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Numero do processo: 10280.904427/2011-02
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Dec 01 00:00:00 UTC 2014
Numero da decisão: 3803-000.522
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado.
(Assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente.
(Assinado digitalmente)
Jorge Victor Rodrigues Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues.
Nome do relator: JORGE VICTOR RODRIGUES
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Acordam os membros do colegiado, por maioria, em converter o julgamento em diligência, para que a repartição de origem apure e informe, detalhadamente, os valores de débito e crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs, excluída a ampliação da base de cálculo.Vencido o conselheiro Corintho Oliveira Machado. (Assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente. (Assinado digitalmente) Jorge Victor Rodrigues – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Corintho Oliveira Machado (Presidente), João Alfredo Eduão Ferreira, Hélcio Lafetá Reis, Samuel Manzotti Riemma, Belchior Melo de Sousa e Jorge Victor Rodrigues. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 02 80 .9 04 42 7/ 20 11 -0 2 Fl. 176DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Erro! A origem da referência não foi encontrada. Fls. 13 ___________ Relatório. A autoridade administrativa competente por meio de Despacho Decisório emitido em 01/11/2011, após análise do valor do direito creditório informado em Per/DComp, concluiu pela inexistência do crédito pleiteado, por conseguinte não homologando a compensação declarada. Manifestando a sua inconformidade com o decidido no referido despacho, a contribuinte aduziu sucintamente: (i) A despeito da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, a autoridade administrativa houve por bem indeferir o pedido de restituição apresentado, sem que fosse fundamentadas as razões para tanto, por conseguinte não reúne condições mínimas para prosperar, pois está em desacordo com a legislação vigente e jurisprudência já pacificada sobre o tema, impondose a restituição integral da quantia pleiteada no pedido de restituição apresentado. (ii) Em homenagem ao princípio da economia processual requer a reunião dos processos adiante listados para apreciação em julgamentos simultâneos, posto que possuem o mesmo objeto, fundamento legal e partes (conexão). São eles: 10850.906133/201103, 10850.906134/2011 40, 10280.904439/201129, 10280.904424/201161, 10280.904436/201195, 10280.904440/201153, 10280.904438/201184, 10280.904443/201197, 10280.904441/201106, 10280.904427/201102, 10280.904425/201113, 10280.904437/201130, 10280.904426/201150, 10280.904431/201162, 10280.906137/201183, 10280.906135/201194, 10280.906136/201139, 10280.906138/201128, 10280.906139/201172, 10280.904444/201131, 10280.904446/201121, 10280.904433/201151, 10280.904430/201118, 10280.904432/201115, 10280.904445/201186, 10280.904435/201141, 10280.904447/201175 e 10280.904442/2011 42 (28 PAF). (iii) Reclamou pela inexistência de realização de diligência ao seu estabelecimento para verificação da exatidão das informações prestadas, em contrariedade ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, uma vez que não foi intimada para prestar quaisquer esclarecimentos acerca da higidez de seu crédito. (iv) Com base no art. 195, I, CF/88 a LC nº 70/91 instituiu a Cofins sobre o faturamento mensal das pessoas jurídicas em geral, assim entendido "a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviço de qualquer natureza". (v) O legislador ordinário pretendeu modificar a sistemática de apuração da contribuição em comento e ampliar a sua base de cálculo, o que foi feito por meio da Lei nº 9.718/98, notadamente através dos seus arts. 2º e 3º, inclusive o caput e § 1º, deste. Fl. 177DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904427/201102 Resolução nº 3803000.522 S3TE03 Fl. 14 3 (vi) Ao assim proceder o legislador ordinário afrontou o mandamento constitucional do inciso I do art. 195 da Constituição Federal, bem como contrariou a norma consubstanciada no art. 110 do CTN, que proíbe a alteração, pela lei tributária, da definição, do conteúdo e do alcance dos institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal, pelas Constituições dos Estados, ou pelas Leis Orgânicas do Distrito Federal ou dos Municípios, para definir ou limitar competências tributárias. (vii) Essa discussão se encontra totalmente superada na jurisprudência do Supremo Tribunal Federal quando, em sessão plenária, declarou a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/99, mediante decisão proferida no julgamento do RE nº 390840/MG, em 09/11/05. Após o que inúmeros outros RE foram julgados no mesmo sentido a exemplo dos números 342.051/2006, 479.612/2006, 346.084/2005 e 585.235/2008, respectivamente, este considerado como de repercussão geral, com proposta de súmula vinculante a respeito do assunto. entendimento este que já foi pacificado por meio da Lei nº 11.941/09, que revogou o malsinado § 1º do art. 3º dessa Lei. (viii) a jurisprudência administrativa já se manifestou favoravelmente à aplicação pelo Fisco, das decisões prolatadas neste sentido no âmbito do poder Judiciário, conforme os acórdãos proferidos pela CSRF do CARF em destaque: 230378, 226802 e 239790/2010 (3ª T, CSRF), 142592 e 147967/2010 (1ª T, CSRF). (ix) Ademais disso, o inciso I, do § 6º, do art. 26A, do Dec. nº 70.235/72, incluído pela Lei nº 11.941/09, veda aos órgãos de julgamento, no âmbito do processo administrativo fiscal, afastar a aplicação ou deixar de observar tratado acordo internacional, lei ou ato normativo que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do STF, no mesmo sentido vai o art. 59 do Dec. nº 7.574/11, como também no caput do art. 62A do RICARF/09. (x) No caso concreto em comento a requerente faz jus a um crédito de R$ 5.388,86, valor que foi calculado sobre receita que não integra o seu faturamento, razão pela qual não é alcançada pela hipótese de incidência da mencionada contribuição. (xi) E para que não restem quaisquer dúvidas a esse respeito, a requerente acostou aos autos: a) cópia do respectivo DARF, o qual demonstra o recolhimento indevido (doc. 03); b) o demonstrativo por ela elaborado, onde está discriminado o valor que foi indevidamente computado à base de cálculo da COFINS (doc. 04); e c) cópia dos documentos contábeis com o registro dos valores que compõem o crédito aqui pleiteado (doc. 05). (xii) Requer provar o alegado por todos os meios de prova admitidos, especialmente a produção de perícia, a realização de diligências e a juntada de documentos para, ao final, requerer pela reforma do despacho decisório. Fl. 178DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904427/201102 Resolução nº 3803000.522 S3TE03 Fl. 15 4 Conclusos foram os autos para apreciação pela 4ª Turma da DRJ/RPO/SP, que em sessão realizada em 18/04/13, julgou a manifestação de inconformidade improcedente, também não reconhecendo o direito creditório, consoante os termos vazados na ementa adiante transcrita: Assunto: Processo Administrativo Fiscal. Data do fato gerador: 31/03/1999 PROVA DOCUMENTAL. PRECLUSÃO. a prova documental do direito creditório deve ser apresentada na manifestação de inconformidade, precluindo o direito de o contribuinte fazêlo em outro momento processual sem que verifiquem as exceções previstas em lei. Manifestação de Inconformidade Improcedente. Direito Creditório não Reconhecido. Relativamente à questão atinente à reunião de processos o voto condutor mencionou o contido no inciso IV do art. 1º da Portaria SRF nº 666/2008, que disciplina a formalização de processos no âmbito da SRF, para fundamentar a rejeição ao pleito, eis que os processos não são oriundos do mesmo crédito, condição no seu entender sine qua non para o atendimento ao pleito formulado pela contribuinte. Acerca do motivo do indeferimento do pedido supôs o acórdão de piso que a interessada possa haver cometido erro no preenchimento do Per/DComp, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado, eis que do confronto das informações constantes do Per/DComp com as do DARF, verificouse que houve inversão entre as datas de arrecadação e de vencimento no preenchimento do pedido. Ademais disso, remanesceu a questão do direito creditório, eis que ao realizar pesquisa aos sistemas da RFB, verificouse que a contribuinte confessou um débito de R$ 52.027,65 da Cofins para o mês de março de 1999, quitado com três DARF's, um deles no valor de R$ 45.396,03, que se encontra totalmente utilizado para quitar o referido débito, portanto dentre os débitos confessados pela própria contribuinte por meio de DCTF, em valor até superior ao do recolhimento objeto do pedido de restituição. Não existe, portanto, saldo passível de restituição. Aduziu ainda o juízo de piso que para existir saldo a restituir seria necessário que a interessada houvesse retificado sua DCTF até a transmissão de seu PER/DCOMP, fazendo constar o suposto débito inferior ao declarado, o que faria exsurgir a possibilidade de se alegar pagamento a maior e, neste caso, a autoridade fiscal poderia determinar a realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo, a fim de que fosse verificada, mediante exame da sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas, conforme prevê o disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, suscitada pela recorrente. No tocante à inconstitucionalidade da ampliação da base de cálculo, não se discute o entendimento do STF, exposto nos REs mencionados pela interessada, ou mesmo a vinculação do CARF em face da decisão plenária, na sistemática da repercussão geral. No entendimento vazado no acórdão de primeira instância apenas deve ser esclarecido que tal revogação não tem efeitos retroativos, e portanto não atinge o período a que Fl. 179DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904427/201102 Resolução nº 3803000.522 S3TE03 Fl. 16 5 se refere o PER/DCOMP em análise, isto consubstanciado em excertos do Parecer PGFN nº 2.025/11, que trata da repercussão no âmbito da inscrição, administração e cobrança administrativa e judicial da dívida ativa da União, nos casos de julgamentos submetidos à sistemática dos arts. 543B (repercussão geral) e 543C (recurso repetitivo) do CPC. Do referido Parecer concluiu a autoridade julgadora que: "podese afirmar que a adequação prática das atividades administrativas não significa concordância com a tese contrária à da Fazenda. Inexistindo alterações na legislação de regência, Parecer aprovado pelo PGFN, Súmula ou Parecer da AGU ou Súmula do CARF, que concluam no mesmo sentido do pleito do particular, não há razões jurídicas que obriguem a Fazenda Nacional a anuir à tese contrária aos interesses da União". Mencionou ainda que o contribuinte que houver pago crédito considerado indevido pelos Tribunais Superiores, em virtude do julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C do CPC, não faz jus à restituição do montante pago, uma vez que: (i) a Fazenda Nacional, ao deixar de contestar e recorrer em razão de julgado oriundo da sistemática dos recursos extremos repetitivos, não manifesta concordância com a tese dos Tribunais Superiores. (ii) os fundamentos jurídicos que autorizam a Fazenda Nacional a absterse de cobrar não extravasam para o plano do direito material (não há remissão sem lei tributária específica). (iii) observe que o tributo é devido. A lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e o julgamento proferido na forma dos art. 543B e 543C, do CPC, embora revestido de força persuasiva qualificada, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes. Em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. Ademais, sobretudo para os créditos extintos por pagamento em momento anterior ao advento do julgado do STF ou STJ, não há como questionar a validade dos pagamentos efetuados. (iv) a restituição do indébito, em situações tais, dependeria de lei que considerasse indevidos os valores pagos quando houvesse julgamento na sistemática dos recursos extremos repetitivos. Dessa forma, seria possível o enquadramento nas hipóteses de restituição do art. 165, I, do CTN. Por derradeiro, ainda que os óbices quanto à utilização integral do recolhimento não existissem, e que fosse possível estender os efeitos do julgado do STF para o presente caso, a interessada não se desincumbiu de demonstrar e provar o suposto recolhimento a maior. A cópia parcial do balancete apresentada permite vislumbrar tão somente as receitas financeiras do período, mas não o faturamento da empresa. Assim, não haveria como se apurar o total da base de cálculo e a contribuição devida, para comparála com o recolhimento efetuado e concluirse pela eventual existência de recolhimento a maior, e em que montante. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904427/201102 Resolução nº 3803000.522 S3TE03 Fl. 17 6 E mais, não tendo a interessada apresentado provas de seu suposto crédito, precluiu do direito de fazêlo em outro momento, a teor do disposto no art. 16 do Decreto nº 70.235. Cientificado da decisão de piso por meio de AR, em 30/08/13, e irresignada com o nela decidido, a contribuinte interpôs recurso voluntário em 25/09/13, para aduzir: · Relativamente à reunião de processos alegou a recorrente acerca da existência de conexão entre os mesmos, pois têm o mesmo objeto e causa de pedir, mencionando jurisprudência administrativa em prol de sua tese. · Houve falta de aprofundamento da investigação dos fatos – falta de retificação de DCTF, o que contraria o contido no art. 76 da IN RFB nº 1300/12, segundo o qual a autoridade competente para decidir sobre a restituição, o ressarcimento, o reembolso e a compensação poderá condicionar o reconhecimento do direito creditório à apresentação de documentos comprobatórios do referido direito, inclusive arquivos magnéticos, bem como determinar a realização de diligência fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que seja verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. Isto por força do contido no art. 142 do CTN. Notadamente porque a DCTF não é o único meio hábil de prova da existência de crédito passível de restituição. · O art. 165 do CTN e nem o art. 74 da Lei nº 9.430/96 condicionam o reconhecimento do crédito à retificação de declarações. Tratase de formalidade, a qual não pode se sobrepor ao direito substantivo. · A exigência de retificação de declarações é medida que, além de não constar da lei tampouco das normas infralegais, decorre de excesso de formalismo, que restringe o direito à repetição de indébito, em detrimento do princípio da legalidade, que deve nortear não apenas a apuração de tributos, como sua restituição, além de também se distanciar do alcance do interesse público. · A recorrente, seja porque a lei não contém semelhante restrição, seja porque se trata de medida de formalismo excessivo, entendeu que a retificação de declarações não se afigura legítima como condição à restituição de indébito tributário, mencionando, inclusive jurisprudência e doutrina em defesa de sua tese. Analisando a situação por outro viés temse que o descumprimento de obrigação acessória não altera a disciplina referente à obrigação principal, e viceversa, o que, transportado ao caso em comento, significa dizer que a não retificação da DCTF não interfere na obrigação principal (recolhimento de imposto indevidamente) e, portanto, não impede o reconhecimento do direito creditório da recorrente · A falta de retificação de uma declaração não tem o condão de tornar devido o que é indevido, sendo certo que o aproveitamento do crédito Fl. 181DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904427/201102 Resolução nº 3803000.522 S3TE03 Fl. 18 7 é corolário do princípio da legalidade. Além do mais, em matéria de fato, são válidos todos os meios de prova em direito admitidos, sendo certo que, desde o advento do Código Comercial de 1850, prescreve que a contabilidade em ordem faz prova em favor da pessoa jurídica, conforme se observa pela leitura de seu art. 23, III, não mais em vigor, por força do advento do Código Civil de 2002, entretanto em plena vigência e expressamente previsto no art. 923 do RIR/99 (art. 9º, § 1º, DL nº 1.598/77), citando jurisprudência administrativa em defesa de sua tese. · Acerca das provas juntadas para demonstrar a existência do crédito pleiteado, a decisão recorrida alegou a insuficiência para o intento, entretanto esse entendimento não merece prosperar, eis que os documentos colacionados são suficientes para a comprovação do direito de crédito alegado, eis que o valor em foco recolhido indevidamente sobre as receitas financeiras está devidamente lastreado nas receitas financeiras destacadas no balancete em anexo à manifestação de inconformidade, documento este obrigatório paras as pessoas jurídicas, possuindo, inclusive, força probante para recolhimento de estimativas em caso de pessoa jurídica optante pelo lucro real mensal, ex vi do art. 230 do RIR/99. · Com relação à preclusão da produção da prova, a alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72, possibilita a produção de provas em outro momento processual, quando se destine a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos, o que ocorreu por ocasião da decisão contida no despacho decisório, o que se fez mediante a manifestação de inconformidade, inclusive para contrapor os argumentos aventados pelo acórdão recorrido, a recorrente requer com base neste fundamento, a juntada aos presentes autos do Livro Razão, o qual, por si só, tem o condão de comprovar o direito creditório ora postulado, posto que é documento obrigatório para todas as pessoas jurídicas tributadas com base no lucro real, ex vi do art. 259, do RIR/99, que incorporou os art. 14 da Lei nº 8218/91 e 62 da Lei nº 8383/91. No mais, em relação à discussão de mérito, a recorrente reitera os termos expendidos na exordial, de maneira minudente, para postular ao final, pelo provimento do recurso, pela reforma do acórdão recorrido, com o reconhecimento do direito à plena restituição da Cofins, calculada sobre receitas estranhas ao conceito de faturamento, diante da inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada pelo STF e já reconhecida pela jurisprudência administrativa. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Victor Rodrigues. Fl. 182DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904427/201102 Resolução nº 3803000.522 S3TE03 Fl. 19 8 O recurso interposto é tempestivo e preenche os demais requisitos necessários à sua admissibilidade. Dele conheço. Ab initio versam os autos acerca da declaração de inconstitucionalidade pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, em sessão de julgamento realizada em 10/09/2008, na sistemática de repercussão geral, portanto do alargamento da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social – COFINS, e das implicações dela decorrentes, encontrandose tal decisão respaldada por farta jurisprudência nas esferas judicial e administrativa, das quais destacase a ementa do RE 585.2351/MG, transcrita a seguir: TRIBUNAL PLENO 10/09/2008 REPERCUSSÃO GERAL POR QUEST. ORD. EM RECURSO EXTRAORDINÁRIO 585.2351 MINAS GERAIS. RELATOR: MIN. CEZAR PELUSO RECORRENTES(S): UNIÃO ADVOGADO(S): PROCURADORIA GERAL DA FAZENDA NACIONAL RECORRIDO(A/S): IRMAZI ADMINISTRAÇÃO E PARTICIPAÇÕES LTDA ADVOGADO(A/S): DANIEL BARROS GUAZZELLI E OUTRO(A/S) EMENTA: RECURSO. Extraordinário. Tributo. Contribuição Social. PIS. COFINS. Alargamento da base de cálculo. Art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98. Inconstitucionalidade. Precedentes do Plenário (RE nº 346.084/PR, REL. orig. Min. ILMAR GALVÃO, DJ de 1º.9.2006; REs nºs 357.950/RS, 358.273/RS e 390.840/MG, Rel. Min. MARCO AURÉLIO, DJ de 15.8.2006). Repercussão Geral do tema. Reconhecimento pelo Plenário. Recurso Improvido. É inconstitucional a ampliação da base de cálculo do PIS e da COFINS prevista no art. 3º, § 1º, da Lei nº 9.718/98. No passo seguinte cabe ressaltar que, para além da declaração de inconstitucionalidade, por se constituir a referida decisão em caráter definitivo, na forma do disposto no § 2º do art. 102, CF/88, repercutiu o seu efeito vinculante aos demais órgãos do Poder Judiciário, inclusive projetandose na Administração Pública direta e indireta em todas as esferas de governo. Por tal razão o citado parágrafo foi objeto de revogação pela Lei nº 11.941/09, sendo certo que o próprio RICARF/09, por meio do seu art. 62A, vincula os julgamentos realizados no âmbito de seus órgãos judicantes às decisões definitivas de mérito proferidas pelo STF e pelo STJ, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C, respectivamente. Cabe registrar, para fins de análise, que as receitas financeiras, quando relacionadas às atividades econômicas da recorrente, devem ser elencadas no grupo de contas Fl. 183DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904427/201102 Resolução nº 3803000.522 S3TE03 Fl. 20 9 destinadas à receitas não operacionais, por conseguinte devem ser afastadas da base de cálculo da Cofins, para fins de incidência tributária. Isto dito, ante os fatos circunscritos ao campo do direito, cabe aqui o reconhecimento do direito da recorrente quanto ao afastamento da base de cálculo da Cofins, das receitas financeiras apuradas, na data do fato gerador de que tratam os autos. O acórdão recorrido, muito embora haja reconhecido que o tributo é devido, mencionou que a lei tributária não foi expurgada do ordenamento jurídico e que o julgamento proferido na forma dos arts. 543B e 543C, não tem propriamente efeito vinculante erga omnes, para justificar que, em verdade, o que vincula a Fazenda Nacional é a decisão institucional de não contestar e não recorrer. E assim poder a autoridade administrativa justificar que, para os créditos da recorrente já extintos por pagamento, em momento anterior ao advento do julgado do SRF ou STJ, não mais há como se questionar a validade dos pagamentos efetuados. Logo não merece prosperar esse entendimento profligado no acórdão recorrido, eis que tal inferência, refirome ao Parecer da PGFN nele citado, carece de expresso amparo constitucional, pois se encontra no pretenso plano infralegal da discricionariedade da autoridade administrativa e do julgador, posição firmada essa não se coaduna com o princípio da estrita legalidade, consoante previsto no art. 150, I, CF/88, que não dá margem para a subjetividade. Ademais disso o juízo a quo não poderia utilizar como fundamento das razões de decidir entendimento embasado em parecer da PGFN, pelo simples motivo de que a Fazenda Nacional como representante da Administração é parte, é juíza, no processo subjudice. Creio haver grande equívoco cometido pelo juízo a quo ao formular as assertivas contidas no item (iii) da decisão proferida no acórdão recorrido, não devendo as mesmas serem convalidadas. Certifiquese. A Constituição Cidadã de 1988, que limitou com muita propriedade, a competência do poder de tributar, no § 2º do seu artigo 102, assim assentou: § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal, nas ações diretas de inconstitucionalidade e nas ações declaratórias de constitucionalidade produzirão eficácia contra todos e efeito vinculante, relativamente aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal. (Redação dada pela Emenda Constitucional nº 45, de 2004) (Grifei). Na esteira desse entendimento encontrase o art. 62A do RICARF/09, que vincula à adoção do entendimento vazado em decisão definitiva pelo STF, para os julgadores do CARF, por ocasião de julgamento de recursos. Quanto a este aspecto nada mais há a se comentar. Ademais disso, sob a hipótese legal de se estar adimplindo com a obrigação principal, portanto efetuandose o pagamento do tributo devido na data do vencimento mensal, até o advento da Lei nº 11.941/09, mesmo na forma da base de cálculo ampliada (revogada pelo art. 79, XII, desta Lei), para aqueles que não ingressaram com demandas judiciais com o Fl. 184DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904427/201102 Resolução nº 3803000.522 S3TE03 Fl. 21 10 fito de questionar o seu direito acerca do tema ora tratado (a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98), a realização da conduta pelo contribuinte, corresponde ao acerto inconteste. Assim para este contribuinte, somente a partir da revogação expressa da regra que permitia o alargamento da base de cálculo pela Lei nº 11.941/09, é que se tornou disponível o seu direito de postular pela restituição do pagamento indevido. Portanto não há se alegar que não há mais como se questionar a validade dos pagamentos efetuados antes da decisão definitiva do STF ou STJ para aqueles que não demandaram judicialmente. No mesmo sentido, para os casos de repetição de indébito tributário, o art. 3º da LC nº 118/05, publicada no DOU de 09/02/05, ao interpretar o contido no inciso I do art. 168, do CTN, com vistas à extinção do crédito tributário, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, determinou o prazo decadencial de dez anos, contados da data do fato gerador, para os eventos ocorridos antes da vigência dessa lei, aplicandose a cada caso a regra do art. 150, § 4º, em caso de realização de pagamento antecipado, ou apresentação de DCTF, ou ainda a regra prevista no art. 173, I, ambos os arts. do CTN, se não houve antecipação de pagamento, nem apresentação de DCTF. Tal entendimento encontrase consubstanciado em larga jurisprudência judicial e administrativa, notadamente no âmbito do CARF. Isto relacionase à questão do alcance do beneplácito obtido pela recorrente, a partir da declaração de inconstitucionalidade pelo STF do alargamento da base de calculo da Cofins. Ainda nesta seara há o pleito formulado pela recorrente para o acolhimento da juntada de documentos aos autos, extemporaneamente, notadamente do Livro Razão, sob a alegação de que novos fatos foram trazidos aos autos, por meio do despacho decisório e da decisão recorrida, o que fez com amparo na alínea ‘c’ do §4º do art. 16 do Dec. nº 70.235/72. Acerca deste tema tenho me pronunciado em outros julgamentos nos quais tenho participado na qualidade de julgador, pelo acolhimento desse tipo pleito, sob o amparo do disposto nos arts. 131 e 333 do CPC, especialmente no que atine ao princípio da verdade material. Bem se vê que tais fundamentos não se contrapõem ao disposto no art. 16 do Dec. Nº 70.235/72, ao contrário se harmonizam para a integração da legislação tributária, mesmo que subsidiariamente como é o caso dos artigos invocados do CPC. O mesmo entendimento emana do disposto no art. 29 do Dec. Nº 70.235/72, inclusive quanto ao poder discricionário do julgador no que atine à determinação de diligências que entender necessárias ao deslinde da controvérsia, sendo tal faculdade endereçada ao julgador, no auxílio à formação de sua convicção pessoal, com vistas à formação da sua convicção, por ocasião do pronunciamento em sede de julgamento. É com este entendimento que afasto a alegação de preclusão da apresentação de provas extemporaneamente. Adoto a mesma medida para rejeitar as alegações formuladas pela recorrente acerca da imprescindível realização de diligência nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de verificação da exatidão das informações prestadas, mediante o exame de sua escrituração contábil e fiscal. Logo não há se alegar descumprimento ao disposto no art. 65 da IN RFB nº 900/08, ou a outra qualquer norma infralegal. Fl. 185DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904427/201102 Resolução nº 3803000.522 S3TE03 Fl. 22 11 No que atine à possibilidade de reunião de processos para julgamentos simultâneos, sob a alegação de existência de conexão entre eles, percebese que entre os mesmos é comum o objeto ou e a causa de pedir. No caso vertente também há identidade entre as partes litigantes, mesmo que não sejam oriundos do mesmo crédito, pois a lei não faz esta exigência. Com a finalidade de dar respaldo à proposição formulada pela recorrente em relação a este cenário veio o art. 105 do CPC dispor, in verbis: Art. 105. Havendo conexão ou continência, o juiz, de ofício ou a requerimento de qualquer das partes, pode ordenar a reunião de ações propostas em separado, a fim de que sejam decididas simultaneamente. Com fulcro no texto legal acima transcrito acolho o pleito da recorrente de reunião dos processos para que possam se apreciados simultaneamente. A retificação da DCTF, como pressuposto para o reconhecimento do direito creditório arguido pela recorrente, não deve desautorizar outra(s) possibilidade(s) de comprovação do crédito alegado, principalmente quando tais provas encontramse consubstanciadas por meio de documentos hábeis e idôneos a exemplo dos livros de escrituração contábil e fiscal, como o Livro Diário e Razão, do Livro de Registro de Inventário, etc. No caso concreto dos autos o despacho decisório mencionou que no curso da análise do direito creditório apresentado com o PER/DCOMP foram detectadas inconsistências que foram objeto de termo de intimação e que restaram não saneadas pelo sujeito passivo, razão pela qual não foi confirmada a existência do crédito pleiteado. Significa que o despacho decisório concluiu pela inexistência de crédito, para indeferir o pedido de restituição, com fulcro no art. 165 do CTN. De acordo com esse cenário seguindo o mesmo raciocínio o juízo a quo julgou improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecendo o direito creditório, em razão da preclusão, quando da apresentação da prova documental. O relator colacionou aos autos extratos dos sistemas da RFB, que sinalizam pela inexistência do direito creditório alegado pela recorrente, também aduzindo ser a insuficiência de elementos de prova material prejudicial à formação de seu convencimento, inclusive supondo que o motivo do indeferimento do pedido, apesar de não alegado, seria o cometimento de erro no preenchimento do PER/DCOMP, razão pela qual não foi encontrado o DARF nele indicado. Em contrapartida há o débito confessado por meio de DCTF em valor atá superior ao do recolhimento, ensejador do pedido de restituição. Com tais argumentos concluiu pela inexistência de saldo passível de restituição, aventando, inclusive, que tal possibilidade, de existência de saldo credor poderia ocorrer, se a recorrente houvesse por bem retificado sua DCTF até a data de transmissão do PER/DCOMP já mencionado. De outra parte a recorrente de boa fé buscou esclarecer ao Fisco acerca da origem do indébito segundo o seu entendimento, colacionando aos autos cópia do DARF que registra o valor do pagamento indevido efetuado em 15/04/99, no valor de R$ 45.396.03 (doc. 03), além de demonstrativo por ela elaborado onde está discriminado o valor das receitas financeiras que foram indevidamente computados à base de cálculo da Cofins (doc. 04), além de cópia do balancete de março/99 com os registros contábeis dos valores que compõem o Fl. 186DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10280.904427/201102 Resolução nº 3803000.522 S3TE03 Fl. 23 12 crédito aqui pleiteado (doc. 05) e, posteriormente anexou o Livro Razão, que possibilita identificar todas as operações realizadas no período de apuração das receitas financeiras (01/03 a 31/03/99). Entendo que a recorrente procurou, ao seu modo, segundo a sua crença de que os documentos apresentados seriam o suficiente a comprovar o alegado, se desincumbir de sua responsabilidade de demonstrar a existência do crédito alegado na data de transmissão do PER/DCOMP e, com isso, demonstrar o fato constitutivo de seu direito, e extintivo do direito do Fisco. Ou seja, a contribuinte, nos moldes do art. 333 do CPC, buscou demonstrar a existência do seu direito creditório colacionando aos autos os documentos que, no seu entendimento seriam o suficiente ao cumprimento do desiderato. Já a autoridade administrativa admitiu a possibilidade de existência de erro no preenchimento da DCTF e que por tal razão não encontrou o DARF que, no entender da recorrente é o motivo da existência do direito creditório alegado. Diante deste contexto creio não haver como penalizar o sujeito passivo. O atributo da liquidez, certeza e exigibilidade, é imprescindível seja para o Fisco realizar a cobrança do crédito tributário ou, na mesma medida, para a contribuinte obter a repetição do indébito. Assim oriento o meu voto pela conversão do julgamento em diligência à repartição de origem, para que possa ser efetivamente apurado e informado, DETALHADAMENTE, o valor do débito e do crédito existentes na data de transmissão dos PER/DCOMPs dos processos retromencionados. Vencida esta etapa deve a autoridade administrativa informar se há o direito creditório alegado pela contribuinte, se o mesmo é suficiente para a extinção do débito existente nessa data. Isto posto deve ser oportunizada à recorrente o conhecimento dos procedimentos efetuados pela repartição preparadora, bem assim a sua manifestação em relação ao feito, se assim lhe aprouver, em razoável espaço de tempo para, posteriormente retornarem os autos com o fito de dar prosseguimento ao julgamento ora suspenso. É como voto. Jorge Victor Rodrigues – Relator. Fl. 187DF CARF MF Impresso em 02/12/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 06/11/2014 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 06/11/20 14 por JORGE VICTOR RODRIGUES, Assinado digitalmente em 29/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 11543.000336/2003-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 26 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Wed Oct 01 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE.
