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Numero do processo: 10880.977135/2016-26
Turma: Primeira Turma Ordinária da Quarta Câmara da Primeira Seção
Câmara: Quarta Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu May 17 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Thu Jul 05 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário
Ano-calendário: 2012
COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL.
O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal.
REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA.
Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
Numero da decisão: 1401-002.617
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso.
(assinado digitalmente)
Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator
Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
Nome do relator: LUIZ AUGUSTO DE SOUZA GONCALVES
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ementa_s : Assunto: Normas Gerais de Direito Tributário Ano-calendário: 2012 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves - Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente)
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DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Presidente e Relator Participaram do presente julgamento os Conselheiros Luiz Rodrigo de Oliveira Barbosa, Lívia de Carli Germano, Abel Nunes de Oliveira Neto, Luciana Yoshihara Arcângelo Zanin, Cláudio de Andrade Camerano, Daniel Ribeiro Silva, Letícia Domingues Costa Braga, Luiz Augusto de Souza Gonçalves (Presidente) AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 88 0. 97 71 35 /2 01 6- 26 Fl. 64DF CARF MF Processo nº 10880.977135/201626 Acórdão n.º 1401002.617 S1C4T1 Fl. 3 2 Relatório Iniciemos com o relatório da Decisão de Piso. Trata o presente processo de Declaração de Compensação de crédito de Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL, referente a pagamento efetuado indevidamente ou ao maior no período de apuração 31/12/2012, no valor de R$ 75.340,27, transmitida através do PER/Dcomp nº [...]. A Derat São Paulo não homologou a compensação, por meio do despacho decisório eletrônico de fl. [...], pois o pagamento indicado no PER/Dcomp teria sido integralmente utilizado para quitar débito do contribuinte. Cientificado do despacho em [...], o recorrente apresentou a manifestação de inconformidade [...], para alegar que os créditos decorrentes do pagamento a maior já teriam sido “disponibilizados em razão da desvinculação dos mesmos das DCTFs daquele período”. Concluiu, para requerer a homologação do PER/Dcomp. Analisando a manifestação de inconformidade a Delegacia de Julgamento proferiu decisão nos seguintes termos: ASSUNTO: Contribuição Social sobre o Lucro Líquido CSLL Data do fato gerador: 31/12/2012 COMPENSAÇÃO. DIREITO CREDITÓRIO. DOCUMENTAÇÃO FISCAL. O direito creditório somente pode ser deferido se devidamente comprovado por meio de documentação contábil e fiscal. REPETIÇÃO DE INDÉBITO. LIQUIDEZ E CERTEZA. Os valores recolhidos a maior ou indevidamente somente são passíveis de restituição/compensação caso os indébitos reúnam as características de liquidez e certeza. Referida decisão baseouse no fato de a empresa não ter retificado a DCTF antes da decisão do indeferimento da compensação e, ainda, por não ter apresentado comprovação de que não existiria saldo de CSLL a pagar no período. Cientificado da decisão o contribuinte apresentou recurso voluntário. No entanto, neste recurso, o único objeto de alegação é o pedido de prazo para realizar todas as retificações das declarações de maneira a demonstrar a existência do crédito solicitado. É o brevíssimo relatório. Fl. 65DF CARF MF Processo nº 10880.977135/201626 Acórdão n.º 1401002.617 S1C4T1 Fl. 4 3 Voto Conselheiro Luiz Augusto de Souza Gonçalves Relator O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015. Portanto, ao presente litígio aplicase o decidido no Acórdão nº 1401002.603, de 17/05/2018, proferido no julgamento do Processo nº 10880.977128/2016 24, paradigma ao qual o presente processo fica vinculado. Transcrevese, como solução deste litígio, nos termos regimentais, o entendimento que prevaleceu naquela decisão (Acórdão nº 1401002.603): "O recurso é tempestivo e preenche os requisitos legais, por isso dele tomo conhecimento. O crédito solicitado pela empresa trata de pagamento a maior ou indevido de IRPJ/CSLL. Inobstante a decisão eletrônica do PER/DCOMP e da Delegacia de Julgamento observo que sequer a DIPJ da empresa do referido período foi juntada a processo para fins de análise. Para o deslinde do caso realizei consultas à DIPJ apresentada referente ao período de apuração do pagamento, assim como sobre a disponibilidade do pagamento realizado. Analisando as informações constantes da DIPJ e da DCTF da empresa verificamos que, efetivamente, a empresa apurou na DIPJ e confessou como devido em sua DCTF o valor de IRPJ/CSLL do período de apuração do DARF. Restando configurado serem devidos os débitos aos quais o pagamento foi alocado. marTendo apurado este valor e pesquisando os pagamentos realizados durante todo o exercício, verificamos que a empresa realizou o pagamento e que este foi o mesmo pagamento objeto de PER/DCOMP analisado no presente processo. Assim, à vista do exposto, demonstrase que foi correta a decisão da delegacia de origem quando não homologou a compensação em face da inexistência de crédito, considerando que o pagamento a cujo crédito fora pleiteado já estava integralmente utilizado na quitação do débito confessado em DCTF, inexistindo saldo de crédito a ser reconhecido. Desta forma, não havendo crédito a ser reconhecido por este CARF, voto no sentido de negar provimento ao recurso voluntário. Fl. 66DF CARF MF Processo nº 10880.977135/201626 Acórdão n.º 1401002.617 S1C4T1 Fl. 5 4 Aplicandose a decisão do paradigma ao presente processo, em razão da sistemática prevista nos §§ 1º, 2º e 3º do art. 47, do Anexo II, do RICARF, voto por negar provimento ao recurso. (assinado digitalmente) Luiz Augusto de Souza Gonçalves Fl. 67DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 13811.003737/2007-66
Turma: 1ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 1ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Thu Apr 05 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Aug 10 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Obrigações Acessórias
Ano-calendário: 2005
DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO.
Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
Numero da decisão: 9101-003.547
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento.
O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13811.003741/2007-24, ao qual o presente processo foi vinculado.
(assinado digitalmente)
Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Re^go.
Nome do relator: ADRIANA GOMES REGO
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ementa_s : Assunto: Obrigações Acessórias Ano-calendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, deve-se considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negar-lhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplica-se o decidido no julgamento do processo 13811.003741/2007-24, ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo - Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Andre´ Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Arau´jo, Luis Fla´vio Neto, Fla´vio Franco Corre^a, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Re^go.
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ASSUNTO: OBRIGAÇÕES ACESSÓRIAS Anocalendário: 2005 DCTF MENSAL OU SEMESTRAL. RECEITA BRUTA. MOMENTO DO RECONHECIMENTO. Para os contribuintes que optaram pelo regime de caixa, causando descasamento entre a escrituração comercial e fiscal, devese considerar o momento do recebimento da receita para enquadramento no artigo 2º ou 3º da IN SRF 482/04. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial e, no mérito, em negarlhe provimento. O julgamento deste processo segue a sistemática dos recursos repetitivos. Portanto, aplicase o decidido no julgamento do processo 13811.003741/200724, ao qual o presente processo foi vinculado. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Presidente e Relatora Participaram da sessão de julgamento os conselheiros André Mendes de Moura, Cristiane Silva Costa, Rafael Vidal de Araújo, Luis Flávio Neto, Flávio Franco Correâ, Daniele Souto Rodrigues Amadio, Gerson Macedo Guerra e Adriana Gomes Rêgo. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 81 1. 00 37 37 /2 00 7- 66 Fl. 300DF CARF MF Processo nº 13811.003737/200766 Acórdão n.º 9101003.547 CSRFT1 Fl. 3 2 Relatório Tratase de recurso especial da ProcuradoriaGeral da Fazenda Nacional ("PGFN"), no qual se discute o momento do reconhecimento das receitas previstas no art. 30 da MP nº 2.158, de 2001, para fins de observância da apresentação da DCTF (regime de caixa ou regime de competência. Entende a recorrente pela aplicação do regime de competência para a contabilização das receitas, em consonância com as leis comerciais e legislação fiscal, na ocasião de entrega de obrigação acessória. É o relatório. Voto Conselheira Adriana Gomes Rêgo, Relatora. O julgamento do presente recurso especial segue a sistemática dos recursos repetitivos prevista no art. 47, §§ 1º a 3º, do Regimento Interno do CARF, aprovado pela Portaria MF nº 343/2015, já que as situações fática e jurídica verificadas neste processo são, em todos os aspectos relevantes para solução do litígio, idênticas àquelas verificadas no processo 13811.003741/200724, ao qual este é vinculado. Isso posto, aplicase aqui o decidido por esta 1ª Turma da CSRF em seu Acórdão nº 9101003.545, exarado em 05 de abril de 2018, no âmbito do referido processo 13811.003741/200724. Transcrevese, a seguir, como razões de decidir do presente litígio, o voto que prevaleceu no mencionado Acórdão nº 9101003.545: Em relação à admissibilidade, adoto as razões do despacho de exame de admissibilidade para conhecer do recurso. Passo ao exame do mérito. A matéria devolvida consiste em apreciar a seguinte questão: a administração tributária confere a opção pelo regime de caixa para a pessoa jurídica, no caso, receitas previstas no art. 30 da MP nº 2.158, de 2001; optando pelo regime de caixa, a apuração dos tributos efetuada pela pessoa jurídica pode conduzir a valores diferentes daqueles calculados pelo regime de competência; Fl. 301DF CARF MF Processo nº 13811.003737/200766 Acórdão n.º 9101003.547 CSRFT1 Fl. 4 3 diante de tal divergência, poderia a administração tributária exigir a diferença decorrente da diferença no reconhecimento de receitas (caixa X competência) refletida na DCTF? Entendo que a administração não pode exigir a diferença decorrente da divergência de regime de reconhecimento das receitas, para o caso em debate. Vale transcrever o artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158, de 2001: Art. 30. A partir de 1º de janeiro de 2000, as variações monetárias dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função da taxa de câmbio, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo do imposto de renda, da contribuição social sobre o lucro líquido, da contribuição para o PIS/PASEP e COFINS, bem assim da determinação do lucro da exploração, quando da liquidação da correspondente operação. (Grifei) A norma foi reproduzida também no art. 13 da IN SRF nº 247 de 2002, em vigência à época dos fatos: Art. 13. As variações monetárias ativas dos direitos de crédito e das obrigações do contribuinte, em função de taxa de câmbio ou de índices ou coeficientes aplicáveis por disposição legal ou contratual, são consideradas, para efeitos da incidência destas contribuições, como receitas financeiras. § 1º As variações monetárias em função da taxa de câmbio, a que se refere o caput, serão consideradas, para efeito de determinação da base de cálculo das contribuições, quando da liquidação da correspondente operação. § 2º À opção da pessoa jurídica, as variações monetárias de que trata o § 1º poderão ser consideradas, na determinação da base de cálculo das contribuições, segundo o regime de competência. (Grifei) Ora, se há permissivo legal expresso, no sentido de que as receitas podem ser reconhecidas no momento de sua percepção, quando da liquidação da correspondente operação, e tendo feito tal opção a pessoa jurídica, incorreria em equívoco a administração tributária exigir que a apuração das receitas na entrega da DCTF não seguisse o momento em que foram reconhecidas. De fato a regra geral é o regime da competência, mas se o legislador apresentou a opção do regime de caixa para a situação prevista na norma em análise, não há dúvidas de que as receitas deverão integrar a base de cálculo correspondente ao período em que foram efetivamente percebidas. Fl. 302DF CARF MF Processo nº 13811.003737/200766 Acórdão n.