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Numero do processo: 10980.912249/2012-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Ano-calendário: 2006
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO.
Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação.
Recurso Voluntário Negado
Crédito Tributário Mantido
Numero da decisão: 3401-004.275
Decisão:
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
ROSALDO TREVISAN - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente).
Nome do relator: ROSALDO TREVISAN
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Ano-calendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1413; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T1 Fl. 2 1 1 S3C4T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10980.912249/201279 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3401004.275 – 4ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PEDIDO DE COMPENSAÇÃO COFINS Recorrente METROBENS AUTOMOVEIS LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Anocalendário: 2006 PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. INOBSERVÂNCIA DA LEGISLAÇÃO QUE REGE AS FORMALIDADES PARA SOLICITAR O RESSARCIMENTO E COMPENSAÇÃO. Não se admite a restituição de crédito que não se comprova existente e que não obedeça aos requisitos previstos na legislação vigente para seu ressarcimento e compensação. Recurso Voluntário Negado Crédito Tributário Mantido Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. ROSALDO TREVISAN Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosaldo Trevisan, Robson José Bayerl, Fenelon Moscoso de Almeida, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Tiago Guerra Machado, Leonardo Ogassawara de Araújo Branco, e Rodolfo Tsuboi (suplente, em substituição a André Henrique Lemos, ausente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 22 49 /2 01 2- 79 Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.912249/201279 Acórdão n.º 3401004.275 S3C4T1 Fl. 0 2 Relatório Cuidase de Recurso Voluntário contra acórdão de Manifestação de Inconformidade, que considerou improcedente as razões da Recorrente contra despacho decisório que negou a existência de direto creditório da Recorrente referente à COFINS. Da PER/DCOMP e do Despacho Decisório A Recorrente apresentou pedido de Restituição de crédito de COFINS supostamente recolhida a maior em decorrência da inclusão do ICMS na base de cálculo da respectiva contribuição. Vale ressaltar que o pedido não restou baseado em decisão judicial transitada em julgado ou nas demais hipóteses previstas na IN RFB 900/2008, vigente quando do despacho decisório, ou mesmo até o presente, nos termos da IN RFB 1.717/2017, quando relacionadas à inconstitucionalidade da lei tributária que instituiu o referido tributo. Diante disso, não presentes os requisitos formais e materiais para a constituição do crédito em favor do contribuinte, foi exarado despacho decisório negando o direito pleiteado por insuficiência probatória. Da Manifestação de Inconformidade Irresignada, a Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, afirmando em suma: · Que o PER/DCOMP se refere a crédito decorrente de pagamento a maior de contribuição social, em razão da inclusão do ICMS nas suas respectivas bases de cálculos. · Que a inclusão do ICMS na base de cálculo do PIS e da COFINS é inconstitucional, conforme já reconhecida à época por decisões dos tribunais superiores (faço parêntese para ressaltar que ainda não havia sido julgado pelo Supremo Tribunal Federal em regime de repercussão geral, ocorrido somente em 15.03.2017), e portanto, os pagamentos pretéritos da contribuição para o PIS e da COFINS seriam indevidos, fazendo a Recorrente jus à devolução do montante via ressarcimento. Frisese que, além das alegações de direito, não houve a inclusão de qualquer prova material da composição dos valores pleiteados. Da Decisão de 1ª Instância Sobreveio o Acórdão 0265.622, através do qual a respectiva Manifestação foi tida como improcedente, face a não comprovação da existência do crédito pleiteado. Do Recurso Voluntário Fl. 54DF CARF MF Processo nº 10980.912249/201279 Acórdão n.º 3401004.275 S3C4T1 Fl. 0 3 Irresignada, a Contribuinte interpôs Recurso Voluntário, vindo a reprisar os argumentos apresentados na sua peça impugnatória. Pediu, alternativamente ao provimento do Recurso – para ser reconhecido o direito creditório – o sobrestamento do feito até a ulterior decisão do STF sobre a matéria. É o relatório. Voto Conselheiro Rosaldo Trevisan, relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3401004.249, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10980.912230/201222, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3401004.249): "Da Admissibilidade O Recurso é tempestivo e reúne os demais requisitos de admissibilidade, de modo que admito seu conhecimento. Do Mérito Em que se pese ter ocorrido recentemente a decisão do citado Recurso Extraordinário (RE 574.706/RG, de relatoria da Ministra Carmen Lúcia), sob os efeitos da repercussão geral, fato notório e objeto de ampla análise pela mídia especializada, é notório também que tal acórdão ainda está pendente de análise dos embargos de declaração, especialmente sobre a modulação temporal dos efeitos da decisão. Pode ser que essa modulação não tenha aplicação prática para muitos dos contribuintes, diante do fato de que muitos ingressaram com ações judiciais autônomas para discutir a tese da inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base das contribuições sociais. Porém, o presente caso é bem diferente. Não consta nos autos qualquer referência a qualquer medida judicial preparatória tomada pelo contribuinte para fazer valer o entendimento que fora objeto de discussão pelo Supremo Tribunal Federal por ocasião do mencionado Recurso Extraordinário. Tampouco existe decisão da Ação Direta de Fl. 55DF CARF MF Processo nº 10980.912249/201279 Acórdão n.º 3401004.275 S3C4T1 Fl. 0 4 Constitucionalidade 18, que trata da mesma matéria, que pudesse gerar efeitos erga omnes à pretensão da Recorrente. Diante disso, muito embora o resultado do RE 574.706/RG parecer estar em comunhão com a pretensão da Recorrente, o precipitado modus operandi para reaver os supostos pagamentos indevidos não resta em linha com a legislação em vigor, impedindo o reconhecimento do direito creditório no presente momento. Explico. A Lei Federal 9.430/1996, ao dispor sobre a compensação e ressarcimento de tributos federais, transferiu a competência para regulamentar plenamente a matéria para a própria Receita Federal do Brasil, que o fez, sucessivamente, através das Instruções Normativas SRF/RFB 22/1996, 210/2002, 460/2004, 600/2005, 900/2008, 1.300/2012 e 1.717/2017 Em sua última regulamentação, o artigo 75, dispõe que somente serão admitidos os pedidos de ressarcimentos/compensação decorrenteS de pagamento indevido por haver reconhecimento da inconstitucionalidade da lei tributária, nas seguintes hipóteses: Art. 75. É vedada e será considerada não declarada a compensação nas hipóteses em que o crédito: (...) VI tiver como fundamento a alegação de inconstitucionalidade de lei, exceto nos casos em que a lei: a) tenha sido declarada inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal em ação direta de inconstitucionalidade ou em ação declaratória de constitucionalidade; b) tenha tido sua execução suspensa pelo Senado Federal; c) tenha sido julgada inconstitucional em sentença judicial transitada em julgado a favor do contribuinte; ou d) seja objeto de súmula vinculante aprovada pelo Supremo Tribunal Federal nos termos do art. 103A da Constituição Federal. Não é o caso presente. Por último e derradeiro, caberia, sim, ao contribuinte, para salvaguardar sua pretensão do efeito da decadência tributária, ajuizar, à época, medida judicial própria de modo a suspender tal prazo enquanto não houvesse o controle difuso de Fl. 56DF CARF MF Processo nº 10980.912249/201279 Acórdão n.º 3401004.275 S3C4T1 Fl. 0 5 constitucionalidade ou a decisão transitada em julgado interpartes; e aguardar o desfecho das respectivas ações. Por isso mesmo, não resta qualquer razão à Recorrente nesse particular, restando também prejudicado, pelos mesmos fundamentos, o pedido de sobrestamento do feito. De outro modo, mesmo que fosse superada essa questão, a Recorrente, em nenhum momento, esmerouse em demonstrar a liquidez de seu direito creditório – mediante a apresentação de demonstrativos de cálculo das contribuições, livros fiscais de ICMS e respectivas notas fiscais de venda, entre outros documentos importantes para a validação do crédito pleiteado –, limitandose a anexar uma planilha impressa com o cálculo do crédito pleiteado sem qualquer documentação suporte, apenas apresentada já na fase de Recurso. Estaríamos, portanto, diante de hipótese de carência probatória. Por todo o exposto, conheço do Recurso, porém negolhe provimento." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado negou provimento ao recurso voluntário. (Assinado com certificado digital) Rosaldo Trevisan Fl. 57DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13982.000988/2007-27
Turma: Terceira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Simples Nacional
Ano-calendário: 2007
SIMPLES NACIONAL. PARCELAMENTO SUSPENSO. DÉBITO CONHECIDO PELA CONTRIBUINTE.
A ausência de comunicação do cancelamento de parcelamento não induz ao desconhecimento do debito. A contribuinte, suspendendo o pagamento do parcelamento, tem plena consciência da existência da pendência.
Numero da decisão: 1003-000.048
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora.
(assinado digitalmente)
Carmen Ferreira Saraiva Presidente
(assinado digitalmente)
Bárbara Santos Guedes - Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
Nome do relator: BARBARA SANTOS GUEDES
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ementa_s : Assunto: Simples Nacional Ano-calendário: 2007 SIMPLES NACIONAL. PARCELAMENTO SUSPENSO. DÉBITO CONHECIDO PELA CONTRIBUINTE. A ausência de comunicação do cancelamento de parcelamento não induz ao desconhecimento do debito. A contribuinte, suspendendo o pagamento do parcelamento, tem plena consciência da existência da pendência.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes - Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente).
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PARCELAMENTO SUSPENSO. DÉBITO CONHECIDO PELA CONTRIBUINTE. A ausência de comunicação do cancelamento de parcelamento não induz ao desconhecimento do debito. A contribuinte, suspendendo o pagamento do parcelamento, tem plena consciência da existência da pendência. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do voto da Relatora. (assinado digitalmente) Carmen Ferreira Saraiva – Presidente (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Sérgio Abelson, Bárbara Santos Guedes e Carmen Ferreira Saraiva (Presidente). Relatório Tratase de recurso voluntário contra acórdão de nº 1530.488 DA 4ª Turma da DRJ/SDR, que julgou parcialmente procedente a manifestação de inconformidade da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 2. 00 09 88 /2 00 7- 27 Fl. 104DF CARF MF Processo nº 13982.000988/200727 Acórdão n.º 1003000.048 S1C0T3 Fl. 3 2 contribuinte, no sentido de permitir a reinclusão ao Simples Nacional a partir do segundo semestre de 2007. A contribuinte peticionou perante a RFB requerendo seu enquadramento no Simples Nacional com data de 01/07/2007, sob a alegação que teria feito a opção de inclusão e que, em consulta posterior, verificou que a solicitação não tinha sido recebida. Juntou cópia das telas do "Termo de opção pelo Simples" (fls. 01, 07 a 09). Foram enviados à contribuinte Termos de Intimação solicitando a apresentação de documentos, os quais foram atendidos pela Recorrente (fls. 13 e 28). Às fls 38, foi colacionado ao processo uma tela constando a informação de irregularidade da solicitação de opção do Simples Nacional em razão de débito inscrito em dívida ativa da União, cuja exigibilidade não estava suspensa. Em razão disso, foi expedido o Termo de Indeferimento da Opção pelo Simples Nacional (fls. 39 e 40). Através de Despacho Decisório nº 485/2009, a autoridade administrativa concluiu pelo indeferimento do pleito, de modo que a mesma não seja incluída de forma retroativa (fls. 43). Contra o Despacho Decisório a contribuinte apresentou impugnação. esclarecendo que os débitos apontados haviam sido parcelados em 11/09/2004, assim, em 31/08/2007, o débito estava suspenso, pois o parcelamento estava em dia. O acórdão de nº 1530.488, de 27 de abril de 2012, julgou parcialmente procedente a manifestação de impugnação da contribuinte, no sentido de permitir a reinclusão ao Simples Nacional apenas em relação ao período compreendido entre 01/07/2007 a 31/12/2007. Inconformada com a decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário no qual declara que o acórdão nº 15.30.488 indeferiu a opção pelo Simples Nacional para o Ano calendário de 2008, sob a alegação de que o parcelamento do débito de Inscrição nº 9140400374174 foi reincidido em 09/12/2007, porém até 31/01/2008 a contribuinte não havia sido cientificada pela PGFN sobre a rescisão do débito, o qual foi reparcelado e retomado em 16/05/2008, que a contribuinte está sendo penalizada por culpa do fisco. É o Relatório. Voto Conselheira Bárbara Santos Guedes, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, visto que atende o prazo regulamentar estabelecido pelo Decreto 70.235/1972, art. 33. Portanto, o mesmo atende aos requisitos de admissibilidade, pelo que, conheço do recurso. A contribuinte insurgese contra o acórdão da DRJ que indeferiu a reinclusão da mesma no ano calendário 2008, alegando que não possuía conhecimento da rescisão do parcelamento, visto não ter sido comunicado pela Receita Federal. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 13982.000988/200727 Acórdão n.º 1003000.048 S1C0T3 Fl. 4 3 A contribuinte possuía, na época do pedido de opção pelo Simples Nacional dois débitos inscritos em dívida ativa, quais sejam: a) Inscrição nº 9140400374174 esse débito foi inscrito em 13/08/2004. Aos 11/09/2004 foi concedido parcelamento do débito, o qual foi rescindido em 09/12/2007. Um novo parcelamento foi concedido em 02/06/2008, ocorrendo a extinção por remissão pela Lei nº 11.941/2009 em 25/10/2009. b) Inscrição nº 9140500699075 esse débito foi inscrito em 23/08/2005 e extinto por pagamento em 02/01/2006. A contribuinte alega que não foi notificada da rescisão do parcelamento referente à Inscrição nº 9140400374174 e que, por essa razão, não tomou as providências cabíveis para fins de suspensão do débito em tempo hábil para adesão ao Simples para o ano calendário 2008. Ocorre, contudo, que segundo as informações gerais de inscrição, a contribuinte suspendeu o pagamento do primeiro parcelamento referente à inscrição de nº 9140400374174 (fls. 77 a 83) em julho de 2007. Ora, a Recorrente tinha conhecimento do débito e, por conseguinte, sabia que havia deixado de efetuar o pagamento das parcelas, as quais estavam em aberto a partir do vencimento em 30/08/2007. Com relação ao prazo para efetivação da opção relativamente ao ano calendário de 2008, a Resolução CGSN nº 4, de 30/05/2007, estabelece conforme abaixo: Art. 7º A opção pelo Simples Nacional darseá por meio da internet, sendo irretratável para todo o ano calendário. § 1º A opção de que trata o caput deverá ser realizada no mês de janeiro, até seu último dia útil, produzindo efeitos a partir do primeiro dia do ano calendário da opção, ressalvado o disposto no § 3º deste artigo e observado o disposto no § 3º do art. 21. Ou seja, com relação ao ano calendário de 2008, a contribuinte deveria efetuar a opção até o última dia útil do mês de janeiro e, nesta data, deve preencher todos os requisitos para realização da opção. O débito era de conhecimento da contribuinte, assim como o fato de ter suspendido os pagamentos e que, em janeiro de 2008, encontravase em débito, e não efetuou qualquer diligência no sentido de suspender a dívida. Isto posto, entendo correta a decisão da primeira instância e voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Bárbara Santos Guedes Fl. 106DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.906050/2008-25
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jul 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2003
PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA.
Uma vez que o contribuinte utilizou na compensação pagamento integralmente alocado ao débito respectivo, inexiste direito creditório.
APRECIAÇÃO DE NOVA PER/DCOMP NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ.
Por falta de competência, correto o entendimento da DRJ em declinar da análise de nova, ou de pedido de retificação de Per/Dcomp, cujo crédito é distinto daquele utilizado na declaração original (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010).
Numero da decisão: 1001-000.641
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
Edgar Bragança Bazhuni - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
Nome do relator: EDGAR BRAGANCA BAZHUNI
1.0 = *:*
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2003 PAGAMENTO A MAIOR. INEXISTÊNCIA. Uma vez que o contribuinte utilizou na compensação pagamento integralmente alocado ao débito respectivo, inexiste direito creditório. APRECIAÇÃO DE NOVA PER/DCOMP NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. Por falta de competência, correto o entendimento da DRJ em declinar da análise de nova, ou de pedido de retificação de Per/Dcomp, cujo crédito é distinto daquele utilizado na declaração original (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010).
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa - Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva.
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INEXISTÊNCIA. Uma vez que o contribuinte utilizou na compensação pagamento integralmente alocado ao débito respectivo, inexiste direito creditório. APRECIAÇÃO DE NOVA PER/DCOMP NA MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ. Por falta de competência, correto o entendimento da DRJ em declinar da análise de nova, ou de pedido de retificação de Per/Dcomp, cujo crédito é distinto daquele utilizado na declaração original (art. 229, III, do Regimento Interno da Secretaria da Receita Federal do Brasil, aprovado pela Portaria nº 587/2010). Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Lizandro Rodrigues de Sousa Presidente. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Lizandro Rodrigues de Sousa (presidente), Edgar Bragança Bazhuni, Eduardo Morgado Rodrigues e Jose Roberto Adelino da Silva. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 60 50 /2 00 8- 25 Fl. 86DF CARF MF Processo nº 10980.906050/200825 Acórdão n.º 1001000.641 S1C0T1 Fl. 75 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela Recorrente em face de decisão proferida pela 1ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR mediante o Acórdão nº 0629.880, de 13/01/2011 (efls. 46/48), que não reconheceu o direito creditório pleiteado. A interessada transmitiu, em 25/05/2004, o PER/DCOMP, n° 20012.19549 .250504.13.048080 (efls. 06/10), cujo alegado crédito foi o pagamento de DARF, cód 5993, PA 31/01/2003, no valor original de R$ 38.091,06 e data de arrecadação em 28/02/2003, para a compensação do débito do IRPJ, referente à Estimativa mensal de Abril/2014, código 23621, no valor de R$8.646,89. A DRF de Curitiba, mediante Despacho Decisório, de 18/07/2008 (efls. 02/05), não homologou a compensação declarada, pelo motivo de que o alegado pagamento indevido foi localizado, mas já fora integralmente alocado ao débito respectivo. Na manifestação de inconformidade (efls. 11/13) a interessada alega que: Acumulou saldo negativo de IRPJ no anocalendário de 2003 e, no ano de 2004, utilizou parte desse crédito com a finalidade de compensar impostos e contribuições relativos a esse período. Entretanto, ao fazêlo, cometeu erro de fato no preenchimento de DARF e do PER/DCOMP. Afirma que o valor correto para ser utilizado em compensação de tributos, à título de saldo negativo de IRPJ, no AC de 2003, conforme os dados informados na DIPJ, é o saldo que restou disponível, ou seja, de R$ 58.861,19, sendo o IRPJ antecipado/retido no valor de R$ 85.087,06 Informa ao revisar "o procedimento, constatou ter cometido três equívocos nessa DCOMP: o código correto da receita compensada é 5993.1; o tipo correto de crédito é: saldo negativo de IRPJ; e o valor correto do crédito é R$ 58.861,19. Relata que, "embora tenha efetuado a transmissão da DCOMP com os mencionados equívocos, registrou em seus controles internos a compensação de R$ 8.164,38, (...), restandolhe um saldo de R$ 50.696,83". Alega que "tal procedimento não é acessível à Impugnante e portanto deve ser através de ato da Administração" e que "..não se poder admitir a penalidade sem causa sua, através de simples cancelamento da DCOMP que contém os equívocos, o que a tornaria nula e a sujeitaria a multa, sem que tenha incorrido em efetivo atraso de pagamento". O r. acórdão conclui pela improcedência da manifestação de inconformidade apresentada, cujos fundamentos do voto condutor transcrevo a seguir: No documento em que declarou a compensação aqui analisada, a contribuinte informou (fls. 06) que seu crédito decorria do pagamento indevido ou a maior que Fl. 87DF CARF MF Processo nº 10980.906050/200825 Acórdão n.º 1001000.641 S1C0T1 Fl. 76 3 realizou no dia 28/02/2003, no importe de R$ 38.091,06, representado pelo DARF de fls. 31. Em face de tal informação, ao analisar o PER/DCOMP, a DRF/CTA constatou que o valor recolhido era regularmente devido, conforme reconhecido pela própria contribuinte, que o declarou em DCTF, e por isso não homologou a compensação, dada a inexistência do crédito nela a ser utilizado. Agora a contribuinte vem afirmar que o PER/DCOMP foi preenchido incorretamente, e que sua pretensão, em verdade, era utilizar na compensação o valor do saldo negativo de IRPJ que apurou em 31/12/2003. É de se ver, portanto, que a contribuinte está desistindo daquela compensação que declarou utilizando crédito de pagamento indevido e solicitando a análise de outra compensação distinta, com utilização de saldo negativo de IRPJ apurado ao final do anocalendário. Não se trata, portanto, de inconformismo contra a não homologação operada pelo despacho decisório. A contribuinte concorda e tem consciência de que outra solução não poderia ter sido dada em relação àquela compensação que declarou, pretendendo utilizar um crédito de pagamento que não era indevido. Não existe, portanto, contraditório em relação ao despacho decisório. O que a petição da contribuinte faz, em realidade, é veicular o pedido de que seja analisada originalmente uma nova compensação, na qual seria utilizado o saldo negativo de IRPJ apurado, ao final do anocalendário 2003, e que seja proferido um novo despacho decisório, consentâneo com a nova realidade fática. Ora, as DRJ carecem da competência de proceder a essa análise e proferirem despachos decisórios homologando compensações. Sua competência se restringe ao exame das razões do conformismo e dirimir contraditórios já instaurados. O acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2003 DESPACHO DECISÓRIO EMITIDO COM FUNDAMENTAÇÃO CORRETA. Tendo o contribuinte utilizado na compensação crédito relativo a pagamento indevido, é correto o despacho decisório que não homologa a compensação, em face da constatação de que o recolhimento foi integralmente alocado ao débito respectivo. INCOMPETÊNCIA DAS DRJ PARA HOMOLOGAR COMPENSAÇÃO. As DRJ carecem de competência para apreciar nova compensação proposta na manifestação de inconformidade, com utilização de crédito distinto daquele utilizado originalmente no PER/DCOMP. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 88DF CARF MF Processo nº 10980.906050/200825 Acórdão n.º 1001000.641 S1C0T1 Fl. 77 4 Direito Creditório Não Reconhecido Ciente da decisão em 27/01/2011, conforme Aviso de Recebimento à efl. 51, a Recorrente apresentou recurso voluntário em 22/02/2011 (efls. 66/72), conforme carimbo aposto na fl. 62. É o Relatório. Voto Conselheiro Edgar Bragança Bazhuni, Relator O recurso apresentado atende aos requisitos de admissibilidade previstos no Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972, que regula o processo administrativofiscal (PAF). Dele conheço. Aduz a própria recorrente, que a "decisão resumese em declarar a incompetência da DRJ para 'apreciar nova compensação' e manter, equivocadamente, a não homologação de compensação regularmente transmitida através de PERDCOMP" e que os julgadores ignoraram o mérito da "ocorrência comprovada", ou seja o erro de fato (erro no preenchimento do DARF e nas PER/DCOMP) que veio a causar a inconsistência do IRPJ. Alega que a fiscalização não negou a existência do crédito utilizado na compensação, mas sim que não considerou o erro de preenchimento do DARF e da PER/DCOMP. Alega que não se pode admitir a prevalência da verdade formal sobre a verdade material e transcreve ementas do CARF neste sentido e expõe novamente os cálculos e valores. Assim como na manifestação de inconformidade, a recorrente alega que "cometeu erros “de fato" no preenchimento de DARF's e, consequentemente, nas PERDCOMP", e por isto são passíveis de correções ("através da alteração de códigos do DARF e da PERDCOMP"). Por fugir da esfera de sua competência, a DRJ proferiu decisão mediante a qual entende que na verdade tratase de nova declaração de compensação. Decisão com a qual concordo e adoto as mesmas razões de decidir, pois a recorrente alterou, praticamente, todas as informações da declaração original. A recorrente ao afirmar que o PER/DCOMP foi preenchido incorretamente, a sua real pretensão é utilizar na compensação o valor do saldo negativo de IRPJ que apurou em 31/12/2003. Se não é uma nova PER/DCOMP, é um pedido de retificação da original, cujo efeito é o mesmo de uma nova. Ao contrário do que alega, o crédito não foi reconhecido, pois o pagamento fora integralmente utilizado, conforme fundamentação do despacho decisório. Fl. 89DF CARF MF Processo nº 10980.906050/200825 Acórdão n.º 1001000.641 S1C0T1 Fl. 78 5 Quanto à clamada da verdade material, a mesma não pode significar o afastamento de regras na legislação e de competências. Na verdade, temse que a recorrente quer usar o argumento para uma nova análise da PER/DCOMP, o que já se mostrou indevida na esfera de julgamento. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Edgar Bragança Bazhuni Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.003834/2004-71
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004
CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA
Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
Numero da decisão: 9303-006.916
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
Nome do relator: RODRIGO DA COSTA POSSAS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação.
