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Numero do processo: 10283.907872/2009-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas de Administração Tributária
Ano-calendário: 2005
RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84.
O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo.
Numero da decisão: 1301-003.587
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomando-se, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10283.903399/2009-53, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(Assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto.
Nome do relator: FERNANDO BRASIL DE OLIVEIRA PINTO
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RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. POSSIBILIDADE. APLICAÇÃO DA SÚMULA CARF Nº 84. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição como pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10283.903399/200953, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (Assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Júnior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Bianca Felícia Rothschild, Giovana Pereira de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 90 78 72 /2 00 9- 71 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10283.907872/200971 Acórdão n.º 1301003.587 S1C3T1 Fl. 3 2 Paiva Leite, Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Carlos Augusto Daniel Neto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Relatório Trata o presente processo de Pedido de Compensação protocolado através de Declaração de Compensação DCOMP, no qual se pleiteia compensação de crédito oriundo de pagamento indevido ou a maior de IRPJ Estimativa mensal (código 2362). O pedido de compensação foi indeferido através de Despacho Decisório Eletrônico, sob o argumento de que o crédito informado no PER/DCOMP, por tratarse de pagamento a titulo de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, somente poderia ser utilizado na dedução do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica (IRPJ) ou da Contribuição Social sobre o Lucro Liquido (CSLL) devida ao final do período de apuração ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou CSLL do período. A empresa apresentou manifestação de inconformidade onde afirma que as compensações foram realizadas em completa harmonia com a legislação vigente. Isto porque calculou e recolheu um determinado valor de IRPJ, com código de arrecadação de estimativa mensal e, posteriormente ao recolhimento, verificou que o valor de IRPJ efetivamente devido montava um valor inferior àquele originalmente pago através de DARF. Acrescenta que o valor recalculado está de acordo com os valores declarados em DCTF e que, uma vez confessada uma dívida efetiva em valor inferior àquele recolhido, teria nascido um crédito tributário. O sujeito passivo alega que por equívoco procedeu ao recolhimento num valor superior àquele efetivamente devido. Argumenta também que não se trata de pagamento por estimativa mensal, uma vez que foi realizado com base em balanço de suspensão ou redução. A DRJ julgou improcedente a manifestação sob o fundamento de que os valores apurados a partir da receita bruta em função de balancete redução correspondem a estimativa mensal e que não havia previsão legal para utilização em DCOMP, de crédito referente a estimativa mensal de IRPJ. Inconformado com a decisão da DRJ, a empresa apresentou Recurso Voluntário, no qual reafirma a existência de pagamento indevido ou a maior de IRPJ, reitera os argumentos trazidos na manifestação de inconformidade, declara que a decisão da DRJ vai de encontro a jurisprudência do CARF e, ao final, requer o reconhecimento da homologação das compensações em litígio. É o relatório. Voto Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10283.907872/200971 Acórdão n.º 1301003.587 S1C3T1 Fl. 4 3 Conselheiro Fernando Brasil de Oliveira Pinto, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1301003.563, de 22/11/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10283.903399/2009 53, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1301003.563): "O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço. Conforme se depreende do relatório, o cerne da discussão no presente processo é a possibilidade ou não de se compensar pagamento indevido ou a maior recolhido a título de estimativa mensal para aquelas pessoas jurídicas sujeitas à apuração do IRPJ pelo lucro real. O pedido de compensação foi indeferido liminarmente, através de Despacho Decisório Eletrônico, a partir do momento em que o sistema constatou tratarse de recolhimento efetivado sob o código de arrecadação 2362 (IRPJ PJ OBRIGADAS AO LUCRO REAL ENTIDADES NÃO FINANCEIRAS ESTIMATIVA MENSAL). A Unidade de Origem não se adentrou no mérito do direito creditório, e por conseguinte, não deu oportunidade para o contribuinte produzir provas. O Despacho Eletrônico, bem como o acórdão da DRJ, fundamentaram o indeferimento do pedido de compensação no artigo 74 da Lei nº 9.430/96, em concomitância com o art. 10 da IN SRF nº 600/2005. O §14º do art.74 da citada lei atribuiu competência a Secretaria da Receita Federal para disciplinar a compensação e, o órgão emitiu instrução normativa que disciplinou a matéria. O art. 10 da IN SRF nº 600/2005, vigente à época, determinava: Art. 10. A pessoa jurídica tributada pelo lucro real, presumido ou arbitrado que sofrer retenção indevida ou a maior de imposto de renda ou de CSLL sobre rendimentos que integram a base de cálculo do imposto ou da contribuição, bem assim a pessoa jurídica tributada pelo lucro real anual que efetuar pagamento indevido ou a maior de imposto de renda ou de CSLL a título de estimativa mensal, somente poderá utilizar o valor pago ou retido na dedução do IRPJ ou da CSLL devida ao final do período de apuração em que houve a retenção ou pagamento indevido ou para compor o saldo negativo de IRPJ ou de CSLL do período. Contudo o art.74, §3º, da Lei nº 9.430/96 que tratou das vedações à compensação através de DCOMP, dispôs em seu Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10283.907872/200971 Acórdão n.º 1301003.587 S1C3T1 Fl. 5 4 inciso IX dos débitos relativos ao pagamento mensal por estimativa do IRPJ ou da CSLL, mas nada dispondo acerca de créditos oriundos de pagamento indevido de estimativa mensal, in verbis: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. ......... § 3o Além das hipóteses previstas nas leis específicas de cada tributo ou contribuição, não poderão ser objeto de compensação mediante entrega, pela sujeito passivo, da declaração referida no § 1o: (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 2003) ........ IX os débitos relativos ao recolhimento mensal por estimativa do Imposto sobre a Renda das Pessoas Jurídicas (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) apurados na forma do art. 2º desta Lei. (grifei) É de se observar que a Instrução Normativa fez uma interpretação restritiva de Lei nº 9.430/96, a qual não encontrou guarida na jurisprudência do CARF, que acerca da matéria proferiu a Súmula CARF nº 84: Súmula CARF nº 84: É possível a caracterização de indébito, para fins de restituição ou compensação, na data do recolhimento de estimativa. (Súmula revisada conforme Ata da Sessão Extraordinária de 03/09/2018, DOU de 11/09/2018). Transcrevese ainda a redação anterior da súmula: Súmula CARF nº 84: Pagamento indevido ou a maior a título de estimativa caracteriza indébito na data de seu recolhimento, sendo passível de restituição ou compensação. Para melhor esclarecer a aplicação da súmula, trago à baila trecho do acórdão da CSRF nº 910100.406, de 02/10/2009, utilizado como precedente para elaboração da jurisprudência: Ementa: RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. RECOLHIMENTO DE ESTIMATIVAS A MAIOR QUE O DEVIDO. O valor do recolhimento a titulo de estimativa que supera o valor devido a titulo de antecipação do imposto de renda (ou da contribuição Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10283.907872/200971 Acórdão n.º 1301003.587 S1C3T1 Fl. 6 5 social sobre o lucro) de acordo com as regras previstas na legislação aplicável é passível de compensação/restituição corno pagamento indevido de tributo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos, (...) De acordo com o acórdão recorrido, não seria possível caracterizar como indevido o recolhimento da antecipação mensal por estimativa de CSLL efetuado a maior, apenas confrontando referido pagamento com as regras para apuração do valor devido a titulo de antecipação mensal. (...) É o relatório. (...) Nos termos da lei, a pessoa jurídica que opta pelo lucro real anual está obrigada a antecipar, mensalmente, o IRPJ calculado por estimativa. Referida obrigação de antecipar a cada mês uma parcela do IRPJ que será devido ao fim do ano calendário é apurada sobre a base de cálculo estimada, calculada conforme percentuais definidos em lei aplicados sobre a receita bruta do Contribuinte até o mês em que a antecipação é realizada. Ainda nos termos da lei, a obrigação de antecipar o imposto pode ser reduzida ou suspensa, conforme o Contribuinte comprove, mediante levantamento de balanços ou balancetes, que o IRPJ, se calculado sobre o lucro real verificado até o momento da apuração da antecipação, é menor do que o valor devido de acordo com o cálculo sobre a base estimada. Em apertada síntese, esse é o regime legal da obrigação de antecipar, mensalmente, o IRPJ, em caso de opção pela apuração do lucro real em base anual. Diferentemente do acórdão recorrido, entendo que o Contribuinte está obrigado ao recolhimento das antecipações mensais nos termos estabelecidos na legislação, seja sobre as bases estimadas, seja sobre a base de cálculo apurada em balanço ou balancete de suspensão ou redução. A meu ver, havendo recolhimento superior àquele imposto por lei, ainda que sob a alcunha de "estimativa", resta caracterizado o recolhimento a maior passível de restituição ou compensação. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10283.907872/200971 Acórdão n.º 1301003.587 S1C3T1 Fl. 7 6 Como bem observou o acórdão paradigma, a legislação não estabelece que recolhimentos a maior que os estabelecidos pelas regras da apuração da antecipação mensal por estimativa também devem ser considerados como antecipação do imposto. Em outros termos, o recolhimento que exceda o valor apurado de acordo com as regras para o cálculo das antecipações mensais por estimativa não tem natureza de antecipação do imposto, mas de pagamento indevido, restituível nos termos do art. 165 do CTN.(grifei) Nesse diapasão, em observância à Súmula CARF nº 84, reconhecese que é possível a caracterização de indébito a partir de recolhimento de estimativa. Todavia, para fins de homologação da DCOMP, fazse mister a apreciação do direito creditório, ou seja, a comprovação por parte do contribuinte da existência de pagamento indevido, ou seja, que o valor recolhido a título de estimativa mensal, ainda que através de balanço ou balancete suspensão/redução, foi calculado e efetivado em valores acima daqueles prescritos em lei. Logo, entendo não ser possível homologar, nesse momento, a compensação declarada pelo Contribuinte, uma vez que a única questão submetida ao contraditório nos autos foi a possibilidade (ou não) de compensação de pagamento da estimativa recolhida a maior. Além do que tal fato implicaria supressão da competência da Unidade de Origem para análise do direito creditório. Nesse sentido, considerando ser possível a restituição/compensação de recolhimento de estimativa mensal, desde que reste caracterizado o indébito, voto no sentido de retornar o processo à Unidade de Origem para examinar o mérito do pedido, nos termos do art. 170 do CTN e proferir Despacho Decisório complementar. Posteriormente, podese seguir o rito processual habitual. Diante de todo o acima exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário, e DARLHE PARCIAL PROVIMENTO para reconhecer a possibilidade de compensar recolhimentos a título de estimativa mensal de IRPJ ou CSLL, desde que reste caracterizado o indébito, mas sem homologar a compensação, com o conseqüente retorno dos autos à jurisdição da contribuinte, para que a Unidade de Origem analise o mérito do pedido e emita despacho decisório complementar, prosseguindo se assim, o processo de praxe." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário para afastar a negativa do pedido de compensação com base no fundamento de não ser possível restituir/compensar valores pagos a maior a título Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10283.907872/200971 Acórdão n.º 1301003.587 S1C3T1 Fl. 8 7 de estimativa mensal de pessoa jurídica tributada pelo lucro real, e determinar o retorno dos autos à unidade de origem para que sejam analisadas as demais questões de mérito do pedido de compensação e emita novo despacho decisório, retomandose, a partir daí, o rito processual de praxe, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Fl. 116DF CARF MF
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Numero do processo: 10380.725333/2014-85
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009
CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP.
O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
Numero da decisão: 2402-006.760
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelado o crédito tributário exigido, uma vez que se trata da contribuição de 15%, que era devida na contratação de cooperativas de trabalho e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal.
(assinado digitalmente)
DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA - Presidente.
(assinado digitalmente)
JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício).
Nome do relator: JAMED ABDUL NASSER FEITOZA
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2007 a 31/12/2009 CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS DE 15% SOBRE NOTA FISCAL OU FATURA DE COOPERATIVA DE TRABALHO. RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543-B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelado o crédito tributário exigido, uma vez que se trata da contribuição de 15%, que era devida na contratação de cooperativas de trabalho e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA - Presidente. (assinado digitalmente) JAMED ABDUL NASSER FEITOZA - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício).
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RECURSO EXTRAORDINÁRIO Nº 595.838/SP. O Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, cancelado o crédito tributário exigido, uma vez que se trata da contribuição de 15%, que era devida na contratação de cooperativas de trabalho e que foi declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. (assinado digitalmente) DENNY MEDEIROS DA SILVEIRA Presidente. (assinado digitalmente) JAMED ABDUL NASSER FEITOZA Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 38 0. 72 53 33 /2 01 4- 85 Fl. 328DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Maurício Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira (Suplente Convocado), Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini, Gregório Rechmann Júnior e Denny Medeiros da Silveira (Presidente em Exercício). Relatório Tratase contribuições patronais incidentes sobre os pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho; valor de R$ 2.778.189,04. Crédito tributário com EXIGIBILIDADE SUSPENSA. Fatos Geradores: Pagamentos efetuados a cooperativas de trabalho. Alíquotas: 15%, destinada à Seguridade Social, de acordo com o inciso IV, do artigo 22 da Lei 8.212/91, incidentes sobre o valor da fatura de prestação de serviços, relativamente a serviços que lhe sãoprestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho Em análise aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil verificouse que o contribuinte não declarou em GFIP contribuições devidas à Seguridade Social referentes aos pagamentos efetuados a cooperativa de trabalho, conforme relatórios “Dados e Valores informados em GFIP”, extraídos do banco de dados da Receita Federal do Brasil (GFIPWEB), em anexo, nos quais podem ser verificados os valores efetivamente declarados pelo contribuinte em GFIP antes do início do procedimento fiscal. Entretanto, cotejando tais valores com os valores efetivamente pagos a cooperativa de trabalho, verificou se que o contribuinte não informou todos os fatos geradores de contribuição previdenciária em GFIP, já que deixou de informar em GFIP os valores pagos a cooperativas de trabalho no período de 01/2010 a 12/2011 O contribuinte impetrou Mandado de Segurança Preventivo, processo nº 2000.81.00.0099450 (atualmente em tramitação no Tribunal Regional Federal da 5ª Região Fiscal – TRF), com pedido de liminar em 15/5/2000, tendo sido concedida a segurança liminarmente, em 2/6/2000. Contudo, no julgamento do mérito em 30/7/2001, foi negada a segurança, cassandose a liminar inicialmente deferida. O autuado apresentou, ainda, Embargos de Declaração, em relação ao qual foi negado o provimento no dia 17/10/2003 e interpôs apelação, em 9/2/2006, que também não teve decisão em seu favor. O sujeito passivo ingressou então, com Recurso Especial – REsp no STJ e Recurso Extraordinário – RE no STF, tendo sido, ambos, inaadmitidos em 24/8/2006. Contudo, em 2/6/2009 foi reconhecido, pelo STF, a repercussão geral da controvérsia objeto da lide, motivo pelo qual o processo restou sobrestado, estando pendente de decisão definitiva. Assim, o crédito não estaria com exigibilidade suspensa, pois a sentença foi favorável à Fazenda Nacional e o recurso em Mandado de Segurança não possui efeito suspensivo. O contribuinte realizou depósitos judiciais da contribuição discutida em Juízo em relação a algumas competências. Contudo, em relação às competências consideradas na autuação não foram realizados os depósitos em montante integral conforme consta do REFISC, e diante dessas circunstâncias a fiscalização entendeu que não houve suspensão da exigibilidade do crédito, conforme o que dispõe o CTN, artigo 151, inciso II. A penalidade aplicada considerou as modificações levadas e efeito pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, para as GFIP referentes às competências até 11/2008 tendo efetuado o comparativo das multas aplicáveis antes e após as modificações Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10380.725333/201485 Acórdão n.º 2402006.760 S2C4T2 Fl. 329 3 introduzidas com referida MP, com vistas a aplicar a multa mais favorável ao contribuinte, em atenção ao que dispõe o CTN, artigo 106, inciso II (conforme quadro à fl. 9). Concluiuse, conforme demonstrativo incluído no relatório fiscal, que a multa menos severa ao contribuinte, nas competências 08/2008, 09/2008 e 11/2008, é a apurada de acordo com a legislação antes das modificações MP nº 449/2008. Assim, de acordo com as informações do relatório fiscal, em decorrência da infração cometida, foi aplicada multa de R$ 169.797,60, calculada de acordo com a Lei nº 8.212/1991, artigo 32, § 5º, combinado com Regulamento da Previdência Social – RPS, aprovado pelo Decreto nº 3.048/1999, artigo 284, inciso II. Relatório com o detalhamento dos depósitos judiciais/extrajudiciais realizados, que contém dentre outras informações a data de realização do depósito, a competência a que se refere e o valor depositado (fl. 12). Cópia das Guias de Depósitos Judiciais e Extrajudiciais relativos à competência 09/2008 e 11/2008 (fls. 13/14). O sujeito passivo foi cientificado da autuação em 21/3/2012, conforme assinatura à fl. 3 e apresentou impugnação (fls. 129/144) no dia 20/4/2012, conforme carimbo de protocolo à fl. 129. Alegou que os depósitos impediriam o lançamento, que o tributo cobrado é ilegal, apresentando questões relacionadas as discussões judiciais relatadas. Acórdão recorrido, por unanimidade, julgou improcedente a impugnação e o recurso voluntário interposto articulando essencialmente os mesmos argumentos já registrados por ordem da impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Jamed Abdul Nasser Feitoza Relator 1. ADMISSIBILIDADE Recurso Voluntário é tempestivo e preenche os demais requisitos de admissibilidade, razão pela qual votamos por seu conhecimento. 2. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA DA EMPRESA INCIDENTE SOBRE A NOTA FISCAL OU FATURA DAS COOPERATIVAS DE TRABALHO Tratase de lançamento por descumprimento de obrigações acessórias CFL68, eis que a Recorrente deixou de declarar em GFIP nas competências 08/2008, 09/2008 e 11/2008. Ocorre que a obrigação previdenciária principal estava lastreada no inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212/91, dispositivo que previa a obrigação de recolhimento de 15% Fl. 330DF CARF MF 4 devidos a titulo de contribuição previdenciária devida sobre em razão da contratação de sociedades cooperativas de trabalho e calculados sobre o total da nota fiscal ou fatura. A rubrica foi mantida tendo em conta a vigência do dispositivo à época dos fatos e por ausência de comprovação de realização, nos autos da ação judicial, de deposito do montante integral do devido relativo as competências em foco. Ocorre que o Supremo Tribunal Federal, ao julgar o Recurso Extraordinário nº 595.838/SP, no âmbito da sistemática do art. 543B do Código de Processo Civil (CPC), declarou a inconstitucionalidade _ e rejeitou a modulação de efeitos desta decisão _ do inciso IV, do art. 22, da Lei nº 8.212, de 1991, dispositivo este que previa a contribuição previdenciária de 15% sobre as notas fiscais ou faturas de serviços prestados por cooperados por intermédio de cooperativas de trabalho. Recurso extraordinário. Tributário. Contribuição Previdenciária. Artigo 22, inciso IV, da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. Sujeição passiva. Empresas tomadoras de serviços. Prestação de serviços de cooperados por meio de cooperativas de Trabalho. Base de cálculo. Valor Bruto da nota fiscal ou fatura. Tributação do faturamento. Bis in idem. Nova fonte de custeio. Artigo 195, § 4º, CF. 1. O fato gerador que origina a obrigação de recolher a contribuição previdenciária, na forma do art. 22, inciso IV da Lei nº 8.212/91, na redação da Lei 9.876/99, não se origina nas remunerações pagas ou creditadas ao cooperado, mas na relação contratual estabelecida entre a pessoa jurídica da cooperativa e a do contratante de seus serviços. 2. A empresa tomadora dos serviços não opera como fonte somente para fins de retenção. A empresa ou entidade a ela equiparada é o próprio sujeito passivo da relação tributária, logo, típico “contribuinte” da contribuição. 3. Os pagamentos efetuados por terceiros às cooperativas de trabalho, em face de serviços prestados por seus cooperados, não se confundem com os valores efetivamente pagos ou creditados aos cooperados. 4. O art. 22, IV da Lei nº 8.212/91, com a redação da Lei nº 9.876/99 ao instituir contribuição previdenciária incidente sobre o valor bruto da nota fiscal ou fatura, extrapolou a norma do art. 195, inciso I, a, da Constituição, descaracterizando a contribuição hipoteticamente incidente sobre os rendimentos do trabalho dos cooperados, tributando o faturamento da cooperativa, com evidente bis in idem. Representa, assim, nova fonte de custeio, a qual somente poderia ser instituída por lei complementar, com base no art. 195, § 4º com a remissão feita ao art. 154, I, da Constituição. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10380.725333/201485 Acórdão n.º 2402006.760 S2C4T2 Fl. 330 5 5. Recurso extraordinário provido para declarar a inconstitucionalidade do inciso IV do art. 22 da Lei nº 8.212/91, com a redação dada pela Lei nº 9.876/99. A inconstitucionalidade foi declarada sem modulação dos efeitos, com tal premissa seus efeitos retroagem a origem, não subsistindo obrigação alguma tendo por base norma retirada do ordenamento jurídico, o que, neste caso abrange as obrigações principais e seus reflexos, razão pela qual votamos por dar provimento ao Recurso Voluntário. CONCLUSÃO. Por todo exposto votamos por conhecer do Recurso Voluntário, para no mérito darlhe provimento. (Assinado Digitalmente) Jamed Abdul Nasser Feitoza Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13840.000912/2003-92
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2000
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO.
