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Numero do processo: 19675.000576/2007-47
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Primeira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Tue Jun 12 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Ano-calendário: 2002
CONCOMITÂNCIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF.
Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.
DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM.
Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42,os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita.
LANÇAMENTOS REFLEXOS.
O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
Numero da decisão: 1201-002.251
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto às exigências tributárias. E, não conhecer da matéria relativa a exclusão do simples em razão da renúncia às instâncias administrativas por propositura de ação judicial (Súmula CARF nº 1).
(assinado digitalmente)
Ester Marques Lins de Sousa - Presidente.
(assinado digitalmente)
José Carlos de Assis Guimarães - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima.
Nome do relator: Relator
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ Ano-calendário: 2002 CONCOMITÂNCIA. EXCLUSÃO DO SIMPLES. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42,os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula.
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EXCLUSÃO DO SIMPLES. AÇÃO JUDICIAL. APLICAÇÃO DA SÚMULA Nº 1 DO CARF. Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial. DEPÓSITO BANCÁRIO. FALTA DE COMPROVAÇÃO DE ORIGEM. Por presunção legal contida na Lei 9.430, de 27/12/1996, art. 42,os depósitos efetuados em conta bancária, cuja origem dos recursos depositados não tenha sido comprovada pelo contribuinte mediante apresentação de documentação hábil e idônea, caracterizam omissão de receita. LANÇAMENTOS REFLEXOS. O decidido quanto ao lançamento do IRPJ deve nortear a decisão dos lançamentos decorrentes, dada a relação que os vincula. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário, quanto às exigências tributárias. E, não conhecer da matéria relativa a exclusão do simples em razão da renúncia às instâncias administrativas por propositura de ação judicial (Súmula CARF nº 1). (assinado digitalmente) Ester Marques Lins de Sousa Presidente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 19 67 5. 00 05 76 /2 00 7- 47 Fl. 4070DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Eva Maria Los, Luis Fabiano Alves Penteado, José Carlos de Assis Guimarães, Luis Henrique Marotti Toselli, Gisele Barra Bossa, Paulo Cezar Fernandes de Aguiar, Bárbara Santos Guedes (suplente convocada em substituição à ausência do conselheiro Rafael Gasparello Lima) e Ester Marques Lins de Sousa (Presidente). Ausente, justificadamente, o conselheiro Rafael Gasparello Lima. Relatório JJ PRODUÇÕES E COBRANÇAS LTDA recorre a este Conselho com fulcro no art. 33 do Decreto nº 70.235, de 1972, objetivando a reforma do acórdão nº 14.26.395, de 09/10/2009, da 5ª Turma da Delegacia da Receita Federal de Julgamento em Ribeirão Preto (SP), que considerou improcedente a impugnação contra o lançamento, mantendo o crédito tributário exigido, bem assim não tomar conhecimento da manifestação de inconformidade contra a exclusão do SIMPLES por intempestiva. Por bem refletir o litígio até aquela fase, adoto o relatório da decisão de primeira instância, completandoa ao final: Fl. 4071DF CARF MF Processo nº 19675.000576/200747 Acórdão n.º 1201002.251 S1C2T1 Fl. 4.071 3 Fl. 4072DF CARF MF 4 Fl. 4073DF CARF MF Processo nº 19675.000576/200747 Acórdão n.º 1201002.251 S1C2T1 Fl. 4.072 5 Irresignada, a interessada interpôs recurso voluntário aduzindo, preliminarmente, que não fora cientificada da decisão da DRF em SorocabaSP, que indeferiu sua solicitação de revisão de exclusão do Simples (SRS). No mérito, alega: (i) a regularidade no enquadramento no Simples; (ii) o lançamento deveria ter observado a legislação do Simples, Fl. 4074DF CARF MF 6 já que a SRS suspendeu os efeitos da exclusão; (iii) os documentos anexados aos autos comprovam a origem dos recursos depositados em suas contascorrentes bancárias (fl. 2753 e ss.). Esta Turma com outra composição, por meio da Resolução nº 1201000.167, na sessão de 03/03/2015, resolveu converter o julgamento em diligência para que a autoridade de jurisdição do sujeito passivo: a) acoste aos autos documento comprobatório da ciência à SRS de fls. 11/12; b) elabore relatório circunstanciado; c) intime a recorrente a, se assim lhe convier, apresentar contrarrazões ao relatório no prazo de 20 dias de sua ciência. Cumprida a diligência requerida, com a juntada da comprovação da ciência da SRS no domicílio fiscal do do representante legal da empresa, em 21/11/2003 (fls. 4.019), a recorrente teve ciência do relatório de diligência de fls. 4.025 em 29/06/2015 (AR de fls. 4.026) e apresentou a manifestação de fls. 4.036/4.044, o qual extraio alguns trechos que trago a colação: Fl. 4075DF CARF MF Processo nº 19675.000576/200747 Acórdão n.º 1201002.251 S1C2T1 Fl. 4.073 7 Na seqüência, os autos foram encaminhados para este Conselheiro relatar e votar. É o relatório. Fl. 4076DF CARF MF 8 Voto Conselheiro José Carlos de Assis Guimarães, Relator. Conforme relatado pela recorrente em sua manifestação às fls. 4.041, as discussões acerca da exclusão do simples a partir de 01/01/2002 restam prejudicadas, em razão da Ação judicial nº 2008.61.10.0146892 (001468952.2008.4.03.6110), ajuizada na 2ª Vara Federal da Justiça Federal de SorocabaSP, que discute matéria idêntica e na primeira instância, a decisão foi favorável às pretensões da recorrente. Sentença que ainda depende de confirmação pelo Tribunal Federal da 3ª Região, conforme consta do sítio daquele Tribunal. O Código Tributário Nacional exclui da apreciação dos tribunais administrativos, a matéria objeto de ação judicial, em obediência ao principio da unidade de jurisdição, prevalente no País, em que decisões judiciais são soberanas e afastam a possibilidade de apreciação da mesma matéria pela via administrativa. No caso em tela, tratandose da mesma matéria, a propositura de ação judicial afasta a apreciação pelos ritos do Processo Administrativo Fiscal. Tal entendimento foi objeto da Súmula nº 1 do CARF, publicada no DOU de 22/12/2009. “Súmula CARF nº 1 Importa renúncia às instâncias administrativas a propositura pelo sujeito passivo de ação judicial por qualquer modalidade processual, antes ou depois do lançamento de ofício, com o mesmo objeto do processo administrativo, sendo cabível apenas a apreciação, pelo órgão de julgamento administrativo, de matéria distinta da constante do processo judicial.” Portanto, quanto a esta matéria (exclusão do simples a partir de 01/01/2002) o recurso não pode ser conhecido em razão da concomitância. Quanto à exigência tributária decorrente da tributação de depósitos bancários de origem não comprovada, relativamente ao anocalendário de 2002, e cuja tributação foi fundamentada no artigo 42 da Lei nº 9.430/95, o recurso é tempestivo e atende aos demais requisitos de admissibilidade, merecendo, por isto, ser conhecida. Pugna a recorrente pela valoração da prova trazida na impugnação e no recurso voluntário: planilhas e notas fiscais que seriam capazes de comprovar a origem dos depósitos. Toda essa documentação, juntada novamente pelo recorrente no recurso voluntário, ao contrário do que afirma o sujeito passivo em seu recurso e na manifestação ao norte mencionada, já foi examinada pela autoridade "a quo", afastando, com isso, o alegado cerceamento de direito de defesa. Como a conclusão do voto condutor da decisão de primeira instância está em sintonia com o pensamento do relator, reproduzo abaixo trecho do voto e o adoto como razões de decidir: Fl. 4077DF CARF MF Processo nº 19675.000576/200747 Acórdão n.º 1201002.251 S1C2T1 Fl. 4.074 9 Fl. 4078DF CARF MF 10 Por tais razões, o presente voto é no sentido de NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) José Carlos de Assis Guimarães Relator Fl. 4079DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 15563.000310/2008-91
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 04 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2003, 2004, 2005
OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA.
Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
Numero da decisão: 2202-004.605
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
Nome do relator: ROSY ADRIANE DA SILVA DIAS
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2003, 2004, 2005 OMISSÃO DE RENDIMENTOS. DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizam-se como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson - Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias - Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson.
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DEPÓSITOS BANCÁRIOS DE ORIGEM NÃO COMPROVADA. INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA. Caracterizamse como omissão de rendimentos, por presunção legal, os valores creditados em conta de depósito ou de investimento mantida em instituição financeira, em relação aos quais o titular, pessoa física, regularmente intimado, não comprove, mediante documentação hábil e idônea, a origem dos recursos utilizados nessas operações. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias Relatora. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 56 3. 00 03 10 /2 00 8- 91 Fl. 369DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson. Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra o acórdão nº 0424.889, proferido pela 2a Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Campo GrandeMS (DRJ/CGE), que julgou parcialmente procedente o lançamento, mantendo a cobrança parcial do crédito tributário. Pela clareza, reproduzo o relatório do acórdão recorrido, na parte anterior à decisão da DRJ/CGE: Almerinda Filgueiras de Carvalho, acima qualificada, foi autuada conforme Auto de Infração (AI) e demonstrativos de f. 262 a 270, tendo sido apurados os valores de R$ 141.594,94 de imposto, RS 106.196,19 de multa proporcional de oficio (75%) e R$ 55.486,37 de juros moratórios calculados até 30 de maio de 2008, totalizando RS 303.277,50 de crédito tributário. O lançamento ocorreu em face de, nos anoscalendário 2003, 2004 e 2005, ter ocorrido omissão de rendimentos caracterizada por depósitos bancários sem origem comprovada. A descrição das infrações e o enquadramento legal encontramse às f. 267 a 269. O enquadramento legal relativo à multa proporcional e aos juros de mora encontrase à f. 265. Como se vê nos autos, durante todo o procedimento de fiscalização a contribuinte foi intimado a apresentar documentos e a prestar esclarecimentos. O Termo de Verificação Fiscal, parte integrante do Auto de Infração, evidencia com detalhes todo o procedimento realizado. A ciência quanto ao lançamento ocorreu, pessoalmente, em 10 de junho de 2008 (f. 266 e 270). Inconformada, a autuada apresentou impugnação protocolada em 10 de julho de 2008 (f. 274 a 289 anexos às f. 290 a 302), na qual, após relato dos fatos, aduz, em apertada síntese, que: a) sacava valores das contas em agências bancárias no Distrito Federal efetuando pagamentos no Rio de Janeiro, depositando o restante nas contas mantidas junto a agências bancárias localizadas nesta última; b) os depósitos na conta 4901712, Unibanco, foram justificados por meio das declarações da senhora Rute Camargo Borges Ribeiro (depositante) e do Projeto Nova Esperança (recebedor), no sentido de que os valores foram depositados e em seguida repassados para a entidade; c) o depósito de R$ 22.180,00 (Unibanco) decorre do recebimento de um cheque pela venda de um veículo por seu Fl. 370DF CARF MF Processo nº 15563.000310/200891 Acórdão n.º 2202004.605 S2C2T2 Fl. 370 3 filho Leandro Filgueiras de Carvalho à empresa Power Point Car Ltda.; d) o crédito de RS 20.769,46 (Unibanco) tem origem em recebimento de cota de consórcio Rodobens, conforme "email" anexo; e) o depósito de R$ 5.000,00 (Unibanco), em 21 de outubro de 2004, foi efetuado por seu irmão Antonio da Silva Filgueira para custeio de despesas médicas do senhor Rubens Coutinho Filgueiras, genitor de ambos, conforme declaração; f) vários depósitos efetuados no Banco do Brasil e no Unibanco, conforme planilhas insertas na impugnação (f. 287 a 288) são provenientes de venda a prazo de dois veículos, conforme documentos juntados; g) o valor de R$ 5.000,00 depositado no Banco do Brasil (DF), em 19 de novembro de 2003, tratase de transferência de outra conta do mesmo banco. A recorrente foi cientificada do Acórdão da DRJ/CGE em 07/07/2011. Inconformada com a decisão, apresentou Recurso Voluntário em 05/08/2011 (efls. 325), repisando os argumentos da impugnação, apresenta recibos, e acrescenta que a decisão a quo foi calcada em suposições. Por fim solicita reforma da decisão recorrida e cancelamento do crédito fiscal. É o relatório. Voto Conselheira Rosy Adriane da Silva Dias, Relatora O Recurso Voluntário é tempestivo, e preenche os demais requisitos de admissibilidade, portanto, dele conheço Verificase que a controvérsia exposta na peça recursal, limitouse aos seguintes valores: Depósitos efetuados por Ruth Camargo Borges Ribeiro (Conta 490171 2/Unibanco) A defesa apresentou recibos emitidos pelo Projeto Nova Esperança (fls. 334/363), afirmando ter recebido valores da recorrente doados por Ruth Camargo Borges Ribeiro. Entretanto, entendo que esses recibos não corroboram as alegações da recorrente, nem os extratos bancários. Como lembrou o acórdão recorrido, os depósitos não eram seguidos de retiradas no mesmo valor que pudesse provar que a recorrente recebia os valores depositados por Ruth Camargo Borges Ribeiro e em sequência os repassava para o Fl. 371DF CARF MF 4 Projeto, nem a recorrente apresenta qualquer planilha que demonstre os saques/transferências vinculados a esses depósitos. Ademais, a recorrente não se incumbiu de comprovar a efetiva entrada desses recursos nessa instituição, por meio de registros contábeis, livro caixa ou qualquer outro documento hábil para tal. Por isso, entendo que tais recibos não são suficientes para comprovar a origem dos recursos. Recebimento de um cheque no valor de R$ 22.180,00 (Conta 490171 2/Unibanco) A recorrente informa que se trata da venda de um veículo efetuada por seu filho Leandro Filgueiras de Carvalho à Power Point Car Ltda. Apresenta declaração dele (fls. 293) e cópia de cheque emitido por "Power Point Car Ltda" (294). Entretanto, não apresenta os documentos usuais de transferência de veículo, que pudessem corroborar a alegação. Arrazoa que deveria o Fisco oficiar o Detran, a fim de confirmar a operação e o valor. Entretanto, a venda de um veículo segue procedimentos tais como documentos obrigatórios como o de transferência, que são documentos do próprio contribuinte. Portanto, não caberia ao Fisco produzir provas para o contribuinte, considerando que são documentos que este deveria manter enquanto não decaído o direito da Fazenda Pública. Para o referido depósito, a recorrente não apresenta qualquer documento além dos juntados à impugnação, que já foram analisados pela autoridade julgadora de primeira instância: Relativamente ao depósito de R$ 22.180,00 (Unibanco), que decorreria do recebimento de um cheque pela venda de um veículo por seu filho Leandro Filgueiras de Carvalho à empresa Power Point Car Ltda., foi apresentada a cópia do cheque (f. 292), bem como a declaração do senhor Leandro (f. 291). Contudo, pelo que se verifica na cópia do cheque, este não contém a identificação de quem foi o beneficiário do pagamento, muito embora o valor seja excedente ao dos cheques a portador e, ainda, estando ele cruzado. Além disso, tal cópia não foi fornecida pelo banco sacado. E, contrariamente ao que ocorreu com veículos vendidos pela autuada, não há nos autos cópia do documento de transferência. Dessa forma, não tendo a contribuinte se incumbido do ônus de provar a origem dos recursos apontados pela fiscalização, deve ser mantido o lançamento nessa parte. Depósitos efetuados no Banco do Brasil e Unibanco A recorrente diz se tratarem de venda a prazo de dois veículos, e apresenta declaração dos adquirentes dos veículos (fls. 364/365), contendo forma de pagamentos, valor e data. Entretanto, analisando os dados das declarações, eles não corroboram os depósitos e datas constantes nos extratos bancários, conforme tabelas abaixo: Valor R$ 20.000,00 Recibo fls. 364 Extrato Unibanco fls. BB 269 0608 fls. BB 16306 fls. cheque em 14/07/2004 no valor de R$ 6.040,00 15/07 0797944 depósito interagência 6.040,00 C 128 Fl. 372DF CARF MF Processo nº 15563.000310/200891 Acórdão n.º 2202004.605 S2C2T2 Fl. 371 5 cheque em 19/10/2004 no valor de R$ 5.000,00 19/10 0124322 depósito interagência 5.000,00 C 131 cheque em 22/11/2004 no valor de R$ 5.000,00 23/11 depósito 5.000,00 C 168 cheque em 01/12/2004 no valor de R$ 2.200,00 01/12 depósito 2.200,00 C 85 dinheiro em 01/12/2004 no valor de R$ 1.760,00 Valor R$ 25.000,00 Recibo fls. 365 Extrato Unibanco fls. BB 269 0608 fls. BB 16306 fls. cheque em 05/04/2004 no valor de R$ 5.000,00 06/04 depósito R$ 5.000,00 70 cheque em 26/04/2004 no valor de R$ 3.031,00 28/04 depósito interagência 3.031,00 125 cheque em 30/07/2004 no valor de R$ 2.422,42 02/08 2.411,42 cheque em 24/11/2004 no valor de R$ 3.018,00 26/11 depósito R$ 3.018,00 168 cheque em 01/12/2004 no valor de R$ 9.999,00 02/12 depósito R$ 9.999,00 85 dinheiro em 01/12/2004 no valor de R$ 1.529,58 Apesar de constar nas declarações que o pagamento das parcelas se deu em cheque, no extrato não há dados que corroborem que o depósito tenha sido efetuado dessa forma, e também não foi apresentada cópia dos cheques que comprovariam respectivos destinatário e emitente, ou mesmo extrato bancário dos adquirentes que comprovariam o registro do cheque emitido. Por isso, entendo não comprovada a origem dos depósitos. Em relação a esses valores, o julgador a quo já havia se pronunciado: Relativamente a vários depósitos efetuados no Banco do Brasil e no Unibanco, conforme planilhas insertas na impugnação (f. 287 a 288), argumentou a contribuinte que são provenientes de venda a prazo de dois veículos, conforme documentos juntados. Os documentos são certificados de propriedade com o recibo, no verso, preenchido e assinado. Ocorre que não há comprovação de que os depósitos tenham sido efetuados pelas adquirentes dos veículos, com o fim de pagamento da aquisição. Depósito de R$ 5.000,00 (Conta 4901712 do Unibanco) Fl. 373DF CARF MF 6 A recorrente afirma ter sido efetuado por Antonino da Silva Filgueira, para pagamento de despesas médicas com seu genitor. Entretanto, não acrescenta outros documentos, além dos apresentados com a impugnação, que já foram analisados pelo julgador a quo: Primeiramente, registrese que há um equívoco da contribuinte quanto à data do depósito, que ocorreu em 2003 e não em 2004 (f. 229). Não está evidenciado no extrato que o depósito efetivamente tenha sido efetuado pelo indicado: no histórico está consignado "DEPOSITO INTERAGENCIA" Nos autos só consta a declaração firmada pelo genitor da autuada, que não tem o condão de comprovar a origem do depósito, não tendo sequer sido juntado aos autos algum comprovante de despesa médica efetuada. Assevero que é perfeitamente razoável que recibos de honorários médicos, e exames sejam guardados enquanto não decaído o direito da Fazenda de constituir o crédito tributário. Quanto aos demais depósitos, nada mais alegou a recorrente, nem apresentou documentos que comprovassem a efetiva origem dos recursos. Alega a recorrente, que o julgador a quo se baseou em suposições, citando trechos do acórdão. Entretanto, não vejo dessa forma, pois o julgador de primeira instância, apenas explica porque os documentos apresentados pelo recorrente não suportam suas alegações, demonstrando as contradições entre elas. Conclusão Por todo o exposto, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Rosy Adriane da Silva Dias. Fl. 374DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10980.914208/2012-17
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Terceira Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 20 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004
RESTITUIÇÃO. REQUISITO.