º 9101003.547 CSRFT1 Fl. 5 4 Se o dispositivo normativo que autoriza o regime de caixa tem como consequência a inclusão na base de cálculo das receitas no período de apuração "X", não há como se exigir que tais receitas, por conta do regime de competência, devessem estar incluídas no período de apuração "X+1". Vale transcrever excerto do voto proferido no Acórdão nº 1802 001.507 que tratou com precisão a questão: O ponto nodal da discórdia entre a autoridade fiscal e a Recorrente diz respeito ao momento em que as variações monetárias devem ser consideradas como integrantes da receita bruta para fins eleição do critério de apresentação da DCTF. De acordo com a autoridade fiscal devese respeitar o regime de competência, enquanto que na ótica da Recorrente, as pessoas jurídicas que se utilizaram da faculdade da apuração pelo regime de caixa previsto no artigo 30, parágrafo 1º da Medida Provisória n° 2.158/2001 devem seguir o regime de caixa. (...) O legislador ao permitir que o contribuinte optasse pelo regime de caixa ou competência para a apuração desses tributos criou um descasamento entre a escrituração contábil e fiscal, o que se estendeu, inclusive, para os contribuintes que se encontrassem na sistemática de apuração do lucro presumido. Para corroborar com esse entendimento, vejamos a citada IN SRF nº 104/98: Art. 1º A pessoa jurídica, optante pelo regime de tributação com base no lucro presumido, que adotar o critério de reconhecimento de suas receitas de venda de bens ou direitos ou de prestação de serviços com pagamento a prazo ou em parcelas na medida do recebimento e mantiver a escrituração do livro Caixa, deverá: I emitir a nota fiscal quando da entrega do bem ou direito ou da conclusão do serviço; II indicar, no livro Caixa, em registro individual, a nota fiscal a que corresponder cada recebimento. § 1° Na hipótese deste artigo, a pessoa jurídica que mantiver escrituração contábil, na forma da legislação comercial, deverá controlar os recebimentos de suas receitas em conta específica, na qual, em cada lançamento, será indicada a nota fiscal a que corresponder o recebimento. § 2° Os valores recebidos adiantadamente, por conta de venda de bens ou direitos ou da prestação de serviços, serão computados como receita do mês em que se der o faturamento, a entrega do bem ou do direito ou a conclusão dos serviços, o que primeiro ocorrer. Fl. 303DF CARF MF Processo nº 13811.003737/200766 Acórdão n.º 9101003.547 CSRFT1 Fl. 6 5 § 3° Na hipótese deste artigo, os valores recebidos, a qualquer título, do adquirente do bem ou direito ou do contratante dos serviços serão considerados como recebimento do preço ou de parte deste, até o seu limite. § 4° O cômputo da receita em período de apuração posterior ao do recebimento sujeitará a pessoa jurídica ao pagamento do imposto e das contribuições com o acréscimo de juros de mora e de multa, de mora ou de ofício, conforme o caso, calculados na forma da legislação vigente. Art. 2º O disposto neste artigo aplicase, também, à determinação das bases de cálculo da contribuição PIS/PASEP, da contribuição para a seguridade social COFINS, da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido e para os optantes pelo Sistema Integrado de Pagamento de Impostos e Contribuições das Microempresas e das Empresas de Pequeno Porte SIMPLES.” (Grifos meus). Em consulta a legislação vigente, inclusive interpretativa, não há em lugar algum esclarecimento quanto a esta matéria, o que pode gerar dupla interpretação por parte do contribuinte. Frisese mais uma vez que há clara separação entre as obrigações fiscais e acessórias, especialmente quando da emissão das notas fiscais que se dão em momento diferente daquele em que se registra a receita bruta contábil, por força da IN 104/98, art. 1º, § 1º, acima transcrito. Com efeito, nos casos em que o contribuinte elege o reconhecimento do regime de caixa, e não de competência, para a apuração da base de cálculo dos seus tributos, causando assim o descasamento com a legislação comercial, nada mais razoável que o efeito (reconhecimento) da receita bruta para fins de cumprimento das obrigações acessórias também seja considerado no momento do recebimento. (Grifos originais) Assim, há que haver uma convergência entre o regime de apuração previsto no artigo 30 da Medida Provisória n° 2.158, de 2001, e a informação prestada para fins de cumprimento de obrigação acessória, no caso, a entrega de DCTF. Tendo sido concretizada a opção pelo regime de caixa para o reconhecimento das receitas previstas na legislação, tal sistemática deve ser refletida na apuração informada na declaração. Fl. 304DF CARF MF Processo nº 13811.003737/200766 Acórdão n.º 9101003.547 CSRFT1 Fl. 7 6 Por todo o exposto, empregando a sistemática estabelecida nos §§ 1º a 3º do art. 47 do RICARF, e aplicando à presente lide as razões de decidir acima transcritas, conheço do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e, no mérito, negolhe provimento. (assinado digitalmente) Adriana Gomes Rêgo Fl. 305DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 11065.002467/2006-50
Turma: Primeira Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Mar 31 00:00:00 UTC 2011
Ementa: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES
Ano-calendário: 2002
EXCLUSÃO DO SIMPLES A RECEITA BRUTA ULTRAPASSA O LIMITE LEGAL. O EFEITO DA EXCLUSÃO DAR-SE-Á A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE ÀQUELE EM QUE FOR ULTRAPASSADO O LIMITE ESTABELECIDO
Numero da decisão: 1301-000.544
Decisão: Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatório e votos que integram o presente julgado.
Nome do relator: Paulo Jakson da Silva Lucas
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ementa_s : SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Ano-calendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES A RECEITA BRUTA ULTRAPASSA O LIMITE LEGAL. O EFEITO DA EXCLUSÃO DAR-SE-Á A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE ÀQUELE EM QUE FOR ULTRAPASSADO O LIMITE ESTABELECIDO
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O EFEITO DA EXCLUSÃO DARSEÁ A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE ÀQUELE EM QUE FOR ULTRAPASSADO O LIMITE ESTABELECIDO Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso, nos termos do relatorio e votos que integram o presente julgado. (assinado digitalmente) Alberto Pinto Souza Junior Presidente. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Alberto Pinto Souza Junior, Valmir Sandri, Waldir Veiga Rocha, Paulo Jakson da Silva Lucas, Guilherme Pollastri Gomes da Silva e André Ricardo Lemes da Silva. Fl. 109DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 2 Relatório Por bem descrever os fatos adoto o relatório do acórdão recorrido: Pelos registros constantes nos sistemas informatizados da Receita Federal do Brasil —RFB, o contribuinte optou pelo SIMPLES em 20/11/1997 e foi excluído a partir de 01/07/2002, fls. 45. O Despacho Decisório DRF/NHO/2006, de 28/08/2006, da então Delegacia da Receita Federal em Novo Hamburgo incluiu retroativamente a requerente no SIMPLES, a partir de 01/07/2002, excluindoa a partir de 01/01/2003, fl. 19. De outra parte, o Ato Declaratório Executivo DRF/NHO n° 76, de 25/08/2006, também excluiu a contribuinte do SIMPLES, a partir de 01/01/2003, pela ocorrência de excesso de receita bruta no ano calendário de 2002 (fl. 20). Ambas as manifestações daquela Delegacia embasaramse no Parecer DRF/NHO/SACAT n° 386/2006, de 25/08/2006 (fls. 17 e 18), o qual, em suma, argui: que no dia 19/02/2004 o contribuinte solicitou sua exclusão retroativa no SIMPLES, a partir de 01/07/2002, através de FCPJ, sob os motivos de exercício de atividade econômica vedada (código do evento 306) e participação no capital de outra pessoa jurídica (código do evento 309), fls. 03 e 04; que o contribuinte foi indevidamente excluído do SIMPLES, retroativamente a 01/07/2002, sob a alegação de exercer atividade vedada e participação no capital de outra pessoa jurídica. Conclui que o mesmo não exercia atividade vedada, bem como não participava do capital social de outra sociedade não incorrendo, desta forma, nas vedações elencadas no art. 9o. da Lei n° 9.317/1996; que no ano calendário de 2002, o contribuinte realizou receita bruta superior à permitida e que, de acordo com o art. 15, inciso IV, da supracitada lei, a exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do ano calendário subsequente àquele em que foi ultrapassado o limite legal. Por esta razão a requerente somente deveria ser excluída do sistema simplificado a partir de 01/01/2003, mantendo seu enquadramento durante todo o ano calendário de 2002; em conclusão, sugere a inclusão retroativa do contribuinte no SIMPLES a partir de 01/07/2002, bem como sua exclusão já a partir de 01/01/2003. O contribuinte foi cientificado das decisões prolatadas pela DRF/NHO em 30/08/2006 (fl. 19). Inconformada, a impugnante interpõe Manifestação de Inconformidade em 27/09/2006 (fls. 24 a 27), através da qual esgrime, em suma, os seguintes argumentos: que a empresa efetuou, em data de 19/02/2004, através de FCPJ, exclusão retroativa do SIMPLES, a partir de 01/07/2002, cuja motivação foi o exercício de atividade vedada (código 306) e por participação no capital de outra pessoa jurídica (código 309); que os sistemas informatizados da RFB aceitaram a exclusão retroativa da empresa desde 01/07/2002 e por isto a mesma passou a recolher seus tributos pelo Lucro Real e não mais pelo SIMPLES, eis que considerou que não mais estava incluída nesta sistemática; Fl. 110DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.002467/200650 Acórdão n.º 1301000.544 S1C3T1 Fl. 2 3 que insurgese com a sua exclusão retroativa a partir de 01/01/2003, vez que ocorreu o acolhimento de sua exclusão retroativa, via sistemas da RFB, em data de 01/07/2002, e que, a imperar a decisão ora atacada, seus prejuízos serão de grande monta; que se houvesse alguma irregularidade quanto a sua exclusão a partir de 01/07/2002, o sistema da RFB não teria recebido, acolhido e processado tal pedido; esta aceitação induziu a empresa a proceder a seus recolhimentos por uma sistemática que, anos depois não é aceita; para finalizar, requer a declaração de nulidade do Parecer DRF/NHO/SACAT n° 386/2006, repisando seu pedido de exclusão do SIMPLES retroativamente a 01/07/2002, conforme acolhido pelos sistemas informatizados da RFB. A autoridade julgadora de primeira instância decidiu a questão por meio do acórdão AC/DRJ/POÁ 1019.996, de 23/06/2009, (fls. 50), julgando improcedente a manifestação de inconformidade apresentada, tendo sido lavrada a seguinte ementa: ASSUNTO: SISTEMA INTEGRADO DE PAGAMENTO DE IMPOSTOS E CONTRIBUIÇÕES DAS MICROEMPRESAS E DAS EMPRESAS DE PEQUENO PORTE SIMPLES Anocalendário: 2002 EXCLUSÃO DO SIMPLES A RECEITA BRUTA ULTRAPASSA O LIMITE LEGAL. O EFEITO DA EXCLUSÃO DARSEÁ A PARTIR DO ANO CALENDÁRIO SUBSEQUENTE ÀQUELE EM QUE FOR ULTRAPASSADO O LIMITE ESTABELECIDO É o relatório. Passo ao voto. Fl. 111DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 4 Voto Conselheiro Paulo Jakson da Silva Lucas O recurso voluntário é tempestivo e assente em lei. Dele conheço. A peça recursal ratifica as alegações descritas na inicial e relatório, e conclui que a 6a Turma da DRJ/P0A, em análise superficial feita dos documentos votou por unanimidade pela manutenção do Despacho Decisório, sem sequer analisar a questão da atividade vedada como deveria ter sido, à luz dos documentos constantes dos autos. Aduz que, caso seus contratos sociais tivessem sido adequadamente verificados, teriam constatado que desde o início de suas atividades exercia atividade vedada, relativamente a "representações". Alega que os contratos juntados aos autos: o de fundação (fls. 06), datado de 10/11/1997, traz em sua cláusula segunda, dentre