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Numero do processo: 11522.720796/2016-13
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Apr 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR JUNTADAS AO PROCESSO. COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA PARA EFEITOS FISCAIS.
Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo.
A prova tem que ser apresentada, não basta alegação da ocorrência ou da condição.
Necessária a apresentação de comprovação de dependência para efeitos fiscais. Não cumprida adequadamente a comprovação.
Numero da decisão: 2001-000.202
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(Assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente
(Assinado digitalmente)
Jose Alfredo Duarte Filho - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira.
Nome do relator: JOSE ALFREDO DUARTE FILHO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 DESPESAS MÉDICAS GLOSADAS. DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR JUNTADAS AO PROCESSO. COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA PARA EFEITOS FISCAIS. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. A prova tem que ser apresentada, não basta alegação da ocorrência ou da condição. Necessária a apresentação de comprovação de dependência para efeitos fiscais. Não cumprida adequadamente a comprovação.
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DEDUÇÃO MEDIANTE RECIBOS OU DOCUMENTAÇÃO HÁBIL. PROVAS DEVEM ESTAR JUNTADAS AO PROCESSO. COMPROVAÇÃO DE DEPENDÊNCIA PARA EFEITOS FISCAIS. Recibos de despesas médicas têm força probante para efeito de dedução do Imposto de Renda Pessoa Física. Porém, a documentação probatória deve estar de acordo com o disposto na lei e devidamente juntada ao processo. A prova tem que ser apresentada, não basta alegação da ocorrência ou da condição. Necessária a apresentação de comprovação de dependência para efeitos fiscais. Não cumprida adequadamente a comprovação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (Assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Relator AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 52 2. 72 07 96 /2 01 6- 13 Fl. 68DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Jorge Henrique Backes, Jose Alfredo Duarte Filho, Fernanda Melo Leal e José Ricardo Moreira. Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto contra decisão de primeira instância que julgou improcedente a impugnação do contribuinte, em razão da lavratura de Auto de Infração de Imposto sobre a Renda de Pessoa Física – IRPF, por glosa de Despesas Médicas. O lançamento da Fazenda Nacional exige do contribuinte a importância de R$ 4.780,31, a título de imposto de renda pessoa física, acrescida da multa de ofício de 75% e juros moratórios, referente ao anocalendário de 2014, referente ao que segue: O fundamento básico do lançamento, conforme consta da decisão de primeira instância, aponta como elemento da decisão da lavratura do lançamento, o fato de que o Recorrente não deveria ter apresentado comprovação dos pagamentos de despesas médicas de outras pessoas que não figuram como dependentes do Contribuinte na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda de pessoa física. A constituição do acórdão recorrido segue na linha do procedimento adotado na feitura do lançamento, notadamente no que se refere à posição de que não deveriam ser abatidas despesas médicas com plano de saúde que inclui pessoas que não são da sua dependência para efeitos fiscais, conforme declaração de ajuste do imposto sobre a renda do Recorrente, como segue: (...) (...) No mérito, argumenta em síntese que houve erro no preenchimento da declaração, pois a elaborou em conjunto com o cônjuge exatamente em razão da despesa com o plano de saúde, que não podia ser arcada separadamente por ela. Como não foi aceito o seu procedimento, apresentou em 05/07/2016 declaração em separado para o cônjuge, e requer agora a retificação da sua declaração para considerar apenas as despesas médicas próprias, no valor de R$23.344,96 (fl.3). (...) No mérito, a legislação tributária estabelece que as despesas médicas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual. O contribuinte invoca o direito de retificar a sua declaração para excluir as despesas médicas com o plano de saúde do cônjuge. Porém, esta não foi a despesa glosada no lançamento, mas a de quatro outros beneficiários que não são dependentes do contribuinte, relacionados em sua declaração. Além do que a retificação que pleiteia é vedada expressamente pela legislação tributária após a notificação do lançamento, como dispõe o art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN): Art. 147 (...). Fl. 69DF CARF MF Processo nº 11522.720796/201613 Acórdão n.º 2001000.202 S2C0T1 Fl. 69 3 § 1º A retificação da declaração por iniciativa do próprio declarante, quando vise a reduzir ou a excluir tributo, só é admissível mediante comprovação do erro em que se funde, e antes de notificado o lançamento. (grifouse) Isso posto, voto pela improcedência da impugnação, mantendo o crédito tributário exigido, com os acréscimos legais pertinentes. Assim, conclui o acórdão vergastado pela 1mprocedência da impugnação para manter a exigência de imposto suplementar no valor de R$ 4.780,31, referente à glosa do valor das despesas médicas, com plano de saúde. Por sua vez, com a decisão do Acórdão da DRJ, o Recorrente apresenta recurso voluntário com as considerações e argumentações que entende justificável ao seu procedimento, nos termos que segue: (...) É o relatório. Fl. 70DF CARF MF 4 Voto Conselheiro Jose Alfredo Duarte Filho Relator O Recurso Voluntário é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. O que se evidencia com facilidade de visualização é que o Recorrente utilizouse de abatimento do imposto sobre a renda mediante apresentação de documentação que inclui outras pessoas que não são justificadamente seus dependentes para efeito de dedução do imposto, em desacordo, portanto, com os temos da legislação. O texto base da divergência interpretativa está contido no inciso II, alínea “a” e no § 2º, do art. 8º, da Lei nº 9.250/95, regulamentados nos parágrafos e incisos do art. 80 do Decreto nº 3.000/99 – RIR/99, em especial no que segue: Art. 80. Na declaração de rendimentos poderão ser deduzidos os pagamentos efetuados, no anocalendário, a médicos, dentistas, psicólogos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, terapeutas ocupacionais e hospitais, bem como as despesas com exames laboratoriais, serviços radiológicos, aparelhos ortopédicos e próteses ortopédicas e dentárias. § 1º O disposto neste artigo (Lei nº 9.250, de 1995, art. 8º, § 2º): (...) II restringese aos pagamentos efetuados pelo contribuinte, relativos ao próprio tratamento e ao de seus dependentes; (grifei). III limitase a pagamentos especificados e comprovados, com indicação do nome, endereço e número de inscrição no Cadastro de Pessoas Físicas CPF ou no Cadastro Nacional da Pessoa Jurídica CNPJ de quem os recebeu, podendo, na falta de documentação, ser feita indicação do cheque nominativo pelo qual foi efetuado o pagamento; É clara a disposição de que a exigência da legislação especificada aponta para o comprovante de pagamento originário da operação, corriqueiro e usual, assim entendido como o recibo ou a nota fiscal de prestação de serviço, que deverá contar com as informações exigidas para identificação, de quem paga e de quem recebe o valor, sendo que, por óbvio, visa controlar se o recebedor oferecerá à tributação o referido valor como remuneração. A lógica da exigência coloca em evidência a figura de quem fornece o comprovante identificado e assinado, colocandoo na condição de tributado na outra ponta da relação fiscal correspondente (deduçãotributação). Ou seja: para cada dedução haverá um oferecimento à tributação pelo fornecedor do comprovante. Quem recebe o valor tem a obrigação de oferecêlo à tributação e pagar o imposto correspondente e, quem paga os honorários tem o direito ao benefício fiscal do abatimento na apuração do imposto. Simples assim, por se tratar de uma ação de pagamento e recebimento de valor numa relação de prestação de serviço. Ocorre, assim, uma correspondência de resultados de obrigação e direito, gerados nessa relação, de modo que o contribuinte que tem o direito da dedução fica Fl. 71DF CARF MF Processo nº 11522.720796/201613 Acórdão n.º 2001000.202 S2C0T1 Fl. 70 5 legalmente habilitado ao benefício fiscal porque de posse do documento comprobatório que lhe dá a oportunidade do desconto na apuração do tributo, confiante que a outra parte se quedará obrigada ao oferecimento à tributação do valor correspondente. Logo, seria legítima a dedução a título de despesas médicas do valor pago pelo contribuinte, por comprovação mediante apresentação de documento hábil de seu plano de saúde, nota fiscal de prestação de serviço ou recibo, este assinado por profissional habilitado, pois tais documentos guardam ao mesmo tempo reconhecimento da prestação de serviços assim como também confirma o seu pagamento, desde que se referisse exclusivamente à pessoa do Recorrente, de vez que não constam em sua declaração de ajuste anual, outros dependentes que não sua esposa, que por sua própria informação, neste processo, consta como não mais dependente em razão da feitura de declaração em separado, a partir de retificação de declaração que ela teria realizado em 05/07/2016. Neste caso o Fisco requer a apresentação da comprovação da dependência fiscal não de sua esposa que apresentou declaração em separado, mas a das demais pessoas que aparecem na comprovação apresentada pelo Recorrente e que não figuram na declaração de ajuste anual do imposto sobre a renda como seus dependentes para efeitos fiscais. A decisão prolatada no Acórdão da DRJ se fundamenta na afirmativa de que as despesas médicas para serem deduzidas do imposto devem ter sido incorridas com o próprio declarante ou de seus dependentes legalmente comprovados, nos termos da legislação tributária, sem permissão legal para retificação de declaração nesta fase do processo administrativo, nos seguintes termos: No mérito, a legislação tributária estabelece que as despesas médicas dedutíveis restringemse aos pagamentos efetuados pelo contribuinte para o seu próprio tratamento ou o de seus dependentes relacionados na declaração de ajuste anual. O contribuinte invoca o direito de retificar a sua declaração para excluir as despesas médicas com o plano de saúde do cônjuge. Porém, esta não foi a despesa glosada no lançamento, mas a de quatro outros beneficiários que não são dependentes do contribuinte, relacionados em sua declaração. Além do que a retificação que pleiteia é vedada expressamente pela legislação tributária após a notificação do lançamento, como dispõe o art. 147, § 1º, do Código Tributário Nacional (CTN): No exame da documentação acostada ao presente processo verificase que o Recorrente não apresentou a documentação comprobatória na forma estipulada em lei para a comprovação da despesa que utilizou como dedutível na declaração de ajuste do imposto. Também não conta com a possibilidade legal de retificar a declaração de ajuste anual, nesta fase processual. Por todo o exposto, voto por conhecer do Recurso Voluntário e no mérito NEGAR PROVIMENTO, mantendo os termos do acórdão vergastado com a mantença da exigência do crédito tributário referente a imposto suplementar no valor de R$ 4.780,31. (Assinado digitalmente) Jose Alfredo Duarte Filho Fl. 72DF CARF MF 6 Fl. 73DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10611.001142/2002-20
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Feb 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 17/02/1998
IMUNIDADE DO ART. 150, VI, C, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA A IMUNIDADE.
Segundo a firme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), relativamente à operação de importação, a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988) abrange o Imposto sobre a Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fazendo jus a ela a entidade de assistência social que comprova o preenchimento dos requisitos legais (Aplicação do art. 62, § 1º, II, c, do RICARF/2015)
Recurso Voluntário Provido.
Numero da decisão: 3302-004.964
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Fernandes do Nascimento - Relator.
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: JOSE FERNANDES DO NASCIMENTO
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Data do fato gerador: 17/02/1998 IMUNIDADE DO ART. 150, VI, C, DA CONSTITUIÇÃO FEDERAL. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA A IMUNIDADE. Segundo a firme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), relativamente à operação de importação, a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988) abrange o Imposto sobre a Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fazendo jus a ela a entidade de assistência social que comprova o preenchimento dos requisitos legais (Aplicação do art. 62, § 1º, II, c, do RICARF/2015) Recurso Voluntário Provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède - Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento - Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
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IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS. IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL SEM FINS LUCRATIVOS. PREENCHIMENTO DOS REQUISITOS LEGAIS PARA A IMUNIDADE. Segundo a firme jurisprudência do Supremo Tribunal Federal (STF), relativamente à operação de importação, a imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988) abrange o Imposto sobre a Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), fazendo jus a ela a entidade de assistência social que comprova o preenchimento dos requisitos legais (Aplicação do art. 62, § 1º, II, “c”, do RICARF/2015) Recurso Voluntário Provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Relator. Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 61 1. 00 11 42 /2 00 2- 20 Fl. 571DF CARF MF 2 Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Por bem descrever os fatos, adotase o relatório que integra a Resolução nº 330200.074, proferida na Sessão de 23 de outubro de 2012, que segue integralmente transcrito: “PROCESSO A ALFÂNDEGA DO AEROPORTO INTERNACIONAL TANCREDO NEVES (MG) constituiu crédito tributário pelo lançamento, em face de SOCIEDADE MINEIRA DE CULTURA, devidamente qualificada nos autos. A exigência tributária se deu por meio dos autos de infração de fls. 0207 e 0814, inerentes ao imposto de importação e do IPIimportação, respectivamente, acrescidos da multa de oficio e dos juros de mora, perfazendo na data dos lançamentos o montante de R$ 143.285,96. AUTUAÇÃO Conforme descrição dos fatos e Relatório de Ação Fiscal de fls. 1532 (parte integrante dos autos), as mercadorias importadas por meio da Declaração de Importação (DI) n° 98/0151644 5, de 17/02/1998, objeto da isenção prevista no artigo 1° da Lei n° 8.010/90 (destinação à projeto de pesquisa científica e tecnológica), não foram utilizadas nas finalidades previstas, de modo a fazer jus ao gozo do beneficio fiscal. Como razões para lançar, a fiscalização argumentou que, de acordo com as licenças de importação que consubstanciaram a referida DI, as mercadorias se destinavam aos seguintes projetos de pesquisa: 1° " Automação de laboratórios de metrologia eletroeletrônica e melhoria das qualidades de calibração através da integração de seus equipamentos", cujo coordenador era o Prof. Márcio José da Silva; 2° " Método preciso de determinação da força eletromotriz de uma pilha padrão", cuja coordenadora era a Profª. Aparecida Terayama Sallum. Todavia: a) em relação ao 1° projeto, a bem da verdade, tratouse de projeto de investimento em infraestrutura de um laboratório de metrologia chamado "METRUM", fato confirmado pelo Prof. Marcelo Ladeira (membro do Comitê Consultivo do CNPQ) no Relatório de Inspeção n° 15/99, e que, segundo o Termo de Declarações Prestadas n°001/2002 (fls. 371 374), onde consta o depoimento levado a termo da Professora Aparecida Terayama Sallum, (...) houve prestação de serviços para a empresa Toshiba (..) prestados sem finalidade lucrativa e com enfoque na pesquisa (...) Sendo este o único serviço prestado com recebimento de valor que foi bem inferior ao praticado no mercado, e ainda que, Fl. 572DF CARF MF Processo nº 10611.001142/200220 Acórdão n.º 3302004.964 S3C3T2 Fl. 572 3 no período de 1998 a 2000, por falta de conhecimento que os equipamentos haviam sido adquiridos com benefício da Lei 8010, o Laboratório estava sendo preparado para prestação de serviços, constando também que a aquisição dos equipamentos foi concebida com a condição de serem utilizados, prioritariamente, como recurso didático em cursos executados pela Universidade (PUC MINAS) em conjunto com a Eletrobrás; b) em relação ao 2° projeto, consta que o mesmo foi iniciado em fevereiro de 1992 e concluído em junho de 1993, enquanto que a importação se deu posteriormente, em 17/02/1998. Por tais razões, entendeu estar configurado o desvio de finalidade, pelo que lavrou os autos de infração e formalizou o processo em comento. Os elementos de prova e demais peças que instruem a autuação foram juntados às folhas 33 411 (Volume 1). CIÊNCIA E DEFESA A autuada foi cientificada em 03/10/2002 (quintafeira), conforme fls. 02, 08 e 412, e apresentou suas peças impugnatórias em 04/11/2002 (segundafeira), nos termos dos documentos de fls. 420430 (Imposto de Importação) e 437447 (IPIimportação), cujo teores, por serem idênticos, podem ser resumidos conforme parágrafos seguintes. Aduz que: é uma instituição de ensino credenciada para o gozo dos benefícios da Lei n° 8.010/90 junto ao CNPq; o CNPq certificou o cumprimento das disposições, de acordo com o Certificado de Regularidade n°15/99 de modo diverso ao entendimento da fiscalização (inexistência de projeto de pesquisa no momento do fato gerador), o artigo 145 do Regulamento Aduaneiro (Dec. 91.030/85) prevê a comprovação posteriormente ao fato gerador do emprego da mercadoria nos casos de isenção vinculada à destinação dos bens; o depoimento da Sra. Aparecida Terrayama Sallum (fls. 371374) não é capaz de alterar a constatação do Parecer Técnico do CNPq (fls. 346348), já que foi tomado sem formalidade ou acareação. Alega ainda que, ainda que não fizesse jus ao beneficio fiscal da Lei 8010/90, o imposto não poderia ser exigido em face da imunidade do artigo 150, inciso VI, alínea "c", da Constituição Federal, considerando ainda que atende aos requisitos do artigo 14 do Código Tributário Nacional, e, assim sendo, argumenta que o Supremo Tribunal Federal já pacificou o entendimento no sentido que a imunidade alcança também o Imposto de Importação e o IPI, ex vi das ementas de diversos julgados (fls. 427429), bem como o então Conselho de Contribuintes, por Fl. 573DF CARF MF 4 meio da Câmara Superior de Recursos Fiscais, acompanhou o entendimento do STF, conforme ementas transcritas. Por fim, requer o provimento da impugnação e cancelamento dos lançamentos.” A DRJFortaleza/Ce julgou improcedente a impugnação (fls. 456/463), nos termos da ementa adiante transcrita: ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Período de apuração: 17/02/1998 a 19/02/1998 ISENÇÃO TRIBUTÁRIA. INAPLICABILIDADE. BENS DESTINADOS A ATIVIDADE QUE NÃO SE CONFIGURA COMO DE PESQUISA. O disposto na Lei n° 8.010/90 não se aplica às importações de bens destinados às atividades de produção, ensino, extensão, administração, assistência social e médicohospitalar, ou a qualquer outra atividade que não se configure como de pesquisa. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. PEDIDO DE RECONHECIMENTO. COMPETÊNCIA. O exercício das atividades relacionadas ao reconhecimento de imunidade tributária, inclusive a sua apreciação, é da competência regimental da unidade administrativa local, ex vi do inciso X do artigo 203 da Portaria MF n° 125/2009. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido Irresignada, a contribuinte apresentou recurso voluntário perante este Colegiado (fls. 468/479), alegando, em síntese: que o entendimento manifestado pela Fiscalização, de que os bens importados não foram destinados à pesquisa científica e tecnológica, advém tãosomente do depoimento pessoal da Profª Aparecida Terrayama Sallum (fls. 371/374), tomado sem qualquer formalidade ou acareação. Entretanto, consta dos autos Certificado de Regularidade expedido pelo CNPq, declarando que a Sociedade Mineira de Cultura vem cumprindo as disposições regulamentares no que diz respeito à utilização de bens importados sob os benefícios da Lei nº. 8.010/1990 (fls. 352/353); que, quanto à documentação associada à DI 98/01615445, o CNPq concluiu que os laboratórios foram utilizados em pesquisas realizadas por alunos de pósgraduação, vez que ali foi desenvolvido um trabalho de medição de distorção harmônica por um aluno do mestrado de engenharia elétrica, desconstituindo, assim, o entendimento inicial, de que, a princípio, não caracterizaria atividade de pesquisa, mas, sim, de investimento em infraestrutura; que a decisão recorrida entendeu que esta conclusão do CNPq não seria “a melhor expressão do direito para o gozo do benefício fiscal pretendido”, mas não indicou o porquê de considerar que o referido trabalho não comprovaria o uso dos bens em projetos de pesquisa; Fl. 574DF CARF MF Processo nº 10611.001142/200220 Acórdão n.º 3302004.964 S3C3T2 Fl. 573 5 que a exigência do artigo 1° da Lei 8.010/90 é a de que os bens sejam destinados à pesquisa científica e tecnológica, e não que sejam destinados, exclusivamente, â pesquisa científica e tecnológica. Assim, não há qualquer vedação de que os bens, além de serem utilizados para pesquisas científica e tecnológica (como foram em relação ao trabalho de medição de distorção harmônica, desenvolvido por aluno do mestrado em Engenharia Elétrica) sejam também utilizados como recurso didático em cursos executados pela PUC; que, se na revisão do lançamento, a autoridade fiscal argumenta que os requisitos da isenção do artigo 1° da Lei 8.010/90 não foram preenchidos, nada impede que a Entidade sustente a não incidência do IPI e do II sobre os bens importados com base na imunidade tributária, especialmente porque a imunidade independe de prévio reconhecimento de qualquer autoridade fiscal, que a imunidade tributária opera sem necessidade de autorizações ou despachos da autoridade fiscal. Enquadrandose na previsão constitucional, observados os requisitos legais, tem a Entidade, desde logo, direito à imunidade, independente de seu reconhecimento expresso por parte da entidade fiscal;e que, conforme estabelece o art. 32, §1º da Lei nº. 9.430/96, não há despacho de reconhecimento de imunidade, mas sim despacho de suspensão da imunidade. Dessa forma, tornase incontroverso o enquadramento na previsão constitucional do artigo 150, VI, "c", da CF, bem como o cumprimento dos requisitos legais do artigo 14 do CTN, aplicandose ao caso a imunidade em relação ao II e IPI ora exigidos; Ao final, pede o cancelamento dos lançamento do II e do IPI vinculado, seja pela isenção do art. 1º da Lei nº. 8.010/92, seja pela imunidade do art. 150, VI, “c” da Constituição Federal. Por meio da referida Resolução, o julgamento foi convertido em diligência perante a unidade de origem da Receita Federal do Brasil, para que a recorrente fosse intimada a comprovar que, à época do registro da declaração de importação, preenchia as condições para o reconhecimento da imunidade, especificamente em relação aos seguintes pontos: 1º. Demonstrar o atendimento aos requisitos previstos no artigo 14 do CTN; 2º. Demonstrar o atendimento aos requisitos previstos no parágrafo 2º do art. 12 da Lei 9.532/97. Após o esclarecimento dos pontos acima relacionados, a fiscalização da ALF Tancredo Neves (MG) poderá, se entender necessário, manifestarse sobre os fatos apurados e as provas apresentadas em decorrência da diligência. Ao fim da instrução processual a Interessada devera ser intimada para manifestarse no prazo de 30 (trinta) dias, antes da devolução do processo para julgamento. Fl. 575DF CARF MF 6 Por meio da Informação Fiscal de fls. 564/565, a autoridade fiscal prestou os seguintes esclarecimentos: a) em resposta à intimação que lhe fora endereçada, a recorrente apresentou os documentos de fls. 510/532, que, como estavam relacionados à questão jurídica diversa da isenção da Lei 8.010/1990, abstevese de manifestarse a respeito; e b) no que tange o reconhecimento de imunidade prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal, em análise formal, os elementos apresentados atendiam aos requisitos previstos no art. 14 do CTN e aos previstos no art. 12, § 2º, da Lei 9.532/1997. Em 13/9/2016, a recorrente foi cientificada da citada informação fiscal, porém não se manifestou a respeito. É o relatório. Voto Conselheiro José Fernandes do Nascimento, Relator. O recurso foi apresentado tempestivamente, trata de matéria da competência deste Colegiado e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, deve ser conhecido. A lide cingese a duas questões: a) se foram cumpridos os requisitos da isenção, prevista no art. 1º da Lei 8.010/1990, para os bens importados por meio da Declarações de Importação (DI) nº 98/0151644 5, registrada em 17/02/1998; e, alternativamente, b) se os impostos lançados (II e IPI) poderiam ser exigidos da recorrente, tendo em vista ela ser detentora da imunidade tributária prevista no art. 150, VI, “c”, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988). Os referidos preceitos legal e constitucional têm o seguinte teor, in verbis: Lei 8.010/1990: Art. 1º São isentas dos impostos de importação e sobre produtos industrializados e do adicional ao frete para renovação da marinha mercante as importações de máquinas, equipamentos, aparelhos e instrumentos, bem como suas partes e peças de reposição, acessórios, matériasprimas e produtos intermediários, destinados à pesquisa científica e tecnológica. § 1º As importações de que trata este artigo ficam dispensadas do exame de similaridade, da emissão de guia de importação ou documento de efeito equivalente e controles prévios ao despachos aduaneiro. § 2º O disposto neste artigo aplicase somente às importações realizadas pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico CNPq, e por entidades sem fins lucrativos ativas no fomento, na coordenação ou na execução de programas de pesquisa científica e tecnológica ou de ensino, devidamente credenciadas pelo CNPq. CF/1988: Art.150. Sem prejuízo de outras garantias asseguradas ao contribuinte, é vedado à União, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios: Fl. 576DF CARF MF Processo nº 10611.001142/200220 Acórdão n.