendo, portanto, submeterse ao regime de apuração préexistente à instituição da não cumulatividade. 14. Dessa forma, o sujeito passivo que não se enquadra na primeira exceção, está sujeito ao regime de apuração não cumulativa. A pessoa jurídica não se submete ao regime de apuração cumulativa por auferir alguma das denominadas receitas cumulativas (excluídas do regime de apuração não cumulativa), ainda que essa seja a única receita por ela percebida. (...) Dessa forma, tendo em vista que a recorrente não se enquadra em nenhuma das hipóteses gerais de exclusão do regime, temse, inicialmente, que ela, como pessoa jurídica, está sujeita ao regime não cumulativo das contribuições de PIS/Cofins, sem prejuízo, como dito, de algumas de suas receitas, por disposição legal expressa, serem eventualmente excluídas da incidência não cumulativa. No caso, as receitas excluídas pela primeira parte do inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 dizem respeito às "receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", mas somente quando Fl. 450DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 22 esse serviço seja "efetuado por empresas regulares de linhas aéreas domésticas". Como já delineado acima, esta última expressão tem o claro objetivo de restringir o termo inicial "prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros”, de forma que somente estariam excluídos do regime não cumulativo "as receitas decorrentes de prestação de serviço de transporte coletivo de passageiros", assim considerado aquele operado em "linhas aéreas regulares domésticas". Há que se observar que no inciso XII do art. 10 da Lei nº 10.833/2003 foram excluídas "as receitas decorrentes de prestação de serviços de transporte coletivo rodoviário, metroviário, ferroviário e aquaviário de passageiros" para as quais não houve qualquer ressalva quanto ao percurso, se nacional ou internacional, a se supor que aqui, diferentemente do inciso XVI sob análise, pretendeuse excluir do regime não cumulativo todos os serviços de transporte coletivo de passageiros, seja dentro ou fora do território nacional. Importante consignar, por fim, que a exclusão de algumas receitas da regra geral da incidência do regime não cumulativo, por se tratar de regra de exceção comporta interpretação restritiva, de forma que, ainda que fosse possível a interpretação sugerida pela DRJ, deveria prevalecer a interpretação mais restritiva da exceção, adotada neste Voto. A interpretação restritiva das regras de exceção foi bem explicada no Recurso Especial do STJ, com apoio também nos ensinamentos de Carlos Maximiliano: RECURSO ESPECIAL Nº 853.086 RS (2006/01380157) RELATORA : MINISTRA DENISE ARRUDA EMENTA RECURSO ESPECIAL. ADMINISTRATIVO. CONSELHO REGIONAL DE ENFERMAGEM. COMPETÊNCIA DE FISCALIZAÇÃO. ENFERMEIROS MILITARES. INTERPRETAÇÃO RESTRITIVA DAS REGRAS DE EXCEÇÃO. RECURSO DESPROVIDO. (...) 9. Ademais, relativamente à Lei 6.681/79, a qual estabeleceu ressalva à fiscalização dos médicos, cirurgiõesdentistas e farmacêuticos militares pelas Forças Armadas, salientese que, em se tratando de regra de exceção, tornase inviável a utilização de exegese ampliativa ou analógica. É inadequada a interpretação extensiva e a aplicação da analogia em relação a Fl. 451DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 23 dispositivos infraconstitucionais que regulam situações excepcionais, porquanto enseja privilégio não previsto em lei. 10. "As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente" (MAXIMILIANO, Carlos. ob. cit., pp. 225/227). (...) A EXMA. SRA. MINISTRA DENISE ARRUDA (Relatora): (...) Nesse contexto, cabe mencionar a lição de Carlos Maximiliano acerca do "Direito Excepcional " (ob. cit., pp. 225/227), in verbis: "Em regra, as normas jurídicas aplicamse aos casos que, embora não designados pela expressão literal do texto, se acham no mesmo virtualmente compreendidos, por se enquadrarem no espírito das disposições: baseiase neste postulado a exegese extensiva. Quando se dá o contrário, isto é, quando a letra de um artigo de repositório parece adaptarse a uma hipótese determinada, porém se verifica estar esta em desacordo com o espírito do referido preceito legal, não se coadunar com o fim, nem com os motivos do mesmo, presume se tratarse de um fato da esfera do Direito Excepcional, interpretável de modo estrito. Estribase a regra numa razão geral, a exceção, numa particular; aquela baseiase mais na justiça, esta, na utilidade social, local, ou particular. As duas proposições devem abranger coisas da mesma natureza; a que mais abarca, há de constituir a regra; a outra, a exceção. (...) O Código Civil explicitamente consolidou o preceito clássico Exceptiones sunt strictissimoe interpretationis ('interpretamse as exceções estritissimamente') no art. 6.º da antiga Introdução, assim concebido: 'A lei que abre exceção a regras gerais, ·ou restringe direitos, só abrange os casos que especifica'. O princípio entronca nos institutos jurídicos de Roma, que proibiam estender disposições excepcionais, e assim denominavam as do Direito exorbitante, anormal ou anômalo, isto é, os preceitos estabelecidos contra a razão de Direito; limitavalhes o alcance, por serem um mal, embora mal necessário. Fl. 452DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 24 (...) Os sábios elaboradores do Codex Juris Canonci (Código de Direito Canônico) prestigiaram a doutrina do brocardo com inserir no Livro I, título I, cânon 19, este preceito translúcido: 'Leges quoe poenam statuunt, aut liberum jurium exercitium coarctant, aut exceptionem a lege continent, strictae subsunt interpretationi' ('As normas positivas que estabelecem pena restringem o livre exercício dos direitos, ou contêm exceção a lei, submetemse a interpretação estrita'). (...) A fonte mediata do art. 6.° da antiga Lei de Introdução, do repositório brasileiro, deve ser o art. 4.º do Título Preliminar do Código italiano de 1865, cujo preceito decorria das leis civis de Nápoles e era assim formulado: 'As leis penais e as que restringem o livre exercício dos direitos, ou formam exceções a regras gerais ou a outras leis, não se estendem além dos casos e tempos que especificam'. As disposições excepcionais são estabelecidas por motivos ou considerações particulares, contra outras normas jurídicas, ou contra o Direito comum; por isso não se estendem além dos casos e tempos que designam expressamente. Os contemporâneos preferem encontrar o fundamento desse preceito no fato de se acharem preponderantemente do lado do princípio geral as forças sociais que influem na aplicação de toda regra positiva, como sejam os fatores sociológicos, a Werturteil dos tudescos, e outras. O art. 6º da antiga Lei de Introdução abrange, em seu conjunto, as disposições derrogatórias do Direito comum; as que confinam a sua operação a determinada pessoa, ou a um grupo de homens à parte; atuam excepcionalmente, em proveito, ou prejuízo, do menor número. Não se confunda com as de alcance geral, aplicáveis a todos, porém suscetíveis de afetar duramente alguns indivíduos por causa da sua condição particular. Referese o preceito àquelas que, executadas na íntegra, só atingem a poucos, ao passo que o resto da comunidade fica isenta." (grifouse) Dessa forma, neste tópico, está com razão a recorrente, no sentido de que as "receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo", sendo cabível a apropriação de créditos do PIS/Pasep e da Cofins que por ventura enquadremse no conceito de insumo, nos termos do art. 17 da Lei nº 11.033/20044. III Do Regime não cumulativo das contribuições ao PIS e a Cofins Fl. 453DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 25 Filiome ao entendimento deste CARF quanto ao cabimento de creditamento de PIS/Cofins relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, considerando como parâmetro o custo de produção naquilo que não seja conflitante com o disposto nas Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03, conforme conceito de insumo delineado no Voto do Conselheiro Antonio Carlos Atulim no Acórdão nº 3403002.816– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, de 27 de fevereiro de 2014, abaixo transcrito: Já no regime não cumulativo das contribuições ao PIS e à Cofins, o crédito é calculado, em regra, sobre os gastos e despesas incorridos no mês, em relação aos quais deve ser aplicada a mesma alíquota que incidiu sobre o faturamento para apurar a contribuição devida (art. 3º, § 1º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04). E os eventos que dão direito à apuração do crédito estão exaustivamente citados no art. 3º e seus incisos, onde se nota claramente que houve uma ampliação do número de eventos que dão direito ao crédito em relação ao direito previsto na legislação do IPI. Essa distinção entre os regimes jurídicos dos créditos de IPI e das contribuições nãocumulativas permite vislumbrar que no IPI o direito de crédito está vinculado de forma imediata e direta ao produto industrializado, enquanto que no âmbito das contribuições está relacionado ao processo produtivo, ou seja, à fonte de produção da riqueza. Assim, a diferença entre os contextos da legislação do IPI e da legislação das contribuições, aliada à ampliação do rol dos eventos que ensejam o crédito pelas Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, demonstra a impropriedade da pretensão fiscal de adotar para o vocábulo “insumo” o mesmo conceito de “produto intermediário” vigente no âmbito do IPI. Contudo, tal ampliação do significado de “insumo”, implícito na redação do art. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, não autoriza a inclusão de todos os custos e despesas operacionais a que alude a legislação do Imposto de Renda, pois no rol de despesas operacionais existem gastos que não estão diretamente relacionados ao processo produtivo da empresa. Se a intenção do legislador fosse atribuir o direito de calcular o crédito das contribuições não cumulativas em relação a todas despesas operacionais, seriam desnecessários os dez incisos do art. 3º, das Leis nº 10.637/02 e 10.833/04, onde foram enumerados de forma exaustiva os eventos que dão direito ao cálculo do crédito. Portanto, no âmbito do regime não cumulativo das contribuições, o conteúdo semântico de “insumo” é mais amplo do que aquele da legislação do IPI e mais restrito Fl. 454DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 26 do que aquele da legislação do imposto de renda, abrangendo os “bens” e “serviços” que, não sendo expressamente vedados pela lei, forem essenciais ao processo produtivo para que se obtenha o bem ou o serviço desejado. Na busca de um conceito adequado para o vocábulo insumo, no âmbito das contribuições não cumulativas, a tendência da jurisprudência no CARF caminha no sentido de considerar o conceito de insumo coincidente com conceito de custo de produção, pois além de vários dos itens descritos no art. 3º da Lei nº 10.833/04 integrarem o custo de produção, esse critério oferece segurança jurídica tanto ao fisco quanto aos contribuintes, por estar expressamente previsto no artigo 290 do Regulamento do Imposto de Renda. Nessa linha de raciocínio, este colegiado vem entendendo que para um bem ser apto a gerar créditos da contribuição não cumulativa, com base no art. 3º, II, das Leis nº 10.637/2002 e 10.833/2002, ele deve ser aplicado ao processo produtivo (integrar o custo de produção) e não ser passível de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do RIR/995. Se for passível de ativação obrigatória, o crédito deverá ser apropriado não com base no custo de aquisição, mas sim com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. No caso, entendeu a fiscalização e não discordou a DRJ, que a empresa possuiria receitas sujeitas ao regime cumulativo, obtidas com o transporte aéreo de passageiros (doméstico e internacional), e receitas sujeitas ao regime não cumulativo, obtidas com as demais atividades, entre elas o transporte aéreo nacional e internacional de cargas, sujeitas, portanto, ao rateio previsto nos §§ 7°, 8° e 9° do artigo 3° das Leis n° 10.637/2002 (PIS/Pasep) e 10.833/2003 (Cofins). Como visto acima neste Voto, no caso do transporte coletivo de passageiros em linhas aéreas regulares internacionais, a incidência das contribuições deve se dar de forma não cumulativa, como pretendido pela recorrente, não sendo cabível a exclusão desse regime veiculada pelo inciso XVI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003. Assim, para fins deste Voto, sobre as receitas da recorrente a incidência das contribuições de PIS/Cofins dáse na seguinte forma: regime cumulativo transporte aéreo doméstico de passageiros regime não cumulativo transporte aéreo internacional de passageiros; transporte aéreo de cargas nacional e internacional e demais atividades. Fl. 455DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 27 Dentro desses parâmetros, passase a analisar a glosas especificamente contestadas no recurso voluntário. 1. Da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias Quanto a glosa sobre as tarifas aeroportuárias, decidiu a DRJ que se enquadrariam no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins os serviços prestados pela Infraero e cobrados por tarifas que são devidas pelas companhias aéreas, eis que fazem parte do processo produtivo da TAM Linhas Aéreas, afinal, sem a realização de tais serviços não seria possível fazer o transporte aéreo de cargas e passageiros, contudo determinou a aplicação do percentual de rateio para a reversão da glosa somente em relação ao transporte internacional de cargas. Considerando o conceito de insumo adotado neste Voto, a essencialidade/imprescindibilidade dos referidos serviços na prestação de serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros pela recorrente, é cabível o creditamento correspondente. Assim, além da reversão da glosa das tarifas aeroportuárias proporcionalmente ao transporte internacional de cargas efetuada pela DRJ, cabe reverter neste Voto a parcela da glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros. 2. Da glosa relacionada aos combustíveis utilizados no transporte A autoridade administrativa glosou o crédito de combustível consumido no transporte aéreo internacional sob os fundamentos abaixo, o que foi mantido pela DRJ: 9.2.1. A impossibilidade de apuração de créditos do COFINS sobre o valor do combustível consumido no transporte aéreo internacional deuse a partir de 26/09/2008, com a edição, da Lei N° 11.787, de 25/09/2008 – DOU 26.09.2008 – que deu nova redação ao artigo 3° da Lei N° 10.560, de 13/11/2002 – DOU 14.11.2002: Dispõem os artigos 2° e 3° da Lei 10.560, de 13/11/2002 (DOU 14.11.2002): Art. 2° A contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS, relativamente à receita bruta decorrente da venda de querosene de aviação, incidirá uma única vez, nas vendas realizadas pelo produtor ou importador, às alíquotas de 5% (cinco por cento) e 23,2% (vinte e três inteiros e dois Fl. 456DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 28 décimos por cento), respectivamente.(redação dada pela lei 10.865/2004) Art. 3° A Contribuição para o PIS/PASEP e a COFINS não incidirão sobre a receita auferida pelo produtor ou importador na venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional. (Redação dada pela Lei nº 11.787, de 25 de setembro de 2008) Dispõe o parágrafo 2° do artigo 3° da Lei 10833/2003 § 2o Não dará direito a crédito o valor: II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. 9.2.2. A empresa sem observar os dispositivos citados – particularmente a redação dada pela Lei 11.787, de 25/09/2008, ao artigo 3° da Lei N° 10.560/2002 – manteve a apuração de créditos sobre a COFINS em relação ao consumo de combustível em suas rotas internacionais. 9.2.3. Os valores relativos ao consumo de combustível no transporte internacional foram identificados – na memória de cálculo da apuração do crédito – com o código “NOP E2.02: compra de insumos para utilização na prestação de serviço – combustível para voo internacional”. De outra parte alega a recorrente que não há na Constituição Federal qualquer proibição que diga respeito à vedação da apropriação de créditos relacionados a operações sujeitas à isenção ou qualquer outra hipótese desonerativa. Ocorre que a não cumulatividade das contribuições de PIS/Cofins é instituída por lei ordinária, diferentemente do que ocorre com o IPI e ICMS, cuja não cumulatividade tem previsão constitucional, conforme esclarece Nasrallah: Muito embora o ICMS e o IPI e o PIS e a Cofins sejam tributos sujeitos à sistemática não cumulativa, existem diferenças muito relevantes entre as duas espécies de não cumulatividade. A não cumulatividade do ICMS e IPI é obrigatória e tem suas principais diretrizes oriundas da Constituição Federal, que enuncia que estes impostos são não cumulativos, compensandose o que for devido em cada operação com o montante cobrado nas anteriores. Vale dizer, a não cumulatividade destes impostos ocorre com o creditamento na escrita fiscal do montante do imposto Fl. 457DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 29 pago e destacado nas notas fiscais de entrada e que sofre nova incidência em etapa posterior da cadeia. Por outro lado, a não cumulatividade da COFINS e do PIS não é obrigatória, pois somente existirá ser for instituída por lei ordinária e pode coexistir com o sistema cumulativo. É tratada pela legislação ordinária, com regras de deduções e estornos próprios, que podem ser alteradas livremente pela lei comum. No caso da recorrente, não há a incidência das contribuições na "venda de querosene de aviação à pessoa jurídica distribuidora, quando o produto for destinado ao consumo por aeronave em tráfego internacional", nos termos 3° da Lei 10.560/2002, razão pela qual incabível o correspondente creditamento, conforme determinação expressa do §§2°s, incisos II dos artigos 3°s das Leis nºs 10.833/2003 e 10.637/2002. 