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Numero do processo: 10875.903292/2015-93
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Nov 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2014
PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE
O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1302-003.115
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.902721/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
Nome do relator: LUIZ TADEU MATOSINHO MACHADO
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camara_s : Terceira Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2014 PERDCOMP - CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF - LIQUIDEZ E CERTEZA - ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10875.902721/2015-13, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2014 PERDCOMP CRÉDITO ORIUNDO DE RETIFICAÇÃO DE DCTF LIQUIDEZ E CERTEZA ÔNUS DO CONTRIBUINTE O contribuinte que justifica a origem de seu crédito a partir de indébito surgido tão só com a retificação de sua DCTF, transmitida após o despacho decisório, deve, obrigatoriamente, comprovar a correção dos novos valores retificados mediante documentos hábeis e idôneos, pena de não reconhecimento do direito creditório por falta de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10875.902721/201513, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Luiz Tadeu Matosinho Machado, Carlos Cesar Candal Moreira Filho, Marcos Antônio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lúcia Miceli, Flávio Machado Vilhena Dias e Gustavo Guimarães da Fonseca. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 87 5. 90 32 92 /2 01 5- 93 Fl. 133DF CARF MF Processo nº 10875.903292/201593 Acórdão n.º 1302003.115 S1C3T2 Fl. 3 2 Relatório Cuida o feito de pedido de compensação aviado pelo recorrente, objetivando o reconhecimento de um crédito decorrente de pretenso pagamento indevido concernente ao IRPJ, incorrido no anocalendário de 2014, pago, através de DARF específico, em três parcelas. Por meio de despacho decisório a DRF de Guarulhos houve por bem não homologar a citada compensação, fundamentando a sua decisão na inexistência de crédito em decorrência da vinculação de DARF à pagamento, sem qualquer sobra de crédito a compensação. Inconformado, o contribuinte manejou a sua manifestação de inconformidade, informando, de início, ter incorrido em erro no preenchimento da DCTF que teria originado o valor indevidamente pago, promovendo, em seguida, a sua retificação. Passo seguinte, traz longo arrazoado para justificar a possibilidade de se retificar a predita DCTF, mesmo após a prolação de despacho decisório, afirmando, outrossim, ter logrado demonstrar a origem e liquidez de seu direito creditório. Como argumento supletivo, sustentou que a Unidade de Origem não teria promovido a correta atualização do crédito pleiteado que, segundo entende, deveria ser corrigido pela variação da SELIC, acrescido de juros moratórios à ordem 1%, incidentes até a data da efetiva utilização do indébito em processo compensatório.Tendo em conta esta alegada irregularidade, conclui que o despacho decisório seria nulo. Juntou à sua peça de defesa, cópias do comprovante (DARF) de recolhimento do IRPJ, das DCTF retificadoras e respectivos recibos de transmissão e da DIPJ/AC2014. Instada a analisar o caso, a DRJ de Recife/PE, houve por bem julgar improcedente a manifestação de inconformidade, mormente pela ausência de prova da liquidez e certeza. Após a ciência do acórdão acima, o contribuinte interpôs o seu recurso voluntário, por meio do qual reprisa os argumentos já despendidos em sua impugnação, à exceção de alegação nova concernente à inconstitucionalidade da multa isolada aplicada em razão de violação ao princípio do nãoconfisco. Este é o relatório. Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº Fl. 134DF CARF MF Processo nº 10875.903292/201593 Acórdão n.º 1302003.115 S1C3T2 Fl. 4 3 1302003.107, de 20/09/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10875.902721/2015 13, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1302003.107): "O recurso é tempestivo e dele conheço em parte. Isto porque, no que toca ao argumento novo trazido com as razões de insurgência já se teria operado a preclusão, à luz dos preceitos do art. 16, III, do Decreto 70.235/72. Considerandose, neste passo, que o recurso devolve apenas a matéria impugnada, por interpretação dos preceitos do art. 33 do citado diploma normativo, e com espeque na regra encartada no art. 1.013 do CPC (aplicado ao processo tributário administrativo de forma supletiva) e, tendo em conta que este argumento não foi suscitado em momento apropriado, não como dele tomar conhecimento, ao menos não nesta instância. I Da prejudicial aventada pelo recorrente. Me permitam aqui inverter a ordem de análise dos argumentos do recorrente para tratar da, aparente, alegação de nulidade do despacho decisório por não aplicar, a seu ver, corretamente os critérios de atualização do crédito oriundo de indébito tributário. Dizse aparentemente porque o contribuinte, efetivamente, diz que o despacho deveria ser considerado insubsistente, única parte do arrazoado apresentado que justificaria, até mesmo, o conhecimento desta matéria. Isto porque, o despacho decisório não promoveu a atualização do crédito pretendido, porque, simplesmente, não reconheceu a sua existência. A alegada nulidade, digase, justificarseia acaso a Unidade Origem tivesse reconhecido parcialmente o direito creditório em decorrência, exclusivamente, de erro de atualização, mas, insistase, este não é o caso. Não há iliquidez, nulidade, insubsitência no despacho por conta de uma alegação etérea e desconectada da realidade dos autos, de que não se teria observado as regras de atualização do crédito postulado, porque, reprisese, a DRF não homologou, em toda a sua extensão, o direito creditório do contribuinte. A DRJ até se deu ao trabalho de esclarecer como se opera a atualização do indébito tributário, justificando a inocorrência de incidência concomitante da incidência de juros de mora 1% e da variação da SELIC... permissa venia, era, pelo que expus acima, de todo desnecessária semelhante explicação, já que o pedido do contribuinte não tem qualquer lógica dentro da estrutura do processo. Assim, voto por afastar esta "prejudicial". Fl. 135DF CARF MF Processo nº 10875.903292/201593 Acórdão n.º 1302003.115 S1C3T2 Fl. 5 4 II Do mérito. Quanto ao mérito, melhor sorte não aproveita ao contribuinte. Como se extrai do relatório acima, o recorrente, para justificar o pleito compensatório, apresenta, após a manifestação de inconformidade, DCTFs retificadoras, reduzindose o montante do débito a ser pago, ali descrito; não trouxe, todavia, nenhum documento, argumento, dica, sugestão sobre os motivos pelos quais teria incorrido no erro do preenchimento da DCTF original, fazendo com que o direito creditório surgisse espontaneamente. O problema é que, como a origem do crédito está jungida a estes exclusivamente ao citado erro de preenchimento da DCTF, cabia ao recorrente, desde a sua manifestação de inconformidade (=impugnação), trazer os documentos necessários à demonstração da liquidez e certeza do crédito cuja compensação se postulava. Essa, digase, é a mens legis do art. 170, caput, do CTN, quando franqueia aos entes federados a realização compensação, senão vejamos: A lei pode, nas condições e sob as garantias que estipular, ou cuja estipulação em cada caso atribuir à autoridade administrativa, autorizar a compensação de créditos tributários com créditos líquidos e certos, vencidos ou vincendos, do sujeito passivo contra a Fazenda pública. Os pressupostos, pois, do direito creditório a ser utilizado pelo sujeito passivo da obrigação tributária é a sua liquidez e certeza, pressupostos estes que antecedem o próprio pedido de compensação. Por isso, e não por outra razão, compete ao contribuinte demonstrar tais liquidez e certeza; é ônus do sujeito passivo e não da Administração Tributária. Toda a alegação concernente à possibilidade de apresentar a DCTF retificadora após o despacho decisório é dispicienda; não me oponho, de forma alguma, à retificação de declarações ou documentos após o início de ação fiscal ou, mesmo, como no caso, após a prolação de despacho que não homologa compensações. Esta possibilidade está explicitada na legislação de regência e a única consequência de sua apresentação extemporânea seria o afastamento da aplicação dos preceitos do art. 138 do CTN. O problema é que não basta retificar a DCTF; por força mesmo do art 170 acima reproduzido, impõese ao contribuinte demonstrar, documentalmente (por meio de livros contábeis e fiscais) os motivos pelos quais teria incorrido em erro, demonstrando, outrossim, a correção dos novos valores informados. E, como já dito, o recorrente não se dignou, nem mesmo, a explicar qual seria, efetivamente, o erro incorrido Fl. 136DF CARF MF Processo nº 10875.903292/201593 Acórdão n.º 1302003.115 S1C3T2 Fl. 6 5 quando do preenchimento da DCTF original, aliás, como bem pontuado pelo acórdão ora questionado. Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto acima transcrito. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 137DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10280.006798/98-16
Turma: Primeira Câmara
Seção: Segundo Conselho de Contribuintes
Data da sessão: Wed Oct 20 00:00:00 UTC 1999
Numero da decisão: 201-04.865
Decisão: RESOLVEM os Membros da Primeira Câmara do Segundo Conselho de Contribuintes, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência, nos termos do voto da Relatora
Nome do relator: Ana Neyle Olimpio Holanda
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Numero do processo: 16682.720407/2014-79
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Dec 03 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE
Ano-calendário: 2009, 2010
DESCONSIDERAÇÃO DA BIPARTIÇÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE PROVAS
Não deve ser aceita a descaracterização, para fins fiscais, da bipartição das operações em contratos de afretamento e de prestação de serviços, em razão da ausência de provas de que se tratava de estrutura artificial, engendrada com o fim exclusivo de obter ganho com redução da carga tributária.
Numero da decisão: 3301-005.358
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, que negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Winderley Morais Pereira (Presidente). Apresentou declaração de voto o Conselheiro Winderley Morais Pereira (Presidente).
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente.
(assinado digitalmente)
Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
Nome do relator: MARCELO COSTA MARQUES D OLIVEIRA
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ementa_s : Assunto: Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico - CIDE Ano-calendário: 2009, 2010 DESCONSIDERAÇÃO DA BIPARTIÇÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE PROVAS Não deve ser aceita a descaracterização, para fins fiscais, da bipartição das operações em contratos de afretamento e de prestação de serviços, em razão da ausência de provas de que se tratava de estrutura artificial, engendrada com o fim exclusivo de obter ganho com redução da carga tributária.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, que negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Winderley Morais Pereira (Presidente). Apresentou declaração de voto o Conselheiro Winderley Morais Pereira (Presidente). (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira - Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira - Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 47; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1730; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S3C3T1 Fl. 3.647 1 3.646 S3C3T1 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS TERCEIRA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 16682.720407/201479 Recurso nº Voluntário Acórdão nº 3301005.358 – 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária Sessão de 24 de outubro de 2018 Matéria CIDE Recorrente BP ENERGY DO BRASIL LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009, 2010 DESCONSIDERAÇÃO DA BIPARTIÇÃO CONTRATUAL. AUSÊNCIA DE PROVAS Não deve ser aceita a descaracterização, para fins fiscais, da bipartição das operações em contratos de afretamento e de prestação de serviços, em razão da ausência de provas de que se tratava de estrutura artificial, engendrada com o fim exclusivo de obter ganho com redução da carga tributária. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por maioria de votos, em dar provimento ao recurso voluntário, vencidos os Conselheiros Liziane Angelotti Meira e Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, que negaram provimento. Votou pelas conclusões o Conselheiro Winderley Morais Pereira (Presidente). Apresentou declaração de voto o Conselheiro Winderley Morais Pereira (Presidente). (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques d'Oliveira, Antonio Carlos Costa Cavalcanti Filho, Salvador Candido Brandão Junior, Ari Vendramini, Semiramis de Oliveira Duro, Valcir Gassen e Winderley Morais Pereira (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 68 2. 72 04 07 /2 01 4- 79 Fl. 3647DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.648 2 Relatório Adoto trechos do relatório da decisão de primeira instância: "Trata o presente processo auto de infração de: IRRF, R$ 38.564.186,13; MULTA DE OFÍCIO R$ 28.923.139,61; e JUROS DE MORA R$ 14.278.034,64; perfazendo um total de R$ 81.765.360,38. Nos seguintes termos: '0001 RENDIMENTOS DE RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR IMPOSTO DE RENDA NA FONTE SOBRE ROYALTIES E PAGAMENTOS DE ASSISTÊNCIA TÉCNICA DE RESIDENTES OU DOMICIUADOS NO EXTERIOR A fiscalizada BP ENERGY (antiga DEVON ENERGY) celebrou dOis contratos com o Grupo TRANSOCEAN a fim de promover a perfuração de poços de petróleo no litoral brasileiro. UM contrato de afretamento a casco nu do navio sonde DEEPWATER DISCOVERY com a empresa estrangeira TRANSOCEAN UK e um outro contrato de serviços com a TRANSOCEAN BRASIL. O serviço de perfuração global de poços foi bipartido em dois contratos. O contrato de ~mento foi pago através de remessas efetuadas pela fiscalizada ao exterior sem a retenção de IRRF; CIDE; PIS Importação e COFINSImportaçao. No decorrer dos trabalhos de fiscalização e auditoria, através da análise dos contratos firmados e, tombem, da analise dos documentos coletados ao longo doe trabalhos, constatamos que na verdade não acorreu um simples afretamento autônomo do navio a .CesQ0 nu. Em verdade, os serviços de perfuração de poços de petróleo prestados pelas duas empresas do grupo TRANSOCEAN, conforme explicado exaustivamente no Termo de Verificação Fiscal, não envolvem um afretamento autônomo mas, sim, a prestação de serviços unos e Indivisíveis corno um lodo. As remessas efetuadas a título de afretamentos foram consideradas como serviços prestados por empresa estrangeira e, tais serviços sofrem incidência dos tributos acima citados, Desta forma, através do presente, constituímos os lançamentos abaixo. O Termo do Verificação Fiscal acima citado é parte integrante do presente auto de infração. (. . .) V DA AUDITORIA No decorrer do procedimento de fiscalização efetuado junto ao contribuinte, constataramse os fatos descritos neste Termo que configuram descumprimento à legislação que rege a Imposto de Renda Retido na Fonte — IRRF e a Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico CIDE incidentes sobre remessas efetuadas a empresas estrangeiras, haja vista a impossibilidade da aplicação da alíquota zero do IRRF em relação às remessas efetuadas pela fiscalizada a título de "afretamento de embarcação". Taís remessas foram classificadas como decorrentes de "afretamento de embarcação", em relação às quais não houve recolhimento do IRRF em virtude da Fl. 3648DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.649 3 aplicação indevida, pela fiscalizada, da alíquota zero prevista no art. 20 da IN SR5 252/2002 (art. 1° da Lei 8.481/97). Tratase do Contrato de Afretamento do Navio Sonda DEEPWATER DISCOVERY, firmado aos 02 de fevereiro de 2006, com a empresa TRANSOCEAN UK LIMITED (TUK), situada na Escócia. Reino Unido. Ainda, conforme verificado, a esse contrato estava vinculado o contrato de prestação de serviços de perfuração, sondagem, exploração de poços de petróleo e serviços correlatos, firmados nas mesmas datas com a TRANSOCEAN BRASIL LTDA, CNPJ 40.278.681/000179, situada na cidade de Macaé, Rio de Janeiro, Brasil. Ambos os contratos foram firmados aos 02 de fevereiro de 2006. Posteriormente, estes contratos sofreram alterações através de Termos de Aditamento que ocorreram nas mesmas datas. O primeiro aditamento dos dois contratos ocorreu aos 30/01/2008 e o segundo aditamento ocorreu aos 10/09/2008. Os contratos apresentados foram devidamente juntados aos autos do respectivo Processo Administrativo Fiscal. Nos citados instrumentos contratuais constam acordadas contratações em que os serviços de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo são prestados mediante a utilização da unidade de perfuração (navio sonda) denominada DEEPWATER DISCOVERY. Os trabalhos foram fornecidos em um todo pelo grupo econômico TRANSOCEAN. O afretamento do navio sonda ficou a cargo da TRANSOCEAN UK e os ditos serviços de perfuração ficaram a cargo da TRANSOCEAN BRASIL. A consequência tributária direta é que, a maior parte do preço pago pela fiscalizada em decorrência de tais contratos (aproximadamente 90% do total das contratações) foi atribuída ao chamado "afretamento da unidade", sem a retenção do imposto de renda na fonte e sem a incidência da COE. Por outro lado, a menor parte foi atribuída à prestação de serviços, paga no Brasil, e sujeita à tributação na fonte pela TRANSOCEAN BRASIL (10% das contratações). Estes percentuais foram verificados através da análise das cláusulas constantes dos contratos e de seus aditamentos. Posteriormente, com os aditamentos dos contratos, o total dos valores contratados foi alterado para a relação de 78% a ser pago a título de afretamento e 22% a ser pago a titulo de serviços de perfuração.Isso será bem detalhado mais à frente. Da análise mais detida das cláusulas contratuais e dos documentos obtidos no decorrer do procedimento fiscal, o que se verifica é que, em verdade, tratamse de contratações em que a prestação de serviços de sondagem, perfuração e exploração de poços foi artificialmente bipartida em dois contratos, um de afretamento e outro de serviços, tendo de um lado, como contratante a fiscalizada e, de outro, como contratadas, duas empresas pertencentes ao mesmo grupo econômico, detentor do equipamento e do KnowHow da prestação de serviços de pesquisa e exploração de petróleo e gás. Estas empresas do mesmo grupo atuam em conjunto, de forma interdependente, em responsabilidade solidária. A empresa prestadora de serviços TRANSOCEAN BRASIL LTDA, CNPJ 40.278.681/000179, conforme consta de seu contrato social, bem como de sua DIPJ relativa ao anocalendáho de 2009, pertencia à época, e ainda pertence, às empresas SEDCO FOREX INTERNATIONAL 1NC (99,99% de participação) e TRANSOCEAN SEDCO FOREX VENTURES (0,01% de participação), ambas do grupo TRANSOCEAN, sendo a primeira resultado da fusão ocorrida em 1999 entre TRANSOCEAN OFFSHORE INC e SEDCO FOREX, quando então passou a se chamar TRANSOCEAN SEDCO FOREX INC. Conforme informações de domínio Fl. 3649DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.650 4 publico, obtidas no seu site na intemet, ao mesmo grupo TRANSOCEAN também pertence a TRANSOCEAN UK LIMITEI); com a qual foi firmado o contrato de afretamento. Relatórios Anuais e informações de domínio público coletados nos sites dos referidos grupos econômico na internet (www.deepwater.com), é possível constatar os respectivos organogramas, estruturas legais, atividades e endereços. Tais informações foram anexadas ao respectivo Processo Administrativo Fiscal. No contexto concreto das contratações efetuadas, em que pese a repartição formal em dois contratos, a realidade dos fatos demonstra que inexiste um afretamento autônomo, desvinculado do fornecimento dos serviços de perfuração e sondagem. Tratamse na verdade de operações em que, afretamento e serviços, são indissociáveis para que os servidos contratados de forma global sejam alcançados. A legislação referente ao assunto indica: IV DA LEGISLAÇÃO PERTINENTE À APLICAÇÃO DA ALÍQUOTA ZERO DE IRRF NO AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÕES O art 691 do Regulamento do Imposto de Renda R1R/99, Decreto 3.000, de 26 de março de 2000, apontado pela fiscalizada como aquele que teria lhe garantido a aplicação da alíquota zero, e o consequente não recolhimento do IRRF sobre os valores das remessas efetuadas, por sua vez, deve sua redação ao art. 1° da Lei 9.481/97: "Art 10 A etiqueta cio imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no Pais, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses. (Redação dada pela Lei n° 9.532, de 10,12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos do embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras, feitas por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes., bem assim os pagamentos de aluguel de containers, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (...) A seu turno, o art. 80 da Lei 9.779/99, conversão de Medida Provisória 1.788/98, impôs a seguinte ressalva a aplicação do disposto no art. 10 da Lei 9,481/97: Art. 8° Ressalvadas as hipóteses a que se referem os incisos V, VIII, IX, X e XI do art. 11 da lei no 9.481, de 1997. os rendimentos decorrentes de qualquer operação, em que o beneficiado seja residente ou domiciliado em pais que não tribute a renda ou que a tribute à alíquota máxima inferior a vinte por conto, a que se refere o art. 24 da Lei n° 9.430, de 27 de dezembro de 1996, sujeitamse à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de vinte e cinco por cento.* Em sua impugnação, a interessada alega: (...) Assim é que no desenvolvimento de suas atividades no Pais, a impugnante firmou com a empresa Transocean UK Ltd, ("TUK") contrato de afretamento de embarcação (doe. também já juntado aos autos pelo autuante) e, em paralelo, firmou com a Transocean Brasil Ltda. ("TBL"), contrato de prestação de serviços de perfuração de petróleo e gás (doc. já juntado aos autos pelo autuante). Fl. 3650DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.651 5 Conformo estipulado no Contrato de Prestação de Servisos celebrado entre a impugnante e a TBI., esta foi designada pelo impugnante {doc. 03.) para promover a importação da embarcação afretada da TUK. bem como das partes, peças, ferramentas e equipamentos destinadas à sua manutenção. reparo e operação no Pais. A possibilidade de importação não apenas da embarcação afretada de empresa estrangeira pela impugnante, bem como das partes, peças e equipamentos necessários ao perfeito funcionamento e à manutenção das referidas unidades decorre, insistase, de expressa previsão da legislação do REPETRO (Decreto n° 4.543/2002, c/e IN RFB n° 844/08, em vigor à época da assinatura do Contrato de Prestação de Serviços, e ora substituída pela IN RFB 1.415/13), que autoriza a empresa prestadora dos serviços designada in casu, a TBL , a habilitarse ao REPETRO para que, amparada por Atos Declaratórios Executivos ADEs, possa "promover a importação dos bens a serem utilizados" quando a afretadora não for sediada na País": Dessa maneira, nos termos da regulamentação do REPETRO, a TB1, foi designada pela impugnante, para promover a importação da embarcação, suas partes e peças. Diante das avenças acima referidas referidas, o autuante entendeu que esta estrutura teria como único e exclusivo propósito "mascarar uma única contratação" (fls. 3 do TVF). Já à guisa de encerramento de sua acusação, o autuante salienta que: "Fica claro que ambas as empresas aluam de forma Conjunto a fitn de prestar um único e harmônica serviço entre elas e, ao promover a partição dos contratos, cria uma manobro que visa à redução dos tributos devidos," (fls. 19 do TVF)," Com base na premissa de que a Impugnante teria agido com abuso de forma ou de direito, ao artificialmente segregar o afretamento dos serviços de perfuração de poços de petróleo e gás, é que está sendo exigido da Impugnante alegado crédito tributário do Imposto de Renda Retido na Fonte ("1RRP"), Contribuição Intervenção no Domínio Econômico ("CIDE") e as contribuições ao PIS e à COF1NS referente aos anoscalendário de 2009 e 2010. Mas não é só! De acordo com os trechos do TVF acima, o autuante sugere que a forma com que a Impugnante divide a remuneração entre o afretamento celebrado com a, empresa estrangeira (90% do total das contratações) e a prestação de serviços de perfuração pela empresa domiciliada no País (10% do total das contratações), teria como único objetivo a remessa de parcela substancial dos valores para o exterior "sem a retenção do imposto de renda na fonte e sem a incidência da CIDE". Em relação a esta outra grave acusação de alegado desequilíbrio contratual por ter a Impugnante alegadamente criado artificialmente os percentuais de 90% 10%, a Impugnante destaca, desde já, que de acordo com o aditivo contratual acostado aos autos do processo administrativo instaurado pelo autuante, os percentuais de remuneração praticados durante todo o período fiscalizado foram de 78% para o afretamento e 22% para a remuneração dos serviços de perfuração, não Fl. 3651DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.652 6 demonstrando assim. nenhuma suposta disparidade capaz de indiciar qualquer intenção da Impugnante em prejudicar o erário. Ademais, é valido mencionar o quão equivocado e superficial foi o lançamento fiscal realizado pelo autuante, pois, se pauta em percentuais (90 10%)._que nem sequer vigiam à época dos fatos autuados, tal como, contraditoriamente. ele próprio reconhece. No entanto, em que pese os infundados percentuais equivocadamente destacados pelo autuante nas contratações realizadas com a TUK e a TBL, é válido, desde logo destacar, que ainda que vigorassem os hipotéticos percentuais fixados na acusação fiscal o que comprovadamente não é o caso o E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais já teve a oportunidade de se pronunciar exatamente acerca desta divisão, concluindo, com máximo acerto e segurança por sua plena validade: Ademais, antecipese que a correlação de 78% e 22% entre a remuneração do afretamento e dos serviços de perfuração se dá, por óbvio, em decorrência da disparidade entre o valor agregado existente em cada tipo de contrato. Expliquese. Para a realização das atividades de perfuração em águas marítimas profundas, a Impugnante contrata através de afretamento, a disponibilizarão de um bem equipado com tecnologia de ponta para desempenhar tais atividades sobre lâmina d'água que muitas vezes ultrapassa os 2.000 metros de profundidade. Em virtude da alta concentração de tecnologia nestas embarcações de perfuração, não raro o custo nominal desses equipamentos ultrapassa a cifra de USD 1.000.000.000,00 (um bilhão de dólares norteamericanos), equivalentes a aproximadamente 2,2 bilhões de Reais! No caso do afretamento da embarcação Deepwater Discovery, o valor aduaneiro registrado quando do momento de sua importação temporária foi de USD 600.000.000,00, aproximadamente R$ 1.400.000.000,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de Reais), conforme Declaração de Importação anexa (doc. 04). Com efeito. tendo o proprietário da embarcação no exterior investido tamanha monta na construção deste tipo de embarcação, decerto que os valores de remuneração pelo afretamento da embarcação devem ser eQuivalentes, de modo a compensar, ao longo da vida útil da embarcação, o vultuoso investimento inicial realizado, bem como todo o risco e o desgaste a 1311C são expostas essas embarcações nas atividades de perfuração que invariavelmente são desempenhadas em condições climáticas que aceleram sua depreciação. Por outro lado, para a prestação dos serviços de perfuração a bordo da embarcação, temse como fator determinante para a fixação do percentual do preço a ser praticado, a comparação entre a mais valia do trabalho ali desempenhado e o valor do bem (embarcação) afretado. É válido ainda destacar que nessas prestações de serviços, parcela expressiva dos insumos utilizados na atividade de perfuração pela TBL (v.g. lama de perfuração, combustíveis, partes e peças, alimentação, etc) são fornecidos e custeados pelas próprias Concessionárias, restando como valor agregado a este tipo de contrato (serviço de perfuração), em essência, o fornecimento da mãodeobra técnica adequada para o desenvolvimento da atividade. Fl. 3652DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.653 7 Por óbvio, comparandose a mais valia presente nos Contratos de Serviço de perfuração com o valor da embarcação afretada, decerto mie em termos percentuais, a remuneração entre os contratos não poderá jamais ser equânime, tal com supere o autuante. Para melhor ilustrar a correlação entre o valor agregado em cada uma das avenças firmadas pela Impugnante com a remuneração estipulada nos respectivos contratos, a lmpugnante utiliza como exemplo a contratação de um automóvel com motorista. Decerto, em se tratando de veículo de luxo, com valor acima dos USD 1.000.000,00 (um milhão de dólares norteamericanos), o valor da locação do veículo que objetiva remunerar o seu proprietário pelos riscos e o desgastes pela disponibilização do bem no mercado certamente será muito maior do que a remuneração do motorista contratado para conduzilo, representando, assim, a remuneração pela disponibilização do automóvel um percentual muito maior do que o custo pela remuneração do motorista. Por outro lado, caso o veiculo alugado fosse um veiculo popular, com valer perto dos RS 30.000,00, a diferença percentual entre o valor da remuneração do condutor e do aluguel do veículo não seria tão evidente. No entanto, ressaltose que no caso em tela tratase de bem afretado cujo valor aduaneiro monta a aproximadamente RS 1.00,000.00,00 (um bilhão e quatrocentos milhões de Reais), e que em outros casos pode ultrapassar R$ 2.000,000.000,00 (dois bilhões de ReaiS). Dessa maneira, tento em vista o vultuoso valor do bem dado em armamento,. a correlação de 78% e 22% existente entre a remuneração do afretamento e dos serviços de perfuração encontrase em patamares mais do que razoáveis e adequados, era que pese o entendimento diverso do autuante (. . .) Contudo, tal como se demonstrará nesta defesa, sem razão o autuante, pois, os negócios Jurídicos praticados pela Impugnante são plenamente válidos e regulares, não lhes sendo possível qualquer imputação de serem simulados ou dissimulados, tal como já reconhecido pelo E. Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em situação bastante semelhante à presente. (. . .) Preliminarmente: Os Erros de Premissa e a Superficialidade do Levantamento Fiscal Conforme se demonstrará, a acusação fiscal empreendida pelo autuante encontrase eivada do insanável vício de nulidade (. . .) Feita essa indispensável ressalva, assumindo por hipótese que desde logo V.Sas. já não decretarão a manifesta improcedência da autuação em apreço, já que lavrada com base em mera retórica de que teria havido abuso de forma, de direito ou simulação por parte da Impugnante, esta passa a demonstrar Inexistir simulação na espécie. Realmente, a presunção de dissimulação levada a cabo pelo autuante não só não possui qualquer nexo com a realidade fática, como, ainda, desrespeita os direitos à ampla defesa e ao devido processo legal. Como é sabido, o lançamento fiscal tem como um de seus princípios essenciais o da verdade material, segundo o qual é dever da Administração Pública investigar, com base na realidade dos fatos, a existência dos elementos constitutivos Fl. 3653DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.654 8 da obrigação tributária. O citado princípio, lembrese, é corolário da própria necessidade de garantia da estrita legalidade da tributação. Dito de outro modo, considerando que o tributo somente é devido se o fato da vida real identificarse perfeitamente com alguma das hipóteses previstas em lei, legítimo concluirse que somente será legal a cobrança desse tributo se aquele fato da vida real houver efetivamente ocorrido. Para tanto, recai sobre a Administração o severo e inafastável ônus de buscar e comprovar através de provas inequívocas colhidas no processo físcalizatório, os fatos da vida real constitutivos da obrigação tributária (p.e. fato gerador, base de cálculo, contribuintes), sob pena de não conseguindo comprovar qualquer um desses elementos, afastar, de pronto, os efeitos tributários atinente ao fato investigado, tal como ocorre na espécie. (. . .) Portanto, se a legalidade da tributação depende da verificação da verdade material acerca dos elementos da obrigação tributária, imperativo concluir que cabe à Administração Pública buscar essa verdade à exaustão. E mais, cabe à ela comprovar inequivocamente a constatação desta verdade de forma a pennitir a constituição do crédito tributário com base em fatos. Nunca poderá do que se olvida o autuante a autoridade fiscal lavrar autos de infração com base em meras alegações, conforme bem reconhece a jurisprudência dos Tribunais Judiciais pátrios, conforme ilustra a ementa abaixo: "PROCESSO FISCAL NÃO PODE SER INSTAURADO COM BASE EM MERA ARGUMENTAÇÃO. Segurança concedida". (AMS 65.941AM, TFR, Rel. Min. JARBAS NOBRE, Resenha Tributária, seção 1.2., 1973, pág. 48 grifamos e destacamos) Nesse particular, digase que o autuante não trouxe qualquer prova que demonstrasse ter a Impugnante realizado contratações simuladas ou dissimuladas. Ao contrário, toda a sua acusação é feita com base em repetitiva retórica, o que decerto não se coaduna com os comandos que lhe regem e subordinam a prática, ex vi do artigo 142 do Código Tributário Nacional." (. . .) No presente caso, o ato administrativo consubstanciado no auto de infração ora Impugnado, carece de validade por ausência do motivo de fato e de motivo legal. Como se verifica do relato do autuante, a autuação foi lavrada sob a alegação de ter a Impugnante supostamente engendrado uma triangulação artificiosa Mil o propósito exclusivo de reduzir a carga tributária nas avenças que celebrou: "O Importante disso tudo é que a fiscalizada tem plena ciência da vinculação entre as suas contratadas e de sua atuação em conjunto para desempenhar os contratos, eis que a intenção da primeira e das segundas é a mesma: firmar contrato de prestação de serviços com o menor impacto tributário." (TVF, pag. 18 grifos do original) Contudo, tal como se demonstrará nesta defesa, a avença firmada pela Impugnante com a TUK. o Afretamento de Embarcação é, em realidade, negócio jurídico Contrato distinto daquele firmado entre a impugnante e a TEL, que tem Fl. 3654DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.655 9 como escopo a prestação de serviços de sondagens, perfurações, avaliações, completação e workover. (. . .) Em que pese existirem duas relações jurídicas distintas, com obrigações autônomas e inconfundíveis, o autuante desconsiderou a estanqueidade jurídica dos referidos Contratos, entendendo que o afretamento seria mera atividademeio para se atingir a atividadefim que seria a prestação de serviços de perfuração., "Examinada a estrutura dos contratos, verificase que a bipartição destes em afretamento e serviços é meramente formal. A verdade material que se impõe, no desempenho dos contratos, é:de que não há afretamento puro e simples o fornecimento das unidades é parte integrante e indissociável dos serviços contratados," (TVF pag. 21) Da leitura do Termo de Verificação Fiscal, percebese que o autuante tentou se utilizar de autorização concedida em hipóteses restritíssimas e excepcionalíssimas , digase pela legislado de regência para desconsiderar os atos e negócios jurídicos legal e validamente praticados pela impugnante, embasando uma suposta falta de recolhimento de tributos. Segundo o autuante, embora cobertos per contratos firmados com a TBI, e a TUK, "na verdade, existe como objetivo único a prestação de .serviços de perfuração que ocorrem, na prática, sob o comando e controle do 'armador',"(fis. 13 do TVF) como visto, o autuante se ampara na presunção do que, embora previstos em atos jurídicos próprios, celebrados entre a impugnante e á fretadora da embarcação no exterior e entre a impugnante e a prestadora de serviço localizada no Brasil, tais contratações seriam unas e indivisíveis: "Na ,prática, resta claro que as empresas do grupo TRANSCOCEAN prestavam serviços de/brama única e unida, trabalhavam em conjunto par atingir o objetivo do grupo econômico, qual seja, a prestação de serviços de perfuração de poços." (TVI:. pag. 26) Na dissimulação, ou simulação relativa como também conceitua a doutrina, é preciso que se verifique e que se comprove a clara intenção dolosa do agente em ocultar através de um ato ou negócio jurídico criado exclusivamente para mascarar a "ocorrência do fato gerador do tributo ou a natureza dos elementos constitutivos da obrigação tributária", o que decerto não ocorre na espécie. Utilizando o conceito da "dissimulação" ou simulação relativa ao caso concreto, verificase claramente que a existência de contrato de afretamento com a empresa estrangeira em paralelo ao contrato de serviço de perfuração com empresa brasileira, nem de longe tinha como objetivo 'mascarar" ou encobrir a realidade dos fatos, pois: • insistase, de fato a lmpugnante necessitava de uma embarcação que inexistia no Brasil, daí a necessidade da contratação da empresa estrangeira TUK proprietária da embarcação afretada pela Impugnante. Além do que, para se enquadrar nas normas de regência do REPETRO, seria mandatório que o proprietário da embarcação estivesse no exterior, ex vi do artigo 14 da Instrução Normativa n° 844/08; • não é menos fato que a Impugnante precisava de técnicos que lhe prestassem serviços de perfuração de poços de petróleo e gás no Pais, dai a contratação da TBL. Fl. 3655DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.656 10 Como a TBL não possui em seus ativos embarcação, não podia assumir junto à Impugnante a obrigação de afretar embarcação que não tem; e • a sinergia intragrupo é qualidade de extrema relevância para a correta e perfeita consecução das atividades demandadas pela Impugnante, pois, como se sabe, cada embarcação é adaptada para as condições específicas de um determinado campo ou jazida. Portanto, se a embarcação afretada pela Impugnante era pertencente ao grupo Transocean, ninguém melhor do que a própria Transocean ainda que por outra empresa do grupo fosse eleita para a realização dos serviços de perfuração, pois, decerto, bem conhece os equipamentos e tecnologias existentes a bordo das embarcações do Grupo. Claro está, dessa forma, que a Impugnante não aparentou conferir ou transmitir e de fato não conferiu e nem transmitiu direitos a pessoas diversas daquelas às quais realmente se conferiu ou transmitiu. Os documentos acostados aos autos bem refletem a mais pura realidade dos fatos econômicos e dos atos jurídicos praticados, o que significa afirmar que o que neles foi escrito representou a efetiva vontade das panes e de fato ocorreu. Os documentos produzidos pela Impugnante ou pelas demais empresas relacionadas na autuação não contêm declaração, confissão, condição ou cláusula não verdadeira. Referidos documentos, mormente, os Contratos de Serviço e de Afretamento foram todos apresentados pela Impugnante e pela TBL quando da habilitação desta última ao Repetro e quando da importação da embarcação, e submetidos a exame das próprias autoridades, aduaneiras, as quais não fizeram qualquer crítica ou objeção aos termos e condições neles estabelecidos. O que neles foi declarado, repitase, é verdadeiro e ocorreu, não havendo nem mesmo alegação das autoridades fiscais a esse respeito, o que dirá prova em sentido contrário. Do acima exposto, verificase que a (dis)simulação, equivocadamente e implicitamente sugerida mas não provada pelo autuante, como motivadora da desconsideração dos Contratos firmados, não restou comprovada. Somente com a comprovação dos elementos de dolo ou fraude com o objetivo de dissimular/fraudar a ocorrência do fato gerador do tributo é que poderia o autuante desconsiderar atos ou negócios jurídicos praticados pela Impugnante. Não havendo, portanto, o preenchimento e a comprovação de nenhuma destas hipótese pela conduta da Impugnante, não poderia o autuante ter desconsiderado os atos e negócios jurídicos validamente praticados, para, com base em ilações, autuar a Impugnante para a ilegal exigência de tributo. Caso, de fato, houvesse qualquer intuito dissimulado nos atos e negócios jurídicos praticados pela Impugnante, com o objetivo de fraudar o fisco, deveria não por faculdade conferida ao autuante, mas por obrigação legal a ele imposta ter sido aplicada a multa agravada de 150%, o que não ocorreu justamente por não haver elementos que permitissem ao autuante sustentar eventual abuso de forma ou fraude cometidos pela Impugnante. Contudo, paradoxalmente, em que pese ter o autuante insinuado a existência de simulação/fraude nos atos c negócios jurídicos praticados pela Impugnante ao ponto de desconsiderálos, apenas aplicou a multa regulamentar de 75%. Ora Ilmo. Fl. 3656DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.657 11 Julgadores, se não houve fraude, não houve simulação, porque o pressuposto desta é obviamente aquela. Afastada a fraude, há que afastara simulação Assim, sem razão o autuante ao pretender impor com bases argumentativas que haveria um artificioso desequilíbrio econômico entre o Contrato de Serviço e o Contrato de Afretamento. Como já se pontuou nesta defesa, a correlação de 78% e 22% entre a remuneração do afretamento e dos serviços de perfuração se dá, por óbvio, em decorrência da disparidade entre o valor agregado existente em cada tipo de contrato. Por todas as razões acima, está certa a Impugnante que o auto de infração ora impugnado é nulo de pleno direito por patente falta de motivação e base legal para fundamentar as conclusões do autuante. Os Recursos Humanos Utilizados De acordo com o autuante, "Resta claro que os serviços de maior responsabilidade técnica e decisória, tanto de náutica quanto de perfuração, são praticados por estrangeiros que são pagos pelo grupo estrangeiro que deveria receber, apenas, valores inerentes ao afretamento do navio." (fis. 24 do TVF) Trata se de mais uma assertiva desprovida de fundamento e fruto da superficialidade do levantamento fiscal ora combatido. Com efeito, assumiu o autuante Que referidos estrangeiros seriam "pagos" pela TUK, empresa esta contratada pela Impugnante para exclusivamente fornecer a embarcação em afretamento. Ocorre que, ao contrário da pressa do autuante em chegar a ilações desconexas da realidade fática, o que se sucede é bem diferente do que tenta impor: "Os documentos apresentados pela prestadora de serviços nacional não deixam dúvidas de que as atividades de prospecção são desempenhadas de forma esmagadora por profissionais vinculados à empresa estrangeira do grupo econômico que não são por ela contratados." (TvF, pag. 26) Contudo, o fato de a TBL se utilizar de mãodeobra estrangeira em seus serviços não implica em dizer que a TUK contratada pela Impugnante apenas para o afretamento estaria recebendo receitas distintas do afretamento para o qual foi contratada. Olvidouse o autuante de verificar e de compreender que a TBL, para atender às obrigações assumidas junto à ímpupante, firmou contrato de fornecimento de serviços técnicos com outras empresas estrangeiras no caso. a Global Santa Fé Offshore e a Transocean International Resources Ltd , tal como ilustra o anexo Contrato (doc. 05). Note que é prática universal da indústria de petróleo e gás que os conglomerados econômicos tenham um centro de excelência localizado em uma ou em algumas jurisdições para que referidos experts sejam engajados na medida da necessidade nas múltiplas demandas do conglomerado ao redor do globo terrestre. E outra não é a situação do Grupo Transocean. Por ter atuação no segmento da indústria de óleo e gás em variados países e diante da especificidade técnicas dos serviços de perfuração de petróleo e gás, o Grupo Transocean concentra muitos dos seus técnicosrotadores ("routables") em perfuração, em uma ou outra empresa do Fl. 3657DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.658 12 Grupo, e estas empresas a exemplo da Global SantaFé Offshore e a Transocean International Resource8 Ltd é que cedem (via contrato de prestação de serviços) seu corpo técnico para ser engajado pelas diversas empresas do Grupo que atuam pelo mundo, incluindo a TBL no Brasil. Portanto, embora referidos estrangeiros não sejam funcionários da TBL como de fato não o são quem os contrata é a própria TBL para que dediquem seu expertise na consecução do contrato de perfuração firmado entre a TBL e a Impugnante, ou seja, se houve importação de serviços, essa se deu pela TBL e não pela Impugnante. Novamente válido esclarecer que até mesmo para fins de obtenção de visto de trabalho desses técnicos estrangeiros no País, uma das condições para sua obtenção é que tenham sido contratados seja através de contrato de emprego ou por contrato de prestação de serviços por empresa brasileira. In casu, foi justamente o que ocorreu. A Impugnante que se dedica à exploração e produção de petróleo e gás precisava de técnicos em perfuração, contratou a TBL que, por sua vez, utilizandose da sinergia com outras empresas do Grupo a que pertence, trouxe para a prestação de serviços de perfuração à Impugnante técnicos estrangeiros amparados em contrato de serviço firmado entre a TBL e as empregadoras estrangeiras desses técnicos. Sendo certo, digase novamente, que referidas empregadoras estrangeiras não se confundem com a empresa estrangeira responsável pelo afretamento da embarcação. Ou seja, o fato de a TBL ter se utilizado dos referidos estrangeiros em sua prestação de serviço de perfuração de poços de petróleo e gás à Impugnante ratifica que referida empresa apenas e tãosomente estava envolvida com a prestação de serviços à Impugnante. Essa relevante estrutura contratual passou desapercebida pelo autuante, o que somente reitera a superficialidade da acusação fiscal que originou a autuação ora impugnada. É o que se pede seja desde logo reconhecido por V.Sas." A DRJ em Belém (PA) julgou a impugnação improcedente e o Acórdão n° 0131.499, de 26/02/15, foi assim ementado: "ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO DE INTERVENÇÃO NO DOMÍNIO ECONÔMICO CIDE Anocalendário: 2009, 2010 Ementa: CONTRATO DE AFRETAMENTO DE NAVIOSONDA. NATUREZA DA OPERAÇÃO. Constatado que os pagamentos à empresa domiciliada no exterior, decorrentes de contrato de afretamento de naviosonda, cuidava na verdade de operação de afretamento da embarcação cumulada com prestação de serviços, e não sendo possível estratificar os valores correspondentes a essas atividades, mister a classificação dos Fl. 3658DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.659 13 pagamentos dessa operação como decorrentes de prestação de serviços técnicos. HIPÓTESE DE INCIDÊNCIA. SERVIÇOS TÉCNICOS E DE ASSISTÊNCIA ADMINISTRATIVA. A incidência da Contribuição, na contratação de serviços técnicos prestados por residentes ou domiciliados no exterior, prescinde da ocorrência de transferência de tecnologia. BASE DE CÁLCULO. IRRF. REAJUSTE. O valor do Imposto de Renda na Fonte incidente sobre as importâncias pagas, creditadas, entregues, empregadas ou remetidas ao exterior compõe a base de cálculo da Contribuição de Intervenção no Domínio Econômico, independentemente de a fonte pagadora assumir o ônus imposto do IRRF. JUROS SOBRE MULTA DE OFÍCIO. Sendo a multa de ofício classificada como débito para com a União, decorrente de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal do Brasil, apresentase regular a incidência dos juros de mora sobre os valores da multa de ofício não pagos, a partir de seu vencimento. JUROS. TAXA SELIC. Tendo a cobrança dos juros de mora com base na Taxa SELIC previsão legal, não compete aos órgãos julgadores administrativos apreciar argüição de sua ilegalidade/inconstitucionalidade. DOMICÍLIO TRIBUTÁRIO. ENDEREÇO CADASTRAL. INTIMAÇÃO ENDEREÇADA AO ADVOGADO. INDEFERIMENTO. O domicílio tributário do sujeito passivo é endereço, postal, eletrônico ou de fax fornecido pelo próprio contribuinte à Receita Federal do Brasil (RFB) para fins cadastrais. Dada a existência de determinação legal expressa em sentido contrário, indeferese o pedido de endereçamento das intimações ao escritório do procurador. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" Inconformado, o contribuinte interpôs recurso voluntário, em que destaca: que, após a protocolização da impugnação, foi editada "a Lei n° 13.043/14 que, em seu artigo 106, veio a afastar/esclarecer qualquer dúvida que pudesse haver sobre a legalidade de repartição entre as receitas de afretamento de embarcação estrangeira e as receitas dos serviços de exploração/prospecção de óleo e gás"; e a decisão da DRJ, no processo administrativo n° 16682.720406/201424, que cancelou o Auto de Infração do IRRF, por ausência de prova de simulação dos contratos; E assim resume suas alegações (fls. 3.372 e 3.373): "O Breve resumo do Concluído até Aqui Fl. 3659DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.660 14 Diante de todo o acima exposto, espera e confia a Recorrente que V.Sas. julgarão totalmente procedente o presente recurso reconhecendo a integral improcedência da autuação, pelo fato: • de haver graves e insuperáveis nulidades na autuação, pois, como se demonstrou, além de o ordenamento jurídico pátrio não permitir a lavratura de autos de infração com base na retórica de ter havido abuso de direito, o autuante pretendeu ainda desconsiderar atos jurídicos validamente celebrados pela Recorrente, sem, contudo, comprovar a existência de simulação ou dissimulação pela Recorrente, se utilizando de premissas equivocadas e que não se sustentam; • de haver manifesta mudança da acusação originalmente imposta pelo autuante pela decisão recorrida, pois enquanto o autuante diz que os contratos de serviço e afretamento seriam uma realidade indivisível, a decisão ora recorrida reconhece a validade da estrutura bipartida, contudo, inova na acusação, ao sustentar, sem qualquer fundamentação, que no contrato de afretamento a caso nu firmado pela ora Recorrente haveria parcela de serviço que não poderia ser cindida do afretamento em si; o que decerto não prospera, pois, insistase, estáse diante de contrato de afretamento a casco nu (mera obrigação de dar). • de ser plenamente possível aos contribuintes planejarem suas atividades negociais desde que observadas as balizas legais; • de inexistir sobreposição e nem muito menos confusão nas avenças firmadas pela Recorrente para a prestação de serviços de perfuração de poços de petróleo e gás e para o afretamento de embarcação; • de que, ainda que haja interligação entre os contratos de afretamento e de serviço, nada de errado há nisso, tal como bem conceitua a doutrina civilista sobre os contratos coligados; • de que o contrato de afretamento firmado pela Recorrente atende a todos os requisitos previstos na legislação de regência; • de não haver a possibilidade de se enquadrar o contrato de afretamento a casco nu corno se serviço fosse, pois, já decidiu o E. Superior Tribunal de Justiça e o próprio E. Supremo Tribunal Federal que a atividade que predomina no afretamento não é um fazer, mas sim um dar (o bem em afretamento); e • de, ainda que se entendesse que o afretamento seria parte integrante do contrato de serviço, não se pode tributar as atividadesmeio. Em petição protocolizada após a apresentação do recurso voluntário, a recorrente noticiou a decisão favorável proferida pelo CARF (Acórdão n° 3201003.150, de 23/10/17) que, por unanimidade de votos, cancelou o lançamento de PIS e a COFINS Importação. A PGFN apresentou contrarazões, em que defende os argumentos utilizados pela fiscalização para a lavratura do auto de infração. É o relatório. Voto Fl. 3660DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.661 15 Conselheiro Relator Marcelo Costa Marques d'Oliveira O recurso voluntário preenche os requisitos legais de admissibilidade e deve ser conhecido. Nos anos de 2009 e 2010, a recorrente figurava como contratante de afretamento do naviosonda Deepwater Discovery e de serviços de perfuração de poços de petróleo. As contratadas, respectivamente, Transocean UK (Reino Unido) e Transocean do Brasil Ltda. (Brasil), pertenciam ao mesmo grupo econômico. As remessas para o exterior para pagamento do afretamento eram realizadas com o benefício da redução a zero da alíquota do IRRF (inciso I do art. 1° da Lei n° 9.481/97) e não se encontravam no campo de incidência da CIDE, PIS Importação e COFINS Importação, pois, em princípio, não se tratava de importação de serviço. Contudo, após auditoria dos contratos e documentação e registros contábeis correspondentes, a fiscalização concluiu que, na verdade, não havia duas contratações, porém uma única, de prestação de serviços de perfuração. Por conseguinte, lançou de ofício IRRF, CIDE, PIS Importação e COFINS Importação sobre as remessas a título de afretamento, distribuídas entre o presente (CIDE) e outros dois processos administrativos, a saber: a) IRRF processo administrativo n° 16682.720406/201424: a DRJ em Belém (PA), por maioria de votos, julgou a impugnação procedente. Aguardase o encaminhamento para o CARF, para julgamento do recurso de ofício. b) PIS e COFINS processo administrativo n° 16682.720408/201413: a DRJ em Belém (PA) julgou procedente a impugnação e o CARF negou provimento ao recurso de ofício (Acórdão 3201003.15, de 26/09/17). Irresignada, a PGFN interpôs embargos de declaração, os quais, todavia, foram rejeitados, por unanimidade, nos termos do Acórdão n° 3201003.507, de 20/03/18. Passo ao exame do recurso voluntário. PRELIMINARES "A PRIMEIRA NULIDADE DA DECISÃO ORA RECORRIDA A INOVAÇÃO DA DECISÃO NA ACUSAÇÃO ORIGINARIAMENTE IMPOSTA PELO AUTUANTE" Reproduzo trecho do recurso voluntário: (. . .)" Como visto acima, para a lavratura do auto de infração ora combatido, o autuante entendeu que a estrutura bipartida utilizada pela Recorrente teria como único e exclusivo propósito 'mascarar uma única contratação' (fls. 3 do Termo de Verificação Fiscal "TVF"). Para tanto, insinua que: 'No contexto concreto das contratações efetuadas, em que pese a repartição formal em dois contratos, a realidade dos fatos demonstra que inexiste um Fl. 3661DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.662 16 afretamento autônomo desvinculado do fornecimento dos serviços de perfuração e sondagem. Tratamse na verdade de operações em que, afretamento e serviços, são indissociáveis para que os serviços contratados de forma global sejam alcançados.' (fls. 9 do TVF) E conclui salientando em sua grave e não provada acusação que: 'Fica claro que ambas as empresas atuam de forma conjunta a fim de prestar um único e harmônico serviço entre elas e, ao promover a partição dos contratos, criar uma manobra que visa à redução dos tributos devidos.' (fls. 19 do TVF) Da leitura dos extratos acima, percebese que o autuante baseia toda a sua argumentação em um único fundamento: que a bipartição dos contratos de afretamento e de serviços teria sido propositalmente engendrada pela Recorrente para encobrir uma única atividade, qual seja, a prestação de serviços pela empresa estrangeira através do uso da embarcação afretada. Neste sentido, enquanto o autuante considerou que haveria confusão entre as obrigações objeto do contrato de serviços de perfuração com o contrato de afretamento para legitimar a presunção de existência de uma única avença (serviços com afretamento) e, por conseguinte, a ilegalidade da repartição das receitas, a decisão recorrida reconhece a plena validade da bipartição dos contratos e neste aspecto andou bem a Turma julgadora. No entanto, na tentativa de fundamentar a manutenção da autuação, a decisão recorrida destaca que 'não sendo possível distinguir nos autos a receita da empregada exclusivamente no afretamento da embarcação, entendese não ser possível afastar a exação da CIDE propalada pelo art. 2° da Lei n° 10.168/00, com a redação dada pela Lei n" 10.332/01'. (fis. 3.259/3.260 grifamos) E continua alegando que: 'Ideal seria se se pudesse distinguir a real receita atribuída a cada atividade (afretamento e prestação de serviço), e, com isso, aplicar a tributação devida a cada situação, concedendo a isenção do IRRF, reconhecendo a não incidência da CIDE, onde fosse o caso. Porém, não vislumbra tal possibilidade. Repisese, não há nos autos elementos que permitam dar os perfeitos contornos a receita de fato correspondente a cada atividade.' (fls. 3.259/3.260 grifamos)' Em outras palavras a decisão recorrida afastou o principal argumento da acusação fiscal de invalidade e artificialidade da estrutura bipartida de contratação, para inovar a acusação, entendendo que não haveria no contrato de afretamento a previsão entre o que seria parcela de serviço e o que seria do afretamento nas remessas efetuadas; olvidandose, contudo, de atentar para o relevante fato que in casu, o afretamento contratado era a casco nu, modalidade esta que não compreende qualquer parcela de serviço atrelada ao afretamento! Srs., esse sofisma acaba por inovar a acusação original, alterando o critério jurídico adotado pelo autuante para a lavratura da autuação, o que como se verá, é vedado pela legislação. (. . .)" Não vejo alteração do critério jurídico. Fl. 3662DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.663 17 A fiscalização depreendeu da leitura dos contratos e documentação correlata que teria sido promovida uma bipartição de um único serviço em dois contratos, com o propósito de atribuir ao de afretamento um valor maior do que o devido, com vistas a aproveitar da redução a zero do IRRF sobre as respectivas remessas, bem como pelo fato de estarem fora do campo de incidência da CIDE e do PIS/COFINS Importação. E a decisão recorrida, não obstante reconhecer a possibilidade de coexistirem contratos de afretamento e de prestação de serviços de perfuração, notadamente após a publicação da Lei n° 13.043/14, manifestou, expressamente, sua concordância com a fiscalização. Dos autos, concluiu que houvera uma "confusão" entre as atividades, de tal forma que não se poderia mais falar em contratos separados e, por conseguinte, em pagamentos com naturezas jurídicas e tratamentos fiscais distintos, como segue (fl. 3.260 e 3.261): "(. . .) Do exposto, muito embora as alterações promovidas pela Lei nº 13.043/2014 não tenham aplicação aos fatos geradores do lançamento, elas demonstram a factibilidade da bipartição do contrato. A questão que se revela óbice para a pretensão da recorrente é a falta de configuração exclusiva da receita de afretamento. No caso concreto, como demonstrado exaustivamente pela autoridade lançadora no relatório de fiscalização, em especial às folhas 29482967, houve uma verdadeira confusão entre o contrato de afretamento e o contrato de prestação do serviço de perfuração. De sorte que não possível distinguir a efetiva divisão de cada contrato no contexto da operação de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo. Assim, embora o contrato esteja formalmente denominado como contrato de afretamento, sua natureza é de contrato de afretamento cumulado com prestação de serviço de perfuração. (. . .)" (g.n.) Isto posto, nego provimento aos argumentos. "A SEGUNDA NULIDADE DA DECISÃO ORA RECORRIDA AUSÊNCIA DE REUNIÃO DOS PROCESSOS CONEXOS E DECISÃO CONTRÁRIA AO JULGAMENTO DO AUTO DE INFRAÇÃO DO IRRF" Neste tópico, aponta duas supostas causas de nulidade da decisão recorrida: i) ausência de reunião de processos reflexos; e ii) de que foi de encontro à decisão proferida pela mesma DRJ, em sede do processo n° 16682.720406/201424 (IRRF). E fundamenta seu posicionamento no inciso IV do art. 2° e caput do art. 47 do Anexo II da Portaria MF n° 343/15 (Regimento Interno do CARF RICARF), em decisões do CARF, em que restou consignada a impossibilidade de haver decisões divergentes em processos contendo lançamentos reflexos de PIS, COFINS, CSL e IRPJ (Acórdão n° 1802 001.320 e 1402001.886) e, no mesmo sentido, em uma decisão judicial (TRF1 APELAÇÃO CIVEL AC 9742 MG 94.01.097429). Fl. 3663DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.664 18 Também neste caso, não lhe assiste razão. A reunião de processos vinculados, para julgamento em conjunto, atende ao princípio da economia processual. Contudo, tratase de uma faculdade e não obrigação, como se depreende da leitura do §1° do art. 9° do Decreto n° 70.235/72: "§1° Os autos de infração e as notificações de lançamento de que trata o caput deste artigo, formalizados em relação ao mesmo sujeito passivo, podem ser objeto de um único processo, quando a comprovação dos ilícitos depender dos mesmos elementos de prova. (Redação dada pela Lei nº 11.196, de 2005)" (g.n.) Na mesma linha, encontrase o RICARF: "Art. 6º Os processos vinculados poderão ser distribuídos e julgados observandose a seguinte disciplina: (. . .) § 2º Observada a competência da Seção, os processos poderão ser distribuídos ao conselheiro que primeiro recebeu o processo conexo, ou o principal, salvo se para esses já houver sido prolatada decisão." (g.n.) Ademais, de acordo com os artigos 2° e 47 do Anexo II do RICARF, processos que tratam de IRRF, PIS e COFINS devem ser julgados em conjunto e pela 1° Seção de Julgamentos, quando reflexos do IRPJ, o que não é o caso. E processos que versem sobre CIDE têm de ser julgados por esta Seção de Julgamentos: "Art. 2º À 1ª (primeira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação relativa a: (. . .) IV CSLL, IRRF, Contribuição para o PIS/Pasep ou Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins), Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI), Contribuição Previdenciária sobre a Receita Bruta (CPRB), quando reflexos do IRPJ, formalizados com base nos mesmos elementos de prova; (Redação dada pela Portaria MF nº 152, de 2016) (. . .) Art. 4º À 3ª (terceira) Seção cabe processar e julgar recursos de ofício e voluntário de decisão de 1ª (primeira) instância que versem sobre aplicação da legislação referente a: (. . .) VIII Contribuições de Intervenção no Domínio Econômico (CIDE); (. . .) Fl. 3664DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.665 19 Art. 47. Os processos serão sorteados eletronicamente às Turmas e destas, também eletronicamente, para os conselheiros, organizados em lotes, formados, preferencialmente, por processos conexos, decorrentes ou reflexos, de mesma matéria ou concentração temática, observando se a competência e a tramitação prevista no art. 46." Portanto, o fato de não terem sido reunidos, tanto na primeira quanto na segunda instâncias administrativas, não dá causa à nulidade da decisão recorrida. A segunda alegação a DRJ proferiu decisões diferentes para o presente e para o processo de IRRF também não a socorre. Não há dispositivo legal que confira efeito vinculante às decisões administrativas de primeira ou segunda instâncias. Isto posto, rejeito os argumentos. "A TERCEIRA NULIDADE DA DECISÃO ORA RECORRIDA PRETERIÇÃO DO DIREITO DE DEFESA DA RECORRENTE. AUSÊNCIA DE DILIGÊNCIA PARA APURAÇÃO E CONSTATAÇÃO DA SEGREGAÇÃO DAS RECEITAS DE AFRETAMENTO E DE SERVIÇOS PRESTADOS A BORDO DA EMBARCAÇÃO, TENDO EM VISTA O RECONHECIMENTO EXPRESSO DA VALIDADE E ESTANQUEIDADE DOS CONTRATOS NECESSIDADE DE OBSERVÂNCIA DO PRINCÍPIO DA VERDADE MATERIAL E DO FORMALISMO MODERADO" Reitera que a decisão recorrida admitiu a coexistência entre os contratos, tendo confirmado a autuação pelo simples fato de que não havia como "(. . .) distinguir a real receita atribuída a cada atividade (afretamento e prestação de serviço) e, com isso, aplicar a tributação devida a cada situação, concedendo isenção do IRRF, reconhecendo a não incidência da CIDE onde fosse o caso." Diante disto, não deveria ter ratificado o procedimento fiscal, porém baixado o processo em diligência, pois havia elementos nos autos para realizar a dita segregação de receitas. E, uma vez que os fatos não foram devidamente investigados, conclui que "(. . .) tanto o auto de infração combatido, quanto a decisão recorrida estão calcados em premissas fáticas não provadas e, pior, contrárias às provas constantes dos presentes autos, (. . .) não atendem aos princípios da motivação, da legalidade e da verdade material que regem os atos da Administração Pública, razão pela qual, com a devida vênia, se impõe o reconhecimento da manifesta nulidade da decisão recorrida." Em tópico anterior, já manifesteime no sentido de que tenho outra interpretação da decisão da DRJ. Não obstante reconhecer a possibilidade de coexistirem contratos de afretamento e de prestação de serviços de perfuração, notadamente após a publicação da Lei n° 13.043/14, no caso em discussão, concordou com a fiscalização quanto `a "(. . .) confusão entre o contrato de afretamento e o contrato de prestação do serviço de perfuração (. . .)" e à conclusão de que, na verdade, "(. . .) embora o contrato esteja formalmente denominado como contrato de afretamento, sua natureza é de contrato de afretamento cumulado com prestação de serviço de perfuração." Fl. 3665DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.666 20 Portanto, uma vez que, com base nos autos, ratificou o posicionamento do agente fiscal de que tratavase de uma só operação (serviço de perfuração de poços de petróleo), não havia justificativa para requerer investigações complementares. Portanto, não se verifica preterição do direito de defesa ou qualquer ofensa aos princípios da motivação, legalidade ou verdade material que pudessem macular o auto de infração ou a decisão recorrida, pelo que nego provimento aos argumentos. "A PRESUNÇÃO UTILIZADA PELA DECISÃO RECORRIDA PARA A MANUTENÇÃO DO AUTO DE INFRAÇÃO COMBATIDO" Aduz que a decisão recorrida teria ratificado a autuação com base na presunção de que no contrato de afretamento haveria obrigações cumuladas de afretamento e prestação de serviços. E tal presunção, além de não ter amparo legal, contraria os documentos que se encontram nos autos: "(. . .) Contudo, como se verá mais adiante, há disposição expressa no contrato de afretamento (Cláusula 2.01 "a") indicando que 'O armador (TUK) não operará o Naviosonda, ou terá qualquer responsabilidade por sua operação.' Além do mais, referida Cláusula do contrato de afretamento ainda dispõe que: 'Durante Prazo do Contrato, o Afretador terá o uso pleno e exclusivo do Naviosonda que será operado por uma Contratada para a Prestação de Serviços de Perfuração de acordo com um Contrato de Prestação de Serviços de Perfuração. (Cláusula 2.01 "a" do Contrato de Fretamento grifamos) 'O Armador será responsável pelo fornecimento oportuno de todas as questões mencionadas na Presente Cláusula 2, inclusive o Naviosonda e os Equipamentos Associados.' (Cláusula 2.01 "d" do Contrato de Fretamento grifamos)" Mais uma vez equivocase a recorrente. Nem a autuação e tampouco a decisão recorrida basearamse em presunções, porém na vasta documentação carreada aos autos e que as levaram a concluir que fora desenvolvido apenas um negócio, o de prestação