º 3302004.964 S3C3T2 Fl. 574 7 [...] VI instituir impostos sobre: [...] c) patrimônio, renda ou serviços dos partidos políticos, inclusive suas fundações, das entidades sindicais dos trabalhadores, das instituições de educação e de assistência social, sem fins lucrativos, atendidos os requisitos da lei; [...] Noticiam os autos que os bens importados por meio da citada DI foram objeto de 10 (dez) Licenças de Importação (LI), sendo que os bens discriminados em 9 (nove) LI foram destinado ao projeto “Automação de laboratórios de metrologia eletroeletrônica e melhoria das qualidades de calibração através da integração de seus equipamentos” e os bens relacionados em 1 (uma) LI foram destinados ao projeto “Método preciso de determinação da força eletromotriz de uma pilha padrão”. Para a autoridade fiscal, os bens importados para aplicação em projeto de pesquisa científica e tecnológica teve outra destinação, a saber: 1) parte foram destinados para projeto de pesquisa concluído antes da realização da operação de importação; e b) a parte restante para projetos de infraestrutura, especificamente, utilizado no Laboratório de Metrologia (METRUM) do Instituto Politécnico da Pontifícia Universidade Católica de Minas Gerais (IPUC) e empregados em diversas atividades, tais como capacitação de recursos humanos, ensino, prestação de serviços, exceto na pesquisa científica e tecnológica. No que tange aos bens destinados ao primeiro projeto, há provas nos autos que demonstram que a LI foi emitida em 1997 e a DI registrada em 1998, enquanto projeto foi concluído em junho de 1993, ou seja, cerca de 5 (cinco) anos antes da importação. Assim, por notória impossibilidade material, inequivocamente, os respectivos bens não foram utilizados no referido projeto de pesquisa, o que confirma o desvio de finalidade apurado pela autoridade fiscal. Aliás, em relação a esse ponto não existe controvérsia, posto que a própria autuada nada alegou nas suas peças defensivas sobre essa constatação. Em relação aos bens destinados ao segundo projeto, o conjunto probatório coligido aos autos pela autoridade fiscal revela que os correspondentes equipamentos foram utilizados em pesquisa científica e tecnológica, mas em atividades de ensino, capacitação de recursos humanos, prestação de serviços etc. Por sua vez, a recorrente alegou que a exigência do art. 1° da Lei 8.010/1990 era a de que os bens fossem destinados à pesquisa cientifica e tecnológica, e não que fossem destinados, exclusivamente, à pesquisa cientifica e tecnológica. Logo, para a recorrente, não havia qualquer vedação de que os bens utilizados para pesquisas cientifica e tecnológica fossem “também utilizados como recurso didático em cursos executados pela PUC.” A recorrente cita o “Relatório de Inspeção n° 15/99 (fls 345 a 367)”, expedido pelo CNPq, como prova de que os bens importados foram utilizados “em projetos de pesquisa cientifica ou tecnológica.” Acontece que, no citado relatório, não foi informado, de forma conclusiva, que os equipamentos importados foram utilizados em projetos de pesquisa científica e Fl. 577DF CARF MF 8 tecnológica, mas que fora “apresentado um trabalho de medição de distorção harmônica, desenvolvido por aluno do mestrado em Engenharia Elétrica”, o que no entendimento deste Relator não constitui prova suficiente para infirmar as conclusões da autoridade fiscal acerca do desvio de finalidade do emprego dos equipamentos, apurada após exaustivo de trabalho de inspeção física, oitivas de professores e, em especial, da Coordenadora do citado laboratório. Além disso, apurou a autoridade fiscal que, no momento registro da DI (fato gerador da obrigação tributária) não existia projeto de pesquisa científica e tecnológica, e sim um projeto de estruturação de um laboratório de metrologia, o que, de forma congruente, ratifica a conclusão do desvio de finalidade dos equipamentos importados. Assim, uma vez demonstrado o desvio de finalidade dos equipamentos importados, consequentemente, os impostos que deixaram ser exigidos no momento da importação, sob condição dos bens serem destinados ao emprego em pesquisa científica e tecnológica, induvidosamente, passaram a ser devidos, em razão do descumprimento do disposto no art. 12 do Decretolei 37/1966, a seguir transcrito: Art. 12 A isenção ou redução, quando vinculada à destinação dos bens, ficará condicionada ao cumprimento das exigências regulamentares, e, quando for o caso, à comprovação posterior do seu efetivo emprego nas finalidades que motivarem a concessão. Superada a primeira questão, passase a análise da segunda questão atinente à aplicação ao caso em tela da imunidade tributária, prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/1988. Para a recorrente, se na revisão do lançamento a autoridade fiscal argumentou que os requisitos da isenção do art. 1º da Lei 8.010/1990 não foram preenchidos, nada impedia lhe de alegar em sua defesa a não incidência do IPI e do II sobre os bens importados com base na imunidade tributária, especialmente porque, ao contrário do que fora afirmado pela decisão recorrida, a imunidade tributária independe de prévio reconhecimento da autoridade fiscal. Assim, uma vez atendidos os requisitos legais previstos na norma constitucional, desde logo, a entidade tem assegurado o direito à imunidade tributária, independentemente do reconhecimento expresso por parte da entidade fiscal. E com base nos elementos apresentados pela recorrente na fase de diligência, a autoridade fiscal constatou que, sob ponto de vista formal, a recorrente atendia os requisitos fixados no art. 14 do CTN e no art. 12, § 2º, da Lei 9.532/1997, o que significa que a recorrente preenche os requisitos exigidos para gozo da imunidade prevista no citado preceito constitucional. Dado esse contexto, induvidosamente, a solução da lide passa pela definição do alcance da imunidade, prevista no art. 150, VI, “c”, da CF/1988, ou seja, se dita imunidade restringese apenas aos impostos sobre o patrimônio, renda ou serviços, segundo a classificação adotada pelo CTN, ou também alcança o Imposto de Importação (II) e o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) vinculado a importação, impostos incidentes sobre a operação de importação, por incidirem sobre bens que integrantes do patrimônio da entidade beneficiária da referida imunidade. A questão foi analisada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e encontrase pacificada no sentido de que a imunidade prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal, em favor das instituições de assistência social, abrange o II e o IPI, que incidem sobre bens a serem utilizados na prestação de seus serviços específicos. A título de exemplo, transcrevese a seguir os enunciados das ementas dos seguintes julgados: Fl. 578DF CARF MF Processo nº 10611.001142/200220 Acórdão n.º 3302004.964 S3C3T2 Fl. 575 9 IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. IMPORTAÇÃO DE "BOLSAS PARA COLETA DE SANGUE". A imunidade prevista no art. 150, VI, c, da Constituição Federal, em favor das instituições de assistência social, abrange o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, que incidem sobre bens a serem utilizados na prestação de seus serviços específicos. Jurisprudência do Supremo Tribunal Federal. Recurso não conhecido. (RE 243807/SP, Primeira Turma, rel. Ministro Ilmar Galvão, DJ 28.04.2000) AGRAVO REGIMENTAL EM AGRAVO DE INSTRUMENTO. IMUNIDADE TRIBUTÁRIA. IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS E IMPOSTO DE IMPORTAÇÃO. ENTIDADE DE ASSISTÊNCIA SOCIAL. A imunidade prevista no artigo 150, VI, "c" da Constituição Federal, em favor das instituições de assistência social, abrange o Imposto de Importação e o Imposto sobre Produtos Industrializados, que incidem sobre bens a serem utilizados na prestação de seus serviços específicos. Agravo regimental a que se nega provimento. (AIAgR nº 378454/SP, Segunda Turma, rel. Ministro Maurício Corrêa, DJ 29.11.2002). Em face dessa pacífica jurisprudência, com base nas conclusões exaradas no Parecer PGFN/CRJ/nº 2138/2006, a PGFN editou o Ato Declaratório PGFN nº 9, de 16 de novembro de 2006, por meio do qual ficaram dispensadas a apresentação de contestação e a interposição de recursos e autorizada a desistência dos já interpostos, desde que inexistente outro fundamento relevante, relativo às “ações judiciais que visem obter a declaração de que a imunidade prevista no art. 150, VI, ‘c’ da Constituição da República abrange o imposto de importação e o imposto sobre produtos industrializados, desde que a instituição de assistência social, sem fins lucrativos, utilize os bens na prestação de seus serviços específicos”. Dessa forma, em conformidade com o disposto no art. 62, § 1º, II, “c”, do Anexo II do RICARF/2015, adotase aqui, razão decidir, o mesmo entendimento exarado na pacífica jurisprudência do STF. Por todo o exposto, votase pelo provimento do recurso voluntário, para afastar a cobrança dos impostos lançados. (assinado digitalmente) José Fernandes do Nascimento Fl. 579DF CARF MF 10 Fl. 580DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.000393/2006-83
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 29 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ
Ano calendário: 2001, 2002
LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Não havendo antecipação do
tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar do 1o. dia do ano seguinte, na forma do artigo 173, I do CTN.
PEDIDO DE PERÍCIA. É de ser indeferido o pedido de perícia feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria.
IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA.
Presumem-se receitas omitidas os recursos creditados em conta bancária cujo titular não consiga comprovar, mediante documentação hábil e idônea (art. 42 da Lei nº 9.430/1996) sua origem.
Recurso Voluntário Negado Provimento.
Numero da decisão: 1402-000.586
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado.
Nome do relator: Antônio José Praga de Souza
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 15; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1873; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 0 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 19515.000393/200683 Recurso nº 164.880 Voluntário Acórdão nº 140200.586 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de junho de 2011 Matéria IRPJ AÇÃO FISCAL Recorrente MONTE MOR S/A COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E EXPORTAÇÃO Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica IRPJ Anocalendário: 2001, 2002 LANÇAMENTO. PRAZO DECADENCIAL. Não havendo antecipação do tributo, a homologação do lançamento ocorrerá no prazo de cinco anos, a contar do 1o. dia do ano seguinte, na forma do artigo 173, I do CTN. PEDIDO DE PERÍCIA. É de ser indeferido o pedido de perícia feito em desacordo com a legislação pertinente, mormente quando os fatos relatados e as provas constantes dos autos são suficientes para o deslinde da matéria. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. Presumemse receitas omitidas os recursos creditados em conta bancária cujo titular não consiga comprovar, mediante documentação hábil e idônea (art. 42 da Lei nº 9.430/1996) sua origem,. Recurso Voluntário Negado Provimento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar as preliminares e, no mérito, negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que passam a integrar o presente julgado. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Presidente (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza – Relator Fl. 1DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 2 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moisés Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Relatório MONTE MOR S/A COMÉRCIO, IMPORTAÇÃO E E XPORTAÇÃO recorre a este Conselho contra a decisão proferida pela 1ª Turma de Julgamento da DRJ/São Paulo – I em primeira instância, que julgou procedente a exigência, pleiteando sua reforma, com fulcro no artigo 33 do Decreto nº 70.235 de 1972 (PAF). Em razão de sua pertinência, transcrevo o relatório da decisão recorrida (verbis): Em decorrência de ação fiscal direta, a contribuinte, acima identificada, foi autuada, em 19.04.2006 (fl. 115), e intimada a recolher o crédito tributário relativo ao IRPJ, no valor de R$ 17.258.647,65; contribuição para o PIS, R$ 475.874,69; Cofins, R$ 2.196.346,20; e CSLL, R$ 6.254.574,73, neles incluídos a multa proporcional e os juros de mora, calculados até 31.03.2006, com os enquadramentos legais descritos no Termo de Verificação Fiscal e nos autos de infração (fls. 87/139). Conforme descrito no Termo de Verificação Fiscal (fls. 87/93), a presente autuação ocorreu em decorrência da constatação de incompatibilidade entre os valores declarados pela contribuinte em suas Declarações de Informações Econômico Fiscais dos anoscalendário de 2001 e 2002 e aqueles movimentados em suas contascorrentes bancárias. Intimada a justificar as diferenças, a contribuinte respondeu que elas já teriam sido esclarecidas mediante apresentação dos documentos e livros fiscais entregues à fiscalização e que a receita tributável decorreria da diferença entre a compra e venda de “TBills”, já contabilizada e tributada como receita financeira. A Autoridade Fiscal constatou que a contribuinte declarara em sua Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica relativa ao anocalendário de 2000 valores de receitas muito abaixo daqueles movimentados em suas contas correntes bancárias, no mesmo período. Após a análise dos documentos entregues pela contribuinte para tentar justificar os depósitos bancários, a autoridade fiscal concluiu que restaram sem justificativas os montantes de R$ 27.527.766,46 e R$ 705.837,41 para os anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. A contribuinte foi intimada dos autos de infração, em 20.04.2006, conforme documento juntado a fl. 146, oferecendo peça impugnatória ao feito fiscal a fls. 148/174, em 17.05.2006, alegando, em síntese, o quanto se segue: (i) A autuada, ao ser intimada pela autoridade fazendária a justificar a diferença entre as receitas declaradas e os valores movimentados em suas contas bancárias no anocalendário de 2001, explicara que ela decorria de contratos de compra e venda “TBills”, sendo que a receita tributável seria a diferença entre a compra e venda desses títulos, já contabilizadas e levadas à tributação a título de receitas financeiras; Fl. 2DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 3 3 (ii) Já com relação à diferença apurada no ano calendário de 2002, a autuada já se justificara, conforme documento anexo (doc. 1), de maneira que o valor apurado não tem condições de subsistir; (iii) Dessa maneira, ao analisar apenas a operação de venda dos títulos, a fiscalização se deparou com grandes entradas de dinheiro nas contas bancárias da autuada, sendo que, no mesmo período, houve compras desses mesmos títulos, gerando despesas devidamente contabilizadas, mas desconsideradas pelo Fisco; (iv) Esse procedimento resultou numa indevida tributação, uma vez que a autuação foi feita sem se descontar, dos valores recebidos pelas vendas dos títulos, aqueles pagos em suas aquisições; (v) Ocorreu a extinção do crédito tributário relativo ao IRPJ e das contribuições sociais relativamente aos fatos geradores ocorridos antes de 19.04.2001, nos estritos termos do art. 150, § 4º do CTN; (vi) De acordo com os arts. 145, I, § 1º e 153, III da Constituição Federal, combinado com os arts. 43 e 44 do Código Tributário Nacional, a autuada tem o direito de ser tributada a título de IR e CSLL com base na riqueza produzida, ou seja, com base na renda líquida ou tributável, apurada na forma da lei, sob pena de ser indevidamente tributada em seu patrimônio ou capital; assim, de acordo com a Constituição e o CTN, renda é o aumento ou um acréscimo patrimonial, pressuposto para a tributação do IR e da CSLL, situação que só poderia ser verificada neste caso, após a efetiva recomposição do patrimônio da autuada, com o abatimento dos valores pagos pela empresa na compra das TBills, cuja inobservância resulta na violação aos princípios constitucionais tributários da capacidade contributiva e da vedação ao confisco; (vii) As entradas de dinheiro, nas contas bancárias da autuada, realizadas por Sipasa Empreendimentos e Comércio Ltda., Fort Marcas e Miudezas Ltda., Quilombo Empreendimentos e Part. Ltda., Neomarkets Com. E Serviços Ltda., Bombril S/A, Orra Indústria e Comércio Ltda., G. D. Factoring Ltda., Dulcini S/A, Tecnologia Bancária S/A e Duagro S/A Administração e Participações, têm origem comprovada porque se efetivaram por conta e ordem de terceiro; (viii) Na condição de vendedora dos títulos, a autuada contabilizou essas entradas e, após a dedução dos valores pagos na aquisição desses títulos, apurou o IR e a CSLL devidos pelo efetivo acréscimo patrimonial; (ix) Em atenção ao princípio da verdade material que rege o processo administrativo, devem ser permitidas a juntada posterior de documentos e a realização de perícia contábil para que se demonstre que os valores que devem compor a base de cálculo do IR e da CSLL são aqueles referentes ao acréscimo patrimonial auferido pela empresa, em razão da diferença verificada entre o valor de compra e o de venda da comercialização do TBills. (x) Também não merece prosperar a autuação relativa ao Pis e à Cofins, pois os valores utilizados como base de cálculo não correspondem aos de faturamento, mas de receitas financeiras, não abrangidas pelas leis complementares nº 7/70 e 70/91; (xi) A Lei nº 9.718/98 procurou alterar o conceito de faturamento, de maneira a se permitir a cobrança do Pis/Pasep e Cofins sobre todas as receitas das empresas, tanto as operacionais quanto as não operacionais, desvirtuando o conceito jurídico de faturamento. Fl. 3DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 4 4 (xii) Neste sentido, cita excerto de voto proferido nos autos da ADI nº 1.1031 e a Emenda Constitucional nº 20/1998, que deu nova redação ao inc. I do art. 195 da Constituição, ambos a fundamentar que não se confunde receita e faturamento; (xiii) Afirma, ainda, que a Lei nº 9.718/98, ao não respeitar o conceito privado de faturamento, também infringiu o disposto no art. 110 do CTN; (xiv) O Supremo Tribunal Federal, no julgamento do RE nº 357.950/RS, em que foi declarada a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da lei nº 9.718/98, também manifestou entendimento de que uma emenda constitucional não teria o poder de constitucionalizar uma lei posta em vigor antes da própria emenda; (xv) O art. 239 da Constituição Federal recepcionou a Lei Complementar nº 7/70, razão pela qual não poderia a lei nº 9.718/98 têla revogada na parte que tratava de sua base de cálculo, sem incorrer em afronta ao comando constitucional; (xv) Ademais, ainda que fosse considerada improcedente a afirmação da inconstitucionalidade da Lei nº 9.718/1998 em face do art. 239, ainda assim haveria ofensa à Constituição Federal, uma vez que a modificação pretendida nas contribuições ao Pis e à Cofins dependeria de edição de nova lei complementar, nos termos do art. 195, § 4º do texto constitucional, por acarretar na instituição de novas fontes de receitas para a seguridade social; (xvi) Portanto, não pode prosperar a autuação relativa ao Pis e à Cofins, uma vez que seu objeto não se enquadra no conceito de receita bruta trazida pelas Leis Complementares nº 7/70 e 70/91; (xvi) Ao final, reafirma o pedido de realização de perícia contábil, bem como a apresentação de novos documentos que se fizerem necessários, observando que os livros originais razão e diário estão à disposição das autoridades fazendárias na sede da empresa; A decisão recorrida está assim ementada: PROTESTO PELA JUNTADA DE NOVAS PROVAS E ARGUMENTOS. PEDIDOS DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA. A prova documental será apresentada na impugnação, precluindo o direito de o impugnante fazêlo em outro momento processual, ressalvado o disposto nas alíneas “a” a “c” do § 4º do artigo 16 do Decreto nº 70.235/1972. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de expor os motivos que as justifiquem e de formular os quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito. Manifestamente prescindível a instrução probatória pleiteada, visto que o deslinde do feito envolve eminentemente matéria de direito, estando os fatos amplamente documentados nos autos. INCONSTITUCIONALIDADE. CONTROLE JURISDICIONAL. O controle de constitucionalidade de atos normativos é da competência do Poder Judiciário, restringindose o julgador administrativo à análise da legalidade da autuação fiscal. DECISÃO DO STF. DECLARAÇÃO INCIDENTAL DE INCONSTITUCIONALIDADE DE LEI. VINCULAÇÃO ÀS PARTES. COMPETÊNCIA DO JULGADOR. EXTENSÃO ERGA OMNES. POSSIBILIDADE. AUTORIZAÇÃO DO CHEFE DO PODER EXECUTIVO OU DO SECRETÁRIO DA RECEITA FEDERAL. É vedado ao julgador administrativo, sem que exista Fl. 4DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 5 5 expressa autorização do Chefe do Poder Executivo ou do Secretário da Receita Federal, estender os efeitos de decisão do STF sobre inconstitucionalidade de ato normativo proferida incidentalmente, quando comprovado que o contribuinte não figurou como parte na referida ação judicial. CONTRATO DE COMPRA E VENDA DE TÍTULOS. LÍNGUA ESTRANGEIRA. TRADUÇÃO. OBRIGATORIEDADE. INSTRUMENTO PARTICULAR. EFICÁCIA PERANTE TERCEIROS. REGISTRO PÚBLICO. NECESSIDADE. A tradução para o vernáculo e o registro público de instrumento negocial particular são solenidades legalmente exigidas para que o contrato surta efeitos em face de terceiros. IRPJ. DECADÊNCIA. CINCO ANOS. TERMO INICIAL. O prazo decadencial para a constituição do crédito tributário relativo ao IRPJ começa a ser contado a partir do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado. PIS. COFINS. CSLL. DECADÊNCIA. O direito de efetuar o lançamento das contribuições destinadas ao financiamento da Seguridade Social extinguese em dez anos, contados do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o crédito tributário poderia ser constituído. IRPJ. OMISSÃO DE RECEITAS. FALTA DE COMPROVAÇÃO DA ORIGEM DE RECURSOS DEPOSITADOS EM CONTA BANCÁRIA. ALEGAÇÃO DE SE TRATAR DE NUMERÁRIO PROVENIENTE DE VENDA DE ATIVOS FINANCEIROS. OPERAÇÕES COM TÍTULOS DO TESOURO NORTE AMERICANO (TBILLS). Presumemse receitas omitidas os recursos creditados em conta bancária cujo titular não consiga comprovar, mediante documentação hábil e idônea (art. 42 da Lei nº 9.430/1996) sua origem, sendo insuficiente a apresentação de cópias de instrumentos particulares de contratos de venda de títulos do tesouro norteamericano (TBills), sem que se demonstre, cabalmente, a efetividade das transações. CSLL. PIS. COFINS. OMISSÃO DE RECEITAS. DECORRÊNCIA. A ocorrência de eventos que constituem infração à legislação de vários tributos implica na obrigatoriedade de constituição dos respectivos créditos tributários, sendo que o julgamento que reconhece a ocorrência desses eventos repercute em todos os lançamentos a eles vinculados. Lançamento procedente. Cientificada da aludida decisão, a contribuinte apresentou recurso voluntário, no qual contesta as conclusões do acórdão recorrido, repisa as alegações da peça impugnatória e, ao final, requer o provimento. É o relatório. Fl. 5DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 6 6 Voto Conselheiro Antonio Jose Praga de Souza, Relator. O recurso é tempestivo e preenche os demais requisitos legais e regimentais para sua admissibilidade, dele conheço. Tratase de exigência de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins, com fulcro em omissão de receitas apurada em face de depósitos bancários cuja justificativa de origem não foi aceita pela Fiscalização, nos montantes de R$ 27.527.766,46 e R$ 705.837,41 para os anoscalendário de 2001 e 2002, respectivamente. A auditoria fiscal foi iniciada em 2004(fl.1), todavia, os autos de infração (fls. 115 a 139), no valor total de R$ 26.185.443,27, incluindo a multa de oficio de 75% e juros de mora a taxa Selic, foram lavrados em abril de 2006, e cientificados via postal em 28/04/2006. Verificase que o contribuinte optou pelo lucro real anual, tanto no ano calendário de 2001, quanto em 2002, conforme DIPJ as fls. 2 e seguintes do anexo I. Nessas mesmas DIPJ verificase também que não há qualquer recolhimento de IRPJ, CSLL, PIS e Cofins no transcurso desses anos. Em seu recurso voluntário a recorrente repisa as mesmas alegações da peça impugnatória, que passo a apreciar. 1) Preliminar de decadência. O recorrente sustenta que se está diante de um lançamento por homologação, a teor do disposto no art. 150, § 4o do CTN. Assim, conclui pela decadência do lançamento do relativamente aos valores apurados até março de 2001, haja vista que os autos de infração foi cientificado em abril/2006. Ao presente caso aplicase o art.173 inciso I, cuja contagem do prazo é mais elástica, haja vista que o contribuinte não efetuou recolhimentos de tributos até naqueles períodos, conforme evidencia a DIPJ juntada às fls. 2 e seguintes do anexo I.. Nesse sentido vem decidindo o Superior Tribunal de JustiçaSTJ, cite como exemplo o Recurso Especial nº 973.733 SC (2007/01769940), julgado em 12 de agosto de 2009, sendo relator o Ministro Luiz Fux: PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. TRIBUTO SUJEITO A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INEXISTÊNCIA DE PAGAMENTO ANTECIPADO. DECADÊNCIA DO DIREITO DE O FISCO CONSTITUIR O CRÉDITO TRIBUTÁRIO. TERMO INICIAL. ARTIGO 173, I, DO CTN. APLICAÇÃO CUMULATIVA DOS PRAZOS PREVISTOS NOS ARTIGOS 150, § 4º, e 173, do CTN. IMPOSSIBILIDADE. 1. O prazo decadencial qüinqüenal para o Fisco constituir o crédito tributário (lançamento de ofício) contase do primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado, nos casos em que a lei não prevê o Fl. 6DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 7 7 pagamento antecipado da exação ou quando, a despeito da previsão legal, o mesmo inocorre, sem a constatação de dolo, fraude ou simulação do contribuinte, inexistindo declaração prévia do débito (Precedentes da Primeira Seção: REsp 766.050/PR, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 28.11.2007, DJ 25.02.2008; AgRg nos EREsp 216.758/SP, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.03.2006, DJ 10.04.2006; e EREsp 276.142/SP, Rel. Ministro Luiz Fux, julgado em 13.12.2004, DJ 28.02.2005). 2. É que a decadência ou caducidade, no âmbito do Direito Tributário, importa no perecimento do direito potestativo de o Fisco constituir o crédito tributário pelo lançamento, e, consoante doutrina abalizada, encontrase regulada por cinco regras jurídicas gerais e abstratas, entre as quais figura a regra da decadência do direito de lançar nos casos de tributos sujeitos ao lançamento de ofício, ou nos casos dos tributos sujeitos ao lançamento por homologação em que o contribuinte não efetua o pagamento antecipado (Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 163/210). 