3. Da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro Os créditos pleiteados sob a rubrica gastos com atendimento ao passageiro foram glosados pela fiscalização sob o seguinte fundamento: "9.3.1. Não dão direito ao crédito, por estarem vinculadas ao regime cumulativo, nos termos do disposto no inciso XVI do artigo 10° da Lei N° 10.833/2003, as despesas ligadas exclusivamente à receita do transporte aéreo de passageiros, tais como gastos com o serviço de bordo, atendimento em área de embarque (VIP), hospedagem e alimentação de passageiros". Tal entendimento foi mantido parcialmente pela DRJ, que rebateu os argumentos da manifestante item a item dessa rubrica, abaixo discutidos. a) Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos Segundo a recorrente tratamse de gastos incorridos para disponibilizar uma estrutura física e de pessoal para atender os seus passageiros antes de embarcarem no voo a que se destinam, razão pela qual não há dúvida acerca que são pertinentes e essenciais para o serviço prestado pela recorrente de transporte aéreo de passageiros, e, portanto, geram direito a crédito das contribuições de PIS/Cofins no que concerne ao montante relativo ao transporte internacional de pessoas, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido neste Voto. b) Serviços auxiliares aeroportuários Alegou a então manifestante que os "serviços auxiliares aeroportuários” seriam aqueles regulamentados pelo art. 1° da Resolução n° 116, de 20009, da ANAC, constantes no Anexo da aludida Resolução, o que foi rechaçado pela DRJ nestes termos: Fl. 458DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 30 A contribuinte, porém, não tem razão. Isso porque, analisandose os itens das notas fiscais glosados pela fiscalização (“Anexo 9.3 – Gastos com atendimento ao passageiro”) constatase que os valores desconsiderados na conta “Serviços Auxiliares Aeroportuários” dizem respeito unicamente ao transporte de passageiro, como, por exemplo, “prestação de serviços de atendimento ao passageiro no checkin” e “movimentação de passageiros”, os quais, como já se viu, não geram direito a crédito. A recorrente não apresentou a comprovação em sentido contrário à constatação da DRJ de que tais serviços estão efetivamente vinculados apenas ao transporte de passageiros, apenas repisando que tais serviços seriam aqueles referidos na Resolução nº 116/2009 da Anac, também relacionados ao transporte de cargas. Diante da ausência de demonstração de vinculação das despesas glosadas ao transporte de cargas é de ser mantido o entendimento de que elas estão associadas efetivamente ao transporte de passageiros. Dessa forma, entendo que deve ser revertida a glosa de serviços auxiliares aeroportuários no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. c) Serviços de handling Os serviços de handling são procedimentos em terra para apoio às aeronaves, passageiros, bagagem, carga e correio, os quais podem ser prestados pelos próprios aeroportos ou por empresas externas, sendo que, quando tal atividade é realizada pelas próprias companhias aéreas, denominase "autohandling”. Entendeu a DRJ que é uma despesa que pode estar vinculada tanto à movimentação de passageiros quanto de cargas, de forma que tais gastos gerariam direito ao crédito da não cumulatividade apenas em relação à parte relacionada ao transporte de cargas. Assim, como nos casos precedentes, deve ser revertida também a parcela da glosa de serviços de handling relativa ao transporte internacional de passageiros. d) Serviços de Comissaria Conforme informado pela recorrente, tratase de serviço de preparo e ou aquisição, transporte por veículo apropriado e colocação no espaço designado na cabine da aeronave de alimentos e bebidas para consumo dos aeronautas, mecânicos e passageiros embarcados. A DRJ manteve tais glosas sob o fundamento de que tais despesas são vinculadas ao sistema cumulativo, ou seja, ao transporte de passageiros. De outra parte, alega a recorrente que tais serviços, além de atenderem os Fl. 459DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 31 critérios de custo referido no art. 290 do RIR/99, também são pertinentes e essenciais para a prestação do serviço da Recorrente, e, sendo reconhecido o direito da recorrente de incluir as receitas decorrentes do transporte internacional de passageiros no sistema não cumulativo, haverá de se reconhecer também que os serviços de comissaria enquadramse no conceito de insumo para a legislação do PIS e da Cofins. Assim, deve ser revertida a parcela da glosa de serviços de comissaria no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. e) Gastos com equipamentos terrestres Sobre tais gastos assim decidiu a DRJ: Em relação aos “gastos com equipamentos terrestres”, diz que são gastos com equipamentos terrestres de apoio ao embarque e desembarque de pessoas e cargas consistem na concretização do serviço de transporte aéreo, através da utilização da rampa de apoio, equipamento indispensável para que se tenha acesso e saída da aeronave. Explica que dispõe de rampas de apoio em solo, mas que, em situações de necessidade, pode também solicitálas de empresas especializadas para complementar sua capacidade operacional (doc. 03) e, neste caso, enquadramse como insumo ou geram direito a crédito com base nos incisos IV dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e 10.833/2003 (aluguel). A primeira dificuldade, neste ponto, é identificar o denominado “doc. 03”, pois embora a interessada tenha anexado alguns contratos ao recurso, não os relacionou ao nome pelo qual se refere na manifestação de inconformidade. Por outro lado, a glosa realizada, no mês de 10/2008, conforme planilha de glosas anexada pela fiscalização, tem como fornecedor a empresa “SERVECOM CATERING REFEICOES LTDA EPP”. Não parece haver, entretanto, nenhum contrato nos autos entre a TAM e esta empresa. Enfim, a contribuinte não logrou provar que tal serviço diz respeito ao transporte internacional de cargas e que possui docomentação hábil a comprovar o crédito. No recurso voluntário a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto à ausência de provas do direito creditório pleiteado apurada pelo julgador a quo, apenas insistindo no enquadramento de tais gastos no conceito de insumo vinculado ao transporte internacional de passageiros, razão pela qual há de ser mantida a glosa relativa aos gastos com equipamentos terrestres. Fl. 460DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 32 f) Serviços de transportes de pessoas e cargas Alegou a então manifestante que se trataria de despesas relativas à movimentação de pessoas e cargas para embarque e desembarque; entretanto, apurou a DRJ que as despesas glosadas seriam relativas à contratação de serviços de vans de passageiros, razão pela qual não haveria direito ao crédito. No que concerne à ausência de comprovação de vinculação dos gastos ao transporte de cargas, a recorrente nada contrapôs à decisão recorrida, apenas reafirmando seu direito ao crédito com relação ao transporte internacional de passageiros. Assim, revertese a glosa de "serviços de transporte de pessoas e cargas" no montante desses gastos relativo ao transporte internacional de passageiros. g) Gastos com voos interrompidos Em relação a “gastos com voos cancelados, atrasados ou interrompidos”, esclareceu a então manifestante que a ANAC impõe, por meio da Resolução de n° 141/2010, a responsabilidade da companhia aérea em relação à assistência devida aos seus passageiros quando os voos forem interrompidos, cancelados ou estiverem atrasados, de forma que tais gastos seriam essenciais à prestação dos serviços de transporte aéreo, especialmente por serem imposição da ANAC, anexando contrato (doc. 02) que comprovaria a contratação de serviços a fim de cumprir suas obrigações regulamentadas pela ANAC. Tendo a DRJ apurado que se tratam de despesas vinculadas exclusivamente ao transporte aéreo de passageiros, manteve tais glosas. Assim, da mesma forma que nos itens anteriores, revertese a glosa de gastos com voos interrompidos no montante relativo ao transporte internacional de passageiros. h) Demais glosas Alega a recorrente que o "acórdão recorrido traz ainda um item específico no qual analisa os serviços de aeroporto, despesas com veículos, aluguel e condomínios e luz e força, entendendo não gerarem direito ao crédito por serem despesas vinculadas exclusivamente a gastos com passageiros". Entende que pela "simples análise das glosas é possível verificar que se relacionam com ambos os tipos de transporte, seja de cargas ou de passageiros, motivo pelo qual, ainda que parcialmente, seguindo o raciocínio desenvolvido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento, deveria ter sido reconhecido o direito creditório da Recorrente". No entanto, especificamente neste trimestre não constam tais glosas. Fl. 461DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 33 Dessa forma, em resumo deste tópico, da glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro devem ser revertidas, no montante relativo ao transporte internacional de passageiros, sujeito ao regime não cumulativo, como decidido mais acima neste Voto, as seguintes parcelas: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos". 4. Da glosa relacionada às aquisições de bens patrimoniais Sobre a matéria assim decidiu a DRJ: No caso do 4º trimestre de 2008, os bens glosados dizem respeito a quatro contas: “Variação de Custos Estoques”, “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e “Vestuários e acessórios profissionais”. Relativamente às despesas com “Vestuários e acessórios profissionais”, obviamente elas não estão relacionadas com a manutenção de aeronaves e nem, tampouco, com a prestação de serviços aéreos de cargas, razão pela qual não geram direito a crédito. Por sua vez, há a apenas uma despesa na rubrica “Materiais de manutenção em equipamentos”, que diz respeito à aquisição de uma “Câmera Digital Sony DSC T70”. Obviamente, tal despesa não é insumo no processo produtivo da empresa em epígrafe. Quanto às demais glosas, analisandose, especificamente, os itens das notas fiscais glosados na planilha “9.3 – Aquisição de bens patrimoniais”, percebese que se tratam, em verdade, de peças e partes de manutenção de equipamentos. Ocorre, todavia, que em 23 de junho de 2008, foi publicada a Lei n° 11.727 que alterou a redação do inciso IV do art. 28 da Lei n° 10.865, de 30 de abril de 2004, determinando o seguinte: Art. 28. Ficam reduzidas a 0 (zero) as alíquotas da contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda, no mercado interno, de: ... IV – aeronaves classificadas na posição 88.02 da Tipi, suas partes, peças, ferramentais, componentes, insumos, fluidos hidráulicos, tintas, anticorrosivos, lubrificantes, equipamentos, serviços e matériasprimas a serem Fl. 462DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 34 empregados na manutenção, conservação, modernização, reparo, revisão, conversão e industrialização das aeronaves, seus motores, partes, componentes, ferramentais e equipamentos; Por isso, os bens e serviços de manutenção relacionados nas contas supracitadas não geram o direito ao crédito da não cumulatividade, já que o inc. II do §2º do art. 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 impede o creditamento do valor “da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição”. Ressaltese que tal disposição entrou em vigor em 23/06/2008, conforme dispõe o caput do art. 41 da Lei n° 11.727/2008. Por tal razão, as glosas realizadas estão corretas. De outra parte, no recurso voluntário, a recorrente manifestou concordância com relação às contas “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Materiais de Manutenção em Equipamentos” e também não se contrapôs ao óbice colocado pelo julgador a quo ao creditamento de bens e serviços de manutenção. Ademais, nada foi mencionado no recurso voluntário acerca das contas “Variação de Custos Estoques”, e “Vestuários e acessórios profissionais” desta rubrica, razão pela qual não cabe reforma na decisão recorrida. 5. Da glosa relacionada aos créditos extemporâneos O legislador ordinário realmente previu a possibilidade de o contribuinte descontar nos meses subsequentes eventuais créditos oriundos de meses anteriores, nos termos dos §§4° dos arts. 3° das Leis n° 10.637/2002 e n° 10.833/2003: Art. 3º (...) (...) § 4o O crédito não aproveitado em determinado mês poderá sêlo nos meses subseqüentes. [grifos da relatora] (...) Decorre diretamente desse dispositivo que o aproveitamento posterior ao mês em que os bens ou serviços foram adquiridos (ou as despesas foram incorridas) depende da comprovação por parte da requerente de não aproveitamento anterior pelo contribuinte (entre o mês da aquisição do bem ou serviço e o mês de aproveitamento extemporâneo). Assim, por exemplo, se a aquisição do insumo é do mês março e a requerente pretende apropriálo em setembro do mesmo ano, terá de comprovar que não o fez nos meses de março a agosto. Nesse sentido estão as orientações da Receita Fl. 463DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 35 Federal quanto à necessidade de retificação dos DACONs e DCTFs originais, como instrumentos próprios para tal comprovação, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento de créditos. Há precedentes desta Seção de Julgamento do Carf, conforme trechos extraídos abaixo dos Votos dos Conselheiros Alexandre Kern e Rosaldo Trevisan, no sentido de que pode ser admitida a relevação da formalidade de retificação das declarações e demonstrativos desde que demonstrada pela interessada a ausência de utilização do crédito extemporâneo em outros períodos: Processo nº 12585.720420/201122 Acórdão n° 3402002.603 4a Câmara / 2a Turma Ordinária Sessão de 28 de janeiro de 2015 Relator: Alexandre Kern (...) Aproveitamento de Créditos Extemporâneos (...) A matéria no entanto já tem entendimento em sentido contrário, plasmado, por exemplo, no Acórdão n° 3403002.717, de 29 de janeiro de 2014 (Rel. Cons. Rosaldo Trevisan, unânime), em que quedou assente a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. Admitese a possibilidade de relevar formalidade de retificação das declarações desde que demonstrada conclusiva e irrefutavelmente, a ausência de utilização do crédito extemporaneamente registrado. De se reconhecer, no entanto, que a retificação das declarações é extremamente mais simples. Assim, omitindose em proceder à prévia retificação do Dacon respectivo e sem fazer prova cabal de que não aproveitou o crédito anacrônico, devese manter a glosa. (...) Processo nº 10380.733020/201158 Acórdão n° 3403002.717 4a Câmara / 3a Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2014 Relator: Rosaldo Trevisan Fl. 464DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 36 (...) Cabe destacar de início, que, por óbvio, a ausência de retificação a que se refere o fisco, é referente aos períodos anteriores, pois o que se busca é evitar o aproveitamento indevido, ou até em duplicidade. As retificações, como destaca o fisco, trazem uma série de consequências tributárias, no sentido de regularizar o aproveitamento e tornálo inequívoco. Quanto à afirmação de que a recorrente cumpriu em demonstrar a ausência de utilização anterior dos referidos créditos, indicando genericamente todos os documentos entregues à fiscalização e/ou acostados na impugnação, não logra instaurar apresentar elementos concretos que ao menos instaurem dúvida no julgador, demandando diligência ou perícia. Aliás, a perícia solicitada ao final do recurso voluntário considerase não formulada pela ausência dos requisitos do art. 16, IV do Decreto no 70.235/1972, na forma do § 1o do mesmo artigo. No mais, acordase com o julgador de piso sobre a necessidade de que reste documentado o aproveitamento dos créditos, mediante as retificações das declarações correspondentes, de modo a não dar ensejo a duplo aproveitamento, ou a irregularidades decorrentes. E, ainda que se relevasse a formalidade de retificação das declarações, não restou no presente processo demonstrada conclusivamente, como exposto, ausência de utilização anterior dos referidos créditos. Sobre a afirmação de que a autuação "funda seu entendimento tão somente em uma solução de consulta, formulada por outro contribuinte", é de se reiterar de que forma o fisco utilizou soluções de consulta na autuação (fl. 35 do Termo de Verificação Fiscal): "O segundo requisito diz respeito à necessária retificação, em todos os períodos pertinentes, de todas as declarações (DACONs, DCTFs e DIPJs) cujos valores são alterados pelo recálculo e refazimento da apropriação de créditos de PIS e COFINS. Isto porque este procedimento implica também o recálculo de todos os tributos devidos em cada período de apuração, especialmente o Imposto de Renda e a Contribuição Social sobre o Lucro Líquido. É que na sistemática da nãocumulatividade, qualquer apropriação de créditos de PIS e de COFINS, resulta, necessariamente na redução, em cada período de apuração, de custos ou despesas incorridas e, por consequência, na elevação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Há diversas soluções de consulta no âmbito da RFB, que exprimem o entendimento acima, dentre elas citaremos a Solução de Consulta no 14 SRRF/6aRF/DISIT, de Fl. 465DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 37 17/02/2011, a Solução de Consulta no 335 SRRF/9aRF/DISIT, de 28/11/2008, e a Solução de Consulta no 40 SRRF/9aRF/DISIT, de 13/02/2009." Assim, patente que as soluções de consulta não são (e sequer constam no campo correspondente) a fundamentação da autuação. (...) Em adição ao que a DRJ estabelece, agregamos somente a possibilidade de, na ausência das retificações, haver comprovação inequívoca do alegado por outros meios, o que não se visualiza no caso dos presentes autos. É de se reconhecer, contudo, que extremamente mais simples é a retificação das declarações. (...) Nesse sentido também foi decidido por este Colegiado, em outra composição, no Acórdão nº 3402002.809, de 10/12/2015, sob minha relatoria: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2007 a 30/06/2007 (...) CREDITAMENTO EXTEMPORÂNEO. DECLARAÇÕES. RETIFICAÇÕES. COMPROVAÇÃO. Para utilização de créditos extemporâneos, é necessário que reste configurada a não utilização em períodos anteriores, mediante retificação das declarações correspondentes ou apresentação de outra prova inequívoca da sua não utilização. Assim, no caso presente, não obstante se pudesse relevar a formalidade de retificação das declarações e demonstrativos, diante da ausência de demonstração inequívoca, a cargo da recorrente, de que os créditos extemporâneos, referentes à aquisições dos anos de 2005 e 2006, não foram aproveitados em outros períodos, não há como reformar a decisão recorrida. 6. Da glosa relacionada aos gastos com importação Trata este tópico das glosas relativas aos gastos com despachante aduaneiro na importação de bens e o correspondente transporte até o estabelecimento da recorrente. Segundo a recorrente seriam os bens importados máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves, os quais não estariam disponíveis no mercado nacional. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 38 A DRJ manteve a glosa dos gastos com despachante aduaneiro, com esteio no Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4/2012 e na Solução de Divergência Cosit nº 7/2012, abaixo transcritos, tendo em vista que não é permitido o desconto de créditos sobre tais dispêndios, os quais não compõem a base de cálculo das referidas contribuições incidentes na importação de mercadorias: Ato Declaratório Interpretativo RFB nº 4, de 26 de junho de 2012 DOU de 27.6.2012 “Dispõe sobre a impossibilidade do desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro. O SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, no uso da atribuição que lhe confere o inciso III do art. 273 do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria MF nº 587, de 21 de dezembro de 2010, e tendo em vista o disposto nos arts. 15 a 18 Lei nº 10.865, de 30 de abril de 2004, e na Solução de Divergência Cosit nº 7, de 24 de maio de 2012, declara: Artigo único. Os gastos com desembaraço aduaneiro na importação de mercadorias não geram direito ao desconto de créditos da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), por falta de amparo legal. Solução de Divergência nº 7, Cosit, de 24/05/2012 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep REGIME DE APURAÇÃO NÃO CUMULATIVA. CRÉDITOS. IMPORTAÇÃO. GASTOS COM DESEMBARAÇO ADUANEIRO. A pessoa jurídica sujeita ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep não pode descontar créditos calculados em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, relativos a serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, decorrentes de importação de mercadorias, por falta de amparo legal. Dispositivos Legais: Lei nº 10.865, de 2004, art. 7º, I e art. 15 (...) 19. Portanto, considerandose que os dispêndios com desembaraço aduaneiro devem ser tratados como parte do custo de aquisição das mercadorias importadas, a possibilidade de creditamento em relação ao referido custo deve ser aferida exclusivamente com base na Lei nº Fl. 467DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 39 10.865, de 2004, que dispõe sobre as contribuições incidentes na importação. 