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Numero do processo: 10380.905572/2012-55
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri May 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 28/02/2003
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL.
Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3301-004.542
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
1.0 = *:*
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PIS/COFINS. Recorrente IJB Câmbio e Turismo LtdaME Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Data do fato gerador: 28/02/2003 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. HOMOLOGAÇÃO TÁCITA. INOCORRÊNCIA. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. Inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos. Recurso voluntário negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões (Suplente convocada), Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório A Recorrente transmitiu pedido de ressarcimento, visando à restituição do crédito nele informado em razão de pagamento indevido ou a maior de COFINS. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 90 55 72 /2 01 2- 55 Fl. 34DF CARF MF Processo nº 10380.905572/201255 Acórdão n.º 3301004.542 S3C3T1 Fl. 3 2 A Delegacia de origem emitiu despacho decisório eletrônico no qual indeferiu o Pedido de Restituição pleiteado, diante da inexistência do crédito, nos termos do art. 165 do CTN. Em manifestação de inconformidade, aduziu o contribuinte que entre a data de transmissão do PER até a ciência do despacho decisório transcorreu prazo superior a cinco anos, o que implica na homologação tácita do ressarcimento, nos termos do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 e do art. 29 da IN SRF nº 600/2005. Logo, requer a homologação tácita do pedido de ressarcimento. A manifestação de inconformidade foi julgada improcedente, pois entendeu a 1ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão n° 02052.333, que não há previsão legal para o pleito do contribuinte. Inconformada, a Recorrente, tempestivamente, protocolizou o recurso voluntário, no qual, basicamente, reproduz as razões de defesa constantes em sua peça impugnatória. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.528, de 22 de março de 2018, proferido no julgamento do processo 10380.905554/201273, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.528): "O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. A Recorrente apresentou pedido de ressarcimento e não pedido de compensação, logo não há falarse de homologação tácita, por inexistência de previsão legal. Dispõe o §5º do art. 74 da Lei nº 9.430/1996 que: “o prazo para homologação da compensação declarada pelo sujeito passivo será de 5 (cinco) anos, contado da data da entrega da declaração de compensação”. Esse dispositivo legal trata de prazo para homologação de Declaração de Compensação, não se aplicando à apreciação de Pedidos de Restituição ou Ressarcimento. Ressaltese que a Declaração de Compensação DCOMP e o Pedido de Restituição PER são declarações diferentes com efeitos Fl. 35DF CARF MF Processo nº 10380.905572/201255 Acórdão n.º 3301004.542 S3C3T1 Fl. 4 3 também diversos. Como bem apontado pela DRJ, não cabe aplicar ao Pedido de Restituição a homologação tácita prevista para a Declaração de Compensação, dado que a compensação se viabiliza por via de um regime declaratório (Declaração de Compensação), enquanto que a restituição se viabiliza por um regime de requerimento (Pedido de Restituição), sendo a compensação operada e satisfeita de imediato, sob condição resolutória de sua ulterior homologação, ao passo que o valor da restituição pleiteada não é entregue imediatamente ao contribuinte, havendo a necessidade de uma decisão explícita e nunca tácita da Administração Tributária. Em suma, a previsão legal de homologação tácita referese tão somente ao pedido de compensação. Observese que neste processo não houve qualquer vinculação entre crédito e débito, apenas houve o pleito de ressarcimento. Assim, inexiste norma legal que preveja a homologação tácita do Pedido de Restituição no prazo de 5 anos, dessa forma, não há como se acolher o requerimento do contribuinte. Do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 36DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.721149/2015-78
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2010, 2011, 2012
TRANSAÇÃO ENTRE PARTES RELACIONADAS. AUMENTO DE CAPITAL SEGUIDO DO RETORNO DE TODO O AUMENTO EM INVESTIMENTO NA CONTROLADORA. FALTA DE INTERESSE NEGOCIAL.
Revela falta de interesse negocial a pessoa jurídica controladora aumentar o capital da sua subsidiária integral para, na seqüência, receber todos os recursos sob a forma de depósitos interfinanceiros de liquidez que devem ser remunerados e geram despesas. Tal aumento de capital em subsidiária que mantinha saldos de prejuízo fiscal e base negativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido antes de sua incorporação revelam apenas interesse de cunho tributário.
CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA.
No cálculo das estimativas mensais de IRPJ e CSLL baseadas em balancetes ou balanços de suspensão ou redução deve-se compensar a base de cálculo com o prejuízo fiscal e a base negativa no limite estabelecido pelos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995.
MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO.
A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem.
JUROS SOBRE MULTAS. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício eis que esta integra o crédito tributário.
Numero da decisão: 1401-002.345
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário: i) em relação às glosas de despesas com a contratação de Depósitos Interbancários - DIs; e ii) em relação ao efeito das glosas realizadas na apuração da CSLL. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por maioria de votos: i) negar provimento ao recurso em relação aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga; ii) dar provimento ao recurso para afastar a multa isolada até o limite da imposição da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente
(assinado digitalmente)
Livia De Carli Germano - Relatora
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Redator designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa.
Nome do relator: LIVIA DE CARLI GERMANO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2010, 2011, 2012 TRANSAÇÃO ENTRE PARTES RELACIONADAS. AUMENTO DE CAPITAL SEGUIDO DO RETORNO DE TODO O AUMENTO EM INVESTIMENTO NA CONTROLADORA. FALTA DE INTERESSE NEGOCIAL. Revela falta de interesse negocial a pessoa jurídica controladora aumentar o capital da sua subsidiária integral para, na seqüência, receber todos os recursos sob a forma de depósitos interfinanceiros de liquidez que devem ser remunerados e geram despesas. Tal aumento de capital em subsidiária que mantinha saldos de prejuízo fiscal e base negativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido antes de sua incorporação revelam apenas interesse de cunho tributário. CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. No cálculo das estimativas mensais de IRPJ e CSLL baseadas em balancetes ou balanços de suspensão ou redução deve-se compensar a base de cálculo com o prejuízo fiscal e a base negativa no limite estabelecido pelos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratando-se de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. JUROS SOBRE MULTAS. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício eis que esta integra o crédito tributário.
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NECESSIDADE. Recorrentes ITAU UNIBANCO S.A. FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010, 2011, 2012 TRANSAÇÃO ENTRE PARTES RELACIONADAS. AUMENTO DE CAPITAL SEGUIDO DO RETORNO DE TODO O AUMENTO EM INVESTIMENTO NA CONTROLADORA. FALTA DE INTERESSE NEGOCIAL. Revela falta de interesse negocial a pessoa jurídica controladora aumentar o capital da sua subsidiária integral para, na seqüência, receber todos os recursos sob a forma de depósitos interfinanceiros de liquidez que devem ser remunerados e geram despesas. Tal aumento de capital em subsidiária que mantinha saldos de prejuízo fiscal e base negativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido antes de sua incorporação revelam apenas interesse de cunho tributário. CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ E CSLL. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL E BASE NEGATIVA. No cálculo das estimativas mensais de IRPJ e CSLL baseadas em balancetes ou balanços de suspensão ou redução devese compensar a base de cálculo com o prejuízo fiscal e a base negativa no limite estabelecido pelos artigos 15 e 16 da Lei nº 9.065/1995. MULTA ISOLADA E MULTA DE OFÍCIO. CONCOMITÂNCIA. ABSORÇÃO OU CONSUNÇÃO. A multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor. Pelo princípio da absorção ou consunção, contudo, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na mesma medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo. Tratandose de mesmo tributo, esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 72 11 49 /2 01 5- 78 Fl. 6750DF CARF MF 2 JUROS SOBRE MULTAS. É legítima a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício eis que esta integra o crédito tributário. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos negar provimento ao recurso de ofício. Por voto de qualidade, negar provimento ao recurso voluntário: i) em relação às glosas de despesas com a contratação de Depósitos Interbancários DIs; e ii) em relação ao efeito das glosas realizadas na apuração da CSLL. Vencidos os Conselheiros Lívia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Daniel Ribeiro Silva e Letícia Domingues Costa Braga. Por maioria de votos: i) negar provimento ao recurso em relação aos juros sobre a multa de ofício. Vencida a Conselheira Letícia Domingues Costa Braga; ii) dar provimento ao recurso para afastar a multa isolada até o limite da imposição da multa de ofício. Vencidos os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa e Luiz Augusto de Souza Gonçalves. Designado o Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto para redigir o voto vencedor. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Relatora (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Redator designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente), Livia De Carli Germano, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, Abel Nunes de Oliveira Neto, Leticia Domingues Costa Braga, Daniel Ribeiro Silva e Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa. Relatório Tratase de autos de infração de IRPJ e CSLL referentes aos anoscalendário de 2010 a 2012 em razão da glosa de despesas de captação de CDI, consideradas desnecessárias, tendo sido formalizada a insuficiência de recolhimento de estimativas e aplicada a exigência de multa isolada. Fl. 6751DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.741 3 O TVF ressalta que, em outra ação fiscal anterior, o Itaú Unibanco foi autuado com lançamento de IRPJ e CSLL decorrente de glosa de amortização de ágio nos anoscalendário de 2009 a 2013 e que resultou no Processo Administrativo Fiscal nº 16327.721108/201409. Em razão disso, o lucro real, a base de cálculo da contribuição social, as compensações de prejuízos fiscais e bases negativas da contribuição social e os respectivos saldos foram alterados de ofício em relação aos valores informados nas declarações (DIPJ) e isso refletiu no resultado do lançamento objeto do processo em questão. No caso, a autoridade autuante analisou a reorganização societária decorrente da unificação das operações financeiras entre as instituições Itaú e Unibanco, tendo considerado que o aporte de capital no Unibanco e o retorno imediato desses recursos ao Itaú Unibanco por meio de depósitos interfinanceiros tinha o "propósito inequívoco" de gerar receitas no Unibanco a fim de exaurir por completo os estoques de prejuízos fiscais e bases negativas de CSLL antes da extinção deste, cujo desfecho já tinha sido estabelecido, e, ao mesmo tempo, gerar despesas no Itaú Unibanco que reduziram indevidamente o seu lucro real e a sua base de cálculo de CSLL. Dessa forma, por entender que "não cabe no conceito de despesa necessária, aquela feita sem propósito empresarial", a autoridade autuante considerou que as despesas com depósitos interfinanceiros registradas no Itaú Unibanco careciam dos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade, não se enquadrando entre aquelas consideradas dedutíveis nos termos do art. 299 do Decreto nº 3.000/1999. O TVF menciona como enquadramento legal os seguintes dispositivos: Para a desnecessidade da despesa: IRPJ: Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251 e 299 do Decreto nº 3.000/99. Art. 3º da Lei nº 9.249/95. CSLL: Art. 2º da Lei nº 7.689/88, com as alterações do art. 2º da Lei nº 8034/90; art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9065/95; art. 2º da Lei nº 9.249/95; art. 1º da Lei nº 9.316/96; e art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. Para a aplicação da multa isolada: IRPJ/CSLL. Art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 (conversão da MP 351/2007). Arts. 2º, 3º, 6º, 28 e 30 da Lei nº 9.430/96. Arts. 222 e 843 do Decreto nº 3.000/99. O relatório da decisão recorrida assim resume o TVF e os argumentos trazidos na impugnação: O TVF traz as seguintes informações, em resumo: 1) Em Assembleia Geral Extraordinária (AGE) realizada no dia 16 de julho de 2010, o Itaú Unibanco aprovou a subscrição integral do aumento do capital social do Unibanco – União de Bancos Brasileiros S.A. (CNPJ nº 33.700.394/000140), Fl. 6752DF CARF MF 4 doravante Unibanco, no valor de R$ 20 bilhões, passando o capital social deste de R$ 9.590.725.659,73 para R$ 29.590.725.659,73. 2) após a referida integralização, o Itaú Unibanco efetuou a captação de recursos financeiros por meio da emissão de depósitos interfinanceiros (DI) os quais foram depositados pelo Unibanco (operação intragrupo) com os recursos recebidos em decorrência do aumento do seu capital social, ou seja, o montante de R$ 20 bilhões retornou ao Itaú Unibanco por meio dessas operações interfinanceiras. As captações, no caso do Itaú Unibanco, ou as aplicações, no caso do Unibanco, foram efetuadas nos dias 23 e 27 de julho, conforme o quadro, a seguir. 3) No Itaú Unibanco, contabilmente, houve um acréscimo no ativo na conta de investimentos UnibancoVP (conta COSIF 2.1.2.10.051, conta interna 2114.194.000.0000) e também no passivo na conta de Depósitos Interfinanceiros (conta COSIF 4.1.3.10.003, conta interna 4125.011.409.0009). No Unibanco, por sua vez, houve um acréscimo no patrimônio líquido na conta de Capital Social (conta COSIF 6.1.1.00.004) e também no ativo na conta de Aplicações em Depósitos Interfinanceiros (conta COSIF 1.2.2.10.101). 4) As operações com DI, acima mencionadas, foram encerradas no vencimento, em fevereiro de 2012 e, nesse período todo, essas operações ocasionaram despesas de depósitos interfinanceiros no Itaú Unibanco, contabilizadas na conta COSIF 8.1.1.20.002, e receitas de aplicações em depósitos interfinanceiros, no mesmo valor, no Unibanco, contabilizadas nas contas COSIF 7.1.4.10.101 e 7.1.4.20.004, cujos valores mensais relacionamos no quadro, a seguir: Fl. 6753DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.742 5 5) Conforme a CETIP S.A. Mercados Organizados (CETIP), o Depósito Interfinanceiro (DI) é instrumento financeiro destinado à transferência de recursos entre instituições financeiras. É um título privado de Renda Fixa negociado exclusivamente entre instituições financeiras que auxilia no fechamento de caixa dos bancos, como instrumento de captação de recursos ou de aplicação de recursos excedentes. 6) Transcrevemos, a seguir, as características e contabilização dos depósitos interfinanceiros, segundo Jorge Katsumi Niyama: “10.2.4.1 CARACTERÍSTICAS Os depósitos interfinanceiros foram criados em 1986 com o objetivo de equilibrar a distribuição dos recursos entre as instituições. Pode acontecer de, em uma instituição financeira captadora de depósitos, serem realizadas, transitoriamente, mais retiradas (resgates) do que as esperadas, fazendo, com isso, que ela apresente dificuldades para “zerar” sua posição de tesouraria, já que os recursos dos depositantes encontramse aplicados, normalmente em operações de crédito. Em situação como essa, a instituição, em vez de recorrer ao auxílio do Banco Central do Brasil (linha de redesconto ou assistência financeira), pode recorrer a outras instituições, que tenham tido “sobras” de caixa, para a cobertura desse déficit. Assim, os depósitos interfinanceiros, também, conhecidos como CDI (Certificado de Depósito Interfinanceiro), caracterizamse como instrumentos de regulação de liquidez entre as próprias instituições financeiras integrantes do SFN. Fl. 6754DF CARF MF 6 Dessa forma, o título contábil 4.1.3.00.006 – Depósitos Interfinanceiros representa obrigações da instituição para com outras instituições “provedoras” ou “doadoras” de recursos. Para estas últimas, tais recursos são contabilizados como “Aplicações em Depósitos Interfinanceiros”, título contábil 1.2.2.00.001.” 7) Na cisão parcial do Unibanco, em fevereiro de 2009, todas as suas unidades de negócios, representadas principalmente pelas participações societárias em controladas, foram vertidas e incorporadas, quando possível, para as respectivas congêneres do conglomerado Itaú, ocasionando uma drástica redução do seu ativo total que passou a ser representado basicamente pelas aplicações interfinanceiras de liquidez, no valor de R$ 9,7 bilhões (cerca de 83% do ativo total). Em razão disso, houve uma redução do capital social do Unibanco em R$ 1.373.314.979,00 nos termos do Protocolo e Justificação de Cisão Parcial do Unibanco. 8) após a versão de parcela do seu ativo, restou, ainda, ao Unibanco, um patrimônio líquido no montante de R$ 9,2 bilhões, inexistindo uma justificativa razoável para um aporte de capital de R$ 20 bilhões em julho de 2010. 9) Porém, como já foi registrado anteriormente, isto não aconteceu e o Unibanco foi incorporado pelo Itaú Unibanco, em 2014, e como será relatado mais à frente, desde a formação da Associação havia o nítido interesse em extinguilo, prevalecendo a marca Itaú. 10) De fato, o Unibanco foi extinto conforme todo o roteiro previsto na reorganização societária dos Conglomerados Itaú e Unibanco, iniciado formalmente no final de 2008, sendo que o ponto fora da curva de toda essa reestruturação ocorreu exatamente com o aumento do capital social do Unibanco, em julho de 2010, sem nenhum propósito aparente. Assim, é importante transcrever alguns trechos pertinentes da documentação que fez parte da reestruturação societária a fim de se comprovar que o objetivo, quanto ao Unibanco, era o seu encerramento total o qual se iniciou a partir da cisão parcial, em fevereiro de 2009, conforme relatado anteriormente. 11) Os motivos do tempo decorrido entre a cisão parcial do Unibanco, em 2009, e a sua extinção por meio do instituto da incorporação, em julho de 2014, foram explicitados no item (IV) da parte inicial do Protocolo e Justificação de Cisão Parcial do Unibanco – União de Bancos Brasileiros S.A., de 28 de fevereiro de 2009. Tratase de um período transitório para fazer frente a gestão administrativa enquanto não encerradas as suas agências e enquanto não notificadas as partes envolvidas nos processos cíveis, trabalhistas e tributários em aberto, dentre outras razões. 12) Assim, transcrevemos, a seguir, toda a parte inicial do referido Protocolo, inclusive para melhor contextualização das justificativas da cisão parcial do Unibanco e dos aspectos quanto à unificação, integração e centralização das carteiras financeiras ativas e passivas, das estruturas operacionais e Fl. 6755DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.743 7 administrativas e demais ativos operacionais e negócios bancários no Itaú: “UNIBANCO e ITAÚ referidos conjuntamente como “Companhias” As partes acima nomeadas e qualificadas, considerando que: (1) em 28 de novembro de 2008, o Conglomerado Itaú e o Conglomerado Unibanco se uniram em um mesmo e único conglomerado, de forma que o UNIBANCO passou a ter todas as suas ações detidas, direta ou indiretamente, pelo ITAÚ, o qual, por sua vez, possui todas as suas ações detidas pelo ITAÚ UNIBANCO BANCO MÚLTIPLO S.A.; (2) com a associação Itaú Unibanco, é coerente que os negócios dos dois conglomerados sejam integrados, tendo em vista o aproveitamento de sinergias, ganhos de escala e diversificação. O novo Conglomerado Itaú Unibanco tem o intuito de unificar suas estruturas operacionais e administrativas, com a consequente otimização do número de empresas, de seus negócios, ativos e resultados; (3) como parte dessa integração, é conveniente centralizar as carteiras financeiras ativas e passivas, bem como os demais ativos operacionais e negócios bancários, do ITÁU e UNIBANCO no ITAÚ, com os respectivos resultados, e também centralizar no ITAÚ as participações societárias nos demais segmentos de negócios desenvolvidos atualmente pelas empresas controladas do UNIBANCO, dentre outras: Unibanco Seguros S.A., Unibanco Vida e Previdência S.A., Unibanco Companhia de Capitalização S.A., Dibens Leasing S.A. Arrendamento Mercantil, Banco Único S.A., Unibanco Asset Management S.A. Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários S.A., Unibanco Investshop – Corretora de Valores Mobiliários e Câmbio S.A. e Banco Fininvest S.A. e suas subsidiárias; (4) o UNIBANCO deve continuar existindo para que possa (a) fazer frente a gestão administrativa de suas agências, enquanto não encerradas em todas as esferas necessárias, (b) dar continuidade à gestão administrativa dos processos cíveis, trabalhistas e tributários em aberto, enquanto não notificadas as partes envolvidas, (c) auxiliar no processo de integração, (d) manter e gerir determinados passivos operacionais e ativos financeiros que não serão objeto de cisão, dentre outras razões; (5) por outro lado, a centralização do controle societário das participações nas empresas controladas e a centralização das carteiras financeiras, ativos operacionais e negócios com os respectivos resultados econômicos, no ITAÚ, é o primeiro passo para a integração das estruturas operacionais do UNIBANCO e ITAÚ. Para atingir esse objetivo é interesse do Conglomerado Itaú Unibanco que se Fl. 6756DF CARF MF 8 cindam determinados ativos e passivos do UNIBANCO para incorporação da parcela cindida no ITAÚ, sendo a parcela cindida composta de substancialmente todos os ativos e passivos relacionados às atividades de varejo, atacado, tesouraria e demais ativos operacionais. A maioria desses ativos e passivos, integrantes dessa parcela patrimonial cindida, continuará a ser gerida pelo UNIBANCO e, assim como as novas operações e negócios do UNIBANCO, tais atividades serão realizadas por conta e ordem do ITAÚ.” 13) Outro documento que julgamos pertinente é o “Instrumento Particular de Contrato de Associação e Outras Avenças” celebrado, em 03.11.2008, pelos controladores dos Conglomerados Itaú e Unibanco. Embora o principal objeto do contrato fosse estabelecer a divisão do controle da nova configuração societária a ser formada, de um lado, pelas famílias Setubal e Villela (controladoras do Conglomerado Itaú) e de outro pela família Moreira Salles (detentora do controle do Unibanco), o instrumento contratual também tratou, ainda que de forma preliminar e superficial, da integração do Banco Itaú e do Unibanco. Reproduzimos, a seguir, a “CLÁUSULA IV”: CLÁUSULA IV “4. A integração do Itaú e do Unibanco será conduzida de modo a proporcionar os melhores benefícios em termos administrativos, operacionais, mercadológicos ou de outra natureza e a decisão, que a respeito for adotada pelos GRUPOS A e B (5), levará em conta exclusivamente esses fatores: 4.1. O Itaú Holding passará a operar sob a denominação de ‘Itaú Unibanco Holding S. A.’, conservando o Itaú a sua denominação . 4.2. Havendo ou não a preservação da pessoa jurídica do Unibanco, o seu nome comercial e suas marcas ou os nomes comerciais ou marcas de algumas de suas controladas deverão ser mantidos como estratégia mercadológica de segmentação de negócios ou de exploração de produtos ou de atividades diferenciadas, pelo tempo que for considerado útil ou necessário em benefício do empreendimento explorado pelo Itaú Holding, ficando a revisão ou o abandono dessa estratégia sujeita a concordância dos GRUPOS A e B.” (g.n.) 14) No trecho transcrito, fica claro que a integração Itaú Unibanco adotaria, como base, as estruturas operacionais do Itaú em detrimento das do Unibanco. Ainda que, num caso ou noutro, uma ‘marca’ do Unibanco fosse mantida por “estratégia mercadológica”. Os trechos transcritos acima são evidências que ressaltam a falta de interesse dos controladores, desde o início das tratativas, em manter o Unibanco como entidade operacional no novo conglomerado financeiro e corroboram no entendimento de que inexistiu qualquer propósito negocial no aporte de capital de R$ 20 bilhões. E isso é fato: o Unibanco foi Fl. 6757DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.744 9 incorporado pelo Itaú Unibanco, em julho de 2014, e os recursos oriundos do referido aporte foram aplicados, até a sua extinção, somente em operações interfinanceiras de liquidez. 15) Destarte, convém comparar o passivo total do Unibanco em relação ao seu patrimônio líquido, de 2009 a 2013, cujos dados foram obtidos das demonstrações contábeis que receberam pareceres sem ressalvas da auditoria externa, a fim de verificarmos a discrepância entre as referidas contas patrimoniais, ou seja, as obrigações do Unibanco, para uma instituição cujo desfecho já estava determinado, estavam mais do que suficientemente garantidas pelo ativo. Tal fato demonstra a falta de necessidade de um aporte daquela envergadura: 16) Os efeitos das aplicações em depósitos interfinanceiros (incluídas nas contas de aplicações interfinanceiras de liquidez), de que trata o presente TVF, impactaram positivamente, por óbvio, o resultado do Unibanco de 2010 a 2012, inclusive a determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido. 17) Conforme já mencionado, as receitas com DI foram, respectivamente, de R$ 904.943.518,33, R$ 2.434.780.534,33 e R$ 287.008.194,72 nos anoscalendário de 2010, 2011 e 2012. Com base nesses valores, demonstrase, nos quadros a seguir, os efeitos dessas receitas no lucro líquido antes da CSLL, lucro real, base de cálculo da CSLL e compensações de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL do Unibanco de 2010 a 2012: Fl. 6758DF CARF MF 10 18) Dos quadros acima, podemos extrair que, em 2010, as receitas com DI, no valor de R$ 904.943.518,33, reduziram o prejuízo contábil que seria de R$ 994.284.881,98 para apenas R$ 89.341.363,65. Reduziram inclusive o prejuízo fiscal que seria de R$ 994.284.881,98 para apenas R$ 89.341.363,65. Idem, também, para a base negativa da CSLL. Ou seja, todas as receitas com DI, em 2010, foram absorvidas pelo prejuízo contábil apurado em outras operações. 19) Em 2011, as receitas com DI incrementaram o lucro contábil em R$ 2.434.780.534,33 e, também, o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Porém, o lucro tributável foi amenizado em razão da existência de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, os quais resultaram em um aumento na compensação no mesmo valor para ambos de R$ 730.434.160,32. 20) Em 2012, da mesma forma, as receitas com DI incrementaram o lucro contábil do Unibanco em R$ 287.008.194,726 e, também, o lucro real e a base de cálculo da CSLL. Porém, o lucro tributável também foi amenizado em razão da existência de saldos de prejuízos fiscais e bases negativas da CSLL, os quais resultaram em um incremento na compensação no mesmo valor para ambos de R$ 86.102.458,50. 21) É importante registrar que o saldo de prejuízos fiscais do Unibanco, em 31 de dezembro de 2009, era de R$ 2.432.071.238,60, conforme o Demonstrativo de Compensação de Prejuízos Fiscais (SAPLI); e o da base negativa da contribuição era de R$ 1.820.612.901,71, conforme o Demonstrativo da Base de Cálculo Negativa da CSLL (SAPLI). 22) Esses saldos seriam muito maiores em 2010, caso o resultado do Unibanco não fosse incrementado pelas receitas com depósitos interfinanceiros, conforme demonstrado no Fl. 6759DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.745 11 quadro relativo ao anocalendário de 2010, acima. E, em razão dessas operações, o Unibanco conseguiu zerar todo o saldo de base negativa da contribuição social no ano de 2013, enquanto que o de prejuízos fiscais restou um montante de apenas R$ 76.255.217,64, conforme o SAPLI. 23) Notase, portanto, que o aporte de capital de R$ 20 bilhões no Unibanco e o subseqüente retorno desse valor para o único acionista e subscritor Itaú Unibanco por meio de aplicações em depósitos interfinanceiros emitidos por este último foi muito vantajoso fiscalmente para ambos. 24) De fato, no caso do Unibanco tais operações resultaram em receitas de depósitos interfinanceiros que incrementaram o seu lucro tributável e, consequentemente, pôde aproveitar ao máximo os saldos de seus prejuízos fiscais e bases negativas antes da sua extinção que, conforme relatado, já estava prevista. 25) No caso do Itaú Unibanco, os depósitos interfinanceiros representaram obrigações que foram contabilizadas no passivo e, dessa forma, foram registradas despesas com depósitos interfinanceiros, cujos valores são os mesmos das receitas do Unibanco. Referidas despesas, por óbvio, não seriam apropriadas se não fossem as tais operações de aporte de capital em uma subsidiária integral e o imediato retorno desse capital por meio de captações depositadas pelo Unibanco. 26) Assim, convém demonstrar também o impacto dessas despesas no Itaú Unibanco, a seguir. Fl. 6760DF CARF MF 12 26) Pelos demonstrativos extraise que no Itaú Unibanco, as despesas com DI reduziram, por óbvio, o lucro líquido antes da CSLL de 2010 a 2012, nos respectivos valores de R$ 904.943.518,33, R$ 2.434.780.534,33 e R$ 287.008.194,72. 27) No aspecto fiscal do Itaú Unibanco, as despesas com DI reduziram, em 2010, o lucro real, que seria de R$ 1.036.999.404,59. para apenas R$ 132.055.886,26, antes da compensação de prejuízos fiscais. No caso da CSLL, as despesas com DI reduziram a base de cálculo que seria de R$ 704.843.751,66 para uma base negativa de R$ 200.099.766,67. 28) Em 2011, as despesas com DI aumentaram o prejuízo fiscal que seria de R$ 537.761.843,89 para R$ 2.972.542.378,22; e, também, aumentaram a base negativa da CSLL que seria de R$ 1.265.318.754,64 para R$ 3.700.099.288,97. 29) Em 2012, no caso do Itaú Unibanco, as despesas com DI reduziram o lucro real antes da compensação de prejuízos de R$ 332.568.442,73 para R$ 45.560.248,01, e, aumentaram a base negativa da CSLL de R$ 300.962.809,32 para R$ 587.971.004,04. 30) Conforme se depreende dos quadros acima, o Itaú Unibanco também foi beneficiado, pois, o passivo representado pela captação de recursos por meio de depósitos interfinanceiros gerou despesas com DI que reduziram o seu lucro tributável. 31) Pelo exposto, o resultado do aporte de capital no Unibanco, subsidiária integral, e o subsequente retorno desse capital ao acionista Itaú Unibanco foi vantajoso para ambos apenas no aspecto tributário sem qualquer outro benefício seja no aspecto societário, empresarial ou negocial. 32) Em suma, em razão dessas operações, o Itaú Unibanco reduziu o seu lucro tributável e o Unibanco, antes de ser extinto, conseguiu zerar todo o saldo de base negativa da contribuição social, no ano de 2013, enquanto que o de prejuízos fiscais restou um montante de apenas R$ 76.255.217,64, conforme o SAPLI. O Itaú Unibanco registrou despesas com DI e o Unibanco as correspondentes receitas. Eram esses os objetivos de todo o planejamento sem que houvesse qualquer motivação extratributária. 33) O fato desse planejamento resultar em pagamento do imposto e contribuição no Unibanco, não justifica e não torna legítima a operação perante o Fisco, pois, ao balancear toda a situação do Unibanco que seria extinto e os saldos de créditos Fl. 6761DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.746 13 tributários que também seguiriam o mesmo caminho, era preferível executálo, mesmo aumentando a carga tributária, momentaneamente, e manter tais créditos, agora no Itaú Unibanco, para compensação futura. 34) O Itaú Unibanco contabilizou despesas que somaram R$ 3.626.732.247,38, em três anos, as quais foram registradas em razão de um planejamento caracterizado pela ausência de motivação extratributária. A própria ata sumária da AGE que aprovou o aumento do capital de R$ 20 bilhões no Unibanco não menciona os motivos desse aporte até porque não teria cabimento lógico constar um aporte dessa envergadura para fins de aplicação em depósitos interfinanceiros no próprio Itaú Unibanco, sendo exatamente isso o que aconteceu. 35) Convém repisar as informações da Cetip sobre DI: “o Depósito Interfinanceiro (DI) é instrumento financeiro destinado à transferência de recursos entre instituições financeiras. É um título privado de Renda Fixa negociado exclusivamente entre instituições financeiras que auxilia no fechamento de caixa dos bancos, como instrumento de captação de recursos ou de aplicação de recursos excedentes.” (g.n) 36) Ora, se o Itaú Unibanco realmente necessitasse de recursos para o fechamento de seu caixa, então, não haveria nenhuma razão para efetuar um aporte de R$ 20 bilhões em uma outra empresa, ainda mais naquela cujo encerramento estava decidido e, ainda, pagar as respectivas despesas. 37) Da mesma forma, o Unibanco ao aplicar o montante de R$ 20 bilhões em depósitos interfinanceiros e mantêlos assim até, pelo menos, 2012, comprova que o referido aporte foi alocado no rol dos recursos excedentes, não havendo, portanto, nenhuma necessidade dessa capitalização. Aliás, o Unibanco à época, em julho de 2010, já possuía cerca de R$ 10 bilhões aplicados em DI, ou seja, já havia um excesso de recursos que, conforme relatado anteriormente, era suficiente para fazer frente a todas as suas obrigações. 