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Numero do processo: 10980.723447/2011-89
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 12 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2011
RETENÇÕES INFORMADAS EM DIRF. RECOLHIMENTOS COM OS ACRÉSCIMOS LEGAIS APLICÁVEIS NOS CASOS DE PROCEDIMENTO ESPONTÂNEO.
O recolhimento de imposto de renda retido na fonte informado em DIRF, com aplicação da multa de mora de 20%, está condicionado aos seguintes requisitos: que a pessoa jurídica esteja submetida à ação fiscal e que o pagamento seja feito até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização.
VALORES INFORMADOS EM DIRF. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. IMPOSSIBILIDADE
A DIRF é uma declaração apresentada pela fonte pagadora com o objetivo de informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil - RFB, dentre outros dados, valores de imposto de renda retidos na fonte e os respectivos rendimentos pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas. Contudo, não é informado em DIRF os valores recolhidos nem eventuais créditos a serem compensados pelo sujeito passivo, tampouco a existência de saldo devedor a recolher. À míngua de tais informações o Fisco não pode inscrever os valores informados em DIRF em Dívida Ativa, porquanto tais valores não são dotados dos atributos da certeza e da liquidez de que gozam as dívidas tributárias regularmente constituídas.
LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL.
Em regra, nos casos de lançamento de ofício aplica-se a multa 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença do imposto não recolhido.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 2801-003.801
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator.
Assinado digitalmente
Tânia Mara Paschoalin - Presidente.
Assinado digitalmente
Marcelo Vasconcelos de Almeida - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada.
Nome do relator: MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA
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RECOLHIMENTOS COM OS ACRÉSCIMOS LEGAIS APLICÁVEIS NOS CASOS DE PROCEDIMENTO ESPONTÂNEO. O recolhimento de imposto de renda retido na fonte informado em DIRF, com aplicação da multa de mora de 20%, está condicionado aos seguintes requisitos: que a pessoa jurídica esteja submetida à ação fiscal e que o pagamento seja feito até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização. VALORES INFORMADOS EM DIRF. INSCRIÇÃO EM DÍVIDA ATIVA. IMPOSSIBILIDADE A DIRF é uma declaração apresentada pela fonte pagadora com o objetivo de informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, dentre outros dados, valores de imposto de renda retidos na fonte e os respectivos rendimentos pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas. Contudo, não é informado em DIRF os valores recolhidos nem eventuais créditos a serem compensados pelo sujeito passivo, tampouco a existência de saldo devedor a recolher. À míngua de tais informações o Fisco não pode inscrever os valores informados em DIRF em Dívida Ativa, porquanto tais valores não são dotados dos atributos da certeza e da liquidez de que gozam as dívidas tributárias regularmente constituídas. LANÇAMENTO DE OFÍCIO. MULTA APLICÁVEL. Em regra, nos casos de lançamento de ofício aplicase a multa 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença do imposto não recolhido. Recurso Voluntário Negado AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 34 47 /2 01 1- 89 Fl. 100DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.723447/201189 Acórdão n.º 2801003.801 S2TE01 Fl. 101 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Tânia Mara Paschoalin Presidente. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Tânia Mara Paschoalin, Flavio Araujo Rodrigues Torres, José Valdemir da Silva, Carlos César Quadros Pierre, Marcelo Vasconcelos de Almeida e Marcio Henrique Sales Parada. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório do acórdão de primeira instância (fls. 73/74 deste processo digital), reproduzido a seguir: Tratase de ação fiscal desenvolvida no âmbito do Programa DIRF x DARF, tendo sido constatada falta de recolhimento ou confissão em DCTF de IRRF, sendo que a empresa e o seu responsável foram intimados a apresentar planilha dos recolhimentos de IRRF (fls. 6 a 9 e 12 e 13) e retificar as DCTF do anocalendário 2010 (fls. 10, 11 e 14), mas não adotaram tais providências. Assim, com base nas informações prestadas em DIRF (fls. 15 a 18), foi elaborado o demonstrativo das diferenças de IRRF a lançar, espelhado às fls. 25 e 26. Assim, a infração atribuída consiste na falta de recolhimento ou declaração em DCTF de IRRF que a autuada reteve. Os enquadramentos legais se encontram devidamente consignados no campo próprio do auto de infração. A contribuinte foi cientificada do lançamento em 15/07/2011 (fls. 71) e apresentou tempestivamente, em 16/08/2011, a impugnação de fls. 3950, reportandose ao art. 47 da Lei nº 9.430, de 1996, que concede ao sujeito passivo objeto de ação fiscal a faculdade de, no prazo de 20 dias, recolher os tributos e contribuições já declarados, acrescidos apenas dos consectários aplicáveis aos pagamentos espontâneos. A impugnante deixa claro que seu questionamento se volta contra a multa de ofício, sem lhe conceder o prazo de 20 dias para pagamento, e não contra a multa de mora. Afirma que o procedimento fiscal está contaminado por vício insanável, desde a origem, o que provoca a nulidade do lançamento. Fl. 101DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.723447/201189 Acórdão n.º 2801003.801 S2TE01 Fl. 102 3 Também suscita a impossibilidade de aplicação da multa de 75% a débitos já constituídos. Argumenta que o pressuposto para aplicação da multa é que seja o caso de lançamento de ofício, o que não seria o presente caso. Adiciona que os tributos lançados foram todos declarados em DIRF, razão pela qual qualquer deles poderia ser inscrito em dívida ativa, para posterior ajuizamento de ação de execução fiscal, sem qualquer medida de ofício. Por isso, tratase de tributos confessadamente devidos por meio de comunicação feita à SRFB. Transcreve o art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, e argumenta que o débito confessado por via de comunicação à SRFB, em cumprimento de obrigação acessória, é suficiente para que seja exigível, inclusive perante o Poder Judiciário. Arremata com o argumento de que, se o débito está constituído por declaração do contribuinte, não existe nenhum procedimento fiscal a ser feito para que o tributo seja exigível, porquanto ele já estaria constituído mediante a própria declaração do contribuinte. Argumenta que o auto de infração foi feito sem que o contribuinte apresentasse qualquer informação diferente daquelas já declaradas, o que dispensaria o lançamento. Finaliza requerendo o cancelamento do auto de infração. A impugnação apresentada pela contribuinte foi julgada improcedente por intermédio do acórdão de fls. 72/76, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2010 RETENÇÕES INFORMADAS APENAS EM DIRF. NÃO CARACTERIZAÇÃO DE DÉBITO DECLARADO. Por meio da DIRF (Declaração do Imposto de Renda Retido na Fonte) os contribuintes informam apenas que efetuaram retenções, nada declarando a respeito de pagamentos/compensações ou saldos devedores, razão pela qual não caracteriza declaração ou confissão de débito suscetível de cobrança administrativa ou inscrição em dívida ativa, o que ocorre apenas com o regular preenchimento e apresentação de DCTF ou PER/DCOMP. Cientificado da decisão de primeira instância em 24/10/2011 (fl. 81), a Interessada interpôs, em 22/11/2011, o recurso de fls. 82/97. Na peça recursal aduz, em síntese, que: Abertura de prazo para pagamento com multa de mora O raciocínio dos julgadores da instância de piso no sentido de que a DIRF é uma declaração meramente informativa, além de ilegal, não respeita o princípio da moralidade da administração pública. Fl. 102DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.723447/201189 Acórdão n.º 2801003.801 S2TE01 Fl. 103 4 Entender que a “informação” trazida pela empresa em sua “declaração” não se traduz em um "débito declarado" é atuar sem lealdade perante o contribuinte. Por óbvio que os débitos informados estão confessados. A premissa de que os débitos relacionados na DIRF são confissão de dívida é mais que correta, pois se os dados lá informados não servem para demonstrar a espontaneidade do contribuinte na informação dos valores devidos, não poderiam servir para que o Fisco efetuasse o lançamento com base neles. Portanto, é claro que a empresa deveria ter sido intimada a recolher o tributo dentro dos 20 dias seguintes ao inicio da fiscalização, conforme autoriza o art. 47 da Lei nº 9.430/1996. Esse dispositivo legal é claro ao garantir ao contribuinte que, depois de ter ciência do Termo de Início de Fiscalização, terá o prazo de 20 dias para efetuar o pagamento dos débitos declarados com os acréscimos legais aplicáveis ao procedimento espontâneo. Os requisitos para usufruir dos direitos relacionados com o pagamento espontâneo, no caso a multa de mora, são os seguintes: a pessoa jurídica estar submetida a ação fiscal e, tendo conhecimento do fato, mediante o Termo de Início de Fiscalização, poder pagar os tributos declarados com os acréscimos legais aplicáveis ao procedimento espontâneo. Não se questiona a não imposição da multa de mora. O que se impugna é a imposição de penalidade de ofício sem ao menos dar ao contribuinte o direito de usufruir da garantia legal que lhe concede o prazo de 20 dias para pagar o que deve com a multa de mora. É a ciência do início do procedimento fiscal que abre o prazo para o pagamento espontâneo. A empresa não foi intimada do início da fiscalização, mas tão somente para apresentar documentos, o que não atende ao requisito legal, que é o de ser intimada para que pague seus débitos em vinte dias, com os acréscimos legais impostos ao pagamento espontâneo. Assim, mesmo que se entenda aplicável a multa de ofício ao invés da multa moratória, a sanção somente poderá ser aplicada depois do transcurso do prazo concedido de 20 dias sem o pagamento pretendido. Impossibilidade de aplicação da multa de 75% a débitos já constituídos Se a informações prestadas na DIRF são boas para constituir o crédito tributário pela diferença do que nela constou, quando comparadas com o que foi declarado na DCTF, é claro que elas foram consideradas como verdadeiras e que a DCTF foi dada como incorreta. Ou seja, preferiuse dar como certa a informação em documento que, pela tese do Fisco, não teria o condão de ser considerada uma confissão, para entender como equivocada a informação da DCTF, que seria, para o Fisco, uma confissão. As obrigações acessórias podem servir para serem comparadas e para que a Administração Tributária busque o recebimento da diferença. No entanto, não podem se prestar para que o Fisco efetue o lançamento de ofício de débitos já declarados, confessados, em clara ofensa ao princípio da moralidade administrativa. Fl. 103DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.723447/201189 Acórdão n.º 2801003.801 S2TE01 Fl. 104 5 Assim, o pressuposto para a aplicação da multa de ofício é que seja caso de lançamento de ofício, o que, definitivamente, não é o presente caso. Os tributos aqui cobrados foram todos declarados na Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF. Logo, qualquer dos débitos pode ser inscrito em dívida ativa, para posterior ajuizamento de ação de execução fiscal, visando a cobrança das diferenças eventualmente não pagas anteriormente, sem qualquer medida de ofício. O art. 44 da Lei nº 9.430/1996 é para casos de lançamento de ofício e não para o lançamento por homologação, no qual todas as informações são prestadas pelo contribuinte, inclusive o valor a ser pago de cada tributo, valores e informações estes aceitos pela autoridade administrativa, tanto que foram a base para o seu procedimento. Se não há necessidade de que o Fisco efetue o lançamento, não há que se falar em aplicação do inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430/1996. A multa de ofício serve tãosomente para ser aplicada a crédito tributário que não foi confessado, até porque, para os casos de inadimplência, já existe penalidade, que é a multa de mora prevista no art. 61 da mesma Lei nº 9.430/1996. Tal situação se enquadra perfeitamente ao art. 112 do Código Tributário Nacional – CTN. Pedido Ao final, requer o cancelamento do crédito tributário em questão. Voto Conselheiro Marcelo Vasconcelos de Almeida, Relator Conheço do recurso, porquanto presentes os requisitos de admissibilidade. Registro, inicialmente, que a Recorrente não contesta a exigência relativa ao tributo retido e não recolhido. Seu inconformismo se volta contra a não abertura de prazo para pagamento do tributo retido com os acréscimos legais aplicáveis aos casos de procedimento espontâneo e contra a aplicação da multa de ofício de 75% a débitos declarados em DIRF. Embora relacionadas, estas duas questões serão analisadas separadamente. Abertura de prazo para pagamento do tributo com a aplicação da multa de mora A Interessada alega que deveria ter sido intimada a recolher o tributo dentro dos 20 dias seguintes ao inicio da fiscalização, com os acréscimos legais aplicáveis aos casos de procedimento espontâneo (aplicação da multa de mora no percentual de 20%), conforme estabelecido no art. 47 da Lei nº 9.430/1996. O preceito legal invocado está assim descrito: Art. 47. A pessoa física ou jurídica submetida a ação fiscal por parte da Secretaria da Receita Federal poderá pagar, até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização, os tributos e contribuições já declarados, de que for sujeito passivo como contribuinte ou responsável, com Fl. 104DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.723447/201189 Acórdão n.º 2801003.801 S2TE01 Fl. 105 6 os acréscimos legais aplicáveis nos casos de procedimento espontâneo. A leitura do dispositivo transcrito evidencia que o recolhimento de imposto de renda retido na fonte informado em DIRF, com a aplicação da multa de mora de 20%, está condicionado aos seguintes requisitos: que a pessoa jurídica esteja submetida à ação fiscal e que o pagamento seja feito até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do termo de início de fiscalização. A dicção legal, portanto, não condiciona o recolhimento do tributo, com o acréscimo de 20% a título de multa moratória, a uma intimação específica, senão apenas ao início do procedimento fiscal e ao pagamento dentro do lapso temporal de 20 dias da data de recebimento do termo de início de fiscalização. No caso concreto, a Recorrente e seu administrador foram intimados a apresentar diversos documentos por intermédio dos Termos de Intimação de fls. 7/12, cujos avisos de recebimento encontramse acostados aos autos em fls. 13/15, sendo a primeira intimação realizada em 13 de abril de 2011 (fl. 13). É consabido que, nos termos do art. 7º, inciso I, do Decreto nº 70.235/1972, “o procedimento fiscal tem início com o primeiro ato de ofício, escrito, praticado por servidor competente, cientificando o sujeito passivo da obrigação tributária ou seu preposto”. Logo, se o procedimento fiscal se iniciou em 13 de abril de 2011, mediante a lavratura do primeiro ato de ofício praticado pela Autoridade lançadora (Termo de Intimação para apresentação de documentos), a Interessada teria até o dia 3 de maio de 2011 para recolher o imposto com o acréscimo de 20% a título de multa moratória. Em outras palavras: o texto legal não cogita de qualquer intimação específica para que o contribuinte efetue o pagamento do tributo com a aplicação da multa de mora, bastando, para o exercício de tal faculdade, que exista procedimento fiscal em curso e que o pagamento seja realizado até o vigésimo dia subseqüente à data de recebimento do primeiro ato de ofício praticado pela Autoridade competente. No prazo legalmente estabelecido a Interessada não exerceu o seu direito de usufruir da garantia legal de recolher o tributo devido acrescido da multa de mora, sendo impróprio, neste momento, no âmbito do processo administrativo fiscal, pretender se valer de uma faculdade lhe foi concedida até determinado momento, mas que não foi exercida no prazo legal. Multa de 75% e débitos declarados em DIRF A segunda questão agitada na peça recursal diz respeito à possibilidade, ou não, de aplicação da multa de ofício de 75% a débitos declarados em DIRF. Segundo a Recorrente, a multa de ofício deve ser imposta tão somente a créditos tributários que não foram confessados, ou seja, descaberia, na espécie, a aplicação do art. 44, I, da Lei nº 9.430/1996, porquanto o débito já teria sido confessado em DIRF, não sendo o caso de “lançamento de ofício”, mas sim de “lançamento por homologação”. Oportuno observar, por primeiro, que a situação aqui tratada difere daquela em que o contribuinte apresenta a Declaração de Contribuições e Tributos Federais DCTF, Fl. 105DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.723447/201189 Acórdão n.º 2801003.801 S2TE01 Fl. 106 7 porquanto a apresentação desta, além de formalizar o cumprimento de uma obrigação acessória, também tem a finalidade de comunicar a existência de um crédito tributário líquido e certo, assim entendido os saldos a pagar remanescentes relativos às diferenças entre os débitos declarados e eventuais créditos do sujeito passivo (recolhimentos/compensações), de modo que apenas os saldos que sobejarem serão suscetíveis de serem cobrados administrativamente e, caso não liquidados, de serem inscritos em dívida ativa, nos exatos termos do § 1º do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 13 de junho de 1984, assim descrito: Art. 5º O Ministro da Fazenda poderá eliminar ou instituir obrigações acessórias relativas a tributos federais administrados pela Secretaria da Receita Federal. § 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário, constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. A DIRF é uma declaração apresentada pela fonte pagadora com o objetivo de informar à Secretaria da Receita Federal do Brasil RFB, dentre outros dados, valores de imposto de renda retidos na fonte e os respectivos rendimentos pagos ou creditados a pessoas físicas ou jurídicas, ou seja, nela não é prestada a informação relativa ao saldo a pagar do tributo retido, motivo pelo qual a sua apresentação não formaliza a existência de um crédito tributário líquido e certo. Noutros termos: a fonte pagadora informa que reteve importâncias a título de imposto de renda de determinados beneficiários, relativas a certo período de apuração. Contudo, não informa os valores recolhidos nem eventuais créditos a serem compensados pelo sujeito passivo, tampouco a existência de saldo devedor a recolher. À míngua de tais informações o Fisco não poderá inscrever os valores informados em DIRF em Dívida Ativa, porquanto tais valores não são dotados dos atributos da certeza e da liquidez de que gozam as dívidas tributárias regularmente constituídas. Não se desconhece o entendimento pacificado pelo Superior Tribunal de Justiça STJ de que “a apresentação de Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, de Guia de Informação e Apuração do ICMS – GIA, ou de outra declaração dessa natureza, prevista em lei, é modo de constituição do crédito tributário, dispensando, para isso, qualquer outra providência por parte do Fisco”. Nada obstante, não há como reconhecer que a natureza da DIRF se identifica com a natureza da DCTF, haja vista que, conforme demonstrado acima, por intermédio desta comunicase ao Fisco a existência de um crédito tributário líquido, certo e exigível, o que evidencia a sua natureza constitutiva (confissão de dívida), ao passo que através daquela informase ao Fisco valores ilíquidos, incertos e inexigíveis, o que revela a sua natureza meramente informativa. No caso concreto, a Interessada não recolheu e nem confessou os valores devidos em DCTF, que é o documento, por excelência, de constituição de créditos tributários federais. De conseguinte, a Fazenda Pública se viu no dever de constituir, mediante a lavratura de Auto de Infração, o crédito tributário que lhe é devido. E ao fazêlo, não poderia dispensar a multa de ofício prevista art. 44, I, da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, cujo teor assim soa: Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN Processo nº 10980.723447/201189 Acórdão n.º 2801003.801 S2TE01 Fl. 107 8 Art.44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: (Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata;(Vide Lei nº 10.892, de 2004)(Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. Assinado digitalmente Marcelo Vasconcelos de Almeida Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por MARCELO VASCONCELOS DE ALMEIDA, Assinado digitalmente em 11/11/2014 por TANIA MARA PA SCHOALIN
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Numero do processo: 10746.904203/2012-59
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.577
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Por maioria de voto, converteu-se o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues - relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Por maioria de voto, converteuse o julgamento em diligência, para que a repartição de origem analise os documentos juntados aos autos e se pronuncie acerca da satisfação dos débitos da recorrente, nos termos do voto do relator. Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Paulo Renato Mothes de Moraes, Hélcio Lafetá Reis, Belchior Melo de Sousa, e Jorge Victor Rodrigues. RELATÓRIO Por meio de Despacho Decisório foi indeferido o pleito constante do Per/DComp transmitido pela contribuinte, em razão da realização de pagamento a maior. A fiscalização contrapondose ao alegado pela parte interessada, constatou a existência de um ou mais débitos, havendo o crédito declarado sido integralmente utilizado para a liquidação desses débitos, resultando na insuficiência de saldo credor o suficiente para a realização da compensação pretendida. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 07 46 .9 04 20 3/ 20 12 -5 9 Fl. 117DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904203/201259 Resolução nº 3803000.577 S3TE03 Fl. 9 2 Manifestando a sua inconformidade, consubstanciada no art. 165, I, do CTN, a contribuinte deduziu a sua discordância ao despacho decisório, de acordo com as seguintes razões de defesa: (a) o despacho decisório foi emitido antes da retificação da DCTF e da DACON; (b) a partir da retificação desses documentos tornouse possível a Receita localizar o crédito alegado; e (c) demonstrado a existência do crédito aludido nos moldes de planilha contida na exordial, restou o direito à restituição correspondente. A título de comprovação de direito alegado fez colação aos autos das DCTF e DACON, bem assim de suas respectivas retificadoras e da cópia do DARF pago a maior, para postular pelo acolhimento de sua manifestação e pela insubsistência do aludido despacho. Concluso foram os autos para pronunciamento pela 4ª Turma da DRJ/BSB, que por meio do Acórdão nº 0352.852, em 27/06/2013, julgou improcedente a manifestação de inconformidade e não reconheceu o direito creditório, nos termos da ementa transcrita a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Ano Calendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de declaração retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. DIREITO CREDITÓRIO. ÔNUS DA PROVA. Incumbe ao sujeito passivo a demonstração, acompanhada das provas hábeis, da composição e a existência do crédito que alega possuir junto à Fazenda Nacional para que sejam aferidas sua liquidez e certeza pela autoridade administrativa. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. A restituição de créditos tributários só pode ser efetuada com crédito líquido e certo do sujeito passivo; no caso, o crédito pleiteado é inexistente. Em apertada síntese, a título de esclarecimento, menciona o relator que o direito à isenção alegado pela contribuinte na comercialização de seus produtos (sucos) e não aproveitado do benefício quando da apuração das contribuições, o que levaria ao recolhimento a maior que o devido, se referiu à tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts. 58A e 58B, da Lei nº 10.833/03. Fl. 118DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904203/201259 Resolução nº 3803000.577 S3TE03 Fl. 10 3 Assim o direito creditório que a contribuinte alegou possuir seria proveniente de apuração de valor devido a menor, apurado em data posterior à época da entrega das declarações originais. Concluiu o voto condutor que a simples entrega de declarações retificadoras, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento efetuado a maior, que teria originado o crédito pleiteado pela contribuinte em seu pedido de restituição; que tais retificações deveriam ter ocorrido anteriormente a qualquer procedimento administrativo ou notificação de lançamento, conforme dispõem o parágrafo único do art. 39 e o § 1º do art. 147, ambos do CTN; e que não comprovada a liquidez e certeza de direito creditório contra a Fazenda Nacional passível de restituição, não há o que ser reconsiderado na decisão contida no despacho decisório. Após ser cientificado do decidido no Acórdão nº, por meio de AR, conforme subscrição em 11/11/13, contra o mesmo se insurgindo a contribuinte protocolou o seu recurso voluntário na repartição preparadora em 20/12/13, aduzindo sucintamente: Verificou que um de seus produtos vendidos (bebida: refresco e energético) pertenciam à sistemática monofásica de PIS e Cofins, enquadradas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 22012.90.00, como também que recolheu a maior valores atinentes a essas contribuições, razão pela qual transmitiu a Per/DComp em 30/12/10, pleiteando a restituição que entendeu lhe era devida (PAF 10746.904200/201215) Em razão do indeferimento de sua manifestação de inconformidade e, para demonstrar o seu direito ao direito alegado, colacionou aos autos prova documental qual seja: Livri Diário anos 2007 a 2010, Livro Razão anos 2007 a 2010, Livros Fiscais ( Entrada, Saída e Apuração de ICMS dos anos de 2007 a 2010), Notas Fiscais de entrada dos anos 2007 a 2010, Blocos fiscais dos anos 2007 a 2010, Livro de Registros de Inventário correspondente aos anos de 2007 a 2010 e Notas Fiscais Eletrônicas de Saída dos anos 2007 a 2010. No que atine ao mérito reiterou os termos expendidos na exordial para requerer pelo provimento do seu recurso. Consta dos autos despacho proferido por autoridade administrativa da SAORT/DRFB em Palmas/TO, mencionando que a contribuinte apresentou o recurso voluntário acompanhado dos documentos acima descritos em 05/12/2013 e que ante a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos entregues, foi o mesmo intimado TIF SAORT nº 180/2013 para apresentação dos itens discriminados no TIF em mídia eletrônica (arquivo digital), ou alternativamente, juntamente com os originais, cópia de cada um dos documentos a serem protocolados. Consta ainda desse despacho as seguintes informações: Em 17/01/2014, em resposta ao termo de intimação, o interessado apresentou um DVDR contendo vários arquivos, os quais não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do Sistema do Processo Digital da RFB (alguns arquivos de tamanho superior a 15 megabytes). Além disso, não foram entregues os relatórios/recibos do Sistema de Validação e Autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do termo de Intimação Fiscal SAORT nº Fl. 119DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904203/201259 Resolução nº 3803000.577 S3TE03 Fl. 11 4 108/2013. Portanto, em princípio, os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Assim, não obstante ter sido devidamente orientado, o interessado não atendeu os termos da intimação. Dessa forma, proponho que os autos sejam encaminhados ao CARF sem os elementos apresentados em mídia digital (arquivos constantes do DVDR) para análise do recurso. É o relatório. VOTO Conselheiro Jorge Victor Rodrigues O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade, dele conheço. A recorrente fez colação aos autos em sede de recurso voluntário de documentos contábeis e fiscais já elencados no relatório, complementarmente, aos oferecidos como elementos materiais de prova na manifestação de inconformidade. O acórdão recorrido versa sobre o pedido de restituição/compensação, formalizado pela Recorrente perante a repartição preparadora em 30/12/10, quando arguiu possuir crédito tributário proveniente de pagamento realizado a maior que o devido (vide processo 10746.904200/201215) para compensar com débitos tributários próprios. Alegou a recorrente que a origem do crédito remete à sistemática de tributação monofásica, que reduz a 0% as alíquotas do PIS e da Cofins em relação às receitas auferidas por comerciantes atacadistas e varejistas, decorrentes da venda dos produtos especificados nos arts 58A e 58bB, da lei nº 10833/03, notadamente aquelas classificadas no sistema NBH/SH 22.02, e na NCM 2202.10.00 e NCM 2202.90.00. Desde logo cumpre esclarecer, que sob à ótica do direito material, o tema " direito à restituição/compensação de indébito, oriundo de alíquota 0%, com fulcro nos arts. 58 A e 58B, da lei nº 10833/03", não foi enfrentado efetivamente pelo juízo a quo, eis que o mesmo se pronunciou exclusivamente acerca da ausência de comprovação da liquidez e da certeza do crédito alegado, em razão da insuficiência de documentos probantes, bem assim por entender que o ônus da prova cabe a quem alega o direito de. Portanto, inferese que a demanda sob este aspecto resta superada, cabendo ao Tribunal ad quem o pronunciamento exclusivamente acerca das provas colacionadas aos autos, complementarmente, mesmo a destempo, e da sua eficácia probante. DA APRESENTAÇÃO DE PROVAS NO RECURSO VOLUNTÁRIO Fl. 120DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904203/201259 Resolução nº 3803000.577 S3TE03 Fl. 12 5 A regra geral contida no art. 16 do Dec. nº 70.235/72 informa que o momento de apresentação das provas atinentes ao direito alegado é o mesmo da formalização da manifestação de inconformidade/impugnação. Destarte o dispositivo no § 4º deste mandamus, c/c o art. 38 e §§, da Lei nº 9+784/99, veio a propiciar à modulação dos efeitos dessa regra, sinalizando com a possibilidade da apresentação de prova noutro momento processual. Este também é o entendimento pacífico cristalizado por meio da jurisprudência administrativa emanada do CARF, notadamente quando a prova, mesmo que juntada a destempo é imprescindível para o deslinde da querela, consoante demonstram os extratos de julgados colacionados adiante na forma de ementa, confirase: Ementa Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 1999 VERDADE MATERIAL. PROVA INCONTESTE. A juntada de prova cuja simples leitura, em documento de uma só folha, permite constatar as alegações sustentadas pela recorrente, e cuja inadmissibilidade motivada pela preclusão perenizaria situação de injustiça evidente, deve ser considerada, ainda que em sede de embargos, em atendimento ao princípio da verdade material e à instrumentalidade do processo. (Acórdão 1302001.493, sessão de 27/08/2014 13840.000215/0018, Rel. Eduardo de Andrade). ____________________________________________________ (...). PRODUÇÃO DE PROVAS NO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE PARA SE CONTRAPOR ÀS RAZÕES DO JULGAMENTO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL. Como regra geral, a prova documental deve ser apresentada na impugnação, precluindo do direito de fazêlo em outro momento processual. Contudo, tendo o contribuinte trazido os documentos que julgava aptos a comprovar seu direito, ao não ser bem sucedido no julgamento de 1ª instância, razoável se admitir a juntada das provas no voluntário, pois é exceção à regra geral de preclusão a produção de novos documentos destinados a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Ademais, seria por demais gravoso, e contrário ao princípio da verdade material, a manutenção da glosa de deduções sem a análise das provas constantes nos autos. E ainda, sendo esta a última instância administrativa, tal postura exigiria do contribuinte a busca da tutela do seu direito no Poder Judiciário, o que exigiria do Fisco a análise das provas apresentadas em juízo, e ainda condenaria a União pelas custas do processo (Acórdão nº 1102.000940, sessão de 08/10/2013, PAF 16327.001040/200891, Rel. José Evande carvalho Araújo). ____________________________________________________ Fl. 121DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904203/201259 Resolução nº 3803000.577 S3TE03 Fl. 13 6 ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2007 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. CRÉDITO DO CONTRIBUINTE. CONFERÊNCIA ELETRÔNICA. RETIFICAÇÃO DA DCTF A DESTEMPO. OBSTÁCULO. INEXISTÊNCIA. APRESENTAÇÃO DE PROVAS. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRECLUSÃO. INOCORRÊNCIA. Deve ser verificada a procedência do pedido de compensação fundado em direito de crédito recusado exclusivamente com base em cotejo eletrônico das informações prestadas pelo contribuinte na Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais, desde que essa tenha sido retificada, ainda que extemporaneamente. Não há que se falar em preclusão do direito de apresentação de provas em fase recursal quando tenha sido dada ciência ao requerente da necessidade de instrução do processo apenas por ocasião da decisão de primeira instância. Recurso Voluntário Provido em Parte (Acórdão nº 3102001.959, sessão de 25/07/2013 10166.911735/200978, Rel. Ricardo Paulo Rosa). ___________________________________________________ O entendimento profligado por meio da jurisprudência acima transcrita tem a finalidade precípua de consolidação do princípio da verdade material, pressuposto basilar do Direito Processual Administrativo Tributário, bem assim da tese que defende que a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz, quando apresentadas após a impugnação. A conselheira Andréa Medrado Darzé, em "Preclusão no Processo Adm. Tributário: Um Falso Problema", in "VII Congresso Nacional de Estudos Tributários, Derivação e Positivação no Direito Tributário" (2011, p. 7879) com apoio na jurisprudência dos tribunais administrativos, traz a contribuição significativa à questão posta: " A regra de preclusão do direito de o impugnante produzir provas no processo administrativo tributário, prescrita no art. 16, § 4º, do Decreto nº 70.235/72, é cogente, de aplicação obrigatória, apenas podendo ser excepcionada nas hipóteses relacionadas neste mesmo dispositivo legal. Isso não significa, todavia, impossibilidade de a prova vir a ser apreciada pelo julgador, mesmo quando apresentada após a impugnação. A razão desta assertiva é singela, mas decisiva: a produção probatória no processo administrativo tributário compete concorrentemente às partes e ao Juiz. Fl. 122DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904203/201259 Resolução nº 3803000.577 S3TE03 Fl. 14 7 Assim, mesmo na hipótese de a prova ser trazida aos autos quando já precluso o direito de ao particular fazêlo, o julgador pode e deve analisála, desde que se trate de prova necessária para a apreciação da matéria litigada. Afinal, diferentemente do que se verifica em relação ao impugnante, o legislador não estabeleceu limite temporal para a iniciativa probatória da autoridade julgadora." Como visto, resta demonstrada a efetiva possibilidade de apresentação de prova após a impugnação, seja pela aplicação da legislação tributária, ou mediante a jurisprudência administrativa, ou ainda pela doutrina hodierna. Portanto não há se falar em preclusão temporal neste caso. Ao contrário, os exemplos mencionados servem para demonstrar a possibilidade de se imprimir maior celeridade ao julgamento do feito, com a oportunidade criada a partir da colação desses documentos aos autos, a permitir que dúvidas por ventura existentes possam ser sanadas, sem a necessidade de remessa dos autos à repartição preparadora. Até mesmo por ser a opção pelo acolhimento da prova apresentada a destempo, uma discricionariedade do julgador, notadamente o relator dos autos, como auxílio para firmar a sua convicção pessoal ao caso sob análise. No caso vertente a recorrente trouxe aos autos na fase recursal novos elementos materiais de prova, dando conhecimento à autoridade administrativa de sua iniciativa. Essa autoridade limitouse a alegar a impossibilidade de juntar aos autos digitais os originais dos documentos que lhe foram entregues, intimando a Recorrente a reapresentar os documentos, desta feita na forma de arquivo digital, por meio de mídia eletrônica, concedendo lhe o prazo de 20 dias para o cumprimento do desiderato. Em atenção à intimação que lhe fora endereçada a contribuinte em 17/01/2014 apresentou um DVDR contendo vários arquivos, que segundo a fiscalização, não possuem as características necessárias ao processamento no ambiente do sistema de Processo Digital da RFB, além de não haver sido entregue os relatórios/recibos do Sistema de Validação e /autenticação de Arquivos Digitais, conforme orientação constante do Anexo I do Termo de Intimação Fiscal SAORT nº 180/2013, endereçado à ora Recorrente. Conclui a autoridade administrativa que os arquivos não foram gerados com o auxílio do SVA o que torna impossível a validação e a autenticação dos mesmos. Mister esclarecer que a Recorrente não se furtou de reapresentar os documentos em meio magnético, entretanto em plataforma diversa daquela orientada pela fiscalização. Igualmente ao apresentar na repartição preparadora os documentos originais para protocolo (cópia de cada documento), a recorrente o fez sob amparo da regra contida no § 7º do art. 2º e art. 8º da Portaria MF nº 527/2010, que autoriza a formalização de recursos mediante a apresentação de documentos em papel, como sendo uma opção do contribuinte. A persecução da verdade material no âmbito do processo administrativo tributário, como dito, deve funcionar para ambos os lados, portanto, pugno pela conversão deste julgamento em diligência à repartição de origem, para que sejam analisados todos os documentos indicados pela Recorrente no recurso voluntário, com vistas à apuração e Fl. 123DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10746.904203/201259 Resolução nº 3803000.577 S3TE03 Fl. 15 8 pronunciamento acerca da existência de direito creditório, e se o mesmo é o bastante suficiente para a liquidação dos débitos indicados no Per/DComp transmitido para, posteriormente facultarlhe a oportunidade , mediante a concessão de tempo razoável, para comparecer aos autos se assim lhe aprouver. Cumprido com o desiderato devem os autos retornarem do órgão preparador para a retomada do julgamento suspenso circunstancialmente. É como voto Jorge Victor Rodrigues Relator Fl. 124DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 03/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
score : 1.0
Numero do processo: 13827.000260/2009-50
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/2005 a 31/01/2009
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO
Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeita-se a pretensão da embargante.
Embargos Rejeitados.
Numero da decisão: 2402-004.439
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos.
Julio César Vieira Gomes - Presidente
Nereu Miguel Ribeiro Domingues - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado.
Nome do relator: NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES
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EPP. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/2005 a 31/01/2009 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO Constatada a inexistência de obscuridade, omissão ou contradição no acórdão embargado, rejeitase a pretensão da embargante. Embargos Rejeitados. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar os embargos opostos. Julio César Vieira Gomes Presidente Nereu Miguel Ribeiro Domingues Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio César Vieira Gomes, Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Luciana de Souza Espíndola Reais, Thiago Taborda Simões, Ronaldo de Lima Macedo e Lourenço Ferreira do Prado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 82 7. 00 02 60 /2 00 9- 50 Fl. 379DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Fazenda Nacional tratando sobre a aplicação da retroatividade benigna por este Conselho, onde determinouse, de ofício, que a multa prevista no art. 35A da Lei nº 8.212/91 deveria ser comparada à multa de que trata o art. 35 da Lei nº 8.212/91, de modo que fosse aplicada aquela mais benéfica, nos termos do art. 106 do CTN. Sustenta a Embargante que a matéria não é considerada de ordem pública e se encontrava preclusa, tendo o acórdão deixado de consignar os pressupostos e os motivos que fundamentaram a apreciação do tema. Requer a Embargante o acolhimento para sanar a omissão acima e prequestionar a matéria que não foi objeto de análise expressa no acórdão embargado. É o relatório. Fl. 380DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES Processo nº 13827.000260/200950 Acórdão n.º 2402004.439 S2C4T2 Fl. 3 3 Voto Conselheiro Nereu Miguel Ribeiro Domingues, Relator Primeiramente, cabe mencionar que os presentes embargos são tempestivos e preenchem a todos os requisitos de admissibilidade. Portanto, deles tomo conhecimento. Sobre a aplicação da retroatividade benigna, a Embargante sustenta que o acórdão embargado foi omisso por não ter “expressamente mencionados quais os pressupostos e os motivos que fundamentaram a apreciação de tema que não configura matéria de ordem pública e não foi questionado tempestivamente pelo contribuinte”. Verificase que a Embargante pretende ver expressamente analisados os fundamentos que levaram este Conselho a aplicar de ofício a retroatividade benigna, notadamente pelo fato de que tal matéria não seria considerada como de ordem pública, além de não ter sido objeto de defesa do contribuinte. Sobre o tema, cumpre destacar que o Estado está vinculado à legalidade e deve, em regra, na sua aplicação, respeitar o princípio da irretroatividade das leis. No entanto, o art. 106, inc. II do CTN prevê regra excepcional para a aplicação retroativa das leis, nos casos em que estas deixem de tratar o ato (i) como infração, (ii) como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo, ou ainda quando a lei (iii) determine penalidade menos severa do que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Para a aplicação da referida regra excepcional, o ato não pode ter sido definitivamente julgado, em respeito ao direito adquirido, ao ato jurídico perfeito e à coisa julgada, consoante art. 5º, inc. XXXVI da CF/1988. Assim, tendo sido o ato administrativo submetido a esta C. Corte Administrativa para julgamento, devese aplicar a legislação pertinente (seja aquela vigente na época da ocorrência dos fatos geradores, quando regra geral, ou a legislação superveniente, quando presentes as hipóteses elencadas no art. 106 do CTN). Em outras palavras, é dever deste Conselho realizar o devido controle de legalidade do lançamento, devendo ajustálo às previsões legais pertinentes, sob pena de ilegalidade. Notase que não se está diante da aplicação ex officio de matéria de ordem pública, mas sim diante da aplicação da legislação cabível ao caso. Não há que se cogitar na hipótese de aplicação de regra eminentemente técnica, como a da preclusão, para se afastar a aplicação de ofício da retroatividade benigna, tal como sugere a Embargante. Fl. 381DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES 4 Isto porque, a superveniência da lex mitior é eventual, sendo esperado que o próprio Estado apliquea caso o ato ainda esteja sob julgamento, independentemente de requerimento das partes nesse sentido. Até porque, em muitos casos a lei benigna passa a vigorar após a apresentação das razões de defesa do contribuinte, sendo incongruente cogitar na hipótese de preclusão. Outrossim, seria ilegal dar tratamento diverso ao contribuinte que apresentou suas razões de defesa após a vigência da lei benigna, porém sem requerer a sua aplicação, do contribuinte beneficiado pelo princípio da retroatividade benigna em virtude de a lei ter se tornado vigente após a apresentação dos argumentos de defesa. Em vista disso, caso não haja o reconhecimento de ofício do art. 106 do CTN, o contribuinte estará sendo compelido a recolher penalidade mais gravosa do que aquela prevista para o caso, em flagrante ilegalidade. Por essas razões, concluise que não há qualquer reparo a ser feito no v. acórdão embargado, motivo pelo qual voto pela rejeição dos presentes embargos. Ante o exposto, voto pela REJEIÇÃO DOS EMBARGOS DE DECLARAÇÃO opostos pela Fazenda Nacional. É o voto. Nereu Miguel Ribeiro Domingues. Fl. 382DF CARF MF Impresso em 20/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/11/2014 por SELMA RIBEIRO COUTINHO, Assinado digitalmente em 18/11/20 14 por NEREU MIGUEL RIBEIRO DOMINGUES, Assinado digitalmente em 19/11/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GO MES
score : 1.0
Numero do processo: 10660.901001/2009-08
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 23 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Oct 09 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE.
O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
Numero da decisão: 1801-002.109
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição do recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator
(assinado digitalmente)
Ana de Barros Fernandes Wipprich Presidente
(assinado digitalmente)
Neudson Cavalcante Albuquerque Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich.
Nome do relator: NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE
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ementa_s : Assunto: Normas de Administração Tributária Ano-calendário: 2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando-se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 ESTIMATIVA. COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. O art. 11 da Instrução Normativa RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor de estimativa, pago a maior ou indevidamente, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicando se, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa. (SCI Cosit n° 19, de 2011). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento em parte ao recurso voluntário e determinar o retorno dos autos à unidade de jurisdição do recorrente para análise do mérito do litígio, nos termos do voto do Relator (ASSINADO DIGITALMENTE) Ana de Barros Fernandes Wipprich– Presidente (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque – Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 66 0. 90 10 01 /2 00 9- 08 Fl. 233DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901001/200908 Acórdão n.º 1801002.109 S1TE01 Fl. 234 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Maria de Lourdes Ramirez, Alexandre Fernandes Limiro, Neudson Cavalcante Albuquerque, Leonardo Mendonça Marques, Fernando Daniel de Moura Fonseca e Ana de Barros Fernandes Wipprich. Relatório PASTIFÍCIO SANTA AMALIA S.A., pessoa jurídica já qualificada nestes autos, inconformada com a decisão proferida no Acórdão nº 0931.453 (fl. 87), pela DRJ Juiz de Fora, interpõe recurso voluntário a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, objetivando a reforma da decisão. O recorrente apresentou à Receita Federal do Brasil declaração de compensação de nº 04749.27004.260906.1.3.046357 (fl. 33), que não foi homologada por aquele órgão, nos termos do despacho decisório de fl. 32: Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, caso em que o recolhimento somente pode ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. Ciente dessa decisão, o interessado apresentou a manifestação de inconformidade de fl. 2, em que alega, em síntese: a) a nulidade do lançamento em virtude de ausência de prévio Mandado de Procedimento Fiscal; b) a inexistência do crédito tributário pago por meio de DARF; c) a ausência da produção de provas pela fiscalização sobre a exigibilidade do valor pago em DARF; d) que está devidamente demonstrado na contabilidade da empresa que o valor pago na guia DARF não encontra qualquer fundamento, portanto, é indevido, surgindo o direito do contribuinte de proceder a sua compensação com quaisquer outros tributos administrados pela RFB; A DRJ Juiz de Fora julgou improcedente a manifestação de inconformidade, ementando assim a sua decisão: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2005 MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL (MPF). INEXIGIBILIDADE. Fl. 234DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901001/200908 Acórdão n.º 1801002.109 S1TE01 Fl. 235 3 O MPF não é exigível em análise de Dcomp, só o sendo quando se tratar de ação fiscal. ESTIMATIVA IRPJ. COMPENSAÇÃO. Pagamento efetuado a titulo de estimativa de IRPJ, ainda que indevido, não pode ser objeto de compensação, devendo ser usado para dedução da contribuição anual devida ou na composição do saldo negativo respectivo. Cientificado dessa decisão em 20/10/2010, por meio de remessa postal (fl. 94), o contribuinte interpôs o presente Recurso Voluntário (fl. 95), em 03/11/2010, em que alega: a) a nulidade do lançamento em virtude de ausência de prévio Mandado de Procedimento Fiscal; b) a ilegalidade da instrução normativa que fundamenta a decisão recorrida, limitando o direito de compensação previsto na Lei nº 9.430, de 1996. Em sede de memoriais (fl. 228), o recorrente informa que a Instrução Normativa RFB nº 900, de 2008, revogou a instrução normativa que limitava o seu direito e propugna pelo efeito retroativo daquela. É o relatório Voto Conselheiro Neudson Cavalcante Albuquerque, Relator. O recurso voluntário apresentado atende aos pressupostos de admissibilidade, sendo digno de conhecimento. O contribuinte apresentou DCOMP pela qual extinguiu débito de estimativa de IRPJ do mês de janeiro de 2005, apontando indébito oriundo de pagamento a maior de estimativa de IRPJ referente a novembro de 2005. Ao apreciar a referida declaração, a Receita Federal do Brasil não homologou a compensação, sobre o fundamento de que o pagamento de estimativa não é passível de compensação, devendo compor a apuração anual da contribuição. A decisão da DRJ Juiz de Fora manteve a decisão de não homologação, com fundamento no artigo 10 da Instrução Normativa RFB nº 460, de 2004, que impedia a compensação de estimativas. Posteriormente, essa IN foi substituída pela IN SRF nº 600, de 2005, que manteve a mesma proibição. Todavia, a IN RFB nº 900, de 2008, retirou a referida proibição do ordenamento tributário e é pacífico na jurisprudência administrativa o entendimento de que seus efeitos devem retroagir para alcançar as compensações pendentes de decisão administrativa. Esse entendimento é adotado pela própria Administração Tributária, Fl. 235DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 10660.901001/200908 Acórdão n.º 1801002.109 S1TE01 Fl. 236 4 exteriorizado por meio da Solução de Consulta Interna Cosit n° 19, de 5/12/2011, assim ementada: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO ESTIMATIVAS. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. ESTITUIÇÃO E COMPENSAÇÃO. O art. 11 da IN RFB n° 900, de 2008, que admite a restituição ou a compensação de valor pago a maior ou indevidamente de estimativa, é preceito de caráter interpretativo das normas materiais que definem a formação do indébito na apuração anual do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica ou da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, aplicandose, portanto, aos PER/DCOMP originais transmitidos anteriormente a 1° de janeiro de 2009 e que estejam pendentes de decisão administrativa” No âmbito deste Tribunal Administrativo, a matéria foi pacificada por meio da Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Considerando a aplicação retroativa da IN RFB nº 900, de 2008, entendo que a decisão recorrida deve ser reformada, para que seja superada a questão legal preliminar que a fundamentou. Por todo o exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário, para reconhecer a possibilidade de compensação de indébitos de estimativa por meio de DCOMP, devendo a unidade de origem apreciar a liquidez e a certeza do indébito declarado. (ASSINADO DIGITALMENTE) Neudson Cavalcante Albuquerque Fl. 236DF CARF MF Impresso em 09/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 03/10/2014 por NEUDSON CAVALCANTE ALBUQUERQUE, Assinado digitalmente em 06/10/2014 por ANA DE BARROS FERNANDES
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Numero do processo: 10768.003602/2009-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 14 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE AÇÃO TRABALHISTA. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA.
O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado.
Numero da decisão: 2101-002.482
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Heitor de Souza Lima Júnior, que votaram por dar provimento em parte ao recurso.
MARIA CLECI COTI MARTINS - Presidente.
EDUARDO DE SOUZA LEÃO - Relator.
EDITADO EM: 30/09/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO.
