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Numero do processo: 10640.720844/2009-35
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue May 15 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR
Exercício: 2004
RETIFICAÇÃO DAS ÁREAS DISTRIBUÍDAS E UTILIZADAS DO IMÓVEL A alteração da distribuição das áreas do imóvel informadas na DITR, somente é possível quando constatada a ocorrência de erro de fato, comprovado por meio seguros de prova. DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Não tendo sido comprovada, por meio de documentos hábeis, área total diversa da apurada pela fiscalização, resta incabível a pretensão da contribuinte. DO VALOR DA TERRA NUA. Para alteração do VTN/ha arbitrado pela autoridade fiscal, com base no Laudo de Avaliação apresentado pela própria contribuinte, exige-se outra prova demonstrando o erro e desacerto do trabalho apresentado. PROVA PERICIAL. CONVERSÃO DOS AUTOS EM DILIGENCIA. O Recorrente deve trazer a prova que pretende produzir para comprovar o direito alegado. A conversão dos autos em diligencia ou deferimento da prova pericial somente é necessária se houver duvida na matéria de fato e convicção do julgador. RESERVA LEGAL. DIREITO DE PROPRIEDADE. LIMITAÇÃO DA PROPRIEDADE. DOMÍNIO PLENO, DOMÍNIO ÚTIL E POSSE. DETENÇÃO. NUA PROPRIEDADE. O ITR incide sobre a propriedade, o domínio útil e a posse. Propriedade corresponde ao domínio pleno de usar, gozar, dispor e reivindicar a propriedade. Domínio útil corresponde ao domínio limitado de uso e fruição da propriedade. A posse sujeita ao imposto corresponde à posse aquisitiva com animus domini ou ad usucapionem, posse com os poderes e os atributos
da propriedade. Posse sem os poderes e atributos da propriedade corresponde à mera detenção. O proprietário, titular do domínio pleno, que se destituir de domínio útil ou da posse passa a deter apenas a nua propriedade ou o domínio direito, sem se sujeitar ao tributo.
Numero da decisão: 2202-001.775
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Nome do relator: ODMIR FERNANDES
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ementa_s : IMPOSTO SOBRE A PROPRIEDADE TERRITORIAL RURAL - ITR Exercício: 2004 RETIFICAÇÃO DAS ÁREAS DISTRIBUÍDAS E UTILIZADAS DO IMÓVEL A alteração da distribuição das áreas do imóvel informadas na DITR, somente é possível quando constatada a ocorrência de erro de fato, comprovado por meio seguros de prova. DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Não tendo sido comprovada, por meio de documentos hábeis, área total diversa da apurada pela fiscalização, resta incabível a pretensão da contribuinte. DO VALOR DA TERRA NUA. Para alteração do VTN/ha arbitrado pela autoridade fiscal, com base no Laudo de Avaliação apresentado pela própria contribuinte, exige-se outra prova demonstrando o erro e desacerto do trabalho apresentado. PROVA PERICIAL. CONVERSÃO DOS AUTOS EM DILIGENCIA. O Recorrente deve trazer a prova que pretende produzir para comprovar o direito alegado. A conversão dos autos em diligencia ou deferimento da prova pericial somente é necessária se houver duvida na matéria de fato e convicção do julgador. RESERVA LEGAL. DIREITO DE PROPRIEDADE. LIMITAÇÃO DA PROPRIEDADE. DOMÍNIO PLENO, DOMÍNIO ÚTIL E POSSE. DETENÇÃO. NUA PROPRIEDADE. O ITR incide sobre a propriedade, o domínio útil e a posse. Propriedade corresponde ao domínio pleno de usar, gozar, dispor e reivindicar a propriedade. Domínio útil corresponde ao domínio limitado de uso e fruição da propriedade. A posse sujeita ao imposto corresponde à posse aquisitiva com animus domini ou ad usucapionem, posse com os poderes e os atributos da propriedade. Posse sem os poderes e atributos da propriedade corresponde à mera detenção. O proprietário, titular do domínio pleno, que se destituir de domínio útil ou da posse passa a deter apenas a nua propriedade ou o domínio direito, sem se sujeitar ao tributo.
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DA ÁREA TOTAL DO IMÓVEL. Não tendo sido comprovada, por meio de documentos hábeis, área total diversa da apurada pela fiscalização, resta incabível a pretensão da contribuinte. DO VALOR DA TERRA NUA. Para alteração do VTN/ha arbitrado pela autoridade fiscal, com base no Laudo de Avaliação apresentado pela própria contribuinte, exigese outra prova demonstrando o erro e desacerto do trabalho apresentado. PROVA PERICIAL. CONVERSÃO DOS AUTOS EM DILIGENCIA. O Recorrente deve trazer a prova que pretende produzir para comprovar o direito alegado. A conversão dos autos em diligencia ou deferimento da prova pericial somente é necessária se houver duvida na matéria de fato e convicção do julgador. RESERVA LEGAL. DIREITO DE PROPRIEDADE. LIMITAÇÃO DA PROPRIEDADE. DOMÍNIO PLENO, DOMÍNIO ÚTIL E POSSE. DETENÇÃO. NUA PROPRIEDADE. O ITR incide sobre a propriedade, o domínio útil e a posse. Propriedade corresponde ao domínio pleno de usar, gozar, dispor e reivindicar a propriedade. Domínio útil corresponde ao domínio limitado de uso e fruição da propriedade. A posse sujeita ao imposto corresponde à posse aquisitiva Fl. 143DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 2 com animus domini ou ad usucapionem, posse com os poderes e os atributos da propriedade. Posse sem os poderes e atributos da propriedade corresponde à mera detenção. O proprietário, titular do domínio pleno, que se destituir de domínio útil ou da posse passa a deter apenas a nua propriedade ou o domínio direito, sem se sujeitar ao tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. Nelson Mallmann – Presidente. Odmir Fernandes – Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Antonio Lopo Martinez, Eivanice Canário da Silva, Maria Lúcia Moniz de Aragão Calomino Astorga, Nelson Mallmann (Presidente), Odmir Fernandes e Pedro Anan Junior. Ausentes, justificadamente, os Conselheiros Rafael Pandolfo e Helenilson Cunha Pontes. Relatório Fl. 144DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10640.720844/200935 Acórdão n.º 220201.775 S2C2T2 Fl. 3 3 Tratase de Recurso Voluntário da decisão da 1ª Turma de Julgamento da DRJ/Brasília/DF que manteve a autuação do Imposto sobre a Propriedade Territorial Rural ITR, do exercício de 2004, com a multa de oficio de 75% e juros do móvel rural denominado "Fazenda Santa Helena", localizado no Município de Simão Pereira/MG. O lançamento (fls. 2 a 4) decorre da alteração da área do imóvel e do VTN: VTN Valor da Terra Nua declarado Intimado, o sujeito passivo apresentou Laudo de avaliação do imóvel, conforme estabelecido na NBR 14.6533 da ABNT. No Documento de Informação e Apuração do ITR (DIAT), o valor da terra nua foi alterado, tendo como base os valores informados pelo contribuinte no atendimento a intimação. Em conformidade com o Laudo de Avaliação elaborado pelo Engenheiro Agrônomo Severino Rodrigues Costa, acompanhado de Anotação de Responsabilidade Técnica ART registrada no CREA, o valor da terra nua do imóvel, o exercício de 2004, foi alterado para R$ 249.500,00. Área total do imóvel Conforme a Matricula do Registro de Imóveis, a área total do imóvel foi alterada de R$ 410,2 ha para R$ 546,9 ha. A decisão recorrida, de fls. 93 a 106, manteve a autuação, pela falta de comprovação das informações prestadas na DITR/2004 – VTN, grau de utilização e a área do imóvel. Recurso Voluntário a fls. 110/141, sustentando nulidade do Laudo de Avaliação por não obedecer às normas da ABNT, com superavaliação e inexistência de levantamento de outros imóveis semelhante para apuração dos preços médios de terras comercializados no município e região. Pede assim nova avaliação do imóvel. Caso mantido o Laudo pede a alteração do grau de utilização da propriedade por ultrapassar a 80%, com alíquota de 0,10 e não de 4,70. Pede, ainda, seja mantida a área declarada do imóvel de 410,2 ha, porque parte pertencente a outra pessoa, que declarou o imóvel e pagou o imposto. É o breve relatório. Voto. Fl. 145DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 4 Voto Conselheiro Odmir Fernandes, Relator. O recurso preenche os requisitos de admissibilidade e deve e ser conhecido. Fl. 146DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10640.720844/200935 Acórdão n.º 220201.775 S2C2T2 Fl. 4 5 Tratase de revisão do lançamento do ITR do ano de 2004, com alteração da área do imóvel e do Valor da Terra Nua VTN. A Recorrente é usufrutuária vitalícia do imóvel, objeto do lançamento, possuidora, portanto, do domínio útil de uso e fruição da propriedade. VTN Valor da terra Nua Nas razões de recurso pede o Recorrente seja desconsiderado o Laudo de Avaliação que ele mesmo apresentou e foi acolhido pela fiscalização por não refletir a realidade e não obedecer às normas da ABNT na sua elaboração. Pede também nova avaliação do imóvel, alteração do grau de utilização e manutenção da área declarada, porque a diferença acrescida pela autuação pertence a outro contribuinte, que declarou e pagou o imposto. Sem razão, contudo. O Laudo técnico de avaliação pode não ser dos melhores ou não obedecer às normas técnicas, mas é o único que existe nos autos e foi apresentado pelo próprio autuado. Se lhe foi prejudicial, fez prova contra si, agora não pode alegar esse fato em sua defesa. Sustentar a imprestabilidade do Laudo que o próprio Recorrente trouxe aos autos é admitir a sua própria torpeza. Não há cabimento e razão plausível para desconsiderar o Laudo se não existe nos autos outra prova técnica para infirmálo ou contrariálo. Dessa forma, o Valor da Terra Nua – VTN, objeto da autuação, deve ser mantido diante do laudo apresentado pelo próprio contribuinte, sem outra prova para infirmá lo. Grau de utilização da terra Sustenta também que o grau de utilização do imóvel ultrapassa a 80%, mas o laudo não traz essa informação. Não basta alegar, precisa provar. O laudo traz apenas percentuais diferenciados com áreas aproximadas com mata de preservação permanente, pastagens, culturas, benfeitorias, área imprestável, tudo, repetimos, com áreas aproximadas, sem nada concreto, certo, determinado. Com isso, vemos que a redução da alíquota, pelo grau de utilização da terra, não pode ser acolhida pela precariedade do Laudo, ao descrever as medidas do imóvel como sendo “aproximadas”, sem trazer qualquer especificação e caracterização das áreas exatas do aproveitamento de cada uma delas. Pode parecer certa incoerência em acolher o VTN do laudo e não a colher o grau de utilização. A avaliação foi questionada pela fiscalização e o próprio contribuinte trouxe a prova que foi aceita pelo fisco. No grau de utilização da terra é necessária prova mais firme e contundente, Laudo mais elaborado da descrição das áreas utilizadas, sob pena incidir na tabela de alíquotas, integral do imóvel. Fl. 147DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 6 Por falta de provas, não há como acolher esse pedido da Recorrente. Nova avaliação. Diligencias. Prova pericial Não é hipótese de se deferir a prova pericial, fazer nova avaliação ou converter os autos em diligência. Cabe ao autuado trazer a prova desejada para comprovar o direito que alega possuir. Se não faz essa prova, e não há dúvida do julgador na solução do conflito, não é hipótese de nova avaliação ou conversão dos autos em diligencia. Área acrescida. Domínio pleno. Domínio útil. Nua propriedade No tocante à área acrescida pela fiscalização, de 410,2 ha. para 546,9 ha., que a Recorrente diz pertencer a Fernando Carvalho de Faria, também não lhe assiste razão. A matrícula do Registro de Imóveis, foi retificada em 23.10.2008, para averbar a área acrescida pela autuação, com o seguinte registro: Av 09 273. Em 23/outubro/2008. CONSIGNAÇÃO "EXOFFICIO" A MATRÍCULA. Com fulcro no artigo 213 inciso I alínea "a" da L.F. 6.015/73 e no titulo anterior n° 3.360 fls. 166 do livro 3A, fica consignado "ex officio" à matricula que a Fazenda Santa Helena possui a totalidade de 580 0800 hectares, sendo que não se constou quando da abertura da mesma a área de 145200 hectares de propriedade de FERNANDO DE CARVALHO FARIA menor, brasileiro proprietário, residente em Juiz de Fora que fica incluída doravante PASSANDO A AREA REMANECENTE A SER DE 561 4400 HECTARES, sendo 546,92ha. gravado com a cláusula de usufruto vitalício e, os restantes, 145200 HECTARES de propriedade plena de Fernando de Carvalho Faria, já qualificado, advindo pela partilha, de 02.01.1996, expedida pelo escrivão de Mercês/MG, do Espólio de Luis Homem de Faria. Dou fé. 0 Oficial Substituto. A Recorrente é usufrutuária vitalícia do imóvel, com área de 546,92 ha. Fernando de Carvalho Faria é um dos instituidores desse usufruto vitalício e detentor da nua propriedade, que voltará a ser plena com a revogação do usufruto ou o falecimento da usufrutuária. Consta da averbação retificadora que Fernando possui 14,52ha de propriedade plena do mesmo imóvel, vale dizer, possui o domínio pleno e exclusivo, sem a limitação pelo domínio útil cedido à Recorrente na área de 546,9ha., objeto da exigência, e do qual Fernando é detentor, em condomínio, da nua propriedade. O fato de Fernando eventualmente ter declarado e pago o imposto do imóvel do qual não detinha o domínio útil, não dispensa a Recorrente de declarar e pagar o tributo devido do imóvel da qual é detentora e titular do domínio útil. O proprietário do imóvel, ao instituir o usufruto, destituise da maioria dos poderes dominiais, passando a deter o domínio direito ou a nua propriedade, e, nessa qualidade, não reúne a materialidade e a sujeição passiva para se sujeitar ao ITR. Apenas aos detentores Fl. 148DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES Processo nº 10640.720844/200935 Acórdão n.