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Numero do processo: 10680.913822/2012-46
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 18 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 1302-000.686
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.913812/2012-19, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1221; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C3T2 Fl. 2 1 1 S1C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10680.913822/201246 Recurso nº Voluntário Resolução nº 1302000.686 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Data 18 de outubro de 2018 Assunto DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO Recorrente M.I. MONTREAL INFORMATICA S.A Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 06 80 .9 13 82 2/ 20 12 -4 6 Fl. 178DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.686 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso interposto em relação a Acórdão que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pelo sujeito passivo. A Manifestação de Inconformidade foi apresentada contra Despacho Decisório que indeferiu Pedido Eletrônico de Restituição (PER) referente a pagamento efetuado, a título de estimativa mensal de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL), relativa ao ano calendário de 2009, no âmbito de parcelamento acompanhado pelo processo administrativo nº 13009.000062/200504. O indeferimento foi fundamentado no fato de que o pagamento estava integralmente alocado ao referido parcelamento, inexistindo, portanto, saldo passível de restituição. O PER, por outro lado, como esclarecido na Manifestação de Inconformidade, embasouse no fato de que o referido pagamento por estimativa não foi reconhecido no processo administrativo nº 13009.000190/0046, que tratou do Pedido de Restituição relativo ao saldo negativo de CSLL referente ao anocalendário de 1999. O Acórdão de primeira instância julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade do sujeito passivo uma vez que, a decisão final do processo administrativo nº 13009.000190/0046 reconheceu a existência de saldo a pagar de CSLL, em relação ao ano calendário de 1999, no montante de R$ 241.202,59, enquanto todos os pagamentos realizados no âmbito do processo administrativo nº 13009.000062/200504, a título de CSLL, somente totalizariam R$ 176.594,58, não havendo, portanto, qualquer valor a restituir. Na primeira oportunidade em que apreciou o Recurso Voluntário do contribuinte, esta Turma Julgadora resolveu converter o julgamento em diligência, para o esclarecimento dos montantes liquidados no âmbito dos processos nº 13009.000190/0046 e 13009.000062/200504. Após a diligência, o processo retornou para julgamento, conforme Relatório de Diligência Fiscal e Manifestação do Recorrente. É o Relatório. Fl. 179DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.686 S1C3T2 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido na Resolução nº 1302000.676, de 18/10/2018, proferida no julgamento do Processo nº 10680.913812/201219, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 1302000.676): "Apesar de haver sido realizada a Diligência determinada por esta Turma, conforme relatado, as informações constantes do Relatório de Diligência Fiscal de fls. [...] não esclareceram os pontos questionados, de forma conclusiva. É que o citado Relatório informa, inicialmente, que "o processo 13009.000062/200504, do qual constam as estimativas da CSLL, foi extinto por quitação do parcelamento e controla as estimativas da CSLL do anocalendário de 1999". Mais à frente, informa que o total de débitos parcelados no âmbito do referido processo foi de R$ 258.873,49 e o extrato de fls. [...] revela todos esses débitos extintos, sem, contudo, discriminar quais pagamentos foram utilizados para esta quitação. Além disso, à fl. [...], são listados os pagamentos relativos ao processo nº 13009.000062/200504, sendo que ali há apenas 13 pagamentos no valor principal de R$ 9.810,81, o que não seria suficiente para quitar o saldo parcelado de R$ 258.873,49. Não há qualquer detalhamento de possíveis pagamentos que o sujeito passivo possa ter realizado em relação ao saldo de estimativas parceladas no processo nº 13009.00062/200504, no âmbito do parcelamento especial instituído pela Medida Provisória nº 303, de 29 de junho de 2006 (após a rescisão, em agosto de 2006, do parcelamento de que trata o processo nº 13009.00062/200504), bem como no parcelamento de que trata a Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009 (após a rescisão do PAEX, em setembro de 2009), de modo a justificar a extinção. Ademais, segundo a Discriminação de débitos a parcelar (Dipar) constante do processo nº 13009.000062/200504, o montante ali parcelado foi de R$ 588.468,60, conforme imagem a seguir: Fl. 180DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.686 S1C3T2 Fl. 5 4 Como registrado na Resolução anterior, a quantificação correta dos valores extintos pelo sujeito passivo, a título de estimativas de CSLL, bem como a apuração dos montantes que permanecem disponíveis em relação a tais pagamentos, tem efeito direto na análise do PER de que trata o presente processo, bem como na análise de PER similares referentes aos demais pagamentos efetuados a título de estimativa de CSLL, no âmbito do processo n° 13009.00062/200504. É que, ao contrário do afirmado no Relatório de Diligência Fiscal, houve sim, por parte do Recorrente, pedido de restituição/compensação referente ao saldo de CSLL do ano calendário de 1999, tratado no âmbito do processo administrativo nº 13009.000190/0046 e que reconheceu, em lugar de saldo negativo, a existência de saldo a pagar de CSLL, no montante de R$ 241.202,59. Isto posto, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência, para que o processo retorne, mais uma vez, à Unidade de origem (DRF/Belo Horizonte), para que: a) discrimine a forma de extinção de todas as estimativas de CSLL parceladas no âmbito do processo nº 13009.00062/200504 (diretamente naquele processo ou em parcelamentos especiais posteriores); b) informe sobre eventuais saldos disponíveis dos pagamentos realizados no âmbito do referido processo; c) ao fim, elaborese relatório de diligência contendo as informações acima requeridas, com o acréscimo daquelas que entender cabíveis para o deslinde do presente processo, dando ciência do resultado ao sujeito passivo e concedendolhe prazo para, querendo, manifestarse nos autos. Após, reencaminhese o processo a este Colegiado." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por converter o julgamento em diligência, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 181DF CARF MF Processo nº 10680.913822/201246 Resolução nº 1302000.686 S1C3T2 Fl. 6 5 Fl. 182DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 18050.000908/2008-59
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Segunda Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999
CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL.
O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.).
LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA.
Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 2301-005.459
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator.
(assinado digitalmente)
João Bellini Júnior Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
Nome do relator: JOAO BELLINI JUNIOR
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 CONSTRUÇÃO CIVIL. SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior.
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SOLIDARIEDADE. EMPREITADA TOTAL. O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato. (Art. 30, VI da Lei 8.212, de 1991.). LANÇAMENTO. AFERIÇÃO INDIRETA. Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. Recurso Voluntário Negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Wesley Rocha, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Alexandre Evaristo Pinto, João Mauricio Vital, Marcelo Freitas de Souza Costa, Juliana Marteli Fais Feriato e João Bellini Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 05 0. 00 09 08 /2 00 8- 59 Fl. 205DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 3 2 Relatório O presente recurso foi objeto de julgamento na Sistemática dos Recursos Repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, adoto o relatório objeto do Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no âmbito do processo n° 10580.013931/200722, paradigma deste julgamento. Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Tratase de recurso voluntário em face do Acórdão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação apresentada. Consoante o Relatório Fiscal e Relatório Fiscal Substitutivo, a recorrente Companhia de Eletricidade do Estado da Bahia — Coelba, é tomadora de serviços prestados mediante cessão de mãodeobra, referente aos serviços de construção e manutenção programada em redes aéreas de distribuição de energia elétrica, na competência 02/1999, realizadas junto à empresa Construtora ou Incorporadora, ambas incluídas no polo passivo do lançamento fiscal para responderem solidariamente pelo crédito tributário relativo a contribuições devidas à Seguridade Social, tendo sido o crédito apurado por correspondentes à parte dos segurados empregados, da empresa e do financiamento dos benefícios concedidos em razão do grau de incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho, tomando como base os valores constantes em notas fiscais de prestação de serviço, referentes à mãodeobra contratada de pessoa jurídica, no período de apuração 02/99. É fundamento do lançamento o art. 33, §3º, da Lei 8.212, de 1991, o art. 52 do Regulamento da Organização e do Custeio da Seguridade Social (ROCSS), aprovado pelo Decreto 2.173, de 1997, e o art. 74 da Instrução Normativa INSS/DC n° 70, de 2002 (40% do valor dos serviços constantes das notas fiscais), uma vez que a recorrente não apresentou as guias de recolhimento prévio solicitadas. Os serviços de construção civil em subestação, executados pela empreiteira (ampliação/construção), fazem parte do Anexo III, 45.322 da IN 69, de 2002 e as notas fiscais, data de emissão, valor total e tipo de serviço foram relacionados na tabela anexa ao Relatório de Fatos Geradores. A DRJ julgou o lançamento procedente (e improcedente a impugnação da responsável solidária, Coelba atual recorrente) e da contribuinte, em acórdão que recebeu as seguintes ementas: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/02/1999 a 28/02/1999 SOLIDARIEDADE. CONSTRUÇÃO CIVIL. EMPREITADA TOTAL Fl. 206DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 4 3 O contratante de serviços de construção civil responde solidariamente com o construtor, independentemente da forma de contratação, pelo pagamento das contribuições previdenciárias decorrentes do contrato (Art. 30, VI da Lei 8.212/91). A partir da competência 02/99 a solidariedade na construção civil somente é admitida quando há empreitada total. ELISÃO DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA A solidariedade do contratante de serviços de construção civil, somente é elidida se for comprovado o recolhimento das contribuições previdenciárias pela empresa contratada, devendo ser apresentadas guias de recolhimento e folhas de pagamento específicas, ou seja, vinculadas às notas fiscais de serviço respectivas. BENEFÍCIO DE ORDEM. NÃO CABIMENTO. A solidariedade aqui prevista não comporta benefício de ordem, sendo desnecessária a fiscalização prévia da empresa contratada. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. DESNECESSIDADE. Não se justifica a realização de diligência para revisão do procedimento fiscal quando o processo contiver os elementos necessários para a formação da livre convicção do julgador. Lançamento Procedente". Após a decisão proferida, tanto a responsável quanto a tomadora dos serviços foram devidamente cientificadas. Cabe mencionar que a DRJ de origem não recebeu a impugnação da contribuinte, uma vez que a impugnação foi apresentada fora do prazo legal, sendo considerada intempestiva. A Coelba, apresentou Recurso Voluntário, no qual, em síntese, é alegado: (a) a inexistência do suposto saldo devedor objeto do lançamento fiscal impugnado; (b) a não configuração dos pressupostos para apuração do montante supostamente devido mediante aferição indireta (arbitramento); (c) a elisão da responsabilidade solidária da tomadora do serviço; e (d) a cobrança em duplicidade. Os pedidos consistem em: (i) anular/reformar o acórdão recorrido, com a devolução do processo à DRJ, para a adequada análise da farta documentação comprobatória da quitação anexada aos autos pela Recorrente; alternativamente, reformar o acórdão recorrido, a fim de julgar totalmente improcedente a notificação fiscal ora impugnada; Fl. 207DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 5 4 (ii) declarar a ausência de responsabilidade solidária da Recorrente pelos supostos débitos objeto da notificação fiscal ora impugnada; (iii) ultrapassados os pleitos acima, afastar a metodologia de aferição indireta (arbitramento) indevidamente utilizada para calcular o montante supostamente devido, assim como afastar a duplicidade (bitributação) da cobrança, que está sendo feita simultânea e cumulativamente em relação à Recorrente e à a empresa construtora. A responsável, empresa construtora, não apresentou recurso voluntário. Diante dos fatos narrados, é o relatório.” Voto Conselheiro João Bellini Júnior – Relator Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018, proferido no julgamento do Recurso Voluntário objeto do processo n° 10580.013931/200722, paradigma ao qual o presente processo encontrase vinculado. Transcrevese, a seguir, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto condutor proferido pelo Conselheiro Wesley Rocha, digno relator da susodita decisão paradigma, reprisese, Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária, de 05 de julho de 2018: Acórdão nº 2301005.456 3ª Câmara/1ª Turma Ordinária “Conselheiro Wesley Rocha – Relator O recurso voluntário é tempestivo e aborda matéria de competência desta Turma. Portanto, dele tomo conhecimento. DO SALDO DEVEDOR OBJETO DO LANÇAMENTO FISCAL A recorrente alega a inexistência de saldo devedor objeto do lançamento, uma vez que há suficiência probatória dos documentos acostados aos autos, havendo necessidade de observância do princípio da verdade material; diz que a notificação fiscal foi lavrada pelo fato de, no momento da realização da fiscalização em seu estabelecimento, não terem sido apresentados os comprovantes de recolhimento das contribuições previdenciárias referentes ao contrato de prestações serviços firmado entre ela (tomadora) e a empresa construtora (prestadora). Diante disso, o valor lhe foi imputado, como responsável solidária, tendo sido apurado pela sistemática da aferição indireta. Alega também que não existe o suposto débito e a Fazenda Pública tem o poder de Fl. 208DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 6 5 constituir unilateralmente presunções em seu favor, as quais podem ser desconstituídas mediante prova em contrário. Apresentou toda a documentação hábil, idônea e suficiente à comprovação da quitação dos supostos débitos; de modo que nada se encontra pendente a esse título; tais documentos devem ser pormenorizadamente analisados, a fim de desvendar a realidade dos fatos, em obediência ao princípio da verdade material; ao contrário do que afirmou o acórdão recorrido, as guias de recolhimento anexadas são prova suficiente para desconstituição do débito, assim como as cópias das folhas de pagamento correspondentes. Entretanto, conforme se verifica dos autos, não assiste razão a recorrente. No caso de construção civil, vige a solidariedade tributária do proprietário, incorporador, dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, conforme previsão do art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991: Art. 30 (...) (...) VI o proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor, e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem; Redação dada pela Lei 9.528, de 10.12.97) Tal previsão é regulamentada pelo art. 43 do ROCSS e esmiuçada pela Ordem de Serviço DAF 165, de 1997, item 17: ROCSS Art. 43. O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964, o dono de obra ou o condôminio de unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor nas obrigações para com a seguridade social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante de obra, admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações. § 1º A responsabilidade solidária somente será elidida se for comprovado pelo executor da obra o recolhimento das contribuições incidentes sobre a remuneração dos segurados incluída em nota fiscal ou fatura correspondente aos serviços executados, quando da quitação da referida nota fiscal ou fatura, quando não comprovadas contabilmente. § 2º Para efeito do disposto no parágrafo anterior, o executor da obra deverá elaborar folhas de pagamento e guias de recolhimento Fl. 209DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 7 6 distintas para cada empresa contratante, devendo esta exigir do executor da obra, quando da quitação da nota fiscal ou fatura, cópia autenticada da guia de recolhimento quitada e respectiva folha de pagamento. § 3º Considerase construtor, para os efeitos deste Regulamento, a pessoa física ou jurídica que executa obra sob sua responsabilidade, no todo ou em parte. (Grifouse.) Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 17 – O proprietário, o incorporador definido na Lei nº 4.591, de 16 de dezembro de 1964 , o dono da obra ou condômino da unidade imobiliária, qualquer que seja a forma de contratação da construção, reforma ou acréscimo, são solidários com o construtor e estes com a subempreiteira, pelo cumprimento das obrigações para com a Seguridade Social, ressalvado o seu direito regressivo contra o executor ou contratante da obra e admitida a retenção de importância a este devida para garantia do cumprimento dessas obrigações, não se aplicando, em qualquer hipótese, o benefício de ordem. Tal responsabilidade é elidida, de acordo com o item 20 do mesmo texto legislativo desde se comprove ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura: 20 O proprietário, o incorporador, o dono da obra, o condômino de unidade imobiliária e a empresa construtora que contratarem obra de construção civil elidirseão da responsabilidade solidária, desde que comprovem ter a contratada efetuado o recolhimento prévio das contribuições sociais relativas à nota fiscal ou fatura, devendo o salário de contribuição corresponder aos percentuais previstos no Título V, observado o item 27. 20.1 Para comprovação do recolhimento prévio, a contratada anexará à nota fiscal de serviço cópia da GRPS quitada, preenchida segundo o disposto no item 16, alínea b, além da cópia da folha de pagamento. (Redação dada ao subitem pela Ordem de Serviço DAF nº 185, de 31.03.1998, DOU 15.04.1998) (Grifouse.) (...) 16 O recolhimento das contribuições será individualizado por obra, mediante matrículas distintas, observado, quanto ao preenchimento da Guia de Recolhimento da Previdência Social GRPS, o seguinte: (...) b) EMPREITEIRA, no caso de empreitada parcial, e SUBEMPREITEIRA (GRPS específica para cada obra): campo 01 apor o carimbo padronizado do CGC ou sua transcrição. campo 02 registrar o nome da empreiteira/subempreiteira; campos 03 a 07 apor o endereço da obra; campo 08 registrar a matrícula CEI da obra e o nome do proprietário ou dono da obra. Em se tratando de recolhimento Fl. 210DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 8 7 prévio, registrar também o número, a data e o valor da nota fiscal de serviço à qual as contribuições deverão ser vinculadas; campo 09 registrar o nº 1; campo 10 registrar o nº do CGC da empreiteira/subempreiteira. campo 11 registrar o código FPAS. Os percentuais retroreferidos encontramse definidos no item 5, quais sejam: V APURAÇÃO DE SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO CONTIDO EM NOTA FISCAL DE SERVIÇO 31 É fixado em 40% (quarenta por cento) o percentual mínimo de saláriodecontribuição contido em nota fiscal de serviço/fatura. 31.1 Em se tratando de nota fiscal de serviço que contenha mão deobra e material, o saláriodecontribuição corresponderá no mínimo a 40% (quarenta por cento) do valor da mãodeobra discriminado na fatura, devendo a empresa de construção civil, quando da fiscalização, comprovar a exatidão dos valores discriminados. 31.1.1 Na hipótese de não ser efetuada a discriminação dos valores, 50% (cinqüenta por cento) serão considerados como material e 50% (cinqüenta por cento) como mãodeobra, totalizando o saláriodecontribuição, por conseguinte, 20% (vinte por cento) do valor da nota fiscal de serviço. 31.2 Tratandose de serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá à aplicação dos seguintes percentuais sobre o valor da nota fiscal/fatura: 31.2.1 Nos demais serviços com utilização de equipamentos mecânicos, o saláriodecontribuição corresponderá a aplicação do percentual de 12% (doze por cento) sobre o valor da nota fiscal/fatura. 31.2.1.1 Estes percentuais refletem os custos da mãodeobra direta, em comparação com os custos totais da obra, devendo, por conseguinte, serem aplicados sobre o valor total da nota fiscal de serviço/fatura, sem a exclusão dos valores referentes a material e a utilização de equipamentos mecânicos. Pavimentação 3% (três por cento) Terraplenagem 5% (cinco por cento) Concreto Preparado 5% (cinco por cento) Obras Complementares (ajardinamento, recreação etc) 7% (sete por cento) Obras de Arte (pontes e viadutos) 15% (quinze por cento) Drenagem 17% (dezessete por cento) Fl. 211DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 9 8 Diante do exposto, é necessário verificar o contrato de empreitada que originou as contribuições exigidas no presente processo, bem como das notas fiscais de prestação de serviços juntadas ao feito. Nesse sentido, foram juntados na impugnação os seguintes documentos, relacionados à prestadora de serviços realizada: (a) Guia de Recolhimento da Previdência Social (GRPS), competência 02/99. (b) Guia de Recolhimento do FGTS (Gre) do período 02/99; e (c) folhas de pagamento do período 02/99. Pois bem, como assentou a decisão recorrida, nenhum dos documentos referidos se relaciona às notas fiscais concernentes ao contrato de prestação de serviços. Na GRPS não consta os dados referentes à obra, conforme determinado pelo item 16, “b”, da Ordem de Serviço DAF 165 de 1997, e, tampouco, os valores recolhidos por meio da GRPS é compatível com o valor dos tributos devidos, cuja base de cálculo é diversa da apontada pela recorrente, considerando que foi aplicado o percentual de 40% sobre o valor das “notas fiscais, por competência, uma vez que a empresa contratante fornece todo o material utilizado. Entrelaçando a responsabilidade pela empreitada global, em mesmo sentido apontam as normas inscritas no art. 42 do Regulamento da Previdência Social, aprovado pelo Decreto nº 612/92, vigente à data de ocorrência dos fatos geradores. Decreto nº 612, de 21 de julho de 1992. Art. 46. O contratante de quaisquer serviços executados mediante cessão de mãodeobra, inclusive em regime de trabalho temporário, responde solidariamente com o executor destes serviços pelas obrigações decorrentes deste regulamento, em relação aos serviços a ele prestados, exceto quanto às contribuições incidentes sobre faturamento e lucro, conforme o disposto no art. 28. Ainda, A CRPS editou o Enunciado n° 30 (Resolução n° 1, de 31/01/2007, publicada no DOU de 05/02/2007), abaixo transcrito: "Em se tratando de responsabilidade solidária o fisco previdenciário tem a prerrogativa de constituir os créditos no tomador de serviços mesmo que não haja apuração prévia no prestador de serviços. Como já visto, os recolhimentos juntados aos autos não são condizentes com s fatos geradores do Lançamento, bem como nem as formalidades e os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 31 da Lei 8.212, de 1991 e legislação correlata (já transcrito). Fl. 212DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 10 9 Desse modo, deve ser mantida a responsabilidade solidária, com a inclusão de capítulo específico abaixo, bem como o valor do crédito tributário constituído pelo lançamento. DA RESPONSABILIDADE SOLIDÁRIA É alegado que a imputação de responsabilidade solidária pelo pagamento de determinado tributo exige a previsão expressa em lei, assim como a estrita observância dos moldes e requisitos ali discriminados para a ocorrência de tal imputação ou seu afastamento; no caso específico das contribuições previdenciárias, aduz a recorrente que deve ser inteiramente afastada eventual responsabilidade solidária da tomadora de serviço quando for comprovado o recolhimento por parte da prestadora, de acordo com o art. 30, §3° da Lei 8.212, de 1991, o art. 43, §§1° e 2º do Decreto 2.173, de 1997 (ROCSS) e o art. 16 da Ordem de Serviço INSS n° 83; inferese de tais normas que a imputação de responsabilidade solidária à tomadora do serviço tem como pressuposto indispensável a ausência de recolhimento por parte da prestadora; na hipótese em questão, encontramse devidamente comprovados os efetivos recolhimentos das contribuições previdenciárias por parte da empresa prestadora do serviço; logo, uma vez comprovados tais recolhimentos por parte da prestadora do serviço, não se pode falar em qualquer responsabilidade solidária por parte da empresa tomadora, devendo ser inteiramente reformado o acórdão recorrido; o acórdão recorrido, ao centrar esforços apenas na ocorrência de suposta responsabilidade solidária, sem ao menos verificar pormenorizadamente os documentos por si acostados, inverteu a lógica para imputação de tal responsabilidade, porque a atribuição de responsabilidade solidária tem como pressuposto necessário o não pagamento por parte do prestador, o que não foi analisado adequadamente pelo acórdão; a simples leitura e observação atenta dos autos deixa clara a idoneidade e suficiência dos documentos juntados por si para comprovar a plena quitação dos supostos débitos em comento; deve ser afastada, portanto, qualquer responsabilidade solidária por parte da tomadora do serviço. Como se constata dos recolhimentos juntados aos autos, bem como do capítulo abaixo, os documentos ofertados à fiscalização não são condizentes com o período de apuração, bem como não correspondem com as formalidades nem com os valores devidos em decorrência do contrato de empreitada em questão, motivos adequados e suficientes a atrair tanto o dever de lançar por parte do fisco (art. 142, parágrafo único, do CTN), quanto a responsabilidade solidária da recorrente, prevista pelo art. 30, VI, da Lei 8.212, de 1991 e item 17 da Ordem de Serviço DAF 165, de 1997 (já transcrito). DOS PRESSUPOSTOS PARA APURAÇÃO DO MONTANTE DEVIDO MEDIANTE AFERIÇÃO INDIRETA Assevera a recorrente que: os documentos por ela juntados aos autos são hábeis, idôneos e suficientes à comprovação do pagamento dos supostos débitos que estão sendo lhe sendo imputados, afastando a presunção gerada pelo método da aferição indireta; a aferição indireta do montante supostamente devido é um expediente cuja utilização pela Fazenda Pública possui caráter excepcional, só podendo ser utilizada Fl. 213DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 11 10 na ocorrência das hipóteses e requisitos estritamente definidos pelo art. 33, §§ 3ºa 6º da Lei 8.212, de 1991, que não ocorrem no caso, quais sejam: a) a recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação; ou b) a verificação de indícios de inidoneidade da documentação fiscal e contábil, que aponte para o registro de informações destoantes da realidade dos fatos; não houve qualquer recusa ou sonegação de documentos por sua parte, nem qualquer indicio de inidoneidade da sua estrita fiscal e contábil. Não há qualquer mácula no lançamento, quanto a essa questão. Por primeiro, ressalto que os documentos juntados aos autos pela recorrente não são hábeis, idôneos ou suficientes à comprovação do pagamento dos créditos tributários exigidos. Por sua vez, a Lei 8.212, de 1991, art. 33, §§ 3° e 6º é explícita ao atribuir à fiscalização o poder de (a) lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário, no caso de recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente; (b) apurar e lançar as contribuições devidas quando constatar que a contabilidade não registra a realidade da remuneração dos segurados a seu serviço e (c) desconsiderar o vínculo pactuado e efetuar o enquadramento como segurado empregado, quando constate que o segurado contratado como contribuinte individual, trabalhador avulso, ou sob qualquer outra denominação, preenche as condições que caracterizem tal condição: Lei 8.212, de 1991 Art. 33 (...) § 3º Ocorrendo recusa ou sonegação de qualquer documento ou informação, ou sua apresentação deficiente, a Secretaria da Receita Federal do Brasil pode, sem prejuízo da penalidade cabível, lançar de ofício a importância devida, cabendo à empresa ou ao segurado o ônus da prova em contrário. (Redação dada pela Medida Provisória n° 449, de 2008) (no mesmo sentido, o art. 233 do RPS) (...) § 6° Se, no exame da escrituração contábil e de qualquer outro documento da empresa, a fiscalização constatar que a contabilidade não registra o movimento real de remuneração dos segurados a seu serviço, do faturamento e do lucro, serão apuradas, por aferição indireta, as contribuições efetivamente devidas, cabendo à empresa o ônus da prova em contrário. (Grifouse.) No caso em apreço, é evidente a apresentação deficiente da documentação, uma vez que, como visto, não foram apresentadas as guias de recolhimento da Previdência Social referentes à obra em questão. DA COBRANÇA EM DUPLICIDADE Fl. 214DF CARF MF Processo nº 18050.000908/200859 Acórdão n.º 2301005.459 S2C3T1 Fl. 12 11 É alegado que, ao cobrar os débitos em questão simultaneamente da Recorrente e da contatado de modo cumulativo, a Fazenda Pública está efetuando nítida cobrança em duplicidade, bitributação, o que é absolutamente vedado pelo ordenamento jurídico pátrio, principalmente em virtude da proibição do enriquecimento sem causa da Fazenda Pública, adstrita à moralidade administrativa; na verdade, tratase de uma cobrança tripla, pois a cobrança dúplice está sendo feita sobre um débito que já foi devidamente pago pela empresa prestadora na época da ocorrência do fato gerador. Não lhe assiste razão. Como visto, as guias de recolhimentos juntadas aos autos não se relacionam com o crédito tributário ora lançado, e não se comprovou nenhum bis in idem; Ademais, não se está cobrando um montante do crédito tributário da recorrente (responsável solidária) e outro montante de igual valor da empreiteira (contribuinte): é o mesmo crédito tributário que está sendo exigido, apenas uma vez, da contribuinte e da responsável solidária; não há falar, portanto, em duplicidade de tributação. CONCLUSÃO Voto, portanto, por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO. (assinatura digital) Wesley Rocha Relator” Nesse contexto, pelas razões de fato e de Direito ora expendidas, voto por CONHECER do Recurso Voluntário para, no mérito, NEGARLHE PROVIMENTO. (assinado digitalmente) João Bellini Júnior – Relator Fl. 215DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.720330/2007-95
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido - CSLL
Ano-calendário: 2004
DENÚNCIA ESPONTÂNEA.
A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, no presente caso em que a CSLL sujeita a lançamento por homologação declarada pela Recorrente, recolhida fora do prazo de vencimento e antes da entrega da DCTF.