38) Embora não seja tão sofisticado quanto um planejamento que envolva uma série de operações estruturadas em sequência, o presente caso tem uma execução muito mais simples, pois foi baseada formalmente em uma única reunião de AGE deliberando o aumento de capital no Unibanco, porém, se enquadra também no entendimento firmado pela jurisprudência administrativa de que as transações para serem legítimas devem decorrer de atos efetivamente existentes e necessários e não, apenas artificialmente e formalmente revelados em documentos ou na escrituração contábil ou fiscal. 39) De fato, a execução do planejamento do presente caso equivale ao Itaú Unibanco sacar dinheiro de um bolso e colocá lo em outro, pois, não apenas pelo fato do Unibanco ser uma subsidiária integral como também este utilizou os recursos recebidos para aplicálos em depósitos interfinanceiros do próprio Itaú Unibanco, ou seja, os recursos efetivamente Fl. 6762DF CARF MF 14 retornaram de forma imediata à posse do seu subscritor. Quanto ao objetivo desse planejamento, isto já foi relatado anteriormente. Assim, tais operações não tem o condão de serem oponíveis ao Fisco. 40) Nesse sentido, transcrevemos a ementa da decisão do antigo Conselho de Contribuintes (atual CARF) no Acórdão nº 104 21675, Sessão de 22 de junho de 2006: “OPERAÇÕES ESTRUTURADAS EM SEQÜÊNCIA O fato de cada uma das transações, isoladamente e do ponto de vista formal, ostentar legalidade, não garante a legitimidade do conjunto de operações, quando fica comprovado que os atos praticados tinham objetivo diverso daquele que lhes é próprio. AUSÊNCIA DE MOTIVAÇÃO EXTRATRIBUTÁRIA O princípio da liberdade de autoorganização, mitigado que foi pelos princípios isonomia tributária e da capacidade contributiva, não mais endossa a prática de atos sem motivação negocial, sob o argumento de exercício de planejamento tributário.” 41) Por todo o exposto, restou comprovado que o aporte de capital de R$ 20 bilhões no Unibanco e o retorno imediato desses recursos ao Itaú Unibanco por meio de depósitos interfinanceiros tinha o propósito inequívoco de gerar receitas no Unibanco a fim de exaurir por completo os estoques de prejuízos fiscais e bases negativas da contribuição social antes da extinção do Unibanco, cujo desfecho já tinha sido estabelecido, e, ao mesmo tempo, gerar despesas no Itaú Unibanco que reduziram indevidamente o seu lucro real e a sua base de cálculo da contribuição social, ou seja, as operações utilizadas não tinham nenhuma motivação extratributária. 42) Conforme a CETIP S.A. Mercados Organizados (CETIP)1, o Depósito Interfinanceiro (DI) é instrumento financeiro destinado à transferência de recursos entre instituições financeiras. É um título privado de Renda Fixa negociado exclusivamente entre instituições financeiras que auxilia no fechamento de caixa dos bancos, como instrumento de captação de recursos ou de aplicação de recursos excedentes. 43) Dessa forma, as despesas com depósitos interfinanceiros registradas no Itaú Unibanco carecem dos requisitos de necessidade, usualidade e normalidade e não se enquadram, portanto, entre aquelas consideradas dedutíveis nos termos do art. 299 do Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999. 44) Vale registrar a definição de despesa necessária constante no Parecer Normativo n° 32 de 1981, onde dispõe que o gasto é necessário quando essencial a qualquer transação ou operação exigida pela exploração das atividades, principais ou acessórias, que estejam vinculadas com as fontes produtoras de rendimentos. Despesa normal, diz o Parecer, é aquela que se verifica comumente no tipo de operação ou transação efetuada e Fl. 6763DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.747 15 que, na realização do negócio, se apresenta de forma usual costumeira ou ordinária. Despesa necessária é despesa adequada. É a realizada com fins de manutenção, desenvolvimento, investimento, sempre visando o progresso do empreendimento. 45) Portanto, não cabe no conceito de despesa necessária, aquela feita sem propósito empresarial. Assim, estamos procedendo à glosa das despesas com depósitos interfinanceiros registradas no Itaú Unibanco, nos seguintes valores anuais: RECOMPOSIÇÃO DO LUCRO REAL E DA BASE DE CÁLCULO DA CSLL 46) Conforme ressaltado anteriormente, o Itaú Unibanco foi autuado pela Secretaria da Receita Federal do Brasil nos anos calendário de 2009 a 2013 com lançamentos do IRPJ e da CSLL que originaram o Processo Administrativo Fiscal nº 16327.721108/201409. Para o nosso caso concreto, as infrações e os valores anuais desse PAF que nos interessam são os seguintes: 47) No caso da base de cálculo da CSLL, houve somente a infração relativa à glosa de amortização de ágio no montante de R$ 549.366.935,88, em cada ano, equivalente a uma amortização mensal de R$ 45.780.577,99. 48) A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo publicou o Acórdão nº 1670.292 – 8ª Turma da DRJ/SPO, de 18 de novembro de 2015, que manteve no mérito o lançamento do IRPJ e da CSLL do referido PAF, com algumas alterações na apuração da multa isolada que também foi mantida. 49) Em razão dessa autuação, o lucro real, a base de cálculo da contribuição social, as compensações de prejuízos fiscais e bases negativas da contribuição social e os respectivos saldos foram alterados de ofício em relação aos valores informados nas declarações (DIPJ) e isso tem reflexo no presente lançamento do IRPJ e da CSLL de 2010 a 2012. 50) Dessa forma, a recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL decorrente da infração de que trata o presente Fl. 6764DF CARF MF 16 TVF foi apurada a partir da recomposição efetuada no PAF16327.721108/201409. 51) Posto isso, demonstramos, a seguir, em relação aos anos de 2010 a 2012: (1) o lucro real e a base de cálculo declarados na DIPJ e respectivas compensações, se houver; (2) o lucro real e a base de cálculo apurados de acordo com a recomposição constante no PAF nº 16327.721108/201409; (3) o valor da infração apurada no presente TVF; e (4) a recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL de acordo com a infração apurada no presente TVF. (...) 52) E por todo o exposto, procedemos ao lançamento de ofício do IRPJ e da CSLL, por meio de auto de infração que acompanha este TVF, em razão da glosa de despesas não necessárias na determinação do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido dos anoscalendário de 2010 a 2012, do Itaú Unibanco, denominada de despesas com depósitos interfinanceiros, nos valores de R$ 904.943.518,33, R$ 2.434.780.534,33 e R$ 287.008.194,72, respectivamente, por não atenderem aos requisitos de necessidade, normalidade e usualidade para as atividades empresariais, consoante determina a legislação tributária. 53) Enquadramento Legal: IRPJ: Arts. 247, 248, 249, inciso I, 251 e 299 do Decreto nº 3.000/99. Art. 3º da Lei nº 9.249/95. CSLL: Art. 2º da Lei nº 7.689/88, com as alterações do art. 2º da Lei nº 8034/90; art. 57 da Lei nº 8.981/95, com as alterações do art. 1º da Lei nº 9065/95; art. 2º da Lei nº 9.249/95; art. 1º da Lei nº 9.316/96; e art. 28 da Lei nº 9.430/96. Art. 3º da Lei nº 7.689/88, com redação dada pelo art. 17 da Lei nº 11.727/08. INSUFICIÊNCIA DE PAGAMENTO MENSAL DA ESTIMATIVA DO IRPJ E DA CSLL – INCIDÊNCIA DA MULTA ISOLADA 54) no caso de falta, total ou parcial, do pagamento mensal da estimativa devida, a sanção prevista é o lançamento da multa isolada aplicada sobre o pagamento mensal que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado, no anocalendário correspondente, prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro líquido, conforme o art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96, com redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/2007 (conversão da MP nº 351/2007). 55) considerando a infração apurada no presente TVF, recompomos, nas planilhas anexas a este TVF, as bases mensais da estimativa do imposto de renda da pessoa jurídica e da contribuição social sobre o lucro líquido, em função do balanço ou balancete de suspensão ou redução, dos anoscalendário de 2010 a 2012, onde procedemos à apuração dos valores da estimativa mensal não recolhidos, sobre os quais incidiu a multa isolada de 50%. Fl. 6765DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.748 17 56) Convém ressaltar que, assim como na recomposição do lucro real e da base de cálculo da contribuição social sobre o lucro líquido, a apuração da multa isolada do presente TVF levou em conta a recomposição das estimativas efetuadas no citado PAF de nº 16327.721108/201409, com os ajustes promovidos pela decisão da DRJ no Acórdão nº 1670.292 – 8ª Turma da DRJ/SPO, de 18 de novembro de 2015. 57) A seguir, a relação dos valores da multa isolada apurados por falta de pagamento da estimativa do IRPJ e da CSLL, objetos de lançamentos de ofício. Os respectivos demonstrativos seguem em planilhas anexas (Reproduzidas após os demonstrativos abaixo). (...) 58) Enquadramento Legal: IRPJ/CSLL. Art. 44, inciso II, alínea “b”, da Lei nº 9.430/96 com a redação dada pelo art. 14 da Lei nº 11.488/07 (conversão da MP 351/2007). Arts. 2º, 3º, 6º, 28 e 30 da Lei nº 9.430/96. Arts. 222 e 843 do Decreto nº 3.000/99. O Contribuinte foi cientificado da autuação em 22/12/2015, conforme Termo de Ciência de Lançamentos e Encerramento Parcial do Procedimento Fiscal (fls. 6434/6435). Em 18/01/2016 apresentou impugnação (fls. 6440 a 6458) ao feito contendo, em síntese, as seguintes argumentações/requisições: a) A autuação baseouse em uma específica operação societária, na qual o Banco Itaú aumentou o capital do Unibanco, sob o entendimento de ser um aporte “desnecessário”. b) Os negócios financeiros explorados pelo Unibanco foram transferidos para unidades do Banco Itaú (atual Itaú Unibanco). Nesse contexto, o antigo Unibanco passou por um processo de liquidação de seus ativos e passivos remanescentes e de equacionamento de várias pendências administrativas. Após, aplicou recursos em depósitos no Itaú Unibanco, via Depósitos Interfinanceiros, sendo, finalmente, incorporado pelo Itaú Unibanco. c) a autuação questionou essa fase do processo de absorção. Alegou que o Unibanco (após sua cisão parcial) mantinha “patrimônio respeitável”; por isso, não haveria uma “justificativa razoável” para um aporte de capital (TVF, págs. 9 e 10). Tanto assim que, após a cisão parcial em 2009, o unibanco acabou sendo incorporado em 2014, anotando o autuante que, conforme Protocolo de Cisão Parcial do Unibanco, o Banco continuaria existindo, entre outras razões, inclusive de ordem administrativa, para “manter e gerir determinados passivos operacionais e ativos financeiros”. Fl. 6766DF CARF MF 18 d) Pelas assertivas, o autuante sustenta que o aporte de capital no Unibanco e a aplicação dos recursos em CDI teria sido vantajoso para ambos os bancos apenas no aspecto tributário (pág. 17). Alega que o Itaú Unibanco contabilizou despesas de captação via CDI, qualificando como desnecessárias as despesas incorridas pelo Itaú Unibanco como tomador do CDI, e lavrando autos de infração para exigir IRPJ e CSLL nos valores de R$ 213.949.745,03 e de R$ 121.101.502,71, respectivamente. e) O Impugnante demonstrará a improcedência do auto de infração. f) É digno de nota que o r. autuante inverteu a lógica da argumentação que tem sido utilizada para combater (ora com razão, ora sem razão) as reestruturações que são implementadas mediante a prática de múltiplas operações societárias. g) Geralmente, a pluralidade de operações é invocada como suposta evidência da prática simulada. Mas, in casu, o ilustre autuante passou ao largo da multiplicidade de atos envolvidos na associação ItaúUnibanco e fixou apenas um a aplicação de recursos em CDI após aumento de capital do Unibanco como sendo o ato supostamente irregular, inoponível ao Fisco. Diz a autoridade fiscal: "Embora não seja tão sofisticado quanto um planejamento que envolva uma série de operações estruturadas em sequência, o presente caso tem uma execução muito mais simples, pois foi baseada formalmente em uma única reunião da AGE deliberando o aumento de capital" (TVF, pág. 18). h) Ou seja, o r. autuante olhou apenas o ato de aumento de capital e a aplicação de recursos via CDI, sem dar importância para a complexidade organizacional envolvida na associação ItaúUnibanco. i) É nítido que o Fiscal abstraiu a complexa gama de atos praticados para implementar a absorção dos negócios financeiros do Unibanco na nova estrutura do Itaú Unibanco, e deu destaque apenas a um deles desconectandoo totalmente do processo de que ele é apenas uma pequena parte (embora tenha admitido que o aumento "foi realizado em contexto de reorganização societária entre os Conglomerados Itaú e Unibanco" TVF, pág. 4). j) Essa visão de conjunto é bem enfatizada por Marco Aurélio Greco, ao sublinhar que "é preciso olhar cinematograficamente o desenho inteiro da operação. [...] não devemos ver a realidade como uma fotografía (cada etapa separadamente) mas como um filme (conjunto de etapas)"1, e que: é preciso compreender o conjunto de operações, concebendo o objeto como um complexo, em vez de analisar isoladamente a etapa, para entendermos a realidade. Objetivos empresariais da associação Itaú – Unibanco k) Já registramos, linhas atrás, que o Itaú e o Unibanco atuavam, antes da associação, como dois conglomerados Fl. 6767DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.749 19 distintos, explorando ambos produtos financeiros iguais ou similares. l) A associação dos dois conglomerados teve objetivos (e resultados) de grande importância. Em poucas palavras: criou se o maior banco do hemisfério Sul, mediante a unificação das estruturas empresariais de ambos os grupos, com expressivos ganhos de escala e de sinergia. m) Salta aos olhos de qualquer pessoa que a associação não foi realizada para obter "vantagens fiscais". Até pode ocorrer com frequência que processos de aquisição de empresas possam ter, como um dos componentes, a utilização do benefício fiscal propiciado pela amortização de ágio, observados determinados requisitos legais. Mas nenhuma empresa se lança no mercado para comprar outras empresas apenas para gozar desse benefício fiscal. O que se pretende, em todas as operações seriamente conduzidas, é o fortalecimento das estruturas produtivas, que incrementem os resultados empresariais (que, aliás, é o que vai permitir "pagar a conta" do ágio). n) A associação Itaú Unibanco, unificando dois dos mais tradicionais e respeitados grupos financeiros nacionais, não foi feita para obter ganhos de ordem tributária. Ela foi realizada para obter os frutos que normalmente resultam de projetos tecnicamente bem estruturados e adequadamente executados. E os resultados obtidos pelo conglomerado Itaú Unibanco demonstram que a avaliação feita pelos idealizadores da associação estava correta. o) Apesar de a valoração fáticojurídica ter se centrado na alegada desnecessidade da capitalização do Unibanco, o i. autuante não considerou ineficaz ou inoponível ao Fisco os efeitos dessa capitalização, ou seja, não considerou sem efeito as receitas auferidas e tributadas no Unibanco. p) A alegada desnecessidade das despesas incorridas pelo Impugnante, com fundamento no art. 299 do RIR/99, foi o motivo da autuação. q) Como se vê no TVF, apesar de o foco central ter sido a valoração fáticojurídica da capitalização do Unibanco, não se desprezaram seus efeitos no Unibanco, i.e., as receitas que foram auferidas por conta do aporte de recursos no Unibanco, e foram nele tributadas, não foram desconsideradas pelo ilustre autuante. Obviamente, não se consideraram simuladas nem a capitalização do Unibanco nem a aplicação dos recursos no Impugnante. O aumento de capital do Unibanco no contexto da reorganização societária. r) No rol das medidas de reorganização societária, o antigo Unibanco S.A. seria extinto (como, efetivamente, ocorreu, por incorporação). Até sua extinção, porém, continuou exercendo Fl. 6768DF CARF MF 20 seus direitos e cumprindo suas obrigações, inclusive fiscais. Durante esse período, "carregou" alguns resultados negativos. s) Como compensar os prejuízos fiscais legitimamente registrados em sua escrita fiscal? Com lucros futuros, obviamente. t) Sua imediata extinção (admitindo que não houvesse outras razões para adiar essa medida) implicaria a concomitante extinção do direito à compensação dos prejuízos. Ninguém, é óbvio, sustentaria que a extinção é obrigatória nessa situação. u) De que modo poderiam tais prejuízos ser compensados? Um caminho natural que, certamente, não seria questionado pelo autuante teria sido a manutenção da exploração de produtos financeiros no âmbito do próprio Unibanco S.A. v) Porém, essa "solução" adiaria o aperfeiçoamento do processo de integração dos dois antigos conglomerados. w) A alocação de capital é uma decisão empresarial que implica, necessariamente, a determinação da pessoa jurídica que realizará os frutos da aplicação do capital e que deles se apropriará. Aportar capital na empresa A ou B ou C importa em que os lucros (ou eventuais prejuízos) da exploração dos recursos aportados serão resultados pertencentes a A ou B ou C. Não altera essa assertiva o fato de, eventualmente, tratarse de subsidiária integral, dado que a lei fiscal atribui a ela a condição de contribuinte (distinto da controladora). x) Em suma, a decisão empresarial, no melhor interesse econômico do conglomerado, traduziuse em tirar da unidade Unibanco S.A. a exploração de produtos financeiros que pudessem darlhe a rentabilidade necessária para absorver os prejuízos e nele alocar capital, medida que acabou cumprindo a mesma função. y) Essa opção foi motivada por razões meramente fiscais? É claro que não. Se aquelas atividades fossem exploradas no âmbito do próprio Unibanco S.A., os prejuízos também seriam compensados. Mas essa não era, empresarialmente, a solução mais eficiente e adequada, pois adiaria a conclusão do processo de integração dos dois antigos conglomerados. Isso evidencia que a medida (aumento de capital, "no contexto da reorganização", como reconheceu o autuante) não foi adotada para criar "vantagens" fiscais. Ela nada criou, apenas preservou um direito que, de outras maneiras, também poderia ser exercido. z) É por isso que é importante não perder a visão do conjunto. Nos processos de reorganização, especialmente com o nível de complexidade presente na associação ItaúUnibanco, não é possível avaliar, isoladamente, uma singela etapa do processo, para qualificála de ilegítima ou inoponível ao Fisco. A dedutibilidade das despesas incorridas pelo Impugnante aa) Visto que não há fundamento para qualificar como inoponível ou ilegítima a etapa do processo da reorganização do Fl. 6769DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.750 21 ItaúUnibanco identificada no aporte de capital do Unibanco, igualmente não há como considerar inoponível ou ineficaz o efeito derivado, correspondente às despesas incorridas pelo Impugnante, na aplicação dos recursos pelo Unibanco. bb) Visto o aporte de capital no conjunto de operações que implementaram a reorganização societária, fica evidente a existência de causa efetiva e legítima, inclusive sob o aspecto econômico, para a realização desse aporte. cc) Analisando o mesmo fenômeno por outro ângulo, se as receitas apuradas na operação foram consideradas, e se a elas correspondem as despesas de captação incorridas na mesma operação, estas também, igual e necessariamente, devem ser consideradas, sob pena de contradição no fundamento. A mesma operação não pode, ao mesmo tempo, ser e não ser eficaz perante o Fisco. A captação de recursos e a normalidade das despesas dd) Imaginese que, para o aporte de capital no Unibanco pelo Impugnante, este tenha captado recursos por meio de emissão de CDI que tenha sido adquirido por terceiro. Teria havido algum problema na captação desses recursos por CDI? Ou melhor, a despesa incorrida com essa captação de recursos seria ineficaz ou inoponível ao Fisco? É óbvio que não! ee) A questão central, neste passo, é a negociação em condições de mercado, vale dizer, as que são praticadas entre terceiros. Qual a diferença entre os CDI emitidos pelo Impugnante, para captação de recursos, terem sido adquiridos pelo Unibanco (para quem representam uma aplicação de recursos), em vez de terem sido adquiridos por terceiro banco, se a taxa aplicada foi a mesma, i.e., a taxa de mercado? Nenhuma. ff) Nenhum questionamento houve quanto à taxa de captação do CDI ter sido ou não definida em condições de mercado. gg) Nenhuma diferença haveria se o Unibanco tivesse aplicado os recursos em CDI emitidos por terceiro banco e se este ou um quarto banco houvesse adquirido os CDI emitidos pelo Impugnante. Efetivamente nenhuma diferença substancial, econômica ou jurídica há entre essas situações e o que efetivamente ocorreu. hh) Então, não há como falar em ausência de motivo econômico, negocial, na captação de recursos em dissídio, nem em inusualidade, anormalidade, enfim, em desnecessidade das despesas incorridas nessa captação de recursos, haja vista a operação ter se realizado sob razão econômica, típica, usual e realizada nas condições de mercado. MULTAS ISOLADAS ii) A autoridade fiscal exige o IRPJ e a CSL supostamente não recolhidos da apuração anual, bem como a multa de ofício Fl. 6770DF CARF MF 22 incidente sobre os tributos lançados, concomitantemente com a multa de ofício isolada, sobre a insuficiência calculada em decorrência da mesma infração (dos mesmos períodos). jj) Hiromi Higuchi afirma que "O procedimento mais absurdo da fiscalização consiste na aplicação de duas muitas de ofício sobre a mesma infração fiscal. Assim, por exemplo, quando apura omissão de receita ou dedução indevida de custo ou despesas, o fisco faz o lançamento do IRPJ e da CSL e aplica a multa de ofício e ainda aplica a multa de ofício isolada por falta de antecipação mensal do tributo sobre a omissão de lucro" kk) Se se quiser dizer que não se trata de mesma infração, impõese reconhecer que o bem jurídico maior é o tributo efetivo, do que é conteúdo provisorio ou iter preparatorio o bem jurídico representado pelo dever de pagar estimativas "de algo" (e não "algo" efetivo). ll) A Câmara Superior de Recursos Fiscais afirmou a impossibilidade de aplicação concomitante da multa de ofício e da multa isolada: MULTA ISOLADA APLICAÇÃO CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO Incabível a aplicação concomitante de multa isolada por falta de recolhimento de estimativas no curso do período de apuração e de oficio pela falta de pagamento de tributo apurado no balanço. A infração relativa ao não recolhimento da estimativa mensal caracteriza etapa preparatória do ato de reduzir o imposto no final do ano. Pelo critério da consunção, a primeira conduta é meio de execução da segunda. O bem jurídico mais importante é sem dúvida a efetivação da arrecadação tributária, atendida pelo recolhimento do tributo apurado ao fim do anocalendário, e o bem jurídico de relevância secundária é a antecipação do fluxo de caixa do governo, representada pelo dever de antecipar essa mesma arrecadação. (Acórdão no 9101001.307,1§ Turma, Sessão de 24/4/2012). mm) O atual CARF já se manifestou, em inúmeras ocasiões, sobre a impossibilidade de cobrança concomitante da multa isolada por falta de recolhimento do tributo por estimativa com a multa de ofício proporcional, em face do art. 44 da Lei 9.430/96 alterado pela Lei 11.488/07. Vejamos: MULTAS ISOLADASCONCOMITÂNCIA COM MULTA PROPORCIONAL Apenado o continente (IRPJ efetivo), incabível se apenar o conteúdo (estimativas de IRPJ). Se já se penaliza o todo, não há sentido em se penalizar também a parte do todo. Contradição de termos lógicos e axiológicos. Inaplicabilidade das multas isoladas. (Acórdão ns 110300.598, 1^ Seção 1^ Câmara, 3^ Turma Ordinária, Sessão de 16/1/2012) (grifos nossos). MULTA ISOLADA POR FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS MENSAIS CONCOMITANTE COM A MULTA DE OFÍCIO. INAPLICABILIDADE. É inaplicável a penalidade quando existir concomitância com a multa de ofício sobre o ajuste anual (mesma base). (Acórdão ne 1402001.217, 1^ Seção 45 Câmara, 2^ Turma Ordinária, Sessão de 4/10/12) Fl. 6771DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.751 23 nn) Apenas para argumentar, se fosse mantida a autuação, e, ainda, se não fossem afastadas as multas isoladas sobre estimativas não recolhidas de IRPJ e CSLL pelas razões expostas no subtópico acima, teriam de se limitar a 50% do IRPJ da CSL efetivos do período, conforme quadros abaixo: oo) As multas isoladas lançadas, indicadas na penúltima coluna dos quadros acima, foram calculadas sobre as estimativas de IRPJ e de CSL incluindo os ajustes feitos nos autos de infração incorporados no processo administrativo n9 16327.721108/201409 (relativos a amortização de ágio), e se subtraindo as multas isoladas exigidas naqueles autos de infração. Isto é confirmado nas planilhas das págs. 26 a 31 do TVF (cujos valores se encontram nas págs. 10 a 12 do auto de infração de IRPJ e nas págs. 8 a 10 do auto de infração de CSL). Naqueles autos de infração houve excesso em relação ao IRPJ e à CSL efetivos, de modo que o excesso ora calculado se dá sobre o IRPJ e a CSL lançados nos presentes autos de infração. pp) Como se observa dos quadros, nos anoscalendário de 2010 a 2012, as multas aplicadas são superiores a 50% do valor do IRPJ devido. E nos anoscalendário de 2011 e 2012, as multas aplicadas são superiores a 50% da CSL devida, nesses anos calendário. qq) Antes de serem apurados IRPJ ou CSL efetivos (tributos), o descumprimento do dever de pagar estimativas de tributo permite a aplicação da pena, mesmo que, a final, venha a ser apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa de CSL. Esta é a inteligência que concilia a letra da lei com a proporcionalidade da sanção à vista dos bens jurídicos tutelados. rr) Este entendimento é consagrado pela CSRF do CARF: MULTA ISOLADA FALTA DE RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVA. A multa isolada reportase ao descumprimento de fato jurídico de antecipação, o qual está relacionado ao descumprimento de obrigação principal. O tributo devido pelo contribuinte surge quando o lucro real é apurado em 31 de dezembro de cada ano. Se a imputação de penalidade é feita após o encerramento do ano calendário, o balanço final do exercício é prova suficiente para determinar o limite da multa cuia base não pode ultrapassar o valor do tributo, quando devido sob pena de Fl. 6772DF CARF MF 24 descaracterizar sua natureza de multa imputada em razão de descumprimento de obrigação principal. Esse entendimento aplicase exclusivamente às multas lançadas após o encerramento do respectivo anocalendario. (Acórdão n9 9101001.916,1^ Turma, Sessão de 15/5/2014) (grifos nossos) Erro na determinação das bases de cálculo das multas isoladas ss) Ainda em caráter subsidiário, as multas isoladas seriam inexigíveis no montante lançado, por erro nas suas bases de cálculo. Logo, sua redução é de rigor, mesmo que fossem cabíveis as multas isoladas ou que as fossem sem observância dos limites acusados no subtópico precedente, admitido isto para argumentação. tt) Conforme se vê do TVF (págs. 20 e 21), o i. autuante, ao recompor o lucro real e a base de cálculo da CSL dos anos calendário objetivados nos lançamentos, levou em consideração os valores da autuação (que compreendeu os anoscalendário de 2009 a 2013) relativa à amortização fiscal de ágio, incorporada no processo administrativo n9 16327.721108/201409. Portanto, para tal recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSL, efetuaramse as compensações dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSL ajustados naquela autuação, como se nota nos quadros elaborados pelo r. autuante nas págs. 21 e 22 do TVF. uu) Porém, isso não ocorreu na determinação das bases de cálculo das estimativas mensais de IRPJ e de CSL apurados com base em balanço de redução ou suspensão, para fins de aplicação das multas isoladas. Especificamente, não se compensaram os prejuízos fiscais e as bases negativas de CSL ajustados após aquela autuação, na determinação das bases de cálculo das estimativas mensais de IRPJ e de CSL (obviamente, dos meses em que se adotou o balanço de redução ou suspensão), para aplicação das multas isoladas. vv) A afirmação ora feita é constatável pelo cotejo das planilhas das págs. 26 a 31 do TVF, com os demonstrativos do doc. 3 da impugnação. Os prejuízos fiscais e as bases negativas da CSL utilizados pelo Impugnante, na elaboração dos demonstrativos do doc. 3, partiram dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSL ajustados por suas reduções feitas na autuação do processo administrativo nQ 16327.721108/2001409. ww) Para a comprovação do acerto das compensações dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSL nos demonstrativos do doc. 3, basta verificar as páginas das planilhas de compensação de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSL dos autos de infração do processo administrativo n9 16327.721108/201419 e dos presentes autos de infração (doc. 4), com os valores de prejuízos fiscais e de bases negativas de CSL utilizados nos demonstrativos do doc. 3. Ou ainda, a comparação destes valores com os do Sapli ajustado dos quadros das págs. 21 e 22 do TVF elaborados pelo r. autuante. Vêse que as compensações dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSL, observandose o limite legal, inseremse Fl. 6773DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.752 25 nos montantes dos prejuízos fiscais e das bases negativas de CSL ajustados conforme o mencionado processo administrativo, e do próprios prejuízos fiscais e base negativas de CSL ajustados com os presentes lançamentos. xx) Que nos meses indicados nos demonstrativos do doc. 4 o Impugnante apurou as estimativas de IRPJ e de CSL com base no balanço de redução ou suspensão, isto é comprovável de seu cotejo com as fichas 11 e 16 das DIPJs relativas aos anos calendário de 2010 a 2012 (doc. 5). yy) Os excessos de exigência de multa isolada sobre estimativas de IRPJ e sobre estimativas de CSL podem ser sintetizados nos quadros abaixo: zz) Portanto, ad argumentandum tantum, impõese a redução dos montantes discriminados nos quadros acima das multas isoladas referentes ao IRPJ e à CSLL. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO Aaa) Admitido, para argumentar, que não fosse declarada insubsistente a exigência fiscal, o Fisco não poderia exigir juros de mora sobre o valor da multa de oficio. Bbb) A Lei 9.430/96 prevê que os débitos de tributos e contribuições serão acrescidos de multa de mora (art. 61, caput), e que, sobre aqueles débitos, incidirão juros de mora (art. cit., § 39). Ou seja, os débitos de tributos e contribuições é que se sujeitam aos juros de mora, e não o valor da multa de mora. Ccc) Se os juros de mora não incidem sobre a multa de mora, por iguais razões não cabe aplicar tais juros sobre a multa de ofício. Se a multa de ofício estivesse compreendida na referência (feita pelo caput do artigo citado) aos débitos de tributos e contribuições, chegarseia ao absurdo de concluir que o § 38 do artigo prevê a incidência de multa de mora sobre a multa de ofício. Ddd) Também o artigo 164 do CTN, ao tratar de crédito tributário, separa claramente tributo, juros de mora e penalidades. Igual distinção ocorre no artigo 161, caput, do CTN. Eee) Por consequência, não são aplicáveis à multa de ofício os juros de 1% ao mês, referidos no § l9 do art. 161 do CTN. Fl. 6774DF CARF MF 26 Fff) Reconhece o não cabimento da exigência o Acórdão n9 9101000.722 da 1ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais (já sob a estrutura do CARF): "JUROS DE MORA SOBRE MULTA DE OFÍCIO INAPLICABILIDADE Os juros de mora só incidem sobre o valor do tributo, não alcançando o valor da multa de ofício aplicada", (grifos nossos) ggg) No mesmo sentido: a 2ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais do CARF ao julgar recurso especial n9 202 131.351 (Acórdão CSRF/0203.133), bem como a 1a Turma Ordinária da 4ª Câmara da lâ Seção de Julgamento do CARF (Acórdão n9 140100.027), a Ia Turma Ordinária da 2§ Câmara da 2ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos autos do processo n9 10680.011107/2006 29 (Acórdão n9 220100.126). O Contribuinte termina sua impugnação requerendo seu acolhimento e o reconhecimento da improcedência da exação. Em 22 de fevereiro de 2017 a Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) julgou a impugnação parcialmente procedente, em acórdão assim ementado: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2010,2011, 2012 DOUTRINA E JURISPRUDÊNCIA ADMINISTRATIVA. Opiniões doutrinárias não vinculam a autoridade tributária e, em se tratando de Jurisprudência Administrativa no âmbito do CARF, somente se estiver sumulada e aprovada pelo Ministro da Fazenda com efeito vinculante em relação à administração tributária federal. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2010,2011, 2012 TRANSAÇÃO ENTRE PARTES RELACIONADAS. AUMENTO DE CAPITAL SEGUIDO DO RETORNO DE TODO O AUMENTO EM INVESTIMENTO NA CONTROLADORA. FALTA DE INTERESSE NEGOCIAL. Revela falta de interesse negocial a pessoa jurídica controladora aumentar o capital da sua subsidiária integral para, na seqüência, receber todos os recursos sob a forma de depósitos interfinaceiros de liquidez que devem ser remunerados e geram despesas. Tal aumento de capital em subsidiária que mantinha saldos de prejuízo fiscal e base negativa de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido antes de sua incorporação revelam apenas interesse de cunho tributário. MULTA ISOLADA SOBRE ESTIMATIVAS NÃO RECOLHIDAS DE IRPJ. MULTA DE OFÍCIO PROPORCIONAL AO TRIBUTO. FATOS INFRACIONAIS DISTINTOS A multa de 75% é aplicável pelo não recolhimento de IRPJ e CSLL devidos, levantados na ação fiscal e conforme apuração realizada no final do anocalendário, enquanto a multa isolada de 50% é aplicável sobre as estimativas mensais não recolhidas por aquele que optou pela apuração anual e não computou no cálculo o valor levantado na autuação. São duas modalidades punitivas que incidem sobre fatos infracionais distintos inexistindo dupla penalização. CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE IRPJ. COMPENSAÇÃO DE PREJUÍZO FISCAL. No cálculo das estimativas mensais de IRPJ baseadas em balancetes ou balanços de suspensão e redução devese compensar a base de cálculo com o prejuízo fiscal no limite estabelecido pelo artigo 15 da Lei nº 9.065/1995. JUROS DE MORA INCIDENTES SOBRE A MULTA DE OFÍCIO. A multa de ofício é um débito para com a Fazenda Nacional e, nessa condição, é passível de juros de mora a partir da sua constituição. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Fl. 6775DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.753 27 Anocalendário: 2010,2011, 2012 AUTO DE INFRAÇÃO CORRELATO Sendo uma mesma infração fato gerador que enseja a incidência de outro tributo, a mesma sorte terá o auto de infração correlato observadas sua base de cálculo, período de apuração e alíquota própria. CÁLCULO DAS ESTIMATIVAS MENSAIS DE CSLL. COMPENSAÇÃO DE BASE NEGATIVA. No cálculo das estimativas mensais de CSLL baseadas em balancetes ou balanços de suspensão e redução devese compensar a base tributável com o saldo negativo de CSLL existente no limite estabelecido pelo artigo 16 da Lei nº 9.065/1995 Impugnação Procedente em Parte Crédito Tributário Mantido em Parte Neste sentido, foram a) integralmente mantidos os valores principais de IRPJ (R$ 213.949.745,03) e CSLL (R$ 121.101.502,71) acrescidos da multa de ofício de 75% e juros de mora; e b) parcialmente mantidas as multas exigidas isoladamente sobre as estimativas de IRPJ e CSLL não recolhidas, nos valores respectivos de R$ 148.545.332,17 e R$ 36.040.282,63. Houve recurso de ofício. Intimado em 23 de março de 2017, por meio de abertura de mensagem enviada a seu Domicilio Tributário Eletrônico (fl. 6657), o contribuinte apresentou recurso voluntário em 24 de abril de 2017 (fl. 6659), reiterando os argumentos da impugnação e em pontos específicos contraditando a decisão recorrida. Em síntese, afirma que, buscando conciliar dois objetivos igualmente legítimos (não desprezar os prejuízos fiscais do Unibanco e garantir os ganhos de integração entre os conglomerados) a solução empresarial encontrada foi "a) unificação das estruturas operacionais e b) injeção de recursos na empresa que carregava os prejuízos para que estes pudessem ser compensados, nos termos da lei, antes de a empresa ser extinta." Com isso, defende que Fisco e contribuinte ganharam já que, se tivesse mantido as operações no Unibanco (como sugere a decisão recorrida), teria compensado os prejuízos mas teria perdido os ganhos de sinergia e escala, de maneira que o resultado do conglomerado seria menor e assim, consequentemente, menor a tributação. Neste sentido, propõe uma visão de conjunto da reorganização societária, ressaltando que a cisão parcial do Unibanco com absorção de segmentos no Itaú Unibanco e outras unidades do novo conglomerado desfalcou o Unibanco de negócios que lhe poderiam propiciar percepção de renda de forma que, como contrapartida, i.e., para compensar tal perda de renda das atividades bancárias cindidas, houve a injeção de capital para aplicação em CDI. Assim, o aumento de capital não foi adotado para criar vantagens fiscais mas apenas preservou o uso de direitos que, de outro modo (menos eficiente do ponto de vista econômico) também poderiam ter sido realizados. Reitera, ademais, que não há sequer questionamento sobre o valor das taxas cobradas, não havendo dúvida de que foram seguidos padrões de mercado, como é da natureza dos CDIs. Assim, nenhuma diferença haveria entre o Recorrente captar recursos via CDI em um terceiro banco ou com o Unibanco. Pugna subsidiariamente pela inaplicabilidade das multas isoladas ou por sua redução, bem como pela não incidência de juros sobre multa. Fl. 6776DF CARF MF 28 A PGFN apresentou contrarrazões (fls. 66936720). É o relatório. Voto Vencido Conselheira Relatora Livia De Carli Germano Recurso Voluntário O recurso voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos para a sua admissibilidade, portanto dele conheço. Tratase de auto de infração em que se questiona tão somente a necessidade das despesas financeiras incorridas pela Recorrente em captação realizada com sua parte relacionada. Em vez de basear a autuação no dispositivo legal próprio para a avaliação de despesas entre pessoas ligadas isto é, na legislação sobre distribuição disfarçada de lucros a autoridade fiscal autuante se utilizou da regra geral para a dedutibilidade de despesas operacionais prevista no artigo 299 do RIR/99. De fato, o fato de existir uma regra específica para controlar situações de possível manipulação das operações entre partes ligadas não significa que se deixe de aplicar a regra geral que busca prevenir essas mesmas circunstâncias, como já julgado por este CARF1. E, no caso, as regras sobre distribuição disfarçada de lucros aqui teriam aplicação inócua, já que não há dúvida de que a captação foi realizada seguindo padrões de mercado, sendo a remuneração pactuada o CDI, taxa própria para os empréstimos entre instituições financeiras. É de se notar, também, que o presente processo não trata de acusação de simulação. De fato, a autoridade fiscal autuante não questiona a efetiva realização das operações e, como se disse, o fundamento do auto de infração foi tão somente a ausência de necessidade das despesas, não tendo sido desprezadas as receitas auferidas, que foram tributadas. Pois bem. A questão que se coloca é, portanto, se em diante desse cenário em que não se questiona que o negócio foi realizado em condições de mercado e que não houve a prática de simulação, o Fisco pode pretender controlar o quanto de despesa financeira é necessário para o desenvolvimento das atividades operacionais de uma pessoa jurídica. Penso que, em "condições normais" (isto é, não havendo manipulação de preços entre partes relacionadas e sendo o negócio efetivamente praticado, i.e., não simulado), a decisão sobre tomar ou não determinado empréstimo, assim como a de efetivar ou não qualquer operação comercial, cabe exclusivamente ao administrador da empresa, na qualidade de executor dos atos empresariais. 1 Os casos foram analisados em nosso "Planejamento Tributário e Limites para a Desconsideração dos Negócios Jurídicos". São Paulo: Saraiva, 2013, p. 141. Fl. 6777DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.754 29 Assim, o Fisco, embora na prática seja um "sócio" das empresas na medida em que recebe parte dos lucros e resultados por ela gerados, não pode questionar se ela precisava ou não tomar determinado empréstimo, nem pode pretender dizer que a operação deveria ter sido realizada de outra forma. Um eventual questionamento nesse sentido apenas seria possível caso se entendesse que houve "abuso" por parte da pessoa jurídica, no sentido de esta se utilizar das regras então positivadas para delas extrair resultado não autorizado pelo ordenamento. É o que muitos denominam abuso de/do direito, ausência de substância, falta de causa ou de propósito negocial ou mesmo elusão fiscal2. Juridicamente, tratase de um ilícito atípico3, ou seja, um negócio que, de maneira geral, não é proibido pelo ordenamento (pelo contrário, é permitido, portanto a princípio lícito) mas que, no caso concreto, especificamente em razão do resultado atingido, tornase vedado e/ou merece ter determinados efeitos desconsiderados para garantia de equilíbrio do próprio ordenamento (por ter se tornado ilegítimo). O que faz com que um negócio celebrado em pleno exercício da autonomia privada, e portanto a priori lícito, se revele ilícito (sempre em um determinado caso concreto) é, em um sistema causalista, a ausência de causa equivalente à falta de substrato econômico subjacente dos sistemas anticausalistas. É que tal ausência esvazia a autonomia privada, transformandoa em um "querer no vácuo"4 não admitido no ordenamento. Nas palavras de Emilio Betti: "Já não é apenas ilícito o comportamento que vá de encontro a uma norma específica, imperativa ou proibitiva, mas também aquele que, pondo em movimento o mecanismo do negócio, contradiga a função típica do interesse social a que ele é destinado." 5. No caso em questão, tal "abuso" (isto é, a falta de causa) restaria configurado caso o negócio realizado tivesse tido como resultado prático o aproveitamento de prejuízos fiscais por uma pessoa jurídica que, embora ainda formalmente existente, operacionalmente já estaria extinta. Isso porque, neste caso, as partes teriam realizado operações a princípio lícitas mas que, em conjunto, resultariam em um contorno à regra que estabelece a perda dos prejuízos fiscais por pessoa jurídica que deixa de operar. Analisando o caso entendo que tal não foi o que ocorreu na hipótese descrita nos autos. Como ressaltou a Recorrente, a operação buscou conciliar dois objetivos igualmente legítimos, quais sejam, o de garantir os ganhos de integração entre os conglomerados sem desprezar os prejuízos fiscais do Unibanco. Assim, destacouse do Unibanco, via cisão parcial, um determinado segmento de negócio, o qual foi absorvido pelo Recorrente para garantir tais ganhos de sinergia e, por outro lado, mantevese a rentabilidade relacionada às atividades bancárias cindidas por meio da injeção de capital para aplicação em CDI, o que também é atividade típica de instituição financeira. 2 Fizemos uma análise mais detalhada de tais conceitos em nosso "Planejamento Tributário e Limites para a Desconsideração de Negócios Jurídicos". São Paulo: Saraiva, 2013, p. 81 e segs. 3 ATIENZA, Manuel e MANERO, Juan Ruiz. Ilícitos Atípicos. 2 ed. Madrid: Trotta, 2006. 4 BETTI, Emílio. Teoria Geral do Negócio Jurídico. Tomo I, Tradução de Fernando de Miranda, Coimbra: Coimbra ed., 1969, p. 107. 5 BETTI, Emilio. Teoria Geral do Negócio Jurídico. Tomo II, Vol. 2, tradução de Fernando Miranda, Coimbra: Coimbra ed.. 1969. p. 364. Fl. 6778DF CARF MF 30 Não se acusa o Unibanco de ter esvaziado por completo as suas atividades operacionais, nem se questiona que essa instituição financeira permaneceu operacional durante o período em questão. De fato, mesmo que tenha sido retirado do Unibanco determinado seguimento operacional, também é da atividade operacional de uma instituição financeira a negociação de CDIs, portanto não se pode negar que a operação permitiu ao Unibanco seguir exercendo atividades operacionais. Conforme estabelece a Resolução 3.399/2006, tais depósitos são negociados somente no mercado interfinanceiro ou interbancário, sendo o instrumento usual para a captação e aplicação de recursos por instituições financeiras. Eles têm como função dar equilíbrio aos sistema financeiro, em um sistema de vasos comunicantes que lhe dão liquidez. Vejase neste sentido trecho de definição dada pela CETIP: Negociado exclusivamente entre instituições financeiras, o Depósito Interfinanceiro (DI) é um título privado de Renda Fixa que auxilia no fechamento de caixa dos bancos, como instrumento de captação de recursos ou de aplicação de recursos excedentes. O Depósito Interfinanceiro não pode ser vendido a outros investidores e não há incidência de impostos sobre a rentabilidade. Os títulos têm elevada liquidez e embutem um baixíssimo risco, normalmente associado à solidez dos bancos que participam do mercado. ( https://www.cetip.com.br/captacaobancaria/di, acesso em 13 de março de 2018) Outrossim, vale ressaltar que nem a autoridade autuante nem a decisão recorrida questionam que os prejuízos fiscais do Unibanco poderiam ser compensados com lucros futuros por ele apropriados, no entanto a DRJ parece indicar que os caminhos possíveis seriam ou desprezar tais prejuízos ou manter a exploração do seguimento de varejo no Unibanco. Ocorre que, conforme argumentou a Recorrente, a compensação de prejuízos fiscais com lucros futuros, além de ser um direito de toda pessoa jurídica que permanece em atividade, é em última análise obrigação do administrador, na medida em que otimiza resultados. Já a manutenção do seguimento no Unibanco iria de encontro ao próprio objetivo da associação ItaúUnibanco de unificar as estruturas operacionais para robustecer a nova instituição. Teria, assim, pouca lógica econômica, já que adiaria o processo de integração dos dois grupos e se perderiam, durante esse adiamento, todos os ganhos de sinergia e de escala propiciados pela unificação das estruturas. Nesse contexto, conforme ressaltou a Recorrente, manter as operações de varejo no Unibanco é que não teria qualquer propósito negocial, já que seria motivada unicamente por razões fiscais (qual seja, permitir a compensação de prejuízos). Assim, seja porque não cabe ao Fisco questionar o montante de despesas financeiras necessárias à realização das atividades das pessoas jurídicas, seja porque o contexto das operações em questão é capaz de explicar o investimento realizado, não tendo estas sido realizadas apenas para contorno de uma regra proibitiva, não vejo como manter o auto de infração ora discutido. Neste sentido, oriento meu voto para dar provimento ao recurso voluntário, ficando prejudicada a análise do recurso de ofício. Fl. 6779DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.755 31 Colocada a questão em votação na sessão de abril de 2018, restei vencida em relação ao IRPJ, razão porque passo a me manifestar sobre a (im)procedência da autuação especificamente com relação à CSLL. Entendo que o critério da necessidade das despesas não é aplicável para a CSLL, já esta contribuição é regida por regras próprias e as regras para a indedutibilidade da CSLL estão previstas em dispositivos específicos tais como o art. 13 da Lei 9.249/1995, que sequer é citado no Termo de Verificação Fiscal ou no AIIM. É verdade que muitas vezes vemos uma lei que trata do IRPJ estender sua aplicação à CSLL, todavia tal extensão precisa ser expressa, por exigência do basilar princípio da legalidade tributária. No caso, a glosa da despesa da base de cálculo da CSLL indicou como bases legais os seguintes dispositivos: (i) arts. 2o e 3o da Lei 7.689/1988: tratam da base de cálculo da CSLL e da alíquota. (ii) art. 57 da Lei 8.981/1995, art. 2o da Lei 9.249/1995: estabelecem que se aplicam à CSLL "as mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas para o imposto de renda das pessoas jurídicas, inclusive no que se refere ao disposto no art. 38, mantidas a base de cálculo e as alíquotas previstas na legislação em vigor, com as alterações introduzidas por esta Lei.". Ou seja, estende a aplicação à CSLL exclusivamente das normas de apuração e pagamento, mantendo a base de cálculo própria desta contribuição. (iii) art. 1o da Lei 9.316/1996: prevê que o valor da CSLL não poderá ser deduzido para efeito de determinação do lucro real, nem de sua própria base de cálculo. (iv) art. 28 da Lei 9.430/1996: estabelece que se aplicam à CSLL "as normas da legislação vigente e as correspondentes aos arts. 1o a 3o, 5o a 14, 17 a 24B, 26, 55 e 71" daquela lei. Nenhum desses artigos trata da necessidade das despesas para fins de dedutibilidade fiscal. Como visto, nenhuma das normas acima é capaz de fundamentar a indedutibilidade das despesas com base no critério da necessidade, que foi a base da autuação fiscal. Neste sentido, mesmo que se concluísse pela desnecessidade da despesa para fins de IRPJ, isso não teria impacto com relação à base de cálculo da CSLL. Na verdade, ao contrário do IRPJ, a legislação que trata da CSLL não contempla uma "regra geral de dedutibilidade de despesas" semelhante ao artigo 299 do RIR/99. Tal fato, conjugado com o mandamento do princípio da legalidade tributária, nos leva à conclusão de que as vedações à dedutibilidade de despesas para fins de apuração da CSLL são pontuais. Por tais razões orientei meu voto para, uma vez vencida no mérito quanto ao IRPJ, dar provimento ao recurso com relação à CSLL. Ressalto que nesta parte também restei vencida na votação realizada nesta Turma. Subsidiariamente, a Recorrente sustentou também a inaplicabilidade das multas isoladas ou ainda a necessidade de sua redução. Fl. 6780DF CARF MF 32 Observo que sendo o caso de lançamento relativo aos anoscalendário de 2010 a 2012, entendo não aplicável a Súmula CARF n. 105, uma vez que esta trata da redação da Lei 9.430/1996 na redação anterior à Lei 11.488/2007, e a multa isolada foi lançada com base no artigo 44, II, b da Lei 9.430/1997, com redação dada pela Lei 11.488/2007. Súmula CARF nº 105: A multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44 § 1º, inciso IV da Lei nº 9.430, de 1996, não pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual, devendo subsistir a multa de ofício. Nesta matéria, tenho me filiado ao posicionamento de longa data adotado pelo Conselheiro Guilherme Adolfo dos Santos Mendes, desta Turma. Segundo este entendimento, a multa isolada pelo descumprimento do dever de recolhimentos antecipados deve ser aplicada sobre o total que deixou de ser recolhido, ainda que a apuração definitiva após o encerramento do exercício redunde em montante menor; não obstante, pelo princípio da absorção ou consunção, não deve ser aplicada penalidade pela violação do dever de antecipar, na exata medida em que houver aplicação de sanção sobre o dever de recolher em definitivo, já que esta penalidade absorve aquela até o montante em que suas bases se identificarem. É a máxima do direito punitivo que, para uma mesma conduta devese aplicar uma só punição. A título ilustrativo reproduzo trecho do acórdão 120100.235, de 7 de abril de 2010, da lavra do ilustre Conselheiro: As regras sancionatórias são em múltiplos aspectos totalmente diferentes das normas de imposição tributária, a começar pela circunstância essencial de que o antecedente das primeiras é composto por uma conduta antijurídica, ao passo que das segundas se trata de conduta lícita. Dessarte, em múltiplas facetas o regime das sanções pelo descumprimento de obrigações tributárias mais se aproxima do penal que do tributário. Pois bem, a Doutrina do Direito Penal afirma que, dentre as funções da pena, há a PREVENÇÃO GERAL e a PREVENÇÃO ESPECIAL. A primeira é dirigida à sociedade como um todo. Diante da prescrição da norma punitiva, inibese o comportamento da coletividade de cometer o ato infracional. Já a segunda é dirigida especificamente ao infrator para que ele não mais cometa o delito. É, por isso, que a revogação de penas implica a sua retroatividade, ao contrário do que ocorre com tributos. Uma vez que uma conduta não mais é tipificada como delitiva, não faz mais sentido aplicar pena se ela deixa de cumprir as funções preventivas. Essa discussão se torna mais complexa no caso de descumprimento de deveres provisórios ou excepcionais. Hector Villegas, (em Direito Penal Tributário. São Paulo, Resenha Tributária, EDUC, 1994), por exemplo, nos noticia o intenso debate da Doutrina Argentina acerca da aplicação da retroatividade benigna às leis temporárias e excepcionais. Fl. 6781DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.756 33 No direito brasileiro, porém, essa discussão passa ao largo há muitas décadas, em razão de expressa disposição em nosso Código Penal, no caso, o art. 3°: Art. 3o A lei excepcional ou temporária, embora decorrido o período de sua duração ou cessadas as circunstâncias que a determinaram, aplicase ao fato praticado durante sua vigência. O legislador penal impediu expressamente a retroatividade benigna nesses casos, pois, do contrário, estariam comprometidas as funções de prevenção. Explico e exemplifico. Como é previsível a cessação da vigência de leis extraordinárias e certo, em relação às temporárias, a exclusão da punição implicaria a perda de eficácia de suas determinações, uma vez que todos teriam a garantia prévia de, em breve, deixarem de ser punidos. É o caso de uma lei que impõe a punição pelo descumprimento de tabelamento temporário de preços. Se após o período de tabelamento, aqueles que o descumpriram não fossem punidos e eles tivessem a garantia prévia disso, por que então cumprir a lei no período em que estava vigente? Ora, essa situação já regrada pela nossa codificação penal é absolutamente análoga à questão ora sob exame, pois, apesar de a regra que estabelece o dever de antecipar não ser temporária, cada dever individualmente considerado é provisório e diverso do dever de recolhimento definitivo que se caracterizará no ano seguinte. Nada obstante, também entendo que as duas sanções (a decorrente do descumprimento do dever de antecipar e a do dever de pagar em definitivo) não devam ser aplicadas conjuntamente pelas mesmas razões de me valer, por terem a mesma função, dos institutos do Direito Penal. Nesta seara mais desenvolvida da Dogmática Jurídica, aplicase o Princípio da Consunção. Na lição de Oscar Stevenson, "pelo princípio da consunção ou absorção, a norma definidora de um crime, cuja execução atravessa fases em si representativas desta, bem como de outras que incriminem fatos anteriores e posteriores do agente, efetuados pelo mesmo fim prático". Para Delmanto, "a norma incriminadora de fato que é meio necessário, fase normal de preparação ou execução, ou conduta anterior ou posterior de outro crime, é excluída pela norma deste". Como exemplo, os crimes de dano, absorvem os de perigo. De igual sorte, o crime de estelionato absorve o de falso. Nada obstante, se o crime de estelionato não chega a ser executado, punese o falso. É o que ocorre em relação às sanções decorrentes do descumprimento de antecipação e de pagamento definitivo. Uma omissão de receita, que enseja o descumprimento de pagar definitivamente, também acarreta a violação do dever de antecipar. Assim, punese com multa proporcional. Todavia, se há uma mera omissão do dever de antecipar, mas não do de pagar, punese a não antecipação com multa isolada. Assim, consideramos imperioso verificar se houve, em relação aos fatos que ensejaram a autuação de multas isoladas, também a imposição de multa proporcional e em que medida. Fl. 6782DF CARF MF 34 O valor tributável é o mesmo (R$ 15.470.000,00). Isso, contudo, não implica necessariamente numa perfeita coincidência delitiva, pois pode ocorrer também que uma omissão de receita resulte num delito quantitativamente mais intenso. Foi o que ocorreu. Em razão de prejuízos posteriores ao mês do fato gerador, o impacto da omissão sobre a tributação anual foi menor que o sofrido na antecipação mensal. Desse modo, a absorção deve é apenas parcial. Conforme o demonstrativo de fls. 21, a omissão resultou numa base tributável anual do IR no valor de R$ 5.076.300,39, mas numa base estimada de R$ 8.902.754,18. Assim, deve ser mantida a multa isolada relativa à estimativa de imposto de renda que deixou de ser recolhida sobre R$ 3.826.453,79 (R$ 8.902.754,18 R$ 5.076.300,39), parcela essa que não foi absorvida pelo delito de não recolhimento definitivo, sobre o qual foi aplicada a multa proporcional. Assim, no caso em questão, tendo restado vencida quanto ao recurso voluntário com relação aos valores de principal de IRPJ e CSLL, oriento meu voto no sentido de que as multas isoladas devem ser canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício. Por fim, a Recorrente defende a não incidência de juros sobre as multas de ofício. Nesse tópico, registro que tenho entendido que, analisando o disposto nos artigos 113, 139 e 161 do CTN chego à conclusão de que os juros moratórios não apenas incidem sobre o principal, mas também sobre a multa de ofício proporcional, eis que ambos compõem o crédito tributário constituído, in verbis: Art. 113. A obrigação tributária é principal ou acessória. § 1o. A obrigação principal surge com a ocorrência do fato gerador, tem por objeto o pagamento de tributo ou penalidade pecuniária e extinguese juntamente com o crédito dela decorrente. (...) Art. 139. O crédito tributário decorre da obrigação principal e tem a mesma natureza desta. (...) Art. 161. O crédito não integralmente pago no vencimento é acrescido de juros de mora, seja qual for o motivo determinante da falta, sem prejuízo da imposição das penalidades cabíveis e da aplicação de quaisquer medidas de garantia previstas nesta Lei ou em lei tributária. §1 Se a lei não dispuser de modo diverso, os juros de mora são calculados à taxa de um por cento ao mês. §2 O disposto neste artigo não se aplica na pendência de consulta formulada pelo devedor dentro do prazo legal para pagamento do crédito. Fl. 6783DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.757 35 Não por outra razão, a Lei 9.430/1996, ao tratar da formalização da exigência de crédito tributário composto exclusivamente por multa ou juros de mora afirma, expressamente, a possibilidade de tal incidência: Art. 43. Poderá ser formalizada exigência de crédito tributário correspondente exclusivamente a multa ou a juros de mora, isolada ou conjuntamente. Parágrafo único. Sobre o crédito constituído na forma deste artigo, não pago no respectivo vencimento, incidirão juros de mora, calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. Ademais, o entendimento de se considerar legítima a incidência de juros de mora sobre a multa fiscal encontra sustentação na jurisprudência da Primeira Turma do Superior Tribunal de Justiça (AgRg no REsp 1.335.688PR, Rel. Min. Benedito Gonçalves, julgado em 4/12/2012), que reiterou o entendimento no sentido de ser “legítima a incidência de juros de mora sobre multa fiscal punitiva, a qual integra o crédito tributário”, seguindo a linha já adotada pela Segunda Turma do mesmo Tribunal (REsp nº 1.129.990/PR, em 1/9/2009). Assim, após restar vencida com relação aos principais de IRPJ e CSLL, orientei meu voto para que as multas isoladas sejam canceladas na exata medida em que as suas bases sejam menores que as bases tributáveis anuais utilizadas para fins de aplicação das multas de ofício, bem como para que os juros de mora incidam sobre as multas de ofício. Recurso de Ofício O recurso de ofício referese ao excesso de exigência de multa isolada sobre estimativas de IRPJ e CSLL em razão da falta de consideração, no cálculo dessas estimativas, da compensação de prejuízos fiscais e base negativa de CSLL a que fazia jus em conformidade ao disposto nos artigos 15 e 16 da Lei 9065/1995. O autuante, ao recompor o lucro real e a base de cálculo da CSLL dos anos calendário objetivados nos lançamentos, levou em consideração os valores da autuação (que compreendeu os anoscalendário de 2009 a 2013) relativa à amortização fiscal de ágio, incorporada no processo administrativo n9 16327.721108/201409. Portanto, para tal recomposição do lucro real e da base de cálculo da CSLL, efetuaramse as compensações dos prejuízos fiscais e das bases negativas da CSLL ajustados naquela autuação, como se nota nos quadros elaborados pela autoridade autuante nas págs. 21 e 22 do TVF. Ocorre que, conforme alegado pelo Recorrente e confirmado pela DRJ, isso não ocorreu na determinação das bases de cálculo das estimativas mensais de IRPJ e de CSLL apurados com base em balanço de redução ou suspensão, para fins de aplicação das multas isoladas. Especificamente, não se compensaram os prejuízos fiscais e as bases negativas de CSLL ajustados após aquela autuação, na determinação das bases de cálculo das estimativas Fl. 6784DF CARF MF 36 mensais de IRPJ e de CSLL (obviamente, dos meses em que se adotou o balanço de redução ou suspensão), para aplicação das multas isoladas. Não vejo reparos à conclusão de que, de fato, houve erro da autuação, devendo ser refeito o cálculo da multa isolada levando em consideração o direito de compensar o prejuízo fiscal e base negativa da CSLL. Assim, em suma, oriento meu voto para negar provimento ao recurso de ofício. Ressalto que, conforme se abordou acima ao tratar do recurso voluntário, as multas isoladas foram mantidas apenas no limite do que não for absorvido pelas multas de ofício (e em tal ponto o voto desta Relatora restou vencedor após os debates na Turma). Assim, para a determinação do valor da multa isolada relativa a este item deve ser considerado apenas o montante que eventualmente for mantido após a absorção por consunção. (assinado digitalmente) Livia De Carli Germano Voto Vencedor Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Redator Designado Pedido a devida venia à ilustre Conselheira Relatora que apresentou magnífico voto, divirjo do entendimento apresentado pelos fundamentos que abaixo passo a apresentar. Muito se discute, não só neste CARF, como na doutrina e no judiciário, a respeito da liberdade negocial que as empresas detém e a possibilidade de o fisco não admitir negócios por elas realizados em função de seu aspecto exclusivo de redução da carga tributária. No presente caso a situação que se apresenta é que o contribuinte e o Unibanco firmaram acordo pelos quais suas operações seriam unificadas e em curto espaço de tempo o Unibanco deixaria de operar, passando todas as operações a serem realizadas sob a bandeira do Itaú. Neste sentido seguiramse a realização de atos negociais junto aos órgãos de controle onde quase todas as empresas do grupo Unibanco repassaram suas atividades ao Itaú. Apenas parte da operação do Unibanco, que ainda detinha muitos créditos a serem realizados e, também saldos de prejuízos fiscais não foi encerrada de imediato. Até aí, não vislumbro Fl. 6785DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.758 37 maiores problemas. A parte da operação do Unibanco necessária à realização dos créditos e esgotamento dos prejuízos fiscais poderia ter continuado operando até a conclusão de seus interesses. A título de explicação, conforme bem debatido no julgamento. Os ativos que remanesceram com o Unibanco montavam em cerda de 7 bilhões, enquanto que o passivo girava em torno de 1 bilhão. Ou seja, não havia necessidade de caixa do Unibanco a ser atendida. Dentro desta realidade, qual seja, a da manutenção de atividades do Unibanco para realização de seus ativos e quitação do seus passivo, do qual a sobra geraria cerca de 6 bilhões realizouse, sem qualquer justificativa negocial, um aumento de capital por parte do Itaú no valor de cerca de R$ 20 bilhões. Detalhe importante, este aporte foi realizado com recursos de caixa disponíveis do próprio Itaú. Se a operação se encerrasse desta forma, também neste caso admitiria este relator não haver aparente irregularidade. A realização do aporte, mesmo que sem uma justificativa plausível, poderia obedecer a alguma intenção específica de negócios ou, até mesmo, para facilitar a realização dos seus ativos ou prejuízos em estoque. Não foi o que ocorreu. A operação não se encerrou neste ponto. Novo passo foi dado com a emissão de depósitos interfinanceiros DI por parte do Itaú no sentido de captar recursos para sua operação e, ainda, pagando juros sobre estes valores. O conjunto de operações, ou filme, como costumam dizer os patronos ou a Procuradoria em suas sustentações não tem um roteiro lógico. Vejamos os questionamentos que se apresentam: 1) Se, em teoria, o Unibanco necessitava de um aumento de capital de R$ 20 bilhões, porque pouco depois de receber este aporte já se desfez de todo o valor recebido com a aquisição dos DIs do Itaú? 2) Se o Itaú dispunha de R$ 20 bilhões em caixa para realização do aporte ao Unibanco, porque poucos dias depois necessitava de caixa para suas operações? 3) Se o caixa do Itaú encontrava livre e desimpedidos R$ 20 bilhões, porque pouco depois da realização do aporte se obrigou a pagar juros para receber de volta o mesmo valor que foi aportado? Infelizmente não há uma resposta para essas indagações que não passe pela realização de planejamento tributário para reduzir o pagamento de tributos. Acaso os contribuintes do presente processo operassem no setor industrial jamais teriam realizado tal tipo de operação com mercadorias. Ocorre que no setor financeiro a mercadoria é o próprio dinheiro e sua tradição é feita on line sem maiores dificuldades. Por estas razões é que foram elaboradas e realizadas as operações. Fl. 6786DF CARF MF 38 Em alguns votos tenho me posicionado no sentido de admitir os negócios realizados pelas empresas quando obedecem uma lógica empresarial e, por outro, não tenho aceito as operações que, além do benefício tributário, não trazem qualquer razão empresarial. Vejase, neste sentido, de que não estou falando de uma razão empresarial muito desenvolvida. Como já citei mais acima, o aporte de capital realizado pelo Itaú no Unibanco, mesmo em se considerando que este estava em processo de encerramento de atividades, seria considerado regular quando visando um propósito empresarial, qual seja, o de agilizar a realização de seu ativo e esgotar os prejuízos em estoque. Do ponto de vista do grupo Itaú/Unibanco tal operação, mesmo que excessiva diante da situação de caixa do Unibanco poderia ter como objetivo o que fora idealizado desde a realização do negócio, qual seja, propiciar o rápido encerramento das atividades do Unibanco. Agora, quando seguimos na análise do filme, verificamos que o interesse não era só esse. Em verdade o Itaú indicou uma necessidade de aporte de capital do Unibanco, que não existia de fato, para lhe enviar recursos que se encontravam no caixa e, desta forma, criar uma necessidade de caixa no Itaú, resolvida pela emissão de CDIs pelo próprio Itaú que foram imediatamente adquiridos pelo Unibanco, realizando assim, a devolução dos recursos e gerando uma despesa financeira no Itaú sem qualquer justificativa negocial ou empresarial senão a de reduzir o pagamento de IRPJ e CSLL mediante a dedução destas despesas. Então chegamos a um outro questionamento fundamental. Esta operação seria realizada se o Unibanco não fosse empresa do próprio grupo? Acho muito difícil. Não sendo empresa do grupo o aporte de capital, mesmo que possível, não traria rendimentos diferentes do que os que poderiam ser obtidos pelo próprio Itaú em suas operações. Segundo, mesmo que assim fosse realizado, a necessidade de caixa do Itaú a ser atendida com a emissão de CDIs, não traria nenhum benefício ao grupo, pois as despesas financeiras seriam auferidas por terceiros e não pelo próprio grupo. Ora, se houvesse lógica empresarial muito provavelmente tal operação não teria sido realizada o que só corrobora a tese da fiscalização de que as despesas criadas a partir das operações realizadas pelo grupo não possuem o caráter de necessidade e usualidade a permitirem a sua dedutibilidade na apuração dos lucros, haja vista, que carecem de caráter negocial. Neste sentido apresento diversos precedentes deste CARF no sentido de não admitir serem oponíveis ao fisco, em se tratando de despesas dedutíveis, atos que não possuam intuito negocial e que se realizem, apenas e tão somente, com vistas a impedir ou reduzir o pagamento de tributos. Glosa de Despesas Financeiras. Desnecessárias. Mútuo. Não comprovado que a operação foi efetuada no interesse da pessoa jurídica e era necessária para a manutenção da atividade da empresa, deve ser a glosa das despesas dela decorrente. Acórdão nº 1301002.521, de 25/07/2017. DESPESAS FINANCEIRAS DESNECESSÁRIAS. ADIANTAMENTOS PARA FUTURO AUMENTO DE CAPITAL (AFAC). São desnecessárias, para fins tributários, as despesas financeiras decorrentes de empréstimos e financiamentos contratados no mercado financeiro, ao mesmo tempo em que fornecidos recursos a empresas ligadas, Fl. 6787DF CARF MF Processo nº 16327.721149/201578 Acórdão n.º 1401002.345 S1C4T1 Fl. 6.759 39 sem remuneração, a título de Adiantamentos para Futuro Aumento de Capital (AFAC), capitalizados parcialmente após o transcurso de longo período de tempo ou empregados em outras finalidades. Acórdão nº 9101 002.396, de 13/07/2016. IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 1998, 1999, 2000, 2001, 2002 DESPESAS FINANCEIRAS. DESNECESSIDADE. São desnecessárias ao desenvolvimento das atividades do sujeito passivo e, portanto, indedutíveis na determinação do lucro real, as despesas financeiras relativas a empréstimos por ele tomados e, após, repassados a terceiros. Acórdão nº 1201001.011, de 09/04/2014. GANHO DE CAPITAL. TRIBUTAÇÃO. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. Inaceitável quanto aos efeitos fiscais a cessão de quotas à empresa alienígena para posterior alienação com tributação favorecida, sem demonstração de razão negocial que não a mera redução tributária. Acórdão nº 1402002.882, de 17/10/2017. GANHOS DE CAPITAL. OMISSÃO DE RECEITAS. ALIENAÇÃO DE BEM IMÓVEL. AUSÊNCIA DE PROPÓSITO NEGOCIAL. PLANEJAMENTO FISCAL ABUSIVO. Comprovado nos autos que há ausência de propósito negocial na operação de alienação de bens imóveis realizada pelo contribuinte, merece prosperar a glosa fiscal, pois mesmo que tal ato seja lícito, rechaçase seus efeitos diante do planejamento fiscal abusivo perpetrado pelo contribuinte. Acórdão nº 1402002.720, de 15/08/2017. Assim, com base nos fundamentos acima apresentados que demonstram a inexistência de propósito negocial que justifique a realização de despesas com a emissão dos DIs, e em consonância com os diversos precedentes que militam neste mesmo sentido, voto por negar provimento ao recurso voluntário neste ponto e manter a glosa das despesas financeiras pagas em função da emissão dos DIs por ter restado demonstrado que as mesmas eram desnecessárias para a atividade empresarial e terem sido geradas a partir de artificialismos provocados pelo próprio grupo empresarial. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Fl. 6788DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.720219/2010-68