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decisao_txt : Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 4; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1482; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRFT3 Fl. 2 1 1 CSRFT3 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS Processo nº 11065.003834/200471 Recurso nº 1 Especial do Procurador Acórdão nº 9303006.916 – 3ª Turma Sessão de 13 de junho de 2018 Matéria PIS/COFINS.INCIDÊNCIA. CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITOS DO ICMS. Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado PACIFIC SHOES INDÚSTRIA E COMÉRCIO DE CALÇADOS LTDA ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/04/2004 a 30/06/2004 CESSÃO ONEROSA DE CRÉDITO DE ICMS A TERCEIRO. BASE DE CÁLCULO DO PIS E DA COFINS. NÃO INCIDÊNCIA Nos termos do art. 62, §2º do Anexo II do RICARF/2015, em obediência à decisão plenária do STF, no julgamento do RE 606.107, não há que se falar em incidência de PIS e Cofins sobre os valores recebidos a título de cessão onerosa a terceiros de créditos de ICMS provenientes de exportação. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em Exercício), Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luis Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 00 38 34 /2 00 4- 71 Fl. 204DF CARF MF Processo nº 11065.003834/200471 Acórdão n.º 9303006.916 CSRFT3 Fl. 3 2 Relatório Tratase de Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional contra o Acórdão nº 380300.772, que, na parte de interesse, decidiu que os valores oriundos da cessão onerosa de créditos do ICMS não compõe a base de cálculo das contribuições. A Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial requerendo a reforma da decisão a quo. Argumenta, em síntese, que os valores recebidos pela transferência de créditos do ICMS a terceiros constituem receita da empresa, tributável pelas contribuições. Mediante despacho de admissibilidade do Presidente da Câmara competente da Terceira Seção do CARF foi dado seguimento ao recurso especial interposto pela Fazenda. Na sequência, o contribuinte apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo da Costa Pôssas, Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9303006.890, de 13/06/2018, proferido no julgamento do processo 11080.101559/200542, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 9303006.890): "Depreendendose da análise do Recurso Especial interposto pelo sujeito passivo, entendo que devo conhecêlo, em respeito ao art. 67 do RICARF/2015, vez que comprovada a divergência. Quanto ao cerne da lide, especificamente à discussão acerca da incidência de PIS sobre as receitas decorrentes da cessão onerosa de créditos de ICMS, vêse que deve ser reconhecida a ilegitimidade da inclusão na base de cálculo do PIS das r. receitas referentes à transferência de créditos de ICMS a terceiros. Ora, já houve decisão proferida no Recurso Extraordinário n° 606.107/RS que restou assim ementado: “IMUNIDADE. HERMENÊUTICA. CONTRIBUIÇÃO AO PIS E COFINS. NÃO INCIDÊNCIA. TELEOLOGIA DA NORMA. EMPRESA EXPORTADORA. CRÉDITOS DE ICMS TRANSFERIDOS A TERCEIROS. Fl. 205DF CARF MF Processo nº 11065.003834/200471 Acórdão n.º 9303006.916 CSRFT3 Fl. 4 3 I Esta Suprema Corte, nas inúmeras oportunidades em que debatida a questão da hermenêutica constitucional aplicada ao tema das imunidades, adotou a interpretação teleológica do instituto, a emprestar lhe abrangência maior, com escopo de assegurar à norma supralegal máxima efetividade. II A interpretação dos conceitos utilizados pela Carta da República para outorgar competências impositivas (entre os quais se insere o conceito de “receita” constante do seu art. 195, I, “b”) não está sujeita, por óbvio, à prévia edição de lei. Tampouco está condicionada à lei a exegese dos dispositivos que estabelecem imunidades tributárias, como aqueles que fundamentaram o acórdão de origem (arts. 149, § 2º, I, e 155, § 2º, X, “a”, da CF). Em ambos os casos, tratase de interpretação da Lei Maior voltada a desvelar o alcance de regras tipicamente constitucionais, com absoluta independência da atuação do legislador tributário. III A apropriação de créditos de ICMS na aquisição de mercadorias tem suporte na técnica da não cumulatividade, imposta para tal tributo pelo art. 155, § 2º, I, da Lei Maior, a fim de evitar que a sua incidência em cascata onere demasiadamente a atividade econômica e gere distorções concorrenciais. IV O art. 155, § 2º, X, “a”, da CF – cuja finalidade é o incentivo às exportações, desonerando as mercadorias nacionais do seu ônus econômico, de modo a permitir que as empresas brasileiras exportem produtos, e não tributos, imuniza as operações de exportação e assegura “a manutenção e o aproveitamento do montante do imposto cobrado nas operações e prestações anteriores”. Não incidem, pois, a COFINS e a contribuição ao PIS sobre os créditos de ICMS cedidos a terceiros, sob pena de frontal violação do preceito constitucional. V O conceito de receita, acolhido pelo art. 195, I, “b”, da Constituição Federal, não se confunde com o conceito contábil. Entendimento, aliás, expresso nas Leis 10.637/02 (art. 1º) e Lei 10.833/03 (art. 1º), que determinam a incidência da contribuição ao PIS/PASEP e da COFINS não cumulativas sobre o total das receitas, “independentemente de sua denominação ou classificação contábil”. Ainda que a contabilidade elaborada para fins de informação ao mercado, gestão e planejamento das empresas possa ser tomada pela lei como ponto de partida para a determinação das bases de cálculo de diversos tributos, de modo algum subordina a tributação. A contabilidade constitui ferramenta utilizada também para fins tributários, mas moldada nesta seara pelos princípios e regras próprios do Direito Tributário. Sob o específico prisma constitucional, receita bruta pode ser definida como o ingresso financeiro que se integra no patrimônio na condição de elemento novo e positivo, sem reservas ou condições. VI O aproveitamento dos créditos de ICMS por ocasião da saída imune para o exterior não gera receita tributável. Cuidase de mera recuperação do ônus econômico advindo do ICMS, assegurada expressamente pelo art. 155, § 2º, X, “a”, da Constituição Federal. VII Adquirida a mercadoria, a empresa exportadora pode creditarse do ICMS anteriormente pago, mas somente poderá transferir a terceiros o saldo credor acumulado após a saída da mercadoria com destino ao Fl. 206DF CARF MF Processo nº 11065.003834/200471 Acórdão n.º 9303006.916 CSRFT3 Fl. 5 4 exterior (art. 25, § 1º, da LC 87/1996). Porquanto só se viabiliza a cessão do crédito em função da exportação, além de vocacionada a desonerar as empresas exportadoras do ônus econômico do ICMS, as verbas respectivas qualificamse como decorrentes da exportação para efeito da imunidade do art. 149, § 2º, I, da Constituição Federal. VIII Assenta esta Suprema Corte a tese da inconstitucionalidade da incidência da contribuição ao PIS e da COFINS não cumulativas sobre os valores auferidos por empresa exportadora em razão da transferência a terceiros de créditos de ICMS. IX Ausência de afronta aos arts. 155, § 2º, X, 149, § 2º, I, 150, § 6º, e 195, caput e inciso I, “b”, da Constituição Federal. Recurso extraordinário conhecido e não provido, aplicandose aos recursos sobrestados, que versem sobre o tema decidido, o art. 543B, § 3º, do CPC. Constatase que a decisão proferida no RE 606.107/RS, em sede de repercussão geral, deve ser aplicada de acordo com o disposto no RICARF: “Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF.” Em vista de todo o exposto, dou provimento ao recurso especial interposto pelo sujeito passivo." Importante ressalvar que, da mesma forma que ocorreu no caso do paradigma, no presente processo o acúmulo de créditos do ICMS também foi decorrente de exportações para o exterior. Todavia, neste processo a Recorrente foi a Fazenda, de sorte que a aplicação do decidido no paradigma quanto à matéria em foco implica a negativa de provimento ao especial fazendário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o recurso especial da Fazenda Nacional foi conhecido e, no mérito, o colegiado negoulhe provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 10830.721798/2017-64
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 17 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.343
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente.
(assinado digitalmente)
Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: LEONARDO VINICIUS TOLEDO DE ANDRADE
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza - Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisário, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório Por retratar com fidelidade os fatos, adoto, com os devidos acréscimos, o relatório produzido em primeira instância, o qual está consignado nos seguintes termos: "Tratase de auto de infração lavrado para o lançamento do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, constituindose os respectivos créditos tributários em desfavor da contribuinte epigrafada, no montante total de R$ 61.056.825,80 (sessenta e um milhões, cinquenta e seis mil, oitocentos e vinte e cinco reais, e oitenta centavos), RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 08 30 .7 21 79 8/ 20 17 -6 4 Fl. 1251DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.252 2 consolidado na data do lançamento, conforme demonstrativo do crédito tributário (efl. 572). De acordo com a narrativa contida na Descrição dos Fatos e Enquadramento Legal (efls. 573/588) do auto de infração, a fiscalizada deu saídas a produtos de sua fabricação (pneus destinados a veículos automotores) com a classificação fiscal incorreta e, com isso, aplicando uma alíquota a menor para o IPI, conforme descreve o resumo do relatório fiscal que se segue. 1) Fatos apurados Vários modelos de pneus, principalmente das linhas Chrono e Scorpion, relacionados na Tabela 01 (efls. 573/574), destinados a “vans e utilitários” e “pickup e SUV”, saíram do estabelecimento classificados sob o código NCM 4011.20.90, que se refere a pneus “dos tipos utilizados em ônibus e caminhões”. As configurações dos pneus em questão, em sua maioria, são idênticas às verificadas pela Fiscalização da Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo/RS em relação aos anos de 2011 e 2012 (processo nº 11065.722.024/201570). Por essa razão, os elementos de prova daquela fiscalização também foram aqui utilizados. Em respostas a intimações efetuadas, a fiscalizada confirmou a utilização das configurações dos pneus relacionados na Tabela 01 em vans e utilitários, pickup e SUV. Segundo a empresa, os pneus haviam sido classificados pelo INMETRO e pela ALAPA (Associação Latino Americana dos Fabricantes de Pneus, Aros e Rodas) como pneus de carga utilizados em veículos comerciais leves, destinados a transportes de mercadoria e de pessoas, posicionados pelo INMETRO na Categoria 3 (pneus novos destinados a veículos comerciais leves e rebocados), o que os aproximaria dos pneus dos “tipos” usados em ônibus e caminhões. Contudo, a Portaria INMETRO nº 482/2010, que aprova requisitos de avaliação da conformidade para pneus novos, apresenta, em seu Anexo “B”, quatro distintas categorias de pneus, sendo que na Categoria 3 se inserem os “pneus novos destinados a veículos comerciais leves e rebocados” e na Categoria 4 os “pneus novos destinados a veículos comerciais e rebocados”. E é justamente nesta última categoria que estão classificados os pneus utilizados para ônibus e caminhões. Para a interessada, de acordo com a Decisão nº 348, de 14 de outubro de 1997, exarada pela DISIT/SRRF8ªRF, alguns modelos de pneus destinados a caminhões leves, microônibus, caminhonetas e utilitários seriam classificados no código 4011.20.90. No entanto, nenhum dos modelos de pneus questionados no Termo de Início de Fiscalização possui características coincidentes com aqueles modelos objeto da consulta. 2) Metodologia da classificação fiscal Os procedimentos de classificação de mercadorias devem seguir os comandos do chamado Sistema Harmonizado (SH), tabela internacional de designação e codificação de mercadorias publicada e administrada pela Organização Mundial das Aduanas (OMA), da qual o Brasil é signatário. A metodologia destes procedimentos baseiase na aplicação das seis Regras Gerais para Interpretação do Sistema Harmonizado Fl. 1252DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.253 3 (RGI/SH), e tanto a Tarifa Externa Comum (TEC) quanto a Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados (TIPI) têm por base estrutural a Nomenclatura Comum do Mercosul (NCM) que, por sua vez, formatase, oficialmente, a partir do Sistema Harmonizado, contendo desdobramentos regionais e Regras Gerais Complementares (RGC/NCM). Um destes ditames impõe que tais Regras Gerais devem ser empregadas em ordem sequencial, ou seja, devese buscar a classificação utilizandose, primeiramente, a RGI/SH nº 1 e, se esta não for suficiente, passase à regra seguinte, e assim sucessivamente. Para auxiliar a interpretação do Sistema Harmonizado, foram aprovadas, por meio do Decreto nº 435, de 27 de janeiro de 1992, as Notas Explicativas do Sistema Harmonizado (NESH) que, conforme o parágrafo único do art. 1º desse Decreto, “constituem elemento subsidiário de caráter fundamental para a correta interpretação do conteúdo das posições e subposições, bem como das Notas de Seção, Capítulo, posições e subposições da Nomenclatura do Sistema Harmonizado, anexas à Convenção Internacional de mesmo nome”. No caso concreto, as mercadorias sob análise são pneumáticos novos de borracha para veículos automotores. Consoante explanação acima, sua classificação deve ser realizada na posição 40.11. A nível de subposição numa mesma posição, a classificação é realizada pelos textos dessas subposições e pelas notas de subposições respectivas, nos termos da primeira parte da RGI 6. A subposição 4011.20 (cujo desdobramento 4011.20.90 foi utilizado pela empresa na classificação dos pneus ora em análise) é exclusiva dos pneus destinados a ônibus e caminhões. As respostas oferecidas pela própria fiscalizada, bem como informações referidas em páginas da internet da empresa e de seus revendedores indicam serem destinados a vans, utilitários, pickups, SUVs. Portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na internet, a empresa relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões, dentre os quais não se encontra nenhum dos modelos aqui considerados. A TIPI não apresenta elementos que permitam identificar com precisão o que seja um ônibus, de modo que cabe utilizarse do sentido da palavra na língua portuguesa e na sua utilização merceológica. Assim, vans não são sinônimo de ônibus, portanto pneus para vans não podem ser classificados na TIPI como pneus para ônibus. Já a diferenciação entre caminhões e furgões/pickups/utilitários é expressa na Nomenclatura. Todos os desdobramentos da subposição 8704.21 (veículos para transporte de carga, com carga máxima não superior a 5 toneladas) apresentam um Ex 01, com alíquota superior, para “camionetas, furgões, pickups e semelhantes” indicando expressamente que tais veículos não se enquadram no conceito de caminhões. Concluise, portanto, que vans, pickups, utilitários e SUV não são ônibus nem caminhões. Fl. 1253DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.254 4 Desta forma, por exclusão, os códigos mais adequados à classificação seriam 4011.10.00 e 4011.99.90, ambos tributados à alíquota de 15,00%. 3) Classificação fiscal para os pneus utilizados em vans As vans são veículos usados para transporte de passageiros ou de carga, hipótese em que são conhecidos como furgões. As vans para passageiros disponíveis no mercado nacional possuem, em sua quase totalidade, a capacidade de nove a dezenove passageiros mais o motorista, ou seja, dez a vinte ocupantes, sendo em alguns casos referidas como microônibus, mas jamais sendo consideradas como ônibus. Os veículos com capacidade para dez ou mais pessoas são classificados na posição 87.02 da TIPI, enquanto os veículos para transporte de até nove pessoas na posição 87.03. Portanto, os pneus destinados a vans (para transporte de passageiros) não podem ser classificados na subposição 4011.10, porque essa subposição, a teor do seu texto, se refere aos pneumáticos utilizados nos veículos classificados na posição 87.03, enquanto as vans para transporte de passageiros são classificadas na posição 87.02. Já as vans para transporte de carga (furgões) classificamse no Ex 01 dos desdobramentos das subposições de 2º nível 8704.21. Por consequência, os pneus destinados a esses veículos também não podem ser classificados na subposição 4011.10 (exclusiva de pneus dos veículos classificados na posição 87.03). Assim sendo, os pneumáticos dos tipos utilizados em vans para transporte de passageiros ou de carga (furgões) devem ser classificados no código 4011.99.90 – Outros. A fiscalizada apresentou o Ato Declaratório Executivo COANA nº 23/2014, que prescreve a adoção do código 8702.10.00 Ex 02 para diversos modelos de vans Sprinter (indicados como microônibus teto baixo e microônibus teto alto), fabricados pela Montadora Mercedes Benz. Entendeu que a parcela dos pneus usados nesses modelos deveria ser classificado no código 4011.20.90. Ocorre que a classificação prescrita pela COANA (8702.10.00 Ex 02), referese a “veículos automóveis para transporte de dez pessoas ou mais, incluindo o motorista Ex 02 com volume interno de habitáculo, destinado a passageiros e motorista, igual ou superior a 9m³”. O fato de um veículo se enquadrar nessa classificação não significa que seja um ônibus. Nessa classificação se enquadram tanto as vans (quer sejam merceologicamente denominadas microônibus ou não) quanto os ônibus. No caso em tela, o próprio ADE identificou as vans como sendo microônibus (de teto alto ou teto baixo) e não como ônibus. Cabe repisar que a TIPI não possui um código específico para ônibus. A posição 87.02, suas subposições e respectivos Ex, que abrangem todos os automóveis para dez ou mais pessoas, limitamse a segmentar os veículos em função do volume da cabine, sem atribuir uma terminologia a cada um deles. Fl. 1254DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.255 5 4) Classificação fiscal para os pneus utilizados em pickups e utilitários As pickups e utilitários classificamse no Ex 01 dos desdobramentos da subposição 8704.21. Portanto, os pneus destinados a esses veículos também não podem ser classificados na subposição 4011.10, já que esta, a teor de seu texto, é indicativa de pneus para automóveis de passageiros (posição 87.03). Não sendo ônibus nem caminhões, os pneumáticos dos tipos utilizados em pickups e utilitários devem ser classificados no código 4011.99.90 – Outros. 5) Classificação fiscal para os pneus utilizados em SUV Os veículos conhecidos por SUV (Sport Utility Vehicle) são veículos mistos, que se destinam ao transporte de passageiros, mas apresentam uma capacidade de carga superior aos demais automóveis. A NESH da posição 87.03 da TIPI define que “Entendemse por veículos de uso misto (break ou station wagons), na acepção da presente posição, os veículos com nove lugares sentados no máximo (incluído o do motorista), cujo interior pode ser utilizado, sem modificação da estrutura, tanto para o transporte de pessoas como para o de mercadorias”. Para fins da Nomenclatura, os veículos SUV se enquadram no conceito de veículo misto e devem ser classificados na posição 87.03. Assim, os pneumáticos dos tipos utilizados nesses veículos devem ser classificados no código 4011.10.00. Com base nos fundamentos apresentados, a Fiscalização efetuou a reclassificação fiscal das mercadorias e apurou o imposto devido considerando as alíquotas correspondentes. Em seguida, reconstituiu a escrita fiscal e chegou ao resultado que lançou no auto de infração. Tudo conforme demonstrativos que instruem o auto (efls. 589/611). Regularmente cientificada do lançamento em 10/04/2017, a interessada, não se conformando, apresentou impugnação (efls. 624/719) em 10/05/2017. Aduziu, em sua defesa, as razões em resumo expostas a seguir. 01) Nulidade do auto de infração A metodologia empregada pela Fiscalização para definir a classificação fiscal dos pneus consistiu, basicamente, em (1) verificar quais tipos de veículos poderiam utilizar os pneus; (2) definir qual a classificação fiscal desses veículos de acordo com a TIPI; e (3) a partir da classificação desses veículos, que sequer são objeto de comercialização da empresa, enquadrar os pneus na classificação supostamente correta. Nesse método, se verifica que, a todo momento, a Fiscalização analisa as características dos veículos que supostamente utilizam os pneus que se quer classificar, mas não dos próprios tipos de pneus cuja classificação se discute. Conclui que os pneus objetos da autuação seriam destinados à utilização por vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio e que somente poderiam ser classificados nos códigos 4011.10.00 ou 4011.99.90. Fl. 1255DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.256 6 É possível constatar a existência de duas principais inconsistências: (i) para classificar os pneus objeto da autuação, a Fiscalização analisou as características dos veículos que podem utilizar esses pneus, mas nunca as características técnicas dos pneus, essenciais para a sua classificação fiscal; e (ii) em nenhum momento a Fiscalização utilizou as regras do Sistema Harmonizado para fins de classificação fiscal, também imprescindíveis para a classificação fiscal de produtos. Observase que em nenhum momento a Fiscalização faz referência a essas regras, quanto mais as utiliza. Além disso, verificase que ao realizar a juntada das cópias de intimações e respostas referentes ao procedimento anterior, a Fiscalização utilizouse apenas das informações que supostamente lhe seriam favoráveis. Ignorou completamente, porém, uma série de informações em relação aos pneus, que foram apresentadas naquela oportunidade, as quais confirmam a correção da classificação fiscal adotada pela empresa. Fica claro que o trabalho foi feito de forma apressada, sem o cuidado e a análise necessários ao caso. Considerando essas inconsistências, que evidenciam a precariedade do procedimento de investigação fiscal, o auto de infração é claramente nulo, por violação ao artigo 142 do Código Tributário Nacional. 02) Considerações iniciais na contestação ao mérito do auto de infração Inicialmente, a impugnante faz uma explanação a respeito do Sistema Harmonizado de Designação e de Codificação de Mercadorias (Sistema Harmonizado) e das regras a serem observadas quando de sua aplicação. Também manifesta, expressamente, concordância com parte do lançamento, desistindo de recorrer em relação a essa parcela. Assim declarou (efl. 649): 123. Como se verá adiante, a Impugnante procedeu ao recolhimento da parcela do auto de infração referente aos pneus listados nos itens 27, 30, 31 e 33 acima. Assim, sempre que nessa Impugnação se referir a todos os pneus, está se referindo a todos aqueles objeto da Impugnação, o que não abarca os referidos modelos. 