20. Por outro lado, mostrase absolutamente indevido, em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro, qualquer creditamento com base nas Leis nº 10.637, de 2002, e nº 10.833, de 2003, que cuidam, respectivamente, de outras contribuições, quais sejam a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a receita bruta auferida pelas pessoas jurídicas no mercado interno. 21. Embora dispensável, observase que um mesmo dispêndio não poderá gerar crédito duplamente: na forma do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, e do art. 3º das Leis nº 10.637, de 2002, e 10.833, de 2003. Ou seja, não é possível a apuração de crédito sob a égide das duas espécies de contribuições em relação a um mesmo fato econômico, visto que ou se está numa “operação de importação” ou numa “operação doméstica”. 22. Exatamente por isso, o § 3º do art. 3º da Lei nº 10.637, de 2002, e seu homólogo na Lei nº 10.833, de 2003, limitam o direito de creditamento da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes sobre a receita exclusivamente “aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País”, e “aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País”. 23. Verificase, portanto, que a análise da possibilidade de se apurar créditos com relação aos gastos com desembaraço aduaneiro deve se basear exclusivamente na Lei nº 10.865, de 2004, que dispõe sobre a Contribuição para o PIS/Pasep e a Cofins incidentes sobre a importação de bens e serviços. 24. O direito ao crédito previsto na Lei retrocitada referese às contribuições efetivamente pagas na importação e corresponde ao valor resultante da aplicação das alíquotas da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins incidentes no mercado interno no regime de apuração não cumulativa (1,65% e 7,6%, respectivamente) sobre o valor que serviu de base de cálculo das contribuições incidentes na importação, acrescido do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), quando integrante do custo de aquisição. É o que se infere da leitura do § 1º e do § 3º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004: 25. De fato, há que se verificar se os gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada estão incluídos na base de cálculo das contribuições incidentes sobre a importação, pois, caso não estejam, não há que se falar em apuração de crédito para ulterior abatimento do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar incidentes sobre a receita bruta, visto que o crédito Fl. 468DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 40 só existe em relação às contribuições efetivamente pagas. Em outras palavras, o crédito na importação não pode ser maior do que a Contribuição para o PIS/PasepImportação e a CofinsImportação pagas pelo contribuinte. ...... 32. Assim, nos termos da legislação em estudo, os gastos com desembaraço aduaneiro não estão incluídos na base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep– Importação e da Cofins–Importação por ocasião da importação de mercadorias. Consequentemente, não há contribuição efetivamente paga sobre esses gastos, não sendo, portanto, possível a apuração de crédito sobre os referidos dispêndios. 33. Assim, considerandose as hipóteses de creditamento previstas no art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004, combinado com o inciso I do art. 7º do referido diploma legal, não há autorização para apuração de crédito em relação aos gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada. Isto porque, conforme o § 1º do art. 15, o direito ao crédito aplicase em relação às contribuições efetivamente pagas na importação, pagamento que não ocorre em relação a tais gastos, visto que eles não compõem a base de cálculo das aludidas contribuições. Conclusão 34. Diante do exposto, solucionase a presente divergência afirmandose que: a) os gastos com desembaraço aduaneiro devem ser considerados como integrantes do custo de aquisição de mercadoria importada; b) em se tratando de operação de importação de mercadoria, utilizada como insumo ou destinada à revenda, devese analisar a Lei nº 10.865, de 2004, para fins de verificação do direito ao desconto de crédito para fins de determinação da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins; c) os gastos com desembaraço aduaneiro decorrentes de importação de mercadoria não integram a base de cálculo da Contribuição para o PIS/PasepImportação e da CofinsImportação, por força do disposto no inciso I do art. 7º da Lei nº 10.865, de 2004; d) não é permitido às pessoas jurídicas submetidas ao regime de apuração não cumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins descontar créditos em relação a gastos com desembaraço aduaneiro de mercadoria importada, utilizada como insumo ou destinada à revenda, por falta de amparo legal, consoante disposto no § 1º do art. 15 da Lei nº 10.865, de 2004. Fl. 469DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 41 De outra parte, os argumentos apresentados no recurso voluntário não convencem. Alega a recorrente que os gastos com despachantes aduaneiros seriam qualificados como custos dos produtos importados, o que, a seu ver, já justificaria a permissão para apropriar os respectivos créditos. Ora, o que poderia justificar o reconhecimento de um direito creditório é a sua previsão legal, o que inexiste para tais gastos, mormente quando esses valores sequer integram a base de cálculo das contribuições de PIS/Cofins na importação. Também não se poderia dizer que os gastos com despachantes aduaneiros seriam "imprescindíveis para a importação dos mencionados bens pela ora Recorrente", vez que as atividades relacionadas ao despacho aduaneiro de mercadorias também podem ser efetuadas por outras pessoas, inclusive empregado com vínculo empregatício exclusivo, nos termos do art. 5º, §1º do Decretolei nº 2.472/887, atualmente consolidado no art. 809 do Regulamento Aduaneiro/2009. A decisão recorrida deve ser mantida em relação aos gastos com despachantes aduaneiros pelos seus próprios fundamentos. Quanto ao frete nacional dos bens importados, melhor sorte não assiste à recorrente. Os créditos relativos às importações sujeitas ao pagamento das contribuições, no que concerne aos bens e serviços utilizados como insumo no processo produtivo da contribuinte, estão previstos no art. 15 da Lei nº 10.865/20048, sendo que, em seu §3º, está definida a base de cálculo do crédito como "o valor que serviu de base de cálculo das contribuições, na forma do art. 7º desta Lei, acrescido do valor do IPI vinculado à importação, quando integrante do custo de aquisição". Por sua vez, o art. 7º da Lei nº 10.865/2004 estabelece que a base de cálculo das contribuições será o valor aduaneiro. Nos termos do art. 77 do Regulamento Aduaneiro/2002 ou 2009, integram o valor aduaneiro o custo de transporte e os gastos relativos à carga, descarga e manuseio da mercadoria importada até o ponto de desembaraço no território aduaneiro, bem como o custo do seguro da mercadoria nessas operações. Dessa forma, não há possibilidade de, com fundamento no art. 15 da Lei nº 10.865/2004, se autorizar o creditamento das despesas com frete e armazenagem incorridas após o desembaraço aduaneiro, que não integram a base de cálculo definida na Lei para o desconto dos créditos. De outra parte, também o art. 3º, IX da Lei nº 10.833/2003, obviamente, não poderia socorrer a recorrente relativamente a despesas em operações referentes à entrada do insumo, eis que se refere a Fl. 470DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 42 despesas de frete e armazenagem relativas à operação de venda com o ônus suportado pelo vendedor. Analisemos agora a eventual aplicação do art. 3º, inciso II da Lei nº 10.833/2003 (ou o correspondente da Lei nº 10.637/2002), o qual dispõe: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, inclusive combustíveis e lubrificantes, exceto em relação ao pagamento de que trata o art. 2º da Lei no 10.485, de 3 de julho de 2002, devido pelo fabricante ou importador, ao concessionário, pela intermediação ou entrega dos veículos classificados nas posições 87.03 e 87.04 da Tipi; (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (Redação dada pela Lei nº 10.865, de 2004) I de mãodeobra paga a pessoa física; e (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei nº 10.865, de 2004) § 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País; II aos custos e despesas incorridos, pagos ou creditados a pessoa jurídica domiciliada no País; III aos bens e serviços adquiridos e aos custos e despesas incorridos a partir do mês em que se iniciar a aplicação do disposto nesta Lei. (...) [negritei] Como se sabe, o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou da Lei nº 10.637/2002 trata do creditamento relativo a um bem ou a um serviço que seja utilizado como insumo Fl. 471DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 43 na processo produtivo, no caso, na prestação de serviços de transporte de passageiros ou cargas. Vejamos primeiro a hipótese de "serviço utilizado como insumo". Poderia o frete dos bens importados (máquinas, equipamentos, aparelhos e ferramentas específicas para o uso em aeronaves) ser considerado como "serviço utilizado como insumo" na prestação dos serviços de transporte pela ora recorrente? Entendo que não. Em que pese o CARF não adotar a interpretação restritiva das Instruções Normativas no conceito de insumo, é certo que o inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 não abriga o creditamento de serviços utilizados em etapas anteriores, que não possam ser consideradas como a prestação do serviço em si (resultado do processo produtivo), no caso, o transporte de pessoas e cargas. Os referidos serviços (frete) são aplicados somente nos próprios insumos, que já foram importados na condição de insumos, de forma que também não se poderia considerar como algo relacionado à produção ou à fabricação anterior desses insumos. O dispositivo legal exige que o serviço (no caso, o frete) seja utilizado como insumo na própria prestação do serviço (transporte de pessoas e cargas), o que não é o caso. Tampouco haveria possibilidade de creditamento dessas despesas com frete em relação ao "bem utilizado como insumo", embora haja construção jurisprudencial no CARF9 no sentido de admitir o desconto de créditos, no que concerne ao frete relativos aos insumos, em relação aos bens utilizados como insumo e aos bens para revenda, relativamente às despesas de fretes pagos a pessoas jurídicas quando o custo do serviço, suportado pelo adquirente, é apropriado ao custo de aquisição de um bem utilizado como insumo (inciso II do art. 3º da Lei nº 10.833/2003 ou 10.637/2002) ou de um bem para revenda (inciso I). Em relação ao bem adquirido de pessoa jurídica no exterior não se vislumbra hipótese de creditamento com base nos arts. 3ºs das Leis nºs 10.833/2003 ou 10.637/2002, em face da restrição contida no §3º, I desse dispositivo ("§ 3o O direito ao crédito aplicase, exclusivamente, em relação: I aos bens e serviços adquiridos de pessoa jurídica domiciliada no País;") e, em consequência, também não seria possível o creditamento de gastos com o frete nacional vinculados ao creditamento desses bens (apropriado ao custo de aquisição do bem utilizado como insumo). Mais importante é que, como visto, no caso de bem importado utilizado como insumo, o creditamento relativamente ao bem é feito com base no art. 15 da Lei nº Fl. 472DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 44 10.865/2004, que é a norma especial aplicável ao caso, a qual não prevê a inclusão dos gastos com frete. Assim, sob qualquer ponto de vista, não há que se falar em creditamento das despesas relativas a frete realizadas após o desembaraço aduaneiro, sendo o mesmo raciocínio aplicável aos gastos com despachantes aduaneiros. Em situação semelhante ao presente caso, foi decidido no mesmo sentido do proposto acima por unanimidade de votos daquele Colegiado, sob a relatoria do Ilustre Conselheiro José Fernandes do Nascimento, conforme ementa abaixo: Acórdão nº 3302003.212– 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 16 de maio de 2016 Matéria PIS RESTITUIÇÃO Relator: José Fernandes do Nascimento ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/11/2007 a 30/11/2007 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM FRETE INTERNO NO TRANSPORTE DE PRODUTO IMPORTADO DIREITO DE APROPRIAÇÃO DE CRÉDITO. IMPOSSIBILIDADE. Os gastos com frete interno relativos ao transporte de bens destinados à revenda ou utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, ainda que pagos a pessoa jurídica domiciliada no País, não geram direito a crédito da Cofins e da Contribuição para o PIS/Pasep, pois sobre tais gastos não há pagamento da CofinsImportação e da Contribuição para o PIS/PasepImportação, por não integrarem a base de cálculo destas contribuições (valor aduaneiro, segundo art. 7º, I, da Lei 10.865/2004), nem se enquadrarem nas demais hipóteses de dedução de crédito previstas nos incisos III a XI do art. 3º da Lei 10.833/2003. (...) 6. Da glosa relacionada aos gastos com estadia de tripulantes Com relação aos gastos com estadia de tripulantes alega a recorrente que: "Não há como desconsiderar a indispensabilidade do gasto com estadia dos tripulantes para que a empresa aérea possa desenvolver suas Fl. 473DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 45 atividades. Afinal, na atividade de transporte aéreo se pressupõe que os tripulantes percorram longas distâncias para efetivarem a prestação do serviço a que se propõem. E, não raro, por conta da imperiosa necessidade de respeitar a duração da jornada de trabalho do aeronauta, para que este tenha condições de desempenhar seu trabalho, a estadia do tripulante é indispensável à continuidade da prestação do serviço pela companhia". No entanto, os serviços relativos à hospedagem de tripulantes não são utilizados como insumo na prestação de serviços de transporte pela recorrente em si, sendo usufruídos pelos tripulantes em face dos deslocamentos decorrentes da modalidade de trabalho que exercem. Tratamse de despesas que atendem a uma necessidade operacional da empresa, não se enquadrando no conceito de insumo para fins de creditamento das contribuições de PIS/Cofins. Nesse sentido está a Solução de Divergência nº 15, de 30 de Maio de 2008: “Os gastos com passagem e hospedagem de empregados e funcionários, não são considerados “insumos” na prestação de serviços, não podendo ser considerados para fins de desconto de crédito na apuração da contribuição para a Cofins e o PIS nãocumulativo". 7. Da glosa relacionada aos gastos com o reparo de equipamentos utilizados na manutenção de máquinas e equipamentos Neste tópico assim decidiu a DRJ: No caso do 4º trimestre de 2008, os bens glosados (“Planilha 9.8 – Gastos com o Reparo de Equipamentos Utilizados na Manutenção”) dizem respeito a três contas: “Gastos com Equipamentos Terrestres”, “Handling” e “Serviços de Manutenção em Equipamentos”. Tais contas já foram analisadas no item “II.5.4 DA GLOSA RELACIONADA ÀS AQUISIÇÕES DE BENS PATRIMONIAIS”, tendo o crédito glosado sido indeferido à contribuinte. Pelas mesmas razões lá aduzidas, entendese serem corretas as glosas realizadas. Como dito no tópico 4. a recorrente manifestou concordância com relação às contas "Gastos com equipamentos terrestres" e "Serviços de manutenção em equipamentos", e relativamente à conta "handling" deste tópico a recorrente nada mencionou no recurso voluntário, razão pela qual a decisão recorrida há de ser mantida. 9. Da glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo Tratase de glosas relativas aos gastos decorrentes da (i) contratação de serviços de comunicação por rádio, (ii) serviços de despachantes, (iii) serviços de segurança Fl. 474DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 46 patrimonial, (iv) serviços gráficos, (v) serviços gerais de limpeza, (vi) gastos com treinamentos, (vii) serviços de telefonia e banda larga, (viii) serviços de lavagem, (ix) abastecimento de água (QTA) e energia (GPU equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), (x) manutenção de instalações, (xi) aparelhos telefônicos e (xii) de ar condicionado, (xiii) manutenção de extintores e (xiv) de aparelhos de raio X, (xv) cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas, (xvi) rede de dados e voz. Entendeu a autoridade administrativa que: "Tais serviços, por mais necessários às atividades desenvolvidas pela contratante, não estão diretamente ligados à atividade de transporte aéreo de cargas, fato que os afasta da conceituação de insumo". Os gastos com comunicação de rádio entre a companhia aérea e a torre de comando são remuneradas por tarifa e já estão incluídos no tópico "tarifas aeroportuárias". Quanto aos serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas, bem como para contato entre as áreas aeroportuárias, entendeu a DRJ que eles são empregados diretamente na prestação dos serviços de transporte aéreo de cargas e passageiros, concedendo o respectivo crédito no que concerne ao transporte de cargas. Dessa forma, como neste Voto foi considerado que o transporte internacional de passageiros está sujeito ao regime não cumulativo, deve ser aqui revertida a parcela da glosa sobre "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros. Com relação à aquisição de “aparelhos de raio X”, como dito pelo julgador a quo, só poderia gerar créditos de depreciação. Como a recorrente não apresentou qualquer argumento que afastasse tal constatação, a glosa deve ser mantida nessa parte. No entanto, quanto “serviços de operação de equipamentos de raio X”, eles podem estar vinculados tanto ao transporte de passageiros como de carga, devendo a parcela da glosa de tais serviços aplicada no transporte internacional de cargas ou no transporte internacional de passageiros ser revertida. No tocante à segurança patrimonial e aos gastos com aquisição de extintores de incêndio, alega a interessada que ambos estão vinculados à segurança dos passageiros e das cargas transportadas. Tendo em vista a não demonstração pela recorrente de que os extintores de incêndio seriam bens não ativáveis, não se pode reverter essa parcela da glosa, entretanto, os serviços relativos à Fl. 475DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 47 segurança dos passageiros e das cargas enquadramse no conceito de insumo adotado neste voto, eis que são essenciais e imprescindíveis ao transporte de passageiros e de cargas, devendo a parcela da glosa relativa à "segurança patrimonial" ser revertida relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. A glosa dos créditos relacionados ao fornecimento de energia às aeronaves (GPU: equipamento móvel terrestre utilizado no fornecimento de energia a aeronaves em terra), que se refere, na verdade, a gastos com a locação destes equipamentos e não com suas aquisições, foi mantida pela DRJ nos seguintes termos: "Ocorre, todavia, que a empresa não conseguiu demonstrar dois aspectos essenciais para ter direito ao crédito em discussão. Primeiro, provar que também a atividade aérea de transporte de cargas necessita deste tipo de equipamento. Pelo recurso apresentado, parece que tais equipamentos são utilizados apenas no transporte de passageiros que, como já se viu, está sujeito ao regime cumulativo. Além disso, o contrato apresentado pela manifestante (doc. 5), fls. 1.441/1.444, foi assinado em 04/11/2013 e o prazo de vigência, conforme cláusula 2.1 só se iniciou a partir