Acolhem-se os embargos de declaração, para o fim de suprir a omissão que é a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir.
Numero da decisão: 1003-000.285
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela PGFN, sem efeitos infringentes, para integrar o Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003-000.013, de 06.06.2018.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhem-se os embargos de declaração, para o fim de suprir a omissão que é a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela PGFN, sem efeitos infringentes, para integrar o Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003-000.013, de 06.06.2018. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1552; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C0T3 Fl. 274 1 273 S1C0T3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13840.000912/200392 Recurso nº Embargos Acórdão nº 1003000.285 – Turma Extraordinária / 3ª Turma Sessão de 08 de novembro de 2018 Matéria SIMPLES FEDERAL Embargante PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL Interessado MEDITAL IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO DE DESCARTÁVEIS HIGIENE E LIMPEZA LTDA. ME ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2000 EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. CONTRADIÇÃO. OMISSÃO. ACOLHIMENTO. Acolhemse os embargos de declaração, para o fim de suprir a omissão que é a falta de manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os embargos de declaração opostos pela PGFN, sem efeitos infringentes, para integrar o Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003000.013, de 06.06.2018. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório A Recorrente optante pelo Sistema Integrado de Pagamentos de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte – Simples foi excluída de AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 84 0. 00 09 12 /2 00 3- 92 Fl. 274DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.285 S1C0T3 Fl. 275 2 ofício pelo Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29/09/2000, a partir de 01.11.2000 com fundamento na "existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União perante a PGFN”, de acordo com os arts. 9º da Lei nº 9.317, de 05 de dezembro de 1996, fls. 167169 e 173175. A empresa manifestouse contrariamente ao procedimento, apresentando em 17.10.2003 a Solicitação de Revisão da Exclusão do Simples – SRS, fls. 0102, com pedido de revisão do ato em rito sumário. Argumenta em síntese que a sua situação fiscal está regular dado que os sistemas internos da RFB não computou o pagamento de tributo no código 3657 efetuado em 30.09.1997 no valor total de R$105,88, conforme DARF autenticado, fl. 24. Em conformidade com o Despacho Decisório da DRF Limeira/SP, fls. 177 178, as informações relativas à opção pelo Simples foram analisadas das quais se pelo indeferimento do pedido. Restou esclarecido que: A pessoa jurídica acima identificada foi excluída do SIMPLES, a partir de 01/11/2000, pela existência de débitos inscritos em Dívida Ativa da União perante a PGFN, da empresa, com base no art. 9º, inciso XV da Lei n° 9.317/1996, conforme o Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29/09/2000 (fl. 167). Conforme registro constante do sistema SUCOP, a notificação foi entregue ao destinatário (fl. 165), porém não foi localizado o respectivo AR. O processo que deu causa à exclusão, no âmbito da PGFN, foi o de número 10830.257212/9735, correspondente à inscrição em Dívida Ativa da União n° 80 6 97 126507 00. Pesquisandose os sistemas da PGFN, verificouse que a inscrição relativa ao processo acima mencionada somente foi extinta por pagamento em 29/11/2006. O interessado junta, para a devida análise, cópia do Contrato Social da pessoa jurídica, cuja atividade econômica assim está descrita: "comércio de materiais médicocirúrgicohospitalares " (vide fls. 30 a 65). É o relatório. Passo a informar e decidir. A pretensão da pessoa jurídica, consistente no fato de procurar optar pela sistemática instituída pelo SIMPLES, conforme restou amplamente demonstrado, reúne condições de prosperar, a partir de 01/01/2007, anocalendário seguinte à regularização das suas pendências com a PGFN. CONSIDERANDO que esta decisão não elide o direito que tem a Fazenda Pública de realizar futuras verificações quanto à situação tributária declarada. Isso posto, DECIDO deferir a reinclusão da empresa no SIMPLES a partir de 01/01/2007. Cientificada, a Recorrente apresentou a manifestação de inconformidade. Está registrado na ementa do Acórdão da 6ª Turma/DRJ/Ribeirão Presto/SP nº 1433.146, de 19.05.2011, fls. 213215: DÉBITO INSCRITO EM DÍVIDA ATIVA. EXCLUSÃO. Comprovado nos autos que a pendência perante a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional que motivou a exclusão da contribuinte somente foi regularizada em 24/11/2006, somente cabe sua inclusão a partir de 01/01/2007. Fl. 275DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.285 S1C0T3 Fl. 276 3 Manifestação de Inconformidade Improcedente Notificada, a Recorrente apresentou o recurso voluntário. Está registrado na ementa do Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003000.013, de 06.06.2018, efls. 257 264: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2000 PRELIMINAR DA MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. FALTA DE JUNTADA AO PROCESSO DO ATO DE EXCLUSÃO. IMPOSSIBILIDADE CIRCUNSTANCIAL DE CONTROLE DE LEGALIDADE DO ATO. A falta de juntada ao processo do ato de exclusão do Simples é matéria de ordem pública que prejudica a caracterização inequívoca do fato que motivou a exclusão em consonância com a norma legal. A RFB é o órgão competente para promover de ofício a instrução dos autos com o referido ato administrativo e não o fez como provado cabalmente por impossibilidade circunstancial de controle da legalidade ato administrativo em sede de instauração de litígio. Sendo uma preliminar de vício insanável fica prejudicado o julgamento do mérito devida a incompatibilidade entre ambos. [...] Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. Notificada da referida decisão em 04.07.2018, efls. 256, a PGFN opôs embargos de declaração em 01.08.2018 (§ 9º do art. 23 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972), suscitando que: Ocorre que nulidade é termo equívoco e, desse modo, tornase necessária a especificação do seu sentido. Partindo da premissa de que houve nulidade, a Fazenda Nacional entende que se trata de nulidade formal, pois seu fulcro estaria centrado em fato procedimental. No entanto, fazse necessária, para que se espanquem tergiversações, a manifestação expressa dessa Colenda Câmara. Para ratificar esse entendimento, destacase a doutrina de Leandro Paulsen (Direito Tributário – Constituição e Código Tributário à Luz da Doutrina e da Jurisprudência. 9ª ed. pág. 1112): “Vício formal x vício material. Os vícios formais são aqueles atinentes ao procedimento e ao documento que tenha formalizado a existência do crédito tributário. Vícios materiais são os relacionados à validade e à incidência da lei”. Em face da omissão exposta, requer a União (Fazenda Nacional) seja conhecido e provido o presente recurso para que essa e. Câmara complemente o acórdão de modo que fique expresso o tipo de vício que supostamente maculou o processo (se material ou formal). (grifos acrescentados) Os embargos foram admitidos, conforme Despacho de efls. 270272. É o Relatório. Fl. 276DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.285 S1C0T3 Fl. 277 4 Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora Os Embargos de Declaração opostos pela ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) atendem aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, nos termos do art. 65 do Anexo II do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. A PGFN argui que houve omissão no acórdão embargado em relação ao "tipo de vício que supostamente maculou o processo (se material ou formal)". A situação de omissão está apontada objetivamente. Registrese que não houve expressa manifestação do julgado sobre ponto em que se impunha o seu pronunciamento de forma obrigatória, dentro dos ditames da causa de pedir em relação a natureza jurídica do vício (formal ou material) que maculou o procedimento de exclusão da pessoa jurídica do Simples. Consta no Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003000.013, de 06.06.2018, efls. 257264: Antes de analisar o mérito, cabe examinar a preliminar de matéria de ordem pública de falta de juntada do Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29.09.2000. [...] Em relação ao ato administrativo vinculado o qual consubstancia a exclusão do Simples, a Lei nº 9.317, de 1996, determina: Art. 15 [...] § 3º A exclusão de ofício darseá mediante ato declaratório da autoridade fiscal da Secretaria da Receita Federal que jurisdicione o contribuinte, assegurado o contraditório e a ampla defesa, observada a legislação relativa ao processo tributário administrativo. Nesse sentido, a falta da juntada da cópia do ato administrativo litigioso é uma objeção, ou seja, é matéria de ordem pública que pode ser conhecida de ofício a qualquer tempo e em qualquer instância de julgamento. Vale observar que tratando se de ato vinculado temse que a lei define todos os seus aspectos e a Administração exige procedimentos especiais e forma legal para que se expresse como requisito de validade1. [...] De acordo com o que está registrado no referido Comunicado, o Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29/09/2000, não consta nos autos nem foi localizada cópia nos sistemas internos da RFB, o que torna inócua uma possível realização de diligência com esse escopo. Assim não se pode comprovar o literal enunciado ali expresso como fundamento da exclusão, inclusive para que se possa examinar as circunstâncias factuais para aplicação do enunciado da Súmula CARF n° 22. [...] 1 MEIRELLES, Hely Lopes, Direito administrativo brasileiro. 23ª ed. São Paulo: Malheiros, 1998. p. 130137. Fl. 277DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.285 S1C0T3 Fl. 278 5 Verificase que a ausência comprovada de forma cabal do Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29.09.2000, nos presentes autos pressupõe vício processual insanável, já que tratase de vício de saneamento não possível, embora as autoridades preparadoras tenham envidado todos os esforços possíveis com a finalidade de juntar o ato administrativo. Assim, como se trata de questão preliminar de matéria de ordem pública que é incompatível com o mérito, o julgamento das alegações da Recorrente sobre sua regularidade fiscal ficam prejudicadas. (grifos acrescentados) Em relação a matéria, a Solução de Consulta Interna (SCI) Cosit nº 08, de 08 de março de 2013, determina: A questão é definir o que são esses atos meramente irregulares. Utilizase o conceito de Celso Antônio Bandeira de Mello: Atos irregulares são aqueles padecentes de vícios materiais irrelevantes, reconhecíveis de plano, ou incursos em formalização defeituosa consistente em transgressão de normas cujo real alcance é meramente o de impor a padronização interna dos instrumentos pelos quais se veiculam os atos administrativos. (in Curso de Direito Administrativo, 29ª ed., p. 478) 6.3. Não há nulidade sem prejuízo da parte. No caso de erro na identificação do sujeito passivo que não macule o seu direito de defesa nem o normal andamento do processo administrativo fiscal, não há necessidade de se proceder a um novo lançamento. [...] Mas há as situações que geram a invalidade do lançamento, tornandoos anuláveis ou nulos. São atos cujos vícios podem ser tanto formais como materiais. O que os diferencia, basicamente, é se o vício está no instrumento de lançamento ou no próprio lançamento. O vício formal está no elemento forma do ato administrativo, enquanto o vício material está no objeto. Para ajudar na distinção entre vício formal e material, utilizase a base teórica de Eurico Marcos Diniz de Santi: Assim, o ato administrativo (processo) produz o ato administrativo (produto), ao passo que o ato legislativo (processo) produz a lei (produto) e o ato judicial (processo) produz a sentença (produto). (...) Ora, se de um lado essa dualidade é aceita na linguagem técnica, de outro, no plano científico, que prima pela univocidade de seus termos, deve ser esclarecida de antemão. Assim, convencionaremos chamar atofato administrativo, ao ato da autoridade administrativa que configura o fato do exercício da competência administrativa, e atonorma administrativo, à norma individual e concreta produzida por esse atofato, deixando a expressão ato administrativo para designar o gênero que envolve essas duas espécies. (SANTI, Eurico Marcos Diniz. Decadência e Prescrição no Direito Tributário. 2ª ed. São Paulo: Max Limonad, 2000, p. 104 e 106) 8. O vício formal ocorre no instrumento de lançamento (atofato administrativo). É quando o produto do lançamento está corretamente direcionado ao sujeito passivo, ou seja, está correto o critério pessoal da regramatriz de incidência. Contudo, há erro formal no instrumento de lançamento (auto de infração Fl. 278DF CARF MF Processo nº 13840.000912/200392 Acórdão n.º 1003000.285 S1C0T3 Fl. 279 6 ou notificação de lançamento) que tem o condão de prejudicar o direito de defesa do autuado ou notificado. São os atos considerados anuláveis. Não se adentra na discussão se há anulabilidade de ato administrativo, uma vez que o PAF nada dispôs sobre o assunto; para a solução prática da presente consulta, utilizarseá tal diferenciação, pois mesmo os autores que não a aceitam consideram haver diferenças de nulidades dos atos administrativos. Verificase que o vício forma é aquele que está no procedimento ou no elemento forma do ato administrativo da exclusão. Por seu turno, o vício material é aquele que está na validade do objeto ou na incidência da legislação que rege a própria exclusão. Assim, a falta de juntada no processo do Ato Declaratório Executivo DRF/CPS n° 358.316, de 29.09.2000 caracteriza vício formal, uma vez que maculou o procedimento de exclusão da pessoa jurídica do Simples. Em assim sucedendo, voto em acolher os embargos de declaração opostos pela PGFN, sem efeitos infringentes, para integrar o Acórdão da 3ª TE/1ª SEÇÃO/CARF nº 1003000.013, de 06.06.2018. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 279DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.918423/2015-68
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Data do fato gerador: 29/11/2013
PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL.
A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei.
Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação.
Recurso Voluntário Negado
Direito Creditório Não Reconhecido
Numero da decisão: 1002-000.495
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Ailton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonam Rocha de Medeiros - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros.