os seus objetivos sociais, o de "representações." Foi por isso que no formulário de exclusão protocolizado em 19/02/2004 (fls. 03) colocou como motivo: "306 Exclusão do SIMPLES por exercício de atividade econômica vedada" nos termos do art. 9o. da Lei 9.317/96: Prossegue em suas alegações recursais, “Por oportuno, relembrar que é falsa a afirmação do Parecer DRF/NHO/SACAT NR. 386/2006 de que a atividade da empresa era a fabricação e comercialização de calçados, pois no início do ano de 2002 uma das atividades da empresa era a de representação”. Finaliza, reiterando o pedido formulado à DRJ de declaração de nulidade do Parecer DRF/NHO/SACAT NR. 386/2006 e do Ato Declaratório Executivo 76/2006, mantendose a exclusão do contribuinte do SIMPLES a partir de 01/07/2002 ou, alternativamente, a 01/01/2002. Vêse, portanto, que a lide gira em torno dos motivo da exclusão (se atividade impeditiva ou excesso de receita bruta) e, a data que surtirão os efeitos. Compulsando os autos, em especial o contrato constitutivo da empresa (início de atividades em 17/11/1997, fls.06); primeira alteração contratual em 08/02/2002 e sua consolidação datado de 20/05/2002, juntados às fls. 10 a 17, com relação aos objetivos sociais da empresa, constatase o seguinte: Contrato Constitutivo com vigência até 07/02/2002, traz expressamente em sua Cláusula SEGUNDA: “DOS OBJETIVOS SOCIAIS A sociedade terá por Objetivos Sociais o Ramo de Comércio Varejista de Auto Peças, Ferragens, Acessórios para Veículos Automotores em geral e Representações” Alteração contratual em 08/02/2002 e Consolidação em 20/05/2002: “Dos Objetivos Sociais A sociedade terá por objetivos sociais o ramo de Fabricação, Comercialização e Exportação de Calçados de Couro e outros materiais, seus componentes e Importação de componentes para calçados e similares.” Forçoso concluir, com base na análise dos documentos e da pesquisa cadastral realizada (docs. de fls. 04 e 16), em que pese a recorrente, em 19/02/2004, através do Fl. 112DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR Processo nº 11065.002467/200650 Acórdão n.º 1301000.544 S1C3T1 Fl. 3 5 FCPJ ter solicitado sua exclusão retroativa do SIMPLES com efeitos a partir de 01/07/2002, e a princípio tal documento ter sido processado nos termos como solicitado, fica evidenciado que as informações prestadas de que a empresa exercia atividade econômica vedada (ano calendário de 2002) e o sócio ter participação no capital de outra pessoa jurídica, não retratam a realidade dos fatos, pelo que acompanho em seu inteiro teor as argumentações do Parecer DRF/NHO/Sacat 386, de 2006, a seguir transcrito: “No dia 19/02/2004, o contribuinte acima identificado efetuou a exclusão retroativa no SIMPLES a partir de 01/07/2002 por meio da FCPJ, por exercício de atividade econômica vedada (cód. do evento 306) e por participação no capital de outra pessoa jurídica (cód. do evento 309) (fls. 03 a 04). Consta do contrato social como objetivos sociais da empresa (consolidação contratual de 20/05/2002, fls. 14 a 17) "fabricação, comercialização e exportação de calçados de couro e de outros materiais, seus componentes e importação de componentes para calçados de couro e de outros materiais e similares". O contribuinte também nunca fez parte do quadro societário de outra empresa (fl. 16). Com base nas disposições acima transcritas, concluo que o contribuinte foi indevidamente excluído retroativamente do SIMPLES a partir de 01/07/2002, por atividade econômica vedada e participação no capital de outra pessoa jurídica. O contribuinte não exercia atividade econômica vedada e não participava do capital de outra pessoa jurídica, não incorrendo em qualquer das situações excludentes constantes do art.9° da Lei n° 9.317/1996. Em 2002 o contribuinte ultrapassou o limite da receita bruta. De acordo com o art. 15, inciso IV, da Lei n° 9.317/1996, a exclusão do SIMPLES surtirá efeito a partir do anocalendário subseqüente àquele em que for ultrapassado o limite estabelecido para a receita bruta. A interessada somente deveria ter sido excluída retroativamente do SIMPLES a partir de 01/01/2003. Assim durante todo ano calendário de 2002 o contribuinte era optante do SIMPLES. Diante do exposto opino pela inclusão retroativa do contribuinte no SIMPLES a partir de 01/07/2002 e sua exclusão a partir de 01/01/2003, mediante ato declaratório de acordo com o art. 15, § 30 da Lei n° 9.317/1996.” Por todo o exposto e do que consta nos autos do presente processo, acompanho a decisão do julgamento em primeira instância e, voto por negar provimento ao recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Paulo Jakson da Silva Lucas Relator Fl. 113DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR 6 Fl. 114DF CARF MF Emitido em 15/09/2011 pelo Ministério da Fazenda Autenticado digitalmente em 07/06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 07/ 06/2011 por PAULO JAKSON DA SILVA LUCAS, Assinado digitalmente em 13/06/2011 por ALBERTO PINTO SOUZA JUNIOR
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Numero do processo: 13748.001672/2008-14
Turma: Segunda Turma Ordinária da Terceira Câmara da Primeira Seção
Câmara: Terceira Câmara
Seção: Primeira Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 27 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Processo Administrativo Fiscal
Ano-calendário: 2004
EMBARGOS. OMISSÃO.
Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõe-se a análise da matéria com vistas a sanar a omissão.
RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO.
Não se conhece de recurso voluntário interposto depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972.
Numero da decisão: 1302-002.966
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a omissão apontada e modificar as conclusões do acórdão embargado, para não conhecer do recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator.
(assinado digitalmente)
Luiz Tadeu Matosinho Machado - Presidente e Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado.
Nome do relator: Luiz Tadeu Matosinho Machado
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ementa_s : Assunto: Processo Administrativo Fiscal Ano-calendário: 2004 EMBARGOS. OMISSÃO. Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõe-se a análise da matéria com vistas a sanar a omissão. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972.
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TEMPESTIVIDADE DE RECURSO Embargante CONSELHEIRO DA 2ª TURMA ORDINÁRIA DA TERCEIRA CÂMARA DA PRIMEIRA SEÇÃO DO CARF Interessado PETRO ITA TRANSPORTES COLETIVOS DE PASSAGEIROS LTDA ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Anocalendário: 2004 EMBARGOS. OMISSÃO. Configurada a omissão no julgado sobre ponto que a turma deveria se pronunciar, impõese a análise da matéria com vistas a sanar a omissão. RECURSO VOLUNTÁRIO. INTEMPESTIVIDADE. NÃO CONHECIMENTO. Não se conhece de recurso voluntário interposto depois de esgotado o prazo de 30 (trinta) dias contados da ciência da decisão de primeira instância, previsto no art. 33 do Decreto nº 70.235/1972. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, acolher os embargos para sanar a omissão apontada e modificar as conclusões do acórdão embargado, para não conhecer do recurso voluntário interposto, nos termos do relatório e voto do relator. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Presidente e Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros Carlos César Candal Moreira Filho, Marcos Antonio Nepomuceno Feitosa, Paulo Henrique Silva Figueiredo, Rogério Aparecido Gil, Maria Lucia Miceli, Gustavo Guimarães da Fonseca, Flávio Machado Vilhena Dias e Luiz Tadeu Matosinho Machado. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 13 74 8. 00 16 72 /2 00 8- 14 Fl. 117DF CARF MF Processo nº 13748.001672/200814 Acórdão n.º 1302002.966 S1C3T2 Fl. 118 2 Relatório Tratase de embargos de declaração opostos pelo conselheiro presidente da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara da 1ª Seção do CARF, em face do acórdão nº 1302002.751, pelo colegiado da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara desta 1ª Seção do CARF que, por unanimidade de votos, acordou em negar provimento ao recurso voluntário, nos termos do relatório e voto do relator. Nos embargos opostos sustentouse, verbis: O julgamento deste processo seguiu a sistemática dos recursos repetitivos, regulamentada pelo art. 47, §§ 1º, 2º e 3º, do Anexo II, do RICARF, aprovado pela Portaria MF 343, de 09 de junho de 2015, aplicandose o quanto foi decidido no Acórdão nº 1302002.745, de 12/04/2018, proferido no julgamento do Processo nº 13748.001501/200887, paradigma ao qual restou vinculado. Ocorre que por ocasião do julgamento, o colegiado da 2ª Turma Ordinária da 3ª Câmara 1ª Seção do CARF, em face da própria sistemática de julgamento adotada, o colegiado deixou de examinar e se pronunciar sobre a tempestividade do recurso voluntário interposto neste processo, impondose que seja suprida a referida omissão. Ante ao exposto, tendo formalizado e assinado o referido acórdão, na condição de presidente e relator, em 02 de junho de 2018, com base no art. 65, §1º, inc. I do Anexo II do Ricarf, venho pelo presente opor os competentes embargos de declaração para que sejam devidamente admitidos e processados com vistas a sanar a omissão apontada. Como os embargos foram apresentados pelo presidente do colegiado embargado, consideramse automaticamente admitidos. É o relatório. Fl. 118DF CARF MF Processo nº 13748.001672/200814 Acórdão n.º 1302002.966 S1C3T2 Fl. 119 3 Voto Conselheiro Luiz Tadeu Matosinho Machado Relator Os embargos foram opostos tempestivamente e atendem aos pressupostos regimentais. Assim, devem ser conhecidos. A omissão apontada nos embargos, consiste na apreciação da tempestividade do recurso voluntário interposto pelo sujeito passivo que, em face da sistemática de julgamento dos processos repetitivos, prevista no art. 47,§§ 1º, 2º e 3º do Anexo II do Ricarf, adotada para o presente processo, deixou de ser examinada. Assim, cumpre sanar a omissão. No caso concreto, a contribuinte foi cientificada do acórdão de primeiro grau em 30/04/2010 (AR, fls. 102) e interpôs recurso voluntário em 02/06/2018 (fls. 103). Verificase, à luz da legislação processual administrativa tributária e com base nos elementos dos autos acima citados, que o recurso é intempestivo. Com efeito, o art. 23 do Decreto nº 70.235/1972 preceitua que a intimação, pode ser feita por via postal com prova de recebimento no domicílio tributário eleito pelo sujeito passivo, considerandose feita na data do recebimento ou, se omitida, quinze dias após a data da expedição da intimação. Já o prazo para interposição do recurso voluntário é de 30 dias contados da ciência, nos termos do artigo 33 do Decreto nº 70.235/72. O art. 5° do Decreto n° 70.235/72, dispõe ainda que os prazos serão contínuos, excluindose na sua contagem o dia do início e incluindose o do vencimento e que estes só se iniciam ou vencem no dia de expediente normal no órgão em que corra o processo ou deva ser praticado o ato. No presente caso, o contribuinte teve ciência do acórdão recorrido em 30/04/2010 (sextafeira) e o recurso voluntário foi interposto em 02/06/2010 (quintafeira). Deste modo, o prazo legal para a interposição do recurso voluntário expirou no dia 01/06/2010 (quartafeira). Assim, o recurso voluntário, não pode ser conhecido, por ser intempestivo. Ante ao exposto, voto no sentido de acolher os embargos para sanar a omissão apontada e modificar as conclusões do acórdão embargado, para não conhecer do recurso voluntário interposto. (assinado digitalmente) Luiz Tadeu Matosinho Machado Fl. 119DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10730.726847/2011-98
Turma: Segunda Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jul 26 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Wed Aug 15 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO DE DESPESAS MÉDICAS.
Não basta apenas apresentação de recibos médicos, existe a necessidade de comprovação do pagamento.
Numero da decisão: 2002-000.246
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
(assinado digitalmente)
Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez - Presidente.
(assinado digitalmente)
Virgílio Cansino Gil - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo.