A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto.
CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE
Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica por não se enquadrarem nos conceitos de matéria-prima e produto intermediário. Aplicação da Súmula CARF nº 19.
RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO
DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO
Numero da decisão: 3101-001.603
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Adriana Oliveira e Ribeiro que davam provimento parcial. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro participou do julgamento em substituição à Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, ausente momentaneamente. Fez sustentação oral a Dra. Mariana Longo Solon de Pontes, OAB/RJ nº 157.852, advogada do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente.
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator.
EDITADO EM: 15/05/2014
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente) e Luiz Roberto Domingo.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica por não se enquadrarem nos conceitos de matéria-prima e produto intermediário. Aplicação da Súmula CARF nº 19. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO
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PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS. IMPOSSIBILIDADE. A exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento do crédito presumido do IPI, lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. CRÉDITO PRESUMIDO. BASE DE CÁLCULO. INSUMOS. GASTOS COM ENERGIA ELÉTRICA E COMBUSTÍVEIS. IMPOSSIBILIDADE Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica por não se enquadrarem nos conceitos de matériaprima e produto intermediário. Aplicação da Súmula CARF nº 19. RECURSO VOLUNTÁRIO NEGADO DIREITO CREDITÓRIO NÃO RECONHECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, pelo voto de qualidade, em negar provimento ao recurso voluntário. Vencidos os conselheiros Luiz Roberto Domingo, Valdete Aparecida Marinheiro e Adriana Oliveira e Ribeiro que davam provimento parcial. O Conselheiro Luiz Roberto Domingo apresentará declaração de voto. A Conselheira Adriana Oliveira e Ribeiro participou do julgamento em substituição à Conselheira Vanessa Albuquerque Valente, ausente momentaneamente. Fez sustentação oral a Dra. Mariana Longo Solon de Pontes, OAB/RJ nº 157.852, advogada do sujeito passivo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 54 3. 00 03 36 /2 00 3- 11 Fl. 296DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 2 Henrique Pinheiro Torres Presidente. Rodrigo Mineiro Fernandes Relator. EDITADO EM: 15/05/2014 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Henrique Pinheiro Torres, Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, José Henrique Mauri (suplente), Adriana Oliveira e Ribeiro (suplente) e Luiz Roberto Domingo. Relatório A recorrente formalizou pedido de ressarcimento de Crédito Presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, referente ao anocalendário de 1998, como forma de ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS, nos termos previstos pela Lei n° 9.363/1996 (fls.13). A interessada alegou em seu requerimento (fls.212): 1. Que é pessoa jurídica brasileira cujo objeto principal é a produção e exportação de pelotas de minério de ferro, classificadas na posição 2601.12.00, "sendo considerado produto nãotributado (N/T) pelo IPI"; 2. Que diante disso possuiria direito à fruição do beneficio pela Lei n° 9.363/96, cujo objetivo foi minimizar os efeitos da incidência cumulativa das contribuições para o PIS/PASEP e COFINS sobre os produtos exportados; 3. Que, por comercializar produtos classificados na TIPI como não tributados, ficou impossibilitada de proceder à compensação dos créditos com eventuais débitos posteriores, motivo pelo qual pleiteia o ressarcimento em espécie; 4. Que o direito ao ressarcimento em espécie, não sendo possível a compensação com o IPI, encontrase consubstanciado no art. 4° da Lei n° 9.363/96; 5. Que, à época em que tais créditos foram apurados, a Secretaria da Receita Federal "possuía" entendimento, no seu entender, desprovido de fundamento legal, que as pessoas jurídicas que fabricassem e exportassem produtos não tributados pelo IPI, não teriam direito ao Crédito Presumido da Lei n° 9.363/96; 6. Que recentemente o Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda vem reiteradamente reconhecendo o direito ao beneficio fiscal, nestas situações. Para tanto, cita alguns acórdãos; Fl. 297DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11543.000336/200311 Acórdão n.º 3101001.603 S3C1T1 Fl. 260 3 7. Que a possibilidade de manutenção dos créditos está reconhecida no art. 4° da Lei n° 9.363/96, na Portaria MF n° 38/97 e na IN SRF 210/02; 8. Que o aproveitamento de créditos extemporâneos está condizente com a prática tributária, conforme aduz decisão do próprio Conselho de Contribuintes. Cita acórdão; 9. Que, demonstrado seu direito aos créditos requeridos, faz jus à correção monetária pela taxa SELIC. O requerimento foi analisado pelo Serviço de Fiscalização da DRF/Vitória, que emitiu o Parecer SEFIS n° 012/2003 (fls. 93 a 100), concluindo que o requerente não faria jus ao benefício, pelas seguintes razões: a) o objetivo da lei instituidora do benefício foi o de desonerar os contribuintes do IPI da contribuição para o PIS e da Cofins incidentes nos insumos aplicados na industrialização de produtos tributados pelo Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, posteriormente exportados; b) os julgamentos do CC não teriam efeito vinculante; c) mesmo que o interessado fizesse jus ao favor fiscal, deveria ser excluído do seu cálculo o valor das aquisições de insumos que não se subsumem ao conceito de matériaprima — MP, produto intermediário — PI e material de embalagem defendido pela legislação do IPI, e; d) inexiste previsão legal para a correção monetária de créditos escriturais. O Despacho Decisório n°11543.000336/200311 (fls.101) aprovou o Parecer SEFIS n° 012/2003 e indeferiu Pedido de Ressarcimento de IPI feito por CIA. ITALO BRASILEIRA DE PELOTIZAÇÃO ITABRASCO, CNPJ 27.063.874/000144, referente ao período de 1998. Regularmente intimado da decisão, a interessada apresentou Manifestação de Inconformidade (fls. 103 a 113), instruída com os documentos das folhas 114 a 150, na qual alegou, em síntese: a) que o benefício alcança todos os exportadores de mercadorias nacionais, haja vista que a Lei n° 9.363, de 1996, em seu artigo. 1°, não faz qualquer restrição, não cabendo ao aplicador restringir o que a lei não restringiu; b) que a lei instituidora fixa que a base de cálculo do beneficio é o valor total das aquisições de MP, PI e ME, sendo assim dispensável perquirir se o insumo se agrega, ou não, ao produto em fabricação, ou ainda se há, ou não, contato do insumo com o mesmo, bastando que sejam consumidos no processo produtivo; c) que, ao contrário do alegado na decisão recorrida, tanto o Poder Judiciário quanto o Conselho de Contribuintes vêm admitindo a aplicação da taxa Selic aos créditos requeridos extemporaneamente. Fl. 298DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 4 d) concluiu, requerendo a reforma do Despacho Decisório, para que seja reconhecido o direito de ressarcimento do Crédito Presumido de que se julga titular. A 1ª Turma de Julgamento da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Santa Maria, em sessão de julgamento realizada em 17 de setembro de 2007, por unanimidade de votos, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, ratificando o Despacho Decisório da unidade de origem. O acórdão 187.750 foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/1998 a 31/12/1998 Ementa: CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. PRODUTOS NT A fabricação e a exportação de produtos não tributados pelo IPI (NT) não dão direito ao crédito presumido instituído para compensar o ônus do PIS e da Cofins. CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. BASE DE CÁLCULO. BASE DE CÁLCULO Os insumos admitidos no cálculo do valor do benefício são apenas as matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem, conceituados como tal pela legislação do IPI, aplicados na industrialização de produtos exportados. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ABONO DE JUROS. Não incidem juros compensatórios no ressarcimento de créditos do IPI. Solicitação Indeferida Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário (fls.164 a 189), onde alega que o beneficio do crédito presumido do IPI alcançaria todas as mercadorias nacionais exportadas; que o artigo 82, inciso I do RIPI/82 é claro no sentido de que todos os insumos consumidos na elaboração do produto final, com exceção dos bens do ativo permanente, são matériaprima ou material secundário, mesmo que não se integrem fisicamente ao produto novo; e que deve ser aplicada a Taxa SELIC para a correção do Crédito Presumido de IPI, sob pena enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. A Repartição de origem encaminhou os autos, com o Recurso Voluntário, para apreciação do órgão julgador de segundo grau. A recorrente protocolizou requerimento (fls.214 a 216), no qual traz ao conhecimento desse Conselho a edição do Ato Declaratório nº 14/2011 da PGFN, que versa sobre a ilegalidade da IN 23/97. Em requerimento protocolizado em 25/05/2011 (fls.220 a 228), a recorrente expôs o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, firmado em sede de recurso repetitivo, no REsp 993.164 que, segundo seu entendimento, aplicariase ao caso em julgamento. Em outro requerimento, protocolizado em 17/09/2013 (fls.259 a 262), a recorrente apresenta o entendimento extraído de alguns julgados da Câmara Superior de Recursos Fiscais que, em seu entendimento, já teria consolidado posicionamento favorável ao seu, no sentido de que para fazer jus ao beneficio instituído pela Lei nº 9.363/96 bastaria ser produtor e exportador de mercadorias nacionais, além de determinar a correção dos créditos. É o relatório. Fl. 299DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11543.000336/200311 Acórdão n.º 3101001.603 S3C1T1 Fl. 261 5 Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, relator. Trata o presente processo de Pedido de Ressarcimento de Crédito Presumido do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, referente ao anocalendário de 1998, como forma de ressarcimento das contribuições PIS/PASEP e COFINS, nos termos previstos pela Lei n° 9.363, de 13.12.96. O órgão julgador a quo entendeu que a interessada não faria jus ao Crédito Presumido previsto na Lei n° 9.363/1996, porque não se enquadrava no conceito de contribuinte do IPI, não existindo qualquer disposição normativa explicita quanto à extensão do beneficio aos produtos exportados classificados como "NT". Segundo seu entendimento, os produtos com a indicação "NT" na tabela de incidência do IPI/TIPI, segundo o disposto no artigo 13 da Lei n° 9.493/1997, não são considerados produtos industrializados e, portanto, estão fora da incidência do imposto, razão pela qual a exportação de produtos com tal classificação não gera direito ao benefício. Também alegou que deveriam ser excluídos do cálculo do benefício, caso fosse permitido, determinados insumos que, a despeito de se consumirem no processo produtivo, não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem; e que seria impossível a correção monetária dos créditos escriturais requeridos extemporaneamente, por falta de previsão legal nesse sentido. A recorrente apresentou recurso voluntário, onde alega que o beneficio do crédito presumido do IPI alcançaria todas as mercadorias nacionais exportadas; que o artigo 82, inciso I do RIPI/82 é claro no sentido de que todos os insumos consumidos na elaboração do produto final, com exceção dos bens do ativo permanente, são matériaprima ou material secundário, mesmo que não se integrem fisicamente ao produto novo; e que deve ser aplicada a Taxa SELIC para a correção do Crédito Presumido de IPI, sob pena enriquecimento sem causa da Fazenda Pública. A controvérsia cingese ao direito ao crédito presumido de IPI nas exportações de produtos anotados como NT na TIPI. Reproduzo a seguir o voto do Conselheiro Henrique Pinheiro Torres, no acórdão nº 9303001.544, o qual adoto como razões de decidir: A questão envolvendo o direito de crédito presumido de IPI, no tocante às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagens, utilizados na confecção de produtos constantes da Tabela de Incidência do IPI com a notação NT (Não Tributado) destinados à exportação, longe de estar apascentada, tem gerado acirrados debates na doutrina e na jurisprudência. Na Câmara Superior de Recursos Fiscais ora prevalecia a posição do Fisco, ora a dos contribuintes, dependendo da composição da Turma. A meu sentir, a posição mais consentânea com a norma legal é aquela pela exclusão dos valores correspondentes às exportações dos produtos não tributados (NT) pelo IPI, já que, nos termos do caput do art. 1º da Lei 9.363/1996, instituidora desse incentivo fiscal, o crédito é destinado, Fl. 300DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 6 tãosomente, às empresas que satisfaçam, cumulativamente, dentre outras, a duas condições: a) ser produtora; b) ser exportadora. Isso porque, os estabelecimentos processadores de produtos NT, não são, para efeitos da legislação fiscal, considerados como produtor. De fato, as sociedades empresárias que fazem produtos não sujeitos ao IPI, de acordo com a legislação fiscal, em relação a eles, não são consideradas como estabelecimentos produtores, pois, a teor do artigo 3º da Lei 4.502/1964, considerase estabelecimento produtor todo aquele que industrializar produtos sujeitos ao impôsto. Ora, como é de todos sabido, os produtos constantes da Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados – TIPI com a notação NT (Não Tributados) estão fora do campo de incidência desse tributo federal. Por conseguinte, não estão sujeitos ao imposto. Assim, se nas operações relativas aos produtos não tributados a empresa não é considerada como produtora, não satisfaz, por conseguinte, a uma das condições a que está subordinado o beneficio em apreço, o de ser produtora. Por outro lado, não se pode perder de vista o escopo desse favor fiscal que é o de alavancar a exportação de produtos elaborados, e não a de produtos primários ou semielaborados. Para isso, o legislador concedeu o incentivo apenas aos produtores, aos industriais exportadores. Tanto é verdade, que, afora os produtores exportadores, nenhum outro tipo de empresa foi agraciada com tal benefício, nem mesmo as trading companies, reforçandose assim, o entendimento de que o favor fiscal em foco destinase, apenas, aos fabricantes de produtos tributados a serem exportados. Cabe ainda destacar que assim como ocorre com o crédito presumido, vários outros incentivos à exportação foram concedidos apenas a produtos tributados pelo IPI (ainda que sujeitos à alíquota zero ou isentos). Como exemplo podese citar o extinto créditoprêmio de IPI conferido industrial exportador, e o direito à manutenção e utilização do crédito referente a insumos empregados na fabricação de produtos exportados. Neste caso, a regra geral é que o benefício alcança apenas a exportação de produtos tributados (sujeitos ao imposto); se se referir a NT, só haverá direito a crédito no caso de produtos relacionados pelo Ministro da Fazenda, como previsto no parágrafo único do artigo 92 do RIPI/1982. Também nesse sentido foi editada a Súmula CARF nº 20, com expressa vedação ao credito do IPI nas aquisições de insumos aplicados em produtos NT: Súmula CARF Nº20 Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT Portanto, a correta está a decisão recorrida que confirmou o despacho decisório, no sentido de que a exportação de produtos NT não gera direito ao aproveitamento Fl. 301DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11543.000336/200311 Acórdão n.º 3101001.603 S3C1T1 Fl. 262 7 do crédito presumido do IPI da Lei nº 9.369/96, por não estarem os produtos dentro do campo de incidência do imposto. Outra questão levantada pela fiscalização é que deveriam ser excluídos do cálculo do benefício, caso fosse permitido, os insumos que não se enquadram nos conceitos de matériaprima, produtos intermediários e materiais de embalagem pela legislação do IPI. Assim dispõe o artigo 3º da Lei nº 9.363/96: Art. 3º Para os efeitos desta Lei, a apuração do montante da receita operacional bruta, da receita de exportação e do valor das matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem será efetuada nos termos das normas que regem a incidência das contribuições referidas no art. 1º, tendo em vista o valor constante da respectiva nota fiscal de venda emitida pelo fornecedor ao produtor exportador. Parágrafo único. Utilizarseá, subsidiariamente, a legislação do Imposto de Renda e do Imposto sobre Produtos Industrializados para o estabelecimento, respectivamente, dos conceitos de receita operacional bruta e de produção, matériaprima, produtos intermediários e material de embalagem. Para a legislação do Imposto sobre Produtos Industrializados somente se caracterizam como tais espécies os produtos que, embora não se integrando ao novo produto fabricado, sejam consumidos, em decorrência de ação direta sobre o produto, no processo de fabricação. Do texto do art. 1º, da Lei nº 9.363/96, extraise que o direito ao crédito, restringe se às matérias primas, produtos intermediários e material de embalagem, não assegurando direito ao crédito em relação aos insumos genericamente considerados. Assim, verificase que aquisições de combustíveis (óleo, carvão e gás), graxas e óleos, e dos gastos com energia elétrica não se subsumem ao conceito de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, na medida em que não se tratam de produtos que integram o produto novo, tampouco que são consumidos no processo de industrialização, e não há como reconhecer o direito ao crédito relativo a tais dispêndios. Nesse sentido foi editada a Súmula CARF nº 19: Súmula CARF nº 19: Não integram a base de cálculo do crédito presumido da Lei nº 9.363, de 1996, as aquisições de combustíveis e energia elétrica uma vez que não são consumidos em contato direto com o produto, não se enquadrando nos conceitos de matériaprima ou produto intermediário. Dessa forma, correto está o entendimento da Fiscalização, confirmado pelo órgão julgador a quo, no sentido que, ainda que fosse permitida o crédito presumido à recorrente, deveriam ser glosados os valores referentes a aquisições de itens que não se incluem no conceito de matériaprima, produto intermediário ou material de embalagem, consumidos no processo de industrialização. Em face do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário, nos termos do presente voto. Sala das sessões, em 26 de março de 2014. Fl. 302DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 8 [Assinado digitalmente] Rodrigo Mineiro Fernandes – Relator Declaração de Voto Conselheiro Luiz Roberto Domingo Inobstante a excelente interpretação da legislação atinente ao direito ao crédito presumido de IPI implementada pelo Ilustre Conselheiro Relator, Dr. Rodrigo Mineiro Fernandes, propusme a fazer declaração de voto para consignar meu entendimento a respeito, uma vez que a delegação legal da competência para que o Ministro da Fazenda regulamente o benefício fiscal em apreço não pode ser desrespeitada. Senão Vejamos. Importante salientar que o art. 6º da Lei nº 9.363/96, delegou competência ao Ministro de Estado da Fazenda para disciplinar quanto à efetivação do benefício, inclusive para definir o conteúdo de termos como “receita de exportação”: Art. 6º O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador. A Portaria MF nº 38/97, sobre os critérios de concessão do benefício e em seu art. 3º, §15, incisos I e II, dispôs sobre a definição dos conceitos de “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação” para efeito de apuração da base de cálculo do Crédito Presumido de IPI (na forma do art. 2º da Lei nº 9.363/96): Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. ... § 15. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais; (grifos acrescidos) Fl. 303DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11543.000336/200311 Acórdão n.º 3101001.603 S3C1T1 Fl. 263 9 Em 26/03/2003, no entanto, foi publicada Portaria MF nº 64/2003, que alterou a definição dos termos “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, conforme art. 3º, § 12, in verbis: Art. 3º O crédito presumido será apurado ao final de cada mês em que houver ocorrido exportação ou venda para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação. ... § 12. Para os efeitos deste artigo, considerase: I receita operacional bruta, o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo; II receita bruta de exportação, o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais; Todas essas disposições estão plenamente de acordo com a estrutura sistêmica do direito positivo, pois cabe ao Ministro da Fazenda, por delegação de competência dada pela Lei nº 9.363/96, definir a extensão e composição dos termos que tratam da concessão do benefício. Desta forma, o integral e regular cumprimento das normas vigentes à data da obtenção do benefício, qual seja, o direito ao crédito a aplicação integral das definições dadas pela Portaria MF 38/97 para os períodos sob sua vigência e aplicação correta das definições da Portaria MF 64/2003, em especial no que tange às definições de “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, passa a ser relevante para apuração da base de cálculo do benefício efetivamente concebido em lei. Assim, quanto ao tratamento jurídico conferido pelo Fisco às Receitas de exportação de produtos Não Tributados “NT”, entendo que o Fisco não atuou em conformidade com conteúdo e vigência das Portarias do Ministério da Fazenda que regem o ressarcimento da tributação do PIS e da COFINS embutidos nos insumos utilizados na produção/fabricação de mercadorias destinadas a exportação. A Lei nº 9.363/96 (a exemplo da MP n° 674/1994 e MP n° 948/1995) tratou de disciplinar a instituição de Crédito Presumido de IPI, para ressarcimento do valor do PIS/PASEP e COFINS incidentes nos insumos adquiridos no mercado interno, como forma de não exportar tributos. Apesar de o art. 3º da Lei concedente do benefício prever o conteúdo semântico a ser considerado para cada um dos termos utilizados, tais como, matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, receita operacional bruta e receita de exportação, a definição do alcance do benefício foi integralmente delegada ao Ministro de Estado da Fazenda a quem incumbe, inclusive, definir o conceito de Receita de Exportação, conforme art. 6º da Lei nº 9.363/961. 1 Art. 6o O Ministro de Estado da Fazenda expedirá as instruções necessárias ao cumprimento do disposto nesta Lei, inclusive quanto aos requisitos e periodicidade para apuração e para fruição do crédito presumido e Fl. 304DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES 10 E foi assim que se procedeu. Em 03/03/1997, o Ministro da Fazenda expediu a Portaria MF nº 38/97, cujo art. 3º, § 15, passou a definir “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, de modo que o conceito de receita operacional bruta contemplava O PRODUTO DE TODAS AS OPERAÇÕES DE VENDA DE BENS E SERVIÇOS e o resultado auferido nas operações de conta alheia; e o de receita bruta de exportação contemplava O PRODUTO DA VENDA AO EXTERIOR DE MERCADORIAS NACIONAIS. Assim, o benefício fiscal era extremamente amplo e previa que, para definição do percentual a ser considerado como base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, deveriam ser considerados serviços e vendas de mercadorias em geral, inclusive produtos não tributados e não industrializados e de terceiros, dentre outras receitas. Essas definições fixadas pelo Ministério da Fazenda com fundamento no art. 6º da Lei 9.363/96 vigeu até a revogação da Portaria MP 38/97, pela Portaria nº 64/2003, publicada em 26/03/2003, que alterou a definição dos termos “receita operacional bruta” e “receita bruta de exportação”, conforme art. 3º, § 12. É de notarse que a alteração da definição modificou substancialmente a composição da base de cálculo do Crédito Presumido de IPI, uma vez que, se antes englobava para receita operacional bruta todas as operações de venda de bens e serviços, agora passou a restringir a, apenas, VENDA DE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS PELA PESSOA JURÍDICA (excluiu, portanto, as receitas de prestação de serviços, as receitas de vendas de mercadorias não industrializadas ou não industrializadas pelo beneficiário e o resultado auferido nas operações de conta alheia). Após 26/03/2003, o conceito de receita de exportação também foi alterado, excluindo dessa definição o conceito genérico de “venda de mercadorias” para restringir à venda “de produtos industrializados nacionais”. É nítida a distinção: Portaria MF nº 38/1997 64/2003 Vigência De 03/03/1997 a 25/03/2003 A partir de 26/03/2003 “Receita Operacional Bruta” o produto da venda de bens e serviços nas operações de conta própria, o preço dos serviços prestados e o resultado auferido nas operações de conta alheia o produto da venda de produtos industrializados pela pessoa jurídica produtora e exportadora nos mercados interno e externo D ef in iç ão le ga l “Receita Bruta de Exportação” o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de mercadorias nacionais o produto da venda para o exterior e para empresa comercial exportadora com o fim específico de exportação, de produtos industrializados nacionais Cabe ressaltar que as delegações de competência que as normas de nível hierárquico legal outorgam à autoridade Ministerial ou ao Poder Executivo, transferem para o ato da autoridade outorgada a função complementar da norma legal ordinária de modo que, no caso em apreço, a Portaria MF nº 38/97 é norma complementar à lei, submetendo a administração tributária e os administrados ao comando da Portaria com a mesma força normativa da lei ordinária, de modo que, desatendendo o mandamento posto no ordem respectivo ressarcimento, à definição de receita de exportação e aos documentos fiscais comprobatórios dos lançamentos, a esse título, efetuados pelo produtor exportador Fl. 305DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES Processo nº 11543.000336/200311 Acórdão n.º 3101001.603 S3C1T1 Fl. 264 11 ministerial, descumprirseá diretamente os artigos 2º, 3º e 6º da Lei nº 9.363/96, amesquinhando o direito ao benefício ao ressarcimento do PIS e da COFINS. Assim, não é cabível a glosa da receita das exportações de produtos não tributados da base de incidência do benefício fiscal, por falta de previsão legal. Com base nessa questão intertemporal da sistemática de apuração do Crédito Presumido de IPI, é que, no meu entender, deve ser dado provimento ao Recurso Voluntário para que os créditos seja calculados em conformidade com as sistemáticas da Portaria MF nº 38/1997 ou da Portaria MF nº 64/2003, cada qual no âmbito de sua vigência. Luiz Roberto Domingo Fl. 306DF CARF MF Impresso em 01/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 15/05/2014 por LUIZ ROBERTO DOMINGO, Assinado digitalmente em 05/06/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES, Assinad o digitalmente em 19/05/2014 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10680.025504/99-33
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 20 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992
AÇÃO JUDICIAL. COISA JULGADA. INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE.
