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Numero do processo: 10840.003403/2001-61
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Feb 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 1996,1997
PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 11.
Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal quando sequer se iniciou a contagem do prazo prescricional, que só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor do Enunciado de Súmula CARF nº 11, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente.
PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. CARF.
A argumentação sobre o desrespeito a princípios constitucionais no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu as regras procedimentais e processuais, o que é vedado ao CARF, conforme sua Súmula nº 02.
INTIMAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO.
O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado. A intimação se dará na pessoa do contribuinte no endereço escolhido como seu domicílio tributário.
MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA.
O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado.
O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários.
ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA.
O ganho de capital na alienação de bens está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte.
Não realizado recolhimento parcial do imposto incidente sobre a operação, deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme orientação do STJ no REsp n° 973.733, em julgamento sob rito do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo).
GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. FATO GERADOR.
Na apuração do ganho de capital decorrente de alienação a prazo, deve ser considerado o fato gerador como ocorrido na data do recebimento de cada uma das parcelas pactuadas, à medida do seu recebimento.
ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO.
Submete-se à incidência do imposto o ganho de capital auferido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação de bens imóvel, considerando-se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição.
Numero da decisão: 2201-004.108
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA - Presidente
(assinado digitalmente)
Daniel Melo Mendes Bezerra - Relator
EDITADO EM: 16/03/2018
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski.
Nome do relator: DANIEL MELO MENDES BEZERRA
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 1996,1997 PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. INOCORRÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 11. Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal quando sequer se iniciou a contagem do prazo prescricional, que só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor do Enunciado de Súmula CARF nº 11, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o desrespeito a princípios constitucionais no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu as regras procedimentais e processuais, o que é vedado ao CARF, conforme sua Súmula nº 02. INTIMAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação dar-se na pessoa do advogado do autuado. A intimação se dará na pessoa do contribuinte no endereço escolhido como seu domicílio tributário. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. O ganho de capital na alienação de bens está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte. Não realizado recolhimento parcial do imposto incidente sobre a operação, deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme orientação do STJ no REsp n° 973.733, em julgamento sob rito do art. 543-C do CPC (recurso repetitivo). GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. FATO GERADOR. Na apuração do ganho de capital decorrente de alienação a prazo, deve ser considerado o fato gerador como ocorrido na data do recebimento de cada uma das parcelas pactuadas, à medida do seu recebimento. ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Submete-se à incidência do imposto o ganho de capital auferido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação de bens imóvel, considerando-se como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição.
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INOCORRÊNCIA. PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. NÃO RECONHECIMENTO. SÚMULA CARF Nº 11. Não há que se falar em prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal quando sequer se iniciou a contagem do prazo prescricional, que só ocorre com a constituição definitiva do crédito tributário. A teor do Enunciado de Súmula CARF nº 11, não se reconhece no âmbito do processo administrativo fiscal o instituto da prescrição intercorrente. PRINCÍPIOS CONSTITUCIONAIS. INCOMPETÊNCIA. CARF. A argumentação sobre o desrespeito a princípios constitucionais no lançamento tributário não escapa de uma necessária aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu as regras procedimentais e processuais, o que é vedado ao CARF, conforme sua Súmula nº 02. INTIMAÇÃO PESSOAL DO ADVOGADO DO CONTRIBUINTE. DESCABIMENTO. O art. 23 da Lei n° 70.235/72 não traz previsão da possibilidade de a intimação darse na pessoa do advogado do autuado. A intimação se dará na pessoa do contribuinte no endereço escolhido como seu domicílio tributário. MPF. NULIDADE. INEXISTÊNCIA. O MPF é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais de forma que eventuais irregularidades no seu trâmite ou emissão não teriam força para invalidar o auto de infração dele derivado. O MPF é expedido em face do sujeito passivo fiscalizado, não havendo previsão de emissão para os sujeitos passivos solidários. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 84 0. 00 34 03 /2 00 1- 61 Fl. 724DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 725 2 ALIENAÇÃO DE IMÓVEIS. GANHO DE CAPITAL. DECADÊNCIA. O ganho de capital na alienação de bens está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime do lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte. Não realizado recolhimento parcial do imposto incidente sobre a operação, deve ser aplicado o prazo decadencial de cinco anos contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, conforme orientação do STJ no REsp n° 973.733, em julgamento sob rito do art. 543C do CPC (recurso repetitivo). GANHO DE CAPITAL. ALIENAÇÃO A PRAZO. FATO GERADOR. Na apuração do ganho de capital decorrente de alienação a prazo, deve ser considerado o fato gerador como ocorrido na data do recebimento de cada uma das parcelas pactuadas, à medida do seu recebimento. ALIENAÇÃO DE BENS. GANHO DE CAPITAL. CUSTO DE AQUISIÇÃO. Submetese à incidência do imposto o ganho de capital auferido pelo sujeito passivo em decorrência da alienação de bens imóvel, considerandose como ganho a diferença positiva entre o valor de transmissão do bem ou direito e o respectivo custo de aquisição. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) CARLOS HENRIQUE DE OLIVEIRA Presidente (assinado digitalmente) Daniel Melo Mendes Bezerra Relator EDITADO EM: 16/03/2018 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Henrique de Oliveira, Carlos Alberto do Amaral Azeredo, Douglas Kakazu Kushiyama, Marcelo Milton da Silva Risso, Daniel Melo Mendes Bezerra e Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim. Ausente justificadamente a Conselheira Dione Jesabel Wasilewski. Fl. 725DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 726 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face do Acórdão nº 1729.111 7a Turma da DRJ/SPOII, o qual julgou improcedente a impugnação apresentada para desconstituir o Auto de Infração pelo qual se exige Imposto sobre a Renda de Pessoa Física IRPF incidente sobre ganho de capital. A decisão de primeira instância de forma objetiva assim sintetizou os fatos: Em ação levada a efeito no contribuinte acima qualificado, apurouse o crédito tributário na importância correspondente a R$ 668.493,13 (seiscentos e sessenta e oito mil, quatrocentos e noventa e três reais e treze centavos) relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física Ganho de Capital do contribuinte acima, nos anoscalendário 1996 e 1997, sendo R$ 234.172,36 referentes ao imposto, R$ 175.629,26 referentes a multa proporcional e R$ 258.691,51 referentes aos juros, de acordo com a legislação apontada em fl. 13. 2. A infração apurada, que resultou na constituição do crédito tributário referido, encontrase relatada no Termo de Conclusão Fiscal (fls. 18 a 29) e nos dá conta dos seguintes aspectos: OMISSÃO DE GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Falta de recolhimento do imposto incidente sobre os ganhos de capital, referente à alienação de imóvel situado a Av. Itatiaia, n° 365, Ribeirão Preto/SP, conforme segue: Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/01/1996 R$ 884.010,35 75,00 31/03/1996 R$ 241.093,73 75,00 31/08/1997 R$ 401.822,88 75,00 RENDIMENTOS CLASSIFICADOS INDEVIDAMENTE NA DIRPF. O contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste os rendimentos recebidos de pessoa jurídica, a título de indenização por atraso de pagamento, conforme segue: Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/08/1997 R$28.664,63 75,00 O Auto de Infração foi lavrado em 07/12/2001 (sextafeira), tomando o autuado ciência em mesma data, pessoalmente (fl. 12), ingressou com a impugnação (fls. 188 a 230), com juntada de documentos (fls. 231 a 501), em 07/01/2002, na qual procura Fl. 726DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 727 4 demonstrar a improcedência da autuação, alegando, em resumo, o seguinte: 3.1. pede a NULIDADE do lançamento pelas seguintes razões: violação aos princípios da legalidade, impessoalidade, moralidade e publicidade (caput do art. 37 da CF) e desobediência a preceitos inescusáveis que visam ofertar de lógica, aplicação de penalidade por convicção pessoal do AFRF, consideração real de fatos não verdadeiros e desconsideração de fatos reais, acusação de inércia ao requerente ao mesmo tempo em que lhe é sonegado o direito constitucional à ampla defesa e ao contraditório, enfim, auto lavrado com arbítrio e desvio de finalidade; diz que é direito inescusável do requerente ser informado, desde logo, sobre as razões verdadeiras que o levaram a esta investigação, ainda mais levandose em conta o fato público e notório de já haver sido envolvido e submetido a vexatório e constrangedor processo administrativo, fato este, aliás, que somente o auditor fiscal Ulisses Panayotis alega desconhecer; argumenta que o Auditor Fiscal, mesmo tendo sido oficialmente comunicado acerca da nomeação de procurador, o mesmo encaminhava as intimações tão somente para o contribuinte, complementa, desprezar esta prerrogativa prevista em Lei específica garantia constitucional é o mesmo que denegar justiça; "No mesmo ritmo, ao elaborar o auto de infração considerando reais fatos não verdadeiros e desconsiderando fatos reais, o auditor fiscal Ulisses Panayotis Voúlgaris pratica contra o requerente pena de perdimento e conseqüente confisco, o que recebe veemente repúdio em nossos tribunais (basta olhar, enfim, o valor irrisório atribuído ao imóvel)"; diz que, no requerimento ao Delegado da receita Federal de Ribeirão Preto em 24/09/2001 e que não chegou às mãos por vontade exclusiva do auditor Ulisses Panayotis Voúlgaris que resolveu conhecêlo e julgálo ao sabor de sua interpretação pessoal, há matéria de fato e de direito que não pode ser ignorada, tendo sido violado direito irrenunciável do requerente que indicou o local onde as provas de suas alegações poderíam ser avocadas; ainda, alega ter tido seu direito de defesa cerceado, uma vez que também requereu a produção de outras provas na mesma petição que não chegou às mãos de seu real destinatário, ou seja, o Delegado da Receita Federal de Ribeirão Preto; CRÍTICAS AO CÁLCULO. Fato Gerador. Argumenta o impugnante que, se a alienação ocorreu no exercício de 1996, a lei a ser usada para o cálculo do imposto tem que ser a do mesmo período ou seja a usada na Declaração de Ajuste Anual de 1997, exercício de 1996. Não deve ser esquecido o princípio da competência dos exercícios: este princípio estabelece que o reconhecimento das receitas e despesas está identificado com Fl. 727DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 728 5 períodos específicos e associados ao surgimento de fatos geradores; transcreve art. 135 e parágrafos do RIR/1999; Do Cálculo do Custo. Argumenta que o Auditor Fiscal usou a Lei n° 84/2001, sendo que a alienação foi feita no exercício de 1996, não considerou a data de ocorrência do o fato gerador; quanto ao valor de R$ 28.664,63, o contribuinte não o considerou como rendimentos uma vez que se trata de simples atualização das parcelas em atraso, de onde não ocorre recebimento de rendimento tributável; CONCLUSÃO. Concluindo, o impugnante diz que o Auditor Fiscal efetuou os cálculos do Custo do Imóvel pelo seu próprio entendimento e ao sabor do mais puro arbítrio, desconsiderando toda a legislação existente no País: 3.11.1 não considerou o Fato Gerador ou seja o Princípio da Competência dos exercícios, usando IN de 2001, para calcular imposto de 1996; corrigiu os valores do custo do imóvel de 1992 até 1995, contrariando desta forma o próprio Órgão que já havia desenvolvido um sistema que atualizou esses valores diretamente na Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física 1996/1995; não observou a decadência e a Prescrição, alterando, inclusive, valores já prescritos há mais de 5 anos, conforme legislação vigente; recusouse a verificar os processos MF 10880.041534/9561 e 10849.003188/9571, onde consta a avaliação do custo do imóvel e vários documentos exigidos pela fiscalização, alegando não ter em seu poder quaisquer documentos além dos apresentados pelo contribuinte e que cabe aos contribuintes fiscalizados a apresentação de documentação; 3.11.5. o Auditor Fiscal deveria arbitrar o valor do custo do imóvel nos termos da Lei n° 8.383/1991, art. 96, § 3o, usando dessa forma o valor da união e constante nos processos administrativos MF 10880.041534/9561 e 10840.003188/9571; que o Auditor Fiscal jamais poderia ter dado resposta a requerimento dirigido pelo requerente ao Delegado da Receita em Ribeirão Preto, porque isto não é da sua competência e cerceou o direito do peticionário de ver reconhecido o valor do imóvel, atribuído pela própria administração, o que espanca qualquer outra dúvida ou discussão; em 18/08/2008, o interessado protocoliza documento de fls 514 a 528, através do qual requer o deferimento do pedido de Prescrição Intercorrente e que seja julgado nulo o lançamento e, como conseqüência, o arquivamento do processo. Protesta provar o alegado por todos os meios de prova permitidos em lei, bem como juntada de documentos se necessário. Fl. 728DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 729 6 Foi prolatado o Acórdão 1729.111 7ª Turma da DRJ/SPOII (fls. 553/570), que a julgou o lançamento procedente, mantendo integralmente o Auto de Infração, nos termos da seguinte ementa: PRESCRIÇÃO INTERCORRENTE. Entre o lançamento tributário contestado até que ocorra a decisão final do contencioso administrativo, independentemente do período transcorrido, não há a extinção do crédito tributário pelo decurso do prazo, por absoluta falta de previsão legal para semelhante pretensão. MANDADO DE PROCEDIMENTO FISCAL. EXAU RIMENTO DO PRAZO. INOCORRÊNCIA. A conclusão do procedimento fiscal com o lançamento do tributo e a lavratura do termo de encerramento provocam a extinção do MPF. A intimação ao sujeito passivo corresponde à atividade meramente administrativa, podendo ser efetuada após o término do prazo do MPF. NULIDADE. NORMAS PROCESSUAIS Comprovado que o procedimento fiscal foi feito regularmente, não se apresentando, nos autos, as causas apontadas no art. 59, do Decreto n.° 70.235/72, não há que se cogitar em nulidade processual, nem em nulidade do lançamento enquanto ato administrativo. GANHOS DE CAPITAL NA ALIENAÇÃO DE BENS E DIREITOS. Tributase o ganho de capital decorrente do lucro auferido com a alienação de bem imóvel, caracterizado pela diferença positiva entre o valor de venda e o respectivo custo de aquisição. A ciência dessa decisão ocorreu em 16/12/2008 (fl.577) e o recurso voluntário foi tempestivamente protocolado em 14/01/2009 (fls. 579/600), tendo apresentado as razões recursais, a seguir sintetizadas: 1) Preliminarmente, suscista a aplicação ao caso da prescrição intercorrente, já que já se passaram 7 (sete) anos entre a data do protocolo da impugnação, que ocorreu no ano de 2001 e o primeiro pedido para o reconhecimento da prescrição intercorrente, que se deu em 18/08/2008. 2) Ocorreu afronta aos princípios da eficiência, da moralidade administrativa, da razoabilidade e da economia processual. 3) A nulidade do processo administrativo fiscal, vez o AuditorFiscal, destituído de mandado anterior, estava impedido de determinar a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal (MPF). Fl. 729DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 730 7 4) Não foi atendido o requerimento para que as intimações fossem dirigidas ao seu advogado. 5) O Ministério da Fazenda avaliou e comprou o imóvel por R$ 1.970.000,00, o valor de seu custo real, que deve ser aceito para o cálculo do ganho de capital. O custo da construção está devidamente comprovado. 6) O valor do custo de aquisição não está correto. 7) O AuditorFiscal se utilizou indevidamente da IN 84/2001, sendo que a alienação ocorreu no ano de 1996. 8) O AuditorFiscal corrigiu o valor do custo de aquisição desde o ano de 1992, isto não é necessário porque o próprio programa da Receita Federal faz essa atualização. A autoridade fiscal assevera que utilizou a UFIR de 01/01/1994 para converter em favor do contribuinte os valores da Declaração 1995/1994, no entanto, não é isso o que determina a Instrução Normativa. 9) O AuditorFiscal não poderia ter alterado o valor do custo de aquisição do imóvel apresentado nas Declarações dos anos de 1992 a 1995, em função de o mesmo está prescrito. 10) Não existe amparo legal para o cálculo do ganho de capital sobre alienação a prazo sem o término da obra ou construção. 11) O contribuinte não considerou o valor de R$ 28.664,63 como rendimentos tributáveis, por constituírem atualização monetária do valor do imóvel, sendo certo que os juros não compõem o valor da alienação. 12) A aplicação da decadência e prescrição ao crédito tributário. Por fim, requer a decretação de nulidade do lançamento, ou não sendo este o entendimento que o débito seja retificado de acordo com o anexo 2. É relatório. Voto Conselheiro Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Admissibilidade O recurso voluntário apresentado preenche os requisitos de admissibilidade, devendo, pois, ser conhecido. Fl. 730DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 731 8 Preliminar Prescrição Intercorrente O recorrente alega que transcorreu mais de 7 (sete) anos entre o protocolo da impugnação e a solução definitiva do presente processo administrativo fiscal. Assim, no entendimento do recorrente, ocorreu a prescrição intercorrente prevista no art. 40, § 4°, da Lei nº 6.830/80 (incluído pela Lei nº 11.051/04). É incontroverso que o presente processo administrativo fiscal se encontra na fase litigiosa, inaugurada com a impugnação (art. 14 do Decreto n. 70.235/1972). E, uma vez na fase litigiosa, suspensa está a exigibilidade do crédito tributário, conforme previsto no art. 151, III, da Lei n. 5.172/1966 (CTN). Desta forma, pendente de pronunciamento final no contencioso fiscal, o crédito tributário ainda não está definitivamente constituído, não se podendo falar do direito do Fisco de exigilo, vez que este direito ainda não pode ser exercido. É nesse sentido o comando do art. 174, caput, do CTN: Art. 174. A ação para cobrança do crédito tributário prescreve em cinco anos, contados da data da sua constituição definitiva. No caso concreto, ainda não ocorreu a constituição definitiva do crédito tributário em lide, o que afasta, de plano, o início do prazo prescricional previsto no art. 174 do CTN. A seu turno, observase que a matéria não permite maiores digressões, vez que é objeto do Enunciado de Súmula CARF nº 11, verbis: Súmula CARF n° 11: Não se aplica a prescrição intercorrente no processo administrativo fiscal. Destarte, rejeito a preliminar suscitada de aplicação da prescrição intercorrente. Ofensa a princípios constitucionais Em sede de preliminar, o recorrente alega que houve afronta aos princípios da eficiência, da moralidade administrativa, da razoabilidade e da economia processual. Todavia, entendo que os argumentos de afronta aos princípios supra enumerados não podem ser apreciados sem passar pela análise da constitucionalidade do procedimento e do processo administrativo fiscal à luz da lei ou decreto. A competência para decidir sobre a constitucionalidade de normas foi atribuída especificamente ao Judiciário pela Constituição Federal no Capítulo III do Título IV. Em tais dispositivos, o constituinte teve especial cuidado ao definir quem poderia exercer o controle Fl. 731DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 732 9 constitucional das normas jurídicas. Decidiu que caberia exclusivamente ao Poder Judiciário exercêla, especialmente ao Supremo Tribunal Federal. Por seu turno, a Lei nº 11.941/2009 incluiu o art. 26A no Decreto 70.235/72 prescrevendo explicitamente a proibição dos órgãos de julgamento no âmbito do processo administrativo fiscal acatarem argumentos de inconstitucionalidade, in verbis: “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade.” O recorrente sustenta a invalidade do procedimento e processo administrativo fiscal com base no princípio da eficiência, moralidade administrativa e razoabilidade, todos insertos na Constituição Federal. Entretanto, não é exaustivo salientar que a argumentação do recorrente não escapa de uma necessidade de aferição de constitucionalidade da legislação tributária que estabeleceu o regramento do procedimento de lançamento de Imposto de Renda por ganho de capital e o próprio processo administrativo fiscal, o que é vedado ao CARF, conforme os dizeres de sua Súmula nº 2, in verbis: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Assim sendo, deixo de conhecer as alegações afetas à constitucionalidade de normas, como a infrigência aos princípios da princípio da eficiência, moralidade administrativa, razoabilidade e economia processual. Intimação do Advogado O recorrente alega que informou ao AuditorFiscal que todas as intimações relacionadas ao lançamento deveriam ser dirigidas ao seu advogado. Em face do não atendimento de seu pleito, requer a nulidade do lançamento. Todavia, o apelo do recorrente não pode ser atendido, à mingua de suporte legal. Os incisos I a III do art. 23 do Decreto n° 70.235/1972 estabelecem que as intimações no decorrer do contencioso administrativotributário federal serão realizadas pessoalmente ao sujeito passivo, não a seu advogado, inexistindo tampouco permissivo para tanto no Regimento Interno do CARF RICARF (Portaria MF n° 343/15). Portanto, todas as intimações do procedimento e do processo administrativo fiscal só podem ser efetuadas na pessoa do contribuinte em seu domicílio fiscal cadastrado na Secretaria da Receita Federal do Brasil. Conduta diversa do órgão Fazendário é que poderia culminar em nulidade, não como pretende o recorrente. Rejeito, pois, a preliminar. Da decadência Fl. 732DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 733 10 O ganho de capital na alienação de bens ou ativos, embora sujeito a tributação definitiva e exclusiva, exige do contribuinte o recolhimento do imposto no prazo legal, que no caso seria realizado no mesmo anocalendário da ocorrência do fato gerador. No presente caso, aplicase também o entendimento do Superior Tribunal de Justiça, o qual, através de sua Primeira Seção, no julgamento do Recurso Especial n° 973.733, de relatoria do Ministro Luiz Fux, julgado sob o rito do artigo 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que, nos tributos sujeitos a lançamento por homologação, para a fixação do prazo decadencial para a constituição do crédito tributário é necessária a consideração sobre (i) constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, e (ii) a existência ou não de pagamento antecipado para se decidir sobre a aplicação do inciso I do artigo 173 ou do § 4° do artigo 150, ambos do CTN. Vejamos: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO.DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4°, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial quinquenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 163/210). 