da assinatura do contrato. Portanto, como o crédito é do 4º trimestre de 2008, tal contrato não tem o condão de gerar o crédito pretendido". Assim, como a recorrente não apresentou qualquer elemento modificativo ou extintivo quanto a não vigência do contrato no período analisado, não restou comprovado o direito creditório relativo à locação do equipamento GPU, não cabendo reforma na decisão recorrida. Quanto aos gastos com treinamento de tripulantes, decidiu a DRJ no sentido de que "não há previsão legal expressa que autorize o creditamento com tal gasto. Por outro lado, tais despesas não se subsumem no conceito de “insumos”, pois não se caracterizam como “bens aplicados ou consumidos na prestação de serviços” ou “serviços aplicados ou consumidos na prestação do serviço”. De outra parte, alega a recorrente que "as despesas com treinamento de tripulantes são indispensáveis para a aludida execução do serviço de transporte aéreo e estão diretamente relacionadas ao objeto social da Recorrente, razão pela qual as glosas devem ser revertidas por este E. CARF". No entanto, as despesas com treinamento de empregados embora sejam essenciais em qualquer ramo empresarial, não são se tratam de serviços aplicados na prestação de serviços de transporte, objeto social da recorrente, devendo ser mantida a decisão recorrida nesta parte. Fl. 476DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 48 Quanto aos demais itens deste tópico, em que pesem os argumentos da recorrente, deve ser mantida a decisão recorrida, nos seguintes termos: "é facilmente observável que diversos bens glosados não dizem respeito diretamente ao serviço prestado pela manifestante, sendo apenas despesas operacionais da empresa. Obviamente, serviços gerais de limpeza, serviços de telefonia e banda larga, serviços de lavagem, gastos com cadeiras, mesas, armários, estantes, divisórias e bancadas entre diversos outros, não têm correspondência direta com os serviços prestados pela empresa, não podendo gerar o direito ao crédito. São bens de uso e consumo da empresa, que não geram o direito ao crédito". No que diz respeito a "rede de dados e voz", conforme já decidido por este CARF no Acórdão nº 3401002.857, de 27 de janeiro de 2015, em relação a uma transportadora de cargas, não há o direito ao creditamento, conforme a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Ano calendário:2009, 2010, 2011 (...) DESPESAS COM TELEFONEVOZ E TELEFONEDADOS. VINCULAÇÃO A ATIVIDADES ADMINISTRATIVAS. NÃO ENQUADRAMENTO COMO INSUMOS. As despesas com telefonevoz e telefonedados, por sua natureza, não se vinculam à prestação de serviço de transporte de cargas e não são indispensáveis a sua execução. Ademais, sua utilização está principalmente vinculada à realização das atividades administrativas da empresa, o que permitiria enquadrálas como necessária nos termos da legislação do IRPJ. Considerando a definição de insumos adotada, que não se confunde com o de despesa necessária do art. 299 do Decreto nº 3000/99, tais despesas não preenchem os requisitos para caracterização como insumo. Deve ser mantida a glosa em relação a estas despesas. Assim, em resumo, devem ser revertidas neste tópico, relativamente à glosa relacionada aos gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo, somente as seguintes parcelas: a) "serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e b) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte Fl. 477DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 49 internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. 11. Da glosa relacionada aos gastos não considerados insumos – Bens de uso e consumo No tocante a estas glosas, assim decidiu a DRJ: Observase com as glosas levadas a cabo pela fiscalização (Anexo 9.11 – Outros gastos não classificáveis como insumos) que a interessada pretendeu se creditar de todos os gastos que possui. No referido anexo, percebese a glosa de, entre outros, dispêndios com lixas, thinner, fita crepe, rolo de espuma, aplicador de massa, estopa, bobinas, etc. Todavia, não é todo e qualquer custo que gera o crédito da não cumulatividade do PIS/Cofins. Bens de uso e consumo não podem gerar o crédito da não cumulatividade das referidas contribuições, razão pela qual correta as glosas efetividas pela fiscalização. Tais bens são de uso e consumo, não havendo previsão legal para este tipo de creditamento. Além do mais, como a própria interessada consignou em seu recurso, “os créditos da não cumulatividade do PIS/Cofins não devem alinharse às definições de custo e despesas de que trata o RIR/99”. Especificamente, a interessada se insurge contra as glosas de despesas com vestuários e acessórios profissionais, entendidos como os uniformes utilizados pelos funcionários de rampa, aeroporto, os tripulantes, etc. Quanto a estas despesas em específico, vale observar que a Lei n° 11.898, de 08/01/2009, incluiu nos artigos 3º das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003 o inciso X, prevendo tal direito a crédito, in verbis: X valetransporte, valerefeição ou valealimentação, fardamento ou uniforme fornecidos aos empregados por pessoa jurídica que explore as atividades de prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Observase, portanto, que as despesas constantes do inciso acima transcrito não proporcionam o crédito indiscriminadamente a qualquer pessoa jurídica. Tais despesas possibilitam o crédito apenas a pessoas jurídicas que explorem a prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção. Como este não é o caso da manifestante, não há que se falar em direito a crédito em relação a essas despesas. Por fim, a manifestante reclama especificamente sobre as glosas de gastos com materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticas, que são utilizados para a conservação e para a segurança das partes e peças que Fl. 478DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 50 serão destinadas ou à manutenção ou à própria aplicação nas aeronaves. Tais bens, entretanto, por razões já exaustivamente debatidas neste voto, não se enquadram no conceito de insumo para a empresa em epígrafe, dado o seu objeto social. Afinal, não têm vinculação direta com a prestação de seus serviços. Alega a recorrente que as "despesas com vestuários e acessórios profissionais" seriam custeadas pelo empregador, conforme determinação legal, não havendo como dissociar esse gasto ao conceito de insumo. Não obstante o conceito mais amplo de insumo no âmbito deste CARF, entendo que tais despesas não se enquadram no conceito de insumo, vez que não são aplicadas no transporte de pessoas e cargas, tratandose de despesas operacionais da empresa. No caso de fardamento e uniforme, o legislador ordinário optou por conceder o creditamento somente às atividades de "prestação de serviços de limpeza, conservação e manutenção", nos termos do art. 3º, IX das Leis n°s 10.637/2002 e 10.833/2003. Com relação aos "Materiais de Acondicionamento e Embalagens", embora afirme a recorrente que se tratariam de "materiais de acondicionamento utilizados no transporte e armazenamento de materiais e ferramentas aeronáuticos", não se tem prova nos autos de que natureza seriam tais materiais e embalagens ou se seriam não ativáveis, devendo a decisão recorrida ser mantida também nesta parte. Assim, pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário na seguinte forma: a) Determinar à autoridade administrativa que efetue novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total, bem como a inclusão das receitas originadas do transporte internacional de passageiros no regime não cumulativo; e b) Reverter somente as seguintes parcelas das glosas abaixo: i) glosa relacionada às tarifas aeroportuárias no valor relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; ii) glosa relacionada aos gastos com atendimento ao passageiro: "Serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos", "Serviços auxiliares aeroportuários", "Serviços de handling", "Serviços de comissaria", "Serviços de transportes de pessoas e cargas" e "Gastos com voos interrompidos", no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros; Fl. 479DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 51 iii) gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo: iii.1)"serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas" no que concerne ao transporte internacional de passageiros; e iii.2) “serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial" relativamente ao transporte internacional de cargas e ao transporte internacional de passageiros. É como voto. (assinado digitalmente) Maria Aparecida Martins de Paula Voto Vencedor Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz, Redatora Designada Com a devida vênia, ouso divergir da ilustre Relatora no que tange a glosa de despesas com os uniformes dos aeronautas relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. A questão de mérito discutida nestes autos é já amplamente conhecida pelos julgadores do CARF. Tratase do conceito de insumo para fins de apropriação de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS na sistemática da não cumulatividade (artigo 3º, inciso II das Leis n. 10.833/2003 e 10.637/2002) Embora não seja essa premissa o objeto da minha divergência em relação ao voto da Conselheira Relatora mas sim a sua aplicação sobre uma específica glosa , vale repisar a evolução jurisprudencial administrativa sobre a matéria, que culminou no conceito aqui adotado para a solução da lide. Quando primeiramente instado a se manifestar sobre o tema, este Conselho convalidou o restritivo entendimento esposado pela Receita Federal, materializado nas Instruções Normativas SRF 247/02 e SRF 404/04. Ou seja, transportouse o conceito de insumo do IPI para sistemática de PIS e COFINS não cumulativos. Assim, o CARF entendia que ao contribuinte somente seria legítimo descontar créditos referentes às aquisições de matériaprima, material de embalagem e produtos intermediários, os quais deveriam ser incorporados ou desgastados pelo contato físico com o produto final, para serem considerados insumos ensejadores de crédito de PIS e COFINS (e.g. Acórdão n. 20312.469). Num segundo momento, já assumindo a impropriedade de se aplicar como critério para aferir o crédito PIS e Fl. 480DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 52 COFINS não cumulativos aquele do IPI uma vez que materialidades destas espécies de tributos são completamente distintas, sendo a do IPI, circunscrita ao âmbito da industrialização, enquanto a das Contribuições, é mais abrangente, por ser a receita como um todo , o CARF passou a utilizar as regras de dedutibilidade de despesa constante na legislação do pelo imposto sobre a renda (“IR”) para a definição de insumos (e.g. Acórdão n. 320200.226). Nesse sentido, a jurisprudência do CARF acabou conferindo uma amplitude maior ao conceito de insumo para o direito de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, entendido como qualquer despesa, desde que necessária à consecução do objeto social da pessoa jurídica. Finalmente, a jurisprudência deste Conselho chegou então a um terceiro momento, no qual se consolidou que o direito a tomada de crédito da Constituição ao PIS e da COFINS “denota uma maior abrangência do que o conceito aplicável ao IPI, embora não seja tão extensivo quanto aquele aplicável ao IRPJ”.10 Essa é a atual, e, a meu ver, correta orientação do CARF a respeito do tema. Com isso, constatase que este Tribunal passou a defender uma abrangência específica para o conceito de insumo com relação à Contribuição ao PIS e à COFINS, levando em conta a materialidade das contribuições (receita), pelo que se impõe conceder o crédito relativo a custos indispensáveis à produção e, portanto, à geração de receita (e.g. Acórdão n. 3302002.674). Exatamente neste sentido, este Colegiado tem adotado como parâmetro o conceito de “custo de produção”, nos termos dos artigos 289 a 291 do Regulamento do Imposto sobre a Renda RIR/99 (Acórdão 3402002.881), para a solução dos casos controversos entre contribuintes e Fisco. Ademais, na recente data de 24 de abril de 2018, foi publicado pelo Superior Tribunal de Justiça o Acórdão relativo ao REsp 1.221.170 / PR, julgado sob o rito dos recursos repetitivos, que pacifica a tese adotada por este Conselho, in verbis: 4. Sob o rito do art. 543C do CPC/1973 (arts. 1.036 e seguintes do CPC/2015), assentamse as seguintes teses: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 481DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 53 Tal julgamento é de observância obrigatória pelo CARF, em conformidade com o que estabelece o art. 62, §2º do Regimento Interno. Pois bem. Adotando o citado conceito para a aferição da legitimidade ou não da tomada de crédito da Contribuição ao PIS e da COFINS, fazse necessário analisar in casu a essencialidade dos insumos no processo formativo da receita. A Recorrente é concessionária de serviço público que se dedica à prestação de serviços de transporte aéreo regular de passageiros, de cargas, de malas e objetos postais, assim como à prestação de serviços de manutenção e reparação de aeronaves, motores, partes e peças de terceiros. Tendo em vista o citado objeto social, a Recorrente trouxe aos autos prova de seus dispêndios com vestuários e acessórios profissionais de seus funcionários. O custeio dessas vestimentas para os aeronautas é de responsabilidade do empregador, conforme determinação legal constante na Lei Federal nº 7.183, de 5 de abril de 1984 (com a redação mantida pela Lei n. 13.475/2017, a qual dispõe sobre o exercício da profissão de tripulante de aeronave, denominado aeronauta; e revoga a Lei no 7.183/1984), in verbis: Art. 46 O aeronauta receberá gratuitamente da empresa, quando não forem de uso comum, as peças de uniforme e os equipamentos exigidos para o exercício de sua atividade profissional, estabelecidos por ato da autoridade competente”. Ou seja, o fornecimento de peças de uniformes aos aeronautas não é uma liberalidade da Recorrente, mas sim decorre de obrigação legal, caracterizando então requisito sine qua non para que possa estar dentro das normas regulatórias de sua atividade. Dessarte, não há como dissociar este gasto do conceito de insumo, à medida que se enquadra como custo de produção dos serviços prestados pela Recorrente, claramente essencial para o exercício de suas atividades empresariais. Assim tem se manifestado esse Conselho em casos análogos, à medida que o fornecimento de uniformes decorre de imposição de lei específica do setor econômico da empresa. Citamos como exemplo o caso dos uniformes utilizados pelos funcionários em redes de supermercado, conferindo direito ao crédito das Contribuições, haja vista que para cada setor específico das lojas a legislação trabalhista brasileira prevê a obrigatoriedade do fornecimento de equipamentos de proteção individual bem como de uniformes para os seus funcionários (Acórdão n. 3301004.483). Fl. 482DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 54 Por tudo quanto exposto, voto pela reversão das glosas de créditos pautados em "despesas com vestuário e acessórios profissionais" dos aeronautas, relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros. (assinado digitalmente) Thais De Laurentiis Galkowicz CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO PARCIAL ao Recurso Voluntário utilizando como paradigma o processo nº 12585.720010/201262, Acórdão nº 3402005.316 e em resumo: (a.1) seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres por ausência de comprovação; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"); (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; Fl. 483DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 55 (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; (c) manter as glosas das despesas de frete pagas após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros; Ressaltar que na hipótese de se tratar de bem ativado, este deixa de ser considerado insumo, passando a gerar crédito com base na depreciação. Voto ainda para que todos esses processos permaneçam reunidos por conexão." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por dar provimento parcial ao recurso voluntário, para: (a.1) que seja efetuado novo cálculo do percentual de rateio proporcional levando em consideração as receitas financeiras e de transporte internacional de passageiros como integrantes da receita bruta não cumulativa e da receita bruta total; (a.2) manter as glosas de créditos de insumos correspondentes aos gastos com equipamentos terrestres por ausência de comprovação; (a.3) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte internacional de cargas, correspondentes às despesas relacionadas às aquisições de bens patrimoniais relativamente à conta "Gastos com combustíveis para equipamentos de rampa" e às parcelas relativas aos "serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"; (b.1) reconhecer que as receitas originadas do transporte internacional de passageiros estão abrangidas pelo regime não cumulativo; (b.2) reverter as glosas de créditos de insumos no montante relativo ao transporte aéreo internacional de passageiros correspondentes: (b.2.1) às tarifas aeroportuárias, (b.2.2) aos seguintes gastos com atendimento ao passageiro: serviços de atendimento de pessoas nos aeroportos, serviços auxiliares aeroportuários, serviços de handling, serviços de comissaria, rubrica "serviços de transportes de pessoas e cargas" e gastos com voos interrompidos; (b.2.3) rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo" ("serviços de comunicação de rádio entre os funcionários da empresa para controle do embarque e desembarque de passageiros e cargas", serviços de operação de equipamentos de raio X" e "segurança patrimonial"); (b.3) manter a glosa de créditos de gastos com treinamentos relativo a rubrica "gastos não relacionados à atividade de transporte aéreo"; Fl. 484DF CARF MF Processo nº 12585.720234/201274 Acórdão n.º 3201005.382 S3C2T1 Fl. 0 56 (b.4) reverter a glosa para as despesas com os uniformes dos aeronautas na forma da Lei n.º 7.183/1994 relativo ao transporte aéreo de cargas e internacional de passageiros; (c) manter as glosas das despesas de frete pagas após o desembaraço aduaneiro e os gastos com despachantes aduaneiros; Ressaltar que na hipótese de se tratar de bem ativado, este deixa de ser considerado insumo, passando a gerar crédito com base na depreciação. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 485DF CARF MF
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Numero do processo: 10920.723670/2015-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Apr 24 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Numero da decisão: 3201-001.991