Numero da decisão: 1003-000.273
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Relatora e Presidente
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: CARMEN FERREIRA SARAIVA
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A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, no presente caso em que a CSLL sujeita a lançamento por homologação declarada pela Recorrente, recolhida fora do prazo de vencimento e antes da entrega da DCTF. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Relatora e Presidente Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes, Mauritânia Elvira de Sousa Mendonça e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Contra a Recorrente acima identificada foi lavrado o Auto de Infração nº 1006558 às fls. 95101, com a exigência do crédito tributário no valor total de R$1.412,02 a título de multa de mora paga a menor, código 6094, em relação aos recolhimentos de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) informados na Declaração de Débitos e AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 72 03 30 /2 00 7- 95 Fl. 143DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 144 2 Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 20052010074057 referente ao primeiro trimestre de 2004. Consta na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal: O presente Auto de Infração da realização de Auditoria Interna na(s) DCTF discriminadas [...], conforme INSRF n° 045 e 077/98. Foi(ram) constatada(s) irregularidade(s) no(s) crédito(s) vinculado(s) informado(s) na(s) DCTF, conforme indicada(s) no Demonstrativo de Créditos Vinculados não Confirmados (Anexo I), e/ou no "Relatório de Auditoria Interna de Pagamentos Informados na(s) DCTF" (Anexos la ou Ib), e /ou "Demonstrativo de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento" (Anexos IIa ou IIb), e/ou no "Demonstrativo do Crédito Tributário a Pagar" (Anexo III) e/ou no "Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor" (Anexo IV). [...] PAGAMENTO DE TRIBUTO OU CONTRIBUIÇÃO APÓS O VENCIMENTO. COM FALTA OU INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS (Multa de Mora e/ou Juros de Mora parcial ou total), conforme Anexo IV DEMONSTRATIVO DE MULTA E/OU JUROS A PAGAR NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR". em anexo. JUROS: ART 160 L 5172/66; ART 43 L 9430/96; ART 9 L 10426/02 . MULTA: ART 160 L 5172/66; ARTS 43 E 61 E PARS 1 E 2 L 9430/96; ART 9 E PAR UN L 10426/02. Cientificada, a Recorrente apresenta a impugnação. Está registrado como ementa do Acórdão da 10ª Turma/DRJ/SPOI/SP nº 1634.539, de 03.11.2011, efls. 105109: DENÚNCIA ESPONTÂNEA. MULTA DE MORA. A multa de mora é devida sempre que o pagamento de tributo ou contribuição se der após o vencimento. O instituto da denúncia espontânea, previsto no art. 138 do Código Tributário Nacional, exclui apenas as penalidades de natureza punitiva, não as de natureza moratória. Impugnação Improcedente Notificada em 06.01.2012, el. 113, a Recorrente apresentou o recurso voluntário em 03.02.2012, efls. 114140, esclarecendo a peça atende aos pressupostos de admissibilidade. Discorre sobre o procedimento fiscal contra o qual se insurge. Em relação ao lançamento diz que: III. Do PAGAMENTO TEMPESTIVO DAS COTAS DO TRIBUTO 3.1 . Passou despercebida pela Egrégia 10a Turma d Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamentos a alegação de pagamento tempestivo das cotas do tributo erigida na impugnação (item 4). 3 . 2 . Com efeito, a recorrente, sujeitandose à apuração do IRPJ com base no lucro real trimestral, declarou em DCTF débito de CSLL (referente ao 4 o trimestre de 2004) no importe de R$ 23.432,44. Fl. 144DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 145 3 3.2. Como à CSLL aplicamse às mesmas normas de apuração e de pagamento estabelecidas ao IRPJ1 , aludido débito foi objeto de pagamento parcial efetuado pela recorrente no montante de R$ 8.927,72, tendo o saldo remanescente (R$ 14.504,72) sido integralmente quitado, no vencimento e com as devidas correções, em duas parcelas iguais e sucessivas. Tudo em conformidade com o artigo 5 o da Lei n° 9.430/96, verbis: [...] IV. A DENÚNCIA ESPONTÂNEA EXCLUSÃO DA MULTA DE MORA 4.1.1. Para evidenciar a relevância da questão de direito suscitada no presente recurso, convém anotar que, nos termos da Súmula 360/STJ, "o benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo" (grifouse). 4.1.2. Isso não significa dizer, todavia, que a denúncia espontânea está afastada em qualquer circunstância ante a pura e simples razão de se tratar de tributo sujeito a lançamento por homologação. Não é isso!!!. O que a jurisprudência pátria afirma é a nãoconfiguração de denúncia espontânea quando o tributo foi previamente declarado pelo contribuinte, já que, nessa hipótese, o crédito tributário se achava devidamente constituído no momento em que ocorreu o pagamento. 4.1.3. A contrario sensu, e essa é a situação dos autos (já que a DCTF retificadora foi entregue posteriormente ao pagamento efetuado) podese afirmar que, não tendo havido prévia declaração do tributo, mesmo aquele sujeito a lançamento por homologação, é possível a configuração de sua denúncia espontânea, uma vez concorrendo os demais requisitos estabelecidos no art. 138 do CTN. [...] 4.2. Posto isso, ainda que a comprovação do pagamento integral e tempestivo das cotas da CSLL referentes ao 4 o trimestre de 2004 seja bastante para afastar a aplicação da multa de mora e fulminar a pretensão fiscal, a recorrente, por amor ao debate, demonstrará que não agiu com o costumeiro acerto a Turma Julgadora ao não estender à multa de moratória os benefícios da denúncia espontânea. 4. 3 . Como razão de decidir entendeu a Egrégia 10a Turma que o instituto da denúncia espontânea, previsto no artigo 138 do CTN, aplicase apenas às penalidades de natureza punitiva, não se estendendo àquelas de caráter moratório que buscam compensar o erário pelo atraso no recolhimento do tributo devido. Por essas razões, integralmente mantido restou o lançamento. [...] 4.4.1. Com efeito, a lei que pune a impontualidade do devedor de obrigação tributária com a cominação de multa de mora, mesmo que graduada em função do atraso, não tem em mira a recomposição do patrimônio do credor pelo tempo transcorrido após o vencimento (função dos juros de mora e da correção monetária), mas sim, tem como objetivo fixar penalidade suficiente para intimidar a mora do devedor, utilizandose de instrumento que permite agravar o valor global da obrigação, se liquidada após o vencimento. [...] 4.4.2. Nesse contexto, caso a denúncia espontânea não afastasse a multa moratória, não se alcançaria o objetivo de mitigar a situação do contribuinte que se autodenuncia, visto que ele receberia o mesmo tratamento dado àquele surpreendido pela atividade fiscalizatória da administração fazendária. Fl. 145DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 146 4 Ademais, como o legislador no artigo 138 do CTN não previu o pagamento da multa nos casos de denúncia espontânea, é totalmente irrelevante a discussão levantada no acórdão recorrido acerca da natureza dessa sanção. 4.4.3 . Portanto, por ser a multa uma consequência do descumprimento de determinada regra, seja sua natureza formal ou substancial, a ela se agregará a característica de sanção, devendo, portanto, ser afastada com a denúncia espontânea da infração cometida, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido. 4.4.4. Induvidoso que a aplicabilidade do artigo 138 do Código Tributário Nacional, em situações análogas ao presente caso, já foi objeto de dezenas de julgamentos nos Conselhos de Contribuintes e na Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, onde gerou grandes embates e, durante muito tempo, pouca unanimidade. Inobstante a pluralidade de posicionamentos dos membros deste E. Conselho, o Regimento Interno do CARF, sofreu algumas alterações pela Portaria n° 586, de 22/12/2010, dentre as quais se destaca o acréscimo do artigo 62A, segundo o qual as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ, bem como pelo Supremo Tribunal Federal, em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C do Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. [...] No que concerne ao pedido conclui que: 5.1. Por todo o exposto, demonstrado o pagamento integral e tempestivo das cotas de CSLL referentes ao 4º trimestre de 2004, bem como a impossibilidade da aplicação da multa de mora na hipótese de pagamento extemporâneo em razão da denúncia espontânea, requer a recorrente seja dado integral provimento ao presente recurso voluntário para anular o lançamento combatido. É o Relatório. Voto Conselheira Carmen Ferreira Saraiva, Relatora O recurso voluntário apresentado pela Recorrente atende aos requisitos de admissibilidade previstos nas normas de regência, em especial no Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972. Assim, dele tomo conhecimento, inclusive para os efeitos do inciso III do art. 151 do Código Tributário Nacional. A Recorrente discorda do lançamento ao argumento de que está amparada pelo instituto da denúncia espontânea. O pressuposto é de que a pessoa jurídica deve manter os registros de todos os ganhos e rendimentos, qualquer que seja a denominação que lhes seja dada independentemente da natureza, da espécie ou da existência de título ou contrato escrito, bastando que decorram de ato ou negócio. A escrituração mantida com observância das disposições legais faz prova a Fl. 146DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 147 5 favor dela dos fatos nela registrados e comprovados por documentos hábeis, segundo sua natureza, ou assim definidos em preceitos legais1. A Instrução Normativa RFB nº 45, de 05 de maio de 1998, que vigorava à época, previa: Art. 1º As Declarações de Contribuições e Tributos Federais DCTF relativas aos trimestres do anocalendário de 1998 e anteriores serão elaboradas com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 073, de 19 de dezembro de 1996, e nesta Instrução Normativa. Art. 2º Os saldos a pagar, relativos a cada imposto ou contribuição, serão enviados para inscrição em Dívida Ativa da União, imediatamente após o término dos prazos fixados para a entrega da DCTF. § 1º Os saldos a pagar relativos ao Imposto de Renda das Pessoas Jurídicas IRPJ e à Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL serão objeto de verificação fiscal, em procedimento de auditoria interna, abrangendo as informações prestadas nas DCTF e na Declaração de Rendimentos, antes do envio para inscrição em Dívida Ativa da União. § 2º Os demais valores informados na DCTF, serão, também, objeto de auditoria interna. § 3º Os créditos tributários, apurados nos procedimentos de auditoria interna a que se referem os parágrafos anteriores, serão exigidos por meio de lançamento de ofício, com o acréscimo de juros moratórios e multa, moratória ou de ofício, conforme o caso, efetuado com observância do disposto na Instrução Normativa SRF Nº 094, de 24 de dezembro de 1997. Instaurada a fase litigiosa do procedimento, cabe à Recorrente detalhar os motivos de fato e de direito em que se basear expondo de forma minuciosa os pontos de discordância e suas razões e instruindo a peça de defesa com prova documental préconstituída imprescindível à comprovação das matérias suscitadas. Por seu turno, a autoridade julgadora, orientandose pelo princípio da verdade material na apreciação da prova, deve formar livremente sua convicção mediante a persuasão racional decidindo com base nos elementos existentes no processo e nos meios de prova em direito admitidos (art. 14, art. 15 e art. 29 do Decreto nº 70.235, de 06 de março de 1972). Pertinente à denúncia espontânea da infração acompanhada do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, temse que exclui a responsabilidade do sujeito passivo pela penalidade pecuniária em função da inobservância da conduta prescrita na norma jurídica primária. A exteriorização de vontade não tem forma prevista em lei e alcança tão somente a 1 Fundamentação legal : art. 195 do Código Tributário Nacional, art. 51 da Lei nº 7.450, de 23 de dezembro de 1985, art. 6º e art. 9º do DecretoLei nº 1.598, de 26 de dezembro de 1977, art. 37 da Lei nº 8.981, de 20 de novembro de 1995, art. 6º e art. 24 da Lei nº 9.249, de 26 de dezembro de 1995 e art. 1º e art. 2º da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Fl. 147DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 148 6 obrigação principal em que o tributo sujeito ao lançamento por homologação que não esteja declarado à época e o recolhimento seja efetuado antes de qualquer procedimento fiscal2. Este é o entendimento constante na decisão definitiva de mérito proferida pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ) no Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP 3, cujo trânsito em julgado ocorreu em 01.09.2010 e que deve ser reproduzido pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF4: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente. 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel.Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008). 2 Fundamentação legal: art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996, art. 138 do Código Tributário Nacional. 3 BRASIL.Superior Tribunal de Justiça. Recurso Especial Repetitivo nº 1149022/SP. Ministro Relator:Luiz Fux, Primeira Seção, Brasília, DF, 9 de junho de 2010. Disponível em: <http://www.stj.jus.br/SCON/jurisprudencia/toc.jsp?livre=1149022&repetitivos=REPETITIVOS&&tipo_visualiz acao=RESUMO&b=ACOR>. Acesso em: 31 ago.2018. 4 Fundamentação legal: art. 138 do Código Tributário Nacional, art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996 e art. 62 do Anexo II do Regimento Interno do CARF. Fl. 148DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 149 7 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Consequentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. Sobre a matéria, a Nota Técnica Cosit nº 19, de 12 de junho de 2012, prevê: A Coordenação Geral de Arrecadação e Cobrança (Codac) e a Coordenação Especial de Ressarcimento, Compensação e Restituição (Corec) enviaram a Nota Conjunta Codac/Corec nº 1, de 14 de março de 2012, à Coordenação Geral de Tributação (Cosit) para solicitar a revisão da Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012. 2. A Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, teve por escopo orientar as unidades da Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB) acerca das consequências dos Atos Declaratórios da Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN) nºs 4 e 8, de 20 de dezembro de 2011: ATO DECLARATÓRIO Nº 4, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, e do art. Fl. 149DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 150 8 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2113/2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "com relação às ações e decisões judiciais que fixem o entendimento no sentido da exclusão da multa moratória quando da configuração da denúncia espontânea, ao entendimento de que inexiste diferença entre multa moratória e multa punitiva, nos moldes do art. 138 do Código Tributário Nacional". JURISPRUDÊNCIA: REsp 922.206, rel. min. Mauro Campbell Marques; REsp 1062139, rel. min. Benedito Gonçalves; REsp 922842, rel. min. Eliana Calmon; REsp 774058, rel. min. Teori Albino Zavascki. ATO DECLARATÓRIO Nº 8, DE 20 DE DEZEMBRO DE 2011 A PROCURADORAGERAL DA FAZENDA NACIONAL, no uso da competência legal que lhe foi conferida, nos termos do inciso II do art. 19, da Lei nº 1 0.522, de 19 de julho de 2002, e do art. 5º do Decreto nº 2.346, de 10 de outubro de 1997, tendo em vista a aprovação do Parecer PGFN/CRJ/Nº 2124/2011, desta Procuradoria Geral da Fazenda Nacional, pelo Senhor Ministro de Estado da Fazenda, conforme despacho publicado no DOU de 15/12/2011, declara que fica autorizada a dispensa de apresentação de contestação, de interposição de recursos e a desistência dos já interpostos, desde que inexista outro fundamento relevante: "nas ações judiciais que discutam a caracterização de denúncia espontânea na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retificaa (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), notificando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente". JURISPRUDÊNCIA: RESP 1.149.022/SP, REL. MINISTRO LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, JULGADO EM 9/6/2010, DJE 24/6/2010. 2.1. Os atos declaratórios s e embasaram nos Pareceres PGFN/CRJ nºs 2113/2011 e 2124/2011. Sua base legal foi o art. 19 da Lei nº 10.522, de 10 de outubro de 1997, com a redação dada pela Lei nº 11.033, de 2004. A orientação às unidades da RFB decorreu da sua vinculação automática ao s atos do Ministro da Fazenda. 2.2. Tendo em vista os mais diversos questionamentos acerca dos atos, a Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, objetivou responder os já formulados, principalmente na definição (não feita pela Fl. 150DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 151 9 PGFN em seus atos e pareceres) das situações que podem ser definidas como denúncia espontânea e que a multa de mora não mais deve ser cobrada (Ato PGFN nº 4); e em quais situações a retificação da declaração por parte do sujeito passivo pode ser considerada denúncia espontânea (Ato PGFN nº 8). 3. A Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, nos seus arts. 18 e 19, teve por objetivo flexibilizar a atuação processual da PGFN nas matérias que dificilmente teria ganho de causa. Afinal, um processo judicial tributário no âmbito federal gera diversos custos. Além dos custos ao erário, o acúmulo de processos sem chance de ganho prejudica a todos os jurisdicionados, incluindo a própria Fazenda Pública, uma vez que processos com reais chances de sucesso ou execuções fiscais com probabilidade real de recuperação ficam com o seu andamento prejudicado. 3.1. O objetivo ainda é evitar a atuação contraditória da Administração Pública: se ela não vai mais defender determinada matéria em juízo, não faz mais sentido insistir em proceder de maneira contrária administrativamente. No caso do inciso II do art. 19, o ato declaratório do Procurador Geral da Fazenda, quando aprovado pelo Ministro da Fazenda, já vincula a RFB. 4. A Nota Técnica Cosit nº 1, de 2012, foi feita em decorrência das diversas dúvidas que os atos da PGFN geraram, pois desde a publicação dos atos declaratórios, assinados pelo Ministro, a RFB já estava vinculada a eles. Alguns dos entendimentos da Nota devem ser revistos, bem como a interpretação dos atos da PGFN, a fim de se limitar aos precedentes que os embasaram. 4.1. Segundo o Ato Declaratório PGFN nº 8, de 2011, somente na situação em que o contribuinte declara a menor, paga integralmente o débito declarado e depois retifica a declaração para maior, quitando concomitantemente o débito, configura se a denúncia espontânea. 4.2. O ato da PGFN não trata das seguintes situações constantes da Nota Técnica nº 1, de 2012: contribuinte não apresenta declaração, mas paga o débito; contribuinte declara o débito a menor, não paga e posteriormente retifica a declaração pagando concomitantemente todo o débito e; o contribuinte não declara o débito em DCTF, porém efetua a compensação dele em Dcomp. Desse modo, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002, deve ser considerada ocorrida a denúncia espontânea apenas na sua acepção primária de pagamento do débito concomitantemente a apresentação da declaração e na forma delimitada no próprio Ato Declaratório PGFN nº 8, de 2011, como descrito no item 4.1. 6. Em conseqüência, concluise: a) pelo cancelamento da Nota Técnica Cosit nº 1, de 18 de janeiro de 2012; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 152 10 b) que se considera ocorrida a denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: b1) quando o sujeito passivo confessa a infração, inclusive mediante a sua declaração em DCTF, e até este momento extingue a sua exigibilidade com o pagamento, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 4, de 20 de dezembro de 2011; b2) quando o contribuinte declara a menor o valor que seria devido e paga integralmente o débito declarado, e depois retifica a declaração para maior, quitandoo, nos termos do Ato Declaratório PGFN nº 8, de 20 de dezembro de 2011; c) não se considera ocorrida denúncia espontânea, para fins de aplicação do artigo 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002: c1) quando o sujeito passivo paga o débito, mas não apresenta declaração ou outro ato que dê conhecimento da infração confessada; c2) quando o sujeito passivo declara o débito a menor, mas não paga o valor declarado e posteriormente retifica a declaração, pagando concomitantemente todo o débito confessado; c3) quando o sujeito passivo compensa o débito confessado, mediante apresentação de Dcomp; c4) quando o sujeito passivo declara o débito, mas o paga a destempo; d) que os eventuais pedidos de revisão de lançamento, restituição e/ou compensação dos créditos já constituídos nas situações do item “b” acima devem ser analisados com base no entendimento exarado nos Atos Declaratórios PGFN nºs 4 e 8, de 2011. Feitas essas considerações normativas, tem cabimento a análise da situação fática tendo em vista os documentos já analisados pela autoridade de primeira instância de julgamento e aqueles produzidos em sede de recurso voluntário. Consta no Anexo IV do Auto de Infração o Demonstrativo de Multa e/ou Juros a Pagar Não Pagos ou Pagos a Menor, fl. 99: VALORES EM R$ CÓDIGO DE RECEITA INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS MULTA DE OFÍCIO/ISOLADA BASE DE CALC. VAL. DEVIDO NÚMERO DO DÉBITO (1) NÚMERO DA DECLARAÇÃO (2) INFORMADO NA DCTF (3) PARA PGTO DO AI (4) PERÍODO DE APURAÇÃO (5) DATA DE VENCIMENTO (6) DATA P/ PGTO DO AI (7) MULTA DE MORA PAGA A MENOR (8) JUROS DE MORA NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR (9) PRINCIPAL RECOLHIDO PAGO E CONFIRMADO (10) 75% DO PRINCIPAL RECOLHIDO PAGO E CONFIRMADO (11) 3342748361 20052010074057 6012 6094 0110/2004 31.01.2005 30.03.2007 1.412,02 0,00 0,00 0,00 TOTAL 1.412,02 0,00 0,00 0,00 Fl. 152DF CARF MF Processo nº 10880.720330/200795 Acórdão n.º 1003000.273 S1C0T3 Fl. 153 11 Está registrado no Anexo IIb do Auto de Infração os Demonstrativos de Pagamentos Efetuados Após o Vencimento, fl. 98: VALORES EM R$ CÓDIGO DE RECEITA INSUFICIÊNCIA DE ACRÉSCIMOS LEGAIS NÚMERO DO DÉBITO (1) NÚMERO DA DECLARAÇÃO (2) INFORMADO NA DCTF (3) PARA PGTO DO AI (4) PERÍODO DE APURAÇÃO (5) DATA DE VENCIMENTO (6) DATA DO PAGAMENTO (7) MULTA DE MORA PAGA A MENOR (8) JUROS DE MORA NÃO PAGOS OU PAGOS A MENOR (9) 334274836 20052010074057 6012 6094 0110/2004 31.01.2005 28.02.2005 1.412,02 0,00 TOTAL 1.412,02 0,00 Verificase que a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais (DCTF) nº 20052010074057 referente ao primeiro trimestre de 2004 foi entregue em 20.09.2005. O pagamento foi efetuado em 28.02.2005. A denúncia espontânea resta caracterizada, com a consequente exclusão da multa moratória, no presente caso em que a CSLL sujeita a lançamento por homologação declarada pela Recorrente, recolhida fora do prazo de vencimento e antes da entrega da DCTF. Em assim sucedendo, voto em dar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Fl. 153DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15375.002224/2009-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Exercício: 2001
DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP.
Constitui infração à legislação previdenciária previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissões em relação aos fatos geradores e/ou incorreções em seus campos.
Numero da decisão: 2201-004.755
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(Assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente
(Assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Exercício: 2001 DESCUMPRIMENTO DE OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA. GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissões em relação aos fatos geradores e/ou incorreções em seus campos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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GFIP. Constitui infração à legislação previdenciária previdenciária a empresa apresentar GFIP com omissões em relação aos fatos geradores e/ou incorreções em seus campos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (Assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Daniel Melo Mendes Bezerra, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pelo sujeito passivo contra a Decisão Notificação nº 11.401.4/0222/2002, que julgou procedente o lançamento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 37 5. 00 22 24 /2 00 9- 11 Fl. 216DF CARF MF Processo nº 15375.002224/200911 Acórdão n.º 2201004.755 S2C2T1 Fl. 216 2 A descrição fática do presente lançamento está delineada no relatório da decisão de 1ª instância, o qual adotamos por sua clareza e precisão: Conforme o descrito no Relatório Fiscal do Infração (fl. 07), tratase de infringência ao inciso e anexos de fls. 09/105, tratase de infringência ao art. 32, inciso IV, §5º, da Lei 8.212/91, cem a redação dada pata Lei 9.528/97, por ter m empresa entregue GFIP, período 01.99 a 07/01, sem o registro dos valores pagos aos segurados, consoante anexos de ris. 11 a 105 (levantamento autônomos diversos referente ao CNPJ 86.438.777/000153”; "levantamento CV caracterização do segurado empregado referente ao CNPJ 86.438.777/000158’; levantamento de transportador autônomo/frete referente ao CNPJ 86.438.777/000158; levantamento CS complemento salarial referente ao CNPJ 86.438.777/000158; levantamento de produção não lançada FP referente ao CNPJ 86438.777/000158. O Auto de Infração foi regularmente lavrado em 07/12/01, tendo o autuado tomado conhecimento em 12/12/01, como comprova a assinatura de seu representante legal de fl. 01. Foi aplicada a penalidade no valor de RS 150.718,12 (cento e cinquenta mil, setecentos e dezoito reais e doze centavos) na forma descrita no Relatório de aplicação da multa de fls. 07. DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar a autuada apresentou defesa requerendo a relevação da multa nos termos do art. 291 do Decreto 3.048, e, não sendo atendida, a DA IMPUGNAÇÃO Dentro do prazo regulamentar a autuada apresentou defesa requerendo o relevação da multa nos termos do art. 291 do Decreto 3.048, e, não sendo atendida, a anulação do Auto de Infração tendo em vista que a multa aplicada afronta dispositivos constitucionais, cujos argumentos podem ser assim resumidos: Argumenta, inicialmente que es empresas empresas CCO Administração e Participações Ltda IPE Administração e Participação Ltda, constantes da relação de coresponsáveis não foram pessoalmente intimadas para oferecimento de qualquer defesa e, assim, não se estabeleceu contra elas qualquer processo administrativo. Ressalta, em seguida, que incluiu em parcelamento o valor da obrigação principal, ou seja, o valor das contribuições devidas e que motivaram a aplicação da multa em discussão. Estão presentes todos os requisitos para a aplicação do art. 291 e §1° do Decreto 3.048/99, quais sejam: as contribuições devidas foram incluídas em parcelamento, portanto, a falta foi corrigida; o seu pedido de relevação é tempestivo; a impugnante é Infratora primária e não ocorreram circunstâncias agravantes. Fl. 217DF CARF MF Processo nº 15375.002224/200911 Acórdão n.º 2201004.755 S2C2T1 Fl. 217 3 Acrescenta que, presentes os requisitos, o citado dispositivo impõe, não faculta, relevação. Na hipótese de não relevação da multa, seja reduzida a patamar legalmente aceitável, pois aplicada em valor abusivo, carecendo de qualquer amparo legal ou fictício, caracterizando o confisco repudiado pelo art. 5o, LIV e art. 150, IV, ambos da Constituição Federal. Para corroborar a sua tese, reproduz lições doutrinárias do professor Sacha Calmon Navarro Coelho e Ives Gandra Martins. O lançamento foi julgado procedente através da DecisãoNotificação nº 11.401.4/0222/2002, que restou assim ementado: INFRAÇÃO À LEGISLAÇÃO PREVIDENCIÁRIA, GFIP, DADOS NÃO CORRESPONDENTES AOS FATOS GERADORES DE TODAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDINCIÁRIAS, Constitui infração ao art. 32, inciso IV, § 5o da Lei 8.212/91, com a redação dada peia Lei 9.528/97, a apresentação de GFiP/GRFP com dados não correspondentes aos fatos geradores de todas as contribuições previdenciárias. Cientificada da decisão de piso em 15/04/2002 (fl. 185), a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, tempestivamente, em 30/04/2002, reiterando exatamente os mesmos termos da impugnação acima relatada. É o relatório. Voto AAddmmiissssiibbiilliiddaaddee O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. DDaa ccoonnffiigguurraaççããoo ddaa iinnffrraaççããoo A ocorrência do descumprimento da obrigação acessória é fato incontroverso, uma vez que a recorrente admite expressamente que deixou de preparar as folhas de pagamento de acordo com os padrões e normas estabelecidos pelo INSS, mas que já incluiu a dívida relacionada a obrigação principal em parcelamento. Ressalte, contudo, que a presente autuação por descumprimento de obrigação acessória independe do adimplemento da obrigação principal, revestindose de autonomia em relação àquela. Fl. 218DF CARF MF Processo nº 15375.002224/200911 Acórdão n.º 2201004.755 S2C2T1 Fl. 218 4 Com efeito, requer a relevação da multa aplicada, arguindo possuir os requisitos para a benesse normativa. Todavia, como bem assinalado pela decisão de piso, falta ao recorrente o requisito primordial, qual seja, a correção da falta. Não há nos autos prova da formalização dos contratos de trabalho e inscrição dos segurados respectivos na Previdência Social. Desse modo, incabível a relevação da multa aplicada. Assim sendo, não merece provimento o recurso voluntário quanto a este tocante. DDooss ccoorrrreessppoonnssáávveeiiss Quanto à solicitada exclusão das empresas CCO Administração e Participações Ltda IPE Administração e Participação Ltda, cabe esclarecer que a relação de corresponsáveis anexada aos autos pela Fiscalização, tem como escopo garantir a possibilidade de inclusão dos diretores da empresa no pólo passivo da obrigação tributária numa futura execução fiscal, e não simplesmente listar todas as pessoas físicas e jurídicas representantes legais do sujeito passivo que, eventualmente, poderão ser responsabilizadas na esfera judicial, na hipótese de futura inscrição do débito em dívida ativa. Contudo, a lei prevê que, quando houver inadimplemento da pessoa jurídica, a responsabilidade pelo pagamento dos tributos pode ser transferida para seus diretores, gerentes ou responsáveis, sob determinadas condições. É o que determina o comando do artigo 135, inciso III, do Código Tributário Nacional, verbis: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I (...) III os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Ressaltese ainda, que mesmo depois da publicação da Lei 11.941/09, que revogou o art. 13 da Lei 8.620/93, que permitia a responsabilização solidária do corresponsável independentemente da prática de qualquer fato previsto no art. 135 do CTN, o próprio STJ já sinaliza em recentes julgados, que muito embora tenha havido a revogação do dispositivo acima mencionado, ainda assim constando o nome na CDA é cabível a sua inclusão no polo passivo da execução fiscal até que seja feita prova em contrário. Para encerrar qualquer controvérsia, este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais editou a Súmula 88, que assim dispõe: A Relação de CoResponsáveis CORESP”, o “Relatório de Representantes Legais RepLeg” e a “Relação de Vínculos VÍNCULOS”, anexos a auto de infração previdenciário lavrado unicamente contra pessoa jurídica, não atribuem responsabilidade tributária às pessoas ali indicadas nem comportam discussão no âmbito do contencioso administrativo fiscal federal, tendo finalidade meramente informativa. Fl. 219DF CARF MF Processo nº 15375.002224/200911 Acórdão n.º 2201004.755 S2C2T1 Fl. 219 5 Desse modo, não merece prosperar o inconformismo recursal. DDaass aalleeggaaççõõeess ddee iinnccoonnssttiittuucciioonnaalliiddaaddee eeffeeiittoo ccoonnffiissccaattóórriioo ddaa mmuullttaa Não podem ser apreciados os argumentos baseados em inconstitucionalidade de tratado, acordo internacional, lei ou decreto pelas razões que a seguir serão expostas. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei n° 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” A recorrente sustenta o caráter confiscatório da multa que lhe foi aplicada, com base no artigo 150 inciso IV, da Constituição Federal. Entretanto, a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o patamar das penalidades fiscais, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula n. 2, in verbis: Súmula CARF n° 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como infringência aos princípios da vedação ao confisco e capacidade contributiva. Conclusão Diante de todo o exposto, voto por conhecer do recurso voluntário, para, no mérito, negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Fl. 220DF CARF MF Processo nº 15375.002224/200911 Acórdão n.º 2201004.755 S2C2T1 Fl. 220 6 Fl. 221DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.726941/2014-54
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Nov 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2010
APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR.
Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sua natureza tributária.
OPERAÇÃO DE MÚTUO - REQUISITOS DE PROVA
Para comprovação da operação de mútuo, além do registro público do contrato, é indispensável documentação hábil e idônea que demonstre a efetiva ocorrência do pactuado, o cumprimento das cláusulas acertadas, como pagamentos em datas e valores convencionados; a simples apresentação de documentos particulares e/ou seu lançamento na contabilidade, por si sós, são insuficientes para opor a operação a terceiros e, principalmente, para afetar a tributação.
PRESUNÇÃO JURIS TANTUM - INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA
Na presunção legal juris tantum do Fisco, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário, sem comprovação de origem, corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos omitidos da tributação, pois, neste caso, inverte-se o ônus da prova para o contribuinte, cabendo-lhe demonstrar que o fato presumido não existiu na situação concreta, ou comprovar da natureza de tais rendimentos, se já teriam sido tributados ou são isentos.
Numero da decisão: 2201-004.781
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Milton da Silva Risso - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: MARCELO MILTON DA SILVA RISSO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2010 APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sua natureza tributária. OPERAÇÃO DE MÚTUO - REQUISITOS DE PROVA Para comprovação da operação de mútuo, além do registro público do contrato, é indispensável documentação hábil e idônea que demonstre a efetiva ocorrência do pactuado, o cumprimento das cláusulas acertadas, como pagamentos em datas e valores convencionados; a simples apresentação de documentos particulares e/ou seu lançamento na contabilidade, por si sós, são insuficientes para opor a operação a terceiros e, principalmente, para afetar a tributação. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM - INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Na presunção legal juris tantum do Fisco, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário, sem comprovação de origem, corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos omitidos da tributação, pois, neste caso, inverte-se o ônus da prova para o contribuinte, cabendo-lhe demonstrar que o fato presumido não existiu na situação concreta, ou comprovar da natureza de tais rendimentos, se já teriam sido tributados ou são isentos.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 25; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2122; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T1 Fl. 1.122 1 1.121 S2C2T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11080.726941/201454 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 2201000.781 – 2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 08 de novembro de 2018 Matéria IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Recorrente DANIEL BENASAYAG BIRMANN Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 APLICAÇÃO DO ART. 57 § 3º DO REGIMENTO INTERNO DO CARF. FACULDADE DO JULGADOR. Plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que a Recorrente não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. OMISSÃO DE RENDIMENTOS DEPÓSITOS BANCÁRIOS Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sua natureza tributária. OPERAÇÃO DE MÚTUO REQUISITOS DE PROVA Para comprovação da operação de mútuo, além do registro público do contrato, é indispensável documentação hábil e idônea que demonstre a efetiva ocorrência do pactuado, o cumprimento das cláusulas acertadas, como pagamentos em datas e valores convencionados; a simples apresentação de documentos particulares e/ou seu lançamento na contabilidade, por si sós, são insuficientes para opor a operação a terceiros e, principalmente, para afetar a tributação. PRESUNÇÃO JURIS TANTUM INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA Na presunção legal juris tantum do Fisco, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário, sem comprovação de origem, corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos omitidos da tributação, pois, neste caso, invertese o ônus da prova para o contribuinte, cabendolhe demonstrar que o fato presumido não existiu na situação AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 69 41 /2 01 4- 54 Fl. 1122DF CARF MF 2 concreta, ou comprovar da natureza de tais rendimentos, se já teriam sido tributados ou são isentos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. Ausente, momentaneamente, o Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Debora Fofano, Marcelo Milton da Silva Risso e Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). Relatório 1 Adoto como relatório o da decisão recorrida às fls. 231/241 do EFLS, por bem relatar os fatos ora questionados: Da exigência tributária Exigese do interessado o pagamento do seguinte Crédito Tributário constante do Auto de Infração AI de fls. 0002 a 0009 lavrado com base no Relatório Fiscal e Planilhas em Anexo de fls. 0010 a 0054, que integram o AI: Fl. 1123DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.123 3 Do procedimento fiscal – Descrição dos fatos Enquadramento Legal 2. Em procedimento de verificação do cumprimento das obrigações tributárias pelo sujeito passivo supracitado foi efetuado o presente lançamento de ofício, nos termos dos artigos 904 e 926, do Decreto nº 3.000/1999 Regulamento do Imposto de Renda RIR/1999, em face da apuração das infrações aos dispositivos legais extensamente descritas no Termo de Verificação Fiscal e seus anexos que integram o AUTO DE INFRAÇÃO e que a seguir se reproduz sinteticamente: DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA INFRAÇÃO: OMISSÃO DE RENDIMENTOS CARACTERIZADOS POR DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA Omissão de rendimentos caracterizada por valores creditados em conta(s) de depósito ou de investimento, mantida(s) em instituição(ões) financeira(s), em relação aos quais o contribuinte, regularmente intimado, não comprovou, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, conforme Relatório Fiscal em anexo. Fato Gerador Valor Apurado (R$) Multa (%) 31/01/2009 11.500.153,98 75,00 Enquadramento Legal Fatos geradores ocorridos entre 01/01/2009 e 31/12/2009: Arts. 37, 38, 83 e 849 do RIR/1999 e art. 58, da Lei nº 10.637/02 combinado com o art. 106, inciso I, da Lei nº 5.172/1966 e art. 42, da Lei nº 9.430/1996 Art. 1º, inciso III e parágrafo único da Lei nº 11.482/2007, com a redação dada pela Lei nº 11.945/2009 Fazem parte do presente auto de infração todos os termos, demonstrativos, anexos e documentos nele mencionados. 3. Na sequência constam Demonstrativos de Apuração do Imposto de Renda e Demonstrativo de Apuração Detalhada do Crédito Tributário (imposto, multa e juros de mora). Do Relatório Fiscal 4. Autoridade Fiscal estruturou seu Relatório em seis títulos: 1 Do Procedimento Fiscal; 2 Das Diligências Realizadas; 3 Da Descaracterização do Mútuo CEMISA; 4 Da Utilização da Presunção do art. 42, da Lei nº 9.430; 5 Da Incidência da Multa de Ofício e; 6 Da Conclusão. 5. Em 1 Do Procedimento Fiscal o Auditor explica e demonstra, detalhadamente, das várias intimações e reintimações, dilações de prazo e das respostas do sujeito passivo para esclarecimentos a respeitos do grande número de recursos depositados em suas contas correntes. Fl. 1124DF CARF MF 4 6. Reproduzimos alguns trechos deste item do Relatório, relativamente do exame dos documentos apresentados pelo interessado ao Fisco: Da análise dos extratos apresentados pelo contribuinte, bem como da planilha contendo os lançamentos/transferências a crédito da conta do sr. Daniel, a título de mútuo, temse o seguinte: – há valores constantes nos extratos bancários da conta mantida no BANCO ARBI (agência 019 c/c 300177)que NÃO constam na planilha apresentada pela empresa CEMISA, créditos estes que restaram sem justificativa. Tais créditos estão listados na planilha III anexa a este Termo e totalizam R$ 58.617,80. – Os valores depositados/transferidos para a conta do sr. Daniel durante o anocalendário de 2009, informados na planilha 01, elaborada pela empresa CEMISA PARTICIPAÇÕES somam R$ 11.419.111,01; importância superior ao total pactuado no contrato de mútuo apresentado a esta fiscalização, que limita o montante a ser emprestado em R$ 8.500.000,00. Por fim, considerando o vencimento do contrato de mútuo, em 04 de janeiro de 2014, foi encaminhada a intimação 03, no dia 20.03.2014, ao sr. Daniel Benasayag Birmann, solicitando a apresentação de: – Documentos que comprovem a quitação do mútuo contraído com a empresa CEMISA janeiro/2009, conforme contrato apresentado a esta Fiscalização em resposta à intimação 01. – Documentos que comprovem a natureza jurídica dos valores creditados em sua c/c que excedem o valor pactuado no mútuo suprarreferido. Em resposta o sr. Daniel Benasayag informou que não houve valor excedente mútuo pactuado uma vez que o saldo devedor em 31.12.2009 era R$ 8.069.392,25; inferior ao valor contratado de R$ 8.500.000,00 (oito milhões e quinhentos reais). Apresentou um Termo Aditivo Ao Contrato de Mútuo celebrado em 04 de janeiro de 2009, prorrogando por mais 36 meses o vencimento da divida, que passou de 04.01.2014 para 04.01.2017. 7. Em 2 Das Diligências Realizadas, o Fisco diligenciou junto à empresa CEMISA, que enviou, praticamente, os mesmos documentos já apresentados pelo fiscalizado, razão pela qual foram solicitados outros documentos, tais como contrato social registrado na Junta Comercial, Ata da Assembléia que deliberou a concessão do mútuo ao interessado. 8. Considerando que dos Autos consta uma via do Relatório Fiscal e o sujeito passivo foi cientificado do mesmo com outra via, mostrase dispensável repetir aqui todo o tratado em cada um dos temas desse documento. Porém, para ilustrar de forma mais próxima ao voto deste Acórdão, reproduziremos a parte que resume as razões do Fisco para desconsiderar o contrato de Fl. 1125DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.124 5 mútuo firmado entre o interessado e a CEMISA, constante do item 3 Da Descaracterização do Mútuo CEMISA: Em resumo, são as seguintes as razões levadas em conta pela fiscalização para desconsiderar a origem (natureza) das operações listadas na planilha 1 (transferências da CEMISA, ARBI e DSV informadas como mútuo): a) falta de registro das operações A falta de registro do contrato de mútuo, por si só, não é suficiente para afastar a existência de fato do mútuo, da mesma forma que o registro do mesmo não seria, isoladamente, prova cabal de sua existência. No entanto, considerando a precariedade do conjunto probatório apresentado à fiscalização, que se resume a cópia NÃO REGISTRADA de ata de assembléia firmada pelos sócios da CEMISA, as empresas CHARLES LIMITED e BSB PARTICIPAÇÕES, contendo autorização genérica para conceder empréstimos para o sr. DANIEL por 20 (vinte) anos, aliado aos contratos particulares de mútuo, também sem registro, assinados pelo sr. Daniel na qualidade de mutuário e representante da mutuante, a falta de pagamento, não só do IOF, mas do próprio montante emprestado reduzem a credibilidade na operação defendida pela empresa. Até mesmo porque, pelo que fazem crer as lacônicas respostas da empresa e ausência de resposta do sr. Daniel, nem mutuário nem mutuante têm interesse em manter efetivo controle sobre a dívida, tampouco na sua quitação, pois, em vez de executar o contrato, conforme previsto na cláusula 2 do contrato original, a empresa concedeu uma dilação do prazo para pagamento, abriu mão dos já reduzidos encargos financeiros e correção monetária. b) falta de motivação – A empresa é prestadora de serviços (conforme contrato social), tem como objeto, entre outros, a participação em outras empresas, a administração dos seus próprios bens e a recuperação empresarial. Não se trata de instituição de crédito, tampouco filantrópica. Desta forma, considerando que, à vista dos elementos apresentados, a empresa não está auferindo receita financeira pela concessão dos empréstimos e, de acordo com a sua DIRPJ referente ao anocalendário 2009, apresentou prejuízo contábil, há de se concluir que não há motivação econômica para a concessão de mútuos aos sócios, principalmente em se tratando de mútuo gracioso (pois não há previsão de juros e atualização no período de 5 anos). c) incongruência entre o valor contratado e o montante transferido. Como já explicitado, o valor transferido no ano calendário de 2009 ao sr. Daniel ultrapassa o limite máximo de R$ 8.500.000,00 supostamente emprestados pela empresa. d) ausência de disponibilidade de recursos da empresa, vez que informou prejuízo CONTÁBIL no anocalendário da ordem de R$ 36 milhões de reais. Qual o sentido da empresa apresentar um saldo na conta de passivo realizável a longo prazo no valor de R$ 121.553.182,88 (conforme dados da declaração Fl. 1126DF CARF MF 6 0001820311) e não ter dinheiro em caixa para alocar aos seus fins econômicos? e) Por fim, vale registrar que a escrituração contábil, por si só, não faz prova a favor do contribuinte, se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que comprovem os fatos nela registrados. Qualquer um desses elementos, isoladamente, não é suficiente para descaracterizar o empréstimo, mas quando contextualizados, levam a conclusão que, de fato, não houve mútuo, e com isso não restou comprovada a origem dos depósitos efetuados pela CEMISA em conta bancária do sr. Daniel Benasayag. 9. Em 4 Da utilização da Presunção do art. 42, da Lei nº 9.430, como o nome indica, tratou dos depósitos de origem não comprovada, objeto desse dispositivo legal. 10. Prosseguindo, como já visto, constam 5 da incidência da Multa de Ofício e; 6 Da conclusão, seguidos dos anexos relacionando os valores creditados nas contas correntes analisadas e, na sequência consta a documentação que embasou o Procedimento. 11. O sujeito passivo tomou ciência do AI em 30/08/2014, sábado, fls. 0904 e 0905 e solicitou cópia do processo. Da impugnação 12. Foi apresentada impugnação em 01/10/2014, fls. 0914 a 0937, na qual o sujeito passivo, través de seus advogados, explanou sobre I – A Exigência Fiscal; 2 –Os fatos que antecederam à autuação, onde tratou das intimações e das razões do lançamento, com o destaque da descaracterização pelo Fisco do Contrato de Mútuo, onde, inclusive, reproduziu trechos do Relatório Fiscal. 13. Em 3 As alegações e as conclusões da Fiscalização são inteiramente equivocadas, como o título indica, discorda das razões do Fisco. Disse que a própria fiscalização teria reconhecido expressamente que a origem de todos os depósitos realizados nas contas bancárias do impugnante estaria materialmente comprovada, pois, tais depósitos provieram, sem exceção, de recursos pertencentes aos patrimônios de pessoas jurídicas existentes, de fato e de direito, o que afastaria a materialização da hipótese descrita no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996. 14. Com isso disse que poderia interromper a petição, pois estaria convicto de vêla deferida, dada a absurdez dos argumentos da fiscalização, que teria se olvidado de que, por força do artigo 142, do Código Tributário Nacional – CTN, o lançamento é ato vinculado e o Fisco teria invocado circunstâncias estranhas à configuração da hipótese de incidência legal, tais como sua opinião pessoal a respeito da necessidade de registro público de atos cuja validade jurídica a lei não subordina a essa formalidade. Fl. 1127DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.125 7 15. Destaca que contrato de mútuo não estaria sujeito a registro na Junta Comercial e mesmo que estivesse, a prova de sua existência não dependeria dessa formalidade e prossegue com o rechaço da alegação de que o fato de o contrato de mútuo e a ata não terem sido levados a registro na Junta Comercial denotaria precariedade do conjunto probatório apresentado. 16. Aprofundase no tema dos requisitos para validade do negócio jurídico de acordo com o artigo 104, do Código Civil – CC, que condiciona apenas à capacidade do agente e à licitude do seu objeto, cuja eficácia poderia ser provada por qualquer dos meios admitidos em direitos, como os registros cantáveis da operação, as transferências bancárias, qualquer documento escrito, testemunhas, etc., como se infere do artigo 212, do CC. 17. Também comenta outra razão que integra o conjunto de motivos para a rejeição do contrato de mútuo, o fato de o impugnante ter assinado como mutuário e, ao mesmo tempo, representante da mutuante, CEMISA. Disse que isso não pode gerar estranheza, pois, o impugnante era, na ocasião, administrador dessa sociedade com poderes para representála em tais negócios, conforme alterações contratuais em anexo. 18. Também não concorda da outra razão de rejeição do contrato, o fato de o mesmo houver sido assinado em 01/01/2009 e a Ata da Reunião de Sócios Quotista para deliberação a respeito houver ser realizado, somente, em 03/06/2004 e explica que a CEMISA teria apenas dois sócios, BSB Participações Ltda., controlada pelo impugnante, e Charles Ltd., bem como nem haveria necessidade de reunião entre eles para deliberar sobre a matéria, como prescreve o § 3º, do artigo 1.072 do CC. 19. Disse que seria igualmente infundada a argumentação de que a falta de atualização monetária dos valores mutuados e de acréscimos de juros ao seu saldo, aliada à apuração de prejuízo pela mutuante, justificaria descaracterizar o mútuo, ou que ensejaria presunção de indisponibilidade de recursos em poder da mutuante para realizar empréstimo ao impugnante. 20. Entre outros argumento disse que nada mais absurdo do que somente poderia ser considerado como mútuo os fereatícios, negando essa natureza aos não onerosos, para dizer que a Autoridade Fiscal denotaria completo desconhecimento das regras jurídicas que disciplinam os mútuos, motivo pelo qual o impugnante não desperdiçaria o tempo dos julgadores refutando essa impropriedade. 21. Prossegue tratando das contas no balanço da empresa, do regime de competência, entre outros, comparando com as movimentações bancárias para alegar falta de familiaridade do Fiscal quanto à outra razão da rejeição do Contrato de Mútuo, que seria a falta de recurso da empresa para realizar empréstimo, pois, informou prejuízo contábil no anocalendário da ordem de R$ 36 milhões de reais, fato que teria levado a indagar qual seria o sentido da empresa apresentar um saldo na conta de passivo realizável a longo prazo no valor de R$ Fl. 1128DF CARF MF 8 121.553.182,88 e não ter dinheiro em caixa para alocar aos seus fins econômicos? 22. Na sequência esclarece que o prejuízo seria de R$ 30 milhões, que não haveria saldo na conta Passível Realizável a Longo Prazo, simplesmente porque não existiria esse grupo de conta em qualquer balanço, e detalhou os dados do Passivo não circulante e Ativo realizável a longo prazo, cujo saldo deste último seria o valor apontado pelo Fisco, R$121.553.182,88 em 31/12/2008 e R$ 113.420.669,62 em 31/12/2009, para, com isso, dizer que a Autoridade Lançadora não conhece os nomes dos grupos de contas do balanço e sequer consegue identificar o anocalendário a que se referem os valores da DIPJ e nem sabe distinguir ativo de passivo 23. Aprofundase na questão do prejuízo contábil, que não seria indicador de falta de dinheiro em caixa e em bancos que teria sido comprovado pelos extratos. 24. A respeito da dívida contraída de acordo com o contrato de mútuo afirma que nunca ultrapassou R$ 8.500.000,00, tendo em vista as amortizações ocorridas no ano de 2009 e, mesmo que tivesse ultrapassado, o excedente continuaria caracterizando mútuo comprovado pelos meios previstos no artigo 212, do Código Civil. 25. Copia trechos do Relatório Fiscal para afirmar que a existência de contrato de mútuo não dependeria de contrato escrito e que se provaria pela vontade das partes externada por qualquer meios relacionados no artigo 212, do CC; copia também a cláusula 1 do contrato, onde consta a concessão do crédito de R$ 1.500.000,00 e destaca o reconhecimento dos lançamentos contábeis de entrega das parcelas até o limite ajustado, para afirmar se tratar de uma abertura de crédito com limite préestabelecido. 26. Reproduziu parte das planilhas de fls. 550 a 557, elaborada com base nos lançamentos contábeis da CEMISA, e afirmou que a Auditora Fiscal as reconheceria, para dizer que no decorrer do ano de 2009 o impugnante teria realizado diversas amortizações, pagando diretamente à CEMISA ou a outras pessoas por ela designadas, em um total de R$4.430.582,30, expressiva amortização que jogaria por terra as afirmações da fiscalização de que...o suposto empréstimo jamais foi pago... sendo cristalina, portanto, a intenção de não devolver o dinheiro à CEMISA. 27. Dos valores transferidos pela ARBI e pela DFV, por conta e ordem da CEMISA, que o Fisco observou não houver sido apresentado qualquer documentação ou ordem expressa entre as empresas neste aspecto, com base em menção de folhas do razão o impugnante explica que a ARBI era devedora da CEMISA em decorrência de adiantamento para futuro aumento de capital e que por não ter sido convertido em aumento do capital, deveria lhe ser devolvido e a DFV era devedora da CEMISA por transações entre ambas no âmbito de contrato de conta corrente e, assim, em vez de cobrar dessas sociedades a dívida, a Fl. 1129DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.126 9 CEMISA as instruía a entregar ao impugnante recursos que fazia jus em consonância com o contrato de mútuo. 28. Após outras argumentações disse que a falta de ordem escrita para consecução desse objetivo não deveria ser causa de admiração da autuante, por se tratar de prática normal entre sociedades do mesmo conglomerado e estar certificada pelos lançamentos contábeis apresentados à fiscalização. 29. Afirma que a situação não se enquadraria na hipótese de presunção prevista no artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, devendo se cancelar o AI por falta de tipicidade e para embasar essa afirmação copia trechos do Relatório Fiscal para compor seu raciocínio dizendo que a Autoridade Fiscal teria admitido francamente que a ...a origem material dos depósitos/transferências...está comprovada, mas, teria defendido as insólitas teses atacadas para concluir que...não obstante os documentos apresentados, ...a existência do mútuo entre a empresa CEMISA e o Sr. Daniel Benasayag Birmann, no qual residiria... natureza jurídica das transferências efetuadas, não estaria. 30. Disse que contradição dessa ordem não poderia prosperar, simplesmente porque o dispositivo legal em comento não a toleraria. 31. Com base nessas observações selecionadas constrói teses em que ou a) estaria comprovada a origem do depósito e, neste caso, advém de renda tributada não declarada, cuja tributação deveria ser conforme prescreve o § 2º, do próprio artigo 42, da Lei nº 9.430/1996, ou b) a origem não estaria comprovada e, neste caso, operarseia a presunção de omissão de rendimentos tributados de origem ignorada. 32. Copia mais um trecho do Relatório Fiscal onde se observa a não devolução do capital da empresa, ou sequer alguma remuneração do mesmo e que a repactuação da dívida, ao derrubar as cláusulas 2 e seguintes do contrato original, praticamente, estaria transformando um contrato de mútuo, já mútuo vantajoso, em uma verdadeira doação, para observar que se de doação se esteja tratando, a autuação seria da mesma forma nula. 33. Observa o que não teria pertinência ser reconhecida a origem material dos depósitos, que provieram de recursos próprios de pessoas jurídicas e, concomitantemente, negar essa origem sob alegação de que a mutuante teria feito um mau negócio, favorecendo o impugnante, seu sócio, ou tecer comentários semelhantes e finaliza o parágrafo questionando: ou se caracteriza distribuição disfarçada de lucros, com sua tributação pertinente, ou se trataria de doação, então não tributável, o que também recomenda condenar o AI ao sepulcro. Fl. 1130DF CARF MF 10 34. Reproduz jurisprudência que trata da descaracterização da omissão de rendimentos pela presunção se o processo contiver provas que a impregnam de incerteza. 35. Finalizou sua impugnação com o seguinte IV Pedido: À vista de todo o exposto, demonstrada cabalmente a impossibilidade de prosperar o procedimento fiscal, o impugnante requer seja julgada procedente a impugnação, exonerandoo da exigência tributária dele decorrente. 36. Na sequência consta a documentação anexada à impugnação composta por procuração, documentos de identificação, aliterações contratuais da CEMISA, declaração do imposto de renda e extratos bancários. 2 – A decisão da DRJ julgou improcedente a impugnação do contribuinte, conforme decisão assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2010 Omissão de Rendimentos Depósitos Bancários Caracterizam omissão de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto à instituição financeira, em relação aos quais o titular, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações, sua natureza tributária. Operação de Mútuo Requisitos de Prova Para comprovação da operação de mútuo, além do registro público do contrato, é indispensável documentação hábil e idônea que demonstre a efetiva ocorrência do pactuado, o cumprimento das cláusulas acertadas, como pagamentos em datas e valores convencionados; a simples apresentação de documentos particulares e/ou seu lançamento na contabilidade, por si sós, são insuficientes para opor a operação a terceiros e, principalmente, para afetar a tributação. Presunção Juris Tantum Inversão do Ônus da Prova Na presunção legal juris tantum do Fisco, a autoridade lançadora fica dispensada de provar que o depósito bancário, sem comprovação de origem, corresponde, efetivamente, ao auferimento de rendimentos omitidos da tributação, pois, neste caso, invertese o ônus da prova para o contribuinte, cabendo lhe demonstrar que o fato presumido não existiu na situação concreta, ou comprovar da natureza de tais rendimentos, se já teriam sido tributados ou são isentos. Impugnação Improcedente Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.127 11 Crédito Tributário Mantido 3 – Seguiuse recurso voluntário do contribuinte às fls. 1.083/1.118. É o relatório do necessário. Voto Conselheiro Marcelo Milton da Silva Risso Relator 4 – O recurso preenche os requisitos de admissibilidade. Portanto, dele conheço. 5 – Após detida análise dos autos e dos argumentos do recorrente entendo que é fácil constatar que o Recurso Voluntário apresentado pelo sujeito passivo, constituise em repetições dos argumentos utilizados em sede de impugnação e, em verdade, acabam por repetir e reafirmar a tese sustentada pelo contribuinte, as quais foram detalhadamente apreciadas pelo julgador a quo. 6 Nestes termos, cumpre ressaltar a faculdade garantida ao julgador pelo § 3ºdo Art. 57 do Regimento Interno do CARF: Art. 57. Em cada sessão de julgamento será observada a seguinte ordem: I verificação do quórum regimental; II deliberação sobre matéria de expediente; e III relatório, debate e votação dos recursos constantes da pauta. § 1º A ementa, relatório e voto deverão ser disponibilizados exclusivamente aos conselheiros do colegiado, previamente ao início de cada sessão de julgamento correspondente, em meio eletrônico. § 2º Os processos para os quais o relator não apresentar, no prazo e forma estabelecidos no § 1º, a ementa, o relatório e o voto, serão retirados de pauta pelo presidente, que fará constar o fato em ata. Fl. 1132DF CARF MF 12 § 3º A exigência do § 1º pode ser atendida com a transcrição da decisão de primeira instância, se o relator registrar que as partes não apresentaram novas razões de defesa perante a segunda instância e propuser a confirmação e adoção da decisão recorrida. (Redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017). 7 Da análise do presente processo, entendo ser plenamente cabível a aplicação do respectivo dispositivo regimental uma vez que não inova nas suas razões já apresentadas em sede de impugnação, as quais foram claramente analisadas pela decisão recorrida. 8 Assim, desde já proponho a manutenção da decisão recorrida pelos seus próprios fundamentos, considerandose como se aqui transcrito integralmente o voto da decisão recorrida. Do Procedimento Fiscal 39. Versa o processo sobre Omissão de Rendimentos pela não comprovação da Origem de Depósitos Bancários. 40. O sujeito passivo foi intimado a comprovar a origem dos depósitos nas contas correntes de sua titularidade. Em resposta apresentou contrato de mútuo pactuado entre ele e a empresa CEMISA. Das diligências e demais procedimentos realizados, como intimações das demais pessoas envolvidas nas transferências de recurso para as contas do interessado, foram aceitos alguns esclarecimentos e não considerados na base de cálculo os valores pertinentes. O contrato de mútuo, por sua vez, por se detectar várias inconsistências, foi rejeitado pelo Fisco. 41. Procedidos os cálculos e demais verificações, lavrouse o Auto de Infração ora combatido. Da Impugnação 42. O contribuinte questiona o lançamento em sua totalidade. A discussão central é a não consideração do contrato. Alega que esse instrumento não estaria sujeito a Registro na Junta Comercial; que a falta de atualização monetária e juros, aliada à apuração de prejuízo pela mutuante não justifica descaracterizar o mútuo e; entre outros argumentos de crítica ao Fisco diz que não conhece os nomes dos grupos das contas de balanço, sequer consegue identificar o anocalendário a que se refere os valores da DIPJ, nem sabe distinguir ativo de passivo, não teria familiaridade com o regime de competência, entre outros; que a dívida contraída pelo impugnante nunca teria ultrapassado R$ 8.500.000,00; que o Fisco teria reconhecido a comprovação da origem, mas, se contradiz com a tese de que não teria sido comprovada a natureza jurídica; que estaria comprovada a origem e não se enquadra na presunção legal; Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.128 13 que o entendimento do Fisco de se tratar de doação também condena o AI. Da análise da questão por esta Delegacia 43. Examinado os documentos carreados aos autos, os trabalhos realizados pelo Fisco e os argumentos da impugnação, com base na legislação pertinente, verificase não caber razão ao sujeito passivo em seu questionamento. 