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Numero do processo: 10711.006133/90-01
Turma: Primeira Câmara
Seção: Terceiro Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 1997
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
1.O não deferimento, pela autoridade de i a instância, de pedido de
diligência, configura cerceamento do direito de defesa do
contribuinte.
2.Ferido o art. 5°, LV, da C.F.
3.Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional negado.
Numero da decisão: CSRF/03-02.712
Decisão: ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais,
por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Matéria: Finsocial -proc. que não versem s/exigências cred.tributario
Nome do relator: Ubaldo Campello Neto
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ementa_s : PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 1.O não deferimento, pela autoridade de i a instância, de pedido de diligência, configura cerceamento do direito de defesa do contribuinte. 2.Ferido o art. 5°, LV, da C.F. 3.Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional negado.
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FAZENDA NACIONAL Recorrida : l a CÂMARA 00 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo CERVEJARIA KAISER MINAS S/A Sessão de :13 DE OUTUBRO DE 1997 Acórdão n° : CSRF/03-02.712 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL 1.O não deferimento, pela autoridade de i a instância, de pedido de diligência, configura cerceamento do direito de defesa do contribuinte. 2.Ferido o art. 5°, LV, da C.F. 3.Recurso Especial da Procuradoria da Fazenda Nacional negado. Vistos, relatados e discutidos os presente autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. I lS0 2 El " ODRIGUES PR- DEN BALâ 7ik" Li CAMPLLLO to RELATOR FORMALIZADO EM: 2 9 ABR 1998 Participaram, ainda, do presente julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, HENRIQUE PRADO MEGDA, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTOIsk LUIS BARTOLI Processo n° 10711 006133/90-01 Acórdão n° CSRF/03-02.712 Recurso n° . RP/301-0.311 Recorrente FAZENDA NACIONAL RELATÓRIO A Procuradoria da Fazenda Nacional recorre a esta Câmara Superior de Recursos Fiscais pleiteando reforma do acórdão n° 301-26740 prolatado pela 1a Câmara do 3° Conselho de Contribuintes, cuja ementa tem o seguinte teor' Processo Administrativo Fiscal. 1. Acolhida preliminar de cerceamento de defesa. Requerida diligência na impugnação, o não deferimento configura preterição ao amplo direito de defesa nos termos da Constituição Federal, Art. 50 inciso LV. Anula-se a decisão de i a Instância para cumprir a diligência requerida. Em seu recurso especial diz o representante da Fazenda Nacional: "A Fazenda Nacional recorre da decisão majoritária que anulou a decisão singular, entendendo ter ocorrido cerceamento de defesa" Endossa o bem lançado voto vencido do Conselheiro Wlademir Clovis Moreira, relator original do processo. Em decorrência entende como reproduzidas aquelas razões no presente instrumento Isto posto, pede que seja recebido o presente recurso especial, ao qual deverá ser dado provimento, a fim de cassar a decisão recorrida, determinando a volta do processo à egrégia i a Câmara do 3° CC, a fim de que a mesma decida a matéria quanto ao mérito, afastando esta colenda Câmara Superior o alegado cerceamento de defesa A empresa não apresentou contra-razões. É o relatório. Processo n° • 10711.006133/90-01 Acórdão n° : CSRF/03-02.712 VOTO Conselheiro UBALDO CAMPELLO NETO, Relator. A parte final do voto condutor do acórdão atacado esclarece: "Discordo do voto do eminente Conselheiro e levanto a preliminar de cerceamento de defesa na fase de impugnação." Conforme está comprovado no processo, não foi respeitado o preceito constitucional vigente, que diz no Art. 5°, inciso LV: " - aos litigantes, em processo judicial ou administrativo, e aos acusados em geral são assegurados o contraditório e ampla defesa, com os meios e recursos a ela inerentes". Ao acatarmos, pois, na fase recursal o pedido formulado na fase singular, estaremos na realidade impondo um duplo cerceamento ao direito de defesa além da perda de instância. Voto para anular a decisão de 1 a instância, de acordo com o art. 59, inciso II, do Decreto 70.235/72, devendo a autoridade singular proceder à diligência requerida. Ao analisar as justificativas da autoridade julgadora de primeira instância encontramos o seguinte (fis.46): "considerando, então, que embora a autuada tivesse solicitado a produção de prova pericial, o autuante entendeu prescindível tal diligência..." É inegável que houve parcialidade por parte da autoridade julgadora que preferiu o entendimento do fiscal autuante ao invés de buscar a verdade material. Se aquela autoridade queria negar a diligência, deveria ter apresentado argumentos irrefutáveis justificando sua atitude. Processo n° : 10711.006133/90-01 Acórdão n° : CSRF/03-02 712 Pelo exposto, concordo com a decisão da Primeira Câmara do Terceiro Conselho de Contribuintes e nego provimento ao recurso especial da Procuradoria da Fazenda Nacional. Sala das Sessões, 13 de outubro de 1997. -- 2 - UBALDO CAMPEI tolika:: O , MINISTÉRIO DA FAZENDA k CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA TURMA Processo n° 10880.006634/91-54 Recurso n° : RP/301-0 343 Matéria IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO Recorrente : FAZENDA NACIONAL Recorrida : l a. CÂMARA 00 3° CONSELHO DE CONTRIBUINTES Sujeito Passivo : LABORGRAF ARTES GRÁFICAS S/A Sessão de : 13 DE OUTUBRO DE 1997 Acórdão n° : CSRF/03-02 713 MULTA DE MORA Descabida a penalidade no momento da autuação, vez que ainda não incorrera em mora a empresa. Recurso da Procuradoria improvido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos de recurso interposto pela FAZENDA NACIONAL. ACORDAM os Membros da Câmara Superior de Recursos Fiscais, por unanimidade de votos, NEGAR provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado ISO-N P DRIGUES PRES! F-# NT UBALDO CAMPEEIO' NETO RELATOR FORMALIZADO EM. 29 AB R 1990 Participaram, ainda do presente julgamento os Conselheiros CARLOS ALBERTO GONÇALVES NUNES, MOACYR ELOY DE MEDEIROS, FAUSTO DE FREITAS E CASTRO NETO, HENRIQUE PRADO MEGDA, JOÃO HOLANDA COSTA e NILTON LUIS BARTOLI. Page 1 _0000200.PDF Page 1 _0000300.PDF Page 1 _0000400.PDF Page 1 _0000500.PDF Page 1
score : 1.0
Numero do processo: 16306.000006/2011-43
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Fri Jan 22 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Feb 16 00:00:00 UTC 2016
Numero da decisão: 1401-000.378
Decisão: RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente resolução.
Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Luciano Martins Ogawa - OAB/SP nº 195.564.
(assinado digitalmente)
ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente.
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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decisao_txt : RESOLVEM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, CONVERTER o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto que integram a presente resolução. Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Luciano Martins Ogawa - OAB/SP nº 195.564. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO - Presidente. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto.
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Sustentação oral proferida em nome da recorrente pelo Dr. Luciano Martins Ogawa OAB/SP nº 195.564. (assinado digitalmente) ANTONIO BEZERRA NETO Presidente. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Marcos de Aguiar Villas Boas, Ricardo Marozzi Gregorio, Aurora Tomazini de Carvalho, Fernando Luiz Gomes de Mattos, Livia De Carli Germano e Antonio Bezerra Neto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 00 6/ 20 11 -4 3 Fl. 1138DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.139 2 Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMPs eletrônicas formalizadas pela ora Recorrente visando a compensar os débitos nelas especificados com crédito de saldo negativo do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ), referente ao anocalendário 2004, no montante de R$ 81.839.960,27. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Administração Tributária (DERAT) homologou parcialmente as compensações declaradas, até o limite do valor do direito creditório reconhecido, no valor de R$ 64.871.519,04 (fls. 397/408), nos seguintes termos: Cientificado do aludido despacho decisório em 11/02/2011, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade em 15/03/2011 (fls. 437/476), acompanhada de documentos (fls. 477633), na qual contesta as conclusões firmadas na decisão administrativa, conforme reproduzido pelo acórdão recorrido (fls. 641647): Fl. 1139DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.140 3 Fl. 1140DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.141 4 Fl. 1141DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.142 5 Fl. 1142DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.143 6 Fl. 1143DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.144 7 A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo I (DRJ/SP1) julgou a insurgência improcedente, em acórdão assim ementado (fls. 637/679): Fl. 1144DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.145 8 Intimado da referida decisão em 08/09/2011, o contribuinte tempestivamente interpôs recurso voluntário (fls. 9661068), em 10/10/2011, argumentando, em síntese: Nulidade da decisão recorria por inobservância do artigo 65 da IN SRF 900/08 e possibilidade de realização de diligência fiscal para comprovação do seu direito Nulidade da decisão recorrida ante a decadência do direito de retificar o valor apurado na DIPJ a título de Imposto de Renda Correta apuração do valor do adicional do IRPJ, ante a não tributação de aplicação financeira de renda fixa existente em 1994 em vista do disposto no §5o do artigo 67 da Lei 8.981/95 Comprovação da integralidade das retenções declaradas (erro na emissão das DIRFs pelas fontes pagadoras) Improcedência do não reconhecimento do crédito de IRRF na composição do saldo negativo de IRPJ, tendo em vista que as receitas financeiras foram devidamente oferecidas à tributação (reitera o pedido de diligência) Regularidade do cômputo das estimativas relativas ao mês de janeiro de 2004 e ocorrência de bis in idem caso estas não componham o saldo negativo ora em debate Inocorrência da decadência quanto às compensações formalizadas após 31/12/2009, tendo em vista tratar de saldo negativo Violação ao artigo 74, §1o, da Lei 9.430/96 e ao artigo 34, §7o da IN RFB 900/2008, na medida em que a autoridade administrativa não poderia alterar de ofício os indicados pelo contribuinte em suas PER/DCOMPs, incluindo débitos que não se encontravam confessados, quais sejam, multa moratória sobre débitos de estimativa. Fl. 1145DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.146 9 Impossibilidade de cobrança de juros e multa de mora sobre débitos de estimativa de IRPJ e CSLL compensados, tendo em vista tratarse de mera técnica de arrecadação, sendo os tributos devidos apenas ao final do anocalendário Impossibilidade de cobrança de multa de mora sobre débitos de estimativa compensados em virtude do art. 138 do CTN (denúncia espontânea). Após, em dezembro de 2014, a Recorrente solicitou a juntada de um "Extrato de Movimentação" emitido pela Votorantim Asset relativamente ao FIC VOT Multimercado, segregado por data de aplicação e número de cautelas em cada aplicação, que comprovaria que tal aplicações em tal fundo anteriores a 31/12/1994 só foram resgatadas a partir de 22/12/2010. É o relatório. Voto Conselheira Livia De Carli Germano. O recurso é tempestivo, bem como atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de recurso voluntário interposto contra Acórdão nº 1632.412, da 7a Turma da DRJ/SP1, a qual julgou improcedente a manifestação de inconformidade formalizada pela Recorrente em face da homologação parcial de compensações declaradas em PER/DCOMPs, visando à utilização de saldo negativo de IRPJ apurado na DIPJ 2005, ano calendário 2004. Considerando a exposição já realizada no relatório supra, passo a analisar os argumentos trazidos para a reforma do acórdão recorrido. Observo que todas as referências a fls. dizem respeito ao eprocesso. Primeiramente, entendo que, no caso, não ocorreu a alegada decadência do direito de retificar o valor apurado na DIPJ a título de saldo negativo de IRPJ. Isso porque, conforme se depreende das fls. 307346 e 513 destes autos, a DIPJ 2005, ano calendário 2004, foi retificada em 28/12/2009. Nos termos do artigo 19 da MP 1.99026/1999 (em vigor em virtude da Emenda Constitucional 32/2001), a declaração retificadora terá a mesma natureza da declaração originariamente apresentada, tendo o condão de substituíla integralmente. Assim, qualquer que seja a linha que se adote para a contagem, no caso, o prazo fatal para a homologação tácita da DIPJ 2005, anocalendário 2004, venceria após a ciência do despacho decisório, ocorrida em 11/02/2011. Ademais, a Recorrente reitera o quanto já observado na manifestação de inconformidade, de que a decisão recorrida é nula por não ter sido observado o artigo 65 da IN SRF 900/08, nem deferida a realização de diligência para comprovação de seu direito. Referido artigo, em vigor à época da análise das PER/DCOMPs apresentadas pela Recorrente, dispunha o seguinte: Fl. 1146DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.147 10 "Art. 65. A autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. (...)" Compulsando os autos verificase que, de fato, antes da decisão que homologou apenas parcialmente os pedidos de compensação, não existiu qualquer intimação para apresentação de documentos ou esclarecimentos, ou seja, (i) não se questionou a razão da ausência de informação do valor do adicional do IRPJ na ficha 12A da DIPJ anocalendário 2002, e (ii) a insuficiência de IRRF retido baseouse exclusivamente na divergência entre o valor declarado pelo contribuinte como imposto retido e o informado na DIRF pelas fontes retentoras. Sobre o tema, a DRJ/SP1 considerou que a análise seguiu a aplicação de rotinas definidas pela legislação objetivando a análise conclusiva das informações atinentes à declaração de compensação e seus elementos conexos, "obedecendo a critérios e parâmetros técnicos de interesse fiscal que poderão demandar ou não a expedição de intimação vertente a requisitar a apresentação de esclarecimentos por parte do contribuinte", e que, no caso, "inexistindo indícios veementes que desabonem os dados informados na declaração, bem como identificados os elementos necessários ao exame dos pressupostos de existência e validade da compensação declarada, denotase plenamente admissível a lavratura do despacho decisório pela autoridade fiscal competente, uma vez que o preceito estabelecido no art. 65 da Instrução Nomativa RFB no 900, de 30/12/2008, nada mais representa do que uma prerrogativa legal específica colocada à disposição do AuditorFiscal designado pela execução da análise das PER/DCOMP, visando exclusivamente corroborar na formação de suas convicções em relação às particularidades vinculadas ao exame de determinado caso concreto." (fl. 655) Não compartilho da posição da DRJ/SP1 de que o artigo 65 traz uma mera faculdade à autoridade fiscal, principalmente em casos como este em que o contribuinte poderia ter informações adicionais, hábeis a, pelo menos em tese, inclusive evitar o contencioso administrativo, tivesse a DERAT tido a oportunidade de analisálas antes de exarar seu despacho decisório. Ao contrário, preferiuse o caminho de manter as homologações parciais, invertendose ilegalmente o ônus da prova, como se depreende da seguinte passagem do acórdão recorrido, a fls. 658659: Fl. 1147DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.148 11 Além disso, ao retificar o valor de IRPJ devido na DIPJ 2005, anocalendário 2004, acabouse por formalizar a exigência de crédito tributário sem observar o disposto no artigo 9o do Decreto 70.235/72: "Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova indispensáveis à comprovação do ilícito." Tais circunstâncias revelam que, no presente caso, restou caracterizada a nulidade, eis que cerceado o direito de defesa do contribuinte (art. 59 do Decreto 70.235/1972). Entretanto, como fiquei vencida na parte relativa à declaração de nulidade, este Colegiado passou examinar as demais matérias objeto do recurso, tendo a maioria da Turma entendido que o presente feito deveria ser baixado em diligência, nos termos abaixo descritos, e pelo que restou, por ora, prejudicada a análise de mérito das demais matérias. Retenções de IRRF Quanto aos valores de IRRF que formaram o valor do saldo negativo em discussão, a compensação foi parcialmente negada face à divergência entre os valores informados pela Recorrente e o montante informado nas DIRFs apresentadas pelas fontes pagadoras, nos seguintes termos: Quanto à retenção efetuada pelo Banco do Brasil (CNPJ 00.000.000/306517), a Recorrente apresentou informes de rendimentos (Doc. 7 da Manifestação de inconformidade) que comprovam que os valores lhe foram pagos líquidos do IRRF, sustentando ainda que sua DIPJ comprova o oferecimento dos respectivos rendimentos à tributação e que houve erro no preenchimento da DIRF apresentada pela fonte pagadora. Sobre a retenção efetuada pelo Banco de Investimento CSFB S/A (CNPJ 33.987.793/000133), o Informe de Rendimentos de fl. 632 demonstra a obtenção de rendimentos em operações de Swap no valor de R$ 3.606.473,09, com retenção de IRRF no valor de R$721.294,62. Não obstante, a Recorrente observa: Fl. 1148DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.149 12 Analisando a decisão recorrida, vejo que esta, genericamente, considerou os documentos trazidos pela Recorrente como insuficientes para a verificação do montante de IRRF recolhido, não obstante não tenha determinado qualquer diligência específica, conforme segue: Todavia, por se tratar de processo de crédito e não de auto de infração, a DRJ deveria, diante dos documentos e informações trazidos pela ora Recorrente, ter verificado especificamente a procedência das informações trazidas, determinando as diligências necessárias a tanto. Neste sentido, quanto ao IRRF, o julgamento merece ser convertido em diligência para a análise da documentação pertinente, visando a (i) confirmar a alegação de que os rendimentos recebidos da fonte pagadora Banco do Brasil (CNPJ 00.000.000/306517) foram oferecidos à tributação como sustenta a Recorrente; e (ii) verificar o valor de IRRF efetivamente recolhido pela fonte pagadora Banco de Investimento CSFB S/A (CNPJ 33.987.793/000133), bem como se as respectivas receitas financeiras foram devidamente oferecidas à tributação como sustenta a Recorrente. Limite temporal para exercício do direito de compensar saldo negativo de IRPJ Fl. 1149DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO Processo nº 16306.000006/201143 Resolução nº 1401000.378 S1C4T1 Fl. 1.150 13 A decisão a quo também não analisou as compensações formalizadas após 01/01/2010, por considerálas intempestivas. Ocorre que o saldo negativo de IRPJ surge quando o valor das antecipações desses tributos (retenções na fonte ou recolhimentos por estimativa) superam o valor apurado a partir do lucro real. Conforme concluiu a Câmara Superior de Recursos Fiscais no acórdão 9101 01.347 (Processo 13839.000190/200143, julgado em sessão de 26 de agosto de 2009), o exame da legislação sobre a matéria permite concluir que o aproveitamento dos saldos negativos nos períodos de apuração seguintes independe autorização prévia da Receita Federal, muito menos está sujeita a apresentação de DCOMP. Segundo essa linha, tratase de um verdadeiro contacorrente, a exemplo do que ocorre com o Imposto sobre Produtos Industrializados: a cada período o contribuinte apura o tributo devido, verifica o saldo de recolhimento do período anterior (existência de saldo negativo), bem como as retenções na fonte, e apura o saldo a pagar ou o novo saldo negativo de recolhido. Assim, o saldo negativo do ano anterior se incorporaria no fluxo do saldo do ano seguinte até que efetivamente a empresa possua condições de compensar. Para os adeptos dessa posição, enquanto o contribuinte se mantiver no regime de apuração do lucro real, pode aproveitar os saldos negativos de recolhimento assim apurados. Naturalmente, o contribuinte deve manter em boa guarda todos os comprovantes de apuração, retenção e recolhimentos, enquanto estiver realizando aproveitamento de saldos anteriores, tal qual ocorre com o saldo de prejuízos fiscais ou lucro líquido negativo ajustado. Isso posto, merece ser verificada a procedência do direito creditório da Recorrente relativo a esta parte do saldo de recolhimentos negativo do IRPJ. Conclusão Considerando o exposto acima, o presente feito deve ser baixado em diligência, elaborandose parecer conclusivo: (a) quanto ao IRRF retido pela fonte pagadora Banco do Brasil (CNPJ 00.000.000/306517): confirmar se que os respectivos rendimentos foram oferecidos à tributação como sustenta a Recorrente; (b) quanto ao IRRF retido pela fonte pagadora Banco de Investimento CSFB S/A (CNPJ 33.987.793/000133): verificar o valor de IRRF efetivamente recolhido, bem como se as respectivas receitas financeiras foram oferecidas à tributação pela Recorrente; e (c) quanto à parte do saldo negativo do IRPJ considerado intempestivo: verificar a procedência do direito creditório da Recorrente. Após a notificação do contribuinte, que terá 30 dias para se pronunciar sobre o resultado da diligência, retornem os autos para julgamento perante este Conselho. É o voto. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora Fl. 1150DF CARF MF Impresso em 16/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/02/2016 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 11/02/20 16 por LIVIA DE CARLI GERMANO, Assinado digitalmente em 15/02/2016 por ANTONIO BEZERRA NETO
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Numero do processo: 35380.002568/2006-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Data do fato gerador: 16/12/2005
CUSTEIO - AUTO DE INFRAÇÃO - ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 - DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS
A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do auto-de-infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária.
Deixou o recorrente de arrecadar a totalidade de contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestavam serviços irregularmente por meio de empresas interpostas.
Inobservância do artigo 30, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, I, “g” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. PREVIDENCIÁRIO - CUSTEIO - NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO -PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL - SÚMULA VINCULANTE STF.
O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decreto-lei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””.
Em se tratando de Auto de Infração de Obrigação Acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN.
Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontram-se alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2401-002.782
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 16; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2458; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 2 1 1 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 35380.002568/200616 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401002.782 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 21 de novembro de 2012 Matéria AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA Recorrente MAGRIL COM DE MÁQUINAS E IMPLEMENTOS AGRÍCOLAS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Data do fato gerador: 16/12/2005 CUSTEIO AUTO DE INFRAÇÃO ARTIGO 30, I DA LEI N.º 8.212/91 C/C ARTIGO 283, I, “g” DO RPS, APROVADO PELO DECRETO N.º 3.048/99 DEIXAR DE ARRECADAR MEDIANTE DESCONTO CONTRIBUIÇÃO DOS SEGURADOS EMPREGADOS A inobservância da obrigação tributária acessória é fato gerador do autode infração, o qual se constitui, principalmente, em forma de exigir que a obrigação seja cumprida; obrigação que tem por finalidade auxiliar o INSS na administração previdenciária. Deixou o recorrente de arrecadar a totalidade de contribuições dos segurados empregados e contribuintes individuais que lhe prestavam serviços irregularmente por meio de empresas interpostas. Inobservância do artigo 30, I da Lei n.º 8.212/91 c/c artigo 283, I, “g” do RPS, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO PERÍODO ATINGINDO PELA DECADÊNCIA QUINQUENAL SÚMULA VINCULANTE STF. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, “São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário””. Em se tratando de Auto de Infração de Obrigação Acessória, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173, I do CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 35 38 0. 00 25 68 /2 00 6- 16 Fl. 252DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Mesmo considerando que parte das exigências que ensejaram o Auto de Infração encontramse alcançadas pela decadência qüinqüenal, a existência de uma única falta fora do prazo decadencial é capaz de dar sustentáculo a manutenção da autuação. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos: I) rejeitar a argüição de decadência; e II) no mérito, negar provimento ao recurso. Elias Sampaio Freire Presidente Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora Participaram do presente julgamento, os Conselheiros Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Kleber Ferreira de Araújo, Igor Araújo Soares, Marcelo Freitas de Souza Costa e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 253DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002568/200616 Acórdão n.º 2401002.782 S2C4T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de retorno de diligência comandada por meio da Resolução nº 2401 000.163 de 07 de junho de 2011, da Primeira Turma da 4ª Câmara da 2ª Sessão do Conselho Administrativo de Recursos Fiscal CARF, no intuito de identificar o resultado final das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento fiscal, para que se possa identificar os fatos geradores constantes em cada uma delas e sua relação com o auto de infração ora em análise, fl. 250 a 251. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 19/12/2005. Os fatos geradores que ensejaram a autuação ocorreram entre as competências 01/1999 a 09/2000. Para retomar as informações pertinentes ao processo , importante destacar as informações acerca do lançamento efetuado. Trata o presente auto de infração, lavrado em desfavor do recorrente, originado em virtude do descumprimento do art. 30, I, “a” da Lei n ° 8.212/1991, com a multa punitiva aplicada conforme dispõe o art. 283, I, “g” do RPS Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n ° 3.048/1999. Segundo a fiscalização previdenciária, a recorrente deixou de arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços. No caso, a empresa deixou de descontar as remunerações pagas aos segurados: APARECIDO ANTONIO DE ALMEIDA, GERALDO DONIZETE DE JESUS VIEIRA GODOY, MÁRCIO JOSE DA SILVA, conforme relatório fiscal. Importante, destacar que a lavratura do AI deuse em 16/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido no dia 19/12/2005. Não conformada com a autuação a recorrente apresentou impugnação, fls. 25 a 71. Foi exarada a DecisãoNotificação DN que confirmou a procedência do lançamento, conforme fls. 84 a 95. Não concordando com a decisão do órgão previdenciário, foi interposto recurso pela notificada, conforme fls. 99 a 145. Em síntese, a recorrente em seu recurso alega o seguinte: O fatos que ensejaram a autuação encontramse em períodos alcançados pela decadência. Inconstitucional o art. 45 da Lei 8212/91, que prevê a prescrição qüinqüenal. Fl. 254DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Ilegal a autuação pela aferição indireta, uma vez que deve prevalecer os termos da coisa julgada em relação as reclamatórias trabalhistas promovidas pelos empregados. Ilegal a exigência de contribuições previdenciárias sobre verbas indenizatórias diante do preceito do art. 28, § 9º da Lei 8212/91. Ou seja, desconsiderou a fiscalização que a totalidade dos valores pagos em reclamatória trabalhista possuem caráter indenizatório. O crédito objeto deste lançamento em relação ao segurado Márcio José da Silva, foi regularmente recolhido. A fiscalização não poderia proceder à autuação fiscal, com a aplicação de multa por irregularidades verificadas no período anterior a edição do Decreto 3048/99 em razão do princípio da anterioridade e da irretroatividade da lei tributária. Ilegal o valor excessivo da multa aplicada. Ilegal ainda o sistema de correção aplicado, bem como a taxa SELIC. Requer o acolhimento dos argumentos aqui invocados, reconhecendo as ilegalidades apontadas, bem como requer o cancelamento da autuação. A Receita Previdenciária abstevese de apresentar contrarazões tendo encaminhado o recurso a este conselho. A DRFB prestou informações e anexou cópias das decisões no sentido de que: (1) NFLD 35.834.6096 foi julgada procedente no âmbito deste CARF, , bem como em relação a (2)NFLD 35.834.6100 o contribuinte teve seu recurso Provido em Parte. Para a NFLD 35.834.6088, observase que a autoridade da DRFB anexou a Decisão Notificação e o recurso voluntário do contribuinte. O processo foi baixado em diligência, fls. 250 a 251, nos seguintes termos: DAS PRELIMINARES AO MÉRITO Conforme descrito na resolução que converteu em diligência, a decisão da procedência ou não do presente autodeinfração, está ligado à sorte das Notificações Fiscais lavradas sob fatos geradores de mesmo fundamento. Assim, para evitar decisões discordantes fezse imprescindível a análise tendo por base o resultado de outros lançamentos realizados no mesmo procedimento. Contudo, ao analisar os documentos acostados pela autoridade da DRFB, quanto a procedência das NFLD lavradas durante o mesmo procedimento, identificase, por meio das Decisões Notificações que a NFLD diretamente relacionada é a de n. 35.834.6088, a única para a qual não foi possível, por meio da análise dos sistemas do CARF identificar o andamento. Notese que por meio de pesquisa, o n. do DEBCAD não mais aparece como identificador do Processo, e da pesquisa realizada no âmbito da secretaria desta Câmara do n. do carimbo de Fl. 255DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002568/200616 Acórdão n.º 2401002.782 S2C4T1 Fl. 4 5 protocolo 35.380.002726/200638, fl. 180 (verso), não foi encontrado o processo. Dessa forma, infelizmente, nos resta novamente converter o julgamento em diligência, para que a DRFB preste mais esclarecimentos, se possível acerca do andamento do processo, indicando, inclusive o n. do mesmo, e caso seja constatado que o mesmo ainda não foi julgado no âmbito deste conselho, deve ficar aguardando a decisão de mérito, evitando assim, julgamento discordantes, entre a NFLD lavrada e o respectivo AI pelo descumprimento de obrigação acessória, diretamente relacionado aos fatos geradores descritos na NFLD. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pela conversão do julgamento em diligência. É como voto. Manifestouse a autoridade fiscal em cumprimento a diligência, fls. 256, nos termos abaixo: Atendendo Resolução no 2401000.163 (Us. 250/251), esclarecemos que a NFLD ri° 35.834.6088, protocolo SIPPS n° 35380.002726/200638 não foi cadastrada no Comprot, tendo em vista o encaminhamento h Procuradoria em 13/04/2007. 2. Em consulta ao sistema informatizado (fls. 253 e 254), constatase que após expiração do prazo para recurso, o débito foi encaminhado à Procuradoria em 13/04/2007, encontrandose inscrito em DAU. 3. Verificamos que o contribuinte interpôs recurso tempestivo referentes aos débitos lavrados durante o mesmo procedimento fiscal, os quais foram considerados desertos por não estarem acompanhados do deposito recursal de 30% (trinta por cento) da exigência fiscal, conforme legislação da época. 4. De acordo com a liminar deferida em Mandado de Segurança n" 2007.61.05.0031838, da 2a Vara Federal em Campinas/SP, foi dado prosseguimento ao recurso interposto, em relação à autuação fiscal elencada no citado MS, quais sejam: 35.834.609 6, 35.834.6100, 35.834.6118, 35.834.6126, 35.834.6134, 35.834.6142 e 35.834.6150 (fls. 162/164). 5. Tendo em vista que a NFLD n° 35.834.6088 não foi elencada no Mandado de Segurança, o débito não retornou h fase administrativa para seguimento do recurso, encontrandose na fase "Inserição de Crédito em Divida Ativa".Devidamente cientificado o prestador manifestouse fl. 509 a 626, alegando a decadência do direito de lançar e o recolhimento de contribuições de segurados no período. Mesmo cientificada, fls. 246 a empresa não se manifestou. Fl. 256DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 6 A Delegacia da Receita Federal do Brasil, encaminhou o processo a este Conselho para julgamento. É o relatório. Fl. 257DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002568/200616 Acórdão n.º 2401002.782 S2C4T1 Fl. 5 7 Voto Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Relatora PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE Tratandose de retorno de diligência, comandada no intuito de identificar o resultado das NFLD conexas com os fatos geradores deste AI, abstenhome de avaliar a tempestividade, tendo em vista já ter sido objeto de apreciação anteriormente. DAS PRELIMINARES AO MÉRITO QUANTO A DECADÊNCIA Quanto a preliminar referente ao prazo de decadência para o fisco constituir os créditos objeto deste Auto de Infração, entendo cabível a sua apreciação. Em primeiro lugar, devemos considerar que se trata de auto de infração, que ao contrário das AIOP, constitui obrigação acessória de “fazer” ou “deixar de fazer”, sendo irrelevante a existência ou não de recolhimentos antecipados. Porém, antes de identificar o período abrangido pela decadência, exponha a tese que adoto sobre o assunto. O STF em julgamento proferido em 12 de junho de 2008, declarou a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212/1991, tendo inclusive no intuito de eximir qualquer questionamento quanto ao alcance da referida decisão, editado a Súmula Vinculante de n º 8, senão vejamos: Súmula Vinculante nº 8“São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. O texto constitucional em seu art. 103A deixa claro a extensão dos efeitos da aprovação da súmula vinculando, obrigando toda a administração pública ao cumprimento de seus preceitos. Dessa forma, entendo que este colegiado deverá aplicála de pronto, mesmo nos casos em que não argüida a decadência qüinqüenal por parte dos recorrentes. Assim, prescreve o artigo em questão: Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei. Ao declarar a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei n º 8.212, prevalecem as disposições contidas no Código Tributário Nacional – CTN, quanto ao prazo para a autoridade previdenciária constituir os créditos resultantes do inadimplemento de obrigações previdenciárias. Citese o posicionamento do STJ quando do julgamento proferido pela 1a Seção no Recurso Especial de n º 766.050, cuja ementa foi publicada no Diário da Justiça em 25 de fevereiro de 2008, nestas palavras: Fl. 258DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 8 PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. ISS. ALEGADA NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. VALIDADE DA CDA. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA ISS. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA. ENQUADRAMENTO DE ATIVIDADE NA LISTA DE SERVIÇOS ANEXA AO DECRETO LEI Nº 406/68. ANALOGIA. IMPOSSIBILIDADE. INTERPRETAÇÃO EXTENSIVA. POSSIBILIDADE. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. FAZENDA PÚBLICA VENCIDA. FIXAÇÃO. OBSERVAÇÃO AOS LIMITES DO § 3.º DO ART. 20 DO CPC. IMPOSSIBILIDADE DE REVISÃO EM SEDE DE RECURSO ESPECIAL. REDISCUSSÃO DE MATÉRIA FÁTICOPROBATÓRIA. SÚMULA 07 DO STJ. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. INOCORRÊNCIA. ARTIGO 173, PARÁGRAFO ÚNICO, DO CTN. 1. O Imposto sobre Serviços é regido pelo DL 406/68, cujo fato gerador é a prestação de serviço constante na lista anexa ao referido diploma legal, por empresa ou profissional autônomo, com ou sem estabelecimento fixo. 2. A lista de serviços anexa ao Decretolei n.º 406/68, para fins de incidência do ISS sobre serviços bancários, é taxativa, admitindose, contudo, uma leitura extensiva de cada item, no afã de se enquadrar serviços idênticos aos expressamente previstos (Precedente do STF: RE 361829/RJ, publicado no DJ de 24.02.2006; Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e AgRg no Ag 577068/GO, publicado no DJ de 28.08.2006). 3. Entrementes, o exame do enquadramento das atividades desempenhadas pela instituição bancária na Lista de Serviços anexa ao DecretoLei 406/68 demanda o reexame do conteúdo fático probatório dos autos, insindicável ante a incidência da Súmula 7/STJ (Precedentes do STJ: AgRg no Ag 770170/SC, publicado no DJ de 26.10.2006; e REsp 445137/MG, publicado no DJ de 01.09.2006). 4. Deveras, a verificação do preenchimento dos requisitos em Certidão de Dívida Ativa demanda exame de matéria fáticoprobatória, providência inviável em sede de Recurso Especial (Súmula 07/STJ). 5. Assentando a Corte Estadual que "na Certidão de Dívida Ativa consta o nome do devedor, seu endereço, o débito com seu valor originário, termo inicial, maneira de calcular juros de mora, com seu fundamento legal (Código Tributário Municipal, Lei n.º 2141/94; 2517/97, 2628/98 e 2807/00) e a descrição de todos os acréscimos" e que "os demais requisitos podem ser observados nos autos de processo administrativo acostados aos autos de execução em apenso, onde se verificam: a procedência do débito (ISSQN), o exercício correspondente (01/12/1993 a 31/10/1998), data e número do Termo de Início de Ação Fiscal, bem como do Auto de Infração que originou o débito", não cabe ao Superior Tribunal de Justiça o reexame dessa inferência. 6. Vencida a Fazenda Pública, a fixação dos honorários advocatícios não está adstrita aos limites percentuais de 10% e 20%, podendo ser adotado como base de cálculo o valor dado à causa ou à condenação, nos termos do artigo 20, § 4º, do CPC (Precedentes: AgRg no AG 623.659/RJ, publicado no DJ de 06.06.2005; e AgRg no Resp 592.430/MG, publicado no DJ de 29.11.2004). 7. A revisão do critério adotado pela Corte de origem, por eqüidade, para a fixação dos honorários, encontra óbice na Súmula 07, do STJ, e no entendimento sumulado do Fl. 259DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002568/200616 Acórdão n.º 2401002.782 S2C4T1 Fl. 6 9 Pretório Excelso: "Salvo limite legal, a fixação de honorários de advogado, em complemento da condenação, depende das circunstâncias da causa, não dando lugar a recurso extraordinário" (Súmula 389/STF).8. O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." 9. A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210). 10. Nada obstante, as aludidas regras decadenciais apresentam prazo qüinqüenal com dies a quo diversos. 11. Assim, contase do "do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" (artigo 173, I, do CTN), o prazo qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício), quando não prevê a lei o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, bem como inexistindo notificação de qualquer medida preparatória por parte do Fisco. No particular, cumpre enfatizar que "o primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, sendo inadmissível a aplicação cumulativa dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do CTN, em se tratando de tributos Fl. 260DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 10 sujeitos a lançamento por homologação, a fim de configurar desarrazoado prazo decadencial decenal. 12. Por seu turno, nos casos em que inexiste dever de pagamento antecipado (tributos sujeitos a lançamento de ofício) ou quando, existindo a aludida obrigação (tributos sujeitos a lançamento por homologação), há omissão do contribuinte na antecipação do pagamento, desde que inocorrentes quaisquer ilícitos (fraude, dolo ou simulação), tendo sido, contudo, notificado de medida preparatória indispensável ao lançamento, fluindo o termo inicial do prazo decadencial da aludida notificação (artigo 173, parágrafo único, do CTN), independentemente de ter sido a mesma realizada antes ou depois de iniciado o prazo do inciso I, do artigo 173, do CTN. 13. Por outro lado, a decadência do direito de lançar do Fisco, em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, nem sido notificado pelo Fisco de quaisquer medidas preparatórias, obedece a regra prevista na primeira parte do § 4º, do artigo 150, do Codex Tributário, segundo o qual, se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador: "Neste caso, concorre a contagem do prazo para o Fisco homologar expressamente o pagamento antecipado, concomitantemente, com o prazo para o Fisco, no caso de não homologação, empreender o correspondente lançamento tributário. Sendo assim, no termo final desse período, consolidamse simultaneamente a homologação tácita, a perda do direito de homologar expressamente e, conseqüentemente, a impossibilidade jurídica de lançar de ofício" (In Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad , pág. 170). 14. A notificação do ilícito tributário, medida indispensável para justificar a realização do ulterior lançamento, afigurase como dies a quo do prazo decadencial qüinqüenal, em havendo pagamento antecipado efetuado com fraude, dolo ou simulação, regra que configura ampliação do lapso decadencial, in casu, reiniciado. Entrementes, "transcorridos cinco anos sem que a autoridade administrativa se pronuncie, produzindo a indigitada notificação formalizadora do ilícito, operarseá ao mesmo tempo a decadência do direito de lançar de ofício, a decadência do direito de constituir juridicamente o dolo, fraude ou simulação para os efeitos do art. 173, parágrafo único, do CTN e a extinção do crédito tributário em razão da homologação tácita do pagamento antecipado" (Eurico Marcos Diniz de Santi, in obra citada, pág. 171). 15. Por fim, o artigo 173, II, do CTN, cuida da regra de decadência do direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário quando sobrevém decisão definitiva, judicial ou administrativa, que anula o lançamento anteriormente efetuado, em virtude da verificação de vício formal. Neste caso, o marco decadencial iniciase da data em que se tornar definitiva a aludida decisão anulatória. 16. In casu: (a) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (b) a obrigação ex lege de pagamento antecipado do ISSQN pelo contribuinte não restou adimplida, no que concerne aos fatos geradores ocorridos no período de dezembro de 1993 a outubro de 1998, consoante apurado pela Fazenda Pública Municipal em sede de Fl. 261DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002568/200616 Acórdão n.º 2401002.782 S2C4T1 Fl. 7 11 procedimento administrativo fiscal; (c) a notificação do sujeito passivo da lavratura do Termo de Início da Ação Fiscal, medida preparatória indispensável ao lançamento direto substitutivo, deuse em 27.11.1998; (d) a instituição financeira não efetuou o recolhimento por considerar intributáveis, pelo ISSQN, as atividades apontadas pelo Fisco; e (e) a constituição do crédito tributário pertinente ocorreu em 01.09.1999. 17. Desta sorte, a regra decadencial aplicável ao caso concreto é a prevista no artigo 173, parágrafo único, do Codex Tributário, contandose o prazo da data da notificação de medida preparatória indispensável ao lançamento, o que sucedeu em 27.11.1998 (antes do transcurso de cinco anos da ocorrência dos fatos imponíveis apurados), donde se dessume a higidez dos créditos tributários constituídos em 01.09.1999. 18. Recurso especial parcialmente conhecido e desprovido.(GRIFOS NOSSOS) Podemos extrair da referida decisão as seguintes orientações, com o intuito de balizar a aplicação do instituto da decadência qüinqüenal no âmbito das contribuições previdenciárias após a publicação da Súmula vinculante nº 8 do STF: Conforme descrito no recurso descrito acima: “A decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, quais sejam: (i) regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado; (ii) regra da decadência do direito de lançar nos casos em que notificado o contribuinte de medida preparatória do lançamento, em se tratando de tributos sujeitos a lançamento de ofício ou de tributos sujeitos a lançamento por homologação em que inocorre o pagamento antecipado; (iii) regra da decadência do direito de lançar nos casos dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em que há parcial pagamento da exação devida; (iv) regra da decadência do direito de lançar em que o pagamento antecipado se dá com fraude, dolo ou simulação, ocorrendo notificação do contribuinte acerca de medida preparatória; e (v) regra da decadência do direito de lançar perante anulação do lançamento anterior (In: Decadência e Prescrição no Direito Tributário, Eurico Marcos Diniz de Santi, 3ª Ed., Max Limonad, págs. 163/210) O Código Tributário Nacional, ao dispor sobre a decadência, causa extintiva do crédito tributário, nos casos de lançamentos em que não houve antecipação do pagamento assim estabelece em seu artigo 173: "Art. 173. O direito de a Fazenda Pública constituir o crédito tributário extinguese após 5 (cinco) anos, contados: I do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado; II da data em que se tornar definitiva a decisão que houver anulado, por vício formal, o lançamento anteriormente efetuado. Parágrafo único. O direito a que se refere este artigo extinguese definitivamente com o decurso do prazo nele previsto, contado da data em que tenha sido iniciada a constituição do crédito Fl. 262DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 12 tributário pela notificação, ao sujeito passivo, de qualquer medida preparatória indispensável ao lançamento." Já em se tratando de tributo sujeito a lançamento por homologação, quando ocorre pagamento antecipado inferior ao efetivamente devido, sem que o contribuinte tenha incorrido em fraude, dolo ou simulação, aplicase o disposto no § 4º, do artigo 150, do CTN, segundo o qual, se a lei não fixar prazo à homologação, será ele de cinco anos, a contar da ocorrência do fato gerador, Senão vejamos o dispositivo legal que descreve essa assertiva: Art.150 O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa. § 1º O pagamento antecipado pelo obrigado nos termos deste artigo extingue o crédito, sob condição resolutória da ulterior homologação do lançamento. § 2º Não influem sobre a obrigação tributária quaisquer atos anteriores à homologação, praticados pelo sujeito passivo ou por terceiro, visando à extinção total ou parcial do crédito. § 3º Os atos a que se refere o parágrafo anterior serão, porém considerados na apuração do saldo porventura devido e, sendo o caso, na imposição de penalidade, ou sua graduação. § 4º Se a lei não fixar prazo a homologação, será ele de cinco anos a contar da ocorrência do fato gerador; expirado esse prazo sem que a Fazenda Pública se tenha pronunciado, considerase homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito, salvo se comprovada a ocorrência de dolo, fraude ou simulação. (grifo nosso) Contudo, para que possamos identificar o dispositivo legal a ser aplicado, seja o art. 173 ou art. 150 do CTN, devemos identificar a natureza das contribuições para que, só assim, possamos declarar da maneira devida a decadência de contribuições previdenciárias. No caso, a aplicação do art. 150, § 4º, é possível quando realizado pagamento de contribuições, que em data posterior acabam por ser homologados expressa ou tacitamente. Contudo, conforme descrito anteriormente, tratase de lavratura de Auto de Infração por não ter a empresa descontado a totalidade da contribuição dos segurados empregados. Dessa forma, não há que se falar em recolhimento antecipado devendo a decadência ser avaliada a luz do art. 173 do CTN. Os fatos que ensejaram a NFLD ocorreram entre 01/1999 a 09/2000 e a lavratura do NFLD em 16/12/2005, tendo a cientificação ao sujeito passivo ocorrido em 19/12/2005. Face o exposto, em aplicandose o art. 173, I do CTN, encontramse decadentes os fatos geradores até a competência 11/1999. Contudo, embora seja declarada a decadência de parte das obrigações, isso não influencia o AI em questão tendo em vista, seu valor ser fixo independente do número de competência em que ocorreu a falta. Assim, rejeito a preliminar de decadência. Superadas as preliminares passo ao exame do mérito. Fl. 263DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002568/200616 Acórdão n.º 2401002.782 S2C4T1 Fl. 8 13 DO MÉRITO Em primeiro lugar cumprenos destacar que o procedimento fiscal atendeu todas as determinações legais, não havendo, pois, nulidade por cerceamento de defesa, ou vício no procedimento, conforme alegado pela recorrente. Foram apresentados ao contribuinte, por meio do relatório fiscal da infração e da multa aplicada dos fatos geradores por meio de relatórios e fundamentação legal que constituíram a lavratura do auto de infração ora contestado, com as informações necessárias para que o autuado pudesse efetuar as impugnações que considerasse pertinentes. Quanto ao mérito destacase que a não impugnação expressa dos fatos geradores objeto da autuação importa em renúncia e conseqüente concordância com os termos do AI. O próprio recorrente reconhece a falta quando questiona o valor da multa aplicada. Quanto ao argumento de que a multa aplicada tem caráter confiscatório, indo de encontro ao princípio constitucional que veda o confisco, e em função disso deve ser relevada, teço os seguintes argumentos. A vedação constitucional quanto ao caráter confiscatório se dá em relação ao tributo e não à penalidade pecuniária, sendo esta última a apreciada no caso concreto. Nesse sentido preceitua o art. 150, IV da Constituição Federal de 1988: Art. 150 Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: (...) IV utilizar tributo com efeito de confisco; O procedimento adotado pelo AFPS na aplicação do presente autode infração seguiu a legislação previdenciária, conforme fundamentação legal descrita. A empresa é obrigada a arrecadar, mediante desconto das remunerações pagas a pessoas físicas que lhe prestaram serviços, conforme previsão no art. 30, inciso I da Lei n ° 8.212/1991. Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (Redação dada pela Lei n° 8.620, de 5.1.93) I a empresa é obrigada a: a) arrecadar as contribuições dos segurados empregados e trabalhadores avulsos a seu serviço, descontandoas da respectiva remuneração; Assim, a exigência da fiscalização não foi desmedida, pois a solicitação foi realizada no prazo estabelecido na legislação. A AuditoraFiscal agiu de acordo com a norma aplicável, e não poderia deixar de fazêlo, uma vez que sua atividade é vinculada. Justificável apenas a necessária apreciação do desfecho do julgamento da NFLD que indicou os fatos geradores n. 35.834.6088. Vejamos trecho da informação fiscal prestada acerca do andamento da NFLD correlata.. Fl. 264DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 14 Atendendo Resolução no 2401000.163 (Us. 250/251), esclarecemos que a NFLD ri° 35.834.6088, protocolo SIPPS n° 35380.002726/200638 não foi cadastrada no Comprot, tendo em vista o encaminhamento h Procuradoria em 13/04/2007. 2. Em consulta ao sistema informatizado (fls. 253 e 254), constatase que após expiração do prazo para recurso, o débito foi encaminhado à Procuradoria em 13/04/2007, encontrandose inscrito em DAU. 3. Verificamos que o contribuinte interpôs recurso tempestivo referentes aos débitos lavrados durante o mesmo procedimento fiscal, os quais foram considerados desertos por não estarem acompanhados do deposito recursal de 30% (trinta por cento) da exigência fiscal, conforme legislação da época. 4. De acordo com a liminar deferida em Mandado de Segurança n" 2007.61.05.0031838, da 2a Vara Federal em Campinas/SP, foi dado prosseguimento ao recurso interposto, em relação à autuação fiscal elencada no citado MS, quais sejam: 35.834.609 6, 35.834.6100, 35.834.6118, 35.834.6126, 35.834.6134, 35.834.6142 e 35.834.6150 (fls. 162/164). 5. Tendo em vista que a NFLD n° 35.834.6088 não foi elencada no Mandado de Segurança, o débito não retornou h fase administrativa para seguimento do recurso, encontrandose na fase "Inserição de Crédito em Divida Ativa".Devidamente cientificado o prestador manifestouse fl. 509 a 626, alegando a decadência do direito de lançar e o recolhimento de contribuições de segurados no período. Como não ocorreu apreciação do recurso voluntário, prevalece a Decisão Notificação n. 21.424.4/0619/2006, que determinou a procedência dos fatos geradores e que por conseguinte, determina a procedência da autuação. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. CERCEAMENTO DE DEFESA. DECADÊNCIA. PRESCRIÇÃO. TERCEIROS. COMPETÊNCIA PARA FISCALIZAR E ARRECADAR., AFERIÇÃO INDIRETA. MULTA/JUROS DE MORA. SELIC. INCONSTITUCIONALIDADE. I — Não há que se falar em cerceamento de defesa, em lançamento de crédito através de Notificação Fiscal, na qual os fatos geradores estejam discriminados de forma clara e precisa, bem como as contribuições devidas e os períodos a que se referem. II — O direito da Previdência Social apurar e constituir seus créditos extinguese após 10 (dez) anos contados do primeiro dia do exercício seguinte Aquele em que o crédito poderia ser constituído. Ill — A prescrição, assim entendida a ação para a cobrança do crédito previdenciário, ocorre no prazo de 10 (dez) anos, contados da data de sua constituição definitiva, não se aplicando ao caso em tela. Fl. 265DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 35380.002568/200616 Acórdão n.º 2401002.782 S2C4T1 Fl. 9 15 IV — E de competênCia do Instituto Nacional do Seguro Social — INSS, transferida para a Secretaria da Receita Previdenciá ria, subordinada ao Ministério da Previdência Social, a fiscalização e a arrecadação de contribuições devidas, por lei, a terceiros, caso do INCRA. V — 0 procedimento de aferição indireta deve ser aplicado sempre que a escrituração contábil da empresa não registrar o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, cabendo à mesma o ônus da prova em contrario. VI — As contribuições sociais, incluidas ou não em notificação fiscal de lançamento, pagas com • atraso, objeto ou não de parcelamento, ficam sujeitas aos juros equivalentes à taxa referenda': do Sistema Especial de Liquidação e Custódia —SELIG, a que se refere o art. 13 da Lei no. 9.065/95, incidente sobre o valor atualizado, e multa de mora, todos de caráter irrelevavel. VII A inconstitucionalidade da legislação que alicerça o lançamento fiscal, não pode ser discutida estando o processo em sede administrative, não apropriada para albergar controvérsia em torno de tat questão. LANÇAMENTO PROCEDENTE No que tange a argüição de ilegalidade ou inconstitucionalidade de legislação previdenciária que dispõe sobre a multa aplicada, frisese que incabível seria sua análise na esfera administrativa. Não pode a autoridade administrativa recusarse a cumprir norma cuja constitucionalidade vem sendo questionada, razão pela qual são aplicáveis os prazos regulados na Lei n ° 8.212/1991. Toda lei presumese constitucional e, até que seja declarada sua inconstitucionalidade pelo órgão competente do Poder Judiciário para tal declaração ou exame da matéria, deve o agente público, como executor da lei, respeitála. Nesse sentido, entendo pertinente transcrever trecho do Parecer/CJ n ° 771, aprovado pelo Ministro da Previdência Social em 28/1/1997, que enfoca a questão: Cumpre ressaltar que o guardião da Constituição Federal é o Supremo Tribunal Federal, cabendo a ele declarar a inconstitucionalidade de lei ordinária. Ora, essa assertiva não quer dizer que a administração não tem o dever de propor ou aplicar leis compatíveis com a Constituição. Se o destinatário de uma lei sentir que ela é inconstitucional o Pretório Excelso é o órgão competente para tal declaração. Já o administrador ou servidor público não pode se eximir de aplicar uma lei, porque o seu destinatário entende ser inconstitucional, quando não há manifestação definitiva do STF a respeito. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. Fl. 266DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 16 No mesmo sentido posicionase este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF ao publicar a súmula nº. 2 aprovada em sessão plenária de 08/12/2009, sessão que determinou nova numeração após a extinção dos Conselhos de Contribuintes. SÚMULA N. 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Quanto a aplicação da taxa SELIC não há o que apreciar, posto não ter sido a mesma aplicada ao caso em questão. Destacase que as obrigações acessórias são impostas aos sujeitos passivos como forma de auxiliar e facilitar a ação fiscal. Por meio das obrigações acessórias a fiscalização conseguirá verificar se a obrigação principal foi cumprida. Como é sabido, a obrigação acessória é decorrente da legislação tributária e não apenas da lei em sentido estrito, conforme dispõe o art. 113, § 2º do CTN, nestas palavras: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1º A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. § 2º A obrigação acessória decorre da legislação tributária e tem por objeto as prestações, positivas ou negativas, nela previstas no interesse da arrecadação ou da fiscalização dos tributos. § 3º A obrigação acessória, pelo simples fato da sua inobservância, convertese em obrigação principal relativamente à penalidade pecuniária. A legislação engloba as leis, os tratados e as convenções internacionais, os decretos e as normas complementares que versem, no todo ou em parte, sobre tributos e relações jurídicas a eles pertinentes, conforme dispõe o art. 96 do CTN. Por todo o exposto o lançamento fiscal seguiu os ditames previstos, devendo ser mantido nos termos da Decisão, haja vista que os argumentos apontados pelo recorrente, são incapazes de refutar a presente notificação. CONCLUSÃO Pelo exposto, voto pelo CONHECIMENTO do recurso para rejeitar as preliminar de decadência e no mérito NEGARLHE PROVIMENTO. É como voto. Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 267DF CARF MF Impresso em 16/01/2013 por AMARILDA BATISTA AMORIM - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digital mente em 27/12/2012 por ELAINE CRISTINA MONTEIRO E SILVA VIEIRA, Assinado digitalmente em 14/01/2013 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
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Numero do processo: 15504.722261/2014-94
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 24 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Mar 28 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2010, 2011
PIS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL.
Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, quais sejam, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social.
ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PROMOVIDA PELO § 1° do ART. 3° DA LEI N° 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA.
Não houve afronta à coisa julgada, visto que a discussão acerca da inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 é diversa da analisada na presente demanda (análise da inclusão das receitas financeiras das instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de tributação do PIS e da COFINS).
IMPOSIÇÃO DOS JUROS E DA MULTA. INAPLICÁVEL O § ÚNICO DO ART. 100 DO CTN.
Não há que se falar em afastamento dos juros e da multa impostos com supedâneo em legislação plenamente aplicável ao caso concreto. O § único do art. 100 do CTN não se apresenta aplicável, visto que a IN 247/2002 não afastava a tributação das receitas financeiras pelo PIS e pela COFINS.
EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS.
Deverá ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores inscritos na conta de "Recuperação de encargos e despesas", decorrentes do "ressarcimento de transporte de valores" por não comporem o faturamento do banco nem configurarem atividade típica da empresa nos termos do seu contrato social.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3301-002.841
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas que negava provimento.
ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente.
Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSÉ HENRIQUE MAURI, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
Nome do relator: MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Ano-calendário: 2010, 2011 PIS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entende-se por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, quais sejam, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PROMOVIDA PELO § 1° do ART. 3° DA LEI N° 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. Não houve afronta à coisa julgada, visto que a discussão acerca da inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 é diversa da analisada na presente demanda (análise da inclusão das receitas financeiras das instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de tributação do PIS e da COFINS). IMPOSIÇÃO DOS JUROS E DA MULTA. INAPLICÁVEL O § ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. Não há que se falar em afastamento dos juros e da multa impostos com supedâneo em legislação plenamente aplicável ao caso concreto. O § único do art. 100 do CTN não se apresenta aplicável, visto que a IN 247/2002 não afastava a tributação das receitas financeiras pelo PIS e pela COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Deverá ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores inscritos na conta de "Recuperação de encargos e despesas", decorrentes do "ressarcimento de transporte de valores" por não comporem o faturamento do banco nem configurarem atividade típica da empresa nos termos do seu contrato social. Recurso Voluntário Provido em Parte.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas que negava provimento. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL - Presidente. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSÉ HENRIQUE MAURI, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 30; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2209; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 2.459 1 2.458 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 15504.722261/201494 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301002.841 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de fevereiro de 2016 Matéria PIS/COFINS receita financeira Recorrente BANCO MERCANTIL DO BRASIL S/A Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2010, 2011 COFINS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, quais sejam, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2010, 2011 PIS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, quais sejam, aquelas decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. ALARGAMENTO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS PROMOVIDA PELO § 1° do ART. 3° DA LEI N° 9.718/98. INCONSTITUCIONALIDADE. INEXISTÊNCIA DE COISA JULGADA. Não houve afronta à coisa julgada, visto que a discussão acerca da inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 é diversa da analisada na presente demanda (análise da inclusão das receitas financeiras das instituições financeiras no conceito de faturamento para fins de tributação do PIS e da COFINS). IMPOSIÇÃO DOS JUROS E DA MULTA. INAPLICÁVEL O § ÚNICO DO ART. 100 DO CTN. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 72 22 61 /2 01 4- 94 Fl. 2459DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 2 Não há que se falar em afastamento dos juros e da multa impostos com supedâneo em legislação plenamente aplicável ao caso concreto. O § único do art. 100 do CTN não se apresenta aplicável, visto que a IN 247/2002 não afastava a tributação das receitas financeiras pelo PIS e pela COFINS. EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. Deverá ser excluída da base de cálculo do PIS e da COFINS os valores inscritos na conta de "Recuperação de encargos e despesas", decorrentes do "ressarcimento de transporte de valores" por não comporem o faturamento do banco nem configurarem atividade típica da empresa nos termos do seu contrato social. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas que negava provimento. ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL Presidente. Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: ANDRADA MÁRCIO CANUTO NATAL (Presidente), SEMÍRAMIS DE OLIVEIRA DURO, LUIZ AUGUSTO DO COUTO CHAGAS, MARCELO COSTA MARQUES D'OLIVEIRA, PAULO ROBERTO DUARTE MOREIRA, JOSÉ HENRIQUE MAURI, MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES. Fl. 2460DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.460 3 Relatório Por bem relatar os fatos, adoto o relatório constante da DRJ/SP: 1. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supra qualificado, efetuouse, em 01/04/2014, o lançamento de ofício para a constituição dos créditos tributários, consubstanciados nos autos de infração e demonstrativos de fls. 02 a 21, no valor total de R$ 212.352.978,08, a título de PIS e COFINS, consolidados da seguinte maneira: 1.1 Os enquadramentos legais das infrações, das penalidades e dos demais acréscimos legais se encontram às fls. 06, 10, 11, 15, 20 e 21. 2. O contribuinte foi notificado das autuações em 01/04/2014, conforme ciências exaradas às fls. 04 e 13. 3. No Termo de Verificação Fiscal de fls. 23 a 36 a autoridade fiscal relata, primeiramente que intimou o contribuinte questionando sobre a existência de ações judiciais em que o mesmo era parte e que pudessem alterar a forma de tributação das contribuições sociais aqui fiscalizadas, o autuado informou que possuía 3 ações, a saber; MS 200038000040950 PIS Lei 9718/98; MS 200338000453024 COFINS Majoração de Alíquota de 3% para 4%, e; MS 2005.38.000459615 COFINS Lei 9718/98, dentre outras que não influenciariam na apuração do PIS e da COFINS. 3.1 Após expor um breve histórico de cada uma das 3 ações acima citadas o autuante conclui que o amparo legal obtido no Mandado de Segurança n° 2000.38.00.0040950 e na Ação Ordinário 2005.3.00.0459615, o § 1o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98 não se aplica às bases de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS do Banco Mercantil. 4. Relata também que o financiamento da seguridade social tem por base constitucional o artigo 195 da CF, sendo que as contribuições para o PIS e COFINS foram instituídas pelas Leis Complementares n° 07/70 e 70/91 respectivamente. Afirma que no seu nascedouro a contribuição para a COFINS não contemplava as instituições financeiras como seus contribuintes (§ único do art. 11 da LC 70/91), isto porque à época, houve a majoração da alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido destas mesmas 4 instituições e que com a edição da Lei n° 9.718, foram introduzidas alterações na forma de apuração das contribuições com alterações posteriores introduzidas pela Medida Provisória n° 2.15835/01. 4.1 Sobre a legislação aplicável a autoridade complementa informando que o § 1o do art. 3º da Lei 9.718/98, que promoveu o alargamento da base de cálculo das contribuições para o PIS e COFINS, foi alvo de diversas contestações judiciais por parte dos contribuintes tendo tais demandas, em sua grande maioria, acolhimentos jurisdicionais. A Lei 10.833/03 determinou que as instituições financeiras permanecessem no regime cumulativo para apuração da COFINS; a Lei 10.864/03 majorou a alíquota desta contribuição de 3% para 4% para as mesmas instituições e o inciso XII, do art 79 da Lei n° 11.491, de 27 de maio de 2009, revogou o §1° do artigo 3o da Lei n° 9.718/98. Fl. 2461DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 4 5. O autuante apurou que a única conta contábil que integrou a base de cálculo para apuração dos tributos devidos foi a de n° 7.1.7.00.00.9.0.00.00 Rendas de Prestação de Serviços, sendo que no plano de contas da COSIF esta é apenas uma dentre diversas outras que integram as possíveis receitas operacionais das instituições financeiras. Questionado, por meio de intimação sobre tal tributação restritiva o autuado respondeu, em suma que: a) De acordo com a legislação e julgados do STF a receita bruta, base das contribuições, deve ser entendida como aquela decorrente exclusivamente da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. b) Tanto é assim que o Governo Federal editou a Medida Provisória n° 627/13, por meio da qual: (i) alterou o conceito de receita bruta previsto no art. 12 do Decreto Lei n° 1.598/77, para nela incluir todas as receitas advindas da atividade principal ou objeto social da pessoa jurídica; e (ii) modificou a redação do caput do art. 3o a Lei n° 9.718/98, para prescrever que o faturamento, agora, compreende a receita bruta de que trata o citado artigo 12. o que leva à conclusão de que antes da edição da MP n° 627, a receita bruta equiparada ao faturamento abrangia, de fato, apenas as receitas decorrentes de vendas de mercadorias e/ou prestação de serviços, sendo irrelevante a atividade operacional ou objeto social da pessoa jurídica. c) As ações judiciais impetradas pelo Banco Mercantil e transitadas em julgado em datas anteriores aos anos calendários da presente fiscalização autorizaram o mesmo a recolher o PIS e a COFINS sobre o seu faturamento, isto é, sobre as receitas decorrentes da prestação dos seus serviços. Dessa forma, apenas as taxas, tarifas e comissões cobradas pelos serviços bancários, registradas na conta 7.1.7.00.00.9.0.00.00, configuram o faturamento do BMB. 5.1 Pondera o autuante que, embora as ações judiciais terem tornado inaplicável o parágrafo 1o, do artigo 3o, da Lei n° 9.718/98, o caput do artigo 3o não foi considerado inconstitucional pelo judiciário na lide proposta pelo fiscalizado, estando em perfeita consonância com a Constituição. Sendo assim, permanece em vigor a equivalência estabelecida entre faturamento (art. 2o) e receita bruta (art. 3o), como se vislumbra ao analisar o teor da Ementa proferida na Apelação Cível do processo n° 2005.3.00.0459615 e o voto proferido para o não acolhimento do Embargo de Declaração impetrado pela Procuradoria da Fazenda Nacional transcritos nas fls. 28 e 29. 5 5.2 Relata ainda a autoridade que a partir do trânsito em julgado da ação n° 2005.3.00.0459615 em 12/2009, o Banco Mercantil reconheceu em seu ativo um indébito fiscal referente aos recolhimentos de COFINS no montante de R$ 113.228.000,00. No item 7.3 (Imposto a Recuperar) das Notas Explicativas que acompanharam as publicações dos balanços encerrados em 31/12/2010, 31/12/2011 e 31/12/2012, o sujeito passivo informa à praça que o crédito seria decorrente da diferença entre o valor da COFINS recolhida sobre a receita bruta e aquele que deveria ser recolhido sobre a de prestação de serviços. Já no balanço encerrado em 31/12/2013 consta em notas explicativas a informação de que a Receita Federal estaria homologando parcialmente as compensações, contestando o alcance do êxito das ações judiciais. A Receita Federal, longe de desrespeitar a decisão judicial, estaria interpretando que o faturamento das instituições financeiras abarcaria as recitas típicas de sua atividade empresária, incluindo aí aquelas decorrentes de intermediação financeira. 5.2.1 Sobre tal tema complementa que foi reconhecida a repercussão geral no RE nº 609.096, que discute a incidência de PIS e COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e cita manifestação do Ministro Cezar Peluso em outro RE no sentido de considerar o faturamento como sendo as receitas decorrentes das atividades típicas da pessoa jurídica. E a diferença entre a captação e o repasse de recursos (spread) configura receita operacional de uma instituição financeira, conforme artigo 17 da Lei. 4.595/64. Fl. 2462DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.461 5 5.2.2 Ressalta também a autoridade fiscal que a ADIN impetrada pela CONSIF Confederação Nacional do Sistema Financeiro, que pretendeu ver declarada inconstitucional parte do § 2o, do artigo 3o, da Lei n° 8.078/90 (Código de Defesa do Consumidor), que enquadrava as instituições financeiras como prestadoras de serviços, foi julgada improcedente pelo STF, sendo reconhecida que as atividades bancárias se enquadram no conceito de serviços e como tal sujeitas ao Código de Defesa do Consumidor. O enquadramento da atividade dos bancos no setor terciário foi contemplado no GATT 1994 – Rodada do Uruguai, promulgada pelo Decreto n° 1.355, de 3 de dezembro de 1994 e, segundo o artigo 98 do Código Tributário Nacional (Lei n° 5.172/66), "os tratados e convenções internacionais revogam e modificam a legislação tributária interna e serão observados pela que lhes sobrevenha". Tudo isto deixa claro que a intermediação financeira faz parte dos serviços de instituições financeiras que são disponibilizados a clientes. Todo o exposto é corroborado pelo Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007 formulado em resposta à Nota Técnica COSIT/SRF nº 21/2006. 5.2.3 Conclui assim o autuante que a taxação das contribuições tendo como base de cálculo tão somente as receitas de serviços constantes da conta COSIF n° 7.1.7.00.00.9, excluindo da tributação as receitas por intermediação financeira, como adotado pelo Banco Mercantil, não pode prosperar. 6. Para a apuração das bases tributáveis (planilhas de fls 37 a 132) a autoridade fiscal efetuou ajustes nas planilhas elaboradas e apresentadas pelo contribuinte, nos termos dos artigos 95 e 97 da IN 247/02, cujos valores foram convergentes quando confrontados com os Balancetes Analíticos Mensais, no padrão BC 4010. Os ajustes efetuados foram os seguintes: 1. Foram desconsideradas para a apuração das bases tributáveis todas as contas representativas das receitas não operacionais, registradas nas contas COSIF n° 7.3.0.00.006 Receitas Não Operacionais, e n° 7.3.9.00.003 Outras Receitas Não Operacionais. 2. Foram glosadas as exclusões referentes as subcontas do grupo 7.3.0.00.006 Receitas Não Operacionais, e n° 7.3.9.00.003 Outras Receitas Não Operacionais, uma vez que as receitas desses grupos não compuseram as bases tributáveis. 3. Do grupo de conta COSIF n° 7.1.9.30.00.6 Recuperação de Encargos e Despesas, foi retirado das bases tributáveis a subconta COSIF n° 7.1.9.30.00.6.1.11 Ressarcimento do Plano de Saúde Unimed, por não representar receita da atividade da instituição. 4. Do grupo de conta COSIF n° 7.1.9.99.00.9 Outras Rendas Operacionais, foi retirado das bases tributáveis a subconta COSIF n° 7.1.9.99.00.9.1.11.00 Renda de Juros ao Capital de Outras Empresas, uma vez que os juros sobre capital próprio são remunerações do capital investido em outra empresa e são receitas financeiras não provenientes da atividade fim da fiscalizada. 5. Do grupo de conta COSIF n° 7.1.9.99.00.9 Outras Rendas Operacionais, foi retirado das bases tributáveis a subconta COSIF n° 7.1.9.99.00.9.1.15.00 Renda de Juros ao Capital Ligada, uma vez que os juros sobre capital próprio são remunerações do capital investido em outra empresa e são receitas financeiras não provenientes da atividade fim da fiscalizada. 6. Do grupo de conta COSIF n° 7.1.9.30.00.6 Recuperação de Encargos e Despesas, foi retirado das bases tributáveis a subconta COSIF n° 7.1.9.30.00.6.1.15 Ressarcimento do Plano Odontológico, por não representar receita da atividade da instituição. 7. Do grupo de conta COSIF n° 7.1.9.30.00.6 Recuperação de Encargos e Despesas, foi retirado das bases tributáveis a subconta COSIF n° 7.1.9.30.00.6.1.17 Ressarcimento do Plano de Saúde Golden Cross, por não representar receita da atividade da instituição 6.1 Após ajustes elaborouse a planilha denominada "CONSOLIDAÇÃO" onde foram sintetizadas as receitas, exclusões e deduções admitidas e previstas em Fl. 2463DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 6 lei, e efetuado o cálculo do PIS e da COFINS devidos nos anos calendário de 2010 e 2011. 7. Irresignado, o autuado apresentou, em 30/04/2014, a impugnação de fls. 1.798 a 1.842, fazendo primeiramente um breve relato sobre o decorrido no âmbito das ações judiciais AO nº 2005.38.00.0459615 (COFINS) e MS nº 2000.38.00.0040950 (PIS), destacando os pontos nos quais embasa o seu entendimento de que o judiciário estaria a excluir da base de cálculo do PIS e da COFINS quaisquer outras receitas, que não aquelas contabilizadas na conta contábil 7.1.7.00.00.9.0.00.00. estando fora do conceito de faturamento determinado pelo STF, por exemplo, as receitas decorrentes das operações financeiras (e não de serviços). 7.1 A ação da COFINS teve decisão, pelo TRF da 1ª Região, considerando as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadoria e serviços e considerando inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98. Contra tal decisão foram opostos Embargos de Declaração para que a Turma julgadora se manifestasse especificamente sobre a seguinte matéria: por se tratar o impugnante de uma instituição financeira, a interpretação a ser dada à declaração de inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98 deveria ser diferente daquela conferida pelo STF para as pessoas jurídicas em geral. Segundo asseverado pela Procuradoria, "as receitas financeiras, para as instituições financeiras e assemelhadas, integram o seu faturamento, e são o resultado direto, perfeito e acabado de sua atividade principal. Constituem portanto, seu faturamento/receita operacional, base de cálculo do PIS e da COFINS".2 7.1.1 Tais Embargos foram rejeitados, sendo que quanto ao conceito de faturamento para as instituições financeiras, o Relator também afastou a pretensão da União Federal, asseverando e reafirmando que "a decisão embargada encontra se em perfeita sintonia com a jurisprudência deste Tribunal. Se a embargante discorda de tal análise, não há omissão/contradição, mas sim divergência de interpretação. Logo, o caminho a ser trilhado deve ser outro". Não tendo a Fazenda Nacional manejado, contra os acórdãos de Apelação e dos Embargos de Declaração, Recurso Especial e/ou Extraordinário, deixandoos transitar em julgado, a mesma se curvou ao entendimento manifestado pela 7a Turma da Corte Federal, especialmente em relação à definição da base de cálculo da COFINS para as instituições financeiras e assemelhadas. 7.2 Quanto à Ação do PIS o impugnante colaciona excertos da inicial e das informações prestadas pelo Delegado da RFB no sentido de demonstrar que a lide girou em torno da questão da inclusão ou não das receitas decorrentes da atividade típica das instituições financeiras na base de cálculo do tributo. Após decisão do TRF, o impugnante interpôs Recurso Especial, não admitido, e Recurso Extraordinário, recebido e julgado pelo STF no seguinte sentido: “Assim, conheço e dou provimento ao recurso (art. 557, § 1o A, do CPC), para afastar a aplicação do § 1o do artigo 3o da Lei n° 9.718, de 1998. Sem honorários (Súmula n° 512/STF)." 7.2.1 Da decisão acima, concluise que o STF declarou a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, de acordo com a decisão que fora proferida nos autos do RE n° 357.950, de relatoria do Ministro Marco Aurélio. E como é cediço, a maioria dos Ministros que compunham o Tribunal Pleno daquela Corte deu provimento ao citado recurso, não só para assentar que o faturamento deve ser entendido, exclusivamente, como o resultado das vendas de mercadorias e/ou prestação de serviços, mas também para interpretar o caput do art. 3o conforme a Constituição Federal, de modo a estreitar o conceito de "receita bruta" até fazêlo coincidir com a noção cediça de "faturamento". Fl. 2464DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.462 7 8. Não obstante o trânsito em julgado das decisões a autoridade fiscal lavrou os presentes autos de infração que podem ser facilmente desconstruídos dividindo a defesa em duas partes: (i) na primeira, sobre o conceito constitucional de faturamento, iniciando pela decisão do STF nos RE's n° 357.950, 390.840, 358.273, 346.084 e finalizando com a inovação introduzida pela MP n° 627/13 no conceito de receita bruta; e (ii) na segunda, sobre os contornos da coisa julgada formada nas ações judiciais n° 2000.38.00.0040950 e 2005.38.00.0459615, assim como os seus efeitos. 8.1 Sobre a primeira parte, após tecer um breve histórico sobre a discussão acerca do tema o impugnante conclui que a expressão faturamento, tal como prevista no art. 195, I, da CF/88, foi consolidada pelo STF como sendo a receita bruta decorrente, exclusivamente, da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. 8.1.1 Apesar da consolidação deste conceito, veio a Lei 9.718/98 que, sem base constitucional, tentou ampliálo para abranger a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica. Todavia, este alargamento foi declarado inconstitucional pelo STF, que, novamente, enalteceu o conceito restrito de faturamento, qual seja o de venda de mercadorias e/ou prestação serviços. 8.1.2 Toda esta explanação se faz importante para mostrar que a autoridade fiscal está enganada ao considerar ser a receita bruta prevista no caput do artigo 3º da Lei 9.430/96 aquela correspondente à receita operacional da pessoa jurídica, pois ao mesmo tempo em que a Suprema Corte julgou inconstitucional o § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, ela deu ao caput desse dispositivo interpretação conforme a Constituição Federal, para que a locução receita bruta fosse tomada no restrito significado de faturamento, qual seja: receita bruta decorrente da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços. 8.1.2.1 A leitura atenta do conjunto da ação da COFINS, utilizada pelo autuante para subsidiar seu entendimento, sobretudo dos acórdãos proferidos (Apelação + Embargos de Declaração), somente comprova que o TRF 1 decidiu a lide de acordo com o entendimento sedimentado pelo STF. Neste sentido encontra se o voto do Desembargador relator no sentido de que ante a inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, prevalece o disposto no art. 2º da LC 70/91, para a determinação da base de cálculo da COFINS. 8.1.2.2 Não possui também qualquer relevância para o deslinde da questão a afirmação feita pelo auditor fiscal no sentido de que o Ministro Cezar Peluzo entendeu que o faturamento é a receita decorrente das atividades empresariais típicas da pessoa jurídica, pois não obstante essa manifestação pessoal o fato é que prevaleceu o entendimento exposto pelo Ministro Marco Aurélio, no sentido de que o faturamento corresponde à receita bruta advinda da venda de bens e/ou prestação de serviços e nada mais. Ademais este “posicionamento” do Min. Cézar Peluso, que poderia conduzir à conclusão de que o faturamento correspondente à receita bruta operacional da pessoa jurídica, adveio da sua sugestão de redação para a proposta de Súmula Vinculante n° 22 do STF, nos seguintes termos: "é inconstitucional o § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, que ampliou o conceito de renda bruta, a qual deve ser entendida como a proveniente das vendas de mercadorias e da prestação de serviços de qualquer natureza, ou seja, a soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais". No entanto, revendo os julgados proferidos pela própria Corte da qual foi membro, o Ministro alterou sua proposta de súmula vinculante para comportar o seguinte verbete: "é inconstitucional o § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, que ampliou a base de cálculo do PIS e da COFINS" (doe. n° 07). Fl. 2465DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 8 8.1.2.2.1 Entre os demais membros da corte não há discrepância tendo os Ministros Gilmar Mendes, Marco Aurélio e Joaquim Barbosa proposto redação semelhantes, sendo que os dois último propuseram inserir ao final que o conceito de receita bruta deve ser entendido como a proveniente de vendas de mercadorias e de prestação de serviços de qualquer natureza. 8.1.2.3 Ante o exposto, a correta conclusão que se extrai do julgamento dos leading cases pelo STF é a de que, conforme inclusive restou reconhecido nas ações judiciais propostas pelo impugnante, o faturamento equivale tão somente à receita bruta resultante da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, sem qualquer menção à receita operacional. 8.1.3 A FEBRABAN formulou consulta aos ilustres juristas Marco Aurálio Greco, Tércio Sampaio Ferraz Jr. e Alcides Jorge Costa da seguinte maneira: "Receitas financeiras podem ser consideradas faturamento para efeito de incidência da COFINS sob a égide da Lei n° 9.718/98 (afastado por inconstitucional o § 1° do seu art. 3o)? Esta resposta se altera em função da empresa envolvida ser uma empresa comercial, uma prestadora de serviços, uma 'holding' ou uma instituição financeira?". 8.1.3.1 Todos responderam negativamente as questões acima transcritas, conforme pareceres anexados (doc. 08) e trechos colacionados às fls. 1.817 a 1.820, tendo sido feito vários destaques no texto do último jurista no sentido de que para o mesmo a distinção entre as receitas decorrentes de juros e o faturamento encontra respaldo na própria Constituição Federal. Assim, para a doutrina, o conceito de faturamento é uno e não varia por razões ligadas à pessoa que os aufere. 8.1.3.2 Nesse contexto, não restam dúvidas de que os serviços bancários, remunerados por taxas e tarifas, são tributados pelo ISS e compõem o "faturamento" das instituições financeiras, enquanto as receitas financeiras decorrentes de operações bancárias (empréstimos, financiamentos, etc.) estão fora do conceito de "faturamento", que é a base de cálculo do PIS e da COFINS. Tanto que a lista de serviços tributáveis pelo ISSQN, trazida pela Lei complementar 116/03 (item 15) não faz qualquer menção às receitas financeiras. O “spread” caracterizado pela diferença entre o que os bancos pagam pela captação de recursos e o que eles cobram pela concessão do crédito não pode ser considerado prestação de serviços pois não decorre de uma obrigação de fazer. O próprio Ministro Celso de Mello, em voto proferido nos leading cases afirmou não ser possível incluir as receitas financeiras no conceito de faturamento. 8.1.3.3 Também é desacertada a premissa de que as operações bancárias praticadas pelo impugnante são consideradas serviços das instituições financeiras em razão do disposto no Acordo Geral sobre Comércio de Serviços (GATS) e no Parecer PGFN/CAT n° 2.773/2007. Isto porque o GATS por ser celebrado entre nações de história, experiência, tradições, e normas distintas, teve os seus termos e conceitos definidos numa amplitude tal que pudesse atender aos anseios dos diversos países signatários. Assim não se deve extrair dos termos, palavras e conceitos utilizados no referido acordo uma interpretação única e cerrada, para aplicála indistintamente sobre determinada situação regulada por lei específica brasileira, ou seja, a expressão serviço pode variar de país para país e de acordo com a legislação interna brasileira (especialmente o Código Civil), são as obrigações de fazer que constituem o cerne do conceito de serviço, inclusive para a definição da abrangência do faturamento tributável pelo PIS e pela COFINS. 8.1.3.4 Do mesmo modo não se pode estender a compreensão de serviço que foi adotada pelo STF no julgamento da ADI nº 2.5911/DF, pois ao verificar a ementa do julgado percebese que foi utilizada a expressão “atividade bancária” ao invés de “serviço bancário”; “operações ativas e passivas” ao invés de simplesmente Fl. 2466DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.463 9 serviços e "exploração da intermediação de dinheiro na economia" ao invés de prestação de serviços na economia. 