º 220201.775 S2C2T2 Fl. 5 7 do domínio pleno (proprietário), do domínio útil (usufrutuário, enfiteuta) e da posse aquisitiva, com animus domini, com os poderes e atributos da propriedade, se sujeitam ao ITR. É certo que a retificação da matricula somente ocorreu em 23.10.2008, mas o imóvel existia. Era usado e usufruído pela Recorrente, a exemplo da posse aquisitiva ou ad usucapionem ao seu possuidor, que detém o imóvel pelo poder de fato e se sujeita ao tributo, sem qualquer reflexo pelo fato de inexistir o registro dominial, ou de existir, mas em nome de outrem. Em outras palavras, não é o registro dominial que faz nascer à obrigação tributária do ITR, ela decorre também da posse ao seu possuidor. A retificação do registro não criou nenhum direito novo para a Recorrente ou para o ITR, apenas reconheceu o domínio útil da área que a Recorrente detinha, sem a retificação da figura da posse pacifica sem oposição. Assim, o fato de a retificação ocorrer após o nascimento da obrigação tributária, não beneficia nem dispensa a Recorrente da obrigação de conhecer e declarar corretamente a área do imóvel ao ITR. Cabe aqui exame sobre os três Recursos Repetitivos do C. Superior Tribunal de Justiça de n°s. 1.111.202/SP, 1.110.551/SP e 1.073.846/SP e da Sumula 399 ao estabelecer competir à lei a escolha do sujeito passivo da obrigação, entre o detentor propriedade (domínio pleno), domínio útil ou a posse. Não cremos seja assim. O titular do domínio pleno, por reunir nele todos os poderes da propriedade, elimina, naturalmente, as demais possibilidades de sujeição passiva aos impostos sobre a propriedade eleitas pelo CTN. No momento em que o CTN e a lei ordinária elegem o titular do domínio útil para sujeição passiva acaba por exclui, naturalmente, o titular do domínio direito ou do nua propriedade, por se destituir o proprietário dos poderes de usar e gozar da propriedade. O mesmo ocorre com a posse aquisitiva, com animus domini ou ad usucapionem. Se a posse aquisitiva é elemento material e pessoal do fato gerador, o titular da propriedade que não detiver a posse como atributo do direito de propriedade não pode se sujeitar ao imposto. Por essas razões, somente podermos entender e compreender os recursos repetitivos do C. STJ e a Sumula 339, pelo desconhecimento do sujeito ativo da obrigação do efetivo titular da posse aquisitiva, exatamente por esta ser um poder de fato e de direito sobre a coisa. Nesta situação, em que se desconheça o possuidor, a evidencia, a tributação deve ser na pessoa que domínio (propriedade) registrado no Cartório Imobiliário. Nestes autos, a autuada detinha a posse com o poder dominial, regularizada após pela retificação da matricula e não há qualquer prova ou mesmo alegação a que titulo Fernando teria declarado o imóvel ao ITR. Fl. 149DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES 8 Ante o exposto, pelo meu voto, rejeito a preliminar de conversão dos autos em diligencia, conheço e nego provimento ao recurso para manter a decisão recorrida e a autuação. (Assinado digitalmente) Odmir Fernandes Relator Fl. 150DF CARF MF Impresso em 14/06/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES, Assinado digitalmente em 05/06/2012 por NELSON MALLMANN, Assinado digitalmente em 04/06/2012 por ODMIR FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 11543.100069/2005-34
Turma: Primeira Turma Especial da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 MULTA ATRASO DCTF A entrega extemporânea da DCTF implica no pagamento de multa pelo atraso na sua apresentação
Numero da decisão: 1801-001.117
Decisão: Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva.
Nome do relator: MARIA DE LOURDES RAMIREZ
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ementa_s : NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Ano-calendário: 2003 MULTA ATRASO DCTF A entrega extemporânea da DCTF implica no pagamento de multa pelo atraso na sua apresentação
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2003 MULTA ATRASO DCTF A entrega extemporânea da DCTF implica no pagamento de multa pelo atraso na sua apresentação Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Momentaneamente ausente o Conselheiro Guilherme Pollastri Gomes da Silva. (assinado digitalmente) ______________________________________ Ana de Barros Fernandes – Presidente (assinado digitalmente) ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Carmen Ferreira Saraiva, Marcos Vinicius Barros Ottoni, Maria de Lourdes Ramirez, Luiz Guilherme de Medeiros Ferreira, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e Ana de Barros Fernandes. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário interposto contra acórdão da 3a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI que, por unanimidade de votos, julgou procedente o lançamento consubstanciado no presente processo. Histórico. Tratase de auto de infração (fl. 03) que exige multa por atraso na entrega da Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais – DCTF, relativa ao 1o., 2o. e 3o. trimestres do anocalendário 2003. Segundo o que consta dos autos, as DCTF relativas aos 1o., 2o. e 3o. trimestres do anocalendário de 2003, cujos prazos de entrega teriam exaurido em 15/05/2003, 15/08/2003 e 14/11/2003, respectivamente, foram apresentadas, todas elas, em 14/01/2004, ensejando a incidência de multa calculada em 2% (dois por cento) ao mês sobre o montante total declarado em cada respectiva DCTF, com redução de 50%, resultando num total exigido de R$ 1.507,64, em virtude da entrega espontânea da declaração. A interessada apresentou impugnação tempestiva (fls. 1/2) alegando que teria recebido, em 2004, comunicado de exclusão do Simples Federal, com efeitos retroativos a 2001. Em virtude da exclusão foi obrigada a optar pela entrega de DIPJ pelo Lucro Presumido e DCTFs, mas que o prazo já se havia esgotado, sentindose penalizado, pois teria prontamente se adequado à nova situação recolhendo todos os tributos devidos. Apreciando o litígio a 3a. Turma da DRJ no Rio de Janeiro/RJI julgou a exigência procedente ao argumento de que, uma vez excluída do Simples, a pessoa jurídica passa a se submeter às regras destinadas às demais pessoas jurídicas, dentre elas a entrega de DCTF nos prazos estipulados pela legislação e o descumprimento, ou o cumprimento tardio, da obrigação acessória de entrega de DCTF se sujeita às penalidades previstas na legislação de regência (fls. 31/35). Notificada da decisão, em 24/06/2008 (AR fl. 42) e irresignada, apresentou a interessada, em 22/07/2008, recurso voluntário (fls. 40/45), no qual reproduz as razões de defesa deduzidas na impugnação ao lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Maria de Lourdes Ramirez, Relatora. O recurso é tempestivo. Dele tomo conhecimento. Consta dos autos que a obrigatoriedade de entrega, pela recorrente, das DCTFs dos três primeiros trimestres de 2003 é conseqüência da exclusão da pessoa jurídica do Simples retroativa a 01/01/2002 (fl. 28). Assim, excluída do Simples, foi obrigada a adotar Fl. 108DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES Processo nº 11543.100069/200534 Acórdão n.º 180101.117 S1TE01 Fl. 96 3 outra forma de apuração e pagamento de tributos federais, optando pelo Lucro Presumido. A DIPJ pelo Lucro Presumido relativa ao anocalendário 2003 foi apresentada em 27/11/2003 (fl. 20). Como bem lembrou a Turma Julgadora de 1a. instância, uma vez excluída do Simples, na forma da Lei n º 9.317, de 1996, a pessoa jurídica fica sujeita às normas de tributação aplicáveis às demais pessoas jurídicas, dentre estas a apresentação obrigatória e nos prazos legais da DCTF a partir, inclusive, do mês em que a exclusão passou a surtir efeitos (art. 5,º, II da Lei n º 9.317, de 1996). Assim, as DCTF relativas aos 1o., 2o. e 3o. trimestres de 2003 deveriam ter sido entregues respectivamente até 15/05/2003, 15/08/2003 e 14/11/2003, impreterivelmente. A apresentação das DCTF fora dos prazos legalmente estipulados sujeita a pessoa jurídica à imposição de multa calculada na forma que dispõe o art. 7o., I, §§ 1o. e 2o., I da Lei n º 10.426, de 2002: Art. 7º O sujeito passivo que deixar de apresentar Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF, Declaração Simplificada da Pessoa Jurídica, Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte DIRF e Demonstrativo de Apuração de Contribuições Sociais Dacon, nos prazos fixados, ou que as apresentar com incorreções ou omissões, será intimado a apresentar declaração original, no caso de não apresentação, ou a prestar esclarecimentos, nos demais casos, no prazo estipulado pela Secretaria da Receita Federal SRF, e sujeitarseá às seguintes multas: I de dois por cento ao mêscalendário ou fração, incidente sobre o montante do imposto de renda da pessoa jurídica informado na DIPJ, ainda que integralmente pago, no caso de falta de entrega desta Declaração ou entrega após o prazo, limitada a vinte por cento, observado o disposto no § 3º; ... § 1º Para efeito de aplicação das multas previstas nos incisos I, II e III do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo originalmente fixado para a entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de nãoapresentação, da lavratura do auto de infração. § 2º Observado o disposto no § 3º, as multas serão reduzidas: I à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ... Por todo o exposto voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Fl. 109DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES 4 ______________________________________ Maria de Lourdes Ramirez – Relatora Fl. 110DF CARF MF Impresso em 28/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/08/2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 09/08/ 2012 por MARIA DE LOURDES RAMIREZ, Assinado digitalmente em 14/08/2012 por ANA DE BARROS FERNANDES
score : 1.0
Numero do processo: 10120.904474/2008-85
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 26 00:00:00 UTC 2012
Ementa: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP
Data do fato gerador: 15/07/2002
DÉBITO FISCAL DECLARADO A MAIOR. PAGAMENTO INDEVIDO.
REPETIÇÃO.
O pagamento indevido decorrente de débito fiscal declarado a maior e
comprovado, mediante documentos contábeis e darf, constitui indébito
tributário, passível de repetição/compensação.
ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Data do fato gerador: 30/07/2004
DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO
Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Declaração de
Compensação (Dcomp) transmitida, homologase
a compensação do débito
fiscal nela declarado.
RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
Numero da decisão: 3301-001.509
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS
1.0 = *:*
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ementa_s : CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2002 DÉBITO FISCAL DECLARADO A MAIOR. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO. O pagamento indevido decorrente de débito fiscal declarado a maior e comprovado, mediante documentos contábeis e darf, constitui indébito tributário, passível de repetição/compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/07/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida, homologase a compensação do débito fiscal nela declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Data do fato gerador: 15/07/2002 DÉBITO FISCAL DECLARADO A MAIOR. PAGAMENTO INDEVIDO. REPETIÇÃO. O pagamento indevido decorrente de débito fiscal declarado a maior e comprovado, mediante documentos contábeis e darf, constitui indébito tributário, passível de repetição/compensação. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 30/07/2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. HOMOLOGAÇÃO Provada a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) transmitida, homologase a compensação do débito fiscal nela declarado. RECURSO VOLUNTÁRIO PROVIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do Relator. (Assinado Digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado Digitalmente) Jose Adão Vitorino de Morais – Relator Fl. 106DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: José Adão Vitorino de Morais, Antônio Lisboa Cardoso, Amauri Amora Câmara Júnior, Andréa Medrado Darzé, Maria Teresa Martinez López e Rodrigo da Costa Possas. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra decisão da DRJ Brasília que julgou improcedente a manifestação de inconformidade interposta contra despacho decisório que não homologou a compensação do débito de IRPJ vencido na data de 30/07/2004, declarado na Declaração de Compensação (Dcomp) às fls. 42/46, com crédito financeiro decorrente de pagamento a maior da contribuição para o PIS referente à competência de junho de 2002, recolhida em 15/07/2002. A Delegacia da Receita Federal do Brasil em Goiânia não homologou a compensação do débito fiscal declarado sob o argumento de que o crédito declarado já havia sido utilizado integralmente para quitar o débito do PIS referente ao mês de competência de junho de 2002, declarado na respectiva DCTF, conforme Despacho Decisório às fls. 12. Inconformada com aquele despacho, a recorrente interpôs manifestação de inconformidade (fls. 01/03), insistindo na homologação da compensação do débito tributário declarado, alegando razões assim resumidas por aquela DRJ: “Preliminarmente, que o direito de defesa estaria prejudicado por falta de informações, na medida em que o único pagamento apresentado na decisão teria se referido ao DARF, onde foi feito o pagamento a maior, e nenhum outro débito teria sido informado para justificar a utilização do crédito solicitado na compensação, e que em nenhum momento teria sido mencionado no despacho decisório a inexistência de crédito, mas sim que o valor pago no DARF teria sido efetuado para quitar o débito do contribuinte. No mérito, alega que teria informado o valor correto em junho de 2002, no montante de R$945,23, apenas na DIPJ, ou seja, acreditava não ser necessário retificar o montante em DCTF. Por sua vez, como efetuou recolhimento por meio de DARF no valor de R$975,00, teria restado caracterizado pagamento a maior e o crédito de R$29,77.” Analisada a manifestação de inconformidade, aquela DRJ julgoua improcedente, sob o argumento de que o pagamento indevido e/ a maior não foi comprovado, mantendo a nãohomologação da compensação do débito declarado, conforme Acórdão nº 03 43.728, datado de 27/06/2011, às fls. 58/62, sob a seguinte ementa: “DÉBITOS CONFESSADOS. RETIFICAÇÃO. NECESSIDADE DE ESCRITA FISCAL. NÃO COMPROVAÇÃO DE PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. Eventual retificação dos valores confessados em DCTF devem ter por fundamento os dados da escrita fiscal do contribuinte.” Cientificada dessa decisão, a recorrente interpôs recurso voluntário (71/73), requerendo a sua reforma a fim de se homologue a compensação do débito fiscal declarado, alegando, em síntese, erro no preenchimento da DCTF na qual informou débito de PIS para o mês de junho de 2002, no valor de R$975,00, que foi recolhido tempestivamente. Contudo, o valor correto da contribuição devida, naquele mês, é de R$945,23, conforme provam os documentos, ora anexados, demonstrativo de impostos apurados em 2002, cópia de do Livro Diário e do Livro de Registro de Serviços Prestados. É o relatório. Fl. 107DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS Processo nº 10120.904474/200885 Acórdão n.º 330101.509 S3C3T1 Fl. 101 3 Voto Conselheiro José Adão Vitorino de Morais O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. A questão de mérito se restringe à comprovação de erro no valor da contribuição para o PIS, declarada para o mês de junho de 2002. Para comprovar o erro na apuração e no valor declarado na respectiva DCTF, a recorrente anexou ao seu recurso as cópias do Diário às fls. 89 e 90; e do Livro Registro de Prestação de Serviços às fls. 93/94. Do exame daqueles documentos, verificase que realmente houve erro na apuração e no valor da contribuição para o PIS declarada na DCTF, para o mês de competência de junho de 2002. Segundo o demonstrativo de apuração de impostos em 2002 que foi anexado em outros sete processos da recorrente no qual discriminou: a) as competências mensais; b) a numeração do Livro Diário; c) as folhas do Diário; d) as receitas operacionais mensais; e) o valor da contribuição para o PIS, devida mensalmente; f) o valor pago; e, g) o valor a recuperar (saldo credor), a receita operacional declarada foi de R$145.418,49. Também no livro Diário às fls. 89 e 90, estão registradas receitas de R$145.418,49. Aplicandose a alíquota do PIS de 0,65 % resulta contribuição devida, no valor de R$945,24. Como a recorrente pagou tempestivamente o valor de R$975,00, conforme prova a cópia do darf às fls. 78, resultou um indébito tributário de R$29,76, passível de repetição/compensação. A compensação de débito fiscal, mediante a transmissão de Declaração de Compensação (Dcomp) e sua extinção por homologação, segundo o art. 74 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996, está condicionada à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado. No presente caso, a documentação apresentada pela recorrente comprovou a certeza e liquidez do crédito financeiro declarado na Dcomp em discussão. Também, segundo a Dcomp, o valor original acrescido dos juros compensatórios é suficiente para compensar o débito tributário declarado. Em face do exposto, dou provimento ao recurso voluntário para reconhecer à certeza e liquidez do crédito financeiro declarado, na Dcomp em discussão, no valor original de R$29,76 (vinte e nove reais e setenta e seis centavos), cabendo à autoridade administrativa competente homologar a compensação do débito tributário declarado. (Assinado Digitalmente) José Adão Vitorino de Morais Relator Fl. 108DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS 4 Fl. 109DF CARF MF Impresso em 17/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09 /07/2012 por JOSE ADAO VITORINO DE MORAIS, Assinado digitalmente em 09/08/2012 por RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Numero do processo: 10950.003055/2006-90
Turma: Terceira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 19 00:00:00 UTC 2003
Data da publicação: Fri May 03 00:00:00 UTC 2013
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005
ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2.
O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO.
O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes.
CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE.
É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição.
Numero da decisão: 3403-001.941
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à tomada de crédito em relação ao frete sobre serviços de transporte e em relação aos serviços de desembaraço/desestiva. Vencido o Cons. Robson José Bayerl, que votou por negar provimento na íntegra.
Antonio Carlos Atulim - Presidente.
Rosaldo Trevisan - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho.
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2005 ANÁLISE ADMINISTRATIVA DE CONSTITUCIONALIDADE. VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitar-se a existência de um produto final na ausência do insumo. Uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃO-CUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição.
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VEDAÇÃO. SÚMULA CARF N. 2. O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. INSUMO. CONCEITO. O conceito de insumo na legislação referente à Contribuição para o PIS/PASEP não guarda correspondência com o extraído da legislação do IPI (demasiadamente restritivo) ou do IR (excessivamente alargado). Em atendimento ao comando legal, o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril, não havendo a possibilidade de cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. Uniformes e equipamentos de proteção individual não constituem insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes. CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP. NÃOCUMULATIVIDADE. SERVIÇOS VINCULADOS A AQUISIÇÕES DE BENS COM ALÍQUOTA ZERO. CREDITAMENTO. POSSIBILIDADE. É possível o creditamento em relação a serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário para reconhecer o direito à tomada de crédito em relação ao frete AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 95 0. 00 30 55 /2 00 6- 90 Fl. 177DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 2 sobre serviços de transporte e em relação aos serviços de desembaraço/desestiva. Vencido o Cons. Robson José Bayerl, que votou por negar provimento na íntegra. Antonio Carlos Atulim Presidente. Rosaldo Trevisan Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antonio Carlos Atulim (presidente da turma), Rosaldo Trevisan (relator), Robson José Bayerl, Marcos Tranchesi Ortiz, Ivan Allegretti e Domingos de Sá Filho. Relatório Versa o presente sobre PER/DCOMP (fls. 31 a 6) relativo a crédito de Contribuição para o PIS/Pasep nãocumulativa referente ao 1o trimestre de 2005, no valor de R$ 17.290,63. Ao analisar a solicitação (fls. 45 a 90), a unidade local reconhece parcialmente o direito creditório (R$ 5.728,23) homologando, na parte reconhecida, as compensações requeridas. As parcelas não reconhecidas referemse a: a) creditamento de aquisições de bens que não podem ser caracterizados como insumos (conta “uniformes e epi cif”); e b) aproveitamento de créditos sobre gastos com serviços sem previsão legal (contas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, “fretes s/ comprascif”), vinculados a aquisições de matérias primas com alíquota zero. Cientificada da decisão da unidade local (em 16/6/2011 fl. 63), a empresa apresenta manifestação de inconformidade (em 30/6/2011 fls. 64 a 91). Na peça apresentada, sustenta que: a) o princípio constitucional da nãocumulatividade garante à contribuinte o direito de compensar em cada operação o montante de IPI, ICMS, Contribuição para o PIS/Pasep e Cofins relativos às operações anteriores, sendo impossível sua modulação pelo legislador ordinário; b) o conceito de insumo constante das Instruções Normativas da RFB (então SRF) no 247/2002 e 404/2004 é demasiadamente restritivo, uma vez que veda o direito ao aproveitamento de créditos relacionados a insumos essenciais à atividade industrial, e deve ser afastado, assim como a Lei no 10.637/2002, pois tais normas infraconstitucionais não podem estabelecer vedações ao aproveitamento de crédito; c) o CARF tem entendido que o conceito de insumo para efeito da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins deve ser o do IR, e não o do IPI, o que abarca os uniformes e equipamentos de proteção individual epi’s; e d) o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 deve ser analisado à luz do art. 17 da Lei no 11.033/2004 (que trata da manutenção de créditos em relação a vendas efetuadas com alíquota zero). Em 4/11/2011, no julgamento de primeira instância (fls. 132 a 141), acorda se que: a) “não existe previsão legal expressa para o cálculo de crédito sobre o valor do frete na aquisição e dos custos/despesas com desembaraço/desestiva, sendo permitido apenas quando o 1 Todos os números de folhas indicados nesta decisão são baseados na numeração eletrônica da versão digital do processo (eprocessos). Fl. 178DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003055/200690 Acórdão n.º 3403001.941 S3C4T3 Fl. 178 3 bem adquirido for passível de creditamento, já que tais despesas compõem o custo de aquisição”; b) “no cálculo da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, o sujeito passivo somente poderá descontar créditos calculados sobre valores correspondentes a insumos, assim entendidos os bens ou serviços aplicados ou consumidos diretamente na produção ou fabricação de bens e na prestação de serviços”; e c) “as instâncias administrativas são incompetentes para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária”. Cientificada da decisão em 16/1/2012 (fl. 144), a empresa apresenta recurso voluntário em 15/2/2012 (fls. 145 a 173), basicamente reiterando os argumentos expostos na manifestação de inconformidade, sobre a impossibilidade de modulação infraconstitucional do princípio da nãocumulatividade, sobre o conceito restritivo de insumos estabelecido nas normas infralegais da RFB (advindo do IPI), em desacordo com o posicionamento do CARF (pautado pelo IR), e sobre o entendimento de que o art. 17 da Lei no 11.033/2004 revogou o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 e, portanto, a aquisição de serviços (frete / desestiva) vinculados à compra de bens sujeitos à alíquota zero não inibe o direito ao crédito de Contribuição para o PIS/Pasep e de Cofins. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O recurso preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Dos três pontos atacados no Recurso Voluntário, impendese destacar a impossibilidade de análise por parte deste CARF do primeiro, que sustenta ser a não cumulatividade expressa na Constituição Federal brasileira (art. 195, § 12) inatingível pela legislação infraconstitucional, devendo eventual modulação ser feita tãosomente no próprio texto constitucional, o que culminaria no reconhecimento de inconstitucionalidade nas limitações estabelecidas pelas Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 e pelas IN SRF no 247/2002 e 404/2004. O tema já é inclusive sumulado no âmbito deste tribunal: “Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Resta, assim, a análise da abrangência do conceito de insumos na legislação referente à Contribuição para o PIS/Pasep e à Cofins, e a verificação de compatibilidade entre o art. 17 da Lei no 11.033/2004 e o inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003. Do conceito de insumo O termo insumo é polissêmico. Por isso, há que se indagar qual é sua abrangência no contexto das Leis no 10.627/2002 e 10.833/2003. Na busca de um norte para a questão, poderseia ter em consideração os teores do § 5o do art. 66 da IN SRF no 247/2002 (editado com base no art. 66 da Lei no 10.637/2002) e do art. 8o da IN SRF no 404/2004 Fl. 179DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 4 (editado com alicerce no art. 92 da Lei no 10.833/2003), que, para efeito de disciplina da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, estabelecem entendimento de que o termo insumo utilizado na fabricação ou produção de bens destinados à venda abrange “as matérias primas, os produtos intermediários, o material de embalagem e quaisquer outros bens que sofram alterações, tais como o desgaste, o dano ou a perda de propriedades físicas ou químicas, em função da ação diretamente exercida sobre o produto em fabricação, desde que não estejam incluídos no ativo imobilizado” e “os serviços prestados por pessoa jurídica domiciliada no País, aplicados ou consumidos na produção ou fabricação do produto”. Outro caminho seria buscar analogia com a legislação do IPI ou do IR (ambas frequentes na jurisprudência deste CARF, sendo uma delas inclusive mencionada no Recurso Voluntário, cabendo ressaltar que ainda não há posicionamento assentado nesta corte administrativa sobre a matéria). Contudo, tal tarefa se revela improfícua, pois em face da legislação que rege as contribuições, o conceito expresso nas normas que tratam do IPI é demasiadamente restritivo, e o encontrado na legislação do IR é excessivamente amplo, visto que se adotada a acepção de “despesas operacionais”, chegarseia à absurda conclusão de que a maior parte dos incisos do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 (inclusive alguns que demandaram alteração legislativa para inclusão v.g. incisos IX, referente a energia elétrica e térmica, e X, sobre valetransporte ... para prestadoras de serviços de limpeza...) é inútil ou desnecessária. A Lei no 10.637/2002, que trata da Contribuição para o PIS/Pasep não cumulativa, e a Lei no 10.833/2003, que trata da Cofins nãocumulativa, explicitam, em seus arts. 3o, que podem ser descontados créditos em relação a: “II bens e serviços, utilizados como insumo na prestação de serviços e na produção ou fabricação de bens ou produtos destinados à venda, (...)” (grifo nosso) A mera leitura dos dispositivos legais já aponta para a impossibilidade de se considerar como insumo um bem ou serviço que não seja utilizado na produção ou fabricação do bem destinado à venda. Poderseia aí argumentar que a lei desbordou do comando constitucional referente à nãocumulatividade, que asseguraria o creditamento a qualquer despesa necessária à consecução do objeto social da empresa, como parece sugerir a recorrente. Contudo, reiterase que este tribunal carece de competência para levar adiante a discussão, em face da Súmula CARF no 2. Há, assim, que se acolher a argumentação de que o insumo deve ser necessário ao processo produtivo/fabril. Não poderia cogitarse a existência de um produto final na ausência do insumo. A recorrente é empresa dedicada à fabricação e venda de adubos e fertilizantes. Não há dúvida, por exemplo, ao afirmarse que a matériaprima utilizada na confecção dos adubos e fertilizantes constitui insumo. Contudo, entre a zona de certeza positiva e a de certeza negativa (uma cesta de natal entregue pela empresa a um funcionário certamente não constitui um insumo) existe uma zona de “penumbra” (GENARO CARRIÓ2), na qual só a análise do caso concreto, das atividades da empresa e do processo produtivo permitirá um enquadramento mais preciso. A glosa (mantida pelo julgador a quo) é efetuada em relação às despesas com uniformes e equipamentos de proteção individual. 2 In Notas Sobre Derecho y Lenguaje. 5 ed. Buenos Aires: AbeledoPerrot, 2006, p. 55 e ss. Fl. 180DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003055/200690 Acórdão n.º 3403001.941 S3C4T3 Fl. 179 5 No recurso voluntário, a empresa argumenta que o termo “insumo” abrange, além das despesas diretas: “[...] todas as depesas indiretas incorridas para a obtenção de receita, como, por exemplo: os gastos de promoção, colocação e distribuição dos produtos da empresa, inclusive com o pessoal das áreas de vendas, marketing, distribuição, administrativo interno de vendas,comissões sobre vendas, propaganda e publicidade, fretes sobre compras, desembaraço/desestiva, impressos, material de escritório, uniformes, epi’s, etc, além daquelas despesas administrativas propriamente ditas [...]” Não é preciso muito esforço para perceber que tal posicionamento não se coaduna com a disposição legal que trata da matéria. Nas relações não exaustivas apresentadas pela recorrente encontramse somente zonas de certeza negativa em relação à lei que rege a matéria. Sequer se visualiza “zona de penumbra”. Todas as atividades relacionadas podem até ter alguma relação com o objeto social da empresa (fabricação e venda de adubos e fertilizantes), mas não com o processo produtivo/fabril. Não há, assim, como acatar a tese da recorrente, no sentido de um alargamento do conceito de insumos que transbordaria o dispositivo legal que rege a matéria. Não se acolhe, destarte, a argumentação de que uniformes e equipamentos de proteção individual constituam insumos para uma empresa fabricante e revendedora de adubos e fertilizantes, pela inexistência de vínculo de tais itens com o processo produtivo/fabril. Do creditamento em relação a serviços relacionados a bens adquiridos com alíquota zero Pleiteia ainda a recorrente o creditamento em relação a três contas, intituladas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, e “fretes s/ comprascif”. Instada a explicitar as referidas contas, indicando as razões pelas quais considerou como geradores de crédito da contribuição os dispêndios nelas registrados, a empresa (fls. 38 e 39) assim esclareceu seu conteúdo, classificando as despesas como “serviços utilizados como insumos”, albergados pelas Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003: “Serviços Utilizados como insumos Fretes s/ compras estoques Aquisição de serviços de transporte das compras de insumos. Serviços Utilizados como insumos Desembaraço/desestiva Aquisição de serviços de carga e descarga da compra de insumos. Serviços Utilizados como insumos Fretes s/ compras (CIF) Aquisição de serviços de transporte das compras de insumos.” (grifos no original) Fl. 181DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 6 A fiscalização não reconhece o crédito por ausência de amparo normativo, e afirma que o frete e as referidas despesas integram o custo de aquisição do bem, sujeito à alíquota zero (por força do art. 1o da Lei no 10.925/2004), o que inibe o creditamento, conforme a vedação estabelecida pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002 (em relação à Contribuição para o PIS/Pasep), e pelo inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003 (em relação à Cofins): “Art. 3o Do valor apurado na forma do art. 2o a pessoa jurídica poderá descontar créditos calculados em relação a: (...) § 2o Não dará direito a crédito o valor: (...) II da aquisição de bens ou serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição, inclusive no caso de isenção, esse último quando revendidos ou utilizados como insumo em produtos ou serviços sujeitos à alíquota 0 (zero), isentos ou não alcançados pela contribuição. (Incluído pela Lei no 10.865, de 2004)” Contudo, é de se observar que o comando transcrito impede o creditamento em relação a bens não sujeitos ao pagamento da contribuição e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição. Não trata o dispositivo de serviços sujeitos a tributação efetuados em/com bens não sujeitos a tributação (o que é o caso do presente processo). Improcedente assim a subsunção efetuada pelo julgador a quo no sentido de que o fato de o produto não ser tributado “contaminaria” também os serviços a ele associados. Vejase que é possível um bem não sujeito ao pagamento das contribuições ser objeto de uma operação de transporte tributada. E que o dispositivo legal citado não trata desse assunto. A recorrente questiona ainda a vigência do inciso II do § 2o do art. 3o das Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003, afirmando que tais dispositivos foram revogados pelo art. 17 da Lei no 11.033/2004, que dispõe: “Art. 17. As vendas efetuadas com suspensão, isenção, alíquota 0 (zero) ou não incidência da Contribuição para o PIS/PASEP e da COFINS não impedem a manutenção, pelo vendedor, dos créditos vinculados a essas operações.” Nesse ponto, como já esclarecido pelo julgador a quo, o art. 17 da Lei no 11.033/2004 não revoga nem o inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.637/2002, nem o inciso II do § 2o do art. 3o da Lei no 10.833/2003. Enquanto o comando da Lei no 11.033/2004 permite à empresa que adquire um produto tributado pelas contribuições mantenha o crédito mesmo que a venda se dê de forma não tributada, os dois outros dispositivos (Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003) vedam o creditamento da contribuição para bens e serviços não sujeitos ao pagamento da contribuição na aquisição. Assim, as Leis no 10.637/2002 e 10.833/2003 impedem o creditamento no caso de a aquisição de bens ou serviços não estar sujeita ao pagamento da contribuição. E a Lei no 11.033/2004 não gera direito a novo crédito (contrapondo a vedação), mas tãosomente permite a manutenção dos créditos (se existentes), no caso de venda efetuada com suspensão, isenção, alíquota zero ou nãoincidência das contribuições. Vejase que, no caso em questão, em face da inexistência de vedação no dispositivo legal analisado, era (e continua sendo) Fl. 182DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN Processo nº 10950.003055/200690 Acórdão n.º 3403001.941 S3C4T3 Fl. 180 7 possível o creditamento em relação a serviços tributados efetuados em/com bens não sujeitos a tributação pela contribuição. Improcedente assim a afirmação de que houve revogação dos dispositivos que estabelecem a vedação de creditamento, o que, contudo, não prejudica, como exposto, o direito ao creditamento. É relevante destacar, por fim, que a segunda motivação alegada pela fiscalização para o não reconhecimento do crédito, de que somente os fretes nas operações de venda é que seriam ensejadores de crédito, merece aparas. Também as despesas com frete nas operações de compra de insumos podem gerar créditos (compondo o custo de aquisição do bem), como decidiu recentemente esta turma, de forma unânime, cabendo reproduzir abaixo excerto do voto condutor: “[...] na sistemática da nãocumulatividade do PIS e da COFINS, os dispêndios da pessoa jurídica com a contratação de frete podem se situar em três diferentes posições: (a) se na operação de venda, constituirá hipótese específica de creditamento, referida pelo art. 3o, inciso IX; (b) se associado à compra de matériasprimas, materiais de embalagem ou produtos intermediários, integrará o custo de aquisição e, por este motivo, dará direito de crédito em razão do previsto no artigo 3o, inciso I; e (c) finalmente, se respeitar ao trânsito de produtos inacabados entre unidades fabris do próprio contribuinte, será catalogável como custo de produção (RIR, art. 290) e, portanto, como insumo para os fins do inciso II do mesmo artigo 3o.” 3 (grifo nosso) Destaquese, por fim, que o fato de o serviço compor o custo de aquisição dos bens utilizados como insumos não opera uma transformação da natureza dos serviços tributados em bens não tributados, impossibilitando o creditamento. “Integrar o custo de aquisição do bem adquirido” difere de “integrar o tratamento tributário do bem adquirido”. Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, para reconhecer o direito ao creditamento em relação aos serviços sujeitos a tributação (transporte, carga e descarga) efetuados em/com bens não sujeitos a tributação, referidos nas três contas intituladas “fretes s/ compras estoques”, “desembaraço/desestiva estoques”, e “fretes s/ comprascif” (que, em que pese a denominação inadequada, foram explicadas pela recorrente como sendo referentes a “aquisição de serviços de transporte das compras de insumos” e “serviços utilizados como insumos desembaraço/desestiva”). Rosaldo Trevisan 3 Acórdão n. 3403001.556, Rel. Cons. Marcos Tranchesi Ortiz, unânime, sessão de 25.abr.2012. Fl. 183DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN 8 Fl. 184DF CARF MF Impresso em 03/05/2013 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN, Assinado digitalmente em 27/04/2013 por ANTONIO CARLOS ATULIM, Assinado digitalmente em 09/04/2013 por ROSALDO TREVISAN
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000181/2007-33
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Dec 01 00:00:00 UTC 2011
Ementa: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS
Período de apuração: 01/09/1997 a 31/08/1998
DECADÊNCIA. STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS.
LEI 8.212/91.
O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional.
Extingue-se o crédito tributário pela decadência. No presente caso, todo o lançamento fiscal foi alcançado pela decadência quinquenal, tanto pela regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN, quanto pela disposição do art. 173, inciso I, do mesmo Codex.
Recurso Voluntário Provido.
Crédito Tributário Exonerado
Numero da decisão: 2301-002.459
Decisão: Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a).