44. Como visto, a razão principal da discussão é a rejeição do contrato de mútuo firmado entre a CEMISA e o sujeito passivo. Assim sendo, o foco do exame em pauta é a respeito deste documento: 45. Entre as razões para tal rejeição constam: a falta de registro público do contrato de mútuo; não registro de ata de assembléia que autorizou de forma genérica a concessão de empréstimo ao sujeito passivo; falta de recolhimento de imposto na operação de empréstimo; prazo muito longo e sem previsão de remuneração do empréstimo; dilações de prazo para pagamento; não comprovação de pagamento do empréstimo; não visualização de motivação da empresa para o referido empréstimo sem o auferir receita financeira do mesmo;valor superior ao contratado transferido para a conta corrente do interessado; ausência de disponibilidade de recurso da empresa, que demonstrava prejuízo contábil; entre outros. 46. O Fisco deixou claro que cada uma das razões, por si só, seria insuficiente para descaracterizar o referido contrato de mútuo, porém, quando em conjunto, contextualizados, esses elementos não deixam dúvida que não houve mútuo e, assim, a origem dos depósitos efetuados pela CEMISA não restou comprovada. Vejamos, na sequência, das razões do Fisco e de sua contestação pelo impugnante: 47. Do registro do contrato de mútuo. De fato, como observado pelo interessado, não há previsão para o registro deste tipo de instrumento na Junta Comercial, porém, está evidente que a menção deste órgão de registro de atividades empresariais foi feita pelo Fisco por mero equívoco, pois, deveria ser no Cartório de Registro de Títulos e Documentos. Isso teria ocorrido pelo fato de que, no decorrer do Procedimento Fiscal, teria sido solicitado ao interessado, também, a apresentação de Ata de Assembléia da empresa vinculada aos depósitos de recurso em sua conta corrente, esta sim, com registro na Junta e, assim, ao se lavrar o Termo de Intimação, relativo ao registro do contrato de mútuo, não teria sido excluída a frase Junta Comercial, fato que em nada prejudica a defesa do impugnante. O contrato apresentado, por sua vez, não consta de registro algum, quando o correto seria, como já dito, o seu registro no Cartório de Título e Documentos, requisito necessário para a validade deste tipo de documento particular perante terceiros, como consta do artigo 221, do Código Civil: Fl. 1134DF CARF MF 14 Art. 221. O instrumento particular, feito e assinado, ou somente assinado por quem esteja na livre disposição e administração de seus bens, prova as obrigações convencionais de qualquer valor; mas os seus efeitos, bem como os da cessão, não se operam, a respeito de terceiros, antes de registrado no registro público. 48. Da Ata de Assembléia sem registro. Como visto, o próprio sujeito passivo assinou o contrato em pauta na qualidade de mutuário e mutuante e a Ata de assembléia que teria autorizado, inclusive de forma genérica a concessão de empréstimo ao interessado, não consta de registro na Junta Comercial, situação que torna esse documento sem efeitos a respeito de terceiros. 49. Operação financeira ausente de tributação. Como visto, embora se tratar de alto valor o empréstimo em pauta, não houve recolhimento do Imposto sobre Operações Financeiras IOF. 50. Do longo prazo do contrato e sem previsão de remuneração Da falta de motivação. Empréstimo desta monta, sem previsão de remuneração e com prazo extremamente longo e ainda com dilações, não há como se sustentar, mesmo porque, como observado pelo Fisco, a empresa credora não se trata de empresa filantrópica e, além disso, demonstrou prejuízo contábil. De fato, desta maneira não se visualiza razão mercantil nenhuma, vai contra os princípios de qualquer empresa do comércio, que visa o lucro. 51. Do valor superior ao pactuado Do não pagamento do suposto empréstimo. Embora o interessado afirmar houver amortizado o empréstimo, cujo valor, aliás, ultrapassou o pactuado no pseudo contrato, não foi comprovada tal amortização. O demonstrativo apresentado não é suficiente para tal prova. Não foi visualizado a transferência dos supostos valores amortizados da conta do interessado para a credora. 52. Estas verificações são mais do que suficiente para demonstrar que o contrato de mútuo, realmente, não há como se sustentar e, assim, fica evidente que o sujeito passivo não conseguiu demonstrar a origem dos depósitos bancários detectados pelo Fisco. 53. Cabe esclarecer aqui que a origem que se busca não é a simples indicação de "quem efetuou" o depósito, ou, de onde "vieram" os recursos, mas, sim, sua natureza tributária, se já foram tributados ou se são isentos. Desta forma, embora juntado documentos que, em princípio, demonstrariam a origem material dos depósitos, cujo documento básico foi rejeitado, não foi demonstrada a referida origem da natureza tributária desses recursos. 54. Com isto fica, também, explicado as afirmações do Fisco que o impugnante, juntando trechos de contextos distintos, as interpretou como contradições e/ou seria opinião pessoal, quando diz que "a Autoridade Fiscal teria admitido francamente que a ...a origem material dos depósitos/transferências...está comprovada, mas, teria defendido as insólitas teses atacadas para concluir que...não obstante os documentos apresentados, ...a Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.129 15 existência do mútuo entre a empresa CEMISA e o Sr. Daniel Benasayag Birmann, no qual residiria... natureza jurídica das transferências efetuadas, não estaria." 55. O até aqui desenvolvido demonstram que o lançamento está correto. Porém, apenas para esclarecimento, na sequência serão tratados os demais itens de discussão levantados pelo impugnante, mas, que em nada afetam os temas acima desenvolvidos. 56. Do prejuízo contábil. A menção de R$ 36 milhões em vez de R$ 30.276.337,17 também se trata de mero erro de digitação. Observase que, na tentativa de encurtar o nome do valor, o Fisco mencionou só a parte milionária em pauta, com a mistura de números e palavras, e digitou "36" no lugar de "30". Este lapso, também, em nada prejudicou o Procedimento Fiscal, ou a compreensão do lançamento e/ou, ainda, a defesa do interessado. 57. Dos Grupos de Contas no Balanço. A menção equivocada pelo Fisco de Passivo no lugar de Ativo realizável a logo prazo, também nada de prejuízo acarretou ao contribuinte, que demonstrou entender corretamente o que houve, quando critica o equívoco do Fisco e aponta como deveria ser a construção desses argumentos. 58. Do pseudo empréstimo Verdadeira doação. A observação do Fisco quando diz ... A repactuação da dívida, ao derrubar as cláusulas 2 e seguintes do contrato original, na prática, transformou um contrato de mútuo já muito vantajoso em uma verdadeira doação, não há dúvida de que se trata de uma mera força de expressão para demonstrar quão frágil é o referido contrato de mútuo, que não se sustenta de forma alguma como tal. Em nenhum momento essa afirmação foi dita que, oficialmente, se trataria de doação. Desta forma, não há como considerar o argumento do interessado quando diz que se de doação se esteja tratando, a autuação seria da mesma forma nula. 59. Resumindo: o contrato de mútuo foi, corretamente, descaracterizado pelo Fisco e, assim, não há dúvida alguma que o sujeito passivo não conseguiu demonstrar quando do procedimento Fiscal e nem com a impugnação a origem dos depósitos bancários detectados, sua natureza tributária, se já foram tributados ou se são isentos, situação que não permite rever o lançamento corretamente efetuado. Da Conclusão 60. Isto posto, e considerando tudo mais que dos autos consta, voto pela improcedência da impugnação e por manter o crédito tributário consubstanciado no Auto de Infração AI, cuja cobrança deverá prosseguir. Fl. 1136DF CARF MF 16 9 Apenas complementando o quanto acima indicado e tomado como razões de decidir, entendo que quanto ao empréstimo, impõese destacar que a análise da sua comprovação, tomado como justificativa da origem do recurso, deve ser promovida de forma bastante cautelosa, em especial no caso em exame, em função dos valores envolvidos. 10 A alegação de empréstimo, seja pela sua aquisição (mutuário), seja pelo seu recebimento em sua liquidação (mutuante), é, em função de sua natureza tributária, a forma mais usual de se encobrir rendimentos tributáveis. 11 Nesse sentido, entendo que o agente fiscal deva se certificar, minimamente, quanto à existência da formalização do negocio (existência de contrato registrado em cartório ou com firma reconhecida à época do acordo); reconhecimento da obrigação e do direito nas declarações e/ou contabilidade do mutuário e do mutuante, respectivamente; assim como se lá declarado há o lastro para a transferência e o controle, por parte dos envolvidos, do fluxo de sua amortização, para demonstrar a liquidação do empréstimo diretamente pelos envolvidos ou a sua repactuação, conforme o caso. 12 Veja a respeito a título de exemplo as cláusulas do contrato indicado no TVF às fls. 12: 13 Causa espécie um valor expressivo como esse de empréstimo em um contrato, não prever qualquer tipo de correção ou juros após o um prazo de 60 meses e que fora repactuado, para mais 96 meses fls. 13, enfim. Com isso, podese dizer que, a rigor, nenhuma operação de empréstimo foi comprovada pelos mutuantes, tampouco pelo recorrente, que nada apresentou a esse título. Fl. 1137DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.130 17 14 Muito menos as alegações de que a planilha de fls. 550/557 de que houve diversas amortizações do contrato "seja diretamente à CEMISA, seja mediante pagamentos a outras pessoas, por conta e ordem da CEMISA' como alegado pelo contribuinte, pois a análise dos documentos, avaliados também pela decisão recorrida, não trazem nenhum esclarecimento claro e concreto que são relativos à amortização do alegado empréstimo a fim de refutar os apontamentos da autoridade fiscal, bem como dos extratos do mutuante de fls. 563/706 com os de fls. 67/159 através de apontamentos meramente manuscritos (como informado pelo contribuinte). 15 Nesse tópico, ainda que os termos do art. 42 da Lei 9.430/96 inverta o ônus da prova, de modo que caiba ao contribuinte a comprovação da origem dos créditos em sua conta bancária, como, nos casos em que comprovada a origem, a fiscalização necessita avaliar a natureza dos rendimentos para fins de aplicação da legislação correlata, é também dever do fiscalizado demonstrar a natureza tributária, não tributária ou de tributação exclusiva dos seus rendimentos, agora sob o amparo do que prevê os art. 927 e 928 do Regulamento do Imposto de Renda. 16 A respeito do assunto, tomo como razões de decidir os fundamentos do voto do I. Conselheiro Carlos Alberto do Amaral Azeredo, no Ac. 2201.004.702 J. 12/09/2018, verbis: Depreendese da leitura do Relatório Fiscal produzido no curso da Fiscalização, que parte dos valores considerados omitidos tem origem identificada, mas não sua natureza, o que levou o Agente Fiscal a considerar como omissão de rendimentos. Neste ponto, convém trazer à balha o teor do art. 42 da Lei 9.430/96: Art. 42. Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. § 1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. § 2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Grifouse. Como se vê, os valores cuja origem foram comprovadas no curso do procedimento fiscal devem ser submetidos às normas de tributação específicas às respectivas natureza, pois, havendo a comprovação da origem e não tendo sido computados tais Fl. 1138DF CARF MF 18 rendimentos na base de cálculo do tributo, não mais há que se falar da presunção de omissão de rendimentos de que trata o citado art. 42, mas de efetiva omissão de rendimentos. Não compartilho do entendimento de que a palavra "origem" constante do caput do art. 42 apresente significado mais abrangente do que efetivamente tem. Origem é o lugar de onde provém alguém ou alguma coisa, é a fonte, é a procedência. Parece evidente que o espírito da norma é evitar que o titular da movimentação financeira, que é quem teria a maior facilidade de indicar a fonte dos recursos, deixasse para o fisco toda a tarefa de identificar a origem dos créditos em suas contas bancárias. Assim, a lei inverteu o ônus da prova, atribuindo ao titular da conta bancária o dever de aclarar a origem dos valores. Feito isto, não há mais que se falar em presunção legal de omissão de rendimentos, devendo a tributação, se for o caso, considerar as normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. Não obstante, a comprovação da origem não desobriga o contribuinte de comprovar a natureza dos rendimentos, em particular para que possa o Agente Fiscal aplicar as normas de tributação específicas. Tal obrigação está prevista no Decreto 3.000/99 (RIR), expressamente indicado no Termo de Início do Procedimento Fiscal de fl. 4, e assim dispõe: Art. 927. Todas as pessoas físicas ou jurídicas, contribuintes ou não, são obrigadas a prestar as informações e os esclarecimentos exigidos pelos AuditoresFiscais do Tesouro Nacional no exercício de suas funções, sendo as declarações tomadas por termo e assinadas pelo declarante (Lei nº 2.354, de 1954, art. 7º). Art. 928. Nenhuma pessoa física ou jurídica, contribuinte ou não, poderá eximirse de fornecer, nos prazos marcados, as informações ou esclarecimentos solicitados pelos órgãos da Secretaria da Receita Federal. O mesmo Regulamento prevê, ainda: Art. 845. Farseá o lançamento de ofício, inclusive (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 79): I arbitrandose os rendimentos mediante os elementos de que se dispuser, nos casos de falta de declaração; II abandonandose as parcelas que não tiverem sido esclarecidas e fixando os rendimentos tributáveis de acordo com as informações de que se dispuser, quando os esclarecimentos deixarem de ser prestados, forem recusados ou não forem satisfatórios; III computandose as importâncias não declaradas, ou arbitrando o rendimento tributável de acordo com os elementos de que se dispuser, nos casos de declaração inexata. Analisando o Auto de Infração de fl. 2391 a 2399, constatase que a Autoridade lançadora indicou expressamente a Fl. 1139DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.131 19 fundamentação legal do lançamento, apontando para o art. 42 da Lei 9.430/96, mas apontou, também, outros fundamentos, dentre os quais merece destaque os seguintes artigos do já citado Regulamento do Imposto de Renda: Art. 37. Constituem rendimento bruto todo o produto do capital, do trabalho ou da combinação de ambos, os alimentos e pensões percebidos em dinheiro, os proventos de qualquer natureza, assim também entendidos os acréscimos patrimoniais não correspondentes aos rendimentos declarados (Lei nº 5.172, de 1966, art. 43, incisos I e II, e Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 1º). Parágrafo único. Os que declararem rendimentos havidos de quaisquer bens em condomínio deverão mencionar esta circunstância (DecretoLei nº 5.844, de 1943, art. 66). Art. 38. A tributação independe da denominação dos rendimentos, títulos ou direitos, da localização, condição jurídica ou nacionalidade da fonte, da origem dos bens produtores da renda e da forma de percepção das rendas ou proventos, bastando, para a incidência do imposto, o benefício do contribuinte por qualquer forma e a qualquer título (Lei nº 7.713, de 1988, art. 3º, § 4º). Parágrafo único. Os rendimentos serão tributados no mês em que forem recebidos, considerado como tal o da entrega de recursos pela fonte pagadora, mesmo mediante depósito em instituição financeira em favor do beneficiário. Como se vê, os artigos acima constituem a regra geral de tributação do Imposto sobre a Renda e proventos de qualquer natureza. Naturalmente, há rendimentos específicos que não são alcançados pela tributação do IR, como os expressamente elencados no art. 39 do mesmo regulamento, bem assim os que estão sujeitos a tributação diferenciada, a exemplo daqueles tributados exclusivamente na fonte, como os decorrentes de 13º salário ou de Participação nos Lucros ou Resultados. Contudo, tendo em vista que a regra, no caso de pessoa física, é a tributação na Declaração de Ajuste Anual, a necessidade de que o contribuinte demonstre não apenas a origem de seus rendimento é para que tenha a oportunidade de demonstrar a natureza dos valores recebidos para que, sendo estes isentos, não haja qualquer incidência tributária ou, sendo estes submetidos à tributação diferenciada, sejam aplicadas as respectivas normas tributárias. 17 Entendo que o contribuinte traz muitos argumentos, inclusive vários já devidamente analisados pela decisão de piso, mas não identifica de forma clara e precisa as provas que invalidam tal conclusão da decisão de piso e ao trabalho fiscal mas sem qualquer objetividade para o deslinde eficaz do presente caso. Fl. 1140DF CARF MF 20 18 – A respeito do assunto quanto a comprovação do mútuo cito trecho do voto no AC 2201003.235 j. 15/06/16 de Relatoria do Conselheiro Carlos Henrique de Oliveira dessa C. Turma, verbis: “Novamente se verifica que o presente recurso é constituído somente de alegações. A dialética da provas exige que o contribuinte apresente, e comprove, fatos impeditivos, modificativos ou extintivos do direito de crédito do Fisco constante do lançamento e, no caso, devidamente corroborado por provas. Tal exegese, no sentido da exigência de comprovação dos fatos alegados pelas partes constantes do processo administrativo tributário, consta do Decreto nº70.235 em especial dos artigos9º e 15. Como bem apontado pela 3ª Turma da DRJ SPO II no acórdão 1718551 (fls.452). não pôde o Recorrente se desvencilhar do encargo probatório, não se permitindo, portanto, admitir tal argumento. ‘Em relação à alegação de empréstimos tomados pata justificar o acréscimo. tratase de matéria já extensamente examinada pelos tribunais administrativos e a jurisprudência, inclusive desta Turma de Julgamento, firmouse no sentido de só acolher as alegações de empréstimos quando acompanhadas não somente do respectivo contrato de mútuo, mas também de provas que irrefutavelmente demonstrem a transferência do efetivo numerário, com indicação de valor e data coincidentes. Abaixo seguem alguns acórdãos do 1° Conselho de Contribuintes, que ratificam este entendimento: (...)’ Padece do mesmo vício a alegação da falta de comprovação, pelo Fisco, da desconsideração dos empréstimo bancários tomado pelo Recorrente e que, segundo ele, comprovam parte da origem dos recursos aplicados. Tal comprovação é ônus do Recorrente, não cabendo à Administração Tributária tal encargo. A esta coube o ônus da comprovação do acréscimo patrimonial, da obtenção de proventos de qualquer natureza que ensejem tal acréscimo. Recordemos, a lógica presente na ação fiscal. O Fisco, verificando variação patrimonial, intima o contribuinte a comprovar a origem dos recursos. A ausência da comprovação, segundo a legislação tributária, enseja o lançamento. No processo administrativo fiscal instaurado pela impugnação, o Contribuinte deve comprovar suas alegações. Observase no presente caso, que o Recorrente não o fez no procedimento inquisitório fiscalizatório e não produziu suas provas novamente aqui. Não se pode considerar os empréstimos alegados por falta de comprovação. Fl. 1141DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.132 21 Novamente não pode dar provimento ao recurso.” 19 – O contribuinte que junta aos autos centenas de documentos arrasta para si o ônus de identificar, em cada um desses documentos, os dados que lhe forem favoráveis e ao mesmo tempo proceder a uma acurada análise de natureza técnica do conjunto desses dados e, finalmente, cotejar, de maneira circunstanciada, os seus resultados e conclusões para infirmar os elementos trazidos pela Fiscalização. 20 – O julgador não pode ser visto como patrono da contribuinte ou do Fisco, nem seu assistente técnico, motivo pelo qual não lhe cabe pesquisar, nos autos, dentre as centenas de documentos, os dados que poderiam, em tese, ser favoráveis a ela nem mesmo sob o pálio da "verdade material" suplantar toda e qualquer regra processual aplicável ao processo administrativo fiscal federal a fim de, ao arrepio, dentre outros, do princípio da isonomia, permitir seja desbancada a competência originária da autoridade fiscal ou mesmo do colegiado recorrido, para fins de substituir tarefa que competia ao sujeito passivo, seja espontaneamente ou mesmo depois de provocado, em face das sucessivas rejeições da sua pretensão, nessa análise. 21 Considero como razões de decidir o quanto consignado nesse tópico os termos da fundamentação do TVF às fls. 3 – DA DESCARACTERIZAÇÃO DO MÚTUO CEMISA Cumpre ressaltar, primeiramente que, como já explicitado acima, a primeira intimação à empresa CEMISA foi encaminhada em termos genéricos, sem informar valores e datas. Visava a alcançar TODAS as transferências efetuadas para a(s) conta (s) do sr. Daniel. Na resposta à intimação 001, a empresa listou somente as transferências que informa ter ocorrido a título de mútuo, transferências estas que coincidem, na sua maioria, com os valores creditados na contacorrente mantida pelo sujeito passivo junto ao BANCO ARBI, que totalizam, conforme a planilhas apresentadas pela empresa e pelo (anexo I) R$ 11.419.111,01. Quanto ao suposto mútuo celebrado com a empresa CEMISA, controlada pela empresa BSB PARTICIPAÇÕES (da qual sr. Daniel é principal acionista e sócio controlador) temse que: – a empresa informou tratarse de mútuo feneratício não oneroso porquanto não havia previsão de juros e atualização monetária caso o valor fosse restituído no prazo originalmente pactuado (cinco anos). – O prazo é extremamente longo (oito anos, contando com a repactuação) para uma empresa abrir mão de receita financeira Fl. 1142DF CARF MF 22 e manter o seu capital indisponível, ainda mais se se considerar que a própria empresa aplica o seu capital no mercado financeiro, como mostram os extratos de aplicações em CDB da CEMISA no banco BRADESCO (anexos à resposta a intimação 01 da CEMISA). Além do mais temse que, considerando os documentos apresentados, há uma nítida incongruência entre o valor pactuado e o valor efetivamente transferido, decorrente, pelo que a resposta à intimação 03 apresentada pelo sr. Daniel Benasayag leva a crer, de um erro conceitual, porquanto este confunde SALDO DEVEDOR com VALOR EMPRESTADO. Cabe esclarecer agora que eventuais amortizações efetuadas no período, são PAGAMENTOS da dívida e não se confundem com o valor total emprestado. Ou seja, se, por exemplo, uma pessoa toma por empréstimo R$ 5.000,00 e efetua dois pagamentos de R$1.000,00; o valor mutuado continua sendo R$ 5.000,00, e o saldo da dívida passa a ser 3.000,00. Segundo esta linha de raciocínio, deve ser considerado como transferido ao sr. Daniel Benasayag o total dos créditos efetuados em sua conta. Sendo que a quantia supostamente “emprestada” pela companhia cingese aos 8.500.000,00 pactuados. O valor excedente, no caso R$ 2.919.111.01, podem ser consideradas, de pronto transferências sem justificativa. Outro fator a ser levado em consideração é que o suposto empréstimo JAMAIS FOI PAGO. Quanto instado a comprovar o pagamento da dívida, através da intimação 03, o sr. Daniel apresentou um pacto adjeto ao contrato original, dilatando o prazo de pagamento em mais 36 meses, não fez menção a qualquer amortização efetuada nos anos seguintes (2009 em diante). Ou seja, até o momento a empresa não teve o seu capital de volta. Sequer teve alguma remuneração pelo seu capital. A repactuação da dívida, ao derrubar as cláusulas 2 e seguintes do contrato original, na prática, transformou um contrato de mútuo já muito vantajoso em uma verdadeira doação. Cristalina, portanto, a intenção de NÃO devolver o dinheiro à CEMISA. Mesmo porque, conforme informações contidas na DIRPF 2010 – 10/26.158.991 o valor da dívida do sr. Daniel com a CEMISA, naquele anocalendário, atingiu a cifra de R$ 62 milhões de reais. De onde se pode inferir que este não foi o primeiro empréstimo que o mutuário deixou de pagar. Não foi pago IOF relativamente a este mútuo. Nem todas as transferências foram efetuadas diretamente da empresa CEMISA para o sr. Daniel, há créditos provenientes das empresas ARBI RIO (CNPJ 28.280.576/000179 – empresa cujo sócioadministrador é o sr. Bernardo Simões Birmann e DSV participações (CNPJ 35.759.208/000173). Ambas Fl. 1143DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.133 23 empresas têm sede no mesmo endereço da CEMISA PARTICIPAÇÕES (Avenida Niemeyer, nº 2 – parte). Por fim, cabe ressaltar que, à vista dos documentos apresentados, temse que a alteração contratual que nomeou o sr. Daniel administrador da empresa e conferiu poderes para que ele pudesse assinar os contratos em seu nome (registrada em 09 de setembro de 2009) é posterior a data do contrato (assinado em 04 de janeiro de 2009). Ou seja, ao contribuinte sequer logrou comprovar a validade jurídica do contrato que concedeu o suposto mútuo. Em resumo, são as seguintes as razões levadas em conta pela fiscalização para desconsiderar a origem (natureza) das operações listadas na planilha 1 (transferências da CEMISA, ARBI e DSV informadas como mútuo): a) falta de registro das operações A falta de registro do contrato de mútuo, por si só, não é suficiente para afastar a existência de fato do mútuo, da mesma forma que o registro do mesmo não seria, isoladamente, prova cabal de sua existência. No entanto, considerando a precariedade do conjunto probatório apresentado à fiscalização, que se resume a cópia NÃO REGISTRADA de ata de assembleia firmada pelos sócios da CEMISA, as empresas CHARLES LIMITED e BSB PARTICIPAÇÕES, contendo autorização genérica para conceder empréstimos para o sr. DANIEL por 20 (vinte) anos, aliado aos contratos particulares de mútuo, também sem registro, assinados pelo sr. Daniel na qualidade de mutuário e representante da mutuante, a falta de pagamento, não só do IOF, mas do próprio montante emprestado reduzem a credibilidade na operação defendida pela empresa. Até mesmo porque, pelo que fazem crer as lacônicas respostas da empresa e ausência de resposta do sr. Daniel, nem mutuário nem mutuante têm interesse em manter efetivo controle sobre a dívida, tampouco na sua quitação, pois, em vez de executar o contrato, conforme previsto na cláusula 2 do contrato original, a empresa concedeu uma dilação do prazo para pagamento, abriu mão dos já reduzidos encargos financeiros e correção monetária. b) falta de motivação – A empresa é prestadora de serviços (conforme contrato social), tem como objeto, entre outros, a participação em outras empresas, a administração dos seus próprios bens e a recuperação empresarial. Não se trata de instituição de crédito, tampouco filantrópica. Desta forma, considerando que, à vista dos elementos apresentados, a empresa não está auferindo receita financeira pela concessão dos empréstimos e, de acordo com a sua DIRPJ referente ao anocalendário 2009, apresentou prejuízo contábil, há de se concluir que não há motivação econômica para a concessão de mútuos aos sócios, principalmente em se tratando de mútuo gracioso (pois não há previsão de juros e atualização no período de 5 anos). Fl. 1144DF CARF MF 24 c) incongruência entre o valor contratado e o montante transferido. Como já explicitado, o valor transferido no ano calendário de 2009 ao sr. Daniel ultrapassa o limite máximo de R$ 8.500.000,00 supostamente emprestados pela empresa. d) ausência de disponibilidade de recursos da empresa, vez que informou prejuízo CONTÁBIL no anocalendário da ordem de R$ 36 milhões de reais. Qual o sentido da empresa apresentar um saldo na conta de passivo realizável a longo prazo no valor de R$ 121.553.182,88 (conforme dados da declaração 0001820311) e não ter dinheiro em caixa para alocar aos seus fins econômicos? e) Por fim, vale registrar que a escrituração contábil, por si só, não faz prova a favor do contribuinte, se desacompanhada de documentos hábeis e idôneos que comprovem os fatos nela registrados. Qualquer um desses elementos, isoladamente, não é suficiente para descaracterizar o empréstimo, mas quando contextualizados, levam a conclusão que, de fato, não houve mútuo, e com isso não restou comprovada a origem dos depósitos efetuados pela CEMISA em conta bancária do sr. Daniel Benasayag. 22 Portanto, não se pode admitir que os atos e negócios praticados se baseiem numa aparente legalidade, contendo apenas uma mera formalidade, sem qualquer finalidade empresarial ou negocial, para disfarçar o real objetivo da operação, sendo que no presente caso o contribuinte não se desincumbiu do ônus em comprovar a veracidade do mútuo após a sua desconsideração pela Fiscalização, e muito menos a presunção legal do art. 42 da LEi 9.430/96. Conclusão 23 Diante do exposto, conheço do recurso e no mérito Negolhe provimento. (assinado digitalmente) Marcelo Milton da Silva Risso Fl. 1145DF CARF MF Processo nº 11080.726941/201454 Acórdão n.º 2201000.781 S2C2T1 Fl. 1.134 25 Fl. 1146DF CARF MF
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Numero do processo: 15465.000347/2009-17
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Sep 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 12 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2006
PRECLUSÃO DIREITO DE PLEITO.
Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, art 17.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE.
Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação.
HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE
São dedutíveis os honorários advocatícios arcados pelo beneficiário e pagos para a percepção de rendimentos obtidos por via judicial, devidamente comprovados por documentação hábil.
Numero da decisão: 2001-000.713
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2006 PRECLUSÃO DIREITO DE PLEITO. Considerar-se-á não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, art 17. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE São dedutíveis os honorários advocatícios arcados pelo beneficiário e pagos para a percepção de rendimentos obtidos por via judicial, devidamente comprovados por documentação hábil.
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Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, art 17. OMISSÃO DE RENDIMENTOS RECEBIDOS DE PESSOA JURÍDICA. RENDIMENTOS RECEBIDOS ACUMULADAMENTE. Só se mantém o lançamento fiscal referente a omissão de rendimentos quando demonstrado de forma inequívoca nos autos que se trata de rendimentos tributáveis auferidos pelo sujeito passivo, que não foram oferecidos a tributação. HONORÁRIOS ADVOCATÍCIOS. DEDUTIBILIDADE São dedutíveis os honorários advocatícios arcados pelo beneficiário e pagos para a percepção de rendimentos obtidos por via judicial, devidamente comprovados por documentação hábil. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em DAR provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 46 5. 00 03 47 /2 00 9- 17 Fl. 140DF CARF MF 2 Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. Ausente, justificadamente, o conselheiro Jorge Henrique Backes. Relatório Contra o contribuinte acima identificado foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2006, anocalendário de 2005, por meio da qual foi constatada omissão de rendimentos tributáveis recebidos acumuladamente, decorrentes de ação judicial, no valor de R$ 114.814,44. O interessado foi cientificado da notificação, apresentou impugnação e alega, em síntese, que faria jus ao abatimento de R$ 25.487,00 relativo a honorários advocatícios pagos na reclamação trabalhista movida em face da empresa Cota Comercial Técnica de Automóveis Ltda na 46a Vara do Trabalho A DRJ Rio de Janeiro, no decorrer da análise dos fatos, demonstra seu entendimento no sentido de que o contribuinte não logrou êxito em comprovar as suas alegações, pelos motivos expostos no acórdão, de forma detalhada e fundamentada. Em sede de Recurso Voluntário, o contribuinte ratifica seu direito a dedução dos honorários e ainda solicita tratamento diverso no cálculo dos rendimentos recebidos acumuladamente. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Da preclusão Merece que seja abordado, logo de inicio, os limites que circundam essa lide. Como se verifica dos autos, na impugnação o contribuinte questiona tão somente o direito a dedutibilidade dos honorários advocatícios no valor total de R$ 25.487,00. Esse foi o ponto devolvido à DRJ , o qual foi devidamente analisado. Fl. 141DF CARF MF Processo nº 15465.000347/200917 Acórdão n.º 2001000.713 S2C0T1 Fl. 3 3 Ocorre que eu sede de Recurso Voluntário, o contribuinte, através de seu advogado, aborda diversas outras questões não levantadas no momento oportuno. Nesta senda, merece trazer a baila a norma contida no Decreto nº 70.235 de 06 de Março de 1972, o qual dispõe sobre o processo administrativo fiscal, e dá outras providências, deixando muito claro no seu art 17 a questão da preclusão. Vejamos: Art. 17. Considerarseá não impugnada a matéria que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante. (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (Produção de efeito) Ou seja, quando não impugnada a matéria no momento devido, ocorre a preclusão, que pode ser definida como a extinção da faculdade de se praticar determinado ato processual devido já haver ocorrido a oportunidade para realizálo. Segundo Luiz Rodrigues Wambier, em sua obra Curso Avançado de Processo Civil, preclusão é “um fenômeno exclusivamente processual, vinculado a idéia de que passo a passo os atos processuais vão acontecendo subseqüentemente no processo, realizando o modelo procedimental que se tenha adotado em cada caso.” Ou seja, cada ato há um momento próprio para ser executado, no qual o processo pode ser comparado a uma caminhada, uma verdadeira seqüência lógica de atos, no qual o baseia o posterior e assim sucessivamente. Cada fase superada serve de sucedâneo para fase seguinte, uma vez passada à fase posterior, não é mais dada à oportunidade de retornar a anterior, não sendo mais permitido discutir questões que já foram superadas. O principio da preclusão está diretamente ligado ao principio da eventualidade, no qual a parte ré deverá alegar na contestação toda matéria de defesa com a qual impugna o pedido do autor sob pena de ser impedido de fazêlo posteriormente ( norma destacada no art. 300 do Código de Processo Civil). Sendo assim, este colegiado analisará tão somente a matéria devolvida para análise pelo impugnante, qual seja a dedutibilidade dos honorários advocatícios sobre o montante recebido a titulo de rendimentos acumulados Mérito Dos honorários advocatícios e do IRRF O recorrente esclarece que, do valor de R$ 127.557.94, deve ser considerada a incidência dos Honorários advocatícios de 20% (vinte por cento), a favor dos advogados Fernando Roberto da Silva CPF 643.633.257,04 (R$ 12.743,50) e Paulo Roberto Teixeira Prisco CPF 727.623.817.20 (R$ 12.743,50) que patrocinaram a causa, totalizando o valor de R$ 25.487,00, conforme documento acostado aos autos desde a impugnação. Ou seja, demonstra que foi expedido Alvará de pagamento a seu favor no valor líquido de R$ 102.348,91 (também junta documento anexado ao autos do processo desde a impugnação), cujo valor foi devidamente lançada na sua Declaração do Imposto de Renda . Fl. 142DF CARF MF 4 Quanto à dedução dos honorários advocatícios, o § único do art. 56 do Decreto n.º 3.000, de 26/03/1999 (RIR) regulamenta a questão, permitindo a dedutibilidade. Nesta senda, por todos os motivos expostos e demonstrados pelo contribuinte, seja através de argumentos , seja através de documentos acostados ao processo, entendo que restou comprovada a despesa de honorários no valor total de R$ 25.487,00, motivo pelo qual dou provimento ao Recurso Voluntário neste aspecto, que entendo ser o unico passível de análise por este colegiado. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário para acatar as despesas com honorários advocatícios no valor total de R$ 25.487,00 . (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 143DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16366.720013/2015-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Dec 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009
CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012.
O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012.
O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.436
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012. O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7º-A, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. Recurso Voluntário Negado
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/04/2009 a 30/06/2009 CRÉDITO PRESUMIDO. ART. 8º DA LEI 10.925/2004. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. ACÚMULO EM RAZÃO DE EXPORTAÇÃO. POSSIBILIDADE. SALDO APURADO ATÉ 01/01/2012. O crédito presumido da contribuição (PIS/Cofins) para a agroindústria apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº10.925/2004 só pode ser compensado com débitos próprios da contribuição. A Lei nº 12.995/2014, art. 7ºA, permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pudesse ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Impossibilidade de ressarcir créditos apurados em outra data, na medida em que a lei escolheu uma data específica. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros Winderley Morais Pereira (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Valcir Gassen, Liziane AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 36 6. 72 00 13 /2 01 5- 84 Fl. 150DF CARF MF Processo nº 16366.720013/201584 Acórdão n.º 3301005.436 S3C3T1 Fl. 3 2 Angelotti Meira, Marcos Roberto da Silva (Suplente Convocado), Ari Vendramini, Salvador Cândido Brandão Junior e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentada, mantendo a decisão da repartição de origem de indeferimento do Pedido de Ressarcimento (PER) de Crédito Presumido da Contribuição (PIS/Cofins), em virtude do fato de que o art. 8º da Lei nº 10.925/2004 autorizava a utilização do crédito presumido somente para dedução das próprias contribuições não cumulativas. De acordo com a repartição de origem, a Lei 12.995/2014 passou a autorizar que empresas da agroindústria que possuíssem, em 01/01/2012, saldo de crédito presumido calculado e acumulado na forma da Lei 10.925/2004 pudessem utilizar esse saldo via compensação ou ressarcimento. Contudo, ainda de acordo com a autoridade administrativa de origem, no presente caso, mesmo preenchendo todos os requisitos legais para apuração e aproveitamento dos créditos em referência, o requerimento do ressarcimento fora protocolizado após o prazo prescricional de cinco anos. Em sua Manifestação de Inconformidade, o contribuinte arguiu que a lei que concedera o direito ao ressarcimento do crédito presumido acumulado havia sido publicada em 18/06/2014, inexistindo, até então, direito ao ressarcimento, apenas sendo possível o aproveitamento com débitos das contribuições (PIS/Cofins), em razão do quê, somente se aplicaria a regra da prescrição a partir daquela data. A Delegacia de Julgamento (DRJ), por meio do acórdão nº 14062.928, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, considerando que o prazo para se pedir ressarcimento de créditos da não cumulatividade, básicos ou presumidos, é de cinco anos contados da data de sua apuração. Em suas razões de voto, a DRJ trouxe os seguintes argumentos: a) no formulário do pedido, consta “CRÉDITO PRESUMIDO vinculado à receita de exportação com base na Lei nº 12.995/2014”; b) cita o Decreto nº 20.910/1932, em que se prevê, em seu art. 1º, que qualquer dívida da União, de qualquer natureza, prescreve em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem; c) a possibilidade de crédito prevista no art. 7ºA da Lei nº 12.599/2012 (acrescentado pela Lei nº 12.995/2014), e de seu ressarcimento, é um direito “novo” e não a implementação de uma condição suspensiva que impedia o referido aproveitamento; d) a norma que instituiu o aproveitamento dos referidos créditos presumidos, expressamente previu a aplicação da prescrição; Fl. 151DF CARF MF Processo nº 16366.720013/201584 Acórdão n.º 3301005.436 S3C3T1 Fl. 4 3 e) cita o art. 29D da Instrução Normativa RFB nº 1.300/2012, onde resta previsto que o ressarcimento do saldo de créditos presumidos de que trata o caput pode ser solicitado somente para créditos apurados até 5 (cinco) anos anteriores, contados da data do pedido. Cientificado da decisão de primeira instância, o contribuinte interpôs Recurso Voluntário e repisou os argumentos trazidos em sua Manifestação de Inconformidade, insistindo que a Lei nº 12.995/2014, ao acrescentar o art. 7A à Lei nº 12.599/2012, conferira o direito ao contribuinte de obter créditos que, até então, não podiam ser utilizados, não tendo ocorrido, portanto, a prescrição. É o relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão nº 3301005.430, de 25/10/2018, proferida no julgamento do processo nº 10930.721698/201467, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Resolução nº 3301005.430): O recurso voluntário foi interposto no prazo e reúne os pressupostos legais de interposição, portanto, merece conhecimento. A partir do relato acima, constatase que a discussão dos autos não está na legitimidade ou não do montante de crédito, pois este foi conferido e admitido pelo Fisco. Centrase a discussão em saber se o pedido de ressarcimento formulado pela Recorrente está prescrito ou não. Assim, para fins de realizar uma análise do prazo prescricional, necessário traçar a linha do tempo. Até 18 de junho de 2014, a pessoa jurídica que desenvolvesse atividades agroindustriais, poderia apurar crédito presumido de PIS e COFINS, na forma como previsto no art. 8º da Lei nº 10.925/2004, para compensar, exclusivamente, com débitos destas mesmas contribuições (caput). No dia 18 de junho de 2014 entrou em vigor a Lei nº 12.995/2014 que acrescentou o art. 7ºA na Lei nº 12.599/2012, permitindo que o saldo de créditos presumidos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004 até 01/01/2012 pudessem ser compensados com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal do Brasil, vencidos ou vincendos, ou ainda requerer o ressarcimento em dinheiro, observandose a legislação aplicável sobre os prazos extintivos: Art. 7ºA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1o de janeiro de 2012 em relação Fl. 152DF CARF MF Processo nº 16366.720013/201584 Acórdão n.º 3301005.436 S3C3T1 Fl. 5 4 à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) I compensação com débitos próprios, vencidos ou vincendos, relativos a tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos; ou (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) II pedido de ressarcimento em dinheiro, observada a legislação específica aplicável à matéria, inclusive quanto a prazos extintivos. (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) (grifei) Em 26/08/2014 a Recorrente protocolizou seu pedido de ressarcimento de créditos apurados na forma do art. 8º da Lei nº 10.925/2004, conforme permissivo implementado pela novel Lei nº 12.995/2014. Resta, portanto, determinar quando surge o direito de ressarcimento de crédito, para fins de contagem da prescrição, se de sua apuração ou da publicação da lei que confere o direito, e qual é o prazo prescricional, bem como determinar o que se entende por "saldo de crédito presumido" apurado até 01/01/2012. I) Do prazo de prescrição e de seu marco inicial A prescrição é um instituto jurídico previsto no ordenamento jurídico com a finalidade de fornecer estabilidade às relações jurídicas, em homenagem à segurança jurídica, estabelecendo um prazo para o exercício de um direito. A premissa é que não se tem como desejável a permanência indefinida de um direito, estabelecendose, assim, um prazo para o exercício de sua pretensão. Caso o titular de um direito não exerça este direito no prazo, isto é, não exercite sua pretensão para ver satisfeito seu direito, considerase extinta esta pretensão, impossibilitandose que este direito seja, juridicamente, exercido. Com isso, para que o prazo prescricional tenha início, é preciso haver um direito, a possibilidade de exercêlo (pretensão) e a inércia do titular deste direito. Neste sentido, Caio Mário da Silva Pereira1: O sujeito não conserva indefinidamente a faculdade de intentar um procedimento judicial defensivo de seu direito. A lei, ao mesmo tempo em que o reconhece, estabelece que a pretensão deve ser exigida em determinado prazo, sob pena de perecer. Pela prescrição, extinguese a pretensão, nos prazos que a lei estabelece. (...) É, então, na segurança da ordem jurídica que se deve buscar o seu verdadeiro fundamento. O direito exige que o devedor cumpra o obrigado e permite ao sujeito ativo (credor) valerse da sanção contra quem quer que vulnere o seu direito. Mas se ele se mantém inerte, por longo tempo, deixando que se constitua uma situação contrária ao seu direito, permitir que mais tarde reviva o passado é deixar em perpétua incerteza a vida social. Há, pois, um interesse de ordem pública no afastamento das incertezas em torno da existência e eficácia dos direitos, e este interesse justifica o instituto da prescrição, em sentido genérico. Na seara tributária o instituto da prescrição se funda, também, na segurança jurídica, conforme ensinamentos de Luís Eduardo Schoueri, no 1 PEREIRA, Caio Mário da Silva. Instituições de Direito Civil. Teoria Geral de Direito Civil. Volume 1. 26ª Ed. Rio de Janeiro: Forense, 2013. Fl. 153DF CARF MF Processo nº 16366.720013/201584 Acórdão n.º 3301005.436 S3C3T1 Fl. 6 5 sentido de que a prescrição surge "da necessidade de garantir a desejada estabilidade das relações jurídicas"2. No direito tributário, portanto, também há prazos extintivos por prescrição tanto para o crédito tributário, conforme art. 156, V do CTN, extinguese o próprio direito de crédito da Fazenda Pública, como há também prazo de prescrição extintivo do direito de requerer (pretensão) a restituição de um indébito, ou de cobrar créditos que o particular tenha contra a Fazenda Pública. Assim, a hipótese de incidência da prescrição é a existência de um direito sem que seja exercido por seu titular, tendo como consequente a extinção do respectivo direito. Discutiase se o prazo prescricional para ressarcimento de créditos acumulados seria aquele do art. 168, CTN, no qual tinha início com o pagamento indevido, ou se seria outro, como o do artigo 1º do Decreto nº 20.910/1932. Não me parece adequado que o prazo prescricional, bem como seu marco de início de contagem, sejam aqueles previstos no CTN para a repetição do indébito, na medida que o pedido de ressarcimento não se funda em pagamento indevido. Assim, o crédito presumido é, veramente, um direito de crédito que o particular possui contra a Fazenda Pública em razão de alguma determinação legal. Portanto, se é um direito de crédito contra a Fazenda Pública, não decorrente de pagamento indevido, mas por alguma disposição legal, creio ser mais adequada aplicação do prazo prescricional existente no Decreto nº 20.910/1932 para a cobrança das dívidas passivas das entidades públicas. Neste diapasão, de acordo com o Decreto nº 20.910/1932, as dívidas passivas da União Federal, bem como qualquer direito ou ação contra a Fazenda Nacional, seja qual for a sua natureza, prescrevem em 5 anos, contados da data do ato ou fato do qual se originaram, verbis: Art. 1º As dívidas passivas da União, dos Estados e dos Municípios, bem assim todo e qualquer direito ou ação contra a Fazenda federal, estadual ou municipal, seja qual for a sua natureza, prescrevem em cinco anos contados da data do ato ou fato do qual se originarem. (grifei) A Câmara Superior de Recursos Fiscais, para um caso de crédito presumido de IPI, em sessão de 15/03/2018, proferiu o Acórdão CSRF nº 9303006.519, de relatoria do ilustre Conselheiro Rodrigo da Costa Possas, onde restou consignado que o prazo prescricional para ressarcimento deste crédito presumido observa o Decreto nº 20.910/1932: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados IPI Período de apuração: 01/04/1995 a 31/12/1995 RESSARCIMENTO. PEDIDO FEITO EM RAZÃO DE OUTRO ANTERIOR INDEFERIDO. SUSPENSÃO DA PRESCRIÇÃO DURANTE A ANÁLISE DO PRIMEIRO. INOCORRÊNCIA. Conforme art. 1º do Decreto nº 20.910/32 , prescreve em cinco anos o direito à apresentação de Pedido de Ressarcimento de créditos contra a Fazenda Pública, contados da data do fato do qual se originarem. Tendo sido feito um pedido considerado pela Administração como em desacordo com a legislação 2 SCHOUERI, Luís Eduardo. Direito tributário. 2. ed. São Paulo: Saraiva, 2012. Fl. 154DF CARF MF Processo nº 16366.720013/201584 Acórdão n.º 3301005.436 S3C3T1 Fl. 7 6 tributária, não fica suspensa a prescrição para a apresentação de um novo, relativo ao mesmo crédito, após o indeferimento do primeiro, não se aplicando o art. 4º do mesmo Decreto, pois quem deu causa foi o sujeito passivo, além do que a não é líquida a dívida passiva da União. Recurso Especial do Procurador Provido. No mesmo sentido, o Acórdão CSRF nº 9303006.519, proferido em sessão de 21/03/2017, de relatoria do Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/1997 a 31/03/1997 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. PEDIDO DE RESSARCIMENTO. PRESCRIÇÃO QÜINQÜENAL. O direito de pleitear o ressarcimento do crédito presumido do IPI prescreve em cinco anos contados do último dia do trimestre em que se deu a entrada dos insumos no estabelecimento industrial. Aplicação do Decreto n° 20.910, de 1932, combinado com Portaria MF n° 38/97. Recurso Especial do Contribuinte negado Em síntese, para que seja possível se falar em prescrição, necessário, preliminarmente, a existência de um direito. Somente após verificada a existência de um direito é que passa a ser possível se falar em início de prazo prescricional, extinguindose este direito caso não exercido por seu titular. No caso dos autos, é preciso discernir, o direito que se pleiteia não é o crédito presumido em si, qual seja, o crédito presumido apurado da forma em que previsto no art. 8º da Lei 10.925/2004 e passível de utilização desde 2004. Repitase, não é esse o direito que se pretende exercer. O direito que se discute nestes autos é o direito de utilizar este crédito para compensar com quaisquer tributos administrados pela Receita Federal, bem como o direito de requerer o ressarcimento em dinheiro deste crédito. E este direito apenas surgiu no ordenamento jurídico quando da publicação Lei nº 12.995 em 18 de junho de 2014. Não se pode admitir o fluxo do lapso temporal para a prescrição extintiva de um direito se o direito não existia e não podia ser exercido. Não se trata de causa interruptiva ou suspensiva da prescrição, mas sim da própria impossibilidade de início do curso do prazo diante da inexistência do direito a ser exercido. Não há como falar de inércia do titular do direito se direito não havia. Como dito, para se falar em prescrição é preciso que o direito exista e que o titular deste direito fique inerte por certo período de tempo. Assim, o ato ou fato que origina este direito, para utilizar a dicção do Decreto nº 20.910/1932, é a Lei nº 12.995 que permite novas formas de utilização de um crédito, criando, portanto, um novo direito a ser exercido. Desta feita, se o direito de ressarcimento em dinheiro do crédito presumido apenas surgiu em 18 de junho de 2014, é a partir deste momento que o prazo de prescrição tem início. No entanto, não se quer dizer, com Fl. 155DF CARF MF Processo nº 16366.720013/201584 Acórdão n.º 3301005.436 S3C3T1 Fl. 8 7 isso, que o crédito presumido que se quer ver ressarcido é irrelevante, muito ao contrário, a meu ver, a lei estabeleceu um marco temporal para o crédito presumido para que o direito de ver este crédito ressarcido em dinheiro possa ser fruído a partir de 18 de junho de 2014. II) Do saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012 A apuração do PIS e da COFINS no regime não cumulativo se faz no confronto dos débitos decorrentes de receitas auferidas em face de créditos apurados em razão de custos e despesas permitidos na legislação. Incluem se nestes créditos, os créditos presumidos permitidos pela lei. Ao final do período de apuração, o saldo de débito é levado à DCTF e recolhido pelo contribuinte, mas o saldo de crédito, por sua vez, pode ser mantido e transferido para o próximo período de apuração, e assim indefinidamente por tantos quantos períodos de apuração sejam necessários até que o montante de débito supere o montante de crédito. No caso em análise, a Recorrente pretende ver ressarcido um montante de crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009. A fiscalização afirma nestes autos, fls. 151156, que este crédito presumido foi apurado conforme o que estabelece o art. 8º da Lei nº 10.925/2004. Entretanto, salvo melhor juízo, não foi o crédito presumido apurado em seu respectivo período de apuração que a Lei nº 12.995/2014 permitiu que fosse objeto de pedido de ressarcimento, mas sim o saldo de crédito presumido que permaneceu escriturado em 01/01/2012, vejamos: Art. 7ºA. O saldo do crédito presumido de que trata o art. 8º da Lei nº 10.925, de 23 de julho de 2004, apurado até 1º de janeiro de 2012 em relação à aquisição de café in natura poderá ser utilizado pela pessoa jurídica para: (Incluído pela Lei nº 12.995, de 2014) Ao que parece, o problema não é de prescrição. O legislador escolheu um momento no tempo, como um incentivo fiscal, permitindo que o saldo de crédito presumido apurado e existente na escrita fiscal em 01/01/2012 pode ser objeto de pedido de ressarcimento ou para compensar com outros tributos administrados pela Receita Federal do Brasil. Desta feita, não se permitiu ressarcir o montante de crédito de cada período de apuração, individualmente, até 01/01/2012, mas sim o saldo ainda existente nesta data. Até porque, conforme salientado acima, a apuração do PIS e da COFINS se faz por confronto de créditos e débitos por período de apuração, podendose manter escriturado o saldo de crédito para abatimento das contribuições devidas nos próximos períodos de apuração. Desta feita, não há como identificar nestes autos se este crédito presumido apurado no primeiro trimestre de 2009 já não foi superado por algum montante de débito de algum período de apuração que o sucedeu até janeiro de 2012. Nem poderia ser assim, já que não me parece ter sido esta a escolha do legislador, já que foi definido um momento específico no tempo. Com isso, creio que o pedido de ressarcimento está equivocado, pois o que deve ser objeto de ressarcimento é o saldo de crédito presumido apurado até 01/01/2012. Fl. 156DF CARF MF Processo nº 16366.720013/201584 Acórdão n.º 3301005.436 S3C3T1 Fl. 9 8 Isto posto, conheço do recurso voluntário para, no mérito, negar provimento. Importa registrar que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 157DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13893.000864/2004-06
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Oct 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Classificação de Mercadorias
Período de apuração: 01/01/2000 a 20/04/2000
CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CREMES E LOÇÕES HIDRATANTES COM FILTRO FOTOPROTETOR. HIDRAFIL GEL. HIDRAFIL LOÇÃO.
Os produtos HIDRAFIL GEL e HIDRAFIL LOÇÃO classificam-se no Código NCM 3304.99.90, ainda que possuam filtro fotoprotetor.