3. O dies a quo do prazo qüinqüenal da aludida regra decadencial regese pelo disposto no artigo 173, I, do CTN, sendo certo que o "primeiro dia do exercício seguinte àquele em que o lançamento poderia ter sido efetuado" corresponde, iniludivelmente, ao primeiro dia do exercício seguinte à ocorrência do fato imponível, ainda que se trate de tributos sujeitos a lançamento por homologação, revelandose inadmissível a aplicação cumulativa/concorrente dos prazos previstos nos artigos 150, § 4º, e 173, do Codex Tributário, ante a configuração de desarrazoado prazo decadencial decenal (Alberto Xavier, "Do Lançamento no Direito Tributário Brasileiro", 3ª ed., Ed. Forense, Rio de Janeiro, 2005, págs. 91/104; Luciano Amaro, "Direito Tributário Brasileiro", 10ª ed., Ed. Saraiva, 2004, págs. 396/400; e Eurico Marcos Diniz de Santi, "Decadência e Prescrição no Direito Tributário", 3ª ed., Max Limonad, São Paulo, 2004, págs. 183/199). (...) 7. Recurso especial desprovido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (destaques do original) Diante do exposto, rejeito a preliminar. 2) Nulidade da decisão de 1a. instância por indeferimento do pedido de perícia. A decisão de 1a. instancia indeferiu o pedido de perícia pelos seguintes fundamentos: Conforme expressamente previsto no Decreto nº 70.235/1972, em seu artigo 16, § 4º, somente na ocorrência de algumas das hipóteses nele ventiladas é que será possível deferir a juntada de provas documentais posteriormente ao prazo de apresentação da impugnação. A impugnante trouxe os documentos que julgou necessários à instrução de sua peça defensória, não cabendo fazer um pedido genérico para futura juntada de documentos, sem alinhavar a hipótese legal em que se funda tal pedido. Portanto, neste momento processual, deve ser indeferido o pedido genericamente feito, uma vez não demonstradas a necessidade e a fundamentação legal pertinente. Fl. 7DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 8 8 A mesma trilha segue o pedido de perícia, conforme se infere dos dispositivos do Decreto nº 70.235/1972 que tratam da matéria: “Art. 18. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis, observado o disposto no art. 28, in fine. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” (grifei) “Art. 28. Na decisão em que for julgada questão preliminar, será também julgado o mérito, salvo quando incompatíveis, e dela constará o indeferimento fundamentado do pedido de diligência ou perícia, se for o caso. (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” Por seu turno, o artigo 420, § único, I, do Código de Processo Civil, dispõe que: “Art. 420.A prova pericial consiste em exame, vistoria ou avaliação. Parágrafo único O juiz indeferirá a perícia quando: I a prova do fato não depender do conhecimento especial de técnico; (...) ” No caso vertente, seria despicienda a realização de perícia ou diligência, visto que a autoridade administrativa tem o conhecimento e a competência funcional para apreciar as questões envolvidas no presente feito, não sendo necessária a intervenção de profissional com conhecimento especial de técnico, bem como não foi trazido aos autos elemento de prova algum que desse ensejo à manifestação do autuante. Por pertinente, trago à colação jurisprudência administrativa do Egrégio 1º Conselho de Contribuintes, que corrobora com o entendimento ora exposto: “DILIGÊNCIA OU PERÍCIA. Visando viabilizar a verdade final, devem objetivar a prova de fatos que o sujeito passivo não tenha condições de trazer para os autos, ou cujo carreamento lhe traria ônus desproporcional. O requerente deverá, porém, trazer qualquer prova, mesmo que indiciária, de sua efetiva existência. Exigese, ainda, que o contribuinte tenha demonstrado, de forma cabal, mesmo que parcialmente, a incorreção do levantamento fiscal” (Acórdão 10173.852, Rel. Amador Outerelo Fernández, DOU de 27.04.1983, p. 6763) A despeito de a autoridade administrativa ser detentora de poderes de instrução de amplitude maior do que a observada no âmbito do processo civil, é defesa a substituição das partes em matéria probatória. Nesse sentido é a lição de PAULO CELSO B. BONILHA: “(...) o poder instrutório das autoridades de julgamento (aqui englobamos a de preparo) deve se nortear pelo esclarecimento dos pontos controvertidos, mas sua atuação não pode implicar invasão dos campos de exercício de prova do contribuinte ou da Fazenda. Em outras palavras, o caráter oficial da atuação dessas autoridades e o equilíbrio e imparcialidade com que devem exercer suas atribuições, inclusive a probatória, não lhes permite substituir as partes ou suprir a prova que lhes incumbe carrear para o processo.” (Da Prova no Direito Administrativo Tributário, 2ª Ed., São Paulo, Dialética, 1997, p. 77 e 78) A argumentação tecida já ensejaria o indeferimento do pedido de perícia da interessada. Entretanto, o mero descumprimento das disposições contidas no artigo 16, inciso IV e § 1º do Decreto nº 70.235/1972 já é suficiente para fulminar o pedido da impugnante: “Art. 16. A impugnação mencionará: (...) Fl. 8DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 9 9 IV as diligências, ou perícias que o impugnante pretenda sejam efetuadas, expostos os motivos que as justifiquem, com a formulação de quesitos referentes aos exames desejados, assim como, no caso de perícia, o nome, o endereço e a qualificação profissional de seu perito; (Redação dada pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993) § 1.º. Considerarseá não formulado o pedido de diligência ou perícia que deixar de atender aos requisitos previstos no inciso IV do art. 16. (Acrescido pelo art. 1.º da Lei n.º 8.748/1993)” (grifei) Diante do mandamento contido no dispositivo acima, aliado à inobservância dos requisitos legais por parte da interessada, devem ser considerados não formulados os pedidos de diligência e perícia da interessada. De toda a sorte, entendo evidente a prescindibilidade de instrução probatória, uma vez que os fatos estão amplamente documentados nos autos. Pois bem, na análise das alegações recursais quanto a essa questão, formei convencimento de que a contribuinte em verdade pretende suprir a deficiência probatória de sua defesa mediante realização de perícia. Tal procedimento é absolutamente impróprio. As provas devem ser apresentadas e produzidas pelo recorrente, que teve tempo hábil para isso seja durante a auditoria fiscal, seja no transcurso do processo administrativo. Entretanto o contribuinte nada mais apresentou em seu recurso voluntário. O artigo 29 do Decreto 70.235/1972 (PAF) estabelece que “ Na apreciação da prova, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar as diligências que entender necessárias. Uma vez que o julgador de 1a. instância entendeu ser desnecessária a realização da perícia e justificou sua negativa, bem com enfrentou o mérito fundamentando sua decisão, não há que se falar em cerceamento do direito de defesa. Nesse sentido é pacifica a jurisprudência deste Conselho, cite os seguintes acórdãos, cuja ementa transcrevo: PRELIMINAR PERÍCIA. INDEFERIMENTO É de se indeferir a solicitação de perícia quando não for necessário o conhecimento técnico especializado, não podendo servir para suprir a omissão do contribuinte na produção de provas que ele tinha a obrigação de trazer aos autos. (Acórdão 10613589 de 16/10/2003). NORMAS PROCESSUAIS – NULIDADE – PEDIDO DE DILIGÊNCIA E PERÍCIA – Não se cogita de nulidade quando a autoridade julgadora indefere pedido de diligência ou perícia por entender que os elementos constantes dos autos são suficientes para o julgamento do feito. (acórdão 10196.397 de 19/10/2007). Rejeito também esta preliminar. 3) Mérito A infração imputada à impugnante é a de omissão de receitas, caracterizada pela falta de comprovação da origem de depósitos efetuados em suas contas bancárias. A base legal da autuação foi o art. 42 da Lei nº 9.430, de 27/12/1996: Art.42.Caracterizamse também omissão de receita ou de rendimento os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida junto a instituição Fl. 9DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 10 10 financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física ou jurídica, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. §1º O valor das receitas ou dos rendimentos omitido será considerado auferido ou recebido no mês do crédito efetuado pela instituição financeira. §2º Os valores cuja origem houver sido comprovada, que não houverem sido computados na base de cálculo dos impostos e contribuições a que estiverem sujeitos, submeterseão às normas de tributação específicas, previstas na legislação vigente à época em que auferidos ou recebidos. §3º Para efeito de determinação da receita omitida, os créditos serão analisados individualizadamente, observado que não serão considerados: I os decorrentes de transferências de outras contas da própria pessoa física ou jurídica; II no caso de pessoa física, sem prejuízo do disposto no inciso anterior, os de valor individual igual ou inferior a R$ 1.000,00 (mil reais), desde que o seu somatório, dentro do anocalendário, não ultrapasse o valor de R$ 12.000,00 (doze mil reais). (Alterado pela Lei nº 9.481, de 13/08/1997) §4º Tratandose de pessoa física, os rendimentos omitidos serão tributados no mês em que considerados recebidos, com base na tabela progressiva vigente à época em que tenha sido efetuado o crédito pela instituição financeira. § 5o Quando provado que os valores creditados na conta de depósito ou de investimento pertencem a terceiro, evidenciando interposição de pessoa, a determinação dos rendimentos ou receitas será efetuada em relação ao terceiro, na condição de efetivo titular da conta de depósito ou de investimento. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002) § 6o Na hipótese de contas de depósito ou de investimento mantidas em conjunto, cuja declaração de rendimentos ou de informações dos titulares tenham sido apresentadas em separado, e não havendo comprovação da origem dos recursos nos termos deste artigo, o valor dos rendimentos ou receitas será imputado a cada titular mediante divisão entre o total dos rendimentos ou receitas pela quantidade de titulares. (Incluído pela Lei nº 10.637, de 30/12/2002) Vejamos os fundamentos da decisão recorrida, quanto ao mérito: A autuada, ao ser intimada pela autoridade fazendária a justificar a diferença entre as receitas declaradas e os valores movimentados em suas contas bancárias no ano calendário de 2001, explicara que ela decorria de contratos de compra e venda “T Bills”, sendo que a receita tributável seria a diferença entre a compra e venda desses títulos, já contabilizadas e levadas à tributação a título de receitas financeiras; A alegação de que os valores encontrados em suas contas bancárias, relativamente ao anocalendário de 2001, seriam correspondentes ao produto de transações de vendas de títulos do tesouro norteamericano (TBills) não restou comprovada. A impugnante alega, às fls. 166/167, que as entradas de dinheiro em suas contas bancárias foram realizadas por Sipasa Empreendimentos e Comércio Ltda., Fort Marcas e Miudezas Ltda., Quilombo Empreendimentos e Part. Ltda., Neomarkets Com. E Serviços Ltda., Bombril S/A, Orra Indústria e Comércio Ltda., G. D. Fl. 10DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 11 11 Factoring Ltda., Dulcini S/A, Tecnologia Bancária S/A e Duagro S/A Administração e Participações. Conforme planilha elaborada pela própria impugnante, de fls. 536/539, as entradas em dinheiro seriam justificadas pelas operações de venda de TBills, consignados nos instrumentos contratuais de números 2, 3, 4, 5, 9, 11, 14, 20, 26, 29, 35, 36 e 37. Compulsando os mencionados contratos, verificase que, apesar de a impugnante ter elencado nove empresas como responsáveis pelos depósitos encontrados em suas contas bancárias, os mencionados contratos abrangem apenas três empresas: Sipasa Empreendimentos e Comércio Ltda., Fort Marcas e Miudezas Ltda. e Duagro S/A Administração e Participações. Os instrumentos contratuais com a Sipasa (contratos nºs 2, 5, 11, 14, 20, 26, 29, 35 e 36) não se prestam a atestar a efetiva realização da operação neles consignadas. Primeiro, porque eles não identificam aqueles que subscrevem o suposto instrumento contratual. Pela parte da contribuinte, por comparação, seria possível admitir que se reconhece a assinatura de seu procurador, Laodse de Abreu Duarte. Entretanto, em relação aos adquirentes dos títulos, não restou qualificada a pessoa que lançou a assinatura nos mencionados instrumentos, de maneira a não se poder identificar e se certificar da regularidade dos mencionados documentos. Verificase ainda, que as testemunhas que assinam os mencionados instrumentos também não foram devidamente identificadas, constando tãosomente as respectivas assinaturas e número de RGs. Além da ausência desses requisitos essenciais à validade desses instrumentos negociais, a comprovação material da efetividade da operação não restou demonstrada. Embora a contribuinte tenha juntado cópias de extratos bancários cujos valores coincidiriam com os valores constantes desses instrumentos contratuais, o fato é que não restou demonstrado que tais créditos bancários correspondem a pagamentos efetuados pela Sipasa. Vale dizer, não foi demonstrado que os créditos bancários correspondem, efetivamente, a depósitos ou créditos efetuados pela Sipasa. Cabe observar que em processo anteriormente formalizado em face da Monte Mor (PAF nº 19515.003476/200543), em que fora apurada infração da mesma espécie que se discute nos presentes autos – omissão de receitas em decorrência de existência de depósitos bancários sem comprovação de origem – mas em ano calendário diverso, a fiscalizada também alegou que os valores encontrados em suas contas bancárias eram oriundas de pagamentos de venda de TBills à Sipasa. Todavia, àquela ocasião, a autoridade fiscal concluiu, em diligência realizada junto à Sipasa, que não ocorrera transferências bancárias para a Monte Mor compatíveis com as datas e os valores constantes dos supostos contratos de venda dos títulos do tesouro americano, conforme excerto de seu relatório, juntado a fls. 566/570 a seguir transcrito: “O cruzamento dos valores que foram depositados nas contas correntes bancárias da empresa fiscalizada, tendo como origem os ‘pagamentos’ feitos pela empresa SIPASA EMPRENDIMENTOS E COMÉRCIO LTDA, NÃO foram localizados nos extratos bancários desta última, na relação datavalor” Portanto, as cópias dos instrumentos contratuais que teriam sido celebrados entre a Monte Mor e a Sipasa, não podem ser aceitos como prova de origem dos depósitos bancários e, como não foi feita uma cabal demonstração de que a Sipasa despendeu Fl. 11DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 12 12 recursos para o pagamento dos títulos, temse como não comprovada a origem dos recursos bancários que seriam correspondentes a essa operação financeira. Quanto aos supostos instrumentos contratuais que teriam sido celebrados com a empresa Fort Marcas e Miudezas Ltda. (3, 4 e 9), verificase que também apresentam os mesmos vícios que comprometem a aceitação como instrumentos regulares e válidos: ausência de identificação e qualificação dos contratantes; simples assinatura das testemunhas, sem a devida qualificação, somente constando um número de RG. Além dessas irregularidades, também constam informações da Fort Marcas no mencionado relatório do PAF nº 19515.003476/200543 que implicam em rejeitar os mencionados documentos apresentados pela impugnante. Conforme pesquisa realizada pelo AuditorFiscal autuante (fl. 5 do relatório), a empresa fora formalmente constituída em 24.03.1999, no município de Camocim, estado do Ceará. Declarouse como microempresa à Secretaria da Receita Federal, tendo apresentado uma única declaração de informações econômicofiscais de pessoa jurídica, no anocalendário de 1999, fazendo constar dela uma receita bruta anual de R$ 3.942,00. A autoridade fiscal também constatou que a empresa encontrase em situação de inaptidão junto aos registros cadastrais da SRF, uma vez que ela omitiuse em cumprir suas obrigações tributárias e, ainda, não foi localizada no domicílio fiscal eleito. Verificou ainda a autoridade fazendária que a pessoa natural responsável pela empresa junto à SRF teve seu CPF cancelado em razão de irregularidades constatadas. Ou seja, tudo leva a crer que Fort Marcas Comercial de Miudezas Ltda não existe de fato ou, caso tenha tenha existido, seu nome foi utilizado para acobertar operações que ela não teria condições econômicas de ter realizado. Assim, não é possível aceitar que Fort Marcas Comercial de Miudezas Ltda., em face das situações de irregularidades junto à SRF e cuja receita bruta conhecida é de R$ 3.942,00, teria condições de ter adquirido um montante de R$ 6.278.390,53 em títulos da dívida americana, conforme dados constantes da planilha apresentada pela contribuinte. Ademais, ainda que a Fort Marcas tivesse capacidade econômica e estivesse regularizada perante o Fisco, os documentos apresentados pela impugnante não são suficientes para identificar a Fort como a titular dos depósitos e créditos feitos às contas bancárias da impugnante. Portanto, à semelhança do ocorrido com a Sipasa, também a própria materialidade das transações com os alegados TBills não ficou demonstrada, de maneira que se confirma a presunção de omissão de receitas decorrentes da não comprovação da origem dos depósitos bancários. Quanto ao último contrato relacionado pela impugnante, o de nº 37, supostamente celebrado com Duagro S/A Administração e Participações, verificamse as mesmas irregularidades intrínsecas aos instrumentos contratuais até então comentadas, razão pela qual tornase prescindível elencálas novamente. Todavia, verificase que no caso do suposto contrato com a Duagro, a impugnante sequer tentou apontar em seus extratos qual seria o crédito correspondente ao valor transacionado no contrato de venda de TBill. Fl. 12DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 13 13 Portanto, concluise que também em relação à Duagro, também não podem ser aceitos os documentos juntados como comprovantes de origem dos depósitos a eles supostamente vinculados. (...) De qualquer maneira, a impugnante não conseguiu demonstrar a materialidade das operações de venda de títulos, uma vez que não foram apresentados documentos hábeis e idôneos que comprovassem a vinculação direta entre os depósitos e créditos encontrados nas contas da fiscalizada com a saída de recursos das supostas adquirentes das TBills. A alegação de que os depósitos teriam sido efetuados por conta e ordem de terceiros como justificativa de os adquirentes não aparecerem como os titulares dos depósitos não restou demonstrada. Não há nos autos documentos que apóiem tal tese. Quanto às alegações de que a impugnante teria direito de ser tributada em conformidade com sua renda líquida, de maneira que houvesse um abatimento dos valores despendidos na aquisição dos TBills, cumpre observar que se o contribuinte optante pelo Lucro Real incorre em custos ou despesas em suas atividades, tem a faculdade de deduzilas do resultado e, conseqüentemente, diminuir a base de cálculo tributável. Todavia, fica a seu juízo reconhecêlas ou não, conforme permita a legislação, não cabendo tal procedimento à autoridade fiscal que apenas verificará a regularidade da dedução feita. Portanto, se eventualmente a fiscalizada efetuou qualquer operação e esta gerou despesas, seu reconhecimento contábil já deveria ter sido efetuado pela própria interessada, não cabendo neste momento a autoridade fiscal proceder a retificações em sua escrita contábil. Já a autoridade lançadora deu cumprimento ao determinado no disposto no art. 42, § 2º da Lei nº 9.430/1996, ou seja, adicionou os valores correspondentes à omissão de receitas decorrentes da não comprovação de origem dos depósitos bancários ao resultado para fins de apuração do Lucro Real, tendo descontado o prejuízo fiscal e compensado as bases de cálculo negativas da CSLL de períodos anteriores. Portanto, não houve ofensa à legislação que rege a matéria para fins de apuração do IRPJ e da CSLL. Relativamente à diferença apurada no anocalendário de 2002, a autuada tenta se justificar, apresentado o documento de nº 1, que se trata de mera fotocópia do documento outrora apresentado junto à autoridade lançadora, no curso do procedimento de fiscalização (fls. 83/84). Entretanto, conforme se depreende da leitura do termo de verificação fiscal, o próprio auditorfiscal já havia aceito parcialmente a justificativa apresentada. Com efeito, conforme consta de seu Termo de Constatação Fiscal, dos valores depositados na conta do Banco BBV, R$ 134.000,00 era composto por sete valores correspondentes a cheques devolvidos e um, correspondente a crédito posteriormente anulado, excluindo tal valor do montante de créditos a ser comprovada a origem. Assim, o valor a ser justificado seria o resultado da diferença entre o montante de depósitos em suas contascorrentes bancárias, de R$ 872.984,02, deduzidos: o estorno aceito pela autoridade fiscal (R$ 134.000,00), o próprio valor já declarado em DIPJ (R$ 34.876,89) e um ajuste feito em junho de 2002, no valor de R$ 1.730,28. Ou seja, restou sem explicação uma diferença de o de R$ 705.837,41. Fl. 13DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 14 14 Em sede de impugnação, a autuada limitouse a trazer uma nota fiscal de venda de mercadorias de R$ 225.000,00 que poderia explicar a origem de parte dos depósitos em suas contas bancárias no ano de 2002. Entretanto, ainda que se aceite como válido e bom este documento fiscal, percebese que, embora seja demonstrada sua regular origem, não ficou demonstrado que houve sua regular contabilização e oferecimento do valor da venda à tributação. E isto resta evidente se se notar que o valor de receita declarado em DIPJ (R$ 34.876,89) já é manifestamente inferior a esta única nota fiscal. Portanto, as explicações trazidas quanto às diferenças verificadas no anocalendário de 2001 não demonstram a regular contabilização e oferecimento à tributação do valor de R$ 705.837,41. Aplicase ao PIS e a Cofins as considerações acerca da matéria fática e de direito que levou à conclusão de que houve omissão de receitas em decorrência da não comprovação da origem dos depósitos bancários encontrados nas contas correntes da fiscalizada, anteriormente enfrentadas na impugnação ao lançamento do IRPJ e da CSLL. Quanto ao questionamento da inconstitucionalidade da lei nº 9.718/1998 e do pronunciamento dado pelo Supremo Tribunal Federal, é de se registrar que não compete ao julgador administrativo afastar a aplicação de ato legal posto regularmente no ordenamento jurídico e que esteja com plena eficácia. A Lei nº 9.718, de 27/11/1998 aplicase, no âmbito da legislação tributária federal, às contribuições para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público PIS/PASEP e à Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, de que tratam o art. 239 da Constituição e produziu efeitos, em relação aos arts. 2° a 8°, para os fatos geradores ocorridos a partir de 1° de fevereiro de 1999 e, encontrase, até a presente data, em plena vigência, inclusive no que se refere ao art. 3º, § 1º. O fato de o Supremo Tribunal Federal, no julgamento do recurso extraordinário nº 346.084/PR, ter declarado por maioria a inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, não desobriga a contribuinte a observar tal dispositivo normativo, eis que a decisão proferida não opera efeitos erga omnes, mas somente entre as partes interessadas, uma vez não se tratar de controle direto de constitucionalidade. Observese que o Decreto nº 2.346/97 que consolida normas de procedimentos a serem observadas pela Administração Pública Federal em razão de decisões judiciais, assim estabelece em seus artigos 1º, § 3º e 4º, inciso I: “Art. 1º As decisões do Supremo Tribunal Federal que fixem, de forma inequívoca e definitiva, interpretação do texto constitucional deverão ser uniformemente observadas pela Administração Pública Federal direta e indireta, obedecidos aos procedimentos estabelecidos neste Decreto. § 1º Transitada em julgado decisão do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei ou ato normativo, em ação direta, a decisão, dotada de eficácia ex tunc, produzirá efeitos desde a entrada em vigor da norma declarada inconstitucional, salvo se o ato praticado com base na lei ou ato normativo inconstitucional não mais for suscetível de revisão administrativa ou judicial. § 2º O disposto no parágrafo anterior aplicase, igualmente, à lei ou ao ato normativo que tenha sua inconstitucionalidade proferida, incidentalmente, pelo Fl. 14DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Processo nº 19515.000393/200683 Acórdão n.º 140200.586 S1C4T2 Fl. 15 15 Supremo Tribunal Federal, após a suspensão de sua execução pelo Senado Federal. § 3º O Presidente da República, mediante proposta de Ministro de Estado, dirigente de órgão integrante da Presidência da República ou do AdvogadoGeral da União, poderá autorizar a extensão dos efeitos jurídicos de decisão proferida em caso concreto.” (...) Art. 4º Ficam o Secretário da Receita Federal e o ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, relativamente aos créditos tributários, autorizados a determinar, no âmbito de suas competências e com base em decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal que declare a inconstitucionalidade de lei, tratado ou ato normativo, que: I não sejam constituídos ou que sejam retificados ou cancelados; II não sejam efetivadas inscrições de débitos em dívida ativa da União; III sejam revistos os valores já inscritos, para retificação ou cancelamento da respectiva inscrição; IV sejam formuladas desistências de ações de execução fiscal. Parágrafo único. Na hipótese de crédito tributário, quando houver impugnação ou recurso ainda não definitivamente julgado contra a sua constituição, devem os órgãos julgadores, singulares ou coletivos, da Administração Fazendária, afastar a aplicação da lei, tratado ou ato normativo federal, declarado inconstitucional pelo Supremo Tribunal Federal. Inexistentes atos afastando a aplicação das disposições contidas no § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/98, as mesmas devem prevalecer na esfera administrativa. Assim, devem ser mantidos também os lançamentos do PIS e da Cofins. Por fim, assevero que ao fundamentos acima transcritos nada cabe acrescentar, pelo que peço vênia para adotálos aqui como razões de decidir. Estou plenamente convencido de que a contribuinte nada comprovou quanto a origem dos depósitos bancários que efetivamente foram realizados em sua contacorrente bancária. 4) Conclusão Diante do exposto, voto no sentido de rejeitar as preliminares e no, mérito, negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Antônio José Praga de Souza Fl. 15DF CARF MF Emitido em 15/07/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA Assinado digitalmente em 15/07/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, 14/07/2011 por ANTONIO JOSE PRAGA DE SOUZA
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Numero do processo: 10830.722108/2014-41
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Feb 26 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2009
CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO.