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 30/06/2010
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.691
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício
(assinado digitalmente)
Patrícia da Silva - Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: PATRICIA DA SILVA
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 02 19 /2 01 0- 68 Fl. 864DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório Fazenda Nacional, inconformada com o decidido no Acórdão n° 2302 002.006, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento do CARF em 15/08/2012, interpôs recurso especial à Câmara Superior de Recursos Fiscais. Segue abaixo a ementa do acórdão recorrido: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 30/06/2010 AUTO DE INFRAÇÃO. CFL 68. ART. 32, IV DA LEI Nº 8212/91. Constitui infração às disposições inscritas no inciso IV do art. 32 da Lei n° 8212/91 a entrega de GFIP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias, seja em ralação às bases de cálculo, seja em relação às informações que alterem o valor das contribuições, ou do valor que seria devido se não houvesse isenção (Entidade Beneficente) ou substituição (SIMPLES, Clube de Futebol, produção rural), sujeitando o infrator à multa prevista na legislação previdenciária. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. VIOLAÇÃO. APRECIAÇÃO E RECONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE JURIDICA. Escapa à competência deste Colegiado a análise da adequação das normas tributárias fixadas pela Lei nº 8.212/91 aos princípios constitucionais da isonomia, razoabilidade, proporcionalidade e eficiência plasmados na Constituição Federal, eis que tal atribuição foi reservada pela própria Constituição, com exclusividade, ao Poder Judiciário. AUTO DE INFRAÇÃO. PREJUÍZO AOS COFRES PÚBLICOS. IRRELEVANCIA. A responsabilidade por infração à legislação tributária tem caráter objetivo, independe da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, sendo irrelevante para a sua configuração a sindicância da culpa ou da intenção do infrator. Assim, o fato de trazer ou não prejuízo ao Fisco mostrase irrelevante para a lavratura do correspondente auto de infração e para a imputação da respectiva penalidade pecuniária. AUTO DE INFRAÇÃO. GFIP. CFL 68. ART. 32A DA LEI Nº 8212/91. RETROATIVIDADE BENIGNA. Fl. 865DF CARF MF Processo nº 10140.720219/201068 Acórdão n.º 9202006.691 CSRFT2 Fl. 865 3 As multas decorrentes de entrega de GFIP com incorreções ou omissões foram alteradas pela Medida Provisória nº 449/2008, a qual fez acrescentar o art. 32A à Lei nº 8.212/91. Incidência da retroatividade benigna encartada no art. 106, II, ‘c’ do CTN, sempre que a norma posterior cominar ao infrator penalidade menos severa que aquela prevista na lei vigente ao tempo da prática da infração autuada. Recurso Voluntário Provido em Parte Na origem, Trata se de auto de infração decorrente do descumprimento de obrigações acessórias previstas no inciso IV do art. 32 da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Medida Provisória nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, lavrado em desfavor do Recorrente, em virtude de a empresa não ter informado em GFIP, todos os segurados empregados e segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviços no mês, conforme descrito no Relatório Fiscal da Infração, a fls. 06/07, e anexos a fls. 08/41) O contribuinte apresentou Recurso Especial inadmitido. É o relatório. Voto Conselheira Patrícia da Silva Relatora O mérito que cingese à controvérsia relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) Fl. 866DF CARF MF 4 De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade Fl. 867DF CARF MF Processo nº 10140.720219/201068 Acórdão n.º 9202006.691 CSRFT2 Fl. 866 5 benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: Fl. 868DF CARF MF 6 I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. Fl. 869DF CARF MF Processo nº 10140.720219/201068 Acórdão n.º 9202006.691 CSRFT2 Fl. 867 7 No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Fl. 870DF CARF MF 8 Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Fl. 871DF CARF MF Processo nº 10140.720219/201068 Acórdão n.º 9202006.691 CSRFT2 Fl. 868 9 dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante de todo o exposto, conheço e dou provimento ao recurso para determinar que a multa seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Patrícia da Silva Fl. 872DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12898.000494/2009-09
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 10 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004
NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA.
Constata que a contribuinte recebeu integralmente os documentos do auto de infração, em duas oportunidades, e tendo sido respeitado o prazo para nova manifestação, com acolhimento de suas argumentações em sede de primeira instância, não há falar em cerceamento de defesa, não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVA. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO. FATO GERADOR DO TRIBUTO. SEGURADO INDIVIDUAL.
Cooperativa que não preenche mais os requisitos legais da Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971, deve ser equiparada como empresa para as devidas exigências das contribuições previdenciária, em virtude da empresa ter deixado de preparar folhas de pagamento, não sendo localizadas na contabilização, contendo a totalidade das remunerações pagas a segurados contribuintes individuais.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.286
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente
(assinado digitalmente)
Wesley Rocha Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha.
Nome do relator: WESLEY ROCHA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2004 NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. IMPROCEDÊNCIA. Constata que a contribuinte recebeu integralmente os documentos do auto de infração, em duas oportunidades, e tendo sido respeitado o prazo para nova manifestação, com acolhimento de suas argumentações em sede de primeira instância, não há falar em cerceamento de defesa, não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVA. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO. FATO GERADOR DO TRIBUTO. SEGURADO INDIVIDUAL. Cooperativa que não preenche mais os requisitos legais da Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971, deve ser equiparada como empresa para as devidas exigências das contribuições previdenciária, em virtude da empresa ter deixado de preparar folhas de pagamento, não sendo localizadas na contabilização, contendo a totalidade das remunerações pagas a segurados contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado.
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IMPROCEDÊNCIA. Constata que a contribuinte recebeu integralmente os documentos do auto de infração, em duas oportunidades, e tendo sido respeitado o prazo para nova manifestação, com acolhimento de suas argumentações em sede de primeira instância, não há falar em cerceamento de defesa, não se configurando nenhuma das hipóteses arroladas no art. 59 do Decreto 70.235, de 1972, que rege o processo administrativo fiscal, uma vez que não houve elementos que possam dar causa à nulidade alegada. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. COOPERATIVA. EQUIPARAÇÃO À EMPRESA PARA FINS DE TRIBUTAÇÃO. FATO GERADOR DO TRIBUTO. SEGURADO INDIVIDUAL. Cooperativa que não preenche mais os requisitos legais da Lei 5.764, de 16 de dezembro de 1971, deve ser equiparada como empresa para as devidas exigências das contribuições previdenciária, em virtude da empresa ter deixado de preparar folhas de pagamento, não sendo localizadas na contabilização, contendo a totalidade das remunerações pagas a segurados contribuintes individuais. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso, nos termos do voto do relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 89 8. 00 04 94 /2 00 9- 09 Fl. 582DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: João Bellini Junior, Andréa Brose Adolfo, João Maurício Vital, Alexandre Evaristo Pinto, Marcelo Freitas de Souza Costa, Antônio Savio Nastureles, Juliana Marteli Fais Feriato e Wesley Rocha. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto pela empresa GREEN MATRIX COOPERATIVA DE PROF EMPREENDEDORES, contra o Acórdão de Julgamento proferido pela Delegacia da Receita Federal de Julgamento Rio de Janeio (14ª Turma da DRJ/RJ1), que julgou improcedente as impugnações e manteve o crédito tributário lançado. O Auto de Infração referese ao DEBCAD nº 37.204.3917, em virtude de a empresa ter deixado de preparar folhas de pagamento contendo a totalidade das remunerações pagas a segurados contribuintes individuais que lhe prestaram serviço, no período de 01/2004 a 12/2004. Por bem descrever os motivos da autuação, adoto o relatório da DRJ de origem, seguintes: "1.1. Inicialmente, a empresa foi constituída como cooperativa em Assembléia Geral de Constituição, em 17/02/1997, registrada na Junta Comercial do Rio de Janeiro sob o número 97/0193378, em 26/02/1997. Na constituição apresentava 20 (vinte) associados, discriminados no quadro de fl. 93. 2. O Estatuto Social da Cooperativa informava como objetos sociais da mesma, dentre outros: a) Projeto, instalação e manutenção de redes de computadores; b) Desenvolvimento, produção e manutenção de sistemas de programas de computador; c) Desenvolvimento de programas produto; d) Reparo, digitação e conferência; e) Representação e comercialização de produtos e serviços, nacionais e internacionais; f) Treinamento (cursos, palestras e seminários); g) Consultoria, assessoria (organizacional, administrativa, financeira (O&M), jurídica, educacional, científica, cultural e cooperativista); 3. O Relatório informa que, pelas atas assinadas e apresentadas no curso da ação fiscal, verificouse que no início do período fiscalizado (01/2004 a 12/2004), já não havia os 20 associados necessários ao funcionamento da cooperativa, assim como determina o inciso I do art. 6º da Lei nº 5.764/1971. Fl. 583DF CARF MF Processo nº 12898.000494/200909 Acórdão n.º 2301005.286 S2C3T1 Fl. 583 3 3.1. Dessa forma, uma vez que a pessoa jurídica não cumpria os requisitos estabelecidos em lei para funcionar como cooperativa, esta foi considerada como empresa. 3.2. De acordo com a fiscalização, analisando as notas notas fiscais emitidas pela fiscalizada, verificouse grande volume de prestação de serviços realizados. Como o número de associados e de segurados empregados era muito reduzido em 2004, solicitouse, por meio do TIF de 15/01/2009, que fosse explicado como foi possível a realização de tantos serviços pela autuada, que respondeu apresentando contrato firmado entre ela e a cooperativa Green Matriz Serviços – Cooperativca de Profissionais Ltda – CNPJ 01.716.071/000158. Assinaram o contrato, representando a autuada, os senhores Eduardo Manoel Farias Pereira (Diretor Presidente) e Gilberto da Silva Martins (Diretor). Pela GMS, assinaram o Sr. Pedro Cezar Abreu (Diretor Vicepresidente) e a Sra. Mariela Costa Souza Fontenelle (Conselheira); 3.3. Ressaltese que tanto o Sr. Pedro Cezar Abreu quanto a Sra. Mariela Costa Souza Fontenelle eram cooperados da autuada desde, respectivamente, 08/04/1997 e 17/02/1997, conforme se verifica em suas Fichas de Matrícula. 3.4. No Contrato de Associação Cooperativa, firmado em 27/03/1997, entre a autuada e Green Matrix Serviços Cooperativa de Profissionais Ltda CNPJ: 01.716.071/000158 ficava estabelecido que a Green Matrix Serviços (GMS) concedia à autuada "poderes para contratar seus serviços, também em nome dos cooperados, substabelecendo os poderes que lhe foram estatutariamente outorgados." 3.5. Portanto, a Green Matrix Ltda (fiscalizada), com exíguo número de associados, utilizava os serviços de diversos trabalhadores, supostamente cooperados da GMS, para executar os contratos firmados entre ela e as empresas tomadoras. A afirmação de que os trabalhadores eram "supostamente cooperados da GMS" baseiase no contrato feito entre a Green Matrix Ltda e a GMS, já que, a autuada se recusou a apresentar quaisquer documentos da GMS (como Folhas de Pagamento e Guias de Recolhimento do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP), posto que a essa não se encontrava sob fiscalização. 3.6. A Fiscalização ressalta que, na legislação previdenciária, não existe previsão de duas pessoas jurídicas estabelecerem um contrato entre si e os pagamentos feitos pela contratante à contratada ocorrerem por meio de depósito bancário diretamente a pessoa(s) física(s), sem que se atribua a essa(s) pessoa(s) física(s) a condição de segurado(s) obrigatório(s) da Previdência Social. Fl. 584DF CARF MF 4 4. Com o objetivo de facilitar o entendimento da origem das contribuições apuradas pela fiscalização, esta as dividiu em 4 tipos: TIPO I – Ausência de recolhimento das contribuições a cargo da empresa e dos contribuintes individuais (cuja a responsabilidade da arrecadação e do recolhimento é da empresa); TIPO II – "adiantamento de produção": referese a valores com incidência de contribuição previdenciária porque, embora esses valores tenham sido chamados de adiantamento, não houve posterior pagamento a tais contribuintes individuais com o devido desconto do referido adiantamento, conforme verificado nas contas contábeis 8094 e 8102; TIPO III – “sobras a distribuir”: valores apurados nos lançamentos a débito na conta 1643 – observar que, ao verificar a Demonstração de Sobras e Perdas Financeiras em 31/03/2004 (página 286 do Livro Diário 11), constatouse não ter havido sobras no referido trimestre. Ou seja, dado que a fiscalização considerou a autuada como empresa em geral, houve distribuição de lucros sem ter havido lucro no período. TIPO IV – Capital a Devolver: valores apurados nos lançamentos contábeis a débito na conta 5977. 4.1. Ressaltese que, tanto em relação aos valores TIPO 3 quanto aos TIPO 4, não houve inclusão em folhas de pagamento (conduta punida com a lavratura deste Auto de Infração). 5. Foi aplicada a multa prevista nos artigos 92 e 102 da Lei nº 8.212/91 e dos artigos 283, inciso I, alínea “a” e art 373 do Regulamento da Previdencia Social – RPS aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, com o valor de R$ 1.329,18 (valor atualizado pelo inciso V do art. 7º da Portaria Interministerial MPS/MF nº 48, de 12/02/2009 – DOU de 13/02/2009). 6. Às fls. 109 a 147 constam planilhas com os lançamentos verificados nas contas 684, 709, 4564, 8094, 8102". Diante do julgamento improcedente da impugnação, a recorrente apresenta recurso voluntário, incluindo estatuto social e documentos que dão poderes para apresentação do recurso, alegando em suma o seguinte: Preliminarmente: pede a Nulidade do auto de infração em razão de não ser apresentado à contribuinte o relatório REPLEG. No mérito: alega a não exigência das contribuições sociais em razão da recorrente estar enquadrada em regime especial de tributação voltada para as Cooperativas e que essa não infringiu normas legais, devendo ser considerada os atos cooperados feitos entre a recorrente, Green Matrix Cooperativa de Professores Empreendedores a empresa denominada Green Matrix LTDA. Fl. 585DF CARF MF Processo nº 12898.000494/200909 Acórdão n.º 2301005.286 S2C3T1 Fl. 584 5 Alega também que como a fiscalização entendeu estar extinta a Cooperativa, também seria impossível exigir os tributos guerreados. Menciona que não seria possível a tributação sobre a distribuição de sobras, as quais teriam sido repassados aos associados como "sobras" e não como remuneração (sic), bem como alega que não deveria ser tributado o retorno do capital (sic) investido pelo associado na cooperativa, quando de sua retirada da associação (sic) por inexistir fato gerador do tributo. Por fim alega que é impossível elaborar defesa no que tange à solidariedade do art. 135, do CTN, porque também não teria sido anexado o REPLEG ao processo, cerceando direito de defesa. Diante dos fatos, é o relatório. Voto Conselheiro Wesley Rocha Relator O recurso voluntário apresentado está revestido do requisito formal de tempestividade. Portanto, deles o conheço. Portanto, passo a analisar os pontos atacados em recurso. DA PRELIMINAR DE NULIDADE Alega a recorrente que não teria sido anexado o relatório REPLEG ao processo e que isso traria prejuízo a sua defesa, bem como teria prejudicado a defesa dos possíveis responsáveis solidários, que no caso seria o presidente da Associação Cooperada, do qual consta no processo apenas como responsável legal, conforme a legislação em vigor e não como responsável pelo débito. Entretanto, a alegação de cerceamento não prospera como já analisado pela DRJ de origem. De fato o art. 660 da Instrução Normativa SRP n° 03, de 14/07/2005, com a modificação introduzida pela IN SRP 20 de 11/01/2007, revogada pela IN RFB 851 de 28/05/2008: assim dispõe: "Art. 660. Constituem peças de instrução do processo administrativo fiscal previdenciário, os seguintes relatórios e documentos: (...) Fl. 586DF CARF MF 6 X Relatório de Representantes Legais RepLeg, que lista todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo, indicando sua qualificação e período de atuação; (Redação dada pela IN SRP nº 20, de 11/01/2007) XI Relação de Vínculos VÍNCULOS, que lista todas as pessoas físicas ou jurídicas de interesse da administração previdenciária em razão de seu vínculo com o sujeito passivo, representantes legais ou não, indicando o tipo de vínculo existente e o período correspondente"; No presente caso, a alegação da recorrente de que não teria recebido o referido relatório não se confirma, conforme as constatações na demanda e nos feitos que tramitam em conjunto, do que se colhe do processo conexo DEBCAD 12898.000500/200910, o qual há registro do conteúdo mencionado, citando o "CD" com as informações dos autos de infrações devidamente enviadas à contribuinte, da fl. 488, assim trasncrita: "Esta página contém o Aviso de Recebimento AR SO560960114BR, com d a t a de recebimento de 30/04/2009, relativo aos Autos de Infração AI 37.204.3917, 37.216.0760, 37.216.0778, 37.216.0786, 37.216.0794, 37.216.0808 e 37.216.0816, ao Termo de Encerramento do Procedimento Fiscal TEPF , ao CD destinado ao contribuinte e ao seu respectivo recibo". Grifouse. Como se vê, o CD contento o procedimento fiscal com todos os processos conexos á ação fiscal foi devidamente entregue ao contribuinte. Entretanto, mesmo estando anexado o conteúdo citado, a contribuinte alegou que não o teria recebido, e que cautelosamente a fiscalização enviou novamente os citados anexos em "CD" e impresso com data de recebimento em 01/12/2012, contendo nele os anexos Representantes Legais do Débito – REPELEG , conforme se verifica das fls. 693 a 695, da matéria conexa (DEBCAD 12898.000500/200910), já citada e que também está em julgamento perante esse Conselho, sob o mesmo relator. São como dito, processos que possuem conexão dos fatos e direito. Constatouse ainda que a Contribuinte apresentou inclusive aditivo à defesa no processo conexo (fls. 699 a 704), o que resultou em ciência integral do conteúdo, não havendo, portanto, falar em cerceamento de defesa, pois a recorrente teve a oportunidade de manifestarse de forma plena, tendo a fiscalização reparado possível equívoco na falta de envio de todas as informações, bem como foram conhecidas todos os recursos e alegações do contribuinte. Nesse sentido, não houve prejuízo à defesa. No processo administrativo fiscal as causas de nulidade se limitam às que estão elencadas no artigo 59, do Decreto 70.235, de 1972: "Art. 59. São nulos: I – os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II – os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. § 1º A nulidade de qualquer ato só prejudica os posteriores que dele diretamente dependam ou sejam conseqüência. Fl. 587DF CARF MF Processo nº 12898.000494/200909 Acórdão n.º 2301005.286 S2C3T1 Fl. 585 7 § 2º Na declaração de nulidade, a autoridade dirá os atos alcançados, e determinará as providências necessárias ao prosseguimento ou solução do processo. § 3º Quando puder decidir do mérito a favor do sujeito passivo a quem aproveitaria a declaração de nulidade, a autoridade julgadora não a pronunciará nem mandará repetir o ato ou suprirlhe a falta. (Parágrafo acrescentado pela Lei 8.748, de 1993.)". Mais, o art. 60 da referida Lei, do Decreto 70.235/1972 menciona que as irregularidades, incorreções e omissões não configuram nulidade, devendo ser sanadas se não resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio: "Art. 60. As irregularidades, incorreções e omissões diferentes das referidas no artigo anterior não importarão em nulidade e serão sanadas quando resultarem em prejuízo para o sujeito passivo, salvo se este lhes houver dado causa, ou quando não influírem na solução do litígio". Eventual equívoco no envio do conteúdo fiscal à recorrente foi devidamente sanada pela fiscalização com o reenvio do material, do qual caberia à contribuinte provar não ter recebido ou apontado alguma falha concreta no recebimento deste, sendo que seu representante legal deu ciência no documento que recebeu os documentos mencionados na fl. 693, do DEBCAD 12898.000500/200910, o qual cabe mencionar que o representante legal não é responsável solidário arrolado como sujeito passivo nesse ou nos outros autos de infrações. Nesse sentido, a Súmula CARF 88 esclarece que o fato do sócio ser mencionado no RepLeg não configura por si só a corresponsabilidade pelo tributo exigido, conforme se constata abaixo: "Súmula CARF nº 88: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais – RepLeg” e a “Relação de Vínculos – VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa". Portanto, deve ser afastada as alegações de nulidade. DO MÉRITO No presente recurso a recorrente alega apenas que não deveria recolher as contribuições exigidas, pois estaria enquadrada na Lei º 5.764, de 16 de dezembro de 1971, que rege as relações jurídicas das Cooperativas, em especial os seus atos que teriam sido realizados entre associados, que seriam considerados atos cooperados conforme se descreve do art. 79, da citada lei in verbis: Fl. 588DF CARF MF 8 "Art. 79. Denominamse atos cooperativos os praticados entre as cooperativas e seus associados, entre estes e aquelas e pelas cooperativas entre si quando associados, para a consecução dos objetivos sociais. Parágrafo único. O ato cooperativo não implica operação de mercado, nem contrato de compra e venda de produto ou mercadoria". Ocorre que, a recorrente alega que realizou esses atos com a empresa associada denominada "Green Matrix Ltda". Entretanto, não se verifica que a empresa estivesse nos seus quadros de associados cooperados, não sendo permitido de forma legal que ela ingressasse como sendo associada 1. Possivelmente, para superar a questão descrita foi realizado então um "contrato de cooperação" entre a recorrenteGMS e Green Matrix Ltda, e que desse contrato resultou em infringências legais, em especial da legislação previdenciária, onde a própria recorrente alega que remunerava de forma diretamente os funcionários da empresa cooperada, tidos por ela como associados. Do contrato de “Associação Cooperativa” juntado nas fls. 318 a 321 do processo conexo DEBCAD 12898.000500/200910, consta o termo de “Associação Cooperativa”, estabelecido no seguinte modo: "De um lado, Green Matrix Cooperativa de Profissionais Empreendedores Ltda., com sede na Rua da Quitanda, 607 4o andar Centro "Rio de Janeiro, CGC/MF n° 01.710.088/000106, representada por seu Diretor Presidente, Eduardo Manoel Farias Pereira e por seu Diretor, Gilberto da Silva Martins, adiante denominada Green Matrix Ltda., e de outro lado, Green Matrix Serviços Cooperativa de Profissionais Ltda., com sede na Rua da Quitanda, 60/4° andar Parte Centro Rio de Janeiro, CGC/MF.01.716.071/000158, representada por seu Diretor VicePresidente, Pedro Cezar Abreu e pela Conselheira, Maneia Costa Souza Fontenelle, adiante denominada Green Matrix Serviços. CLÁUSULA PRIMEIRA: OBJETO 1.1 Realização de ato cooperativo, inerente à prestação de serviços nàs áreas constantes no artigo 2o (DOS OBJETIVOS SOCIAIS) do Estatuto Social j da Green Matrix Serviços. 1.2 Os serviços relativos ao objeto deste contrato serão executados pela Green Matrix Serviços, em associação com a Green Matrix Ltda., através de seus profissionais cooperados, constituindo "ato cooperativo" conforme definido na Lei 5764/71. 1 Conforme prescreve o art. 29 da Lei º 5.764/1971, podem se associar à cooperativa, as seguintes pessoas: "Art. 29. O ingresso nas cooperativas é livre a todos que desejarem utilizar os serviços prestados pela sociedade, desde que adiram aos propósitos sociais e preencham as condições estabelecidas no estatuto, ressalvado o disposto no artigo 4º, item I, desta Lei. § 1° A admissão dos associados poderá ser restrita, a critério do órgão normativo respectivo, às pessoas que exerçam determinada atividade ou profissão, ou estejam vinculadas a determinada entidade. § 2° Poderão ingressar nas cooperativas de pesca e nas constituídas por produtores rurais ou extrativistas, as pessoas jurídicas que pratiquem as mesmas atividades econômicas das pessoas físicas associadas". Fl. 589DF CARF MF Processo nº 12898.000494/200909 Acórdão n.º 2301005.286 S2C3T1 Fl. 586 9 1.3 A Green Matrix Serviços, neste ato, concede à Green Matrix Ltdai os poderes para contratar seus serviços, também em nome dos cooperados, substabelecendo os poderes que lhe foram estatutariamente outorgados. CLÁUSULA QUARTA: FATURAMENTO E PAGAMENTO 4.1 O faturamento da produção referente aos serviços prestados será feito pela Green Matrix Serviços tomando por base o custo referencial que for. utilizado no contrato com os usuários. 4.2 O faturamento será levantado ao final de cada atividade contratada e/ou.a cada período de 01 (um) mês, e apresentado à Green Matrix Ltda; 4.3 A Green Matrix Ltda. efetuará o pagamento contra a apresentação das faturas. 4.3.1 A Green Matrix Ltda. poderá efetuar adiantamentos de produção diretamente ao profissional cooperado da Green Matrix Serviços prestador de serviço, por solicitação desta última, fazendo, ao final de cada período, um encontro de contas para o acerto do débito/crédito porventura existente". Nesse sentido, sem razão a recorrente, pois a Lei impõe que sejam recolhidas as contribuições sociais quando realizada a efetiva prestação de serviços por segurado individual, ocorrendo o fato gerador, salvo disposição contrária, não podendo, como já enfrentado pela DRJ de origem, que a pessoa jurídica que seria a verdadeira responsável pelo recolhimento devido modifique interpretação legal, conforme se denota do disposto no art. 22, inciso III, Lei nº 8.212/91, in verbis: "Art. 22. A contribuição a cargo da empresa, destinada à Seguridade Social, além do disposto no art. 23, é de: (...) III vinte por cento sobre o total das remunerações pagas ou creditadas a qualquer título, no decorrer do mês, aos segurados contribuintes individuais que lhe prestem serviços"; Ficou constatado dos autos e dos fatos conexos que a recorrente (como ela mesmo cita) remunerava os segurados individuais que para ela prestaram serviços, e portanto, caracterizada a ocorrência dos fatos gerados promovidas no auto de infração. Porém, alega também que não haveria contribuinte individual no período fiscalizado. Entretanto, as remunerações praticadas junto à Grenn Matrix foram exatamente no período da autuação, bem como a empresa recorrente menciona que os pagamentos foram feitos diretamente aos funcionários que prestaram serviços a ela ou a terceiros, conforme se constata do relatório fiscal, em que foram lançadas as seguintes informações: "(...) 3.6. Foram apresentadas à fiscalização as folhas de pagamento relativas aos cooperados (com a inscrição "Local: 10.01.56 Ltda/Fundadores"), de 01/2004 a 10/2004. A planilha Fl. 590DF CARF MF 10 "VALORES VERIFICADOS NAS FOLHAS DE PAGAMENTO "LOCAL: 10.01.56 LTDA/FUNDADORES" demonstra os valores contidos nas referidas FP. A contabilização das referidas folhas de pagamento está demonstrada na planilha "LANÇ. CONTÁBEIS CORRESPONDENTES ÀS FOLHAS DE PAGAMENTO "10.01.56 LTDA. FUNDADORES (...) 26) Nos TIF de 16/02/2009, de 24/03/2009, de 03/04/2009 e de 16/04/2009, solicitouse a apresentação de diversos documentos de caixa que deram suporte aos lançamentos contábeis nas contas citadas no item anterior. 27) Em esclarecimento prestado pela empresa em 09/03/2009, o Sr. Eduardo Manoel Farias Pereira afirmou que, em razão do acordo de cessão de cooperados da GMS para a prestação de serviços acertados entre a autuada e empresas tomadoras, para maior agilidade ao procedimento, ficou acordado que os valores das sobras seriam distribuídos pela autuada diretamente aos cooperados da GMS. 28) Ressaltese que, na legislação previdenciária, não existe previsão de duas pessoas jurídicas estabelecerem um contrato entre si e os pagamentos feitos pela contratante à contratada ocorrerem por meio de depósito bancário diretamente a pessoa(s) física(s), sem que se atribua a essa(s) pessoa(s) física(s) a condição de segurado(s) obrigatório(s) da Previdência Social. 29) Assim, face a todo o exposto, os valores pagos às pessoas físicas verificadas nas citadas contas contábeis foram considerados, por esta fiscalização, como remuneração paga a contribuintes individuais". Por fim, não obrou a recorrente afastar a alegação da fiscalização de que a referida perdeu os requisitos necessários para estar enquadrada como Cooperativa, qual seja: o mínimo de 20 associados 2, conforme já amplamente abordado pela DRJ de origem. Em seu recurso a contribuinte sequer ataca a decisão de primeira instância nesse quesito, o que entendo que consumouse integralmente o fato legal que configura a descaracterização da Cooperativa, conforme o apontamento feito pelo fisco. 2 O art. 6º, da Lei Lei º 5.764/1971, assim impõe: "Art. 6º As sociedades cooperativas são consideradas: I singulares, as constituídas pelo número mínimo de 20 (vinte) pessoas físicas, sendo excepcionalmente permitida a admissão de pessoas jurídicas que tenham por objeto as mesmas ou correlatas atividades econômicas das pessoas físicas ou, ainda, aquelas sem fins lucrativos; II cooperativas centrais ou federações de cooperativas, as constituídas de, no mínimo, 3 (três) singulares, podendo, excepcionalmente, admitir associados individuais; III confederações de cooperativas, as constituídas, pelo menos, de 3 (três) federações de cooperativas ou cooperativas centrais, da mesma ou de diferentes modalidades". Fl. 591DF CARF MF Processo nº 12898.000494/200909 Acórdão n.º 2301005.286 S2C3T1 Fl. 587 11 CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por CONHECER e NEGAR provimento ao recurso voluntário, promovendo a manutenção da decisão a quo. É como voto. (assinado digitalmente) Wesley Rocha – Relator. Fl. 592DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16327.904333/2008-22
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Sep 21 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Data do fato gerador: 18/06/2003
PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO.