3. O dies a quo do prazo quinquenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente Fl. 733DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 734 11 dos prazos previstos nos artigos 150, § 4°, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3a ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs.. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10a ed., Ed. Saraiva, 2004, págs.. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3a ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs.. 183/199). 5. In casu, consoante assente na origem: (i) cuidase de tributo sujeito a lançamento por homologação; (ii) a obrigação ex lege de pagamento antecipado das contribuições previdenciárias não restou adimplida pelo contribuinte, no que concerne aos fatos imponíveis ocorridos no período de janeiro de 1991 a dezembro de 1994; e (iii) a constituição dos créditos tributários respectivos deuse em 26.03.2001. 6. Destarte, revelamse caducos os créditos tributários executados, tendo em vista o decurso do prazo decadencial quinquenal para que o Fisco efetuasse o lançamento de ofício substitutivo. 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 973.733/SC, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 12/08/2009, DJe 18/09/2009) Conforme dispõe o artigo 62A do Regimento Interno deste CARF, o entendimento do STJ em sede de recurso repetitivo é de observância obrigatória pelos Conselheiros do CARF. O recorrente pleiteia a aplicação do artigo 150, § 4° do CTN sob alegação de que os fatos geradores do imposto de rende sobre ganho de capital em exame ocorreram no anocalendário, e, assim, desde então iniciara a contagem do prazo decadencial. Ocorre que o ganho de capital na alienação de bens ou ativos está sujeito ao pagamento do imposto de renda de forma definitiva e exclusiva, traduzindo modalidade de tributo sujeito ao regime de lançamento por homologação, uma vez que a apuração do imposto é realizada pelo próprio contribuinte. No caso em análise, não se tem notícia do recolhimento antecipado do imposto de renda sobre o ganho de capital, ainda que parcial. Ademais, a fiscalização constatou a simulação com o objetivo de se ocultar o ganho de capital do processo de integralização das ações do banco, o que reforça a aplicação do artigo 173, I, do CTN. De acordo com a acusação fiscal, o fato gerador do ganho de capital se materializou sob o aspecto temporal nas seguintes datas: Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/01/1996 R$ 884.010,35 75,00 31/03/1996 R$ 241.093,73 75,00 31/08/1997 R$ 401.822,88 75,00 Fl. 734DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 735 12 Em relação aos rendimentos que o contribuinte classificou indevidamente na Declaração de Ajuste como recebidos de pessoa jurídica, a título de indenização por atraso de pagamento, temse como data do fato gerador: Fato Gerador Valor Tributável Multa (%) 31/08/1997 R$28.664,63 75,00 Não houve antecipação de pagamento em relação ao ganho de capital, fato que atrai a incidência da regra de contagem do prazo decadência inserta no art. 173, I, do Código Tributário Nacional. Considerando a data do fato gerador mais remota, temse que o Fisco poderia efetuar o lançamento do crédito tributário até 31/12/2001. Considerando que a ciência do lançamento se deu em 07/12/2001 (fl. 14), não há que se falar em crédito tributário abrangido pela decadência. Isto posto, rejeito a prejudicial de mérito decadência. Nulidade por ausência de MPF Argumenta o recorrente que o lançamento seria nulo por não ter competência o Auditor notificante para determinar a prorrogação do Mandado de Procedimento Fiscal. Todavia, não assiste razão ao contribuinte. Todos os Mandados de Procedimento Fiscal Complementares foram assinados pelo Delegado da Delegacia da Receita Federal em Ribeirão Preto, AuditoresFiscais Glauco Peter Alvarez Guimarães e Jair Tolentino da Silva, esse último na condição de Delegado Substituto. Ainda que houvesse uma irregularidade, o que não é o caso dos autos deve ser registrada a reiterada jurisprudência deste colegiado no sentido expresso pelo Acórdão 2301004.168, relatado pelo Conselheiro Natanael Vieira dos Santos, de acordo com o qual eventuais deficiências do MPF não maculam o lançamento: (...) Ademais, o Mandado de Procedimento Fiscal é instrumento interno de planejamento e controle das atividades e procedimentos fiscais relativos aos tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal. Consiste em uma ordem administrativa, emanada de dirigentes as unidades da Receita Federal para que seus auditores executem as atividades fiscais, tendente a verificar o cumprimento das obrigações tributárias por parte do sujeito passivo. Sendo, portanto, ato praticado por autoridade competente (Coordenador, Superintendente, Delegado ou Inspetor, conforme o caso) e dirigido ao Auditor Fiscal da Receita Federal (AFRF), eventuais irregularidades verificadas no seu trâmite, ou mesmo na sua emissão, não tem condão de Fl. 735DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 736 13 invalidar o auto de infração decorrente do procedimento fiscal relacionado. A necessidade de cientificar o contribuinte da existência do MPF prendese tão somente a questões relacionadas a sua segurança contra pseudoações fiscais que poderiam ocorrer. Assim, o contribuinte pode, por precaução, praticar as medidas que julgar pertinentes para sua segurança durante o procedimento de fiscalização, enquanto não lhe for apresentado o MPF correspondente. Dessa forma, em relação ao MPF, não vejo qualquer mácula no procedimento adotado pela fiscalização que pudesse levar à nulidade do lançamento. Rejeito, pois, a nulidade suscitada. Mérito A matéria controversa foi estabelecida pela insurgência do recorrente ao alegar que o Ministério da Fazenda avaliou e comprou um imóvel de sua propriedade por R$ 1.970.000,00. No seu entendimento, referido valor deve ser aceito para o cálculo do ganho de capital. Afirma que o custo da construção está devidamente comprovado, sendo que o valor do custo de aquisição foi incorretamente considerado pela Fiscalização. Prossegue, aduzindo que o AuditorFiscal se utilizou indevidamente da IN 84/2001, sendo que a alienação ocorreu no ano de 1996. O AuditorFiscal corrigiu o valor do custo de aquisição desde o ano de 1992, não sendo necessário eis que o próprio programa da Receita Federal já faz essa atualização. A autoridade fiscal assevera que utilizou a UFIR de 01/01/1994 para converter em favor do contribuinte os valores da Declaração 1995/1994, no entanto, não é isso o que determina a Instrução Normativa. O notificante não poderia ter alterado o valor do custo de aquisição do imóvel apresentado nas Declarações dos anos de 1992 a 1995 em função de o mesmo está prescrito. Alega, também, que não existe amparo legal para o cálculo do ganho de capital sobre alienação a prazo sem o término da obra ou construção. Por fim, argumenta que não considerou o valor de R$ 28.664,63 como rendimentos tributáveis, por constituírem atualização monetária do valor do imóvel, sendo certo que os juros não compõem o valor da alienação. O imóvel vertente foi vendido à União Federal para a construção da sede da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto/SP. Foi ajustado o valor de venda como sendo R$ 2.000.000,00 (dois milhões de reais), a ser pago em três parcelas da seguinte forma: 1ª parcela R$ 1.200.000,00 recebida em 01/1996. Da parcela inicial foi subtraído o valor de R$ 100.000,00 comprovadamente pago por serviço de corretagem; 2ª parcela R$ 300.000,00 paga em 03/1996 e R$ 528.664,63 paga em 08/1997. O valor de R$ 28.664,63, acrescido à última parcela referese a juros de mora pagos pela União, sendo subtraído da base de cálculo para apuração do ganho de capital. O custo de aquisição foi calculado de acordo com as atualizações estabelecidas pela Instrução Normativa nº 84/2001, ainda que editada após a ocorrência dos fatos geradores, por ser mais benéfica ao contribuinte. No entanto, o lançamento foi efetuado sob a égide do Fl. 736DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 737 14 Decreto nº 1.041, de 11/01/1994 e não do Decreto nº 3.000/1999, como quer fazer crer o recorrente. Assim, não há qualquer irregularidade na aplicação da IN nº 84/2001, eis que os procedimentos nela insertos eram indispensáveis à atualização do custo de aquisição, vez que essa Instrução Normativa regulou a atualização do custo de aquisição entre a revogação da IN nº 39/1993 e a data de alienação do imóvel sob comento. Assim, entendo que o valor do custo de aquisição foi apurado estritamente de acordo com os contornos normativos aplicáveis por ocasião da ocorrência do fato gerador, de acordo com o detalhamento exposado pela autoridade fiscal às fls. 28/30, tendo chegado corretamente ao valor de R$ 373.073,02, nos termos adiante delineados pela autoridade fiscal lançadora: “Para atualizar o referido custo é necessário converter o valor em UFIR no valor do bem na moeda da época (Cruzeiros) o que é feito utilizandonos da UFIR de conversão de Jan1992, conforme segue: UFIR 334.974.70 (em 31/12/91) X Cr$ 597.06 (UFIR 01/92) = Cr$ 199.999.994.38 No Anexo da IN SRF 84/2001 encontramos o índice de 720,4779 para o mês de 12/1991 que utilizamos a seguir para converter e atualizar em Reais (R$) o valor acima obtido: CrS199.999.994.38 h 720.4779 (índice de 12/91 IN SRF 84/011 = R$ 277.593.52 Para a conversão dos valores adicionados ao custo do imóvel a partir de 31/12/91, até 31/12/95, utilizamonos da metodologia de cálculo disposta no Art. T da IN SRF 84/01, a seguir transcrito: “Art. 7o No caso de bens ou direitos adquiridos ou de parcelas pagas até 31 de dezembro de 1991, não avaliados a valor de mercado, e dos bens e direitos adquiridos ou das parcelas pagas entre Io de janeiro de 1992 e 31 de dezembro de 1995, o custo corresponde ao valor de aquisição ou das parcelas pagas até 31 de dezembro de 1995, atualizado mediante a utilização da Tabela de Atualização do Custo de Bens e Direitos, constante no Anexo Único. “ Nas DIRPF de 1995 e de 1996 do contribuinte encontramos os seguintes valores adicionados ao custo do imóvel no ano de 1994 UFIR 55.811,50 no ano de 1995 RS 40.200,00 Para convertermos em R$ estes valores, conforme o discriminado na IN SRF 84/01, tomase necessária a conversão do custo de UFIR 55.811,50, ocorrido em 1994, na moeda da época para podermos então, através dos indices do anexo da IN 84/01, converter o valor em R$. Tendo em vista que a data do gasto de UFIR 55.811,50 não é mencionada utilizamonos, em benefício do contribuinte, da UFIR de 01/01/1994 (187,77) para converter o valor em Cruzeiros Reais, conforme segue: Fl. 737DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 738 15 55.811,50 X 187,77 (UFIR de 01/01/1994) = CRS CR$ 10.479.725,36 226,5838 (índice de 01/94 IN SRF 84/01) = R$ 46.250,99 Finalmente, temos o gasto, ocorrido no ano de 1995, e declarado na DIRPF de 1996, no valor de R$ 40.200,00. Novamente, em benefício do contribuinte e tendo em vista que não esta declarada a data da ocorrência do gasto utilizamonos do índice de conversão de 01/1995 para a atualização do valor em questão, como segue: R$ 40.200,00 0,8166 (índice 01/95 IN SRF 84/01) = R$ 49.228,51 Custo de aquisição: Somados todos os valores obtidos, com os cálculos acima, temos o seguinte custo R$ 277.593,52 (custo até 31/12/91) R$ 46.250,99 (custo no ano de 1994) R$ 49.228,51 (custo no ano de 1995) R$ 373.073,02 (custo total do bem) GANHO DE CAPITAL: R$ 1.900.000,00 (valor da alienação) R$ 373.073,02 ( (custo de aquisição) R$ 1.526.926,98 (ganho de capital) Uma vez apurado o Ganho de Capital, conforme demonstrado no item acima resta calcular o valor tributável na proporção das parcelas recebidas em cada mês, calculandose a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que deve ser aplicado sobre cada parcela recebida, conforme discriminado a seguir: Relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação: 1.526.926,98/1.900.000,00 X 100 = 80,3645% Resultado Tributável: 1° Parcela recebida em 01/96 R$ 1.100.000,00 X 80,364 % R$ 884.01035 2’ Parcela recebida em 03/96 R$ 300.000,00 X 80,3645% R$ 241.093,73 3o Parcela recebida em 08/97 R$ 500.000,00 X 80,3645% R$ 401.822,88 Obs.: da 1ª Parcela recebida foi excluído o valor de RS 100.000,00 pago pelo fiscalizado a título de comissão da 3ª Parcela recebida foi subtraído o valor de R$ 28.664,63 referente a juros de mora Portanto, o procedimento fiscal não merece nenhum reparo, tendo a autoridade lançadora agido de acordo com as balizas normativas aplicáveis à espécie, em especial o disposto no art. 142 do Código Tributário Nacional. Fl. 738DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 739 16 Não procede o argumento recursal de que o valores dos bens constante nas Declarações de Ajuste Anual não sofreram impugnação pela Receita Federal do Brasil. A informação do valor do bem é prestada pelo próprio contribuinte, podendo a coreção dessa informação ser verificada a qualquer tempo. Não há nos autos documentos comprobatórios que tenham o condão de alterar o valor do custo de aquisição apurado. A alegada construção no imóvel alienado não pode ser considerada para nenhum efeito, visto que carece de comprovação. Não há que se falar em ausência de amparo legal para apuração do ganho de capital sobre alienação a prazo, sem o término da obra ou construção. Verificase que os valores foram tributados à medida das parcelas recebidas na alienação a prazo. Agiu com acerto a autoridade fiscal ao tributar o ganho de capital na proporção das parcelas recebidas em cada mês, conforme o disposto no artigo 814 do Regulamento do Imposto de Renda (RIR/94). Art. 814. Nas alienações a prazo, o ganho de capital deverá ser apurado como venda à vista e tributado na proporção das parcelas recebidas em cada mês, considerandose a respectiva atualização monetária, se houver (Lei n° 7.713/88, art. 21). § 1° Para efeito do disposto no caput deverá ser calculada a relação percentual do ganho de capital sobre o valor de alienação que será aplicada sobre cada parcela recebida, em Ufir. § 2° A parcela recebida será convertida em Ufir pelo valor desta no mês do recebimento. § 3° O valor pago a título de corretagem poderá ser deduzido do valor da parcela recebida no mês do seu pagamento. Como já abordado na análise da análise da prejudicial de mérito, quando tratamos da decadência, não assiste razão ao recorrente quando afirma que a autoridade lançadora não poderia ter alterado o valor do custo de aquisição informado em sua Declaração de Ajuste Anual, por ter ocorrido a prescrição e decadência. Quanto a esse aspecto do inconformismo recursal, é bastante asseverar que o fato gerador mais remoto ocorreu em 31/01/1996. Não havendo antecipação do pagamento, aplicase a regra de contagem do prazo decadencial estabelecida pelo art. 173, I, do Código Tributário Nacional, não havendo que se falar em decadência no presente lançamento tributário, muito menos prescrição. Por derradeiro, cumpre ressaltar que procedeu corretamente o AuditorFiscal notificante, ao excluir do valor da alienação os juros de mora recebidos pelo contribuinte no valor de R$ 28.664,63. Isto porque o Regulamento do Imposto de Renda (Decreto nº 1.041/1994), vigente à época da ocorrência do fato gerador, assim determinava em seu art. 802 e § 6º: Art. 802. Considerase valor de alienação (Lei n° 7.713/88, art. 19 e parágrafo único): Fl. 739DF CARF MF Processo nº 10840.003403/200161 Acórdão n.º 2201004.108 S2C2T1 Fl. 740 17 I o preço efetivo da operação de venda ou da cessão de direitos; II o valor de mercado nas operações não expressas em dinheiro. (...) § 6° Os juros recebidos não compõem o valor de alienação, devendo ser tributados na forma dos arts. 115 e 629, conforme o caso. Desse modo, a tributação dos valores recebidos a título de juros, em decorrência do atraso no pagamento, devem se submeter às alíquotas progressivas de acordo com a tabela do Imposto de Renda da Pessoa Física, vigente à época do recebimento dos valores, ainda que a fonte pagadora não tenha efetuado a retenção. Conclusão Diante do exposto, voto por conhecer do recurso voluntário apresentado para, no mérito, negarlhe provimento. Daniel Melo Mendes Bezerra Relator Fl. 740DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13804.002257/2001-81
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Feb 22 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001
CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE.
A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça - STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543-C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda.
É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ).
Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543-C do CPC e da Resolução 8/STJ.
Numero da decisão: 9303-006.389
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em dar-lhe provimento parcial, para considerar a incidência da taxa selic a partir do fim do prazo de 360 dias a partir do protocolo do pedido, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento.
(assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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CRÉDITO PRESUMIDO Recorrente FAZENDA NACIONAL Interessado LOUIS DREYFUS COMMODITIES BRASIL S/A ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 CRÉDITO PRESUMIDO DE IPI. OPOSIÇÃO ILEGÍTIMA DO FISCO. CORREÇÃO. TAXA SELIC. POSSIBILIDADE. A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça STJ, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pela Fazenda. É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art.24 da Lei nº11.457/07), nos termos do REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em darlhe provimento parcial, para considerar a incidência da taxa selic a partir do fim do prazo de 360 dias a partir do protocolo do pedido, vencidas as conselheiras Tatiana Midori Migiyama, Érika Costa Camargos Autran e Vanessa Marini Cecconello, que lhe negaram provimento. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 80 4. 00 22 57 /2 00 1- 81 Fl. 679DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza – Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rodrigo da Costa Pôssas, Charles Mayer de Castro Souza (suplente convocado), Andrada Márcio Canuto Natal, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Tatiana Midori Migiyama, Vanessa Marini Cecconello Relatório Tratase de Recurso Especial de Divergência interposto tempestivamente pela Procuradoria da Fazenda Nacional PFN contra o Acórdão nº 3201002.029, de 29/01/2016, proferido pela 1ª Turma Ordinária da 2ª Câmara do então Segundo Conselho de Contribuintes, que fora assim ementado: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/04/2001 a 30/06/2001 IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. RELAÇÃO PERCENTUAL ENTRE RECEITA DE EXPORTAÇÃO SOBRE RECEITA OPERACIONAL BRUTA. VENDAS PARA O EXTERIOR DE MERCADORIAS ADQUIRIDAS DE TERCEIROS. INCLUSÃO. É lícita a inclusão na receita de exportação, das vendas para o exterior de mercadorias nacionais adquiridas de terceiros. IPI. CRÉDITO PRESUMIDO. ATUALIZAÇÃO MONETÁRIA. POSSIBILIDADE. As decisões do Superior Tribunal de Justiça, em sede de recursos repetitivos, por força do Regimento Interno do CARF, devem ser observadas no Julgamento deste Tribunal Administrativo. No ressarcimento/compensação do crédito presumido de IPI, em que atos normativos infralegais obstaculizaram o creditamento por parte do sujeito passivo, é devida a atualização monetária, com base na Selic, desde o protocolo do pedido. Sentença proferida no Superior Tribunal de Justiça em 13/12/2010, no REsp 993164, julgado nos termos do art. 543C do CPC. RECEITA DE EXPORTAÇÃO X RECEITA OPERACIONAL BRUTA PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS POR TERCEIROS. Para fins de apuração da relação percentual entre a receita de exportação e a receita operacional bruta, incluise no cálculo de ambas o valor correspondente às exportações de produtos adquiridos de terceiros. Recurso Voluntário Provido Fl. 680DF CARF MF Processo nº 13804.002257/200181 Acórdão n.º 9303006.389 CSRFT3 Fl. 680 3 Irresignada, a PFN se insurgiu contra a) a incidência da taxa Selic sobre o ressarcimento deferido (sem oposição ilegítima) de crédito presumido do IPI e contra o critério, adotado no acórdão recorrido, quanto ao termo inicial da aplicação da mesma taxa Selic sobre o ressarcimento inicialmente indeferido (com a suposta oposição ilegítima). Alega divergência com relação ao que decidido nos Acórdãos nº 3802002.338 e 3102001.100. O exame de admissibilidade do recurso encontramse às fls. 630/632. Intimada, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso (fls. 640/659). É o Relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator Presentes os demais requisitos de admissibilidade, entendemos que o recurso especial interposto pela PFN deve ser conhecido. Com efeito, o acórdão recorrido aplicou a taxa Selic, configurada a oposição estatal, desde o protocolo do pedido, em flagrante divergência do entendimento adotado no segundo paradigma, que a aplicou a partir da data da ciência do despacho decisório que denegou o pedido. No mérito, entendemos que, em parte, assiste razão à Procuradoria. É cediço, quando o aproveitamento de créditos for injustamente obstaculizado pelo Fisco, caracterizando a mora administrativa (REsp 1.035.847/RS, julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411/STJ), a aplicação da correção monetária pela taxa SELIC deve iniciarse quando findo o prazo a Administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457, de 2007), conforme decidiu a Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ: "ESPECIAL Nº 1.467.934 RS (2014∕01707525) RELATOR : MINISTRO SÉRGIO KUKINA AGRAVANTE : REICHERT CALÇADOS LTDA ADVOGADOS : CRISTOV BECKER PABLO EDUARDO CAMUSSO E OUTRO(S) AGRAVADO : FAZENDA NACIONAL ADVOGADO : PROCURADORIAGERAL DA FAZENDA NACIONAL. RELATÓRIO O SENHOR MINISTRO SÉRGIO KUKINA: Tratase de agravo regimental interposto por REICHERT CALÇADOS LTDA., desafiando a decisão pela qual se deu parcial provimento ao recurso especial da FAZENDA NACIONAL, ao fundamento de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco, caracterizada a mora administrativa (REsp 1.035.847∕RS, Fl. 681DF CARF MF 4 julgado sob o rito do art. 543C do CPC, e Súmula 411∕STJ). Está também justificada a imposição de correção monetária, pela taxa SELIC, a contar do fim do prazo que a administração tinha para apreciar o pedido, que é de 360 dias, independentemente da época do requerimento (art. 24 da Lei 11.457∕07), conforme decidiu esta Corte Superior ao apreciar o REsp. 1.138.206∕RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8∕STJ". TRIBUTÁRIO. CRÉDITOS DE PIS/COFINS. REGIME NÃO CUMULATIVO. RESSARCIMENTO. APRECIAÇÃO DO PEDIDO ADMINISTRATIVO PELO FISCO. ESCOAMENTO DO PRAZO DE 360 DIAS PREVISTO NO ART. 24 DA LEI 11.457/07. RESISTÊNCIA ILEGÍTIMA CONFIGURADA. SÚMULA 411/STJ. CORREÇÃO MONETÁRIA DEVIDA. TERMO INICIAL. TAXA SELIC. 1. A Primeira Seção desta Corte Superior, no julgamento do REsp 1.035.847/RS, sob o rito do art. 543C do CPC, firmou entendimento no sentido de que o aproveitamento de créditos escriturais, em regra, não dá ensejo à correção monetária, exceto quanto obstaculizado injustamente o creditamento pelo fisco. 2. "É devida a correção monetária ao creditamento do IPI quando há oposição ao seu aproveitamento decorrente de resistência ilegítima do Fisco" (Súmula 411/STJ). 3. Em tais casos, a correção monetária, pela taxa SELIC, deve ser contada a partir do fim do prazo de que dispõe a administração para apreciar o pedido do contribuinte, que é de 360 dias (art. 24 da Lei 11.457/07). Nesse sentido: REsp 1.138.206/RS, submetido ao rito do art. 543C do CPC e da Resolução 8/STJ. 4. Agravo regimental a que se nega provimento. Ante o exposto, e sem maiores delongas, conheço e dou parcial provimento ao recurso especial da PFN, para que a taxa Selic incida sobre os valores ressarcidos (excluindose o valor originalmente já ressarcido pela unidade preparadora), a partir do fim do prazo de 360 dias contados a partir do protocolo do pedido É como voto. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 682DF CARF MF Processo nº 13804.002257/200181 Acórdão n.º 9303006.389 CSRFT3 Fl. 681 5 Fl. 683DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.722195/2010-21
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE.
São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
Numero da decisão: 2001-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(assinado digitalmente)
Fernanda Melo Leal - Relatora.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira.
Nome do relator: FERNANDA MELO LEAL
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Exercício: 2008 DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda - RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo ano-calendário da obrigação tributária.