O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN).
Numero da decisão: 3201-003.849
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior.
(assinado digitalmente)
Charles Mayer de Castro Souza - Presidente e Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior.
Nome do relator: CHARLES MAYER DE CASTRO SOUZA
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/03/2004 a 31/03/2004 RESTITUIÇÃO. REQUISITO. O direito à restituição pressupõe a existência de créditos líquidos e certos do sujeito passivo contra a Fazenda Pública (art. 170 do CTN). Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso. Acompanharam o relator pelas conclusões os conselheiros Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laércio Cruz Uliana Junior. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Presidente e Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Charles Mayer de Castro Souza (Presidente), Paulo Roberto Duarte Moreira, Tatiana Josefovicz Belisario, Marcelo Giovani Vieira, Pedro Rinaldi de Oliveira Lima, Leonardo Correia Lima Macedo, Leonardo Vinicius Toledo de Andrade e Laercio Cruz Uliana Junior. Relatório METROBENS AUTOMÓVEIS LTDA. apresentou pedido eletrônico de restituição de crédito da contribuição (Cofins/PIS), pedido esse que restou indeferido pela repartição de origem em razão do fato de que o pagamento informado pelo pleiteante já havia sido utilizado para quitação de outros débitos de sua titularidade. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 98 0. 91 42 08 /2 01 2- 17 Fl. 50DF CARF MF Processo nº 10980.914208/201217 Acórdão n.º 3201003.849 S3C2T1 Fl. 3 2 Cientificado, o contribuinte apresentou Manifestação de Inconformidade e requereu a reavaliação do despacho decisório, alegando, aqui apresentado de forma sucinta, o seguinte: a) o direito creditório pleiteado se refere a pagamento a maior da contribuição (PIS/Cofins) decorrente da inclusão indevida do ICMS em sua base de cálculo; b) a contribuição (PIS/Cofins) incide sobre o faturamento mensal que corresponde à receita bruta da venda de mercadorias e/ou serviços; c) a Lei nº 9.718/1998 extrapolou a previsão constitucional, instituindo as contribuições sobre a totalidade das receitas auferidas pela pessoa jurídica, independentemente do tipo de atividade exercida e/ou da classificação contábil adotada, enquanto que o art. 195, I, "b", da Constituição Federal previa a instituição de contribuições sociais somente sobre o faturamento, o que não abrange o valor pago a título de ICMS, visto que tal valor constitui ônus fiscal e não faturamento. A Delegacia da Receita Federal de Julgamento, por meio do acórdão nº 12 077.916, julgou improcedente a Manifestação de Inconformidade, diante da não comprovação do crédito pleiteado. Irresignado, o contribuinte interpôs, no prazo legal, Recurso Voluntário, repisando os mesmos argumentos de defesa, destacando a inconstitucionalidade da inclusão do ICMS na base de cálculo da contribuição (PIS/Cofins), conforme decisão do Plenário do Supremo Tribunal Federal proferida no dia 8 de outubro de 2014, nos autos do Recurso Extraordinário (RE) nº 240.7852/MG, que também reconheceu a repercussão geral da matéria no julgamento do RE nº 574.706. É o relatório. Voto Conselheiro Charles Mayer de Castro Souza, Relator. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º e 2º, do Anexo II do Regimento Interno do CARF (RICARF), aprovado pela Portaria MF 343, de 9 de junho de 2015, aplicandose, portanto, ao presente litígio o decidido no Acórdão 3201003.778, de 20/06/2018, proferido no julgamento do processo 10980.912250/201201, paradigma ao qual o presente processo foi vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão 3201003.778): O recurso atende a todos os requisitos de admissibilidade previstos em lei, razão pela qual dele se conhece. A Recorrente apresentou PER/DCOMP por meio do qual requereu a restituição da Cofins apurada em novembro de 2006. Indeferido o pleito ao argumento de que o crédito vindicado estava integralmente utilizado para quitação de débitos do próprio contribuinte, Fl. 51DF CARF MF Processo nº 10980.914208/201217 Acórdão n.º 3201003.849 S3C2T1 Fl. 4 3 a Recorrente apresentou manifestação de inconformidade, por meio da qual alegou, com fundamento em decisão proferida pelo Supremo Tribunal Federal STF, que o direito à restituição decorre do fato do pagamento a maior do PIS/Cofins, em face da inclusão, nas suas respectivas bases de cálculos, do ICMS estadual, argumento repetido no recurso voluntário, ora apreciado. A Recorrente, contudo, não se atentou para o fato – devidamente explicitado no acórdão recorrido – de que a razão para o indeferimento do pedido repousou na utilização integral do crédito para pagamento de débito da mesma contribuição. Noutras palavras, a Recorrente sequer apresentou, antes ou após a ciência do Despacho Decisório (na verdade, nada falou a respeito em suas defesas), DCTF retificadora para permitir a liberação do valor requerido, se fosse o caso, e a sua restituição em pecúnia ou a sua compensação com outros tributos. Ainda que eventualmente seja procedente o argumento que embasa o pedido (isso não significa que concordemos com a tese), a Administração Tributária não podia e não pode restituir valor já alocado para quitação de um tributo. Quem deve fazêlo é o próprio contribuinte, de ordinário antes de apresentar o pedido eletrônico de restituição. É como, aliás, entende a própria RFB, como indica o Parecer Normativo Cosit nº 2, de 28 de agosto de 2015: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO. RETIFICAÇÃO DA DCTF DEPOIS DA TRANSMISSÃO DO PER/DCOMP E CIÊNCIA DO DESPACHO DECISÓRIO. POSSIBILIDADE. IMPRESCINDIBILIDADE DA RETIFICAÇÃO DA DCTF PARA COMPROVAÇÃO DO PAGAMENTO INDEVIDO OU A MAIOR. As informações declaradas em DCTF – original ou retificadora – que confirmam disponibilidade de direito creditório utilizado em PER/DCOMP, podem tornar o crédito apto a ser objeto de PER/DCOMP desde que não sejam diferentes das informações prestadas à RFB em outras declarações, tais como DIPJ e Dacon, por força do disposto no§ 6º do art. 9º da IN RFB nº 1.110, de 2010, sem prejuízo, no caso concreto, da competência da autoridade fiscal para analisar outras questões ou documentos com o fim de decidir sobre o indébito tributário. Não há impedimento para que a DCTF seja retificada depois de apresentado o PER/DCOMP que utiliza como crédito pagamento inteiramente alocado na DCTF original, ainda que a retificação se dê depois do indeferimento do pedido ou da não homologação da compensação, respeitadas as restrições impostas pela IN RFB nº 1.110, de 2010. Retificada a DCTF depois do despacho decisório, e apresentada manifestação de inconformidade tempestiva contra o indeferimento do PER ou contra a não homologação da DCOMP, a DRJ poderá baixar em diligência à DRF. Caso se refira apenas a erro de fato, e a revisão do despacho decisório implique o deferimento integral daquele crédito (ou homologação integral da DCOMP), cabe à DRF assim proceder. Caso haja questão de direito a ser decidida ou a revisão seja parcial, compete ao órgão julgador administrativo decidir a lide, sem prejuízo de renúncia à instância administrativa por parte do sujeito passivo. O procedimento de retificação de DCTF suspenso para análise por parte da RFB, conforme art. 9ºA da IN RFB nº 1.110, de 2010, e que tenha sido Fl. 52DF CARF MF Processo nº 10980.914208/201217 Acórdão n.º 3201003.849 S3C2T1 Fl. 5 4 objeto de PER/DCOMP, deve ser considerado no julgamento referente ao indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a sua homologação, o julgamento referente ao direito creditório cuja lide tenha o mesmo objeto fica prejudicado, devendo o processo ser baixado para a revisão do despacho decisório. Caso o procedimento de retificação de DCTF se encerre com a não homologação de sua retificação, o processo do recurso contra tal ato administrativo deve, por continência, ser apensado ao processo administrativo fiscal referente ao direito creditório, cabendo à DRJ analisar toda a lide. Não ocorrendo recurso contra a não homologação da retificação da DCTF, a autoridade administrativa deve comunicar o resultado de sua análise à DRJ para que essa informação seja considerada na análise da manifestação de inconformidade contra o indeferimento/não homologação do PER/DCOMP. A não retificação da DCTF pelo sujeito passivo impedido de fazêla em decorrência de alguma restrição contida na IN RFB nº 1.110, de 2010, não impede que o crédito informado em PER/DCOMP, e ainda não decaído, seja comprovado por outros meios. O valor objeto de PER/DCOMP indeferido/não homologado, que venha a se tornar disponível depois de retificada a DCTF, não poderá ser objeto de nova compensação, por força da vedação contida no inciso VI do § 3º do art. 74 da Lei nº 9.430, de 1996. Retificada a DCTF e sendo intempestiva a manifestação de inconformidade, a análise do pedido de revisão de ofício do PER/DCOMP compete à autoridade administrativa de jurisdição do sujeito passivo, observadas as restrições do Parecer Normativo nº 8, de 3 de setembro de 2014, itens 46 a 53. Dispositivos Legais. arts. 147, 150, 165 170 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 (CTN); arts. 348 e 353 da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973 – Código de Processo Civil (CPC); art. 5º do Decretolei nº 2.124, de 13 de junho de 1984; art. 18 da MP nº 2.18949, de 23 de agosto de 2001; arts. 73 e 74 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996; Instrução Normativa RFB nº 1.110, de 24 de dezembro de 2010; Instrução Normativa RFB nº 1.300, de 20 de novembro de 2012; Parecer Normativo RFB nº 8, de 3 de setembro de 2014. eprocesso 11170.720001/201442 Portanto, para que haja a possibilidade de restituição, o crédito respectivo deve estar liberado, mediante a entrega de DCTF retificadora, exceto quanto às hipóteses de impedimento à sua apresentação, não verificadas, aliás, no caso ora em exame, como, por exemplo, quando o saldo a pagar já tenha sido enviado à Procuradoria da Fazenda Nacional PFN para inscrição em Dívida Ativa. Não cabe, ademais, à RFB fazer a retificação de ofício. Como consignado nos fundamentos do referido PN, "enquanto não retificada a DCTF, o débito ali espontaneamente confessado é devido, logo, valor utilizado para quitálo não se constitui formalmente em indébito, sem que a recorrente promova a prévia retificação da declaração. (Acórdão nº 1302001.571, Rel. Cons. Alberto Pinto Souza Júnior, 25 de novembro de 2014)". A situação aqui enfrentada é, como se percebe, diferente da que comumente se vê no Contencioso Administrativo, em que o interessado costuma apresentar DCTF retificadora, mas não apresenta, na manifestação de inconformidade, documentos contábeis/fiscais Fl. 53DF CARF MF Processo nº 10980.914208/201217 Acórdão n.º 3201003.849 S3C2T1 Fl. 6 5 comprovando o erro cometido na original, ou os apresenta neste recurso, mas o só fato de a DCTF retificadora ter sido apresentada após a ciência do Despacho Decisório leva a DRJ a manter, por esse só motivo, o indeferimento do pedido de restituição. Não tendo sido apresentada DCTF retificadora, o crédito reclamado continua vinculado ao pagamento confessado na DCTF enviada à RFB, de modo que, nesse contexto, não há como restituílo. Contudo, não foi este o entendimento dos demais integrantes da Turma, que, muito embora também negando provimento ao recurso, fizeramno ao argumento de que não haveria provas do direito reclamado pela Recorrente (apenas apresentou planilha discriminando os valores pleiteados, mas nenhum documento fiscal ou contábil). Ante o exposto, NEGO PROVIMENTO ao recurso voluntário. Destaquese que, não obstante o processo paradigma se referir unicamente à Cofins, a decisão ali prolatada se aplica nos mesmos termos à Contribuição para o PIS. Importa registrar, ainda, que, nos presentes autos, as situações fática e jurídica encontram correspondência com as verificadas no paradigma, de tal sorte que o entendimento lá esposado pode ser perfeitamente aqui aplicado. Portanto, aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º e 2º do art. 47 do Anexo II do RICARF, o colegiado decidiu negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Charles Mayer de Castro Souza Fl. 54DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13984.721443/2011-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon Jul 23 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Aug 23 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Data do fato gerador: 25/10/2011
MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. POSSE. DEPÓSITO.
Constitui infração às medidas de controle fiscal a aquisição, a venda, o depósito ou a posse de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitando-se o infrator à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos.
Numero da decisão: 3302-005.608
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad.
Nome do relator: PAULO GUILHERME DEROULEDE
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Data do fato gerador: 25/10/2011 MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. POSSE. DEPÓSITO. Constitui infração às medidas de controle fiscal a aquisição, a venda, o depósito ou a posse de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitando-se o infrator à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos.
