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Numero do processo: 10840.003403/2001-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996,1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 11. Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal quando sequer se iniciou a contagem do prazo prescricional, que só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor do Enunciado de Súmula CARF nº 11, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o desrespeito a princípios constitucionais no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu as regras procedimentais e processuais, o que é vedado ao CARF, conforme sua Súmula nº 02. INTIMAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado. A intimação se dará na pessoa do contribuinte no endereço escolhido como seu domicílio tributário. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. O ganho de capital na alienação de bens está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte. Não realizado recolhimento parcial do imposto incidente sobre a operação, deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme orientação do STJ no REsp n° 973.733, em julgamento sob rito do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo). GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. FATO GERADOR. Na apuração do ganho de capital decorrente de alienação a prazo, deve ser considerado o fato gerador como ocorrido na data do recebimento de cada uma das parcelas pactuadas, à medida do seu recebimento. ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Submete-se à incidência do imposto o ganho de capital auferido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação de bens imóvel, considerando-se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição.
Numero da decisão: 2201-004.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996,1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 11. Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal quando sequer se iniciou a contagem do prazo prescricional, que só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor do Enunciado de Súmula CARF nº 11, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o desrespeito a princípios constitucionais no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu as regras procedimentais e processuais, o que é vedado ao CARF, conforme sua Súmula nº 02. INTIMAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado. A intimação se dará na pessoa do contribuinte no endereço escolhido como seu domicílio tributário. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. O ganho de capital na alienação de bens está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte. Não realizado recolhimento parcial do imposto incidente sobre a operação, deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme orientação do STJ no REsp n° 973.733, em julgamento sob rito do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo). GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. FATO GERADOR. Na apuração do ganho de capital decorrente de alienação a prazo, deve ser considerado o fato gerador como ocorrido na data do recebimento de cada uma das parcelas pactuadas, à medida do seu recebimento. ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Submete-se à incidência do imposto o ganho de capital auferido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação de bens imóvel, considerando-se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição.

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2201­004.108  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária   Sessão de  06 de fevereiro de 2018  Matéria  IRPF ­ Ganho de Capital  Recorrente  WAGNER PAULA FERREIRA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Ano­calendário: 1996,1997  PRESCRIÇÃO  INTERCORRENTE.  INOCORRÊNCIA.  PROCESSO  ADMINISTRATIVO  FISCAL.  NÃO  RECONHECIMENTO.  SÚMULA  CARF Nº 11.  Não há  que  se  falar  em prescrição  intercorrente  no  processo  administrativo  fiscal  quando  sequer  se  iniciou  a  contagem  do  prazo  prescricional,  que  só  ocorre  com  a  constituição  definitiva  do  crédito  tributário.  A  teor  do  Enunciado de Súmula CARF nº 11, não se reconhece no âmbito do processo  administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente.  PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. CARF.  A  argumentação  sobre  o  desrespeito  a  princípios  constitucionais  no  lançamento  tributário  não  escapa  de  uma  necessária  aferição  de  constitucionalidade  da  legislação  tributária  que  estabeleceu  as  regras  procedimentais  e  processuais,  o  que  é  vedado  ao  CARF,  conforme  sua  Súmula nº 02.  INTIMAÇÃO  PESSOAL  DO  ADVOGADO  DO  CONTRIBUINTE.  DESCABIMENTO.  O  art.  23  da  Lei  n°  70.235/72  não  traz  previsão  da  possibilidade  de  a  intimação dar­se na pessoa do advogado do autuado. A intimação se dará na  pessoa do contribuinte no endereço escolhido como seu domicílio tributário.   MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.  O MPF  é  instrumento  interno  de  planejamento  e  controle  das  atividades  e  procedimentos fiscais de forma que eventuais  irregularidades no seu trâmite  ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.  O  MPF  é  expedido  em  face  do  sujeito  passivo  fiscalizado,  não  havendo  previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 34 03 /2 00 1- 61 Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 725          2 ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA.  O  ganho  de  capital  na  alienação  de  bens  está  sujeito  ao  pagamento  do  imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de  tributo  sujeito  ao  regime  do  lançamento  por  homologação,  uma  vez  que  a  apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte.  Não  realizado  recolhimento  parcial  do  imposto  incidente  sobre  a  operação,  deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia  do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado,  conforme orientação do STJ no REsp n° 973.733, em julgamento sob rito do  art. 543­C do CPC (recurso repetitivo).  GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. FATO GERADOR.  Na apuração do  ganho de capital  decorrente de alienação  a prazo, deve ser  considerado  o  fato  gerador  como  ocorrido  na  data  do  recebimento  de  cada  uma das parcelas pactuadas, à medida do seu recebimento.  ALIENAÇÃO  DE  BENS.  GANHO  DE  CAPITAL.  CUSTO  DE  AQUISIÇÃO.   Submete­se à incidência do imposto o ganho de capital auferido pelo sujeito  passivo em decorrência da alienação de bens imóvel, considerando­se como  ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o  respectivo custo de aquisição.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os membros  do  colegiado,    por  unanimidade  de  votos,  em  negar  provimento ao recurso voluntário.  (assinado digitalmente)  CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator  EDITADO EM: 16/03/2018    Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Henrique  de  Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da  Silva  Risso,  Daniel  Melo  Mendes  Bezerra  e  Rodrigo  Monteiro  Loureiro  Amorim.  Ausente  justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.      Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 726          3 Relatório  Trata­se de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 17­29.111 ­ 7a  Turma da DRJ/SPOII, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir  o Auto de Infração pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física ­ IRPF incidente  sobre ganho de capital.   A decisão de primeira instância de forma objetiva assim sintetizou os fatos:  Em  ação  levada  a  efeito  no  contribuinte  acima  qualificado,  apurou­se o crédito tributário na importância correspondente a  R$ 668.493,13  (seiscentos e  sessenta  e oito mil,  quatrocentos e  noventa  e  três  reais  e  treze  centavos)  relativo  ao  Imposto  de  Renda Pessoa Física ­ Ganho de Capital do contribuinte acima,  nos  anos­calendário  1996  e  1997,  sendo  R$  234.172,36  referentes  ao  imposto,  R$  175.629,26  referentes  a  multa  proporcional  e  R$  258.691,51  referentes  aos  juros,  de  acordo  com a legislação apontada em fl. 13.  2. A  infração apurada,  que  resultou  na  constituição do  crédito  tributário referido, encontra­se relatada no Termo de Conclusão  Fiscal (fls. 18 a 29) e nos dá conta dos seguintes aspectos:  OMISSÃO  DE  GANHOS  DE  CAPITAL  NA  ALIENAÇÃO  DE  BENS E DIREITOS. Falta de recolhimento do imposto incidente  sobre  os  ganhos  de  capital,  referente  à  alienação  de  imóvel  situado  a  Av.  Itatiaia,  n°  365,  Ribeirão  Preto/SP,  conforme  segue:    Fato Gerador  Valor Tributável  Multa (%)  31/01/1996  R$ 884.010,35  75,00  31/03/1996  R$ 241.093,73  75,00  31/08/1997  R$ 401.822,88  75,00  RENDIMENTOS  CLASSIFICADOS  INDEVIDAMENTE  NA  DIRPF.   O  contribuinte  classificou  indevidamente  na  Declaração  de  Ajuste  os  rendimentos  recebidos  de  pessoa  jurídica,  a  título  de  indenização por atraso de pagamento, conforme segue:  Fato Gerador  Valor Tributável  Multa (%)  31/08/1997   R$28.664,63   75,00  O  Auto  de  Infração  foi  lavrado  em  07/12/2001  (sexta­feira),  tomando  o  autuado  ciência  em  mesma  data,  pessoalmente  (fl.  12),  ingressou com a impugnação (fls. 188 a 230), com juntada  de documentos (fls. 231 a 501), em 07/01/2002, na qual procura  Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 727          4 demonstrar a improcedência da autuação, alegando, em resumo,  o seguinte:  3.1.  pede  a NULIDADE do  lançamento  pelas  seguintes  razões:  violação  aos  princípios  da  legalidade,  impessoalidade,  moralidade  e  publicidade  (caput  do  art.  37  da  CF)  e  desobediência  a  preceitos  inescusáveis  que  visam  ofertar  de  lógica, aplicação de penalidade por convicção pessoal do AFRF,  consideração real de fatos não verdadeiros e desconsideração de  fatos reais, acusação de inércia ao requerente ao mesmo tempo  em que lhe é sonegado o direito constitucional à ampla defesa e  ao  contraditório,  enfim,  auto  lavrado  com  arbítrio  e  desvio  de  finalidade;  diz que é direito inescusável do requerente ser informado, desde  logo,  sobre  as  razões  verdadeiras  que  o  levaram  a  esta  investigação,  ainda mais  levando­se  em  conta  o  fato  público  e  notório  de  já  haver  sido  envolvido  e  submetido  a  vexatório  e  constrangedor  processo  administrativo,  fato  este,  aliás,  que  somente o auditor fiscal Ulisses Panayotis alega desconhecer;  argumenta que o Auditor Fiscal, mesmo tendo sido oficialmente  comunicado  acerca  da  nomeação  de  procurador,  o  mesmo  encaminhava  as  intimações  tão  somente  para  o  contribuinte,  complementa,  desprezar  esta  prerrogativa  prevista  em  Lei  específica  garantia  constitucional  é  o  mesmo  que  denegar  justiça;  "No mesmo ritmo, ao elaborar o auto de infração considerando  reais  fatos  não  verdadeiros  e  desconsiderando  fatos  reais,  o  auditor  fiscal  Ulisses  Panayotis  Voúlgaris  pratica  contra  o  requerente  pena  de  perdimento  e  conseqüente  confisco,  o  que  recebe  veemente  repúdio  em  nossos  tribunais  (basta  olhar,  enfim, o valor irrisório atribuído ao imóvel)";  diz  que,  no  requerimento  ao  Delegado  da  receita  Federal  de  Ribeirão  Preto  em  24/09/2001  e  que  não  chegou  às  mãos  por  vontade  exclusiva  do  auditor  Ulisses  Panayotis  Voúlgaris  que  resolveu  conhecê­lo  e  julgá­lo  ao  sabor  de  sua  interpretação  pessoal,  há  matéria  de  fato  e  de  direito  que  não  pode  ser  ignorada, tendo sido violado direito irrenunciável do requerente  que indicou o local onde as provas de suas alegações poderíam  ser avocadas;  ainda, alega ter tido seu direito de defesa cerceado, uma vez que  também  requereu  a  produção  de  outras  provas  na  mesma  petição  que  não  chegou  às  mãos  de  seu  real  destinatário,  ou  seja, o Delegado da Receita Federal de Ribeirão Preto;  CRÍTICAS  AO  CÁLCULO.  Fato  Gerador.  Argumenta  o  impugnante que, se a alienação ocorreu no exercício de 1996, a  lei  a  ser  usada  para  o  cálculo  do  imposto  tem  que  ser  a  do  mesmo período ou seja a usada na Declaração de Ajuste Anual  de 1997, exercício de 1996. Não deve ser esquecido o princípio  da  competência  dos  exercícios:  este  princípio  estabelece  que  o  reconhecimento  das  receitas  e  despesas  está  identificado  com  Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 728          5 períodos  específicos  e  associados  ao  surgimento  de  fatos  geradores;  transcreve art. 135 e parágrafos do RIR/1999;   Do Cálculo do Custo. Argumenta que o Auditor Fiscal  usou a  Lei n° 84/2001,  sendo que a alienação  foi  feita no exercício de  1996, não considerou a data de ocorrência do o fato gerador;  quanto  ao  valor  de  R$  28.664,63,  o  contribuinte  não  o  considerou  como  rendimentos  uma  vez  que  se  trata  de  simples  atualização  das  parcelas  em  atraso,  de  onde  não  ocorre  recebimento de rendimento tributável;  CONCLUSÃO.  Concluindo,  o  impugnante  diz  que  o  Auditor  Fiscal efetuou os cálculos do Custo do Imóvel pelo seu próprio  entendimento e ao sabor do mais puro arbítrio, desconsiderando  toda a legislação existente no País:  3.11.1  não  considerou  o  Fato Gerador  ou  seja  o  Princípio  da  Competência  dos  exercícios,  usando  IN de  2001,  para  calcular  imposto de 1996;  corrigiu  os  valores  do  custo  do  imóvel  de  1992  até  1995,  contrariando  desta  forma  o  próprio  Órgão  que  já  havia  desenvolvido um sistema que atualizou esses valores diretamente  na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física 1996/1995;  não observou a decadência e a Prescrição, alterando, inclusive,  valores  já  prescritos  há  mais  de  5  anos,  conforme  legislação  vigente;  recusou­se  a  verificar  os  processos MF  10880.041534/95­61  e  10849.003188/95­71,  onde  consta  a  avaliação  do  custo  do  imóvel e vários documentos exigidos pela fiscalização, alegando  não  ter  em  seu  poder  quaisquer  documentos  além  dos  apresentados  pelo  contribuinte  e  que  cabe  aos  contribuintes  fiscalizados a apresentação de documentação;  3.11.5.  o  Auditor  Fiscal  deveria  arbitrar  o  valor  do  custo  do  imóvel  nos  termos  da  Lei  n°  8.383/1991,  art.  96,  §  3o,  usando  dessa  forma  o  valor  da  união  e  constante  nos  processos  administrativos MF 10880.041534/95­61 e 10840.003188/95­71;  que  o  Auditor  Fiscal  jamais  poderia  ter  dado  resposta  a  requerimento  dirigido  pelo  requerente  ao Delegado  da Receita  em  Ribeirão  Preto,  porque  isto  não  é  da  sua  competência  e  cerceou o direito do peticionário de ver reconhecido o valor do  imóvel,  atribuído  pela  própria  administração,  o  que  espanca  qualquer outra dúvida ou discussão;  em 18/08/2008, o interessado protocoliza documento de fls 514 a  528,  através  do  qual  requer  o  deferimento  do  pedido  de  Prescrição Intercorrente e que seja julgado nulo o lançamento e,  como  conseqüência,  o  arquivamento  do  processo.  Protesta  provar o alegado por todos os meios de prova permitidos em lei,  bem como juntada de documentos se necessário.  Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 729          6 Foi prolatado o Acórdão 17­29.111 ­ 7ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 553/570),  que a julgou o lançamento procedente, mantendo integralmente o Auto de Infração, nos termos  da seguinte ementa:  PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE.  Entre o lançamento tributário contestado até que ocorra a  decisão  final  do  contencioso  administrativo,  independentemente  do  período  transcorrido,  não  há  a  extinção  do  crédito  tributário  pelo  decurso  do  prazo,  por  absoluta falta de previsão legal para semelhante pretensão.  MANDADO  DE  PROCEDIMENTO  FISCAL.  EXAU  RIMENTO DO PRAZO. INOCORRÊNCIA.  A conclusão do procedimento  fiscal  com o  lançamento do  tributo e a lavratura do termo de encerramento provocam a  extinção  do  MPF.  A  intimação  ao  sujeito  passivo  corresponde  à  atividade  meramente  administrativa,  podendo ser efetuada após o término do prazo do MPF.  NULIDADE. NORMAS PROCESSUAIS  Comprovado  que  o  procedimento  fiscal  foi  feito  regularmente,  não  se  apresentando,  nos  autos,  as  causas  apontadas no art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não há que  se  cogitar  em  nulidade  processual,  nem  em  nulidade  do  lançamento enquanto ato administrativo.  GANHOS  DE  CAPITAL  NA  ALIENAÇÃO  DE  BENS  E  DIREITOS.  Tributa­se o ganho de capital decorrente do lucro auferido  com  a  alienação  de  bem  imóvel,  caracterizado  pela  diferença  positiva  entre  o  valor  de  venda  e  o  respectivo  custo de aquisição.       A ciência dessa decisão ocorreu em 16/12/2008 (fl.577) e o  recurso voluntário  foi  tempestivamente  protocolado  em  14/01/2009  (fls.  579/600),  tendo  apresentado  as  razões  recursais, a seguir sintetizadas:  1)  Preliminarmente, suscista a aplicação ao caso da prescrição intercorrente, já  que  já se passaram 7 (sete) anos entre a data do protocolo da  impugnação,  que ocorreu no ano de 2001 e o primeiro pedido para o reconhecimento da  prescrição intercorrente, que se deu em 18/08/2008.  2)  Ocorreu  afronta  aos princípios da  eficiência,  da moralidade  administrativa,  da razoabilidade e da economia processual.  3)  A  nulidade  do  processo  administrativo  fiscal,  vez  o  Auditor­Fiscal,  destituído  de  mandado  anterior,  estava  impedido  de  determinar  a  prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF).  Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 730          7 4)   Não foi atendido o requerimento para que as intimações fossem dirigidas ao  seu advogado.  5)  O Ministério da Fazenda avaliou e comprou o imóvel por R$ 1.970.000,00, o  valor  de  seu  custo  real,  que  deve  ser  aceito  para  o  cálculo  do  ganho  de  capital. O custo da construção está devidamente comprovado.  6)  O valor do custo de aquisição não está correto.   7)  O  Auditor­Fiscal  se  utilizou  indevidamente  da  IN  84/2001,  sendo  que  a  alienação ocorreu no ano de 1996.  8)  O Auditor­Fiscal corrigiu o valor do custo de aquisição desde o ano de 1992,  isto não é necessário porque o próprio programa da Receita Federal faz essa  atualização. A autoridade fiscal assevera que utilizou a UFIR de 01/01/1994  para  converter  em  favor  do  contribuinte  os  valores  da  Declaração  1995/1994, no entanto, não é isso o que determina a Instrução Normativa.  9)  O Auditor­Fiscal não poderia  ter alterado o valor do custo de aquisição do  imóvel apresentado nas Declarações dos anos de 1992 a 1995, em função de  o mesmo está prescrito.  10) Não existe amparo legal para o cálculo do ganho de capital sobre alienação a  prazo sem o término da obra ou construção.  11) O contribuinte não  considerou o valor de R$ 28.664,63 como  rendimentos  tributáveis,  por  constituírem  atualização  monetária  do  valor  do  imóvel,  sendo certo que os juros não compõem o valor da alienação.  12) A aplicação da decadência e prescrição ao crédito tributário.  Por fim, requer a decretação de nulidade do lançamento, ou não sendo este o  entendimento que o débito seja retificado de acordo com o anexo 2.        É relatório.  Voto             Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator  Admissibilidade       O  recurso  voluntário  apresentado  preenche  os  requisitos  de  admissibilidade,  devendo, pois, ser conhecido.        Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 731          8 Preliminar  Prescrição Intercorrente  O recorrente alega que transcorreu mais de 7 (sete) anos entre o protocolo da  impugnação  e  a  solução  definitiva  do  presente  processo  administrativo  fiscal.  Assim,  no  entendimento do recorrente, ocorreu a prescrição intercorrente prevista no art. 40, § 4°, da Lei  nº 6.830/80 (incluído pela Lei nº 11.051/04).  É incontroverso que o presente processo administrativo fiscal se encontra na  fase litigiosa, inaugurada com a impugnação (art. 14 do Decreto n. 70.235/1972).  E,  uma  vez  na  fase  litigiosa,  suspensa  está  a  exigibilidade  do  crédito  tributário, conforme previsto no art. 151, III, da Lei n. 5.172/1966 (CTN).  Desta  forma,  pendente  de  pronunciamento  final  no  contencioso  fiscal,  o  crédito tributário ainda não está definitivamente constituído, não se podendo falar do direito do  Fisco de exigi­lo, vez que este direito ainda não pode ser exercido.  É nesse sentido o comando do art. 174, caput, do CTN:  Art. 174. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve  em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva.  No  caso  concreto,  ainda  não  ocorreu  a  constituição  definitiva  do  crédito  tributário em lide, o que afasta, de plano, o início do prazo prescricional previsto no art. 174 do  CTN.  A  seu  turno,  observa­se  que  a matéria  não  permite maiores  digressões,  vez  que é objeto do Enunciado de Súmula CARF nº 11, verbis:  Súmula CARF n° 11:   Não  se  aplica  a  prescrição  intercorrente  no  processo  administrativo fiscal.  Destarte,  rejeito  a  preliminar  suscitada  de  aplicação  da  prescrição  intercorrente.  Ofensa a princípios constitucionais       Em sede de preliminar, o  recorrente alega que houve afronta aos princípios da  eficiência, da moralidade administrativa, da razoabilidade e da economia processual.       Todavia, entendo que os argumentos de afronta aos princípios supra enumerados  não podem ser apreciados sem passar pela análise da constitucionalidade do procedimento e do  processo administrativo fiscal à luz da lei ou decreto.       A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída  especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais  dispositivos,  o  constituinte  teve  especial  cuidado ao definir  quem poderia  exercer o  controle  Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 732          9 constitucional  das  normas  jurídicas. Decidiu  que  caberia  exclusivamente  ao Poder  Judiciário  exercê­la, especialmente ao Supremo Tribunal Federal.       Por  seu  turno,  a Lei nº  11.941/2009  incluiu o  art.  26­A no Decreto 70.235/72  prescrevendo  explicitamente  a  proibição  dos  órgãos  de  julgamento  no  âmbito  do  processo  administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis:  “Art.  26­A.  No  âmbito  do  processo  administrativo  fiscal,  fica  vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar  de  observar  tratado,  acordo  internacional,  lei  ou  decreto,  sob  fundamento de inconstitucionalidade.”       O  recorrente  sustenta  a  invalidade  do  procedimento  e  processo  administrativo  fiscal  com  base  no  princípio  da  eficiência,  moralidade  administrativa  e  razoabilidade,  todos  insertos na Constituição Federal.       Entretanto,  não  é  exaustivo  salientar  que  a  argumentação  do  recorrente  não  escapa  de  uma  necessidade  de  aferição  de  constitucionalidade  da  legislação  tributária  que  estabeleceu o regramento do procedimento de lançamento de Imposto de Renda por ganho de  capital  e  o  próprio  processo  administrativo  fiscal,  o  que  é  vedado  ao  CARF,  conforme  os  dizeres de sua Súmula nº 2, in verbis:  Súmula  CARF  nº  2:  O  CARF  não  é  competente  para  se  pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.              Assim  sendo,  deixo  de  conhecer  as  alegações  afetas  à  constitucionalidade  de  normas,  como  a  infrigência  aos  princípios  da  princípio  da  eficiência,  moralidade  administrativa, razoabilidade e economia processual.     Intimação do Advogado        O  recorrente  alega  que  informou  ao  Auditor­Fiscal  que  todas  as  intimações  relacionadas  ao  lançamento  deveriam  ser  dirigidas  ao  seu  advogado.  Em  face  do  não  atendimento de seu pleito, requer a nulidade do lançamento.          Todavia,  o  apelo  do  recorrente  não  pode  ser  atendido,  à  mingua  de  suporte  legal. Os incisos I a III do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972 estabelecem que as intimações  no decorrer do contencioso administrativo­tributário federal serão realizadas pessoalmente ao  sujeito  passivo,  não  a  seu  advogado,  inexistindo  tampouco  permissivo  para  tanto  no  Regimento Interno do CARF ­ RICARF (Portaria MF n° 343/15).         Portanto,  todas  as  intimações  do  procedimento  e  do  processo  administrativo  fiscal só podem ser efetuadas na pessoa do contribuinte em seu domicílio fiscal cadastrado na  Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conduta diversa do órgão Fazendário é que poderia  culminar em nulidade, não como pretende o recorrente.    Rejeito, pois, a preliminar.  Da decadência      Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 733          10 O  ganho  de  capital  na  alienação  de  bens  ou  ativos,  embora  sujeito  a  tributação  definitiva  e  exclusiva,  exige  do  contribuinte  o  recolhimento  do  imposto  no  prazo  legal, que no caso seria realizado no mesmo ano­calendário da ocorrência do fato gerador.  No presente caso, aplica­se também o entendimento do Superior Tribunal de  Justiça, o qual, através de sua Primeira Seção, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733,  de  relatoria  do  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  sob  o  rito  do  artigo  543­C  do  CPC,  firmou  entendimento no sentido de que, nos  tributos  sujeitos a  lançamento por homologação, para a  fixação  do  prazo  decadencial  para  a  constituição  do  crédito  tributário  é  necessária  a  consideração  sobre  (i)  constatação  de  dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  e  (ii)  a  existência  ou  não  de  pagamento  antecipado para  se  decidir  sobre  a  aplicação  do  inciso  I  do  artigo 173 ou do § 4° do artigo 150, ambos do CTN. Vejamos:  PROCESSUAL  CIVIL.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543­C, DO  CPC.  TRIBUTÁRIO.  TRIBUTO  SUJEITO  A  LANÇAMENTO  POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA.  INEXISTÊNCIA  DE  PAGAMENTO  ANTECIPADO.DECADÊNCIA  DO  DIREITO  DE  O  FISCO  CONSTITUIR  O  CRÉDITO  TRIBUTÁRIO.  TERMO  INICIAL.  ARTIGO  173,  I,  DO  CTN.  APLICAÇÃO  CUMULATIVA  DOS  PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN.  IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o  Fisco  constituir  o  crédito  tributário  (lançamento  de  ofício)  conta­se do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o  lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não  prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito  da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo,  fraude  ou  simulação  do  contribuinte,  inexistindo  declaração  prévia  do  débito  (Precedentes  da  Primeira  Seção:  REsp  766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ  25.02.2008;  AgRg  nos  EREsp  216.758/SP,  Rel.  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  julgado  em  22.03.2006,  DJ  10.04.2006;  e  EREsp  276.142/SP,  Rel.  Ministro  Luiz  Fux,  julgado  em  13.12.2004,  DJ  28.02.2005).  2.  É  que  a  decadência  ou  caducidade,  no  âmbito  do  Direito  Tributário,  importa  no  perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito  tributário  pelo  lançamento,  e,  consoante  doutrina  abalizada,  encontra­se  regulada  por  cinco  regras  jurídicas  gerais  e  abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito  de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício,  ou  nos  casos  dos  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  em  que  o  contribuinte  não  efetua  o  pagamento  antecipado  (Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no  Direito  Tributário",  3a  ed.,  Max  Limonad,  São  Paulo,  2004,  págs..  163/210).  3.  O  dies  a  quo  do  prazo  quinquenal da aludida regra decadencial rege­se pelo disposto  no artigo 173,  I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do  exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido  efetuado"  corresponde,  iniludivelmente,  ao  primeiro  dia  do  exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se  trate  de  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  revelando­se  inadmissível  a  aplicação  cumulativa/concorrente  Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 734          11 dos  prazos  previstos  nos  artigos  150,  §  4°,  e  173,  do  Codex  Tributário,  ante  a  configuração  de  desarrazoado  prazo  decadencial  decenal  (Alberto  Xavier,  "Do  Lançamento  no  Direito  Tributário  Brasileiro",  3a  ed.,  Ed.  Forense,  Rio  de  Janeiro,  2005,  págs..  91/104;  Luciano  Amaro,  "Direito  Tributário  Brasileiro",  10a  ed.,  Ed.  Saraiva,  2004,  págs..  396/400;  e  Eurico  Marcos  Diniz  de  Santi,  "Decadência  e  Prescrição  no Direito  Tributário",  3a  ed., Max  Limonad,  São  Paulo,  2004,  págs..  183/199).  5.  In  casu,  consoante assente  na  origem:  (i)  cuida­se  de  tributo  sujeito  a  lançamento  por  homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado  das  contribuições  previdenciárias  não  restou  adimplida  pelo  contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no  período  de  janeiro  de  1991  a  dezembro  de  1994;  e  (iii)  a  constituição  dos  créditos  tributários  respectivos  deu­se  em  26.03.2001.  6.  Destarte,  revelam­se  caducos  os  créditos  tributários  executados,  tendo  em  vista  o  decurso  do  prazo  decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento  de  ofício  substitutivo.  7.  Recurso  especial  desprovido.  Acórdão  submetido ao regime do artigo 543­C, do CPC, e da Resolução  STJ  08/2008.  (REsp  973.733/SC,  Rel.  Ministro  LUIZ  FUX,  PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009)  Conforme  dispõe  o  artigo  62­A  do  Regimento  Interno  deste  CARF,  o  entendimento  do  STJ  em  sede  de  recurso  repetitivo  é  de  observância  obrigatória  pelos  Conselheiros do CARF.  O recorrente pleiteia a aplicação do artigo 150, § 4° do CTN sob alegação de  que os  fatos  geradores do  imposto de  rende sobre  ganho de  capital  em exame ocorreram no  ano­calendário, e, assim, desde então iniciara a contagem do prazo decadencial.  Ocorre que o ganho de capital na alienação de bens ou ativos está sujeito ao  pagamento  do  imposto  de  renda  de  forma  definitiva  e  exclusiva,  traduzindo modalidade  de  tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto  é realizada pelo próprio contribuinte.  No  caso  em  análise,  não  se  tem  notícia  do  recolhimento  antecipado  do  imposto de renda sobre o ganho de capital, ainda que parcial. Ademais, a fiscalização constatou  a simulação com o objetivo de se ocultar o ganho de capital do processo de integralização das  ações do banco, o que reforça a aplicação do artigo 173, I, do CTN.      De  acordo  com  a  acusação  fiscal,  o  fato  gerador  do  ganho  de  capital  se  materializou sob o aspecto temporal nas seguintes datas:    Fato Gerador  Valor Tributável  Multa (%)  31/01/1996  R$ 884.010,35  75,00  31/03/1996  R$ 241.093,73  75,00  31/08/1997  R$ 401.822,88  75,00  Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 735          12        Em  relação  aos  rendimentos  que  o  contribuinte  classificou  indevidamente  na  Declaração de Ajuste como recebidos de pessoa jurídica, a título de indenização por atraso de  pagamento, tem­se como data do fato gerador:    Fato Gerador  Valor Tributável  Multa (%)  31/08/1997   R$28.664,63   75,00         Não houve antecipação de pagamento em relação ao ganho de capital, fato que  atrai a incidência da regra de contagem do prazo decadência inserta no art. 173, I, do Código  Tributário  Nacional.  Considerando  a  data  do  fato  gerador  mais  remota,  tem­se  que  o  Fisco  poderia efetuar o lançamento do crédito tributário até 31/12/2001.      Considerando que a ciência do lançamento se deu em 07/12/2001 (fl. 14), não há  que se falar em crédito tributário abrangido pela decadência.      Isto posto, rejeito a prejudicial de mérito decadência.  Nulidade por ausência de MPF  Argumenta o recorrente que o lançamento seria nulo por não ter competência  o Auditor notificante para determinar a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal.  Todavia,  não  assiste  razão  ao  contribuinte.  Todos  os  Mandados  de  Procedimento Fiscal Complementares foram assinados pelo Delegado da Delegacia da Receita  Federal em Ribeirão Preto, Auditores­Fiscais Glauco Peter Alvarez Guimarães e Jair Tolentino  da Silva, esse último na condição de Delegado Substituto.   Ainda que houvesse uma irregularidade, o que não é o caso dos autos deve  ser  registrada  a  reiterada  jurisprudência  deste  colegiado  no  sentido  expresso  pelo  Acórdão  2301­004.168,  relatado  pelo Conselheiro Natanael Vieira  dos  Santos,  de  acordo  com  o  qual  eventuais deficiências do MPF não maculam o lançamento:  (...) Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento  interno  de  planejamento  e  controle  das  atividades  e  procedimentos  fiscais  relativos  aos  tributos  e  contribuições  administrados pela Secretaria da Receita Federal.    Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes  as  unidades  da  Receita  Federal  para  que  seus  auditores  executem  as  atividades  fiscais,  tendente  a  verificar  o  cumprimento  das  obrigações  tributárias  por  parte  do  sujeito  passivo.  Sendo,  portanto,  ato  praticado  por  autoridade  competente  (Coordenador,  Superintendente,  Delegado  ou  Inspetor,  conforme  o  caso)  e  dirigido  ao  Auditor  Fiscal  da  Receita  Federal  (AFRF),  eventuais  irregularidades  verificadas  no  seu  trâmite,  ou mesmo  na  sua  emissão,  não  tem  condão  de  Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 736          13 invalidar  o  auto  de  infração decorrente  do  procedimento  fiscal  relacionado.   A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF  prende­se tão somente a questões relacionadas a sua segurança  contra  pseudo­ações  fiscais  que  poderiam  ocorrer.  Assim,  o  contribuinte  pode,  por  precaução,  praticar  as  medidas  que  julgar  pertinentes  para  sua  segurança  durante  o  procedimento  de  fiscalização,  enquanto  não  lhe  for  apresentado  o  MPF  correspondente.  Dessa forma, em relação ao MPF, não vejo qualquer mácula no procedimento  adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento.  Rejeito, pois, a nulidade suscitada.      Mérito      A matéria controversa foi estabelecida pela insurgência do recorrente ao alegar  que  o  Ministério  da  Fazenda  avaliou  e  comprou  um  imóvel  de  sua  propriedade  por  R$  1.970.000,00. No seu entendimento, referido valor deve ser aceito para o cálculo do ganho de  capital. Afirma que o custo da construção está devidamente comprovado, sendo que o valor do  custo de aquisição foi incorretamente considerado pela Fiscalização.        Prossegue,  aduzindo  que  o  Auditor­Fiscal  se  utilizou  indevidamente  da  IN  84/2001, sendo que a alienação ocorreu no ano de 1996. O Auditor­Fiscal corrigiu o valor do  custo de aquisição desde o ano de 1992, não sendo necessário eis que o próprio programa da  Receita Federal  já  faz  essa  atualização. A  autoridade  fiscal  assevera que  utilizou  a UFIR  de  01/01/1994 para converter em favor do contribuinte os valores da Declaração 1995/1994, no  entanto,  não  é  isso  o  que  determina  a  Instrução  Normativa.  O  notificante  não  poderia  ter  alterado  o  valor  do  custo  de  aquisição  do  imóvel  apresentado  nas  Declarações  dos  anos  de  1992 a 1995 em função de o mesmo está prescrito.       Alega, também, que não existe amparo legal para o cálculo do ganho de capital  sobre alienação a prazo sem o término da obra ou construção.       Por  fim,  argumenta  que  não  considerou  o  valor  de  R$  28.664,63  como  rendimentos  tributáveis,  por  constituírem  atualização  monetária  do  valor  do  imóvel,  sendo  certo que os juros não compõem o valor da alienação.      O  imóvel  vertente  foi  vendido  à União  Federal  para  a  construção  da  sede  da  Delegacia  da Receita  Federal  de  Julgamento  em Ribeirão  Preto/SP.  Foi  ajustado  o  valor  de  venda  como  sendo R$  2.000.000,00  (dois milhões  de  reais),  a  ser  pago  em  três  parcelas  da  seguinte  forma:  1ª  parcela  ­  R$  1.200.000,00  recebida  em  01/1996.  Da  parcela  inicial  foi  subtraído  o  valor  de  R$  100.000,00  comprovadamente  pago  por  serviço  de  corretagem;  2ª  parcela ­ R$ 300.000,00 paga em 03/1996 e R$ 528.664,63 paga em 08/1997. O valor de R$  28.664,63,  acrescido  à  última  parcela  refere­se  a  juros  de  mora  pagos  pela  União,  sendo  subtraído da base de cálculo para apuração do ganho de capital.      O custo de aquisição foi calculado de acordo com as atualizações estabelecidas  pela Instrução Normativa nº 84/2001, ainda que editada após a ocorrência dos fatos geradores,  por  ser mais benéfica  ao contribuinte. No entanto, o  lançamento  foi  efetuado sob a égide do  Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 737          14 Decreto  nº  1.041,  de  11/01/1994  e  não  do  Decreto  nº  3.000/1999,  como  quer  fazer  crer  o  recorrente.      Assim, não há qualquer irregularidade na aplicação da IN nº 84/2001, eis que os  procedimentos nela insertos eram indispensáveis à atualização do custo de aquisição, vez que  essa Instrução Normativa regulou a atualização do custo de aquisição entre a revogação da IN  nº 39/1993 e a data de alienação do imóvel sob comento.      Assim,  entendo que o valor do  custo de aquisição  foi  apurado estritamente de  acordo com os contornos normativos aplicáveis por ocasião da ocorrência do fato gerador, de  acordo  com  o  detalhamento  exposado  pela  autoridade  fiscal  às  fls.  28/30,  tendo  chegado  corretamente ao valor de R$ 373.073,02, nos termos adiante delineados pela autoridade fiscal  lançadora:  “Para  atualizar  o  referido  custo  é  necessário  converter  o  valor  em  UFIR  no  valor  do  bem  na moeda da  época  (Cruzeiros)  o  que  é  feito  utilizando­nos da UFIR de conversão de Jan­1992, conforme segue:  UFIR  334.974.70  (em  31/12/91)  X  Cr$  597.06  (UFIR  01/92)  =  Cr$  199.999.994.38  No Anexo da IN SRF 84/2001 encontramos o índice de 720,4779 para o  mês de 12/1991 que utilizamos a seguir para converter e atualizar em  Reais (R$) o valor acima obtido:  CrS199.999.994.38 ­h 720.4779 (índice de 12/91 ­ IN SRF 84/011 = R$  277.593.52  Para a conversão dos valores adicionados ao custo do imóvel a partir  de  31/12/91,  até  31/12/95,  utilizamo­nos  da  metodologia  de  cálculo  disposta no Art. T da IN SRF 84/01, a seguir transcrito:  “Art. 7o No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas  até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos  bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre Io de janeiro de  1992  e  31  de  dezembro  de  1995,  o  custo  corresponde  ao  valor  de  aquisição  ou  das  parcelas  pagas  até  31  de  dezembro  de  1995,  atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de  Bens e Direitos, constante no Anexo Único. “  Nas  DIRPF  de  1995  e  de  1996  do  contribuinte  encontramos  os  seguintes valores adicionados ao custo do imóvel  ­ no ano de 1994 UFIR 55.811,50  ­ no ano de 1995 RS 40.200,00  Para convertermos em R$ estes valores, conforme o discriminado na IN  SRF  84/01,  toma­se  necessária  a  conversão  do  custo  de  UFIR  55.811,50,  ocorrido  em  1994,  na  moeda  da  época  para  podermos  então, através dos indices do anexo da IN 84/01, converter o valor em  R$.  Tendo  em  vista  que  a  data  do  gasto  de  UFIR  55.811,50  não  é  mencionada  utilizamo­nos,  em  benefício  do  contribuinte,  da UFIR  de  01/01/1994  (187,77)  para  converter  o  valor  em  Cruzeiros  Reais,  conforme segue:  Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 738          15 55.811,50 X 187,77 (UFIR de 01/01/1994) = CRS CR$ 10.479.725,36 ­  226,5838 (índice de 01/94 ­ IN SRF 84/01) = R$ 46.250,99  Finalmente,  temos  o  gasto,  ocorrido  no  ano  de 1995,  e  declarado na  DIRPF de 1996, no valor de R$ 40.200,00. Novamente, em benefício do  contribuinte  e  tendo  em  vista  que  não  esta  declarada  a  data  da  ocorrência do gasto utilizamo­nos do  índice de conversão de 01/1995  para a atualização do valor em questão, como segue:  R$ 40.200,00 ­ 0,8166 (índice 01/95 ­ IN SRF 84/01) = R$ 49.228,51  Custo de aquisição:  Somados  todos  os  valores  obtidos,  com  os  cálculos  acima,  temos  o  seguinte custo  R$ 277.593,52  (custo até 31/12/91)  R$ 46.250,99  (custo no ano de 1994)  R$ 49.228,51  (custo no ano de 1995)  R$ 373.073,02  (custo total do bem)  GANHO DE CAPITAL:  R$ 1.900.000,00   (valor da alienação)   R$ 373.073,02   (  (custo de aquisição)  R$ 1.526.926,98   (ganho de capital)  Uma vez apurado o Ganho de Capital, conforme demonstrado no item  acima  resta  calcular  o  valor  tributável  na  proporção  das  parcelas  recebidas em cada mês, calculando­se a relação percentual do ganho  de capital sobre o valor de alienação que deve ser aplicado sobre cada  parcela recebida, conforme discriminado a seguir:  Relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação:  1.526.926,98/1.900.000,00 X 100 = 80,3645%  Resultado Tributável:  1° Parcela recebida em 01/96 ­  R$ 1.100.000,00 X 80,364 %  R$ 884.01035  2’ Parcela recebida em 03/96 ­  R$ 300.000,00 X 80,3645%  R$ 241.093,73  3o Parcela recebida em 08/97­  R$ 500.000,00 X 80,3645%  R$ 401.822,88  Obs.:  ­  da  1ª  Parcela  recebida  foi  excluído  o  valor  de RS  100.000,00 pago  pelo fiscalizado a título de comissão  ­ da 3ª Parcela recebida foi subtraído o valor de R$ 28.664,63 referente  a juros de mora      Portanto, o procedimento fiscal não merece nenhum reparo, tendo a autoridade  lançadora  agido  de  acordo  com  as  balizas  normativas  aplicáveis  à  espécie,  em  especial  o  disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional.  Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 739          16     Não  procede  o  argumento  recursal  de  que  o  valores  dos  bens  constante  nas  Declarações  de  Ajuste  Anual  não  sofreram  impugnação  pela  Receita  Federal  do  Brasil.  A  informação  do  valor  do  bem  é  prestada  pelo  próprio  contribuinte,  podendo  a  coreção  dessa  informação ser verificada a qualquer tempo.       Não há nos autos documentos comprobatórios que tenham o condão de alterar o  valor do  custo de aquisição  apurado. A alegada construção no  imóvel alienado não pode ser  considerada para nenhum efeito, visto que carece de comprovação.      Não  há  que  se  falar  em  ausência  de  amparo  legal  para  apuração  do  ganho  de  capital  sobre  alienação  a  prazo,  sem  o  término  da  obra  ou  construção.  Verifica­se  que  os  valores foram tributados à medida das parcelas recebidas na alienação a prazo.      Agiu com acerto a autoridade fiscal ao tributar o ganho de capital na proporção  das parcelas  recebidas  em cada mês,  conforme o disposto no  artigo 814 do Regulamento do  Imposto de Renda (RIR/94).  Art. 814. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser  apurado  como  venda  à  vista  e  tributado  na  proporção  das  parcelas  recebidas  em  cada mês,  considerando­se  a  respectiva  atualização monetária, se houver (Lei n° 7.713/88, art. 21).  §  1°  Para  efeito  do  disposto  no  caput  deverá  ser  calculada  a  relação  percentual  do  ganho  de  capital  sobre  o  valor  de  alienação  que  será  aplicada  sobre  cada  parcela  recebida,  em  Ufir.  § 2° A parcela recebida será convertida em Ufir pelo valor desta  no mês do recebimento.  § 3° O valor pago a título de corretagem poderá ser deduzido do  valor da parcela recebida no mês do seu pagamento.      Como  já  abordado  na  análise  da  análise  da  prejudicial  de  mérito,  quando  tratamos  da  decadência,  não  assiste  razão  ao  recorrente  quando  afirma  que  a  autoridade  lançadora não poderia ter alterado o valor do custo de aquisição informado em sua Declaração  de Ajuste Anual, por ter ocorrido a prescrição e decadência.      Quanto  a  esse  aspecto  do  inconformismo  recursal,  é  bastante  asseverar  que  o  fato  gerador mais  remoto  ocorreu  em  31/01/1996. Não  havendo  antecipação  do  pagamento,  aplica­se  a  regra  de  contagem do  prazo  decadencial  estabelecida  pelo  art.  173,  I,  do Código  Tributário  Nacional,  não  havendo  que  se  falar  em  decadência  no  presente  lançamento  tributário, muito menos prescrição.      Por  derradeiro,  cumpre  ressaltar  que  procedeu  corretamente  o  Auditor­Fiscal  notificante,  ao excluir do valor da alienação os  juros de mora recebidos pelo contribuinte no  valor  de  R$  28.664,63.  Isto  porque  o  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  (Decreto  nº  1.041/1994), vigente à época da ocorrência do fato gerador, assim determinava em seu art. 802  e § 6º:   Art. 802. Considera­se valor de alienação (Lei n° 7.713/88, art.  19 e parágrafo único):  Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10840.003403/2001­61  Acórdão n.º 2201­004.108  S2­C2T1  Fl. 740          17 I  ­  o  preço  efetivo  da  operação  de  venda  ou  da  cessão  de  direitos;  II  ­  o  valor  de  mercado  nas  operações  não  expressas  em  dinheiro.  (...)  §  6°  Os  juros  recebidos  não  compõem  o  valor  de  alienação,  devendo ser tributados na forma dos arts. 115 e 629, conforme  o caso.        Desse modo, a tributação dos valores recebidos a título de juros, em decorrência  do atraso no pagamento, devem se submeter às alíquotas progressivas de acordo com a tabela  do Imposto de Renda da Pessoa Física, vigente à época do recebimento dos valores, ainda que  a fonte pagadora não tenha efetuado a retenção.      Conclusão       Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no  mérito, negar­lhe provimento.  Daniel Melo Mendes Bezerra ­ Relator                              Fl. 740DF CARF MF