03) Características técnicas como determinantes da correta classificação fiscal Não se pode conceber que a classificação fiscal de pneus possa ser feita sem a análise técnica da natureza desses pneus. Aliás, não se pode conceber que a classificação fiscal de qualquer produto prescinda da análise da natureza do produto que se pretende classificar. Sem ignorar que os pneus objetos do auto de infração não são utilizados em ônibus e caminhões, mas considerando que todos eles possuem características relativas ao transporte de cargas e passageiros e, exatamente por isso, são utilizados em veículos semelhantes a ônibus e caminhões, a classificação fiscal deve ser adotada segundo as regras de maior especificidade e semelhança, tal como previsto nas RGI/SH nº 3a e nº 4. A NESH não contempla um código NCM claro na Tabela TIPI para a classificação dos pneus para vans/microônibus, pick ups, utilitários, Fl. 1256DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.257 7 carga leve e SUVs. Assim, da análise da natureza e das características dos pneus objetos da presente autuação comprovase que são pneus similares aos pneus dos tipos utilizados em caminhões e ônibus e, por isso, de acordo com as regras de interpretação da NESH, devem ser classificados no NCM 4011.20.90 Outros (Dos tipos usados em ônibus ou caminhões). A nomenclatura internacional dos pneus é utilizada pela indústria a fim de garantir que o adquirente de um pneu seja capaz de identificar suas propriedades apenas pela referência à nomenclatura, em qualquer país do mundo e independentemente do fabricante. Essa nomenclatura é adotada no Brasil e é confirmada pelas regras de padronização exigidas pelo Manual Técnico da ALAPA e pela Avaliação de Conformidade pelo INMETRO, que refletem as características e as propriedades reconhecidamente existentes no produto. Essas informações sobre a nomenclatura dos pneumáticos são relevantes para o correto deslinde do feito e para a análise da classificação fiscal. São informações que devem ser consideradas como premissas quando da análise das questões apresentadas. Analisando a nomenclatura da lista de pneus questionada pela Fiscalização, verificase que apesar de terem as mesmas dimensões e, por isso, serem de possível utilização em veículos de passeio, os pneus listados no auto de infração são fabricados com destinação específica para o transporte de carga. Todos os pneus são do tipo destinados à utilização por veículos de carga, possuindo maior durabilidade e resistência (aproximandose dos tipos de pneus destinados à utilização por ônibus e caminhões e afastandose dos tipos de pneus destinados ao uso por veículos de passeio). A utilização que eventualmente venha a ser dada por qualquer consumidor final não pode infirmar essa conclusão. 04) Adoção do código NCM 4011.20.90 de acordo com as regras do SH Considerando as Regras de Interpretação 3a e 4 da NESH, o código NCM com posição mais específica e/ou o código que indica produto com características técnicas mais semelhantes, qual seja, o NCM 4011.20.90, é o que deve ser adotado. Esta conclusão tem como base: (i) a própria natureza e especificações técnicas dos pneus que são objetos da autuação, (ii) o entendimento do INMETRO de que os pneus fiscalizados não podem ser classificados como sendo os tipos destinados para utilização por veículos de passageiros, mas apenas como sendo os tipos de pneus destinados para uso em veículos de carga, (iii) as características de maior resistência e durabilidade dos pneus destinados para utilização em utilitários, vans/microônibus, SUVs e pickups (veículos de carga), que as aproximam dos tipos de pneus destinados à utilização por ônibus e caminhões e, ao mesmo tempo, afastam os pneus fiscalizados dos tipos de pneus destinados à utilização por veículos de passageiros e (iv) a necessária prevalência de código mais específico em relação ao código mais genérico. O INMETRO certificou que os pneus fiscalizados possuem estrutura mais reforçada se comparados aos pneus utilizados por veículos de passeio, pois têm como destinação o uso por veículos de transporte de Fl. 1257DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.258 8 pessoas e/ou carga (e por isso são validados na Categoria 3 da Portaria nº 482), a Regra 4 das RGI deve ser aplicada para concluir que os pneus objeto do auto de infração devem ser classificados no NCM 4011.2090 (tipos de pneus utilizados por ônibus e caminhões), que descreve tipos de pneus com características que lhe são mais semelhantes. O próprio INMETRO expressamente reconheceu que os pneus fiscalizados não são aqueles destinados à utilização por veículos de passeio. Dessa forma, com base na Regra 4 das RGI, não se pode falar em outra conclusão senão a de que os pneus fiscalizados devem ser classificados como tipos de pneus utilizados pelos veículos de carga, tal como os ônibus e os caminhões, mas não como dos tipos de pneus utilizados por veículos de passeio. Para o caso específico em que a Fiscalização classifica os pneus no código NCM 4011.99.90 (Outros Outros), a norma de interpretação aplicável é aquela descrita na Regra 3a, pela qual a posição mais específica deve prevalecer em relação à posição mais genérica. O NCM 4011.99.90 é uma posição residual, que deve ser adotada apenas se não houver qualquer outra posição aplicável, já que sequer atribui aos pneus qualquer característica específica. Assim, de acordo com a Regra 3a das RGI, o NCM 4011.99.90 não pode ser utilizado para o caso concreto, já que existe posição mais específica, qual seja o NCM 4011.20.90, destinado aos tipos de pneus utilizados por ônibus e caminhões. Pelas razões expostas, extraemse duas conclusões iniciais: • De acordo com a homologação do INMETRO, os pneus de SUVs devem ser classificados com base na Regra 4 das RGI, tendo em vista que o NCM 4011.2090 (tipos de pneus para ônibus e caminhões) descreve pneus com características técnicas mais semelhantes aos pneus fiscalizados; • De acordo com a validação do INMETRO, os pneus de vans/micro ônibus, utilitários e pickups devem ser classificados conforme as Regras 3a e 4 das RGI, (i) porque o NCM 4011.2090 (tipos de pneus para ônibus e caminhões) é posição mais específica quando comparada ao NCM 4011.9990 (outros), sem qualquer característica indicada; e (ii) porque descreve pneus com características técnicas também mais semelhantes aos produtos objeto do auto de infração. 05) Equívocos da Fiscalização na classificação adotada para os pneus Tentando fazer uma correlação com as posições NCM de veículos, a Fiscalização entendeu pela aplicação de uma regra de exclusão, enquadrando os pneus para vans/microônibus, pickups e utilitários na categoria 4011.9990 (Outros), que não indica qualquer característica aos pneus que se pretende classificar. Incorreu, nessa conclusão, em uma série de equívocos. Pneus para vans/microônibus O primeiro equívoco decorre da aplicação das Regras Gerais de Interpretação. A classificação na posição “Outros”, qualquer que seja o produto, é uma classificação genérica que sempre perde espaço para a categoria mais específica. Fl. 1258DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.259 9 No caso dos autos, os pneus para vans/microônibus e utilitários podem ser classificados no código NCM 4011.2090. Isso porque eles são pneus similares aos tipos usados por ônibus e caminhões, por todos os motivos (propriedades técnicas e características próprias, em conformidade com exigências de institutos especializados) já elencados. O segundo equívoco é quanto ao NCM adotado para classificar as vans/microônibus. A Fiscalização argumenta que vans/microônibus não são ônibus e/ou caminhões e que, por isso, os pneus de vans/micro ônibus e de utilitários não poderiam ser classificados como pneus de ônibus e de caminhões. Não se pode deixar de mencionar que ônibus e vans/microônibus não se relacionam pela igualdade, mas há uma nítida relação entre espécie e gênero, de modo que as vans são microônibus e, portanto, espécie do gênero ônibus. Por isso, os pneus de vans/microônibus devem ser classificados no NCM 4011.20.90, dos tipos de pneus utilizados por ônibus e caminhões. De qualquer forma, os pneus questionados devem ser classificados na categoria 4011.2090 porque esses pneus, e não os veículos, são do tipo de ônibus e caminhões, isto é, possuem características similares (banda de rodagem, durabilidade, estrutura interna) aos pneus dos tipos de ônibus e caminhão. A palavra “tipo” na definição do código NCM 4011.2090 existe para destacar que deverão ser classificados nessa posição, além dos pneus de ônibus e caminhões, aqueles que sejam similares aos pneus de ônibus e de caminhões, o que confirma a adoção da Regra 4. Nesse sentido, a correlação feita pela Fiscalização entre as categorias dos veículos vans/microônibus na Tabela TIPI e os pneus autuados é irrelevante. Não é esse o caminho para a identificação da posição da classificação fiscal do produto pneu. As vans de passageiros (microônibus) estão enquadradas na mesma posição que os ônibus (NCM 8702) e as vans de carga na mesma posição que os caminhões (NCM 8704). Ou seja, o veículo van de passageiro é do tipo ônibus, ao passo que o veículo van de carga é do tipo de caminhão, confirmando a adoção do NCM 4011.2090, de pneus dos tipos de ônibus e de caminhões. O Ato Declaratório Executivo COANA nº 23, de 23 de dezembro de 2014, também corrobora o exposto. Pneus para pickups Considerando que, no caso concreto, há uma categoria mais específica e que os pneus de pickups têm características que os aproximam dos pneus dos tipos de caminhões (fazse referência, novamente, à certificação INMETRO, às normativas da ALAPA, e às propriedades técnicas dos pneus), é o NCM 4011.2090 que deve prevalecer. A correlação que se tentou fazer entre a classificação na TIPI de pneumáticos e a classificação de veículos é inadequada, já que se pauta em características de um produto para enquadrar outro. Fl. 1259DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.260 10 Da mesma forma que as vans são espécies de ônibus, as pickups são espécies de caminhões. São camionetas. A categoria 87.04 é justamente onde são enquadrados os veículos automóveis para transporte de mercadorias, entre os quais pickups, camionetas e grandes caminhões. Se o NCM 4011.2090 remete ao enquadramento de pneus dos tipos utilizados em ônibus e caminhões e a própria Fiscalização reconhece que as pickups estão no capítulo e na posição de caminhões, isto é, são tipos de veículos destinados para transporte de mercadorias, certo é que essa correlação, em vez de refutar, confirma a classificação adotada pela empresa. Não é preciso ser um pneu de caminhão para ser classificado no código NCM 4011.2090. Nele estão enquadrados também os pneus dos tipos de caminhão, isto é, de pneus similares. Pneus para SUVs Uma primeira observação deve ser feita com relação ao pneu LT215/75R15 106T SATR wl, indicado pela Fiscalização como sendo de utilização em SUVs. Esse pneu não é destinado a tais veículos, não estava na relação do Termo de Intimação nº 01 e foi extraída dos procedimentos de fiscalização anteriores. Naqueles processos, quando da resposta ao Termo de Intimação, foi informado que o pneu citado seria destinado a pickups, o que foi indevidamente desconsiderado. Assim, tendo em vista que para esses pneus a identificação dos veículos é de pickup e não de SUV, a impugnante faz referência às informações do tópico anterior (Dos pneus utilizados em pickups) para refutar o enquadramento proposto pela Fiscalização. Os pneus para SUVs não são utilizados em veículos de passeio. Essa conclusão é extraída (i) a partir da verificação da metodologia de certificação a qual esses pneus estão submetidos, segundo as regras do INMETRO e da ALAPA, (ii) a partir da verificação de que, segundo os manuais da ALAPA, todos os pneus destinados a SUVs que foram listados no auto de infração recebem o indicativo de “LT”, que demonstra a maior capacidade para suporte de carga e, (iii) a partir das conclusões referidas no laudo do INT, onde foi possível perceber a diferença técnica entre pneus utilizados em veículos de passeio e os pneus objetos do auto de infração. Há que se considerar, ainda, que a própria Receita Federal emitiu Solução de Consulta na qual classificava os pneus de SUV aqui tratados em NCM diverso daquele indicado pela Fiscalização (Solução de Consulta DIANA/9ªRF nº 22, de 15 de abril de 2013). Vejase que na solução de consulta em questão, o enquadramento dos pneus de SUVs foi feito no NCM 4011.99.90, e não no NCM proposto pela Fiscalização no auto contestado. A autoridade fiscal repetiu o erro em relação às classificações anteriores, tentando fazer uma correlação entre o produto pneu e o produto veículo, e isso justificaria o enquadramento no código 4011.10.00. De acordo com a redação do código 4011.10.00, os pneus devem ser enquadrados nesse NCM se forem utilizados por: (1) automóveis de passageiros; (2) veículos de uso misto classificados Fl. 1260DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.261 11 como station wagon; e (3) por automóveis de corrida. Ocorre que os pneus não são utilizados em nenhum desses tipos de automóveis. A Fiscalização não levou em conta que os veículos de “uso misto” referidos na posição 4011.2090 não são SUVs, mas sim aqueles conhecidos como station wagons, veículos que comercialmente e comumente são identificados pela sigla SW. São, na verdade, veículos de passeio que, em boa tradução mercadológica para o português, significa perua. A impugnante esclarece que comercializa dois tipos de pneus destinados aos veículos SUV, cujas classificações e tratamentos tributários são distintos, de acordo com suas propriedades técnicas e características e seguindo as regras da NESH. O primeiro tipo referese aos pneus utilizados em veículos SUV de passeio e não se incluem no presente caso. Esses pneus têm estrutura menos reforçada, suportam menor carga e, portanto, identificamse por semelhança a pneus de veículos de passeio. O segundo tipo este sim, objeto do auto de infração destinase à utilização em veículos SUV conhecidos efetivamente como light trucks ou veículos comerciais de carga, que são classificados no NCM 4011.20.90. No mais, o próprio INMETRO já reconheceu, quando da avaliação técnica das características dos pneus e da emissão do Certificado de Conformidade, que os pneus questionados não podem ser enquadrados como pneus para veículos de passeio, mas como pneus destinados à utilização por veículos de carga. Não fosse assim, esses tipos de pneus não teriam sido homologados e a comercialização de tais produtos não teria sido autorizada pelo INMETRO. 06) Solução de Consulta nº 348/1997 A contribuinte formulou consulta à 8ª Região Fiscal da RFB, solicitando a confirmação do entendimento de que os pneus utilizados em veículos comerciais para transporte de carga leve e transporte coletivo de passageiros, além de veículos pick up e off road deveriam ser classificadas no código NCM 4011.20.90. Demonstrouse que os pneus seriam utilizados em caminhões leves, microônibus, utilitários e camionetas para o transporte de carga leve e transporte coletivo de passageiros (parte deles objeto da presente autuação). Demonstrouse que os pneus em referência seriam semelhantes aos pneus utilizados em caminhões e ônibus pela estrutura reforçada de proteção e capacidade de carga. A Decisão DISIT/SRRF/8ªRF nº 348, de 14 de outubro de 1997, reconheceu que os pneus utilizados em caminhões leves, microônibus, utilitários e camionetas para o transporte de carga leve e transporte coletivo de passageiros devem ser classificados na Classificação Fiscal Tarifária nº 4011.20.90 da TEC. Com base nas informações prestadas pela consulente, foi possível demonstrar que os pneus objeto da consulta, assim como aqueles que Fl. 1261DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.262 12 são objeto do auto de infração, além de terem as mesmas características técnicas, são bastante semelhantes aos pneus usados em caminhões médios e pesados (vide informações sobre o nº de lonas), distanciandose, muito, daqueles pneus usados em automóveis de passageiros. Portanto, amparada pela Solução de Consulta, a empresa passou a importar os pneus utilizados em transporte de carga leve e transporte coletivo de passageiros adotando a Classificação Fiscal Tarifária nº 4011.20 da TEC. Vale ressaltar que a impugnante nunca teve qualquer conhecimento de que a Decisão DISIT/SRRF/8ªRF nº 348, de 1997, tenha sido alterada ou reformada de ofício, nos termos do art. 50 da Lei nº 9.430, de 1996. Portanto, a referida consulta permanece válida. E mais, ainda que tivesse sido revogada, todos os fatos praticados até a data da ciência da reforma ou revogação devem ser preservados. 07) Impossibilidade de alteração do critério jurídico O cancelamento também se justifica pela impossibilidade de se alterar o critério jurídico de lançamento. Foram realizadas diversas operações de importação, tendo os referidos pneus sido classificados no código NCM 4011.20.90 e tributados para fins de IPIImportação à alíquota de 2%. Houve a conferência aduaneira e a liberação da mercadoria, sem qualquer questionamento quanto à classificação fiscal adotada. Ao liberar a mercadoria importada, a autoridade nada mais faz do que homologar o autolançamento realizado pela contribuinte, nos exatos termos do art. 150 do CTN. Uma nova fiscalização não é competente para rever atos administrativos perfeitos e acabados, já praticados pelas autoridades aduaneiras que realizaram os despachos de importação. Afinal, a autoridade competente pelo despacho aduaneiro é sempre a do local do desembaraço aduaneiro. Apenas ela, ou seu superior hierárquico, é que poderiam rever tais atos administrativos. Nesse contexto, o lançamento homologado não comporta mais alterações, salvo em hipóteses excepcionais e específicas, elencadas no art. 149 do CTN. O ato administrativo de homologação expressa que ratifica a atividade exercida pela contribuinte, no âmbito do lançamento por homologação, extingue em definitivo o crédito tributário e define o critério jurídico adotado pela autoridade administrativa. 08) Cobrança do IPI na saída de produto importado A hipótese de incidência do IPI somente se aperfeiçoa com a verificação de processo prévio de industrialização sobre o produto objeto da operação de revenda. Nesse sentido, há incidência do IPI sobre a saída de produto do estabelecimento industrial, mas não há a incidência do IPI do estabelecimento comercial atacadista ou varejista, a não ser na hipótese em que esses estabelecimentos submetem o produto a um novo processo de industrialização. Para a incidência do IPI não basta a simples revenda de um produto industrializado, sem sua previa submissão a processo de industrialização. Esse tipo de operação está submetido à incidência do ICMS e só a ele. Fl. 1262DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.263 13 Ao analisar o art. 46, incisos I e II, CTN, à luz do que dispõe o art. 153, IV, CF, somente é possível identificar que o IPI incide sobre: (i) a importação de produtos industrializados, situação na qual se pressupõe que entrada do bem no território nacional se deu imediatamente após uma operação de industrialização pelo exportador, presunção que tem por finalidade a igualar o tratamento tributário dos produtos importados aos nacionais; e (ii) a saída de produtos industrializados impulsionada pelo estabelecimento que os industrializou. No caso das operações descritas pela impugnante, após importação dos produtos, não há verificação fática de qualquer outra modalidade de incidência do IPI. Nessa linha, é importante repetir que, em relação a boa parte dos pneus da presente autuação, a importação é efetuada com o recolhimento do IPI devido nos termos do art. 46, I, CTN, e, posteriormente, revendida sem submetêla a qualquer espécie de operação de industrialização. Concluise, pois, que as operações relativas à revenda de produtos importados sem prévia industrialização, não se sujeitam à incidência do IPI, não havendo respaldo constitucional para tal exigência. Importante ressaltar que o tema ainda será objeto de apreciação pelo Supremo Tribunal Federal, que reconheceu a repercussão geral do Tema 906, “Violação ao princípio da isonomia (art. 150, II, CF) ante a incidência de IPI no momento do desembaraço do produto industrializado, assim como na sua saída do estabelecimento importador para comercialização no mercado interno”. 09) Cobrança de multa e juros Considerando a homologação dos lançamentos quando do despacho aduaneiro, com a confirmação do IPI à alíquota de 2%, e também a Solução de Consulta DISIT/SRRF/8ªRF nº 348, de 14 de outubro de 1997, que confirma o entendimento quanto à classificação dos pneus objeto de fiscalização, ao menos as penalidades impostas no auto de infração devem ser excluídas, nos termos do art. 100 do CTN. Por esse dispositivo legal, a observância das práticas reiteradas das autoridades administrativas, dentre as quais os atos da Fiscalização Aduaneira e a Solução de Consulta, exclui a imposição de penalidades e a cobrança dos juros de mora. 10) Incidência de juros de mora sobre a multa De acordo com o art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, somente incidem acréscimos moratórios sobre os débitos decorrentes de tributos e contribuições, mas não sobre as penalidades pecuniárias. Não há como admitir a incidência de juros sobre a multa na medida em que, por definição, se os juros remuneram o credor pela privação do uso de seu capital, eles devem incidir apenas sobre o que deveria ter sido recolhido no prazo legal e não foi. Ao final, a impugnante requer: » seja a impugnação julgada procedente, para o fim de determinar o integral cancelamento das exigências consubstanciadas no auto de infração, extinguindose o processo administrativo; Fl. 1263DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.264 14 » caso não cancelado o auto de infração, sejam acolhidos os argumentos apresentados nos itens IV.5, IV.6, e IV.7 da impugnação, ao menos para reduzir o montante exigido; » a apresentação posterior de quaisquer documentos adicionais que possam comprovar o quanto alegado pela defesa, bem como seja assegurado o direito de realizar sustentação oral de suas razões de defesa em sede recursal; » a produção de prova pericial para comprovação das características dos pneus importados, caso reste qualquer dúvida em relação à sua classificação fiscal, a ser realizada por engenheiro especializado, nos termos do artigo 16 do Decreto nº 70.235, de 1972; » o reconhecimento da extinção da parcela do lançamento objeto de pagamento, nos termos do artigo 156, I, do CTN; » a intimação dos atos relativos ao processo administrativo exclusivamente nas pessoas de seus advogados." A impugnação apresentada foi julgada improcedente, no julgamento de primeira instância, nos termos do Acórdão DRJ/RPO 1469.658, de 22 de agosto de 2017, decisão proferida pelos membros da 8ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto, cuja ementa dispõe, verbis: "ASSUNTO: CLASSIFICAÇÃO DE MERCADORIAS Período de apuração: 01/01/2013 a 31/08/2016 PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA VANS, PARA PICKUP E PARA UTILITÁRIOS. CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para vans, para pickups e para utilitários classificamse no código 4011.99.90 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. PNEUMÁTICOS NOVOS, DE BORRACHA, PARA SUV.CLASSIFICAÇÃO FISCAL. Pneumáticos novos, de borracha, para SUV (Sport Utility Vehicle), que detenha características de veículo de uso misto, classificamse no código 4011.10.00 da Nomenclatura Comum do Mercosul NCM. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2013 a 31/08/2016 PRODUTO IMPORTADO. REVENDA NO TERRITÓRIO NACIONAL. INCIDÊNCIA DO IMPOSTO. Na revenda no território nacional, incide o imposto sobre o produto importado, mesmo quando internamente não submetido a nova industrialização. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Fl. 1264DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.265 15 Período de apuração: 01/01/2013 a 31/08/2016 INTIMAÇÃO DE ATOS PROCESSUAIS AOS PROCURADORES.INDEFERIMENTO. Dada a existência de disposição legal em sentido contrário, indeferese o pedido de intimações dos atos processuais aos procuradores da interessada. SUSTENTAÇÃO ORAL. INDEFERIMENTO. Improcede o pedido de realização de sustentação oral, pois não previsto no Decreto nº 70.235, de 1972, tampouco na Portaria MF nº 341, de 2011, que disciplina a constituição e o funcionamento das Delegacias da Receita Federal do Brasil de Julgamento. PRODUÇÃO DE PROVAS. PEDIDO DE DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. INDEFERIMENTO. Não atendidos os requisitos exigidos, indeferese o pedido de diligência, nos termos do art. 16, inciso IV e § 1º, do Decreto nº 70.235, de 1972. Ainda que se tenha como regular, é dispensável a produção de provas por meio de realização de perícia técnica ou diligência, quando os documentos integrantes dos autos revelamse suficientes para formação de convicção e conseqüente solução do litígio, mesmo porque classificação fiscal não é matéria técnica, não exigindo laudo técnico para sua definição. NULIDADE. SUPOSTA VIOLAÇÃO AO ART. 142 DO CTN. INOCORRÊNCIA. Inexistindo, nos autos, atos, termos e decisões lavrados por autoridade incompetente, bem como não se verificando preterição ao direito de defesa, eventuais equívocos quanto ao correto enquadramento do produto na Tabela NCM e à consequente apuração do imposto devem submeterse à análise de mérito e dos fatos, não comportando hipótese de nulidade. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. Considerase não contestada a matéria que não tenha sido expressamente questionada. SOLUÇÃO DE CONSULTA PARADIGMA. EFICÁCIA. A decisão em processo de consulta produz efeitos, apenas e tão somente, em relação aos produtos por ela especificamente tratados. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2013 a 31/08/2016 APLICAÇÃO DA NORMA JURÍDICA. ALTERAÇÃO DO CRITÉRIO JURÍDICO. INOCORRÊNCIA. Critério jurídico supõe a adoção de uma posição interpretativa que a autoridade entenda ser a mais adequada ao caso concreto e outros similares, sem que a outra interpretação preterida possa ser tida como Fl. 1265DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.266 16 ilegal ou ilegítima. Critério jurídico permite certa discricionariedade por parte do agente público, não se admitindo, nesta discricionariedade, interpretações que transbordem os limites impostos pelos normativos vigentes. PRÁTICAS REITERADAS OBSERVADAS PELAS AUTORIDADES ADMINISTRATIVAS. PROCEDIMENTOS VINCULADOS A ATOS NORMATIVOS. Somente os atos que permitem certa discricionariedade podem se enquadrar nos termos do art. 100, III, do CTN. Atos vinculados, procedidos de outra forma que não a disposta na legislação, não estão sujeitos a validação naqueles termos. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, é regular a incidência dos juros de mora, a partir de seu vencimento. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O recurso voluntário foi interposto de forma hábil e tempestiva, em que a recorrente, em breve síntese, aduz: (i) nulidade da decisão recorrida por ter convalidado o auto de infração, o qual não seguiu os preceitos do art. 142 do Código Tributário Nacional CTN; (ii) o método utilizado pela Fiscalização para verificar a classificação fiscal e convalidado pela decisão recorrida priorizou conceitos e características não técnicos sobre o que seriam veículos de carga e de passageiros; (iii) que a Fiscalização e a Delegacia de Julgamento limitaramse a analisar as características dos veículos que podem utilizar os pneus, mas não analisaram as próprias características dos próprios pneus; (iv) a Fiscalização ignorou completamente, sem fundamentação, uma série de informações em relação aos pneus que foram apresentadas, tais como, a Solução de Consulta nº 348/1997, as classificações do manual da ALAPA e INMETRO; (v) que tais inconsistências evidenciam a precariedade do lançamento, sendo nulo o auto de infração; (vi) a Fiscalização e a Decisão se basearam nas propriedades dos veículos, mas não dos pneus cuja classificação se discute; (vii) a Fiscalização e a Decisão ignoraram as regras do Sistema Harmonizado; (viii) nulidade da decisão recorrida por ter desconsiderado o laudo juntado; (ix) nulidade da decisão recorrida por ausência de fundamentação em negar a produção de prova pericial, o que caracteriza cerceamento do direito de defesa; Fl. 1266DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.267 17 (x) que com base nas regras de interpretação da NESH a classificação fiscal adotada está correta; (xi) o método correto para classificar os pneus consiste na análise das características técnicas dos pneus e das suas particularidades; (xii) identificou a natureza e as características técnicas dos pneus, inclusive no que concerne ao uso para transporte de cargas e de passageiros, e, partindo dessa análise procurou aplicar as regras interpretativas do sistema harmonizado; (xiii) tece considerações sobre o sistema harmonizado e sobre as regras de interpretação para classificação fiscal; (xiv) os pneus objetos do auto de infração possuem características relativas ao transporte de cargas e passageiros; (xv) a NESH não contempla um código NCM específico para a classificação dos pneus para vans/microônibus, pickups, utilitários, carga leve e SUVs; (xvi) tece considerações sobre a nomenclatura internacionalmente utilizada pela pneus; (xvii) que a nomenclatura dos pneus não é escolhida aleatoriamente, pois deve seguir as referências técnicas do Manual Técnico da ALAPA e que o pneu é submetido a procedimento de confirmação pelo INMETRO; (xviii) aborda os requisitos pelo INMETRO para comercialização dos pneus novos e as referências do Manual Técnico ALAPA; (xix) menciona as conclusões técnicas do laudo do INT Relatório Técnico 000.100/2016, o qual está anexado com a Impugnação; (xx) considerando os elementos técnicos está correta a classificação fiscal adotada para os pneus objeto do litígio no código NCM 4011.2090; (xxi) a Solução de Consulta nº 348/1997 (8ª Região) confirma a legitimidade do procedimento de classificação adotado pela recorrente; (xxii) necessidade de cancelamento da autuação pela impossibilidade de alteração do critério jurídico de lançamento após o despacho aduaneiro dos pneus importados; (xxiii) ilegitimidade da cobrança de IPI na saída de produtos objeto de importação; (xxiv) ilegitimidade da cobrança de juros e multa com fundamento no art. 100 do Código Tributário Nacional; e (xxv) ilegitimidade da cobrança de juros de mora sobre multa. Ao final pugna a Recorrente pela procedência do seu recurso. É o relatório. Fl. 1267DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.268 18 Voto Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, Relator A Recorrente teve julgado caso análogo recentemente pela 2º Turma, da 4ª Câmara, da 3ª Seção de Julgamento, processo nº 11065.722023/201525, sessão do dia 02 de fevereiro de 2018 (Resolução nº 3402.001.253 publicada em 16/02/2018). Em mencionado processo, a controvérsia cingese, também, a correta classificação fiscal dos pneus fabricados e importados pela Recorrente e que são utilizados em veículos dos tipos vans/microônibus, pickups, utilitários, carga leve e SUVs. De igual modo ao aqui em debate, entende a fiscalização em tal processo que a classificação correta dos pneus é a de (i) NCM "4011.99.90 outros" para os pneus que são destinados às vans para transporte de cargas ou passageiros, pickups e utilitários e (ii) NCM "4011.10.00 Dos tipos utilizados em automóveis de passageiros (incluindo os veículos de uso misto (station wagons) e os automóveis de corrida" para os pneus que são destinados aos veículos denominados SUV's. A alíquota do IPI, portanto pretendida pela Douta Fiscalização com a reclassificação fiscal é de 15% (quinze por cento). Por sua vez, a Recorrente defende que a classificação fiscal correta a ser adotada é a da NCM 4011.20.90 "outros dos tipos utilizados em ônibus ou caminhões", cuja alíquota do IPI é de 2% (dois por cento). Em referida decisão, a Turma Julgadora entendeu imprescindível a conversão do feito em diligência para que fossem juntadas aos autos informações quanto a Solução de Consulta nº 348/1997. Assim, entendo que o mesmo tratamento, até por questão de uniformidade de procedimentos, deve ser dado ao presente processo. Assim, valhome das considerações postas pela Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne, em seu voto, conforme a seguir transcrito: "Após a leitura do voto da I. Conselheira Relatora no sentido de dar parcial provimento ao Recurso Voluntário, ousei em divergir por entender necessária a juntada aos presentes autos de informações quanto a Solução de Consulta n.º 348/1997. A referida solução de consulta foi mencionada pela Relatora no excelente voto por ela elaborado e lido em sessão. Contudo, a sua aplicabilidade ao presente Auto de Infração não ficou clara, razão pela qual propus, com todo respeito ao entendimento da I. Relatora, a conversão do presente julgamento em diligência nos seguintes termos, desenvolvidos no sentido em que fui acompanhada pela maioria do Colegiado em sessão. Atentandose para o Auto de Infração lavrado, observase que em nenhum momento a fiscalização faz menção a existência da Solução de Consulta n.º 348/1997 que, segundo informado pela Recorrente, teria sido por ela formulada. Com efeito, a fiscalização apenas afirma que Fl. 1268DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.269 19 os pneus destinados a vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio não poderiam ser enquadrados na subposição 4011.20.90, utilizada pela Recorrente, por ser uma classificação fiscal exclusiva dos pneus destinados a ônibus e caminhões. Vejamos os termos constantes do Relatório da Ação Fiscal: "Como se viu, o texto da subposição é elemento essencial da classificação. No caso em tela, a subposição 4011.20 (cujo desdobramento 4011.20.90 foi utilizado pelo contribuinte na classificação dos pneus ora em análise) é exclusiva dos pneus destinados a ônibus e caminhões. A própria resposta do contribuinte, bem como informações referidas nas páginas da Internet da fiscalizada e de seus revendedores indicam serem destinados a vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio, portanto não se destinam a ônibus e caminhões. Ainda em sua página na Internet, o contribuinte relaciona os pneus destinados a ônibus e caminhões. Tal relação não inclui nenhum dos modelos indicados no Anexo I do Termo de Início de Fiscalização que corresponde ao Anexo I deste Relatório. " (efl. 535 grifei) Contudo, na referida Solução de Consulta n.º 348/1997, que teria sido formulada pela Recorrente, foi assegurada a utilização da exata classificação fiscal 4011.20.90 para pneus usados em caminhões leves, microônibus, caminhonetas e utilitários. Vejamos os termos de trecho da consulta trazido em nota de rodapé pela I. Relatora em seu voto, que suscitou minha dúvida em sessão: "ASSUNTO: Classificação de Mercadorias EMENTA: CÓDIGO TIPI: Mercadoria 4011.20.90 Pneumáticos novos de borracha, do tipo radial ou convencional, medindo 7,00 16 (10 lonas), 7,50 16 (10 ou 12 lonas), 7,00 R16 (12 lonas) e 7,50 R16 (10 ou 12 lonas), usados com "flap", destinados a emprego em caminhões leves, microônibus, caminhonetas e utilitários, marca "Pirelli". (...) 1. Versa a presente sobre a classificação fiscal na Tabela de Incidência do Imposto sobre Produtos Industrializados TIPI do produto a seguir caracterizado pela interessada, renovando consulta anteriormente formalizada sob n.° 10880.031259/9522, nos termos do disposto no Art. 48, §13, inc. II da Lei 9430/96: Nome vulgar, comercial, científico e técnico: Pneumáticos novos de borracha Marca registrada, modelo, tipo e fabricante: Pirelli; radial ou convencional; a interessada Função principal e secundária: Impulsão de veículos automotivos Aplicação, uso ou emprego: Utilização em caminhões, microônibus, camionetas e utilitários (...) Fl. 1269DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.270 20 3. Das informações trazidas ao processo pela interessada, verificase que: A) Pneus objeto da consulta: a) São usados indistintamente em caminhões leves, utilitários, microônibus e camionetas; b) Têm 10 ou 12 lonas c) São usados com ‘flap’" (Trecho transcrito pela decisão recorrida, às efls. 1.2031.204 grifei) Ora, nos termos acima transcritos, observase que a referida Solução de Consulta afasta o fundamento trazido na autuação no sentido de que a NCM 4011.20.90 deve ser utilizada somente para pneus utilizados em ônibus e caminhões, vez que estende a possibilidade de utilização dessa classificação fiscal exatamente para "caminhões leves, utilitários, microônibus e camionetas" que aparentemente, pelo relato fiscal, estão envolvidos na presente autuação, que envolve pneus utilizados em vans, utilitários, pickups, SUV e veículos de passeio. Observase que tanto o auto de infração como a solução de consulta fazem referência ao termo utilitários. Contudo, uma vez que não consta dos autos a íntegra da solução de consulta, não é possível identificar se são pneus com as mesmas características técnicas. Ademais, não é possível identificar se os pneus utilizados em vans, pickups ou mesmo nas SUVs possuiriam as mesmas características de caminhões leves, microônibus ou camionetas. Sob esta perspectiva, observase que nesse momento do julgamento não é possível confirmar se os pneus envolvidos na presente autuação possuiriam as mesmas características e especificidades técnicas daqueles envolvidos na Consulta Fiscal, razão pela qual mostrouse crucial a conversão do presente julgamento em diligência. Importante mencionar que essa análise não foi feita nos presentes autos. Com efeito, a solução de Consulta somente foi enfrentada pela decisão recorrida na qual o julgador afirmou, de forma genérica, que a NCM 4011.20 seria aplicável somente a ônibus e caminhões1. Contudo, se a Recorrente possui (ou possuía) uma Solução de Consulta lhe garantindo o direito de enquadrar pneus utilizados em caminhões leves, utilitários, dentre outros naquela classificação fiscal, deve ser avaliada a extensão dessa Solução de Consulta ao presente caso. Nessa toada, voto por converter o presente julgamento em diligência para que seja verificada a aplicabilidade da Solução de Consulta n.º 348/1997 aos pneus objeto do presente Auto de Infração (...)" Denotase, então, que deve ser aferido com precisão se a Solução de Consulta nº 348/1997 invocada pela Recorrente e desprezada pela decisão recorrida tem aplicação ao caso concreto. Fl. 1270DF CARF MF Processo nº 10830.721798/201764 Resolução nº 3201001.343 S3C2T1 Fl. 1.271 21 Novamente, valendome dos conhecimentos da Conselheira Maysa de Sá Pittondo Deligne adoto suas conclusões para definir o objeto da diligência e sua extensão, conforme adiante reproduzido. Assim, voto por converter o processo em diligência para que a Autoridade Fiscal de origem: (i) anexe aos presentes autos a cópia integral do processo relativo à referida Solução de Consulta; (ii) elaborar relatório fiscal trazendo as informações relevantes relativas à referida Solução de Consulta e a sua relação com o Auto de Infração lavrado. Neste relatório, importante que sejam primeiramente identificadas as informações correspondentes à Solução de Consulta, dentre as quais (ii.1) nome e CNPJ da empresa que formulou a Consulta; (ii.2) conclusão alcançada pela Consulta e as características e especificidades técnicas dos pneus envolvidos na consulta. Neste ponto, é importante que sejam identificadas as características dos pneus para os quais foi autorizada a utilização da NCM 4011.20.90; (ii.3) período de validade da Consulta. Caso a Consulta tenha perdido validade, informar até qual data a Solução de Consulta vigorou, informando a base normativa vigente à época. Em seguida, necessário que seja realizada a correlação da referida Solução de Consulta com os pneus objeto do Auto de Infração lavrado, informando (ii.4) se a pessoa jurídica que formulou a Consulta é a mesma pessoa jurídica autuada. Gentileza considerar eventuais alterações societárias ocorridas no período; (ii.5) se os pneus envolvidos no Auto de Infração possuem características e especificidades técnicas idênticas daqueles envolvidos na Solução de Consulta. Neste ponto, relacionar a especificidade técnica dos pneus autuados de acordo com as mesmas características utilizadas pela solução de consulta, informando se são do "tipo radial ou convencional" e qual a sua medição, informando se seriam de "7,00 16 (10 lonas), 7,50 16 (10 ou 12 lonas), 7,00 R16 (12 lonas) ou 7,50 R16 (10 ou 12 lonas)" de acordo com as informações que constam da ementa da solução de consulta. Caso os pneus não sejam idênticos, informar as diferenças identificadas que implicariam na não aplicação do resultado da Solução de Consulta aos pneus objeto do Auto de Infração; e (ii.6) se a Solução de Consulta estava vigente à época dos fatos geradores objeto da autuação (ano de 2008). Após o cumprimento das providências indicadas, deve a Recorrente ser intimada, para que, em querendo, apresente manifestação no prazo de 30 (trinta) dias, prorrogável uma vez por igual período. Na sequência, deve o processo retornar a este Conselho Administrativo de Recursos Fiscais CARF para julgamento. É como voto. (assinado digitalmente) Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Fl. 1271DF CARF MF
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Numero do processo: 11444.000669/2010-89
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 22 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Data do fato gerador: 08/06/2010
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-007.022
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício (Assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 44 4. 00 06 69 /2 01 0- 89 Fl. 101DF CARF MF 2 Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional face ao acórdão 230201.648, proferido pela 2ª Turma Ordinária / 3ª Câmara / 2ª Seção de Julgamento. Tratase de Auto de Infração de obrigação acessória – AI/DEBCAD nº 37.279.8403, lavrado em face da infração ao art. 32, IV da Lei 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11941/2009, por ter apresentado GFIPs com informações incorretas e omissas. Conforme o relatório fiscal, o Contribuinte deixou de informar a totalidade das contribuições devidas para a Seguridade Social atinente às remunerações pagas aos agentes políticos – vereadores , no período de 04/2005 a 12/2009, bem como informou com incorreção as contribuições devidas para o custeio dos benefícios concedidos em função da incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, informado à alíquota de 1%, quando o correto seria 2%, isto para o período de 06/2007 a 12/2009, resultando a multa no importe de R$ 13.000,00, correspondente às 26 competências multiplicadas pelo valor mínimo da multa proposta, conforme art. 32A, caput, inciso I e §§ 2º e 3º introduzidos pela MP 449/2008 e convertida na Lei 11941/2009. Devidamente intimadas, a Câmara e a Prefeitura Municipal apresentaram impugnação. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Ribeirão Preto, às fls. 38/42, julgou improcedente as impugnações, mantendo o crédito tributário exigido. O Município interpôs Recurso Voluntário, fls. 47/53, sob os seguintes fundamentos: a) a lei ordinária jamais poderia criar regime previdenciário; b) a questão já teria sido dirimida pelo STF; c) não haveria relação de emprego entre o Município e os agentes políticos; d) não poderia ser cobrada multa pela ausência de dolo; e) não poderia ser imputada multa ao ente público. Às fls. 54/60, a Câmara Municipal de Chavantes interpôs igualmente Recurso Voluntário reiterando os argumentos exarados pelo Município. A 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento, às fls. 66/73, DAR PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Ordinário, devendo a multa ser calculada considerando as disposições da Medida Provisória n º 449 de 2008, mais precisamente o art. 32A, inciso II, que na conversão pela Lei n º 11.941 foi renumerado para o art. 32A, inciso I da Lei n º 8.212 de 1991. A ementa do acórdão recorrido assim dispôs: Fl. 102DF CARF MF Processo nº 11444.000669/201089 Acórdão n.º 9202007.022 CSRFT2 Fl. 10 3 ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 08/06/2010 CONTRIBUIÇÃO A CARGO DOS MUNICÍPIOS MANDATO ELETIVO. LEI 10.887/2004 SÃO DEVIDAS AS CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS ENQUADRAMENTO SEGURADOS EMPREGADOS. Após a entrada em vigor da Lei n ° 10.887/2004, são devidas as contribuições previdenciárias sobre a remuneração paga aos segurados ocupantes de mandato eletivo. INCONSTITUCIONALIDADE. IMPOSSIBILIDADE DE CONHECIMENTO DA ALEGAÇÃO PELA ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA. A alegação de inconstitucionalidade formal de lei não pode ser objeto de conhecimento por parte do administrador público. Enquanto não for declarada inconstitucional pelo STF, ou examinado seu mérito no controle difuso (efeito entre as partes) ou revogada por outra lei federal, a referida lei estará em vigor e cabe à Administração Pública acatar suas disposições. RETROATIVIDADE BENIGNA. GFIP. MEDIDA PROVISÓRIA N º 449. REDUÇÃO DA MULTA. As multas em GFIP foram alteradas pela Medida Provisória n º 449 de 2008, sendo benéfica para o infrator. Foi acrescentado o art. 32A à Lei n º 8.212. Conforme previsto no art. 106, inciso II do CTN, a lei aplicase a ato ou fato pretérito, tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratalo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Às fls. 74/78, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial de Divergência, insurgindose contra o Acórdão a quo, em relação à regra aplicável à retroatividade benigna. Consignou que a hipótese em análise no acórdão paradigma é idêntica a que ora se reporta. Isso porque, o que se encontrava em julgamento era exatamente o auto de infração, por descumprimento de obrigação acessória, em que também se lavrou NFLD em decorrência da mesma ação fiscal. Quanto à divergência, argumentou que, havendo lançamento do tributo, juntamente com a lavratura de auto de infração por descumprimento de obrigação acessória, o dispositivo legal a ser aplicado passa a ser o art. 35A da Lei nº 8.212/91, que nos remete ao art. 44, I, da Lei nº 9.430/96, e não o art. 32A da Lei nº 8.212/91, conforme entendeu a e. Turma a quo, haja vista que este preceito normativo somente se aplica às situações em que somente tenha havido descumprimento de obrigação acessória relacionada à GFIP. Havendo lançamento de tributo, a multa passa a ser aplicada nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212/91, sob pena de bis in idem. Fl. 103DF CARF MF 4 Às fls. 93/95, a 3ª Câmara da 2ª Seção de Julgamento realizou o Exame de Admissibilidade do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional, DANDO SEGUIMENTO ao recurso em relação à divergência sobre a retroatividade benigna. Intimados às fls. 99/100, os Contribuintes restam inertes, vindo os autos conclusos para julgamento. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Tratase de Auto de Infração de obrigação acessória – AI/DEBCAD nº 37.279.8403, lavrado em face da infração ao art. 32, IV da Lei 8.212/91, na redação dada pela MP 449/2008, convertida na Lei 11941/2009, por ter apresentado GFIPs com informações incorretas e omissas. Conforme o relatório fiscal, o Contribuinte deixou de informar a totalidade das contribuições devidas para a Seguridade Social atinente às remunerações pagas aos agentes políticos – vereadores , no período de 04/2005 a 12/2009, bem como informou com incorreção as contribuições devidas para o custeio dos benefícios concedidos em função da incidência de incapacidade laborativa decorrente dos riscos ambientais do trabalho – RAT, informado à alíquota de 1%, quando o correto seria 2%, isto para o período de 06/2007 a 12/2009, resultando a multa no importe de R$ 13.000,00, correspondente às 26 competências multiplicadas pelo valor mínimo da multa proposta, conforme art. 32A, caput, inciso I e §§ 2º e 3º introduzidos pela MP 449/2008 e convertida na Lei 11941/2009. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a retroatividade benigna. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; Fl. 104DF CARF MF Processo nº 11444.000669/201089 Acórdão n.º 9202007.022 CSRFT2 Fl. 11 5 c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos. De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Fl. 105DF CARF MF 6 Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. Fl. 106DF CARF MF Processo nº 11444.000669/201089 Acórdão n.º 9202007.022 CSRFT2 Fl. 12 7 § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Fl. 107DF CARF MF 8 Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Fl. 108DF CARF MF Processo nº 11444.000669/201089 Acórdão n.º 9202007.022 CSRFT2 Fl. 13 9 Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 109DF CARF MF 10 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Fl. 110DF CARF MF Processo nº 11444.000669/201089 Acórdão n.º 9202007.022 CSRFT2 Fl. 14 11 É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 111DF CARF MF
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Numero do processo: 10314.003227/2008-92
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 29 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007
OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. IMPORTAÇÃO. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO.
Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 Decreto-Lei n. 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do Fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a real ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei.
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3402-005.308
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsoboi (Suplente Convocado).
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2005 a 31/03/2007 OPERAÇÕES DE COMÉRCIO EXTERIOR. IMPORTAÇÃO. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 Decreto-Lei n. 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do Fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a real ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsoboi (Suplente Convocado).