8.1.3.5 Ante o exposto caem por terra a pretensão da autoridade fiscal de equiparar as atividades financeiras a serviços, devendo ser tributados pelo PIS e pela COFINS apenas aqueles serviços bancários remunerados por taxas, tarifas e comissões cobradas que são registradas na conta "7.1.7.00.00.9.0.00.00 Renda de Prestação de Serviços". 8.1.4 Finalmente, sobre tal tema, a edição recente da Medida Provisória 627/2013 é prova cabal de que a receita bruta nunca foi a receita operacional. Tal MP alterou o conceito de receita bruta previsto no art. 12 do DecretoLei n° 1.598/77, para nela incluir todas as receitas advindas da atividade principal ou objeto social da pessoa jurídica e modificou a redação do caput do art. 3o da Lei n° 9.718/98, para prescrever que o faturamento, agora, compreende a receita bruta de que trata o citado artigo 12. Daí se conclui que antes da edição da MP n° 627, a receita bruta equiparada ao faturamento abrangia, de fato, apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e/ou prestação de serviços, sendo irrelevante a atividade operacional ou o objeto social da pessoa jurídica, isso porque se o conceito de receita bruta pudesse ser equiparado ao de receita operacional desde a edição da Lei n° 9.718/98 ou da edição do DecretoLei n° 1.598/77 não haveria a necessidade de alteração desses diplomas legais tão antigos, como fez a MP n° 627, o que é corroborado pelo Parecer do Deputado Eduardo Cunha que fala em inovação ao se tributar, a partir da edição do normativo, as receitas da atividade principal da pessoa jurídica, além do produto da venda de bens e/ou serviços. 8.1.4.1 A pretensão da administração tributária de equiparar a receita bruta à operacional não encontra amparo legal antes da edição da MP 627/13 que não pode retroagir para impor pagamento de tributos pelos contribuintes. 8.2 Sobre a segunda parte (contornos da coisa julgada formada nas ações judiciais n° 2000.38.00.0040950 e 2005.38.00.0459615, assim como os seus efeitos), o impugnante detalha seu entendimento para cada uma das ações analisadas isoladamente. 8.2.1 Citando a doutrina de Carlos Silveira Noronha, o impugnante afirma que a lide é formada pela causa petendi, que é o elemento em que se funda a ação do autor e causa excipiendi, elemento em que se embasa a defesa do réu. No âmbito da AO nº 2005.38.00.0459615 (ação da COFINS) haveria os seguintes elementos: “ (a) causa petendi (causa de pedir) formulada pelo autor: (i) a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, porque ampliou indevidamente o conceito de faturamento para estendêlo a toda e qualquer receita bruta auferida pela pessoa jurídica; (ii) a delimitação do conceito de faturamento para abarcar apenas a receita decorrente da venda de mercadorias e/ou serviços, excluída a incidência sobre receitas que não tenham esta natureza (como é o caso das financeiras); (b) causa excipiendi ("contradireito") formulada pela União Federal: (i) a constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98; (ii) a necessidade de se dispensar um tratamento diferenciado às instituições financeiras e entidades equiparadas, principalmente quanto à definição do conceito de faturamento em função do metier social que possuem; (iii) os precedentes do Supremo Tribunal Federal devem ser interpretados com cautela; (iv) faturamento, assim, neste caso especial, deverá ser entendido como a receita operacional da instituição financeira.” Fl. 2467DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 10 8.2.1.1 O litígio se formou não somente quanto à constitucionalidade do § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98, como, também, no que se refere à extensão da base de cálculo da COFINS para as instituições financeiras e assemelhadas. O acolhimento da causa petendi pelo TRF da 1ª Região e a rejeição dos Embargos de Declaração opostos pela União Federal leva à conclusão de que o Tribunal não acolheu a resistência da União (causa excipiendi). A ausência de impugnação dos acórdãos proferidos pelo TRF revela conformismo com a solução dada à lide, sepultando definitivamente a controvérsia acerca do conceito de faturamento aplicável ao recorrente, sobre a qual paira o manto da coisa julgada. 8.2.2 No MS nº 2000.38.00.0040950 haveria os seguintes elementos: (a) causa petendi (causa de pedir) formulada pelo autor: (i) a inconstitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, porque ampliou indevidamente o conceito de faturamento para estendêlo a toda e qualquer receita bruta auferida pela pessoa jurídica; (ii) a delimitação do conceito de faturamento para abarcar apenas a receita decorrente dos serviços prestados aos seus clientes; (b) causa excipiendi ("contradireito") formulada pela União Federal: (i) a constitucionalidade do § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98, já que receita bruta e faturamento sempre foram equivalentes; (ii) o art. 195, I, da CF/88, ao dispor que as contribuições sociais dos empregadores incidirão sobre o faturamento, quis dizer que as mesmas irão incidir sobre a receita da atividade exercida pela sociedade, independentemente do ramo de atividade econômica exercida; (iii) faturamento, portanto, abrange todas as receitas auferidas pela empresas, inclusive as receitas financeiras. 8.2.2.1 Neste caso a norma específica criada pelo Poder Judiciário em favor do impugnante pode ser dividida em duas partes: (a) é inconstitucional o § 1o do art. 3o da Lei n° 9.718/98; (b) prevalece, para fins de tributação pelo PIS, o conceito de faturamento estabelecido pelo STF no julgamento dos RE's 346.084, 390.840, 358.273 e 357.950, no sentido de que ele corresponde à "receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza", tal como positivado pelo art. 2o da LC n° 70/91 (que trata da COFINS). Novamente, o acolhimento da causa petendi deduzida pelo autor leva à conclusão de que nenhuma das exceções opostas pelo réu foi agasalhada pelos julgadores. 8.2.3 O poder judiciário ditou norma individual que deve reger a relação entre o Impugnante e a União Federal no que tange à tributação pelo PIS e pela COFINS, derrubando a última premissa, adotada pelo autuante para embasar a autuação, de que a discussão quanto ao alcance da incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras das instituições financeiras e assemelhadas ainda não se encerrou, por depender do julgamento dos RE's n° n° 400.479 e n° 609.069, isso porque na remota hipótese de o STF vir a proferir uma decisão desfavorável às instituições financeiras, tal resultado irá produzir efeitos imediatos apenas para (i) a instituição recorrida (Banco Santander) e (ii) para as demais instituições que tiverem seus recursos extraordinários sobrestados em função do RE n° 609.096/RS. A coisa julgada não pode ser modificada, conforme se percebe nas decisões do STJ e do CARF mencionadas (fls. 1.833). 8.2.3.1 Ainda que se entenda que a discussão específica sobre a tributação das receitas de intermediação financeiras não foi tratada no processo judicial, mesmo assim tal discussão não poderá ser reaberta por ocasião destes autos de infração, por força da eficácia preclusiva da coisa julgada tratada no artigo 474 do CPC. Segundo a doutrina e jurisprudência "Após a formação da coisa julgada material, as alegações que já sofreram a análise do juízo ou foram desconsideradas, por desinfluentes à época do exame de mérito, ou que ainda nem sequer fizeram parte daquele julgamento, por omissão da parte a quem supostamente interessavam, não podem mais ser discutidas em outro processo''. Fl. 2468DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.464 11 8.2.3.4 Por todo o exposto é inegável o descabimento dos Autos de infração lavrados, por haver desrespeito à imutabilidade da coisa julgada, devendo os mesmos serem cancelados. 8.3 A equiparação de faturamento a receita bruta operacional, pretendida pelo Auditor Fiscal em razão do Parecer PGFN/CAT n° 2.773/07, esbarra em normativos editados pela própria RFB. A instrução Normativa nº 247/02 determina que as instituições financeiras e assemelhadas deverão apurar o PIS e a COFINS de acordo com a planilha de cálculo do anexo I do referido normativo. Em tal anexo o grupo de contas 7.1.7 referese às rendas de prestação de serviços, em cujo rol não se encontra correspondentes às “rendas de operações de crédito”, “rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez” e “rendas de títulos e valores mobiliários”, que fazem parte da receita operacional do impugnante, ou seja, ao menos para fins de apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS das instituições financeiras, a receita operacional é gênero do qual a conta "rendas de prestação de serviços" se configura espécie. Como acolher com seriedade a conclusão da PGFN de que "a natureza das receitas decorrentes das atividades do setor financeiro e de seguros podem ser classificadas como serviços para fins tributários, estando sujeitas à incidência das contribuições em causa", com exceção apenas das receitas não operacionais? 8.3.1 Se a pretensão da União é a modificação do conceito utilizado pela citada Instrução Normativa, para a determinação da base de incidência do PIS e da COFINS, não é possível que se exija do impugnante quaisquer consectários (multa ou juros) sobre os débitos que são objeto dos Autos de Infração, nos termos do que estatui o parágrafo único do art. 100 do CTN. Portanto, requerse o cancelamento das exigências relativas à multa e aos juros (SELIC) incidentes sobre os débitos lançados. 8.4 Os Autos de infração tomam como fundamentação normativa de validade o Parecer PGFN CAT n° 2.773/07. A seu turno, tal Parecer determina a tributação das receitas de intermediação financeira obtidas pelo Impugnante, ao argumento de que estas decorrem do exercício de sua atividade fim (de seu objeto social). Contudo, ao proceder ao recalculo das contribuições devidas pelo Impugnante, a Autoridade fiscal não observou esta premissa (de apenas considerar no cálculo do PIS e da COFINS as receitas de intermediação financeira do Impugnante, por estarem diretamente ligadas à sua atividadefim). Percebese no Termo de Verificação Fiscal que o autuante excluiu da base de cálculo das contribuições as "Receitas Não Operacionais" e algumas que, embora registradas na conta de "Receitas Operacionais", não corresponderiam ao exercício do seu objeto social, no entanto existem outros valores registrados como “Receitas Operacionais” que não correspondem à intermediação financeira e que não foram igualmente excluídas da tributação, como por exemplo o ressarcimento de transporte de valores (registrado na conta 7.1.9.30.00.6.1 Recuperação de encargos e despesas); as Variações Monetárias Ativas, que se referem a juros sobre depósitos judiciais fiscais, cíveis e trabalhistas e correção de créditos de tributos a recuperar (registradas na conta 7.1.9.99.00.9.1 Outras Rendas Operacionais). 8.4.1 Também deveriam ser excluídas da base de cálculo do PIS/COFINS as receitas financeiras recorrentes de aplicação de recursos próprios (decorrentes de aplicações financeiras do dinheiro pertencente ao próprio Impugnante, e não do dinheiro de terceiros). Os valores, neste caso, representam as aplicações próprias do Impugnante (de sua titularidade), realizadas em diversas instituições financeiras, destinandose, apenas, à preservação do capital do giro da instituição. Não podem ser consideradas, portanto, como receitas financeiras auferidas pelo impugnante em razão do exercício do seu objeto social. Assim os Autos de infração devem ser Fl. 2469DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 12 reformulados, já que os cálculos deles decorrentes não guardam coerência com o Parecer PGFN CAT nº 2.773/07 (seu fundamento de validade). 9. Por todo o exposto, requer o impugnante sejam cancelados os autos de infração porque lavrados em violação à coisa julgada formada na AO nº 2005.38.00.0459615 e no MS nº 2000.38.00.0040950, bem como à eficácia preclusiva emergente destas ações e subsidiariamente que sejam cancelados parcialmente os autos de infração no sentido de descontar a multa e os juros (SELIC), diante do que determina o artigo 100 do CTN e que sejam excluídas todas as receitas que não sejam de intermediação financeira. É o relatório. Ao analisar o caso, a DRJ/SP entendeu pela improcedência total da impugnação apresentada, mantendo a autuação em sua integralidade, consoante acórdão a seguir transcrito: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Anocalendário: 2010, 2011 COFINS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, qual seja aquelas decorrentes da prática das operações previstas no seu objeto social. COFINS. RECEITA BRUTA/FATURAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. SENTIDO ECONÔMICO. A definição de prestação de serviços embutida no conceito de receita bruta/faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, deve ser considerada no seu sentido econômico, como sendo atividade praticada pelo setor terciário da economia. As receitas de prestação de serviços, neste sentido, são todas aquelas que não decorram da entrega de bens. Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2010, 2011 PIS. FATURAMENTO. RECEITA OPERACIONAL. Entendese por faturamento, base de cálculo da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica, qual seja aquelas decorrentes da prática das operações previstas no seu objeto social. PIS. RECEITA BRUTA/FATURAMENTO. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. SENTIDO ECONÔMICO. A definição de prestação de serviços embutida no conceito de receita bruta/faturamento, base de cálculo do PIS e da COFINS, deve ser considerada no seu sentido econômico, como sendo atividade praticada pelo setor terciário da economia. As receitas de prestação de serviços, neste sentido, são todas aquelas que não decorram da entrega de bens. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Fl. 2470DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.465 13 Insatisfeito com o teor da referida decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário, por meio do qual repisou os argumentos trazidos em sua impugnação administrativa. Os autos, então, subiram a este Conselho, para julgamento do Recurso Voluntário interposto. Fl. 2471DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 14 Voto Conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões O Recurso Voluntário é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Consoante se depreende do relato acima, a solução do presente caso requer que esta Turma se manifeste, resumidamente, quanto aos seguintes pontos: (i) qual a base de cálculo do PIS e COFINS no caso de instituição financeira?; (ii) alternativamente, caso a resposta ao primeiro questionamento seja positiva, é possível afastar a imposição dos juros e da multa incidentes sobre os débitos lançados?; (iii) deverá ser excluída da autuação as receitas apontadas pelo contribuinte que não sejam de intermediação financeira? Os questionamentos acima apontados serão tratados separadamente nos tópicos a seguir. 1 Da base de cálculo do PIS e da COFINS no caso de instituição financeira De pronto, é importante mencionar que, apesar de a controvérsia sobre a base de cálculo do PIS e da COFINS das instituições financeiras ainda não ter sido apreciada de forma definitiva pelo Supremo Tribunal Federal encontrase pendente de julgamento o Recurso Extraordinário n° 609.096/RS, cuja repercussão geral já foi reconhecida, que tratará desta matéria deverá este Conselho se debruçar sobre o tema, tendo em vista que foi excluído do Regimento Interno do CARF o instituto do sobrestamento (os parágrafos 1º e 2º do art. 62 A do antigo RICARF foram revogados pela Portaria MF n° 343/2015). Como é cediço, este tema é recorrente nos julgamentos proferidos por este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, possuindo votos em ambos os sentidos, a favor e contra o contribuinte. O principal argumento do contribuinte é no sentido de que o Supremo Tribunal Federal declarou inconstitucional o art. 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, entendendo que a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS por meio de lei ordinária, para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada, violou a redação original do art. 195, I, da Constituição Federal (vide Recursos Extraordinários nº 246.084, 357.273, 357.950 e 390.840). Em tais decisões, restou sedimentado que, para fins de tributação de PIS e COFINS, as expressões faturamento e receita bruta deveriam ser tomadas como sinônimas, correspondendo à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Nessa ótica, defende o Recorrente que as suas receitas financeiras não estariam enquadradas em tal conceito de faturamento, por não se enquadrarem como decorrente da prestação de serviços, pelo que não deveriam compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Ademais, considerando que possui Ações Judiciais assegurandolhe o afastamento da ampliação da base de cálculo trazida pelo art. 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, alega que o auto de infração ora analisado teria desrespeitado a coisa julgada obtida nos referidos processos. Fl. 2472DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.466 15 Apesar de entender que há de fato uma certa confusão quanto à interpretação das decisões proferidas pelo STF acerca do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS trazidas pelo art. 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, em especial quando remetem à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços, é importante destacar que tais decisões não trataram especificamente sobre o enquadramento das receitas financeiras das instituições financeiras no conceito de faturamento, que ainda será objeto de análise através do RE n° 609.096/RS. Dispuseram apenas sobre a impossibilidade de alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS para envolver todas as receitas da pessoa jurídica. Nessa ótica, entendo que há duas discussões distintas: (i) uma atinente à inconstitucionalidade do alargamento da base de cálculo do PIS e da COFINS trazida pelo art. 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, matéria esta que já foi sacramentada pelo STF; (ii) e outra atinente à interpretação do conceito de faturamento para fins de base de cálculo do PIS e da COFINS especificamente no que tange às instituições financeiras e às suas receitas financeiras, que ainda aguarda definição pelo STF, cuja ementa do reconhecimento de repercussão geral se reproduz a seguir: EMENTA: CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. COFINS E CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS. INCIDÊNCIA. RECEITAS FINANCEIRAS DAS INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. CONCEITO DE FATURAMENTO. EXISTÊNCIA DE REPERCUSSÃO GERAL. Outrossim, importante mencionar que, se a matéria objeto da presente demanda já tivesse sido tratada nas decisões do STF que declararam a inconstitucionalidade do art. 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, como pretende fazer crer a Recorrente ao alegar afronta à coisa julgada, não haveria razão para o Supremo Tribunal Federal ter reconhecido repercussão geral nos autos do RE n° 609.096/RS, pois não o faria em caso já definitivamente julgado por este mesmo Tribunal. Nesse contexto, entendo que não há coisa julgada a acobertar o direito do Recorrente no presente caso. Possui, então, este Conselho plena autonomia para julgar a demanda de acordo com a convicção de seus julgadores. No caso, concordo com os fundamentos da decisão recorrida no sentido de que a melhor interpretação é a de que deverão compor a base de cálculo do PIS e da COFINS das instituições financeiras não somente as receitas enquadradas especificamente na conta contábil 7.1.7.00.00.9.0.00.00 Rendas de Prestação de Serviços (única conta contábil que integrou a base de cálculo para apuração do PIS e da COFINS da Recorrente), como também outras receitas derivadas das suas atividades operacionais, abrangendo a remuneração obtida com intermediação financeira e outras receitas financeiras, que também são típicas da atividade fim deste segmento de negócios. Até porque, entendo que o Supremo Tribunal Federal, ao declarar a inconstitucional o art. 3º, parágrafo 1º da Lei nº 9.718/98, pretendeu afastar a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS tendente a envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. Não pretendeu, de outro norte, excluir da base de cálculo aquelas receitas principais, essenciais e inerentes à atividade empresarial, como é o caso das receitas financeiras auferidas pelos bancos. Fl. 2473DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 16 E por ter tratado de forma bastante minuciosa de cada ponto trazido pelo contribuinte, transcrevo a seguir os fundamentos da decisão recorrida: 11. A controvérsia principal gira em torno da apuração da base de cálculo do PIS e da COFINS, em vista das decisões judiciais transitadas em julgado no âmbito da AO nº 2005.38.00.0459615 e do MS nº 2000.38.00.0040950. O autuante entende que as decisões transitadas em julgado permitem ao Fisco considerar como componentes da base de cálculo das citadas contribuições as receitas de intermediação financeira, pelo fato das mesmas serem decorrente da atividade típica das instituições financeiras, bem como por entender que tais receitas sejam decorrentes também da prestação de serviços. Já o impugnante entende que as decisões apenas autorizam a inclusão na base tributável das contribuições das receitas decorrentes de prestação de serviços remunerados por taxas e tarifas, não estando neste rol a intermediação financeira por não se enquadrar a mesma no conceito de serviços como teria sido entendido nas decisões transitadas em julgado. 12. Antes de adentrar à discussão específica das medidas judiciais tratadas nestes autos, por oportuno, mister se faz mostrar que o STF, ao determinar que sejam consideradas as receitas com vendas de mercadorias, prestações de serviços ou venda de mercadorias com prestações de serviços, está mesmo a restringir a apuração da base de cálculo às receitas operacionais do contribuinte. (Grifos apostos) 12.1 Com efeito, na linha da constitucionalidade do caput do art.3º da Lei 9.718/98, o STF, nos RE 346.084/PR, 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, estabeleceu que a receita bruta, prevista no art. 3.º da Lei 9.718/98, corresponde ao conceito de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91, a seguir transcrito, consistindo das receitas operacionais da pessoa jurídica: Lei Complementar 70/91 Art. 1° (...) fica instituída contribuição social para financiamento da Seguridade Social, nos termos do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, devida pelas pessoas jurídicas inclusive as a elas equiparadas pela legislação do imposto de renda, (...).Art. 2° A contribuição (...) incidirá sobre o faturamento mensal, assim considerado a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza. (grifo nosso) 12.2 O entendimento do STF se consolidou no sentido de identificar receita bruta com faturamento, este correspondendo à venda de mercadorias e de serviços, conforme acórdão no RE 346084/PR, a seguir transcrito: RE 346084 / PR – PARANÁ RECURSO EXTRAORDINÁRIO Relator(a): Min. ILMAR GALVÃO Relator(a) p/ Acórdão: Min. MARCO AURÉLIO Julgamento: 09/11/2005 Órgão Julgador: Tribunal Pleno Ementa CONSTITUCIONALIDADE SUPERVENIENTE ARTIGO 3º, § 1º, DA LEI Nº 9.718, DE 27 DE NOVEMBRO DE 1998 EMENDA CONSTITUCIONAL Nº 20, DE 15 DE DEZEMBRO DE 1998. O sistema jurídico brasileiro não contempla a figura da constitucionalidade superveniente. TRIBUTÁRIO INSTITUTOS EXPRESSÕES E VOCÁBULOS SENTIDO. A norma pedagógica do artigo 110 do Código Tributário Nacional ressalta a impossibilidade de a lei tributária alterar a definição, o conteúdo e o alcance de consagrados institutos, conceitos e formas de direito privado utilizados expressa ou implicitamente. Sobrepõese ao aspecto formal o princípio da realidade, considerados os elementos tributários. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL PIS RECEITA BRUTA NOÇÃO INCONSTITUCIONALIDADE DO § 1º DO ARTIGO 3º DA LEI Nº 9.718/98. A jurisprudência do Supremo, ante a redação do artigo 195 da Carta Federal anterior à Emenda Constitucional nº 20/98, consolidouse no sentido de tomar as expressões receita bruta e faturamento como sinônimas, jungindoas à venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. É inconstitucional o § 1º do artigo 3º da Lei nº 9.718/98, no que ampliou o conceito de receita bruta para envolver a totalidade das receitas auferidas por pessoas jurídicas, Fl. 2474DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.467 17 independentemente da atividade por elas desenvolvida e da classificação contábil adotada. (grifo nosso) 12.3 Entendendose o alcance do conceito de receita bruta como sendo faturamento no sentido de venda de mercadoria e serviços, verificase que o conceito dado pelo STF, à luz da Lei 9.718/98 e da Lei Complementar 70/91, é, definitivamente, o de receita operacional. 12.4 Nos debates que então se desenvolveram na sessão do Tribunal Pleno que julgou o RE 346.084/PR, acima transcrito, os Ministros explicitaram seu entendimento sobre a base de cálculo do PIS e da Cofins, no sentido da identidade entre o conceito de faturamento e a receita operacional da pessoa jurídica, tida como resultante de sua atividade principal. (Grifos apostos). 12.4.1 O Ministro César Peluso, no RE 346.084/PR, expressou o entendimento de que receita bruta é sinônimo de faturamento, como a soma das receitas oriundas do exercício das atividades típicas da empresa e acrescentou que, se determinadas instituições têm receitas financeiras como atividade empresarial típica, tais receitas ingressam no conceito de receita bruta como faturamento, in verbis: “Por todo o exposto, julgo inconstitucional o parágrafo 1º do art. 3º da Lei 9.718/98, por ampliar o conceito de receita bruta para “toda e qualquer receita”, cujo sentido afronta a noção de faturamento pressuposta no art. 195, I, da Constituição da República, e, ainda, o art. 195, parágrafo 4º, se considerado para esse efeito de nova fonte de custeio da seguridade social. Quanto ao caput do art. 3º, julgoo constitucional, para lhe dar interpretação conforme à Constituição, nos termos do julgamento proferido no RE nº 150755/PE, que tomou a locução receita bruta como sinônimo de faturamento, ou seja, no significado de “receita bruta de venda de mercadoria e de prestação de serviços”, adotado pela legislação anterior, e que, a meu juízo, se traduz na soma das receitas oriundas do exercício das atividades empresariais. (...) Se determinadas instituições prestam tipo de serviço cuja remuneração entra na classe das receitas chamadas financeiras, isso não desnatura a remuneração de atividade própria do campo empresarial, de modo que tal produto entra no conceito de “receita bruta igual a faturamento”. (grifos nossos) 12.4.2 O Ministro Marco Aurélio, por sua vez, expressou entendimento, no mesmo RE 346.0846/PR, reproduzindo voto que proferira anteriormente, no sentido da constitucionalidade do artigo 3º, da Lei 9.718/98, exceto para o parágrafo 1º que expandira em demasia o conceito de receita bruta para fins de tributação da Cofins, e que a receita bruta, como sinônimo de faturamento, referese à atividade principal da empresa, in verbis: “O Tribunal estabeleceu a sinonímia “faturamento/receita bruta”, conforme decisão proferida na Ação Declaratória de Constitucionalidade nº 11/DF – receita bruta evidentemente apanhando a atividade precípua da empresa. (...) Operacional. (...)” (grifo nosso) 12.4.3 Ainda nessa direção, o Ministro Carlos Britto consignou no RE 346.0846/PR a identidade entre faturamento e receita operacional, esta constituída por ingressos que decorrem da razão social da empresa, que foi o sentido de faturamento expresso no artigo 2º, da Lei Complementar 70/91, in verbis: A Constituição de 88, pelo seu art. 195, I, redação originária, usou do substantivo “faturamento”, sem a conjunção disjuntiva “ou” receita”. Em que sentido separou as coisas? No sentido de que faturamento é receita operacional, e não receita total da empresa. Receita operacional consiste naquilo que já estava definido pelo Decretolei 2397, de 1987, art. 22, parágrafo 1º, “a”, assim redigido (...) : “Art. 22. .................................................................... § 1º Fl. 2475DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 18 ............................................................. a) a receita bruta das vendas de mercadorias e de mercadorias e serviços, de qualquer natureza, das empresas públicas ou privadas definidas como pessoa jurídica ou a elas equiparadas pela legislação do Imposto de Renda;” Por isso, estou insistindo na sinonímia “faturamento” e “receita operacional”, exclusivamente, correspondente àqueles ingressos que decorrem da razão social da empresa, da sua finalidade institucional, do seu ramo de negócio, enfim. (...) Esse tratamento normativo do faturamento como receita operacional foi reproduzido pela Lei Complementar 70/91, cujo artigo 2º assim dispõe (....)”