Nome do relator: Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO
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RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE EM RAZÃO DE AÇÃO TRABALHISTA. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos recebidos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os conselheiros Alexandre Naoki Nishioka e Heitor de Souza Lima Júnior, que votaram por dar provimento em parte ao recurso. MARIA CLECI COTI MARTINS Presidente. EDUARDO DE SOUZA LEÃO Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 76 8. 00 36 02 /2 00 9- 47 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 2 EDITADO EM: 30/09/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: MARIA CLECI COTI MARTINS (Presidente), CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA, ALEXANDRE NAOKI NISHIOKA, GILVANCI ANTONIO DE OLIVEIRA SOUSA, HEITOR DE SOUZA LIMA JUNIOR e EDUARDO DE SOUZA LEÃO. Relatório Em princípio deve ser ressaltado que a numeração de folhas referidas no presente julgado foi a identificada após a digitalização do processo, transformado em meio eletrônico (arquivo.pdf). Tratase de Recurso Voluntário objetivando a reforma do Acórdão de nº 13 27.966, da 2ª Turma da DRJ/RJ2 (fls. 190/196), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Impugnação ao Lançamento Fiscal lavrado para incluir na tributação valores omitidos correspondentes a rendimentos recebidos pelo Contribuinte em razão de ação trabalhista, tomados como isentos. Os argumentos de Impugnação arguidos foram sintetizados pelo Órgão Julgador a quo nos seguintes termos: “O contribuinte apresenta impugnação às fls. 1 a 9, alegando em síntese que, recebeu Termo de Intimação em 02/03/2009, com prazo exíguo(cinco dias), para a apresentação dos documentos. Afirma que apresentou toda a documentação comprobatória em 23/03/2009 e mesmo assim foi lavrada a notificação. Com relação à omissão de rendimentos alega que é portador de moléstia grave adquirida em data anterior ao anocalendário 2005 e que os valores são isentos. Insurgese contra a cobrança dos juros moratórios alegando que o Código Tributário Nacional fixa limite máximo de 1% (parágrafo 1° do art. 161) e portanto, seria ilegal a utilização da taxa SELIC para cálculo dos juros moratórios, por estar excedendo este limite máximo. Ainda com relação à TAXA SELIC, afirma que ela seria inconstitucional, uma vez que a cobrança de tributos vencidos, calculados por taxas de juros de natureza remuneratória, ofende ao conceito jurídico e econômico de juros moratórios além de ferir o artigo 192 da Constituição Federal.” A decisão proferida pela da 2ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal no Rio de Janeiro (RJ), restou assim ementada: Fl. 236DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 2101002.482 S2C1T1 Fl. 3 3 “INTIMAÇÃO PRÉVIA. O pedido de esclarecimento ao contribuinte, na fase que antecede o lançamento fiscal, é uma faculdade da autoridade lançadora, sendo apenas um dos meios de que esta se vale quando da revisão da declaração de imposto de renda, na forma do art. 835 e 844 do Regulamento do Imposto de Renda RIR, aprovado pelo Decreto 3.000/99. MOLÉSTIA GRAVE A isenção do imposto de renda decorrente de moléstia grave abrange apenas os rendimentos de aposentadoria, reforma ou pensão. TAXA SELIC. APLICABILIDADE A partir de 01/04/1995, sobre os créditos tributários vencidos e não pagos incidem juros de mora equivalentes à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC ARGUIÇÕES DE INCONSTITUCIONALIDADE A autoridade administrativa não é competente para se manifestar acerca da constitucionalidade de dispositivos legais, prerrogativa essa reservada ao Poder Judiciário. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E DE REABERTURA DE PRAZO PARA A JUNTADA DE NOVAS PROVAS Devem ser indeferidos os pedidos de diligência e de reabertura de prazo para a juntada de novos documentos, quando forem prescindíveis para o deslinde da questão a ser apreciada, contendo o processo os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido” No Recurso Voluntário, o Recorrente insiste nos argumentos anteriormente suscitados quanto à isenção dos rendimentos recebidos em sede de ação trabalhista e pediu que, caso não se reconheça a isenção, seja aplicado o entendimento externado no Ato Declaratório PGFN nº 1, de 2009. Desta feita, entendendo que se trata de rendimentos recebidos acumuladamente, alega que o imposto deveria ser calculado com base nas tabelas e alíquotas das épocas próprias a que se referem tais rendimentos, o que não foi feito, modo pelo qual requer o cancelamento da Notificação de Lançamento. No entendimento de que o Lançamento Tributário, objeto deste processo, versa sobre rendimentos recebidos acumuladamente pelo Contribuinte, atentando a norma do artigo 12 da Lei nº 7.713/1988, cuja matéria estaria sob apreciação do STF no julgamento do RE 614406RS, este Colegiado emitiu Resolução (fls. 443/446) sobrestando a apreciação do Fl. 237DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 4 presente Recurso Voluntário, até que houvesse decisão definitiva da Corte Suprema, nos termos do disposto no artigo 62A, §§1º e 2º, do RICARF, vigente à época. Ocorre que os §§1º e 2º do art. 62A do Regimento do CARF foram revogados pelo Sr. Ministro da Fazenda, por meio da Portaria nº 545, de 18 de novembro de 2013, publicada no DOU de 20 de novembro de 2013. Deste modo, coloco o feito em pauta para julgamento. É o relatório. Voto Conselheiro Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO O recurso atende os requisitos de admissibilidade. Conforme se verifica nos autos, embora o Recorrente persevere sua isenção em face de figurar acometido de doença grave, nos termos da lei, modo pela qual os valores recebidos do exempregador (Caixa Econômica Federal) em razão de Ação Trabalhista, restariam isentos e nãotributáveis, a verdade insuperável é que o lançamento fiscal questiona rendimentos recebidos acumuladamente. Também observo que a fiscalização realizou o lançamento utilizando o regime de caixa e não o de competência, conforme regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988. Ocorre que o Superior Tribunal de Justiça, em recurso repetitivo, firmou o entendimento de que, no caso de recebimento acumulado de valores, decorrente de ações trabalhistas, revisionais, e etc., o Imposto de Renda da Pessoa Física – IRPF não deve ser calculado por regime de caixa, mas sim por competência; obedecendose as tabelas, as alíquotas, e os limites de isenção de cada competência (mês a mês): Fl. 238DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 2101002.482 S2C1T1 Fl. 4 5 “TRIBUTÁRIO. IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA. AÇÃO REVISIONAL DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. PARCELAS ATRASADAS RECEBIDAS DE FORMA ACUMULADA. 1. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Precedentes do STJ. 2. Recurso Especial não provido. Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC e do art. 8º da Resolução STJ 8/2008. (REsp 1118429/SP, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, PRIMEIRA SEÇÃO, DJe 14/05/2010). Este posicionamento vem sendo mantido de forma pacífica na Colenda Corte Superior de Justiça, conforme ementas transcritas apenas a título de exemplo: “PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. JUROS DE MORA. INCIDÊNCIA DE IMPOSTO DE RENDA. POSSIBILIDADE. REPERCUSSÃO GERAL. SOBRESTAMENTO. DESNECESSIDADE. 1. No julgamento do REsp 1.118.429/SP, Rel. Ministro Herman Benjamin, DJe 14.5.2010, submetido à sistemática do art. 543c do CPC, a Primeira Seção decidiu que o imposto de renda incidente sobre os benefícios previdenciários pagos a destempo e acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Disso resulta que não seria legítima a cobrança do tributo sobre o valor global pago fora do prazo legal. 2. O reconhecimento da repercussão geral pela Suprema Corte não enseja o sobrestamento do julgamento dos recursos especiais que tramitam no Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental improvido. (AgRg nos EDcl no REsp 1427079/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, DJe 07/04/2014) PROCESSUAL CIVIL E TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. INEXISTÊNCIA DE OFENSA AO ART. 535, II, DO CPC. ACÓRDÃO DO TRIBUNAL DE ORIGEM EM CONSONÂNCIA COM A ORIENTAÇÃO FIRMADA PELO STJ EM SEDE DE RECURSO REPETITIVO QUANTO AO TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DE PARCELAS PAGAS ACUMULADAMENTE EM CUMPRIMENTO DE DECISÃO JUDICIAL. PRETENDIDA REDUÇÃO DOS HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS FIXADOS COM BASE NO CRITÉRIO DE APRECIAÇÃO EQUITATIVA. INADMISSIBILIDADE. INCIDÊNCIA DA SÚMULA 7/STJ. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 6 1. Não procede a alegação de ofensa ao art. 535, II, do CPC, pois, ao julgar os embargos de declaração, embora os tenha rejeitado, o Tribunal de origem pronunciouse sobre a questão neles suscitada como omissa. 2. O art. 295, caput, inciso I e parágrafo único, do CPC, dispõe que a petição inicial será indeferida quando for inepta, dispondo, ainda, quando se considera inepta a petição inicial. Tendo em vista que a alegação de falta de documentos suscitada pela Procuradoria da Fazenda Nacional não se insere nas hipóteses de petição inicial inepta, o dispositivo processual tido como contrariado não possui comando normativo suficiente para reformar o acórdão recorrido no ponto em que o Tribunal de origem rejeitou a alegação fazendária de ausência de documentos que comprovem a remuneração recebida pelo autor. Quanto a este aspecto, incide na espécie a Súmula 284/STF, aplicável por analogia ao recurso especial. 3. De acordo com a orientação firmada pela Primeira Seção do STJ, por ocasião do julgamento do recurso repetitivo REsp 1.118.429/SP (Rel. Min. Herman Benjamin, DJe de 14.5.2010), "o imposto de renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente". 4. Ressalvadas as hipóteses de valor irrisório ou excessivo, a reavaliação do critério de apreciação equitativa adotado para o arbitramento da verba honorária, quando vencida a Fazenda Pública, não se coaduna com a natureza dos recursos especial e extraordinário, consoante enunciam as Súmulas 7/STJ e 389/STF. Nos presentes autos, o Tribunal de origem elevou os honorários advocatícios para R$ 3.000,00, quantia esta que, conforme consta do acórdão recorrido, equivale a 5% do valor dado à causa. Dadas as peculiaridades fáticas do presente caso, não se apresenta exorbitante a verba honorária fixada pelo Tribunal de origem. 5. Recurso especial parcialmente conhecido e, nessa parte, não provido. (REsp 1410118/PE, Rel. Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, SEGUNDA TURMA, DJe 11/03/2014 grifamos). Nos termos do art. 62A do seu Regimento Interno, este Conselho está obrigado a respeitar as decisões do STJ, nos exatos moldes em que proferidas, sem modificações ou ressalvas do seu alcance e/ou conteúdo. Tanto que em diversos julgados foi manifesta a posição neste sentido: OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE EM DECORRÊNCIA DE AÇÃO JUDICIAL. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. O recebimento de rendimentos decorrentes de revisão do valor da aposentadoria/benefício, em ação judicial, não é sujeito à tributação exclusiva na fonte, mas pelo regime de antecipação do imposto devido, sujeito ao ajuste anual. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS Processo nº 10768.003602/200947 Acórdão n.º 2101002.482 S2C1T1 Fl. 5 7 IRPF. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. REVISÃO DE BENEFÍCIO PREVIDENCIÁRIO. FORMA DE TRIBUTAÇÃO. No caso de rendimentos pagos acumuladamente em cumprimento de decisão judicial, a incidência do imposto ocorre no mês de recebimento, mas o cálculo do imposto deverá considerar os períodos a que se referirem os rendimentos, evitandose, assim, ônus tributário ao contribuinte maior do que o devido, caso a fonte pagadora tivesse procedido tempestivamente ao pagamento dos valores reconhecidos em juízo. Jurisprudência do STJ em Acórdão sujeito ao regime do art. 543C do CPC. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão nº 2801003.442, Processo nº 10580.723157/201148, Relator MARCIO HENRIQUE SALES PARADA, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF) IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os rendimentos pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo segurado. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.436, Processo nº 10166.003649/200990, Redator Designado CARLOS CÉSAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF); IRPF. RENDIMENTO RECEBIDO ACUMULADAMENTE. APLICAÇÃO DO REGIME DE COMPETÊNCIA. O Imposto de Renda incidente sobre os benefícios pagos acumuladamente deve ser calculado de acordo com as tabelas e alíquotas vigentes à época em que os valores deveriam ter sido adimplidos, observando a renda auferida mês a mês pelo contribuinte. Não é legítima a cobrança de IR com parâmetro no montante global pago extemporaneamente. Recurso Voluntário Provido (Acórdão nº 2801003.427, Processo nº 10166.007073/200514, Relator CARLOS CESAR QUADROS PIERRE, 1ª TE / 1ª CÂMARA / 2ª SEJUL/CARF/MF). O Direito Tributário admite, na aplicação da lei, o recurso à equidade, que é a justiça no caso concreto. Ora, não se pode tributar proventos recebidos acumuladamente, em Fl. 241DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS 8 razão de decisão trabalhista, sem observar se seriam tributáveis caso recebidos normalmente em época própria. Ocorrendo o equívoco do empregador, o resultado judicial da ação que corrige a ilegalidade não pode servir de base à incidência, sob pena de sancionarse o trabalhador/contribuinte por antijuridicidade de outros. Assim, tendo o lançamento sido fundamentado na regra estabelecida no art. 12 da Lei nº 7.713, de 1988, é dever julgálo improcedente, respeitando ao julgado representativo da controvérsia no STJ. Ante tudo acima exposto e o que mais constam nos autos, voto no sentido de por dar provimento ao recurso, afastando da tributação os valores recebidos acumuladamente. É como voto. Relator EDUARDO DE SOUZA LEÃO Fl. 242DF CARF MF Impresso em 17/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 11/11/201 4 por EDUARDO DE SOUZA LEAO, Assinado digitalmente em 13/11/2014 por MARIA CLECI COTI MARTINS
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Numero do processo: 11080.722146/2012-25
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 2403-000.248
Decisão:
RESOLVEM os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em converter o processo em diligência.
Carlos Alberto Mees Stringari - Presidente
Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto.
Nome do relator: PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO
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Carlos Alberto Mees Stringari Presidente Paulo Maurício Pinheiro Monteiro – Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Carlos Alberto Mees Stringari, Ivacir Júlio de Souza, Paulo Maurício Pinheiro Monteiro, Elfas Cavalcante Lustosa Aragão Elvas, Marcelo Freitas. Souza Costa e Marcelo Magalhães Peixoto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 10 80 .7 22 14 6/ 20 12 -2 5 Fl. 2148DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.149 2 RELATÓRIO Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1041.181 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, que julgou procedente os lançamentos, oriundos de descumprimento de obrigação tributária: Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 51.018.0167(parte Empresa), no montante de R$ 1.136.068,71; AIOP nº 51.018.0175 (parte Segurados), no montante de R$ 383.654,69; e AIOP nº 51.018.0183 (parte Terceiros), no montante de R$ 278.149,67 De acordo com o Relatório da decisão de primeira instância: (a) AIOP n.º51.018.0167, no valor de R$ 1.136.068,71 (um milhão, cento e trinta e seis mil e sessenta e oito reais e setenta e um centavos), relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados; (b) AIOP n.º 51.018.0175, no valor de R$ 383.654,69 (trezentos e oitenta e três mil, seiscentos e cinqüenta e quatro reais e sessenta e nove centavos), relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias, parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados; e (c) AIOP n.º 51.018.0183, no valor de R$ 278.149,67 (duzentos e setenta e oito mil, cento e quarenta e nove reais e sessenta e sete centavos), relativo ao lançamento de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social da Indústria SESI, Serviço Nacional da Indústria SENAI e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados. O Relatório da decisão de primeira instância observa que as contribuições objeto do presente processo referemse à obra de construção civil inscrita sob a matrícula CEI n.º 35.720.02058/79, localizada na Av. Almirante Maximiliano da Fonseca, s/número, distrito industrial de Rio Grande, RS. O Relatório do Procedimento Fiscal, às fls. 20 a 26, aponta que procedeuse ao arbitramento da remuneração da mãodeobra, consoante disposto no § 4 º do art. 33 da Lei n° 8.212/91, bem como no artigo 381, I, da Instrução Normativa RFB n° 971/2009. Fl. 2149DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.150 3 Lei n° 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 381. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; II quando não houver apresentação de escrituração contábil na forma estabelecida no § 5º do art. 47; III quando a contabilidade não espelhar a realidade econômicofinanceira da empresa por omissão de qualquer lançamento contábil ou por não registrar o movimento real da remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento ou do lucro; IV quando houver sonegação ou recusa, pelo responsável, de apresentação de qualquer documento ou informação de interesse da RFB; V quando os documentos ou informações de interesse da RFB forem apresentados de forma deficiente. § 1º Nas situações previstas no caput, a base de cálculo aferida indiretamente será obtida: I mediante a aplicação dos percentuais previstos nos arts. 336, 451 e 455, sobre o valor da nota fiscal, da fatura ou do recibo de prestação de serviços ou sobre o valor total do contrato de empreitada ou de subempreitada; II pelo cálculo do valor da mãodeobra empregada, correspondente ao padrão de enquadramento da obra de Fl. 2150DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.151 4 responsabilidade da empresa e proporcional à área construída; III por outra forma julgada apropriada, com base em contratos, informações prestadas aos contratantes em licitação, publicações especializadas ou em outros elementos vinculados à obra, quando não for possível a aplicação dos procedimentos previstos nos incisos I e II. Informa também o Relatório de Procedimento Fiscal, no tópico 14, que a apuração por aferição indireta, da remuneração da mãodeobra empregada na execução de obra de construção civil será efetuada com base na área construída e no padrão de construção da obra, de acordo com os procedimentos estabelecidos no Capítulo IV, artigos 338 a 374, da IN RFB nº 971/2009. Conforme o Relatório do Procedimento Fiscal, os seguintes 4 (quatro) fatos motivaram o arbitramento da obra de construção civil: (1 º fato) O preenchimento da GFIP 5. A empresa declarou GFIP, nas competências de 01/2007 a 06/2008, somente no CEI da obra, de todos os empregados (pessoal. de obra e da indústria) do estabelecimento 91.067.983/000309, não identificando o estabelecimento. O correto seria ter declarado 2 GFIP's , uma referente ao pessoal da obra e outra do pessoal da Indústria. 6. Nas competências de 01/2007 a 05/2007 a empresa declarou GFIP no estabelecimento 91.067.983/000309, SEM MOVIMENTO, ou seja, quando não existe fato gerador de contribuições previdenciárias. Sendo dispensada a entrega de GFIP's, nas competências subseqüentes, até a ocorrência de fatos geradores de contribuições previdenciárias. Como a empresa não declarou GFIP nas competências de 06/2007 a 06/2008, com esse procedimento entende se que não existia fato gerador de contribuição previdenciária nesse estabelecimento, o que não procede, conforme se verifica nas folhas de pagamentos apresentadas, em que consta a existência de segurados empregados na atividade industrial. Com relação às competências de 07/2008 a 12/2008 a empresa declara que nesse estabelecimento existia apenas a atividade de execução de obra própria, omitindo a informação de atividade industrial (de mistura e ensaque de fertilizantes). Portanto nas competências de 01/2007 a 12/2008, ou seja, por dois anos, a empresa declarou apenas a atividade de construção civil (obra própria). 7. 0s recolhimentos da GPS foram efetuados na matrícula CEI da obra, no período de 01/2007 a 12/2008, não existindo recolhimento no estabelecimento 91.067.983/000309. 8. A empresa declarou em GFIP, nas competências de 13/2007, 07/2008 a 13/2008, no estabelecimento 91.067.983/000309, toda a folha, informando como tomador a própria empresa e a matrícula CEI Fl. 2151DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.152 5 da obra, inclusive com o pessoal da industria e fez o recolhimento da GPS, totalmente na matricula CEI da obra.(No período de 01/2007 a 12/2008) (2 º fato) A utilização do mesmo código de CBO para vários cargos 10. Foi identificado, nas GFIP's que a empresa utilizou o mesmo CBO Código Brasileiro de Ocupações para diversos cargos, por exemplo: CBO 7170: ajudante de obras civis, foi utilizado para as seguintes funções: Aux Serviços Gerais(Coque) Atividade na Industria Ajudante de produção Atividade na Industria Balanceiro Atividade na Industria Carpinteiro Encarregado de mistura Atividade na Industria Ferreiro Operador de descarga Atividade na Industria Operador de Painel Atividade na Industria Operador Maquinas Automotivas Atividade na Industria Porteiro Atividade na Industria Servente de Obras 11. Foi feita uma separação da remuneração declarada em GFIP (foram consideradas as exportadas) entre o do pessoal da indústria e a que se refere ao pessoal da obra, considerando as funções constantes das folhas de pagamentos apresentadas em meio papel. Conforme detalhado na "PLANILHA BI REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP PESSOAL DA OBRA" e " PLANILHA B2 RESUMO DO REMUNERAÇÃO DECLARADA EM GFIP". (3 º fato) Desconsideração do Livro Caixa 12. A empresa não apresentou escrituração contábil, uma vez que, sendo optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, estaria dispensada do Livro Diário e Razão, desde que mantivesse Livro Caixa e Livro Registro de Inventário (não apresentado). O Livro Caixa foi desconsiderado, por não registrar toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, infringindo assim o Parágrafo Único do art 527 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999RIR, e também pela não apresentação de documentos que dão suporte, validando os lançamentos escriturados no Livro Caixa. Fl. 2152DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.153 6 Diante destes fatos foi lavrado auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias Código de fundamentação legal CFL38, DEBCAD N° 51.001.3082. (4 º fato) Não apresentação do Livro Registro de Inventário 12. A empresa não apresentou escrituração contábil, uma vez que, sendo optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, estaria dispensada do Livro Diário e Razão, desde que mantivesse Livro Caixa e Livro Registro de Inventário (não apresentado). Ainda, em relação à multa qualificada e agravada aplicada, entende o Relatório de Procedimento Fiscal que a mesma se justifica pelos seguintes motivos: 18.Entendemos que a empresa, no período de 01/2007 a 12/2008, com os procedimentos de: Declarar GFIP nas competências de 01/2007 a 05/2007 no estabelecimento 91.067.983/000309, SEM MOVIMENTO; Declarar o pessoal da industria (91.067.983/000309), no CEI da Obra; Declarar diversos CBO do pessoal da indústria, como sendo da atividade de construção civil, Efetuar as contribuições previdenciárias no CEI, incidentes sobre a remuneração do pessoal que prestou serviços na industria (mistura e ensaque de fertilizantes), como sendo de trabalhadores da obra de construção civil; Agiu com a intenção de utilizar os recolhimentos previdenciários, do pessoal da indústria, como sendo da obra, quando da regularização desta obra. A multa será qualificada (somente nas competências a partir de 12/2008). Tanto é assim que não existem recolhimentos de contribuições previdenciárias no estabelecimento da indústria (91.067.983/000309), (no período de 01 2007 a 12 2008). Todos os recolhimentos foram efetuados na matrícula CEI da obra, inclusive, em relação às contribuições incidentes sobre as remunerações do pessoal da indústria. As Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência GFIP foram declare j a s no CEI da obra ou o CEI da obra como tomador. Recolher valores numa matrícula CEI de obra, de uma filial (pessoal da indústria) não é a mesma coisa do que recolher as contribuições de uma filial em outra. Quando há obras envolvidas (matrícula CEI), o recolhimento na matrícula CEI será considerado para a regularização da obra e conseqüente emissão da CND da obra com fins de averbação no Registro de Imóveis. Fl. 2153DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.154 7 Fazendo parecer que o contribuinte utilizou mão de obra suficiente para tal construção. Esses recolhimentos não são recolhimentos somente do pessoal envolvido na obra. A empresa está se utilizando contribuições previdenciárias incidentes sobre a remuneração do pessoal da indústria como se fossem trabalhadores na construção civil. 19. A empresa prestou esclarecimentos, em 28/10/2011, após o prazo previsto no TIF03 (ciência em 13/09/2011), e não prestou esclarecimentos solicitados no TIF 06 (ciência em 21/11/2011) e, portanto a multa será agravada. O período objeto das autuações, conforme o item 15 do Relatório do Procedimento Fiscal, às fls. 20 a 26, é de 01/2006 a 12/2011: 15. Para efeitos de lançamento considerase como período de execução do empreendimento (parcial) o intervalo de 01/2006 a 12/2011. E na competência de 12/2011 como devidas as contribuições indiretamente aferidas e exigidas, sendo adotado o CUB no valor de R$ 502,84. A Recorrente teve ciência das autuações em 19.03.2012, conforme fls. 01. A Recorrente apresentou impugnação tempestiva, conforme Relatório da decisão de primeira instância: A empresa impugnou tempestivamente as exigências, através do arrazoado de fls. 2063/2080. A ciência dos autos de infração ocorreu em 19 de março de 2012, enquanto que a impugnação foi protocolizada em 16 de abril de 2012. Preliminarmente, entende deva ser aplicado o disposto no artigo 150, parágrafo 4.º, do Código Tributário Nacional CTN, anuladose a “cobrança das contribuições previdenciárias dos exercícios compreendidos entre 01/2007 e 01/2008, declarando, outrossim, a extinção do crédito tributário (art. 156 V do CTN) em relação à esses períodos”, bem assim expurgandose “todas as multas e juros incidentes sobre o referido lançamento em relação à contribuição patronal, do segurado e de terceiros, bem como eventual obrigação acessória.” Afirma, no caso, haver efetuado o autolançamento tributário das contribuições ora sob cobrança, sem que a autoridade fazendária tenha se pronunciado após cinco anos. Salienta, ainda, que “o auto lançamento previdenciário ocorre de forma mensal, por meio da entrega das GFIPs de modo que é defeso ao fiscal arbitrarlhe contribuições previdenciárias sobre os períodos que excederam 5 anos. Ademais, preconiza o artigo 150, § 4.º do CTN que o ‘dies a quo’ para contagem do prazo de homologação é a data do fato gerador, que, no caso, são os respectivos pagamentos dos funcionários da empresa.” Fl. 2154DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.155 8 Ademais, caso se entenda que o autolançamento não foi devidamente feito, invoca “a decadência dos créditos lançados em relação ao ano de 2007, diante da plena aplicação do artigo 173 do Código Tributário Nacional.” “O lançamento tributário em relação à contribuição previdenciária ora impugnado ocorreu apenas no dia 19/03/2012, por outro lado, verificase que as competências que se está cobrando no presente auto de lançamento são de 01/2007 a 30/12/2008, ressaltando que a contribuição previdenciária ora cobrada é de competência mensal, ou seja, segundo Código Tributário Nacional o prazo para lançamento pela autoridade fazendária passa a transcorrer a partir do mês seguinte a ocorrência do fato gerador/fato imponível.” Conclui que operouse “a decadência da cobrança das contribuições previdenciárias dos exercícios compreendidos entre 01/2007 a 01/2008”, bem assim “a extinção do crédito tributário (art. 156 V do CTN) em relação à esses períodos”, impondose “o expurgo de todas as multas e correções incidentes sobre o período decadente, seja sobre contribuição previdenciária patronal; do segurado ou de terceiros.” No mérito propriamente dito, aponta, primeiramente, a impropriedade da aferição indireta. Afirma que “o método de aferição indireta utilizado para lavratura dos autos de infração é instrumento de exceção, que permite ao auditor fiscal arbitrar as contribuições previdenciárias nos casos de total impossibilidade de fazêlo mediante a análise da documentação contábil e fiscal da empresa.” Em assim sendo, “o requisito para a realização de arbitramento é a necessidade de sua utilização em razão da completa impossibilidade de identificação dos fatos imponíveis pela ausência de documentação hábil. Seu objetivo é evitar sonegação fiscal e o decorrente prejuízo ao Erário. Uma vez ausente qualquer desses dois pilares, a aferição indireta não se justifica.” No caso em apreço, entende que a autoridade lançadora não observou (a) que “a contribuinte conseguiu demonstrar os pagamentos de todos os funcionários da construção civil, os quais foram feitos corretamente em relação à base de cálculo e alíquota, apesar de existir erro em relação à obrigação acessória – cadastramento de mais funcionários do que fora efetivamente utilizado”; (b) que “todos os funcionários da obra possuíam carteira assinada e constavam nas GFIPS e CFIPS”; e (c) que a própria auditora fiscal “conseguiu identificar precisamente quais eram os funcionários da obra e os serviços que prestavam.” Logo, sendo possível a identificação das bases de cálculo do tributo reclamado, resta afastado o requisito da necessidade da aferição indireta. Assim também quanto ao requisito finalidade/objetivo, “pois uma vez verificada qual a incidência tributária no caso resta inócuo o arbitramento.” Ademais, “diante da plena identificação dos valores referentes às contribuições previdenciárias incidentes sobre folha de pagamento, a aferição indireta além de não atingir sua finalidade importará em cobrança em duplicidade, pois apesar do fato dos funcionários da indústria constarem cadastrados na matrícula CEI e não no CNPJ da Fl. 2155DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.156 9 indústria, tal fato não gerou débito tributário, mas, no máximo indébito em favor ao contribuinte no caso da obra.” “Os recolhimentos previdenciários incidentes sobre os serviços prestados em obra foram efetuados [...], de modo que cobrar novamente contribuição previdenciária sobre estes montantes é recair em ‘bis in idem’.” “Estes fatos afastam a necessidade de aferição indireta pois esta não tem escopo punitivo, mas de lançamento tributário, devendo respeitar os estreitos limites do artigo 3.º do Código Tributário Nacional.” Assim, “mediante a análise das listas de funcionários e das GFIPS em cotejo com os pagamentos feitos pela contribuinte, é plenamente possível verificar que todos os recolhimentos incidentes sobre sua folha de pagamento foram honrados, não sendo sonegada qualquer quantia, seja na indústria, seja na construção civil.” Refere que “a própria auditora fiscal verificou que existem 77 funcionários na empresa (ponto 5.36 do Relatório Fiscal)”, devendo ser afastada a aferição indireta no caso, “pois é plenamente possível efetuarse a aferição direta, da qual se concluirá ao fim pela inexistência de débito. Em relação a obra, esclarece (a) que se trata “de construção de um pavilhão industrial, tosco, sem qualquer tipo de acabamento, de mínima complexidade, que está sendo realizada por empregados da própria ZANON/PRADOZEM”; (b) que o único bem adquirido, i.e., que não é produzido dentro da obra, é o cimento, cuja compra pode ser comprovada mediante documentos, e que não integrou o livro de inventário por ser de uso e consumo; (c) que a obra foi iniciada antes de 2007 e, até o presente momento, passados mais de seis anos, foram concluídos “apenas 69%, o que demonstra a sua lentidão justamente pela ausência de terceirização”; (d) que, nos termos da Lei n.