Por força de específica determinação legal, considera-se não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado.
DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE.
Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela.
Recurso Voluntário Negado.
Numero da decisão: 3302-004.916
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
PAULO GUILHERME DÉROULÈDE - Presidente e Relator
Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2009 CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Por força de específica determinação legal, considera-se não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela. Recurso Voluntário Negado.
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 7; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1797; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T2 Fl. 2 1 1 S3C3T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 10830.722108/201441 Recurso nº 1 Voluntário Acórdão nº 3302004.916 – 3ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 29 de janeiro de 2018 Matéria PIS/COFINS COMPENSAÇÃO Recorrente SANASA SOCIEDADE DE ABASTECIMENTO DE ÁGUA E SANEAMENTO S/A. Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Anocalendário: 2009 CRÉDITO PLEITEADO NA ESFERA JUDICIAL. DECISÃO JUDICIAL NÃO TRANSITADA EM JULGADO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. CABIMENTO. Por força de específica determinação legal, considerase não declarada a compensação em que o contribuinte tenha utilizado crédito proveniente de decisão judicial sem trânsito em julgado. DESPACHO DECISÓRIO. COMPENSAÇÃO NÃO DECLARADA. IMPOSSIBILIDADE DE APRESENTAÇÃO DE MANIFESTAÇÃO DE INCONFORMIDADE E RECURSO VOLUNTÁRIO. DETERMINAÇÃO JUDICIAL. MEDIDA EXCEPCIONAL. APRECIAÇÃO DE RECURSO VOLUNTÁRIO. POSSIBILIDADE. Por estar submetido ao rito recursal estabelecido na Lei 9.784/1999 (art. 56 e seguintes), não cabe a apresentação de manifestação de inconformidade e, por conseguinte, de recurso voluntário perante este Conselho, contra decisão proferida por meio de despacho decisório que considerou não declarada a compensação realizada pelo sujeito passivo, exceto no caso de estrito cumprimento de decisão judicial, em que haja expressa determinação no sentido da observância do rito processual/recursal fixado no Decreto 70.235/1972, como ocorreu no caso em tela. Recurso Voluntário Negado. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 72 21 08 /2 01 4- 41 Fl. 1131DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 3 2 PAULO GUILHERME DÉROULÈDE Presidente e Relator Participaram do julgamento os Conselheiros Paulo Guilherme Déroulède, Maria do Socorro Ferreira Aguiar, Walker Araújo, José Fernandes do Nascimento, Diego Weis Júnior, Jorge Lima Abud, Sarah Maria Linhares de Araújo Paes de Souza e José Renato Pereira de Deus. Relatório Trata o presente processo de PER/DCOMP (Pedido de Ressarcimento ou Restituição e Declaração de Compensação), cujo crédito provém de pagamento indevido ou a maior da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins. A contribuinte obteve sentença judicial declarando a sua imunidade tributária. Como o art. 10, IV, da Lei nº 10.833, de 2003, prevê que as pessoas jurídicas imunes continuam a apurar e recolher a contribuição pelo regime cumulativo, mas a requerente havia recolhido a contribuição de acordo com o regime não cumulativo, ela retificou a Declaração de Débitos e Créditos Tributários (DCTF), adequando os débitos a esse regime e compensou a diferença recolhida a maior por meio das DComp ora analisadas. A DRF/CampinasSP, por meio do despacho decisório constante nos autos, considerou as compensações não declaradas porquanto entendeu que se tratava de crédito discutido judicialmente e a legislação de regência prevê que a compensação somente pode ser efetuada após o trânsito em julgado da ação, caso contrário será considerada não declarada. Não há previsão legal para apresentação de manifestação de inconformidade nos casos de despacho decisório que considera a compensação não declarada, tampouco para suspensão dos débitos objeto da compensação. No entanto, a contribuinte obteve judicialmente a suspensão da exigibilidade dos débito objeto da compensação, bem assim o direito de apresentar manifestação de inconformidade contra o despacho decisório prolatado. Em sua manifestação de inconformidade a contribuinte alega, em resumo, que obteve na Justiça, em antecipação de tutela, o reconhecimento de sua imunidade tributária recíproca, cuja apelação da União encontrase pendente de julgamento, e: · Argumenta que o art. 8º, IV, da Lei nº 10.637, de 2002, bem assim o art. 10, IV, da Lei nº 10.833, de 2003, prevêem que as pessoas jurídicas imunes estão excepcionadas da apuração não cumulativa das contribuições sociais, assim foi obrigada a apurálas pelo regime cumulativo. · No entanto, mesmo devendo apurar o PIS e a Cofins pelo regime cumulativo a partir de 25/02/2009, continuou a recolhêlos com base na sistemática não cumulativa até março de 2010. Fl. 1132DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 4 3 · Desta forma, identificado o erro, a recorrente refez os cálculos desse período e “se utilizou das vias legais paras as respectivas compensações”. · Alega que a compensação promovida foi por reflexo da declaração da imunidade tributária, não podendo se aplicar a vedação do art. 170A do Código Tributário Nacional (CTN), pois não discute ou contesta a legalidade ou cobrança das contribuições nem o crédito utilizado nas DComp analisadas. · Argumenta que “tributo” é sempre o valor devido pelo sujeito passivo ao Fisco e “crédito do sujeito passivo”, o valor devido por aquele a este, oriundo de recolhimentos indevidos. · O indébito tributário, portanto, não é tributo nem receita do Estado, sendo mero ingresso de caixa, não sendo alcançado pela norma em comento. · O termo tributo mantém maior rigidez nos arts. 170 a 174 do CTN, referindose sempre ao crédito do sujeito ativo. O crédito do sujeito passivo é sempre chamado de “crédito do sujeito passivo” para não ocorrer confusão. Sobreveio a decisão de primeira instância, em que, por unanimidade de votos, a manifestação de inconformidade foi julgada improcedente e mantido íntegro o questionado despacho decisório, nos termos do Acórdão nº 14055.874. O fundamento adotado, em síntese, foi o de que considerase não declarada a compensação cujo crédito provém de decisão judicial não transitada em julgado, não cabendo a apresentação de manifestação de inconformidade, salvo em caso de determinação judicial em sentido contrário. A recorrente foi cientificada da referida decisão e inconformada protocolou recurso voluntário em que reafirmou as razões de defesa suscitadas na fase de manifestação de inconformidade. A recorrente protocolou ainda petição juntando documentação aos autos e requerendo a manutenção da suspensão da exigibilidade dos créditos tributários que já se encontravam suspensos por determinação judicial. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3302004.913, de 29 de janeiro de 2018, proferido no julgamento do processo 10830.722070/201415, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Fl. 1133DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 5 4 Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3302004.913): "O recurso foi apresentado tempestivamente, não trata de matéria da competência deste Colegiado, por falta de previsão legal, porém, dele tomase conhecimento, em cumprimento da determinação judicial exarada no Mandado de Segurança nº 000747782.2014.4.03.6105, impetrado pela recorrente perante 4ª Vara da Justiça Federal de Campinas/SP, que determinou aplicação do rito processual/recursal do Decreto 70.235/1972. Conforme bem delineado no relatório precedente, a controvérsia cinge se ao direito ou não de a recorrente proceder a compensação do suposto indébito tributário decorrente da mudança do regime não cumulativo para regime cumulativo de apuração da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins, amparada por decisão judicial não transitada em julgada. Para melhor compreensão do objeto lide, veja a seguir o resumo dos principais fatos que motivaram a recorrente a realizar o procedimento compensatório em apreço: Em 14 de novembro de 2008 o contribuinte ingressou com a ação ordinária n° 2008.61.05.0118663 (PAJ 12971.000226/200959), junto à 3ª Vara Federal de Campinas, com pedido de antecipação de tutela, objetivando a declaração do direito de deixar de apurar e recolher impostos e contribuições sociais, sob alegação de imunidade tributária nos termos do art. 150, VI "a" da Constituição Federal. Em 03 de dezembro de 2008 foi indeferida a antecipação de tutela. Em 25 de fevereiro de 2009 o TRF3 deferiu parcialmente a antecipação de tutela, em sede de agravo de instrumento, para reconhecer a imunidade tributária da autora concernente aos impostos federais. Em 29 de março de 2010 o Juízo de 1ª instância julgou parcialmente procedente a ação para declarar a inconstitucionalidade da cobrança de impostos federais, reconhecendose a imunidade tributária da autora, nos exatos termos do art. 150, VI, "a", da Constituição Federal. Em 26 de abril de 2010 julgou procedente os embargos de declaração opostos pelo contribuinte para manter a antecipação da tutela deferida pelo TRF3. O recurso de apelação da União foi recebido no efeito devolutivo e até a presente data encontrase no Tribunal Regional Federal da 3 a Região aguardando julgamento, conforme pesquisa no site do Tribunal. No entanto, ainda sem o trânsito em julgado da ação, o contribuinte retificou suas obrigações acessórias (conforme extratos da DCTF em anexo, em que alterou a apuração da COFINS da nãocumulatividade para a cumulatividade) e Fl. 1134DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 6 5 requereu administrativamente a repetição do indébito na forma de declarações de compensação. Por sua vez, considerando que a fiscalizada não declarou em DCTF os valores devidos que estão com a exigibilidade suspensa, em face da sentença não definitiva, foi efetuado o lançamento dos créditos tributários devidos, os quais são controlados pelo processo administrativo 10830.723884/201205 (lançamentos relativos a COFINS e PIS), dentre outros. De acordo com o despacho decisório em apreço, a autoridade da unidade de origem da Receita Federal do Brasil considerou não declarada as referidas compensações, com base no art. 170A1 do CTN, que veda a compensação de crédito objeto de contestação judicial antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial, e tendo em conta o disposto no art. 742, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996, que atribui a condição de não declarada a compensação de crédito objeto de decisão judicial sem trânsito em julgado. Por sua vez, no presente recurso voluntário, a recorrente alegou que a compensação por ela promovida fora reflexo da declaração da imunidade tributária prolatada no âmbito da Ação Ordinária n° 2008.61.05.0118663, logo, não poderia ser aplicada ao presente caso a vedação determinada no art. 170A do CTN, pois, na referida ação não estava em discussão a legalidade ou cobrança das contribuições nem o crédito utilizado nas DComp colacionadas aos autos. Acontece que, diferentemente do que alegou a recorrente, a leitura da petição inicial (fls. 172/196) revela que, por meio da referida ação, expressamente ela pleiteou que a União fosse condenada “a restituirlhe as quantias que pagou indevidamente, no montante a ser apurado em liquidação de sentença, devidamente atualizadas, pelos índices cabíveis, desde a data de cada pagamento, até a data da efetiva devolução, com juros e correção monetária [...]”. Dessa forma, o teor da citada peça processual confirma que a referida ação foi proposta com o objetivo não só de não recolher os impostos e contribuições federais, bem como obter o direito de ser restituída dos valores dos impostos e contribuições indevidos recolhidos. E o fato de a sentença judicial prolatada no âmbito da referida ação (fls. 260/262) ter assegurado o direito de a recorrente ser restituída das quantias pagas indevidamente e de não pagar as quantias futuras em relação apenas aos impostos federais, em razão da imunidade recíproca, prevista no art. 150, VI, 1 Art. 170A. É vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. 2 Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) [...] § 12. Será considerada não declarada a compensação nas hipóteses:(Redação dada pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] II em que o crédito: (Incluído pela Lei nº 11.051, de 2004) [...] d) seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; ou [...] Fl. 1135DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 7 6 “a”, da Constituição Federal de 1988 (CF/1988), não tem o condão de afastar a discussão judicial em torno do pedido de restituição e não pagamento das contribuições sociais. Até a decisão final, com trânsito em julgado, tal matéria ainda se encontra sob crivo do Poder Judiciário, portanto, ainda pendente de julgamento na esfera judicial. No caso, embora o pedido de não pagamento e restituição da Contribuição para o PIS/Pasep e da Cofins não tenha sido acatado na referida decisão judicial, com base no entendimento de que as pessoas jurídicas imunes estavam sujeitas ao regime cumulativo de apuração das citadas contribuições, a recorrente apresentou várias Declarações de Compensação (DComp), incluindo as encartadas nos presentes autos, em que utilizou como crédito a diferença a maior entre o valor apurado e recolhido pelo regime não cumulativo e o valor supostamente devido pelo regime cumulativo. Dessa forma, resta demonstrado que o indébito tributário objeto do procedimento compensatório em apreço, inequivocamente, encontravase, na data da apresentação das DComp, e ainda se encontra em discussão na esfera judicial, segundo noticiam os autos. E somente após o trânsito em julgado da derradeira decisão judicial é que se terá o desfecho definitivo para os pleitos de restituição formulados no âmbito do citado processo judicial. Dada essa circunstância, ao considerar não declarada as compensações em tela, o titular da unidade de origem da RFB decidiu em perfeita consonância com o disposto no art. 170A do CTN e em cumprimento ao que determina o art. 74, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996. Além disso, ainda que a recorrente não tivesse postulado em Juízo a restituição das referidas contribuições, o que se admite apenas por hipótese, indiretamente, a apuração do suposto indébito decorrente da mudança do regime apuração não cumulativo para regime cumulativo somente poderia ser feita após o do trânsito em julgado da decisão judicial final a ser prolatada no âmbito da citada ação ordinária. Dada essa condição, resta evidenciado que somente após proferida a decisão judicial final com trânsito em julgado, o eventual crédito apurado com base na adoção do novo regime apuração das contribuições ostentará os atributos da certeza e liquidez exigidos pelo art. 170 do CTN. E sem tais atributos, certamente, o suposto crédito não é passível de restituição e, por conseguinte, de compensação, consoante dispõe o caput do art. 74 da Lei 9.430/1996, a seguir transcrito: Art. 74. O sujeito passivo que apurar crédito, inclusive os judiciais com trânsito em julgado, relativo a tributo ou contribuição administrado pela Secretaria da Receita Federal, passível de restituição ou de ressarcimento, poderá utilizálo na compensação de débitos próprios relativos a quaisquer tributos e contribuições administrados por aquele Órgão. (Redação dada pela Lei nº 10.637, de 2002) grifos não originais Por todas essas razões, não merece reparo à decisão proferida no questionado despacho decisório, que considerou as compensações em apreço não declaradas, com respaldo no art. 74, § 12, II, “d”, da Lei 9.430/1996. Por todo o exposto, votase por negar provimento ao recurso, para manter na íntegra a decisão recorrida." Fl. 1136DF CARF MF Processo nº 10830.722108/201441 Acórdão n.º 3302004.916 S3C3T2 Fl. 8 7 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 1137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10315.900429/2011-70
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 25 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/04/2010 a 30/06/2010
DESPACHO DECISÓRIO. VÍCIO MATERIAL. NULIDADE
Em ação fiscal, foram analisados livros contábeis e fiscais e notas fiscais dos anos de 2006 a 2009, com o objetivo de validar créditos de IPI escriturados pelo contribuinte.
Contudo, os créditos de IPI objetos dos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação que originaram a contenda, expressamente mencionados no Despacho Decisório, são do 2° trimestre de 2010.
Assim, com fulcro no art. 50 da Lei n° 9.784/99, o Despacho Decisório deve ser anulado, por conter vício material.
Recurso Voluntário Provido
Numero da decisão: 3301-004.123
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO, Por maioria de votos, deu-se provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri (Relator) e Luiz Augusto do Couto Chagas.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto do Couto Chagas - Presidente
(assinado digitalmente)
José Henrique Mauri - Relator
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Redator do voto vencedor
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen..