Nome do relator: LEONAM ROCHA DE MEDEIROS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2013 PEDIDO ELETRÔNICO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. PER/DCOMP. ÔNUS DA PROVA DO CONTRIBUINTE QUANTO A CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO PLEITEADO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. AUSÊNCIA DE SALDO DISPONÍVEL. A compensação para extinção de crédito tributário só pode ser efetivada com crédito líquido e certo do contribuinte, sujeito passivo da relação tributária, sendo que o encontro de contas somente pode ser autorizado nas condições e sob as garantias estipuladas em lei. Inexiste direito creditório disponível para fins de compensação quando, por conta da vinculação de pagamento a débito do próprio interessado, o crédito analisado não apresenta saldo disponível. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar de crédito passível de compensação. Recurso Voluntário Negado Direito Creditório Não Reconhecido Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 91 84 23 /2 01 5- 68 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 144 2 Ailton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Ailton Neves da Silva (Presidente), Ângelo Abrantes Nunes, Breno do Carmo Moreira Vieira e Leonam Rocha de Medeiros. Relatório Cuidase, o caso versando, de Recurso Voluntário (efls. 137/138) ― autorizado nos termos do art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 6 de março de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal, interposto com efeito suspensivo e devolutivo ―, protocolado pela recorrente, indicada no preâmbulo, devidamente qualificada nos fólios processuais, relativo ao inconformismo com a decisão de primeira instância (efls. 123/128), proferida em sessão de 14 de junho de 2017, consubstanciada no Acórdão n.º 1677.988, da 8.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em São Paulo/SP (DRJ/SPO), que, por unanimidade de votos, julgou improcedente a manifestação de inconformidade (efls. 03/04) que pretendia desconstituir o Despacho Decisório (DD), emitido em 05/05/2015 (efl. 116), emanado pela Autoridade Administrativa que analisou o Pedido Eletrônico de Restituição e a Declaração de Compensação (PER/DCOMP) n.º 07566.26597.070814.1.3.045680 (efls. 111/115), transmitido em 07/08/2014, e não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o direito creditório, cujo acórdão restou assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Data do fato gerador: 29/11/2013 COMPENSAÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Vejase o contexto fático dos autos, incluindo seus desdobramentos e teses da manifestação de inconformidade, conforme se extrai do relatório constante no Acórdão do juízo a quo: O interessado, supra qualificado, entregou por via eletrônica a Declaração de Compensação de fls. 111/115 (PER/DCOMP n.º 07566.26597.070814.1.3.045680), na qual declara a compensação de pretenso crédito de pagamento indevido ou a maior de Imposto de Renda da Pessoa Jurídica IRPJ (cód. receita 2362 – IRPJ – PJ OBRIGADA À APURAÇÃO DO LUCRO REAL – DEMAIS ENTIDADES – ESTIMATIVA Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 145 3 MENSAL) relativo ao período de apuração encerrado em 31/10/2013. Pelo Despacho Decisório de fl. 116 o contribuinte foi cientificado, em 12/05/2015 (fl. 118), de que: A partir das características do DARF discriminado no PER/DCOMP acima identificado, foram localizados um ou mais pagamentos, abaixo relacionados, mas integralmente utilizados para quitação de débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para compensação dos débitos informados no PER/DCOMP. Em razão do acima descrito, não foi homologada a compensação declarada, tendo sido o interessado intimado a recolher os débitos indevidamente compensados (principal: R$ 3.262,07). Irresignado, o contribuinte apresentou em 08/06/2015 a Manifestação de Inconformidade, de fls. 03/04, alegando, em síntese, i) que recolheu e declarou em DCTF a estimativa de IRPJ relativa a outubro/2013, no valor de R$ 729.717,70; ii) que não retificou a DCTF correspondente para apontar o valor correto da estimativa de IRPJ de outubro/2013, que seria de R$ 680.685,12; iii) que o valor correto da estimativa de IRPJ de outubro/2013 foi devidamente informado na DIPJ transmitida em 30/06/2014; iv) que o crédito pleiteado existe, tendo ocorrido apenas um erro no preenchimento da DCTF; v) anexa em favor dos seus argumentos, cópias da DCTF, PER/DCOMP, DIPJ, todas originais, do DARF no valor de R$ 729.717,70, bem como do razão contábil das contas de IRPJ referentes ao ano de 2013; vi) por fim, pede que seja acolhida a sua Manifestação de Inconformidade e homologadas as compensações declaradas no PER/DCOMP. O presente processo está sendo apreciado na mesma sessão em que os processos ns.º 10880.918426/201500, 10880.918416/201566, 10880.918424/201511, 10880.918422/201513, 10880.918417/201519 e 10880.918425/201557, estão sendo julgados, tendo em vista a identidade do direito creditório discutido e corresponderem ao mesmo Darf. O Despacho Decisório informa que o limite do crédito analisado, para fins de restituição, era da ordem de R$ 34.589,04, correspondente ao valor do crédito original na data de transmissão, o qual seria utilizado para efetivar a compensação, no entanto, analisadas as informações prestadas na declaração, foi constatada a improcedência do crédito informado no PER/DCOMP. Informase, outrossim, que, a partir das características do DARF discriminado no próprio PER/DCOMP, foi localizado pagamento integralmente utilizado para quitação de outro débito do contribuinte, de modo a não mais haver crédito disponível para utilizar em operação de compensação, pelo que o débito informado para compensar não foi extinto, isto é, não foi compensado. Temse o seguinte quadro sintético no Despacho Decisório: Características do DARF discriminado no PER/DCOMP Período de Apuração (PA) Código de Receita Valor total do DARF Data de Arrecadação 31/10/2013 2362 R$ 729.717,70 29/11/2013 Utilização dos Pagamentos encontrados para o DARF discriminado no PER/DCOMP Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 146 4 Número do Pagamento Valor Original Total Processo (PR) / PERDCOMP (PD) / DÉBITO (DB) Valor Original Utilizado 2670473753 R$ 729.717,70 Db: cód 2362 PA 31/10/2013 R$ 729.717,70 Valor Total R$ 729.717,70 Débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/05/2015 Principal: R$ 3.262,07 Multa: R$ 652,41 Juros: R$ 274,34 A tese de defesa não foi acolhida pela DRJ, mantendose o não reconhecimento do crédito e, por conseguinte, não homologando a compensação, eis, em síntese, nas palavras do juízo de primeira instância, as razões de decidir do meritum causae: Conforme consignado no Despacho Decisório de fl. 116, o indeferimento teve como origem a alocação integral do Darf de R$ 729.717,70 para quitação do débito de IRPJ (cód 2362) relativo a outubro/2013. Ou seja, uma das providências requeridas para a indicação do pretenso direito creditório seria a retificação da DCTF referente a outubro/2013. Consulta aos sistemas da RFB revela que a DCTF atualmente ativa de outubro/2013 (original) foi entregue em 20/12/2013, nela constando a alocação integral do pagamento ao débito de outubro/2013, tal qual demonstra a DCTF anexada pelo interessado às fls. 33 e seguintes. Assim, tomandose em consideração a informação prestada pelo próprio contribuinte em sua DCTF, inexistiria direito creditório relativo a pagamento indevido ou a maior. Reza o parágrafo 1.º do artigo 5.º do DecretoLei n.º 2.124, de 13 de junho de 1984: Parágrafo 1º O documento que formalizar o cumprimento de obrigação acessória, comunicando a existência de crédito tributário,constituirá confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do referido crédito. Tratase de confissão extrajudicial da existência de tais débitos, conforme arts. 348, 350 e 353 do atualmente vigente Código de Processo Civil (CPC) – Lei n.º 5.869, de 11 de janeiro de 1973, e por isso mesmo é título executivo. Os débitos tributários, então declarados e confessados na DCTF, decorrem do lançamento por homologação de que trata o artigo 150 do CTN, verbis: “Art. 150. O lançamento por homologação, que ocorre quanto aos tributos cuja legislação atribua ao sujeito passivo o dever de antecipar o pagamento sem prévio exame da autoridade administrativa, operase pelo ato em que a referida autoridade, tomando conhecimento da atividade assim exercida pelo obrigado, expressamente a homologa”. É a DCTF, portanto, a forma com que o sujeito passivo dá conhecimento à autoridade administrativa da ocorrência do fato jurídicotributário e informa o pagamento do valor correspondente do tributo. Por essa razão a necessidade da Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 147 5 retificação da DCTF sempre que o sujeito passivo queira modificar anterior informação prestada quanto aos seus débitos tributários, pois o conhecimento deste fato pelo Fisco é elemento indispensável para o aperfeiçoamento do lançamento por homologação. Sobre a imprescindibilidade da retificação da DCTF para a comprovação do pagamento indevido ou a maior, a Receita Federal do Brasil editou o Parecer Normativo (PN) COSIT n.º 2, de 28 de agosto de 2015, que confirmou a vinculação necessária entre as informações prestadas na DCTF e a disponibilidade do direito creditório utilizado em PER/DCOMP, além de esclarecer diversos pontos relacionados à temporalidade da apresentação desta DCTF retificadora, admitindo, sem deixar de considerála obrigatória, a sua apresentação mesmo após a transmissão do PER/DCOMP, e até após a ciência de Despacho Decisório que não tenha homologado as compensações declaradas. É oportuna a transcrição de trecho do citado PN que aborda a necessidade da informação do débito correto em DCTF para que possa ficar caracterizado o direito creditório do pagamento indevido ou a maior, inclusive com citação a vários acórdãos da 2ª instância administrativa de julgamento (CARF): 10.5. Desse modo, por se tratar de uma confissão de dívida do sujeito passivo, inclusive podendo ser contra ele cobrado na falta de pagamento, ele necessariamente terá de alterar essa confissão se entender que pagou um valor indevido, para então poder requerer um pedido de restituição ou apresentar uma DCOMP. Tratase de simetria de formas. Fazendo uma analogia, é a mesma situação daquela contida no art. 352 do CPC, pois ali também depende de uma atuação de quem fez a confissão para ela poder ser revogada. No presente caso, a atuação do sujeito passivo se dá mediante retificação da declaração que constituiu o crédito tributário perante o Fisco, conforme item 10. Inclusive o CARF já decidiu que o crédito alocado em DCTF não retificada não é líquido e certo, e o indébito pressupõe a retificação da DCTF: INDÉBITO PLEITEADO DECLARADO EM DCTF. NECESSIDADE DE RETIFICAÇÃO PRÉVIA Enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão n.º 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014). DCTF RETIFICADORA APRESENTADA APÓS CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. EFEITOS. A DCTF retificadora apresentada após a ciência da contribuinte do Despacho Decisório que indeferiu o pedido de compensação não é suficiente para a comprovação do crédito tributário pretendido, sendo indispensável à comprovação do erro em que se funde o que não ocorreu. NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. DIREITO DE CRÉDITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Não é líquido e certo crédito decorrente de pagamento informado como indevido ou a maior, se o pagamento consta nos sistemas informatizados da Secretaria da Receita Federal do Brasil como utilizado integralmente para quitar débito informado em DCTF e a contribuinte não prova com documentos e livros fiscais e contábeis erro na DCTF. (Acórdão n.º 3801002.926, Rel. Cons. Paulo Antonio Caliendo Velloso da Silveira, Sessão de 25/02/2014) (grifouse) Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 148 6 10.6. A despeito da necessidade de o sujeito passivo retificar a DCTF para ter direito creditório contra a Fazenda Nacional, não há impedimento para que ele a retifique para reduzir tributos cujos pagamentos já tenham sido objeto de PER ou de DCOMP como créditos a serem restituídos ou compensados. Consoante o seguinte julgado administrativo: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano calendário: 2004 PEDIDO DE COMPENSAÇÃO. RETIFICAÇÃO DA DCTF APÓS O DESPACHO DECISÓRIO. ADMISSIBILIDADE. O crédito tributário do contribuinte nasce do pagamento indevido ou a maior que o devido, porém ele apenas se torna oponível à Receita Federal após a devida retificação e/ou correção das respectivas Declarações, quando então o Órgão Administrativo poderá tomar conhecimento daquele direito creditório em questão. De qualquer forma, em determinadas situações, em razão do procedimento eletrônico de compensação, em que não há espaço para emendas ou correções pelo contribuinte, há que se admitir e analisar a retificação da DCTF efetuada posteriormente ao despacho decisório, sob pena de excesso de rigorismo, que não resolve satisfatoriamente a lide travada e leva o contribuinte ao Poder Judiciário, apenas fazendo aumentar a condenável litigiosidade. Recurso Voluntário Provido. (Acórdão n.º 3403003.340, Rel. Cons. Luiz Rogério Sawaya Batista, Sessão de 15/10/2014). Sendo assim, não tendo o interessado retificado, até a data deste julgamento, o débito de IRPJ Estimativa de outubro de 2013, através da necessária apresentação da DCTF retificadora, é de se indeferir seu pedido de homologação das compensações por ausência do indébito pleiteado na PER/DCOMP objeto deste processo. Todavia, ainda que essa questão preliminar da ausência da retificação do débito em DCTF correspondente ao pagamento pleiteado como indevido ou a maior pudesse ser superada, o que se faz aqui por mera argumentação, a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 11 de sua DIPJ (fl. 53) consta demonstração do cálculo da estimativa de IRPJ devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 IRPJ apurado (alíquota + adicional) 3.305.423,65 () Incentivos Fiscais 4.559,89 () IRPJ devido em meses anteriores 2.597.885,90 () IRPJ retido na fonte 22.292,73 (=) IRPJ a pagar 680.685,13 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Porém, o interessado juntou à fl. 60 o razão contábil da provisão de IRPJ devida (conta 211214001), através da qual o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 752.439,34, Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 149 7 que diminuído do IRF informado como retido neste mês, de R$ 22.292,73, redunda em valor a recolher de R$ 730.146,61, muito próximo do valor de R$ 729.717,70 recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de IRPJ relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de IRPJ neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. Ante o exposto, ausente a retificação do débito de IRPJ estimativa referente a outubro de 2013, bem como não tendo o sujeito passivo comprovado adequadamente por meios hábeis e idôneos o indébito, voto no sentido de considerar improcedente a manifestação de inconformidade, não reconhecer o direito creditório pleiteado e não homologar as compensações declaradas. No recurso voluntário (efls. 137/138), em síntese, o contribuinte reiterou os termos da manifestação de inconformidade. Argumenta que não efetuou a retificação da DCTF mensal de Outubro/2013 para o valor correto do débito de R$ 680.685,12, conforme DIPJ do respectivo período. Diz que essa problemática originou a divergência que redundou na inexistência do crédito. Alega que os pontos de discordância são: a) a DIPJ de 2013, transmitida em 30/06/2014, informa o valor correto de débito para o IRPJ na ordem de R$ 680.685,12; b) houve erro no preenchimento da DCTF de Outubro/2013, resultando no lançamento de imposto indevido; c) devese considerar os lançamentos apresentados na DCTF retificadora transmitida em 17/11/2017 que evidencia o referido crédito tributário originado de pagamento à maior, referente ao código de receita 236201 IRPJ (página 03, no valor de R$ 680.685,12 IRPJ por estimativa mensal demonstrado na DIPJ de 2013). Informa como documentos anexados, especialmente: a DCTF retificadora referente a Outubro/2013; a DIPJ de 2013; o razão contábil das contas de IRPJ de Outubro/2013; recibo do SPED Contábil referente a 2013. Nesse contexto, os autos foram encaminhados para este Egrégio Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (CARF), sendo, posteriormente, distribuído para este relator. É o que importa relatar. Passo a devida fundamentação analisando os juízos de admissibilidade e de mérito para, posteriormente, finalizar em dispositivo. Voto Conselheiro Leonam Rocha de Medeiros, Relator Admissibilidade Inicialmente, observo a plena competência deste Colegiado, na forma do art. 23B, do Regimento Interno do CARF, com redação da Portaria MF n.º 329, de 2017, Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 150 8 haja vista que as turmas extraordinárias são competentes para apreciar recursos voluntários de reconhecimento de direito creditório, até o valor em litígio de 60 (sessenta) salários mínimos, assim considerado o valor constante do sistema de controle do crédito tributário. Outrossim, a Portaria CARF n.º 111, de 20 de julho de 2018, que estabelece o momento da verificação do valor em litígio para fins de definição da competência das Turmas Extraordinárias (TE's), disciplina que a verificação do valor em litígio, para fins de definição da competência das TE's, será realizada pela Divisão de Sorteio e Distribuição da Coordenação de Gestão do Acervo de Processos (Disor/Cegap) no momento do sorteio do processo administrativo fiscal para a turma de julgamento, bem como define que permanecerá na competência das referidas turmas o recurso voluntário cujo processo administrativo fiscal sofra atualização de valor após o sorteio para a turma ou para o conselheiro relator, desde que a partir dessa atualização o valor em litígio não exceda a 120 (cento e vinte) salários mínimos. Neste caso cabe informar que o valor constante no sistema do eprocesso para o direito creditório que a contribuinte busca reconhecer está registrado como sendo de R$ 34.589,04. Observo, ainda, que o Recurso Voluntário atende aos pressupostos de admissibilidade intrínsecos, uma vez que é cabível, há interesse recursal, a recorrente detém legitimidade e inexiste fato impeditivo, modificativo ou extintivo do poder de recorrer. Outrossim, atende aos pressupostos de admissibilidade extrínsecos, pois há regularidade formal, inclusive estando adequada a representação processual, e apresentase tempestivo (intimação em 26/10/2017, efls. 129 e 133/134, e protocolo recursal em 22/11/2017, efls. 135/137), tendo respeitado o trintídio legal, na forma exigida no art. 33 do Decreto n.º 70.235, de 1972, que dispõe sobre o processo administrativo fiscal. Portanto, conheço do Recurso Voluntário. Mérito Quanto ao mérito não assiste razão ao recorrente. Explico. Trata o presente caso de pedido de restituição de quantias recolhidas a maior ou indevidamente a título de tributo (CTN, art. 165, I), alegando o contribuinte que possui crédito contra a Administração Tributária, combinado com pedido de declaração de compensação, na qual o contribuinte confessa débito (Lei 9.430, art. 74, § 6.º) ao mesmo tempo em que efetua o encontro de contas, sob condição resolutória de sua ulterior homologação pela Autoridade Fiscal (Lei 9.430, art. 74, caput, §§ 1.º e 2.º), para fins de extinção do crédito tributário (CTN, art. 156, II). Afinal, como reza o Código Civil, se duas pessoas forem ao mesmo tempo credor e devedor uma da outra, as duas obrigações extinguemse, até onde se compensarem (CC, art. 368). O regime jurídico da compensação tem fundamento no art. 170 do Código Tributário Nacional (CTN) dispondo que a lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda Pública. Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 151 9 Neste diapasão, inicialmente, o instituto da compensação tributária foi regido pelo art. 66 da Lei n.