º 8.212/91, o prestador de serviço terceirizado seria responsável solidário pelo pagamento de verbas previdenciárias, o que não ocorre no presente caso, em que inexiste tal figura “justamente pela completa ausência de terceirização”; e (e) que “uma vez demonstrado que a empresa utilizou para a construção do pavilhão apenas funcionários próprios, a cobrança de Contribuição Previdenciária deve ocorrer apenas sobre os mesmos, sendo completamente desnecessária e impossibilitada a aferição indireta” – “fato que foi desconsiderado pela ilustre auditora fiscal, que para verificar o montante de eventual débito utilizou o método de aferição indireta”. Destarte, requer seja afastado o arbitramento por aferição indireta, aplicandose a aferição direta. Invoca, neste passo, “o princípio norte do PAF que é o princípio da verdade material”, o qual “encontra eco nos princípios gerais de contabilidade, em específico no da essência sobre a forma”, ambos aplicáveis no presente caso, “pois o contribuinte demonstrou, de forma cabal e sem qualquer rastro de dúvida, a possibilidade de plena aferição direta, a qual evidenciará a verdade material.” Fl. 2156DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.157 10 “Apesar de existirem pequenos erros formais na contabilidade, a análise em conjunto dos documentos antes elencados, comprovaram, de forma individualizada, os custos de mão de obra ocorrentes nessa obra em específico.” “Nesse sentido, verificase que a fundamentação do lançamento tributário é, unicamente formal, motivo pelo qual é repudiada pelos princípios baluartes de nosso processo administrativo fiscal. Com efeito, a argumentação de que mero problema formal pode gerar lançamento tributário gera enriquecimento sem justa causa à Fazenda Nacional e deixa de propalar o desenvolvimento de contribuinte idôneo.” Ainda em relação ao arbitramento efetuado por meio de aferição indireta, aduz que a autoridade lançadora “simplesmente deixou de considerar os lançamentos previdenciários realizados pelo contribuinte e o respectivo pagamento dos mesmos, e, em assim sendo, é evidente a incidência dupla da contribuição previdenciária, fato que fere de morte o PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO.” Mais especificamente: em relação à única hipótese de incidência tributária ocorrida, “que foi o salário dos funcionários (indústria)”, as obrigações foram escrituradas, mesmo que na matrícula CEI, e a respectiva contribuição previdenciária devidamente apurada e paga, seja em relação à empresa, aos segurados ou a terceiros. A cobrança ora impugnada é, portanto, ilegal, tendo em vista que “não é o método de apuração que fará surgir qualquer tributo mas o critério material da regra matriz de incidência tributária prevista em nossa Constituição Federal e, no presente caso, a única hipótese ocorrente foi tributada e devidamente paga pelo contribuinte.” Invoca, ainda, a aplicação do artigo 142, parágrafo único, do CTN, segundo o qual “o lançamento tributário é ato vinculado”, sujeitando à responsabilização pessoal aquele agente que o fizer discricionariamente. “No presente caso, apesar de plenamente identificável a hipótese de incidência tributária, o lançamento tributário foi feito a despeito da lei, sendo assim passível de responsabilização do agente fiscal.” “Assim, além de estarse cobrando tributo indevido está se cobrando em duplicidade pois a mera ocorrência de incongruência em relação à escrituração da contribuinte não configura hipótese de incidência de contribuição previdenciária, sendo necessária a constatação de ausência de recolhimento ao Erário, fato que no presente caso está devidamente afastado.” Portanto, “estando sobejamente demonstrado que todos os funcionários do contribuinte que prestaram serviços na indústria tiveram sobre seus rendimentos a incidência de todas as contribuições previdenciárias fazse defeso à administração tributária cobrar o mesmo tributo sobre o mesmo fato imponível impondose a anulação do auto de lançamento em relação à sua materialidade.” Fl. 2157DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.158 11 Sucessivamente, caso mantida a aferição indireta em relação aos valores pagos aos empregados/prestadores de serviços da indústria, entende deva ser “determinada a plena compensação dos valores pagos a título de contribuição previdenciária, eis que gerarão indébito tributário.” Por outras palavras, “todos os valores pagos referentes ao presente fato pelo contribuinte deverão ser compensados na aferição indireta, sob pena de incidir em bis in idem.” Entende, no caso, deva ser realizada “perícia contábil para apuração da diferença destes valores.” Refere, por fim, que “uma vez demonstrado que inexiste qualquer sonegação fiscal no presente caso, impõese seja determinado o redimensionamento da multa aplicada.” Nesse sentido, dispõem os artigos 284 e seguintes do RPS “que as multas terão gradações de acordo com o grau de gravidade das atitudes tomadas pelo contribuinte.” No presente caso, afirma que “não cometeu nenhum ilícito de ordem material, sendo que a ilustre fiscal utilizouse de argumentos que não tem qualquer substancialidade”, quais sejam os de que (a) “diante do fato do contribuinte ter declarado em GFIP os empregados da indústria no CEI da obra, esta teria que sofrer penalidade agravada”; e de que (b) “a contribuinte teria entregue documentos de forma intempestiva.” Observa que a autoridade lançadora “exigia da contribuinte documentos com mais de 5 anos de existência, fato inclusive que lhe era defeso. Ademais o contribuinte buscou entregar todos os documentos requisitados.” Diante de tais fatos, conclui que as multas arbitradas são excessivas, acabando por ferir, não só o princípio da vedação ao confisco, mas também os princípios constitucionais da razoabilidade e da proporcionalidade. Destarte, entende devam as multas aplicadas serem revistas e redimensionadas “a patamares razoáveis” – fixandoas em um patamar entre 2% e 20% do imposto supostamente devido, haja vista “a boafé da autuada e o inexistente dano ao Erário” –com o que “a multa alcançará seu fim, que é ressarcir o Erário de qualquer prejuízo e punir a recorrente de seu ato (que, como exposto, sequer participou).” “Por fim salientase que o fato de estarem mais trabalhadores inscritos na obra, por erro, tal fato não enseja agravamento da pena por não tratarse de sonegação fiscal, mas ser mero erro de fato.” Ao final, a empresa postula, preliminarmente, seja provida a presente impugnação, declarando a decadência do lançamento tributário “em relação ao ano de 2007 diante da extinção do crédito tributário previsto no artigo 150, § 4.º do CTN.” Sucessivamente, “requer a aplicação do artigo 173 do CTN, declarando a decadência em constituir o crédito tributário pelo transcurso de mais de 5 anos.” Fl. 2158DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.159 12 No mérito, requer, a um, “seja afastado o arbitramento por aferição indireta diante de sua completa ausência de necessidade e finalidade eis que plenamente possível a aferição direta determinando recalculo do apurado”; a dois, “seja determinado o cotejo do que foi efetivamente pago pelo contribuinte em relação às contribuições previdenciárias para fins de apuração de acordo com a verdade material da existência ou não de débito”; a três, “sejam expurgadas as multas materiais qualificadas eis que o contribuinte não sonegou qualquer tributo; não causou qualquer dano ao erário e incidiu em mero erro formal”. Postula a produção de prova pericial contábil e de todas as provas em direito admitidas. Requer, por fim, “sob pena de nulidade”, que todas as intimações sejam extraídas em nome de seu patrono. Anexa os documentos de fls. 2081/2088, correspondentes à sua representação no presente processo. A Recorrida, conforme o Acórdão nº 1041.181 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, analisou a autuação e a impugnação, julgando procedente a autuação, conforme Ementa a seguir: Acórdão 1041.181 7ª Turma da DRJ/POÁ Sessão de 12 de novembro de 2012 Processo 11080.722146/201225 Interessado ZANON COMÉRCIO, SERVIÇOS E TRANSPORTE LTDA. CNPJ/CPF 91.067.983/000139 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011 CONSTITUCIONALIDADE. A constitucionalidade das leis é vinculada para a Administração Pública. PROCURADOR. INTIMAÇÃO. As intimações devem ser feitas ao sujeito passivo, no domicílio tributário por ele eleito perante a Administração Tributária. PRODUÇÃO DE PROVAS. PERÍCIA. É de nenhum efeito o protesto genérico pela produção de provas. Quanto à perícia, especificamente, considerase não formulado o pedido de sua realização, porquanto não indicados os quesitos Fl. 2159DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.160 13 referentes aos exames desejados, nem o nome, endereço e qualificação profissional do perito da impugnante. Ademais, não constitui motivo válido para a realização desse exame a simples alegação acerca da necessidade de apuração da diferença de valores a serem compensados, o que poderia ser feito mediante a apresentação de demonstrativo elaborado pela própria postulante. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011 SALÁRIOSDE CONTRIBUIÇÃO. AFERIÇÃO INDIRETA. A não apresentação de escrituração contábil nos termos da legislação comercial, aliada a uma série de irregularidades verificadas nas folhas de pagamento e nas GFIPs da empresa, justifica a aferição indireta dos saláriosdecontribuição, para fins de apuração das contribuições devidas. OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS. FINALIDADE. A observância das obrigações tributárias acessórias não constitui mera questão formal, a ser afastada de qualquer maneira, na busca da verdade material. Tratase de obrigações estabelecidas no interesse da fiscalização tributária, com o objetivo de propiciar à Fiscalização elementos suficientes, que lhe permitam concluir, com segurança, quanto ao correto recolhimento das contribuições devidas pelas empresas. ESCRITURAÇÃO CONTÁBIL. DISPENSA. A empresa optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido está dispensada da manutenção de escrituração contábil nos termos da legislação comercial, desde que mantenha a escrituração do Livro Caixa e Livro de Registro de Inventário. DOCUMENTOS. CONSERVAÇÃO. A empresa é obrigada a conservar os livros obrigatórios de escrituração comercial e fiscal e os comprovantes dos lançamentos neles efetuados até que ocorra a prescrição dos créditos tributários decorrentes das operações a que se refiram. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/12/2011 a 31/12/2011 DECADÊNCIA. As contribuições previdenciárias estão sujeitas, em matéria decadencial, aos prazos estabelecidos Código Tributário Nacional, contados da ocorrência do fato gerador ou do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme tenha havido, ou não, antecipação de pagamento parcial, respectivamente. MULTA. APLICAÇÃO. ATIVIDADE VINCULADA. Fl. 2160DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.161 14 A autoridade julgadora, assim como a autoridade lançadora, está expressamente vinculada à observância das normas legais e regulamentares, não havendo como aplicar multas diferentes daquelas estabelecidas em lei. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Acórdão Acordam os membros da 7.ª Turma de Julgamento, por unanimidade de votos, em julgar improcedente a impugnação, mantendo os créditos tributários exigidos. Intimese para pagamento dos créditos mantidos no prazo de 30 dias da ciência, salvo interposição de recurso voluntário ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, em igual prazo, conforme facultado pelo artigo 33 do Decreto n.º 70.235, de 06 de março de 1972, alterado pelo artigo 1.º da Lei n.º 8.748, de 09 de dezembro de 1993, e pelo artigo 32 da Lei n.º 10.522, de 19 de julho de 2002. Porto Alegre, em 12 de novembro de 2012. Inconformada com a decisão da Recorrida, a Recorrente apresentou Recurso Voluntário para as três autuações, atacando a decisão de primeira instância e reiterando os argumentos deduzidos em sede de Impugnação, em apertada síntese: DAS PRELIMINARES (i) Do objeto social O objeto social é a Prestação de serviços de mistura e ensaque de adubos e fertilizantes; Comércio de Cereais e Fertilizantes; Serviços de armazenamento de grãos, adubos e fertilizantes; Serviços de Armazenamento e beneficiamento de sementes: transportes de cargas rodoviárias em geral". Tratase de empresa com mais de 30 anos de atividade que tinha como objeto social o Transporte Rodoviário de Carga, e, atualmente, sua atividade preponderante é prestação de serviços de armazenagem e mistura de adubos e fertilizantes. Além das atividades acima elencadas, conforme já se informou, a empresa está promovendo a construção de pavilhão industrial próprio, mediante emprego de mão de obra própria sem terceirizações. (ii) Da aferição indireta Dos motivos da Fiscalização para aferição indireta Fl. 2161DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.162 15 a. falta de referência no livro caixa quanto a depósitos em uma das contas bancárias (ITAÚ) nos últimos três meses da auditora. Sobre esse fato, consta no lançamento que a partir da análise do Livro Caixa, a fiscalização optou por bem desconsiderálo pois não continha movimentação de pagamentos feitos pelo banco ITAÚ referentes aos últimos 3 meses do período fiscalizado, bem como não possuía contratos de mútuo com a empresa PRADOZEM, apesar de constar devidamente registrado as movimentações financeiras feitas pela empresa coligada; b. que a empresa não possuía livro registro de inventário; e que, apesar de ter demonstrado que é prestadora de serviços e, em assim sendo, não possuir qualquer evoque, e que é contribuinte de ICMS em relação ao TRANSPORTE ( o qual, a toda evidência, também é prestação de serviço), essa obrigação seria inafastável; c. que os empregados da indústria estariam registrados na matrícula CEI, gerando incongruência, fato que geraria imputação de multa material qualificada e a desconsideração dos pagamentos previdenciários; (iii) DO CERCEAMENTO DE DEFESA. DA NECESSIDADE DE REFORMA DA DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU E BAIXA PARA DILIGÊNCIA. Na oportunidade de apresentação da impugnação administrativa foi requerido pela contribuinte a possibilidade de realizar PERÍCIA CONTÁBIL a fim de permitir evidenciar que não havia necessidade de se realizar a aferição indireta. Buscava pela mesma prova demonstrar que o contribuinte pagou valores vultuosos à título de contribuição previdenciária que não foram considerados, como também que existiam terceiros que eram empresas optantes pelo SIMPLES e que estavam alheias à hipótese de incidência da contribuição previdenciária e que por estes motivos não foi causado qualquer prejuízo ao Erário. Este era o pedido e o objetivo da perícia a ser realizada. Cumpre salientar que o auto de lançamento impugnado referese à aferição indireta ilustres Julgadores, ou seja, o lançamento foi feito desconsiderando TODOS OS PAGAMENTOS REALIZADOS PELO CONTRIBUINTE. A perícia é fundamental pois influenciará, necessariamente, no julgamento da causa, (iv) PRELIMINAR. DA OCORRÊNCIA DE HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. APLICAÇÃO DO ART. 150 §4° DO CTN. DO MÉRITO (V) DA NECESSIDADE DE AFERIÇÃO DIRETA NO PRESENTE CASO. Fl. 2162DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.163 16 Na decisão ora recorrida entenderam os julgadores a quo que a aferição indireta estaria de acordo com o artigo 446 da IN 971/09 da RFB , sendo que seus fundamentos foram os seguintes: a. que a autora apesar de apresentar o LIVRO CAIXA não apresentou o registro de inventário; b. que no livro caixa estariam ausentes transferências entre a empresa coligada PRADOZEM e que estariam ausentes pagamentos que comprovassem compra de vale alimentação; c. que os arquivos digitais disponibilizados não individualizaram as folhas de pagamento por obra. Os fundamentos lançados para justificar a aferição indireta não se sustentam ilustres julgadores, sendo que servem apenas como acusações contra a contribuinte. Para afastar as acusações, primeiramente, cumpre ressaltar que a ora recorrente tem por atividade a PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS de estocagem de adubos e fertilizantes. Por este motivo, é contribuinte de ISSQN e não de ICMS, sendo que para sua atividade prescinde possuir qualquer estoque, inexistindo necessidade de possuir o livro de inventário. Verificase que as entradas contabilizadas que sustentaram a aferição indireta referiase a sacos de areia para argamassa, os quais integraram a obra da empresa, ou seja, inexistia a necessidade de possuir o livro inventário. Outrossim, em relação às transferências realizadas pela empresa PRADOZEM LTDA., tais remessas ocorreram porque tratase de um mesmo grupo econômico ambas da mesma família e constituídas pelos mesmos sócios. Assim em uma competência ocorreram transferências para permitir a funcionalidade da ora recorrente, os quais eram plenamente identificáveis. Por fim, em relação ao lançamento realizado no auto de lançamento cumpre verificar que tratase de verba previdenciária incidente sobre os pagamentos realizados 'para terceiros, sendo que sobre estes pagamentos a sua observação era plenamente identificável impossibilitando a aferição indireta, conforme passase a expor: (...) No presente caso, tanto o fiscal como a decisão de primeiro grau olvidouse de observar os seguintes fatos que afastam por completo a necessidade de aferição indireta: a. que a contribuinte conseguiu demonstrar os pagamentos de todos os funcionários da construção civil os quais foram feitos corretamente em relação à base de cálculo e alíquota, apesar de existir erro em relação à obrigação acessória cadastramento de funcionários da empresa na matrícula da obra; b. todos os funcionários da obra possuíam carteira assinada e constavam nas GFIPS e CFIPS; Fl. 2163DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.164 17 c. a própria ARFB conseguiu identificar precisamente quais eram os funcionários da obra e os serviços que prestavam. Portanto, sendo possível a identificação da base de cálculo apta a exsurgir o tributo reclamado, o requisito da necessidade para aferição indireta resta afastado. Queda denunciado sob o mesmo prisma o requisito da finalidade/objetivo, pois uma vez verificada qual a incidência tributária no caso resta inócuo o arbitramento (vi) DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DA INSTRUMENTALIDADE DO PROCESSO Invocase, por fim, o princípio norte do PAF que é o princípio da verdade material. Tal princípio encontra eco nos princípios gerais de contabilidade, em específico no da essência sobre a forma. No presente caso, ambos os princípios são aplicáveis, pois o contribuinte demonstrou, de forma cabal e sem qualquer rastro de dúvida, a possibilidade de plena aferição direta, a qual evidenciará a verdade material. Apesar de existirem pequenos erros formais na contabilidade, a análise em conjunto dos documentos antes elencados, comprovaram, de forma individualizada, os custos de mão de obra ocorrentes nessa obra em específico. Nesse sentido, verificase que a fundamentação do lançamento tributário é, unicamente formal, motivo pelo qual é repudiada pelos princípios baluartes de nosso processo administrativo fiscal. Com efeito, a argumentação de que mero problema formal pode gerar lançamento tributário gera enriquecimento sem justa causa à Fazenda Nacional e deixa de propalar o desenvolvimento de contribuinte idôneo. (vii) DA NEGATIVA DE VIGÊNCIA AO PRINCÍPIO DA LEGALIDADE E DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE Corroborando a injustiça fiscal emanada do arbitramento por meio de aferição indireta verificase que a fiscal simplesmente deixou de considerar os lançamentos previdenciários realizados pelo contribuinte e o respectivo pagamento dos mesmos, e, em assim sendo, é evidente a incidência dupla da contribuição previdenciária, fato que fere de morte o PRINCÍPIO DA LEGALIDADE TRIBUTÁRIA E DA VEDAÇÃO AO CONFISCO. Verificase no presente caso que em relação a ÚNICA HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA TRIBUTÁRIA OCORRENTE, que foi o salário dos funcionários (indústria), as obrigações foram escrituradas (mesmo que na matrícula CEI), e a respectiva contribuição previdenciária devidamente apurada e paga, seja em relação aos segurados, à empresa ou a terceiros. A cobrança ora impugnada é ilegal pois faz exsurgir nova hipótese de incidência estranha a contribuição previdenciária, justificada em potencial escrituração inidônea, sendo que o fisco tem o único direito de cobrar os valores impagos e não os pagos. Diante de tal atitude Fl. 2164DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.165 18 feriuse de morte o princípio da legalidade insculpido no artigo 150,1 da Constituição Federal. (viii) DA COMPENSAÇÃO DOS VALORES PAGOS Sucessivamente, caso Vossas Senhorias entendam que a aferição indireta deve ser validada, o que se argumenta apenas em respeito ao princípio da eventualidade na defesa, requer seja determinada a plena compensação dos valores pagos a título de contribuição previdenciária, eis que gerarão indébito tributário. Assim, todos os valores pagos referentes ao presente fato pelo contribuinte deverão ser compensados na aferição indireta, sob pena de incidir em bis in idem. Requer se proceda em perícia contábil para apuração da diferença destes valores. (ix) DO REDIMENSIONAMENTO DA MULTA APLICADA Por fim ilustríssimos julgadores, uma vez demonstrado que inexiste qualquer sonegação fiscal no presente caso, impõese seja determinado o redimensionamento da multa aplicada. (...) Nesse sentido dispõe os artigos 284 e seguintes do RPS que as multas terão gradações de acordo com o grau de gravidade das atitudes tomadas pelo contribuinte. Diante de tais fatos, a multa arbitrada é excessiva e acaba por ferir o princípio da vedação ao confisco, pois conforme se depreende da notificação, a ora recorrente sofreu multas que ultrapassaram 100% as quais, mesmo em uma análise vestibular da matéria, verificamse absolutamente desproporcional e de forma patente afronta pelo menos os princípios constitucionais da razoabilidade, da proporcionalidade, do nãoconfisco. Posteriormente, os autos foram enviados ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 2165DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.166 19 VOTO Conselheiro Paulo Maurício Pinheiro Monteiro , Relator PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE O Recurso Voluntário foi interposto tempestivamente, conforme informação nos autos. Avaliados os pressupostos, passo para o exame das Questões Preliminares. DAS QUESTÕES PRELIMINARES. Tratase de Recurso Voluntário, apresentado contra Acórdão nº 1041.181 7ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS, que julgou procedente os lançamentos, oriundos de descumprimento de obrigação tributária: Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP nº 51.018.0167(parte Empresa), no montante de R$ 1.136.068,71; AIOP nº 51.018.0175 (parte Segurados), no montante de R$ 383.654,69; e AIOP nº 51.018.0183 (parte Terceiros), no montante de R$ 278.149,67 De acordo com o Relatório da decisão de primeira instância: (a) AIOP n.º51.018.0167, no valor de R$ 1.136.068,71 (um milhão, cento e trinta e seis mil e sessenta e oito reais e setenta e um centavos), relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias patronais, inclusive aquela destinada ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados; (b) AIOP n.º 51.018.0175, no valor de R$ 383.654,69 (trezentos e oitenta e três mil, seiscentos e cinqüenta e quatro reais e sessenta e nove centavos), relativo ao lançamento de contribuições previdenciárias, parte dos segurados, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados; e (c) AIOP n.º 51.018.0183, no valor de R$ 278.149,67 (duzentos e setenta e oito mil, cento e quarenta e nove reais e sessenta e sete centavos), relativo ao lançamento de contribuições destinadas a outras entidades e fundos, no caso, o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação FNDE, Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Social da Indústria SESI, Serviço Nacional Fl. 2166DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.167 20 da Indústria SENAI e Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, incidentes sobre as remunerações pagas, devidas ou creditadas a segurados empregados. O Relatório da decisão de primeira instância observa que as contribuições objeto do presente processo referemse à obra de construção civil inscrita sob a matrícula CEI n.º 35.720.02058/79, localizada na Av. Almirante Maximiliano da Fonseca, s/número, distrito industrial de Rio Grande, RS. O Relatório do Procedimento Fiscal, às fls. 20 a 26, aponta que procedeuse ao arbitramento da remuneração da mãodeobra, consoante disposto no § 4 º do art. 33 da Lei n° 8.212/91, bem como no artigo 381, I, da Instrução Normativa RFB n° 971/2009. A controvérsia está centrada na questão do arbitramento da remuneração da mãodeobra em construção civil em relação aos fatos que ensejaram o arbitramento, mais especificamente em relação à apresentação da escrituração contábil. O Relatório do Procedimento Fiscal, às fls. 20 a 26, aponta que procedeuse ao arbitramento da remuneração da mãodeobra, consoante disposto no § 4 º do art. 33 da Lei n° 8.212/91, bem como no artigo 381, I, da Instrução Normativa RFB n° 971/2009: Lei n° 8.212/91 Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 4o Na falta de prova regular e formalizada pelo sujeito passivo, o montante dos salários pagos pela execução de obra de construção civil pode ser obtido mediante cálculo da mão de obra empregada, proporcional à área construída, de acordo com critérios estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, cabendo ao proprietário, dono da obra, condômino da unidade imobiliária ou empresa corresponsável o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). IN RFB n° 971/2009 Art. 381. A base de cálculo para as contribuições sociais relativas à mãodeobra utilizada na execução de obra ou de serviços de construção civil será aferida indiretamente, com fundamento nos §§ 3º, 4º e 6º do art. 33 da Lei nº 8.212, de 1991, quando ocorrer uma das seguintes situações: I quando a empresa estiver desobrigada da apresentação de escrituração contábil e não a possuir de forma regular; Fl. 2167DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.168 21 Neste sentido, o Relatório do Procedimento Fiscal, dentre os 4 (quatro) fatos que motivaram o arbitramento da obra de construção civil aponta a desconsideração do Livro Caixa e a não apresentação do Livro Registro de Inventário (3 º fato) Desconsideração do Livro Caixa 12. A empresa não apresentou escrituração contábil, uma vez que, sendo optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, estaria dispensada do Livro Diário e Razão, desde que mantivesse Livro Caixa e Livro Registro de Inventário (não apresentado). O Livro Caixa foi desconsiderado, por não registrar toda a movimentação financeira, inclusive a bancária, infringindo assim o Parágrafo Único do art 527 do Regulamento do Imposto de Renda de 1999RIR, e também pela não apresentação de documentos que dão suporte, validando os lançamentos escriturados no Livro Caixa. Diante destes fatos foi lavrado auto de infração por descumprimento de obrigações acessórias Código de fundamentação legal CFL38, DEBCAD N° 51.001.3082. (4 º fato) Não apresentação do Livro Registro de Inventário 12. A empresa não apresentou escrituração contábil, uma vez que, sendo optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, estaria dispensada do Livro Diário e Razão, desde que mantivesse Livro Caixa e Livro Registro de Inventário (não apresentado). Por outro lado, a Recorrente aponta no Recurso Voluntário dentre os motivos que levou a AuditoriaFiscal a realizar a aferição indireta a falta de Livro Registro de Inventário e a falta de referência no Livro Caixa quanto a depósitos em uma das contas bancárias (ITAÚ) nos últimos três meses da auditora, bem como a de que não possuía contratos de mútuo com a empresa PRADOZEM: a. falta de referência no livro caixa quanto a depósitos em uma das contas bancárias (ITAÚ) nos últimos três meses da auditora. Sobre esse fato, consta no lançamento que a partir da análise do Livro Caixa, a fiscalização optou por bem desconsiderálo pois não continha movimentação de pagamentos feitos pelo banco ITAÚ referentes aos últimos 3 meses do período fiscalizado, bem como não possuía contratos de mútuo com a empresa PRADOZEM, apesar de constar devidamente registrado as movimentações financeiras feitas pela empresa coligada; b. que a empresa não possuía livro registro de inventário; e que, apesar de ter demonstrado que é prestadora de serviços e, em assim sendo, não possuir qualquer evoque, e que é contribuinte de ICMS em relação ao TRANSPORTE ( o qual, a toda evidência, também é prestação de serviço), essa obrigação seria inafastável; Fl. 2168DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.169 22 Ainda, a decisão de primeira instância, às fls. 2102, aponta, dentre os motivos para a aferição indireta, a não apresentação da escrituração contábil materializada na não apresentação do Livro Registro de Inventário e a desconsideração do Livro Caixa por não registrar toda a movimentação financeira e pela não apresentação de documentos que suportaram os lançamentos, ademais das diversas irregularidades constatadas nos Processo nº 11080.722145/201281: Em segundo lugar, refere a autoridade lançadora que a impugnante não apresentou escrituração contábil, porquanto, embora sendo optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, teve seu Livro Caixa desconsiderado e não apresentou o Livro Registro de Inventário. O Livro Caixa apresentado pela impugnante foi desconsiderado, por não registrar toda a movimentação financeira e pela não apresentação de documentos que deram suporte aos lançamentos nele escriturados – com a conseqüente lavratura do AI n.º DEBCAD 51.001.3082 (incluído no Processo n.º 11080.722145/201281), atualmente em cobrança administrativa, conforme consulta aos sistemas informatizados da RFB. Ainda quanto ao Livro Caixa e demais documentos apresentados pela impugnante, durante a ação fiscal, não se pode olvidar as diversas irregularidades constatadas pela Fiscalização, e detalhadamente expostas no voto prolatado no Processo n.º 11080.722144/201236, nesta mesma sessão de julgamento. DA NECESSIDADE DE DILIGÊNCIA FISCAL Desta forma, dada a controvérsia em relação à caracterização das irregularidades do Livro Caixa que fundamentou a aferição indireta, considerandose os princípios da celeridade, efetividade e segurança jurídica, surge a prejudicial de se determinar se, no período objeto das autuações fiscais, 01/2006 a 12/2011, quais foram as irregularidades encontradas no Livro Caixa e, ainda assim, dado o objeto social da Recorrente e as suas atividades desenvolvidas, se a empresa estaria obrigada a apresentar o Livro Registro de Inventário. Fl. 2169DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI Processo nº 11080.722146/201225 Resolução nº 2403000.248 S2C4T3 Fl. 2.170 23 CONCLUSÃO CONVERTER o presente processo em DILIGÊNCIA para que a Unidade da Receita Federal do Brasil de jurisdição do Recorrente informe para o período objeto das autuações fiscais, 01/2006 a 12/2011: (i) quais foram as irregularidades encontradas no Livro Caixa; (ii) quais as movimentações financeiras e bancárias que deixaram de ser registradas no Livro Caixa; (iii) quais foram os lançamentos escriturados no Livro Caixa que não foram validados por documentos; (iv) se as irregularidades encontradas no Livro Caixa estão descritas no Relatório de Procedimento Fiscal, ou em seus Anexos, do presente processo administrativofiscal; (v) considerandose o regime de tributação de opção pelo lucro presumido da empresa, o seu objeto social e as suas atividades desenvolvidas, se a empresa estaria obrigada a apresentar o Livro Registro de Inventário. É como voto. Paulo Maurício Pinheiro Monteiro Fl. 2170DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente e m 15/09/2014 por PAULO MAURICIO PINHEIRO MONTEIRO, Assinado digitalmente em 30/09/2014 por CARLOS AL BERTO MEES STRINGARI
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Numero do processo: 16349.000081/2009-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 25 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Nov 05 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3202-000.184
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarou-se impedido o conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Gabriel Germani, OAB/RS nº 80.419.