A sentença judicial deve ser interpretada e aplicada nos exatos termos em que foi prolatada.
Recurso Especial do Contribuinte Negado.
Numero da decisão: 9303-002.885
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de decadência; e II) no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento. Fez sustentação oral a Dra. Elza Alves Marques Guedes, OAB/DF nº 24.341, advogada do sujeito passivo.
(assinado digitalmente)
Marcos Aurélio Pereira Valadão - Presidente Substituto
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto).
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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COISA JULGADA. INTERPRETAÇÃO DIVERGENTE. A sentença judicial deve ser interpretada e aplicada nos exatos termos em que foi prolatada. Recurso Especial do Contribuinte Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: I) Por unanimidade de votos, em afastar a preliminar de decadência; e II) no mérito, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso especial. Vencidos os Conselheiros Nanci Gama, Rodrigo Cardozo Miranda, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva e Fabiola Cassiano Keramidas, que davam provimento. Fez sustentação oral a Dra. Elza Alves Marques Guedes, OAB/DF nº 24.341, advogada do sujeito passivo. (assinado digitalmente) Marcos Aurélio Pereira Valadão Presidente Substituto (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Henrique Pinheiro Torres, Nanci Gama, Júlio César Alves Ramos, Rodrigo Cardozo Miranda, Rodrigo da Costa Pôssas, Francisco Maurício Rabelo de Albuquerque Silva, Joel Miyazaki, Fabiola Cassiano Keramidas (Substituto convocado) e Marcos Aurélio Pereira Valadão (Presidente Substituto). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 02 55 04 /9 9- 33 Fl. 864DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO 2 Relatório Adotarei o relatório da DRJ com as alterações e acréscimos que se fizerem necessários. Tratase de recurso especial de divergência tempestivo interposto pelo contribuinte ao amparo do art. 67, Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais — RICARF, aprovado pela Portaria MF n 2 256, de 25 de junho de 2009, em face do Acórdão n° 310200.585, de 04/02/2010, cuja ementa se transcreve a seguir: ASSUNTO: OUTROS TRIBUTOS OU CONTRIBUIÇÕES Período de apuração: 01/09/1989 a 28/02/1992 SENTENÇA JUDICIAL TRANSITADA EM JULGADO. A sentença transitada eni julgado deve ser cumprida nos estritos termos em que foi proferida, não podendo ser alterada na via administrativa, sob pena de ferir o principio da jurisdição una, revisto na Constituição Federal. Recurso Voluntário Negado. A contribuinte acima identificada requereu em 11/11/1999 (fl. 01) junto à Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte/MG, a homologação da compensação de valores recolhidos indevidamente a título de Finsocial, período de apuração de 01/09/1989 a 28/02/1992, conforme planilha de fl. 30, no montante de R$900.360,30, com débitos diversos, fazendo menção a processo judicial transitado em julgado. Posteriormente, apresentou outros pedidos de compensação, conforme documentos de fls. 42 /84 e 112. A DRF Belo Horizonte analisou o pleito, por intermédio do Despacho Decisório de fls. 474/477, concedendo o direito creditório no montante de R$615.376,81, em 30/09/1998, que deve ser acrescido de juros moratórios de 1% ao mês, a partir de 01/10/1998. Irresignada com o valor do direito creditório deferido, do qual teve ciência em 10/10/2006 (fl. 562), a interessada apresenta, em 09/11/2006, a manifestação de inconformidade às fls. 564/571, com as argumentações abaixo sintetizadas: a razão da diferença entre o crédito apurado pela interessada e o apurado pela autoridade fiscal é o critério de atualização monetária utilizado. A requerente utilizou os índices oficiais de atualização monetária determinados pela legislação tributária, ou seja, UFIR da data do recolhimento até 31/12/1995, sem o expurgo do IPC de 1990, nos termos da IN SRF nº 114/91, e juros SELIC a partir de janeiro de 1996 até o mês anterior ao da compensação, e juros de 1% no mês da compensação. A autoridade fiscal, por sua vez, se limitou à correção prevista na decisão judicial, mas equivocouse ao substituir o índice do IPC pelo INPC no período anterior a fevereiro/1991 e ao deixar de atualizar o crédito a partir do trânsito em julgado; o trânsito em julgado do Acórdão que negou provimento aos recursos da União, deuse em 21/09/1998, tornando definitiva a sentença que julgou procedente o pedido, cujos termos finais se deu na seguinte forma: Fl. 865DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Processo nº 10680.025504/9933 Acórdão n.º 9303002.885 CSRFT3 Fl. 817 3 “... tudo com correção monetária plena apurada pelo IPC e juros moratórios de 1,0% ao mês, a partir do trânsito em julgado desta decisão.” a orientação do manual de procedimentos da Justiça Federal e o teor da sentença favorável ao pedido da requerente demonstram que a substituição do IPC pelo INPC poderá ocorrer somente após a extinção do IPC e no período anterior a fevereiro/1991. Portanto, a adoção do critério de atualização monetária, baseado no teor da sentença, deve considerar o IPC até fevereiro/1991 e o INPC a partir dessa data. a autoridade fiscal também se equivocou ao entender que a sentença concedeu atualização pelo IPC somente até o trânsito em julgado. Vale destacar que na data em que foi proferida a sentença, 08/10/1997, já existia previsão legal para atualização de indébitos tributários pela taxa de juros SELIC. Também é notório que a SELIC é composta de juros moratórios mais correção monetária e por esse motivo não se acumula correção com juros SELIC no mesmo período. A sentença judicial não adotou a correção pela SELIC e por isso desmembrou a correção monetária pelo IPC e juros moratórios de 1% ao mês; no teor da sentença judicial é clara a intenção do julgador em conceder a correção monetária até a data da efetiva recuperação do valor pago indevidamente, no presente caso até a data da compensação. Nesse sentido, cita trecho da decisão judicial; acrescenta que, deixar de atualizar o crédito a partir do trânsito em julgado vai contra a decisão judicial que determinou a correção monetária até a data da restituição, via compensação. Os juros moratórios de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado não podem ser confundidos com correção monetária, pois servem para indenizar a Requerente no período entre a data em que o crédito foi reconhecido judicialmente (trânsito em julgado) e o seu efetivo recebimento. Portanto, com base na sentença, o crédito correspondente à diferença de Finsocial recolhida indevidamente deverá ser corrigido monetariamente pelo IPC até fevereiro/91 e INPC até a data da compensação, acrescido de juros moratórios de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado da decisão; prossegue afirmando que a empresa, ao apresentar o pedido de compensação, não observou o critério de correção monetária previsto na sentença, e adotou o critério determinado pela legislação tributária. Mas, ao indeferir a compensação realizada pela requerente, a autoridade fiscal descumpriu não só a legislação tributária, mas também a sentença concedida à requerente; conclui que é descabida a não homologação da integralidade do crédito de Finsocial, uma vez que a requerente adotou o critério de atualização determinado pela legislação, menor que o critério concedido judicialmente. Assim, caso sejam adotados os critérios da legislação tributária (UFIR + SELIC), a compensação deve ser homologada e, caso sejam adotados os critérios da sentença judicial (IPC + 1% ao mês), não só a compensação deve ser homologada, mas também devese reconhecer a existência de crédito residual no valor atualizado em setembro/2006 de R$239.783,09, conforme demonstrativo anexado à fls. 572/579. Os membros da 1ª Turma de julgamento da DRS/BELO HORIZONTE, por unanimidade de votos, julgaram parcialmente procedente a manifestação de inconformidade. Fl. 866DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO 4 Na decisão da DRJ determinouse à DRF de origem recalcular o valor a ser compensado, com o uso do IPC até a data da sua extinção em 1991, só então, passar a usar o INPC até o trânsito em julgada da sentença, a partir do qual devese usar os juros de 1% ao mês, em cumprimento estrito da sentença judicial. Por qualidade de votos, foi negado provimento ao recurso voluntário em que se afirmava que a sentença judicial não foi corretamente aplicada. O sujeito passivo apresentou Recurso Voluntário onde reafirma que não foi cumprida a sentença judicial. A PGFN apresentou contrrrazões onde tenta demonstrar que a sentença judicial foi corretamente cumprida. Voto O recurso atende aos pressupostos de e deve ser admitido. As controvérsias suscitadas pela recorrente, objeto do presente exame foram o termo inicial para contagem do prazo para pleitear restituição complementar (atualização monetária) e o direito à atualização monetária dos créditos até a data da compensação. Em relação à prejudicial de decadência, não há que se falar em sua ocorrência. Quanto ao mérito, não há reparos a fazer, eis que todas as decisões já exaradas atestam o perfeito cumprimento da sentença judicial transitada em julgado. Vejamos parte do acórdão recorrido: Em 08/10/1997, foi proferida sentença de primeira instância (fis. 02/14) em que se julgou procedente o pedido da empresa, em fade dá União Federal, "reconhecendolhe o direito de compensar o 'quantum' que exceder a 0,5% (zero virgula cinco por cento) dos 'recolhimentos efetuados sob a . rubrica FINSOCIAL, no período de 10/89 a 03/92 ..., com a COFINS, ou qualquer outro tributo sob administração da Secretaria da Receita Federal (Lei 9.430/96 e Decreto n. 2.138/97), tudo com correção monetária plena apurada pelo IPC e juros moratórios de 1,0% ao mês, a partir do trânsito em julgado da decisão.” A União Federal apelou da sentença e o TRF 1ª Região, "'negou provimento à apelação da União Federal e à remessa Oficial, ficando mantida a Sentença de primeiro grau em todos os seus termos, "(Certidão de fls. 394). Segundo esta mesma Certidão, o trânsito em julgado do Acórdão se deu em 21/09/1998. Concluise a autoridade fiscal não se equivocou em seu Despacho Decisório, nern tampouco o julgador a quo, ao entenderem que foi concedida atualização pelo IPC somente até o trânsito em julgado da sentença, incidindo a partir daí juros de mora de 1% ao mês, pois é exatamente o que se deduz da sentença proferida. Fl. 867DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO Processo nº 10680.025504/9933 Acórdão n.º 9303002.885 CSRFT3 Fl. 818 5 A Controvérsia se resume na interpretação da sentença quanto à parte sublinhada acima. Enquanto a Receita Federal entende que o permissivo é para a aplicação do IPC até o trânsito emjulgado e dos juros a partir daí. O recorrente entende que após o trânsito em julgado se aplica tanto o IPC, quanto os juros de 1%, cumulativamente. Podemos ver como uma vírgula faz falta. Se tivesse uma vírgula depois da sigla IPC não teríamos dúvidas que a aplicação dada pela autoridade fiscal estaria correta. A dúvida surge pelo mal emprego, ou não emprego da vírgula. Porém como bem exposado pela decisão da DRJ a aplicação dos dois índices ensejaria uma cumulação, não prevista na sentença, de índices com juros. Em todas as decisões anterores entenderase que foi concedida, pelo poder judiciário, atualização pelo IPC somente até o trânsito em julgado da sentença, incidindo a partir daí juros de mora de 1% ao mês, sob a alegação de ser exatamente o que se deduz da sentença proferida. Embora os pedidos de ambas as partes seja o mesmo: “aplicação literal da sentença transitada em julgado”, voto por NEGAR provimento ao Recurso Especial, interpretando a sentença exatamente como ocorreu no despacho decisório e nas decisões anteriores. É como voto. Rodrigo da Costa Possas Relator Fl. 868DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 27/08/2014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 27/08/2 014 por RODRIGO DA COSTA POSSAS, Assinado digitalmente em 29/09/2014 por MARCOS AURELIO PEREIRA VALA DAO
score : 1.0
Numero do processo: 10611.002084/2008-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 16 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 25/10/2004
RECURSO VOLUNTÁRIO. DESISTÊNCIA. FORMALIZAÇÃO.
Formalizada petição de desistência do recurso voluntário interposto, com renúncia ao direito em que se fundaria a defesa, encerra-se o contencioso administrativo por perda superveniente do interesse de agir.
Recurso voluntário não conhecido.
Numero da decisão: 3401-002.776
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de sua desistência.
Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
Nome do relator: ROBSON JOSE BAYERL
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de sua desistência. Robson José Bayerl Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima.
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DESISTÊNCIA. FORMALIZAÇÃO. Formalizada petição de desistência do recurso voluntário interposto, com renúncia ao direito em que se fundaria a defesa, encerrase o contencioso administrativo por perda superveniente do interesse de agir. Recurso voluntário não conhecido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do recurso, em razão de sua desistência. Robson José Bayerl – Presidente ad hoc e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Jean Cleuter Simões Mendonça, Robson José Bayerl, Eloy Eros da Silva Nogueira, Angela Sartori, Mônica Monteiro Garcia de Los Rios e Bernardo Leite de Queiroz Lima. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 20 84 /2 00 8- 47Fl. 326DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 2 Cuidase de auto de infração para exigência de PIS/Pasep e Cofins incidentes na importação, decorrentes de utilização de Regime de Admissão Temporária com respaldo em medida judicial posteriormente cassada, consubstanciada na DI 04/10791479. Em impugnação o contribuinte sustentou a improcedência da autuação pela redução a zero das alíquotas das contribuições lançadas, por força da novel redação do art. 8º, § 14 da Lei nº 10.865/04, ou, alternativamente, que fosse ajustada a base de cálculo do lançamento pela exclusão do ICMS, conforme decidido pelo STF no bojo do MS 0024.04.4404572. A DRJ Recife/PE julgou a impugnação parcialmente procedente em decisão assim ementada: “IMPORTAÇÃO. ARRENDAMENTO MERCANTIL DE AERONAVE. CONCOMITÂNCIA DE OBJETO COM AÇÃO JUDICIAL EM ANDAMENTO. O Mandado de Segurança nº 2004.38.00.0441767 ainda tramita na via judicial, pendente de trânsito em julgado. A tese que a ora impugnante submeteu à autoridade judicial é a de que a importação da aeronave, em admissão temporária, mediante arrendamento mercantil, nos termos descritos nos presentes autos, deveria ser enquadrada na hipótese prevista no inciso II do art.3º da Lei nº 10.865/04 e não, como entende a autoridade aduaneira, na hipótese delineada no inciso I do mesmo art.3º daquele diploma legal. Não cabe nesta instância administrativa examinar a questão que foi submetida ao Poder Judiciário. MANDADO DE SEGURANÇA TRANSITADO EM JULGADO. NÃO INCIDÊNCIA DO ICMS NA OPERAÇÃO. EXCLUSÃO DO ICMS DA BASE DE CÁLCULO DO PIS/PASEPIMPORTAÇÃO E DA COFINSIMPORTAÇÃO. A ora Impugnante impetrou um segundo Mandado de Segurança, n° 0024.04.4404572, em setembro de 2004, objetivando o não recolhimento do ICMS sobre a importação da aeronave objeto do mesmo contrato de arrendamento mercantil que integra os presentes autos, pretendendo que a operação de leasing não estivesse no campo de incidência do ICMS, nos termos da legislação aplicável. Houve trânsito em julgado da decisão judicial, em 17.06.2008, reconhecendo o que foi pleiteado. Em face disso, para o caso concreto, por força da segurança concedida à ora impugnante, com trânsito em julgado, há de ser excluído o ICMS da base de cálculo do PIS/PASEPImportação e da COFINSImportação.” Em recurso voluntário o contribuinte repisou o argumento de redução das alíquotas das contribuições para o PIS/Pasep e Cofins. Na sessão de julho/2014, através da Resolução 3401000.815, o julgamento foi convertido em diligência para saneamento da representação da recorrente. Em seguida, os autos foram devolvidos para prosseguimento. É o relatório. Fl. 327DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL Processo nº 10611.002084/200847 Acórdão n.º 34013.401.002.776 S3C4T1 Fl. 11 3 Voto Conselheiro Robson José Bayerl, Relator O recurso interposto é tempestivo. Convertido o julgamento em diligência para saneamento da representação processual, o recorrente, por intermédio de seus novos patronos, juntou requerimento formalizado desistindo totalmente do recurso e renunciando às alegações de direito em que se fundaria sua defesa, tendo por objetivo a adesão ao regime de parcelamento previsto nas Leis nºs 11.941/2009 e 12.996/2014. Diante deste quadro, resta inconteste a perda superveniente do interesse de agir, implicando na ausência de requisito de admissibilidade do recurso voluntário. Este entendimento está alinhado com as disposições do art. 78 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – RICARF, aprovado pela Portaria MF 256/09, verbis: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1° A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse.” Com estas considerações, voto por não conhecer do recurso. Robson José Bayerl Fl. 328DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL 4 Fl. 329DF CARF MF Impresso em 06/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/10/2014 por ROBSON JOSE BAYERL, Assinado digitalmente em 28/10/2014 p or ROBSON JOSE BAYERL
score : 1.0
Numero do processo: 10920.909592/2012-41
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 29 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/09/2005 a 30/09/2005
NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO.
Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF.
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA.
A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3801-002.743
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Paulo Sergio Celani - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
Nome do relator: PAULO SERGIO CELANI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes - Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira.
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DIREITO DE CRÉDITO. PAGAMENTO INDEVIDO OU MAIOR QUE O DEVIDO. COMPROVAÇÃO. Não caracteriza pagamento de tributo indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. A recorrente deve apresentar as provas que alega possuir e que sustentariam seu direito nos momentos previstos na lei que rege o processo administrativo fiscal. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Sidney Eduardo Stahl votou pelas conclusões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 92 0. 90 95 92 /2 01 2- 41 Fl. 50DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909592/201241 Acórdão n.º 3801002.743 S3TE01 Fl. 3 2 (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Flávio de Castro Pontes, Paulo Sergio Celani, Marcos Antônio Borges, Sidney Eduardo Stahl, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel e Paulo Antônio Caliendo Velloso da Silveira. Relatório O processo iniciouse com Pedido de RestituiçãoPER, apresentado pela contribuinte, ora recorrente. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Joinvile, SC, indeferiu o pedido, com fundamento em que o valor recolhido por DARF, indicado como origem do crédito contra a Fazenda Nacional, havia sido integralmente utilizado para pagamento de débito da contribuinte, não restando crédito disponível para a restituição solicitada. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, aduzindo que os créditos pleiteados referirseiam a pagamentos a maior da contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, decorrentes da inclusão do ICMS na base de cálculo destas contribuições. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis julgou improcedente a manifestação de inconformidade, cujo acórdão possui a seguinte ementa: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Ano calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. COMPROVAÇÃO DA CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO. REQUISITO. A certeza e liquidez do crédito é requisito essencial para o deferimento da restituição, devendo restar comprovado o efetivo pagamento indevido ou a maior que o devido.” Fl. 51DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909592/201241 Acórdão n.º 3801002.743 S3TE01 Fl. 4 3 Ciente da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário no qual assevera que não há previsão legal para exigir a retificação de DCTF como condição para a restituição e pede que seja afastada esta exigência e enfrentados os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade. Afirma ser indevida a inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição, mas não apresenta argumentos que sustentem esta afirmação. Não há nos autos nenhum documento ou livro fiscal ou contábil nem DCTF retificadora. Voto Conselheiro Paulo Sergio Celani, Relator. O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade para julgamento nesta turma especial. Sobre a nulidade da decisão de primeira instância. No acórdão recorrido, a DRJ/Florianópolis decidiu com base no entendimento de que se não foi retificada a DCTF, não ficou comprovado pagamento indevido ou a maior, logo, não há que se falar em crédito líquido e certo e, por isso, correto o indeferimento do pedido de restituição. Está claro, desde o despacho decisório, que a contribuinte não comprovou existência de pagamento indevido ou a maior, pois o pagamento informado no pedido de restituição referiuse a tributo lançado em DCTF não retificada, logo, tributo devido. Não apresentadas provas em contrário, os valores informados na DCTF devem ser considerados verdadeiros. Tal entendimento é semelhante ao que justifica a decisão proposta neste voto, conforme se vê adiante. No voto condutor do acórdão da unidade de primeira instância, afirmouse que apenas com a retificação da DCTF a contribuinte teria crédito contra a Fazenda e que a retificação somente produziria efeitos em relação a pedido de restituição apresentado posteriormente a ela. Apesar de este entendimento divergir do que entendem várias turmas do CARF, que admitem que a retificação da DCTF pode surtir efeitos em relação a pedidos de restituição anteriores à sua transmissão, não se pode assentar que a decisão da DRJ possa ser anulada. Ainda que se entenda prescindível a retificação da DCTF, o fundamento de que o pagamento indevido ou a maior não foi comprovado persiste e é suficiente para manter o Fl. 52DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909592/201241 Acórdão n.º 3801002.743 S3TE01 Fl. 5 4 indeferimento do pedido de restituição, de modo que o despacho decisório e a decisão recorrida estão fundamentados e permitiram à contribuinte o contraditório e a ampla defesa. Sobre o direito de crédito e sua liquidez e certeza O processo se iniciou com pedido de restituição da contribuinte, no qual informou ter realizado pagamento indevido ou a maior de PI/Pasep. A RFB, baseandose em dados constantes de seus sistemas informatizados, alimentados por informações prestadas pela própria contribuinte, por meio de declarações fiscais próprias, constatou que o pagamento informado foi integralmente utilizado para quitar débito da contribuinte, referente a tributo informado em DCTF, logo, tributo considerado devido, porque a DCTF, nos termos do art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984, é instrumento de confissão de dívida e constituição definitiva do crédito tributário, não restando crédito disponível a ser restituído. Com base nisto, o pedido foi indeferido. O fundamento legal está expresso em seu quadro “3 – FUNDAMENTAÇÃO, DECISÃO E ENQUADRAMENTO LEGAL”, no qual consta o artigo 165 da Lei nº 5.172, de 25/10/66 (CTN). Estando o pagamento totalmente vinculado a tributo declarado em DCTF, o DARF a ele relativo não prova a existência de crédito algum. Assim, não foi atendido o art. 165 do CTN, que diz que a contribuinte tem direito à restituição de tributo nos casos de: cobrança ou pagamento espontâneo de tributo indevido ou maior que o devido; erro na edificação do sujeito passivo, na determinação da alíquota aplicável, no cálculo do montante do débito ou na elaboração ou conferência de qualquer documento relativo ao pagamento; reforma, anulação revogação ou rescisão de decisão condenatória. Caberia à interessada provar o direito à restituição, à luz do art. 333 do Código de Processo Civil (CPC), aplicável subsidiariamente ao caso, que determina que o ônus da prova incumbe a quem alega fato constitutivo de direito. Até o momento do protocolo do recurso voluntário, a contribuinte não apresentou documentos que comprovassem erro na DCTF, nem comprovou ocorrência de alguma das hipóteses previstas no art. 16, §4º, do Decreto nº 70.235, de 1972, que permitiriam apresentação destes documentos em momento posterior. Cito. “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III – os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) §4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: Fl. 53DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909592/201241 Acórdão n.º 3801002.743 S3TE01 Fl. 6 5 a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos.” Ao contrário da decisão recorrida, várias decisões proferidas pelo CARF admitiram a retificação de DCTF posterior à ciência do despacho decisório. Porém, no âmbito desta turma, esta admissão ocorre somente quando a DCTF retificadora é acompanhada da prova de erro na DCTF retificada, por meio da escrituração e dos documentos fiscais e contábeis. Apenas assim se pode afirmar que o crédito pleiteado existe e é dotado de certeza e liquidez. Vejase a ementa do acórdão 380100.190, de 22/05/2012, relatado pelo Conselheiro Flávio de Castro Pontes, em que se assentou que a contribuinte deveria comprovar a origem do direito de crédito: “Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins Data do fato gerador: 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DE DCTF APÓS A CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. A simples retificação de DCTF não é elemento de prova suficiente para aferir a liquidez e certeza do direito creditório. COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INCERTO. A compensação não pode ser homologada quando o sujeito passivo não comprova a origem de seu direito creditório. Recurso Voluntário Negado.” Da 2ª Turma Especial, da 3ª Seção de Julgamento, são exemplos do mesmo entendimento os Acórdãos 3802001.290, de 25/09/2012, relatado pelo Conselheiro José Fernandes do Nascimento, e 3802001.593, de 27/02/2013, relatado pelo Conselheiro Francisco José Barroso Rios, cujas ementas, com grifos meus, são as seguintes: Acórdão nº 3802001.290: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 COMPENSAÇÃO. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO (DCOMP). DIREITO CREDITÓRIO NÃO COMPROVADO NA FASE RECURSAL. DECISÃO NÃO HOMOLOGATÓRIA MANTIDA. Fl. 54DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909592/201241 Acórdão n.º 3801002.743 S3TE01 Fl. 7 6 Na ausência da comprovação da certeza e liquidez do crédito utilizado no procedimento compensatório, deve ser mantida a decisão recorrida que não homologou a compensação declarada pelo mesmo motivo. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/12/2002 a 31/12/2002 PROCESSO DE COMPENSAÇÃO. DCTF RETIFICADORA. ENTREGA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. REDUÇÃO DO DÉBITO ORIGINAL. COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DO ERRO. OBRIGATORIEDADE. Uma vez iniciado o processo de compensação, a redução do valor débito informada na DCTF retificadora, entregue após a emissão e ciência do Despacho Decisório, somente será admitida, para fim de comprovação da origem do crédito compensado, se ficar provado nos autos, por meio de documentação idônea e suficiente, a origem do erro de apuração do débito retificado, o que não ocorreu nos presentes autos. NULIDADE. DECISÃO DE PRIMEIRO GRAU. ANÁLISE DE NOVO ARGUMENTO DE DEFESA. MANUTENÇÃO DA NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO POR INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO. ALTERAÇÃO DA MOTIVAÇÃO DO DESPACHO DECISÓRIO. INOCORRÊNCIA. Não é passível de nulidade, por mudança de motivação, a decisão de primeiro grau que rejeita novo argumento defesa suscitado na manifestação de inconformidade e mantém a não homologação da compensação declarada, por da ausência de comprovação do crédito utilizado, mesmo motivo apresentado no contestado Despacho Decisório. DILIGÊNCIA. REALIZAÇÃO PARA JUNTADA DE PROVA DOCUMENTAL EM PODER DO REQUERENTE. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para juntada de prova documental em poder do próprio requerente que, sem a demonstração de qualquer impedimento, não foi carreada aos autos nas duas oportunidades em que exercitado o direito de defesa. Recurso Voluntário Negado.. Acórdão nº 3802001.593: “ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 30/09/2004 COMPENSAÇÃO COM CRÉDITOS DECORRENTES DE RETIFICAÇÃO DE DCTF DEPOIS DE PROFERIDO DESPACHO DECISÓRIO NÃO HOMOLOGANDO PER/DECOMP. AUSÊNCIA DE COMPROVAÇÃO DE ERRO Fl. 55DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909592/201241 Acórdão n.º 3801002.743 S3TE01 Fl. 8 7 DE FATO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO ORIGINAL. INADMISSIBILIDADE DA COMPENSAÇÃO EM VISTA DA NÃO DEMONSTRAÇÃO DA LIQUIDEZ E CERTEZA DO CRÉDITO ADUZIDO. A compensação, hipótese expressa de extinção do crédito tributário (art. 156 do CTN), só poderá ser autorizada se os créditos do contribuinte em relação à Fazenda Pública, vencidos ou vincendos, se revestirem dos atributos de liquidez e certeza, a teor do disposto no caput do artigo 170 do CTN. Uma vez intimada da não homologação de seu pedido de compensação, a interessada somente poderá reduzir débito declarado em DCTF se apresentar prova inequívoca da ocorrência de erro de fato no seu preenchimento. A não comprovação da certeza e da liquidez do crédito alegado impossibilita a extinção de débitos para com a Fazenda Pública mediante compensação. Recurso a que se nega provimento.” A 2ª Turma da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento tem o mesmo entendimento, conforme se vê no acórdão nº. 3402001.668, de 15/02/2012, cuja ementa é: “Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico – CIDE Data do fato gerador: 15/07/2005 NULIDADE POR FALTA DE FUNDAMENTO LEGAL. Em sendo verificado que tanto o ato de indeferimento da compensação quanto a decisão recorrida apresentam os fundamentos legais que sustentam a prolação do ato administrativo, não ocasionando cerceamento do direito de defesa do contribuinte, não há que se decretar a nulidade da decisão administrativa. Igualmente não incorre em nulidade a decisão que deixa de intimar o contribuinte a apresentar seus próprios documentos contábeis e fiscais para comprovar fato que sustenta seu direito ao indébito tributário. PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. NÃO HOMOLOGAÇÃO. PROVA DA EXISTÊNCIA, SUFICIÊNCIA E LEGITIMIDADE DO CRÉDITO. ÔNUS DO CONTRIBUINTE. Não se homologa a compensação pleiteada pelo contribuinte quando este deixa de produzir prova, através de meios idôneos e capazes, de que o pagamento legitimador do crédito utilizado na compensação tenha sido efetuado indevidamente ou em valor maior que o devido, não bastando a retificação da DCTF como prova do suposto indébito.” O direito de crédito deve ser provado e apenas créditos líquidos e certos podem ser compensados. Fl. 56DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10920.909592/201241 Acórdão n.º 3801002.743 S3TE01 Fl. 9 8 Isto vale tanto para compensação com débitos do contribuinte quanto para restituição de pagamento de tributo indevido ou maior que o devido. Não é possível restituir valor referente a pagamento de tributo indevido ou maior que devido se este valor não é líquido e certo. No presente caso, não há prova de que houve pagamento indevido, nem de que o direito de crédito alegado equivale à incidência da contribuição para o PIS/Pasep sobre valores de ICMS. Por isso, não é necessário discutir a questão de mérito sobre a incidência da contribuição social sobre valores pagos a título de ICMS. Conclusão Pelo exposto, tendo em vista não ter sido provado pagamento de tributo indevido ou maior que o devido, com fundamento nos artigos 165 do CTN e 333 do CPC, voto por negar provimento ao recurso voluntário, mantendose o despacho decisório que não reconheceu o direito de crédito e indeferiu o pedido de restituição. (assinado digitalmente) Paulo Sergio Celani Relator Fl. 57DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 09/10/2014 por PAULO SERGIO CELANI, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10980.002125/2006-35
Turma: Primeira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 22 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 06 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/03/2001 a 28/02/2002
CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP. INCIDÊNCIA SOBRE O FATURAMENTO.