Não foram colacionados aos autos documentos que comprovam a existência da operação financeira, sendo impossível para a Fazenda Nacional reconhecer o direito creditório.
Numero da decisão: 9303-005.792
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente Convocado), que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negar-lhe provimento, vencida a Conselheira Vanessa Marini Cecconello (Relatora), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente Sonvocado). Declararam-se impedidos de participar do julgamento os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Vanessa Marini Cecconello - Relatora
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Redator designado
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente Convocado), Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente Convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: VANESSA MARINI CECCONELLO
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 13; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1585; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 824 1 823 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 16327.904333/200822 Recurso nº Especial do Contribuinte Acórdão nº 9303005.792 – 3ª Turma Sessão de 21 de setembro de 2017 Matéria IOF Recorrente BANCO CITIBANK Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/06/2003 PROVA. DIREITO CREDITÓRIO. NÃO COMPROVAÇÃO. Não foram colacionados aos autos documentos que comprovam a existência da operação financeira, sendo impossível para a Fazenda Nacional reconhecer o direito creditório. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em conhecer do Recurso Especial, vencidos os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal e Charles Mayer de Castro Souza (Suplente Convocado), que não conheceram do recurso. No mérito, por maioria de votos, acordam em negarlhe provimento, vencida a Conselheira Vanessa Marini Cecconello (Relatora), que lhe deu provimento. Designado para redigir o voto vencedor, quanto ao mérito, o Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente Sonvocado). Declararamse impedidos de participar do julgamento os Conselheiros Tatiana Midori Migiyama e Demes Brito. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 32 7. 90 43 33 /2 00 8- 22 Fl. 824DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 825 2 (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Redator designado Participaram do presente julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Charles Mayer de Castro Souza (Suplente Convocado), Luiz Augusto do Couto Chagas (Suplente Convocado), Valcir Gassen (suplente convocado em substituição à conselheira Érika Costa Camargos Autran), Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Ausentes, justificadamente, os conselheiros Carlos Alberto Freitas Barreto e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de recurso especial de divergência interposto pelo Contribuinte BANCO CITIBANK (fls. 726 a 752) com fulcro nos artigos 64, inciso II e 67 e seguintes do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 256/09, buscando a reforma do Acórdão nº 3102001.639 (fls. 646 a 652) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26/09/2012, no sentido de dar parcial provimento ao recurso voluntário, complementado pelo Acórdão nº 3102002.303 que acolheu os embargos de declaração, atribuindolhes efeitos infringentes para retificar erro material apontado (fls. 700 a 706), com ementa nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do Fato Gerador: 18/06/2003 COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. DILIGÊNCIA. APRESENTAÇÃO DOS DOCUMENTOS QUE COMPROVAM O INDÉBITO. HOMOLOGAÇÃO DO PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. Sendo apresentado em diligência, os documentos que impediram a homologação do pedido de compensação. Fica comprovada o recolhimento a maior do IOF. COMPENSAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. EXIGÊNCIA DE CRÉDITO LIQUIDO E CERTO. O crédito decorrente de pagamento indevido ou a maior somente pode ser objeto de indébito tributário, quando comprovado a sua certeza e liquidez. Recurso Voluntário Provido em Parte Fl. 825DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 826 3 O presente processo tem origem em Declaração de Compensação (Per/Dcomp) de créditos de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, transmitido pela Contribuinte em 14/10/2004 (fls. 18 a 22), com débitos do mesmo tributo, pedido este que restou não homologado nos termos do despacho decisório eletrônico de 26/08/2008 (fl. 16), com fundamento na inexistência do crédito tributário pleiteado. Não resignada, apresentou manifestação de inconformidade (fls. 02 a 08), julgada improcedente, conforme Acórdão nº 0531.410 da 3ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campinas/SP (fls. 302 a 310), por entender o Colegiado não haver prova suficiente do direito ao crédito pela Contribuinte. Os fundamentos foram assim sintetizados na ementa: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Data do fato gerador: 18/06/2003 DIREITO CREDITÓRIO. PROVA. O reconhecimento do direito creditório pleiteado requer a prova de sua existência e montante, sem o que não pode ser restituído ou utilizado em compensação. Faltando ao conjunto probatório carreado aos autos pela interessada elemento'que permita a verificação da existência de pagamento indevido ou a maior frente à legislação tributária, o direito creditório não pode ser admitido. Impugnação Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Contra referida decisão, o Sujeito Passivo apresentou recurso voluntário (fls. 315 a 338), tendo sido o julgamento convertido em diligência por meio da Resolução nº 3403000.252 (fls. 574 a 579) para oportunizar à Contribuinte a apresentação dos documentos que comprovem o seu direito creditório: "[...] os extratos bancários comprovando o depósito inicial dos contratos de mútuo referente às operações com as empresas Danzas Logist Armazéns Gerais e da empresa AON Affinity do Brasil Serviço identificada como AON1. [...] os contratos de mútuo referente às operações com a empresa BOC Gases do Brasil Ltda. e da operação identificada como AON2 da empresa AON Affinity do Brasil Serviço". Após cumprida a diligência, sobreveio julgamento do recurso voluntário, ao qual foi dado parcial provimento nos termos do Acórdão nº 3102001.639 (fls. xxxx) proferido pela 2ª Turma Ordinária da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento, em 26/09/2012, ora recorrido. Fl. 826DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 827 4 Em face da referida decisão, a Contribuinte interpôs recurso especial (fls. 726 a 752), alegando divergência jurisprudencial quanto à necessidade ou não de formalização, por instrumento particular, do contrato de mútuo. Para comprovar o dissenso interpretativo, colacionou como paradigmas os acórdãos nºs 3803004.016 e 10514.802. Nas razões recursais, o Sujeito Passivo sustenta, em síntese, que: (a) a existência de contrato escrito, embora recomendável para melhor garantir e delimitar os direitos e deveres das partes, não é característica intrínseca ou essencial a essa espécie de contrato, sendo admissível a prova de sua efetividade por outros meios; (b) no caso dos autos, a coincidência de datas e valores presentes nas planilhas, declarações e extratos apresentados, somada aos cálculos que demonstram a incorreção nos recolhimentos do IOF nas prorrogações dos mútuos, com o surgimento do indébito, forma conjunto probatório suficiente para demonstrar a existência e efetividade dos empréstimos e renovações; (c) os elementos de prova citados não podem ser desconsiderados, pois demonstram a existência dos empréstimos, bem como não pode ser estabelecido como condição para o deferimento do crédito a apresentação, pela Contribuinte, de todos os contratos de mútuo firmados com os clientes que sofreram retenções indevidas de IOF; (d) citando doutrina de Pontes de Miranda e os artigos dos Códigos Civil e Comercial, discorre que o mútuo é um contrato típico, mas não solene, pois não há previsão legal de forma específica para tal contrato; (e) a Contribuinte celebrou em 12/03/2001 e 10/09/2001 contratos de mútuo com a empresa AON Affinity nos valores de R$ 1.084.900,00 e R$ 7.065.100,00, conforme demonstrado por meio de planilhas e extratos de contacorrente bancária apresentados, os quais, inclusive, estão rubricados pela empresa mutuária; (f) os valores mutuados originalmente foram objeto de diversas prorrogações, de modo que o IOF a recolher seria apenas referente a 365 dias de contrato. No entanto, após tal prazo, a Recorrente continuou a debitar o IOF de sua cliente e recolheu os valores aos cofres públicos, sem considerar o limite anual, resultando em indébito tributário passível de restituição ou compensação com tributos administrados pela Receita Federal; (g) por fim, requer o provimento do recurso especial para ver reconhecida a integralidade do direito creditório e homologado o pedido de compensação. Foi admitido o recurso especial do Sujeito Passivo por meio do despacho S/Nº, de 07 de janeiro de 2016 (fls. 802 a 806), proferido pelo ilustre Presidente da 1ª Câmara da Terceira Seção de Julgamento em exercício à época. Fl. 827DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 828 5 A Fazenda Nacional apresentou contrarrazões (fls. 808 a 816) postulando a negativa de provimento ao recurso especial. O presente processo foi distribuído a essa Relatora por meio de sorteio regularmente realizado, estando apto o feito a ser relatado e submetido à análise desta Colenda 3ª Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais 3ª Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. É o Relatório. Voto Vencido Conselheira Vanessa Marini Cecconello, Relatora Voto vencido com relação ao mérito Admissibilidade O recurso especial de divergência interposto pela Contribuinte atende aos pressupostos de admissibilidade constantes no art. 67 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015, devendo, portanto, ter prosseguimento. Por meio do recurso especial, será analisada a obrigatoriedade ou não da existência de contrato de mútuo formal (escrito) para caracterizar as operações financeiras efetuadas entre as pessoas jurídicas não financeiras como empréstimo e, assim, atraindo a aplicação da limitação anual (365 dias) da tributação pelo IOF. A análise dos documentos juntados aos autos foi realizada nos julgamentos proferidos pelas instâncias a quo, sendo que na esfera do recurso especial tratarseá da divergência acerca da possibilidade de homologação dos pedidos de compensação da Contribuinte, verificandose se às provas foi atribuída a correta valoração e interpretação. Portanto, deve ser dado seguimento o recurso especial da Contribuinte. Mérito No mérito, centrase a controvérsia na necessidade ou não de formalização, por meio de instrumento particular, do contrato de mútuo. Afirma a Contribuinte ser suficiente a demonstração da operação por outros meios idôneos planilhas rubricadas pelos mutuários, extratos bancários, extratos de contacorrente que evidenciem as transferências de valores. O art. 153, inciso V, da Constituição Federal outorgou à União a competência para instituir imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou Fl. 828DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 829 6 valores mobiliários. Temse, portanto, estabelecidas quatro bases econômicas para a incidência do tributo: operações de crédito; operações de câmbio; operações de seguro e operações relativas a títulos ou valores mobiliários. Assim, o IOF incidirá sobre os negócios jurídicos que tenham como objeto referidos bens ou valores crédito, câmbio, seguro ou títulos e valores mobiliários. A Lei nº 5.143/1966 instituiu o IOF sobre crédito e seguro, cabendo ao Banco Central do Brasil a competência para fiscalização e arrecadação. Posteriormente, foi sancionado o Código Tributário Nacional, a Lei nº 5.172/66, com status de lei complementar, a qual, ao tratar do Imposto sobre Operações Financeiras, Câmbio e Seguro e sobre Operações relativas a Títulos e Valores Mobiliários (arts. 63 a 67), estabeleceu o fato gerador e a base de cálculo do tributo, o contribuinte e sobre a competência do Poder Executivo para alterar a alíquota do imposto. O art. 1ª da Lei nº 5.143/66 estabeleceu a hipótese de incidência do IOF crédito, nos seguintes termos: "o imposto sobre operações financeiras incide nas operações de crédito e seguro, realizadas por instituições financeiras e seguradoras, e tem como fato gerador: I no caso de operações de crédito, a entrega do respectivo valor ou sua colocação à disposição do interessado; [...]". O art. 2º, inciso I, do referido diploma legal, por sua vez, definiu como base de cálculo do tributo, nas operações de crédito, "o valor global dos saldos das operações de empréstimos, de abertura de crédito e de desconto de títulos, apurados mensalmente; [...]". Foram determinados, ainda, como contribuintes do imposto os tomadores de crédito, e como responsáveis as instituições financeiras referidas no art. 17 da Lei nº 4.595/64, consoante o disposto nos artigos 4º e 5º, ambos da Lei nº 5.143/66. As referidas normas são compatíveis com o art. 153, inciso V, da Constituição Federal de 1988 e artigos 63, inciso I e 64, inciso I, ambos do Código Tributário Nacional. Nessa esteira, a Constituição Federal de 1988, em seu art. 153, inciso V, ao reestruturar o Sistema Tributário Nacional, manteve o IOF como imposto de competência da União. A legislação do IOF foi recepcionada pela Carta Magna, consoante art. 34, §5º do ADCT Ato das Disposições Constitucionais Transitórias. O IOF foi regulamentado pelo Decreto nº 2.219/1997, revogado e substituído pelo Decreto nº 4.494/2002, o qual, por sua vez, foi revogado e substituído pelo Decreto nº 6.306/2007, atualmente em vigor, e que traz as quatro incidências do IOF no art. 2º1. 1 Decreto nº 6.306/07. Art. 2º O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras (Lei no 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1o); b) por empresas que exercem as atividades de prestação cumulativa e contínua de serviços de assessoria creditícia, mercadológica, gestão de crédito, seleção de riscos, administração de contas a pagar e a receber, compra de direitos creditórios resultantes de vendas mercantis a prazo ou de prestação de serviços (factoring) (Lei no 9.249, de 26 de dezembro de 1995, art. 15, § 1o, inciso III, alínea “d”, e Lei no 9.532, de 10 de dezembro de 1997, art. 58); c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); II operações de câmbio (Lei no 8.894, de 21 de junho de 1994, art. 5o); III operações de seguro realizadas por seguradoras (Lei no 5.143, de 1966, art. 1o); IV operações relativas a títulos ou valores mobiliários (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o); V operações com ouro, ativo financeiro, ou instrumento cambial (Lei no 7.766, de 11 de maio de 1989, art. 4o). § 1º A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito (Lei no 5.172, de 25 de outubro de 1966, art. 63, parágrafo único). § 2º Excluise da incidência do IOF referido no inciso I a operação de crédito externo, sem prejuízo da incidência definida no inciso II. Fl. 829DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 830 7 Com relação à incidência do IOF sobre operações de crédito, o art. 63, inciso I, do Código Tributário Nacional CTN estabelece como fato gerador a entrega total ou parcial ou colocação do montante ou valor à disposição do tomador, in verbis: Art. 63. O imposto, de competência da União, sobre operações de crédito, câmbio e seguro, e sobre operações relativas a títulos e valores mobiliários tem como fato gerador: I quanto às operações de crédito, a sua efetivação pela entrega total ou parcial do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado; II quanto às operações de câmbio, a sua efetivação pela entrega de moeda nacional ou estrangeira, ou de documento que a represente, ou sua colocação à disposição do interessado em montante equivalente à moeda estrangeira ou nacional entregue ou posta à disposição por este; III quanto às operações de seguro, a sua efetivação pela emissão da apólice ou do documento equivalente, ou recebimento do prêmio, na forma da lei aplicável; IV quanto às operações relativas a títulos e valores mobiliários, a emissão, transmissão, pagamento ou resgate destes, na forma da lei aplicável. Parágrafo único. A incidência definida no inciso I exclui a definida no inciso IV, e reciprocamente, quanto à emissão, ao pagamento ou resgate do título representativo de uma mesma operação de crédito. As alíquotas e base de cálculo do IOF foram estabelecidos no Decreto nº 6.306/2007, que revogou o Decreto nº 4.494/2002, em vigor à época dos fatos, que assim disciplinava em seus artigos 6º e 7º: Da Alíquota Art. 6º O IOF será cobrado à alíquota máxima de um vírgula cinco por cento ao dia sobre o valor das operações de crédito (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º). Parágrafo único. O Ministro de Estado da Fazenda, tendo em vista os objetivos das políticas monetária e fiscal, poderá estabelecer alíquotas diferenciadas para as hipóteses de incidência de que trata este Título (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único). § 3º Não se submetem à incidência do imposto de que trata este Decreto as operações realizadas por órgãos da administração direta da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e, desde que vinculadas às finalidades essenciais das respectivas entidades, as operações realizadas por: I autarquias e fundações instituídas e mantidas pelo Poder Público; II templos de qualquer culto; III partidos políticos, inclusive suas fundações, entidades sindicais de trabalhadores e instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei. Fl. 830DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 831 8 Da Base de Cálculo e das Alíquotas Reduzidas Art. 7º A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei nº 8.894, de 1994, art. 1º, parágrafo único, e Lei nº 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0041%; b) quando ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, a base de cálculo é o principal entregue ou colocado à sua disposição, ou quando previsto mais de um pagamento, o valor do principal de cada uma das parcelas: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 2. mutuário pessoa física: 0,0041% ao dia; II na operação de desconto, inclusive na de alienação a empresas de factoring de direitos creditórios resultantes de vendas a prazo, a base de cálculo é o valor líquido obtido: a) mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; b) mutuário pessoa física: 0,0041% ao dia; III no adiantamento a depositante, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários, apurado no último dia de cada mês: a) mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; b) mutuário pessoa física: 0,0041%; IV nos empréstimos, inclusive sob a forma de financiamento, sujeitos à liberação de recursos em parcelas, ainda que o pagamento seja parcelado, a base de cálculo é o valor do principal de cada liberação: a) mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; b) mutuário pessoa física: 0,0041% ao dia; V nos excessos de limite, ainda que o contrato esteja vencido: a) quando não ficar expressamente definido o valor do principal a ser utilizado, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do Fl. 831DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 832 9 crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o valor dos excessos computados no somatório dos saldos devedores diários apurados no último dia de cada mês: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; 2. mutuário pessoa física: 0,0041%; b) quando ficar expressamente definido o valor do principal a ser utilizado, a base de cálculo é o valor de cada excesso, apurado diariamente, resultante de novos valores entregues ao interessado, não se considerando como tais os débitos de encargos: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041% ao dia; 2. mutuário pessoa física: 0,0041% ao dia; VI nas operações referidas nos incisos I a V, quando se tratar de mutuário pessoa jurídica optante pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples, de que trata a Lei nº 9.317, de 5 de dezembro de 1996, em que o valor seja igual ou inferior a R$ 30.000,00 (trinta mil reais), observado o disposto no art. 47, inciso II: 0,00137% ou 0,00137% ao dia, conforme o caso; VII nas operações de financiamento para aquisição de imóveis não residenciais, em que o mutuário seja pessoa física: 0,0041% ao dia. § 1º O IOF, cuja base de cálculo não seja apurada por somatório de saldos devedores diários, não excederá o valor resultante da aplicação da alíquota diária a cada valor de principal, prevista para a operação, multiplicada por trezentos e sessenta e cinco dias, ainda que a operação seja de pagamento parcelado. § 2º No caso de operação de crédito não liquidada no vencimento, cuja tributação não tenha atingido a limitação prevista no § 1º, a exigência do IOF fica suspensa entre a data do vencimento original da obrigação e a da sua liquidação ou a data em que ocorrer qualquer das hipóteses previstas no § 7º. § 3º Na hipótese do § 2º, será cobrado o IOF complementar, relativamente ao período em que ficou suspensa a exigência, mediante a aplicação da mesma alíquota sobre o valor não liquidado da obrigação vencida, até atingir a limitação prevista no § 1º. § 4º O valor líquido a que se refere o inciso II deste artigo corresponde ao valor nominal do título ou do direito creditório, deduzidos os juros cobrados antecipadamente. § 5º No caso de adiantamento concedido sobre cheque em depósito, a tributação será feita na forma estabelecida para desconto de títulos, observado o disposto no inciso XXIII do art. 8º. § 6º No caso de cheque admitido em depósito e devolvido por insuficiência de fundos, a base de cálculo do IOF será igual ao valor a descoberto, verificado Fl. 832DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 833 10 na respectiva conta, pelo seu débito, na forma estabelecida para o adiantamento a depositante. § 7º Na prorrogação, renovação, novação, composição, consolidação, confissão de dívida e negócios assemelhados, de operação de crédito em que não haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o valor não liquidado da operação anteriormente tributada, sendo essa tributação considerada complementar à anteriormente feita, aplicandose a alíquota em vigor à época da operação inicial. § 8º No caso do § 7º, se a base de cálculo original for o somatório mensal dos saldos devedores diários, a base de cálculo será o novo valor renegociado na operação, com exclusão da parte amortizada na data do negócio. § 9º Sem exclusão da cobrança do IOF prevista no § 7º, havendo entrega ou colocação de novos valores à disposição do interessado, esses constituirão nova base de cálculo. § 10. No caso de novação, composição, consolidação, confissão de dívida e negócios assemelhados de operação de crédito em que haja substituição de devedor, a base de cálculo do IOF será o novo valor renegociado na operação. § 11. Nos casos dos §§ 8º, 9º e 10, a alíquota aplicável é a que estiver em vigor na data da novação, composição, consolidação, confissão de dívida ou negócio assemelhado. § 12. Os encargos integram a base de cálculo quando o IOF for apurado pelo somatório dos saldos devedores diários. § 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a VI, conforme o caso. O contrato de mútuo financeiro encontra sua definição no art. 586 do Código Civil2, sendo um negócio jurídico bilateral no qual o mutuário é obrigado a devolver ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. O mútuo caracterizase, portanto, como sendo o empréstimo de coisas fungíveis. Além disso, tem como função econômica permitir que o mutuário utilize temporariamente da coisa fungível com obrigação de a restituir. Há, no contrato de mútuo, uma predeterminação das posições de credor e devedor, e do valor a restituir. A lei não exige uma formalidade específica quando da realização do contrato de mútuo, no entanto, as regras estabelecidas nos artigos 227 do Código Civil de 2002 e 401 do Código de Processo Civil/1973, condicionam a comprovação dos negócios jurídicos cujo valor ultrapasse o décuplo do maior salário mínimo nacional vigente à demonstração de pelo menos um indício de prova documental. 2 Código Civil de 2002. Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Fl. 833DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 834 11 Deve ser considerado, ainda, ter o contrato de mútuo natureza temporária, com prazo determinado ou determinável para restituição da coisa por parte do mutuário, sob pena de a operação ser considerada como doação (art. 592 do Código Civil de 2002). Tendo restado caracterizada a operação de mútuo entre o Contribuinte e a pessoa jurídica AON Affinity por outros elementos de prova, que não necessariamente um contrato formal, deve ser reconhecido o direito ao crédito pela Receita Federal, uma vez presentes as características do empréstimo. Diante do exposto, dáse provimento ao recurso especial da Contribuinte, para reconhecer o direito à compensação do indébito do IOF. É o voto. (assinado digitalmente) Vanessa Marini Cecconello Fl. 834DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 835 12 Voto Vencedor Conselheiro Luiz Augusto do Couto Chagas, Redator designado Constatase que a contribuinte não conseguiu comprovar a liquidez e a certeza dos créditos pleiteados, uma vez que os contratos de mútuo apresentados como prova do indébito não se coadunam com os valores e as datas que dariam sustentação à compensação. Como bem dito no acórdão recorrido, a autoridade a quo, de forma diligente, analisou toda a documentação trazida pela contribuinte e decidiu pela homologação parcial do pedido de compensação, pois considerou que as operações com as demais empresas estavam regulares. Para a matéria em litígio, a não homologação ocorreu pelo enyendimento de estar ausente a documentação essencial para comprovação do pagamento a maior do IOF em relação ao contrato estabelecido com a empresa AON Affinity. A controvérsia reside em saber se foram apresentadas provas e se estas são suficientes para a comprovação das alegações constantes do recurso. Por isso, a turma ordinária do CARF solicitou diligência para que a unidade preparadora intimasse a recorrente a apresentar os contratos de mutuo com a empresa “AON Affinity” que poderiam suprir a necessidade de comprovação documental. Realizada a diligência, foram trazidas cópias do contrato de mutuo realizados entre a recorrente e a empresa AOF affinity. O contrato de mútuo apresentado detalha um contrato de abertura de crédito, firmado em 22 de abril de 1999, com um valor principal de R$ 2.400,000,00 ( dois milhões e quatrocentos mil reais) e prazo do contrato de 180 (cento e oitenta) dias, com prorrogações deste contrato original. Na sua manifestação de inconformidade a contribuinte apresentou detalhes do contrato de mutuo que teria dado origem ao recolhimento a maior do IOF. (fl. 31). Nesta planilha é detalhado um financiamento de R$ 1.084.900,00 (um milhão, oitenta e quatro mil e novecentos reais), firmado em 12/03/2001, com data de vencimento em 10/09/2001 e um outro contrato de financiamento (fl. 42) no valor de R$ 7.065.100,00 (sete milhões, sessenta e cinco mil e cem reais), firmado em 10/09/2001, com vencimento em 10/11/2001. Logo, o contrato apresentado na diligência e as informações apresentadas pela contribuinte, informando a existência de dois contratos que teriam dado origem ao indébito tributário não se relacionam, nem quanto ao valor e nem quanto a data de realização. Fl. 835DF CARF MF Processo nº 16327.904333/200822 Acórdão n.º 9303005.792 CSRFT3 Fl. 836 13 Assim, não é possível vincular os documentos apresentados na diligência àqueles informados pela contribuinte para justificar o recolhimento a maior do IOF. Portanto, no mérito, nego provimento ao recurso especial da contribuinte. É o voto. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Fl. 836DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10073.720656/2013-75
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon May 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2009
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.371