º 8.383, de 1991, sendo, posteriormente, fixadas novas regras para compensação de tributos administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil no art. 74 da Lei 9.430, de 1996, com suas alterações. Para que se tenha a compensação tornase necessário que o contribuinte comprove que o seu crédito (montante a restituir) é líquido e certo. Cuidase de conditio sine qua non, isto é, sem a qual não pode ocorrer a compensação. O ônus probatório do crédito alegado pelo contribuinte contra a Administração Tributária é especialmente dele, devendo comprovar a liquidez e certeza de seu direito creditório. O primeiro passo do PER/DCOMP é exatamente a análise do pedido de restituição; apenas se houver crédito líquido e certo se efetuará a compensação do débito confessado com a extinção do crédito tributário que o próprio contribuinte confessa e indica para ser objeto da quitação via compensação. No caso dos autos, a Administração Tributária não homologou a compensação declarada, por não reconhecer o pagamento indevido ou a maior vindicado, negando a restituição do crédito requerido. Observase que, na primeira análise, pelos sistemas informatizados da Receita Federal, o suposto crédito, proveniente do DARF indicado no PER/DCOMP, estava integralmente alocado, não havendo saldo disponível, razão pela qual do indeferimento da compensação, eis que não se reconheceu o direito creditório. A fim de refutar tal constatação, o contribuinte retificou a DCTF e afirma que a DIPJ corroboraria a informação. Ocorre que, após analisar os autos, incluindo os documentos não pagináveis, constato que não há provas, sequer verossimilhança, quanto a alegação da redução do valor devido a título do tributo que estava inicialmente alocado no DARF objeto do crédito anotado no PER/DCOMP, de forma que inexiste comprovação, pelo contribuinte, de certeza e liquidez para o crédito vindicado. Em suma, para a análise que foi efetivada no PER/DCOMP em comento não se comprovou o indicado crédito líquido e certo, incontroverso. Em verdade, foi apontada a alocação do DARF em extinção de débito próprio do sujeito passivo. Quando da apresentação do relatório destes autos, na forma acima apresentada, constou o respectivo quadro sintético demonstrativo da situação de alocação do DARF, de modo a não restar saldo na forma pretendida pelo contribuinte. A despeito da retificação da DCTF, inexistiu provas, mínimas que fossem, a fim de atestar, ao menos, verossimilhança das alegações. O razão contábil, quanto a conta apresentada, não atesta a redução do débito. Aliás, neste ponto interessante a anotação da DRJ, nestes termos, litteris: (...), a liquidez e certeza do direito creditório alegado, fundamental para o deslinde de demandas como a presente, não é comprovada a partir dos elementos trazidos pelo interessado juntamente com a Manifestação de Inconformidade. Na ficha 11 de sua DIPJ (fl. 53) consta demonstração do cálculo da estimativa de IRPJ devida relativamente ao PA de outubro de 2013, apurada com base em balanço de suspensão ou redução, com os seguintes valores: Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 152 10 Base de Cálculo do IRPJ 13.301.694,59 IRPJ apurado (alíquota + adicional) 3.305.423,65 () Incentivos Fiscais 4.559,89 () IRPJ devido em meses anteriores 2.597.885,90 () IRPJ retido na fonte 22.292,73 (=) IRPJ a pagar 680.685,13 Esse é o valor que o sujeito passivo afirma ser o correto para este débito. Porém, o interessado juntou à fl. 60 o razão contábil da provisão de IRPJ devida (conta 211214001), através da qual o valor devido neste mês foi contabilizado como R$ 752.439,34, que diminuído do IRF informado como retido neste mês, de R$ 22.292,73, redunda em valor a recolher de R$ 730.146,61, muito próximo do valor de R$ 729.717,70 recolhido por ele em Darf. Não foi apresentado pelo sujeito passivo qualquer demonstrativo ou elemento que comprove que a correta base de cálculo da estimativa de IRPJ relativa a outubro de 2013 seja realmente a que foi informada na DIPJ, e não aquela que serviu para apuração do valor contabilizado e pago de IRPJ neste mês de outubro. Sendo assim, à luz dos elementos comprobatórios trazidos à apreciação desta instância julgadora, não é possível concluir pela existência, liquidez e certeza do crédito pleiteado. No que se refere ao argumento acima apresentado pela primeira instância, o contribuinte não refuta o fundamento, de modo que, não havendo verossimilhança nas alegações, entendo por não dar razão ao sujeito passivo. Logo, a questão é que no recurso voluntário o contribuinte não logra êxito de comprovar, de modo incontroverso, a existência do seu direito a crédito, especialmente sob a ótica da natureza do crédito vindicado, qual seja, pagamento indevido ou a maior. Demais disto, a retificadora desprovida de outros elementos não corrobora com a certeza e liquidez necessárias para autorizar o reconhecimento do crédito. Da forma como este é vindicado apresentase controverso, inexistindo certeza e liquidez. Desprovidos de outros elementos da escrita contábil, não resta comprovado o crédito. Aliás, as demonstrações contábeis também não estão colacionadas a contento nos autos para confirmação inconteste do eventual crédito. A esse respeito, cito o seguinte precedente: Acórdão n.º 3402004.103 – Recurso Voluntário Relator: Waldir Navarro Bezerra Data da sessão: 27/04/2017 Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Anocalendário: 2008 APRESENTAÇÃO DE DCTF RETIFICADORA. PROVA INSUFICIENTE PARA COMPROVAR EXISTÊNCIA DE CRÉDITO DECORRENTE DE PAGAMENTO A MAIOR. Para se comprovar a existência de crédito decorrente de pagamento a maior, comparativamente com o valor do débito devido a menor, é imprescindível que seja demonstrado na escrituração contábil fiscal, baseada em documentos hábeis e idôneos, a diminuição do Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 153 11 valor do débito correspondente a cada período de apuração. A simples entrega de DCTF retificadora, por si só, não tem o condão de comprovar a existência de pagamento indevido ou a maior. (...) Ressaltese, neste aspecto, que a demonstração analítica dos valores e lançamentos, dentro da escrituração contábil e, consequentemente, da comprovação inconteste do eventual direito creditório integra o ônus de prova atribuído ao contribuinte, notadamente quando se discute crédito objeto de pedido de compensação. Vejase, ainda, que não foi juntado aos autos outros elementos probatórios, tais como, a escrita contábil e outras escritas fiscais, como, por exemplo, o Livro Diário, eventuais balancetes transcritos na escrita contábil, o Balanço, eventuais apurações demonstrando os erros e correções posteriores, deixandose, portanto, de apresentar, face a inexistência de elementos de prova, uma demonstração criteriosa do suposto direito a crédito, não havendo como confirmar o alegado crédito vindicado apenas com as declarações, ou parte delas, não tendo sido realizado um trabalho analítico de esclarecimento do suposto crédito. Sendo assim, não cabe reconhecer liquidez e certeza, no que não resta demonstrado, comprovado. Em suma, não há uma precisa indicação consubstanciada em elementos documentais para confrontarse DIPJ, DCTF, apurações, balanço patrimonial, balancetes e demais demonstrações contábil, e integral análise de contas contábeis do razão, tudo a fim de comprovar, de modo líquido e certo, a certeza de eventual crédito, inclusive para se compreender eventuais cálculos de valores originalmente declarados e dos valores retificados. Nesse sentido entendo por bem trazer aos autos o resumo da conclusão do seguinte precedente que entendo reforçar o presente fundamento: Acórdão n.º 3001000.312 – Recurso Voluntário Relator: Orlando Rutigliani Berri – Sessão: 11/04/2018 Assunto: Processo Administrativo Fiscal Anocalendário: 2004 PEDIDOS DE COMPENSAÇÃO. DIREITO DE CRÉDITO. ÔNUS DA PROVA. INDISPENSABILIDADE. Nos processos que versam a respeito de compensação, a comprovação do direito creditório recai sobre aquele a quem aproveita o reconhecimento do fato, que deve apresentar elementos probatórios aptos a comprovar as suas alegações. Logo, deve o contribuinte demonstrar que o crédito que alega possuir é capaz de quitar, integral ou parcialmente, o débito declarado em Per/Dcomp. Salientese que alegações desprovidas de indícios mínimos para ao menos evidenciar a verdade dos fatos ou colocar dúvida quanto à acusação fiscal de insuficiência de crédito, uma vez a análise fiscal é realizada sobre informações prestadas pelo contribuinte, colhidas nos sistemas informatizados da RFB, carece de elementos que justifica a autorização da realização de diligência, pois esta não se presta a suprir deficiência probatória. É dever primário do contribuinte, quando o onus probandi lhe compete, comprovar com elementos eficientes e com a finalidade própria a sua pretensão, sendo parte colaborativa para a resolução do caso. Ressaltese, não caberia ao julgador, em Fl. 153DF CARF MF Processo nº 10880.918423/201568 Acórdão n.º 1002000.495 S1C0T2 Fl. 154 12 instância do contencioso administrativo, realizar trabalho de auditoria, sem falar que eventual documentação contábil não pode ser meramente colacionada ao processo, prescindindo de detalhamento, de articulação, de aclaramento e de devida fundamentação com análise circunstanciada das conclusões que se extrairiam da escrita contábil ou da escrita fiscal, a fim de demonstrar o fato jurídico constitutivo da situação de direito a crédito que se pretende invocar sob a ótica da restituição, que seria o elo para efetivar a compensação. Não há, portanto, motivos que justifiquem uma eventual reforma da decisão proferida pela DRJ, principalmente por ser atribuição deste Colegiado o controle da legalidade, e não o saneamento de erros imputados aos próprios contribuintes, notadamente quando de pedidos de compensação eletrônicos. Outrossim, não compete a este julgador sanear os autos para colacionar provas ao processo, quando sequer está convencido quanto a verossimilhança das alegações. Logo, verificandose correção no julgamento a quo, bem como observando que a Administração Tributária não agiu em desconformidade com a lei, nada há que se reparar no procedimento adotado na análise do pedido transmitido pelo contribuinte e apreciado no Despacho Decisório. Dessa forma, como cumpria exclusivamente ao contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu alegado crédito, como não o fez, não restando este devidamente comprovado, assim como considerando o até aqui esposado, entendo pela manutenção do julgamento da DRJ por não merecer reparos. Dispositivo Ante o exposto, de livre convicção, relatado, analisado e por mais o que dos autos constam, voto em conhecer do recurso voluntário e, no mérito, em lhe negar provimento para manter íntegra a decisão recorrida. É como Voto. (assinado digitalmente) Leonam Rocha de Medeiros Relator Fl. 154DF CARF MF
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Numero do processo: 10820.000671/2006-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Segunda Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 07 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004
IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA, RESERVA REMUNERADA OU PENSÃO.
Os rendimentos recebidos por militar da reserva remunerada estão alcançados pela isenção para portador de moléstia grave. Súmulas CARF 43 e 63.
Numero da decisão: 2402-006.725
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a isenção dos rendimentos relativos à reserva remunerada.
(assinado digitalmente)
Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
Nome do relator: JOAO VICTOR RIBEIRO ALDINUCCI
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a isenção dos rendimentos relativos à reserva remunerada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci - Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior.
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MOLÉSTIA GRAVE. RESERVA REMUNERADA Recorrente EUCLIDES JOSE XAVIER Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 IRPF. ISENÇÃO. DOENÇA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA, REFORMA, RESERVA REMUNERADA OU PENSÃO. Os rendimentos recebidos por militar da reserva remunerada estão alcançados pela isenção para portador de moléstia grave. Súmulas CARF 43 e 63. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário para reconhecer a isenção dos rendimentos relativos à reserva remunerada. (assinado digitalmente) Denny Medeiros da Silveira Presidente em Exercício (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Relator Participaram do presente julgamento os conselheiros: Denny Medeiros da Silveira, Mauricio Nogueira Righetti, João Victor Ribeiro Aldinucci, José Ricardo Moreira, AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 82 0. 00 06 71 /2 00 6- 74 Fl. 121DF CARF MF Processo nº 10820.000671/200674 Acórdão n.º 2402006.725 S2C4T2 Fl. 122 2 Jamed Abdul Nasser Feitoza, Luis Henrique Dias Lima, Renata Toratti Cassini e Gregorio Rechmann Junior. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de acórdão da DRJ, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade, na qual o sujeito passivo pediu que fosse reconhecido o seu direito à isenção, em face da existência de moléstia grave. Segue abaixo a ementa da decisão: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004 ISENÇÃO. PROVENTOS RECEBIDOS POR POLICIAL MILITAR DA RESERVA. PORTADOR DE MOLÉSTIA GRAVE. Incabível, por falta de amparo legal, a isenção de imposto de renda sobre proventos recebidos por Policial Militar da Reserva, ainda que o interessado seja portador de moléstia grave. O sujeito passivo foi intimado da decisão em 01/12/2008 e interpôs seu recurso voluntário em 30/12/2008, no qual reafirmou que faz jus à isenção em relação aos anoscalendário 2001 a 2003, em relação aos quais a restituição não fora deferida pela unidade de origem. Sem contrarrazões ou manifestação da Procuradoria. É o relatório. Voto Conselheiro João Victor Ribeiro Aldinucci Relator 1 Conhecimento O recurso voluntário é tempestivo e estão presentes os demais requisitos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido. 2 Da moléstia grave No entender da DRJ, o sujeito passivo fora transferido para a reserva a partir de 30 de setembro de 1994 e somente em janeiro de 2004 teria deixado de ser policial militar da reserva para passar à condição de policial militar reformado; e o termo "reserva" não se confundiria com "reforma", este último sim contemplado na hipótese isentiva. Em sendo assim, embora a DRJ tenha reconhecido a existência de cardiopatia grave desde o ano de 1998, ela julgou improcedente a manifestação do contribuinte. Fl. 122DF CARF MF Processo nº 10820.000671/200674 Acórdão n.º 2402006.725 S2C4T2 Fl. 123 3 Ocorre que a pretensão do recorrente está amparada nas Súmulas CARF 43 e 63, que expressamente aludem aos rendimentos recebidos pelos portadores de moléstia grave, provenientes de reserva remunerada. Vejase: Súmula CARF nº 43: Os proventos de aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, motivadas por acidente em serviço e os percebidos por portador de moléstia profissional ou grave, ainda que contraída após a aposentadoria, reforma ou reserva remunerada, são isentos do imposto de renda. Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Cabe acrescentar ainda o ATO DECLARATÓRIO PGFN Nº 1, DE 12 DE MARÇO DE 2018, que autoriza a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante, “nas ações judiciais fundadas no entendimento de que a isenção do Imposto de Renda prevista no art. 6º, inciso XIV, da Lei nº 7.713, de 1988, abrange os proventos percebidos por militar na reserva remunerada”. Logo, o recurso voluntário deve ser provido, para reconhecer a isenção dos rendimentos relativos à reserva remunerada nos anoscalendário em referência. 3 Conclusão Diante do exposto, votase no sentido de conhecer e dar provimento ao recurso voluntário, para reconhecer a isenção dos rendimentos relativos à reserva remunerada. (assinado digitalmente) João Victor Ribeiro Aldinucci Fl. 123DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.925295/2009-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1201-000.620
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10880.925294/2009-16, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães.
Nome do relator: ESTER MARQUES LINS DE SOUSA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto do relator do processo paradigma. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, Carmem Ferreira Saraiva (suplente convocada), Luis Henrique Marotti Toselli, Rafael Gasparello Lima, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Gisele Barra Bossa e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro José Carlos de Assis Guimarães. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 80 .9 25 29 5/ 20 09 -6 1 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10880.925295/200961 Resolução nº 1201000.620 S1C2T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo de Declaração de Compensação cujo crédito é decorrente de pagamento a maior que o devido. No despacho decisório o direito creditório não foi reconhecido porque o pagamento em questão fora integralmente utilizado na quitação de débito devidamente declarado. Foi protocolada manifestação de inconformidade em que foi alegado que o crédito tinha origem em "antecipações" de IRPJ do anocalendário de 2003. Também, que: ao final do ano de 2003 foi apurado prejuízo fiscal e que então a empresa passou a ter o direito de compensar os créditos; o crédito utilizado na PER/DCOMP foi informado tomandose como base o DARF recolhido, quando na verdade deveria ter sido utilizado o "Saldo Negativo" de IRPJ; "foram feitas as devidas correções na DIPJ, onde equivocadamente não havia sido lançado o 'Saldo Negativo' de IRPJ, porém todas as antecipações foram informadas bem como o resultado (prejuízo) do exercício". A manifestação foi considerada improcedente uma vez que, "os equívocos como o relatado pela contribuinte não são apenas formais, tendo inúmeras implicações materiais, pois, dependendo do tipo de crédito informado, o procedimento de análise é diferenciado, requerendo, inclusive, maiores detalhamento e comprovação por parte do contribuinte". Consta ainda de decisão que "não há como acatar a solicitação da contribuinte de se considerar que o crédito utilizado no PER/DCOMP é parte da composição do saldo negativo de IRPJ do anocalendário de 2003". No Recurso Voluntário foi alegado que a) "o artigo 4° da IN/SRF n° 600/2005, vigente à época dos fatos, estabelecia expressamente que a autoridade fiscal deveria determinar a realização de diligencia fiscal nos estabelecimentos do sujeito passivo a fim de que fosse verificada, mediante exame de sua escrituração contábil e fiscal, a exatidão das informações prestadas. No caso em tela, este procedimento não foi adotado"; b) "... na hipótese de ocorrer erro no preenchimento de DCTF, e/ou de DIPJ, que não corresponda à verdade dos fatos como ocorre no caso sub examine o contribuinte estará sendo privado de fazer valer um direito seu, direito este amparado por nosso Código Tributário Nacional e pela legislação ordinária"; c) "... tendo ocorrido manifesto erro de preenchimento de declaração, caracterizando o erro de fato, e tendo em vista que o despacho decisório e o acórdão recorrido Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10880.925295/200961 Resolução nº 1201000.620 S1C2T1 Fl. 4 3 não foram prolatados com fundamento na verdade material dos fatos, requerse desde já a decretação da nulidade do acórdão recorrido, para que outro seja lavrado levandose em consideração os princípios do Direito Tributário" d) "... o crédito utilizado na PERD/COMP foi informado tomandose como base o 'DARF recolhido', enquanto o correto deveria ter sido o 'Saldo Negativo de IRPJ'"; e) "... foram feitas as devidas retificações na DIPJ, na qual equivocadamente não havia sido lançado o saldo negativo de IRPJ"; f) "... todas as antecipações foram informadas, bem como o resultado (negativo) do exercício"; g) "tendo em vista a clareza do mero erro formal perpetrado, com fundamento no comezinho principio tributário da verdade material, é imperioso que se considere que o crédito utilizado é parte da composição do saldo negativo de IRPJ da DIPJ/2003". É o relatório. Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10880.925295/200961 Resolução nº 1201000.620 S1C2T1 Fl. 5 4 Voto Conselheira Ester Marques Lins de Sousa Relatora. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1201000.619, de 16/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10880.925294/200916, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1201000.619): "Admissibilidade. O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, dele devendose conhecer. Mérito. Segundo o recorrente, o crédito indicado na Dcomp referese a pagamento de estimativa. No entanto, esse pagamento foi considerado para compor o saldo negativo do período conforme parte da DIPJ (ficha 12A) constante dos autos, este a efetiva origem do crédito. Ocorre que não consta dos autos a DIPJ integral do período, assim como as DCTFs correspondentes, pelo que não é possível verificar o total dos valores pagos por estimativa e se conferir o valor do saldo negativo do ano em tela. Fazse pois necessária a juntada aos autos da DIPJ integral do período e a demonstração do saldo negativo apurado. Conclusão. Em face do exposto, voto por converter o presente julgamento em diligência para: a) que sejam juntadas as cópias da DIPJ e da DCTF (e eventuais retificadoras) do período correspondente; b) confirmação dos pagamentos/compensações das estimativas que compuseram o saldo negativo; c) verificação quanto à não utilização desse saldo negativo em outras Dcomps; O contribuinte poderá ser intimado a prestar esclarecimentos, a juízo da autoridade diligenciante. A conclusão deverá constar de relatório circunstanciado do qual se dará ciência ao interessado para que, querendo, se manifeste no prazo de trinta dias. Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10880.925295/200961 Resolução nº 1201000.620 S1C2T1 Fl. 6 5 Com ou sem a manifestação do interessado, os autos deverão retornar a este colegiado para julgamento." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11020.722571/2016-52
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Matéria de prova, o ônus da prova é do contribuinte demonstrar seu direito.
Numero da decisão: 2002-000.432
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. Matéria de prova, o ônus da prova é do contribuinte demonstrar seu direito.