Assinado digitalmente
Irene Souza da Trindade Torres Oliveira - Presidente.
Assinado digitalmente
Tatiana Midori Migiyama - Relatora.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora).
Relatório
Nome do relator: Não se aplica
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Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. Declarouse impedido o conselheiro Gilberto de Castro Moreira Junior. Acompanhou o julgamento, pela recorrente, o advogado Gabriel Germani, OAB/RS nº 80.419. Assinado digitalmente Irene Souza da Trindade Torres Oliveira Presidente. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Relatora. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Irene Souza da Trindade Torres (Presidente), Luís Eduardo Garrossino Barbieri, Charles Mayer de Castro Souza, Thiago Moura de Albuquerque Alves e Tatiana Midori Migiyama (Relatora). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto por BRF BRASIL FOODS S/A, atual denominação de PERDIGÃO S/A, contra Acórdão nº 1623. 131, de 8 de outubro de 2009 (de fls. 249 a 259), proferido pela 6ª Turma da DRJ/SP1, que julgou por unanimidade de votos, improcedente a manifestação de inconformidade. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório integrante da decisão recorrida, a qual transcrevo a seguir: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 49 .0 00 08 1/ 20 09 -9 3 Fl. 428DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16349.000081/200993 Resolução nº 3202000.184 S3C2T2 Fl. 307 2 “1. ELEVA ALIMENTOS S/A (CNPJ n° 92.776.665/000100), empresa incorporada por BRF BRASIL FOODS S/A, atual denominação de PERDIGÃO S/A, apresentou Pedido de Ressarcimento (PER) n° 12193.69792.110608.1.1.091005 (fls. 22/23), em 11/06/08, no valor de R$ 6.336.502,90, relativo a crédito de COFINS não cumulativa, receita de exportação, apurado no 1° trimestre do ano de 2008. 2. O PER foi baixado para tratamento manual no presente processo administrativo. 3. Com o intuito de apurar a liquidez e certeza do crédito pleiteado pelo interessado, por intermédio do despacho de fls. 24/24 v, a autoridade fiscal, em 03/04/09, baixou os autos em diligência fiscal. 4. As autoridades fiscais responsáveis pela diligência fiscal elaboraram Informação Fiscal de fls. 102/103, em 14/04/09, na qual declararam que o contribuinte não apresentou os documentos solicitados, fato que impossibilitou a análise do crédito em questão. 5. A DERATSP/DIORT proferiu Despacho Decisório de fls. 106/108, em 06/05/09, ciência em 09/05/09 (fl. 109 v) por intermédio do qual indeferiu o PER. 6. O contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, em 08/06/09 (fls.110/119) alegando em síntese: 6.1. o prazo fornecido para a apresentação de documentos em diligência fiscal foi de apenas 5 dias, ao passo que a IN SRF n° 86/01 nestes casos prevê prazo mínimo de 20 dias; 6.2. a existência de provimento judicial que determinava a análise do PER em 30 dias não seria motivo suficiente para a concessão de prazo tão exíguo, pois bastaria a solicitação de dilação do prazo; 6.3. este fato ocasionou cerceamento à ampla defesa e decorreu de represália ao contribuinte; 6.4. foi requerida a apresentação de enorme quantidade de documentos, sendo que muitos deles não são obrigatórios; 6.5. somente os livros fiscais solicitados referentes a um exercício se encontram em 80 caixas, razão pela qual deixa de juntar aos autos, mas desde logo os coloca à disposição do Fisco; 6.6. em procedimentos fiscais semelhantes o Fisco jamais solicitou um rol tão grande de documentos; 6.7. junta aos autos documentos e planilhas que comprovam os créditos em tela: cópias dos DACON, planilha com a composição dos valores do DACON (informando suas origens), planilha com informações solicitadas, entre elas, data da geração do crédito, valor do pedido de ressarcimento, data Fl. 429DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16349.000081/200993 Resolução nº 3202000.184 S3C2T2 Fl. 308 3 do pedido de ressarcimento, data do estorno do crédito pedido em DACON, valor estornado do crédito pedido no DACON, número do DCOMP e data da transmissão; 6.8. em razão do grande volume, estão sendo colocados à disposição do Fisco os livros fiscais e contábeis e notas fiscais; 6.9. é possível a juntada de documentos com a apresentação da manifestação de inconformidade; 6.10. requer o reconhecimento do crédito pleiteado. 7. É o relatório.” A DRJ não acolheu as alegações do contribuinte e considerou improcedente a manifestação de inconformidade em acórdão com a seguinte ementa: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2008 PEDIDO DE RESSARCIMENTO. O crédito pleiteado em Pedido de Ressarcimento deve ter sua liquidez e certeza comprovadas para que o pleito seja deferido. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido” Cientificado do referido acórdão em 19 de novembro de 2009 (fl. 261), a interessada apresentou recurso voluntário em 18 de dezembro de 2009 (fls. 262 a 274), pleiteando a reforma do decisum e reafirmando seus argumentos apresentados à DRJ. É o relatório. Voto Conselheira Tatiana Midori Migiyama, Relatora Da admissibilidade Por conter matéria desta E. Turma da 3ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 19 de novembro de 2009, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário – apresentando a recorrente recurso voluntário em 18 de dezembro de 2009. Fl. 430DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16349.000081/200993 Resolução nº 3202000.184 S3C2T2 Fl. 309 4 Do cerceamento de defesa Da comprovação da origem dos créditos Quanto a estes temas, alega a recorrente que a fim de que fossem comprovadas as consistências e a veracidade das informações relativas aos créditos referidos no PER/DCOMP em tela, o Fisco, às vésperas do feriado de Páscoa, intimou a empresa para apresentar um extenso e, em grande parte, descabido rol de documentos, no prazo de 5 dias corridos, sob pena de indeferimento do pedido de ressarcimento (documento anexado à manifestação de inconformidade), embora a legislação concedesse, no mínimo, 20 dias para tanto. Em síntese, entende a recorrente que não estaria comprovado o r. direito creditório por não ter ela apresentado os documentos na versão solicitada pelo Fisco, embora as informações pudessem ser obtidas nos documentos juntados em manifestação de inconformidade e nos documentos disponibilizados, caracterizase inegável mitigação do direito de ampla defesa garantido aos contribuintes, conduzindo à nulidade da decisão proferida também por este fundamento. Depreendendose da análise do processo, vêse que o deslinde da questão envolve também o prazo exíguo que a fiscalização concedeu para a recorrente apresentar os documentos que entende ser essenciais para a comprovação da origem do crédito tributário, além da própria veracidade e liquidez do crédito. No tocante à veracidade do crédito tributário, expõe a recorrente que é importante referir que, como prevê o art. 65 da IN SRF nº 900/2008, de fato, "a autoridade da RFB competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito". Aduz que apresentou todos aos presentes autos e/ou disponibilizados à Fiscalização documentos suficientes à comprovação do crédito, tal deve ser reconhecido e ressarcido à Recorrente – quais sejam: · cópias das DACONs relativas ao período em questão, nas quais constam Informações acerca dos créditos Informados no presente PER/DCOMP planilha excel contendo a composição dos valores das DACONs (informando suas respectivas origens), na qual é possível verificar a origem dos créditos; · planilha excel contendo informações das DACONs correspondentes ao PER/DCOMP em questão, contendo as informações solicitadas pela Fiscalização, entre elas: Data geração do crédito', 'Valor do pedido de ressarcimento .Dcomp', 'Data pedido ressarcimento', 'Data estorno do crédito pedido na Dacon, 'Valor estornado do crédito pedido na Dacon', 'Número da Dcomp e 'Data da transmissão para a SRFB; · em razão do volume dos documentos (que totalizam, por exercício mais de uma centena de caixas), foram expressamente colocados à disposição do Fisco, caso entendesse necessária a realização de diligências: Fl. 431DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA Processo nº 16349.000081/200993 Resolução nº 3202000.184 S3C2T2 Fl. 310 5 · livros fiscais e contábeis, os quais poderão confirmar as Informações prestadas nos documentos ora anexados; · notas fiscais, que poderão confirmar as informações prestadas nos documentos ora anexados e nos livros fiscais. Independentemente das alegações fundadas pela recorrente, analisando os fatos e documento que permeiam no caso vertente, quanto à questão da verdade material, importante lembrar que houve bom esforço da autoridade fazendária ao concordar com a defesa, quando a recorrente informou que parte dos documentos requisitados são muito volumosos, no caso as notas fiscais de entrada e saída. Tanto é assim que em nenhum momento a fiscalização havia solicitado a apresentação destes documentos "volumosos", requerendo apenas a sua disponibilização no estabelecimento da empresa. Vêse ser essencial, no caso vertente, a comprovação da liquidez e certeza do referido crédito tributário condição essencial para a compensação nos termos do disposto no art. 170 do CTN: “Art. 170. A lei pode, nas condições e sob garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública.” Para tanto, há que se observar que o caso em particular trouxe em seu viés que a fiscalização havia concedido prazo exíguo a recorrente para apresentação dos documentos em relação ao prazo usual de 20 dias oferecido pela autoridade fazendária competente. O que, altivamente a fatores alheios que pudessem levar a definição do r. prazo, em homenagem ao princípio da verdade material que permeia o processo administrativo tributário, voto no sentido de converter o julgamento em diligência, para que a unidade de origem: · Analise, à luz da documentação acostada ao processo, necessários ao deslinde da controvérsia, se há efetivamente ou não o r. crédito tributário; · Cientifique o contribuinte sobre o resultado da diligência, para, se assim desejar, apresentar no prazo legal de 30 (trinta) dias, nos termos do art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574/11; · Findo o prazo acima, devolva os autos ao CARF para julgamento. Assinado digitalmente Tatiana Midori Migiyama Fl. 432DF CARF MF Impresso em 05/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/08/2014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 03/08/2 014 por TATIANA MIDORI MIGIYAMA, Assinado digitalmente em 08/08/2014 por IRENE SOUZA DA TRINDADE TOR RES OLIVEIRA
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Numero do processo: 14041.000070/2007-71
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 20 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira - CPMF
Ano-calendário: 1999, 2000, 2001, 2002
DECADÊNCIA. LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO.
Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário de CPMF.
NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA.
Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, e conseqüente nulidade da decisão proferida por Turma de Julgamento de DRJ, quanto todos os argumentos fundamentais da impugnação foram devidamente apreciados pela decisão recorrida.
CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS E EMPRESA PÚBLICA. AUTARQUIA. EQUIPARAÇÃO.
As Caixas de Assistência de Advogados e empresa pública que não vende mercadorias ou serviços são entidades de direito privado e não se equiparam a autarquia, ente de direito público.
LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RFB. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA.
As Instruções Normativas são editadas pela Receita Federal do Brasil com fundamento legal, geral ou específico, e são de cumprimento obrigatório pelos contribuintes, por integrarem a legislação tributária, conforme dispõe o art. 100 do CTN.
FUNDOS DE INVESTIMENTOS. ALÍQUOTA ZERO. FUNDOS DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. INAPLICABILIDADE.
A redução a zero da alíquota de CPMF, prevista no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 1996, não se aplica aos lançamentos em contas correntes de depósito dos Fundos de Investimento Imobiliário, constituídos nos termos da Lei nº 8.668, de 1993.
ERRO MATERIAL. COMPROVAÇÃO.
Comprovado a ocorrência de erro material na autuação, cabe correção dos valores lançados, em respeito ao princípio da verdade material.
Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 3302-002.738
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto ao recurso voluntário, o conselheiro Alexandre Gomes, que dava provimento quanto às operações da Caixa de Assistência dos Advogados.
(assinado digitalmente)
WALBER JOSÉ DA SILVA Presidente e Relator.
EDITADO EM: 18/10/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto.
Nome do relator: WALBER JOSE DA SILVA
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LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. PAGAMENTO ANTECIPADO. Existindo pagamento antecipado, nos termos do art. 150, § 4o, do CTN, decai em 5 anos, a contar da data da ocorrência do fato gerador, o direito de a Fazenda Nacional constituir, pelo lançamento, crédito tributário de CPMF. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. INOCORRÊNCIA. Não há que se falar em cerceamento do direito de defesa, e conseqüente nulidade da decisão proferida por Turma de Julgamento de DRJ, quanto todos os argumentos fundamentais da impugnação foram devidamente apreciados pela decisão recorrida. CAIXA DE ASSISTÊNCIA DOS ADVOGADOS E EMPRESA PÚBLICA. AUTARQUIA. EQUIPARAÇÃO. As Caixas de Assistência de Advogados e empresa pública que não vende mercadorias ou serviços são entidades de direito privado e não se equiparam a autarquia, ente de direito público. LEGISLAÇÃO TRIBUTÁRIA. INSTRUÇÃO NORMATIVA DA RFB. OBSERVÂNCIA OBRIGATÓRIA. As Instruções Normativas são editadas pela Receita Federal do Brasil com fundamento legal, geral ou específico, e são de cumprimento obrigatório pelos contribuintes, por integrarem a legislação tributária, conforme dispõe o art. 100 do CTN. FUNDOS DE INVESTIMENTOS. ALÍQUOTA ZERO. FUNDOS DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. INAPLICABILIDADE. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 00 70 /2 00 7- 71 Fl. 10689DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 3 2 A redução a zero da alíquota de CPMF, prevista no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 1996, não se aplica aos lançamentos em contas correntes de depósito dos Fundos de Investimento Imobiliário, constituídos nos termos da Lei nº 8.668, de 1993. ERRO MATERIAL. COMPROVAÇÃO. Comprovado a ocorrência de erro material na autuação, cabe correção dos valores lançados, em respeito ao princípio da verdade material. Recurso de Ofício Negado e Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso de ofício e, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. Vencido, quanto ao recurso voluntário, o conselheiro Alexandre Gomes, que dava provimento quanto às operações da Caixa de Assistência dos Advogados. (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Presidente e Relator. EDITADO EM: 18/10/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Walber José da Silva, Maria da Conceição Arnaldo Jacó, Fabiola Cassiano Keramidas, Paulo Guilherme Déroulède, Alexandre Gomes e Gileno Gurjão Barreto. Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o abaixo transcrito relatório do acórdão recorrido. Preliminarmente, registrese que as referências feitas neste relatório aos números de folhas dizem respeito ao processo após a sua digitalização. Contra o sujeito passivo, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, foi lavrado auto de infração da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza Financeira CPMF (fls. 111/145), relativo a fatos geradores dos anoscalendário de 1999, 2000, 2001, 2002 e 2004, segregados em 192 (cento e noventa e dois) períodos de apuração semanal, cuja ciência se deu em 16/03/2007, e cujo crédito tributário perfaz o montante de R$ 216.124.462,08 (valor do principal de R$ 68.842.963,19) Fl. 10690DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 4 3 No referido auto de infração, a autoridade fiscal houve por bem distinguir as infrações detectadas em dois títulos, a saber: (1) falta de recolhimento da CPMF; e (2) falta de recolhimento da CPMF (pagamento de títulos com cheques de terceiros). 1. DA PRIMEIRA INFRAÇÃO FALTA DE RECOLHIMENTO DA CPMF De acordo com o Termo de Verificação Fiscal (fls. 153/207), durante a fiscalização, foi constatado que a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, na qualidade de responsável tributário (art. 5°, inciso I, da Lei n° 9.311/96) pela retenção da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão de Valores e de Créditos e Direitos de Natureza financeira CPMF, incidente sobre lançamentos a débito em contas correntes de depósito, em contas de depósito de poupança e em contas correntes de empréstimos, bem como a incidente sobre os lançamentos a crédito em contas correntes que apresentaram saldos negativos, até o limite do valor da redução dos saldos devedores (art. 2º , incisos I e II da Lei n° 9.311/96), no período de 17/06/1999 a 31/12/2002 (art. 20 da Lei n° 9.311/ 96 c/c art. 1º da Lei n° 9.539/97), deixou de realizar a retenção/recolhimento da referida contribuição nos lançamentos efetuados em 4.030 (quatro mil e trinta) contas, sem que houvesse embasamento legal para tal procedimento. Informou a autoridade fiscal que as contas que deixaram, indevidamente, de sofrer retenção da CPMF estão relacionadas individualmente na "Planilha I Contas Autuadas por Grupo"(Anexo I), estando agrupadas, para fins didáticos, pelos seguintes motivos que levaram a autuação dessas contas. Grupo A Contas de titulares declarados como administração pública direta e indireta Neste grupo, o sujeito passivo autuado, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, incluiu contas em que os titulares estão cadastrados junto à Receita Federal como pessoas físicas, empresas públicas, sociedades de economia mista, entidades empresariais e afins, empresas de educação ou congêneres, entidades de previdência privada, cartórios e demais atividades jurídicas, fundações privadas, organizações religiosas, sindicatos, organizações políticas, associações, cooperativas e outras formas de organizações sem fins lucrativos. Grupo B Contas de titulares declarados como entidades referidas no inciso III do art. 8º da Lei n° 9.311/96 (sociedades corretoras de títulos, valores mobiliários e câmbio, sociedades distribuidoras de títulos e valores mobiliários, sociedades de investimento e fundos de investimento ...) Neste grupo, o sujeito passivo autuado incluiu contas em que os titulares estão cadastrados junto à Receita Federal como entidades de administração de consórcios, previdência privada fechada, previdência privada aberta, gestão de participações societárias (holdings), entre outras. Grupo C Contas de titulares declarados como entidades beneficentes Este grupo destaca as contas para as quais a CAIXA ECONÔMICA FEDERAL foi intimada a apresentar a declaração pra fins de isenção da CPMF, porém (1) não foi apresentada nenhuma declaração; ou (2) a declaração apresentada está em desconformidade com a Instrução Normativa da Secretaria da Receita Federal do Brasil em vigor na data de sua entrega ao banco pela entidade beneficente. Fl. 10691DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 5 4 Antes da IN/SRF n° 44 de 2001, era suficiente apresentar a declaração somente uma vez e a conta descrita naquela declaração faria jus a isenção da CPMF da data de entrega em diante. A partir da IN/SRF n° 44 de 2001, a declaração passou a ser exigida anualmente (1 por ano calendário). Para cada conta deve haver uma declaração, ou seja, a declaração especifica para qual (ais) conta (s) se refere. Grupo D Contas para as quais não foram descritos os motivos para a não cobrança da CPMF Este grupo destaca as contas para as quais o CAIXA ECONÔMICA FEDERAL apresentou o motivo 99 Outros para a não cobrança da CPMF e não relatou as circunstâncias que resultaram na não retenção. Grupo E – Contas de Fundos de Investimentos Imobiliário Este grupo destaca as contas de Fundos de Investimentos Imobiliários –FII e, que, não fazem jus a alíquota zero. 2. DA SEGUNDA INFRAÇÃO FALTA DE RECOLHIMENTO DA CPMF (pagamento de títulos com cheques de terceiros) Conforme consta do Termo de Verificação Fiscal, o sujeito passivo, CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, efetuou operações bancárias de pagamento de títulos e boletos com a utilização de cheques de terceiros, diretamente no caixa, sem que estes cheques de terceiros transacionassem pela conta corrente do beneficiário (UBIGAS PETRÓLEO LTDA), no período de 20/01/2004 a 03/03/2004. Segundo o agente fiscal, a par de toda documentação analisada, constatouse a ausência de recolhimento da CPMF relativa às liquidações/pagamentos sem crédito em conta. 3. DA IMPUGNAÇÃO PARCIAL Cientificado do lançamento em 16/03/2007, o sujeito passivo apresentou a impugnação às fl. 1933/1987, e anexos, em 17/04/2007. A seguir consta um resumo do teor da impugnação, organizado pelos tópicos apresentados pelo contribuinte, com indicação das folhas dos autos em que se encontram os documentos que embasaram os argumentos apresentados: DA PRIMEIRA INFRAÇÃO 1. Valores pagos e forma de arredondamento As contas referidas às fls. 2003/2101 tiveram o recolhimento da CPMF efetivada conforme cópia do Darf às fls. 1993, no montante de R$ 55.318.282,02 (cinquenta e cinco milhões trezentos e dezoito mil duzentos e oitenta e dois reais e dois centavos). Porém, tornase necessário o reprocessamento de todos os cálculos efetuados pela autoridade fiscal, não só para estas contas, mas para todos os grupos de contas integrantes do auto de infração, vez que os valores apurados sofreram arredondamento nas casas decimais para cima sem qualquer embasamento legal. Conforme art. 1º da Lei 9.069/95, a CEF está autorizada a realizar o cálculo com Fl. 10692DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 6 5 quatro casas decimais, desprezando as duas últimas ao invés de efetuar o arredondamento. 2. Contas com movimentação sujeita à alíquota zero –Concessionárias de Serviços Públicos – (tópico I) As contas de fls. 2105/2109 foram indevidamente identificadas como órgãos da administração pública, quando, em realidade, são utilizadas para crédito dos recursos oriundos de convênios de arrecadações celebrados entre a Caixa e concessionárias, bem assim para os débitos pela transferência desses recursos para outra conta corrente do mesmo titular, nesta ou em outras instituições financeiras. Nessas contas transitam apenas recursos cuja origem é o produto da arrecadação e a destinação é a transferência para as contas de livre movimentação, onde são efetuados a cobrança e o recolhimento da CPMF devida. Então, nos termos do art. 8º, inciso II da Lei 9.311/96, tais lançamentos são beneficiados pela alíquota zero. Há débitos de cheques eventualmente não honrados, os quais, conforme art. 3º, inciso II do mesmo dispositivo legal, não sofrem incidência da CPMF, vez que representam estornos. Caso necessário, solicita prazo para a juntada da documentação respectiva, haja vista o grande volume de ocorrências. 3. Autarquias Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas – (tópico II) Foram incluídas nas contas autuadas, documentos às fl. 2111/3041, alguns Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas que, nos termos do parágrafo 6º, do art. 58 da Lei 9.649/98, por constituírem serviço público, são classificados como autarquias e, por isso, gozam de imunidade tributária total em relação aos seus bens, rendas e serviços. Então, na forma do art. 3º, inciso I da Lei 9.311/96, não cabe a retenção da CPMF em suas contas. Em relação à Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), em que pese o parágrafo 9º do art. 58 prever que o parágrafo 6º citado não se aplica a esta instituição, o art. 44, combinado com o § 5º, do art. 45, ambos da Lei 8.906/94, estabelece a mesma regra de imunidade para a OAB. Além disso, as Caixas de Assistência dos Advogados, por serem órgão da OAB (extensão do ente principal, sem autonomia em relação a este), nos termos do inciso IV do art. 45 da Lei 8.906/94, gozam de mesmo tratamento tributário. Voto vencedor exarado pelo Senhor Ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Franciulli Netto (no Conflito de Competência 36.557MG 2002/01051589) sacramenta ser a Justiça Federal competente para julgar ações em que seja parte a Caixa de Assistência dos Advogados, o que autoriza concluir que esta é uma autarquia, nos termos do art. 109, I, da Constituição Federal (CF). Segundo a Impugnante mister se faz excluir as contas tituladas por autarquias municipais (fl. 4303), uma vez que a contribuição não incide, nos termos do inciso I, do art. 3º, da Lei 9.311/96 (documentos às fl. 4301/4554). 4. Outras contas com declaração de Isenção– (tópico III) Tratamse de contas autuadas que possuem declaração de isenção de CPMF, motivo pelo qual devem ser excluídas do auto (documentos às fl. 3043/4093). 5. Contas com decisão judicial – (tópico IV) Os titulares dessas contas possuem decisão judicial para não retenção (documentos às fl. 4095/4299). Fl. 10693DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 7 6 6. Instituições financeiras – (tópico V) Os titulares das contas referidas na planilha à fl. 4557 são instituições financeiras em liquidação extrajudicial, que, à época dos fatos geradores eram bancos, mas que alteraram junto à SRF, após o período fiscalizado sua razão social, razão pela qual não foram anteriormente localizados . Para comprovar os titulares dessas contas encaminham cópias do CNPJ, bem como respectiva documentação que comprova a hipótese não incidência da CPMF. Também foram encaminhadas juntamente a este grupo, na qualidade de instituição pertencente ao sistema financeiro nacional, companhias securitizadoras, contas tituladas pela Cibrasec, as quais devem ser também excluídas do auto de infração (documentos às fl. 4555/4924). 7. Contas tituladas por empresas de arrendamento mercantil (Leasing) – (tópico VI) Amparado no parágrafo 3º do art. 8º da Lei 9.311/96 foi editada a Portaria MF 134/99, que previu em seu inciso XXVI a incidência à alíquota zero para operações de arrendamento mercantil na qualidade de arrendador. O STJ já se manifestou pela não retenção de CPMF para as operações de empresas de arrendamento mercantil (Resp 411586PR , Resp 512251 PR, Resp 332485 RJ (documentos às fl. 4925/4975). 