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IMPORTAÇÃO. ORIGEM DOS RECURSOS. INTERPOSIÇÃO FRAUDULENTA. ÔNUS PROBATÓRIO. Nas autuações referentes ocultação comprovada (que não se alicerçam na presunção estabelecida no § 2º do art. 23 DecretoLei n. 1.455/1976), o ônus probatório da ocorrência de fraude ou simulação (inclusive a interposição fraudulenta) é do Fisco, que deve carrear aos autos elementos que atestem a real ocorrência da conduta tal qual tipificada em lei. Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento ao Recurso Voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro, Thais De Laurentiis Galkowicz, Pedro Sousa Bispo, Rodrigo Mineiro Fernandes e Rodolfo Tsoboi (Suplente Convocado). Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 4. 00 32 27 /2 00 8- 92 Fl. 317DF CARF MF 2 Tratase de processo de Auto de Infração, lavrado contra a empresa CHANZY DO BRASIL IMP E EXP LTDA (doravante denominada de CHANZY), em sede de procedimento especial de fiscalização aduaneira nas Declarações de Importações (DI's) registradas por sua conta e risco próprios no período de 01/01/2005 a 31/03/2007, em face de ter restado apurado a infração tipificada como “Dano ao Erário” decorrente da não comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos financeiros requeridos para o seu financiamento, assim como, para a formação do seu capital social, caracterizando ilícito punível com a penalidade de perdimento das mercadorias importadas, convertida em multa equivalente ao seu valor aduaneiro das mercadorias em face da impossibilidade de sua apreensão por não serem localizadas ou já consumidas/comercializadas, do que restou apurado o crédito tributário no valor de R$ 10.615.345,70 (fls. 93/97). O procedimento especial está previsto pelos arts. 68 e 80 da MP 2.158 35/2001, regulado pela Instrução Normativa SRF n° 228, de 2002, que dispõe sobre o procedimento especial de verificação da origem dos recursos aplicados em operações de comércio exterior e combate à interposição fraudulenta de pessoas. Seguem os dispositivos legais pertinentes ao tema, lembrando que o artigo 59 da Medida Provisória nº 66, de 29/08/2002, convertida na Lei nº 10.637, de 30/12/2002, alterou o texto do artigo 23 do Decretolei nº 1.455, de 07/04/1976, norma regulamentada pelo art. 618, XXII, do RA/2002, e atualmente regulamentada pelo Regulamento Aduaneiro (RA/2009), aprovado pelo Decreto nº 6.759/2009. Considerase ponto incontroverso a ocorrência das importações processadas no período de 01/01/2005 a 31/03/2007 pela empresa. No entanto, é ponto controvertido a procedência da pena de perdimento em função da não comprovação da real disponibilidade dos recursos alocados como a integralização do Capital Social e fonte do recurso inicial da empresa. Por bem descrever os fatos, adoto o relatório objeto da decisão recorrida, de nº 1748.713, prolatada pela 1ª Turma da DRJ em São Paulo II (SP), a seguir transcrito na sua integralidade (fls. 187/200): Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 07/04/2008, em face do contribuinte em epígrafe, formalizando a exigência de multa proporcional ao valor aduaneiro, no valor de R$ 10.615.345,70 (fls. 86), em face dos fatos a seguir descritos. A empresa foi cadastrada na Ficha de Procedimentos Especiais nº 07/00196501, por força do MPF 081550020070094961; A empresa foi intimada a apresentar documentos no decorrer da fiscalização; Em consulta aos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil RFB foram obtidas as seguintes informações: Dossiê da empresa e dos sócios (RADAR); Relação das Declarações de Importação e dos tributos incidentes (DW/ADUANEIRO e Siscomex); Da análise dos documentos apresentados e dos dados coletados, foi verificado que a empresa não provou cabalmente a real disponibilidade dos recursos alocados como a integralização do Capital Social e fonte do recurso inicial da empresa; Em várias das importações foi constatado que a empresa não dispunha de Fl. 318DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Acórdão n.º 3402005.308 S3C4T2 Fl. 318 3 capacidade econômica própria para a realização destas operações de comércio exterior; Com base no artigo 23 do Decreto Lei 1.455/76, foi proposta a pena de perdimento das mercadorias importadas de 01/01/2005 a 31/03/2007; De acordo com o procedimento que concluiu não ter sido possível a comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos, foi formulada a Representação Fiscal para Fins de Inaptidão, formalizada pelo Processo nº 11042.00414/200662, com efeitos a partir de 01/01/2005; Em diligência feita à empresa, foi apurado que não havia mercadorias em estoque e que a empresa era apenas uma sala; Cientificado do auto de infração, via Aviso de Recebimento AR, em 30/04/2008 (fls. 23 verso), o contribuinte, protocolizou impugnação tempestivamente na forma do artigo 15 do Decreto 70.235/72, em 04/08/2006, de fls. 28 a 46, instaurando assim a fase litigiosa do procedimento. Na forma do artigo 16 do Decreto 70.235/72 a impugnante alegou resumidamente que: Alega o cerceamento do direito de defesa pois, em que pese o fato de que no corpo do Relatório da Delegacia da Receita Federal constar o nome da impugnante, resta dúvida, que macula a defesa da impugnante, se tais fatos se referem a conduta da mesma empresa ou de outra, cujo nome foi consignado; O Capital Social da empresa foi integralizado como demonstrado nos autos do Processo Administrativo nº 10314.012292/200728; A impugnante apresentou documentos fatos e argumentos para comprovar sua legalidade, função da própria Receita Federal do Brasil RFB; Não há qualquer menção a tributos devidos no levantamento efetuado; A empresa efetuou suas importações em observância ao trâmite legal, recebendo valores via suas contas bancárias demonstradas à fiscalização; A ação do fisco é retrooperante, baseada em conclusões incorretas, sofrendo punição retroativa em importações legitimamente efetuadas; Invoca os princípios da segurança jurídica e da irretroatividade das leis; A empresa não foi pessoalmente intimada o que implica em nulidade do procedimento; São apresentadas planilhas no processo nº 10314.012292/2007 28, demonstrando que suas importações foram financiadas com recursos próprios, não utilizando créditos de clientes; A fiscalização inverteu as datas da referida planilha, fazendo parecer que a empresa não possuía disponibilidade financeira; Confronta a planilha apresentada pela fiscalização com uma planilha que denomina de “real”, demonstrando os pontos de divergência. As principais observações são: Fl. 319DF CARF MF 4 O valor do faturamento de um mês foi lançado em um único dia (o último do mês), quando os recebimentos ocorrem dia a dia; Refazendo o razão, espalhando as vendas realizadas dia a dia, fica claro que a empresa trabalhava com capital próprio; A fiscalização comete equívocos contábeis em relação a recursos de adiantamento de clientes que influi no resultado apurado; A planilha apresentada mostra saldo devedor na conta clientes em todos os dias que fiscalização aponta saldo credor. Destaca o extrato bancário onde foi integralizado o capital, uma operação regular; Pleiteia a juntada do Processo Administrativo nº 10314.012292/200728; Invoca o “bis in iden” na medida em que o presente processo penaliza com pena de perdimento a mercadoria objeto da Declaração de Importação nº 06/10842018, referente ao Processo Administrativo Fiscal nº 11042.000412/200673, mercadoria esta que já apreendida, solicitando assim sua exclusão; Dos dispositivos de direito invocados pela fiscalização, a empresa não praticou qualquer ato capaz de penalizála com a pena de perdimento; A impugnante desconhece fato que teria cometido para ser acusada de fraude, tampouco de ocultação do real sujeito passivo, demonstrando que possuía capacidade operacional para efetuar as importações; A norma invocada se aplica a empresas fantasmas, o que não é o caso da impugnante; Pugna o reconhecimento da nulidade suscitada em sede de preliminar, a juntada do Processo Administrativo nº 10314.012292/200728 e a improcedência do presente auto de infração. Em exame preliminar, a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência à autoridade preparadora, através da Resolução nº 907, de 08/10/2009, requerendo (fls. 138): A juntada do Processo Administrativo nº 10314.012292/200728; Juntada de demais provas que corroboram com as conclusões apresentadas pela fiscalização; Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, em face do princípio do contraditório. Devidamente cientificado, via Aviso de Recebimento AR datado de 19/01/2008 (fls. 148frente), o interessado manifestouse no sentido de corroborar as alegações já feitas na impugnação, quanto a legalidade das importações, o pagamento integral dos impostos e a ausência de provas pela fiscalização. Nova diligência à autoridade preparadora foi feita através da Resolução nº 955, de 17/09/2010, requerendo (fls. 155): Conforme despacho exarado às folhas 137, retificouse o primeiro auto de infração devido a equívoco no nome do autuado, apenas. Por que motivo há uma discrepância de mais de R$ 11.000.000,00 (onze milhões de reais) a menor, no valor do segundo auto de infração, em relação ao primeiro auto de infração? Fl. 320DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Acórdão n.º 3402005.308 S3C4T2 Fl. 319 5 A impugnante alega que a mercadoria objeto da Declaração de Importação nº 06/10842018, já foi penalizada no Processo Administrativo Fiscal nº 11042.000412/200673 com pena de perdimento. Esta afirmação procede? Encerrada a instrução processual, intimouse a parte interessada para manifestação no prazo de dez dias, de acordo com o artigo 44 da Lei nº 9.784/99, em face do princípio do contraditório. Houve duplicidade no valor originário, em virtude de problema no sistema da auditoria fiscal; a DI apontada já foi excluída do referido AI. A impugnante assinalou que em duas oportunidades a 1ª Turma da DRJ/SPOII entendeu conveniente baixar os autos em diligência para corrigir o auto de infração e que não há modo de substituílo, pugnando seu cancelamento. É o relatório Os argumentos aduzidos pelo sujeito passivo, no entanto, não foram acolhidos pela primeira instância de julgamento administrativo fiscal, conforme ementa do Acórdão abaixo transcrito (fls. 187/200): Assunto: Imposto sobre a Importação II Data do fato gerador: 01/01/2005 A ação fiscal evidenciou a infração de ocultação do sujeito passivo, o que significa manter recôndito da relação tributária, dolosamente, mediante fraude, inclusive por interposição fraudulenta de terceiros. A empresa incorreu em prática de DANO AO ERÁRIO, tipificada no artigo 23 do Decreto Lei 1.455/76. Em virtude da não apresentação da mercadoria decorrente de intimação e da impossibilidade de apreensão, a pena comutase em multa equivalente ao valor aduaneiro, por força do artigo 618, § 1º do Regulamento Aduaneiro Decreto 4.543/2002. Impugnação Improcedente. Crédito Tributário Mantido. Regularmente intimada e discordando da decisão de primeira instância, a interessada, em 19/04/2011, apresentou Recurso Voluntário, fls. 207/245, onde reprisa os argumentos esgrimidos em primeiro grau, aduz documentos, requer intimação na pessoa do advogado, reforçado com as seguintes razões, em resumo: (i) cerceamento do direito de defesa: alega que o Auto de Infração impugnado está instruído com Relatório de Diligência relativo ao MPF 08.1.55.002008000417, contudo da contribuinte MSP COMÉRCIO DE MERCADORIAS EM GERAL LTDA. CNPJ: 07.122.438/000191 (Anexo I do auto de infração). Além desse fato, vários foram os atos que cercearam a defesa da Recorrente, inclusive quando não se observa o devido enquadramento Fl. 321DF CARF MF 6 legal, e se altera o fato imponível, a base de cálculo e a autuação sem reabrir o prazo (integral), para a defesa. Espera que agora seja determinando a anulação do auto de infração recorrido. (ii) Da integralização do Capital Social aduz que o Capital Social da empresa foi integralizado, como formalmente demonstrado nos autos do processo administrativo nº 10314.012292/200728, que foi gerado pela verificação fundada na IN 228/2002, bem como todas as operações da empresa foram por ela financiadas; a integralização do Capital está provada por documentos do Banco Central do Brasil e pela contabilidade da empresa, que demonstrava claramente como eram financiadas as importações, ademais nenhuma outra prova foi produzida pelo fisco que pudesse relevar a legalidade da contabilidade da empresa; (iii) A empresa adquiriu mercadorias no mercado externo, pagou por elas, efetuou o trâmite legal de importação, vendeu as mercadorias e recebeu os valores, tudo em suas contas correntes bancárias demonstradas ao fisco; (iv) a Senhora Charlotte (sócia e representante legal da empresa) compareceu a Delegacia da Receita Federal na Capital de São Paulo, e não de Pelotas, e forneceu declarações verbais e escritas; diferentemente do que alegou e fundamentou a sua decisão, houve expressa resposta a TODAS AS INTIMAÇÕES EFETUADAS, bem como o fornecimento de todas as informações, como se depreende pela cópia das declarações prestadas em anexo, que foram recebidas pelo chefe da fiscalização em 29 de novembro 2006; Informa que a diferença encontrada nas assinaturas de documentos se justifica pelo fato de a Senhora Charlotte ser portadora do Mal de Parkinson, doença degenerativa e oscilante, sendo que ela pode apresentar picos de tremor e outros de estabilidade, dependendo da forma como é medicada; (v) que houve uma suposta irregularidade constatada na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) da sócia minoritária Charlotte Maus Chiu, foi corrigida através dos meios próprios (retificação de declaração de imposto de renda), e, não devem interferir na análise de regularidade da empresa por dois motivos: (a) As irregularidades nas declarações de imposto de renda pessoa física não tem nenhuma relação direta com as operações da Pessoa Jurídica sob análise; e (b) O valor das cotas da sócia minoritária Charlotte Maus Chiu representa apenas 1% (um por cento) do capital social da empresa (R$ 6.300,00); (vi) as planilhas anexadas ao processo confrontam a apresentada pelo fisco às fls. 240/241 (processo administrativo nº 10314.012292/200728), demonstrando que o fisco alterou a forma de colher os dados (datas), o que fez parecer que a empresa não possuía disponibilidade financeira, quando, na verdade, os valores lançados em sua contabilidade foram efetuados de forma simplificada; (vii) Do direito: alega que não há fundamento que se enquadre nos atos legítimos praticados pela Recorrente, não há tributo que tenha deixado de ser pago, e não nenhuma fraude ou simulação que dê ensejo na pena de perdimento, e via de conseqüência a presente autuação efetuada. Por todo o exposto, em vista do arrazoado e de toda a documentação comprobatória já anexada ao processo, requer inicialmente o reconhecimento da nulidade suscitada em sede de preliminares, para determinar a reiteração do alegado em face da Recorrente tendo em vista as alterações efetuadas na autuação que determinam a sua nulidade e finalmente, seja declarado improcedente o presente Auto de Infração por lhe faltar justo motivo e legalidade, com a intimação da Recorrente na pessoa de seu advogado. Fl. 322DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Acórdão n.º 3402005.308 S3C4T2 Fl. 320 7 Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para apreciação deste órgão julgador de segundo grau (CARF). Diante do quadro acima exposto, a 1ª Turma Ordinária/1ª Câmara da 3ª Seção, conclui ser necessário aprofundar o exame da conjuntura que ensejou o lançamento, e votou pela conversão do julgamento em diligência, conforme a Resolução nº 3101000.246, de 18/07/2012 (fls. 259/266), para que a unidade lançadora, responsável pelo Auto de Infração em desfavor da recorrente, elabore Relatório Fiscal conclusivo e sucinto que: 1) diga em quais declarações de importação, dentre o universo constante do Anexo II do auto de infração, foi constatado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização das operações de comércio exterior; 2) para cada uma das operações, explicite quais documentos comprovam que os recursos utilizados nas operações não eram da pessoa jurídica ora recorrente; 3) verifique na contabilidade da empresa e aponte o percentual de integralização do seu capital à época dos fatos geradores neste expediente exigidos, bem como a procedência, ou não, das alegações apresentadas às fls. 18, in fine, a 20 do recurso voluntário,2 (planilhas anexas ao processo nº 10314.012292/200728). Ato seguido, em homenagem ao contraditório e à ampla defesa, intime a recorrente do conteúdo do Relatório Fiscal, para manifestarse, querendo, em prazo de trinta dias. A Unidade de origem (IRFSão Paulo), cumprindo a solicitação de diligência deste CARF, em 29/11/2013, intimou a empresa em seu endereço cadastral a apresentar documentos, conforme o Termo de Intimação e AR/Correios nº 422/2013 (fls. 275/276). Em 04/02/2014, a Recorrente foi cientificada do resultado da diligência, conforme Intimação nº 42/2014 e cópia do ARCorreios (fl. 278). Ao final, após concluir os trabalhos, procedeu a Informação Fiscal (Despacho) de fl. 273, consignado nos seguintes termos: "(...) Em atendimento ao pedido de diligência feito pela Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, referente à empresa CHANZY DO BRASIL IMP E EXP LTDA, CNPJ: 07.122.438/000191, temse que: (A) A solicitação do CARF objetivou a resposta a três quesitos, quais sejam: (...) ... (B) Devido à necessidade de documentos para a realização das análises solicitadas (notas fiscais, extratos bancários, contabilidade), a empresa foi intimada, através da Intimação 422/2013 (DOCUMENTO 1); (C) A intimação não foi atendida pela empresa; (D) Sem tais documentos, fica impossibilitada a análise dos quesitos elaborados, respeitosamente, pelo CARF. A empresa foi intimada do resultado da diligência através do DOCUMENTO 2". Fl. 323DF CARF MF 8 Ato seguido, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para prosseguimento do julgamento por este órgão julgador de segundo grau. Diante dos fatos acima, este Colegiado (2ª Turma Ordinária), novamente concluiu ser necessário dirimir duvidas e aprofundar o exame da conjuntura que ensejou o lançamento, e votou pela conversão do julgamento em Diligência, conforme a Resolução nº 3402001.1000, de 25/04/2017 (fls. 284/293), para que a Unidade lançadora (DELEX/SÃO PAULO), responsável pelo Auto de Infração em desfavor da Recorrente, elabore Relatório Fiscal conclusivo e sucinto, após informar o que segue: "1) quanto ao procedimento de Integralização do Capital social da CHANZY: informar, se os documentos de fls. 77/85 (que a Recorrente juntou aos autos), foram analisados e considerados (validados), ou não, quando da auditoria fiscal (análise de prova cabal), sendo eles: (i) o extrato do Registro de Operações de Cambio Contrato de Cambio de Compra Tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior nº 05/007256 de 10/02/2005, no valor de 200.000,00 (Duzentos mil dólares dos Estados Unidos); (ii) o respectivo valor creditado na conta corrente da CHANZY Extrato de Conta Corrente, no valor de R$ 521.054,60 (fl. 80), e (iii) o débito no mesmo valor na Conta do Banco do Brasil, registrado na contabilidade da empresa extrato do Livro Razão (fl. 81). (iv) Da mesma forma, o registro da integralização do Capital cota da sócia Sra. Charlotte, no valor de R$ 6.300,00 (fl. 82), e 2) considerandose os documentos acima relacionados, verifique na contabilidade da empresa e aponte o percentual de integralização do seu capital à época dos fatos geradores neste expediente exigidos, bem como a procedência, ou não, das alegações apresentadas às fls. 224/226 de seu recurso (planilhas anexadas ao processo nº 10314.012292/200728). Após instruído o processo com os esclarecimentos solicitados, deverá ser cientificada a Recorrente para manifestase, no prazo de 30 (trinta) dias, sobre o resultado da diligência, se assim desejar. Em 04 de agosto de 2017, em atendimento à mencionada diligência, a DELEX/SP elabora a Informação Fiscal (fls. 300/304). Da referida Resolução, constava ainda orientação de cientificar a interessada dos novos esclarecimentos constantes do processo, abrindolhe prazo de 30 (trinta) dias para manifestação, o que foi efetuado pela Fiscalização. Na sequência, a Repartição de origem encaminhou os presentes autos para prosseguimento do julgamento por este órgão julgador de segundo grau. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da admissibilidade do recurso Passase ao exame do Recurso Voluntário apresentado pela CHANZY, que é tempestivo e atende os pressupostos de admissibilidade, devendo, portanto, ser conhecido por este Colegiado. Fl. 324DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Acórdão n.º 3402005.308 S3C4T2 Fl. 321 9 2. Quanto ao Mérito do Auto de Infração Constatase nos presentes autos que o foco e o resultado da ação fiscal levado a efeito pelo Fisco foram os seguintes: (i) em decorrência da análise dos documentos apresentados e dos dados coletados, o Fisco verificou que a empresa não comprovou cabalmente a real disponibilidade dos recursos alocados como a integralização do seu Capital Social e a fonte do recurso inicial da empresa; e (ii) em várias das importações foi constatado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização destas operações de comércio exterior. Por outro lado a Recorrente aduz que apresentou documentos, informações e argumentos contundentes para comprovar a sua legalidade, quando, na verdade, não precisaria comprovar nada, porque a RFB, em sua incumbência de administradora fazendária, deveria verificar apenas fatos jurídicos tributários relevantes, verificando se a empresa praticou algum ato imponível tributário, determinando sua base de cálculo, alíquota e valor a ser pago. Em seu recurso afirma que, "(...) O Capital Social da empresa foi integralizado, como formalmente demonstrado nos autos do processo administrativo nº 10314.012292/200728, que foi gerado pela verificação fundada na IN 228/02, bem como todas as operações da empresa foram por ela financiadas". No tocante as importações realizadas, ressalta que a empresa adquiriu mercadorias no mercado externo, pagou por elas, recolheu todos os tributos, efetuou o trâmite legal de importação, vendeu as mercadorias e recebeu os valores, tudo em suas contas correntes bancárias demonstradas ao Fisco. 2.1 Da integralização do Capital Social Quanto ao Capital Social da empresa CHANZY, CNPJ 07.122.438/000191, consta nos autos que a empresa possui a seguinte composição: CHARLOTE MAUS CHUI, 78 anos, CPF 239.279.02858 (1% de participação) e a empresa CHANZY S.A, pessoa jurídica sediada no Uruguai (99% de participação), tendo a Sra. CHARLOTE MAUS CHUI, designada como sua procuradora. Em seu recurso a Recorrente argumenta que o Capital Social da empresa foi integralizado, como formalmente demonstrado nos autos do PAF nº 10314.012292/200728, gerado pela verificação fundada na IN SRF nº 228/2002, bem como todas as operações da empresa foram por ela financiadas. Informa que, "(...) a integralização do Capital está provada por documentos do Banco Central do Brasil e pela contabilidade da empresa, que demonstrava claramente como eram financiadas as importações, ademais nenhuma outra prova foi produzida pelo fisco que pudesse relevar a legalidade da contabilidade da empresa". Já na decisão a quo, restou consignado que, (fl. 198) "(...) Documentos colhidos pela fiscalização entregues pela empresa em atendimento às intimações nº 20/2006 e 21/2006, demonstram divergências na assinatura da Sra. CHARLOTE MAUS CHUI". Pontua que quando da emissão do CPF da Sra. CHARLOTE, no ano de 1.999, sua assinatura era trêmula, tal qual a declaração de próprio punho entregue para atender o item 9 da intimação nº 21/2006. A fiscalização apresenta no PAF nº 11042.00414/200662, processo que ensejou a Inaptidão do CNPJ da autuada, seis documentos que demonstram a assinatura da Sra. CHARLOTE com uma grafia diferente e firme. Em outras dezenas de documentos Fl. 325DF CARF MF 10 apresentados em atendimento às intimações nº 20/2006 e 21/2006 demonstram divergências na assinatura". E continua afirmando que a "Sra. CHARLOTE MAUS CHUI compareceu à Delegacia da Receita Federal Pelotas/RS (sic) acompanhada de um advogado. Indagada a respeito sobre que empresas é ou foi sócia, sobre como entrou para o quadro societário da CHANZY DO BRASIL IMP E EXP LTDA, qual sua atividade na administração da empresa, de que formal se tornou procuradora de uma empresa uruguaia e demais perguntas sobre sua atuação como sócia e procuradora do maior acionista, proporcionou respostas evasivas ou se omitiu responderei por escrito, resposta que nunca chegaram (fls. 05/06, do Processo nº 11042.00414/200662)". Destaca ainda as seguintes afirmações da Sra. CHARLOTE MAUS CHUI: Nunca esteve na sede da empresa;|Nunca visitou nenhum recinto da CHANZY DO BRASIL; Não soube informar quais os sócios da empresa CHANZY SOCIEDAD ANÔNIMA, pessoa jurídica sediada no Uruguai (99% do Capital Social), tendo CHARLOTE MAUS CHUI como sua procuradora; Não informou à ocasião qualquer um dos clientes da CHANZY DO BRASIL e seu modo de operação; Não informou à ocasião os valores movimentados pela CHANZY DO BRASIL. Conclui a DRJ que os fatos narrados mostram a ausência de ciência da Sra. CHARLOTE MAUS CHUI sobre os aspectos mais elementares da atividade operacional da empresa CHAZY DO BRASIL. Por outro giro, em seu Recurso Voluntário a Recorrente alega que o Capital Social da empresa foi integralizado, como formalmente demonstrado nos autos do PAF nº 10314.012292/200728, que está provada por documentos do Banco Central do Brasil e pela contabilidade da empresa, que demonstrava claramente como eram financiadas as importações. Argumenta que a Senhora CHARLOTTE (sócia e representante legal da empresa) compareceu a DRF na Capital de São Paulo, e não de Pelotas/RS, e forneceu declarações verbais e escritas; diferentemente do que alegou e fundamentou a decisão recorrida, houve expressa resposta a TODAS as intimações efetuadas, bem como o fornecimento de todas as informações, como se depreende pela cópia das declarações prestadas que foram recebidas pelo Chefe da Fiscalização em 29/11/2006; informa que a diferença encontrada nas assinaturas de documentos se justifica pelo fato de a Sra CHARLOTTE ser portadora do "mal de Parkinson", doença degenerativa e oscilante, sendo que ela pode apresentar picos de tremor e outros de estabilidade, dependendo da forma como é medicada. 2.2 Da DIRPF examinada A Fiscalização informa que verificou que na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) da Sra. CHARLOTE, os seus rendimentos declarados são muito baixos, incompatíveis com o fato de ser sócia de uma empresa com um volume muito expressivo de importações. De outro lado, a Recorrente admite que houve uma suposta irregularidade constatada na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física (DIRPF) da sócia minoritária CHARLOTTE e que foi corrigida através dos meios próprios (retificação de declaração de imposto de renda), e, não devem interferir na análise de regularidade da empresa por dois motivos: (a) as irregularidades nas declarações de imposto de renda pessoa física não tem nenhuma relação direta com as operações da Pessoa Jurídica sob análise; e (b) o valor das cotas Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Acórdão n.