Nome do relator: VIRGILIO CANSINO GIL
1.0 = *:*
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Não basta apenas apresentação de recibos médicos, existe a necessidade de comprovação do pagamento. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao Recurso Voluntário. Votaram pelas conclusões as conselheiras Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. (assinado digitalmente) Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez Presidente. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Claudia Cristina Noira Passos da Costa Develly Montez (Presidente), Virgílio Cansino Gil, Thiago Duca Amoni e Fábia Marcília Ferreira Campêlo. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 73 0. 72 68 47 /2 01 1- 98 Fl. 42DF CARF MF Processo nº 10730.726847/201198 Acórdão n.º 2002000.246 S2C0T2 Fl. 3 2 Tratase de Recurso Voluntário (fls.38/39) contra decisão de primeira instância (fls.30/35), que julgou improcedente a impugnação do sujeito passivo. Em razão da riqueza de detalhes, adoto o relatório da DRJ, que assim diz: Tratase de Notificação de Lançamento emitida contra a contribuinte acima identificada, às fls. 05/10, para cobrança do Imposto de Renda Pessoa Física Exercício 2009, anocalendário 2008, no montante de R$ 6.036,08, já acrescido de multa de ofício e juros de mora, calculados de acordo com a legislação de regência até 31/10/2011. A autuação decorreu de procedimento de revisão de sua Declaração de Ajuste Anual Exercício 2009, anocalendário 2008, tendo sido apurada a infração Dedução indevida de despesas médicas, no valor R$ 11.000,00, glosada por falta de comprovação. A contribuinte impugnou o lançamento em 19/12/2011, alegando em síntese: requer a total improcedência da autuação em tela, porque a DIRPF foi apresentada na época certa, observando precisamente os parâmetros legais de deduções, sendo inadmissível a autuação aplicada. foi autuada em face de suposta irregularidade na apresentação de sua Declaração de Imposto de Renda do exercício 2009 ano calendário 2008, mais precisamente quanto aos endereços nos recibos acostados visando as devidas deduções no código 2904. a auditoria fiscal questiona a ausência de endereços dos emitentes nos recibos, ou seja, a localização da prestação dos serviços, tendo como fundamento os pressupostos contidos nos artigos 788, 835 a 839, 841, 844, 871 e 992 do Decreto n° 3.000/1999, tornando, porém, motivo de glosa dos respectivos valores vinculados a declaração de renda da recorrente, como descrição dos fatos para o enquadramento legal no art. 80, do item III, RIR/1999. pede a reconsideração de análise dos demonstrativos de apuração do imposto a título de glosa, da multa e juros aplicados sobre o valor principal apurado e suspensão das autuações, com o processamento da Declaração e regularização da situação cadastral da contribuinte. A contribuinte juntou os recibos, às fls. 11/16. O resumo da decisão revisanda está condensado na seguinte ementa do julgamento: DEDUÇÕES. DESPESAS MÉDICAS. COMPROVAÇÃO. PAGAMENTOS. SERVIÇOS PRESTADOS. ESPECIFICAÇÃO. Devem ser acolhidas, a título de dedução do IRPF, as despesas médicas comprovadas por meio dos pagamentos realizados e da especificação dos serviços prestados. Fl. 43DF CARF MF Processo nº 10730.726847/201198 Acórdão n.º 2002000.246 S2C0T2 Fl. 4 3 Inconformada, a contribuinte apresentou Recurso Voluntário, reiterando as alegações da impugnação. É o relatório. Passo ao voto. Voto Conselheiro Virgílio Cansino Gil Relator Recurso Voluntário aviado a modo e tempo, portanto dele conheço. A contribuinte foi notificada em 18/10/2016 (fl.37); Recurso Voluntário protocolado em 17/11/2016 (fl.38), assinado pela própria contribuinte. Em sua peça de resistência, a recorrente aduz em defesa que regularizou tempestivamente a irregularidade das informações prestadas na sua declaração de renda, trazendo aos autos recibos substitutivos de acordo com a regra regulamentadora. A recorrente foi intimada (fl.29) a juntar os seguintes documentos: Comprovantes de Dependência: certidão de casamento (cônjuge), prova de coabitação (companheiro), certidão de nascimento (filhos), termo de guarda judicial (irmão, neto ou bisneto) e/ou prova de incapacidade física ou mental para o trabalho, certidão de tutela ou curatela (pessoa absolutamente incapaz). Comprovante de despesas com instrução Comprovantes originais e cópias de despesas médicas, bem como do seu efetivo pagamento (cópias de cheques, extratos bancários ou de cartões de crédito). (grifo nosso) Comprovantes originais e cópias de despesas médicas com planos de saúde com valores discriminados por beneficiários (titular e dependente). A recorrente não demonstrou, o efetivo pagamento das despesas médicas, que poderia ser feito com uma mera Declaração do profissional que prestou o serviço ou na forma de cópia de cheques, etc. Assim sendo, a r. decisão revisanda, não carece de reparos. Isto posto, e pelo que mais consta dos autos, conheço do Recurso Voluntário, e no mérito, negase provimento. É como voto. (assinado digitalmente) Virgílio Cansino Gil Fl. 44DF CARF MF Processo nº 10730.726847/201198 Acórdão n.º 2002000.246 S2C0T2 Fl. 5 4 Fl. 45DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10935.900667/2008-82
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Terceira Seção
Seção: Terceira Seção De Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 11 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Mon Aug 06 00:00:00 UTC 2018
Numero da decisão: 3001-000.095
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada.
(assinado digitalmente)
Orlando Rutigliani Berri - Presidente
(assinado digitalmente)
Renato Vieira de Avila - Relator
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante.
Nome do relator: RENATO VIEIRA DE AVILA
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Resolvem os membros do colegiado, por unanimidade de votos, converter o julgamento do recurso em diligência à Unidade de Origem, para que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente, a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. (assinado digitalmente) Orlando Rutigliani Berri Presidente (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Relator Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Orlando Rutigliani Berri, Cleber Magalhães, Renato Vieira de Avila e Francisco Martins Cavalcante. Despacho Decisório Tratase de pedido de compensação declarada, na qual, o crédito analisado foi considerado insuficiente, em razão de ter sido utilizado para extinguir débito devidamente constituído. Na sequencia, o mencionado despacho houve por bem homologar apenas parcialmente a compensação. RE SO LU ÇÃ O G ER A D A N O P G D -C A RF P RO CE SS O 1 09 35 .9 00 66 7/ 20 08 -8 2 Fl. 74DF CARF MF Processo nº 10935.900667/200882 Resolução nº 3001000.095 S3C0T1 Fl. 74 2 Manifestação de Inconformidade Diante do indeferimento de seu pedido de compensação, a recorrente busca apontar o motivo da existência de seu crédito. Pagamentos efetuados em atraso mas de forma espontânea A explicação para a existência do crédito posto em compensação, seria o pagamento realizado com a inclusão de valores, a título de multa, conforme demonstrado no DARF em questão. Tal pagamento ocorreu anterior a quaisquer atos de fiscalização por parte da autoridade fazendária, e acompanhado do devido pagamento de juros. Desta feita, estaria albergado pelo comando do artigo 138 do CTN. Em sua defesa, portanto, a recorrente alegou ter havido pagamento indevido, justamente pelo fato de ter recolhido valores de multa em pagamento espontâneo. Diante disto, teria o suposto crédito, com o qual pretende compensar débitos normalmente constituídos. Traz à tona, jurisprudência, inclusive do CARF e STJ. Ainda, evidencia dois requisitos para a obtenção do benefício, quais sejam, a confissão e o pagamento. Nega, por fim, a diferenciação entre multas punitivas e moratória. DRJ/CTA A manifestação de inconformidade foi assim ementada: Acórdão n.º 0629.762 3.ª Turma da DRJ/CTA ASSUNTO: NORMAS GERAIS DE DIREITO TRIBUTÁRIO Período de apuração: 01/07/2002 a 31/07/2002 MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPDNTÁNEA. O benefício da denúncia espontânea não se aplica aos tributos sujeitos a lançamento por homologação regularmente declarados, mas pagos a destempo. 4 COMPENSAÇÃO. CRÉDITO INEXISTENTE. DCOMP. HOMOLOGAÇAO PARCIAL. Comprovado nos autos que o crédito informado como suporte para a compensação foi parcialmente utilizado pela contribuinte na extinção de outros débitos, homologamse as compensações requeridas até o limite do crédito reconhecido. Em seu trecho de voto, destaca o fundamento de seu raciocínio, no sentido de atribuir, como leitura mais atenta do artigo 138 do CTN, um sentido não tão extensivo como pretende a contribuinte em sua defesa. Por isso, recorre à distinção entre penalidade de cunho punitivo, e a penalidade de cunho compensatório. Fl. 75DF CARF MF Processo nº 10935.900667/200882 Resolução nº 3001000.095 S3C0T1 Fl. 75 3 admitir a literal aplicação do art. 138 do CTN no caso ora em exame equivaleria a admitir uma moratória geral e indiscriminada. Além do que, adotar uma interpretação extensiva de seus efeitos, no sentido de excluir a penalidade moratória, seria contrariar toda a legislação tributária (...) o fato de a contribuinte antecipálo e mesmo declarálo não a exonera do recolhimento dos acréscimos moratórios previstos na legislação de regência, quando esse pagamento ocorrer intempestivamente, como no presente caso (o crédito mencionado no Per/Dcomp referese à multa incidente sobre tributo recolhido a destempo).. (...) podese inferir que não caracteriza espontaneidade qualquer iniciativa do sujeito passivo, contribuinte ou responsável, diferente do seu comparecimento ao órgão arrecadador para recolher 0 tributo, mediante o documento próprio, na forma das instruçoes da Receita Federal, com os acréscimos moratórios de que tratam a legislação de regência. Nesse contexto, não existe qualquer possibilidade legal de realizar a exclusão da aplicação da multa de mora de tributo recolhido em atraso, não sendo possível, portanto, reconhecer a existência de crédito, relativamente à multa de mora, do pagamento que foi indicado no Per/Dcomp Recurso Voluntário Em sua peça recursal a contribuinte, além de expor seus argumentos para legitimar a compensação levada a cabo, requereu o apensamento de 07 processos em razão de haver matéria conexa. Neste sentido, é no artigo 47 do RICARF que sustentou sua pretensão. Recurso Voluntário Após refazer breve histórico sobre os fatos ocorridos, adentrou o mérito repisando os argumentos apresentados em sua manifestação de inconformidade. Em resumo, trata a recorrente de alegar que houve pagamento a maior em razão de ter havido a inclusão de multa de mora em pagamento efetivado em sede de espontaneidade. Iresignouse em face do argumento jurídico esposado no acórdão vergastado, no sentido de impelir o raciocínio no qual a denúncia espontânea não se aplica em caso de multa de mora. Segrega os conceitos de multa de mora e multa de ofício, ressaltando que a exceção à denúncia espontânea cingese aos juros de mora. requer a correção do créditos advindos do pagamento indevido, pelos índices de Juros Selic. É o relatório. Voto Conselheiro Renato Vieira de Avila Relator O presente recurso voluntário insurgese em face da não homologação da compensação. Em sua defesa, trouxe o argumento da ocorrência de pagamento a maior, em função do recolhimento de valores a título de multa, em pagamento realizado de forma espontânea. Argumentos de Defesa no Recurso Voluntário Fl. 76DF CARF MF Processo nº 10935.900667/200882 Resolução nº 3001000.095 S3C0T1 Fl. 76 4 Em breve síntese, foram apresentados, em sede de recurso, os seguintes argumentos: denúncia espontânea e a correção do suposto crédito pela Selic. Fundamento Legal A discussão gira em torno da possibilidade de ser considerado como apto à incidência das normas previstas no artigo 138 do CTN, ou seja, o instituto da denúncia espontânea, ao fatos descritos no presente caso. Para tanto, neste item serão apontados os fundamentos legais invocados na presente decisão. Artigo 138 do CTN Art. 138. A responsabilidade é excluída pela denúncia espontânea da infração, acompanhada, se for o caso, do pagamento do tributo devido e dos juros de mora, ou do depósito da importância arbitrada pela autoridade administrativa, quando o montante do tributo dependa de apuração. Parágrafo único. Não se considera espontânea a denúncia apresentada após o início de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização, relacionados com a infração Tal preceito legal foi objeto de julgamento em sede de Recurso Especial, sob n.º 1.149.022/SP, realizado sob o regime de recurso repetitivo, em conformidade com o artigo 543C do CPC/1973, o qual se transcreve abaixo, a fim de, posteriormente, ser analisado e confrontado com o presente julgamento. PROCESSUAL CIVIL. RECURSO ESPECIAL REPRESENTATIVO DE CONTROVÉRSIA. ARTIGO 543C, DO CPC. TRIBUTÁRIO. IRPJ E CSLL. TRIBUTOS SUJEITOS A LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. DECLARAÇÃO PARCIAL DE DÉBITO TRIBUTÁRIO ACOMPANHADO DO PAGAMENTO INTEGRAL. POSTERIOR RETIFICAÇÃO DA DIFERENÇA A MAIOR COM A RESPECTIVA QUITAÇÃO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. EXCLUSÃO DA MULTA MORATÓRIA. CABIMENTO. 1. A denúncia espontânea resta configurada na hipótese em que o contribuinte, após efetuar a declaração parcial do débito tributário (sujeito a lançamento por homologação) acompanhado do respectivo pagamento integral, retifica a (antes de qualquer procedimento da Administração Tributária), noticiando a existência de diferença a maior, cuja quitação se dá concomitantemente 2. Deveras, a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ) (Precedentes da Primeira Seção submetidos ao rito do artigo 543C, do CPC: REsp 886.462/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008; e REsp 962.379/RS, Rel. Ministro Teori Albino Zavascki, julgado em 22.10.2008, DJe 28.10.2008). 3. É que "a declaração do contribuinte elide a necessidade da constituição formal do crédito, podendo este ser imediatamente inscrito em dívida ativa, tornandose exigível, independentemente de qualquer Fl. 77DF CARF MF Processo nº 10935.900667/200882 Resolução nº 3001000.095 S3C0T1 Fl. 77 5 procedimento administrativo ou de notificação ao contribuinte" (REsp 850.423/SP, Rel. Ministro Castro Meira, Primeira Seção, julgado em 28.11.2007, DJ 07.02.2008) 4. Destarte, quando o contribuinte procede à retificação do valor declarado a menor (integralmente recolhido), elide a necessidade de o Fisco constituir o crédito tributário atinente à parte não declarada (e quitada à época da retificação), razão pela qual aplicável o benefício previsto no artigo 138, do CTN. 5. In casu, consoante consta da decisão que admitiu o recurso especial na origem (fls. 127/138): "No caso dos autos, a impetrante em 1996 apurou diferenças de recolhimento do Imposto de Renda Pessoa Jurídica e Contribuição Social sobre o Lucro, anobase 1995 e prontamente recolheu esse montante devido, sendo que agora, pretende ver reconhecida a denúncia espontânea em razão do recolhimento do tributo em atraso, antes da ocorrência de qualquer procedimento fiscalizatório. Assim, não houve a declaração prévia e pagamento em atraso, mas uma verdadeira confissão de dívida e pagamento integral, de forma que resta configurada a denúncia espontânea, nos termos do disposto no artigo 138, do Código Tributário Nacional." 