Nome do relator: JOSE HENRIQUE MAURI
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VÍCIO MATERIAL. NULIDADE Em ação fiscal, foram analisados livros contábeis e fiscais e notas fiscais dos anos de 2006 a 2009, com o objetivo de validar créditos de IPI escriturados pelo contribuinte. Contudo, os créditos de IPI objetos dos Pedidos de Ressarcimento e de Compensação que originaram a contenda, expressamente mencionados no Despacho Decisório, são do 2° trimestre de 2010. Assim, com fulcro no art. 50 da Lei n° 9.784/99, o Despacho Decisório deve ser anulado, por conter vício material. Recurso Voluntário Provido AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 31 5. 90 04 29 /2 01 1- 70 Fl. 405DF CARF MF Processo nº 10315.900429/201170 Acórdão n.º 3301004.123 S3C3T1 Fl. 406 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da TERCEIRA SSEEÇÇÃÃOO DDEE JJUULLGGAAMMEENNTTOO, Por maioria de votos, deuse provimento ao recurso voluntário. Vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira, José Henrique Mauri (Relator) e Luiz Augusto do Couto Chagas. (assinado digitalmente) Luiz Augusto do Couto Chagas Presidente (assinado digitalmente) José Henrique Mauri Relator (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator do voto vencedor Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Luiz Augusto do Couto Chagas (Presidente), José Henrique Mauri (Relator), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Renato Vieira de Avila (Suplente), Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.. Fl. 406DF CARF MF Processo nº 10315.900429/201170 Acórdão n.º 3301004.123 S3C3T1 Fl. 407 3 Relatório Tratase de pedido de ressarcimento do saldo credor do IPI, apurado no período em destaque, para ser utilizado na compensação dos débitos declarados. A autoridade competente, por meio de Despacho Decisório, indeferiu o pedido em razão de o produto que a empresa produz e comercializa ser água mineral natural (sem gás) classificada como NT (nãotributado) na TIPI, não podendo portanto creditarse do IPI referente a aquisição de matériaprima, produto intermediário e material de embalagem empregados na produção de tal produto. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade na qual alegou, em síntese, que tem direito ao ressarcimento por força do princípio da nãocumulatividade previsto no artigo 153,§3º, II, da Constituição Federal e que o direito pleiteado encontra amparo na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, conforme doutrina e julgados que cita. A DRJ em Ribeirão Preto/SP, em primeira Decisão, julgou improcedente a manifestação de inconformidade. Ao apreciar Recurso Voluntário, o Colegiado do Carf, em primeira assentada, deliberou por anular a decisão de primeiro grau, nos seguintes termos: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. PREMISSA FÁTICA EQUIVOCADA. NULIDADE DA DECISÃO RECORRIDA. Nula a decisão que adota como premissa fática produto final diferente daquele objeto do direito creditório pleiteado. Ao considerar que o contribuinte é produtor de livros, ao invés de água mineral, a decisão recorrida contém vício material insanável, devendo haver novo julgamento que considere os fatos efetivamente ocorridos, sob pena de se configurar cerceamento de defesa. Decisão de primeira instância anulada. O processo retornou à primeira instância. A manifestação de inconformidade foi reapreciada e novamente julgada improcedente, como segue: RESSARCIMENTO. FABRICAÇÃO DE PRODUTOS NÃO TRIBUTADOS (NT). O direito ao aproveitamento, nas condições estabelecidas no art. 11 da Lei n° 9.779, de 1999, do saldo credor de IPI decorrente da aquisição de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem aplicados na industrialização de produtos, isentos ou tributados à alíquota zero, não alcança os insumos empregados em mercadorias nãotributadas (N/T) pelo imposto. Manifestação de Inconformidade Improcedente Fl. 407DF CARF MF Processo nº 10315.900429/201170 Acórdão n.º 3301004.123 S3C3T1 Fl. 408 4 Direito Creditório Não Reconhecido" Novo recurso voluntário foi interposto, contendo, resumidamente, o seguinte: i) o direito ao crédito está fundado na princípio constitucional da não cumulatividade, não podendo ser limitado por normas infraconsitucionais, tais como a Lei n° 9.779/99 e a IN n° 31/99, que a regulamentou; ii) o texto constitucional restringiu os créditos de ICMS, não admitindo o aproveitamento, quando a operação subsequente for beneficiada por isenção ou não incidência, o que não ocorreu com o IPI; e iii) a Lei n° 9.779/99 não prevê qualquer ressalva ao direito à manutenção dos créditos, em razão de saídas de produtos não tributados, e, ao contrário do que aduziu a decisão da DRJ, não instituiu crédito presumido em favor de industriais, porém disciplinou a utilização do saldo credor do IPI, inclusive em casos de produtos isentos ou alíquota zero. É o relatório, na essência do que interessa ao julgamento. Fl. 408DF CARF MF Processo nº 10315.900429/201170 Acórdão n.º 3301004.123 S3C3T1 Fl. 409 5 Voto Vencido Conselheiro José Henrique Mauri Relator. O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade, pelo que dele tomo conhecimento. A contenda resumese à pretenso direito aos créditos previstos na Lei nº 9.779, de 1999, art. 11, pelas entradas de matériasprimas, produtos intermediários e materiais de embalagem (MP, PI e ME), utilizados na produção de mercadorias nãotributadas (NT) pelo IPI. 1 Do Crédito de IPI Produto NT Assim dispõe o art. 11 da Lei nº 9.779, de 1999, resultante da conversão da Medida Provisória nº 1.788, de 30 de dezembro de 1998: Art. 11. O saldo credor do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, acumulado em cada trimestrecalendário, decorrente de aquisição de matéria prima, produto intermediário e material de embalagem, aplicados na industrialização, inclusive de produto isento ou tributado à alíquota zero, que o contribuinte não puder compensar com o IPI devido na saída de outros produtos, poderá ser utilizado de conformidade com o disposto nos arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 1996, observadas normas expedidas pela Secretaria da Receita Federal SRF, do Ministério da Fazenda. Em atenção à prerrogativa disposta no final do art. 11, suso transcrito, a RFB, então SRF, publicou a IN SRF nº 33, de 1999, disciplinando a apuração e a utilização de créditos do IPI, na espécie. Posteriormente o Decreto nº 4.544/2002 (RIPI/2002) consolidou e ratificou o entendimento constante da IN/SRF nº 33/99, no sentido de que, a partir de 01/01/1999, os estabelecimentos industriais passaram a ter direito ao crédito do IPI relativo às MP, PI e ME empregados na industrialização de produtos imunes, isentos e tributados à alíquota zero, excetuandose somente os produtos nãotributados. E mais, o mesmo RIPI de 2002, art. 164, inciso I, replicado no Decreto nº 7212/2010 (RIPI/2010), art. 226, inciso I, estabeleceu duas condições para o creditamento do IPI, relativamente a MP, PI e ME: (i) deter a natureza de estabelecimento industrial ou equiparado e (ii) o produto resultante da industrialização deve ser tributado: Art. 226. Os estabelecimentos industriais e os que lhes são equiparados poderão creditarse: I do imposto relativo a matériaprima, produto intermediário e material de embalagem, adquiridos para emprego na industrialização de produtos tributados, incluindose, entre as matériasprimas e os produtos intermediários, aqueles que, embora não se integrando ao novo produto, forem consumidos no processo de industrialização, salvo se compreendidos entre os bens do ativo permanente; Fl. 409DF CARF MF Processo nº 10315.900429/201170 Acórdão n.º 3301004.123 S3C3T1 Fl. 410 6 [...] Do trabalho fiscal realizado, consubstanciado em informações colhidas relativas aos anos de 2006 a 2009, restou concluso que a atividade da empresa é a produção exclusivamente de água mineral, sem gás, classificada na TIPI como "NT". Isso é incontroverso. A própria recorrente declarou que os produtos de sua fabricação limitamse a quatro itens, todos referentes a água mineral natural, sem gás: (i) Garrafão de 20 L. (ii) Garrafão de 10 L, (iii) Garrafas de 500 ML e (iv) Garrafas de 1.500 ML. Ademais, à exceção dos Garrafões (10L e 20L) que são incorporados ao Ativo Permanente da empresa, os demais produtos adquiridos com incidência de IPI são utilizados como insumos na fabricação de água mineral natural. Do suso exposto, resta concluso que a recorrente não atende às condições necessárias para o creditamento, posto que os "insumos" adquiridos são integralmente destinados à fabricação de produtos "NT". Portanto, se a recorrente sequer realiza operação com tributação do IPI não há que se apurar creditamento do imposto, por óbvio. Não por outra razão, dispõe o Decreto nº 7.212/2010 (RIPI), art. 251, § 1º, repetindo o texto constante do Decreto nº 4.544/2002, art. 190, § 1º: Art. 251. Os créditos serão escriturados pelo beneficiário, em seus livros fiscais, à vista do documento que lhes confira legitimidade: [...]. § 1o Não deverão ser escriturados créditos relativos a matéria prima, produto intermediário e material de embalagem que, sabidamente, se destinem a emprego na industrialização de produtos não tributados compreendidos aqueles com notação “NT” na TIPI, os imunes, e os que resultem de operação excluída do conceito de industrialização ou saídos com suspensão, cujo estorno seja determinado por disposição legal. [...] Por derradeiro, pondo uma pá de cal na celeuma, o Carf publicou a Súmula CARF n° 20, nos seguintes termos: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." Por oportuno, em face de questionamentos emergidos no transcorrer do presente julgamento, relativamente à eventual erro material no lançamento, posto que fora subsidiado em documentos fiscais relativos a períodos diversos daquele de que cuida o presente processo, tenho que tal vício não prospera. Conforme explicitado, tratase de empresa não contribuinte de IPI, em face de fabricar exclusivamente produto "NT". Seu objeto social evidencia essa natureza contributiva, razão pelo qual mantémse hígidas as constatações iniciais identificadas pela fiscalização, ainda que realizadas com base nas informações e registros contábeis de 2006 a Fl. 410DF CARF MF Processo nº 10315.900429/201170 Acórdão n.º 3301004.123 S3C3T1 Fl. 411 7 2009, refletindoas nos períodos de apuração posteriores, alcançando inclusive o período de que cuida o presente processo, posto que aquelas circunstâncias apresentamse inalteradas, no tempo e espaço. 2 Constitucionalidade de Lei Sustenta a recorrente, em exaustivas divagações, que o indeferimento de seu direito aos créditos de IPI, além de fundamentarse em Decreto que entende inconstitucional, afronta aos princípios constitucionais da não cumulatividade, seletividade e isonomia. Já pacificado em nossa jurisprudência, as alegações e os pedidos alternativos com base na ofensa aos princípios da capacidade contributiva, da legalidade, da razoabilidade e do não confisco, não podem ser analisadas no julgamento do processo administrativo fiscal. Nessa sede não se julgam argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade da legislação. Tratase, na verdade, de entendimento há tempo consagrado no âmbito dos tribunais administrativos, já sumulada nesse conselho: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Ademais o Regimento Interno do Carf, art. 62, veda ao conselheiro afastar a aplicação de Lei ou Decreto, conforme tenta impingir o recorrente. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. No mais, o Acórdão recorrido deve ser integralmente preservado, sejam pelos fundamentos suso expostos ou por seus próprios fundamentos, nos termos da Portaria MF nº 343, de 2015 (Ricarf), art. 27, § 3º, com a redação dada pela Portaria MF nº 329, de 2017. Ante o exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário É como voto. Conselheiro José Henrique Mauri Relator. Fl. 411DF CARF MF Processo nº 10315.900429/201170 Acórdão n.º 3301004.123 S3C3T1 Fl. 412 8 Voto Vencedor Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Redator designado A contenda seria de simples deslinde, posto que gravita em torno do tema objeto da Súmula CARF n° 20: possibilidade de registro de créditos de IPI, derivados de compras de insumos para fabricação de produtos não tributados pelo IPI classificação fiscal "NT". Assim dispôs esse Conselho: "Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT." Entretanto, o presente processo não pode ser concluído com base nessa Súmula. O contribuinte transmitiu Pedido de Ressarcimento PER n° 26213.26671.230910.1.1.017500, relativo a créditos de IPI do segundo trimestre de 2010, no montante de R$ 48.221,66 (Anexo III da Representação Fiscal, fl. 70). Por meio do Despacho Decisório n° 155/2011 (fls. 241), o PER foi indeferido e não homologada a vinculada Declaração de Compensação (DCOMP) n° 27753.95425.170211.1.7.015123. Ocorre que, conforme consta no referido despacho decisório, a decisão foi baseada na ação fiscal desenvolvida em cumprimento do MPF n° 03.1.02.002011003620, cujo escopo foi a revisão dos créditos de IPI registrados no quarto trimestre de 2006 e nos anos de 2007 a 2009. Concluise, portanto, que o Despacho Decisório n° 155/2011 (fl. 241) contém vício material e deve ser anulado, com base no art. 50 da Lei n° 9.784/99, pois foi lastreado em documentação não atinente ao segundo trimestre de 2010, período em que foram registrados os créditos de IPI objeto dos Pedidos de Ressarcimento PER n° 26213.26671.230910.1.1.01 7500 e que suporta o Pedido de Compensação DCOMP n° 27753.95425.170211.1.7.015123. Desta forma, voto por declarar nulo o despacho decisório, por conter vício material. É como voto. Conselheiro Marcelo Costa Marques d'Oliveira Fl. 412DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.903039/2008-11
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Terceira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jan 29 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Mar 06 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/11/2002 a 30/11/2002
DCOMP. COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO.
Diligência fiscal que constatou ausência de créditos suficientes, à compensar a totalidade do débito deste processo.
Recurso Voluntário Provido em Parte
Numero da decisão: 3401-004.313
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada.
ROSALDO TREVISAN - Presidente.
FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
Nome do relator: FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicando-se integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN - Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA - Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge DOliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco.
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COMPENSAÇÃO. INSUFICIÊNCIA DE CRÉDITO. Diligência fiscal que constatou ausência de créditos suficientes, à compensar a totalidade do débito deste processo. Recurso Voluntário Provido em Parte Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. ROSALDO TREVISAN Presidente. FENELON MOSCOSO DE ALMEIDA Relator. Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Rosaldo Trevisan (Presidente), Robson Jose Bayerl, Augusto Fiel Jorge D’Oliveira, Mara Cristina Sifuentes, Renato Vieira de Ávila (Suplente), Fenelon Moscoso de Almeida, Tiago Guerra Machado e Leonardo Ogassawara de Araújo Branco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 90 30 39 /2 00 8- 11 Fl. 189DF CARF MF Processo nº 10980.903039/200811 Acórdão n.º 3401004.313 S3C4T1 Fl. 164 2 Relatório Por bem descrever os fatos, adoto o relatório da Resolução nº 3403000.405 (fls.1 102/104), que converteu o feito em diligência, o qual passo a transcrever: "Cuidase os de Recurso Voluntário objetivando o afastamento do indeferimento de restituição e compensação de crédito oriundo de pagamento por meio de DARF a maior do que o valor devido para o PIS relativo ao período de apuração de 01.11.2002 a 30.11.2002. Sustenta a Interessada que o indeferimento ocorreu sob o fundamento de que a existência de crédito no crédito original de R$ 1.344,84 para extinção de débito indicado na declaração, mas verificado que o crédito teria sido integralmente utilizado para quitação de débitos do contribuinte, motivo pelo qual não se homologou a compensação declarada. O crédito pleiteado tem origem segundo alegação no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. A DCTF foi retificada após o conhecimento da decisão contida no despacho decisório, que negou a existência do crédito. Foram trazidas à colação cópias do razão contábeis com o objetivo de demonstrar a origem do crédito. Em razões recursais manteve os mesmos argumentos tecidos na fase de Inconformidade de Manifestação." Considerando que o processo não se encontrava em condições de julgamento, foi resolvida sua conversão em diligência para: a) Aferição da procedência e quantificação do direito creditório indicado pelo contribuinte, empregado sob forma de compensação; b) Informação se, de fato, o crédito foi utilizado para outra compensação, restituição ou forma diversa de extinção do crédito tributário, como registrado no despacho decisório; c) Informação se o crédito apurado é suficiente para liquidar a compensação realizada; e, Elaboração de relatório circunstanciado e conclusivo a respeito dos procedimentos realizados e conclusões alcançadas. A informação fiscal proferida confirmou a homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, no valor de R$ 23,40: "Ao que tudo indica, o saldo devedor decorre de erro cometido pelo contribuinte na quantificação da taxa selic acumulada no período." Após ciência sobre a informação fiscal, apresentase manifestação, em essência, acatando as conclusões alcançadas pela diligência fiscal. 1 Todos os números de folhas indicados neste documento referemse à numeração eletrônica do eprocesso. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 10980.903039/200811 Acórdão n.º 3401004.313 S3C4T1 Fl. 165 3 Voto O recurso apresentado preenche os requisitos formais de admissibilidade e, portanto, dele se toma conhecimento. Como visto do relatório, tratase de DCOMP, transmitida para a compensação de créditos tributários relativos às contribuições sociais para o PIS. Notar que, inicialmente, o despacho decisório eletrônico de não homologação das compensações declaradas, deuse pelo fato de que o DARF discriminado na DCOMP estava integralmente utilizado. Na manifestação de inconformidade, passa o interessado a justificar que o crédito pleiteado tem origem no recálculo da contribuição em razão da redução à alíquota a zero (%) por centro para o PIS no período. Em resposta, concluiu o acórdão DRJ, não ter sido trazido aos autos a comprovação da existência do direito creditório alegado. Diante destas razões, posteriormente trazidas, via decisão recorrida, contrapõe a recorrente, por meio do recurso voluntário, provas documentais, em planilhas e cópias de razões analíticos. Presente a hipótese prevista na alínea "c", §4º, art. 16, do PAF, no caso em discussão, os autos foram e retornaram de diligência com a confirmação da homologação parcial da compensação declarada, restando saldo devedor, no valor de R$ 23,40, com o qual manifestou concordância o contribuinte Pelo exposto, voto no sentido de dar provimento parcial ao recurso voluntário apresentado, aplicandose integralmente a informação fiscal, resultado da diligencia fiscal, com a conseqüente homologação parcial da compensação declarada. Fenelon Moscoso de Almeida Relator Fl. 191DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10855.000947/2005-36
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Fri Feb 02 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Apr 18 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Data do fato gerador: 31/07/2003
PIS. DECRETOS-LEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais Decretos-Lei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores.
PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante.
DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. JULHO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/2003-78, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de julho/2003.
Recurso voluntário provido.
Numero da decisão: 3301-004.263
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado.
José Henrique Mauri - Presidente.
Semíramis de Oliveira Duro - Relatora.
Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
Nome do relator: SEMIRAMIS DE OLIVEIRA DURO
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 31/07/2003 PIS. DECRETOS-LEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais Decretos-Lei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. JULHO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/2003-78, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de julho/2003. Recurso voluntário provido.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri - Presidente. Semíramis de Oliveira Duro - Relatora. Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro.
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DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. DILIGÊNCIA. RECONHECIMENTO DO CRÉDITO. JULHO/2003. Em processo de diligência fiscal, determinado nos autos do processo n° 10855.000880/200378, foi reconhecido o indébito alegado pelo contribuinte. Crédito extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN, para o período de apuração de julho/2003. Recurso voluntário provido. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e do voto que integram o presente julgado. José Henrique Mauri Presidente. Semíramis de Oliveira Duro Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 85 5. 00 09 47 /2 00 5- 36 Fl. 326DF CARF MF Processo nº 10855.000947/200536 Acórdão n.º 3301004.263 S3C3T1 Fl. 327 2 Participaram da presente sessão de julgamento os conselheiros José Henrique Mauri (Presidente), Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões, Valcir Gassen, Liziane Angelotti Meira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Ari Vendramini e Semíramis de Oliveira Duro. Relatório Tratase, na origem, de declaração de compensação de créditos de PIS dos meses de outubro de 1990 a abril de 1994, com vistas a compensar créditos de PIS, relativo ao período de apuração de julho de 2003, previamente reconhecidos e apurados nos termos da Ação Ordinária n° 95.09044393, cujo acórdão transitou em julgado na data de 06/04/2000. Do relatório da decisão recorrida, efls. 287s, consta: Tratase de manifestação de inconformidade (fls. 89 a 97) contra o Despacho Decisório de fl. 85, proferido pela Delegacia da Receita Federal em Sorocaba, SP. Segundo consta no despacho supra, inexiste crédito a compensar conforme despacho extraído do processo 10855.00880/200378 de fl. 84. Desta forma, diante do não reconhecimento do direito creditório, a Declaração de Compensação (DCOMP) apresentada pela contribuinte não foi homologada. Irresignada, a contribuinte apresentou a manifestação de inconformidade em comento, sendo essas as suas razões de defesa, em síntese: Correção monetária dos indébitos apurados, adotando como índice a Taxa Selic e aplicação da semestralidade na base de cálculo no cálculo do PIS. Dando prosseguimento ao processo, este foi encaminhado para a DRJ em Ribeirão Preto para julgamento. A 4ª Turma da DRJ/POR, no acórdão n° 1414.756, negou provimento à manifestação de inconformidade, com decisão assim ementada: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP BASE DE CÁLCULO. FATURAMENTO. SEMESTRALIDADE. A base de cálculo do PIS é o faturamento do próprio mês de ocorrência do fato gerador. INEXISTÊNCIA DE CRÉDITO A COMPENSAR. Ante a inexistência de crédito a compensar, não se homologa a declaração de compensação apresentada. Em seu recurso voluntário, a empresa reiterou os fundamentos de sua impugnação, requerendo a aplicação da semestralidade e da atualização pela taxa SELIC. Ao final, defendeu o acolhimento do pleito com a consequente homologação da DCOMP. Fl. 327DF CARF MF Processo nº 10855.000947/200536 Acórdão n.º 3301004.263 S3C3T1 Fl. 328 3 Tratase o presente, de processo vinculado ao processo n° 10855.000880/200378, ao qual, inclusive, está apenso. Nos autos do processo n° 10855.000880/200378, a 3ª Turma Especial do CARF, por meio da Resolução n° 3803000.116, converteu o julgamento em diligência, para determinar: o retorno do processo à delegacia fiscal de origem, para que se proceda a apuração do crédito em questão, observandose a semestralidade da base de cálculo do PIS do período de outubro de 1990 a abril de 1994 e, ainda, a correção monetária do crédito, até a data da compensação do PIS da competência abril de 2003 objeto da presente demanda, com base na variação da taxa Selic, nos exatos termos da decisão judicial proferida pelo TRF 3ª Região. A diligência foi cumprida, nos termos da informação fiscal que lá consta, e fls. 1253 e s. Sobre o resultado, a empresa manifestouse, nas efls. 1296 e s. Ressaltase que a diligência investigou e certificou também se o direito creditório cobre os débitos de PIS de julho/2003, que é objeto deste presente processo, bem como de outros processos também apensados ao de n° 10855.000880/200378. É o relatório. Voto Conselheira Semíramis de Oliveira Duro O recurso voluntário é tempestivo e reúne os pressupostos legais de interposição, dele, portanto, tomo conhecimento. É pacífico o entendimento de que a base de cálculo do PIS, sob o regime da Lei Complementar nº 7/70, é o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, e, sendo inconstitucionais os Decretoslei nº 2445 e 2449/88, conforme a Resolução do Senado nº 49/95, deve prevalecer a Lei Complementar, nos termos em que imposta até a edição da Medida Provisória nº 1.212/95, convertida na Lei nº 9.715/98. A matéria é inclusive tema da Súmula CARF nº 15 (vinculante): “A base de cálculo do PIS, prevista no artigo 6º da Lei Complementar nº 7, de 1970, é o faturamento do sexto mês anterior, sem correção monetária.” Por conseguinte, exsurgiu o direito de o contribuinte compensar os valores recolhidos indevidamente a título de PIS de acordo com os atos inconstitucionais, naquilo que superou o previsto na Lei Complementar n° 7/70, direito que fora reconhecido na Ação Judicial Ordinária n° 95.09044393, de titularidade da Recorrente. Fl. 328DF CARF MF Processo nº 10855.000947/200536 Acórdão n.º 3301004.263 S3C3T1 Fl. 329 4 Dessa forma, andou bem a Resolução n° 3803000.116, do processo n° 10855.000880/200378, ao determinar de ofício a aplicação da semestralidade. Como resultado da diligência, a Delegacia competente verificou que quase a totalidade dos valores em litígio no processo n° 10855.000880/200378, no presente e ainda nos outros processos em apenso ao primeiro, foram objeto de compensação. Relata a autoridade fiscal que do confronto dos débitos apurados com os recolhimentos havidos no mesmo período, obtémse, como resultado, conforme relatório “Demonstrativo de Saldo de Pagamentos”, o montante de R$ 300.809,62 (trezentos mil, oitocentos e nove reais e sessenta e dois centavos) que corresponde ao efetivo direito creditório do contribuinte antes de realizadas as compensações por ele declaradas em DCTF e em Declarações de Compensação (a partir de 2003). Transcrevo parte do teor da informação fiscal, efls. 1253s do processo n° 10855.000880/200378: III – Das Compensações – Até o Limite do Crédito Apurado e Reconhecido As compensações foram realizadas até o limite do crédito apurado e reconhecido, por ordem direta dos períodos de apuração dos débitos de PIS informados/declarados pelo contribuinte, do mais antigo para o mais recente. No demonstrativo “Quadro Resumo – Demonstrativo de Utilização de Crédito do PIS para Compensação com o próprio PIS” juntado às fls. 1189, é possível se verificar a consumação do crédito apurado após a amortização de cada um dos débitos de PIS, até a sua completa exaustão. Nos demonstrativos, listagens e demonstrativos citados adiante, as compensações serão tratadas pormenorizadamente. Para fins de operacionalização e controle nos sistemas da Receita Federal do Brasil – RFB, as compensações informadas e declaradas pelo contribuinte foram divididas em dois períodos distintos, a saber: • período de apuração de 07/1996 a 10/2000 – compensações informadas em DCTF; • período de apuração de 02/2003 a 01/2004 – compensações declaradas em DCOMP. Para o primeiro conjunto – PA 07/1996 a 10/2000 – o crédito reconhecido foi suficiente para a amortização de todas as contribuições de PIS, conforme demonstrado nos seguintes relatórios: • Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes, fls. 1190/1191; • Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes, fls. 1192/1193; • Demonstrativo Analítico de Compensação, fls. 1194/1230. Já para o segundo conjunto – PA 02/2003 a 01/2004 – o crédito apurado foi suficiente para a compensação total das contribuições do PIS relativas aos períodos de apuração de fevereiro/2003 até novembro/2003 e parcial do período de apuração dezembro/2003, conforme relatórios anexos: • Listagem de Créditos/Saldos Remanescentes II, fls. 1231; • Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes II, fls. 1232; • Demonstrativo Analítico de Compensação II, fls. 1233/1240. Dessa forma, conforme “Listagem de Débitos/Saldos Remanescentes” de fls. 1232, remanesceram os débitos de PIS de dezembro/2003 (parcial), no valor de Fl. 329DF CARF MF Processo nº 10855.000947/200536 Acórdão n.º 3301004.263 S3C3T1 Fl. 330 5 R$ 7.980,88, e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17, valores estes sujeitos à cobrança final e inscrição em dívida ativa. Sobre o resultado da diligência, a Recorrente reclamou apenas que a diferença a pagar existente em 12/2003 e 01/2004 se devia por erro na conversão entre as moedas, de cruzeiro real para real, concordando com os demais termos da informação fiscal: Ocorre que, de acordo com os cálculos da ora Requerente (planilha juntada aos autos do processo, o direito creditório antes de realizadas as compensações corresponde ao valor de R$ 307.182,97 (trezentos e sete mil, cento e oitenta e dois reais e noventa e sete centavos), e não de R$ 300.809,62 (trezentos mil, oitocentos e nove reais e sessenta e dois centavos) como apontado pela autoridade administrativa. Aparentemente, a autoridade administrativa considerou todos os pagamentos realizados pela ora Recorrente, mas, ao converter os valores de Cruzeiros (CR$) para Reais (R$), na planilha denominada “Demonstrativos de Saldos e Pagamentos”, não mencionou a fórmula utilizada para tanto, o que impede a Requerente de contraditar os cálculos da Receita Federal e que implica em nítido cerceamento do direito de defesa. Com efeito, nos termos da informação fiscal, partindose do valor apurado pela Receita Federal antes das compensações (R$ 300.809,62), ao final, remanescerão os débitos de PIS de dezembro/2003, no valor de R$ 7.098,88 e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17, pois o crédito não seria suficiente para liquidar integralmente as compensações declaradas. Por outro lado, partindose do valor apurado pelo contribuinte (R$ 307.182,97), verificarseá que, realizadas as compensações, não remanescerá débito algum. Tal alegação foi afastada no acórdão n° 3301004.085, com os seguintes fundamentos do voto condutor: Fl. 330DF CARF MF Processo nº 10855.000947/200536 Acórdão n.º 3301004.263 S3C3T1 Fl. 331 6 Não há o que se deferir quanto ao pleito de esclarecimento do método de cálculo utilizado na conversão de valores de cruzeiros para reais, com o apontamento dos índices aplicados. Isso porque as conversões são realizadas automaticamente pelo sistema da Receita Federal, o SICALQ, que está, inclusive, disponível para download no site www.receita.fazenda.gov.br. De todo modo, o sistema atende ao comando da Medida Provisória n° 542/1994 e reedições e da Lei n° 9069/1995. As regras de conversão do cruzeiro real para real estão postas no art. 12 e seguintes da Lei n° 9069/1995. Logo, a argumentação da Recorrente não desqualificou o trabalho da auditoria fiscal. Diante disso, considerando as premissas apontadas pela Recorrente, a partir das quais a diligência foi efetuada (itens i a iv citados acima), bem como o resultado avalizado pela interessada, entendo que é imperioso reconhecer o indébito devidamente comprovado. Restou a ementa daquele acórdão, assim redigida: Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep Data do fato gerador: 28/02/2003 PIS. DECRETOSLEI N° 2445/88 E 2449/88. PROCESSO JUDICIAL. APLICAÇÃO DE DECISÃO PROFERIDA NOS AUTOS. A decisão judicial deve ser reconhecida e devidamente aplicada pelo órgão administrativo de julgamento. Comprovado o recolhimento a maior a título de PIS, à época dos declarados inconstitucionais DecretosLei nº 2445/88 e 2449/88, resta evidente o direito à compensação de tais valores. Reconhecimento parcial do indébito alegado pelo contribuinte, conforme o demonstrado no procedimento de diligência fiscal. Crédito parcialmente extinto, nos termos do art. 156, II, do CTN. PIS. BASE DE CÁLCULO. SEMESTRALIDADE. SÚMULA CARF Nº 15 (VINCULANTE). A base de cálculo do PIS das empresas industriais e comerciais, até a data em que passou a viger as modificações introduzidas pela Medida Provisória nº 1.212/95 (29/02/1996), era o faturamento do sexto mês anterior ao da ocorrência do fato gerador, sem correção monetária, podendo a semestralidade ser reconhecida de ofício. Aplicação da Súmula CARF nº 15, vinculante. Recurso voluntário parcialmente provido. Então, a conclusão do acórdão n° 3301004.085, do PA n° 10855.000880/200378, foi de reconhecer que se operou a extinção do crédito, nos termos do art. 156, II, do CTN, até o limite reconhecido pela autoridade fiscal, no procedimento de diligência fiscal, dando provimento parcial ao recurso voluntário. Fl. 331DF CARF MF Processo nº 10855.000947/200536 Acórdão n.º 3301004.263 S3C3T1 Fl. 332 7 Isso porque, como apontou a autoridade diligenciante, restou saldo a pagar de PIS de dezembro/2003 (parcial), no valor de R$ 7.980,88, e janeiro de 2004, no valor de R$ 8.378,17. Resta, por conseguinte, neste processo, aplicar o resultado do processo n° 10855.000880/200378. Logo, deve ser reconhecido que o crédito apurado foi suficiente para compensar integralmente os débitos de PIS do período de julho/2003, que é o objeto do presente processo. Portanto, voto por dar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Semíramis de Oliveira Duro Relatora Fl. 332DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 14041.000972/2008-98
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Nov 28 00:00:00 UTC 2017
Data da publicação: Mon Apr 02 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006
RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO NÃO ENFRENTADA PELO ACÓRDÃO PARADIGMA.
