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Numero do processo: 10166.728246/2011-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Wed Jan 06 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2007
OMISSÃO DE RECEITAS. DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA.
A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento.
DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIA À UNIDADE DE ORIGEM. NÃO REALIZAÇÃO.
Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, sendo vedado à autoridade incumbida de sua realização escusar-se de cumpri-las (§3º do art. 35 do Decreto nº 7574/2011).
Tendo a autoridade fiscal se negado a analisar as provas acostadas aos autos para contrapor-se à decisão de primeira instância, e tendo em vista o teor dos documentos apresentados e à plausibilidade dos argumentos da recorrente, exonera-se o crédito tributário correspondente, pois a exigência, para ser mantida, necessita preencher os requisitos de certeza e liquidez.
Recurso de Ofício negado.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 1402-001.969
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso voluntário. No mérito, por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Frederico Augusto Gomes de Alencar que votaram por converter o julgamento do recurso em diligência.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente
(assinado digitalmente)
FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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DEPÓSITOS E VALORES CREDITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ORIGEM NÃO COMPROVADA. ÔNUS DA PROVA. A Lei nº 9.430/96, em seu art. 42, estabeleceu a presunção legal de omissão de rendimentos que autoriza o lançamento do imposto correspondente sempre que o titular da conta bancária, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta corrente ou de investimento. DETERMINAÇÃO DE DILIGÊNCIA À UNIDADE DE ORIGEM. NÃO REALIZAÇÃO. Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias, sendo vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumpri las (§3º do art. 35 do Decreto nº 7574/2011). 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Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso de ofício e rejeitar a preliminar de nulidade suscitada no recurso AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 16 6. 72 82 46 /2 01 1- 71 Fl. 9156DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.157 2 voluntário. No mérito, por maioria de votos dar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Leonardo Luis Pagano Gonçalves e Frederico Augusto Gomes de Alencar que votaram por converter o julgamento do recurso em diligência. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Demetrius Nichele Macei, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Leonardo de Andrade Couto e Leonardo Luís Pagano Gonçalves. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. Fl. 9157DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.158 3 Relatório Na sessão de 24 de março de 2015, por meio da resolução nº 1402000.307, este colegiado converteu o julgamento em diligência. Eis o relatório de tal julgado: CONSTRUTORA VILLELA E CARVALHO LTDA recorre a este Conselho em face do acórdão nº 0348.322 proferido pela 2ª Turma da DRJ em Brasília que julgou procedente em parte a impugnação apresentada, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235, de 1972 (PAF). Por bem retratar o litígio, adoto o relatório da decisão recorrida, complementandoo ao final: Em 22/11/2011, foram lavrados contra o interessado os Autos de Infração do IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, atinentes aos anos calendário de 2007 e 2008, cujo crédito tributário lançado de ofício perfaz o montante de R$15.420.725,89, assim discriminados por exação fiscal: Auto de Infração do IRPJ (fls. 003/018) Imposto Juros de Mora (calculados até 31/10/2011) Multa Proporcional (75%) Total R$3.795.611,65 R$1.307.510,11 R$2.846.708,72 R$7.949.830,48 Infrações AnoCalendário Enquadramento Legal Depósitos Bancários de Origem Não Comprovada 2007, 2008 Arts. 25 e 42 da Lei nº 9.430/96; Art. 528 do RIR/99 Os lançamentos decorrentes de CSLL, PIS e Cofins encontramse consolidados nos autos de infração a seguir: Auto de Infração do PIS/Pasep (fls. 019/030) Tributo Juros de Mora (calculados até 31/10/2011) Multa Proporcional (75%) Total R$469.055,30 R$168.825,23 R$351.791,39 R$989.671,92 Auto de Infração da Cofins (fls. 031/041) Tributo Juros de Mora (calculados até 31/10/2011) Multa Proporcional (75%) Total R$2.164.871,05 R$779.193,81 R$1.623.653,19 R$4.567.718,05 Fl. 9158DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.159 4 Auto de Infração da CSLL (fls. 42/55) Tributo Juros de Mora (calculados até 31/10/2011) Multa Proporcional (75%) Total R$915.752,79 R$310.938,08 R$686.814,57 R$1.913.505,44 Foi iniciada ação fiscal determinada pelo Mandado de Procedimento Fiscal n° 01.1.01.002010004375, para o exame da apuração do IRPJ e reflexos referente aos anoscalendário de 2007 e 2008. Por ocasião do termo de início de fiscalização foi intimada a contribuinte a apresentar os livros Caixa ou Diário e Razão, extratos bancários de contas correntes, poupança e aplicações financeiras, em papel e meio magnético, no Banco do Brasil S/A, BRB Banco de Brasilia S/A, Caixa Econômica Federal, Banco Industrial e Comercial, Banco ABN AMRO Real S/A, Banco Safra, Banco Itaubank S/A Unibanco União de Bancos Brasileiros S/A, Banco Bradesco S/A, Banco Santander (Brasil) S/A, e os atos constitutivos da pessoa jurídica. Após solicitar prorrogações para cumprir as exigências, a fiscalizada apresentou os extratos bancários solicitados em papel. Nesse contexto, foi novamente intimada a contribuinte a apresentar as informações relativas à sua movimentação financeira em meio magnético. Diante da impossibilidade apresentada pela contribuinte em disponibilizar a documentação requerida por meio magnético, a Fiscalização intimou os bancos, por meio de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira (RMF), a fornecer as informações. Em paralelo, foi intimada a contribuinte a apresentar: (a) os contratos em que a empresa participou na condição de sócia ostensiva ou recebeu lucros/valores, decorrentes da participação em Sociedades em Conta de ParticipaçãoSCP; (b) a contabilidade, em meio magnético das SCPs em que a fiscalizada participou em contratos na condição de sócia ostensiva; (c) os documentos relativos às receitas, despesas e custos das SCPs, em meio magnético ou razão analítico; (d) os balancetes referentes às apurações de resultado das SCP; e a elaborar demonstrativos analíticos, consolidando os dados consignados nas DCTFs, de forma a permitir que fossem efetuadas as devidas conciliações com os registros constantes do Livro Diário. Ainda, esclarecer o regime forma de tributação das SCPs objeto dos contratos formalizados e informar em quais rubricas da fiscalizada procedeuse a inclusão das receitas/resultados decorrentes das participações em SCP, destacando ainda em quais linhas/quadros foram consignados tais valores nas respectivas DIPJ. Diante da análise da documentação apresentada, a Fiscalização, por meio do “Termo de Intimação Fiscal nº 003”, intimou a Fl. 9159DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.160 5 contribuinte a comprovar a origem dos créditos efetuados nos anos calendário de 2007 e 2008 acompanhada da documentação probatório dos valores que não representam receitas tributáveis, no prazo de vinte dias. Em 18/10/2011, após a análise da documentação probatória apresentada pela fiscalizada em resposta à intimação fiscal, a autoridade tributária consolidou demonstrativo no qual foram identificados depósitos bancários que não tiveram a origem dos recursos comprovada mediante documentação hábil e idônea. Nesse sentido, foram efetuados os lançamentos de ofício, no qual foi identificada a ocorrência da infração presunção de omissão de receitas, tipificada no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Cientificada dos lançamentos, em 22/11/2011 (Ciência do Sujeito Passivo nos Autos de Infração de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins), a interessada apresentou a impugnação de fls. 2340/2410, em 21/12/2011, cujas razões encontramse sintetizadas a seguir. Dos Fatos. A Impugnante é pessoa jurídica de direito privado, tendo como objeto social, previsto em seus atos constitutivos e alterações posteriores, a construção e incorporação de imóveis, bem assim a participação em empreendimentos relacionados a essas atividades. O foco principal das atividades da empresa, nos últimos anos, tem sido a modalidade de "incorporação de imóveis",na qual atua— isoladamente ou, com freqüência, em parceria com outros investidores, por intermédio de sociedades em conta de participação (SCP) ou de sociedades de propósito específico (SPE). Nesta impugnação, demonstrarseá de forma inequívoca que o lançamento de ofício, decorrente de depósitos bancários de origem não comprovada, nos moldes em que efetuado, não merece prosperar, haja vista os vícios de natureza material que contaminam todo o feito. De outro lado, a Impugnante apresentará, na peça de defesa, a documentação necessária à comprovação da origem dos créditos apurados em suas contascorrentes, demonstrando, desse modo, ser ilegítima a acusação quanto à omissão de receitas, mediante robustos elementos probatórios que infirmam a pretensão fazendária. Do Direito. Da Preliminar. Da Inconstitucional Quebra do Sigilo Bancário da Impugnante. No caso concreto ocorreu quebra administrativa do sigilo bancário da Impugnante. Observese que não se discute a legalidade da quebra de sigilo bancário mediante determinação pelo Poder Judiciário, com prévia ciência da pessoa investigada. Após a promulgação da Carta de 1988, o entendimento da jurisprudência pátria sempre foi no sentido de assegurar o direito ao sigilo bancário, com exceção da quebra autorizada por decisão judicial. Contudo, após a edição da Lei Complementar nº 105, de 2001, a Receita Federal entendeu ter adquirido franquia absoluta aos dados bancários dos contribuintes, mediante contato direto com as instituições Fl. 9160DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.161 6 financeiras, por meio do "RMF Requisição de Movimentação Financeira”. A quebra do sigilo bancário, que seria medida excepcional, tornouse trivial, pleiteada indiscriminadamente pelos auditores fiscais e autorizada de forma automática, pelos Delegados e demais autoridades superiores fazendárias. Na presente autuação, quando instaurado o procedimento fiscal contra a ora Impugnante, logo no início e sem maiores explicações, as autoridades administrativas determinaramlhe que a empresa apresentasse seus extratos bancários referentes aos anos de 2007 e 2008. A intimação tinha por fim, em verdade, emprestar uma aparência de legalidade ao procedimento simulando uma entrega "espontânea", pela Fiscalizada, dos seus extratos bancários aos Autuantes. Notese que, no Termo de Início de Fiscalização em foco, a requisição dos dados bancários é determinada sem qualquer alusão à aplicação do art. 42 da Lei n° 9.430/1996, mas contém advertências à Fiscalizada, indicandolhe as penalidades e crimes que lhe poderiam ser imputados, caso não fossem abertos os dados bancários. Essa linha de trabalho se assemelha a procedimentos adotados nos períodos mais negros da história do Brasil, em que os detentores do Poder, escudados supostamente em "leis" arbitrariamente redigidas e manipuladas por eles mesmos, perpetravam as maiores e inomináveis violências contra cidadãos indefesos, em manifestação de autoritarismo intolerável ao Estado Democrático de Direito. Implausível, portanto, que a Impugnante, na condição de Fiscalizada, tenha "espontaneamente" franqueado seus dados bancários à Receita Federal. Se assim procedeu, foi em razão do exercício do poder COERCITIVO da Fiscalização. Não satisfeitos, porém, os Fiscais assumem, às fls. 14 do processo que, louvandose no art. 6° da LC n.° 105/2001, regulamentado pelo Decreto n.° 3.724/2001. quebraram o sigilo bancário da Impugnante, tendo emitido Requisição de Informações sobre Movimentação Financeira RMF, às instituições financeiras junto às quais aquela mantém contas correntes e investimentos. A origem dessa violência jurídica remonta ao início de 2001. A época, o Governo Federal, utilizandose do seu "rolo compressor" no Congresso Nacional, conseguiu aprovar a Lei Complementar n° l05 cujo art. 6º autoriza a quebra administrativa do sigilo bancário, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso. Todo esse aparato legislativo destinavase a conferir eficácia ao famigerado artigo 42 da Lei n.° 9.430/96, que definiu odiosa presunção legal de omissão de receita a partir de depósitos bancários "não comprovados com documentação hábil e idônea", pura e simplesmente, deturpando de forma brutal o conceito de renda. Do ponto de vista prático, ditas normas literalmente extinguiram o sigilo bancário no Brasil. Fl. 9161DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.162 7 Felizmente, o Supremo Tribunal Federal guardião da nossa Carta Magna começa a reagir contra esta aberração, como se pode observar em recente decisão proferida no STF, pelo Tribunal Pleno, no RE 389808, tendo como Relator o Ministro MARCO AURÉLIO. Portanto, deve ser extinto o crédito tributário, vez que o lançamento de ofício representa ofensa á segurança jurídica e violar preceptivos constitucionais. Do Mérito. Não pode a Impugnante acatar a absurda imputação da presunção legal do art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, em total dissonância ao conceito de renda definido e interpretado pela mais abalizada doutrina e pela jurisprudência, bem como utilizado expressamente na Constituição Federal. A autoridade fiscal subverteu o princípio da verdade material, uma vez que, por presunção simples, optou em constituir crédito tributário contra a Impugnante com base em depósitos bancários. O Conceito Tributário de Renda. A Constituição e o CTN determinam que nem tudo aquilo que seja rotulado de "renda" poderá ser objeto de incidência tributária, mas unicamente o fato que se amolde à hipótese prevista em lei princípio da reserva legal. Em regra, o CTN delineou como hipótese de incidência do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza a disponibilidade econômica ou jurídica de renda e proventos de qualquer natureza, que represente acréscimo patrimonial. Por sua vez, o art. 110 do CTN estatui que "a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa e implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias". O fato é que, como regra geral, a Constituição Federal utilizou o conceito de renda e proventos como acréscimo patrimonial, como renda líquida ou lucro líquido, nos termos da lei comercial. Então, não há que se falar que o Fisco pode estabelecer, como faz in casu, o conceito de renda tributável para atingir depósitos bancários, sem fazer qualquer distinção e tributando inclusive aqueles que representam simples transferência de quantias já oferecidas à tributação, o que caracteriza explícito bis in idem. Ou seja, inobstante a Contribuinte não ter auferido qualquer acréscimo tipificador de renda, ainda assim o Fisco irá tributar duas vezes, uma quando de fato se obteve a renda, outra simplesmente pelo mero trânsito do recurso em conta bancária. E verdade que o artigo 43 do CTN foi alterado pela Lei Complementar 104/2001, para dar abertura proposital ao elastecimento do conceito de renda, porém, permanece o freio previsto na Constituição Federal. Fl. 9162DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.163 8 Noé Winkler leciona que "a base impositiva vigente, da renda, não inclui valores patrimoniais (capital), mas os seus frutos, e bem assim os rendimentos do trabalho, ou da combinação de ambos, auferidos num período de tempo. Também não se computam os acréscimos patrimoniais por doações, heranças e legados, e sim os rendimentos que possam produzir. Na inclusão, como proventos, dos acréscimos patrimoniais sem correspondência com os rendimentos declarados, não se tributam esses acréscimos, mas sim, por presunção, os rendimentos não declarados que lhes deram origem". E continua o renomado ExDiretor da Divisão de Imposto de—Renda—da Secretaria da Receita Federal dizendo que nos "moldes constitucionais, a capacidade contributiva, na tributação da renda, o suporte não é o que possui, mas o que se sanha. O patrimônio — riqueza num determinado momento (fruto da renda acumulada), como corolário dessa capacidade, sob outro enfoque, pode pertencer a esfera de outro Poder Tributante o Município, por exemplo, no caso de propriedade predial e territorial urbana." Há que se observar que o imposto de renda não incidirá diretamente sobre essa renda obtida. O legislador ordinário, ao estipular a base de cálculo do imposto, permite a dedução de despesas necessárias à percepção da mesma. São aquelas despesas que incorrem para a obtenção daquela renda. A alíquota do imposto irá incidir sobre uma base de cálculo, considerada uma renda líquida (e não, total como ocorre in casu), isto é, aquela despida das despesas e deduções que o legislador ordinário permitiu obter. Assim, se o contribuinte trabalha com compra e venda de veículos, não há que se falar em renda como o valor recebido pelo carro vendido, mas, sim, a diferença entre aquele pago e recebido pelo contribuinte. Exemplificando: Se o contribuinte comprou um veículo no valor de R$50.000,00 e o vendeu por R$53.000,00, o imposto não deverá NUNCA incidir sobre os R$ 53.000,00 recebidos, porém sobre a diferença entre o preço vendido (R$53.000,00) e o anteriormente pago (R$50.000,00), ou seja, apenas sobre o importe de R$3.000,00. O caso ora examinado é o mesmo de uma montadora de veículos que ao "vender" para a concessionária se veja obrigada a pagar como Imposto de Renda o valor total constante da Nota Fiscal e não aquele diminuído das deduções legais. A base de cálculo do imposto de renda resulta de procedimento complexo, integrada que é por ingressos e saídas de recursos, acréscimos e decréscimos no valor intrínseco de bens, tudo computado dentro de certo período. O método de apuração baseado apenas em extrato bancários e no fluxo de emissão de cheques (depósitos e movimentação de cheques) não oferece adequação técnica e consistência material de ordem a afastar a conjectura de simples presunção. Fl. 9163DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.164 9 O que o Fisco está fazendo com este auto de infração é simplesmente tributar depósitos bancários como se os mesmos, por si sós, fossem espécie de "rendimento omitido". Desconsidera o Fisco que o Imposto sobre a Renda apenas incide sobre o ganho patrimonial resultante de confronto entre elementos (ingressos e saídas) verificados ao longo de um determinado período, é elastecer o conceito de renda, o que certamente será considerado ilegal e inconstitucional. Utilizarse dos extratos bancários como se cada depósito pudesse ser considerado verdadeiro lucro líquido é tratar os iguais desigualmente ou os desiguais igualmente (artigo 150, II da CF) e ainda utilizar o Imposto de Renda como meio de confisco (violando o artigo 150, IV da CF/88), pois se estará cobrando 25% (vinte e cinco por cento) em relação a meros depósitos bancários e não sobre a renda, conforme determina a Constituição Federal. Requer a Impugnante, portanto, o cancelamento do lançamento efetuado. Da Indevida Aplicação da Presunção Estabelecida no Art. 42 da Lei nº 9.430/1996. A Fiscalização aplicou a presunção legal de maneira precipitada e abusiva, valendose apenas e tãosomente dos extratos bancários da Impugnante. Apesar de terem pedido e recebido os livros Diário e Razão da empresa, os auditores fiscais deles não se utilizaram, não investigaram nada e não realizaram qualquer trabalho de pesquisa e análise dos registros contábeis. Ou seja, simplesmente consideraram que os depósitos bancários não tinham a origem comprovada. A presunção do Fisco de que todos os depósitos efetuados na conta corrente da Contribuinte são efetivamente RECEITA/RENDA, não pode nem deve prevalecer, sob pena de se violar o artigo V, incisos X e XII da Constituição Federal (quebra do sigilo bancário sem a correspondente ordem judicial autorizativa), o artigo 150, II da CF (tratar desigualmente os iguais ou igualmente os desiguais dar tratamento desigual a contribuintes que se encontrem em situação equivalente) e o artigo 150, IV da CF (utilizar tributo com efeito de confisco). Sobre a premissa utilizada como fundamento pela Fiscalização para lançar o IRPJ com base na presunção legal do art. 42 da Lei n.° 9.430/96, lembra a Impugnante que a interpretação da legislação tributária se verifica de forma peculiar. Na dúvida em face de circunstâncias materiais do fato, impõese a observância do disposto no artigo 112 do CTN, que dispõe que a “lei tributária que define infrações, ou lhe comina penalidades, interpretase da maneira mais favorável ao acusado, em caso de dúvida quanto:“, na hipótese do inc. II, “à natureza ou às circunstâncias materiais do fato, ou à natureza ou extensão dos seus efeitos”. Ou seja, concluise que no Direito Tributário também prevalece o princípio de que, na dúvida, se deve interpretar em favor do réu, inclusive em conseqüência do princípio da estrita legalidade, que não admite dúvida sobre o perfeito enquadramento do conceito do fato ao conceito da norma. Fl. 9164DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.165 10 No direito tributário, o que importa são as provas materiais, válidas e objetivas, sendo que as presunções não só têm que estar autorizadas por lei, como também não podem ultrapassar os limites impostos pelo Código Tributário Nacional quanto aos contornos materiais do fato gerador da obrigação tributária e dos elementos constitutivos que a caracterizam. No caso concreto, as Autoridades Fiscalizadoras partiram simplesmente dos lançamentos em conta bancária, para considerar todo e qualquer valor como "renda líquida tributável". De forma absolutamente tendenciosa, sem qualquer respaldo fático que corroborasse o acréscimo caracterizador da renda, o Fiscal acabou por enquadrar os meros depósitos como omissão de receita. Na empresa em tela, as receitas da suas atividades estão devidamente registradas na contabilidade, não procedendo, então, qualquer suspeita de evasão fiscal contra a Impugnante. Não se pode rotular de "renda" o que não é, até porque não há no presente processo quaisquer outras provas que comprovem a utilização da suposta disponibilidade de milhões de reais, à margem da declaração ao Fisco, atribuída à Contribuinte. Da Impossibilidade de Inversão do Ônus da Prova. Mesmo nas hipóteses de quebra de sigilo bancário, exigese, para a lavratura do auto de infração, que o Fisco comprove a omissão de receita, isto é, inadmissível a inversão do ônus probatório, no sentido de que o contribuinte deve provar a inocorrência da citada omissão. Na realidade, cabe à Administração Fazendária colher elementos de prova capazes de justificar a lavratura do auto e, repitase, a simples quebra do sigilo bancário, não fornece tais elementos. Vale citar o artigo "Imposto de Renda Quebra de Sigilo Bancário e Omissão de Rendas e Rendimentos" do Professor Edmar Oliveira Andrade Filho, Doutor em Direito, publicado na Revista Dialética de Direito Tributário, n° 70, de julho de 2001: " São inúmeras as circunstâncias fáticas jurídicas que podem revelar indícios de omissão de receitas, mas, em qualquer caso, a exaustiva investigação é necessária e imprescindível. Só os autos de infração bem fundamentados podem resguardar o interesse da Fazenda e propiciar a concretização do princípio constitucional que garante o contraditório e a ampla defesa, na forma do item LV do art. 5° da Constituição Federal. (...) A fiscalização deve apresentar provas sobre a natureza da eventual receita omitida. Assim, se os indícios indicarem que houve omissão de receitas decorrentes da venda de bens ou serviços, cabe à autoridade fiscalizadora provar quem teria sido o adquirente dos bens ou tomador dos serviços eventualmente prestados. Em caso de indícios de suprimento de numerário sem origem, é exigível que sejam reunidas provas sobre as pessoas que tenham feito esses suprimentos e a que título jurídico. Quando esses requisitos não são observados o Conselho de Contribuintes tem determinado a anulação do procedimento fiscal." Fl. 9165DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.166 11 Dessa forma, é de se concluir que, não tendo, a fiscalização, colhido os efetivos meios de prova para a verificação da alegada omissão de receitas, os dados decorrentes da quebra do sigilo bancário da empresa não representam elementos bastantes a justificar a lavratura dos autos de infração ora combatidos, motivo pelo qual há que ser reconhecida a improcedência do feito. Da Origem e Comprovação da Regularidade dos Depósitos Bancários. A Impugnante anexa a esta peça de defesa planilhas e cópias de centenas de documentos, visando à comprovação da origem dos depósitos em suas contas bancárias. Em síntese, os depósitos referemse às seguintes operações: a) Transferências entre empresas interligadas. Pelo fato de a Impugnante realizar diversos empreendimentos de incorporação imobiliária mediante constituição de SCPs e SPEs (sociedades de propósito específico), a ela interligadas, em razão do ramo de atividades e de mesmos sócios, diversos depósitos bancários justificamse como transferência de numerário entre as empresas. b) Transferências entre contas correntes diversas, da mesma empresa. São transferências entre contas correntes de mesma titularidade do Impugnante, em bancos diferentes, ou entre agências diversas de mesma instituição financeira. Cabe frisar que a empresa possui várias contas bancárias porque os clientes buscam financiar os imóveis adquiridos junto às instituições com as quais têm relacionamento. Por via de conseqüência, a Impugnante é compelida a manter, igualmente, contas em diversos bancos. c) Devolução de cauções oferecidas em lances destinados a adquirir imóveis (lotes) por licitações. No Distrito Federal, a aquisição de lotes para implantação de prédios, por incorporação imobiliária, é feita mediante licitações promovidas periodicamente pela TERRACAP. A Impugnante costuma participar desses certames, devendo obrigatoriamente oferecer caução, para esse fim, conforme exigido no edital. Em caso de sua proposta não ser vencedora, a TERRACAP faz devolução da caução, mediante depósito em conta bancária do participante vencido. d) Recebimentos, pela Fiscalizada, de aportes de capital. Na qualidade de "sócia ostensiva", a Impugnante recebeu diversos aportes de capital, das demais "sócias participantes", realizados via depósitos bancários e destinados a fazer face aos custos e despesas do empreendimento em incorporação. e) Recebimentos, sob a forma de devoluções, via depósito bancário, de adiantamentos efetuados a fornecedores. No ramo de sua atividade, é comum que a incorporadora conceda adiantamentos a fornecedores de materiais de construção, ou de prestação de serviços. Fl. 9166DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.167 12 f) Receita de Incorporações de imóveis, em operações de titularidade da própria Impugnante ou da sua atuação como sócia ostensiva de SCPs ou de SPEs. Estes depósitos estão comprovados pela documentação ora anexada, referindose a operações de incorporação imobiliária realizadas pela própria Impugnante, ou dentro de sua atuação à frente de SCPs e SPEs. Tais valores foram DEVIDAMENTE CONTABILIZADOS e têm sua origem comprovada, muito embora os Autuantes nem mesmo se dignaram a fazer a conferência entre os documentos e a contabilidade da empresa. A rigor, todas essas receitas foram regularmente oferecidas à tributação, sendo que, no caso do IRPJ e da CSLL, o regime tributário adotado pela Impugnante é o do lucro presumido. Observese, ainda, que, há situações em que a empresa "vendeu" os seus ativos (recebíveis), decorrentes de comercialização de imóveis, por incorporação, a instituições financeiras, as quais lhe repassaram os recursos. Nos registros contábeis, assim é retratado esse fato: 1. O cliente paga a parcela do imóvel à incorporadora (depósito bancário), com recursos próprios, ou com financiamento bancário; 2. Imediatamente, o valor é debitado da conta da empresa, para repasse ao banco que financiou o recebimento antecipado à empresa. Da Primeira Incoerência na Apuração dos Tributos Exigidos no Auto de Infração: Ofensa ao Art. 146 do CTN. Mudança de Critério Jurídico do Lançamento. Ocorreu grave erro cometido pela Fiscalização. Tratase da determinação do coeficiente para apurar o lucro presumido. Ignorando a atividade precípua da empresa, qual seja, “incorporação de imóveis”, a Fiscalização aplicou, para a determinação do lucro presumido, o percentual de 32%, enquanto o correto para o IRPJ seria de 8% e de 12% para a CSLL. Nos autos de infração, não há qualquer menção ao fundamento legal da exigência com base calculada sobre 32% da suposta “receita” não declarada. Ou os fiscais simplesmente se equivocaram ou valeramse da nova redação do art. 24, da Lei nº 9.249/1995, introduzida pela Lei nº 11.941/2000, a qual faculta a utilização do percentual mais elevado para fins de apuração da base de cálculo do lucro presumido. Quanto ao alcance da norma, impõe destacar que a utilização do percentual legal mais elevado, dentre os aplicáveis às atividades diversificadas, só será permitido se não for possível identificar a que atividade se refere a receita omitida. No "Regulamento do Imposto de Renda ed. 2011, anotado e comentado", os autores todos especialistas e auditores egressos dos quadros da Receita Federal do Brasil colocam seus pontos de vista com relação à citada omissão: TRATAMENTO DA RECEITA CONSIDERADA OMITIDA EM CASO DE MOVIMENTAÇÃO FINANCEIRA NÃO COMPROVADA. Fl. 9167DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.168 13 O valor da receita considerada omitida, em decorrência da presunção de que trata o art. 287 , será acrescida ao lucro real declarado ou considerada como base de cálculo para fins de aplicação do lucro presumido ou arbitrado. Claro que se a omissão for identificada como receita não decorrente da atividade operacional da pessoa jurídica, no lucro presumido ou arbitrado, o tratamento será o dispensado a "outras receitas e ganhos", hipótese em que o valor será integralmente tributado pelo imposto de renda, sem aplicação dos percentuais de presunção ou arbitramento. Mas isso não autoriza o Fisco, como tem se verificado em alguns casos, a exigir da pessoa jurídica prova de que a receita omitida decorre da atividade operacional, pois essa é a regra implícita na presunção legal. A prova de que a receita omitida não decorre das atividades da empresa está a cargo do fisco. (FERREIRA, Antonio Airton et alii. Regulamento do Imposto de Renda Decreto n.° 3.000/1999 Ed. 2011, anotado e comentado. São Paulo, Fiscosoft Editora, p. 968). Concernente às pretensas receitas omitidas, os fiscais não trazem qualquer prova de que se tratariam de outras modalidades de recebimentos, estranhos à atividade principal estabelecida nos atos constitutivos da Impugnante. Logo, da forma como lavrado, o lançamento não tem como se sustentar. Da Segunda Incoerência na Apuração dos Tributos: Ausência de Dedução, do PIS e da Cofins Exigidos de Ofício, dos Valores Já Declarados em DCTF. A Fiscalização considerou, na apuração do IRPJ e CSLL lançados de ofício, os valores confessados em DCTF. Contudo, não levou em consideração os valores confessados de PIS e Cofins, razão pela qual o lançamento deve ser revisto. Da Imposição de Multa Desarrazoada, Desproporcional e Confiscatória. A penalidade de 75% fere o princípio da proporcionalidade, do nãoconfisco, e da razoabilidade. Apenas nos casos de fraude inequívoca o STF tem admitido medidas punitivas com percentual confiscatório, o que não ocorreu no caso em tela. Dos Juros de Mora. É indevida a aplicação da taxa SELIC aos juros de mora, pelos motivos: (1) A natureza da taxa SELIC é de índice remuneratório, condizente Fl. 9168DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.169 14 com operações de mercado financeiro e não com encargos por atraso no pagamento de tributos, o que afronta a regra contida no artigo 161 e §l°do Código Tributário Nacional; (2) Dado que a taxa SELIC sequer foi instituída por lei, no sentido preciso do termo, foram infringidos os princípios constitucionais estampados no art. 5º, II e no art. 150, I, ambos da Constituição Federal de 1988; e (3) A taxa SELIC representa autêntico anatocismo, o que agride ao art. 192, § 3º da Constituição. Dos Lançamentos Decorrentes. Aplicamse todos os argumentos relativos ao IRPJ para os lançamentos decorrentes de CSLL, PIS e Cofins. A turma julgadora a quo consideroua parcialmente procedente, tendo sua ementa recebido a seguinte redação: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2007, 2008 SIGILO BANCÁRIO. QUEBRA. INOCORRÊNCIA. PREVISÃO LEGAL. EMISSÃO DE RMF. FORNECIMENTO DE INFORMAÇÕES PELAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE DE AUTORIZAÇÃO JUDICIAL. O fornecimento de informações pelas instituições financeiras sobre a movimentação do sujeito passivo, na forma da Lei Complementar nº. 105, de 2001, não constitui quebra de sigilo. Tratase de medida que prescinde de autorização judicial, quando promovida nos termos da lei, durante procedimento fiscal em curso no qual a autoridade tributária constate ser indispensável o exame de documentos, livros e registros de instituições financeiras. CONTROLE INCIDENTAL DE CONSTITUCIONALIDADE. MODO DIFUSO. EFICÁCIA ENTRE AS PARTES. Eventual decisão do STF, em sede de controle difuso de constitucionalidade, tem efeito apenas entre as partes, ou seja, não beneficia terceiros não integrantes da lide. EXTRATOS BANCÁRIOS APRESENTADOS VOLUNTARIAMENTE. IMPOSSIBILIDADE DA CONTRIBUINTE EM DISPONIBILIZAR EM MEIO MAGNÉTICO. EMISSÃO DO RMF PARA OBTENÇÃO DE DADOS DIGITAIS. INOCORRÊNCIA DE QUEBRA DO SIGILO BANCÁRIO. Se os extratos bancários foram fornecidos voluntariamente, em papel, pelo próprio contribuinte, em atendimento às Fl. 9169DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.170 15 intimações efetuadas pela autoridade tributária, posterior emissão de Requisição de Informação Sobre Movimentação Financeira RMF, solicitando as mesmas informações em formato digital, diante da impossibilidade da fiscalizada em fornecer os dados em meio magnético, não caracterizam quebra de sigilo bancário. PRESUNÇÃO LEGAL. OMISSÃO DE RECEITAS. NECESSIDADE DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. I Presumese ocorrida a omissão de receitas ou de rendimentos, em situação no qual os depósitos bancários indicando a movimentação financeira do contribuinte não tiverem a origem comprovada pelo titular, mediante a devida apresentação de documentação hábil e idônea no decorrer da ação fiscal. II Operase a inversão do ônus da prova, situação em que cabe ao contribuinte desconstituir a presunção legal prevista no art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996. III Na fase contenciosa, logrando a defesa demonstrar a origem dos depósitos bancários e que as receitas não são tributáveis, cabe ser afastada a presunção legal. PRESUNÇÃO LEGAL. APRECIAÇÃO DE LEGALIDADE. A presunção de omissão de receitas encontrase prevista em lei. Nesse contexto, não cabe a órgão de julgamento administrativo apreciar argüição de sua legalidade. LUCRO PRESUMIDO. RECEITAS OMITIDAS. ATIVIDADES DIVERSIFICADAS. COEFICIENTE APLICADO SOBRE A RECEITA BRUTA. PERCENTUAL MAIS ELEVADO. No caso de pessoa jurídica com atividades diversificadas, não sendo possível a identificação da atividade a que se refere a receita omitida, esta será adicionada àquela que corresponder o percentual mais elevado (Lei nº 9.249, de 1995, art. 24, § 1º). DA APLICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO DE 75%. PREVISÃO LEGAL. Efetuado o lançamento de ofício, cabe imposição da multa proporcional de 75% sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata. DCTF. ESPONTANEIDADE. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. Os débitos confessados em DCTF encaminhadas espontaneamente, antes do início do procedimento fiscal, Fl. 9170DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.171 16 devem ser considerados para compensar os valores de tributos apurados pela Fiscalização a serem lançados de ofício. CSLL. PIS. COFINS. LANÇAMENTOS COM BASE NO MESMO FATO E MATÉRIA TRIBUTÁVEL. O decidido em relação ao IRPJ estendese aos lançamentos de CSLL, PIS e Cofins, vez que formalizados com base nos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. Tal decisão exonerou parcela do crédito tributário referente a transferências bancárias entre contas do próprio contribuinte consideradas como receitas omitidas, bem como em relação a valores de tributos já confessados em DCTF quando do início do procedimento fiscal. Em relação a tal parcela de crédito tributário, recorreuse de ofício ao CARF. O contribuinte foi cientificado da decisão em 10 de julho de 2012 (conforme aviso de recebimento de fl. 4198), apresentando recurso voluntário de fls. 41985532 em 09 de agosto de 2012. Em apertada síntese, podese afirmar que o recurso reafirma os pontos tratados em impugnação. O único ponto adicional diz respeito à juntada farta documentação (41 anexos) que comprovariam a origem dos depósitos considerados como receitas omitidas. O voto condutor de tal resolução ficou assim redigido: O recurso é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade. Dele, portanto, tomo conhecimento. Conforme se observa, a Recorrente anexou aos autos 41 anexos referentes a documentos que, em tese, comprovariam a origem de depósitos considerados como omissão de receita por parte da autoridade autuante. Esta turma firmou entendimento de que, a bem do princípio da verdade material, documentos juntados aos autos até a data em que o processo foi incluído em pauta devem ser analisados. Nesse contexto, voto por converter o julgamento em diligência, retornando os autos à unidade de origem para que analise a documentação acostada em sede de recurso voluntário. A autoridade fiscal deverá cotejar tais documentos com os depósitos bancários considerados como receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Fl. 9171DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.172 17 Nos casos que se considere comprovada a origem, deverá o responsável pela diligência verificar se tais rendimentos já foram oferecidos à tributação. Ao final, deverá a autoridade fiscal elaborar relatório circunstanciado em que fique evidenciado, com base nos novos elementos trazidos aos autos, se houve ou não comprovação de origem de depósitos já considerados como receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Em caso afirmativo, deverá a autoridade fiscal verificar se tais receitas foram oferecidas à tributação espontaneamente pela Recorrente, discriminando, mensalmente: (i) depósitos de origem comprovada que se referem a receitas e que foram oferecidos à tributação pela Recorrente; (ii) depósitos de origem comprovada que se referem a receitas e que não foram oferecidos à tributação. A autoridade fiscal poderá apresentar ainda os esclarecimentos que julgar necessários à melhor análise dos autos. Ao final, a Recorrente deverá ser cientificada do resultado da diligência, abrindose prazo de 30 dias para que, querendo, manifestese sobre seu conteúdo (art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/2011). Por meio do despacho de fls. 91539154, assim se manifestou a unidade de origem: Tratase de solicitação de diligência encaminhada pelo Carf a esta DRF, constante da Resolução 1402000.307, da 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária. Em linhas gerais segue a resolução do Carf: Conforme se observa, a Recorrente anexou aos autos 41 anexos referentes a documentos que, em tese, comprovariam a origem de depósitos considerados como omissão de receita por parte da autoridade autuante. [...] A autoridade fiscal deverá cotejar tais documentos com os depósitos bancários considerados como receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). Nos casos que se considere comprovada a origem, deverá o responsável pela diligência verificar se tais rendimentos já foram oferecidos à tributação. Ao final, deverá a autoridade fiscal elaborar relatório circunstanciado em que fique evidenciado, com base nos novos elementos trazidos aos autos, se houve ou não comprovação de origem de depósitos já considerados como receita omitida (art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996). [...] 2. Conforme se observa, o solicitado trata de matéria de julgamento, e não cabe à fiscalização apreciar as alegações das partes, tendo em vista que não se pode decidir questão de direito em procedimento de diligência. Ressaltese que a convicção da fiscalização pode ser diferente da convicção do julgador. Como consequência, determinado documento pode não ser suficiente para a fiscalização, e o ser para o julgador. Nesta seara a opinião da fiscalização poderia ser inútil. Fl. 9172DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.173 18 3. Adicionalmente, em virtude de a aplicabilidade do princípio da verdade material não estar definitivamente julgada neste processo (inexistente Acórdão decidindo esta questão de direito, bem como ainda possível o tema ser analisado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais), e, portanto, a autoridade tributária não estar vinculada a aplicação deste princípio, os documentos apresentados em desacordo com os prazos processuais não devem ser considerados, tendo em vista o entendimento da RFB de que não é possível a flexibilização da preclusão contida no Decreto nº 70.235/72, art 16, §4, no presente caso (entendimento este que não pode ser suplantado por Resolução, que se trata de decisão interlocutória sem efeito vinculante nos termos do Regimento Interno do CARF). 4. Por fim, consideramos que, caso o CARF julgue quanto à documentação apresentada após a impugnação, sem que a mesma seja integralmente analisada e julgada pela Delegacia de Julgamento, ocorreria supressão de instância administrativa. 5. Diante do exposto, proponho o retorno deste processo ao Carf para o prosseguimento processual. RECURSO DE OFÍCIO O Presidente da 2ª Turma da DRJ em Brasília recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no art. 34 do Decreto nº 70.235, de 1972, haja vista que no julgamento dos autos do qual resultou o acórdão nº 0348.322, julgou procedente em parte a impugnação apresentada, exonerando o sujeito passivo do pagamento de tributos e encargos de multa em valor total superior a R$ 1.000.000,00, nos termos do artigo 1º da Portaria MF nº 3, de 03/01/2008. A parcela de crédito exonerada diz respeito a: depósitos bancários lançados como omissão de receitas (art. 42 da lei nº 9.430/96 e considerados como justificados e já tributados pela decisão de primeira instância); parcelas de débitos de PIS e Cofins exigidos de ofício mas que haviam sido confessados em DCTF transmitidas antes do início do procedimento fiscal. É o relatório. Fl. 9173DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.174 19 Voto Conselheiro FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Relator. O recurso voluntário já foi conhecido quando da conversão do julgamento em diligência. O recurso de ofício preenche os pressupostos de admissibilidade, devendo também ser conhecido. RECURSO DE OFÍCIO O crédito tributário exonerado pela turma julgadora diz respeito a depósitos bancários cuja origem a turma julgadora a quo entendeu restar justificada, e já tributada. No que atine aos valores de PIS e Cofins exonerados, referemse débitos confessados pela autuada antes do início do procedimento fiscal, e que, se não exonerados, implicariam exigência duplicada de tributos, bem como multa de ofício e juros também indevidos. Em relação aos temas, por se tratar de matérias iminentemente de prova, já que as questões de direito são incontroversas, compulsando os autos, entendo que a decisão recorrida deve ser mantida por seus próprios fundamentos. Desse modo, voto por negar provimento ao recurso de ofício. RECURSO VOLUNTÁRIO PRELIMINAR DE QUEBRA DE SIGILO BANCÁRIO A respeito da obtenção dos extratos bancários em que se baseia a exigência, a própria recorrente reconhece que ela própria os disponibilizou ao Fisco. O argumento de que a entrega de tal documentação não foi espontânea, mas sim sob a força de uma intimação, não altera o panorama sobre a inexistência de quebra de sigilo bancário no caso concreto. Além disso, ainda quando a autoridade fiscal alcança os extratos bancários utilizandose do disposto no art. 6º da Lei Complementar nº 105, e calcado no procedimento insculpido no Decreto nº 3.724/2001, sem qualquer vício procedimental apontado, na seara administrativa, não há como se adentrar a questão da constitucionalidade de tal dispositivo de lei, uma vez que tal competência é exclusiva aos membros do Poder Judiciário. A esse respeito, considerandose que o art. 72 do Anexo II do RICARF/2015 determina que as súmulas devem ser obrigatoriamente observadas pelos membros do CARF, convém ressaltar que a Súmula CARF nº 2 dispõe que este Tribunal Administrativo não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, rejeito a preliminar suscitada pela recorrente. Fl. 9174DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.175 20 MÉRITO A recorrente é acusada de omissão de receita, caracterizada pela falta de comprovação da origem dos depósitos/créditos efetuados em suas contas bancária, tendo por base legal o art. 42 da Lei nº 9.430, de 1996, que assim dispõe: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Tal dispositivo legal estabeleceu uma presunção de omissão de receitas, autorizando a exigência de imposto de renda e de contribuições correspondentes, sempre que o titular da conta bancária, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos creditados em sua conta de depósito ou de investimento. A inversão legal do ônus da prova é perfeitamente aceita por nosso ordenamento jurídico, estando regulada também no artigo 334, inciso IV, da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 (Código de Processo Civil – CPC), aplicado subsidiariamente ao Decreto nº 70.235/1972 no Processo Administrativo Fiscal: Art. 334. Não dependem de prova os fatos: (...) IV – em cujo favor milita presunção legal de existência ou de veracidade. A Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional CTN), recepcionada pela nova Constituição, consoante artigo 34, § 5º, do Ato das Disposições Transitórias, define, em seus artigos 43, 44 e 45, o fato gerador, a base de cálculo e os contribuintes do imposto sobre a renda e proventos de qualquer natureza. De acordo com o artigo 44, a tributação do imposto de renda não se dá só sobre rendimentos reais, mas, também, sobre rendimentos arbitrados ou presumidos por sinais indicativos de sua existência e montantes. Esses artigos assim dispõem: Art. 43. O imposto, de competência da União, sobre a renda e proventos de qualquer natureza tem como fato gerador a aquisição da disponibilidade econômica ou jurídica: I de renda, assim entendido o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos; II de proventos de qualquer natureza, assim entendidos os acréscimos patrimoniais não compreendidos no inciso anterior. Art. 44. A base de cálculo do imposto é o montante real, arbitrado ou presumido, da renda ou dos proventos tributáveis. Fl. 9175DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.176 21 Art. 45. Contribuinte do imposto é o titular da disponibilidade a que se refere o artigo 43, sem prejuízo de atribuir a lei essa condição ao possuidor, a qualquer título, dos bens produtores de renda ou dos proventos tributáveis. Parágrafo único. A lei pode atribuir à fonte pagadora da renda ou dos proventos tributáveis a condição de responsável pelo imposto cuja retenção e recolhimento lhe caibam. A presunção em favor do Fisco transfere ao contribuinte o ônus de elidir a imputação, mediante a comprovação, no caso, da origem dos recursos utilizados para efetuar os depósitos bancários. Tratase, afinal, de presunção relativa, passível de prova em contrário. É função do Fisco, entre outras, comprovar o crédito dos valores em contas de depósito ou de investimento e intimar o titular da conta bancária a apresentar os documentos, informações e esclarecimentos, com vistas à verificação da ocorrência de omissão de receitas de que trata o artigo 42 da Lei nº 9.430, de 1996. Contudo, a comprovação da origem dos recursos utilizados nessas operações é obrigação do contribuinte. Não comprovada a origem dos recursos, tem a autoridade fiscal o poder e o dever de considerar os valores depositados em conta bancária como receita, efetuando o lançamento do imposto e contribuições correspondentes. Nem poderia ser de outro modo, ante a vinculação legal decorrente do princípio da legalidade que rege a Administração Pública, cabendo ao agente seguir a legislação. Dessa forma, detectadas irregularidades que conduzem à presunção de omissão de receita, por imposição legal e por ser a atividade de lançamento vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional, conforme parágrafo único do art. 142 do Código Tributário Nacional, cabe à fiscalização efetuar o lançamento de acordo com a legislação aplicável ao caso. A recorrente foi intimada a comprovar, com documentação hábil e idônea, a origem dos valores depositados/creditados nas suas contas corrente. Para a turma julgadora de primeira instância, houve comprovação parcial da origem dos créditos em suas contas. Em sede de recurso voluntário, conforme já esclarecido na resolução 1402 000.307, foram anexados aos autos 41 volumes de documentos que, a bem da verdade, buscam rebater os argumentos contidos na decisão de primeira instância a respeito da parcela dos depósitos não considerados como comprovados, ou seja, o montante mantido como receita omitida. Compulsando os elementos complementares de prova concluiuse serem verossímeis as alegações da recorrente, e, com base em tal juízo de valor, determinouse à unidade de origem que analisasse a documentação, cotejandoa com os demais elementos constantes dos autos. Contudo, a autoridade fiscal responsável pelo cumprimento da diligência, negouse a realizála, fazendo considerações peculiares, a saber: Fl. 9176DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.177 22 impossibilidade de decidir questão de direito em procedimento de diligência; princípio da verdade material não seria aplicável neste processo por não ter sido definitivamente julgado e inexistir acórdão decidindo questão de direito, bem como a matéria poder ainda ser analisada pela Câmara Superior de Recursos Fiscais, concluindo que em razão disso, a autoridade tributária não estaria vinculada a esse princípio; os documentos apresentados em desacordo com os prazos processuais não devem ser considerados, tendo em vista o entendimento da RFB de que não seria possível flexibilizar a preclusão contida no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72 (entendimento que não poderia ser suplantado por resolução, que se trata de decisão interlocutória sem efeito vinculante nos termos do Regimento Interno do CARF); que o julgamento pelo CARF baseado em documentação apresentada após a impugnação, sem que essa tenha sido analisada pela Delegacia de julgamento, implicaria a supressão de instância. Ocorre que, segundo o art. 29 do Decreto nº 70.235/72, a autoridade julgadora, na apreciação da prova, formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Longe de se discutir questões de ordem hierárquica, fica evidente que o legislador deixou suficientemente claro que uma vez decidido pelos órgãos julgadores a necessidade de diligência, deveria a autoridade fiscal incumbida de sua realização proceder conforme a decisão. Vejase que a própria Receita Federal do Brasil também comunga de tal entendimento. Por exemplo, em recente Portaria editada pelo Subsecretário de Fiscalização a respeito do planejamento, diretrizes e metas para as atividades da Fiscalização para o ano de 2016 (Portaria RFB/Sufis nº 1.567, de 13 de novembro de 2015), assim dispõe o § 4º de seu art. 2º: § 4º Os procedimentos de diligências requeridos pelos órgãos de julgamento, PGFN e o Poder Judiciário na fase de contencioso, administrativo ou judicial deverão ser executados por AuditorFiscal da unidade de jurisdição atual do sujeito passivo ou pelo AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil responsável pelo lançamento. [grifos nossos] Como não poderia deixar de ser, tal Portaria é taxativa: os procedimentos de diligência requeridos pelos órgãos de julgamento deverão ser executados pela unidade de origem. Por fim, corroborando o até aqui exposto, destaco a redação do § 3º do art. 35 do Decreto nº 7574, de 29 de setembro de 2011, que regulamenta o processo de determinação e exigência de créditos tributários da União: § 3º Determinada, de ofício ou a pedido do impugnante, diligência ou perícia, é vedado à autoridade incumbida de sua realização escusarse de cumprilas. [grifos nossos] Fl. 9177DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.178 23 Ainda a respeito dos argumentos expedidos pela autoridade fiscal que negou se a realizar a diligência, outros aspectos merecem ainda ser analisados. Esclarecese que não se solicitou qualquer decisão em matéria de direito, mas simplesmente a análise dos elementos de fato trazidos aos autos pela recorrente a fim de rebater os argumentos que embasam a decisão de primeira instância. A respeito da não vinculação da autoridade tributária ao princípio da verdade material, não compete à autoridade encarregada da realização de diligência discutir se a decisão está ou não correta. Esperavase, isso sim, que se procedesse conforme determinado pela turma julgadora, determinação essa que emana de poder advindo de lei (art. 29 do Decreto nº 70.235/72). Sobre a inexistência de questão de direito decidida em acórdão e sobre a ausência de efeito vinculante das resoluções, tratase de argumentos desconexos e talvez inéditos no âmbito processo administrativo fiscal. É possível que o Auditor Fiscal responsável pela diligência, ou melhor, pela não realização da diligência, não tenha percebido que quando o Regimento Interno do CARF faz menção a efeitos vinculantes (Súmulas aprovadas pelo Ministro da Fazenda vinculam toda a Administração Tributária Federal, e, se não aprovadas, ou tratandose Resoluções do Pleno, vinculam os membros do CARF), não está se referindo ao caso concreto, mas sim nas questões de direito a serem aplicadas em todos os processos. A resolução emanada pelas turmas julgadores possui, por si só, e, conforme dito, em decorrência de lei, efeitos cogentes em relação à unidade preparadora, mas o responsável por cumprila, interpretando a decisão e o Regimento Interno do CARF de maneira absolutamente equivocada, entendeu por bem descumprir o que fora requerido por este Colegiado. A respeito do argumento sobre possível supressão de instância levantada pela autoridade fiscal, além de ser matéria estranha ao determinado em diligência, não se aplica ao caso. Determinar que a delegacia de julgamento se pronunciasse sobre documentos anexados aos autos para atacar a sua própria decisão feriria um princípio que até o mais leigo entenderia: o do bom senso, ou, juridicizandoo, o princípio da razoabilidade. Há de se ressaltar ainda os pontos elencados pelo voto condutor do aresto recorrido sobre os depósitos bancários que não foram considerados comprovados: Os depósitos bancários que não constam na relação dos quadros apresentados não tiveram a origem comprovada por meio de documentação hábil e idônea, uma vez que: (a) não foi apresentada nenhuma documentação probatória; ou (b) foram apresentados extratos sem nenhuma identificação do banco, agência ou contacorrente; ou (c) foram apresentados extratos bancários do banco de destino, quando deveriam ter sido apresentados extratos bancários do banco de origem, para demonstrar a ocorrência de transferência de valores entre contas correntes; ou (d) foi apresentada apenas cópia da escrituração contábil que, por si só, não se mostra suficiente para demonstrar a origem dos recursos que ingressaram na conta corrente. Compulsando aleatoriamente e por amostragem a documentação apresentada pela recorrente, concluo que as suas alegações mostramse consistentes com os elementos Fl. 9178DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO Processo nº 10166.728246/201171 Acórdão n.º 1402001.969 S1C4T2 Fl. 9.179 24 complementares de prova apresentados, e: (i) considerandose que a exigência tributária não pode comportar dúvidas a fim de redundar em um crédito líquido e certo a favor da Fazenda Nacional; (ii) ante à negativa da autoridade fiscal em analisálos conforme determinado pela turma julgadora, entendo que a exigência não pode prevalecer. CONCLUSÃO Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso de ofício, rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO Relator Fl. 9179DF CARF MF Impresso em 06/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 29/12/2015 por FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, Assinado digitalmente em 04/01/2016 por LEONARD O DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 10280.722541/2012-99
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Jan 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008
MULTA QUALIFICADA. MULTA AGRAVADA. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAs.
Nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, considera-se não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação
Numero da decisão: 1402-001.973
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei, que votou por negar provimento. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez.
(assinado digitalmente)
LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente.
(assinado digitalmente)
FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
Nome do relator: FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei, que votou por negar provimento. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO - Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI.
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MULTA AGRAVADA. MATÉRIAS NÃO IMPUGNADAs. Nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento ao recurso de ofício, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. Vencido o Conselheiro Demetrius Nichele Macei, que votou por negar provimento. Ausente o Conselheiro Manoel Silva Gonzalez. (assinado digitalmente) LEONARDO DE ANDRADE COUTO Presidente. (assinado digitalmente) FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: LEONARDO DE ANDRADE COUTO, FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO, FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, LEONARDO LUIS PAGANO GONÇALVES e DEMETRIUS NICHELE MACEI. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 0. 72 25 41 /2 01 2- 99 Fl. 529DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.722541/201299 Acórdão n.º 1402001.973 S1C4T2 Fl. 530 2 Relatório A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Belém/PA, DRJ Belém/PA, recorre de ofício a este Conselho, com fulcro no artigo 34 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Por pertinente, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): “Trata o presente processo auto de Infração relativo a IRPJ, no valor de R$ 2.059.342,17; PIS, no valor de R$ 583.026,77; COFINS, no valor de R$ 2.690.894,07 e CSSL, no valor de R$ 966.133,68, relativos ao ano calendário 2008. A multa de ofício foi qualificada e agravada, resultando em percentual de 225% em relação ao valor principal do tributo. A ciência do Auto de Infração ocorreu em 08/10/2012; a impugnação ocorreu em 07/11/2012. A presente ação fiscal teve como origem os seguintes pontos, conforme termo de verificação fiscal: “...No exercício das funções de Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil, encerrado o MPFaberto contra a empresa em epígrafe, relatamos a seguir os procedimentos adotados ao longo da fiscaliza<;ao,apontando as providencias adotadas e os resultados alcançados: 1) A empresa foi selecionada por ter movimentado em 2007 e 2008 valores bem superiores aos dec1arados no SIMPLES, ultrapassando os limites legais da Opção. 2) Intimamos a empresa a fornecer explicações quanta aos recursos depositados na(s) conta(s) bancaria(s) da empresa em 2007 e 2008, considerando a divergência entre o total movimentado no período e o dec1arado como receita bruta, de acordo com os dados contidos no Extrato do Simples Nacional. 3) Solicitamos ainda que o contribuinte apresentasse comprovação da origem desses depósitos, como notas fiscais de venda e escrituração contabi1 se oriundos da atividade comercial, e/ou outro documento idôneo caso não sejam resultado da atividade comercial da empresa e/ou não tenham natureza tributável. 4) Pedimos que o contribuinte apresentasse motivos que levaram a empresa a declarar rendimentos pelo SIMPLES nesses períodos, apesar do montante movimentado financeiramente nos AC's 2007 e 2008 ser superior ao limite legal permitido. 5) Como a empresa não respondeu a nenhuma das intimações, seja as entregues pessoalmente, enviadas por AR e ainda por edital, procedemos à exclusão da empresa do SIMPLES Fl. 530DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.722541/201299 Acórdão n.º 1402001.973 S1C4T2 Fl. 531 3 enquadrandoa nas hipóteses previstas II, IV e VIII do art. 29 da Lei Complementar 123/2006, formalizando o processo administrativofiscal 10280.721.011/201223. 6) Após a exclusão, intimamos a empresa a apresentar sua escrita fiscal/contábil (TI 004). 7) Sem resposta, autuamos a empresa pelos depósitos bancários ocorridos em 2008 sem a devida comprovação de origem e pela divergência entre o montante creditado e o declarado como receita (ainda no SIMPLES), arbitrando o lucro em razão de a empresa não ter apresentado sua escrita contábil/fiscal. Majoramos a multa para 225% conforme previsto no art. 44, §§ 1º e 2° da Lei 9.430/96, em razão de nenhuma das intimações ter sido respondida. 8) Formalizamos o processo administrativofiscal nº 10280.722.541/201299, que contém o lançamento de oficio em Auto de Infração dos tributos não recolhidos pelo contribuinte relativamente ao AC 2008, com ciência pessoal do procurador. 9) Lavramos Representação Fiscal para Fins Penais em razão da presença de indícios de cometimento de crime contra a Ordem Tributária, inc1uindo a constituição de interposta pessoa, formalizando o processo administrativo n° 10280.722.614/2012 42. Foram citados nessa representação os sócios de direito Raimundo Carlos Costa (CPF 673.464.30263) e Talcidio de Oliveira Pantoja Neto (786.283.77204), bem como Dilson de Jesus Correa Pantoja Junior (CPF 451.905.42220) e Debora Pantoja Santos (428.089.52287), por terem ambos movimentado as contascorrente da empresa, e Darcizio Eloi Correa Pantoja Filho (CPF 898.308.81253), proprietário do imóvel onde se localiza a empresa fiscalizada, responsável pela construção do respectivo galpão. 10) Procedemos a dec1aração de Sujeição Passiva de Terceiros envolvidos, como Dílson de Jesus Correa Pantoja Junior e Debora Pantoja Santos, par terem recebido procuração para movimentação das contascorrente da empresa e Darcizio Eloi Correa Pantoja Filho, proprietário do imóvel onde a empresa desenvolve as atividades. 11) E para proceder ao arrolamento dos bens do contribuinte visando a garantia do credito tributário, o mesmo foi intimado por meio do Termo de Intimação Fiscal 005 a apresentar relação de bens em seu nome, bem como o contrato de aluguel entre a COP Distribuidora Ltda e o Sr. Darcizio Eloi Correa Pantoja Filho, que recebeu do pai, em doação o imóvel acima mencionado. 12) Nesta mesma Intimação elaboramos algumas indagações para subsidiar a lavratura da Representação Fiscal para Fins Penais...” A impugnante em sua defesa argumenta: Fl. 531DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.722541/201299 Acórdão n.º 1402001.973 S1C4T2 Fl. 532 4 CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIB1LIDADE DE AFERIÇÃO DO PRAZO VALIDADE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ANTE A FALTA DE NOTIFICAÇÃO DA IMPUGNANTE QUANTO AS SUAS SUCESSIVAS RENOVAÇÕES. NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ORIUNDOS DO MPF 02110100/00524/11 – DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA IMPUGNANTE. DA DESNECESSIDADE DE ARROLAMENTO DE BENS. NÃO COMPROVAÇÃO DOS SUPOSTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGEM NÃO COMPROVADA. DO NÃO CABIMENTO DO ARBITRAMENTO DO LUCRO. DA POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL.” A decisão de primeira instância, representada no Acórdão da DRJ nº 01 26.520 (fls. 482496) de 20/06/2013, por unanimidade de votos, considerou parcialmente procedente o lançamento, exonerando o crédito tributário relativo ao agravamento e à qualificação da multa de ofício. A decisão foi assim ementada. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2008 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. AUSÊNCIA. DEMONSTRATIVO DE EMISSÃO E PRORROGAÇÃO CIÊNCIA O MPF Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento de controle administrativo e de informação ao contribuinte. Seu vencimento não constitui, por si só, causa de nulidade do lançamento e nem provoca a reaquisição de espontaneidade por parte do sujeito passivo. Eventuais omissões ou incorreções no Mandado de Procedimento Fiscal não são causa de nulidade do auto de infração. LUCRO ARBITRADO. APLICAÇÃO. O contribuinte que deixar de apresentar à autoridade tributária os livros e documentos da escrituração comercial e fiscal, ou deixar de apresentar o Livro Caixa, no qual deverá estar escriturada toda a movimentação financeira, inclusive bancária, quando optar pelo lucro presumido e não mantiver escrituração contábil regular, deve ser tributado pelo Lucro Arbitrado. SIGILO BANCÁRIO. Havendo procedimento administrativo instaurado, a prestação, por parte das instituições financeiras, de informações solicitadas pelos órgãos fiscais tributários do Ministério da Fazenda e dos Estados não constitui quebra do sigilo bancário, mas mera transferência de dados protegidos pelo sigilo bancário às autoridades obrigadas a mantê los no âmbito do sigilo fiscal. LUCRO TRIBUTÁVEL.ARBITRAMENTO.AUSÊNCIA LIVRO RAZÃO.Procede o arbitramento do lucro se não for feita a escrituração do livro Razão. Fl. 532DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.722541/201299 Acórdão n.º 1402001.973 S1C4T2 Fl. 533 5 OMISSÃO DE RECEITAS. LANÇAMENTO DE OFÍCIO DAS DIFERENÇAS.Constatada a omissão de receitas, deve ser exigida de ofício a diferença entre os valores apurados de ofício e os confessados pelo contribuinte. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO.A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. QUALIFICAÇÃO DA MULTA DE OFÍCIO. A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. MATÉRIA NÃO IMPUGNADA Nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972, considerase não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada na impugnação” Contra a aludida decisão, da qual foi cientificada em 21/10/2013 (edital de fl. 517) a interessada não interpôs recurso voluntário. A DRJ Belém encaminhou o processo a este CARF por ter o crédito tributário exonerado excedido o limite de alçada previsto na legislação. Apesar de intimados, fl. 429, os coobrigados não apresentaram impugnação, tampouco recurso voluntário. É o relatório. Fl. 533DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.722541/201299 Acórdão n.º 1402001.973 S1C4T2 Fl. 534 6 Voto Conselheiro Frederico Augusto Gomes de Alencar O recurso de ofício reúne os pressupostos de admissibilidade previstos na legislação que rege o processo administrativo fiscal. Dele, portanto, tomo conhecimento. Como relatado, a decisão de primeira instância considerou parcialmente procedente o lançamento para exonerar o crédito tributário relativo ao agravamento e à qualificação da multa de ofício. Quanto a essas matérias, assinala o voto condutor da decisão recorrida: "... QUALIFICAÇÃO E AGRAVAMENTO DA MULTA DE OFÍCIO A apuração da Omissão de Receitas, mesmo que oriunda de processo de exclusão do SIMPLES, ainda que em valores significativos não autoriza a presunção de qualificação da multa de ofício, conforme Súmulas CARF abaixo. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. O ART.44 da lei 9430/96 afirma: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) a) na forma do art. 8º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, Fl. 534DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.722541/201299 Acórdão n.º 1402001.973 S1C4T2 Fl. 535 7 no caso de pessoa física; (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) b) na forma do art. 2º desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. (Incluída pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 1º O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 2º Os percentuais de multa a que se referem o inciso I do caput e o § 1º deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) I prestar esclarecimentos; (Renumerado da alínea “a” pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991; (Renumerado da alínea “b” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta Lei. (Renumerado da alínea “c” com nova redação pela Lei nº 11.488, de 15 de junho de 2007) § 3º Aplicamse às multas de que trata este artigo as reduções previstas no art. 6º da Lei nº 8.218, de 29 de agosto de 1991, e no art. 60 da Lei nº 8.383, de 30 de dezembro de 1991. § 4º As disposições deste artigo aplicamse, inclusive, aos contribuintes que derem causa a ressarcimento indevido de tributo ou contribuição decorrente de qualquer incentivo ou benefício fiscal. § 5º Aplicase também, no caso de que seja comprovadamente constatado dolo ou máfé do contribuinte, a multa de que trata o inciso I do caput sobre: ( Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 de junho de 2010 ) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) I a parcela do imposto a restituir informado pelo contribuinte pessoa física, na Declaração de Ajuste Anual, que deixar de ser restituída por infração à legislação tributária; e ( Incluído pela Lei nº 12.249, de 11 Fl. 535DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.722541/201299 Acórdão n.º 1402001.973 S1C4T2 Fl. 536 8 de junho de 2010 ) (Vide Lei nº 12.249/2010, art. 139, inc I, d) A empresa fiscalizada foi tributada mediante aplicação da sistemática do lucro arbitrado, assim como fora cientificada mediante edital (alternativa à impossibilidade de ciência pessoal), logo, não se enquadrou no tipo legal do art 44 § 2º que necessita que a intimação seja feita ao fiscalizado e este não a responda! A situação fática não se adequou ao tipo legal descrito para o agravamento da multa de ofício. A apuração da Omissão de Receitas, mesmo que oriunda de processo de exclusão do SIMPLES, ainda que em valores significativos não autoriza a presunção de qualificação da multa de ofício, No tocante ao art 44 § 1º, que trata da qualificação da multa ofício, conforme Súmulas CARF abaixo, há a necessidade de comprovação do intuito de fraude, do ânimo interno da organização, nos moldes descritos na legislação. Súmula CARF nº 14: A simples apuração de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação do evidente intuito de fraude do sujeito passivo. Súmula CARF nº 25: A presunção legal de omissão de receita ou de rendimentos, por si só, não autoriza a qualificação da multa de ofício, sendo necessária a comprovação de uma das hipóteses dos arts. 71, 72 e 73 da Lei n° 4.502/64. ..." Com efeito, entendo que a matéria objeto do recurso de ofício não foi sequer impugnada. Isso se constata da simples leitura da peça impugnatória, fls. 433/442, cujos temas ali levantados discorrem sobre o seguinte. · CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. IMPOSSIB1LIDADE DE AFERIÇÃO DO PRAZO VALIDADE DO MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL ANTE A FALTA DE NOTIFICAÇÃO DA IMPUGNANTE QUANTO AS SUAS SUCESSIVAS RENOVAÇÕES. · NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO ORIUNDOS DO MPF 02110100/00524/11 – DO CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA DA IMPUGNANTE. · DA DESNECESSIDADE DE ARROLAMENTO DE BENS. · NÃO COMPROVAÇÃO DOS SUPOSTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS ORIGEM NÃO COMPROVADA. · DO NÃO CABIMENTO DO ARBITRAMENTO DO LUCRO. DA POSSIBILIDADE DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL.” Fl. 536DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO Processo nº 10280.722541/201299 Acórdão n.º 1402001.973 S1C4T2 Fl. 537 9 Dessa forma, por não se configurar em matéria de ordem pública nem ter sido questionada tempestivamente pela impugnante, tanto o agravamento quanto a qualificação da multa de ofício não deveriam ter sido objeto de julgamento pela DRJ. Não sendo as matérias objeto de julgamento, não cabia à DRJ exonerar o correspondente crédito tributário, objeto do recurso de ofício. Pelo exposto, dou provimento ao recurso de ofício. (assinado digitalmente) Frederico Augusto Gomes de Alencar Relator Fl. 537DF CARF MF Impresso em 12/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 08/01/2016 por FREDERICO AUGUSTO GOMES DE ALENCAR, Assinado digitalmente em 11/01/2016 por LEONA RDO DE ANDRADE COUTO
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Numero do processo: 15586.000366/2010-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 10 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006
NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA.
Anula-se a decisão de 1ª instância se constatada a falta de apreciação de questão determinante para a manutenção de parte da exigência fiscal.
Numero da decisão: 1302-001.733
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR o processo administrativo a partir da decisão de 1ª instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(documento assinado digitalmente)
EDELI PEREIRA BESSA - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. Declarou-se impedida a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio.
Nome do relator: EDELI PEREIRA BESSA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Anula-se a decisão de 1ª instância se constatada a falta de apreciação de questão determinante para a manutenção de parte da exigência fiscal.
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FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2003, 2004, 2005, 2006 NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. CERCEAMENTO AO DIREITO DE DEFESA. Anulase a decisão de 1ª instância se constatada a falta de apreciação de questão determinante para a manutenção de parte da exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em ANULAR o processo administrativo a partir da decisão de 1ª instância, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Edeli Pereira Bessa (presidente da turma), Alberto Pinto Souza Júnior, Ana de Barros Fernandes Wipprich, Rogério Aparecido Gil e Talita Pimenta Félix. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Eduardo Andrade. Declarouse impedida a Conselheira Daniele Souto Rodrigues Amadio. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 58 6. 00 03 66 /2 01 0- 01 Fl. 24715DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Ildevar Prando, Francisco Prando, Aderval Bonfante, Roque Romeu Bonfante, Braz Prando, Carlos Alberto Tamanini, Waldir Lauret e José Valentin Fracarolli, já qualificados nos autos, na condição de responsáveis tributários indicados em lançamento formalizado em face da contribuinte CAFEEIRA SÃO JOSÉ LTDA e outros responsáveis, recorrem de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento do Rio de Janeiro I que, por unanimidade de votos, julgou PARCIALMENTE PROCEDENTES as impugnações interpostas contra lançamento lavrado em 27/08/2010, exigindo crédito tributário no valor total de R$ 50.728.379,30. Segundo o Termo de Constatação às fls. 21251/21365, a contribuinte CAFEEIRA SÃO JOSÉ LTDA foi selecionada em razão de movimentação financeira incompatível com a receita bruta declarada, entre 2003 e 2006, além de representação fiscal da DRF/São José do Rio Preto que apurou, junto a contribuinte de sua jurisdição, aquisição de mercadorias da fiscalizada no anocalendário 2004, muito embora ela se declarasse inativa. A Fiscalização relata que inicialmente não foi atendida no domicílio fiscal da empresa, em razão da paralisação de suas atividades, mas, localizando o sócio Aldecir Boneres Galter, este atendeu o agente fiscal na sede da empresa, prestou as informações de fls. 05/08 e apresentou os documentos solicitados no Termo de Início de Fiscalização. As informações referidas indicaram a paralisação das atividades da contribuinte em janeiro/2007; o exercício da atividade principal de compra e venda de café; a contratação de galpão para armazenagem pelo outro sócio da empresa (Fábio Barcelos Plotegher); a compra de café de vários pequenos produtores rurais realizada pelo outro sócio; a venda de café à Unicafé, Real Café, Michio Café e Forzza Café, Nestlé e Santa Clara Café; os recebimentos das operações por DOCs ou depósitos em contacorrente; dentre outros dados. A autoridade lançadora relata as demais intimações dirigidas à sede da empresa e aos seus sócios Aldecir Boneres Galter e Fábio Barcelos Plotegher, e na sequência passa a descrever os fatos apurados no procedimento fiscal. Inicialmente diz que obteve, em razão de convênio de cooperação técnica, informações da Secretaria de Estado da Fazenda do Espírito Santo acerca das operações realizadas pela fiscalizada de 2003 a 2006, bem como requereu às instituições financeiras informações sobre a movimentação mantida pela fiscalizada naqueles períodos, dada a apresentação de declarações de inatividade ou de lucro presumido sem informações, apesar da representatividade dos valores movimentados, que totalizaram anualmente R$ 48.506.716,58 (2003), R$ 73.234.430,17 (2004), R$ 69.162.630,38 (2005) e R$ 18.647.600,73 (2006). Foram também dirigidas intimações a beneficiários de cheques, empresas de Armazéns Gerais, corretores, produtores rurais e procuradores, solicitando a presença de seus representantes para esclarecimentos. O auditor fiscal relata, inicialmente, as respostas obtidas de armazéns gerais e empresas compradoras, nas quais foram descritas operações praticadas com a contribuinte, em alguns casos com indicação das empresas de corretagem ou apenas informação de que as operações foram contratadas com corretores. Dentre as outras informações prestadas destacase: Fl. 24716DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 4 3 · Marcelo Fausto Tamanini, representante de Armazéns Gerais Três Corações declarou que os pedidos de armazenamento eram feitos por "Fabinho e Neno" (este último identificado como Aldecir), sendo que "Fabinho" atualmente trabalha no escritório de compra de café de propriedade do Sr. conhecido como "Diva Prando"; · Carlos Estevam da Silva, representante de Café Três Corações S/A, informou que 95% das transações de compra e venda de Café Verde no mercado são feitas através de corretores onde muitas vezes a compra é fechada com um determinado corretor e não é revelado ao comprador o fornecedor do produto, ficando sob a responsabilidade do corretor qualquer problema com a qualidade e entrega do produto. Relacionou, ainda, os corretores com os quais tinha contato; · Valderi Souza, representante da Nestlé Brasil Ltda, encaminhou planilha com relação das notas fiscais que deram entrada na empresa, e informou por correspondência eletrônica as corretoras que intermediavam as compras da empresa, prometendo encaminhar esta informação por escrito, mas não o fazendo; · Nivaldo Josias Couto, sócio administrador de Nova Brasília Comércio de Café Ltda, negou operações com a fiscalizada, e vinculou os depósitos promovidos por aquela empresa em conta bancária da fiscalizada a pagamento de empréstimos feitos pelo procurador de Nova Brasília Comércio de Café Ltda, Wanderlei Pereira do Nascimento; · Wanderlei Pereira do Nascimento, gerente e procurador de Nova Brasília Comércio de Café Ltda, declarou que depositou valores em favor da fiscalizada em razão de empréstimos gratuitos, visto que eram pagamentos de empréstimos de um a cinco dias, que conhece como sócio da fiscalizada Aldecir Boneres Gater, e que "Fabinho" também trabalhava na empresa; Na sequência, a autoridade fiscal informa ter intimado aleatoriamente alguns corretores que intermediaram a venda para empresas exportadoras e indústrias de torrefação e de café solúvel, os quais indicaram outros contatos para compra de café junto à autuada. Foram citados: Devanir Fernandes dos Santos, Braz Prando, "Fabinho" e Aldecir/"Neno". Um dos declarantes informou ter conhecimento que o Sr. Aldecir tem um sócio de nome Braz. A Fiscalização também selecionou aleatoriamente alguns produtores rurais, que declararam vender café para comerciantes que direcionavam a mercadoria para o real comprador, ou então mediante indicação de corretores. Foram citados os seguintes comerciantes/corretores: Beto Tamanini, Zezinho Fracaroli, Paulinho Comércio, Edinho (de Gov. Lindenberg) e Ademar Nicchio (de Colatina), Ildevar Prando, Djalma Dalfior, Matuzalem Raimundo Dazzi, Braz Prando ou "Fabinho", "Diva Prando" ou seu filho "Júnior" e Ronaldo Modenesi Cuzzuol. Em uma das declarações Braz Prando foi citado como proprietário da Cafeeira São José Ltda. Fl. 24717DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 5 4 Intimados alguns transportadores, foram coletadas declarações no sentido de que o café era carregado nas propriedades rurais, em armazéns ou na Cafeeira São José Ltda, e várias indicações no sentido de que "Diva Prando"/Ildevar Prando, "Fabinho" ou Aldecir faziam os contatos/contratações em nome da autuada. Declarações citam os "Prando" como compradores de café em Governador Lindenberg. A autoridade fiscal também intimou os procuradores de contas bancárias mantidas pela autuada em diferentes cidades, colhendo declarações das quais destacase: · Aderval Bonfante e Roque Romeu Bonfante declararam que eram sócios de Boa Fonte Armazéns Gerais Ltda e prestavam serviços à autuada, recebendo ajuda de custo proporcional o número de sacas de café compradas, mantendo contato com "Neno" ou "Fabinho". As contas nas quais era procurador recebiam depósitos da fiscalizada para compra de café dos produtores rurais, e o declarante assinou talões de cheques em branco, entregues a "Neno". Roque Romeu Bonfante disse que apesar de estar autorizado, jamais vendeu o café; · Junior Valani disse que, apesar de ser empregado de Francisco Branco, foi contratado por "Neno" para comprar para a autuada café dos pequenos produtores rurais que conhecia, depois passando a procurador em razão de dificuldades de pagamentos a produtores, mas nunca participando de qualquer operação de venda de café; · João Carlos Casagrande informou que ele e sua esposa Ledinalva Bridi Casagrande foram sócios de Rio Bananal Armazéns Gerais Ltda, e procurado por "Neno", que seria sócio de Braz Brando na fiscalizada, aceitou ser comprador de café mediante abertura de conta bancária da qual seria procurador, mas com definição do preço a ser pago e das condições de retirada do café por "Neno", e recebendo valor por saca comprada. Sua esposa Ledinalva Bridi Casagrande também figurou como procuradora nas contas bancárias citadas; · Andréa Ambrosini Rodrigues Favaro declarou que a procuração para movimentar as contas foi atribuída em razão de sua vinculação ao empregador João Carlos Casagrande; · Andressa Altoe Muller informou que foi procurada por Braz Prando como dono da empresa fiscalizada, e aceitou procuração para movimentar conta e agilizar transferências para pagamento de vendas de café à autuada; · Marcelo Augusto Costa e Souza consignou que era empregado de empresa de Nilson Alves e Márcia Helena Zanotti Alves, e que o primeiro o indicou como procurador para movimentação de contas bancárias, com vistas facilitar o pagamento de produtores rurais em razão de venda de café à fiscalizada, vendas estas realizadas por Nilson Alves; Fl. 24718DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 6 5 · Mateus Lucas Silva declarou que seu empregador Gercino Celante o indicou como procurador, mas nunca assinou qualquer cheque ou documento, indicando que cheques foram assinados por Rosângela Celante; · Vagno Marcarini Capelini e Antônio Egídio Capelini disseram que foram procurados por "Neno" e aceitou ser procurador em conta bancária que facilitaria a transferência de numerário nas vendas de café definidas por "Neno"; · Carlos Alberto Tamanini informou que foi procurado por "Neno e aceitou ser comprador de café, mas com definição das condições de retirada do café por "Neno", e recebendo valor por saca comprada; · João Carlos Raasch Júnior disse que a abertura da conta bancária foi proposta em razão da venda de café para Florichi Com. de Café, para facilitar a movimentação de numerário, e embora a conta fosse em nome da fiscalizada, nunca lhe vendeu café; · José Valentini Fracaroli informou que foi procurado por "Neno" e aceitou ser comprador de café mediante abertura de conta bancária da qual seria procurador, mas com definição do preço a ser pago e das condições de retirada do café por "Neno", e recebendo comissão. Na procuração outurgada também foi indicado Jorge Luis Cossetti Fracarolli; e · Waldir Lauret declarou que manteve contato com "Neno" e Braz Prando, atuando como comprador de café que era guiado para a autuada, sendo as contas acercadas com Braz Prando, e recebendo valor por saca comprada. Colheuse depoimento do sócio Fábio Barcelos Plotegher, que declarou ter aceitado participar da sociedade fiscalizada a pedido de "Neno", o qual realizava todos os atos de administração da empresa, sendo que o declarante trabalhava apenas no escritório realizando serviços rotineiros e comprando pequenas quantidades de café, sem realizar vendas. Informou que não se lembra de ter realizado nenhum negócio com os membros da família PRANDO e declarou que atualmente trabalha como auxiliar administrativo na Prancafé Comércio de Café Ltda. Confirmou, também, conhecer os procuradores antes citados, com exceção de Marcelo Augusto Costa e Souza e Mateus Lucas Silva. Já o sócio Aldecir Boneres Galter declarou ter constituído a autuada em sociedade com Fábio Barcelos Plotegher, contratando compradores de café de várias maneiras, remunerados mensalmente ou por comissão, e para facilitar o controle abria as contas correntes e dava a procuração para o contratado, deles recebendo, algumas vezes talões de cheque por eles assinados. Abordou outros aspectos das operações e declarou conhecer os procuradores, com exceção de Marcelo Augusto Costa e Souza. Informou os compradores de café e negou qualquer tipo de atividade comercial com os membros da família PRANDO, apenas o Sr. BRAZ PRANDO que assinou como testemunha no Contrato Social da fiscalizada. Afirmou também não se recordar de créditos remetidos por Braz Prando e Francisco Prando e confirmou que as remessas de NOVA BRASÍLIA decorriam de empréstimo não contabilizado. Fl. 24719DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 7 6 Por fim, a autoridade fiscal questionou Braz Prando, Francisco Prando e Ildevar Prando sobre transferências promovidas em favor da autuada, sendo que o primeiro as vinculou a empréstimos por ele contraídos e repassados à autuada; o segundo apresentou a mesma justificativa, além de indicar depósito remetido equivocadamente por Santa Clara Indústria e Comércio de Alimentos Ltda; e o terceiro também apresentou a mesma vinculação a empréstimo, mas indicou operação que desconhecia por se tratar de transferência entre contas da própria autuada. Porém, não foi apresentado nenhum contrato de empréstimo/mútuo com a Cafeeira São José Ltda, ou comprovante de liquidação das dívidas por parte da empresa. A Fiscalização assevera que apesar da negativa apresentada pelos sócios de direito, a transferência à autuada de valores significativos por Braz Prando, Francisco Prando e Ildevar Prando somente faz sentido quando se tem interesse na empresa que está sendo beneficiada com o aporte de recursos, pois se está interferindo diretamente na capacidade financeira da empresa beneficiária dos depósitos. Destaca, ainda, as referências a Braz Prando, Francisco Prando e Ildevar Prando contidas nos depoimentos colhidos, e questiona como poderia Ildevar Prando ter conhecimento da transferência entre contas da autuada. Arremata com as seguintes considerações finais: 01 A partir da instituição das leis que criaram o PIS Integração Social com incidência não cumulativa (da Lei n° 10.637, de 30/12/2002), e da COFINS Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, com a incidência não cumulativa (Lei n° 10.833, de 29/12/2003), foram abertas várias empresas no Estado do Espírito Santo para aluarem na comercialização de café junto aos produtores rurais (pessoas físicas), pois a referida legislação permite as pessoas jurídicas compradoras (empresas torrefadoras, exportadoras e atacadista de cale optantes pela tributação do Imposto de Renda Pessoa Jurídica com base no LUCRO REAL) à utilização de créditos apurados pela aplicação dos percentuais de 1,65% e 7,6% respectivamente, sobre os valores dessas compras. 02 Tem sido muito comum no Estado do Espírito Santo a criação de empresas do ramo do café acumularem elevados débitos fiscais junto à Receita Federal do Brasil após funcionarem por um período de tempo, depois fecham as portas e abrem outras empresas com o mesmo ramo de atividade em locais diferentes e em nome de "laranjas", que por algumas das vezes são exempregados. 03 Tais empresas normalmente encerram suas atividades de forma irregular, ou seja, com altos valores de tributos federais sem o devido pagamento ou declaração em DCTF, e sem o devido pedido de baixa da empresa, procedimento de praxe para o encerramento das atividades. 04 Os fatos apurados na presente ação fiscal enquadramse perfeitamente neste projeto de sonegação fiscal. 05 Os percentuais acima descritos não seriam aproveitados caso a aquisições fossem realizadas diretamente com os produtores rurais (pessoas físicas), o percentuais seriam presumidos, respectivamente, de 0,57 e 2,66%, a título de PIS COFINS (Lei n° 10.925 de 23/07/2004). 06 O café em grão adquirido dos produtores rurais (pessoas físicas) tendo como negociantes junto a esses, geralmente os sócios, procuradores e Fl. 24720DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 8 7 empresários donos de armazéns gerais, chamados de "maquinistas", era vendido para as indústrias torrefadoras, empresas exportadoras ou atacadista do ramo, com notas fiscais emitidas; pela empresa CAFEEIRA SÃO JOSÉ LTDA. 07 A alta movimentação financeira apurada se apresenta desproporcional ao capital social da fiscalizada. 08 Todos os procuradores, na sua maioria proprietários de Armazéns Gerais e/ou maquinistas, intermediavam as vendas de café para os produtores rurais,assinavam os cheques de contas de titularidade da CAFEEIRA SÃO JOSÉ LTDA como procuradores, para o pagamento dos fornecedores (produtores rurais), e que nessa condição sabiam e participavam de todo o esquema de fornecimento de café com nota fiscal de empresa comercial CAFEEIRA SÃO JOSÉ LTDA, para as indústrias torrefadoras, atacadistas e exportadoras. 09 Por derradeiro, os procuradores que comprovaram a condição de empregados, que por tanto dependiam economicamente da empresa e tinham necessidade do emprego, e que por isso obedeciam às ordens de seus patrões, foram excluídos de responsabilidade solidária, sendo esta atribuída aos verdadeiros responsáveis pela movimentação financeira realizada, no quadro I relacionamos 05 procuradores/empregados excluídos e os reais responsáveis: [...] O fiscal autuante indica a exclusão de Andréa Ambrosini Rodrigues Favaro, Marcelo Augusto Costa e Souza, Mateus Lucas Silva e Junior Valani e conclui, ainda, que, por força do art. 124, I do CTN: Todos que tiveram interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal, relacionamos no quadro II, os procuradores, os responsáveis pelas empresas, cujos empregados eram procuradores, e os contribuintes BRAZ PRANDO, CPF 919.715.60782, FRANCISCO PRANDO, CPF 559.199.87715, ILDEVAR PRANDO, CPF 317.634.99715, estes três últimos, apesar de não serem procuradores, foram por diversas vezes citados como compradores, tanto nas declaraçoes dos produtores rurais, corretores e procuradores, e participaram diretamente na situaçao econômica da Cafeeira São José Ltda., tomando empréstimos pessoais junto a instituições financeiras e os repassando a referida Cafeeira, são solidários quanto aos tributos federais apurados no presente Termo. Assim, ante a constatação que a contribuinte e seus procuradores (em sua maioria proprietários de Armazéns Gerais, que mantinham contato direto com os produtores rurais, uma vez que a produção destes estava com aqueles armazenada) comercializaram café adquirido de produtores rurais sem o devido pagamento de tributos, houve omissão de receitas equivalentes à soma das notas fiscais de janeiro/2003 a dezembro/2006, além de omissão de receita presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, indicados na relação de fls. 20761/20878 em valor superior às vendas apuradas. Dos valores depositados foram excluídas transferências entre contas de mesma titularidade e os valores indicados como empréstimos por Braz Prando, Francisco Prando e Ildevar Prando. A tributação, no âmbito do IRPJ e da CSLL, teve em conta o lucro arbitrado a partir de tais receitas de venda e presumidas, dado que a contribuinte não formalizou sua opção pelo lucro presumido e não apresentou os livros obrigatórios para tributação na Fl. 24721DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 9 8 sistemática no lucro real. A Contribuição ao PIS e a COFINS foram calculadas na sistemática cumulativa, relativamente aos fatos geradores a partir de janeiro/2003. Para justificar a aplicação da multa no percentual de 150% a autoridade fiscal cita o art. 44, inciso II da Lei nº 9.430/96 e destaca trechos dos arts. 71 a 73 da Lei nº 4.502/64, indicando que a contribuinte, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, apresentou Declaração de Inatividade e, no anocalendário de 2006, declaração pelo Lucro Presumido sem valores. Entende, assim, afastada a possibilidade de erro. Às fls. 21090/21146 constam Termos de Sujeição Passiva Solidária lavrados contra Aderval Bonfante, Andressa Altoé Muller, Antônio Egídio Capelini, Braz Prando, Carlos Alberto Tamanini, Francisco Prando, Ildevar Prando, João Carlos Casagrande, João Raasch Junior, Jorge Luis Cossetti Fracarolli, José Valentin Fracaroli, Ledinalva Bridi Casagrande, Márcia Helena Zanotti Alves, Maria Alcirene Altoé Muller, Nilson Alves, Roque Romeu Bonfante, Vagno Marcarini Capelini e Waldir Lauret, seguidos dos correspondentes comprovantes de ciência. Posteriormente foram juntados aos autos os termos lavrados contra Gercino Celante e Rosângela Rogg Celante, e comprovantes de ciência (fls. 22822/22831). Neles está indicado que, constatada a prática de atos caracterizadores de sonegação e concluio, como descrito no Termo de Constatação que integra o Auto de infração lavrado contra Cafeeira São José Ltda, restou caracterizada a sujeição passiva solidária nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172, de 1966 (Código Tributário Nacional). A autoridade julgadora de 1ª instância assim relatou as impugnações apresentadas: O interessado (Cafeeira São José Ltda.), cientificado em 27/08/2010 (fls. 196 e 199, do vol. 132, e 25, 46 e 67, do vol. 133), apresentou, em 28/09/2010, a impugnação de fls. 146/163 do vol. 133. Em sua defesa, alega, em síntese, que: sua escrita contábil, que se reveste das formalidades legais, capaz de comprovar a real margem de lucro (junta livros de entradas, estando disponíveis as notas fiscais), foi desconsiderada sem qualquer motivação, em flagrante violação ao devido processo legal; o arbitramento tem caráter excepcional; o lucro é arbitrado mediante aplicação de percentuais estabelecidos em lei, o que foi desatendido pela fiscalização; deve ser realizada perícia técnica, em face das máculas que a autuação apresenta; a autuação é nula. Ildevar Prando, na peça de fls. 19/21 do vol. 140, alega que não teve vista dos Autos. João Carlos Casagrande e Ledinalva Brido Casagrande apresentaram a impugnação de fls. 25/68 do vol. 140. Alegam, em síntese, que: ocorreu a decadência de obrigações surgidas no ano de 2003, 2004 e 2005, já que a ciência ocorreu em 02/09/2010 (a devedora principal teve ciência em 27/08/2010); a única suposta prova (uma procuração com poderes que viabilizam pagar produtores rurais em nome do interessado) não pode servir de base para a imposição; como a própria fiscalização apontou, movimentaram, no ano de 2003, apenas, a conta corrente 1.1541 (houve tributação, espontaneamente, na pessoa física, dos Fl. 24722DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 10 9 valores relativos a esta conta), não cabendo a responsabilização pela totalidade do crédito lançado; a não delimitação da conduta inviabilizou a ampla defesa; além disso, não foram intimados a comprovar a origem dos depósitos bancários (cita jurisprudência); não há prova do interesse comum; o requisito de evidência de dolo não pode existir quando se tratar de lançamento baseado em presunção. Waldir Lauret apresentou a impugnação de fls. 91/128 do vol. 140. Alega, em síntese, que: ocorreu a decadência de obrigações surgidas no ano de 2003, 2004 e 2005, já que a ciência ocorreu em 02/092010 (a devedora principal teve ciência em 27/08/2010); a única suposta prova (uma procuração com poderes que viabilizam pagar produtores rurais em nome do interessado) não pode servir de base para a imposição; movimentou, apenas, a conta corrente 6.9523, não cabendo a responsabilização pela totalidade do crédito lançado; a não delimitação da conduta inviabilizou a ampla defesa; além disso, não foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários (cita jurisprudência); não há prova do interesse comum; o requisito de evidência de dolo não pode existir quando se tratar de lançamento baseado em presunção. Maria Alcirene Altoé Muller apresentou a impugnação de fls. 136/169 do vol. 140. Alega, em síntese, que: nunca foi intimada a prestar qualquer depoimento; não há prova de que tenha movimentado qualquer conta ou praticado qualquer ato em nome de empresa Cafeeira São José Ltda.; o interesse comum precisa ser provado; a simples outorga de procuração é um ato lícito; as condutas devem ser individualizadas, não cabendo responsabilização pela totalidade do crédito lançado; sua filha (Andressa Altoé Muller), na condição de sua procuradora, movimentou, apenas, a conta corrente 3.6366, por menos de dois meses; como a movimentação foi em 2003, já ocorreu a decadência. Márcia Helena Zanotti Alves apresentou a impugnação de fls. 174/205 do vol. 140. Alega, em síntese, que: foi incluída, equivocadamente, como coresponsável com base depoimento do Sr. Marcelo Augusto Costa e Souza, procurador de duas contas correntes da empresa Cafeeira São José Ltda. e exempregado da empresa Alves Corretagem de Café Ltda., da qual é sócia, sem ter sido intimada a prestar esclarecimento; não restou provado seu interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador da obrigação; ademais, eventual responsabilidade cessou com a revogação da procuração, em 30/04/2003; Fl. 24723DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 11 10 só pode responder pelos atos praticados, quais sejam, suposta movimentação das conta correntes 6.6397 (BB) e 8.544.710 (Banestes), as quais tinham como procurador o Sr. Marcelo Augusto Costa e Souza; ocorreu a decadência do suposto crédito tributário, relativo ao ano de 2003 (não houve movimentação posterior). Andressa Altoé Muller apresentou a impugnação de fls. 12/42 do vol. 141. Alega, em síntese, que: além da simples outorga de procuração (que é um ato lícito), não há qualquer prova que revele o seu interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador da obrigação; as condutas devem ser individualizadas, não cabendo responsabilização pela totalidade do crédito lançado; só pode responder pelos atos praticados movimentou, apenas, a conta corrente 3.6366; como a movimentação foi em 2003, já ocorreu a decadência. Nilson Alves apresentou a impugnação de fls. 47/78 do vol. 141. Alega, em síntese, que: foi incluída, equivocadamente, como coresponsável com base depoimento do Sr. Marcelo Augusto Costa e Souza, procurador de duas contas correntes da empresa Cafeeira São José Ltda. e exempregado da empresa Alves Corretagem de Café Ltda., da qual é sócia, sem ter sido intimada a prestar esclarecimento; não restou provado seu interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador da obrigação; ademais, eventual responsabilidade cessou com a revogação da procuração, em 30/04/2003; só pode responder pelos atos praticados, quais sejam, suposta movimentação das conta correntes 6.6397 (BB) e 8.544.710 (Banestes), as quais tinham como procurador o Sr. Marcelo Augusto Costa e Souza; ocorreu a decadência do suposto crédito tributário, relativo ao ano de 2003 (não houve movimentação posterior). Ildevar Prando apresentou a impugnação de fls. 88/115 do vol. 141. Alega, em síntese, que: por não ter tido acesso aos Autos, seu direito de defesa foi cerceado, devendo ser reaberto o prazo de defesa; intimado a comprovar transferências/depósitos nas contas correntes da Cafeeira São José Ltda., informou que as transferências de R$24.000,00 e R$138.000,00, efetuadas de conta de sua titularidade, decorreram de empréstimos concedidos à Cafeeira São José Ltda.; por não ter sido apresentado contrato ou documento que apresentasse a liquidação de tais empréstimos, a fiscalização presumiu, de forma equivocada, interesse na empresa que estava sendo beneficiada com o aporte de recursos; os empréstimos foram garantidos por notas promissórias, que foram devolvidas quando estes foram liquidados; em relação à transferência de R$80.000,00, informou que esta não