. (grifos nossos) 12.4.4 Na mesma linha, o Ministro Sepulveda Pertence, no RE 346.084 6/PR, pontuou que a identidade entre receita bruta e faturamento deve ser buscada na legislação do FINSOCIAL, o Decretolei 2.397/87. O artigo 22, caput e a alínea b desse Decreto determinavam que o FINSOCIAL (criado pelo Decretolei 1.940/82 e que antecedeu à Cofins) incidiria sobre as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas. Conclui que a lei tributária chamou receita bruta o que é faturamento, in verbis: Recordemse, na conformidade do referido DL 2.397/87, a nova redação do § 1º e o § 4º esse, então acrescentado ao art. 1º do DL 1.940/82, regente do FINSOCIAL sobre a receita bruta das empresas : `Art. 22 (...) Parágrafo 1º A contribuição social de que trata este artigo será de 0,5% (meio por cento) e incidirá mensalmente sobre: (...); b) as rendas e receitas operacionais das instituições financeiras e entidades a elas equiparadas (...); SP SAO PAULO DRJ Fl. 2385 SHIMOTO, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por WILSON TSUTOMU HACHISUGA Processo 15504.722261/201494 Acórdão n.º 1662.105 DRJ/SPO Fls. 17 17 c) as receitas operacionais e patrimoniais das sociedades seguradoras e entidades a elas equiparadas.´ (...) FINSOCIAL, é na legislação desta [contribuição], e não alhures, que se há de buscar a definição específica da respectiva base de cálculo, na qual receita bruta e faturamento se identificam: (...), essa é a solução imposta, no ponto, pelo postulado da interpretação conforme a Constituição. (...) No prosseguimento da discussão, (...), acentuei –RTJ 149/287; “(...) . O que tentei mostrar no meu voto, a partir do Decretolei nº 2.397, é que a lei tributária, ao contrário, para o efeito de FINSOCIAL, chamou receita bruta o que é faturamento. E, aí, ela se ajusta à Constituição.” Essa interpretação conforme veio a ser a base da definição de receita como base de cálculo da COFINS, na Lei Complementar 70, cuja constitucionalidade se declarou na ADC nº 1, Moreira Alves. (...) (destacouse) 12.4.5 Inferese das diversas manifestações dos Ministros do STF que toda pessoa jurídica que possui ingressos decorrentes de sua atividade típica possui receita operacional, que corresponde ao faturamento ou receita bruta que a Lei Complementar 70/91 e a Lei 9.718/98 elegeram como base de cálculo da COFINS e do PIS. 12.5 Portanto, no âmbito tributário, o faturamento corresponde à receita bruta de vendas de mercadorias e de serviços, compreendendo a totalidade das receitas operacionais da pessoa jurídica. As receitas operacionais são aquelas desenvolvidas em conformidade com o objeto social da pessoa jurídica. 12.6 Ante o exposto, não vislumbro haver litígio sobre o fato do STF ter restringido a base de cálculo do PIS e da COFINS ao faturamento, assim entendido como sendo a receita de venda de mercadorias, de mercadorias e serviços e de prestação de serviços de qualquer natureza. O que há é uma diferença de interpretação do alcance deste conceito: enquanto o autuado entende estar a prestação de serviços a se referir restritamente às obrigações de fazer remuneradas por taxas e tarifas, o autuante, assim como os diversos Ministros do STF, estão a entender que o faturamento/receita bruta esteja fazendo referência às receitas decorrentes da atividade típica da pessoa jurídica. (Grifos apostos) Fl. 2476DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.468 19 12.7 E nem poderia ser diferente, pois ao interpretar os fundamentos que estão por trás das contribuições sociais, como são os tributos objetos das presentes autuações, em conjunto com a geração de riqueza dos três setores da economia fica patente que a intenção do legislador foi realmente alcançar pela tributação esta mesma riqueza na proporção da contribuição de cada um de seus produtores. 12.7.1 Do Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, conforme transcrito abaixo se extrai que a seguridade social, envolve a distribuição de renda, tendo papel ativo na asseguração da Justiça Social e a solidariedade dirigida ao legislador impõe a necessidade de se propor a partição do ônus financeiro para o sustento do sistema. A atividade econômica, como se sabe, é dividida em três setores (primário, secundário e terciário), sendo que a riqueza gerada nos setores primários e secundários decorre da venda de mercadorias e as do setor terciário, classificado como de prestação de serviços, no qual estão insertas as atividades dos bancos, decorre da renda de prestação de serviços, seja está remuneração feita por meio de preço, taxa, tarifa, juros ou comissão. Portanto quando o legislador estipulou como base cálculo das contribuições sociais o faturamento, mais especificamente às receitas de prestação de serviços, o mesmo estava a se referir às rendas do setor terciário que não decorrem da venda de mercadorias, pois desta maneira estarseia garantindo a repartição do ônus financeiro para o sustento da seguridade social em consonância com o disposto na Constituição Federal. Em outras palavras, as receitas de prestação de serviços deve ser entendida no sentido lato como sendo as decorrentes das atividades do setor terciário da economia, o que se coaduna com o entendimento firmado pelo Fisco e pelos acima citados Ministros do STF. Tal assunto será abordado mais detalhadamente adiante. “9. A seguridade social, gênero do qual a previdência social é espécie, prevista na nossa Carta Constitucional de 1988 envolve, seguramente, distribuição de renda, ressaltando seu papel ativo na asseguração de Justiça social. A esse respeito, aborda Feijó Coimbra a função econômica da prestação previdenciária citando Fernando de Ferreri, o qual, discorrendo sobre os fins da seguridade social diz que ela, absorvendo os antigos sistemas de previsão, convertese, aos poucos, em serviço público de amparo social, mantido por receita tributária ou assemelhada, mercê da qual o Estado realiza, de modo efetivo e, sem dúvida, mais prático e adequado, uma redistribuição de renda, considerada por Paul Durando uma das soluções mais imperiosas para a denominada questão social. E na verdade, é ela, antes de tudo, um mecanismo de transferência das responsabilidades pelos efeitos dos riscos sociais, das pessoas atingidas para as componentes de grupos mais fortes economicamente e destes para o conjunto de pessoas mais aptas a suportálas: a sociedade inteira. 10. Conforme nos ensina Wladimir Novais Martinez, a solidariedade, na previdência social, é essencial, e exatamente por sua posição nuclear esse preceito sustentáculo distinguise dos básicos e técnicos, sobrepairando como diretriz elevada. Ausente, será impossível organizar a proteção social. Solidariedade quer dizer cooperação da maioria em favor da minoria, em certos casos, da totalidade em direção à individualidade. Dinâmica a sociedade, subsiste constante alteração dessas parcelas e, assim, num dado momento, todos contribuem e, noutro, muitos se beneficiam da participação da coletividade. Nessa idéia simples, cada um também se apropria de seu aporte. Financeiramente, o valor não utilizado por uns é canalizado para outros. Significa a cotização de certas pessoas, com capacidade contributiva, em favor dos despossuídos. Socialmente considerada, é ajuda marcadamente anônima, traduzindo mútuo auxílio, mesmo obrigatório, dos indivíduos. 11. Nesse sentido foi a posição do Supremo Tribunal Federal no conhecido julgamento do RE 230.337RN, e que originou a Súmula 659, oportunidade na qual aquele Pretório Excelso, fulcrado no princípio da universalidade do financiamento da seguridade social, previsto no caput do art. 195 da Carta de 1988, entendeu devida a incidência da COFINS sobre o faturamento Fl. 2477DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 20 das empresas distribuidoras de derivados de petróleo, mineradoras, distribuidoras de energia elétrica e executoras de serviços de telecomunicações, com base no § 3º do art. 155 da Constituição da República. Reconheceu o STF nesses segmentos econômicos o dever constitucional de manter a seguridade social, sobejamente por se cuidar de empresas com altíssima capacidade contributiva. 12. A solidariedade é dirigida ao legislador, no campo previdenciário, e significa partição social e intergeracional do ônus financeiro de sustento do sistema. Assim, incumbe a toda sociedade financiar a previdência social (e, antes, a própria seguridade social)” 13. Por oportuno, cumpre discorrer acerca da ADIN 2.5911/DF e do acordo do GATS de 1994. 13.1 No que diz respeito à ADIN 2.5911/DF, o impugnante alega que não se pode estender a compreensão de serviços que foi adotada pelo STF para pretender submeter ao conceito de faturamento todas as atividades que são desempenhadas por estas instituições, especialmente as típicas operações bancárias (que não se confundem com os serviços bancários), isto porque, conforme a ementa de tal decisão, o STF não disse que todas as atividades exercidas pelas instituições financeiras são serviços e, tampouco, que estas instituições estão sujeitas às normas do CDC por serem típicas prestadoras de serviços. Ora, embora não contenha a expressão “serviço” na ementa do referido julgado, da leitura do § 2º do artigo 3º do Código de Defesa do consumidor, abaixo transcrito, e do voto condutor proferido pelo Ministro Eros Grau, inferese, sem sombra de dúvidas, que a Suprema Corte entendeu estarem as operações de intermediação financeira insertas no conceito de serviços trazido pelo citado dispositivo legal. “Art. 3° Fornecedor é toda pessoa física ou jurídica, pública ou privada, nacional ou estrangeira, bem como os entes despersonalizados, que desenvolvem atividade de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição ou comercialização de produtos ou prestação de serviços. § 1° Produto é qualquer bem, móvel ou imóvel, material ou imaterial. § 2° Serviço é qualquer atividade fornecida no mercado de consumo, mediante remuneração, inclusive as de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, salvo as decorrentes das relações de caráter trabalhista.” (grifo nosso) 13.1.1 Na discussão referente à constitucionalidade do § 2º do artigo 3º do CDC, no âmbito da ADIN nº 2.5911/DF, o Ministro Nelson Jobim, no seu voto vista, distingue: (i) as operações bancárias, que consistiriam em transferência de moeda (circulação monetária) ou de crédito, que se sustentam na confiança e na administração de riscos e tem como exemplo os empréstimos e financiamentos, a abertura e a cessão de créditos, as operações de âmbito, etc, como sendo típicas do Sistema Financeiro Nacional e fora da abrangência do CDC; dos (ii) serviços bancários, que dizem respeito à obrigação de fazer executadas pelos Bancos sem vinculação com a política monetária, sobre os quais geralmente os Bancos cobram tarifas e tem como exemplo a custódia de valores, a cobrança de títulos, etc., os quais estariam submetidos à incidência dos dispositivos do CDC. 13.1.2 Já O Ministro Eros Graus após tecer considerações iniciais afirma que o Conselho Monetário Nacional é competente apenas para regular, além da sua constituição e da sua fiscalização, o funcionamento das instituições financeiras, isto é, o desempenho de suas atividades no plano do sistema financeiro, mais adiante, se referindo ao dispositivo legal em comento coloca o seguinte: 13.1.2.1 E prossegue fazendo um confronto entre o referido dispositivo e a Constituição Federal, nos seguintes termos: Por fim, após, de forma bastante didática e elucidativa, demonstrar a importância da regulação das taxas de juros a serem praticadas pelos Bancos, para controlar a criação da chamada moeda escritural, conclui, fazendo referência ao voto do Ministro Nelson Jobim, dizendo que não o acompanha na parte em que o mesmo faz distinção entre “operações Fl. 2478DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.469 21 bancárias” e “serviços bancários”, considerando tudo sob a tutela do CDC, ou seja, classificando ambos como serviço, nos termos do § 2º do artigo 3º do CDC, conforme abaixo transcrito: 13.1.2.3 Assim, para o Ministro Eros Grau, apenas a fixação e regulação da taxa de juros, ou em outras palavras do custo das operações ativas e a remuneração das operações passivas praticadas por instituições financeiras na exploração da intermediação do dinheiro na economia é que estariam fora da abrangência do CDC, devendo ser regrado e fiscalizado pelo Banco Central do Brasil. 13.1.3 Após voto vista do Ministro Eros Grau vieram os debates onde o mesmo discutindo com outros membros da Suprema Corte, conclui pela improcedência integral da ADIN, considerando plenamente constitucional o disposto no § 2º do artigo 3º do CDC. Os Ministros Joaquim Barbosa, Carlos Britto e Sepúlveda Pertence acompanharam o Ministro Eros Grau e ao final foi considerada improcedente a ADIN, sendo vencido parcialmente o relator Ministro Carlos Velloso, no que foi acompanhado pelo Ministro Nelson Jobim, tendo sido designado para a redação do acórdão o Ministro Eros Grau. 13.1.4 Ante todo o exposto, improcede a alegação do impugnante da não inclusão das operações bancárias no conceito de faturamento, pelo simples fato de não constar expresso na ementa que todas as atividades exercidas pelas instituições financeiras são serviços e, tampouco, que estas instituições estão sujeitas às normas do CDC por serem típicas prestadoras de serviços. A citada ementa está em consonância com todo o decidido e a sua interpretação deve ser conjugada com o discutido e concluído no julgamento da matéria. 13.2 Quanto ao disposto no acordo do GATS de 1994, o item 5, abaixo parcialmente transcrito, que trata dos serviços financeiros é cristalino ao elencar como serviços financeiros as operações de crédito e as intermediações financeiras, de modo que se encontra correto a autoridade fiscal ao afirmar que, segundo o artigo 98 do CTN, “os tratados e convenções internacionais revogam e modificam a legislação tributária interna e serão observados pela que lhes sobrevenha” , devendo, portanto o intérprete considerar que os serviços financeiros façam parte do faturamento e conseqüentemente da base de cálculo do PIS e da COFINS. “5. Definições: Para os fins do presente Anexo: a) Por serviço financeiro se entende todo serviço financeiro oferecido por um prestador de serviço de um Membro. Os serviços financeiros incluem os serviços de seguros e os relacionados com seguros e todos os serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros). Os serviços financeiros incluem as seguintes atividades: Serviços de seguros e relacionados com seguros i) Seguros diretos (incluindo coseguros): A) seguro de vida; B) outros seguros; ii) Resseguros e retrocessão; iii) Atividades de intermediação de seguros, tais com corretagem e agência; iv) Serviços auxiliares aos seguros , tais como consultoria, atuaria, avaliação de riscos e indenização de sinistros. Serviços bancários e demais serviços financeiros (excluídos seguros) v) Aceitação de depósito e outros fundos reembolsáveis do público; vi) Empréstimos de todo tipo, inclusive de créditos pessoais, créditos hopotecários, factoring e financiamento de transações comerciais; vii) Serviços de arrendamento financeiro (financial leasing); viii) Todos os serviços de pagamento e transferência monetária, inclusive cartões de crédito, de pagamento e similares, cheques de viagem e letras bancárias; ix) Garantias e compromissos; x) Operações comerciais por conta própria ou para clientes, seja em bolsa, em mercado não cotado (overthemarket) ou, em outros casos, no que se segue: A) instrumentos do mercado monetário (inclusive cheques, letras de câmbio, certificados de depósito); B) divisas; C) produtos derivados, tais como, mas não exclusivamente, futuros e opções; D) Fl. 2479DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 22 instrumentos do mercado cambial e monetário, tais como “swaps” e acordos a prazo sobre juros; E) valores mobiliários negociáveis; F) outros instrumentos e ativos financeiros negociáveis, inclusive metal; xi) Participação em emissões de todo tipo de valores mobiliários, inclusive a subscrição e colocação como agentes (pública ou privadamente) e a prestação de serviços relacionados com tais emissões; xii) Corretagem e câmbios; xiii) Administração de ativos, como administração de fundos em efetivo (cash management) ou de carteira, administração de investimentos coletivos em todas as formas, administração de fundos de pensão, serviços de depósitos e custódia de serviços fiduciários; xiv) Serviços de pagamento e compensação com respeito a ativos financeiros, inclusive valores mobiliários, produtos derivados e outros instrumentos negociáveis; xv) Provisão e transferência de informação financeira e processamento de dados financeiros e “software” por prestadores de outros serviços financeiros; xvi) Consultoria, intermediação e outros serviços financeiros auxiliares referentes a todas as atividades listadas nas alíneas (i) a (xv), inclusive informação e análise de créditos, estudos e consultoria sobre investimentos e carteiras de valores e consultoria sobre aquisições e sobre reestruturação e estratégia empresarial; b) Um prestador de serviços financeiros significa qualquer pessoa física ou jurídica de um Membro que preste ou deseje prestar um serviço financeiro, mas o termo “prestador de serviço financeiro” não inclui uma entidade pública;” 13.2.1 O impugnante alega que, apesar do GATS se referir a serviços financeiros, o próprio acordo não define precisamente o que deve ser considerado como serviço, até mesmo porque essa expressão varia de País para País, sendo que na legislação interna brasileira (especialmente o Código Civil) as obrigações de fazer por parte de um prestador a um tomador é que constituem o cerne deste conceito. Ora o próprio Código Civil também não traz um conceito para prestação de serviços e ainda faz a ressalva de que serão regulados por aquele diploma apenas as prestações de serviços que não sejam tratados em legislação específica, de modo que é de se dar validade ao estabelecido no acordo internacional, principalmente porque na legislação pátria a definição de serviços se encontra expressamente colocada no Código de Defesa do Consumidor, nela se incluindo as operações de natureza bancária, financeira, de crédito e securitária, em perfeita consonância com o estabelecido no GATT de 1994. 14. O autuado, com intuito de corroborar seu entendimento, observa que a lista de serviços tributáveis pelo ISSQN, trazida pela LC 116/03 (item 15), não faz qualquer menção às receitas financeiras, exatamente por não se constituírem como serviços e complementa ressaltando que a mesma Lei Complementar, consignou expressamente que as receitas de intermediação financeira não se sujeitam à incidência do ISS, justamente por não representarem serviço. De fato, a LC 116/03, no seu artigo 2º, abaixo transcrito, excepciona as operações de intermediação financeira da incidência do ISS, no entanto tal exceção não se deve ao fato delas não representarem serviços, é exatamente o contrário. Observase que as demais exceções trazidas pelo mesmo dispositivo se referem a serviços, o que permite concluir que, embora, a princípio, pudessem tais operações estarem sujeitas à incidência do ISS por serem consideradas serviços, o legislador optou por excepcionálas deste campo, o que não significa que as mesmas estejam também fora da incidência das contribuições sociais ora em discussão. “Art. 2o O imposto não incide sobre: I – as exportações de serviços para o exterior do País; II – a prestação de serviços em relação de emprego, dos trabalhadores avulsos, dos diretores e membros de conselho consultivo ou de conselho fiscal de sociedades e fundações, bem como dos sóciosgerentes e dos gerentesdelegados; III – o valor intermediado no mercado de títulos e valores mobiliários, o valor dos depósitos bancários, o principal, juros e acréscimos moratórios relativos a operações de crédito realizadas por instituições financeiras. Parágrafo único. Não se enquadram no disposto no inciso I os serviços desenvolvidos no Brasil, cujo resultado aqui se Fl. 2480DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.470 23 verifique, ainda que o pagamento seja feito por residente no exterior.” (grifos nossos) 15. Com relação ao argumento de que a MP 627/2013, ao alterar o conceito de receita bruta para fazer constar nele todas as receitas advindas da atividade principal ou objeto social da pessoa jurídica, trouxe regra nova corroborando o entendimento de que antes de sua edição não se poderia incluir tais receitas no conceito de receita bruta/faturamento, faço as seguintes considerações: (i) por todo o exposto até aqui, pouco importaria a suposta alteração do conceito de receita bruta trazida pela MP 627/2013, uma vez que as receitas de intermediação financeira já estariam insertas no conceito de faturamento por serem prestação de serviços; (ii) independentemente disso, compartilho da opinião da autoridade fiscal que entende que a MP apenas fez constar algo que já era na sua essência conhecido, havendo apenas a alteração formal do dispositivo para deixar explícito o entendimento anterior. Neste sentido, importante mencionar que a exposição de motivos da MP 627/2013 faz a seguinte referência: “15.4. O art. 12 foi alterado com o objetivo de aperfeiçoar a definição de receita bruta e de receita líquida”. Notase que a exposição cita uma alteração do dispositivo para aperfeiçoar a definição de receita bruta e não para modificála, o que permite concluir que houve apenas uma modificação formal do artigo legal, sem contudo alterar o conceito de receita bruta já existente. 16 Sobre o alcance da coisa julgada definida no âmbito da AO nº 2005.38.00.0459615 e do MS 2000.38.00.0040950, mister se faz as seguintes considerações 16.1 AO nº 2005.38.00.0459615 – do Termo de Verificação Fiscal e das peças processuais extraise que: 1. 22/12/2005 Impetrou ação judicial para que fosse declarada a inexistência de relação jurídica que a obrigue ao recolhimento da COFINS incidente sobre "a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, sendo irrelevantes o tipo de atividade por ela exercida e a classificação contábil adotada para as receitas", tal como estatuido no § I o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98, reconhecendose sua inconstitucionalidade, na esteira dos julgados do STF proferidos nos Recursos Extraordinários n° 357.950, 390.840, 358.273 e 346.084. Requisitou ainda a restituição dos valores recolhidos com base no citado § I o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98. 2. 08/01/2008 Decisão monocrática acolheu a tese de coisa julgada e declarou extinto o processo sem julgamento do mérito. 3. 11/09/2008 Banco Mercantil apelou da decisão, subindo o processo para apreciação do TRF. 4. O TRF deu provimento à apelação, afastando a preliminar de coisa julgada e deu provimento parcial ao pleito do contribuinte, afastando a ampliação da base de cálculo da COFINS inserida no artigo 3o, § I o da Lei n° 9.718/98. Os recursos apresentados pela Fazenda Nacional foram improvidos, tendo transitado a ação em 01/12/2009. 16.1.1 O impugnante, colacionando parte das peças processuais, alega que o litígio se formou não somente quanto à constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, mas também no que se refere à extensão da base de cálculo da COFINS para as instituições financeiras e assemelhadas, pois os contornos do litígio estariam formados na causa petendi e na causa excipiendi, que no seu entendimento estaria a abarcar também a discussão a respeito da inclusão ou não das receitas financeiras na base de cálculo do tributo. Defende tal posição utilizando os Embargos de Declaração, não providos, opostos pela União Federal, no qual se provocou o Tribunal para dizer que “mesmo afastada a aplicação do art. 3°, § 1o, da Lei n° 9.718/98, as receitas financeiras, para as instituições financeiras e assemelhadas, integram seu faturamento, e são o resultado direto, perfeito e acabado de sua atividade principal. Constituem, portanto, seu faturamento/receita Fl. 2481DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 24 operacional, base de cálculo do PIS e da COFINS". No que o Tribunal respondeu: "a decisão embargada encontrase em perfeita sintonia com a jurisprudência deste Tribunal. Se a embargante discorda de tal análise, não há omissão/contradição, mas sim divergência de interpretação. Logo, o caminho a ser trilhado deve ser outro". Conclui afirmando que o Tribunal não acolheu a resistência da União Federal, no sentido de que, para as instituições financeiras e equiparadas, o faturamento (decorrente da prestação de serviços) equivale a sua receita operacional total. Limitouse a dizer que, havendo divergência de interpretação ou discordância da análise, haveria o ente público de buscar outro caminho processual. 16.1.1.1 De fato, houve mesmo a provocação da União, nos termos citado pelo impugnante, bem como a resposta do Tribunal exposto na decisão que apreciou os Embargos, entretanto, no meu entender, está equivocada a interpretação feita pelo autuado, isto porque a questão da inclusão ou não das receitas típicas da pessoa jurídica no conceito de faturamento sequer foi apreciada pelo Tribunal que restringiu sua decisão ao alargamento da base de cálculo da contribuição prevista no § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, o que fica bem claro no seguinte trecho aposto no voto do acórdão que rejeitou os Embargos de Declaração (fls. 374): “Quanto à omissão em relação ao caput e demais parágrafos do art. 3o, da Lei n° 9.718/98, também tenho sem razão a embargante, pois observo que a ação foi proposta para questionar a ampliação da base de cálculo da COFINS nos termos do § 1o, do art. 3o, da referida lei, desse modo, não se revela necessário a análise dos demais parágrafos e artigos." 16.2 MS 2000.38.00.0040950 – do Termo de Verificação Fiscal e das peças processuais extraise que 15/02/2000 Impetrou mandado de segurança na Justiça Federal pleiteando o direito de recolher a contribuição do PIS nos moldes do artigo Iº da Medida Provisória n° 1.99114 (0,65%) sobre o efetivo faturamento, que engloba a receita decorrente de prestação de serviços a seus clientes, reconhecendo incidentalmente a inconstitucionalidade do artigo 3o da Lei n° 9.718/98. Sucessivamente requer o direito de recolher o PIS na modalidade Repique, nos termos do artigo 3o da Lei Complementar n° 07/70. 2 16/03/2000 Proferida a Decisão Liminar indeferindo o pleito do contribuinte. 3 15/12/2000 Prolatada Sentença com exame de mérito, denegando a segurança e a improcedência do pedido. 4 09/04/2001 O Banco Mercantil impetrou Embargos de Declaração e Infringentes que foram rejeitados. 5 26/02/202 Apelou da Decisão de 1a Instância. O TRF negou provimento à apelação. 6 23/08/2002 Impetrou Embargo de Declaração que foi rejeitado em 10/12/2002. 7 24/03/2003 Ingressou com Recurso Extraordinário e Recurso Especial. 8 29/09/2003 Recurso Especial foi inadmitido e admitido o Recurso Extraordinário. 9 16/11/2005 O Recurso Extraordinário foi provido no STF, afastando a aplicação do § 1o do artigo 3o da Lei n° 9.718/98. Tendo transitado em julgado, a ação foi arquivada. 16.2.1 Novamente o interessado defende ter sido objeto da decisão a não inclusão das receitas financeiras na base de cálculo do PIS, entretanto, em que pese ter havido manifestação da RFB por meio de informação, sobre o entendimento de que tais receitas deveriam compor a base de cálculo do PIS, no Recurso Extraordinário, que teve como fundamento o artigo 102, III, “a” da CF (III julgar, mediante recurso extraordinário, as causas decididas em única ou última instância, quando a decisão recorrida: (a) contrariar dispositivo desta Constituição), o STF apenas apreciou a questão da constitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, não entrando no mérito da composição da base de cálculo, ou seja, assim, como na ação da COFINS, a decisão transitada em julgada apenas afastou o alargamento da base de cálculo do PIS, sem fazer qualquer juízo acerca das receitas que estariam a compor o conceito de receita bruta/faturamento previsto no caput do mesmo artigo. 16.3 Ante todo o exposto, não há que se falar em desrespeito à coisa julgada e nem em reabertura da discussão, pois, como bem salientou o autuante, o que houve nas duas medidas judiciais foi o afastamento do alargamento da base de cálculo do Fl. 2482DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.471 25 PIS e da COFINS com o julgamento da inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, restringindo a composição da base tributável ao faturamento/receita bruta que no entender do Fisco abrange todas as receitas operacionais vinculadas ao objeto da pesso jurídica, dentre as quais, para as instituições financeiras, se encontram aquelas de intermediação financeira, quer pelo fato das mesmas serem operacionais, quer por serem decorrente de prestação de serviços, conforme bem demonstrado acima. 