O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, consolidando entendimento de que o PIS deve incidir sobre o faturamento, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. Aplicação da Súmula nº 08 do STF. O lançamento, portanto, só deve ser mantido sobre o PIS incidente sobre o faturamento do contribuinte.
INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE.
O § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430, de 27/12/96 não embasa a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio, inexistindo lei que autorize a inclusão da multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos.
Recurso Voluntário Não Conhecido
Numero da decisão: 3801-003.750
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso.
(assinado digitalmente)
Flávio de Castro Pontes - Presidente.
(assinado digitalmente)
Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente).
Nome do relator: MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/03/2001 a 28/02/2002 CONTRIBUIÇÃO AO PIS/PASEP. INCIDÊNCIA SOBRE O FATURAMENTO. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, consolidando entendimento de que o PIS deve incidir sobre o faturamento, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Nos termos do artigo 62-A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. Aplicação da Súmula nº 08 do STF. O lançamento, portanto, só deve ser mantido sobre o PIS incidente sobre o faturamento do contribuinte. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430, de 27/12/96 não embasa a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio, inexistindo lei que autorize a inclusão da multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos. Recurso Voluntário Não Conhecido
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INCIDÊNCIA SOBRE O FATURAMENTO. O Supremo Tribunal Federal reconheceu a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, consolidando entendimento de que o PIS deve incidir sobre o faturamento, assim entendido como a receita decorrente da venda de mercadorias, de serviços ou de mercadorias e serviços. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, este Conselho deve seguir as decisões proferidas pelo plenário do STF. Aplicação da Súmula nº 08 do STF. O lançamento, portanto, só deve ser mantido sobre o PIS incidente sobre o faturamento do contribuinte. INCIDÊNCIA DE JUROS SELIC SOBRE MULTA DE OFÍCIO. IMPOSSIBILIDADE. O § 3° do artigo 61 da Lei n° 9.430, de 27/12/96 não embasa a cobrança de juros de mora sobre a multa de oficio, inexistindo lei que autorize a inclusão da multa como parte integrante do principal, para efeitos de incidir os juros sobre ambos. Recurso Voluntário Não Conhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer o recurso. (assinado digitalmente) Flávio de Castro Pontes Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 00 21 25 /2 00 6- 35 Fl. 299DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 2 (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Sérgio Celani, Sidney Eduardo Stahl, Marcos Antonio Borges, Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel, Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira e Flávio de Castro Pontes (Presidente). Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da DRJ em Curitiba: Trata o processo de Auto de Infração de Contribuição para o Programa de Integração Social PIS, às fls. 206/225. que exige R$ 483.187,12 de PIS e R$ 362.390.08 de multa de oficio, além dos acréscimos legais. cm decorrência de falta de recolhimento das contribuições. em procedimento de verificações obrigatórias, nos períodos de apuração de 03/1996 a 02/2002. Conforme Termo de Encerramento (fls. 206/229), a interessada ingressou com mandado de segurança n° 96.00066230, junto à 2a. Vara Federal de Curitiba/PR, cujo processo administrativo de acompanhamento judicial é de no. 10980.006125/9635, objetivando ver afastada a exigibilidade cio pagamento do PIS. na forma estabelecida pela Medida Provisória n° 1.212/95, e suas reedições, alegando ofensas a vários princípios constitucionais. A liminar foi deferida para que a impetrante pudesse recolher o PIS de acordo com a Lei Complementar n° 7/70. Na sentença de mérito o pedido foi julgado procedente. Em grau de recurso. todavia , foi decidido, por unanimidade, que as disposições introduzidas pela MP são absolutamente constitucionais, sendo o PIS/PASEP exigível tanto das empresas comerciais e industriais, quanto das de prestação de serviços. Em procedimentos adotados pela fiscalização, foram elaboradas planilhas de Demonstração de Apuração da Base de Cálculo (fls. 194/199). Com base nos registros contábeis da empresa. tendo sido considerados todos os recolhimentos e depósitos realizados no período, comparando os valores obtidos com os declarados em DCTF. Cientificada do lançamento. cm 03/03/2006 (fl. 229), a interessada, por intermédio de seu procurador legalmente constituído (fl. 240), apresentou, em 04/04/2006, a impugnação de fls. 231/239, alegando, inicialmente, a decadência do direito de a Fazenda Pública lançar créditos tributários relativos aos meses de março/1996 a fevereiro/2001, tendo cm vista a natureza tributária do PIS, bem como a seu caráter homologatório, devendo ser aplicada a contagem do prazo previsto no art. 150. § 4o. do CTN. Alega a inadequação da base de cálculo autuada, por incluir outras receitas, que não exclusivamente operacional faturamento, já que a Lei no. 9.718, de 1998, em seu art. 3o.. § 1o., alargou indevidamente a base de cálculo do PIS. em afronta ao sistema jurídico pátrio. Fl. 300DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.002125/200635 Acórdão n.º 3801003.750 S3TE01 Fl. 12 3 Menciona decisão do STF, que já posicionou, por intermédio de seu Pleno, declarando a inconstitucionalidade daquele dispositivo. Por fim, contesta a aplicação da taxa Selic como juros de mora. Analisando o processo instaurado, a DRJ em Curitiba julgou procedente cm parte o lançamento, cancelando a exigência de R$ 426.097,92 de PIS, da respectiva multa de oficio e encargos legais, por força da decadência, mantendo a exigência de R$ 57.089.20 de PIS. da multa de oficio de 75% e dos encargos legais, nos seguintes termos: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA o PIS/PASEP Período de apuração: 01/03/1996 a 28/02/2001 LANÇAMENTO. DECADÊNCIA. Na existência de indicação de pagamento da contribuição, ainda que parcial, deve ser utilizada a regra contida no § 4o. do art. 150 do CTN, a qual determina que transcorrido o prazo de cinco anos, contados da ocorrência do fato gerador, sem que a Fazenda Pública tenha se manifestado, considera se homologado o lançamento e definitivamente extinto o crédito. Período apuração: 01/03/2001 a 28/02/2002 LEI No. 9.718/1998. INCONSTITUCIONALIDADE. ARGÜIÇÃO. ESFERA ADMINISTRATIVA. O exame da legalidade c da constitucionalidade de normas legitimamente inseridas no ordenamento jurídico nacional compete ao Poder Judiciário, restando inócua e incabível qualquer discussão, nesse sentido, na esfera administrativa. PIS. BASE DE CÁLCULO. A base de cálculo da contribuição é o faturamento, que corresponde à receita bruta da pessoa jurídica, considerando a totalidade das receitas auferidas. aplicandose sobre o valor obtido a alíquota determinada pela legislação de regência. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. Cobramse juros de mora por percentual equivalente à taxa Selic por expressa previsão legal. Tal decisão foi remetida pelos Correios com Aviso de Recebimento no dia 25/10/2008, não constando, nos autos, a data em que este foi intimado. O contribuinte apresentou seu Recurso Voluntário em 02/12/2008, no qual traz as seguintes alegações, em resumo: • Os órgãos administrativos devem afastar a norma inconstitucional, não devendo ser aplicado o disposto no § 1º do Fl. 301DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 4 art. 3º da Lei nº 9.718/98, em razão da inconstitucionalidade declarada pelo STF, citandose jurisprudência administrativa sobre a questão; • O PIS deve ser apurado com base na LC nº 7/70; • A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício é indevida, conforme decisões administrativas citadas. Ao apreciar o feito esta Primeira Turma Especial formalizou a Resolução nº 3801000.198, de 04/07/2011, baixando o processo em diligência, solicitando: “ 1. Informar acerca da tempestividade do recurso voluntário interposto, apurando se a data constante do carimbo aposto no AR de fls. 250 (25/10/2008) corresponde à expedição da intimação de fls. 248/249 (data da postagem do documento na unidade de origem dos Correios) ou à entrega da correspondência na unidade de destino dos Correios; 2. Caso o referido recurso tenha sido apresentado no prazo legal, refazer as planilhas de fls. 197 a 199 e 203 a 205, considerando apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços; 3. Retornar os presentes autos a este CARF para julgamento.” Em atendimento à solicitação desta Turma, a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Curitiba, considerando que a intimação da decisão fora expedida há mais de 3 anos e que, por conseguinte, tornouse inviável buscar informações junto aos Correios, registrou o seguinte: 1. A Intimação de ciência da decisão de 1ª Instância foi assinada em 13/10/2008; 2. O documento foi expedido para o Setor de Malote da GRAPR, responsável pelo envio da correspondência aos Correios, no dia 22/10/2008, conforme documento que juntamos às fls. 282, sem devolução da via com o recebimento daquele setor; 3. Regra geral, o carimbo é aposto pelos Correios da Agência responsável pela entrega da correspondência, quase sempre coincidente com a data da ciência. No caso está datado de 25/10/2008; 4. O aviso de recebimentoAR foi juntado em 05/11/2008, conforme registro às fls. 250; 5. O recurso voluntário interposto foi protocolado em 02/12/2008. De acordo com o disposto no artigo 23II e §II do Decreto nº 70.235/72, considerase feita a intimação, se omitida a data do recebimento no aviso de recebimento AR, 15 (quinze) dias após a data de expedição da intimação. Irrelevante a existência de outras datas, pela aplicação deste dispositivo legal e considerando a data de expedição da intimação por esta Eqcof/Secat, 22/10/2008, o contribuinte seria considerado ciente Fl. 302DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES Processo nº 10980.002125/200635 Acórdão n.º 3801003.750 S3TE01 Fl. 13 5 da intimação em 06/11/2008, sendo, portanto, tempestivo o recurso voluntário protocolado em 02/12/2008. Considerando, assim, tempestivo o Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte, o processo foi encaminhado para a equipe responsável pelo lançamento, para atendimento ao item 2. da diligência determinada pela Resolução nº 3801000.198, de 04/07/2011, tendo sido refeitas as planilhas de fls. 197 a 199 e 203 a 205, considerando apenas as receitas decorrentes da venda de mercadorias e da prestação de serviços. Em 21 de julho de 2014, apresentou a Recorrente Memorial de julgamento, no qual destaca que recolheu à vista o crédito tributário remanescente, nos termos da Lei no. 11.941/2009, desistindo expressamente dessa discussão administrativa. Apresenta, assim, petição protocolizada em 30 de novembro de 2011 junto a esse CARF, informando, para efeito do que dispõe a Lei no. 11.941/2009, especialmente nos termos do artigo 13, da Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 06/2009, combinado com o artigo 2o., da Portaria Conjunta PGFN/RFB no. 13/09, através da qual informa o pagamento à vista do crédito tributário objeto do presente processo, requer a desistência de seu recurso voluntário e declara que renuncia a quaisquer alegações de direito sobre as quais se fundamente o crédito tributário objeto dessa discussãoo administrativa. Junta o DARF do pagamento informado. É o relatório. Voto Conselheiro Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel De fato, embora não conste nos autos a petição em que a Recorrente informa o pagamento do crédito tributário, a desistência do Recurso Voluntário e a renúncia às alegações de direito sobre as quais se fundam o presente processo administrativo, tal petição foi apresentada a esta Relatora, em sua via original, com a data de protocolo do dia 30/11/2009, acompanhada do DARF. O art. Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 256, de 22/7/2009, prevê a possibilidade de desistência nos seguintes termos: “Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. §1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2° O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso Fl. 303DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES 6 interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente, descabendo recurso da Procuradoria da Fazenda Nacional por falta de interesse. Com fundamento neste dispositivo regimental, tendo em vista pedido de desistência manifestado em petição assinada por representante da contribuinte, voto por não conhecer o Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Maria Inês Caldeira Pereira da Silva Murgel Relator Fl. 304DF CARF MF Impresso em 06/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado dig italmente em 03/10/2014 por MARIA INES CALDEIRA PEREIRA DA SILVA MURGEL, Assinado digitalmente em 03 /10/2014 por FLAVIO DE CASTRO PONTES
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Numero do processo: 10245.720002/2008-65
Turma: Segunda Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 04 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR
Exercício: 2005
ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTO RECURSAL. FORMULAÇÃO ADEQUADA DOS MOTIVOS QUE AMPARAM O INCONFORMISMO DO RECORRENTE. ADMISSIBILIDADE.
A despeito de o contribuinte não se utilizar da técnica mais apropriada para descrever os fatos e os fundamentos de direito que amparam o seu inconformismo com o lançamento e com a decisão proferida pelo acórdão de primeira instância, há que se conhecer do recurso voluntário interposto quando constatado que do teor da peça recursal especificações adequadas e capazes de delimitar o mérito da questão litigiosa.
PROVAS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE. AVALIAÇÃO PELA INSTÂNCIA RECORRIDA. INSUFICIÊNCIA PARA SUPORTAR AS RAZÕES DE IRRESIGNAÇÃO.
Não prospera irresignação embasada em suposta falta de apreciação das provas apresentadas pelo contribuinte, quando se verifica dos termos da decisão recorrida a sua devida e fundamentada análise, não havendo confundir ausência de apreciação com o entendimento pela insuficiência ou inaptidão dessas provas para suportar as razões de inconformidade.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2802-003.218
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos conhecer o recurso voluntário e, no mérito, por unanimidade NEGAR PROVIMENTO ao recurso, nos termos do relatório e votos integrantes do julgado. Vencido, em preliminar, o Conselheiro Ronnie Soares Anderson que não conhecia o recurso voluntário. Designado para redigir o voto vencedor, quanto à preliminar, o Conselheiro Jaci de Assis Júnior.
(Assinado digitalmente)
Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente.
(Assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson, Relator.
(Assinado digitalmente)
Jaci de Assis Junior, Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinicius Magni Verçosa e Carlos André Ribas de Mello.
Nome do relator: RONNIE SOARES ANDERSON
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural - ITR Exercício: 2005 ITR. RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTO RECURSAL. FORMULAÇÃO ADEQUADA DOS MOTIVOS QUE AMPARAM O INCONFORMISMO DO RECORRENTE. ADMISSIBILIDADE. A despeito de o contribuinte não se utilizar da técnica mais apropriada para descrever os fatos e os fundamentos de direito que amparam o seu inconformismo com o lançamento e com a decisão proferida pelo acórdão de primeira instância, há que se conhecer do recurso voluntário interposto quando constatado que do teor da peça recursal especificações adequadas e capazes de delimitar o mérito da questão litigiosa. PROVAS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE. AVALIAÇÃO PELA INSTÂNCIA RECORRIDA. INSUFICIÊNCIA PARA SUPORTAR AS RAZÕES DE IRRESIGNAÇÃO. Não prospera irresignação embasada em suposta falta de apreciação das provas apresentadas pelo contribuinte, quando se verifica dos termos da decisão recorrida a sua devida e fundamentada análise, não havendo confundir ausência de apreciação com o entendimento pela insuficiência ou inaptidão dessas provas para suportar as razões de inconformidade. Recurso Voluntário Negado.