º 3402005.308 S3C4T2 Fl. 322 11 da sócia minoritária Charlotte Maus Chiu representa apenas 1% (um por cento) do capital social da empresa (no valor de R$ 6.300,00). 2.3 Das mercadorias importadas A Fiscalização informa em seu Relatório que em várias das importações foi constatado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização destas operações de comércio exterior. Por outro lado a empresa rebate que adquiriu mercadorias no mercado externo, pagou por elas, efetuou o trâmite legal de importação, vendeu as mercadorias e recebeu os valores, tudo em suas contas correntes bancárias demonstradas ao Fisco; que as planilhas anexadas ao processo confrontam a apresentada pelo fisco às fls. 240/241 (PAF nº 10314.012292/200728), demonstrando que a Fiscalização alterou a forma de colher os dados (datas), o que fez parecer que a empresa não possuía disponibilidade financeira, quando, na verdade, os valores lançados em sua contabilidade foram efetuados de forma simplificada. 3. Das Diligências solicitadas pelo CARF No que se refere à primeira Resolução nº 3101000.246, de 18/07/2012 (1ª Câmara/1ª TO), em atendimento ao pedido de diligência feito pela Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, a Fiscalização informou em 28/01/2014, que (fl. 273): (A) A solicitação do CARF objetivou a resposta a três quesitos, quais sejam: 1) diga em quais declarações de importação, dentre o universo constante do Anexo II do auto de infração, foi constatado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização das operações de comércio exterior; 2) para cada uma das operações, explicite quais documentos comprovam que os recursos utilizados nas operações não eram da pessoa jurídica ora recorrente; 3) verifique na contabilidade da empresa e aponte o percentual de integralização do seu capital à época dos fatos geradores neste expediente exigidos, bem como a procedência, ou não, das alegações apresentadas às fls. 18, in fine, a 20 do recurso voluntário, 2(planilhas anexas ao processo nº 10314.012292/200728). (B) Devido à necessidade de documentos para a realização das análises solicitadas (notas fiscais, extratos bancários, contabilidade), a empresa foi intimada, através da Intimação 422/2013 (DOCUMENTO 1); (C) A intimação não foi atendida pela empresa; (D) Sem tais documentos, fica impossibilitada a análise dos quesitos elaborados, respeitosamente, pelo CARF. A empresa foi intimada do resultado da diligência (fl. 278) e conforme despacho de fl. 281, após a ciência da Recorrente e transcorrido o prazo de 30 (dias) sem qualquer manifestação por sua parte, o PAF foi encaminhado ao CARF para prosseguimento. Fl. 327DF CARF MF 12 Já quanto da segunda solicitação de diligência, conforme Resolução CARF nº 3402001000 (4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária), cujas demandas provenientes do órgão julgador foram: 1) quanto ao procedimento de Integralização do Capital social da CHANZY: informar, se os documentos de fls. 77/85 (que a Recorrente juntou aos autos), foram analisados e considerados (validados), ou não, quando da auditoria fiscal (análise de prova cabal), sendo eles: (i) o extrato do Registro de Operações de Cambio Contrato de Cambio de Compra Tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior nº 05/007256 de 10/02/2005, no valor de US$ 200.000,00 (duzentos mil dólares dos Estados Unidos); (ii) o respectivo valor creditado na conta corrente da CHANZY Extrato de Conta Corrente, no valor de R$ 521.054,60 (fl. 80); (iii) o débito no mesmo valor na Conta do Banco do Brasil, registrado na contabilidade da empresa extrato do Livro Razão (fl. 81); (iv) Da mesma forma, o registro da integralização do Capital cota da sócia Sra. Charlotte, no valor de R$ 6.300,00 (fl. 82), e 2) considerandose os documentos acima relacionados, verifique na contabilidade da empresa e aponte o percentual de integralização do seu capital à época dos fatos geradores neste expediente exigidos, bem como a procedência, ou não, das alegações apresentadas às fls. 224/226 de seu recurso (planilhas anexadas ao processo nº 10314.012292/200728). Quanto a essa segunda Resolução, a Fiscalização em sua INFORMAÇÃO FISCAL de fls. 300/304, consignou que em relação à solicitação do item 1, elaborou um apanhado dos fatos que envolveram a autuação para que se informe o que foi solicitado pelas solicitações do CARF. A seguir reproduzo os principais trechos do documento: "(...) Em 09/11/2007, foi elaborado pela fiscalização um Relatório Fiscal, anexo ao PAF 10314.012292/200728 (fls. 256/259), propondo a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas pela CHANZY entre 01/01/2005 e 31/03/2007, além da declaração de inaptidão perante o CNPJ; Em 21/01/2008, a CHANZY apresentou recurso com o fim de regularizar sua situação e contrapor as razões de representação perante o CNPJ (fls. 273 e ss do PAF 10314.012292/200728); Em 11/03/2008, a fiscalização elaborou novo Relatório Fiscal (fls. 314/315 do PAF 10314.012292/200728) com as considerações pertinentes ao recurso interposto pela CHANZY. Por sua clareza, transcrevese o trecho do relatório em que se aborda a documentação relativa à integralização do capital social do sócio estrangeiro: O extrato de Fev/2005 mostra, entre outras movimentações, o crédito do valor de R$ 521.600,00, referente à parte do sócio estrangeiro na integralização do capital social. A análise do extrato mostra a disponibilidade do recurso alocado como integralização do capital social e fonte de recurso inicial da empresa. (grifo nosso) O Relatório Fiscal constante do Anexo I do presente auto de infração narra atos e fatos do procedimento fiscal amparado pelo MPF 081550020070094961, pois tem nele a maior parte de seu suporte probatório. Da conclusão pelo perdimento daquele Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Acórdão n.º 3402005.308 S3C4T2 Fl. 323 13 procedimento é que derivou a presente autuação de multa, já que não foi possível apreender as mercadorias para a aplicação do perdimento. A cronologia dos fatos e a análise sistêmica do presente auto de infração e dos documentos do procedimento fiscal amparado pelo MPF 081550020070094961 mostram, portanto, que os documentos (i) o extrato do Registro de Operações de Cambio Contrato de Cambio de Compra Tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior nº 05/007256 de 10/02/2005, no valor de US$ 200.000,00 (duzentos mil dólares dos Estados Unidos); (ii) o respectivo valor creditado na conta corrente da CHANZY Extrato de Conta Corrente, no valor de R$ 521.054,60 (fl. 80); (iii) o débito no mesmo valor na Conta do Banco do Brasil, registrado na contabilidade da empresa extrato do Livro Razão (fl. 81) que a CHANZY juntou aos autos, já apresentados no âmbito do procedimento fiscal amparado pelo MPF 0815500 20070094961, foram analisados e considerados na auditoria fiscal realizada. Por outro lado, o documento referente ao registro contábil da integralização do capital social da sócia Charlotte (fl. 82), qual seja, página do Razão Analítico contendo o lançamento a débito, em 23/11/2004, de R$ 6.300,00 na conta Caixa, não consta dos processos nº 10314.012292/200728 e nº 11042.000414/200662, embora neste último tenha sido citado no Termo de Apresentação de Documentos (fls. 37/45), referente às intimações 20/2006 e 21/2006, especificamente no item 11. Pelo que se infere dos autos do processo, o documento somente foi disponibilizado à fiscalização em 30/05/2008, no âmbito da impugnação do auto de infração lavrado em 07/04/2008. Além de que, não há menção explícita ao documento no relatório fiscal do auto de infração. Dessa forma, não há elementos que autorizem afirmar que o documento tenha sido analisado pela fiscalização anteriormente à lavratura do presente auto de infração. A demanda do item 2, por sua vez, pode ser subdividida em duas, uma relativa ao percentual de integralização do Capital Social à época dos fatos geradores, e outra relativa à procedência, ou não, das alegações apresentadas às fls. 224/226 (planilhas anexas ao processo nº 10314.012292/200728). Cabe destacar que a demanda é semelhante à já solicitada anteriormente pelo CARF por meio da Resolução CARF nº 3101000.246, de 18/07/2012. À época da primeira solicitação pelo órgão julgador, a fiscalização intimou o sujeito passivo a apresentar, entre outros documentos, sua escrituração contábil, porém não foi atendida pela empresa, de maneira que elaborou um despacho informando que não seria possível analisar os quesitos elaborados pelo CARF. No que tange à integralização do Capital Social, considerando o insucesso anterior na obtenção da contabilidade da empresa, que se encontra baixada desde 31/12/2008, além do transcurso razoável de tempo desde a autuação, entendese que uma alternativa possível a ser adotada com o fim de apontar o percentual de integralização do capital social da empresa é utilizar, ao invés da contabilidade, os documentos relativos à solicitação do item 1, afinal eles é que devem lastrear o fato contábil escriturado. Dessa forma, temos o seguinte: 23/11/2004 – Constituição da CHANZY (registro do Contrato Social na JUCESP); Capital social subscrito – R$ 630.000,00; 14/02/2005 – Integralização de R$ 521.600,00 pela sócia Chanzy Trading S/A, correspondendo a 82,79% do capital social subscrito. Fl. 329DF CARF MF 14 Relativamente à solicitação do item 2 de manifestação em relação à procedência, ou não, das alegações apresentadas às fls. 224/226 (planilhas anexas ao processo nº 10314.012292/200728), esse esclarecimento consta do próprio processo 10314.012292/200728. Ocorre que, em recurso datado de 21/01/2008, interposto pela CHANZY no âmbito da representação fiscal com proposta de perdimento das mercadorias importadas e de declaração de inaptidão perante o CNPJ, a empresa apresentou exatamente as mesmas alegações objeto do questionamento, inclusive com o mesmo texto (fls. 277/279 do processo nº10314.012292/200728). A análise dessas alegações consta do Relatório Fiscal de fls. 314/315 daquele processo, em que se lê o seguinte: 3. Por fim, argumenta que este Serviço de Fiscalização alterou a forma de colher os dados (datas), levando a uma análise incorreta da disponibilidade financeira da empresa. Para tanto apresentou planilhas que refazem a conta do ativo Clientes (fls. 267/272, vol. II) onde mostra, com a nova metodologia, que os saldos passam a ser devedor. Observo que após o término do procedimento especial, não houve retirada e reapresentação de livros fiscais, assim como nada se manifesta sobre a falta de apresentação da escrituração do período Jul/Ago/Set. do livro Razão de 2006. A planilha apresentada refaz parcialmente a conta do ativo Clientes (período 27/06/05 a 28/11/2005 e 30/01/06 a 27/11/06). Iniciase com um saldo devedor, não se sabendo dos lançamentos anteriores que produziriam esse saldo devedor em 26/06/2005 e 29/01/2006 (fls. 296/297). Entendemos que os documentos apresentados não são suficientes para comprovar que a empresa, nas datas em que houve os dispêndios de importação, realmente possuía saldo devedor em sua conta do ativo Clientes". (Grifei) Verificase nos autos que tanto a empresa CHANZY como a Sra. CHARLOTTE foram intimadas do resultado da Diligência (fls. 305/310) e NÃO se manifestaram no processo. 4. Da análise das Diligências efetuadas Consta do Relatório Fiscal, denominado "Descrição dos Fatos" (anexo I ao Auto de Infração, fls. 15/20), que, "(...) Após análises dos documentos foi verificado que a empresa não comprovou cabalmente a real disponibilidade dos recursos alocados como integralização do capital social e a fonte do recurso inicial da empresa, assim como em várias importações foi constatado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização destas operações de comércio exterior". Am suma, relata que decorrente dos fatos e com base no artigo 23 do Decreto Lei nº 1.455/76, alterado pelo artigo 59 da Lei 10.637/02, e tratada na IN SRF nº 228/02, artigo 11, formulouse a Representação Fiscal com proposta de aplicação da PENA DE PERDIMENTO às mercadorias importadas de 01/01/2005 a 31/03/2007. De acordo com o procedimento, não foi possível a comprovação da origem, disponibilidade e efetiva transferência dos recursos financeiros da empresa, e como isso, foi formulado a Representação Fiscal para Fins de Inaptidão do CNPJ, formalizada pelo processo n° 11042.000414/200662, com efeitos a partir de 01/01/2005, sujeitando a empresa à aplicação da PENA DE PERDIMENTO das mercadorias amparadas pelas Declarações de Importação (relacionadas no Anexo II, fls. 22/24). Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Acórdão n.º 3402005.308 S3C4T2 Fl. 324 15 Diante da impossibilidade de apreensão das mercadorias pertencentes às Declarações de Importação (DI), aplicouse a Multa de valor igual ao valor aduaneiro das mercadorias, conforme seguintes mandamentos legais: art. 73 da Lei n° 10.833/03; art. 81, inciso III, da Lei n° 10.833/03; art 23 do DecretoLei n° 1.455/76 com a redação dada pelo art. 59 da Lei n° 10.637/02; art 631, caput, combinado com parágrafo único do Decreto n° 4.543/02 e art. 41, inciso I da IN 748/07. Pois bem. Cabe primeiramente informar que no que tange à integralização do Capital Social, há que se considerar o insucesso da primeira Diligência solicitada pelo CARF, na obtenção da contabilidade da empresa, uma vez que a mesma encontravase baixada desde 31/12/2008. É possível constatar que na primeira Diligência foi solicitado à Fiscalização informar em quais declarações de importação, dentre o universo constante do Anexo II do Auto de Infração, foi apurado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização das operações de comércio exterior; e, para cada uma das operações, explicitar quais documentos comprovam que os recursos utilizados nas operações não eram da pessoa jurídica ora recorrente; por fim verificar na contabilidade da empresa e apontar o percentual de integralização do seu capital à época dos fatos geradores neste expediente exigidos, bem como a procedência, ou não, das alegações apresentadas às fls. 18/ 20, do Recurso Voluntário, (planilhas anexas ao processo nº 10314.012292/200728). A Fiscalização informou em sua Informação que devido à necessidade de documentos para a realização das análises solicitadas (notas fiscais, extratos bancários, contabilidade), a empresa foi regularmente intimada a apresentálos, e que, no entanto, a referida intimação não foi atendida pela empresa, e que sem tais documentos, fica impossibilitada a análise dos quesitos elaborados pelo CARF. No entanto, quanto a segunda solicitação de Diligência (Resolução CARF nº 3402001000), a Fiscalização relata em seu documento (Informação Fiscal fls. 300/304), em resumo que: em 09/11/2007, foi elaborado pela Fiscalização um Relatório Fiscal, anexo ao PAF nº 10314.012292/200728, propondo a aplicação da pena de perdimento às mercadorias importadas pela CHANZY entre 01/01/2005 e 31/03/2007, além da declaração de inaptidão perante o CNPJ; que em 21/01/2008, a CHANZY apresentou recurso com o fim de regularizar sua situação e contrapor as razões de representação perante o CNPJ; que em 11/03/2008, a fiscalização elaborou novo Relatório Fiscal (fls. 314/315 do PAF 10314.012292/200728) com as considerações pertinentes ao recurso interposto pela CHANZY, informando o seguinte quanto a documentação relativa à integralização do capital social do sócio estrangeiro: "O extrato de Fev/2005 mostra, entre outras movimentações, o crédito do valor de R$ 521.600,00, referente à parte do sócio estrangeiro na integralização do capital social. A análise do extrato mostra a disponibilidade do recurso alocado como integralização do capital social e fonte de recurso inicial da empresa". (Grifei) A Fiscalização informa ainda que, a cronologia dos fatos e os documentos do procedimento fiscal mostram, portanto, que os documentos (i) o extrato do Registro de Operações de Cambio Contrato de Cambio de Compra Tipo 3 Transferências Financeiras do Exterior nº 05/007256 de 10/02/2005, no valor de US$ 200.000,00 (duzentos mil dólares dos Estados Unidos); (ii) o respectivo valor creditado na conta corrente da CHANZY Extrato de Conta Corrente, no valor de R$ 521.054,60 (fl. 80); (iii) o débito no mesmo valor na Conta do Fl. 331DF CARF MF 16 Banco do Brasil, registrado na contabilidade da empresa e extrato do Livro Razão (fl. 81) que a CHANZY juntou aos autos e que foram analisados e considerados na auditoria fiscal realizada. Ressaltase que às fls. 302/303 da Informação Fiscal, o Fisco conclui que em 23/11/2004 foi efetivado a constituição da CHANZY (registro do Contrato Social na JUCESP), apresentado da seguinte forma: Capital social subscrito: R$ 630.000,00; em 14/02/2005: Integralização comprovada de R$ 521.600,00 pela sócia Chanzy Trading S/A, correspondendo a 82,79% do capital social subscrito. Por outro lado, no que se refere ao registro contábil da integralização do capital social da sócia Sra. CHARLOTE MAUS CHUI, aduz a Fiscalização que a página do Razão Analítico contendo o lançamento a débito, em 23/11/2004, de R$ 6.300,00 na conta Caixa, não consta dos processos nº 10314.012292/200728 e nº 11042.000414/200662, embora neste último tenha sido citado no Termo de Apresentação de Documentos (fls. 37/45), referente às intimações 20/2006 e 21/2006, especificamente no item 11. Pelo que se infere dos autos do processo, o documento somente foi disponibilizado à fiscalização em 30/05/2008, no âmbito da Impugnação do Auto de Infração lavrado em 07/04/2008. Além de que, não há menção explícita ao documento no Relatório Fiscal do Auto de Infração. Conclui, afirmando que "dessa forma, não há elementos que autorizem afirmar que o documento tenha sido analisado pela fiscalização anteriormente à lavratura do presente auto de infração". Em relação às planilhas anexas ao processo nº 10314.012292/200728, a Fiscalização relata que esse esclarecimento consta do próprio processo referido. Ocorre que, em recurso datado de 21/01/2008, interposto pela CHANZY, quando da Representação Fiscal com proposta de Perdimento das mercadorias importadas e de Declaração de Inaptidão perante o CNPJ, a empresa apresentou exatamente as mesmas alegações objeto desse questionamento, inclusive com o mesmo texto (fls. 277/279 do processo nº10314.012292/200728). A análise dessas alegações consta do Relatório Fiscal de fls. 314/315 daquele processo, em que se reproduz a seguir (fl. 303): "(...) 3. Por fim, argumenta que este Serviço de Fiscalização alterou a forma de colher os dados (datas), levando a uma análise incorreta da disponibilidade financeira da empresa. Para tanto apresentou planilhas que refazem a conta do ativo Clientes (fls. 267/272, vol. II) onde mostra, com a nova metodologia, que os saldos passam a ser devedor. Observo que após o término do procedimento especial, não houve retirada e reapresentação de livros fiscais, assim como nada se manifesta sobre a falta de apresentação da escrituração do período Jul/Ago/Set. do livro Razão de 2006. A planilha apresentada refaz parcialmente a conta do ativo Clientes (período 27/06/05 a 28/11/2005 e 30/01/06 a 27/11/06). Iniciase com um saldo devedor, não se sabendo dos lançamentos anteriores que produziriam esse saldo devedor em 26/06/2005 e 29/01/2006 (fls. 296/297). Entendemos que os documentos apresentados não são suficientes para comprovar que a empresa, nas datas em que houve os dispêndios de importação, realmente possuía saldo devedor em sua conta do ativo Clientes. (Grifei). Assim, conforme já observado, consta da "Descrição dos Fatos" (anexo I ao Auto de Infração, fl. 15/16), onde a Fiscalização descreve que o motivo da lavratura do Auto de Infração, foi que, "Após análises dos documentos foi verificado que a empresa não comprovou cabalmente a real disponibilidade dos recursos alocados como integralização do capital social e a fonte do recurso inicial da empresa, assim como em várias importações foi Fl. 332DF CARF MF Processo nº 10314.003227/200892 Acórdão n.º 3402005.308 S3C4T2 Fl. 325 17 constatado que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização destas operações de comércio exterior" e que decorrente dos fatos descritos submeteuse a proposta de aplicação da PENA DE PERDIMENTO às mercadorias importadas de 01/01/2005 a 31/03/2007. 5. Conclusão Posto isto, constatase dos autos que a Recorrente foi constituída regularmente, sendo seus sócios a empresa estrangeira CHANZY Trading S/A, com 99% (noventa e nove por cento), do Capital Social, e a Senhora CHARLOTTE Maus Chiu, com 1% (um por cento) da sociedade. Que a quando da Diligência realizada, a Fiscalização informa que a empresa comprovou que o Capital Social da sócia majoritária foi integralizado através da remessa internacional de valores, no valor inicial equivalente a US$ 200,000.00 (duzentos mil dólares) ou o equivalente na época a R$ 521.600,00 (Quinhentos e vinte e um mil e seiscentos reais), devidamente depositados na conta corrente da CAHNZY, como se depreende dos contratos de câmbio e extratos bancários que instruíram a Impugnação apresentada. O Fisco, afirma em seu Relatório de Diligência, que 82,79% do capital da CHANZY restou comprovadamente integralizado (fl. 303). Portanto, é possível de se concluir que a sociedade partiu dessa integralização, e foi este capital devidamente integralizado pela sócia estrangeira da empresa que deu início e sustentação para todas as operações da empresa. Quanto ao registro contábil da integralização do Capital Social da sócia Sra. CHARLOTE, a Fiscalização informa que a página do Razão Analítico contendo o lançamento a débito, em 23/11/2004, de R$ 6.300,00 na conta Caixa, não consta dos processos nº 10314.012292/200728 e nº 11042.000414/200662, embora neste último tenha sido citado no Termo de Apresentação de Documentos (fls. 37/45), referente às intimações 20/2006 e 21/2006, especificamente no item 11. Pelo que se infere dos autos do processo, o documento somente foi disponibilizado à fiscalização em 30/05/2008, no âmbito da Impugnação do Auto de Infração lavrado em 07/04/2008. Por fim, quanto aos dispêndios para fazer frente as importações realizadas, muito embora a Fiscalização quando da lavratura do Auto de Infração informa que os documentos apresentados não são suficientes para comprovar que a empresa, nas datas em que houve os pagamentos de importação, na Informação de Diligência efetuada, pelo contrário, indica que a empresa realmente possuía saldo devedor em sua conta do ativo Clientes. Vejase o que restou consignado em seu Termo (fl. 303): "(...) 3. Por fim, argumenta que este Serviço de Fiscalização alterou a forma de colher os dados (datas), levando a uma análise incorreta da disponibilidade financeira da empresa. Para tanto apresentou planilhas que refazem a conta do ativo Clientes (fls. 267/272, vol. II) onde mostra, com a nova metodologia, que os saldos passam a ser devedor". É fato que o fluxo financeiro dos recursos empregados nas operações de comércio exterior deve ser considerado para determinar se a operação importação foi efetuada por conta própria ou por conta e ordem de terceiro. Porém, neste caso, frisese que a Fiscalização além de não relacionar quais foram as DI em que não havia capacidade financeira para fazer frente aos pagamentos, ressalta na sua Informação que "(...) A planilha apresentada refaz parcialmente a conta do ativo Clientes (período 27/06/05 a 28/11/2005 e 30/01/06 a Fl. 333DF CARF MF 18 27/11/06). Iniciase com um saldo devedor, não se sabendo dos lançamentos anteriores que produziriam esse saldo devedor em 26/06/2005 e 29/01/2006" (fls. 296/297). Não se pode olvidar que foi a lei tributária/aduaneira que estabeleceu, por força das alterações promovidas pela Lei n° 10.637/02 no art. 23, inciso V, do Decretolei n° 1.455/76, o dever legal de demonstrar a origem dos recursos aplicados em operações de comércio internacional para aqueles que tenham disponibilizado recursos para tal fim. E ao meu sentir, a empresa demonstrou isso nos autos. Já o Fisco, pelo contrário, não logrou comprovar isso nos autos. Nesse diapasão, ao meu sentir, é de se concluir que, não restou caracterizado nos autos que a empresa CHANZY, deixou de comprovar a real disponibilidade dos recursos alocados com a integralização do Capital Social dos sócios e a fonte do recurso inicial da empresa, assim como, não restou comprovado nos autos por parte do Fisco que a empresa não dispunha de capacidade econômica própria para a realização das operações de comércio exterior tratada neste processo. 6. Preliminar do cerceamento do direito de defesa Tendo decidido no mérito a favor da Recorrente, deixase de analisar as preliminares de nulidade por ela suscitadas, nos termos do art. 59, §3° do Decreto nº 70.235/72. 7. Dispositivo Posto isto, considerando os fatos acima exposto, conheço do recurso interposto para DARLHE provimento, exonerandose a multa objeto da presente lide à CHANZY DO BRASIL IMP E EXP LTDA É como voto. (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Fl. 334DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10880.977130/2016-01
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2011
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.613
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
1.0 = *:*
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 30 /2 01 6- 01 Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977130/201601 Acórdão n.º 1401002.613 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/12/2011, no valor de R$ 56.110,01, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Data do fato gerador: 31/12/2011 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de IRPJ a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977130/201601 Acórdão n.º 1401002.613 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 67DF CARF MF Processo nº 10880.977130/201601 Acórdão n.º 1401002.613 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 68DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13971.721593/2016-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2013, 2014
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE.
O Recurso Voluntário deve ser apresentado ao órgão no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser recorrido. O recurso voluntário intempestivo somente instaura a fase litigiosa se a preliminar de tempestividade for suscitada, observando-se que, não sendo acolhida, deixa-se de apreciar as demais questões argüidas.
RECURSO INTEMPESTIVO. INCOMPETÊNCIA.
Uma vez que o recurso voluntário interposto pelo recorrente se mostre intempestivo, o Colegiado não tem competência para analisar qualquer matéria, a não ser de ordem pública, o que não ocorreu no caso em discussão.
Numero da decisão: 1301-003.161
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, declarar a intempestividade do recurso; (ii) por maioria de votos, não conhecer do recurso, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votou por dele conhecer em relação à arguição de nulidade da decisão de primeira instância por ter sido proferida, em tese, por autoridade incompetente, entendimento acompanhado pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou ainda por, com base no disposto no art. 493 do CPC, conhecer de ofício do recurso quanto à aplicação do disposto na Lei Complementar 160. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto manifestou interesse em apresentar declaração de voto.
(assinado digitalmente)
Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente.