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do Recurso Voluntário em diligência. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10920.723601/2015-51, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Paulo Roberto Duarte Moreira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Giovani Vieira, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Leonardo Correia Lima Macedo, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado em substituição ao conselheiro Charles Mayer de Castro Souza), Tatiana Josefovicz Belisário, Laércio Cruz Uliana Junior e Paulo Roberto Duarte Moreira (Presidente Substituto). Ausente, justificadamente, o conselheiro Charles Mayer de Castro Souza. Relatório Tratase de Pedido de Ressarcimento de créditos de contribuição não cumulativa, que não restou integralmente reconhecido. A análise do crédito se deu a partir da análise da documentação e das informações apresentadas pelo Contribuinte para comprovação do direito aos créditos pleiteados em confronto com os dados nas bases da RFB, SPED Fiscal e SPED Contribuições. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 20 .7 23 67 0/ 20 15 -6 4 Fl. 1887DF CARF MF Processo nº 10920.723670/201564 Resolução nº 3201001.991 S3C2T1 Fl. 3 2 A fiscalização realizou diversas glosas, por entender que derivavam de valores que não se geravam direito ao crédito pleiteado, consoante despacho decisório acostado aos autos. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade que restou julgada improcedente pelo colegiado a quo. O Recurso Voluntário da Recorrente foi interposto de forma hábil e tempestiva, contendo, em breve síntese, os seguintes argumentos: II – Dos Fatos A Recorrente informa que a fiscalização glosou os créditos de (i) bens utilizados como insumos; (ii) serviços utilizados como insumos; (iii) energia elétrica/Térmica; (iv) despesas com alugueis, máquinas e equipamentos; (v) armazenagem e frete na operação de venda; (vi) importação – serviços utilizados como insumos e (vii) crédito presumido da agroindústria, todos oriundos do seu Pedido de Ressarcimento e Declaração de Compensação. III – Preliminar a) Da indispensável conversão do julgamento em diligência A Recorrente alega ausência de motivação do ato fiscal para as glosas dos créditos cujo ressarcimento foi requerido por meio de PER/DCOMP. Sustenta que os itens de créditos glosados são considerados insumos, e assim são classificados em vista do entendimento adotado ao termo e já pacificado no âmbito desse Tribunal Administrativo. Ademais alega que a glosa foi realizada sem a devida motivação. Como reforço ao argumento, cita doutrina, jurisprudência e faz menção ao princípio da verdade material. Ao final desse ponto, a Recorrente conclui quanto a necessidade de conversão do julgamento em diligência, a fim de confirmar a relação dos itens glosados com o processo produtivo da Recorrente. IV – Do Direito a) Do crédito de PIS/COFINS – Princípio da nãocumulatividade – Conceito de Insumos A Recorrente afirma que o conceito de insumos utilizado pela fiscalização está superado. Assim, o entendimento das Instruções Normativas nº 247/2002 (PIS) e nº 404/2004 (COFINS) não mais subsiste. Nessa linha, afirma que as Leis nºs 10.637/02 e 10.833/03 admitem a não cumulatividade das parcelas de PIS/COFINS, como forma primordial de promover a redução da carga tributária buscando a desoneração pelo pagamento destas contribuições. Reforça o argumento com jurisprudência da CSRF deste CARF. Sustenta que na lógica atual devese analisar o conceito de insumo sob a ótica da essencialidade/necessidade. Cita trecho do REsp nº 1.221.170, proferido em 23/09/2015. Colaciona doutrina. b) Das glosas efetuadas pela fiscalização Fl. 1888DF CARF MF Processo nº 10920.723670/201564 Resolução nº 3201001.991 S3C2T1 Fl. 4 3 A Recorrente relaciona as glosas efetuadas pela fiscalização, a saber: (i) Bens utilizados como insumos: entradas de bens não enquadrados como insumos, dentre eles: aquisição de pneus; produtos para tratamento de efluentes; materiais de embalagem; despesas com serviços de frete entre filiais, despesas com serviços tomados de pessoa física, aquisições de combustíveis; (ii) Serviços utilizados como insumos – entradas se serviços não enquadrados como insumos; (iii) Crédito extemporâneo; (iv) Crédito Presumido Agroindústria. Em seguida aborda cada uma das glosas. b.1) Dos bens utilizados como insumos A Recorrente elenca bens que teriam sido glosados, dentre os quais: b.1.1) pneus; b.1.2) produtos para tratamento de efluentes; b.1.3) lonas, pallets; b.1.4) frete entre filiais; b.1.5) fretes na aquisição de produtos de pessoa física; e b.1.6) óleo diesel (combustível). Em sua defesa, para reverter as glosas cita extensa jurisprudência do CARF. c) Do Crédito Extemporâneo A Recorrente contesta a glosa dos créditos extemporâneos. Nesse ponto alega que a apuração dos créditos da contribuição em voga toma por base as despesas ocorridas no mês de apuração, conforme indicam os incisos I a IV do § 1º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Faz referência a orientação prevista no § 4º do art. 3º da Lei nº 10.833/03. Cita o Ato Declaratório Executivo COFIS nº 34/2010. Alega que fez a utilização dos créditos tidos por extemporâneos dentro do prazo estabelecido no art. 1º do Decreto nº 20.910/32. Faz referência ao Acórdão nº 3403002.420. Defende que não haveria necessidade de prévia retificação do DACON por parte do contribuinte. d) Serviços Utilizados como Insumos A Recorrente deseja afastar a alegação fazendária quanto a preclusão atinente a supostas glosas não contestadas. Discorre sobre os créditos relativos a: d.1) manutenção predial/veicular Quanto ao item manutenção, temse que correspondem a reparos necessários em veículos utilizados nos transportes de produção e transportes comerciais, conforme já devidamente esclarecido e descrito no item “pneus” anteriormente exposto. No mesmo sentido, a Manifestante também se utiliza de manutenções preventivas na estrutura da empresa, para conservação desta estrutura predial específica da produção. Fl. 1889DF CARF MF Processo nº 10920.723670/201564 Resolução nº 3201001.991 S3C2T1 Fl. 5 4 d.2) Cursos Mesmo entendimento se aplicam aos cursos, posto que relacionado a qualificação dos funcionários do setor da produção, que aplicam o conhecimento adquirido na execução dos trabalhos produtivos, tal como: habilitação para exercer a atividade de Operador de Empilhadeira, Operador de Caldeira, etc d.3) Despesas de importação frete/despachante Dito isso, cabe ainda à Recorrente demonstrar seu inconformismo quanto às glosas efetuadas pela Autoridade Pública no que tange às despesas oriundas de fretes de importação de matériaprima, bem como de despesas com desembaraço aduaneiro destas mercadorias do Porto até o efetivo internamento no estabelecimento da empresa. d.4) Energia elétrica e térmica Relata o Termo de Informação Fiscal a glosa parcial de créditos apurados pela Recorrente sobre despesas relacionadas à aquisição de energia elétrica, na medida em que tais valores não refletiriam a energia elétrica efetivamente consumida, mas sim valores relativos à Cosit, juros e multas. Tal entendimento não merece prosperar, na medida em que tais valores integram, de maneira indissociável, o custo de aquisição da energia elétrica, não sendo possível se cogitar da impossibilidade de apuração do crédito correspondente sobre a totalidade do valor pago na operação. A cobrança da taxa de iluminação pública, assim como a aquisição de energia elétrica por meio de demanda contratada em tensão previamente estabelecida, serve de valioso exemplo para a análise da medida em questão, uma vez que tais despesas não podem ser dissociadas da fatura corresponde à remuneração paga pela energia elétrica efetivamente consumida. d.5) demais glosas No mesmo item referente aos “Serviços utilizados como insumos”, a Autoridade Pública informa outras glosas, quais sejam, de comissões de compras/vendas, mãodeobra temporária, dentre outros. Por consequência, a sua manutenção no acórdão recorrido também se operou devido ao conceito aplicado a termo insumo. e) Crédito Presumido Agroindústria A Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. V – Da Ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal | Princípio da Verdade Material Fl. 1890DF CARF MF Processo nº 10920.723670/201564 Resolução nº 3201001.991 S3C2T1 Fl. 6 5 A Recorrente argumenta quanto a ausência de preclusão no Processo Administrativo Fiscal e sobre o princípio da verdade material. VI – Da Atualização Monetária/Incidência da SELIC A Recorrente alega que quando do ressarcimento dos créditos faz jus aos acréscimos de correção monetária e juros correspondentes, sob pena de constituir evidente enriquecimento sem causa da Administração em prejuízo ao contribuinte. É o relatório. Voto Paulo Roberto Duarte Moreira, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 3201001.981, de 24 de abril de 2019, proferido no julgamento do processo 10920.723601/201551, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevemse, como solução deste litígio, nos termos regimentais, os entendimentos que prevaleceram naquela decisão (Resolução nº 3201001.981): "O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. Em apertada síntese, a Recorrente sustenta que a fiscalização: a) glosou os créditos de PIS/COFINS sem analisar efetivamente o processo produtivo da empresa; b) aplicou o conceito restritivo de insumo para glosar créditos; c) negou a utilização de créditos extemporâneos; d) glosou indevidamente serviços utilizados como insumos; e) negou equivocadamente crédito presumido da agroindústria. De forma geral, no tocante a reversão das glosas, cabe razão a recorrente. O STJ, por meio do Recurso Especial nº 1.221.170/PR, em decisão de 22/02/2018, proferida na sistemática dos recursos repetitivos, firmou as seguintes teses em relação aos insumos para creditamento do PIS/COFINS: (a) é ilegal a disciplina de creditamento prevista nas Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, porquanto compromete a eficácia do sistema de nãocumulatividade da contribuição ao PIS e da COFINS, tal como definido nas Leis 10.637/2002 e 10.833/2003; e (b) o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a imprescindibilidade ou a importância de terminado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte. Fl. 1891DF CARF MF Processo nº 10920.723670/201564 Resolução nº 3201001.991 S3C2T1 Fl. 7 6 Assim, em vista do disposto pelo STJ no RE nº 1.221.170/PR quanto a ilegalidade das Instruções Normativas da SRF ns. 247/2002 e 404/2004, bem como da jurisprudência deste CARF, a discussão seria centrada na análise dos para verificar se atendem ou não aos requisitos da essencialidade, relevância ou imprescindibilidade conforme ensinamento do superior tribunal. Entretanto, quando do início do julgamento do processo na sessão de abril de 2019, foi suscitada dúvida na parte relativa a linha 26 crédito presumido agroindústria. Nesse ponto a Recorrente alega que a fiscalização glosou de forma equivocada as aquisições referentes à emissão fora dos períodos em análise/apuração. Seriam as notas fiscais com emissão de 2007 a 2009. De um lado, a decisão de primeira instância leva a crer que o problema estaria na retificação do demonstrativo da Dacon para ter direito ao crédito. Notese que a menção de que “os créditos presumidos de agroindústria, calculados à época, foram utilizados para desconto das próprias contribuições em seus respectivos períodos” importa na medida em que demonstra que houve a apuração e o desconto deste tipo de crédito no Dacon referente à época da emissão das notas ora glosadas. Assim, se àquela época, a interessada, como alega, não as incluiu na base de cálculo do crédito presumido demonstrado no Dacon daquele período, cabia então retificar tal demonstrativo e somente então trazer o eventual crédito remanescente para desconto no Dacon ora em análise. (efl. 3379) (...) E o Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon é o instrumento que a legislação estabelece como meio através do qual o contribuinte deve informar ao Fisco, entre outros dados, os montantes das receitas auferidas (tributada no mercado interno, não tributada no mercado interno e de exportação) e demonstrar a apuração do valor devido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não cumulativas e dos créditos que entende possuir. No que se refere à base de cálculo dos créditos, o referido demonstrativo possui fichas e linhas específicas para cada hipótese legalmente prevista de geração de crédito, que devem necessariamente refletir a real composição da base de cálculo do crédito apurado, identificando corretamente os custos e despesas que a compõem, ocorridos ao longo do respectivo período de apuração; ou seja, os custos que compõem a base de cálculo de cada tipo de crédito apurado no Dacon devem estar corretamente neste informados, conforme a sua natureza, a fim de que reste perfeitamente demonstrada a origem do crédito a que o contribuinte declara ter direito, para fins de viabilizar a oportuna e necessária análise e conferência deste pela autoridade administrativa fazendária competente para deferir ou não o pleito do contribuinte, no caso, a Delegacia da Receita Federal do Brasil Fl. 1892DF CARF MF Processo nº 10920.723670/201564 Resolução nº 3201001.991 S3C2T1 Fl. 8 7 – DRF com jurisdição no domicílio fiscal do contribuinte/pleiteante. Assim é que não se pode prescindir das informações que estão declaradas no Dacon e das formalidades de que se reveste este demonstrativo/declaração. A declaração válida à época do pedido tem que ser considerada para todos os efeitos legais, visto que os fatos ali descritos devem representar de forma inequívoca o direito da contribuinte e a sua natureza, a fim possibilitar a confirmação, pela DRF, de seu valor e forma de apuração, bem como o meio possível de utilização pelo contribuinte. Em situações como esta, em que os dados utilizados pela Receita Federal para analisar a procedência do crédito e sua utilização são extraídos de registros informatizados baseados em valores declarados pelo sujeito passivo, cabe ao próprio sujeito passivo o ônus de retificar as declarações incorretas anteriormente encaminhadas. Portanto, como o crédito e a apuração deste deve estar perfeitamente demonstrada no Dacon, havendo qualquer eventual erro de declaração é ônus do contribuinte corrigilo em tempo hábil, a fim de se assegurar que a análise de seu pleito seja realizada de fato sobre o direito creditório que acredita possuir. Por conta disso, não resta dúvidas que a análise do pedido formulado (PER/DCOMP) limitase ao escopo do que consta no Dacon. E esta é a razão pela qual, ao contrário do que entende a Recorrente, a Autoridade Administrativa pode perfeitamente negar o direito ao crédito incluído no pedido, mas informado de forma diversa ou não constante deste demonstrativo, em respeito à sua função precípua, visto que se assim não fosse, ao Fisco restaria inviabilizada a correta aferição da certeza e liquidez do crédito e o controle do real aproveitamento deste pelo contribuinte. Portanto, ao não informar nos Dacon anteriores créditos remanescentes passíveis de desconto no Dacon ora em análise, a contribuinte retirou a possibilidade de análise e reconhecimento pela DRF da procedência e legitimidade de eventual crédito existente à época. (efl. 3380) Diante disso, é que não cabe à Autoridade Administrativa julgadora assentir com o desconto de créditos de períodos anteriores, não informados no respectivo Dacon, em detrimento da natureza deste demonstrativo e, sobretudo, da competência originária da DRF para analisar e decidir sobre a existência e procedência do crédito declarado pelo contribuinte ao Fisco. Salientese que não se está aqui a negar eventual direito de crédito a que a contribuinte tenha direito em relação as notas fiscais em tela, mas apenas negando que seus valores possam integrar a base de cálculo do crédito do período ora em análise. Diante disso, não há como restabelecer a presente glosa. (efl. 3381) Fl. 1893DF CARF MF Processo nº 10920.723670/201564 Resolução nº 3201001.991 S3C2T1 Fl. 9 8 De outro lado, a Recorrente alega a possibilidade de comprovação da existência dos créditos presumidos. Ou seja, comprovandose a existência dos créditos presumidos suficientes, além daqueles já utilizados inicialmente, comprovase o correto procedimento de ressarcimento efetuado pela Recorrente, devendo os mesmos serem reconhecidos e deferidos em sua integralidade. (efl. 3462) É que não se fale em retificação da DACON, pois, quando do aproveitamento destes créditos presumidos, os mesmos são tratados como extemporâneos pela Recorrente e são devidamente lançados em DACON’s dos períodos ora analisados. Ou seja, utilizou a Recorrente os créditos presumidos de 2007 a 2009 para desconto das contribuições dos períodos de 2010 a 2013, além daqueles já anteriormente utilizados como afirmado pelo fiscal, mas, não sendo os mesmos já utilizados anteriormente. (efl. 3464) Portanto, estamos falando de créditos distintos, conforme relação de notas fiscais apresentadas na manifestação anterior. Por consequência, e a fim de justificar o equívoco fiscal, apresentou a Recorrente planilha demonstrando os saldos de cada período, inclusive com as notas fiscais que originaram o crédito de 2007 a 2009 utilizados naquele período, bem como a relação das notas fiscais de aquisição de 2007 a 2009 utilizadas nos períodos de 2010 a 2013 ora questionados. Tratase de prova produzida em sede de Manifestação de Inconformidade, mas não apreciada no acórdão recorrido. (efl. 3465) Diante das colocações de ambos os lados, a turma julgadora considerou por bem converter o julgamento em diligência para verificar se realmente sobrou crédito para ser utilizado. A conversão em diligência é para apurar nas NFs e livros de entrada o valor do crédito presumido e confrontar tais valores com os créditos utilizados no próprio período e nos períodos subsequentes. A Recorrente informa que fez o controle dos créditos presumidos no livro de entrada e que produziu prova em sede de manifestação de inconformidade que não fora apreciada. O CARF possui o reiterado entendimento de ser possível a conversão do feito em diligência, com base no artigo 29, combinado com artigo 16, §§4º e 6º, do PAF– Decreto 70.235/72, com a produção de relatório conclusivo sobre o assunto. Assim, entendo que no presente processo há dúvida razoável acerca de tais créditos, justificando a conversão do feito em diligência, não sendo prudente julgar o recurso em prejuízo da Recorrente, sem que a questão levantada seja dirimida. Diante do exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de Fl. 1894DF CARF MF Processo nº 10920.723670/201564 Resolução nº 3201001.991 S3C2T1 Fl. 10 9 comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento." Importante frisar que as situações fática e jurídica presentes no processo paradigma encontram correspondência nos autos ora em análise. Desta forma, os elementos que justificaram a conversão do julgamento em diligência no caso do paradigma também a justificam no presente caso. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu por converter o julgamento em diligência à repartição de origem, para que aprecie a documentação de comprovação da existência dos alegados créditos, bem como, caso necessário, proceda a intimação da Recorrente para no prazo de 30 (trinta) dias, renovável uma vez por igual período, a apresentar outros documentos, porventura, ainda necessários aptos a comprovar os valores pretendidos. Ao final deve a autoridade da repartição de origem informar se há ou não o direito creditório alegado pela Recorrente. Isto posto, deve ser oportunizada à Recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição fiscal, inclusive do relatório elaborado pela fiscalização, com abertura de vistas pelo prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período, para que se manifeste, para, na sequência, retornarem os autos a este colegiado para prosseguimento do julgamento (assinado digitalmente) Paulo Roberto Duarte Moreira. . Fl. 1895DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13884.720176/2010-13
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 09 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Tue Jul 09 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2006
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL.
Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17-O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios.
ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO. COMPROVAÇÃO.
No caso dos autos o contribuinte apresentou laudo técnico e outros documentos que possibilitasse a comprovação da existência da área de preservação permanente, cabendo a isenção pleiteada.
VALOR DA TERRA NUA. AVALIAÇÃO. PROVA INEFICAZ.
A avaliação de imóvel rural elaborada em desacordo com as prescrições da NBR 14653-3 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é ineficaz para afastar o valor da terra nua arbitrado com base nos dados do Sistema de Preços de Terras (SIPT).
Numero da decisão: 2401-006.552
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a área de 2.652,39 ha relativa a preservação permanente. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Matheus Soares Leite, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para considerar o VTN de R$ 3.274.007,00. Vencidos em primeira votação os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess.
(assinado digitalmente)
Miriam Denise Xavier - Presidente
(assinado digitalmente)
Rayd Santana Ferreira - Relator
(assinado digitalmente)
Cleberson Alex Friess - Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier.
Nome do relator: RAYD SANTANA FERREIRA
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ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO AMBIENTAL. Da interpretação sistemática da legislação aplicável (art. 17O da Lei nº 6.938, de 1981, art. 10, parágrafo 7º, da Lei nº 9.393, de 1996 e art. 10, Inc. I a VI e § 3° do Decreto n° 4.382, de 2002) resulta que a apresentação de ADA não é meio exclusivo à prova das áreas de preservação permanente e reserva legal, passíveis de exclusão da base de cálculo do ITR, podendo esta ser comprovada por outros meios. ITR. ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE. LAUDO TÉCNICO. COMPROVAÇÃO. No caso dos autos o contribuinte apresentou laudo técnico e outros documentos que possibilitasse a comprovação da existência da área de preservação permanente, cabendo a isenção pleiteada. VALOR DA TERRA NUA. AVALIAÇÃO. PROVA INEFICAZ. A avaliação de imóvel rural elaborada em desacordo com as prescrições da NBR 146533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é ineficaz para afastar o valor da terra nua arbitrado com base nos dados do Sistema de Preços de Terras (SIPT). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 88 4. 72 01 76 /2 01 0- 13 Fl. 376DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 3 2 Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar a preliminar. No mérito, por voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a área de 2.652,39 ha relativa a preservação permanente. Vencidos os conselheiros Rayd Santana Ferreira (relator), Matheus Soares Leite, Andréa Viana Arrais Egypto e Luciana Matos Pereira Barbosa, que davam provimento parcial em maior extensão para considerar o VTN de R$ 3.274.007,00. Vencidos em primeira votação os conselheiros José Luís Hentsch Benjamin Pinheiro, Marialva de Castro Calabrich Schlucking e Miriam Denise Xavier que negavam provimento ao recurso. Designado para redigir o voto vencedor o conselheiro Cleberson Alex Friess. (assinado digitalmente) Miriam Denise Xavier Presidente (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Relator (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Redator Designado Participaram do presente julgamento os conselheiros: Cleberson Alex Friess, Matheus Soares Leite, Jose Luis Hentsch Benjamin Pinheiro, Rayd Santana Ferreira, Marialva de Castro Calabrich Schlucking, Andrea Viana Arrais Egypto, Luciana Matos Pereira Barbosa e Miriam Denise Xavier. Relatório GRANJA ITAMBI LTDA, contribuinte, pessoa jurídica de direito privado, já qualificada nos autos do processo em referência, recorre a este Conselho da decisão da 1a Turma da DRJ em Campo Grande/MS, Acórdão nº 0427.828/2012, às efls. 400/410, que julgou procedente o lançamento fiscal, referente ao Imposto sobre a Propriedade Rural ITR, em relação ao exercício 2006, conforme Notificação de Lançamento, às fls. 02/06, e demais documentos que instruem o processo. Tratase de Notificação de Lançamento, lavrada em 18/08/2010 (AR. fl. 16), nos moldes da legislação de regência, contra a contribuinte acima identificada, constituindose crédito tributário no valor consignado na folha de rosto da autuação, decorrente do seguinte fato gerador: Fl. 377DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 4 3 Área de Preservação Permanente não comprovada Descrição dos fatos: Após regularmente intimado o sujeito passivo não comprovou a isenção da área declarada à título de preservação permanente no imóvel rural. O Documento de Informação e Apuração de ITR (DIAT) foi alterado e os seus valores encontramse no Demonstrativo de Apuração do Imposto Devido, em folha anexa. (...) Valor da Terra Nua declarado não comprovado Descrição dos Fatos: Após regularmente intimado, o sujeito passivo não comprovou o valor da terra nua declarado. Do Documento de Informação e Apuração do ITYR (DIAT), o valor da terra nua foi arbitrado, tendo como base as informações do Sistema de Preços de Terra SIPT da RFB. (...) O contribuinte, regularmente intimado, apresentou impugnação requerendo a decretação da improcedência do feito. Por sua vez, a 1ª Turma da DRJ em Campo Grande/MS entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, mantendo a integralidade do crédito tributário, conforme já relatado. Inconformado com a Decisão recorrida, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, às efls. 287/313, procurando demonstrar a total improcedência do Auto de Infração, desenvolvendo em síntese as seguintes razões. Após breve relato das fases processuais, bem como dos fatos que permeiam o lançamento, repisa às alegações da impugnação, preliminarmente pugnando pela nulidade da decisão de piso por desconsiderar prova apresentada tempestivamente pela recorrente em sede de impugnação, mais precisamente o Laudo Técnico. Alega que o direito da isenção do ITR sobre área de preservação permanente independe de Ato Declaratório Ambiental. bastando informalas em DITR nos termos do § 7° do art. l0 da Lei 9.393/96. incluído pela MP 2.l6667/01. conforme entendimento do Conselho de Contribuintes. atual CARF e do Superior Tribunal de Justiça. Afirma que no imóvel existe 2,652.39 hectares do área de preservação permanente, conforme atestam o laudo técnico emitido por profissional habilitado e os Atos Declaratórios Ambientais dos Exercicios 2002 e 2010. em anexo. Contesta o valor da terra nua arbitrado e apresenta laudo técnico de avaliação do imóvel emitido por profissional habilitado e elaborado de acordo com o disposto na NBR 14.6533, no qual se apurou o valor da terra nua do imóvel para o exercicio 2006 em R$ 3.274.007,00. Fl. 378DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 5 4 Por fim, requer o conhecimento e provimento do seu recurso, para desconsiderar a Notificação de Lançamento, tornandoo sem efeito e, no mérito, a sua absoluta improcedência. Não houve apresentação de contrarrazões. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Rayd Santana Ferreira Relator Presente o pressuposto de admissibilidade, por ser tempestivo, conheço do recurso e passo ao exame das alegações recursais. PRELIMINAR DE NULIDADE DA DECISÃO DE 1° INSTÂNCIA Suscita preliminarmente a nulidade da decisão de primeira instância por desconsiderar o Laudo Técnico apresentado. Ao analisarmos a decisão de piso, para a autoridade julgadora, em relação a APP, a não apresentação tempestiva do ADA é bastante para manutenção do lançamento, sendo desnecessária a analise do Laudo. Já no que diz respeito ao VTN, a DRJ foi bastante clara ao tratar do documento apresentado para comprovação do valor, senão vejamos: [...] A eficácia do laudo técnico de avaliação depende da demonstração de que atingiu o grau de fundamentação ll, seguindo a metodologia prevista pela ABNT. posto que visa a contraporse a um levantamento previamente efetuado de forma idônea. Adquire relevância também o grau de precisão atingido pela avaliação. pois tal grau mede a probabilidade da avaliação efetuada não se afastar significativamente do real valor perseguido, de onde sc conclui que o laudo com menor grau de precisão terá também menor força probatoria. O laudo técnico de avaliação apresentado pelo sujeito passivo, f. 73226, está em desacordo com a norma acima referida. A amostra foi constituida por ofertas de imóveis rurais e por opinioes e esses dados não representam transações imobiliárias efetivas. Além disso, os dados de mercado coletados referemse ao ano de 2010. período não abrangido pelo lançamento. sendo que a adoção de Índice de deflação calculado com base na Tabela de Preços de Terras do instituto de Economia Agricola/SP não supre a exigência de que as amostras devem se referir a transações contemporâneas a data do fato gerador do ITR. Fl. 379DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 6 5 No sopesamento das provas. o laudo tecnico com grau de fundamentação menor do que II dispõe de menor poder de convencimento para a autoridade julgadora. de modo que pende a balança pela manutenção do critério legal, qual seja, os preços previamente catalogados pela Receita Federal. Ao observar a transcrição acima, não merece prosperar o argumento do contribuinte, pois resta claro que a DRJ manifestou o seu entendimento a respeito. Feitas estas considerações, é patente que não se configurou a ocorrência do propalado cerceamento ao direito de defesa. MÉRITO DA ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE No procedimento de análise e verificação da documentação apresentada e das informações constantes da DITR/2006, a fiscalização resolveu glosar integralmente a área de preservação permanente declarada de 2.735,1 ha, além de arbitrar o Valor da Terra Nua (VTN), disto resultando o imposto suplementar apurado na folha de rosto da Notificação. Em outro viés, a contribuinte afirma que deve ser considerada a área de preservação permanente devidamente comprovada mediante Laudo Técnico. Como se observa, resumidamente, o cerne da questão posta nos autos é a discussão a propósito da exigência de apresentação do Ato Declaratório Ambiental ADA dentro do prazo legal, quanto à área de preservação permanente, para fins de não incidência do Imposto Territorial Rural ITR. Consoante se infere dos autos, concluise que a pretensão da Contribuinte merece acolhimento, por espelhar a melhor interpretação a respeito do tema, de acordo a farta e mansa jurisprudência administrativa. Do exame dos elementos que instruem o processo, constatase que o Acórdão recorrido merece reforma, como passaremos a demonstrar. Antes mesmo de se adentrar ao mérito, cumpre trazer à baila a legislação tributária específica que regulamenta a matéria, mais precisamente artigo 10, § 1º, inciso II, e parágrafo 7º, da Lei nº 9.393/1996, na redação dada pelo artigo 3º da Medida Provisória nº 2.166/2001, nos seguintes termos: Art. 10. A apuração e o pagamento do ITR serão efetuados pelo contribuinte, independentemente de prévio procedimento da administração tributária, nos prazos e condições estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, sujeitandose a homologação posterior. § 1º Para os efeitos de apuração do ITR, considerarseá: I VTN, o valor do imóvel, excluídos os valores relativos a: a) construções, instalações e benfeitorias; b) culturas permanentes e temporárias; c) pastagens cultivadas e melhoradas; Fl. 380DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 7 6 d) florestas plantadas; II área tributável, a área total do imóvel, menos as áreas: a) de preservação permanente e de reserva legal, previstas na Lei nº 4.771, de 15 de setembro de 1965, com a redação dada pela Lei nº 7.803, de 18 de julho de 1989; b) de interesse ecológico para a proteção dos ecossistemas, assim declaradas mediante ato do órgão competente, federal ou estadual, e que ampliem as restrições de uso previstas na alínea anterior; [...] § 7o A declaração para fim de isenção do ITR relativa às áreas de que tratam as alíneas "a" e "d" do inciso II, § 1o, deste artigo, não está sujeita à prévia comprovação por parte do declarante, ficando o mesmo responsável pelo pagamento do imposto correspondente, com juros e multa previstos nesta Lei, caso fique comprovado que a sua declaração não é verdadeira, sem prejuízo de outras sanções aplicáveis. (Incluído pela Medida Provisória nº 2.16667, de 2001) (grifamos) Conforme se extrai dos dispositivos legais encimados, a questão remonta a um só ponto, qual seja: a exigência de requerimento tempestivo do Ato Declaratório Ambiental junto ao IBAMA, não é, em si, exclusiva condição eleita pela Lei para que o proprietário rural goze do direito de isenção do ITR relativo às glebas de terra destinadas à preservação permanente e reserva legal/utilização limitada. Somente a título elucidativo, não sendo a requisição atempada do ADA, anteriormente ao exercício 2000, condição legal para obtenção do beneficio isentivo que ora cuidamos, e na linha do que fora exposto no julgado recorrido, nos parece coerente reconhecer que a ausência de tais elementos apenas confere a auditoria fiscal à possibilidade de presumir a inexistência da parcela de proteção ambiental e assim considerála como sendo área passível de aproveitamento, e, portanto, tributável. Contudo, ainda que a legislação exigisse a comprovação por parte do contribuinte, ad argumentandum tantum, o reconhecimento da inexistência das áreas de reserva legal e preservação permanente decorrente de um raciocínio presuntivo, não torna essa condição absoluta, sendo perfeitamente possível que outros elementos probatórios demonstrem a efetiva destinação de gleba de terra para fins de proteção ambiental. Em outras palavras, a mera inscrição em Cartório ou ainda o requerimento do ADA, não se perfazem nos únicos meios de se comprovar a existência ou não de reserva legal. Assim, realizado o lançamento de ITR decorrente da glosa das áreas de reserva legal (utilização limitada) e preservação permanente, a partir de um enfoque meramente formal, ou seja, pela não apresentação do ADA (como defendeu a DRJ), e demonstrada, por outros meios de prova, a existência da destinação de área para fins de proteção ambiental, deverá ser restabelecida a declaração do contribuinte, e lhe ser assegurado o direito de excluir do cálculo do ITR à parte da sua propriedade rural correspondente à reserva legal. Fl. 381DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 8 7 Aliás, a jurisprudência Judicial que se ocupou do tema, notadamente após a edição da Lei n° 10.165/2000, corrobora o entendimento encimado, ressaltando, inclusive, que a MP n° 2.166/2001, por ser posterior ao primeiro Diploma Legal, o revogou, fazendo prevalecer, assim, a verdade material. Ou seja, ainda que não apresentado e/ou requerido o ADA no prazo legal ou procedida a averbação tempestiva, conquanto que o contribuinte comprove a existência das áreas declaradas como de preservação permanente e/ou reserva legal, mediante documentação hábil e idônea, quando intimado para tanto ou mesmo autuado, devese admitilas para fins de apuração do ITR, consoante se extrai dos julgados assim ementados: TRIBUTÁRIO. MANDADO DE SEGURANÇA. IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL ITR. LEI N. 9.393/96 E CÓDIGO FLORESTAL (LEI N. 4.771/65). ÁREA DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE E RESERVA LEGAL. DESNECESSIDADE DE ATO DECLARATÓRIO DO IBAMA. MP. 2.16667/2001. APLICAÇÃO DO ART. 106 DO CTN. 1. "Ilegítima a exigência prevista na Instrução Normativa SRF 73/2000 quanto à apresentação de Ato Declaratório Ambiental ADA comprovando as áreas de preservação permanente e reserva legal na área total como condição para dedução da base de cálculo do Imposto Territorial Rural ITR, tendo em vista que a previsão legal não a exige para todas as áreas em questão, mas, tãosomente, para aquelas relacionadas no art. 3º, do Código Florestal" (AMS 2005.35.000112067/GO, Rel. Desembargadora Federal Maria do Carmo Cardoso, DJ de 10.05.2007). 