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RECURSO VOLUNTÁRIO. PRESSUPOSTO RECURSAL. FORMULAÇÃO ADEQUADA DOS MOTIVOS QUE AMPARAM O INCONFORMISMO DO RECORRENTE. ADMISSIBILIDADE. A despeito de o contribuinte não se utilizar da técnica mais apropriada para descrever os fatos e os fundamentos de direito que amparam o seu inconformismo com o lançamento e com a decisão proferida pelo acórdão de primeira instância, há que se conhecer do recurso voluntário interposto quando constatado que do teor da peça recursal especificações adequadas e capazes de delimitar o mérito da questão litigiosa. PROVAS APRESENTADAS PELO CONTRIBUINTE. AVALIAÇÃO PELA INSTÂNCIA RECORRIDA. INSUFICIÊNCIA PARA SUPORTAR AS RAZÕES DE IRRESIGNAÇÃO. 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AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 24 5. 72 00 02 /2 00 8- 65 Fl. 96DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 2 (Assinado digitalmente) Jorge Cláudio Duarte Cardoso, Presidente. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson, Relator. (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior, Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros: Jorge Claudio Duarte Cardoso (Presidente), Jaci de Assis Junior, Julianna Bandeira Toscano, Ronnie Soares Anderson, Vinicius Magni Verçosa e Carlos André Ribas de Mello. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Brasília (DF) – DRJ/BSB, que julgou procedente Notificação de Lançamento de Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural (ITR) do ano calendário 2004, exigindo crédito tributário no montante total de R$ 217.645,34 relativo ao imóvel rural denominado "Fazenda Santa Luz", com área declarada de 2.000,00 ha e cadastrado na Receita Federal do Brasil (RFB) sob o nº 2.824.7477, localizado no Município de Boa Vista/RR. O lançamento glosou, por falta de comprovação, a área declarada na DITR (Declaração do Imposto Territorial Rural) do exercício 2005 como sendo de reserva legal de 1.600,0 ha, e alterou o Valor da Terra Nua (VTN) declarado de R$ 10.000,00 para o arbitrado de R$ 1.220.780,00, com base no Sistema de Preços de Terra (SIPT). Não obstante os termos da impugnação do contribuinte (fls. 16/64), a exigência foi mantida pela instância recorrida, conforme entendimento consubstanciado em acórdão assim ementado: DO SUJEITO PASSIVO DA OBRIGAÇÃO TRIBUTÁRIA. São contribuintes do Imposto Territorial Rural o proprietário, o possuidor ou o detentor a qualquer título de imóvel rural assim definido em lei, sendo facultado ao Fisco exigir o tributo, sem benefício de ordem, de qualquer deles. Assim, cabe ser mantido o lançamento em nome do contribuinte, identificado como tal na correspondente DITR/2004. DO PROCEDIMENTO FISCAL ÔNUS DA PROVA. O procedimento fiscal foi instaurado de acordo com a legislação vigente, possibilitando ao contribuinte exercer plenamente o contraditório e a ampla defesa, não havendo que se falar em Fl. 97DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.720002/200865 Acórdão n.º 2802003.218 S2TE02 Fl. 97 3 qualquer irregularidade capaz de macular o lançamento. Cabe ao contribuinte, quando solicitado pela autoridade fiscal, comprovar com documentos hábeis, os dados cadastrais informados na sua DITR, inclusive VTN, posto que é seu o ônus da prova. DAS ÁREAS AMBIENTAIS. As áreas de preservação permanente e de utilização limitada/reserva legal, para fins de exclusão do cálculo do ITR, cabem ser reconhecidas como de interesse ambiental pelo IBAMA ou, pelo menos, que seja comprovada a protocolização, em tempo hábil, do competente ADA; fazendose necessário, ainda, em relação à área de reserva legal, que a mesma esteja averbada à margem da matrícula do imóvel ou, no caso de posse, a existência de Termo de Ajustamento de Conduta, firmado em data anterior à do fato gerador do imposto. DO VALOR DA TERRA NUA SUBAVALIAÇÃO. Deve ser mantido o VTN arbitrado pela fiscalização, em consonância com VTN/ha médio apontado no Sistema de Preço de Terras (SIPT), por falta de documentação hábil comprovando o valor fundiário do imóvel, a preços de 1º/01/2005, bem como a existência de características particulares desfavoráveis que pudessem justificar essa revisão. O notificado interpôs recurso voluntário em 20/7/2012. Alega não concordar com os valores do lançamento, e, após breve narrativa dos fatos até então transcorridos, apresenta sua fundamentação e pedido recursais nos seguintes termos: O contribuinte está em débito com o Fisco, devendo o dobro do valor venal da propriedade, pelo lançamento do Imposto Territorial Rural de um único ano. Observamos que, informalmente, fomos cientificados ser Signatário o único cidadão a sofrer autuações de ITR naquele ano em Roraima. Caso essa Corte superior não atender a suplica do recorrente, este provará verdade em Execução Fiscal, onde os direitos de posse serão vendidos em praça pública. Uma vez, não ter capacidade contributiva para saldar o lançamento oficial. O que causará prejuízo para a Administração Pública e em especial ao Recorrente, que está suportando todo ônus de uma lide a que não deu motivo. DO PEDIDO. Diante do exposto, demonstrada a insubsistência da autuação e da injustiça da sua manutenção, REQUER: Seja o presente recurso recebido, e processado; analisados os argumentos e provas do órgão Fiscal e do Recorrente, existentes no processo. Com base nos princípios da justiça e da equidade. Seja cancelada a notificação de lançamento nº 0261/00002/2008. É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 4 Voto Vencido Conselheiro Ronnie Soares Anderson, Relator O recurso é tempestivo, porém não deve ser admitido. Não obstante a regra geral aplicável ao processo administrativo fiscal seja a do informalismo moderado, a irresignação do contribuinte quanto ao lançamento deve atender a requisitos formais mínimos indicados nos arts. 15 e seguintes do Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, dentre os quais se destaca o disposto no inciso III do seu art. 16: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamenta, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; É ônus do contribuinte, por conseguinte, apresentar a causa de pedir do recurso, ou seja, apontar os fatos e fundamentos jurídicos que, a seu ver, são capazes de gerar a reforma ou a invalidação do decisão atacada; tratase de pressuposto de admissibilidade do recurso que impede a formulação de negação ou impugnação de caráter genérico. Insuficiente, nesse passo, verter clamores por justiça e equidade sem especificar os aspectos do acórdão recorrido e/ou do lançamento contra os quais se insurge, prejudicando a própria delimitação do litígio e a possibilidade de adequada motivação, por parte da autoridade julgadora, quando do exame da controvérsia. A propósito, vale fazer referência ao enunciado da Súmula 182 do Superior Tribunal de Justiça: "É inviável o agravo do art. 545 do CPC que deixa de atacar especificamente os fundamentos da decisão agravada". Ante o exposto, voto no sentido de não conhecer do recurso voluntário. Sem embargo, restando vencido por maioria nessa questão preliminar, conforme Voto Vencedor mais abaixo constante, de lavra do D. Conselheiro Jaci de Assis Júnior, impõese o enfrentamento do mérito. De acordo com o entendimento prevalecente neste Colegiado, o contribuinte verteu em seu recurso voluntário inconformismo relativo, especificamente, à suposta não apreciação das provas por ele apresentadas. Sem razão o contribuinte. No que tange à alegação de ilegitimidade passiva, a decisão a quo bem apreciou os documentos constantes nos autos, conforme exceto que abaixo transcrevo: Assim, considerandose que o requerente, na condição de legítimo possuidor da gleba de terras, de 2.000,0 ha, adquirida do Sr. Álvaro Celeste Barbosa Cardoso, Fl. 99DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.720002/200865 Acórdão n.º 2802003.218 S2TE02 Fl. 98 5 por meio do Contrato Particular de Compra e Venda, doc./cópia de fls. 42, encontravase na condição de Contribuinte do imposto, conforme legislação citada anteriormente. Observase, ainda, que mesmo diante dos fatos alegado pelo requerente, o mesmo, ao invés de providenciar o cancelamento do imóvel no CAFIR, continuou a entregar, até o ano anterior ao da ação fiscal, as declarações anuais do ITR, assumindo a condição de Contribuinte do imposto, em relação ao imóvel objeto do presente lançamento. De acordo com a Certidão de fls. 4151, da Superintendência Regional de Roraima – SR25, do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária – INCRA, somente em 07/04/2008, portanto, após a data do fato gerador do imposto (1º/01/2004, art. 1º da Lei 9.393/94), foi providenciado o cancelamento do cadastro do imóvel junto a esse Instituto. Assim, no teor da legislação citada, mesmo que invadido e ocupado por novos posseiros, com apoio da APHOCHAVE, sobre o imóvel incide o ITR, que continua sendo devido pelo detentor dos direitos de posse sobre a as terras da Fazenda Santa Luz, até o cancelamento do seu cadastro junto ao INCRA. Ademais, o Impugnante apresenta o laudo de fls. 59/69, feito por um biólogo e um agrônomo, datado de março de 2009, além da opinião sobre avaliação de imóvel rural de fls. 71/73, onde consta como proprietário o Sr. José Pereira Orihuela, portanto, não restam duvidas de que à época do fato gerador do ITR (01/01/2004) o Impugnante se enquadrava como Contribuinte do imposto na condição de titular de direitos possessórios sobre o imóvel rural “Fazenda Santa Luz”. Desta forma, por não ter o interessado providenciado em tempo hábil o cancelamento do cadastro do imóvel junto ao INCRA e à Receita Federal (CAFIR), tendo apresentado em seu nome as declarações anuais do ITR, inclusive, relativa ao ano de 2004, assumindo a condição de Contribuinte do imposto, deve, consequentemente, o mesmo ser mantido no pólo passivo da obrigação tributária. No tocante às áreas de utilização limitada/reserva legal, ainda que se trate de área de posse para a qual não é cabível a necessidade de averbação dessas áreas às margens da matrícula do imóvel, a primeira instância assinalou claramente não ter o recorrente comprovado nos autos a existência de Termo de Ajustamento de Conduta junto à órgão ambiental (fls. 89). Já no que se refere às áreas de preservação permanente, também foi sublinhado (fls. 90/91) que, a despeito do laudo apresentado pelo contribuinte (fls. 59/69), não foi protocolizado o Ato Declaratório Ambiental ADA, exigência de rigor nos termos preconizados pelo art. 17O da Lei nº 6.938/1981. E, quanto ao VTN, foi asseverado (fls. 92/94) que não foi apresentado Laudo Técnico de Avaliação em concordância com o estabelecido na NBR 14.653, mas sim parecer de corretor de imóveis (fls. 71/73). Diante disso, foi arbitrado pela autoridade fiscal esse valor com base no SIPT/RFB, conforme previsto no art. 14 da Lei nº 9.393/96. Nesse contexto, revelase que as provas trazidas pelo notificado foram devidamente avaliadas pela instância recorrida, e por esta consideradas insuficientes para Fl. 100DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO 6 suportar suas pretensões entendimento do qual se compartilha no presente julgado o que não se confunde com a aventada falta de apreciação daqueles elementos. Por fim, vale referir que o lançamento foi formalizado por pessoa competente, AuditorFiscal no exercício de suas funções, e a descrição dos fatos e enquadramento legal a que se refere o crédito tributário guerreado está devidamente consignada na Notificação de Lançamento, permitindo ao autuado ampla e regular defesa quando da interposição da impugnação e do recurso voluntário. Dessarte, afirmações genéricas no sentido de que o contribuinte está devendo o dobro do valor venal da propriedade, de que foi ele o único cidadão em Roraima a sofrer autuações naquele ano, e alegações congêneres, não têm o condão de fundamentar qualquer reforma na decisão objurgada, ainda mais quando formuladas sem quaisquer provas que as amparem. Portanto, no mérito, voto no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Voto Vencedor Conselheiro Jaci de Assis Junior, Redator designado. Em que pese o bem elaborado voto proferido pelo nobre Conselheiro relator ao examinar, em preliminar, os pressupostos de admissibilidade do recurso voluntário à vista das normas que regem o processo administrativo fiscal, ouso discordar do entendimento que concluiu pelo não conhecimento do recurso voluntário. Da leitura da peça recursal constatase que o contribuinte, a despeito de não se utilizar da técnica mais apropriada para descrever os fatos e tampouco apontado os fundamentos de direito que motivariam sua discordância, alegou que a decisão proferida em primeira instância considerou “insubsistentes todas as provas reais juntadas durante o processo”, “fazendo prevalecer lançamentos aleatórios e irreais, baseados em estimativa”. Podese depreender dessa alegação que o principal argumento que denota o inconformismo do recorrente está relacionado ao fato de o acórdão recorrido ter rejeitado as provas que instruíram sua impugnação, as quais, no ponto de vista do recorrente, seriam “reais”. O teor dessa alegação também revela a inquietação do contribuinte quando contrapõe a “realidade” dessas provas com o fato de o acórdão atacado fazer prevalecer “lançamentos” que o recorrente qualificaos como “aleatórios e irreais”, alem de “baseados em estimativas”. Nesse aspecto, entendo ´que o litígio se encontra delimitado ao exame das provas juntadas aos autos em face das matérias que constituíram o objeto de lançamento. Quanto aos pontos do recurso voluntário destacados pelo nobre Conselheiro em seu relatório, entendo que as alegações relacionadas aos fatos de a) a exigência tributária equivaler ao dobro do valor venal da sua propriedade; b) haver observado ser o único Fl. 101DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO Processo nº 10245.720002/200865 Acórdão n.º 2802003.218 S2TE02 Fl. 99 7 contribuinte a sofrer autuação em seu Estado, e; c) não possuir capacidade contributiva, mais se amoldam aos aspectos atinentes à legalidade, ou não, do lançamento tributário questionado. Portanto, a despeito de o contribuinte não se utilizar da técnica mais apropriada para descrever os fatos e os fundamentos de direito que amparam o seu inconformismo com o lançamento e com a decisão proferida pelo acórdão de primeira instância, entendo que constam do teor da peça recursal especificações adequadas e capazes de delimitar o mérito da questão litigiosa. Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário interposto pelo contribuinte. (Assinado digitalmente) Jaci de Assis Junior Fl. 102DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 11/11/2014 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 11/11/20 14 por RONNIE SOARES ANDERSON, Assinado digitalmente em 12/11/2014 por JACI DE ASSIS JUNIOR, Assinad o digitalmente em 18/11/2014 por JORGE CLAUDIO DUARTE CARDOSO
score : 1.0
Numero do processo: 10314.009096/2009-38
Turma: Terceira Turma Especial da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Thu Nov 27 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 10/08/2009
CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA.
É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial.
JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE.
Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. São devidos sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).
Numero da decisão: 3803-006.567
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros.
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado - Presidente
(assinado digitalmente)
Belchior Melo de Sousa - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
Nome do relator: BELCHIOR MELO DE SOUSA
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 10/08/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontrava-se suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. São devidos sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado - Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa - Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes.
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RENÚNCIA ÀS INSTÂNCIAS ADMINISTRATIVAS. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 10/08/2009 CRÉDITO TRIBUTÁRIO SUB JUDICE. LANÇAMENTO PARA PREVENIR A DECADÊNCIA. É lícito ao Fisco, visando prevenir a decadência, lavrar auto de infração para constituir crédito tributário cuja exigibilidade encontravase suspensa por força de liminar em mandado de segurança. O crédito assim constituído deve permanecer com a exigibilidade suspensa enquanto não modificados os efeitos da medida judicial. JUROS DE MORA. LANÇAMENTO PARA PREVENIR DECADÊNCIA. LEGALIDADE. Os juros de mora acrescidos ao principal objeto de lançamento para prevenir decadência declaram a mora e o dies a quo da sua contagem, para fins da incidência no ato da sua cobrança, se e quando se erguer a eficácia do lançamento com o desprovimento da ação judicial. São devidos sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, ainda que suspensa sua exigibilidade, salvo quando existir depósito no montante integral (Súmula CARF nº 5). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 90 96 /2 00 9- 38 Fl. 394DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração, em não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Poder Judiciário, e em negar provimento, quanto aos juros. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Presidente (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Corintho Oliveira Machado, Belchior Melo de Sousa, Hélcio Lafetá Reis, João Alfredo Eduão Ferreira, Jorge Victor Rodrigues e Paulo Renato Mothes de Moraes. Relatório O presente processo é constituído de autos de infração, lavrado para exigência de crédito tributário referente a Imposto de Importação, Imposto sobre Produtos Industrializados, CofinsImportação e PISImportação, incidentes sobre a importação de equipamentos de procedência estrangeira destinados, conforme declarado pela Interessada, à utilização nas atividades essenciais da entidade. Conforme a descrição dos fatos, os desembaraços das Declarações de Importação (DIs), foram efetuados sem o recolhimento dos tributos incidentes na importação, em cumprimento da decisão nos autos do processo judicial 2004.61.00.0289717, aviado na 22ª Vara Federal de São Paulo, em que foi determinado que se procedesse ao desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas por esta pessoa jurídica. O objeto da ação judicial é a declaração da inexistência da relação jurídico tributária que a obrigue a recolher impostos e contribuições sociais federais devidos na importação, tendo como fundamento a imunidade de que goza em relação aos impostos e isenção às contribuições. Houve decisão favorável ao deferimento de tutela antecipada, e, posteriormente, a confirmação por meio de sentença, sem decisão definitiva transitada em julgado até a data das autuações. Ante este provimento, os autos de infração foram lavrados com o fito de prevenir a decadência, sendo informando que a exigibilidade estava suspensa até a decisão final. Em impugnação apresentada, a Autuada arrazoou, em síntese, que: a) o Auto de Infração é meio que se configura inadequado à constituição do crédito tributário, nas circunstâncias do caso. Se não houve prática de infrações por parte do contribuinte, não se trata o caso de aplicação de penalidade, decorrendo disso que o instrumento jurídico correto é a Notificação de Lançamento; b) os juros moratórios devem ser afastados, pois inexistem os pressupostos de fato que autorizariam a sua imposição; Fl. 395DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009096/200938 Acórdão n.º 3803006.567 S3TE03 Fl. 395 3 c) é uma entidade de assistência social, que atua na área da saúde, tendo sido declarada de utilidade pública federal, fazendo jus, portanto, à imunidade prevista na Constituição Federal; d) o Ato Declaratório n° 9/06 do Procurador Geral da Fazenda Nacional reconhece a imunidade de entidades como a da Impugnante, encerrando qualquer discussão; Em julgamento da lide, a DRJ/Florianópolis assentou, em síntese, que: a) a interessada indicou na declaração de importação não haver valor de crédito tributário a ser recolhido. O benefício que pleiteou não foi reconhecido pela Autoridade Aduaneira; b) a lavratura de Auto de Infração não pode ser considerada inadequada, visto que sob a ótica da Fazenda a interessada deixou de recolher, por ocasião do registro da declaração de importação, os tributos em questão; c) dos dispositivos do art. 9º e 10º do Decreto n° 70.235/72 tanto a exigência do crédito tributário quanto a aplicação de penalidade isolada podem ser formalizados por Auto de Infração ou Notificação de Lançamento; visto que a redação do dispositivo legal não permite estabelecer limites ao alcance de cada espécie de instrumento para formalização; d) a formalização do presente crédito tributário mediante a lavratura de Auto de Infração assegura maior benefício ao exercício do direito de defesa e do contraditório à Interessada, pois este instrumento possui não apenas a Disposição Legal Infringida, mas a Descrição do Fato; Quanto ao mérito: a) da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade não conheceu do recurso, por ter sido a matéria levada à apreciação do Judiciário, o que implica em renúncia às instâncias administrativas. b) da incidência dos juros de mora no lançamento sustentou que mesmo inexigível o crédito tributário, o prazo de pagamento do tributo não é alterado, prevalecendo tal prazo para fins de sua incidência no caso de decisão judicial final desfavorável ao contribuinte. Considerou que, a rigor, os juros de mora não precisam ser indicados na autuação para serem exigidos, porque, como acessório, seguem o principal. O destaque dos juros de mora incidentes até a data da lavratura da autuação é apenas demonstrativo. A decisão foi ementada como segue: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Data do fato gerador: 10/08/2009 AÇÃO JUDICIAL. EFEITOS. LANÇAMENTO DESTINADO A PREVENIR DECADÊNCIA. FORMALIZAÇÃO CABÍVEL. A discussão da matéria tributável na esfera judicial não elide o dever da autoridade administrativa de constituir o crédito tributário. A propositura de qualquer ação judicial anterior, Fl. 396DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 4 concomitante ou posterior a procedimento fiscal, com o mesmo objeto da autuação, importa em renúncia ou desistência à apreciação da mesma matéria na esfera administrativa, porém a matéria divergente terá prosseguimento normal. Cientificada da decisão em 15/10/2013, irresignada, a Interessada apresentou recurso voluntário, em 29/10/2013, em que reitera os termos da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Belchior Melo de Sousa, Relator O recurso é tempestivo e atende os demais requisitos para sua admissibilidade, dele conheço. Preliminar de Nulidade Auto de Infração como meio inadequado à constituição do crédito tributário A Recorrente apela para a nulidade da constituição do crédito tributário, em virtude de ter sido formalizada por meio de Auto de Infração e não Notificação de Lançamento, uma vez que o crédito constituído encontrase com a exigibilidade suspensa, não tendo cometido qualquer infração à legislação. Vista unicamente sob o seu ângulo, tem razão a Defendente quando afirma não ter cometido infração, considerando que se encontra amparada pelo provimento judicial provisório antecipatório da tutela, obtido em 29//11/2004. Sob o olhar do Fisco, porém, a subsistência da lide, o mérito da controvérsia em aberto e a possibilidade (não importa em que medida) de resultado favorável à Fazenda, são os eventos que motivaram a constituição do crédito tributário. Neste prisma, o campo Descrição dos Fatos do Auto de Infração consigna o registro tanto do fato jurídico tributário como do fato jurídico da ocorrência da infração consistente na falta de recolhimento, ao desamparo da imunidade invocada. 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE II 001 IMPORTAÇÃO NÃO AMPARADA POR IMUNIDADE IPI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DA COFINS IMPORTAÇÃO DI 001 FALTA/INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO DO PIS/PASEP IMPORTAÇÃO DI 0 importador submeteu a despacho aduaneiro de importação, pleiteando IMUNIDADE TRIBUTARIA para o Imposto de Importação (II), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) e para as contribuições sociais (PIS e COFINS) incidentes na importação das mercadorias descritas e amparadas pelas declarações de importação no 09/02330394 e 10/12642404 (anexo I). Cumpre observar que a alegada imunidade abrange apenas os impostos sobre patrimônio, renda e serviços das entidades Fl. 397DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009096/200938 Acórdão n.º 3803006.567 S3TE03 Fl. 396 5 previstas na alínea "c", do inciso VI do art. 150 da Constituição Federal. Este entendimento tem como fundamento o disposto na alínea "a" do inciso III do art. 146 da Constituição Federal, que remete a Lei Complementar a definição das diversas espécies de tributos. Esta definição, por sua vez, é tratada pelo Código Tributário Nacional (aprovado pela Lei no 5.172/66 e recepcionado pelo atual texto constitucional) em seu Titulo III. [...] Além de todo o exposto acerca da não extensão da imunidade constitucional, o importador ao pleitear a imunidade dos tributos não apresentou, no curso do despacho, documentação que atestasse o cumprimento dos requisitos necessários para obtenção da renuncia fiscal dos tributos bem como Certificado de Entidade de Assistência Social válido, documento que atesta seu caráter de assistência social, pleiteando a liberação das mercadorias com base na ação judicial preventiva supracitada. Portanto, entende esta fiscalização que o beneficio fiscal da imunidade não pode ser concedido à autuada. [...] A multa prevista no art. 44, inciso I da Lei no 9.430/96 não foi aplicada em cumprimento ao disposto no § 1º do artigo 63 do mesmo dispositivo Legal (a Decisão Judicial suspendeu a exigibilidade do crédito tributário em 29/11/2004, anterior ao registro das DI's). O registro do fato jurídico tributário implicou no lançamento, que corresponde ao valor dos tributos que deveriam ter sido recolhidos no desembaraço aduaneiro. O registro do fato jurídico da ocorrência da infração, traz na esteira a sustação do seu efeito que corresponderia à imposição da multa de ofício, em face da tutela antecipada obtida na ação judicial aviada sob o nº 2004.61.00.0289717[1]. Assim, não obstante descrita a infração, o Auto de Infração deixa de fixar apenas a relação jurídica quanto à imposição da penalidade. Dado o contorno sob o qual se lavra Auto de Infração para prevenção de decadência quando sua materialidade encontrase em discussão na esfera judicial e presente a infração, ante o não reconhecimento do direito pleiteado, pela Autoridade aduaneira , podese sustentar que este instrumento não é impróprio para a constituição do crédito tributário, pelo fato de seu conteúdo estar adstrito unicamente ao lançamento. Este entendimento encontrase bem ajustado ao que dispõe o art. 9º do Decreto nº 70.235/72, que não distingue os usos do Auto de Infração e da Notificação de Lançamento seja para tributo ou penalidade, verbis: Art. 9o A exigência do crédito tributário e a aplicação de penalidade isolada serão formalizados em autos de infração ou notificações de lançamento, distintos para cada tributo ou penalidade, os quais deverão estar instruídos com todos os termos, depoimentos, laudos e demais elementos de prova 1 Em cumprimento ao art. 63, § 1º, da Lei nº 9.430/96. Fl. 398DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 6 indispensáveis à comprovação do ilícito. (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. (Grifos acrescidos) Entre os requisitos obrigatórios do Auto de Infração está a descrição do fato, ausente das exigências para a Notificação de Lançamento, ao tempo em que o seu inciso III aponta para a necessidade de indicação da disposição legal infringida (ainda que na condição de "se for o caso"), denotando que este instrumento pode veicular também penalidade: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Art. 11. A notificação de lançamento será expedida pelo órgão que administra o tributo e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do notificado; II o valor do crédito tributário e o prazo para recolhimento ou impugnação; III a disposição legal infringida, se for o caso; IV a assinatura do chefe do órgão expedidor ou de outro servidor autorizado e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. Parágrafo único. Prescinde de assinatura a notificação de lançamento emitida por processo eletrônico. A doutrina, por sua vez, apenas identifica o uso indistinto de um ou outro instrumento de que as Administrações Tributárias tem se servido para introduzir suas imposições, tanto tributárias como sancionatórias. Assim, esclarece James Marins: "O auto de infração, no âmbito da Receita Federal e a Notificação Fiscal de Lançamento de Débito (NFLD), utilizada pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), são espécies de documentos fiscais elaborados pela Administração para corporificar atos de imposição. O auto de infração ou a NFLD frequentemente engloba no mesmo suporte físico vários atos impositivos referentes a diversas relações jurídicas, ora não sancionatórias, como o lançamento, ou relações jurídicas sancionatórias, como aplicação de multa por Paulo de Barros Carvalho, na mesma vertente, noticia o uso do auto de infração como peça portadora não só do ato de imposição de penalidade: Fl. 399DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009096/200938 Acórdão n.º 3803006.567 S3TE03 Fl. 397 7 Em súmula, dois atos administrativos, ambos introdutores de norma individual e concreta no ordenamento positivo: um, de lançamento, produzindo regra cujo antecedente é fato lícito e o consequente uma relação jurídica de tributo; outro, o auto de infração, veiculando u'a norma que tem, no suposto, a descrição de um delito e, no consequente, a instituição de liame jurídico sancionatório, cujo conteúdo da prestação tanto pode ser um valor pecuniário (multa) como uma conduta de fazer ou não fazer. Tudo seria simples, realmente, se o auto de infração apenas conduzisse para o ordenamento a mencionada regra individual e concreta que mencionei. Nem sempre é assim. Que, de vezes, sob a epígrafe "auto de infração", deparamonos com dois atos: um de lançamento, exigindo o tributo devido; outro, de aplicação de penalidade, pela circunstância de o sujeito passivo não ter recolhido, em tempo hábil, a quantia pretendida pela Fazenda. Dáse a conjunção, num único instrumento material, sugerindo até possibilidades híbridas. Mera aparência. Não deixam de ser normas jurídicas distintas postas por expedientes que, por motivos de comodidade administrativa estão reunidas no mesmo suporte físico. Pela frequência com que ocorrem essas conjunções, falam alguns, em "auto de infração" em sentido largo (dois atos no mesmo instante) e "auto de infração"stricto sensu", para denotar a peça portadora de norma individual e concreta de aplicação de penalidade a quem cometeu ilícito tributário. A lição acima destaca a natureza distinta dos atos administrativos do lançamento e da imposição sancionatória e a decorrente autonomia destes. Uma vez autônomos e, via de regra, postos no mesmo instrumento de constituição das exigências, o Auto de Infração, não se deve ver inadequação se vier veicular apenas um desses atos: a formalização da relação jurídica tributária tendente a prevenir decadência, mesmo que inexista a penalidade. Pelo exposto, rejeito a preliminar. Mérito Da incidência dos tributos na importação, em face de imunidade Travase no processo judicial nº 2004.61.00.0289717 discussão sobre a in/existência de relação jurídica tributária que obrigue a Recorrente ao pagamento de tributos tais como os lançados no presente Auto de Infração , que não estejam classificados no rol dos impostos obre o patrimônio, na acepção restrita que dá a Fazenda a esta classe de tributos. Corroboro o entendimento já assentado na decisão recorrida, segundo o que este debate não pode ser travado no âmbito deste processo administrativo. O provimento que aqui se der ou negar tornarseá sem efeito ante decisão superveniente em rumo diverso no Fl. 400DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 8 aludido processo. Logo, de raso, devese aplicar a Súmula CARF nº 1, eis que presente a conexão de matérias[2]. Da incidência dos juros de mora no lançamento Cabe lembrar que o presente processo é dependente da ação nº 2004.61.00.0289717. O provimento judicial definitivo, a seu tempo, deitará por terra este processo. Alternativamente, o desprovimento referenderá a incidência prevenida, suscitará a mora e ensejará a cobrança dos tributos aqui lançados com a inclusão dos juros de mora, com amparo do art. 61, § 3º, cujo lapso de tempo de sua aplicação estenderseá até o mês do pagamento. Uma vez que é vedada a incidência somente da multa de ofício no lançamento para prevenir decadência, os juros podem ser incluídos no lançamento, sem o caráter de ser valor fixo, como o são o principal e a multa. Demais disso, considero que os juros não estão constituídos na data e na linguagem normativa do lançamento, distintamente do que se dá com o principal. Concebo que ao estarem presentes em todo e qualquer lançamento representam o conteúdo declaratório da mora até o momento em que não haja impugnação, para fins da incidência futura, na conformidade com o art. 61, § 3º, da Lei nº 9.430/96, quando se tornar eficaz o lançamento, seja com o trânsito em julgado do desprovimento do pedido em ação judicial ou com a definitividade da decisão em processo administrativo. Os juros não estão a incidir (no que entendo ser o melhor sentido jurídico deste verbo), na composição do crédito tributário pelo lançamento, porquanto seu valor não é definitivo, na hipótese de suspensão de exigibilidade, vindo a sêlo somente quando, em tempo futuro, a então Contribuinte vier a ser chamada a efetuar a quitação do crédito lançado. Nesse diapasão, os juros no lançamento são mero indicativo de sua aderência ao principal e do dies a quo do intervalo de tempo até o mês do pagamento, na ocasião da cobrança. Se se pudesse dizer que os juros têm sua constituição efetivada no lançamento, como admitir a sua fluência protraindose no tempo até a quitação do crédito tributário? Por fim, mesmo não estando configurada a mora no momento do lançamento em face da suspensão da exigibilidade , a Súmula CARF nº 5 determina a sua aplicação sobre o crédito tributário não integralmente pago no vencimento, conquanto presente aquela circunstância, ressalvada apenas a existência de depósito no montante integral. Assim, nada obsta que a sua incidência futura já venha prenunciada no lançamento, não decorrendo da sua natureza peculiar como parte da exigência como acima defendido prejuízo algum à Recorrente. Pedido de intimação no endereço do advogado Quanto a este pedido, no rito do Processo Administrativo Fiscal não há respaldo legal para que a Administração Tributária efetue as intimações na pessoa e no domicílio do advogado constituído pelo contribuinte. Este entendimento é assente nos julgamentos no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF). O princípio do informalismo é próprio do processo administrativo, e nesse pressuposto os administrados detêm a capacidade de postular, sendo facultativa a representação por advogado. Em observância das disposições do art. art. 23 do Decreto nº 70.235/72, as 2 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. Fl. 401DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO Processo nº 10314.009096/200938 Acórdão n.º 3803006.567 S3TE03 Fl. 398 9 intimações devem ser feitas diretamente ao administrado, em seu domicílio tributário, não implicando em nulidade do acórdão o desatendimento deste pleito da Contribuinte: Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. [...] § 2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; III se por meio eletrônico: a) 15 (quinze) dias contados da data registrada no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; b) na data em que o sujeito passivo efetuar consulta no endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, se ocorrida antes do prazo previsto na alínea a; ou c) na data registrada no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. § 3o Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência. § 4o Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. Fl. 402DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO 10 § 5o O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. § 6o As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. [grifos aqui] Pelo exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade do auto de infração; por não conhecer do recurso, quanto à matéria submetida à apreciação do Judiciário, e por negar provimento, quanto à incidência dos juros no lançamento. (assinado digitalmente) Belchior Melo de Sousa Fl. 403DF CARF MF Impresso em 27/11/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 26/10/2014 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 26/10/20 14 por BELCHIOR MELO DE SOUSA, Assinado digitalmente em 06/11/2014 por CORINTHO OLIVEIRA MACHADO
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Numero do processo: 10680.725103/2010-16
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 15 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Tue Oct 21 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007
RELATÓRIO DE REPRESENTANTES LEGAIS REPLEG MEDIDA ADMINISTRATIVA.