Não se conhece de recurso especial que, embora cite decisão proferia em autos cujo lançamento decorreu de situação fática semelhante, o colegiado paradigmático deixou de abordar expressamente o tema devolvido pelo Recorrente.
CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO.
A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91.
Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado.
A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição.
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.209
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da preliminar de nulidade alegada na tribuna por ocasião da sustentação oral. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto (i) à bolsa de estudos, na modalidade de desconto em mensalidade, concedidos aos dependentes dos segurados empregados e quanto (ii) à retroatividade benigna. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em dar-lhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira.
(assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Presidente em Exercício
(assinado digitalmente)
Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri - Relatora
(assinado digitalmente)
Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira - Redatora Designada
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos.
Nome do relator: RITA ELIZA REIS DA COSTA BACCHIERI
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 RECURSO ESPECIAL. ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO NÃO ENFRENTADA PELO ACÓRDÃO PARADIGMA. Não se conhece de recurso especial que, embora cite decisão proferia em autos cujo lançamento decorreu de situação fática semelhante, o colegiado paradigmático deixou de abordar expressamente o tema devolvido pelo Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,tda Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
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ART. 67 DO RICARF. COMPROVAÇÃO DE DIVERGÊNCIA. SITUAÇÃO NÃO ENFRENTADA PELO ACÓRDÃO PARADIGMA. Não se conhece de recurso especial que, embora cite decisão proferia em autos cujo lançamento decorreu de situação fática semelhante, o colegiado paradigmático deixou de abordar expressamente o tema devolvido pelo Recorrente. CONTRIBUIÇÕES PREVIDENCIÁRIAS. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. SALÁRIO INDIRETO. BOLSA DE ESTUDOS DEPENDENTES. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL PARA EXCLUSÃO DA BASE DE CÁLCULO. A destinação de bolsa de estudos aos DEPENDENTES do segurado empregado não se encontra dentre as exclusões do conceito de salário de contribuição do art. 28, § 9º da lei 8212/91. Até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, que alterou o art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 trazendo expressa referência aos dependentes do segurado, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, independente do tipo de curso ofertado. A legislação trabalhista não pode definir o conceito de remuneração para efeitos previdenciários, quando existe legislação específica que trata da matéria, definindo o seu conceito, o alcance dos valores fornecidos pela empresa, bem como especifica os limites para exclusão do conceito de salário de contribuição. APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 14 04 1. 00 09 72 /2 00 8- 98 Fl. 9525DF CARF MF 2 449/2008, CONVERTIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer da preliminar de nulidade alegada na tribuna por ocasião da sustentação oral. Acordam ainda, por unanimidade de votos, em conhecer parcialmente do Recurso Especial, apenas quanto (i) à bolsa de estudos, na modalidade de desconto em mensalidade, concedidos aos dependentes dos segurados empregados e quanto (ii) à retroatividade benigna. No mérito, na parte conhecida, por voto de qualidade, acordam em darlhe provimento, vencidas as conselheiras Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri (relatora), Patrícia da Silva, Ana Paula Fernandes e Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), que lhe deram provimento parcial. Designada para redigir o voto vencedor a conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Presidente em Exercício (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada Participaram do presente julgamento os Conselheiros Maria Helena Cotta Cardozo, Patrícia da Silva, Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Ana Paula Fernandes, Heitor de Souza Lima Junior, Ana Cecília Lustosa da Cruz (suplente convocada), Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri e Luiz Eduardo de Oliveira Santos. Fl. 9526DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.526 3 Relatório Tratase de auto de infração (AI 37.142.1497) para cobrança de diferença de contribuição previdenciária, parte patronal, SAT e Adicional de SAT. O relatório fiscal, na parte que nos interessa assim resumiu a infração: 10.6. Descontos concedidos nas mensalidades escolares 10.6.1. Da análise dos dados apresentados pela empresa conforme itens 5.9 se verificou que vários funcionários obtiveram, para si ou para seus dependentes, descontos nas mensalidades escolares. 10.6.2. O art. 28 da Lei 8.212/91 define com salário contribuição: "I para o empreqado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos paws, devidos ou creditados a qualquer titulo, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou toma dor de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; "III para o contribuinte individual: a remuneração auferida em uma ou mais empresas ou pelo exercício de sua atividade por conta própria, durante o mês;" (sublinhei) 10.6.3. Depreendese da interpretação legal que os descontos concedidos nas mensalidades escolares, quantificados em moeda corrente pela empresa fiscalizada, correspondem à remuneração indireta que diferenciam a relação de trabalho/prestação de serviço existente com as demais empresas. 10.6.4. Ademais, o §9° do referido artigo traz, de forma exaustiva, as possibilidades excludentes de tributação ao saláriodecontribuição, dentre as quais não está incluída esta modalidade de remuneração. 10.6.5. Virá em seqüência a alegação do contribuinte de que referidos descontos são concedidos, até certo percentual (geralmente 50%), em cumprimento determinação de convenção coletiva de trabalho assinada com os sindicatos dos empregados (SINPRODF e SAEDF). 10.6.6. 0 art. 611 da CLT (Decretolei no 5.452/43) define convenção coletiva de trabalho como sendo um contrato interpartes, conforme abaixo sublinhado: "Art. 611 Convenção Coletiva de Trabalho é o acordo de caráter normativo, pelo qual dois ou mais Sindicatos representativos de categorias econômicas e profissionais estipulam condições de trabalho aplicáveis, no âmbito das respectivas representações, às re/aches individuais do trabalho." (sublinhei) Fl. 9527DF CARF MF 4 10.6.7. Desta forma a relação de direitos e obrigações criada na convenção coletiva de trabalho não contamina o direito previdenciário, visto que a aplicabilidade da convenção está restrita ao âmbito interpartes conforme o art. 611 da CLT. 10.6.8. Já a obrigação de fazer ou não fazer tributária decorre exclusivamente de Lei e, neste caso, está exaustivamente tratada na Lei 8.212/91, quer pela definição da incidência de contribuição previdenciária a qualquer forma, direta ou indireta de remuneração, quer pela lista exaustiva das ocorrências de não incidência. 10.6.9. Desta forma os descontos concedidos em mensalidades escolares, denominado pelo sujeito passivo de bolsa, quando concedidos às pessoas que lhes prestam qualquer tipo de serviço, correspondem a uma contraprestação inerente à relação comercial e trabalhista criada e, portanto tratase de remuneração indireta passível de tributação. 10.6.10. Estes valores foram lançados no levantamento: CÓDIGO LEVANTAMENTO DESCRIÇÃO DO LEVANTAMENTO RLC DESCONTO MENS ESCOLAR CONTRIBUINTE INDIVIDUAL RLE DESCONTO MENS ESCOLAR SEGURADO EMPREGADO 10.6.11. As obrigações acessórias relacionadas a estes lançamentos foram apenadas com os Autos de Infração relacionados nos itens 10.1.3, 10.1.10 e 10.3.3 a). Vale destacar a mesma auditoria fiscal deu origem aos seguintes autos de infração: Intimado o Contribuinte apresentou impugnação de fls. 302/3019 e juntou extensa documentação. Entre os pontos arguidos pela defesa destacamos: preliminares de decadência parcial pela aplicação do art. 150, §4º do CTN e de nulidade do lançamento por erro na apuração da base de cálculo; no mérito aduz que inexiste irregularidade no fornecimento das bolsas de estudo, uma vez que estas não representam remuneração indireta, consoante disposto Fl. 9528DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.527 5 no art. 458, §2°, com as alterações trazidas pela Lei n.° 10.243 de 19.06.2001, da CLT, destaca que as alterações trazidas pela referida lei buscaram estimular o empregador a proporcionar melhores condições de trabalho aos seus empregados, de forma a desonerálos de diversos itens que, até aquele momento, eram considerados salário indireto. Diante da argumentação de erro na apuração da base de cálculo, a DRJ solicitou a realização de diligência nos termos despacho de fls, 9.223/9.224. O lançamento foi alterado conforme resposta dada pela autoridade de fiscal às fls. 9.328/9.340. O contribuinte foi cientificado do resultado da diligência e apresentou nova Impugnação (fls.9.234/9.263) na qual reitera os argumentos apresentados na inicial e requer, ao final, seja dado provimento às Impugnações apresentadas, para julgar improcedentes os lançamentos efetuados, determinando o cancelamento das cobranças de diferenças relacionadas às contribuições do segurado empregado e contribuintes individuais, multas de lançamento de oficio; juros de mora SELIC, bem como quaisquer outras exigências fiscais. A Delegacia de Julgamento julgou a impugnação parcialmente procedente determinando: a decadência parcial relativa às competências 01/2003 a 09/2003, retificação do lançamento nos termos em que apurado pela diligência fiscal, aplicação da multa nos termos da Portaria Conjunta PGFN/RFB nº 14/2009 e remessa dos autos à instância superior para análise de Recurso de Ofício. Intimado o contribuinte apresentou Recurso Voluntário (fls. 9.342 e seguintes) com a mesma linha de argumentação. A 4ª Câmara / 3ª Turma Ordinária, negou provimento ao Recursos de Ofício e deu provimento em parte ao Recurso Voluntário para determinar a exclusão dos valores apurados à título de bolsa de estudos e ainda determinar o recálculo da multa de mora, de acordo com o disposto no art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91, na redação dada pela Lei nº 11.941/2009 (art. 61, da Lei no 9.430/96), prevalecendo o valor mais benéfico ao contribuinte. O acórdão recebeu a seguinte ementa: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Período de apuração: 01/01/2003 a 31/12/2006 BOLSAS DE ESTUDO. SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. NÃO INTEGRAÇÃO. A bolsa de estudo destinase a ressarcir os valores pagos a título e mensalidades escolares dos próprios empregados ou de seus filhos, não possuindo natureza salarial. É um incentivo para o trabalho, e não pelo trabalho. Por tal razão, os valores que porventura forem expendidos a este título não devem integrar o salário de contribuição. MULTA. RECÁLCULO. Recálculo da multa de mora para que seja aplicada a mais benéfica ao contribuinte por força do art. 106, II, “c” do CTN. Recursos de Ofício Negado e Voluntário Provido em Parte. Fl. 9529DF CARF MF 6 Intimada do acórdão, a Fazenda Nacional interpôs recurso especial visando rediscutir os seguintes pontos: 1) incidência da contribuição previdenciária sobre o auxílio educação concedido aos empregados e dependentes por descumprimento dos requisitos do art. 28, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, cita como paradigmas os acórdãos 240100.245 e 2401001.967; e 2) critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. Contrarrazões do contribuinte pugnando pelo não conhecimento e não provimento do recurso. É o relatório. Voto Vencido Conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Relatora Do conhecimento da preliminar de nulidade do auto de infração: Foi suscitado pelo Contribuinte na sessão de julgamento, a existência de vícios no lançamento que levariam a nulidade do auto de infração. Pugnouse pelo conhecimento de ofício do tema haja vista tratarse de matéria de ordem pública. Ocorre que as nulidades apontadas foram exaustivamente debatidas pelo Colegiado a quo, havendo no acórdão recorrido expressa manifestação pela inexistência de quaisquer vícios, tendo o contribuinte exercido, sem quaisquer dificuldades seu direito de defesa. Vale transcrever o entendimento registrado no voto: Relatório ... DO RECURSO VOLUNTÁRIO Irresignada, a empresa interpôs, tempestivamente, Recurso Voluntário, fls. 9388/9405, requerendo a reforma do Acórdão da DRJ, utilizandose, para tanto, dos seguintes argumentos: Em sede preliminar, almeja à nulidade do lançamento em razão dos seguintes fatos: 1. não fornecimento das planilhas de forma a possibilitar o seu manuseio e total compreensão dos cálculos efetuados pelo Auditor Fiscal; 2. a inexistência da coluna utilizada pelo Auditor para fundamentar os cálculos e valores apurados; Fl. 9530DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.528 7 3. desconsideração das retificações promovidas pelo Recorrente antes da lavratura do Auto de Infração; 4. ausência de fundamentação e insuficiente exposição dos fatos. Ausência de remuneração indireta, eis que a concessão de descontos nas mensalidades não constitui salário, nos termos do art. 458, § 2º, da CLT. É o relatório. ... DOS ARGUMENTOS DE CERCEAMENTO DO DIREITO DE DEFESA Dos documentos em formato “xls” A Recorrente apresentou petição, fls. 306/307, anterior à Impugnação, na qual requereu a entrega das planilhas elaboradas pela auditoria fiscal no formato “xls”, alegando não ser possível a leitura de dados através do formato “pdf”, razão pela qual cercearia o seu direito de defesa. Tal argumento, entretanto, não merece guarida. O formato como são entregues as planilhas ao contribuinte tem por objetivo evitar possíveis alterações nos dados informados pelo Auditor, eis que o formato solicitado pela Recorrente permite o fácil manuseio das informações ali contidas. Portanto, não há que se considerar cerceamento do direito de defesa pela não entrega dos documentos em “xls”, eis que independente do formato, os dados ali consignados são os mesmos e o contribuinte teve ciência do que se tratava. Inexistência de fundamentação quanto ao cálculo e os valores apurados As planilhas elaboradas pela auditoria, ao contrário do que alega a Recorrente, encontra a explicação da aplicação de alíquotas e resultado dos valores apurados no Relatório Fiscal, mais precisamente em seu item 09, fls. 142/143. Ademais, o Relatório Fiscal consigna minuciosamente todo o procedimento fiscal e todo o percurso para encontrar os valores apurados e lançados na presente autuação. Portanto, não prospera tais argumentos da Recorrente. Retificações realizadas após o início do procedimento fiscal Segundo relata a Recorrente, não foram consideradas as retificações promovidas até 16/09/2008, as quais não foram inseridas nas planilhas da auditoria, razão pela qual foram indevidamente tributadas, restando, por conseguinte, a anulação da presente autuação. É sabido, contudo, que iniciado o procedimento fiscal, quaisquer declarações ou retificações não surtiram efeitos em eventual Fl. 9531DF CARF MF 8 lançamento de ofício oriundo da dita fiscalização, conforme entendimento sumulado por este Conselho, in verbis: Súmula CARF nº 33: A declaração entregue após o início do procedimento fiscal não produz quaisquer efeitos sobre o lançamento de ofício. Portanto, tendo em vista que o TIAF foi lavrado e cientificado ao contribuinte em 29/01/2008, fls. 177/178, desde a referida data não hão que ser consideradas eventuais declarações e/ou retificações posteriormente apresentadas, muito menos após a lavratura do Auto de Infração, conforme foi atestado na informação fiscal, fls. 9284/9286. Entretanto, é de se considerar que o Relatório 04, anexo ao Relatório Fiscal, fls. 269/272, foi elaborado especificamente para se proceder à comparação entre os valores apurados pela auditoria e os corrigidos durante a ação fiscal, inclusive aquelas realizadas em 16/09/2008, item 9.1.4 do Relatório Fiscal. Importa ressaltar que a empresa não procedeu a integral correção dos valores, de modo que não foi aplicada a redução prevista no § 4º do art. 35, vigente à época dos fatos geradores e das retificações. Ausência de fundamentação e insuficiente exposição dos fatos O Relatório Fiscal consigna minuciosamente todos os fatos que culminaram na autuação em epígrafe. Desde a análise dos documentos apresentados pelo contribuinte, informações obtidas pela Receita Federal, consideração dos recolhimentos apresentados pelo contribuinte até à explicação dos relatórios e créditos constituídos, com a respectiva análise dos documentos, rubricas e diferenças encontradas. Vêse que, pois, que a Recorrente teve conhecimento de todos os atos do procedimento fiscal, bem como estavam claros os fatos e valores apurados, o que permitiu a devida elaboração de sua defesa. Quanto à fundamentação, inobstante o Relatório Fiscal consignar, no item 11 – dos fatos geradores de contribuições previdenciárias, a transcrição e indicação dos artigos que fundamentaram a autuação, há nas fls. 132/133 documento específico, denominado Fundamentos Legais do Débito – FLD, no qual é elencado todos os dispositivos legais que embasam a presente autuação,desde a competência para fiscalizar até à aplicação da multa. Considerando a expressa manifestação do Colegiado a quo sobre as nulidades apontadas pelo contribuinte e a ausência de recurso contra o entendimento fixado, devese concluir pelo trânsito em julgado do tema, não havendo espaço para que essa Câmara Superior conheça dos argumentos. Do conhecimento do Recurso da Fazenda Nacional: Em sede de contrarrazões o contribuinte pugnou pelo não conhecimento do Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional sob o argumento de não cumprimento dos requisitos formais previsto no Regimento Interno deste Conselho. Fl. 9532DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.529 9 Em relação ao tema 'bolso de estudos' argumenta que em relação ao primeiro paradigma acórdão 240100.245 as situações enfrentadas pelos Colegiados seriam distintas, e ainda defende que imprestabilidade do paradigma em razão de se tratar de decisão que na época ainda não havia transitado em julgado. O argumento de divergência fática também foi suscitado em relação ao segundo paradigma acórdão 2401001.967. Deixo de enfrentar os problemas suscitados em relação ao acórdão 2401 00.245 pelo fato do mesmo já ter sido desconsiderado pelo respectivo despacho de admissibilidade que assim concluiu: Mediante análise dos autos, vislumbro a similitude fática entre a decisão recorrida e o segundo paradigma indicado, motivo pelo qual entendo que está configurada a primeira divergência jurisprudencial apontada pela PGFN. Destaco que o Acórdão n.º 240100.245 trata de situação fática distinta, em que “(...) não é possível assumir que o pagamento dos valores a título de bolsa de estudos tenha observado as determinações legais, eis que a empresa não ofereceu à fiscalização, não obstante a intimação para tal, as informações relativas às bolsas de estudo concedidas a funcionários, além do fato de ter sido também concedidas a dependentes dos empregados”. O segundo paradigma, requer uma melhor análise. Conforme descrito no relatório do julgado, a situação enfrentada pelo colegiado paradigmático no acórdão 2401001.967 foi lançamento decorrente de contribuições previdenciárias correspondentes à parte dos segurados, incidentes sobre a remuneração paga, devida ou creditada aos segurados empregados que estudavam e/ou mantinham dependentes seus estudando no estabelecimento do contribuinte, no caso o sujeito passivo era uma instituição de ensino que concedeu o benefício em cumprimento ao acordo coletivo de trabalho e na modalidade de descontos em mensalidades. Não podemos negar que, em um primeiro momento, a situação fática ali analisada é semelhante a enfrentada no presente processo. Ocorre que, consultado o inteiro teor do voto proferido pela então Relatora, podemos afirma que sua análise se restringiu a abordar os aspectos sob o prisma dos benefícios concedidos aos dependentes do empregados, levando a conclusão de que naquele julgado foram cumpridos os requisitos em relação as bolsas concedidas aos empregados. Vejamos a parte do julgado que nos leva a essa conclusão: Em suas razões de recurso a Recorrente alega, em tese, a Lei nº 10.243, de 19/06/2001, expressamente excepcionou os descontos em mensalidades, matrículas e anuidades de filhos e dependentes de professores como benefícios e não como saláriodecontribuição. Nesse sentido, importa esclarecer, que de fato o acréscimo referido e a nova redação do art. 458, no § 2º, traz mesmo a alteração para dizer que: ... Fl. 9533DF CARF MF 10 Porém não se pode olvidar as disposições contidas no artigo 28 da Lei nº 8212/91, que define o salário de contribuição como sendo “a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas. os ganhos habituais sob a forma de utilidades e no §9º do mesmo artigo, que relaciona as verbas que não integram o salário de contribuição, sendo que a isenção estabelecida na alínea “t” do referido artigo exclui da incidência de contribuição previdenciária o "valor relativo a plano educacional que vise à educação básica e a cursos de capacitação e qualificação profissional". Logo, a parcela ofertada aos trabalhadores a titulo de bolsas de estudos aos seus dependentes não se encontra relacionada entre aquelas excluídas da incidência de contribuição previdenciária. Por sua vez, a interpretação da norma isentiva não permite incluir nela situações ou pessoas que não estejam expressamente previstas no texto legal instituidor, em face da literalidade em que deve ser interpretada (nos termos do art. 111, II da Lei nº 5.172/66 CTN), do contrário estaria imprimindolhe um alcance que a norma não tem nem poderia ter, eis que as regras de isenção não comportam interpretações ampliativas. Dessa maneira, para que não houvesse incidência de contribuição previdenciária seria necessário que o beneficio fosse diretamente relacionado a um plano educacional visando a educação básica; ou a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa não sendo utilizado em substituição de parcela salarial e que todos o empregados e dirigentes tivessem acesso ao mesmo. No caso em comento, a AuditoriaFiscal apurou a existência de subsídios dados aos funcionários sob a forma de desconto de pagamento de mensalidade escolares aos segurados e seus dependentes, fora, portanto, das hipóteses do art. 28, alínea "t" da Lei no. 8.212191, ou seja, o beneficiário da utilidade previsto na norma que exclui a incidência de contribuição é o empregado e não seus filhos. Considerando que a Fazenda Nacional requer a reforma da decisão a quo em relação aos descontos concedidos aos empregados nas suas própria mensalidades e nas de seus dependentes, e considerando o teor da decisão proferida no acórdão paradigma 2401001.967, único aceito pelo exame de admissibilidade quanto a este tema, conheço do Recurso Especial apenas em relação aos supostos benefícios auferidos pelos empregados em razão dos descontos concedidos aos seus dependentes. No que tange ao segundo tema do recurso critério adotado na aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009 o exame de admissibilidade não merece reparos. A situação fática enfrentada nos paradigmas é semelhante a do presente lançamento: a fiscalização incluiu na base de cálculo das contribuições previdenciárias à titulo de salário indireto, os valores distribuídos à título de PLR que descumpriu os requisitos da lei e Fl. 9534DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.530 11 também os benefícios conhecidos como 'incentive house'. Naqueles processos os Colegiados, de forma diversa do recorrido que aplicou o caput do art. 35 da Lei nº 8.212/91, entenderam que a retroatividade benigna deveria levar em conta o 'novo' art. 35A. Assim, diante do exposto conheço parcialmente do recurso admitindo a reanálise apenas dos seguintes pontos: i) bolsa de estudos na modalidade de desconto em mensalidade concedidos aos dependentes dos segurados empregados, e ii) retroatividade benigna da multa aplicada em razão das alterações promovidas na Lei nº 8.212/91. Do mérito: Bolsa de estudos: Discutese a incidência de contribuição previdenciária sobre bolsas de estudo ofertadas aos dependentes dos segurados empregados sob forma de desconto em mensalidade de cursos mantidos pelo próprio contribuinte, verbas que no entender desta Relatora não assumem caráter de remuneração sendo impossível classificálas como salário utilidade. Segundo afirma o jurista mineiro e Ministro do Tribunal Superior do Trabalho, Mauricio Godinho Delgado, na obra "Curso de Direito do Trabalho", 2ª ed., para caracterizar salário utilidade devem ser analisados três requisitos. O primeiro deles é o da "habitualidade do fornecimento", deve o fornecimento do bem ou serviço ser reiterado ao longo do contrato de trabalho, deve estar presente a idéia de ser uma prestação de repetição uniforme em certo contexto temporal. O segundo requisito é a presença do "caráter contraprestativo do fornecimento", defende que é necessário que a causa e objetivos envolvidos no fornecimento da utilidade sejam essencialmente contraprestativo, é preciso que a utilidade seja fornecida preponderantemente com o intuito retributivo, como um acréscimo de vantagens contraprestativas ofertadas ao empregado. Pela pertinência vale citar (p. 712): Nesse quadro, não terá caráter retributivo o fornecimento de bens ou serviços feito como instrumento para viabilização ou aperfeiçoamento da prestação laboral. É claro que não se trata, restritivamente, de essencialidade do