de serviço de perfuração, com utilização de naviosonda. Assim, nego provimento aos argumentos. MÉRITO Autuação Sumario os motivos que levaram a fiscalização a considerar que, na verdade, havia uma única operação (perfuração) e não duas (afretamento e perfuração) e lavrar três autos de infração (Termo de Verificação Fiscal TVF, fls. 2.939 a 2.980): Fl. 3666DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.667 21 a) Desproporcionalidade dos valores dos contratos de afretamento e de serviços de perfuração: os contratos foram firmados em fevereiro de 2006; até janeiro de 2008, data do primeiro aditamento, correspondiam a 90% e 10%, respectivamente, do montante total contratado; e após os primeiro e segundo aditamentos (10/09/08), isto é, ao longo do período autuado (anos de 2009 e 2010), passaram a 78% e 28% do valor total pago. b) Em diligência na prestadora de serviços, verificou que a receita atribuída ao contrato de serviços não era suficiente para fazer frente ao custo dos serviços prestados. A matriz estrangeira fazia aportes de capital (empréstimos, reembolso de despesas etc.) para cobrir os gastos. Este relator destaca que não há nos autos demonstrativos, conciliados com documentos e/ou registros contábeis, para evidenciar tal afirmação. c) A Transocean Brasil Ltda. pertence ao mesmo grupo econômico da Transocean UK, que afretava o naviosonda à recorrente. d) Da análise conjunta dos contratos identificou: similitude entre as "razões contratuais"; as cláusulas de início, vigência, rescisão e término são idênticas; e a rescisão do contrato de serviços implica na rescisão do contrato de afretamento; e) Apesar de o contrato de afretamento prever que o naviosonda ficaria totalmente à disposição da recorrente, por diversas vezes foi afretado para outras empresas e o serviço suspenso. Ademais, também previu que o prestador de serviços de perfuração teria de ser aprovado pelo armador. f) Apesar de o contrato de afretamento dispor o contrário, da leitura da cláusula 2.08 ("retomada de controle do poço depois do blowout ou abertura de crateras), verificase que o controle e operação do navio cabiam ao armador, que, conforme citado anteriormente, pertencia ao mesmo grupo econômico do prestador do serviço. g) A remuneração do afretamento era calculada com base na produtividade demonstrada pelo serviço de perfuração. Assim, se, por algum motivo de ordem operacional, houvesse suspensão ou redução temporária das atividades de perfuração, haveria equivalente suspensão ou redução da remuneração pelo afretamento. h) Ambos os contratos foram aditados nos mesmos termos e datas. i) No segundo aditamento ao contrato, a Transocean UK nomeou a Transocean Brasil responsável pelas importação, exportação e desembaraço aduaneiro do navio. j) Os profissionais pertencentes aos mais altos escalões de operação do navio e de perfuração eram contratados pela Transocean do Brasil de empresas estrangeiras pertencentes ao grupo Transocean. Argumentos de defesa Fl. 3667DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.668 22 A recorrente assim defende os procedimentos adotados: a) O §9° do art. 17 c/c §8° do art. 5° da IN RFB n° 844/08 (REPETRO), em vigor no período autuado) condicionavam a concessão do regime de admissão temporária à separação, em contratos distintos, das atividades de afretamento e perfuração. "Art. 5° O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1" Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (. . .) § 8° Na hipótese prevista no §9° do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1° poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (. . .) Art. 17. A solicitação do regime será formulada mediante apresentação do Requerimento de Concessão do Regime (RCR), de acordo com o modelo constante do Anexo II à Instrução Normativa SRF n°285, de 2003. (. . .) §9° Na hipótese de disponibilização de bem pela concessionária ou autorizada à empresa contratada para a prestação de serviços, será aceito, para fins de concessão do regime de admissão temporária, contrato de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo, .firmado entre a concessionária ou autorizada e a empresa estrangeira, desde que: (Incluído pela Instrução Normativa RFB n" 1.089, de 30 de novembro de 2010) I esteja vinculado à execução de contrato de prestação de serviços, relacionado às atividades a que se refere o art. 1 e (Incluído pela Instrução Normativa RFB n" 1.089, de 30 de novembro de 2010) II conste cláusula prevendo a transferência da guarda e da posse do bem. (Incluído pela Instrução Normativa RFB n" 1.089, de 30 de novembro de 2010)" (g.n.) b) São razoáveis com os praticados no mercado de óleo e gás os percentuais de 78% e 22%, haja vista que a disparidade entre os valores agregados em cada um dos contratos. Em contratos de perfuração, as concessionárias (ex: Petrobras) são as responsáveis pelo fornecimento de parcela expressiva dos insumos, cabendo à prestadora dos serviços (Transocean Brasil) o fornecimento da mãodeobra técnica. c) Os percentuais de 78% e 22% estão de acordo com o inciso II do §2° do art. 1° da Lei n° 9.481/97, com a redação dada pela Lei n° 13.043/14. Fl. 3668DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.669 23 d) Da leitura dos contratos, resta claro que o propósito de cada uma foi bem delimitado, não havendo confusão entre seus objetos. e) No contrato de afretamento, há disposição expressa (cláusula 2.01 "a") de que o armador não operará e tampouco terá responsabilidade sobre a operação do navio. f) É usual que embarcação desta natureza seja remunerada com base em seu uso efetivo. g) A forma de remuneração dos contratos não é defesa em lei e, portanto, válida para todos os fins de direito (artigos 104 e 107 do Código Civil). Não cabe, portanto, a afirmação de que a similaridade entre as formas de remuneração constituiria evidência de que tratase de apenas um tipo de atividade. h) A dependência entre os contratos também não é vedada em lei. i) As naturezas dos contratos de prestação de serviços e de afretamento estão previstas, respectivamente, no Código Civil e no inciso I do art. 2° da Lei n° 9.432/97 ("Lei do Transporte Aquaviário"). Assim sendo, à luz dos artigos 109 e 110 do CTN, não poderia o Fisco desprezálas, para fins exclusivamente arrecadatórios. j) Colacionou decisões do STJ, em que decidiu que afretamento a casco nu comporta uma obrigação de dar e, portanto, não se confunde com prestação de serviços (RESP 1.054.144, de 09/12/09, e 792.444, de 26/09/07) e que não há que se tributar pelo ISS atividadesmeio, o que reforçaria a tese de que, ainda que houvesse algum serviço envolvido com o afretamento, o mesmo não receberia tratamento como tal, para fins fiscais. k) A contratação de estrangeiros para a prestação de serviços de perfuração ocorreu, porque não havia mãodeobra disponível no País com a devida especialização. E a importação dos serviços foi realizada pela Transocean do Brasil e não pela recorrente. l) A bipartição dos contratos foi reconhecida pelo Fisco, por meio da Solução de Consulta COSIT n° 225/14, em que dispõe que as remessas das contraprestações de afretamento de naviosonda goza da redução a zero da alíquota do IRRF e, em seus itens 15 e 16, assim dispõe: "15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação." (g.n.) Também foi reconhecida pelo CARF, nos Acórdãos n° 1402001.439 e 1101 001.092). Fl. 3669DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.670 24 m) Não há provas nos autos de que houve simulação, para dissimular a realidade fática que, ao ver da fiscalização, seria a de execução de somente um tipo de atividade. E tampouco para desconsiderar a personalidade jurídica da Transocean do Brasil, o que, à luz do art. 50 do Código Civil, somente é possível, mediante a comprovação de que houve abuso ou desvio de finalidade. Neste sentido, colacionou decisões do STJ (RESP 744.107/SP, de 12/08/08, e 876.974/SP, de 27/08/07). Análise da autuação e alegações de defesa Assiste razão à recorrente. A fiscalização lançou CIDE sobre pagamentos titulados de afretamento, por entender que, na verdade, eram contraprestações de serviços de perfuração, que teriam sido contratados e prestados com a aplicação de mãodeobra técnica e utilização de naviosonda. Que teria havido uma "bipartição artificial" da operação em dois contratos, com o intuito de reduzir a carga tributária sobre afretamento, incide apenas IRRF e `a alíquota zero, enquanto que sobre importação de serviços de perfuração incidem IRRF de 15%, CIDE de 10%, PIS Importação de 1,65% e COFINS Importação de 7,65%. Ora, tendo assim procedido, a fiscalização, de fato, promoveu a desconsideração, para fins fiscais, do negócio jurídico "afretamento". Não obstante, não dirigiu, expressa e diretamente, uma acusação de que os contratos de afretamento e de serviços de perfuração foram fraudados. Que seriam atos simulados, cujo intuito fora o de dissimular a verdade, isto é, de que havia uma único acordo comercial (prestação de serviços de perfuração) e não dois (afretamento e serviços de perfuração). Tanto assim que não capitulou o lançamento no inciso II do § 1° do art 167 do Código Civil ("simulação") c/c o art. 72 da Lei n° 4.502/64 ("fraude"), porém apenas no Lei n° 10.168/00, que é matriz legal da CIDE. Contudo, evidências da real infração apontada pela fiscalização encontramse ao longo do Termo de Verificação Fiscal, tais como nos seguintes trechos: i) Fl. 2.941: ii) Fl. 2.947: Fl. 3670DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.671 25 (. . .) iii) Fl. 2.967: A meu ver, não se pode confirmar o lançamento de ofício, construído, como vimos, a partir da desconsideração, para fins fiscais, do contrato de afretamento, sem que haja provas. As alegações do autuante (vide tópico "Autuações", letras "a" a "j", acima apresentado), quando muito, podem ser tidas como indícios, apropriados para robustecer ou corporificar provas diretas, documentais. Todavia, jamais para fundamentar tão grave acusação. O único elemento que considero realmente "comprometedor" é o mencionado na fl. 2 do TVF (fl. 2.940), que incluí na lista dos fatos que motivaram a autuação, acima apresentada: Contudo, não foi devidamente, comprovado. O agente fiscal não elaborou demonstrativos, conciliados com documentos e/ou registros contábeis, para evidenciar tal afirmação. Fl. 3671DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.672 26 Se o auditor tivesse comprovado que os custos dos serviços de perfuração prestados aqui no Brasil eram suportados pela empresa estrangeira (Transocean UK, afretadora) e a remuneração correspondente insuficiente para cobrilos e ainda gerar lucros para a prestadora de serviços localizada no País, terseia não apenas um negócio jurídico sem substância econômica, porém uma atividade empresarial inexistente de fato. Restaria caracterizado que a real prestadora de serviços era a Transocean UK, aquela que fornecia a mãodeobra e arcava com os custos e auferia as receitas correspondentes. E tal circunstância induvidosamente autorizaria a desconsideração, para fins fiscais, do contrato de afretamento e a incidência do IRRF, PIS/COFINS Importação e CIDE sobre ao menos parte da receita de afretamento. Contudo, o disposto na fl. 2 do TVF (fl. 2.940), acima reproduzido, não passa de uma acusação não fundamentada e que, portanto, não merece a atenção desta turma. E o relator do Acórdão DRJ n° 0131.499, cujo voto foi vencido, manifestou idêntica compreensão da autuação e concluiu pela procedência da impugnação, por ausência de provas. Com efeito, chamo a atenção para um fato inusitado: a mesma turma da DRJ, em relação ao mesmo procedimento fiscal, proferiu duas decisões opostas à acima citada, isto é, cancelaram o auto de infração, por maioria de votos, nos processos n° 16682.720406/2014 24, sobre IRRF, e n° 16682.720408/201413, PIS/COFINS Importação. O recurso de ofício referente ao PA de IRRF ainda não foi julgado no CARF. Porém, o de PIS/COFINS sim. E, por unanimidade de votos, foi negado provimento ao recurso de ofício (Acórdão n° 3201003.150, de 26/09/17), com voto condutor da lavra do i. Conselheiro Leonardo Vinicius Toledo de Andrade. E destaco a declaração de voto do i. Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira, que acompanhou o relator, porém pelas conclusões, pois o motivo maior que o levou a dar provimento ao recurso voluntário foi justamente o de que a fiscalização não logrou êxito em comprovar que houvera a titulada "bipartição artificial" da operação de prestação de serviço de perfuração. Por fim, faço breves comentários sobre dois temas presentes tanto no referido Acórdão sobre PIS/COFINS Importação quanto na petição (fls. 3.600 a 3.605) juntada pela recorrente, após a protocolização do recurso voluntário: a legitimidade ou não da conclusão de contratos, umbilicalmente interligados, de afretamento e de prestação de serviço de perfuração; e as implicações da nova redação do art. 1° da Lei n° 9.481/97, dada pelas Leis n° 13.043/14 e 13.586/17. A fiscalização não alegou que a "bipartição" era ilegal, porém julgoua "artificial", em razão dos elementos citados no tópico titulado "Autuação", anteriormente apresentado. Assim, reputo que restou incontroverso que é lícito o modelo de contratação adotado e, por isto, que o tema não requer apreciação por esta turma. Quanto ao segundo tema, transcrevo a redação atual do art. 1° da Lei n° 9.481/97 e o art. 3° da Lei n° 13.586/17: "Lei n° 9.481/97 Fl. 3672DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.673 27 Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (. . .) § 2o Para fins de aplicação do disposto no inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea de contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e de contrato de prestação de serviço relacionados à exploração e produção de petróleo ou de gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, a redução a 0% (zero por cento) da alíquota do imposto sobre a renda na fonte fica limitada à parcela relativa ao afretamento ou aluguel, calculada mediante a aplicação sobre o valor total dos contratos dos seguintes percentuais: (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) I 85% (oitenta e cinco por cento), quanto às embarcações com sistemas flutuantes de produção ou armazenamento e descarga; (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) II 80% (oitenta por cento), quanto às embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação e manutenção de poços; e (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) III 65% (sessenta e cinco por cento), quanto aos demais tipos de embarcações. (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (. . .) § 6o A parcela do contrato de afretamento ou aluguel de embarcação marítima que exceder os limites estabelecidos nos §§ 2o, 9o e 11 deste artigo sujeitase à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento), exceto nos casos em que a remessa seja destinada a país ou dependência com tributação favorecida ou em que o fretador, arrendante ou locador de embarcação marítima seja beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996, hipóteses em que a totalidade da remessa estará sujeita à incidência do imposto sobre a renda na fonte à alíquota de 25% (vinte e cinco por cento). (Redação dada pela Lei nº 13.586, de 2017) (. . .) Fl. 3673DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.674 28 § 10. O disposto nos §§ 2o e 9o deste artigo não se aplica às embarcações utilizadas na navegação de apoio marítimo, definida na Lei no 9.432, de 8 de janeiro de 1997, vedada, inclusive, a aplicação retroativa do § 2o deste artigo em relação aos fatos geradores ocorridos antes da vigência da Lei no 13.043, de 13 de novembro de 2014. (. . .) § 12. A aplicação dos percentuais estabelecidos nos §§ 2º, 9º e 11 deste artigo não acarreta a alteração da natureza e das condições do contrato de afretamento ou aluguel para fins de incidência da Contribuição de Intervenção de Domínio Econômico (Cide) de que trata a Lei no 10.168, de 29 de dezembro de 2000, e da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços (PIS/PasepImportação) e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior (Cofins Importação), de que trata a Lei no 10.865, de 30 de abril de 2004.”" (g.n.) "Lei n° 13.586/17 Art. 3o Aos fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, aplicase o disposto nos §§ 2º e 12 do art. 1º da Lei nº 9.481, de 13 de agosto de 1997, e a pessoa jurídica poderá recolher a diferença devida de imposto sobre a renda na fonte, acrescida de juros de mora, no mês de janeiro de 2018, com redução de 100% (cem por cento) das multas de mora e de ofício." Com base no art. 3° da Lei n° 13.586/17, a recorrente alega que os limites previstos no inciso II do § 2° do art. 1° da Lei n° 9.481/97 tem efeitos retroativos e, por conseguinte, confirmariam a adequação da relação percentual praticada: 78% / 22%. Neste ponto, divirjo da recorrente. Indubitavelmente, os limites impostos pelo § 2° do art. 1° da Lei n° 9.481/97 têm um caráter intertemporal e expressam aquilo que o legislador concluiu ser razoável que se pratique pelas empresas do setor. Entretanto, não se pode depreender que a inobservância dos limites implicaria na desconsideração, para fins fiscais, do negócio jurídico afretamento e sua conversão em de prestação de serviços de perfuração, com correspondente cobrança da CIDE e PIS/COFINS Importação. Ou, a contrario sensu, que o atendimento aos limites validaria as estruturas dos contratos, da forma (no caso em tela, 78% / 22%) em que forem concluídos. Em outras palavras, entendo que aquele dispositivo legal não tem o condão de validar ou, por outro lado, tornar nulas obrigações contratuais regularmente contratadas, não defesas em lei. Fl. 3674DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.675 29 O § 2° do art. 1° da Lei n° 9.481/97 estipula limites máximos de participação do afretamento no total contratado, porém, exclusivamente, para fins de fruição do benefício da redução a zero da alíquota do IRRF. Tanto é assim que o § 6° do citado art. 1° da Lei n° 9.481/97 dispõe que a consequência da identificação de excedente é tão somente a incidência do IRRF, à alíquota de 15% ou 25%, sobre o respectivo montante. E o § 12 dispõe que citados percentuais não acarretam alteração da natureza do contrato de afretamento para fins de CIDE, PIS/PASEPImportação e COFINSImportação. E, para fins de comprovação do direito ao incentivo fiscal da alíquota zero de IRRF, de forma alguma é suficiente a simples demonstração da adoção dos percentuais do § 2°. O contribuinte há de provar que o contrato tem substância econômica, é verdadeiro. Assim, com base no acima exposto, voto no sentido de dar provimento ao recurso voluntário, em razão da inexistência de provas de que, na verdade, teria havido a contratação e execução de apenas uma operação, de prestação de serviço de perfuração de petróleo, "artificialmente bipartida em dois contratos" de afretamento e de serviços com o intuito de reduzir a carga tributária. Para robustecer o posicionamento exposto nos parágrafos anteriores, colaciono os voto condutor e declaração de voto do Acórdão n° 3201003.150 (PIS/COFINS Importação), os quais adoto como demais razões de decidir, com fulcro no § 1° do art. 50 da Lei n° 9.784/99. Antes de reproduzilos, contudo, destaco que o voto condutor, não obstante mencionar serem frágeis os elementos reunidos pela fiscalização para concluir pela "bipartição artificial dos contratos", funda sua conclusão muito mais nos seguintes aspectos: licitude do modelo de contratação; reconhecimento, por parte do legislador, da adequação dos percentuais de 78% / 22%, por meio das alterações introduzidas pela Lei n° 13.043/14 no art. 1° da Lei n° 9.481/97; no contexto da operação em questão, o afretamento é atividademeio e não pode receber o mesmo tratamento tributário da atividadefim serviço de perfuração; e a bipartição de contratos de afretamento e perfuração já foi admitida pelo Fisco, por meio da IN RFB n° 844/08 e Solução COSIT n° 255/14. Ainda sobre o Acórdão n° 3201003.150 (PIS/COFINS Importação), cumpre mencionar que foi objeto de embargos de declaração interpostos pela PGFN, os quais, todavia, foram rejeitados. Passo, então, à reprodução do voto condutor e da declaração de voto relativos ao Acórdão n° 3201003.150 (PIS/COFINS Importação): "(. . .) Em que pese os exemplares argumentos expendidos pela Douta Procuradoria da Fazenda Nacional, entendo como correta a decisão recorrida proferida em 1ªinstância, portanto, não lhe assistindo razão. Fl. 3675DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.676 30 A questão em debate envolve uma interpretação sistemática, que no escólio de Carlos Maximiliano está assim conceituada: 'A verdade inteira resulta do contexto, e não de uma parte truncada, quiçá defeituosa, mal redigida; examinese a norma na íntegra e, mais ainda: o Direito todo, referente ao assunto. Além de comparar o dispositivo com outros afins, que formam o mesmo instituto jurídico, e com os referentes a institutos análogos; força é, também, afinal por tudo em relação com os princípios gerais, o conjunto do sistema em vigor.' (MAXIMILIANO, Carlos. Hermenêutica e aplicação do direito. 20 ed. Rio de Janeiro: Forense, 2011, p. 106). A Lei 13043/2014 em seu art. 106 alterou a redação do art. 1° da Lei n°.481, de 1997, a qual passou a ter o seguinte texto: 'Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...) § 2° No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS) ; (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda) ; e (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014)' O texto legal, equacionou a matéria em debate. A própria decisão recorrida consigna: 'Não se ignora, por certo, que o lapso temporal contemplado pela pretensão fazendária antecede à nova redação do art. 1o da Lei n. 9.481, de 1997. Contudo, temse por insustentáveis os lançamentos fiscais, quando em vigor os mencionados dispositivos. Isto porque, tal pretensão fundase em construção teórica que ultrapassa a intertemporalidade, tomando por evidência do propósito evasivo arquitetura contratual posteriormente chancelada pelo legislador.' Fl. 3676DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.677 31 Declaração de voto do Conselheiro Martin da Silva Gesto no processo n° 16682.721312/201391 está assim consignada: 'Assim, é plenamente possível, o que se reforça com base na atual redação do §§ 2º e 7º do art. 1º da Lei nº 9.481, diante das alterações da Lei nº 13.043 de 13.11.2014, a bipartição de contratos. Esclareço que não se está aplicando retroativamente a legislação, mas tão somente demonstrando que a bipartição de contratos se trata de uma operação natural e não artificial, estando atualmente inclusive prevista em lei. Portanto, é possível a execução simultânea do contrato de afretamento (ou aluguel de embarcações marítimas) e contrato de prestação de serviços, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural.' No mesmo processo a Conselheira Junia Roberta Gouveia Sampaio assim expôs em sua declaração de voto: 'O artigo acima transcrito é um reflexo das previsões contidas no artigo 146 e 106 do CTN. Isso porque o artigo 146 veda, expressamente, a revisão de lançamento que tenha por fundamento a modificação dos critérios jurídicos. Tal alteração só poderá ser utilizada em lançamentos futuros. O artigo 106, por outro lado, prevê que a lei tributária aplicase a ato ou fato pretérito quando deixe de definir o fato como infração ou quando lhe aplica penalidade menos severa, bastando, para tanto, que ele não tenha sido definitivamente julgado.' A interpretação da norma não pode levar a um desvio como posto em sede de razões recursais. Nunca é demais lembrar que o legislador e o intérprete do Direito devem conciliar esforços para fazer com que o sistema jurídico seja um todo consistente e coerente, com estruturação que lhe confira lógica hermenêutica. Tércio Sampaio Ferraz Jr. leciona (sobre o processo interpretativo) “... a concepção do ordenamento jurídico como sendo um sistema dotado de unidade e consistência nada mais é que um pressuposto ideológico que a dogmática do Direito assume”. (Cf. Tércio Sampaio Ferraz Jr., Introdução ao Estudo do Direito, São Paulo, Atlas, 2003, p. 206.). Isso faz com que surjam três critérios básicos para compor a interpretação do exegeta: coerência, consenso e justiça (mesmo autor e obra, p. 286). As normas, para Eros Roberto Grau (in Ensaio e discurso sobre a intepretação e a aplicação do Direito, São Paulo, Malheiros, 2002, p. 74), devem ser harmônicas dentro de um sistema jurídico, sem haver qualquer tipo de contradição entre estas, a fim de que não seja deturpada a noção de consistência do sistema. Portanto, nada mais correto que trazer a harmonia para todas as searas do Direito através da conciliação desses três critérios. O Conselheiro Domingos de Sá Filho em voto proferido no processo n° 16682.721545/201394, assim se pronunciou: 'No caso tratado, o legislador ordinário ao alterar a redação do parágrafo segundo da Lei nº 9.481/97, cuidou da execução simultânea de contrato de afretamento/aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviços vinculados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, ao inserir regra definindo o norte do comportamento dos contribuintes (...)' E prossegue o Conselheiro: Fl. 3677DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.678 32 'Observado os parâmetros traçados pela norma legal, e, ausente acusação de desacerto com as normas de direito privado, assente é os pactos, pois em momento algum se alegam conduta contrária as regras do direito privado. Com razão a recorrente no tocante a legalidade das modalidades de contratos, pois a legislação autoriza o Ministro da Fazenda elevar ou reduzir os percentuais de aceitação dos contratos de prestação de serviço e afretamento ou locação de embarcações marítimas, sendo assim, a pratica de contratação de afretamento de embarcações marítimas e prestação de serviço, mesmo com empresa do mesmo grupo, tornou clara e evidenciou que o exercício da execução simultânea desses pactos encontramse na órbita legal permitida.' Considerando a legislação aplicável ao caso, a questão em apreço foi esclarecida de modo que empresas com atuação na indústria da prospecção e exploração de petróleo e gás natural passaram a se subsumir expressamente no conceito de “embarcação” para fins da alíquota zero do imposto de renda na fonte as embarcações destinadas à prospecção e exploração de petróleo e gás natural. A própria recorrida possui decisão deste Conselho Administrativo de Recursos Fiscais em seu favor, conforme segue: 'ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007 BENEFÍCIO FISCAL. EMBARCAÇÃO. A alíquota do imposto na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, no caso de receitas de afretamentos de, dentre outros, embarcações marítimas, aprovados pelas autoridades competentes. EMBARCAÇÃO. DEFINIÇÃO. Embarcação é qualquer construção sujeita a inscrição na autoridade marítima e suscetível de se locomover na água, por meios próprios ou não, que transporte pessoas ou cargas. Artigo 2º., da Lei 9.537/97 EMBARCAÇÃO. BENEFÍCIO FISCAL. ÔNUS DA PROVA. Compete ao beneficiado comprovar que o contrato de afretamento incidiu sobre embarcação para fazer jus ao correlato benefício fiscal." (Processo 16682.721181/201181; Acórdão 2402005.676 – 4ª Câmara / 2ª Turma Ordinária; Sessão de 09 de fevereiro de 2017; Voto vencedor proferido pelo Conselheiro Theodoro Vicente Agostinho)' O art. 2° da Lei 9432/1997 traz as definições de afretamento em suas três modalidades, assim: 'Art. 2º Para os efeitos desta Lei, são estabelecidas as seguintes definições: Fl. 3678DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.679 33 I afretamento a casco nu: contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação; II afretamento por tempo: contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado; III afretamento por viagem: contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens;' A exigência tributária merece, também, ser cancelada pelo fato de o afretamento ser apenas meio para a consecução dos serviços técnicos especializados, os quais foram devidamente tributados. A decisão recorrida não deixa margem de dúvidas sobre tal aspecto ao consignar que: 'No período alcançado pela presente auditoria, o afretamento equivaleria a 78%, enquanto os serviços restariam contemplados com 22% dos recursos envolvidos.' Portanto, percebese que os percentuais praticados pela recorrida em relação ao afretamento e a prestação de serviços respeitaram os limites estatuídos na Lei 13043/2014. Neste contexto, como argumentado pela recorrida em sua impugnação, temse que o afretamento não se constitui um serviço, mas sim atividade necessária para que o serviço técnico seja efetivamente prestado. Por ser uma atividade meio, resta configurado que o afretamento está insuscetível de servir como fato gerador tributário. O afretamento como atividademeio teve o seu custo incorporado ao preço da atividadefim, mas devidamente segregado. Todas as etapas, atividades ou tarefas intermediárias destinadas ao adimplemento do objeto final do contrato, desde que não se transformem em outras atividadesfim independentes, são atividadesmeio e, portanto, não tributáveis. Aqui, entendo que cabe uma comparação com o que o Poder Judiciário tem entendido sobre a impossibilidade de se tributar atividademeio. A esse respeito (impossibilidade de se tributar atividademeio) assim se posiciona o Superior Tribunal de Justiça: 'TRIBUTÁRIO. ISS. SERVIÇO DE TELECOMUNICAÇÃO. ATIVIDADEMEIO. NÃO INCIDÊNCIA. PRECEDENTES. SÚMULA 83/STJ. 1. O Superior Tribunal de Justiça firmou entendimento no sentido de que, independente da cobrança pela prestação de serviço, "não incide ISS sobre serviços prestados que caracterizam atividademeio para atingir atividadesfim, no caso a exploração de telecomunicações" (REsp 883254/MG, Rel. Min. Fl. 3679DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.680 34 José Delgado, Primeira Turma, julgado em 18.12.2007, DJ 28.2.2008 p. 74). Precedentes. Incidência da Súmula 83/STJ. 2. É pacífica a jurisprudência desta Corte no sentido de que o teor da Súmula 83/STJ aplicase, também, aos recursos especiais interpostos com fundamento na alínea "a" do permissivo constitucional. Agravo regimental improvido.' (AgRg no AREsp 445.726/RS, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 18/02/2014, DJe 24/02/2014) 'PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ICMS. SERVIÇOS CONEXOS (SUPLEMENTARES) AO DE COMUNICAÇÃO (TELEFONIA MÓVEL): TROCA DE TITULARIDADE DE APARELHO CELULAR; CONTA DETALHADA; TROCA DE APARELHO; TROCA DE NÚMERO; MUDANÇA DE ENDEREÇO DE COBRANÇA DE CONTA TELEFÔNICA; TROCA DE ÁREA DE REGISTRO; TROCA DE PLANO DE SERVIÇO; BLOQUEIO DDD E DDI; HABILITAÇÃO; RELIGAÇÃO. NÃO INCIDÊNCIA DO ICMS. 1. A incidência do ICMS, no que se refere à prestação dos serviços de comunicação, deve ser extraída da Constituição Federal e da LC 87/96, incidindo o tributo sobre os serviços de comunicação prestados de forma onerosa, através de qualquer meio, inclusive a geração, a emissão, a recepção, a transmissão, a retransmissão, a repetição e a ampliação de comunicação de qualquer natureza (art. 2º, III, da LC 87/96). 2. A prestação de serviços conexos ao de comunicação por meio da telefonia móvel (que são preparatórios, acessórios ou intermediários da comunicação) não se confunde com a prestação da atividade fim "processo de transmissão (emissão ou recepção) de informações de qualquer natureza", esta sim, passível de incidência pelo ICMS. Desse modo, a despeito de alguns deles serem essenciais à efetiva prestação do serviço de comunicação e admitirem a cobrança de tarifa pela prestadora do serviço (concessionária de serviço público), por assumirem o caráter de atividade meio, não constituem, efetivamente, serviços de comunicação, razão pela qual não é possível a incidência do ICMS. 3. Não merece reparo a decisão que admitiu o ingresso de terceiro no feito, pois o art. 543C, § 4º, do CPC autoriza que o Ministro Relator, considerando a relevância da matéria tratada em recurso especial representativo da controvérsia, admita a manifestação de pessoas, órgãos ou entidades com interesse na questão jurídica central. 4. Agravo regimental de fls. 871/874 não provido. Recurso especial não provido. Acórdão sujeito ao regime previsto no art. 543C do CPC, c/c a Resolução 8/2008 Presidência/STJ.' (REsp 1176753/RJ, Rel. Ministro NAPOLEÃO NUNES MAIA FILHO, Rel. p/ Acórdão Ministro MAURO CAMPBELL MARQUES, PRIMEIRA SEÇÃO, julgado em 28/11/2012, DJe 19/12/2012) Fl. 3680DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.681 35 Ademais, o Superior Tribunal de Justiça tem consolidada jurisprudência no sentido de que o afretamento não constitui serviço, conforme precedente a seguir transcrito: 'TRIBUTÁRIO. ISS. AFRETAMENTO A CASCO NU. NÃO INCIDÊNCIA.PRECEDENTES. PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. ANÁLISE DE CONTRATO E PROVAS. IMPOSSIBILIDADE. 1. A jurisprudência desta Corte firmou o entendimento de que não incide ISS sobre contrato de afretamento a casco nu, por caracterizar mera locação de embarcação. 2. Na hipótese em que o acórdão recorrido concluiu, com base na análise das cláusulas contratuais, que não há serviços prestados em conjunto com o contrato de afretamento em apreço, a pretensão é inviável, por exigir a interpretação de cláusulas contratuais ou a incursão no universo fáticoprobatório. Óbices das Súmulas nº 5 e 7 do Superior Tribunal de Justiça. Agravo regimental improvido." (AgRg no REsp 1512344/RJ, Rel. Ministro HUMBERTO MARTINS, SEGUNDA TURMA, julgado em 19/05/2015, DJe 26/05/2015) 'PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL. TRIBUTÁRIO. ISS. AFRETAMENTO DE EMBARCAÇÃO. ILEGITIMIDADE DA COBRANÇA. 