17. Pelos mesmos motivos não há que se cogitar que tenha a eficácia preclusiva da coisa julgada atingido a matéria principal dos presentes autos de infração, isto porque não existe novas alegações ou defesas contra a rejeição do pedido, porquanto este se referia à inconstitucionalidade do § 1º do artigo 3º da Lei 9.718/98, e, neste ponto, a União Federal já se viu obrigada a aceitar a decisão sem opor qualquer novo argumento. A discussão acerca das receitas que compõem o conceito de faturamento não se encerrou com o julgamento dos leading cases que afastaram o alrgamento da base de cálculo do PIS e da COFINS para abarcar também as receitas não operacionais da pessoa jurídica, tanto é assim que, no que tange às instituições financeiras, foi reconhecida a repercussão geral no RE 609.069 para tratar da matéria. Nesse ponto, por oportuno, mister se faz esclarecer que a autoridade fiscal em nenhum momento afirmou, conforme alegado, que a definição da coisa julgada em favor do impugnante está a depender do que for decidido no âmbito dos RE’s nº 400.479 e nº 609.069, mas apenas utilizou tais recursos para demonstrar que este assunto não se encerrou com o julgamenta daqueles outros Recursos Extraordinários, estando, portanto a análise da inclusão das receitas financeiras no conceito de receita bruta/faturamento sujeita a interpretações. Diante deste contexto, acolhendo os fundamentos da decisão recorrida, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário interposto pelo contribuinte neste ponto, por entender que deve ser entendido por faturamento, para fins de identificação da base de cálculo do PIS e da COFINS, o somatório das receitas oriundas da atividade operacional da pessoa jurídica decorrentes da prática das operações típicas previstas no seu objeto social. Nessa mesma toada, entendo que não houve afronta à coisa julgada – inconstitucionalidade da ampliação das bases de cálculo do PIS e da COFINS pelo § 1° do art. 3° da Lei n° 9.718/98 – pois as receitas financeiras são típicas da atividade fim das instituições financeiras e, portanto, componentes do seu faturamento. 2 Do afastamento da imposição de juros e multa O Recorrente requer, subsidiariamente, que seja afastada a imposição de juros e de multa neste caso concreto. Fundamenta o seu pleito no fato de a equiparação do conceito de faturamento à receita bruta operacional esbarrar na orientação disposta na Instrução Normativa nº 247/02, que não coloca as "rendas de operações de crédito", as "rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez" e as "rendas de títulos e valores mobiliários" no Grupo de Contas 7.1.7, que corresponde a "Rendas de prestação de serviços". Alega, então, que a imposição de multa e juros no presente caso iria de encontro ao disposto no parágrafo único do art. 100 do Código Tributário Nacional, in verbis: Art. 100. São normas complementares das leis, dos tratados e das convenções internacionais e dos decretos: Fl. 2483DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 26 I os atos normativos expedidos pelas autoridades administrativas; II as decisões dos órgãos singulares ou coletivos de jurisdição administrativa, a que a lei atribua eficácia normativa; III as práticas reiteradamente observadas pelas autoridades administrativas; IV os convênios que entre si celebrem a União, os Estados, o Distrito Federal e os Municípios. Parágrafo único. A observância das normas referidas neste artigo exclui a imposição de penalidades, a cobrança de juros de mora e a atualização do valor monetário da base de cálculo do tributo. Também neste ponto entendo que não assiste razão ao contribuinte. Isso porque, apesar de a mencionada Instrução Normativa não ter enquadrado as "rendas de operações de crédito", as "rendas de aplicações interfinanceiras de liquidez" e as "rendas de títulos e valores mobiliários" no Grupo de Contas 7.1.7, correspondente a "Rendas de prestação de serviços", não possui o condão de acobertar a interpretação realizada pelo contribuinte no sentido de excluir tais rendas da base de cálculo do PIS e da COFINS. Até porque, conforme constou da decisão recorrida, percebase que o Anexo I da IN 247/2002, apesar de não incluir ditas rendas no grupo de contas relativa à rendas de prestação de serviços, "incluía todas as demais receitas operacionais na composição da base de cálculo do PIS e da COFINS, demonstrando que para o órgão tributário a receita de prestação de serviços deve ser aquela auferida no seu sentido econômico".´ Nesse diapasão, caso estivesse de fato seguindo os ditames da referida Instrução Normativa, para que pudesse pretender a aplicação do parágrafo único do art. 100 do CTN, deveria incluir na base de cálculo do PIS e da COFINS todos os itens ali listados, e não apenas os indicados no Grupo de Contas 7.1.7. Com base em tais fundamentos, entendo pela manutenção da decisão de primeira instância administrativa quanto ao presente ponto, mantendo a imposição dos juros e da multa aplicados, visto que foram aplicados em consonância com os ditames legais, ao passo que inexiste fundamento jurídico apto a ensejar o seu afastamento. 3 Da exclusão de determinadas receitas Por fim, o Recorrente pleiteia que seja excluída da autuação valores que, embora estivessem registrados como "Receitas Operacionais", não correspondem à intermediação financeira, tais quais o ressarcimento de transporte de valores (registrado na conta 7.1.9.30.00.6.1 Recuperação de encargos e despesas); as Variações Monetárias Ativas, que se referem a juros sobre depósitos judiciais fiscais, cíveis e trabalhistas e correção de créditos de tributos a recuperar (registradas na conta 7.1.9.99.00.9.1 Outras Rendas Operacionais), bem como as receitas financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios (decorrentes de aplicações financeiras do dinheiro pertencente ao próprio Impugnante, e não do dinheiro de terceiros). Neste ponto, a DRJ/SPO assim se manifestou: Fl. 2484DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.472 27 18.2 Por fim, o impugnante acusa supostos erros conceituais nos cálculos da fiscalização. No seu entendimento existem outras receitas que não representam as de intermediação financeira e que também não foram excluídas pela autoridade fiscal, citando como exemplo as receitas de ressarcimento de transporte de valores, as variações monetárias ativas e as financeiras decorrentes de aplicação de recursos próprios. 18.2.1 Primeiramente cumpre frisar que o autuante não restringiu a apuração da base de cálculo das contribuições às receitas de intermediação financeira, mas sim excluiu aquelas que não tinham relação com a atividade principal da pessoa jurídica, em outras palavras, as receitas que não tinham qualquer ligação com aquelas oriundas do desenvolvimento das atividades do seu objeto social, como nitidamente se configura o ressarcimento de planos de saúde, uma vez que o autuado não tem no seu objeto social a gestão de planos de saúde. A dois, o impugnante só cita algumas contas, a título exemplificativo, de forma que fica impossível averiguar quais o mesmo entende dever ser excluídas da base de cálculo das contribuições. Isto seria necessário para que o julgador avaliasse o cabimento ou não das alegações para cada conta específica. 18.2.2 Sobre as contas mencionadas a título exemplificativo, cabem as seguintes considerações: i) Ressarcimento de Transporte de Valores: O impugnante não esclareceu a origem e a natureza destes ressarcimentos. Seria importante saber se a despesa com transporte foi contabilizada pelo próprio Banco Mercantil ou se é referente a terceiros, relevante também saber se o transporte foi efetuado pela próprio impugnante, ou por empresa terceirizada, bem como se as despesas estavam embutidos no custo das operações de custódia cobrados de clientes. Notase que o artigo 17 da Lei 4.595/64 assim dispõe: “Consideramse instituições financeiras, para os efeitos da legislação em vigor, as pessoas jurídicas públicas ou privadas, que tenham como atividade principal ou acessória a coleta, intermediação ou aplicação de recursos financeiros próprios ou de terceiros, em moeda nacional ou estrangeira, e a custódia de valor de propriedade de terceiros” e o Estatuto do impugnante (fls. 1.845) define como objeto do mesmo a realização de operações bancárias em geral, de forma que a custódia de valores está diretamente ligada à atividade das instituições financeiras e neste sentido as receitas de ressarcimento (que pode ser reembolso, uma vez que o autuado não explicou a natureza das despesas ressarcidas) fariam parte da base de cálculo do PIS e da COFINS por inexistir previsão legal para a sua exclusão, conforme se verifica na ementa da Solução de Consulta nº 159/12 da 8ª Região Fiscal, in verbis: “Ementa: BASE DE CÁLCULO. REEMBOLSO DE DESPESA. A base de cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep no regime cumulativo é o valor do faturamento, entendido como a receita bruta auferida pela pessoa jurídica, observadas as exclusões permitidas em Lei. Desse modo, os valores recebidos de clientes, referentes a reembolso de despesas incorridas pela pessoa jurídica visando à prestação dos serviços que constituem seu objeto compõem a receita bruta para fins de apuração da base de cálculo da contribuição, uma vez que não há nenhum dispositivo legal permitindo sua exclusão. Dispositivos Legais: Lei nº 9.718, de 1998, arts. 2º e 3º, caput e § 2º; Decreto nº 3.000, de 1999, arts. 278 a 280; Lei nº 5.474, de 1968, art. 20.” ii) Variação Monetária Ativa: O impugnante alega, mas não comprova, que as variação monetárias ativas seriam decorrentes de juros sobre depósitos judiciais – fiscais, civis e trabalhistas, bem como de correção de créditos de tributos a Fl. 2485DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 28 recuperar. Tal comprovação seria de primordial importância, visto que, por ser o autuado uma instituição financeira, o mesmo teria a receita de juros por atualização monetária como receita típica de sua atividade. Daí a importância de se mostrar sobre quais ativos estariam incidindo as atualizações que geraram as referidas variações ativas. iii) Receitas financeiras decorrente de aplicações de recursos próprios: Neste ponto, o impugnante tece alegação bastante genérica sem entrar em valores, contas consideradas, etc. De forma que somente por este motivo seria impossível acolher a alegação do mesmo, porquanto não haveria como sequer verificar a veracidade do alegado e tampouco proceder eventual exclusão da base de cálculo dos tributos. A despeito disso, mesmo que ficasse explicitado os elementos citados (valores, contas, etc) seria improcedente o pedido do mesmo, uma vez que, conforme visto no item “i” as instituições financeiras também têm como atividade principal, ligada ao seu objeto social, a aplicação de recursos próprios, de modo que a renda destas aplicações devem compor o faturamento e conseqüentemente serem tributadas pelo PIS e pela COFINS. Ainda que o Recorrente tenha indicado em seu recurso que estava indicando apenas determinadas contas a título ilustrativo, isso não impede que estas contas específicas sejam analisadas pelo julgador na esfera administrativa, para fins de identificar se a sua inclusão na base de cálculo do PIS e da COFINS se deu corretamente. Por outro lado, não precisa este órgão julgador analisar outras contas que sequer foram mencionadas pelo contribuinte em sua defesa/recurso. Quanto à conta de ressarcimento de transporte de valores, registrado na conta 7.1.9.30.00.6.1 Recuperação de encargos e despesas, entendo assistir razão ao Recorrente. Isso porque, por se tratar de uma conta de ressarcimento, somado ao fato de que o transporte de valores, apesar de ser atividade corriqueira realizada pelos Bancos, não representa atividade típica dos mesmos, não deveria tais valores ter integrado a base de cálculo do PIS e da COFINS no presente caso. Notese, inclusive, que tal atividade não consta do objeto social da Recorrente, definido como "a realização de operações bancárias em geral, podendo, inclusive, com as competentes autorizações previstas em Lei, operar em câmbio, em compra e venda de títulos públicos e participar de outras sociedades" (vide fl. 161 dos autos). Logo, até por uma questão de coerência com os critérios adotados pelo Fisco em sua autuação, que levaram em consideração o objeto social da empresa, não se justifica a manutenção dos valores indicados em tal conta na base de cálculo do PIS e da COFINS, tornandose imperativa a sua exclusão. Por outro lado, é válido mencionar que a Solução de Consulta nº 159/12 da 8ª Região Fiscal, indicada na decisão Recorrida para fins de fundamentar a manutenção da autuação quanto a tais valores, não se aplica ao presente caso, visto que ali se estava analisado o "reembolso de despesas incorridas pela pessoa jurídica visando à prestação de serviços que constituem seu objeto". No caso ora analisado, contudo, entendo que o transporte de valores não constitui o objeto da Recorrente, o que afasta a aplicação de tal Solução de Consulta. Quanto à conta 7.1.9.99.00.9.1 Outras Rendas Operacionais, que o Recorrente alega corresponder às variações monetárias ativas que referemse a juros sobre depósitos judiciais fiscais cíveis e trabalhistas e correção de créditos de tributos a recuperar, dentre outras, entendo correta a conclusão obtida pela decisão recorrida. Isso porque, com base no que determina o art. 9º da Lei nº 9.718/98, as variações monetárias, para efeitos da legislação do PIS e da COFINS, serão consideradas como receitas ou despesas financeiras, in verbis: Fl. 2486DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL Processo nº 15504.722261/201494 Acórdão n.º 3301002.841 S3C3T1 Fl. 2.473 29 Art. 9° As variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual serão consideradas, para efeitos da legislação do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição PIS/PASEP e da COFINS, como receitas ou despesas financeiras, conforme o caso. E como no caso dos bancos a receita financeira, via de regra, compõe o conceito de faturamento para fins de tributação de PIS e COFINS, por fazer parte de atividade típica descrita no objeto social da instituição financeira, a presunção legal é de que as variações cambiais devem compor a base de cálculo do PIS e da COFINS. Ou seja, uma vez que a legislação equipara tais variações a receitas financeiras, e que uma instituição financeira poderá auferir renda de variações monetárias que representem a sua atividade principal, seria imprescindível que o contribuinte comprovasse neste caso concreto que tais variações decorrem de atividades não enquadradas como atividade típica do banco, o que não ocorreu. Por fim, quanto às receitas oriundas de aplicação de recursos próprios, entendo que tampouco assiste razão ao Recorrente. Como bem asseverou o julgador da DRJ/SPO, "as instituições financeiras também têm como atividade principal, ligada ao seu objeto social, a aplicação de recursos próprios, de modo que a renda destas aplicações devem compor o faturamento e consequentemente serem tributadas pelo PIS e pela COFINS". O Recorrente alega que tais receitas não poderiam ser consideradas como receitas financeiras auferidas pelo Recorrente em razão do exercício do seu objeto social, por não serem receitas de intermediação financeira, decorrente da captação de recursos de terceiros no mercado para posterior aplicação. Acontece que, da simples leitura do objeto social da Recorrente, constante de fl. 161 dos autos, verificase que o objeto social da empresa é: "a realização de operações bancárias em geral, podendo, inclusive, com as competentes autorizações previstas em Lei, operar em câmbio, em compra e venda de títulos públicos e participar de outras sociedades". Ou seja, o objeto social não restringe a atividade principal da empresa à operações bancárias de recursos de terceiros. Ao contrário, dispõe ser objeto da empresa a realização de operações bancárias em geral. Até porque são as receitas decorrentes do exercício das atividades empresariais do Recorrente que deve compor a sua base de cálculo de PIS e da COFINS, incluindose nestas, por se tratar de instituição financeira, as receitas da intermediação financeira, porém, não se limitando a tais receitas. Outras também poderão ser incluídas desde que representem a realização de atividade típica da empresa, conforme descrito no seu contrato social. 4 Da conclusão Diante do exposto voto no sentido de dar parcial provimento ao recurso do contribuinte, tão somente para fins de determinar que sejam afastados da autuação os valores atinentes ao ressarcimento de transporte de valores, registrado na conta 7.1.9.30.00.6.1 Recuperação de encargos e despesas, mantendose a autuação quanto aos demais pontos. Fl. 2487DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL 30 Maria Eduarda Alencar Câmara Simões Relatora (ASSINADO DIGITALMENTE) MARIA EDUARDA ALENCAR CÂMARA SIMÕES Fl. 2488DF CARF MF Impresso em 28/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalment e em 22/03/2016 por MARIA EDUARDA ALENCAR CAMARA SIMOES, Assinado digitalmente em 24/03/2016 por AND RADA MARCIO CANUTO NATAL
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Numero do processo: 16306.000013/2008-40
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Dec 08 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Dec 17 00:00:00 UTC 2015
Numero da decisão: 1301-000.284
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
documento assinado digitalmente
Wilson Fernandes Guimarães
Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
Nome do relator: WILSON FERNANDES GUIMARAES
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. documento assinado digitalmente Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado).
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. “documento assinado digitalmente” Wilson Fernandes Guimarães Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Wilson Fernandes Guimarães, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Luís Tadeu Matosinho Machado (suplente convocado), Hélio Eduardo de Paiva Araújo e Gilberto Baptista (suplente convocado). RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 06 .0 00 01 3/ 20 08 -4 0 Fl. 269DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16306.000013/200840 Resolução nº 1301000.284 S1C3T1 Fl. 270 2 Relatório Cuida o presente processo de Declarações de Compensação, por meio das quais a contribuinte pretende extinguir débitos de sua titularidade com créditos referentes a pagamentos a maior de Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IIRPJ) dos anos calendário de 1993 a 1996 e de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do ano calendário de 1995. Depreendese do Despacho Decisório de fls. 12/13, emitido pela Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat/SPO), unidade administrativa que primeiro analisou as compensações pleiteadas, que o presente processo foi formalizado para fins de análise de Declarações de Compensação apresentadas por meio do PROGRAMA PER/DCOMP, vinculadas ao processo administrativo nº 13811.000632/9830. Referida unidade administrativa deixou de homologar as compensações com base no argumento de que o crédito reconhecido no citado processo nº 13811.000632/9830 não teria sido suficiente sequer para extinguir os débitos indicados nas Declarações de Compensação nele apresentadas EM FORMULÁRIO. Em sede de Manifestação de Inconformidade (fls. 100/107), a contribuinte sustentou: que teria cometido o erro material de incluir indevidamente débitos que não constavam no Pedido de Restituição e nas Declarações de Compensação anteriores, relativos ao IRPJ de outubro de 2001 e a CSLL de julho de 2001, circunstância que produziu ato defeituoso, justamente porque, de um lado, apresentou crédito suficiente para a quitação dos débitos COFINS, PIS, IRRF e CSLL, de 1998, e de outro, acrescentou indevidamente débitos de IRPJ e de CSLL de 2001; que referido erro material foi cometido na transmissão das PER/DCOMP 23236.48502.231104.1.3.048888 (IRPJ documento nº 11) e 31398.60957.231104.1.3.042646 (CSLL documento 12), e teria sido sanado por meio do cancelamento dos referidos pedidos de compensação eletrônicos, realizado em 10 de abril de 2008 (Pedidos de Cancelamentos nº 02997.73593.100408.1.8.048110 IRPJ documento 16; e 23239.95121.100408.1.8.046899 CSLL documento 17); que teria retificado as DCTF dos terceiro e quarto trimestres de 2001, demonstrando a existência de saldos negativos de IRPJ e de CSLL no anobase de 2000 (documentos 20 e 21), utilizandoos para suprir os débitos de IRPJ e de CSLL, que remanesceram em decorrência dos pedidos de cancelamento da PER/DCOMP mencionados, conforme poderia ser verificado por meio dos documentos e 18 e 19 (DCTF retificadoras); que, assim, operada a retificação das DCTF dos terceiro e quarto trimestres de 2001 (documentos nº 18 e 19), demonstrouse a existência de saldos negativos de IRPJ e de CSLL do anobase de 2000 (documentos nº 20 e 21), que foram utilizados para compensar débitos subseqüentes dos mesmos tributos, relativos ao anobase de 2001, extinguindo os respectivos créditos tributários, circunstância que invalidaria a Carta Cobrança nº 1.417/2008 e recomendaria a anulação do despacho encaminhado por meio da Intimação nº 1.347/2008; Fl. 270DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16306.000013/200840 Resolução nº 1301000.284 S1C3T1 Fl. 271 3 que, considerando que o despacho impugnado também não homologou as compensações originalmente pleiteadas, com base em decisão administrativa anterior que lhe foi parcialmente favorável, mas contra a qual ainda cabe recurso, seria absolutamente razoável pleitear sua anulação, justamente porque não era licito ao chefe do DERAT julgar a regularidade das compensações em questão sem aguardar o desfecho definitivo do Processo nº 13811.000632/9830, em que se discute a validade dos créditos pleiteados em restituição e utilizados nas compensações aqui discutidas; que a irregularidade acima violaria o principio da segurança jurídica, que assegura ao contribuinte o direito de ter uma única decisão sobre o tema submetido a julgamento administrativo; que, antes da decisão administrativa definitiva a ser proferida nos autos do Processo nº 13811.000632/9830, não se poderia avaliar se as compensações aqui pleiteadas são válidas ou não, sob pena de produzir decisões conflitantes entre instâncias de diferentes graus hierárquicos; que, no mesmo sentido, a decisão impugnada violaria também o princípio da moralidade pública, consagrado no artigo 37, da Constituição Federal, que garante ao cidadão o exercício de seu direito de defesa com a obtenção de manifestação jurisdicional regular e adequada, sem contradições ou duplicidade. A 2ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo, São Paulo, apreciando as razões trazidas pela contribuinte, decidiu, por meio do acórdão nº 16 35.797, de 24 de janeiro de 2012, pela improcedência da Manifestação de Inconformidade. O referido julgado restou assim ementado: PAGAMENTO A MAIOR. Somente é possível o reconhecimento de direito creditório quando comprovada a sua liquidez e certeza nos moldes do CTN. A prova de equívoco da contribuinte deve ser comprovada por meio da apresentação de prova hábil e idônea. Irresignada, a contribuinte interpôs o recurso voluntário de fls. 241/249, por meio do qual renova a argumentação expendida na peça impugnatória. É o Relatório. Fl. 271DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16306.000013/200840 Resolução nº 1301000.284 S1C3T1 Fl. 272 4 Voto Conselheiro Wilson Fernandes Guimarães Atendidos os requisitos de admissibilidade, conheço do apelo. Analisando as peças reunidas ao processo, extraio os seguintes elementos: i) inicialmente, a contribuinte apresentou pedido de restituição de IRPJ e CSLL relativo a saldos negativos apurados nos anos calendário de 1993 a 1996, objeto do processo administrativo nº 13811.000632/9830; ii) em seguida, apresentou declarações de compensação em FORMULÁRIO para fins de extinção de débitos relativos à COFINS, PIS, IRRF e CSLL; iii) instituído o PER/DCOMP, a contribuinte substituiu todas as Declarações de Compensação anteriormente apresentadas por PER/DCOMPs; iv) alega a contribuinte que, ao promover a substituição acima referenciada, incluiu indevidamente débitos que não constavam das Declarações de Compensação anteriormente apresentadas, quais sejam: IRPJ DE OUTUBRO DE 2001 e CSLL DE JULHO DE 2001; v) embora o Relatório do Despacho Decisório de fls. 12/13 induza ao entendimento de que o presente processo cuida apenas das Declarações de Compensação apresentadas por meio do PROGRAMA PER/DCOMP, enquanto o de nº 13811.000632/9830 tratou das formalizadas em FORMULÁRIO, na medida em que a contribuinte substituiu todas as declarações apresentadas em formulário por declarações eletrônicas (programa PER/DCOMP), penso que a totalidade das declarações de compensação apreciadas por meio do citado processo nº 13811.000632/9830 foi considerada no presente processo; vi) corrobora até certo ponto o afirmado no item precedente a observação, contida no Despacho Decisório de fls. 12/13, no sentido de que, para fins de cadastramento dos créditos tributários, deveria ser observada "eventual duplicidade de débitos em relação ao processo nº 13811.000632/9830"; vii) em que pese a ausência de demonstrativo relativo aos débitos tidos como não compensados em razão dos indeferimentos promovidos pelas autoridades administrativas precedentes, tomandose por base as anotações feitas manualmente na cópia dos PER/DCOMP de fls. 15/34, o extrato de fls. 35 e o Demonstrativo de Débito da Carta de Cobrança de fls. 37, referidos débitos dizem respeito a ESTIMATIVA DE IRPJ do PERÍODO DE APURAÇÃO de OUTUBRO de 2001 (R$ 1.016.408,36) e ESTIMATIVA DE CSLL do PERÍODO DE APURAÇÃO de JULHO de 2001 (R$ 450.041,05); e viii) os débitos exigidos por meio da CARTA DE COBRANÇA de fls. 36 referemse exatamente aos que, segundo a Recorrente, foram por ela incluídos indevidamente, eis que, também pelo que alega, não constavam das Declarações de Compensação apresentadas anteriormente e que foram substituídas. Diante de tais considerações e por entender que são necessárias informações complementares, conduzo meu voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO em Fl. 272DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES Processo nº 16306.000013/200840 Resolução nº 1301000.284 S1C3T1 Fl. 273 5 DILIGÊNCIA para que a unidade administrativa de origem preste os seguintes esclarecimentos: 1. informe se a decisão administrativa final proferida no processo nº 13811.000632/9830 reconheceu direito creditório adicional passível de aproveitamento nas compensações pleiteadas no presente processo; 2. informe se os pedidos de cancelamento de fls. 167 e 1711 produziram os efeitos pretendidos pela contribuinte, isto é, cancelaram os PER/DCOMP representativos dos débitos espelhados na CARTA DE COBRANÇA de fls. 36; 3. esclareça se, não obstante a informação da contribuinte no sentido de que retificou DCTFs com o intuito de demonstrar a extinção dos débitos cobrados no presente processo por meio de compensação com saldos negativos relativos ao ano calendário de 2000, referidos débitos foram efetivamente liquidados. Solicito que as informações ora requisitadas sejam sintetizadas em Relatório, o qual deverá ser cientificado à contribuinte para, se quiser, aditar razões. "documento assinado digitalmente" Wilson Fernandes Guimarães Relator 1 Numeração do arquivo digital. Fl. 273DF CARF MF Impresso em 17/12/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 17/12/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES, Assinado digitalmente em 17/1 2/2015 por WILSON FERNANDES GUIMARAES
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Numero do processo: 10680.900571/2010-78
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 27 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Thu Feb 11 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007
Ementa:
CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20.
Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT.
INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62-A DO ANEXO II DO RICARF.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62-A do Anexo II do RICARF.
Numero da decisão: 3302-003.034
Decisão: Recurso Voluntário Negado.
Direito Creditório Não Reconhecido.
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ricardo Paulo Rosa
Presidente
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède
Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62-A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62-A do Anexo II do RICARF.