Constitui peça de instrução do processo administrativo-fiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todos os representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, medida meramente administrativa, que não implica na atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário às pessoas nele listadas.
GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL
As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social.
Na espécie a empresa não contestou a afirmação do fisco quanto à existência de grupo econômico, tornando-se incontroverso este fato, portanto, cabível a imputação da responsabilidade solidária.
REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR.
O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais.
PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS EM CONVENÇÃO COLETIVA. ESTABELECIMENTO DE METAS INDIVIDUAIS. PAGAMENTO DE VALORES SUPERIORES AO ESTABELECIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO.
A ausência de participação dos empregados na elaboração de Convenção Coletiva de Trabalho não se configura ofensa à Lei n. 10.101/2000, tendo em vista que, nesse caso, a participação do empregado se manifesta indiretamente, através do seu Sindicato. A participação direta do empregado só é exigida caso o Programa de PLR seja estabelecido por acordo firmado entre Comissão de Empregados e Empregadores, não por Convenção Coletiva de Trabalho.
O art. 2º, §1º, da Lei nº 10.101/00 determina que as regras para apuração da participação nos lucros sejam claras e objetivas. Entretanto, não há necessidade de que tais regras sejam criadas de forma individual, sendo possível a criação de regras a serem aplicadas ao grupo ou setor da empresa.
Além de a Convenção Coletiva de Trabalho estipular a possibilidade de pagamento de valores superiores através de Plano Próprio de PLR, os valores foram pagos dentro dos limites estabelecidos no denominado Programa Participar. Não há vedação à estipulação, em Plano Próprio, de valores superiores aos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho.
ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DA AUTUAÇÃO PELA DRJ. VEDAÇÃO. ARTIGOS 145 E 146 DO CTN.
O órgão julgador não pode se valer de argumentos que não foram aduzidos pelo auditor fiscal autuante para manter a autuação, devendo julgar a lide nos estritos limites estabelecidos pelo relatório fiscal. Devem ser ignorados os motivos adicionais aduzidos pela DRJ para caracterização dos pagamentos efetuados a título de PLR como remuneração.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 2401-003.539
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de exclusão da lista dos corresponsáveis; e b) rejeitar a preliminar de nulidade da Representação Fiscal para Fins Penais. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de inexistência de sujeição passiva solidária. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que a acolhiam. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava. Votou pelas conclusões o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, por entender que o levantamento foi realizado por arbitramento sem a devida motivação. Designado para redigir o voto vencedor na parte referente à sujeição passiva solidária o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo.
Elias Sampaio Freire - Presidente
Carolina Wanderley Landim - Relatora
Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: CAROLINA WANDERLEY LANDIM
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Constitui peça de instrução do processo administrativofiscal previdenciário o Anexo REPLEG, que lista todos os representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação, medida meramente administrativa, que não implica na atribuição de responsabilidade pelo crédito tributário às pessoas nele listadas. GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE PELO CUMPRIMENTO DAS OBRIGAÇÕES COM A SEGURIDADE SOCIAL As empresas integrantes de grupo econômico respondem solidariamente pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. Na espécie a empresa não contestou a afirmação do fisco quanto à existência de grupo econômico, tornandose incontroverso este fato, portanto, cabível a imputação da responsabilidade solidária. REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS. INCOMPETÊNCIA DO ÓRGÃO JULGADOR. O Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS NOS LUCROS OU RESULTADOS. PARTICIPAÇÃO DOS EMPREGADOS EM CONVENÇÃO COLETIVA. ESTABELECIMENTO DE METAS INDIVIDUAIS. PAGAMENTO DE VALORES SUPERIORES AO ESTABELECIDO EM CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO. A ausência de participação dos empregados na elaboração de Convenção Coletiva de Trabalho não se configura ofensa à Lei n. 10.101/2000, tendo em AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 72 51 03 /2 01 0- 16 Fl. 681DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 2 vista que, nesse caso, a participação do empregado se manifesta indiretamente, através do seu Sindicato. A participação direta do empregado só é exigida caso o Programa de PLR seja estabelecido por acordo firmado entre Comissão de Empregados e Empregadores, não por Convenção Coletiva de Trabalho. O art. 2º, §1º, da Lei nº 10.101/00 determina que as regras para apuração da participação nos lucros sejam claras e objetivas. Entretanto, não há necessidade de que tais regras sejam criadas de forma individual, sendo possível a criação de regras a serem aplicadas ao grupo ou setor da empresa. Além de a Convenção Coletiva de Trabalho estipular a possibilidade de pagamento de valores superiores através de Plano Próprio de PLR, os valores foram pagos dentro dos limites estabelecidos no denominado Programa Participar. Não há vedação à estipulação, em Plano Próprio, de valores superiores aos previstos em Convenção Coletiva de Trabalho. ALTERAÇÃO DOS FUNDAMENTOS JURÍDICOS DA AUTUAÇÃO PELA DRJ. VEDAÇÃO. ARTIGOS 145 E 146 DO CTN. O órgão julgador não pode se valer de argumentos que não foram aduzidos pelo auditor fiscal autuante para manter a autuação, devendo julgar a lide nos estritos limites estabelecidos pelo relatório fiscal. Devem ser ignorados os motivos adicionais aduzidos pela DRJ para caracterização dos pagamentos efetuados a título de PLR como remuneração. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos: a) rejeitar a preliminar de exclusão da lista dos corresponsáveis; e b) rejeitar a preliminar de nulidade da Representação Fiscal para Fins Penais. II) Pelo voto de qualidade, rejeitar a preliminar de inexistência de sujeição passiva solidária. Vencidos os conselheiros Carolina Wanderley Landim (relatora), Igor Araújo Soares e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, que a acolhiam. III) Por maioria de votos, no mérito, dar provimento ao recurso. Vencida a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que negava. Votou pelas conclusões o conselheiro Kleber Ferreira de Araújo, por entender que o levantamento foi realizado por arbitramento sem a devida motivação. Designado para redigir o voto vencedor na parte referente à sujeição passiva solidária o Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo. Elias Sampaio Freire Presidente Carolina Wanderley Landim Relatora Kleber Ferreira de Araújo – Redator Designado Fl. 682DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 3 3 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Carolina Wanderley Landim, Igor Araújo Soares, Kleber Ferreira de Araújo e Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira. Fl. 683DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 4 Relatório Tratase de Auto de InfraçãoDEBCAD nº 37.315.6499 de Contribuições Sociais Previdenciárias devidas a Seguridade Social, pela empresa autuada, na qualidade de Sujeito Passivo da Contribuição Social, lançadas nos termos dos artigos 2º e 3º, caput e §§ 2º e 3º da Lei 11.457/07, devidas a Entidades/Fundos denominadas “Terceiros”: Salário Educação, Instituto Nacional da Colonização e Reforma Agrária INCRA, Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SEBRAE, Serviço Social do Comércio SESC, e Serviço Nacional de Aprendizagem Comercial SENAC. De acordo com o Relatório Fiscal de Lançamento de Débito (fls. 6379), o Fiscal Autuante aduziu que: · O Fato Gerador da Contribuição Social Previdenciária, lançada neste Auto de Infração, é o total das remunerações pagas ou creditadas, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, no decorrer do ano de 2007. É válido notar que, em regra, os valores foram pagos nas competências de abril e outubro, havendo, entretanto, pagamento de valores a título de PLR, de forma residual, nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio, novembro e dezembro de 2007. · No exercício de 2007, a Empresa pagou aos seus empregados o montante de R$ 4.407.411,69 a título de “Participação nos Lucros ou Resultados”. No mesmo período, pagou a título de “salário mensal", o valor correspondente a R$ 14.326.015,52. · A PLR paga pela empresa está prevista em instrumentos de Convenção Coletiva de Trabalho CCT, database setembro de 2005/2007 e 2007/2009 entre o SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, SERVIÇOS DE INFORMÁTICA E SIMILARES DO ESTADO DE MINAS GERAIS SINDADOS/MG e o SINDICATO DAS EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, INFORMÁTICA, SOFTWARE E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS SIND INFOR. Entretanto, embora a negociação do PLR tenha sido conduzida pelo sindicato patronal e pelo sindicato dos trabalhadores, não houve a participação direta dos empregados. · Além da previsão em CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO CCT (fl. 137/183), a Empresa apresentou também “Programa de Participação nos Lucros e Resultados 2007” “PARTICIPAR 2007” (fl.185/233). · Nesse programa estão definidos os objetivos, os participantes de forma global dos empregados diretores, gerentes, profissionais de nível superior PNS e técnicos, as metas de resultado global e por gerencia e os critérios para a concessão da participação, o modelo de acompanhamento e o cálculo do valor da participação. · Foi solicitado à empresa, por meio de Termos de Intimação Fiscal nº 02 (fl. 31),que ela esclarecesse: a) como foi realizada a avaliação das metas individualizadas de cada empregado; b) qual o percentual que cada empregado atingiu; c) o valor pago a cada empregado e o “plus” recebido por cada um deles. Fl. 684DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 4 5 · A empresa, diante de tais questionamentos, informou que apenas dois empregados não atingiram 100% das metas estabelecidas, atingindo cada um deles 90% da sua meta. A empresa não se manifestou sobre as avaliação/aferições individuais do desempenho das metas. · A Participação nos Lucros ou Resultados prevista na Convenção Coletiva de Trabalho CCT, “CLÁUSULA QUARTA corresponde a 1/12 (um doze avos) de 20% (vinte por cento) do valor do salário ajustado no mês de setembro/2007, por mês ou fração igual ou superior a 15 dias de efetivo trabalho durante o exercício de 2007 (1º de janeiro a 31 de dezembro), sem prejuízo do período de afastamento por motivo de férias ou ausências aceitas pela empresa observandose [...]”. · A empresa estabeleceu que o montante máximo para o pagamento do “PARTICIPAR 2007” seria superior aos sugeridos pela CCT/2007. Para gerentes: 4 salários base, para líderes: 3 salários base e para profissionais de nível superior e técnicos: 2,5 salários base. · Não restaram claros quais os critérios de avaliação/aferição individual dos indicadores propostos (metas) aplicados para que os empregados recebessem o PLR. · Na ação fiscal, além do presente Auto de Infração, foram lavrados os seguintes documentos: NATUREZA DOCUMENTO DEBCAD COMPROT DESCRIÇÃO VALORES R$ Auto de Infração 37.315.6472 10680.725.101/201019 Contribuição a cargo da empresa 1.545.414,44 Auto de Infração 37.315.6480 10680.725102/201063 Contribuições dos segurados 57.845,78 Auto de Infração 37.315.6502 10680.725.104/201052 Descumprimento de obrigação acessória CFL 30 1.431,79 Auto de Infração 37.315.5510 10680.725.105/201005 Descumprimento de obrigação acessória CFL 59 1.431,79 Auto de Infração 37.315.6529 10680.725.106/201041 Descumprimento de obrigação acessória CFL 68 42.953,70 · Em função do princípio da retroatividade benigna foi elaborado quadro comparativo entre as multas previstas na legislação atual e anterior, consoante Anexo II fl. 115. O referido quadro demonstrou que a aplicação da multa de ofício de 75% foi a mais benéfica para o contribuinte nas competências de janeiro, fevereiro, março, novembro e dezembro de 2007. · Foi lavrado Termo de Sujeição Passiva Solidária contra a empresa ARCELORMITAL BRASIL S/A CNPJ: 17.469.701/000177, por se tratar de Grupo Econômico, nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172 de 1966 e nos termos da seguinte legislação: Lei nº 8.212/91, art. 30, IX; Regulamento da Previdência Social RPS, art. 222. A Autuada foi notificada em 23/12/2010(fl. 255) e apresentou impugnação às fls. 261301, através da qual alegou preliminarmente: 1. A exclusão dos corresponsáveis: Fl. 685DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 6 · A Autuada alegou que, de acordo com a jurisprudência do STJ, os Diretores apenas respondem, por substituição, pelo crédito correspondente à obrigação tributária quando esse resulte de ato ou fato praticado com excesso de poderes ou com infração à lei, contrato social ou estatuto. · Assim, considerando que não consta nos autos qualquer fundamentação legal ou justificativa fática para tal inclusão, requereu a exclusão dos diretores relacionados na autuação. 2. A nulidade da Representação Fiscal para fins Penais. Ausência de conduta típica. Inexigibilidade dos valores cobrados. Ausência de débito. · A Impugnante alegou que o direito penal não pode ser utilizado como coerção para pagamento e nem tampouco para imputar ilícito penal a dirigentes que seguem estritamente o que determina o ordenamento jurídico. · Os responsáveis legais da empresa não podem sofrer nenhum tipo de constrangimento enquanto não houver uma decisão administrativa definitiva transitada em julgado. · O ilícito penal sempre deve ter como elemento subjetivo a conduta de máfé e sonegação, o que, em definitivo, não restou caracterizadono caso dos autos. No mérito, aduziu: 1. Participação dos empregados nos lucros ou resultados: · A Impugnante alegou a inépcia da peça fiscal, diante da ausência de motivação, considerando que a Fiscalização equivocouse ao adotar as seguintes premissas: a) A fiscalização afirmou que não houve participação direta dos empregados, porém a Lei nº 10.101/00 não exige tal participação, podendo as normas, que estabelecem a distribuição dos lucros, serem criadas via comissão, ACT ou CCT; b) Os fiscais alegaram que a empresa não se manifestou sobre as avaliações/aferições individuais do desempenho das metas. Entretanto, uma vez esclarecido que o cálculo do referido plano não era individualizado, mas, sim, realizado por cada gerência, os fiscais não indicaram em que pontos discordaram dos procedimentos adotados pela empresa. c) Afirmou que, embora a CCT estabelecesse que o pagamento da PLR deveria corresponder a 20% do salário reajustado de setembro/2007, o Programa Participar estabeleceu valores superiores aos sugeridos pela CCT/2007, quais sejam: 04 salários base para gerente; 03 saláriosbase para líderes e 2,5 saláriosbase para profissionais de nível superior e técnico. Tal afirmação foi sustentada sem observância da própria CCT, juntada pela fiscalização, que previa a possibilidade de pagamento a maior. Por fim, requereu a procedência da impugnação para de forma preliminar (i) excluir os Diretores e Contador elencados na autuação no Relatório de Vínculos, para todos os fins de direitos; (ii) anular o termo de sujeição passiva solidária lavrado em nome da ARCELOMITTAL BRASIL S/A, uma vez que inaplicável a sujeição passiva solidária pretendida; (iii) cancelar ou suspender o Processo de Representação Fiscal para Fins Penais instaurado, até o término do presente Processo Administrativo, vez que, até então, o crédito tributário é inexigível e (iv) anular o presente auto de infração por ausência de motivação da autoridade administrativa, já que os motivos por ela postos não coadunam com a realidade Fl. 686DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 5 7 fática e jurídica constante dos autos e dos documentos entregues pela empresa fiscalizada. No mérito, declarar a insubsistência total da presente autuação, pois, conforme restou demonstrado, a empresa cumpriu todos os ditames constitucionais e legais. Instada a manifestarse acerca da matéria, a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG) entendeu por bem julgar improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo transcrita: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2007 PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O dispositivo constitucional que estende aos trabalhadores o direito a participação nos lucros e resultados desvinculada da remuneração é de eficácia limitada, eis que expressamente prevê regulamentação por meio de lei ordinária, em consequência, a citada verba só deixou de integrar a base de contribuição a partir da edição da norma infraconstitucional e desde que em cumprimento da mesma. NATUREZA SALARIAL DE PARCELA. INCIDÊNCIA. Verificandose que, embora denominada “participação nos lucros”, a parcela paga ao trabalhador tem natureza remuneratória, não se enquadrando nas hipóteses legalmente excluídas da tributação, deve ser reconhecida como integrante do salário de contribuição, base de incidência da contribuição exigida, não sendo admissível a prevalência do rótulo sobre o conteúdo. RELATÓRIO DE VÍNCULOS NÃO LISTA RESPONSÁVEIS TRIBUTÁRIOS. As informações constantes do “Relatório de Vínculos”, não tem o condão de imputar responsabilidade tributária prevista no CTN às pessoas físicas e jurídicas ali incluídas em razão de se enquadrarem na situação “...pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não...” IMPUGNAÇÃO DE REPRESENTAÇÃO FISCAL PARA FINS PENAIS FEITA EM PROCESSO DE DÉBITO: NÃO CABIMENTO. O processo de exigência de crédito fiscal não é o fórum adequado para apresentação de impugnação a processo de Representação Fiscal para fins penais. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. Em razão de expressa disposição legal e do interesse comum na situação que constitui o fato gerador da contribuição Fl. 687DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 8 previdenciária, as empresas do mesmo grupo econômico respondem solidariamente pelas referidas contribuições; Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Dentre os principais argumentos para a incidência das contribuições previdenciárias sob os valores pagos a título de participação nos lucros e resultados, a DRJ identificou que a condição para o pagamento da verba garantida na CCT era a assiduidade de, no mínimo, 15 dias por mês, conforme disposto na sua cláusula quarta. Sendo assim, entendeu que o pagamento assegurado pela CCT exibida pela autuada não depende de critério relacionado ao trabalho, não tendo qualquer vinculação ao cumprimento de metas, resultados ou fatores ligados ao trabalho, razão pela qual o referido instrumento negocial não teria preenchido os requisitos do §1º do art. 2º e incisos, da Lei 10.101/00. Além disso, aduziu que os parágrafos 7º e 12º da CCT autorizam “as empresas a terem planos próprios e compensálos por conta do avençado naquele instrumento coletivo”. Entretanto, tal “autorização” é incapaz de suprir a ausência dos requisitos do §1º do art. 2º, e incisos, da Lei 10.101/00 no instrumento de negociação coletiva juntados aos autos, uma vez que, embora as Convenções Coletivas de Trabalho façam lei entre as partes signatárias do contrato de trabalho não têm força normativa de alterar dispositivo legal e de excluir a parcela do campo legal de incidência tributária. Alegou, ainda, que não poderia a CCT fazer das imposições legais letra morta, autorizando que o valor da Participação dos Lucros e Resultados, as metas ou resultados para o seu pagamento e os mecanismos de aferição do implemento dos mesmos fossem definidas, não através de comissão escolhida pelas partes ou através de acordo ou convenção coletiva, mas unilateralmente pelo empregador, como é o caso sob análise, cujas normas adjetivas e substantivas legalmente exigidas são encontradas apenas no “programa próprio da empresa”, denominado “PARTICIPAR”, conforme documento de fl. 97/121. Logo, o conteúdo do “programa próprio da empresa”, denominado “PARTICIPAR”, também não é capaz de suprir as exigências da Lei 10.101/00, eis que não resultou de negociação coletiva entre a empresa e os empregados, mas sim de estipulação unilateral do empregador. Devidamente intimada em 21/03/2012 (AR fls. 628), a Recorrente apresentou recurso voluntário de fls. 630/651 em 20/04/2012, rebatendo a decisão proferida pela DRJ com base nos mesmos argumentos já trazidos na impugnação, acrescentando apenas: · A preliminar de existência de sujeição passiva solidária; · Que a PLR distribuída aos empregados da empresa autuada teve por base um plano bem estruturado de participação nos lucros e resultados, e não a assiduidade do empregado, conforme aduzido pela DRJ, que decerto é um critério importante para aferição do merecimento, mas que nesse caso foi utilizada como mero critério de regulamentação da base da PLR ajustada. É o relatório. Fl. 688DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 6 9 Voto Vencido Conselheira Carolina Wanderley Landim, Relatora Recurso tempestivo. Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do recurso interposto. Passamos, então, a análise das questões trazidas nos Recurso Voluntário, que ora serão examinadas. 1. Da preliminar de exclusão dos corresponsáveis: A Recorrente requereu a exclusão dos nomes dos Diretores do Relatório Fiscal, uma vez que não restou comprovado que eles agiram com excesso de poder ou infringiram a lei. De fato, para a inclusão de determinado nome no Relatório de Representantes Legais não é necessário provar a prática de ato com excesso de poder ou infração à lei, já que tal relatório não imputa aos representantes a condição de devedores. A responsabilização é da pessoa jurídica em nome de quem foi lavrado o Auto de Infração e não dos seus sócios e gerentes, que, por serem representantes legais do sujeito passivo, constam no relatório apenas para o cumprimento das formalidades exigidas pela Administração. Inclusive, esse entendimento já foi pacificado por esse Conselho Administrativo de Recursos Fiscais com a edição da súmula nº 88. Vejamos: Súmula CARF nº 88: “A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Sendo assim, considerando que a existência do relatório tem caráter meramente informativo, entendo pela sua manutenção. 2. Da preliminar de inexistência de sujeição passiva solidária: De acordo com o Relatório Fiscal (fl. 85), entendeu a fiscalização pela caracterização de grupo econômico, imputando a responsabilidade pelo crédito tributário lançado também à pessoa jurídica ARCELORMITTAL BRASIL S/A. Vejamos a conclusão alcançada pela Fiscalização: Fl. 689DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 10 Foi lavrado o devido Termo de Sujeição Passiva Solidária contra a empresa: ARCELORMITTAL BRASIL S/A CNPJ: 17.469.701/000177, por se tratar de Grupo Econômico, nos termos do art. 124 da Lei nº 5.172 de 1966 (Código Tributário Nacional), e nos termos da seguinte legislação: Lei nº 8.212 de 24.07.91, art. 30, IX; Regulamento da Previdência Social RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048 de 06.05.99, art. 222 (com a redação dada pelo Decreto nº 4.032, de 26.11.01). Em que pese os argumentos trazidos na fiscalização, já mencionados em linhas acima, a decisão de primeira instância manteve a responsabilidade solidária declarada no auto de infração, tendo em vista que a referida solidariedade estaria prevista no art. 30, inciso IX da Lei 8.212/91 e que as empresas arroladas teriam interesse comum na situação que constitui o fato gerador, nos termos do art. 124, incisos I e II do CTN. A Recorrente, por sua vez, aduziu a ausência de embasamento fático e jurídico na sujeição passiva solidária. Isso porque, a sujeição passiva solidária apenasrestaria configurada diante do interesse jurídico resultante da realização comum ou conjunta do fato gerador da obrigação em discussão, jamais na hipótese de existir interesse econômico no resultado, como se dá quanto à sujeição passiva solidária de empresas de mesmo grupo econômico. Como se sabe, o art. 30, inciso IX, da Lei 8.212/911, utilizado pela fiscalização como um dos fundamentos legais para a imputação da responsabilidade aqui comentada, define que as empresas que integram o grupo econômico respondem, entre si, solidariamente, pela arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social. Foi invocado também o artigo 124 do CTN, ao alegar que a caracterização de grupo econômico decorre da existência de interesse comum na construção e situação que constituiu os fatos geradores das obrigações principais das contribuições sociais. Vejamos o que dispõe o artigo 124 do CTN: Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; II as pessoas expressamente designadas por lei. Parágrafo único. A solidariedade referida neste artigo não comporta benefício de ordem. Ocorre, no entanto, que, para a aplicação do referido dispositivo não basta a existência de “interesse comum” na conclusão do negócio. O interesse comum a que a lei se refere é o da situação que constitua o fato gerador da obrigação principal, ou seja, o interesse no cumprimento da obrigação tributária. Por exemplo, dois coproprietários de imóvel têm 1Art. 30. A arrecadação e o recolhimento das contribuições ou de outras importâncias devidas à Seguridade Social obedecem às seguintes normas: […] IX as empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes desta Lei. Tal disposição foi reiterada no art. 222 do Decreto n. 3.048/991, que dispõe: As empresas que integram grupo econômico de qualquer natureza, bem como os produtores rurais integrantes do consórcio simplificado de que trata o art. 200A, respondem entre si, solidariamente, pelas obrigações decorrentes do disposto neste Regulamento. Fl. 690DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 7 11 interesse comum na propriedade do imóvel e, como tal, são corresponsáveis no pagamento do IPTU. Não é outro o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, senão vejamos: PROCESSUAL CIVIL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL. ISS. EXECUÇÃO FISCAL. LEGITIMIDADE PASSIVA. EMPRESAS DO MESMO GRUPO ECONÔMICO. SOLIDARIEDADE. INEXISTÊNCIA. VIOLAÇÃO DO ART. 535 DO CPC. INOCORRÊNCIA. 1. A solidariedade passiva ocorre quando, numa relação jurídicotributária composta de duas ou mais pessoas caracterizadas como contribuintes, cada uma delas está obrigada pelo pagamento integral da dívida. Ad exemplum, no caso de duas ou mais pessoas serem proprietárias de um mesmo imóvel urbano, haveria uma pluralidade de contribuintes solidários quanto ao adimplemento do IPTU, uma vez que a situação de fato a copropriedade élhes comum. 2. A Lei Complementar 116/03, definindo o sujeito passivo da regramatriz de incidência tributária do ISS, assim dispõe: "Art. 5º. Contribuinte é o prestador do serviço." 6. Deveras, o instituto da solidariedade vem previsto no art. 124 do CTN, verbis: "Art. 124. São solidariamente obrigadas: I as pessoas que tenham interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal; [...] Nesse diapasão, temse que o interesse comum na situação que constitua o fato gerador da obrigação principal implica que as pessoas solidariamente obrigadas sejam sujeitos da relação jurídica que deu azo à ocorrência do fato imponível. Isto porque feriria a lógica jurídicotributária a integração, no polo passivo da relação jurídica, de alguém que não tenha tido qualquer participação na ocorrência do fato gerador da obrigação. [...] 9. Destarte, a situação que evidencia a solidariedade, quanto ao ISS, é a existência de duas ou mais pessoas na condição de prestadoras de apenas um único serviço para o mesmo tomador, integrando, desse modo, o polo passivo da relação. Forçoso concluir, portanto, que o interesse qualificado pela lei não há de ser o interesse econômico no resultado ou no proveito da situação que constitui o fato gerador da obrigação principal, mas o interesse jurídico, vinculado à atuação comum ou conjunta da situação que constitui o fato imponível.(Grifos nossos) [...](REsp 884.845/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 05/02/2009, DJe 18/02/2009). Desse modo, caberia à Fiscalização comprovar, através dos elementos de fato e de direito, como chegou à conclusão da existência do grupo econômico. Isto porque, nos casos de autuação de empresa, como responsável solidária, com fundamento no inciso IX do art. 30 da Lei 8.212/91, existe a obrigatoriedade inicial de a fiscalização se desincumbir do ônus decomprovar que a empresa autuada e a empresa responsabilizada fazem parte, ou faziam parte, de um grupo econômico de empresas, apontando clara e precisamente, os elementos de fato e de direito que levaram o fiscal autuante a concluir pela formação do grupo. Fl. 691DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 12 No caso em tela, verificase que o fiscal autuante mantevese silente quanto a tal necessidade de fundamentação, restringindose apenas a citar os dispositivos invocados para caracterizar a responsabilidade solidária atribuída aos grupos econômicos. Ademais, o art. 142 do CTN2 estabelece que o crédito tributário deva ser constituído em face do sujeito passivo da obrigação, logo, para imputálo também a outras pessoas, que não o sujeito passivo, é preciso comprovar, de forma contundente, os elementos necessários à formação do grupo econômico. Nesse sentido, manifestase o Conselheiro Igor Araújo Soares, em artigo que analisa o tema. A necessidade de autuação clara e precisa da fiscalização encontra fundamento, ainda, no próprio Código de Processo Civil, no art. 333, I, que impõe ao autor o ônus em comprovar fato constitutivo de seu direito, no caso, o direito de crédito, bem como da condição de responsável solidário de qualquer pessoa física ou jurídica que venha a ser considerada como devedora dos cofres públicos. [...] O que há de se concluir, dessa forma, é a necessidade de constarem dos autos – especialmente do relatório fiscal, onde se deve pormenorizar toda a fundamentação de fato e de direito que irá sustentar a imposição da solidariedade pelo Fisco – a precisa demonstração das provas consideradas como aptas a determinar a unidade de comando estratégico3. Diante do exposto, em virtude de não ser elucidada de forma satisfatória a existência do grupo econômico por parte do fiscal autuante, entendo que deve ser acolhida a presente preliminar, para ser reconhecida a inexistência de solidariedade e ser excluído do polo passivo da autuação a empresa ARCELORMITTAL BRASIL S/A. 3. Da preliminar de nulidade da Representação Fiscal para fins penais: Requereu a Recorrente a impossibilidade de prosseguimento da representação fiscal para fins penais, pelo menos enquanto não encerrado o processo fiscal, haja vista a ausência de justa causa de uma eventual ação penal, fundada nas autuações ora impugnadas. A decisão de primeira instância, contudo, deixou de apreciar a questão alegando que, além de se tratar de matéria estranha aos autos – a qual deveria ser arguida nos autos específicos da representação fiscal – o assunto fugiria à alçada das Delegacias de Julgamento. Abstenhome de apreciar também tais alegações, vez que este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais não é órgão competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes ao Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais, conforme estabelece súmula nº 28. Vejamos: 2Art. 142 Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. 3SOARES, Igor Araújo (Conselheiro do CARF). A formação dos grupos econômicos de empresas e a responsabilidade tributária solidária ao adimplemento de contribuições sociais previdenciárias. Contribuições previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF. Coordenadores Elias Sampaio Freire e Marcelo Magalhães Peixoto. Pg. 125. Fl. 692DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 8 13 Súmula CARF nº 28: O CARF não é competente para se pronunciar sobre controvérsias referentes a Processo Administrativo de Representação Fiscal para Fins Penais. Face o acima exposto, não conheço da preliminar aventada. 