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Numero do processo: 13804.002257/2001-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-006.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para considerar a incidência da taxa selic a partir do fim do prazo de 360 dias a partir do protocolo do pedido, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para considerar a incidência da taxa selic a partir do fim do prazo de 360 dias a partir do protocolo do pedido, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1905; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => CSRF­T3  Fl. 679          1 678  CSRF­T3  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  CÂMARA SUPERIOR DE RECURSOS FISCAIS    Processo nº  13804.002257/2001­81  Recurso nº               Especial do Procurador  Acórdão nº  9303­006.389  –  3ª Turma   Sessão de  22 de fevereiro de 2018  Matéria  IPI. CRÉDITO PRESUMIDO  Recorrente  FAZENDA NACIONAL  Interessado  LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S/A     ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001  CRÉDITO  PRESUMIDO  DE  IPI.  OPOSIÇÃO  ILEGÍTIMA  DO  FISCO.  CORREÇÃO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.  A Primeira Seção do Superior Tribunal de  Justiça  ­ STJ, no  julgamento do  REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543­C do CPC, firmou entendimento  no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá  ensejo  à  correção  monetária,  exceto  quanto  obstaculizado  injustamente  o  creditamento pela Fazenda.  É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao  seu  aproveitamento  decorrente  de  resistência  ilegítima  do  Fisco"  (Súmula  411/STJ).  Em  tais  casos,  a  correção monetária,  pela  taxa  SELIC,  deve  ser  contada  a  partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido  do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do  REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543­C do CPC e da Resolução  8/STJ.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam,  por  unanimidade  de  votos,  em  conhecer  do Recurso Especial  da  Fazenda  Nacional  e,  no  mérito,  por  maioria  de  votos,  em  dar­lhe  provimento  parcial,  para  considerar a incidência da taxa selic a partir do fim do prazo de 360 dias a partir do protocolo  do pedido, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e  Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.       AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 22 57 /2 00 1- 81 Fl. 679DF CARF MF     2 (assinado digitalmente)   Rodrigo da Costa Pôssas ­ Presidente em Exercício   (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza – Relator  Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Rodrigo  da  Costa  Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal,  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos,  Demes  Brito,  Tatiana Midori Migiyama,  Vanessa Marini  Cecconello  Relatório  Trata­se de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela  Procuradoria da Fazenda Nacional  ­ PFN contra o Acórdão nº 3201­002.029, de 29/01/2016,  proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes,  que fora assim ementado:  ASSUNTO:  IMPOSTO  SOBRE  PRODUTOS  INDUSTRIALIZADOS ­ IPI  Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  RELAÇÃO  PERCENTUAL  ENTRE  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO  SOBRE  RECEITA  OPERACIONAL  BRUTA.  VENDAS  PARA  O  EXTERIOR  DE  MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO.  É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o  exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros.  IPI.  CRÉDITO  PRESUMIDO.  ATUALIZAÇÃO  MONETÁRIA.  POSSIBILIDADE.  As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos  repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser  observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo.  No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em  que  atos  normativos  infralegais  obstaculizaram  o  creditamento  por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária,  com  base  na  Selic,  desde  o  protocolo  do  pedido.  Sentença  proferida  no  Superior  Tribunal  de  Justiça  em  13/12/2010,  no  REsp 993164, julgado nos termos do art. 543­C do CPC.  RECEITA  DE  EXPORTAÇÃO  X  RECEITA  OPERACIONAL  BRUTA PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS.  Para  fins de apuração da relação percentual entre a receita de  exportação e a receita operacional bruta, inclui­se no cálculo de  ambas  o  valor  correspondente  às  exportações  de  produtos  adquiridos de terceiros.  Recurso Voluntário Provido  Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13804.002257/2001­81  Acórdão n.º 9303­006.389  CSRF­T3  Fl. 680          3   Irresignada,  a PFN  se  insurgiu  contra  a)  a  incidência  da  taxa Selic  sobre  o  ressarcimento deferido (sem oposição ilegítima) de crédito presumido do IPI e contra o critério,  adotado no acórdão recorrido, quanto ao termo inicial da aplicação da mesma taxa Selic sobre  o ressarcimento inicialmente indeferido (com a suposta oposição ilegítima). Alega divergência  com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3802­002.338 e 3102­001.100.  O exame de admissibilidade do recurso encontram­se às fls. 630/632.  Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 640/659).   É o Relatório.  Voto             Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator  Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso  especial interposto pela PFN deve ser conhecido.  Com efeito, o acórdão recorrido aplicou a taxa Selic, configurada a oposição  estatal,  desde  o  protocolo  do  pedido,  em  flagrante  divergência  do  entendimento  adotado  no  segundo  paradigma,  que  a  aplicou  a  partir  da  data  da  ciência  do  despacho  decisório  que  denegou o pedido.  No mérito, entendemos que, em parte, assiste razão à Procuradoria.  É  cediço,  quando  o  aproveitamento  de  créditos  for  injustamente  obstaculizado pelo Fisco, caracterizando a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS,  julgado  sob o rito do art. 543­C do CPC, e Súmula 411/STJ), a aplicação da correção monetária pela  taxa SELIC deve iniciar­se quando findo o prazo a Administração tinha para apreciar o pedido,  que  é  de  360  dias,  independentemente  da  época  do  requerimento  (art.  24  da Lei  11.457,  de  2007), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito  do art. 543­C do CPC e da Resolução 8/STJ:  "ESPECIAL Nº 1.467.934 RS  (2014∕01707525)  RELATOR : MINISTRO  SÉRGIO  KUKINA  AGRAVANTE  :  REICHERT  CALÇADOS  LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO  CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL  ADVOGADO :  PROCURADORIA­GERAL  DA  FAZENDA  NACIONAL.  RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA:  Trata­se  de  agravo  regimental  interposto  por  REICHERT  CALÇADOS  LTDA.,  desafiando  a  decisão  pela  qual  se  deu  parcial  provimento  ao  recurso  especial  da  FAZENDA  NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos  escriturais,  em  regra,  não  dá  ensejo  à  correção  monetária,  exceto  quanto  obstaculizado  injustamente  o  creditamento  pelo  fisco, caracterizada a mora administrativa  (REsp 1.035.847∕RS,  Fl. 681DF CARF MF     4 julgado  sob  o  rito  do  art.  543­C  do  CPC,  e  Súmula  411∕STJ).  Está  também  justificada  a  imposição  de  correção  monetária,  pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração  tinha  para  apreciar  o  pedido,  que  é  de  360  dias,  independentemente  da  época  do  requerimento  (art.  24  da  Lei  11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o  REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543­C do CPC e  da Resolução 8∕STJ".  TRIBUTÁRIO.  CRÉDITOS  DE  PIS/COFINS.  REGIME  NÃO  CUMULATIVO.  RESSARCIMENTO.  APRECIAÇÃO  DO  PEDIDO  ADMINISTRATIVO  PELO  FISCO.  ESCOAMENTO  DO  PRAZO  DE  360  DIAS  PREVISTO  NO  ART.  24  DA  LEI  11.457/07.  RESISTÊNCIA  ILEGÍTIMA  CONFIGURADA.  SÚMULA  411/STJ.  CORREÇÃO  MONETÁRIA  DEVIDA.  TERMO INICIAL. TAXA SELIC.  1.  A  Primeira  Seção  desta  Corte  Superior,  no  julgamento  do  REsp  1.035.847/RS,  sob  o  rito  do  art.  543­C  do  CPC,  firmou  entendimento  no  sentido  de  que  o  aproveitamento  de  créditos  escriturais,  em  regra,  não  dá  ensejo  à  correção  monetária,  exceto  quanto  obstaculizado  injustamente  o  creditamento  pelo  fisco.  2.  "É  devida  a  correção  monetária  ao  creditamento  do  IPI  quando  há  oposição  ao  seu  aproveitamento  decorrente  de  resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ).  3. Em  tais casos, a correção monetária, pela  taxa SELIC, deve  ser  contada  a  partir  do  fim  do  prazo  de  que  dispõe  a  administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de  360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido:  REsp 1.138.206/RS,  submetido ao rito do art.  543­C do CPC e  da Resolução 8/STJ.  4. Agravo regimental a que se nega provimento.    Ante o exposto, e sem maiores delongas, conheço e dou parcial provimento  ao  recurso  especial  da  PFN,  para  que  a  taxa  Selic  incida  sobre  os  valores  ressarcidos  (excluindo­se o valor originalmente já ressarcido pela unidade preparadora), a partir do  fim do prazo de 360 dias contados a partir do protocolo do pedido  É como voto.  (assinado digitalmente)  Charles Mayer de Castro Souza                    Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13804.002257/2001­81  Acórdão n.º 9303­006.389  CSRF­T3  Fl. 681          5                   Fl. 683DF CARF MF