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decisao_txt : Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1898; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.900571/201078 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3302003.034 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 27 de janeiro de 2016 Matéria IPI Recorrente MINERAÇÕES BRASILEIRAS REUNIDAS S.A. MBR Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2007 a 30/09/2007 Ementa: CRÉDITOS DE IPI UTILIZADOS EM PRODUTOS NT. SÚMULA CARF Nº 20. Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. SÚMULA CARF Nº 2. EXCEÇÕES PREVISTAS NOS ARTIGOS 62 E 62A DO ANEXO II DO RICARF. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade, ressalvadas as hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A do Anexo II do RICARF. Recurso Voluntário Negado. Direito Creditório Não Reconhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Ricardo Paulo Rosa Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 05 71 /2 01 0- 78 Fl. 132DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.900571/201078 Acórdão n.º 3302003.034 S3C3T2 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ricardo Paulo Rosa (Presidente), Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Domingos de Sá Filho, Walker Araújo, Jose Fernandes do Nascimento, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes De Souza, Paulo Guilherme Déroulède, Lenisa Rodrigues Prado. Relatório Trata o presente de pedido de ressarcimento de saldo credor de IPI do estabelecimento de CNPJ 33.417.445/011084, relativo ao terceiro trimestre de 2007, com fulcro no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999, cumulado com declaração de compensação. A autoridade fiscal efetuou a glosa de créditos extemporâneos de IPI, escriturados em setembro de 2007, relativos a entradas realizadas entre abril/2003 em diante, em razão de a recorrente fabricar produtos classificados no código 2601.11.00 da TIPI enquadrados como NT (Não Tributado), não sendo, pois, considerada estabelecimento industrial para fins de IPI. Adicionalmente, efetuou a glosa de insumos que não tiveram contato direito com o produto em fabricação, conforme preconizado pelo Parecer Normativo nº 65/1979. A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, alegando em síntese: 1. Que o princípio da nãocumulatividade do IPI é norma constitucional e não autoriza a vedação ao creditamento de IPI na saída de produtos isentos ou não tributados, mediante legislação infraconstitucional; 2. Que sua atividade é de industrialização por beneficiamento de minério de ferro, de acordo com o inciso II do artigo 4º do RIPI/2002 e que seu estabelecimento não poderia ser classificado como não industrial; 3. Que o artigo 7º da Lei nº 4.502/64 dispôs que o produto de origem mineral é isento de IPI e, portanto, pode manter o crédito de IPI; 4. Que o artigo 13 da Lei nº 9.493/97 não pode definir a condição de contribuinte, uma vez que tal matéria é reservada à lei complementar; 5. Que exportava mais de 80% de sua produção e, portanto, fazia jus ao crédito em razão do disposto no artigo 5º do Decretolei nº 491/1969; 6. Que a Lei nº 9.779/1999 autoriza o creditamento de IPI vinculado às saídas de produtos imunes; Fl. 133DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.900571/201078 Acórdão n.º 3302003.034 S3C3T2 Fl. 4 3 7. A necessidade de atualização monetária do saldo credor de IPI, por tal crédito não ser escritural e que o pedido de ressarcimento se equivale a pedido de restituição; 8. Que a glosa da autoridade fiscal relativa ao aproveitamento de créditos em desacordo com o conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem não contém elementos suficientes, impedindo o exercício do contraditório e da ampla defesa; 9. A homologação das compensações em decorrência das razões já aduzidas. A Terceira Turma da DRJ em Juiz de Fora proferiu o Acórdão nº 0941.581, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 1 RESSARCIMENTO DE CRÉDITOS. PRODUTOS NT. IMPOSSIBILIDADE. O direito ao crédito do IPI condicionase a que os produtos a que a pessoa jurídica dá saída estejam dentro do campo de incidência do imposto, o que não ocorre quando os mesmos são nãotributados (NT), na forma do parágrafo único, do artigo 2º do RIPI/98 (Decreto nº 2.637, de 1998) ou do RIPI/2002 (Decreto nº 4.544, de 2002). Não havendo o citado direito creditório, cabe indeferir o pedido de ressarcimento que nele se funda. 2 RESSARCIMENTO. CORREÇÃO MONETÁRIA E JUROS. DENEGAÇÃO. Não incide correção monetária nem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. LEGALIDADE. Não cabe à esfera administrativa questionar ou negar aplicação às normas e determinações da legislação tributária que se encontram revestidas validade e eficácia. Sendo assim, as arguições que, direta ou indiretamente, versem sobre matéria atinente à inconstitucionalidade ou de ilegalidade da legislação tributária válida e eficaz não se submetem à competência de julgamento da autoridade administrativa, sendo exclusiva do Poder Judiciário. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/07/2006 a 30/09/2006 PERÍCIA/DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Fl. 134DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.900571/201078 Acórdão n.º 3302003.034 S3C3T2 Fl. 5 4 Perícia ou diligência só se promovem para solucionar dúvidas com relação ao levantamento fiscal e sobre assuntos coerentes com a legislação tributária. Proposições do contribuinte que de plano são afastadas em face da legislação tributária não as justificam. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a recorrente interpôs recurso voluntário, tempestivamente, reprisando as alegações já aduzidas na manifestação de inconformidade, exceto a concernente ao aproveitamento de créditos em desacordo com o conceito de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède. O recurso voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. A questão central da lide referese à possibilidade de creditamento de IPI nas entradas de insumos vinculados a saídas de produtos classificados na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI como NT (não tributados). A recorrente fundamentou o direito ao referido creditamento no princípio da nãocumulatividade insculpido no artigo 153, §3º inciso II da Constituição Federal e no artigo 11 da Lei nº 9.779/1999. De plano, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer das alegações de ofensa ao princípio constitucional da nãocumulatividade do IPI e à reserva material à lei complementar, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas nos artigos 62 e 62A1 do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 256/2009. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. Parágrafo único. O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão plenária definitiva do Supremo Tribunal Federal; ou II que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1993; ou c) parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar nº 73, de 1993. Art. 62A. As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. ( Incluído pela Portaria MF nº 586, de 21 de dezembro de 2010 ) Fl. 135DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.900571/201078 Acórdão n.º 3302003.034 S3C3T2 Fl. 6 5 Quanto ao mérito, destacase que a classificação dos produtos no código 2601.11.00 não foi contestada, de modo que é ponto incontroverso. A respeito transcrevese a descrição do código na TIPI: CÓDIGO NCM DESCRIÇÃO ALÍQUOTA (%) 26.01 MINÉRIOS DE FERRO E SEUS CONCENTRADOS, INCLUÍDAS AS PIRITAS DE FERRO USTULADAS (CINZAS DE PIRITAS) 2601.1 Minérios de ferro e seus concentrados, exceto as piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas) 2601.11.00 Não aglomerados NT 2601.12.00 Aglomerados NT 2601.20.00 Piritas de ferro ustuladas (cinzas de piritas) NT Assim, nos termos do parágrafo único do artigo 2º dos Decretos nº 2.637/1998 (RIPI/98) e nº 4.544/2002 (RIPI/2002) 2, os produtos com notação "NT" estão fora do campo de incidência do IPI, ainda que, sujeitos aos processos de industrialização descritos no artigo 4º dos referidos decretos. Por outro lado, o artigo 3º da Lei nº 4.502/64, matriz legal do artigo 8º3 dos decretos, dispõe que estabelecimento industrial é aquele que industrializa produtos sujeitos ao imposto, o que afasta da definição o estabelecimento recorrente. De fato, o crédito básico decorrente de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem somente é possível aos estabelecimentos industriais ou equiparados, conforme preconizam os artigos 164 e 190 do Decreto nº 4.544/2002, correspondentes aos artigos 147 e 171 do Decreto nº 2.637/98: Art. 164. Os estabelecimentos industriais, e os que lhes são equiparados, poderão creditarse (Lei nº 4.502, de 1964, art. 25): I do imposto relativo a MP, PI e ME , adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; [...] 2 Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e DecretoLei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 9.493, de 10 de setembro de 1997, art. 13). Art. 2º O imposto incide sobre produtos industrializados, nacionais e estrangeiros, obedecidas as especificações constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI (Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, art. 1º, e Decretolei nº 34, de 18 de novembro de 1966, art. 1º). Parágrafo único. O campo de incidência do imposto abrange todos os produtos com alíquota, ainda que zero, relacionados na TIPI, observadas as disposições contidas nas respectivas notas complementares, excluídos aqueles a que corresponde a notação "NT" (nãotributado) (Lei nº 10.451,de 10 de maio de 2002, art. 6º). 3 Lei nº 4.502/64 Art . 3º Considerase estabelecimento produtor todo aquêle que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Decreto nº 2.637/98 e nº 4.544/2002 Art. 8º Estabelecimento industrial é o que executa qualquer das operações referidas no art. 4º, de que resulte produto tributado, ainda que de alíquota zero ou isento (Lei nº 4.502, de 1964, art. 3º). Fl. 136DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.900571/201078 Acórdão n.º 3302003.034 S3C3T2 Fl. 7 6 Art. 190. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: I nos casos dos créditos básicos, incentivados ou decorrentes de devolução ou retorno de produtos, na efetiva entrada dos produtos no estabelecimento industrial, ou equiparado a industrial; II no caso de entrada simbólica de produtos, no recebimento da respectiva nota fiscal, ressalvado o disposto no § 2º; III nos casos de produtos adquiridos para utilização ou consumo próprio ou para comércio, e eventualmente destinados a emprego como MP, PI ou ME, na industrialização de produtos para os quais o crédito seja assegurado, na data da sua redestinação; e IV nos casos de produtos importados adquiridos para utilização ou consumo próprio, dentro do estabelecimento importador, eventualmente destinado a revenda ou saída a qualquer outro título, no momento da efetiva saída do estabelecimento. § 1º Não deverão ser escriturados créditos relativos a MP, PI e ME que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados, ou saídos com suspensão cujo estorno seja determinado por disposição legal . Defluise que a recorrente não se sujeita à incidência do IPI, e, portanto, não apura créditos vinculados à fabricação de produtos NT, ainda que exportados, e, consequentemente, não se enquadra na faculdade do artigo 11 da Lei nº 9.779/1999: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal do Ministério da Fazenda. Impende esclarecer que esta matéria está pacificada no âmbito do CARF, a teor da Súmula CARF nº 20, de observância obrigatória pelos membros deste conselho, conforme disposto no artigo 72 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 25 de junho de 2009, cujo enunciado transcrevese: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.900571/201078 Acórdão n.º 3302003.034 S3C3T2 Fl. 8 7 Transcrevese voto do Acórdão nº 20400.488, proferido pela Quarta Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, utilizado como um dos paradigmas para elaboração do enunciado da referida súmula: “Sem reparos a decisão vergastada. A questão é simples e decorre de expressa disposição legal. Primeiro, gizo que não há controvérsia quanto ao fato de que os produtos a que a empresa dá saída, frutas em geral, são classificadas como NT na TIPI. Com base nas transcrições do RIPI/98 feitas na r. decisão, resta evidenciado que a legislação do IPI exclui do campo de incidência deste imposto os produtos classificados como NT. Em conseqüência, mesmo que sobre estes produtos seja executada alguma operação que possa ser considerada como industrialização, no caso o alegado beneficiamento, resta não atendido o pressuposto para tal que é o fato de o produto estar dentro do campo de incidência do IPI, eis que os produtos classificados como NT estão fora deste, como expresso no artigo 13 da Lei n° 9.493/97, norma reproduzida à fl. 55, no Parecer SORAT da DRF em Petrolina PE. Portanto, se tais produtos estão fora do campo de incidência do IPI, mesmo que haja beneficiamento das frutas, como parece ser o caso, em relação a esta operação o estabelecimento beneficiador não é industrial, desta forma não havendo direito a qualquer crédito na sua entrada, até porque não há destaque algum de IPI nessas operações e não há decisão alguma do STF que respalde creditamento de IPI de produtos NT, pelo que não há incidência da norma estatuída do artigo 11 da Lei n° 9.779, já que lhe falece legitimidade para creditarse dos valores de IPI, se créditos houvesse.” Portanto, desnecessário o debate sobre os demais argumentos deduzidos concernentes ao direito ao creditamento IPI em relação às aquisições de insumos utilizados em produtos com notação NT, bem como resta prejudicada a matéria relativa à atualização monetária pleiteada. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 138DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA Processo nº 10680.900571/201078 Acórdão n.º 3302003.034 S3C3T2 Fl. 9 8 Fl. 139DF CARF MF Impresso em 11/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/02/2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 04/02 /2016 por PAULO GUILHERME DEROULEDE, Assinado digitalmente em 11/02/2016 por RICARDO PAULO ROSA
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Numero do processo: 10380.021803/2008-90
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 25 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Tue Mar 01 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006
RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO.
O requerimento deferido do parcelamento a que se refere o art. 1º da Lei nº 12.810/2013 implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos.
Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia tácita ao contencioso administrativo.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 2401-003.994
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, pela perda de seu objeto, em razão da renúncia ao contencioso administrativo fiscal em decorrência da adesão ao parcelamento do crédito tributário lançado.
Maria Cleci Coti Martins Presidente-Substituta de Turma.
Arlindo da Costa e Silva Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (Presidente-Substituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva.
Nome do relator: ARLINDO DA COSTA E SILVA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. O requerimento deferido do parcelamento a que se refere o art. 1º da Lei nº 12.810/2013 implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia tácita ao contencioso administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 8; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2049; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C4T1 Fl. 136 1 135 S2C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10380.021803/200890 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2401003.994 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 25 de janeiro de 2016 Matéria CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS AIOP Recorrente DEPARTAMENTO DE TRÂNSITO DO ESTADO DO CEARÁ Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006 RECURSO VOLUNTÁRIO. PARCELAMENTO DO DÉBITO. RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO. O requerimento deferido do parcelamento a que se refere o art. 1º da Lei nº 12.810/2013 implica a desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Recurso Voluntário não conhecido, em razão da perda do objeto, decorrente da renúncia tácita ao contencioso administrativo. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 1ª TO/4ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Voluntário, pela perda de seu objeto, em razão da renúncia ao contencioso administrativo fiscal em decorrência da adesão ao parcelamento do crédito tributário lançado. Maria Cleci Coti Martins – PresidenteSubstituta de Turma. Arlindo da Costa e Silva – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria Cleci Coti Martins (PresidenteSubstituta de Turma), Luciana Matos Pereira Barbosa, Carlos Henrique de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 02 18 03 /2 00 8- 90 Fl. 136DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 Oliveira, Miriam Denise Xavier Lazarini, Carlos Alexandre Tortato, Rayd Santana Ferreira e Arlindo da Costa e Silva. Fl. 137DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10380.021803/200890 Acórdão n.º 2401003.994 S2C4T1 Fl. 137 3 Relatório Período de apuração: 01/12/2003 a 31/12/2006. Data da lavratura do AIOP: 26/12/2008. Data da ciência do AIOP: 30/12/2008. Temse em pauta Recurso Voluntário interposto em face de Decisão Administrativa de 1ª Instância proferida pela DRJ em Fortaleza/CE que julgou improcedente a impugnação oferecida pelo sujeito passivo do crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.198.0631, de 23/12/2008, consistente em contribuições sociais a cargo dos Segurados Contribuintes Individuais, incidentes sobre suas respectivas remunerações mensais, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração a fls. 45/50. Na resenha assinada pela Autoridade Lançadora consta que durante a fiscalização foram analisados os documentos apresentados relativos ao período fiscalizado, como Relação de Notas de Empenho e Notas de Pagamento (em meio papel e magnético), Folhas de Pagamento/Relação de Pagamentos (em meio papel e magnético), Recibos de Pagamentos, Notas fiscais de Prestadores de Serviço, GPS, GFIP, dentre outros; O DETRAN possui Regime Próprio de Previdência Social — RPPS, razão pela qual o trabalho da fiscalização foi direcionado à análise dos valores repassados aos prestadores de serviço pessoas físicas, de caráter eventual, e sem relação de emprego, denominados segurados contribuintes individuais pela Lei n° 9.876/99 e sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada ao servidor público ocupante, exclusivamente, de cargo em comissão declarado em lei de livre nomeação e exoneração, vinculado ao Regime Geral de Previdência Social RGPS, na qualidade de segurado empregado, por determinação do § 13 do Art. 40 da Constituição Federal, acrescentado pelo Art. 1° da Emenda Constitucional n° 20, de 1998; A Fiscalização informa que foi constatada, através da análise das notas de empenho em meio papel e meio magnético, a contratação de prestadores de serviços pessoa física, em caráter eventual, para diversas áreas do DETRAN. Conforme legislação vigente esses prestadores são considerados como contribuintes individuais, portanto, segurados obrigatórios da Previdência Social. Os valores contratados não foram declarados em GFIP e não foram recolhidas as devidas contribuições previdenciárias em GPS relativo aos serviços prestados. Os fatos geradores apurados pela Fiscalização no presente lançamento consistem, portanto, nos valores constantes em notas de empenhos liquidadas relativa a contratação de prestadores de serviço PF não declarados em GFIP. Irresignado com o supracitado lançamento tributário, o sujeito passivo apresentou impugnação a fls. 79/82. Fl. 138DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Fortaleza/CE lavrou Decisão Administrativa textualizada no Acórdão nº 0826.200 6ª Turma da DRJ/FOR, a fls. 87/92, julgando improcedente a impugnação, e mantendo o crédito tributário lançado em sua integralidade. O Sujeito Passivo foi cientificado da decisão de 1ª Instância no dia 20/12/2013, conforme Aviso de Recebimento a fl. 98. O ora Recorrente interpôs recurso voluntário, a fls. 101/104, reprisando o histórico da autuação e informando ter incluído o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.198.0631, de 23/12/2008, objeto do vertente Processo Administrativo Fiscal, ao parcelamento instituído pela Lei nº 12.810/2013, informando já ter efetuado o pagamento das primeiras três parcelas, com vencimentos respectivos nos últimos dias úteis dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2013, encontrandose perfeitamente adimplente com o parcelamento. Ao fim, requer a suspensão da exigibilidade do Crédito Tributário. Relatados sumariamente os fatos relevantes. Fl. 139DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10380.021803/200890 Acórdão n.º 2401003.994 S2C4T1 Fl. 138 5 Voto Conselheiro Arlindo da Costa e Silva, Relator. 1. DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1.1. DA TEMPESTIVIDADE O sujeito passivo foi válida e eficazmente cientificado da decisão recorrida em 20/12/2013. Havendo sido o recurso voluntário protocolizado no dia 08/01/2014, há que se reconhecer a tempestividade do recurso interposto. 1.2. DA RENÚNCIA AO CONTENCIOSO ADMINISTRATIVO Devidamente cientificado da decisão de 1ª Instância aviada no Acórdão nº 0826.200 6ª Turma da DRJ/FOR, o Sujeito Passivo interpôs recurso voluntário, a fls. 101/104, reprisando o histórico da autuação e informando ter incluído o crédito tributário lançado por intermédio do Auto de Infração nº 37.198.0631, de 23/12/2008, objeto do vertente Processo Administrativo Fiscal, ao parcelamento instituído pela Lei nº 12.810/2013, informando já ter efetuado o pagamento das primeiras três parcelas, com vencimentos respectivos nos últimos dias úteis dos meses de outubro, novembro e dezembro de 2013, encontrandose perfeitamente adimplente com o parcelamento. De acordo com o art. 8º da Lei nº 12.810/2013 c.c. art. 12 da Lei nº 10.522/2002, o pedido de parcelamento deferido constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, podendo a exatidão dos valores parcelados ser objeto de verificação. Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013 Art. 8o Ao parcelamento de que trata o art. 1o desta Lei aplicase, no que couber, o disposto nos arts. 12, 13 e 14B da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002. Art. 12. O pedido de parcelamento deferido constitui confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário, podendo a exatidão dos valores parcelados ser objeto de verificação. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) Na sequência, a Lei nº 12.810/2013 atribuiu à RFB a competência para editar os atos necessários à execução do parcelamento de que ora se debate. Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013 Fl. 140DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 Art. 9o A Secretaria da Receita Federal do Brasil do Ministério da Fazenda e a ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional, no âmbito das respectivas competências, editarão os atos necessários à execução do parcelamento de que trata o art. 1o desta Lei. Nessa esteira, a PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL e o SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL, tendo em vista o disposto nos arts. 1º a 9º da Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013, editaram a PORTARIA CONJUNTA PGFN / RFB nº 3, de 24 de maio de 2013, DOU de 27/05/2013, cujo art. 2º expressamente dispõe que a inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa implica desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 3, de 24 de maio de 2013 Art. 2º A inclusão no parcelamento de débitos objeto de discussão administrativa implica desistência da impugnação ou do recurso interposto e, cumulativamente, renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos. Parágrafo único. Os depósitos administrativos existentes, vinculados aos débitos a serem parcelados nos termos desta Portaria, serão automaticamente transformados em pagamento definitivo em favor da União. Art. 3º Os débitos objeto de discussão judicial somente poderão integrar o parcelamento de que trata esta Portaria se o sujeito passivo desistir expressamente, de forma irretratável e irrevogável, total ou parcialmente, até a data do pedido, dos embargos à execução, de incidente processual na execução, da ação judicial proposta ou de recurso judicial e, cumulativamente, renunciar a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam os referidos processos e ações judiciais. §1º Se o sujeito passivo renunciar parcialmente ao objeto da ação, somente poderão ser incluídos no parcelamento os débitos aos quais se referir a renúncia. §2º A renúncia ao direito sobre o qual se funda a ação referida no caput aplicase inclusive às ações judiciais em que o sujeito passivo requer o restabelecimento de sua opção ou a sua reinclusão em outros parcelamentos. §3º O ente político deverá comprovar perante a RFB que houve o pedido de extinção dos processos com julgamento do mérito, nos termos do inciso V do art. 269 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 Código de Processo Civil (CPC), mediante apresentação da 2ª (segunda) via da petição de renúncia protocolada no respectivo Cartório Judicial, ou de certidão do Cartório que ateste o estado do processo, cuja cópia deverá ser anexada ao requerimento do parcelamento. §4º Nas ações em que constar depósito judicial, deverá ser requerida, juntamente com o pedido de renúncia previsto no caput, a conversão do depósito em renda em favor da União ou a sua transformação em pagamento definitivo. Fl. 141DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10380.021803/200890 Acórdão n.º 2401003.994 S2C4T1 Fl. 139 7 Dessarte, a desistência do Recurso Voluntário interposto e a renúncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamentam as referidas impugnações ou recursos administrativos dessai automaticamente da legislação tributária de que trata o parcelamento ao qual aderiu o Autuado. Quanto à suspensão da exigibilidade do Crédito Tributário, esta decorre ex lege, nos termos do §2º do art. 7º da Lei nº 12.810/2013. Lei nº 12.810, de 15 de maio de 2013 Art. 7o Os pedidos de parcelamento de que trata o art. 1o desta Lei deverão ser formalizados até o último dia útil do terceiro mês subsequente ao da publicação desta Lei, na unidade da Receita Federal do Brasil de circunscrição do requerente, sendo vedada, a partir da adesão, qualquer retenção referente a débitos de parcelamentos anteriores incluídos no parcelamento de que trata esta Lei. §1o A existência de outras modalidades de parcelamento em curso não impede a concessão do parcelamento de que trata o art. 1o desta Lei. §2o Ao ser protocolado pelo ente federativo o pedido de parcelamento, fica suspensa a exigibilidade dos débitos incluídos no parcelamento perante a Fazenda Nacional, que emitirá certidão positiva do ente, com efeito negativo, em relação aos referidos débitos. §3o Em seguida à formalização do pedido de parcelamento e até que seja consolidado o débito e calculado o valor das parcelas a serem pagas na forma do art. 1o desta Lei, será retido o correspondente a 0,5% (cinco décimos por cento) da média mensal da receita corrente líquida do ano anterior do respectivo Fundo de Participação dos Estados FPE e Fundo de Participação dos Municípios FPM e repassadas à União, como antecipação dos pagamentos a serem efetuados no momento do início efetivo do parcelamento. §4o A adesão ao parcelamento de que trata o art. 1o desta Lei não afeta os termos e condições de abatimentos e reduções de parcelamentos concedidos anteriormente. Iluminese que o §2º do art. 78 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, estatui que o pedido de parcelamento, por qualquer de suas modalidades, tem por consequência direta a desistência tácita do recurso eventualmente interposto. Regimento Interno do CARF Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. §2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de Fl. 142DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. §3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. §4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. §5º Se a desistência do sujeito passivo for total, ainda que haja decisão favorável a ele com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para procedimentos de cobrança, tornandose insubsistentes todas as decisões que lhe forem favoráveis. Ante o exposto, pugnamos pelo não conhecimento do Recurso Voluntário interposto, em razão da perda do objeto, tendo em vista o requerimento de parcelamento formulado pelo Recorrente, e a ele deferido, circunstância que implica a renúncia tácita ao contencioso administrativo. 2. CONCLUSÃO Nesse contexto, pugnamos pelo não conhecimento do recurso voluntário interposto, pela perda do objeto, em razão da renúncia ao Contencioso Administrativo. É como voto. Arlindo da Costa e Silva, Relator. Fl. 143DF CARF MF Impresso em 02/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 25/02/2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 25/02/ 2016 por ARLINDO DA COSTA E SILVA, Assinado digitalmente em 01/03/2016 por MARIA CLECI COTI MARTINS
score : 1.0
Numero do processo: 10945.721085/2011-18
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 12 00:00:00 UTC 2015
Data da publicação: Thu Sep 17 00:00:00 UTC 2015
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2011 a 30/06/2011
AIOP DEBCAD Nº 51.013.832-2 (Glosa de Compensação)
AIOP DEBCAD Nº 51.013.833-0 (Multa Isolada)
SAT/RAT - ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - ALIQUOTA
Sobre os órgãos da administração pública em geral, incide a alíquota de 2% (grau médio) - anexo V, decreto nº 3048/99, naredaçãodadapeloDecreto6.042/2007.
ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS E FÉRIAS PROPORCIONAIS. NÃO INCIDENCIA. STJ
Restou pacificado na jurisprudência do STJ, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS submetido ao rito do art. 543C do CPC, no sentido de que tal verba não deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias.
MULTA ISOLADA
Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada.
Numero da decisão: 2301-004.365
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira
Redator ad hoc na data da formalização.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, THEODORO VICENTE AGOSTINHO.