(assinado digitalmente)
Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
Nome do relator: AMELIA WAKAKO MORISHITA YAMAMOTO
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2013, 2014 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário deve ser apresentado ao órgão no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser recorrido. O recurso voluntário intempestivo somente instaura a fase litigiosa se a preliminar de tempestividade for suscitada, observando-se que, não sendo acolhida, deixa-se de apreciar as demais questões argüidas. RECURSO INTEMPESTIVO. INCOMPETÊNCIA. Uma vez que o recurso voluntário interposto pelo recorrente se mostre intempestivo, o Colegiado não tem competência para analisar qualquer matéria, a não ser de ordem pública, o que não ocorreu no caso em discussão.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, declarar a intempestividade do recurso; (ii) por maioria de votos, não conhecer do recurso, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votou por dele conhecer em relação à arguição de nulidade da decisão de primeira instância por ter sido proferida, em tese, por autoridade incompetente, entendimento acompanhado pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou ainda por, com base no disposto no art. 493 do CPC, conhecer de ofício do recurso quanto à aplicação do disposto na Lei Complementar 160. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto - Presidente. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild.
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RECURSO VOLUNTÁRIO INTEMPESTIVO. ARGUIÇÃO DE TEMPESTIVIDADE. O Recurso Voluntário deve ser apresentado ao órgão no prazo de trinta dias, contados da data da ciência do procedimento a ser recorrido. O recurso voluntário intempestivo somente instaura a fase litigiosa se a preliminar de tempestividade for suscitada, observandose que, não sendo acolhida, deixa se de apreciar as demais questões argüidas. RECURSO INTEMPESTIVO. INCOMPETÊNCIA. Uma vez que o recurso voluntário interposto pelo recorrente se mostre intempestivo, o Colegiado não tem competência para analisar qualquer matéria, a não ser de ordem pública, o que não ocorreu no caso em discussão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado: (i) por unanimidade de votos, declarar a intempestividade do recurso; (ii) por maioria de votos, não conhecer do recurso, vencido o Conselheiro José Eduardo Dornelas Souza que votou por dele conhecer em relação à arguição de nulidade da decisão de primeira instância por ter sido proferida, em tese, por autoridade incompetente, entendimento acompanhado pelo Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto que votou ainda por, com base no disposto no art. 493 do CPC, conhecer de ofício do recurso quanto à aplicação do disposto na Lei Complementar 160. O Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto manifestou interesse em apresentar declaração de voto. (assinado digitalmente) Fernando Brasil de Oliveira Pinto Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 97 1. 72 15 93 /2 01 6- 81 Fl. 3918DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.919 2 (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Roberto Silva Junior, José Eduardo Dornelas Souza, Nelso Kichel, Carlos Augusto Daniel Neto, Amélia Wakako Morishita Yamamoto e Fernando Brasil de Oliveira Pinto. Ausente, justificadamente, a Conselheira Bianca Felícia Rothschild. Relatório CIA HERING, já qualificada nos autos, recorre da decisão proferida pela 3a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Florianópolis (SC) DRJ/FNS (fls. 3625/3654), que, por unanimidade de votos, julgou improcedentes a Impugnação ao Auto de Infração e manteve o lançamento. Valhome do relatório elaborado por ocasião do julgamento de primeira instância, a seguir transcrito: Do Lançamento O presente processo diz respeito a autos de infração de IRPJ, CSLL, PIS e COFINS (fls. 15171570), referentes aos anoscalendário de 2011 a 2013, lavrados em razão da constatação de exclusão indevida na base de cálculo destes tributos de valores de subvenções recebidas de Pessoas Jurídica de Direito Público (Governo do Estado de Santa Catarina, Governo do Estado de Goiás e Governo do Estado do Rio Grande do Norte). Houve, outrossim, a exigência de multa isolada referente ao IRPJ e CSLL, em razão da insuficiência de recolhimentos mensais destes tributos, nos meses em que a contribuinte apurou as estimativas com base na sua receita bruta e acréscimos. Nos anos calendários sob investigação, a CIA HERING efetuou exclusões a título de subvenções para investimento para apuração de seu lucro real, conforme os seguintes valores informados na linha “Doações e Subvenções para Investimento” da ficha “09A Demonstração do Lucro Real” de suas DIPJ: Anocalendário 2011: R$ 39.905.938,74 Anocalendário 2012: R$ 44.566.108,08 Anocalendário 2013: R$ 17.245.378,88 Em resumo disponível na própria planilha eletrônica apresentada pela empresa, os valores anuais das subvenções assim se dividiram: Fl. 3919DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.920 3 Interessante notar que, até o terceiro trimestre de 2010, a contribuinte tratava estes incentivos fiscais de ICMS como subvenções de custeio, sendo que, apenas a partir do último trimestre daquele ano passou a considerálos como subvenções para investimento. A mudança de critério está detalhada na Nota Explicativa 19 das Demonstrações Financeiras do anocalendário 2010 da companhia, cujos trechos de interesse são reproduzidos a seguir: Apesar do anocalendário 2010 estar fora do escopo da auditoria, tal mudança de critério é sintomática. Além disso, estas mesmas Notas Explicativas mencionam que as subvenções de interesse para o presente relatório são contabilizadas em contas representativas de deduções de vendas e de custo dos produtos vendidos: […]Há aqui uma primeira infração cometida pela contribuinte, já que a Lei 11.941 de 2009 determina expressamente que as subvenções para investimento devem ser contabilizadas em conta de resultado: Art. 18. Para fins de aplicação do disposto nos arts. 15 a 17 desta Lei às subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos, concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e às doações, feitas pelo Poder Público, a que se refere o art. 38 do DecretoLei no 1.598, de 26 de dezembro de 1977, a pessoa jurídica deverá: I – reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta do resultado pelo regime de competência, inclusive com observância das determinações constantes das normas Fl. 3920DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.921 4 expedidas pela Comissão de Valores Mobiliários, no uso da competência conferida pelo § 3º do art. 177 da Lei nº 6.404, de 15 de dezembro de 1976, no caso de companhias abertas e de outras que optem pela sua observância; O Comitê de Pronunciamentos Contábeis foi além e emitiu o Pronunciamento Técnico CPC n° 07, o qual, em seu item 12, e seguintes, determina que as subvenções sejam reconhecidas como receitas. Para fins de contabilização das subvenções como receitas, o pronunciamento não faz distinção entre as subvenções para custeio e as para investimento, de modo que qualquer uma delas deve ser contabilizada como receita. Este Pronunciamento Técnico foi aprovado pela Comissão de Valores Mobiliários, conforme Deliberação CVM nº 646, de 2 de dezembro de 2010, sendo, portanto, de observação obrigatória pela CIA HERING. Assim, a contribuinte deveria ter contabilizado as subvenções em foco como receita, e não em conta representativa de dedução de receita bruta. A seguir, o presente relatório abordará, de forma geral, o tratamento tributário aplicável às subvenções, para em seguida, analisar as particularidades de cada uma das usufruídas pela CIA HERING. 2.1. Do conceito de subvenção e seu tratamento tributário Conforme o Direito Financeiro, as subvenções encontramse definidas e classificadas através dos parágrafos 2º e 3º do art. 12 da lei nº 4.320 de 1964, que assim dispõe: Art. 12. A despesa será classificada nas seguintes categorias econômicas: (...)§ 2º Classificamse como Transferências Correntes as dotações para despesas as quais não corresponda contraprestação direta em bens ou serviços, inclusive para contribuições e subvenções destinadas a atender à manifestação de outras entidades de direito público ou privado. § 3º Consideramse subvenções, para os efeitos desta lei, as transferências destinadas a cobrir despesas de custeio das entidades beneficiadas, distinguindose como: I subvenções sociais, as que se destinem a instituições públicas ou privadas de caráter assistencial ou cultural, sem finalidade lucrativa; II subvenções econômicas, as que se destinem a empresas públicas ou privadas de caráter industrial, comercial, agrícola ou pastoril. (grifouse) Sob a ótica contábil, a Norma Brasileira de Contabilidade NBC TG 07 (Subvenção e Assistência Governamentais)7 dispõe sobre tratamento contábil a ser aplicado às subvenções e assistências governamentais. Em seu item 3, a NBC TG 07 definiu subvenção governamental da seguinte forma: “Subvenção governamental é uma assistência governamental geralmente na forma de contribuição de natureza pecuniária, mas não só restrita a ela, concedida a uma entidade normalmente em troca do cumprimento passado ou futuro de certas condições relacionadas às atividades operacionais da entidade. Não são subvenções governamentais aquelas que não podem ser razoavelmente quantificadas em dinheiro e as transações com o Fl. 3921DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.922 5 governo 7 Norma aprovada pelo Conselho Federal de Contabilidade através da RESOLUÇÃO CFC N.º 1.305/10, de 25/11/2010 Em seu item 6, a referida norma dispõe ainda que “a subvenção governamental é também designada por: subsídio, incentivo fiscal, doação, prêmio, etc.” Por fim, cabe transcrever ainda os itens 12, 15 e 21 da NBC TG 07, que dispõem sobre a natureza contábil das subvenções governamentais, onde fica clara a determinação normativa quanto ao seu reconhecimento como receita da entidade: “12. Uma subvenção governamental deve ser reconhecida como receita ao longo do período e confrontada com as despesas que pretende compensar, em base sistemática, desde que atendidas as condições desta Norma. A subvenção governamental não pode ser creditada diretamente no patrimônio líquido”. (...)15. O tratamento contábil da subvenção governamental como receita deriva dos seguintes principais argumentos: (a) uma vez que a subvenção governamental é recebida de uma fonte que não os acionistas e deriva de ato de gestão em benefício da entidade, não deve ser creditada diretamente no patrimônio líquido, mas, sim, reconhecida como receita nos períodos apropriados; (b) subvenção governamental raramente é gratuita. A entidade ganha efetivamente essa receita quando cumpre as regras das subvenções e cumpre determinadas obrigações. A subvenção, dessa forma, deve ser reconhecida como receita na demonstração do resultado nos períodos ao longo dos quais a entidade reconhece os custos relacionados à subvenção que são objeto de compensação; (c) assim como os tributos são despesas reconhecidas na demonstração do resultado, é lógico registrar a subvenção governamental que é, em essência, uma extensão da política fiscal, como receita na demonstração do resultado. (...)21. Em determinadas circunstâncias, a subvenção governamental pode ser outorgada mais com o propósito de conceder suporte financeiro imediato a uma entidade do que servir como incentivo para que determinados gastos sejam incorridos. Dita subvenção pode ser outorgada exclusivamente a uma entidade em particular e não ficar disponível para uma classe inteira de beneficiários. Essas circunstâncias podem ensejar o reconhecimento da receita de subvenção na demonstração do resultado do período no qual a entidade qualificar se para seu recebimento, com a divulgação adequada de forma a assegurar que os seus efeitos sejam claramente compreendidos. Pelo exposto, concluise que, de acordo com as normas contábeis, as subvenções governamentais devem ser reconhecidas pelas sociedades empresárias como RECEITAS DA ENTIDADE. Sob a ótica do Direito Tributário, as subvenções recebidas das pessoas jurídicas devem integrar a receita bruta operacional, conforme determina expressamente a Lei nº 4.506 de 1964: Art. 44. Integram a receita bruta operacional: Fl. 3922DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.923 6 I O produto da venda dos bens e serviços nas transações ou operações de conta própria; II O resultado auferido nas operações de conta alheia; III As recuperações ou devoluções de custos, deduções ou provisões; IV As subvenções correntes, para custeio ou operação, recebidas de pessoas jurídicas de direito público ou privado, ou de pessoas naturais. (grifouse) Tratase de dispositivo legal plenamente em vigor, acolhido pelo inciso I do artigo 392 do Regulamento do Imposto de Renda. Convém aqui distinguir as subvenções para custeio das subvenções para investimento, já que estas últimas possuem tratamento específico, determinado pelo seguinte artigo do RIR/99: Art. 443. Não serão computadas na determinação do lucro real as subvenções para investimento, inclusive mediante isenção ou redução de impostos concedidas como estímulo à implantação ou expansão de empreendimentos econômicos, e as doações, feitas pelo Poder Público, desde que (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 38, §2º e DecretoLei nº 1.730, de 1979, art 1º , inciso VIII): I registradas como reserva de capital que somente poderá ser utilizada para absorver prejuízos ou ser incorporada ao capital social, observado o disposto no art. 545 e seus parágrafos; ou II feitas em cumprimento de obrigação de garantir a exatidão do balanço do contribuinte e utilizada para absorver superveniências passivas ou insuficiências ativas.” Em síntese, temos duas regras para a tributação das subvenções, uma de caráter geral, acolhida pelo artigo 392 do RIR/99, que determina a inclusão desses valores no lucro operacional e, consequentemente, sua tributação pelo IRPJ, enquanto a segunda regra, inserida no artigo 443, constituise regra de exceção, que exclui da base de cálculo desse tributo as subvenções para investimento, pelo que se torna indispensável sua conceituação. As subvenções para investimento apresentam características bem restritas, devendo ser analisada sob dois prismas: a intenção do subvencionador e a efetiva ação do subvencionado. Assim, impõese a efetiva e específica aplicação da subvenção, por parte do beneficiário, nos investimentos previstos na implantação ou expansão do empreendimento econômico projetado. Por outro lado, a mera aplicação dos recursos em investimentos não autoriza a sua classificação como subvenção para investimento, se tal exigência não estiver textualmente prevista na concessão do benefício. Em outras palavras, para ser considerada como subvenção para investimento, o benefício tem que ser concebido e formalizado, desde seu princípio, com este Fl. 3923DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.924 7 propósito específico, claramente delineado em sua legislação de regência e nos atos concessórios. Ou seja, deve haver expressa intenção do subvencionador de destinálas para investimento. Além disso, não pode haver, por parte do beneficiário, o desvirtuamento deste propósito, que há de comprovar a efetiva aplicação dos recursos recebidos em investimentos, conforme definido nos instrumentos de concessão, para poder usufruir o benefício do artigo 443 do RIR/99. A autoridade autuante procedeu ampla e minuciosa análise da legislação referente a cada uma das subvenções recebidas pela contribuinte, com o intuito de identificar a intenção do subvencionador. A referida autoridade debruçouse, também, sobre a contabilidade da contribuinte, com o intuito de analisar a efetiva ação do subvencionado, no caso concreto. Ao final dessa análise, o autuante concluiu, em relação a cada uma das subvenções recebidas, que inexistia a obrigatoriedade de aplicação integral dos recursos obtidos em investimentos no ativo fixo da empresa, razão pela qual não havia como caracterizar tais benefícios como subvenção para investimento. Conseqüentemente, a autoridade autuante classificou todas estas subvenções como de custeio, o que, em última análise, motivou os presentes lançamentos. Para maior clareza, transcrevo os trechos mais relevantes das análises da autoridade autuante, em relação a cada uma das subvenções recebidas pela contribuinte, fls. 12001223: 2.2. Subvenção denominada PRÓEMPREGO – SC [...]Percebese que o programa catarinense destinase a empreendimentos relevantes, já instalados ou que venham a se instalar em território catarinense, “que resultem em geração ou manutenção de empregos, bem como os que consolidem, incrementem ou facilitem exportações e importações”. É de se notar que a lei não vincula a concessão do benefício à necessidade de investimento em novas instalações ou equipamentos, mas se atém sempre à geração de emprego e renda. Por óbvio uma das formas de se atingir tal objetivo é a instalação ou ampliação de instalações, mas não há obstáculo que o mesmo seja atingido, por exemplo, pelo aproveitamento de capacidade ociosa. Nesta linha, o parágrafo 1º recém transcrito cita “projetos de implantação, expansão, reativação, modernização tecnológica”. No caso, a “reativação” pode implicar, simplesmente, na utilização da capacidade ociosa da empresa beneficiária. Mesmo na hipótese da beneficiária resolver realizar investimentos para atingir os propósitos da lei do PRÓEMPREGO, é importante destacar que não há atrelamento do valor do benefício fiscal ao montante investido. Assim, não há nenhum obstáculo na legislação para que uma empresa beneficiária possa receber, por exemplo, R$ 100 milhões a título de subvenção PRÓEMPREGO, tendo aplicado apenas R$ 20 milhões na modernização de seu parque industrial, desde que crie os empregos e gere renda conforme os compromissos assumidos na concessão do benefício. Tal conclusão se infere dos critérios econômicos que devem ser observados na concessão do benefício, definidos no artigo 3º da Lei 13.992, restritos a metas de geração de empregos e de faturamento: […]As demais disposições da lei sob análise também não fazem qualquer menção sobre a necessidade de aplicação dos recursos em investimentos projetados. Fl. 3924DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.925 8 Tampouco a sua regulamentação, na forma do Decreto nº 105 de 2007, do estado de Santa Catarina. [...] [...] não há qualquer determinação relativa à exigência de aplicação dos recursos subvencionados em projetos de investimento. A única obrigação assumida pela CIA HERING relativa à aplicação dos recursos está definida nos seguintes itens do Ato DIAT nº 133/2008: Como se observa, as duas únicas aplicações obrigatórias dos recursos subvencionados estão desvinculadas de qualquer investimento por parte da empresa. [...]A análise global da legislação estadual do PRÓEMPREGO e de todos os documentos apresentados permitem concluir que tais investimentos não estão vinculados diretamente á subvenção recebida, na forma de crédito fiscal de ICMS. Como dito, podem até ser instrumento para os objetivos almejados, quais sejam a geração de emprego e renda. [...]Portanto, as condições postas para o creditamento não traz qualquer vínculo com a necessidade de investimento por parte da beneficiária. Não há também a obrigação da aplicação do valor deste benefício em investimentos específicos. A propósito, não há qualquer definição neste sentido, podendo a beneficiária dar qualquer destinação ao subsídio recebido, sem qualquer condição para esta utilização ou necessidade de prestação de contas. Tampouco há um teto para o valor total a ser creditado no período de vigência do benefício fiscal, restringindoo, por exemplo, a valores previamente investidos. Assim, embora a contribuinte até tenha se comprometido a aplicar recursos em investimentos, quando do ingresso no PRÓEMPREGO, não há qualquer exigência da aplicação da subvenção, pela CIA HERING, em tais investimentos. Tanto a lei como o decreto catarinenses, e até mesmo o respectivo ato concessório, não vinculam o valor da redução de tributos proporcionados pelo programa ao valor de investimentos no ativo do beneficiário. Não havendo a obrigatoriedade de aplicação integral dos recursos em investimentos no ativo fixo da empresa, não há como caracterizar o benefício como subvenção para investimento. Fl. 3925DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.926 9 Ao contrário, além de não haver esta obrigatoriedade, o programa condiciona a manutenção do benefício à conversão de parcela dele (4,5%) em depósito no Fundo PróEmprego e no Fundo de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior (conforme os itens 4 e 5 do Ato DIAT nº 133/2008, transcritos neste relatório). Ou seja, mesmo se a contribuinte assim o desejasse, há vedação expressa para a aplicação integral dos recursos em projetos de investimento. Assim, não resta dúvida que a subvenção denominada PRÓEMPREGO classificase como de custeio. 2.3. Subvenção denominada PROADI – RN O benefício fiscal em tela foi concedido pelo estado do Rio Grande do Norte, sendo impossível classificálo como subvenção para investimento, por vários motivos que serão aqui discorridos. A característica mais emblemática desta impossibilidade é a discrepância entre o valor recebido pela empresa em virtude deste programa e o total investido por ela no estado potiguar. Enquanto foram aplicados pouco mais de R$ 20 milhões no decorrer de 14 anos (2000 a 2013), a empresa auferiu, até o ano de 2013, receitas de subvenção de R$ 63,5 milhões. Tais informações foram fornecidas pela própria contribuinte, quando do atendimento aos quesitos 4.2 e 4.5 do Termo de Intimação Fiscal 09, e estão resumidas na tabela a seguir: Fl. 3926DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.927 10 O gráfico a seguir permite uma melhor visualização da discrepância existente entre os valores anuais de investimento e da subvenção recebida: No gráfico acima, cada período corresponde a um ano, onde o período inicial corresponde a 2000 e o período 14 corresponde a 2013. Como se observa, o valor investido pela empresa (colunas azuis) é muito inferior ao valor da subvenção recebida (colunas marrons). [...]Como se vê, não há qualquer vinculação de que os valores recebidos a título de subvenção sejam aplicados em investimentos. Ao contrário, o próprio estado do Rio Grande do Norte esclarece, no citado Ofício 115, que a aplicação dos recursos é livre. Fl. 3927DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.928 11 Também não há qualquer vinculação entre o limite da subvenção a ser concedida pelo estado com investimentos porventura efetuados ou compromissados pela beneficiária. [...]A ausência de limites vinculados ao valor investido acabou por produzir a situação expressa na tabela 1 anterior deste termo, onde as receitas auferidas pela CIA HERING em virtude desta subvenção são o triplo do valor aplicado pela empresa no estado do Rio Grande do Norte no projeto beneficiário do incentivo PROADI. Assim, a subvenção recebida do estado do RN não apresenta nenhuma das características necessárias para ser classificada como subvenção para investimento. Não há intenção do subvencionador de que os recursos sejam destinados para investimento. Ao contrário, há um investimento prévio recompensado por uma renúncia de ICMS por parte do estado, superior, inclusive, ao valor investido. Tampouco há a necessária aplicação em investimentos dos recursos recebidos na forma da subvenção, fato cabalmente demonstrado na tabela 1 deste relatório, já que a subvenção recebida apenas nos três anos fiscalizados é em muito superior a todo investimento feito contribuinte no decorrer de 14 anos. 2.4. Subvenção denominada PRODUZIR – GO Tampouco este benefício contém características de subvenção para investimento: destinase, comprovadamente, ao financiamento de capital de giro da contribuinte, em valores muitas vezes superiores aos investimentos fixos efetuados, previamente, pela contribuinte no estado. [...] Tratase de benefício semelhante ao PROADI – RN, voltado para empresa que venha a realizar projeto econômico de interesse do estado de Goiás, conforme definido no artigo 5º do Decreto. Dentre os benefícios definidos no âmbito do PRODUZIR, interessa à presente auditoria a modalidade de financiamento com base no imposto que o beneficiário tiver de recolher ao estado de Goiás, conforme artigo 21 e seguintes do decreto goiano. Conforme o artigo 23 deste mesmo decreto, o financiamento pode ser de até 73% do imposto que o beneficiário tiver que recolher ao estado de Goiás. Citado artigo impõe limite ao valor financiado, conforme o seguinte inciso: II – o montante global do financiamento, que deve ser utilizado em parcelas mensais, fica limitado: 1. O valor do investimento fixo total, excetuado o terreno, multiplicado pelo coeficiente de prioridade para o projeto, somado com o montante do capital de giro estimado para um ano; Tal determinação já afasta qualquer possibilidade de se classificar tal subvenção como de investimento. Ora, o valor concedido terá sempre em seu bojo a pretensão de financiar o capital de giro da empresa, pelo período de um ano. Fl. 3928DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.929 12 Não há como se querer classificar capital de giro como investimento. Mesmo a parte do limite vinculada ao investimento fixo total não pode ser entendida como vinculação da aplicação do subsídio, pelas razões a seguir expostas. Primeiramente, o investimento é, em regra, anterior ao financiamento, já que o estabelecimento tem que estar produzindo, uma vez que o valor do subsídio é proporcional ao imposto estadual devido. Em segundo lugar, o limite tem por base o valor do investimento fixo multiplicado por um coeficiente de prioridade. Assim, o valor investido é apenas um dos critérios de mensuração do valor a ser concedido, não significando que o valor do subsídio tenha de ser obrigatoriamente investido, ou mesmo sirva para ressarcir investimentos previamente realizados. [...] [...] no caso em tela, não há qualquer obrigação assumida pela contribuinte quanto à aplicação da subvenção recebida, já que a legislação então vigente não trazia tal restrição. Logo, não há também, sob este prisma, como considerar o valor recebido como subvenção para investimento. [...]Em resumo: a empresa comprova investimentos inferiores a R$ 7 milhões, e recebe crédito de R$ 68,5 milhões, a ser usufruído na forma de desconto do ICMS devido (73% de seu valor), até a data limite de 31/10/2018. A título de subvenção, recebe um desconto de até 100% do saldo devedor deste financiamento. […] A situação consolidada em 2014 mostra que os investimentos fixos previstos e efetivamente comprovados são da ordem de 10 milhões de reais, em valores corrigidos. Tal investimento vem sendo realizado pela CIA HERING desde 1998, sendo que o crédito aberto em contrapartida pelo estado de Goiás, para financiamento de capital de giro da contribuinte neste período, já chega a quase R$ 200 milhões. Por fim, a contribuinte obtém descontos de até 100% do saldo devedor anual deste financiamento, sendo que, no período