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas mencionadas, e manter a glosa em relação à UNIMED VOLTA REDONDA -Cooperativa de Trabalho Médico(CNPJ 35917.970/0001-30). Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2009 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas mencionadas, e manter a glosa em relação à UNIMED VOLTA REDONDA Cooperativa de Trabalho Médico(CNPJ 35917.970/000130). Vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 07 3. 72 06 56 /2 01 3- 75 Fl. 118DF CARF MF 2 Relatório O contribuinte foi notificado devido a exigência do imposto suplementar de R$ 7.079,36, acrescido da multa de ofício e juros de mora. O lançamento suplementar ocorreu pela glosa da dedução indevida de previdência privada e Fapi, no valor de R$4.086,80, e glosa de despesas médicas, no valor de R$ 21.656,32. A descrição dos fatos e o enquadramento legal constam da Notificação de Lançamento de efls.6 a 10. Tempestivamente, apresenta impugnação, de efls.2/3 onde alega preliminarmente a suposta ocorrência de decadência ou prescrição da exigência fiscal. Posteriormente, argumenta que não foi intimado, mas apresenta a documentação para provar a procedência de suas despesas com previdência privada e Fapi, no valor de R$ 4.086,80 e glosa de despesas médicas, no valor de R$ 21.656,32. A DRF de origem apreciou o assunto através do Termo Circunstanciado, de e fls.39 e 40, aceitando a despesas com previdência privada e Fapi, no valor de R$ 4.086,80, e as despesas médicas no valor de R$ 1.897,55, sendo indeferidas as despesas médicas de Walace Marques Cata Preta (CPF 663.818.19634), Fernanda Oliveira Gonçalves Silva (CPF 097.578.33789) e Fabiana Marcondes Abdnor (CPF 086.021.72729), vez que os documentos comprobatórios apresentados não informam o endereço do prestador de serviço, conforme inciso III, § 1º, do Art. 80, do Decreto 3.000/99, e UNIMED VOLTA REDONDA – Cooperativa de Trabalho Médico(CNPJ 35917.970/000130), uma vez que o beneficiário é terceiro não declarado como dependente (Igor Rocha dos Santos). Resultou na diminuição do valor do imposto suplementar para R$ 5.433,67, conforme Despacho Decisório de efls.41. Devidamente cientificado, o contribuinte apresentou manifestação de inconformidade, de efls.49 e 50 quando repete preliminarmente a ocorrência de decadência ou prescrição da exigência fiscal. Continuando a defesa, argumenta que a glosa de despesas médicas devido a vício formal no documento comprobatório (falta de endereço do profissional de saúde) não pode penalizar o contribuinte, ainda mais os leigos no assunto, uma vez que a despesa e o pagamento ocorreu, com o recolhimento do imposto pelo profissional de saúde, sendo que o vício poderia ser sanado pela própria RFB, com a pesquisa no Imposto de Renda dos profissionais de saúde, até porque caberia ao profissionais de saúde a correta emissão dos recibos médicos. No que se refere a despesa médica com o plano de saúde do filho (Igor Rocha dos Santos) na UNIMED VOLTA REDONDA – Cooperativa de Trabalho Médico(CNPJ 35917.970/000130) deve ser aceita, pois este era estudante de Engenharia no Instituto Nacional de Telecomunicações em Santa Rita do Sapucaí – MG. Na análise da peça impugnatória, a DRF Porto Alegre manifesta seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar as despesas médicas supra mencionadas, motivo pelo qual tais glosas devem ser mantidas. No que se refere aos recibos médicos, mantém a glosa pelo fato de os recibos nao apresentarem endereço profissional dos médicos. Já em relação à Unimed, a glosa foi mantida por se tratar de suposto dependente não declarado na DIRPF no ano calendário em apreço. Em sede de RV repisa o contribuinte nos mesmos argumentos. No entanto, em relação aos recibos médicos, apresenta novamente os documentos contendo, desta feita, os endereços profissionais de cada médico emitente. É o relatório. Fl. 119DF CARF MF Processo nº 10073.720656/201375 Acórdão n.º 2001000.371 S2C0T1 Fl. 3 3 Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” O Recorrente apresentou os recibos médicos de psicologia fisioterapia e odontologia, devidamente preenchidos e, em sede de Recurso, supriu a lacuna que faltava, qual seja, o endereço dos profissionais emitentes. Merece registrar que este foi o principal fundamento para manter a glosa em relação aos profissionais Walace Marques Cata Preta (CPF Fl. 120DF CARF MF 4 663.818.19634), Fernanda Oliveira Gonçalves Silva (CPF 097.578.33789) e Fabiana Marcondes Abdnor (CPF 086.021.72729). Em relação as despesas com Unimed, em que pese argumentar que o beneficiário era o seu filho, o mesmo não constava como dependente na sua declaração de imposto de renda pessoa física. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] Também, na declaração de rendimentos podem ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a empresas domiciliadas no País, destinados a coberturas de despesas com hospitalização, médicas, odontológicas e a entidades que assegurem direito de atendimento ou ressarcimento de despesas da mesma natureza. Em princípio, o recibo contendo todos os requisitos exigidos pela legislação é documento suficiente para comprovar a realização da despesa médica. Entretanto, com fundamento no artigo 73, caput e § 1° do Decreto nº 3.000/99 (Regulamento do Imposto de Renda), transcrito a seguir, pode a autoridade fiscal, visando formar sua convicção sobre o assunto, solicitar elementos adicionais de provas, tais como cópia de cheque extraída imediatamente após a emissão do documento ou depois da compensação, comprovante de depósito na conta do prestador dos serviços, comprovante de transferências eletrônicas de fundos, transferências interbancárias, comprovante de transmissão de ordem de pagamento, ou, no caso de pagamento efetuado em dinheiro, extratos bancários que demonstrem a realização de saques em datas e valores coincidentes ou aproximados aos pagamentos em questão, podendo também o interessado apresentar outros que julgar convenientes, desde que surtam os devidos efeitos legais. Art. 73. Todas as deduções estão sujeitas a comprovação ou justificação, a juízo da autoridade lançadora (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 3º). § 1º Se forem pleiteadas deduções exageradas em relação aos rendimentos declarados, ou se tais deduções não forem cabíveis, poderão ser glosadas sem a audiência do contribuinte (Decreto Lei nº 5.844, de 1943, art. 11, § 4º). No caso dos autos, vamos analisar individualmente as despesas médicas glosadas, após a aceitação parcial da DRF de origem, no Termo Circunstanciado (efls.40 e 41) e no Despacho Decisório (efls.42), cuja motivação para glosa foi a falta do endereço dos supostos prestadores de serviço e a falta de dependência de beneficiário (Igor Rocha dos Santos) de despesas médicas da UNIMED VOLTA REDONDA – Cooperativa de Trabalho Médico(CNPJ 35917.970/000130). Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10073.720656/201375 Acórdão n.º 2001000.371 S2C0T1 Fl. 4 5 As despesas médicas do psicólogo Walace Marques Cata Preta (CPF 663.818.19634), da fisioterapeuta Fabiana Marcondes Abdnor (CPF 086.021.72729) e da odontóloga Fernanda Oliveira Gonçalves Silva (CPF 097.578.33789), conforme e fls.57 a 68, foram glosada porque que os documentos comprobatórios apresentados não informam o endereço do prestador de serviço, conforme inciso III, § 1º, do Art. 80, do Decreto 3.000/99. O vício formal poderia ser suprido por outra prova material, como extratos bancários ou cópias de cheques, que comprovasse a efetividade dos pagamentos declarados. Todavia, o contribuinte não trouxe nenhuma outra prova. O contribuinte deve ter em conta que o pagamento de despesa médica não envolve apenas ele e o profissional de saúde, mas também o Fisco caso haja intenção de se beneficiar desta dedução na declaração de rendimentos e, por isso, deve se acautelar na guarda de elementos de prova da efetividade do pagamento e do serviço. É necessário destacar que não é o Fisco quem precisa provar que as despesas médicas declaradas não existiram, mas sim o contribuinte justificálas, nos termos do art.373 do Código de Processo Civil (Lei 13.105/2015), tendo em vista que a inclusão de tais despesas em sua declaração de ajuste anual nada mais é do que um benefício para o impugnante, pois as referidas despesas reduzem a base de cálculo do imposto devido. Não se deve esquecer que não se pode alegar o desconhecimento da Lei para não justificar seu descumprimento ou transferilo a responsabilidade a outros, nos termos do art.3 º do DecretoLei nº 4.657, de 1942, com redação dada pela Lei nº 12.376, de 2010, que é a Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro. Portanto, havendo recibos médicos com erro formal e nenhuma outra prova do pagamento do serviço prestado, deve se manter a glosa. Por sua vez, a despesa médica com UNIMED VOLTA REDONDA – Cooperativa de Trabalho Médico(CNPJ 35917.970/000130), uma vez que o beneficiário é terceiro não declarado como dependente (Igor Rocha dos Santos) deve ser mantida, pois o contribuinte não traz nenhuma prova documental de que o beneficiário se enquadra como dependente, sequer que era estudante com possibilidade de ser dependente. Logo, deve ser mantido o Termo Circunstanciado (efls.39 e 40) e o Despacho Decisório (efls.41) da DRF de origem, que reduziu o imposto suplementar para R$ 5.433,67. Destarte, Voto no sentido de julgar improcedente a impugnação, na parte litigiosa, mantendo o imposto suplementar de R$ 5.433,67, com os consectários legais. Fl. 122DF CARF MF 6 [...]” No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos não foram suficientes para comprovar as despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 123DF CARF MF Processo nº 10073.720656/201375 Acórdão n.º 2001000.371 S2C0T1 Fl. 5 7 Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação do lançamento no sentido de que os recibos não foram suficientes por não conterem o endereço profissional, lacuna que foi suprida em sede de Recurso Voluntário bem como intenção do contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido do Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas dos profissionais Walace Marques Cata Preta (CPF 663.818.19634), Fernanda Oliveira Gonçalves Silva (CPF 097.578.33789) e Fabiana Marcondes Abdnor (CPF 086.021.72729). Em relação as despesas com Unimed, em que pese argumentar que o beneficiário era o seu filho, o mesmo não constava como dependente na sua declaração de imposto de renda pessoa física. Sendo assim, entendo que deve ser mantida esta glosa em específico. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO PARCIAL ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas mencionadas, e manter a glosadas em relação à UNIMED VOLTA REDONDA – Cooperativa de Trabalho Médico(CNPJ 35917.970/000130). (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 124DF CARF MF
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Numero do processo: 11060.900740/2013-82
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito.
NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003.
Recurso Voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.548
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Presidente e Relator.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃO-CUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime não-cumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri - Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro.
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PIS/COFINS. NÃOCUMULATIVIDADE. Recorrente Dona Francisca Energética S/A Recorrida Fazenda Nacional ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2012 COMPENSAÇÃO. APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. Se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. NÃOCUMULATIVIDADE. ENERGIA ELÉTRICA. REVENDA. CREDITAMENTO.Os gastos com energia elétrica adquirida para revenda dão direito ao desconto de crédito de PIS e da COFINS, apurado no regime nãocumulativo, nos termos do art. 3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003. Recurso Voluntário provido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Presidente e Relator. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Ari Vendramini, Antonio Cavalcanti Filho, Rodolfo Tsuboi (Suplente convocado) e Semíramis de Oliveira Duro. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 0. 90 07 40 /2 01 3- 82 Fl. 329DF CARF MF Processo nº 11060.900740/201382 Acórdão n.º 3301004.548 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior e aproveitar esse crédito com débito de outro tributo. Na apreciação do pleito, manifestouse a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Santa Maria RS pela não homologação da compensação declarada, fazendoo com base na constatação da inexistência do crédito informado, uma vez que o valor recolhido já havia sido integralmente utilizado para extinção do débito relativo ao período de apuração a que se referia, não restando crédito disponível para compensação dos valores informados na Dcomp. Inconformada com a não homologação da compensação, a contribuinte apresenta manifestação de inconformidade na qual alega que o crédito declarado é legítimo, decorrente de pagamento a maior, não sendo utilizado para quitação de outros débitos. Explica a interessada que, em razão de sua atividade, por estar sujeita ao regime cumulativo e não cumulativo, faz jus aos créditos previstos no artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.637/2002 e artigo 3º, inciso I, da Lei nº 10.833/2003, podendo, assim, descontar créditos, relativos às operações de compra e aquisição de energia revendida, do valor apurado a título de débito de PIS e de Cofins, respectivamente, escriturandoos conforme determinam as normas aplicáveis nos campos próprio do Dacon. E que, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2012, realizou apuração dos débitos das contribuições sociais sem o desconto dos créditos permitidos na legislação tributária. Entretanto, posteriormente, decidiu pelo exercício extemporâneo de seu direito, retificando a apuração do período, para o fim de apropriar os créditos no mês de competência em que deveriam ter sido apropriados; para tanto, retificou e transmitiu o Dacon correspondente, em 29 de janeiro de 2013, acompanhado da respectiva DCTF, também retificadora. Em tópico específico – Princípio da verdade material – a contribuinte argumenta que, em razão dos princípios da estrita legalidade, da verdade material e do inquisitório na investigação dos fatos tributários, a negativa de homologação de compensação deve irrestrita obediência à lei. Desta forma, entende que o Fisco tem o dever jurídico de investigação, em busca da verdade material, mesmo nas hipóteses de compensação. A contribuinte solicita, ainda, a reunião dos processos que relaciona, para que tramitem em conjunto e sejam objeto de um único julgamento ou para que as decisões proferidas, ainda que separadamente, sejam todas no mesmo sentido, em atenção ao princípio da economia e eficiência processual e ao princípio da segurança, a fim de evitar a existência de decisões conflitantes ou divergentes sobre a mesma matéria e pressupostos fáticos e jurídicos. Por fim, a contribuinte requer que, para evitar a ciência por edital, as intimações sejam encaminhadas ao endereço do escritório administrativo, que menciona. A Recorrente apontou os seguintes motivos que legitimam o recolhimento indevido do PIS/COFINS: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 11060.900740/201382 Acórdão n.º 3301004.548 S3C3T1 Fl. 4 3 · Suas atividades estatutárias envolvem a geração, comercialização e transmissão de energia elétrica. Para tanto, realiza operações de venda e comercialização de energia originária de seu próprio processo de geração ou adquirida de outras geradoras para revenda. · Para as operações de revenda, o regime de apuração do PIS e COFINS é o não cumulativo. · Sustenta que o contrato de compra e venda de energia elétrica foi celebrado entre a Recorrente e a Gerdau em 03 de maio de 2011. · Então faz jus aos créditos do art. 3º, I da Lei n° 10.637/2002 e art. 3º, I da Lei n° 10.833/2003. · Todavia, nos períodos de apuração compreendidos entre junho de 2011 e outubro de 2002, a empresa apurou PIS e COFINS, sem o abatimento dos créditos referentes a aquisição e energia elétrica para revenda. · Em seguida, ao constatar que a existência de créditos de PIS e COFINS não apropriados, retificou sua apuração nos meses de competência (aproveitamento extemporâneo). · No presente caso, anexou a nota fiscal de aquisição de energia elétrica, sobre a qual incidiriam PIS e COFINS passíveis de creditamento. · Após a reapuração os novos e menores débitos de PIS e COFINS foram devidamente informados em DACON retificadora transmitida em 29/01/2013. Foi feita a retificação da DCTF posteriormente. A 4ª Turma da DRJ/FNS negou provimento à manifestação de inconformidade, nos termos do Acórdão nº 07037.008. Em seu recurso voluntário, a Recorrente: · Em preliminar, requer a vinculação e julgamento em conjunto deste processo com outros 33 recursos voluntários contra acórdãos idênticos da DRJ de Florianópolis, uma vez que os processos decorrem dos mesmos pressupostos de fato e direito; · Reitera os fundamentos de sua impugnação; · Acosta novas provas; · Afirma que o Direito à restituição via compensação decorre do pagamento indevido, e não da declaração do crédito em DCTF; · Assevera que, por imposição do princípio da verdade material, a análise quanto à existência do crédito deve se sobrepor à declaração formal do mesmo (em DCTF) ao tempo da apresentação da DCOMP; · Ataca a decisão da DRJ, ao defender que deixou de verificar a procedência do crédito para fazer análise meramente formal quanto à existência do crédito em DCTF ao tempo da transmissão da DCOMP; · Sustenta que a prova produzida é suficiente para atestar a existência do crédito; · Por isso, requer que o próprio CARF ateste a veracidade do crédito, considerandose a suficiência da prova já apresentada; ou, alternativamente, que baixe o processo em diligência para que a DRF o faça. Em petição datada de janeiro de 2016, a empresa pugna pela aplicação do Parecer Normativo COSIT nº 02/2015. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 11060.900740/201382 Acórdão n.º 3301004.548 S3C3T1 Fl. 5 4 Esta turma de julgamento converteu o feito em diligência, Resolução n° 3301000.405, de 28 de junho de 2017, para que a unidade de origem analisasse a documentação apresentada pela Recorrente em sua manifestação de inconformidade e no recurso voluntário, com vistas a esclarecer a existência do crédito passível de ser utilizado na compensação pretendida. Assim, foi solicitado à autoridade que: a) aferisse a procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) informasse se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) esclarecesse se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada e d) elaborasse relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados. A diligência foi realizada, cujo despacho segue acostado nos autos. É o relatório. Voto Conselheiro José Henrique Mauri, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301004.545, de 17 de abril de 2018, proferido no julgamento do processo 11060.900738/201311, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301004.545): "O recurso voluntário reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. Creditamento sobre a aquisição de energia elétrica para revenda Dispõem os art.3º, I das Leis n° 10637/2002 e 10.833/2003 que: Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: I bens adquiridos para revenda, exceto em relação às mercadorias e aos produtos referidos: A energia elétrica adquirida para revenda subsomese à previsão normativa de creditamento sobre “bens adquiridos para revenda”, porquanto a energia elétrica foi equiparada no sistema constitucional à mercadoria (art. 155, parágrafo 2º, X, alínea “b” e parágrafo 3º, CF/88). Fl. 332DF CARF MF Processo nº 11060.900740/201382 Acórdão n.º 3301004.548 S3C3T1 Fl. 6 5 Diante disso, observase que há suporte legal que legitima o crédito de PIS sobre a energia elétrica adquirida para revenda. Dessa forma, com razão a Recorrente ao pleitear o creditamento no regime da nãocumulatividade. Fundamentação do acórdão da DRJ Como relatado, a Recorrente apresentou DCOMP em 30/01/2013 para compensar débito de IRPJ com crédito de pagamento indevido de PIS, decorrente da aquisição de energia elétrica para revenda. A DACON foi retificada em 29/01/2013 e a DCTF retificada em 05/09/2013. A DRJ ao julgar improcedente a manifestação de inconformidade o fez com fundamento único: antes da apresentação da DCOMP, a empresa deveria ter retificado regularmente a DCTF. Entendo que assiste razão à Recorrente, quando afirma que a compensação via PER/DCOMP não está vinculada à retificação de DCTF. Isso porque o indébito tributário decorre do pagamento indevido, nos termos dos art. 165 e 168 do CTN, a retificação da DCTF não “cria” o direito de crédito. Nesse sentido, o CARF já se manifestou: Acórdão n° 3403002.370, 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária: DESPACHO DECISÓRIO ELETRÔNICO (DDE). NÃO HOMOLOGAÇÃO DA COMPENSAÇÃO (DCOMP). RETIFICAÇÃO POSTERIOR DE DADOS DA DCTF. A retificação da DCTF, para demonstrar a diferença entre valor confessado e recolhido, não é condição prévia para a transmissão da DCOMP, nem é ato que, por si mesmo, cria o direito de crédito do contribuinte. A existência do indébito depende da demonstração, por meio de provas, pelo contribuinte. Recurso provido. Ademais, o Parecer Normativo COSIT nº 02/2015, publicado no DOU de 01/09/2015, esclarece: Assunto. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA Fl. 333DF CARF MF Processo nº 11060.900740/201382 Acórdão n.º 3301004.548 S3C3T1 Fl. 7 6 RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/nãohomologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em Fl. 334DF CARF MF Processo nº 11060.900740/201382 Acórdão n.º 3301004.548 S3C3T1 Fl. 8 7 PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Assim, discordo da decisão de piso que manteve a não homologação da compensação sobre o argumento de que a DCTF retificadora deveria ter sido transmitida antes da Dcomp. Por conseguinte, se transmitida a PER/Dcomp sem a retificação ou com retificação após o despacho decisório da DCTF, por imperativo do princípio da verdade material, o contribuinte tem direito subjetivo à compensação, desde que prove a liquidez e certeza de seu crédito. Ônus da prova – recolhimento indevido No presente caso, a interessada trouxe elementos fiscais e societários para comprovar o valor pleiteado: estatuto social no qual consta a atividade de comercialização de energia elétrica; cópia do contrato de fornecimento de energia elétrica, celebrado em 03/05/2011, com a destinatária da energia nas operações de revenda; cópia da nota fiscal de compra de energia; DCTF e DACON retificadoras. Ressalta a empresa que o contrato de compra e venda de energia elétrica, que revendeu energia adquirida por meio da Nota Fiscal acostada aos autos, é suficiente para comprovação do direito de crédito de PIS. Em seu recurso voluntário, objetivando comprovar que a energia elétrica adquirida foi objeto de revenda, anexou: 1 planilha demonstrativa dos volumes comprados, que equivalem exatamente aos volumes vendidos; 2 o Relatório CCEE demonstrando que o balanço de energia elétrica negociada pela recorrente apresenta volumes idênticos na posição de compradora e vendedora e 3 as notas fiscais de venda de energia elétrica com os mesmos volumes apresentados nos demonstrativos. Além disso, acosta aos autos a DACON original para demonstrar que o crédito objeto da nota fiscal referida não havia sido considerado na apuração da contribuição originalmente. Fl. 335DF CARF MF Processo nº 11060.900740/201382 Acórdão n.º 3301004.548 S3C3T1 Fl. 9 8 As DACON e DCTF retificadoras (acostadas na manifestação de inconformidade) se voltam a comprovar que o crédito calculado sobre a energia adquirida através da nota fiscal apresentada, gerou a apuração de PIS com valor inferior ao recolhimento do DARF, representando pagamento indevido. Toda a documentação da Recorrente foi analisada em diligência fiscal, tendo a autoridade despachado o seguinte: 7. A contribuinte apresentou cópia dos registros contábeis, livro razão e Diário, fls. 314/382388/428, onde consta registro da compra de energia elétrica, com creditamento de PIS, com base no art. 3º, inciso I, da Lei nº 10.637, de 30 de dezembro de 2002. Com resumo dos lançamentos contábeis à folha 429. 8. Conforme NFE série 1, nº 189, de 21/03/2012, fl. 53, ou no portal da Nota Fiscal Eletrônica, fls. 383/387, foi adquirido energia elétrica pela Dona Francisca Energética S.A – RS da Gerdau Aços Longos S.A., CNPJ 07.358.761/005632, localizada no município de Cachoeira Alta – GO, dentro do sistema integrado de energia, valor R$ 2.684.844,00 com destaque de PIS em R$ 44.299,93. 9. Declaração de compensação com base legal no art. 170 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966 (CTN); art. 74 da Lei nº 9.430, de 27.12.1996; art. 49 da Lei nº 10.637, de 30.12.2002; art. 17 da Lei nº 10.833, de 29.12.2003; art. 4º da Lei nº 11.051, de 29.12.2004; art. 30 da Lei nº 11.941, de 27.05.2009; IN RFB nº 1.300, de 20.11.2012; IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 10. Crédito acrescido de juros equivalentes à taxa referencial SELIC Sistema Especial de Liquidação e de Custódia para títulos federais, nos termos do artigo 39, § 4º da Lei n.º 9.250, de 26.12.1995 e do artigo 73 da Lei nº 9.532, de 10.12.1997, e conforme inc. V do art. 143 da IN RFB nº 1.717, de 17.07.2017. 11. De acordo com o art. 6º da Lei nº 10.593, de 06 de dezembro de 2002; com o art. 142 da Lei nº 5.172, de 25.10.1966; Portaria RFB nº 1.453, de 29.09.2016; com a Portaria MF nº 203, de 14 de maio de 2012 e o art. 241, inc. I do Regimento da SRFB, foi constatado que a DACON retificadora de março de 2012, está em conformidade com os registros contábeis e amparada em documentação, sendo confirmado crédito de PIS não cumulativo, código 6912, pago a maior em 25/04/2012, no valor de R$ 44.299,92 e conforme indicado pela contribuinte, o valor de R$ 42.126,22 (quarenta e dois mil, cento e vinte e seis reais com vinte e dois centavos), com o acréscimo da taxa Selic acumulada, foi lançado em planilha de cálculo SAPO junto com o débito, que foi satisfeito, fls. 430/433. A diligência confirmou o crédito pleiteado e, ao cotejar com o débito apontado, reconheceu que foi suficiente para a sua satisfação, logo deve ser homologada a compensação. Fl. 336DF CARF MF Processo nº 11060.900740/201382 Acórdão n.º 3301004.548 S3C3T1 Fl. 10 9 Conclusão Do exposto, voto por dar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado tanto à COFINS quanto à Contribuição para o PIS/Pasep. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Fl. 337DF CARF MF
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Numero do processo: 36252.000375/2006-59
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Apr 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jun 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/04/1999 a 31/10/2003
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99.
Havendo recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração.
Auto de Infração lavrado em 29/07/2005, tendo o Recorrente tomado ciência em 02/08/2005, referente a competências de 04/1999 a 07/2000, declaração de decadência quanto a tais períodos.
PPRA E PCMCO QUE NÃO REFLETE A REALIDADE. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DA AUDITORIA FISCAL.
Não havendo prova em contrário capaz e ilidir as afirmações recursais opostas ao lançamento quanto a falta de informações adequadas e compatíveis com realidade da operação, o lançamento deve ser mantido.
REQUERIMENTO DE PERÍCIA QUANTO A SITUAÇÃO DE RISCO AMBIENTAL DA EMPRESA. PROVA ESTEMPORANIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO VERIFICADO.
Não configura cerceamento de defesa a negativa de perícia a ser realizada de modo extemporâneo eis que tendo por objeto a verificação das condições ambientais não seria apta a produção de provas eis que tais condições se alteram com o tempo.
CONCESSÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA POR PARTE DA EMPRESA.
Cabe à empresa informar, perante o INSS, as condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física dos trabalhadores a fim de que consigam perceber o benefício especial. Inobservância por parte da empresa recorrenteAssunto: Classificação de Mercadorias
. Crédito Mantido.
Numero da decisão: 2402-006.081
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade, reconhecer a decadência para as competências até 07/2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente
(assinado digitalmente)
JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias de Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregorio Rechmann Júnior, Mauricio Nogueira Righetti.
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/04/1999 a 31/10/2003 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS. DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. Havendo recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Auto de Infração lavrado em 29/07/2005, tendo o Recorrente tomado ciência em 02/08/2005, referente a competências de 04/1999 a 07/2000, declaração de decadência quanto a tais períodos. PPRA E PCMCO QUE NÃO REFLETE A REALIDADE. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DA AUDITORIA FISCAL. Não havendo prova em contrário capaz e ilidir as afirmações recursais opostas ao lançamento quanto a falta de informações adequadas e compatíveis com realidade da operação, o lançamento deve ser mantido. REQUERIMENTO DE PERÍCIA QUANTO A SITUAÇÃO DE RISCO AMBIENTAL DA EMPRESA. PROVA ESTEMPORANIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO VERIFICADO. Não configura cerceamento de defesa a negativa de perícia a ser realizada de modo extemporâneo eis que tendo por objeto a verificação das condições ambientais não seria apta a produção de provas eis que tais condições se alteram com o tempo. CONCESSÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA POR PARTE DA EMPRESA. Cabe à empresa informar, perante o INSS, as condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física dos trabalhadores a fim de que consigam perceber o benefício especial. Inobservância por parte da empresa recorrenteAssunto: Classificação de Mercadorias . Crédito Mantido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade, reconhecer a decadência para as competências até 07/2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho - Presidente (assinado digitalmente) JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias de Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregorio Rechmann Júnior, Mauricio Nogueira Righetti.