Numero da decisão: 9303-007.476
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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Interessado FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2000 a 20/04/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CREMES E LOÇÕES HIDRATANTES COM FILTRO FOTOPROTETOR. HIDRAFIL GEL. HIDRAFIL LOÇÃO. Os produtos HIDRAFIL GEL e HIDRAFIL LOÇÃO classificamse no Código NCM 3304.99.90, ainda que possuam filtro fotoprotetor. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencida a conselheira Vanessa Marini Cecconello, que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas. Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto pelo contribuinte (fls. 745 a 785), contra o Acórdão 3202001.221, proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 3ª Sejul do CARF (fls. 690 a 699), sob a seguinte ementa: ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 89 3. 00 08 64 /2 00 4- 06 Fl. 874DF CARF MF Processo nº 13893.000864/200406 Acórdão n.º 9303007.476 CSRFT3 Fl. 875 2 Período de apuração: 01/01/2000 a 20/04/2000 CLASSIFICAÇÃO FISCAL. CREMES E LOÇÕES HIDRATANTES COM FILTRO FOTOPROTETOR. HIDRAFIL GEL. HIDRAFIL LOÇÃO. Os produtos HIDRAFIL GEL e HIDRAFIL LOÇÃO classificam se no código NCM 3304.99.90, ainda que possuam filtro fotoprotetor. Recurso voluntário negado. O contribuinte, inicialmente, havia oposto Embargos de Declaração (fls. 709 a 712), que foram rejeitados (fls. 732 a 737). Ao Recurso Especial foi dado seguimento parcial (fls. 849 a 854), apenas em relação à classificação fiscal. A Fazenda Nacional apresentou Contrarrazões (fls. 869 a 871), nas quais defende que os hidratantes devem ser classificados como produtos de beleza, e não como remédios, por três motivos: 1) a bula dos produtos traz a seguinte recomendação: “Precauções – não há cuidados especiais quanto ao uso, por se tratar de PRODUTOS COSMÉTICOS fabricados com ingredientes não irritantes a pele”; 2) os produtos não são registrados na ANVISA como medicamentos; 3) não cabe ao laudo técnico indicar a classificação correta do produto, mas apenas realizar uma análise de suas características físicoquímicas. É o Relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator Preenchidos todos os requisitos e respeitadas as formalidades regimentais, conheço do Recurso Especial. No mérito, a discussão cingese à classificação fiscal dos produtos HIDRAFIL GEL e HIDRAFIL LOÇÃO. A Fiscalização entendeu que não seriam medicamentos e, portanto, não poderiam ser classificados no Código NCM 3004.90.99, utilizado pelo contribuinte (tributado à alíquota zero), mas sim cosméticos, enquadrados no Código 3304.99.90 (tributado à alíquota de 30 % reduzida para 20 %, a partir de 01/03/2000, pelo Decreto nº 3.360/2000). Para melhor esclarecimento, a TIPI/1996 assim dispunha, no tocante às Posições sob análise: “3004: MEDICAMENTOS ... CONSTITUÍDOS POR PRODUTOS MISTURADOS OU NÃO MISTURADOS, PREPARADOS PARA FINS TERAPÊUTICOS OU PROFILÁTICOS, APRESENTADOS EM DOSES OU ACONDICIONDOS PARA VENDA A RETALHO. Fl. 875DF CARF MF Processo nº 13893.000864/200406 Acórdão n.º 9303007.476 CSRFT3 Fl. 876 3 3004.90.99: Outros, Outros, Outros.” “3304: PRODUTOS DE BELEZA OU DE MAQUILAGEM PREPARADOS E PREPARAÇÕES PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE (EXCETO MEDICAMENTOS), INCLUÍDAS AS PREPARAÇÕES ANTISOLARES E OS BRONZEADORES; PREPARAÇÕES PARA MANICUROS E PEDICUROS. 3304.99.90: Outros, Outros, Outros” Em suas Contrarrazões, a PGFN tomou por base os argumentos aduzidos no Termo de Constatação Fiscal (fls. 119), repisados na decisão de 1º instância, da DRJ/Ribeirão Preto (fls. 473 a 490): Que a Bula (fls. 053), no que tange às “Precauções”, diz que “Não há cuidados especiais quanto ao uso, por se tratar de produtos cosméticos fabricados com ingredientes não irritantes à pele”. Que os produtos foram registrados na ANVISA (fls. 063 e 066), como sendo "Hidrafil Loção Cremosa ... Loção para o corpo”, e “Hidrafil Gel ... Creme para o corpo". Argumenta o recorrente que estas constatações seriam insuficientes (“juridicamente inadmissíveis”) para definir a classificação fiscal a ser adotada, ainda dizendo que o Fisco “não produziu sequer uma prova técnica (ex.: laudo) com o objetivo de escorar sua posição”. Dizer que o consignado na Bula e o registrado da ANVISA não é indício suficiente para que não se considere os produtos como medicamentos até foge ao senso comum, e nem vou entrar aqui na mais que vencida discussão sobre a competência da Receita Federal para definir a classificação fiscal, não se exigindo que, necessariamente, disponha de Laudo Técnico ou parecer similar para tanto. E, como bem colocado no Acórdão recorrido, a discussão já foi submetida, pela própria recorrente, ao crivo do Poder Judiciário (TRF da 3ª Região), que chegou à mesma conclusão e, fundamentalmente, pelos mesmos motivos (esclareçase que o enquadramento no “Ex” Tarifário 02 – Preparados antisolares, alíquota zero, só se aplica a partir de 01/01/2004, com a edição do Decreto nº 5.282/2004): TRIBUTÁRIO. IPI. ANULATÓRIA DE DÉBITO FISCAL. IPI ALÍQUOTA ZERO. CLASSIFICAÇÃO FISCAL NA TIPI MODIFICADA PELO DECRETO 5.282/2004. PRODUTOS COSMÉTICOS. PREPARAÇÕES PARA CONSERVAÇÃO OU CUIDADOS DA PELE, INCLUINDO AS PREPARAÇÕES ANTI SOLARES. POSIÇÃO 3304.99.90 EX 02. (...) 2. O Decreto nº 79.094/1977 define medicamento como "produto farmacêutico, (...) com finalidade profilática, curativa ou paliativa para fins de diagnóstico". Já os cosméticos, segundo a Resolução RDC nº 79/2000, "são preparações constituídas por substâncias naturais ou sintéticas de uso externo nas diversas Fl. 876DF CARF MF Processo nº 13893.000864/200406 Acórdão n.º 9303007.476 CSRFT3 Fl. 877 4 partes do corpo humano, pele, (...) com objetivo exclusivo ou principal de (...) protegêlos ou mantêlos em bom estado". 3. Concluise do parecer técnico, que embora a precisa fundamentação caracterize os produtos como bloqueadores solares com ação hidratante que não provocam alergia aos seus usuários, a conclusão foi obtusa na tentativa de classificálos como medicamentos profiláticos/preventivos e/ou terapêuticos. Isso porque os bloqueadores solares e hidratantes, ainda que hipoalergênicos, não se enquadram na definição jurídica de medicamento. 4. A ação fotoprotetora dos produtos é descrita na TIPI dentro do capítulo 33, que diz respeito aos "Óleos essenciais e resinóides; produtos de perfumaria ou de toucador preparados e preparações cosméticas", no exemplo 2 (Preparados anti solares) da posição 3304.99.90 (Outros). 5. A característica hipoalergênica é mera definição informativa de que os componentes das fórmulas não causarão alergia a quem as utilizar, não caracterizando os produtos como profiláticos, preventivos ou terapêuticos, neste aspecto. 6. O caráter hidratante dos produtos não os enquadra no conceito legal de medicamentos. Tanto hidratantes como os fotoprotetores figuram como cosméticos nos anexos da Resolução RDC nº 211, de 14 de Julho de 2005. 7. A própria autora reconheceu que seus produtos devam ser tratados como cosméticos em duas oportunidades. A primeira em sua apresentação na bula bem como em seu sítio na Internet. A segunda, em seu próprio registro formal junto à ANVISA. 8. Os produtos HIDRAFIL GEL e HIDRAFIL LOÇÃO CREMOSA devem ser classificados como cosméticos, na posição 3304.99.90 Ex 02 da TIPI, a partir de 1º de novembro de 2004, nos termos do Decreto nº 5.282/2004 e legislação posterior, como "preparados antisolares". 9. A característica meramente declaratória da ação, não permite a fixação de verba honorária sobre condenação, pois que inexistente. Precedente (STJ AgRg no REsp 753487/PR). 10. Com a reclassificação dos produtos da autora para a posição 3304.99.90 Ex 02 da TIPI, por indicar, da mesma forma que medicamentos, a alíquota zero do IPI, não se impõe à autora qualquer sucumbência na demanda, mesmo porque resta acolhido pedido subsidiário formulado na exordial. 11. Apelação da autora não provida. Apelação da União e remessa oficial, tida por ocorrida, parcialmente providas. E, por fim, transcrevo excerto do Voto Condutor do Acórdão da instância de piso (fls. 478), com argumentos tão contundentes, que eu não poderia deixar de aqui consignar: Fl. 877DF CARF MF Processo nº 13893.000864/200406 Acórdão n.º 9303007.476 CSRFT3 Fl. 878 5 "Não se pode deixar de observar que a peça impugnatória menospreza o registro dos produtos na ANVISA, querendo descaracterizálo como elemento probante e relegandoo a mero detalhe. Contudo, como é de conhecimento público, a finalidade institucional da ANVISA é promover a proteção da saúde da população por intermédio do controle sanitário da produção e da comercialização de produtos e serviços submetidos à vigilância sanitária, inclusive dos ambientes, dos processos, dos insumos e das tecnologias a eles relacionados. Portanto, seria extremamente preocupante para a saúde da população, senão escandaloso, que a Agência permitisse, por mais de doze anos, que um medicamento fosse comercializado como cosmético. Vejase a Lei n° 5.991/73, citada pela própria defesa: Art. 4° Para efeitos desta Lei, são adotados os seguintes conceitos: II Medicamento produto farmacêutico, tecnicamente obtido ou elaborado, com finalidade profilática, curativa, paliatíva ou para fins de diagnóstico; IV Correlato a substância, produto, aparelho ou acessório não enquadrado nos conceitos anteriores, cujo uso ou aplicação esteja ligado à defesa e proteção da saúde individual ou coletiva, à higiene pessoal ou de ambientes, ou a fins diagnósticos e analíticos, os cosméticos e perfumes, e, ainda, os produtos dietéticos, óticos, de acústica médica, odontológicos e veterinários; Ou seja, a ANVISA só poderia aceitar que um produto fosse registrado como cosmético se não possuísse qualquer finalidade profilática, curativa (terapêutica) ou paliativa, o que, no presente caso, é prova inequívoca da natureza dos produtos em lide." À vista do exposto, voto por negar provimento ao Recurso Especial interposto pelo contribuinte. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 878DF CARF MF Processo nº 13893.000864/200406 Acórdão n.º 9303007.476 CSRFT3 Fl. 879 6 Fl. 879DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.727959/2013-86
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Oct 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguros ou relativas a Títulos ou Valores Mobiliários - IOF
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
MÚTUO ENTRE EMPRESAS.
Caracteriza mútuo entre empresas a transformação, todo final de ano, de dívida da mutuária, presente no circulante da mutuante, em dívida do realizável a longo prazo.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009, 2010, 2011
JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE.
O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o crédito a que se refere o caput do artigo.
Numero da decisão: 3302-006.106
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud (relator), Walker Araújo e José Renato Pereira de Deus. Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor.
Paulo Guilherme Déroulède
Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud
Relator
(assinado digitalmente)
Corintho Oliveira Machado
Redator Designado
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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OCORRÊNCIA DE MÚTUO. Recorrente A.C. COMERCIAL IMPORTADORA E EXPORTADORA LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2009, 2010, 2011 MÚTUO ENTRE EMPRESAS. Caracteriza mútuo entre empresas a transformação, todo final de ano, de dívida da mutuária, presente no circulante da mutuante, em dívida do realizável a longo prazo. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009, 2010, 2011 JUROS DE MORA COM BASE NA TAXA SELIC SOBRE A MULTA DE OFÍCIO APLICABILIDADE. O art. 161 do Código Tributário Nacional CTN autoriza a exigência de juros de mora sobre a multa de ofício, isto porque a multa de ofício integra o “crédito” a que se refere o caput do artigo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Jorge Lima Abud (relator), Walker Araújo e José Renato Pereira de Deus. Designado o Conselheiro Corintho Oliveira Machado para redigir o voto vencedor. Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 72 79 59 /2 01 3- 86 Fl. 528DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Redator Designado Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède, Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araújo, Corintho Oliveira Machado, José Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior e Raphael Madeira Abad. Relatório Tomase por base o RELATÓRIO do Acórdão de Impugnação. Trata o presente processo de impugnação a exigência de créditos tributários constituídos em auto de infração, por meio do qual a contribuinte é compelida a recolher à Fazenda Nacional a importância de R$ 910.789,59 a título de Imposto sobre Operações de Crédito, Câmbio e Seguro ou Relativas a Títulos ou Valores Mobiliários IOF, exações acrescidas de multa de ofício de 75% e juros moratórios devidos à época do pagamento. Estas exigências referemse a fatos geradores ocorridos no período de apuração encerrados em 31122009, 31122010 e 31122011, períodos em que a contribuinte apresentou Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica DIPJ, onde apurou resultados com base no Lucro Real anual. Do Termo de Verificação Fiscal temse que: ü A.C. Comercial celebrou contrato de industrialização por encomenda com Indústrias Todeschini S.A., CNPJ 76.483.890/000100, pelo qual adquire matériaprima e embalagens e as remete à industrializadora que por sua vez envia os produtos acabados à contratante; ü a remuneração pelos serviços de industrialização estipulada mensalmente “o valor correspondente à integralidade dos custos de produção inerentes ao processo de industrialização”, além de uma quantia de R$ 130.000,00 mensais; ü em verdade A C Comercial arca com todos os custos de Todeschini; Fl. 529DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 3 3 ü • o controle contábil é exercido por meio de três contas contábeis: a)“117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI)”; b) “11042 () FATURAMENTO INDL. TODESCHINI; c) “121006 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A; Entendeu a Fiscalização que ocorreram fatos geradores do IOF nas operações registradas por estas contas contábeis e alicerçada no art. 13 da Lei n° 9.779 e artigos 2°, 3°, 4°, 5° e 7° do Decreto n° 6.306, de 2007 [que regulamenta o IOF], e com base nestas contas contábeis citadas, a autoridade fiscal apurou a base de cálculo do IOF inclusive a que incide a alíquota adicional prevista no § 15, do art. 7° do já citado Decreto n° 6.306, de 2007; e lançou o IOF e adicional de IOF onde aplicou a penalidade de 75%. Irresignada a Interessada apresenta, tempestivamente, sua impugnação onde: preliminarmente, pugna pela nulidade da exigência fiscal em razão da, segundo alega, ausência de MPF mandado de procedimento fiscal. Cita o art. 9° do Decreto n° 70.235, de 1972 e art. 300 da Portaria 203, de 2012 [Regimento Interno] e art. 2° da Portaria SRF n° 1.265/99. Afirma haver a verificação de vício formal na emissão do MPF, uma vez que a seu entendimento o Mandado de Procedimento Fiscal deveria ter sido emitido por Superintendente Regional da RFB e não por Delegado, tal como ocorreu; e, quanto ao mérito afirma que “[...] em momento algum houve concessão de crédito através de mútuo, mas, apenas, OPERAÇÕES JURÍDICAS MERCANTIS DE SERVIÇO DE INDUSTRIALIZAÇÃO E COMPRA DE INSUMOS”. traz longa argumentação sobre a definição dos termos “operação de crédito” e “mútuo”, citando artigo da CF, do Código Civil Brasileiro e de leis ordinárias, para concluir que a autoridade fiscal emprestou conformação diferente destes termos no auto de infração; combate a incidência de juros de mora sobre a multa de ofício. Destacando que “a penalidade pecuniária não é um débito com a União decorrente do tributo, mas sim decorrente do descumprimento de uma obrigação legal de efetuar o recolhimento do crédito tributário [...]”. Traz julgado do CARF neste sentido. Ao final requer seja “julgado improcedente o Auto de Infração lavrado para cobrança de IOF, haja vista a comprovação da existência de prática relacionada à operações jurídicas mercantis de compra e venda de produtos alimentares e dos Fl. 530DF CARF MF 4 serviços de industrializações, as quais não ensejam a cobrança de IOF.” “Ad argumentandum, requer seja reconhecida a inexigibilidade da multa de ofício prevista no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996, ante a ausência de infração a legislação apontada”. “Ad argumentandum tantum, não sendo o entendimento de V.Sas. pela total improcedência do Auto de Infração, requer seja reconhecida a inaplicabilidade do art. 61, §3° da Lei n° 9.430/1996 (juros de mora) à multa de ofício exigida nos presentes autos, em respeito ao Princípio da Legalidade”. Requer também por derradeiro que seja afastada a cobrança de juros. Em 8 de agosto de 2014, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Florianópolis, através do Acórdão de Impugnação n° 0735.359, por unanimidade de votos, em julgou improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Regularmente intimada do Acórdão de Impugnação, via Aviso de Recebimento, em 26/08/2014, a empresa autuada ingressou com Recurso Voluntário em 23/09/2014 (folhas 502) de folhas 478 à 500. Foram alegados os mesmos argumento da impugnação. É o relatório. Voto Vencido Conselheiro Jorge Lima Abud Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 16/01/2015, via aviso de recebimento, às folhas 519 do processo digital., quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário tempestivo, em 12 de fevereiro de 2015. O recurso é tempestivo. Da controvérsia. São controvertidos os seguintes pontos: a) A incidência tributária do imposto sobre operações de crédito – IOF; b) A inexistência da multa e seu caráter confiscatório; c) A não incidência de juros de mora (Selic) sobre a multa de ofício. Fl. 531DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 4 5 Do mérito. A incidência tributária do imposto sobre operações de crédito – IOF. Nos limites da autorização constitucional e do fixado no CTN, a Lei n° 9.779, de 1999, em seu art. 13, caput, estabeleceu, de forma expressa, que os mútuos de recursos financeiros realizados entre pessoas jurídicas, como no presente caso, sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Tal disposição não distinguiu, de modo algum, o fato de trataremse de empresas do mesmo grupo. Art. 13. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do IOF segundo as mesmas normas aplicáveis às operações de financiamento e empréstimos praticadas pelas instituições financeiras. Em destaque o artigo 3° inciso III do Decreto nº 6.306/2007: Art. 3o O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei no 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). (...) § 3o A expressão “operações de crédito” compreende as operações de: (...) III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei no 9.779, de 1999, art. 13). Portanto, o fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado. Sobre a base de cálculo, o Artigo 7º assim dispõe: Art. 7o A base de cálculo e respectiva alíquota reduzida do IOF são (Lei no 8.894, de 1994, art. 1o, parágrafo único, e Lei no 5.172, de 1966, art. 64, inciso I): I na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito: a) quando não ficar definido o valor do principal a ser utilizado pelo mutuário, inclusive por estar contratualmente prevista a reutilização do crédito, até o termo final da operação, a base de cálculo é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês, inclusive na prorrogação ou renovação: 1. mutuário pessoa jurídica: 0,0041%; Fl. 532DF CARF MF 6 (...) § 13. Nas operações de crédito decorrentes de registros ou lançamentos contábeis ou sem classificação específica, mas que, pela sua natureza, importem colocação ou entrega de recursos à disposição de terceiros, seja o mutuário pessoa física ou jurídica, as alíquotas serão aplicadas na forma dos incisos I a VI, conforme o caso. (...) § 15. Sem prejuízo do disposto no caput, o IOF incide sobre as operações de crédito à alíquota adicional de trinta e oito centésimos por cento, independentemente do prazo da operação, seja o mutuário pessoa física ou pessoa jurídica. (Incluído pelo Decreto n° 6.339, de 2008). § 16. Nas hipóteses de que tratam a alínea “a” do inciso I, o inciso III, e a alínea “a” do inciso V, o IOF incidirá sobre o somatório mensal dos acréscimos diários dos saldos devedores, à alíquota adicional de que trata o § 15. (Incluído pelo Decreto n° 6.339, de 2008). (Grifo e negrito nossos) A regra transcrita estabelece que a base de cálculo na operação de empréstimo, sob qualquer modalidade, quando não ficar definido o valor do principal, é o somatório dos saldos devedores diários apurado no último dia de cada mês. A alíquota, no caso de pessoa jurídica, é de 0,0041%. Dos claros termos da norma acima transcrita decorre que o imposto incide não só nas operações de crédito intermediadas por instituição financeira, como também nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros realizadas entre quaisquer pessoas jurídicas, ou entre pessoa jurídica e pessoa física, sendo também irrelevante que as operações realizadas tenham se dado entre empresas do mesmo grupo econômico, pois o dispositivo legal retromencionado, em nenhum momento, assim distinguiu, bastando que referidas operações se caracterizem como mútuo, observandose para tanto, a definição contida no abaixo transcrito art. 586 do Código Civil de 2002 (Lei n° 10.406, de 2002), o qual que manteve a redação do art. 1256 do Código Civil anterior (Lei 3.071, de 1916): Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. No mesmo sentido, as disposições abaixo transcritas dos artigos 2°, I, “c” e art. 3°, § 3°, I e III do Regulamento do IOF (Decreto n° 6.306, de 2007), já presentes nos arts. 2°, I, “c” e art. 3°, § 4°, I, III do Regulamento que o antecedeu (Decreto n° 4.494, de 2002): “Art. 2° O IOF incide sobre: I operações de crédito realizadas: a) por instituições financeiras (Lei n° 5.143, de 20 de outubro de 1966, art. 1°); (...)’ Fl. 533DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 5 7 c) entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei n° 9.779, de 19 de janeiro de 1999, art. 13); (...) “Art. 3° O fato gerador do IOF é a entrega do montante ou do valor que constitua o objeto da obrigação, ou sua colocação à disposição do interessado (Lei n° 5.172, de 1966, art. 63, inciso I). (...) § 3° A expressão "operações de crédito" compreende as operações de: I empréstimo sob qualquer modalidade, inclusive abertura de crédito e desconto de títulos (DecretoLei n° 1.783, de 18 de abril de 1980, art. 1°, inciso I); (...) III mútuo de recursos financeiros entre pessoas jurídicas ou entre pessoa jurídica e pessoa física (Lei n° 9.779, de 1999, art. 13).(destaquei) DOS RESPONSÁVEIS Art. 5° São responsáveis pela cobrança do IOF e pelo seu recolhimento ao Tesouro Nacional: I as instituições financeiras que efetuarem operações de crédito (DecretoLei n° 1.783, de 1980, art. 3°, inciso I); II as empresas de factoring adquirentes do direito creditório, nas hipóteses da alínea "b" do inciso I do art. 2° (Lei n° 9.532, de 1997, art. 58, § 1°); III a pessoa jurídica que conceder o crédito, nas operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros (Lei n° 9.779, de 1999, art. 13, § 2°).” (Grifo e negrito nossos). Frisese, ainda, que antes mesmo da edição da Lei n° 9.779, de 1999, o Supremo Tribunal Federal, ao apreciar a Ação Direta de Inconstitucionalidade n° 17638/DF, já havia adotado posicionamento no sentido de que o âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras: EMENTA: IOF: incidência sobre operações de factoring (L. 9.532/97, art. 58): aparente constitucionalidade que desautoriza a medida cautelar. O âmbito constitucional de incidência possível do IOF sobre operações de crédito não se restringe às praticadas por instituições financeiras, de tal modo que, à primeira vista, a lei questionada poderia estendêla às operações de factoring, quando impliquem financiamento (factoring com direito de regresso ou com adiantamento do valor do crédito vincendo — conventional factoring); quando, ao contrário, não contenha operação de crédito, o Fl. 534DF CARF MF 8 factoring, de qualquer modo, parece substantivar negócio relativo a títulos e valores mobiliários, igualmente susceptível de ser submetido por lei à incidência tributária questionada.”(destaquei) Esse assunto também já foi levado ao antigo Conselho de Contribuintes, e ao atual Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF onde foi confirmado o entendimento acima exposto. Citase como exemplo o Acórdão 330100.217, de 14/08/2009, disponível no site do CARF na internet, assim ementado: “IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF (...), mútuo entre empresas ligadas. incidência do IOF. As operações de crédito correspondentes a mútuo de recursos financeiros entre quaisquer pessoas jurídicas ou entre qualquer pessoa jurídica e pessoa física sujeitamse à incidência do 10F, ainda que o concedente do crédito não seja instituição financeira nem entidade a ela equiparada. Recurso voluntário provido em parte.(...)” É alegado às folhas 04 do Recurso Voluntário: A proposta desta impugnação para que seja reconhecido o direito da impugnante e respectiva inexigibilidade de crédito tributário, darseá através da desconstrução dos argumentos contidos no auto de infração, informandoos, sabendose que a conduta modalizada, adotada pelo Sr. Auditor Fiscal, não pode fazer parte do mundo jurídico por completa ausência de fato suficiente para tanto, o que significa que inexistiu fato, não houve atendimento da hipótese de incidência, muito menos pode se falar em consequente normativo. Assim, após breve explicação e avaliação sobre a fenomenologia de incidência tributária do IOF, imprescindível ao correto entendimento da causa em apreço, farseá a exata distinção entre as operações praticadas pela empresa contribuinte e as operações consideradas pela Fiscalização da Receita Federal, demonstrando que o critério adotado não foi pautado pela ciência do direito, deixou de respeitar a correta definição de institutos estabelecidos pelo Direito Privado e aproveitadas pela Constituição Federal, cuja observação é obrigatória quando da incidência do Direito Tributário dada a superposição deste. E assim conclui: Portanto, os fatos praticados pela contribuinte nos anos calendários de 2009, 2010 e 2011 somente podem adentrar ao mundo jurídico sob a chancela de compra e venda de produtos alimentares e serviços de industrialização. (Grifo e negrito próprios do original) O teor da ação fiscal pode ser compreendido através dos seguintes pontos extraídos do Termo de Verificação Fiscal, às folhas 317 do processo digital e seguintes: A empresa A C Comercial Importadora e Exportadora Ltda. celebrou contrato de industrialização por encomenda com a empresa Indústrias Todeschini S/A, CNPJ 76.483.890/000100 (atual ITSA Indústrias S/A), em 21/11/2006, pelo qual adquire a matéria prima e as embalagens necessárias ao processo e as Fl. 535DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 6 9 remete à industrializadora (ITSA), que fabrica produtos alimentícios (massas e biscoitos) e envia os produtos acabados à contratante (A C Comercial), para comercialização. Um típico caso de industrialização por encomenda (documento 07). O contrato estipula que, como remuneração pelos serviços de industrialização por encomenda prestados pela Todeschini (ITSA), a A C Comercial pagará mensalmente “o valor correspondente à integralidade dos custos de produção inerentes ao processo de industrialização” (Cláusula Quinta), além de uma quantia de R$ 130.000,00 mensais (Parágrafo Primeiro da Cláusula Quinta). Na prática a A C Comercial arca com todos os custos da Todeschini. O controle contábil desse arranjo é feito com a utilização de 3 contas. Vejamos o funcionamento de cada uma. Ia conta: “117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS ( INDS. TODESCHINI )”, classificada no Plano de Contas da seguinte maneira: 100000 ATIVO 110000 CIRCULANTE 117000 OUTROS CRÉDITOS A RECEBER 117001 ADIANTAMENTO 117007 A FORNECEDOR 117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI) Tratase, portanto, de uma conta de adiantamento a fornecedor. Nesta conta são debitados os custos da Todeschini pagos pela A C Comercial a título de adiantamento vinculado à aquisição dos serviços de industrialização por encomenda. Em outras palavras, a A C Comercial adianta recursos na forma de pagamento dos custos da Todeschini, para que esta possa funcionar e fornecer o serviço de industrialização a ser adquirido pela A C Comercial. 