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CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. POSSE. DEPÓSITO. Constitui infração às medidas de controle fiscal a aquisição, a venda, o depósito ou a posse de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitandose o infrator à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Paulo Guilherme Déroulède (Presidente), Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimaraes, Jose Renato Pereira de Deus, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad. Relatório Trata o presente de Auto de Infração para constituição de multa regulamentar no valor de R$ 2,00 por maço de cigarro, de que trata o parágrafo único do artigo 3º do Decretolei nº 399/1968, por serem importados clandestinamente. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 98 4. 72 14 43 /2 01 1- 14 Fl. 45DF CARF MF Processo nº 13984.721443/201114 Acórdão n.º 3302005.608 S3C3T2 Fl. 46 2 Por bem descrever os fatos, transcrevo o relatório da decisão recorrida: "Trata o presente processo de auto de infração lavrado para constituição de crédito tributário no valor de R$ 6.360,00, referente à multa exigida por infração às medidas de controle fiscal relativas a cigarro de procedência estrangeira. Depreendese da descrição dos fatos e enquadramento legal do auto de infração do presente processo, bem como do auto de infração com apreensão de mercadorias n° LG00045 e respectivo auto de infração complementar, que em poder da interessada, foram encontrados 3.180 maços de cigarros depositados em seu estabelecimento, sem que houvesse prova da regular introdução no território nacional. A apreensão dos cigarros foi efetuada pela autoridade fiscal da Secretaria de Estado da Fazenda do Estado de Santa Catarina em 25/10/2011, sendo posteriormente encaminhados os cigarros para a Delegacia da Receita Federal do Brasil em Lages – SC. Lavrado o auto de infração com apreensão de mercadorias com vistas a aplicar a pena de perdimento aos cigarros apreendidos, a fiscalização lavrou o presente auto de infração (fl. 13) para exigência da multa prevista no art. 3º, parágrafo único do Decretolei nº 399/1968. Cientificada, a interessada apresentou impugnação de folhas 21 a 24. Em síntese apresenta as seguintes alegações: Que, há enriquecimento ilícito do Estado, ofensa à igualdade garantida pela Constituição Federal Brasileira; Que, o crédito tributário deve ser reduzido ao suportável pela capacidade contributiva. Necessário a elaboração de nova planilha contábil, expurgandose a capitalização, reduzindo as multas e os juros incidentes sobre o valor principal; Que, é empresa pequena e, encontrase em dificuldade financeira Requer a nulidade da notificação ou a redução da multa aplicada." A Primeira Turma da DRJ em Florianópolis proferiu o Acórdão nº 0730.911, julgando a impugnação improcedente, nos termos da ementa que abaixo transcrevese: ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Data do fato gerador: 25/10/2011 MULTA REGULAMENTAR. CIGARROS DE PROCEDÊNCIA ESTRANGEIRA. POSSE. DEPÓSITO. Constitui infração às medidas de controle fiscal a aquisição, a venda, o depósito ou a posse de cigarros de procedência estrangeira sem documentação probante de sua regular importação, sujeitandose o infrator Fl. 46DF CARF MF Processo nº 13984.721443/201114 Acórdão n.º 3302005.608 S3C3T2 Fl. 47 3 à multa legal, além da aplicação da pena de perdimento dos cigarros apreendidos. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido. Inconformada, a recorrente interpôs recurso voluntário, limitandose a repetir as alegações da impugnação, sem nada acresecentar. Na forma regimental, o processo foi distribuído a este relator. É o relatório. Voto Conselheiro Paulo Guilherme Déroulède, Relator. O recurso atende aos pressupostos de admissibilidade e dele tomo conhecimento. Constatase que a recorrente, me momento algum, nega a ocorrência dos fatos, mas sim a queda de rentabilidade de seu negócio, a inconstitucionalidade da multa aplicada e dos juros, bem como o expurgo da capitalização e a nulidade da notificação. Quanto à nulidade da notificação, o Auto de Infração foi lavrado por pessoa competente (Auditor Fiscal da Receita Federal do Brasil) não havendo qualquer infringência ao artigo 59 do Decreto 70.235/1972, bem como contém os requisitos do artigo 10 do referido decreto, a seguir transcritos: Art. 10. O auto de infração será lavrado por servidor competente, no local da verificação da falta, e conterá obrigatoriamente: I a qualificação do autuado; II o local, a data e a hora da lavratura; III a descrição do fato; IV a disposição legal infringida e a penalidade aplicável; V a determinação da exigência e a intimação para cumprila ou impugnála no prazo de trinta dias; VI a assinatura do autuante e a indicação de seu cargo ou função e o número de matrícula. [...] Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; Fl. 47DF CARF MF Processo nº 13984.721443/201114 Acórdão n.º 3302005.608 S3C3T2 Fl. 48 4 II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa. De outro giro, esclareçase que a argüição de inconstitucionalidade de atos normativos deve ser formulada perante o Poder Judiciário, em vista da competência constitucional prevista nos artigos 97 e 102 da Carta Magna, sendo vedado a este conselho conhecer desta alegação, conforme artigo 59 do Decreto nº 7.574/2011, exceto nas hipóteses previstas no artigo 621 do Anexo II do Regimento Interno, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015. Neste sentido, foi publicada a Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária. Concernente à multa aplicada, referida está prevista no Decretolei nº 399/1968, no parágrafo único do artigo 3º, conforme a seguir: Art 1º São fixadas alíquotas específicas adicionais, reajustáveis segundo a variação da taxa cambial, à alíquota " ad valorem " sôbre as mercadorias classificadas nos subitens 24.02.002/003/004/005 da Tarifa das Alfândegas que acompanha o Decretolei nº 63, de 21 de novembro de 1966, modificada pelo Decretolei número 264, de 28 de fevereiro de 1967, nas grandezas abaixo relacionadas: Item Mercadoria Alíquota específica adicional 24.02.002 charuto NCr$3,80/unidade 24.02.003 cigarrilha NCr$2,00/unidade 24.02.004 cigarro NCr$3,00/maço de 20 unidades 24.02.005 qualquer outro NCr$60,00/quilogramas líquido Art 2º O Ministro da Fazenda estabelecerá medidas especiais de contrôle fiscal para o desembaraço aduaneiro, a circulação, a posse e o consumo de fumo, charuto, cigarrilha e cigarro de procedência estrangeira. Art 3º Ficam incursos nas penas previstas no artigo 334 do Código Penal os que, em infração às medidas a serem baixadas na forma do artigo anterior adquirirem, transportarem, venderem, expuserem à venda, tiverem em depósito, possuirem ou consumirem qualquer dos produtos nêle mencionados. 1 Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 1º O disposto no caput não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva do Supremo Tribunal Federal; II que fundamente crédito tributário objeto de: a) Súmula Vinculante do Supremo Tribunal Federal, nos termos do art. 103A da Constituição Federal; b) Decisão do Supremo Tribunal Federal ou do Superior Tribunal de Justiça, em sede de julgamento realizado nos termos do art. 543B ou 543C da Lei nº 5.869, de 1973 Código de Processo Civil (CPC), na forma disciplinada pela Administração Tributária; c) Dispensa legal de constituição ou Ato Declaratório da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional (PGFN) aprovado pelo Ministro de Estado da Fazenda, nos termos dos arts. 18 e 19 da Lei nº 10.522, de 19 de julho de 2002; d) Parecer do AdvogadoGeral da União aprovado pelo Presidente da República, nos termos dos arts. 40 e 41 da Lei Complementar nº 73, de 10 de fevereiro de 1993; e e) Súmula da AdvocaciaGeral da União, nos termos do art. 43 da Lei Complementar nº 73, de 1973. Fl. 48DF CARF MF Processo nº 13984.721443/201114 Acórdão n.º 3302005.608 S3C3T2 Fl. 49 5 Parágrafo único. Sem prejuízo da sanção penal referida neste artigo, será aplicada, além da pena de perdimento da respectiva mercadoria, a multa de R$ 2,00 (dois reais) por maço de cigarro ou por unidade dos demais produtos apreendidos. (Redação dada pela Lei nº 10.833, de 29.12.2003)) A constituição do crédito relativo à penalidade pecuniária é atividade vinculada nos termos do artigo 7442 do Decreto nº 6.759/2009, não comportando considerações sobre inconstitucionalidade ou efeito confiscatório. No que tange aos juros de mora, é legítima incidência de juros à taxa Selic como juros moratórios, previstos no artigo 61, §3º3 da Lei nº 9.430, de 1996, descabendo maiores considerações, conforme decidido no REsp 879.844/MG, julgado em 11/11/2009 (recursos repetitivos), e no RE 582.461/SP, submetido à repercussão geral, julgado em 18/05/2011, e de acordo com o enunciado da Súmula CARF nº 4: A partir de 1º de abril de 1995, os juros moratórios incidentes sobre débitos tributários administrados pela Secretaria da Receita Federal são devidos, no período de inadimplência, à taxa referencial do Sistema Especial de Liquidação e Custódia SELIC para títulos federais Esclareçase à recorrente que não há capitalização de juros compostos no cálculo dos juros cobrados. 2 Art. 744. Sempre que for apurada infração às disposições deste Decreto, que implique exigência de tributo ou aplicação de penalidade pecuniária, o AuditorFiscal da Receita Federal do Brasil deverá efetuar o correspondente lançamento para fins de constituição do crédito tributário (Lei no 5.172, de 1966, art. 142, caput; e Lei no 10.593, de 2002, art. 6o, inciso I, alínea “a”, com a redação dada pela Lei no 11.457, de 2007, art. 9o). 3 Art. 61. Os débitos para com a União, decorrentes de tributos e contribuições administrados pela Secretaria da Receita Federal, cujos fatos geradores ocorrerem a partir de 1º de janeiro de 1997, não pagos nos prazos previstos na legislação específica, serão acrescidos de multa de mora, calculada à taxa de trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso. (Vide Decreto nº 7.212, de 2010) ... § 3º Sobre os débitos a que se refere este artigo incidirão juros de mora calculados à taxa a que se refere o § 3º do art. 5º, a partir do primeiro dia do mês subseqüente ao vencimento do prazo até o mês anterior ao do pagamento e de um por cento no mês de pagamento. (Vide Medida Provisória nº 1.725, de 1998) (Vide Lei nº 9.716, de 1998) Fl. 49DF CARF MF Processo nº 13984.721443/201114 Acórdão n.º 3302005.608 S3C3T2 Fl. 50 6 De forma complementar, adoto os fundamentos da decisão da DRJ, nos termos do artigo 50, §1º da Lei nº 9.784/1999. Diante do exposto, voto para negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Fl. 50DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11516.723129/2012-48
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Aug 08 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 31 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011
EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL.
Cabíveis embargos de declaração para correção de erros materiais constantes no acórdão embargado.
Numero da decisão: 2202-004.704
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de que seja retificado o erro material constante na ementa do acórdão embargado, na qual deve constar a referência aos anos-calendário de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011.
Assinado digitalmente
Ronnie Soares Anderson - Presidente.
Assinado digitalmente.
Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
Nome do relator: JUNIA ROBERTA GOUVEIA SAMPAIO
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camara_s : Segunda Câmara
ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL. Cabíveis embargos de declaração para correção de erros materiais constantes no acórdão embargado.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de que seja retificado o erro material constante na ementa do acórdão embargado, na qual deve constar a referência aos anos-calendário de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. Assinado digitalmente Ronnie Soares Anderson - Presidente. Assinado digitalmente. Júnia Roberta Gouveia Sampaio- Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente).
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conteudo_txt : Metadados => pdf:unmappedUnicodeCharsPerPage: 0; pdf:PDFVersion: 1.4; X-Parsed-By: org.apache.tika.parser.DefaultParser; access_permission:modify_annotations: true; access_permission:can_print_degraded: true; access_permission:extract_for_accessibility: true; access_permission:assemble_document: true; xmpTPg:NPages: 5; dc:format: application/pdf; version=1.4; pdf:charsPerPage: 1487; access_permission:extract_content: true; access_permission:can_print: true; access_permission:fill_in_form: true; pdf:encrypted: true; producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; access_permission:can_modify: true; pdf:docinfo:producer: Serviço Federal de Processamento de Dados via ABCpdf; Content-Type: application/pdf | Conteúdo => S2C2T2 Fl. 404 1 403 S2C2T2 MINISTÉRIO DA FAZENDA CONSELHO ADMINISTRATIVO DE RECURSOS FISCAIS SEGUNDA SEÇÃO DE JULGAMENTO Processo nº 11516.723129/201248 Recurso nº Embargos Acórdão nº 2202004.704 – 2ª Câmara / 2ª Turma Ordinária Sessão de 08 de agosto de 2018 Matéria IMPOSTO DE RENDA PESSOA FÍSICA IRPF Embargante DELEGACIA DA RECEITA FEDERAL DO BRASIL EM FLORIANÓPOLIS SC Interessado JOSÉ MAURO ROSA ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2007, 2008, 2009, 2010, 2011 EMBARGOS DECLARATÓRIOS. ERRO MATERIAL. Cabíveis embargos de declaração para correção de erros materiais constantes no acórdão embargado. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, para fins de que seja retificado o erro material constante na ementa do acórdão embargado, na qual deve constar a referência aos anoscalendário de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. Assinado digitalmente Ronnie Soares Anderson Presidente. Assinado digitalmente. Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Rosy Adriane da Silva Dias, Martin da Silva Gesto, Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (suplente convocada), Júnia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Ronnie Soares Anderson (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 51 6. 72 31 29 /2 01 2- 48 Fl. 404DF CARF MF 2 Relatório Tratase de Embargos de Declaração apresentados pela Delegacia da Receita Federal do Brasil em Florianópolis, em face de acórdão proferido pela 2ª Turma Ordinária da 2ª Câmara da 2ª Seção. no Acórdão nº: 2202004.707 (fls. 369/385), cuja ementa é a seguinte: ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA FÍSICA IRPF Anocalendário: 2008, 2009, 2010, 2011, 2012 PRELIMINAR. CERCEAMENTO DE DIREITO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. "O lançamento de ofício pode ser realizado sem prévia intimação ao sujeito passivo, nos casos em que o Fisco dispuser de elementos suficientes à constituição do crédito tributário." (Súmula CARF nº 46) PROVA EMPRESTADA. ADMISSIBILIDADE. Não há que se falar em nulidade no uso de prova emprestada quando é oportunizado ao sujeito passivo manifestarse sobre todos os elementos trazidos aos autos pela autoridade lançadora. MOLÉSTIA GRAVE. PROVENTOS DE APOSENTADORIA.ISENÇÃO.COMPROVAÇÃO. São isentos do imposto de renda os proventos de aposentadoria percebidos pelos portadores das moléstias enumeradas no inciso XIV do artigo 6º da Lei nº 7.713, de 22 de dezembro de 1988 e alterações. A moléstia deve ser comprovada mediante apresentação de laudo pericial emitido por serviço médico oficial da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, devendo ser fixado o prazo de validade do laudo pericial, no caso de moléstias passíveis de controle. MULTA DE OFÍCIO. ERRO NO PREENCHIMENTO DA DECLARAÇÃO DE AJUSTE ANUAL. INFORMAÇÃO INCORRETA PRESTADA PELA FONTE PAGADORA. JUROS DE MORA. Nos casos de erro no preenchimento da Declaração Anual de Ajuste, causado por informação incorreta que tenha sido prestada pela fonte pagadora, não cabe o lançamento de multa de ofício, mas apenas juros de mora sobre o imposto apurado. LANÇAMENTO. BASE DE CÁLCULO. EXCLUSÃO DOS VALORES RELATIVOS AO 13º SALÁRIO. RESPONSABILIDADE DA FONTE PAGADORA. No regime de tributação exclusiva na fonte, a fonte pagadora substitui o contribuinte desde logo, no momento em que surge a Fl. 405DF CARF MF Processo nº 11516.723129/201248 Acórdão n.º 2202004.704 S2C2T2 Fl. 405 3 obrigação tributária. A responsabilidade exclusiva da fonte pagadora subsiste, ainda que ela não tenha retido o imposto. A decisão foi registrada nos seguintes termos: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, não conhecer do recurso em relação ao 13º salário. Na parte conhecida, pelo voto de qualidade, dar provimento parcial ao recurso para excluir a multa de ofício, vencidos os Conselheiros Junia Roberta Gouveia (Relatora), Martin da Silva Gesto, Dilson Jatahy Fonseca Neto e Fernanda Melo Leal, que deram provimento parcial em maior extensão. Foi designado o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira para redigir o voto vencedor. Os autos foram encaminhados à Unidade da RFB em 21/08/2017 (despacho de encaminhamento de fl. 389). Em 24/08/2017, foram anexados pela RFB os embargos de declaração (fls. 391/394). A embargante aponta que a decisão do CARF merece ser saneada, uma vez mostrase obscura, havendo descompasso entre a decisão e seus fundamentos no que pertine a exclusão da multa de ofício com ou sem a manutenção da multa de mora, nos seguintes termos: 3. Como o julgamento ocorreu pelo voto de qualidade, o Voto Vencido elaborado pela Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio, relatora do processo, quando analisa, no mérito a exclusão das multas, dispõe o seguinte: …“Não é possível, portanto, imputar ao contribuinte as multas e os juros por ato do qual não foi responsável e que tinha justa expectativa de que estivesse correto. É o que dispõe o art. 100 do Código Tributário Nacional:” 4. A relatora conclui o seu voto da seguinte forma: “....., no mérito, dou parcial provimento ao recurso para excluir as multas e juros (grifo da embargante). ” 5. Entretanto, o Conselheiro Denny Medeiros da Silveira, Relator (sic!) Designado para elaboração do voto vencedor, dispõe o seguinte: “Acompanho a relatora nas demais questões, porém, com a máxima venia, divirjo quanto à exclusão dos juros de mora.” (sublinhei) 6. Porém, apesar do Relator Designado afirmar que diverge da Relatora do Voto Vencido, apenas em relação à exclusão dos juros de mora, o que em tese implicaria excluir qualquer tipo de multa, em sua conclusão, dispõe que dá PARCIAL PROVIMENTO ao Recurso Voluntário do contribuinte para excluir do lançamento a multa de ofício de 75%, não se manifestando em relação à multa de mora. 7. Assim, em decorrência da obscuridade da decisão, relatados nos itens 3 a 6 precedentes, deve o Acórdão nº 2202 004.070 ser Fl. 406DF CARF MF 4 reformado, haja vista a expressa obscuridade entre a decisão e os seus fundamentos, na forma prevista no art. 65, § 1º, do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, aprovado pela Portaria MF nº 343, de 09/06/2015. 8. Ademais, como previsto no art. 66 do mesmo Regimento, que trata de inexatidões materiais, deve ser corrigido na Ementa do Acórdão a informação dos AnosCalendários (corretos 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011), sendo que fora informado (2008, 2009, 2010, 2011 e 2012). Os embargos declaratórios foram parcialmente admitidos tão somente para provocar a correção da ementa quanto à delimitação dos anoscalendários evolvidos no lançamento. É o relatório. Voto Conselheira Júnia Roberta Gouveia Sampaio Relatora Conforme exposto na decisão que admitiu os embargos não há que se falar em contradição no voto vencedor do Conselheiro Denny Medeiros da Silveira: Não se vislumbra na espécie a contradição concernente à falta de indicação de exclusão da multa de mora, visto que esta não integrou o lançamento, do qual constou apenas a multa de ofício. Sendo assim, como não consta do lançamento a multa de mora, não há o que excluir. Por outro lado é importante salientar que essa questão sequer chegou a ser cogitada na decisão de primeira instância, o que reforça a tese de que não há o que tratar deste tema no acórdão embargado. Todavia, há que se corrigir a ementa do julgado, quando menciona os anos calendários 2008, 2009, 2010, 2011, 2012, uma vez que, conforme destacado no relatório Trata o presente de Auto de Infração de fls. 165 a 186, através do qual foi efetuado o lançamento do Imposto de Renda Pessoa Física Suplementar, código de receita 2904, no valor de R$ 70.068,40 , acrescido da Multa de Oficio de 75% e dos Juros de Mora, relativos ao anoscalendário 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011, exercícios 2008, 2009, 2010, 2011 e 2012. Em face do exposto, dou provimento aos embargos para que seja retificado o erro material da ementa na qual devem constar os anocalendários de 2007, 2008, 2009, 2010 e 2011. (Assinado digitalmente) Júnia Roberta Gouveia Sampaio Fl. 407DF CARF MF Processo nº 11516.723129/201248 Acórdão n.º 2202004.704 S2C2T2 Fl. 406 5 Fl. 408DF CARF MF
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Numero do processo: 10880.903645/2009-38
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 14 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 09 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE.
Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional.
Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002
COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE.
Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação.
DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA.
Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento.
Numero da decisão: 3002-000.239
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário.
(assinado digitalmente)
Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
Nome do relator: LARISSA NUNES GIRARD
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. Assunto: Processo Administrativo Fiscal Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves.