1. Nos termos do art. 2º da Lei 9.432/97, afretamento a casco nu é o "contrato em virtude do qual o afretador tem a posse, o uso e o controle da embarcação, por tempo determinado, incluindo o direito de designar o comandante e a tripulação". Afretamento por tempo é o "contrato em virtude do qual o afretador recebe a embarcação armada e tripulada, ou parte dela, para operála por tempo determinado" e afretamento por viagem é o "contrato em virtude do qual o fretador se obriga a colocar o todo ou parte de uma embarcação, com tripulação, à disposição do afretador para efetuar transporte em uma ou mais viagens". 2. No que se refere à primeira espécie — afretamento a caso nu —, na qual se cede apenas o uso da embarcação, a Segunda Turma/STJ, ao apreciar o REsp 792.444/RJ (Rel. Min. Eliana Calmon, DJ de 26.9.2007), entendeu que "para efeitos tributários, os navios devem ser considerados como bens móveis, sob pena de desvirtuaremse institutos de Direito Privado, o que é expressamente vedado pelo art. 110 do CTN". E levando em consideração a orientação do STF no sentido de que é inconstitucional a incidência do ISS sobre a locação de bens móveis (RE 116.121/SP, Tribunal Pleno, Rel. Min. Octavio Gallotti, Rel. p/ acórdão Min. Marco Aurélio, DJ de 25.5.2001), concluiu no sentido de que é ilegítima a incidência do ISS em relação ao afretamento a casco nu. De fato, no contrato em comento, há mera locação da embarcação sem prestação de serviço, o que não constitui fato gerador do ISS. Fl. 3681DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.682 36 3. No que tange às demais espécies, consignouse no precedente citado que: "Os contratos de afretamento por tempo ou por viagem são complexos porque, além da locação da embarcação, com a transferência do bem, há a prestação de uma diversidade de serviços, dentre os quais se inclui a cessão de mãodeobra", de modo que "não podem ser desmembrados para efeitos fiscais (Precedentes desta Corte) e não são passíveis de tributação pelo ISS porquanto a específica atividade de afretamento não consta da lista anexa ao DL 406/68". Assim, podese afirmar que em tais espécies contratuais (afretamento por tempo e afretamento por viagem) há um misto de locação de bem móvel e prestação de serviço. Contudo, como bem observado no precedente citado, a jurisprudência desta Corte — em hipóteses em que se discutia a incidência do ISS sobre os contratos de franquia, no período anterior à vigência da LC 116/2003 — firmouse no sentido de que não é possível o desmembramento de contratos complexos para efeitos fiscais (REsp 222.246/MG, 1ª Turma, Rel. Min. José Delgado, DJ de 4.9.2000; REsp 189.225/RJ, 2ª Turma, Rel. Min. Francisco Peçanha Martins, DJ de 4.9.2001). 4. Por tais razões, mostrase ilegítima a incidência do ISS sobre o contrato de afretamento de embarcação, em relação às três espécies examinadas. 5. Recurso especial provido. (REsp 1054144/RJ, Rel. Ministra DENISE ARRUDA, PRIMEIRA TURMA, julgado em 17/11/2009, DJe 09/12/2009) E mesmo que se admitisse que ocorreu alguma prestação de serviço, a tributação somente poderia ocorrer sobre a parcela que efetivamente fosse categorizada como tal. Aqui, merece atenção o contido na Súmula Vinculante 31 do Supremo Tribunal Federal, que, em relação ao ISS, impede a tributação da parcela que não configure serviço, como no caso da locação de bens móveis. Vejamos: 'Súmula Vinculante 31. É inconstitucional a incidência do Imposto sobre Serviços de Qualquer Natureza – ISS sobre operações de locação de bens móveis.' Assim, entende a Suprema Corte: 'TRIBUTÁRIO. IMPOSTO SOBRE SERVIÇOS DE QUALQUER NATUREZA. LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS ASSOCIADA A PRESTAÇÃO DE SERVIÇOS. LOCAÇÃO DE GUINDASTE E APRESENTAÇÃO DO RESPECTIVO OPERADOR. INCIDÊNCIA DO ISS SOBRE A PRESTAÇÃO DE SERVIÇO. NÃO INCIDÊNCIA SOBRE A LOCAÇÃO DE BENS MÓVEIS. SÚMULA VINCULANTE 31. AGRAVO REGIMENTAL. 1. A Súmula Vinculante 31 não exonera a prestação de serviços concomitante à locação de bens móveis do pagamento do ISS. 2. Se houver ao mesmo tempo locação de bem móvel e prestação de serviços, o ISS incide sobre o segundo fato, sem atingir o primeiro. 3. O que a agravante poderia ter discutido, mas não o Fl. 3682DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.683 37 fez, é a necessidade de adequação da base de cálculo do tributo para refletir o vulto econômico da prestação de serviço, sem a inclusão dos valores relacionados à locação. Agravo regimental ao qual se nega provimento." (ARE 656709 AgR, Relator(a): Min. JOAQUIM BARBOSA, Segunda Turma, julgado em 14/02/2012, ACÓRDÃO ELETRÔNICO DJe048 DIVULG 07032012 PUBLIC 08032012 RDDT n. 201, 2012, p. 203206)' Da decisão recorrida merecem destaque os seguintes excertos: 'A pedra de toque dos trabalhos levados a cabo pela autoridade fiscal repousa sobre a desproporção entre os montantes de recursos canalizados pela fiscalizada, na qualidade de concessionária dedicada à exploração e à produção de petróleo e gás offshore no Brasil, ao afretamento do naviosonda Deepwater Discovery e à prestação de serviços correlacionados, através de bipartição contratual que permitiu a remessa do montante relativo ao primeiro dos referidos contratos ao exterior, vendose desobrigada, por conseguinte, entre outros, da incidência a título de Pis/Pasep e de Cofins sobre a importação em relação à maior parte do valor global contratado. No período alcançado pela presente auditoria, o afretamento equivaleria a 78%, enquanto os serviços restariam contemplados com 22% dos recursos envolvidos. Antes do segundo aditamento contratual ocorrido em 10 de setembro de 2008, ressalva a autoridade fiscal, os percentuais eram respectivamente de noventa e dez. E é sob tal premissa – a da inusualidade da configuração contratual eleita pela fiscalizada – que passa o autuante a reunir demais indícios com vistas a robustecer conclusão no sentido de que almeja a contribuinte, sobretudo, escapar à tributação.' O legislador, contudo, parece entender de forma diversa, ao que, diante da divergência instaurada, tratou, por meio da Lei n. 13.043, de 13 de novembro de 2014, de conferir nova redação ao art. 1° da Lei n. 9.481, de 1997: 'Art. 1º A alíquota do imposto de renda na fonte incidente sobre os rendimentos auferidos no País, por residentes ou domiciliados no exterior, fica reduzida para zero, nas seguintes hipóteses: (Redação dada pela Lei nº 9.532, de 10.12.97) I receitas de fretes, afretamentos, aluguéis ou arrendamentos de embarcações marítimas ou fluviais ou de aeronaves estrangeiras ou motores de aeronaves estrangeiros, feitos por empresas, desde que tenham sido aprovados pelas autoridades competentes, bem como os pagamentos de aluguel de contêineres, sobrestadia e outros relativos ao uso de serviços de instalações portuárias; (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) (...)§ 2° No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoas jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a: (Redação dada pela Lei nº 13.043, de 2014) Fl. 3683DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.684 38 I 85% (oitenta e cinco por cento), no caso de embarcações com sistemas flutuantes de produção e/ou armazenamento e descarga (Floating Production Systems FPS) ; (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) II 80% (oitenta por cento), no caso de embarcações com sistema do tipo sonda para perfuração, completação, manutenção de poços (naviossonda) ; e (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) III 65% (sessenta e cinco por cento), nos demais tipos de embarcações. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 3o Para cálculo dos percentuais previstos no § 2o, o contrato celebrado em moeda estrangeira deverá ser convertido para Real à taxa de câmbio da moeda do país de origem, fixada para venda pelo Banco Central do Brasil, correspondente à data da apresentação da proposta pelo fornecedor, que é parte integrante do contrato. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 4o Em caso de repactuação ou reajuste dos valores de quaisquer dos contratos, as novas condições deverão ser consideradas para fins de verificação do enquadramento do contrato de afretamento nos limites previstos no § 2o. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 5o Para fins de verificação do enquadramento das remessas de afretamento nos limites previstos no § 2o, deverá ser desconsiderado o efeito da variação cambial. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 6o A parcela do contrato de afretamento que exceder os limites estabelecidos no § 2o sujeitase à incidência do imposto de renda na fonte à alíquota de 15% (quinze por cento) ou de 25% (vinte e cinco por cento), quando a remessa for destinada a país ou dependência com tributação favorecida, ou quando o arrendante ou locador for beneficiário de regime fiscal privilegiado, nos termos dos arts. 24 e 24A da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) § 7o Para efeitos do disposto no § 2o, será considerada vinculada a pessoa jurídica proprietária da embarcação marítima sediada no exterior e a pessoa jurídica prestadora do serviço quando forem sócias, direta ou indiretamente, em sociedade proprietária dos ativos arrendados ou locados. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014) DF CARF MF Fl. 3378 20 § 8o O Ministro da Fazenda poderá elevar ou reduzir em até 10 (dez) pontos percentuais os limites de que trata o § 2o. (Incluído pela Lei nº 13.043, de 2014)' O censurado modelo de contratação bipartida, ensejador de um sem número de controvérsias na seara tributária, encontra agora detalhado amparo normativo. A execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, fez questão de expressar o Fl. 3684DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.685 39 legislador, pode se dar entre pessoas jurídicas vinculadas entre si. Mas não é só. Podem canalizar percentuais que chegam a 85% do total em favor do afretamento. Destarte, inferências a exemplo da coincidência entre as datas em que firmados os contratos, similitudes redacionais, etc, restaram significativamente empalidecidas, frente ao inegável desejo de chancelar o modelo que parece ser a praxis contratual dominante no segmento em causa. A própria Instrução Normativa RFB n. 844, de 2008, já dava pistas da factibilidade da aludida prática, conforme art. 5o, §8o, in verbis: § 8º Na hipótese prevista no § 9º do art. 17, as pessoas jurídicas de que trata o inciso II do § 1º poderão ser habilitadas ao Repetro com base no contrato de prestação de serviços, desde que haja execução simultânea com os contratos de afretamento a casco nu, de arrendamento operacional, de aluguel ou de empréstimo. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1089, de 30 de novembro de 2010) Não se ignora, por certo, que o lapso temporal contemplado pela pretensão fazendária antecede à nova redação do art. 1o da Lei n. 9.481, de 1997. Contudo, temse por insustentáveis os lançamentos fiscais quando em vigor os mencionados dispositivos. Isto porque tal pretensão fundase em construção teórica que ultrapassa a intertemporalidade, tomando por evidência do propósito evasivo arquitetura contratual posteriormente chancelada pelo legislador. Acerca da múltipla participação de estrangeiros na prestação dos serviços contratados junto à Transocean Brasil Ltda, de se sublinhar, inicialmente, que parece incontroverso procedem dos quadros da Transocean International Resources Ltd. e a Global Santa Fé Offshore, e não da Transocean UK Limited, proprietária do Deepwater Discovery. Ademais, o fenômeno da subcontratação, recorrendose, inclusive, a profissionais de diversas nacionalidades, pareceme justificável, ainda mais no âmbito de segmento notoriamente especializado como o investigado, qual seja, o da exploração e produção de petróleo e gás. Já a importação do naviosonda pela Transocean Brasil Ltda, causadora de espécie à autoridade fiscal, parece ter restado autorizada por meio do art. 5o, §4o, da Instrução Normativa n. 844, de 2008: §4o Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1º, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º. (Incluído(a) pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) Não obstante, mesmo se admitido que os recursos destinados à Transocean UK Limited acabaram por remunerar serviços executados no Brasil pela Transocean Brasil Ltda, não se vê como aderir aos lançamentos fiscais levados a efeito. É que o afretamento ocorreu. Origem ou não do integral montante remetido ao exterior, não se pode ignorar referemse os pagamentos, ao menos parcialmente, ao obrigado pelo contrato de afretamento. Mais, tal parcela há de ser significativa, pois igualmente não se tem por razoável a presença de dúvida no sentido de que o afretamento do Fl. 3685DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.686 40 naviosonda Deepwater Discovery, avaliado na casa de bilhão de reais, faz jus a tanto. Ou seja, certo que pretende o autuante, em verdade, submeter à tributação não apenas a parcela supostamente relativa à prestação de serviços no país, mas também a vinculada ao afretamento. Sem um mínimo de critério com vistas à segregação de tais quantias, não resiste a exigência fiscal ao mandamento da verdade material, guia da atividade administrativa que alça especial importância na seara fiscal. Diferentemente seria se fosse o olhar lançado para os recursos que eventualmente (re)ingressam no Brasil com destino às prestadoras de serviço em questão, acrescentese, porquanto razoável presumir – no marco, sublinhese, da confecção de pretensão fazendária neste sentido – que correspondam tais montantes exatamente à prestação dos referidos serviços. De rigor também reconhecer que, diferentemente do sugerido pela autoridade fiscal, a Antaq, por intermédio do Ofício n. 00066/2010 – SNM (fl. 2.705), não coloca em dúvida a condição de embarcação de bem a exemplo do naviosonda Deepwater Discovery, mas revela não ser atribuição da consultada autorizar, nos seus dizeres, o afretamento deste tipo de embarcação, dispensandose, portanto, a emissão de Certificado de Autorização de Afretamento (CAA). No máximo, reforça a agência reguladora, ao revés, o status de embarcação. A Norma da Autoridade Marítima para Operação de Embarcações Estrangeiras em Águas Jurisdicionais Brasileiras Norman04/ DPC termina por esclarecer, como bem argumenta a impugnante: '0121 INSCRIÇÃO TEMPORÁRIA (IT) É um ato administrativo da Autoridade Marítima que visa o controle de embarcação de bandeira estrangeira autorizada a operar em AJB. A IT é formalizada por meio da emissão do Atestado de Inscrição Temporária (AIT), emitido pelas Capitanias dos Portos e suas Delegacias (CP/DL), documento sem o qual a embarcação não poderá operar em AJB. 0218 PROSPECÇÃO, PERFURAÇÃO, PRODUÇÃO E ARMAZENAMENTO DE PETRÓLEO (PLATAFORMAS, NAVIOS SONDA, FPSO e FSO) a) compete à CP/DL autorizar o processo de IT, mediante a apresentação da Portaria de concessão da ANP para exploração, desenvolvimento e produção de petróleo e gás natural para blocos publicada no Diário Oficial da União (DOU);' Destarte, compete às Capitanias dos Portos e suas Delegacias autorizar a inscrição temporária, ato administrativo que serve ao controle de embarcação de bandeira estrangeira autorizada a operar em águas jurisdicionais brasileiras, entre as quais, na ambitude da prospecção, perfuração, produção e armazenamento de petróleo, plataformas e navios sonda." Ainda, a Solução de Consulta COSIT 225/2014: '15. É certo que as empresas são livres para montar os seus negócios e para contratar na forma que melhor entenderem, visando a otimização de suas operações e a obtenção de lucros. Essa liberdade não é absoluta pois tem como limite a observância das leis. Fl. 3686DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.687 41 16. Portanto, em princípio, não se vislumbra nenhum óbice que, na gestão de seus negócios, determinada empresa opte por efetuar dois contratos com empresas distintas, uma para afretamento do bem e outra para sua operação.' Novamente, merece ser destacado excerto do voto proferido pelo Conselheiro Domingos de Sá Filho proferido no processo n° 16682.721545/201394: 'Em novembro de 2014, foi editada a Lei nº 13.043, contrariando a tese de bipartição artificial de contratos sustentada até então pela fiscalização, o legislador federal reafirma a legalidade de execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, quando relacionado à prospecção e exploração de petróleo ou gás, matéria tratada no §2º, do art. 1º, in verbis: "§2º No caso do inciso I do caput deste artigo, quando ocorrer execução simultânea do contrato de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas e do contrato de prestação de serviço, relacionado à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural, celebrados com pessoa jurídicas vinculadas entre si, do valor total dos contratos a parcela relativa ao afretamento ou aluguel não poderá ser superior a:" Como se vê, a forma de contratação é coesa com a novel disposição legal, o contrato de afretamento ou locação é autônomo, os parâmetros fixados pelo legislador confirmam o fato de que a contratação de afretamento ou locação de embarcações marítimas e prestação de serviço são reconhecidas pela legislação, distorce dessa realidade o entendimento do fisco ao assegurar que o fornecimento da unidade é apenas parte integrante e instrumental dos serviços contratados. Não há dúvida tratar de modalidade de contratação a assegurar o bom desempenho das unidades contratadas como asseverado pela Petrobrás. Portanto a execução simultânea desses contratos, afretamento e prestação de serviço de embarcações marítimas, longe de tratar de manipulação e artificialidade como quer crer o fisco.' Adicionalmente, é de se consignar o contido na Medida Provisória n° 795/17: 'Art. 3º Aos fatos geradores ocorridos até 31 de dezembro de 2014, aplicase o disposto nos § 2º e § 12 do art. 1º da Lei nº 9.481, de 1997, e a pessoa jurídica poderá recolher a diferença devida de imposto sobre a renda na fonte, acrescida de juros de mora, no mês de janeiro de 2018, com redução de cem por cento das multas de mora e de ofício.' Da exposição de motivos da referida Medida Provisória temse: '4.1. A alteração promovida pelo art. 106 da Lei n º 13.043, de 13 de novembro de 2014, no § 2 º do art. 1 º da Lei n º 9.481, de 1997, estabeleceu, para fins de redução a zero da alíquota do IRRF, percentuais máximos atribuídos aos contratos de afretamento ou aluguel de embarcações marítimas relacionados à prospecção e exploração de petróleo ou gás natural. A referida alteração visava a limitar o benefício fiscal de redução a zero da alíquota do IRRF e, simultaneamente, dar segurança jurídica, uma vez que o Fisco estava desconsiderando os contratos de afretamento realizados pelas empresas do setor. Fl. 3687DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.688 42 (...) 4.6. Por fim, o § 12 traz norma que esclarece que os percentuais definidos nos §§ 2 º e 9 º não se aplicam à apuração da contribuição de intervenção de domínio econômico CIDE de que trata a Lei n º 10.168, de 29 de dezembro de 2000, da Contribuição para os Programas de Integração Social e de Formação do Patrimônio do Servidor Público incidente na Importação de Produtos Estrangeiros ou Serviços PIS/ PASEP Importação e da Contribuição Social para o Financiamento da Seguridade Social devida pelo Importador de Bens Estrangeiros ou Serviços do Exterior COFINS Importação, permanecendo válidas, para efeitos de apuração desses tributos, a natureza e as condições do contrato de afretamento ou aluguel.' Para bem da verdade, se é válido o resgate da interpretação teleológica das normas e igualmente do sentido de validade das mesmas, vêse que no caso em apreço a tese da recorrida está em sintonia com uma tributação equilibrada, principalmente na matéria aqui versada, em que se está diante de relevante segmento da indústria, em função do elevado grau de importância que representa na sociedade. Assim adotandose a interpretação sistemática que o caso merece, não pode prosperar a interpretação dada pela Receita Federal, razão pela qual nego provimento ao Recurso de Ofício, mantendo a decisão proferida em 1ª instância. Leonardo Vinicius Toledo de Andrade Relator Declaração de Voto Conselheiro Paulo Roberto Duarte Moreira Entendo que a utilização de embarcação naviosonda não se constitui mero meio de realização da atividadefim, a prestação de serviço atinentes à prospecção e exploração de jazidas de petróleo. Ha situações em que o conjunto probatório demonstra que não há afretamento, mas sim que a embarcação é parte integrante e essencial na disponibilização de equipamentos e pessoal técnico especializado na realização do serviço. Para estes casos não há que dizer dissociáveis o contrato de afretamento com o de serviço. Conquanto a fiscalização apontou indícios que poderiam efetivamente comprovar o vínculo indissociável entre a embarcação e o serviço prestado não restou caracterizada a bipartição artificial do contrato de afretamento e de execução dos serviços de prospecção e exploração marítimos, situação que não prescindiria a demonstração da efetiva transferência maliciosa de valores do contrato de prestação de serviços para o de afretamento. E mais, não se pode desconsiderar os altos valores envolvidos na utilização de naviosonda (operação e manutenção, como simples exemplo) e lançálos como exclusivos ao contrato da prestação de serviços. A fiscalização teria o dever de demonstrar as parcelas pertinentes a um e outro contrato que acusou serem indissociáveis. A legislação tributária tem legitimada a coexistência de contratos de afretamento e de prestação de serviços com execução simultânea, pois Fl. 3688DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.689 43 expressamente admite a celebração de contratos dessa natureza por parte de um único concessionário de exploração de petróleo e gás, inclusive quando as contrapartes são pessoas jurídicas vinculadas. Podese mencionar as Instruções Normativas RFB n°s 844/2008, 941/2009 e 1.070/2010; a Solução de Consulta Cosit nº 225/2014; as Leis nºs. 9.481/1997 e 13.043/2014 e; a recente MP nº 795/2017. A Receita Federal expressamente admite que a mesma pessoa jurídica contratada pela concessionária para a prestação de serviços possa providenciar o fornecimento de bem necessário a essa execução, amparado em contrato de afretamento distinto do contrato de serviços, desde que tenham execução simultânea. Tratase da previsão contida no § 3º do art. 5º da Instrução Normativa RFB nº 844, de 2008, incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009: 'Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. § 2º Quando a pessoa jurídica de que trata o inciso II do § 1º não for sediada no País, poderá ser habilitada ao Repetro a empresa com sede no País por ela designada para promover a importação dos bens. § 3º O fornecimento de bens pela pessoa jurídica mencionada no inciso II do § 1º poderá estar previsto em contrato de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, o qual deverá ter execução simultânea com o de prestação de serviços. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009) § 4º Poderá ser habilitada ao Repetro empresa com sede no País formalmente designada pela pessoa jurídica de que trata o inciso I do § 1º, para promover a importação dos bens que sejam objeto de afretamento, de aluguel, de arrendamento operacional ou de empréstimo, desde que vinculados à execução de contrato de prestação de serviços celebrado entre elas, relacionado às atividades a que se refere o art. 1º. (Incluído pela Instrução Normativa RFB nº 941, de 25 de maio de 2009)' Na nova redação dada ao art. 5º da IN RFB nº 844/2008 pela IN RFB nº 1070/ 2010 permite a inclusão da pessoa jurídica contratada para o afretamento no rol de possíveis beneficiárias do REPETRO, ao lado da concessionária da exploração de petróleo e da pessoa jurídica contratada (ou subcontratada) para a prestação de serviços, como se verifica no inciso II do § 1º: Fl. 3689DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.690 44 'Art. 5º O Repetro será utilizado exclusivamente por pessoa jurídica habilitada pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB). § 1º Poderá ser habilitada ao Repetro a pessoa jurídica: (Redação dada pelo(a) Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) I detentora de concessão ou autorização, nos termos da Lei nº 9.478, de 6 de agosto de 1997, para exercer, no País, as atividades de que trata o art. 1º; e II contratada pela pessoa jurídica referida no inciso I em afretamento por tempo ou para a prestação de serviços destinados à execução das atividades objeto da concessão ou autorização, bem como as suas subcontratadas. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010) § 2º A pessoa jurídica contratada de que trata o inciso II do § 1º, ou sua subcontratada, também poderá ser habilitada ao Repetro para promover a importação de bens objeto de contrato de afretamento, em que seja parte ou não, firmado entre pessoa jurídica sediada no exterior e a detentora de concessão ou autorização, desde que a importação dos bens esteja prevista no contrato de prestação de serviço ou de afretamento por tempo. (Redação dada pela Instrução Normativa RFB nº 1070, de 13 de setembro de 2010)' Uma vez autorizada a contratação segregada do afretamento e dos serviços com uma mesma pessoa jurídica, a princípio, sem que haja outros elementos que evidenciem eventual planejamento fiscal abusivo (tal como ressaltado no parágrafo 18 da Solução Cosit nº 225, de 2014, adiante transcrito), não há razão para se opor a esse mesmo arranjo contratual, no caso de a concessionária da exploração de petróleo celebrar a contratação com pessoas jurídicas distintas, porém vinculadas, pertencentes ao mesmo grupo econômico, como no presente caso. Certamente que os dispositivos legais permitem a coexistência de afretamento e prestação de serviço no modelo de negócio de empresas interdependentes; todavia, não se pode inferir que o texto legal admite a bipartição artificial dos contratos de prestação de serviços. As novas disposições ao art. 1º da Lei nº 9.481/1997 introduzidas pela MP nº 795/2017 pouco alteraram o conteúdo prescrito acerca do afretamento e da prestação de serviços quando executados simultaneamente e, novamente, não é possível afirmar que não trouxe permissão à bipartição artificial desses contratos. Em verdade, o que essencialmente deveria restar demonstrado seria a existência de elementos que evidenciassem eventual planejamento fiscal abusivo (a bipartição artificial dos contratos) para considerar inexistente o contrato de afretamento e considerar os valores envolvidos unicamente pertinente ao contrato de efetiva prestação de serviços de prospecção e exploração marítimas. No meu entender, inexistiu na autuação fiscal tal comprovação Fl. 3690DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.691 45 Assim, há de prevalecer a natureza de afretamento à embarcação utilizada nas atividades de prospecção e exploração de petróleo e aplicar a legislação que trata de forma distinta o objeto de ambos contratos. Paulo Roberto Duarte Moreira Conselheiro' CONCLUSÃO Dou provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Marcelo Costa Marques d'Oliveira Declaração de Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira No julgamento do presente processo acompanhei o Relator pelas conclusões, votando por dar provimento ao recurso voluntário. No intuito de esclarecer as razões do meu voto, apresento esta declaração com os fundamentos por mim adotados para dar provimento ao recurso apresentado pelo contribuinte. Em que pese o voto irretocável do Relator, que de forma bem fundamentada enfrentou as preliminares e o mérito da lide, peço vênia para apresentar o meu entendimento, por considerar que somente uma matéria referente ao mérito do lançamento foi submetida a segunda instância administrativa. Vejamos. A turma a quo, conforme consta do voto condutor do acórdão, decidiu que pela inexistência de irregularidade na separação dos contratos de afretamento e prestação de serviços. A motivação daquele colegiado para negar provimento à impugnação do contribuinte, partiu da premissa apontada pela autoridade fiscal da impossibilidade de identificar os pagamentos referentes ao afretamento e a prestação de serviços, impedindo a exata separação dos contratos e assim, manteve a posição da autoridade lançadora de considerar ´para toda a operação um único contrato de prestação de serviços. A posição da decisão de piso pode ser confirmada no trecho abaixo, extraído do voto condutor do acórdão. Do exposto, muito embora as alterações promovidas pela Lei nº 13.043/2014 não tenham aplicação aos fatos geradores do lançamento, elas demonstram a factibilidade da bipartição do contrato. A questão que se revela óbice para a pretensão da recorrente é a falta de configuração exclusiva da receita de afretamento. Fl. 3691DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.692 46 No caso concreto, como demonstrado exaustivamente pela autoridade lançadora no relatório de fiscalização, em especial às folhas 29482967, houve uma verdadeira confusão entre o contrato de afretamento e o contrato de prestação do serviço de perfuração. De sorte que não possível distinguir a efetiva divisão de cada contrato no contexto da operação de perfuração, sondagem e exploração de poços de petróleo. Assim, embora o contrato esteja formalmente denominado como contrato de afretamento, sua natureza é de contrato de afretamento cumulado com prestação de serviço de perfuração. Ideal seria se pudesse distinguir a real receita atribuída a cada atividade (afretamento e prestação de serviço), e, com isso, aplicar a tributação devida a cada situação, concedendo a isenção do IRRF, reconhecendo a não incidência da CIDE, onde fosse o caso. Porém, não vislumbra tal possibilidade. Repisese, não há nos autos elementos que permitam dar os perfeitos contornos a receita de fato correspondente a cada atividade. Desta feita, não sendo possível distinguir nos autos a receita da empregada exclusivamente no afretamento da embarcação, entendese não ser possível afastar a exação da CIDE propalada pelo art. 2º da Lei nº 10.168/00, com a redação dada pela Lei nº 10.332/01.(grifo nosso) A decisão recorrida considerou no presente caso a factibilidade, ou seja a possibilidade da existência de duas operações, uma de afretamento e outra de prestação de serviços. A motivação para a manutenção do lançamento foi a "falta de configuração exclusiva da receita de afretamento". Ao meu sentir, a decisão demonstra que a discordância entre os pontos defendidos pela Recorrente e a autuação fiscal somente foi mantido pela DRJ sob o argumento da dificuldade em separar os pagamentos de cada um dos contratos. Destarte entendo, que somente esta matéria foi submetida ao crivo da segunda instância e portanto, em que pese as diversas discussões sobre a possibilidade de dois contratos a sustentar as operações da Recorrente, tal matéria foi decidida pela DRJ, que afirmou pela factibilidade do afretamento e da prestação de serviços. Portanto, a matéria não deve ser objeto determinante para a decisão deste colegiado. Pois, conforme detalhado, a motivação para manutenção do lançamento foi a ausência de separação dos pagamentos entre os dois contratos. Partindo desta premissa, o meu voto foi no sentido de analisar as alegações apresentadas no Recurso Voluntário sobre a forma de pagamentos para cada um dos contratos e ainda se existe a possiblidade de separar os valores referentes aos pagamentos de afretamento e prestação de serviços. No recurso voluntário, a Recorrente descreve as clausulas dos contratos e os pontos onde estariam as definições sobre as formas de remuneração para o afretamento e a prestação de serviços, alem destas informações, apresentou comprovantes de transferências que delimitam tais pagamentos, conforme apresentado no trecho abaixo, extraído do recurso voluntário. Fl. 3692DF CARF MF Processo nº 16682.720407/201479 Acórdão n.º 3301005.358 S3C3T1 Fl. 3.693 47 Para corroborar ainda mais a comprovação acerca da perfeita segregação dos valores pagos a título de afretamento e de serviços com base nas disposições contidas nas próprias avenças, a Recorrente acosta, para fins meramente ilustrativos, cópia dos contratos de câmbio registrados no Banco Central do Brasil (doc. 01) que acobertaram as remessas efetuadas à fretadora estrangeira (TUK) para o pagamento do afretamento em tela; as notas fiscais de serviço emitidas pela empresa brasileira TBL (doc. 02); e cópia dos registros contábeis da Recorrente que identificam e contabilizam os respectivos valores pagos a cada empresa (doc. 03) que juntos, comprovam a perfeita segregação das diferentes receitas pegas pela Recorrente. Os esclarecimentos apresentados pela Recorrente, permitem a identificação dos pagamentos de cada um dos contratos, não podendo prosperar o argumento da impossibilidade total da separação dos valores alocados a cada contrato. Assim, entendo, que solucionada a separação e identificação dos pagamentos para cada um dos contratos, resta reformar a decisão de piso neste matéria e ainda, considerando que tal ponto foi a motivação para negar provimento a impugnação, não resta outro caminho que não seja dar provimento ao recurso voluntário para afastar o lançamento. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 3693DF CARF MF
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Numero do processo: 16095.720028/2016-61
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 30 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3302-000.900
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator.