6. Conseqüentemente, merece reforma o acórdão regional, tendo em vista a configuração da denúncia espontânea na hipótese sub examine. 7. Outrossim, forçoso consignar que a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte. 8. Recurso especial provido. Acórdão submetido ao regime do artigo 543C, do CPC, e da Resolução STJ 08/2008. (STJ; Resp 1.149.022; Relator: Ministro Luiz Fux; Data do julgamento: 09.06.2010) Em decorrência do mandamento previsto no artigo 543C do CPC, submetese, necessariamente, à prescrição exposta no RICARF/15, mais especificamente nos termos do §2º, do art. 62. Art. 62. Fica vedado aos membros das turmas de julgamento do CARF afastar a aplicação ou deixar de observar tratado, acordo internacional, lei ou decreto, sob fundamento de inconstitucionalidade. § 2º As decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática dos arts. 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 1973, ou dos arts. 1.036 a 1.041 da Lei nº 13.105, de 2015 Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. Tal entendimento, no qual os conselheiros deste CARF estão submetidos ao precedente exposto, está devidamente assentado pela Câmara Superior, conforme se denota de trechos da ementa trazida aos autos: Fl. 78DF CARF MF Processo nº 10935.900667/200882 Resolução nº 3001000.095 S3C0T1 Fl. 78 6 Acórdão 9303006.588 ASSUNTO: PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL Período de apuração: 01/05/2001 a 31/05/2001 SUPERIOR TRIBUNAL DE JUSTIÇA. DECISÃO EM REGIME DE RECURSOS REPETITIVOS. CONSELHEIROS DO CARF. OBSERVAÇÃO. OBRIGATORIEDADE As decisões proferidas pelo Superior Tribunal de Justiça STJ em regime de recursos repetitivos deverão ser reproduzidas no julgamento do recurso apresentado pelo contribuinte, por força do disposto no artigo 62, § 2º, do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais Portaria 343/2015 e alterações. Fundamental, ao deslinde da questão, trazer aos autos a IN 126/1998. que regulamenta a entrega da DCTF IN 126/98 Art. 2o A partir do anocalendário de 1999, as pessoas jurídicas, inclusive as equiparadas, deverão apresentar, trimestralmente, a DCTF, de forma centralizada, pela matriz. § 1o Para efeito do disposto nesta Instrução Normativa, serão considerados os trimestres encerrados, respectivamente, em 31 de março, 30 de junho, 30 de setembro e 31 de dezembro de cada ano calendário. § 2o A DCTF deverá ser entregue na unidade da Secretaria da Receita Federal SRF da jurisdição fiscal da pessoa jurídica, até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores. DOS FATOS Neste ínterim resta esclarecer que, cingese o caso presente na discussão a respeito da ocorrência, ou não, dos eventos fáticos que disparam a incidência das normas reguladoras do instituto da Denúncia Espontânea. Para tanto, necessário esclarecer e evidenciar determinados fatos essenciais para o deslinde da questão posta. Foi apresentado, pela recorrente, DARF, datado de 02 de outubro de 2002, correspondente a pagamento tardio, correspondente à apuração de julho de 2002, extrapolando, portanto, o seu regular prazo de vencimento. Comentários sobre a DCTF Em conformidade com a IN 126/98, regulamentando a entrega da DCTF à época, notase pela leitura de seu artigo 2.º, que o envio ocorria trimestralmente, e, para fins da citada IN 126/98, o artigo mencionado considera o trimestre encerrado em 30 de setembro. Ainda, na leitura do regramento de entrega da DCTF, temse que o prazo limite para seu envio é "até o último dia útil da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre de ocorrência dos fatos geradores". Tendo o fato gerador ocorridos em julho de 2002, pertencente, portanto, ao terceiro trimestre, o prazo para entrega da DCTF fluiria a partir do encerramento deste terceiro trimestre, ou seja, 30 de setembro de 2002. Sendo o último dia útil Fl. 79DF CARF MF Processo nº 10935.900667/200882 Resolução nº 3001000.095 S3C0T1 Fl. 79 7 da primeira quinzena do segundo mês subseqüente ao trimestre, conforme previsão legal, encerrouse a data para envio em 14 de novembro de 2002. temse nos autos, a respeito da DCTF compentente, apenas tabela referenciando sua data de entrega, em sede de Manifestação de Inconformidade. Conforme se verá adiante, tal documente é imprescindível ao desfecho do julgamento, mormente frente aos requisitos trazidos em sede de recurso repetitivo. Desta forma, uma vez apresentados os fundamentos legais invocados, qual seja, o artigo 138 do CTN, cujo teor prescreve as regras para a aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, e, também, brevemente expostos os motivos pela vinculação da interpretação do caso concreto, em razão do regime de recursos repetitivos previstos no CPC e respeitados pelo RICARF, iniciase a análise de mérito, não sem antes, expor a segmentação do raciocínio jurídico empreendido na leitura conjunta do artigo 138 e da decisão prolatada pelo STJ. MÉRITO O tema devolvido ao colegiado para análise e decisão, envolve a aplicação do instituto da denúncia espontânea, prevista no já transcrito artigo 138 do CTN, com a disciplina dada pelo REsp 1.149.022/SP, sob o regime repetitivo previsto no artigo 543C do CPC cumulado com o artigo 62, parágrafo segundo do RICARF. Neste sentido, mister fixar algumas premissas para o raciocínio. Inicialmente, tratase de tributo sujeito a lançamento por homologação, ou seja, no qual, dentre outras particularidades, o contribuinte tem o dever de antecipar informações à autoridade fazendária. Esta antecipação, se faz por meio das obrigações acessórias previstas legalmente no CTN, em artigos 112 e 113. Denúncia espontânea e lançamento por homologação O papel da DCTF A DCTF, prevista na IN 126/1998, é o veículo que introduz as normas individualizadas e concretas no ordenamento jurídico inclusive a respeito do pagamento do presente caso. Neste sentido, a decisão do STJ fixou como requisito para a ocorrência da denúncia espontânea, não haver tributo declarado pelo contribuinte. Em conformidade com tal orientação, transcrevese a ementa prolatada pela CSRF em maio de 2018: Acórdão 9303006.588 LANÇAMENTO POR HOMOLOGAÇÃO. TRIBUTOS NÃO DECLARADOS EM DCTF. PAGAMENTO EM ATRASO. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. OCORRÊNCIA. MULTA DE MORA. EXCLUSÃO. O instituto da denúncia espontânea aproveita àqueles que recolhem a destempo o tributo sujeito ao lançamento por homologação, nos casos em que não tenha havido prévia declaração do débito em Declaração de Débitos e Créditos Tributários Federais DCTF. O cerne da discussão está exemplarmente delineado no voto de lavra do Conselheiro Andrada Canuto Natal, que, em resumo descreve; Fl. 80DF CARF MF Processo nº 10935.900667/200882 Resolução nº 3001000.095 S3C0T1 Fl. 80 8 a cognição lógico jurídica que remeteu à decisão tomada no acórdão paradigma revelase inteiramente contemplada na controvérsia de que aqui se trata, envolvendo a caracterização da denúncia espontânea nas situações em que o contribuinte recolhe em atraso o tributo sujeito ao lançamento por homologação, com ou sem a prévia declaração em DCTF. Após analisar a dinâmica de subsunção da norma relativa ao instituto da denúncia espontânea, conclui: (...) o reconhecimento da espontaneidade não guarda relação com a apresentação de DCTF posteriormente retificada, nem com o pagamento parcial, mas, exclusivamente, com o pagamento do débito em data anterior à (...) declaração do sujeito passivo informando o tributo devido. A seguir na leitura de seu voto, o relator mencionado destaca que: A intelecção induvidosa da decisão acima transcrita é no sentido de que o pagamento que não fora previamente declarado em DCTF está albergado pela denúncia espontânea quando pago antes de qualquer procedimento fiscal. E também: Acórdão nº 9303002.770, 3ª Turma ASSUNTO: IMPOSTO SOBRE OPERAÇÕES DE CRÉDITO, CÂMBIO E SEGUROS OU RELATIVAS A TÍTULOS OU VALORES MOBILIÁRIOS IOF. RECURSO ESPECIAL. MULTA DE MORA. DENÚNCIA ESPONTÂNEA. SÚMULA 360 DO STJ. APLICAÇÃO DO ARTIGO 62A DO RICARF. MATÉRIA JULGADA NA SISTEMÁTICA DE RECURSO REPETITIVO PELO STJ. Nos termos do artigo 62A do Regimento Interno do CARF, as decisões definitivas de mérito, proferidas pelo Supremo Tribunal Federal e pelo Superior Tribunal de Justiça em matéria infraconstitucional, na sistemática prevista pelos artigos 543B e 543C da Lei nº 5.869, de 11 de janeiro de 1973, Código de Processo Civil, deverão ser reproduzidas pelos conselheiros no julgamento dos recursos no âmbito do CARF. No presente caso, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça, em julgamento realizado na sistemática do artigo 543C do Código de Processo Civil, acolheu a tese de que a denúncia espontânea não resta caracterizada, com a conseqüente exclusão da multa moratória, nos casos de tributos sujeitos a lançamento por homologação declarados pelo contribuinte e recolhidos fora do prazo de vencimento, à vista ou parceladamente, ainda que anteriormente a qualquer procedimento do Fisco (Súmula 360/STJ). A contrario sensu, portanto, o Egrégio Superior Tribunal de Justiça acolheu a tese da aplicação da denúncia espontânea na hipótese de pagamento a destempo sem que tenha sido realizada declaração prévia do contribuinte." Fl. 81DF CARF MF Processo nº 10935.900667/200882 Resolução nº 3001000.095 S3C0T1 Fl. 81 9 Desta forma, resta evidenciado que a interpretação posta ao caso, deverá estar submetida ao limite objetivo construído pela jurisprudência do STJ e da CSRF deste CARF. Hipótese Configuradora da Denúncia Espontânea O pagamento integral acompanhado de juros a anterioridade quanto a quaisquer atos ou procedimento fiscalizatórios da autoridade fazendária. Multas moratórias e punitivas Para o julgamento do caso, necessário se faz superar a discussão a respeito da aplicação da denúncia espontânea em caso de multa moratória. Isto porque, o raciocínio pautado na inaplicabilidade da denúncia espontânea às multas de caráter moratório foi o fio condutor do acórdão sob vergasta. Como se pode observar, o assunto encontrase pacificado no sentido da possibilidade da denuncia espontânea em caso de multa de mora. Nas Turmas Ordinárias, prevalece o mesmo entendimento, conforme se segue: Acórdão nº 3201003.745 DENÚNCIA ESPONTÂNEA. PAGAMENTO DO TRIBUTO DEVIDO COM JUROS DE MORA. INEXIGIBILIDADE DE MULTA MORATÓRIA. De acordo com a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça STJ está consolidado, em modo repetitivo, o entendimento de que "a sanção premial contida no instituto da denúncia espontânea exclui as penalidades pecuniárias, ou seja, as multas de caráter eminentemente punitivo, nas quais se incluem as multas moratórias, decorrentes da impontualidade do contribuinte" (REsp 1.149.022/SP, Rel. Ministro LUIZ FUX, Primeira Seção, DJe 24/06/2010). Efetuado o pagamento do tributo pelo contribuinte, depois de vencido, mas antes de qualquer procedimento administrativo ou medida de fiscalização por parte do Fisco, acrescido dos juros de mora, a multa moratória deve ser excluída em razão da denúncia espontânea. Da proposta de Diligência Diante ao caso exposto, temse que se trata de definir a aplicação do conteúdo normativo previsto no artigo 138 do CTN, em conformidade com o disposto no julgamento repetitivo retro mencionado. Neste sentido, verificouse que a construção jurisprudencial do STJ e deste CARF, definem como limite à concessão da denúncia espontânea a ocorrência de declaração por parte do contribuinte, em sua DCTF. Caso tenha declarado o débito relativo multa de mora, terá constituído, em favor da autoridade fazendária, o crédito tributário, inviabilizando, assim, a aplicação do instituto. Desta forma, temse o seguinte trâmite temporal. Em julho de 2002, houve a apuração do tributo em questão, dentro, portanto, do terceiro trimestre anual, a encerrarse em 30 de setembro. Aplicando o comando do artigo 2.º da IN 126/1998, a data limite para a apresentação da DCTF seria 14 de novembro de 2002. Fl. 82DF CARF MF Processo nº 10935.900667/200882 Resolução nº 3001000.095 S3C0T1 Fl. 82 10 Em tendo sido realizado o pagamento, conforme se denota do DARF acostado aos autos, com data de 02 de outubro de 2002, temse que tal pagamento seria retratado na DCTF a ser entregue em 14 de novembro de 2002. A meu ver, é necessário verificar como o contribuinte informou na DCTF competente, o respectivo lançamento da multa de mora. Para a correta aplicação do instituto da Denúncia Espontânea, prevista no artigo 138 do CTN, e conforme preceituado anteriormente nos julgados supra transcritos, necessária a satisfação de dois requisitos: não ter sido declarado o débito até a data da entrega da Per Dcomp para tanto, há a necessidade de verificação na DCTF e; não ter havido nenhum procedimento fiscalizatório até o momento da confissão. Este segundo requisito, a meu ver, satisifeito. Conclusão Diante do exposto, proponho, como acima transcrito, a conversão do julgamento em diligência, a fim de que a autoridade preparadora consulte seus sistemas de controle para fins de tecer a análise da DCTF competente, da ora recorrente a fim de verificar se a competência informada como débito foi, ou não, declarada. Caso entenda necessário, intime a recorrente a comparecer nos autos a fim de comprovar a veracidade das alegações. Posteriormente, a autoridade incumbida da diligência deverá elaborar relatório, pormenorizado e conclusivo das análises levadas a efeito e do seu reflexo na PER/DCOMP apresentada. Na sequência o contribuinte deverá ser intimado para que, no prazo regulamentar, caso entenda conveniente, adite seu recurso voluntário, somente quanto à matéria decorrente da diligência. Por fim, devolva os autos para este CARF, para julgamento. (assinado digitalmente) Renato Vieira de Avila Fl. 83DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 10830.912983/2009-56
Turma: 3ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 3ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Wed Jun 13 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Fri Jul 20 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins
Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003
PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE.