envolve operação relacionada com a sua pessoa; não há prova do interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador da obrigação; Fl. 24724DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 12 11 houve decadência parcial do suposto crédito. Braz Prando apresentou a impugnação de fls. 132/155 do vol. 141. Alega, em síntese, que: por não ter tido acesso aos Autos, seu direito de defesa foi cerceado, devendo ser declarada a nulidade; a imputação de responsabilidade, conforme Termo de Constatação, deuse, de forma equivocada, com base em alguns empréstimos feitos à Cafeeira São José Ltda., declarações de 2 produtores rurais, de 1 procuradora e de um sócio de empresa armazém geral; nunca assinou nada da empresa Cafeeira São José Ltda. e os empréstimos não revelam qualquer interesse jurídico comum; houve decadência parcial do suposto crédito (quadros às fls. 151 e 154 do vol. 141). Aderval Bonfante e Roque Romeu Bonfante apresentaram a impugnação de fls. 166/202 do vol. 141. Alegam, em síntese, que: para o exercício da ampla defesa, seria necessário indicar expressamente o ato irregular e a vantagem econômica auferida; deve ser reconhecido o efeito da decadência, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, e da prescrição; o mercado do café apresenta peculiaridades; há contrato que legitima todos os atos praticados; não pode responder por atos do contratante; conforme jurisprudência, não cabe lhe imputar responsabilidade pelos atos da empresa Cafeeira São José Ltda.; se foi individualizada a conta, a tributação deve incidir sobre ela; a forma de tributação não pode ser arbitrada, mas lucro real; a multa deve ser limitada a 20%; devem ser realizadas diligências/intimações. José Valentin Fracarolli e Jorge Luis Cosseti Fracarolli apresentaram a impugnação de fls. 7/46 do vol. 142. Alegam, em síntese, que: para o exercício da ampla defesa, seria necessário indicar expressamente o ato irregular e a vantagem econômica auferida; deve ser reconhecido o efeito da decadência/prescrição; o mercado do café apresenta peculiaridades; há contrato que legitima todos os atos praticados; não pode responder por atos do contratante; conforme jurisprudência, não cabe lhe imputar responsabilidade pelos atos da empresa Cafeeira São José Ltda.; se foi individualizada a conta, a tributação deve incidir sobre ela – entretanto, no auto de infração, não são citados como responsáveis por nenhuma conta bancária; a forma de tributação não pode ser arbitrada, mas lucro real; a multa deve ser limitada a 20%; devem ser realizadas diligências/intimações. Fl. 24725DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 13 12 Antônio Egídio Capelini e Vagno Marcarini Capelini apresentaram a impugnação de fls. 49/85 do vol. 142. Alegam, em síntese, que: para o exercício da ampla defesa, seria necessário indicar expressamente o ato irregular e a vantagem econômica auferida; deve ser reconhecido o efeito da decadência, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, e da prescrição (a movimentação da conta bancária 1.0561 só ocorreu até o mês de maio/2003); o mercado do café apresenta peculiaridades; há contrato que legitima todos os atos praticados; não pode responder por atos do contratante; conforme jurisprudência, não cabe lhe imputar responsabilidade pelos atos da empresa Cafeeira São José Ltda.; se foi individualizada a conta, a tributação deve incidir sobre ela; a forma de tributação não pode ser arbitrada, mas lucro real; a multa deve ser limitada a 20%; devem ser realizadas diligências/intimações. Francisco Prando apresentou a impugnação de fls. 88/141 do vol. 142. Alega, em síntese, que: para o exercício da ampla defesa, seria necessário indicar expressamente o ato irregular e a vantagem econômica auferida; deve ser reconhecido o efeito da decadência, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, e da prescrição; não tem relação com Braz Prando e Ildevar Prando; a suposta irregularidade nasceu quando informou ter repassado empréstimo à empresa Cafeeira São José Ltda.; em sendo responsável pela armazenagem, o café que ali se encontra é a garantia necessária para a certeza da devolução do valor dado em empréstimo; o Sr. Júnior Valani seguiu as orientações da Cafeeira São José Ltda. e não as suas; não foi instato a prestar esclarecimentos sobre a empresa Cafeeira São José Ltda.; o mercado do café apresenta peculiaridades; conforme jurisprudência, não cabe lhe imputar responsabilidade pelos atos da empresa Cafeeira São José Ltda.; se foi individualizada a conta, a tributação deve incidir sobre ela; a forma de tributação não pode ser arbitrada, mas lucro real; a multa deve ser limitada a 20%; devem ser realizadas diligências/intimações. João Raasch Júnior apresentou a impugnação de fls. 143/184 do vol. 142. Alega, em síntese, que: para o exercício da ampla defesa, seria necessário indicar expressamente o ato irregular e a vantagem econômica auferida; deve ser reconhecido o efeito da decadência, na forma do art. 150, § 4º, do CTN, e da prescrição (a movimentação da conta bancária 6.6435 só ocorreu até o mês de junho/2003); Fl. 24726DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 14 13 o mercado do café apresenta peculiaridades; responde o mandante pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, jamais pela obrigação tributária decorrente de poderes que exorbitaram os poderes conferidos; conforme jurisprudência, não cabe lhe imputar responsabilidade pelos atos da empresa Cafeeira São José Ltda.; se foi individualizada a conta, a tributação deve incidir sobre ela; a forma de tributação não pode ser arbitrada, mas lucro real; a multa deve ser limitada a 20%; devem ser realizadas diligências/intimações. Carlos Alberto Tamanini apresentou a impugnação de fls. 186/189 do vol. 142. Alega, em síntese, que: foi convidado para ser representante da empresa Cafeeira São José Ltda., com a função de comprador de café; para facilitar as transações comerciais, foi aberta uma conta corrente em um banco próximo; não foi mencionado o mandato judicial para quebra de sigilo bancário; todos os atos praticados foram respaldado em mandato escrito e lavrado publicamente, sendo o mandante o único responsável. Às fls. 3/21 do vol. 143, João Carlos Casagrande e Ledinalva Brido Casagrande apresentaram aditamento à impugnação. Alegam, em síntese, que: deve ser admitido o aditamento, pois os argumentos apresentados não dependem de novas provas; não cabe a multa de 150%: as receitas estavam escrituradas; as operações foram lastreadas em notas fiscais; as contas correntes estavam em nome da pessoa jurídica; não houve qualquer ação dolosa ou fraudulenta; a omissão de rendimentos na DIPJ não justifica a qualificação da multa; ocorreu decadência em relação aos anos calendários de 2003 e 2004; a simples comparação entre receitas e depósitos bancários não é suficiente para configuração da presunção do art. 42 da Lei 9.430; como só atuaram como compradores, não podem ser responsabilizados por eventuais omissões de receitas; só houve movimentação bancária da conta corrente 1.1541 no primeiro semestre de 2005, que representa percentual inexpressivo da movimentação financeira da pessoa jurídica; a pessoa jurídica nunca foi intimada a comprovar a origem dos depósitos bancários; não participavam da empresa e não tinham interesse comum. À fl. 35 do vol. 143 (fl. 24.170 dos Autos), como Ildevar Prando e Braz Prando alegaram a impossibilidade de vista, os Autos foram encaminhados à DRF/Vitória, para vista/retirada de cópias, com reabertura de prazo para impugnação. Como as intimações não mencionaram a reabertura de prazo para defesa (o que motivou as petições de fls. 24.176 e 24.181), houve retorno dos Autos, para reintimação (fl. 24.189). À fl. 24.1999, Ildevar Prando reitera sua impugnação. Fl. 24727DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 15 14 À fl. 24.231, Braz Prando reitera sua impugnação. A Turma julgadora acolheu parcialmente os argumentos de Cafeeira São José Ltda, pois embora aplicável o art. 173, inciso I do CTN para contagem do prazo decadencial, dado que não houve pagamento, além da imputação de evidente intuito de fraude, uma vez que a ciência do lançamento ocorreu em 27/08/2010, estariam decaídas as exigências de IRPJ e de CSLL até o 3o trimestre de 2004 (inclusive), bem como as exigências de Contribuição ao PIS e de COFINS até novembro/2004, inclusive. Em conseqüência, afastou a responsabilidade dos sujeitos passivos vinculados, apenas, a fatos geradores alcançados pela decadência, quais sejam: Andressa Altoé Muller; Antônio Egídio Capelini; João Carlos Casagrande; João Raasch Júnior; Jorge Luis Cossetti Fracarolli; José Valentin Fracarolli; Ledinalva Bridi Casagrande; Márcia Helena Zanotti Alves; Maria Alcirene Altoé Muller; Nilson Alves; e Vagno Marcarini Capelini. De outro lado, rejeitou as seguintes alegações: · Afirmou válido o lançamento porque em conformidade com o art. 142 do CTN e com os arts. 10 e 59 do Decreto nº 70.235/72. Ainda, disse que o acesso aos dados bancários do sujeito passivo, em conformidade com a Lei Complementar nº 105/2001, não configura quebra de sigilo; · Observou que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, sob pena de preclusão; · Quanto à impugnação de Cafeeira São José Ltda: o Afirmou que inexiste prova da apresentação dos livros contábeis, de modo que o arbitramento foi efetuado de acordo com a legislação; o Anotou que não houve contestação específica contra a omissão de receitas apurada a partir das notas fiscais escrituradas no Registro de Saídas; o Quanto às receitas presumidas a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada, registrou a inversão do ônus da prova e a ausência de qualquer esclarecimento por parte do autuado; o Afirmou regular a aplicação do coeficiente de 9,6% para arbitramento dos lucros; o Manteve a qualificação da penalidade ante a ausência de qualquer prova que afastasse as justificativas da Fiscalização. · Quanto à impugnação dos responsáveis, afirmou a existência de solidariedade em relação àqueles que tenham interesse comum na situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, a qual não se limita aos valores depositados em determinada conta bancária. Observou, ainda, que não foi juntada qualquer prova que demonstrasse a inexistência dos fatos relatados pela Fiscalização. Como o crédito tributário exonerado superou o limite da Portaria MF nº 3/2008, a decisão foi submetida a reexame necessário. Fl. 24728DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 16 15 Cafeeira São José Ltda, após restar improfícua a tentativa de ciência por via postal, foi cientificada da decisão de primeira instância por meio de edital desafixado em 23/04/2012 (fl. 24291/24293), mas não interpôs recurso voluntário. Ildevar Prando, antes de ser cientificado da decisão de 1a instância, interpôs recurso voluntário em 11/04/2012 (fls. 24294/24350), no qual assevera que apresentou impugnação em 01/10/2010, a qual não foi apreciada pela autoridade julgadora de 1a instância, na medida em que simplesmente houve um julgamento “coletivo”, tendo se dado tratamento igualitário a todas as defesas/impugnações apresentadas por todos, como se todas as defesas/impugnações fossem exatamente iguais. Embora ausente previsão legal para oposição de embargos à decisão de 1a instância, defende a possibilidade de complementação de acórdão omisso, citando julgado da DRJ/Porto Alegre, na qual assim se procedeu. Conclui que se não houver a apreciação de sua defesa, nula será a decisão proferida. Na seqüência, afirma a nulidade do lançamento tributário por erro da identificação do sujeito passivo contribuinte com violação ao §5o, do art. 42 da Lei 9.430/96, porque o lançamento deveria ter sido formalizado contra aqueles que supõem os Auditores Fiscais serem os titulares das contas correntes, com a identificação das operações supostamente realizadas por cada um. Ressalta que a forma de lançamento adotada gera conseqüências completamente diferentes em relação às pessoas físicas acusadas, até porque a exigência seria apenas de IRPF, sem reflexos de Contribuição ao PIS, COFINS e CSLL, e também observa que os adquirentes de café vendidos pela Cafeeira São José Ltda estão tendo todos os seus créditos de PIS e COFINS glosados, sob a acusação de ser a Cafeeira São José uma empresa criada para gerar créditos. No mérito, defende a total ausência de responsabilidade do ora recorrente pelo crédito tributário constituído em face da empresa Cafeeira São José Ltda, reiterando suas razões de mérito que não teriam sido apreciadas no julgamento de 1a instância. Ao final, conclui que não restou provado qualquer interesse jurídico deste Recorrente no fato gerador da obrigação principal da empresa Cafeeira São José Ltda. Com apenas este recurso voluntário, os autos foram encaminhados a este Conselho, e então sorteados ao Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira, então integrante da 2a Turma da 4a Câmara desta 1ª Seção de Julgamento (fl. 24352). Observando a ausência de recurso de Cafeeira São José Ltda, bem como de intimação dos demais coobrigados, o Conselheiro propôs, e o Presidente Leonardo de Andrade Couto aprovou, o retorno dos autos para ciência da decisão de 1a instância a todos os coobrigados (fl. 24354). Todos coobrigados foram intimados a recolher o crédito tributário remanescente ou impugnar a exigência (fls. 24356/24375 e 24510). Nilson Alves, em 15/08/2012 (fl. 24377); Márcia Helena Zanotti Alves, em 15/08/2012 (fl. 24392); Andressa Altoé Muller, em 13/08/2012 (fl. 24394); Antonio Egídio Capelini, em 05/09/2012 (fl. 24395); João Raazsch Junior, em 17/08/2012 (fl. 24393); Maria Alcirene Altoé Muller, em 17/08/2012 (fl. 24383); Vagno Marcarini Capelini, em 20/08/2012 (fl. 24391), João Carlos Casagrande, em 11/09/2012 (fl. 24508), e Ledinalva Bridi Casagrande, em 11/09/2012 (fl. 24507), foram cientificados da decisão de 1ª instância. Jorge Luis Cossetti Fracarolli foi cientificado por meio de correspondência cujo aviso de recebimento está sem data de recebimento, mas foi postado em 07/08/2012 (fl. 24381). Nenhum deles interpôs recurso voluntário. Fl. 24729DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 17 16 Francisco Prando foi cientificado em 14/08/2012 (fl. 24378) e em 13/09/2012 interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 24536/24590). Inicialmente recorda que requereu diligência para que Nestlé do Brasil Ltda prestasse informações a respeito do mercado de café e dos preços praticados diariamente, na medida em que seu representante se manteve silente durante o procedimento fiscal, viciandoo e ensejando sua nulidade, a qual também decorre de falta de intimação para sua defesa e do não atendimento às diligências requeridas, prejudicando o exercício de sua ampla defesa, além da desconsideração de suas condições peculiares. Observa que o Mandado de Procedimento Fiscal deve ser específico para apuração daquela infração teoricamente praticada, dirigida, ainda, especificamente a um contribuinte, reitera o prejuízo ao contraditório em razão da negativa de diligências e afirma que o acórdão recorrido nega vigência ao art. 145, §1º da Constituição Federal. Argumenta que que a empresa deveria ser fiscalizada pela Receita e não pelos contribuintes, diz que não foi provado o benefício pelo eventual solidário, defende que não pôde, assim, ser incluído no pólo passivo da exigência, mormente tendo em conta jurisprudência contrária à presunção da fraude tributária. Aduz que a ausência da indicação do recorrente como "autuado" e de sua intimação para cumprir a exigência fiscal ou impugnála representa vícios que maculam a validade do lançamento. Ressalta, porém, que como não pode apresentar suas razões durante o procedimento fiscal, tem o direito de fazêlo no curso do contraditório, e, nesse sentido, reproduz a acusação fiscal para firmar a necessidade de a Fiscalização ter indicado expressamente quais seriam os atos irregulares e a vantagem econômica auferida pelos supostos solidários, sendo certo que nada neste sentido foi apontado em relação ao recorrente, sendo apenas indicada a ocorrência de empréstimos bancários e a utilização de procuração outorgada em favor do Sr. Junior Valani.. Como restou indefinida a conduta supostamente incorreta, seria necessário o refazimento do auto de infração com tal indicação. Discorre sobre o direito de defesa, sobre o princípio da legalidade, sobre a verificação da regularidade fiscal do vendedor, sobre a informação pelas Receita Federal e Estadual em favor da regularidade, e defende a anulação de todo o procedimento fiscal. Esclarece não ter nenhuma relação comercial com Braz Prando e Ildevar Prando, e assevera que o repasse de empréstimo à empresa investigada era garantido pelo café armazenado, e isto em quantidades irrisórias. A Fiscalização atuou com subjetivismos, não demonstrou irregularidades ou o benefício do recorrente nestas operações. Quanto à procuração outorgada por Junior Valani, aduz que ele exercitava, por conta própria e seguia as orientações dos administradores da Cafeeira São José e não do ora recorrente, e acrescenta que não foi instado a prestar qualquer esclarecimento sobre a empresa autuada. Observa que seu nome não foi citado nos depoimentos. Argumenta ser regular a utilização de pessoas para compra de grãos no norte quando a empresa trabalha no sul e vice e versa, invoca o art. 170 da Constituição Federal, e ressalta possuir regular inscrição nas repartições públicas para o exercício da estocagem de grãos, enquanto Junior Valani exercia a atividade de corretagem para a empresa autuada. Destaca a complexidade da legislação tributária, reportase aos arts. 112, II e 172, IV, ambos do CTN, e observa que foram desconsiderados aspectos do mercado local, em especial a falta de infra estrutura e seu impacto no lucro, que chegaria ao máximo de 1%. Relata a importância do negociador local em razão da necessidade de confiança por parte das Fl. 24730DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 18 17 famílias que operam na produção, mas mediante corretagem e sem o intuito de causar qualquer fraude tributária. Conclui que sua atividade é regular e que houve injusta imputação de lucro com enriquecimento da Receita. Reitera que o mandato foi conferido ao Sr. Junior Valani e este reportavase diretamente aos administradores da Cafeeira São José, sem qualquer intromissão deste recorrente, argumenta que o mandato não importa em gestão de negócios, cita doutrina, e defende que responde, apenas, pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas não pela obrigação tributária decorrente, consoante jurisprudência. Demais disso, a apuração de lucro dependeria do expurgo de valores a título de empréstimos, juros, taxas, etc, e reafirma a necessidade de revisão do lançamento. Nega qualquer intuito de fraude, pois sempre atendeu as determinações da Receita. Observa que a simples presunção de omissão de receita não caracteriza burla à lei, e requer o expurgo da multa qualificada. Discorda da aplicação do art. 124 do CTN por não ter praticado ato de gestão ou obtido lucro. E, quanto ao art. 135 do CTN, não houve excesso de poderes nem ilegalidade a justificar sua aplicação. Discorre sobre a prática do mercado, e defende que nem mesmo as hipóteses do art. 134 do CTN se verificam. Acrescenta outras referências doutrinárias para reafirmar a inaplicabilidade do art. 135 do CTN, vez que jamais exerceu qualquer ato de administração ou de representação da autuada. Defende, por fim, a necessidade de individualização do crédito tributário decorrente das movimentações na conta bancária operada, segundo o regime do lucro real e com abatimentos de incentivos e benefícios fiscais. Insiste que o lucro nas operações não chega a 1%, discorda do arbitramento dos lucros, e invoca entendimento exposto em julgado administrativo que cita. Aderval Bonfante e Roque Romeu Bonfante foram cientificados por meio de AR sem data de recebimento, postados em 07/08/2012 (fl. 24379/24380), e em 12/09/2012 apresentaram recurso voluntário conjunto, tempestivamente (fl. 24592/24636). Inicialmente recordam que requereram diligência para que Nestlé do Brasil Ltda prestasse informações a respeito do mercado de café e dos preços praticados diariamente, na medida em que seu representante se manteve silente durante o procedimento fiscal, viciandoo e ensejando sua nulidade, a qual também decorre de falta de intimação para sua defesa e do não atendimento às diligências requeridas, prejudicando o exercício de sua ampla defesa, além da desconsideração de suas condições peculiares. Observa que o Mandado de Procedimento Fiscal deve ser específico para apuração daquela infração teoricamente praticada, dirigida, ainda, especificamente a um contribuinte, reiteram o prejuízo ao contraditório em razão da negativa de diligências e afirmam que o acórdão recorrido nega vigência ao art. 145, §1º da Constituição Federal. Aduzem que a ausência da indicação do recorrente como "autuado" e de sua intimação para cumprir a exigência fiscal ou impugnála representa vícios que maculam a validade do lançamento. Ressaltam, porém, que como não puderam apresentar suas razões durante o procedimento fiscal, têm o direito de fazêlo no curso do contraditório, e, nesse sentido, reproduzem a acusação fiscal para firmar a necessidade de a Fiscalização ter indicado expressamente quais seriam os atos irregulares e a vantagem econômica auferida pelos supostos solidários, sendo certo que nada neste sentido foi apontado em relação aos Fl. 24731DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 19 18 recorrentes. Como restou indefinida a conduta supostamente incorreta, seria necessário o refazimento do auto de infração com tal indicação. Discorrem sobre o direito de defesa, sobre o princípio da legalidade, sobre a verificação da regularidade fiscal do vendedor, sobre a informação pelas Receita Federal e Estadual em favor da regularidade, e defendem a anulação de todo o procedimento fiscal. Argumentam ser regular a utilização de pessoas para compra de grãos no norte quando a empresa trabalha no sul e vice e versa, invoca o art. 170 da Constituição Federal, e ressaltam possuir regular inscrição nas repartições públicas para o exercício da estocagem de grãos, além de ter sido firmado contrato de prestação de serviços onde previstos pagamentos, os quais foram juntados aos autos mas desconsiderados pela Fiscalização. Destacam a complexidade da legislação tributária, reportamse aos arts. 112, II e 172, IV, ambos do CTN, e observam que foram desconsiderados aspectos do mercado local, em especial a falta de infra estrutura e seu impacto no lucro, que chegaria ao máximo de 1%. Relatam a importância do negociador local em razão da necessidade de confiança por parte das famílias que operam na produção, mas mediante corretagem, e sem visar qualquer fraude, sendo certo que o fato de ser o procurador funcionário ou não da primeira defendente nada impede que este comercialize o produto para terceiros auferindo pequenos lucros. Concluem que sua atividade é regular e que houve injusta imputação de lucro com enriquecimento da Receita. Argumentam que o mandato não importa em gestão de negócios, citam doutrina, e defendem que respondem, apenas, pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas não pela obrigação tributária decorrente, consoante jurisprudência. Demais disso, a apuração de lucro dependeria do expurgo de valores a título de empréstimos, juros, taxas, etc, e reafirmam a necessidade de revisão do lançamento. Negam qualquer intuito de fraude porque apenas produzem grãos e os vendem a quem maior preço oferecer, como todos os comerciantes do mundo capitalista. Aduzem que sempre atenderam as determinações da Receita, sendo que no presente caso sequer foram intimados a apresentar qualquer documento ou declarações. Observam que a simples presunção de omissão de receita não caracteriza burla à lei, e requerem o expurgo da multa qualificada. Discordam da aplicação do art. 124 do CTN por não terem praticado ato de gestão ou obtido lucro. E, quanto ao art. 135 do CTN, não houve excesso de poderes nem ilegalidade a justificar sua aplicação. Discorrem sobre a prática do mercado, e defendem que nem mesmo as hipóteses do art. 134 do CTN se verificam. Acrescentma outras referências doutrinárias para reafirmar a inaplicabilidade do art. 135 do CTN, vez que jamais exerceu qualquer ato de administração ou de representação da autuada. Defende, por fim, a necessidade de individualização do crédito tributário decorrente das movimentações na conta bancária operada, segundo o regime do lucro real e com abatimentos de incentivos e benefícios fiscais. Insiste que o lucro nas operações não chega a 1%, discorda do arbitramento dos lucros, e invoca entendimento exposto em julgado administrativo que cita. Braz Prando foi cientificado por via postal mas o comprovante de recebimento estava ilegível. Em 10/10/2012 interpôs recurso voluntário (fl. 24638/24653) no Fl. 24732DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 20 19 qual discorda do entendimento exposto na decisão recorrida para manutenção da imputação fiscal porque, apesar da imprecisão da acusação, que sequer determinou em qual dos incisos do art. 124 do CTN se enquadraria a hipótese de solidariedade ventilada, os fatos relatados pelo fiscal autuante foram seguidos pela reprodução do art. 124 do CTN com destaque para seu inciso I, e tendo em conta que são inúmeras as pessoas que têm interesse na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, discorre sobre as manifestações judiciais e administrativas em favor da necessidade de caracterização do interesse jurídico e não econômico, para atribuição de solidariedade. Por sua vez, os fatos apontados pela fiscalização não caracterizam o interesse comum criador da solidariedade, tanto que a decisão recorrida precisou se valer do art. 135 do CTN para atribuir aos responsabilizados atos de gestão praticados com infração à lei, o uso de pessoas interpostas e a celebração de ato simulado, com o que inovou e agravou o lançamento. Equivocada, assim, a imputação de solidariedade. A Fiscalização, invocando apenas alguns empréstimos feitos pelo recorrente à empresa Cafeeira São José Ltda (empréstimos reconhecidos pelo auditor fiscal) sem comprovação da sua liquidação pela tomadora dos empréstimos e a declaração de 4 (quatro) pessoas [...] presumiu (e nada além de simples presunção é o que se tem) o auditor fiscal que o ora recorrente teria algum interesse na situação que constitui fato gerador dos tributos devidos pela empresa Cafeeira São José Ltda (sem sequer ter apontado que interesse seria esse), mesmo tendo reconhecido que detectou incoerências nos depoimentos [...]. Questiona porque, frente a incoerências entre as dezenas de depoimentos que colheu, a Fiscalização levou em consideração 4 (quatro) depoimentos conflitantes de pessoas para formar sua convicção. Indica quatorze depoimentos que declinaram que os sócios e responsáveis da referida empresa são aqueles que constam do contrato social, e ressalta que se a imputação fiscal decorre de sua caracterização como sócio da empresa, a responsabilidade deveria ter fundamento no art. 135 do CTN. Destaca que não foi apontado qualquer documento da autuada assinado pelo recorrente, e que os empréstimos, por si só, também não revelam interesse jurídico que autorize a imputação de solidariedade. Assim, como não foi provado interesse legítimo, positivo, atual e inequívoco, conclui que deve ser desconstituída a responsabilidade do ora recorrente. Carlos Alberto Tamanini foi cientificado em 20/08/2012 (fl. 24382) e em 13/09/2012 interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 24429/24506 e 24513/24535). Inicialmente afirma prejuízo ao contraditório quando negadas as diligências e provas requeridas, destaca que a empresa deveria ser fiscalizada pela Receita e não pelos contribuintes, diz que não foi provado o benefício pelo eventual solidário, defende que não poder, assim, incluído no pólo passivo da exigência, mormente tendo em conta jurisprudência contrária à presunção da fraude tributária. Aduz que a ausência da indicação do recorrente como "autuado" e de sua intimação para cumprir a exigência fiscal ou impugnála representa vícios que maculam a validade do lançamento. Ressalta, porém, que como não pôde apresentar suas razões durante o procedimento fiscal, tem o direito de fazêlo no curso do contraditório, e, nesse sentido, reproduz a acusação fiscal para firmar a necessidade de a Fiscalização ter indicado expressamente quais seriam os atos irregulares e a vantagem econômica auferida pelos supostos solidários, sendo certo que nada neste sentido foi apontado em relação ao recorrente. Como restou indefinida a conduta supostamente incorreta, seria necessário o refazimento do auto de infração com tal indicação. Fl. 24733DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 21 20 Discorre sobre o direito de defesa, sobre o princípio da legalidade, sobre a verificação da regularidade fiscal do vendedor, sobre a informação pelas Receita Federal e Estadual em favor da regularidade, e defende a anulação de todo o procedimento fiscal. Diz que atuou exclusivamente como procurador sob as orientações dos administradores da autuada, assevera que o Fisco não analisou as particularidades do mercado, nem provou a prática de atos ilegais pelo recorrente, sendo certo que seu nome não foi citado nos depoimentos. Argumenta ser regular a utilização de pessoas para compra de grãos no norte quando a empresa trabalha no sul e vice e versa, invoca o art. 170 da Constituição Federal, ressalta possuir regular inscrição nas repartições públicas para o exercício da estocagem de grãos, destaca a complexidade da legislação tributária, reportase aos arts. 112, II e 172, IV, ambos do CTN, e observa que foram desconsiderados aspectos do mercado local, em especial a falta de infra estrutura e seu impacto no lucro, que chegaria ao máximo de 1%. Relata a importância do negociador local em razão da necessidade de confiança por parte das famílias que operam na produção, mas mediante corretagem e sem o intuito de causar qualquer fraude tributária. Conclui que sua atividade é regular e que houve injusta imputação de lucro com enriquecimento da Receita. Argumenta que o mandato não importa em gestão de negócios, cita doutrina, e defende que responde, apenas, pelos atos praticados na compra e venda de mercadorias, mas não pela obrigação tributária decorrente, consoante jurisprudência. Demais disso, a apuração de lucro dependeria do expurgo de valores a título de empréstimos, juros, taxas, etc, e reafirma a necessidade de revisão do lançamento. Nega qualquer intuito de fraude, pois sempre atendeu as determinações da Receita. Observa que a simples presunção de omissão de receita não caracteriza burla à lei, e requer o expurgo da multa qualificada. Discorda da aplicação do art. 124 do CTN por não ter praticado ato de gestão ou obtido lucro. E, quanto ao art. 135 do CTN, não houve excesso de poderes nem ilegalidade a justificar sua aplicação. Discorre sobre a prática do mercado, e defende que nem mesmo as hipóteses do art. 134 do CTN se verificam. Acrescenta outras referências doutrinárias para reafirmar a inaplicabilidade do art. 135 do CTN, vez que jamais exerceu qualquer ato de administração ou de representação da autuada. Defende, por fim, a necessidade de individualização do crédito tributário decorrente das movimentações na conta bancária operada, segundo o regime do lucro real e com abatimentos de incentivos e benefícios fiscais. Insiste que o lucro nas operações não chega a 1%, discorda do arbitramento dos lucros, e invoca entendimento exposto em julgado administrativo que cita. Waldir Lauret foi cientificado em 13/08/2012 (fl. 24376 e 24509) e em 05/09/2012 interpôs recurso voluntário tempestivamente (fls. 24396/24428). Diz que a Fiscalização não logrou provar que este produtor rural teria interesse jurídico comum nas atividades da pessoa jurídica autuada, pois o único documento que o liga à Cafeeira São José Ltda é uma simples procuração, que não pode servir de base para imposição. De toda sorte, ressalta que foi responsável pela movimentação de apenas uma conta bancária, por meio da qual laborou licitamente na compra e venda de café, de forma que eventual responsabilização tributária deveria recair somente sobre os tributos apurados sobre as movimentações que fez, e o relatório de auditoria não individualiza as supostas práticas delitivas e o ônus respectivo. Aduz que este procedimento, dentre outras normas, viola o §5º do art. 42 da Lei nº 9.430/96. Fl. 24734DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 22 21 Argui também prejuízo à sua defesa, vez que desconhece os motivos para ser responsabilizado pelas demais movimentações bancárias promovidas em contas que desconhecia. Aponta ofensa, também, ao art. 42, §6º da Lei nº 9.430/96 por ausência de intimação para que comprovasse a origem dos depósitos bancários. Observa que tais argumentos de defesa foram ignorados na decisão de 1ª instância, destaca que no relatório fiscal estão discriminados os valores movimentados na conta bancária da qual o recorrente era procurador, e conclui que admitindose a existência de um esquema de sonegação, apenas os depósitos sem comprovação da origem após intimação seriam base de cálculo correta par ao lançamento. Acrescenta que, com o reconhecimento da decadência dos fatos ocorridos em 2003 e 2004, considerando que não houve movimentação na conta corrente referida em 2005, restou somente o montante de R$ 208.041,00 movimentado em 2006, ao qual deve ficar limitada a acusação fiscal. Reproduzindo a ementa do acórdão recorrido, conclui que ele foi omisso quanto a seus argumentos de defesa e argui sua nulidade com fundamento no art. 5º, incisos LIV e LV da Constituição Federal, no art. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99 e no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, asseverando que não foram satisfatoriamente analisados seus argumentos acerca da impossibilidade de imputação genérica do ônus tributário e da necessidade da individualização das condutas e da ausência de provas que demonstrem que o recorrente tenha interesse comum na gestão da autuada, sendo certo que sua conduta não foi individualizada, existindo inúmeras provas que demonstram que o recorrente não exercia poder de gerência ou qualquer comando na autuada. Cita acórdão deste Conselho em favor de seu entendimento. Na sequência, reitera as arguições de nulidade do lançamento e do termo de imputação de responsabilidade, citando doutrina e destacando que a individualização da conduta é tão essencial no direito que, no processo penal, a acusação geral é causa de inépcia da inicial. Diz não ter idéia de qual o hipotético interesse comum que poderia ter com os demais autuados, cita julgado do Supremo Tribunal Federal em favor da anulação da peça acusatória em circunstâncias semelhantes, e defende que o mesmo entendimento se aplica no âmbito tributário. Aduz que não pode se defender sem ter acesso aos livros da empresa ou às suas movimentações bancárias, assevera que restou claro ao Fisco que o recorrente teve titularidade apenas da conta corrente nº 6.9523 da agência 3.0098 (Sicoob) e defende a aplicação do art. 42, §5º da Lei nº 9.430/96. Insiste na aplicação do art. 42, §6º da Lei nº 9.430/96, na necessária intimação do recorrente para comprovação da origem dos depósitos, e cita jurisprudência referente a contas de depósito mantida com cotitulares. Argumenta ser dever da Fiscalização provar a ocorrência do fato gerador e a sujeição passiva, sendo certo que a única prova apresentada é uma procuração que viabilizava o pagamento de produtores rurais pelos cafés comprados, a qual nada prova de substancial quanto ao envolvimento do Recorrente no suposto esquema de sonegação, mormente tendo em conta o valor reduzido movimentado em comparação com o montante total. Cita jurisprudência acerca da natureza do interesse comum, reitera a necessidade de prova da sujeição passiva, descreve os fatos geradores das obrigações objeto de lançamento e conclui que o Fisco deveria ter provado o interesse jurídico do recorrente na aquisição de disponibilidade econômica ou jurídica de renda/lucro líquido ou no faturamento da autuada, surgidos de sua atividade empresarial em diversos municípios do Espírito Santo. Mas a única prova apresentada é a mencionada procuração, sendo certo que as hipóteses Fl. 24735DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 23 22 ficcionais que poderiam surgir desse contexto indiciário são inúmeras. Considerando que a ausência de provas já motivou a anulação de vários lançamentos na forma da jurisprudência que cita, invoca o art. 112, inciso III do CTN, e conclui que não há prova suficiente que sustente a acusação fiscal. Defende, por fim, a redução da penalidade a 75%, porque houve apenas falta de recolhimento de tributo e da adequada declaração, e para configuração dos pressupostos previstos na lei 4.502/64 não deve existir dúvidas sobre o propósito doloso do contribuinte em suprimir o tributo, e tal não ocorre em lançamento baseado em presunção, consoante jurisprudência que cita. E, uma vez não provada a sonegação, as exigências até 2005 estariam alcançadas pela decadência por força do art. 150, §4º do CTN. José Valentin Fracarolli não foi cientificado por via postal porque insuficiente o endereço informado como seu domicílio fiscal (fl. 24387/24388). Rosangela Rogg Celante não foi cientificada por via postal após três tentativas de entrega da correspondência (fl. 24389/24390). Gercino Celante também não foi cientificado por via postal após três tentativas de entrega da correspondência (fl. 24384/24386) À fl. 24510 consta intimação de resultado de julgamento dirigida a Ildevar Prando, mas não foi juntado aos autos o comprovante de sua remessa por via postal. No retorno dos autos, como o Conselheiro Relator não mais integrava os quadros deste Conselho, promoveuse novo sorteio sendo a relatoria dos recursos voluntário e de ofício atribuída a esta Conselheira. Por meio do despacho de fl. 24659, em 09/07/2013 os autos foram novamente devolvidos à origem para que se providenciasse nova digitalização do aviso de recebimento da correspondência enviada a Braz Prando, assim como para juntar prova da ciência dos responsáveis José Valentim Fracarolli, Rosângela Rogg Celante, Gercino Celante e Ildevar Prando. À fl. 24667 foi juntada nova imagem do aviso de recebimento atestando a ciência de Braz Prando em 14/09/2012, o que confirma a tempestividade do recurso interposto. À fl. 24670 consta a ciência a José Valentim Fracaroli em 06/08/2013, que não interpôs recurso voluntário. À fl. 24668 consta a confirmação da ciência a Ildevar Prando em 06/08/2013, que em 29/08/2013 apresentou, tempestivamente, razões aditivas ao recurso voluntário antes interposto (fls. 24672/24688). Preliminarmente destaca a ausência de motivação para a quebra do sigilo bancário, descrevendo as providências adotadas pela Fiscalização e invocando manifestação do Supremo Tribunal Federal acerca dos poderes conferidos pela Lei Complementar nº 105/2001. Entende que a conduta do Fisco transgride o direito fundamental ao sigilo de dados, e reportase a doutrina e manifestações do Superior Tribunal de Justiça e deste Conselho para afirmar que somente o Poder Judiciário pode promover a quebra do sigilo bancário. Destaca que a ilegalidade das provas atinge e contamina todas as eventuais provas derivadas e acrescenta que não se pode mais sequer dizer que a matéria atinente à violação ao sigilo bancário dos contribuintes diretamente pelo Fisco é controversa, porque a recente manifestação do Pleno do STF pacifica a questão e servirá de norte para todas as instâncias inferiores. Subsidiariamente, porém, pede o sobrestamento do julgamento na forma do art. 62 A, §1º e 2º, do RICARF. Fl. 24736DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 24 23 Na sequência, afirma a nulidade da decisão de 1ª instância, reiterando que sua impugnação não foi apreciada, e invocando jurisprudência administrativa em favor da nulidade em tais circunstâncias. Acrescenta que tem o julgador de primeira instância administrativa o DEVER DE APRECIAR a integralidade dos argumentos expendidos na Impugnação, e, se for a hipótese, combatêlos pontualmente. Argúi, também, a nulidade do Termo de Sujeição Passiva Solidária, por descumprimento do previsto no art. 10, inciso V, do Decreto nº 70.235/72, citando julgado administrativo neste sentido. Assim, caso reconhecida a solidariedade, a nulidade decorreria do cerceamento ao seu direito de defesa ou, no caso de inexistência da pretensa responsabilidade solidária, por absoluta ausência de base legal. No mérito, aduz que a solidariedade tributária estabelecida no art. 124, I do CTN exige que se comprove, CABALMENTE, a efetiva participação ou contribuição da pessoa física supostamente "solidária" na prática da infração em discussão, sendo certo que o recorrente sequer figura como sócio da autuada, e não é possível afirmar que possuía interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da aventada obrigação principal. Diz não estar provado, por exemplo, que como representante de empresa concorrente à autuada, o recorrente teria qualquer vantagem com a sonegação de tributos pela autuada. Transcreve excertos de julgados administrativos acerca da aplicação do art. 124, I do CTN, e pede a sua exclusão do presente feito. Subsidiariamente pede que, caso se entenda pelo desprovimento do recurso voluntário ora interposto, reportase integramente às razões de mérito expostas pela empresa CAFEEIRA SÃO JOSÉ LTDA, em sua peça de defesa. Novas intimações foram dirigidas a Gercino Celante e Rosângela Rogg, residentes no mesmo domicílio fiscal, mas ambas foram devolvidas pelos Correios com a informação de “mudouse” (fls. 24690/24692 e 24695/24697). Considerando que, confirmada a impossibilidade de ciência aos responsáveis nos endereços indicados como seu domicílio fiscal, a autoridade administrativa deve promover a ciência da decisão de 1ª instância por edital, os autos retornaram mais uma vez à origem nos termos do despacho de fls. 24700/24701, e a ciência a tais responsáveis foi promovida por meio de editais eletrônicos afixados em 23/10/2014 e desafixados em 07/11/2014 (fl. 24710/24711). Gercino Celante e Rosângela Rogg não apresentaram recurso voluntário. Fl. 24737DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 25 24 Voto Conselheira EDELI PEREIRA BESSA Consoante relatado, somente houve apresentação de recurso voluntário por parte dos responsáveis tributários: · A contribuinte autuada e os responsáveis tributários Andressa Altoé Muller, Antônio Egídio Capelini, João Carlos Casagrande, João Raasch Junior, Jorge Luis Cossetti Fracarolli, Ledinalva Bridi Casagrande, Márcia Helena Zanotti Alves, Maria Alcirene Altoé Muller, Nilson Alves, Vagno Marcarini Capelini não apresentaram recurso voluntário, sendo certo que todos estes responsáveis tributários se beneficiaram do parcial provimento das impugnações; e · Gercino Celante e Rosângela Rogg, apesar de intimados da decisão de 1ª instância, não se manifestaram, assim como antes não apresentaram impugnação. Além disso, observase que José Valentim Fracarolli também teve sua responsabilidade afastada pela decisão de 1ª instância, de modo que os argumentos por ele trazidos em recurso voluntário somente seriam pertinentes como contrarrazões ao recurso de ofício. Antes, porém, de apreciar o recurso de ofício, necessário se faz analisar, em preliminar, o pedido de sobrestamento do julgamento apresentado por Ildevar Prando e as arguições de nulidade da decisão de 1ª instância. Ildevar Prando questiona a quebra de sigilo bancário da autuada, destacando que a ilegalidade das provas atinge e contamina todas as eventuais provas derivadas e observando que a recente manifestação do Pleno do STF pacifica a questão e servirá de norte para todas as instâncias inferiores. Subsidiariamente pede o sobrestamento do julgamento na forma do art. 62A, §1º e 2º, do RICARF. Inicialmente cumpre esclarecer que a exigência fiscal tem por referência valores de vendas extraídos de notas fiscais emitidas pela contribuinte, e apenas parte dos tributos lançados foi determinada a partir dos depósitos bancários de origem não comprovada, identificados a partir de requisições dirigidas às instituições financeiras com fundamento no art. 6º da Lei Complementar nº 105/2001. Assim, a ilegalidade das provas arguida pelo recorrente não afetaria a exigência por inteiro, de modo que sua apreciação não precisa ser feita em preliminar Para além disso, cumpre esclarecer