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DECADÊNCIA. SÚMULA CARF Nº 99. Havendo recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração. Auto de Infração lavrado em 29/07/2005, tendo o Recorrente tomado ciência em 02/08/2005, referente a competências de 04/1999 a 07/2000, declaração de decadência quanto a tais períodos. PPRA E PCMCO QUE NÃO REFLETE A REALIDADE. PRESUNÇÃO DE VERACIDADE DA AUDITORIA FISCAL. Não havendo prova em contrário capaz e ilidir as afirmações recursais opostas ao lançamento quanto a falta de informações adequadas e compatíveis com realidade da operação, o lançamento deve ser mantido. REQUERIMENTO DE PERÍCIA QUANTO A SITUAÇÃO DE RISCO AMBIENTAL DA EMPRESA. PROVA ESTEMPORANIA. CERCEAMENTO DE DEFESA NÃO VERIFICADO. Não configura cerceamento de defesa a negativa de perícia a ser realizada de modo extemporâneo eis que tendo por objeto a verificação das condições ambientais não seria apta a produção de provas eis que tais condições se alteram com o tempo. CONCESSÃO DE APOSENTADORIA ESPECIAL. REQUISITOS LEGAIS. INOBSERVÂNCIA POR PARTE DA EMPRESA. Cabe à empresa informar, perante o INSS, as condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física dos trabalhadores a fim de que AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 36 25 2. 00 03 75 /2 00 6- 59 Fl. 1240DF CARF MF 2 consigam perceber o benefício especial. Inobservância por parte da empresa recorrenteAssunto: Classificação de Mercadorias . Crédito Mantido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Fl. 1241DF CARF MF Processo nº 36252.000375/200659 Acórdão n.º 2402006.081 S2C4T2 Fl. 1.241 3 Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, afastar as preliminares de nulidade, reconhecer a decadência para as competências até 07/2000 e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Mario Pereira De Pinho Filho Presidente (assinado digitalmente) JAMED ABDUL NASSER FEITOZA Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Mario Pereira de Pinho Filho, Ronnie Soares Anderson, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Renata Toratti Cassini, Luis Henrique Dias de Lima, João Victor Ribeiro Aldinucci, Gregorio Rechmann Júnior, Mauricio Nogueira Righetti. Fl. 1242DF CARF MF 4 Relatório Temse Recurso Voluntário de fls. 487/534, lançado contra Decisão de fls. 474/482, da Delegacia da Receita Previdenciária em Araçatuba/SP que julgou improcedente a Impugnação e declarou o contribuinte, ora recorrente, como devedor do crédito apurado na NFLD em epígrafe. A decisão está assim ementada: "CONTRIBUIÇÕESPREVIDENCIÁRIAS. ALÍQUOTA ADICIONAL. RISCOS AMBIENTAIS DO TRABALHO. ARBITRAMENTO. GERENCIAMENTO DOS RISCOS OCUPACIONAIS. ATOS ADMINISTRATIVOS. PRESUNÇÃO DE LEGITIMIDADE. A Aposentadoria Especial será financiada com os recursos provenientes da contribuição de que trata o artigo 22, inciso ll, da Lei n° 8.212/91, permita a concessão do citado benefício após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição (artigos 57 e 58 da Lei n° 8.213/91). O eficaz gerenciamento dos riscos ocupacionais é que garante a qualidade no meio ambiente de trabalho prevenindo a ocorrência de acidentes e doenças ocupacionais, evitando a concessão de benefícios em número excessivo ou indevidos. A falta do PPRA, PGR, PCMAT, PCMSO, LTCAT ou PPP, quando exigíveis ou a incompatibilidade entre esses documentos, enseja a apuração por arbitramento da contribuição adicional, com fundamento legal previsto no § 3° do artigo 33 da Lei n° 8.212/91 e artigo 233 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. Os atos administrativos, incluindose o ato de lançamento de tributos, nascem com a presunção de legalidade, legitimidade e veracidade. LANÇAMENTO PROCEDENTE." Por bem transcrever os fatos ocorridos, traslado o relatório da r. decisão recorrida, in verbis: "Em preliminar, alega inexistência de demonstração por parte das autoridades fiscais, quanto necessidade da aplicação do disposto no artigo 410 da Instrução Normativa n° 100/2003, que autoriza a utilização da técnica da Aferição Indireta, uma vez que foram apresentados os documentos relacionados ao gerenciamento dos riscos ambientais do trabalho, não havendo ainda, incompatibilidade entre referidos documentos; Pleiteia seja reconhecida a conexão entre os lançamentos efetuados durante a presente ação fiscal para simultâneo julgamento dos processos; Requer, também, a realização de prova pericial sob Fl. 1243DF CARF MF Processo nº 36252.000375/200659 Acórdão n.º 2402006.081 S2C4T2 Fl. 1.242 5 pena de cerceamento de defesa nos termos do artigo 32, inciso ll da Portaria 520/2004. Argumenta sobre a necessidade da realização de perícia por não concordar com as conclusões fiscais apresentadas no documento nominado “Caracterização das Condições Especiais de Trabalho CCET”. A fim de propiciar a realização da perícia indica assistes técnicos e elenca seus quesitos; Aduz que as conclusões apontadas na presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD não guardam harmonia com as conclusões que a própria Previdência Social consuma em regulares expedientes de concessão de aposentadorias envolvendo empregados da notificada. Ressalta que, de um lado, a NFLD apregoa a existência de certos elementos que concebem a obrigação do pagamento da contribuição adicional para financiamento da aposentadoria especial, mas, de outro lado, o Órgão local do Instituto Nacional do Seguro Social INSS emite posição conclusiva quanto a inexistência de elementos hábeis à concessão de aposentadoria especial com alicerce no adequado gerenciamento na prevenção de riscos de acidente do trabalho. Com o objetivo de comprovar suas alegações requer sejam entranhados aos autos, por amostragem, processos de benefícios de segurados que prestaram serviços na empresa, demonstrando em que condições foram concedidos; No mérito, afirma que promove um eficaz, diligente e continuo gerenciamento dos riscos ocupacionais, que neutraliza ou elimina a exposição dos empregados aos agentes nocivos agressivos à saúde, assim, não, enseja o benefício da aposentadoria especial ficando desobrigado do pagamento da alíquota adicional para custear tal benefício; Prossegue dizendo que não foi efetuada a verificação efetiva e técnica do correspondente ambiente de trabalho, valendose o fisco apenas da regularidade formal de documentos, em flagrante desprestígio da primazia da realidade; Assevera que a falta ou a precária elaboração de determinados documentos exigidos pela regra previdenciária permitem a conclusão de que os segurados envolvidos nesta temática terão direito à aposentadoria especial, ofende o texto legal que contempla não a burocracia documental como fator caracterizador do direito à aposentadoria especial, mas sim, à realidade fática inerente à atividade laboral exercida por tais empregados diante do correspondente ambiente de trabalho; Afirma, também, que houve ofensa ao artigo 57 caput e seu parágrafo 6°, e parágrafo 3° do artigo 58 todos da Lei 8.213/1991, que admitem aposentadoria especial conforme ocorrências fáticas da atividade desenvolvida pelo segurado, e não, como concluído pela fiscalização, ante o preenchimento adequado ou precário de exigências meramente formais, pois presume o INSS determinada situação, ao invés de constatála na realidade; Diz que o INSS traz aos autos, apenas, anexos elaborados pela própria autoridade fiscal sem prova concreta de suas argüições; Por fim, requer o cancelamento da presente Notificação Fiscal de Lançamento de Débito NFLD." Fl. 1244DF CARF MF 6 Em seu recurso, reprisa a recorrente os argumentos lançados em sua peça de defesa, em que postula a completa nulidade do lançamento fiscal, bem como a iliquidez da NFLD que dá pé ao presente processo administrativo fiscal. Acrescenta a suplicante que teria havido cerceamento de defesa na decisão guerreada, uma vez que não lhe fora permitido a produção de prova pericial, o que, a seu ver, seria ponto crítico a demonstrar a inconcretude do lançamento em testilha. Em sua peça, aponta ter havido no Acórdão recorrido tanto "vícios meritórios" quanto "vícios processuais", que, a seu ver, reconheceriam a improcedência da NFLD e apontariam sua nulidade. Logo de início, evidencia o recorrente estar "convicto" de que seus empregados não estão sujeitos a riscos ocupacionais no ambiente de trabalho a ponto de haver necessidade de aposentadorias especiais, portanto, não seria legítima a exigência fiscal "correspondentes adicionais do SAT" com o fim de custear a reforma especial. Com relação ao PPRA, giza que os pontos apontados pela fiscalização, tais como (i) a não apresentação de reconhecimento sistemático dos agentes de risco, a falta de avaliação anual do PPRA; e (ii) o monitoramento dos agentes nocivos não são suficientemente consistentes e/ou capazes de caracterizar o benefício da aposentadoria especial; uma vez que as razões estampadas na decisão estão com "evidente precariedade". Utilizandose de Laudo Técnico (fls. 535 a 547) que também junta aos autos, esclarece, quanto ao não reconhecimento dos agentes de risco que: "1) “Quanto à constatação da fiscalização, de plano, de que a Notificada não cumpre o disposto no item 9.3 da NR 09, pois não antecipa e reconhece os riscos, conseqüentemente não avalia e monitora, reconhecendo de forma genérica alguns produtos utilizados, o que gerou a lavratura do AI n° 35.709.2317, baseandose nos PPRAs e PCMSOS apresentados, parece ter havido um equívoco interpretativo dos agentes autuadores, pelos seguintes aspectos: a)Em primeiro lugar, precisam ser esclarecidos os conceitos de antecipação e reconhecimento dos riscos, ou seja, a antecipação de um risco ambiental é a sua identificação, antes de sua introdução no ambiente do trabalho, e que geralmente ocorre na fase de projeto de uma nova instalação industrial, na introdução ou modificação de um layout, na mudança de um processo, na substituição de m produto, etc., o que facilitaria a prevenção; já o reconhecimento, é a identificação de um risco ambiental, após sua introdução no ambiente de trabalho, o que dificulta sua prevenção; no caso da Notificada, a antecipação não é aplicável, pois no período fiscalizado, não houve a introdução de novos riscos no ambiente de trabalho pelas alterações físicas citadas; já o reconhecimento de alguns riscos ocorreu efetivamente, 'conforme mostram os PPRAs apresentados, e que serão posteriormente analisados por este Parecer Técnico;" Afiança, dessa forma, que a d. Fiscalização pretende criar situação que não teria qualquer ligação com a realidade. Acredita, quanto a este ponto, estar claro o posicionamento técnico que oferece completa validade às suas alegações. Fl. 1245DF CARF MF Processo nº 36252.000375/200659 Acórdão n.º 2402006.081 S2C4T2 Fl. 1.243 7 Em seguida, no que se refere à não avaliação anual do PPRA a partir do monitoramento dos agentes nocivos e medidas de controle adotadas, assinala em seu laudo: "b) 'Em segundo lugar, os riscos ambientais reconhecidos pelo responsável pelos PPRAs, como de risco efetivo, foram avaliados e monitorados, como o caso do ruído; os outros, c o os riscos químicos, pela forma de utilização dos produtos químicos, pela quantidade utilizada desses produtos, etc., não foi reconhecido o risco efetivo, tendo sido feita apenas uma avaliação de amostragem, para a garantia desse não reconhecimento, o que confirmou a não existência desse risco; consequentemente, não haveria a necessidade do monitoramento; esse é um critério técnico que pode ser aplicado, e é válido, desde que o aspecto qualitativo seja analisado com seriedade e competência.'" (grifo do original) Após, às fls. 496 a 498, transcreve os itens 1c, 2, 4, 8.1, 8.2, 8.3, 8.4, 8.5, 8.6 de seu parecer, que, a seu ver, demonstram a completa fragilidade do posicionamento fiscal. Assim, em conclusão quanto a este ponto, cauciona "quanto a regularidade dos PPRAs, em contradita ao apregoado pelo fisco previdenciário, é certo que, com lastro em estudos e constatações técnicas, entendese estarem atendidas as exigências formuladas na NR09/MTE." Em se tratando do PCMSO, cita que a fiscalização seguiu o entendimento de que (i) o relatório anual do PCMSO não informa o número de exames alterados; e que (ii) apesar dos trabalhadores estarem expostos a agentes químicos, não teria informado o contribuinte acerca de exame para detectar possíveis agravos à saúde decorrente da exposição a tais agentes. Para contrapor o que trazido pela fiscalização, transcreve trecho de seu laudo, nos seguintes termos: "Com relação ao fato da Notificada não realizar exames médicos complementares, incluindo exames de urina, para os trabalhadores expostos aos agentes químicos Tolueno, Metileti cetona; nHexano e Xi/eno, é uma questão de critério médico, e não uma obrigatoriedade médica, pois como não há, comprovadamente, o reconhecimento do risco a esses agentes, não há a obrigatoriedade de cumprimento do subitem 7.4.2.1 da NR 7." Aponta não ter havido, no presente processo, qualquer coisa que demonstrasse anormalidades nos processos colocados em prática pela Contribuinte a ponto de ser necessária a elaboração de estatísticas referentes a tais supostas irregularidades. De tal modo, fixa a tese de que, nos termos da NR07/MTE, não haveria a necessidade de elaborações estatísticas ou exames médicos específicos, o que seria exigido apenas em caso de reconhecimento de riscos. Conclui que, "para fins de PCMSO e cuidados médicofuncionais, nada de consistente existe nos autos que possa validar o futuro direito à contagem do prazo inserido nesta NFLD, como hábil à aposentadoria especial dos empregados então relacionados, Fl. 1246DF CARF MF 8 inviabilizando a exigência da .contrapartida do correspondente custeio pelo contribuinte empregador, o que toma, via de conseqüência,absolutamente ilegítima esta NFLD". Ao arremate, avia que não há como sustentar a aferição indireta dos fatores PPRA e PCMSO como levado a cabo nos presentes autos, mas é o caso de observarse a prova técnica produzida para que, com tal perspectiva, se note a nulidade da NFLD. Quanto às Atas/CIPA, às fls. 504, referiase ao item 5 de seu Parecer Técnico e acrescenta que não há como manter o raciocínio montado pelo Fisco. Segue invocando, com base na Circular MF/SRP 1002/2005, fato superveniente à sua Defesa. Aponta que o Fisco não poderia chegar à conclusão de necessidade de aposentadoria especial para seus trabalhadores a partir de mera "presunção em um ato fiscal frágil", ou seja, por análise documental. Acena que uma análise detalhada da realidade fática seria necessária para atribuir à contribuinte a obrigação de recolhimento de tais exações. Arrola, com fulcro na Circular 1002/2005 MF/RFB, que a Alta Administração teria afastado, em mesma data que a NFLD foi constituída, a utilização da presunção para a definição do adicional SAT. Registra, às fls. 510, que: "Reconheceu a citada Circular que não bastam as conclusões extraídas da análise dos documentos citados nos incisos do § 01°, «do art. 03°, acima transcrito, para se concluir pelo direito à aposentadoria especial dos segurados então envolvidos, sendo' necessário ao fisco previdenciário verificar o histórico de concessões de. benefícios acidentários ou especiais aos seguradosempregados do contribuinte, para complementar e validar o debelado critério de presunção fiscal e legitimar a cobrança dos adicionais/SAT". Em seguida, registra como sendo cruciais os seguintes pontos de sua peça: "b.1) portanto, nao pode ser carreado ao contribuinte a obrigaçao de buscar, junto aos seus antigos empregados que já aposentaram, dados pessoas deles (que podem ou não ser oferecidos) para se saber se houve ou não a concessão 'de aposentadorias especiais, sendo irrefutável que, como cautela fiscal na busca da constituição de um lançamento seguro, cabe ao fisco previdenciário a realização de tais buscas; c) tambem, alem da vinculaçao com a temática ora sustentada, bem como a harmonia com o precedente jurisprudencial administrativo a ser contemplado mais adiante em tópico próprio, é certo que referida Circular se amolda, também, aos aspectos jurídicos que o contribuinte sustentará no próximo tópico, relativamente ao alcance do § 03°, do art. 58, da Lei 8213/91, sob o prisma da eventual precariedade formal dos documentos inerentes aos riscos ocupacionais (PPRA, PCMSO, LTCAT, etc), no sentido de que, em ocorrendo precariedades formais em tais documentos, HÁ QUE SER LAVRADO UM AI E NAO UMA NFLD;" Fl. 1247DF CARF MF Processo nº 36252.000375/200659 Acórdão n.º 2402006.081 S2C4T2 Fl. 1.244 9 d) também os demais dispositivos legais invocados pelo contribuinte como agredidos pela decisão recorrida, argumenta do que a aposentadoria especial se constata através de técnica análise calcada s primados da primazia da realidade e não sobre documentos burocráticos, sinaliza a efetiva perspectiva de provimento deste expediente recursal;" Ato contínuo, propugna estar o arbitramento utilizado pelo INSS em descompasso com os comandos legais que regem a matéria, a saber, a Lei 8.213/91. Assim, o arbitramento lastrado com fulcro no art. 239, da ININSS/DC nº 70/02, contemplado pela IN INSS/DC nº 100/03, em seu art. 400, estão equivocados. Colacionando o art. 57, §6º, e 58, §3º, constata que "a verificação de ser o segurado merecedor do benefício da aposentadoria especial, decorre da CONSTATAÇÃO de que tenha ele trabalhado sujeito a condições especiais que prejudiquem a sua saúde, e, o correspondente custeio a cargo da empresa, dependerá da atividade por ele exercida, observandose o respectivo período de carência para a concessão da aposentadoria especial após quinze, vinte ou vinte e cinco anos de contribuição". (fls. 517). Completa que o procedimento fiscal "ofende o texto legal que contempla não a `burocracia documental como fator caracterizador do direito a aposentadoria especial, mas sim, a realidade fática inerente atividade laboral exercida por tais seguradosempregados, diante do correspondente ambiente de trabalho". Apara que a lavratura da NFLD que lastreia o presente PAF se encontra em flagrante violação do art. 57, caput, e §6º, bem como o que reza o §3º, do art. 58, todos da Lei 8.213/91. Assim, propõe, uma vez mais, que há que se relevar a primazia da realidade, e não a mera presunção, como ocorrido quando da elaboração da NFLD. Quanto aos vícios processuais, assenta, em suma que: No presente caso não se verifica nenhuma das hipóteses elencadas no art. 410, da INDC/INSS 100/03, nem o que exposto no art. 387 da IN/SRP 03/05 para que a contribuição seja lançada por arbitramento, portanto, os argumentos fiscais estariam sem qualquer respaldo normativo, sendo, portanto, desprovido de validade; O indeferimento da perícia caracterizaria patente cerceamento de defesa, uma vez que, a seu ver, o trabalho técnico seria de extrema valia para afastar o "infundado e genérico" trabalho fiscal; Houve importante precedente, da lavra do i. Presidente da 4ª CaJ/CRPS, o acórdão 04/504/2005, que, em sua visão, dá escorreita solução à controvérsia aqui apresentada, afastando a possibilidade da presunção do labor fiscal. Dessarte, às fls. 530, resume: "a necessidade de realização de prova pericial; a impossibilidade de se partir da análise de documentos para se Fl. 1248DF CARF MF 10 alcançar conclusões no 'mundo fenomênico; a contradição entre a exigência do custeio e o indeferimento de benefícios de aposentadoria especial; a não observância, por parte do fisco previdenciário, de forma isenta e detalhada de ,todas as providências realmente realizadas pelo contribuinte no gerenciamento de riscos ocupacionais em seus ambientes de trabalho; enfim, uma gama de argumentos, atrelados a boa e técnica prova produzida no sentido de demonstrar que não só 'estão adequadamente confeccionados os/seus PPRAs, PCMSO, etc, como também não está expondo seus empregados a riscos tais que culminem com a materialização do direito a aposentadorias especiais." Advoga, portanto, pelo conhecimento e provimento do recurso para que seja reconhecida a nulidade da NFLD. À conta do que esposado pela Contribuinte em seu Recurso, foi deferido, às fls. 587, pela Delegacia da Receita Previdenciária, que fosse realizada Diligência Fiscal a fim de se efetuar análise do Recurso e do Parecer juntado, com vistas à possível comprovação dos fatos alegados na peça recursal. Com o retorno da diligência (fls. 588/593), a fiscalização entendeu que a empresa apresentou laudo apartado de sua realidade fática, que foi analisada pelos auditores, fazendo inculcar, através de documentos, que sua prática estava correta e seguia as Normas Regulamentadoras. Bem como que os documentos apresentados estão incompletos e inadequados, uma vez que não demonstrariam "com clareza" as ocorrências e os fatores de risco da empresa de forma pormenorizada, apresentando irregularidades. Desse modo, alega a o Auditor Fiscal, resumidamente, que : 1. Presumidamente foi o termo utilizado, porquanto não se pôde averiguar com certeza que os trabalhadores não estavam expostos aos agentes nocivos, uma vez que os documentos não relataram tais fatos, ou se relataram foram minguados; 2. Com a ausência de medições de muitos agentes químicos, não se pode saber se já não houve prejuízo à saúde de seus trabalhadores. A verdade é que a empresa não se preocupou em fazer todas as medições exigidas pelas Normas Regulamentadoras, e nem mesmo comprovou a realização de todos exames médicos, pois até mesmo o seu relatório anual era deficiente, não demonstrando sequer se houve exames anormais ou não; 3. O Livro de inspeção do Trabalho, demonstra irregularidades no ambiente de trabalho, preconizada pelo Médico do Trabalho, visto que faz solicitação de avaliação de riscos químicos (fls.101, 102); 4. Seria evidente a necessidade de verificação in loco (ponto 8, fls. 590). 5. Há incompatibilidade entre os documentos, uma vez que as informações de uso de produtos não estão devidamente detalhadas; 6. Determinados documentos, como os do Setor Aviamento e Injetora estão defeituosos, uma vez que sequer fazem referência ao uso dos produtos de proteção adequados; e 7. Quanto às normas vigentes, todas elas foram seguidas para a elaboração do RF. Fl. 1249DF CARF MF Processo nº 36252.000375/200659 Acórdão n.º 2402006.081 S2C4T2 Fl. 1.245 11 Às fls. 603/609, foram ofertadas Contrarrazões ao Recurso pelo Ministério da Previdência Social alegando que todos os dados e informações que serviram de base para o lançamento em testilha encontramse expressos nos documentos emitidos pela própria empresa, bem como em notas fiscais de aquisição de produtos químicos. Desse modo, portanto, a d. Fiscalização apenas teria analisado os documentos já existentes e analisado suas incorreções. Dessa forma, estaria totalmente regular a Notificação Fiscal, uma vez que estaria comprovado que a empresa não gerenciaria adequadamente seus riscos ocupacionais, acarretando a exposição de seus empregados a agentes nocivos. Ressalta: "Registrese, à título de esclarecimento, que o parágrafo 3° do artigo 57 da Lei n° 8.213/91 estabelece que a concessão da aposentadoria depende de comprovação pelo segurado, perante o INSS, do tempo trabalhado permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado. O próprio parágrafo 1° do artigo 58 da citada Lei estatui que a comprovação da efetiva exposição do segurado aos agentes nocivos será feita mediante formulário, na forma estabelecida pelo INSS, emitido pela empresa ou seu preposto, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. A propósito, na presente ação fiscal, a empresa em causa foi autuada 5 (cinco) vezes, pelos seguintes motivos: não fornecer cópia autenticada do Perfil Profissiográfico Previdenciário ou documentos equivalentes a empregados, deixar de comunicar acidente de trabalho, PPRA e PCMSO sem as formalidades legais exigidas e GFIP com informações inexatas e com omissão de fato gerador de contribuição previdenciária." Assim, aventa, às fls. 609, para o afastamento da alegação de cerceamento de defesa, pois "quanto à exposição dos trabalhadores aos agentes nocivos, tal fato já foi amplamente demonstrado acima, e confirmado pelos Auditores Fiscais na Informação Fiscal de fls. 577/582 juntada aos autos". Entremostra que a perícia não seria necessária para a conclusão do presente feito, uma vez que não seria exigida capacidade técnica para a análise dos documentos e informações prestadas pela empresa. Sendo assim, pleiteia para que se negue provimento ao Recurso da empresa contribuinte, em vista do total descabimento de suas alegações. Com tais informações, os autos subiram a este e. CARF. Às fls. 1.220/1.225, esta e. 2ª Turma, ante a ausência de informação acerca de recolhimentos parciais, Resolveu, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência para que fossem esclarecidos os seguintes pontos: 1. Houve recolhimentos, ainda que parciais, nas competências 04/1999 a Fl. 1250DF CARF MF 12 08/2000?; 2. Conforme GFIP entregues pela recorrente, esses recolhimentos eram para financiamento do seguro acidente de trabalho?; e 3. Conforme GFIP entregues pela recorrente, esses recolhimentos eram para referentes a adicionais exigidos neste lançamento?." A Delegacia da Receita, em cumprimento da diligência, às fls. 1.228, entendeu: "a) No período de 04/1999 a 08/2000, conforme consta nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil, HOUVE sim, GPSGuias de Recolhimento da Previdência Social, as quais foram apresentadas com recolhimentos normais referentes às contribuições de seus empregados; b) Pelas Gfips apresentadas, a informação/recolhimento de SAT/RATSeguro de Acidentes do Trabalho/Riscos Ambientais do Trabalho eram para alíquota normal (2%). Nas mesmas Gfips, houve informação e recolhimento para poucos empregados de SAT/RAT com os adicionais. Os adicionais exigidos no lançamento fiscal em questão, não estavam incluídos nas GFIPs e não recolhidos." Cientificada da diligência, a apelante, às fls. 1.231 usque 1.233, em resposta à intimação, aduz não haver necessidade para maiores questionamentos nos presentes autos, uma vez que seriam "absolutamente indevidos os valores correspondentes à competências de 04/199 a 08/200", uma vez que, de acordo com a Súmula Vinculante nº 8 do c. Supremo Tribunal Federal, estariam tais competências alcançadas pela decadência. Destaca o que deliberado na Resolução nº 2402000513, nos autos do processo nº36252.000377/200648, que referiuse a decidir, nos presentes autos, acerca do prazo decadencial da obrigação principal ora debatida. Assim, propugna pela declaração de decadência do período anterior a agosto de 2000. É o relatório. Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 36252.000375/200659 Acórdão n.º 2402006.081 S2C4T2 Fl. 1.246 13 Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. Admissibilidade Analisando os autos, verificamos a existência de discussão relativa a exigibilidade depósito prévio equivalente a 30% da exigência fiscal que foi objeto de Mandado de Segurança Autos n° 2006.61.07.0021380, processado na 2ª Vara Federal 7ª Subseção Judiciária Araçatuba/SP, não concedendo liminar e entendendo não haver ilegalidade quanto a tal exigência. (fls 550 a 556). Em razão disto houve denegação de seguimento, manifestações do Recorrente quanto ao conhecimento do Recurso advindo posterior manifestação jurisprudencial quanto a inexigibilidade de tal depósito como condição de conhecimento do Recurso. Ainda que extemporâneo, é importante frisar que houve recolhimento de tal valor conforme se pode verificar nos autos (fls. 599/601). De toda forma, a exigência de depósito ou arrolamento de bens como condição para interposição de Recurso Voluntário é matéria superada em nosso ordenamento jurídico, por força da Súmula Vinculante nº 21 do STF, cujo verbete reza: "É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para a admissibilidade de recurso administrativo". Ao final do Recurso (Fls. 533) consta requerimento com indicação de endereço para que se proceda a intimação do Ilustre Patrono para que promova sustentação Oral. Ocorre que o Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), não prevê tal proceder. Ao contrário, cabe ao próprio interessado acompanhar os atos pela impressa oficial e meios digitais e, desejando, comparecer a sessão para tal fim. Isso posto, a ausência de tal intimação, venha ou não o I. Patrono à sessão para promover a sustentação oral requerida, não implica em situação impeditiva do julgamento. No que concerne a admissibilidade, sendo esta as únicas possíveis celeumas identificadas, entendemos estarem presentes os pressupostos intrínsecos (legitimidade, interesse, cabimento e inexistência de fato impeditivo ou extintivo) e extrínsecos (tempestividade e regularidade formal) de admissibilidade recursal, votamos por conhecer do recurso e passamos a sua análise. 2. Questões prejudiciais ao mérito. Embora a peça recursal não nos permita extrair de modo claro aquilo que o recorrente considera como preliminar, os termos do Art. 59 do RICARF1, os temas prejudiciais ao mérito devem ser julgado antes dos demais. 1 Art. 59. As questões preliminares serão votadas antes do mérito, deste não se Fl. 1252DF CARF MF 14 Nesse sentido, da leitura da peça e de outros elementos do processo é possível extrair as seguintes questões prejudiciais ao mérito: Decadência, para qual se propõe conhecimento de oficio; Cerceamento de defesa em razão de indeferimento de perícia; Nulidade do auto por falta de fundamentação para o arbitramento. Esses são os pontos do recurso que, na visão deste Relator, apresentam prejudicialidade ao mérito, por tal razão deverão, salvo melhor juízo, ser julgados prioritariamente. 2.1. Da decadência. Embora o Recorrente não tenha articulado argumentos quanto a operação da decadência do direito fazendário de constituir o crédito tributário em relação a parte das obrigações referidas no lançamento resistido e confirmado pela decisão recorrida, tal tema merece ser conhecido de oficio eis que afeta a ordem pública e, por conseguinte, transcende aos interesses das partes. O DEBCAD 35.709.2333 foi lavrado em 29/07/2005, visando constituir crédito tributário sobre fatos geradores ocorridos entre 04/1999 a 10/2003, tendo o Recorrente tomado ciência em 02/08/2005 (Fl. 05). Tal tema foi percebido por Conselheiro que nos Precedeu eis que o presente processo foi objeto de diligência determinada pela Resolução nº 2402000513, cujo retorno pode ser visto as Fls 1.220/1.225, registrando que houveram recolhimentos, ainda que parciais, no interstício compreendido entre as competências 04/1999 a 07/2000. Importante observar que a Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal passou a produzir efeitos a partir de 20 de junho de 2008 para os demais órgãos do Poder Judiciário, bem como para a Administração Pública, direta e indireta, e pelos demais entes federativos, isso inclui o presente Conselho Administrativo de Recursos Fiscais nos termos do Art. 62, §1º do RICARF aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015 2 Assim, apesar do Senado Federal ainda não ter expedido Resolução suspendendo os efeitos dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/1991, tão pouco ter sido editada Medida Provisória alterando os prazos de dez para cinco anos do referido texto, este colegiado estaria autorizado a adotar posicionamento compatível com os termos da referida Súmula Vinculante nº 8 do Supremo Tribunal Federal. 3 conhecendo quando incompatível com a decisão daquelas. 2 "Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. §1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; (Redação dada pela Portaria MF nº 39, de 2016) II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal;" 3 "SÚMULA VINCULANTE 8 São inconstitucionais o parágrafo único do artigo 5º do DecretoLei nº 1.569/1977 e os artigos 45 e 46 da Lei nº 8.212/1991, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário." Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 36252.000375/200659 Acórdão n.º 2402006.081 S2C4T2 Fl. 1.247 15 Assim, a nova conformação jurídica sobre decadência de contribuições previdenciárias, atrai obrigações com tal natureza a uma subsunção a regra geral de decadencial prevista no CTN, fixando o prazo para realização de um lançamento eficaz em 5 anos. Portanto, ao presente caso, considerando que não se trata de ausência total de recolhimento por parte da Recorrente, para análise da decadência se aplicaria a regra contida no Art. 150 do CTN, nesse sentido, o termo inicial de contagem do prazo no presente processo estaria alinhando ao que dispõe a Súmula CARF nº 994. Em que pese a Súmula Vinculante nº 8 do STF ter sido publicada no DJe de 20.6.2008, seu conteúdo referese a inconstitucionalidade das normas ordinárias que definiam em 10 anos o prazo decadencial aplicável as contribuições previdenciárias, passando tais contribuições a observar a regra geral prevista no CTN. Para o caso não foi aplicada modulação dos efeitos do decisório vinculativo da corte suprema. 