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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MEDICAMENTOS. Recorrente LABORATORIOS PFIZER LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em converter o julgamento em diligência, nos termos do voto do relator. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Gilson Macedo Rosenburg Filho, Walker Araujo, Corintho Oliveira Machado, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède. Relatório A tributação da empresa em questão, que atua no ramo farmacêutico, ocorre com base nas seguintes alíquotas: RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 60 95 .7 20 02 8/ 20 16 -6 1 Fl. 7093DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 3 2 Ø Lista Neutra: composta por produtos tributados pela alíquota básica de 7,6% e 1,65% para COFINS e PIS. Tem supedâneo no art. 1o da Lei 10.833/2003 e 10.637/2002; Ø Lista Positiva: composta por medicamentos tributados pela alíquota diferenciada de 9,9% e 2,1% para COFINS e PIS, mas que dão direito ao crédito presumido no mesmo valor da contribuição apurada. Tem supedâneo no art. 3o da Lei 10.147/2000; Ø Lista Negativa de produtos farmacêuticos: composta por medicamentos tributados pela alíquota diferenciada de 9,9% e 2,1% para COFINS e PIS e que não fazem jus ao regime especial do crédito presumido. Tem supedâneo no art. 1o, inciso I, alínea a, da Lei 10,147/2000; Ø Lista Negativa de produtos de perfumaria e higiene pessoal: composta por produtos de perfumaria, toucador e higiene tributados pela alíquota monofásica de 10,3% e 2,2% para COFINS e PIS e que não fazem jus ao regime especial do crédito presumido. Tem supedâneo no art. 1a, inciso I, alínea b, da Lei 10.147/2000. É com base nessa variedade de situações, portanto, que a fiscalização foi realizada, gerando, em consequência, os autos de infração cujas exigências estão sendo, em parte, impugnadas. Aproveitase o Relatório apresentado no Acórdão de Impugnação: Em decorrência de procedimento de verificação do cumprimento das obrigações fiscais pela contribuinte qualificada, foram lavrados os autos de infração de fls. 177/196, por meio dos quais se exige o recolhimento de R$ 123.808.208,28 de Cofins não cumulativa e de R$ 26.223.963,08 de contribuição para o PIS/Pasep não cumulativo, além de multa de ofício (75%) e juros de mora. Segundo o Termo de Verificação e Constatação de Irregularidades Fiscais (TVCIF) de fls. 197/235, a autuação, cientificada em 28/01/2016 (fl. 239), ocorreu devido à constatação de que alguns erros teriam ocorrido quando da apuração dos débitos de PIS e de Cofins, nos termos previstos na alínea ‘a' do art. 1° da Lei n° 10.147, de 2000. As planilhas de fls. 201/202 apontam as diferenças encontradas relativamente aos períodos de apuração 01/2011 a 12/2012. Quanto ao regime especial de crédito presumido para produtos farmacêuticos, consta do TVCIF que após a análise dos documentos apresentados apurouse que os valores de crédito presumido de PIS e de Cofins utilizados pela contribuinte suplantavam os valores apurados. As planilhas de fls. 208/209 demonstram os montantes correspondentes à utilização indevida por parte da contribuinte. O TVCIF também trata dos créditos correspondentes às despesas de aluguéis de prédios locados de pessoa jurídica. Sobre os aluguéis consta que após pesquisas verificouse que os valores constantes em Fl. 7094DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 4 3 DIMOB eram inferiores aos valores informados em Dacon. Considerando que a contribuinte, intimada, apresentou um único contrato de aluguel, apenas os pagamentos relativos a esse contrato e os pagamentos relativos a outros contratos (não apresentados) confirmados na ECD (Escrituração Contábil Digital) foram considerados. Em decorrência, apurouse a utilização indevida de crédito no Dacon. Quanto às despesas relativas à energia elétrica e à energia térmica, após a análise dos documentos apresentados, também se apurou a utilização indevida de créditos. Além disso, também foram apurados créditos indevidos correspondentes às despesas de armazenagem e de fretes nas operações de venda. Os valores apurados como utilizados indevidamente constam da planilha de fl. 212. No que diz respeito aos créditos extemporâneos utilizados, consta do TVCIF que foram glosados os valores correspondentes às notas fiscais não apresentadas. Quanto aos créditos relativos às despesas com armazenagem e fretes na importação, consta que, após análise, foram glosados os créditos de R$ 1.600.156,10, R$ 1.205.293,58 e R$ 1.701.150,06, dos meses de fevereiro a abril de 2011, respectivamente. No que tange aos créditos decorrentes da depreciação de obras, consta que, após verificações, somente foram aceitas algumas notas fiscais, no valor total de R$ 2.569.099,24. Consta do TVCIF, ainda, que os créditos relativos ao consumo de gás foram integralmente glosados, por falta de comprovação. Em outro tópico do TVCIF consta que os valores correspondentes à aquisição de insumos no mês de setembro de 2012 também foram glosados, por falta de comprovação. Em decorrência das glosas, foi elaborado o “demonstrativo das outras operações com direito a crédito”, de fls. 219/220. Quanto às “outras deduções” mencionadas em campo específico do Dacon, consta do TVCIF que foram constatados erros de preenchimento, contudo, “como esse erro não resultou em subtração de tributos a serem pagos/compensados” ele não foi objeto de auto de infração. Segundo o TVCIF, em decorrência de todas as glosas e ajustes efetuados, as fichas 06 A e 16 A do Dacon foram recompostas, consoante planilhas de fls. 223/226. Por sua vez, às fls. 227/232, encontramse os demonstrativos de PIS e de Cofins recolhidos a menor. Em 26/02/2016, a interessada, por meio de procuradores, ingressou com a impugnação de fls. 246/275, cujo teor será a seguir sintetizado. Primeiramente, após defender a tempestividade e a forma de protocolo da impugnação, discorre brevemente sobre os fatos havidos no processo. A seguir, alega, em preliminar, e em razão da existência de erros no lançamento fiscal, a nulidade dos autos de infração (item III). Para justificar o pedido, diz que os seguintes erros teriam sido identificados: Fl. 7095DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 5 4 desconsideração das operações de recusa de mercadorias como redutor da base de cálculo (III. 1): salienta que, na apuração da base de cálculo do lançamento, a fiscalização deixou de deduzir o valor correspondente às notas fiscais com os CFOP 1949 e 2949, que, segundo afirma, representam operações em que houve recusa de mercadorias (junta cópias de algumas notas fiscais, relativas ao mês de novembro de 2012, para servir de comprovação). Afirma que tal erro macula o lançamento, motivo suficiente para o seu cancelamento. Nesse tópico, a impugnante acrescenta que o Termo de Verificação silencia sobre a glosa dos créditos originalmente lançados na linha 16 do Dacon. exigência relacionada a hipóteses de desoneração legal e/ou de operações tributadas (III.2): afirma que a acusação de recolhimento a menor sobre as receitas sujeitas à tributação monofásica “foi pautada precipuamente na discordância da D. Fiscalização com a aplicação da alíquota zero em operações promovidas pela Requerente na qualidade de mera distribuidora.” Esclarece que a fiscalização não apenas desconsiderou a recusa de vendas como redutor essencial da base de cálculo, mas também englobou equivocadamente situações em que b1) a legislação estipula expressamente a desoneração dessas contribuições e b2) houve efetiva tributação das receitas de vendas e não aplicação da alíquota de 0% como pressupõe a fiscalização. glosa de créditos de frete e armazenagem em operações internas como se de importação fossem (III.3): diz que a fiscalização equivocouse e que com o intuito de comprovar a ocorrência do referido erro está anexando uma planilha indicando os serviços contratados de pessoas jurídicas brasileiras para a retirada de mercadorias em portos e aeroportos com deslocamento até a empresa, inclusive para armazenagem. Quanto ao mérito, diz, no subitem “IV1. Recolhimento a Menor do PIS/Cofins sobre a Receita Sujeita à Tributação Monofásica” que a interpretação da fiscalização carece de sentido lógico e jurídico. Salienta que embora industrialize produtos farmacêuticos, também comercializa produtos que não industrializa, e que adquire no mercado interno, agindo, assim, como mero distribuidor. Nesse caso, aduz, a alíquota deve ser igual a zero. Esclarece que a intenção do legislador foi facilitar a arrecadação e promover o controle de preços de produtos essenciais à população, assim, como já houve a aplicação da alíquota combinada de 12% na saída do produto que de fato industrializou “não se há de cogitar de nova cobrança de alíquota monofásica majorada quando esta lhe der saída na condição de mera revendedora.” Nesse especial, portanto, entende que a alíquota a ser considerada é a de zero, não subsistindo, assim, o lançamento. Já, no subitem IV.2 (Apropriação Indevida de Crédito Presumido da Lista Positiva), a impugnante discorre sobre a sistemática da Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED) e sobre os procedimentos adotados em relação à essa Câmara. Afirma Fl. 7096DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 6 5 que a fiscalização se recusou a analisar o Ofício CMED n° 123/14 sob o argumento de que se tratava de protocolo posterior ao período fiscalizado. Aludido ofício, contudo, conforme esclarece, não é da Pfizer, mas da própria CMED e contém uma “fotografia dos medicamentos beneficiados enviada em 2014 pela CMED à RFB, que engloba os períodos autuados (2011 e 2012).” Acrescenta que em novo documento a CMED esclarece o alcance do ofício n° 123/14, validando a utilização do crédito presumido. Insiste, ainda, que cabia à fiscalização analisar os medicamentos e princípios ativos manipulados pela empresa e, mediante confronto de tais produtos com aqueles que constam no anexo do Decreto n° 3.803, de 2001 e alterações, analisar o direito pleiteado. A seguir, a impugnante questiona a divergência do crédito presumido constatada em relação ao mês de outubro de 2012. Salienta que houve mero erro de fato no preenchimento do Dacon e que isso não impede o seu direito. Diz estar apresentando planilha detalhada relativa ao crédito presumido. Requer, em decorrência, o afastamento da glosa da diferença de crédito presumido. No tópico seguinte, (IV.3 Aproveitamento a Maior de Créditos de PIS/Cofins não cumulativo) a impugnante discorre sobre os créditos relativos às despesas de armazenagem e de frete na importação de bens. Reforça as argumentações contidas no subitem III.3 de sua impugnação e diz que houve um erro de compreensão por parte da fiscalização. Diz que tais despesas integram o custo das mercadorias e que, portanto, devem ser consideradas como sendo relativas a insumos. Conclui que os fretes internacionais são insumos e que, portanto, são passíveis de gerar crédito de PIS e de Cofins. Aduz que as soluções de consulta consideradas pela fiscalização encontram posições divergentes no âmbito da própria RFB e, em decorrência, pede o afastamento da glosa. Na sequência, tece considerações acerca dos demais créditos glosados pela fiscalização. Diz que está apresentando cópia de contratos de armazenagem e frete firmados com Unidock's Assessoria e Logística de Materiais Ltda (Grupo DHL) e AGV Logística Ltda. Insiste no direito aos créditos. Ao tratar da multa de ofício e dos juros aplicados (item V), diz ser necessário (a) o afastamento da atualização mensal da multa de ofício por juros, (b) a substituição dos juros calculados pela taxa Selic pela taxa de juros de 1% prevista no art. 161, § 1° do CTN, e (c) a redução e readequação da multa de ofício de 75% aplicada para um patamar condizente com os princípios da razoabilidade e proporcionalidade. Ao final, pede que se reconheça e se declare a nulidade do lançamento. Subsidiariamente, requer que seja julgada improcedente a exigência. Na hipótese de entendimento diverso, pede a redução da multa de ofício, a não atualização da multa por juros e a substituição dos juros selic por juros de 1% ao mês. Protesta pela juntada de novos documentos e pela realização de perícia. Protesta, ainda, caso se Fl. 7097DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 7 6 entenda necessário, pela conversão do julgamento em diligência, dado o grande volume de operações envolvidas e os erros cometidos pela fiscalização (junta quesitos às fls. 4683/4684). Em 17/03/2016, apresenta petição (fl. 4702) para informar sobre a realização de pagamento de parcelas de PIS e de Cofins relativamente “às acusações indicadas nos itens 2.2., 2.5.1., 2.5.2., 2.5.3., 2.5.4., 2.5.5. e da diferença apurada para os meses de fevereiro a abril de 2011 no item 2.5 (indicada na tabela de fls. 17) do Termo de Verificação Fiscal, com a redução de 50%” da multa lançada. Diz que embora “tenham restado sem efeito os itens III.3., IV.3 (a) de sua defesa” devem ser analisados os demais itens questionados. Pede, ao final, que a fiscalização apresente a “individualização dos valores autuados por item de cada acusação fiscal discriminada no Termo de Verificação Fiscal.” Em 26/08/2016, após análise preliminar, o processo foi devolvido, em diligência, para a repartição de origem (fls. 4757/4761). Após juntar os documentos de fls. 4763/6338, o serviço de fiscalização da DRF em Guarulhos emitiu o Relatório de Diligência Fiscal de fls. 6339/6363, onde propõe o acolhimento parcial das razões de impugnação. Cientificada eletronicamente (fl. 6897), a contribuinte ingressou com a impugnação complementar de fls. 6907/6921, questionando as conclusões constantes do Relatório de Diligência Fiscal: IV. A CONCLUSÃO E O PEDIDO 45. Diante de todo o exposto, restou demonstrado que o relatório de diligência deu correta resolução à lide no que se refere à exclusão das glosas de créditos decorrentes de despesas com frete na operação de venda. Além disso, o relatório de diligência está correto ao reconhecer que, em relação ao item 3 da diligência, houve mero erro no preenchimento da DACON. 46. Contudo, em relação aos demais temas tratados na diligência, a Requerente considera que o relatório de diligência fiscal não deverá ser acatado no julgamento da Impugnação, na medida em que suas conclusões não estão de acordo com a legislação e jurisprudência atualmente vigente, bem com as provas carreadas a este processo. Nesse contexto, a Requerente reitera todos os termos de sua Impugnação, requerendo o cancelamento integral do crédito tributário. Em 11 de outubro de 2017, através do Acórdão n° 0660.553, a 3a Turma da Delegacia Regional de Julgamento em Curitiba/PR, por unanimidade de votos, rejeitou a preliminar de nulidade e o pedido de perícia, acolheu em parte as razões de impugnação e julgou procedentes em parte os lançamentos impugnados, mantendose as exigências de R$ 25.383.874,08 de PIS não cumulativo e de R$ 119.938.707,51 de Cofins não cumulativa, além da multa de ofício de 75% e dos juros de mora correspondentes. Quanto às parcelas não impugnadas do lançamento (consoante petição de fls. 4702/4703), entendeu a Turma que cabe à repartição de origem confirmar a arrecadação Fl. 7098DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 8 7 correspondente aos DARF de fls. 4704/4705 e efetuar as alocações pertinentes, prosseguindo na cobrança de eventuais diferenças, caso apuradas. Desse Acórdão, recorreuse de ofício ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Entendeu a Turma que: ü Considerase que aludidas parcelas do lançamento não foram impugnadas e que, portanto, houve desistência do litígio respectivo. Quanto aos DARF apresentados (cópias às fls. 4704/4705), cabe à repartição de origem confirmar a arrecadação correspondente e efetuar as alocações pertinentes, prosseguindo na cobrança de eventuais diferenças, caso apuradas; ü Da simples leitura dos dispositivos, vêse que, ao contrário do alegado, não existe razão alguma para a declaração de nulidade do lançamento. Os autos de infração contêm todos os requisitos previstos na norma e foram lavrados por servidores competentes, Auditores Fiscais da Receita Federal do Brasil. Nesse contexto, resta claro que a preliminar deve ser rejeitada; ü De acordo com o art. 2° da Lei n° 10.147, de 2000, a redução a zero das alíquotas do PIS e da Cofins, incidentes sobre a receita bruta decorrente da venda de produtos tributados na forma do inc. I do art. 1° da referida lei, é prevista apenas em relação às pessoas jurídicas não enquadradas na condição de industrial ou de importador; ü A empresa em questão, apesar de alegar que, em relação a alguns dos produtos comercializados, estaria agindo na condição de mera distribuidora, é, na realidade, empresa cuja atividade econômica principal é a industrialização de medicamentos. Ao exercer tal atividade resta claro que não há como considerar o seu enquadramento no permissivo legal relativo à alíquota zero; ü Como se constata do relato, a fiscalização não “englobou equivocadamente situações” diversas quando da apuração das bases de cálculo do PIS e da Cofins. Uma simples leitura é suficiente para constatar que as saídas para a ZFM, CFOP 6109 e 6110 não foram consideradas no levantamento efetuado. Quanto aos produtos listados, que segundo a contribuinte teriam sido tributados, é bastante esclarecer que o TVCIF não contraria essa afirmação, dizendo apenas que “o contribuinte ora fiscalizado efetuou saídas como mera revenda ou só procedeu com a embalagem e distribuição dessas mercadorias.” A alegação, portanto, não merece acolhida; ü Apesar da afirmação da contribuinte de que, em relação a algumas aquisições, teria atuado como mera distribuidora, fazendo jus, portanto, à alíquota zero prevista no art. 2° da Lei n° 10.147, de 2000, o próprio dispositivo excetua, expressamente, as empresas industriais e as importadoras, caso da contribuinte. Nesse contexto, correto o Fl. 7099DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 9 8 procedimento adotado pela fiscalização. Quanto ao pedido para que na hipótese de ser mantida a lógica fiscal sejam deduzidos os valores já recolhidos na etapa anterior, é oportuno o registro de que ao adotar tal procedimento a própria fiscalização já concedeu, de ofício, os créditos decorrentes dessas aquisições. Em assim sendo, mantémse o procedimento; ü Apesar de a contribuinte discorrer intensamente em sua petição de fls. 6907/6921 sobre a forma como o preço do fabricante e o preço máximo ao consumidor é fixado pela Anvisa, não há como se concordar com a afirmação da contribuinte de que para chegar a tais preços a Anvisa, necessariamente, deve ter levado em consideração os efeitos do benefício fiscal em questão. Os documentos apresentados contêm apenas a indicação de valores que corresponderiam ao preço do fabricante e ao preço máximo ao consumidor relativamente a alguns medicamentos. Nada além disso. Ao contrário do afirmado, portanto, não há como, a partir dos documentos apresentados, chegar à mesma conclusão a que a contribuinte chegou. A propósito, a contribuinte chama a atenção para a existência de uma Lista de Concessão do Crédito Tributário (LCCT) que estaria disponível em sistema próprio da Anvisa e afirma que nesta lista haveria a indicação dos medicamentos que comporiam a lista positiva com a consequente geração de crédito presumido. Considerando que o sistema informado não é público e que depende de cadastramentos e da utilização de senhas específicas, cujo acesso é disponibilizado à contribuinte, entendese que bastaria que ela própria fizesse as consultas necessárias juntando aos autos as provas que ela avaliasse como pertinentes. Na falta desses elementos, os quais, reforcese, mesmo que apresentados ainda seriam objeto de confirmação fiscal, não há como acatar os argumentos propostos; ü Quanto ao subitem 2.3 do relatório de diligência, a contribuinte diz que apurou, com base na LCCT que diversos medicamentos que constam da lista do Ofício n° 123/2014 geravam crédito presumido de PIS/Cofins. Verificandose a relação elaborada pela impugnante (fls. 6917/6918) e cotejandoa com a lista anexa ao mencionado ofício (fls. 1603/1617) constatase que os medicamentos reclamados de fato são mencionados no referido ofício, mas com apresentações diferentes. Nesse contexto, rejeitase o argumento; ü Ao discorrer sobre a divergência do crédito presumido constatada em relação ao mês de outubro de 2012, a contribuinte afirma tratarse de mero erro de preenchimento do Dacon. Como bem esclarece a fiscalização, no entanto, e em relação a esse esclarecimento há que se concordar, a existência ou não do aludido erro em nada altera as conclusões do fisco, afinal, os valores informados pela contribuinte foram considerados apenas para a apuração do excesso de utilização de crédito presumido já que “conforme exposto no item 2.1.3 do TVCIF, o procedimento fiscal refez todos os cálculos dos créditos com base nos produtos que efetivamente foram comprovados que Fl. 7100DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 10 9 davam direito ao crédito presumido e chegouse ao valor de R$ 779.076,21 e R$ 3.672.787,83 respectivamente para PIS/Pasep e Cofins.” ü A legislação, portanto, expressamente permite o creditamento de valores relativos a fretes, mas apenas nos casos em que estes estejam inequivocamente associados a operações de venda, ou seja, apenas nos casos em que tais serviços tenham relação com o transporte de mercadorias ao cliente adquirente; ü Quando se trata de frete entre estabelecimentos da mesma empresa, de produto acabado ou em elaboração, todavia, inexiste previsão normativa para o creditamento (o mesmo raciocínio, é válido frisar, também se aplica ao frete incorrido para a transferência de mercadorias entre o armazém e o estabelecimento da empresa, pois também nesse caso, não há operação de venda); ü É de se manter a exigência dos juros de mora, calculados com base na taxa Selic, tal como constante do lançamento; ü Não cabe à autoridade administrativa de julgamento reduzir nem alterar o percentual de multa que foi aplicado ao lançamento, sem que haja expressa previsão legal, é de se considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, sobre os valores de contribuição não recolhidos; ü Quanto à perícia, analisandose os quesitos apresentados vêse que a intenção da contribuinte é rediscutir todo o trabalho fiscal, transferindo para os peritos a responsabilidade pela apuração do crédito tributário. O lançamento que, como se sabe, decorre de procedimento de auditoria foi objeto de impugnação e, à vista das dúvidas levantadas, foi objeto de diligência fiscal, cujo resultado foi analisado pela impugnante com a apresentação, inclusive, de impugnação complementar. Assim, por entender que todos os ajustes julgados necessários já estão sendo incluídos no presente voto, entendese que a perícia, tal como pleiteada, não se revela necessária, não devendo, portanto, ser realizada. Nesse contexto, indeferese o pedido. A empresa Laboratório PFIZER tomou ciência do Acórdão de Impugnação, por via eletrônica, em 14/11/2017 (folhas 6.982). A empresa Laboratório PFIZER ingressou com Recurso Voluntário em 17/11/2017 (folhas 6.983), de folhas 6.985 a 7.010. Foi alegado: ü Da impossibilidade de manutenção do crédito tributário com base em presunções; Fl. 7101DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 11 10 ü Do indeferimento do pedido de perícia e cerceamento do direito de defesa do contribuinte; ü Desconsideração das operações de recusa de mercadorias como redutor da base de cálculo; ü Exigência relacionada a hipóteses de desoneração legal e/ou de operações tributadas; ü O direito ao crédito presumido da “lista positiva”; ü O direito aos créditos decorrentes de despesas com frete entre estabelecimentos de uma mesma empresa e transferência de produtos; ü A multa de ofício e os juros aplicados. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud – Relator. Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 14 de novembro de 2017, por via eletrônica, às folhas 6.982 do processo digital. O recurso voluntário foi apresentado em 17 de novembro de 2017, sendo, portanto, tempestivo. Da controvérsia. O Recurso Voluntário apresenta as seguintes questões: ü Da impossibilidade de manutenção do crédito tributário com base em presunções; ü Do indeferimento do pedido de perícia e cerceamento do direito de defesa do contribuinte; ü Desconsideração das operações de recusa de mercadorias como redutor da base de cálculo; ü Exigência relacionada a hipóteses de desoneração legal e/ou de operações tributadas; ü O direito ao crédito presumido da “lista positiva”; Fl. 7102DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 12 11 ü O direito aos créditos decorrentes de despesas com frete entre estabelecimentos de uma mesma empresa e transferência de produtos; ü A multa de ofício e os juros aplicados; ü Do Recurso de Ofício. Passase à análise. Para usufruir do regime especial de créditos presumidos, a beneficiária deve atender às normas estabelecidas (i) pela Câmara de Medicamentos (art. 3°, inciso II, da Lei 10.147/2000) e (ii) pela Secretaria da Receita Federal (art. 5° da Lei 10.147/2000). Em suma, o contribuinte deve efetuar um requerimento à Câmara de Medicamentos informando o medicamento de tarja preta ou vermelha a ser incluído na lista positiva e comprovando a repercussão nos preços da redução da carga tributária, conforme estabelecido no caput do art. 3° da Lei 10.147/2000 e regulamentado pela Resolução CMED N° 06 de 2001 e Comunicados posteriores. Protocolizado o pedido, este será encaminhado à Secretaria da Receita Federal do Brasil para verificação da regularidade fiscal do contribuinte e posterior publicação do Ato Declaratório Executivo. A utilização do crédito presumido poderá ser feita a partir da protocolização do pedido, conforme disposto no art. 64 da Instrução Normativa SRF n° 247/2002, e, caso não haja a manifestação da autoridade fiscal no prazo de 30 dias, será considerado deferido o regime especial, mesmo sem a publicação do ADE (art. 2°, §§ 3° e 4°, Decreto n° 3.803/2001). Diante disso, por meio do item 4 do Termo de Intimação Fiscal n° 4, cientificado em 26/08/2015, solicitouse ao contribuinte “Apresentar cópia do Ato Declaratório Executivo (conforme art. 63, §1°, III da IN SRF n° 247/2002) ou do comprovante do protocolo do pedido na Câmara de Medicamentos (na hipótese do art. 63, §2° da IN SRF n° 247/2002), comprovando que os produtos indicados no item anterior fazem jus ao regime de crédito presumido instituído pela Lei n° 10.147/2000”, concedendo um prazo de 20 dias para oatendimento da intimação. No Termo de Intimação Fiscal de fls. 40/43 a contribuinte foi intimada a apresentar cópia do ato declaratório executivo ou do comprovante do protocolo do pedido na Câmara de Medicamentos, comprovando que determinados produtos indicados fazem jus ao regime de crédito presumido instituído pela Lei n° 10.147/2000. Consta do Termo de Verificação Fiscal que: Em 16/09/2015, o contribuinte solicitou uma prorrogação de 30 dias para apresentação dos documentos solicitados, a qual foi deferida pela autoridade fiscal. Em 16/10/2015, foram apresentados 4 protocolos de requerimentos de habilitação (131 de 26/04/2001; 494283 de 09/05/2001; 500691 de 10/05/2001; e 300769/09 3 de 29/04/2009). Em 04/12/2015, o contribuinte apresentou (fora do prazo estipulado) outros 4 ofícios de habilitação ao crédito presumido da CMED 092138/026 de 20/06/2002; 681 Fl. 7103DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 13 12 SE/CÍVED de 25/06/2010; 1295 SE/CMED de 15/10/2010; e 123 SE/CMED de D6/03/2D14 Devemos destacar que este último ofício foi protocolado em um período posterior ao fiscalizado e, portanto, será desconsiderado. De posse dessa documentação a fiscalização efetuou os seguintes procedimentos de confronto de informações: 1) Selecionamos as notas fiscais de saída válidas emitidas pela empresa fiscalizada nos anos de 2011 e 2012 contendo: · CFOP entre 5100 e 5123; entre 5400 e 5405; entre 6100 e 6123; entre 6400 e 6404; · NCM que começam com 3002101, 3002102, 3002103, 3002201, 3002202, 3006301, 3006302, 3003, 3004; · OU que estejam na seguinte lista: 30012090, 30019010, 30019090, 30029020, 30029092, 3002909, 30051010, 30066000; E que não esteiam na seguinte lista: 30039056 OU 300490463. 2) Com base na descrição da mercadoria de cada item das NFe retornadas na etapa anterior, verificamos se esse produto se encontrava em alguma das planilhas apresentadas pelo contribuinte nos anexos dos requerimentos de habilitação para concessão do crédito presumido, 3) Além disso, alguns produtos que não possuíam a descrição da mercadoria disponível na NFe foram identificados através da sua descrição complementar e adicionados à lista positiva. 4) Por fim, excluímos os cancelamentos de venda e a as devoluções de compra de terceiros relacionadas a essas mercadorias. Em conclusão, constatamos que os seguintes itens e valores constantes nas NFe foram devidamente incluídos n° regime especial de crédito presumido do art. 3e da Lei ns 10.147/2000 (lista positiva): Vale esclarecer que o contribuinte foi intimado (item 3 do Termo de Intimação Fiscal de 26/08/2015) a apresentar um demonstrativo dos produtos que geraram o crédito presumido, Isso seria útil pata demonstrarmos quais os produtos que o contribuinte julgava que dariam direito ao 'édito presumido e os produtos que efetivamente geram direito ao crédito presumido conforme confirmado neste procedimento fiscal, No entanto, embora o contribuinte até teria apresentado dois arquivos com a relação dos produtos que, em sua visão, gerariam o crédito presumido, em alguns meses as planilhas apresentadas não continham a descrição dos produtos conforme requisitado e em outros meses os dados sequer se referiam a produtos, mas se tratavam de serviços de fretes, o que inviabilizou a utilização dos demonstrativos fornecidos pelo contribuinte. Como realizamos o cálculo dos valores dos créditos presumidos com base nas Notas Fiscais Eletrônicas, isto não representou prejuízo à fiscalização. Fl. 7104DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 14 13 Com apoio nessas conclusões, a fiscalização apurou que teria havido um crédito presumido de Cofins utilizado a maior de R$ 113.224.979,79 e um crédito presumido de PIS utilizado a maior de R$ 24.017.419,93 no período de 01/2011 a 12/2012 (fls. 208/209). A contribuinte discorda desse entendimento. À vista das razões apresentadas e visando esclarecer os fatos (e o direito), o processo foi devolvido em diligência (fls. 4757/4761) para que, em relação a tal ponto: b) a fiscalização, considerando o teor do Ofício n° 190/2016 SCMED/GADIP/ANVISA (cópia às fls. 1618/1627), que objetiva esclarecer o alcance do Ofício CMED n° 123/14 (cópia às fls. 1603/1617) que não foi considerado durante o procedimento fiscal, se pronuncie a respeito e informe se mantém o posicionamento adotado e indicado no TVCIF (com a indicação das razões pertinentes) ou se altera esse entendimento, elaborando, nesta hipótese, demonstrativo com a indicação dos ajustes julgados necessários Ao analisar o questionamento constante do Termo de Diligência, a fiscalização, de plano, chamou a atenção para o fato de não ser possível atestar que os medicamentos listados no Ofício n° 123/2014 efetivamente constavam da lista positiva dos anos de 2011/2012, já que o documento “não comprova a partir de quando aquele produto passou a fazer parte desta lista’” (fl. 6346). De fato, analisandose tanto o Ofício n° 123/14 (fls. 1603/1617) quanto o Ofício n° 190/2016 (que objetiva explicar o alcance do ofício de 2014 fls. 1618/1627) há a informação de que a relação de medicamentos elaborada é apenas um “consolidado de todos os medicamentos comercializados pelo Laboratório Pfizer, cujos produtos podem ter entrado em comercialização no mercado nacional em diferentes momentos do tempo, desde o ano de 2001 até o ano de 2014” (fl. 1618). Significa dizer, os medicamentos listados podem ter constado da lista dos anos de 2011/2012 como afirmado pela contribuinte mas também podem ter constado da lista somente nos anos seguintes. Nesse contexto, portanto, e na falta de outros elementos, há que se concordar com a conclusão fiscal. Apesar de a contribuinte discorrer intensamente em sua petição de fls. 6907/6921 sobre a forma como o preço do fabricante e o preço máximo ao consumidor é fixado pela Anvisa, não há como se concordar com a afirmação da contribuinte de que para chegar a tais preços a Anvisa, necessariamente, deve ter levado em consideração os efeitos do benefício fiscal em questão. Os documentos apresentados contêm apenas a indicação de valores que corresponderiam ao preço do fabricante e ao preço máximo ao consumidor relativamente a alguns medicamentos. Nada além disso. Ao contrário do afirmado, portanto, não há como, a partir dos documentos apresentados, chegar à mesma conclusão a que a contribuinte chegou. A propósito, a contribuinte chama a atenção para a existência de uma Lista de Concessão do Crédito Tributário (LCCT) que estaria disponível em sistema próprio da Anvisa e afirma que nesta lista haveria a indicação dos medicamentos que comporiam a lista positiva com a consequente geração de crédito presumido. Considerando que o sistema informado não é público e que depende de cadastramentos e da utilização de senhas específicas, cujo acesso é disponibilizado à contribuinte, entendese que bastaria que ela própria fizesse as consultas necessárias juntando aos autos as provas que ela avaliasse como pertinentes. Na falta desses Fl. 7105DF CARF MF Processo nº 16095.720028/201661 Resolução nº 3302000.900 S3C3T2 Fl. 15 14 elementos, os quais, reforcese, mesmo que apresentados ainda seriam objeto de confirmação fiscal, não há como acatar os argumentos propostos. A questão toda, como se dessume, está na falta de comprovação de que os medicamentos em questão realmente e sem sombra de dúvida estavam compreendidos na lista positiva de 2011/2012. Com estas considerações, voto no sentido de converter o presente julgamento em diligência para baixar os autos em NOVA DILIGÊNCIA para que: 1. a autoridade preparadora indague, via ofício, diretamente ao órgão responsável – ANVISA, atestar se os medicamentos listados no Ofício n° 123/2014 efetivamente constavam da lista positiva dos anos de 2011/2012 ou não; 2. Contudo, se a afirmação contida no item 23 do Recurso Voluntário proceder, que a própria autoridade preparadora utilize o Sistema de Acompanhamento de Mercado de Medicamentos (“SAMMED”) sistema da Agência Nacional de Vigilância Sanitária ("ANVISA") para acessar a Lista de Concessão do Crédito Tributário (“LCCT”), e informe se os medicamentos em questão compunham a lista positiva e geram o crédito presumido n os anos de 2011/2012. Após, intimese a Recorrente para, querendo, apresentar sua manifestação, nos termos do artigo 35, do Decreto nº 7.574/2011. No mesmo diapasão, que se indague à recorrente LABORATORIOS PFIZER LTDA: 3. Especificar os produtos revendidos que também são produzidos pela recorrente. A autoridade fiscal deve atestar e, em caso de discordância, apresentar a relação dos produtos que entende serem produzidos e revendidos pela recorrente, separando dos que são revendidos, mas não são produzidos pela recorrente, juntando suporte documental comprobatório das divergências consideradas; É como voto. Jorge Lima Abud. Fl. 7106DF CARF MF
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Numero do processo: 16643.720002/2013-16
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Nov 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2008, 2009
REMUNERAC¸A~O DE DEBE^NTURES.