que desde a alteração do anterior Regimento Interno do CARF pela Portaria MF nº 545/2013, foi revogado o §1º do art. 62A, integrado ao Anexo II do Regimento, e não existe mais determinação regimental de que sejam sobrestados os julgamentos nos casos em que o Supremo Tribunal Federal sobrestar o julgamento de recursos extraordinários da mesma matéria, na forma do art. 543B do Código Fl. 24738DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 26 25 de Processo Civil. No mesmo sentido é o atual Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Por sua vez, o Recurso Extraordinário nº 601.314, no qual foi reconhecida a repercussão geral do tema, aguarda julgamento no Supremo Tribunal Federal agora sob relatoria do Ministro Luiz Edson Fachin. Por tais razões, o presente voto é no sentido de REJEITAR o pedido de sobrestamento do julgamento. Com referência às arguições de nulidade da decisão de 1ª instância, Ildevar Prando, manifestandose antes mesmo de ser cientificado da decisão de 1a instância, alegou que simplesmente houve um julgamento “coletivo”, tendo se dado tratamento igualitário a todas as defesas/impugnações apresentadas por todos, como se todas as defesas/impugnações fossem exatamente iguais. Sua petição, apresentada no sentido de ver complementada a decisão recorrida, não foi submetida à autoridade julgadora de 1ª instância, e em recurso voluntário apresentado depois de sua ciência da decisão de 1ª instância, o recorrente arguiu a nulidade da decisão de 1ª instância, reiterando que sua impugnação não foi apreciada, bem como destacando que tem o julgador de primeira instância administrativa o DEVER DE APRECIAR a integralidade dos argumentos expendidos na Impugnação, e, se for a hipótese, combatêlos pontualmente. Francisco Prando, Aderval Bonfante e Roque Romeu Bonfante observaram que requereram diligência para que Nestlé do Brasil Ltda prestasse informações a respeito do mercado de café e dos preços praticados diariamente, na medida em que seu representante se manteve silente durante o procedimento fiscal. Aduzem que o lançamento seria nulo em razão do não atendimento às diligências requeridas, prejudicando o exercício de sua ampla defesa, em ofensa ao art. 145, §1º da Constituição Federal. Braz Prando anota que a imputação de responsabilidade teve por referência o art. 124 do CTN, mas a decisão recorrida precisou se valer do art. 135 do CTN para atribuir aos responsabilizados atos de gestão praticados com infração à lei, o uso de pessoas interpostas e a celebração de ato simulado, com o que inovou e agravou o lançamento. Carlos Alberto Tamanini menciona prejuízo ao contraditório quando negadas as diligências e provas requeridas. Waldir Lauret afirma a nulidade da decisão de 1ª instância com fundamento no art. 5º, incisos LIV e LV da Constituição Federal, no art. 2º e 50 da Lei nº 9.784/99 e no art. 59, II do Decreto nº 70.235/72, asseverando que não foram satisfatoriamente analisados seus argumentos acerca da impossibilidade de imputação genérica do ônus tributário e da necessidade da individualização das condutas e da ausência de provas que demonstrem que o recorrente tenha interesse comum na gestão da autuada, O voto condutor da decisão recorrida traz a seguinte abordagem inicial: Primeiramente observo que a jurisprudência não tem força vinculante. As autoridades administrativas não se encontram cingidas em sua atividade à orientação firmada na jurisprudência, quer administrativa, quer judicial, sendo pertinente, tãosomente, conhecer e decidir sobre a conformidade do ato à lei. Fl. 24739DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 27 26 O lançamento foi efetuado com observância dos requisitos do artigo 142 da Lei 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, aos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 06/03/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF). Para garantir a ampla defesa e o contraditório, os Autos foram encaminhados à DRF/Vitória, para vista/retirada de cópias, com reabertura de prazo para impugnação. A Lei Complementar nº 105/2001, em seu artigo 6º, dispõe sobre a possibilidade das autoridades fiscais examinarem a movimentação financeira. O Decreto nº 3.724/2001 regulamenta o artigo 6º da Lei Complementar. A Lei possibilita às autoridades fiscais o exame da movimentação financeira, independentemente de autorização judicial, quando houver processo administrativo instaurado ou procedimento fiscal em curso e tais exames sejam considerados indispensáveis pela autoridade administrativa competente. O acesso aos dados bancários do contribuinte, nesta hipótese, não configura quebra de sigilo (art. 6º, § 3º, inciso VI, da Lei Complementar nº 105, de 10/01/2001). Deste modo, há que se considerar o procedimento da fiscalização como perfeitamente lícito e respaldado em lei. Pelo exposto, não há que se falar em nulidade da decisão recorrida. Quanto à produção de prova, cabe observar que o inciso III, do artigo 16, do Decreto 70.235/1972, com redação do artigo 1º, da Lei 8.748/1993, determina que a impugnação apresentada deve necessariamente mencionar “os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir”. O artigo aduz, ainda, em seu § 4°, acrescentado pela Lei 9.532/1997, que a prova documental deve ser apresentada juntamente com a impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que fique demonstrado motivo de força maior, se refira a fato ou a direito superveniente, ou se contraponha a razões ou a fatos trazidos aos autos posteriormente. Deste modo, é ônus do interessado juntar aos autos os elementos de prova que possui, não podendo dele se eximir solicitação de perícia/diligência, que, portanto, indefiro. Seguese a apreciação da arguição de decadência, ora suprimida, e então foram deduzidos os seguintes argumentos para rejeitar a impugnação dos recorrentes na parte não alcançada pela decadência: Através do Termo de Diligência Fiscal (fl. 4 do vol. 1), o interessado foi intimado a apresentar Livros Contábeis (Diário, Razão e Caixa) e Fiscais (Livros Registros de Entradas e Saídas de Mercadorias e Livro de Apuração de ICMS). No Termo de Constatação, item Da Infração, a fiscalização relaciona os livros apresentados (Livros Registros de Saídas, Livros Registros de Entradas e Livro de Apuração de ICMS) e observa que, como os livros apresentados não são os necessários para a apuração do Lucro Real e o interessado não optou, com o pagamento, por outra forma de tributação, os valores comprovados como omissão de receitas foram tributados pelo Lucro Arbitrado. Fl. 24740DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 28 27 Na impugnação, o interessado alega que sua escrituração se reveste das formalidades legais, mas não elide a ocorrência dos fatos descritos pela fiscalização, ou seja, não comprova ter havido a apresentação à fiscalização dos Livros Contábeis (Diário, Razão e Caixa) solicitados. Nos termos da legislação em vigor, a tributação com base no lucro real depende de dispor o contribuinte de escrituração contábil completa, mantida na forma da legislação comercial e fiscal, apoiada em documentos hábeis, que assegurem sua exatidão e a dedutibilidade de seus custos e despesas. O arbitramento do lucro não é uma penalidade, mas apenas uma forma alternativa de valorar o lucro auferido, para fins tributários, quando não sejam disponíveis livros fiscais e documentos que permitam a apuração do resultado pela sistemática do lucro real. A não apresentação de livros e documentos que demonstrem a existência de escrituração na forma das leis comerciais e fiscais justifica o arbitramento do lucro (art. 530, III, do RIR/1999). O arbitramento foi, portanto, efetuado de acordo com a legislação. Deve, então, ser mantido. No Termo de Constatação, item Da Infração, a fiscalização aponta que o interessado omitiu receitas, apuradas de janeiro de 2003 a agosto de 2005 nos Livros de Saídas e de setembro de 2005 a dezembro de 2006 pela soma das notas fiscais. Acrescenta que a diferença entre os valores dos depósitos bancários de origem não comprovada e os valores tributados como omissão de receitas, no item 7.1, também foi tributada como omissão de receitas, conforme art. 42 da Lei nº 9.430/1996. Apresenta planilhas e observa terem sido excluídas as transferências de contas de mesma titularidade, os valores creditados a título de empréstimo e os valores transferidos por Braz Prando, Francisco Prando e Ildevar Prando, uma vez que estes comprovaram os empréstimos obtidos junto às instituições financeiras e os repassaram à Cafeeira São José Ltda. Em relação à omissão de receitas de revenda de mercadorias, não foi apresentada qualquer contestação específica. Tratase de apuração de omissão de receitas por prova direta, que não foi elidida. Diante de omissão de receitas, é cabível lançamento de ofício. Deve, então, ser mantida a autuação (omissão de receitas de revenda de mercadorias). A partir de 1º de janeiro de 1997, com a edição da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 42, a existência dos depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada foi erigida à condição de presunção legal de omissão de receita. Diante de presunção legal, ocorre inversão do ônus da prova. Com isso, atenuouse a carga probatória atribuída ao Fisco, que precisa, apenas, demonstrar a existência de depósitos bancários não escriturados ou de origem não comprovada para satisfazer o onus probandi a seu cargo. A fiscalização instruiu os autos com termos de intimação, extratos bancários e demonstrativos. Os critérios adotados (incluindo as exclusões efetuadas) foram expostos no Termo de Constatação. Fl. 24741DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 29 28 Em sede de impugnação, não foi apresentado elemento de prova que demonstrasse a existência de qualquer valor indevidamente incluído no levantamento fiscal. Deve, então, ser mantida a autuação (omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada). Registrese, ainda, que, no cálculo do Lucro Arbitrado, a fiscalização aplicou o percentual de 9,6% sobre as receitas de revenda de mercadorias e depósitos bancários de origem não comprovada. De acordo com o art. 532, do RIR/1999, os percentuais a serem aplicados sobre a receita bruta para a apuração do Lucro Arbitrado são os mesmos aplicáveis para o Lucro Presumido, acrescidos de 20%. Deste modo, não pode prevalecer a alegação de não ter havido a aplicação de percentuais estabelecidos em lei. Deve, então, ser mantido o lançamento de IRPJ (em relação aos períodos não alcançados pela decadência), efetuado de acordo com a legislação, por não ter o interessado apresentado elemento de prova capaz de elidilo. Os lançamentos de PIS, CSLL e COFINS decorrem dos mesmos fatos relatados no lançamento de IRPJ. Aplicase ao lançamento conexo o mesmo tratamento dispensado ao lançamento principal, em razão da relação de causa e de efeito que os vincula, quando não há matéria específica a ensejar conclusão diversa. Como o lançamento de IRPJ foi considerado procedente, os lançamentos conexos de PIS, CSLL e COFINS (em relação aos períodos não alcançados pela decadência) são, também, procedentes. Nos lançamento de ofício, é devida a aplicação de multa de ofício. No Termo de Constatação, no item Da Majoração Da Multa de Ofício, a fiscalização indica os dispositivos legais infringidos e esclarece que o interessado, nos anoscalendário de 2003, 2004 e 2005, apresentou Declaração de Inatividade e, no anocalendário de 2006, declaração pelo Lucro Presumido sem valores. Observa que a hipótese de erro fica afastada, pois o interessado “no cumprimento da OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA de apresentar declarações (IRPJ e DCTF), o fez reiteradamente por 04 (quatro) anos consecutivos, de maneira não condizente com a realidade das operações de vendas realizadas”. Em sede de impugnação, não foi apresentado qualquer elemento probante que demonstrasse a inexistência dos fatos relatados pela fiscalização, fatos estes suficientes para justificar a qualificação da multa (denotam o elemento subjetivo da prática dolosa). Deve, então, ser mantida a multa de 150%. As receitas omitidas foram resultado de atividades comerciais praticadas por pessoa jurídica, sendo, então, o crédito tributário constituído em nome desta. No entanto, em face dos fatos apurados durante o procedimento fiscal, relatados no Termo de Constatação, foi identificada a ocorrência de Sujeição Passiva Solidária. Fl. 24742DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 30 29 No item Considerações Da Presente Fiscalização, a fiscalização registra ter detectado várias incoerências nos depoimentos, que descreve; relaciona a expressiva movimentação financeira e a DIPJ apresentada, por ano calendário; informa que foi apresentada DCTF do ano calendário de 2006 completamente zerada; que o interessado operou no ramo de café utilizando procuradores que administravam contas correntes de diversos bancos, ao invés de abrir uma filial; que os sócios de direito transferiram/depositaram importâncias significativas nas contas do interessado (Cafeeira São José Ltda.). No item Considerações Finais, observa que os procuradores assinavam cheques do interessado para pagamento de fornecedores (produtores rurais) e participavam do esquema de fornecimento de café com nota fiscal do interessado para as indústrias torrefadoras, atacadistas e exportadoras. Relaciona os procuradores/empregados excluídos e os reais responsáveis. No item Da Solidariedade, relaciona, no quadro II, todos que tiveram interesse na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal (20 sujeitos passivos solidários). Reproduz o art. 124 do CTN. De acordo com o art. 124 do CTN, são solidariamente obrigadas as pessoas que tenham interesse comum na situação que constituiu o fato gerador da obrigação principal. Há solidariedade, quando, na mesma obrigação, concorre mais de um credor, ou mais de um devedor, cada um com direito, ou obrigado, à dívida toda (art. 264 do CC). Assim, não há amparo legal à pretensão de a tributação, em relação a cada sujeito passivo solidário, dever incidir, apenas, sobre valores depositados em determinada conta. No entanto, não cabe a imputação de responsabilidade em relação aos sujeitos passivos vinculados, apenas, a fatos geradores alcançados pela decadência e que, portanto, não integram o crédito tributário a ser exigido. São eles: Andressa Altoé Muller; Antônio Egídio Capelini; João Carlos Casagrande; João Raasch Júnior; Jorge Luis Cossetti Fracarolli; José Valentin Fracarolli; Ledinalva Bridi Casagrande; Márcia Helena Zanotti Alves; Maria Alcirene Altoé Muller; Nilson Alves; e Vagno Marcarini Capelini. Em sede de impugnação, não foi juntado aos Autos qualquer elemento probante que demonstrasse a inexistência dos fatos relatados no Termo de Constatação, fatos estes suficientes para justificar a imputação de sujeição passiva (fatos que, ao contrário do alegado na defesa, demonstram o interesse comum), pelo dispositivo citado. Pelo exposto, não há como afastar a responsabilidade tributária imputada aos demais sujeitos passivos solidários. De plano constatase que não merecem acolhida as arguições de nulidade por parte de Francisco Prando, Aderval Bonfante, Roque Romeu Bonfante e Carlos Alberto Tamanini acerca do cerceamento de sua defesa ante a não realização das diligências requeridas. A jurisprudência administrativa é pacífica no sentido de que o indeferimento de diligência ou perícia, quando devidamente motivado, não enseja cerceamento ao direito de defesa. No presente caso, a autoridade julgadora de 1ª instância entendeu que a prova cuja produção era Fl. 24743DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 31 30 pretendida por meio de diligência teria natureza documental e assim deveria ter sido anexada à impugnação. Claro está, também, que não tem razão Braz Prando ao alegar que houve agravamento de lançamento, porque a decisão recorrida em momento algum fez referência ao art. 135 do CTN ou a ao seu texto legal. Já com referência às alegações de Ildevar Prando e Waldir Lauret acerca da falta de apreciação de todos os argumentos de defesa apresentados em impugnação, cumpre recordar que a autoridade julgadora de 1ª instância assim relatou as impugnações por eles apresentadas: Waldir Lauret apresentou a impugnação de fls. 91/128 do vol. 140. Alega, em síntese, que: ocorreu a decadência de obrigações surgidas no ano de 2003, 2004 e 2005, já que a ciência ocorreu em 02/09/2010 (a devedora principal teve ciência em 27/08/2010); a única suposta prova (uma procuração com poderes que viabilizam pagar produtores rurais em nome do interessado) não pode servir de base para a imposição; movimentou, apenas, a conta corrente 6.9523, não cabendo a responsabilização pela totalidade do crédito lançado; a não delimitação da conduta inviabilizou a ampla defesa; além disso, não foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários (cita jurisprudência); não há prova do interesse comum; o requisito de evidência de dolo não pode existir quando se tratar de lançamento baseado em presunção. [...] Ildevar Prando apresentou a impugnação de fls. 88/115 do vol. 141. Alega, em síntese, que: por não ter tido acesso aos Autos, seu direito de defesa foi cerceado, devendo ser reaberto o prazo de defesa; intimado a comprovar transferências/depósitos nas contas correntes da Cafeeira São José Ltda., informou que as transferências de R$24.000,00 e R$138.000,00, efetuadas de conta de sua titularidade, decorreram de empréstimos concedidos à Cafeeira São José Ltda.; por não ter sido apresentado contrato ou documento que apresentasse a liquidação de tais empréstimos, a fiscalização presumiu, de forma equivocada, interesse na empresa que estava sendo beneficiada com o aporte de recursos; os empréstimos foram garantidos por notas promissórias, que foram devolvidas quando estes foram liquidados; em relação à transferência de R$80.000,00, informou que esta não envolve operação relacionada com a sua pessoa; não há prova do interesse jurídico na situação que constituiu o fato gerador da obrigação; houve decadência parcial do suposto crédito. Fl. 24744DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 32 31 [...] À fl. 35 do vol. 143 (fl. 24.170 dos Autos), como Ildevar Prando e Braz Prando alegaram a impossibilidade de vista, os Autos foram encaminhados à DRF/Vitória, para vista/retirada de cópias, com reabertura de prazo para impugnação. Como as intimações não mencionaram a reabertura de prazo para defesa (o que motivou as petições de fls. 24.176 e 24.181), houve retorno dos Autos, para reintimação (fl. 24.189). À fl. 24.1999, Ildevar Prando reitera sua impugnação. À fl. 24.231, Braz Prando reitera sua impugnação. Embora somente tenha associado o argumento apreciado ao impugnante que o alegou quando supriu as arguições de cerceamento ao direito de defesa por ausência de vista dos autos, é possível afirmar que a autoridade julgadora de 1ª instância rejeitou quase todas as alegações dos referidos impugnantes ao abordar a decadência do crédito tributário, declarar suficientes os elementos reunidos pela Fiscalização ante a falta de juntada de qualquer elemento probante que infirmasse os fatos relatados na acusação, invocar os efeitos da solidariedade para legitimar a responsabilização dos acusados por todo o crédito tributário lançado, entender caracterizado o interesse comum ou interesse jurídico na situação que constitui o fato gerador a partir das provas reunidas pelo gente fiscal independentemente da pretendida individualização da conduta de cada agente, validar a imposição da multa qualificada em razão da demonstração do elemento subjetivo da prática dolosa a partir dos elementos reunidos pela Fiscalização e negar qualquer efeito às alegações de empréstimo por ausência de provas que as suportem. Todavia, resta um argumento apresentado por Waldir Lauret que não foi apreciado. Disse o recorrente que não foi intimado a comprovar a origem dos depósitos bancários, e acerca do tema a autoridade julgadora de 1ª instância apenas disse que: A fiscalização instruiu os autos com termos de intimação, extratos bancários e demonstrativos. Os critérios adotados (incluindo as exclusões efetuadas) foram expostos no Termo de Constatação. Em sede de impugnação, não foi apresentado elemento de prova que demonstrasse a existência de qualquer valor indevidamente incluído no levantamento fiscal. Deve, então, ser mantida a autuação (omissão de receitas depósitos bancários de origem não comprovada). As receitas omitidas foram resultado de atividades comerciais praticadas por pessoa jurídica, sendo, então, o crédito tributário constituído em nome desta. No entanto, em face dos fatos apurados durante o procedimento fiscal, relatados no Termo de Constatação, foi identificada a ocorrência de Sujeição Passiva Solidária. Para além disso, a autoridade julgadora de 1ª instância apenas consignou, genericamente, no início do voto condutor da decisão recorrida, que o lançamento foi efetuado com observância dos requisitos do artigo 142 da Lei 5.172, de 25/10/1966 (Código Tributário Nacional CTN), não se configurando qualquer violação ao que o mencionado diploma legal dispõe e, tampouco, aos artigos 10 e 59 do Decreto 70.235, de 06/03/1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal (PAF). A questão suscitada, porém, diz respeito à necessidade, ou não, de intimação dos responsáveis tributários solidários, no curso do procedimento fiscal, para comprovação da origem dos depósitos bancários. Aliás, a alegação de que a falta de intimação dos responsáveis Fl. 24745DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA Processo nº 15586.000366/201001 Acórdão n.º 1302001.733 S1C3T2 Fl. 33 32 solidários violaria o art. 42, §5º da Lei nº 9.430/96 está presente na impugnação Waldir Lauret, assim como de João Carlos Casagrande/Ledinalva Bridi Casagrande, muito embora a acusação contra estes últimos tenha sido afastada em preliminar, com o acolhimento parcial da decadência. Considerando que a questão em referência é suficiente, em tese, para afastar a exigência na parte correspondente aos tributos calculados sobre a receita presumida a partir de depósitos bancários de origem não comprovada, sua apreciação era indispensável. Confirmase, assim, a preterição do direito de defesa, hábil a determinar a declaração de nulidade da decisão de 1ª instância, na forma do art. 59, inciso II do Decreto nº 70.235/72. Por tais razões, o presente voto é no sentido de ANULAR o processo administrativo a partir da decisão de 1ª instância, devendo os autos retornar à autoridade julgadora de 1ª instância para nova decisão, contemplando todos os argumentos de defesa apresentados pelos impugnantes. (documento assinado digitalmente) EDELI PEREIRA BESSA – Relatora Fl. 24746DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA, Assinado digitalmente em 17/12/2015 por EDELI PEREIRA BESSA
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Numero do processo: 10840.002725/2004-36
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Mon Jan 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Sat Feb 20 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS INOMINADOS. PROVIMENTO.
As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção. Dá-se provimento aos embargos opostos e admitidos como inominados, a fim de que a parte dispositiva do acórdão reflita toda a sua fundamentação de conhecimento e não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, sanando-se o lapso manifesto ou mesmo erros de escrita que indicaram o seu não conhecimento deste.
SIMPLES NACIONAL. SÚMULA 81 DO CARF. INAPLICABILIDADE.
Não há que se falar em aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006 para a admissão de atividade ao SIMPLES, o que seria vedado pela Súmula 81 do CARF, quando a legislação pretérita, vigente à época dos fatos, já garantia ao contribuinte o direito de optar por esse regime de tributação. Nega-se provimento aos embargos de declaração.
Numero da decisão: 9101-002.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e providos parcialmente, para rerratificar o Acórdão embargado, suprindo o erro material, nos termos do voto do Relator, sem efeitos infringentes.
Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
Conselheiro Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
EDITADO EM: 17/02/2016
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2004 EMBARGOS INOMINADOS. PROVIMENTO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção. Dá-se provimento aos embargos opostos e admitidos como inominados, a fim de que a parte dispositiva do acórdão reflita toda a sua fundamentação de conhecimento e não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, sanando-se o lapso manifesto ou mesmo erros de escrita que indicaram o seu não conhecimento deste. SIMPLES NACIONAL. SÚMULA 81 DO CARF. INAPLICABILIDADE. Não há que se falar em aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006 para a admissão de atividade ao SIMPLES, o que seria vedado pela Súmula 81 do CARF, quando a legislação pretérita, vigente à época dos fatos, já garantia ao contribuinte o direito de optar por esse regime de tributação. Nega-se provimento aos embargos de declaração.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e providos parcialmente, para rerratificar o Acórdão embargado, suprindo o erro material, nos termos do voto do Relator, sem efeitos infringentes. Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente. (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto - Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 17/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (Vice-Presidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente).
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AND SERVICE LTDA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2004 EMBARGOS INOMINADOS. PROVIMENTO. As alegações de inexatidões materiais devidas a lapso manifesto e os erros de escrita ou de cálculo existentes na decisão, provocados pelos legitimados para opor embargos, deverão ser recebidos como embargos inominados para correção. Dáse provimento aos embargos opostos e admitidos como inominados, a fim de que a parte dispositiva do acórdão reflita toda a sua fundamentação de conhecimento e não provimento do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, sanandose o lapso manifesto ou mesmo erros de escrita que indicaram o seu não conhecimento deste. SIMPLES NACIONAL. SÚMULA 81 DO CARF. INAPLICABILIDADE. Não há que se falar em aplicação retroativa da Lei Complementar 123/2006 para a admissão de atividade ao SIMPLES, o que seria vedado pela Súmula 81 do CARF, quando a legislação pretérita, vigente à época dos fatos, já garantia ao contribuinte o direito de optar por esse regime de tributação. Negase provimento aos embargos de declaração. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, embargos conhecidos e providos parcialmente, para rerratificar o Acórdão embargado, suprindo o erro material, nos termos do voto do Relator, sem efeitos infringentes. Conselheiro CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 27 25 /2 00 4- 36 Fl. 138DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 2 (assinado digitalmente) Conselheiro Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) EDITADO EM: 17/02/2016 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCOS AURÉLIO PEREIRA VALADÃO, CRISTIANE SILVA COSTA, ADRIANA GOMES REGO, LUÍS FLÁVIO NETO, ANDRE MENDES DE MOURA, LIVIA DE CARLI GERMANO (Suplente Convocada), RAFAEL VIDAL DE ARAÚJO, RONALDO APELBAUM (Suplente Convocado), MARIA TERESA MARTINEZ LOPEZ (VicePresidente), CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO (Presidente). Relatório Tratamse de EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional (doravante "PFN"), em face do acórdão n. 9101 001.763 (doravante "acórdão embargado"), proferido na sessão de 15.10.2013, pela Primeira Turma desta Câmara Superior de Recursos Fiscais (doravante "CSRF"), em foi julgado recurso especial interposto também pela Fazenda Nacional. Por oportuno, o relatório do despacho proferido para fins de admissibilidade dos referidos embargos de declaração bem sintetizou as questões ora submetidas à análise deste Tribunal: Tratase de embargos de declaração interpostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN), em face do Acórdão nº 9101001.763, de 15.10.2013, em cuja ementa consta: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2004 SIMPLES. EXCLUSÃO INDEVIDA. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS DE INSPEÇÃO, MANUTENÇÃO E ASSISTÊNCIA TÉCNICA EM EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS, METALÚRGICOS E SIDERÚRGICOS. DESNECESSIDADE DE CONHECIMENTO PROFISSIONAL HABILITADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ARTIGO 9º, INCISO XIII, DA LEI N° 9.317, de 1996. Restado demonstrado que os serviços prestados pela Contribuinte são tipicamente de inspeção, manutenção e assistência técnica em equipamentos industriais, metalúrgicos e siderúrgicos, que utilizam mão de obra não qualificada, sem qualquer necessidade de conhecimentos técnicos específicos da profissão de engenheiro mecânico, há que ser afastada a exclusão do SIMPLES. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002725/200436 Acórdão n.º 9101002.169 CSRFT1 Fl. 1001 3 Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. [...] Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, recurso da Fazenda não conhecido. Notificada da referida decisão em 13.05.2015, a PGFN opôs embargos de declaração em 14.05.2015 (§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), suscitando que: O r. acórdão não conheceu o recurso especial da Embargante. Contudo, smj, há manifesta contradição entre as razões e o dispositivo do v. aresto. A respeito da preliminar de admissibilidade do recuso especial diz o v. voto condutor do r. aresto, verbis: “Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora.” Porém, ao final das razões de mérito concluiu o v. voto condutor do r. aresto, verbis: “Diante do conteúdo dos autos, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional.” Resta patente a contradição entre o v. voto de admissibilidade e o dispositivo que não conhece o recurso. Ultrapassada a discussão sobre a admissibilidade do recurso especial, cabe suscitar sobre a decisão de mérito do r. acórdão. No caso em comento, a tese levantada no recurso especial foi de óbice à aplicação retroativa da legislação do SIMPLES. Consignamos a respeito no recurso especial, verbis: “Verificase que a decisão aplicou RETROATIVAMENTE a Lei Complementar nº 123/2006.” Rejeitando a tese da Embargante, o r. acórdão corroborou o r. aresto do i. Colegiado a quo e aplicou RETROATIVAMENTE a legislação do SIMPLES. Assim, smj, restou vulnerado o enunciado nº 81 de Súmula do e. CARF, verbis: “É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.” Decerto que os embargos de declaração não são a via própria para arguir o mérito da lide, contudo, houve manifesta ofensa ao RICARF, art. 72. [...] Posto isso, a FAZENDA NACIONAL requer o conhecimento e provimento destes embargos declaratórios para ser sanada a contradição e a omissão acima indicadas. Os embargos de declaração estão regulamentados no art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (RICARF) 1 e foram opostos no prazo de 5 (cinco) dias contado da ciência do acórdão e atendem aos pressupostos de tempestividade e legitimidade. Passase a apreciar a admissibilidade. Tem cabimento transcrever excertos do acórdão embargado: Fl. 140DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 4 Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. Como visto do relatório, o ponto nodal da presente discussão diz respeito tão somente a exclusão da contribuinte da opção pelo Simples. Resta claro nos autos que a contribuinte foi excluída do Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte— SIMPLES pelo Ato Declaratório Executivo n° 567.413, de 02/08/2004, exarado pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal do Brasil em Ribeirão Preto SP, sob a presunção de praticar atividade impeditiva da opção pelo regime do SIMPLES. Observase, ainda, que a exclusão tem como base dado extraído da Classificação Nacional de Atividade Econômica (CNAE) Fiscal que informou no seu cadastro no CNPJ/MF e fundamenta se no exercício de atividade impeditiva correspondente à serviço de inspeção, manutenção, assistência técnica em equipamentos industriais metalúrgicos e siderúrgicos que se equipararia às atividades reservadas a profissional de engenharia, ou equivalente, base para o impedimento contido no artigo 9°, inciso XIII, da Lei n° 9.317, de 1996. Pelo que se verifica dos autos, a matéria em exame referese à exclusão da contribuinte do SIMPLES, com fundamento no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996, que veda esta opção à pessoa jurídica que: [...] Alega a recorrente que tem sua atuação preponderante no serviço de inspeção, manutenção, assistência técnica em equipamentos industriais metalúrgicos e siderúrgicos. Alega, que são serviços de pouca complexidade técnica e para a realização destas atividades, não há necessidade de profissionais com habilitação legalmente exigida, como engenheiros. Representam serviços de reparo corriqueiros executados por um simples instalador ou consertador de máquinas e equipamentos. A decisão recorrida apontou como motivo para indeferir o pedido da contribuinte, o de que a atividade alegada e descrita no Contrato Social da empresa seria assemelhada a engenharia ou profissão que requer habilitação legal. Não há dúvidas que existem serviços de montagem, de reparo ou conserto em equipamentos industriais que até podem requerer a supervisão de engenheiro, principalmente quando se tratem de peças ou partes de equipamento pesado, integrantes de uma estrutura complexa de produção industrial. Porém, pelos elementos que compõem estes autos, não parece ser o caso. Seria de se esperar, por prudência, que a repartição de origem no seu trabalho corriqueiro, antes de pretender um fato grave como é a exclusão, ou o impedimento, de uma microempresa ou empresa de pequeno porte do Programa SIMPLES que, pelo menos, verificasse principalmente no Livro de Prestação de Serviços, nas Notas Fiscais de Serviços, com diligência ao local da prestação do serviço, qual de fato é a natureza dos serviços Fl. 141DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002725/200436 Acórdão n.º 9101002.169 CSRFT1 Fl. 1002 5 realizados, para se for o caso poder caracterizar, conforme parece apenas supor a administração tributária, pratica de serviços de assessoria, consultoria, projetos de equipamentos, algo que pudesse caracterizála como empresa que pratique serviço de engenharia ou assemelhado. É fora de dúvida, que o serviço de engenheiro habilitado seja exigível a atividades de projeto de máquinas, ou até de supervisionar certos serviços de instalação e manutenção de equipamentos específicos. Mas, é fora de dúvida igualmente que as cidades estão cheias de pequenas empresas que consertam e reparam máquinas e equipamentos, ou auxiliam a instalação do equipamento que vendem, sendo serviços que, em geral, absolutamente dispensam a participação de engenheiro ou qualquer outra profissão com habilitação legalmente exigida, requerendo mão de obra não especializada de um prático, que na realidade do nosso país, em geral, muitas vezes não chegou nem a completar o segundo grau escolar. Esse tipo de atividade evidentemente não está vedado ao SIMPLES, e qualquer interpretação que pretenda equiparar o serviço prestado por um simples instalador, ou consertador de máquinas e equipamentos usados, com mera substituição de peças nos casos corriqueiros, ao serviço de engenheiro, tem de ser vista com desconfiança. Ademais, no tocante às atividades descritas no contrato social, destacase que não encontram mais vedação para sua inclusão no SIMPLES, pois com o advento da Lei 11.051, de 2004, tais atividades deixaram de ser vedadas, nos seguintes termos: [...] Registrese, ainda, que com o advento do ato declaratório executivo ADE SRF nº 8, de 18/01/2005 do Secretário da Receita Federal, o motivo indicado como fundamento para a permanência da recorrente no Simples (inciso XIII do art. 9º da Lei n° 9.317, de 05 de dezembro de 1996) foi fortalecido: [...] A atividade econômica atribuída à empresa (serviço de inspeção, manutenção, assistência técnica em equipamentos industriais metalúrgicos e siderúrgicos) pode ser tipificada, por semelhança, no inciso I supramencionado, sem maiores complicações. Considerar a atividade desenvolvida pela Recorrente como sendo de Engenheiro Mecânico/Eletricista é atribuir aplicação extensiva à Lei do Simples, sem que haja situação fática compatível para esta interpretação. Aliás, ainda que precisasse realizar eventualmente algum serviço de maior complexidade e rigor técnico, próprio dos engenheiros, isso não poderia, por si só, ensejar a sua exclusão do SIMPLES. [...] Diante do conteúdo dos autos, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Sobre a situação de contradição, restou comprovado que está apontada objetivamente. No interior da própria decisão restou caracterizado esse vício, ou seja, ficou evidenciada a desconformidade interna da decisão jurisdicional, conforme comprovase pelos excertos do voto condutor do acórdão embargado: Fl. 142DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 6 Assim sendo, o Recurso Especial, interposto pela Fazenda Nacional preenche os requisitos legais de admissibilidade merecendo ser conhecido pela turma julgadora. [...] Diante do conteúdo dos autos, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional. Atinente a situação de omissão, ficou evidenciado que está apontada objetivamente. Verificase que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir, qual seja, "que a decisão aplicou RETROATIVAMENTE a Lei Complementar nº 123/2006". Por todo o exposto, ADMITO os embargos de declaração interpostos." Concluise, com o isso, o relatório, Voto Os embargos de declaração opostos pela PFN cumprem o requisito da tempestividade e preenchem os demais requisitos de admissibilidade exigidos. Por isso, os conheço. No entanto, como são alegadas inexatidões materiais em face de lapso manifesto ou mesmo erros de escrita, o art. 66 do RICARF determina que estes sejam, em parte, recebidos como embargos inominados para correção. A análise do acórdão embargado demonstra que: embora o acórdão embargado tenha demonstrado o cumprimento dos requisitos de admissibilidade do recurso especial então interposto pela PFN, inclusive com a análise dos acórdãos paradigmas acostados; embora o correspondente acórdão embargado tenha enfrentado o mérito da questão, decidindo, por maioria de votos (vencido o i. Conselheiro Marcos Aurélio Pereira Valadão), negar provimento ao recurso especial da Fazenda; consta a seguinte frase, na parte dispositiva do acórdão embargado: “Diante do conteúdo dos autos, não conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional.” (grifos acrescidos ao original) A contradição suscitada ou melhor, lapso manifesto ou erro de escrita também contaminou a ementa do julgamento, na qual consta "Recurso Especial do Procurador Não Conhecido", e a proclamação de seu resultado, na qual consta "Acordam os membros do colegiado, por maioria dos votos, recurso da Fazenda não conhecido". Desse modo, voto no sentido de dar provimento aos embargos de declaração opostos pelo Fazenda, ora recebidos como embargos inominados com fulcro Fl. 143DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002725/200436 Acórdão n.º 9101002.169 CSRFT1 Fl. 1003 7 no art. 66 do RICARF, a fim de sanar a demonstrada contradição, lapso manifesto ou erro de escrita existente no acórdão embargado, verificada especialmente em seu último parágrafo e com reflexos na proclamação do resultado de julgamento e em sua respectiva ementa. Proponho, assim, que o último parágrafo do voto do relator, que integra o acórdão de julgamento do recurso especial, passe a constar com a seguinte redação: Diante do conteúdo dos autos, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional, mas negolhe provimento. Por sua vez, os embargos de declaração da Fazenda Nacional também suscitam uma outra questão. Haveria um ponto ao qual o acórdão embargado teria deixado de se manifestar, o que supostamente redundaria no não cumprimento da Súmula n. 81 do CARF, a qual enuncia: “É vedada a aplicação retroativa de lei que admite atividade anteriormente impeditiva ao ingresso na sistemática do Simples.” Nesse ponto, embora conheça dos embargos para verificar a existência da alegada omissão, voto por negar provimento aos embargos de declaração opostos pela PFN, pois a Súmula 81 sequer seria aplicável à situação enfrentada no acórdão embargado. Como se observa dos acórdãos que ensejaram a enunciação da Súmula n. 81, esta se volta a casos em que legislação (pretérita) vede a adesão ao SIMPLES e, em razão de lei superveniente, tal vedação venha a ser revogada. Determina a Súmula, nesse caso, que não sejam atribuídos efeitos retroativos à nova lei, de modo que as relações jurídicas que lhe sejam anteriores permaneçam tuteladas pela norma vigente à época dos fatos. Apenas a título ilustrativo, vale observar o que restou consignado no acórdão 9101000.809, de 21.02.2011, o qual está entre os precedentes que ensejaram a enunciação da Súmula 81 do CARF: "Em outras palavras, a decisão hostilizada acatou como fato incontroverso que a interessa exerce atividade incluída pela Lei nº 9.317/96 no rol das vedações à opção pelo SIMPLES. O que está em discussão é o alcance da Lei Complementar nº 123/2006 que teria excluído a atividade da pessoa jurídica da vedação supra mencionada." De modo diverso, a decisão embargada decidiu que a legislação vigente nos exercícios em que a opção pelo SIMPLES foi realizada já autorizaria a adesão do contribuinte a esse regime. Não seria o caso de vedação à atividade prescrita pela lei vigente à época dos fatos e de posterior autorização por lei superveniente. Decidiu o acórdão embargado que, como a contribuinte não exerceria "profissão cujo exercício Fl. 144DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO 8 dependa de habilitação profissional legalmente exigida", então nenhuma vedação existiria para a opção ao SIMPLES sob a égide da própria Lei n. 9.317/96. Ou seja, a possibilidade da contribuinte embargada optar pelo SIMPLES não decorreria da superveniente Lei Complementar n. 123, mas da própria Lei 9.317/96 que, bem analisada, não traria vedação à atividade em questão. O seguinte trecho, colhido do acórdão embargado coloca às claras essa questão: "Pelo que se verifica dos autos, a matéria em exame referese à exclusão da contribuinte do SIMPLES, com fundamento no inciso XIII do artigo 9° da Lei n° 9.317, de 1996, que veda esta opção à pessoa jurídica que: XIII. que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida. (...) É fora de dúvida, que o serviço de engenheiro habilitado seja exigível a atividades de projeto de máquinas, ou até de supervisionar certos serviços de instalação e manutenção de equipamentos específicos. Mas, é fora de dúvida igualmente que as cidades estão cheias de pequenas empresas que consertam e reparam máquinas e equipamentos, ou auxiliam a instalação do equipamento que vendem, sendo serviços que, em geral, absolutamente dispensam a participação de engenheiro ou qualquer outra profissão com habilitação legalmente exigida, requerendo mão de obra não especializada de um prático, que a realidade do nosso país, em geral, muitas vezes não chegou nem a completar o segundo grau escolar. Esse tipo de atividade evidentemente não está vedado ao SIMPLES, e qualquer interpretação que pretenda equiparar o serviço prestado por um simples instalador, ou consertador de máquinas e equipamentos usados, com mera substituição de peças nos casos corriqueiros, ao serviço de engenheiro, tem de ser vista com desconfiança." Nesse seguir, voto por conhecer os embargos opostos pela PFN, para darlhes parcial provimento, apenas para correção de lapso manifesto ou erros de escrita constantes no acórdão embargado. É como voto. Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10840.002725/200436 Acórdão n.º 9101002.169 CSRFT1 Fl. 1004 9 (assinado digitalmente) Fl. 146DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 17/02/2016 por LUIS FLAVIO NETO, Assinado digitalmente em 18/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
score : 1.0
Numero do processo: 16327.004252/2002-35
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Fri Feb 12 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 02/01/1998 a 30/12/1999
JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA.