8. Contas de entidades beneficentes de assistência social – (tópico VII) Foram autuadas contas de entidades beneficentes de assistência social (documentos às fl. 5147/6715) sob o argumento de que a CEF não apresentara declarações dessas entidades ou que as apresentara desconformes com a regulamentação legal. Em relação às contas para as quais não haviam sido encaminhadas as declarações ao fisco, as mesmas foram providenciadas e estão acostadas. Quanto às contas para as quais foi alegada a desconformidade das declarações, após uma análise sistemática das instruções normativas relativas ao tratamento tributário aplicável às entidades beneficentes de assistência social, concluise que a IN SRF 6, de 17 de janeiro de 1997 possuiu eficácia até 04 de maio de 2002, praticamente todo o período de apuração do auto de infração. Esta IN somente foi revogada pela IN SRF 79/2000, ou seja, a eficácia primeira no mínimo vigorou até 01/08/2000. O parágrafo 4º do art. 1º da IN SRF 67/99, sucessora da IN SRF 6/97, dispensou a apresentação de novas declarações para as entidades que já as haviam apresentado nos moldes da IN anterior. Posteriormente, a IN SRF 44/2001 revogou a IN SRF 67/99, autorizando concluir que até 02/05/2001 a declaração fornecida na forma da IN SRF 6/97 teve plena eficácia. A IN SRF 44/2001 estabeleceu a necessidade de apresentação anual da declaração (art. 1º), o que autoriza concluir que até o final do ano 2001 estava eficaz a declaração com base na IN SRF 6/97. Em 31/12/2001 foi editado Ato Declaratório Executivo (ADE) SRF 69, suspendendo a eficácia da IN SRF 44/2001 e determinando que para o ano 2002 a declaração deveria ser entregue até 04/05/2002. Fl. 10694DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 8 7 Sendo assim concluise que a declaração fornecida na forma da IN SRF 6/97 possuiu eficácia indiscutível até 04/05/2002. Logo, as contas de entidades que apresentaram a declaração na forma da IN SRF 6/97 devem ser excluídas do auto. O que se tem é que as Entidades efetivamente declararam, sob as penas da Lei, sua condição de enquadramento legal para obtenção do beneficio de não incidência de CPMF, restando, pois, afastada a responsabilidade da CEF por eventual tributo devido por essa entidades. Além disso, foi utilizado extremo rigor na desqualificação das declarações, pois a falta de um ou outro quesito não retira delas seu valor probante e declaratório. A declaração serve tão somente para que a CEF possa marcar a conta corrente para que não haja cobrança da CPMF, pois na realidade as entidades já possuem na lei os requisitos para o benefício. Ou seja, tais entidades não perdem sua qualidade pelo simples fato de uma declaração não preencher os requisitos de forma. Está sendo privilegiada a forma em detrimento da juridicidade da informação. Ressaltese por fim, a total desnecessidade de apresentação de declaração para cada conta titulada por uma entidade, ou seja, se esta possui cinco contas em uma agência, não há necessidade de uma declaração para cada conta. 9. Fundos de investimento imobiliário – (tópico VIII) A figura jurídica do Fundo de Investimento Imobiliário foi instituída pela Lei 8.668/93, que determinou sua regulação pela CVM (observandose as normas aplicáveis aos fundos de investimento em geral art. 4º) e que suas quotas constituem valor mobiliário sujeito ao regime da Lei 6.385/76, que regula o mercado de valores mobiliários. Da análise conjunta dos dois dispositivos concluise que os fundos de investimento imobiliário são modalidades de fundo de investimento e, por conseguinte, obedecem e sujeitamse ao disposto no art. 49 e 50 da Lei 4.728/65 (que normalizou os fundos de investimentos). A decisão do STJ no sentido da aplicação do art. 8° para as empresas de arrendamento mercantil, as quais não estão expressamente mencionadas no dispositivo, amparandose no fato de que são equiparadas em outros diplomas legais às instituições financeiras e no disposto na Portaria MF 134/99, autoriza aplicar o mesmo entendimento quanto a toda e qualquer espécie de fundo de investimento listado no art. 8º como gênero, do qual o fundo imobiliário é modalidade nos termos das normas antes mencionadas. Então, aplicase o disposto no inciso III do art. 8º da Lei 9.311/96 a este tipo de fundo de investimento (documentos às fl. 4977/5145). 10. Contas do fundo garantidor de crédito – FGC – (tópico IX) Tratase de conta titulada pelo Fundo Garantidor de Crédito (FGC), utilizada para movimentação de sua carteira. O parágrafo 3º do art. 8º da Lei 9311/96 atribui competência ao Ministro da Fazenda para relacionar as operações das instituições de mercado sujeitas à alíquota zero, competência, esta, exercida com a edição da Portaria MF 134/99, que prevê em seu inciso XXIX a incidência de alíquota zero para as contribuições ao FGC (documentos às fl. 6717/6752). 11. Contas pagas pelo titular – (tópico X) Constam do lançamento contas cujo CPMF foi cobrado, mas que não foram informadas no arquivo disponibilizado à fiscalização. Junta a identificação dos contribuintes, as movimentações das contas, extratos bancários e cópias de Fl. 10695DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 9 8 documentos de débitos. Logo tais valores devem ser excluídos, sob pena de ocorrer bitributação (documentos às fl. 6753/7031). 12. Contas COHAB Joacala – (tópico XI) Foram incluídas, no auto, contas de titularidade da Companhia de Habitação do Estado de Santa Catarina COHAB/SC. Tal inclusão resultou de erro de interpretação por parte da CEF que, ao invés de abrir contas em nome do Estado ou dos municípios beneficiados, o fez equivocadamente em nome da COHAB/SC, uma vez que as verbas relativas aos repasses tinham por finalidade a transferência de recursos financeiros da União para a execução, no âmbito do Programa HABITAR BRASIL, dentre outros, de ações objetivando a construção de unidades habitacionais e melhoria da infraestrutura urbana. Na realidade o Estado e as prefeituras eram os verdadeiros destinatários dos recursos repassados. A COHAB não tinha qualquer interferência na movimentação dos recursos (não tinha gestão sobre estes), devendose acrescentar que no caso de restar saldo, este deveria ser devolvido à União e não ficar à disposição da COHAB. Tratase de contas não movimentáveis por cheque. Somente a CEF podia movimentar os valores nessas contas. Efetivamente os recursos foram repassados integralmente aos municípios, sem jamais terem integrado o patrimônio da COHAB/SC e, por isso, não devem sofrer a incidência da CPMF. Os lançamentos contábeis evidenciam que as movimentações financeiras tratavamse de repasse de recursos públicos entre entes imunes/isentos. Tais contas funcionavam como se fossem contas contábeis, utilizadas apenas para efeito de controle as destinações dos recursos. Os únicos créditos eram derivados da transferência da União e de eventuais rendimentos. Os débitos referiamse a pagamentos relativos aos projetos e a eventuais devoluções à União. Em função do volume de documentos, juntou exemplar do contrato, bem como espelho extraído dos sistemas da CEF que evidenciam que o tomador dos recursos era o Estado de Santa Catarina. O art. 3º, inciso V, da Portaria MF 134/99 prevê a incidência à alíquota zero nos repasses de recursos de instituições oficiais e repasses interfinanceiros (documentos às fl. 7033/7068). DA SEGUNDA INFRAÇÃO Não houve impugnação quanto a esta infração, pois a CEF pagou integralmente os valores contra ela lançados. 4. DA CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA Em despacho (fls. 7071/7099) exarado, em 10/08/2007, pelo exJulgador desta Turma, Luciano de Oliveira Valença, os autos do processo foram encaminhados à DRF/Brasília/DF para que, em diligência, atendesse as solicitações indicadas em cada assunto tratado. O contribuinte se insurge contra 12 (doze) tipos de contas e do critério de arredondamento utilizado. A diligência buscava esclarecer: o critério de arredondamento, contas com movimentação sujeita à alíquota zero, contas com decisão judicial, contas de instituições financeiras, contas pagas pelo titular e contas da COHAB/SC. 5. DO RELATÓRIO DE DILIGÊNCIA Fl. 10696DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 10 9 Cumprida a diligência, a autoridade fiscal apresentou os seus resultados e os esclarecimentos solicitados por meio do Relatório de Diligência de fls. 10313/10343. Esclareceu a fiscalização que foi utilizado, erroneamente, no cálculo da CPMF devida o critério de “arredondamento” (após a segunda casa decimal). Tal fato ensejou a correção de todo o lançamento a partir do critério de “truncamento” após a segunda casa decimal. conforme arquivo “CEFCPMFDETALHES DA APURAÇÃO.xls”. Por sua vez, ao recolher o valor da CPMF lançada com base no valor equivocado lançado pela autoridade fiscal, o contribuinte faz jus a ser restituído da diferença entre o valor equivocado e o valor correto, em relação às contas pagas sem impugnação (CPMF PAGO SEM CONTESTAÇÃO.xls). A documentação apresentada comprova o parcelamento especial PAES feito pela FUNDAÇÃO DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SINHÁ JUNQUEIRA, titular da conta 003000000270 (Ag. 0900), referente a períodos de apuração da CPMF autuados no auto de infração ora em questão. O contribuinte apresentou comprovantes, totais ou parciais, de retenção da CPMF (extratos ou comprovantes de retenção manual) das seguintes contas: a) COMPANHIA DE DESENVOLVIMENTO DE NOVA ODESSA (Ag. 1937; c.c. 006000000171); b) SIND TRAB IND QUIM FARM FERT CUB STOS SV GUAR PG BERT MONG E ITANHAEM (Ag. 0345; c.c. 003000460223); c) EMPRESA DE ABASTECIMENTO E EXTENSÃO RURAL DO ESTADO DE PERNAMBUCO (Ag. 1028; c.c. 006000000064); d) RIOTUR EMP DE TURISMO DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO AS (Ag. 4064; c.c. 006000050023); e; e) CIA DE ENGENHARIA DE TRAFEGO CET RIO (Ag. 4064; c.c. 006000050147). Em relação à conta de titularidade de EMPRESA MUNICIPAL DE TURISMO DE B HORIZONTE S/A BELOTUR (Ag. 0935; c.c. 006000003711), o contribuinte apresentou comprovante de retenção manual da CPMF no valor de R$ 2.070,00, porém inexiste parâmetro que permita a associação do referido pagamento aos períodos autuados. Sendo assim, não foi possível fazer qualquer exclusão do valor da CPMF autuada neste caso. O lançamento em duplicidade foi detectado, cabendo destacar que os valores duplicados não foram objeto de autuação, e ocorreu apenas na geração do arquivo de detalhamentos do cálculo da CPMF por conta e, somente, para o grupo "A4" (CEF CPMF.AUTO.MDB). Tal erro não afetou a planilha consolidada utilizada para o lançamento (“VALORES CONSOLIDADOS DE CPMF A PAGAR”). Sendo assim, em relação a este tópico, a autuação foi devida. A documentação apresentada comprova, para a conta de titularidade da EMPRESA GESTORA DE ATIVOS ENGEA (Ag. 0002; c.c. 006009007008), transferências entre contas de mesma titularidade correspondentes ao total das bases de cálculo utilizadas para os períodos "113 e 114" (R$ 22.577.259,46 e R$ 9.006.311,67, respectivamente), além do valor de R$ 45.124.348,49 utilizado na Fl. 10697DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 11 10 base de cálculo do período "112", tal conta, ora impugnada, consta do arquivo "CPMF PAGA SEM CONTESTAÇÃO", ou seja, o contribuinte decidiu impugnála após a entrega do arquivo citado a esta diligência. A justificativa do contribuinte procede para a grande maioria dos períodos autuados para a conta de titularidade de SUZANA RAMOS DE MATOS, restando apenas o valor de R$ 0,01 a ser lançado. O contribuinte apresentou comprovantes de recolhimento da CPMF para a conta de titularidade de SOC. DE PRODUTOS DO OESTE LTDA, no entanto, o pagamento apresentado já tinha sido considerado no cálculo da contribuição devida (vlr_lanc_06 = lançamento da própria CPMF utilizado para abater o valor de CPMF DEVIDA). Portanto, esta fiscalização entende que o lançamento deva ser mantido. Tal conta foi autuada nos grupos Cl, C3, C5, C7 e C9. As declarações apresentadas para efeito de enquadramento como Entidade Beneficente de Assistência Social são inválidas por estarem em desconformidade com as instruções normativas e atos declaratórios da Receita Federal do Brasil (IN/SRF 67/99, IN/SRF 44/01, ADE/SRF 69/01), que de forma extremamente clara apresentam todos as condições de caráter CUMULATIVO que devem ser preenchidos pelas entidades. Ressaltese que tais condições devem constar da declaração, o que não ocorreu nas declarações apresentadas para a conta de titularidade da PROVÍNCIA MADRE REGINA (Ag. 1651; c.c. 003000181363). Destacase ainda que para o caso de isenções e imunidades tributárias deve ser utilizada a interpretação literal da lei. Sendo assim, esta fiscalização entende que a autuação relativa à conta citada deva ser mantida. Em relação à Conta: 0893 003000050009 CNPJ 60891785000161 FIAT ALLIS AMERICANA LTDA, nenhum documento comprobatório foi apresentado até a data de encerramento da diligência, não havendo condições de verificação da continuidade dos efeitos da liminar ou da retenção da CPMF após a cassação da mesma. Sendo assim, a autuação deve ser mantida. Em relação à Conta: 1617 003000004962 CNPJ 02802376000145 CTD TRANS. E SERV. LTDA, , nenhum documento comprobatório foi apresentado até a data de encerramento da diligência, não havendo condições de verificação da continuidade dos efeitos da liminar ou da retenção da CPMF após a cassação da mesma. Sendo assim, a autuação deve ser mantida. O contribuinte apresentou, para a conta de titularidade da CAESB CIA. DE AGUA E ESGOTO DE BRASÍLIA (Ag. 1041; c.c. 006009000092), extratos bancários, do período entre 1999 e 2001, comprovando transferências entre contas de mesma titularidade. Para tais lançamentos deve ser aplicada alíquota zero no cálculo da CPMF. O contribuinte apresentou, para a conta de titularidade da CEB CIA. ENERGÉTICA DE BRASÍLIA (Ag. 1041; c.c. 006009000068), extratos bancários, do período entre 1999, 2000, 2001 e 2002, comprovando transferências entre contas de mesma titularidade. Para tais lançamentos deve ser aplicada alíquota zero no cálculo da CPMF. O contribuinte apresentou, para a conta de titularidade da CEEE CIA. ESTADUAL DE ENERGIA ELÉTRICA (Ag. 0432; c.c. 006000000114), extrato bancário e relatório extraído do Sistema de Documento Eletrônico da própria Caixa Econômica Federal, destacando lançamentos entre contas de mesma titularidade Fl. 10698DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 12 11 ocorridos em 1999. Para tais lançamentos deve ser aplicada alíquota zero no cálculo da CPMF. Foram anexados extratos do sistema CNPJ de forma a ser comprovada a alteração cadastral e/ou demonstrada a natureza econômica relativa ao grupo de instituições financeiras, contudo, esclarece o fiscal que empresas integrantes do sistema financeiro nacional em liquidação fazem jus às mesmas condições relativas ao período anterior ao processo de liquidação. Em relação às contas de titularidade da Companhia de Habitação do Estado de Santa Catarina COHAB/SC concluiu a fiscalização que o contrato firmado entra a União e o Estado de Santa Catarina prevê que os valores referentes aos valores não executados no âmbito do programa habitacional sejam restituídos à União Federal, além de outorgar a Caixa Econômica Federal a responsabilidade de celebrar os contratos autorizados pela União e acompanhar e atestar a execução dos contratos, via de conseqüência, que a movimentação das contas ora impugnadas estão amparadas por um acordo celebrado entre a União Federal e o Estado de Santa Catarina. 6. DAS CONTRARAZÕES DA IMPUGNANTE Cientificado do relatório de diligência, o sujeito passivo apresentou sua manifestação às fls. 10353 a 10369. A mantença da autuação na conta de titularidade da PROVÍNCIA MADRE REGINA, entidade beneficente, dada pelo auditor, não considerou a situação jurídica da entidade, mas apenas as formalidades previstas nas instruções normativas expedidas pela SRFB. O STF já definiu que a isenção prevista no art. 195, §7º da Constituição Federal, constituise em verdadeira imunidade às entidades de assistência social. Desta forma, estaria a entidade beneficente para fins de fruição da prerrogativa jungida apenas à observância do disposto em lei, pois o dispositivo constitucional remete à norma em sentido estrito, ou seja, emanada do poder tipicamente legiferante. Sendo certo que as instruções normativas não se enquadram na disposição constitucional, pois não podem inovar a ordem jurídica, sendo ATOS ADMINISTRATIVOS com conteúdo normativo. Nesta esteira, a imunidade tratada na Constituição requer a exigência de atendimento das prescrições estabelecidas em lei. A Lei 9.311/1996, no art. 3º, V, estabelece que são isentas da CPMF as entidades beneficentes de assistência social, sendo assim, a situação jurídica da entidade é constatada com a apresentação de declaração, o qual foi feito, em que se declarou, sob as penas da Lei, a condição de beneficente para fins de enquadramento legal e obtenção do benefício de não incidência de CPMF. Assim, devese aceitar as declarações apresentadas, indeferidas pelo auditor por motivos formais, procedendo ao correto enquadramento da Entidade Beneficente PROVÍNCIA MADRE REGINA como isenta, o que corresponde à exclusão de R$ 975.542,83 do valor autuado. Com relação aos lançamentos em duplicidade, o auditor considerou existente a duplicidade, fato que deve ser considerado pela autoridade Julgadora, mas entendeu que não houve autuação sobre as contas duplicadas. Fl. 10699DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 13 12 Ocorre que a Caixa, após encaminhar a defesa do auto de infração e efetuar o pagamento do DARF no valor de R$ 55.318.282,02, verificou que as contas autuadas relacionadas no grupo “A4” tiveram a CPMF lançada em duplicidade, por isso o valor recolhido abrangeu tais contas e, por consequência, o valor pago restou maior que o devido, na ordem de R$ 2.404.874,00, devidamente demonstrado por meio da planilha “CPMF PAGA EM DUPLICIDADE”. Desta forma, requer seja considerado o pagamento em duplicidade do grupo A4, a fim de ser devolvido o valor pago a maior pela Caixa. No que tange às contas de titularidade da COMPANHIA DE HABITAÇÃO DO ESTADO DE SANTA CATARINA COHAB/SC, concluiu que a movimentação das contas está amparada por um acordo celebrado entre a União Federal e o Estado de Santa Catarina, e, da forma como descrito, parece ter acatado a argumentação apresentada pela Caixa, não tendo se manifestado quanto à exclusão da autuação, o que corresponderia em termos monetários a uma baixa de R$ 93.073,30. Já no que se refere às contas de titularidade de instituições financeiras, em que pese os extratos terem sido utilizados como meio de prova, não houve manifestação conclusiva do auditor quanto à solicitação da CAIXA de excluir as contas devidamente comprovadas como de titularidade de instituições autorizadas a funcionar pelo BACEN. Tal exclusão constitui o valor de R$ 2.154.986,45, razão pela qual, requer os esclarecimentos do auditor quanto a esse ponto. DA SEGUNDA DILIGÊNCIA Os autos foram novamente devolvidos à origem para adoção medidas necessárias à elucidação dos fatos expostos em sede de impugnação. Como resultado da segunda diligência, assim se pronunciou a autoridade fiscal (fls. 10405 a 10410). Os valores pagos pela CEF foram alocados de acordo com o PA, de acordo a tabela I. Demonstrou a fiscalização que houve pagamento à maior da ordem de R$ 1.173.123,19 (um milhão cento e setenta e três mil cento e vinte três reais e dezenove centavos) o que confirma ter razão a CEF, contudo, tal pleito é apenas parcial, na medida em que a CEF considerou todos os lançamentos relativos ao grupo A4, sendo que apenas parte dos lançamentos contemplam duplicidade, a demonstração matemática consta da tabela VIII. No tocante as contas da Cohab/SC, entende a fiscalização que, ante a falta de comprovação do alegado, o lançamento deve ser mantido. Quanto as contas cuja titularidade eram de instituições financeiras, a fiscalização aceitou em parte as alegações produzidas, mantendo apenas parte dos lançamentos relativos a Aurora Participação e Administração S/A, antiga Mil Banco, devendo ser excluídos os lançamentos tais qual constam das tabelas IX a XVIII. Cientificado do relatório de diligência, o sujeito passivo apresentou sua manifestação às fls. 10431 e 10432. Contesta os valores pagos em duplicidade sob o argumento de erro de cálculo, cujo valor correto seria de R$ 1.174.662,01 (um milhão cento e setenta e quatro mil Fl. 10700DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 14 13 seiscentos e sessenta e dois reais e um centavo). Colaciona planilha com os cálculos que entende corretos. Quanto à Cohab/SC solicitou planilha de cálculo com o valor atualizado do débito. A 2a Turma de Julgamento da DRJ em Brasília DF julgou parcialmente procedente o lançamento, nos termos do Acórdão no 0352.779, de 24/06/2013, cuja ementa abaixo se transcreve. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PROVISÓRIA SOBRE MOVIMENTAÇÃO OU TRANSMISSÃO DE VALORES E DE CRÉDITOS E DIREITOS DE NATUREZA FINANCEIRA – CPMF Anocalendário: 1999, 2000, 2001, 2002, 2004 ALÍQUOTA ZERO. INCISO II DO ARTIGO 8º DA LEI Nº 9.311/96. A alíquota fica reduzida a zero nos lançamentos relativos a movimentação de valores de conta corrente de depósito, para conta de idêntica natureza, dos mesmos titulares, exceto nos casos de lançamentos a crédito na hipótese de que trata o inciso II do art. 2º da Lei nº 9.311, de 1996. NÃO INCIDÊNCIA. ENTIDADES BENEFICENTES. Para efeito do disposto no inciso V do art. 3º da Lei nº 9.311, de 1996, a entidade beneficente de assistência social deverá apresentar, anualmente, à instituição responsável pela retenção da CPMF, declaração específica. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. DECLARAÇÃO. INSTITUIÇÃO FINANCEIRA SEM RESPONSABILIDADE. Apresentada a declaração na forma prevista na legislação de regência ou no ADE SRF nº 69/2001, a instituição financeira deixa de ser responsável pela retenção da CPMF sobre a movimentação financeira de entidade beneficente de assistência social. FALTA DE RETENÇÃO EM VIRTUDE DE MEDIDA JUDICIAL. FALTA DE COMPROVAÇÃO. TRIBUTAÇÃO DEVIDA. O sujeito passivo não logrou comprovar que os titulares das contas estavam amparados por medida judicial para a não retenção da CPMF. Tributação devida. ALÍQUOTA ZERO. FUNDOS DE INVESTIMENTO IMOBILIÁRIO. INAPLICABILIDADE. A redução a zero da alíquota de CPMF, prevista no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 1996, não se aplica aos lançamentos em contas correntes de depósito dos Fundos de Investimento Imobiliário, constituídos nos termos da Lei nº 8.668, de 1993. Fl. 10701DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 15 14 AUTARQUIA FEDERAL. NÃO INCIDÊNCIA. Os conselhos federais e regionais de fiscalização e exercício profissional, criados por lei, tem cada um deles personalidade jurídica de direito publico, e preenchem os requisitos de autarquia federal. Portanto, sobre os lançamentos realizados em suas contas não incide a CPMF nos termos do art. 3º, I, da Lei nº 9311/96. ENTIDADE DE DIREITO PRIVADO. INCIDÊNCIA. As Caixas de Assistência dos Advogados são entidades, de direito privado, destinadas a prover benefícios pecuniários e assistenciais a seus associados e não podem ser consideradas órgãos de qualquer autarquia uma vez que possuem personalidade jurídica e patrimônio próprios gozando de autonomia financeira e administrativa. CONTAS DO FUNDO GARANTIDOR DE CRÉDITO FGC. ALÍQUOTA ZERO. O § 3º do art. 8º da Lei 9311/96 atribui competência ao Ministro da Fazenda para relacionar as operações das instituições de mercado sujeitas à alíquota zero, competência, esta, exercida com a edição da Portaria MF 134/99, que prevê em seu inciso XXIX a incidência de alíquota zero para as contribuições ao FGC. CONTAS TITULADAS POR EMPRESAS DE ARRENDAMENTO MERCANTIL (LEASING). ALÍQUOTA ZERO. Amparado no § 3º do art. 8º da Lei 9.311/96 foi editada a Portaria MF 134/99, que previu em seu inciso XXVI a incidência à alíquota zero para operações de arrendamento mercantil na qualidade de arrendador. O STJ já se manifestou pela não retenção de CPMF para as operações de empresas de arrendamento mercantil. Impugnação Procedente em Parte A Turma de Julgamento recorreu de ofício e, ciente desta decisão em 13/08/2013, conforme AR de fl. 10625, a interessada ingressou, no dia 12/09/2013, com Recurso Voluntário. A DO RECURSO DE OFÍCIO Defende a manutenção da decisão recorrida, nesta parte, especialmente porque os valores exonerados decorreram das diligências realizadas, onde a própria autoridade autuante reconhece a improcedência parcial do lançamento, no exato valor exonerado pela decisão recorrida. B DO RECURSO VOLUNTÁRIO B.1 PRELIMINAR Fl. 10702DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 16 15 Ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento para os períodos de apuração ocorridos até 15/03/2002, tendo em vista que a ciência do auto de infração correu no dia 16/03/2007. Aplicação da Súmula Vinculante nº 08, do STF. B.2 MÉRITO 1. Das contas com movimentação sujeita à alíquota zero – Concessionárias de Serviços Públicos A decisão recorrida não identificou para quais valores a Recorrente não apresentou comprovação do alegado. O demonstrativo dos valores exonerados e mantidos não é suficiente para explicar os motivos da manutenção dos valores nele apontados. Há necessidade de identificar o documento faltante para comprovar o alegado. Não há, no julgado, uma linha sequer a respeito da razão da manutenção de determinados valores das contas das concessionárias de serviços públicos, o que impede a Recorrente de contraditar as conclusões apresentadas, o que fere de morte o devido processo legal e, conseqüentemente, o contraditório e a ampla defesa. Requer, neste ponto, a nulidade da decisão recorrida. 2. Das autarquias – Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas. Sobre a Caixa de Assistência dos Advogados (CAA) Defende que a Caixa de Assistência dos Advogados é entidade autárquica (art. 109, inciso I, da CF/88), sujeita à alíquota zero, como o é a OAB. A matéria não é pacífica no âmbito do Judiciário, tanto o é está com repercussão geral reconhecida no RE 600010 RG/SP (à CAA aplicase o art. 150, inciso VI, alínea “c” da CF/88). Requer o sobrestamento do julgamento (art. 62A, § 1º, do RICARF) Sobre a Empresa Municipal de Saúde Dr. Carlos Osvaldo de Carvalho Poli Defende que essa empresa é prestadora de serviços público e, como tal, não atua em mercado concorrencial e, por essa razão, enquadrase como entidade prestadora de serviços públicos, equiparáveis às autarquias, com alíquota zero de CPMF. 3. Das contas com decisão judicial Defende que é desnecessário observar todos os requisitos estabelecidos nas Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil para o gozo do benefício. Solicita desconsiderar as Instruções Normativas da RFB. 4. Das instituições financeiras A DRJ manteve o lançamento (Aurora Participações) porque a CEF não questionou o resultado da diligência e a Recorrente entende que este item se achava devidamente esclarecido na impugnação. Deve ser anulada a decisão, neste ponto. Fl. 10703DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 17 16 5. Contas de entidades beneficentes de assistência social Para o gozo do benefício não é necessário observar os normativos da RFB. A DRJ quer impor que a inobservância de circunstâncias e exigências constantes do regulamento impõe, per se, a impossibilidade do gozo do benefício fiscal legalmente reconhecido, o que é uma heresia. A decisão recorrida não especifica as razões dos descumprimentos de cada uma das entidades apontadas, tornando impossível qualquer insurgência da recorrente a esse respeito, ofendendo a garantia do contraditório e da ampla defesa. Requer o afastamento da glosa ou a nulidade da decisão, nesta parte. 6. Dos Fundos de Investimento Imobiliário Os fundamentos adotados pela decisão (os mesmos da SCI nº 22/06) não se aplica aos lançamentos em contas correntes de depósitos dos Fundos de Investimento Imobiliários (Lei 8.666/93) por ser posterior ao PA autuados (ofensa aos arts. 106 e 146 do CTN). Requer a reforma da decisão para cancelar a exigência. Na forma regimental, o recurso voluntário foi distribuído para relatar. É o Relatório do essencial. Voto Conselheiro WALBER JOSÉ DA SILVA, Relator. O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais. O Recurso de Ofício também atende aos requisitos legais. De ambos se conhece. Como relatado, contra a empresa Recorrente foi lavrado auto de infração para exigir o pagamento de CPMF. No curso da impugnação parcial, a autoridade lançadora reconheceu que ocorreu erro no lançamento de diversos valores, que restaram excluídos do auto de infração pela decisão recorrida. No Recurso Voluntário a empresa interessada alega, preliminarmente, que ocorreu a decadência do direito de a Fazenda Nacional efetuar o lançamento, para os períodos de apuração ocorridos até 15/03/2003, em face da edição da Súmula Vinculante nº 08, do STF, posto que a ciência do lançamento ocorreu no dia 16/03/2007. No caso, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial prevista no art. 150, § 4º, do CTN. Com razão a recorrente. Fl. 10704DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 18 17 De plano, há que se afastar a aplicação dos arts. 