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7245159 #
Numero do processo: 10480.722195/2010-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal - Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL

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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1531; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2­C0T1  Fl. 2          1 1  S2­C0T1  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  10480.722195/2010­21  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  2001­000.246  –  Turma Extraordinária / 1ª Turma   Sessão de  26 de fevereiro de 2018  Matéria  IRPF: DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS  Recorrente  ROSANA MIRANDA ALMEIDA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2008  DEDUÇÃO  DE  DESPESAS  MÉDICAS.  COMPROVAÇÃO.  DEDUTIBILIDADE.  São  dedutíveis  na  declaração  de  ajuste  anual,  a  título  de  despesas  com  médicos  e  planos  de  saúde,  os  pagamentos  comprovados  mediante  documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência  do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda ­ RIR).  A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte  está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano­calendário da  obrigação tributária.       Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento  ao  Recurso  Voluntário,  vencido  o  conselheiro  José  Ricardo  Moreira,  que  lhe  negou  provimento.  (assinado digitalmente)  Jorge Henrique Backes ­ Presidente  (assinado digitalmente)  Fernanda Melo Leal ­ Relatora.  Participaram  do  presente  julgamento  os  conselheiros:  Fernanda Melo  Leal,  Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.        AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 21 95 /2 01 0- 21 Fl. 68DF CARF MF     2   Relatório    Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento,  relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, ano­calendário de 2007, por meio  do  qual  foram  glosadas  despesas  médicas  no  valor  total  de  R$  21.680,00,  por  falta  de  comprovação  de  pagamento,  gerando  um  crédito  tributário  total  no  valor  de  R$12.253,82,  incluindo juros de mora e multa de ofício, calculados até julho de 2010.     A  interessada  foi  cientificada  da  notificação  e  apresentou  impugnação,  juntando  recibos  e  declarações  médicas  para  evidenciar  as  prestações  do  serviço.  Alega,  em  síntese,  que  nenhuma  irregularidade  foi  praticada,  cita  jurisprudência  vasta  e  doutrina  para  corroborar seus argumentos.      A DRJ Recife, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento  no  sentido  de  que  os  comprovantes  fornecidos  e  juntados  ao  processo  pela  Contribuinte  não  seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das  despesas médicas.     Em  sede  de  Recurso  Voluntário,  alega  a  contribuinte  que  não  é  possível  manter­se a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta  de  comprovação  da  prestação  de  serviço,  quando  os  próprios  emitentes  dos  recibos,  reconhecem  tê­los  prestados.  Apresenta,  para  tanto,  provas  ratificadoras,  capazes  elidir  quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de recibos detalhados e  declaração em anexo.     É o relatório.  Voto             Conselheira Fernanda Melo Leal ­ Relatora.  O  recurso  é  tempestivo  e  atende  às  demais  condições  de  admissibilidade.  Portanto, merece ser conhecido.  Mérito ­ Glosa de despesas médicas  Nos  termos  do  artigo  8°,  inciso  II,  alínea  "a",  da  Lei  9.250/1995,  com  a  redação  vigente  ao  tempo  dos  fatos  ora  analisados,  são  dedutíveis  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  pessoa  física  as  despesas  a  título  de  despesas  médicas,  psicológicas  e  dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados.    Lei 9.250/1995:  Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas:  Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10480.722195/2010­21  Acórdão n.º 2001­000.246  S2­C0T1  Fl. 3          3 I ­ de todos os rendimentos percebidos durante o ano­calendário,  exceto  os  isentos,  os  não­tributáveis,  os  tributáveis  exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;  II ­ das deduções relativas:  a)  aos  pagamentos  efetuados,  no  ano­calendário,  a  médicos,  dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas  ocupacionais  e  hospitais,  bem  como  as  despesas  com  exames  laboratoriais,  serviços  radiológicos,  aparelhos  ortopédicos  e  próteses ortopédicas e dentárias.  (...)  § 2º ­ O disposto na alínea ‘a’ do inciso II:  (...)  II  ­  restringe­se  aos  pagamentos  feitos  pelo  contribuinte,  relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes;  III ­  limita­se a pagamentos especificados e comprovados, com  indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro  de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem  recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação  do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.”  A Recorrente apresentou os  recibos dos pagamentos relativos ao  tratamento  de  psicoterapia,  odontologia,  psicologia  contendo  nome  completo  dos  prestadores,  com  CPF/CNPJ  dos  prestadores,  credenciamento  profissional,  valor  pago  pela  contribuinte,  beneficiário  dos  serviços,  ratificando  a  veracidade  das  informações  contidas  nos  recibos  apresentados. Acrescente­se que  juntou  também declaração emitida por  todos e cada um dos  profissionais, contendo todos os detalhes do serviço prestado.  A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou  as despesas médicas, nos seguintes termos:     “[...]    8. Ressalte­se ainda que a legislação lista algumas formas para a  contribuinte provar o seu direito ao mesmo tempo em que permite  ao  Fisco,  a  seu  juízo,  exigir  outros  meios  de  comprovação  de  maneira a firmar sua convicção frente aos fatos informado.    9. O que importa ao presente julgamento, conforme determina a  lei, é que a impugnante apresente provas de que realmente arcou  com tais despesas, tanto que permite que ela comprove de várias  maneiras  o  seu  direito  de  deduzir.  Assim,  se  a  contribuinte  pretende deduzir tais despesas médicas deve agir comprovando a  veracidade de suas afirmações. Ressalte­se ainda que a dedução  dessas despesas com saúde é uma faculdade da contribuinte, ou  seja,  ela  não  está  obrigada  a  deduzi­las,  mas  caso  deseje  aproveitá­las, deve obedecer, se submeter aos ditames da lei.    Fl. 70DF CARF MF     4 10.  Destaque­se  também  que  a  solicitação  de  documentos,  por  parte da Receita Federal, constitui uma obrigação acessória sob  responsabilidade  da  contribuinte,  que  tem  de  manter  em  boa  guarda  a  documentação  comprobatória  dos  fatos  atinentes  à  seara tributária, conforme pode­se extrair das disposições do art.  797  do  RIR/99.  Caso  contrário,  ou  seja,  se  fosse  adotado  o  entendimento do contribuinte, tal previsão legal seria letra morta,  pois de que adiantaria exigir a apresentação da prova se o ônus  fosse do Fisco? Assim, não procede a afirmação da impugnante.    11.  Confirmando  o  entendimento  acima,  acrescente­se  ainda  à  presente  discussão,  que  mesmo  estando  presentes  todos  os  requisitos  enumerados  para  os  recibos,  a  legislação  tributária  não confere aos mesmos valor probante absoluto, pois a tônica o  art.  80,  §1º,  inciso  III,  do  RIR/99,  é  a  especificação  e  comprovação  dos  pagamentos.  Tanto  que  a  norma  admite  o  cheque  nominativo  como  documento  comprobatório,  por  ser  prova cabal de transferência de numerários. Entretanto, ressalte­ se que mesmo o cheque pode ser submetido à justificação, quando  dúvidas razoáveis acudirem ao Fisco sobre a efetiva prestação do  serviço, fato que se constitui no substrato material da dedução.    12.  Continuando  a  presente  análise,  destaque­se  que  à  fiscalização é permitido exigir  elementos adicionais de prova, a  exemplo de cópias de cheques, comprovantes de transferências e  extratos  bancários.  Como  solução  alternativa  por  oportunidade  da  impugnação,  a  interessada  poderia  demonstrar  a  realização  do  serviço  através  de  cópias  de  exames,  laudos,  requisições,  prontuários, fichas de atendimento, extratos bancários ou outros  documentos de natureza similar que servissem de sustentação ao  conteúdo dos recibos.    14.  Cumpre  informar  ainda  que  quando  se  tem  a  finalidade  de  utilizar despesas médicas como dedução, a contribuinte deve ter  em mente que  o  pagamento  correspondente  não  envolve apenas  ela  e  o  profissional  de  saúde,  mas  também  a  Administração  Tributária.  Por  essa  razão,  deve  conservar,  além  dos  recibos,  outros meios probantes do pagamento e da realização do serviço.  Nesse contexto, o Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de  10 de  janeiro de 2002, ao dispor  sobre provas  em  seu art. 219,  afirma  que  o  teor  de  documentos  assinados  (recibos)  guarda  presunção de  veracidade  somente  entre os próprios  signatários,  sem alcançar  terceiros  (Administração Tributária)  estranhos  ao  ato..........    15. Fundamentando as citadas recusas, destaque­se o art. 80, §1º,  incisos  II  e  III,  do  RIR/99,  ao  exigir  a  comprovação  do  efetivo  pagamento e demais formalidades, conforme segue.    16. Destarte, pelos citados motivos e com alicerce no princípio da  livre convicção do julgador na apreciação da prova, gravado no  art.  29  do  Decreto  nº  70.235,  de  1972,  ratifica­se  a  glosa  de  despesas médicas no valor de R$ 12.900,00.     [...]”    Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10480.722195/2010­21  Acórdão n.º 2001­000.246  S2­C0T1  Fl. 4          5 No  caso  concreto,  demonstra­se,  ao  longo  do  processo,  que  a  autoridade  fiscal  simplesmente  entende  que  os  recibos  e  a  declaração  emitida  pelos  prestadores  dos  serviços, assinadas e datadas pelos mesmos, não foram suficientes para comprovar as despesas.   Neste  diapasão,  merece  trazer  à  baila  o  princípio  pela  busca  da  verdade  material.  Sabemos  que  o  processo  administrativo  sempre  busca  a  descoberta  da  verdade  material  relativa  aos  fatos  tributários.  Tal  princípio  decorre  do  princípio  da  legalidade  e,  também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que,  hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos.   De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e  lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados.  Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos,  oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através  das provas, busca­se a realidade dos fatos, desprezando­se as presunções tributárias ou outros  procedimentos  que  atentem  apenas  à  verdade  formal  dos  fatos.  Neste  sentido,  deve  a  administração  promover  de  oficio  as  investigações  necessárias  à  elucidação  da  verdade  material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa.   A  verdade  material  é  fundamentada  no  interesse  público,  logo,  precisa  respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e  análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo  porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa.   A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade  material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material  apresentará  a  versão  legítima  dos  fatos,  independente  da  impressão  que  as  partes  tenham  daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias  e  prerrogativas  constitucionais  possíveis  do  contribuinte  no  Brasil,  sempre  observando  os  termos especificados pela lei tributária.   A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do  Poder  Judiciário,  portanto,  quando  nos  depararmos  com  um  Processo  Administrativo  Tributário, não se deve deixar de analisá­lo sob a égide do princípio da verdade material e da  informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade  material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir  o um julgamento justo, desprovido de parcialidades.  Soma­se  ao  mencionado  princípio  também  o  festejado  princípio  constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso  LXXVIII  da Constituição Federal,  o  qual  determina que  os  processos  devem desenvolver­se  em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda.   Ratifico,  ademais,  a necessidade de  fundamento pela  autoridade  fiscal,  dos  fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos  atos administrativos, encontra­se tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999,  como  talvez  de  maneira  mais  importante  em  disposições  gerais  em  respeito  ao  Estado  Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle  jurisdicional.   Fl. 72DF CARF MF     6 Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando­ se  na  fundamentação  no  sentido  de  que  os  documentos  simplesmente  não  foram  suficientes  bem  como  intenção  da  contribuinte  em  evidenciar  a  existência  das  despesas  declaradas,  entendo que deve ser acatado o pedido da Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter  a dedução das despesas médicas em análise.     CONCLUSÃO:  Diante  tudo  o  quanto  exposto,  voto  no  sentido  de, CONHECER  e DAR  PROVIMENTO  ao  recurso  voluntário,  para  acatar  a  dedução  das  despesas  médicas  ora  glosadas em comento.    (assinado digitalmente)  Fernanda Melo Leal.                                 Fl. 73DF CARF MF

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Numero do processo: 19515.005979/2009-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.169
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, para levantamento das GFIP e da informação da destinação dada ao valor declarado nas competências de 2004, relativo às contribuições a terceiros, especificando o código (115 ou outros) e informações eventualmente constantes dessas GFIP sobre ação judicial que prejudique o recolhimento dessas contribuições, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora-Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. RELATÓRIO Do AI até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal - NFLD DEBCAD nº 37.254.451-7, à e-fl. 76, cientificado à empresa contribuinte em 16/12/2009, com relatório do auto de infração às e-fls. 90 a 101. O lançamento é referente a contribuições devidas aos terceiros - Sesc, Sebrae e Senac. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, o débito apurado decorre de falta de inclusão na remuneração dos segurados empregados de pagamentos a título de auxílio educação, cursos e treinamentos, participação nos resultados e planos de saúde. O crédito lançado atingiu, acrescido de juros e multa, o montante de R$29.226,57, consolidado em 15/12/2009 e referindo-se ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2004. O auto de infração foi impugnado, às e-fls. 241 a 268, em 18/01/2010. Já a 13ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 16-25.253, prolatado em 12/05/2010, às e-fls. 1529 a 1566, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 02/07/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e-fls. 1576 a 1613. Essa contestação teve em resumo, o conteúdo abaixo extraído do relatório do acórdão de julgamento do mesmo recurso, às e-fls. 03 e 04: Decadência parcial das obrigações tributárias; Que houve cerceamento do direito de defesa, pois a proposição da multa não está clara, de modo a permitir que o contribuinte entenda a penalidade que lhe está sendo aplicada e assim defender-se adequadamente; Que os valores lançados como auxílio-educação referem-se ao pagamento ou reembolso de mensalidades, taxas de matrícula, materiais, uniformes e transportes escolares para os filhos dos empregados, estando expressamente excluídos do salário de contribuição pela legislação previdenciária, conforme os artigos 201, §10 c/c 214, §9º, XIX do Regulamento da Previdência Social, com base no art. 28, §9º, "t" da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei n° 9.711, de 20 de novembro de 1998. Que a Recorrente efetuou também pagamentos relativos a cursos treinamentos em línguas, informática, mensalidades e taxa de matrícula de cursos de nível superior aos seus empregados, não havendo fundamento legal ou mesmo regulamentar que respalde o procedimento fiscal; Quanto à participação nos lucros, alega que a diferença apurada deveuse ao fato da Fiscalização ter considerado que não houve atrasos, já que não constam descontos por atrasos nas folhas de pagamento apresentadas; Que em relação à PLR paga em janeiro/2004, a alegação da Fiscalização de que não foram apresentadas as avaliações individuais referentes ao período de 07 a 12/2003 é inverídica, pois as referidas avaliações foram, sim, devidamente entregues e inclusive com protocolo assinado pela fiscalização; Que o Contrato de Seguro Grupal de Assistência à Saúde, firmado entre a Impugnante e a Sul América Aetna Seguros e Previdência S.A., era extensivo a todos os funcionários da empresa; Que não haveria responsabilidade dos sócios indicados no relatório de vínculos; Que existe a possibilidade de juntada de novos documentos. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 30/11/2011, resultando no acórdão 2302-01.445, às e-fls. 01 a 62, que tem as seguintes ementas: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pela algozaria do instituto da decadência tributária. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IRREGULARIDADES MATERIAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples inclusão, no Relatório Fiscal, de informações pertinentes a outro Auto de Infração lavrado na mesma ação fiscal, configura-se, quando muito, mera irregularidade material, a qual poderá ser objeto de sanatória caso importe em prejuízo ao sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Integra o conceito legal de Salário de Contribuição, o auxílio educação custeado pela empresa em beneficio dos dependentes de seus empregados, bem como aquele concedido aos empregados para o custeio de cursos de nível superior, eis que não se enquadram em nenhuma hipótese de renuncia de receita disposta taxativamente no art. 28, §9° da Lei n° 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTOS DE PLR EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados, quando realizados em desacordo com a Lei n° 10.101/2000, integra o conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE NÃO EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito legal de Salário de Contribuição o valor concedido a título de Plano de Saúde/assistência médica não extensível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, nos termos do art. 28, § 9°, alínea "q" da Lei 8.212/91 combinado com o art. 214, § 9°, inciso XVI do Decreto n° 3.048/99. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos Dirigentes estaduais na Relação de Corresponsáveis - CORESP não tem o condão de os inserir no pólo passivo da relação jurídica tributária. Presta-se apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto ao mérito não houve divergência. No voto vencedor há alentada tese que conclui ser o lançamento de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP lançamento por declaração, por isso, é aplicável o art. 173, inc. I, para determinação do dies a quo da contagem do prazo decadencial de cinco anos. Embargos de declaração da contribuinte Intimada (e-fl. 65) do acórdão acima em 29/03/2012 (e-fl. 66), a contribuinte manejou embargos de declaração, em 03/04/2012, às e-fls. 67 a 70, afirmando a existência de omissão naquele aresto porque não teria observado o art. 62-A do seu Regimento Interno, proferindo decisão contrária ao acórdão do STJ prolatado nos autos do Resp n° 973.733, que, na sistemática do artigo 543C do CPC, consolidou a jurisprudência nacional a respeito das contribuições previdenciárias, definindo que o lançamento se dá por homologação e que a contagem do prazo decadencial deve ser feita com base no artigo 150, §4°, do CTN, se o contribuinte antecipou pagamentos, mesmo que em valor inferior ao devido. Através do Despacho nº 2302-140, às e-fls. 275 a 278, em 16/05/2012, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento rejeitou os embargos por não entender existente omissão alegada e vendo nestes embargos apenas ataque aos fundamentos da decisão, para o que tal recurso é inservível. RE da contribuinte Intimada (e-fl. 1687) da denegação dos embargos em 29/10/2012 (e-fl. 1689), no dia 13/11/2012 a empresa manejou recurso especial de divergência (e-fls. 1690 a 1698) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF quanto a contagem do prazo decadencial. Entende dever tal prazo ser contado nos termos do disposto no art. 150 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 - CTN, para os lançamentos por homologação, ao passo que o voto condutor do recorrido se utilizou do hiato temporal estabelecido pelo art. 173, inc. I, do mesmo Código, considerando o lançamento das contribuições previdenciárias como lançamento por declaração. Apresenta como paradigma para essa divergência, o acórdão nº 9202-01.738. Além disso, o voto do acórdão a quo entendeu inexistirem pagamentos relativos às contribuições previdenciárias lançadas, o que não se coaduna com os fatos, o que procura deixar suficientemente claro com as seguintes afirmações: 30. Por fim, para que não haja dúvidas, o Recorrente esclarece ter realizado pagamentos antecipados das contribuições em comento no período contemplado pela autuação. Esse fato foi comprovado por meio das guias de recolhimento anexadas ao recurso voluntário e pelos comprovantes dos depósitos judiciais realizados nos autos do Mandado de Segurança n. 2001.61.00.003566-4 (fls. 1.420/1.425), que, nos termos da jurisprudência do STJ, têm idêntico efeito constitutivo do crédito tributário. 31. O próprio auto de infração fez menção a tais recolhimentos, tanto que sua lavratura pretendeu a constituição do crédito correspondente apenas à diferença entre os valores recolhidos e aqueles supostamente devidos. (Sublinhado no original) Houve uma primeira apreciação do recurso especial de divergência da contribuinte em 19/08/2013, no Despacho nº 2300-477/2013, às e-fls. 1713 a 1719, dando-lhe seguimento. Contudo, houve elaboração de novo despacho, após constatação de lapso manifesto em sua fundamentação por se referir a paradigmas não colacionados pela contribuinte no tocante a uma das matérias abordadas. O recurso especial de divergência da contribuinte foi novamente apreciado, agora em 01/06/2017, pelo atual Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de e-fls. 1743 a 1747, deu seguimento ao recurso para que sejam rediscutidas as matérias decadência: lançamento por homologação e critério para verificação do pagamento antecipado . Contrarrazões da Fazenda Cientificada do RE em 01/06/2017, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em 16/06/2017, às e-fls. 1755 a 1759. Sua argumentação reitera a inexistência de antecipação de pagamentos para o lançamento em testilha, devendo essas antecipações serem consideradas em relação a fatos geradores da mesma natureza. Havendo antecipações relativas a fatos geradores diversos, ainda que do mesmo tributo, descabe a aplicação da contagem com fulcro no § 4º do art. 150 do CTN. Pelas razões expostas, requer que seja negado provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte para manter a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial posta no art. 173, inc. I do CTN. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos - relator. Considerando que a maioria do colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, e tendo restado vencido quanto essa questão, deixo de apresentar meu voto com relação ao mérito, que será apresentado no momento oportuno. Registro que ficou designada para redigir a resolução a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, para levantamento das GFIP e da informação da destinação dada ao valor declarado nas competências de 2004, relativo às contribuições a terceiros, especificando o código (115 ou outros) e informações eventualmente constantes dessas GFIP sobre ação judicial que prejudique o recolhimento dessas contribuições, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora-Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. RELATÓRIO Do AI até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal - NFLD DEBCAD nº 37.254.451-7, à e-fl. 76, cientificado à empresa contribuinte em 16/12/2009, com relatório do auto de infração às e-fls. 90 a 101. O lançamento é referente a contribuições devidas aos terceiros - Sesc, Sebrae e Senac. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, o débito apurado decorre de falta de inclusão na remuneração dos segurados empregados de pagamentos a título de auxílio educação, cursos e treinamentos, participação nos resultados e planos de saúde. O crédito lançado atingiu, acrescido de juros e multa, o montante de R$29.226,57, consolidado em 15/12/2009 e referindo-se ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2004. O auto de infração foi impugnado, às e-fls. 241 a 268, em 18/01/2010. Já a 13ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 16-25.253, prolatado em 12/05/2010, às e-fls. 1529 a 1566, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 02/07/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e-fls. 1576 a 1613. Essa contestação teve em resumo, o conteúdo abaixo extraído do relatório do acórdão de julgamento do mesmo recurso, às e-fls. 03 e 04: Decadência parcial das obrigações tributárias; Que houve cerceamento do direito de defesa, pois a proposição da multa não está clara, de modo a permitir que o contribuinte entenda a penalidade que lhe está sendo aplicada e assim defender-se adequadamente; Que os valores lançados como auxílio-educação referem-se ao pagamento ou reembolso de mensalidades, taxas de matrícula, materiais, uniformes e transportes escolares para os filhos dos empregados, estando expressamente excluídos do salário de contribuição pela legislação previdenciária, conforme os artigos 201, §10 c/c 214, §9º, XIX do Regulamento da Previdência Social, com base no art. 28, §9º, "t" da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei n° 9.711, de 20 de novembro de 1998. Que a Recorrente efetuou também pagamentos relativos a cursos treinamentos em línguas, informática, mensalidades e taxa de matrícula de cursos de nível superior aos seus empregados, não havendo fundamento legal ou mesmo regulamentar que respalde o procedimento fiscal; Quanto à participação nos lucros, alega que a diferença apurada deveuse ao fato da Fiscalização ter considerado que não houve atrasos, já que não constam descontos por atrasos nas folhas de pagamento apresentadas; Que em relação à PLR paga em janeiro/2004, a alegação da Fiscalização de que não foram apresentadas as avaliações individuais referentes ao período de 07 a 12/2003 é inverídica, pois as referidas avaliações foram, sim, devidamente entregues e inclusive com protocolo assinado pela fiscalização; Que o Contrato de Seguro Grupal de Assistência à Saúde, firmado entre a Impugnante e a Sul América Aetna Seguros e Previdência S.A., era extensivo a todos os funcionários da empresa; Que não haveria responsabilidade dos sócios indicados no relatório de vínculos; Que existe a possibilidade de juntada de novos documentos. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 30/11/2011, resultando no acórdão 2302-01.445, às e-fls. 01 a 62, que tem as seguintes ementas: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pela algozaria do instituto da decadência tributária. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IRREGULARIDADES MATERIAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples inclusão, no Relatório Fiscal, de informações pertinentes a outro Auto de Infração lavrado na mesma ação fiscal, configura-se, quando muito, mera irregularidade material, a qual poderá ser objeto de sanatória caso importe em prejuízo ao sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Integra o conceito legal de Salário de Contribuição, o auxílio educação custeado pela empresa em beneficio dos dependentes de seus empregados, bem como aquele concedido aos empregados para o custeio de cursos de nível superior, eis que não se enquadram em nenhuma hipótese de renuncia de receita disposta taxativamente no art. 28, §9° da Lei n° 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTOS DE PLR EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados, quando realizados em desacordo com a Lei n° 10.101/2000, integra o conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE NÃO EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito legal de Salário de Contribuição o valor concedido a título de Plano de Saúde/assistência médica não extensível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, nos termos do art. 28, § 9°, alínea "q" da Lei 8.212/91 combinado com o art. 214, § 9°, inciso XVI do Decreto n° 3.048/99. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos Dirigentes estaduais na Relação de Corresponsáveis - CORESP não tem o condão de os inserir no pólo passivo da relação jurídica tributária. Presta-se apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto ao mérito não houve divergência. No voto vencedor há alentada tese que conclui ser o lançamento de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP lançamento por declaração, por isso, é aplicável o art. 173, inc. I, para determinação do dies a quo da contagem do prazo decadencial de cinco anos. Embargos de declaração da contribuinte Intimada (e-fl. 65) do acórdão acima em 29/03/2012 (e-fl. 66), a contribuinte manejou embargos de declaração, em 03/04/2012, às e-fls. 67 a 70, afirmando a existência de omissão naquele aresto porque não teria observado o art. 62-A do seu Regimento Interno, proferindo decisão contrária ao acórdão do STJ prolatado nos autos do Resp n° 973.733, que, na sistemática do artigo 543C do CPC, consolidou a jurisprudência nacional a respeito das contribuições previdenciárias, definindo que o lançamento se dá por homologação e que a contagem do prazo decadencial deve ser feita com base no artigo 150, §4°, do CTN, se o contribuinte antecipou pagamentos, mesmo que em valor inferior ao devido. Através do Despacho nº 2302-140, às e-fls. 275 a 278, em 16/05/2012, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento rejeitou os embargos por não entender existente omissão alegada e vendo nestes embargos apenas ataque aos fundamentos da decisão, para o que tal recurso é inservível. RE da contribuinte Intimada (e-fl. 1687) da denegação dos embargos em 29/10/2012 (e-fl. 1689), no dia 13/11/2012 a empresa manejou recurso especial de divergência (e-fls. 1690 a 1698) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF quanto a contagem do prazo decadencial. Entende dever tal prazo ser contado nos termos do disposto no art. 150 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 - CTN, para os lançamentos por homologação, ao passo que o voto condutor do recorrido se utilizou do hiato temporal estabelecido pelo art. 173, inc. I, do mesmo Código, considerando o lançamento das contribuições previdenciárias como lançamento por declaração. Apresenta como paradigma para essa divergência, o acórdão nº 9202-01.738. Além disso, o voto do acórdão a quo entendeu inexistirem pagamentos relativos às contribuições previdenciárias lançadas, o que não se coaduna com os fatos, o que procura deixar suficientemente claro com as seguintes afirmações: 30. Por fim, para que não haja dúvidas, o Recorrente esclarece ter realizado pagamentos antecipados das contribuições em comento no período contemplado pela autuação. Esse fato foi comprovado por meio das guias de recolhimento anexadas ao recurso voluntário e pelos comprovantes dos depósitos judiciais realizados nos autos do Mandado de Segurança n. 2001.61.00.003566-4 (fls. 1.420/1.425), que, nos termos da jurisprudência do STJ, têm idêntico efeito constitutivo do crédito tributário. 31. O próprio auto de infração fez menção a tais recolhimentos, tanto que sua lavratura pretendeu a constituição do crédito correspondente apenas à diferença entre os valores recolhidos e aqueles supostamente devidos. (Sublinhado no original) Houve uma primeira apreciação do recurso especial de divergência da contribuinte em 19/08/2013, no Despacho nº 2300-477/2013, às e-fls. 1713 a 1719, dando-lhe seguimento. Contudo, houve elaboração de novo despacho, após constatação de lapso manifesto em sua fundamentação por se referir a paradigmas não colacionados pela contribuinte no tocante a uma das matérias abordadas. O recurso especial de divergência da contribuinte foi novamente apreciado, agora em 01/06/2017, pelo atual Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de e-fls. 1743 a 1747, deu seguimento ao recurso para que sejam rediscutidas as matérias decadência: lançamento por homologação e critério para verificação do pagamento antecipado . Contrarrazões da Fazenda Cientificada do RE em 01/06/2017, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em 16/06/2017, às e-fls. 1755 a 1759. Sua argumentação reitera a inexistência de antecipação de pagamentos para o lançamento em testilha, devendo essas antecipações serem consideradas em relação a fatos geradores da mesma natureza. Havendo antecipações relativas a fatos geradores diversos, ainda que do mesmo tributo, descabe a aplicação da contagem com fulcro no § 4º do art. 150 do CTN. Pelas razões expostas, requer que seja negado provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte para manter a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial posta no art. 173, inc. I do CTN. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos - relator. Considerando que a maioria do colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, e tendo restado vencido quanto essa questão, deixo de apresentar meu voto com relação ao mérito, que será apresentado no momento oportuno. Registro que ficou designada para redigir a resolução a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos

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9202­000.169  –  2ª Turma  Data  26 de outubro de 2017  Assunto  CONVERSÃO DO JULGAMENTO EM DILIGÊNCIA  Recorrente  LEVY E SALOMÃO ­ ADVOGADOS  Interessado  FAZENDA NACIONAL      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  converter  o  julgamento do  recurso  em diligência à unidade de origem, para  levantamento das GFIP e da  informação  da  destinação  dada  ao  valor  declarado  nas  competências  de  2004,  relativo  às  contribuições a terceiros, especificando o código (115 ou outros) e informações eventualmente  constantes  dessas  GFIP  sobre  ação  judicial  que  prejudique  o  recolhimento  dessas  contribuições, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator). Designada para  redigir  o  voto  vencedor  a  conselheira  Elaine  Cristina Monteiro  e  Silva Vieira.  Votou  pelas  conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ Presidente em exercício e Relator    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – Redatora­Designada   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Maria  Helena  Cotta  Cardozo,  Patricia  da  Silva,  Elaine  Cristina  Monteiro  e  Silva  Vieira,  Ana  Paula  Fernandes,  Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz  (suplente  convocada), Rita Eliza  Reis  da  Costa  Bacchieri  e  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos.  Ausente,  justificadamente,  o  conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 05 97 9/ 20 09 -8 7 Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 19515.005979/2009­87  Resolução nº  9202­000.169  CSRF­T2  Fl. 3          2   RELATÓRIO  Do AI até a Decisão Recorrida   Trata  o  presente  processo  de  auto  de  infração  de  obrigação  principal  ­ NFLD  DEBCAD nº 37.254.451­7, à e­fl. 76, cientificado à empresa contribuinte em 16/12/2009, com  relatório do auto de infração às e­fls. 90 a 101.   O lançamento é referente a contribuições devidas aos terceiros ­ Sesc, Sebrae e  Senac. De  acordo  com  o Relatório  Fiscal  da  Infração,  o  débito  apurado  decorre  de  falta  de  inclusão  na  remuneração  dos  segurados  empregados  de  pagamentos  a  título  de  auxílio  educação, cursos e treinamentos, participação nos resultados e planos de saúde.  O  crédito  lançado  atingiu,  acrescido  de  juros  e  multa,  o  montante  de  R$29.226,57, consolidado em 15/12/2009 e  referindo­se ao período de apuração de  janeiro a  dezembro de 2004.   O auto de infração foi impugnado, às e­fls. 241 a 268, em 18/01/2010. Já a 13ª  Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 16­25.253, prolatado em 12/05/2010, às e­fls. 1529 a 1566,  considerou,  por  unanimidade,  improcedente  a  impugnação,  mantendo  o  crédito  tributário  exigido.  Inconformada, em 02/07/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e­ fls. 1576 a 1613. Essa contestação teve em resumo, o conteúdo abaixo extraído do relatório do  acórdão de julgamento do mesmo recurso, às e­fls. 03 e 04:   Decadência  parcial  das  obrigações  tributárias;  Que  houve  cerceamento do direito de defesa, pois a proposição da multa não está  clara, de modo a permitir que o contribuinte entenda a penalidade que  lhe  está  sendo  aplicada  e  assim  defender­se  adequadamente; Que  os  valores  lançados como auxílio­educação referem­se ao pagamento ou  reembolso de mensalidades, taxas de matrícula, materiais, uniformes e  transportes  escolares  para  os  filhos  dos  empregados,  estando  expressamente  excluídos  do  salário  de  contribuição  pela  legislação  previdenciária,  conforme  os  artigos  201,  §10  c/c  214,  §9º,  XIX  do  Regulamento  da Previdência  Social,  com base  no  art.  28,  §9º,  "t"  da  Lei  n°  8.212,  de  24  de  julho  de  1991,  na  redação  dada  pela  Lei  n°  9.711, de 20 de novembro de 1998.  Que  a  Recorrente  efetuou  também  pagamentos  relativos  a  cursos  treinamentos  em  línguas,  informática,  mensalidades  e  taxa  de  matrícula  de  cursos  de  nível  superior  aos  seus  empregados,  não  havendo  fundamento  legal  ou  mesmo  regulamentar  que  respalde  o  procedimento  fiscal;  Quanto  à  participação  nos  lucros,  alega  que  a  diferença apurada deveuse ao fato da Fiscalização ter considerado que  não  houve  atrasos,  já  que  não  constam  descontos  por  atrasos  nas  folhas  de  pagamento  apresentadas; Que  em  relação  à  PLR  paga  em  janeiro/2004,  a  alegação  da  Fiscalização  de  que  não  foram  apresentadas as avaliações  individuais  referentes ao período de 07 a  12/2003  é  inverídica,  pois  as  referidas  avaliações  foram,  sim,  devidamente  entregues  e  inclusive  com  protocolo  assinado  pela  Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.005979/2009­87  Resolução nº  9202­000.169  CSRF­T2  Fl. 4          3 fiscalização; Que o Contrato de Seguro Grupal de Assistência à Saúde,  firmado  entre  a  Impugnante  e  a  Sul  América  Aetna  Seguros  e  Previdência  S.A.,  era  extensivo  a  todos  os  funcionários  da  empresa;  Que não haveria responsabilidade dos sócios indicados no relatório de  vínculos; Que existe a possibilidade de juntada de novos documentos.  O  recurso  voluntário  foi  apreciado  pela  2ª  Turma Ordinária  da  3ª  Câmara  da  Segunda Seção de Julgamento em 30/11/2011, resultando no acórdão 2302­01.445, às e­fls. 01  a 62, que tem as seguintes ementas:  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PRAZO  DECADENCIAL.  CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.  O  Supremo  Tribunal  Federal,  conforme  entendimento  exarado  na  Súmula Vinculante  nº  8,  no  julgamento  proferido  em  12  de  junho  de  2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91.  Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.  Todos  os  fatos  geradores  apurados  pela  fiscalização  houveram  por  ocorridos em período ainda não vitimado pela algozaria do instituto da  decadência tributária.  LANÇAMENTO  TRIBUTÁRIO.  IRREGULARIDADES  MATERIAIS.  CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.  A simples  inclusão, no Relatório Fiscal, de  informações pertinentes a  outro  Auto  de  Infração  lavrado  na  mesma  ação  fiscal,  configura­se,  quando muito, mera irregularidade material, a qual poderá ser objeto  de sanatória caso importe em prejuízo ao sujeito passivo.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  AUXÍLIO  EDUCAÇÃO.  SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Integra o conceito legal de Salário de  Contribuição, o auxílio educação custeado pela empresa em beneficio  dos dependentes de seus empregados, bem como aquele concedido aos  empregados para o custeio de cursos de nível superior, eis que não se  enquadram  em  nenhuma  hipótese  de  renuncia  de  receita  disposta  taxativamente no art. 28, §9° da Lei n° 8.212/91.  CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTOS DE PLR EM  DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.  O pagamento, a  título de PLR Participação nos Lucros e Resultados,  quando realizados em desacordo com a Lei n° 10.101/2000,  integra o  conceito  legal  de  Salário  de Contribuição  para  fins  de  incidência  de  contribuições previdenciárias.  CONTRIBUIÇÕES  PREVIDENCIÁRIAS.  PLANO  DE  SAÚDE  NÃO  EXTENSÍVEL  A  TODOS  OS  EMPREGADOS  E  DIRIGENTES.  SALÁRIO­DE­CONTRIBUIÇÃO.  Integra o conceito legal de Salário de Contribuição o valor concedido  a  título  de  Plano  de  Saúde/assistência  médica  não  extensível  à  totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, nos termos do art.  28, § 9°, alínea "q" da Lei 8.212/91 combinado com o art. 214, § 9°,  inciso XVI do Decreto n° 3.048/99.  Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 19515.005979/2009­87  Resolução nº  9202­000.169  CSRF­T2  Fl. 5          4 CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL.  A  inclusão dos Dirigentes estaduais na Relação de Corresponsáveis  ­  CORESP não  tem o  condão de os  inserir no pólo passivo da relação  jurídica  tributária.  Presta­se  apenas  como  subsídio  à  Procuradoria,  caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese  encartada no inciso III do art. 135 do CTN.  PRODUÇÃO  DE  PROVAS.  MOMENTO  PRÓPRIO.  JUNTADA  DE  NOVOS DOCUMENTOS  APÓS  PRAZO DE DEFESA.  REQUISITOS  OBRIGATÓRIOS.  A  impugnação  deverá  ser  formalizada  por  escrito  e  mencionar  os  motivos  de  fato  e  de  direito  em  que  se  fundamentar,  bem  como  os  pontos  de  discordância,  e  vir  instruída  com  todos  os  documentos  e  provas  que  possuir,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas  na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus  do sujeito passivo.  O acórdão teve o seguinte teor:  ACORDAM  os  membros  da  2ª  TO/3ª  CÂMARA/2ª  SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao  recurso  voluntário.  O  Conselheiro  Wilson  Antônio  de  Souza  Correa  divergiu,  pois  entendeu  que  se  aplicava  o  artigo  150,  §4°  do  CTN.  Quanto ao mérito não houve divergência.   No  voto  vencedor  há  alentada  tese  que  conclui  ser  o  lançamento  de  contribuições  previdenciárias  declaradas  em  GFIP  lançamento  por  declaração,  por  isso,  é  aplicável o art. 173, inc. I, para determinação do dies a quo da contagem do prazo decadencial  de cinco anos.  Embargos de declaração da contribuinte   Intimada  (e­fl.  65)  do  acórdão  acima  em  29/03/2012  (e­fl.  66),  a  contribuinte  manejou embargos de declaração, em 03/04/2012, às e­fls. 67 a 70, afirmando a existência de  omissão  naquele  aresto  porque  não  teria  observado  o  art.  62­A  do  seu  Regimento  Interno,  proferindo decisão contrária ao acórdão do STJ prolatado nos autos do Resp n° 973.733, que,  na  sistemática  do  artigo  543C  do  CPC,  consolidou  a  jurisprudência  nacional  a  respeito  das  contribuições  previdenciárias,  definindo  que  o  lançamento  se  dá  por  homologação  e  que  a  contagem  do  prazo  decadencial  deve  ser  feita  com  base  no  artigo  150,  §4°,  do  CTN,  se  o  contribuinte antecipou pagamentos, mesmo que em valor inferior ao devido.  Através  do  Despacho  nº  2302­140,  às  e­fls.  275  a  278,  em  16/05/2012,  o  Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento rejeitou os  embargos por não entender existente omissão alegada e vendo nestes embargos apenas ataque  aos fundamentos da decisão, para o que tal recurso é inservível.  RE da contribuinte   Intimada  (e­fl.  1687) da denegação dos  embargos  em 29/10/2012  (e­fl.  1689),  no dia 13/11/2012 a empresa manejou recurso especial de divergência (e­fls. 1690 a 1698) ao  Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 19515.005979/2009­87  Resolução nº  9202­000.169  CSRF­T2  Fl. 6          5 citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF quanto a  contagem do prazo decadencial.  Entende dever tal prazo ser contado nos termos do disposto no art. 150 da Lei nº  5.172  de  25/10/1966  ­  CTN,  para  os  lançamentos  por  homologação,  ao  passo  que  o  voto  condutor do recorrido se utilizou do hiato temporal estabelecido pelo art. 173, inc. I, do mesmo  Código,  considerando  o  lançamento  das  contribuições  previdenciárias  como  lançamento  por  declaração. Apresenta como paradigma para essa divergência, o acórdão nº 9202­01.738.   Além disso, o voto do acórdão a quo entendeu inexistirem pagamentos relativos  às contribuições previdenciárias  lançadas, o que não se coaduna com os  fatos, o que procura  deixar suficientemente claro com as seguintes afirmações:  30.  Por  fim,  para  que  não  haja  dúvidas,  o  Recorrente  esclarece  ter  realizado  pagamentos  antecipados  das  contribuições  em  comento  no  período  contemplado  pela  autuação.  Esse  fato  foi  comprovado  por  meio das guias de recolhimento anexadas ao recurso voluntário e pelos  comprovantes dos depósitos judiciais realizados nos autos do Mandado  de  Segurança  n.  2001.61.00.003566­4  (fls.  1.420/1.425),  que,  nos  termos  da  jurisprudência  do  STJ,  têm  idêntico  efeito  constitutivo  do  crédito tributário.  31. O próprio auto de infração fez menção a tais recolhimentos, tanto  que sua lavratura pretendeu a constituição do crédito correspondente  apenas à diferença entre os valores recolhidos e aqueles supostamente  devidos.  (Sublinhado no original)  Houve  uma  primeira  apreciação  do  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte em 19/08/2013, no Despacho nº 2300­477/2013, às e­fls. 1713 a 1719, dando­lhe  seguimento.  Contudo,  houve  elaboração  de  novo  despacho,  após  constatação  de  lapso  manifesto  em  sua  fundamentação  por  se  referir  a  paradigmas  não  colacionados  pela  contribuinte no tocante a uma das matérias abordadas.  O  recurso  especial  de  divergência  da  contribuinte  foi  novamente  apreciado,  agora em 01/06/2017, pelo atual Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do  CARF,  que,  nos  termos  dos  arts.  67  e  68  do  Anexo  II  do  Regimento  Interno  do  Conselho  Administrativo de Recursos Fiscais ­ RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015,  no despacho de e­fls. 1743 a 1747, deu seguimento ao recurso para que sejam rediscutidas as  matérias  decadência:  lançamento  por  homologação  e  critério  para  verificação  do  pagamento  antecipado .   Contrarrazões  da  Fazenda  Cientificada  do  RE  em  01/06/2017,  a  Fazenda  Nacional  apresentou  contrarrazões  em  16/06/2017,  às  e­fls.  1755  a  1759.  Sua  argumentação  reitera  a  inexistência  de  antecipação  de  pagamentos  para o  lançamento  em  testilha,  devendo  essas  antecipações  serem  consideradas  em  relação  a  fatos  geradores  da  mesma  natureza.  Havendo  antecipações  relativas  a  fatos  geradores  diversos,  ainda  que  do  mesmo  tributo,  descabe a aplicação da contagem com fulcro no § 4º do art. 150 do CTN.  Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 19515.005979/2009­87  Resolução nº  9202­000.169  CSRF­T2  Fl. 7          6 Pelas razões expostas, requer que seja negado provimento ao recurso especial de  divergência da contribuinte para manter a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial  posta no art. 173, inc. I do CTN.  É o relatório.      VOTO VENCIDO  Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos ­ relator.  Considerando  que  a  maioria  do  colegiado  resolveu  converter  o  julgamento  em  diligência, e tendo restado vencido quanto essa questão, deixo de apresentar meu voto com relação ao  mérito, que será apresentado no momento oportuno.  Registro  que  ficou  designada  para  redigir  a  resolução  a  conselheira  Elaine  Cristina  Monteiro e Silva Vieira.    (assinado digitalmente)  Luiz Eduardo de Oliveira Santos      Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 19515.005979/2009­87  Resolução nº  9202­000.169  CSRF­T2  Fl. 8          7 VOTO VENCEDOR  Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira ­ Redatora Designada.  Peço  licença  ao  ilustre  conselheiro  Luiz  Eduardo  de  Oliveira  Santos  para  divergir do seu entendimento em relação ao encaminhamento dado, por entender ser necessário  esclarecimentos por parte da unidade preparadora, para só então realizar o presente julgamento.  Conforme descrito no relatório deste voto,  trata­se o presente processo de auto  de  infração  de  obrigação  principal  ­  NFLD  DEBCAD  nº  37.254.451­7,  referente  a  contribuições devidas aos terceiros ­ Sesc, Sebrae e Senac, decorrente de falta de inclusão na  remuneração dos segurados empregados de pagamentos a título de auxílio educação, cursos e  treinamentos, participação nos resultados e planos de saúde, ou seja, salários indiretos.  Cinge­se a discussão sobre a análise do prazo decadencial a luz do art. 150, §4º  ou art. 173, I do CTN.  Contudo, em relação a decadência, encaminho pela conversão do julgamento em  diligência,  tendo  em  vista  a  impossibilidade  de  comprovação  nos  autos,  da  existência  de  recolhimento  para  terceiros  sobre  a  folha  de  pagamento  para  todas  as  competências  possivelmente abrangidas pelo período decadente (01/2004 a 11/2004).  Note­se  que,  embora  o  pano  de  fundo  da  autuação  seja  a  existência  de  ação  judicial  em  relação  a  parte  da  contribuição  para  terceiros,  com  a  alegação  de  existência  de  depósitos  judiciais,  certo  é  que  o  julgador  para  análise  do  caso,  deve  ter  acesso  a  todas  as  informações  pertinentes.  ´Não  constam  os  relatórios  RADA  ­  Relatórios  de  documentos  apresentados,  que  especifica,  por  competência,  os  recolhimentos  sobre  folha  de  pagamento,  nem  tampouco  existe  informação  sobre  constar  na  GFIP,  campo  próprio,  a  existência  da  referida  ação  judicial  e  de  depósitos  judiciais.  Essa  informação  poderá  balizar  uma  decisão  mais profícua acerca do tema.  Dessa  forma,  entendo  necessário  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  unidade de  origem,  para  levantamento  das GFIP  e  da  informação  da  destinação  dada  ao  valor  declarado  nas  competências  de  2004,  relativo  às  contribuições  a  terceiros,  especificando o código (115 ou outros) e  informações eventualmente constantes dessas GFIP  sobre ação judicial que prejudique o recolhimento dessas contribuições,  Conclusão  Face  o  exposto,  voto  por  converter  o  julgamento  do  recurso  em  diligência  à  unidade de origem, para levantamento das GFIP e da informação da destinação dada ao valor  declarado  nas  competências  de  2004,  relativo  às  contribuições  a  terceiros,  especificando  o  código  (115  ou  outros)  e  informações  eventualmente  constantes  dessas  GFIP  sobre  ação  judicial que prejudique o recolhimento dessas contribuições.  É como voto.    (assinado digitalmente)  Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira  Fl. 1803DF CARF MF

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Numero do processo: 10680.918872/2012-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considera-se não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
Numero da decisão: 3002-000.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD

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3002­000.053  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  15 de março de 2018  Matéria  PER/DCOMP  Recorrente  J. CHEBLY EMPREENDIMENTOS DE PUBLICIDADE LTDA.  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010  PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.  A  apreciação  de  documentos  não  submetidos  à  autoridade  julgadora  de  primeira  instância  é  possível  nas  hipóteses  previstas  no  art.  16,  §  4º  do  Decreto nº 70.235, de 1972.  COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.   É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o  qual pleiteia compensação.  MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO.  Não  tendo  sido  a  matéria  contestada  na  manifestação  de  inconformidade,  considera­se não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de  1972, precluindo o direito de fazê­lo em outro momento processual.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer  parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e,  no  mérito,  em  negar­lhe  provimento.  Votou  pelas  conclusões  a  conselheira  Maria  Eduarda  Alencar Câmara Simões.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Presidente e Relatora   Participaram  da  sessão  de  julgamento  os  conselheiros:  Carlos  Alberto  da  Silva  Esteves,  Diego Weis  Junior,  Larissa  Nunes  Girard  e Maria  Eduarda  Alencar  Câmara  Simões.      AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 72 /2 01 2- 10 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.918872/2012­10  Acórdão n.º 3002­000.053  S3­C0T2  Fl. 3          2 Relatório  Trata  o  processo  de  declaração  de  compensação  de  pagamento  a maior  de  Cofins,  no  valor  de  R$  15.875,90,  relativa  ao  mês  junho/2010  e  transmitida  por  meio  de  Per/Dcomp em fevereiro/2011 (fls. 26 a 30).  A  Delegacia  da  Receita  Federal  em  Belo  Horizonte  (DRF/BHE)  não  homologou a compensação por haver constatado que o pagamento discriminado no Per/Dcomp  havia  sido  utilizado  integralmente  para  a  quitação  de  outros  débitos  do  contribuinte,  não  restando crédito disponível para a compensação solicitada (fl. 31).  A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual esclareceu  que,  a  partir  da  informação  constante  no Despacho Decisório  de  que  o  crédito  utilizado  no  Per/Dcomp  não  estava  na  DCTF  da  competência  declarada,  providenciou  a  retificação  das  DCTF  das  competências  06/2010,  09/2010  e  12/2010,  de  acordo  com  os  valores  corretos  já  declarados na DIPJ/2011 (fls. 2 a 5).  A  Delegacia  de  Julgamento  em  Belo  Horizonte  (DRJ/BHE)  proferiu  o  Acórdão  nº  02­45.930  (fls.  45  a  48),  por  meio  do  qual  decidiu  pela  improcedência  da  manifestação  de  inconformidade,  tendo  em  vista  que  a  verificação  do  DACON  anterior  ao  despacho  decisório  não  evidenciou  a  existência  de  pagamento  indevido  ou  a maior  e  que  a  retificação  de  DACON  e  DCTF  após  o  despacho  decisório  não  eram  suficientes  para  demonstrar a razão do contribuinte.  O Acórdão foi assim ementado:  ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA O  FINANCIAMENTO DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Data do fato gerador: 30/06/2010   PAGAMENTO  INDEVIDO  OU  A  MAIOR.  CRÉDITO  NÃO  COMPROVADO.  Na  falta  de  comprovação  do  pagamento  indevido  ou  a  maior,  não há que se falar em crédito passível de compensação.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Cientificada da decisão, a contribuinte  interpôs recurso voluntário  (fls. 55 a  65), no qual apresentou as seguintes alegações:   a)  o  erro  cometido  pela  contribuinte  consistiu  em  considerar  meras  transferências bancárias entre contas da contribuinte como se fossem receitas (faturamento) e  incluí­las, equivocadamente, na base de cálculo da Cofins;  b) em não ocorrendo o fato gerador, não surge a obrigação tributária, sendo o  mero erro formal da contribuinte insuficiente para embasar a cobrança indevida do tributo; e  Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.918872/2012­10  Acórdão n.º 3002­000.053  S3­C0T2  Fl. 4          3 c) caso não se entenda pelo  reconhecimento do  crédito,  com a  consequente  homologação  da  compensação,  a  multa  de  mora  deve  ser  anulada  por  ser  flagrantemente  desproporcional  e,  portanto,  inconstitucional  e  ilegal,  caracterizando  o  confisco  vedado  pelo  art. 150 da CF.  A título de prova, juntou­se:  1  ­  planilha  com  os  créditos  em  conta  bancária  que  representam  as  transferências  consideradas  equivocadamente  como  faturamento  –  competências  06/2012  e  09/2012 (fls. 66 e 67); e  2 ­ extratos bancários do Banco do Brasil e do Banco Itaú, relativos ao mês  06/2010 (fls. 68 a 75).  É o relatório.  Voto             Conselheira Larissa Nunes Girard  O  recurso  voluntário  é  tempestivo,  preenche  os  requisitos  formais  de  admissibilidade,  inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele  tomo conhecimento.  A situação que ora  se analisa  trata de um contribuinte que, ao  ter negada a  homologação  de  sua  declaração  de  compensação,  apresenta  uma  manifestação  de  inconformidade  na  qual  alega  a  ocorrência  de  erro  de  cálculo,  sem  apresentar  qualquer  explicação sobre a origem ou a natureza do alegado erro, acompanhada da retificação da DCTF  e do Dacon, sem juntar, porém, qualquer documento que justifique e demonstre a correção das  retificações efetuadas.  Apenas agora, em fase de recurso voluntário, esclarece que seu erro consistiu  na inclusão na base de cálculo da Cofins de certos valores creditados em sua conta bancária,  decorrentes de empréstimos para capital de giro e resgates de títulos, como se fossem receitas  das atividades da empresa. E junta extratos bancários que mostram a origem desses depósitos.  Trata­se,  então,  de  uma  discussão  sobre  o  que  configura  prova,  o  ônus  da  prova e o momento para a sua produção.  Quanto ao  fato de não constituir prova a  simples  retificação da DCTF e do  Dacon após decisão denegatória, desacompanhada de documentação que a ampare, parece não  haver  dúvida,  uma  vez  que  nem  a  recorrente  contestou  esse  ponto  na  decisão  de  primeira  instância.  Partilha­se  desse  entendimento  da  DRJ,  que  tem  sua  raiz  no  art.  147  do  Código  Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe:  Art.  147. O  lançamento  é  efetuado com base na declaração do  sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da  legislação  tributária,  presta  à  autoridade  administrativa  informações  sobre  matéria  de  fato,  indispensáveis  à  sua  efetivação.  Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.918872/2012­10  Acórdão n.º 3002­000.053  S3­C0T2  Fl. 5          4 §  1º  A  retificação  da  declaração  por  iniciativa  do  próprio  declarante,  quando  vise  a  reduzir  ou  a  excluir  tributo,  só  é  admissível mediante  comprovação do erro  em que  se  funde,  e  antes de notificado o lançamento. (grifado)  Alie­se  à  essa  determinação  do  CTN  que  a  DCTF  é  o  documento  que  formaliza  o  cumprimento  da  obrigação  acessória  de  informar  créditos  e  débitos  à  Administração em relação aos principais tributos federais, tendo força de confissão de dívida e  representando instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme o art. 5º do  Decreto­Lei nº 2.124, de 1984. Dessa forma, resta indiscutível a necessidade de comprovação  do erro que  se pretende  corrigir por meio de  retificação da declaração visando à  redução do  débito.  Relativamente à responsabilidade pelo ônus da prova, pertence ao requerente  nas solicitações de restituição, ressarcimento e compensação, uma vez ser ele a alegar o direito  perante a Fazenda Nacional. Define o Código de Processo Civil em seu art. 373 que, quanto ao  fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre o tema, assim  dispõe a Lei nº 9.874, de 1999, que trata dos processos administrativos:  Art.  36.  Cabe  ao  interessado  a  prova  dos  fatos  que  tenha  alegado,  sem prejuízo  do  dever  atribuído  ao  órgão  competente  para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. (grifado)  Mas  sobre  esse  ponto  parece  também  não  haver  divergência,  pois  o  contribuinte, ciente da sua omissão no desenrolar do processo, tenta agora fazer a produção de  prova. E aí reside o ponto fulcral deste julgamento.  O Decreto  nº  70.235,  de  1972,  que  rege  o  Processo Administrativo  Fiscal,  dispõe sobre a impugnação ou a manifestação de inconformidade da seguinte forma (que segue  o mesmo rito por força do disposto no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996):   Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com  os  documentos  em  que  se  fundamentar,  será  apresentada  ao  órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em  que for feita a intimação da exigência.  Art. 16. A impugnação mencionará:  (...)  III ­ os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os  pontos de discordância e as razões e provas que possuir;  (...)  §  4º  A  prova  documental  será  apresentada  na  impugnação,  precluindo  o  direito  de  o  impugnante  fazê­lo  em  outro  momento processual, a menos que:  a)  fique  demonstrada  a  impossibilidade  de  sua  apresentação  oportuna, por motivo de força maior;  b) refira­se a fato ou a direito superveniente;  Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.918872/2012­10  Acórdão n.º 3002­000.053  S3­C0T2  Fl. 6          5 c) destine­se a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos  aos autos.  §  5º  A  juntada  de  documentos  após  a  impugnação  deverá  ser  requerida à autoridade  julgadora, mediante petição em que  se  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  uma  das  condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado)  A  apresentação  da  manifestação  de  inconformidade  é  momento  crucial  no  processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo recorrente a título de razões e provas define  a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após  a  apreciação  da  matéria  pela  primeira  instância,  considerado  o  contraditório  em  toda  a  sua  extensão.  Entretanto,  quando  por  sua  própria  vontade  o  recorrente  não  exerce  o  seu  direito,  chega ao Colegiado uma discussão esvaziada.  Consoante o art. 16 do PAF, preclui o direito do recorrente de fazer prova em  momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada  a impossibilidade de fazê­lo tempestivamente por motivo de força maior, ou por novos fatos ou  razões, trazidos aos autos ou ocorridos após a juntada da manifestação. Ainda, sobre a entrega  extemporânea  de  documentos,  dita  o  comando  que  tal  solicitação  deve  ocorrer  mediante  petição  da  recorrente  em  que  demonstre,  com  fundamentos,  a  ocorrência  de  alguma  das  exceções previstas na Norma.   Pois  bem,  nenhuma  das  condições  estabelecidas  pelo  PAF  se  faz  presente.  Tanto  o  motivo  do  alegado  direito  ao  crédito  quanto  as  ditas  provas  somente  se  deram  a  conhecer  nesta  fase,  sem  qualquer  explicação  pela  apresentação  tardia  injustificada.  Por  consequência, configurada está a preclusão temporal.   Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades  permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade  material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal.   Para tanto, espera­se, ao menos, que o contribuinte tenha tentado demonstrar  o  seu  direito,  por  meio  de  alegações  substanciais  e  da  juntada  de  documentação  robusta  à  manifestação  de  inconformidade,  ou  seja,  que  tenha  desempenhado  sua  parte  no  momento  oportuno.  Em  havendo  o  contribuinte  procedido  dessa  forma,  poder­se­ia  conceber  o  conhecimento  da  documentação  juntada  ao  recurso  voluntário,  visando  a  esclarecer  algum  ponto ou a reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo natural no decorrer da  marcha processual. Mas não é o caso nestes autos.  Um segundo aspecto  importante para o aceite extemporâneo diz  respeito ao  valor  probatório  da  documentação  apresentada  na  fase  do  recurso  voluntário.  É  de  conhecimento  corrente  que  a  compensação  somente  pode  ser  autorizada  para  os  créditos  líquidos  e  certos,  por  força  do  art.  170  do  CTN.  Logo,  as  provas  tardias  deveriam  se  desincumbir  dessa  tarefa  com  excelência,  de  tal  forma  que  não  restasse  ao  julgador  senão  adotar  o  caminho  proposto  pelo  contribuinte  (considerando  que  ele  houvesse  atendido  o  pressuposto anterior).   Sobre esse quesito, a recorrente traz uma planilha de movimentação da conta  bancária,  com os 5 depósitos  em conta bancária que  teriam sido  acrescidos  indevidamente  à  base de cálculo da Cofins e foram por ela excluídos quando das retificações de DCTF e Dacon.  Essa planilha, que se  transcreve a seguir,  está acompanhada dos extratos bancários  (fls. 66 a  Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.918872/2012­10  Acórdão n.º 3002­000.053  S3­C0T2  Fl. 7          6 75). Na planilha foi informado tratar­se de movimentação do ano de 2012, mas esse lapso foi  desconsiderado, uma vez estar claro que se refere à 2010.     Data  Descrição da Movimentação  Valores  Excluídos  Faturamento  Planilha  1  08/06  J. Chebly  4.800,00    2  10/06  Banco do Brasil Giro Flex  250.000,00    3  11/06  Itaú (resgate aplicação compromissada)  17.011,43    4  24/06  Banco do Brasil (TED crédito em conta)  150.000,00    5  24/06  Itaú (resgate aplicação compromissada)  100.014,53     Total  521.825,96  1.357.540,38   Diferença Apurada  835.714,42    Os 4 últimos créditos possuem correspondência nos extratos bancários, que  demonstrariam que estamos diante de depósitos decorrentes de empréstimo para capital de giro  e de resgate de uma aplicação (operação compromissada).   No entanto, o primeiro valor, de R$ 4.800,00, não consta dos extratos na data  informada, mas sim em 01/06/2010, como valor creditado por MINASBR COM, por meio do  Doc  341.0590,  sugerindo  que,  neste  caso,  ao  contrário  do  que  afirma  a  contribuinte,  poderíamos  estar  diante  de  receita  por  serviços  prestados.  Lembra­se  que  a  contribuinte  é  empresa do setor de publicidade.   Uma simples averiguação, realizada em um conjunto tão pequeno de dados já  nos  aponta  uma  inconsistência  na  planilha  do  contribuinte  e  que,  se  confirmada,  teria  por  consequência  a  certeza  de  que  a  retificação  realizada  no  Dacon  e  na  DCTF  é  equivocada  quanto ao depósito de R$ 4.800,00. Ainda que seja valor  irrisório diante da  totalidade, serve  para demonstrar que as provas trazidas não fazem certeza, nem liquidez.  O segundo aspecto,  também fundamental,  é que se  consideramos apenas as  informações existentes nos autos, não há como saber se tais valores compunham de fato a base  de cálculo da Cofins, nem se a sua exclusão acarretaria verdadeiramente a redução da Cofins  devida  de  R$  40.951,21  para  R$  25.071,46.  A  recorrente  efetua  uma  alteração  que  afeta  o  cálculo  da  contribuição  para  todo  o  período  (junho/2010), mas  não  providencia  informações  que evidenciam o que alega, como uma memória de cálculo da contribuição, antes e após as  exclusões,  amparada  em  documentos  contábeis  e  fiscais  revestidos  das  necessárias  formalidades.   Em  suma,  está  precluso  o  direito  de  apresentação  de  prova  documental  e,  ainda que  assim não  fosse,  a documentação  juntada em  fase de  recurso  voluntário não  logra  demonstrar o direito da recorrente.   Por  fim,  não  conheço  da  alegação  de  nulidade  da  multa  de  mora,  por  ser  desproporcional e caracterizar o confisco vedado pelo art. 150 da CF, visto que esta matéria  não foi refutada na manifestação de inconformidade e não existe previsão legal para inovação  das alegações nesta fase processual.    Como  dito  anteriormente,  a  manifestação  de  inconformidade  é  peça  fundamental do contencioso administrativo, vez que delimita a lide. O PAF determina que os  motivos de fato e direito, bem como as razões e os pontos de discordância sejam mencionados  Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.918872/2012­10  Acórdão n.º 3002­000.053  S3­C0T2  Fl. 8          7 na manifestação de  inconformidade, devendo  ser  considerada matéria não  impugnada aquela  que não  tenha sido expressamente contestada pelo  impugnante, nos  termos dos seus arts. 16,  inciso III, e 17.  Com  essas  considerações,  voto  no  sentido  de  não  conhecer  da  matéria  nulidade  da  multa  de  mora  e,  em  relação  à  parte  conhecida  do  recurso  voluntário,  negar  provimento.  (assinado digitalmente)  Larissa Nunes Girard ­ Relatora                                  Fl. 84DF CARF MF

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Numero do processo: 10480.727523/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra - Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz.

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3402­001.257  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária  Data  26 de fevereiro de 2018  Assunto  PIS ­ DCOMP  Recorrente  FEDEX BRASIL LOGISTICA E TRANSPORTE S.A. (denominação atual de  RAPIDÃO COMETA LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A)  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  converter  o  julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.  (assinado digitalmente)  Jorge Olmiro Lock Freire ­ Presidente   (assinado digitalmente)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator   Participaram da sessão de  julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro  Lock  Freire,  Waldir  Navarro  Bezerra,  Maysa  de  Sá  Pittondo  Deligne,  Pedro  Sousa  Bispo,  Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Thais  de Laurentiis Galkowicz.  Relatório   Trata  o  presente  processo  de  análise  e  acompanhamento  de  DCOMPs  transmitidas  pela  empresa  FEDEX  BRASIL  LOGISTICA  E  TRANSPORTE  S.A.,  atual  denominação  de  RAPIDÃO  COMETA  LOGÍSTICA  E  TRANSPORTE  S/A,  CNPJ  nº  10.970.887/00001­02,  entre  os  períodos  de  21/09/2009  e  21/10/2009,  através  das  quais  pretendeu efetuar compensações de débitos para com a RFB (PIS/COFINS/IRRF), utilizando­ se de créditos de PIS decorrentes da Ação Ordinária nº 95.0008926­2,  transitada em  julgado  em  23/08/2005,  que  se  refere  a  inconstitucionalidade  das  alterações  introduzidas  pelos     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 27 52 3/ 20 11 -6 6 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10480.727523/2011­66  Resolução nº  3402­001.257  S3­C4T2  Fl. 202          2 Decretos­lei  n°s  2.445  e  2.449,  de  1988,  na  sistemática  de  apuração  do  PIS  e  direito  de  compensação dos valores indevidamente recolhidos.  Por  bem  consolidar  os  fatos  ocorridos  neste  processo  até  o  julgamento  de  primeira  instância,  colaciono  os  principais  trechos  do  relatório  do  Acórdão  nº  10­52.851,  exarado pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) de Porto Alegre (RS), de  fls. 131/135:  "(...)  Analisados  os  elementos  constantes  do  processo,  a  DRF  de  origem anexou Informação Fiscal onde fez relato acerca da análise das  DCOMPs  e  da  medida  judicial  fundamentadora  das  declarações  de  compensação,  referindo,  em  especial,  à  Informação Fiscal  produzida  no  processo  nº  19647.020530/2008­62  (pedido  de  habilitação  de  créditos).  Foi  emitido  Despacho  Decisório  que  decidiu  reconhecer  direito creditório no montante de R$ 463.506,76 e também:  a) homologar  totalmente as  compensações declaradas na DCOMP nº  13547.21399.211009.1.3.57­8915;  b) homologar  parcialmente  as  compensações  declaradas  na DCOMP  nº 03227.99700.210909.1.3.57­1854;  c)  não  homologar  as  compensações  declaradas  na  Dcomp  nº  38675.01122.191009.1.3.57­6694;  d)  determinar  fosse  efetuada  a  cobrança  dos  débitos  indevidamente  compensados (relacionados).  Cientificada em 12/09/2011 (AR de fl. 38) e não se conformando com a  decisão  administrativa,  a  contribuinte  apresentou  em  05/10/2011  manifestação  de  inconformidade  onde  inicialmente  referiu  à  decisão  administrativa, registrando, a seguir, os seguintes argumentos:  Forma de  apuração  dos  créditos  e  das  compensações. Utilização  de  índices de atualização divergentes e não aplicação de  juros de mora  determinados em sentença   • verificou­se que ocorreu pequena diferença entre o valor dos créditos  originais apresentados pela empresa e os valores dos créditos originais  apurados pela RFB. Essa não explicou no DD a diferença verificada  entre os valores de créditos originados até 31/12/1991;  • constatou­se que os índices de atualização do crédito utilizados pela  RFB  divergem  dos  índices  de  atualização  utilizados  pela  Justiça  Federal,  o  que  provocou  a  redução  indevida  do  crédito  da  empresa.  Solicita  que  para  fins  de  atualização  dos  valores  recolhidos  até  31/12/1991  sejam  utilizados  os  índices  de  atualização  estabelecidos  pela Justiça Federal conforme tabela de índices que segue anexa;  • a RFB  descumpriu  comandos  determinados  judicialmente. O  órgão  fiscalizador não incluiu, para fins de cálculo de atualização monetária  do  crédito,  os  valores  relativos  aos  juros  de  mora  reconhecidos  na  sentença, à razão de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado. Não  cabe ao órgão administrativo interpretar a decisão proferida, mas dar  cumprimento a ela. Neste sentido, deveria ter incluído nos cálculos de  atualização dos créditos o valor relativo aos juros de mora devidos;  Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10480.727523/2011­66  Resolução nº  3402­001.257  S3­C4T2  Fl. 203          3 •  esses  procedimentos  incorretos  levaram  à  não­homologação  das  compensações declaradas e geraram indevida cobrança de débitos que  não foram alcançados pelos créditos. Deverão ser refeitos os cálculos  de  acordo  com  os  índices  da  Justiça  Federal,  aplicando­se  os  juros  determinados em sentença.  Pedido   • estando demonstrado que ocorreram falhas na apuração dos créditos  da empresa, em descumprimento ao determinado na sentença judicial,  requer seja processada sua manifestação de inconformidade, para que,  ao final, seja julgada integralmente procedente, determinando­se sejam  refeitos  os  cálculos  dos  créditos,  conforme  demonstrado,  reconhecendo­se integralmente os créditos pleiteados e homologando­ se as compensações realizadas.  É o relatório.  Sobreveio  então  o  Acórdão  da  DRJ/POA,  que  julgou  improcedente  a  Manifestação  de  Inconformidade  apresentado  pela  Recorrente,  cuja  ementa  foi  lavrada  nos  seguintes termos:  ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO   Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2009  COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. A compensação de créditos  de PIS deve ser operacionalizada de acordo com o determinado  em decisão judicial transitada em julgado.  COMPENSAÇÃO.  CRÉDITOS  DE  PIS.  DETERMINAÇÃO  JUDICIAL. APURAÇÃO. IMPLEMENTAÇÃO.  Tendo o Órgão de origem implementado os cálculos dos valores  de  PIS  passíveis  de  compensação  com  estrita  obediência  às  determinações  judiciais,  não  pode  a  autoridade  julgadora  reformulá­los.  PIS. MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. CÁLCULOS.  Não  são  de  ser  aceitos  cálculos  apresentados  pela  contribuinte  quando os mesmos não discriminarem a forma clara e precisa de  sua confecção.  Manifestação de Inconformidade Improcedente   Direito Creditório Não Reconhecido  Em  06/01/2015,  conforme  se  constata  pela  abertura  dos  arquivos  digitais  correspondentes  no  link  Processo  Digital  (Portal  e­CAC),  a  Recorrente  tomou  ciência  do  Acórdão recorrido (fl. 140). Não se conformando com o resultado da decisão, em 05/02/2015  (fl.  142),  apresentou,  tempestivamente,  seu  Recurso  Voluntário,  valendo­se  dos  mesmos  argumentos apresentados em sua impugnação, assim resumidos (fls. 142/144):    Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10480.727523/2011­66  Resolução nº  3402­001.257  S3­C4T2  Fl. 204          4 ­ Aduz que por força da Ação Judicial n° 95.0008926­2,  transitada em julgado  em 23/08/2005, solicitou habilitação do crédito no montante de R$ 3.413.762,81 e em seguida  efetuou a compensação de tributos devidos a RFB, tais como COFINS, PIS e IRRF, mediante a  transmissão de PER/DCOMP. Posteriormente, em revisão de cálculos pela DRF em Recife/PE,  foi detectado que o crédito devido era de R$ 1.553.999,13, acrescido dos juros;  ­  alega  que  a  Recorrente  já  havia  compensado  valores  no  montante  de  R$  3.388.798,62  cuja  interpretação  fiscal  em  somente  homologar  as  compensações  das  contribuições devidas  ao PIS,  em obediência  a Decisão  Judicial,  de  forma a  restar um saldo  devedor de R$ 2.475.753,06, conforme demonstrativo no corpo recurso;  ­  informa  que  obteve  acesso  ao  parcelamento  que  alude  a  Lei  nº  12.996  de  18/06/2014, conforme Recibo de Pedido de Parcelamento anexado aos autos à fl. 145, restando  um saldo devedor das compensações não homologadas de R$ 640.953,57;  ­  que  apesar  da  decisão  judicial  transitada  em  julgado  ter  determinado  a  compensação de créditos de PIS com débitos de PIS, o art. 74 da Lei n° 9.430/96, permitiu que  os créditos decorrentes de ações judiciais pudessem ser compensados com débitos relativos a  quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB; Ainda que a decisão judicial fosse  anterior  a  Lei  n°  9.430/96,  esse  direito  não  pode  ser  negado  aos  contribuintes,  em  face  do  princípio da retroatividade benigna da Lei Tributária.  Ao  final  requer,  que  seja  reconhecido  o  seu  direito  e  homologado  os  PER/  DCOMP  nº  38675.01122.191009.1.3.57­6694,  em  sua  totalidade,  bem  como  parcialmente  o  PER/DCOMP n° 03227.99700.210909.1.3.57­1854.  Os  autos  foram,  então,  encaminhados  a  este  CARF  e  distribuído  para  este  Relator analisar o recurso.  Petição ­ Ocorrência de Fato Novo   Em  03/02/2015,  a  FEDEX  BRASIL  LOGÍSTICA  E  TRANSPORTE  S/A.,  apresentou junto a DRF em Recife/PE, o Requerimento expondo o seguinte:  "(...)  Que  tempestivamente  a  Requerente  aderiu  ao  parcelamento  especial  instituído  pela  Lei  nº  12.996  de  18  de  junho  de  2014,  conforme  Recibo  de  Pedido  de  Parcelamento  Da  Lei  nº  12.996  de  18  de  Junho  de  2014  n°  00091799898092129550,  de  28/08/2014, aqui anexado". (Grifei).  Os documentos  (assinados digitalmente) encontram­se anexados ao  e­Processo  às fls. 167/198.  É o relatório.  Voto  Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator   1. Da Admissibilidade dos Recursos   O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos  de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento.  Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10480.727523/2011­66  Resolução nº  3402­001.257  S3­C4T2  Fl. 205          5 2. Da necessidade de Conversão em Diligência  A  controvérsia  suscitada  se  refere  a  análise  e  acompanhamento  de  DCOMPs  transmitidas  pela  empresa,  entre  os  períodos  de  21/09/2009  e  21/10/2009,  através  das  quais  pretende  efetuar  compensações  de  débitos  com  a  RFB,  utilizando­se  de  créditos  de  PIS  decorrentes da Ação Ordinária nº 95.0008926­2, transitada em julgado em 23/08/2005.  No  entanto,  verifica­se  nos  autos  que  a  Recorrente  solicita  a  desistência  PARCIAL do recurso administrativo, em razão da adesão ao parcelamento federal instituído  pela Lei nº 12.996 de 18 de  junho de 2014, conforme Recibo de Pedido de Parcelamento n°  00091799898092129550, de 28/08/2014 à fl. 145.  Consta,  na  forma  do  Requerimento  de  fl.  167,  que  a  Recorrente  apresentou  PEDIDO  DE  DESISTÊNCIA  PARCIAL  DO  RECURSO,  conforme  trecho  abaixo  reproduzido:  "(...) Que  teve  ciência  do  julgamento  do  processo  10480.727523/2011­66  sem  que  tenha  ocorrido  a  fase  de  consolidação  das  modalidades  de  parcelamento,  a  Requerente  requer  em  atendimento  ao  art.  8º,  §6º  da  Portaria  Conjunta  PGFN/RFB  n°  13  de  2014,  desistência parcial do Processo indicado, no valor original de R$ 1.834.799,49 (um milhão,  oitocentos e trinta e quatro mil, setecentos e noventa e nove reais e quarenta e nove centavos),  relativo  ao  código  de  recolhimento  5856  (Cofins),  do  período  de  apuração  31.08.2009  e  vencimento  25.09.2009,  cujo  valor  deverá  ser  desmembrado  do  PER/DCOMP  n°  03227.99700.2Í0909.1.3.57­1854".  3. Dos efeitos do Pedido   Quando  do  recurso  voluntário  a  empresa  já  manifestara  que  o  parcelamento  estava em curso, ou seja, em face de consolidação dos débitos.  Agora,  conforme  consta  no  Requerimento  de  fl.  167,  a  Recorrente  expressa  formalmente  o  seu  pedido  de  desistência  parcial  referente  ao  recurso  voluntário  apresentado  neste processo, por aderir ao parcelamento federal instituído pela Lei nº 12.996, de 2014.  Conforme  definido  pelo  art.  78,  §  2º  e  §  3º,  da  Portaria MF  nº  343,  de  2015  (RICARF), quanto aos efeitos de pedido de parcelamento, assim disciplina:   Art.  78. Em qualquer  fase processual o  recorrente poderá desistir  do  recurso em tramitação.  § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do  processo.  §  2º O pedido  de  parcelamento,  a  confissão  irretratável  de  dívida,  a  extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou  a  propositura pelo  contribuinte,  contra  a Fazenda Nacional,  de  ação  judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso.  §  3º  No  caso  de  desistência,  pedido  de  parcelamento,  confissão  irretratável  de  dívida  e  de  extinção  sem  ressalva  de  débito,  estará  configurada  renúncia  ao  direito  sobre  o  qual  se  funda  o  recurso  interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido  decisão favorável ao recorrente. (grifei).  Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10480.727523/2011­66  Resolução nº  3402­001.257  S3­C4T2  Fl. 206          6 §  4º  Havendo  desistência  parcial  do  sujeito  passivo  e,  ao  mesmo  tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente  de  julgamento,  os  autos  deverão  ser  encaminhados  à  unidade  de  origem  para  que,  depois  de  apartados,  se  for  o  caso,  retornem  ao  CARF para seguimento dos trâmites processuais.  § 5º (...) Grifei.  Como  em  seu  Requerimento  o  Recorrente  afirma  que  PARTE  dos  créditos  discutidos neste processo, foram incluídos no parcelamento, o que implica na aceitação plena e  irretratável de todas as condições estabelecidas nas normas expedidas pela Fazenda Nacional,  no tocante a parte dos débitos incluídos nesse pedido de parcelamento.   Conforme  se  depreende  da  leitura  do  parágrafo  4º  do  art.  78  do  RICARF,  o  pedido formalizado pelo Recorrente, importa na desistência parcial do Recurso Voluntário e  em  renúncia  ao  direito  sobre  o  qual  se  funda  a  própria  ação,  conforme  se  verifica  pela  sua  petição de fl. 167 e seguintes.  Desta  forma,  em  havendo  desistência  parcial  do  sujeito  passivo,  os  autos  deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso,  retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais.  Em  face  do  acima  exposto,  nos  termos  dos  artigos  18  e  29  do  Decreto  n°  70.235/72,  proponho  a  realização  de  diligência  para  que  a  autoridade  fiscal  da  DRF/RECIFE/PE, proceda à análise de todos os fatos e se entender necessário poderá intimar  a Recorrente  para  apresentar  outros  documentos  e/ou  informações,  a  critério  da  fiscalização,  com vistas as seguintes providências:  (i) promover o apartamento dos valores objeto da desistência parcial apresentada  em 03/02/2015 (fl. 167), em virtude da adesão, por parte da Recorrente, ao PARCELAMENTO  de  Débitos  Federal,  conforme  cópia  do  Pedido  de  Parcelamento  da  Lei  nº  12.996,  de  18/06/2014, à fl. 169.  (ii)  discriminar  quais  créditos  tributários  constituídos  por meio  do  lançamento  de que trata este processo foi objeto do mencionado parcelamento;   (iii)  há  coincidência,  mesmo  que  parcial,  entre  os  tributos  objeto  da  Ação  Ordinária  nº  95.0008926­2,  transitada  em  julgado  em  23/08/2005  e  os  tributos  lançados  no  presente processo? Em caso positivo, descriminá­los.  (iv) por fim, o Fisco deve esclarecer se há (ou não) a existência comprovada do  direito  aos  créditos  restantes  suscetíveis  de  serem utilizados  na  compensação  tratados  nestes  autos.  Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF, deverá elaborar Relatório  Conclusivo  sobre  os  fatos  apurados  nesta  solicitação  de  diligência,  podendo  inclusive,  manifestar­se sobre a possível existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado  pela Recorrente contestada nos demais itens do Recurso Voluntário (fls. 142/144).  Encerrada  a  instrução  processual  a  Interessada  deverá  ser  intimada  para  manifestar­se  no  prazo  de  30  (trinta)  dias,  conforme  art.  35,  parágrafo  único,  do Decreto  nº  7.574, de 29 de setembro de 2011.  Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10480.727523/2011­66  Resolução nº  3402­001.257  S3­C4T2  Fl. 207          7 Após concluir os  trabalhos e promovendo as informações necessárias, os autos  devem retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento.  É como voto.   (Assinatura Digital)  Waldir Navarro Bezerra ­ Relator  Fl. 207DF CARF MF

score : 1.0
7121431 #
Numero do processo: 10935.002625/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito. Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.902
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso voluntário por intempestivo e, quanto à questão da decadência, conhecer da matéria de ofício para rejeitá-la. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ

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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito. Recurso voluntário negado.