Para conhecimento do Recurso Especial, é necessário que seja comprovada divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigma na qual colegiado distinto tenha enfrentado questão similar e interpretado/aplicado a legislação de regência de forma diversa daquela realizada no acórdão recorrido.
Hipótese em que o acórdão recorrido trata da aplicação de legislação que não estava vigente nos períodos de ocorrência dos fatos tratados nos acórdãos paradigma.
Numero da decisão: 9303-006.931
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial.
(Assinado digitalmente)
Rodrigo da Costa Pôssas - Presidente em Exercício.
(Assinado digitalmente)
Luiz Eduardo de Oliveira Santos - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício).
Nome do relator: LUIZ EDUARDO DE OLIVEIRA SANTOS
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ementa_s : Assunto: Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social - Cofins Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para conhecimento do Recurso Especial, é necessário que seja comprovada divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigma na qual colegiado distinto tenha enfrentado questão similar e interpretado/aplicado a legislação de regência de forma diversa daquela realizada no acórdão recorrido. Hipótese em que o acórdão recorrido trata da aplicação de legislação que não estava vigente nos períodos de ocorrência dos fatos tratados nos acórdãos paradigma.
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ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 PROCESSO ADMINISTRATIVO FISCAL. RECURSO ESPECIAL. CONHECIMENTO. IMPOSSIBILIDADE. Para conhecimento do Recurso Especial, é necessário que seja comprovada divergência jurisprudencial, com apresentação de decisão paradigma na qual colegiado distinto tenha enfrentado questão similar e interpretado/aplicado a legislação de regência de forma diversa daquela realizada no acórdão recorrido. Hipótese em que o acórdão recorrido trata da aplicação de legislação que não estava vigente nos períodos de ocorrência dos fatos tratados nos acórdãos paradigma. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em não conhecer do Recurso Especial. (Assinado digitalmente) Rodrigo da Costa Pôssas Presidente em Exercício. (Assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator. AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 10 83 0. 91 29 83 /2 00 9- 56 Fl. 346DF CARF MF 2 Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Andrada Márcio Canuto Natal, Tatiana Midori Migiyama, Luiz Eduardo de Oliveira Santos, Demes Brito, Jorge Olmiro Lock Freire, Érika Costa Camargos Autran, Vanessa Marini Cecconello e Rodrigo da Costa Pôssas (Presidente em exercício). Relatório Tratase de processo de compensação intentada a partir de crédito oriundo de alegado pagamento maior ou indevido da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social COFINS, no período de apuração de 01/06/2003 a 30/06/2003, com débitos de outros tributos. O Fisco não homologou o pedido ante a inexistência de saldo credor relativo aos pagamentos indicados, por ter sido integralmente utilizado para quitação do correspondente débito confessado por meio de DCTF. A contribuinte apresentou manifestação de inconformidade às fls. 01 a 25, em 17/09/2009, pleiteando a reforma da decisão que não homologou as compensações declaradas por intermédio do PER/DCOMP nº 25819.52180.290606.1.3.043279. Resumidamente, alegou que havia incorrido em erro administrativo, por não ter retificado a DCTF tempestivamente, mas que o direito creditório materialmente seria existente. A 3ª Turma da DRJ/CPS, no Acórdão nº 0529.942, prolatado em 10 de agosto de 2010, às fls. 41 e 42verso, considerou, por unanimidade, improcedente o pedido formulado. Intimada do acórdão da DRJ em 10/09/2010 (fl. 44), a contribuinte interpôs recurso voluntário, em 08/10/2010, às fls. 45 a 79. Apresentou, resumidamente, os seguintes argumentos: a) o direito ao crédito de COFINS pleiteado seria legítimo, fato que poderia ter sido constatado mediante simples diligência na escrituração da contribuinte; b) rechaçou a alegação de inexistência de elementos robustos de prova que atestassem a legitimidade do crédito pleiteado e considerou que a recusa do direito ao crédito via sistema constituiu ofensa ao princípio da verdade material; c) o fato de não ter realizado a alteração e retificação da DCTF no momento em que identificou os valores pagos a maior indevidamente constituiria mero erro de fato, que não poderia ensejar a desconsideração do direito ao crédito; e d) solicitou a conversão do julgamento em diligência, para que a fiscalização pudesse atestar in loco a regularidade da sua escrituração e do seu crédito. Ao final, pediu a reforma integral da decisão proferida pela DRJCampinas, para que fosse reconhecido o direito ao crédito proveniente de recolhimento indevido efetuado a título de COFINS e, consequentemente, homologada a compensação realizada. Nos termos da Resolução nº 3403000.220, de 07/07/2011, efls. 91 a 93, a 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da 3ª Seção de Julgamento, por unanimidade de votos, Fl. 347DF CARF MF Processo nº 10830.912983/200956 Acórdão n.º 9303006.931 CSRFT3 Fl. 482 3 converteu o julgamento em diligência. Os quesitos formulados pelo colegiado foram respondidos na Informação Fiscal às efls. 262 a 264. Após o retorno dos autos, o colegiado, em julgamento de 28/01/2014, apreciou o Recurso Voluntário, resultando no Acórdão nº 3403002.674, às efls. 267 a 274, que, entendendo que a base de cálculo da Cofins não pode incluir receitas diferentes do faturamento (venda e prestação de serviços), deu provimento em parte ao recurso, para excluir da base de cálculo as receitas: 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 – Descontos Obtidos; 3.23.04 – Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeira A seguir, para fins de esclarecimento, encontramse reproduzidos a ementa e o dispositivo do referido acórdão: ASSUNTO: CONTRIBUIÇÃO PARA O FINANCIAMENTO DA SEGURIDADE SOCIAL COFINS Período de apuração: 01/06/2003 a 30/06/2003 BASE DE CÁLCULO. INDÉBITO. DCTF. DILIGÊNCIA. Apurado em diligência fiscal que o indébito utilizado em procedimento de compensação decorre da apuração de valor a menor do que o pago em razão da exclusão da base de cálculo de receitas diferente do faturamento, isto é, venda de mercadorias e prestação de serviços, impõe em reconhecer o direito de o contribuinte reaver o que pagou a mais do que o devido e compensar até o limite do crédito apurado. A apresentação de DCTF retificadora não é causa determinante ao exame do pleito de ressarcimento. Recurso Voluntário Provido em Parte. O acórdão teve o seguinte teor: Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, dar provimento parcial ao recurso para excluir da base de cálculo as receitas 3.23.01 – Juros Recebidos; 3.23.02 Descontos Obtidos; 3.23.04Variação Monetária Ativa; 3.23.05 – Créditos de operações diversas; 3.23.06 – Taxa Cambial e 3.23.08 – Receitas de Aplicação Financeira, homologandose o resultado da diligência. Esteve presente ao julgamento o Dr. José Antônio Minatel, OAB/SP nº 37.065. Fl. 348DF CARF MF 4 Recurso especial da Procuradoria Intimada do Acórdão nº 3403002.674 em 08/05/2014 (efl. 275), a PGFN apresentou recurso especial em 04/06/2014, às efls. 276 a 290. A Procuradoria levanta divergência quanto à subsunção das receitas que compõem a base de cálculo do PIS e da COFINS ao conceito de faturamento. Relata que o Colegiado a quo aplicou no presente caso entendimento do Supremo Tribunal Federal, que declarou a inconstitucionalidade do art. 3º, §1º da Lei nº 9.718/1998. Apresentou como paradigmas os acórdãos de n° 20177.114 e 203 12.518. Realça que, enquanto o acórdão recorrido entende que o faturamento se restringe às receitas advindas da venda de mercadorias e serviços, os paradigmas consagram o entendimento de que o faturamento abrange todas as receitas oriundas da atividade própria da empresa. O então Presidente da 4ª Câmara da 3ª Seção do CARF apreciou o recurso especial de divergência em 25/07/2015, no despacho de efls. 292 a 295, com base nos arts. 67 e 68 do Anexo II do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, dandolhe seguimento. Contrarrazões da contribuinte A contribuinte foi intimada do Acórdão nº 3403002.674 e do despacho de admissibilidade de efls. 292 a 295 em 10/09/2015 (efls. 299 e 300), e apresentou contrarrazões em 24/09/2015, às efls. 302 a 317. Argumenta o que segue: (i) ausência de similitude fática e de divergência de interpretação da legislação entre o acórdão recorrido e o paradigma nº 20177.114; e (ii) no mérito, que apenas devem ser incluídas na base de cálculo do PIS as receitas oriundas da atividade operacional da empresa, conceito que não abrange as suas receitas e despesas operacionais e financeiras. Pelas razões apresentadas, a contribuinte pugna pelo não conhecimento do recurso da PGFN e, caso conhecido, que ele seja desprovido, mantendose o acórdão recorrido. É o relatório. Voto Conselheiro Luiz Eduardo de Oliveira Santos Relator Quanto ao conhecimento, após uma análise detalhada, entendo que assiste razão ao recorrido. Com efeito, a divergência jurisprudencial, condição do conhecimento do recurso, não foi comprovada. Reparase que, no acórdão recorrido, foi discutida a definição da base de cálculo da Contribuição para o Financiamento da Seguridade Social Cofins no ano de 2003, período em que já se encontrava vigente a Lei n° 9.718, de 1998, aplicável a períodos de apuração a partir de fevereiro de 1999. Fl. 349DF CARF MF Processo nº 10830.912983/200956 Acórdão n.º 9303006.931 CSRFT3 Fl. 483 5 Por outro lado, os acórdãos apresentados pela recorrente a título de paradigma tratam da definição da base de cálculo de contribuições em períodos anteriores à vigência da referida Lei n° 9.718, de 1998, vejamos: (a) o acórdão paradigma n° 20177.114 trata de Auto de Infração por falta de recolhimento da contribuição ao PIS relativa ao período de janeiro de 1995 a dezembro de 1997; e (b) o acórdão paradigma n° 20312.518 trata de Auto de Infração por falta de recolhimento da Cofins relativa ao período de julho de 1994 a janeiro de 1999. Portanto, como o arcabouço jurídico aplicável aos acórdãos paradigma não está mais vigente no período de apuração tratado no acórdão recorrido, resta impossível verificar divergência na interpretação e aplicação da legislação. Aliás, esse é o caso de paradigma anacrônico, referido no Manual de Exame de Admissibilidade de Recursos Especiais, disponível para consulta pública no site INTERNET do CARF, nos seguintes termos: Muitas vezes o recorrente busca estabelecer divergência jurisprudencial utilizandose de paradigma exarado à luz de arcabouço normativo há muito superado. Nesse caso, constata se claramente o anacronismo do paradigma, uma vez que proferido em época em que sequer encontravase em vigor o arcabouço normativo que orientou o acórdão recorrido. Esse tipo de paradigma geralmente é indicado para temas que sofreram grandes alterações ao longo do tempo, como é o caso de autuação com base em depósitos bancários, ITR, Rendimentos Recebidos Acumuladamente (RRA), Decadência. Por esse motivo, o Recurso Especial da Fazenda Nacional não deve ser conhecido. Pelo exposto, voto por não conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional. (assinado digitalmente) Luiz Eduardo de Oliveira Santos Fl. 350DF CARF MF 6 Fl. 351DF CARF MF
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Numero do processo: 15504.000449/2009-11
Turma: 2ª TURMA/CÂMARA SUPERIOR REC. FISCAIS
Câmara: 2ª SEÇÃO
Seção: Câmara Superior de Recursos Fiscais
Data da sessão: Tue Jun 19 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 21 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Período de apuração: 01/01/2004 a 31/12/2006
APLICAÇÃO DE PENALIDADE. PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009.
Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta.
O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo.
Numero da decisão: 9202-006.957
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em dar-lhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009.
(Assinado digitalmente)
Maria Helena Cotta Cardozo Presidente em exercício
(Assinado digitalmente)
Ana Paula Fernandes Relatora
Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício).
Nome do relator: ANA PAULA FERNANDES
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PRINCÍPIO DA RETROATIVIDADE BENIGNA. LEI Nº 8.212/1991, COM A REDAÇÃO DADA PELA MP 449/2008, CONVETIDA NA LEI Nº 11.941/2009. PORTARIA PGFN/RFB Nº 14 DE 04 DE DEZEMBRO DE 2009. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, antes de tudo, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto que sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. O cálculo da penalidade deve ser efetuado em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, se mais benéfico para o sujeito passivo. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do Colegiado, por unanimidade de votos, em conhecer do Recurso Especial da Fazenda Nacional e, no mérito, em darlhe provimento, para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14, de 2009. (Assinado digitalmente) Maria Helena Cotta Cardozo – Presidente em exercício AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 15 50 4. 00 04 49 /2 00 9- 11 Fl. 644DF CARF MF 2 (Assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes – Relatora Participaram do presente julgamento os Conselheiros: Elaine Cristina Monteiro e Silva Vieira, Patrícia da Silva, Pedro Paulo Pereira Barbosa, Ana Paula Fernandes, Mário Pereira de Pinho Filho (suplente convocado), Ana Cecília Lustosa da Cruz, Rita Eliza Reis da Costa Bacchieri, Maria Helena Cotta Cardozo (Presidente em Exercício). Relatório O presente Recurso Especial trata de pedido de análise de divergência motivado pela Fazenda Nacional. Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.215.3062, às efls. 04 a 64, cientificado à contribuinte em 23/01/2009 (efl. 97), com relatório fiscal da infração às efls. 86 a 94. O crédito lançado atingiu o montante de R$485.068,08, consolidado na data de 16/01/2009, para o período de apuração de 01/01/2003 a 31/01/2006. Cumprida a diligência, à efl. 575, os autos retornam para julgamento após ser determinada por este Colegiado a conversão do feito em diligência, às fls. 567/572, por se verificar que, após os despachos de números: 2400088/2014 e 2400367R/014, que negaram a admissibilidade do recurso especial de divergência da contribuinte, não lhe foi dada ciência de nenhum deles. Deste modo, considerando as especificidades abordadas no cumprimento da diligência, adoto o relatório da Resolução de nº 9202000.107, em sua íntegra: “Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.215.3062, às efls. 04 a 64, cientificado à contribuinte em 23/01/2009 (efl. 97), com relatório fiscal da infração às efls. 86 a 94. A autuação foi lavrada par exigir os créditos das contribuições destinadas a Outras Entidades e Fundos denominadas "Terceiros", num total de 5,8% incidentes sobre os valores pagos aos segurados empregados a titulo de cesta básica e valerefeição. A contribuinte deixou de incluir entre os valores que compõem o salário de contribuição de seus segurados empregados aqueles relativos ao pagamento de auxílio alimentação em pecúnia; com isso deixou de reter e recolher o tributo correspondente aos terceiros. O crédito lançado atingiu o montante de R$485.068,08, consolidado na data e 16/01/2009, para o período de apuração de 01/01/2003 a 31/01/2006. O lançamento de obrigação principal foi impugnado, às efls. 102 a 114, em 25/02/2009. Já a 7ª Turma da DRJ/BHE, no acórdão nº 0228.641, prolatado em 17/09/2010, às efls. 324 a 346, considerou, por unanimidade, a impugnação improcedente, mantendo o crédito tributário exigido. Fl. 645DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 10 3 Inconformada, em 04/03/2011, a contribuinte, interpôs recurso voluntário, às efls. 386 a 356, alegando, em síntese: não incidência das contribuições previdenciárias sobre valores pagos a título de fornecimento de alimentação, por ter natureza indenizatória e decorrer de convenção coletiva de trabalho; deveria ser analisada a questão com base nos princípios da razoabilidade e proporcionalidade em vista das condições fáticas da empresa e seus funcionários. O recurso voluntário foi apreciado pela 3ª Turma Ordinária da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento em 19/06/2012, resultando no acórdão 2403001.399, às efls. 4120 a 429, que tem a seguinte ementa: PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO IRREGULARIDADE NA LAVRATURA DO AIOP INOCORRÊNCIA. Tendo o fiscal autuante demonstrado de forma clara e precisa os fatos que suportaram o lançamento, oportunizando ao contribuinte o direito de defesa e do contraditório, bem como em observância aos pressupostos formais e materiais do ato administrativo, nos termos da legislação de regência, especialmente artigo 142 do CTN, não há que se falar em nulidade do lançamento. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO ALEGAÇÃO DE INCONSTITUCIONALIDADE DA LEGISLAÇÃO ORDINÁRIA NÃO APRECIAÇÃO NO ÂMBITO ADMINISTRATIVO. A legislação ordinária de custeio previdenciário não pode ser afastada em âmbito administrativo por alegações de inconstitucionalidade, já que tais questões são reservadas à competência, constitucional e legal, do Poder Judiciário. Neste sentido, o art. 26A, caput do Decreto 70.235/1972 e a Súmula nº 2 do CARF, publicada no D.O.U. em 22/12/2009, que expressamente veda ao CARF se pronunciar acerca da inconstitucionalidade de lei tributária. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO PAGAMENTO EM ESPÉCIE ALIMENTAÇÃO EMPRESA NÃO INSCRITA NO PROGRAMA DE ALIMENTAÇÃO DO TRABALHADOR PAT INCIDÊNCIA DE CONTRIBUIÇÃO. O pagamento, em espécie, de alimentação aos segurados empregados por empresa não inscrita no PAT Programa de Alimentação do Trabalhador, integra o salário de contribuição e se constitui em fato gerador de contribuições sociais previdenciárias. PREVIDENCIÁRIO CUSTEIO NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO ACRÉSCIMOS LEGAIS JUROS E MULTA DE MORA ALTERAÇÕES DADAS PELA LEI 11.941/2009 RECÁLCULO DA MULTA Fl. 646DF CARF MF 4 MAIS BENÉFICA ART. 106, II, C, CTN Até a edição da Lei 11.941/2009, os acréscimos legais previdenciários eram distintos dos demais tributos federais, conforme constavam dos arts. 34 e 35 da Lei 8.212/1991. A Lei 11.941/2009 revogou o art. 34 da Lei 8.212/1991 (que tratava de juros moratórios), alterou a redação do art. 35 (que versava sobre a multa de mora) e inseriu o art. 35A, para disciplinar a multa de ofício. Visto que o artigo 106, II, c do CTN determina a aplicação retroativa da lei quando, tratandose de ato não definitivamente julgado, lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática, princípio da retroatividade benigna, impõese o cálculo da multa com base no artigo 61 da Lei 9.430/96 para comparála com a multa aplicada com base na redação anterior do artigo 35 da Lei 8.212/91 (presente no crédito lançado neste processo) para determinação e prevalência da multa de mora mais benéfica. Ressalvase a posição do Relator, vencida nesta Colenda Turma, na qual se deve determinar o recálculo dos acréscimos legais na forma de juros de mora (com base no art. 35, Lei 8.212/1991 c/c art. 61, § 3º Lei 9.430/1996 c/c art. 5º, § 3º Lei 9.430/1996) e da multa de ofício (com base no art. 35A, Lei 8.212/1991 c/c art. 44 Lei 9.430/1996), com a prevalência dos acréscimos legais mais benéficos ao contribuinte. Recurso Voluntário Provido em Parte O acórdão teve o seguinte teor: ACORDAM os membros do Colegiado: I) por voto de qualidade, em negar provimento ao recurso, mantendo os Levantamentos Cesta Básica e Vale Refeição . Vencidos os conselheiros Cid Marconi, Maria Anselma Coscrato dos Santos e Marcelo Magalhães Peixoto; II) por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao recurso para que se recalcule o valor da multa de mora, se mais benéfico ao contribuinte, de acordo com o disciplinado no art. 35 da Lei 8.212/91, na redação dada pela Lei 11.941/2009. RE da Fazenda Nacional Cientificada do acórdão, em 12/12/2012 (efl. 30), a Procuradoria da Fazenda Nacional, na mesma data, manejou recurso especial de divergência RE (efls. 431 a 445) ao citado acórdão, entendendo que o aresto diverge de entendimentos firmados no CARF em critério aplicação da retroatividade benigna às multas lançadas. A divergência relativa foi assim destacada pela Procuradora, à efl. 439: ... Ao examinar a matéria pertinente à multa aplicada, o acórdão recorrido entendeu que deveria ser aplicada ao caso a retroatividade benigna, sob o fundamento de que o artigo 35, caput, da Lei nº 8.212/1991 deveria ser comparado com a atual redação emprestada pela Lei nº 11.941/2009. E como na atual redação, há remissão ao art. 61 da Lei nº 9.430/96, entendeu que o patamar da multa aplicada estaria limitado a 20% (§ 2º do art. 61). Ao revés, os paradigmas adotaram solução diametralmente oposta. Para os órgãos prolatores dos paradigmas, o art. 35 da Lei nº 8.212/1991 deveria agora ser observado à luz da norma introduzida pela Lei nº 11.941/2009, qual seja, o art. 35A que, por sua vez, faz remissão ao art. 44, da Lei nº 9.430/96. Nos julgados paradigmas, a aplicação da retroatividade benigna Fl. 647DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 11 5 na forma de aplicação do art. 61, § 2º, da Lei nº 9.430/1996 (norma à qual a atual redação do caput do art. 35 com a redação dada pela Lei nº 11.941/2009 faz remissão) foi rechaçada de forma expressa. Foram indicados como paradigmas das divergências para a matéria os acórdãos nº 230100283 e nº 240100120. Por fim, a Procuradora requer o conhecimento e o provimento do RE para a reformar o acórdão recorrido no ponto em que determinou a aplicação do art. 35, caput, da Lei nº 8.212/91 (na atual redação conferida pela Lei nº 11.941/2009), em detrimento do art. 35A, também da Lei nº 8.212/91, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. O RE da Fazenda foi apreciado pelo então Presidente da 4ª Câmara da Segunda Seção de Julgamento do CARF, nos termos dos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, por meio do despacho nº 2400278/2013, às efls. 483 a 486, datado de 25/03/2013, entendendo por lhe dar seguimento, em face do cumprimento dos requisitos regimentais. RE da contribuinte A contribuinte foi intimada do acórdão nº 2403001.399, do recurso especial interposto pela Fazenda Nacional e do despacho nº 2400278/2013, por meio da Intimação nº 2008 (efl. 488) e apresentou recurso especial de divergência em 09/08/2013, às efls. 490 a 513. Aponta como divergentes os entendimentos do acórdão a quo, quando considera que o fornecimento de alimentação em dinheiro não integra o saláriodecontribuição quando atenda aos requisitos do programa de alimentação do trabalhador (PAT), previamente aprovado pelo Ministério do Trabalho, pois os paradigmas, contrariamente, entendem que essas verbas para alimentação do trabalhador teriam natureza não salarial, até mesmo sem haver inscrição no PAT. Indicou como acórdãos paradigmas da matéria os de nº 2301003.004, nº2803001.727 