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, nos termos da Súmula Vinculante no 8, do STF, abaixo reproduzida. Súmula Vinculante no 8 – São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5o do DecretoLei no 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei no 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário. Quanto à contagem do prazo decadencial, o STJ decidiu, em sede de recurso repetitivo previsto no art. 543C do CPC (RESP 973.733, Min. Luiz Fux), cuja aplicação é obrigatória pelo CARF (art. 62A do Regimento Interno do CARF), que para os tributos sujeitos ao lançamento por homologação, existindo pagamento antecipado, aplicase o art. 150, § 4º, e não o art. 173, inciso I, ambos do CTN. No presente caso, houve pagamento antecipado em todos os períodos de apuração autuados e a ciência do lançamento ocorreu no dia 16/03/2007. Aplicase, portanto, a regra do art. 150, § 4o, do CTN e, desta forma, estão extintos por decadência os créditos tributários cujos fatos geradores ocorreram até o período de apuração encerrado no dia 13/03/2002 (PA 143). Passemos à apreciação das razões de mérito. 1. Das contas com movimentação sujeita à alíquota zero – Concessionárias de Serviços Públicos Alega a Recorrente que a decisão recorrida não identificou os valores para os quais ela não apresentou comprovação e não explicou os motivos da manutenção dos referidos valores, devendo ser anulada. Sobre esse tópico disse a decisão recorrida o seguinte: A partir da diligência realizada (fls. 10313 a 10343) e dos esclarecimentos prestados pelo contribuinte (fls. 10353 a 10369) é de se concluir pela procedência parcial do pleito em questão, restando a este julgador acatar os valores lançados na planilha eletrônica de dados, CD em anexo, denominada de “ANALISE DOS TÓPICOS IMPUGNADOS.xls”, bem como pela procedência dos demais lançamentos carentes de comprovação. Portanto, a decisão recorrida adotou as informações do TERMO DE DILIGÊNCIA FISCAL – ENCERRAMENTO e a Manifestação da Recorrente sobre o referido termo de diligência. E a diligência destinouse a provar alegação de que as contas tributadas eram contas utilizadas para crédito de recursos oriundos dos convênios de arrecadação celebrados com as empresas concessionárias de serviços públicos e para débito pela transferência desses recursos para outra conta corrente do mesmo titular. Conforme consta do Termo de Diligência Fiscal, a Recorrente logrou provar parcialmente suas alegações em relação às contas 006009000092CAESB, 006009000068 CEB e 006000000114CEEE, conforme consta na Planilha “ANÁLISE DOS TÓPICOS IMPUGNAÇÃO.xls” e nos Ofícios nº 037/2008/GETRI, 023/2008/GETRI e 020/2008/GETRI, todos da Recorrente. Para as demais contas relacionadas na decisão recorrida, a Recorrente não apresentou nenhuma prova de que os débitos nas contas se deram por transferência a crédito Fl. 10705DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 19 18 para outra conta da mesma titular, conforme alegara. Daí a manutenção total do lançamento para as demais contas. Portanto, entendo que estar perfeitamente claro que os valores mantidos foram aqueles que a Recorrente não logrou provar tratarse de operações de transferência para outra conta de mesma titularidade, conforme alegara em sua impugnação. Sem nulidade a decisão recorrida, nesta parte. 2. Das autarquias – Conselhos de Fiscalização de Profissões Regulamentadas. Sobre a Caixa de Assistência dos Advogados (CAA) Defende a Recorrente que as Caixas de Assistência dos Advogados (CAA) são entidades autárquicas, posto que são órgãos das Seccionais da OAB, com criação prevista em lei, sujeitandose à alíquota zero da CPMF, como são as Seccionais da OAB. Solicita o sobrestamento do julgamento em razão de existir reconhecimento de Repercussão Geral no STF sobre a matéria (RE 600010). Como bem disse a decisão recorrida, toda CAA têm personalidade jurídica própria e não se confunde com a Seccional da OAB que a criou. Portanto, não tem a mesma natureza jurídica (autarquia especial) da OAB. Tanto o é que no RE 600010 com repercussão geral reconhecida, citado pela Recorrente, se discute, à luz do art. 150, VI, c, da Constituição Federal, a aplicação, ou não, da imunidade tributária conferida às entidades beneficentes de assistência social, às operações de venda de medicamentos por instituição voltada à concessão de benefícios a classe profissional. Ora, a discussão no referida RE 600010, cujo julgamento de mérito ainda não ocorreu, é sobre a aplicação da imunidade tributária prevista para as entidades (privadas) de assistência social e não se as CAA são entidades autárquicas ou não (imunidade do art. 150, VI, a, § 2º, da FF/88). São, portanto, as CAA entidades privadas. Ainda que a discussão fosse sobre a natureza jurídica das CAA (entidade de direito público autarquia ou entidade de direito provado), não caberia o sobrestamento do julgamento em face da revogação do § 1º, do art. 62A, do Regimento Interno do CARF, pela Portaira MF nº 545/2013. Sem reparos a decisão recorrida, nesta parte. Sobre a Empresa Municipal de Saúde Dr. Carlos Osvaldo de Carvalho Poli Entende a Recorrente que a Empresa Municipal de Saúde Dr. Carlos Osvaldo de Carvalho Poli, por prestar serviço público e não atuar em “mercado concorrencial”, equiparase à autarquia. Por evidente, a interpretação de dispositivos legais que tratam de benefícios fiscais é sempre literal (art. 111 do CTN) e, no caso da CPMF, não existe previsão legal nem para isenção e nem para alíquota zero para operações realizadas por empresa públicas que não vendem bens ou serviços, apenas prestam serviços públicos. Fl. 10706DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 20 19 Portanto, mesmo que tenha algum fundamento legal (o que não concordo) os argumentos da Recorrente, ainda assim não há previsão legal para alíquota zero da CPMF nas operações financeiras de empresas públicas supostamente equiparadas a autarquia, a fundação pública, a administração direta ou a qualquer outro ente da administração pública, se é que existem tais figuras. Ademais, a expressa vedação constitucional à concessão de privilégios fiscais para as empresas públicas, prevista no § 2º, do art. 173, da CF/88, aplicase à empresa pública em geral, sem nenhuma ressalva quanto à atividade da empresa, como alega a Recorrente. Sem reparos a decisão recorrida, nesta parte. 3. Das contas com decisão judicial A Recorrente argumenta, em síntese, que não é necessário observar todos os requisitos estabelecidos nas Instruções Normativas da Receita Federal do Brasil. Ocorre, entretanto, que a Receita Federal do Brasil editou as Instruções Normativas que regulamentaram a CPMF em obediência ao disposto no art. 19 da Lei nº 9.311/96, abaixo reproduzido, e na EC nº 21/99. Art. 19. A Secretaria da Receita Federal e o Banco Central do Brasil, no âmbito das respectivas competências, baixarão as normas necessárias à execução desta Lei. Portanto, não há como afastar a aplicação dos referidos normativos, ainda mais porque a Recorrente não apontou que algum deles tenha sido declarado ilegal, pelo STJ, ou inconstitucional, pelo STF. Também aqui não há reformas a fazer na decisão recorrida. 4. Das instituições financeiras A Recorrente alega que a decisão recorrida manteve o lançamento, relativamente às operações da empresa Aurora Participação e Administração S/A porque ele Recorrente não questionou o resultado da diligência. Defende a Recorrente que este item achavase devidamente esclarecido na impugnação. Na impugnação a Recorrente alega que a referida empresa era uma instituição financeira (banco) à época dos fatos geradores lançados e, portanto, sujeita à alíquota zero. Na segunda diligência, ficou provado que a referida empresa era uma instituição financeira (Mil Banco S/A) até 11/10/2000, passando a atuar, a partir dessa data, na atividade de Holding/Gestão de Participações, sendo reconhecido a alíquota zero da CPMF até 10/10/2000. Ciente do resultado da diligência, a Recorrente não se manifestou. E não se manifestou exatamente porque na diligência ficou provado a procedência de suas alegações, exceto em relação às movimentações financeiras da empresa Aurora Participação e Administração S/A, a partir de 11/10/2000. Fl. 10707DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 21 20 Não vejo nenhum vício na decisão recorrida por ter apreciado e acolhido os argumentos da impugnação, na medida que adotou o resultado da diligência, que reconheceu a procedência das alegações da Recorrente. 5. Contas de entidades beneficentes de assistência social Aqui também a Recorrente defende que não é necessário observar os normativos da Receita Federal do Brasil e que a inobservância de circunstâncias e exigências constantes do regulamento não impossibilidade o gozo de benefício fiscal legalmente reconhecido. Mais ainda, defende a nulidade da decisão recorrida por, no seu entender, não ter especificado as razões dos descumprimentos de cada uma das entidades apontadas, tornando impossível qualquer insurgência a esse respeito, ofendendo a garantia do contraditório e da ampla defesa. A questão relativa à obrigatoriedade do cumprimento dos normativos da Receita Federal do Brasil já foi apreciada no item 3 Das contas com decisão judicial, acima, cuja conclusão adoto aqui também. Com relação à alegação de nulidade da decisão recorrida, para se ter uma idéia dos fundamentos da decisão recorrida, transcrevo abaixo fragmentos do voto condutor do acórdão recorrido. Correto o entendimento de que as contas de entidades que apresentaram a declaração na forma da IN SRF 6/97 devem ser excluídas do auto. A contrario sensu, o rigor na desqualificação das declarações, como já defendido em linhas passadas, é condição sine quo nom, para a fruição do beneficio, assim, a falta de um ou outro quesito retira delas seu valor probante e declaratório. Ou seja, tais entidades perdem sua qualidade pelo simples fato de uma declaração não preencher os requisitos de forma. [...] Em vista do discutido até o momento, entendo que se a entidade beneficente tiver declarado o cumprimento de todos os requisitos nos moldes da IN e das leis mencionadas, cabe considerar indevido o lançamento da CPMF sobre a movimentação financeira em conta de sua titularidade. Porém, se não restar informado o cumprimento de algum dos requisitos, a exigência da CPMF é procedente, por ser de responsabilidade da instituição bancária a sua retenção. No presente caso, durante a fiscalização não foi apresentada a declaração da entidade titular da conta, razão pela qual, acertadamente a autoridade fiscal efetuou a exigência da CPMF. Contudo, em fase de impugnação, juntou aos autos diversas declarações fornecidas pelas entidades e que uma vez apreciadas, constatase o atendimento das condições da norma. Fl. 10708DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 22 21 Antes, contudo, é importante mencionar o disposto no Ato Declaratório Executivo (ADE) SRF nº 69, de 31/12/2001, o qual estabeleceu que, durante a vigência da liminar concedida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) na Adin 20285, as entidades de assistência social a que se refere a IN SRF nº 44/2001 deverão entregar a declaração na formatação estabelecida no ADE. Frise que até o momento a liminar está vigente, tendo sido referendada pelo Pleno. Ou seja, caso as declarações atendam os requisitos estabelecidos na IN SRF nº 44/2001 ou no ADE SRF nº 69/2001, considerarei que as mesmas atestaram ao sujeito passivo a imunidade das entidades. Conforme dito, diversas declarações apresentadas ao sujeito passivo, justificam, portanto, a não retenção pela CEF da CPMF relativamente à movimentação financeira das referidas conta. Nos demais casos, onde não há qualquer declaração ou a declaração não atende aos requisitos estabelecidos, é de se manter a exigência fiscal. Portanto, está claríssimo que foi mantido o lançamento nos casos em que não há qualquer declaração de isenção ou a declaração não atende aos requisitos estabelecidos. E a Recorrente sabe quais entidades não lhe entregou a declaração e quais entregou de forma irregular. Para cada uma deles é fácil a Recorrente apresentar argumentos de defesa. Sem reparos a fazer na decisão recorrida, nesta parte. 6. Dos Fundos de Investimento Imobiliário A Recorrente alega que a decisão recorrida não poderia adotar os fundamentos da SCI nº 22/06 para decidir a lide porque referida solução de consulta é posterior aos períodos de apuração autuados. Sobre essa matéria, disse o voto condutor da decisão recorrida: Diferentemente do alegado, a redução a zero da alíquota de CPMF, prevista no inciso III do art. 8º da Lei nº 9.311, de 1996, não se aplica aos lançamentos em contas correntes de depósito dos Fundos de Investimento Imobiliário, constituídos nos termos da Lei nº 8.668, de 1993. No mérito, a inclusão dos Fundos de Investimento Imobiliário dentre aqueles cuja movimentação bancária estariam sujeitas à alíquota zero já foi objeto de análise por parte da Administração Tributária. A Coordenação Geral da Secretaria da Receita Federal emitiu a Solução de Consulta Interna nº 22, de 24/11/2006, firmando a interpretação da Administração Tributária a respeito da matéria. Embora não se trate de ato público e, portanto, não seja vinculante para os contribuintes, a interpretação ali exposta coadunase com o contexto legislativo que informa a questão, Fl. 10709DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 23 22 pelo que é adotada no presente voto. Nesse sentido, vão a seguir transcritos trechos daquele ato: [...] Pelo exposto, voto pela procedência da exigência da Contribuição Provisória sobre Movimentação ou Transmissão Financeira, tal como formalizada no Auto de Infração. A adoção dos argumentos e fundamentos, para solucionar lide, de solução de consulta interna, emitida por órgão da Receita Federal do Brasil, não pode constituir ofensa aos art. 106 e 146, do CTN, a uma porque não se trata de aplicação de lei e a duas porque não houve modificação de critério jurídico em relação à Recorrente, isso porque não há outro auto de infração com a mesma matéria, lavrado contra a Recorrente, que dê tratamento diferente. Ademais, não há nenhuma vedação legal para o uso, por citação, de argumentos e fundamentos de terceiros (no âmbito administrativo ou judicial) para solucionar lides, independente da data em que o documento citado foi produzido. No caso dos autos, os argumentos e fundamentos legais da SCI nº 22/06 aplicamse perfeitamente ao caso concreto e também aqui são adotados como se estivessem escritos. Não vejo nulidade na decisão recorrida ou necessidade de reforma, nesta parte. Relativamente ao Recurso de Ofício, a exoneração promovida pela decisão recorrida decorreu da comprovação de erros de fato no lançamento, reconhecido pela própria autoridade lançadora, conforme Termos de Diligência. Contra fatos não há argumentos e, portanto, andou bem a decisão recorrida ao reconhecer a improcedência de parte do lançamento impugnado. Por fim, ratifico e, supletivamente, adoto os fundamentos da decisão recorrida, que tenho por boa e conforme a lei (art. 50, § 1o, da Lei no 9.784/19991), exceto quanto à decadência. Por tais razões, voto no sentido de negar provimento ao recurso de ofício e dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer a extinção, pela decadência, dos débitos lançados, cujos fatos geradores ocorreram até o período de apuração encerrado no dia 13/03/2002 (PA 143). (assinado digitalmente) WALBER JOSÉ DA SILVA – Relator 1 Art. 50. Os atos administrativos deverão ser motivados, com indicação dos fatos e dos fundamentos jurídicos, quando: [. . .] § 1o A motivação deve ser explícita, clara e congruente, podendo consistir em declaração de concordância com fundamentos de anteriores pareceres, informações, decisões ou propostas, que, neste caso, serão parte integrante do ato. Fl. 10710DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA Processo nº 14041.000070/200771 Acórdão n.º 3302002.738 S3C3T2 Fl. 24 23 Fl. 10711DF CARF MF Impresso em 20/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA, Assinado digitalmente em 18/10/2014 por WALBER JOSE DA SILVA
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Numero do processo: 10510.001952/2008-18
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 07 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Oct 31 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/2002 a 31/12/2004
GRUPO ECONÔMICO. CONFIGURAÇÃO.
Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, podendo se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação). Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, por meio da análise fática que tornou possível a constatação de combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo.
SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. ESTABELECIMENTO ÚNICO.
O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT.
INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO.
Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno.
É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais.
MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR.
O lançamento reporta-se à data de ocorrência do fato gerador e rege-se pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplica-se a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitando-se ao percentual máximo de 75%.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 2402-004.320
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitando-se ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada.
Julio Cesar Vieira Gomes - Presidente
Ronaldo de Lima Macedo - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões.
Nome do relator: RONALDO DE LIMA MACEDO
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CONFIGURAÇÃO. Os grupos econômicos podem ser de direito ou de fato, podendo se dar pela combinação de recursos ou esforços para a consecução de objetivos comuns, sob a forma horizontal (coordenação), ou sob a forma vertical (controle x subordinação). Caracterizada a formação de grupo econômico de fato, por meio da análise fática que tornou possível a constatação de combinação de recursos e/ou esforços para a consecução de objetivos comuns pelas empresas integrantes do grupo. SEGURO DE ACIDENTE DE TRABALHO (SAT/GILRAT). INCIDÊNCIA. CONTRIBUIÇÃO PREVISTAS EM LEI. ESTABELECIMENTO ÚNICO. O Poder Judiciário já se manifestou sobre o tema de que são constitucionais e legítimas as contribuições destinadas ao SAT/GILRAT. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. Não cabe aos Órgãos Julgadores do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) afastar a aplicação da legislação tributária em vigor, nos termos do art. 62 do seu Regimento Interno. É prerrogativa do Poder Judiciário, em regra, a argüição a respeito da constitucionalidade e não cabe ao julgador, no âmbito do contencioso administrativo, afastar aplicação de dispositivos legais vigentes no ordenamento jurídico pátrio sob o argumento de que seriam inconstitucionais. MULTA DE MORA. APLICAÇÃO DA LEGISLAÇÃO VIGENTE À ÉPOCA DO FATO GERADOR. O lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 51 0. 00 19 52 /2 00 8- 18 Fl. 235DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 2 multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II da Lei 8.212/1991), limitandose ao percentual máximo de 75%. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para que, em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, vencida a conselheira Luciana de Souza Espíndola Reis que votou pela manutenção da multa aplicada. Julio Cesar Vieira Gomes Presidente Ronaldo de Lima Macedo Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Julio Cesar Vieira Gomes, Luciana de Souza Espíndola Reis, Lourenço Ferreira do Prado, Ronaldo de Lima Macedo, Nereu Miguel Ribeiro Domingues e Thiago Taborda Simões. Fl. 236DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001952/200818 Acórdão n.º 2402004.320 S2C4T2 Fl. 3 3 Relatório Tratase de lançamento fiscal decorrente do descumprimento de obrigação tributária principal, referente às contribuições devidas à Seguridade Social, incidentes sobre a remuneração dos segurados empregados e contribuintes individuais, concernente à parcela patronal, incluindo as contribuições para o financiamento das prestações concedidas em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho (SAT/GILRAT). O período de lançamento dos créditos previdenciários é de 04/2002 a 12/2004. O Relatório Fiscal (fls. 44/53) informa que a Viação São Cristóvão Transportes Ltda. é integrante de grupo econômico, denominado Grupo Bomfim, formado pelas empresas Bomfim Empresa Senhor do Bomfim Ltda.; LM Pneus e Transportes Ltda.; São Cristóvão Transportes Ltda.; Viação Cidade de Aracaju Ltda.; Viação Senhor do Bomfim Ltda.; e LM Empreendimentos Hoteleiros e Serviços Ltda., as quais foram qualificadas no crédito como solidárias, em face do disposto no art. 30, IX da Lei 8.212/1991. A ciência do lançamento fiscal ao sujeito passivo deuse em 15/05/2008 (fls. 02 e 89). A autuada apresentou impugnação tempestiva (fls. 91/105), alegando, em síntese, que: 1. quanto à contribuição referente ao seguro de acidente do trabalho (SAT), a alíquota só pode ser identificada a partir da conjugação de textos legais com os textos dos decretos, o que é vedado pela Constituição Federal; 2. não há referência legal para aplicação de juros de 1% no mês subseqüente ao da competência. Além disso, alega ser descabida a aplicação da taxa media mensal de capitação do Tesouro Nacional relativa a Dívida Mobiliária Federal em conjunto com a taxa do SELIC, uma vez que, no período descrito no AI aquela taxa já se encontrava absorvida por esta. Argumenta também que a aplicação da taxa do SELIC faz com que o valor do tributo, depois de lançado e homologado cresça de acordo com o critério e conveniência do Executivo, que fixa essa taxa de forma unilateral e arbitraria. Transcreve ementa de decisão do STJ; 3. dispõe que não é possível identificar o percentual de multa aplicado no caso sob análise, visto que o AI limitouse a invocar uma série de dispositivos pertinentes à multa, sem contudo promover o enquadramento da impugnante em um desses dispositivos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento (DRJ) em Salvador/BA – por meio do Acórdão 1526.875 da 5a Turma da DRJ/SDR (fls. 117/123) – considerou o lançamento fiscal procedente em parte, eis que determinou: (i) em razão da Fl. 237DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 4 decadência, a exclusão dos valores apurados até a competência 04/2003; (ii) exclusão do crédito lançado sob o código de lançamento "CCI Cont. Contribuinte individual" integrante do código de levantamento CT2 CONTABILIDADE, em razão da falta de comprovação da realização fática da hipótese de incidência e da quantificação da base de cálculo sobre a qual incidiram as contribuições; e (iii) exclusão dos créditos lançados sob os códigos de levantamento “DVI – DIVERSOS” e “DV2 – DIVERSOS”, em razão do cerceamento do direito de defesa. A Notificada apresentou recurso voluntário, manifestando seu inconformismo pela obrigatoriedade do recolhimento dos valores lançados e no mais efetua repetição das alegações da peça de impugnação, nos seguintes termos: (i) inexistência de caracterização do grupo econômico; (ii) ilegalidade da contribuição destinada ao SAT/GILRAT; e (iii) redução da multa para 20%, atendendo à legislação em regência mais benéfica ao contribuinte. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Aracaju/SE informa que o recurso interposto é tempestivo e encaminha os autos ao CARF para processamento e julgamento. É o relatório. Fl. 238DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001952/200818 Acórdão n.º 2402004.320 S2C4T2 Fl. 4 5 Voto Conselheiro Ronaldo de Lima Macedo, Relator Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. A Recorrente aduz que a auditoria fiscal não apresentou elementos probatórios suficientes para demonstrar a sua tese de Grupo Econômico. Em suas alegações recursais, requer a Recorrente seja afastada a corresponsabilização das empresas do Grupo Econômico de fato, assim caracterizado pela autoridade lançadora, sob o argumento de que inexiste qualquer situação fática ou jurídica capaz de suportar tal entendimento, mormente quando a legislação de regência não permite a caracterização “de oficio” de Grupo Econômico pelo simples fato de as empresas terem os mesmos sócios, exigindo outros requisitos ausentes na hipótese vertente. Nessa toada, sustenta que, no caso, as empresas são totalmente dissociadas e distintas umas das outras, possuindo personalidade jurídica própria, finalidade social diversa, empregados próprios, controladores diversos, clientes próprios e independentes, não se vislumbrando entre elas qualquer forma de direção, controle ou administração. Argumenta que o simples fato de um sócio de determinada empresa estar inserido no contrato social de outra não implica na existência de grupo de empresas, como entendeu equivocadamente o Auditor Fiscal. Tais alegações não devem prosperar pelos fatos, pela legislação de regência e pela jurisprudência deste Conselho, todos a seguir delineados neste voto. Conforme restou devidamente demonstrado no Relatório Fiscal (fls. 44/53), assim como na decisão de primeira instância recorrida (fls. 117/123), as empresas ali arroladas fazem parte efetivamente de Grupo Econômico de fato, respondendo solidariamente pelo crédito previdenciário que se contesta as seguintes empresas: 1. BOMFIM EMPRESA SENHOR DO BOMFIM LTDA; 2. LM PNEUS E TRANSPORTES LTDA; 3. SÃO CRISTÓVÃO TRANSPORTES LTDA; 4. VIAÇÃO CIDADE DE ARACAJU LTDA; 5. VIAÇÃO SENHOR DO BOMFIM LTDA; 6. LM EMPREENDIMENTOS HOTELEIROS E SERVIÇOS LTDA. Esclarecemos que a solidariedade previdenciária é legítima e obriga os sujeitos passivos do fato gerador da contribuição da seguridade social, desde que suas regras sejam corretamente aplicadas e o procedimento fiscal regularmente conduzido. Fl. 239DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 6 Nesse sentido, os artigos 124 e 128, ambos do Código Tributário Nacional (CTN), dispõem: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. (g.n.) Parágrafo Único. A solidariedade referida neste artigo não comporta beneficio de ordem. Art. 128. Sem prejuízo do disposto neste capítulo, a lei pode atribuir de modo expresso a responsabilidade pelo crédito tributário a terceira pessoa, vinculada ao fato gerador da respectiva obrigação, excluindo a responsabilidade do contribuinte ou atribuindoa este em caráter supletivo do cumprimento total ou parcial da referida obrigação. (g.n) Por sua vez, o § 2° do art. 2°, da CLT, ao tratar da matéria, estabelece o seguinte: Art. 2°. Considerase empregador a empresa individual ou coletiva, que, assumindo os riscos de atividade econômica, admite, assalaria e dirige a prestação pessoal de serviços. (...) § 2° Sempre que uma ou mais empresas, tendo, embora, cada uma delas, personalidade jurídica própria, estiverem sob a direção, controle ou administração de outra, constituindo grupo industrial, comercial ou de qualquer outra atividade econômica, serão, para os efeitos da relação de emprego, solidariamente responsáveis a empresa principal e cada uma das subordinadas. Com mais especificidade, em relação aos procedimentos a serem observados pela auditoria fiscal ao promover o lançamento, notadamente quando tratarse de caracterização de Grupo Econômico, o art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/1991, não deixa dúvida quanto a matéria posta nos autos, recomendando a manutenção do feito, in verbis: Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: (...) IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta lei; (g.n.) Da leitura desse inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/1991, extraise que a relação jurídicotributária ali esposada tem caráter ampliativo da responsabilidade solidária, o que leva a afirmar que não se restringe aos casos em que esse grupo econômico esteja formalmente configurado (cognominado de grupo econômico formal), mas também àqueles em que isso ocorra apenas faticamente (cognominado de grupo econômico informal), como na hipótese vertente. Fl. 240DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001952/200818 Acórdão n.