2a conta: “117042 () FATURAMENTO INDL. TODESCHINI”, conta redutora da conta anterior, na qual são creditados os valores dos serviços prestados (faturados) pela Todeschini, com contrapartida debitada na conta 211059 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A INDUSTRIALIZAÇÃO (fornecedor passivo circulante). Esses lançamentos representam os pagamentos ao fornecedor de serviços Todeschini. Na prática, portanto, estas duas contas, a 117040 e a ()l 17042, funcionam em conjunto como se fossem uma só, sendo debitada quando realizado um adiantamento (na forma de pagamento de um custo da Todeschini) e creditada quando pago o serviço de industrialização prestado pela Todeschini (baixa de fornecedor a pagar). Fl. 536DF CARF MF 10 O valor dos adiantamentos feitos em um mês não coincide exatamente com o total dos pagamentos, restando então um saldo entre as duas contas consideradas em conjunto. Para se ter uma idéia, no início de 2009 o saldo (devedor) da conta de adiantamento 117040 era 25.778.681,02, e o saldo (credor) da conta redutora () 117042 era de 29.521.070,63. Diante destes números, à primeira vista pode parecer que o total dos pagamentos à Todeschini até aquela data superava o total dos adiantamentos, mas não é isso que ocorre, conforme a explicação a seguir. O saldo credor da conta redutora ()l 17042 aumenta mês a mês, ano a ano. Ao contrário, a conta dos adiantamentos (117040), depois de receber no fim de cada ano um acréscimo substancial em seu saldo a título de juros sobre mútuo, tem parte de seu valor transferido para uma conta de adiantamento a fornecedor com vencimento a longo prazo, que é a 3a conta do esquema: 3a conta: “121006 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A”, do Ativo Realizável a Longo Prazo. Esta conta recebe apenas um lançamento por ano, realizado em 31 de dezembro, que transfere um certo valor da conta de adiantamentos do Ativo Circulante (117040) para esta do Realizável a Longo Prazo: ü Débito: 121006 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A; ü Crédito: 117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI). Ø Em 31/12/2009: 10.973.714,46; Ø Em 31/12/2010: 9.956.586,70; Ø Em 31/12/2011: 10.550.537,64. Portanto, considerandose também os adiantamentos com vencimento a longo prazo, cujo saldo no início de 2009 era de 15.267.677,86 (devedor), o saldo total dos adiantamentos feitos à Todeschini e ainda não baixados por pagamentos pelos serviços de industrialização era, no início daquele ano (01/01/2009): 778.681,02 29.521.070,63 + 15.267.677,86 = 11.525.288,25 (devedor) Este era, portanto, o saldo da contacorrente a favor da A C Comercial no início de 2009, caracterizando mútuo financeiro entre as empresas. Em relação aos juros sobre mútuo, mostramos, a seguir, os lançamentos de 31 de dezembro de cada ano: Débito: 117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI ) Crédito: 353007 ATUALIZAÇÃO MONETARIA S/MUTUO Em 31/12/2009: R$ 7.624.850,98 Fl. 537DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 7 11 Histórico: VLR. REF. PROVISÕES JUROS S/CTA ADTO INDUSTRIALIZAÇÃO TODESCHINI CFE PLANILHA Em 31/12/2010: R$ 8.899.648,18 Histórico: VLR. REF. PROVISÃO JUROS S/CTA INDUSTRIALIZAÇÃO TODESCHINI CFE PLANILHA Em 31/12/2011: R$ 8.500.295,88 Histórico: VLR.REF.PROVISÃO JUROS S/CTA ADTO INDUSTRIALIZAÇÃO TODESCHINI CFE PLANILHA Transcreve, mais uma vez o artigo 586 do Código Civil de 2002 (Lei n° 10.406, de 2002): Art. 586. O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Estes serão os esteios para o deslinde da questão. Tomase por prisma a seguinte afirmação feita pela fiscalização: (...) o saldo devedor do mútuo só se altera no fim do mês, que é quando fica definido o valor adiantado no mês para fins de aquisição de serviços da Todeschini e não baixado pelos 7respectivos pagamentos mensais (o valor dos pagamentos mensais corresponde à emissão das notas fiscais pela Todeschini). Explicando a diferença entre as duas colunas assinaladas: Fl. 538DF CARF MF 12 ü Quando negativa, significa que o total pago à Todeschini no mês foi maior que o total adiantado, resultando em diminuição no saldo do mútuo; Sobre a questão, o Acórdão de Impugnação assim conclui (folhas 462 do processo digital): De se dizer que a autoridade fiscal, em momento algum, descaracterizou as operações realizadas pela empresa com sua contratada ITSA. O que se verificou foi a ocorrência de maior pagamento direcionado à contratada do que o fornecimento de produtos acabados enviados à AC Comercial, gerando sim, nos anos de 2009, 2010 e 2011, saldos em favor de AC, caracterizando mútuo financeiro entre as empresas. Digase que assim também entendia a Impugnante, tanto é que registrava lançamentos na conta 353007 ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA S/ MÚTUO: (...) (Grifo e negrito nossos) |Em linhas gerais, podese caracterizar o Contrato de Mútuo a partir das seguintes premissas ( em http://www.normaslegais.com.br/guia/clientes/mutuo.htm, 29/04/2018): CONTRATO DE MÚTUO O mútuo é o empréstimo de coisas fungíveis. Coisas fungíveis é a característica de bens que podem ser substituídos por outro da mesma espécie, qualidade ou quantidade (exemplo: dinheiro, mercadorias). PARTES Mutuante é a parte que empresta. Mutuário é a parte que recebe o empréstimo. OBRIGAÇÕES DO MUTUÁRIO O mutuário é obrigado a restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Este empréstimo transfere o domínio da coisa emprestada ao mutuário, por cuja conta correm todos os riscos dela desde a tradição (entrega). O Termo de Verificação Fiscal assim se inicia ( folhas 317 do processo digital ): A empresa A C Comercial Importadora e Exportadora Ltda. celebrou contrato de industrialização por encomenda com a empresa Indústrias Todeschini S/A, CNPJ 76.483.890/000100 (atual ITSA Indústrias S/A), em 21/11/2006, pelo qual adquire a matéria prima e as embalagens necessárias ao processo e as remete à industrializadora (ITSA), que fabrica produtos alimentícios (massas e biscoitos) e envia os produtos acabados à Fl. 539DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 8 13 contratante (A C Comercial), para comercialização. Um típico caso de industrialização por encomenda (documento 07). O contrato estipula que, como remuneração pelos serviços de industrialização por encomenda prestados pela Todeschini (ITSA), a A C Comercial pagará mensalmente “o valor correspondente à integralidade dos custos de produção inerentes ao processo de industrialização” (Cláusula Quinta), além de uma quantia de R$ 130.000,00 mensais (Parágrafo Primeiro da Cláusula Quinta). Na prática a A C Comercial arca com todos os custos da Todeschini. É tido como ponto incontroverso que o contrato em análise tem por objeto serviços de industrialização por encomenda prestados pela Todeschini à A C Comercial. Se a empresa Todeschini recebe recursos da empresa A.C. COMERCIAL e como contrapartida fornece produtos industrializados, a princípio não se pode falar em restituir ao mutuante o que dele recebeu em coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Contudo, no Termo de Verificação Fiscal, folhas 319 e 320 do processo digital, há uma informação que claramente comunga com a prática de mútuo: A conta 353007 ATUALIZAÇÃO MONETARIA S/MUTUO é uma conta de resultado (receita), assim classificada no Plano de Contas da empresa: 300000 RESULTADO DO EXERCÍCIO 350000 RESULTADO FINANCEIRO 353000 VARIACAO MONETARIA E CAMBIAL ATIVA 353001 VARIACAO MONETARIA ATIVA 353003 DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA (sic) 353007 ATUALIZAÇÃO MONETARIA S/MUTUO Em síntese, os adiantamentos não baixados com pagamentos pelos serviços de industrialização formam um mútuo de recursos financeiros entre as empresas, inclusive anualmente acrescido de juros. Tal mútuo não possui valor e prazo definidos ou contrato formalmente celebrado entre as partes, conforme informou a A C Comercial na resposta ao item 2 do Termo de Intimação Fiscal n° 03: Questão: “2. Esclarecer, por escrito, como foram calculados os juros sobre os adiantamentos à ITSA (...) e apresentar o respectivo contrato que estabelece os juros sobre o mútuo” Resposta: Fl. 540DF CARF MF 14 “O cálculo dos juros sobre os adiantamentos da Todeschini sobre o saldo do mês, será acrescido mensalmente a correção pelo IGPM mais juros de 1%, aonde ficou estabelecido verbalmente a utilização do mesmo critério do Contrato de Industrialização conforme Cláusula quinta parágrafo segundo.” (sic) Dessa forma, mais que uma constatação, uma admissão por parte das empresas envolvidas, de que: 1. Sobre os adiantamentos da Todeschini incide mensalmente a correção pelo IGPM mais juros de 1%. Esse é o ponto nevrálgico da testilha. Não se trata de um mero adiantamento, mas um adiantamento sujeito à correção pelo IGPM mais juros de 1%. De outro modo, mensalmente o saldo diferença entre o total pago à Todeschini e o total adiantado – sofre a correção pelo IGPM mais juros de 1%. Mas, ainda assim, não se consegue formatar a situação descrita – o adiantamento do “valor correspondente à integralidade dos custos de produção inerentes ao processo de industrialização” (Cláusula Quinta), em face de uma industrialização por encomenda – no conceito de mútuo, justamente pela ausência da restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade. Em destaque, mais uma vez, o item 14 do Termo de Verificação Fiscal, às folhas 322 do processo digital, explicação que precede a planilha de cálculo reproduzida a pouco. 14. Determinação dos saldos devedores diários em 2009: o saldo devedor do mútuo só se altera no fim do mês, que é quando fica definido o valor adiantado no mês para fins de aquisição de serviços da Todeschini e não baixado pelos respectivos pagamentos mensais (o valor dos pagamentos mensais corresponde à emissão das notas fiscais pela Todeschini): (Grifo e negrito nossos) Assim, o próprio Termo de Verificação Fiscal avaliza que o saldo dos adiantamentos, terá por contrapartida a aquisição de serviços da Todeschini. Não sendo essa uma restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, não há o que se falar em mútuo, ainda que o saldo dos adiantamentos seja sujeito à correção e juros. A inexistência da multa e seu caráter confiscatório. DAS PENALIDADES. DA ARGUIÇÃO DE CONFISCO E DESRESPEITO AOS PRINCÍPIOS DA RAZOABILIDADE E DA PROPORCIONALIDADE. Quanto às acusações de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação que embasou a autuação, devese esclarecer que, sendo as Delegacias da Receita Federal de Julgamento do Brasil DRJ órgãos do Poder Executivo, não lhes compete apreciar a conformidade de lei, validamente editada segundo o processo legislativo constitucionalmente previsto, com preceitos emanados da própria Constituição Federal ou mesmo de outras leis, a Fl. 541DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 9 15 ponto de declararlhe a nulidade ou inaplicabilidade ao caso expressamente previsto, haja vista tratarse de matéria reservada, por força de determinação constitucional, ao Poder Judiciário. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. Assim, falece competência ao julgador administrativo para exercer esse juízo de constitucionalidade deixando de aplicar normas integrantes do ordenamento jurídico, em face da mera alegação suscitada em processo administrativo, ressalvadas as hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, que não se identificam com o caso concreto. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Ressaltese que a atividade administrativa do lançamento é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposição expressa do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Portanto, a autoridade fiscal não pode eximir se de cumprir seu dever legal de aplicar a multa no exato quantum previsto em lei, sendolhe vedado dispensar ou reduzir penalidades sem previsão legal. É o que dispõe o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” Fl. 542DF CARF MF 16 A solução inversa, ou seja, assentir com a redução da multa, sem que isso esteja previsto em lei, implicaria sustentar que a vontade da autoridade administrativa sobrepõese à norma escrita, alterando, dessa maneira, a própria obrigação tributária, o que resultaria afronta ao princípio da legalidade, que norteia toda a atividade do setor público. Sobre legalidade e atividade administrativa, escreve JOSÉ AFONSO DA SILVA, citando HELY LOPES MEIRELLES: "(...) Lembra Hely Lopes Meirelles que ‘a eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei.’ ‘Na administração pública’, prossegue, ‘não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa pode fazer assim; para o administrador significa deve fazer assim.’ " (destaquei) (SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo, 9ª ed., Malheiros, São Paulo, 1996, pág. 373) Ao discorrer sobre atos vinculados, ensina HELY LOPES MEIRELLES: “Nessa categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que por completo, a liberdade do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos pela norma legal para a validade da atividade administrativa.” (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 17ª edição, atualizada por Eurico de Andrade Azevedo, Délcio Balesteiro Aleixo e José Emmanuel Burle Filho. São Paulo: Malheiros, 1992, pg. 149) Cabe ressaltar que o presente julgamento também constitui atividade vinculada e, assim, cingese aos ditames legais aplicáveis à espécie, o que impede a adoção de quaisquer orientações doutrinárias ou jurisprudenciais que, fundadas em argumentos de razoabilidade ou proporcionalidade, propugnam a redução ou dispensa de multas. A exclusão ou redução de multas, em se constituindo uma situação excepcional, eis que dispensa a prática, por parte da autoridade administrativa, de uma atividade vinculada e obrigatória, deve ser feita tãosomente nas hipóteses expressamente previstas na legislação, sem o que equivaleria aventar que a atividade ora exercida seria uma atividade discricionária quando, ao contrário, se trata de atividade vinculada. Ainda no que tange aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, o seu emprego pela instância julgadora administrativa não vai a ponto de autorizar a dispensa ou redução de multas, quando expressas na lei em valor ou percentual único, sem que haja expressa previsão legal para graduação da penalidade dentro de uma faixa variável de valor, a ser fixado em cada caso pela autoridade fiscal, levandose em conta determinados critérios, tais como natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou extensão dos seus efeitos. A lei em comento não confere âmbito de discricionariedade à autoridade administrativa no tocante à dosimetria da punição, sendo suficiente que se caracterize a situação descrita na lei para que haja a aplicação da penalidade no percentual único previsto. Assim, a matéria em pauta não comporta alegação de ofensa ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Ademais, o exame da proporcionalidade entre o fato infracional e o valor da multa não é passível de exame neste foro, porquanto a autoridade administrativa não pode usurpar a competência do legislador para alterar o valor da multa definido na lei. O citado juízo Fl. 543DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 10 17 de proporcionalidade foi exercido pelo legislador ao aprovar a lei fixando o valor da multa, somente podendo ser revisto pelo próprio Poder Legislativo ou, em caso de inconstitucionalidade, pelo Judiciário, estando, porém, fora da esfera de competência da autoridade administrativa a quem cabe tãosomente aplicar a lei. Portanto, o órgão administrativo não detém competência legal para dispensar ou reduzir multas, sem que isso esteja expressamente previsto em lei. Nesse mesmo sentido aponta a jurisprudência administrativa: “(...). MULTA. CARÁTER CONFISCATÓRIO. A vedação ao confisco pela Constituição Federal é dirigida ao legislador, cabendo à autoridade administrativa aplicar a multa nos moldes da legislação que a instituiu. O Primeiro Conselho de Contribuintes não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de Lei Tributária. (Súmula nº 1º CC nº 2). (Primeiro Conselho de Contribuintes, 1ª Câmara, Acórdão nº 10196.612, processo 11618.003150/200556, Relª Cons. Sandra Maria Faroni; sessão de 06/03/2008, DOU 10/09/2008, pág. 23) “MULTA. PENALIDADE. A aplicação de percentual de multa determinado em lei não afronta os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, nem o princípio da vedação ao confisco, dado seu caráter punitivorepressivo. Recurso negado.” (Segundo Conselho de Contribuintes, 2ª Câmara, Acórdão nº 20217.799, processo nº 11543.001077/200418, sessão de 28 de fevereiro de 2007). Compete às DRJ tãosomente o controle de legalidade dos atos administrativos, consistente em examinar a adequação dos procedimentos fiscais com as normas legais vigentes, zelando, assim, pelo seu fiel cumprimento. A não incidência de juros de mora (Selic) sobre a multa de ofício. A matéria já se encontra pacificada no âmbito do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais através de Súmula. Súmula CARF n° 108: Incidem juros moratórios, calculados à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC, sobre o valor correspondente à multa de ofício. Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de dar provimento ao Recurso da Contribuinte, no que tange ao MÉRITO, afastando a exigência dada a não ocorrência do fato gerador do imposto sobre operações de crédito, câmbio e seguro, ou relativas a títulos ou valores mobiliários IOF. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator. Fl. 544DF CARF MF 18 Voto Vencedor Conselheiro Corintho Oliveira Machado, Redator designado. Sem embargo das razões ofertadas pela recorrente e das brilhantes considerações tecidas pelo i. conselheiro Relator, o Colegiado, pelo voto de sua maioria, firmou entendimento de que a exigência fiscal deve ser mantida no caso do recurso voluntário. A divergência foi inaugurada pelo e. conselheiro Gilson Macedo Rosenburg Filho que alertou para o fato de em todos os períodos auditados (2009 a 2011) uma empresa receber recursos financeiros da outra e nunca saldar a dívida, sendo sempre lançados os saldos para frente, como se fosse um mútuo sem data para terminar. Com base nisso, atentei para o voto do i. conselheiro Jorge Lima Abud, e encontrei no próprio voto as razões para o desprovimento do recurso especial. Começando pela terceira conta da contabilidade da recorrente que fecha o esquema que transforma, todo final de ano, a dívida da mutuária, presente no circulante da mutuante, dívida do realizável a longo prazo: (...) Na prática a A C Comercial arca com todos os custos da Todeschini. O controle contábil desse arranjo é feito com a utilização de 3 contas. Vejamos o funcionamento de cada uma. Ia conta: “117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS ( INDS. TODESCHINI )”, classificada no Plano de Contas da seguinte maneira: 100000 ATIVO 110000 CIRCULANTE 117000 OUTROS CRÉDITOS A RECEBER 117001 ADIANTAMENTO 117007 A FORNECEDOR 117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI) Tratase, portanto, de uma conta de adiantamento a fornecedor. Nesta conta são debitados os custos da Todeschini pagos pela A C Comercial a título de adiantamento vinculado à aquisição dos serviços de industrialização por encomenda. Em outras palavras, a A C Comercial adianta recursos na forma de pagamento dos custos da Todeschini, para que esta possa funcionar e fornecer o serviço de industrialização a ser adquirido pela A C Comercial. 2a conta: “117042 () FATURAMENTO INDL. TODESCHINI”, conta redutora da conta anterior, na qual são creditados os valores dos serviços prestados (faturados) pela Todeschini, com contrapartida debitada na conta 211059 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A INDUSTRIALIZAÇÃO (fornecedor passivo circulante). Esses lançamentos representam os pagamentos ao fornecedor de serviços Todeschini. Na prática, portanto, estas duas contas, a 117040 e a ()l 17042, funcionam em conjunto como se fossem uma só, sendo debitada quando realizado um adiantamento (na forma de pagamento de um custo da Todeschini) e creditada quando Fl. 545DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 11 19 pago o serviço de industrialização prestado pela Todeschini (baixa de fornecedor a pagar). O valor dos adiantamentos feitos em um mês não coincide exatamente com o total dos pagamentos, restando então um saldo entre as duas contas consideradas em conjunto. Para se ter uma idéia, no início de 2009 o saldo (devedor) da conta de adiantamento 117040 era 25.778.681,02, e o saldo (credor) da conta redutora () 117042 era de 29.521.070,63. Diante destes números, à primeira vista pode parecer que o total dos pagamentos à Todeschini até aquela data superava o total dos adiantamentos, mas não é isso que ocorre, conforme a explicação a seguir. O saldo credor da conta redutora ()l 17042 aumenta mês a mês, ano a ano. Ao contrário, a conta dos adiantamentos (117040), depois de receber no fim de cada ano um acréscimo substancial em seu saldo a título de juros sobre mútuo, tem parte de seu valor transferido para uma conta de adiantamento a fornecedor com vencimento a longo prazo, que é a 3a conta do esquema: 3a conta: “121006 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A”, do Ativo Realizável a Longo Prazo. Esta conta recebe apenas um lançamento por ano, realizado em 31 de dezembro, que transfere um certo valor da conta de adiantamentos do Ativo Circulante (117040) para esta do Realizável a Longo Prazo: Débito: 121006 INDUSTRIAS TODESCHINI S/A; Crédito: 117040 PARA CUSTOS OPERACIONAIS (INDS. TODESCHINI). Em 31/12/2009: 10.973.714,46; Em 31/12/2010: 9.956.586,70; Em 31/12/2011: 10.550.537,64. Portanto, considerandose também os adiantamentos com vencimento a longo prazo, cujo saldo no início de 2009 era de 15.267.677,86 (devedor), o saldo total dos adiantamentos feitos à Todeschini e ainda não baixados por pagamentos pelos serviços de industrialização era, no início daquele ano (01/01/2009): 778.681,02 29.521.070,63 + 15.267.677,86 = 11.525.288,25 (devedor) Este era, portanto, o saldo da contacorrente a favor da A C Comercial no início de 2009, caracterizando mútuo financeiro entre as empresas. (...) Fl. 546DF CARF MF 20 Outro detalhe que corrobora a existência, na prática, do mútuo entre as empresas é o fato de haver atualização monetária mensal sobre o saldo dos adiantamentos entregues por uma empresa à outra: (...) Contudo, no Termo de Verificação Fiscal, folhas 319 e 320 do processo digital, há uma informação que claramente comunga com a prática de mútuo: A conta 353007 ATUALIZAÇÃO MONETARIA S/MUTUO é uma conta de resultado (receita), assim classificada no Plano de Contas da empresa: 300000 RESULTADO DO EXERCÍCIO 350000 RESULTADO FINANCEIRO 353000 VARIACAO MONETARIA E CAMBIAL ATIVA 353001 VARIACAO MONETARIA ATIVA 353003 DE INSTITUIÇÃO FINANCEIRA (sic) 353007 ATUALIZAÇÃO MONETARIA S/MUTUO Em síntese, os adiantamentos não baixados com pagamentos pelos serviços de industrialização formam um mútuo de recursos financeiros entre as empresas, inclusive anualmente acrescido de juros. Tal mútuo não possui valor e prazo definidos ou contrato formalmente celebrado entre as partes, conforme informou a A C Comercial na resposta ao item 2 do Termo de Intimação Fiscal n° 03: Questão: “2. Esclarecer, por escrito, como foram calculados os juros sobre os adiantamentos à ITSA (...) e apresentar o respectivo contrato que estabelece os juros sobre o mútuo” Resposta: “O cálculo dos juros sobre os adiantamentos da Todeschini sobre o saldo do mês, será acrescido mensalmente a correção pelo IGPM mais juros de 1%, aonde ficou estabelecido verbalmente a utilização do mesmo critério do Contrato de Industrialização conforme Cláusula quinta parágrafo segundo.” (sic) Dessa forma, mais que uma constatação, uma admissão por parte das empresas envolvidas, de que: Sobre os adiantamentos da Todeschini incide mensalmente a correção pelo IGPM mais juros de 1%. Esse é o ponto nevrálgico da testilha. Não se trata de um mero adiantamento, mas um adiantamento sujeito à correção pelo IGPM mais juros de 1%. De outro modo, mensalmente o saldo diferença entre o total pago à Todeschini e o total adiantado – sofre a correção pelo IGPM mais juros de 1%. (...) Ao meu sentir, a dificuldade encontrada pelo i. relator para ver caracterizado o mútuo no caso vertente Não sendo essa uma restituição de coisa do mesmo gênero, qualidade e quantidade, não há o que se falar em mútuo, ainda que o saldo dos adiantamentos seja sujeito à correção e juros ocorre porque seus olhos estavam voltados para o contrato de Fl. 547DF CARF MF Processo nº 10980.727959/201386 Acórdão n.º 3302006.106 S3C3T2 Fl. 12 21 industrialização por encomenda celebrado; e a caracterização do mútuo ocorre, em verdade quando tal contrato opera, na prática, e isso fica claro apenas na contabilidade, que registra todas as operações relativas a tal contrato. Ante o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Corintho Oliveira Machado Fl. 548DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.724463/2014-94
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Nov 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014
INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA.
A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, consiste em infração punível com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida.
Recurso especial do Procurador provido.
Numero da decisão: 9303-007.679
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento do conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire suscitada pelo patrono em sede de petição. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Julgamento iniciado na reunião 10/2018.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas Presidente
(Assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: JORGE OLMIRO LOCK FREIRE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Período de apuração: 11/01/2011 a 16/01/2014 INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA NA IMPORTAÇÃO. OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, consiste em infração punível com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. Recurso especial do Procurador provido.
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OCULTAÇÃO DO REAL ADQUIRENTE. MULTA. A ocultação do sujeito passivo, do real comprador ou do responsável pela operação, mediante fraude ou simulação, consiste em infração punível com a multa equivalente ao valor aduaneiro da mercadoria que não seja localizada ou tenha sido consumida. Recurso especial do Procurador provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar de impedimento do conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire suscitada pelo patrono em sede de petição. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. Julgamento iniciado na reunião 10/2018. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas – Presidente (Assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas, Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 72 44 63 /2 01 4- 94 Fl. 5268DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial de divergência do Procurador (fls. 4960/4981), admitido pelo despacho de fls. 5040/5043. Insurgese contra o Acórdão 3402004.366 (fls. 4932/4958), de 30/08/2017, que restou assim ementado na parte objeto do recurso: INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO CONVERTIDA EM MULTA PARA O IMPORTADOR FORMAL. IMPOSSIBILIDADE. SANÇÃO MAIS ESPECÍFICA. MULTA DE 10% PELA CESSÃO DE NOME. ERRO DE DIREITO Na hipótese de interposição fraudulenta, a sanção a ser aplicada ao importador que formalmente aparece para o controle aduaneiro é, em razão da sua especialidade, aquela capitulada no art. 33 da lei n. 11.488/07 e não a sanção prescrita no art. 23, inciso V do Decretolei nº 1455/76. Erro de direito configurado. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. PENA DE PERDIMENTO. PROVA O vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelos recorrentes nos autos é suficiente para demonstrar a inexistência de interposição fraudulenta comprovada no caso em espécie. Em verdade, o que existe são atividades lícitas, promovidas em compasso com as ideias de livre iniciativa privada e autonomia de vontade, sem qualquer mácula de caráter aduaneiro e/ou fiscal. Recursos voluntários providos. Sanções aduaneiras afastadas. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso. Vencidos os Conselheiros Waldir Navarro, Pedro Bispo e Jorge Freire. O especial fazendário colaciona como paradigma o aresto 3302004.291, cuja ementa no que pertine ao recurso abaixo se transcreve, fazendo o devido cotejo analítico da matéria versada nestes autos com a debatida naqueles: ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.158 35/2001. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Considerase fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Decretolei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a Fl. 5269DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 4 3 mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. Recurso Voluntário Provido em Parte. Crédito Tributário Mantido em Parte.” Consigna a Fazenda que revestese "a interposição fraudulenta como o ato em que uma pessoa se apresenta como titular de uma operação no comércio exterior, sem, no entanto, sêlo de fato, encartandose fraudulentamente entre o ente público e o real sujeito passivo da relação obrigacional tributária, com o fim de ocultar este, o qual colima esquivar se de seus deveres". E acresce: No tocante à importação por conta e ordem de terceiro, a sua previsão legal adveio com a MP n.º 2.15835/2001, que em seu art. 80, I, estabelece a possibilidade de a Secretaria da Receita Federal estabelecer requisitos e condições ao importador que efetuar tal operação. Na mesma direção, foi editada a Medida Provisória n.º 66, de 29/08/2002, convertida na Lei n.