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COMPROVAÇÃO. DEDUTIBILIDADE. São dedutíveis na declaração de ajuste anual, a título de despesas com médicos e planos de saúde, os pagamentos comprovados mediante documentos hábeis e idôneos, dentro dos limites previstos na lei. Inteligência do art. 80 do Decreto 3.000/1999 (Regulamento do Imposto de Renda RIR). A dedução de despesas médicas na declaração de ajuste anual do contribuinte está condicionada à comprovação hábil e idônea no mesmo anocalendário da obrigação tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro José Ricardo Moreira, que lhe negou provimento. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal Relatora. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Fernanda Melo Leal, Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho e Jose Ricardo Moreira. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 48 0. 72 21 95 /2 01 0- 21 Fl. 68DF CARF MF 2 Relatório Contra a contribuinte acima identificada foi emitida Notificação de Lançamento, relativo ao Imposto de Renda Pessoa Física, exercício de 2008, anocalendário de 2007, por meio do qual foram glosadas despesas médicas no valor total de R$ 21.680,00, por falta de comprovação de pagamento, gerando um crédito tributário total no valor de R$12.253,82, incluindo juros de mora e multa de ofício, calculados até julho de 2010. A interessada foi cientificada da notificação e apresentou impugnação, juntando recibos e declarações médicas para evidenciar as prestações do serviço. Alega, em síntese, que nenhuma irregularidade foi praticada, cita jurisprudência vasta e doutrina para corroborar seus argumentos. A DRJ Recife, na análise da peça impugnatória, manifestou seu entendimento no sentido de que os comprovantes fornecidos e juntados ao processo pela Contribuinte não seriam suficientes para comprovar as despesas, devendo, por essa razão, ser mantida a glosa das despesas médicas. Em sede de Recurso Voluntário, alega a contribuinte que não é possível manterse a glosa de despesa com tratamento de despesas médicas, sob o fundamento da falta de comprovação da prestação de serviço, quando os próprios emitentes dos recibos, reconhecem têlos prestados. Apresenta, para tanto, provas ratificadoras, capazes elidir quaisquer dúvidas quanto as despesas médicas despendidas, por meio de recibos detalhados e declaração em anexo. É o relatório. Voto Conselheira Fernanda Melo Leal Relatora. O recurso é tempestivo e atende às demais condições de admissibilidade. Portanto, merece ser conhecido. Mérito Glosa de despesas médicas Nos termos do artigo 8°, inciso II, alínea "a", da Lei 9.250/1995, com a redação vigente ao tempo dos fatos ora analisados, são dedutíveis da base de cálculo do imposto de renda pessoa física as despesas a título de despesas médicas, psicológicas e dentárias, quando os pagamentos são especificados e comprovados. Lei 9.250/1995: Art. 8°. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas: Fl. 69DF CARF MF Processo nº 10480.722195/201021 Acórdão n.º 2001000.246 S2C0T1 Fl. 3 3 I de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os nãotributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas: a) aos pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. (...) § 2º O disposto na alínea ‘a’ do inciso II: (...) II restringese aos pagamentos feitos pelo contribuinte, relativos ao seu próprio tratamento e ao de seus dependentes; III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas ou no Cadastro de Pessoas Jurídicas de quem recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento.” A Recorrente apresentou os recibos dos pagamentos relativos ao tratamento de psicoterapia, odontologia, psicologia contendo nome completo dos prestadores, com CPF/CNPJ dos prestadores, credenciamento profissional, valor pago pela contribuinte, beneficiário dos serviços, ratificando a veracidade das informações contidas nos recibos apresentados. Acrescentese que juntou também declaração emitida por todos e cada um dos profissionais, contendo todos os detalhes do serviço prestado. A decisão de primeira instancia sustentou que o Recorrente não comprovou as despesas médicas, nos seguintes termos: “[...] 8. Ressaltese ainda que a legislação lista algumas formas para a contribuinte provar o seu direito ao mesmo tempo em que permite ao Fisco, a seu juízo, exigir outros meios de comprovação de maneira a firmar sua convicção frente aos fatos informado. 9. O que importa ao presente julgamento, conforme determina a lei, é que a impugnante apresente provas de que realmente arcou com tais despesas, tanto que permite que ela comprove de várias maneiras o seu direito de deduzir. Assim, se a contribuinte pretende deduzir tais despesas médicas deve agir comprovando a veracidade de suas afirmações. Ressaltese ainda que a dedução dessas despesas com saúde é uma faculdade da contribuinte, ou seja, ela não está obrigada a deduzilas, mas caso deseje aproveitálas, deve obedecer, se submeter aos ditames da lei. Fl. 70DF CARF MF 4 10. Destaquese também que a solicitação de documentos, por parte da Receita Federal, constitui uma obrigação acessória sob responsabilidade da contribuinte, que tem de manter em boa guarda a documentação comprobatória dos fatos atinentes à seara tributária, conforme podese extrair das disposições do art. 797 do RIR/99. Caso contrário, ou seja, se fosse adotado o entendimento do contribuinte, tal previsão legal seria letra morta, pois de que adiantaria exigir a apresentação da prova se o ônus fosse do Fisco? Assim, não procede a afirmação da impugnante. 11. Confirmando o entendimento acima, acrescentese ainda à presente discussão, que mesmo estando presentes todos os requisitos enumerados para os recibos, a legislação tributária não confere aos mesmos valor probante absoluto, pois a tônica o art. 80, §1º, inciso III, do RIR/99, é a especificação e comprovação dos pagamentos. Tanto que a norma admite o cheque nominativo como documento comprobatório, por ser prova cabal de transferência de numerários. Entretanto, ressalte se que mesmo o cheque pode ser submetido à justificação, quando dúvidas razoáveis acudirem ao Fisco sobre a efetiva prestação do serviço, fato que se constitui no substrato material da dedução. 12. Continuando a presente análise, destaquese que à fiscalização é permitido exigir elementos adicionais de prova, a exemplo de cópias de cheques, comprovantes de transferências e extratos bancários. Como solução alternativa por oportunidade da impugnação, a interessada poderia demonstrar a realização do serviço através de cópias de exames, laudos, requisições, prontuários, fichas de atendimento, extratos bancários ou outros documentos de natureza similar que servissem de sustentação ao conteúdo dos recibos. 14. Cumpre informar ainda que quando se tem a finalidade de utilizar despesas médicas como dedução, a contribuinte deve ter em mente que o pagamento correspondente não envolve apenas ela e o profissional de saúde, mas também a Administração Tributária. Por essa razão, deve conservar, além dos recibos, outros meios probantes do pagamento e da realização do serviço. Nesse contexto, o Código Civil, instituído pela Lei nº 10.406, de 10 de janeiro de 2002, ao dispor sobre provas em seu art. 219, afirma que o teor de documentos assinados (recibos) guarda presunção de veracidade somente entre os próprios signatários, sem alcançar terceiros (Administração Tributária) estranhos ao ato.......... 15. Fundamentando as citadas recusas, destaquese o art. 80, §1º, incisos II e III, do RIR/99, ao exigir a comprovação do efetivo pagamento e demais formalidades, conforme segue. 16. Destarte, pelos citados motivos e com alicerce no princípio da livre convicção do julgador na apreciação da prova, gravado no art. 29 do Decreto nº 70.235, de 1972, ratificase a glosa de despesas médicas no valor de R$ 12.900,00. [...]” Fl. 71DF CARF MF Processo nº 10480.722195/201021 Acórdão n.º 2001000.246 S2C0T1 Fl. 4 5 No caso concreto, demonstrase, ao longo do processo, que a autoridade fiscal simplesmente entende que os recibos e a declaração emitida pelos prestadores dos serviços, assinadas e datadas pelos mesmos, não foram suficientes para comprovar as despesas. Neste diapasão, merece trazer à baila o princípio pela busca da verdade material. Sabemos que o processo administrativo sempre busca a descoberta da verdade material relativa aos fatos tributários. Tal princípio decorre do princípio da legalidade e, também, do princípio da igualdade. Busca, incessantemente, o convencimento da verdade que, hipoteticamente, esteja mais aproxima da realidade dos fatos. De acordo com o princípio são considerados todos os fatos e provas novos e lícitos, ainda que não tragam benefícios à Fazenda Pública ou que não tenham sido declarados. Essa verdade é apurada no julgamento dos processos, de acordo com a análise de documentos, oitiva das testemunhas, análise de perícias técnicas e, ainda, na investigação dos fatos. Através das provas, buscase a realidade dos fatos, desprezandose as presunções tributárias ou outros procedimentos que atentem apenas à verdade formal dos fatos. Neste sentido, deve a administração promover de oficio as investigações necessárias à elucidação da verdade material para que a partir dela, seja possível prolatar uma sentença justa. A verdade material é fundamentada no interesse público, logo, precisa respeitar a harmonia dos demais princípios do direito positivo. É possível, também, a busca e análise da verdade material, para melhorar a decisão sancionatória em fase revisional, mesmo porque no Direito Administrativo não podemos falar em coisa julgada material administrativa. A apresentação de provas e uma análise nos ditames do princípio da verdade material estão intrinsecamente relacionadas no processo administrativo, pois a verdade material apresentará a versão legítima dos fatos, independente da impressão que as partes tenham daquela. A prova há de ser considerada em toda a sua extensão, assegurando todas as garantias e prerrogativas constitucionais possíveis do contribuinte no Brasil, sempre observando os termos especificados pela lei tributária. A jurisdição administrativa tem uma dinâmica processual muito diferente do Poder Judiciário, portanto, quando nos depararmos com um Processo Administrativo Tributário, não se deve deixar de analisálo sob a égide do princípio da verdade material e da informalidade. No que se refere às provas, é necessário que sejam perquiridas à luz da verdade material, independente da intenção das partes, pois somente desta forma será possível garantir o um julgamento justo, desprovido de parcialidades. Somase ao mencionado princípio também o festejado princípio constitucional da celeridade processual, positivado no ordenamento jurídico no artigo 5º, inciso LXXVIII da Constituição Federal, o qual determina que os processos devem desenvolverse em tempo razoável, de modo a garantir a utilidade do resultado alcançado ao final da demanda. Ratifico, ademais, a necessidade de fundamento pela autoridade fiscal, dos fatos e do direito que consubstancia o lançamento. Tal obrigação, a motivação na edição dos atos administrativos, encontrase tanto em dispositivos de lei, como na Lei nº 9.784, de 1999, como talvez de maneira mais importante em disposições gerais em respeito ao Estado Democrático de Direito e aos princípios da moralidade, transparência, contraditório e controle jurisdicional. Fl. 72DF CARF MF 6 Assim sendo, com fulcro nos festejados princípios supracitados, e baseando se na fundamentação no sentido de que os documentos simplesmente não foram suficientes bem como intenção da contribuinte em evidenciar a existência das despesas declaradas, entendo que deve ser acatado o pedido da Contribuinte para reformar a decisão a quo e manter a dedução das despesas médicas em análise. CONCLUSÃO: Diante tudo o quanto exposto, voto no sentido de, CONHECER e DAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, para acatar a dedução das despesas médicas ora glosadas em comento. (assinado digitalmente) Fernanda Melo Leal. Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.005979/2009-87
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Oct 26 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 9202-000.169
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, para levantamento das GFIP e da informação da destinação dada ao valor declarado nas competências de 2004, relativo às contribuições a terceiros, especificando o código (115 ou outros) e informações eventualmente constantes dessas GFIP sobre ação judicial que prejudique o recolhimento dessas contribuições, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designada
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto.
RELATÓRIO
Do AI até a Decisão Recorrida
Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal - NFLD DEBCAD nº 37.254.451-7, à e-fl. 76, cientificado à empresa contribuinte em 16/12/2009, com relatório do auto de infração às e-fls. 90 a 101.
O lançamento é referente a contribuições devidas aos terceiros - Sesc, Sebrae e Senac. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, o débito apurado decorre de falta de inclusão na remuneração dos segurados empregados de pagamentos a título de auxílio educação, cursos e treinamentos, participação nos resultados e planos de saúde.
O crédito lançado atingiu, acrescido de juros e multa, o montante de R$29.226,57, consolidado em 15/12/2009 e referindo-se ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2004.
O auto de infração foi impugnado, às e-fls. 241 a 268, em 18/01/2010. Já a 13ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 16-25.253, prolatado em 12/05/2010, às e-fls. 1529 a 1566, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido.
Inconformada, em 02/07/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e-fls. 1576 a 1613. Essa contestação teve em resumo, o conteúdo abaixo extraído do relatório do acórdão de julgamento do mesmo recurso, às e-fls. 03 e 04:
Decadência parcial das obrigações tributárias; Que houve cerceamento do direito de defesa, pois a proposição da multa não está clara, de modo a permitir que o contribuinte entenda a penalidade que lhe está sendo aplicada e assim defender-se adequadamente; Que os valores lançados como auxílio-educação referem-se ao pagamento ou reembolso de mensalidades, taxas de matrícula, materiais, uniformes e transportes escolares para os filhos dos empregados, estando expressamente excluídos do salário de contribuição pela legislação previdenciária, conforme os artigos 201, §10 c/c 214, §9º, XIX do Regulamento da Previdência Social, com base no art. 28, §9º, "t" da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei n° 9.711, de 20 de novembro de 1998.
Que a Recorrente efetuou também pagamentos relativos a cursos treinamentos em línguas, informática, mensalidades e taxa de matrícula de cursos de nível superior aos seus empregados, não havendo fundamento legal ou mesmo regulamentar que respalde o procedimento fiscal; Quanto à participação nos lucros, alega que a diferença apurada deveuse ao fato da Fiscalização ter considerado que não houve atrasos, já que não constam descontos por atrasos nas folhas de pagamento apresentadas; Que em relação à PLR paga em janeiro/2004, a alegação da Fiscalização de que não foram apresentadas as avaliações individuais referentes ao período de 07 a 12/2003 é inverídica, pois as referidas avaliações foram, sim, devidamente entregues e inclusive com protocolo assinado pela fiscalização; Que o Contrato de Seguro Grupal de Assistência à Saúde, firmado entre a Impugnante e a Sul América Aetna Seguros e Previdência S.A., era extensivo a todos os funcionários da empresa; Que não haveria responsabilidade dos sócios indicados no relatório de vínculos; Que existe a possibilidade de juntada de novos documentos.
O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 30/11/2011, resultando no acórdão 2302-01.445, às e-fls. 01 a 62, que tem as seguintes ementas:
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN.
O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN.
Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pela algozaria do instituto da decadência tributária.
LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IRREGULARIDADES MATERIAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA.
A simples inclusão, no Relatório Fiscal, de informações pertinentes a outro Auto de Infração lavrado na mesma ação fiscal, configura-se, quando muito, mera irregularidade material, a qual poderá ser objeto de sanatória caso importe em prejuízo ao sujeito passivo.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Integra o conceito legal de Salário de Contribuição, o auxílio educação custeado pela empresa em beneficio dos dependentes de seus empregados, bem como aquele concedido aos empregados para o custeio de cursos de nível superior, eis que não se enquadram em nenhuma hipótese de renuncia de receita disposta taxativamente no art. 28, §9° da Lei n° 8.212/91.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTOS DE PLR EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO.
O pagamento, a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados, quando realizados em desacordo com a Lei n° 10.101/2000, integra o conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE NÃO EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO.
Integra o conceito legal de Salário de Contribuição o valor concedido a título de Plano de Saúde/assistência médica não extensível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, nos termos do art. 28, § 9°, alínea "q" da Lei 8.212/91 combinado com o art. 214, § 9°, inciso XVI do Decreto n° 3.048/99.
CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL.
A inclusão dos Dirigentes estaduais na Relação de Corresponsáveis - CORESP não tem o condão de os inserir no pólo passivo da relação jurídica tributária. Presta-se apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN.
PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS.
A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo.
O acórdão teve o seguinte teor:
ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto ao mérito não houve divergência.
No voto vencedor há alentada tese que conclui ser o lançamento de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP lançamento por declaração, por isso, é aplicável o art. 173, inc. I, para determinação do dies a quo da contagem do prazo decadencial de cinco anos.
Embargos de declaração da contribuinte
Intimada (e-fl. 65) do acórdão acima em 29/03/2012 (e-fl. 66), a contribuinte manejou embargos de declaração, em 03/04/2012, às e-fls. 67 a 70, afirmando a existência de omissão naquele aresto porque não teria observado o art. 62-A do seu Regimento Interno, proferindo decisão contrária ao acórdão do STJ prolatado nos autos do Resp n° 973.733, que, na sistemática do artigo 543C do CPC, consolidou a jurisprudência nacional a respeito das contribuições previdenciárias, definindo que o lançamento se dá por homologação e que a contagem do prazo decadencial deve ser feita com base no artigo 150, §4°, do CTN, se o contribuinte antecipou pagamentos, mesmo que em valor inferior ao devido.
Através do Despacho nº 2302-140, às e-fls. 275 a 278, em 16/05/2012, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento rejeitou os embargos por não entender existente omissão alegada e vendo nestes embargos apenas ataque aos fundamentos da decisão, para o que tal recurso é inservível.
RE da contribuinte
Intimada (e-fl. 1687) da denegação dos embargos em 29/10/2012 (e-fl. 1689), no dia 13/11/2012 a empresa manejou recurso especial de divergência (e-fls. 1690 a 1698) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF quanto a contagem do prazo decadencial.
Entende dever tal prazo ser contado nos termos do disposto no art. 150 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 - CTN, para os lançamentos por homologação, ao passo que o voto condutor do recorrido se utilizou do hiato temporal estabelecido pelo art. 173, inc. I, do mesmo Código, considerando o lançamento das contribuições previdenciárias como lançamento por declaração. Apresenta como paradigma para essa divergência, o acórdão nº 9202-01.738.
Além disso, o voto do acórdão a quo entendeu inexistirem pagamentos relativos às contribuições previdenciárias lançadas, o que não se coaduna com os fatos, o que procura deixar suficientemente claro com as seguintes afirmações:
30. Por fim, para que não haja dúvidas, o Recorrente esclarece ter realizado pagamentos antecipados das contribuições em comento no período contemplado pela autuação. Esse fato foi comprovado por meio das guias de recolhimento anexadas ao recurso voluntário e pelos comprovantes dos depósitos judiciais realizados nos autos do Mandado de Segurança n. 2001.61.00.003566-4 (fls. 1.420/1.425), que, nos termos da jurisprudência do STJ, têm idêntico efeito constitutivo do crédito tributário.
31. O próprio auto de infração fez menção a tais recolhimentos, tanto que sua lavratura pretendeu a constituição do crédito correspondente apenas à diferença entre os valores recolhidos e aqueles supostamente devidos.
(Sublinhado no original)
Houve uma primeira apreciação do recurso especial de divergência da contribuinte em 19/08/2013, no Despacho nº 2300-477/2013, às e-fls. 1713 a 1719, dando-lhe seguimento. Contudo, houve elaboração de novo despacho, após constatação de lapso manifesto em sua fundamentação por se referir a paradigmas não colacionados pela contribuinte no tocante a uma das matérias abordadas.
O recurso especial de divergência da contribuinte foi novamente apreciado, agora em 01/06/2017, pelo atual Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de e-fls. 1743 a 1747, deu seguimento ao recurso para que sejam rediscutidas as matérias decadência: lançamento por homologação e critério para verificação do pagamento antecipado .
Contrarrazões da Fazenda Cientificada do RE em 01/06/2017, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em 16/06/2017, às e-fls. 1755 a 1759. Sua argumentação reitera a inexistência de antecipação de pagamentos para o lançamento em testilha, devendo essas antecipações serem consideradas em relação a fatos geradores da mesma natureza. Havendo antecipações relativas a fatos geradores diversos, ainda que do mesmo tributo, descabe a aplicação da contagem com fulcro no § 4º do art. 150 do CTN.
Pelas razões expostas, requer que seja negado provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte para manter a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial posta no art. 173, inc. I do CTN.
É o relatório.
VOTO VENCIDO
Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos - relator.
Considerando que a maioria do colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, e tendo restado vencido quanto essa questão, deixo de apresentar meu voto com relação ao mérito, que será apresentado no momento oportuno.