fornecimento para que o serviço possa ocorrer; o que é importante, para ordem jurídica, é o aspecto funcional, prático, instrumental, da utilidade ofertada para o melhor funcionamento do serviço. A esse respeito, já existe clássica fórmula exposta pela doutrina com suporte no texto do velho art. 458, §2º da CLT: somente terá natureza salarial a utilidade fornecida pelo trabalho e não para o trabalho. E quanto ao fornecimento e provimento da educação referido Ministro ainda destaca que tratase de dever imposto à empresa pela própria Constituição Federal, e por tal razão o bem ou serviço ofertado não pode ser classificado como salário utilidade, vale citar (p. 715): O dever, como se sabe, é tutela de interesse de outrem imposta a alguém pela ordem jurídica. O dever não necessariamente favorece o sujeito passivo de uma relação jurídica direta (como a relação de emprego); neste sentido distinguese da simples obrigação contratual. Pode, assim, a conduta derivada da tutela Fl. 9535DF CARF MF 12 de interesse de outrem reportarse a uma comunidade indiferenciadas de favorecidos. É o que se passa com as atividades educacionais, por exemplo. O empregador tem o dever de participar das atividades educacionais do país pelo menos o ensino fundamental (art. 205, 212, §5º, CF/88). Esse dever não se restringe a seus exclusivos empregados estendese aos filhos destes e até mesmo à comunidade, através da contribuição parafiscal chamada salárioeducação (art. 212, §5º, CF/88; DecretoLei n. 1.422/75). Há, pois, fixado em norma jurídica heterônoma do Estado (inclusive na Constituição) um dever jurídico das empresas com respeito ao ensino no país (pelo menos o ensino fundamental): ou esse dever concretizase em ações diretas perante sues próprios empregados e os filhos destes ou, na falta de tais ações diretas, ele se concretiza perante o conjunto societário, através do recolhimento do salário educação. Estáse, desse modo, perante um dever jurídico geral e não mera obrigação contratual. Quanto ao terceiro requisito "onerosidade unilateral", embora reconheça tratase de conduta técnicojuridico extremamente controvertida, o Ministro Delgado admite sua aplicação em casos específicos (p. 718): É claro que ocorrem, na prática juslaborativa, algumas poucas situações em que fica nítido o interesse real do obreiro em ingressar em certos programas ou atividades subsidiados pela empresa. Tratase de atividades ou programas cuja fruição é indubitavelmente vantajosa ao trabalhador e sua família, e cujo custo econômico para o empregado é claramente favorável, em decorrência do subsídio empresarial existente. Nestas situações, que afastam de modo patente a idéia de mera simulação trabalhista, não há por que negarlhe relevância ao terceiro requisito ora examinado. Aliás, a quase singularidade de tais situações é que certamente conduz a jurisprudência a valorizar o presente requisito apenas em alguns poucos casos concretos efetivamente convincentes. Observamos que no caso concreto sob qualquer prisma de análise não é possível classificar as bolsas de estudo concedidas aos dependentes dos empregados como prestação de caráter remuneratório. Embora haja habitualidade na ofertada das bolsas à totalidade dos empregados, a utilização do benefício pelo obreiro é facultativa e onerosa, já que condicionada ao pagamento da parcela da mensalidade devida, e salvo na hipóteses de realização de cursos sucessivos, teremos uma prestação com duração delimitada no tempo (período letivo) não se estendendo por todo contrato de trabalho. Vale citar que a Recorrente é uma associação de caráter educativo, que tem por finalidade exatamente o desenvolvimento de atividades relacionadas ao ensino, especialmente o ensino superior. Assim, as bolsas em questão são ofertadas em cumprimento a exata finalidade da instituição educacional. Embora decorram do contrato de trabalho as mesmas não existem com a finalidade de remunerar o empregado pelo serviço efetivamente ou potencialmente prestado, tratase de prestação ofertada em cumprimento do dever constitucional de promover a educação e ainda, no caso, é obrigação decorrente de convenções coletivas de trabalho firmadas com as respectivas entidades de classe representantes das categorias o qual também possui força normativa por expressa disposição do art. 611 da Consolidação das Leis do Trabalho CLT. Fl. 9536DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.531 13 Por força do art. Art. 110 do CTN a lei tributária não pode alterar a definição, o conteúdo e o alcance de institutos, conceitos e formas de direito privado, utilizados, expressa ou implicitamente, pela Constituição Federal e com base nessa premissa o art. 195, I, alínea a da Constituição Federal deve ser interpretado utilizandose os conceitos construídos pelo Direito do Trabalho o qual, no entender desta Relatora, seria o ramo do direito competente para se manifestar sobre as relações e reflexos dos contratos de trabalho. Dispões o art. 195 da CF/88: Art. 195. A seguridade social será financiada por toda a sociedade, de forma direta e indireta, nos termos da lei, mediante recursos provenientes dos orçamentos da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, e das seguintes contribuições sociais: I do empregador, da empresa e da entidade a ela equiparada na forma da lei, incidentes sobre: a) a folha de salários e demais rendimentos do trabalho pagos ou creditados, a qualquer título, à pessoa física que lhe preste serviço, mesmo sem vínculo empregatício; ... O art. 458, §2º, inciso II da Consolidação das Leis do Trabalho assim define o salário: Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por fôrça do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. ... § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: ... II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; ... Ora, se os benefícios ofertados aos empregados na forma de educação são considerados pela CLT como verbas não salariais, não pode a fiscalização interpretar a norma tributária no sentido de classificar tais vantagens como "salário utilidade" dandolhes caráter remuneratório. Embora o art. 28, §9º, alínea 't' da Lei nº 8.212/91, somente após 2011 e em situações restritas, tenha admitido a exclusão de bolsas de estudos do conceito de salário de contribuição, o Superior Tribunal de Justiça bem antes havia pacificado seu entendimento pela exclusão de tais verbas do conceito de saláriodecontribuição. Vale citar recente decisão monocrática proferida pela Ministra Regina Helena Costa no Recurso Especial 1.634.880/RS Fl. 9537DF CARF MF 14 (publicada em 11/11/2016), que negou seguimento ao Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional entendo que a decisão recorrida seguia a jurisprudência da Corte: Acerca da contribuição previdenciária, esta Corte adota o posicionamento segundo o qual não incide essa contribuição sobre os valores pagos a título de auxílioeducação. Nessa linha: PROCESSUAL CIVIL. AUSÊNCIA DE OMISSÃO. ART. 535, II, DO CPC. FALTA DE PREQUESTIONAMENTO. SÚMULA 211/STJ. DIVERGÊNCIA JURISPRUDENCIAL NÃO COMPROVADA. SITUAÇÃO FÁTICA DIVERSA. POSSIBILIDADE. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA SOBRE VALETRANSPORTE PAGO EM PECÚNIA. (...) 5. O STJ tem pacífica jurisprudência no sentido de que o auxílio educação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba utilizada para o trabalho, e não pelo trabalho. Portanto, existe interesse processual da empresa em obter a declaração do Poder Judiciário na hipótese de a Fazenda Nacional estar cobrando indevidamente tal tributo. 6. Recurso Especial da Fazenda Nacional parcialmente conhecido e, nessa parte não provido e Recurso Especial da empresa provido. (REsp 1586940/RS, Rel. Ministro HERMAN BENJAMIN, SEGUNDA TURMA, julgado em 10/05/2016, DJe 24/05/2016); PREVIDENCIÁRIO. RECURSO ESPECIAL. AUXÍLIO EDUCAÇÃO. BOLSA DE ESTUDO. VERBA DE CARÁTER INDENIZATÓRIO. CONTRIBUIÇÃO PREVIDENCIÁRIA. INCIDÊNCIA SOBRE A BASE DE CÁLCULO DO SALÁRIO DE CONTRIBUIÇÃO. IMPOSSIBILIDADE. 1. "O auxílioeducação, embora contenha valor econômico, constitui investimento na qualificação de empregados, não podendo ser considerado como salário in natura, porquanto não retribui o trabalho efetivo, não integrando, desse modo, a remuneração do empregado. É verba empregada para o trabalho, e não pelo trabalho." (RESP 324.178PR, Relatora Min. Denise Arruda, DJ de 17.12.2004). 2. In casu, a bolsa de estudos, é paga pela empresa e destinase a auxiliar o pagamento a título de mensalidades de nível superior e pósgraduação dos próprios empregados ou dependentes, de modo que a falta de comprovação do pagamento às instituições de ensino ou a repetição do ano letivo implica na exigência de devolução do auxílio. Precedentes:. (Resp. 784887/SC. Rel. Min. Teori Albino Zavascki. DJ. 05.12.2005 REsp 324178/PR, Rel. Min. Denise Arruda, DJ. 17.02.2004; AgRg no REsp 328602/RS, Rel. Min. Francisco Falcão, DJ.02.12.2002; REsp 365398/RS, Rel. Min. José Delgado, DJ. 18.03.2002). Fl. 9538DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.532 15 3. Agravo regimental desprovido. (AgRg no Ag 1330484/RS, Rel. Ministro LUIZ FUX, PRIMEIRA TURMA, julgado em 18/11/2010, DJe 01/12/2010) In casu, tendo o acórdão recorrido adotado entendimento pacificado nesta Corte, o Recurso Especial não merece prosperar pela incidência da Súmula 83/STJ. Isto posto, com fundamento no art. 557, caput, do Código de Processo Civil, NEGO SEGUIMENTO ao Recurso Especial. Adotando como fonte de direito o jurisprudência dominante do Superior Tribunal de Justiça, a qual melhor interpreta a amplitude da base de cálculo da contribuição previdenciária, concluo que as bolsas de estudos fornecidas pela instituição aos dependentes dos seus empregados não possuem natureza remuneratória, não se sujeitando, portanto, à incidência do tributo lançado. Da multa: Quanto a aplicação das penalidades relativas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, a solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos) De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. Fl. 9539DF CARF MF 16 A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, Fl. 9540DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.533 17 obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” Fl. 9541DF CARF MF 18 O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Fl. 9542DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.534 19 Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" Fl. 9543DF CARF MF 20 do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Fl. 9544DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.535 21 Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, a retroatividade benigna deve ser aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. Conclusão: Diante de todo o exposto, dou provimento parcial ao Recurso da Fazenda Nacional apenas para determinar que a multa seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. (assinado digitalmente) Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri Fl. 9545DF CARF MF 22 Voto Vencedor Conselheira Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira Redatora Designada. Peço licença a ilustre conselheira Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri para divergir do seu entendimento quanto a exonerar o contribuinte de obrigação principal prevista em lei, acerca da exclusão da bolsa de estudos fornecida aos dependentes do conceito de salário de contribuição, bem como do alcance da lei 8212/91 em relação a matéria. Recurso Especial da Fazenda Nacional Bolsa de Estudo aos Dependentes de Empregados Quanto a concessão de bolsa de estudos aos dependentes dos empregados constituírem salário de contribuição, razão o confiro ao recorrente. De acordo com o previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, para o segurado empregado entendese por saláriodecontribuição a totalidade dos rendimentos destinados a retribuir o trabalho, incluindo nesse conceito os ganhos habituais sob a forma de utilidades, nestas palavras: Art.28. Entendese por saláriodecontribuição: I para o empregado e trabalhador avulso: a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa; (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) Existem parcelas que não sofrem incidência de contribuições previdenciárias, seja por sua natureza indenizatória ou assistencial, tais verbas estão arroladas no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991, nestas palavras, especificamente em relação a bolsas de estudo: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Fl. 9546DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.536 23 No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição. Conforme acima esclarecido, o arcabouço normativo pertinente a contribuições previdenciárias possui legislação própria, tanto em relação a parte de custeio Lei 8212/91, como em relação a concessão de benefícios Lei 8213/91, ambas regulamentadas pelo Decreto 3048/99. Ao contrário do que entendeu a ilustre relatora, a concessão da bolsa de estudo encontrase perfeitamente enquadrada dentro do conceito de salário de contribuição, previsto no art. 28 da Lei n ° 8.212/1991, ou seja, tanto o fornecimento em dinheiro, como aquele fornecido na forma de utilidades, no caso bolsas, encontramse compreendidos como fato gerador de contribuições previdenciárias. Notese que, conforme descrito no conceito legal, não interessa a razão pela qual o benefício é concedido: " a remuneração auferida em uma ou mais empresas, assim entendida a totalidade dos rendimentos pagos, devidos ou creditados a qualquer título, durante o mês, destinados a retribuir o trabalho, qualquer que seja a sua forma, inclusive as gorjetas, os ganhos habituais sob a forma de utilidades e os adiantamentos decorrentes de reajuste salarial, quer pelos serviços efetivamente prestados, quer pelo tempo à disposição do empregador ou tomador de serviços nos termos da lei ou do contrato ou, ainda, de convenção ou acordo coletivo de trabalho ou sentença normativa". Assim, não encontra amparo a exclusão dos valores pagos à título de bolsas de estudos em legislação diversa, no caso a CLT, quando existem pontos específicos sobre o tema na legislação previdenciária. Em seus argumentos cita o recorrente o art. 458, §2º da Consolidação das Leis dos Trabalho CLT, contudo, conforme já esclarecido, a existência de dispositivos específicos em matéria previdenciária, para que o benefício educação fornecido aos empregados, bem como aos seus dependentes, esteja excluído do conceito de salário de contribuição, não nos permite fazer uso dessa norma. Art. 458 Além do pagamento em dinheiro, compreendese no salário, para todos os efeitos legais, a alimentação, habitação, vestuário ou outras prestações "in natura" que a empresa, por força do contrato ou do costume, fornecer habitualmente ao empregado. Em caso algum será permitido o pagamento com bebidas alcoólicas ou drogas nocivas. [...] § 2o Para os efeitos previstos neste artigo, não serão consideradas como salário as seguintes utilidades concedidas pelo empregador: (Redação dada pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) [...] II – educação, em estabelecimento de ensino próprio ou de terceiros, compreendendo os valores relativos a matrícula, mensalidade, anuidade, livros e material didático; (Incluído pela Lei nº 10.243, de 19.6.2001) Fl. 9547DF CARF MF 24 [...] Ou seja, embora o conceito de salário de contribuição possua correlação com o conceito de remuneração do art. 458 da CLT, o legislador ordinário optou por atribuirlhes limites diversos de exclusão, destacando no art. 28, §9º da lei 8212/91, quais os limites para que a educação, seja na forma de bolsas ou auxílios, seja excluída do conceito de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários. Para os que defendem que o art. 458, §2º foi editado posteriormente a lei 8212/91, o que autorizaria aplicação para definição do exclusão das verbas ali elencadas do conceito de salário de contribuição, entendo que razão também não lhes assiste, pelas razões abaixo expostas: 1º) o custeio previdenciário é regido por legislação própria, sendo que mesmo após a alteração do art. 458, §2º da CLT pela lei 12.761/2012, não houve revogação expressa do art. 28, §9º, 't" da lei 8212/ 91, nem mesmo qualquer alteração para convergência irrestrita dos conceitos de remuneração (salário de contribuição) para efeitos previdenciários e remuneração para efeitos trabalhistas; 2º) outro ponto que mostrase relevante é que em momento algum o próprio dispositivo da CLT determina o alcance irrestrito as bolsas concedidas aos dependentes dos empregados; 3º) por fim, o ponto que entendo mais forte para determinar que o legislador trata as questões de forma diversa, é a alteração do art. 28, § 9º,“t”da Lei 8212/91 pela Lei nº 12.513, de 2011. Apenas nessa lei de 2011, o legislador optou por incluir os dependentes do segurado, mas ainda o fez de forma restrita para efeitos da exclusão do conceito de salário de contribuição, pois define claramente que não é qualquer bolsa para aos dependentes, ou mesmo aos próprios empregados que se encontram excluídos da base de cálculo de contribuições previdenciárias. Esse fato corrobora o entendimento de que estamos diante de disciplinamentos distintos com regras específicas. Quisesse o legislador, nesse momento, que as bolsas de estudos de forma irrestrita estivessem excluídas do conceito, bastaria reproduzir o dispositivo da CLT, porém assim, não o fez. Apenas para esclarecer, colacionamos o referido dispositivo introduzido em 2011: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional, ou bolsa de estudo, que vise à educação básica de empregados e seus dependentes e, desde que vinculada às atividades desenvolvidas pela empresa, à educação profissional e tecnológica de empregados, nos termos da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e: (Redação dada pela Lei nº 12.513, de 2011) 1. não seja utilizado em substituição de parcela salarial; e (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Fl. 9548DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.537 25 2. o valor mensal do plano educacional ou bolsa de estudo, considerado individualmente, não ultrapasse 5% (cinco por cento) da remuneração do segurado a que se destina ou o valor correspondente a uma vez e meia o valor do limite mínimo mensal do saláriodecontribuição, o que for maior; (Incluído pela Lei nº 12.513, de 2011) Ou seja, o legislador especificou não apenas que a dos dependentes referese apenas a educação básica, como limitou até mesmo para os empregados, que tipos de cursos podem ser fornecidos e o montantes. É de se concluir que, para efeitos previdenciários, até a edição da Lei nº 12.513, de 2011, não se aplicava qualquer exclusão da base de cálculo aos dependentes dos empregados, razão porque correto o lançamento em relação aos dependentes, independente do tipo de curso ofertado. Senão vejamos novamente, o disposto no art. 28, § 9º da Lei n ° 8.212/1991 antes da alteração: Art. 28 (...) § 9º Não integram o saláriodecontribuição para os fins desta Lei, exclusivamente: (Redação dada pela Lei nº 9.528, de 10/12/97) t) o valor relativo a plano educacional que vise à educação básica, nos termos do art. 21 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e a cursos de capacitação e qualificação profissionais vinculados às atividades desenvolvidas pela empresa, desde que não seja utilizado em substituição de parcela salarial e que todos os empregados e dirigentes tenham acesso ao mesmo; (Redação dada pela Lei nº 9.711, de 20/11/98) Vale destacar que não estamos falando de regra meramente interpretativa, ou mesmo legislação que deixou de considera infração determinada conduta, mas de alteração legislativa que excluiu da base de cálculo, ou mesmo do conceito de salário de contribuição determinado benefício. Dessa forma, sua aplicabilidade é restrita aos fatos geradores ocorridos após a sua publicação e dentro dos estritos limites da lei. Quanto a fundamentação de que não possuiria caráter remuneratório, transcrevendo inclusive julgados que indicariam seu caráter indenizatório, também não corroboro desse entendimento. Pelo contrário, o ganho foi direcionado ao segurado empregado da recorrente quando a empresa concedeu as BOLSAS DE ESTUDOS aos dependentes. O campo de incidência é delimitado pelo conceito de salário de contribuição, que destaca remuneração em sua acepção mais ampla. Remunerar significa retribuir o trabalho realizado à qualquer título. Desse modo, qualquer valor em pecúnia ou em utilidade que seja pago a uma pessoa natural em decorrência de um trabalho executado, de um serviço prestado, pelo vínculo contratual ou até mesmo por ter ficado à disposição do empregador, está sujeito à incidência de contribuição previdenciária. Segundo o ilustre professor Arnaldo Süssekind em seu livro Instituições de Direito do Trabalho, 21ª edição, volume 1, editora LTr, o significado do termo remuneração deve ser assim interpretado: No Brasil, a palavra remuneração é empregada, normalmente, com sentido lato, correspondendo ao gênero do qual são Fl. 9549DF CARF MF 26 espécies principais os termos salários, vencimentos, ordenados, soldo e honorários. Como salientou com precisão Martins Catharino, “costumeiramente chamamos vencimentos a remuneração dos magistrados, professores e funcionários em geral; soldo, o que os militares recebem; honorários, o que os profissionais liberais ganham no exercício autônomo da profissão; ordenado, o que percebem os empregados em geral, isto é, os trabalhadores cujo esforço mental prepondera sobre o físico; e finalmente, salário, o que ganham os operários. Na própria linguagem do povo, o vocábulo salário é preferido quando há prestação de trabalho subordinado.” Não se pode descartar o fato de que os valores pagos á título de BOLSA DE ESTUDOS AOS DEPENDENTES, representam alguma espécie de ganho. Na verdade, dito benefício, está inserido no conceito lato de remuneração, assim compreendida a totalidade dos ganhos recebidos como contraprestação pelo serviço executado. Também convém reproduzir a posição da professora Alice Monteiro de Barros acerca da distinção entre utilidades salariais e não salariais, enfatizando, de que forma, as utilidades fornecidas, tornamse ganhos, salários indiretos para os empregado. "As utilidades salariais são aquelas que se destinam a atender às necessidades individuais do trabalhador, de tal modo que, se não as recebesse, ele deveria despender parte de seu salário para adquirilas. As utilidades salariais não se confundem com as que são fornecidas para a melhor execução do trabalho. Estas equiparamse a instrumentos de trabalho e, conseqüentemente, não têm feição salarial." Dessa forma, entendo descabida qualquer argumentação de que as BOLSAS sejam fornecidas para o trabalho, cujo alcance está restrito a utilidades que estejam relacionadas diretamente ao desempenho profissional, tais como equipamentos eletrônicos, uniformes, utilização de automóveis, telefones, dentre outros. Também não corroboro a argumentação de que não possua caráter remuneratório, pois não é considerada retribuição pelo trabalho prestado. Ora, não estamos falando de uma bolsa concedida a terceiros desvinculados de relação de trabalho com a empresa, mas de empregados, cuja concessão da bolsa, nada mais é do que um atrativo indireto de captura de profissionais, já que permite ao empregado dar ao seu dependente (filho) instrução em escola particular, que muitas vezes não poderia com o simples salário pago pela instituição. Ainda entendo pertinente esclarecer que no meu entender o requisito habitualidade não está associado necessariamente ao número de vezes, mas, se o seu pagamento está relacionado a algo fornecido "pelo trabalho na empresa" ou por algum evento externo, sem qualquer relação com o aspecto laboral. Melhor explicando, entendo que o fornecimento de benefícios em geral, ao longo do contrato de trabalho, acabam que indiretamente remunerando o trabalhador, pois sua concessão dáse em função da existência do vínculo de emprego. Estariam aí, por exemplo inseridos, a concessão de bolsas, alimentação, viagens de lazer, prêmios, dentro muito outros. Já se o benefício concedido, o foi à título excepcional, ou melhor dizendo eventual, aí sim poderíamos dizer que não possui relação com a prestação de serviços, como exemplo podemos citar um valor fornecido em caso fortuito ao empregado face uma calamidade pública, ou um caso fortuito ocorrido em sua via pessoal. Fl. 9550DF CARF MF Processo nº 14041.000972/200898 Acórdão n.º 9202006.209 CSRFT2 Fl. 9.538 27 Não discordo do aspecto louvável que se poderia extrair com o fornecimento de bolsas de estudo aos dependentes dos empregados, mas a legislação tributária não comporta interpretação extensiva face atitudes altruísticas, salvo nos casos expressamente determinados em lei, em obediência, no caso concreto, ao art. 111 do CTN c//c com o art. 28, §9º. 't" da lei 8212/91. Portanto, estando no campo de incidência do conceito de remuneração (salário de contribuição) e não havendo dispensa legal para incidência de contribuições previdenciárias sobre tais verbas no período objeto do presente lançamento, conforme já analisado, deve persistir o lançamento. No caso, quanto a verba BOLSA DE ESTUDOS DE DEPENDENTES, nos termos em que foi concedida não constituir salário de contribuição, entendo que não restaram cumpridos os requisitos para que sua concessão não constituísse salário de contribuição, razão pela qual DOU PROVIMENTO AO RECURSO DA FAZENDA NACIONAL. Conclusão Pelo exposto, voto por DAR PROVIMENTO ao Recurso Especial da Fazenda Nacional. É como voto. (assinado digitalmente) Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira. Fl. 9551DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 16349.000217/2008-84
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jan 31 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Mar 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Período de apuração: 01/10/2005 a 31/12/2005
CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE.