4. Mérito da Participação dos empregados nos lucros ou resultados: Como é cediço, a Constituição Federal de 1988, no inciso XI, do art. 7º, incluiu entre os direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, a participação nos lucros ou resultados dos seus empregados. O texto constitucional, neste ponto, é enfático ao assegurar a sua desvinculação da remuneração percebida pelo empregado, de acordo com os critérios legais. Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social: XI participação nos lucros, ou resultados, desvinculada da remuneração, e, excepcionalmente, participação na gestão da empresa, conforme definido em lei; Nesse sentido, a Lei de Custeio da Seguridade Social em seu art. 28, §9º, alínea “j”, condicionou a não incidência de contribuição previdenciária ao atendimento dos critérios fixados em lei específica: Art. 28. Entendese por saláriodecontribuição: § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: j) a participação nos lucros ou resultados da empresa, quando paga ou creditada de acordo com lei específica; Deste modo, para que uma empresa possa efetuar pagamentos aos seus funcionários do referido benefício, são necessários que se preencham alguns requisitos mínimos dispostos no art. 2º da Lei 10.101/200: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria II convenção ou acordo coletivo. § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: Fl. 693DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 14 I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Conforme já acima mencionado, no caso ora analisado, o fato gerador da referida autuação foi o pagamento de “remunerações”, a título de Participação nos Lucros ou Resultados, no ano de 2007. Em regra, os pagamentos foram realizados nas competências de abril e outubro de 2007, havendo pagamentos residuais nos meses de janeiro, fevereiro, março, maio, novembro e dezembro. Inicialmente, é importante registrar que, em relação à constatação de pagamento residual da Participação nos Lucros e Resultados nos meses acima referidos, o fiscal apenas constata a existência de tais pagamentos, mas não motiva a autuação em eventual ofensa ao § 2o do art. 3o, que determina a periodicidade semestral dos pagamentos. Esclarecida essa questão, passemos à análise das alegações trazidas pela fiscalização. De acordo com o relatório fiscal, a fiscalização entendeu que: (i) a negociação do PLR (convenção coletiva) foi conduzida pelo sindicato patronal e o sindicato dos trabalhadores, não havendo, portanto, a participação direta dos empregados; (ii) no curso do procedimento fiscal, foi solicitado que a empresa esclarecesse: a) a avaliação das metas individuais de cada empregado; b) qual o percentual que cada empregado atingiu; c) o valor pago a cada empregado e o “plus” separados, não tendo a empresa se manifestado sobre as avaliações/aferições individuais dos desempenhos das metas. Diante disso, não teria ficado claro para a Fiscalização quais os critérios de avaliação/aferição individual dos indicadores propostos (metas) para os empregados receberem a PLR; e (iii) a empresa estabeleceu montante máximo para o pagamento do “PARTICIPAR 2007” superior ao valor sugerido pela CCT/2007. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Belo Horizonte (MG), por seu turno, ao apreciar a matéria, acrescentou que a condição para o pagamento da verba garantida na CCT é a assiduidade de, no mínimo, 15 dias por mês e que o pagamento para a participação nos lucros e resultados não se confunde com o pagamento feito a título de assiduidade, de modo que o referido instrumento negocial não preenche os requisitos do §1º do art. 2º e incisos da Lei nº 10.101/2000, por não ter a CCT estabelecido regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos de participação nos lucros e resultados. Passemos, assim, à análise dos argumentos aduzidos pela fiscalização para, após, adentrar no julgamento proferido pela DRJ. a. A ausência de participação direta dos empregados na negociação da PLR: Fl. 694DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 9 15 Como já visto, o fiscal autuante alegou que a forma de negociação da PLR foi conduzida pelo sindicato patronal e o sindicato dos trabalhadores, não havendo, portanto, a participação direta dos trabalhadores. Ocorre, no entanto, que, como bem pontuado pelo Recorrente, a Lei nº 10.101/00, em seu art. 2º, estabelece que as empresas que distribuem a participação nos lucros e resultados lastreiemse em uma negociação coletiva, podendo optar pelos seguintes instrumentos: comissão escolhida pelas partes, convenção coletiva de trabalho ou acordo coletivo. Vejamos: Art. 2o A participação nos lucros ou resultados será objeto de negociação entre a empresa e seus empregados, mediante um dos procedimentos a seguir descritos, escolhidos pelas partes de comum acordo: I comissão paritária escolhida pelas partes, integrada, também, por um representante indicado pelo sindicato da respectiva categoria; II convenção ou acordo coletivo. A leitura do dispositivo acima denota uma acentuada preocupação do legislador em se garantir que o pagamento da PLR seja, antes de mais nada, discutido entre as partes diretamente envolvidas. A Lei prestigia a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles. Dessa forma, verificase que, nos termos da lei, pode a empresa optar pela participação direta dos empregados, através de comissão escolhida por eles, sendolhe facultada também a possibilidade de participação indireta dos empregados por intermédio dos respectivos sindicatos. Em se tratando de PLR previsto em Convenção Coletiva de Trabalho, não é correto exigir a participação direta dos empregados, vez que estes estão representados pelo Sindicato da sua categoria. Conforme consta no próprio Relatório Fiscal (fl. 36), o fiscal reconhece que a PLR paga pela empresa está prevista em instrumentos de Convenção Coletiva de Trabalho CCT, data base setembro de 2005/2007 e 2007/2009, convenção esta negociada entre o SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, SERVIÇOS DE INFORMÁTICA E SIMILARES DO ESTADO DE MINAS GERAIS SINDADOS/MG e o SINDICATO DAS EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, INFORMÁTICA, SOFTWARE E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS SIND INFOR. Não se exige, portanto, a presença direta dos empregados. Fl. 695DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 16 A esse respeito, é válida a transcrição de trecho do artigo do Ilustre Conselheiro Elias Sampaio Freire4, presidente desta 4a Câmara da 2a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: A jurisprudência das Câmaras do 2º Conselho de Contribuintes e, atualmente, das Turmas do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF, com incumbência de julgar recursos referentes às contribuições previdenciárias é no sentido de que a Lei nº 10.101/2000 assim como a MP nº794/1994 e suas reedições não traz regras detalhadas, justamente porque privilegiam a participação dos empregados, seja indiretamente por intermédio dos respectivos sindicatos, seja diretamente por intermédio de comissão escolhida por eles, dandolhes liberdade para fixarem critérios e condições por meio de negociação. (grifos nossos) Face ao exposto, não merece prosperar a alegação do Fisco quanto à ausência de participação dos empregados, visto que a Convenção Coletiva de Trabalho foi devidamente elaboradacom a participação dos respectivos sindicatos. b. A não apresentação dos critérios de avaliação/aferição individual das metas propostas. Como já mencionado, o fiscal autuante afirma que a Recorrente não apresentou as metas individualizadas por empregado e sua aferição, diante do que entendeu que não ficaram claros quais os critérios de avaliação/aferição individual dos indicadores propostos (metas) para os empregados no recebimento da PLR. A Recorrente, por seu turno, afirma que não apresentou à fiscalização as aferições do cumprimento de metas individuais porque o programa não as estabeleceu. As metas foram fixadas e aferidas por gerência e de modo global, conforme documentação disponibilizada à fiscalização e anexada aos seus recursos. De fato, analisando o Programa Participar, constatase que foram estabelecidas metas claras e objetivas, as quais foram aferidas periodicamente. Porém, foram estabelecidas metas corporativas e metas por cada gerência, e não por empregado, razão pela qual não seria possível apresentar à fiscalização a avaliação individual dos empregados. Conforme consta no Programa de Participação nos Lucros e Resultados, referente ao ano de 2007 (fls. 98/121), o desempenho do funcionário dependeria da soma dos resultados corporativos com o resultado de equipe. Tais metas eram aferidas conforme indicadores previamente estabelecidos no Participar, como, por exemplo, a manutenção da rentabilidade mínima da empresa, a implantação de programas e projetos desenvolvidos por cada gerência. Para cada meta, era estabelecida uma pontuação específica, a qual era ponto de partida para a aplicação de fórmula de cálculo do PLR, fórmula esta também constante do programa. Verificase, portanto, que a medição do desempenho é baseada em metas corporativas e por gerência, que, uma vez analisadas, dão origem ao percentual que será aplicado sobre o saláriobase, também previamente definido, para a definição da participação nos resultados. 4 A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições Previdenciárias (pg. 9 à 50) em Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 696DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 10 17 Vale notar que a Lei nº 10.101/00, ao estabelecer os critérios para elaboração dos Planos de Participação nos Lucros e Resultado, não definiu como exigência a necessidade de metas individuais para cada empregado, estabelecendo apenas a necessidade de tais metas serem claras e objetivas. Vejamos: § 1o Dos instrumentos decorrentes da negociação deverão constar regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, inclusive mecanismos de aferição das informações pertinentes ao cumprimento do acordado, periodicidade da distribuição, período de vigência e prazos para revisão do acordo, podendo ser considerados, entre outros, os seguintes critérios e condições: I índices de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa; II programas de metas, resultados e prazos, pactuados previamente. Observese que o legislador sequer exige que seja estabelecido necessariamente um programa de metas, resultados e prazos – como fez a Recorrente – mas admitiu outros critérios, como índice de produtividade, qualidade ou lucratividade da empresa. Ao admitir expressamente a adoção de critérios que tomam como base índices da empresa, a Lei deixa clara a possibilidade de serem criados critérios e condições globais, por grupo, e não unicamente individuais. Por outro lado, as empresas têm valorizado cada vez mais o trabalho em equipe, em que todos os integrantes de determinado grupo devem conjuntamente trabalhar para se atingir um objetivo comum. A exigência de metas individualizadas não me parece razoável e nem mesmo desejável, levando em conta a estrutura de trabalho das empresas e a valorização da capacidade de o empregado trabalhar em equipe. Ademais, se, por um lado, cabe ao Fisco verificar se os requisitos legalmente estabelecidos estão sendo cumpridos pela empresa, por outro lado, não cabe ao Fisco exigir também a observância de requisitos desprovidos de previsão legal. A respeito da impossibilidade de se exigir critério não previsto em lei, vale observar trecho do voto do ilustre Conselheiro Rycardo Oliveira proferido no acórdão de nº 240100.828, desta 1º Turma da 4º Câmara da 2º Seção do CARF. Vejamos: Nessa esteira de entendimento, é de fácil conclusão que as importâncias pagas aos segurados empregados intituladas de PLR somente sofrerão incidência das contribuições previdenciárias se não estiverem revestidas dos requisitos legais da aludida verba. Melhor elucidando, a tributação não se dá sobre o valor da PLR, mas, tão somente, quando assim não restar caracterizada. Por sua vez, a interpretação do caso concreto deve ser levada a efeito de forma objetiva, nos limites da legislação específica. Em outras palavras, a autoridade fiscal e, bem assim, o julgador não poderão deixar de observar os pressupostos legais de caracterização de tal verba, sendo defeso, igualmente, a Fl. 697DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 18 atribuição de requisito/condições que não estejam contidos nos dispositivos legais que regulamentam a matéria, a partir de meras subjetividades, sobretudo quando arrumadas em premissas que não constam dos autos, sob pena, inclusive, de afronta ao princípio da legalidade. Os artigos 111, inciso II e 176, do CTN, inobstante tratarem de isenção, traduzem muito bem os limites que a legislação tributária impõe quando da subsunção da norma ao caso concreto, in verbis: “Art. 111. Interpretase literalmente a legislação tributária que disponha sobre: Suspensão ou exclusão do crédito tributário; Outorga de isenção; Dispensa do cumprimento de obrigações acessórias (...)” “Art. 176. A isenção, ainda quando prevista em contrato, é sempre decorrente de lei que especifique as condições e requisitos exigidos para a sua concessão, os tributos a que se aplica e, sendo o caso, o prazo de sua duração.” Extraise dos dispositivos legais supracitados que qualquer tipo de isenção, in caso, imunidade, que o Poder Público pretenda conceder deve decorrer de lei disciplinadora, sendo sua interpretação literal, não podendo o contribuinte, o fisco ou o julgador impor condições que não decorrem da lei seca. Outro não é o entendimento do eminente doutrinador Leandro Paulsen que, ao discorrer sobre a matéria, assim preleciona: “Não se pode exigir senão o cumprimento dos requisitos previstos na lei isentiva. O artigo 111 do CTN também se presta ao afastamento de requisitos não estabelecidos, por lei, como condição de gozo da isenção.” (PAULSEN, Leandro. Direito Tributário: Constituição e Código Tributário à luz da doutrina e da jurisprudência. 10 ed. rev. Atual Porto Alegre: Livraria do Advogado Editora; ESMAFE, 2008. P. 876). Em virtude de ausência de vedação legal, poderia a Recorrente ter elaborado o seu plano contendo regras claras e objetivas quanto à fixação dos direitos substantivos da participação e das regras adjetivas, porém de forma coletiva, para cada equipe. Desse mesmo entendimento compartilha o Conselheiro Elias Sampaio Freire5, ao aduzir que: A lei não prevê a obrigatoriedade de que no acordo coletivo negociado haja a expressa previsão de fixação do percentual ou montante a ser distribuído em cada exercício ou a fixação de critérios de avaliação individual do trabalhador. 5A repercussão da adoção de programas de participação nos lucros ou resultados sobre a incidência de contribuições Previdenciárias (pg. 9 à 50) em Contribuições Previdenciárias à luz da jurisprudência do CARF Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Fl. 698DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 11 19 Existe, sim, a obrigatoriedade de se negociar com os empregados regras claras e objetivas, combinando de que forma e quando haverá liberação de valores, caso os objetivos e metas estabelecidas e negociadas forem atingidas.(grifos nossos) Ademais, a jurisprudência também já se manifestou nesse sentido, vejamos: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS E RESULTADOS. Não integram a base de cálculo das contribuições previdenciárias os valores pagos a título de participação nos lucros, quando atendidos os requisitos legais. O programa da participação nos resultados e lucros, previsto no instrumento de negociação, prescinde de critérios de avaliação individual do trabalhador. Recurso voluntário provido. (Processo n° 35464.001900/200514, acórdão nº 20500.563, da 5º Câmara do 2º Conselho de Contribuintes, de relatoria do Conselheiro Marcelo Oliveira). Além disso, compulsando os documentos anexados, contatase que a Recorrente ofereceu à fiscalização planilha de fls. 245/261, por meio da qual é possível se constatar o valor da meta, o percentual atingido e o valor recebido correspondente a cada empregado. Ademais, verificase que às fls. 669/715 constam as apurações dos indicadores da empresa com os critérios objeto de avaliação para cada mês, chegando ao percentual acumulado por área. Inferese, então, que a alegação aduzida pelo Fisco não é suficiente para que se conclua que as parcelas pagas pela empresa aos seus trabalhadores a título de “Participação nos Lucros ou Resultados” estão em desacordo com a legislação pertinente. c. No Programa Participar, a empresa estabeleceu valores superiores aos sugeridos pela CCT/2007 para pagamento da PLR Aduziu a fiscalização que a empresa estabeleceu montante máximo para pagamento do plano “Participar 2007” superior ao sugerido pela CCT/2007. Ocorre, entretanto, que a possibilidade de pagamento superior ao sugerido na CCT/2007 era prevista na própria cláusula quarta, parágrafo 12º da Convenção, razão pela qual, além de não haver óbice, houve respaldo normativo para que a Recorrente efetuasse tais pagamentos. Vejamos o que determina a referida cláusula: Cláusula Quarta Parágrafo 12º Reafirmase que o cumprimento das condições e obrigações previstas nesta cláusula satisfaz integralmente as disposições contidas na Lei nº 10.101/2001 e encerra discussões quanto ao exercício de 2007. Assegurese à empresa o direito de conceder valor superior ao ajustado no “caput” da presente cláusula quarta, desde que as épocas para pagamento das Fl. 699DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 20 parcelas continuem sendo aquelas previstas no parágrafo 4º desta cláusula (ressalvado o disposto no parágrafo 5º) e, no prazo de 15 (quinze) dias subsequentes a cada pagamento em valor superior, a empresa disso dê ciência ao SINDADOS/MG e ao SINDINFOR. Dessa forma, constatase que a CCT respaldava o pagamento de PLR, sendo que o próprio instrumento coletivo de trabalho fixava um valor mínimo, mas permitia à empresa o pagamento de valores a maior. Nesse caso, o sindicato deveria ser comunicado, o que foi feito conforme carta de fl. 263. Ademais, é livre à empresa elaborar os seus próprios planos de pagamento de lucros e resultados, estabelecendo as metas, critérios de avaliação e valores a serem pagos, não existindo nenhuma vedação legal ao fato do plano Participar 2007 prever pagamento de valores superiores à CCT, desde que atendidos aos critérios estabelecidos. Isto porque a Lei nº 10.101/00 deu total espaço para negociações que ajustem os interesses específicos das partes, na medida em que permite que estas escolham os critérios para pagamento da participação, não podendo a fiscalização interferir nos critérios legitimamente eleitos pelas partes. Ora, a vontade da fiscalização não pode substituir ou prevalecer sobre a vontade das partes. Face ao exposto, também não merece prosperar a acusação fiscal, quanto a este particular. d. A alteração do fundamento jurídico da autuação pela DRJ. Como se sabe, o lançamento é um procedimento vinculado e obrigatório da Administração Pública, a quem compete analisar os fatos e demonstrar a ocorrência do fato gerador diante da sua subsunção à norma e, em seguida, intimar o contribuinte dando início ao procedimento fiscal. O lançamento é regido pelo princípio da imodificabilidade, previsto nos arts. 145[1] e 146[2] do CTN. O primeiro deles, o art. 145 do CTN, define que o lançamento, regularmente notificado ao sujeito passivo, só pode ser alterado em razão da impugnação, recurso de ofício ou alguma das hipóteses legais previstas no art. 149 do CTN[3], que correspondem ao limite temporal da revisão, a ocorrência de erro de fato, fraude ou falta funcional da autoridade ou omissão da formalidade funcional. [1]Art. 145 O lançamento regularmente notificado ao sujeito passivo só pode ser alterado em virtude de:I impugnação do sujeito passivo;II recurso de ofício;III iniciativa de ofício da autoridade administrativa, nos casos previstos no Art. 149. [2]Art. 146 A modificação introduzida, de ofício ou em consequência de decisão administrativa ou judicial, nos critérios jurídicos adotados pela autoridade administrativa no exercício do lançamento somente pode ser efetivada, em relação a um mesmo sujeito passivo, quanto a fato gerador ocorrido posteriormente à sua introdução. [3] Art. 149 O lançamento é efetuado e revisto de ofício pela autoridade administrativa nos seguintes casos:I quando a lei assim o determine;II quando a declaração não seja prestada, por quem de direito, no prazo e na forma da legislação tributária;III quando a pessoa legalmente obrigada, embora tenha prestado declaração nos termos do inciso anterior, deixe de atender, no prazo e na forma da legislação tributária, a pedido de esclarecimento formulado pela autoridade administrativa, recusese a prestálo ou não o preste satisfatoriamente, a juízo daquela autoridade;IV quando se comprove falsidade, erro ou omissão quanto a qualquer elemento definido na legislação tributária como sendo de declaração obrigatória;V quando se comprove omissão ou inexatidão, por parte da pessoa legalmente obrigada, no exercício da atividade a que se refere o artigo seguinte;VI quando se comprove ação ou omissão do sujeito passivo, ou de terceiro legalmente obrigado, que dê lugar à aplicação de penalidade pecuniária;VII quando se comprove que o sujeito passivo, ou terceiro em benefício daquele, agiu com dolo, fraude ou simulação;VIII quando deva ser apreciado fato não conhecido ou não provado por ocasião do lançamento anterior;IX quando se comprove que, no lançamento anterior, ocorreu fraude ou falta funcional da autoridade que o efetuou, ou omissão, pela mesma autoridade, de ato ou formalidade essencial.Parágrafo único. A revisão do lançamento só pode ser iniciada enquanto não extinto o direito da Fazenda Pública. Fl. 700DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 12 21 O art. 146 do CTN, por sua vez, estabelece limite quanto à possibilidade de alteração do lançamento, impedindo a mudança do critério jurídico adotado pela autoridade administrativa no momento do lançamento. Verificase, portanto, que o objetivo da norma é proteger o contribuinte, preservando a relação jurídica e o vínculo entre sujeitos fixado pelo lançamento. Vejamos, então, a sucessão de fatos que ocorreu no presente processo. Da análise do relatório fiscal, verificase que as alegações em relação à convenção coletiva e ao plano de metas para a distribuição da participação nos lucros foram nitidamente segregadas na autuação, isto é: primeiro, os fiscais alegaram que não houve a participação direta dos empregados na elaboração da convenção coletiva; em seguida, alegaram que o plano de metas não estabeleceu critérios de avaliação a serem aplicados, de forma individual, aos empregados. E, por fim, entendeu que os valores pagos foram superiores aos estabelecidos em CCT. 4.2.4. A PLR paga pela empresa está prevista em instrumentos de Convenção Coletiva de Trabalho — CCT, database setembro de 2005/2007 e 2007/2009 entre o SINDICATO DOS EMPREGADOS EM EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, SERVIÇOS DE INFORMÁTICA E SIMILARES DO ESTADO DE MINAS GERAIS — SINDADOS/MG e o SINDICATO DAS EMPRESAS DE PROCESSAMENTO DE DADOS, INFORMÁTICA, SOFTWARE E SERVIÇOS EM TECNOLOGIA DA INFORMAÇÃO DO ESTADO DE MINAS GERAIS — SIND INFOR.(documentos anexos). Portanto, a forma de negociação do PLR foi conduzida pelo sindicato patronal e o sindicato dos trabalhadores. Não houve portanto a participação direta dos empregados. 4.2.5. Além da previsão em CONVENÇÃO COLETIVA DE TRABALHO — CCT, a Empresa apresentou também "Programa de Participação nos Lucros e Resultado 2007" — "PARTICIPAR 2007" (documento anexo). 4.2.5.1. Neste programa estão definidos os objetivos, os participantes de forma global — diretores, gerentes, profissionais de nível superior — PNS — e técnicos, as metas de resultado global e por gerência e os critérios para a concessão da participação, o modelo de acompanhamento e o cálculo do valor da participação. 4.3. Entretanto, foi solicitado à empresa por meio de Termos de Intimação Fiscal T.I.F. que esclarecesse: a) a avaliação das metas individualizadas de_ cada empregado; b) qual o percentual que cada empregadoatingiu, C) o valor pago a cada empregado e o "plus" separados. A empresa informou, por meio de relação (documento anexo) que apenas 02 (dois) empregados não atingiram o 100% (cem por cento) das metas estabelecidas, mas apenas 90%(noventa por cento) da meta de cada um. A empresa não se manifestou sobre as avaliações/aferições individuais do desempenho das metas. Fl. 701DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 22 Ocorre, no entanto, que, no momento em que a DRJ apreciou a questão, ela entendeu por bem manter a autuação com base em fundamento distinto daquele trazido no momento do lançamento. Vejamos. Da leitura do trecho acima transcrito, notase que as falhas indicadas pela fiscalização foram: (i) a ausência de regras que possibilitassem a avaliação individual dos empregados, em relação ao plano de metas; (ii) a ausência de participação direta dos empregados na elaboração da convenção coletiva; (iii) o pagamento de PLR em valor superior ao estabelecido na CCT. Entretanto, a DRJ, ao julgar pela manutenção do lançamento, entendeu que houve falha na elaboração do plano de metas por conta da ausência de participação dos sindicatos na elaboração das regras para distribuição da participação dos lucros e resultados. Nos autos não consta qualquer indício de que o programa “Participar” tenha sido elaborado por comissão escolhida pelas partes, com representante do sindicato ou por convenção ou acordo coletivo de trabalho. Pelo que se vê, a DRJ alterou por completo o fundamento da autuação, o qual deixou de ser ausência de avaliação individual das metas e ausência de participação direta dos empregados na elaboração das normas de distribuição do PLR previstas na Convenção Coletiva, para se tornar a ausência de participação do sindicado na elaboração do Participar, o que, em momento algum, foi questionado pela autuação. Até porque, da análise da autuação, verificase que os próprios fiscais entenderam que a participação do sindicato, por si só, não seria requisito suficiente para não incidência da contribuição previdenciária sobre os valores distribuídos a título de PLR, sendo necessária, no entender dos fiscais, a participação direta dos empregados. Daí se vê que, com base no próprio entendimento sustentado pelos fiscais, jamais a ausência de participação dos sindicatos seria utilizada para fundamentar a autuação. Sendo assim, em observância ao exposto nos arts. 145 e 146 do CTN, já analisados, não é possível aceitar que o fundamento da autuação seja alterado. A decisão proferida pelo órgão julgador de primeira instância também inova ao afirma que a condição para o pagamento da verba garantida em CCT foi a assiduidade de, no mínimo, 15 dias por mês, por ser este o único requisito previsto na CCT a ser analisado no momento da distribuição dos lucros e resultados. Quanto a esse argumento, também deixo de me pronunciar, vez que em momento algum o auditor fiscal autuante aponta como falha no programa de PLR instituído através da CCT a eleição da assiduidade como critério para pagamento dos lucros ou resultados. 5. Das multas Por fim, em função do princípio da retroatividade benigna foi elaborado quadro comparativo entre as multas previstas na legislação atual e anterior, consoante Anexo II fl. 115. O referido quadro demonstrou que a aplicação da multa de ofício de 75% foi a mais benéfica para o contribuinte nas competências de janeiro, fevereiro, março, novembro e dezembro de 2007. Fl. 702DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 13 23 Ocorre que, em virtude de não permanecerem as razões para subsistir o referido lançamento, não há que se falar em cobrança de multa por descumprimento de obrigação acessória visto que inexiste o principal. 6. Conclusão Diante do acima exposto, rejeito as preliminares de exclusão da lista de corresponsáveis e de nulidade da Representação Fiscal para fins penais, acolho a preliminar de inexistência de sujeição passiva solidária e, no mérito, DOU PROVIMENTO AO RECURSO, para determinar a não incidência de contribuições previdenciárias sob os valores pagos a título de participação dos empregados nos lucros ou resultados, julgando IMPROCEDENTE o Auto de Infração cadastrado sob o DEBCAD nº 37.315.6499. É como voto. Carolina Wanderley Landim. Fl. 703DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO 24 Voto Vencedor Conselheiro Kleber Ferreira de Araújo Redator Designado Ouso discordar do brilhante voto da Ilustre Relatora, porém, apenas na parte relativa à colocação no polo passivo da empresa Acelormittal Brasil S/A, para a qual foi atribuída a responsabilidade solidária pela satisfação do crédito lançado, em razão da suposta formação de grupo econômico com a empresa autuada. Para a Relatora, o fisco não se desincumbiu do ônus de demonstrar a existência de grupo econômico composto pelas duas empresas, bem como não comprovou que estas tiveram interesse comum na situação que constituiu os fatos geradores que ensejaram a lavratura. Verifico que tanto no Termo de Sujeição Passiva Solidária, como no relatório fiscal, de fato, o fisco limitouse a mencionar que a justificativa para a atribuição da responsabilidade solidária era a existência de grupo econômico. Essa fato, todavia, tornouse incontroverso no processo, haja vista que a recorrente em nenhum momento argüiu que não fazia parte do mesmo conglomerado empresarial que a empresa Acelormittal Brasil S/A. A única alegação para afastar a solidariedade foi no sentido de que este vínculo somente poderia ser firmado caso se comprovasse que as duas empresas atuaram para configuração da situação jurídica que deu azo à ocorrência da hipótese de incidência tributária. O art. 121 do CTN, que trata da sujeição passiva na relação jurídico tributária, distingue duas espécies de sujeito passivo. O contribuinte é aquele que tem relação pessoal e direta com a situação que dá ensejo ao fato gerador, enquanto que o responsável é aquele que, não sendo contribuinte, deve suportar o ônus da obrigação tributária em razão de expressa disposição legal. Na sequência do mesmo Código, o art. 124 apresenta o instituto jurídico da responsabilidade solidária tributária. Ali são elencadas duas possibilidades: a) a solidariedade decorrente da existência de interesse comum na situação que constitua o fato gerador e b) a dita solidariedade legal, que se refere aos casos em que a própria lei determina a vinculação das pessoas ao crédito tributário na condição de devedoras solidárias. O inciso IX do art. 30 da Lei n. 8.212/1991, invocado pelo fisco no presente lançamento, é um caso típico da responsabilidade tributária por determinação legal. O dispositivo em tela determina que as empresas que integram grupo econômico respondem solidariamente pelas obrigações para com a Seguridade Social. Assim, para que haja a responsabilidade solidária é suficiente que o fisco demonstre a configuração do grupo de empresas. Fl. 704DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO Processo nº 10680.725103/201016 Acórdão n.º 2401003.539 S2C4T1 Fl. 14 25 Conforme já afirmei, a existência do grupo econômico é fato que tornouse incontroverso na presente lide, assim, é legítima a atribuição da responsabilidade solidária à Acelormittal Brasil S/A, Kleber Ferreira de Araújo. Fl. 705DF CARF MF Impresso em 21/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 29/09/2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 29/09 /2014 por CAROLINA WANDERLEY LANDIM, Assinado digitalmente em 20/10/2014 por ELIAS SAMPAIO FREIRE, A ssinado digitalmente em 02/10/2014 por KLEBER FERREIRA DE ARAUJO
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Numero do processo: 10380.900770/2009-27
Turma: Primeira Turma Ordinária da Primeira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Primeira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Sep 17 00:00:00 UTC 2014
Data da publicação: Mon Oct 13 00:00:00 UTC 2014
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Ano-calendário: 2005
PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL.
Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3101-001.726
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo.
Henrique Pinheiro Torres - Presidente
Rodrigo Mineiro Fernandes - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres.
Nome do relator: RODRIGO MINEIRO FERNANDES
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Anocalendário: 2005 PREÇO PREDETERMINADO. REAJUSTE CONTRATUAL. Constatado que a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, não é descaracterizado o preço predeterminado, com a incidência cumulativa das contribuições de PIS e COFINS. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário, para determinar que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à unidade de origem, para a apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido. Fez sustentação oral o Dr. Luiz Felipe Krieger Moura Bueno, OAB/RJ nº 117.908, advogado do sujeito passivo. Henrique Pinheiro Torres Presidente Rodrigo Mineiro Fernandes Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 07 70 /2 00 9- 27 Fl. 544DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900770/200927 Acórdão n.º 3101001.726 S3C1T1 Fl. 545 2 Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rodrigo Mineiro Fernandes, Valdete Aparecida Marinheiro, Amauri Amora Câmara Junior, Elias Fernandes Eufrásio, Luiz Roberto Domingo e Henrique Pinheiro Torres. Relatório Trata o presente processo de declaração de compensação (DCOMP) eletrônica na qual o interessado alega possuir crédito decorrente de pagamento a maior da contribuição que pretende utilizar para compensar com seus débitos. A análise do direito creditório concluiu que o pagamento informado como origem do crédito encontravase totalmente utilizado para quitação de débito do contribuinte da própria contribuição, não restando saldo disponível para ser utilizado para a compensação pretendida. Como resultado, o direito creditório não foi reconhecido, com a conseqüente não homologação da compensação, conforme Despacho Decisório e Detalhamento da Compensação. Regularmente cientificada, a interessada apresentou a manifestação de inconformidade, acompanhada de documentos ao seu ver probatórios de seus direitos, alegando, em síntese: que seu crédito decorre de pagamento a maior em virtude de ter calculado a contribuição indevidamente com alíquota de nãocumulatividade; que embora tenha concorrido involuntariamente para a conclusão do Despacho Decisório, seu crédito não pode ser aniquilado por erro de fato cometido no cumprimento de obrigação acessória; que seu objeto societário é a produção, transmissão, distribuição e comercialização de energia elétrica e toda a sua energia fornecida no anocalendário 2005 foi adquirida pela Companhia Energética do Ceará, cujo contrato de compra e venda foi celebrado em 31/08/2001 (aditivos em 10/10/2001 e 22/11/2002), com prazo de 20 anos; que estava obrigada a pagar as contribuições calculadas exclusivamente de forma cumulativa, por força do disposto na alínea “b” do inciso XI do art. 10 da Lei nº 10.833/2003; que indicou indevidamente na DCTF o valor da contribuição devida no período, calculando e recolhendo com a alíquota prevista para a não cumulatividade; que percebendo o erro estornou a parcela da despesa que havia contabilizado a maior e a registrou no ativo; que apresentou o PER/DCOMP em tela declarando a compensação relativa à diferença acima apontada, mas se ouvidou de retificar a DCTF correspondente. Ao fim, pede a reforma do Despacho Decisório para homologar integralmente a compensação declarada. A DRJ em FORTALEZA/CE julgou improcedente a manifestação de inconformidade, mantendo a nãohomologação da compensação do débito fiscal declarado. Entendeu o órgão julgador de primeiro grau que, a partir de 31/10/03, para fins de apuração da Cofins, o preço predeterminado é descaracterizado após o 1º reajuste, salvo quando demonstrado que o reajuste de preços se dá em percentual não superior ao correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou à variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Discordando da decisão de primeira instância, a interessada apresentou recurso voluntário onde basicamente reproduz o alegado em primeira instância, reforçando notadamente a importância do Ofício nº 1.431/2006SFF/ANEEL, que acredita fazer prova a Fl. 545DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900770/200927 Acórdão n.º 3101001.726 S3C1T1 Fl. 546 3 seu favor. Por fim, requereu a reforma do acórdão recorrido e a subsistência total da compensação efetivada. Em sessão de julgamento realizada em 10 de novembro de 2011, esta turma de julgamento, em sua composição anterior, determinou a conversão do julgamento em diligência para que a unidade preparadora jurisdicionante do domicílio tributário da recorrente intimasse a recorrente, para trazer aos autos, laudo de perito competente, com o detalhamento do processo de produção da energia elétrica fornecida no período em que a recorrente alega possuir crédito, indicação dos insumos utilizados, a variação dos preços dos respectivos insumos e a memória dos reajustes do preço da energia elétrica fornecida, bem como a conclusão acerca da questão controversa se os índices utilizados ultrapassaram, ou não, os custos de produção ou a variação ponderada dos custos dos insumos. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o Laudo Pericial solicitado, com o detalhamento do processo de produção de energia elétrica, indicação dos insumos utilizados, variação dos preços dos insumos e memória dos reajustes do preço da central geradora termelétrica FORTALEZA – CGTF, assinado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. Novamente em pauta para julgamento, esta turma determinou nova conversão do julgamento em diligência, para trazer aos autos complemento do laudo pericial, com a informação completa da composição final do preço de venda de energia para a COELCE, informando, de forma detalhada, a ponderação dos insumos gás natural e TUST na composição do preço final da energia vendida, com a correspondente relação insumo x produto da energia vendida para a COELCE no ano de 2005. Após ser regularmente intimada, a recorrente apresentou o complemento do Laudo Pericial Técnico elaborado pelos engenheiros José Mario Miranda Abdo e Eduardo Henrique Ellery Filho, sócios da empresa Abdo, Ellery & Associado Consultoria Empresarial em Energia e Regulação, contendo a composição final do preço de venda de energia para a COELCE, com o detalhamento da ponderação dos insumos na composição do preço final de energia. Após o atendimento do disposto na Resolução, a unidade de origem encaminhou o os autos a esse órgão julgador de segunda instância para apreciação. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Mineiro Fernandes, Relator O recurso voluntário é tempestivo e, considerando o preenchimento dos requisitos de sua admissibilidade, merece ser apreciado. Fl. 546DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900770/200927 Acórdão n.º 3101001.726 S3C1T1 Fl. 547 4 A questão meritória a ser apreciada por esse colegiado é a sujeição ou não das receitas da recorrente ao PIS e Cofins com incidência cumulativa. A recorrente alega ter apurado de forma equivoca a contribuição com incidência nãocumulativa, quando o correto seria a incidência cumulativa, existindo, segundo seu entendimento, saldo de contribuição recolhida indevidamente e passível de restituição e compensação. Entretanto, não foi esse o entendimento da unidade de origem e da autoridade julgadora de primeira instância, que não reconheceu o direito creditório, com a conseqüente não homologação da compensação, sob o fundamento de que a contribuição seria devida pelo regime nãocumulativo e inexistia o crédito declarado. A incidência nãocumulativa das contribuições de que tratam a Lei n° 10.637/2002 e a Lei nº 10.833/2003, encontra, entre as exceções legalmente previstas, aquela relativa às receitas originadas de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com prazo superior a um ano de fornecimento de bens ou serviços a preço predeterminado (art. 10, XI, “b”, da Lei 10.833/2003), que estariam sujeitas às contribuições pela sistemática cumulativa. Regulamentando esse diploma legal e definindo preço predeterminado, foi editada a Instrução Normativa SRF n° 468, de 08/11/2004. A Lei nº 11.196, de 21 de novembro de 2005, de caráter interpretativa, esclareceu a questão do reajuste de preços para a caracterização ou não de preço predeterminado, para fins de incidência nãocumulativa das contribuições, assim dispondo: Art. 109. Para fins do disposto nas alíneas b e c do inciso XI do caput do art. 10 da Lei no 10.833, de 29 de dezembro de 2003, o reajuste de preços em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1o do art. 27 da Lei no 9.069, de 29 de junho de 1995, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado. Parágrafo único. O disposto neste artigo aplicase desde 1o de novembro de 2003. Posteriormente foi editada a Instrução Normativa SRF nº 658, de 4 de julho de 2006, dispondo sobre as contribuições incidente sobre as receitas decorrentes de contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003, com produção de efeitos a partir de 1° de fevereiro de 2004, nos seguintes termos: Art. 2° Permanecem tributadas no regime de cumulatividade, ainda que a pessoa jurídica esteja sujeita a incidência nãocumulativa da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, as receitas relativas a contratos firmados anteriormente a 31 de outubro de 2003: II com prazo superior a 1 (um) ano, de construção por empreitada ou de fornecimento, a preço predeterminado, de bens ou serviços; Art. 3° Para efeito desta Instrução Normativa, preço predeterminado é aquele fixado em moeda nacional como remuneração da totalidade do objeto do contrato. [...] Fl. 547DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900770/200927 Acórdão n.º 3101001.726 S3C1T1 Fl. 548 5 §2° Ressalvado o disposto no §3º, o caráter predeterminado do preço subsiste somente até a implementação, após a data mencionada no art. 2º, da primeira alteração de preços decorrente da aplicação: I de cláusula contratual de reajuste, periódico ou não; ou II de regra de ajuste para manutenção do equilíbrio §3° 0 reajuste de preços, efetivado após 31 de outubro de 2003, em percentual não superior àquele correspondente ao acréscimo dos custos de produção ou em variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, nos termos do inciso II do § 1º do art. 27 da Lei nº 9.069, de 29 de junho de 1995, não descaracteriza o prego predeterminado. Art. 5° Consideramse com prazo superior a 1 (um) ano os contratos com prazo indeterminado cuja vigência tenha se prolongado por mais de 1 (um) ano, contado da data em que foram firmados. Parágrafo único, Aplicase aos contratos mencionados no caput o disposto nos §§ 2°e 3° do art. 3°. Art. 7 Esta Instrução Normativa entra em vigor na data de sua publicação, produzindo efeitos: I a partir de 1° de fevereiro de 2004, em relação às receitas decorrentes dos contratos de que tratam os incisos I a III do art. 2º; Importanos, para a solução da questão em litígio, identificar se o reajuste de preços praticados pela recorrente à época dos fatos foi em função do custo de produção ou da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos dos insumos utilizados. Caso positivo, não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Portanto, há duas possibilidades para a sujeição ao regime cumulativo de incidência das contribuições: (i) a adoção de um percentual que reflita o custo de produção (específico para cada contratante) ou (ii) da variação de índice que reflita a variação ponderada dos custos de insumos utilizados (índice setorial). O ponto principal para a sujeição ao regime cumulativo é a comprovação de que o reajuste praticado não foi superior à variação dos custos de produção. A recorrente celebrou, em 31 de agosto de 2001, contrato de compra e venda de energia elétrica com a Companhia Energética do Ceará – COELCE, por um prazo de 20 anos, contados a partir da data inicial de fornecimento, que foi devidamente aprovado pela ANEEL através do Ofício nº 243/2002SFF/ANEEL, de 09/04/2002. Conforme informado no Laudo Técnico, a recorrente, Central Geradora Termelétrica Fortaleza (CGTF) produzia energia via ciclo combinado de gás natural e vapor. Foi projetada a partir do Programa Prioritário de Termoeletricidade (PPT) do Governo Federal, com sede na cidade de Caucaia, Ceará, dentro do Complexo Industrial e Portuário do Pecém. Foi concluída em 2003, com capacidade instalada de 326,60 MW e 318,5 MW de energia assegurada, contando com uma linha de transmissão de 1,2 km em altatensão. Fl. 548DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900770/200927 Acórdão n.º 3101001.726 S3C1T1 Fl. 549 6 A defesa da recorrente é toda calcada no esforço para provar que o índice previsto para reajuste do preço predeterminado, constante do contrato de fornecimento de energia elétrica para a Companhia Energética do Ceará – COELCE, não restou descaracterizado quando do primeiro reajuste, porquanto tal índice refletira os acréscimos dos custos de produção de energia elétrica, nos exatos termos condicionados pela legislação aplicável, tendo como consequência a tributação de suas receitas pelo PIS e COFINS no sistema cumulativo. Esta turma de julgamento, em sua composição anterior, em 10 de novembro de 2011, ao determinar a conversão do julgamento em diligência, assim se manifestou sobre o índice utilizado pela recorrente (por maioria de votos, vencido o Conselheiro Leonardo Mussi da Silva): Em que pese o alentado trabalho de convencimento do patrono da recorrente, que acredita firmemente ter trazido prova de que o pronunciamento da ANEEL certifica serem os índices de reajustamento de preços previstos no contrato de fornecimento de energia elétrica da recorrente, reflexo dos custos de produção ou variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, penso que não se pode, à luz do aludido Ofício, de fato, dizer que os índices utilizados pela recorrente (k1, k2 e k3, respectivamente fatores de ponderação dos índices IGPM, de combustíveis e de variação cambial) estão no formato previsto na legislação apontada, até porque o Ofício reportase explicitamente apenas ao IGPM, fazendo menção genérica aos “demais índices” no seu último parágrafo. Nesse sentido, concordo com o órgão judicante de primeiro grau, no sentido de que o Ofício da ANEEL trazido aos autos não se afeiçoa a laudo ou parecer para os fins do art. 30 do Decreto nº 70.235/72, que trata de peças técnicas com o escopo de identificar produtos para posterior classificação fiscal, as quais têm caráter específico e não genérico. A Cláusula 6.3 do Contrato de Fornecimento estabelece que a fórmula de reajuste dos preços seria determinada com base na Resolução ANEEL 22/2001, que previa, para aplicação do limite de repasse dos preços contratuais, o Valor Normativo estabelecido para cada contrato de compra de energia seria atualizado para o mês anterior à data de acordo com a seguinte fórmula: Onde: VNi Valor Normativo reajustado no mês do reajuste das tarifas de fornecimento do concessionário ou permissionário de distribuição; VNoi Valor Normativo vigente no mês de registro do contrato de compra de energia referido ao mês de publicação da resolução; K1 = fator de ponderação do índice IGPM; K2 = fator de ponderação do índice de combustíveis; Fl. 549DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900770/200927 Acórdão n.º 3101001.726 S3C1T1 Fl. 550 7 K3 = fator de ponderação do índice de variação cambial IGPMli valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior a data de atualização do VN; IGPMOi valor do índice geral de preços ao mercado, estabelecido pela Fundação Getúlio Vargas FGV, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; COMBli valor do índice do combustível, no mês anterior a data de atualização do VN; COMBOi valor do índice do combustível, no mês anterior à data de entrada em vigor da Resolução; IVCli média da cotação de venda do dólar norteamericano, divulgada pelo Banco Central do Brasil, no mês anterior a data de atualização do VN; IVC0i = R$ 1,9633/US$. Já a variação do índice referente ao combustível, a ser utilizado na fórmula de atualização dos Valores Normativos, considera 80% da parcela do preço com reajuste estipulado pelas variações da taxa cambial e do índice de preços ao atacado no mercado dos Estados Unidos da América, e 20% restantes pela variação do IGPM. Portanto, a fórmula para reajustes de preço baseiase em índices que captam a variação geral de preços (IGPM), a variação cambial e a variação setorial (combustível), esse, por sua vez, também derivado da variação cambial. Dessa forma, a variação cambial entra duas vezes na composição da fórmula de reajuste de preços. Estes índices, apesar de contratualmente estipulados e aprovados pela agência reguladora, não representam necessariamente a variação dos custos da produção ou dos insumos utilizados, mas sim a recomposição de preços de mercado. Não foi comprovado que há uma correlação direta entre os componentes da fórmula de reajuste de preços e a variação dos custos de produção. A utilização dos fatores, mesmo ponderados, e dos índices geral, setorial e especialmente o cambial, tendem a restabelecer o preço de mercado, atualizando os custos para os novos empreendimento e não os custos da produção ou dos insumos efetivamente incorridos. Considerando que a fórmula de reajuste de preços não foi derivada de índice refletor da variação ponderada dos custos dos insumos utilizados, restanos analisála em função da variação do custo de produção. O Laudo apresentado, em atendimento ao determinado por essa turma de julgamento, foi dividido em duas partes: (i) a primeira fez uma contextualização da CGTF na recente história do setor elétrico brasileiro e no arcabouço legal e regulatório em que está inserida; (ii) a segunda parte fez um estudo da questão específica sobre os reajustes de preços da recorrente para a COELCE, e se esse reajuste ultrapassou ou não a variação dos preços dos insumos. Fl. 550DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900770/200927 Acórdão n.º 3101001.726 S3C1T1 Fl. 551 8 Questionados se os reajustes de preços no CGTFCOELCE ultrapassaram ou não a variação ponderada dos insumos, os peritos apresentaram a seguinte resposta: Nesse contexto de forte definição por parte do Estado, os reajustes aplicados desde o início do suprimento CGTFCOELCE não ultrapassaram os custos de produção ou a variação ponderada dos insumos pelas seguintes razões: · As Regras de Reajuste Contratual foram estabelecidas na legislação setorial; · O contrato foi analisado e aprovado pela ANEEL; · As regras de reajuste contratual definidas pela legislação setorial visam a variação ponderada dos custos de produção ou dos insumos, em consonância estrita com o princípio da legalidade, observado com todo o natural zelo pelo Regulador, em especial obedecendo o que dispõe o art. 27 da Lei nº 9.069/1995 no que diz respeito às condições necessárias para a utilização de índice diferente do IPC; e · A variação de preço de venda não foi superior à dos insumos. O Laudo apresentado definiu como insumos da produção de energia os seguintes itens: (i) gás natural e (ii) tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST). O reajuste de preço relativo ao fornecimento para a COELCE foi efetuado em abril de 2004, no percentual de 34%, em relação à data de referencia contratual de 31/08/2002, considerando uma variação no preço do gás natural de 33,24%, portanto, em percentual maior do que seu principal insumo, mas inferior à variação da tarifa do uso do sistema de transmissão (TUST) de 312,88%. A recorrente apresentou, em atendimento à Resolução desta turma de julgamento, o complemento do Laudo Técnico, no qual consta a composição final do preço com base nos nesses insumos: Também foi apresentada a evolução ponderada dos insumos e produto: Fl. 551DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES Processo nº 10380.900770/200927 Acórdão n.º 3101001.726 S3C1T1 Fl. 552 9 Constatase, que em todos os anos do período apresentado, a evolução acumulada do preço da energia elétrica se deu em proporção inferior à variação ponderada de seus insumos, ficando demonstrado que a correção no preço da energia elétrica praticada no período em questão (2005), não foi superior ao que ocorreu com seus insumos. Dessa forma, o reajuste praticado não será considerado para fins da descaracterização do preço predeterminado, sujeitandose a recorrente à alíquota cumulativa das contribuições, subsistindo indébito tributário passível de repetição e compensação. Diante dos fatos apurados, dou provimento parcial ao recurso voluntário, determinando que a apuração da contribuição, no período em questão, seja feita no regime cumulativo, com o retorno dos autos à Unidade de Origem, para apuração do valor do indébito e o processamento da compensação até o limite do valor deferido Rodrigo Mineiro Fernandes Fl. 552DF CARF MF Impresso em 13/10/2014 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/10/2014 por ANDRESSA GOMES MARTINS, Assinado digitalmente em 09/10/20 14 por RODRIGO MINEIRO FERNANDES, Assinado digitalmente em 10/10/2014 por HENRIQUE PINHEIRO TORRES
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