Nome do relator: DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
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STF. INCONSTITUCIONALIDADE DE DISPOSITIVOS. LEI 8.212/91. O Supremo Tribunal Federal, através da Súmula Vinculante n° 08, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91, devendo, portanto, ser aplicadas as regras do Código Tributário Nacional. Extinguese o crédito tributário pela decadência. No presente caso, todo o lançamento fiscal foi alcançado pela decadência quinquenal, tanto pela regra estabelecida no art. 150, §4º do CTN, quanto pela disposição do art. 173, inciso I, do mesmo Codex. Recurso Voluntário Provido. Crédito Tributário Exonerado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, I) Por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso, nos termos do voto do(a) Relator(a). (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Presidente. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marcelo Oliveira (Presidente), Wilson Antonio de Souza Correa, Adriano Gonzales Silverio, Bernadete de Fl. 447DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 2 Oliveira Barros, Damiao Cordeiro de Moraes, Mauro Jose Silva, Leonardo Henrique Pires Lopes. Relatório 1. Tratase de recurso voluntário interposto por NET RIO S.A, em face de decisão prolatada pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento do Rio de Janeiro RJ, que julgou procedente o lançamento fiscal. 2. Segundo o relatório fiscal, o lançamento se deu por débito pertinente às contribuições previdenciárias relativas à parte da empresa, destinadas ao financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa, decorrentes dos riscos ambientais do trabalho (ff. 30 a 36). Narra o relatório que o débito é de responsabilidade solidária da recorrente, tomadora do serviço (contratante), mediante a cessão de mãodeobra pela empresa prestadora do serviço. 3. Os autos foram baixados em diligência para que a fiscalização se manifestasse sobre os contratos de prestação de serviço e, caso não houvesse, identificasse a conta do livro diário onde foi constatado o lançamento relativo à prestação de serviços (f. 85). 4. Em atendimento à diligência solicitada (f. 94), o Serviço do Contencioso Administrativo respondeu que a empresa não apresentou os contratos, e concluiu que, tratase de cessão de mão de obra contratada para execução de serviços não especificados, lançados nos livros diários nº 12 a 15, na conta 34863020001, conforme se lê no campo observação do Relatório de Lançamentos (ff. 09 e 10). 5. O acórdão recorrido restou ementado nos termos que se transcreve: “ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/09/1997 a 31/08/1998 TRIBUTÁRIO – PREVIDENCIÁRIO – CUSTEIO RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA – CESSÃO DE MÃO DEOBRA O Art. 31, § 3º da Lei 8.212/91, na redação da Lei 9.032/95, bem como o Art. 42, § 2º do Regulamento de Organização e Custeio da Seguridade Social, aprovado pelo Dec. 2173/97 (aplicado até a competência de dezembro 1998) definem a forma de elisão da responsabilidade solidária. Não cumpridos estes requisitos, a tomadora é responsável pelas contribuições previdenciárias oriundas do fato gerador comum. A solidariedade passiva, legalmente imposta, pode unir diversos devedores que responderão, cada qual, pela dívida toda. A Secretaria da Receita Federal do Brasil tem direito de escolher e de exigir, de acordo com seu interesse e conveniência, o valor total do crédito constituído, sem que o devedor tenha qualquer benefício de ordem. Lançamento Procedente” Fl. 448DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES Processo nº 11330.000181/200733 Acórdão n.º 2301002.459 S2C3T1 Fl. 218 3 6. Inconformada, a recorrente apresentou recurso voluntário aduzindo, em síntese, que: a) o decurso do prazo decadencial é de cinco anos, e, não mais em dez anos (dada à inconstitucionalidade do art. 45, da Lei 8.212/91), resultando consumada a decadência no caso, o que acredita o contribuinte ser passível de reconhecimento no atual momento processual; b) que o lançamento em duplicidade pode se dar tanto sob a perspectiva da "solidariedade", quanto na da "retenção", e, considerando que nestes autos debatese a questão da solidariedade, há que ser confirmada, portanto, a existência de débitos na origem, por meio de verificações na correspondente escrita contábil, sem prejuízo da obrigação do fisco previdenciário de investigar em seus arquivos sistematizados a hipótese previdenciária do contribuinte contratado, para que seja validada a cobrança previdenciária junto ao correspondente contribuinte solidário; c) que deve ser reformado o acórdão para ser reconhecida a nulidade do lançamento fiscal, tendo em vista a generalização inadequada verificada, que não demonstra com clareza e objetividade a efetiva ocorrência de cessão de mãodeobra; 7. Sem contrarrazões, os autos foram encaminhados a esta Câmara para apreciação do recurso voluntário. É o relatório Voto Conselheiro Relator Damião Cordeiro de Moraes DOS PRESSUPOSTOS DE ADMISSIBILIDADE 1. Conheço do recurso voluntário, uma vez que atende aos pressupostos de admissibilidade. DA DECADÊNCIA 2. Tendo em vista o período de apuração da exação objeto do presente recurso, se faz necessária a verificação da matéria nos termos do Código Tributário Nacional. Sobre essa questão, cumpre dizer que o Supremo Tribunal Federal, por unanimidade, declarou inconstitucionais os artigos 45 e 46 da Lei n° 8.212, de 24/07/91 e editou a Súmula Vinculante n° 08, verbis: “Súmula Vinculante n° 08: São inconstitucionais os parágrafo único do artigo 5º do Decretolei 1569/77 e os artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91, que tratam de prescrição e decadência de crédito tributário”. 3. Os efeitos da Súmula Vinculante estão previstos no artigo 103A da Constituição Federal, regulamentados pela Lei n° 11.417, de 19/12/2006, in verbis: “Art. 103A. O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, mediante decisão de dois terços dos seus membros, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, aprovar súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à Fl. 449DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES 4 administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma estabelecida em lei.” 4. Ainda sobre o assunto, a Lei n° 11.417, de 19 de dezembro de 2006, dispõe o que segue: “Art. 2º O Supremo Tribunal Federal poderá, de ofício ou por provocação, após reiteradas decisões sobre matéria constitucional, editar enunciado de súmula que, a partir de sua publicação na imprensa oficial, terá efeito vinculante em relação aos demais órgãos do Poder Judiciário e à administração pública direta e indireta, nas esferas federal, estadual e municipal, bem como proceder à sua revisão ou cancelamento, na forma prevista nesta Lei. § 1º O enunciado da súmula terá por objeto a validade, a interpretação e a eficácia de normas determinadas, acerca das quais haja, entre órgãos judiciários ou entre esses e a administração pública, controvérsia atual que acarrete grave insegurança jurídica e relevante multiplicação de processos sobre idêntica questão.” 5. Assim, como demonstrado, a partir da publicação na imprensa oficial, todos os órgãos judiciais e administrativos ficam obrigados a acatarem a Súmula Vinculante. Dessa forma, afastado por inconstitucionalidade o artigo 45 da Lei n° 8.212/91, resta verificar qual regra de decadência, prevista no Código Tributário Nacional (CTN), se aplica ao caso concreto. 6. Compulsando os autos, constatase que, independentemente das regras dos artigos 173, inciso I ou 150, §4º do CTN, encontramse decaídas as parcelas ora discutidas. 7. No caso em apreço, considerando para efeitos de cálculo da decadência a data da ciência da recorrente em relação ao lançamento fiscal ocorrida em 27/12/2005, correspondente às contribuições das competências 9/1997 a 8/1998, fica alcançado pela decadência quinquenal todo o período fiscalizado (art. 156, inc. V do CTN). 8. Feitas essas considerações, acato a preliminar de decadência. CONCLUSÃO 9. Dado o exposto, CONHEÇO do recurso voluntário, para, no mérito, DAR LHE PROVIMENTO, em razão de o lançamento abranger período alcançado pelo prazo decadencial. (assinado digitalmente) Damião Cordeiro de Moraes Relator Fl. 450DF CARF MF Impresso em 26/07/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES, Assinado digitalmente em 03/07 /2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 12/06/2012 por DAMIAO CORDEIRO DE MORAES
score : 1.0
Numero do processo: 13909.000043/2008-79
Turma: Primeira Turma Especial da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2801-000.143
Decisão: Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
Nome do relator: ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHAES
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Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães – Presidente e Relator. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Marcelo Vasconcelos de Almeida, Carlos César Quadros Pierre, Tânia Mara Paschoalin e Sandro Machado dos Reis. Ausente, justificadamente, o Conselheiro Luiz Cláudio Farina Ventrilho. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que concluiu pela procedência da exigência formulada por meio do Auto de Infração às fls. 15/19, referente ao Imposto de Renda Pessoa Física – IRPF (suplementar) no valor de R$ 47.708,43, acrescido de multa de ofício de 75% e juros de mora. Depreendese dos autos que o lançamento decorreu da revisão efetuada na declaração de rendimentos apresentada pela contribuinte, relativa ao exercício 2003, ano calendário 2002, em que a fiscalização efetuou a glosa de Imposto de Renda Retido na Fonte (IRRF) no total de R$ 50.993,90. Fl. 440DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13909.000043/200879 Resolução n.º 2801000.143 S2TE01 Fl. 441 2 Após ser cientificada do lançamento em 05/12/2007, a interessada apresentou impugnação em 05/12/2007, às fl. 01/14, argumentando que: ao elaborar a declaração de rendimentos em apreço, utilizou, equivocadamente, um cálculo pericial extrajuízo, apresentado pela reclamada e com IRRF no montante de R$ 50.788,84, sendo que o valor correto (retido) corresponde a R$ 39.346,19, segundo documento em anexo; dessa forma, a diferença de imposto a pagar corresponde a R$ 12.195,83, conforme planilha à fl. 13, sendo que tal valor foi recolhido em 28/12/07, conforme Darf colacionado ao presente processo; faz jus à dedução de R$ 33.930,65 a título de despesas com advogados, conforme recibos em anexo; ao final, diante desses esclarecimentos, solicitou a impugnante fosse efetuado o recálculo dos valores lançados e a substituição da multa de ofício pela multa de mora de 20%. Ao apreciar o litígio, a 6a Turma de Julgamento da DRJ/Curitiba/PR decidiu, por unanimidade de votos, considerar improcedente a impugnação apresentada, mantendo o crédito tributário exigido, nos termos do Acórdão DRJ/CTA nº 0631.280, de 18/04/2011, às fls. 196/197. Devidamente intimada da decisão a quo em 16/05/2011, nos termos do documento à fl. 201, a interessada interpôs, em 13/06/2011, o Recurso Voluntário às fls. 205/226. É o relatório. Voto Conselheiro Antonio de Pádua Athayde Magalhães, Relator. O recurso em julgamento foi tempestivamente apresentado, preenchendo os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Não há no documento recursal qualquer alegação preliminar. No presente caso a autoridade lançadora assim fundamentou a exigência em questão: fl. 16 “Dedução indevida de Imposto de Renda Retido na Fonte. A contribuinte deduziu o total do imposto de renda da ação judicial RT 943/01 movida contra CAIXA ECONÔMICA FEDERAL, CNPJ 00.360.305/000104, em sua declaração de ajuste anual. O valor correto deve ser obtido deduzindose do imposto total pago o valor do imposto de renda referente à parcela dos rendimentos com tributação exclusiva na fonte. Conforme apuração dos dados, o valor de IRRF que pode ser levado ao ajuste anual é de R$ 0,00. Fl. 441DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13909.000043/200879 Resolução n.º 2801000.143 S2TE01 Fl. 442 3 Cabe salientar que não foram apresentados os cálculos periciais homologados judicialmente, DARF de recolhimento de IRRF e contrato de honorários advocatícios. Cabe ainda salientar que na guia de retirada n° 1813/2001 apresentada pela contribuinte, não consta o nome do procurador, impossibilitando a identificação do advogado patrono desta ação trabalhista.” (grifei) Por sua vez, o órgão julgador a quo, após apreciar o litígio exarou a decisão às fls. 196/197, em que concluiu o seguinte: fl. 197 “(...) 10. Em sua defesa, alega a Impugnante ter informado na DAA, indevidamente, o montante de R$ 50.788,84 a título de IRRF, quando o certo seria R$ 39.346,19, segundo os documentos da ação trabalhista que ora carreou aos autos (doc. 105). 11. Porém, compulsando os autos, observase que o documento 105, intitulado “Total Geral da Liquidação” consolidado em 29/11/02, está representado apenas por cópia não autenticada, o que fragiliza o seu poder probatório. Acrescentese, ainda, que a suposta homologação desse documento também está representada por cópia não autenticada, na qual consta como data de homologação 19/07/06, não havendo nos autos, inclusive, prova do respectivo trânsito em julgado. Portanto, diante desse quadro, os documentos apresentados não se mostram suficientes ao convencimento desta autoridade julgadora quanto à procedência da compensação pleiteada pela Impugnante. (...) 14. Conforme se observa nos dispositivos colacionados acima, de fato, despesas com advogados, pagas pelo contribuinte, são passíveis de serem deduzidas na base de cálculo do Imposto de Renda, porém, tal dedução está sujeita a comprovação. (...) 16. Analisando os autos, constatase que a Impugnante não apresentou os respectivos contratos de prestação de serviços advocatícios, alegando, inclusive, em sua defesa (vide fl. 10), “que não possui contrato de honorários advocatícios.” Acrescentese que sequer a comprovação de mandato (procuração) dos advogados foi apresentada, a qual é obrigatória nos termos do art. 5o da Lei n° 8.906, de 1994 (Estatuto da Advocacia e da Ordem dos Advogados do Brasil). Portanto, em que pese os recibos apresentados, não ficou demonstrada, de forma inequívoca, a procedência das despesas com advogados, restando, pois, impossibilitada a respectiva dedução na base de cálculo do Imposto de Renda. (...)” (grifei) Fl. 442DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13909.000043/200879 Resolução n.º 2801000.143 S2TE01 Fl. 443 4 Todavia, em sua peça recursal, dentre outras questões, a contribuinte argumenta que: quando da notificação do Auto de Infração ocorrida em dezembro de 2007, o processo encontravase no Tribunal em Curitiba, Pr, e as cópias tiveram que ser tiradas às pressas no Tribunal, que entraria em recesso no dia 20/12/2007; quanto à homologação do “Total Geral de Liquidação”, houve três homologações, em virtude das readequações ocorridas, (...), sendo que os cálculos foram homologados em datas de 30/07/2002, 23/08/2004 e 19/07/2006, respectivamente, face aos recursos apresentados pelas partes, no prazo legal, não ocorrendo assim “transito em julgado” até o encerramento do processo em abril deste ano, procurando assim esclarecer na impugnação que o processo não encontravase encerrado; esclarece que o Imposto de Renda Retido na Fonte, referente as verbas tributáveis, apresentado no “Total Geral de Liquidação”, homologado conforme demonstra as datas acima, encontravase totalmente penhorado, em mãos da Vara do Trabalho (Federal), até o final e encerramento do processo para o respectivo recolhimento, pois o recolhimento antecipado pelo primeiro cálculo apresentado, poderia prejudicar a parte autora ou a ré; após todos os recursos apresentados pelas partes, o processo encerrou em abril de 2011, com o recolhimento total do IRRF na importância de R$ 46.153,70 em data de 06/04/2011, conforme se comprova pelos documentos apresentados (doc. 197v), o qual a importância recebida pela SUPLICANTE neste ano de 2011, será declarado no exercício de 2012, ano calendário 2011, deduzindo assim do valor total do imposto a ser apurado na DAA, o imposto de renda retido na fonte, parcialmente, uma vez que parte foi utilizado no exercício de 2003, ano calendário 2002; está provando a retenção do imposto de renda na fonte (doc. 81), apresentando o contrato de honorários advocatícios e os recibos pagos aos advogados (does. 13 a 21) e o DARF do imposto de renda retido na fonte devidamente recolhido (doc. 197 verso), tudo devidamente autenticado pela Agência da Receita Federal do Brasil em Cornélio Procópio, Paraná, comprovando assim a autenticidade dos documentos, como também que não houve má fé ou dolo por parte da SUPLICANTE, estando assim todo o imposto de renda devido, pago de acordo com os DARFs doc. 200 e 201, nada devendo a Fazenda Nacional. tem o DIREITO DE DEDUZIR DOS RENDIMENTOS o valor efetivamente pago a título de honorários, na importância de R$ 38.881,52, pois encontramse comprovados os respectivos pagamentos. Assim, verificase que, juntamente com a peça recursal, a contribuinte colacionou aos autos vasta documentação (docs. 22 a 201), o qual salienta ter sido devidamente autenticada pela Agência da Receita Federal do Brasil em Cornélio Procópio/PR. Fl. 443DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA Processo nº 13909.000043/200879 Resolução n.º 2801000.143 S2TE01 Fl. 444 5 Deste modo, observase que há diversos documentos que somente foram acostados ao presente processo após a ciência do Auto de Infração (inclusive, aqueles obtidos pela recorrente após o trânsito em julgado da ação judicial trabalhista nº 943/01), sendo cabível a análise criteriosa e individualizada desta documentação pela autoridade lançadora. Em sua defesa a recorrente assevera ainda que o IRRF relativo à citada ação judicial, no valor de R$ 46.153,70, somente teria sido recolhido em 06/04/2011, e que, em função disso, parte deste valor seria utilizado como dedução do imposto na declaração de ajuste anual apresentada pela recorrente para o exercício 2012, anocalendário 2011. Portanto, face o acima exposto, e com vistas a formar convicção acerca da lide, VOTO pela conversão do julgamento em diligência à unidade de origem para que sejam adotadas as seguintes providências pela autoridade fiscal: i) seja examinada a documentação colacionada aos autos pela recorrente, manifestandose, em relatório circunstanciado e conclusivo, quanto à comprovação do Imposto de Renda Retido na Fonte que foi objeto da glosa efetuada no Auto de Infração, verificando, inclusive, a questão atinente à proporcionalidade (valor passível de dedução) em relação à natureza das verbas (tributáveis ou isentas/não tributáveis) sobre as quais incidiram essa retenção de IRRF; ii) informar/esclarecer se parte do IRRF relativo à citada ação judicial foi utilizado como dedução do imposto na declaração de ajuste anual apresentada pela recorrente para o exercício 2012, anocalendário 2011; iii) se da análise dos itens (i) e (ii) restarem dúvidas, intimar a autuada, concedendolhe prazo para que esclareça de forma detalhada os valores questionados apresentando a respectiva documentação comprobatória; iv) realizar intimações e diligências que julgar necessárias para formação de convencimento; v) ao final, com vistas a garantir o contraditório e o amplo direito de defesa, cientificar a contribuinte acerca desta diligência e dos resultados dela decorrentes, inclusive, de eventuais documentos que vierem a ser anexados a este processo provenientes dos procedimentos acima referidos, assegurandolhe prazo para sua manifestação. Assinado digitalmente Antonio de Pádua Athayde Magalhães Fl. 444DF CARF MF Impresso em 19/09/2012 por VILMA PINHEIRO TORRES - VERSO EM BRANCO CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA, Assinado digitalmente e m 30/08/2012 por ANTONIO DE PADUA ATHAYDE MAGALHA
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Numero do processo: 10945.000655/2006-75
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Ano-calendário: 2001
Ementa: AUTUAÇÃO. SUJEITO PASSIVO. CORREÇÃO. INDICAÇÃO.