º 10.637/2002, com o objetivo de aperfeiçoar a legislação aduaneira e obviar atuações fraudulentas no comércio exterior, no que se enquadrou como infração que causa dano ao Erário, nas importações e exportações, a ocultação do sujeito passivo, vendedor ou adquirente, mediante fraude ou simulação, inclusive interposição fraudulenta de terceiro. Aduz que em conformidade com as fartas provas colacionadas, a fiscalização demonstrou que a Oito Brasil era a verdadeira destinatária das mercadorias que foram importadas pela Glikimport, pontuando a relevância dos dados constantes na contabilidade e nos recursos oriundos daquela em data e valores muito próximos dos custos das importações analisadas. Transcreve o seguinte excerto do auto de infração a atestar sua assertiva: “Por meio do cruzamento dos dados fornecidos pela GLIKIMPORT, através do ANEXO 1 e dos extratos bancários (<Documentos Diversos Outros – Documentos Entregues pela GLIKIMPORT Extratos>), chegouse, mais uma vez, a conclusão de que existiu, sim, adiantamento de recursos por parte do cliente da GLIKIMPORT, a OITO BRASIL. O quadro abaixo mostra que no mesmo dia do pagamento para a importadora SERTRADING dos valores das notas fiscais de vendas das mercadorias importadas por encomenda, ou em dias muito próximos, a OITO BRASIL depositava, de forma recorrente, valores semelhantes na conta da GLIKIMPORT. Há também depósitos de valores maiores aos pagamentos à SERTRADING, mas que são facilmente explicados uma vez que havia também no mesmo dia outros pagamentos a serem realizados pela GLIKIMPORT como pagamentos de tributos (ICMS, IRPJ e Contribuições). Exemplificando: no dia 14/02/11, abaixo, foi feito o pagamento de R$ 245.444,25 para pagamento da NF 5323 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 251.000,00 na conta da GLIKIMPORT Fl. 5270DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 5 4 feito pela empresa OITO BRASIL e assim sucessivamente para pagamento da SERTRADING. No dia 28/02/11, abaixo, foi feito o pagamento de R$ 477.256,75 para pagamento da NF 5529 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 655.000,00 feito pela OITO BRASIL. Este valor está a maior por uma razão clara, nesse mesmo dia houveram pagamentos de tributos feito pela GLIKIMPORT de aproximadamente R$ 168.000,00. Total de despesas aproximadas de R$ 645.256,75. Essas informações são a prova cabal de que quem realmente pagava por essas importações era a Real Adquirente das mercadorias, a OITO BRASIL. Ou seja, a GLIKIMPORT cedeu seu nome para OITO BRASIL nas DIs mencionadas, ocultando a, com a finalidade de fraudar o Controle Aduaneiro. (...)6.7.3 – DOS EXTRATOS BANCÁRIOS Através dos extratos bancários, entregues pela empresa GLIKIMPORT (<Documentos Diversos Outros – Documentos Entregues pela GLIKIMPORT Extratos>), corroborei as informações de pagamentos de seu cliente. Os extratos mostram recebimentos (depósitos) do cliente, OITO BRASIL, de fácil identificação, ou seja, nominal, e no mesmo dia, ou em dias muito próximos, ao pagamentos de títulos de outros bancos. Os extratos mostram que a OITO BRASIL pagava indiretamente títulos identificados nos extratos bancários como “PFOR TIT OURTROS BANCOS”. Esses títulos nada mais eram que títulos em nome da SERTRADING, referente aos pagamentos das notas fiscais de venda das mercadorias importadas por encomenda, conforme já explicitado no item 6.7.2. Importante ressaltar que os extratos mostram nitidamente que sem esses depósitos feitos pela a OITO BRASIL a GLIKIMPORT não teria condições de efetuar os pagamentos das importações feito pela SERTRADING. Os extratos mostram também que além dos pagamentos efetuados a SERTRADING a OITO BRASIL pagava de forma recorrente pelos tributos da GLIKIMPORT, ou seja, ICMS, CSLL, IRPJ, o que demonstra mais uma vez que ela é financiada pela OITO BRASIL. Em outras palavras, a OITO BRASIL criou a GLIKIMPORT com o intuito de se ocultar do controle Aduaneiro e consequentemente obter vantagens diversas, entre elas o não pagamento do IPI equiparado a industrial que será mais detalhado no item 7.0. Abaixo ilustro alguns casos dos depósitos efetuados pela OITO BRASIL nos extratos da GLIKIMPORT: Fl. 5271DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 6 5 Conclui que por todos os elementos de prova, "está devidamente tipificada a infração descrita no artigo 23, inciso V do Decretolei 1.455/76". Ademais, procura a Fazenda demonstrar que a multa por cessão de nome, tipificada no art. 33 da Lei 11.488/2007, pode ser aplicada em conjunto com a pena de perdimento, inclusive acostando paradigmas nesse sentido. Fl. 5272DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 7 6 Contudo, delimitando a contenda, nestes autos o objeto do lançamento trata se tãosomente da pena de perdimento convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro. A multa por cessão de nome foi aplicada à empresa Glikimport, objeto de outros autos, julgados na mesma sentada do acórdão ora recorrido. Nestes autos a Glikimport foi autuada como responsável solidária. Em contrarrazões (fls. 5082/5100), informa a autuada que "houve trânsito em julgado do acórdão 3402004.365, proferido no PAF 10314.723792/201418, devido à expressa renúncia da União em interpor recurso especial em tal caso". No referido processo é que houve imputação à Glikimport da multa por cessão de nome à Oito Brasil. Na sequência, alega que em relação ao acórdão 3302.004.291, não houve "o cotejo analítico entre o suposto paradigma e os fundamentos vitoriosos do Ilmo. Conselheiro Diego Diniz Ribeiro, acompanhado pela maioria daquela Turma", postulando o não conhecimento do recurso. Por fim, pede a improcedência do especial de divergência. O processo foi a mim sorteado em 20/09/2018 e o pautei para julgamento para as Sessões de outubro de 2018 (a publicação da Pauta deuse no DOU nº 192, de 04/10/2018, Seção 1, págs. 30 à 31). O contribuinte peticionou em 27/09/2018 (fl. 5116) alegando meu impedimento para participar do julgamento deste recurso especial sob o seguinte fundamento: É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Olmiro Lock Freire Relator IMPEDIMENTO Acerca da petição que alega meu impedimento para ser relator do especial e, mesmo, de participar do julgamento deste sob a alegação de que tendo participado do julgamento na Câmara baixa, estaria eu, ipso facto, impedido, nos termos do art. 42, § 3º, do Regimento Interno do CARF (RICARF), absolutamente despropositada. Causame até certa estranheza, pois não raro os membros desta 3ª Turma fizeram parte de Turma Ordinárias, e o Regimento é expresso sobre a matéria. Fl. 5273DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 8 7 De asseverar, preambularmente, que não fui relator do Acórdão recorrido, nº 3402004.366 (fls. 4932/4958), de 30/08/2017, tendo apenas feito declaração de voto nos termos regimentais. Sobre o impedimento, regula o art. 42 do RICARF, nos seguintes termos: Art. 42. O conselheiro estará impedido de atuar no julgamento de recurso, em cujo processo tenha: I atuado como autoridade lançadora ou praticado ato decisório monocrático; II interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto; e III como parte, cônjuge, companheiro, parente consanguíneo ou afim até o 3º (terceiro) grau. § 1º Para efeitos do disposto no inciso II do caput, considerase existir interesse econômico ou financeiro, direto ou indireto, nos casos em que o conselheiro representante dos contribuintes preste ou tenha prestado consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ou perceba remuneração do interessado, ou empresa do mesmo grupo econômico, sob qualquer título, no período compreendido entre o primeiro dia do fato gerador objeto do processo administrativo fiscal até a data da sessão em que for concluído o julgamento do recurso. § 2º As vedações de que trata o § 1º também são aplicáveis ao caso de conselheiro que faça ou tenha feito parte como empregado, sócio ou prestador de serviço, de escritório de advocacia que preste consultoria, assessoria, assistência jurídica ou contábil ao interessado, bem como tenha atuado como seu advogado, nos últimos cinco anos. (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) § 3º O conselheiro estará impedido de atuar como relator em recurso de ofício, voluntário ou recurso especial em que tenha atuado, na decisão recorrida, como relator ou redator relativamente à matéria objeto do recurso. Os incisos I, II e III a mim não se aplicam e sobre eles o contribuinte não se refere. A matéria resta perfeitamente esclarecida no § 3º do art. 42 que, às explícitas, consigna que só haverá impedimento do Conselheiro relator do recurso especial caso na decisão recorrida tenha atuado como relator. E por mais de uma vez declareime impedido justamente por ter sido relator na decisão recorrida, o que não ocorre no caso em testilha. Ora, basta ler o aresto recorrido para ver que o relator foi outro conselheiro. Assim, não há que se falar em meu impedimento para relatar o presente recurso, vez que no recorrido apenas fui voto vencido, tendo optado por fazer declaração de voto. Portanto, não fui "redator do voto vencido", uma vez que o voto vencedor foi de lavra do relator. Fl. 5274DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 9 8 Para que dúvidas não pairem, solicito que a votação seja encaminhada no sentido de que, primeiramente, esta 3ª Turma da CSRF vote o incidente de impedimento, e que o resultado dessa votação conste na Ata de Julgamento. CONHECIMENTO Em relação à multa por cessão de nome, equivocase a recorrente, pois a mesma não foi objeto destes autos, e sim do processo 10314.723792/201418, que, segundo informado nas contrarrazões ao recurso, não foi objeto de recurso especial fazendário. Creio que a douta Procuradoria tenha se equivocado porque os acórdãos, embora distintos por processo, tenham abarcado a lide como um todo, pois dúvida não há quanto à promiscuidade entre as empresas Oito Brasil e Glikimport. Fato, porém, que nestes autos o mérito exclusivo é o perdimento de mercadoria por dano ao erário convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro. Assim, tomo por prejudicado o recurso em relação àquela matéria, posto que estranha aos autos. Há, ainda, um terceiro processo conexo, de nº 10314.724465/201483, que trata do lançamento do IPI, sobre o qual não se tem notícia se foi objeto de recurso especial. Talvez o fato de que o corpo da descrição dos fatos e penalidades aplicáveis terem sido a mesma para os 3 processos, embora nítido o enquadramento e a penalidade distinta por processo, possa ter induzido a recorrente a erro. Quanto ao conhecimento dessa matéria, não tenho dúvida que o mesmo deva ser conhecido, não havendo que se falar em preclusão lógica porque a Fazenda não tenha recorrido em relação ao processo de outra empresa, a Glikimport, eis que se tratam de infrações distintas, em que pese o mesmo conjunto probatório. Até causa perplexidade essa alegação à medida que o núcleo da defesa da autuada centrase na liberdade para abertura de distintas empresas. O certo é que afasto essa alegação. O que temos no autos é a constatação de que a Oito Brasil, com fins escusos a que me reportarei quando do enfrentamento do mérito, "criou" a Glikimport utilizandoa como interposta pessoa para importação dos produtos de beleza que comercializa. Portanto, esse é o núcleo da controvérsia, a interposição fraudulenta na importação. Desse fato é que decorrem as infrações imputadas pelo Fisco, quer à autuada nestes autos, quer à interposta pessoa, a Glikimport no processo em que lhe é imputada cessão de nome. E o recorrido trata exatamente dessa matéria. Vejase: ADIANTAMENTO DE RECURSOS FINANCEIROS PARA FINANCIAR OPERAÇÕES DE IMPORTAÇÃO. PRESUNÇÃO DE OPERAÇÃO POR CONTA E ORDEM DE TERCEIRO. LEI Nº 10.637/2002, ARTIGO 27 A operação de comércio exterior realizada mediante utilização de recursos de terceiro presumese por conta e ordem deste, para fins de aplicação do disposto nos artigos 77 a 81 da MP nº 2.15835/2001. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. DANO AO ERÁRIO. PENA DE PERDIMENTO. MULTA EQUIVALENTE AO VALOR ADUANEIRO. Considerase fraudulenta a ocultação intencional do real adquirente nas operações presumidas por conta e ordem, consistindo em dano ao Erário, de acordo com o artigo 23 do Fl. 5275DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 10 9 Decretolei nº 1.455/1976. A pena de perdimento será convertida em multa equivalente ao valor aduaneiro, quando a mercadoria não for localizada, ou tiver sido consumida ou revendida. O acórdão recorrido decidiu, por maioria de votos, que, diante do vasto e elucidativo acervo probatório produzido pelo contribuinte, restou claro que não houve interposição fraudulenta, mas sim operações empresariais válidas. Afirma ainda que se houvesse o financiamento da Glikimport por parte da Oito Brasil, haveria, por conseguinte, uma movimentação de estoques das duas empresas. De sua feita, o acórdão paradigma decidiu de forma contrária, quando afirma que há presunção de interposição fraudulenta quando houver operação presumida por conta e ordem, consistindo em dano ao erário, caracterizada pela utilização de recursos de terceiros, com base na prova produzida na ação fiscalizatória. A divergência única é quanto à análise da prova. Percebese que na declaração de voto constante do aresto recorrido fica evidente que houve transferências bancárias da Oito Brasil para a Glikimport com o intuito de pagamentos de títulos referentes a notas fiscais de vendas de mercadorias importadas. Essas transferências demonstram a utilização de recursos financeiros da Oito Brasil pela Glikimport o que caracterizaria operação presumida por conta e ordem com o respectivo dano ao erário, tal qual decidido pelo acórdão paradigma e desconsiderado pelo voto vencedor do acórdão recorrido. Portanto, a mim resta evidente a similitude fática, demonstrada analiticamente pela Fazenda. Em consequência, é de ser conhecido o recorrido na matéria versada nestes autos, qual seja, a pena de perdimento da mercadoria convertida em multa equivalente a cem por cento do valor aduaneiro ante a constatação de interposição fraudulenta na importação. MÉRITO Acerca do mérito, já tive oportunidade de analisálo detidamente, tanto que por discordar diametralmente do voto vencedor, que, com a devida vênia, esquivouse de analisar o vasto material probatório acostado aos autos pela fiscalização em proficiente trabalho, vime forçado a apresentar declaração de voto A mim restou evidente que foi montado um "esquema", sem qualquer business purpose (propósito negocial) para criação da Glikimport com o fito exclusivo de reduzir o IPI pago pela Oito Brasil, na condição de equiparada a industrial como a seguir passo a discorrer. Não haveria outro motivo para que a Oito Brasil não efetuasse ela mesma, por qualquer modalidade, as importações das mercadorias se não a escrachada intenção de fraudar o Fisco reduzindo em milhões de Reais do valor de IPI a ser pago. O Decreto nº 7.212, de 15 de junho de 2010 (RIPI) preconiza: “Art. 9º Equiparamse a estabelecimento industrial: I os estabelecimentos importadores de produtos de procedência estrangeira, que derem saída a esses produtos (Lei nº 4.502, de 1964, art. 4º, inciso I); Fl. 5276DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 11 10 (...) IX os estabelecimentos, atacadistas ou varejistas, que adquirirem produtos de procedência estrangeira, importados por encomenda ou por sua conta e ordem, por intermédio de pessoa jurídica importadora (Medida Provisória nº 2.15835, de 2001, art. 79, e Lei no 11.281, de 20 de fevereiro de 2006, art. 13); Inconteste da análise dos referidos processos, em relação aos quais participei do julgamento na Câmara baixa, que a empresa Glikimport Comércio importava por mercadorias estrangeiras (cosméticos das marcas L´anza e Paul Mitchell), para a Oito Brasil valendose, para tanto, da Sertrading (BR) Ltda. (“Sertrading”). E aqui pontuo fato essencial ao deslinde da quaestio: quando a importação é feita por conta e ordem (todas as operações foram feitas por conta e ordem da Glikimport por meio da trading Sertrading CNPJ 04.626.426/000106), cabe ao importador dispor da capacidade econômica para o pagamento da importação, pela via cambial e pesa sobre este a obrigação de revender as mercadorias importadas ao encomendante predeterminado, mas da mesma forma, o encomendante também deve ter capacidade econômica para adquirir, no mercado interno, as mercadorias revendidas pelo importador contratado. E como articulo na sequência, farto é o material probatório no sentido de que a Glikimport não dispunha dessa capacidade econômica, eis que quem arcava com o ônus da importação, consoante robusta documentação produzida e acostada aos autos, foi a Oito Brasil. Ademais, todas as mercadorias importadas pela empresa Glikimport Comércio eram, necessariamente, vendidas no mercado interno para a empresa Oito Brasil, a qual, por seu turno, distribuía tais bens para salões de beleza espalhados pelo país. A farta documentação produzida ao longo da ação fiscal, e devidamente articulada pelos agentes fiscais, é mais que suficiente para que se chegue a tal conclusão. Não se tratam os autos de planejamento tributário, mas sim de fraude tributária como, bem dito pelo Fisco, com o claro intento de ocultar o real adquirente, a Oito Brasil. Assevera a fiscalização que a Oito Brasil criou a Glikimport com o intuito de se ocultar ao controle aduaneiro e não pagar IPI, evitando equipararse a estabelecimento industrial. Como mencionado alhures, salta aos olhos a falta de qualquer propósito negocial, fato bem pontuado no relatório fiscal (fls. 02/91), digno de leitura, quando, em verdade, as empresas OITO BRASIL e GLIKIMPORT são uma só. O quadro societário de ambas as empresas é assim constituído, sendo seus endereços contíguos. Outro dado a demonstrar a identidade e confusão das empresas foram as informações coligidas junto ao 29º Tabelião de Notas. Vejase o descrito pelo Fisco quanto à essa informação (fl. 52 do processo de cobrança do IPI): Fl. 5277DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 12 11 Cabe ilustrar que a procuração entregue pelo senhor Renato Rudge foi emitida pelo Cartório do 29° Tabelião de Notas, no dia 19/01/2012, livro 1085, paginas 116/118, onde a GLIKIMPORT nomeia e constituí o senhor Renato Santos Telles Rudge, CPF 105.127.62848, o senhor Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano, CPF 303.728.86809 e o senhor Cláudio Cabido Vasconcelos, CPF 041.630.68880 seus procuradores. Aos quais confere poderes para , isoladamente, independente da ordem de nomeação, tratar e resolver sobre qualquer assunto, negócio e interesse da outorgante, podendo praticar, resumidamente, entre outros, os seguintes atos: movimentar contas bancárias, emitir e endossar cheques, representála perante Repartições Públicas e etc. Dentre os documentos obtidos desse Cartório posso citar uma procuração emitida nos mesmos termos, no mesmo dia, no mesmo livro e na pagina seguinte da procuração entregue pelo senhor Renato Rudge, citada acima (<Documentos Diversos Outros – Documentos do Cartório>). Porém, a outorgante desta vez é a empresa OITO BRASIL, mas os procuradores são as mesmas pessoas: o senhor Renato Santos Telles Rudge, CPF 105.127.62848, o senhor Brunno Amadeu Muniz Barreto Romano, CPF 303.728.86809 e o senhor Cláudio Cabido Vasconcelos, CPF 041.630.68880. Ou seja, o senhor Renato Rudge e as demais pessoas citadas aqui são os administradores tanto da empresa GLIKIMPORT como da empresa OITO BRASIL. Também a demonstrar a absoluta falta de propósito negocial é que todas as operações de venda da Glickimport têm como único cliente a Oito Brasil, conforme rol de notas fiscais às fls. 53/54 processo de final 201483 (IPI). Isso evidencia que AS MERCADORIAS JÁ TINHAM A OITO BRASIL COMO ADQUIRENTE PREDETERMINADO, QUE AS ESCOLHEU NO EXTERIOR, E SEM A QUAL A OPERAÇÃO JAMAIS TERIA OCORRIDO. Não bastassem todas essas evidências, a contabilidade da Glikimport faz prova de que os recursos para pagamentos das importações advieram da Oito Brasil, o que vai de encontra ao conceito de importação por conta e ordem, na qual o real importador deve ter disponibilidade financeira para pagar os produtos importados por sua conta e ordem. Isso está cabalmente provado (fls. 60/63) quando da análise que o Fisco fez da contabilidade daquela empresa, a importadora. Na tabela anexada ao auto de infração resta evidente que os depósitos realizados na conta Bancos são feitos com o objetivo de exclusivo de financiar os pagamentos existentes. Como se pode notar, ocorreram depósitos e pagamentos com valores muito equivalentes e em dias próximos. Vejase o exemplo (o auto de infração espraia o período) que transcrevo: CONTABILIDADE DA GLIKIMPORT Fl. 5278DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 13 12 CONTABILIDADE SERTRADING Quanto a tais fatos, articula o Fisco: O quadro abaixo mostra que no mesmo dia do pagamento para a importadora SERTRADING dos valores das notas fiscais de vendas das mercadorias importadas por encomenda, ou em dias muito próximos, a OITO BRASIL depositava, de forma recorrente, valores semelhantes na conta da GLIKIMPORT. Há também depósitos de valores maiores aos pagamentos à SERTRADING, mas que são facilmente explicados uma vez que havia também no mesmo dia outros pagamentos a serem realizados pela GLIKIMPORT como pagamentos de tributos (ICMS, IRPJ e Contribuições). ... No dia 28/02/11, foi feito o pagamento de R$ 477.256,75 para pagamento da NF 5529 e no mesmo dia houve um deposito de R$ 655.000,00 feito pela OITO BRASIL. Este valor está a maior por uma razão clara, nesse mesmo dia houveram pagamentos de tributos feito pela GLIKIMPORT de aproximadamente R$ 168.000,00. Total de despesas aproximadas de R$ 645.256,75. Fl. 5279DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 14 13 Essas informações, por si só, são a prova cabal de que quem realmente pagava por essas importações era a real adquirente das mercadorias, qual seja a OITO BRASIL. À toda evidência, portanto, que a GLIKIMPORT cedeu seu nome para OITO BRASIL nas DIs mencionadas, ocultandoa, com a finalidade de fraudar o Controle Aduaneiro. A fiscalização exemplifica alguns casos de depósito efetuados pela OITO BRASIL nos extratos da Glikimport. Vejase: Em relação à essas evidências contábeis e legais, sequer foi objeto dos recursos voluntários, calcados apenas na vetusta tese de cerceamento de direito de defesa e em laudo produzido unilateralmente pela então recorrente, e do qual valeuse o relator do recorrido. A decisão de piso (fls. 3800/3839) fez uma excelente análise das provas encartadas nos autos. Transcrevo, por oportuno, os seguintes excertos: Conforme depoimento gravado (arquivo não paginável anexado, conforme fl. 561), prestado pelo senhor Renato Santo Telles Rudge, que é administrador tanto da OITO BRASIL quanto da GLIKIMPORT (procurações às fls. 530535), este informou que o endereço que está registrado como sendo da empresa GLIKIMPORT, na Rua Américo Brasiliense 2119, seria, na verdade, o armazém da empresa. O endereço da matriz, segundo o senhor Renato, é na Rua Américo Brasiliense 2109, ou seja, no mesmo endereço da empresa OITO BRASIL (fl. 36). Ainda segundo o senhor Renato (fl. 36): “(...) a GLIKIMPORT ela representa duas marcas de produtos profissionais para cabelos vendidos para salões de cabelo. As marcas são a Lanza e a Paul Mitchell As duas vem dos Estados Unidos. Ela atua na importação de produtos através de uma trading. Então na verdade quem importa é a SERTRADING por encomenda da GLIKIMPORT. A SERTRADING entrega as mercadorias para nossa filial no Espírito Santo e de lá as mercadorias são transferidas para nossa matriz. Depois, nossa matriz entrega para uma distribuidora para serem distribuídos pros salões de beleza”. Ao ser perguntado sobre quem seria o principal cliente da GLIKIMPORT, o senhor Renato esclareceu que todas as mercadorias importadas são vendidas para apenas um cliente, "distribuidor", a empresa OITO BRASIL (fl. 37): Fl. 5280DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 15 14 “Quem faz a distribuição é a Oito Brasil. Nós vendemos todos os produtos para a Oito Brasil e esta é responsável pela distribuição” Ao ser questionado sobre se a GLIKIMPORT tinha empregados, o senhor Renato respondeu (fl. 37): “Tem sim. No armazém tem o Anderson que é supervisor financeiro, eu sou o procurador e tem as pessoas de etiquetagem, que são umas 4 pessoas”. Essas informações indicam confusão entre as empresas, falta de estrutura da GLIKIMPORT e que os produtos importados são destinados, na verdade, à OITO BRASIL. Isso é corroborado pelo fato de, conforme fotografias constantes da fl. 38, ter sido encontrada pela fiscalização, no estabelecimento da GLIKIMPORT (depósito), caixa contendo o logotipo da OITO BRASIL e com espaço para preenchimento do nome do cliente, e pelo fato de, conforme fl. 562, haver, no “site” da OITO BRASIL na internet, informação de ser esta empresa representante exclusiva das marcas L’ANZA e Paul Mitchell, importados dos Estados Unidos. Isso contradiz a informação prestada pelo senhor Renato, acima, e indica que esses produtos são destinados, desde o início, à OITO BRASIL, e não à GLIKIMPORT. Esta empresa realmente consta como encomendante destes produtos, a exemplo do que ocorre com a DI nº 11/00653394, em que há importação de produtos da Paul Mitchell (fls. 862864), e da DI nº 11/01766079, em que há importação de produtos da L’ANZA (fl. 883). Ora, sendo a representante a OITO BRASIL, esta empresa era, desde a negociação, a destinatária (encomendante) desses produtos. Bem concluiu a decisão de piso (Acórdão 0832013): Os fatos apreciados no presente voto demonstram claramente que houve simulação da encomenda por parte de GLIKIMPORT, com conhecimento da OITO BRASIL, evidenciando a fraude fiscal. A operação comercial não ocorreu como declarado, visto que todas provas são convergentes no sentido de apontar a verdadeira situação fática: importações por encomenda de terceira pessoa. Na terminologia doutrinária, antes enunciada, o caso em moldura se ajusta à espécie de simulação relativa, já que nesta, como vimos, existem dois negócios: um real, encoberto, dissimulado, destinado a valer entre as partes, que foi acordo simulatório entre as empresas autuadas, e um outro ostensivo, aparente, simulado, destinado a operar perante terceiros, no caso, o fisco, que se materializou como resultado de tal embuste, burlando os controles aduaneiros, o que expressa a conduta dolosa na prática da infração. O cerne da fraude/simulação está no fato de a GLIKIMPORT, com a anuência da OITO BRASIL, haver feito com que as declarações de importação fossem preenchidas como sendo por encomenda da primeira, omitindose ao Fisco que, em verdade, realizaramse por encomenda da OITO BRASIL, quando estava legalmente obrigada a prestar essa informação e cumprir as obrigações principais e acessórias relativas a essa modalidade de importação. Conforme se verifica no campo “Dados Complementares” das DI’s, foi inserida informação falsa com os seguintes dizeres: “ ENCOMENDANTE: GLIKIMPORT COMÉRCIO IMPORT. E EXPOR. DE COSM.LTDA” (p. ex. fl. 860). A Instrução Normativa SRF nº 634/2006, ao estabelecer requisitos e condições para a atuação de pessoa jurídica importadora, em operações realizadas por Fl. 5281DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 16 15 encomenda, determina, dentre outras obrigações, em seu artigo 3º, que “O importador por encomenda , ao registrar a DI, deverá informar, em campo próprio, o número de inscrição do encomendante no CNPJ”. Como visto, a GLIKIMPORT, com a anuência da OITO BRASIL, ao assinar contrato de importação por encomenda (fls. 818846) com a SERTRADING, fez com que as DI’s fossem preenchidas simuladamente tendo como encomendante a GLIKIMPORT. De todas as evidências probatórias deflui claro que a GLIKIMPORT ocultou a real encomendante das mercadorias estrangeiras (OITO BRASIL), simulando ser esta uma mera adquirente de mercadorias já nacionalizadas. A OITO BRASIL, real interessada nas importações e adquirente das mercadorias importadas, tendo pleno conhecimento de que os produtos encomendados, que eram a ela direcionados, seriam importados por meio de outra empresa, forneceu recursos financeiros para viabilizar a aquisição, pela GLIKIMPORT, dos produtos importados, anuindo que seu nome ficasse oculto, como real encomendante, perante a Aduana. Com isso, acabou se beneficiando indevidamente, uma vez que, além de se furtar ao controle aduaneiro, em razão das importações promovidas por encomenda sua, deixou de cumprir as obrigações legais decorrentes, inclusive, no que se refere à equiparação a estabelecimento industrial e ao recolhimento do IPI na saída dos produtos de seu estabelecimento. Com isso, a GLIKIMPORT e a OITO BRASIL concorreram para que esta empresa, a real interessada e encomendante das mercadorias permanecesse oculta perante a repartição aduaneira, revelando que desejaram a produção do resultado ilícito ou, no mínimo, assumiram o risco de produzilo, o que expressa a sua conduta dolosa. ... Assim, a autuação oferece elementos vários que convergem para a conclusão acerca do ilícito em todas as operações de importação relacionadas neste processo. Esse conjunto probatório, é óbvio, deve ser cotejado com elementos contrários eventualmente trazidos pelas impugnantes e, dessa contraposição, no presente caso, resulta que a prova produzida pela fiscalização se inclina favoravelmente ao direito reclamado pelo Fisco devendo, assim, prevalecer, uma vez que nenhuma outra prova a veio ilidir. Com efeito, os documentos apresentados pelas impugnantes em nada alteram as conclusões sobre o quadro probatório produzido pela fiscalização. Em verdade, as defesas não apresentaram nenhuma contraprova, seja ela qual for, que atestasse a regularidade das importações e destituísse a conclusão do relatório fiscal. Assim, subsiste o vigor da prova trazida aos autos pela fiscalização, que não cedeu diante dos argumentos aduzidos pelas litigantes. Diante de tais fatos, concluise: 1 A GLIKIMPORT vende todas as mercadorias que importa para apenas um cliente, a OITO BRASIL, em uma clara demonstração de que essas mercadorias já tinham destinatários predeterminados, antes mesmo do registro da DI, ou seja, a real adquirente das mercadorias; 2 Os documentos fornecidos pelo Cartório, assim como a análise dos quadro societário, ilustram que tanto a empresa GLIKIMPORT como a empresa OITO BRASIL são administrados pelas mesmas pessoas, ou seja, essas empresas nada mais são que Fl. 5282DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 17 16 uma empresa só. A PROMISCUIDADE ENTRE ELAS É TOTAL. Daí concluirse que a GLIKIMPORT foi criada com o objetivo de ocultar a real compradora das mercadorias, a OITO BRASIL; 3 O saldo da conta Bancos da contabilidade da GLIKIMPORT nos anos de 2011 a 2013 são insignificantes, denotando uma visível evidência de que a empresa era financiada pela OITO BRASIL; 4 Em sua contabilidade, no Razão das contas Clientes e Bancos, a GLIKIMPORT exibe de forma transparente o adiantamento de cliente, no caso OITO BRASIL, para pagamento das importações; 5 Os extratos mostram de forma irrefutável os depósitos efetuados pela OITO BRASIL na conta da GLIKIMPORT para pagamentos diversos, entre eles os títulos referentes às notas fiscais de venda de mercadorias importadas pela empresa SERTRADING; FRAUDE DO IPI Por fim, analiso, o que meu juízo foi a causa da montagem de toda essa "farsa" empresarial sem qualquer fim negocial que possa explicála, qual seja, o desidério de pagar menos, muito menos IPI na importação. De acordo com o disposto no inciso I, do art. 9º, do RIPI (decreto n°7.212/10), que reproduz o inciso I, do art. 4º, da Lei nº 4.502/64, as pessoas jurídicas que importarem diretamente produtos industrializados e que derem saída a esses produtos no mercado interno são considerados estabelecimentos equiparados a industrial para efeitos da incidência do IPI. Nesse mesmo caminho, as pessoas jurídicas que importarem indiretamente produtos industrializados, por meio da contratação de pessoas jurídicas para operar por sua conta e ordem ou por sua encomenda, também são considerados, pelo inciso IX, do art. 9º, do RIPI, estabelecimentos equiparados a industrial. Para as operações de importação de produtos industrializados de procedência estrangeira, a base de cálculo do IPI consiste no valor aduaneiro do produto, acrescido do montante do imposto de importação (II) e dos encargos cambiais efetivamente recolhidos pelo importador ou dele exigíveis, conforme disposto na alínea "b", do inciso I, do artigo 14, da Lei nº 4.502/64 e no inciso I, do artigo 47, do CTN. No que diz respeito às operações de saída de produtos industrializados para o mercado interno, a base de cálculo é, em regra, o valor total da operação de saída dos produtos do estabelecimento industrial ou equiparado a industrial. É de fácil identificação que caso a GLIKIMPORT fizesse a importação direta, seria ela equiparada à industrial, uma vez que se enquadraria no inciso IX do art. 9° do RIPI, e por conseguinte contribuinte do IPI. Porém, conforme demonstrado, a GLIKIMPORT "apareceu" apenas para ocultar a real adquirente, a OITO BRASIL. Essa a meu sentir, hígidas as provas nesse sentido, foi a causa isolada da criação da Glikimport. O quadro abaixo colacionado pelo Fisco deixa isso patente. Observese o fluxograma reproduzido nos autos do processo : Fl. 5283DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 18 17 Pelo que se pode depreender do esquema montado, a OITO BRASIL se ocultou das importações realizadas com o objetivo de se afastar da sua condição de contribuinte do IPI na importação, ou seja, equiparado à industrial. Para isso criouse a figura da GLIKIMPORT para atuar como encomendante das importações e, por conseguinte equiparado a industrial, de forma a manipular fraudulentamente a base de cálculo do IPI na venda para o Real Adquirente das mercadorias. Apesar de existir fisicamente, com endereço fixo, com empregados e com armazém de estoque de mercadoria, a GLIKIMPORT nada mais é que uma empresa criada e financiada para se interpor na operação de forma a reduzir a base de cálculo do IPI. O fluxograma acima mostra de forma clara porque houve a inserção da figura da GLIKIMPORT nessa cadeia de empresas. O que se depreende em valores aproximados é uma sonegação de aproximadamente R$ 12.3 milhões (R$ 16.2 – R$ 3.9) de IPI. Como dito alhures, houve exação de IPI nos autos do processo de nº 10314.724465/201483. Forçoso concluir que nessa situação, na qual foram utilizados métodos fraudulentos com o objetivo de ocultar o real comprador dos produtos de procedência estrangeira, fica configurado o afastamento doloso das suas condições de contribuintes do IPI na figura de estabelecimentos equiparados a industrial, acarretando o intencional não recolhimento do IPI e no descumprimento das obrigações acessórias derivadas da legislação de regência desse imposto. E para tanto foram fraudados controles aduaneiros, em flagrante ofensa à livre concorrência, núcleo do direito econômico nacional. Deveras, diante dos fatos descritos, arrimados no farto e convergente conjunto probatório anexado aos autos, concluise pela ocorrência de interposição fraudulenta nas importações em causa, infração punível com a pena de perdimento das mercadorias, devendo, no caso, ser substituída pela multa equivalente ao valor aduaneiro, conforme determina o art. 23, inciso V, §§ 1º e 3º do Decretolei nº 1.455/1976, visto que os produtos foram destinados a consumo. CONCLUSÃO Forte no exposto, rejeito o pedido que postula meu impedimento para ser relator do presente recurso especial, conheço do recurso especial do Procurador e doulhe provimento, desta forma mantendo o auto de infração em toda sua extensão. É como voto. Fl. 5284DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 19 18 (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Fl. 5285DF CARF MF Processo nº 10314.724463/201494 Acórdão n.º 9303007.679 CSRFT3 Fl. 20 19 Fl. 5286DF CARF MF
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