O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento.
Recurso Especial do Contribuinte Negado e Recurso Especial da Fazenda Provido
Numero da decisão: 9303-003.385
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e em negar provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vencidos os conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López que negavam provimento ao recurso da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso do Sujeito Passivo. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto - que substituiu a Conselheira Tatiana Midori Migiyama, impedida de participar do julgamento; irá apresentar declaração de voto.
Carlos Alberto Freitas Barreto - Presidente
Henrique Pinheiro Torres - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Carlos Augusto Daniel Neto (suplente), Júlio César Alves Ramos (Suplente), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto.
Nome do relator: HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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ALÍQUOTA ZERO. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Recorrentes FAZENDA NACIONAL e BANCO ITAUBANK S.A (SUCESSOR DE BANKBOSTON BANCO MÚLTIPLO S/A) ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 02/01/1998 a 30/12/1999 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. REGIMENTO ANTERIOR AO APROVADO PELA PORTARIA MF Nº 343, DE 2015. A obrigatoriedade de demonstrar a divergência relativamente a determinado dispositivo legal só foi incluída no RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015. Até então, a admissibilidade do recurso estava condicionada à demonstração de que outro Colegiado, dentre os elegíveis regimentalmente, interpretou a legislação (em sentido amplo) de maneira diversa da consignada no acórdão recorrido. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 02/01/1998 a 30/12/1999 GESTÃO DE PAGAMENTOS. ALÍQUOTA ZERO. DESCABIMENTO A alíquota zero fixada no art. 8º, III, da Lei nº 9.311, de 1996 é inaplicável a operações de débito inerentes a pagamentos realizados no bojo de contrato prestação de serviços de gestão de caixa. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 02/01/1998 a 30/12/1999 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA. O crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, está sujeito à incidência de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 00 42 52 /2 00 2- 35 Fl. 893DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 894 2 juros de mora, calculado à taxa Selic até o mês anterior ao pagamento, e de um por cento no mês de pagamento. Recurso Especial do Contribuinte Negado e Recurso Especial da Fazenda Provido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso especial da Fazenda Nacional e em negar provimento ao recurso especial do Sujeito Passivo. Vencidos os conselheiros Carlos Augusto Daniel Neto, Vanessa Marini Cecconello e Maria Teresa Martínez López que negavam provimento ao recurso da Fazenda Nacional e davam provimento ao recurso do Sujeito Passivo. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que substituiu a Conselheira Tatiana Midori Migiyama, impedida de participar do julgamento; irá apresentar declaração de voto. Carlos Alberto Freitas Barreto Presidente Henrique Pinheiro Torres Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Carlos Augusto Daniel Neto (suplente), Júlio César Alves Ramos (Suplente), Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello, Maria Teresa Martínez López e Carlos Alberto Freitas Barreto. Relatório Tratase de recursos especiais do Contribuinte e da Fazenda Nacional por meio do qual se busca a reforma do Acórdão nº 20216.397, eis sua ementa: CPMF. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. Constitui fato gerador da CPMF, nos termos da legislação de regência, o lançamento a débito, por instituição financeira, em conta corrente de depósito junto a ela mantida. ALÍQUOTA ZERO. APLICAÇÃO. A aplicação da alíquota zero prevista no art. 8º, inc. III, da Lei nº 9.311/1996 restringese às atividades e operações relacionadas em ato do Ministro da Fazenda, dentre as que constituam objeto social da instituição contribuinte, a teor do disposto no § 3º do mesmo artigo. Não preenchem os requisitos para o gozo do beneficio da "alíquota zero", os lançamentos efetuados em contacorrente de Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, decorrentes da prestação de serviços gestão de caixa relativa a recebimentos, pagamentos ou tratamento de valores a clientes preferenciais do Banco. Fl. 894DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 895 3 JUROS DE MORA CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TAXA SELIC. É cabível, no lançamento de oficio, a cobrança de juros de mora sobre o tributo ou contribuição, calculados com base na variação acumulada da Taxa Selic. Referidos juros não incidem sobre a multa de oficio lançada juntamente com o tributo ou contribuição, decorrente de fatos geradores ocorridos a partir de 19/01/1997, por absoluta falta de previsão legal. Recurso parcialmente provido. Como é possível extrair da ementa, o colegiado manteve parcialmente a exigência fiscal, ratificando a cobrança da CPMF exigida de ofício e afastando a incidência de juros de mora sobre multa de ofício. A primeira questão foi decidida pelo voto de qualidade e a segunda, por unanimidade de votos. Os fatos que deram ensejo à exigência fiscal litigiosa, escorada na acusação de utilização indevida da alíquota zero prevista no Inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 1996, foram descritos no Termo de Verificação Fiscal às fls. 74 a 841 e podem ser resumidos nos excertos transcritos a seguir (original não destacado): a) A BANKBOSTON DTVM S/A firmou com grandes clientes contrato denominado "Contrato de Prestação de Serviços de Assessoria e Assistência Financeira", cujo objeto é a . gestão de caixa relativa a pagamentos (cash management). b) Para a consecução da "gestão de caixa" acima, os clientes transferiam recursos de suas contas correntes mantidas junto ao Bankboston Banco Múltiplo para a conta corrente de depósito à vista da DTVM. Em alguns casos, listados pelo contribuinte e que foram objeto de autuação por esta fiscalização, os recursos eram provenientes de recolhimento de numerários ou cheques prédatados custodiados pelo Banco Múltiplo, sem trânsito pela conta corrente de depósitos dos titulares junto ao Bankboston. c) A DTVM contratava o Bankboston Banco Múltiplo S/A, na qualidade de "banco correspondente", para gerenciar as obrigações de seus clientes. O Bankboston recebia os títulos e as obrigações para liquidação nas datas previstas. d) Na data de vencimento das obrigações, o Bankboston debitava a conta corrente da DTVM para emissão de cheques administrativos diretamente para pagamento dos compromissos dos clientes. e) O Bankboston pagava a título de "Prêmio pela Preferência" remuneração aos clientes. Detalha, ainda, o TVF: 1 Observese que o presente processo foi objeto de digitalização e, consequentemente, renumeração. Qualquer referência às folhas do processo, salvo ressalva, diz respeito à numeração digital. Fl. 895DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 896 4 "A DTVM prestava um serviço de "gestão de caixa" para seus clientes, normalmente regido por "Contrato de Prestação de Serviços e Assessoria Financeira", que consistia na efetivação de recebimentos e pagamentos dos seus clientes. Para executar os serviços previstos contratualmente, a DTVM subcontratava o Bankboston Banco Múltiplo, na qualidade de Banco correspondente, que era a instituição financeira que efetivamente prestava o serviço de gestão de caixa e, inclusive, pagava um prêmio pela preferência aos seus clientes. Os recursos dos clientes relacionados às operações de “payments” eram provenientes de três serviços oferecidos pelo banco, a saber: recolhimento de numerário (RN), cheques pré datados custodiados pelo banco (Safety Check) e valores provenientes de débitos em contas correntes dos titulares. Esses recursos eram registrados em contas transitórias da instituição financeira Bankboston, e posteriormente, creditados na conta corrente da DTVM (nº 00.5100.00). Na data estabelecida tais valores eram debitados na conta da DTVM e utilizados para a liquidação das obrigações dos clientes, através dos cheques administrativos ou DOC relacionados nas listagens apresentadas pelos contribuintes. Argumenta, assim que os serviços de gestão de pagamentos não se inseriam entre aqueles que constituem o objeto social das Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários DTVM, definido nos termos do art. 2º da Resolução Bacen nº 1.653, de 26/10/89. Conclui, nessa esteira, que os lançamentos a débito na contacorrente da DTVM representariam fatos geradores da CPMF e deveriam ser alvo de tributação Em suas razões de impugnação2, após transcrever o Termo de Verificação Fiscal (TVF) e pontuar os elementos que, no seu sentir, comporiam a acusação do Fisco, a Contribuinte impugnou a integralidade do lançamento. Defende, inicialmente, que nos moldes em que foram praticadas, as operações não representaram prejuízo ao Erário ou vantagem ao Bankboston DTVM, que não aferiria qualquer benefício relativo à CPMF, como seria possível concluir a partir da própria descrição do objeto dos Contratos consignados no TVF. Transcreve excertos do instrumento contratual. Segundo alega, no período entre o débito do valor da conta corrente dos clientes e o efetivo pagamento de suas obrigações o montante debitado não permanecia em poder da DTVM, mas sim com a Contribuinte, contabilizado na rubrica “conta de correspondente no país – DTVM”. Posteriormente, à medida em que ocorreria o vencimento daquelas obrigações, os recursos seriam transferidos para a contacorrente da DTVM, para que fosse gerado um cheque administrativo, referente ao pagamento da obrigação. Esta seria a vantagem auferida pela Contribuinte (não da DTVM) e a razão do pagamento do “prêmio de preferência”, previsto nos contratos e regulamentado pela Circular nº 2.535/95, art. 2º, do BACEN. Transcreve dispositivo. 2 Fls. 264 a 289. Fl. 896DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 897 5 Afirma, outrossim, que não haveria prejuízo para o Erário, pois a CPMF devida pelo débito relativo à quitação das dívidas seria regularmente paga, quando da transferência de valores para a DTVM. Defende, nessa linha, que, a prevalecer a cobrança litigiosa estarseia onerando com a incidência de CPMF uma operação já tributada. Ademais, a contratação da DTVM proporcionaria a esta deter informações necessárias otimização das disponibilidades financeiras de seus clientes e, consequentemente, oferecer alternativas de investimento adequadas ao seu fluxo de caixa. Pugna pelo reconhecimento das condições para incidência da alíquota zero. Acrescenta, nessa linha, após transcrever a legislação de regência, que o objeto contratual questionado (gestão de caixa) encontrarseia inserido no seu objeto societário, já que não se restringiria à realização de recebimentos e pagamentos, envolveria desde a análise e escolha da instituição financeira, até o constante acompanhamento do fluxo de receitas de que dispõe o cliente, com vistas a compor uma carteira de investimentos, atividade complementar e consentânea com o objeto social usual de qualquer sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários. Pontua, outrossim, que a Bankboston DTVM celebraria contratos como os que aqui se discute há 10 anos e tal procedimento jamais teria sido questionado pelo Banco Central do Brasil, órgãos cujo rigor seria notório. Certamente não cabe à fiscalização tributária efetuar tal sindicância com vistas exclusivamente a uma maior arrecadação de CPMF. Anexa parecer do ilustre consultor Luiz Carlos Sturzenegger, exProcurador Chefe da Fazenda Nacional e Diretor do Banco Central do Brasil, ratificando seu entendimento acerca do enquadramento das atividades questionadas no objeto societário da Bankboston DTVM, nos termos da legislação de regência (Resolução BACEN nº 1.120, de 1986, que teve sua redação alterada pela Resolução BACEN nº 1.653, de 1989). Questiona a utilização da taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – SELIC, que julga imprestável para cálculo de juros de mora: "além de ser figura híbrida, composta de correção monetária, juros e valores correspondentes a remuneração de serviços das instituições financeiras, é fixada unilateralmente por órgão do poder executivo e, ainda, extrapola em muito o percentual de 1% previsto no artigo 161 do CTN." A exigência foi ratificada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo, nos termos da seguinte ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF Período de apuração: 02/01/1998 a 30/12/1999 Ementa: CPMF. FATO GERADOR. Constitui fato gerador da CPMF, nos termos da legislação de regência, o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito junto a ela mantida. Fl. 897DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 898 6 CPMF. ALÍQUOTA ZERO. APLICAÇÃO. A aplicação da alíquota zero prevista no artigo 8º, inciso III, da Lei nº 9.311/1996 restringese às atividades e operações relacionadas em ato do Ministro da Fazenda, dentre as que constituam objeto social da instituição contribuinte. Não preenchem os requisitos para o gozo do benefício da “alíquota zero”, os serviços prestados pela Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários, cliente do Banco, por intermédio dos “Contratos de Prestação de Serviços de Assessoria e Assistência Financeira”. TAXA SELIC. APLICABILIDADE. A utilização da taxa SELIC para o cálculo dos juros de mora decorre de lei, sobre cuja aplicação não cabe aos órgãos do Poder Executivo deliberar. Sobreveio recurso voluntário onde a Contribuinte, essencialmente, contesta a decisão de primeira instância sob os mesmos fundamentos expendidos contra o auto de infração, acrescendo ao seu reclame suposta omissão do aresto, com relação aos seguintes pontos, bem resumidos pelo acórdão de segunda instância em análise: No recurso voluntário, o interessado reclama que a decisão recorrida não teria levado em conta os seguintes argumentos de extrema importância para o deslinde da questão: que as contratações da DTVM não visavam a obtenção de qualquer beneficio em relação à CPMF, pois que contratos idênticos já eram celebrados em 1993, conforme prova juntada aos autos; que não houve prejuízo para o Erário, pois a CPMF, que seria devida caso o pagamento das dívidas fosse efetuado diretamente pelo cliente, é regularmente paga quando do débito dos valores correspondentes de sua conta corrente; A exigência, como antecipado, foi parcialmente mantida pelo acórdão submetido a este Colegiado Regularmente cientificada, a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) interpôs embargos de declaração, mas tais embargos foram rejeitados por despacho do Presidente do Colegiado. Inconformada, a PGFN apresenta recurso especial de divergência, com base na previsão regimental vigente à época, relativamente a duas matérias: suposto julgamento de matéria não impugnada ou recorrida (preclusa) e legalidade da imposição de juros de mora sobre a multa de ofício, sendo tal recurso recebido exclusivamente com relação à segunda matéria. Em síntese, o recurso especial da Fazenda Nacional está concentrado na argumentação de que o acórdão em exame teria se limitado à empreender uma interpretação literal da legislação de regência e concluíra, equivocadamente no seu sentir, que o arts. 61, § 3º Fl. 898DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 899 7 e 43 da Lei nº 9.430, de 1996 e do 161, caput e § 1º do CTN não dariam respaldo à correção monetária sobre a multa de ofício. Sustenta, em seu recurso, portanto, que a análise sistemática dos dispositivos, em conjunto com os arts. 113, §1º e 139 do CTN, permitiria concluir que a multa teria a mesma natureza da obrigação principal e, como tal, representaria um crédito tributário, passível de correção nos termos dos artigos considerado inaplicáveis pelo acórdão recorrido. Ademais, não se poderia limitar a aplicação do 30 da Lei nº 10.522, de 2002 a créditos relativos a fatos geradores aperfeiçoados até 31/12/1994. O dispositivo não estabeleceria uma limitação temporal, mas a sua aplicação da Selic a todos os débitos para com a União. Procedida à regular ciência, o Contribuinte oferece contrarrazões ao recurso da PGFN3, além do seu recurso especial4, relativamente à fração que restou vencido. Aduz a contribuinte, em primeiro lugar, que o primeiro paradigma relacionado (nº 10196.177) não se prestaria à comprovação da divergência, em razão de que teria apreciado legislação diversa da que aqui se discute, no caso, fatos geradores relativos aos anoscalendário 1991 e 1992, tanto que, nos termos da sua ementa, ressalvara a aplicação da taxa Selic a fatos geradores ocorridos até 31/12/1994. Transcreve referida ementa. Acrescenta, nessa toada, que os artigos 29 e 30 da MP 162131/1998, invocados pela Procuradoria da Fazenda Nacional como fundamento para a cobrança de juros sobre multa, teriam sido afastados para fatos gerados posteriores a 1997. Arremata, alegando que o acórdão apontado como paradigma teria enfrentado a discussão sob enfoque diverso. Da mesma forma, não haveria que se falar em divergência de interpretação relativamente ao segundo paradigma (Acórdão 10322.197), que trataria da matéria em uma única linha. Transcreve excerto. Sustenta que o paradigma não se prestaria a comprovar a alegada divergência em razão de que não constaria do acórdão as razões que teriam conduzido à conclusão de que haveria incidência de juros sobre multa de ofício. Conclui aduzindo que a Fazenda Nacional não teria demonstrado fundamentadamente a divergência, limitandose a transcrever, no corpo do recurso, as ementas dos acórdãos apontados como paradigmas, sem a demonstração precisa dos pontos de divergência entre esses acórdãos e o acórdão recorrido. Passando ao mérito de suas contrarrazões, a Contribuinte passa a defender a manutenção da decisão de afastar a cobrança da Taxa Selic sobre multa de ofício. Essencialmente, trilha o mesmo caminho do acórdão recorrido e ataca a linha argumentativa da PGFN. 3 Doc. às fls. 608 a 629. 4 Doc. às fls. 666 a 695. Fl. 899DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 900 8 No recurso especial, o Contribuinte, após transcrever excertos do auto de infração litigioso e resumir as etapas percorridas pelo presente processo, o contribuinte passa a expor a divergência que sustentaria seu prosseguimento, e, no mérito, seu provimento. Destaca, inicialmente, que as operações que deram ensejo à cobrança litigiosa decorreriam da prestação de serviços de assessoria na gestão de pagamentos por meio de bancos comerciais, que alega atrelados ao objeto societário da pessoa jurídica Bankboston DTVM. Passa a transcreve excertos do TVF e, em seguida, do votocondutor do acórdão recorrido e expõe sua convicção no sentido de que a interpretação sedimentada no aresto contrariaria divergiria da que foi dada pela 3ª Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, no Acórdão 20312.493, cuja ementa transcreve parcialmente. Relata que, naquele caso, a Santander DTVM S/A firmara com clientes do Banco Santander S/A, contratos que teriam objeto idêntico aos do que aqui se discute e, diferentemente do presente recurso, o colegiado prolator do acórdão paradigma afastou a exigência de CPMF sob a alegação de que os serviços de gestão de pagamentos atenderiam aos requisitos da Resolução nº 1.653/89 e da Portaria MF nº 134/89. Consequentemente, as operações fariam jus à alíquota zero. Transcreve excertos do votocondutor do paradigma que exporiam essas razões e da declaração de voto apresentada, que trilha raciocínio idêntico. No mérito, o recurso especial explora, essencialmente, a mesma linha argumentativa da impugnação e do recurso voluntário, reforçada a partir da transcrição de excertos do votocondutor do acórdão paradigma e da jurisprudência do Primeiro Conselho de Contribuintes acerca da necessidade de observância da interpretação sedimentada pelo Banco Central do Brasil, no âmbito das suas atribuições. No prazo oferecido para contrarrazoar, a Fazenda Nacional pugna pela negativa do recurso especial do contribuinte É o Relatório. Voto Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, Relator O recurso interposto pela PGFN é tempestivo e, ao contrário do alegado nas contrarrazões apresentadas pelo Sujeito Passivo, preenche as condições de admissibilidade, conforme, demonstrarseá linhas abaixo. Ainda que se pudesse sustentar, na esteira da argumentação do sujeito passivo, que o Acórdão nº 10196.177 revelarseia anacrônico, pois se limitaria a decidir acerca de fatos geradores aperfeiçoados em período anteriores aos que aqui se discute, expressamente consignados na ementa e no votocondutor, o Acórdão nº 10322.197 demonstra satisfatoriamente o alegado dissídio jurisprudencial, acerca da incidência de juros sobre multa de ofício. Confirase a ementa desse segundo paradigma, transcrita na fração que interessa ao presente julgamento: JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º, da Lei 9.430/96. Fl. 900DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 901 9 Cabe aqui relembrar, inicialmente, que, à época da apresentação do recurso especial não estava em vigor o § 1º do art. 675 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria nº 343, de 2015. Assim, não havia necessidade de se demonstrar que, analisando especificamente determinado dispositivo legal, outro colegiado chegou à conclusão diversa da assentada no paradigma. Bastava demonstrar que, diante das mesmas circunstâncias fáticas, operouse interpretação da legislação (lato sensu) diversa daquela assentada no acórdão recorrido. Consequentemente, também, não era necessário demonstrar qual foi o "caminho" seguido pelo acórdão paradigma para chegar a determinada conclusão, basta provar que outro colegiado chegou a essa conclusão, ainda que por meio da aplicação de parte dos dispositivos citados no recurso. Finalmente, não parece apropriado, no presente momento, discutir eventual omissão na fundamentação do acórdão paradigma. Tratase, evidentemente, de discussão a ser travada em sede de embargos. Assim, à luz das normas regimentais, não há como deixar de reconhecer que o recurso especial da Fazenda Nacional preenche os requisitos de admissibilidade, o que me faz dele conhecer. No tocante ao recurso especial apresentado pelo sujeito passivo, não há controvérsia sobre o atendimentos dos requisitos de admissibilidade, já que é tempestivo e comprova o dissídio jurisprudencial, por isso, também, merecendo ser admitido. Ultrapassada a fase do conhecimento, passase, de imediato, ao mérito, que envolve, como já antecipado, duas matérias, a serem analisadas separadamente em nome da clareza. 1 Aplicabilidade da Alíquota Zero Considerando que, se as alegações do Contribuinte quanto à matéria forem procedentes, restaria prejudicada a discussão acerca da correção monetária sobre juros, inicio tratando da tributação das operações que se alega tributadas à alíquota zero. Preambularmente, é importante destacar que a matéria não é nova para boa parte dos Conselheiros que compõem este Colegiado, já que foi enfrentada no Acórdão 9303 01.8896, que reformou o acórdão apontado como paradigma. Confirase sua ementa, após a retificação de erro material levada a efeito pelo Acórdão 9303003.244: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA CPMF Período de apuração: 31/03/2000 a 06/02/2002 5 § 1º Não será conhecido o recurso que não demonstrar de forma objetiva qual a legislação que está sendo interpretada de forma divergente. 6 Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, julgado em 07/03/2012. Voto de qualidade, com relação ao mérito. Fl. 901DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 902 10 CPMF. DISTRIBUIDORA DE TÍTULOS E VALORES MOBILIÁRIOS. ALÍQUOTA. Operação contratada de assessoria financeira não configura hipótese descrita em ato do Ministro de Estado da Fazenda para incidência da alíquota zero na apuração da CPMF decorrente do lançamento a débito, por instituição financeira, em conta corrente de depósito de sociedade distribuidora de títulos e valores mobiliários. Pois bem. Compete a este Colegiado decidir se as movimentações realizadas em cumprimento ao Contrato de Prestação de Serviços de Assessoria e Assistência Financeira se enquadrariam dentre as hipóteses de incidência do art. 2º da Lei nº 9.311/96 e, em caso afirmativo, se deveria ser aplicada a alíquota 0%, prevista no art. 8º da mesma lei. Com relação à primeira indagação, me parece que a resposta afirmativa dispensa maiores explanações. O saque dos valores da contacorrente da DTVM mantida no autuado, com a finalidade de promover a quitação das obrigações do contratante, representa fato gerador da CPMF, nos termos do art. 2º, I da Lei nº 9.311/96, expressamente indicado no TVF, independentemente da origem dos valores. Por outro lado, também não se pode olvidar que a incidência da CPMF, nos termos do Inciso VI do art. 2º da Lei nº 9.311, de 1996, é definida em razão dos efeitos produzidos pela operação. Se, "independentemente da pessoa que a efetue, da denominação que possa ter e da forma jurídica ou dos instrumentos utilizados para realizála", realizase uma operação que produza os mesmos efeitos daquelas expressamente elencadas nos incisos precedentes, haverá tributação. Confirase: Art. 2° O fato gerador da contribuição é: (...) VI qualquer outra movimentação ou transmissão de valores e de créditos e direitos de natureza financeira que, por sua finalidade, reunindo características que permitam presumir a existência de sistema organizado para efetivála, produza os mesmos efeitos previstos nos incisos anteriores, independentemente da pessoa que a efetue, da denominação que possa ter e da forma jurídica ou dos instrumentos utilizados para realizála. Ou seja, no mesmo rumo da jurisprudência do CARF e dos extintos Conselhos de Contribuintes com relação a outras matérias, a incidência tributária da CPMF é definida em razão do negócio efetivamente entabulado, avaliado a partir dos seus efeitos, e não da nomenclatura empregada. A guisa de exemplo, citase o Acórdão 20214.8437, de cuja ementa extraise o seguinte excerto (GN): 7 Conselheiro Antonio Carlos Bueno, julgado em 10/03/2003, unânime. Fl. 902DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 903 11 IOF — OPERAÇÃO DE CRÉDITO — Verificado o artificialismo de uma "coligação de negócios", sob a perspectiva do negócio ostensivo adotado (operações relativas a títulos e valores mobiliários), cabível a exigência do imposto que deixou de ser recolhido em face do negócio efetivamente praticado (operação de crédito) Não se trata de discutir, portanto, simulação ou dissimulação, acusações que sequer fazem parte do TVF que descreve os fundamentos da autuação. Consequentemente, pareceme, não fazer qualquer diferença para a solução da lide sob exame, a alegação no sentido de que os contratos ora discutidos viriam sendo celebrados muito antes da criação da CPMF. O Fisco não acusou a autuada ou a DTVM de "engendrar" operação com vistas a evitar o recolhimento da CPMF. Também não vejo como influencie na solução do litígio a alegada ausência de prejuízo à arrecadação, em razão da incidência da Contribuição sobre os débitos realizados da conta corrente dos contratantes no banco correspondente. O que se discute, com efeito, é se o débito da conta da DTVM (posterior ao realizado na conta dos contratantes) faz jus ao benefício da alíquota 0%. Cabe destacar, entretanto, como apontado pela fiscalização, e só contestado por ocasião da apresentação do Recurso Especial, que parte dos valores utilizados para a quitação dos débitos pela DTVM não teria sofrido a incidência relativa à primeira operação de débito, pois não teria transitado nas contas correntes dos contratantes, mantidas no banco, pois corresponderiam a valores oriundos de recolhimento de numerário e gestão de cheques pré datados. De fato, em seu recurso especial (ou seja, quando já preclusa a oportunidade de contestar, ex vi do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972) a contribuinte afirma que os depósitos na conta da DTVM, oriundos de valores que deixaram de transitar pela conta dos contratantes já teriam sido alvo de lançamento de ofício com fundamento no inciso III do art. 2º da Lei nº 9.311/96, cuja cópia é colacionada aos autos juntamente com o especial. De qualquer forma, como já antecipado, não se discute, no presente processo, a incidência da CPMF sobre o débito da conta do contratante ou sobre outra operação antecedente (com numerário ou cheques prédatados) que forneceram os recursos depositados na contacorrente da DTVM. Aqui, repitase, discutese a incidência da contribuição na operação subseqüente, ou seja, no débito da conta da DTVM. Ora, como é cediço, nos termos do inciso I do art. 2º da Lei 9.311/968, o débito em contacorrente é hipótese de incidência da CPMF, independentemente de tais valores terem sido debitados anteriormente de outra contacorrente. Como apontado pelo acórdão recorrido, a contribuição tinha incidência multifásica. E não se alegue que, do ponto de vista da arrecadação, a operação não teria surtido prejuízo algum. Como apontado, o contratante auferiu remuneração, a título de "prêmio 8 I o lançamento a débito, por instituição financeira, em contas correntes de depósito, em contas correntes de empréstimo, em contas de depósito de poupança, de depósito judicial e de depósitos em consignação de pagamento de que tratam os parágrafos do art. 890 da Lei n° 5.869, de 11 de janeiro de 1973, introduzidos pelo art. 1° da Lei n° 8.951, de 13 de dezembro de 1994, junto a ela mantidas; Fl. 903DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 904 12 pela preferência”, quando optou por transferir seus recursos de sua contacorrente para a conta da DTVM. Ou seja, tributar a operação colocaria aquele correntista no mesmo patamar dos demais contribuintes que realizaram aplicação financeira, tributada no momento da aplicação e quando do saque dos valores aplicados. Feitas essas considerações, passamos à análise da segunda questão que deve ser enfrentada: o cabimento da alíquota zero, prevista no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 1998, que não pode prescindir da orientação jurisprudencial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) acerca da exegese da legislação que dispõe sobre o tema. Deveras, o REsp nº 1.129.335/SP9, julgado nos contornos do art. 543C do CPC, tratando da extensão das hipóteses de alíquota zero da CPMF a operações que não estariam previstas no art. 8º da Lei nº 9.311/96, assim decidiu (destaques editados): PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. CPMF. CONVERSÃO DE CRÉDITOS ESTRANGEIROS EM INVESTIMENTO. OPERAÇÃO SIMBÓLICA DE CÂMBIO. INCIDÊNCIA. (...) 2. O fato jurídico ensejador da tributação pela CPMF (instituída pela Lei 9.311/96) abarcava qualquer operação liquidada ou lançamento realizado por instituições financeiras, que representasse circulação escritural ou física de moeda, quer resultasse ou não em transferência da titularidade dos valores, créditos ou direitos (artigo 1º, parágrafo único). (...) 8. Outrossim, a teor do disposto nos artigos 3º (hipóteses de isenção) e 8º (hipóteses de alíquota zero), da Lei 9.311/96, a conversão de crédito (decorrente de empréstimo) em investimento externo direto (operação simbólica de câmbio) não se encontra albergada por qualquer norma exonerativa, sendo de rigor a interpretação literal da legislação tributária que disponha sobre outorga de isenção ou exclusão do crédito tributário (artigo 111, incisos I e II, do CTN). Ora, como já mencionado, o Fisco acusa a Contribuinte de ter deixado de promover a retenção da CPMF devida pela Bankboston DTVM em razão dos débitos em sua contacorrente. Segundo aponta, as operações não se enquadrariam no inciso III do caput do art. 8º, observadas as restrições do §3º do mesmo artigo. A contribuinte, em oposição, defende que os débitos em questão encontramse albergados pela previsão legal. Eis a redação dos dispositivos: Art. 8° A alíquota fica reduzida a zero: (...) 9 Ministro LUIZ FUX, julgado em 09/06/2010. Fl. 904DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 905 13 III nos lançamentos em contas correntes de depósito das sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, das sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, das sociedades de investimento e fundos de investimento constituídos nos termos dos arts. 49 e 50 da Lei n° 4.728, de 14 de julho de 1965, das sociedades corretoras de mercadorias e dos serviços de liquidação, compensação e custódia vinculados às bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e das instituições financeiras não referidas no inciso IV do art. 2° , bem como das cooperativas de crédito, desde que os respectivos valores sejam movimentados em contas correntes de depósito especialmente abertas e exclusivamente utilizadas para as operações a que se refere o § 3° deste artigo; (...) § 3° O disposto nos incisos III e IV deste artigo restringese a operações relacionadas em ato do Ministro de Estado da Fazenda, dentre as que constituam o objeto social das referidas entidades. O Ministro da Fazenda, por sua vez, editou a Portaria MF nº 06/97, posteriormente alterada pela Portaria MF nº 134/99, enumerando, em seu artigo 3º, quais seriam as operações que se enquadrariam nos incisos III e IV do art. 8º. Dentre tais itens, interessam ao presente litígio o incisos VII e XXIV do caput, invocados pelo Contribuinte como fundamento para o benefício, que foram complementados pelos §§ 1º e 4º, assim redigidos: Art. 3º O disposto nos incisos III e IV do art. 8º da Lei Nº 9.311, de 1996, se aplica, exclusivamente, aos lançamentos referentes às seguintes operações e atividades: (...) VII prestação de serviços de arrecadação de tributos, serviços de pagamentos e recebimentos diversos e outros serviços típicos de instituições financeiras; (...) XXIV prestação de serviços com correspondentes no exterior e no País; § 1º A hipótese prevista no inciso VII não abrange os lançamentos efetuados pela instituição para pagamento ou recolhimento de tributos ou contribuições na qualidade de contribuinte ou responsável. (...) § 4º O disposto neste artigo somente se aplica às operações realizadas de acordo com as normas previstas na legislação pertinente. Fl. 905DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 906 14 Após a análise das manifestações do Fisco e do Contribuinte, pareceme que o primeiro ponto nevrálgico com relação ao cabimento ou não da alíquota zero diz respeito à interpretação do alcance do § 4º da Portaria MF. De fato, se as operações não se enquadram no objeto societário da DTVM não há porque indagar se fariam jus ou não ao benefício. O objeto societário das DTVM encontrase disciplinado nos inciso do art. 2º da Resolução BACEN nº 1.653, de 1989, que alterou a Resolução nº 1.120, de 1986. Dentre tais incisos interessa ao presente litígio, o de nº XIV, que a Contribuinte defende se enquadrar, inclusive por meio da juntada do parecer. Confirase sua redação: Art. 2. A sociedade distribuidora tem por objeto social: (...) XIV prestar serviços de intermediação e de assessoria ou assistência técnica em operações e atividades nos mercados financeiro e de capitais; Não vejo como acolher essa alegação. Como bem apontou o acórdão recorrido, a taxação em debate não decorre da prestação de serviços de assessoria ou assistência técnica relacionadas ao mercado financeiro, mas exclusivamente débitos relativos a gestão de caixa (e não de investimentos). Notese, com relação a este ponto, que, apesar da Autuada alegar que a atividade de gestão de caixa seria complementar em relação à atividade de assessoria técnica, em operações e atividades nos mercados financeiros e de capitais, não foi trazido aos autos qualquer elemento que demonstrasse a efetiva prestação desses serviços elencados no inciso XIV. Muito pelo contrário, como apontado, os “Contratos de Prestação de Serviços de Assessoria e Assistência Financeira”, conforme documentação de fls. 187 a 219, apesar de mencionarem, na cláusula 2ª, que tem como objeto a prestação de serviços de assessoria e assistência, em todos os seus parágrafos fazem alusão exclusivamente a obrigações inerentes à gestão de caixa, relativa a pagamentos. O único expert a que se refere o contrato seria o banco correspondente, alegadamente especialista na realização de pagamentos. Ou seja, de acordo com tal cláusula, a instituição contratada não seria encarregada sequer de analisar ou assessorar os contratantes na gestão da integralidade do seu caixa, mas, exclusivamente, os seus pagamentos, atividade que, salvo melhor juízo, não exigiria especialização. Deveras, não foi juntado outro instrumento demonstrando a realização das atividades que a contribuintes alega preponderante, como a prestação de serviços relativos a análise de mercado, orientação de investimentos ou qualquer elemento que demonstrasse a atuação de um expert do mercado financeiro ou de capital. Fl. 906DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 907 15 Finalmente, não vejo como considerar que a ausência de qualquer punição por parte do Banco Central do Brasil demonstre que a atividade de gestão de pagamentos a contribuinte se adequaria ao préfalado inciso XIV da Resolução 1.653, de 1989. As verificações a cargo daquela autarquia, como é cediço, possuem enfoque diverso do que aqui se apresenta. Relembrese, a infração apontada pelo Fisco limitouse à utilização indevida de conta beneficiada com alíquota zero. Em momento algum teceuse qualquer acusação acerca de eventuais irregularidades no contrato de gestão de caixa relativo a pagamentos, apontouse que os débitos inerentes àquele instrumento não fariam jus ao benefício. Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao Recurso Especial do Contribuinte. 2 Incidência de Juros de Mora sobre Multa de Ofício Sobre esse tema já tive oportunidade de me manifestar algumas vezes, e sempre o fiz no sentido de não conhecer da matéria por não estar ela submetida ao rito do Decreto 70.235/1972, vez que esses acréscimos moratórios são afeitos à execução do acórdão, e, como, tal, não integraria a lide, cujo contorno fora delineado pela impugnação, e, por óbvio, esta não contemplaria tal matéria. Todavia, apesar de ainda continuar a pensar dessa forma, esse não é o entendimento do Colegiado, que por diversas vezes, entendeu ser competente para enfrentar a matéria. Diante disso, resguardo meu entendimento, e passo a adotar o da maioria, no sentido de admitir essa matéria como sujeita ao rito do PAF. Passemos agora, ao exame da questão. O Colegiado a quo afastou os juros sobre a multa de oficio sob o argumento de que haveria necessidade de lei específica que previsse tal hipótese. A meu sentir, esse entendimento não merece guarida, vez que a legislação tributária prevê, expressamente, a incidência de juros moratórios sobre o crédito tributário não pagos no vencimento, aí incluídos o decorrente de penalidades, conforme demonstrarseá linhas abaixo. A obrigação tributária principal, como é de conhecimento de todos, surge com a ocorrência do fato gerador e tem por objeto o pagamento do tributo ou de penalidade pecuniária, e extinguese com o crédito dela decorrente. Essa é a dicção do § 1º do 10art. 113 do CTN. A seu turno, o 11art. 139 do CTN dispõe que o crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Do cotejo desses dispositivos legais, concluise, sem qualquer margem à dúvida, que o crédito tributário inclui tanto o valor do tributo quanto o da penalidade pecuniária, visto que ambos constituem a obrigação tributária, a qual tem a mesma natureza do crédito a ela correspondente. Um é a imagem, absolutamente, simétrica do outro, apenas invertida, como ocorre no reflexo do espelho. Olhandose do ponto de vista do credor (pólo ativo da relação jurídica tributária, verseá o crédito tributário; se se transmutar para o pólo oposto, que se verá, justamente, o inverso, uma obrigação. Daí o art. 139 do CTN declarar expressamente que um tem a mesma natureza do outro. 10 Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. 11 Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. Fl. 907DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 908 16 Assim, como o crédito tributário correspondente à obrigação tributária e esta é constituída de tributo e de penalidade pecuniária, a conclusão lógica, e a única possível, é que a penalidade é crédito tributário. Estabelecidas essas premissas, o próximo passo é verificar o tratamento dispensado pela Legislação às hipóteses em que o crédito não é liquidado na data de vencimento. Primeiramente, temse a norma geral estabelecida no Código Tributário Nacional, mais precisamente no caput do 12art. 161, o qual dispõe que, o crédito não integralmente pago no vencimento será acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta. Essa norma geral, por si só, já seria suficiente para assegurar a incidência de juros moratórios sobre multa não paga no prazo de vencimento, pois disciplina especificamente o tratamento a ser dado ao crédito não liquidado no tempo estabelecido pela legislação tributária, mas o legislador ordinário, para não deixar margem à interpretação que discrepasse desse entendimento, foi preciso ao estabelecer que o crédito decorrente de penalidades que não forem pagos no respectivo vencimento estarão sujeitos à incidência de juros de mora. Essa previsão consta, expressamente, do art. 43 da Lei 9.430/1996, que se transcreve linhas abaixo. Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Da leitura do dispositivo acima transcrito, concluise, facilmente, sem necessidade de se recorrer a 13Hermes ou a uma 14Pitonisa, que o crédito tributário, relativo à penalidade pecuniária, constituído de ofício, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros moratórios, calculados à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Em síntese, temse que o crédito tributário, quer se refira a tributo quer seja relativo à penalidade pecuniária, não pago no respectivo vencimento, fica sujeito à incidência de juros de mora, calculado à taxa Selic, a partir do primeiro dia do mês subsequente ao 12 Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. 13 Na Mitologia Grega, Hermes filho de Zeus e da misteriosa Ninfa Maia (também chamada de Noite) era considerado como mensageiro ou intérprete da vontade dos deuses do Olympo, deu origem ao termo hermenêutica. 14 Os gregos davam o nome de Pitonisas a todas as mulheres que tinham a profissão de adivinhas, porque o deus da adivinhação, Apolo, era cognominado de Pítio, quer por haver matado a serpentedragão Píton, quer por ter estabelecido o seu oráculo em Delfos, cidade primitivamente chamada Pito. Fl. 908DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 909 17 vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento Após algumas manifestações em sentido contrário, a jurisprudência das Turmas Julgadoras do CARF e da Câmara Superior de Recursos Fiscais vem se inclinando no sentido de admitir a incidência da Taxa Selic sobre multa de ofício. A título de exemplo, cita se: a) Acórdão 9101000.539: Assunto: Juros Sobre Multa de Officio Exercício: 1996 a 1998 JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO. A obrigação tributária principal compreende tributo e multa de oficio proporcional. Sobre o crédito tributário constituído, incluindo a multa de oficio, incidem juros de mora, devidos à taxa Selic. Recurso da Fazenda Nacional Provido. b) Acórdão 1103001.151: MULTA DE OFÍCIO. INCIDÊNCIA DE JUROS DE MORA. A multa de lançamento de ofício sofre a incidência de juros de mora com base na taxa Selic a partir do seu vencimento. Como apontado no acórdão, posição com a qual comungo, por força do comando inserido no art. 139, combinado com o §1º do art. 113 do CTN, não há como deixar de considerar que a expressão "crédito tributário" compreenda exclusivamente o tributo ou contribuição que deixou de ser recolhido. Consequentemente, nos termos do art. 161 Código Tributário Nacional, combinado com o § 3º do art. 61, caput e § 3º da Lei nº 9.430, de 1996, caberá correção monetária da multa de ofício, por meio da aplicação da taxa Selic. Igualmente relevante é a manifestação da Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça, assentada no acórdão que enfrentou o AgRg no RECURSO ESPECIAL Nº 1.335.688 PR15, assim ementado: PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL. MANDADO DE SEGURANÇA. JUROS DE MORA SOBRE MULTA. INCIDÊNCIA. PRECEDENTES DE AMBAS AS TURMA QUE COMPÕEM A PRIMEIRA SEÇÃO DO STJ. 1. Entendimento de ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ no sentido de que: "É legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva,a qual integra o crédito tributário." (REsp 1.129.990∕PR, Rel. Min. Castro Meira, DJ de 14∕9∕2009). De igual modo: REsp 834.681∕MG, Rel. Min. Teori Albino Zavascki, DJ de 2∕6∕2010. 