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 COMPENSAÇÃO. DARF NÃO LOCALIZADO. CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO TRIBUTÁRIO. IMPRESCINDIBILIDADE. Apenas os créditos líquidos e certos são passíveis de compensação tributária, conforme o art. 170 do Código Tributário Nacional. ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/01/2002 a 31/01/2002 COMPENSAÇÃO. ÔNUS PROBATÓRIO DO CONTRIBUINTE. Pertence ao contribuinte o ônus de comprovar a certeza e liquidez do crédito para o qual pleiteia compensação. DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. CERCEAMENTO DE DEFESA. INOCORRÊNCIA. Inexiste cerceamento de defesa no indeferimento de diligência quando os elementos que integram os autos são suficientes para a plena formação de convicção e, portanto, para que se proceda ao julgamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em rejeitar a preliminar suscitada no recurso e, no mérito, em negar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard Presidente e Relatora AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 90 36 45 /2 00 9- 38 Fl. 61DF CARF MF Processo nº 10880.903645/200938 Acórdão n.º 3002000.239 S3C0T2 Fl. 3 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Larissa Nunes Girard (Presidente), Alan Tavora Nem, Maria Eduarda Alencar Câmara Simões e Carlos Alberto da Silva Esteves. Relatório Trata o processo de declaração de compensação na qual o contribuinte informa a ocorrência de pagamento indevido ou a maior de Cofins, relativo ao período de apuração janeiro/2002, e requer a compensação de R$ 4.169,90, com débitos também de Cofins. O PER/Dcomp foi transmitido em dezembro/2004 (fls1. 2 a 6). A Delegacia da Receita Federal de Administração Tributária em São Paulo (Derat) não conseguiu localizar o Darf informado pelo contribuinte nos sistemas da Receita Federal. Intimouo a verificar os dados informados no PER/Dcomp e a promover a retificação da declaração com os dados corretos ou a apresentar o Darf original, com suas eventuais retificações (fl. 9). Em virtude de o contribuinte, devidamente cientificado da intimação, não ter se manifestado nem apresentado qualquer documento, a Derat concluiu que a partir das informações prestadas não estava confirmada a existência do crédito informado, pois o Darf não havia sido localizado, e decidiu pela nãohomologação da compensação (fl. 11). A recorrente apresentou manifestação de inconformidade, na qual alegou que pagou Cofins a maior ao desconsiderar o disposto no inciso III do § 2º do art. 3º da Lei nº 9.718, de 1998, e requereu a nulidade do despacho decisório porque não lhe foi propiciada oportunidade de demonstrar seu direito ao crédito, não foi solicitado qualquer documento probatório, nem foram determinadas diligências (fls. 13 a 15). Sua manifestação de inconformidade foi instruída com cópia do despacho decisório, procuração e identificação dos advogados e consolidação do contrato social (fls. 16 a 23). A Delegacia da Receita Federal de Julgamento em São Paulo (DRJ/SP1) proferiu o Acórdão nº 1638.615 (fls. 24 a 32), por meio do qual decidiu pela improcedência da manifestação de inconformidade devido à inocorrência de nulidade e à não comprovação do efetivo pagamento do Darf, indeferindo o pedido de realização de diligência por entender que não havia nenhuma dúvida a ser sanada, nos termos da ementa que se transcreve a seguir: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Data do fato gerador: 15/02/2002 COMPENSAÇÃO. CRÉDITOS. COMPROVAÇÃO. DOCUMENTO DE ARRECADAÇÃO NÃO LOCALIZADO. É requisito indispensável ao reconhecimento da compensação a comprovação dos fundamentos da existência e a demonstração 1 A numeração informada segue a que foi inserida pelo eprocesso, e não a que foi efetuada manualmente. Fl. 62DF CARF MF Processo nº 10880.903645/200938 Acórdão n.º 3002000.239 S3C0T2 Fl. 4 3 do montante do crédito que lhe dá suporte, sem o que não pode ser admitida. DESPACHO DECISÓRIO. NULIDADE. INOCORRÊNCIA. É correto o despacho decisório que não homologa a compensação declarada pelo contribuinte devido a inexistência de direito creditório, tendo em vista a não localização do recolhimento indicado como origem do crédito. PEDIDO DE DILIGÊNCIA. INDEFERIMENTO. A autoridade julgadora de primeira instância determinará, de ofício ou a requerimento do contribuinte, a realização de diligências ou perícias, quando entendêlas necessárias, indeferindo as que considerar prescindíveis ou impraticáveis. O contribuinte tomou ciência do Acórdão proferido pela DRJ em 27/05/2013, conforme Aviso de Recebimento constante à fl. 34, e protocolizou seu recurso voluntário em 25/06/2013, conforme carimbo aposto na página inicial do Recurso Voluntário – fl. 35. Em seu recurso voluntário a recorrente retoma as mesmas alegações, em especial que a autoridade administrativa não solicitou qualquer documento capaz de comprovar a existência do crédito e o cerceamento do direito de defesa. Em relação ao mérito, afirma que o STF já reconheceu a inconstitucionalidade da exigibilidade das contribuições nos termos da Lei nº 9.718/1998, e que somente pode ser efetuada a retificação da DCTF pelo contribuinte, com o fim de ajustála à PER/Dcomp, após o reconhecimento do crédito pela Fazenda, sob pena de verse réu em processo penal. Por fim, transcreve precedentes no Carf e no STJ sobre a relação entre indeferimento de diligência e cerceamento de defesa e requer a anulação do despacho decisório, acompanhado da realização de diligências para comprovação do crédito ou, alternativamente, que seja homologada a compensação (fls. 35 a 41). Junta documentos de representação e identificação, bem como contrato social e cópia do Acórdão da DRJ (fls. 42 a 58). É o relatório. Voto Conselheira Larissa Nunes Girard Relatora O recurso voluntário é tempestivo, preenche os requisitos formais de admissibilidade, inclusive quanto à competência das Turmas Extraordinárias e, portanto, dele tomo conhecimento. Preliminar Em relação à alegação de preterição do direito de defesa, que seria caracterizada pela emissão do despacho decisório “sem sequer solicitar ao contribuinte qualquer documento capaz de comprovar ou não a existência e suficiência do crédito utilizado na compensação”, é forçoso que se esclareça que se trata de uma inverdade. Fl. 63DF CARF MF Processo nº 10880.903645/200938 Acórdão n.º 3002000.239 S3C0T2 Fl. 5 4 O Termo de Intimação constante à fl. 9 deste processo foi emitido exatamente para que o contribuinte se manifestasse de modo a permitir o avanço na análise da sua declaração de compensação. No Termo estão explicadas algumas verificações que o contribuinte deveria realizar, as formas de solucionar a pendência apontada e a possível consequência de sua inação, e de lá extraímos: O(s) DARF indicado(s) abaixo, não foi(ram) localizado(s) nos Sistemas da Secretaria da Receita Federal. Verifique se todos os dados da ficha DARF, informados no PER/DCOMP, conferem com os dados do(s) DARF objeto(s) do crédito. No caso de REDARF, as informações devem ser as constantes da retificação. A data da arrecadação é a data em que o pagamento foi realizado, que consta da autenticação bancária. DARF informado: (...) Se houver qualquer divergência, solicitase transmitir o PER/DCOMP retificados. Caso contrário, compareça à unidade da Secretaria da Receita Federal de sua jurisdição com esta intimação, o(s) DARF original(is) e eventuais REDARF, no prazo indicado. (...) Não sanada(s) a(s) irregularidade(s) apontada(s) no prazo estipulado, o PER/DCOMP em análise poderá ser indeferido/ nãohomologado. (grifado) Dessa forma, vêse que é descabido falarse em cerceamento de defesa quando o que se constata é apenas a inércia do contribuinte, que teve três oportunidades para apresentar o Darf e não o fez: na intimação anterior ao despacho decisório, na manifestação de inconformidade e no recurso voluntário. Continua o contribuinte a insistir no mesmo caminho: não apresenta o Darf e alega ter sido privado da possibilidade de fazêlo, em uma tentativa infrutífera de inverter o ônus da prova e de demonstrar a ocorrência de cerceamento de defesa. Para que seja autorizada a compensação de um pagamento indevido ou a maior, tem de existir o pagamento, por óbvio. É de pleno conhecimento que a compensação só se autoriza perante o crédito líquido e certo, conforme disposto no art. 170 do CTN. Tratase também de matéria pacífica que, nos casos de solicitação de restituição, compensação e ressarcimento de crédito contra a Fazenda Nacional, a demonstração da certeza e liquidez é ônus que pertence ao requerente. Define o CPC em seu artigo 373 que, quanto ao fato constitutivo de seu direito, o ônus da prova incumbe ao autor. E, ainda sobre as provas, dispõe da seguinte maneira o Decreto nº 7.574, de 2011, que regulamenta o processo de determinação e de exigência de créditos tributários da União: Art. 28. Cabe ao interessado a prova dos fatos que tenha alegado, sem prejuízo do dever atribuído ao órgão competente para a instrução e sem prejuízo do disposto no art. 29 (Lei nº 9.784, de 1999, art. 36). (grifado) O que se verifica nestes autos é que, por um lado, o contribuinte falha em demonstrar o seu direito e, por outro, que os atos administrativos atendem aos requisitos que, Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.903645/200938 Acórdão n.º 3002000.239 S3C0T2 Fl. 6 5 se descumpridos, poderiam ensejar a sua nulidade. O contribuinte foi intimado a apresentar o Darf, o despacho decisório foi fundamentado e emitido por autoridade competente, os prazos foram cumpridos e as devidas ciências providenciadas. Tudo isso nos leva à conclusão de que foram atendidos os pressupostos do art. 59 do Decreto nº 70.235, de 1972, bem como os dispositivos constitucionais e legais que regem o processo administrativo fiscal. Assim, rejeito a preliminar de nulidade relativa a cerceamento de defesa. Mérito Como o Darf nunca foi apresentado, a discussão em primeira instância ficou circunscrita à ausência de comprovação do pagamento e ao pedido de diligência para demonstração do direito. Não se adentrou matéria de direito ou a eventual utilização do crédito, por ausência de comprovação de sua existência. Todavia, a recorrente apresentou nestes autos o mesmo recurso voluntário dos demais processos de um lote de 10 que foi distribuído para esta relatora, e nos quais houve comprovação do pagamento. Dessa forma, alguns dos argumentos do recurso voluntário não são pertinentes para a discussão que aqui se trava. Em não existindo pagamento, não há crédito decorrente e não é possível falarse em compensação, não cabendo discussão sobre a declaração de inconstitucionalidade do § 1º do art. 3º da Lei nº 9.718/1998 que, de resto, é argumento inaproveitável, já que foi alegado crédito com fundamento no § 2º do art. 3º da Lei, não afetado pela decisão do STF. No tocante às justificativas por ausência de retificação de DCTF, não cabe qualquer consideração sobre o tema, uma vez que em nenhum ponto deste processo tratouse de DCTF. Essa matéria foi uma inovação trazida no recurso voluntário. Nos resta tratar do pedido de diligência. Devemos ter em mente que o seu objetivo é dirimir dúvidas em relação a aspectos essenciais do litígio, de modo a permitir ao julgador uma decisão com base em informações corretas e pertinentes, consoante as normas específicas que regem o processo administrativo fiscal – o Decreto nº 70.235/1972 e o Decreto nº 7.574/2011. Outros dispositivos legais, como o CPC e a Lei nº 9.874/1999, são utilizados de forma subsidiária, quando não houver disposição específica sobre determinada matéria nos Decretos citados. Nos termos das normas específicas que regem o PAF, extraímos do Decreto nº 7.574/2011: Art. 35. A realização de diligências e de perícias será determinada pela autoridade julgadora de primeira instância, de ofício ou a pedido do impugnante, quando entendêlas necessárias para a apreciação da matéria litigada. (...) Art. 63. Na apreciação das provas, a autoridade julgadora formará livremente sua convicção, podendo determinar, de ofício ou a requerimento do impugnante, a realização de diligências ou de perícias, observado o disposto nos arts. 35 e 36. (grifado) Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.903645/200938 Acórdão n.º 3002000.239 S3C0T2 Fl. 7 6 Faço uso de citação trazida pela própria recorrente em seu recurso voluntário, pela clareza com que explica o propósito de uma diligência: Nesse contexto, a resposta para a pergunta formulada no presente estudo é a de que a autoridade competente para decidir a compensação deve, na hipótese de ter dúvida sobre a liquidez e a certeza do crédito compensado, buscar esclarecer tais dúvidas junto ao contribuinte, sendo, portanto, nula a decisão que não homologar o crédito quando existirem dúvidas sem querer intimar o contribuinte para esclarecêlas. Não se pretende, com isso, retirar do contribuinte o ônus de provar a liquidez e certeza de seu crédito, nem, muito menos, de invertêlo. Se o contribuinte, intimado pela autoridade competente para decidir a compensação sobre suas dúvidas, não logra êxito, pelo menos na opinião desta autoridade, em esclarecêlas, não haverá nulidade alguma na decisão que não homologar a compensação, desde que, evidentemente, justifique a razão de não ter acolhido os elementos fornecidos pelo sujeito passivo2. (grifado) Tendo em vista a omissão do contribuinte em provar o pagamento de onde proviria o crédito para a compensação e a não existência de qualquer dúvida a ser sanada, determinar a realização de diligência significaria prolongar esta lide sem motivação razoável ou legal. Por todo o exposto, voto por rejeitar a preliminar de nulidade e por negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Larissa Nunes Girard 2 Troianelli, Gabriel Lacerda; Compensação Tributária: homologação do procedimento e o dever de indenizar, in RDDT 165; p. 35/36 . Fl. 66DF CARF MF
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Numero do processo: 11080.724363/2010-98
Turma: Segunda Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed May 16 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 19 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte - Simples
Data do fato gerador: 01/01/2006
SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO.
As atividades efetivamente prestadas pelo contribuinte são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir ao Simples.
A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior.
Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Jurídica - IRPJ
Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007
AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA.
Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei.
Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição.
As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindo-se a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco.
Numero da decisão: 1402-003.137
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do SIMPLES e os lançamentos.
(assinado digitalmente)
Paulo Mateus Ciccone - Presidente
(assinado digitalmente)
Evandro Correa Dias - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente).
Nome do relator: EVANDRO CORREA DIAS
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO. As atividades efetivamente prestadas pelo contribuinte são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir ao Simples. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 11 08 0. 72 43 63 /2 01 0- 98 Fl. 340DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 341 2 Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do SIMPLES e os lançamentos. (assinado digitalmente) Paulo Mateus Ciccone Presidente (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Marco Rogério Borges, Caio Cesar Nader Quintella, Ailton Neves da Silva (Suplente convocado), Leonardo Luis Pagano Gonçalves, Evandro Correa Dias, Lucas Bevilacqua Cabianca Vieira, Demetrius Nichele Macei e Paulo Mateus Ciccone (Presidente). Fl. 341DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 342 3 Relatório Tratase de recurso voluntário interposto contra acórdão proferido pela 6ª Turma da Delegacia da Receita Federal do Brasil de Julgamento em Porto Alegre (RS) assim ementado: "ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Data do fato gerador: 01/01/2006 SIMPLES. EXCLUSÃO. ATIVIDADE ECONÔMICA VEDADA. REVISÃO DA OPÇÃO. Os serviços de suporte técnico em informática impedem a opção pelo Simples, por caracterizar a prestação de serviços de analista de sistemas. Sendo assim, a pessoa jurídica que se dedica a tais atividades não pode aderir a este regime de tributação. A opção pela sistemática do Simples é ato do contribuinte sujeito a condições, e passível de fiscalização posterior. ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DE PESSOA JURÍDICA IRPJ Período de apuração: 01/01/2006 a 30/06/2007 AUTO DE INFRAÇÃO. MULTA DE OFÍCIO. PRINCÍPIO DA SEGURANÇA JURÍDICA. Aplicável a multa de ofício no lançamento de crédito tributário que deixou de ser recolhido ou declarado e no percentual determinado expressamente em lei. Em homenagem ao princípio da segurança jurídica, todos devem se submeter à lei e à jurisdição. As autoridades administrativas estão obrigadas à observância da legislação tributária vigente no País, sendo incompetentes para a apreciação de argüições de inconstitucionalidade e ilegalidade, restringindose a instância administrativa ao exame da validade jurídica dos atos praticados pelos agentes do fisco. Impugnação Improcedente Crédito Tributário Mantido" O caso foi relatado pela instância a quo nos seguintes termos: "A matéria sob litígio tem origem na fiscalização inaugurada com a emissão do Mandado de Procedimento Fiscal nº. 10.1.01.002010014949, que culminou com a Fl. 342DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 343 4 Representação Fiscal para exclusão do Simples a partir de 01/01/2006 e formalização de lançamento de ofício pertinente a fatos geradores ocorridos no período de 01/2006 a 06/2007, pela sistemática do Lucro Arbitrado. O auditor fiscal relata que, em procedimento fiscal junto ao contribuinte acima qualificado, iniciado em 16/09/2010 com a ciência do sujeito passivo, constatou que tanto no contrato social da empresa inicial como em suas alterações, a empresa se propõe a prestar serviços de informática como “análise de sistemas, desenvolvimento e comercialização de sistemas de informática, administração de banco de dados...”, “prestação de serviços de processamento de dados...”, entre outros. Conforme cópias de quatro contratos de prestação de serviços com a Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul FAURGS, consta que o interessado prestaria serviços de “análise de sistema, programação e testes de software básico, produtos e aplicativos bancários – suporte técnico, consultoria técnica, ...” entre outros. De acordo com o artigo 9º da Lei nº 9.317/1996, a atividade exercida pela empresa é vedada à participação no Simples. Tal fato acarreta a exclusão de ofício do Simples, conforme art. 13, inciso II, “a” da referida Lei: Art. 13. A exclusão mediante comunicação da pessoa jurídica darseá: I por opção. II obrigatoriamente, quando: a) incorrer em qualquer das situações excludentes constantes do art. 9º; O artigo 9º, assim dispõe: Art. 9o Não poderá optar pelo SIMPLES, a pessoa jurídica: XII que realize operações relativas a: (...) XIII que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor, ou assemelhados, e de qualquer outra profissão cujo exercício dependa de habilitação profissional legalmente exigida; (Vide Lei 10.034, de 24.10.2000) Considerando a Representação Fiscal, foi emitido o Ato Declaratório Executivo DRF/POA nº. 195 de 04 de novembro de 2010, do Sr. Delegado da Receita Federal do Brasil em Porto Alegre, excluindo a empresa do Simples, em decorrência da prestação de atividades vedadas para a opção pelo Simples, conforme disposto no art. 9º, inciso XIII, da Lei nº 9.317/1996 ( fls. 93 ). A ciência do referido Ato deuse por via postal em 08/12/2010, fls. Fl. 343DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 344 5 185, uma vez que o procurador da empresa negouse a receber tal documento em 01/12/2010, quando visitado pelo Fiscal em seu escritório. Em 03/01/2011, o contribuinte apresenta sua manifestação de inconformidade de fls. 281/282, alegando que: 1 a base de cálculo e a alíquota dos tributos, bem como as exigências legais à inclusão da empresa no Simples deve se pautar pelos serviços efetivamente prestados pelo contribuinte; 2 o instrumento contratual de prestação de serviços mantido entre entidades privadas não pode servir como fundamento único para embasar a exclusão da empresa do Simples; 3 embora conste no instrumento contratual com a empresa FAURGS como objeto os mais variados serviços, o único efetivamente prestado pelo interessado foi o de suporte técnico, até porque, a prestação de serviços ocorria dentro das dependências do Banco Banrisul, e como tal não poderia prestar outro tipo de serviço senão suporte técnico, já que a análise de sistema e a programação, eram exclusivamente efetuadas por funcionários contratados diretamente ao Banrisul, ou seja, serviços que não podem ser terceirizados; e 4 a atividade efetivamente desenvolvida pela empresa possibilita sua inclusão no Simples. Em 08/10/2010 a empresa é comunicada da continuação do procedimento fiscal, relativo aos tributos recolhidos pela sistemática do Simples, do período compreendido entre janeiro/2006 a junho/2007. Intimado a apresentar livros fiscais e talonário de notas fiscais relativas ao período de janeiro/2006 a junho/2007, apresentou os Livros Diário e Balancetes, além de cópias de notas fiscais. Os valores declarados à Receita Federal eram os mesmos que constavam nos Balancetes e nas Notas Fiscais. Em função da exclusão do Simples, foi o contribuinte intimado, em 01/12/2010 ( fls. 184 ) a optar pela forma de tributação, ou pelo Lucro Arbitrado ou pelo Lucro Real. Caso optasse pelo Lucro real, deveria apresentar o Livro Lalur e Livro Razão. Não havendo resposta quanto à opção pela forma de tributação, e na falta de livros e documentos fiscais, a fiscalização adotou o lançamento do tributo através da modalidade do lucro arbitrado, utilizandose dos valores declarados nas Declarações Simplificadas da Pessoa Jurídica – Simples. Os valores recolhidos no código 6106 – Simples foram distribuídos no IRPJ, CSLL, PIS e COFINS, de acordo com o percentual de participação de cada um, conforme o art. 2º, parágrafo único da Lei nº 10.034/2000 e IN/SRF/609/2006. O lançamento de ofício relativo ao período de 01/2006 a 06/2007 está consubstanciado nos autos de infração: Imposto de Renda Pessoa Jurídica, no valor de R$ 48.503,04, Contribuição para o PIS/Pasep, no valor de R$ 3.665,16, Contribuição Social sobre o Lucro Líquido, no valor de R$ 21.924,15, Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social, no valor de R$ 15.501,53, apurando o crédito tributário total no valor de R$ 89.593,88 (oitenta e nove mil, quinhentos e noventa e três reais e oitenta e oito centavos), aí incluído o principal, multa de ofício de 75% e juros de mora calculados até 30/11/2010. Fl. 344DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 345 6 O contribuinte foi cientificado do Auto de Infração em 16/12/2010 (fls. 236 ) e apresenta, em 13/01/2011, sua impugnação de fls. 238/243, acrescentando aos argumentos já trazidos quando de sua manifestação de inconformidade, o seguinte: 1 a Cláusula Segunda do contrato de prestação de serviços celebrado entre a empresa Pile e a FAURGS previa que a efetiva prestação de quaisquer dos serviços seria feita mediante encomenda e provocação exclusiva da FAURGS, o que implica que a demanda poderia se limitar, como de fato se limitou, a apenas uma parcela dos serviços prestados como objeto do contrato. Existe um contrato padrão firmado pela FAURGS com as inúmeras empresas que lhe prestam suporte nas mais diversas áreas de atuação; 2 o único serviço prestado nos anos de 2006 e 2007 foi de “SUPORTE TÉCNICO”, hipótese que permite a inclusão da empresa no Simples; 3 somente a partir de 2007 a empresa passou a prestar serviços de programação, não contemplados pelo Simples, tendo espontaneamente adotado a sistemática de tributação pelo Lucro Presumido; 4 no período em que aderiu ao Simples, até 2007, todas as declarações e informações prestadas à SRF permitiram à Receita Federal o exercício da atividade fiscal, inclusive, se fosse de seu entendimento, a revisão/retificação de ofício pelo fisco da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica para fins de excluíla do Simples. Como nada foi feito pela Receita Federal, é de se presumir a total regularidade e adequação da empresa pela sistemática simplificada; 5 referese ao princípio da segurança jurídica e que cabe à Administração anular seus próprios atos quando eivados de ilegalidade; e 6 quanto à multa aplicada, diz que a mesma não deve ser aplicada, haja vista a inexistência de mora na conduta da empresa, e que ela somente tem lugar nas hipóteses em que devidamente cientificada a empresa acerca da irregularidade de sua situação fiscal, ela silencia. Ao final, requer seja anulado o ADE/Porto Alegre nº 195/2010, bem como os Autos de Infração, uma vez que a empresa somente exerceu atividade compatível com o Simples." Do Recurso Voluntário Inconformado com a decisão o Recorrente interpôs recurso voluntário, no qual apresenta as seguintes razões, em síntese, para a reforma do Acórdão de 1ª Instância: Dos serviços efetivamente prestados pela empresa recorrente 1. O agente fiscal tomou como fundamento para a edição do ato declaratório, ora recorrido, o único contrato de prestação de serviço vigente à época entre a empresa Pile e a Fundação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul FAURGS, bem como todas as ordens de serviço emitidas no período, onde se constata efetivamente que o tipo de Fl. 345DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 346 7 prestado pelo contribuinte foi o de "suporte técnico em informática". Fato devidamente comprovado e superado junto à fiscalização. 2. No entanto, para surpresa da Recorrente, a fiscalização, no afã de arrecadar, movida pela gratificação de produção, criada pelo Governo Federal, para medir a produtividade e melhor remunerar seus servidores da Receita Federal, MODIFICOU E INOVOU na interpretação de conceitos e atividades elencados na Portaria n° 397, de 09 de outubro de 2002, do Ministério do Trabalho e Emprego, que aprova a Classificação Brasileira de Ocupações CBO. 3. Segundo entendimento exarado no respeitável, mas equivocado acórdão da 6ª Turma da DRJ/POA, a saber: "A CBO/2002 inclui os "programadores de sistemas de informação" na família dos "técnicos de desenvolvimento de sistemas e aplicações" (código 3171) e fornece uma descrição sumária das atividades desenvolvidas por eles: Desenvolvem e implantam sistemas informatizados dimensionando requisitos e funcionalidade do sistema, especificando sua arquitetura, escolhendo ferramentas de desenvolvimento, especificando programas, codificando aplicativos. Administram ambiente Informatizado, prestam suporte técnico ao cliente e o treinam, elaboram documentação técnica. Estabelecem padrões, coordenam projetos e oferecem soluções para ambientes informatizados e pesquisam tecnologias em informática". O suporte técnico em informática é expressamente citado pela CBO/2002 como atividade de analista de sistemas, portanto, pela leitura das descrições acima, podese concluir que os serviços de programadores e analistas de sistemas configuram atividade intelectual, de natureza técnica, e, conseqüentemente, nos termos da Lei n° 9.317/1966, art. 9o, XIII, a empresa que desempenha tais atividades está impedida de optar pelo Simples." (vide acórdão)" 4. Primeiramente, importante esclarecer que SUPORTE na linguagem comercial, administrativa, na língua portuguesa, ou em qualquer outra, é entendido como sinônimo de APOIO, uma ajuda, um auxílio. 5. Segundo, suporte técnico em informática, nos remete a uma idéia de que alguém que tenha o conhecimento na área de informática, pode nos dar um apoio, nos fornecer uma ajuda ou até mesmo resolver um problema na área de informática. 6. Pois bem, para a fiscalização da RFB, conforme demonstrado no r. Acórdão, suporte técnico em informática é uma atividade de analista de sistemas, configurando uma atividade intelectual, de natureza técnica. Fl. 346DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 347 8 7. No entanto, não é preciso grande intelectualidade para saber que o Técnico de Suporte em Informática realiza manutenção preventiva e corretiva de equipamentos de informática, identificando os principais componentes de um computador e suas funcionalidades; identifica as arquiteturas de rede e analisa meios físicos, dispositivos e padrões de comunicação; avalia a necessidade de substituição ou mesmo atualização tecnológica dos componentes de redes; instala, configura e desinstala programas básicos, utilitários e aplicativos; realiza procedimentos de backup (cópia de segurança) e recuperação de dados. O Técnico pode atuar em Instituições públicas, privadas e do terceiro setor que demandem suporte e manutenção de informática. Pode ser autônomo ou empregado, tendo como requisito o Ensino fundamental completo. 8. O interessado em seguir carreira como técnico de suporte em Informática deve ter, no mínimo, o Ensino Médio completo. 9. Tanto que, TUDO O QUE UM TÉCNICO FAZ, UM ANALISTA DE SISTEMAS PODE TAMBÉM FAZER, mas não significa que só um analista possa dar suporte em informática. 10. Portanto, o entendimento exarado no r. acórdão não encontra qualquer fundamentação. Isso porque, a informática se divide em três áreas: Análise de Sistemas, que trabalha com o sistema de informações de uma rede de computadores; Engenharia da Computação, responsável pela criação dos computadores e seus acessórios e; Ciência da Computação, o qual desenvolve softwares. 11. Com a informatização crescente, são muitas as possibilidades de mercado para os profissionais destas áreas, pois a função é estratégica no mundo globalizado, visando descobrir como aplicar as novas tecnologias da informação aos processos de negócios, criar novos produtos e serviços e conquistar um diferencial para sua empresa, além de imprimir eficiência à administração, função clássica do emprego da informática. Nesse contexto, sempre vai existir o profissional de suporte técnico, que não precisa de curso superior como prérequisito, mas detém conhecimento técnico específico, capaz de auxiliar em todas as ramificações da informática, não sendo uma atividade privativa de analista de sistemas! 12. Portanto, os julgadores da 6a turma, ao interpretar as atividades descritas na Portaria n° 397, de 09 de outubro de 2002, do Ministério do Trabalho e Emprego, que aprova a Classificação Brasileira de Ocupações CBO, concluíram equivocadamente que a atividade de suporte técnico, por constar e fazer parte da família de atividades de um analista de sistemas deve obrigatoriamente ser uma atividade privativa de um analista. 13. O ato da fiscalização da Receita Federal, ao interpretar as atividades da empresa, ora Recorrente como atividade de análise e programação, que implicam na exclusão do SIMPLES, convolase em abuso de poder e conseqüente ilegalidade, passível de anulação pela própria administração, conforme dispõem os artigos 53 e 55 da Lei 9.784/99, que normatiza a Fl. 347DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 348 9 anulação e a revogação dos atos administrativos no procedimento administrativo em âmbito federal, aplicável às três esferas de poder: Art. 53. A Administração deve anular seus próprios atos, quando eivados de vício de legalidade, e pode revogálos por motivo de conveniência ou oportunidade, respeitados os direitos adquiridos. Da homologação, pela SRF, da inclusão da empresa PILE no Simples nos anos de 2006 e 2007 14. No período em que a empresa Pile aderiu ao SIMPLES, até 2007, quando migrou para a sistemática do lucro presumido, todas as declarações e informações prestadas à SRF, bem como os pagamentos regulares na modalidade e códigos corretos da Receita Federal, permitiram à SRF o exercício da atividade fiscal, inclusive, se fosse de seu entendimento, a revisão/retificação de ofício pelo fisco da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica para fins de excluíla do SIMPLES. No entanto, em momento algum foi realizada qualquer atividade fiscalizatória ou mesmo de retificação relativamente à opção da empresa Pile pelo SIMPLES, motivo pelo qual é de se presumir a total regularidade e adequação da empresa pela sistemática simplificada. 15. Nesse entender, carece de razoabilidade o Ato Declaratório que excluiu do SIMPLES a empresa Pile, quando ao tempo em que prestadas todas as declarações e informações da Empresa foram devidamente aceitas pela SRF. 16. Ademais, o ato da SRF fere visceralmente o Princípio da Segurança Jurídica no momento que tem por irregular determinada situação jurídica, tida anteriormente por regular e com homologação tácita dos atos praticados pelo próprio fisco. 17. Face ao Princípio da Cautela e no intuito de entender a razão da Edição do Ato Declaratório ora atacado, há de se esclarecer que o fato de a empresa Pile, no ano de 2007, ter adotado a sistemática de tributação pelo Lucro Presumido não pode ser tido como indício ou mesmo presunção de que a atividade desenvolvida no período anterior a esse exercício seja incompatível com o SIMPLES. 18. Por absoluta incongruência com a realidade das atividades efetivamente desenvolvidas pela Empresa Pile Consultoria em Informática nos exercícios 2006 e 2007, há de ser anulado o Ato Declaratório Executivo DRF/POA n° 195, que exclui a empresa Pile do SIMPLES, haja vista a evidente ilegalidade que o macula. Da inexigibilidade da multa inexistência de mora 19. Subsidiariamente, caso essa SRF entenda pela manutenção da decisão que excluiu a Empresa do SIMPLES, desde logo importa salientar a Fl. 348DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 349 10 inaplicabilidade da multa de ofício na hipótese posta em debate, haja vista a inexistência de mora na conduta da empresa contribuinte. 20. O cabimento e a incidência da multa somente tem lugar nas hipóteses em que devidamente cientificada a empresa acerca da irregularidade de sua situação fiscal e essa silencia. Na presente hipótese, encontramos situação diversa, haja vista que desde o anocalendário 2003 a empresa contribuinte vinha efetuando suas declarações e recolhendo regularmente os tributos pelo sistema SIMPLES, com códigos e formulários corretos, sem que houvesse qualquer recusa ou notificação pela SRF. 21. Inequívoca, portanto, a presunção de legalidade no procedimento adotado pela empresa que, face ao princípio da segurança jurídica não pode ser surpreendida com onerosa cobrança de multa fiscal moratória. 22. Em face do exposto, REQUER seja o presente recurso recebido, para reformar a decisão proferida pela 6a Turma da DRJ/POA, dandolhe provimento para reconhecer a atividade exercida pela Recorrente nos anos de 2006 e 2007 como compatível com o SIMPLES, anulando o Ato Declaratório Executivo DRF/POA n° 195 de 04.11.2010, bem como o Auto de Infração Imposto de Renda da Pessoa Jurídica — Contribuição Social sobre o Lucro Liquido. PIS/Pasep e COFINS. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 350 11 Voto Conselheiro Evandro Correa Dias, Relator. O recurso voluntário é tempestivo e atende ao demais requisitos, motivo pelo qual dele conheço. Do Mérito Dos serviços efetivamente prestados pela empresa recorrente O tratamento diferenciado, simplificado e favorecido aplicável às microempresas e às empresas de pequeno porte relativo aos impostos e às contribuições estabelecido em cumprimento ao que determina o disposto no art. 179 da Constituição Federal de 1988 pode ser usufruído desde que as condições legais sejam preenchidas. A Lei nº. 9.317, de 1996, que dispõe sobre o regime tributário das microempresas e das empresas de pequeno porte e institui o Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de pequeno Porte – Simples, e alterações posteriores, determina: Art. 9º Não poderá optar pelo Simples, a pessoa jurídica: [...] XIII – que preste serviços profissionais de corretor, representante comercial, despachante, ator, empresário, diretor ou produtor de espetáculos, cantor, músico, dançarino, médico, dentista, enfermeiro, veterinário, engenheiro, arquiteto, físico, químico, economista, contador, auditor, consultor, estatístico, administrador, programador, analista de sistema, advogado, psicólogo, professor, jornalista, publicitário, fisicultor ou assemelhado, e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida; (grifei). Alega o recorrente que a atividade efetivamente exercida por ele foi a de “suporte técnico”. Do texto legal acima, depreendese que é vedada a opção pelo Simples à pessoa jurídica que preste serviços de programador, analista de sistema e de qualquer outra profissão cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida, cabendo então analisar a atividade “prestação de serviços de suporte técnico”. Fl. 350DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 351 12 A prestação de serviços de suporte técnico em informática podese caracterizar ou não de cunho intelectual, dependendo das atividades exercidas. No Simples federal quando a atividade se caracteriza como de cunho intelectual, cujo profissão dependia de habilitação profissional legalmente exigida, era vedado a sua opção e permanência nesse regime. Com a criação do Simples Nacional permitiuse que essa atividade fosse possível optar pelo enquadramento desde que em anexo distinto, conforme quadro seguinte*. *Quadro extraído do site https://www.contabilizei.com.br/contabilidade online/enquadramentoanexoiiiouanexovisimplesnacional/ Ressaltase que, evidentemente, não se quer adotar a legislação do Simples Nacional para o presente caso. O objetivo é esclarecer que há atividades de suporte que não se caracterizam de cunho intelectual, por exemplo instalação de programas de informática e de software, e há atividades de suporte que se caracterizam de cunho intelectual, por exemplo manutenção de programa e sistemas de informática. Fazse necessário a análise dos documentos comprobatórios para verificarmos se a atividade do recorrente se caracteriza ou não de cunho intelectual. O contrato social, em sua cláusula 5ª, especifica o objetivo social do recorrente: Fl. 351DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 352 13 Observase no contrato social que a recorrente se propõe a prestar serviços na área de informática: análise de sistemas, desenvolvimento e comercialização de sistemas de informática, administração de banco de dados, assistência técnica na área de informática, suporte e redes para microcomputadores, treinamento no desenvolvimento de sistemas, processamento de dados, digitação e editoração gráfica. Constatase que no objetivo social da recorrente, na área de informática, há atividades de cunho intelectual, por exemplo análise e desenvolvimento de sistemas, e atividade de cunho não intelectual, como digitação e editoração gráfica. A atividade de suporte não está especificada de forma a identificarmos se essa é ou não de cunho intelectual. Os contratos de prestação de serviços a serem desenvolvidos pela recorrente em favor da Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (FAURGS), com datas de 01/06/2004, 12/07/2004, 15/07/2004 e 01/04/2005, têm como objeto a prestação de serviços de na área de informática, com a seguinte abrangência: análise de sistemas, programação e testes de software básico, produtos e aplicativos bancários suporte técnico, consultoria técnica, treinamento, pesquisa e implementação tem todas as atividades tais como: ambientes e sistemas operacionais, redes de computadores, telecomunicação e teleprocessamento, banco de dados, segurança, integridade dos dados, automação, metodologias, ferramentas e arquitetura de sistemas voltados a orientação a objetos, cliente/servidor, internet, entre outros e linguagem de programação. Segue ilustração de um dos contratos. Fl. 352DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 353 14 Percebese que as atividades envolvidas na prestação de serviços são, em sua maioria, de cunho intelectual. Sendo prestadas por analista de sistemas e outros profissionais de nível superior de graduação. Quanto ao suporte técnico pareceme restrito aos produtos e aplicativos bancários, conforme contrato ilustrado acima. A Representação Fiscal para exclusão do Simples, teve como fundamento a atividade da empresa, expressa no contrato social e alterações posteriores e comprovada pelos contratos de prestação de serviços firmados. Conforme transcrito a seguir. Em contraposição, o recorrente afirma que prestou somente serviços de suporte técnico, conforme ordem de serviços emitidas. Portanto fazse necessário a análise das ordens de serviços constantes do processo (fls. 86 a 90). As ordens de serviço trazem como descrição as seguintes atividades: Nº da Ordem Título Definição 07/293 Integração Nova Interface Melhores Práticas com DLL já existentes de MP Preparação do Ambiente Integração Nova Interface Melhores Prática com DLL já existentes de Melhores Práticas Testes 07/00615 Implementação das melhores práticas para ambiente MM4/NET Definição de regras de Melhores Práticas (MP) para ambiente NER Implementação das MP para ambiente NET. Fl. 353DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 354 15 Testes 07/00816 Implementação das melhores práticas para ambiente MM4/NET Definição de regras de Melhores Práticas (MP) para ambiente NER Implementação das MP para ambiente NET. Testes 08/01462 Ajustes em melhores práticas e ferramentas MM3/4 Manutenção Ferramentas Meta Modelo (MM3 e MM4) Implementar novos componentes MM4 (Calendário, Lista Auxiliar, etc) Permitir Gerar TO's Personalizados 08/02208 Instalação de Ambiente BRB para Programador Novo Suporte para instalação do ambiente de desenvolvimento para programador no sistema BRF Acompanhar e efetuar alterações no servidor. Notase que as atividades especificadas nas ordens de serviço, primeiramente não são exclusivas de suporte a produtos e aplicativos bancários, e mostramse de cunho intelectual, por exemplo: Integração Nova Interface Melhores Prática com DLL já existentes de Melhores Práticas; Implementação das MP para ambiente NET; Manutenção Ferramentas Meta Modelo (MM3 e MM4); Implementar novos componentes MM4 (Calendário, Lista Auxiliar, etc); Suporte para instalação do ambiente de desenvolvimento para programador no sistema BRF. As notas fiscais de serviço (fls. 98 a 183) trazem discriminação genérica de prestação de serviços e não esclarecem o tipo da atividade do serviço prestados. Como exemplo, ilustramos a Nota Fiscal de Serviço nº. 100. Fl. 354DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 355 16 Conforme a análise realizada da atividade de suporte técnico e dos documentos comprobatórios, Concluise que: · A atividade de suporte técnico em informática pode ser caracterizada como sendo ou não de cunho intelectual. Fl. 355DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 356 17 · As atividades da recorrente previstas no contrato social e especificadas nos contratos de prestação e ordens de serviço não são exclusivas de suporte técnico, e se caracterizam com cunho intelectual. · As atividades efetivamente prestadas pelas recorrente são exclusivas de programador, analista de sistemas e outras profissões de nível superior de graduação, cujo exercício depende de habilitação profissional legalmente exigida. Portanto devem ser rejeitados todos os argumentos da recorrente quanto à interpretação da matéria , e ao alegado abuso de poder e ilegalidade do ato da Autoridade Fiscal. Da homologação, pela SRF, da inclusão da empresa PILE no Simples nos anos de 2006 e 2007 A recorrente alega no período em que a empresa Pile aderiu ao SIMPLES, até 2007, quando migrou para a sistemática do lucro presumido, todas as declarações e informações prestadas à SRF, bem como os pagamentos regulares na modalidade e códigos corretos da Receita Federal, permitiram à SRF o exercício da atividade fiscal, inclusive, se fosse de seu entendimento, a revisão/retificação de ofício pelo fisco da Ficha Cadastral da Pessoa Jurídica para fins de excluíla do SIMPLES. No entanto, em momento algum foi realizada qualquer atividade fiscalizatória ou mesmo de retificação relativamente à opção da empresa Pile pelo SIMPLES, motivo pelo qual é de se presumir a total regularidade e adequação da empresa pela sistemática simplificada. Mostramse equivocadas as alegações da recorrente, pois a exclusão do Simples foi realizada mediante procedimento fiscal, cujo lançamento do crédito tributário decorrente pode ser realizado enquanto não atingido pelo instituto da decadência. A formalidade de apresentar declarações e pagamentos no regime do Simples não tem o condão de transformar a situação fática do exercício de atividade vedada pelo regime de tributação favorecido. Também não é aplicável o Princípio da Cautela pois a situação em nenhum momento foi regular e os atos não foram praticados pelo fisco e sim pelo contribuinte. Portanto devem ser rejeitado o requerimento de anulação do Ato Declaratório de Exclusão do Simples, com base na alegação de incongruência com a realidade das atividades efetivamente desenvolvidas pela Empresa Pile Consultoria em Informática nos exercícios 2006 e 2007. Da exigibilidade da multa de mora A recorrente alega que a inaplicabilidade da multa de ofício, haja vista a inexistência de mora em sua conduta. Argumenta que o cabimento e a incidência da multa somente tem lugar nas hipóteses em que devidamente cientificada a empresa acerca da irregularidade de sua situação fiscal e essa silencia. Fl. 356DF CARF MF Processo nº 11080.724363/201098 Acórdão n.º 1402003.137 S1C4T2 Fl. 357 18 A multa lançada é a prevista no artigo 44, inciso I da Lei 9.430/96 aplicada aos casos de lançamento de ofício que, expressa e objetivamente, prevê: Multas de Lançamento de Ofício Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) Ao constatar a ocorrência de uma infração, como no caso, a Autoridade Fiscal deve, obrigatoriamente, lavrar o auto e aplicar a multa, porque a lei não lhe dá discricionariedade. Tal característica implica ser a lei o único referencial para delimitar a atuação fiscal. É importante ressaltar, no caso presente, que a imposição de penalidades tributárias, independe de qualquer elemento subjetivo por parte do sujeito passivo, ou seja, não há que se indagar se o contribuinte teve ou não intenção de lesar o Fisco, acarretandolhe prejuízo. Portanto, devemse ser rejeitadas as alegações da recorrente, e ser considerado correta a aplicação da multa de lançamento de ofício no percentual de 75%, definido em lei, sobre o valor dos tributos não recolhidos. Conclusão Ante o exposto, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário, mantendo a exclusão do SIMPLES e os lançamentos. (assinado digitalmente) Evandro Correa Dias Fl. 357DF CARF MF
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Numero do processo: 10980.909313/2008-58
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Aug 04 00:00:00 UTC 2011
Ementa: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Ano-calendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES CONTIDOS NA DCOMP E NA DIPJ. REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO INDICADO. Certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência do instituto da compensação tributária se aferem no tocante à materialidade dos créditos e não apenas pelos aspectos formais de manuseio do sistema de formulação da declaração de compensação.
Numero da decisão: 1301-000.659
Decisão: ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário.
Nome do relator: Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior
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ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE A RENDA DAS PESSOAS JURÍDICAS – IRPJ. Anocalendário: 2004 DECLARAÇÃO DE COMPENSAÇÃO. DIVERGÊNCIA ENTRE OS VALORES CONTIDOS NA DCOMP E NA DIPJ. REQUISITOS DE CERTEZA E LIQUIDEZ DO CRÉDITO INDICADO. Certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência do instituto da compensação tributária se aferem no tocante à materialidade dos créditos e não apenas pelos aspectos formais de manuseio do sistema de formulação da declaração de compensação. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. ACORDAM os membros da 3ª Câmara / 1ª Turma Ordinária da Primeira Seção de Julgamento, por unanimidade, dar provimento ao Recurso Voluntário. (assinado digitalmente) ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Presidente (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Relator Participaram do julgamento os Conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Valmir Sandri, Edwal Casoni de Paula Fernandes Junior e Guilherme Pollastri Gomes da Silva. Fl. 58DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 2 Relatório Tratase de Recurso Voluntário interposto pela contribuinte acima identificada contra decisão proferida pela 1ª Turma da DRJ de Curitiba/PR. Verificase que o presente processo referese a declaração de compensação apresentada pela recorrente e materializada na PER/DCOMP n° 10402.74330.310506.1.3.02 4032. Originalmente a compensação não foi homologada porquanto a autoridade administrativa constatou divergências na apuração de crédito na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica — DIPJ correspondente ao saldo negativo informado no PER/DCOMP. Devidamente cientificada, a recorrente apresentou Manifestação de Inconformidade alegando em síntese ter havido erro escusável por parte do contribuinte e que o erro formal não pode desconsiderar a compensação feita com crédito idôneo, assentando que não houve prejuízo ao Fisco porquanto indicou no campo "crédito original na data da transmissão", o valor de R$ 46.769,91, tendo havido um equívoco no preenchimento do campo "saldo negativo’, em que foi informado R$ 57.826,30, aduziu ainda, que iria retificar o PER/DCOMP, alterando o valor. A 1ª Turma da DRJ de Curitiba/PR, nos termos do acórdão e voto de folhas 29 a 32, indeferiu a solicitação, assentando em síntese que o direito de compensação do contribuinte está condicionado a que informe no PER/DCOMP idêntico valor de saldo negativo de IRPJ e/ou CSLL, respectivamente, em relação ao que foi informado na DIPJ. Notificada da decisão desfavorável (fl. 35), a contribuinte interpôs Recurso Voluntário (fls. 36 – 41), reiterando os argumentos já relatados e pugnando pelo provimento do Recurso Voluntário e consequente homologação das compensações apresentadas. É o relatório. Fl. 59DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE Processo nº 10980.909313/200858 Acórdão n.º 1301000.659 S1C3T1 Fl. 2 3 Voto Conselheiro Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr., Relator. O recurso é tempestivo e dotado dos pressupostos de recorribilidade. Admito o para julgamento. Como observado no relatório acima a contribuinte apresentou declaração de compensação cuja homologação esbarrou na divergência verificada entre o crédito contido da DIPJ e aquele consignado na DCOMP, carecendo, portanto, dos requisitos de certeza e liquidez. Com efeito, a declaração de compensação apresentada pela recorrente foi analisada eletronicamente, e do Despacho Decisório resultante dessa análise, encartado à folha 01, colhese o seguinte fundamento, in verbis: (...) Analisadas as informações prestadas no documento acima identificado, não foi possível confirmar a apuração do crédito, pois o valor informado na Declaração de Informações EconômicoFiscais da Pessoa Jurídica (DIPJ) não corresponde ao valor do saldo negativo informado no PER/DCOMP. Valor original do saldo negativo Informado no PER/DCOMP com demonstrativo de crédito: R.$ 57.826,30 Valor do saldo negativo informado na DIPJ): R$ 46.769,91 Diante do exposto, NÃO HOMOLOGO a compensação declarada no PER/DCOMP acima identificado. Valor devedor consolidado, correspondente aos débitos indevidamente compensados, para pagamento até 29/08/2008. (...) De fato, ao observarse o PER/DCOMP apresentado pela contribuinte (fls. 21 – 25), vêse que fora indicado como “crédito original na data da transmissão” o valor de R$ 46.769,90 (vide grifos na fl. 22) em absoluta consonância com o saldo negativo apurado na Ficha 12 A da DIPJ apresentada pela recorrente (fl. 19). Sendo assim, a dita divergência entre a indicação do total a ser compensado, sem óbice de ser ponto pacífico, reclama cotejo quanto aos seus efetivos efeitos, ou seja, é necessário perquirir o seu reflexo no reconhecimento do direito creditório da contribuinte, porquanto a decisão recorrida com base nessa única divergência considerou ausentes os requisitos de certeza e liquidez. Por certo não se desconhece que o artigo 170 do Código Tributário Nacional impõe as condicionantes para que se reconheça o encontro de contas entre Fisco e contribuintes, assentando a inafastabilidade da presença de certeza e liquidez no crédito Fl. 60DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE 4 indicado pelo contribuinte. Por outro turno, também não se pode desconhecer que por vezes a análise eletrônica dos tais requisitos gera distorções porquanto verifica incongruências a revelar impossibilidade de compensação que verificadas com maior minudência seriam transpostas sem grande esforço. Certeza e liquidez exigidas pela legislação de regência do instituto da compensação tributária, se aferem no tocante à materialidade dos créditos e não apenas pelos aspectos formais de manuseio do sistema de formulação da declaração de compensação. Observo, portanto, que analisando a Ficha 12 A da DIPJ apresentada (fl. 19) encontrase saldo negativo de IRPJ em valor coincidente aquele indicado na DCOMP como sendo “crédito original na data da transmissão” e ausentes quaisquer outros empecilhos, voto no sentido de DAR provimento ao Recurso Voluntário, homologandose, por conseguinte, as compensações apresentadas. Sala das Sessões, em 04 de agosto de 2011 (assinado digitalmente) Edwal Casoni de Paula Fernandes Jr. Fl. 61DF CARF MF Impresso em 02/03/2012 por MOEMA NOGUEIRA SOUZA CÓ PI A Documento assinado digitalmente conforme MP nº 2.200-2 de 24/08/2001 Autenticado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE PAULA FERNANDE, Assinado digitalmente em 26/10/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR, Assinado digitalmente em 28/09/2011 por EDWAL CASONI DE P AULA FERNANDE
score : 1.0
Numero do processo: 10580.729948/2015-13
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Terceira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Mon May 21 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Jul 16 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
A insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais.
Assunto: Contribuição para o PIS/Pasep
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
PIS/PASEP. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO.
A insuficiência de recolhimento do PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais.
Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010
DIREITO DE PETIÇÃO. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA.
O direito fundamental de petição não confere aos sujeitos passivos o direito de prestar informações falsas à RFB e nem obsta o lançamento tributário, caso se constate a falta de recolhimento de tributos devidos.
Numero da decisão: 3302-005.420
Decisão: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Paulo Guilherme Déroulède - Presidente
(assinado digitalmente)
Jorge Lima Abud - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente).