º 2402004.320 S2C4T2 Fl. 5 7 No presente caso, ao contrário do entendimento da Recorrente, inúmeros fatos levaram à fiscalização a concluir pela existência de Grupo Econômico de fato, conforme restou circunstanciado e demonstrado no Relatório da Fiscal da Infração – acompanhado de anexos. Nesse sentido foram enumerados os seguintes elementos fáticos: 1. SócioAdministrador em comum, o Sr. Lauro Antonio Menezes Silva detém 98% do capital social da São Cristóvão Transportes Ltda., 99% do capital social da Viação Cidade de Aracaju Ltda. e 99% do capital social da LM Empreendimentos Hoteleiro e Serviços Ltda. EPP (Viação Cidade Histórica), sendo sócioadministrador das três. E, ainda, sócioadministrador de LM Pneus e Transportes Ltda., embora possua apenas 0,64% do seu capital social; 2. Objeto Social comum, de acordo com as certidões simplificadas fornecidas pela Junta Comercial do Estado de Sergipe, todas as empresas do Grupo Bomfim têm como objeto social, dentre outras atividades, o transporte rodoviário de passageiros; 3. Empregados em comum, os diversos empregados mantinham contrato de trabalho único com o grupo econômico, desempenhando suas atividades em prol de cada uma das empresas que o compõem, alternadamente ou não. A título ilustrativo foi acostada, aos autos, cópia de sentença prolatada pela juíza da 5a Vara do Trabalho de Aracaju, em que é reconhecida a existência de grupo econômico entre a Viação São Pedro Ltda. e Viação Cidade de Aracaju Ltda. e a conseqüente responsabilidade trabalhista solidária destas. A magistrada afirma que “a existência de grupo econômico é fato notório judicial, evidenciado, dentre outros pontos, pela identidade de prepostos, advogados, bem como pela imediata recontratação por outra empresa do mesmo grupo”; 4. As folhas de pagamento da empresa São Cristóvão Transportes Ltda. integrante do grupo econômico contêm, no seu rodapé, a seguinte observação: “SERVIÇOS PRESTADOS POR: BOMFIM EMPRESA SENHOR DO BOMFIM LTDA AVENIDA TANCREDO NEVES 285” e que são utilizadas nestas folhas os mesmos códigos de rubricas; 5. Endereço comum, que compreende um imóvel que ocupa área que margeia as Avenidas Tancredo Neves e Tiradentes. O endereço da Viação São Pedro Ltda. (Av. Pres. Tancredo Neves, 2920), da São Cristóvão Transportes Ltda. (Av. Tiradentes, 430A) e da Viação Senhor do Bomfim Ltda. (Av. Tiradentes, 250 B) correspondem ao mesmo imóvel, ao passo que a sede da LM Pneus e Transportes Ltda (Av. Presidente Tancredo Neves, 7.800) fica em imóvel contíguo a este. Tal imóvel é utilizado como garagem para guarda e manutenção dos ônibus utilizados pelas empresas Viação São Pedro Ltda., Viação Cidade de Aracaju, São Cristóvão Transportes Ltda. e Viação Senhor do Bomfím Ltda. O portão de acesso dos ônibus à garagem contém Fl. 241DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 8 logotipos da Viação cidade de Aracaju e São Cristóvão Transportes Ltda.; 6. Impugnação única, quando cientificadas da Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD) DEBCAD n° 37.016.6310, as empresas do Grupo Bomfím interpuseram impugnação única firmada pelo Sr. José dos Santos Vieira dos Anjos, gestor jurídicocontábil e procurador das empresa do grupo. Todas as impugnações (tanto as do contribuinte quanto as dos responsáveis) foram apresentadas na mesma data e tiveram em comum o mesmo representante e, no caso das impugnações apresentadas pelos responsáveis solidários, tiveram o mesmo texto; 7. Cessão gratuita, a São Cristóvão Transportes Ltda. cedeu, gratuitamente e por prazo indeterminado, diversos veículos e respectivas linhas de ônibus para outras empresas integrantes do grupo e empresas com sócios em comum com as empresa do grupo Bomfím. O mesmo ocorreu entre outras empresas do grupo. A gratuidade destas cessões pode ser comprovada pelos contratos de comodato acostados aos autos e pela ausência de lançamentos contábeis atinentes a despesas de locação de veículos; 8. Reportagem publicitária, em reportagem publicitária, cópia às fls. 82/84, no seminário Cinform, consta menção sobre a confraternização natalina dos empregados do Grupo Bomfím nos seguintes termos: “O Grupo Bomfím é composto pelas empresas: LM, São Pedro, São Cristóvão, VCA, Bomfím, Boa Luz e Cidade Histórica. Atua na área urbana e interestadual do Estado de Sergipe e conta, hoje, com mais de 2 mil funcionários”. Verificase ainda que o Fisco não se fundamentou simplesmente no fato de as empresas terem os mesmos sócios, ao caracterizálas como Grupo Econômico, apesar de também ter contribuído para tal conclusão. Como se observa, além do outros fatos, já devidamente elencados acima, as atividades desenvolvidas por todas empresas integrantes do Grupo Econômico se relacionam e interligam. In casu, percebese que há atos de gerência relacionados com todas as empresas faticamente integrantes do grupo econômico de fato, manifestado pela existência de controle único: Sr. Lauro Antonio Menezes Silva. Além disso, a auditoria fiscal demonstrou que as empresas compartilham instalações, equipamentos, marca “Grupo Bomfím”, funcionários, dentre outros elementos fáticoprobatórios. Ganho relevo esse tese quando se depreende que os elementos esposados na peça recursal não são suficientes para solapar a certeza e a convicção que conduziram a decisão de primeira instância a reconhecer a existência de grupo econômico de fato, conforme ficou registrado por uma série de fatos que sequer foram contestados pelas empresas e nem poderiam, dada a forte significação que contém no sentido de dar suporte às afirmações veiculadas no Relatório Fiscal e seus anexos. Com isso, os elementos fáticos configuram, no plano fático, a existência de grupo econômico entre as empresas formalmente distintas, mas que atuam sob comando familiar único e compartilham instalações, funcionários, e despesas operacionais, justificando a responsabilidade solidária das empresas pelo pagamento das contribuições Fl. 242DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001952/200818 Acórdão n.º 2402004.320 S2C4T2 Fl. 6 9 sociais incidentes sobre a remuneração paga ou creditada aos trabalhadores a serviço de todas elas indistintamente. Dessa forma, incide a regra do art. 124 do CTN c/c do art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/1991, em que restou demonstrado, no plano fático, que não há separação exclusiva entre as empresas arroladas nos autos, o que comprova a existência de um Grupo Econômico de fato e justifica o reconhecimento da solidariedade entre as empresas. Quanto à argumentação da ilegalidade da cobrança da contribuição para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), tal tese não será acatada, pois o Supremo Tribunal Federal (STF) já pacificou a matéria no julgamento do RE 343.446SC, Relator Ministro Carlos Velloso. Assim, entendeu o STF que a exigência da contribuição para o custeio do SAT, por meio das Leis nos 7.787/1989 e 8.212/1991, é constitucional e também declarou que a delegação ao Poder Executivo – para regulamentação dos conceitos de “atividades preponderante” e “grau de risco leve, médio e grave” – tem amparo constitucional. Transcrevemos a ementa do RE 343.446SC: EMENTA: CONSTITUCIONAL TRIBUTÁRIO. CONTRIBUIÇÃO: SEGURO DE ACIDENTE DO TRABALHO SAT. Lei 7.787/89, arts. 3º e 4º; Lei 8.212/91, art. 22, II, redação da Lei 9.732/98. Decretos 612/92, 2.173/97 e 3.048/99. C.F., artigo 195, § 4º; art. 154, II; art. 5º, II; art. 150, I. I. Contribuição para o custeio do Seguro de Acidente do Trabalho SAT: Lei 7.787/89, art. 3º, II; Lei 8.212/91, art. 22, II: alegação no sentido de que são ofensivos ao art. 195, § 4º, c/c art. 154, I, da Constituição Federal: improcedência. Desnecessidade de observância da técnica da competência residual da União, C.F., art. 154, I. Desnecessidade de lei complementar para a instituição da contribuição para o SAT. II. O art. 3º, II, da Lei 7.787/89, não é ofensivo ao princípio da igualdade, por isso que o art. 4º da mencionada Lei 7.787/89 cuidou de tratar desigualmente aos desiguais. III. As Leis 7.787/89, art. 3º, II, e 8.212/91, art. 22, II, definem, satisfatoriamente, todos os elementos capazes de fazer nascer a obrigação tributária válida. O fato de a lei deixar para o regulamento a complementação dos conceitos de "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio e grave", não implica ofensa ao princípio da legalidade genérica, C.F., art. 5º, II, e da legalidade tributária, C.F., art. 150, I. (g.n.) IV. Se o regulamento vai além do conteúdo da lei, a questão não é de inconstitucionalidade, mas de ilegalidade, matéria que não integra o contencioso constitucional. V. Recurso extraordinário não conhecido. (RE 343446, Rel. Min. Carlos Velloso, DJ de 04/04/2004) Ainda o Relator desse RE 343.446SC registrou que: “(...) o regulamento não pode inovar na ordem jurídica, pelo que não tem legitimidade constitucional o regulamento “praeter legem”. Todavia, o regulamento delegado ou autorizado ou “intra legem” é condizente com a ordem jurídicoconstitucional brasileira”. Fl. 243DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 10 Esse entendimento de que a cobrança da contribuição destinada ao SAT/GILRAT é legítima vem sendo mantido pelo STF, senão vejamos: EMENTA: AGRAVO REGIMENTAL NO AGRAVO DE INSTRUMENTO. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL. SAT. TRABALHADORES AVULSOS. CONSTITUCIONALIDADE. 1. Contribuição social. Seguro de Acidente do Trabalho SAT. Lei n. 7.787/89, artigo 3o, II. Lei n. 8.212/91, artigo 22, II. Constitucionalidade. Precedente. 2. A cobrança da contribuição ao SAT incidente sobre o total das remunerações pagas tanto aos empregados quanto aos trabalhadores avulsos é legítima. Precedente. (g.n.) Agravo regimental a que se nega provimento. [...] Voto [...] 4. O Supremo afastou a argumentação de contrariedade do princípio da legalidade tributária [CB, artigo 150, I], uma vez que a lei fixou padrões e parâmetros, deixando para os decretos regulamentares ns. 612/92, 2.173/97 e 3.048/99 a delimitação dos conceitos necessários à aplicação concreta da norma "atividade preponderante" e "grau de risco leve, médio ou grave". (g.n.) (AIAgR 742458/DF,Rel. Min. Eros Grau, Dje 14/05/2009) Depreendese dessas decisões do STF que a complementação dos conceitos de atividade preponderante e do grau de risco para aplicação das alíquotas do SAT/GILRAT pode ser estabelecida por meio de Decreto (regulamento do Poder Executivo), desde que a lei assim o discipline. De mais a mais, as alegações da empresa relativas à inconstitucionalidade de dispositivos normativos não são passíveis de apreciação por esta instância administrativa, sendo a declaração de inconstitucionalidade de lei prerrogativa outorgada pela Constituição Federal ao Poder Judiciário. Nesse sentido, o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF) veda aos membros de Turmas de julgamento afastar aplicação de lei ou decreto sob fundamento de inconstitucionalidade e o próprio Conselho uniformizou a jurisprudência administrativa sobre a matéria por meio do enunciado da Súmula nº 2, publicadas no DOU de 22/12/2009, ANEXO III CONSOLIDAÇÃO DAS SÚMULAS DO CARF, pág. 71, transcrito a seguir: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Logo, em consonância com a legislação previdenciária de regência ao lançamento fiscal, entendo que são devidas à diferença de contribuição destinada para o Seguro de Acidente de Trabalho (SAT/GILRAT), e afasto as alegações da Recorrente de ilegalidade dessa exação previdenciária. Em decorrência dos princípios da autotutela e da legalidade objetiva, no que tange à multa aplicada de 75% sobre as contribuições devidas até a competência 11/2008, entendo que deverá ser aplicada a legislação vigente à época do fato gerador. Fl. 244DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001952/200818 Acórdão n.º 2402004.320 S2C4T2 Fl. 7 11 A questão a ser enfrentada é a retroatividade benéfica para redução ou mesmo exclusão das multas aplicadas através de lançamentos fiscais de contribuições previdenciárias na vigência da Medida Provisória (MP) 449, de 03/12/2008, convertida na Lei 11.941/2009, mas nos casos em que os fatos geradores ocorreram antes de sua edição. É que a medida provisória revogou o art. 35 da Lei 8.212/1991 que trazia as regras de aplicação das multas de mora, inclusive no caso de lançamento fiscal, e em substituição adotou a regra que já existia para os demais tributos federais, que é a multa de ofício de, no mínimo, 75% do valor devido. Para tanto, devese examinar cada um dos dispositivos legais que tenham relação com a matéria. Prefiro começar com a regra vigente à época dos fatos geradores (art. 35 da Lei 8.212/19911). De fato, a multa inserida como acréscimo legal nos lançamentos tinha natureza moratória – era punido o atraso no pagamento das contribuições previdenciárias, independentemente de a cobrança ser decorrente do procedimento de ofício. Mesmo que o contribuinte não tivesse realizado qualquer pagamento espontâneo, sendo portanto necessária a constituição do crédito tributário por meio de lançamento, ainda assim a multa era de mora. A redação do dispositivo legal, em especial os trechos por mim destacados, é muito claro nesse sentido. Não se punia a falta de espontaneidade, mas tão somente o atraso no pagamento – a mora. Contemporâneo à essa regra especial aplicável apenas às contribuições previdenciárias já vigia, desde 27/12/1996, o art. 44 da Lei 9.430/1996, aplicável a todos os demais tributos federais: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas, calculadas sobre a totalidade ou diferença de tributo ou contribuição: 1 Lei 8.212/1991: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). b) setenta por cento, se houve parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento; (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. (Redação dada pela Lei nº 9.876, de 1999). Fl. 245DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 12 I de setenta e cinco por cento, nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, pagamento ou recolhimento após o vencimento do prazo, sem o acréscimo de multa moratória, de falta de declaração e nos de declaração inexata, excetuada a hipótese do inciso seguinte; II cento e cinqüenta por cento, nos casos de evidente intuito de fraude, definido nos arts. 71, 72 e 73 da Lei nº 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. É certo que esse possível conflito de normas é apenas aparente, pois como se sabe a norma especial prevalece sobre a geral, sendo isso um dos critérios para a solução dessa controvérsia. Para os fatos geradores de contribuições previdenciárias ocorridos até a MP no 449 aplicavase exclusivamente o art. 35 da Lei 8.212/1991. Portanto, a sistemática dos artigos 44 e 61 da Lei 9.430/1996, para a qual multas de ofício e de mora são excludentes entre si, não se aplica às contribuições previdenciárias. Quando a destempo mas espontâneo o pagamento aplicase a multa de mora e, caso contrário, seja necessário um procedimento de ofício para apuração do valor devido e cobrança através de lançamento então a multa é de ofício. Enquanto na primeira se pune o atraso no pagamento, na segunda multa, a falta de espontaneidade. Logo, repetese: no caso das contribuições previdenciárias somente o atraso era punido e nenhuma dessas regras se aplicava; portanto, não vejo como se aplicar, sem observância da regra especial que era prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991, a multa de ofício aos lançamentos de fatos geradores ocorridos antes da vigência da Medida Provisória (MP) 449. Embora os fatos geradores tenham ocorridos antes, o lançamento foi realizado na vigência da MP 449. Por sua vez, o Código Tributário Nacional (CTN) estabelece que o lançamento reportase à data de ocorrência do fato gerador e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada: Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada. Ainda dentro desse contexto, pela legislação da época da ocorrência do fato gerador, seriam duas multas distintas a serem aplicadas pela AuditoriaFiscal: 1. uma relativa ao descumprimento da obrigação acessória – capitulada no Código de Fundamento Legal (CFL) 68 –, com base o art. 32, IV e § 5o, da Lei 8.212/1991, no total de 100% do valor devido, relativo às contribuições não declaradas, limitada em função do número de segurados; 2. outra pelo descumprimento da obrigação principal, correspondente, inicialmente, à multa de mora de 24% prevista no art. 35, II, alínea “a”, da Lei 8.212/1991, com a redação dada pela Lei 9.876/1999. Tal artigo traz expresso os percentuais da multa moratória a serem aplicados aos débitos previdenciários. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES Processo nº 10510.001952/200818 Acórdão n.º 2402004.320 S2C4T2 Fl. 8 13 Essa sistemática de aplicação da multa decorrente de obrigação principal sofreu alteração por meio do disposto nos arts. 35 e 35A, ambos da Lei 8.212/1991, acrescentados pela Lei 11.941/2009. Lei 8.212/1991: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (g,n,) ......................................................................................................... Lei 9.430/1996: Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (...) § 2º O percentual de multa a ser aplicado fica limitado a vinte por cento. Em decorrência da disposição acima, percebese que a multa prevista no art. 61 da Lei 9.430/96, se aplica aos casos de contribuições que, embora tenham sido espontaneamente declaradas pelo sujeito passivo, deixaram de ser recolhidas no prazo previsto na legislação. Esta multa, portanto, se aplica aos casos de recolhimento em atraso, que não é o caso do presente processo. Por outro lado, a regra do art. 35A da Lei 8.212/1991 (acrescentado pela Lei 11.941/2009) aplicase aos lançamentos de ofício, que é o caso do presente processo, em que o sujeito passivo deixou de declarar fatos geradores das contribuições previdenciárias e consequentemente de recolhêlos, com o percentual 75%, nos termos do art. 44 da Lei 9.430/1996. Lei 8.212/1991: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 1996. (g.n.) Assim, não havendo o recolhimento da obrigação principal não declarada em GFIP, passou a ser devida a incidência da multa de ofício de 75% sobre o valor não recolhido, como segue: Lei 9.430/1996: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 247DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES 14 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; Entretanto, não há espaço jurídico para aplicação do art. 35A da Lei 8.212/1991 em sua integralidade, eis que o critério jurídico a ser adotado é do art. 144 do CTN (tempus regit actum: o lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada). Dessa forma, entendo que, para os fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, aplicase a multa de mora nos percentuais da época (redação anterior do artigo 35, inciso II, da Lei 8.212/1991), limitando a multa ao patamar de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996. Embora a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) seja mais benéfica na atual situação em que se encontra a presente autuação, caso esta venha a ser executada judicialmente, poderá ser reajustada para o patamar de até 100% do valor principal. Neste caso, considerando que a multa prevista pelo art. 44 da Lei 9.430/1996 limitase ao percentual de 75% do valor principal e adotando a regra interpretativa constante do art. 106 do CTN, deve ser aplicado o percentual de 75% caso a multa prevista no art. 35 da Lei 8.212/1991 (antes da alteração promovida pela Lei 11.941/2009) supere o seu patamar. CONCLUSÃO: Voto no sentido de CONHECER do recurso voluntário e DARLHE PROVIMENTO PARCIAL para reconhecer que, com relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da MP 449/2008, seja aplicada a multa de mora nos termos da redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/1991, limitandose ao percentual máximo de 75% previsto no art. 44 da Lei 9.430/1996, nos termos do voto. Ronaldo de Lima Macedo. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 31/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/10/2014 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 22/10/20 14 por RONALDO DE LIMA MACEDO, Assinado digitalmente em 30/10/2014 por JULIO CESAR VIEIRA GOMES
score : 1.0
Numero do processo: 13118.000222/2006-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 13 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Fri Nov 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2001
COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVAR A EFETIVIDADE DO PAGAMENTO INDEVIDO.
O reconhecimento do direito creditório exige que seja demonstrada a efetividade do pagamento e que este era indevido. Na presença de provas dos pagamentos deve ser reconhecido tal direito.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2301-004.116
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
(assinado digitalmente)
Marcelo Oliveira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Mauro José Silva - Relator.
Participaram do presente julgamento a Andrea Brose Adolfo, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira
Nome do relator: MAURO JOSE SILVA
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PREV. COMPENSAÇÃO. Recorrente JOVER DISTRIBUIDORA DE AUTO PECAS E ACESSÓRIOS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/2001 a 31/12/2001 COMPENSAÇÃO. NECESSIDADE DE PROVAR A EFETIVIDADE DO PAGAMENTO INDEVIDO. O reconhecimento do direito creditório exige que seja demonstrada a efetividade do pagamento e que este era indevido. Na presença de provas dos pagamentos deve ser reconhecido tal direito. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Relator. Participaram do presente julgamento a Andrea Brose Adolfo, bem como os Conselheiros Manoel Coelho Arruda Júnior, Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano González Silvério, Mauro José Silva e Marcelo Oliveira AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 11 8. 00 02 22 /2 00 6- 51 Fl. 310DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MAURO JOSE SILVA 2 Relatório Tratase de recurso voluntário por meio da qual a interessada pretende ver homologada a compensação que promoveu de débitos parciais do SIMPLES com créditos que alega possuir oriundos de ação judicial coletiva. Na referida ação judicial, a Associação Comercial de Catalão, em Mandado de Segurança Coletivo nº 1999.35.00.0209199, obteve acórdão do TRF 1ª Região, já transitado em julgado, no qual ficou reconhecido o direito creditório de seus associados quanto à contribuição previdenciária recolhida sobre os valores pagos a administradores/autônomos e avulsos. A controvérsia teve origem no Despacho Decisório 474 de 24 de novembro de 2006, por meio do qual a DRF/Goiânia decidiu não homologar compensação de débitos do SIMPLES de setembro a dezembro/2001 com créditos de processos judiciais. A não homologação teve como principal fundamento a falta de resposta do contribuinte à intimação para informar a origem dos créditos. Tempestivamente, foi apresentada manifestação de inconformidade na qual a recorrente apontou a existência da ação judicial e a possibilidade de promover a compensação já efetuada. A DRJ/Brasília indeferiu a solicitação, tendo utilizado como principal fundamento para tanto o fato de o crédito não ser relativo a tributo ou contribuição administrado pela SRF, o que encontraria óbice na legislação de regência. Intimado da decisão de primeira instância em 22/05/2007, fls. 61, a interessada apresentou recurso voluntário em 21/06/2007 com os argumentos que resumimos a seguir na ordem que constam do documento de fls. 62/72. Aponta que a origem do crédito é o Mandado de Segurança Coletivo 1999.35.00.0209199 impetrado pela Associação Comercial de Catalão. Naquela ação foi reconhecido o direito creditório dos associados da impetrante quanto a valores indevidamente pagos de contribuição previdenciária incidente sobre os montantes pagos a administradores/administradores, autônomos e avulsos. Como requer a compensação com a parte do que é devido ao SIMPLES que se refere justamente às contribuições previdenciárias, entende não ser aplicável os óbices da Lei 9.430/96. Seu direito à compensação estaria fundado no art. 66 da Lei 8.383/91. As leis instituidoras do SIMPLES são claras no seu entender quanto à estabelecer as alíquotas correspondentes às contribuições previdenciárias, o que permitiria concluir pela correção da homologação efetuada. Ao procedermos a análise do recurso, concluímos em assentada anterior que: "Não temos elementos que demonstrem que a recorrente é beneficiária da ação judicial coletiva, ou seja, que já era filiada à Associação Comercial de Catalão antes do ingresso com a ação judicial que obteve o provimento favorável ao pleito creditório. Fl. 311DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MAURO JOSE SILVA Processo nº 13118.000222/200651 Acórdão n.º 2301004.116 S2C3T1 Fl. 311 3 Outro elemento em falta nos autos é o demonstrativo do montante do crédito acompanhado de documentos que comprovem que o pagamento in devido foi efetivado. Em vista disso, considerando o princípio da eficiência e o respeito ao direito do contribuinte à duração razoável do processo, optamos por não indeferir o pleito – o que seria indicado, pois a interessada não logrou trazer provas hábeis de seu direito , e alternativamente propomos a conversão do julgamento em diligência para que a autoridade preparadora intime a recorrente a apresentar prova de sua filiação à Associação Comercial de Catalão, bem como apresente demonstrativo do crédito pleiteado, juntamente com comprovantes de que o pagamento indevido foi efetivado." Por conta disso, o julgamento foi convertido em diligência por meio da Resolução 59/2010, fls. 92/93. A diligência foi realizada, tendo sido juntados documentos de fls. 228/294. Como pudemos constatar, a diligência não se limitou a juntar documentos, mas fez considerações sobre o direito pleiteado pela recorrente. Em vista disso, nova diligência foi determinada para oportunizar o aditamento do recurso em homenagem ao contraditório. A recorrente permaneceu silente. É o relatório. Fl. 312DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MAURO JOSE SILVA 4 Voto Conselheiro Mauro José Silva, Relator Reconhecemos a tempestividade do recurso apresentado e dele tomamos conhecimento. Como resultado da primeira diligência, foi apurado que a Recorrente era, de fato, filiada à associação que possuía ação judicial coletiva que determinava a compensação, bem como foi apurado o crédito correspondente a tudo o quanto havia sido comprovado, conforme consta do relatório de fls. 162/163 e 152/158. É de notar,portanto, que o pleito da recorrente foi atendido até o montante em que ela mesma conseguiu trazer elementos de prova da existência dos créditos. Como a recorrente, apesar de intimada para tanto, não se insurgiu contra a compensação efetuada, concluímos que considerou que seu pedido foi integralmente atendido. Por todo o exposto, voto no sentido de CONHECER e DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário de modo a acatar a compensação já noticiada nos autos em fls. 162/163 e 152/158. (assinado digitalmente) Mauro José Silva Fl. 313DF CARF MF Impresso em 21/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/09/2014 por MAURO JOSE SILVA, Assinado digitalmente em 21/11/2014 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 04/09/2014 por MAURO JOSE SILVA
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