15 MINISTRO BENEDITO GONÇALVES, julgado em 04/12/2012. Unânime. Fl. 909DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 910 18 Com essas considerações, voto no sentido de negar provimento ao recurso apresentado pelo sujeito passivo, e dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional, para restabelecer a incidência de juros moratórios sobre a multa de ofício não paga na data do respectivo vencimento. Henrique Pinheiro Torres Declaração de Voto Declaração de Voto O primeiro ponto que merece destaque é a discussão da abrangência ou não dos três serviços prestados pelo Contribuinte na hipótese de alíquota zero da CPMF. Conforme mencionado no acórdão recorrido, "as operações de pagamentos eram provenientes de três serviços oferecidos pelo Banco, a saber: recolhimento de numerário, cheques prédatados custodiados pelo Banco e valores provenientes de débitos em contas correntes dos titulares", e que "apenas parte dos recursos creditados na conta corrente da DTVM provinha das contas correntes dos clientes, tendo sofrido a incidência da CPMF nessa operação." de modo que todos os valores transmitidos pelo correntista ao Banco já haviam sido objeto da incidência da CPMF nessa operação. Aprioristicamente, isso não ilide a possibilidade da incidência ocorrer novamente, em outra etapa da cadeia de movimentação financeira, todavia, a própria legislação da CPMF (considerando o risco de uma sobreoneração dessas operações) previu hipóteses de alíquota zero, como a que se segue: Art. 8° A alíquota fica reduzida a zero: (...) III nos lançamentos em contas correntes de depósito das sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, das sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, das sociedades de investimento e fundos de investimento constituídos nos termos dos arts. 49 e 50 da Lei n° 4.728, de 14 de julho de 1965, das sociedades corretoras de mercadorias e dos serviços de liquidação, compensação e custódia vinculados às bolsas de valores, de mercadorias e de futuros, e das instituições financeiras não referidas no inciso IV do art. 2° , bem como das cooperativas de crédito, desde que os respectivos valores sejam movimentados em contas correntes de depósito especialmente abertas e exclusivamente utilizadas para as operações a que se refere o § 3° deste artigo; (...) Fl. 910DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 911 19 § 3° O disposto nos incisos III e IV deste artigo restringese a operações relacionadas em ato do Ministro de Estado da Fazenda, dentre as que constituam o objeto social das referidas entidades. Nesse caso, observese que a lei faz remissão a um rol de operações relacionadas pelo Ministro da Fazenda. Ele, por sua vez, editou a Portaria MF nº 06/97, posteriormente alterada pela Portaria MF nº 134/99, enumerando, em seu artigo 3º, quais seriam as operações que se enquadrariam nos incisos III e IV do art. 8º. Dentre tais itens, são pertinentes ao caso os incisos VII e XXIV do caput, invocados pelo Contribuinte como fundamento para o benefício, que foram complementados pelos §§ 1º e 4º, assim redigidos: Art. 3º O disposto nos incisos III e IV do art. 8º da Lei Nº 9.311, de 1996, se aplica, exclusivamente, aos lançamentos referentes às seguintes operações e atividades: (...) VII prestação de serviços de arrecadação de tributos, serviços de pagamentos e recebimentos diversos e outros serviços típicos de instituições financeiras; (...) XXIV prestação de serviços com correspondentes no exterior e no País; § 1º A hipótese prevista no inciso VII não abrange os lançamentos efetuados pela instituição para pagamento ou recolhimento de tributos ou contribuições na qualidade de contribuinte ou responsável. (...) § 4º O disposto neste artigo somente se aplica às operações realizadas de acordo com as normas previstas na legislação pertinente. E como bem observado pelo Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, a questão central da discussão é saber o alcance do §4º do art.3º da Portaria 06/97 é dizer, se as atividades previstas no âmbito da alíquota zero da CPMF estão dentro do escopo social das DTVM. O objeto societário das DTVM encontrase disciplinado nos inciso do art. 2º da Resolução BACEN nº 1.653, de 1989, que alterou a Resolução nº 1.120, de 1986. O Contribuinte defende se enquadrar no inc.XIV, inclusive por meio da juntada do parecer. In verbis: Art. 2. A sociedade distribuidora tem por objeto social: (...) XIV prestar serviços de intermediação e de assessoria ou assistência técnica em operações e atividades nos mercados financeiro e de capitais; Fl. 911DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 912 20 Em pratos limpos, podese dizer que a discussão gira em torno do caráter técnicoespecializado ou não da atividade de gestão de caixa realizada pelo Banco para os seus correntistas, pelo que entendeu o Conselheiro Relator que não haveria tal caráter, por ausência de necessidade de alguma especialização para realizar os pagamentos: Notese, com relação a este ponto, que, apesar da Autuada alegar que a atividade de gestão de caixa seria complementar em relação à atividade de assessoria técnica, em operações e atividades nos mercados financeiros e de capitais, não foi trazido aos autos qualquer elemento que demonstrasse a efetiva prestação desses serviços elencados no inciso XIV. Muito pelo contrário, como apontado, os “Contratos de Prestação de Serviços de Assessoria e Assistência Financeira”, conforme documentação de fls. 187 a 219, apesar de mencionarem, na cláusula 2ª, que tem como objeto a prestação de serviços de assessoria e assistência, em todos os seus parágrafos fazem alusão exclusivamente a obrigações inerentes à gestão de caixa, relativa a pagamentos. O único expert a que se refere o contrato seria o banco correspondente, alegadamente especialista na realização de pagamentos. Ou seja, de acordo com tal cláusula, a instituição contratada não seria encarregada sequer de analisar ou assessorar os contratantes na gestão da integralidade do seu caixa, mas, exclusivamente, os seus pagamentos, atividade que, salvo melhor juízo, não exigiria especialização. Ocorre, data vênia, um equívoco de premissas na argumentação do Ilustre Relator: i) em primeiro lugar, por considerar a realização de pagamentos como uma atividade banal, desconsidera o tamanho da autuação, que reflete o montante gigantesco de pagamentos efetuados. Ora, a própria existência dessa atividade anteriormente à cobrança da CPMF já indica a pertinência técnica da mesma e a existência de uma demanda por uma gestão de caixa especializada, para lidar com diversos agentes econômicos. Portanto, foge ao bom senso equiparar tal volume de operações aos pagamentos que o gerente de uma "quitanda" efetua tratase de um serviço complexo e claramente de caráter técnicoespecializado. ii) em segundo lugar, o Relator alega falta de provas sobre esse caráter da atividade do Contribuinte. Novamente, a ululante complexidade das operações torna despicienda a produção de prova sobre isso o que é notório e óbvio dispensa a produção de provas. Desse modo, reconhecido o caráter técnico da atividade prestada e a sua subsunção ao objeto social das DTVM, o encadeamento normativo acima reproduzido permite a ilação de subsumirse o Contribuinte à hipótese da alíquota zero prevista na legislação da CPMF, pelo que dou provimento ao Recurso Especial. Por fim, cabe analisar a questão da incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Fl. 912DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 913 21 Essa questão já foi enfrentada em inúmeros julgados no CARF, não sendo uma questão pacífica. E os quais cito o Acórdão 3403002.367, de 24 de julho de 2013, relatado pelo Conselheiro Rosaldo Trevisan, a quem peço licença para adotar seus fundamentos, in verbis: "(...) O assunto seria aparentemente resolvido pela Súmula nº 4 do CARF: “Súmula CARF n° 4: A partir de 1o de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais” (grifo nosso) Contudo, resta a dúvida se a expressão “ débitos tributários” abarca as penalidades, ou apenas os tributos. Verificando os acórdãos que serviram de fundamento à edição da Súmula, não se responde a questão, pois tais julgados se concentram na possibilidade de utilização da Taxa SELIC. Seguese então, para o art. 161 do Código Tributário Nacional, que dispõe: “Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. § 1° Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. § 2º O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito.”(grifo nosso) As multas são inequivocamente penalidades. Assim, restaria ilógica a leitura de que a expressão créditos ao início do caput abarca as penalidades. Tal exegese equivaleria a sustentar que: “os tributos e multas cabíveis não integralmente pagos no vencimento serão acrescidos de juros, sem prejuízos da aplicação das multas cabíveis” . A Lei nº 9.430/1996, por sua vez, dispõe, em seu art. 61, que: “Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. Fl. 913DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 914 22 § 1º A multa de que trata este artigo será calculada a partir do primeiro dia subseqüente ao do vencimento do prazo previsto para o pagamento do tributo ou da contribuição até o dia em que ocorrer o seu pagamento. § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Novamente ilógico interpretar que a expressão “débitos” ao início do caput abarca as multas de ofício. Se abarcasse, sobre elas deveria incidir a multa de mora, conforme o final do comando do caput. Mais recentemente tratouse do tema nos arts. 29 e 30 da Lei nº 10.522/2002: “Art. 29. Os débitos de qualquer natureza para com a Fazenda Nacional e os decorrentes de contribuições arrecadadas pela União, constituídos ou não, cujos fatos geradores tenham ocorrido até 31 de dezembro de 1994, que não hajam sido objeto de parcelamento requerido até 31 de agosto de 1995, expressos em quantidade de Ufir, serão reconvertidos para real, com base no valor daquela fixado para 1o de janeiro de 1997. § 1° A partir de 1o de janeiro de 1997, os créditos apurados serão lançados em reais. § 2° Para fins de inscrição dos débitos referidos neste artigo em Dívida Ativa da União, deverá ser informado à Procuradoria Geral da Fazenda Nacional o valor originário dos mesmos, na moeda vigente à época da ocorrência do fato gerador da obrigação. § 3° Observado o disposto neste artigo, bem assim a atualização efetuada para o ano de 2000, nos termos do art. 75 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, fica extinta a Unidade de Referência Fiscal – Ufir, instituída pelo art. 1o da Lei no 8.383, de 30 de dezembro de 1991. Art. 30. Em relação aos débitos referidos no art. 29, bem como aos inscritos em Dívida Ativa da União, passam a incidir, a partir de 1o de janeiro de 1997, juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e de Custódia – Selic para títulos federais, acumulada mensalmente, até o último dia do mês anterior ao do pagamento, e de 1% (um por cento) no mês de pagamento.” (grifo nosso). Vejase que ainda não se aclara a questão, pois se trata da aplicação de juros sobre os “ débitos” referidos no art. 29, e a expressão designada para Fl. 914DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 16327.004252/200235 Acórdão n.º 9303003.385 CSRFT3 Fl. 915 23 a apuração posterior a 1997 é "créditos". Bem parece que o legislador confundiu os termos, e quis empregar débito por crédito (e viceversa), mas tal raciocínio, ancorado em uma entre duas leituras possíveis do dispositivo, revelase insuficiente para impor o ônus ao contribuinte. Não se tem dúvidas que o valor das multas também deveria ser atualizado, sob pena de a penalidade tornarse pouco efetiva ou até inócua ao fim do processo. Mas o legislador não estabeleceu expressamente isso. Pela carência de base legal, então, entendese pelo não cabimento da aplicação de juros de mora sobre a multa de ofício, na linha que já vem sendo adotada por esta Turma. Pelo exposto, voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário apresentado, reconhecendo, para efeitos de execução do presente acórdão pela unidade local, que não incidem juros de mora sobre o valor da multa de ofício. Rosaldo Trevisan" Além disso, pretendo o Conselheiro Relator invocar o art. 43 da Lei 9.430/1996 para determinar a incidência dos juros sobre a multa de ofício, olvidando que tal dispositivo trata exclusivamente dos casos de autuação de multa isolada, como se depreende da literalidade do seu parágrafo único: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Desse modo, afasto a incidência dos juros sobre a multa de ofício, por ausência de fundamento legal. Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 915DF CARF MF Impresso em 12/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinado digitalmente em 12/02/ 2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por CARLOS AUGUSTO DANI EL NETO, Assinado digitalmente em 09/02/2016 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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Numero do processo: 11176.000173/2007-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 18 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 2401-000.492
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, com a finalidade de sobrestar o presente julgamento até a juntada, no Processo nº 35187.000103/2006-17, em apenso, do recurso administrativo interposto contra o Ato Cancelatório de Isenção.
André Luís Mársico Lombardi - Presidente
Cleberson Alex Friess - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira.
Nome do relator: CLEBERSON ALEX FRIESS
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REGIME JURÍDICO ANTES DA LEI Nº 12.101/2009 Recorrente SOCIEDADE ESPÍRITA PAZ AMOR E LUZ Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, com a finalidade de sobrestar o presente julgamento até a juntada, no Processo nº 35187.000103/200617, em apenso, do recurso administrativo interposto contra o Ato Cancelatório de Isenção. André Luís Mársico Lombardi Presidente Cleberson Alex Friess Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros André Luís Mársico Lombardi, Arlindo da Costa e Silva, Carlos Alexandre Tortato, Cleberson Alex Friess, Luciana Matos Pereira Barbosa, Theodoro Vicente Agostinho, Carlos Henrique de Oliveira e Rayd Santana Ferreira. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 11 76 .0 00 17 3/ 20 07 -1 7 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000173/200717 Resolução nº 2401000.492 S2C4T1 Fl. 395 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto em face da decisão de primeira instância, por meio do Acórdão nº 0618.844, que considerou procedente em parte o lançamento fiscal consubstanciado na Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) nº 35.519.4937, relativa à exigência de contribuições previdenciárias e das contribuições destinadas a terceiros incidentes sobre remunerações pagas a segurados empregados e contribuintes individuais, no período de 04/2002 a 03/2006 (fls. 225/237 e 247/295). 2. De acordo com o relatório fiscal, a entidade perdeu o benefício de isenção das contribuições para a seguridade social, tendo em vista ter deixado de ser portadora do Certificado de Entidade Beneficente de Assistência Social (Cebas), a partir de 24/4/2002 (fls. 6/10). 3. Entendendo tratarse de questão prejudicial ao presente litígio, a 1ª Turma da 3ª Câmara da 2ª Seção deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), mediante a Resolução nº 2301000.201, de 12/3/2012, converteu o julgamento em diligência para aguardar a solução definitiva no Processo nº 35187.000103/200617, no qual se discute o cancelamento da isenção (fls. 351/352). 3.1 Dessa decisão do colegiado, foram interpostos embargos de declaração pelo contribuinte, os quais foram rejeitados (fls. 358/360 e 374/375). 4. Na sequência, consta petição da recorrente em que juntou a Resolução nº 03, de 23/1/2009, publicada no Diário Oficial da União de 26/1/2009, por meio da qual o Conselho Nacional de Assistência Social (CNAS) deferiu o pedido de renovação do Cebas, com validade de 27/9/2005 a 26/9/2008 (fls. 367/371). 5. Quanto à resposta relativa à diligência determinada pela Resolução nº 2301 000.201, manifestouse a unidade preparadora da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) na forma das fls. 382/385. 6. Não fazendo mais parte do colegiado o relator original, fui sorteado para a relatoria do processo. Distribuídos os autos, conclui em juízo preliminar que as providências adotadas pelo órgão preparador da RFB eram confusas e insuficientes para o julgamento deste processo administrativo. 6.1 De sorte tal que, por meio do Despacho nº 2402065, de 17/8/2015, e com base na previsão regimental, solicitei a vinculação por decorrência destes autos ao Processo nº 35187.000103/200617, acima mencionado, com vistas a uma melhor análise da situação processual (fls. 389/390). Deferido o pedido de vinculação, foi providenciada a apensação (fls. 391/392). Fl. 395DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000173/200717 Resolução nº 2401000.492 S2C4T1 Fl. 396 3 7. Ao compulsar os autos digitais do Processo n° 35187.000103/200617, que contém a documentação referente à concessão e ao cancelamento da isenção, pude verificar as seguintes informações: i) Certificado de Entidade de Fins Filantrópicos, concedido pelo CNAS, com validade de 24/4/1999 a 23/4/2002 (fls. 61); ii) pedido de renovação do referido certificado, protocolado sob o nº 44006.000700/200290 (fls. 89); iii) indeferimento da renovação do certificado, conforme Resolução CNAS nº 124, de 15/7/2005 (fls. 90/93); iv) elaboração de Informação Fiscal, tendo em conta o indeferimento da renovação, com proposição para o cancelamento da isenção das contribuições sociais, a partir de 24/4/2002 (fls. 95); v) apresentação de defesa tempestiva pelo contribuinte, depois de cientificado do conteúdo da Informação Fiscal (fls. 100/103); vi) DecisãoNotificação nº 14.401.4/001/2006, proferida após a apreciação da manifestação da entidade, em que se decidiu pela emissão do Ato Cancelatório da Isenção a contar de 24/4/2002, tendo a sociedade espírita tomado ciência do inteiro teor da decisão e do ato cancelatório em 17/11/2006 (fls. 112/115 e 118/119); vii) existência de despacho da unidade preparadora da RFB em que dá notícia sobre a impetração do mandado de segurança (MS) nº 2007.70.05.0021226/PR1, assim como da interposição de recurso administrativo pelo interessado relativo ao Ato Cancelatório de Isenção, recepcionado sob o nº 36582.003962/2006682, o qual teria sido protocolado em 18/12/2006 e, portanto, depois de esgotado o prazo legal (fls. 126); viii) por meio do Despacho nº 2401143, de 25/6/2014, a 1ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 2ª Seção do Carf entendeu necessário o retorno dos autos à unidade de origem com a finalidade de emissão de nova decisão, nos termos previstos no Decreto nº 7.237, de 20 de julho de 2010, e na Instrução 1 Conforme fls. 196/200 deste Processo Administrativo nº 11176.000173/200717, a ação de segurança cadastrada sob o nº 2007.70.05.0021226/PR, com deferimento de liminar, teve por objeto o recebimento e o seguimento do recurso administrativo interposto em face da decisão que cancelou a isenção. Isso porque a unidade da RFB, à época Delegacia da Receita Previdenciária em Cascavel (PR), comunicou ao contribuinte, por meio do Ofício nº 0272007/DRP Cascavel, que não daria encaminhamento à petição da entidade, protocolada sob o nº 36582.003962/200668, e destinada ao Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS (fls. 193/194). 2 A despeito da menção à interposição do recurso, não localizei naqueles autos, mesmo que em apenso, o recurso administrativo protocolado sob o nº 36582.003962/200668, referente ao Ato Cancelatório de Isenção. Fl. 396DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000173/200717 Resolução nº 2401000.492 S2C4T1 Fl. 397 4 Normativa RFB nº 1.071, de 15 de setembro de 2010 (fls. 132/134); ix) reexaminada a matéria, em cumprimento ao solicitado pelo Carf, a unidade de origem da RFB emitiu a Informação Fiscal de fls. 145/146. Comunicou, ainda, que em face da decisão judicial no MS nº 2009.70.05.0025710/PR, houve suspensão do crédito tributário constituído em outro processo, sob o nº 10935.009531/200836, até que emitida a decisão definitiva no processo administrativo de cancelamento de isenção (fls. 143 e 148); e x) devidamente intimado do conteúdo da Informação Fiscal de fls. 145/146, não consta pronunciamento do interessado (fls. 147/148). É o relatório. Fl. 397DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000173/200717 Resolução nº 2401000.492 S2C4T1 Fl. 398 5 Voto Conselheiro Cleberson Alex Friess, Relator 8. Com a advento da Lei nº 12.101, de 27 de novembro de 2009, que revogou o art. 55 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, foram estabelecidos novos procedimentos administrativos para a certificação das entidades como instituições beneficentes de assistência social e novos requisitos para a fruição da imunidade/isenção a que alude o § 7º do art. 195 da Carta da República de 1988. 8.1 Entre outros aspectos, a Lei nº 12.101, de 2009, extinguiu os procedimentos para reconhecimento e para cancelamento da isenção. 8.2 Vale dizer que constatado o descumprimento dos requisitos pela entidade necessários à isenção, o lançamento do crédito tributário mediante lavratura de auto de infração passou a dispensar o prévio ato de cancelamento, sem prejuízo do rito estabelecido no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972. Eis a redação do art. 32 da Lei nº 12.101, de 2009: Art. 32. Constatado o descumprimento pela entidade dos requisitos indicados na Seção I deste Capítulo, a fiscalização da Secretaria da Receita Federal do Brasil lavrará o auto de infração relativo ao período correspondente e relatará os fatos que demonstram o não atendimento de tais requisitos para o gozo da isenção. § 1º Considerarseá automaticamente suspenso o direito à isenção das contribuições referidas no art. 31 durante o período em que se constatar o descumprimento de requisito na forma deste artigo, devendo o lançamento correspondente ter como termo inicial a data da ocorrência da infração que lhe deu causa. § 2º O disposto neste artigo obedecerá ao rito do processo administrativo fiscal vigente. 9. Na hipótese de processos de cancelamento de isenção pendentes de julgamento quando da edição da Lei nº 12.101, de 2009, como ora se cuida, a legislação tributária previu regras de transição. 9.1 Nesse sentido, transcrevo o art. 45 do Decreto nº 7.237, de 2007, que regulamentou a Lei nº 12.101, de 2009, cuja redação foi mantida pelo Decreto nº 8.242, de 23 de maio de 2014, atualmente em vigor: Art. 45. Os processos para cancelamento de isenção não definitivamente julgados em curso no âmbito do Ministério da Fazenda serão encaminhados à unidade competente daquele órgão para verificação do cumprimento dos requisitos da isenção na forma do rito estabelecido no art. 32 da Lei no 12.101, de 2009, aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. 10. Notase que os processos de cancelamento de isenção pendentes de apreciação passaram a ser analisados pelas novas regras de apuração, embora com base na lei vigente à época do fato gerador. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS Processo nº 11176.000173/200717 Resolução nº 2401000.492 S2C4T1 Fl. 399 6 10.1 Após baixado em diligência para fins de observância do rito previsto no art. 45 do Decreto nº 7.237, de 2007, conforme despacho de fls. 132/134, a tramitação do processo de cancelamento de isenção (Processo nº 35187.000103/200617) está ocorrendo de forma simultânea com o correlato lançamento do crédito tributário (Processo nº 11176.000173/2007 17), estando, em princípio, aptos a julgamentos conjunto. 11. Nada obstante, em que pese as idas e vindas de ambos os processos, o caso concreto ainda exige o saneamento da instrução processual para viabilizar a análise de mérito, vinculada que esta a questão em verificar se a entidade recorrente detém ou não o direito ao benefício fiscal nas competências a que se refere o lançamento fiscal. 12. Explico. De acordo com o exposto na nota de rodapé nº 1, supra, a possibilidade do seguimento ao recurso voluntário relativo ao ato cancelatório foi garantida por concessão de ordem no MS nº 2007.70.05.0021226/PR, ante a negação por parte da Administração Tributária. 12.1 A consulta pública ao sítio do Tribunal Regional da 4ª Região, onde tramitou a ação judicial, revela o trânsito em julgado da ação de segurança, ainda no ano de 2009, sendo mantida a sentença que concedeu a ordem para determinar o seguimento do recurso administrativo contra o ato que cancelou a isenção. 12.2 Há igualmente notícia da existência de outra ação judicial, com decisão favorável ao contribuinte, em que se suspendeu a exigibilidade do crédito tributário enquanto se aguarda o desfecho do processo administrativo de cancelamento da isenção (MS nº 2009.70.05.0025710/PR). 13. Em visto disso, pareceme necessário um prévio pronunciamento deste colegiado acerca do recurso administrativo apresentado pela entidade em face do ato cancelatório, mesmo que seja para não conhecêlo por ausência do requisito extrínseco da tempestividade na interposição do apelo. 13.1 Por outro lado, não tenho dúvidas que eventual admissibilidade e exame de mérito daquele recurso administrativo refletirá diretamente no procedimento administrativo de constituição de crédito tributário, tal como o que se está discutindo nestes autos (NFLD nº 35.519.4937). 14. Inviabiliza tais providências, contudo, a falta de juntada do recurso administrativo interposto contra o Ato Cancelatório de Isenção, protocolado à época sob o nº 36582.003962/200668, conforme retro mencionado na nota de rodapé nº 2. 15. Nesse contexto, VOTO POR CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, com a finalidade de sobrestar o presente julgamento até a juntada, no Processo nº 35187.000103/200617, em apenso, do recurso administrativo interposto contra o Ato Cancelatório de Isenção. É como voto. Cleberson Alex Friess. Fl. 399DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, Assinado digitalmente em 20/03/201 6 por ANDRE LUIS MARSICO LOMBARDI, Assinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS, As sinado digitalmente em 18/03/2016 por CLEBERSON ALEX FRIESS
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Numero do processo: 10880.915934/2008-07
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Aug 20 00:00:00 UTC 2013
Data da publicação: Mon Sep 21 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 3802-000.131
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência a fim de que a DRF de origem do processo apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes no processo administrativo nº 10880.915886/2008-49 foram, ou não, utilizados para outras compensações, ou mesmo se foram excluídas de tributação à época da ocorrência dos fatos geradores.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira.
Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248.
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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RESOLVEM os membros da 2ª Turma Especial da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em Diligência a fim de que a DRF de origem do processo apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes no processo administrativo nº 10880.915886/200849 foram, ou não, utilizados para outras compensações, ou mesmo se foram excluídas de tributação à época da ocorrência dos fatos geradores. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Regis Xavier Holanda (Presidente), Francisco José Barroso Rios, Solon Sehn, Paulo Sérgio Celani, Bruno Maurício Macedo Curi (Relator) e Cláudio Augusto Gonçalves Pereira. Fez sustentação oral pela Recorrente a Dra. Catarina Cavalcanti de Carvalho, OAB/PE nº 30.248. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 15 93 4/ 20 08 -0 7 Fl. 105DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915934/200807 Resolução nº 3802000.131 S3TE02 Fl. 106 2 Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 104), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. MICROLITE SOCIEDADE ANÔNIMA insurgese no presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 1630.845, proferido pela 9ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo –DRJ/SP1, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, mantendo o crédito tributário formalizado contra o referido contribuinte. Por bem descrever os fatos e atos processuais ocorridos até o momento da apresentação da manifestação de inconformidade, reproduzse aqui o relato formulado pela autoridade julgadora de 1ª instância, in verbis: Em 26/8/2008, Despacho Decisório não homologa Pedido Eletrônico de Restituição (PER)Declaração de Compensação (DComp) de fl. 1, por falta de crédito no DARF da contribuição acima citada (código de receita: 8109; fato gerador: 31/01/2001). O Valor foi todo usado para quitar débitos e não restou saldo compensável. O débito compensado nesta declaração é de: Pis Não Cumulativa; código de receita: 6912; de fevereiro de 2004; no valor de R$ 656,38 (fl 9). A base da decisão são os artigos 165 e 170, do CTN, e no art. 74, da Lei 9.430/96. Foram emitidas mais 90 Decisões, cada qual formando um processo (de 10880.915886 até 10880.915976, conjunto ao qual estes autos pertencem). Em 24/9/2008, a empresa deduz sua inconformidade (fl 11 e seguintes) na qual: diz que as Declarações de Compensação tratam de créditos do mesmo tipo e prova, não fracionáveis; pede para apensar todos os autos em um, para análise conjunta da defesa e das provas; argui: nulidade, pela falta de intimação prévia para prestar esclarecimentos; que devem ser apreciados os documentos ora juntados, sob pena de cerceamento; que recolheu indevidamente Pis e Cofins de abril de 1999 a fevereiro de 2004 em vendas à ZFM que não geram obrigação fiscal, pois equiparadas a exportação (DL 288/67); diz juntar as notas fiscais e demonstrativos da base de compensação, planilhas das bases de cálculo e demonstrativo contábil. Ao final, requer a emissão de novo Despacho em face da prova e/ou homologação das compensações deste e dos demais autos que pleiteia anexar. Junta documentos da representação processual e societários. Não acatando as razões aduzidas pela interessada na instância a quo, a 9ª Turma da DRJ/SP1 resumiu na forma da ementa abaixo os motivos pelos quais julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada. Vejase: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Fl. 106DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915934/200807 Resolução nº 3802000.131 S3TE02 Fl. 107 3 Data do fato gerador: 31/01/2001 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NULIDADE. Se o ato administrativo obedece às suas formalidades essenciais não há nulidade. CERCEAMENTO. INOCORRÊNCIA. Não fica configurado cerceamento quando o interessado é regularmente cientificado do despacho decisório, e lhe é possível apresentar sua irresignação no prazo legal. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. NÃO COMPROVAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). IMPOSSIBILIDADE. A vinculação total de pagamento a um débito próprio expressa a inexistência do direito creditório compensável e é circunstância apta a embasar a não homologação de compensação. A alegação de existência de pagamento indevido ou a maior, desacompanhada de suficientes elementos comprobatórios, não é suficiente para reformar a decisão. Assunto: Contribuição para o PIS/ Pasep Data do fato gerador: 31/01/2001 VENDAS À ZONA FRANCA DE MANAUS. DL 288/67. CONTRIBUIÇÕES SUPERVENIENTE. ISENÇÃO. DESCABIMENTO. O art. 4º do DecretoLei nº 288/67 aplica a equiparação a tributo vigente em 28/2/67 e não projeta isenções futuras. A restrição era para os tributos existentes em vigor à época e não para contribuição social superveniente. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório Não Reconhecido. Irresignado com a decisão supra, o sujeito passivo interpôs o presente Recurso Voluntário (fls. 60 e seguintes) pleiteando a nulidade do Acórdão recorrido, alegando que a decisão foi construída com base em premissas confusas e obscuras, bem como enfatizando o direito que ampara seu pedido, consubstanciado na equiparação das vendas para a Zona Franca de Manaus à exportações – o que explicita ter ocorrido recolhimento indevido de PIS e COFINS sobre as receitas daí oriundas. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 104), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de Fl. 107DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915934/200807 Resolução nº 3802000.131 S3TE02 Fl. 108 4 que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso, passando à análise das razões nele expostas. Tratase de recurso destinado a reconhecer a validade da compensação realizada pelo sujeito passivo, que alega haver indevidamente submetido à tributação por PIS e COFINS as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. Preliminar Como questão preliminar aduzse a nulidade do Acórdão recorrido, por haver sido “construído com base em premissas confusas e obscuras, que impossibilitam o pleno exercício do direito de defesa da Recorrente, no caso concreto”. O art. 59 do Decreto 70.235/72, que rege o processo tributário administrativo em âmbito federal, traz como uma das causas de nulidade a preterição do direito de defesa. No entanto não vislumbro no caso nulidade do Acórdão, especialmente porque a decisão recorrida traz um argumento escalonado para não acolher o pleito do contribuinte, a saber: a) a impossibilidade de se reconhecer o direito de crédito à Recorrente, diante da Solução de Divergência Cosit nº 07, que limitaria as isenções a apenas alguns produtos, não sendo genérica para qualquer venda realizada para a Zona Franca de Manaus, nos termos do art. 14 da MP 203725; e b) ultrapassada a questão acima, a inexistência de comprovação da materialidade do crédito em termos concretos. O fato de, no entender da Recorrente, o Acórdão ter sido confuso (ou mesmo, ao seu ver, lacônico), não o torna nulo por preterição do direito de defesa. Ao contrário, ainda que breve na concepção da Recorrente, a decisão recorrida fundamentouse em mais de um motivo. Tanto assim que a Recorrente não só identificou os fundamentos do Acórdão, como o presente Recurso ataca o ponto que parece mais sensível ao contribuinte – a existência, ao seu ver, de exoneração de PIS e COFINS sobre as vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Desse modo, não acolho o argumento de nulidade do Acórdão. Vale o aforismo jurídico: pas de nullité sans grief. Fl. 108DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915934/200807 Resolução nº 3802000.131 S3TE02 Fl. 109 5 Mérito Quanto ao mérito, o ponto nodal referese à existência, ou não, de exoneração de PIS e COFINS sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. A celeuma tem origem no fato de o art. 40 do ADCT/88 (Atos das Disposições Constitucionais Transitórias) ter estendido para o ordenamento constitucional de 1988 o regime tributário da Zona Franca em Manaus, nos seguintes termos: Art. 40. É mantida a Zona Franca de Manaus, com suas características de área livre de comércio, de exportação e importação, e de incentivos fiscais, pelo prazo de vinte e cinco anos, a partir da promulgação da Constituição. Parágrafo único. Somente por lei federal podem ser modificados os critérios que disciplinaram ou venham a disciplinar a aprovação dos projetos na Zona Franca de Manaus. Esse regime tributário, como cediço, teve início por intermédio do Decretolei nº 288/67, porém seguramente a determinação constitucional estende toda a exoneração fiscal existente no ordenamento anterior para o Sistema Tributário atual. Esse é o comando expresso do art. 40 do ADCT, cujo prazo veio a ser prorrogado por mais 10 anos por força do art. 92 das mesmas Disposições Constitucionais. A discussão que pode ser travada é quanto à interpretação da expressão das características “de exportação” sobre a Zona Franca de Manaus, especialmente diante da imunidade constitucional que as exportações possuem sobre as contribuições especiais. De todo modo, há normas infraconstitucionais de observância irrefutável pelo CARF, que trazem regramento jurídico distinto da imunidade. E, como se sabe, a Súmula nº. 2, do CARF, impede que se avalie a constitucionalidade dessas normas, que em última análise afetam a permissibilidade de exclusão, ou não, dessas receitas da base de cálculo de PIS e COFINS. Referidas normas estavam contidas, durante o período compreendido pelos casos trazidos à lume, pela Medida Provisória nº 2.037, a qual, em sua redação original e em vinte e quatro reedições posteriores, dispôs que não estavam abarcadas por isenção as receitas oriundas de vendas para a Zona Franca de Manaus, “a partir de 1o de fevereiro de 1999” (redação do § 2o do art. 14). Essa redação somente veio a ser modificada diante de decisão do STF na ADIMC 2348, cujo mérito terminou não sendo julgado por perda de objeto da ação direta. A decisão, que afastava com efeitos ex nunc a aplicação da norma acima sobre as receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus, levou o governo federal a, na vigésima quinta reedição da MP nº 2.037, considerar isentas também as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus. E a rigor, a interpretação de que a isenção estava concedida à Zona Franca de Manaus se deu por supressão da expressão “Zona Franca de Manaus” do rol de vedações à aplicação da isenção constante do art. 14 da MP nº 2.037. Passavase, então, a reconhecer que a isenção para a ZFM estava compreendida no inciso II do art. 14, o qual dispunha sobre a Fl. 109DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915934/200807 Resolução nº 3802000.131 S3TE02 Fl. 110 6 exportação de mercadorias para o exterior. Esforço interpretativo conjunto com o art. 40 do ADCT, portanto (e que, frisese, remete à imunidade do art. 149 da CRFB, não a isenção). De todo modo, em termos infraconstitucionais o que se tem é: somente se isentaram as receitas de vendas para a Zona Franca de Manaus das contribuições PIS e COFINS a partir de dezembro de 2000, pois o início da vigência da MP nº 2.03725 ocorreu no dia 21 daquele mês. Importante destacar que não entendo que a isenção tenha sido concedida em caráter retroativo a 1o de fevereiro de 1999, como defendem alguns diante de uma leitura fria do caput do art. 14 da MP nº 2.03725. A rigor, a alteração legislativa que suprimiu a vedação à isenção das vendas para a Zona Franca de Manaus deve ser apreciada em conjunto com a própria decisão do STF, que suspendeu a aplicação da MP nº 2.037, em reedição anterior, com efeitos ex nunc na ADIMC 2348. A disposição do caput tratando do dia 1o de fevereiro de 1999 existe desde a edição originária da MP 2.037. Assim, o fato de reedição posterior da MP permitir uma leitura apriorística de que, desde fevereiro de 1999, não havia vedação à isenção, não significa que ocorra uma exótica “isenção retroativa”. Afinal, tratase da mesma MP nº 2.037, que, pelas regras constitucionais vigentes à época, podia ser reeditada quantas vezes fossem necessárias. De todo modo, ao menos em tese os períodos de apuração de dezembro de 2000 em diante estão beneficiados expressamente pela exoneração fiscal de PIS e COFINS às receitas decorrentes de vendas para a Zona Franca de Manaus. Assim, para todos os períodos posteriores a dezembro de 2000, inclusive, é de se reconhecer que há bom direito assistindo ao contribuinte; por outro lado, os períodos anteriores não podem receber a mesma validação. Como o processo em tela abrange período posterior, é de se avançar o exame do mérito, passandose à materialidade do direito creditório pleiteado. A DRJ entendeu inaplicável a exoneração ao caso em tela, transcendendo a discussão acerca de haver, ou não, exoneração fiscal nas vendas realizadas para a Zona Franca de Manaus. Isso é indiscutível, e como visto a própria DRJ não nega que ela exista (ainda que, como visto anteriormente, há uma importante cronologia a ser observada com relação à vigência dessa exoneração). O Acórdão se desencontra somente na tentativa de identificar a que instituto se trate – isenção, imunidade ou alíquota zero, e com base nisso entender que não poderia apreciar imunidade por ser questão constitucional. De todo modo, a decisão recorrida chega a ultrapassar esse aspecto mais formalista, e chega à investigação da documentação acostada pelo contribuinte, para tentar confirmar (i) que se tratam de vendas para a Zona Franca de Manaus, e (ii) se tais vendas seriam enquadráveis nos incisos a que se refere a Solução de Divergência Cosit nº 07. Com relação ao aspecto acima, a ausência de documentação apresentada pelo contribuinte foi cabal para que a decisão concluísse pela ausência de direito creditório com demonstração de liquidez e certeza. Assim decidiu a DRJ: Fl. 110DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915934/200807 Resolução nº 3802000.131 S3TE02 Fl. 111 7 "(...) Com relação aos documentos que consubstanciariam o alegado recolhimento indevido, a defesa junta com a inconformidade tempestiva documentos da representação processual e societários. Por sua natureza, tais documentos não possuem o teor comprobatório buscado no mérito. Não se forma convicção de que o apontado pagamento contenha algum indébito. Assim, não fica comprovado o alegado pagamento indevido ou a maior, gerador de crédito, ou eventuais erros nas apurações e recolhimentos das obrigações fiscais. Por esta via, falta amparo a pretensão. Conclusão Ao declarar que dispunha de crédito capaz de extinguir um débito, a Contribuinte assumiu a incumbência de demonstrar sua liquidez e certeza. Relativamente à liquidez e certeza do credito, o CTN estabelece: (...) Compete à declarante o ônus de formar a prova do alegado direito creditório, para fins de demonstrar a certeza e liquidez do indébito utilizado em compensação, consoante determina o disposto no art. 170 do CTN. A comprovação do indébito é requisito indispensável e é incumbência do suposto credor. Como visto, a defesa não logrou êxito ao pretender fazêlo. Com o pagamento em Darf integralmente utilizado e não sendo possível reconhecer o indébito (crédito) alegado, cabe manter a decisão que não homologa a Declaração de Compensação. A conclusão a que a DRJ chegou, decorre do fato de que o contribuinte, tendo solicitado a reunião de todos os seus 90 (noventa) processos de compensação em um único processo (fl. 11), efetuou a reunião de todo o material probante em um único processo, o PAF nº 10880.915886/200849, ora distribuído neste CARF para outro Conselheiro. Ocorre que aparentemente os processos não foram reunidos, dado que cada um deles possui um acórdão distinto. E de fato, a reunião de processos para julgamento é facultada à autoridade julgadora, de modo que, não tendo ocorrido, causou grande problema ao próprio contribuinte no que tange à comprovação da materialidade do crédito em primeiro grau. Resta saber se é possível, no âmbito do processo administrativo tributário, obter “prova emprestada” de outro processo correlato. Peculiarmente no caso em tela, houve juntada equivocada de prova, de iniciativa do próprio sujeito passivo, por ocasião da manifestação de inconformidade (dentro do prazo processual, portanto), basicamente pressupondo que haveria uma reunião de processos, em autos distintos dos julgados nesse momento. Destarte, objetivamente um dos processos contém prova desnecessária, e os demais encontramse carentes de prova. A questão me parece de solução razoável, especialmente diante do formalismo moderado ínsito ao processo administrativo tributário e ao prestígio à verdade material, bem como do art. 29 do Decreto nº 7.574, de 2011, o qual, regulamentando o Decreto nº 70.235/72, assim dispõe: Fl. 111DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10880.915934/200807 Resolução nº 3802000.131 S3TE02 Fl. 112 8 Art. 29. Quando o interessado declarar que fatos e dados estão registrados em documentos existentes na própria administração responsável pelo processo ou em outro órgão administrativo, o órgão competente para a instrução proverá, de ofício, à obtenção dos documentos ou das respectivas cópias (Lei n o 9.784, de 1999, art. 37). Analisando, então, a prova constante do PAF nº 10880.915886/200849, verifiquei que, para o período objeto do presente processo, constam notas fiscais de vendas para contribuintes estabelecidos na Zona Franca de Manaus, cujo total (excluindo o ICMS/ST) corresponde precisamente à base de cálculo sobre a qual, aplicada a alíquota da contribuição, chegase ao montante do crédito oferecido à compensação. Diante disso, o contribuinte juntou as provas que entendia necessárias à época, e, por um equívoco seu, de presumir que haveria uma reunião de seus processos, levou a DRJ a não apreciar tal material, concluindo pela inexistência de demonstração do direito creditório. Tais provas, no entanto, ao mesmo tempo em que indicam plausibilidade do crédito suscitado, não são absolutamente suficientes para se confirmar que o sujeito passivo tem direito ao reconhecimento do crédito. Isso porque é inviável para esta instância julgadora confirmar: (i) se o crédito em tela já não foi utilizado para outras compensações (até porque, como se vê dos autos, são noventa processos ao total), e/ou (ii) não foi objeto de exclusão nos próprios períodos de apuração. Conclusão Desse modo, entendo que o feito deve ser convertido em diligência, a fim de que a DRF de origem apure a certeza e a liquidez dos créditos, bem como confirme se os valores constantes das notas fiscais presentes às fls. 367 a 377 do PAF nº 10880.915886/200849 foram, ou não, utilizados para outras compensações, ou mesmo se foram excluídas de tributação à época da ocorrência dos fatos geradores. Após a conclusão da diligência, devem ser intimados sucessivamente a Recorrente e a Procuradoria da Fazenda Nacional PFN, para, querendo, dentro do prazo fixado, manifestaremse sobre as conclusões exaradas no citado parecer. Após, retornemse os autos a este CARF/3ª Seção, para prosseguimento do julgamento. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 112DF CARF MF Impresso em 21/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 18/09/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 17/09/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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Numero do processo: 13854.000059/2005-11
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Dec 09 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Mon Jan 04 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004
Ementa:
NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. CREDITAMENTO.
Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante.
Tratando-se de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo.
INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE.
O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins quando pertinente e essencial ao processo produtivo.
CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO.
Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno.
Numero da decisão: 3402-002.793
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas ao gás nitrogênio e, sob a rubrica "material de embalagem", somente os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto à reversão da glosa sobre tambores. Participou do julgamento o Conselheiro Cássio Schappo, em substituição ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que se declarou suspeito para participar do julgamento. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz se declarou impedida de votar.
(assinado digitalmente)
ANTONIO CARLOS ATULIM - Presidente
(assinado digitalmente)
MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Waldir Navarro Bezerra, Cássio Schappo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. CREDITAMENTO. Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Tratando-se de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins quando pertinente e essencial ao processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 23; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2290; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 1.262 1 1.261 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13854.000059/200511 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402002.793 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 09 de dezembro de 2015 Matéria Cofins Recorrente LOUIS DREYFUS COMMODITIES AGROINDUSTRIAL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 Ementa: NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. ASSEPSIA DE EMBALAGENS. CREDITAMENTO. Insumos, para fins de creditamento das contribuições sociais não cumulativas, são todos aqueles bens e serviços pertinentes e essenciais ao processo produtivo, cuja subtração obsta a atividade produtiva ou implica substancial perda de qualidade do serviço ou do produto final resultante. Tratandose de produção de alimentos, os gastos com bens e serviços utilizados na limpeza ou assepsia das embalagens para os produtos finais dão direito ao creditamento das contribuições não cumulativas, por guardarem relação de essencialidade e pertinência com o processo produtivo. INSUMOS. CREDITAMENTO. EMBALAGENS. TRANSPORTE. POSSIBILIDADE. O custo com embalagens utilizadas para o transporte ou para embalar o produto para apresentação deve ser considerado para o cálculo do crédito no sistema não cumulativo de PIS e Cofins quando pertinente e essencial ao processo produtivo. CRÉDITO PRESUMIDO DA AGROINDÚSTRIA. APROVEITAMENTO. Com o advento da Lei nº 10.925/2004 o crédito presumido da agroindústria deixou de se submeter à tríplice forma de aproveitamento estabelecida no art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 e no art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03, só podendo ser utilizado para o abatimento das contribuições devidas por operações no mercado interno. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 85 4. 00 00 59 /2 00 5- 11 Fl. 1262DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter as glosas relativas ao gás nitrogênio e, sob a rubrica "material de embalagem", somente os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão. Vencido o Conselheiro Jorge Freire quanto à reversão da glosa sobre tambores. Participou do julgamento o Conselheiro Cássio Schappo, em substituição ao Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, que se declarou suspeito para participar do julgamento. A Conselheira Thais De Laurentiis Galkowicz se declarou impedida de votar. (assinado digitalmente) ANTONIO CARLOS ATULIM Presidente (assinado digitalmente) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio Carlos Atulim, Jorge Olmiro Lock Freire, Valdete Aparecida Marinheiro, Maria Aparecida Martins de Paula, Waldir Navarro Bezerra, Cássio Schappo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de recurso voluntário contra decisão da Delegacia de Julgamento de São Paulo, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada em face do despacho decisório. Trata o processo de Pedido de Ressarcimento de crédito de Cofins não cumulativa Exportação, nos termos do §1º do art. 6º da Lei nº 10.833/2003, relativo ao 4º trimestre de 2004, no montante de R$ 6.322.869,61. O saldo a ressarcir foi objeto da declaração de compensação em formulário contida no processo n° 13807.009483/200597, apenso aos autos, bem como das declarações de compensação eletrônicas: 34182.90983.040106.1.3.094724; 23541.86544.180106.1.3.093105; 37867.08900.100206.1.3.094741; 05844.74756.170206.1.7.092789; 11326.11418.150306.1.3.094988; 41913.95530.150506.1.3.097981; 42081.59025.060106.1.3.096861; 16123.02124.310106.1.3.097738; 17981.06044.150206.1.3.099745; 20769.25215.240206.1.3.091089; 07425.74847.310306.1.3.097566; 13102.52116.310706.1.3.095979. A Derat/São Paulo reconheceu em parte o direito creditório, no montante de R$ 2.293.170,11, e homologou parcialmente as compensações, conforme decisão das fls. 1064/1085, parcialmente transcrita abaixo: (...) 16. Para que o material de embalagem seja considerado insumo, é necessário que ele seja parte intrínseca do produto (o produto não poderia ser comercializado em outro tipo de embalagem). Caso contrário, a embalagem é entendida apenas como acondicionamento para transporte, não sendo considerado insumo para fabricação do produto. Fl. 1263DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.263 3 17. Ao analisarse os conceitos de custo e despesa dados pela Contabilidade de Custos, entendese de forma mais clara em que situações o material de embalagem pode ser considerado insumo (para fins de apropriação de créditos do Pis e da Cofins não cumulativos). De acordo com ela, os gastos com embalagens podem estar tanto numa categoria como na outra, dependendo de sua aplicação: quando um produto é colocado para venda tanto a granel, quando em pequenas quantidades, seu custo termina quando do término de sua produção. Desta forma, tem se: • Custo as embalagens fazem parte do custo de produção nas situações em que são utilizadas antes do produto estar em condições de venda, ou seja, no momento em que o produto sai da produção, já embalado. • Despesa a embalagem será considerada despesa quando o produto é considerado pronto para venda sem a embalagem, que por sua vez é uma opção de entrega para o cliente. A contabilização é efetuada como despesa de venda. Do Crédito presumido 18. A Lei n° 10.925 de 2004, dentre outros assuntos, dispõe sobre benefícios aplicáveis à comercialização de produtos agropecuários. Os artigos 8° e 15° tratam do desconto de crédito presumido do Pis/Pasep e da Cofins pelas pessoas jurídicas, quando da aquisição de insumos da pessoa física (ou de pessoa jurídica que exerça atividade agropecuária e cooperativa de produção agropecuária), destinados à produção de mercadorias de origem animal ou vegetal, destinadas à alimentação humana ou animal. 19. No entanto, os créditos presumidos apurados a partir de 1° agosto de 2004 nos termos do artigo 8° da Lei n° 10.925/2004 não podem ser objeto de compensação ou ressarcimento, servindo apenas para desconto dos valores devidos nas contribuições apuradas (vide artigo 8° parágrafo 3°, II, da IN SRF nº 660/2006). 20. O Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15, de 22 de dezembro de 2005, diz em seus artigos 1° e 2°: 20.1. Art. 1° O valor do crédito presumido previsto na Lei n° 10.925, de 2004, arts. 8° e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. 20.2. Art. 2° O valor do crédito presumido referido no art. 1° não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei n° 10.637, de 2002, art. 5°, § 1°, inciso II, e § 2°, a Lei n° 10.833, de 2003, art. 6°,§ 1°, inciso II, e § 2°, e a Lei n° 11.116, de 2005, art. 16. Dos créditos vinculados às Receitas das Exportações Fl. 1264DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 4 21. De acordo com o artigo 6° da Lei n° 10.833/2003, a Cofins não incidirá sobre (dentre outras) as receitas decorrentes das operações de exportações de mercadorias para o exterior e de vendas a empresa comercial exportadora com o fim especifico de exportação. Nestas hipóteses, a pessoa jurídica vendedora poderá utilizar o crédito apurado na forma do artigo 3°, como dedução da contribuição a recolher, compensação de débitos relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil ou o ressarcimento em dinheiro. A condição que se impõe é que os créditos compensados ou ressarcidos sejam apurados apenas em relação aos custos, despesas e encargos vinculados às receitas de exportação, observandose o disposto nos parágrafos 8° e 9° do artigo 3° (rateio proporcional ou apropriação direta). (...) 23. De acordo com as informações prestadas, verificouse que a empresa industrializa os seguintes produtos: • NCM 3301.12.90 — carbonila de laranja conc; óleo concentrado de laranja; óleo essencial de laranja; terp. de laranja na fase óleo • NCM 3301.90.20 — resina (citrus crude oil); terpeno de laranja (D' limonen) • NCM 3301.90.30 — liq. aromat. fase aquosa • NCM 2308.00.00 — células de laranja past.; farelo de polpa cítrica; resíduo esmagamento (bagaço) • NCM 2009.11.00 — suco de laranja conc.; suco de laranja congelado • NCM 2009.12.00 — suco de laranja natural (...) 25. Na Descrição de Processo apresentado pela empresa (produção de suco de laranja e derivados), à fls. 101 a 111, verificase, em linhas gerais, que a matériaprima (laranja) é recebida, passa por uma análise de seu aspecto físicoquímico, é armazenada em silos por até 24 (vinte e quatro horas), e depois é feita a lavagem e classificação das frutas. Posteriormente, é extraído o suco, e começa a ser feita a separação e produção (através de diversos processos como filtração primária e secundária, centrifugação, concentração e blendagem) dos diversos produtos /subprodutos da fruta. 26. Na análise da produção do item n° 5 — Óleo essencial da laranja —,fls 102, verificase que é retirada parte componente da fruta (pericarpo) através da máquina de extração do suco e depois, através da utilização de sprays de água, da utilização de centrífuga, e do abaixamento da temperatura, o produto é obtido, e envasado em tambores para envio ao terminal de Santos (exportação), ou envio direto aos clientes. O contribuinte relacionou como insumos, dentre outros, a solução alcalina para limpeza de pisos e paredes, os tambores de aço de tampa fixa, os baldes de aço, as etiquetas adesivas, e os lacres metálicos para embalamento do produto. Fl. 1265DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.264 5 27. Da extração das frutas — item n° 4 —, à fls. 102, são separados o suco + células, o óleo essencial da laranja, a casca + sementes da laranja (que irão servir para a produção de farelo de casca cítrica). O suco e as células sofrem então uma primeira filtração (quando é separado parte das células, que são enviadas para a produção de células de laranja congeladas). Outra parte das células sofre depois uma segunda filtração, e são lavadas e enviadas para a produção de farelo de polpa cítrica. 28. O suco é então centrifugado, pasteurizado, concentrado a baixa temperatura (neste processo — fase oleosa e fase aquosa da laranja — são obtidos os aromas da laranja, sendo o produto refrigerado e envasado em tambores de aço para posterior comercialização). Posteriormente o suco concentrado é homogeneizado, resfriado, e recebe a adição de aromas naturais (blend agem). 29. Envase de tambores e/ou armazenamento em Tank Farm item n° 11, à fls. 104, após passar pelos processos anteriormente descritos, o suco é submetido à realização de análises físico químicas, sendo armazenado em câmaras refrigeradas (Tank Farm), para alimentar caminhõestanque também refrigerados — venda a granel, ou ser acondicionado em embalagens adequadas (tambores de aço de tampa removível, tamboretes plásticos, bombonas plásticas) para transporte até o cliente. Obs.: Foram anexadas às fls. 126 a 130, pesquisas extraídas da Internet que mostram os sistemas de transporte e armazenagem utilizados comumente na comercialização desse tipo de produto. 30. Analisandose os itens relacionados como créditos pela empresa (Descrição de Processo/Insumos utilizados na área), verificase que são utilizados como insumos alguns produtos que não correspondem à definição de insumos dada pela legislação, ou por não terem participação direta no processo de fabricação (o eventual desgaste, dano, ou a perda de propriedades físicas ou químicas dos bens não se dá em função de ação diretamente exercida no processo de fabricação dos produtos vendidos por ela), ou em função da utilização de embalagem comprovadamente de transporte, como se fosse insumo. Ressaltese ainda que o contribuinte comercializa o mesmo produto com diversos tipos de embalagem (vide doc. de fls.169 a 829), que variam conforme o cliente ou a condição na qual é feita a venda, conforme se constata no quadro abaixo. (...) 31. Também foi prestada informação verbal, de que alguns dos produtos fabricados pela empresa são por exigência de seus clientes do exterior colocados dentro de sacos plásticos antes de serem acondicionados em tambores ou bombonas, e, alguns outros, envoltos em papel, para garantir a higiene do produto e atender assim às exigências de órgãos de fiscalização sanitária de seu países. Fl. 1266DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 6 32. Tecidas essas considerações, foram relacionados abaixo, os produtos que a empresa considerou como insumos na apuração dos créditos da Cofins nãocumulativa, e que não se enquadram no conceito de insumo previsto na legislação. Produtos que não correspondem à definição de insumos, com base na análise da Descrição do Processo à fls. 101 a 111: • Nos itens 1 a 16 e 20 a solução alcalina — utilizada na limpeza de pisos e paredes • No item 5 (Óleo essencial de laranja), os tambores de aço TF, os baldes de aço, as etiquetas adesivas, e os lacres metálicos — todos utilizados como embalagens para transporte de mercadorias • Nos itens 11, 13, 14, 15 os tambores de aço de tampa removível, lacres metálicos, etiquetas adesivas, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho), estrados de madeira (palets para transporte), e caixas de papelão utilizados como embalagens para transporte e movimentação de mercadorias, e o nitrogênio liquido (inertização dos tanks). 33. Foi anexada planilha impressa com relação das notas fiscais (extraída dos arquivos fiscais apresentados pelo contribuinte) dos bens e serviços utilizados como insumos contendo o CFOP, a descrição das mercadorias, o código NCM, as quantidades e respectivos valores —denominada NF Entrada Bens e serviços utilizados como insumos e vasilhames às fls.830 a 857. Nela também se verifica a entrada (código CFOP 2920 não correspondente a compra) de grande número de vasilhames. (...) 40. Verificase também que a empresa se utilizou, no cálculo do pedido de ressarcimento/compensação da Cofins não cumulativa, de crédito presumido calculado sobre bens adquiridos de pessoa físicas linha 18 da Ficha 6 do Dacon, e planilha de Apuração dos Créditos da Contribuição para COFINS à fls. 862 e 899, em completo desacordo com as disposições legais contidas na IN/SRF n° 660/2006 e no Ato Declaratório Interpretativo SRF n°15 de 2005, conforme acima explicado (itens 17 a 19). (...) A contribuinte apresentou manifestou de inconformidade em face da decisão que deferiu parcialmente o seu pleito, apresentando, em síntese, os seguintes argumentos, conforme consta na decisão recorrida: I. Começa por contestar a glosa dos créditos a que se refere o art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003 apurados sobre os valores de aquisição de alguns produtos que a autoridade fiscal entendeu não se enquadrarem no conceito de insumo (gás nitrogênio, etiquetas, plástico, saco, pallet, envoltório papelão, tambor tampa fixa e removível, grampo, lacre e fita), cujos totais se acham indicados no quadro VII do despacho decisório (fl. 1.080). Fl. 1267DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.265 7 II. Alega que o gás nitrogênio, sendo “utilizado na assepsia do processo de envase e/ou de armazenagem do suco de laranja”, é consumido diretamente no processo de produção, de modo que se enquadra na condição de insumo, segundo a definem o art. 3o, II, da lei n° 10.833/2003 e os arts. 8° e 9° da IN SRF n° 404/2004. III. Passando aos demais produtos mencionados, aos quais atribui a denominação genérica de “material de embalagem”, procura inicialmente demonstrar a condição de insumo dos tambores, revelando manifesta discordância quanto à afirmação de que teria computado como insumos embalagens comprovadamente de transporte, feita no item 30 do despacho decisório (fl. 1.078). IV. Afirma em suma que, quando o suco de laranja sai da fábrica acondicionado em tambores, é porque será exportado nessas embalagens, não sendo, em hipótese alguma, retirado delas para transferência aos “tank farms” do porto de Santos, o que “representaria um custo de logística absolutamente inadmissível”. V. Apresenta como prova dessa assertiva as cópias de notas fiscais anexas às fls. 1.115/1.118 e 1.122/1.157, reunidas sob o título “Conjunto Documental 02”, composto, segundo observa na fl. 1.114, de “notas fiscais de exportação de suco de laranja, óleo essencial de laranja e polpa de laranja em tambores”. VI. Acrescenta ainda que, por tratarse “de matéria absolutamente superada há muito tempo”, nunca se questionou a “natureza jurídica de «insumo» dos tambores que acondicionam suco de laranja vendido no mercado interno ou no mercado externo”. Atestamno, a seu ver, os documentos reunidos sob o título “Conjunto Documental 03” (fls. 1.158/1.189), os quais compreendem, segundo afirma, “cópia de notas fiscais de aquisição de tambores, o pedido de ressarcimento do IPI formulado através da PER/DCOMP 17195.01869.071005.1.1.010010, que gerou o processo 10880.965060/201045, e respectivo despacho decisório exarado eletronicamente pela DERAT”. VII. Quanto aos demais produtos (“etiquetas, sacos plásticos, pallets, grampos, lacres e fitas”), acoima de imprópria a glosa dos créditos descontados sobre seus valores de aquisição, alegando tratarse de “material que compõe o arsenal de insumos aplicados no acondicionamento e identificação do suco de laranja e/ou óleo essencial de laranja” por ela produzidos. VIII. Contesta a afirmação, contida no item 38 do despacho decisório (fl. 1.081), de que teria obtido receitas de revenda de mercadorias no mercado interno, nos códigos 5102 e 5106, em valores maiores do que aqueles informados no DACON. IX. Esclarece que os valores concernentes ao “CFOP 5106 – venda de mercadorias adquiridas de terceiros” se acham Fl. 1268DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 8 embutidos na linha das “receitas de vendas no mercado interno de produtos de fabricação própria". X. A fim de demonstrálo e assim “evitar aumento indevido da sua receita de venda para o mercado interno”, protesta pela juntada, no prazo de 30 dias contados do protocolo da manifestação de inconformidade, “da documentação fiscal e contábil que suporta a origem [d]os valores indicados na linha «receitas de vendas no mercado interno de produtos de fabricação própria»”. XI. Passando a tratar do crédito presumido, assinala, de início, que o crédito presumido da Cofins, fundado, a partir de 1° de agosto de 2004, no art. 8° da lei n° 10.925/2004, tem exatamente a mesma conformação tributária do credito presumido a que se referem os §§ 5° e 6° do art. 3° da lei n° 10.833, em vigor até 31 de julho desse ano, podendo ser deduzido da COFINS devida em cada período de apuração. XII. Dessa forma — prossegue — não há razão para que o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 e a IN SRF n° 660/2006, ao interpretar o art. 8° da lei n° 10.925/2004, “criem restrições inexistentes na própria lei, sob pena de desrespeito ao princípio da hierarquia das normas”, inscrito no art. 59 da Constituição Federal. XIII. Citando um excerto de doutrina, um acórdão do antigo Conselho de Contribuintes e apoiada em vasta jurisprudência judicial, procura demonstrar que tanto as instruções normativas quanto os atos declaratórios interpretativos, por constituírem normas de caráter meramente acessório e hierarquia inferior, não podem instituir restrição não prevista em lei ao aproveitamento do crédito presumido de Cofins instituído pelo art. 8° da lei n° 10.925/2004. XIV. Finalmente, concluindo, requer: “(i) a manutenção em suspenso da exigibilidade, nos termos do art. 151, inc. III, do CTN, do valor de R$ 393.152,76 (trezentos e noventa e três mil, cento e cinqüenta e dois reais e setenta e seis centavos) correspondente a parte das compensações não homologadas; (ii) a reconstituição do valor dos créditos que podem ser descontados, sem a exclusão dos valores das aquisições de gás nitrogênio (tópico IV.A) e do material de embalagem (tópico IV.B); (iii) a reconstituição do credito passível de ressarcimento, sem a inclusão, na receita total, dos valores indicados no quadro IX — Receita Revenda Mercadorias, página 18 do relatório fiscal; (iv) a reconstituição do crédito passível de ressarcimento, sem a exclusão do crédito presumido apurado nos termos do art. 8° da Lei 10.925, de 2004.” Mediante o Acórdão nº 1648.831, de 25 de julho de 2013, a 6ª Turma da DRJ/SP1 julgou improcedente a manifestação de inconformidade da contribuinte, conforme ementa abaixo transcrita: Fl. 1269DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.266 9 Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Período de apuração: 01/10/2004 a 31/12/2004 BENS UTILIZADOS COMO INSUMO. GLOSA DE CRÉDITO. No regime não cumulativo da Cofins, não geram direito a crédito os gastos relativos a bens que não se enquadrem no conceito de insumo a que alude a IN SRF n° 404/2004. CRÉDITO PRESUMIDO DECORRENTE DA ATIVIDADE AGROINDUSTRIAL. IMPOSSIBILIDADE DE COMPENSAÇÃO OU RESSARCIMENTO. A IN SRF n° 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 vedam expressamente a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004 com base no art. 8° da lei n° 10.925/2004, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas. APRESENTAÇÃO DE PROVA DOCUMENTAL APÓS A MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. A apresentação de novos documentos após a protocolização da manifestação de inconformidade está sujeita às restrições previstas nos parágrafos 4° e 5° do art. 57 do Decreto n° 7.574/2011. ALEGAÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE E ILEGALIDADE. COMPETÊNCIA DA AUTORIDADE ADMINISTRATIVA. Não compete ao julgador da esfera administrativa a análise de questões que versem sobre a constitucionalidade ou legalidade de norma complementar regularmente editada. A contribuinte foi regularmente cientificada da decisão de primeira instância com a abertura dos arquivos correspondentes no sistema eprocesso em 02/08/2013. Em 17/08/2013 deuse a ciência por decurso de prazo. Em 16/09/2013, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), alegando, em síntese, que: DO GÁS NITROGÊNIO No item 25 do Acórdão combatido, o nobre julgador diz que, sendo utilizado meramente na assepsia do processo de acondicionamento ou armazenagem, como esclarece a interessada, o gás nitrogênio não exerce ação direta sobre o produto (o suco de laranja ou o suco de limão), razão pela qual não se enquadraria no conceito de insumo definido no art. 8o, § 4°, I, "a", da IN SRF n° 404/2004. Ora, a assepsia com o material de embalagem é cuidado inarredável dentro do processo de produção de qualquer bem alimentício, ainda que destinado para consumo animal. No caso, tratase de produto destinado para consumo humano, onde o cuidado deve ser redobrado, especialmente para que seja preservada a qualidade do suco de laranja por até 24 meses. Fl. 1270DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 10 Como afirmado na Manifestação de Inconformidade, o gás nitrogênio é utilizado na assepsia do processo de envase e/ou de armazenagem do suco de laranja, cujo procedimento consiste em efetuar um sopro de nitrogênio no bocal das embalagens de suco a cada período determinado, o que elimina qualquer resíduo do local, deixandoo asséptico para o fechamento. Logo, tratase de produto que se consome diretamente no processo de produção, ao contrário do quanto afirmado pelo ilustre auditor fiscal e mantido, lamentavelmente, pelo julgador da DRJ/São Paulo. DO MATERIAL DE EMBALAGEM (...) O julgador tem o dever de julgar e não de buscar argumentos estranhos para "homologar" o trabalho da auditoria fiscal. Alegar que o depoimento do representante legal da empresa, na época, desmente cabalmente os argumentos é demonstração de falta de compromisso com a verdade e acima de tudo com a moralidade da administração fazendária. O representante da empresa, cujo nome consta acima, trabalhou durante 19 anos para as empresas do grupo econômico do qual a Recorrente faz parte. Conhece muito bem o processo de produção, acondicionamento e transporte do suco de laranja, razão pela qual não cometeria a heresia de dizer que o suco de laranja acondicionado em tambores nas fábricas localizadas nos municípios de Bebedouro e Matão, no interior do Estado de São Paulo, era transferido para tank farms no porto de Santos. Essa logística não existe! De duas, uma: ou o suco de laranja é embarcado a granel, nas fábricas, e transportado até o porto de Santos, onde permanece armazenado, para depois ser embarcado em navios graneleiros; ou o suco de laranja é acondicionado em tambores, nas fábricas ou mesmo no porto, e assim embarcado para o exterior do país. Quando acondicionado em tambores, diretamente nas fábricas, ou no porto, o suco de laranja será exportado nessa condição. Em nenhuma hipótese o suco é retirado dos tambores para a transferência aos "tank farms" no porto de Santos, pois isto representaria um custo logístico absolutamente inadmissível. Com esses esclarecimentos, fica evidente a impropriedade da glosa dos créditos descontados em cima das aquisições de tambores e, por consequência, das aquisições de etiquetas, pallets, grampos, lacres e fitas, pois todo esse material é utilizado na identificação do produto (suco de laranja e/ou óleo essencial) acondicionado e exportado em tambores. Ilustres Conselheiros! As assertivas da Recorrente estão alinhadas com as disposições da IN SRF n°404/2004: (...) De fato, bens e serviços utilizados como insumo na fabricação de bens ou produtos destinados à venda ou na prestação de serviço são todos aqueles bens e serviços essenciais para o desenvolvimento da atividade da empresa, devendo ser entendidos todos os custos diretos ou indiretos incorridos para a produção de bens e serviços de produção, abrangendo também outras despesas consideradas como essenciais para o desenvolvimento da atividade da empresa. Fl. 1271DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.267 11 Tanto é assim que o Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, por meio de sua 2a Turma da 2a Câmara decidiu no final de 2010, ao apreciar o Recurso Voluntário interposto no âmbito do processo administrativo n°. 11020.001952/200622, nos termos seguintes, à unanimidade: É de se concluir, portanto, que o termo 'insumo' utilizado para o cálculo do PIS e da COFINS não cumulativos deve necessariamente compreender os custos e despesas operacionais da pessoa jurídica, na forma definida nos artigos 290 e 299 do RIR/99, e não se limitar apenas ao conceito trazido pelas Instruções Normativas n°. 247/02 e 404/04 (embasadas exclusivamente na (inaplicável) legislação do IPI). Nesse sentido, ainda que se tratasse de material para transporte, caberia o direito ao desconto do crédito. No caso presente, entretanto, o material utilizado pela Recorrente destinase ao acondicionamento do produto para exportação, conforme demonstram as notas fiscais anexadas ao processo e incompreensivelmente ignoradas pelo julgador, que afirmou não trazerem nenhuma informação relevante (item 23 do acórdão). DO CRÉDITO PRESUMIDO POSSIBILIDADE LEGAL DE RESSARCIMENTO Ora, o crédito presumido da COFINS de que trata o artigo 8°, da Lei 10.925/2004, com efeitos a partir de 1o de agosto de 2004, tem exatamente a mesma conformação tributária do crédito presumido fundado nas disposições dos §§5°e 6o do art. 3o da Lei 10.833, podendo ser deduzido da COFINS devida em cada período de apuração. Por óbvio, não há razão para que, buscando interpretar o artigo 8o, da Lei 10.925/2004, o Ato Declaratório Interpretativo n° 15/2005 e, da mesma forma, a INSRF 660/2005, criem restrições à fruição do crédito presumido, tendo em vista que restrições legais nesse sentido. Se nem mesmo as Leis (10.833/2003 e a 10.925/2004), que disciplinam a questão relativa ao aproveitamento do crédito, veiculam qualquer restrição contida nos atos administrativos citados, razão não há razão para restringir a fruição do crédito presumido calculado a partir de 1o de agosto de 2004. No caso concreto, o Ato Declaratório Interpretativo n° 15/2005, sob o argumento de complementar e firmar a interpretação que se deve dar ao artigo 8o da Lei 10.925/2004, acabou por instituir restrição ao aproveitamento de créditos, sem amparo legal, o que não se pode admitir. De fato, o Ato Declaratório Interpretativo n° 15/2005 e a IN SRF n° 660/2006 vedam a compensação e o ressarcimento dos créditos presumidos apurados, a partir de 01/08/2004. Ocorre que estes atos normativos, além de violarem a hierarquia das normas, conforme já esmiuçado na manifestação de inconformidade apresentada, violam garantia constitucional: o ato jurídico perfeito. Ora, o crédito presumido constituído pela Recorrente foi apurado nos conformes da Lei 10.833/2003 e da Lei Fl. 1272DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 12 10.925/2004, mais especificamente de outubro a dezembro de 2004. Ou seja, confortavelmente podese verificar que o crédito presumido foi apurado amparado nas legislações mencionadas. Não obstante, por meio disso, ficou garantido o direito creditório da Recorrente em relação a este crédito. No entanto, surpreendentemente, em 26/12/2005 foi expedido pelo Secretário da Receita Federal o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005, para uniformizar a atuação dos agentes do fisco em relação a interpretação dada a utilização do crédito presumido apurado pelo contribuinte previsto na Lei n° 10.925/2004. Ocorre que referido ADI extrapolou as disposições legais contidas na Lei n° 10.925 ao restringir o direito do contribuinte em compensar e/ou pedir ressarcimento de créditos presumidos de PIS e COFINS. Ainda, como se não bastasse, em 25/07/2006 foi expedida a IN SRF n° 660/2006 que, em relação ao crédito presumido apurado na conformidade da Lei 10.925, retroagiu seus efeitos para 1° de agosto de 2004. É o relatório. Voto Conselheira MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA O recurso atende aos requisitos de admissibilidade e dele se toma conhecimento. DO GÁS NITROGÊNIO Este Conselho Administrativo não tem adotado, para fins de aproveitamento de créditos do PIS/Pasep e da Cofins, a interpretação restrita de insumos veiculada pelas Instruções Normativas SRF nºs 247/2002 e 404/2004, e nem tão amplo como o da legislação do Imposto de Renda, conforme bem esclarece o Acórdão nº 3403002.656, julgado em 28/11/2013, Relator Conselheiro Rosaldo Trevisan, cuja ementa ora se transcreve: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 Ementa: PEDIDOS DE RESSARCIMENTO. ÔNUS PROBATÓRIO. Nos processos referentes a pedidos de compensação ou ressarcimento, a comprovação dos créditos ensejadores incumbe ao postulante, que deve carrear aos autos os elementos probatórios correspondentes. ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP e à COFINS não guarda correspondência Fl. 1273DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.268 13 com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. Filiome ao entendimento deste CARF que tem aceitado os créditos relativos a bens e serviços utilizados como insumos que são pertinentes e essenciais ao processo produtivo ou à prestação de serviços, ainda que neles sejam empregados indiretamente, conforme ilustra a ementa abaixo do Acórdão nº 3403003.052, julgado em 23/07/2014, por voto condutor do Relator Conselheiro Alexandre Kern: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 DIREITO DE CRÉDITO. PROVA INSUFICIENTE. Em se tratando de controvérsia originada de pedido de ressarcimento de saldos credores, compete ao contribuinte o ônus da prova quanto à existência e à dimensão do direito alegado. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/03/2007 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. O custo dos serviços de remoção de resíduos, em face das exigências do controle ambiental, subsumemse no conceito de insumo e ensejam a tomada de créditos. (...) Com efeito, no presente caso concreto, considerandose os parâmetros acima para a delimitação do conceito de insumo, incumbe analisar se há o direito ao crédito da contribuição não cumulativa relativamente à aquisição de gás nitrogênio, utilizado pela contribuinte "na assepsia do processo de envase e/ou de armazenagem do suco de laranja, cujo procedimento consiste em efetuar um sopro de nitrogênio no bocal das embalagens de suco a cada período determinado, o que elimina qualquer resíduo do local, deixandoo asséptico para o fechamento". Aduz a recorrente que a assepsia com o material de embalagem é cuidado inarredável dentro do processo de produção de qualquer bem alimentício, in casu, também para que seja preservada a qualidade do suco de laranja por até 24 meses. Entendo que assiste razão à recorrente. A assepsia com o gás nitrogênio é essencial para a obtenção do suco de laranja nas condições desejadas para comercialização e Fl. 1274DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 14 consumo humano no período de validade, eis que a subtração desse insumo no seu processo produtivo acarretaria perda substancial de qualidade do produto. Nessa linha, em alguns precedentes deste Conselho Administrativo, conforme ementas abaixo colacionadas, decidiuse pela direito ao creditamento das contribuições não cumulativas pelos gastos relativos à higienização na produção de alimentos: Processo nº 10925.907012/201150 Acórdão nº 3403003.550– 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2015 Relator: Rosaldo Trevisan Ementa: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/07/2008 a 30/09/2008 NÃO CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à COFINS não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, e, consequentemente, à obtenção do produto final. São exemplos de insumos, no caso em análise: (a) materiais de limpeza, desinfecção e higienização; e (b) hexano, óleo de xisto, GLP, lenha e diesel, assim especificados pela empresa. (...) Processo nº 16098.000087/200617 Acórdão nº 3803004.025– 3ª Turma Especial Sessão de 19 de março de 2013 Relator: Alexandre Kern Ementa: (...) ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2006 a 31/03/2006 NÃO CUMULATIVIDADE. CRÉDITOS. INSUMOS. CONCEITO. Insumos, para fins de creditamento da Contribuição Social não cumulativa, são todos aqueles bens e serviços pertinentes ao, ou que viabilizam o processo produtivo e a prestação de serviços, que neles possam ser direta ou indiretamente empregados e cuja subtração importa na impossibilidade mesma da prestação do serviço ou da produção, isto é, cuja subtração obsta a atividade empresária, ou implica em substancial perda de qualidade do produto ou serviço daí resultantes. Tratandose de prestação de serviços de catering e de handling, ensejam o creditamento os gastos com uniformes, serviços de lavanderia, de remoção e incineração de resíduos e análises laboratoriais, por guardarem relação de essencialidade e pertinência a tais processos produtivos. Processo nº 16366.000240/200861 Acórdão nº 3802001.474 – 2ª Turma Especial Sessão de 29 de novembro de 2012 Fl. 1275DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.269 15 Relator: José Fernandes do Nascimento Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005 (...) REGIME NÃO CUMULATIVO. GASTOS COM AQUISIÇÃO DE PRODUTO QUÍMICO UTILIZADO NA HIGIENIZAÇÃO DE EQUIPAMENTOS INDUSTRIAIS E TRATAMENTOS DE RESÍDUOS INDUSTRIAIS. DEDUÇÃO DO CRÉDITO. POSSIBILIDADE. No regime da não cumulatividade, os gastos da indústria de laticínios com a aquisição de produtos químicos, utilizados na higienização de equipamentos industriais e tratamento de resíduos industriais, destinados a atender exigência do Poder Público, são considerados insumos essenciais à manutenção do processo produtivo e, nessa condição, integram a base de cálculo dos crédito da Cofins. Recurso Voluntário Provido. Assim, por se tratar de bem pertinente e essencial ao processo produtivo da recorrente, entendo que a glosa relativa à aquisição do gás nitrogênio deve ser revertida. DO MATERIAL DE EMBALAGEM Com relação ao material de embalagem, o julgador de primeira instância manteve a glosa da fiscalização com base nos seguintes fundamentos: (...) II.a Do material de embalagem 16. Foram excluídos da base de cálculo, sob esta rubrica, os seguintes produtos: tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho), estrados de madeira (palets para transporte) e caixas de papelão. 17. Informa a autoridade fiscal têlos desconsiderado devido à constatação de serem utilizados como embalagens para transporte e/ou movimentação de mercadorias. 18. Cabe aqui uma distinção. Material de embalagem não se confunde com material de transporte. O primeiro é acrescentado ao produto ao final do processo de industrialização, alterando sua apresentação e acompanhandoo até o destino final, quando será comercializado com ele. Já o segundo se destina apenas ao transporte do produto a ser comercializado, podendo inclusive ser reutilizado para transportar novos produtos, o que não se dá com a embalagem. 19. Vejamos inicialmente o caso dos tambores. Alega a contribuinte que o suco de laranja, quando acondicionado nesse tipo de recipiente, é nele exportado, não sendo transferido para os “tank farms” do porto de Santos. 20. Tal assertiva, todavia, é cabalmente desmentida pelo depoimento que o próprio representante legal da empresa à Fl. 1276DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 16 época, o Sr. Adelmor Gheller, prestou à autoridade tributária, resumido nos seguintes termos: “43. A entrega dessa intimação foi pessoal, feita ao Sr. Adelmor Gheller, representante legal da empresa. Nessa oportunidade, o Sr Adelmor foi solicitado a esclarecer como era feita a comercialização/transporte do suco de laranja. Ele então esclareceu que o suco de laranja era transportado em caminhões refrigerados (transporte a granel) até o porto de Santos, quando então seu conteúdo era transferido para tanques também refrigerados (tank farm) para aguardar o posterior carregamento/alimentação em navios apropriados (dotados de câmaras frigoríficas) e assim ser exportado. Outra forma era transportar suco acondicionado em tambores de aço até o porto, sendo que ali ele era transferido para os tank farms e depois transferido/alimentado em navios para exportação. Segundo ele, o transporte de suco para o exterior em tambores de aço já não é utilizado há mais de quinze anos.” (fls. 1.082/1.083) — Os negritos são meus. 21. O depoimento transcrito não deixa margem a dúvidas. Ao contrário do que alega a interessada, a natureza dos tambores em apreço é inegavelmente de material de transporte e não de material de embalagem. 22. O mesmo se pode afirmar dos demais produtos incluídos nesta rubrica (etiquetas, lacres, sacos plásticos, etc.), uma vez que, como ficou visto, o suco de laranja é transferido sem qualquer embalagem para os tanques refrigerados do porto de Santos e dali para câmaras frigoríficas de navios apropriados a seu transporte. 23. Quanto às cópias de notas fiscais apresentadas pela empresa, não trazem nenhuma informação relevante, visto não especificarem a forma de acondicionamento do produto a ser exportado. (...) Entendo que, diversamente do que ocorre no caso de insumos do IPI, na hipótese dos insumos que dão direito ao creditamento das contribuições sociais não cumulativas, não cabe a distinção entre material de embalagem e material de transporte, como fez o julgador de primeira instância, eis que a proteção ou acondicionamento do produto final para transporte também é um gasto essencial e pertinente ao processo produtivo, de forma que o produto final destinado à venda tenha as características desejadas quando chegar ao comprador. Nesse sentido, já foi decidido por esta 3ª Seção, conforme demonstra abaixo parte do Voto Vencedor da Conselheira Fabíola Cassiano Keramidas: Processo nº 12571.000126/201079 Acórdão nº 3302001.858 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária (...) Após análise dos autos constato que o único item possível para o crédito do PIS e COFINS não cumulativo tratase da embalagem para transporte. Em relação a este item, ouso divergir do parecer apresentado pelo ilustre Conselheiro Relator. Pareceme claro que a Fl. 1277DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.270 17 embalagem de transporte é UTILIZADO no processo produtivo (isso porque entendo que a produção alcança até este momento, apenas com a embalagem para o transporte é que a fase produtiva se finda), é INDISPENSÁVEL e necessária para a composição do produto final, uma vez que a madeira tem que estar em condições para poder ser disponibilizada ao consumidor; e sem dúvida está RELACIONADO à atividade da Recorrente. (...) Assim, a meu ver, tanto a aquisição de material de embalagem ou de material de transporte podem ensejar o creditamento das contribuições sociais não cumulativas desde que não se tratem de bens ativáveis. Com relação aos tambores, entendeu a fiscalização, com base em declaração verbal de representante legal da empresa, que eles não seriam enviados ao exterior juntamente com o produto, conforme extrato abaixo da decisão: (...) 