Como determina o Código Tributário Nacional (CTN), cabe ao Fisco indicar corretamente o sujeito passivo.
No presente caso, as provas e indícios presentes nos autos não demonstram, com absoluta certeza, como se requer no Direito Tributário Pátrio, que o sujeito passivo indicado é o correto.
Recurso Especial do Procurador Negado.
Numero da decisão: 9202-002.286
Decisão: ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso.
Matéria: IRPF- ação fiscal - omis. de rendimentos - PF/PJ e Exterior
Nome do relator: MARCELO OLIVEIRA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF Ano-calendário: 2001 Ementa: AUTUAÇÃO. SUJEITO PASSIVO. CORREÇÃO. INDICAÇÃO. Como determina o Código Tributário Nacional (CTN), cabe ao Fisco indicar corretamente o sujeito passivo. No presente caso, as provas e indícios presentes nos autos não demonstram, com absoluta certeza, como se requer no Direito Tributário Pátrio, que o sujeito passivo indicado é o correto. Recurso Especial do Procurador Negado.
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SUJEITO PASSIVO. CORREÇÃO. INDICAÇÃO. Como determina o Código Tributário Nacional (CTN), cabe ao Fisco indicar corretamente o sujeito passivo. No presente caso, as provas e indícios presentes nos autos não demonstram, com absoluta certeza, como se requer no Direito Tributário Pátrio, que o sujeito passivo indicado é o correto. Recurso Especial do Procurador Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) OTACÍLIO DANTAS CARTAXO Presidente Fl. 207DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 2 (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Otacílio Dantas Cartaxo (Presidente), Susy Gomes Hoffmann (VicePresidente), Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Gonçalo Bonet Allage, Marcelo Oliveira, Manoel Coelho Arruda Junior, Pedro Anan Junior, Maria Helena Cotta Cardozo, Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira, Elias Sampaio Freire Fl. 208DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10945.000655/200675 Acórdão n.º 9202002.286 CSRFT2 Fl. 2 3 Relatório Tratase de Recurso Especial por divergência, fls. 0132, interposto pela nobre Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) contra acórdão, fls. 0124, que decidiu dar provimento ao recurso voluntário. O acórdão em questão possui as seguintes ementa e decisão: ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. DISPÊNDIOS. ÔNUS DA PROVA No âmbito da presunção legal de acréscimo patrimonial a descoberto compete à fiscalização comprovar as aplicações e/ou dispêndios que irão compor o demonstrativo da variação patrimonial mensal e, ao contribuinte que possuem origem em rendimentos tributáveis, isentos, ou de tributação exclusiva na fonte ou definitiva. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. TRANSFERÊNCIA DE RECURSOS. Simples transferência de numerário não pode ser considerada como aplicação de recursos, quando não vinculada efetivamente a uma despesa, ou seja, quando não for comprovada sua destinação, sua aplicação ou seu consumo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, DAR provimento ao recurso, nos termos do voto da Relatora. Em seu recurso especial a Procuradoria alega, em síntese, que: 1. Tratase de autuação relativa a rendimentos apurados nos anos calendários de 2001, com base em acréscimo patrimonial a descoberto; 2. A autuação teve origem em investigações realizadas em contribuintes que movimentavam recursos no exterior em contas no "JP Morgan Chase Bank" pela empresa Beacon Hill Service Corporation"; 3. O entendimento firmado no acórdão ora recorrido, que deu provimento ao recurso voluntário, não reflete a melhor solução para o caso em apreço; 4. O acórdão recorrido, em suas razões de decidir, fundamentouse em dois argumentos referentes ao ônus da prova para a configuração do APD: a) Primeiramente, o relator, em seu voto condutor, Fl. 209DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 4 consigna que caberia à autuação comprovar a titularidade dos recursos remetidos ao exterior; e b) Quanto ao segundo argumento para dar provimento ao recurso do contribuinte, o colegiado se fundamenta no entendimento de que cabe à fiscalização provar a efetividade do dispêndio na configuração do acréscimo patrimonial a descoberto; 5. Ao analisar caso em tudo semelhante ao dos autos, a 2ª Câmara do Primeiro Conselho de Contribuinte, em divergência ao entendimento firmado no acórdão recorrido, resolveu manter o lançamento, em decisão constante do acórdão n 10248633, comprovando a divergência jurisprudencial; 6. A autuação deve ser mantida, pois elaborada na forma das determinações da Lei 7713/1988 e 8021/1990; 7. Na hipótese vertente, houve inequívoca identificação do contribuinte como responsável (ordenante), pela remessa de recursos ao exterior, com destino para a conta PESCARA. Tal circunstância está demonstrada pela mídia fornecida pelos bancos nos EUA que, inclusive, foi atestada em perícia técnica do Instituto Nacional de Criminalística, vinculado ao Departamento de Polícia Federal, (Laudo n. 9 1609/04INC), após a devida autorização da Corte norteamericana e da Justiça Federal Brasileira; 8. Ademais, como ressaltado no Termo de Verificação Fiscal, a remessa de recursos ao exterior multicitada, apenas originou a fiscalização do contribuinte. Isso significa que caberia ao autuado demonstrar que os recursos em tela pertenciam a terceiro; 9. Face ao exposto, com base na divergência apontada e nas razões ora suscitadas, requer a PGFN que seja conhecido e provido o presente recurso especial para reformar o acórdão recorrido, restabelecendose o lançamento tributário em sua integralidade. Por despacho, fls. 0171, deuse seguimento ao recurso especial. O sujeito passivo apresentou suas contra razões, fls. 0185, argumentando, em síntese, que a titularidade da conta bancária não pode ser presumida. Os autos retornaram ao Conselho, para análise e decisão. É o Relatório. Fl. 210DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA Processo nº 10945.000655/200675 Acórdão n.º 9202002.286 CSRFT2 Fl. 3 5 Voto Conselheiro Marcelo Oliveira, Relator Presentes os pressupostos de admissibilidade, conheço do Recurso Especial e passo à análise de suas razões recursais. Analisando os autos verificamos, conforme bem relata em seu recurso a nobre Procuradoria, que o acórdão recorrido, em suas razões de decidir, fundamentouse em dois argumentos referentes ao ônus da prova para a configuração do APD: 1. Que caberia à autuação comprovar a titularidade dos recursos remetidos ao exterior; e 2. Que cabe à fiscalização provar a efetividade do dispêndio na configuração do acréscimo patrimonial a descoberto. Quanto ao primeiro argumento – comprovação da titularidade verificamos que desde o início da ação fiscal a recorrente afirma que não é a pessoa física citada, demonstrando, inclusive, que seu nome possui outra grafia e não LIN “CHIO” SHU HU, conforme documentos dos autos, fls. 005. A DRJ na análise da questão informa que “a diferença na grafia do nome é insignificante e não é capaz de invalidar a presunção de tratarse da impugnante. Por outro lado, mostrase improvável, se não impossível, a existência, na região de Foz do Iguaçu, de duas pessoas, de origem chinesa, que apresente nomes tão semelhantes, haja vista o pequeno universo de pessoas dessa origem, o que não propiciaria magnitude estatística suficiente à ocorrência da coincidência”. Como se demonstra, a DRJ utilizou de argumentos pessoais e subjetivos para definir a questão. Não há como um julgador saber qual a significância da grafia, assim como não há como um julgador ter certeza da existência, ou não, de pessoa física com o nome citado na representação. A única ligação sobre a titularidade da conta e o conseqüente acréscimo patrimonial a descoberto é o nome da pessoa e este não pode estar com grafia distinta ao da autuação nos documentos que comprovam a movimentação dos recursos. CTN: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Fl. 211DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA 6 Em dúvida, não há como “presumir” a titularidade dos recursos, como deseja a nobre Procuradoria quando afirma em seu recurso: “...caberia ao autuado demonstrar que os recursos em tela pertenciam a terceiro”. Com todo respeito, o devido processo legal deve ser obedecido e cabe a quem acusa trazer provas e indícios aos autos sobre a correta identificação do sujeito passivo. CONCLUSÃO: Em razão do exposto, voto em negar provimento ao recurso da excelsa Procuradoria, nos termos do voto. (assinado digitalmente) Marcelo Oliveira Fl. 212DF CARF MF Impresso em 27/09/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA, Assinado digitalmente em 24/09/2012 por OTACILIO DANTAS CARTAXO, Assinado digitalmente em 23/09/2012 por MARCELO OLIVEIRA
score : 1.0
Numero do processo: 15586.000069/2007-51
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF
Exercício: 2004, 2005
Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação
das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento.
IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É tributável, no
ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, os não-tributáveis,
tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva.
Preliminar rejeitada
Recurso negado
Numero da decisão: 2201-001.639
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso.