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Matéria de prova, o ônus da prova é do contribuinte demonstrar seu direito. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil e Thiago Duca Amoni. Ausente justificadamente a conselheira Mônica Renata Mello Ferreira Stoll. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 02 0. 72 25 71 /2 01 6- 52 Fl. 90DF CARF MF Processo nº 11020.722571/201652 Acórdão n.º 2002000.432 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.78/81) contra decisão de primeira instância (fls.68/72), que julgou procedente em parte a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da r. DRJ, que assim diz: Para o(a) contribuinte, já qualificado(a) nos autos, foi lavrada Notificação de Lançamento pela DRF/Caxias do Sul/RS, que lhe exige o recolhimento de um crédito tributário no montante de R$ 10.071,83, atualizado até 31/08/2016. Decorreu o citado lançamento da revisão efetuada na Declaração de Ajuste Anual – DAA – entregue pelo(a) interessado(a), relativa ao exercício financeiro de 2015, quando foi constatada, conforme a Descrição dos Fatos, dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$ 19.030,82. O(A) notificado(a), por intermédio de procurador(a) habilitado(a), apresentou impugnação, instruída por elementos, os quais, no seu entender, comprovam a dedução glosada pela autoridade fiscal, argumentando, em resumo, o que segue: · Está anexando as folhas de pagamento mensal do INSS e do IPAM onde constam os descontos para o plano de saúde, sendo que o total pago é relativo a este impugnante, pois não há dependentes. · Esta anexando também os recibos fornecidos pela profissional Paula Pulga Pereira com as informações que faltavam (endereço e carimbo com o registro no Conselho de Classe). Inconformado, o contribuinte apresentou Recurso Voluntário, juntando documentos. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. O contribuinte foi cientificado em 03/03/2017 (fl.75); Recurso Voluntário protocolado em 31/03/2017 (fl.78), assinado por procurador legalmente constituído (fl.87). Fl. 91DF CARF MF Processo nº 11020.722571/201652 Acórdão n.º 2002000.432 S2C0T2 Fl. 4 3 Responde o contribuinte, nestes autos, por ter feito deduções indevidas de despesas médicas, face ao Instituto Nacional do Seguro Social, do Instituto de previdência e Assistência Municipal e, com a profissional de saúde Paula Pulga Pereira. Irresignado o autor apresentou impugnação, sendo que a r. decisão primeira, afastou da condenação as despesas médicas com a profissional de saúde, mantendo as outras deduções. O Termo de Intimação Fiscal de fl. 67, foi solicitado ao contribuinte a apresentação, dentre outros documentos, dos comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde, com valores discriminados por beneficiários (titular e dependentes). A r. decisão de origem estribou fundamento nos termos do art. 80, §1º, II do RIR/1999, dizendo assim: “com efeito, a falta de identificação individual dos beneficiários impede as autoridades fiscal e julgadora de saber se as despesas médicas foram em favor do próprio contribuinte, de seus dependentes para fins tributários ou de terceiros”, diz ainda que “vale lembrar que uma pessoa pode se enquadrar como dependente para fins do plano de saúde e não o ser para fins tributários”. Em sua peça de resistência, o recorrente alega que, com os documentos apresentados, a r. decisão considerou, que o Fisco não tinha como saber, se as despesas médicas foram em favor do próprio contribuinte ou de seus dependentes para fins tributários ou de terceiros. Sendo certo que, neste ponto, a r. decisão deve ser reformada. O recorrente juntou aos autos novos documentos, que segundo suas razões são suficientes para a reforma do decidido. 1º) O recorrente conta com o plano de saúde familiar (GEAP Autogestão em Saúde), contratado por meio do Instituto Nacional do Seguro Social – INSS, possuindo como dependente sua esposa, Sra Iara de Jesus Miguel. 2º) O recorrente conta ainda com o plano de saúde familiar (IPAM), contratado por meio do Instituto de Previdência Municipal – IPAM, possuindo como dependente, sua esposa, Sra Iara de Jesus Miguel. Destaca ainda o recorrente, que por se tratar de planos familiares, o montante pago mensalmente resta fixo, independentemente ou não de um ou mais dependentes. O documento de fl. 82, juntado em sede de recurso Voluntário, é uma Declaração feita pelo INSS, informando que o Sr. Rachid Miguel é titular do plano de saúde GEAP e, sua esposa Iara de Jesus Miguel é sua dependente. Por primeiro esclareço que, quanto ao plano de saúde do IPAM, não foi apresentada nenhuma declaração. Em seu recurso, o recorrente requer a procedência total de seu apelo, ou então, que seja considerado no percentual de 50% para o recorrente e 50% para sua única dependente. Na declaração do IR do recorrente, anoto que o mesmo não possui dependente. Fl. 92DF CARF MF Processo nº 11020.722571/201652 Acórdão n.º 2002000.432 S2C0T2 Fl. 5 4 Já na declaração do GEAP, consta a esposa do recorrente como dependente. Pois bem, com a juntada de novos documentos, entende este relator, que os mesmos não satisfazem as dúvidas que o Fisco teve, bem como dos julgadores. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 93DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10283.003956/2004-20
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2002
DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. POSSIBILIDADE.
Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente art. 83, inc. I, da Lei nº 4502/64. Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 10.637/2002 não é possível a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3º, do Decreto-Lei nº 1455/76 c/c art. 105, inc. VI do Decreto-Lei nº 37/66.
Numero da decisão: 9303-007.559
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Demes Brito - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício).
Nome do relator: DEMES BRITO
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AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA REGULAMENTAR. Recorrente TCE SERVICOS EM TECNOLOGIA E INFORMATICA LTDA Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2002 DOCUMENTOS NECESSÁRIOS AO DESEMBARAÇO ADUANEIRO. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. POSSIBILIDADE. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente art. 83, inc. I, da Lei nº 4502/64. Para fatos geradores anteriores à vigência da Lei nº 10.637/2002 não é possível a aplicação da multa prevista no art. 23, § 3º, do DecretoLei nº 1455/76 c/c art. 105, inc. VI do DecretoLei nº 37/66. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe deram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Demes Brito Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 28 3. 00 39 56 /2 00 4- 20 Fl. 3064DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.065 2 Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello, Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício). Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Contribuinte ao amparo do art. 67, do Anexo II, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF n° 343, de 9 de junho de 2015 – RICARF, contra Acórdão n° 3402 01.395, proferido pela 4ª Câmara/2ª Turma Ordinária do CARF, que decidiu em dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, apenas para excluir da sujeição passiva a empresa SWD Serviços Empresariais Ltda, cuja ementa teve a seguinte redação: ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2002 LANÇAMENTO. NULIDADE. É legítimo o lançamento cujo teor contenha os elementos necessários para o sujeito passivo saber do quê, como e diante de quem se defender, possibilitando o devido processo legal, com contraditório e ampla defesa, mesmo quando efetuado.efetuado com base em documentos que, durante o procedimento fiscal, não se encontravam com o sujeito passivo. LICITUDE DA PROVA. É licita a prova obtida no cumprimento do Mandado de Busca e Apreensão concedido pelo Judiciário, em cujo termo de busca e apreensão consta a assinatura de duas testemunhas, bem como a descrição genérica dos documentos apreendidos. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. NULIDADE. INCABÍVEL. A participação no julgamento de auditorfiscal nomeado para a função de julgador na DRJ que, anteriormente, tenha assinado o MPF relativo ao procedimento fiscal instaurado não configura nulidade da decisão recorrida. DECISÃO DE PRIMEIRA INSTÂNCIA. APRECIAÇÃO DE PARECER. NULIDADE. INCABÍVEL. O órgão julgador não está obrigado à apreciação de Parecer elaborado por encomenda das partes, apresentado após o transcurso do prazo impugnatório. PEDIDO DE PERÍCIA. INCABÍVEL. É despicienda a realização de perícia quando constam dos autos todos os documentos necessários à solução do litígio. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Fl. 3065DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.066 3 Anocalendário: 2002 MULTA REGULAMENTAR. FRAUDE NA IMPORTAÇÃO. A instrução da Declaração de Importação com fatura comercial internacional falsa configura importação irregular e fraudulenta, que reclama a aplicação da multa regulamentar correspondente ao valor comercial da mercadoria importada. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2002 SUJEIÇÃO PASSIVA. SOLIDARIEDADE NÃO COMPROVADA. É incabível o lançamento contra duas pessoas jurídicas distintas quando não se comprovar a solidariedade por uma das hipóteses contempladas no capítulo V do CTN, devendo ser mantida no pólo passivo a pessoa jurídica responsável pela maioria das infrações, desde que seja possível separar as infrações cometidas por cada pessoa jurídica. Devidamente cientificada, a Contribuinte opôs embargos de declaração, os quais foram rejeitados por meio do Acórdão nº 3402 002.537. Não conformada com tal decisão, a Contribuinte interpõe o presente Recurso Especial, aduz dissídio jurisprudencial a respeito das seguinte matérias: (1) à configuração da infração de importação irregular fraudulenta, e; (2) à nulidade da decisão de primeira instância, pela participação no julgamento de autoridade que participou da atividade de fiscalização e pela falta de apreciação de parecer jurídico. Para comprovar a divergência jurisprudencial, indica como paradigmas os acórdãos nºs 30238.072, 20213.944, para a divergência (1) 310100.361 e 302 39.260, para a divergência (2). Em seguida, o Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, deu seguimento parcial ao recurso, com relação a divergência nº 1, à configuração da infração de importação irregular fraudulenta, nos termos do despacho de admissibilidade, ás fls. 2.958/2.963 Houve reexame de admissibilidade, o Presidente do CARF decidiu em manter na integra o despacho do presidente da 4º Câmara, que deu seguimento parcial ao recurso interposto. Cientificada, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões, ás fls. 2.967/2968, pugna pelo improvimento do Recurso interposto. No essencial é o Relatório. Fl. 3066DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.067 4 Voto Conselheiro Demes Brito Relator O recurso foi apresentado com observância do prazo previsto, bem como dos demais requisitos de admissibilidade. Sendo assim, dele tomo conhecimento e passo a decidir. Primeiramente, se faz necessário relembrar e reiterar que a interposição de Recurso Especial junto à Câmara Superior de Recursos Fiscais, ao contrário do Recurso Voluntário, é de cognição restrita, limitada à demonstração de divergência jurisprudencial, além da necessidade de atendimento a diversos outros pressupostos, estabelecidos no artigo 67 do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09 de junho de 2015. Por isso mesmo, essa modalidade de apelo é chamada de Recurso Especial de Divergência e tem como objetivo a uniformização de eventual dissídio jurisprudencial, verificado entre as diversas Turmas do CARF. Neste passo, ao julgar o Recurso Especial de Divergência, a Câmara Superior de Recursos Fiscais não constitui uma Terceira Instância, mas sim a Instância Especial, responsável pela pacificação dos conflitos interpretativos e, conseqüentemente, pela garantia da segurança jurídica dos conflitos. In caso, a decisão recorrida apoiada nos fundamentos do voto vencido no Acórdão nº 20403.680, de 03 de fevereiro de 2009, analisando a prova constante dos autos, considerou que as faturas comerciais que instruíram os despachos aduaneiros em questão não eram originais; e que não foram emitidas pelos exportadores; sim produzidas pelas recorrentes; não foram assinadas pelos exportadores; com divergências em relação às originais (nome do importador e exportador diferentes, descrição das mercadorias, etc), interferindo na essência do negocio jurídico; foram emitidas por terceiros sem legitimidade para tal; contêm informações inverídicas (assinatura não é a do exportador); não se revestem de legitimidade; não poderiam servir para instruir os despachos aduaneiros de importação, concluiu tratarse de documentos falsos. Nesse sentido, interpretando o art. 463, inc. I, do Regulamento do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, aprovado pelo Decreto n° 2.637, de 25 de junho de 1998 – RIPI/1998, em conjugação com os arts. 602 e 603 do Regulamento Aduaneiro, aprovado pelo Decreto nº 91.030 de 5 de março de 1985 – RA/1985, concluiu que a importação realizada pelas autuadas é irregular e fraudulenta, incidindo a multa prevista no art. 463 do RIPI/98. Com efeito, quanto a validade da aplicação de multa correspondente ao valor comercial da mercadoria colocada a consumo, art. 83, I da lei 4502/64, adoto como fundamento em minhas razões de decidir o voto condutor do acórdão nº 9303004.236, de 13 de setembro de 2016, de relatoria do Ilustre Conselheiro Andrada Márcio Canuto Natal, versando sobre a mesma matéria, que passa a fazer parte integrante do presente voto. Vejamos: "Aplicação da multa de ofício Como bem relatado, tratase de auto de infração lavrado para se exigir a multa perpetrada às importações realizadas durante o ano de 2000, em decorrência da acusação de que o sujeito passivo entregou a consumo ou Fl. 3067DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.068 5 consumiu produtos de procedência estrangeira importados de forma fraudulenta, por violação ao art. 83, inciso I, da Lei 4.502/64, e ao art. 1º, do DecretoLei 400/68, regulamentado pelo art. 463, inciso I, do Decreto 2.637/98. O voto da relatora entendeu por dar provimento ao recurso especial, fundamentando seu entendimento com base no voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza proferido no acórdão nº 3202001.340, o qual transcreve em seu voto. Por sua vez, o Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza utilizou o voto da ilustre Conselheira Irene Souza da Trindade Torres no Acórdão nº 3202000.586. Ocorre que nesse citado Acórdão, da Conselheira Irene, o fato gerador da infração deuse em 2004 e no presente processo estamos falando de fato gerador ocorrido em 2000. Tal informação faz uma grande diferença e, inequivocamente, as conclusões constantes do voto da Conselheira Irene não são aplicáveis às infrações apuradas no anocalendário de 2000. Tanto é verdade, que o próprio Conselheiro Charles, reconhecendo o equívoco, votou agora contra o seu próprio entendimento exarado no citado acórdão. A Conselheira Irene, no Acórdão nº 3202000.586, concluiu que na data do fato gerador, 2004, apesar de ainda estar vigente o art. 83, inc. I, da Lei nº 4.502/64, existia uma penalidade mais específica prevista no § 3º do art. 23 do DecretoLei nº 1455/76 com sua redação dada pela Lei nº 10.637/2002. Abaixo transcrições do referido voto em que fica claro esse entendimento: Assim, diante do arcabouço legal que trata a matéria, acima disto, fica cristalina a tipificação da situação fática importação de mercadorias com falsificação de documentos (fatura comercial) necessários ao seu desembaraço como dano ao Erário e a procedência da aplicação de pena de perdimento e de sua conversão em multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria, em razão de sua não localização. Deste modo, irretocável o entendimento esposado pela DRJ quando afirma: Vejase que, nos casos configuradores de dano ao Erário, o suporte fático sobre o qual incide a multa prevista no citado § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, é precisamente o mesmo que foi aventado pela autoridade autuante para a aplicação da multa prevista no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, qual seja, a entrega para consumo (implicando a não localização) do produto estrangeiro importado fraudulentamente. Todavia, além de a penalidade prevista nos termos do § 3° do art. 23 do DL n.° 1.455, de 1976, ter sido instituída por norma legal mais recente, fato é que decorre de situações de fraude ou irregularidades cuja definição é mais específica, ao passo que a disposição contida no inciso I do art. 83 da Lei n.° 4.502, de 1964, referese de forma genérica à hipótese de importação irregular ou fraudulenta do produto estrangeiro. Fl. 3068DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.069 6 (destaquei) Adequandose, portanto, os fatos à norma, temse que as infrações apuradas pela Fiscalização guardam identidade com a hipótese de dano ao Erário previsto no art. 23, IV, do DecretoLei nº 1.455/76 c/c o art. 105, VI, do Decretolei nº 37/66. No caso, temse aplicável a pena de perdimento da mercadoria, convertida em multa, conforme previsto nestes mesmos diplomas legais, não sendo aplicável a penalidade prevista no art. 83, inciso I, da Lei nº 4.502/64, por constituirse o dano ao Erário na tipificação adequada para o caso em questão. (...) Porém, no presente processo estamos lidando com fato gerador da infração de 2000, quando não havia uma penalidade mais específica para as situações em causa. A única infração prevista era a do art. 83, inc. I da Lei nº 4.502/64, a qual se amolda perfeitamente aos fatos relatados. Veja a sua redação: Art. 83. Incorrem em multa igual ao valor comercial da mercadoria ou ao que lhe é atribuído na nota fiscal, respectivamente: I – Os que entregarem ao consumo, ou consumirem produto de procedência estrangeira introduzido clandestinamente no País ou importado irregular ou fraudulentamente ou que tenha entrado no estabelecimento, dele saído ou nele permanecido desacompanhado da nota de importação ou da nota fiscal, conforme o caso; Agora, transcrevese a acusação fiscal retirada do auto de infração, fl. 8386, a qual demonstra a prática da infração cuja tipicidade, no meu entendimento, se encaixa no art. 83, I, da Lei nº 4.502/64: As autuadas, TCE Comércio e Serviços em Tecnologia e Informática Ltda (denominada a seguir como "TCE") e SDW Serviços Empresarias Ltda (referida aqui como "SDW) consumiram e entregaram a consumo produtos de procedência estrangeira importados fraudulentamente. Diversas infrações cambiais e fiscais, além de crimes, foram cometidas pelas empresas auditadas, razão da lavratura deste Auto de Infração com fundamento, principalmente, no art. 83, inciso I, da Lei n°4.502/64, no art. 1º , alteração 2ª, do DecretoLei n°400/68regulamentado pelo art.463, inciso I, do Decreto n° 2.637/98 (RIPI/98), in verbis: (...) Fl. 3069DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.070 7 Por isso, ficam os autuados sujeitos ao pagamento de multa regulamentar de RS 94.734.141,08 (noventa e quatro milhões, setecentos e trinta e quatro mil, cento e quarenta e um reais e oito centavos), equivalentes ao valor da mercadoria constante do demonstrativo anexo, às fls.628/640. Neste caso, a fraude consistiu, principalmente, na falsificação/adulteração de invoices e na constituição fraudulenta das autuadas. As infrações constatadas e provadas nesta peça são referentes às operações internacionais de comércio exterior ocorridas em 2000. (...) Além do mais todas as jurisprudências colacionadas no voto da relatora referemse a fatos geradores ocorridos após a vigência da Lei nº 10.637/2002. Nesse sentido, apenas para ilustrar, colaciono abaixo duas ementas em que houve a manutenção da multa prevista no art. 83, inc. I da Lei nº 4502/64 ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A IMPORTAÇÃO II Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2003 MERCADORIA IMPORTADA IRREGULAR OU FRAUDULENTAMENTE. ENTREGA A CONSUMO. MULTA IGUAL AO VALOR DA MERCADORIA. Incorrerão em multa igual ao valor da mercadoria os que entregarem a consumo mercadoria de procedência estrangeira importada irregular ou fraudulentamente. Recurso Especial do Procurador Provido.(Acórdão CSRF nº 9303003818, de 27/04/2016, relatoria do Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Processo nº 13971.000404/200408). ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Ano calendário: 2004, 2005 MULTA Lei 4.502/1964, artigo 83, inciso I. Deve ser mantida a multa correspondente ao valor comercial da mercadoria quem entrega a consumo mercadorias (1) importadas irregularmente, por ausência de prova da regular importação, e (2) que tenham entrado no estabelecimento desacompanhadas de nota fiscal, caracterizada a infração pelo emprego de notas falsas. Recurso Improvido. .(Acórdão nº 3301002119, de 26/11/2013, relatoria do Conselheiro Antônio Lisboa Cardoso, Processo nº 10830.720952/200890). Por fim, não tem razão a relatora ao defender a retroatividade da Lei 10.637/2002 com base no § 1º do art. 144 do CTN. Veja o que dispõe referido dispositivo: Fl. 3070DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.071 8 Art. 144. O lançamento reportase à data da ocorrência do fato gerador da obrigação e regese pela lei então vigente, ainda que posteriormente modificada ou revogada § 1º Aplicase ao lançamento a legislação que, posteriormente à ocorrência do fato gerador da obrigação, tenha instituído novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ampliado os poderes de investigação das autoridades administrativas, ou outorgado ao crédito maiores garantias ou privilégios, exceto, neste último caso, para o efeito de atribuir responsabilidade tributária a terceiros. (Destaquei) Óbvio que o dispositivo legal está referindose a retroatividade da Lei quando determina novos critérios de apuração ou processos de fiscalização, ou seja, está tratando de direito processual e não de direito material. As infrações tributárias e suas correspondentes penalidades é assunto correspondente a direito material não se aplicando a retroatividade pretendida. Abaixo o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, a respeito do alcance do § 1º do art. 144 do CTN: TRIBUTÁRIO – NORMAS DE CARÁTER PROCEDIMENTAL – APLICAÇÃO INTERTEMPORAL – UTILIZAÇÃO DE INFORMAÇÕES OBTIDAS A PARTIR DA ARRECADAÇÃO DA CPMF PARA A CONSTITUIÇÃO DE CRÉDITO REFERENTE A OUTROS TRIBUTOS – RETROATIVIDADE PERMITIDA PELO ART. 144, § 1º DO CTN. 1. O artigo 144, § 1º, do CTN prevê que as normas tributárias procedimentais ou formais têm aplicação imediata, ao contrário daquelas de natureza material que somente alcançariam fatos geradores ocorridos durante a sua vigência. 2. Não existe direito adquirido de impedir a fiscalização de negócios que ensejam fatos geradores de tributos, máxime porque, enquanto não existe o crédito tributário a Autoridade Fiscal tem o dever vinculativo do lançamento em correspondência ao direito de tributar da entidade estatal. Agravo regimental improvido. (STJ AgRg no REsp: 1011596 SP 2007/02877312, Relator: Ministro HUMBERTO MARTINS, Data de Julgamento: 17/04/2008, T2 SEGUNDA TURMA, Data de Publicação: DJe 05/05/2008) (Destaquei) Por fim, deixo de enfrentar a ocorrência ou não da fraude na emissão das invoices, pois essa matéria, por equívoco da relatora, não foi levada à discussão e ao debate da turma julgadora. Como foram julgados dois processos da mesma pessoa jurídica na mesma sessão de julgamento, esqueceuse de destacar as matérias diferenciadas entre eles e o debate restringiuse à possibilidade ou não da aplicação da multa, que é o objeto desse voto vencedor". Fl. 3071DF CARF MF Processo nº 10283.003956/200420 Acórdão n.º 9303007.559 CSRFT3 Fl. 3.072 9 Dispositivo Ex positis, nego provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (Assinado digitalmente) Demes Brito Fl. 3072DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15375.002221/2009-88
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jan 08 00:00:00 UTC 2019
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 1999
LANÇAMENTO. IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ERRO NA CONSTRUÇÃO.