2. A Lei n. 10.165/00 inseriu o art. 17O na Lei n. 6.938/81, exigindo para fins de exclusão das áreas de preservação permanente e de reserva legal da área tributável a apresentação do Ato Declaratório Ambiental (ADA). 3. Consoante a jurisprudência do STJ, a MP 2.16667/2001, que dispôs sobre a exclusão do ITR incidente sobre as áreas de preservação permanente e de reserva legal, consoante o § 7º do art. 10 da Lei 9.393/96, veicula regra mais benéfica ao contribuinte, devendo retroagir, a teor disposto nos incisos do art. 106 do CTN, porquanto referido diploma autoriza a retro operância da lex mitior, dispensando a apresentação prévia do Ato Declaratório Ambiental no termos do art. 17O da Lei n. 6.938/81, com a redação dada pela Lei n. 10.165/00. 4. Apelação provida.” (8ª Turma do TRF da 1ª Região AMS 2005.36.00.0087250/MT eDJF1 p.334 de 20/11/2009) “EMBARGOS À EXECUÇÃO FISCAL. IMPOSTO TERRITORIAL RURAL ITR. ÁREAS DE RESERVA LEGAL. APRESENTAÇÃO ADA. AVERBAÇÃO MATRÍCULA. DESNECESSIDADE. ÁREAS DE PASTAGENS. DIAT DOCUMENTO DE INFORMAÇÃO E APURAÇÃO. DEMOSTRAÇÃO DE EQUÍVICO. ÔNUS DO FISCO. 1. Não se faz mais necessária a apresentação do ADA para a configuração de áreas de reserva legal e consequente exclusão do ITR incidente sobre tais áreas, a teor do § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393/96 (redação da MP 2.16667/01). Tal regra, por ter Fl. 382DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 9 8 cunho interpretativo (art. 106, I, CTN), retroage para beneficiar os contribuintes. 2. A isenção decorrente do reconhecimento da área não tributável pelo ITR não fica condicionada à averbação, a qual possui tão somente o condão de declarar uma situação jurídica já existente, não possuindo caráter constitutivo. 3. A falta de averbação da área de reserva legal na matrícula do imóvel, ou a averbação feita alguns meses após a data de ocorrência do fato gerador, não é, por si só, fato impeditivo ao aproveitamento da isenção de tal área na apuração do valor do ITR, ante a proteção legal estabelecida pelo art. 16 da Lei nº 4.771/65. 4. Cabe ao Fisco demonstrar que houve equívoco no DIAT Documento de Informação e Apuração do ITR, passível de fundamentar o lançamento do débito de ofício, de conformidade com o art. 14, caput, da Lei nº 9.393/96, o que não restou evidenciado na hipótese dos autos. 5. Apelação e remessa oficial desprovidas. (2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2008.70.00.0062742/PR 28 de junho de 2011) Como se observa, em face da legislação posterior (MP n° 2.166/2001) mais benéfica, dispensando o contribuinte de comprovação prévia das áreas declaradas em sua DITR, não se pode exigir a apresentação e/ou requisição do ADA ou mesmo a averbação tempestiva à margem da matrícula do imóvel para fins do benefício fiscal em epígrafe, mormente em homenagem ao princípio da retroatividade benigna da referida norma, em detrimento a alteração introduzida anteriormente pela Lei n° 10.165/2000. Pois bem. De acordo com a explanação encimada, destaco que, no tocante às Áreas de Preservação Permanente e de Reserva Legal, o Poder Judiciário consolidou o entendimento no sentido de que, em relação aos fatos geradores anteriores à Lei n° 12.651/12, é desnecessária a apresentação do ADA para fins de exclusão do cálculo do ITR, sobretudo em razão do previsto no § 7º do art. 10 da Lei nº 9.393, de 1996. Inclusive, observase que a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), elaborou o Parecer PGFN/CRJ nº 1.329/2016, reconhecendo o entendimento consolidado no âmbito do Superior Tribunal de Justiça sobre a inexigibilidade do ADA, nos casos de área de preservação permanente e de reserva legal, para fins de fruição do direito à isenção do ITR. Mais a mais, com arrimo no princípio da verdade material, o formalismo não deve sobrepor à verdade real, notadamente quando a lei disciplinadora da isenção assim não estabelece. É preciso deixar registrado que neste processo a lide diz respeito exclusivamente à glosa da área de preservação permanente de 2.735,1 ha. Pois bem, o contribuinte traz aos autos Laudo Técnico, fls. , firmado por Engenheiro Agrônomo, devidamente acompanhado de ART, o qual conclui pela existência de uma área de preservação permanente de 2.652,39 ha, rechaçando parte da glosa da APP. Não podemos deixar de dizer que, apesar do Laudo ser de 15 de setembro de 2010, a meu ver, comprova a existência da área de preservação permanente no imóvel. Como o Fl. 383DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 10 9 próprio nome já diz, a referida área é de PERMANENTE PRESERVAÇÃO, não sendo possível sua exploração e/ou atividade nos limites desse bioma, ou seja, ela "sempre" irá existir. Ademais, a contribuinte anexa a demanda o Ato Declaratório Ambiental ADA para o exercício 2010, o qual comprova a existência da referida área. Não sendo o bastante, o referido imóvel já fora objeto de Notificação, exercício 1998, tendo sido reconhecido por este Tribunal o direito a isenção sobre a área de preservação permanente comprovada mediante Laudo Técnico apresentado, conforme observa se do Acórdão n° 30333.445, de 16 de agosto de 2005, assim ementado: ITR — ÁREAS DE PRESERVAÇÃO PERMANENTE A teor do artigo 10°, §7° da Lei n.° 9.393/96, modificado pela Medida Provisória 2.16667/2001, basta a simples declaração do contribuinte para fins de isenção do ITR, respondendo o mesmo pelo pagamento do imposto e consectários legais em caso de falsidade. Nos termos do artigo 10, inciso II, alínea "a", da Lei n° 9.393/96, não são tributáveis as áreas de preservação permanente. LAUDO TÉCNICO DE AVALIAÇÃO — Firmado por profissional habilitado, acompanhado de ART e apresentado pelo contribuinte para fins de comprovação de área de preservação permanente e adequação do lançamento, merece acolhida. MULTA DE OFICIO — INFORMAÇÕES INEXATAS, INCORRETAS —Devida, nos exatos termos do artigo 14, §2°, da Lei n°. 9.393/96, c/c artigo 44, inciso I, da Lei n°. 9.430/96. JUROS DE MORA — Devidos por significarem, tão somente, remuneração do capital. Recurso parcialmente provido. Neste diapasão, estando comprovado pelo Laudo Técnico a existência de 2.652,39 ha relativa a área de preservação permanente, , impõese reconhecer a isenção pleiteada sobre essa fração. DO VALOR DA TERRA NUA VTN A autoridade fiscal considerou ter havido subavaliação no cálculo do VTN declarado para o ITR/2006, arbitrandoo em R$ 13.197.784,46, instituído em consonância com o art. 14 da Lei 9.393/1996, observadas a Portaria SRF nº 447/2002 e a NE/ Cofis nº 02/2010, aplicável às atividades de malha fiscal desse exercício. Por sua vez a recorrente contesta o valor da terra nua arbitrado e apresenta laudo técnico de avaliação do imóvel emitido por profissional habilitado e elaborado de acordo com o disposto na NBR 14.6533, no qual se apurou o valor da terra nua do imóvel para o exercicio 2006 em R$ 3.274.007,00. Pois bem, da análise do laudo técnico de avaliação, efls., penso que o mesmo fornece elementos que devem ser considerados para a finalidade a que se propõe, pois Fl. 384DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 11 10 individualiza as áreas do imóvel, quantificandoas e classificandoas, bem como demonstrando as benfeitorias existentes no imóvel, além de fazer referência, também, ao processo avaliatório empregado métodos e critérios utilizados e nível de precisão, tendo apurado para o imóvel um VTN de R$ 3.274.007,00. Portanto, o documento de prova além de ter sido emitido por profissional habilitado (Engº Agrônomo), devidamente acompanhado de ART’s, anotadas no CREA, atende aos principais requisitos da norma da ABNT, a NBR 14.6533 e NBR 14.6531, em vigência desde 30/06/2004, indicando o método e apresentando os tratamentos estatísticos pertinentes. Observase que o Laudo acostado aos autos toma um espaço amostral de 22 (vinte e dois) elementos, composto por 15 (quinze) ofertas de imóveis rurais, 6 (seis) opiniões dirigidas de profissionais ligados ao setor imobiliário rural e local e 1 (uma) transação efetiva, conforme detalhadamente identificado, o que, por si só, já rechaça o "subjetivismo" da tabela SIPT. Outra questão digna de ponderação é que, se adotada a premissa tomada pelo acórdão de que somente fidedigno seria o estudo pautado em transações imobiliárias efetivas, verseia simplesmente inviável a elaboração de laudo de avaliação, caso estas compras e vendas não ocorressem para serem tomadas como amostra. Quanto a contemporaneidade do Laudo para avaliação, vale destacar que a utilização de correção monetária (tanto aplicação futura como retroativa) encontra guarida na Norma da ABNT, especificamente em seu Anexo B, no item B.1.2.b). No caso em tela, foram utilizados os próprios e oficiais “Índices de Atualização de Valores de Imóveis" elaborados pelo Instituto de Economia Agrícola IEA, órgão este do Governo do Estado de São Paulo. Frisese que o julgamento constitui uma atividade essencialmente de convencimento (art. 29 do Decreto 70.235, de 1972) e considerandose o detalhamento do laudo apresentado, face o "subjetivismo" do valor constante da tabela SIPT, é possível o convencimento de que o mesmo representa, efetivamente, o valor da terra nua do imóvel em questão. Assim, entendo que o Laudo Técnico de Avaliação apresentado demonstra, de maneira convincente, o valor fundiário do imóvel, a preços de 01/01/2006. Portanto, deve ser reconhecido o VTN equivalente a R$ 3.274.007,00., referente ao exercício 2006. Por todo o exposto, estando a Notificação de Lançamento em consonância parcial com os dispositivos legais que regulam a matéria, VOTO NO SENTIDO CONHECER DO RECURSO VOLUNTÁRIO para afastar a preliminar pleiteada e, no mérito, DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a área de 2.652,39 ha relativa a preservação permanente e considerar o VTN de R$ 3.274.007,00, ambos comprovados por meio do Laudo, pelas razões de fato e de direito acima esposadas. É como voto. (assinado digitalmente) Rayd Santana Ferreira Fl. 385DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 12 11 Voto Vencedor Conselheiro Cleberson Alex Friess Redator Designado Peço licença ao I. Relator para divergir do seu voto que aceitou o laudo técnico apresentado pela recorrente, de fls. 79/234, para fins de estimativa do Valor da Terra Nua (VTN). O autuado utilizou na declaração do exercício de 2006 o valor médio de VTN, por hectare, de R$ 283,04 (fls. 07/10), ao passo que o valor verificado para o imóvel no município de Monteiro Lobato, com base no Sistema de Preços de Terras (SIPT), por aptidão agrícola, correspondeu a R$ 2.517,22, considerando, dentre os disponíveis no banco de dados, o menor VTN médio, não deixando margem de dúvida quanto à provável subavaliação do preço da terra (fls. 14). A utilização dos dados relativos ao SIPT para o lançamento de ofício tem previsão legal, no art. 14 da Lei nº 9.393, de 19 de dezembro de 1996, constando do processo administrativo os valores divulgados. Notese que o SIPT, aprovado pela Portaria SRF nº 447, de 28 de março de 2002, é alimentado com os valores de terras e demais dados recebidos das Secretarias de Agricultura ou entidades correlatas, e com os valores de terra nua da base de declarações do Imposto Territorial Rural (ITR), não se constituindo em parâmetro alheio à realidade da região em que localizado o imóvel. Uma vez constatada a potencial subavaliação do VTN utilizado pelo contribuinte, como acima esclarecido, cabe ao sujeito passivo a apresentação de laudo de avaliação do imóvel nos termos da NBR 14.6533 da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT), que trata das regras de avaliação de bens imóveis rurais, preferencialmente com fundamentação e grau de precisão II, acompanhado da respectiva anotação de responsabilidade técnica (ART) registrada no CREA, com vistas a contrapor o valor obtido no SIPT. O acórdão de primeira instância, ora recorrido, considerou imprestável o laudo técnico apresentado pela autuada, sob a justificativa, em síntese: (i) não utilização de transações imobiliárias efetivas; (ii) o laudo técnico não possui grau de fundamentação II; e (iii) os dados de mercado coletados referemse ao ano de 2010, posterior ao exercício fiscal e, portanto, não abrangido pelo lançamento. Pois bem. O laudo de avaliação reuniu uma amostra de 22 (vinte e dois) elementos para fundamentar o comportamento do mercado da região onde o imóvel está inserido e possibilitar a estimativa do valor da terra nua. Para tal pesquisa utilizouse de dados de ofertas de imóveis rurais e de opiniões de profissionais ligados ao setor imobiliário rural, contendo informações de apenas uma negociação efetiva. Fl. 386DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 13 12 Corretamente expõe a petição recursal que não há empecilho para a aceitação de ofertas e opiniões dirigidas à pesquisa da estimativa do valor de mercado da terra, inclusive há expressa previsão na NBR 14.6533, embora a preferência, naturalmente, diga respeito a dados de transações efetivas (itens 7.4.3.3 e 7.4.3.8, por exemplo). No entanto, a NBR 14.6533 diz categoricamente que são obrigatórios em qualquer grau de fundamentação, no mínimo, 3 (três) dados de mercado, efetivamente utilizados. A normativa avança um pouco mais, pois são obrigatórios nos graus de fundamentação II e III, pelo menos, 5 (cinco) dados de mercado também efetivamente utilizados (itens 9.2.3.3 e 9.2.3.5). O laudo de avaliação apresentado pela recorrente descumpre as prescrições da norma de avaliação da ABNT, o que compromete a qualidade da amostra e a força comprovadora como laudo técnico. Cumpre ressaltar, desde já, que não se trata de defender a premissa de que somente fidedigno é o estudo pautado em transações imobiliárias efetivas, mas sim que o trabalho do avaliador deve observar os requisitos mínimos de sua elaboração para valerse de sua força probatória plena. No caso de insuficiência de informações que permitam a utilização adequada do método comparativo direto de dados de mercado, o trabalho realizado não será classificado quanto à fundamentação e à precisão, mas pode ser considerado um parecer técnico (item 9.1.2, da NBR 14.6533). Em outros dizeres, a despeito do laudo pautarse de forma majoritária em ofertas, e não em transações imobiliárias efetivas, respeitado o número mínimo exigido, não há porque, de imediato, desprezálo, cabendo a análise como um todo. É possível manter o seu propósito de instrumento destinado a provar o valor de mercado da terra nua, embora com menor poder de convencimento para o julgador administrativo. A recorrente afirma que, dadas as particularidades do terreno, foi infrutífera a busca por uma efetiva transação de imóvel similar. O levantamento de dados e a escolha do conjunto de amostras do mercado constituem a base do processo avaliatório, cuja deficiência é combustível para contaminar as etapas seguintes. A área total do imóvel avaliando, objeto de lançamento fiscal, é de aproximadamente 2.150 alqueires, com porcentual de mata nativa em torno de 50%. Por seu turno, quase a totalidade dos dados de oferta coletados dizem respeito a imóveis rurais com dimensões reduzidas, que não chegam a 10% dessa área, cujo percentual de vegetação nativa está compreendido entre 20 e 30% da sua área total (fls. 157/158, 186/205 e 210/212). A homogeneização entre os dados de mercado é técnica empregada para obtenção de uma equivalência entre os imóveis semelhantes, em especial o tratamento das características físicas dos terrenos pesquisados em comparação com o terreno avaliando. Fl. 387DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 14 13 De acordo com a NBR 14.6533, dados de mercado com atributos semelhantes são aqueles em que cada um dos fatores de homogeneização, calculados em relação ao imóvel avaliando, estejam contidos entre 0,50 e 1,50. Ademais disso, as características quantitativas do imóvel avaliando não devem ultrapassar 50% dos limites observados na amostra (Anexo B). Aparentemente, tendo em conta a pesquisa de mercado realizada, a minha percepção é que os dados amostrais