Nome do relator: PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA
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ementa_s : Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF Exercício: 2004, 2005 Ementa: NULIDADE DO AUTO DE INFRAÇÃO. Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, os não-tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Preliminar rejeitada Recurso negado
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Não provada violação das disposições contidas no art. 142 do CTN, tampouco dos artigos 10 e 59 do Decreto nº. 70.235, de 1972 e não se identificando no instrumento de autuação nenhum vício prejudicial, não há que se falar em nulidade do lançamento. IRPF. ACRÉSCIMO PATRIMONIAL A DESCOBERTO. É tributável, no ajuste anual, a quantia correspondente ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, não justificado pelos rendimentos tributáveis declarados, os nãotributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva. Preliminar rejeitada Recurso negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, REJEITAR a preliminar de nulidade e, no mérito, NEGAR provimento ao recurso. Assinatura digital Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Relator Fl. 591DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 2 EDITADO EM: 12/07/2012 Participaram da sessão: Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente), Pedro Paulo Pereira Barbosa (Relator), Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Eivanice Canário da Silva (Suplente convocada). Relatório Elias de Oliveira interpôs recurso voluntário contra acórdão da DRJ BRASÍLIA/DF (fls. 556) que julgou procedente lançamento, formalizado por meio do auto de infração de fls. 473/478, para exigência de Imposto sobre Renda de Pessoa Física – IRPF, referente aos exercícios de 2004 e 2005, no valor de R$ 35.819,74, acrescido de multa de ofício e de juros de mora, perfazendo um crédito tributário total lançado de R$ 73.624,61. Segundo o relatório fiscal, o lançamento decorre da apuração de acréscimo patrimonial a descoberto em alguns meses dos anocalendário de 2003 e 2004, conforme planilhas às fls. 454/457 e 461/464. O Contribuinte impugnou o lançamento e alegou, em síntese, que no ano de 2004 informou na sua declaração a alienação de um terreno de sua propriedade pelo valor de R$ 8.000,00, cuja transação teria ocorrido por meio de permuta, comprovada por recibo de venda, e esclarece que, por se tratar de uma permuta, somente depois de algum tempo foi possível converter o bem em pecúnia; também como possíveis origens, o Contribuinte afirma que tomou diversos empréstimos com parentes, no ano de 2004, que totalizaram R$ 62.000,00. Alega que como as operações foram realizadas com pessoas da família, foram dispensadas as formalidades, mas que apresenta declarações dos mutuantes confiormando as operações. Informa que pagou todos os empréstimos durante o ano de 2005. O Contribuinte insurgiuse contra o lançamento com base exclusivamente em depósitos bancários, sustentando que depósitos bancários, por si só, não caracterizam omissão de rendimentos; discorre sobre o conceito de presunção para, por fim, concluir pela invalidade do lançamento. A DRJBRASÍLIA/DF julgou procedente o lançamento com base nas considerações a seguir resumidas. Sobre a alegada alienação de imóvel por R$ 8.000,00, a DRJ observou que consta da declaração do Contribuinte, referente ao anocalendário de 2003, a venda de um terreno por R$ 8.000,00, porém, segundo os documentos apresentados, o imóvel em questão foi alienado em dezembro de 1999, mediante permuta; que também não está demonstrado nos autos a alienação da moto com placa NX 200, recebida na permuta, no ano de 2003. Observa a DRJ que a fiscalização reconheceu a existência de recursos em espécie, em 31/12/2002, no valor de R$ 8.580,00. Sobre os alegados empréstimos, a DRJBRASÍLIA/DF observou que, embora os mutuantes tenham apresentado declarações confirmando os empréstimos, analisando os dados fiscais destes mutuantes, constatase que, à exceção de Luiza Paula Vasconcelos, que apresentou declaração de isento, nenhum outro apresentou declaração de rendimentos para o ano de 2003 e que, nos anos de 2004 e 2005, nenhum deles demonstrou ter condições financeiras para realizar tais operações; que também não foi comprovada a efetividade das Fl. 592DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000069/200751 Acórdão n.º 220101.639 S2C2T1 Fl. 2 3 transferências financeiras dos supostos mutuantes para o Contribuinte; que, portanto, não restou comprovada a efetividade das operações de mútuo. Finalmente, sobre a alegação de que não são válidos lançamentos com base exclusivamente em depósitos bancários, a DRJ registrou que não é este o caso do lançamento sob análise, o qual não se baseou apenas em depósitos bancários, mas em diversas informações sobre gastos e sobre disponibilidades financeiras. O Contribuinte tomou ciência da decisão de primeira instância em 26/10/2010 (fls. 564) e, em 26/11/2010, interpôs o recurso voluntário de fls.; 565/577, que ora se examina e no qual reitera, em síntese, as alegações e argumentos da impugnação. Voto Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa – Relator O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. Fundamentação Como se colhe do relatório, cuidase de lançamento com base em acréscimo patrimonial a descoberto. Os valores apurados estão demonstrados nas planilhas de fls. 454/457 e 461/464. Inicialmente, sobre a alegação de impossibilidade do lançamento com base em depósitos bancários, cumpre registrar, como já ressaltado na decisão de primeira instância, que não é disso que se trata neste caso. O lançamento não se baseou nos dados sobre depósitos bancários. As informações utilizadas referemse apenas aos valores totais dos saldos bancários no início e no final de cada mês, e nos totais dos gastos mensais com cartões de crédito. São dados aos quais o Fisco, indiscutivelmente, pode ter acesso, pois não envolvem informações realativas a qualquer aspecto da intimidade dos constrituintes. Ainda que assim não fosse, a posição consolidada no âmbito deste Conselheo é no sentido de que o Fisco pode ter acesso, e utilizar como base para lançamentos tributários, as informações sobre a movimentação financeira dos Contribuinte. Sobre este aspecto, portanto, não há nada que possa comprometer a higidez do lançamento. Rejeito, assim, a preliminar de nulidade. Quanto ao mmérito, sobre a possibilidade do lançamento com base no acréscimo patrimonial a descoberto, o artigo 55, XIII do RIR/99 é categórico ao afirmála, a saber: Art. 55. São também tributáveis (Lei n° 4.506, de 1964, art. 26, Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º, e Lei nº 9.430, de 1996, arts. 24, § 2º, inciso IV, e 70, § 3º, inciso I): Fl. 593DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO 4 [...] XIII – as quantias correspondentes ao acréscimo patrimonial da pessoa física, apurado mensalmente, quando esse acréssimo não for justificado pelos rendimentos tributáveis, não tributáveis, tributados exclusivamente na fonte ou objeto de tributação definitiva; [...] No presente caso, a planilhas de fls. 454/457 e 461/464 demonstram claramente a evolução das origens e aplicações dos recursos, mês a mês, apurando, em alguns meses, aplicações para as quais não foram identificadas origens, caracterizando, assim, a situaçao definida na norma como rendimento sujeito à tributação. O Contribuinte questiona, todavia, o fato de que algumas origens não teriam sido consideradas. Referese à venda e/ou permuta de um imóvel e a obtenção de empréstimos com parentes. Sobre a alegada venda do imóvel, que, em verdade, foi uma permuta, como destacou a decisão de primeira instância, o Contribuinte faz prova da permuta de um terreno com uma moto, realizada no ano de 1999 (fls. 495), embora o Contribuinte tenha informado, na DIRPF/2004, a alienação no ano de 2003. Pela argumentação do Contribuinte, podese entender que o que ocorreu em 2003 foi a alienação da moto permutada pelo terreno. Porém, o Contriubinte também não apresenta nenhum documento que comprove essa alienação no ano de 2003. Logo, não há como acolher essa alegada origem de recursos. Sobre os alegados empréstimos feitos com parentes, embora este tipo de operação seja frequentemente realizada de maneira informal, dispensandose contratos ou outros documentos, para se acatar esse tipo de origem, o Contribuinte deveria demonstrar, pelo menos, a transferência dos recursos, mediante comprovação de depósitos, por exemplo. E, neste caso, o Contriubinte apresenta apenas declarações desses parentes. Considerando ainda a circunstância, ressaltada pela decisão de primeira instância, de que os supostos mutuantes não apresentam evidências de que teriam suporte financeiro para realizar este tipo de operação, não há como acolher a alegada origem. Assim, em conclusão, o Contribuinte não conseguiu demonstrar as orígens do acréscimo acréscimo patrimonial a descoberto apurado na autuação. Conclusão Ante o exposto, encaminho meu voto no sentido de rejeitar a preliminar de nulidade do lançamento e, no mérito, negar provimento ao recurso. Assinatura digital Pedro Paulo Pereira Barbosa Fl. 594DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO Processo nº 15586.000069/200751 Acórdão n.º 220101.639 S2C2T1 Fl. 3 5 Fl. 595DF CARF MF Impresso em 06/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 31/07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 31/ 07/2012 por PEDRO PAULO PEREIRA BARBOSA, Assinado digitalmente em 01/08/2012 por MARIA HELENA COTTA CARDOZO
score : 1.0
Numero do processo: 11330.000010/2007-12
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2012
Numero da decisão: 2401-000.237
Decisão: Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o
julgamento em diligência. Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por não converter o julgamento em diligência.
Nome do relator: MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA
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Vencidos os conselheiros Kleber Ferreira de Araújo e Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, que votaram por não converter o julgamento em diligência. Elias Sampaio Freire Presidente. Marcelo Freitas De Souza Costa Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Elias Sampaio Freire; Rycardo Henrique Magalhães de Oliveira; Kleber Ferreira de Araújo; Igor Araujo Soares, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira e Marcelo Freitas de Souza Costa. Fl. 246DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 2 Relatório Tratase de Notificação Fiscal de Lançamento de Debito lavrada contra o contribuinte acima identificado, em substituição da NFLD 35.007.3546, que foi anulada pela 4ª Câmara de Julgamento Acórdão 724/2005 Oficio n.10/4ª. CAJ/CRPS, de 04/04/2006, em face da omissão no relatório de Fundamentos Legais do Débito do dispositivo legal que autoriza o levantamento do débito por arbitramento, como também pelo fato de a NFLD ter arrolado, de forma englobada, os 169 prestadores de serviço. De acordo com o relatório Fiscal de fls.24 a 27 a NFLD foi lavrada especificamente para apurar e cobrar os créditos provenientes do Instituto da "RESPONSABILIDADE SOLIDARIA", em face de serviços prestados pela empresa prestadora: MÁQUINAS BOLBI LTDA, CNPJ:17249830/000150, no período de agosto a dezembro de 1998. Inconformadas com a Decisão de fls.121 a 129 as empresas apresentaram recurso alegando em apertada síntese: Da recorrente MÁQUINAS BOLBI DAS PRELIMINARES Da decadência do direito de lançar: o lançamento fiscal promovido pela fiscalização se deu quando já decaído o direito de lançar da administração pública, conforme a previsão de cinco anos do artigo 173 do CTN, como também as referidas contribuições sociais objeto da autuação sujeitam o lançamento à homologação pelo art. 150 do mesmo CTN; a Constituição Federal de 1988 consagrou que a prescrição e a decadência do crédito tributário devem ser reguladas por Lei Complementar, conforme o art. 146 da Carta Magna — ao que pese a pretensão dos artigos 45 e 46 da Lei 8.212/91 — em alongar os prazos de decadência e prescrição das contribuições previdenciárias; Do Cerceamento de Defesa a CSN deixou de exibir os comprovantes de recolhimento, segundo a autoridade fiscal, pelo que lavrou a notificação impugnada apontando como contribuintes responsáveis a CSN e a Autuada, inclusive, com a determinação de que seja o débito apurado inscrito em dívida ativa em face da Autuada impedindoa de obter Certidão Negativa de Débito (CND); a solidariedade em comento implica em litisconsórcio passivo necessário na esfera administrativa, obrigando a participação de todos os contribuintes ditos solidários em todas as fases do procedimento administrativo, sob pena de nulidade; a recorrente não participou da fase inicial do procedimento administrativo, sendolhe usurpada a oportunidade própria para apresentação da documentação pertinente, impõese o reconhecimento da nulidade da autuação fiscal em razão do cerceamento de defesa; DO MÉRITO Dos recolhimentos efetuados a tempo e a modo pela Recorrente Fl. 247DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE Processo nº 11330.000010/200712 Resolução n.º 2401000.237 S2C4T1 Fl. 247 3 Aduz que promoveu a tempo e a modo o recolhimento das Contribuições Previdenciárias devidas, conforme fazem provas as folhas de pagamento e as guias de recolhimento, com cópias juntadas aos autos; Por fim, pede que seja acolhida a preliminar de decadência declarando a insubsistência da autuação; em não ocorrendo seja acolhida a preliminar de cerceamento de defesa anulando a NFLD. Ainda de forma alternativa e tendo em vista os recolhimentos promovidos pela recorrente requer seja julgada insubsistente a notificação em comento. Da recorrente CSN Embora tenha sido cientificada, conforme se depreende do Aviso de recebimento – AR acostado às fls. 28 dos autos, a empresa tomadora de serviços não apresentou defesa. Após a decisão de primeira instância, apresenta recurso com as seguintes alegações: Que a nulidade do lançamento ora substituído é de natureza material e portanto não havendo reabertura do prazo para o lançamento tendo decaído o direito da autoridade administrativa em constituir o crédito tributário. Sustenta ter ocorrido também a perempção do crédito tributário quando do julgamento da NFLD 35.007.3546. Defende a falta de comprovação por parte da fiscalização, da existência de débito, não havendo a absoluta certeza de sua existência, devendo a fiscalização demonstrar a ausência de recolhimento para depois cobrálo da empresa solidária. Requer o acolhimento da decadência ou da perempção ou subsidiariamente, que seja dado provimento ao recurso para julgar improcedente o lançamento ante a ausência de prova cabal de que havia débito por parte do prestador. Em julgamento deste colegiado, os autos foram baixados em diligência através da Resolução nº 2401000.132 da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais – CARF, para que fosse informada a data da ciência do contribuinte quando da lavratura da notificação anulada. É o relatório. Fl. 248DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE 4 Voto Conselheiro Marcelo Freitas De Souza Costa Os recursos são tempestivos e estão presentes os pressupostos de admissibilidade. Chamo o feito à ordem em razão de se tratar de retorno de diligência determinada pela Resolução nº 2401000.132 da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Em atendimento à diligência solicitada, vieram os documentos de fls. 225 a 227 e a informação da fiscalização às fls. 228, esclarecendo que o lançamento anulado ocorreu em 30/11/1999, com ciência (entrega pessoal) em 01/12/1999 e anulação ocorrida em 20/04/2005. Compulsando os autos, verifico não ter sido dada a ciência aos recorrentes acerca da diligência realizada. Tal procedimento pode ser entendido como cerceamento do direito de defesa das empresas interessadas. Desta forma, voto no sentido de CONVERTER O JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA, para que seja notificada a autuada e a prestadora de serviços para que, querendo, se manifestem no prazo legal. Marcelo Freitas De Souza Costa – Relator Fl. 249DF CARF MF Impresso em 27/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 22/08/2012 por MARCELO FREITAS DE SOUZA COSTA, Assinado digitalmente em 27/08/2012 por ELIAS SAMPAIO FREIRE
score : 1.0
Numero do processo: 11634.000462/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jan 19 00:00:00 UTC 2012
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE - IRRF
Ano-calendário: 2004, 2005 FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96.