O art. 462 do RIR/99 na~o ampara a reduc¸a~o do resultado pela remunerac¸a~o de debe^ntures, quando demonstrado pela Fiscalizac¸a~o que a operac¸a~o foi engendrada apenas entre pessoas ligadas, tendo sido levada a efeito em condic¸o~es anormais e inusuais, dissociadas de uma efetiva realidade negocial, com ni´tido favorecimento a`s pessoas ligadas (no caso, so´cios pessoas fi´sicas) e com o objetivo de reduzir substancialmente a incide^ncia dos tributos incidentes sobre o lucro da pessoa juri´dica emissora dos ti´tulos.
Assunto: Imposto sobre a Renda Retido na Fonte - IRRF
Exercício: 2008, 2009
ABATIMENTO DO IRRF.
Afastando-se a natureza de remuneração de debêntures dedutíveis, deixa de ser pertinente IRRF sobre a operação, fazendo-se necessário o abatimento dos valores recolhidos pelo contribuinte a tal título da exigência fiscal.
Numero da decisão: 9101-003.699
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No me´rito, (i) quanto a` dedutibilidade de despesas com a remunerac¸a~o das debe^ntures, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Lui´s Fla´vio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) quanto ao aproveitamento do IRRF recolhido, por maioria de votos, acordam em dar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Rafael Vidal de Arau´jo, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no me´rito, por maioria de votos, em negar-lhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Rafael Vidal de Arau´jo, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, (i) quanto a` dedutibilidade de despesas com a remunerac¸a~o das debe^ntures, o conselheiro Fla´vio Franco Corre^a.
(assinado digitalmente)
Rafael Vidal de Arau´jo - Presidente em exercício.
(assinado digitalmente)
Luís Flávio Neto - Relator.
(assinado digitalmente)
Fla´vio Franco Corre^a - Redator designado.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Fla´vio Franco Corre^a, Luis Fla´vio Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Arau´jo (Presidente em Exerci´cio)
Nome do relator: LUIS FLAVIO NETO
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O art. 462 do RIR/99 não ampara a reducã̧o do resultado pela remuneracã̧o de deben̂tures, quando demonstrado pela Fiscalização que a operacã̧o foi engendrada apenas entre pessoas ligadas, tendo sido levada a efeito em condicõ̧es anormais e inusuais, dissociadas de uma efetiva realidade negocial, com nítido favorecimento às pessoas ligadas (no caso, sócios pessoas físicas) e com o objetivo de reduzir substancialmente a incidência dos tributos incidentes sobre o lucro da pessoa jurídica emissora dos títulos. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA RETIDO NA FONTE IRRF Exercício: 2008, 2009 ABATIMENTO DO IRRF. Afastandose a natureza de remuneração de debêntures dedutíveis, deixa de ser pertinente IRRF sobre a operação, fazendose necessário o abatimento dos valores recolhidos pelo contribuinte a tal título da exigência fiscal. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial do Contribuinte. No mérito, (i) quanto à dedutibilidade de despesas com a remuneracã̧o das debêntures, por maioria de votos, acordam em negar provimento ao recurso, vencidos os conselheiros Luís Flávio Neto (relator), Cristiane Silva Costa e Gerson Macedo Guerra, que lhe deram provimento e (ii) quanto ao aproveitamento do IRRF recolhido, por maioria de votos, acordam em darlhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal Wagner e Rafael Vidal de Araújo, que lhe negaram provimento. Acordam, ainda, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, por maioria de votos, em negarlhe provimento, vencidos os conselheiros Viviane Vidal AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 16 64 3. 72 00 02 /2 01 3- 16 Fl. 1102DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.103 2 Wagner e Rafael Vidal de Araújo, que lhe deram provimento. Designado para redigir o voto vencedor, (i) quanto à dedutibilidade de despesas com a remuneração das debêntures, o conselheiro Flávio Franco Corrêa. (assinado digitalmente) Rafael Vidal de Araújo Presidente em exercício. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Relator. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa Redator designado. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Flávio Franco Corrêa, Luis Flav́io Neto, Viviane Vidal Wagner, Gerson Macedo Guerra, Demetrius Nichele Macei, Rafael Vidal de Araújo (Presidente em Exercício) Relatório Tratase de recursos especiais interpostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional e pelo HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A. Ao lavrar o AIIM, o i. agente fiscal assim descreveu o seu entendimento quanto ao presente caso, in verbis: “No decorrer da fiscalização, constatamos que a empresa deduziu do “Resultado do Período de Apuraçaõ”, os valores de R$ 22.144.505,80 e R$ 33.986.481,72, nos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente, a título de “Participação de Debêntures” (ficha 6A, item 58 da DIPJ 2009 e item 62 da DIPJ 2010). Intimada a detalhar os valores acima (item 2 do Termo de Início de Ação Fiscal), a fiscalizada forneceu planilhas e razões das contas contábeis onde constam os lançamentos referentes à operaçaõ em questão, bem como Livro Diário de 1998. Apresentou ainda atas das assembléias relativas às debêntures emitidas, bem como Escritura de Emissão de Debêntures registrada no 1o Oficial de Registro de Imóveis de São Paulo. Em Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15 de abril de 1998, os dirigentes e acionistas representantes da totalidade do capital social do HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A, deliberaram a emissão privada de 21.000 (vinte e uma mil) debêntures série única, do tipo subordinadas, nominativas, endossáveis e não conversíveis em ações, com participação nos lucros, sem vencimento préfixado, com valor unitário de R$ 1.000,00 (um mil reais) e valor global de emissão de R$ 21.000.000,00 (vinte e um milhões de reais); As referidas debêntures foram adquiridas pelos sócios na seguinte proporção: (...) Fl. 1103DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.104 3 No entanto, do total de R$ 21.000.000,00 subscrito, R$ 5.052.000,00 originaramse da transferen̂cia de saldo de Lucros Acumulados, sendo R$ 1.685.000,00 destinado para cada debenturista. Assim, o montante ingressado na sociedade através de recursos provenientes dos sócios foi de R$ 15.948.000,00, conforme abaixo descrito: (...) De acordo com a ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15 de abril de 1998, no item F.1, a única forma de remuneraca̧õ das debêntures prevista era a participaçaõ nos lucros, à razão de 50% (cinqüenta por cento) sobre o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano, a partir de 31/12/1998, antes da provisão para o Imposto de Renda. Em AGE de 02 de junho de 1999 (averbada em 06/07/1999), os sócios da fiscalizada aprovaram o aumento da remuneração das debêntures, que passou a ser de 65% (sessenta e cinco por cento) dos lucros, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. Na AGE de 07 de janeiro de 2002 (averbada em 02/04/2002), foi aprovado novo aumento da remuneração das debêntures, passando a ser de 85% (oitenta e cinco por cento) dos lucros, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. (grifos no original) No período objeto do presente Termo de Verificação Fiscal (2008 e 2009), foram pagos os seguintes valores a título de remuneração de debêntures: (...) É importante ressaltar que as contas criadas em Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participacõ̧es para controlar os valores provisionados a título de remuneracã̧o de debêntures são as mesmas utilizadas para controlar as provisões para distribuição de lucros, quais sejam: a) Eduardo Rahme Amaro conta no 2.2.4.001.00001 b) Antonio Rahme Amaro conta no 2.2.4.001.00002 c) Edma Huespe Amaro conta no 2.2.4.001.00003 Nestas três contas passivas são lançados mensalmente os valores relativos à provisão de distribuiçaõ de debêntures, que representa 85% do lucro apurado em cada mês, a deb́ito da conta de resultado denominada “Juros Passivos”, conforme já demonstrado anteriormente. (...) De acordo com a ata da Assembléia Geral Extraordinária realizada em 15 de abril de 1998, no item F.1, a única forma de remuneraca̧õ das debêntures prevista era a participaçaõ nos lucros, à razão de 50% (cinqüenta por cento) sobre o lucro apurado em 31 de dezembro de cada ano, a partir de 31/12/1998, antes da provisão para o Imposto de Renda. Em AGE de 02 de junho de 1999 (averbada em 06/07/1999), os sócios da fiscalizada aprovaram o aumento da remuneração das debêntures, que passou a ser de 65% (sessenta e cinco por cento) dos lucros, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. Na AGE de 07 de janeiro de 2002 (averbada em 02/04/2002), foi aprovado novo aumento da remuneração das debêntures, passando a ser de 85% (oitenta e cinco por cento) dos lucros, antes da provisão para o Imposto sobre a Renda. (grifos no original) No período objeto do presente Termo de Verificação Fiscal (2008 e 2009), foram pagos os seguintes valores a título de remuneração de debêntures: (...) É importante ressaltar que as contas criadas em Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participacõ̧es para controlar os valores provisionados a título de remuneracã̧o de debêntures são as mesmas utilizadas para controlar as provisões para distribuição de lucros, quais sejam: Fl. 1104DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.105 4 a) Eduardo Rahme Amaro conta no 2.2.4.001.00001 b) Antonio Rahme Amaro conta no 2.2.4.001.00002 c) Edma Huespe Amaro conta no 2.2.4.001.00003 Nestas três contas passivas são lançados mensalmente os valores relativos à provisão de distribuiçaõ de debêntures, que representa 85% do lucro apurado em cada mês, a deb́ito da conta de resultado denominada “Juros Passivos”, conforme já demonstrado anteriormente. (...) Estas contas representativas de obrigações da empresa junto aos três sócios (Juros e Participacõ̧es: 2.2.4.001.00001 / 00002 / 00003) vão sendo debitadas conforme os mesmos vão retirando dinheiro da empresa, geralmente através de transferência bancária ou depósito. Na verdade, a empresa retira 85% do lucro antes de calcular o IRPJ e a CSLL e lanca̧ como obrigação junto aos sócios em contas do Passivo Exigível a Longo Prazo. No entanto, esses valores não são repassados integralmente aos sócios. Conforme estes vão fazendo retiradas de numerários da empresa, esses valores vão sendo descontados dessas contas passivas, segundo critérios e periodicidade não esclarecidos a esta fiscalização. Esta discrepância entre o valor retirado do lucro e aquele efetivamente pago ao sócio fica ainda mais gritante no caso da sócia Edma Huespe Amaro. Ao observarmos a conta de provisão de remuneraçaõ de debêntures devida a ela, identificamos que ela “saca” quase mensalmente o valor fixo de R$ 25.000,00. E mais, em vários recibos apresentados consta a anotaçaõ de “prólabore”. Ainda, no mês de dezembro consta o pagamento de R$ 25.000,00 com a identificaca̧õ de 13º salário no histórico do lanca̧mento contab́il. Ora, se a participaçaõ de debêntures é calculada por meio de um percentual sobre o lucro, conforme a fiscalizada esclareceu, é incoerente que o valor repassado ao sócio seja um valor fixo mensal (e não o percentual calculado sobre o lucro), o que reforça a descaracterização da operacã̧o como remuneracã̧o de deben̂tures. Questionada sobre tal situação por meio do Termo de Intimação n. 04, de 03/07/2012, a empresa informou que o crédito referente ao pagamento de debêntures ficou a ̀disposicã̧o da sócia, tendo sido pagas as parcelas fixas de R$ 25.000,00 em virtude de pedido verbal desta. Assim, retirase uma parcela enorme do lucro a título de pagamento de debêntures, que fica creditado numa conta do Passivo, mas o valor efetivamente repassado ao sócio é menor, restando sempre um saldo positivo na conta, conforme se verifica na tabela abaixo: (...) Fica evidente, assim, que as debêntures são apenas um artifício criado pela empresa para retirar da base de cálculo do IRPJ e da CSLL parte significativa do lucro, que fica separada numa conta do Passivo Realizável a Longo Prazo. Conforme a empresa paga valores aos sócios, sob quaisquer pretextos, estes valores vão sendo lançados a deb́ito da conta de provisão de debêntures, diminuindo seu saldo, dando uma aparente validade jurídica para o suposto pagamento de remuneraca̧õ de debêntures, que na realidade tratase de distribuica̧õ de lucro, indedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL. Esta fiscalização tentou por três vezes obter esclarecimentos quanto ao critério utilizado pela empresa para calcular os valores efetivamente pagos aos sócios debenturistas. A empresa foi intimada por meio dos Termos de Intimação no 2 e 3 a demonstrar os cálculos dos valores debitados das contas passivas em que provisiona a remuneração de deben̂tures (que coincidem com os recibos apresentados). Fl. 1105DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.106 5 No entanto, a empresa simplesmente restringiuse a informar que os valores creditados naquelas contas tem̂ origem no percentual de 85% calculado sobre o lucro anual, o que corrobora o entendimento de que os efetivos pagamentos aos sócios (lançados a débito daquelas contas) não tem̂ correlação com a suposta participação de deben̂tures, tratandose apenas de uma tentativa de dar validade jurídica para um mecanismo criado para reduzir a carga tributária da empresa. Assim, as despesas com remuneraca̧õ de debêntures, nos valores de R$ 22.144.505,80 e R$ 33.986.481,72, deduzidas pela fiscalizada da base de cálculo do Imposto de Renda da Pessoa Jurídica e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido nos anoscalendário de 2008 e 2009, respectivamente, constituem infração à legislação tributária conforme a seguir demonstramos.” Ao analisar o caso, a decisão recorrida restou assim ementada: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Anocalendário: 2008, 2009 REDUÇAÕ DOS LUCROS POR REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. O art. 462 do RIR/99 não ampara a redução do resultado pela remuneração de debêntures, quando demonstrado pela fiscalizaçaõ que a operaçaõ foi engendrada apenas entre pessoas ligadas, tendo sido levada a efeito em condições anormais e inusuais, dissociadas de uma efetiva realidade negocial, com nítido favorecimento às pessoas ligadas (no caso, sócios pessoas físicas) e com o objetivo de reduzir substancialmente a inciden̂cia dos tributos incidentes sobre o lucro da pessoa jurídica emissora dos títulos. IRRF. DEDUÇÃO DO VALOR PAGO. DISTRIBUIÇAÕ DISFARÇADA DE LUCROS. Das despesas que foram pagas a título de remuneração das debêntures, com retenção de imposto de renda exclusiva de fonte, uma parte delas, após a inciden̂cia do IRPJ e da CSLL, revelase como lucros passíveis de distribuição, os quais não estariam sujeitos à retenção do imposto por ocasião de sua distribuica̧õ. No caso, a própria fiscalização requalificou os valores pagos como distribuica̧õ disfarçada de lucros. Assim, para restabelecer a verdade dos fatos, cabe o estorno da parte do imposto de renda, indevidamente retido na fonte e comprovadamente pago, que corresponda proporcionalmente à parcela que poderia ser distribuída com isenção. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO CSLL Anocalendário: 2008, 2009 REDUÇAÕ DOS LUCROS POR REMUNERAÇÃO DE DEBÊNTURES. DISTRIBUIÇÃO DISFARÇADA DE LUCROS. São indedutíveis, devendo ser adicionados à base de cálculo da CSLL, os valores pagos a título de remuneraçaõ de debêntures, tendo em vista os contornos de artificialidade presentes na operação, e a expressa previsão legal de tributação, por esta contribuição, dos lucros distribuídos disfarca̧damente. ASSUNTO: NORMAS DE ADMINISTRAÇÃO TRIBUTÁRIA Anocalendário: 2008, 2009 ARROLAMENTO PARA FINS DE CONTROLE. POSSIBILIDADE. Na esteira das decisões proferidas pelos tribunais superiores e nos termos da legislação, é lícito o arrolamento de bens como medida acautelatória, sempre que o crédito tributário total lançado contra o sujeito passivo exceder 30% do seu patrimônio conhecido. Como se pode observar, embora a Turma a quo tenha considerado necessária a glosa de despesas com o pagamento de debêntures, considerou cabível o abatimento do valor do "IRRF" recolhido pela companhia. Fl. 1106DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.107 6 A PFN, então, interpôs recurso especial, requerendo a reforma parcial do acórdão a quo, a fim de afastar o aludido abatimento do valor do "IRRF" recolhido pela companhia (efls. 881 e seg.). O aludido recurso foi admitido por despacho (efls. 894 e seg.). O contribuinte apresentou contrarrazões, em que requer o não conhecimento do recurso especial da PFN e, caso conhecido, o seu não provimento (efls. 924 e seg.). O contribuinte também opôs embargos de declaração (efls. 914 e seg.), os quais foram rejeitados por despacho (efls. 937 e seg.). O contribuinte, então, interpôs recurso especial, arguindo divergência de interpretação quanto ao mérito da dedutibilidade das despesas com debêntures, inclusive por não restar caracterizada hipótese disponibilidade disfarçada de lucros (DDL), bem como o abatimento integral do IRRF em questão (efls. 952 e seg.), o qual foi admitido por despacho (efls. 1045 e seg.). A PFN apresentou contrarrazões, em que, embora não se oponha ao conhecimento do recurso especial, requer lhe seja negado provimento (efls. 1054 e seg.). Concluise, com isso, o relatório. Voto Vencido Conselheiro Luís Flávio Neto, Relator. CONHECIMENTO Compreendo que o despacho de admissibilidade bem analisou o cumprimento dos requisitos para o recurso especial do contribuinte, razão pela qual não merece reparo, adotandose, neste voto, os seus fundamentos. Notese que a PFN também não apresenta oposição ao conhecimento deste. Contudo, em sede de contrarrazões, o contribuinte requer que o recurso especial interposto pela PFN não seja conhecido. Alega que o acórdão apresentado como paradigma de divergência (ac. 120200335) apresentaria distinções significativas do acórdão recorrido capazes de tornálo inábil para demonstrar a divergência de interpretação requerida pelo RICARF, em especial: o acórdão paradigma teria compreendido inexistir fundamento legal para a abatimento do valor recolhido a título de IRRF da exigência atinente ao IRPJ/CSLL decorrente da glosa de despesas com debêntures; o acórdão recorrido não teria feito referência ao art. 231 do RIR/99, enquanto o acórdão paradigma o teria utilizado como fundamento para negar o aludido abatimento. Compreendo não assistir razão à oposição do contribuinte quanto ao conhecimento do recurso especial interposto pela PFN. Tanto o acórdão paradigma como o acórdão recorrido enfrentam a mesma questão: com a desconsideração para fins fiscais da operação de emissão de debentures e a glosa das despesas que supostamente teriam sido incorridas pelo contribuinte para a sua Fl. 1107DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.108 7 correspondente remuneração, o “IRRF” (devido na hipótese de regular remuneração de debêntures) pode (ou não) ser abatido da exigência fiscal dai decorrente? Ao enfrentar a mesma questão, os acórdãos em análise chegaram a conclusões diversas. É possível transportar a decisão do acórdão recorrido ao caso do acórdão paradigma (e viceversa), de forma que, coerentemente, o resultado do julgamento quanto à matéria em questão seria alterado. As distinções arguidas pelo contribuinte em relação ao acórdão paradigma e recorrido apenas justificam a conclusão diversa alcançada por cada qual: enquanto o acórdão recorrido compreendeu haver fundamento legal para autorizar o aludido abatimento, o acórdão paradigmático teria entendido que não. Nesse seguir, voto no sentido de conhecer o recurso especial interposto pela PFN adotandose, ainda, os fundamentos presentes no anterior despacho de admissibilidade, que decidiu lhe dar seguimento. MÉRITO 1. Dedutibilidade de despesas com a remuneração das debêntures. No presente caso, é necessário decidir se a natureza jurídica das despesas incorridas pelo contribuinte seria de “remuneração de debêntures” ou se esse instituto restaria desfigurado. O tratamento fiscal das despesas com remuneração de debêntures é previsto em norma específica, veiculada pelo art. 462 do RIR/99: Art. 462. Podem ser deduzidas do lucro líquido do período de apuração as participações nos lucros da pessoa jurídica (DecretoLei nº 1.598, de 1977, art. 58): I asseguradas a debêntures de sua emissão; II atribuídas a seus empregados segundo normas gerais aplicáveis, sem discriminações, a todos que se encontrem na mesma situação, por dispositivo do estatuto ou contrato social, ou por deliberação da assembléia de acionistas ou sócios quotistas; III atribuídas aos trabalhadores da empresa, nos termos da Medida Provisória nº 1.76955, de 1999 (art. 359). Preenchida a hipótese de incidência do art. 462 do RIR/99, deve ser garantida a dedutibilidade das despesas incorridas pela companhia com a remuneração de seus debenturistas. Na presença de regra específica, não há que se cogitar a aplicação da regra geral contida no art. 299 do RIR/99. No caso dos autos, a autuação fiscal baseouse no entendimento de que as despesas em questão não se poderia atribuir o título jurídico de debêntures com as consequências fiscais dai decorrentes, tendo em vista, em especial, que a remuneração dos títulos foi estipulada apenas com base em participação nos lucros das pessoas jurídicas emissoras, os acionistas também assumiam a condição de debenturistas das empresas emitentes, a adoção do instrumento em questão teria como função reduzir o lucro tributável. Entendeu o i. agente fiscal ser hipótese de distribuição disfarçada de lucros. Tais fatores, contudo, não são suficientes para descaracterizar a natureza jurídica das debêntures e a incidência da norma do art. 462 do RIR/99. Fl. 1108DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.109 8 Não há qualquer impedimento legal para que os próprios acionistas da contribuinte subscrevessem debêntures de emissão da empresa, remuneradas exclusivamente com base em participação nos lucros. Deve ser observada a regra geral de que restrições de direitos não se presumem. Aludida regra geral resta confirmada, inclusive, em face do artigo 57, § 10, da Lei das SA, que assegura a preferência dos acionistas a certas debentures, o que evidencia que a sua subscrição é plenamente permitida a esses agentes. Houve efetivo ingresso de recursos novos na contribuinte. A autoridade fiscal questiona, na verdade, as razões pelas quais o ingresso em questão teria ocorrido, afastando a qualificação de debêntures atribuída pelas partes. Por sua vez, a remuneração exclusiva com base em participação nos lucros é expressamente tutelada pela Lei das SA, em seu art. 56. Ainda que se possa dizer que a remuneração por meio de (ou também por meio de) juros seja mais usual, não há como negar se que a legislação autoriza a remuneração de debêntures apenas com base nos lucros auferidos pela companhia. Não se pode deixar de observar a presença de elementos atípicos, como a majoração no percentual de participação nos lucros por meio das debêntures, o que conduziu ao pagamento de valores bastante substanciais no decorrer nos anos e que poderiam, em tese, ser indício da prática de atos simulados, com dolo para a evasão tributária. No entanto, não foi essa a linha traçada pelo i. agente fiscal, que sequer aplicou multa qualificada ao caso concreto. Ressaltese, ainda, que o Poder Judiciário tem se inclinado no mesmo entendimento adotado no presente voto, com destaque ao acórdão proferido pelo e. Tribunal Regional Federal da 3a Região, nos autos da apelação e reexame necessário n. 2010.61.00.0078883/SP,: TRIBUTÁRIO.DIFERENÇA DE CRÉDITOS TRIBUTÁRIOS IRPJ/CSLL. GLOSA NAS BASES DE CÁLCULOS. REMUNERAÇÃO DEBÊNTURES EMITIDAS PELA APELADA E SUBSCRITAS PELOS SEUS ACIONISTAS. PRELIMINAR CONTRARRAZÕES. REJEITADA. REMESSA OFICIAL E APELAÇAO UNIÃO FEDERAL. IMPROVIDAS. Afastada a preliminar arguida em contrarrazões, de não conhecimento do apelo por ausência de ataque às razões da sentença, porquanto nos termos do citado artigo 514, inciso II, do Código de Processo Civil de 1973, a apelação deve apresentar os fundamentos de fato e de direito. Tratase, pois, da positivação do denominado "princípio da dialeticidade", o qual cumpre ao apelante apresentar as razões de sua inconformidade, impugnando os argumentos da decisão proferida na origem.No caso em apreço, as razões de apelação apresentadas pela ré enfrentam os argumentos contidos no julgado singular. No tocante à possibilidade da remuneração das debêntures exclusivamente com base na participação nos lucros, há que se observar o disposto no art. 56 da Lei 6.404/76. Da leitura de tal dispositivo, depreendese que a debênture pode atribuir ao seu titular juros e/ou participação no lucro e/ou prêmio de reembolso, de onde se conclui que o pagamento de juros é, portanto, uma faculdade prevista na referida legislação. A ausência de circulação monetária, no sentido exclusivamente físico, não implica na inexistência de circulação econômica e jurídica de recursos financeiros. As debêntures diferenciamse de despesas operacionais, na medida em que as despesas operacionais alcançam insumos ou custos diversos do contribuinte e não deduções financeiras como as debêntures. Fl. 1109DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.110 9 In casu, não há como ser acolhida a pretensão da apelante, visto que o disposto no art. 47 e parágrafos da Lei nº 4.506/64 (e art. 299 do RIR), não se aplica à questão suscitada nos autos, porquanto não refletem os fatos ora narrados, bem como anterior à vigência da legislação que dispõe sobre dedutibilidade de despesas. O disposto no art. 462 do RIR/99 não impõe qualquer restrição quanto à dedutibilidade da remuneração das debêntures salvo as regras gerais próprios dos atos jurídicos gerais, a sua efetiva existência, validade, como a forma e os seus requisitos gerais. O art. 187 da Lei das S/A obedece ao critério de divisão de resultados. A operação efetivada pela apelada, portanto, atende aos requisitos de validade dos atos jurídicos em geral, então prevista no art. 82 do CC/1916, quais sejam objeto lícito, agentes capazes e forma prescrita em lei. No caso concreto, a emissão das debêntures obedeceu às disposições da Lei da S/A como a preferência de sua emissão aos acionistas. O fato de os acionistas terem sido os subscritores das debêntures não descaracterizou o negócio ou o tornou ilegal, eis que é expressamente previsto em lei a possibilidade dos acionistas da companhia passarem a ser seus debenturistas, aspecto que não pode ser utilizado para caracterizar a operação como anormal e, portanto, desnecessária. Constada a legalidade e eficácia da emissão de debêntures e sua subscrição, devendo ser afastada a glosa da base de cálculo efetuada efetivada pela autoridade fiscal no IRPJ da autora no processo administrativo nº. 19.515.002923/200385. Não havendo previsão legal à adição de despesas operacionais não dedutíveis para o IRPJ (art. 47 da Lei 4.506/64), não se pode exigir da apelada qualquer quantia a título de CLS, visto que ausente previsão legal que determinasse a adição dessas despesas em sua base de cálculo. Na hipótese dos autos, considerando o valor da causa (R$ 22.633.213,49 em 07/04/2010 fls. 76), bem como a matéria discutida nos autos, o trabalho realizado pelo advogado e o tempo exigido ao seu serviço, mantidos os honorários advocatícios nos termos em que fixado pelo r. juízo a quo (1%). De acordo com os enunciados aprovados pelo Plenário do C. STJ, na sessão de 09/03/2016, a data do protocolo do recurso é parâmetro para aplicação da honorária de acordo com as regras do então vigente Código de Processo Civil/1973. Negado provimento à remessa oficial e à apelação da União Federal. Ademais, a autuação fiscal também compreendeu aplicável ao caso o art. 464, VI, do RIR/99, imputando ao contribuinte a distribuição disfarçada de lucros: Seção II Lucros Distribuídos Disfarca̧damente Art. 464. Presumese distribuica̧õ disfarçada de lucros no negócio pelo qual a pessoa jurídica (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 60, e DecretoLei no 2.065, de 1983, art. 20, inciso II): (...) VI realiza com pessoa ligada qualquer outro negócio em condicõ̧es de favorecimento, assim entendidas condições mais vantajosas para a pessoa ligada do que as que prevaleçam no mercado ou em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros. Determina o art. 467, V, do RIR/99, que não será dedutível a parcela que exceder o montante que seria verificado caso não houvesse a aludida condição de favorecimento: Fl. 1110DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.111 10 Art. 467. Para efeito de determinar o lucro real da pessoa jurídica (DecretoLei no 1.598, de 1977, art. 62, e DecretoLei no 2.065, de 1983, art. 20, incisos VII e VIII): (...) V no caso do inciso VI do art. 464, as importan̂cias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condições de favorecimento, não serão dedutíveis. No presente caso, contudo, não foi evidenciada pelo i. agente fiscal qual seria a remuneração das debentures que se verificariam não fossem as supostas “condições de favorecimento”. Na realidade, a fiscalização glosou a totalidade das despesas, não se atentando que, se realmente fosse o caso de aplicação da norma de DDL, apenas uma parcela das despesas não seriam dedutíveis, atinente às “importâncias pagas ou creditadas à pessoa ligada, que caracterizarem as condicõ̧es de favorecimento”. Nesse cenário, voto no sentido de dar provimento ao recurso do contribuinte. 