fiscalizado tal desconto foi efetivamente de 100%, a exceção do período compreendido entre 04/2012 e 03/2013, onde chegou a 95%. Desta forma, a subvenção recebida do estado do Goiás não apresenta características que lhe permita ser classificada para investimento. Os recursos são expressamente destinados ao financiamento do capital de giro da contribuinte, e autorizados em montantes várias vezes superior aos investimentos fixos previamente realizados pela contribuinte no estado goiano. Da Impugnação Nos termos da decisão da DRJ, segue o relato da Impugnação, de fls. 1.219/1.383, que aduziu os seguintes argumentos: Inconformada, a fiscalizada apresentou Impugnação às fls. 1577/1615, em que refuta os seguintes pontos: 1) Foi correta a escrituração das subvenções para investimentos, nos termos do item 29 do CPC 07. Afirmou, outrossim, que o item 30 do citado Pronunciamento afirma Fl. 3929DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.930 13 que “ambos os métodos são aceitos para apresentação das subvenções relacionadas às receitas”, ou seja, é aceitável reconhecer as subvenções tanto como “Outras Receitas” ou como “Dedução da Despesa Relacionada”. A forma de escrituração adotada pela contribuinte estaria de acordo com a Lei nº 11.941/09, que em seu artigo 18, I estabelece que a pe4ssoa jurídica deverá “reconhecer o valor da doação ou subvenção em conta de resultado pelo regime de competência”. Sustentou, outrossim, que ao reverter posteriormente tais valores para a Reserva de Incentivos Fiscais, o montante das subvenções não foi distribuído de modo algum aos acionistas da companhia; 2) As subvenções apropriadas pela contribuinte preenchem todos os requisitos necessários para caracterizálas como subvenções para investimento. No entender da impugnante, a caracterização da subvenção para investimento depende da análise (i) da intenção do subvencionador, (ii) da efetiva ação do subvencionado, (iii) da lei que instituiu a subvenção. Neste sentido, citou precedentes do CARF e da CSRF, os quais rechaçaram a interpretação restritiva do Parecer Normativo CST 112/78, consolidando o entendimento de que as contrapartidas às subvenções para investimento não precisam, necessariamente, estar relacionadas a investimentos em ativo imobilizado. Com base nestas premissas, a impugnante analisou individualmente cada uma das subvenções recebidas dos estados de Santa Catarina, Rio Grande do Norte e Goiás; 3) Em relação ao Programa PróEmprego, apresentou extensa análise da legislação que previu a concessão da referida subvenção. Buscou demonstrar que a impugnante cumpriu todas as metas estabelecidas no citado programa. Fez referência a julgados do CARF da CSRF, os quais reconheceram que é “absolutamente clara a natureza de subvenção de investimento” do benefício fiscal estabelecido no âmbito do Programa Pró Emprego, da Secretaria da Fazenda do Estado de Santa Catarina; 4) Também apresentou extensa análise da legislação referente ao Programa PROADI, do Estado do Rio Grande do Norte., concluindo que as contrapartidas exigidas no âmbito do citado Programa não se restringem ao investimento no ativo imobilizado, exigindo se também a geração de empregos, a realização de investimentos em materiais e a geração de receitas anuais da empresa e de ICMS; 5) Também realizou a mesma espécie de argumentação em relação ao Programa PRODUZIR, do Estado de Goiás. Especificamente em relação a este Programa, afirmou que no período fiscalizado (de 2011 a 2013), a contribuinte recebeu subvenções no valor de R$ 5.184.678,93, ao mesmo tempo em que investiu R$ 7.889.797,82 no ativo imobilizado de sua fábrica em Anápolis – GO. Assim, concluiu que, além do citado Programa Produzir reunir todas as características de uma subvenção para investimento, teriam sido cumpridas pela contribuinte todas as contrapartidas previstas no aludido Programa; 6) Caso assim não se entenda, requereu a impugnante que sejam consideradas como subvenções para investimento, no mínimo, a parcela desta subvenções que efetivamente tenha sido aplicada pela contribuinte em seu ativo imobilizado (valores descritos no Anexo 10); 7) Considerando que as subvenções recebidas eram subvenções para investimento, o art. 21, I da Lei nº 11.941/09 (vigente no período fiscalizado) é categórico ao afastar os valores recebidos do âmbito de incidência do PIS e da COFINS. Em defesa do seu entendimento, mencionou jurisprudência do CARF; Fl. 3930DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.931 14 8) Não é juridicamente possível a exigência das multas isoladas, por insuficiência de recolhimento de antecipações de IRPJ e CSLL, após o encerramento dos respectivos anoscalendário. Neste sentido, também mencionou jurisprudência do CARF e CSRF; 9) Defendeu a impossibilidade de cumulação da multa de ofício (art. 44, I da Lei nº 9.430/96) com a multa isolada (art. 44, II, “b”, da referida Lei), pois tal fato representaria dupla punição por uma única infração. Neste sentido, fez referência à Súmula CARF nº 105; 10) Por fim, defendeu a não incidência dos juros de mora (SELIC) sobre a multa de ofício, consoante precedente da CSRF. Em julgamento realizado em 24 de março de 2017, a 3ª Turma da DRJ/FNS, considerou improcedente a Impugnação apresentada e prolatou o acórdão 0739.470, assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2013, 2014 SUBVENÇÃO PARA INVESTIMENTO. NÃO CARACTERIZAÇÃO. Para ser considerada como subvenção para investimento, o benefício fiscal deve ser concebido e formalizado, desde seu princípio, com este propósito específico, claramente delineado em sua legislação de regência e nos atos concessórios. Ausente tal comprovação, devese tratar o benefício recebido como subvenção corrente, aplicandose a regra geral, prevista no art. 392 do RIR/99, que determina a inclusão do valor das subvenções correntes na base de cálculo do IRPJ. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2013, 2014 LANÇAMENTOS DECORRENTES Aplicase aos lançamentos referentes à CSLL, PIS e COFINS o mesmo que restou decidido em relação ao lançamento do IRPJ, por decorrer dos mesmos elementos de prova e se referir à mesma matéria tributável. MULTA DE OFÍCIO. CUMULATIVIDADE COM MULTA ISOLADA Apurandose, no mesmo processo, a prática de duas ou mais infrações pela mesma pessoa natural ou jurídica, aplicamse cumulativamente, no grau correspondente, as penas a elas cominadas, se as infrações não forem idênticas. Conseqüentemente, a multa isolada por falta de recolhimento de estimativas, lançada com fundamento no art. 44, II, “a” (com a redação dada pela Lei 11.488/07), pode ser exigida ao mesmo tempo da multa de ofício por falta de pagamento de IRPJ e CSLL apurado no ajuste anual. JUROS SOBRE MULTA DE OFICIO. A incidência de juros de mora sobre a multa de ofício, após o seu vencimento, está prevista pelos artigos 43 e 61, § 3º da Lei 9.430/96. A multa de ofício integra a obrigação tributária principal, razão pela qual é legítima a incidência dos juros de mora sobre a multa de ofício. Tal exigência, além de Fl. 3931DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.932 15 ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Do Recurso Voluntário A contribuinte apresentou recurso voluntário às fls. 3692/3748, intempestivo, reiterando os argumentos apresentados em sede de impugnação, e atendose aos seguintes pontos principais: Das Nulidades: Da Necessidade de novo julgamento pela DRJ de Florianópolis/SC Da destituição do mandato de julgador; Do Irregular exercício do cargo de presidente de turma da ausência de poderes para presidir a sessão de julgamento; do prazo para o exercício do cargo de presidente; Da nulidade de intimação da recorrente do acórdão recorrido; Da nulidade do Acórdão recorrido ausência de análise dos documentos carreados aos autos; Do mérito: Da correta escrituração das subvenções para investimento; Do preenchimento dos requisitos para caracterização das subvenções para investimento; Programa PróEmprego Estado de Santa Catarina Programa PROADI Estado do Rio Grande do Norte Programa PRODUZIR Estado de Goiás Da não tributação das subvenções pelo PIS e pela COFINS; Da impossibilidade da exigência das multas isoladas após o encerramento do anocalendário; Da impossibilidade de cumulação de multa de ofício com as multas isoladas; Da não incidência de juros de mora (selic) sobre a multa de ofício; Recebi os autos por sorteio em 16/03/2018. É o relatório. Fl. 3932DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.933 16 Voto Conselheira Amélia Wakako Morishita Yamamoto, Relatora. Conheço do Recurso Voluntário especificamente com relação à arguição de tempestividade. A recorrente foi intimada da decisão de da DRJ/FNP, via Domicílio Tributário Eletrônico DTE em 10/04/2017, fls. 3656/3670. Posteriormente, diante da não apresentação de Recurso Voluntário, nos 30 dias seguintes ao da intimação, a Seção de Controle e Acompanhamento Tributário SACAT emitiu o Termo de Perempção em 22/05/2017, fls. 3671, determinando o encaminhamento dos autos à PGFN caso não tenha havido o pagamento amigável do débito. Dessa forma, não havendo o pagamento, foi enviada a Carta Cobrança, cuja ciência, da mesma forma, via DTE, se deu em 05/07/2017, ao que o recorrente apresentou o Recurso Voluntário, em 18/07/2017, às fls. 3692/3748. Posteriormente, mediante Despacho Decisório, de fls. 3670/3671 e 3672, a mesma Seção SACAT, negou seguimento ao Recurso Voluntário proposto, ao que foi devidamente intimada, via DTE. Diante disso, a Recorrente impetrou, em 04/08/2017, Mandado de Segurança 201294420.2017.04.7205/SC com pedido liminar de suspensão da exigibilidade do crédito tributário, ao argumento de que os advogados não haviam sido devidamente intimados, e que fosse determinado o recebimento do respectivo Recurso Voluntário. A liminar foi indeferida, e foi interposto Agravo de Instrumento, com pedido de antecipação de tutela, ao qual foi igualmente indeferido. Em 11/09/2017, a recorrente novamente impetrou Mandado de Segurança 501494915.2017.4.04.7205/SC, com mesmo pedido liminar, requerendo a remessa do Recurso Voluntário para a análise do CARF, diante do ato coator que negou o seguimento. Assim, o pedido de liminar foi deferido, com base no art. 35 do Decreto nº 70.235/72, que diz que o recurso voluntário, mesmo perempto, será encaminhado ap órgão de segunda instância, que julgará a perempção: Fl. 3933DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.934 17 Assim, os autos chegaram a este CARF, com a determinação do Juízo para que analisemos a questão relacionada à perempção, levantada em sede de preliminar no recurso Voluntário. E nestes termos, não vejo outra razão se não a de considerar o Recurso Voluntário intempestivo. Como dito, a intimação via DTE, ocorreu no dia 10/04/2017, a apresentação do recurso se deu em 18/07/2017, em que pese a argumentação da defesa de que o advogado não foi intimado. Nos Processos Administrativos Fiscais que tratam da constituição de crédito tributário, a matéria pertinente ao oferecimento de recursos administrativos foi confiada ao Decreto nº 70.235/72, cujo art. 33 concedeu ao sujeito passivo o prazo de 30 dias, contados da Fl. 3934DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.935 18 data em que for feita a intimação da decisão, para o oferecimento, ao órgão julgador de 2ª instância, de recurso voluntário. Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Da leitura do Decreto nº 70.235/72, temos que a ciência de atos processuais ao sujeito passivo poderá ser realizada, dentre outras formas, pessoalmente, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar. O ato de ciência em foco pode, igualmente, ser levado a cabo por via postal, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, assim considerado o endereço postal por ele fornecido à administração tributária para fins cadastrais. E ainda, a notificação eletrônica, conforme disciplina o Decreto 70.235/72: Decreto nº 70.235, de 6 de março de 1972 Art. 23. Farseá a intimação: I pessoal, pelo autor do procedimento ou por agente do órgão preparador, na repartição ou fora dela, provada com a assinatura do sujeito passivo, seu mandatário ou preposto, ou, no caso de recusa, com declaração escrita de quem o intimar; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(grifos nossos) II por via postal, telegráfica ou por qualquer outro meio ou via, com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III por meio eletrônico, com prova de recebimento, mediante: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) envio ao domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) registro em meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo. (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) §1º Quando resultar improfícuo um dos meios previstos no caput deste artigo ou quando o sujeito passivo tiver sua inscrição declarada inapta perante o cadastro fiscal, a intimação poderá ser feita por edital publicado: (Redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009) I no endereço da administração tributária na internet;(Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) II em dependência, franqueada ao público, do órgão encarregado da intimação; ou (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) Fl. 3935DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.936 19 III uma única vez, em órgão da imprensa oficial local. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §2° Considerase feita a intimação: I na data da ciência do intimado ou da declaração de quem fizer a intimação, se pessoal; (grifos nossos) II no caso do inciso II do caput deste artigo, na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação; (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997) (grifos nossos) III se por meio eletrônico, 15 (quinze) dias contados da data registrada: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) a) no comprovante de entrega no domicílio tributário do sujeito passivo; ou (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) b) no meio magnético ou equivalente utilizado pelo sujeito passivo; (Incluída pela Lei nº 11.196, de 2005) IV 15 (quinze) dias após a publicação do edital, se este for o meio utilizado. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §3º Os meios de intimação previstos nos incisos do caput deste artigo não estão sujeitos a ordem de preferência.(Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) §4º Para fins de intimação, considerase domicílio tributário do sujeito passivo: (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) I o endereço postal por ele fornecido, para fins cadastrais, à administração tributária; e (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) (grifos nossos) II o endereço eletrônico a ele atribuído pela administração tributária, desde que autorizado pelo sujeito passivo. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §5º O endereço eletrônico de que trata este artigo somente será implementado com expresso consentimento do sujeito passivo, e a administração tributária informarlheá as normas e condições de sua utilização e manutenção. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §6º As alterações efetuadas por este artigo serão disciplinadas em ato da administração tributária. (Incluído pela Lei nº 11.196, de 2005) §7º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda na sessão das respectivas câmaras subsequente à formalização do acórdão.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) Fl. 3936DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.937 20 §8º Se os Procuradores da Fazenda Nacional não tiverem sido intimados pessoalmente em até 40 (quarenta) dias contados da formalização do acórdão do Conselho de Contribuintes ou da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, os respectivos autos serão remetidos e entregues, mediante protocolo, à Procuradoria da Fazenda Nacional, para fins de intimação.(Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) §9º Os Procuradores da Fazenda Nacional serão considerados intimados pessoalmente das decisões do Conselho de Contribuintes e da Câmara Superior de Recursos Fiscais, do Ministério da Fazenda, com o término do prazo de 30 (trinta) dias contados da data em que os respectivos autos forem entregues à Procuradoria na forma do § 8o deste artigo. (Incluído pela Lei nº 11.457, de 2007) O Domicílio Tributário Eletrônico foi regulamentado pela portaria SRF 259/2006, que trata como uma caixa Postal virtual, mediante acesso ao eCAC, via site da RFB. A intimação eletrônica, e sua respectiva prova se dará mediante o envio ao domicílio tributário do sujeito passivo, sendo considerado como tal a Caixa Postal a ele atribuída, desde que expressamente autorizado pelo próprio sujeito passivo. É certo que houve a adesão pelo recorrente por este meio. Ademais, todas as intimações anteriores foram realizadas por esta forma, inclusive a impugnação em 1º instância foi apresentada após a intimação via DTE. Ademais, os meios de intimação previstos no Decreto nº 70.235/72 não estão sujeitos a qualquer ordem de preferência, conforme assim determina o §3º do art. 23 do mesmo decreto. No que tange à intimação adicional do advogado, o Decreto não faz qualquer menção, e sim a exigência da intimação do sujeito passivo, já que no processo administrativo fiscal, a presença do advogado é opcional, e não há dúvida de que a intimação foi efetivamente realizada no dia 10/04/2017. Assim, devidamente intimado o contribuinte da decisão da DRJ, há de se ratificar a perempção de fls. 3671. Dessa forma, voto por conhecer do Recurso Voluntário na parte que trata da intempestividade do recurso voluntário apresentado, para negarlhe provimento. Ressaltese, aqui, que foi levantada da tribuna, pelo recorrente, questão que poderia ser considerada de ordem pública e dessa forma devesse ser analisada pelo Colegiado. No seu entendimento, com a edição da LC 160/17, norma que tratou dos benefícios de ICMS como a matéria tratada no mérito, por ser superveniente, e de ordem pública, não estaria sujeita à preclusão temporal. O Colegiado, em sua maioria, entendeu que em razão da intempestividade, que foi reconhecida por unanimidade, o Colegiado não é competente para analisar qualquer Fl. 3937DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.938 21 matéria que não fosse a questão da tempestividade. Nenhuma porta se abriu para a sua análise, inclusive para aplicação do art. 493 do NCPC. Ademais, entendeu, também o Colegiado, em sua maioria, que as nulidades alegadas pelo recorrente não seriam de ordem pública, como seria a decadência, e assim serem conhecidas de ofício pelo Colegiado. Assim, não foi analisada qualquer questão além da tempestividade. (assinado digitalmente) Amélia Wakako Morishita Yamamoto Fl. 3938DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.939 22 Declaração de Voto Conselheiro Carlos Augusto Daniel Neto Peço vênia aos Doutos Conselheiros para, aderindo à conclusão pelo não conhecimento do Recurso Voluntário, nos termos do voto da Ilustre Relatora, justificar a razão do conhecimento de ofício das questões relativas à: a) aplicação da Lei Complementar nº 160/2017 ao presente caso; b) alegação de nulidade da decisão recorrida por incompetência da autoridade prolatora. Frisese, inicialmente, que a presente declaração de voto versa apenas sobre o conhecimento de tais questões, não entrando no enfrentamento meritório. Da mesma forma, é preciso frisar que a preclusão pode se dar de diversas formas no âmbito dos processos judiciais e administrativos temporal, lógica ou consumativa tendo como principal efeito o encerramento de um direito da parte. No presente caso, verificou se a preclusão temporal quanto a apresentação de novas alegações em razão da intempestividade do Recurso Voluntário. É preciso frisar, entretanto, que existem situações em que mesmo diante da preclusão quanto às alegações recursais, em razão da matéria apontada ou sob certas circunstâncias estabelecidas na legislação, é possível a apresentação de novas questões de fato e de direito, ou mesmo o conhecimento delas, ex officio, pelo julgador. Quanto ao primeiro item, tratase de legislação superveniente à interposição do Recurso Voluntário do contribuinte, cuja aplicação retroativa sem impõe em razão de sua natureza interpretativa. Tratase de questão nova, não existente à época do RV, tampouco à época da autuação fiscal, com patente capacidade de afetar a decisão de mérito do presente processo. Tal situação se adequa, em nosso entender, ao art. 16, §4º, "b" do Decreto 70.235/72, que afasta a preclusão temporal para alegações de direito superveniente: Art. 16 (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que:(Redação dada pela Lei nº 9.532, de 1997)(Produção de efeito) a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidas aos autos. Fl. 3939DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.940 23 Ainda nessa linha, sequer seria necessária a alegação do contribuinte para a matéria ser conhecida, à luz da alteração do regime de conhecimento de questões supervenientes pelo Código de Processo Civil de 2015, em seu art. 493, verbis: Art. 493. Se, depois da propositura da ação, algum fato constitutivo, modificativo ou extintivo do direito influir no julgamento do mérito, caberá ao juiz tomálo em consideração, de ofício ou a requerimento da parte, no momento de proferir a decisão. Parágrafo único. Se constatar de ofício o fato novo, o juiz ouvirá as partes sobre ele antes de decidir. É importante frisar que tal dispositivo, por força do art. 15 do NCPC, tem aplicação supletiva ao processo administrativo fiscal, por não conflitar com qualquer das regras existentes tanto no Decreto 70.235/72, quanto na Lei nº 9.784/99 (diferentemente da aplicação subsidiária, que pressupõe a existência de lacuna prévia a ser colmatada). Desse modo, entendo que essa questão deva ser conhecida pelo Colegiado, com fulcro no art. 15 c/c art. 493, ambos do CPC/2015. Quanto ao segundo item, relativo ao pleito de nulidade por decisão de autoridade incompetente, tratase de situação distinta. Tratase, evidentemente, de hipótese de nulidade e, portanto, matéria sujeita ao conhecimento de ofício por parte do Colegiado, a qualquer tempo e a despeito da ausência de alegação (ressaltando que a matéria foi alegada no RV). Nos termos do art. 59, I do Decreto 70.235/72: Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Nessa linha, as questões que envolvam nulidade podem e devem ser conhecidas de ofício pelo julgador, conforme art. 63, §2º da Lei nº 9.784/99: Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. § 1oNa hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Fl. 3940DF CARF MF Processo nº 13971.721593/201681 Acórdão n.º 1301003.161 S1C3T1 Fl. 3.941 24 Como se vê, o dispositivo trata especificamente dos casos em que o recurso não deve ser conhecido, e.g. intempestividade, autorizando à autoridade administrativa conhecimento de ofício da matéria que ensejou a nulidade apontada. Ademais, tal proceder não é estranho ao CARF, a exemplo do decidido no Acórdão nº 3402003.988, em 29/03/2017, em voto da Ilustre Conselheira Thais de Laurentiis, cuja eloquente ementa enuncia o seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF Anocalendário: 2008, 2009 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. Como se vê, a despeito da intempestividade do Recurso Voluntário, o Colegiado não se furtou de analisar a questão de ordem pública posta pelo patrono durante o julgamento. Desse modo, também voto por conhecer de ofício a preliminar de nulidade da decisão da DRJ arguida, nos termos do art. 63, §2º da Lei nº 9.784/99. É como voto. (assinado digitalmente) Carlos Augusto Daniel Neto Fl. 3941DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16095.000427/2007-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/12/2001 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.797
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 11242.000598/2009-57, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo - Presidente em exercício e Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo.
Nome do relator: MARIA HELENA COTTA CARDOZO
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 09 5. 00 04 27 /2 00 7- 11 Fl. 635DF CARF MF Processo nº 16095.000427/200711 Acórdão n.º 9202006.797 CSRFT2 Fl. 3 2 Participaram do presente julgamento os Conselheiros Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Maria Helena Cotta Cardozo. Relatório Contra o contribuinte foi lavrado o presente auto de infração para cobrança de contribuições previdenciárias destinadas à Seguridade Social. Após o trâmite processual, a turma a quo deu provimento parcial ao recurso voluntário do Contribuinte para determinar o recálculo da multa aplicada haja vista alterações promovidas na redação da Lei nº 8.212/1991. Inconformada com o resultado do julgamento, a Fazenda Nacional interpôs Recurso Especial cujo objeto é a discussão acerca da aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Cientificado, o sujeito passivo não apresentou contrarrazões. É o relatório. Voto Conselheira Maria Helena Cotta Cardozo Relatora Este processo foi julgado na sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 9202006.733, de 19/04/2018, proferido no julgamento do processo 11242.000598/200957, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese como solução deste litígio, nos termos regimentais, o inteiro teor do voto proferido naquela decisão (Acórdão 9202006.733): "O recurso preenche os pressuposto de admissibilidade razão pela qual deve ser conhecido. A controvérsia levantada pela Fazenda Nacional é relativa às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: Fl. 636DF CARF MF Processo nº 16095.000427/200711 Acórdão n.º 9202006.797 CSRFT2 Fl. 4 3 I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão n. 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento Fl. 637DF CARF MF Processo nº 16095.000427/200711 Acórdão n.º 9202006.797 CSRFT2 Fl. 5 4 e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499: Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da Fl. 638DF CARF MF Processo nº 16095.000427/200711 Acórdão n.º 9202006.797 CSRFT2 Fl. 6 5 declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para Fl. 639DF CARF MF Processo nº 16095.000427/200711 Acórdão n.º 9202006.797 CSRFT2 Fl. 7 6 as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas Fl. 640DF CARF MF Processo nº 16095.000427/200711 Acórdão n.º 9202006.797 CSRFT2 Fl. 8 7 competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou Fl. 641DF CARF MF Processo nº 16095.000427/200711 Acórdão n.º 9202006.797 CSRFT2 Fl. 9 8 II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Diante do exposto, voto por dar provimento ao recurso da Fazenda Nacional para determinar que a multa seja aplicada nos termos em que fixado pela Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009." Fl. 642DF CARF MF Processo nº 16095.000427/200711 Acórdão n.º 9202006.797 CSRFT2 Fl. 10 9 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, nos termos dos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, voto em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em dar lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo Fl. 643DF CARF MF
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