Registro que ficou designada para redigir a resolução a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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(assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora-Designada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. RELATÓRIO Do AI até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal - NFLD DEBCAD nº 37.254.451-7, à e-fl. 76, cientificado à empresa contribuinte em 16/12/2009, com relatório do auto de infração às e-fls. 90 a 101. O lançamento é referente a contribuições devidas aos terceiros - Sesc, Sebrae e Senac. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, o débito apurado decorre de falta de inclusão na remuneração dos segurados empregados de pagamentos a título de auxílio educação, cursos e treinamentos, participação nos resultados e planos de saúde. O crédito lançado atingiu, acrescido de juros e multa, o montante de R$29.226,57, consolidado em 15/12/2009 e referindo-se ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2004. O auto de infração foi impugnado, às e-fls. 241 a 268, em 18/01/2010. Já a 13ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 16-25.253, prolatado em 12/05/2010, às e-fls. 1529 a 1566, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 02/07/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e-fls. 1576 a 1613. Essa contestação teve em resumo, o conteúdo abaixo extraído do relatório do acórdão de julgamento do mesmo recurso, às e-fls. 03 e 04: Decadência parcial das obrigações tributárias; Que houve cerceamento do direito de defesa, pois a proposição da multa não está clara, de modo a permitir que o contribuinte entenda a penalidade que lhe está sendo aplicada e assim defender-se adequadamente; Que os valores lançados como auxílio-educação referem-se ao pagamento ou reembolso de mensalidades, taxas de matrícula, materiais, uniformes e transportes escolares para os filhos dos empregados, estando expressamente excluídos do salário de contribuição pela legislação previdenciária, conforme os artigos 201, §10 c/c 214, §9º, XIX do Regulamento da Previdência Social, com base no art. 28, §9º, "t" da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei n° 9.711, de 20 de novembro de 1998. Que a Recorrente efetuou também pagamentos relativos a cursos treinamentos em línguas, informática, mensalidades e taxa de matrícula de cursos de nível superior aos seus empregados, não havendo fundamento legal ou mesmo regulamentar que respalde o procedimento fiscal; Quanto à participação nos lucros, alega que a diferença apurada deveuse ao fato da Fiscalização ter considerado que não houve atrasos, já que não constam descontos por atrasos nas folhas de pagamento apresentadas; Que em relação à PLR paga em janeiro/2004, a alegação da Fiscalização de que não foram apresentadas as avaliações individuais referentes ao período de 07 a 12/2003 é inverídica, pois as referidas avaliações foram, sim, devidamente entregues e inclusive com protocolo assinado pela fiscalização; Que o Contrato de Seguro Grupal de Assistência à Saúde, firmado entre a Impugnante e a Sul América Aetna Seguros e Previdência S.A., era extensivo a todos os funcionários da empresa; Que não haveria responsabilidade dos sócios indicados no relatório de vínculos; Que existe a possibilidade de juntada de novos documentos. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 30/11/2011, resultando no acórdão 2302-01.445, às e-fls. 01 a 62, que tem as seguintes ementas: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pela algozaria do instituto da decadência tributária. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IRREGULARIDADES MATERIAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples inclusão, no Relatório Fiscal, de informações pertinentes a outro Auto de Infração lavrado na mesma ação fiscal, configura-se, quando muito, mera irregularidade material, a qual poderá ser objeto de sanatória caso importe em prejuízo ao sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Integra o conceito legal de Salário de Contribuição, o auxílio educação custeado pela empresa em beneficio dos dependentes de seus empregados, bem como aquele concedido aos empregados para o custeio de cursos de nível superior, eis que não se enquadram em nenhuma hipótese de renuncia de receita disposta taxativamente no art. 28, §9° da Lei n° 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTOS DE PLR EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados, quando realizados em desacordo com a Lei n° 10.101/2000, integra o conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE NÃO EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. SALÁRIO-DE-CONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito legal de Salário de Contribuição o valor concedido a título de Plano de Saúde/assistência médica não extensível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, nos termos do art. 28, § 9°, alínea "q" da Lei 8.212/91 combinado com o art. 214, § 9°, inciso XVI do Decreto n° 3.048/99. CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos Dirigentes estaduais na Relação de Corresponsáveis - CORESP não tem o condão de os inserir no pólo passivo da relação jurídica tributária. Presta-se apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazê-lo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto ao mérito não houve divergência. No voto vencedor há alentada tese que conclui ser o lançamento de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP lançamento por declaração, por isso, é aplicável o art. 173, inc. I, para determinação do dies a quo da contagem do prazo decadencial de cinco anos. Embargos de declaração da contribuinte Intimada (e-fl. 65) do acórdão acima em 29/03/2012 (e-fl. 66), a contribuinte manejou embargos de declaração, em 03/04/2012, às e-fls. 67 a 70, afirmando a existência de omissão naquele aresto porque não teria observado o art. 62-A do seu Regimento Interno, proferindo decisão contrária ao acórdão do STJ prolatado nos autos do Resp n° 973.733, que, na sistemática do artigo 543C do CPC, consolidou a jurisprudência nacional a respeito das contribuições previdenciárias, definindo que o lançamento se dá por homologação e que a contagem do prazo decadencial deve ser feita com base no artigo 150, §4°, do CTN, se o contribuinte antecipou pagamentos, mesmo que em valor inferior ao devido. Através do Despacho nº 2302-140, às e-fls. 275 a 278, em 16/05/2012, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento rejeitou os embargos por não entender existente omissão alegada e vendo nestes embargos apenas ataque aos fundamentos da decisão, para o que tal recurso é inservível. RE da contribuinte Intimada (e-fl. 1687) da denegação dos embargos em 29/10/2012 (e-fl. 1689), no dia 13/11/2012 a empresa manejou recurso especial de divergência (e-fls. 1690 a 1698) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF quanto a contagem do prazo decadencial. Entende dever tal prazo ser contado nos termos do disposto no art. 150 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 - CTN, para os lançamentos por homologação, ao passo que o voto condutor do recorrido se utilizou do hiato temporal estabelecido pelo art. 173, inc. I, do mesmo Código, considerando o lançamento das contribuições previdenciárias como lançamento por declaração. Apresenta como paradigma para essa divergência, o acórdão nº 9202-01.738. Além disso, o voto do acórdão a quo entendeu inexistirem pagamentos relativos às contribuições previdenciárias lançadas, o que não se coaduna com os fatos, o que procura deixar suficientemente claro com as seguintes afirmações: 30. Por fim, para que não haja dúvidas, o Recorrente esclarece ter realizado pagamentos antecipados das contribuições em comento no período contemplado pela autuação. Esse fato foi comprovado por meio das guias de recolhimento anexadas ao recurso voluntário e pelos comprovantes dos depósitos judiciais realizados nos autos do Mandado de Segurança n. 2001.61.00.003566-4 (fls. 1.420/1.425), que, nos termos da jurisprudência do STJ, têm idêntico efeito constitutivo do crédito tributário. 31. O próprio auto de infração fez menção a tais recolhimentos, tanto que sua lavratura pretendeu a constituição do crédito correspondente apenas à diferença entre os valores recolhidos e aqueles supostamente devidos. (Sublinhado no original) Houve uma primeira apreciação do recurso especial de divergência da contribuinte em 19/08/2013, no Despacho nº 2300-477/2013, às e-fls. 1713 a 1719, dando-lhe seguimento. Contudo, houve elaboração de novo despacho, após constatação de lapso manifesto em sua fundamentação por se referir a paradigmas não colacionados pela contribuinte no tocante a uma das matérias abordadas. O recurso especial de divergência da contribuinte foi novamente apreciado, agora em 01/06/2017, pelo atual Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais - RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de e-fls. 1743 a 1747, deu seguimento ao recurso para que sejam rediscutidas as matérias decadência: lançamento por homologação e critério para verificação do pagamento antecipado . Contrarrazões da Fazenda Cientificada do RE em 01/06/2017, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em 16/06/2017, às e-fls. 1755 a 1759. Sua argumentação reitera a inexistência de antecipação de pagamentos para o lançamento em testilha, devendo essas antecipações serem consideradas em relação a fatos geradores da mesma natureza. Havendo antecipações relativas a fatos geradores diversos, ainda que do mesmo tributo, descabe a aplicação da contagem com fulcro no § 4º do art. 150 do CTN. Pelas razões expostas, requer que seja negado provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte para manter a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial posta no art. 173, inc. I do CTN. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos - relator. Considerando que a maioria do colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, e tendo restado vencido quanto essa questão, deixo de apresentar meu voto com relação ao mérito, que será apresentado no momento oportuno. Registro que ficou designada para redigir a resolução a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos
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Resolvem os membros do colegiado, por maioria de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, para levantamento das GFIP e da informação da destinação dada ao valor declarado nas competências de 2004, relativo às contribuições a terceiros, especificando o código (115 ou outros) e informações eventualmente constantes dessas GFIP sobre ação judicial que prejudique o recolhimento dessas contribuições, vencido o conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos (relator). Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Votou pelas conclusões o conselheiro Heitor de Souza Lima Júnior. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em exercício e Relator (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira – RedatoraDesignada Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Maria Helena Cotta Cardozo, Patricia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Ausente, justificadamente, o conselheiro Carlos Alberto Freitas Barreto. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 95 15 .0 05 97 9/ 20 09 -8 7 Fl. 1797DF CARF MF Processo nº 19515.005979/200987 Resolução nº 9202000.169 CSRFT2 Fl. 3 2 RELATÓRIO Do AI até a Decisão Recorrida Trata o presente processo de auto de infração de obrigação principal NFLD DEBCAD nº 37.254.4517, à efl. 76, cientificado à empresa contribuinte em 16/12/2009, com relatório do auto de infração às efls. 90 a 101. O lançamento é referente a contribuições devidas aos terceiros Sesc, Sebrae e Senac. De acordo com o Relatório Fiscal da Infração, o débito apurado decorre de falta de inclusão na remuneração dos segurados empregados de pagamentos a título de auxílio educação, cursos e treinamentos, participação nos resultados e planos de saúde. O crédito lançado atingiu, acrescido de juros e multa, o montante de R$29.226,57, consolidado em 15/12/2009 e referindose ao período de apuração de janeiro a dezembro de 2004. O auto de infração foi impugnado, às efls. 241 a 268, em 18/01/2010. Já a 13ª Turma da DRJ/SP1, no acórdão nº 1625.253, prolatado em 12/05/2010, às efls. 1529 a 1566, considerou, por unanimidade, improcedente a impugnação, mantendo o crédito tributário exigido. Inconformada, em 02/07/2010, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às e fls. 1576 a 1613. Essa contestação teve em resumo, o conteúdo abaixo extraído do relatório do acórdão de julgamento do mesmo recurso, às efls. 03 e 04: Decadência parcial das obrigações tributárias; Que houve cerceamento do direito de defesa, pois a proposição da multa não está clara, de modo a permitir que o contribuinte entenda a penalidade que lhe está sendo aplicada e assim defenderse adequadamente; Que os valores lançados como auxílioeducação referemse ao pagamento ou reembolso de mensalidades, taxas de matrícula, materiais, uniformes e transportes escolares para os filhos dos empregados, estando expressamente excluídos do salário de contribuição pela legislação previdenciária, conforme os artigos 201, §10 c/c 214, §9º, XIX do Regulamento da Previdência Social, com base no art. 28, §9º, "t" da Lei n° 8.212, de 24 de julho de 1991, na redação dada pela Lei n° 9.711, de 20 de novembro de 1998. Que a Recorrente efetuou também pagamentos relativos a cursos treinamentos em línguas, informática, mensalidades e taxa de matrícula de cursos de nível superior aos seus empregados, não havendo fundamento legal ou mesmo regulamentar que respalde o procedimento fiscal; Quanto à participação nos lucros, alega que a diferença apurada deveuse ao fato da Fiscalização ter considerado que não houve atrasos, já que não constam descontos por atrasos nas folhas de pagamento apresentadas; Que em relação à PLR paga em janeiro/2004, a alegação da Fiscalização de que não foram apresentadas as avaliações individuais referentes ao período de 07 a 12/2003 é inverídica, pois as referidas avaliações foram, sim, devidamente entregues e inclusive com protocolo assinado pela Fl. 1798DF CARF MF Processo nº 19515.005979/200987 Resolução nº 9202000.169 CSRFT2 Fl. 4 3 fiscalização; Que o Contrato de Seguro Grupal de Assistência à Saúde, firmado entre a Impugnante e a Sul América Aetna Seguros e Previdência S.A., era extensivo a todos os funcionários da empresa; Que não haveria responsabilidade dos sócios indicados no relatório de vínculos; Que existe a possibilidade de juntada de novos documentos. O recurso voluntário foi apreciado pela 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 30/11/2011, resultando no acórdão 230201.445, às efls. 01 a 62, que tem as seguintes ementas: CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PRAZO DECADENCIAL. CINCO ANOS. ART. 173, I DO CTN. O Supremo Tribunal Federal, conforme entendimento exarado na Súmula Vinculante nº 8, no julgamento proferido em 12 de junho de 2008, reconheceu a inconstitucionalidade do art. 45 da Lei nº 8.212/91. Incidência do preceito inscrito no art. 173, I do CTN. Todos os fatos geradores apurados pela fiscalização houveram por ocorridos em período ainda não vitimado pela algozaria do instituto da decadência tributária. LANÇAMENTO TRIBUTÁRIO. IRREGULARIDADES MATERIAIS. CERCEAMENTO DE DEFESA. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. A simples inclusão, no Relatório Fiscal, de informações pertinentes a outro Auto de Infração lavrado na mesma ação fiscal, configurase, quando muito, mera irregularidade material, a qual poderá ser objeto de sanatória caso importe em prejuízo ao sujeito passivo. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO Integra o conceito legal de Salário de Contribuição, o auxílio educação custeado pela empresa em beneficio dos dependentes de seus empregados, bem como aquele concedido aos empregados para o custeio de cursos de nível superior, eis que não se enquadram em nenhuma hipótese de renuncia de receita disposta taxativamente no art. 28, §9° da Lei n° 8.212/91. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PAGAMENTOS DE PLR EM DESACORDO COM A LEI. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, a título de PLR Participação nos Lucros e Resultados, quando realizados em desacordo com a Lei n° 10.101/2000, integra o conceito legal de Salário de Contribuição para fins de incidência de contribuições previdenciárias. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. PLANO DE SAÚDE NÃO EXTENSÍVEL A TODOS OS EMPREGADOS E DIRIGENTES. SALÁRIODECONTRIBUIÇÃO. Integra o conceito legal de Salário de Contribuição o valor concedido a título de Plano de Saúde/assistência médica não extensível à totalidade dos empregados e dirigentes da empresa, nos termos do art. 28, § 9°, alínea "q" da Lei 8.212/91 combinado com o art. 214, § 9°, inciso XVI do Decreto n° 3.048/99. Fl. 1799DF CARF MF Processo nº 19515.005979/200987 Resolução nº 9202000.169 CSRFT2 Fl. 5 4 CORESP. RELATÓRIO OBRIGATÓRIO DA NOTIFICAÇÃO FISCAL. A inclusão dos Dirigentes estaduais na Relação de Corresponsáveis CORESP não tem o condão de os inserir no pólo passivo da relação jurídica tributária. Prestase apenas como subsídio à Procuradoria, caso se configure a responsabilidade pessoal de terceiros, na hipótese encartada no inciso III do art. 135 do CTN. PRODUÇÃO DE PROVAS. MOMENTO PRÓPRIO. JUNTADA DE NOVOS DOCUMENTOS APÓS PRAZO DE DEFESA. REQUISITOS OBRIGATÓRIOS. A impugnação deverá ser formalizada por escrito e mencionar os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, bem como os pontos de discordância, e vir instruída com todos os documentos e provas que possuir, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, salvo nas hipóteses taxativamente previstas na legislação previdenciária, sujeita a comprovação obrigatória a ônus do sujeito passivo. O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros da 2ª TO/3ª CÂMARA/2ª SEJUL/CARF/MF/DF, por maioria de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. O Conselheiro Wilson Antônio de Souza Correa divergiu, pois entendeu que se aplicava o artigo 150, §4° do CTN. Quanto ao mérito não houve divergência. No voto vencedor há alentada tese que conclui ser o lançamento de contribuições previdenciárias declaradas em GFIP lançamento por declaração, por isso, é aplicável o art. 173, inc. I, para determinação do dies a quo da contagem do prazo decadencial de cinco anos. Embargos de declaração da contribuinte Intimada (efl. 65) do acórdão acima em 29/03/2012 (efl. 66), a contribuinte manejou embargos de declaração, em 03/04/2012, às efls. 67 a 70, afirmando a existência de omissão naquele aresto porque não teria observado o art. 62A do seu Regimento Interno, proferindo decisão contrária ao acórdão do STJ prolatado nos autos do Resp n° 973.733, que, na sistemática do artigo 543C do CPC, consolidou a jurisprudência nacional a respeito das contribuições previdenciárias, definindo que o lançamento se dá por homologação e que a contagem do prazo decadencial deve ser feita com base no artigo 150, §4°, do CTN, se o contribuinte antecipou pagamentos, mesmo que em valor inferior ao devido. Através do Despacho nº 2302140, às efls. 275 a 278, em 16/05/2012, o Presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento rejeitou os embargos por não entender existente omissão alegada e vendo nestes embargos apenas ataque aos fundamentos da decisão, para o que tal recurso é inservível. RE da contribuinte Intimada (efl. 1687) da denegação dos embargos em 29/10/2012 (efl. 1689), no dia 13/11/2012 a empresa manejou recurso especial de divergência (efls. 1690 a 1698) ao Fl. 1800DF CARF MF Processo nº 19515.005979/200987 Resolução nº 9202000.169 CSRFT2 Fl. 6 5 citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimento firmado no CARF quanto a contagem do prazo decadencial. Entende dever tal prazo ser contado nos termos do disposto no art. 150 da Lei nº 5.172 de 25/10/1966 CTN, para os lançamentos por homologação, ao passo que o voto condutor do recorrido se utilizou do hiato temporal estabelecido pelo art. 173, inc. I, do mesmo Código, considerando o lançamento das contribuições previdenciárias como lançamento por declaração. Apresenta como paradigma para essa divergência, o acórdão nº 920201.738. Além disso, o voto do acórdão a quo entendeu inexistirem pagamentos relativos às contribuições previdenciárias lançadas, o que não se coaduna com os fatos, o que procura deixar suficientemente claro com as seguintes afirmações: 30. Por fim, para que não haja dúvidas, o Recorrente esclarece ter realizado pagamentos antecipados das contribuições em comento no período contemplado pela autuação. Esse fato foi comprovado por meio das guias de recolhimento anexadas ao recurso voluntário e pelos comprovantes dos depósitos judiciais realizados nos autos do Mandado de Segurança n. 2001.61.00.0035664 (fls. 1.420/1.425), que, nos termos da jurisprudência do STJ, têm idêntico efeito constitutivo do crédito tributário. 31. O próprio auto de infração fez menção a tais recolhimentos, tanto que sua lavratura pretendeu a constituição do crédito correspondente apenas à diferença entre os valores recolhidos e aqueles supostamente devidos. (Sublinhado no original) Houve uma primeira apreciação do recurso especial de divergência da contribuinte em 19/08/2013, no Despacho nº 2300477/2013, às efls. 1713 a 1719, dandolhe seguimento. Contudo, houve elaboração de novo despacho, após constatação de lapso manifesto em sua fundamentação por se referir a paradigmas não colacionados pela contribuinte no tocante a uma das matérias abordadas. O recurso especial de divergência da contribuinte foi novamente apreciado, agora em 01/06/2017, pelo atual Presidente da 3ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, que, nos termos dos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 343 de 09/06/2015, no despacho de efls. 1743 a 1747, deu seguimento ao recurso para que sejam rediscutidas as matérias decadência: lançamento por homologação e critério para verificação do pagamento antecipado . Contrarrazões da Fazenda Cientificada do RE em 01/06/2017, a Fazenda Nacional apresentou contrarrazões em 16/06/2017, às efls. 1755 a 1759. Sua argumentação reitera a inexistência de antecipação de pagamentos para o lançamento em testilha, devendo essas antecipações serem consideradas em relação a fatos geradores da mesma natureza. Havendo antecipações relativas a fatos geradores diversos, ainda que do mesmo tributo, descabe a aplicação da contagem com fulcro no § 4º do art. 150 do CTN. Fl. 1801DF CARF MF Processo nº 19515.005979/200987 Resolução nº 9202000.169 CSRFT2 Fl. 7 6 Pelas razões expostas, requer que seja negado provimento ao recurso especial de divergência da contribuinte para manter a aplicação da regra de contagem do prazo decadencial posta no art. 173, inc. I do CTN. É o relatório. VOTO VENCIDO Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos relator. Considerando que a maioria do colegiado resolveu converter o julgamento em diligência, e tendo restado vencido quanto essa questão, deixo de apresentar meu voto com relação ao mérito, que será apresentado no momento oportuno. Registro que ficou designada para redigir a resolução a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 1802DF CARF MF Processo nº 19515.005979/200987 Resolução nº 9202000.169 CSRFT2 Fl. 8 7 VOTO VENCEDOR Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Peço licença ao ilustre conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos para divergir do seu entendimento em relação ao encaminhamento dado, por entender ser necessário esclarecimentos por parte da unidade preparadora, para só então realizar o presente julgamento. Conforme descrito no relatório deste voto, tratase o presente processo de auto de infração de obrigação principal NFLD DEBCAD nº 37.254.4517, referente a contribuições devidas aos terceiros Sesc, Sebrae e Senac, decorrente de falta de inclusão na remuneração dos segurados empregados de pagamentos a título de auxílio educação, cursos e treinamentos, participação nos resultados e planos de saúde, ou seja, salários indiretos. Cingese a discussão sobre a análise do prazo decadencial a luz do art. 150, §4º ou art. 173, I do CTN. Contudo, em relação a decadência, encaminho pela conversão do julgamento em diligência, tendo em vista a impossibilidade de comprovação nos autos, da existência de recolhimento para terceiros sobre a folha de pagamento para todas as competências possivelmente abrangidas pelo período decadente (01/2004 a 11/2004). Notese que, embora o pano de fundo da autuação seja a existência de ação judicial em relação a parte da contribuição para terceiros, com a alegação de existência de depósitos judiciais, certo é que o julgador para análise do caso, deve ter acesso a todas as informações pertinentes. ´Não constam os relatórios RADA Relatórios de documentos apresentados, que especifica, por competência, os recolhimentos sobre folha de pagamento, nem tampouco existe informação sobre constar na GFIP, campo próprio, a existência da referida ação judicial e de depósitos judiciais. Essa informação poderá balizar uma decisão mais profícua acerca do tema. Dessa forma, entendo necessário converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, para levantamento das GFIP e da informação da destinação dada ao valor declarado nas competências de 2004, relativo às contribuições a terceiros, especificando o código (115 ou outros) e informações eventualmente constantes dessas GFIP sobre ação judicial que prejudique o recolhimento dessas contribuições, Conclusão Face o exposto, voto por converter o julgamento do recurso em diligência à unidade de origem, para levantamento das GFIP e da informação da destinação dada ao valor declarado nas competências de 2004, relativo às contribuições a terceiros, especificando o código (115 ou outros) e informações eventualmente constantes dessas GFIP sobre ação judicial que prejudique o recolhimento dessas contribuições. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Fl. 1803DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10680.918872/2012-10
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 15 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010
PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO.
A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972.
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO.
Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considera-se não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
Numero da decisão: 3002-000.053
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considera-se não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazê-lo em outro momento processual.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e, no mérito, em negar-lhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões.