Nome do relator: JORGE LIMA ABUD
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INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. Recorrente AULIK INDUSTRIA E COMERCIO LTDA Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 COFINS. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A insuficiência de recolhimento da Cofins, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O PIS/PASEP Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 PIS/PASEP. INSUFICIÊNCIA DE RECOLHIMENTO. A insuficiência de recolhimento do PIS/Pasep, apurada em procedimento fiscal, enseja o lançamento de ofício com os devidos acréscimos legais. ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/01/2009 a 31/12/2010 DIREITO DE PETIÇÃO. VIOLAÇÃO. INEXISTÊNCIA. O direito fundamental de petição não confere aos sujeitos passivos o direito de prestar informações falsas à RFB e nem obsta o lançamento tributário, caso se constate a falta de recolhimento de tributos devidos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Paulo Guilherme Déroulède Presidente AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 58 0. 72 99 48 /2 01 5- 13 Fl. 453DF CARF MF 2 (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Fenelon Moscoso de Almeida, Walker Araujo, Vinicius Guimarães (Suplente Convocado), Jose Renato Pereira de Deus Paulo, Jorge Lima Abud, Diego Weis Junior, Raphael Madeira Abad e Paulo Guilherme Déroulède (Presidente). Relatório Trata o presente processo de auto de infração, lavrado em 30/12/2015, formalizando a exigência de Contribuições referentes ao PIS e da COFINS não cumulativos, acrescidos de multa de ofício qualificada (150%) e juros de mora, no valor de R$ 53.143.980,00. ü O contribuinte (nome de fantasia Lenoxx Sound) tem como objeto social a fabricação, montagem, assistência técnica, comércio atacadista, exportação, importação de aparelhos de recepção, reprodução, gravação e amplificação de áudio e vídeo, tais como televisores, home theaters, DVD e semelhantes e outros, conforme cláusula 1a, parágrafo único do Contrato Social apresentado a fiscalização com registro na Junta Comercial da Bahia sob o n° 97397469 em 30/07/2014. ü Por meio do Termo de Início de Fiscalização lavrado em 18/12/2014, a fiscalização solicitou livros e documentos necessários aos procedimentos a serem efetuados nas operações fiscais programadas relativas ao PIS e COFINS insuficiência de recolhimento e declaração DCTF para os períodos de janeiro de 2011 a dezembro de 2012 com Termo de Distribuição de Procedimento Fiscal de n° 0510100 2014 00770; ü Da análise dos demonstrativos de apuração do PIS e da COFINS entregues pelo fiscalizado e em conformidade com as DACON entregues, além das DCTF e pagamentos efetuados, a fiscalização verificou compensações efetuadas pelo contribuinte nas contas 2.1.1.03.19 COFINS a Recolher Bahia e 2.1.1.03.18 PIS a Recolher Bahia com créditos escriturados na conta 1.1.2.02.21 Tributos Federais a Recuperar lançamentos de aquisição de títulos da Eletrobrás de diversas séries. ü Foi lavrado o Termo de Intimação n° 01, em 21/10/2015, solicitando: 1. Os contratos de cessão de créditos referentes as aquisições dos títulos da Eletrobrás; 2. Ações judiciais que autorizassem as compensações contábeis efetuadas; Fl. 454DF CARF MF Processo nº 10580.729948/201513 Acórdão n.º 3302005.420 S3C3T2 Fl. 364 3 3. Esclarecimentos por escrito quanto a estas compensações que também não foram declaradas em DCTF e nem em DCOMP. ü Diante da não entrega da documentação, foi lavrado Termo de Intimação Fiscal n° 03 lavrado em 30/11/2015 concedendo prazo adicional de 5 (cinco) dias úteis em consonância com a legislação em vigor; ü A fiscalização constatou que em procedimento fiscal anterior culminando em autuação fiscal do PIS e COFINS PAF n° 10580.723686/201494, dentre outras infrações foi verificado a compensação indevida do PIS e COFINS com títulos públicos/títulos da Eletrobrás; ü Também foi constatado pela Autoridade autuante das solicitações diversas de dilações de prazos, além da falta de apresentação de documentos relacionados a aquisições de títulos para posteriores compensações com tributos e contribuições administrados pela Receita Federal do Brasil; ü Da mesma forma, foi verificado a partir da apresentação de ações judiciais que o contribuinte não era parte nessas ações; ü Foi apurado pela fiscalização que esses títulos não se prestavam à compensação de tributos e contribuições federais; ü A Lei 9.430/1996, com as inclusões da Lei n° 11.051/2004, diz expressamente, no art. 74, § 12: Ø Na alínea ‘a´ é vedada a compensação tributária na hipótese em que o crédito seja de terceiros; Ø Na alínea “c” se refira a título público; Ø Na alínea “d” seja decorrente de decisão judicial não transitada em julgado; e Ø Na alínea “e” não se refira a tributos e contribuições administrados pela Receita Federal. ü Diante da falta de previsão legal e decisão judicial definitiva que autorizassem tais compensações efetuadas e que as mesmas não foram efetivadas por meio de DCOMP e nem declaradas em DCTF, a fiscalização elaborou Demonstrativo de Apuração do PIS, e Demonstrativo de Apuração da COFINS onde se constatam diferenças passíveis de lançamento de ofício por falta de recolhimento tendo em vista o confronto dos valores apurados das contribuições com os valores declarados em DCTF e pagamentos efetuados anexo 01 PIS e anexo 02 – COFINS; Fl. 455DF CARF MF 4 ü Apurada as contribuições para cada período de apuração, anexo 01 Demonstrativo de Apuração do PIS e anexo 02 Demonstrativo de Apuração da COFINS, a fiscalização efetuou o lançamento de ofício do PIS e da COFINS, conforme demonstrativos de apuração e enquadramento legal constantes dos Auto de Infração PIS e do Auto de Infração – COFINS; ü No presente caso, a fiscalização entendeu que o contribuinte tinha pleno conhecimento de que o procedimento adotado, a compensação do PIS e da COFINS com créditos de Títulos Públicos/Títulos da Eletrobrás levada a efeito em sua contabilidade, não estava amparado na legislação tributária ou em ação judicial; ü Além disso, tinha conhecimento também do entendimento da Receita Federal do Brasil da não possibilidade de compensações das contribuições do PIS e da COFINS com tais títulos tendo em vista autuação fiscal anterior; ü A conduta adotada pelo contribuinte relatada no item anterior, autoriza a qualificação da multa de lançamento de ofício que passa a ser de 150% Fraude, art. 72 da Lei n° 4.502/1964. Os enquadramentos legais da multa de lançamento de ofício constam no Auto de Infração do PIS e do Auto de Infração da COFINS, ambos lavrados nesta mesma data; ü Ocorre ainda que quando contabilizou na ECD 2011 , ECD 2012 e ECD 2013, créditos na conta 1.1.2.02.21 Tributos Federais a Recuperar oriundos de Títulos Públicos/Títulos da Eletrobrás, e proceder contabilmente compensações na conta contábil 2.1.1.03.18 PIS a Recolher Bahia e na conta contábil 2.1.1.03.19 COFINS a Recolher Bahia, o contribuinte manteve em tese uma conduta em fraudar a fiscalização tributária, inserindo elementos inexatos e/ou omitindo operação de qualquer natureza, em documento ou livro exigido pela lei fiscal, além de omitir informações as autoridades tributárias, enseja Representação Fiscal para Fins Penais RFFP, tendo em vista o disposto no art. 1° da Portaria RFB n° 2.439/2010; ü Foi autuado como PESSOALMENTE RESPONSÁVEL o Sr. Jacky Kirsch Schnell, CPF: 039.254.04872. A empresa AULIK INDUSTRIA E COMERCIO LTDA tomou ciência do Auto de Infração, via Aviso de Recebimento, em 15/01/2006 (folhas 296). O Sr. JACKY KIRSCH SCHNELL tomou ciência do Auto de Infração, via Aviso de Recebimento, em 13/01/2006 (folhas 299). A empresa AULIK INDUSTRIA E COMERCIO LTDA apresentou impugnação em 11/02/2016 (folhas 307), de folhas 308 a 322. Em síntese, foi alegado que: ü Observância aos princípios Constitucionais e infraconstitucionais referente ao devido processo administrativo; Fl. 456DF CARF MF Processo nº 10580.729948/201513 Acórdão n.º 3302005.420 S3C3T2 Fl. 365 5 ü Suspensão da exigibilidade do crédito tributário face ao pedido administrativo de análise de créditos tributários decorrentes de processos judiciais; ü Contribuição atenta e tempestiva do contribuinte a todas as intimações advindas Da Receita Federal; ü Da ausência de fraude e polo praticado pelo contribuinte; ü As sanções são desproporcionais e devem ser afastadas; ü Ausência de responsabilidade e solidariedade do sócio administrador. Em 11 de junho de 2006, através do Acórdão n° 1461.846 a 14ª Turma da Delegacia Regional de Julgamento de Ribeirão Preto/SP, por unanimidade de votos, JULGOU IMPROCEDENTE a impugnação. Entendeu a Turma que: ü A autuação respeitou os princípios do direito de petição, da ampla defesa e do contraditório; ü A contribuinte não foi penalizada pela utilização do direito de petição, mas porque fez uso indevido desse direito; ü O procedimento de que as pretensas compensações se deram com títulos da Eletrobrás que teriam sido adquiridos por contrato de cessão de direitos tem pelos menos três irregularidades que o comprometem: 1. A pretendida compensação se deu sem a apresentação da competente declaração de compensação DCOMP, instrumento que a partir da Medida Provisória nº 66, de 2002, convertida na Lei nº 10.637, de 2002, passou a integrar a própria essência da compensação. De modo direto, sem DCOMP não há compensação. Sem DCOMP não existe extinção sob condição resolutória de ulterior homologação pela autoridade administrativa. Sem DCOMP, portanto, não há débito extinto; 2. Nos termos do artigo 170A é “vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial”. Assim, se se tratasse de compensação, isto é se houvesse a apresentação da competente e necessária Declaração de Compensação, o procedimento adotado pela interessada mesmo assim não poderia ser homologado; 3. O pretendido direito de crédito compensado e que teria origem em decisão judicial transitada em julgado não se enquadra na condição de tributo administrado pela RFB e tão pouco se inclui Fl. 457DF CARF MF 6 entre as receitas da União que tenham sido recolhidas por meio de DARF. Para a Turma não há dúvidas de que o Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell, por razões que vão muito além do mero fato de ser o representante nas DIPJ, DACON e DCTF, deve, de fato, ser responsabilizado solidariamente. Afinal, não só é o responsável pelas declarações entregues, mas agiu com infração à lei, ao declarar à RFB informações falsas com o intuito de não pagar os tributos devidos. A impugnante foi cientificada da Decisão da Delegacia Regional de Julgamento, em 05/09/2016, por via eletrônica, às folhas 421 do processo digital. Em 28/09/2016 (folhas 422), a empresa AULIK INDUSTRIA E COMERCIO LTDA ingressou com RECURSO VOLUNTÁRIO junto ao Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, apresentando suas razões, de folhas 423 a 438. Em síntese, foi alegado: ü Exercício regular de direito e ausência de prejuízo ao credor tributário; ü Presunção de boafé do contribuinte ao atender todas as determinações do sujeito ativo tributário; ü Multa excessiva, desproporcional e sem razoabilidade; ü Vedação ao confisco; ü Ausência de responsabilidade da pessoa física (sócio da pessoa jurídica). DO PEDIDO À vista de todo o exposto, se reportando aos termos da defesa inicial, ainda as disposições dos tendo por fundamento artigos 5º, XXXIV, ‘a’, XXXV, LIV e LV, LXXVIII da Constituição Federal, artigo 135, 151, III do Código Tributário Nacional, artigo 2o, parágrafo único da Lei 9.784/99, Decreto 70.235/72, 7574/2011, Lei 9430/96, considerando as Garantias e Princípios Constitucionais, especificamente vedação ao Juízo de exceção, devido processo legal administrativo, ampla defesa, contraditório, trânsito em julgado, demonstrada a insubsistência e improcedência da ação fiscal, espera e requer, o recorrente, seja acolhido o presente recurso para o fim de assim ser decidido, cancelandose o débito fiscal reclamado, quer seja pela nulidade e/ ou pelo ato desproporcional e sem razoabilidade. Por fim, não sendo acolhido o pedido retro, requer a desclassificação da multa para 20% evitandose o excesso e/ou confisco tributário. É o relatório. Voto Conselheiro Jorge Lima Abud Fl. 458DF CARF MF Processo nº 10580.729948/201513 Acórdão n.º 3302005.420 S3C3T2 Fl. 366 7 Da admissibilidade. Por conter matéria desta E. Turma da 3a Seção do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais e presentes os requisitos de admissibilidade, conheço do Recurso Voluntário tempestivamente interposto pelo contribuinte, considerando que a recorrente teve ciência da decisão de primeira instância em 05 de setembro de 2016, quando, então, iniciouse a contagem do prazo de 30 (trinta) dias para apresentação do presente recurso voluntário apresentando a recorrente recurso voluntário em 28 de setembro de 2016. Da controvérsia. A matéria divergente diz respeito a pretensão do contribuinte em compensar contribuições ao PIS e Cofins com créditos que teriam origem em ação judicial. Alternativamente, pugna pela incidência da multa moratória de 20%. Do mérito. Tomase como ponto de partida da presente análise os quadros de folhas 291/292 que ilustram que os valores incluídos em DCTF para o PIS e Cofins estão zerados com exceção do período de apuração de fevereiro de 2001 e que as pretendidas compensações foram registradas apenas contabilmente. Fl. 459DF CARF MF 8 Os livros contábeis juntados pela fiscalização às fls. 245/264 indicam que as pretensas compensações se deram com títulos da Eletrobrás que teriam sido adquiridos por contrato de cessão de direitos. A contribuinte, intimada em várias oportunidades não apresentou os mencionados contratos de cessão de créditos. É alegado no item (05) do Recurso Voluntário: 5. Conforme relatório descrito no processo administrativo, diante dos textos constitucionais referidos e a serem reiterados, o contribuinte, restou penalizado por ter exercido um Direito na forma regular, o Direito de Compensar créditos tributários decorrentes de sentença judicial na forma do artigo 170 do CTN e artigo 74 da lei 9430/96. (...) Não prospera a argumentação. Através da fundamentação exposta no Acórdão n° 1461.846, é demonstrado porque não assiste ao Recorrente o direito subjetivo à compensação. Em linhas gerais, sua pretensão não se traduzia em direito regular, pois: Ø compensação se deu sem a apresentação da competente declaração de compensação DCOMP; Ø é vedada a compensação mediante o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial pelo sujeito passivo, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial; Fl. 460DF CARF MF Processo nº 10580.729948/201513 Acórdão n.º 3302005.420 S3C3T2 Fl. 367 9 Ø o pretendido direito de crédito compensado e que teria origem em decisão judicial transitada em julgado não se enquadra na condição de tributo administrado pela Receita Federal do Brasil e tão pouco se inclui entre as receitas da União que tenham sido recolhidas por meio de DARF. Logo, o aludido direito jamais existiu. Multa de ofício. Previsão legal e percentual (150%). É alegado no item (09) do Recurso Voluntário: 9. Acontece, Eméritos Julgadores, que, analisando o texto legal referido pelo credor, além da revogação do referido comando legal, a multa referida não pode ser aplicada senão após a decisão administrativa transitada em julgado e de forma proporcional, não superando o valor da obrigação conforme pretensão formalizada pelo credor tributário. A multa tributária não pode ser superior ao valor da obrigação principal, afinal, pelo texto constitucional do artigo 5, deve prevalecer a igualdade e por isso, deve ser mantido o equilíbrio, neste sentido o artigo 412 da lei 10406/2002, verbis: (...) O litigante investe contra a aplicação da multa qualificada de 150%, que diz ser confiscatória e injustificada. O dispositivo aplicado, conforme indicado no auto de infração, foi o inciso I do art. 44 da Lei nº 9.430, de 1996, que teve sua redação alterada posteriormente ao fato gerador para: Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: (Vide MEDIDA PROVISÓRIA Nº 351 DE 22 DE JANEIRO DE 2007 DOU DE 22/1/2007 Edição extra) Alterada pela LEI Nº 11.488 DE 15 DE JUNHO DE 2007 DOU DE 15/5/2007 Edição extra I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata; (...) § 1o O percentual de multa de que trata o inciso I do caput deste artigo será duplicado nos casos previstos nos arts. 71, 72 e 73 da Lei no 4.502, de 30 de novembro de 1964, independentemente de outras penalidades administrativas ou criminais cabíveis. (Redação dada pela Lei nº 11.488, de 2007) (Grifouse.) o Lei nº 4.502/1964: Fl. 461DF CARF MF 10 Art . 71. Sonegação é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, o conhecimento por parte da autoridade fazendária: I da ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, sua natureza ou circunstâncias materiais; II das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. Art . 72. Fraude é tôda ação ou omissão dolosa tendente a impedir ou retardar, total ou parcialmente, a ocorrência do fato gerador da obrigação tributária principal, ou a excluir ou modificar as suas características essenciais, de modo a reduzir o montante do impôsto devido a evitar ou diferir o seu pagamento. Art . 73. Conluio é o ajuste doloso entre duas ou mais pessoas naturais ou jurídicas, visando qualquer dos efeitos referidos nos arts. 71 e 72. Portanto, ao contrário do que afirma o Recorrente o artigo 44 da Lei n° 9.430/96 não foi revogado e sim alterado, permanecendo assim em vigência, imputando a multa de ofício qualificada (150%) nos casos de sonegação, fraude e conluio. No mais, de fato a multa em análise a multa referida não pode ser aplicada senão após a decisão administrativa transitada em julgado, em obediência ao Devido Processo Legal e outros princípios derivados deste. A multa de ofício calculada sobre o valor do imposto cuja falta de recolhimento se apurou, está em consonância com a legislação de regência, sendo o percentual 150 % o legalmente previsto para a situação descrita no Termo de Verificação Fiscal, não se podendo, em âmbito administrativo, reduzilo ou alterálo por critérios meramente subjetivos, contrários ao princípio da legalidade. Considerações sobre a graduação da penalidade, no caso, não se encontram sob a discricionariedade da autoridade administrativa, uma vez definida objetivamente pela lei, não dando margem a conjecturas atinentes à ocorrência de efeito confiscatório ou de ofensa ao princípio da capacidade contributiva. Nesse sentido, qualquer pedido ou alegação que ultrapasse a análise de conformidade do ato administrativo de lançamento com as normas legais vigentes, em franca ofensa à vinculação a que se encontra submetida a instância administrativa (art. 142, parágrafo único, do CTN), como a contraposição a princípios constitucionais, somente podem ser reconhecidos pela via competente, o Poder Judiciário. Desse modo, devese considerar correta a aplicação da multa de lançamento de ofício ao percentual de 150%, definido em lei, sobre os valores do imposto não recolhido, rejeitandose a contestação de que não haveria previsão legal para tanto. Por fim, o artigo 412 do Código Civil transcrito no Recurso Voluntário diz respeito a ordenamento aplicado à relações jurídicas entre particulares, não sendo apta para se impor diante de uma relação jurídico tributária que possui o Código Tributário Nacional e legislação subjacente como ordenamento próprio. Da boa fé alegada. É alegado nos itens (11) e (12) do Recurso Voluntário: Fl. 462DF CARF MF Processo nº 10580.729948/201513 Acórdão n.º 3302005.420 S3C3T2 Fl. 368 11 Em que pese os argumentos retro, o inconformismo ora manifestado pelo recorrente se restringe à presunção objetiva do credor tributário em presumir a máfé do contribuinte aplicando multa abusiva e desproporcional conforme retro referido. O recorrente demonstrase inconformado, conforme já mencionado, sobre a presunção de máfé do contribuinte, muito embora haja reconhecimento de que, o contribuinte, tenha atendido a todas as notificações e intimações do credor tributário. Não se trata de presunção. No presente caso, as ações da empresa AULIK INDUSTRIA E COMERCIO LTDA indicam uma ação voluntária para SONEGAR tributos, na medida que quis exercer o direito à compensação sem estar apta. Não apenas isso. Ciente dessa condição, não se ateve ao formalismo da apresentação da competente declaração de compensação DCOMP e já requereu o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial de terceiro, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Esses dois fatos podiam muito bem passar por um mero descuido ou ainda desconhecimento da legislação aplicável ao caso em análise, mas devem ser sopesados com outros dois acontecimentos: 1. Os livros contábeis juntados pela fiscalização às fls. 245/264 indicam que as pretensas compensações se deram com títulos da Eletrobrás que teriam sido adquiridos por contrato de cessão de direitos. 