2. Aproveitamento do IRRF recolhido Por restar vencido quanto ao mérito do recurso especial interposto pelo contribuinte, passo à análise do recurso interposto pela PFN, bem como do segundo tópico do recurso especial do contribuinte. A parcela da decisão recorrida, contra a qual a PFN se volta, restou assim fundamentada: "Por fim, retomando a observação anteriormente feita, o fato de se dar aos valores pagos o tratamento de lucros distribuídos implica, a meu modo de ver, a possibilidade de aproveitamento do imposto de renda retido na fonte efetivamente pago, nos moldes que a seguir se discorrerá, uma vez que tal imposto, ou ao menos parte dele, não seria devido na hipótese de distribuicã̧o de lucros. Vale observar que, no caso, é inconteste que a fiscalização requalificou os fatos, e, neste sentido, já me manifestei em outras ocasiões que a requalificação deve ser feita de modo integral. Neste sentido, por exemplo, as seguintes ementas em acórdãos de minha relatoria: (...) Nesta ocasião, ratificando meu entendimento sobre esta questão, e em razão de todo o exposto, dou parcial provimento ao recurso voluntário, para reduzir, do valor do imposto de renda lançado em 2008 e 2009, os montantes de R$ 3.653.843,45 e de R$ 5.607.769,57, respectivamente, correspondentes à parcela de 82,50% do valor do imposto retido na fonte sobre as importan̂cias pagas a título de remuneraçaõ das debêntures." Compreendo que o contribuinte faz jus ao abatimento integral do IRRF em questão. Diante da desconsideração dos efeitos jurídicos das operações realizadas pelo contribuinte, de tal forma que as despesas incorridas pela recorrente não mais ostentariam a natureza jurídica de debêntures, a remuneração delas decorrentes não se sujeitariam à regra dededutibilidade que lhe é inerente, bem como deixa de ser aplicável aos pagamentos em questão a regra que determina a retenção de IRRF sobre a remuneração de debêntures. Com a desconsideração para fins fiscais da natureza jurídica das debêntures e das correspondentes despesas incorridas pela companhia com a sua remuneração, é decorrência lógica e necessária igualmente compreender que o IRRF deixa de ser cabível, devendo ser Fl. 1111DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.112 11 considerados como equivocados, de tal forma que podem ser aproveitados para o abatimento dos valores devidos. Nesse sentido, inclusive, tem sido a reiterada jurisprudência desta 1a Turma da CSRF. Por todo o exposto, voto por conhecer e DAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pelo contribuinte, bem como NEGAR PROVIMENTO ao recurso especial interposto pela PFN. (assinado digitalmente) Luís Flávio Neto Fl. 1112DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.113 12 Voto Vencedor Coubeme o voto vencedor quanto à dedutibilidade da remuneracã̧o das deben̂tures. De acordo com o TVF, tais são os fatos relevantes ao presente julgamento: 1) em AGE realizada em 15/04/1998, os dirigentes e acionistas representantes da totalidade do capital social de HOSPITAL E MATERNIDADE SANTA JOANA S/A deliberaram a emissão privada de 21.000 (vinte e uma mil) debêntures, série única, tipo subordinadas, nominativas, endossáveis e não conversíveis em ações, com participação nos lucros, sem vencimento prefixado, com valor unitário de R$ 1.000,00 (um mil reais) e valor global de emissão de R$ 21.000.000,00 (vinte e um milhões de reais); 2) no entanto, do total de R$ 21.000.000,00 subscrito, R$ 5.052.000,00 originaramse da transferência de saldo de Lucros Acumulados, sendo R$ 1.685.000,00 destinados a cada debenturista. Assim, o montante ingressado na sociedade mediante recursos provenientes dos sócios foi de R$ 15.948.000,00; 3) pela subscrição das debêntures, a fiscalizada efetuou os seguintes lançamentos contábeis, no Livro Diário de 1998: D – Lucros Acumulados (conta nº 941) (Patrimônio Líquido) C – Debêntures – Dr. Eduardo Rahme Amaro (conta nº 7991) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Dr. Antonio Rahme Amaro (conta nº 7992) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Edma Huespe Amaro (conta nº 7993) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) D – Bancos Conta Movimento (conta nº 11) (Ativo Circulante / Disponível ) C – Debêntures – Dr. Eduardo Rahme Amaro (conta nº 7991) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Dr. Antonio Rahme Amaro (conta nº 7992) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) C – Debêntures – Edma Huespe Amaro (conta nº 7993) (Passivo / Exigível a Longo Prazo) 4) em AGE de 07/01/2002, aprovouse novo aumento da remuneração das debêntures, passando para 85% dos lucros, antes da provisão para o IRPJ; 5) em 2008 e 2009, a fiscalizada efetuou o pagamento dos seguintes valores, a título de remuneração de debêntures: Ano Lucro Líquido Valor Distribuído (85%) IRRF (20%) Remuneração Líquida 2008 R$ 26.052.359,75 R$ 22.144.505,80 R$ 4.428.901,16 R$ 17.715.604,64 2009 R$ 39.984.096,81 R$ 33.986.482,29 R$ 6.797.296,46 R$ 27.189.185,83 Fl. 1113DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.114 13 6) pela apropriação das parcelas dos juros, a fiscalizada efetuou o registro de provisões por meio de lançamentos contábeis (mensais), em 2008 e 2009, em contas criadas no Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participações (Juros e Participações: 2.2.4.001.00001 / 00002 / 00003), a debito da conta de resultado "Juros Passivos" nº 4.1.3.003.00003"; 7) a fiscalizada efetuou diversos lançamentos contábeis para registrar os efetivos pagamentos aos debenturistas, na contabilidade de 2008 a 2009, em valores sempre inferiores aos provisionados, a débito da conta do Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participações (Juros e Participações: 2.2.4.001.00001 / 00002 / 00003). A fiscalizada não informou os critérios e a periodicidade das retiradas dos sócios: 8) as contas criadas em conta do Passivo Exigível a Longo Prazo/Juros e Participações (Juros e Participações: 2.2.4.001.00001 / 00002 / 00003) para controlar os valores provisionados, a título de remuneração de debêntures, são as mesmas utilizadas para controlar as provisões para distribuição de lucros; 9) nas contas passivas mencionadas no item 7, supra, são lançados mensalmente os valores relativos à provisão de distribuição de debêntures, que representam 85% do lucro apurado em cada mês, a débito da conta de resultado denominada “Juros Passivos"; 10) essas contas representativas de obrigações da empresa em relação aos sócios (Juros e Participações: 2.2.4.001.00001 / 00002 / 00003) são debitadas quando os participantes no capital retiram dinheiro da pessoa jurídica, geralmente mediante transferência bancária ou depósito; 11) ao observar a conta de provisão de remuneração de debêntures devida à sócia Edma Huespe Amaro ela, verificamse "saques" mensalmente efetuados por ela, no valor fixo de R$ 25.000,00. E mais: em vários recibos apresentados, consta a anotação de “pró labore”. Ainda, no mês de dezembro, consta o pagamento de R$ 25.000,00 com a identificação de 13º salário, no histórico do lançamento contábil; 12) uma parcela enorme do lucro é destinada para pagamento de debêntures, registrada a crédito em conta do Passivo, mas o valor efetivamente repassado ao sócio é menor, restando sempre um saldo positivo na conta; 13) a fiscalizada simplesmente restringiuse a informar que os valores creditados nas contas de passivo, citadas no item 8, acima, têm origem no percentual de 85% calculado sobre o lucro anual; 14) o caso em exame expõe emissão privada, exclusivamente em nome dos três sócios administradores da fiscalizada, isto é, sequer ofertado ao mercado, sem prazo determinado (“ad aeternum”); 15) ao final de 1999, ano seguinte ao da emissão das debêntures, a fiscalizada já havia remunerado os debenturistas com mais de 100% do capital “emprestado” (total de R$ 24.507.988,95, ou seja, 116,70% dos R$ 21.000.000,00 captados); 16) passados onze anos, a remuneração acumulada paga aos sócios debenturistas totaliza R$ 142.940.427,56, ou seja, um retorno de 680,67% em relação ao capital investido, de R$ 21.000.000,00. Fl. 1114DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.115 14 A partir desses fatos, concluise: a) se a participação de debêntures é calculada por meio de um percentual sobre o lucro, é incoerente que o valor repassado ao sócio seja um valor fixo mensal (e não o percentual calculado sobre o lucro), o que reforça a descaracterização da suposta remuneração de debêntures; b) a mencionada remuneração das debêntures, emitidas pela fiscalizada, não tem paralelo com o mundo real, e isso explica por que os debenturistas eram os próprios sócios, exclusivamente. Vale dizer, não houve oferta de debêntures ao mercado; c) as pessoas ligadas (isto é, os sócios) não lograriam obter, no mercado, condições mais favoráveis àquelas que obtiveram, com os recebimentos efetuados a título de renda proveniente das debêntures; d) não é crível que, no mundo real, uma pessoa jurídica ofereça a pessoas estranhas ao quadro societário, a título de remuneração por empréstimo, participação de 85% de seu lucro anual; e) não é usual o comprometimento de 85% do resultado da pessoa jurídica, por prazo ilimitado, mediante remuneração a debenturistas; f) o montante de pagamentos efetuados, ao longo dos anos, justifica a desnecessidade de demonstração da diferença entre o valor da remuneração atribuída às debêntures e o valor da eventual despesa apurada com base em quaisquer taxas de juros do mercado financeiro; f) o sujeito passivo não provou que o negócio foi realizado no interesse da pessoa jurídica e em condições estritamente comutativas, ou em condições em que a pessoa jurídica contrataria com terceiros, como exige o § 3º do artigo 464 do RIR/99, para fins de desconstituir a presunção de distribuição disfarçada de lucros; Portanto: 1) os alegados pagamentos a título de remuneração de debêntures mascaram a distribuição de lucro, indedutível das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL; 2) a fiscalizada utilizouse de um mecanismo planejado para aparentar emissão de debêntures, não para alavancar seus negócios é óbvio e, sim, com o objetivo de aumentar, artificialmente, despesas supostamente dedutíveis do lucro líquido, ao arrepio da legislação tributária; 3) na verdade, os autos denotam a utilização indevida da forma da remuneração de debêntures; 4) o caso debatido nos autos revela a prática de atos de mera liberalidade da fiscalizada, que, nos termos postos, não são oponíveis ao Fisco, uma vez confirmado que o objetivo por trás dos citados pagamentos era o de transformar o pagamento de lucro em despesas, assim reduzindo a carga tributária. Fl. 1115DF CARF MF Processo nº 16643.720002/201316 Acórdão n.º 9101003.699 CSRFT1 Fl. 1.116 15 Em face do exposto, restou provada a distribuição disfarçada de lucros, em consonância com o artigo 464, inciso VI, do RIR/99, devendose, em consequência, considerar legítima a glosa efetuada pela Fiscalização, em conformidade com o artigo 467, inciso V, do RIR/99. Diante disso, conheço do Recurso Especial do contribuinte para, no mérito, negarlhe provimento, quanto à dedutibilidade da remuneracã̧o das deben̂tures. É como voto. (assinado digitalmente) Flávio Franco Corrêa. Fl. 1116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13688.000003/2007-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Nov 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 11 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 2002-000.044
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade preparadora informe a data de protocolo do recurso voluntário interposto.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: CLAUDIA CRISTINA NOIRA PASSOS DA COSTA DEVELLY MONTEZ
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento em diligência, para que a Unidade preparadora informe a data de protocolo do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente e Relatora Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Ferreira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 36 88 .0 00 00 3/ 20 07 -9 8 Fl. 395DF CARF MF Processo nº 13688.000003/200798 Resolução nº 2002000.044 S2C0T2 Fl. 396 2 Relatório Auto de Infração Trata o presente processo de auto de infração – AI (fls. 30/37), relativo a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu a alterações na declaração de ajuste anual da contribuinte acima identificada, relativa ao exercício de 2002. A autuação implicou na alteração do resultado apurado de saldo de imposto a restituir declarado de R$5.164,76 para saldo de imposto a pagar de R$490,61. A notificação noticia a dedução indevida de despesas médicas, no montante de R$20.565,00, consignando (fl.32): DEDUÇÃO INDEVIDA A TÍTULO DE DESPESAS MÉDICAS. A CONTRIBUINTE NÃO LOGROU COMPROVAR A EFETIVIDADE DA REALIZAÇÃO DAS DESPESAS MÉDICAS SEJA MEDIANTE COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO OU APRESENTAÇÃO DE EXAMES/LAUDOS/RADIOGRAFIAS COM OS PROFISSIONAIS GLAUCIA B. B. NUNES, CLAUDIO N. SILVA, ROSA M. S. CUNHA, NELMA LUCIA REIS, ANTONIO A. SOMMER, LEONARDO C. GONÇALVES, CLAUDIO M. PAULO E RITA CASSIA S. CAIXETA. Os DOCUMENTOS APRESENTADOS NÃO SÃO SUFICIENTES PARA COMPROVAR A REALIZAÇÃO DOS SERVIÇOS. A EFETIVIDADE DOS PAGAMENTOS A TITULO DE DESPESAS MEDICAS NÃO SE COMPROVA COM MERA EXIBIÇÃO DE RECIBOS. DESPESAS COM VACINAS SÃO INDEDUTÍVEIS. Impugnação Cientificado à contribuinte em 5/12/2006, o AI foi objeto de impugnação, em 4/1/2007, à fl. 2/90 dos autos, assim sintetizada na decisão recorrida: Em sua peça impugnatória às fls.01/23, por meio de seus bastante procuradores nomeados pelos instrumentos de fls.24/25, a contribuinte contesta o lançamento efetuado, argumentando, em apertada síntese, que: I) “A impugnante especificou em sua declaração de rendimentos as despesas médicas que teve no anocalendário, elencando os códigos, nomes dos beneficiários, números de inscrição no cadastro de pessoa física e jurídica, bem como os valores pagos, conforme se depreende do campo pagamentos e doações efetuados da declaração apresentada”; 2) Apresentou à autoridade fiscal os documentos requisitados, “bem como os recibos de pagamentos efetuados no ano calendário como elementos de prova suficientes a demonstrar a plausibilidade das despesas médicas indicadas na declaração de rendimentos”; 3) Em atendimento à nova intimação fiscal, apresentou “farta documentação, agora instruída com laudos, relatórios e comprovantes de exames médicos originais deforma a demonstrar a plena pertinência das despesas médicas ocorridas e indicadas na declaração de rendimentos”; 4) Os documentos apresentados à Fiscalização consistiram exatamente nos documentos listados no item Fl. 396DF CARF MF Processo nº 13688.000003/200798 Resolução nº 2002000.044 S2C0T2 Fl. 397 3 “descrição dos fatos e enquadramento legal” do Auto de Infração, ou seja, “quando intimado o contribuinte apresentou tanto os recibos de pagamento comprobatórios das despesas realizadas como outras provas consistentes em pedidos de exames, laudos médicos e, ainda, declarações dos diversos profissionais de saúde, atestando e especificando a efetiva prestação dos serviços médicos bem como o pagamento das despesas referentes aos serviços prestados”; 5) Nas provas apresentadas constam tanto os nomes e endereços dos profissionais de saúde, como seus números de inscrição no cadastro de pessoas físicas ou de pessoas jurídicas e, ainda, número de inscrição nos órgãos de classe, estando satisfeitos os requisitos expressos no artigo 80 do Regulamento do Imposto de Renda e no artigo 46 da Instrução Normativa SRF n° 15/2001; 6) “A legislação, em momento algum, determina a exigência de comprovação dupla do pagamento, sendo que o contribuinte deve comprovar as despesas realizadas com o efetivo comprovante de pagamento das mesmas e, somente na falta dessa documentação, há previsão normativa para comprovação por outro meio”; 7) “No presente caso restou plenamente comprovada a vinculação existente entre os pagamentos efetuados aos profissionais da área médica através dos recibos de pagamento e os serviços médicos prestados através de laudos e relatórios médicos, onde constatase tanto a descrição dos tratamentos médicos efetuados como também os valores despendidos em face de referidos tratamentos”; 8) A produção de prova da realização das despesas médicas consiste na apresentação de recibos de pagamento, “somente ocorrendo a impossibilidade de aceitação dos referidos recibos quando haja elementos de prova em contrário, ou seja, quando possase comprovar a inidoneidade dos recibos de pagamento apresentados”. Para corroborar seus argumentos, a impugnante transcreve diversas ementas de acórdãos proferidos por Delegacias da Receita Federal de Julgamento e pelo Primeiro Conselho de Contribuintes do Ministério da Fazenda, bem como diversos pronunciamentos dos Tribunais Regionais Federais. A impugnação foi apreciada na 4ª Turma da DRJ/JFA que, por unanimidade, julgou o lançamento procedente, em decisão assim ementada (fls. 357/362): ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Exercício: 2003 DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. Havendo a autoridade fiscal efetuado a glosa de despesas médicas devido a falta de comprovação dos gastos financeiros correspondentes por parte do contribuinte, não há justificativa para seu restabelecimento sem a confinnação do efetivo desembolso. Recurso voluntário Ciente do acórdão de impugnação em 8/4/2009 (fl. 365), a contribuinte, por intermédio de representante legal, apresentou recurso voluntário, às fls. 366/391, no qual alega, em apertado resumo, que: a decisão recorrida contrariaria a legislação de regência e a jurisprudência administrativa e judicial. Fl. 397DF CARF MF Processo nº 13688.000003/200798 Resolução nº 2002000.044 S2C0T2 Fl. 398 4 no curso da ação fiscal, teria apresentado documentação hábil e idônea a comprovar as deduções declaradas. a decisão recorria seria incoerente, uma vez que aponta que a comprovação das despesas se daria mediante recibos, mas não acatou os recibos juntados pela contribuinte, os quais atenderiam todos os requisitos legais. embora mencione o princípio da verdade material, a decisão recorrida teria ignorado toda a farta comprovação acerca da efetividade das despesas, tais como laudos e declarações médicas. a decisão negaria aplicação ao dispositivo legal que prevê que a comprovação das despesas médicas se dá mediante apresentação de recibos. teria apresentado recibos de pagamento, laudos médicos e declarações, que atestariam e especificariam os serviços médicos e os correspondentes pagamentos. os documentos juntados aos autos, listados às fls.374/376, seriam hábeis a fazer a prova exigida. a comprovação mediante indicação de cheque só poderia ser exigida na falta de documentação comprobatória, que não seria a situação enfrentada nestes autos. decisões administrativas e judiciais acerca do tema, citadas em seu recurso, apontariam que a comprovação mediante recibos só não poderia ser acatada no caso de inidoneidade do documento. Fl. 398DF CARF MF Processo nº 13688.000003/200798 Resolução nº 2002000.044 S2C0T2 Fl. 399 5 Voto Conselheira Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Relatora Admissibilidade Como relatado, a recorrente foi cientificada do acórdão de primeira instância em 8/4/2009. Entretanto, do exame dos autos, não é possível definir a data de protocolo do recurso voluntário. É certo que foi encaminhado por via postal, mas não é possível localizar a data de sua postagem, uma vez que somente foi digitalizado o verso do envelope (fl.392). O despacho de encaminhamento ao CARF não consigna a data do recurso (fl. 394), nem foi anexada tela do sistema que registra a data de entrada do recurso voluntário. Isto posto, proponho a conversão do julgamento em diligência, para solicitar que a Unidade de origem informe a data de protocolo do recurso voluntário de fls. 366/391, juntando, se possível, a parte frontal do envelope de sua postagem (anverso de fl.392). (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Fl. 399DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.101495/2008-11
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Primeira Seção
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 03 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Nov 01 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
MULTA POR FALTA DE ENTREGA DE DCTF EMPRESA NÃO INSCRITA NO SIMPLES OBRIGATORIEDADE DE ENTREGA.
O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitando-se à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória.
Numero da decisão: 1002-000.438
Decisão:
Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado.
(assinado digitalmente)
Aílton Neves da Silva - Presidente.
(assinado digitalmente)
Angelo Abrantes Nunes - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes.
Nome do relator: ANGELO ABRANTES NUNES
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O contribuinte não inscrito no Simples, por ter sido excluído, ou por opção, está obrigado a apresentar DCTF, sujeitandose à aplicação da multa prevista no art. 7.º, § 3.º, II, da Lei n.º 10.426/2002, no caso de descumprimento desta obrigação acessória. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade, em NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Aílton Neves da Silva Presidente. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Aílton Neves da Silva, Leonam Rocha de Medeiros, Breno do Carmo Moreira Vieira e Angelo Abrantes Nunes. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 06 5. 10 14 95 /2 00 8- 11 Fl. 82DF CARF MF Processo nº 11065.101495/200811 Acórdão n.º 1002000.438 S1C0T2 Fl. 83 2 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto em face de decisão proferida pela 6.ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre RS (DRJ/POA) mediante o Acórdão n.º 1021.506, de 22/10/2009 (efls. 45 a 53). O relatório elaborado por ocasião do julgamento em primeira instância sintetiza razoavelmente o ocorrido, pelo que peço licença para transcrevêlo, a seguir, complementandoo ao final. [...] Trata o presente processo de lançamento realizado, conforme Auto de Infração de N° de Rastreamento 803435799 (fl.08), decorrente de falta de entrega da DCTF referente ao 2° semestre do anocalendário de 2005, tendo sido exigido, a título de multa, o recolhimento do crédito tributário total no montante de R$ 500,00. O contribuinte tomou conhecimento da cobrança em 14/11/2008, conforme fls. 11, e apresentou em 16/12/2008, impugnação ao lançamento, fls. 01/02, alegando que: 1 A empresa era participante do Simples em 2003, cumprindo com todas suas obrigações, que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil (RFB), sendo desobrigado de entregar a DCTF; 2 Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração, consultou a RFB, descobrindo que em seus sistemas constava a informação de exclusão do Simples desde o ano de 2002; 3 Não foi notificado da exclusão do Simples, sendo este procedimento administrativo nulo por violar o contraditório e a ampla defesa; e 4 Entregou a Declaração Anual Simplificada — PJSI 2004 em 31/05/2004 e os recolhimentos por esta sistemática continuaram nos anos seguintes, sem observação alguma por parte da RFB. Questiona o fato da RFB aceitar sua declaração sem qualquer manifestação. Ao final, requer seja acolhida a sua impugnação, cancelandose o débito fiscal reclamado. [...] A DRJ/POA considerou improcedente o pedido contido na impugnação. Inconformado, o contribuinte apresentou recurso voluntário no qual reitera o pedido e os fundamentos expostos na impugnação. É o relatório. Fl. 83DF CARF MF Processo nº 11065.101495/200811 Acórdão n.º 1002000.438 S1C0T2 Fl. 84 3 Voto Conselheiro Angelo Abrantes Nunes, Relator. O presente recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade. Passamos à análise dos fundamentos indicados para a reforma da decisão recorrida. São duas as razões nas quais se ampara a argumentação trazida no recurso voluntário visando à reforma da decisão de 1.ª instância administrativa: 1) Não fora o recorrente excluído do Simples Federal com efeitos a partir de 2000, uma vez que não teria sido notificado na forma do Decreto n.º 70.235/72, e isso o manteria desobrigado da apresentação de DCTF; e 2) Entregou Declaração Anual Simplificada (PJSI) para os anos calendário 2002, 2003 e 2004, e que relativamente a este procedimento não houve oposição ou manifestação de contrariedade pela Receita Federal. Abaixo seguem alguns trechos do recurso voluntário que melhor esclarecem as razões ponderadas, verbis: [...] [...] o objeto da impugnação foi a ilegalidade do procedimento administrativo de exclusão do Simples e, por conseguinte, a inexigibilidade da multa por falta de entrega da DCTF, contudo, depreendese dos autos que o Acórdão ora recorrido não enfrentou o mérito da impugnação da contribuinte, merecendo reforma. Certo é que a contribuinte, no discutido período e nos exercícios de 2000 a 2004, era participante do Simples e cumpriu com todas suas obrigações, tendo entregado todas as Declarações Anuais Simplificadas que foram aceitas pela Secretaria da Receita Federal do Brasil. Após o recebimento da Intimação Fiscal que originou o Auto de Infração impugnado, a contribuinte consultou a RFB e descobriu que havia sido excluída do Simples desde 2002. O referido procedimento de exclusão foi ilegal, uma vez que a contribuinte não foi notificada para exercer seu direito constitucional ao contraditório e ampla defesa. A contribuinte, por não ter sido cientificada da exclusão, entregou a Declaração Anual Simplificada nos anos calendários 2002, 2003 e 2004, conforme demonstram as cópias em anexo, e os recolhimentos foram feitos por esta sistemática, sem qualquer oposição ou manifestação de contrariedade por parte da Receita Federal. [...] Entende a contribuinte que o ponto de discordância gira em tomo do procedimento administrativo que originou a ADE 315619. E que a contribuinte não foi notificada da exclusão. [...] Fl. 84DF CARF MF Processo nº 11065.101495/200811 Acórdão n.º 1002000.438 S1C0T2 Fl. 85 4 Por derradeiro, são estes, em síntese, os pontos de discordância apontados neste Recurso: a) O procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos não oportunizou a notificação da contribuinte, deve ser considerado nulo por afronta à Lei n° 9.784/99 e por violar o artigo 23 do Decreto n° 70.235/72; b) Em virtude de o procedimento de exclusão do simples ter violado as regras da Lei n° 9.784/99 e do Decreto 70.235/72, deve ser afastado o dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; [...] III DO PEDIDO A vista do exposto, demonstrada a insubsistência e improcedência total da Respeitável Decisão de Primeira Instância, requer que seja dado provimento ao presente Recurso para: A) Declarar a nulidade do procedimento administrativo que deu origem a ADE 315619 que excluiu a contribuinte do regime simplificado de recolhimento de tributos; B) Declarar a inexigibilidade do dever instrumental de apresentar a Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais —DCTF no período impugnado; C) Excluir a multa por falta de sua entrega da DCTF. (grifei). De início cabem três considerações importantes. A primeira diz respeito à afirmação em recurso voluntário de que a decisão recorrida não enfrentou o mérito da impugnação. No entanto não é bem o que se observa no texto do acórdão recorrido, pois que ali consta que a discussão acerca da ilegalidade da exclusão do Simples deveria ter sido implementada em processo apartado, o que, não tendo sido providenciado pelo impugnante, levou aquela Turma Julgadora a considerar válido o Ato Declaratório Executivo que formalizou a exclusão. A segunda referese à pretensão do recorrente no sentido de que o fato de os sistemas integrados que acolhem os envios das declarações eletronicamente terem admitido as entregas das Declarações Anuais Simplificadas, sem oposição, referendariam e validariam a correspondente forma de apuração e recolhimento dos tributos, afastando a obrigatoriedade de entrega de DCTFs. Da mesma forma não se pode considerar sólida tal alegação, pois não há previsão legal que dispense a fiscalização a cargo da Receita Federal quanto à regularidade da opção pelo regime de apuração, ou que dispense os demais requisitos exigidos para adesão ao Simples, ou que impeça a investigação fiscal que busque comprovar a situação fática real. A terceira afigurase porque o recorrente assinala que entregou Declaração Anual Simplificada relativamente aos anos calendário 2002, 2003 e 2004, porém, ocorre que: Fl. 85DF CARF MF Processo nº 11065.101495/200811 Acórdão n.º 1002000.438 S1C0T2 Fl. 86 5 Para o ano calendário 2002 o contribuinte recorrente apresentou declaração com o formulário eletrônico do tipo lucro presumido, que cancelou a declaração anterior que havia sido entregue sob a modalidade simplificada; Para o ano calendário 2003 o contribuinte optou pelo modelo de Declaração Anual Simplificada, porém não há nos autos prova da alteração cadastral correspondente, que é exigência legal para adesão ao Simples; Para os anos calendário 2004 e 2005 não houve entrega de declaração. O quadro abaixo, reproduzido da consulta de sistema contida na efl. 41 dos autos, confirma essas considerações: Ora, diante do contexto descrito, a argumentação recursal mostrase contraditória. Ao tempo em que o recurso pugna pelo reconhecimento de que teria o contribuinte permanecido no Simples nos períodos em relação aos quais a RFB está cobrando multas por atraso na entrega de DCTFs — 4.º trimestre de 2002 ao 2.º trimestre de 2005 —, o que se evidencia é que o próprio contribuinte, como demonstra o quadro acima, optou pelo lucro presumido no ano calendário 2002, e, que, embora tenha apresentado Declaração Anual Simplificada para o ano calendário 2003, seguinte, não consta do processo a necessária alteração cadastral, que se tornou requisito obrigatório após a sua opção pelo presumido no ano anterior (2002), como dispõe a Lei n.º 9.317/96, em seu art. 8.º, § 1.º: Art. 8° A opção pelo SIMPLES darseá mediante a inscrição da pessoa jurídica enquadrada na condição de microempresa ou empresa de pequeno porte no Cadastro Geral de Contribuintes do Ministério da Fazenda CGC/MF, quando o contribuinte prestará todas as informações necessárias, inclusive quanto: (...) § 1° As pessoas jurídicas já devidamente cadastradas no CGC/MF exercerão sua opção pelo SIMPLES mediante alteração cadastral. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11065.101495/200811 Acórdão n.º 1002000.438 S1C0T2 Fl. 87 6 E, ainda a propósito da melhor análise, consta dos autos que sequer houve declaração entregue correspondente aos anos calendário 2004 e 2005. Concluindo, revelado que a partir do anobase 2002, inclusive, o recorrente não se encontrava mais sob a sistemática do Simples para apuração e pagamento dos tributos, mediante ato unilateral da entrega de declaração via formulário eletrônico modelo lucro presumido, e não tendo demonstrado retorno ao Simples conforme procedimento legalmente exigido, cabe ratificar a decisão da DRJ/POA, uma vez que não ficou provado que o contribuinte teria se mantido no Simples no período de interesse deste processo. Ao contrário, e em reforço à posição da decisão de piso, observase que por sua própria opção passou o recorrente a se submeter ao lucro presumido a partir do anobase 2002. São as circunstâncias de fato descritas nos autos. Assim constatado, verificase a obrigatoriedade de entrega das DCTFs no período 2002 a 2005. Reafirmase então a decisão recorrida, acrescentandose as razões acima, ligadas à adesão voluntária do recorrente à metodologia de apuração pelo lucro presumido a partir de 2002, de maneira que tornase dispensável verificar se houve ou não cientificação do recorrente acerca da exclusão do Simples formalizada pelo ADE n.º 315619. Pelo exposto, não existindo razões para afastar a incidência da multa por atraso na entrega da DCTF, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Angelo Abrantes Nunes Relator. Fl. 87DF CARF MF
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Numero do processo: 10680.905972/2015-29
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Sep 27 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Dec 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Data do fato gerador: 25/04/2011
PEDIDO DE RESTITUIÇÃO/COMPENSAÇÃO. PRECLUSÃO.
Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazê-lo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72.
Recurso Voluntário Negado
Numero da decisão: 3301-005.228
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 10680.904943/2015-40, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Winderley Morais Pereira - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen.