não respeitam, em sua totalidade, tais parâmetros para aplicação de fatores de homogeneização. De mais a mais, o documento considerou exclusivamente a área e o percentual de mata como variáveis independentes, aplicandolhes somente a elas tratamento científico, entendendo o engenheiro de avaliações dispensável, por exemplo, o ajuste no tocante às benfeitorias, equipamentos e recursos naturais, porque seriam compatíveis com os elementos do imóvel Granja Itambi Ltda. Tratase, contudo, de metodologia em que a avaliação das terras é feita em conjunto com benfeitorias, cujo valor da terra nua, portanto, é obtido, ao final, como resultado da subtração do valor total estimado do imóvel e das benfeitorias diversas e culturas declaradas pelo contribuinte. Nesse cenário, para a perfeita compreensão do tratamento de dados é fundamental a justificativa detalhada, o que não foi feito, sobre a razão pela qual é desnecessário considerar as benfeitorias como variáveis independentes no modelo (item 10.5, da NBR 14.6533). Em que pese as ressalvas, a recorrente assegura que eventuais desvios do valor do mercado dos dados não atrapalham à análise realizada, na medida em que as discrepâncias podem implicar tão só um montante da terra nua mais elevado do que o real, ou seja, maior base de cálculo para incidência do imposto, não havendo prejuízo ao Fisco. Tais problemas, entretanto, acabam prejudicando o grau de precisão da estimativa do valor da terra nua, o que, mais uma vez, leva a desacreditar o trabalho como um laudo de avaliação de acordo com a NBR 14.6533. Finalmente, e demais relevante, a avaliação utilizou de dados de mercado coletados no ano de 2010, quando a data da fato gerador é 01/01/2006. O laudo está datado de 15/09/2010. Quanto à contemporaneidade, a NBR 14.6533 é suficientemente clara no sentido de que os dados de mercado devem ser coletados, preferencialmente, em período no qual não é identificada uma variação significativa dos valores do imóvel no mercado imobiliário da região, pois, caso contrário, poderá haver o comprometimento do uso do método comparativo (item 3.2). Segundo a metodologia adotada pelo engenheiro, o valor do imóvel Granja Itambi Ltda, em 2010, foi estimado em R$ 12.410,374,00. Para efeitos de encontrar o valor mais próximo daquele verificado na data base do exercício de 2006, o laudo técnico utilizou índices de deflação baseados nos preços de terras publicados pelo Instituto de Economia Agrícola (IEA) do Estado de São Paulo, chegando ao montante de R$ 5.774.007,00 (fls. 88/90). Fl. 388DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 15 14 A diferença do preço de mercado em 4 (quatro) anos equivale a aproximadamente 115%, portanto, uma variação expressiva do valor da terra no mercado imobiliário, em curto espaço de tempo. É intuitiva, para não dizer óbvia, a diferença de cenário do mercado imobiliário dos anos de 2006 e 2010, em que a significativa valorização do imóvel rural pode estar associada a um ou mais aspectos qualitativos e/ou quantitativos dos imóveis, em diferentes níveis, tais como dimensão do imóvel, aproveitamento e/ou capacidade de uso das terras e tipos de benfeitorias existentes. Faltalhe mais transparência, pois o laudo de avaliação não esclarece os motivos da escolha da retroação para fins de cálculo pelos índices dos preços de terras de pastagem. Ao que tudo indica, o parâmetro adotado para avaliação do valor da terra nua no início do ano de 2006 acabou desprezando que 50% da área do imóvel rural, equivalente a um total de 2.652,39 ha, é composta de florestas nativas e de áreas de preservação permanente. Com efeito, não se localizou a mínima evidência nos autos, haja vista as características das terras, que a elevação de preço do imóvel Granja Itambi Ltda, no lapso temporal de quatro anos, alcançou de modo uniforme o patamar de 115%. No caso em apreço, o interessado não demonstrou a credibilidade de se adotar a correção para o passado do preço do imóvel pelo índice das terras de pastagens, o que fortalece a ideia de que o documento produzido, no seu conjunto, não é revestido de rigor suficiente para se sobrepor ao arbitramento fiscal. A minha convicção é que o valor da terra nua, no ano de 2006, continua subavaliado pelo sujeito passivo. Não é possível a aceitação parcial do laudo para o fim de estimativa do valor da terra nua. Aceitase integralmente, reconhecendo a sua consistência, ou rejeitase o documento. Sobre o laudo, argumenta a recorrente que desconhece um banco de dados confiável referente a períodos passados, de maneira a avaliar retroativamente o imóvel rural, principalmente as transações. A declaração do sujeito passivo está apoiada tão somente em discurso, desprovida de elementos hábeis e idôneos para comprovar os fatos apontados. Em princípio, assim como logrou êxito na coleta de dados de ofertas de imóveis e de opiniões de profissionais ligados ao setor imobiliário rural relacionados ao ano de 2010, em número expressivo, malgrado a escassez de transações efetivas, o avaliador poderia empreender esforços para obter uma amostra representativa do mercado de imóveis contemporânea à data do fato gerador do imposto em 2006, por sinal, não tão distante no tempo. Outrossim, é imprescindível para a consistência do resultado do valor da terra nua proceder à coleta de dados de terrenos com características parecidas num mercado imobiliário em condições de semelhança ao imóvel sob avaliação, considerando tempo e espaço. Fl. 389DF CARF MF Processo nº 13884.720176/201013 Acórdão n.º 2401006.552 S2C4T1 Fl. 16 15 Tenho para mim que a ausência de dados de mercado referente ao ano de 2006, no contexto dos fatos, representa uma falha grave que afeta a confiança na avaliação do valor da terra da nua realizada pelos profissionais contratados pela requerente, o que converte o documento estimativo, definitivamente, em prova ineficaz, sendo que a utilização de índice de deflação calculado com base na tabela de preços de pastagens não é de molde a suprir a exigência de pesquisa a partir de levantamento de dados relacionados a eventos contemporâneos à data do fato gerador do imposto exigido no lançamento. Dessa feita, o sujeito passivo não se desincumbiu satisfatoriamente da prova do valor da terra nua da propriedade em questão, deixando de estabelecer que o valor apresentado é, indubitavelmente, o mais adequado para refletir o preço de mercado das terras em 01/01/2006, cabendo manter a avaliação fiscal realizada com base no art. 14 da Lei nº 9.393, de 1996. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de dar provimento em menor extensão ao recurso voluntário, para apenas reconhecer 2.652,39 ha a título de área de preservação permanente. (assinado digitalmente) Cleberson Alex Friess Fl. 390DF CARF MF
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Numero do processo: 10218.720053/2010-39
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed May 15 00:00:00 UTC 2019
Data da publicação: Thu Jul 04 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CUSTOS. BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. MOVIMENTAÇÃO. PRODUTO ACABADO. ALTO FORNO E DESCARGA DE CARVÃO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE.
Por força do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF, c/c a decisão do STJ, no REsp nº 1.221.170/PR, sob o regime dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 - Código de Processo Civil - os custos/despesas incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, relativos à movimentação do produto acabado, bem como os relativos ao alto forno e para descarga de carvão, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral.
Numero da decisão: 9303-008.582
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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BARRO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Os custos com barro constituem insumos do processo produtivo (siderurgia) do contribuinte e geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. DESPESAS. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. MOVIMENTAÇÃO. PRODUTO ACABADO. ALTO FORNO E DESCARGA DE CARVÃO. CRÉDITOS. APROVEITAMENTO. POSSIBILIDADE. Por força do disposto no § 2º do art. 62 do RICARF, c/c a decisão do STJ, no REsp nº 1.221.170/PR, sob o regime dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil os custos/despesas incorridos com serviços prestados por pessoa jurídica, mediante nota fiscal de prestação de serviços, relativos à movimentação do produto acabado, bem como os relativos ao alto forno e para descarga de carvão, geram créditos passíveis de desconto do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal e/ ou de ressarcimento/compensação do saldo credor trimestral. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 21 8. 72 00 53 /2 01 0- 39 Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10218.720053/201039 Acórdão n.º 9303008.582 CSRFT3 Fl. 327 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello. Relatório Tratase de recurso especial interposto tempestivamente pala Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 3403001.348, de 24/01/2012, proferido pela Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção de Julgamento deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O Colegiado da Câmara Baixa, por unanimidade de votos, deu provimento parcial ao recurso voluntário do contribuinte, nos termos da seguinte ementa: "Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social –COFINS (de fato: PIS) Período de Apuração: 4º trimestre de 2005 Ementa: COFINS/PIS/PASEP. DIREITO DE CRÉDITO. AQUISIÇÕES. REGIME NÃO CUMULATIVO. O direito ao credito de PIS e COFINS sobre aquisições não se limita tão só aos insumos e partes que se desgastam em contato com o produto final, mas também dos componentes desgastados ou destruídos pela ação direta no processo produtivo, serviços, insumos, sem os quais inviabilizaria o produto final." Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial, suscitando divergência, quanto ao direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre os custos/despesas com: 1) aquisições de barro; e 2) prestações de serviços relativas às notas fiscais de movimentação de gusa, serviços de ajudante de alto forno e descarga de carvão. Segundo seu entendimento, tais custos/despesas não constituem insumos do processo de produção/fabricação dos produtos vendidos pelo contribuinte, nos termos do inciso II do art. 3º da Lei nº 10.637/2002 e, consequentemente, não geram créditos passíveis de dedução do valor da contribuição calculada sobre o faturamento mensal. Assim, a glosa dos créditos aproveitados indevidamente pelo contribuinte, efetuada pela Fiscalização e revertida no acórdão recorrido, deve ser mantidas. Por meio do Despacho de Admissibilidade às fls. 306e/307e, o Presidente da Quarta Câmara da Terceira Seção admitiu o recurso especial da Fazenda Nacional. Notificado do acórdão recorrido, do recurso especial da Fazenda Nacional e do despacho da sua admissibilidade, o contribuinte apresentou, a destempo, suas contrarrazões. Em síntese é o relatório. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10218.720053/201039 Acórdão n.º 9303008.582 CSRFT3 Fl. 328 3 Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator. O recurso especial da Fazenda Nacional atende ao pressuposto de admissibilidade e deve ser conhecido. A matéria em discussão, nesta fase recursal, abrange o direito de o contribuinte aproveitar créditos da Cofins não cumulativa sobre os custos/despesas incorridos com: 1) aquisições de barro; e 2) prestações de serviços relativas às notas fiscais de movimentação de gusa, serviços de ajudante de alto forno e descarga de carvão. A Lei nº 10.637/2002 que instituiu o regime não cumulativo para o PIS, , assim dispunha, quanto aos insumos e ao aproveitamento de créditos, no período dos fatos geradores dos créditos, objeto do ressarcimento/compensação em discussão: "Art. 3º Do valor apurado na forma do art. 2º a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...). II – bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de produtos destinados à venda ou na prestação de serviços, inclusive combustíveis e lubrificantes; (...). IV – aluguéis de prédios, máquinas e equipamentos, pagos a pessoa jurídica, utilizados nas atividades da empresa; (...). VI máquinas e equipamentos adquiridos para utilização na fabricação de produtos destinados à venda, bem como a outros bens incorporados ao ativo imobilizado; (...)" § 1º O crédito será determinado mediante a aplicação da alíquota prevista no caput do art. 2odesta Lei sobre o valor: (...). II dos itens mencionados nos incisos IV, V e IX do caput, incorridos no mês; III dos encargos de depreciação e amortização dos bens mencionados nos incisos VI e VII do caput, incorridos no mês; (...)." O contribuinte é uma empresa siderúrgica que tem como objeto econômico, dentre outros, a produção, comercialização e transporte de ferro gusa, de aço, ligas metálicas e Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10218.720053/201039 Acórdão n.º 9303008.582 CSRFT3 Fl. 329 4 peças fundidas de ferro, de aço e ligas metálicas, produção, comercialização, transporte e mineração de calcário; produção, comercialização, transporte de sinter de minérios em geral. Os custos com aquisições de barro constituem insumos do processo de produção de ferro gusa e aço. Tratase de insumo imprescindível à produção destes produtos e, portanto, geram créditos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos. Já os custos/despesas incorridos com prestações de serviços relativas à movimentação de gusa (produto acabado), ao alto forno e à descarga de carvão, embora não constituam insumos, nos termos do inciso II do art. 3º, citados e transcritos anteriormente, são necessários e relevantes para a atividade econômica do contribuinte. No julgamento do REsp nº 1.221.170/PR, em sede de recurso repetitivo, o Superior Tribunal de Justiça (STJ) ampliou o conceito de insumos, para efeito de aproveitamento de créditos do PIS e da Cofins, reconhecendo como tal, os custos e despesas empregados direta e indiretamente no processo de produção/fabricação dos bens destinados a venda pelo contribuinte. Consoante a decisão do STJ "o conceito de insumo deve ser aferido à luz dos critérios de essencialidade ou relevância, ou seja, considerandose a impossibilidade ou a importância de determinado item bem ou serviço para o desenvolvimento da atividade econômica desempenhada pelo Contribuinte". Em face da decisão do STJ, a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional expediu a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF que autoriza seus procuradores a dispensa de contestar e recorrer, com fulcro no art. 19, inc. IV, da Lei n° 10.522, de 2002, e art. 2º, inc. V, da Portaria PGFN n° 502, de 2016, contra decisão desfavorável à União Federal, quanto ao conceito de insumos e respectivo direito de se aproveitar créditos sobre tais despesas, nos termos definidos no julgamento do referido REsp, observada a particularidade do processo produtivo de cada contribuinte. Dessa forma, a reversão das glosas dos créditos sobre os custos/despesas incorridos com: 1) aquisições de barro; e 2) prestações de serviços relativas às notas fiscais de movimentação de gusa, serviços de ajudante de alto forno e descarga de carvão, determinada no acórdão recorrido, deve ser mantida, reconhecendose o direito de o contribuinte aproveitar créditos sobre tais despesas, tendo em vista sua relevância e importância para o desenvolvimento das atividade do contribuinte. Além disto, por força do disposto no § 2º do art. 62 do Anexo II, do RICARF. c/c a decisão do STJ, no REsp 1.221.170/PR, sob o regime repetitivo, art. 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil e com a Nota SEI nº 63/2018/CRJ/PGACET/PGFNMF, adotase, para o presente caso, essa mesma decisão, para negar provimento ao recurso da Fazenda Nacional. Em face do exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10218.720053/201039 Acórdão n.º 9303008.582 CSRFT3 Fl. 330 5 Fl. 331DF CARF MF
score : 1.0