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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso voluntário por intempestivo e, quanto à questão da decadência, conhecer da matéria de ofício para rejeitá-la. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.

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3402­004.902  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  01 de fevereiro de 2018  Matéria  PIS/PASEP  Recorrente  PREFEITURA MUNICIPAL DE REALEZA  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP  Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999  INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.  Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o  prazo  de  30  dias  contados  da  ciência  da  decisão  de  primeira  instância,  nos  termos  dos  artigos  33  e  42,  I,  do  Decreto  nº  70.235/1972  (Processo  Administrativo  Fiscal  ­  PAF),  não  é  possível  o  conhecimento  do  recurso  voluntário.  DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.   Por se  tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida  de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo.  DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR  HOMOLOGAÇÃO.  CONSTRUÇÃO  JURISPRUDENCIAL.  STF  E  STJ.  EFICÁCIA NORMATIVA. DIES  A  QUO.  DATA DA APRESENTAÇÃO  DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE.  A  jurisprudência  do  STJ  passou  a  considerar  que,  relativamente  aos  pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a  partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a  contados  da  data  dos  respectivos  pagamento.  Já  quanto  aos  pagamentos  anteriores,  a  contagem  do  prazo  obedece  ao  regime  previsto  no  sistema  anterior  (tese  dos  cinco  mais  cinco).  Contudo,  o  STF  ao  julgar  o  RE  n.  566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou  parcialmente o entendimento do STJ,  fixando como marco para a aplicação  do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do  indébito, e não mais a data do pagamento.   Por  sua  vez,  o  STJ  se  curvou  ao  citado  entendimento  do  Pretório Excelso,  passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 26 25 /2 00 7- 01 Fl. 100DF CARF MF     2 do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp  n. 1.269.570/MG).  Tais  decisões  devem  ser  reproduzidas  pelos  Conselheiros  no  âmbito  do  CARF  (artigo  62,  §2º  do  Regimento  Interno),  para  a  contagem  do  prazo  decadência da a restituição administrativa do indébito.  Recurso voluntário negado.        Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Acordam  os  membros  do  Colegiado,  por  unanimidade  de  votos,  por  não  conhecer do Recurso voluntário por intempestivo e, quanto à questão da decadência, conhecer  da matéria de ofício para rejeitá­la.  (Assinado com certificado digital)  Waldir Navarro Bezerra ­ Presidente substituto.  (Assinado com certificado digital)  Thais De Laurentiis Galkowicz ­ Relatora.   Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro,  Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula,  Marcos Roberto da Silva (suplente  convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa  Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.    Relatório  Trata­se de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela  Delegacia  da  Receita  Federal  do  Brasil  de  Julgamento  ("DRJ")  de  Curitiba/PR,  que  julgou  improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte.  Como bem apontado pelo Acórdão recorrido, o presente feito tem origem em  pedido de restituição (fl. 01), efetivado em 15/06/2007, relativo a crédito da Contribuição ao  PIS/  PASEP,  abrangendo  o  período  de  06/1997  a  01/1999.  Constam  também  dos  autos  declarações de compensação relativas ao suposto direito creditório.  A  autoridade  fiscal  de  origem  indeferiu  o  pleito  e,  consequentemente,  não  homologou as declarações de compensação, por meio do despacho de fls. 32/35, tendo em vista  o escoamento do prazo de cinco anos, contado da data do pagamento indevido ou maior que o  devido, para o pedido da restituição do indébito..   A  contribuinte  apresentou  manifestação  de  inconformidade  (fls.  41/54),  alegando,  em  síntese,  que:  i)  houve  intempestividade nas  reedições  das Medidas Provisórias  que  sucederam  a  de  n.  1.212/1996,  o  que  teria  criado  o  chamado  "vácuo  legislativo",  cuja  consequência jurídica relevante é que a exação PASEP não teve exigibilidade legal eficaz no  Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10935.002625/2007­01  Acórdão n.º 3402­004.902  S3­C4T2  Fl. 112          3 período  anterior  à  vigência  da  Lei  n°.  9.715/98;  ii)  assim,  os  recolhimentos  ao  PASEP  efetuados  entre 06/1997  e 01/1999  seriam  indevidos;  iii)  não  se pode  falar  em  extinção, por  decadência,  do  direito  à  restituição,  visto  que  o  STJ  decidiu  que  para  tributos  lançados  por  homologação aplica­se a tese dos "cinco mais cinco" anos.  O  julgamento  da  manifestação  de  inconformidade  resultou  no  Acórdão  da  DRJ de Curitiba/PR (fls 63 a 67), cuja ementa segue colacionada abaixo:  ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP  Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999  A PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA.  A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco  anos contados da extinção do crédito pelo pagamento.  DECLARAÇÃO  DE  COMPENSAÇÃO.  INEXISTÊNCIA  DO  CRÉDITO UTILIZADO. NÃO­HOMOLOGAÇÃO.  Cabível a não­homologação de declaração de compensação, por  inexistir o crédito nela vindicado, posto que indeferido o pedido  de reconhecimento de direito creditório vinculado.  Manifestação de Inconformidade improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido  Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls  72  a  96,  repisando  os  argumentos  de  sua  manifestação  de  inconformidade.  Outrossim,  apresenta alegação preliminar de nulidade do acórdão recorrido, pois teria sido omisso ao não  apreciar  a  questão  da  inconstitucionalidade  das  reedições  das  medidas  provisórias  que  sucederam a de n. 1.212/1996.  É o relatório.    Voto             Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz  Notificado  do  julgamento  a  quo  em  01  de março  de  2010  (segunda­feira),  conforme AR de  fls  69,  a Contribuinte  apresentou  seu  recurso  voluntário  em 01  de  abril  de  2010 (quinta­feira), ou seja, um dia após expirado o prazo para tal.  Em seu recurso voluntário a Recorrente não apresentou qualquer justificativa  que poderia alterar o termo final do seu prazo.  Pois  bem.  O  próprio  Decreto  nº  70.235/72,  que  regula  o  processo  administrativo fiscal, estabelece que o prazo para a propositura de recurso voluntário é de 30  (trinta) dias:  Fl. 102DF CARF MF     4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial,  com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência  da decisão.  Assim,  tendo  o  contribuinte  apresentado  o  Recurso  Voluntário  fora  do  trintídio legal, não há dúvidas que o presente Recurso é intempestivo, razão pela qual voto no  sentido de não conhecê­lo.  Entretanto, conforme se depreende do relato acima, as questões a serem aqui  solucionadas  são  duas:  i)  ocorrência  ou  não  de  decadência  do  direito  do  contribuinte  à  restituição  do  indébito;  ii)  o  direito  ao  crédito  pleiteado,  com  base  em  declaração  de  inconstitucionalidade  das  reedições  das  Medidas  Provisórias  que  sucederam  a  de  n.  1.212/1996.  Uma vez que a decadência constitui matéria de ordem pública, conhecível a  qualquer  tempo do processo, é de se  admitir  a sua análise.  Isto porque o artigo 63 da Lei n.  9.784/19991 aparta o problema da intempestividade (preclusão temporal) das demais hipóteses  de preclusão, admitindo, no seu parágrafo segundo, a revisão de ofício de questões de ordem  pública,  que não  precluem. Ademais,  é  preciso  lembrar que  o  processo  administrativo  fiscal  deve ser regido pelo princípio da eficiência e da informalidade moderada, o que também leva à  conclusão pela necessidade de análise da decadência.  Sobre  a  decadência,  é  válido  lembrar  que  a  questão  do  prazo  para  a  restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação passou por algumas reviravoltas  jurisprudenciais.   Inicialmente a posição que prevalecia no Superior Tribunal de Justiça (STJ)  era  a  interpretação  redacional  do  artigo  156,  VII,  do  Código  Tributário  Nacional  (CTN),  segundo a qual somente com a homologação é que se daria a extinção do crédito tributário e,  portanto, o início do computo do prazo para a repetição de indébito do artigo 168. Dessa forma,  somando­se o prazo de cinco anos para a homologação, com mais cinco anos para a repetição,  o contribuinte detinha prazo de dez anos para pleitear a  restituição de tributos. Tratava­se da  conhecida tese dos cinco mais cinco.   Contudo, o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 (LC  118/2005),  afirmando que,  para  efeito  de  interpretação  do  inciso  I  do  artigo  168  do CTN,  a  extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação,  no momento do pagamento antecipado de (artigo 150, § 1º), o STJ reviu a questão. Em seus  novos julgamentos (e.g. Recurso Especial 982.985, Relator: Ministro Luiz Fux. Julgamento: 10  jun. 2008. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJe, 07 ago. 2008), decidiu que não  obstante a LC 118/2005 se autointitular interpretativa, evidentemente inovou a ordem jurídica  tributária,  alterando  por  completo  o  entendimento  solidificado  pelo  STJ  sobre  o  prazo  prescricional  para  repetição  de  indébito  de  tributos  sujeitos  ao  lançamento  por  homologação  (tese dos cinco mais cinco).                                                               1 Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto:  I ­ fora do prazo;  II ­ perante órgão incompetente;  III ­ por quem não seja legitimado;  IV ­ após exaurida a esfera administrativa.  § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendo­lhe devolvido o prazo  para recurso.  § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não  ocorrida preclusão administrativa.    Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10935.002625/2007­01  Acórdão n.º 3402­004.902  S3­C4T2  Fl. 113          5 Dessa  forma,  foi  deliberado que,  a partir  de  sua  entrada,  passaram a  existir  dois regimes jurídicos distintos: i) os recolhimentos indevidos feitos a partir da sua entrada em  vigor (9 de junho de 2005) passaram a ter como prazo para sua restituição cinco anos contados  a partir do instante em que é feito o pagamento antecipado; ii) já os pagamentos indevidos que  ocorreram anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05 permanecem sob a disciplina  que imperava à época, vale dizer, que a contagem do prazo de cinco anos para a restituição só  se inicia a partir da homologação, expressa ou tácita, feita pelo fisco.  Este último entendimento apresentado pelo STJ, entretanto, foi parcialmente  modificado  pelo  Supremo  Tribunal  Federal  (STF)  ao  analisar  a  matéria  (RE  566.621/RS,  Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie. j. 04.08.2011), 2 que entendeu como relevante não a data  dos pagamento  indevidos, mas  sim  a  dada da  formulação dos  pedidos  de  restituição,  para  a  contagem do prazo dos contribuintes.   Por  sua  vez,  o  STJ  se  curvou  ao  citado  entendimento  do  Pretório Excelso,  passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621,  julgado por meio do rito dos recursos repetitivos. Nesse sentido, destaco a ementa do REsp n.  1.269.570/MG:  Ementa  CONSTITUCIONAL.  TRIBUTÁRIO.  RECURSO  ESPECIAL  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA  (ART.  543­C,  DO  CPC).  LEI  INTERPRETATIVA.  PRAZO  DE  PRESCRIÇÃO  PARA  A  REPETIÇÃO  DE  INDÉBITO  NOS  TRIBUTOS  SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º,  DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO                                                              2 Ementa:   DIREITO  TRIBUTÁRIO  –  LEI  INTERPRETATIVA  –  APLICAÇÃO  RETROATIVA  DA  LEI  COMPLEMENTAR  Nº  118/2005  –  DESCABIMENTO  –  VIOLAÇÃO  À  SEGURANÇA  JURÍDICA  –  NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA  REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE  INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE  JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ  no  sentido  de  que,  para  os  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação,  o  prazo  para  repetição  ou  compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos  arts.  150,  §  4º,  156,  VII,  e  168,  I,  do  CTN.  A  LC  118/05,  embora  tenha  se  auto­proclamado  interpretativa,  implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados  do  pagamento  indevido.  Lei  supostamente  interpretativa  que,  em  verdade,  inova  no  mundo  jurídico  deve  ser  considerada como lei nova.  Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a  lei  expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza,  validade  e  aplicação.  A  aplicação  retroativa  de  novo  e  reduzido  prazo  para  a  repetição  ou  compensação  de  indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz  do  prazo  então  aplicável,  bem  como  a  aplicação  imediata  às  pretensões  pendentes  de  ajuizamento  quando  da  publicação  da  lei,  sem  resguardo  de  nenhuma  regra  de  transição,  implicam  ofensa  ao  princípio  da  segurança  jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastando­se as aplicações  inconstitucionais  e  resguardando­se,  no  mais,  a  eficácia  da  norma,  permite­se  a  aplicação  do  prazo  reduzido  relativamente  às  ações  ajuizadas  após  a  vacatio  legis,  conforme  entendimento  consolidado  por  esta  Corte  no  enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas  que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos.  Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação  do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei  geral,  tampouco impede  iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a  inconstitucionalidade art. 4º, segunda  parte, da LC 118/05, considerando­se válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tão­somente às ações ajuizadas  após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543­B, § 3º,  do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido.  Fl. 104DF CARF MF     6 DA  JURISPRUDÊNCIA  DO  STJ.  SUPERADO  ENTENDIMENTO  FIRMADO  ANTERIORMENTE  TAMBÉM  EM  SEDE  DE  RECURSO  REPRESENTATIVO  DA  CONTROVÉRSIA.  1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº  644.736/PE,  Relator  o  Ministro  Teori  Albino  Zavascki,  DJ  de  27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n.  1.002.932/SP,  Primeira  Seção,  Rel. Min.  Luiz  Fux,  julgado  em  25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º  da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo  apenas  sobre  situações  que  venham  a  ocorrer  a  partir  da  sua  vigência.  Sendo  assim,  a  jurisprudência  deste  STJ  passou  a  considerar  que,  relativamente  aos  pagamentos  efetuados  a  partir  de  09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a  contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos  anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema  anterior.  2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no  RE  n.  566.621/RS,  Plenário,  Rel.  Min.  Ellen  Gracie,  julgado  em  04.08.2011,  onde  foi  fixado  marco  para  a  aplicação  do  regime novo de prazo prescricional levando­se em consideração  a  data  do  ajuizamento  da  ação  (e  não  mais  a  data  do  pagamento)  em confronto  com a data da vigência da  lei nova  (9.6.2005).  3.  Tendo  a  jurisprudência  deste  STJ  sido  construída  em  interpretação  de  princípios  constitucionais,  urge  inclinar­se  esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar  a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo  julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543­A e 543­ B,  do CPC). Desse modo,  para  as  ações  ajuizadas a  partir  de  9.6.2005, aplica­se o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005,  contando­se  o  prazo  prescricional  dos  tributos  sujeitos  a  lançamento  por  homologação  em  cinco  anos  a  partir  do  pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN.  4.  Superado  o  recurso  representativo  da  controvérsia  REsp.  n.  1.002.932/SP,  Primeira  Seção,  Rel. Min.  Luiz  Fux,  julgado  em  25.11.2009.  5. Recurso especial não provido.   Acórdão  submetido  ao  regime  do  art.  543­C  do  CPC  e  da  Resolução STJ 08/2008. (REsp 1269570 / MG, Relator Ministro  MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, Data do  Julgamento  23/05/2012,  Data  da  Publicação/Fonte,  DJe  04/06/2012 RT vol. 924 p. 802.)  Pois bem. No presente caso, o contribuinte indicou no Pedido de Restituição  que  o  indébito  era  referente  a pagamentos  efetuados  entre  06/1997  e  01/1999.  Todavia,  o  pedido de restituição da Municipalidade somente foi formalizado em 15/06/2007.   Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10935.002625/2007­01  Acórdão n.º 3402­004.902  S3­C4T2  Fl. 114          7 Uma vez que o artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, 3 prescreve a  necessidade de  reprodução, pelos Conselheiros,  das decisões definitivas  de mérito proferidas  pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos, conclui­se que está de  fato  decaído  o  direito  da  Recorrente.  Afinal,  o  pedido  de  restituição  foi  formulado  em  15/06/2007,  vale  dizer,  em data  posterior  a  09/06/2005,  que  segundo  a  jurisprudência  acima  destacada,  é  data  para  a  qual  já  se  utiliza  o  prazo  de  cinco  anos  para  a  contagem  do  prazo  decadencial/prescricional.  Como  não  há  nenhum  pagamento  posterior  a  15/06/2002,  todo  o  montante requerido por meio do presente processo administrativo está decaído.  Estando fulminado pela decadência o direito à restituição do indébito in casu  ­  questão  preliminar  de  julgamento  ­,  despicienda  a  análise  do  mérito  do  processo  administrativo,  que  mesmo  que  fosse  favorável  à  Recorrente,  não  lhe  daria  o  crédito  pretendido. Ademais, o despacho decisório utilizou como fundamento para não homologar as  compensações  justamente  a  ocorrência  da  decadência,  sendo  portanto  essa  a  questão  que  circunscreve  a  lide  do  presente  processo  administrativo.  Por  essas  razões  que,  saliento,  é  incabível  falar  em  omissão  do  acórdão  guerreado,  que  justamente  por  esses  motivos  não  adentrou na questão da alegada falta de amparo legal para a exigência da Contribuição ao PIS  no período em apreço.   Dispositivo  Ex  positis,  voto  no  sentido  não  conhecer  do  recurso  voluntário  e,  quanto  à  questão da decadência, conhecer e negar provimento ao pedido da Contribuinte.     Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz                                                               3 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de  Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543­B e 543­C da Lei nº 5.869, de 1973 ­  Código  de  Processo  Civil  (CPC),  deverão  ser  reproduzidas  pelos  conselheiros  no  julgamento  dos  recursos  no  âmbito do CARF.                              Fl. 106DF CARF MF

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Numero do processo: 18186.732727/2015-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. O ônus da prova recai sobre o contribuinte, que instado pela autoridade fiscal, deve comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2002-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ

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2002­000.049  –  Turma Extraordinária / 2ª Turma   Sessão de  21 de março de 2018  Matéria  IRPF. DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA.  Recorrente  PAULO HENRIQUE SALVADOR BRAGATO  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA ­ IRPF  Exercício: 2014  DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PREVIDÊNCIA PRIVADA.   Todas  as deduções  estão  sujeitas  à comprovação ou  justificação,  a  juízo da  autoridade fiscal. O ônus da prova recai sobre o contribuinte, que instado pela  autoridade  fiscal,  deve  comprovar,  de  forma  inequívoca  e  mediante  documentação hábil e  idônea, a  realização de todas as deduções  informadas  na declaração de ajuste anual.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os  membros  do  colegiado,  por  maioria  de  votos,  em  negar  provimento  ao Recurso Voluntário,  vencido  o  conselheiro  Thiago Duca Amoni  que  lhe  deu  provimento.  (assinado digitalmente)  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Presidente  e  Relatora  Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez,  Fábia Marcília  Ferreira  Campêlo,  Thiago  Duca  Amoni  e  Virgílio Cansino Gil.     AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 73 27 27 /2 01 5- 89 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 18186.732727/2015­89  Acórdão n.º 2002­000.049  S2­C0T2  Fl. 97          2   Relatório  Trata­se  de  lançamento  decorrente  de  procedimento  de  revisão  interna  da  Declaração de  Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF,  referente ao  exercício de 2014,  ano­ calendário  2013,  tendo  em  vista  a  apuração  de  deduções  indevidas  com  dependentes  e  de  despesas médicas e com instrução , previdência privada e FAPI.  O contribuinte  apresentou  impugnação  (fls.2/36),  alegando,  em síntese,  que  faz jus a deduzir os valores declarados e indicando a juntada de documentação comprobatória  de todos os valores declarados.  A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de  Janeiro  (RJ)  deu  parcial  provimento  à  Impugnação  (fls.  59/69),  mantendo  integralmente  a  glosa  da  previdência privada e Fapi e parcialmente a das despesas médicas, em decisão cuja ementa é a  seguinte:  ASSUNTO:  IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA  IRPF  Exercício: 2014  DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI.  Apenas a contribuição previdenciária privada comprovadamente  paga pelo contribuinte e que preencha os requisitos definidos na  legislação do IR é dedutível da base de cálculo do ajuste anual.  DEDUÇÕES. DEPENDENTE.  Quando  comprovada  a  relação  de  dependência,  deve  ser  cancelada a glosa correspondente.  DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS.  Apenas  é  dedutível  da  base  de  cálculo  do  imposto  de  renda  devido a despesa médica comprovada, relativa ao contribuinte e  seus dependentes.  DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO.  São  dedutíveis  os  pagamentos  efetuados  a  estabelecimentos  de  ensino,  para  o  titular  e  dependentes,  observados  os  comprovantes  apresentados  e  o  limite  legal  de  dedução  estabelecido para o ano­calendário.  Cientificado  dessa  decisão  em 20/2/2017  (fl.73),  o  contribuinte  formalizou,  em  17/3/2017  (fl.76),  Recurso  Voluntário  (fls.  76/81),  no  qual  apresenta  as  seguintes  alegações:  Fl. 97DF CARF MF Processo nº 18186.732727/2015­89  Acórdão n.º 2002­000.049  S2­C0T2  Fl. 98          3 ­ não pode se conformar com a glosa da despesa com a previdência privada e  FAPI,  uma  vez  que,  além  de  apresentar  o  documento  comprobatório,  o  desconto  se  deu  no  limite de 12% permitido na legislação.  ­  reproduz  trechos  da  autuação,  de  sua  impugnação  e  da  decisão  de  piso,  ressaltando  que  a  contribuição  paga  foi  no  valor  de R$24.695,35  e  o  valor  deduzido  foi  de  R$21.792,49, em observância ao limite legal de 12% dos rendimentos tributáveis.  ­  aduz  que  o  comprovante  de  rendimentos  e  a  declaração  de  ajuste  demonstram  que  as  informações  foram  inseridas  corretamente  como  sendo  pagamentos  efetuados pelo titular.  ­ alega que o comprovante e a sua DIRPF deixam claro que a despesa com o  Fapi é só dele, não havendo nada relacionado a dependentes.  ­ reforça que a despesa com a Previdência Privada e Fapi é do titular Paulo  Henrique Salvador Bragato, CPF 094.868.578­65, ora recorrente.  ­ requer o cancelamento do débito fiscal reclamado.  Como  o  recurso  apresentado  não  estava  assinado,  a  Unidade  preparadora  intimou  o  contribuinte  para  regularização.  Em  atendimento,  recurso  de  idêntico  teor  foi  anexado às fls. 88/93.  Processo  distribuído  para  julgamento  em  Turma  Extraordinária,  tendo  sido  observadas as disposições do artigo 23­B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de  2015, e suas alterações (fl.94).    É o relatório.  Fl. 98DF CARF MF Processo nº 18186.732727/2015­89  Acórdão n.º 2002­000.049  S2­C0T2  Fl. 99          4   Voto                 Conselheira  Claudia  Cristina  Noira  Passos  da  Costa  Develly  Montez  ­  Relatora    Admissibilidade  O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele  tomo conhecimento.    Mérito  O  sujeito  passivo  recorre  apenas  quanto  à  glosa  da  previdência  privada  e  Fapi.  A DRJ manteve a glosa integral do valor declarado, consignando:  Houve a glosa  integral da dedução com Previdência Privada e  Fapi  informada por  falta de  comprovação,  conforme  solicitado  no termo de intimação.  Inconformado,  assevera  o  interessado  que  faz  jus  à  dedução,  conforme documentos que anexa.  Dispõe  o  artigo  74  do  Regulamento  do  Imposto  de  Renda  vigente, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999:  “Art.  74.  Na  determinação  da  base  de  cálculo  sujeita  à  incidência  mensal  do  imposto  poderão  ser  deduzidas  (Lei  n.º  9.250, de 1995, art. 4º, incisos IV e V)  I  –  as  contribuições  para  a  Previdência  Social  da União,  dos  Estados, do Distrito Federal e dos Municípios;  II  –  as  contribuições  para  entidades  de  previdência  privada  domiciliadas  no  País,  cujo  ônus  tenha  sido  do  contribuinte,  destinadas  a  custear  benefícios  complementares  assemelhados  aos da Previdência Social.  §  1º  ­  A  dedução  permitida  pelo  inciso  II  aplica­se  exclusivamente  à  base  de  cálculo  relativa  a  rendimentos  do  trabalho  com  vínculo  empregatício  ou  de  administradores,  assegurada,  nos  demais  casos,  a  dedução  dos  valores  pagos  a  Fl. 99DF CARF MF Processo nº 18186.732727/2015­89  Acórdão n.º 2002­000.049  S2­C0T2  Fl. 100          5 esse  título,  por  ocasião  da  apuração  da  base  de  cálculo  do  imposto  devido  no  ano­calendário  (Lei  n.º  9.250,  de  1995,  art.  4º, parágrafo único).  § 2º ­ A dedução a que se refere o inciso II deste artigo, somada  à prevista no art.  82,  fica  limitada  a  doze  por  cento  do  total  dos  rendimentos  computados  na  determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  devido  na  declaração  de  rendimentos  (Lei  n.º  9.250,  de  1995,  art.11). (grifos acrescidos)  Concomitantemente, o art. 83 do mesmo diploma legal preconiza  que:  “Art. 83. A base de cálculo do imposto devido no ano­calendário  será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e  Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I):  5. de todos os rendimentos percebidos durante o ano­calendário,  exceto  os  isentos,  os  não  tributáveis,  os  tributáveis  exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva;  II­  das  deduções  relativas  ao  somatório  dos  valores  de  que  tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de um mil e  oitenta reais por dependente;” (grifos acrescidos)  Já  os  arts.  06  e  07  da  Instrução  Normativa  SRF  nº  588/2005  condicionam a dedução da Previdência Privada a contribuições  para  a  Previdência  Oficial,  excetuando­se  os  beneficiários  de  aposentadoria  ou  pensão  concedidas  por  regime  próprio  de  previdência ou pelo regime geral de previdência social, a partir  de 01 de janeiro de 2005, in verbis:  Dedução  das  contribuições  pagas  pela  pessoa  física Art.  6º  As  deduções  relativas  às  contribuições  para  entidades  de  previdência  complementar  e  sociedades  seguradoras  domiciliadas  no  País  e  destinadas  a  custear  benefícios  complementares  aos  da  Previdência  Social,  cujo  ônus  seja  da  própria  pessoa  física,  ficam  condicionadas  ao  recolhimento,  também,  de  contribuições  para  o  regime  geral  de  previdência  social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência  social  dos  servidores  titulares  de  cargo  efetivo  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  ou  dos  Municípios,  observada  a  contribuição  mínima,  e  limitadas  a  12%  (doze  por  cento)  do  total dos rendimentos computados na determinação da base de  cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual.  § 1º O disposto no caput aplica­se, inclusive, às contribuições ao  Fapi.  §  2º  Excetuam­se  da  condição  de  que  trata  o  caput  os  beneficiários  de  aposentadoria  ou  pensão  concedidas  por  regime  próprio  de  previdência  ou  pelo  regime  geral  de  previdência  social,  mantido,  entretanto,  o  limite  de  12%  (doze  por  cento)  do  total  dos  rendimentos  computados  na  Fl. 100DF CARF MF Processo nº 18186.732727/2015­89  Acórdão n.º 2002­000.049  S2­C0T2  Fl. 101          6 determinação  da  base  de  cálculo  do  imposto  devido  na  Declaração de Ajuste Anual.  §  3º Os  prêmios  de  seguro  de  vida  com  cláusula  de  cobertura  por sobrevivência são indedutíveis para fins de determinação da  base  de  cálculo  do  imposto  devido  na  Declaração  de  Ajuste  Anual.  Art.  7º  As  contribuições  para  planos  de  previdência  complementar  e  para  Fapi,  cujo  titular  ou  quotista  seja  dependente,  para  fins  fiscais,  do  declarante,  podem  ser  deduzidas  desde  que  o  declarante  seja  contribuinte  do  regime  geral de previdência social ou, quando  for o caso, para regime  próprio  de  previdência  social  dos  servidores  titulares  de  cargo  efetivo  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  ou  dos  Municípios, observado o disposto no art. 6º.  Parágrafo  único.  Na  hipótese  de  dependente  com  mais  de  16  anos,  a  dedução  a  que  se  refere  o  caput  fica  condicionada,  ainda,  ao  recolhimento,  em  seu  nome,  de  contribuições  para  o  regime  geral  de  previdência  social,  observada  a  contribuição  mínima,  ou,  quando  for  o  caso,  para  regime  próprio  de  previdência  social  dos  servidores  titulares  de  cargo  efetivo  da  União,  dos  Estados,  do  Distrito  Federal  ou  dos  Municípios.(grifos acrescidos)  Dito  isto,  do  exame  dos  documentos  acostados  aos  autos,  verifica­se  que  o  interessado,  não  obstante  ter  apresentado  o  documento de fl. 17, não saneou a irregularidade apontada pela  autoridade  tributária  na  Notificação  de  Lançamento,  na  medida em que não apresentou comprovação de pagamento de  contribuição à Previdência Privada e Fapi, com discriminação  dos  valores  pagos  por  beneficiário,  conforme  solicitado  na  intimação de fl. 45.  Desta forma, mantém­se a glosa.  (destaques acrescidos)  Em seu recurso, o contribuinte defende que o comprovante de rendimentos é  hábil e suficiente a fazer a prova exigida.  No  caso,  verifica­se  que,  desde  o  início  da  ação  fiscal,  o  contribuinte  foi  intimado  a  apresentar  documento  comprobatório  da  contribuição  à  previdência  privada  com  especificação do valor pago por beneficiário (fl.45). A decisão de piso julgou improcedente a  impugnação nesse  tocante  justamente em função da ausência de demonstração do valor pago  por beneficiário.  Ainda que cientificado desses fatos, o contribuinte insiste que o comprovante  de rendimentos é suficiente para respaldar seu direito à dedução.  Como  apontado  na  decisão  de  piso,  o  comprovante  de  rendimentos  não  se  revela hábil  a  fazer  a prova quanto  aos beneficiários do plano de previdência. O documento  Fl. 101DF CARF MF Processo nº 18186.732727/2015­89  Acórdão n.º 2002­000.049  S2­C0T2  Fl. 102          7 comprova  que  o  contribuinte  sofreu  o  ônus  da  contribuição,  descontada  direto  em  folha  de  pagamento, mas não quem são os beneficiários.  Essa exigência se justifica pelo fato da legislação de regência, reproduzida na  decisão de piso, impor regras e limitações para a dedutibilidade dessas contribuições.   Em  consulta  efetuada  no  sítio  da  instituição  beneficiária  do  pagamento,  verifica­se  que  a  Infraprev  administra,  além  de  outros,  planos  voltados  aos  familiares  dos  participantes, como se demonstra abaixo (consulta efetuada em 9/3/2018):  Planos de Benefícios  O  Infraprev  administra  o  Plano  de  Contribuição  Variável  (Plano  CV),  com  mais  de  95%  dos  participantes,  o  Plano  de  Contribuição Definida  (Plano PAI  I),  associativo,  voltado  aos  familiares  e  dois  planos  de  Benefício  Definido  (BDI  e  BDII)  fechados ao ingresso de novos participantes.  ...  Sobre o Plano  O  Plano  Associativo  Infraprev  I  (PAI  I),  também  conhecido  como  Plano  Anei,  tem  o  objetivo  de  acumular  recursos  financeiros para todos aqueles que são importantes para você ­  cônjuges, filhos, netos, sobrinhos, primo, cunhado, nora, genro.  Garante  uma  renda  adicional  que  pode  ser  usada  para  aposentadoria  ou  para  realizar  um  sonho  de  curto,  médio  ou  longo  prazo.  O  valor  do  benefício  é  o  resultado  da  soma  das  contribuições  mensais,  acrescido  do  retorno  dos  investimentos  do Infraprev.  Para aderir ao plano, empregados da Infraero; participantes do  Infraprev; aposentados e pensionistas devem estar associados à  Associação Nacional dos Empregados da Infraero (ANEI) para  indicar  seus  beneficiários.  Veja  como  participar  do  Plano  em  Associe­se.  (destaques acrescidos)  Esclareça­se que as normas que estabelecem deduções da base de cálculo do  imposto  de  renda  têm  o  efeito  de  excluir  uma  parcela  do  rendimento  do  contribuinte  que,  normalmente,  seria  tributada;  conseqüentemente,  constituem  verdadeiras  isenções  tributárias.  No direito tributário, e mais especificamente na legislação do imposto de renda, a regra é a da  universalidade  da  tributação;  assim,  qualquer  exclusão  a  esse  princípio  constitui  norma  excepcional, e dessa forma deve ser tratada.  Assim,  não  tendo  o  contribuinte  se  desincumbido  a  contento  do  ônus  de  comprovar que faz jus a deduzir o valor declarado, não há reparos a se fazer à decisão de piso.      Fl. 102DF CARF MF Processo nº 18186.732727/2015­89  Acórdão n.º 2002­000.049  S2­C0T2  Fl. 103          8   Conclusão  Pelo  exposto,  voto  por  conhecer  do  recurso,  para,  no  mérito,  negar­lhe  provimento.     (assinado digitalmente)  Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez­ Relator                                Fl. 103DF CARF MF

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7190604 #
Numero do processo: 16327.720228/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a Dra. Maria Carolina Gomes Sampaio OAB/MG 103.400, escritório Rolim, Viotti e Leite Campos. Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA

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3201­001.195  –  2ª Câmara / 1ª Turma Ordinária  Data  28 de fevereiro de 2018  Assunto  Solicitação de Diligência  Recorrente  BANCO BMG S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.  Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o  julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a Dra. Maria Carolina Gomes Sampaio  OAB/MG 103.400, escritório Rolim, Viotti e Leite Campos.      Winderley Morais Pereira ­ Presidente substituto e Relator.    Participaram  do  presente  julgamento,  os  Conselheiros:  Winderley  Morais  Pereira,  Tatiana  Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo  Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira.  Relatório     Por  bem  descrever  os  fatos  adoto,  com  as  devidas  adições,  o  relatório  da  primeira instância que passo a transcrever.    PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO  O  presente  processo  trata  de  pedido  de  restituição  de  créditos  de  Cofins  dos  períodos  de  apuração de  junho/1999 a  fevereiro/2006,  no  valor  total  de  R$  214.182.086,53,  decorrentes  de  decisão  judicial  transitada  em  julgado  nos  autos  da  Ação  Rescisória  nº  2006.01.00.010723­8/MG  (fls.  2/5).  Esse  crédito  foi  utilizado  para  a     RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 22 8/ 20 14 -8 1 Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 16327.720228/2014­81  Resolução nº  3201­001.195  S3­C2T1  Fl. 3            2 compensação  de  diversos  débitos  por  meio  de  declarações  de  compensação transmitidas entre 18/03/2014 e 03/10/2014 (fls. 323/354  e 1.173/1.176). O “Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por  Decisão  Judicial  Transitada  em  Julgado”  anteriormente  formulado  pelo  interessado  foi  deferido  no  Processo  nº  16327.720138/2014­90  (fls. 6/9).  A  Deinf/SPO/Diort,  após  apreciar  o  pedido  de  restituição  e  as  compensações  declaradas,  proferiu  o  Despacho  Decisório  de  fls.  1.237/1.244,  no  qual  decidiu  pelo  deferimento  parcial  do  pedido  de  restituição, reconhecendo o direito creditório no valor original de R$  30.347,19, e pela consequente homologação parcial das compensações  declaradas  na  Dcomp  nº  08932.75468.180314.1.3.54­0253  e  não  homologação  das  compensações  declaradas  nas  Dcomps  nºs  01764.20190.300414.1.3.54­1873,  26981.97149.120514.1.7.54­2875,  22038.24484.300514.1.3.54­4809,  16376.51311.280714.1.7.54­4203,  17941.53741.170614.1.3.54­5865,  15782.82011.180714.1.3.54­1360,  26252.63043.200814.1.3.54­4623 e 10246.27445.031014.1.7.54­5305.  No Despacho Decisório  também se decidiu pelo  lançamento de ofício  de  multa  isolada  de  50%  sobre  os  valores  dos  créditos  da  Cofins  utilizados  nas  respectivas  Dcomps  cujas  compensações  não  foram  homologadas,  à  luz  do  disciplinado  pelo  art.  45,  §1º,  inciso  I,  da  IN  RFB nº 1.300/2012.  Na Ação Rescisória  nº  2006.01.00.010723­8/MG,  impetrada  contra  o  Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança Preventivo nº  1999.38.00.021291­1/MG,  que  havia  mantido  a  cobrança  da  Cofins  nos termos do art. 3º e §1º da Lei 9.718/98, o  TRF  da  1ª  Região  julgou  procedente  o  pedido,  concedendo  à  impetrante o direito de calcular a Cofins afastando­se o §1º do art. 3º  da Lei 9.718/98, com a adoção da sistemática anterior estabelecida no  art.  2º  da  Lei  Complementar  (LC)  nº  70/91.  Tal  decisão  transitou  julgado  em  06/04/2009.  Constam  desses  autos  documentos  da  ação  judicial nas fls. 53/321.  A  autoridade  a  quo  destaca  que,  na  medida  judicial  em  questão,  o  contribuinte  não  formulou  pedido  específico  para  que  fossem  delimitadas expressamente as receitas que se enquadrariam na base de  cálculo da Cofins após o afastamento em definitivo do art. 3º, §1º, da  Lei nº 9.718/98, ou seja, o interessado não requereu que suas receitas  de  intermediação  financeira,  rendas  de  arrendamento  mercantil,  rendas  advindas  de  aplicações  financeiras  de  liquidez  e  de  títulos  e  valores  mobiliários  fossem  classificadas  como  não  operacionais  e,  estivessem, portanto, fora da composição da base de cálculo da Cofins.  Diante  da  ausência  de  requerimento  expresso  para  que  fossem  detalhadas as receitas tributáveis a serem enquadradas no conceito de  prestação de serviços, o Judiciário não deliberou acerca desse ponto.  Assim, a composição das  receitas passíveis de  tributação pela Cofins  foi delimitada com base no Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007.  O Parecer PGFN/CAT  nº  2.773/2007,  posteriormente  reiterado  pelas  Notas PGFN/CRJ nº 178/2009 e nº 842/2009, conclui que a declaração  de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98,  não impede que o PIS e a Cofins incidam sobre as receitas decorrentes  dos  serviços  financeiros  prestados  pelas  instituições  financeiras,  empresas  de  capitalização,  gestoras  de  ativos,  sociedades  de  arrendamento  mercantil  e  pelas  seguradoras,  só  sendo  excluídas  da  base de cálculo das contribuições as receitas não operacionais. Assim,  Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 16327.720228/2014­81  Resolução nº  3201­001.195  S3­C2T1  Fl. 4            3 as  receitas de  intermediação  financeira, com  títulos de  capitalização,  títulos  e  valores mobiliários  e  receitas  de  aplicações  interfinanceiras  de liquidez e prêmios de seguros auferidas classificam­se como receitas  vinculadas  à  atividade  fim  dessas  pessoas  jurídicas,  ou  seja,  estão  diretamente relacionadas ao seu objeto social, e devem ser tributadas.  Não  há,  portanto,  pagamento  indevido  de  Cofins  incidente  sobre  as  receitas  operacionais,  bem  como  o  direito  à  compensação  desses  valores.  No  cálculo  do  montante  a  ser  restituído  e  compensado  foi  reconhecido o direito à exclusão das receitas não operacionais da base  de cálculo da Cofins.  Cientificado do Despacho Decisório em 04/02/2015 (fl. 1.254), o  contribuinte  apresentou,  em  05/03/2015,  a  manifestação  de  inconformidade de  fls.  1.257/1.289, acompanhada dos documentos de  fls. 1.290/1.507, com os argumentos a seguir sintetizados.  Inicialmente,  relata  e  transcreve  as  decisões  proferidas  no  curso  da  Ação  Rescisória  nº  2006.01.00.010723­8,  ajuizada  contra  o  Acórdão  proferido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.021291­ 1.  O  Acórdão  do  TRF  proferido  naquela  ação  transitou  em  julgado  favoravelmente  ao  contribuinte  em  06/04/2009,  sendo  julgado  procedente o pedido rescisório e declarado o direito à compensação da  Cofins recolhida a maior desde fevereiro de 1999.  Em  seguida,  explica  que  o  crédito  apresentado  para  habilitação  e  posterior compensação corresponde aos pagamentos a maior da Cofins  decorrentes da diferença entre os valores recolhidos sobre a totalidade  de suas receitas, como previa a Lei nº 9.718/98, e aqueles calculados  sobre  o  seu  efetivo  faturamento,  qual  seja,  receitas  de  prestação  de  serviços e venda de mercadorias.  Após transcrever a fundamentação utilizada para não homologar  integralmente  as  compensações,  afirma  que  autoridade  fiscal  desconsiderou  totalmente  e  por  isso  ofendeu  a  decisão  transitada  em  julgado,  que  expressamente  determinou  que  a  base  de  cálculo  da  Cofins  fosse calculada com base no  faturamento,  tal qual previsto na  legislação anterior à Lei nº 9.718/98, ou seja, como consignado na LC  nº 70/91.  Preliminarmente,  requer  a  conexão  do  presente  processo  ao  PAF  nº  16327.721033/2014­58,  no  qual  está  sendo  discutida  a  cobrança  de  multa isolada no montante de 50% do valor do débito não compensado,  para que ambos sejam  julgados em conjunto, pois o que  for decidido  nestes autos poderá afetar a cobrança da multa lançada.  Argumenta ser  falha a interpretação posta no Despacho Decisório de  que  o  STF  teria  adotado  posicionamento  de  que  o  PIS  e  a  Cofins  podem  incidir  sobre  receitas  operacionais  das  pessoas  jurídicas  relacionadas  às  suas  atividades  principais,  sendo  inconstitucional  apenas  sua  incidência  sobre  as  receitas  não  operacionais,  como  a  receita de aluguel de imóveis ou de alienação de ativos.  Além do Tribunal não ter se manifestado sobre a tributação ou não das  atividades  operacionais  das  pessoas  jurídicas,  o Despacho Decisório  ignorou  que  o  Acórdão  transitado  em  julgado  dispôs  expressamente  que deve ser observada a base de cálculo prevista no art. 2º da LC nº  70,  de  1991  (e  não  os  dispositivos  da Lei  nº  9.718/98),  que  prevê  de  forma clara que faturamento deve ser entendido como a receita bruta  das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de  qualquer  natureza,  sem  qualquer  menção  à  atividade  principal  da  pessoa jurídica ou às receitas operacionais.  Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 16327.720228/2014­81  Resolução nº  3201­001.195  S3­C2T1  Fl. 5            4 O Parecer PGFN/CAT nº 2.273/2007 e o Despacho Decisório imputam  às decisões do STF e à própria LC nº 70/91 afirmação que não está lá,  no sentido de que o faturamento corresponderia à receita operacional  das  pessoas  jurídicas.  Dessa  forma,  é  totalmente  insubsistente  a  alegação  do  Despacho  Decisório  de  que,  como  não  teria  formulado  pedido  específico  para  que  suas  receitais  financeiras  fossem  classificadas como não operacionais e estivessem fora da composição  da base de cálculo da Cofins, seria devida a contribuição sobre essas  receitas. O pedido expresso  foi  no  sentido de  recolhimento da Cofins  com  base  na  LC  nº  70/91,  a  qual  já  delimita  a  incidência  da  contribuição  apenas  sobre  as  vendas  de mercadorias  e  serviços. Não  sendo as receitas de operações de instituições financeiras advindas da  venda de mercadorias e serviços, obviamente estão fora do campo de  incidência da Cofins.  Lembra que quando se pretendeu exigir das  instituições  financeiras o  PIS  sobre  base  de  cálculo  diversa  do  faturamento,  previu­se  expressamente  na  legislação  uma  grandeza  diversa  de  “receita  de  prestação  de  serviços  e  venda  de  mercadorias”,  como  no  caso  do  Fundo  Social  de  Emergência  ,  em  que  se  estabeleceu  que  a  base  de  cálculo  do  PIS  seria  a  “receita  bruta  operacional  nos  termos  da  legislação  do  imposto  de  renda”,  conceito  que  procurava  expandir  a  base de cálculo para além do simples “faturamento”, como disposto no  art. 2º da LC nº 70/91.  Transcreve, em seguida, trechos dos Pareceres de dois juristas sobre o  tema  (íntegra  em  anexo),  os  quais  concluem  não  ser  possível  a  equiparação das receitas oriundas das atividades empresarias com as  receitas de vendas de mercadorias e da prestação de  serviços para a  delimitação do conceito de faturamento e sobre a impossibilidade de se  diferenciar  esse  conceito  em  relação  a  determinado  segmento  econômico para permitir a tributação de receitas distintas das obtidas  de vendas e prestação de serviços.  A fiscalização olvidou que a Procuradoria da Fazenda Nacional  empreendeu todos os esforços para fazer prevalecer nos autos da ação  judicial  o  entendimento  manifestado  no  parecer  PGFN/CAT  nº  2.773/2007,  mas  os  recursos  por  ela  interpostos  foram  todos  desprovidos,  tendo  prevalecido  o  Acórdão  do  TRF  da  1ª  Região.  A  PGFN  reconheceu  em  seu  Recurso  Extraordinário  que  o  referido  Acórdão havia autorizado a apuração da Cofins com base na receita  de  prestação  de  serviços  (faturamento)  sem  considerar  o  valor  das  receitas financeiras e por esse motivo incluiu um tópico em seu recurso  chamado “Inaplicabilidade das decisões proferidas no STF ao caso em  tela”,  para  tentar  reformar  o Acórdão e  ampliar  o alcance  do  termo  faturamento, como se ele englobasse todas as receitas decorrentes do  objeto  social  da  empresa.  Portanto,  o  Despacho  Decisório  vai  de  encontro ao que a própria PGFN afirmou em juízo acerca do conteúdo  do  Acórdão  proferido  pelo  TRF  da  1ª  Região,  ou  seja,  que  esse  Acórdão viabiliza “que as Autoras/Recorridas se furtem ao pagamento  da Cofins sobre as receitas de suas atividades típicas”.  Assim,  operou­se  a  preclusão  consumativa  em  relação  à  discussão  trazida pelo fisco, pois não é juridicamente possível trazer argumentos  já  discutidos  na  via  judicial  para  tentar  mitigar  a  coisa  julgada  na  esfera  administrativa,  pois  esses  argumentos  não  tiveram  força  para  impedir  a  sua  efetivação. A  esse  respeito,  cita  os  arts.  473  e  474  do  CPC.  Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 16327.720228/2014­81  Resolução nº  3201­001.195  S3­C2T1  Fl. 6            5 Traz, sobre o tema, decisões judiciais do STJ e do TRF da 3ª Região e  Reclamação interposta pela União ao STF. Apresenta também decisões  do CARF que adotaram o mesmo entendimento que defende, nos quais  foi  expressamente  reconhecida  a  impossibilidade  de  revisão  da  coisa  julgada, resguardando­se o direito da entidade financeira de recolher  o PIS  sem  a  inclusão  das  receitas  financeiras  na  base  de  cálculo  da  contribuição.  Conclui  que,  nos  termos  da  decisão  judicial,  a  base  de  cálculo  da  Cofins não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais  dispositivos da Lei nº 9.718/98 não declarados  inconstitucionais, mas  unicamente  do  art.  2º  da  LC  nº  70/91,  que  delimita  de  forma  rígida  quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento.  Em outro tópico, explicita o conceito de faturamento de acordo com a  jurisprudência do STF (valor das receitas decorrentes de operações de  venda  de  mercadorias,  em  conta  própria  ou  alheia,  e  operações  de  prestação de serviços), ressaltando que até o advento da Lei 9.718/98  as diversas normas exaradas pelo legislador respeitaram esse conceito.  Registra  os  entendimentos  adotados  por  esse Tribunal  no  julgamento  da  inconstitucionalidade  do  §1º  do  art.  3º  da  Lei  nº  9.718/98,  declarada  definitivamente  em  09/11/2005  quando  do  julgamento  dos  Recursos  Extraordinários  (RE)  nºs  346.084,  390.840,  358.273  e  357.950. Destaca o voto do Ministro Marco Aurélio, relator do recurso  considerado o  leading  case,  que  definiu  faturamento  como “...  o  que  decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias  e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita de  natureza diversa.”  Ressalta que  o  STF, nos  diversos  julgados,  não  fez distinção  sobre a  variedade  de  ramos  de  atividade  econômica  dos  contribuintes,  determinando, de forma indistinta, que faturamento equivale à receita  decorrente  da  venda  de  mercadorias  e  da  prestação  de  serviços,  e  também  não  utilizou  os  conceitos  de  receita  operacional  e  não­ operacional como forma de diferenciação entre  faturamento e  receita  bruta.  Traz  o  voto  de  outros  Ministros,  enfatizando  que  todos  eles  tiveram  esse  entendimento  sobre  o  conceito  de  faturamento,  válido  também para as instituições financeiras.  A definição constitucional não pode abranger situação em que não está  se  cobrando  preço,  nem  celebrando  negócio  de  natureza  bilateral  e  contraprestacional.  Não  é  o  fato  de  determinada  receita  resultar  da  exploração do  objeto  social  da  pessoa  jurídica  que  se  está  diante  de  faturamento. A legislação fiscal, ao dispor que o lucro operacional da  empresa  é  o  resultado  das  suas  atividades  normais,  não  autoriza  cobrança  da  Cofins  sobre  os  ingressos  decorrentes  das  atividades  típicas,  pois,  nesse  caso,  estaria­se  restaurando,  ainda  que  parcialmente, a eficácia do §1º do art. 3º da Lei nº 9.178/98,  julgado  inconstitucional.  O STF interpretou a expressão receita bruta presente do caput do art.  3º da Lei nº 9.718/98 de forma a estreitar o seu entendimento até fazê­ lo  coincidir  com a  noção de  faturamento  como aquele  decorrente  da  prestação de serviços e da venda de mercadorias. E os §5º e 6º desse  artigo, não declarados  inconstitucionais,  tratam de exclusões da base  de cálculo que só fazem sentido se fosse aceita pelo STF uma base de  cálculo ampla e irrestrita. No entanto, foi considerada inconstitucional  a inclusão de todas as receitas na base de cálculo da contribuição.  Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 16327.720228/2014­81  Resolução nº  3201­001.195  S3­C2T1  Fl. 7            6 Volta  a  afirmar  que  a  fiscalização  ignora  o  decidido  no  seu  caso  concreto, que, muito além de declarar este ou aquele artigo da Lei nº  9.718/98 inconstitucional, decidiu que a receita bruta a que se refere a  Lei  engloba  tão­somente  as  vendas  de mercadorias  e  serviços,  como  consignado na LC nº 70/91.  Aborda ainda o reconhecimento pelo STF em repercussão geral do RE  nº  609.096,  em  que  se  discute  a  composição  da  base  de  cálculo  do  PIS/Cofins  para  as  instituições  financeiras.  Entende  que  o  STF  identificou uma nova discussão e que, mesmo se decidido em favor da  União, não poderá haver aplicação ex tunc sobre sentenças transitadas  em  julgado há mais de dois anos que  tenham entendimento  contrário  ao eventual novo posicionamento do Tribunal, como no caso concreto.  Destaca  que  a  MP  nº  627/2013,  convertida  na  Lei  nº  12.973/2014,  definiu que o conceito de receita bruta operacional de que trata o art.  12  do  Decreto­lei  nº  1.598/97  passará  a  compreender  também  “as  receitas  da  atividade  ou  objeto  principal  da  pessoa  jurídica,  não  compreendidos nos incisos I a III”, o que corrobora o entendimento de  que a LC nº 70/91 nunca previu a  incidência do PIS/Cofins  sobre as  receitas  decorrentes  das  atividades  principais  da  pessoa  jurídica.  A  citada Lei também alterou o art. 3º da Lei nº 9.718/98.  Assim,  somente a partir de 01/01/2015, quando a Lei nº 12.973/2014  entrou em vigor, a receita bruta operacional passou a ser não apenas  aquela decorrente da venda de bens e  serviços, como pacificado pelo  STF, mas  toda  a  receita  do  objeto  social  das  empresas,  ou  seja,  até  essa  data,  a  receita  operacional  não  compreendia  a  base  de  cálculo  das  instituições  financeiras.  Caso  contrário,  seria  inútil  a  referida  alteração prevista na Lei nº 12.973/2014.  Transcreve a manifestação do relator da MP nº 627/2013 no processo  legislativo da sua conversão em Lei, que afirmou que essa MP trazia  “fato  gerador  novo,  inaugural  no  mundo  jurídico  tributário”,  reconhecendo  que  antes  da  alteração  em  questão  não  havia  que  se  falar  em  exigência  do  PIS/Cofins  sobre  as  atividades  principais  da  pessoa jurídica.  Reproduz também manifestação da Consultoria Tributária da Câmara  dos Deputados sobre as inovações da MP.  Conclui que a MP nº 627/2013 e a Lei nº 12.973/2014 vieram alterar o  ordenamento  jurídico  com  a  desvinculação  da  base  de  cálculo  do  PIS/Cofins  ao  faturamento  e  a  tributação  das  receitas  operacionais,  mas  apenas  após  a  vigência  da  Lei.  E  se  o  STF  entender  que  antes  dessa  alteração  legislativa  a  base  de  cálculo  do  PIS/Cofins  compreendia  as  receitas  operacionais,  esse  entendimento  não  será  aplicável, tendo em vista o trânsito em julgado da Ação Rescisória.  Por fim, requer seja acolhida a sua defesa para que seja reformado o  Despacho  Decisório  e  homologadas  todas  as  compensações  declaradas; seja outorgado à manifestação de inconformidade o efeito  de suspender a exigibilidade do crédito tributário; e seja reconhecida a  conexão com o processo nº 16327.721033/2014­58.  AUTO DE INFRAÇÃO – PROCESSO Nº 16327.721033/2014­58  Em decorrência da não homologação das compensações de que trata o  presente  processo,  foi  lavrado  Auto  de  Infração  para  a  exigência  de  multa  isolada,  que  deu  origem  ao  processo  administrativo  nº  16327.721033/2014­58,  em  apenso.  Ressalte­se  que  todas  as  referências  a  números  de  folhas  feitas  neste  item  do  relatório  se  referem ao processo apenso.  Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 16327.720228/2014­81  Resolução nº  3201­001.195  S3­C2T1  Fl. 8            7 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 3/7), a fiscalização, após citar os  arts. 113, 114, 139 e 144 do CTN, sustenta que a aplicação de multa  isolada  de  50%  sobre  o  valor  do  crédito  objeto  de  declaração  de  compensação não homologada encontra­se expressamente prevista no  art. 74, §17, da Lei nº 9.430/96, alterado pela Lei nº 12.249/2010, em  vigor  no  período  em  que  as  compensações  foram  declaradas  (18/03/2014 a 03/10/2014). A matéria foi regulamentada à época pela  IN SRF nº 900/2008, em  seu art.  38,  §1º,  inciso  I. A mesma previsão  encontra­se no art. 45 da IN RFB nº 1.300/2012, atualmente em vigor.  A penalidade pecuniária  tem como  fato gerador o ato de promover a  compensação  posteriormente  não  homologada,  ou  seja,  considera­se  ocorrido o fato gerador da multa isolada na data de apresentação da  Declaração  de  Compensação,  pois  neste  momento  houve  a  transgressão  de  norma  previamente  estabelecida,  a  qual  exige  o  aproveitamento de crédito líquido e certo, passível de restituição.  A base de  cálculo para  lançamento da multa  isolada corresponde ao  total  do  crédito  utilizado,  o  que  equivale  ao  total  do  débito  expressamente  confessado  na  Declaração  de  Compensação,  com  os  respectivos acréscimos legais cabíveis.  O cálculo da multa isolada foi efetuado no percentual de 50% sobre os  valores  das  compensações  não  homologadas,  totalizando  o  montante  de R$ 6.477.451,14.  Cientificado  da  autuação  em  19/12/2014  (fl.  18),  o  contribuinte  apresentou, em 13/01/2015, a impugnação de fls. 22/46, acompanhada  dos documentos de fls. 48/82, na qual apresenta as alegações a seguir  sintetizadas.  Inicialmente,  relata  os  fatos  que  levaram  à  emissão  do  Despacho  Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas de  créditos  de  Cofins  decorrentes  do  trânsito  em  julgado  da  Ação  Rescisória nº 2006.01.00.010723­8/MG.  Sobre  o  presente  lançamento,  diz  que  a  nova multa  isolada  de  50%,  prevista  no  §17  do  art.  74  da  Lei  nº  9.430/96,  é  incompatível  com  a  sistemática da compensação por homologação, porque inexiste dano a  ser  penalizado  (já  que  o  débito  não  compensado  será  cobrado)  e  porque essa sistemática já contempla penalidade específica para a não  homologação  do  crédito,  o  que  implica  dizer  que  a  multa  isolada  representa uma dupla penalidade.  Ademais, essa multa implica abusiva limitação ao direito de petição, à  ampla  defesa  e  ao  contraditório  e  ao  próprio  direito  de  pleito  à  compensação do indébito, em franca violação dos princípios da boa­fé,  moralidade e proporcionalidade, além da vedação ao não confisco.  No  lançamento  por  homologação,  é  imprescindível  o  mecanismo  da  compensação tributária para corrigir eventuais erros no cálculo e no  recolhimento  do  tributo,  de  forma  a  assegurar  uma  rápida  e  eficaz  recuperação do  indébito  tributário  e a  evitar o  enriquecimento  ilícito  da Administração  e  erros  que  impliquem a  perda  da  arrecadação de  tributos devidos. Apesar da autorização, prevista no art. 170 do CTN,  para que cada ente, de  acordo  com  a  sua  conveniência,  institua  o  procedimento  de  compensação,  essa  competência  está  vinculada  ao  princípio  da  legalidade e ao crivo da constitucionalidade.  Em seguida, descreve as multas previstas na atual sistemática da  compensação  (multa  de  mora  de  20%  e  multa  isolada  de  150%)  e  afirma que a partir da Lei nº 12.249/10 foi instituída nova modalidade  Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 16327.720228/2014­81  Resolução nº  3201­001.195  S3­C2T1  Fl. 9            8 de  multa  isolada  no  percentual  de  50%  sobre  o  débito  não  compensado,  que  deve  ser  aplicada  mesmo  nos  casos  de  mera  divergência de  entendimento  entre o  contribuinte  e a Receita  sobre a  existência ou o valor do crédito, sem qualquer suspeita de falsidade na  declaração do contribuinte.  No  caso  de  a  compensação  não  ser  homologada,  inexiste  dano,  uma  vez que o fisco irá cobrar os valores não homologados. A ampliação do  campo de aplicação da multa  isolada implica a dupla penalização do  contribuinte  pelo  suposto  cometimento  de  uma  única  infração,  contrariando  a  sistemática  da  compensação  e  da  imposição  de  penalidades.  Salienta que o STJ há muito pacificou o entendimento de que não há  distinção  entre  a  multa  moratória  e  a  punitiva,  sendo  ambas  penalidades  impostas  em  razão  de  uma  infração.  Assim,  a  exigência  cumulativa das multas de 20% e 50% é inadmissível e caracteriza o bis  em  idem, por  se  tratarem de duas multas  aplicáveis  sobre uma única  infração/obrigação, isto é, a suposta falta de recolhimento do imposto.  A  eventual  não  homologação  da  compensação,  que  é  uma  conduta  lícita, já é suficientemente punida pela multa de 20%, além de o débito  decorrente não poder ser objeto de novas compensações e ficar sujeito  à inscrição em dívida ativa e cobrança imediata, o que implica o risco  de  inclusão do contribuinte no Cadin e  impossibilidade de  renovação  da  sua  certidão  de  regularidade  fiscal.  Portanto,  não  há  qualquer  fundamento razoável capaz de justificar a imposição de tal penalidade,  quando  não  se  constata  a  intenção  de  burlar  a  legislação  tributária.  Cita  entendimento  do  STF  sobre  o  tema  e  defende  que  não  se  pode  admitir a cobrança da multa isolada no caso concreto.  Argumenta  que  o  lançamento  da  multa  isolada,  ainda  que  não  seja  considerada  bis  in  idem,  implica  violação  ao  direito  de  petição,  ao  devido  processo  legal,  à  ampla  defesa  e  ao  contraditório,  previstos  constitucionalmente,  uma  vez  que  inibe  a  busca  de  crédito  pelo  procedimento  de  compensação,  na  medida  em  que  impõe  que  uma  conduta lícita possa ser severamente punida.  O  direito  de  petição  dá  ao  particular  a  faculdade  de  reivindicar  e  exigir  soluções  e  impede  o Poder Público  de  impor  sanções  por  não  aprovar  ou  acolher  o  simples  requerimento  realizado.  Ao  aplicar  a  multa de 50% como resposta a esse direito, o  fisco viola o direito de  petição e o próprio direito à compensação, na medida que impõe uma  multa  em  razão  da  mera  pretensão  de  compensação  de  débitos  declarados/confessados,  que  podem  ser  exigidos  imediatamente,  com  valores recolhidos indevidamente ou a maior.  Transcreve  decisão  do  TRF  da  4º  Região  que  declarou  inconstitucionais os §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Lembra  também  que  está  em  trâmite  no  STF  a  ADI  nº  4.905  ajuizada  pela  Confederação Nacional das Indústrias no mesmo sentido.  Reafirma  que  o  contribuinte  não  pode  ser  penalizado  por  ato  legitimamente  permitido  (requerer  a  compensação),  ou  seja,  por  ato  não  infracional,  e por divergir do  fisco quanto aos  valores objeto da  compensação,  uma  vez  que  se  trata  de  interpretação  da  legislação  tributária, de ampla complexidade, o que causa inúmeras controvérsias  acerca de valores. Essa divergência não pode ser considerada má fé do  contribuinte, a qual justificaria a imposição da multa isolada de 150%,  mas nunca a de 50%.  Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 16327.720228/2014­81  Resolução nº  3201­001.195  S3­C2T1  Fl. 10            9 Salienta  que  a  RFB  noticiou  a  redução  considerável  dos  pedidos  de  compensação após a entrada em vigor da nova multa, o que demonstra  a  intimidação  dos  contribuintes  e  o  manifesto  cerceamento  do  seu  direito de petição.  Argumenta  ainda  que  a  multa  isolada  de  50%  não  é  razoável  e  claramente desproporcional. Como o simples pedido de compensação  não  implica qualquer prejuízo à Administração, que poderá exigir os  valores  correspondentes  às  compensações  não  homologadas  imediatamente,  a  imposição  da  multa  isolada  de  50%  acrescida  da  multa de 20% caracteriza a natureza de sanção política daquela, o que  é abominado pela ordem constitucional.  A  indução  ao  pagamento  de  uma  exação  mediante  interdição  ou  restrição  ao  direito  dos  contribuintes  é  um  tratamento  estatal  arbitrário e inadmissível num Estado Democrático de Direito.  A  exigência  dessa  multa  carece  de  plausibilidade  jurídica,  pois  cria  uma penalidade completamente desvinculada da prática de um ilícito,  de forma atentatória à moralidade, além de representar embaraço ao  exercício de um direito constitucionalmente assegurado.  A  inequívoca  desproporção  entre  o  desrespeito  à  norma  e  a  consequência  jurídica  (a  multa)  evidencia  também  o  caráter  confiscatório  da  punição,  atentando  contra  o  patrimônio  do  contribuinte. A multa fiscal não pode ser transformada em instrumento  de  arrecadação,  devendo  guardar  proporção  com  a  gravidade  da  conduta. Sobre o assunto, cita jurisprudência do STJ.  Assim,  diante  da  inconstitucionalidade  e  da  ilegalidade  da  multa  isolada  de  50%,  que  viola  o  direito  à  compensação  de  forma  desarrazoada  e  desproporcional,  deve  ser  cancelado  integralmente  o  Auto de Infração.  No item “Impossibilidade da aplicação de multa isolada – suficiência  dos créditos de Cofins para liquidar as compensações”, o contribuinte  reitera  os  argumentos  apresentados  na  manifestação  de  inconformidade  contra  o  Despacho  Decisório  que  homologou  parcialmente as compensações declaradas, já relatados anteriormente.  Por fim, requer seja cancelado o Auto de Infração, seja porque a multa  isolada  de  50%  não  é  compatível  com  o  instituto  da  compensação,  além de violar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade,  ou porque possui créditos suficientes para a homologação de todos os  Per/Dcomps transmitidos.      A Delegacia  da Receita  Federal  do Brasil  de  Julgamento  negou  provimento  a  manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada:     ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 30/06/1999 a 28/02/2006  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  §1º  DO  ART.  3º  DA  LEI  Nº  9.718/98. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS.  A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98  não  alcança  as  receitas  típicas  das  instituições  financeiras  e  assemelhadas. As receitas oriundas da atividade operacional, incluindo  as  receitas  de  intermediação  financeira,  compõem  o  faturamento  Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 16327.720228/2014­81  Resolução nº  3201­001.195  S3­C2T1  Fl. 11            10 dessas entidades e a base de cálculo da Cofins, já que são decorrentes  do exercício de suas atividades empresariais.  AUTO  DE  INFRAÇÃO.  MULTA  ISOLADA.  COMPENSAÇÃO  NÃO  HOMOLOGADA.  A  aplicação  da  multa  isolada  de  50%  calculada  sobre  o  valor  do  crédito  objeto  de  compensação  não  homologada  encontra­se  expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso  ao órgão de julgamento administrativo afastá­la.  Manifestação de Inconformidade Improcedente  Direito Creditório Não Reconhecido    Cientificada da decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando  as alegações já apresentadas na impugnação.      É o Relatório.    Voto     Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator.    Trata  o  presente  processo  de  discussão  acerca  da  base  de  cálculo  das  contribuições  a  ser utilizada  para  as  instituições  financeiras. Em  recente  decisão  da Terceira  Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais,  foi decidido no Acórdão 9303­005.051 pela  não incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras próprias destas instituições.    ASSUNTO:  CONTRIBUIÇÃO  PARA  O  FINANCIAMENTO  DA  SEGURIDADE SOCIAL ­ COFINS  Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005  PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA.  EFEITO SUBSTITUTIVO.  Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de  segundo grau em substituição da decisão recorrida.  BASE  DE  CÁLCULO.  DECLARAÇÃO  DE  INCONSTITUCIONALIDADE  DO  §1º  DO  ART.  3º  DA  LEI  Nº  9.718/98.  INSTITUIÇÕES  FINANCEIRAS.  RECEITAS  OPERACIONAIS.  As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro  (serviços  bancários  e  intermediação  financeira)  estão  incluídas  no  conceito  de  faturamento/receita  bruta  a  que  se  refere  a  Lei  Complementar  nº  70/91,  não  tendo  sido  afetado  pela  alteração  no  conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98.  Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 16327.720228/2014­81  Resolução nº  3201­001.195  S3­C2T1  Fl. 12            11 Não  se  incluem  no  conceito  de  receitas  operacionais  auferidas  pelas  instituições  financeiras  as  provenientes  da  aplicação  de  recursos  próprios e/ou de terceiros.    Considerando  a  posição  adotada  pela  Câmara  Superior,  entendo  necessário  a  conversão  do  presente  julgamento  em  diligência  para  que  a  Unidade  de  Origem  intime  a  Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem  origem  em  aplicações  financeiras  de  recursos  próprios  e  aquelas  aplicações  financeiras  referentes  a  recursos  de  terceiros. A  resposta  da Recorrente  deverá  trazer  descrição  de  cada  uma  dessas  rubricas.  A  Unidade  de  Origem,  a  partir  da  resposta  da  Recorrente,  poderá  se  manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a  Recorrente do relatório  fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias e em seguida os  autor deverão retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento.    Winderley Morais Pereira    Fl. 1626DF CARF MF