Nome do relator: WINDERLEY MORAIS PEREIRA
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PRECLUSÃO. Argumento trazido em sede de recurso voluntário não foi colocado ao tempo da manifestação de inconformidade, precluindo o direto fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Recurso Voluntário Negado Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Winderley Morais Pereira (Presidente), Liziane Angelotti Meira, Marcelo Costa Marques D'Oliveira, Antonio Carlos da Costa Cavalcanti Filho, Salvador Cândido Brandão Júnior, Ari Vendramini, Semíramis de Oliveira Duro e Valcir Gassen. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 68 0. 90 59 72 /2 01 5- 29 Fl. 110DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 3 2 Relatório Trata o presente processo administrativo pedido de restituição formalizado por meio de PER/DCOMP para obter reconhecimento de direito creditório do tributo por suposto pagamento a maior ou indevido. Em análise ao referido documento, a autoridade tributária proferiu Despacho Decisório Eletrônico, formalizado no sentido do indeferimento da restituição pretendida pela interessada, explicando que o pagamento indicado já estava integralmente alocado, não restando, assim, crédito disponível para restituição e eventuais compensações vinculadas à esse crédito. Inconformado, o interessado apresentou manifestação de inconformidade tempestiva esclarecendo que durante procedimento de auditoria interna, realizada nas apurações dos tributos da companhia, foram identificados pagamentos a maior em determinados períodos e a menor em outros. Para regularizar a situação fiscal perante a Receita Federal do Brasil, providenciou a quitação dos débitos pagos a menor e solicitou a restituição dos pagamentos a maior, retificando as DCTF para informar os novos valores. Entende que a Per/Dcomp está em conformidade com o art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996 e com a Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 2012, restando demonstrada a insubsistência e improcedência do despacho decisório. A DRJ julgou a manifestação de inconformidade improcedente, nos termos do Acórdão nº 06056.795. Inconformada com decisão de primeira instância, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em síntese, trazendo argumento novo, de que o pagamento indevido seria da conta de Sociedades em Conta de Participação da qual é sócia ostensiva. É o relatório. Fl. 111DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Winderley Morais Pereira, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão 3301005.223, de 27 de setembro de 2018, proferido no julgamento do processo 10680.904943/201540, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3301005.223): "O recurso voluntário apresentado é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade1. A acórdão recorrido desce a detalhes do ocorrido: Segundo a versão apresentada pela defesa, o crédito apontado (R$ 275,20) decorreu da revisão da base de cálculo da COFINS de 31/03/2010, conforme informado na DCTF retificadora apresentada em 06/11/2014. Constatouse que o despacho decisório foi emitido levando em conta as informações contidas na DCTF retificadora, transmitida em 06/11/2014, a qual, como se vê, tratase da DCTF retificadora que a contribuinte alega conter as informações corretas correspondente ao débito do período. Nessa DCTF, o débito de COFINS confessado do período de apuração de 31/03/2010 é de R$ 1.134.352,27 – que foi quitado por meio de vários pagamentos (DARF) que totalizam R$ 871.733,98 e compensações no valor de R$ 696,80 – restando, saldo a pagar de R$ 261.921,49 – conforme a tela extraída do sistema de controle de declarações: 1 Ressaltese ser desnecessário responder todos as questões levantadas pelas partes, em já havendo motivo suficiente para decidir (Lei n° 13.105/15, art. 489, § 1o , IV. STJ, 1ª Seção, EDcl no MS 21.315DF, julgado de 8/6/2016, rel. Min. Diva Malerbi). Fl. 112DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 5 4 Essas mesmas informações constam da DCTF que está ativa no sistema de controle de declarações, transmitida em 08/01/2015. No sistema de controle de arrecadação, verificouse que os pagamentos apontados na DCTF retificadora – no valor total de R$ 871.733,98 – foram validados e vinculados ao débito de Cofins do período (código 2172). No entanto, tendo em vista que os pagamentos validados foram insuficientes para a extinção do débito e verificada a existência de outros pagamentos para o mesmo período de apuração, dentre os quais o pagamento pleiteado no PER em tela, o sistema informatizado alocou esses pagamentos para amortizar parte do saldo devedor confessado na DCTF, como se vislumbra nas telas copiadas a seguir: Fl. 113DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 6 5 Desse modo, o pagamento por meio do DARF discriminado no PER – de R$ 275,20 – foi integralmente utilizado para quitar o débito de COFINS de 31/03/2010, em face das informações prestadas pela própria contribuinte na DCTF retificadora apresentada à Receita Federal, não restando crédito para a restituição pretendida: [...] Destaca ainda a decisão de piso que "desde a constituição da DCTF pela Instrução Normativa SRF nº 126, de 30/10/1998, e suas alterações posteriores, e de acordo com o disposto no DecretoLei nº 2.124, de 13/06/1984", tal declaração constituise em confissão de dívida e instrumento hábil e suficiente para a exigência do crédito tributário. A recorrente, alega que o pagamento indevido de R$275,20, seria provenientes e originário "de SCP’s (Sociedades em Conta de Participação), das quais" [...] "é sócia ostensiva". E acrescenta: O débito montante de R$ 1134352,27, declarado em DCTF, alberga valores devidos de Cofins de várias SCP’s que tem a Recorrente como sócia ostensiva e outras empresas como sócias participantes. A título de lembrete sabese que os sócios ostensivos de SCP’s são aquelas pessoas jurídicas que se obrigam perante terceiros, enquanto que os sócios participantes (antigos sócios ocultos), não têm essa obrigação. Em vista dessa situação, a Recorrente é responsável pelas obrigações acessórias tributárias, dentre elas, a apresentação de DCTF com os competentes recolhimentos tributários. Fl. 114DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 7 6 No caso em questão, o valor recolhido, R$ 275,2 é proveniente da atividade da SCP, "Laguna Beach" contrato anexo, Doc. 1, que recolheu este valor. Contudo, como já informado, tinha como valor devido a quantia de R$ 0 Ao manter a decisão que indeferiu o crédito pleiteado, a Receita Federal acaba violando a individualidade de outra pessoa jurídica, uma vez que o crédito solicitado diz respeito a uma sociedade em conta de participação específica que tem a Recorrente como sócia ostensiva. O quadro abaixo, demonstra muito bem a composição deste crédito. Tanto que o código do imposto é o 217208, cujo dígito identifica ser o crédito decorrente de sociedade em conta de participação. Portanto, no caso da decisão ser mantida, permanecerseá uma verdadeira invasão no patrimônio da SCP Laguna Beach, visto o desrespeito à sua individualidade e atividade empresarial, pois está sendo punida por conta de débitos tributários que não são dela. “Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica – IRPJ Anocalendário: 2008 SOCIEDADES EM CONTA DE PARTICIPAÇÃO. SUJEIÇÃO TRIBUTÁRIA. Na apuração dos resultados da sociedade em conta de participação serão observadas as normas aplicáveis às demais pessoas jurídicas. Tendo em vista que a sociedade em conta de participação não se confunde com o sócio ostensivo, os resultados daquela não podem ser tributados diretamente neste mas apenas distribuídos na proporção da participação.” (CARF, Recurso Voluntário Recurso de Ofício, PTA 15504.724276/201314, Acórdão 1402 002.208. Relator Dr. Leonardo de Andrade Couto , DJ 27.06.2016) (destacouse) Diante do exposto, não há que se falar na aplicação da IN SRF 126/98, pois o saldo a pagar da Recorrente não pode prejudicar uma SCP em que ela é a sócia ostensiva e que, por isso, é obrigada ao cumprimento das obrigações acessórias, dentre elas, a entrega de DCTF. Ocorre, no entanto, que tal argumento de defesa não foi trazido em sede de manifestação de inconformidade, precluindo o direto de fazêlo em outro momento processual, nos termos do art. 17 do Decreto 70.235/72. Também não localizei a prova da liquidez e certeza do crédito em foco, que não a DCTF retificada e o DARF dado como pago indevidamente. Tal Fl. 115DF CARF MF Processo nº 10680.905972/201529 Acórdão n.º 3301005.228 S3C3T1 Fl. 8 7 comprovação é exigência do art. 170 do Código Tributário Nacional e ônus do peticionário, nos termos do art. 373 do Código do Processo Civil. Assim, por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário." Importa registrar que nos autos ora em apreço, a situação fática e jurídica encontra correspondência com a verificada no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o Colegiado decidiu negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Winderley Morais Pereira Fl. 116DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11080.721929/2017-04
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Oct 24 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Dec 04 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2014
IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE
Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR - Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
Numero da decisão: 2002-000.409
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário
(assinado digitalmente)
Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente
(assinado digitalmente)
Thiago Duca Amoni - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil.
Nome do relator: THIAGO DUCA AMONI
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2014 IRPF. OMISSÃO DE RENDIMENTOS - ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR - Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial.
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OMISSÃO DE RENDIMENTOS ISENÇÃO POR MOLÉSTIA GRAVE Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento ao Recurso Voluntário (assinado digitalmente) Cláudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 19 29 /2 01 7- 04 Fl. 85DF CARF MF 2 Participaram do presente julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez, Mônica Renata Mello Fereira Stoll, Thiago Duca Amoni e Virgílio Cansino Gil. Relatório Notificação de lançamento Trata o presente processo de notificação de lançamento – NL (efls. 03 a 07), relativa a imposto de renda da pessoa física, pela qual se procedeu autuação pela omissão de valores de pensão alimentícia recebidos de Carlos Fernando Reis, conforme decisão judicial apresentada e declarado pelo alimentante. Tal omissão gerou lançamento de imposto de renda pessoa física suplementar de R$ 6.231,60, acrescido de multa de ofício no importe de 75%, bem como juros de mora. Impugnação A notificação de lançamento foi objeto de impugnação, às efls. 02 e 16 dos autos, que conforme decisão da DRJ: 2. A impugnante foi cientificada do lançamento em 23/02/2017 (fl. 18) e, conforme termo de recepção de documentos à folha 3, na data de 13/03/2017 impugnouo, por meio da peça de folha 3, alegandose "isenta de IR em razão de moléstia grave". Com sua impugnação, a interessada trouxe a documentação de folhas 9 a 16. A impugnação foi apreciada na 6ª Turma da DRJ/CTA que, por unanimidade, em 16/06/2017, no acórdão 0659.375, às efls. 52 a 55, julgou à unanimidade, a impugnação improcedente. Recurso voluntário Ainda inconformada, a contribuinte apresentou recurso voluntário, em 12/07/2017 às efls. 63 a 71 no qual alega, em síntese, que os rendimentos recebidos a título de pensão alimentícia são isentos, por ser portadora de neoplasia maligna. Pede, preliminarmente, celeridade no julgamento, por ser pessoa idosa. É o relatório. Voto Conselheiro Thiago Duca Amoni Relator Pelo que consta no processo, o recurso é tempestivo, já que o contribuinte foi intimado do teor do acórdão da DRJ em 27/06/2017, efls. 60, e interpôs o presente Recurso Voluntário em 12/07/2017, efls. 63, posto que atende aos requisitos de admissibilidade e, portanto, dele conheço. Fl. 86DF CARF MF Processo nº 11080.721929/201704 Acórdão n.º 2002000.409 S2C0T2 Fl. 86 3 Conforme os autos, o lançamento tributário foi baseado na omissão de rendimentos recebidos de pensão alimentícia, no valor de R$60.000,00. A contribuinte, em sua defesa, alega que seus rendimentos são isentos por ser portadora de moléstia grave, qual seja, neoplasia maligna. A DRJ assim se posicionou: 8. Os documentos juntados pela interessada não servem para comprovar que ela faça jus à isenção em referência, pois: i) o laudo de folha 9 apenas conclui, objetivamente, pela "aposentadoria por invalidez para o serviço público", sem fazer qualquer referência à moléstia da interessada; ii) os laudos de folhas 10 e 11 também apenas concluem, objetivamente, pela "aposentadoria por invalidez para o serviço público", sem fazerem qualquer referência à moléstia da interessada; iii) o laudo de folha 12 apenas conclui, genericamente, pela "manutenção do laudo de aposentadoria por invalidez, datado de 26/12/2002". 9. De se notar que nos laudos de folhas 10 a 12 o perito informou que se tratava de laudo para indicação de aposentadoria, o que fez apondo "x" no campo respectivo, mas, mesmo podendo também informar que se tratava de laudo para fins de isenção de Imposto de Renda, apondo "x" no campo também existente no formulário, não o fez. Portanto, ante essa deliberada omissão do perito, concluise que os laudos não servem para justificar isenção do Imposto de Renda. 10. Além disso, também importa salientar que nenhum dos quatro laudos atende ao requisito expressamente elencado no § 4° do art. 39 do Regulamento do Imposto de Renda, atinente à emissão por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios e fixação do seu prazo de validade, no caso de moléstias passíveis de controle. Logo, a natureza dos rendimentos sequer é questionada, sendo que o laudo médico que comprova a doença que é requisito atacado pela fiscalização. Da exegese do artigo 6º, XIV, da Lei nº 7.713/88, do artigo 39, XXXI, do Regulamento de Imposto de Renda (RIR Decreto 3.000/99) e do artigo 30 da Lei nº 9.250/95 para o gozo da regra isentiva devem ser comprovados, cumulativamente (i) que os rendimentos sejam oriundos de aposentadoria, pensão ou reforma, (ii) que o contribuinte seja portador de moléstia grave prevista em lei e (iii) que a moléstia grave esteja comprovada por laudo médico oficial. Fl. 87DF CARF MF 4 Art. 6º Ficam isentos do imposto de renda os seguinte rendimentos percebidos por pessoas físicas: (...) XIV – os proventos de aposentadoria ou reforma motivada por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, hepatopatia grave, estados avançados da doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome da imunodeficiência adquirida, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma; (...) Art. 39. Não entrarão no cômputo do rendimento bruto: (...) XXXI os valores recebidos a título de pensão, quando o beneficiário desse rendimento for portador de doença relacionada no inciso XXXIII deste artigo, exceto a decorrente de moléstia profissional, com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída após a concessão da pensã(...) XXXIII os proventos de aposentadoria ou reforma, desde que motivadas por acidente em serviço e os percebidos pelos portadores de moléstia profissional, tuberculose ativa, alienação mental, esclerose múltipla, neoplasia maligna, cegueira, hanseníase, paralisia irreversível e incapacitante, cardiopatia grave, doença de Parkinson, espondiloartrose anquilosante, nefropatia grave, estados avançados de doença de Paget (osteíte deformante), contaminação por radiação, síndrome de imunodeficiência adquirida, e fibrose cística (mucoviscidose), com base em conclusão da medicina especializada, mesmo que a doença tenha sido contraída depois da aposentadoria ou reforma Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 1996, para efeito do reconhecimento de novas isenções de que tratam os incisos XIV e XXI do art. 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988, com a redação dada pelo art. 47 da Lei nº 8.541, de 23 de dezembro de 1992, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios. (...) Fl. 88DF CARF MF Processo nº 11080.721929/201704 Acórdão n.º 2002000.409 S2C0T2 Fl. 87 5 A jurisprudência deste CARF segue a mesma linha: REQUISITO PARA A ISENÇÃO RENDIMENTOS DE APOSENTADORIA OU PENSÃO E RECONHECIMENTO DA MOLÉSTIA GRAVE POR LAUDO MÉDICO OFICIAL LAUDO MÉDICO PARTICULAR CONTEMPORÂNEO A PARTE DO PERÍODO DA AUTUAÇÃO LAUDO MÉDICO OFICIAL QUE RECONHECE A MOLÉSTIA GRAVE PARA PERÍODOS POSTERIORES AOS DA AUTUAÇÃO IMPOSSIBILIDADE DO RECONHECIMENTO DA ISENÇÃO O contribuinte aposentado e portador de moléstia grave reconhecida em laudo médico pericial de órgão oficial terá o benefício da isenção do imposto de renda sobre seus proventos de aposentadoria. Na forma do art. 30 da Lei nº 9.250/95, a moléstia deverá ser comprovada mediante laudo pericial emitido por serviço médico oficial, da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios que fixará o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. O laudo pericial oficial emitido em período posterior aos anoscalendário em debate, sem reconhecimento pretérito da doença grave, não cumpre as exigências da Lei. De outro banda, o laudo médico particular, mesmo que contemporâneo ao período da autuação, também não atende os requisitos legais. Acórdão nº 10616928 29/05/2008) A matéria é sumulada pelo CARF: Súmula CARF nº 63: Para gozo da isenção do imposto de renda da pessoa física pelos portadores de moléstia grave, os rendimentos devem ser provenientes de aposentadoria, reforma, reserva remunerada ou pensão e a moléstia deve ser devidamente comprovada por laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal ou dos Municípios. Declarante Às efls. 69 e 70 constam laudos oficiais atestando que a contribuinte é portadora de moléstia grave. Por todo exposto, voto por conhecer do presente Recurso Voluntário interposto pelo contribuinte e, no mérito, darlhe provimento. (assinado digitalmente) Thiago Duca Amoni Fl. 89DF CARF MF 6 Fl. 90DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 19515.001688/2010-53
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Tue Oct 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Nov 13 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI
Ano-calendário: 2006
INCIDÊNCIA DE IPI NA REVENDA DE PRODUTO IMPORTADO. POSSIBILIDADE.
A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN. O art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. O art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor. O Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparam-se a estabelecimento industrial.
Numero da decisão: 3302-006.039
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente.
(assinado digitalmente)
Walker Araujo - Relator.
Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior.
Nome do relator: WALKER ARAUJO
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre Produtos Industrializados - IPI Ano-calendário: 2006 INCIDÊNCIA DE IPI NA REVENDA DE PRODUTO IMPORTADO. POSSIBILIDADE. A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN. O art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. O art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor. O Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparam-se a estabelecimento industrial.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Anocalendário: 2006 INCIDÊNCIA DE IPI NA REVENDA DE PRODUTO IMPORTADO. POSSIBILIDADE. A segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46, II e 51, parágrafo único do CTN. O art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. O art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor. O Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparamse a estabelecimento industrial. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente. (assinado digitalmente) Walker Araujo Relator. Participaram do presente julgamento os conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (presidente da turma), Gilson Macedo Rosenburg Filho, Corintho Oliveira Machado, Jorge Lima Abud, Raphael Madeira Abad, Walker Araujo, José Renato Pereira de Deus e Diego Weis Júnior. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 51 5. 00 16 88 /2 01 0- 53 Fl. 593DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 594 2 Relatório Por bem descrever a realidade dos fatos, adoto e transcrevo do relatório da decisão de piso de fls. 476486: Tratase de lançamento de oficio, fls. 515 a 519, lavrado contra a contribuinte acima identificada, com a exigência do crédito tributário do Imposto sobre Produtos Industrializados IPI, no valor de R$ 605.454,92, incluídos multa proporcional e juros de mora calculados até 31/05/2010. Na Descrição dos Fatos, fl. fl. 517, o autuante relata que no procedimento fiscal de verificação do cumprimento das obrigações tributárias constatou que o estabelecimento industrial ou equiparado a industrial não efetuou o recolhimento do imposto, nos prazos estabelecidos pela legislação, conforme detalhado no termo de verificação fiscal de 17/06/2010. Consta do termo de verificação fiscal, fls. 496/501, que: “(...) 6. Analisando as declarações de importação (DI's) relativas ao ano calendário de 2006 (fls. 159 a 354) pode se observar que foi recolhido o montante de R$ 225.295,19 de IPI na importação, conforme detalhado no Anexo A. 7. Observando as notas fiscais de saídas verificouse que nas mesmas foi destacado o IPI com alíquota zero para todas as classificações tarifárias. Dessa forma, em 29/04/2010 foi lavrado o Termo de Intimação Fiscal n° 006 (fls.359 a 487), com ciência via postal em 30/04/2010 através do Aviso de Recebimento nº SK 58.033.5327 BR, solicitando ao contribuinte esclarecimento sobre o não recolhimento do IPI na saída das mercadorias importadas, uma vez que tendo em vista o disposto no art. 9º, inciso I do Decreto nº 4.544 de 26/12/02 (RIPI/02), o contribuinte é considerado equiparado a industrial, sujeitandose, portanto, ao pagamento do IPI nas saídas destes produtos. 8. Em 18/05/2010 foi lavrado o Termo de ReIntimação n° 007, com ciência via postal em 31/05/2010 através do Aviso de Recebimento n° RJ 28.310.6682 BR, reiterando o solicitado através do Termo de Intimação Fiscal n° 006. 9. Até o presente momento o contribuinte não se manifestou sobre o Termo de Intimação Fiscal n° 006 e o Termo de Reintimação nº 007. 10. No lançamento de ofício todos os créditos a que o contribuinte tenha direito, relativo às importações efetuadas, foram considerados conforme disposto no art. 191 do RIPI/02. II DO VALOR TRIBUTÁVEL 10. O valor tributável é a diferença entre o IPI apurado na saída das mercadorias, conforme detalhado no anexo do Termo de Intimação Fiscal n° 006, e o IPI recolhido na importação, conforme demonstrado no quadro abaixo: (...)” Fl. 594DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 595 3 Cientificada da exigência fiscal em 21/06/2010, fl. 516, a autuada apresentou, em 07/07/2010, a impugnação de folhas 522 a 539, alegando em síntese que: DA AUSÊNCIA DOS PRESSUPOSTOS PARA VALIDAR A COBRANÇA DOS CRÉDITOS APURADOS: As premissas fáticas nas quais reporta a defendente não foram validadas pela fiscalização, isso porque no corpo do AIIM aduz a fiscalização que: "O contribuinte é considerado industrial, sujeitandose, portanto, ao pagamento do IPI nas saídas destes produtos...”; Nesse sentido, mister se faz analisarmos o objeto social da empresa: "Importação e comercialização de rolamentos, suas partes e peças, esferas, agulhas e roletes de rolamentos, mancais, retentores, buchas, arruelas e porcas, bem como, objetos de cristal de chumbo para serviço de mesa e/ou ornamentação de interiores e recipientes para beber de vidro, de cristal de chumbo, objetos de vidro para serviços de mesa, cozinha, ornamentação de interiores e uso em geral, produtos de porcelana em geral, como também quaisquer produtos para casa, copa e cozinha, decoração e ornamentação em geral."; Ocorre que, conforme podemos verificar nas notas fiscais que compõe o auto, as mercadorias foram transferidas e revendidas no mercado interno, assim, não há incidência do IPI; Ora, se, o IPI é devido quando o comerciante importa produtos industrializados, o mesmo não se pode dizer, quando, no mercado interno, os transfere ou revende; É que, nestas hipóteses, a incidência do IPI não encontra respaldo no art.51, II, do Código Tributário Nacional, porquanto, longe de haver qualquer equiparação a industrial. Vejase que o comercianteimportador recolhe o IPI, no ato do desembaraço aduaneiro de produtos industrializados. A partir daí, suas operações não apresentam nenhuma semelhança com as próprias de um industrial; De efeito, o comercianteimportador não submete produtos a processo de industrialização; tampouco pratica atos visando sua disponibilização no mercado interno, eis que isso já ocorreu ao ensejo do desembaraço aduaneiro das mercadorias importadas; Como se vê, nem instrumental, nem finalisticamente, suas atividades, no mercado interno, podem ser identificadas com as típicas de um industrial. Daí não estarem presentes os imprescindíveis pontos de aproximação, entre o comerciante importador e o industrial, capazes de tornar tributariamente irrelevante as diferenças secundárias que entre eles existem. A atividade típica do comerciante importador em nada se assemelha a de industrialização; Portanto, não estão reunidos os elementos necessários e suficientes para que ocorra a equiparação, único fenômeno jurídico que pode render ensejo à tributação por meio de IPI, a quem, como no caso da defendente, a rigor dos fatos, não é industrial; O que há, sim, é uma ficção, inidônea a possibilitar a incidência de IPI, para quem, não sendo industrial (nem podendo ser validamente a ele equiparado), revende ou transfere produtos importados. Porém, ao legislador não é permitido a criação da figura do contribuinte do IPI, por ficção, sendo, portanto, totalmente descabida a exigência fiscal em tela; Fl. 595DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 596 4 A multa de 75% é confiscatória excessiva e desproporcional. A aplicação desta multa tem levado a doutrina e a jurisprudência a exigirem que as mesmas sejam fixadas com parâmetros de razoabilidade e proporcionalidade. Cita doutrina e jurisprudência sobre esta matéria; Como se vê, pela doutrina acima transcrita, a multa não pode ter caráter confiscatório, logo, é perfeitamente cabível a sua redução em face do valor excessivo, em nome, também, dos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade; Por outro lado, vale notar que o art. 59, da Lei 8.383, de 30 de dezembro de 1991, prescreve que os tributos e contribuições que não forem pagos até a data do vencimento, ficarão sujeitos à multa de mora de vinte por cento; Analisando o Código Tributário Nacional e os comandos expressos nos artigos 106 e 112, claramente verificase, que a intenção das referidas normas é no sentido de que a lei mais benéfica deve ser sempre aplicada ao contribuinte; Assim, patente que a aplicação da multa na proporção cobrada deve ser reduzida na forma acima estabelecida, sendo esta aplicada no máximo em 20% (vinte por cento) sobre qualquer pretenso tributo exigido; Improcede a aplicação da Taxa Selic no presente AIIM. Os juros de mora, no âmbito do Direito Tributário, são devidos quando do retardamento do pagamento de uma obrigação tributária e agem como complemento indenizatório da obrigação principal, destinandose a penar a mora; Fica evidenciado que os juros de mora e os juros remuneratórios são distintos, tendo em vista suas características, bem como também fica claro que, em sendo a SELIC juros remuneratórios e não moratórios, como pretende o Fisco, esta não pode ser aplicada na composição do débito da executada, devendo ser excluída imediatamente, recalculandose o suposto débito existente, aplicandose os juros de mora estabelecido no art. 161, § 1º do Código Tributário Nacional; Ainda que fosse possível a cobrança de juros de mora com base na variação da taxa SELIC, o que de fato não pode ocorrer, tendo em vista que a SELIC é taxa de juros remuneratórios, não poderia ser aplicada como juros moratórios. Assim, sua cobrança é totalmente ilegal, tendo em vista que a referida taxa não foi criada por lei; Por tal motivo sua aplicação sobre o suposto débito da executada é ilegal. Pior, nesta situação, a cobrança de juros superiores ao quantum estabelecido pelo Código Tributário Nacional representa efetivamente um aumento de tributo sem lei que o autorize, o que afronta o artigo 150 da Constituição Federal de 1988; Desta forma, além da cobrança da Taxa SELIC nos débitos tributários ser ilegal, também é flagrantemente inconstitucional, devendo o débito ser corrigido de acordo com o que o artigo 161, § 1º do Código Tributário Nacional; Desta forma, fica clara a inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança da Taxa SELIC como taxa de juros, devendo a mesma ser substituída pela taxa de 1% ao mês prevista no art. 161 do Código Tributário Nacional; Além disso, também não deve exceder a 12% (doze por cento) ao ano, em respeito ao § 3º do artigo 192 da Magna Carta; Fl. 596DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 597 5 Assim sendo, os juros de mora não devem exceder ao percentual de 1% ao mês, ou seja, 12% ao ano, bem como não devem ser cobrados de forma capitalizada, pois além de configurar atentado à Constituição Federal e legislação vigente, acaba por gerar a multiplicação do débito cobrado. Por fim, requer a insubsistência do Auto de Infração. Em 12 de julho de 2013, a Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por unanimidade de votos, julgou improcedente a impugnação, nos termos da ementa abaixo: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2006 IMPORTAÇÃO. EQUIPARAÇÃO A INDUSTRIAL. SAÍDA DOS PRODUTOS. INCIDÊNCIA DO IPI. A empresa que importar produtos tributados é equiparada a industrial e é contribuinte do IPI, tanto no desembaraço aduaneiro como na saída destes do estabelecimento, ainda que tais produtos não sejam submetidos a qualquer processo de industrialização. MULTA DE OFÍCIO. Tratandose de lançamento de ofício, decorrente de infração a dispositivo legal detectado pela administração em exercício regular da ação fiscalizadora, é legítima a cobrança da multa punitiva correspondente. JUROS DE MORA. TAXA SELIC. A cobrança de débitos para com a Fazenda Nacional, após o vencimento, acrescidos de juros moratórios calculados com base na taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia Selic, além de ampararse em legislação ordinária, não contraria as normas balizadoras contidas no Código Tributário Nacional. Intimado da decisão em 31.10.2014 (fls.576), a Recorrente interpôs recurso voluntário em 10.11.2014 (fls. 578588), reproduzindo, com exceção da matéria atinente à SELIC, os argumentos tecidos em sede de impugnação. É o relatório. Voto Conselheiro Walker Araujo Relator I Admissibilidade Recursal O recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, dele tomo conhecimento. II Mérito II.1 Incidência do IPI Importador Equiparação à Industrial Fl. 597DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 598 6 A Recorrente alega, em síntese, que inexistindo por parte da empresa importadora industrialização do produto importado, não há que se falar em nova incidência do IPI quando da operação de revenda. Essa matéria já objeto de análise nos autos do PA nº 19515.003597/200919, instaurado contra a própria Recorrente, onde restou decidido pela incidência do IPI na operação de revenda do produto importado e, por concordar com o julgamento, adoto suas razões como causa de decidir, a saber: Com relação à matéria de fundo do lançamento, examinando o caso concreto com amparo na legislação, entendo que na importação de produtos industrializados a primeira incidência do IPI se dá quando do desembaraço aduaneiro da mercadoria estrangeira (CTN, art.46,I) e a segunda incidência do IPI acontece quando a mercadoria sai do estabelecimento importador a título de revenda, consoante previsto nos artigos 46,II e 51, parágrafo único do CTN. A despeito das ilustradas posições em contrário, entendo que com o advento do Codigo Tributário Nacional é legal a cobrança de IPI quando a mercadoria importada sair do estabelecimento produtor ou similar. Em outras palavras, os produtos importados estão sujeitos novamente ao fato gerador do IPI na saída do estabelecimento importador. Lembro que o art. 51, II do CTN admite a equiparação dos importadores a estabelecimento produtor. Ressaltase também que o art. 4º, I da lei 4502/64 equipara os importadores a estabelecimento produtor, de modo que não vejo qualquer incompatibilidade para fins de uma nova hipótese de incidência do IPI sobre os produtos importados quando de sua saída do estabelecimento importador na operação de revenda. Registro que o Regulamento do IPI (Decreto 7212/2010) em seu art. 9º dispõe que os estabelecimentos importadores equiparamse a estabelecimento industrial. Perfeitamente legal a incidência do tributo em dois momentos. Não há que se falar na ocorrência de bis in idem, dupla tributação ou bi tributação porque a lei prevê dois fatos geradores distintos, quais sejam o desembaraço aduaneiro da mercadoria estrangeira e, depois, a saída dessa mercadoria do estabelecimento importador equiparado a estabelecimento produtor. Em outras palavras, o imposto recai primeiramente sobre o preço de compra, considerada a margem de lucro da empresa estrangeira e ao depois incide uma segunda vez sobre o preço de venda, considerada a margem de lucro da empresa brasileira que fez a importação. É igualmente importante mencionar que, na sistemática de julgamento de recursos repetitivos, no REsp n.º 1.403.532/SC o STJ determinou que incide o IPI na revenda de produtos importados, no mesmo sentido deste voto. Outro não foi o entendimento desta antiga Turma: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE PRODUTOS INDUSTRIALIZADOS IPI Período de apuração: 01/01/2010 a 31/12/2013 Fl. 598DF CARF MF Processo nº 19515.001688/201053 Acórdão n.º 3302006.039 S3C3T2 Fl. 599 7 IMPORTADOR VAREJISTA. EQUIPARAÇÃO A ESTABELECIMENTO INDUSTRIAL. INCIDÊNCIA DO IPI NA SAÍDA DO PRODUTO DO ESTABELECIMENTO. POSSIBILIDADE. Não há ilegalidade na incidência do IPI na saída dos produtos de procedência estrangeira do estabelecimento do importador varejista, equiparado a estabelecimento industrial nos termos do art. 4º, I, da Lei 4.502/1964 e conformidade com o disposto no art. 51, II, do CTN. (PA 11080.729991/201493 Acórdão 3302004.496 25.07.2017) Neste cenário, mantémse a exigência do tributo lançado inicialmente. II.2 Multa de 75% Alega a Recorrente que a multa é confiscatória e fere os princípios constitucionais da proporcionalidade e razoabilidade. Sobre isso, aplicase a Súmula Carf nº 02: "O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária." Assim, a manutenção da multa é medida que se impõe III Conclusão Diante do exposto, voto por negar provimento ao recurso voluntário. É como voto. (assinado digitalmente) Walker Araujo Fl. 599DF CARF MF
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