43. A entrega dessa intimação foi pessoal, feita ao Sr. Adelmor Gheller, representante legal da empresa. Nessa oportunidade, o Sr Adelmor foi solicitado a esclarecer como era feita a comercialização/transporte do suco de laranja. Ele então esclareceu que o suco de laranja era transportado em caminhões refrigerados (transporte a granel) até o porto de Santos, quando então seu conteúdo era transferido para tanques também refrigerados (tank farm) para aguardar o posterior carregamento/alimentação em navios apropriados (dotados de câmaras frigoríficas) e assim ser exportado. Outra forma era transportar suco acondicionado em tambores de aço até o porto, sendo que ali ele era transferido para os tank farms e depois transferido/alimentado em navios para exportação. Segundo ele, o transporte de suco para o exterior em tambores de aço já não é utilizado há mais de quinze anos. (...) Insurgese a recorrente com a conclusão da fiscalização, eis que a retirada hipotética do suco de laranja dos tambores para transferência aos tank farms no Porto de Santos representaria um "custo logístico totalmente inadmissível", o que corresponde a uma outra declaração de representante legal da empresa em sentido contrário à primeira. Além da questão do custo logístico alertado pela recorrente, a primeira declaração do representante legal não foi reduzida a termo assinado pelo entrevistado, podendo daí decorrer problemas de interpretação no momento da transcrição da sua fala. Ademais, os documentos de exportação constantes nos autos referemse a várias exportações em tambores, conforme se vê nas fls. 316, 326, 365, 389, 398, 453, 465, 475, 488, 492 e 512, dos produtos "frozen orange cells", "orange oil" e "citrus terpene". Na Descrição do Processo (fls. 119/129) entregue pela contribuinte em atendimento à intimação, não há qualquer referência à transferência do conteúdo dos tambores para os tank farms, mas que: "O produto já pronto é envasado em tambores para posterior envio ao Terminal de Santos ou diretamente ao Cliente" (fl. 120); "o produto poderá ser Fl. 1278DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 18 armazenado em câmaras refrigeradas (tankfarm) à 10 °C, ou acondicionado em embalagens adequada, permanecendo armazenado (tambores) à uma temperatura máxima de 15°C até que seja enviado para o cliente" (fl. 122); "Após a separação os aromas são enviados para tanques refrigerados, onde ficam armazenados até o momento de sua preparação, sendo envasado em tambores para envio a Clientes (mercado interno) e Terminal de Santos" (fl. 124). Também as pesquisas extraídas da Internet, juntadas pela fiscalização, acerca dos sistemas de transporte e armazenagem utilizados comumente na comercialização desse tipo de produto (fls. 144/150) [fls. 126/130 do processo papel] contradiz a alegação de que os tambores não seriam enviados ao exterior: (...) Novo conteiner Enquanto nos portos de maior movimentação compensa instalar terminais recebedores de suco a granel, para a maior parte dos países até agora a quantidade do produto importado é insuficiente para justificar investimentos em sistemas mais sofisticados como o de Guent. Por isso é que os tambores de suco ainda são usados, transportados por navios com porões frigoríficos. Nesses casos, o custo do produto agrega o dos tambores para 250 litros (US$ 20 por unidade). Não é compensador promover o retorno dos tambores ao Brasil após o uso, de forma que os exportadores não os recuperam. [fl. 146] (...) As vantagens A grande vantagem desse sistema, o mais moderno do mundo no transporte de suco, é a eliminação dos tambores como meio tradicional de estocagem, transporte e distribuição. Como se sabe, esses tambores, além do manuseio bastante trabalhoso, vão para o exterior e não retornam mais, encarecendo o produto final. A nível empresarial, a eliminação de tambores, sacos plásticos e estrados de madeira (pallets) possibilita uma redução nos custos diretos da produção. Os custos indiretos também são beneficiados com a racionalização da movimentação interna do suco, redução do consumo de energia elétrica devido maior homogeneidade térmica do suco a granel. O sistema permitiu ainda a redução dos custos de carregamento do navio, bem como a redução dos fretes marítimos, tendo em vista, entre outros fatores, a maior rapidez no carregamento e descarregamento do navio, que é de no máximo 2 dias, enquanto que pelo sistema tradicional de tambores esse tempo era de sete dias. [fl. 148][grifos da Conselheira Relatora] Assim, os tambores são enviados com os produtos exportados, sendo considerados material de embalagem não ativáveis, e, logo, dão direito ao creditamento das contribuições sociais não cumulativas. Com relação aos pallets, que se tratam de material de transporte, e não de embalagem, não há provas nos autos, que incumbiria à recorrente, nos termos do art. 16 do Decreto nº 70.235/72 e do art. 36 da Lei nº 9.784/72, que eles não seriam de ativação obrigatória à luz do disposto no art. 301 do Regulamento do Imposto de Renda/99. Conforme já foi decidido por este Conselho Administrativo, no Acórdão nº 3403002.648, de 27/11/2013, cujo Relator foi o Conselheiro Antonio Carlos Atulim, para fins de creditamento da contribuição não cumulativa, nos termos do art. 3º, II da Leis nºs Fl. 1279DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.271 19 10.637/2002 e 10.833/2003, o bem deve ser aplicado no processo produtivo e não ser passível de ativação obrigatória, sendo que, na hipótese de o bem ser de ativação obrigatória, o crédito deveria ser apropriado com base na despesa de depreciação ou amortização, conforme normas específicas. De forma que incabível o reconhecimento do direito creditório na forma pleiteada pela recorrente pelo custo total da aquisição desses bens. Por certo, não poderia este Colegiado alterar o pedido da recorrente para reconhecer o direito creditório com base no encargo de depreciação. Este Conselho Administrativo já decidiu que os paletes utilizados para transporte ensejam o creditamento da Cofins somente pela despesa de depreciação: Processo nº 13502.001320/200914 Acórdão nº 3403001.935 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária Sessão de 20 de março de 2013 Relatora: Raquel Motta Brandão Minatel Ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/11/2004 a 31/12/2004 NÃO CUMULATIVIDADE. DIREITO DE CRÉDITO. BENS UTILIZADOS COMO INSUMOS. INDUSTRIALIZAÇÃO. Os materiais utilizados como insumo, durante o processo produtivo, geram direito a crédito de PIS e COFINS. NÃO CUMULATIVIDADE. PALETES E BARROTES DE MADEIRA NÃO CARACTERIZAÇÃO COMO MATERIAL DE EMBALAGEM. Os bens incorporados ao ativo não circulante só geram direito a crédito de PIS e COFINS via depreciação, nos termos do inciso III do §1º do art. 3º da Lei 10.833/03. (...) As etiquetas adesivas, lacres metálicos, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho), baldes de aço e as caixas de papelão tratamse de materiais de embalagem não ativáveis e são passíveis de creditamento das contribuições. Assim, entendo que devem ser revertidas as glosas sob a rubrica de material de embalagem, à exceção dos paletes pela ausência de comprovação, a cargo da recorrente, de que não seriam ativáveis, não sendo cabível o creditamento neste caso. DO CRÉDITO PRESUMIDO: Alega, em síntese, a recorrente que o Ato Declaratório Interpretativo n° 15/2005 e a IN SRF n° 660/2006, ao vedarem a compensação e o ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, violaram a hierarquia das normas e o ato jurídico perfeito. Fl. 1280DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 20 O art. 6º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.833/03 e o art. 5º, §§ 1º e 2º da Lei nº 10.637/02 dispõem que, no caso de exportação, o crédito da contribuição apurado na forma do art. 3º poderá ser utilizado: a) para dedução da contribuição a recolher por operações no mercado interno; b) para compensação com débitos próprios relativos a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal; e, c) se após essas duas formas de utilização ainda restar crédito ao final de cada trimestre calendário, o saldo poderá ser ressarcido em dinheiro a pedido do contribuinte. No entanto, o § 1º assegurou essas formas de aproveitamento apenas em relação ao “(...) crédito apurado na forma do art. 3º (...)”, o que significa que apenas os créditos previstos nas diversas hipóteses relacionadas nos arts. 3º das Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 podem ser utilizados na forma nos seus artigos 5º e 6º, respectivamente. O crédito presumido da agroindústria estava previsto originariamente nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, gozava, nessa época, do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Ocorre que o crédito presumido previsto nas Leis nº 10.637/02 e 10.833/03 foi expressamente revogado a partir de agosto de 2004 pelo art. 16, I, "a" e “b”, da Lei nº 10.925/2004, passando a constar dos arts. 8º e 15 dessa mesma lei. De forma que, por opção do legislador ordinário, passouse a restringir o aproveitamento do crédito presumido da agroindústria apenas para o abatimento da contribuição devida por operações no mercado interno, ainda que o crédito tenha sido auferido em operações de exportação. Nessa esteira, a Receita Federal do Brasil dispôs em normas complementares, mediante a Instrução Normativa SRF nº 660/2006 e o Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 sobre a compensação ou ressarcimento dos créditos presumidos apurados a partir de 01/08/2004, nos termos do art. 8° da lei n° 10.925/2004, ou seja, decorrentes de atividades agroindustriais, permitindo apenas deduzilos das contribuições devidas: IN SRF n° 660/2006 Do Crédito Presumido Do direito ao desconto de créditos presumidos Art. 5º A pessoa jurídica que exerça atividade agroindustrial, na determinação do valor da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins a pagar no regime de nãocumulatividade, pode descontar créditos presumidos calculados sobre o valor dos produtos agropecuários utilizados como insumos na fabricação de produtos: I destinados à alimentação humana ou animal, classificados na NCM: (...) Do cálculo do crédito presumido Art. 8º Até que sejam fixados os valores dos insumos de que trata o art. 7 º, o crédito presumido da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins será apurado com base no seu custo de aquisição. (...) § 3º O valor dos créditos apurados de acordo com este artigo: I não constitui receita bruta da pessoa jurídica agroindustrial, servindo somente para dedução do valor devido de cada contribuição; e Fl. 1281DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.272 21 II não poderá ser objeto de compensação com outros tributos ou de pedido de ressarcimento. Ato Declaratório Interpretativo SRF n° 15/2005 Art. 1º O valor do crédito presumido previsto na Lei nº 10.925, de 2004, arts. 8º e 15, somente pode ser utilizado para deduzir da Contribuição para o PIS/Pasep e da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins) apuradas no regime de incidência nãocumulativa. Art. 2º O valor do crédito presumido referido no art. 1º não pode ser objeto de compensação ou de ressarcimento, de que trata a Lei nº 10.637, de 2002, art. 5º, § 1º, inciso II, e § 2º, a Lei nº 10.833, de 2003, art. 6º,§ 1º, inciso II, e § 2º, e a Lei nº 11.116, de 2005, art. 16. [grifos da Relatora] Conforme já decidido na Apelação Cível Nº 2006.72.00.0078654/SC, do Tribunal Federal da 4ª Região, cuja ementa segue abaixo, "as próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes créditos o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições": 2ª Turma do Tribunal Regional Federal da 4ª Região APELAÇÃO CÍVEL Nº 2006.72.00.0078654/SC RELATORA : Juíza VÂNIA HACK DE ALMEIDA EMENTA: TRIBUTÁRIO. PIS E COFINS. CRÉDITO PRESUMIDO. ARTS. 8º E 15 DA LEI N.º 10.925/04. COMPENSAÇÃO E RESTITUIÇÃO. NORMAS INFRALEGAIS. 1. Os artigos 17 da Lei n.º 11.033/2004 e 16 da Lei n.º 11.116/2005 tratam de saldos credores do PIS e da COFINS apurados na forma do art. 3º das Leis 10.637/02 e 10.833/03, ou seja, de créditos gerados a partir da sistemática da não cumulatividade e inerentes a ela, calculados em relação aos bens e serviços descritos nos seus incisos, não alcançando os créditos previstos nos artigos 8º e 15 da Lei n.º 10.925/2004. 2. As próprias leis instituidoras dos créditos presumidos em questão previram como modo de aproveitamento destes crédito o desconto das contribuições do PIS e COFINS a pagar, limitando a sua utilização, assim, à esfera das próprias contribuições. 3. Tanto os artigos 1º e 2º do Ato Declaratório Interpretativo SRF n.º 15/2005 como o § 6º do artigo 3º da Instrução Normativa SRF n.º 636/2006 (substituído pelo art. 5º da IN SRF n.º 660/06), ao vedarem expressamente outra forma de devolução do montante do crédito presumido apurado, vieram somente a esclarecer aquilo que a lei já trazia em seu conteúdo. Assim, tais dispositivos infralegais possuem cunho meramente interpretativo, de modo que não "inovaram", desbordando de sua competência regulamentar. Nessa mesma linha o Superior Tribunal de Justiça já manifestou seu entendimento, no REsp 1240714/PR (Rel. Ministro ARNALDO ESTEVES LIMA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 03/09/2013, DJe 10/09/2013), conforme ementa abaixo: Fl. 1282DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA 22 TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. PIS E COFINS. PRODUTOR RURAL. CRÉDITOS PRESUMIDOS. RESSARCIMENTO OU COMPENSAÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. ART. 8º DA LEI 10.925/04. LEGALIDADE DA ADI/SRF 15/05 E DA IN SRF 660/06. PRECEDENTES DO STJ. MORA DO FISCO. INEXISTÊNCIA. RECURSO ESPECIAL CONHECIDO E NÃO PROVIDO. 1. "A jurisprudência firmada por ambas as Turmas que compõem a Primeira Seção do STJ é no sentido de que inexiste previsão legal para deferir restituição ou compensação (art. 170, do CTN) com outros tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil do crédito presumido de PIS e da COFINS estabelecido na Lei 10.925/2004, considerandose, outrossim, que a ADI/SRF 15/2005 não inovou no plano normativo, mas apenas explicitou vedação já prevista no art. 8º, da lei antes referida" (AgRg no REsp 1.218.923/PR, Rel. Min. BENEDITO GONÇALVES, Primeira Turma, DJe 13/11/12). 2. O Superior Tribunal de Justiça tem entendido ser legítima a atualização monetária de crédito escritural quando há demora no exame dos pedidos pela autoridade administrativa ou oposição decorrente de ato estatal, administrativo ou normativo, postergando o seu aproveitamento, o que não ocorre na hipótese, em que os atos normativos são legais. 3. "O Fisco deve ser considerado em mora (resistência ilegítima) somente a partir do término do prazo de 360 (trezentos e sessenta) dias contado da data do protocolo dos pedidos de ressarcimento, aplicandose o art. 24 da Lei 11.457/2007, independentemente da data em que efetuados os pedidos" (AgRg no REsp 1.232.257/SC, Rel. Min.NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Primeira Turma, DJe 21/2/13). 4. Recurso especial conhecido e não provido. Também não merece prosperar a alegação da recorrente de lesão ao ato jurídico perfeito, vez que, o período de apuração sob análise é de 01/10/2004 a 31/12/2004, sendo que já a partir de 01/08/2004 o crédito presumido das contribuições não estava mais previsto nos §§ 10 e 12 do art. 3º da Lei nº 10.637/02 e nos §§ 5º e 6º do art. 3º da Lei nº 10.833/03 e, portanto, no caso de exportação, não gozava do benefício da tríplice forma de aproveitamento. Desta forma, entendo que deve ser mantida a glosa do crédito presumido. Em face do exposto e de tudo o mais que dos autos consta, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário para reverter somente as glosas relativas a gás nitrogênio e, sob a rubrica material de embalagem, os tambores de aço TF, baldes de aço, etiquetas adesivas, lacres metálicos, tambores de aço de tampa removível, sacos plásticos, tamboretes plásticos, bombonas plásticas, fio de nylon (fitilho) e caixas de papelão. É como voto. (Assinatura Digital) MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA Relatora Fl. 1283DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA Processo nº 13854.000059/200511 Acórdão n.º 3402002.793 S3C4T2 Fl. 1.273 23 Fl. 1284DF CARF MF Impresso em 04/01/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MARTINS DE PAULA, Assinado digitalmente e m 15/12/2015 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 14/12/2015 por MARIA APARECIDA MART INS DE PAULA
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Numero do processo: 10660.724481/2011-93
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jan 26 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Wed Feb 17 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2008 a 31/03/2011
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA.
Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas.
Numero da decisão: 9303-003.422
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Especial por ausência de divergência jurisprudencial.
CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente
VANESSA MARINI CECCONELLO - Relatora
EDITADO EM 05/02/2016.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2008 a 31/03/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Especial por ausência de divergência jurisprudencial. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO - Presidente VANESSA MARINI CECCONELLO - Relatora EDITADO EM 05/02/2016. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López (Vice-Presidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente).
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2008 a 31/03/2011 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. REQUISITOS DE ADMISSIBILIDADE DO RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. INEXISTÊNCIA. Não deve ser conhecido o recurso especial quando ausente o requisito de admissibilidade da demonstração da divergência jurisprudencial, uma vez que inexiste a similitude fática entre o acórdão recorrido e os acórdãos apontados como paradigmas. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do Colegiado, por unanimidade, em não conhecer do Recurso Especial por ausência de divergência jurisprudencial. CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Presidente VANESSA MARINI CECCONELLO Relatora EDITADO EM 05/02/2016. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Tatiana Midori Migiyama, Júlio César Alves Ramos, Demes Brito, Gilson Macedo AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 72 44 81 /2 01 1- 93 Fl. 1528DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10660.724481/201193 Acórdão n.º 9303003.422 CSRFT3 Fl. 1.529 2 Rosenburg Filho, Valcir Gassen, Rodrigo da Costa Pôssas, Vanessa Marini Cecconello (Relatora), Maria Teresa Martínez López (VicePresidente) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Presidente). Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte com fulcro no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, por meio do qual busca a reforma do Acórdão 3101001.291 (efls. 1360 a 1367), de 27/11/2012, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, que foi assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/06/2008 a 31/03/2011 CONCOMITÂNCIA ENTRE PROCESSOS ADMINISTRATIVO E JUDICIAL. Aplicável a Súmula CARF nº 1: Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. MULTA DE OFÍCIO. INEXISTÊNCIA DE SUSPENSÃO DA EXIGIBILIDADE DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. Uma vez que a recorrente em nenhum momento obteve provimento judicial que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário aqui tratado, legítima a aplicação de multa de ofício no lançamento, independentemente do fato de que o recurso de apelação foi recebido nos efeitos suspensivo e devolutivo. [...] Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em negar provimento ao recurso voluntário. A controvérsia tem origem na lavratura de auto de infração na data de 11/11/2011 (efls. 03 a 26), no qual são exigidos do Sujeito Passivo débitos tributários de IPI, dos períodos de apuração de junho/2008 a março/2011, decorrentes do creditamento do tributo relativo à aquisição de insumos isentos oriundos da Zona Franca de Manaus. Notificada acerca do lançamento de ofício, a Contribuinte apresentou Impugnação (efls. 1221 a 1245) contra o auto de infração sustentando (a) ser inexigível a multa de ofício aplicada, tendo em vista que, na ocasião lançamento de ofício, os débitos estavam com a exigibilidade suspensa por força do recebimento do recurso de apelação em seus efeitos suspensivo e devolutivo nos autos da ação ordinária nº 2009.61.00.0220806, em Fl. 1529DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10660.724481/201193 Acórdão n.º 9303003.422 CSRFT3 Fl. 1.530 3 trâmite perante a 12ª Vara Federal de São Paulo SP; (b) ter a multa caráter confiscatório; (c) não ter havido renúncia à esfera administrativa, uma vez que a ação judicial foi interposta antes da lavratura do auto de infração; e (d) quanto ao mérito, ser legítima a manutenção do crédito de IPI decorrente da aquisição de insumos isentos provenientes da Zona Franca de Manaus, com fulcro no princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI. Ao final, requereu a improcedência da exigência do débito de IPI e seus acréscimos legais. Como resultado da análise da impugnação, a DRJ de Juiz de Fora (MG) proferiu acórdão (efls. 1314 a 1323) no sentido de: [...] 1) não conhecer da impugnação interposta pela contribuinte, considerando definitivamente constituído o crédito tributário na esfera administrativa, nos termos do Ato Declaratório Normativo COSIT nº 3, de 14 de fevereiro de 1996, relativamente ao imposto (IPI) exigido de ofício, tendo em conta a opção da contribuinte pela discussão na via judicial da matéria atinente ao direito ao creditamento do IPI nas aquisições de insumos isentos; 2) julgar procedente a exigência fiscal no concernente aos consectários legais (multa de ofício e juros de mora), porquanto não há questionamento concomitante nas esferas judicial e administrativa. [...] Não conformada com a decisão, a Contribuinte interpôs recurso voluntário (efls. 1329 a 1353) a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, ratificando os argumentos expendidos na peça da impugnação, tendolhe sido negado provimento (efls. 1360 a 1367) por entenderem os julgadores que (a) a propositura da ação judicial para discutir a questão referente ao creditamento de IPI dos insumos isentos importa em renúncia à instância administrativa; e (b) é legítima a aplicação da multa de ofício pois a Recorrente não obteve provimento judicial que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário, sendo irrelevante o recebimento da apelação no seu duplo efeito. Por entender que o acórdão proferido no julgamento do recurso voluntário viola frontalmente o entendimento sedimentado no CARF, a Recorrente interpõe o presente Recurso Especial, suscitando divergência jurisprudencial com relação a duas matérias: (a) concomitância entre as vias administrativa e judicial; e (b) exigibilidade da multa de ofício, pelo recebimento do recurso de apelação com efeito suspensivo. O recurso especial da Contribuinte foi parcialmente admitido por meio do Despacho nº 3100584 1ª Câmara, exarado em 10/11/2014 (efls. 1502 a 1505), tendo seguimento somente quanto à matéria relativa à multa de ofício, uma vez que a discussão quanto à concomitância entre as esferas administrativa e judicial já foi objeto da Súmula CARF nº 01. O despacho do Presidente da Câmara foi mantido no reexame de admissibilidade realizado pelo Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais (efls. 1506 a 1507). Fl. 1530DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10660.724481/201193 Acórdão n.º 9303003.422 CSRFT3 Fl. 1.531 4 As contrarrazões da Fazenda Nacional foram apresentadas às efls. 1516 a 1523. É o Relatório Voto Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte é tempestivo, restando analisar o atendimento dos demais pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Quanto à admissibilidade do recurso da Contribuinte no que tange à exigibilidade da multa de ofício, com a devida vênia, divirjo do entendimento do então Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por entender que não merece ter seguimento o apelo, uma vez ausente a comprovação da divergência. O recurso especial de divergência pressupõe a indicação de caso semelhante ao que se discute nos autos, e ao qual, no entanto, tenha sido atribuída solução jurídica diversa. Da análise dos casos confrontados, verificase que os acórdãos nºs 10197.015 e 120100.252 não podem ser considerados como paradigmas porque tratam de situações fáticas diferentes dos presentes autos. No presente processo administrativo, sustenta a Contribuinte a inaplicabilidade da multa de ofício em razão de, na ação ordinária, seu recurso de apelação ter sido recebido no duplo efeito (devolutivo e suspensivo), o que suspenderia a exigibilidade do crédito tributário e afastaria a prática de qualquer infração. Ocorre que, no transcurso da ação judicial, à Recorrente não foi concedido provimento judicial, seja por meio de liminar ou de sentença favorável, que suspendesse a exigibilidade do crédito tributário. Já nos casos apontados como paradigmas, os Contribuintes obtiveram provimento liminar que suspendeu a exigibilidade do crédito tributário, tendo perdido seus efeitos com a prolação de sentença denegatória da segurança, os quais foram posteriormente restabelecidos com o recebimento do recurso de apelação em seu duplo efeito. Assim, nos acórdãos nºs 10197.015 e 120100.252, foi afastada a multa de ofício porque no momento do lançamento de ofício havia concessão de tutela antecipada suspendendo a exigibilidade do crédito tributário, tendo entendido o órgão administrativo que, mesmo diante da prolação de sentença denegatória da segurança, a suspensão foi restabelecida pelo recebimento do recurso de apelação nos efeitos suspensivo e devolutivo. A solução aplicada aos processos administrativos indicados como paradigmas não pode ser empregada no caso dos autos, uma vez que se trata de situação fática diversa: não há provimento judicial anterior suspendendo a exigibilidade do crédito tributário que pudesse ser restabelecido por meio do recebimento do recurso de apelação em ambos os efeitos. Fl. 1531DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10660.724481/201193 Acórdão n.º 9303003.422 CSRFT3 Fl. 1.532 5 Portanto, inexistindo similitude fática entre os acórdãos recorrido e os apontados como paradigmas não há que se falar em divergência, tendo em vista que não se pode aplicar aos casos a mesma solução jurídica. Nesse sentido, colacionase ementa do Acórdão nº 9202003.655 proferido pela 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em 05/03/2015, de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira, não conhecendo o recurso especial da Fazenda Nacional por ausência de similitude fática, in verbis: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte IRRF Exercício: 1998 NORMAS GERAIS. RECURSO ESPECIAL. ADMISSIBILIDADE. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. AUSÊNCIA Na admissibilidade do Recurso Especial, conforme o Regimento Interno do CARF (RICARF), devese verificar a existência entre decisões que deram à lei tributária interpretação divergente da que lhe tenha dado outra câmara, turma de câmara, turma especial ou a própria CSRF. Somente se configura a divergência pela similitude entre fatos e razões presentes nas decisões recorridas e paradigmas. No presente caso, como as razões e os fatos nas decisões recorridas e paradigmas que levaram às conseqüentes decisões são diversas, não há a similitude necessária para a comprovação da divergência, motivo para não se conhecer do recurso. [...] ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (2ª T, CSRF, AC. 9202003.655, de 05/03/15, rel. Marcelo Oliveira, processo nº 13601.000490/200114) Diante do exposto, voto no sentido de não conhecer o recurso especial interposto pela Contribuinte, pois ausente a divergência jurisprudencial, que é um dos requisitos de admissibilidade. É o voto. Vanessa Marini Cecconello Relatora Fl. 1532DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO Processo nº 10660.724481/201193 Acórdão n.º 9303003.422 CSRFT3 Fl. 1.533 6 Fl. 1533DF CARF MF Impresso em 17/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/02/2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 15/02 /2016 por VANESSA MARINI CECCONELLO, Assinado digitalmente em 16/02/2016 por CARLOS ALBERTO FREITAS BARRETO
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Numero do processo: 10930.907067/2011-91
Turma: Segunda Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 25 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Tue Oct 20 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do Fato Gerador: 14/11/2000
INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO.
O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR).
Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal.
REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO.
Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos
ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3802-004.148
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito.
(assinado digitalmente)
Joel Miyazaki - Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015).
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn.
Nome do relator: BRUNO MAURICIO MACEDO CURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do Fato Gerador: 14/11/2000 INCONSTITUCIONALIDADE. LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62-A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62-A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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LEI Nº 9.718/98. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO. O Tribunal Pleno do STF declarou em definitivo a inconstitucionalidade do art. 3º da Lei nº 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo da Cofins em virtude da alteração do conceito de Receita Bruta (REsp nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR). Considerando o disposto no art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, fica facultado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação de Lei que já tenha sido declarada inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. Conforme o disposto no art. 62A do Regimento Interno do CARF decisões de mérito em sede de repercussão geral e recurso repetitivo proferidas pelo STJ e STF deverão ser reproduzidas pelos conselheiros nos julgamentos ANÁLISE DA MATERIALIDADE DO CRÉDITO. JUNTADA DOS EXCERTOS DOS LIVROS DIÁRIO E RAZÃO EM SEDE RECURSAL, APÓS PROVOCAÇÃO PELA DECISÃO RECORRIDA. POSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Nos termos do art. 16, § 4o, c, do Decreto 70.235/72, é possível a apreciação de documentação comprobatória do crédito suscitado, caso esta tenha sido juntada para embasar direito já alegado mediante planilha em sede de Manifestação de Inconformidade. Recurso Voluntário Provido em Parte. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 0. 90 70 67 /2 01 1- 91 Fl. 92DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso voluntário, determinando o retorno dos autos à instância a quo para apreciação do mérito. (assinado digitalmente) Joel Miyazaki Presidente da 2ª Câmara/3ª Seção. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator designado ad hoc (art. 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015). Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Mércia Helena Trajano D'Amorim (Presidente), Waldir Navarro Bezerra, Claudio Augusto Gonçalves Pereira, Bruno Mauricio Macedo Curi (Relator), Francisco Jose Barroso Rios e Solon Sehn. Relatório Preliminarmente, ressaltase que nos termos do artigo 17, inciso III, do anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF/2015, fui designado como redator ad hoc (fl. 91), para formalização do respectivo Acórdão, considerando o resultado do julgado, conforme o constante da ATA da respectiva sessão de julgamento. A Recorrente MOINHO GLOBO ALIMENTOS S/A., interpôs o presente Recurso Voluntário contra o Acórdão nº 0641.471, proferido em primeira instância pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade declarada pelo contribuinte por recolhimento vinculado a débito confessado, negando o direito creditório. Por bem explicitar os atos e fases processuais ultrapassados até o momento da análise da impugnação, adotase o relatório elaborado pela autoridade julgadora a quo: Trata o presente processo de manifestação de inconformidade apresentada em face do indeferimento de pedido de restituição (PER), de nº 21601.75397.300605.1.2.041307, nos termos do despacho decisório emitido em 02/12/2011 (rastreamento nº 013472383). No aludido PER, transmitido eletronicamente em 30/06/2005, a contribuinte indicou um crédito de R$ 115,48, referente ao pagamento efetuado em 14/11/2000, de PIS/Pasep, código de receita 8109, no valor total de R$ 15.911,81. Segundo o despacho decisório recorrido, a restituição foi indeferida porque o Darf indicado como crédito estava totalmente utilizado para extinção de débito de PIS/Pasep, 8109, do período de apuração de 31/10/2000, de acordo com a informação da DCTF transmitida pela Interessada. Fl. 93DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907067/201191 Acórdão n.º 3802004.148 S3TE02 Fl. 93 3 Cientificada em 22/12/2011, a Contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade em 19/01/2012. Alega que recolheu valores indevidos de PIS/Pasep e de Cofins que incidiram sobre outras parcelas que não se compreendem no conceito de faturamento, relativamente às competências de 07/2000 a 01/2004, 03/2004 e 07/2004. Diz que nos referidos períodos (anos de 2000 a 2004) informou em DCTF os valores devidos a título de PIS/Pasep e de Cofins levando em conta a legislação vigente à época, que alargava a suas bases de cálculo ao considerar as receitas financeiras como integrantes do conceito de faturamento. Aduz, porém, que o STF considerou inconstitucional tal ampliação da base de cálculo. Anexa jurisprudência do STF e do CARF. Em função disso, entende que as “declarações prestadas à época da vigência plena do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, hoje declarada inconstitucional, hão de ser revistas de modo a se adequarem a tal entendimento, em prol da realidade material que passou a existir com a declaração de inconstitucionalidade pelo E. STF”. Anexa planilha demonstrando as diferenças pleiteadas, as quais “correspondem exatamente às receitas não operacionais, não integrantes da base de cálculo do PIS/Cofins após a declaração de inconstitucionalidade do §1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98”. Argumenta que para o deferimento do pedido de restituição basta que a autoridade julgadora exclua das DCTF apresentadas as receitas não operacionais (financeiras), tendo por base a planilha anexa, a fim de adaptar à realidade as declarações prestadas. Pede o provimento integral do presente recurso.. É o relatório. Indeferida a Manifestação de Inconformidade apresentada, o órgão julgador de primeira instância sintetizou as razões para a procedência do crédito tributário na forma da Ementa que segue: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do Fato Gerador: 14/11/2000 RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. RECOLHIMENTO VINCULADO A DÉBITO CONFESSADO. Correto o Despacho Decisório que indeferiu o pedido de restituição por inexistência de direito creditório, tendo em vista que o pagamento alegado como origem do crédito estava integral e validamente alocado para a quitação de débito confessado. Fl. 94DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 4 BASE DE CÁLCULO. INCONSTITUCIONALIDADE. CARÁTER INTER PARTES. É perfeitamente aplicável a disposição § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, até a sua revogação pela Lei 11.941, de 27 de maio de 2009, uma vez que o julgamento do STF pela inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo contida naquele dispositivo não tem efeito erga omnes, só atingindo as partes envolvidas. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido. Cientificada acerca da decisão exarada pela 3ª Turma da DRJ em Curitiba – DRJ/CTA, a interessada interpôs o presente Recurso Voluntário, no qual reitera os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade, anexa trechos de seus livros Diário e Razão nos quais constam as rubricas de receitas financeiras, requer a homologação da compensação declarada por evidente a origem do crédito e, por conseguinte, o direito à compensação do mesmo. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, redator ad hoc designado para formalizar a decisão (fl. 91), uma vez que o Conselheiro Relator Bruno Maurício Macedo Curi, não mais compõe este colegiado e que a respectiva Turma Especial foi extinta, retratando hipótese de que trata o artigo 17, inciso III, do Anexo II, do Regimento Interno deste CARF, aprovado pela Portaria MF no 343, de 09 de junho de 2015. Ressalvado o meu entendimento pessoal, no sentido de dar a este e a outros processos nessa situação tratamento diverso. Preenchidos os pressupostos de admissibilidade e tempestivamente interposto, nos termos do Decreto nº 70.235/72, conheço do Recurso e passo à análise das razões recursais. Conforme exposto nas linhas acima, a Declaração de Compensação da Recorrente teve como causa a tributação indevida de PIS e COFINS sobre receitas financeiras, especialmente diante da inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da Cofins promovida pela Lei nº 9.718/98, tendo em vista a ausência de mandamento constitucional (ou, doutra maneira, a edição de Lei Complementar que estabelecesse novas fontes de custeio da seguridade social) que validasse a incidência da contribuição em referência sobre receitas financeiras e outras receitas operacionais, não inseridas no conceito de faturamento. Como bem observado pela decisão recorrida, o Tribunal Pleno da Egrégia Corte examinou os Recursos Extraordinários nºs 346.084/PR, 358.273/RS, 357.950/RS e 390.840/PR, declarando, incidentalmente e por maioria, a inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, na forma da ementa assim redigida: Fl. 95DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907067/201191 Acórdão n.º 3802004.148 S3TE02 Fl. 94 5 "CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (Supremo Tribunal Federal, Tribunal Pleno, RE 346.084/PR, Relator Ministro Ilmar Galvão, Julgamento 09/11/2005, Publicação 01/09/2006)." Ainda que, como destacado pela DRJ, a decisão não tenha efeito erga omnes à luz da legislação de regência das decisões exaradas pelo STF, o art. 62, parágrafo único, inciso I, do Regimento Interno do CARF, autoriza este Colegiado a afastar a aplicação de tratado, acordo internacional, lei ou decreto “que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Superior Tribunal Federal”. Ora, não é outra a hipótese do caso sob exame. Portanto, sendo a observância do decisum proferido pelo STF facultada a este órgão julgador, devese reconhecer o direito de a Recorrente pleitear a restituição do montante indevidamente recolhido a título de Cofins em virtude da aplicação do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarado inconstitucional pelo STF, em consonância com o repertório jurisprudencial do CARF, do qual se traz, a título exemplificativo, a decisão adiante: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/02/1999 a 30/11/2002 DIREITO CREDITÓRIO. RESTITUIÇÃO. PRAZO. Para os pedidos de restituição apresentados até o dia 08/06/2005, o direito de pleitear a restituição de tributo ou contribuição pago indevidamente, ou em valor maior que o devido, extinguese com o decurso do prazo de cinco Fl. 96DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 6 anos, contados da data da homologação (tácita ou expressa) do pagamento antecipado, nos casos de tributos lançados por homologação. Observância ao princípio da segurança jurídica. INCONSTITUCIONALIDADE. DECISÃO DEFINITIVA DO STF. APLICAÇÃO Tendo o plenário do STF declarado, de forma definitiva, a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, deve o CARF aplicar esta decisão para reconhecer o direito à restituição das importâncias pagas com fulcro no referido dispositivo legal. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. FORMULÁRIO IMPRESSO. AUSÊNCIA DE IMPEDIMENTO NO PER/DCOMP. INADMISSIBILIDADE. Sem que haja impedimento de utilização do sistema eletrônico, considerase não formulado o pedido de restituição apresentado em formulário impresso após 29/09/2003. Recurso Voluntário Provido em Parte. (CARF, 3ª Seção, 3ª Câmara, 2ª Turma Ordinária, RV 501572, Acórdão 3302001.245, Relator Conselheiro Walber José da Silva, Julgamento 06/10/2011)" Assim é que, em tese, assiste direito ao Recorrente. No entanto, ultrapassada a questão de direito, tornase fundamental apreciar a matéria de prova. No caso em tela, a análise da prova restou prejudicada, pois a DRJ não aceitou a planilha apresentada pelo Recorrente. Como forma de fundamentar a planilha apresentada à época da manifestação, o contribuinte apresentou excertos de seus livros Diário e Razão para buscar comprovar o direito de crédito indicado na planilha que anexou em sua primeira peça defensiva. Tais documentos podem excepcionalmente ser juntados aos autos, diante da previsão do art. 16, § 4o, c, do RPAF, que permite a apresentação de documentos posteriormente à peça defensiva inaugural para contrapor razões trazidas em momento processual seguinte, pelo que se vê abaixo: "§ 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos." Todavia, a análise da documentação acostada aos autos pode levar à supressão de instância. Fl. 97DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA Processo nº 10930.907067/201191 Acórdão n.º 3802004.148 S3TE02 Fl. 95 7 Assim, e considerando que a supressão de instância somente pode ser realizada se esta for favorável ao sujeito passivo, forte no art. 59, § 3º, do Decreto 70.235/72, entendo que devem os autos retornar para julgamento da DRJ quanto à matéria de prova, de modo a se averiguar a liquidez e certeza do crédito oferecido à compensação. Nesse mesmo sentido já decidiu essa Eg. Turma Especial, no Acórdão 3802 001.857, de relatoria do Conselheiro Solon Sehn: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2002 a 30/04/2002 COFINS. BASE DE CÁLCULO. ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE DE DECLARADA PELO STF. RECURSO EXTRAORDINÁRIO. REPERCUSSÃO GERAL. APLICAÇÃO DO ART. 62A DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. OBRIGATORIEDADE DE REPRODUÇÃO DO ENTENDIMENTO. O §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 foi declarado inconstitucional pelo STF no julgamento do RE nº 346.084/PR e no RE nº 585.235/RG, este último decidido em regime de repercussão geral (CPC, art. 543B). Assim, deve ser aplicado o disposto no art. 62A do Regimento Interno do Carf, o que implica a obrigatoriedade do reconhecimento da inconstitucionalidade do referido dispositivo legal. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DECORRENTE DA DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO ART. 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718/1998. MATÉRIA NÃO CONHECIDA NA INSTÂNCIA A QUO. PRELIMINAR QUE IMPEDIU O CONHECIMENTO DO MÉRITO. AFASTAMENTO. RETORNO DOS AUTOS À DRJ PARA EXAME DA MATÉRIA. A DRJ, ao acolher a questão prejudicial relacionada à incompetência para a declaração de inconstitucionalidade do art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/1998, não chegou a apreciar o mérito da existência do direito creditório, isto é, o valor do crédito e do débito e outras circunstâncias relevantes ao desate da questão, inclusive a efetiva inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição no período alegado pelo interessado. Destarte, os autos devem retornar à DRJ para exame da matéria de mérito, sob pena de supressão de instância. Recurso Voluntário Provido em Parte. Aguardando Nova Decisão." No mesmo sentido, aplicáveis à espécie os somase os nºs Acórdãos 3802 001.959 e 3802001.960, de relatoria do Conselheiro Bruno Mauricio Macedo Curi. Conclusão Fl. 98DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA 8 Diante de todo o exposto, conheço do Recurso Voluntário para darlhe provimento parcial, determinandose o retorno dos autos à instância a quo, para fins de apreciação do mérito. Formalizado o voto em razão do disposto no artigo 17, inciso III, do Anexo II do RICARF/2015, subscrevo o presente. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra – Redator ad hoc. Fl. 99DF CARF MF Impresso em 20/10/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA, Assinado digitalmente em 19/10/20 15 por JOEL MIYAZAKI, Assinado digitalmente em 19/10/2015 por WALDIR NAVARRO BEZERRA
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