Impõe-se a glosa dos créditos relativos às aquisições de matérias-primas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20).
Numero da decisão: 3201-003.359
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinatura digital)
Winderley Morais Pereira - Presidente Substituto e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
1.0 = *:*
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI PERÍODO DE APURAÇÃO: 01/10/2005 A 31/12/2005 CRÉDITO. PRODUTO NÃO TRIBUTADO. IMPOSSIBILIDADE. Impõese a glosa dos créditos relativos às aquisições de matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem utilizados na industrialização de produtos não tributados (Súmula CARF nº 20). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinatura digital) Winderley Morais Pereira Presidente Substituto e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Marcelo Giovani Vieira, Tatiana Josefovicz Belisário, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. Relatório IBEP INSTITUTO BRASILEIRO DE EDIÇÕES PEDAGÓGICAS LTDA. requereu ressarcimento de saldo credor de IPI relativo a insumos utilizados na produção de livros. A repartição de origem emitiu Despacho Decisório indeferindo o pedido de ressarcimento, em razão do fato de todos os produtos fabricados e comercializados pelo Requerente se classificarem na TIPI como Não Tributáveis (NT). Em Manifestação de Inconformidade, o Requerente alegou ter direito ao ressarcimento por força do princípio da não cumulatividade previsto no art. 153, § 3°, II, da AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 34 9. 00 02 17 /2 00 8- 84 Fl. 95DF CARF MF Processo nº 16349.000217/200884 Acórdão n.º 3201003.359 S3C2T1 Fl. 0 2 Constituição Federal e em razão das características da imunidade sob questão, que não se confunde com produtos classificados como NT, sendo inconstitucional, segundo ele, o ADI SRF n° 05/2006. Também alegou o então Manifestante que o ressarcimento devia ser corrigido monetariamente pela Selic. Nos termos do Acórdão nº 1428.908, a Manifestação de Inconformidade foi julgada improcedente, tendo a Delegacia de Julgamento fundamentado sua decisão no fato de o direito ao aproveitamento do saldo credor de IPI, nas condições estabelecidas pelo art. 11 da Lei n° 9.779/1999, não alcançar os insumos empregados em mercadorias não tributadas (NT) e na inexistência de previsão legal para se aplicar atualização monetária em ressarcimento de crédito de IPI. Em seu recurso voluntário, o Recorrente reitera seu pedido, repisando os mesmos argumentos de defesa. É o relatório Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.348, de 31/01/2018, proferido no julgamento do processo 16349.000206/200802, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.348): Conforme o Direito Tributário, a legislação, os fatos, as provas, documentos e petições apresentados aos autos deste procedimento administrativo e, no exercício dos trabalhos e atribuições profissionais concedidas aos Conselheiros, conforme Portaria de condução e Regimento Interno, apresentase este voto. Por conter matéria preventa desta 3.ª Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, o tempestivo Recurso Voluntário deve ser conhecido. Foi constatado que o contribuinte protocolou pedido de ressarcimento sobre saldo credores decorrentes de créditos do IPI relativos a matériasprimas, produtos intermediários e material de embalagem adquiridos para emprego na industrialização de produtos não tributados ou imunes. É certo ao julgamento administrativo de segunda instância, conforme Súmula 20 deste Conselho1, que não há direito a crédito de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de 1 Súmula CARF nº 20: Não há direito aos créditos de IPI em relação às aquisições de insumos aplicados na fabricação de produtos classificados na TIPI como NT. Fl. 96DF CARF MF Processo nº 16349.000217/200884 Acórdão n.º 3201003.359 S3C2T1 Fl. 0 3 produtos classificados na TIPI como NT e, não há qualquer prova ou sequer alegação do contribuinte que permita concluir que este não se creditou nestas situações. A simples alegação de que seus produtos seriam imunes e que esta condição não se equipara aos produtos "não tributados", não é suficiente para concretizar a materialidade do direito ao crédito de IPI nas operações, visto que o ônus da prova é do contribuinte nos casos de crédito. Portanto, não merece provimento o Recurso Voluntário, de forma que seria correto o creditamento sobre produtos com alíquota zero (Súmula 16 do CARF) se este fosse o caso, mas não é. Logo, incorreto o creditamento sobre os produtos NT e por isto esta cobrança deve ser mantida. Não havendo direito ao crédito, resta prejudicada a discussão a respeito da atualização dos créditos pela taxa Selic. Diante de todo o exposto, votase para NEGAR PROVIMENTO ao Recurso Voluntário. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, negase provimento ao recurso voluntário. É o voto. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 97DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13629.000102/2007-74
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Ano-calendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007
Ementa:
EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. Constatado que o sujeito passivo presta serviços que impedem a opção pelo Regime do Simples, nos termos do art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96, de aferição, calibragem e testes elétricos em equipamentos e instrumentos de medição e proteção, inclusive com obrigação assumida em contrato, de emitir a Anotação de Responsabilidade Técnica, deve ser excluído do Simples, desde o início de sua adesão.
Numero da decisão: 1402-000.681
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira.
Nome do relator: Albertina Silva Santos de Lima
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 6; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1818; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; access_permission:can_modify: true; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S1C4T2 Fl. 1 1 S1C4T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS PRIMEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 13629.000102/200774 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 140200.681 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 04 de agosto de 2011 Matéria SIMPLES Recorrente POWER TEST COMISSIONAMENTO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte Simples Anocalendário: 2002, 2003, 2004, 2005, 2006, 2007 Ementa: EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. Constatado que o sujeito passivo presta serviços que impedem a opção pelo Regime do Simples, nos termos do art. 9º, XIII, da Lei 9.317/96, de aferição, calibragem e testes elétricos em equipamentos e instrumentos de medição e proteção, inclusive com obrigação assumida em contrato, de emitir a Anotação de Responsabilidade Técnica, deve ser excluído do Simples, desde o início de sua adesão. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. Ausentes momentaneamente, os Conselheiros Carlos Pelá e Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima – Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Antônio José Praga de Souza, Carlos Pelá, Frederico Augusto Gomes de Alencar, Moises Giacomelli Nunes da Silva, Leonardo Henrique Magalhães de Oliveira e Albertina Silva Santos de Lima. Fl. 302DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13629.000102/200774 Acórdão n.º 140200.681 S1C4T2 Fl. 2 2 Relatório Tratase de recurso voluntário contra a decisão da Turma Julgadora que indeferiu manifestação de inconformidade relativa a pedido de cancelamento de exclusão do Regime do Simples federal, em razão de exercício de atividade vedada. As ementas proferidas pela Turma Julgadora são as seguintes: EXCLUSÃO. ATIVIDADE IMPEDITIVA. Não podem optar pelo Simples as pessoas jurídicas que prestem serviços de aferição, calibragem e testes elétricos em equipamentos e instrumentos de medição e proteção, pois essa atividade é exercida por profissionais com habilitação legalmente exigida ou a eles assemelhados. EFEITOS DA EXCLUSÃO DO SIMPLES. A exclusão do Simples das pessoas jurídicas surtirá efeito a partir do mês subseqüente ao que for incorrida a situação excludente, nas hipóteses de que tratam os incisos III a XIV e XVII a XIX do caput do art. 9° desta Lei; CONSTITUCIONALIDADE. O controle jurisdicional da constitucionalidade das leis federais compete exclusivamente aos órgãos do Poder Judiciário. A decisão de primeira instância foi dada em 12.06.2009 e o recurso voluntário foi apresentado em 13.07.2009. A recorrente discorda da decisão de primeira instância por entender que suas razões e fundamentos não se coadunam com a legislação vigente, a melhor doutrina e porque contrariaria a maioria das decisões proferidas pelos Conselhos de Contribuintes e pela esfera judicial. Afirma que para executar suas atividades não tem necessidade de que seus serviços sejam realizados por pessoal técnico qualificado, conforme se verificaria dos documentos e informações prestados pela Cenibra, Acesita e CREA, que reforçaria que não necessita nem mesmo de ART’s. Salienta que as atividades de prestação de serviços de aferição, calibração e testes de relés de proteção elétrica de alimentadores e motores de 13.800, 4.160 e 480 V, não estão sujeitas à habilitação profissional legalmente exigida, não estando obrigada à inscrição no CREA e muito menos os serviços prestados estão obrigados ao registro de ANOTAÇÕES DE RESPONSABILIDADE TÉCNICA (ART) junto ao referido Conselho, conforme se depreenderia das certidões juntadas aos autos. Afirma que não está obrigada a cumprir a Resolução na qual se fundamenta a decisão de primeiro grau, pois, todos somente estão obrigados a cumprir somente o que está previsto em lei. Fl. 303DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13629.000102/200774 Acórdão n.º 140200.681 S1C4T2 Fl. 3 3 Faz referência à Lei Federal nº 5.194/66, art. 33 e art. 7º. Transcreve o art. 7º, para concluir que a atividade de engenharia tem como objetivo maior a criação científica, e que a lei não menciona TÉCNICO DE GRAU MÉDIO, sendo este de criação da Resolução, sem força de lei. Destaca que para exercer suas atividades não há a necessidade da presença em seus quadros funcionais ou diretivos de nenhum profissional habilitado, ou seja, nenhum engenheiro, bastando a presença de pessoas técnicas e práticas. Aduz que o registro no CREA somente é exigido quando tiverem como base preponderante, atividade específica, reservada exclusivamente aos profissionais de engenharia, arquitetura ou agronomia. Acrescenta que não consta em seu contrato social a prestação de serviços de engenharia elétrica, e que a atividade não envolve a criação ou execução de projetos de engenharia, pois o que efetivamente faz, é testes elétricos e aferições em equipamentos e instrumentos de medição e proteção de seus clientes, usando apenas instrumentos de testes. Cita como exemplo, a aferição de uma instalação de motor elétrico. Afirma que a atividade não se confunde com a de engenharia industrial, aplicada na criação de motores e peças utilizadas, posteriormente, pelas empresas de reparação, sendo que estas apenas utilizam de técnica especializada para recomposição de sistemas já criados. Salienta que a atividade exercida não está vedada por lei, e tampouco na IN 355/2003, art. 20, XII, e que a autoridade julgadora utilizou da nomenclatura “assemelhado” para desenquadrála do Simples, fazendo uma interpretação extensiva e analógica, proibida pelo art. 108 do CTN, devendo ser aplicado o art. 112 do CTN Cita o acórdão 30236086, de 11.05.2004, recurso 12158, que permitiu que uma oficina de manutenção de aparelhos eletroeletrônicos, permanecesse no Simples, por entender que suas atividades não poderiam ser assemelhadas às funções de um engenheiro. Cita também a Solução de Consulta nº 38/2003, da SRRF10. Também discorda da retroação da exclusão desse Regime a datas anteriores à do Ato Declaratório de exclusão, porque violaria o princípio constitucional determinado pelo CTN (cita os arts. 107 a 112 e 104). Menciona que os TRF vem concedendo às empresas excluídas do Simples, o direito de não recolher a diferença de tributos que deixou de pagar até à data de sua exclusão, e que deve ser aplicado o princípio geral de ciência dos atos, no qual os efeitos somente se iniciam a partir da notificação do contribuinte, como forma de garantir a observância dos princípios do contraditório e da ampla defesa, e que ademais, a partir dessa ciência, poderá o contribuinte recorrer da decisão de exclusão, e a procedência de suas alegações ensejar seu retorno ao programa. Acrescenta que não se pode aceitar que a atividade de prestação de serviços de aferição, calibração e teste de relés de proteção elétrica de alimentadores e motores de 13.800, 4.160 e 480 V, seja considerada como atividade vedada, somente durante um determinado período, devendo ser considerado também que a lei atual, por ser mais benéfica, Fl. 304DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13629.000102/200774 Acórdão n.º 140200.681 S1C4T2 Fl. 4 4 deve retroagir para atingir todos os contribuintes que foram indevidamente excluídos do Simples. É o relatório. Voto Conselheira Albertina Silva Santos de Lima O recurso atende às condições de admissibilidade e deve ser conhecido. O Ato Declaratório de Exclusão do Simples, foi fundamentado no art. 9º XIII, da Lei 9.317/96, com efeitos, a partir de 04.01.2002 (início das atividades). Com a manifestação de inconformidade a contribuinte juntou certidão do CREAMG, de 19.04.2007, onde é certificado que não consta em seus arquivos, registro de anotações de responsabilidade técnica ART’s em nome da interessada. A Turma Julgadora concluiu que para a execução das atividades da interessada, é necessário que haja pessoas com conhecimento técnico específico auferido em curso de formação técnica ou de nível superior ou médio de exercícios regulamentados terá a inerente capacitação legal e profissional para a desincumbência do objeto social da interessada. Afirmou que no sítio da Receita Federal na internet, encontramse entre as atividades vedadas, as seguintes: “manutenção de máquinas, aparelhos e equipamentos de sistemas eletrônicos dedicados a automação industrial e controle do processo produtivo”, e “manutenção e reparação de aparelhos e instrumentos de medida, testes e controle – exceto equipamentos para controle de processos industriais”. Transcreveu o caput do art. 27 da Lei 5.194/66, letra “f”, parte da Resolução 218/73, do Conselho Federal de Engenharia, Arquitetura e Agronomia, para concluir que as atividades de manutenção em equipamentos elétricos e eletrônicos, equipamentos eletrônicos em geral, sistemas de medição e controle elétrico e eletrônico, gêneros no qual se inclui, a espécie “testes elétricos e aferição em equipamentos e instrumentos de medição e proteção, são atividades típicas de engenheiros e técnicos, cujas profissões dependem de habilitação profissional legalmente exigida. Concordo com os argumentos da Turma Julgadora acima mencionados. Embora haja nos autos pontos a favor da empresa, que lhe favorecem, há também pontos que lhe desfavorecem. Os que lhe favorecem são os seguintes: a) Verificase por meio de cópia de certidão, expedida em 17.04.2007, pelo CREAMG, a pedido da chefe da SACAT, que não consta nos arquivos daquele órgão, o registro de anotações de responsabilidade técnica ART’s em nome da empresa POWER TEST COMISSIONAMENTO LTDA. Fl. 305DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13629.000102/200774 Acórdão n.º 140200.681 S1C4T2 Fl. 5 5 b) Também consta correspondência da CENIBRA (fls. 248/249) dirigida à Delegacia da Receita Federal, que esclarece que em relação ao contrato firmado com a POWER e a CENIBRA, mencionado, não contempla serviços em que há exigência da Anotação de Responsabilidade Técnica – ART. c) Integra os autos, correspondência da ACESITA, dirigida à SACAT, que em relação ao contrato celebrado com a POWER, que a contratada deverá fornecer à ACESITA, quando for o caso a ART, mas que o objeto do contrato é a manutenção básica e aferição de 277 relés eletromecânicos de proteção do sistema de distribuição em energia elétrica em alta tensão da usina e para a execução desse objeto, entende não ser necessária a ART junto ao CREA. Todavia, há os aspectos abaixo que lhe desfavorecem: a) Contrato com a Cegelec, de fls. 62/64, de 20.06.2004, que tem como objeto: comissionamento de equipamentos e sistemas elétricos e baixa tensão atendendo às normas brasileiras em sua última revisão, e como valor: R$ 340.000,00. Nesse contrato consta como obrigações do fornecedor (cláusula 3ª): emitir a ART (Anotação de Responsabilidade Técnica). Na nota 2 da cláusula 2ª, consta a informação de que no valor citado na cláusula 2.1, está incluído o valor referente ao acordo do Sindicato SITTICOMM da cidade de Duque de Caxias; b) Verifiquese a assinatura do Termo Aditivo da Power Test no Contrato celebrado com o Consórcio Mairengineering – Ivaí, de 05.12.2005: Assinatura do sócio sob o carimbo “Eng. Álvaro A. Siqueira, CREA: 40.119/0 Power Test Ltda”; c) Verifiquese também no Contrato celebrado com Tome Engenharia e Transportes Ltda, de 26.09.2005: Assina o contrato, o Engenheiro Álvares Antunes de Siqueira (sócio da autuada); d) Verifiquese a resposta à pergunta 5e formulada pela autoridade fiscal: 5e) Informar a quem incumbe a tarefa de orientar e supervisionar os funcionários na realização de suas tarefas R A orientação sobre como o serviço deverá ser executado é feita primeiramente pelo sócio da empresa que fez a leitura do contrato identificando as especificações dos testes e aferições e os locais onde se encontram os equipamentos a serem testados. A partir de então é determinado se há a necessidade de supervisão no local ou apenas o trabalho de auxiliares. e) o sócio da empresa é engenheiro, e entre os funcionários contratados há auxiliares, técnicos e supervisores. Além dos argumentos da Turma Julgadora, com os quais concordo, adicionalmente, destaco a celebração de contrato com a Cegelec acima mencionado, em que é obrigação do fornecedor, no caso, a recorrente, a emissão da Anotação de Responsabilidade Técnica; a assinatura de parte dos contratos pelo sócio da autuada, na condição de engenheiro, registrado no CREA; o fato da necessidade do sócio da empresa fazer a leitura do contrato identificando as especificações dos testes e aferições, a análise da necessidade de supervisão, conforme resposta dada à autoridade fiscal. Fl. 306DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA Processo nº 13629.000102/200774 Acórdão n.º 140200.681 S1C4T2 Fl. 6 6 O conjunto desses elementos nos levam a concluir que a recorrente efetivamente presta serviços que impedem a opção pelo regime do Simples, nos termos do art. 9º XIII, da Lei 9.317/96. Desse dispositivo legal extraise que não podem optar pelo Simples, os engenheiros, entre outros, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida, o que não significa que profissões de nível médio não possam depender também de habilitação profissional legalmente exigida. Em relação à discussão sobre os efeitos da exclusão do Simples, estes devem se dar a partir da ocorrência da situação excludente, que no caso, se deu desde o início das atividades da empresa, conforme art. 15, II, da Lei 9.317/96, na redação dada pela MP 2.158/352001 e posteriormente pela Lei 1.196/2005, não havendo base legal para que os efeitos ocorram somente a partir da notificação da exclusão ao sujeito passivo. Quanto às decisões administrativas e judiciais, citadas no recurso, ainda na hipótese de que tratassem da mesma matéria, as mesmas não têm efeito vinculante para este colegiado. Quanto a eventuais alterações posteriores da legislação que não mais vede o ingresso no Simples, não foi citado nenhum dispositivo legal que permitisse a aplicação da nova lei a fatos geradores anteriores à sua vigência. Do exposto, oriento meu voto para negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Albertina Silva Santos de Lima Relatora Fl. 307DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA, Assinado digitalmente em 15/09/2011 por ALBERTINA SILVA SANTOS DE LIMA
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