No caso de atribuição da responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, é equivocada a constituição do crédito tributário tão-somente em nome do responsável solidário (empresa tomadora de serviços), sem qualquer a indicação do contribuinte principal prestador dos serviços. A mencionada responsabilidade solidária, sem benefício de ordem, é voltada para a cobrança do crédito e não para a sua constituição, na qual é indispensável a identificação do sujeito passivo principal.
A falta de identificação do sujeito passivo principal no ato de constituição do crédito tributário importa em erro na construção do lançamento
Numero da decisão: 2201-004.753
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que votou por negar provimento ao recurso, por considerar regular o lançamento efetuado exclusivamente no responsável solidário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Redator designado.
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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IDENTIFICAÇÃO DO SUJEITO PASSIVO. RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. ERRO NA CONSTRUÇÃO. No caso de atribuição da responsabilidade solidária prevista no art. 31 da Lei 8.212/91, é equivocada a constituição do crédito tributário tãosomente em nome do responsável solidário (empresa tomadora de serviços), sem qualquer a indicação do contribuinte principal prestador dos serviços. A mencionada responsabilidade solidária, sem benefício de ordem, é voltada para a cobrança do crédito e não para a sua constituição, na qual é indispensável a identificação do sujeito passivo principal. A falta de identificação do sujeito passivo principal no ato de constituição do crédito tributário importa em erro na construção do lançamento Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencido o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra (Relator), que votou por negar provimento ao recurso, por considerar regular o lançamento efetuado exclusivamente no responsável solidário. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 22 21 /2 00 9- 88 Fl. 397DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 398 2 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Redator designado. Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação nº 11.401.4/0235/2002, que julgou procedente o lançamento. A descrição fática do presente lançamento está delineada no relatório da decisão de 1ª instância, o qual adotamos por sua clareza e precisão: Tratase de crédito lançado pela fiscalização previdenciária contra a empresa acima identificada no valor de R$ 143.630,75 (cento e quarenta e três mil, seiscentos e trinta reais e setenta e cinco centavos) e que, consoante Relatório Fiscal de fls. 116/121, referese a contribuições incidentes sobre a remuneração paga à mãodeobra incluída em notas fiscais de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, inclusive trabalho temporário, e serviços de construção civil, as quais estão sendo exigidas em decorrência do instituto da solidariedade. A empresa, inconformada com a notificação fiscal, apresentou defesa, dentro do prazo legal, Impugnando o lançamento em sua inteireza, consoante fls. 149/162 o documentos de fls. 163/172, alegando em síntese o que segue. A Impugnante argumenta, de início, que as empresas Ipê Administração e Participação Lida. e CCG Administração e Participação Ltda, constante a relação de coresponsáveis, foram pessoalmente intimadas para oferecimento de defesa e, assim, não se estabeleceu contra elas qualquer processo administrativo. Em seguida, alega que o lançamento não pode prevalecer, pois não há como se exigir da recorrente a posse e a exibição dos documentos que comprovem que outras empresas efetuaram o recolhimento das contribuições e, de outro lado, porque somente após a intimação daquelas mesmas empresas, para comprovação do recolhimento, é que poderia ser apurado eventual saldo devedor. Para corroborar a sua tese, a impugnante reproduz textos doutrinários. Acrescenta, ainda, que exigência de contribuições devidas por outras empresas, com aplicação do Instituto da solidariedade, afronta os artigos 128 e 142 do Código Tributário Nacional e os artigos 146, III e 145, § 1° da Constituição Federal. Por último argumenta que os valores das multas aplicadas são extorsivos, caracterizando o confisco repudiado nos artigos 5º e 150, IV, da Constituição Federal. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 399 3 O lançamento foi julgado procedente através da DecisãoNotificação nº 11.401.4/0235/2002, que restou assim ementado: CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA. NÃO ELISÃO. A empresa responde solidariamente pelas contribuições previdenciárias não adimplidas pelo contratado para executar serviços de construção civil, nos termos do art. 30, VI, da Lei n.° 8.212/91, bem como do contratado pera executar serviços mediante cessão de mãodeobra, inclusive trabalho temporário, nos termos do art. 31 da Lei n.° 8.212/91, em sua redação dada pela Lei nº 9.528/97 vigente até 01/99. Cientificada da decisão de piso em 15/04/2002 (fl. 185), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 30/04/2002, reiterando exatamente os mesmos termos da impugnação acima relatada. É o relatório. Voto Vencido Daniel Melo Mendes Bezerra, Conselheiro Relator AAddmmiissssiibbiilliiddaaddee O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Da configuração da cessão de mãodeobra Os fatos geradores objeto da presente autuação ocorreram quando ainda estava em vigor o disposto no art. 31 da Lei n° 8.212/1991 com a redação dada pela Lei 9.528/1997, segundo o qual: Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2° Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão deobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. Fl. 399DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 400 4 § 3° A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4° Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. A configuração da cessão de mãodeobra depende, conforme dispositivo legal, da configuração dos seguintes requisitos: 1) Serviço colocado à disposição do contratante; 2) Realização dos serviços nas dependências do contratante ou de terceiros; 3) Serviços contínuos, relacionados ou não com a atividade da empresa. Ora, o contrato de cessão de mãodeobra tem por objeto a obtenção da própria mãodeobra para a realização de determinada finalidade. Em outras palavras, a mão deobra contratada é a razão nuclear da conclusão do contrato, ao contrário das relações de empreitada, nas quais a mãodeobra é meio para a concretização de obra ou tarefa desejada pelo contratante. Sabese que a empreitada é “o contrato em que uma das partes (empreiteiro) se obriga, sem subordinação ou dependência, a realizar certo trabalho para a outra (dono da obra), com material próprio ou por este fornecido, mediante remuneração global ou proporcional ao trabalho executado.” (PEREIRA, 2006). Tratase, portanto, de contrato oneroso e bilateral, e que, ainda, possui a característica de ser limitado no tempo, pois a empreitada deve ter início, meio e fim. É contratação que já nasce destinada a morrer, quando atinge o fim pactuado pelas partes. O contrato de cessão de mãodeobra, por sua vez, tem objeto diferente, o qual, conforme já afirmado, consiste na disponibilização contínua da própria mãodeobra, em sentido amplo, contratada para realização de um determinado serviço necessário ao salutar e adequado funcionamento da empresa contratante. A título de exemplo, destacase a seguinte situação: uma empresa terceiriza seu serviço de limpeza predial, e, para tal, contrata determinada prestadora de serviço. A objetivo de realizar o serviço de limpeza, de maneira que o objeto do contrato é a força de trabalho, isto é, a própria mão deobra para que esta fique à disposição da contratante, ou seja, sob o seu poder de comando. Nesse contexto, é valente destacar que a determinação da disponibilidade como requisito para a caracterização do conceito de cessão de mãodeobra demonstra a atenção do legislador para a lógica que rege a relação contratual em comento. Ora, como o objeto do Fl. 400DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 401 5 contrato de cessão consiste na obtenção da própria mãodeobra pelo contratante, é mais do que esperado, para não dizer óbvio, que deverá aquela ficar à disposição deste para a realização do serviço contratado. Também é necessário, para que seja considerada cessão de mãodeobra, que a prestação dos serviços seja realizada de forma contínua, nas dependências da contratante ou nas de terceiros, relacionada ou não a sua atividade fim. A caracterização da continuidade dos serviços deve ser analisada sob a ótica da empresa, isto é, a partir da consideração de se os serviços prestados importam, ou não, para o desenvolvimento da sua atividade. Dizse contínuo o serviço de que a empresa depende constantemente, de modo que a mãodeobra empregada não será utilizada apenas um vez ou por um período determinado de tempo. Dessa forma, inexiste continuidade quando o serviço contratado destinase ao atendimento de uma necessidade específica da empresa para determinado momento, não restando configurado, portanto, nestes casos, o conceito de cessão de mãodeobra previsto §2° do artigo 31 da Lei 8.212/91. Se o caráter contínuo na prestação relacionase com a essencialidade do serviço contratado para o andamento regular das atividades da empresa, podese afirmar que a continuidade do serviço é uma consequência lógica da colocação da mãodeobra contratada à disposição do contratante. Todavia, a verificação da efetiva prestação continuada do serviço contratado demanda uma análise meticulosa a partir das peculiaridades do caso concreto, uma vez que, embora seja pressuposto da caracterização da continuidade prevista no §2° do artigo 31 da Lei 8.212/91, a não utilização única, eventual ou por um determinado período de tempo da mão obra contratada, não se pode olvidar que o negócio jurídico contratual realizado entre as partes poderá ser extinto pelas várias formas de extinção de contratos previstas em nosso ordenamento jurídico, por exemplo, o advento do termo final do prazo entre elas convencionado. Ora, o contrato movimentase na direção indicada por seu fim, ou seja, a satisfação do interesse do contratante. No caso da cessão de mãodeobra, considerada dentro da ótica do direito previdenciário, essa faceta teleológica é verificada na colocação da mãode obra contratada à disposição do contratante para a execução de um serviço essencial à empresa de forma não eventual. Assim, não resta caracterizada a continuidade, para fins de cessão de mãode obra, à luz da legislação vigente na época da ocorrência dos fatos geradores quando, por exemplo, em um contrato de prestação de serviços com prazo de duração de 12 meses, o obreiro responsável pela manutenção das instalações elétricas da empresa contratante apenas procede com a execução do serviço diante de um problema pontual nas referidas instalações ou limitase a ir às dependências da contratante uma única vez no mês. Nesse contexto, portanto, não há que se falar em dever de retenção, uma vez que a prestação do serviço pela mãodeobra contratada se deu, neste caso, de maneira preponderantemente eventual, o que contraria a melhor interpretação do conceito de continuidade previsto no §2° do artigo 31 da Lei 8.212/91. Fl. 401DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 402 6 Reiterese que a verificação da continuidade, ou não, na prestação do serviço pela mãodeobra contratada não pode se dar, unicamente, à luz do prazo de duração do contrato firmado entre as partes, visto que o estabelecimento de um termo final é uma característica comum à celebração de grande parte dos negócios jurídicos, em especial, as relações contratuais. Assim, deve o caráter contínuo do serviço contratado ser analisado a partir de considerações fáticas, dentro da perspectiva pragmática, considerandose, sobretudo, a sua maneira de execução, no mundo fenomênico, pela mãodeobra contratada, isto é, de forma contínua e nãoeventual. Destarte, para efeitos previdenciários, a expressão “serviços contínuos”, relacionase, intrinsecamente, com a realização de atividades consideradas de necessidade contínua pela empresa contratante, razão pela qual carecem de mãodeobra que fique a sua disposição para a execução do serviço tido como necessário. Todavia, não é requisito para a configuração da continuidade legalmente exigida a contratação constante de uma determinada empresa, como também não é necessário que sejam sempre os mesmos funcionários os responsáveis pela prestação dos serviços contratados. O que se exige, portanto, é a disponibilização contínua da própria mãodeobra, em sentido amplo, contratada para realização de um serviço, e não a do prestador ou de determinado trabalhador, razão pela qual podem ser, por exemplo, efetuadas trocas do próprio prestador ou dos trabalhadores envolvidos, desde que seja mantido, na essência, o serviço anteriormente prestado, restando caracterizada, portanto, a continuidade legalmente exigida. Do pressuposto acima destacado, podese afirmar, ainda, que existe outro requisito, não expressamente previsto no artigo 31 da Lei 8.212/91, necessário à configuração do conceito previdenciário de cessão de mãodeobra, qual seja, a impessoalidade na execução do serviço contratado, uma vez que a realização deste não leva em conta a pessoa do responsável pela sua execução, como é típico nas relações empregatícias. E diferente não poderia ser, pois, consoante o já afirmado, a cessão de mão de obra tem por objeto apenas a obtenção da própria mãodeobra para a realização de determinada finalidade, não se considerando, portanto, as qualificações pessoais do prestador de serviços, o qual pode, por uma série de razões, ser intermitentemente substituído por outro trabalhador ao longo da concretização dos serviços pactuados. Destarte, podese afirmar que o contrato de cessão de mãodeobra tem por característica a fungibilidade pessoal dos responsáveis pela concretização dos serviços contratados, uma vez que não se leva em consideração a pessoa do obreiro, tendo por conteúdo exclusivo a colocação de prestadores de serviços sob o poder de comando da pessoa contratante para a execução, em suas dependências ou nas de terceiros, de serviços contínuos relacionados ou não com a atividadefim da empresa. Quanto ao local de execução, o art. 31 da Lei 8.212/91 deixa claro que os serviços contratados devem ser prestados nas dependências da empresa contratante ou nas de terceiras, compreendendo estas os locais indicados pela contratante, que não sejam seus próprios e que, também, não pertençam à empresa contratada. Fl. 402DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 403 7 No caso dos autos, a autuação decorreu do não recolhimento da contribuição devida pela tomadora de prestados através de cessão de mãodeobra, que eram realizados na própria empresa tomadora, configurandose, portanto, a exigência quanto ao local da prestação. O relatório fiscal aponta os seguintes levantamentos: 1) Responsabilidade Solidária em relação aos serviço prestados por subempreiteiros (código levantamento RS1, conforme Anexo I. 2) Responsabilidade Solidária em relação aos serviços prestados por empresas prestadoras de serviços através de cessãodemão de obra (código levantamento RMI), conforme Anexo II; 3) Responsabilidade Solidária em relação à prestação de serviço por empresa de trabalho temporário (código levantamento RT1, conforme Anexo III. Assim, verificada a ocorrência da cessão de mãodeobra no período autuado, fica a tomadora dos serviços responsável pelo recolhimento das contribuições previdenciárias em relação aos serviços que lhe foram prestados, somente se eximindo da obrigação caso comprovasse que o prestador recolheu previamente as contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura (art. 31, §3° da Lei n° 8.212/1991). Contudo, verificase pelo teor da peça impgunatória, bem como inferese das razões recursais que a recorrente não refuta a realização dos serviços em si. Reconhece, portanto, que ocorreu o fato gerador, argumenta, apenas, que não pode haver responsabilidade baseada em presunção, da impossibilidade de se imputar à recorrente a responsabilidade solidária e que a multa aplicada tem caráter confiscatório. Não assiste razão à recorrente quando afirma que não pode lhe ser atribuída a responsabilidade solidária baseada em presunção. Ora, a insurgência da empresa não parece ser contra o lançamento entelado, mas contra o próprio ordenamento jurídico. Com relação às alegações da recorrente acerca da responsabilidade solidária, na prestação de serviços de construção civil, empreitada, clara é a possibilidade legal nesse sentido. Conforme destacado no art. 30, VI da Lei n ° 8.212/1991, o proprietário, incorporador ou dono da obra não importa qual seja o tipo de contratação é solidário com o construtor pelo cumprimento das obrigações perante a previdência social. Assim, descreve o texto legal: Art. 30 (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o beneficio de ordem; Fl. 403DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 404 8 LEI 8212/91 Artigo 30 inciso VI o proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. Decreto 612 de 21/07/92 Art. 42. O proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1° A responsabilidade solidária pode ser elidida, desde que seja exigido do construtor o pagamento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados, incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, na forma , abelecida pelo INSS. Decreto 2173 de 05/03/97 Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei n° 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condômino de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. §1° A responsabilidade solidária somente será elidida, se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. §2° Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimentos distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra,quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada daguia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. (grifamos) Fl. 404DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 405 9 §3° Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. A recorrente, portanto, na qualidade de tomadora de serviços contratou a diversas empresas, para prestação de diversos serviços de subempreitada, conforme registrado contabilmente. Assim, o contribuinte e o responsável tributário, no caso o recorrente, são solidários em relação à obrigação tributária, não cabendo, nos termos do parágrafo único do artigo 124 do CTN e do art. 30, VI da Lei n ° 8.212/1991, benefício de ordem. Essa matéria já foi tema de inúmeros debates nesse Conselho, com destaque para o voto da Eminente Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, nos autos do processo nº 37048.299900/200661, acórdão nº 2401002.758 4a Câmara / 1a Turma Ordinária: Entendo que ao atribuir responsabilidade solidária pelo cumprimento da obrigação tributária, abriu o legislador a possibilidade de a autoridade previdenciária cobrar a satisfação da obrigação de qualquer das solidárias, sendo desnecessária a averiguação inicial na prestadora dos serviços. Se assim o fosse, estaríamos alterando o instituto jurídico para responsabilidade subsidiária, tornando inócuo o dispositivo legal. A constituição do crédito pode ocorrer tanto no prestador como no tomador de serviços. Tal questão foi, inclusive, objeto de apreciação pelo Conselho Pleno do CRPS Conselho de Recursos da Previdência Social que detinha a competência para julgar os casos da espécie, a qual foi transferida para o Segundo Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF. Por meio do Enunciado n° 30, editado pela Resolução n°. 