A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96.
Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa.
Numero da decisão: 2201-001.488
Decisão: Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de oficio aplicada.
Matéria: IRF- penalidades (isoladas), inclusive multa por atraso DIRF
Nome do relator: RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE
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AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, Por unanimidade dar parcial provimento ao recurso voluntário para exonerar a multa de oficio aplicada. FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNIOR Presidente. RELATOR RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE Relator. Fl. 1109DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE 2 RODRIGO SANTO Redator designado. EDITADO EM: 23/05/2012 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Pedro Paulo Pereira Barbosa, Rayana Alves de Oliveira França, Eduardo Tadeu Farah, Rodrigo Santos Masset Lacombe, Gustavo Lian Haddad e Francisco Assis de Oliveira Júnior (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do acórdão 0623.758 la Turma da DRJ/CTA, que negou provimento à impugnação do contribuinte contra auto de infração de Imposto de Renda Retido na Fonte (fls. 815824), por meio do qual se lançou contra a contribuinte o crédito tributário total de R$ 184.131,39, relativo a multa de oficio e juros de mora exigidos isoladamente, em decorrência da falta de retenção e recolhimento de IRRF. O Termo de Verificação e Encerramento de Ação Fiscal de fls. 825847 detalha as circunstâncias e ocorrências determinantes da lavratura do auto de infração. No essencial, temse que a ação fiscal foi instaurada por requisição do Ministério Público, que encaminhou cópias de documentos de bolsas de beneficiários vinculados A. fiscalizada. A origem do lançamento, portanto, são pagamentos efetuados pela contribuinte à Fundação Nacional de Desenvolvimento do Ensino Superior Particular — FUNADESP, a titulo de patrocínio de bolsas de estudos, os quais foram descaracterizados pelas seguintes constatações: 1) destinação prédefinida dos valores remetidos à FUNADESP; 2) identidade dos montantes remetidos pela autuada e a bolsa de seus funcionários; 3) coincidência nas datas de pagamento das bolsas e dos salários da autuada; 4) proporção direta entre a função exercida pelo professor e o valor da bolsa; 5) existência de condições impostas As bolsas; 6) negativa do professor Zulmar Antônio Fachin sobre o recebimento de bolsa de estudos; 7) similitude entre os valores pagos a alguns professores no código 022 — atividade complementar — com o montante pago a titulo de bolsa aos mesmos; e 8) supostas divergências nas informações sobre os responsáveis pelo pagamento das bolsas. Foi aplicada a multa de oficio qualificada, de 150%, ao entendimento de que houve dolo na conduta da autuada, quando passou a efetuar pagamentos de verbas trabalhistas a titulo de bolsas de estudos, com o intuito de evitar o recolhimento dos tributos respectivos. Cientificada do lançamento em 28/06/2007 (fls. 849), a contribuinte apresentou, em 27/07/2007, a impugnação de fls. 860867, alegando, em síntese a regularidade dos pagamentos feito e que os mesmos são isentos do IRPJ. Em 24/08/2007, por meio da petição de fls. 899, a impugnante requereu a juntada do parecer de fls. 900907. Em 23/03/2009 foi prolatado o despacho de fls. 909910, determinando a realização de diligencia em que fosse concedida A impugnante a oportunidade de trazer aos autos os comprovantes de eventuais publicações dos resultados das pesquisas que ensejaram as remunerações discutidas nestes autos. A impugnante promoveu ajuntada dos documentos de fls. 916983. Fl. 1110DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE Processo nº 11634.000462/200771 Acórdão n.º 220101.471 S2C2T1 Fl. 1.057 3 A DRJ houve por bem negar provimento à impugnação nos seguintes termos: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Anocalendário: 2004, 2005 MULTA E JUROS ISOLADOS. FALTA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO DO IRRF. Sujeitase aos consectdrios legais, inclusive multa de oficio qualificada, a instituição de ensino que, no propósito de reduzir a carga tributária e previdenciária incidente sobre os salários de graduados servidores seus, simula a concessão, por meio de outra instituição privada, de bolsa de estudo/pesquisa e, por essa via, objetivando fazer jus às isenções especificas, lhes repassa quantias superiores à metade de suas remunerações mensais. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Inconformada a Contribuinte recorre reiterando os argumento da impugnação. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Dele conheço. A presente lide versa sobre a exigência de multa de oficio e de juros, isoladamente em razão da não retenção do Imposto de Renda da Pessoa Física pela fonte pagadora. A contribuinte sustenta a não incidência do citado tributo, uma vez que os valores entregues às pessoas físicas foram a título de bolsa de estudo e conseqüentemente isentos. Contudo, penso que antes de se verificar a incidência do tributo nas operações realizadas pela Recorrente, devemos verificar se ao caso concreto seria aplicável multa isolada. Isso porque este sodalício vem afastando a aplicação de multa isolada em casos semelhantes. Fl. 1111DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE 4 Nesse sentido é o acórdão da CSRF: Recurso nº 155.153 Especial do Procurador Acórdão nº 9202001.886 – 2ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTEIRRF Anocalendário: 2000, 2001, 2002, 2003, 2004 FONTE PAGADORA. AUSÊNCIA DE RETENÇÃO E RECOLHIMENTO. SUPERVENIÊNCIA DA LEI N° 11.488/2007. RETROATIVIDADE BENIGNA. EXCLUSÃO DA MULTA PREVISTA NO INCISO II DO ARTIGO 44 DA LEI N° 9430/96. A multa isolada prevista no inciso II, do artigo 44, da Lei n° 9430/96, foi expressamente excluída, relativamente à fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, com fundamento na Lei n° 11.488/2007. Aplicação do artigo 106, inciso II, “c”, do CTN. FONTE PAGADORA. NÃO EXIGIBILIDADE DO IMPOSTO. PARECER NORMATIVO COSIT n° 01/2002. CONSEQUENTE NÃO INCIDÊNCIA DA MULTA PREVISTA NO INCISO 44, INCISO I, DA LEI N° 9.430/96. Não mais sendo exigível da fonte pagadora a imposto não recolhido, não há respaldo para incidência, consequentemente, da respectiva multa. Válida é a transcrição do voto do Ilustre Conselheiro Pedro Paulo Pereira Barbosa, Relator do caso quando Julgado na extinta 4ª Câmara do 1º CC. É que legislação superveniente deixou de definir como hipótese de aplicação da multa isolada a falta de retenção efou recolhimento do imposto pela fonte pagadora. Inicialmente, foi a Medida Provisória n° 303, de 29/06/2006, que perdeu eficácia, e, pouco tempo depois, foi a Medida Provisória n°351, de 22/01/2007, posteriormente convertida na Lei n° 11.488, de 15 de junho de 2007 e que reproduz o mesmo dispositivo da Medida Provisória n° 303. Essas normas alteraram o art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Eis a nova redação introduzida pelo art. 14 da referida Medida Provisória e da Lei n° 11.488, de 2007: Art. 14. O art. 44 da Lei n°9.430, de 27 de dezembro de 1996, passa a vigorar com a seguinte redação, transformandose as alíneas a, b e c do § 2o nos incisos I, II e 111. "Art. 44. Nos casos de lançamento de oficio, serão aplicadas as seguintes multas: Fl. 1112DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE Processo nº 11634.000462/200771 Acórdão n.º 220101.471 S2C2T1 Fl. 1.058 5 I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; de 50% (cinqüenta por cento), exigida isoladamente, sobre o valor do pagamento mensal: a) na forma do art. 8o da Lei n" 7.713, de 22 de dezembro de 1988, que deixar de ser efetuado, ainda que não tenha sido apurado imposto a pagar na declaração de ajuste, no caso de pessoa física; b) na forma do art. 2o desta Lei, que deixar de ser efetuado, ainda que tenha sido apurado prejuízo fiscal ou base de cálculo negativa para a contribuição social sobre o lucro liquido, no anocalendário correspondente, no caso de pessoa jurídica. § 1°. O percentual de multa de que trata o inciso Ido caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei n" 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. 1 (revogado); II (revogado); III (revogado); IV (revogado); V (revogado pela Lei n°9.716, de 26 de novembro de 1998). § 2o Os percentuais de multa a que se referem o inciso Ido caput e o § 1 o deste artigo serão aumentados de metade, nos casos de não atendimento pelo sujeito passivo, no prazo marcado, de intimação para: 1 prestar esclarecimentos; II apresentar os arquivos ou sistemas de que tratam os arts. 11 a 13 da Lei n° 8.218, de 29 de agosto de 1991; III apresentar a documentação técnica de que trata o art. 38 desta " (NR) Registrese que a multa isolada pela falta de recolhimento ou recolhimento fora do prazo, sem a multa de mora, de rendimentos retidos na fonte foi introduzida pela Medida Provisória n° 16, de 27/12/2001, posteriormente convertida na Lei n° 10.426, de 2002. Eis o teor do art. 9° dessa Lei:Art. 9°. Sujeitase às multas de que tratam os inciso I e Fl. 1113DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE 6 lido art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, a fonte pagadora obrigada a reter tributo ou contribuição, no caso de falta de retenção ou recolhimento, ou recolhimento após o prazo fixado, sem o acréscimo de multa moratória, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. Pois bem, esse dispositivo também foi alterado pela Medida Provisória n° 321, de 2007, convertida na Lei n° 11.488, de 2007, que passou a ter a seguinte redação: Lei n° 11.488, de 2007: Art. 16. O art. 9° da Lei n° 10.426, de 24 de abril de 2002, passa a vigorar com a seguinte redação: "Art. 9°. Sujeitase à multa de que trata o inciso I do caput do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, de 27 de dezembro de 1996, duplicada na forma de seu § 1°, quando for o caso, a fonte pagadora obrigada a reter imposto ou contribuição no caso de falta de retenção ou recolhimento, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis" Ora, como se vê, na sua nova redação, o art. 9° da Lei n° 10.426, de 2002 prevê apenas a aplicação da multa a que se refere o inciso I do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, aplicada juntamente com o imposto. Portanto, não prevê a hipótese de incidência da multa isolada de que trata o inciso II, isolada e no percentual de 50%. Não é sem razão, aliás, que o novo texto excluiu a hipótese de incidência da multa no caso de recolhimento do imposto com atraso sem a multa de mora. Não resta dúvida, portanto, de que não há possibilidade de incidência da multa de que trata o inciso II do art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996, no caso de falta de pagamento ou recolhimento do IRRF ou de pagamento com atraso sem a multa de mora. Restaria examinar se é devida a exigência da multa do inciso I, isoladamente. Ora, como observou a própria autoridade lançadora neste caso, com base no Parecer Normativo COSIT n° 1, de 24/09/2002, após o prazo de entrega da declaração rendimentos pelo beneficiário dos rendimentos, não mais é exigível o imposto incidente sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual, que deixou de ser retido. Ora, se não é devida a exigência do imposto que deixou de ser retido. Resta, então para ser respondida a seguinte questão: se não é mais exigível o imposto à fonte pagadora, é possível a aplicação da multa de oficio isoladamente? A resposta é negativa. Primeiramente, porque, claramente, o referido inciso trata de multa exigida juntamente com o Fl. 1114DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE Processo nº 11634.000462/200771 Acórdão n.º 220101.471 S2C2T1 Fl. 1.059 7 imposto, portanto, no caso de falta de retenção e recolhimento do imposto, porém, no caso de falta de recolhimento apenas quando o imposto for exigível da fonte pagadora. Ainda que se admitisse a possibilidade de se interpretar as normas pertinentes no sentido da possibilidade de tal incidência, essa interpretação não estaria autorizada pelo princípio da tipicidade cerrada que informa a legislação, que trata de penalidades, com reforço no artigo 112 do CTN que recomenda a interpretação mais favorável ao acusado. Penso, portanto, em conclusão, que não há previsão legal para incidência da multa isolada pela falta de retenção do imposto de renda retido na fonte exigível sobre rendimentos sujeitos ao ajuste anual. Como se trata de processo ainda não definitivamente julgado, é o caso de se aplicar a retroatividade benigna a que se refere o art. 106, II "a", do CTN, verbis: "An. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: II (.) — tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; É de se afastar, portanto, essa parte do lançamento. Diante do exposto não tenho como divergir desse entendimento e voto no sentido de afastar a exigibilidade da multa aplicada. É como voto Relator Rodrigo Santos Masset Lacombe Relator Fl. 1115DF CARF MF Impresso em 22/08/2012 por RECEITA FEDERAL - PARA USO DO SISTEMA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANTOS MASSET LACOMBE, Assinado digitalmente em 2 0/08/2012 por FRANCISCO ASSIS DE OLIVEIRA JUNI, Assinado digitalmente em 23/05/2012 por RODRIGO SANT OS MASSET LACOMBE
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