2. A contribuinte, intimada em várias oportunidades não apresentou os mencionados contratos de cessão de créditos. Portanto, a pretensão da Recorrente era apoiada em direito sabidamente inexistente, revelando assim ação/omissão dolosa tendente a impedir ou retardar total o conhecimento por parte da autoridade fazendária das condições pessoais de contribuinte, suscetíveis de afetar a obrigação tributária principal ou o crédito tributário correspondente. O alcance da responsabilidade dos sócios. O instituto a ser considerado é o da responsabilidade pessoal tributária a luz do artigo 135 do Código Tributário Nacional. É certo que os sócios, ao constituírem a sociedade na forma disciplinada no Código Civil, fundamentados no direito societário, limitam sua responsabilidade aos aportes que realizam para a formação do capital, seja em quotas ou ações objetivando restringir sua participação no pagamento dos débitos sociais, desde que não pratiquem atos com excesso de mandato, violação da lei ou do contrato social. A determinação do sujeito passivo da obrigação tributária principal é determinada pelo artigo 121 do Código Tributário Nacional: Fl. 463DF CARF MF 12 Art. 121. Sujeito passivo da obrigação principal é a pessoa obrigada ao pagamento de tributo ou penalidade pecuniária. Parágrafo único. O sujeito passivo da obrigação principal dizse: I – contribuinte, quando tenha relação pessoal e direta com a situação que constitua o respectivo fato gerador; II – responsável, quando, sem revestir a condição de contribuinte, sua obrigação decorra de disposição expressa de lei. O Sr. Jacky Gert Kirsch Schnell assume a condição de responsáveis a luz do inciso II, do artigo 121, do Código Tributário Nacional por determinação direta do artigo 135 do mesmo diploma legal. O artigo 135 do Código Tributário Nacional determina que a responsabilidade dos sócios somente ocorrerá quando demonstrado o fato de os sócios haverem agido com excesso de poderes ou infração à lei, contrato social ou estatutos: Art. 135. São pessoalmente responsáveis pelos créditos correspondentes a obrigações tributárias resultantes de atos praticados com excesso de poderes ou infração de lei, contrato social ou estatutos: I – as pessoas referidas no artigo anterior; II – os mandatários, prepostos e empregados; III – os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. (Grifo Nosso) Isto significa que, se o empresário ou administrador agir dentro da lei e do contrato social ou estatuto e, por circunstâncias do mercado, a empresa da qual é sócio ou administrador não cumprir com suas obrigações tributárias seus bens particulares não respondem pela dívida tributária. Não é o caso. A ação fiscal se apóia na seguinte constatação: ações da empresa AULIK INDUSTRIA E COMERCIO LTDA indicam uma ação voluntária para SONEGAR tributos, na medida que quis exercer o direito à compensação sem estar apta. Não apenas isso. Ciente dessa condição, não se ateve ao formalismo da apresentação da competente declaração de compensação DCOMP e já requereu o aproveitamento de tributo, objeto de contestação judicial de terceiro, antes do trânsito em julgado da respectiva decisão judicial. Somase a isso: 1. Os livros contábeis juntados pela fiscalização às fls. 245/264 indicam que as pretensas compensações se deram com títulos da Eletrobrás que teriam sido adquiridos por contrato de cessão de direitos; e 2. A contribuinte, intimada em várias oportunidades não apresentou os mencionados contratos de cessão de créditos. Fl. 464DF CARF MF Processo nº 10580.729948/201513 Acórdão n.º 3302005.420 S3C3T2 Fl. 369 13 Se configurada a infração de Lei, SONEGAÇÃO, por determinação expressa do caput do artigo 135 do Código Tributário Nacional, a responsabilidade pela exação tributária atinge a pessoa dos os diretores, gerentes ou representantes de pessoas jurídicas de direito privado. Da redução da multa de ofício e desrespeito aos princípios da razoabilidade e da proporcionalidade. A presunção é que o Legislativo, antes de aprovar a lei tenha examinado eventual conflito com a Constituição Federal e chegado à conclusão de não haver tal contrariedade. Essa presunção somente sucumbe ante o pronunciamento judicial. Inadmissível é pretender que a autoridade administrativa descumpra a lei. Até aí não vai o seu poder, tendo em vista o alcance limitado do julgamento nessa esfera, que não pode se desviar dos estritos ditames legais, sendo vedado imiscuirse na competência do Poder Judiciário para examinar a constitucionalidade de normas. Assim, falece competência ao julgador administrativo para exercer esse juízo de constitucionalidade deixando de aplicar normas integrantes do ordenamento jurídico, em face da mera alegação suscitada em processo administrativo, ressalvadas as hipóteses previstas no art. 26A, § 6º, do Decreto nº 70.235/1972, acrescido pela Lei nº 11.941/2009, que não se identificam com o caso concreto. “Art. 26A. No âmbito do processo administrativo fiscal, fica vedado aos órgãos de julgamento afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. (...) § 6o O disposto no caput deste artigo não se aplica aos casos de tratado, acordo internacional, lei ou ato normativo: I – que já tenha sido declarado inconstitucional por decisão definitiva plenária do Supremo Tribunal Federal; II – que fundamente crédito tributário objeto de: a) dispensa legal de constituição ou de ato declaratório do ProcuradorGeral da Fazenda Nacional, na forma dos arts. 18 e 19 da Lei no 10.522, de 19 de julho de 2002; b) súmula da AdvocaciaGeral da União, na forma do art. 43 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993; ou c) pareceres do AdvogadoGeral da União aprovados pelo Presidente da República, na forma do art. 40 da Lei Complementar no 73, de 10 de fevereiro de 1993.” Ressaltese que a atividade administrativa do lançamento é obrigatória e vinculada, sob pena de responsabilidade funcional, consoante disposição expressa do art. 142, parágrafo único, do Código Tributário Nacional. Portanto, a autoridade fiscal não pode eximir se de cumprir seu dever legal de aplicar a multa no exato quantum previsto em lei, sendolhe vedado dispensar ou reduzir penalidades sem previsão legal. É o que dispõe o art. 97, inciso VI, do Código Tributário Nacional (CTN): “Art. 97. Somente a lei pode estabelecer: Fl. 465DF CARF MF 14 (...) VI as hipóteses de exclusão, suspensão e extinção de créditos tributários, ou de dispensa ou redução de penalidades.” A solução inversa, ou seja, assentir com a redução da multa, sem que isso esteja previsto em lei, implicaria sustentar que a vontade da autoridade administrativa sobrepõese à norma escrita, alterando, dessa maneira, a própria obrigação tributária, o que resultaria afronta ao princípio da legalidade, que norteia toda a atividade do setor público. Sobre legalidade e atividade administrativa, escreve JOSÉ AFONSO DA SILVA, citando HELY LOPES MEIRELLES: "(...) Lembra Hely Lopes Meirelles que ‘a eficácia de toda a atividade administrativa está condicionada ao atendimento da lei.’ ‘Na administração pública’, prossegue, ‘não há liberdade nem vontade pessoal. Enquanto na administração particular é lícito fazer tudo que a lei não proíbe, na Administração Pública só é permitido fazer o que a lei autoriza. A lei para o particular significa pode fazer assim; para o administrador significa deve fazer assim.’ " (destaquei) (SILVA, José Afonso da. Curso de Direito Constitucional Positivo, 9ª ed., Malheiros, São Paulo, 1996, pág. 373) Ao discorrer sobre atos vinculados, ensina HELY LOPES MEIRELLES: “Nessa categoria de atos, as imposições legais absorvem, quase que por completo, a liberdade do administrador, uma vez que sua ação fica adstrita aos pressupostos estabelecidos pela norma legal para a validade da atividade administrativa.” (MEIRELLES, Hely Lopes. Direito administrativo brasileiro. 17ª edição, atualizada por Eurico de Andrade Azevedo, Délcio Balesteiro Aleixo e José Emmanuel Burle Filho. São Paulo: Malheiros, 1992, pg. 149) Cabe ressaltar que o presente julgamento também constitui atividade vinculada e, assim, cingese aos ditames legais aplicáveis à espécie, o que impede a adoção de quaisquer orientações doutrinárias ou jurisprudenciais que, fundadas em argumentos de razoabilidade ou proporcionalidade, propugnam a redução ou dispensa de multas. A exclusão ou redução de multas, em se constituindo uma situação excepcional, eis que dispensa a prática, por parte da autoridade administrativa, de uma atividade vinculada e obrigatória, deve ser feita tãosomente nas hipóteses expressamente previstas na legislação, sem o que equivaleria aventar que a atividade ora exercida seria uma atividade discricionária quando, ao contrário, se trata de atividade vinculada. Ainda no que tange aos princípios da proporcionalidade e da razoabilidade, o seu emprego pela instância julgadora administrativa não vai a ponto de autorizar a dispensa ou redução de multas, quando expressas na lei em valor ou percentual único, sem que haja expressa previsão legal para graduação da penalidade dentro de uma faixa variável de valor, a ser fixado em cada caso pela autoridade fiscal, levandose em conta determinados critérios, tais como natureza ou às circunstâncias materiais do fato ou extensão dos seus efeitos. A lei em comento não confere âmbito de discricionariedade à autoridade administrativa no tocante à dosimetria da punição, sendo suficiente que se caracterize a situação descrita na lei para que haja a aplicação da penalidade no percentual único previsto. Assim, a matéria em pauta não comporta alegação de ofensa ao princípio da razoabilidade e proporcionalidade. Fl. 466DF CARF MF Processo nº 10580.729948/201513 Acórdão n.º 3302005.420 S3C3T2 Fl. 370 15 Ademais, o exame da proporcionalidade entre o fato infracional e o valor da multa não é passível de exame neste foro, porquanto a autoridade administrativa não pode usurpar a competência do legislador para alterar o valor da multa definido na lei. O citado juízo de proporcionalidade foi exercido pelo legislador ao aprovar a lei fixando o valor da multa, somente podendo ser revisto pelo próprio Poder Legislativo ou, em caso de inconstitucionalidade, pelo Judiciário, estando, porém, fora da esfera de competência da autoridade administrativa a quem cabe tãosomente aplicar a lei. Portanto, o órgão administrativo não detém competência legal para dispensar ou reduzir multas, sem que isso esteja expressamente previsto em lei. O Princípio do NãoConfisco. Quanto ao princípio do nãoconfisco, agasalhase o entendimento de que vem a ser essa uma limitação imposta pelo Legislador constituinte ao Legislador infraconstitucional (ordinário), portanto, não se pode dizer que o princípio esteja direcionado à Administração Tributária. Invocando sempre a Súmula n° 02 do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais: Súmula CARF nº 2: O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária Diante de tudo que foi exposto, voto no sentido de negar provimento ao Recurso da Contribuinte. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Lima Abud Relator. Fl. 467DF CARF MF
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Numero do processo: 10140.720479/2010-33
Turma: Segunda Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jun 06 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 14 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2006 a 31/12/2007
EMBARGOS DE DECLARAÇÃO. OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO.
Verificada a existência de omissão e contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados.
Embargos Acolhidos
Numero da decisão: 2202-004.538
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, atribuindo-lhes efeitos infringentes para fins de efetuar as retificações na parte dispositiva do acórdão e na conclusão do voto, nos termos propostos pelo relator.
(assinado digitalmente)
Ronnie Soares Anderson - Presidente
(assinado digitalmente)
Martin da Silva Gesto - Relator
Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias.
Nome do relator: MARTIN DA SILVA GESTO
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OMISSÃO. CONTRADIÇÃO. ACOLHIMENTO. Verificada a existência de omissão e contradição no julgado é de se acolher os embargos de declaração para sanar os vícios apontados. Embargos Acolhidos Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em acolher os Embargos de Declaração, atribuindolhes efeitos infringentes para fins de efetuar as retificações na parte dispositiva do acórdão e na conclusão do voto, nos termos propostos pelo relator. (assinado digitalmente) Ronnie Soares Anderson Presidente (assinado digitalmente) Martin da Silva Gesto Relator Participaram da sessão de julgamento os Conselheiros Martin da Silva Gesto, Waltir de Carvalho, Junia Roberta Gouveia Sampaio, Dilson Jatahy Fonseca Neto, Reginaldo Paixão Emos (suplente convocado) e Ronnie Soares Anderson. Ausente, justificadamente, a conselheira Rosy Adriane da Silva Dias. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 14 0. 72 04 79 /2 01 0- 33 Fl. 517DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202004.538 S2C2T2 Fl. 518 2 Tratase de Embargos de Declaração opostos pela Procuradoria da Fazenda Nacional nos autos do processo n° 10140.720479/201033, em face do acórdão nº 2403 01.156, julgado pela 2ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais, com fundamento no art. 65 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais. Os Embargos foram admitidos, por compreender que houve omissão da parte dispositiva do acórdão que deixou de referir acerca do limite de lucro presumido para a empresa. Por oportuno reproduzo o relatório do Despacho de Admissibilidade de fls. 514/516, que assim dispõe: “Os autos foram enviados à Fazenda Nacional em 29/06/2017 (Despacho de Encaminhamento de fl. 506). Assim, de acordo com o disposto no art. 7º, § 5º, da Portaria MF nº 527/2010, a Fazenda Nacional poderia interpor Embargos de Declaração até 03/08/2017, o que foi feito em 11/07/2017 (fl. 512), portanto, tempestivamente. Alega a Embargante que o julgado incorre em omissão e contradição, em síntese, a saber: Ocorre que a parte dispositiva, tanto do voto quanto do acórdão não reproduziram as conclusões do relator, omitindose quanto à existência de limite de lucro presumido para a empresa. Tal omissão, além de gerar um risco de execução do julgado incorreta, representa contradição entre fundamentação e dispositivo, como veremos. (...) Fácil constatar que a parcela de distribuição dos lucros, segundo a legislação aplicável à espécie, não pode ser superior a 32% do faturamento, já que se trata de empresa com lucro presumido. O relator, de forma brilhante, também impôs essa limitação na fundamentação de seu voto, que foi o condutor na matéria: Deste modo, deve ser considerado como prólabore o valor correspondente até o limite de isenção da tabela de imposto de renda, nos termos do Contrato Social da sociedade. O valor excedente deve ser tratado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95. Ocorre que a parte dispositiva do voto do relator, vencedor nesse ponto, não menciona tal limite: Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito darlhe parcial provimento, para: i) que seja considerada como verba repassada a título de prólabore mensal por sócio o valor disposto no Contrato Social, ou seja, o valor limite de isenção para o Imposto de Renda Pessoa Física à época dos fatos geradores, considerando como distribuição de lucros a parcela excedente a Fl. 518DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202004.538 S2C2T2 Fl. 519 3 esse valor; ii) reduzir a multa de mora para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Também não há menção à limitação de 32% do faturamento na parte dispositiva do acórdão: Há, portanto, clara omissão no julgado, que não reproduz na parte dispositiva as conclusões do relator. Também há contradição, já que o dispositivo e a fundamentação não dizem exatamente a mesma coisa. (...) Assim, entendemos que a omissão e a contradição seriam facilmente sanadas com a inserção, no dispositivo, do limite de 32% do faturamento na definição da parcela que pode ser considerada distribuição de lucros no presente feito. Com isso não busca a União rediscutir qualquer ponto do mérito, que será oportunamente discutido em recurso de natureza especial1. Respeitase, portanto, a natureza restrita do recurso de embargos de declaração. Pois bem, relativamente à distribuição de lucros, cumpre transcrever trecho do voto (fl. 500): Deste modo, deve ser considerado como prólabore o valor correspondente até o limite de isenção da tabela de imposto de renda, nos termos do Contrato Social da sociedade. O valor excedente deve ser tratado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95. Citase, outrossim, o segundo tópico da ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AUFERIDA POR MEIO DE APLICAÇÃO DE PERCENTUAL REFERENTE A LUCRO PRESUMIDO PELA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA EMPRESA. O valor que exceder ao prólabore deve ser considerado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95. Entretanto, na parte dispositiva do julgado não houve manifestação expressa, relativamente ao limite de distribuição de lucros, conforme se observa abaixo: Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência, suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada como verba repassada a título de prólabore mensal por sócio o Fl. 519DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202004.538 S2C2T2 Fl. 520 4 valor disposto no Contrato Social, ou seja, o valor limite de isenção para o Imposto de Renda Pessoa Física à época dos fatos geradores, considerando como distribuição de lucros a parcela excedente a esse valor. Pelo que se vê, restou configurado o vício apontado pela Embargante, razão pela qual devese acolher os Embargos, sobretudo com o fito de evitar problemas na execução do julgado. É o relatório. Voto Conselheiro Martin da Silva Gesto Relator Os embargos de declaração foram opostos dentro do prazo legal e reunindo, ainda, os demais requisitos de admissibilidade, entendo por conhecêlos. Entende a embargante que há omissão no julgado, pois a parte dispositiva não reproduz as conclusões do relator. Também sustenta que há contradição, já que o dispositivo e a fundamentação não dizem exatamente a mesma coisa. Entende a embargante que a omissão e a contradição seriam facilmente sanadas com a inserção, no dispositivo, do limite de 32% do faturamento na definição da parcela que pode ser considerada distribuição de lucros no presente feito. Pois bem, relativamente à distribuição de lucros, cumpre transcrever trecho do voto (fl. 500): Deste modo, deve ser considerado como prólabore o valor correspondente até o limite de isenção da tabela de imposto de renda, nos termos do Contrato Social da sociedade. O valor excedente deve ser tratado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95. Citase, outrossim, o segundo tópico da ementa: PARTICIPAÇÃO NOS LUCROS AUFERIDA POR MEIO DE APLICAÇÃO DE PERCENTUAL REFERENTE A LUCRO PRESUMIDO PELA ATIVIDADE DESENVOLVIDA PELA EMPRESA. O valor que exceder ao prólabore deve ser considerado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95. Fl. 520DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202004.538 S2C2T2 Fl. 521 5 Entretanto, na parte dispositiva do julgado não houve manifestação expressa, relativamente ao limite de distribuição de lucros, conforme se observa abaixo: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência, suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada como verba repassada a título de prólabore mensal por sócio o valor disposto no Contrato Social, ou seja, o valor limite de isenção para o Imposto de Renda Pessoa Física à época dos fatos geradores, considerando como distribuição de lucros a parcela excedente a esse valor. [...]" (grifouse) Pelo que se verifica, restou configurado os vícios apontados pela Embargante, razão pela qual devese acolher os Embargos, sobretudo com o fito de evitar problemas na execução do julgado. Ante o exposto, voto por acolher os embargos de declaração com efeitos infringentes para : a) retificar a parte dispositiva do acórdão, passando ela constar o seguinte teor: "Acordam os membros do Colegiado, por maioria de votos, rejeitar a preliminar de diligência, suscitada pelo Conselheiro Marcio Henrique Sales Parada. No mérito, por maioria de votos, dar provimento parcial ao recurso para que seja considerada como verba repassada a título de prólabore mensal por sócio o valor disposto no Contrato Social, ou seja, o valor limite de isenção para o Imposto de Renda Pessoa Física à época dos fatos geradores, considerando o valor que exceder ao prólabore deve ser considerado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95. Vencido o Conselheiro Dilson Jatahy Fonseca Neto, que deu provimento integral ao recurso. Quanto à aplicação da multa, pelo voto de qualidade, aplicar a multa mais benéfica ao contribuinte conforme Portaria Conjunta RFB/PGFN nº 14/2009, vencidos os Conselheiros Martin da Silva Gesto (Relator), Junia Roberta Gouveia Sampaio e Dilson Jatahy Fonseca Neto, que reduziram a multa para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96). Foi designada a Conselheira Cecilia Dutra Pillar para redigir o voto vencedor." b) retificar a conclusão do voto do Relator, à fl. 18 do acórdão (fl. 501 dos autos), passando ela constar o seguinte teor: "Ante o exposto, conheço do recurso e, no mérito darlhe parcial provimento, para: i) que seja considerada como verba repassada a título de pró labore mensal por sócio o valor disposto no Contrato Social, ou seja, o valor limite de isenção para o Imposto de Renda Pessoa Física à época dos fatos geradores, considerando o valor que exceder ao prólabore deve ser considerado como distribuição de lucros, desde que não ultrapasse o resultado da aplicação da margem do lucro presumido (32%) sobre o faturamento, excluídos os impostos federais, nos termos do art. 10 da Lei nº 9.249/95; ii) reduzir a multa de mora para trinta e três centésimos por cento, por dia de atraso, limitada ao percentual de 20% (art. 61 da Lei nº 9.430/96)." (assinado digitalmente) Fl. 521DF CARF MF Processo nº 10140.720479/201033 Acórdão n.º 2202004.538 S2C2T2 Fl. 522 6 Martin da Silva Gesto Relator Fl. 522DF CARF MF
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