5 Embora existam certas divergências quanto a aplicabilidade de efeitos retroativos às relações jurídicas baseadas em dispositivos legais declarados inconstitucionais, tais divergências não abrangem discussões pendentes, como é o caso do lançamento tributário objetado, eis que não se constitui definitivamente enquanto não esgotada as discussões administrativas. Sobre tal ponto o próprio Código Tributário Nacional é claro ao definir que a nova conformação legislativa se aplica de imediato a lançamentos pendentes de constituição definitiva. 6 4 "Súmula CARF nº 99: Para fins de aplicação da regra decadencial prevista no art. 150, § 4°, do CTN, para as contribuições previdenciárias, caracteriza pagamento antecipado o recolhimento, ainda que parcial, do valor considerado como devido pelo contribuinte na competência do fato gerador a que se referir a autuação, mesmo que não tenha sido incluída, na base de cálculo deste recolhimento, parcela relativa a rubrica especificamente exigida no auto de infração." 5 A Súmula Vinculante nº 8 tomou por base julgamentos de Recursos Extraordinários repetitivos, tendo como paragimas os REs 559.9434, 559.8829, 560.6261 e 556.6641. Durante as votações dos REs, os ministros debateram a aplicação de modulação dos efeitos da decisão, contudo, apenas três votaram o tema; Gilmar Mendes e Cármen Lúcia se manifestaram de modo favoravel a modulação e Marco Aurélio de Melo fincou posição contrária, não havendo manifestação de nenhum outro ministro quanto a questão. Por consequência desta ausência de manifestação dos demais ministros, o quórum minimo [8 Ministros] para que tal caracteristica fosse incorporada aos efeitos do enunciado vinculativo, não foi atendido. "Lei 9.868, de 1999 Art. 27. Ao declarar a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, e tendo em vista razões de segurança jurídica ou de excepcional interesse social, poderá o Supremo Tribunal Federal, por maioria de dois terços de seus membros, restringir os efeitos daquela declaração ou decidir que ela só tenha eficácia a partir de seu trânsito em julgado ou de outro momento que venha a ser fixado." 6 "Art. 105. A legislação tributária aplicase imediatamente aos fatos geradores futuros e aos pendentes, assim entendidos aqueles cuja ocorrência tenha tido início mas não esteja completa nos termos do artigo 116. [...] Art. 116. Salvo disposição de lei em contrário, considerase ocorrido o fato gerador e existentes os seus efeitos: I tratandose de situação de fato, desde o momento em que o se verifiquem as circunstâncias materiais necessárias a que produza os efeitos que normalmente lhe são próprios; II tratandose de situação jurídica, desde o momento em que esteja definitivamente constituída, nos termos de direito aplicável." Fl. 1254DF CARF MF 16 Isso posto, voto por conhecer de ofício a prejudicial de mérito relacionada a decadência, para ao final reconhecer a extinção do direito da Fazenda Nacional constituir os créditos lançados a partir de fatos geradores ocorridos nas competências anteriores a 07/2000. 2.2. Cerceamento de defesa em razão de indeferimento de perícia; Neste ponto o Recorrente assim se manifesta: '[...] é certa a nulidade da DN, por nítido cerceamento de defesa, decorrente de uma instrução processual administrativa que inviabilizou ao contribuinte a realização de prova pericial postulada oportuna, adequada e justificadamente, sem apresentar a DN, por seu turno, uma fundamentada justificativa a tal indeferimento (art 11, Portaria MPS 520/04), sendo que tal prova pericial seria, justamente, a prova que o contribuinte produziria in casu, a demonstrar a validade do direito invocado a seu favor quando de sua originária defesa administrativa, o que torna absolutamente todas as insinuações da DN quanto a falta de prova realizada pelo contribuinte." Quanto ao tema a decisão atacada "No que concerne ao pedido de realização de perícia, este deve ser indeferido pois não é preciso para a realização de referido trabalho a capacitação técnica que possuem os especialistas na área, ou seja, durante a realização da ação fiscal, em nenhum momento será exigido do Auditor Fiscal a descaracterização ou desconsideração de dados ou procedimentos técnicos na Área de saúde e segurança do trabalho constantes dos documentos ambientais. O que é necessário, é a análise das informações prestadas pela própria empresa nos documentos de gerenciamento dos riscos ocupacionais, e a verificação da existência de evidências materiais da exposição a agentes nocivos presentes no ambiente de trabalho acima dos limites de tolerância previstos. Desta forma, o Auditor Fiscal da Previdência Social, é autoridade competente para verificar a regularidade e a conformidade das demonstrações ambientais da empresa, verificar os controles internos da empresa relativos ao gerenciamento dos riscos ocupacionais, a veracidade das informações declaradas em Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social GFIP e o cumprimento das obrigações relativas ao acidente de trabalho." [Fl.1085] Artigo 187 do Decreto 70.235/71 condiciona a produção deste tipo de prova a um juízo de admissibilidade a ser empregado pela autoridade julgadora com base na necessidade ou praticabilidade de sua produção. E no caso em questão, o relator da decisão recorrida fundamentou o indeferimento da perícia requerida na desnecessidade, pois os registros contidos no instrumento de lançamento são passiveis de se obter por mera comparação entre o descrito nos documentos de verificação de riscos ambientais de trabalho elaborados por técnicos da empresa e a realidade da operação. Além disto o i. Agente fiscal tomou por base uma série de documentos 7 Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observando o disposto no art. 28, in fine. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 36252.000375/200659 Acórdão n.º 2402006.081 S2C4T2 Fl. 1.248 17 que indicam riscos tidos por não refletidos pelos registros contidos no PCMSO, como é o caso das Fichas de Informação de Segurança de Produtos Químicos. Outrossim, no presente caso a produção de prova pericial pretendida pelo Recorrente seria impraticável, eis que a contraprova a ser produzida deveria ter sido elaborado tão logo o contribuinte tomou ciência do lançamento, já que as situações fáticas verificadas à época dos fatos poderiam ter se alterado, sendo prova de difícil produção tempos depois. Percebam que o lançamento ocorreu em 29/07/2003 e o julgamento a quo ocorreu somente em 22/07/2005, portanto, tempo suficiente para que a prova pretendida se perca em razão de adoção de outras medidas de gerenciamento que alterem o risco identificado pelo i. Agente fiscal à época da fiscalização. De modo que não há como acolher tal alegação prejudicial ao mérito. Existem outros pontos que foram tratados na impugnação como integrantes das razões preliminares e nessa condição foram decididas pela autoridade julgadora precedentes, mas, em âmbito recursal passaram a integrar as alegações meritórias o que acreditamos ser mais adequado, eis que, apesar de tratarem de nulidade sua analise impõe conhecimento de mérito como é o caso da aferição indireta, portanto, assim conheceremos de tais temas. 3. No mérito Ingressando no que o Recorrente denominou "meritum causae" atacando os argumentos fiscais para considerar como inadequado o gerenciamento ambiental laboral realizado pelo Recorrente, em conseqüência de suas articulações defende a impossibilidade de aplicação do arbitramento e sustenta que o fato dos empregados não terem feito jus a aposentadoria especial representaria contradição passível de anular o lançamento. O lançamento combatido relacionase a contribuições destinadas à Seguridade Social referentes ao adicional de SAT para financiamento da aposentadoria especial ao segurado que tiver trabalhado 25 (vinte e cinco) anos com exposição a agentes nocivos físicos, químicos ou biológicos, ou associação de agentes, prejudiciais à saúde ou a integridade física, arrolados no Anexo IV do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto 3.048/1999. Nos termos do § 6° do artigo 57 da Lei 8.213/91, na redação dada pela Lei 9.732/98, é financiado pelo acréscimo de 6% (seis por cento), 9% (nove por cento) ou 12% (doze por cento) na alíquota da contribuição de que trata o artigo 22, II, da Lei 8.212/91, conforme o agente nocivo a que se expõe o trabalhador permita a concessão de aposentadoria especial aos 25, 20 ou 15 anos de contribuição, respectivamente. O Agente fiscal asseverou ter a recorrente apresentado Guia de Recolhimento do FGTS e Informações à Previdência Social (GFIP) com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as Contribuições previdenciárias, descumprindo, assim, obrigação legal acessória, conforme previsto na Lei 8.212, de 24/07/1991, art. 32, IV, parágrafo 5 0, combinado com o art. 225, IV, parágrafo 4°, do Regulamento da Previdência Social (RPS), aprovado pelo Decreto 3.048, de 06/05/1999, conforme demonstrado no RF. Fl. 1256DF CARF MF 18 Segundo registra, o erro de informação é decorrência de descompasso entre o declarado e a realidade da empresa no que aponta para o gerenciamento de risco ambiental laboral. Segundo demonstram os documentos acostados aos autos pela fiscalização, tais declarações estariam sendo realizadas pela empresa com fragilidade e precariedade, restando dúvidas quanto a sua eficácia, uma vez que o PPRA não antecipa e reconhece todos os riscos ambientais como previsto na NR 09, item 9.1.1. Para o agente fiscal, no anexo "Caracterização das Condições Especiais de Trabalho na Calçados Kollis Indústria e Comércio Ltda”, a empresa não demonstrou que gerencia adequadamente os riscos ambientais do trabalho, de modo a assegurar que seus empregados não estejam expostos a agentes nocivos físicos, químicos ou biológicos que possam comprometer a saúde ou a integridade fisica dos mesmos. Por tais motivos efetuou o lançamento arbitrado das contribuições devidas. com fundamento no artigo 33, § 3°, da Lei 8212/91. "Art. 33. À Secretaria da Receita Federal do Brasil compete planejar, executar, acompanhar e avaliar as atividades relativas à tributação, à fiscalização, à arrecadação, à cobrança e ao recolhimento das contribuições sociais previstas no parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições incidentes a título de substituição e das devidas a outras entidades e fundos.(Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009). (...) § 3o Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida." Postas as bases em que ocorreu o lançamento, passaremos a analisar a regularidade do mesmo. É sabido que a Norma Regulamentadora NR impõe a obrigação de elaborar e implementar, abrangendo a totalidade do quadro funcional e estabelecimentos da empresa, o Programa de Prevenção de Riscos Ambientais PPRA. O PPRA identifica, avalia e antecipa os riscos e o conjunto de medidas orientadas à preservação da saúde e da integridade dos trabalhadores através do controle de possíveis ocorrências de riscos ambientais existentes ou potenciais no ambiente de trabalho (109.0011 /12), o que, segundo as avaliações descritas no relatório fiscal, não ocorreu de forma plena. Além do PPRA, no que concerne ao PCMSO os indicativos da autoria fiscal revelam que o mesmo não atende ao disposto na NR 07 que estabelece a obrigatoriedade de elaboração e implementação, por parte de todos os empregadores e instituições que admitam trabalhadores como empregados, do Programa de Controle Médico de Saúde Ocupacional PCMSO, com o objetivo de promoção e preservação da saúde do conjunto dos seus trabalhadores. O Relatório Fiscal e a documentação acostada deixam claro que: " o relatório anual do PCMSO não informa o número de exames alterados; Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 36252.000375/200659 Acórdão n.º 2402006.081 S2C4T2 Fl. 1.249 19 Apresar que trabalhadores estavam expostos ao agente químico Toluenom Metriletilcetona, NHexano e Xileno, cuja obrigatoriedade do exame de urina é semestral de acordo com a NR 07 o PCMSO não informa a realização de exame especifico para detectar agravos a saúde decorrentes desta exposição; PPRA não apresenta o reconhecimento sistemático dos agentes de risco existentes no ambiente de trabalho, impossibilitando verificar se todos os agentes em todos os setores foram avaliados ; não faz avaliação anual do PPRA, a partir do monitoramento sistemático de todos os agentes nocivos e verificação das medias de controle adotadas, tendo em vista que no ano de 1999 não houve nenhuma medição; e só foi monitorado no setor de lançamento no ano de 2000, repetindo neste setor nos anos seguintes a mesma avaliação. ANEXO Ill. Não discute na C1PA os resultados dos monitoramentos dos exames periódicos e do Relatório Anual do PCMSO, pois, entre as atas apresentadas, não abordado estes assuntos; Não elabora perfil profissiográfico das atividades desenvolvidas pelos trabalhadores não comunica através do CAT — Comunicação de Acidente de Trabalhado todos os acidentes de trabalho ocorridos na empresa." Os documentos coligidos ao autos pela Recorrente não foram suficientes para desconstruir a presunção gerada com o lançamento. O parecer técnico sobre o relatório da notificação fiscal de lançamento de debito n° 35.709.2333, juntado por ocasião do Recurso, em nosso sentir não evidencia com segurança a ausência de exposição dos empregados indicados pelo i. Agente Fiscal. Apresenta alegações genéricas que, apesar de coerência lógica, não são suficientes para provar que os empregados relacionados ao presente lançamento de fato não estiveram expostos aos agentes químicos, o que ter poderia ser comprovado por meio dos exames médicos não apresentados por exemplo. Ante ao exposto, não merecem prosperar os argumentos da recorrente quanto ao possível descompasso entre a realidade e o disposto no lançamento combatido. Quanto a alegação de que o fato de seus empregados terem recebido negativa de aposentadoria especial por falta de prova da condição de trabalhador exposto aos agentes nocivos, tal situação é apenas uma consequência da forma com que a empresa apresentou tais informações ao INSS. O §3° do Art. 57 da Lei 8.213/91 exige, para concessão de aposentadoria especial, a comprovação, perante o INSS, do tempo trabalhado de modo permanente, não ocasional nem intermitente, em condições especiais que prejudiquem a saúde ou a integridade física, durante o período mínimo fixado em lei. Já o §1° do Art. 58 da mesma norma, registra que cabe a empresa o dever de informar tal condição, sendo elemento de prova de que seus trabalhadores estão expostos a tais condições ambientais de risco, com base em laudo técnico de condições ambientais do trabalho Fl. 1258DF CARF MF 20 expedido por médico do trabalho ou engenheiro de segurança do trabalho nos termos da legislação trabalhista. Ora, se a empresa não forneceu adequadamente tais informações ao INSS, o fato de seus empregados terem recebido negativa de aposentadoria especial é uma consequência de sua conduta irregular e não prova de regularidade de suas informações, já que nenhuma verificação de fato é realizada em decorrência do pedido de aposentadoria especial. Outrossim, a consequência indireta do reconhecimento de regularidade do presente lançamento é a declaração de que tais trabalhadores laboraram sob condições de risco, importando no reconhecimento lógico do direito que lhes foi negado em decorrência da conduta da empresa. A propósito da técnica de lançamento adotada, a aferição indireta se impõe como via adequada, pois além das informações serem claramente deficientes, o processo comprova que "a presente ação fiscal, a empresa em causa foi autuada 5 (cinco) vezes, pelos seguintes motivos: não fornecer cópia autenticada do Perfil Profissiográfico Previdenciário ou documentos equivalentes a empregados, deixar de comunicar acidente de trabalho, PPRA e PCMSO sem as formalidades legais exigidas e GFIP com informações inexatas e com omissão de fato gerador de contribuição previdenciária." Tal medida vai ao encontro do disposto no Art. 33, § 3° da Lei 8.212/1991 combinado com o artigo 233 do Regulamento da Previdência Social — RPS, aprovado pelo Decreto n° 3.048/99 e o artigo 410 da Instrução Normativa INSS/DC n°100/2003. Conclusão Ante ao exposto voto por conhecer do Recurso Voluntário, rejeitando as preliminares de nulidade, conhecendo de oficio a decadência do direito de constituir o crédito decorrente das obrigações ocorridas antes de 07/2000 e, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 1259DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.909862/2006-99
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Mar 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed May 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 31/03/2001
RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA.
O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária.
Recurso Especial do Procurador Não Conhecido.
Numero da decisão: 9303-006.423
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran.
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BASE DE CÁLCULO. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado SPECTRUM BRANDS BRASIL INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE BENS DE CONSUMO LTDA. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 31/03/2001 RECURSO ESPECIAL DE DIVERGÊNCIA. SIMILITUDE FÁTICA. O recurso especial de divergência, interposto nos termos do art. 67 da Portaria MF nº 343, de 2007, só se justifica quando há interpretação divergente para a mesma legislação tributária. Recurso Especial do Procurador Não Conhecido. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello e Érika Costa Camargos Autran. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3801003.877, de 23/07/2014, proferido pela 1ª Turma Especial da Terceira Seção do CARF, assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 98 62 /2 00 6- 99 Fl. 282DF CARF MF Processo nº 10880.909862/200699 Acórdão n.º 9303006.423 CSRFT3 Fl. 3 2 Data do fato gerador: 31/03/2001 BASE DE CÁLCULO. BONIFICAÇÕES EM PRODUTOS. EQUIPARAÇÃO A DOAÇÕES. Os valores a título de concessão de bonificações autônomas em produtos equiparamse a doações e não configuram receitas para efeito de apuração da base de cálculo da contribuição. COMPENSAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO. RECONHECIMENTO DO DIREITO CREDITÓRIO. CRÉDITO CERTO E LÍQUIDO. Caracterizado o recolhimento a maior da contribuição é cabível o reconhecimento do direito creditório e a homologação da compensação. Recurso Voluntário Provido. Irresignada, a Recorrente se insurgiu contra o tratamento conferido, no acórdão recorrido, às bonificações auferidas pela contribuinte, às quais, ao contrário do entendimento nele adotado, representariam receita tributável pelo PIS/Cofins. Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3302002.119 e 3403002.367. O recurso foi admitido mediante Despacho de Exame de Admissibilidade do então Presidente da Primeira Câmara da Terceira Seção do CARF. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.418, de 13/03/2018, proferido no julgamento do processo 10880.909826/200625, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.418): "Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN não deve ser conhecido. Com efeito, restou decidido, no acórdão recorrido, que as bonificações em mercadorias, ainda que não se qualifiquem como descontos incondicionais, não são receitas tributadas pelo PIS/Cofins em face da gratuidade da operação, equiparandose, assim, a doações. O regime de apuração da contribuinte era o cumulativo. Todavia, em ambos os casos apreciados nos acórdãos paradigmas, os contribuintes foram tributados na sistemática não cumulativa, regime de apuração substancialmente diverso. Fl. 283DF CARF MF Processo nº 10880.909862/200699 Acórdão n.º 9303006.423 CSRFT3 Fl. 4 3 Há, ademais, ainda duas outras divergências, que, a nosso juízo, impedem a admissibilidade dos recurso especial. É que, enquanto as bonificações aqui tratadas foram concedidas em mercadorias, as bonificações de que tratam os paradigmas foram recebidas em pecúnia. Tratase, neste último caso, de dois grandes supermercadistas, que receberam recursos financeiros de seus fornecedores. Vejam: Acórdão nº 3302002.119: De um lado a fiscalização entende que tais descontos não se enquadram na categoria de incondicionais, por não se tratarem de parcelas redutoras de custo e por não cumprirem os requisitos da IN/RFB nº 51/78, ou seja, não estarem destacadas nas notas fiscais de aquisição. Aduz que, na verdade, o que a Recorrente chama de descontos incondicionais na verdade seria uma remuneração cobrada de seus fornecedores pelos serviços de distribuição de mercadorias e propaganda, bem como valores cobrados referentes a aniversários, inauguração, reforma de lojas, fidelização, não devolução de mercadorias defeituosas, bonificações e fundo de desenvolvimento de negócios. Em síntese todos teriam característica condicional. A Recorrente, por sua vez, aduz que todos os descontos obtidos não representam receita ou acréscimo patrimonial uma vez que são de natureza incondicional. Alega não prestar serviços a terceiros de transporte ou publicidade, bem como afirma não poderem ser consideradas como receitas os descontos recebidos por conta de campanhas promocionais, promoções de aniversário e inauguração de lojas por se caracterizarem como reembolso de despesas. (g.n.) Acórdão nº 3403002.367: A glosa efetuada pelo fisco, ensejadora da autuação, deveuse ao fato de a recorrente ter tributado à alíquota zero determinadas receitas (contas: receitas de promoções,..., cf. relatório), e de não ter computado outras receitas (contas: recuperação ordenado repositores, ..., cf. relatório) na base de cálculo das contribuições (para o PIS/PASEP e COFINS). Na sua defesa (tanto na impugnação quanto no Recurso Voluntário) a empresa sustenta em relação a ambas as situações que se tratam de descontos incondicionais (e, ainda que não o fossem, ad argumentandum tantum, seriam meros reembolsos de despesas, e não receitas). (...) Contudo, além de não constarem nas notas fiscais, os descontos a que se refere o presente caso são contraprestacionais, e não incondicionais. E se há contraprestação, há a possibilidade de incumprimento desta (por mais que se afirme na defesa da recorrente que os fornecedores não fiscalizam efetivamente se o produto está em gôndolas de destaque, etc.). (g.n.) Ora, sabese que nos regimes de apuração cumulativo e não cumulativo as bases de cálculo das contribuições sociais são bem diversas, de modo que, enquanto a base de cálculo no primeiro é o faturamento (na acepção mais moderna, as receitas que decorrem da realização das atividades típicas da pessoa jurídica), no segundo regime é a totalidade das receitas auferidas, independentemente de sua denominação ou classificação contábil, excetuadas algumas que as próprias leis que o instituíram expressamente excluiu. Fl. 284DF CARF MF Processo nº 10880.909862/200699 Acórdão n.º 9303006.423 CSRFT3 Fl. 5 4 A meu sentir, o recurso especial somente se viabilizaria se, em todos os casos confrontados, o regime de apuração fosse o mesmo e se os contribuintes ou fossem todos os recebedores das bonificações (donatários), ou fossem todos os que promoveram a sua entrega (os doadores), porquanto tais circunstâncias se afiguram, a nosso juízo, fundamentais para o deslinde do litígio. Não sendo o caso, não há como conhecer do recurso. Ante o exposto, não conheço do recurso especial da PFN." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional não foi conhecido. assinado digitalmente Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 285DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.009663/2004-73
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2001
PER/DCOMP SALDO NEGATIVO. ESTIMATIVAS NÃO-HOMOLOGADAS. DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO DAS ESTIMATIVAS. PROCEDÊNCIA.
Comprovado, por meio de realização de diligência, que os valores de estimativa que haviam sido glosados em razão de sua não-homologação restaram integralmente homologados após análise dos recursos, referidas estimativas devem ser utilizadas na composição do crédito do contribuinte.
Numero da decisão: 1401-002.546
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente.
(assinado digitalmente)
Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
Nome do relator: ABEL NUNES DE OLIVEIRA NETO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto - Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente).
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ESTIMATIVAS NÃO HOMOLOGADAS. DILIGÊNCIA. CONFIRMAÇÃO DA HOMOLOGAÇÃO DAS ESTIMATIVAS. PROCEDÊNCIA. Comprovado, por meio de realização de diligência, que os valores de estimativa que haviam sido glosados em razão de sua nãohomologação restaram integralmente homologados após análise dos recursos, referidas estimativas devem ser utilizadas na composição do crédito do contribuinte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Livia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcangelo Zanin, Claudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Leticia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 00 96 63 /2 00 4- 73 Fl. 575DF CARF MF 2 Relatório Iniciemos com a transcrição de trechos do relatório da Decisão que converteu o julgamento em diligência a fim de se analisar as alegações apresentadas pela recorrente. Banco Bemge S.A.. recorre a este Conselho da decisão da 5' Turma de Julgamento da DRJ em São Paulo, mediante a qual foi indeferida sua manifestação de inconformidade com o despacho da autoridade que não homologou integralmente compensação apresentada no período de 08/10/2003 a 31/05/2004, através do Programa Gerador PER/DECOMP (fls. 03 a 307), utilizando como crédito a importância de R$ 19.433.669,00, relativa ao saldo credor de Imposto de Renda Pessoa Jurídica IRPJ apurado na DIPJ/2002. A autoridade competente a Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte reconheceu parcialmente, o direito creditório do interessado, no valor o riginal de R$ 11.385.599,10 e homologou as compensações declaradas até o limite do crédito reconhecido. Foi excluída do crédito a importância de R$ 8.048.069,90, pelo fato de a mesma ter como origem recolhimento do IRPJ devido por estimativa nos meses de janeiro a maio/2001, que foram compensados corn o crédito de FINSOCIAL vindicado no processo n° 10680.005339/0081, não reconhecido pela DRF/BHE e pendente de julgamento no Terceiro Conselho de Contribuintes. Na manifestação de inconformidade, a sucessora da interessada (BANCO ITAÚ S/A) alegou que a decisão prolatada nos autos do processo n° 10680.005339/0081, está suspensa, não podendo ser reduzido o saldo negativo da IRPJ enquanto o processo em questão não for definitivamente julgado. A Turma de Julgamento indeferiu a manifestação de inconformidade ao argumento de que parte do crédito reclamado pela interessada é oriundo de compensação com suposto crédito de FNSOCIAL, que fora objeto de pedido de restituição postulado no processo de n° 10680.005339/0081 e que, urna vez que esse processo não terra decisão definitiva, o crédito em questão não goza dos atributos de liquidez e certeza. Ciente da decisão em 31 de outubro de 2007, a interessada ingressou com recurso em 14 de novembro alegando que o indeferimento da compensação do IRPJ devido por estimativa nos meses de janeiro e maio de 2001 com crédito do FINSOCIAL acarretou diminuição do saldo negativo do IRPJ discutido nestes autos. Como o direito de crédito do FINSOCIAL já foi apreciado pelo Conselho de forma favorável, essa decisão deve ser aplicada ao presente ou, pelo menos, deve ser concedida a suspensão da exigibilidade do crédito em razão da pendência de apreciação pela Câmara Superior de Recursos Fiscais. Da análise dos argumentos do recorrente a Turma Julgadora converteu o julgamento em diligência nos seguintes termos: No processo acima referido, a DRF/BH não reconhecera o crédito, por considerar extinto o direito de pleiteálo, mas o que o Terceiro Conselho de Contribuintes deu provimento ao recurso do interessado, afastando a decadência (Acórdão 30236957). Essa decisão, todavia, não é definitiva, pois foi objeto de recurso especial por parte do Procurador da Fazenda Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10680.009663/200473 Acórdão n.º 1401002.546 S1C4T1 Fl. 576 3 Nacional que, conforme registrado no sítio do Conselho, foi sorteado para relato em 14/11/2007, para a Conselheira Judith do Amaral Marcondes Armando. Portanto, há uma questão processual que é prejudicial à apreciação deste processo, que é o recurso especial pendente de julgamento, interposto no processo n° 10680.005339/0081. Nessas condições, voto pela conversão do julgamento em diligência, mediante envio do processo à repartição de origem, para que aguarde a decisão definitiva no processo n° 10680.005339/0081, anexandoa ao presente, e só então restituindoo a este Conselho para julgamento. Realizada a diligência solicitada, a Delegacia de Origem emitiu o seguinte despacho: O Recurso Especial, que estava pendente de julgamento no processo nº 10680.005339/0081, foi apreciado pela Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF) através do Acórdão nº 930301.898 (fls. 522/527), que houve por bem em dar provimento parcial para reconhecer decaído o direito do contribuinte de pleitear a restituição dos valores de FINSOCIAL relativos aos períodos de setembro de 1989 a abril de 1990. Após, o supracitado processo foi remetido para esta DIORT/DEINF/SPO para que fosse recalculado o crédito nos termos da decisão definitiva proferida pela CSRF, o que foi efetuado por meio do Despacho Decisório, anexado às fls. 543/550, o qual reconheceu o direito creditório no montante de R$ 13.637.999,73. Vale dizer que os débitos de IRPJ devido por estimativa nos meses de janeiro a maio, os quais foram excluídos do crédito reconhecido no presente processo uma vez que sua compensação indicada no Processo nº 10680.005339/0081 não havia sido homologada pela DRF/BHE, estão liquidados, conforme demonstrativos do Sistema de Apoio Operacional – SAPO, em anexo às fls. 528/542., através de compensação com o crédito apurado no supramencionado despacho decisório do referido processo, com base na decisão definitiva do CARF (Acórdão nº 930301.898). Dessa maneira, considerando que a solicitação formulada pelo CARF foi atendida ao anexar a decisão definitiva no processo nº 10680.005339/0081, bem como o Despacho Decisório DIORT/DEINF/SPO e demonstrativos de cálculo do sistema SAPO, propomos o retorno dos autos àquela instância julgadora, para as providências de sua competência. É o relatório do essencial. Voto Conselheiro Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 577DF CARF MF 4 O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, assim dele tomo conhecimento. A análise do presente recurso, embora de valor elevado, é bastante simples. O indeferimento parcial dos créditos em relação ao valor de R$ 8.048.069,90, relativos aos débitos por estimativa compensados por meio do processo nº 10680.005339/0081 foi realizado porque, à época da análise do crédito deste processo, estes não se encontravam homologados. A Turma Julgadora deste CARF baixou o processo em diligência a fim de aguardar a análise do processo em questão e confirmar ou não a homologação das estimativas compensadas. Como resultado da diligência a delegacia de origem confirmou que os débitos por estimativa de janeiro a maio foram integralmente compensados nos autos do processo 10680.005339/0081, assim, confirmaramse as alegações apresentadas pela empresa quanto á existência de seu créditos. Do exposto e levandose em consideração que o motivo do reconhecimento parcial dos créditos pela Delegacia de Origem foi unicamente a inexistência de homologação integral das compensações das estimativas que agora se demonstraram integralmente compensadas, entendo que assiste razão ao recorrente, devendo ser reconhecido um crédito adicional, além do já reconhecido pela Delegacia de Origem no montante de R$ 8.048.069,90. Assim, voto no sentido de dar provimento integral ao recurso para reconhecer o crédito adicional de saldo negativo de IRPJ do exercício 2002, anocalendário 2001, no montante de R$ 8.048.069,90 a ser utilizado na compensação dos débitos vinculados ao processo. (assinado digitalmente) Abel Nunes de Oliveira Neto Relator Fl. 578DF CARF MF
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