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CHEBLY EMPREENDIMENTOS DE PUBLICIDADE LTDA. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/06/2010 a 30/06/2010 PROVA. JUNTADA APÓS IMPUGNAÇÃO. PRECLUSÃO. A apreciação de documentos não submetidos à autoridade julgadora de primeira instância é possível nas hipóteses previstas no art. 16, § 4º do Decreto nº 70.235, de 1972. COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. É do contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. MATÉRIA NÃO CONTESTADA. NÃO CONHECIMENTO. Não tendo sido a matéria contestada na manifestação de inconformidade, considerase não impugnada, nos termos do art. 17 do Decreto nº 70.235, de 1972, precluindo o direito de fazêlo em outro momento processual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Voluntário, não conhecendo da matéria nulidade da multa de mora e, no mérito, em negarlhe provimento. Votou pelas conclusões a conselheira Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Carlos Alberto da Silva Esteves, Diego Weis Junior, Larissa Nunes Girard e Maria Eduarda Alencar Câmara Simões. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 91 88 72 /2 01 2- 10 Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 3 2 Relatório Trata o processo de declaração de compensação de pagamento a maior de Cofins, no valor de R$ 15.875,90, relativa ao mês junho/2010 e transmitida por meio de Per/Dcomp em fevereiro/2011 (fls. 26 a 30). A Delegacia da Receita Federal em Belo Horizonte (DRF/BHE) não homologou a compensação por haver constatado que o pagamento discriminado no Per/Dcomp havia sido utilizado integralmente para a quitação de outros débitos do contribuinte, não restando crédito disponível para a compensação solicitada (fl. 31). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual esclareceu que, a partir da informação constante no Despacho Decisório de que o crédito utilizado no Per/Dcomp não estava na DCTF da competência declarada, providenciou a retificação das DCTF das competências 06/2010, 09/2010 e 12/2010, de acordo com os valores corretos já declarados na DIPJ/2011 (fls. 2 a 5). A Delegacia de Julgamento em Belo Horizonte (DRJ/BHE) proferiu o Acórdão nº 0245.930 (fls. 45 a 48), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade, tendo em vista que a verificação do DACON anterior ao despacho decisório não evidenciou a existência de pagamento indevido ou a maior e que a retificação de DACON e DCTF após o despacho decisório não eram suficientes para demonstrar a razão do contribuinte. O Acórdão foi assim ementado: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 30/06/2010 PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. CRÉDITO NÃO COMPROVADO. Na falta de comprovação do pagamento indevido ou a maior, não há que se falar em crédito passível de compensação. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, a contribuinte interpôs recurso voluntário (fls. 55 a 65), no qual apresentou as seguintes alegações: a) o erro cometido pela contribuinte consistiu em considerar meras transferências bancárias entre contas da contribuinte como se fossem receitas (faturamento) e incluílas, equivocadamente, na base de cálculo da Cofins; b) em não ocorrendo o fato gerador, não surge a obrigação tributária, sendo o mero erro formal da contribuinte insuficiente para embasar a cobrança indevida do tributo; e Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 4 3 c) caso não se entenda pelo reconhecimento do crédito, com a consequente homologação da compensação, a multa de mora deve ser anulada por ser flagrantemente desproporcional e, portanto, inconstitucional e ilegal, caracterizando o confisco vedado pelo art. 150 da CF. A título de prova, juntouse: 1 planilha com os créditos em conta bancária que representam as transferências consideradas equivocadamente como faturamento – competências 06/2012 e 09/2012 (fls. 66 e 67); e 2 extratos bancários do Banco do Brasil e do Banco Itaú, relativos ao mês 06/2010 (fls. 68 a 75). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. A situação que ora se analisa trata de um contribuinte que, ao ter negada a homologação de sua declaração de compensação, apresenta uma manifestação de inconformidade na qual alega a ocorrência de erro de cálculo, sem apresentar qualquer explicação sobre a origem ou a natureza do alegado erro, acompanhada da retificação da DCTF e do Dacon, sem juntar, porém, qualquer documento que justifique e demonstre a correção das retificações efetuadas. Apenas agora, em fase de recurso voluntário, esclarece que seu erro consistiu na inclusão na base de cálculo da Cofins de certos valores creditados em sua conta bancária, decorrentes de empréstimos para capital de giro e resgates de títulos, como se fossem receitas das atividades da empresa. E junta extratos bancários que mostram a origem desses depósitos. Tratase, então, de uma discussão sobre o que configura prova, o ônus da prova e o momento para a sua produção. Quanto ao fato de não constituir prova a simples retificação da DCTF e do Dacon após decisão denegatória, desacompanhada de documentação que a ampare, parece não haver dúvida, uma vez que nem a recorrente contestou esse ponto na decisão de primeira instância. Partilhase desse entendimento da DRJ, que tem sua raiz no art. 147 do Código Tributário Nacional (CTN), que assim dispõe: Art. 147. O lançamento é efetuado com base na declaração do sujeito passivo ou de terceiro, quando um ou outro, na forma da legislação tributária, presta à autoridade administrativa informações sobre matéria de fato, indispensáveis à sua efetivação. Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 5 4 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifado) Aliese à essa determinação do CTN que a DCTF é o documento que formaliza o cumprimento da obrigação acessória de informar créditos e débitos à Administração em relação aos principais tributos federais, tendo força de confissão de dívida e representando instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito, conforme o art. 5º do DecretoLei nº 2.124, de 1984. Dessa forma, resta indiscutível a necessidade de comprovação do erro que se pretende corrigir por meio de retificação da declaração visando à redução do débito. Relativamente à responsabilidade pelo ônus da prova, pertence ao requerente nas solicitações de restituição, ressarcimento e compensação, uma vez ser ele a alegar o direito perante a Fazenda Nacional. Define o Código de Processo Civil em seu art. 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre o tema, assim dispõe a Lei nº 9.874, de 1999, que trata dos processos administrativos: Art. 36. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e do disposto no art. 37 desta Lei. (grifado) Mas sobre esse ponto parece também não haver divergência, pois o contribuinte, ciente da sua omissão no desenrolar do processo, tenta agora fazer a produção de prova. E aí reside o ponto fulcral deste julgamento. O Decreto nº 70.235, de 1972, que rege o Processo Administrativo Fiscal, dispõe sobre a impugnação ou a manifestação de inconformidade da seguinte forma (que segue o mesmo rito por força do disposto no § 11 do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996): Art. 15. A impugnação, formalizada por escrito e instruída com os documentos em que se fundamentar, será apresentada ao órgão preparador no prazo de trinta dias, contados da data em que for feita a intimação da exigência. Art. 16. A impugnação mencionará: (...) III os motivos de fato e de direito em que se fundamentar, os pontos de discordância e as razões e provas que possuir; (...) § 4º A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, a menos que: a) fique demonstrada a impossibilidade de sua apresentação oportuna, por motivo de força maior; b) refirase a fato ou a direito superveniente; Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 6 5 c) destinese a contrapor fatos ou razões posteriormente trazidos aos autos. § 5º A juntada de documentos após a impugnação deverá ser requerida à autoridade julgadora, mediante petição em que se demonstre, com fundamentos, a ocorrência de uma das condições previstas nas alíneas do parágrafo anterior. (grifado) A apresentação da manifestação de inconformidade é momento crucial no processo administrativo fiscal. O que é trazido pelo recorrente a título de razões e provas define a natureza e a extensão da controvérsia que, regra geral, só deveria alcançar este Conselho após a apreciação da matéria pela primeira instância, considerado o contraditório em toda a sua extensão. Entretanto, quando por sua própria vontade o recorrente não exerce o seu direito, chega ao Colegiado uma discussão esvaziada. Consoante o art. 16 do PAF, preclui o direito do recorrente de fazer prova em momento posterior à apresentação da manifestação de inconformidade, exceto se demonstrada a impossibilidade de fazêlo tempestivamente por motivo de força maior, ou por novos fatos ou razões, trazidos aos autos ou ocorridos após a juntada da manifestação. Ainda, sobre a entrega extemporânea de documentos, dita o comando que tal solicitação deve ocorrer mediante petição da recorrente em que demonstre, com fundamentos, a ocorrência de alguma das exceções previstas na Norma. Pois bem, nenhuma das condições estabelecidas pelo PAF se faz presente. Tanto o motivo do alegado direito ao crédito quanto as ditas provas somente se deram a conhecer nesta fase, sem qualquer explicação pela apresentação tardia injustificada. Por consequência, configurada está a preclusão temporal. Há de se ponderar, todavia, que a ocorrência de determinadas especificidades permitiria ao julgador conhecer da prova apresentada intempestivamente, em prol da verdade material, que é um princípio caro ao processo administrativo fiscal. Para tanto, esperase, ao menos, que o contribuinte tenha tentado demonstrar o seu direito, por meio de alegações substanciais e da juntada de documentação robusta à manifestação de inconformidade, ou seja, que tenha desempenhado sua parte no momento oportuno. Em havendo o contribuinte procedido dessa forma, poderseia conceber o conhecimento da documentação juntada ao recurso voluntário, visando a esclarecer algum ponto ou a reforçar o valor do que foi anteriormente apresentado, algo natural no decorrer da marcha processual. Mas não é o caso nestes autos. Um segundo aspecto importante para o aceite extemporâneo diz respeito ao valor probatório da documentação apresentada na fase do recurso voluntário. É de conhecimento corrente que a compensação somente pode ser autorizada para os créditos líquidos e certos, por força do art. 170 do CTN. Logo, as provas tardias deveriam se desincumbir dessa tarefa com excelência, de tal forma que não restasse ao julgador senão adotar o caminho proposto pelo contribuinte (considerando que ele houvesse atendido o pressuposto anterior). Sobre esse quesito, a recorrente traz uma planilha de movimentação da conta bancária, com os 5 depósitos em conta bancária que teriam sido acrescidos indevidamente à base de cálculo da Cofins e foram por ela excluídos quando das retificações de DCTF e Dacon. Essa planilha, que se transcreve a seguir, está acompanhada dos extratos bancários (fls. 66 a Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 7 6 75). Na planilha foi informado tratarse de movimentação do ano de 2012, mas esse lapso foi desconsiderado, uma vez estar claro que se refere à 2010. Data Descrição da Movimentação Valores Excluídos Faturamento Planilha 1 08/06 J. Chebly 4.800,00 2 10/06 Banco do Brasil Giro Flex 250.000,00 3 11/06 Itaú (resgate aplicação compromissada) 17.011,43 4 24/06 Banco do Brasil (TED crédito em conta) 150.000,00 5 24/06 Itaú (resgate aplicação compromissada) 100.014,53 Total 521.825,96 1.357.540,38 Diferença Apurada 835.714,42 Os 4 últimos créditos possuem correspondência nos extratos bancários, que demonstrariam que estamos diante de depósitos decorrentes de empréstimo para capital de giro e de resgate de uma aplicação (operação compromissada). No entanto, o primeiro valor, de R$ 4.800,00, não consta dos extratos na data informada, mas sim em 01/06/2010, como valor creditado por MINASBR COM, por meio do Doc 341.0590, sugerindo que, neste caso, ao contrário do que afirma a contribuinte, poderíamos estar diante de receita por serviços prestados. Lembrase que a contribuinte é empresa do setor de publicidade. Uma simples averiguação, realizada em um conjunto tão pequeno de dados já nos aponta uma inconsistência na planilha do contribuinte e que, se confirmada, teria por consequência a certeza de que a retificação realizada no Dacon e na DCTF é equivocada quanto ao depósito de R$ 4.800,00. Ainda que seja valor irrisório diante da totalidade, serve para demonstrar que as provas trazidas não fazem certeza, nem liquidez. O segundo aspecto, também fundamental, é que se consideramos apenas as informações existentes nos autos, não há como saber se tais valores compunham de fato a base de cálculo da Cofins, nem se a sua exclusão acarretaria verdadeiramente a redução da Cofins devida de R$ 40.951,21 para R$ 25.071,46. A recorrente efetua uma alteração que afeta o cálculo da contribuição para todo o período (junho/2010), mas não providencia informações que evidenciam o que alega, como uma memória de cálculo da contribuição, antes e após as exclusões, amparada em documentos contábeis e fiscais revestidos das necessárias formalidades. Em suma, está precluso o direito de apresentação de prova documental e, ainda que assim não fosse, a documentação juntada em fase de recurso voluntário não logra demonstrar o direito da recorrente. Por fim, não conheço da alegação de nulidade da multa de mora, por ser desproporcional e caracterizar o confisco vedado pelo art. 150 da CF, visto que esta matéria não foi refutada na manifestação de inconformidade e não existe previsão legal para inovação das alegações nesta fase processual. Como dito anteriormente, a manifestação de inconformidade é peça fundamental do contencioso administrativo, vez que delimita a lide. O PAF determina que os motivos de fato e direito, bem como as razões e os pontos de discordância sejam mencionados Fl. 83DF CARF MF Processo nº 10680.918872/201210 Acórdão n.º 3002000.053 S3C0T2 Fl. 8 7 na manifestação de inconformidade, devendo ser considerada matéria não impugnada aquela que não tenha sido expressamente contestada pelo impugnante, nos termos dos seus arts. 16, inciso III, e 17. Com essas considerações, voto no sentido de não conhecer da matéria nulidade da multa de mora e, em relação à parte conhecida do recurso voluntário, negar provimento. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Relatora Fl. 84DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10480.727523/2011-66
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3402-001.257
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator.
(assinado digitalmente)
Jorge Olmiro Lock Freire - Presidente
(assinado digitalmente)
Waldir Navarro Bezerra - Relator
Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz.
Nome do relator: WALDIR NAVARRO BEZERRA
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(denominação atual de RAPIDÃO COMETA LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A) Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do Relator. (assinado digitalmente) Jorge Olmiro Lock Freire Presidente (assinado digitalmente) Waldir Navarro Bezerra Relator Participaram da sessão de julgamento os seguintes Conselheiros: Jorge Olmiro Lock Freire, Waldir Navarro Bezerra, Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo, Carlos Augusto Daniel Neto, Maria Aparecida Martins de Paula, Diego Diniz Ribeiro e Thais de Laurentiis Galkowicz. Relatório Trata o presente processo de análise e acompanhamento de DCOMPs transmitidas pela empresa FEDEX BRASIL LOGISTICA E TRANSPORTE S.A., atual denominação de RAPIDÃO COMETA LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A, CNPJ nº 10.970.887/0000102, entre os períodos de 21/09/2009 e 21/10/2009, através das quais pretendeu efetuar compensações de débitos para com a RFB (PIS/COFINS/IRRF), utilizando se de créditos de PIS decorrentes da Ação Ordinária nº 95.00089262, transitada em julgado em 23/08/2005, que se refere a inconstitucionalidade das alterações introduzidas pelos RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 04 80 .7 27 52 3/ 20 11 -6 6 Fl. 201DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 202 2 Decretoslei n°s 2.445 e 2.449, de 1988, na sistemática de apuração do PIS e direito de compensação dos valores indevidamente recolhidos. Por bem consolidar os fatos ocorridos neste processo até o julgamento de primeira instância, colaciono os principais trechos do relatório do Acórdão nº 1052.851, exarado pela 2ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento (DRJ) de Porto Alegre (RS), de fls. 131/135: "(...) Analisados os elementos constantes do processo, a DRF de origem anexou Informação Fiscal onde fez relato acerca da análise das DCOMPs e da medida judicial fundamentadora das declarações de compensação, referindo, em especial, à Informação Fiscal produzida no processo nº 19647.020530/200862 (pedido de habilitação de créditos). Foi emitido Despacho Decisório que decidiu reconhecer direito creditório no montante de R$ 463.506,76 e também: a) homologar totalmente as compensações declaradas na DCOMP nº 13547.21399.211009.1.3.578915; b) homologar parcialmente as compensações declaradas na DCOMP nº 03227.99700.210909.1.3.571854; c) não homologar as compensações declaradas na Dcomp nº 38675.01122.191009.1.3.576694; d) determinar fosse efetuada a cobrança dos débitos indevidamente compensados (relacionados). Cientificada em 12/09/2011 (AR de fl. 38) e não se conformando com a decisão administrativa, a contribuinte apresentou em 05/10/2011 manifestação de inconformidade onde inicialmente referiu à decisão administrativa, registrando, a seguir, os seguintes argumentos: Forma de apuração dos créditos e das compensações. Utilização de índices de atualização divergentes e não aplicação de juros de mora determinados em sentença • verificouse que ocorreu pequena diferença entre o valor dos créditos originais apresentados pela empresa e os valores dos créditos originais apurados pela RFB. Essa não explicou no DD a diferença verificada entre os valores de créditos originados até 31/12/1991; • constatouse que os índices de atualização do crédito utilizados pela RFB divergem dos índices de atualização utilizados pela Justiça Federal, o que provocou a redução indevida do crédito da empresa. Solicita que para fins de atualização dos valores recolhidos até 31/12/1991 sejam utilizados os índices de atualização estabelecidos pela Justiça Federal conforme tabela de índices que segue anexa; • a RFB descumpriu comandos determinados judicialmente. O órgão fiscalizador não incluiu, para fins de cálculo de atualização monetária do crédito, os valores relativos aos juros de mora reconhecidos na sentença, à razão de 1% ao mês a partir do trânsito em julgado. Não cabe ao órgão administrativo interpretar a decisão proferida, mas dar cumprimento a ela. Neste sentido, deveria ter incluído nos cálculos de atualização dos créditos o valor relativo aos juros de mora devidos; Fl. 202DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 203 3 • esses procedimentos incorretos levaram à nãohomologação das compensações declaradas e geraram indevida cobrança de débitos que não foram alcançados pelos créditos. Deverão ser refeitos os cálculos de acordo com os índices da Justiça Federal, aplicandose os juros determinados em sentença. Pedido • estando demonstrado que ocorreram falhas na apuração dos créditos da empresa, em descumprimento ao determinado na sentença judicial, requer seja processada sua manifestação de inconformidade, para que, ao final, seja julgada integralmente procedente, determinandose sejam refeitos os cálculos dos créditos, conforme demonstrado, reconhecendose integralmente os créditos pleiteados e homologando se as compensações realizadas. É o relatório. Sobreveio então o Acórdão da DRJ/POA, que julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade apresentado pela Recorrente, cuja ementa foi lavrada nos seguintes termos: ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/08/2009 a 30/09/2009 COMPENSAÇÃO. AÇÃO JUDICIAL. A compensação de créditos de PIS deve ser operacionalizada de acordo com o determinado em decisão judicial transitada em julgado. COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS DE PIS. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. APURAÇÃO. IMPLEMENTAÇÃO. Tendo o Órgão de origem implementado os cálculos dos valores de PIS passíveis de compensação com estrita obediência às determinações judiciais, não pode a autoridade julgadora reformulálos. PIS. MEDIDA JUDICIAL. COMPENSAÇÃO. CÁLCULOS. Não são de ser aceitos cálculos apresentados pela contribuinte quando os mesmos não discriminarem a forma clara e precisa de sua confecção. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Em 06/01/2015, conforme se constata pela abertura dos arquivos digitais correspondentes no link Processo Digital (Portal eCAC), a Recorrente tomou ciência do Acórdão recorrido (fl. 140). Não se conformando com o resultado da decisão, em 05/02/2015 (fl. 142), apresentou, tempestivamente, seu Recurso Voluntário, valendose dos mesmos argumentos apresentados em sua impugnação, assim resumidos (fls. 142/144): Fl. 203DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 204 4 Aduz que por força da Ação Judicial n° 95.00089262, transitada em julgado em 23/08/2005, solicitou habilitação do crédito no montante de R$ 3.413.762,81 e em seguida efetuou a compensação de tributos devidos a RFB, tais como COFINS, PIS e IRRF, mediante a transmissão de PER/DCOMP. Posteriormente, em revisão de cálculos pela DRF em Recife/PE, foi detectado que o crédito devido era de R$ 1.553.999,13, acrescido dos juros; alega que a Recorrente já havia compensado valores no montante de R$ 3.388.798,62 cuja interpretação fiscal em somente homologar as compensações das contribuições devidas ao PIS, em obediência a Decisão Judicial, de forma a restar um saldo devedor de R$ 2.475.753,06, conforme demonstrativo no corpo recurso; informa que obteve acesso ao parcelamento que alude a Lei nº 12.996 de 18/06/2014, conforme Recibo de Pedido de Parcelamento anexado aos autos à fl. 145, restando um saldo devedor das compensações não homologadas de R$ 640.953,57; que apesar da decisão judicial transitada em julgado ter determinado a compensação de créditos de PIS com débitos de PIS, o art. 74 da Lei n° 9.430/96, permitiu que os créditos decorrentes de ações judiciais pudessem ser compensados com débitos relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados pela RFB; Ainda que a decisão judicial fosse anterior a Lei n° 9.430/96, esse direito não pode ser negado aos contribuintes, em face do princípio da retroatividade benigna da Lei Tributária. Ao final requer, que seja reconhecido o seu direito e homologado os PER/ DCOMP nº 38675.01122.191009.1.3.576694, em sua totalidade, bem como parcialmente o PER/DCOMP n° 03227.99700.210909.1.3.571854. Os autos foram, então, encaminhados a este CARF e distribuído para este Relator analisar o recurso. Petição Ocorrência de Fato Novo Em 03/02/2015, a FEDEX BRASIL LOGÍSTICA E TRANSPORTE S/A., apresentou junto a DRF em Recife/PE, o Requerimento expondo o seguinte: "(...) Que tempestivamente a Requerente aderiu ao parcelamento especial instituído pela Lei nº 12.996 de 18 de junho de 2014, conforme Recibo de Pedido de Parcelamento Da Lei nº 12.996 de 18 de Junho de 2014 n° 00091799898092129550, de 28/08/2014, aqui anexado". (Grifei). Os documentos (assinados digitalmente) encontramse anexados ao eProcesso às fls. 167/198. É o relatório. Voto Conselheiro Waldir Navarro Bezerra, Relator 1. Da Admissibilidade dos Recursos O recurso voluntário interposto é tempestivo e preenche os demais pressupostos de admissibilidade, razão pela qual dele tomo conhecimento. Fl. 204DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 205 5 2. Da necessidade de Conversão em Diligência A controvérsia suscitada se refere a análise e acompanhamento de DCOMPs transmitidas pela empresa, entre os períodos de 21/09/2009 e 21/10/2009, através das quais pretende efetuar compensações de débitos com a RFB, utilizandose de créditos de PIS decorrentes da Ação Ordinária nº 95.00089262, transitada em julgado em 23/08/2005. No entanto, verificase nos autos que a Recorrente solicita a desistência PARCIAL do recurso administrativo, em razão da adesão ao parcelamento federal instituído pela Lei nº 12.996 de 18 de junho de 2014, conforme Recibo de Pedido de Parcelamento n° 00091799898092129550, de 28/08/2014 à fl. 145. Consta, na forma do Requerimento de fl. 167, que a Recorrente apresentou PEDIDO DE DESISTÊNCIA PARCIAL DO RECURSO, conforme trecho abaixo reproduzido: "(...) Que teve ciência do julgamento do processo 10480.727523/201166 sem que tenha ocorrido a fase de consolidação das modalidades de parcelamento, a Requerente requer em atendimento ao art. 8º, §6º da Portaria Conjunta PGFN/RFB n° 13 de 2014, desistência parcial do Processo indicado, no valor original de R$ 1.834.799,49 (um milhão, oitocentos e trinta e quatro mil, setecentos e noventa e nove reais e quarenta e nove centavos), relativo ao código de recolhimento 5856 (Cofins), do período de apuração 31.08.2009 e vencimento 25.09.2009, cujo valor deverá ser desmembrado do PER/DCOMP n° 03227.99700.2Í0909.1.3.571854". 3. Dos efeitos do Pedido Quando do recurso voluntário a empresa já manifestara que o parcelamento estava em curso, ou seja, em face de consolidação dos débitos. Agora, conforme consta no Requerimento de fl. 167, a Recorrente expressa formalmente o seu pedido de desistência parcial referente ao recurso voluntário apresentado neste processo, por aderir ao parcelamento federal instituído pela Lei nº 12.996, de 2014. Conforme definido pelo art. 78, § 2º e § 3º, da Portaria MF nº 343, de 2015 (RICARF), quanto aos efeitos de pedido de parcelamento, assim disciplina: Art. 78. Em qualquer fase processual o recorrente poderá desistir do recurso em tramitação. § 1º A desistência será manifestada em petição ou a termo nos autos do processo. § 2º O pedido de parcelamento, a confissão irretratável de dívida, a extinção sem ressalva do débito, por qualquer de suas modalidades, ou a propositura pelo contribuinte, contra a Fazenda Nacional, de ação judicial com o mesmo objeto, importa a desistência do recurso. § 3º No caso de desistência, pedido de parcelamento, confissão irretratável de dívida e de extinção sem ressalva de débito, estará configurada renúncia ao direito sobre o qual se funda o recurso interposto pelo sujeito passivo, inclusive na hipótese de já ter ocorrido decisão favorável ao recorrente. (grifei). Fl. 205DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 206 6 § 4º Havendo desistência parcial do sujeito passivo e, ao mesmo tempo, decisão favorável a ele, total ou parcial, com recurso pendente de julgamento, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. § 5º (...) Grifei. Como em seu Requerimento o Recorrente afirma que PARTE dos créditos discutidos neste processo, foram incluídos no parcelamento, o que implica na aceitação plena e irretratável de todas as condições estabelecidas nas normas expedidas pela Fazenda Nacional, no tocante a parte dos débitos incluídos nesse pedido de parcelamento. Conforme se depreende da leitura do parágrafo 4º do art. 78 do RICARF, o pedido formalizado pelo Recorrente, importa na desistência parcial do Recurso Voluntário e em renúncia ao direito sobre o qual se funda a própria ação, conforme se verifica pela sua petição de fl. 167 e seguintes. Desta forma, em havendo desistência parcial do sujeito passivo, os autos deverão ser encaminhados à unidade de origem para que, depois de apartados, se for o caso, retornem ao CARF para seguimento dos trâmites processuais. Em face do acima exposto, nos termos dos artigos 18 e 29 do Decreto n° 70.235/72, proponho a realização de diligência para que a autoridade fiscal da DRF/RECIFE/PE, proceda à análise de todos os fatos e se entender necessário poderá intimar a Recorrente para apresentar outros documentos e/ou informações, a critério da fiscalização, com vistas as seguintes providências: (i) promover o apartamento dos valores objeto da desistência parcial apresentada em 03/02/2015 (fl. 167), em virtude da adesão, por parte da Recorrente, ao PARCELAMENTO de Débitos Federal, conforme cópia do Pedido de Parcelamento da Lei nº 12.996, de 18/06/2014, à fl. 169. (ii) discriminar quais créditos tributários constituídos por meio do lançamento de que trata este processo foi objeto do mencionado parcelamento; (iii) há coincidência, mesmo que parcial, entre os tributos objeto da Ação Ordinária nº 95.00089262, transitada em julgado em 23/08/2005 e os tributos lançados no presente processo? Em caso positivo, descriminálos. (iv) por fim, o Fisco deve esclarecer se há (ou não) a existência comprovada do direito aos créditos restantes suscetíveis de serem utilizados na compensação tratados nestes autos. Ao término dos trabalhos, a autoridade fiscal da DRF, deverá elaborar Relatório Conclusivo sobre os fatos apurados nesta solicitação de diligência, podendo inclusive, manifestarse sobre a possível existência de crédito líquido e certo suscetível de ser utilizado pela Recorrente contestada nos demais itens do Recurso Voluntário (fls. 142/144). Encerrada a instrução processual a Interessada deverá ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, conforme art. 35, parágrafo único, do Decreto nº 7.574, de 29 de setembro de 2011. Fl. 206DF CARF MF Processo nº 10480.727523/201166 Resolução nº 3402001.257 S3C4T2 Fl. 207 7 Após concluir os trabalhos e promovendo as informações necessárias, os autos devem retornar a este CARF para prosseguimento do julgamento. É como voto. (Assinatura Digital) Waldir Navarro Bezerra Relator Fl. 207DF CARF MF
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Numero do processo: 10935.002625/2007-01
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Feb 01 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Feb 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999
INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO.
Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário.
DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA.
Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo.
DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE.
A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento.
Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG).
Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito.
Recurso voluntário negado.
Numero da decisão: 3402-004.902
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso voluntário por intempestivo e, quanto à questão da decadência, conhecer da matéria de ofício para rejeitá-la.
(Assinado com certificado digital)
Waldir Navarro Bezerra - Presidente substituto.
(Assinado com certificado digital)
Thais De Laurentiis Galkowicz - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto.
Nome do relator: THAIS DE LAURENTIIS GALKOWICZ
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal - PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito. Recurso voluntário negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 2095; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C4T2 Fl. 111 1 110 S3C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10935.002625/200701 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3402004.902 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 01 de fevereiro de 2018 Matéria PIS/PASEP Recorrente PREFEITURA MUNICIPAL DE REALEZA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999 INTEMPESTIVIDADE DO RECURSO VOLUNTÁRIO. Configurada a intempestividade da peça recursal, interposta após decorrido o prazo de 30 dias contados da ciência da decisão de primeira instância, nos termos dos artigos 33 e 42, I, do Decreto nº 70.235/1972 (Processo Administrativo Fiscal PAF), não é possível o conhecimento do recurso voluntário. DECADÊNCIA. MATÉRIA DE ORDEM PÚBLICA. Por se tratar de matéria de ordem pública, a decadência pode ser conhecida de ofício pelo julgador, a qualquer tempo do processo. DECADÊNCIA. PRAZO. TRIBUTO SUJEITO AO LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONSTRUÇÃO JURISPRUDENCIAL. STF E STJ. EFICÁCIA NORMATIVA. DIES A QUO. DATA DA APRESENTAÇÃO DO PEDIDO DE RESTITUIÇÃO ADMINISTRATIVAMENTE. A jurisprudência do STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos de tributos sujeitos ao lançamento por homologação efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito seria de cinco anos a contados da data dos respectivos pagamento. Já quanto aos pagamentos anteriores, a contagem do prazo obedece ao regime previsto no sistema anterior (tese dos cinco mais cinco). Contudo, o STF ao julgar o RE n. 566.621/RS, em 04.08.2011 sob o rito do artigo 543B, §3º, do CPC, alterou parcialmente o entendimento do STJ, fixando como marco para a aplicação do novo regime sobre prazo prescricional a data do pedido de restituição do indébito, e não mais a data do pagamento. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 93 5. 00 26 25 /2 00 7- 01 Fl. 100DF CARF MF 2 do RE 566.621/RS, inclusive por meio do rito dos recursos repetitivos (REsp n. 1.269.570/MG). Tais decisões devem ser reproduzidas pelos Conselheiros no âmbito do CARF (artigo 62, §2º do Regimento Interno), para a contagem do prazo decadência da a restituição administrativa do indébito. Recurso voluntário negado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, por não conhecer do Recurso voluntário por intempestivo e, quanto à questão da decadência, conhecer da matéria de ofício para rejeitála. (Assinado com certificado digital) Waldir Navarro Bezerra Presidente substituto. (Assinado com certificado digital) Thais De Laurentiis Galkowicz Relatora. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Diego Diniz Ribeiro, Waldir Navarro Bezerra, Thais De Laurentiis Galkowicz, Maria Aparecida Martins de Paula, Marcos Roberto da Silva (suplente convocado), Maysa de Sá Pittondo Deligne, Pedro Sousa Bispo e Carlos Augusto Daniel Neto. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto em face de decisão proferida pela Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento ("DRJ") de Curitiba/PR, que julgou improcedente a manifestação de inconformidade apresentada pela Contribuinte. Como bem apontado pelo Acórdão recorrido, o presente feito tem origem em pedido de restituição (fl. 01), efetivado em 15/06/2007, relativo a crédito da Contribuição ao PIS/ PASEP, abrangendo o período de 06/1997 a 01/1999. Constam também dos autos declarações de compensação relativas ao suposto direito creditório. A autoridade fiscal de origem indeferiu o pleito e, consequentemente, não homologou as declarações de compensação, por meio do despacho de fls. 32/35, tendo em vista o escoamento do prazo de cinco anos, contado da data do pagamento indevido ou maior que o devido, para o pedido da restituição do indébito.. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade (fls. 41/54), alegando, em síntese, que: i) houve intempestividade nas reedições das Medidas Provisórias que sucederam a de n. 1.212/1996, o que teria criado o chamado "vácuo legislativo", cuja consequência jurídica relevante é que a exação PASEP não teve exigibilidade legal eficaz no Fl. 101DF CARF MF Processo nº 10935.002625/200701 Acórdão n.º 3402004.902 S3C4T2 Fl. 112 3 período anterior à vigência da Lei n°. 9.715/98; ii) assim, os recolhimentos ao PASEP efetuados entre 06/1997 e 01/1999 seriam indevidos; iii) não se pode falar em extinção, por decadência, do direito à restituição, visto que o STJ decidiu que para tributos lançados por homologação aplicase a tese dos "cinco mais cinco" anos. O julgamento da manifestação de inconformidade resultou no Acórdão da DRJ de Curitiba/PR (fls 63 a 67), cuja ementa segue colacionada abaixo: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA 0 PIS/PASEP Período de apuração: 01/06/1997 a 31/01/1999 A PEDIDO DE RESTITUIÇÃO. DECADÊNCIA. A decadência do direito de pleitear a restituição ocorre em cinco anos contados da extinção do crédito pelo pagamento. DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. INEXISTÊNCIA DO CRÉDITO UTILIZADO. NÃOHOMOLOGAÇÃO. Cabível a nãohomologação de declaração de compensação, por inexistir o crédito nela vindicado, posto que indeferido o pedido de reconhecimento de direito creditório vinculado. Manifestação de Inconformidade improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Irresignada, a Contribuinte recorre a este Conselho por meio de petição de fls 72 a 96, repisando os argumentos de sua manifestação de inconformidade. Outrossim, apresenta alegação preliminar de nulidade do acórdão recorrido, pois teria sido omisso ao não apreciar a questão da inconstitucionalidade das reedições das medidas provisórias que sucederam a de n. 1.212/1996. É o relatório. Voto Conselheira Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz Notificado do julgamento a quo em 01 de março de 2010 (segundafeira), conforme AR de fls 69, a Contribuinte apresentou seu recurso voluntário em 01 de abril de 2010 (quintafeira), ou seja, um dia após expirado o prazo para tal. Em seu recurso voluntário a Recorrente não apresentou qualquer justificativa que poderia alterar o termo final do seu prazo. Pois bem. O próprio Decreto nº 70.235/72, que regula o processo administrativo fiscal, estabelece que o prazo para a propositura de recurso voluntário é de 30 (trinta) dias: Fl. 102DF CARF MF 4 Art. 33. Da decisão caberá recurso voluntário, total ou parcial, com efeito suspensivo, dentro dos trinta dias seguintes à ciência da decisão. Assim, tendo o contribuinte apresentado o Recurso Voluntário fora do trintídio legal, não há dúvidas que o presente Recurso é intempestivo, razão pela qual voto no sentido de não conhecêlo. Entretanto, conforme se depreende do relato acima, as questões a serem aqui solucionadas são duas: i) ocorrência ou não de decadência do direito do contribuinte à restituição do indébito; ii) o direito ao crédito pleiteado, com base em declaração de inconstitucionalidade das reedições das Medidas Provisórias que sucederam a de n. 1.212/1996. Uma vez que a decadência constitui matéria de ordem pública, conhecível a qualquer tempo do processo, é de se admitir a sua análise. Isto porque o artigo 63 da Lei n. 9.784/19991 aparta o problema da intempestividade (preclusão temporal) das demais hipóteses de preclusão, admitindo, no seu parágrafo segundo, a revisão de ofício de questões de ordem pública, que não precluem. Ademais, é preciso lembrar que o processo administrativo fiscal deve ser regido pelo princípio da eficiência e da informalidade moderada, o que também leva à conclusão pela necessidade de análise da decadência. Sobre a decadência, é válido lembrar que a questão do prazo para a restituição de tributos sujeitos a lançamento por homologação passou por algumas reviravoltas jurisprudenciais. Inicialmente a posição que prevalecia no Superior Tribunal de Justiça (STJ) era a interpretação redacional do artigo 156, VII, do Código Tributário Nacional (CTN), segundo a qual somente com a homologação é que se daria a extinção do crédito tributário e, portanto, o início do computo do prazo para a repetição de indébito do artigo 168. Dessa forma, somandose o prazo de cinco anos para a homologação, com mais cinco anos para a repetição, o contribuinte detinha prazo de dez anos para pleitear a restituição de tributos. Tratavase da conhecida tese dos cinco mais cinco. Contudo, o advento da Lei Complementar 118, de 9 de fevereiro de 2005 (LC 118/2005), afirmando que, para efeito de interpretação do inciso I do artigo 168 do CTN, a extinção do crédito tributário ocorre, no caso de tributo sujeito a lançamento por homologação, no momento do pagamento antecipado de (artigo 150, § 1º), o STJ reviu a questão. Em seus novos julgamentos (e.g. Recurso Especial 982.985, Relator: Ministro Luiz Fux. Julgamento: 10 jun. 2008. Órgão Julgador: Primeira Turma. Publicação: DJe, 07 ago. 2008), decidiu que não obstante a LC 118/2005 se autointitular interpretativa, evidentemente inovou a ordem jurídica tributária, alterando por completo o entendimento solidificado pelo STJ sobre o prazo prescricional para repetição de indébito de tributos sujeitos ao lançamento por homologação (tese dos cinco mais cinco). 1 Art. 63. O recurso não será conhecido quando interposto: I fora do prazo; II perante órgão incompetente; III por quem não seja legitimado; IV após exaurida a esfera administrativa. § 1o Na hipótese do inciso II, será indicada ao recorrente a autoridade competente, sendolhe devolvido o prazo para recurso. § 2o O não conhecimento do recurso não impede a Administração de rever de ofício o ato ilegal, desde que não ocorrida preclusão administrativa. Fl. 103DF CARF MF Processo nº 10935.002625/200701 Acórdão n.º 3402004.902 S3C4T2 Fl. 113 5 Dessa forma, foi deliberado que, a partir de sua entrada, passaram a existir dois regimes jurídicos distintos: i) os recolhimentos indevidos feitos a partir da sua entrada em vigor (9 de junho de 2005) passaram a ter como prazo para sua restituição cinco anos contados a partir do instante em que é feito o pagamento antecipado; ii) já os pagamentos indevidos que ocorreram anteriormente à vigência da Lei Complementar 118/05 permanecem sob a disciplina que imperava à época, vale dizer, que a contagem do prazo de cinco anos para a restituição só se inicia a partir da homologação, expressa ou tácita, feita pelo fisco. Este último entendimento apresentado pelo STJ, entretanto, foi parcialmente modificado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) ao analisar a matéria (RE 566.621/RS, Pleno, Relatora Ministra Ellen Gracie. j. 04.08.2011), 2 que entendeu como relevante não a data dos pagamento indevidos, mas sim a dada da formulação dos pedidos de restituição, para a contagem do prazo dos contribuintes. Por sua vez, o STJ se curvou ao citado entendimento do Pretório Excelso, passando a julgar os processos sobre a mesma controvérsia aplicando a ratio do RE 566.621, julgado por meio do rito dos recursos repetitivos. Nesse sentido, destaco a ementa do REsp n. 1.269.570/MG: Ementa CONSTITUCIONAL. TRIBUTÁRIO. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA (ART. 543C, DO CPC). LEI INTERPRETATIVA. PRAZO DE PRESCRIÇÃO PARA A REPETIÇÃO DE INDÉBITO NOS TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. ART. 3º, DA LC 118/2005. POSICIONAMENTO DO STF. ALTERAÇÃO 2 Ementa: DIREITO TRIBUTÁRIO – LEI INTERPRETATIVA – APLICAÇÃO RETROATIVA DA LEI COMPLEMENTAR Nº 118/2005 – DESCABIMENTO – VIOLAÇÃO À SEGURANÇA JURÍDICA – NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DA VACACIO LEGIS – APLICAÇÃO DO PRAZO REDUZIDO PARA REPETIÇÃO OU COMPENSAÇÃO DE INDÉBITOS AOS PROCESSOS AJUIZADOS A PARTIR DE 9 DE JUNHO DE 2005. Quando do advento da LC 118/05, estava consolidada a orientação da Primeira Seção do STJ no sentido de que, para os tributos sujeitos a lançamento por homologação, o prazo para repetição ou compensação de indébito era de 10 anos contados do seu fato gerador, tendo em conta a aplicação combinada dos arts. 150, § 4º, 156, VII, e 168, I, do CTN. A LC 118/05, embora tenha se autoproclamado interpretativa, implicou inovação normativa, tendo reduzido o prazo de 10 anos contados do fato gerador para 5 anos contados do pagamento indevido. Lei supostamente interpretativa que, em verdade, inova no mundo jurídico deve ser considerada como lei nova. Inocorrência de violação à autonomia e independência dos Poderes, porquanto a lei expressamente interpretativa também se submete, como qualquer outra, ao controle judicial quanto à sua natureza, validade e aplicação. A aplicação retroativa de novo e reduzido prazo para a repetição ou compensação de indébito tributário estipulado por lei nova, fulminando, de imediato, pretensões deduzidas tempestivamente à luz do prazo então aplicável, bem como a aplicação imediata às pretensões pendentes de ajuizamento quando da publicação da lei, sem resguardo de nenhuma regra de transição, implicam ofensa ao princípio da segurança jurídica em seus conteúdos de proteção da confiança e de garantia do acesso à Justiça. Afastandose as aplicações inconstitucionais e resguardandose, no mais, a eficácia da norma, permitese a aplicação do prazo reduzido relativamente às ações ajuizadas após a vacatio legis, conforme entendimento consolidado por esta Corte no enunciado 445 da Súmula do Tribunal. O prazo de vacatio legis de 120 dias permitiu aos contribuintes não apenas que tomassem ciência do novo prazo, mas também que ajuizassem as ações necessárias à tutela dos seus direitos. Inaplicabilidade do art. 2.028 do Código Civil, pois, não havendo lacuna na LC 118/08, que pretendeu a aplicação do novo prazo na maior extensão possível, descabida sua aplicação por analogia. Além disso, não se trata de lei geral, tampouco impede iniciativa legislativa em contrário. Reconhecida a inconstitucionalidade art. 4º, segunda parte, da LC 118/05, considerandose válida a aplicação do novo prazo de 5 anos tãosomente às ações ajuizadas após o decurso da vacatio legis de 120 dias, ou seja, a partir de 9 de junho de 2005. Aplicação do art. 543B, § 3º, do CPC aos recursos sobrestados. Recurso extraordinário desprovido. Fl. 104DF CARF MF 6 DA JURISPRUDÊNCIA DO STJ. SUPERADO ENTENDIMENTO FIRMADO ANTERIORMENTE TAMBÉM EM SEDE DE RECURSO REPRESENTATIVO DA CONTROVÉRSIA. 1. O acórdão proveniente da Corte Especial na AI nos Eresp nº 644.736/PE, Relator o Ministro Teori Albino Zavascki, DJ de 27.08.2007, e o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009, firmaram o entendimento no sentido de que o art. 3º da LC 118/2005 somente pode ter eficácia prospectiva, incidindo apenas sobre situações que venham a ocorrer a partir da sua vigência. Sendo assim, a jurisprudência deste STJ passou a considerar que, relativamente aos pagamentos efetuados a partir de 09.06.05, o prazo para a repetição do indébito é de cinco anos a contar da data do pagamento; e relativamente aos pagamentos anteriores, a prescrição obedece ao regime previsto no sistema anterior. 2. No entanto, o mesmo tema recebeu julgamento pelo STF no RE n. 566.621/RS, Plenário, Rel. Min. Ellen Gracie, julgado em 04.08.2011, onde foi fixado marco para a aplicação do regime novo de prazo prescricional levandose em consideração a data do ajuizamento da ação (e não mais a data do pagamento) em confronto com a data da vigência da lei nova (9.6.2005). 3. Tendo a jurisprudência deste STJ sido construída em interpretação de princípios constitucionais, urge inclinarse esta Casa ao decidido pela Corte Suprema competente para dar a palavra final em temas de tal jaez, notadamente em havendo julgamento de mérito em repercussão geral (arts. 543A e 543 B, do CPC). Desse modo, para as ações ajuizadas a partir de 9.6.2005, aplicase o art. 3º, da Lei Complementar n. 118/2005, contandose o prazo prescricional dos tributos sujeitos a lançamento por homologação em cinco anos a partir do pagamento antecipado de que trata o art. 150, §1º, do CTN. 4. Superado o recurso representativo da controvérsia REsp. n. 1.002.932/SP, Primeira Seção, Rel. Min. Luiz Fux, julgado em 25.11.2009. 5. Recurso especial não provido. Acórdão submetido ao regime do art. 543C do CPC e da Resolução STJ 08/2008. (REsp 1269570 / MG, Relator Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, Data do Julgamento 23/05/2012, Data da Publicação/Fonte, DJe 04/06/2012 RT vol. 924 p. 802.) Pois bem. No presente caso, o contribuinte indicou no Pedido de Restituição que o indébito era referente a pagamentos efetuados entre 06/1997 e 01/1999. Todavia, o pedido de restituição da Municipalidade somente foi formalizado em 15/06/2007. Fl. 105DF CARF MF Processo nº 10935.002625/200701 Acórdão n.º 3402004.902 S3C4T2 Fl. 114 7 Uma vez que o artigo 62, §2º do Regimento Interno do CARF, 3 prescreve a necessidade de reprodução, pelos Conselheiros, das decisões definitivas de mérito proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça na sistemática dos recursos repetitivos, concluise que está de fato decaído o direito da Recorrente. Afinal, o pedido de restituição foi formulado em 15/06/2007, vale dizer, em data posterior a 09/06/2005, que segundo a jurisprudência acima destacada, é data para a qual já se utiliza o prazo de cinco anos para a contagem do prazo decadencial/prescricional. Como não há nenhum pagamento posterior a 15/06/2002, todo o montante requerido por meio do presente processo administrativo está decaído. Estando fulminado pela decadência o direito à restituição do indébito in casu questão preliminar de julgamento , despicienda a análise do mérito do processo administrativo, que mesmo que fosse favorável à Recorrente, não lhe daria o crédito pretendido. Ademais, o despacho decisório utilizou como fundamento para não homologar as compensações justamente a ocorrência da decadência, sendo portanto essa a questão que circunscreve a lide do presente processo administrativo. Por essas razões que, saliento, é incabível falar em omissão do acórdão guerreado, que justamente por esses motivos não adentrou na questão da alegada falta de amparo legal para a exigência da Contribuição ao PIS no período em apreço. Dispositivo Ex positis, voto no sentido não conhecer do recurso voluntário e, quanto à questão da decadência, conhecer e negar provimento ao pedido da Contribuinte. Relatora Thais De Laurentiis Galkowicz 3 § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Fl. 106DF CARF MF
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Numero do processo: 18186.732727/2015-89
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Mar 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Apr 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Exercício: 2014
DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PREVIDÊNCIA PRIVADA.
Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. O ônus da prova recai sobre o contribuinte, que instado pela autoridade fiscal, deve comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual.