Nome do relator: MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/2011 a 30/06/2011 AIOP DEBCAD Nº 51.013.832-2 (Glosa de Compensação) AIOP DEBCAD Nº 51.013.833-0 (Multa Isolada) SAT/RAT - ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA - ALIQUOTA Sobre os órgãos da administração pública em geral, incide a alíquota de 2% (grau médio) - anexo V, decreto nº 3048/99, naredaçãodadapeloDecreto6.042/2007. ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS E FÉRIAS PROPORCIONAIS. NÃO INCIDENCIA. STJ Restou pacificado na jurisprudência do STJ, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS submetido ao rito do art. 543C do CPC, no sentido de que tal verba não deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. MULTA ISOLADA Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, THEODORO VICENTE AGOSTINHO.
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ADICIONAL DE 1/3 DE FÉRIAS E FÉRIAS PROPORCIONAIS. NÃO INCIDENCIA. STJ Restou pacificado na jurisprudência do STJ, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS submetido ao rito do art. 543C do CPC, no sentido de que tal verba não deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. MULTA ISOLADA Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada agravada. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade de votos: a) em negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 94 5. 72 10 85 /2 01 1- 18 Fl. 832DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos PRESIDENTE DA SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO NA DATA DA FORMALIZAÇÃO (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Redator ad hoc na data da formalização. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARCELO OLIVEIRA (Presidente), WILSON ANTONIO DE SOUZA CORREA, DANIEL MELO MENDES BEZERRA, CLEBERSON ALEX FRIESS, MANOEL COELHO ARRUDA JUNIOR, THEODORO VICENTE AGOSTINHO. Fl. 833DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10945.721085/201118 Acórdão n.º 2301004.365 S2C3T1 Fl. 3 3 Relatório Tratase de procedimento de glosa para lançar contribuições previdenciárias indevidamente compensadas pelo contribuinte, no período de 02/2011 a 06/2011 e multa isolada de 150%. As compensações efetuadas, segundo Relatório Fiscal, referemse ao: · Recolhimento de contribuições previdenciárias incidentes sobre parcelas de natureza indenizatória, não integrantes da base de calculo do INSS; · Recolhimento de contribuições previdenciárias a titulo de SAT/RAT (seguro de acidente de trabalho/ risco de acidente de trabalho). A ciência dos Autos de Infração se deu no dia 30/01/2012 e a contribuinte interpôs impugnação [fls. 411432], na data de 27/02/2012. Em 27/08/2013, os membros da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Brasília – DF, julgaram improcedentes os pedidos constantes da impugnação da contribuinte, por meio do Acórdão 0354.315: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2011 a 30/06/2011 AIOP DEBCAD Nº 51.013.8322 (Glosa de Compensação) AIOP DEBCAD Nº 51.013.8330 (Multa Isolada) COMPENSAÇÃO. GLOSA. Serão glosados pelo Fisco os valores compensados indevidamente pelo sujeito passivo. ADICIONAL DE UM TERÇO DE FÉRIAS E FÉRIAS PROPORCIONAIS. CONTRIBUIÇÃO. INCIDÊNCIA. São devidas as contribuições para o INSS sobre o adicional de um terço de férias e sobre férias proporcionais pagos na vigência da relação de trabalho. CONTRIBUIÇÃO PARA O RAT/GILRAT. GRAU DE RISCO. Para os órgãos da Administração Pública em geral a alíquota SAT/RAT foi alterada de 1% (risco leve) para 2% (risco médio) a partir de 06/2007, em decorrência da edição do Decreto 6042, de 12/2/2007, que modificou o anexo V do Regulamento da Previdência Social. Inexiste, no período do lançamento, norma que permita a redução da alíquota. Fl. 834DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 4 MULTA ISOLADA APLICADA SOBRE A COMPENSAÇÃO INDEVIDA. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base de cálculo o valor total do débito indevidamente compensado. CERTIDÃO NEGATIVA DE DÉBITO (CND). FORO INCOMPETENTE. A DRJ não é órgão competente para se manifestar sobre pedido de CND. DECISÕES JUDICIAIS. EFEITOS. Os efeitos das decisões judiciais, no âmbito da Secretaria da Receita Federal do Brasil, possui como pressuposto a existência de decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal acerca da inconstitucionalidade da lei que esteja em litígio e, ainda assim, de ato específico do Secretário da Receita Federal do Brasil. Não estando enquadradas nesta hipótese, as decisões judiciais só produzem efeitos entre as partes envolvidas, não beneficiando nem prejudicando terceiros. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte, intimado da decisão da DRJ em 10/09/2013, interpôs Recurso Voluntário, juntamente com diversos documentos comprobatórios (fls. 772/820), via Correios na data de 10/10/2013 sendo recepcionado pela DRJ/BrasíliaDF na data de 11/10/2013. Em Recurso Voluntário, alega a contribuinte ser o auto de infração nulo, diante da não comprovação das diferenças entre os valores informados e os valores recolhidos. Argumenta que a DRJ trouxe a sua decisão elementos externos ao auto de infração, uma vez que a documentação juntada pela contribuinte deve ser objeto da Fiscalização e não da DRJ. Afirma que o Agente Atuante ignorou documentação enviada pela contribuinte, e glosou compensações de forma indiscriminada e afim de agravar a situação o Relatório de lançamento não discrimina cada umas das rubricas glosadas, bem como não discrimina as divergências de SAT/RAT/GILRAT, e se omite com relação as divergências em CCORGFIP. No que se refere às alegações acima mencionadas, a contribuinte requer a declaração de nulidade do Auto de Infração em função de vício material, bem como em função de vício formal, isto é procedimental, tendo em vista que a fundamentação dos atos administrativos, bem como o calculo discriminado de quantos forem os objetos de autuação, é requisito indispensável à sua lavratura, conforme exposto anteriormente. Declara que o adicional de horas extras e terço constitucional de férias têm natureza indenizatória e desta forma não integram a base de calculo das contribuições previdenciárias e, por conseguinte não são computadas no saláriodecontribuição. Fl. 835DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10945.721085/201118 Acórdão n.º 2301004.365 S2C3T1 Fl. 4 5 Destaca a impossibilidade de constituição do crédito tributário relativo ao SAT/RAT, pois a atividade preponderante da contribuinte referese ao ramo de ensino, de natureza semelhante à atividade burocrática, sobre o qual incide a alíquota SAT/RAT de 1%. No que se refere à multa isolada, a contribuinte indica que para ser aplicada deve ser comprovado o dolo especifico ao se realizar as declarações divergentes. Além disso, complementa afirmando que a multa isolada tem caráter confiscatório em virtude do valor exagerado e da injustiça de sua aplicação, ei que representam extorsão estatal. É o relatório. Fl. 836DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 6 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira Relator designado ad hoc na data da formalização Para registro e esclarecimento, pelo fato do conselheiro responsável pelo voto ter deixado o CARF antes de sua formalização, fui designado AD HOC para redigir o voto. Esclareço que aqui reproduzo as razões de decidir do então conselheiro, com as quais não necessariamente concordo. Este é o voto. Presentes os pressupostos de admissibilidade, sendo tempestivo, conheço do Recurso e passo ao exame das razões recursais. SAT/RAT Consta em relatório fiscal que a Recorrente recolheu a contribuição a título de RAT a menor da que deveria. Informa que foi recolhido 1%, mas que na realidade a alíquota devida é a de 2%. Em Recurso Voluntário, a Recorrente afirmou ter como principal atividade, a educacional, que segundo ela possui risco leve enquadrandose na alíquota de 1%. O anexo V do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n.º 3.048/99, na redação dada pelo Decreto 6.042/2007, traz a tabela de previsão do número do CNAE, bem como a alíquota do RAT a ser aplicada, conforme segue: 85112/00 Educação infantil creche 2 85121/00 Educação infantil préescola 1 85139/00 Ensino fundamental 1 85201/00 Ensino médio 1 85317/00 Educação superior graduação 1 85325/00 Educação superior graduação e pósgraduação 1 85333/00 Educação superior pósgraduação e extensão 1 85414/00 Educação profissional de nível técnico 1 85422/00 Educação profissional de nível tecnológico 2 84116/00 Administração pública em geral 2 Fl. 837DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10945.721085/201118 Acórdão n.º 2301004.365 S2C3T1 Fl. 5 7 A legislação prevê que caso uma instituição atue dentro de vários CNAE’s a alíquota aplicada será a de ação preponderante. Lei nº 8.212, de 24/07/1991 Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (.....) II para o financiamento do benefício previsto nos arts. 57 e 58 da Lei no 8.213, de 24 de julho de 1991, e daqueles concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, sobre o total das remunerações pagas ou creditadas, no decorrer do mês, aos segurados empregados e trabalhadores avulsos: a) 1% (um por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante o risco de acidentes do trabalho seja considerado leve; b) 2% (dois por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado médio; c) 3% (três por cento) para as empresas em cuja atividade preponderante esse risco seja considerado grave. Notase, então, que a própria Lei estipula as alíquotas que devem ser aplicadas em cada caso, exatamente nos termos do art. 97 do CTN e art. 5º, II e 150, I, da Constituição Federal. Por sua vez, o Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048, de 1999, assim estabelece: Decreto n° 3.048, de 06/05/1999 Art. 202. A contribuição da empresa, destinada ao financiamento da aposentadoria especial, nos termos dos arts. 64 a 70, e dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho corresponde à aplicação dos seguintes percentuais, incidentes sobre o total da remuneração paga, devida ou creditada a qualquer título, no decorrer do mês, ao segurado empregado e trabalhador avulso: I um por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado leve; II dois por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado médio; ou III três por cento para a empresa em cuja atividade preponderante o risco de acidente do trabalho seja considerado grave. Fl. 838DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 8 A Contribuinte, em nenhum momento indicou diretamente qual seria sua atividade educacional especifica. Como a Recorrente não se manifestou quanto a sua atividade preponderante, e a legislação brasileira é PróFisco, deve ser aplicada a alíquota de 2%, tendo em vista que por tratarse de uma Secretaria de Educação, a recorrente atua dentro de todos CNAE’s indicados na tabela supracitada. Não entendendo pela análise de área educacional, a Secretária de Educação do Estado da Bahia integra a administração pública, e desta forma, permanece a aplicação da alíquota de 2%. ADICIONAL 1/3 DE FÉRIAS E FÉRIAS PROPORCIONAIS Consta em relatório fiscal que incide contribuição social previdenciária sobre o 1/3 de férias, entretanto, este não é o entendimento do Superior Tribunal de Justiça – STJ – in verbis: AgRg no REsp 1353974 / RN AGRAVO REGIMENTAL NO RECURSO ESPECIAL 2012/02419678 Relator(a) Ministra ASSUSETE MAGALHÃES (1151) Órgão Julgador T2 SEGUNDA TURMA Data do Julgamento 06/11/2014 Data da Publicação/Fonte DJe 21/11/2014 Ementa TRIBUTÁRIO E PROCESSUAL CIVIL. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS SOBRE VALORES PAGOS, NOS QUINZE PRIMEIROS DIAS DE AFASTAMENTO DO EMPREGADO DOENTE OU ACIDENTADO, E ADICIONAL DE 1/3 (UM TERÇO) DE FÉRIAS. NÃO INCIDÊNCIA. JURISPRUDÊNCIA PACÍFICA DO SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA, CONFIRMADA NO JULGAMENTO DO RECURSO ESPECIAL REPETITIVO 1.230.957/RS. APRECIAÇÃO DE ALEGADA VIOLAÇÃO A DISPOSITIVOS CONSTITUCIONAIS. INVIABILIDADE, NA VIA DE RECURSO ESPECIAL. ALEGAÇÃO DE VIOLAÇÃO À CLÁUSULA DA RESERVA DE PLENÁRIO. NÃO OCORRÊNCIA. AGRAVO REGIMENTAL IMPROVIDO. I. Tanto no que diz respeito ao valor pago pelo empregador, nos 15 (quinze) primeiros dias de afastamento do empregado, por doença ou acidente, assim como no que tange ao adicional de 1/3 (um terço) sobre as férias, restou pacificada a jurisprudência desta Corte, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS submetido ao rito do art. 543C do CPC, no sentido de que tais verbas não devem sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. II. A análise de suposta ofensa a dispositivos constitucionais compete exclusivamente ao Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 102, inciso III, da Constituição da República, sendo defeso o seu exame, no âmbito do Recurso Especial, ainda que para fins de prequestionamento, conforme pacífica jurisprudência do STJ. III. Consoante a jurisprudência do STJ, "[a] questão referente à ofensa ao princípio da reserva de plenário (art. 97 da CF) não deve ser confundida com a interpretação de normas legais embasada na jurisprudência deste Tribunal" (AgRg no REsp 1.330.888/AM, Rel. Ministro OG FERNANDES, SEGUNDA TURMA, DJe de 21/02/2014). IV. Agravo Regimental improvido. Fl. 839DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10945.721085/201118 Acórdão n.º 2301004.365 S2C3T1 Fl. 6 9 Restou pacificado na jurisprudência do STJ, no julgamento do Recurso Especial 1.230.957/RS submetido ao rito do art. 543C do CPC, que o adicional de 1/3 sobre as férias e férias proporcionais não deve sofrer a incidência de contribuições previdenciárias. MULTA ISOLADA A questão a ser dirimida diz respeito apenas no que se refere aos fundamentos para aplicar a multa agravada de 150%, decorrente da glosa de compensação, a qual exige a presença de atitude dolosa para sua configuração, isto é, a inserção de informação conhecidamente falsa em declaração objetivando reduzir ônus fiscal. No mérito, insurgese a contribuinte contra a aplicação da multa no percentual de 150%, por entender que a Fiscalização não logrou êxito em provar o dolo, de modo a fazer incidir a regra prevista no art. 89, Lei nº 8212/91: "Art. 89. Somente poderá ser restituída ou compensada contribuição para a Seguridade Social arrecadada pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS na hipótese de pagamento ou recolhimento indevido. (...) § 2º Somente poderá ser restituído ou compensado, nas contribuições arrecadadas pelo Instituto Nacional do Seguro Social INSS, o valor decorrente das parcelas referidas nas alíneas "a", "b" e "c" do parágrafo único do art. 11 desta lei. § 3º Em qualquer caso, a compensação não poderá ser superior a trinta por cento do valor a ser recolhido em cada competência. (...) § 10. Na hipótese de compensação indevida, quando se comprove falsidade da declaração apresentada pelo sujeito passivo, o contribuinte estará sujeito à multa isolada apli cada no percentual previsto no inciso I do caput do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, aplicado em dobro, e terá como base d e cálculo o valor total do débito indevidamente compensado.” Observase que a aplicação da multa isolada é condicionada a comprovação de falsidade na declaração prestada pelo contribuinte. Para que restasse caracterizada a falsidade mencionada no §10 do art. 89, entendo que deveria ser comprovada a fraude, conceituada no art. 72 da Lei nº 4.502/1964, verbis: Art. 72. Fraude é toda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do imposto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Fl. 840DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA 10 Diante do exposto, entendo que deva ser afastada a multa isolada, por falta de caracterização de conduta fraudulenta. Foi assim que o conselheiro votou na sessão de julgamento. DISPOSITIVO Diante do exposto, voto por CONHECER do Recurso Voluntário, para no mérito DARLHE PROVIMENTO PARCIAL, para manter a Alíquota RAT/SAT em 2%, e afastar a multa isolada, bem como a incidência de contribuições previdenciárias sobre o 1/3 de férias e férias proporcionais. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator ad hoc na data da formalização. Fl. 841DF CARF MF Impresso em 17/09/2015 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 15/09/2015 por LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS, Assinado digitalmente em 08/09/2015 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 10735.004098/2001-22
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 28 00:00:00 UTC 2016
Data da publicação: Mon Feb 22 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 1994
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com os valores informados nos comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras.
DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS.
Descabe a dedução de despesas na declaração de ajuste anual quando não comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
DEDUÇÕES COMPROVADAS.
Cabe a dedução de despesas na declaração de ajuste anual quando comprovadas mediante documentação hábil e idônea.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 2201-002.816
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de previdência oficial.
Assinado digitalmente
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente em Exercício.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente).
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 1994 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com os valores informados nos comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras. DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS. Descabe a dedução de despesas na declaração de ajuste anual quando não comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES COMPROVADAS. Cabe a dedução de despesas na declaração de ajuste anual quando comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte
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Prevalece o lançamento fiscal por omissão de rendimentos quando os valores lançados na declaração de ajuste anual estão em descompasso com os valores informados nos comprovantes de rendimentos fornecidos pelas fontes pagadoras. DEDUÇÕES NÃO COMPROVADAS. Descabe a dedução de despesas na declaração de ajuste anual quando não comprovadas mediante documentação hábil e idônea. DEDUÇÕES COMPROVADAS. Cabe a dedução de despesas na declaração de ajuste anual quando comprovadas mediante documentação hábil e idônea. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de previdência oficial. Assinado digitalmente Carlos Alberto Mees Stringari Presidente em Exercício. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 5. 00 40 98 /2 00 1- 22 Fl. 87DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10735.004098/200122 Acórdão n.º 2201002.816 S2C2T1 Fl. 88 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carlos Alberto Mees Stringari (Presidente em exercício), Eduardo Tadeu Farah, Ivete Malaquias Pessoa Monteiro, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Marcio de Lacerda Martins (Suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Maria Anselma Coscrato dos Santos (Suplente convocada). Ausente, justificadamente, o Conselheiro Heitor de Souza Lima Junior (Presidente). Relatório Tratase de Auto de Infração relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física IRPF por meio do qual se exige crédito tributário no valor de R$ 4.734,83, incluídos multa de ofício no percentual de 75% (setenta e cinco por cento) e juros de mora. As infrações apuradas pela Autoridade lançadora, conforme “Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal” (fls. 7/8 deste processo digital) foram as seguintes: a) omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica; b) dedução indevida de previdência oficial; c) dedução indevida de despesas médicas; e d) dedução indevida de despesas com instrução. O contribuinte apresentou a impugnação de fls. 35/36. Por meio do acórdão de fls. 60/64 o lançamento foi julgado procedente. Cientificado da decisão de primeira instância em 19/09/2006 (fl. 65), o Interessado interpôs, em 16/10/2006, o recurso de fls. 69/70. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica Não prestou nenhum serviço com vínculo empregatício a Prefeitura de Nova Iguaçu no exercício a que se refere o lançamento, inclusive por impedimento legal, de acordo com as regras de acumulação de cargos. O Recorrente é contador e como tal não poderia acumular 02 empregos na Administração Pública. Conforme consta nos comprovantes de rendimentos, era funcionário efetivo da Controladoria Geral do Município e nesta condição foi colocado à disposição da Fundação João Goulart para prestar serviços técnicos. Solicitará à Prefeitura Municipal de Nova Iguaçu esclarecimentos sobre esse assunto e, posteriormente, a documentação que será obtida será anexada aos autos. Dedução indevida de previdência oficial O valor deduzido foi informado pelo órgão pagador, Governo do Estado do Rio de Janeiro, no comprovante de rendimentos. Servidores do Estado descontam nos contracheques parcelas para duas instituições, a saber: Instituto de Previdência do Estado do Rio de Janeiro IPERJ e Instituto de Assistência aos Servidores do Estado do Rio de Janeiro IASERJ. Fl. 88DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10735.004098/200122 Acórdão n.º 2201002.816 S2C2T1 Fl. 89 3 A declaração rendimentos fornecida pelo Governo do Estado lista as contribuições para o IASERJ como contribuição previdenciária oficial. Será que a autoridade fazendária não aceita um documento oficial do Governo do Estado? Dedução indevida de despesas médicas Na declaração de rendimento foi lançado o valor das despesas médicas e indicada a instituição a qual foram pagas 12 parcelas mensais de CR$ 100,00 (cem cruzeiros), totalizando o valor lançado na declaração. No modelo de declaração daquele exercício as despesas com plano de saúde eram demonstradas como despesas médicas. Quanto à documentação comprobatória das mesmas, não as possui devido ao lapso de tempo decorrido, visto que sempre soube que os documentos deveriam ser guardados por 05 anos. Solicita que a RFB cruze as informações prestadas sobre essa rubrica com as informações prestadas no CNPJ da entidade administradora do plano de saúde, visto que não tenho mais os comprovantes daqueles pagamentos. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. As folhas citadas neste voto referemse à numeração do processo digital, que difere da numeração de folhas do processo físico. Omissão de rendimentos recebidos de pessoa jurídica O Recorrente lançou, em sua declaração de ajuste anual (fl. 9), a título de “Rendimentos Tributáveis Recebidos de Pessoa Jurídica”, o montante de 38.542 UFIR, que corresponde aos rendimentos recebidos do Governo do Estado do Rio de Janeiro (fl. 12) e do Município do Rio de Janeiro (fl. 13). Os rendimentos recebidos da Fundação João Goulart (fl. 11) não foram lançados na declaração de ajuste anual, de modo que deve ser mantida a infração de omissão de rendimentos apurada pela Autoridade lançadora. Dedução indevida de previdência oficial Em relação à previdência oficial, a Autoridade fiscal acatou a dedução de 4.263,62 UFIR, relativa à Fundação João Goulart (fl. 11), ao Governo do Estado do Rio de Janeiro (fl. 12) e ao Município do Rio de Janeiro PREVIRIO (fl. 13). Glosou 302,38 UFIR a esse título. Anoto, no entanto, que o “Comprovante de Rendimentos Pagos e de Retenção de Imposto de Renda na Fonte” do Município do Rio de Janeiro (fl. 13) informa, também a título de contribuição previdenciária, o valor de 411,81 UFIR, destinado ao IASERJ. Fl. 89DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI Processo nº 10735.004098/200122 Acórdão n.º 2201002.816 S2C2T1 Fl. 90 4 Considerando que este montante supera o valor da glosa, entendo que a infração de dedução indevida de previdência oficial deve ser cancelada. Dedução indevida de despesas médicas O Recorrente não apresentou nenhum documento que comprovasse as despesas médicas lançadas em sua declaração de ajuste anual, de modo que deve ser mantida a glosa perpetrada pela Autoridade lançadora. Dedução indevida de despesas com instrução O Interessado, nesta sede recursal, não se insurgiu contra a glosa de despesas com instrução. Conclusão Face ao exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso para restabelecer a dedução de previdência oficial. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 90DF CARF MF Impresso em 22/02/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 14/02/2016 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 19/02/2016 por CARLOS ALBERT O MEES STRINGARI
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Numero do processo: 10410.003978/2002-25
Turma: Segunda Turma Especial
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Tue Jun 02 00:00:00 UTC 2009
Data da publicação: Wed Mar 23 00:00:00 UTC 2016
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997
PAGAMENTOS EFETUADOS. ERROS NO PREENCHIMENTO DA DCTF. COMPROVAÇÃO.
Uma vez comprovados os recolhimentos efetuados relativos à contribuição devida no período e demonstrados os erros cometidos no preenchimento da DCTF original, cancela-se o auto de infração fundado na não localização dos pagamentos.
Numero da decisão: 2802-000.063
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros da Segunda Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente.
(assinado digitalmente)
Hélcio Lafetá Reis - Relator ad hoc.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Evandro Francisco Silva Araújo, Ivan Allegretti e Adélcio Salvalágio.
Nome do relator: Hélcio Lafetá Reis
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/07/1997 a 30/09/1997 PAGAMENTOS EFETUADOS. ERROS NO PREENCHIMENTO DA DCTF. COMPROVAÇÃO. Uma vez comprovados os recolhimentos efetuados relativos à contribuição devida no período e demonstrados os erros cometidos no preenchimento da DCTF original, cancelase o auto de infração fundado na não localização dos pagamentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros da Segunda Turma Especial da Segunda Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio Carlos Atulim (Presidente), Evandro Francisco Silva Araújo, Ivan Allegretti e Adélcio Salvalágio. Relatório Na condição de relator ad hoc neste processo, reproduzo o relatório elaborado pela DRJ Recife/PE que muito bem descreve os fatos controvertidos nos autos: AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 41 0. 00 39 78 /2 00 2- 25 Fl. 98DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/10/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10410.003978/200225 Acórdão n.º 2802000.063 S2TE02 Fl. 99 2 Contra a empresa já qualificada no processo foi lavrado o Auto de Infração a seguir especificado (fls. 04105), para exigência da contribuição referente ao mês de agosto de 1997, da multa e juros pagos a menor ou não pagos e de muita de oficio exigida isoladamente. Crédito Tributário. Valor (R$) Contribuição . 168,52 Multa de Oficio 126,39 Jurds de Mora 157,58 Juros pagos a menor ou não pagos 3,63 Multa de Oficio exigida isoladamente 274,19 Total do Crédito Tributário 730,31 De acordo:com o que se .encontra descrito no auto de infração, o lançamento foi efetuado por falta de recolhimento ou pagamento do principal, declaração inexata conforme "Demonstrativo do Crédito Tributário a; Pagar", falta ou insuficiência de pagamento dos acréscimos legais, conforme 'Demonstrativo de multa e/ou juros a pagar não pagos ou pagos a menor em anexo. Inconformada, , a contribuinte apresentou a pega impugnatória de.. fl. 01, alegando em síntese que: o valor referente relativo ao auto de infração, anexo III, pág. 006, no valor de R$ 158,52 foi recolhido em 15.10.1997,.através de dois DARF, com o código de receita 8109; houve erro no preenchimento da DCTF relativo ao código 8109 PIS, informado nas páginas 12 a 14, nos meses de julho a setembro de 1997, em anexo, conforme demonstrado a seguir: a) no mês de julho foi informado além dos DARFs recolhidos referente a julho, foi incluído indevidamente o mês de agosto; b) no mês de agosto foi incluído o DARF recolhido referente ao mês de setembro, o que deveria ser o DARF do mês de agosto; c) no mês de setembro foi incluído o DARF referente ao mês de setembro devidamente correto. Diante do exposto e em virtude dessa impropriedade, solicita a anulação do auto de infração, uma vez que a Contribuinte nada deve. A DRJ Recife/PE manteve o lançamento, considerando a ausência de comprovação dos erros alegados e a falta de retificação da DCTF. Cientificado da decisão, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e reiterou seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa, sendo trazidas aos autos cópias dos DARFs e das DCTFs original e retificadora. É o relatório. Voto Fl. 99DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/10/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10410.003978/200225 Acórdão n.º 2802000.063 S2TE02 Fl. 100 3 Conselheiro Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Considerando o teor da decisão final da turma julgadora, encaminho o presente voto, na condição de relator ad hoc, no sentido de acolher os documentos trazidos aos autos em sede de recurso, que comprovam os recolhimentos efetuados por meio de DARF e os erros cometidos no preenchimento da DCTF original. Dessa forma, votase por DAR PROVIMENTO ao recurso. É o voto. (assinado digitalmente) Hélcio Lafetá Reis Relator ad hoc Fl. 100DF CARF MF Impresso em 23/03/2016 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/10/2015 por HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 29/10/2015 p or HELCIO LAFETA REIS, Assinado digitalmente em 15/03/2016 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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