1, de 31 de Janeiro de 2007, publicada no DOU de 05/02/2007, o CRPS assim decidiu: “Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços.” O lançamento foi efetuado pelo fato da recorrente haver contratado a prestadora de serviços e não haver apresentado a documentação hábil a elidir a responsabilidade solidária em todas as competências, quais seja, cópia das guias de recolhimentos quitadas e respectivas folhas de pagamento elaboradas distintamente pelo executor em relação a cada contratante. Como a ação fiscal foi realizada na tomadora, a base de cálculo foi apurada por aferição indireta, tomando por base as notas fiscais de serviços emitidas pela prestadora, em procedimento previsto no § 3° do art. 33 da Lei n° 8212/1991, que dá à auditoria fiscal a prerrogativa de ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, inscrever de ofício importância que Fl. 405DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 406 10 reputarem devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Ressaltese que, mesmo que o voto, cujo excerto se transcreveu acima, não tenha sido vencedor, o redator designado concordou a desnecessidade fiscalização prévia na prestadora de serviços para apuração de créditos dessa natureza. A divergência de entendimento se deu porquanto se comprova a ocorrência de fiscalização na empresa, o que não é o caso dos autos. Assim sendo, não merece provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. Dos corresponsáveis Quanto à solicitada exclusão das empresas CCO Administração e Participações Ltda IPE Administração e Participação Ltda, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos diretores da empresa no polo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem Fl. 406DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 407 11 comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Desse modo, não merece prosperar o inconformismo recursal. Das alegações de inconstitucionalidade efeito confiscatório da multa Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, da Constituição Federal. Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infringência aos princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Voto Vencedor Fl. 407DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 408 12 Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Redator designado Em que pese a qualidade do voto do Relator, assim como os lógicos argumentos e o seu costumeiro acerto, com a devida vênia, ouso dele discordar. Não obstante os esclarecedores argumentos expostos sobre o contrato de cessão de mãodeobra e a relação entre contratante e prestadora dos serviços, com a disponibilização contínua da própria mãodeobra e a impessoalidade na execução do serviço contratado, o que caracterizaria, em síntese, a responsabilidade solidária da tomadora dos serviços (RECORRENTE) pelo recolhimento das contribuições previdenciárias em relação aos serviços que lhe foram prestados, entendo que tal fato não exime a autoridade fiscal de efetuar o lançamento também em nome da própria prestadora de serviços. No presente caso, o Relatório da Notificação Fiscal (fls. 140/145) aponta os seguintes levantamentos em face da RECORRENTE: 2.1 Responsabilidade Solidária em relação aos serviço prestados por subempreiteiros (código levantamento RSS), conforme Anexo I; 2.2 Responsabilidade Solidária em relação aos serviços prestados por empresas prestadoras de serviços através de cessão de mão de obra (código levantamento RSM), conforme Anexo II; 2.3 Responsabilidade Solidária em relação à prestação de serviço por empresa de trabalho temporário (código levantamento RST), conforme Anexo III. Ainda no Relatório Fiscal, a autoridade lançadora expôs que: 3 Em virtude da não comprovação dos recolhimentos as contribuições previdenciárias a cargo das empresas prestadoras de serviços sob o regime de subempreitada, cessão de mão de obra, e trabalho temporário, contratadas pela notificada, foi o presente crédito constituído em decorrência de Responsabilidade Solidária, pelas obrigações desta empresa para com a Seguridade Social, na condição de contratante/tomadora dos serviços de terceiros conforme anexos citados no item acima. (...) 7 Não tendo a notificada comprovado os recolhimentos das contribuições previdenciárias a cargo de suas contratadas, incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal, correspondente aos serviços executados constante das relações em anexo, responde a notificada solidariamente, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social. (...) 11 Cumpre estabelecer, que o instituto da solidariedade na legislação previdenciária, está disciplinado no item VI do art. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 409 13 30, e nos parágrafos do art. 31, da Lei n° 8.212, de 24/07/91, e. alteraçõesposteriores. Percebese que o crédito tributário foi constituído tãosomente em face da RECORRENTE (tomadora de serviços), não havendo qualquer outra prestadora de serviços indicada no auto de infração. Sobre o tema envolvendo a solidariedade, vejamos o que disciplina o art. 31 da Lei n° 8.212/1991 (com redação em vigor à época dos fatos): Art. 31. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor pelas obrigações decorrentes desta Lei, em relação aos serviços prestados, exceto quanto ao disposto no art. 23, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. § 1° Fica ressalvado o direito regressivo do contratante contra o executor e admitida a retenção de importâncias a este devidas para garantia do cumprimento das obrigações desta Lei, na forma estabelecida em regulamento. § 2° Exclusivamente para os fins desta Lei, entendese como cessão de mão deobra a colocação à disposição do contratante, em suas dependências ou nas de terceiros, de segurados que realizem serviços contínuos, relacionados ou não com atividades normais da empresa, quaisquer que sejam a natureza e a forma de contratação. § 3° A responsabilidade solidária de que trata este artigo somente será elidida se for comprovado pelo executor o recolhimento prévio das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura. § 4° Para efeito do parágrafo anterior, o cedente da mãode obra deverá elaborar folhas de pagamento e guia de recolhimento distintas para cada empresa tomadora de serviço, devendo esta exigir do executor, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. Neste sentido, entendo que foi equivocada a constituição do crédito tributário em nome somente do responsável solidário (a empresa tomadora de serviços), sem qualquer a indicação do contribuinte principal prestador dos serviços. Deveria o crédito ter sido constituído em nome do sujeito passivo principal (a empresa prestadora de serviços), ainda que constasse no lançamento a indicação da ora RECORRENTE como solidária, nos termos do art. 31 da lei 8.212/91. Ao meu ver, esta responsabilidade solidária, sem benefício de ordem, é voltada para a cobrança do crédito e não para a sua constituição. Por tal razão, acredito que a construção do lançamento deveria envolver a contribuinte principal (prestadora de serviço) e, na fase da cobrança, a tomadora poderia ser executada sem benefício de ordem. Fl. 409DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 410 14 Caso contrário, como a tomadora de serviço pode se esquivar de um eventual lançamento desta natureza? Conforme bem delineou a RECORRENTE em suas razões recursais, não é razoável exigir que a tomadora de serviços fiscalize rigorosamente a prestadora de serviços com a finalidade de constatar o adimplemento do recolhimento das obrigações previdenciárias. Se, por exemplo, a prestadora de serviços agir com fraude na elaboração de sua escrita contábil, o seu inadimplemento em face das obrigações previdenciárias não irá ser detectado mesmo diante de uma “fiscalização” minuciosa por parte da tomadora. Com isso, entendo que a constituição do crédito tributário deve, necessariamente, recair sobre a prestadora de serviços (contribuinte principal), com a indicação da tomadora como solidária e, na fase de cobrança, a tomadora de serviços poderá/deverá ser acionada para o cumprimento da obrigação, sem benefício de ordem. Portanto, a melhor interpretação do art. 31 da Lei n° 8.212/1991 deve ser no sentido de que a responsabilidade solidária é relativa à cobrança do crédito, e não acerca da sujeição passiva para a sua constituição. Neste sentido, o art. 142 do CTN disciplina o seguinte: Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Na falta de um dos requisitos expostos no art. 142 do CTN, haverá erro na construção do lançamento, o que importa em sua nulidade. No presente caso, conforme explanado, a constituição do crédito ocorreu exclusivamente em nome da RECORRENTE na qualidade de responsável solidária (empresa tomadora de serviços), com base no art. 31 da lei 8.212/91, ao passo que, no meu entendimento, o crédito deveria ter sido constituído em nome do sujeito passivo principal (a empresa prestadora de serviços), ainda que constasse no lançamento a solidariedade do art. 31 da lei 8.212/91. Ante a equivocada identificação do sujeito passivo, entendo que ocorreu o erro na construção do lançamento, o que importa em sua nulidade. CONCLUSÃO Por todo o exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário para cancelar o lançamento efetuado tãosomente em nome da responsável solidária. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Redator designado Fl. 410DF CARF MF Processo nº 15375.002221/200988 Acórdão n.º 2201004.753 S2C2T1 Fl. 411 15 Fl. 411DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10814.016233/2007-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 07/10/2005, 10/10/2005, 09/11/2005, 12/11/2005
MULTA. EMBARQUE DA CARGA PARA O EXTERIOR SEM CONCLUIR O TRÂNSITO DE EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. OCORRÊNCIA.
O embarque da carga para o exterior pelo transportador, sem a conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, impede a realização dos procedimentos de finalização do regime de trânsito e a verificação da integridade da carga, configurando hipótese para a aplicação da multa por embaraçar ou impedir a fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, inciso IV, alínea c do Decreto-Lei nº 37/1966.
MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA.
A prestação de informação no Siscomex sobre o embarque de carga para o exterior em prazo superior a sete dias da data do vôo configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação dentro do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal.
INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO OU DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA.
A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato.
MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126.
A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Data do fato gerador: 07/10/2005, 10/10/2005, 09/11/2005, 12/11/2005
OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2.
Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Legalidade, Razoabilidade, Proporcionalidade, da Função Social da Empresa e do Não-Confisco.
Numero da decisão: 3002-000.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade. Em relação à parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 07/10/2005, 10/10/2005, 09/11/2005, 12/11/2005 MULTA. EMBARQUE DA CARGA PARA O EXTERIOR SEM CONCLUIR O TRÂNSITO DE EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. OCORRÊNCIA. O embarque da carga para o exterior pelo transportador, sem a conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, impede a realização dos procedimentos de finalização do regime de trânsito e a verificação da integridade da carga, configurando hipótese para a aplicação da multa por embaraçar ou impedir a fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, inciso IV, alínea c do Decreto-Lei nº 37/1966. MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA. A prestação de informação no Siscomex sobre o embarque de carga para o exterior em prazo superior a sete dias da data do vôo configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação dentro do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO OU DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Data do fato gerador: 07/10/2005, 10/10/2005, 09/11/2005, 12/11/2005 OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Legalidade, Razoabilidade, Proporcionalidade, da Função Social da Empresa e do Não-Confisco.
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MULTA REGULAMENTAR. Recorrente COMPANIA PANAMENA DE AVIACION S.A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 07/10/2005, 10/10/2005, 09/11/2005, 12/11/2005 MULTA. EMBARQUE DA CARGA PARA O EXTERIOR SEM CONCLUIR O TRÂNSITO DE EXPORTAÇÃO. EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. OCORRÊNCIA. O embarque da carga para o exterior pelo transportador, sem a conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, impede a realização dos procedimentos de finalização do regime de trânsito e a verificação da integridade da carga, configurando hipótese para a aplicação da multa por embaraçar ou impedir a fiscalização aduaneira, prevista no art. 107, inciso IV, alínea “c” do Decreto Lei nº 37/1966. MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. OCORRÊNCIA. A prestação de informação no Siscomex sobre o embarque de carga para o exterior em prazo superior a sete dias da data do vôo configura hipótese para a aplicação da multa por não prestar informação dentro do prazo estabelecido pela Secretaria da Receita Federal. INFRAÇÃO ADUANEIRA. RESPONSABILIDADE. AUSÊNCIA DE DOLO OU DANO À FISCALIZAÇÃO. IRRELEVÂNCIA. A responsabilidade pela infração aduaneira independe da intenção do agente ou do responsável, bem como da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. MULTA. NÃO PRESTAR INFORMAÇÃO SOBRE CARGA NO PRAZO ESTABELECIDO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. IMPOSSIBILIDADE. SÚMULA CARF Nº 126. A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 81 4. 01 62 33 /2 00 7- 98 Fl. 157DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 158 2 prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Data do fato gerador: 07/10/2005, 10/10/2005, 09/11/2005, 12/11/2005 OFENSA AOS PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. IMPOSSIBILIDADE DE APRECIAÇÃO. SÚMULA CARF Nº 2. Não compete ao Carf apreciar alegações relacionadas à inconstitucionalidade de legislação tributária por se tratar de matéria reservada ao Poder Judiciário. Incabível a análise de violação dos Princípios Constitucionais da Legalidade, Razoabilidade, Proporcionalidade, da Função Social da Empresa e do Não Confisco. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo do argumento de inconstitucionalidade. Em relação à parte conhecida, por unanimidade de votos, acordam em rejeitar a preliminar de nulidade e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Carlos Alberto da Silva Esteves, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Alan Tavora Nem. Relatório Trata o presente processo de auto de infração para a aplicação de duas multas à empresa, por embaraço à fiscalização aduaneira e por deixar de prestar informação sobre carga no prazo estabelecido, cada multa aplicada a duas declarações de exportação, embarcadas em dias distintos, o que resultou em um lançamento no valor de 20 mil reais (fls. 3 a 15). De acordo com o auto de infração e seus anexos, a recorrente embarcou as mercadorias para o exterior antes da conclusão do trânsito aduaneiro de exportação, motivo para a aplicação da multa por embaraço à fiscalização, e informou os dados relativos ao embarque da carga no Siscomex quase dois anos após a sua efetiva saída do país, motivo para a multa pela não prestação de informação no prazo, multas previstas no art. 107, inciso IV, alíneas “c” e “e”, respectivamente, do DecretoLei nº 37/1966, transcritas a seguir: Art. 107. Aplicamse ainda as seguintes multas: (...) IV de R$ 5.000,00 (cinco mil reais): (...) Fl. 158DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 159 3 c) a quem, por qualquer meio ou forma, omissiva ou comissiva, embaraçar, dificultar ou impedir ação de fiscalização aduaneira, inclusive no caso de nãoapresentação de resposta, no prazo estipulado, a intimação em procedimento fiscal; (...) e) por deixar de prestar informação sobre veículo ou carga nele transportada, ou sobre as operações que execute, na forma e no prazo estabelecidos pela Secretaria da Receita Federal, aplicada à empresa de transporte internacional, inclusive a prestadora de serviços de transporte internacional expresso portaaporta, ou ao agente de carga; e (grifado) A autuada apresentou impugnação (fls. 20 a 26), na qual alegou que a conferência final do trânsito é procedimento a ser adotado apenas em casos excepcionais (segundo os arts. 12 e 32 da Instrução Normativa SRF nº 510/2005), uma vez que já foi verificada na unidade de origem do trânsito, e que a adoção dessa medida deve ser justificada pela autoridade fiscal, já que se trata de transporte aéreo e não há a possibilidade de desvio de carga como pode ocorrer no transporte rodoviário. Alega também que houve erro na quantificação do crédito tributário, uma vez que foram consideradas as quantidades de declarações emitidas e não o fato, em si, do ato praticado, não sendo razoável ou proporcional aplicar quatro multas diante de um único fato. Requer a nulidade do auto de infração. A Delegacia de Julgamento em São Paulo II proferiu o Acórdão nº 1741.450 (fls. 59 a 65), por meio do qual decidiu pela improcedência da impugnação, com base nos fundamentos que se seguem. Em relação à multa por embaraço, o embarque para o exterior antes da conclusão do trânsito é fato incontroverso, não refutado pela interessada; a legislação citada não suporta as contestações, já que em seu art. 34 está expressa a necessidade de conclusão do trânsito aduaneiro, momento em que deve ser atestado no Siscomex a integridade da carga; e a multa deve ser aplicada por embarque, estando correta a exigência de uma multa por embaraço para cada declaração. Em relação à multa por não prestação de informação sobre carga, é inconteste a perda do prazo de dois dias após o efetivo embarque para a inserção da informação no Siscomex, o que também é feito de forma individualizada, por declaração de exportação, sendo igualmente correta a aplicação de uma multa por declaração. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Período de apuração: 07/10/2005 a 09/11/2005 EMBARAÇO À FISCALIZAÇÃO. DESPACHO DE EXPORTAÇÃO. EMBARQUE AÉREO. MULTA O embarque de mercadorias diretamente para o exterior, sem a devida conclusão do trânsito, ocasião em que as mesmas seriam submetidas a controle por parte da Unidade de Embarque, caracteriza embaraço à fiscalização, ficando o importador sujeito à penalidade correspondente. NÃO PRESTAÇÃO DE INFORMAÇÃO SOBRE VEÍCULO OU CARGA TRANSPORTADA, OU SOBRE OPERAÇÕES QUE EXECUTAR. Fl. 159DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 160 4 Cabível a aplicação da multa quando caracterizado o descumprimento do prazo de dois dias para registro no SISCOMEX dos dados pertinentes ao embarque da mercadoria. Impugnação Procedente Crédito Tributário Mantido O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 08.07.2010, conforme AR constante à fl. 70, e protocolizou o recurso voluntário em 30.07.2010, conforme carimbo na página inicial do recurso fl. 71. Em seu recurso voluntário (fls. 71 a 108), a recorrente alega: i) em relação à multa por embaraço à fiscalização, a ausência de tipicidade da conduta, uma vez ausente o dolo e não demonstrado que a recorrente visou burlar ou embaraçar a fiscalização, motivo pelo o qual deve ser anulado o auto de infração; ii) em relação à multa por prestação de informação fora do prazo, a ausência de evidência no auto de infração de que a recorrente deu causa ao atraso, ônus que caberia à fiscalização; a precariedade do procedimento de despacho aduaneiro de exportação, que gera divergências que impedem o cumprimento do prazo de dois dias; o descumprimento do art. 723 do Regulamento Aduaneiro, que dispõe que a autoridade aduaneira alertará e orientará o exportador quando ocorrerem erros ou omissões na exportação, que não caracterizem intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos; a extinção da punibilidade pela denúncia espontânea, tendo em vista o saneamento da situação por meio da inserção dos dados de embarque; e iii) a ofensa aos princípios da legalidade, razoabilidade, proporcionalidade, da função social da empresa e do nãoconfisco. Por fim, requer a anulação do auto de infração por ofensa ao princípio da razoabilidade e por ausência de tipicidade no caso concreto. É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Serão abordadas inicialmente as alegações específicas de cada multa e, após, as alegações genéricas, que se dirigem a ambas as situações. Multa por Embaraço à Fiscalização No que concerne a esta multa, a defesa está centrada na nulidade do lançamento pela ausência de tipicidade entre o fato descrito e a imposição legal, uma vez Fl. 160DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 161 5 inexistir dolo ou demonstração de que a recorrente tenha tido a intenção de burlar ou de criar embaraço à fiscalização. De acordo com o auto de infração, esta multa foi lançada com base no fato de a autuada ter embarcado para o exterior mercadoria que não teve o trânsito aduaneiro de exportação concluído. A carga amparada pela Declaração Simplificada de Exportação (DSE) 2050167971/5 saiu do território nacional em 07.10.2005 e, no caso da DSE 2050186028/2, a saída se deu em 09.11.2005. Em procedimento de auditoria, constatouse que, apesar do efetivo embarque, passados quase dois anos o trânsito ainda estava aberto. Diante da evidência, foi providenciada a conclusão do trânsito no Siscomex pela fiscalização aduaneira em 02.05.2007 e lavrada a multa, aplicada por declaração de exportação (fls. 14 e 15). Para a adequada compreensão dos fatos, fazse necessário esclarecer como se dá o fluxo em um trânsito de exportação, levando em conta as especificidades do modal aéreo. Os trâmites aduaneiros para exportação ocorrem geralmente na unidade alfandegada (porto, aeroporto ou fronteira terrestre, entre outros) pela qual a mercadoria irá deixar o país, pela simples razão que o desembaraço na exportação tem como consequência a alteração da situação jurídica do bem, que passa a ter tratamento de mercadoria desnacionalizada, sujeita a restrições e a controle aduaneiro. A movimentação de uma carga sob controle aduaneiro é bem mais complicada e onerosa do que a movimentação de carga nacional. Daí o costume de se fazer o desembaraço na mesma unidade pela qual o bem irá deixar o país. Todavia, o exportador tem a liberdade de escolher uma unidade de embarque para o exterior diferente da unidade onde realizou o despacho aduaneiro, o que é o caso destes autos. Nesta situação, após o desembaraço aduaneiro, a unidade de despacho dá início ao trânsito de exportação, que deve ser concluído na unidade de destino previamente ao embarque da carga para o exterior. No procedimento de conclusão do trânsito serão conferidos os dados informados no registro do trânsito e a integridade dos elementos de segurança, se houver, e da carga. O objetivo da conclusão do trânsito é assegurarse de que não houve extravio durante o trajeto ou mesmo dentro do recinto alfandegado, de origem ou de destino, após a carga ser “desnacionalizada”. Este controle visa a prevenir a ocorrência de exportação fictícia e outras fraudes relacionadas à exportação. Em não havendo divergência, o trânsito será concluído. Com esse fluxo em mente, é inevitável a conclusão de que configura embaraço à fiscalização aduaneira o fato de um transportador embarcar para o exterior mercadoria já desnacionalizada que não passou pelo procedimento de verificação da integridade do lacre e da carga quando da sua chegada na unidade onde seria embarcada para o exterior, ou seja, não passou pela conclusão do trânsito. Tal entendimento está expresso na Instrução Normativa SRF nº 28/1994, que determina que o trânsito será concluído na unidade de destino previamente ao embarque para o exterior, cabendo ao transportador entregar à fiscalização a documentação que ampara o trânsito para que seja efetuada a sua conclusão. E, ainda, caso ocorra embarque sem a conclusão do trânsito, o despacho aduaneiro de exportação deve ser cancelado de ofício, cabendo a aplicação das penalidades fiscais e sanções administrativas apropriadas. A ver os dispositivos pertinentes, na redação vigente à época dos fatos: Art. 34. A conclusão do trânsito será realizada pela fiscalização aduaneira da unidade da SRF de destino, que deverá: Fl. 161DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 162 6 I exigir do exportador ou do transportador a entrega dos documentos de instrução do despacho; e II atestar, no Sistema, a integridade da unidade de carga ou dos volumes e dos elementos de segurança aplicados. Parágrafo único. Constatada, nesta fase, violação dos elementos de segurança ou outros indícios de violação da carga, que possam levar à alteração dos dados do despacho aduaneiro, o AFTN, antes de atestar a conclusão do trânsito, poderá realizar nova verificação da mercadoria, registrando, no SISCOMEX, essa ocorrência e seu resultado, nos termos do art. 28. Art. 35. O embarque ou a transposição de fronteira de mercadoria destinada a exportação somente poderá ocorrer após o seu desembaraço e, quando for o caso, a conclusão de trânsito aduaneiro, devendo ser realizado sob controle aduaneiro, ressalvado o disposto no art. 36. § 1º Aplicase o disposto na alínea "a" do inciso II do art. 31 [cancelamento de ofício do despacho] desta Instrução Normativa sempre que o depositário liberar para embarque mercadoria não desembaraçada pela fiscalização aduaneira, bem assim quando o transportador realizar operação de embarque, transbordo, baldeação ou transposição de fronteira de mercadoria não desembaraçada, sem a pertinente conclusão de trânsito aduaneiro de exportação ou sem expressa autorização da fiscalização aduaneira. § 2º O disposto no § 1º não elide a aplicação das penalidades fiscais e sanções administrativas cabíveis. (grifado) Portanto, entendo por perfeita a subsunção dos fatos ao texto legal, que prevê a multa a quem, por qualquer meio ou forma, embaraçar, dificultar ou impedir a ação de fiscalização aduaneira, descabendo a alegação de ausência de tipicidade, motivo pelo qual afasto esta preliminar de nulidade. No que tange à alegação de que não caberia a aplicação da multa por não ter sido demonstrado nos autos a intenção de burlar ou embaraçar a fiscalização, temse também por improcedente, uma vez que o DecretoLei nº 37/1966 estabelece a responsabilização objetiva nas infrações à legislação aduaneira, independentemente da intenção do agente ou mesmo da efetividade, da natureza e da extensão dos efeitos do ato, como se vê na transcrição do dispositivo legal: Art. 94. Constitui infração toda ação ou omissão, voluntária ou involuntária, que importe inobservância, por parte da pessoa natural ou jurídica, de norma estabelecida neste DecretoLei, no seu regulamento ou em ato administrativo de caráter normativo destinado a completálos. § 1º O regulamento e demais atos administrativos não poderão estabelecer ou disciplinar obrigação, nem definir infração ou cominar penalidade que estejam autorizadas ou previstas em lei. Fl. 162DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 163 7 § 2º Salvo disposição expressa em contrário, a responsabilidade por infração independe da intenção do agente ou do responsável e da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato. (grifado) Assim, basta a demonstração do cometimento do ato vedado para a imposição da penalidade a quem deu causa, não havendo qualquer mácula no auto de infração quanto a este aspecto. Multa por Não Prestar Informação no Prazo Em relação a esta multa, temos inicialmente alegações relacionadas à ausência de demonstração de que a recorrente deu causa ao atraso e à precariedade do procedimento de despacho aduaneiro de exportação, que gera divergências que impedem o cumprimento do prazo de dois dias. Como explicado anteriormente, a caracterização do cometimento de infração aduaneira independe da intenção do agente, da efetividade, natureza e extensão dos efeitos do ato, bastando o descumprimento da norma por quem estava obrigado a fazêlo. O art. 37 da IN SRF nº 28/1994, com a redação dada em 2010, estabelece em seu caput que cabe ao transportador informar os dados relativos ao embarque da carga para o exterior em até sete dias da data de embarque, o que, no modal aéreo, corresponde à data do vôo, in verbis: Art. 37. O transportador deverá registrar, no Siscomex, os dados pertinentes ao embarque da mercadoria, com base nos documentos por ele emitidos, no prazo de 7 (sete) dias, contados da data da realização do embarque. (...) Art. 39. Entendese por data de embarque da mercadoria: (...) II nas exportações por via aérea, a data do vôo; (grifado) Consta do auto de infração que a inserção dos dados no Siscomex se deu quase dois anos após a data do vôo (fl. 6), sendo incontestável o descumprimento da norma por quem detinha essa responsabilidade, não assistindo razão à recorrente também neste ponto. Quanto às divergências que decorreriam de precariedade no procedimento de exportação, constatase apenas desconhecimento acerca do funcionamento do sistema. A tal divergência apontada somente pode ser gerada se o transportador informar dado divergente daquele previamente informado pelo exportador. No caso em tela, como o transportador nada inseriu, impossível falar em divergência que, de resto, jamais impediria o registro dos dados de embarque, pois a divergência somente existe se houver dados de embarque informados, tempestivamente ou não. Prossegue a recorrente com a argumentação de que, previamente à lavratura do auto de infração, a fiscalização aduaneira deveria ter aplicado o art. 723 do Regulamento Aduaneiro/2009, que dispõe sobre a correção e erros ou omissões na exportação nos seguintes termos: Fl. 163DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 164 8 Art.723. Quando ocorrerem, na exportação, erros ou omissões que não caracterizem intenção de fraude e que possam ser de imediato corrigidos, a autoridade aduaneira alertará o exportador e o orientará sobre a maneira correta de proceder. Apenas para contextualizar, tal dispositivo originase da Lei nº 5.025/1966, que é uma lei genérica sobre o comércio exterior, com ênfase na exportação, e que trata de temas diversos como a criação do Conselho Nacional de Comércio Exterior, competências dos órgãos ou agentes que atuem na exportação, armazéns alfandegados e orçamento, dentre várias outras matérias. Logo, vêse que a Lei possui dispositivos, como este acima, que se prestam somente a expressar a política desejada para a exportação. Este artigo integra o capítulo que se dedica às fraudes e crimes na exportação, abordando tanto as penalidades como as consequências administrativas para os intervenientes, como cassação de registro e, dentro do contexto deste capítulo específico, o texto legal ressalva o tratamento a ser dado ao mero erro, como medida de incentivo à exportação. A despeito desse preâmbulo, realizado apenas para que se compreenda a finalidade do dispositivo legal, o artigo, considerado isoladamente, não tem força para afastar a aplicação de uma penalidade decorrente da prática incontroversa de conduta vedada. A uma, porque o dispositivo aplicase aos erros ou omissões cometidos pelo exportador, e não pelo transportador, que é o caso da recorrente. A duas, porque destinase aos erros que possam ser corrigidos de imediato, indicando ser norma de aplicação durante o transcorrer do despacho aduaneiro de exportação, quando ocorre interação entre exportador e fiscalização aduaneira. A três, porque a inserção dos dados após a perda do prazo não reconstitui o prejuízo causado ao controle aduaneiro, não estando configurada a hipótese do artigo citado – inserir o dado intempestivamente não é o mesmo que corrigir, tomado no sentido de reconstituir a situação original. A quatro, porque no artigo citado não há previsão expressa para o afastamento de penalidade nos casos em que a fiscalização se depara com a conduta vedada, tendo mais um caráter de diretriz, a ser seguida quando possível tanto pelo AuditorFiscal, no momento do despacho, quanto pela Receita Federal, na concepção das normas infralegais relativas à matéria. A cinco, porque, por força do disposto no parágrafo único do art. 142 do CTN, verificada a ocorrência de hipótese de incidência, a atividade de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional. Por fim, em relação à alegação de aplicação do instituto da denúncia espontânea, tal matéria foi recentemente sumulada pelo Carf, o que implica a adoção obrigatória do entendimento professado pelo Conselho nos seguintes termos: Súmula Carf nº 126 A denúncia espontânea não alcança as penalidades infligidas pelo descumprimento dos deveres instrumentais decorrentes da inobservância dos prazos fixados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil para prestação de informações à administração aduaneira, mesmo após o advento da nova redação do art. 102 do DecretoLei nº 37, de 1966, dada pelo art. 40 da Lei nº 12.350, de 2010. (grifado) Esta Súmula foi publicada exatamente para a situação de que trata este auto de infração – aplicação de multa por não prestar informação à fiscalização aduaneira no prazo previsto em norma. Fl. 164DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 165 9 Neste ponto do voto, faço um aparte para registrar a utilização de injúria e calúnia pela recorrente ao abordar a matéria que acaba de ser analisada. Transcrevo o trecho exatamente na forma como se encontra no recurso voluntário: 138. Agora, voltando ao caso em estudo, cumpre asseverar o modo como se dá o registro intempestivo. 139. Uma vez ultrapassado o prazo de 2 (dois) dias para o registro no sistema ou nos casos de divergência entre os dados apontados entre transportador e exportador, o registro dos dados deve se dar manualmente, o que deve ser feito tão somente pela autoridade aduaneira. 140. Ora, sendo assim, é notório que não somente a autoridade aduaneira tinha plena consciência da violação dos prazos, como por vezes era esta a verdadeira causadora! 141. Não obstante tal fato tornase assaz curioso o fato de que desde sempre a autoridade aduaneira além de ter consciência da inobservância dos prazos, para esse foto (sic) concorria comissivamente e JAMAIS DEMOSNTROU (sic) QUALQUER INTENSÃO (sic) DE MUDAR A SITUACÃO NEM TÃO POUCO DE PENALIZAR A RECORRENTE PELO DESCUMPRIMENTO DO PRAZO e, quase cinco anos depois dos atos praticados em concurso pela Recorrente e pela autoridade aduaneira, essa última venha cobrar multas pelos atos tolerados ao longo de todos esses anos. 142. Ressaltase, A AUTORIDADE ADUANEIRA SEMPRE SOUBE E SEMPRE COLABOROU PARA A SITAÇÃO (sic) APONTADA COMO INFRATORA. Mediante tal fato, como pode agora incutir a Recorrente a culpa exclusiva pela dita infração? Mais do que isso, se durante todos esses anos conscientemente concorreu para o comportamento, como pode agora querer penalizar a Recorrente? 143. A partir do momento que o ente público, aquele que somente pode fazer o que a Lei lhe permite ou impõe, pratica concorrentemente com a Recorrente e incentiva o comportamento agora condenado pode ele vir e lavrar autos de infração? Se assim for, o ARFB (sic) estará se valendo de sua própria torpeza! 144. Sob essa égide, da mesma forma que o Perdão Tácito permeia os mais diversos ramos do direito, como já demonstrado, é notório que tal instituto deve ser aplicado ao Direito Tributário. Este Conselho preza por uma discussão técnica, dentro dos padrões desejáveis de urbanidade, veracidade, dignidade e decoro que certamente também fazem parte dos deveres do advogado. Absolutamente desnecessária tal abordagem, em que se insinua o cometimento de ato ilícito por servidores públicos, sem qualquer indício de veracidade do que se alega, certamente sem prova, servindo apenas para sugerir que, na ausência de razão, recorre a expedientes grosseiros, agressivos e inócuos. Fl. 165DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 166 10 Lembro ao patrono que, além de inócua, tal conduta é vedada pelo Decreto nº 70.235/ 1972, ipsis litteris: Art. 16. A impugnação mencionará: (...) § 2º É defeso ao impugnante, ou a seu representante legal, empregar expressões injuriosas nos escritos apresentados no processo, cabendo ao julgador, de ofício ou a requerimento do ofendido, mandar riscálas. Concluído o aparte, retomo a última parte das alegações, que se destinam ora a uma das multas, ora a ambas. Ofensa aos Princípios da Legalidade, Razoabilidade, Proporcionalidade, da Função Social da Empresa e do NãoConfisco No tocante a esta parte das alegações, de nulidade do lançamento por afronta aos Princípios Constitucionais da Legalidade, Razoabilidade, Proporcionalidade, da Função Social da Empresa e do NãoConfisco, não conheço da matéria por absoluta incompetência do julgador administrativo em tratar de inconstitucionalidade de lei ou norma. Tal limitação decorre de previsão expressa, que se encontra no Decreto nº 70.235/1972, que assim dispõe sobre o tema: Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.(grifado) O Regimento Interno do Carf trata da matéria, igualmente, em seu art. 62, além de ter emitido súmula, nos seguintes termos: Súmula CARF nº 2 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. (grifado) Dessa forma, temos que à Administração Fazendária, bem como ao julgador no contencioso administrativofiscal, cabe realizar o confronto dos atos praticados com a norma posta, vedada a perquirição relativa à existência de vício em lei ou ato normativo infralegal. Para esse propósito, deve a recorrente se socorrer nas instâncias judiciais. Por todo o exposto, conheço parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da alegação de inconstitucionalidade. Em relação à parte conhecida, voto por afastar a preliminar de nulidade e, quanto ao mérito, por negar provimento ao Recurso Voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Fl. 166DF CARF MF Processo nº 10814.016233/200798 Acórdão n.º 3002000.459 S3C0T2 Fl. 167 11 Fl. 167DF CARF MF
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