Numero da decisão: 2002-000.049
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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DEDUÇÃO. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Recorrente PAULO HENRIQUE SALVADOR BRAGATO Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÃO. ÔNUS DA PROVA. PREVIDÊNCIA PRIVADA. Todas as deduções estão sujeitas à comprovação ou justificação, a juízo da autoridade fiscal. O ônus da prova recai sobre o contribuinte, que instado pela autoridade fiscal, deve comprovar, de forma inequívoca e mediante documentação hábil e idônea, a realização de todas as deduções informadas na declaração de ajuste anual. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário, vencido o conselheiro Thiago Duca Amoni que lhe deu provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Fábia Marcília Ferreira Campêlo, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 18 6. 73 27 27 /2 01 5- 89 Fl. 96DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 97 2 Relatório Tratase de lançamento decorrente de procedimento de revisão interna da Declaração de Imposto de Renda Pessoa Física DIRPF, referente ao exercício de 2014, ano calendário 2013, tendo em vista a apuração de deduções indevidas com dependentes e de despesas médicas e com instrução , previdência privada e FAPI. O contribuinte apresentou impugnação (fls.2/36), alegando, em síntese, que faz jus a deduzir os valores declarados e indicando a juntada de documentação comprobatória de todos os valores declarados. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento no Rio de Janeiro (RJ) deu parcial provimento à Impugnação (fls. 59/69), mantendo integralmente a glosa da previdência privada e Fapi e parcialmente a das despesas médicas, em decisão cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2014 DEDUÇÕES. PREVIDÊNCIA PRIVADA E FAPI. Apenas a contribuição previdenciária privada comprovadamente paga pelo contribuinte e que preencha os requisitos definidos na legislação do IR é dedutível da base de cálculo do ajuste anual. DEDUÇÕES. DEPENDENTE. Quando comprovada a relação de dependência, deve ser cancelada a glosa correspondente. DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Apenas é dedutível da base de cálculo do imposto de renda devido a despesa médica comprovada, relativa ao contribuinte e seus dependentes. DEDUÇÕES. DESPESAS COM INSTRUÇÃO. São dedutíveis os pagamentos efetuados a estabelecimentos de ensino, para o titular e dependentes, observados os comprovantes apresentados e o limite legal de dedução estabelecido para o anocalendário. Cientificado dessa decisão em 20/2/2017 (fl.73), o contribuinte formalizou, em 17/3/2017 (fl.76), Recurso Voluntário (fls. 76/81), no qual apresenta as seguintes alegações: Fl. 97DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 98 3 não pode se conformar com a glosa da despesa com a previdência privada e FAPI, uma vez que, além de apresentar o documento comprobatório, o desconto se deu no limite de 12% permitido na legislação. reproduz trechos da autuação, de sua impugnação e da decisão de piso, ressaltando que a contribuição paga foi no valor de R$24.695,35 e o valor deduzido foi de R$21.792,49, em observância ao limite legal de 12% dos rendimentos tributáveis. aduz que o comprovante de rendimentos e a declaração de ajuste demonstram que as informações foram inseridas corretamente como sendo pagamentos efetuados pelo titular. alega que o comprovante e a sua DIRPF deixam claro que a despesa com o Fapi é só dele, não havendo nada relacionado a dependentes. reforça que a despesa com a Previdência Privada e Fapi é do titular Paulo Henrique Salvador Bragato, CPF 094.868.57865, ora recorrente. requer o cancelamento do débito fiscal reclamado. Como o recurso apresentado não estava assinado, a Unidade preparadora intimou o contribuinte para regularização. Em atendimento, recurso de idêntico teor foi anexado às fls. 88/93. Processo distribuído para julgamento em Turma Extraordinária, tendo sido observadas as disposições do artigo 23B, do RICARF, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 2015, e suas alterações (fl.94). É o relatório. Fl. 98DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 99 4 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade O recurso é tempestivo e atende aos requisitos de admissibilidade, assim, dele tomo conhecimento. Mérito O sujeito passivo recorre apenas quanto à glosa da previdência privada e Fapi. A DRJ manteve a glosa integral do valor declarado, consignando: Houve a glosa integral da dedução com Previdência Privada e Fapi informada por falta de comprovação, conforme solicitado no termo de intimação. Inconformado, assevera o interessado que faz jus à dedução, conforme documentos que anexa. Dispõe o artigo 74 do Regulamento do Imposto de Renda vigente, Decreto nº 3.000, de 26 de março de 1999 – RIR/1999: “Art. 74. Na determinação da base de cálculo sujeita à incidência mensal do imposto poderão ser deduzidas (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 4º, incisos IV e V) I – as contribuições para a Previdência Social da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios; II – as contribuições para entidades de previdência privada domiciliadas no País, cujo ônus tenha sido do contribuinte, destinadas a custear benefícios complementares assemelhados aos da Previdência Social. § 1º A dedução permitida pelo inciso II aplicase exclusivamente à base de cálculo relativa a rendimentos do trabalho com vínculo empregatício ou de administradores, assegurada, nos demais casos, a dedução dos valores pagos a Fl. 99DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 100 5 esse título, por ocasião da apuração da base de cálculo do imposto devido no anocalendário (Lei n.º 9.250, de 1995, art. 4º, parágrafo único). § 2º A dedução a que se refere o inciso II deste artigo, somada à prevista no art. 82, fica limitada a doze por cento do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na declaração de rendimentos (Lei n.º 9.250, de 1995, art.11). (grifos acrescidos) Concomitantemente, o art. 83 do mesmo diploma legal preconiza que: “Art. 83. A base de cálculo do imposto devido no anocalendário será a diferença entre as somas (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, e Lei nº 9.477, de 1997, art. 10, inciso I): 5. de todos os rendimentos percebidos durante o anocalendário, exceto os isentos, os não tributáveis, os tributáveis exclusivamente na fonte e os sujeitos à tributação definitiva; II das deduções relativas ao somatório dos valores de que tratam os arts. 74, 75, 78 a 81, e 82, e da quantia de um mil e oitenta reais por dependente;” (grifos acrescidos) Já os arts. 06 e 07 da Instrução Normativa SRF nº 588/2005 condicionam a dedução da Previdência Privada a contribuições para a Previdência Oficial, excetuandose os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social, a partir de 01 de janeiro de 2005, in verbis: Dedução das contribuições pagas pela pessoa física Art. 6º As deduções relativas às contribuições para entidades de previdência complementar e sociedades seguradoras domiciliadas no País e destinadas a custear benefícios complementares aos da Previdência Social, cujo ônus seja da própria pessoa física, ficam condicionadas ao recolhimento, também, de contribuições para o regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observada a contribuição mínima, e limitadas a 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 1º O disposto no caput aplicase, inclusive, às contribuições ao Fapi. § 2º Excetuamse da condição de que trata o caput os beneficiários de aposentadoria ou pensão concedidas por regime próprio de previdência ou pelo regime geral de previdência social, mantido, entretanto, o limite de 12% (doze por cento) do total dos rendimentos computados na Fl. 100DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 101 6 determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. § 3º Os prêmios de seguro de vida com cláusula de cobertura por sobrevivência são indedutíveis para fins de determinação da base de cálculo do imposto devido na Declaração de Ajuste Anual. Art. 7º As contribuições para planos de previdência complementar e para Fapi, cujo titular ou quotista seja dependente, para fins fiscais, do declarante, podem ser deduzidas desde que o declarante seja contribuinte do regime geral de previdência social ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios, observado o disposto no art. 6º. Parágrafo único. Na hipótese de dependente com mais de 16 anos, a dedução a que se refere o caput fica condicionada, ainda, ao recolhimento, em seu nome, de contribuições para o regime geral de previdência social, observada a contribuição mínima, ou, quando for o caso, para regime próprio de previdência social dos servidores titulares de cargo efetivo da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios.(grifos acrescidos) Dito isto, do exame dos documentos acostados aos autos, verificase que o interessado, não obstante ter apresentado o documento de fl. 17, não saneou a irregularidade apontada pela autoridade tributária na Notificação de Lançamento, na medida em que não apresentou comprovação de pagamento de contribuição à Previdência Privada e Fapi, com discriminação dos valores pagos por beneficiário, conforme solicitado na intimação de fl. 45. Desta forma, mantémse a glosa. (destaques acrescidos) Em seu recurso, o contribuinte defende que o comprovante de rendimentos é hábil e suficiente a fazer a prova exigida. No caso, verificase que, desde o início da ação fiscal, o contribuinte foi intimado a apresentar documento comprobatório da contribuição à previdência privada com especificação do valor pago por beneficiário (fl.45). A decisão de piso julgou improcedente a impugnação nesse tocante justamente em função da ausência de demonstração do valor pago por beneficiário. Ainda que cientificado desses fatos, o contribuinte insiste que o comprovante de rendimentos é suficiente para respaldar seu direito à dedução. Como apontado na decisão de piso, o comprovante de rendimentos não se revela hábil a fazer a prova quanto aos beneficiários do plano de previdência. O documento Fl. 101DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 102 7 comprova que o contribuinte sofreu o ônus da contribuição, descontada direto em folha de pagamento, mas não quem são os beneficiários. Essa exigência se justifica pelo fato da legislação de regência, reproduzida na decisão de piso, impor regras e limitações para a dedutibilidade dessas contribuições. Em consulta efetuada no sítio da instituição beneficiária do pagamento, verificase que a Infraprev administra, além de outros, planos voltados aos familiares dos participantes, como se demonstra abaixo (consulta efetuada em 9/3/2018): Planos de Benefícios O Infraprev administra o Plano de Contribuição Variável (Plano CV), com mais de 95% dos participantes, o Plano de Contribuição Definida (Plano PAI I), associativo, voltado aos familiares e dois planos de Benefício Definido (BDI e BDII) fechados ao ingresso de novos participantes. ... Sobre o Plano O Plano Associativo Infraprev I (PAI I), também conhecido como Plano Anei, tem o objetivo de acumular recursos financeiros para todos aqueles que são importantes para você cônjuges, filhos, netos, sobrinhos, primo, cunhado, nora, genro. Garante uma renda adicional que pode ser usada para aposentadoria ou para realizar um sonho de curto, médio ou longo prazo. O valor do benefício é o resultado da soma das contribuições mensais, acrescido do retorno dos investimentos do Infraprev. Para aderir ao plano, empregados da Infraero; participantes do Infraprev; aposentados e pensionistas devem estar associados à Associação Nacional dos Empregados da Infraero (ANEI) para indicar seus beneficiários. Veja como participar do Plano em Associese. (destaques acrescidos) Esclareçase que as normas que estabelecem deduções da base de cálculo do imposto de renda têm o efeito de excluir uma parcela do rendimento do contribuinte que, normalmente, seria tributada; conseqüentemente, constituem verdadeiras isenções tributárias. No direito tributário, e mais especificamente na legislação do imposto de renda, a regra é a da universalidade da tributação; assim, qualquer exclusão a esse princípio constitui norma excepcional, e dessa forma deve ser tratada. Assim, não tendo o contribuinte se desincumbido a contento do ônus de comprovar que faz jus a deduzir o valor declarado, não há reparos a se fazer à decisão de piso. Fl. 102DF CARF MF Processo nº 18186.732727/201589 Acórdão n.º 2002000.049 S2C0T2 Fl. 103 8 Conclusão Pelo exposto, voto por conhecer do recurso, para, no mérito, negarlhe provimento. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relator Fl. 103DF CARF MF
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Numero do processo: 16327.720228/2014-81
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Feb 28 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Mar 29 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3201-001.195
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a Dra. Maria Carolina Gomes Sampaio OAB/MG 103.400, escritório Rolim, Viotti e Leite Campos.
Winderley Morais Pereira - Presidente substituto e Relator.
Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência. Acompanhou o julgamento a Dra. Maria Carolina Gomes Sampaio OAB/MG 103.400, escritório Rolim, Viotti e Leite Campos. Winderley Morais Pereira Presidente substituto e Relator. Participaram do presente julgamento, os Conselheiros: Winderley Morais Pereira, Tatiana Josefovicz Belisário, Paulo Roberto Duarte Moreira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade, e Marcelo Giovani Vieira. Relatório Por bem descrever os fatos adoto, com as devidas adições, o relatório da primeira instância que passo a transcrever. PEDIDO DE RESTITUIÇÃO E DECLARAÇÕES DE COMPENSAÇÃO O presente processo trata de pedido de restituição de créditos de Cofins dos períodos de apuração de junho/1999 a fevereiro/2006, no valor total de R$ 214.182.086,53, decorrentes de decisão judicial transitada em julgado nos autos da Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238/MG (fls. 2/5). Esse crédito foi utilizado para a RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 63 27 .7 20 22 8/ 20 14 -8 1 Fl. 1616DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 3 2 compensação de diversos débitos por meio de declarações de compensação transmitidas entre 18/03/2014 e 03/10/2014 (fls. 323/354 e 1.173/1.176). O “Pedido de Habilitação de Crédito Reconhecido por Decisão Judicial Transitada em Julgado” anteriormente formulado pelo interessado foi deferido no Processo nº 16327.720138/201490 (fls. 6/9). A Deinf/SPO/Diort, após apreciar o pedido de restituição e as compensações declaradas, proferiu o Despacho Decisório de fls. 1.237/1.244, no qual decidiu pelo deferimento parcial do pedido de restituição, reconhecendo o direito creditório no valor original de R$ 30.347,19, e pela consequente homologação parcial das compensações declaradas na Dcomp nº 08932.75468.180314.1.3.540253 e não homologação das compensações declaradas nas Dcomps nºs 01764.20190.300414.1.3.541873, 26981.97149.120514.1.7.542875, 22038.24484.300514.1.3.544809, 16376.51311.280714.1.7.544203, 17941.53741.170614.1.3.545865, 15782.82011.180714.1.3.541360, 26252.63043.200814.1.3.544623 e 10246.27445.031014.1.7.545305. No Despacho Decisório também se decidiu pelo lançamento de ofício de multa isolada de 50% sobre os valores dos créditos da Cofins utilizados nas respectivas Dcomps cujas compensações não foram homologadas, à luz do disciplinado pelo art. 45, §1º, inciso I, da IN RFB nº 1.300/2012. Na Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238/MG, impetrada contra o Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança Preventivo nº 1999.38.00.0212911/MG, que havia mantido a cobrança da Cofins nos termos do art. 3º e §1º da Lei 9.718/98, o TRF da 1ª Região julgou procedente o pedido, concedendo à impetrante o direito de calcular a Cofins afastandose o §1º do art. 3º da Lei 9.718/98, com a adoção da sistemática anterior estabelecida no art. 2º da Lei Complementar (LC) nº 70/91. Tal decisão transitou julgado em 06/04/2009. Constam desses autos documentos da ação judicial nas fls. 53/321. A autoridade a quo destaca que, na medida judicial em questão, o contribuinte não formulou pedido específico para que fossem delimitadas expressamente as receitas que se enquadrariam na base de cálculo da Cofins após o afastamento em definitivo do art. 3º, §1º, da Lei nº 9.718/98, ou seja, o interessado não requereu que suas receitas de intermediação financeira, rendas de arrendamento mercantil, rendas advindas de aplicações financeiras de liquidez e de títulos e valores mobiliários fossem classificadas como não operacionais e, estivessem, portanto, fora da composição da base de cálculo da Cofins. Diante da ausência de requerimento expresso para que fossem detalhadas as receitas tributáveis a serem enquadradas no conceito de prestação de serviços, o Judiciário não deliberou acerca desse ponto. Assim, a composição das receitas passíveis de tributação pela Cofins foi delimitada com base no Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007. O Parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, posteriormente reiterado pelas Notas PGFN/CRJ nº 178/2009 e nº 842/2009, conclui que a declaração de inconstitucionalidade, pelo STF, do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/98, não impede que o PIS e a Cofins incidam sobre as receitas decorrentes dos serviços financeiros prestados pelas instituições financeiras, empresas de capitalização, gestoras de ativos, sociedades de arrendamento mercantil e pelas seguradoras, só sendo excluídas da base de cálculo das contribuições as receitas não operacionais. Assim, Fl. 1617DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 4 3 as receitas de intermediação financeira, com títulos de capitalização, títulos e valores mobiliários e receitas de aplicações interfinanceiras de liquidez e prêmios de seguros auferidas classificamse como receitas vinculadas à atividade fim dessas pessoas jurídicas, ou seja, estão diretamente relacionadas ao seu objeto social, e devem ser tributadas. Não há, portanto, pagamento indevido de Cofins incidente sobre as receitas operacionais, bem como o direito à compensação desses valores. No cálculo do montante a ser restituído e compensado foi reconhecido o direito à exclusão das receitas não operacionais da base de cálculo da Cofins. Cientificado do Despacho Decisório em 04/02/2015 (fl. 1.254), o contribuinte apresentou, em 05/03/2015, a manifestação de inconformidade de fls. 1.257/1.289, acompanhada dos documentos de fls. 1.290/1.507, com os argumentos a seguir sintetizados. Inicialmente, relata e transcreve as decisões proferidas no curso da Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238, ajuizada contra o Acórdão proferido nos autos do Mandado de Segurança nº 1999.38.00.021291 1. O Acórdão do TRF proferido naquela ação transitou em julgado favoravelmente ao contribuinte em 06/04/2009, sendo julgado procedente o pedido rescisório e declarado o direito à compensação da Cofins recolhida a maior desde fevereiro de 1999. Em seguida, explica que o crédito apresentado para habilitação e posterior compensação corresponde aos pagamentos a maior da Cofins decorrentes da diferença entre os valores recolhidos sobre a totalidade de suas receitas, como previa a Lei nº 9.718/98, e aqueles calculados sobre o seu efetivo faturamento, qual seja, receitas de prestação de serviços e venda de mercadorias. Após transcrever a fundamentação utilizada para não homologar integralmente as compensações, afirma que autoridade fiscal desconsiderou totalmente e por isso ofendeu a decisão transitada em julgado, que expressamente determinou que a base de cálculo da Cofins fosse calculada com base no faturamento, tal qual previsto na legislação anterior à Lei nº 9.718/98, ou seja, como consignado na LC nº 70/91. Preliminarmente, requer a conexão do presente processo ao PAF nº 16327.721033/201458, no qual está sendo discutida a cobrança de multa isolada no montante de 50% do valor do débito não compensado, para que ambos sejam julgados em conjunto, pois o que for decidido nestes autos poderá afetar a cobrança da multa lançada. Argumenta ser falha a interpretação posta no Despacho Decisório de que o STF teria adotado posicionamento de que o PIS e a Cofins podem incidir sobre receitas operacionais das pessoas jurídicas relacionadas às suas atividades principais, sendo inconstitucional apenas sua incidência sobre as receitas não operacionais, como a receita de aluguel de imóveis ou de alienação de ativos. Além do Tribunal não ter se manifestado sobre a tributação ou não das atividades operacionais das pessoas jurídicas, o Despacho Decisório ignorou que o Acórdão transitado em julgado dispôs expressamente que deve ser observada a base de cálculo prevista no art. 2º da LC nº 70, de 1991 (e não os dispositivos da Lei nº 9.718/98), que prevê de forma clara que faturamento deve ser entendido como a receita bruta das vendas de mercadorias, de mercadorias e serviços e de serviços de qualquer natureza, sem qualquer menção à atividade principal da pessoa jurídica ou às receitas operacionais. Fl. 1618DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 5 4 O Parecer PGFN/CAT nº 2.273/2007 e o Despacho Decisório imputam às decisões do STF e à própria LC nº 70/91 afirmação que não está lá, no sentido de que o faturamento corresponderia à receita operacional das pessoas jurídicas. Dessa forma, é totalmente insubsistente a alegação do Despacho Decisório de que, como não teria formulado pedido específico para que suas receitais financeiras fossem classificadas como não operacionais e estivessem fora da composição da base de cálculo da Cofins, seria devida a contribuição sobre essas receitas. O pedido expresso foi no sentido de recolhimento da Cofins com base na LC nº 70/91, a qual já delimita a incidência da contribuição apenas sobre as vendas de mercadorias e serviços. Não sendo as receitas de operações de instituições financeiras advindas da venda de mercadorias e serviços, obviamente estão fora do campo de incidência da Cofins. Lembra que quando se pretendeu exigir das instituições financeiras o PIS sobre base de cálculo diversa do faturamento, previuse expressamente na legislação uma grandeza diversa de “receita de prestação de serviços e venda de mercadorias”, como no caso do Fundo Social de Emergência , em que se estabeleceu que a base de cálculo do PIS seria a “receita bruta operacional nos termos da legislação do imposto de renda”, conceito que procurava expandir a base de cálculo para além do simples “faturamento”, como disposto no art. 2º da LC nº 70/91. Transcreve, em seguida, trechos dos Pareceres de dois juristas sobre o tema (íntegra em anexo), os quais concluem não ser possível a equiparação das receitas oriundas das atividades empresarias com as receitas de vendas de mercadorias e da prestação de serviços para a delimitação do conceito de faturamento e sobre a impossibilidade de se diferenciar esse conceito em relação a determinado segmento econômico para permitir a tributação de receitas distintas das obtidas de vendas e prestação de serviços. A fiscalização olvidou que a Procuradoria da Fazenda Nacional empreendeu todos os esforços para fazer prevalecer nos autos da ação judicial o entendimento manifestado no parecer PGFN/CAT nº 2.773/2007, mas os recursos por ela interpostos foram todos desprovidos, tendo prevalecido o Acórdão do TRF da 1ª Região. A PGFN reconheceu em seu Recurso Extraordinário que o referido Acórdão havia autorizado a apuração da Cofins com base na receita de prestação de serviços (faturamento) sem considerar o valor das receitas financeiras e por esse motivo incluiu um tópico em seu recurso chamado “Inaplicabilidade das decisões proferidas no STF ao caso em tela”, para tentar reformar o Acórdão e ampliar o alcance do termo faturamento, como se ele englobasse todas as receitas decorrentes do objeto social da empresa. Portanto, o Despacho Decisório vai de encontro ao que a própria PGFN afirmou em juízo acerca do conteúdo do Acórdão proferido pelo TRF da 1ª Região, ou seja, que esse Acórdão viabiliza “que as Autoras/Recorridas se furtem ao pagamento da Cofins sobre as receitas de suas atividades típicas”. Assim, operouse a preclusão consumativa em relação à discussão trazida pelo fisco, pois não é juridicamente possível trazer argumentos já discutidos na via judicial para tentar mitigar a coisa julgada na esfera administrativa, pois esses argumentos não tiveram força para impedir a sua efetivação. A esse respeito, cita os arts. 473 e 474 do CPC. Fl. 1619DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 6 5 Traz, sobre o tema, decisões judiciais do STJ e do TRF da 3ª Região e Reclamação interposta pela União ao STF. Apresenta também decisões do CARF que adotaram o mesmo entendimento que defende, nos quais foi expressamente reconhecida a impossibilidade de revisão da coisa julgada, resguardandose o direito da entidade financeira de recolher o PIS sem a inclusão das receitas financeiras na base de cálculo da contribuição. Conclui que, nos termos da decisão judicial, a base de cálculo da Cofins não deve ser extraída da interpretação do fisco sobre os demais dispositivos da Lei nº 9.718/98 não declarados inconstitucionais, mas unicamente do art. 2º da LC nº 70/91, que delimita de forma rígida quais receitas devem ser computadas no conceito de faturamento. Em outro tópico, explicita o conceito de faturamento de acordo com a jurisprudência do STF (valor das receitas decorrentes de operações de venda de mercadorias, em conta própria ou alheia, e operações de prestação de serviços), ressaltando que até o advento da Lei 9.718/98 as diversas normas exaradas pelo legislador respeitaram esse conceito. Registra os entendimentos adotados por esse Tribunal no julgamento da inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, declarada definitivamente em 09/11/2005 quando do julgamento dos Recursos Extraordinários (RE) nºs 346.084, 390.840, 358.273 e 357.950. Destaca o voto do Ministro Marco Aurélio, relator do recurso considerado o leading case, que definiu faturamento como “... o que decorra quer da venda de mercadorias, quer da venda de mercadorias e serviços, quer da venda de serviços, não se considerando receita de natureza diversa.” Ressalta que o STF, nos diversos julgados, não fez distinção sobre a variedade de ramos de atividade econômica dos contribuintes, determinando, de forma indistinta, que faturamento equivale à receita decorrente da venda de mercadorias e da prestação de serviços, e também não utilizou os conceitos de receita operacional e não operacional como forma de diferenciação entre faturamento