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Numero do processo: 13609.900608/2008-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Ano calendário:2004 ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.578
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para superar a prejudicial de erro no preenchimento da DCOMP e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que aprecie a regularidade do crédito, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator) e Sérgio Luiz Bezerra presta, que davam provimento ao recurso. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta,
Nome do relator: Carlos Pelá

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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2062; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1­C4T2  Fl. 1          1             S1­C4T2  MINISTÉRIO DA FAZENDA  CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS  PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO    Processo nº  13609.900608/2008­02  Recurso nº               Voluntário  Acórdão nº  1402­00.578  –  4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária   Sessão de  26 de maio de 2011  Matéria  DCOMP ­ RECONHECIMENTO DE DIREITO CREDITORIO  Recorrente  VOTORANTIM METAIS ZINCO S/A  Recorrida  FAZENDA NACIONAL    ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL  Ano­calendário: 2004  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DE  DCOMP.  APRECIAÇÃO.  CABIMENTO.  Cumpre  a  autoridade  administrativa  apreciar  alegações  de  defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração  Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa.  Recurso Voluntário Provido em Parte.      Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.    Acordam  os membros  do  colegiado,  por maioria  de  votos,  dar  provimento  parcial ao recurso para superar a prejudicial de erro no preenchimento da DCOMP e determinar  o retorno dos autos à Unidade de origem, para que aprecie a regularidade do crédito, vencidos  os Conselheiros Carlos Pelá (relator) e Sérgio Luiz Bezerra presta, que davam provimento ao  recurso.  Tudo  nos  termos  do  relatório  e  votos  que  passam  a  integrar  o  presente  julgado.  O  Conselheiro  Leonardo  Henrique  Magalhães  de  Oliveira  votou  pelas  conclusões.  Designado  para  redigir  o  voto  vencedor  o  Conselheiro  Antônio  José  Praga  de  Souza.    Ausente  momentaneamente o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Presente no julgamento,  o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta,     (assinado digitalmente)  Albertina Silva Santos de Lima ­ Presidente    (assinado digitalmente)  Carlos Pelá ­ Relator    (assinado digitalmente)  Antônio José Praga de Souza – Redator Designado       Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/2008­02  Acórdão n.º 1402­00.578  S1­C4T2  Fl. 2          2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de  Souza,  Carlos  Pelá,  Jaci  de  Assis  Junior,  Moises  Giacomelli  Nunes  da  Silva,  Leonardo  Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima.        Relatório  Trata  o  presente  processo  de  solicitação  de  compensação,  transmitida  pela  Recorrente  por meio  de  PER/DCOMP  que  não  foi  homologada  por  suposta  inexistência  de  crédito disponível para compensação do débito informado.  A  Recorrente  apresentou  Manifestação  de  Inconformidade,  aduzindo  em  síntese  que:  (i)  A  autoridade  fazendária  se  equivocou,  porquanto  a  empresa  faz  jus  à  homologação do crédito, não por se tratar de pagamento indevido, mas por se tratar de saldo  negativo de IRPJ; (ii) O erro material no preenchimento do PER/DCOMP não pode resultar em  perda  do  direito  ao  crédito,  conforme  entendimento  jurisprudencial  do  Conselho  de  Contribuintes;  (iii) A  Lei  9.430196  e  a  IN  n°  210,  de  2002,  vigentes  à  época  do  pedido  de  compensação, não previam a não homologação do crédito na hipótese de erro material.  A 2ª Turma de Julgamento da DRF de Belo Horizonte, indeferiu a solicitação  da Recorrente  ao  fundamento  de  que  a  alegação  de  erro  no  preenchimento  da DCOMP  não  poderia ser admitida, vez que a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma  Declaração  de  Compensação  de  débitos  não  homologados,  o  que  não  é  permitido  pela  legislação.  Irresignada,  a Recorrente  apresenta  peça  recursal,  repisando  os  argumentos  da  peça  impugnatória  e  argumentando  que  a  fundamentação  legal  utilizada  pela  decisão  recorrida não era válida há época da declaração de compensação (ano de 2004), a saber, art. 56  da IN SRF n° 460, de 18/10/2004, art. 657 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005, e art. 77 da IN  RFB n° 900 de, 30 de dezembro de 2008.  É o Relatório.  Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/2008­02  Acórdão n.º 1402­00.578  S1­C4T2  Fl. 3          3   Voto Vencido  Conselheiro Carlos Pelá, Relator   Conheço  do  Recurso  por  ser  tempestivo,  por  atender  aos  requisitos  de  admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho.  Verificando  os  documentos  anexados  pela  Requerente  (DARF's,  PERD/COMP  e  DIPJ  ­  fls.36  a  54),  percebe­se  que  a  empresa  faz  jus  à  homologação  do  crédito,  não  por  configurar  pagamento  indevido  ou  a  maior,  mas  por  estar  configurada  a  existência de saldo negativo de IRPJ.  Dessa  forma,  entendo  que  não  pode  a  Requerente  ser  prejudicada  na  compensação  do  saldo  negativo  acumulado  em  razão  de  erro material  no  preenchimento  do  PERD/COMP.  A  jurisprudência  deste  Conselho  reconhece  que  mero  erro  de  fato  no  preenchimento  de  declarações  e  documentos  relativos  às  obrigações  acessórias  dos  contribuintes  não  podem  implicar  em  cobrança  de  tributo,  desde  que  a  obrigação  principal  tenha sido devidamente satisfeita. Vejamos:  ERRO  MATERIAL  —  Ocorre  erro  material  suscetível  de  retificação  quando  há  divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter  escrito,  normalmente  revelada  no  próprio  contexto  da  declaração  ou  através  de  circunstâncias em que a declaração é feita. (..). (Acórdão 1803­00.256, CARF ­ 1a.  Seção  ­  3a.  Turma  Especial,  Data  de  decisão:  09/12/2009,  publicada  em:  09/12/2009)  IRRF ­ COMPENSAÇÃO ­ ERRO NO PREENCHIMENTO DIPJ ­ PRINCÍPIO DA  VERDADE MATERIAL ­ Tendo sido devidamente comprovado nos autos,através da  diligência  fiscal  realizada,  que  a  contribuinte  cometeu  erro  de  fato  no  preenchimento de sua Declaração de Rendimentos, em observância ao principio da  verdade  material,  deve  ser  reconhecido  o  direito  creditório  em  favor  da  contribuinte.  ACÓRDÃO  1101­00.132,  CARF  ­1a.  Seção  ­  1a.  Turma  da  1a.  Câmara, Data de decisão: 18/06/2009, publicada em: 18/06/2009)  Com efeito, invoco o princípio da verdade material para decidir com base nos  fatos que representam a realidade do contribuinte, afastando o lançamento e as exigências dele  decorrentes.  Ademais,  acrescento  que  a  autoridade  fiscal  deve  observar  a  legislação  de  regência vigente à época em que foi transmitida a declaração de compensação pretendida pelo  sujeito passivo.  Posto  isso, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o  erro  do  contribuinte  no  preenchimento  da  declaração  e  homologar  a  compensação  efetuada  pelo contribuinte até o limite do crédito disponível.     (assinado digitalmente)  Carlos Pelá Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/2008­02  Acórdão n.º 1402­00.578  S1­C4T2  Fl. 4          4 Voto Vencedor  Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator.  O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos  legais e regimentais  para sua admissibilidade, dele conheço.  Tal qual o ilustre Relator, não comungo do entendimento do nobre Relator do  Acórdão  Recorrido.  Isso  porque  não  há  impedimento  legal  para  reconhecimento  de  erro  material cometido no preenchimento de declaração, desde que realmente seja um erro de fato.  A  Instrução  Normativa  No.  900/2008,  artigos  76  e  seguintes,  vedaria    a  retificação de erros dessa natureza, mas repito, não há vedação legal nesse sentido.  Este  Conselho  já  reconheceu  a  possibilidade  da  comprovação  de  erro  no  preenchimento  de  declarações  no  transcurso  do  processo  administrativo.  Vejamos  alguns  julgados que amparam esse entendimento.  Acórdão 108­08689, de 25/1/2006  IRPJ  ­  ERRO  NO  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO  –  Uma  vez  demonstrado  o  erro  no  preenchimento  da  declaração,  deve  a  verdade  material  prevalecer  sobre  a  formal,  e  exigido  o  valor  efetivamente  devido  conforme o lucro real.  Acórdão 101­94955, de 15/04/2005  IRPJ  ­  AUDITORIA  EM  DCTF­  FALTA  DE  PAGAMENTO.  Comprovado  que  a  diferença  apurada  na  auditoria  deveu­se,  exclusivamente,  a  erro  no  preenchimento da declaração, cancela­se o auto de infração.  Acórdão 103­21472, de 5/12/2003  CSLL  ­  ERRO  O  PREENCHIMENTO  DA  DECLARAÇÃO  DE  RENDIMENTOS  ­  POSSIBILIDADE  DE  RETIFICAÇÃO  DA  MATÉRIA  TRIBUTÁVEL  ­  IMPRESCINDÍVEL  COMPROVAÇÃO  MATERIAL  DO  EQUÍVOCO  OU  DO  ERRO  DE  FATO  ­  A  ordem  jurídica  vigente  não  permite  a  cobrança  de  tributos  sem que  seja  procedida  a  determinação da  matéria  tributável,  consoante  dispõe  o  artigo  142  do CTN. Entretanto,  nos  casos  em  que  o  contribuinte  não  logra  comprovar,  materialmente,  os  equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da  declaração  não  vejo  como  não  prevalecer  à  tributação  pretendida  exclusivamente  com  base  no  procedimento  sumário  de  revisão  das  declarações de ajuste (malhas fiscais).    Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, qual  seja  o  erro  no  preenchimento  da  declaração,  levando­se    em  conta  eventuais  compensações  posteriores com o mesmo crédito pleiteado.  Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/2008­02  Acórdão n.º 1402­00.578  S1­C4T2  Fl. 5          5 Divirjo do entendimento do ilustre relator quanto a possibilidade do imediato  provimento do recurso, pois, o mérito ainda não foi analisado seja DRF, seja pela DRJ.    Conclusão  Diante  do  exposto,  voto  no  sentido  dar  provimento  parcial  ao  recurso  e  determinar  o  retorno  dos  autos  à DRF de Origem,  para  que  aprecie  a DCOMP,  levando  em  consideração o erro no preenchimento,  adentrando ao mérito.       (assinado digitalmente)  Antônio José Praga de Souza                      Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA

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