e receita bruta. Traz o voto de outros Ministros, enfatizando que todos eles tiveram esse entendimento sobre o conceito de faturamento, válido também para as instituições financeiras. A definição constitucional não pode abranger situação em que não está se cobrando preço, nem celebrando negócio de natureza bilateral e contraprestacional. Não é o fato de determinada receita resultar da exploração do objeto social da pessoa jurídica que se está diante de faturamento. A legislação fiscal, ao dispor que o lucro operacional da empresa é o resultado das suas atividades normais, não autoriza cobrança da Cofins sobre os ingressos decorrentes das atividades típicas, pois, nesse caso, estariase restaurando, ainda que parcialmente, a eficácia do §1º do art. 3º da Lei nº 9.178/98, julgado inconstitucional. O STF interpretou a expressão receita bruta presente do caput do art. 3º da Lei nº 9.718/98 de forma a estreitar o seu entendimento até fazê lo coincidir com a noção de faturamento como aquele decorrente da prestação de serviços e da venda de mercadorias. E os §5º e 6º desse artigo, não declarados inconstitucionais, tratam de exclusões da base de cálculo que só fazem sentido se fosse aceita pelo STF uma base de cálculo ampla e irrestrita. No entanto, foi considerada inconstitucional a inclusão de todas as receitas na base de cálculo da contribuição. Fl. 1620DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 7 6 Volta a afirmar que a fiscalização ignora o decidido no seu caso concreto, que, muito além de declarar este ou aquele artigo da Lei nº 9.718/98 inconstitucional, decidiu que a receita bruta a que se refere a Lei engloba tãosomente as vendas de mercadorias e serviços, como consignado na LC nº 70/91. Aborda ainda o reconhecimento pelo STF em repercussão geral do RE nº 609.096, em que se discute a composição da base de cálculo do PIS/Cofins para as instituições financeiras. Entende que o STF identificou uma nova discussão e que, mesmo se decidido em favor da União, não poderá haver aplicação ex tunc sobre sentenças transitadas em julgado há mais de dois anos que tenham entendimento contrário ao eventual novo posicionamento do Tribunal, como no caso concreto. Destaca que a MP nº 627/2013, convertida na Lei nº 12.973/2014, definiu que o conceito de receita bruta operacional de que trata o art. 12 do Decretolei nº 1.598/97 passará a compreender também “as receitas da atividade ou objeto principal da pessoa jurídica, não compreendidos nos incisos I a III”, o que corrobora o entendimento de que a LC nº 70/91 nunca previu a incidência do PIS/Cofins sobre as receitas decorrentes das atividades principais da pessoa jurídica. A citada Lei também alterou o art. 3º da Lei nº 9.718/98. Assim, somente a partir de 01/01/2015, quando a Lei nº 12.973/2014 entrou em vigor, a receita bruta operacional passou a ser não apenas aquela decorrente da venda de bens e serviços, como pacificado pelo STF, mas toda a receita do objeto social das empresas, ou seja, até essa data, a receita operacional não compreendia a base de cálculo das instituições financeiras. Caso contrário, seria inútil a referida alteração prevista na Lei nº 12.973/2014. Transcreve a manifestação do relator da MP nº 627/2013 no processo legislativo da sua conversão em Lei, que afirmou que essa MP trazia “fato gerador novo, inaugural no mundo jurídico tributário”, reconhecendo que antes da alteração em questão não havia que se falar em exigência do PIS/Cofins sobre as atividades principais da pessoa jurídica. Reproduz também manifestação da Consultoria Tributária da Câmara dos Deputados sobre as inovações da MP. Conclui que a MP nº 627/2013 e a Lei nº 12.973/2014 vieram alterar o ordenamento jurídico com a desvinculação da base de cálculo do PIS/Cofins ao faturamento e a tributação das receitas operacionais, mas apenas após a vigência da Lei. E se o STF entender que antes dessa alteração legislativa a base de cálculo do PIS/Cofins compreendia as receitas operacionais, esse entendimento não será aplicável, tendo em vista o trânsito em julgado da Ação Rescisória. Por fim, requer seja acolhida a sua defesa para que seja reformado o Despacho Decisório e homologadas todas as compensações declaradas; seja outorgado à manifestação de inconformidade o efeito de suspender a exigibilidade do crédito tributário; e seja reconhecida a conexão com o processo nº 16327.721033/201458. AUTO DE INFRAÇÃO – PROCESSO Nº 16327.721033/201458 Em decorrência da não homologação das compensações de que trata o presente processo, foi lavrado Auto de Infração para a exigência de multa isolada, que deu origem ao processo administrativo nº 16327.721033/201458, em apenso. Ressaltese que todas as referências a números de folhas feitas neste item do relatório se referem ao processo apenso. Fl. 1621DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 8 7 No Termo de Verificação Fiscal (fls. 3/7), a fiscalização, após citar os arts. 113, 114, 139 e 144 do CTN, sustenta que a aplicação de multa isolada de 50% sobre o valor do crédito objeto de declaração de compensação não homologada encontrase expressamente prevista no art. 74, §17, da Lei nº 9.430/96, alterado pela Lei nº 12.249/2010, em vigor no período em que as compensações foram declaradas (18/03/2014 a 03/10/2014). A matéria foi regulamentada à época pela IN SRF nº 900/2008, em seu art. 38, §1º, inciso I. A mesma previsão encontrase no art. 45 da IN RFB nº 1.300/2012, atualmente em vigor. A penalidade pecuniária tem como fato gerador o ato de promover a compensação posteriormente não homologada, ou seja, considerase ocorrido o fato gerador da multa isolada na data de apresentação da Declaração de Compensação, pois neste momento houve a transgressão de norma previamente estabelecida, a qual exige o aproveitamento de crédito líquido e certo, passível de restituição. A base de cálculo para lançamento da multa isolada corresponde ao total do crédito utilizado, o que equivale ao total do débito expressamente confessado na Declaração de Compensação, com os respectivos acréscimos legais cabíveis. O cálculo da multa isolada foi efetuado no percentual de 50% sobre os valores das compensações não homologadas, totalizando o montante de R$ 6.477.451,14. Cientificado da autuação em 19/12/2014 (fl. 18), o contribuinte apresentou, em 13/01/2015, a impugnação de fls. 22/46, acompanhada dos documentos de fls. 48/82, na qual apresenta as alegações a seguir sintetizadas. Inicialmente, relata os fatos que levaram à emissão do Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações pleiteadas de créditos de Cofins decorrentes do trânsito em julgado da Ação Rescisória nº 2006.01.00.0107238/MG. Sobre o presente lançamento, diz que a nova multa isolada de 50%, prevista no §17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96, é incompatível com a sistemática da compensação por homologação, porque inexiste dano a ser penalizado (já que o débito não compensado será cobrado) e porque essa sistemática já contempla penalidade específica para a não homologação do crédito, o que implica dizer que a multa isolada representa uma dupla penalidade. Ademais, essa multa implica abusiva limitação ao direito de petição, à ampla defesa e ao contraditório e ao próprio direito de pleito à compensação do indébito, em franca violação dos princípios da boafé, moralidade e proporcionalidade, além da vedação ao não confisco. No lançamento por homologação, é imprescindível o mecanismo da compensação tributária para corrigir eventuais erros no cálculo e no recolhimento do tributo, de forma a assegurar uma rápida e eficaz recuperação do indébito tributário e a evitar o enriquecimento ilícito da Administração e erros que impliquem a perda da arrecadação de tributos devidos. Apesar da autorização, prevista no art. 170 do CTN, para que cada ente, de acordo com a sua conveniência, institua o procedimento de compensação, essa competência está vinculada ao princípio da legalidade e ao crivo da constitucionalidade. Em seguida, descreve as multas previstas na atual sistemática da compensação (multa de mora de 20% e multa isolada de 150%) e afirma que a partir da Lei nº 12.249/10 foi instituída nova modalidade Fl. 1622DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 9 8 de multa isolada no percentual de 50% sobre o débito não compensado, que deve ser aplicada mesmo nos casos de mera divergência de entendimento entre o contribuinte e a Receita sobre a existência ou o valor do crédito, sem qualquer suspeita de falsidade na declaração do contribuinte. No caso de a compensação não ser homologada, inexiste dano, uma vez que o fisco irá cobrar os valores não homologados. A ampliação do campo de aplicação da multa isolada implica a dupla penalização do contribuinte pelo suposto cometimento de uma única infração, contrariando a sistemática da compensação e da imposição de penalidades. Salienta que o STJ há muito pacificou o entendimento de que não há distinção entre a multa moratória e a punitiva, sendo ambas penalidades impostas em razão de uma infração. Assim, a exigência cumulativa das multas de 20% e 50% é inadmissível e caracteriza o bis em idem, por se tratarem de duas multas aplicáveis sobre uma única infração/obrigação, isto é, a suposta falta de recolhimento do imposto. A eventual não homologação da compensação, que é uma conduta lícita, já é suficientemente punida pela multa de 20%, além de o débito decorrente não poder ser objeto de novas compensações e ficar sujeito à inscrição em dívida ativa e cobrança imediata, o que implica o risco de inclusão do contribuinte no Cadin e impossibilidade de renovação da sua certidão de regularidade fiscal. Portanto, não há qualquer fundamento razoável capaz de justificar a imposição de tal penalidade, quando não se constata a intenção de burlar a legislação tributária. Cita entendimento do STF sobre o tema e defende que não se pode admitir a cobrança da multa isolada no caso concreto. Argumenta que o lançamento da multa isolada, ainda que não seja considerada bis in idem, implica violação ao direito de petição, ao devido processo legal, à ampla defesa e ao contraditório, previstos constitucionalmente, uma vez que inibe a busca de crédito pelo procedimento de compensação, na medida em que impõe que uma conduta lícita possa ser severamente punida. O direito de petição dá ao particular a faculdade de reivindicar e exigir soluções e impede o Poder Público de impor sanções por não aprovar ou acolher o simples requerimento realizado. Ao aplicar a multa de 50% como resposta a esse direito, o fisco viola o direito de petição e o próprio direito à compensação, na medida que impõe uma multa em razão da mera pretensão de compensação de débitos declarados/confessados, que podem ser exigidos imediatamente, com valores recolhidos indevidamente ou a maior. Transcreve decisão do TRF da 4º Região que declarou inconstitucionais os §§ 15 e 17 do art. 74 da Lei nº 9.430/96. Lembra também que está em trâmite no STF a ADI nº 4.905 ajuizada pela Confederação Nacional das Indústrias no mesmo sentido. Reafirma que o contribuinte não pode ser penalizado por ato legitimamente permitido (requerer a compensação), ou seja, por ato não infracional, e por divergir do fisco quanto aos valores objeto da compensação, uma vez que se trata de interpretação da legislação tributária, de ampla complexidade, o que causa inúmeras controvérsias acerca de valores. Essa divergência não pode ser considerada má fé do contribuinte, a qual justificaria a imposição da multa isolada de 150%, mas nunca a de 50%. Fl. 1623DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 10 9 Salienta que a RFB noticiou a redução considerável dos pedidos de compensação após a entrada em vigor da nova multa, o que demonstra a intimidação dos contribuintes e o manifesto cerceamento do seu direito de petição. Argumenta ainda que a multa isolada de 50% não é razoável e claramente desproporcional. Como o simples pedido de compensação não implica qualquer prejuízo à Administração, que poderá exigir os valores correspondentes às compensações não homologadas imediatamente, a imposição da multa isolada de 50% acrescida da multa de 20% caracteriza a natureza de sanção política daquela, o que é abominado pela ordem constitucional. A indução ao pagamento de uma exação mediante interdição ou restrição ao direito dos contribuintes é um tratamento estatal arbitrário e inadmissível num Estado Democrático de Direito. A exigência dessa multa carece de plausibilidade jurídica, pois cria uma penalidade completamente desvinculada da prática de um ilícito, de forma atentatória à moralidade, além de representar embaraço ao exercício de um direito constitucionalmente assegurado. A inequívoca desproporção entre o desrespeito à norma e a consequência jurídica (a multa) evidencia também o caráter confiscatório da punição, atentando contra o patrimônio do contribuinte. A multa fiscal não pode ser transformada em instrumento de arrecadação, devendo guardar proporção com a gravidade da conduta. Sobre o assunto, cita jurisprudência do STJ. Assim, diante da inconstitucionalidade e da ilegalidade da multa isolada de 50%, que viola o direito à compensação de forma desarrazoada e desproporcional, deve ser cancelado integralmente o Auto de Infração. No item “Impossibilidade da aplicação de multa isolada – suficiência dos créditos de Cofins para liquidar as compensações”, o contribuinte reitera os argumentos apresentados na manifestação de inconformidade contra o Despacho Decisório que homologou parcialmente as compensações declaradas, já relatados anteriormente. Por fim, requer seja cancelado o Auto de Infração, seja porque a multa isolada de 50% não é compatível com o instituto da compensação, além de violar os princípios da razoabilidade e da proporcionalidade, ou porque possui créditos suficientes para a homologação de todos os Per/Dcomps transmitidos. A Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento negou provimento a manifestação de inconformidade. A decisão foi assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 30/06/1999 a 28/02/2006 INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. BASE DE CÁLCULO. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. A declaração de inconstitucionalidade do §1º do art. 3º da Lei 9.718/98 não alcança as receitas típicas das instituições financeiras e assemelhadas. As receitas oriundas da atividade operacional, incluindo as receitas de intermediação financeira, compõem o faturamento Fl. 1624DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 11 10 dessas entidades e a base de cálculo da Cofins, já que são decorrentes do exercício de suas atividades empresariais. AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA ISOLADA. COMPENSAÇÃO NÃO HOMOLOGADA. A aplicação da multa isolada de 50% calculada sobre o valor do crédito objeto de compensação não homologada encontrase expressamente prevista na legislação que rege a matéria, sendo defeso ao órgão de julgamento administrativo afastála. Manifestação de Inconformidade Improcedente Direito Creditório Não Reconhecido Cientificada da decisão, o sujeito passivo interpôs recurso voluntário repisando as alegações já apresentadas na impugnação. É o Relatório. Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. Trata o presente processo de discussão acerca da base de cálculo das contribuições a ser utilizada para as instituições financeiras. Em recente decisão da Terceira Turma da Câmara Superior de Recursos Fiscais, foi decidido no Acórdão 9303005.051 pela não incidência do PIS e da COFINS sobre as receitas financeiras próprias destas instituições. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2001 a 31/12/2005 PROCESSUAL CIVIL. LIMITES OBJETIVOS DA COISA JULGADA. EFEITO SUBSTITUTIVO. Matéria que foi objeto de Recurso de 1º Grau, prevalece a decisão de segundo grau em substituição da decisão recorrida. BASE DE CÁLCULO. DECLARAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DO §1º DO ART. 3º DA LEI Nº 9.718/98. INSTITUIÇÕES FINANCEIRAS. RECEITAS OPERACIONAIS. As receitas operacionais decorrentes das atividades do setor financeiro (serviços bancários e intermediação financeira) estão incluídas no conceito de faturamento/receita bruta a que se refere a Lei Complementar nº 70/91, não tendo sido afetado pela alteração no conceito de faturamento promovida pela Lei nº 9.718/98. Fl. 1625DF CARF MF Processo nº 16327.720228/201481 Resolução nº 3201001.195 S3C2T1 Fl. 12 11 Não se incluem no conceito de receitas operacionais auferidas pelas instituições financeiras as provenientes da aplicação de recursos próprios e/ou de terceiros. Considerando a posição adotada pela Câmara Superior, entendo necessário a conversão do presente julgamento em diligência para que a Unidade de Origem intime a Recorrente a apresentar o detalhamento de todas as suas receitas, esclarecendo aquelas que tem origem em aplicações financeiras de recursos próprios e aquelas aplicações financeiras referentes a recursos de terceiros. A resposta da Recorrente deverá trazer descrição de cada uma dessas rubricas. A Unidade de Origem, a partir da resposta da Recorrente, poderá se manifestar, caso entenda necessário, sobre as informações apresentadas, devendo cientificar a Recorrente do relatório fiscal para manifestação no prazo de 30 (trinta) dias e em seguida os autor deverão retornar a este Conselho para prosseguimento do julgamento. Winderley Morais Pereira Fl. 1626DF CARF MF
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Numero do processo: 13609.900608/2008-02
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu May 26 00:00:00 UTC 2011
Ementa: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL
Ano calendário:2004
ERRO NO PREENCHIMENTO DE DCOMP. APRECIAÇÃO.
CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de
defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa.
Recurso Voluntário Provido em Parte.
Numero da decisão: 1402-000.578
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para superar a prejudicial de erro no preenchimento da DCOMP e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que aprecie a regularidade do crédito, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator) e Sérgio Luiz Bezerra presta, que davam provimento ao recurso. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta,
Nome do relator: Carlos Pelá
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APRECIAÇÃO. CABIMENTO. Cumpre a autoridade administrativa apreciar alegações de defesa, no sentido de que incorreu em erros de preenchimento da Declaração Compensação – DCOMP, inexistindo amparo legal para essa negativa. Recurso Voluntário Provido em Parte. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para superar a prejudicial de erro no preenchimento da DCOMP e determinar o retorno dos autos à Unidade de origem, para que aprecie a regularidade do crédito, vencidos os Conselheiros Carlos Pelá (relator) e Sérgio Luiz Bezerra presta, que davam provimento ao recurso. Tudo nos termos do relatório e votos que passam a integrar o presente julgado. O Conselheiro Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira votou pelas conclusões. Designado para redigir o voto vencedor o Conselheiro Antônio José Praga de Souza. Ausente momentaneamente o Conselheiro Moises Giacomelli Nunes da Silva. Presente no julgamento, o Conselheiro Sérgio Luiz Bezerra Presta, (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Carlos Pelá Relator (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Redator Designado Fl. 1DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/200802 Acórdão n.º 140200.578 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Jaci de Assis Junior, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório Trata o presente processo de solicitação de compensação, transmitida pela Recorrente por meio de PER/DCOMP que não foi homologada por suposta inexistência de crédito disponível para compensação do débito informado. A Recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade, aduzindo em síntese que: (i) A autoridade fazendária se equivocou, porquanto a empresa faz jus à homologação do crédito, não por se tratar de pagamento indevido, mas por se tratar de saldo negativo de IRPJ; (ii) O erro material no preenchimento do PER/DCOMP não pode resultar em perda do direito ao crédito, conforme entendimento jurisprudencial do Conselho de Contribuintes; (iii) A Lei 9.430196 e a IN n° 210, de 2002, vigentes à época do pedido de compensação, não previam a não homologação do crédito na hipótese de erro material. A 2ª Turma de Julgamento da DRF de Belo Horizonte, indeferiu a solicitação da Recorrente ao fundamento de que a alegação de erro no preenchimento da DCOMP não poderia ser admitida, vez que a retificação da origem do crédito tem a mesma natureza de uma Declaração de Compensação de débitos não homologados, o que não é permitido pela legislação. Irresignada, a Recorrente apresenta peça recursal, repisando os argumentos da peça impugnatória e argumentando que a fundamentação legal utilizada pela decisão recorrida não era válida há época da declaração de compensação (ano de 2004), a saber, art. 56 da IN SRF n° 460, de 18/10/2004, art. 657 da IN SRF n° 600, de 28/12/2005, e art. 77 da IN RFB n° 900 de, 30 de dezembro de 2008. É o Relatório. Fl. 2DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/200802 Acórdão n.º 140200.578 S1C4T2 Fl. 3 3 Voto Vencido Conselheiro Carlos Pelá, Relator Conheço do Recurso por ser tempestivo, por atender aos requisitos de admissibilidade e por conter matéria de competência deste Conselho. Verificando os documentos anexados pela Requerente (DARF's, PERD/COMP e DIPJ fls.36 a 54), percebese que a empresa faz jus à homologação do crédito, não por configurar pagamento indevido ou a maior, mas por estar configurada a existência de saldo negativo de IRPJ. Dessa forma, entendo que não pode a Requerente ser prejudicada na compensação do saldo negativo acumulado em razão de erro material no preenchimento do PERD/COMP. A jurisprudência deste Conselho reconhece que mero erro de fato no preenchimento de declarações e documentos relativos às obrigações acessórias dos contribuintes não podem implicar em cobrança de tributo, desde que a obrigação principal tenha sido devidamente satisfeita. Vejamos: ERRO MATERIAL — Ocorre erro material suscetível de retificação quando há divergência facilmente perceptível entre o que foi escrito e aquilo que se queria ter escrito, normalmente revelada no próprio contexto da declaração ou através de circunstâncias em que a declaração é feita. (..). (Acórdão 180300.256, CARF 1a. Seção 3a. Turma Especial, Data de decisão: 09/12/2009, publicada em: 09/12/2009) IRRF COMPENSAÇÃO ERRO NO PREENCHIMENTO DIPJ PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL Tendo sido devidamente comprovado nos autos,através da diligência fiscal realizada, que a contribuinte cometeu erro de fato no preenchimento de sua Declaração de Rendimentos, em observância ao principio da verdade material, deve ser reconhecido o direito creditório em favor da contribuinte. ACÓRDÃO 110100.132, CARF 1a. Seção 1a. Turma da 1a. Câmara, Data de decisão: 18/06/2009, publicada em: 18/06/2009) Com efeito, invoco o princípio da verdade material para decidir com base nos fatos que representam a realidade do contribuinte, afastando o lançamento e as exigências dele decorrentes. Ademais, acrescento que a autoridade fiscal deve observar a legislação de regência vigente à época em que foi transmitida a declaração de compensação pretendida pelo sujeito passivo. Posto isso, voto no sentido de dar provimento ao recurso para reconhecer o erro do contribuinte no preenchimento da declaração e homologar a compensação efetuada pelo contribuinte até o limite do crédito disponível. (assinado digitalmente) Carlos Pelá Fl. 3DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/200802 Acórdão n.º 140200.578 S1C4T2 Fl. 4 4 Voto Vencedor Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tal qual o ilustre Relator, não comungo do entendimento do nobre Relator do Acórdão Recorrido. Isso porque não há impedimento legal para reconhecimento de erro material cometido no preenchimento de declaração, desde que realmente seja um erro de fato. A Instrução Normativa No. 900/2008, artigos 76 e seguintes, vedaria a retificação de erros dessa natureza, mas repito, não há vedação legal nesse sentido. Este Conselho já reconheceu a possibilidade da comprovação de erro no preenchimento de declarações no transcurso do processo administrativo. Vejamos alguns julgados que amparam esse entendimento. Acórdão 10808689, de 25/1/2006 IRPJ ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO – Uma vez demonstrado o erro no preenchimento da declaração, deve a verdade material prevalecer sobre a formal, e exigido o valor efetivamente devido conforme o lucro real. Acórdão 10194955, de 15/04/2005 IRPJ AUDITORIA EM DCTF FALTA DE PAGAMENTO. Comprovado que a diferença apurada na auditoria deveuse, exclusivamente, a erro no preenchimento da declaração, cancelase o auto de infração. Acórdão 10321472, de 5/12/2003 CSLL ERRO O PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE RENDIMENTOS POSSIBILIDADE DE RETIFICAÇÃO DA MATÉRIA TRIBUTÁVEL IMPRESCINDÍVEL COMPROVAÇÃO MATERIAL DO EQUÍVOCO OU DO ERRO DE FATO A ordem jurídica vigente não permite a cobrança de tributos sem que seja procedida a determinação da matéria tributável, consoante dispõe o artigo 142 do CTN. Entretanto, nos casos em que o contribuinte não logra comprovar, materialmente, os equívocos ou erros de fato que teria cometido quando do preenchimento da declaração não vejo como não prevalecer à tributação pretendida exclusivamente com base no procedimento sumário de revisão das declarações de ajuste (malhas fiscais). Portanto, cabível a apreciação do mérito pela autoridade administrativa, qual seja o erro no preenchimento da declaração, levandose em conta eventuais compensações posteriores com o mesmo crédito pleiteado. Fl. 4DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 13609.900608/200802 Acórdão n.º 140200.578 S1C4T2 Fl. 5 5 Divirjo do entendimento do ilustre relator quanto a possibilidade do imediato provimento do recurso, pois, o mérito ainda não foi analisado seja DRF, seja pela DRJ. Conclusão Diante do exposto, voto no sentido dar provimento parcial ao recurso e determinar o retorno dos autos à DRF de Origem, para que aprecie a DCOMP, levando em consideração o erro no preenchimento, adentrando ao mérito. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 5DF CARF MF Emitido em 20/11/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA, Assinado digitalmente em 15/ 11/2011 por CARLOS PELA, Assinado digitalmente em 20/11/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Ass inado digitalmente em 25/10/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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