e nº 2403001.629. Por fim, requer o recebimento do seu recurso especial de divergência para que ele seja provido para que se julgue improcedente o lançamento. Em 22/01/2014, o Presidente da 4ª Câmara, no despacho de admissibilidade nº 2400088/2014, às efls. 561 a 563, com base nos arts. 67 e 68 do Regimento Interno do Conselho Administrativo de Recursos Fiscais RICARF, aprovado pela Portaria n° 256 de 22/06/2009, negou seguimento ao recurso especial da contribuinte, por entender não haver similitude fática entre as matérias do recorrido e dos paradigmas, uma vez que os paradigmas tratavam de pagamentos de auxílioalimentação in natura enquanto o recorrido tratava de pagamento em espécie. Em 07/05/2014, o Presidente da Câmara Superior de Recursos Fiscais Câmara Superior de Recursos Fiscais CSRF, em reexame da admissibilidade Fl. 648DF CARF MF 6 de nº 2400367R/2014, à efl. 564, confirmou as conclusões do despacho acima, igualmente negando seguimento ao recurso especial de divergência da contribuinte. Contrarrazões da contribuinte Na mesma data em que interpôs seu recurso especial de divergência, a contribuinte apresentou contrarrazões ao recurso especial da Fazenda, às efls. 549 a 555. De início argumenta que a exposição da Procuradoria não seria suficiente para caracterizar a divergência, pois as ementas não fazem menção ao debate sobre a regra de aplicação de multa de mora no tempo ou sobre a aplicação da legislação mais benéfica, e as alegações posteriores com base considerações da fundamentação dos votos vencedores não seriam bastantes, pois haveria ausência do inteiro teor dos julgados para poderse afirmar com certeza absoluta que estas se encontrariam nos acórdãos paradigmas. Na sequência, reafirma a correção do entendimento do acórdão a quo. Assevera que a legislação previdenciária não adotava a dicotomia entre multa de mora e de ofício, por isso incidência do art. 35 da Lei nº 8.212/1991, com a redação anterior à vigência da MP nº 449/2008. Afirma que, quando da aplicação da multa, a legislação vigente relativa à multa de mora seria a mais benéfica à contribuinte (20%) e por isso deve ela ser sustentada. Inaplicável o art. 35A da mesma lei para os fatos anteriores à sua vigência. Requer a admissão das contrarrazões para que se julgue improcedente o recurso especial de divergência da Procuradoria, mantendose integralmente o entendimento firmado no acórdão recorrido em relação a aplicação de multa. É o relatório.” Ato contínuo ao cumprimento da diligência, o Contribuinte foi cientificado sobre a negativa de seguimento de seu Recurso Especial à fl. 575. Às fls. 581/639, o Contribuinte juntou aos autos cópia do Agravo de Instrumento, manejado nos autos da ação judicial de nº 002366448.2017.4.01.3800, e respectiva Decisão, dos quais se manifestou a DRJ, à fl. 643, no seguinte sentido: Conf. resolução nº 9202000.107, de 26/04/2017 (efls. 567/572), o processo foi remetido à unidade de origem para ciência do sujeito passivo da não admissibilidade de seu recurso especial, com posterior devolução ao CARF (2ª Turma da CSRF) para julgamento do recurso especial da Fazenda Nacional. Conf. fls. 579, vêse que a unidade de origem solicitou a juntada de decisão monocrática em sede de agravo de instrumento, proferida pelo TRF da 1ª Região, que antecipou os efeitos da tutela recursal para ¿suspender a exigibilidade dos créditos tributários correspondentes às NFLDs ns. 37.215.3062 e 37.2015.3070¿ (PAF 15504.000449/200911). As providências em tela constam, inclusive, de nota de processo. Não há, portanto, nenhuma providência de competência da ASTEJ. O agravo referido no despacho não é agravo do RICARF, mas o agravo de instrumento objeto dos artigos 1.015 e seguintes do CPC. Diante do exposto, encaminhemse os autos à 2ª Turma da CSRF para julgamento do REsp da PFN. Fl. 649DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 12 7 Após, vieram os autos conclusos para apreciação do Recurso Especial da União. É o relatório. Voto Conselheira Ana Paula Fernandes Relatora O Recurso Especial interposto pela Fazenda Nacional é tempestivo e atende aos demais pressupostos de admissibilidade, portanto, merece ser conhecido. Trata o presente processo de Auto de Infração de Obrigação Principal AIOP DEBCAD nº 37.215.3062, às efls. 04 a 64, cientificado à contribuinte em 23/01/2009 (efl. 97), com relatório fiscal da infração às efls. 86 a 94. O crédito lançado atingiu o montante de R$485.068,08, consolidado na data e 16/01/2009, para o período de apuração de 01/01/2003 a 31/01/2006. O Acórdão recorrido deu parcial provimento ao Recurso Ordinário. O Recurso Especial apresentado pela Fazenda Nacional trouxe para análise a divergência jurisprudencial no tocante a retroatividade benigna, devendose verificar, na execução do julgado, qual norma mais benéfica: se a multa anterior (art. 35, da norma revogada) ou a do art. 35A da Lei nº 8.212/91. Cingese a controvérsia às penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP nº 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009, quando mais benéfica ao sujeito passivo. A solução do litígio decorre do disposto no artigo 106, inciso II, alínea “a” do CTN, a seguir transcrito: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. (grifos acrescidos. De inicio, cumpre registrar que a Câmara Superior de Recursos Fiscais (CSRF), de forma unânime pacificou o entendimento de que na aferição acerca da Fl. 650DF CARF MF 8 aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre dispositivos, percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Assim, a multa de mora prevista no art. 61 da Lei nº 9.430, de 1996, não é aplicável quando realizado o lançamento de ofício, conforme consta do Acórdão nº 9202004.262 (Sessão de 23 de junho de 2016), cuja ementa transcrevese: AUTO DE INFRAÇÃO OBRIGAÇÃO ACESSÓRIA MULTA APLICAÇÃO NOS LIMITES DA LEI 8.212/91 C/C LEI 11.941/08 APLICAÇÃO DA MULTA MAIS FAVORÁVEL RETROATIVIDADE BENIGNA NATUREZA DA MULTA APLICADA. A multa nos casos em que há lançamento de obrigação principal lavrados após a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, mesmo que referente a fatos geradores anteriores a publicação da referida lei, é de ofício. AUTO DE INFRAÇÃO DE OBRIGAÇÃO PRINCIPAL E ACESSÓRIA COMPARATIVO DE MULTAS APLICAÇÃO DE PENALIDADE. RETROATIVIDADE BENIGNA. Na aferição acerca da aplicabilidade da retroatividade benigna, não basta a verificação da denominação atribuída à penalidade, tampouco a simples comparação entre percentuais e limites. É necessário, basicamente, que as penalidades sopesadas tenham a mesma natureza material, portanto sejam aplicáveis ao mesmo tipo de conduta. Se as multas por descumprimento de obrigações acessória e principal foram exigidas em procedimentos de ofício, ainda que em separado, incabível a aplicação retroativa do art. 32A, da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009, eis que esta última estabeleceu, em seu art. 35 A, penalidade única combinando as duas condutas. A legislação vigente anteriormente à Medida Provisória n° 449, de 2008, determinava, para a situação em que ocorresse (a) recolhimento insuficiente do tributo e (b) falta de declaração da verba tributável em GFIP, a constituição do crédito tributário de ofício, acrescido das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, respectivamente. Posteriormente, foi determinada, para essa mesma situação (falta de pagamento e de declaração), apenas a aplicação do art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991, que faz remissão ao art. 44 da Lei n° 9.430, de 1996. Portanto, para aplicação da retroatividade benigna, resta necessário comparar (a) o somatório das multas previstas nos arts. 35, II, e 32, § 5o, ambos da Lei n° 8.212, de 1991, e (b) a multa prevista no art. 35A da Lei n° 8.212, de 1991. A comparação de que trata o item anterior tem por fim a aplicação da retroatividade benigna prevista no art. 106 do CTN e, caso necessário, a retificação dos valores no sistema de cobrança, a fim de que, em cada competência, o valor da multa aplicada no AIOA somado com a multa aplicada na NFLD/AIOP não exceda o percentual de 75%. Prosseguindo na análise do tema, também é entendimento pacífico deste Colegiado que na hipótese de lançamento apenas de obrigação principal, a retroatividade Fl. 651DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 13 9 benigna será aplicada se, na liquidação do acórdão, a penalidade anterior à vigência da MP 449, de 2008, ultrapassar a multa do art. 35A da Lei n° 8.212/91, correspondente aos 75% previstos no art. 44 da Lei n° 9.430/96. Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela MP 449 (convertida na Lei 11.941, de 2009), tenham sido aplicadas isoladamente descumprimento de obrigação acessória sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, bem assim no caso de competências em que o lançamento da obrigação principal tenha sido atingida pela decadência. Neste sentido, transcrevese excerto do voto unânime proferido no Acórdão nº 9202004.499 (Sessão de 29 de setembro de 2016): Até a edição da MP 449/2008, quando realizado um procedimento fiscal, em que se constatava a existência de débitos previdenciários, lavravase em relação ao montante da contribuição devida, notificação fiscal de lançamento de débito NFLD. Caso constatado que, além do montante devido, descumprira o contribuinte obrigação acessória, ou seja, obrigação de fazer, como no caso de omissão em GFIP (que tem correlação direta com o fato gerador), a empresa era autuada também por descumprimento de obrigação acessória. Nessa época os dispositivos legais aplicáveis eram multa art. 35 para a NFLD (24%, que sofria acréscimos dependendo da fase processual do débito) e art. 32 (100% da contribuição devida em caso de omissões de fatos geradores em GFIP) para o Auto de infração de obrigação acessória. Contudo, a MP 449/2008, convertida na lei 11.941/2009, inseriu o art. 32A, o qual dispõe o seguinte: “Art. 32A. O contribuinte que deixar de apresentar a declaração de que trata o inciso IV do caput do art. 32 desta Lei no prazo fixado ou que a apresentar com incorreções ou omissões será intimado a apresentála ou a prestar esclarecimentos e sujeitarseá às seguintes multas: I – de R$ 20,00 (vinte reais) para cada grupo de 10 (dez) informações incorretas ou omitidas; e II – de 2% (dois por cento) ao mêscalendário ou fração, incidentes sobre o montante das contribuições informadas, ainda que integralmente pagas, no caso de falta de entrega da declaração ou entrega após o prazo, limitada a 20% (vinte por cento), observado o disposto no § 3o deste artigo. § 1o Para efeito de aplicação da multa prevista no inciso II do caput deste artigo, será considerado como termo inicial o dia seguinte ao término do prazo fixado para entrega da declaração e como termo final a data da efetiva entrega ou, no caso de não apresentação, a data da lavratura do auto de infração ou da notificação de lançamento. Fl. 652DF CARF MF 10 § 2o Observado o disposto no § 3o deste artigo, as multas serão reduzidas: I – à metade, quando a declaração for apresentada após o prazo, mas antes de qualquer procedimento de ofício; ou II – a 75% (setenta e cinco por cento), se houver apresentação da declaração no prazo fixado em intimação. § 3o A multa mínima a ser aplicada será de: I – R$ 200,00 (duzentos reais), tratandose de omissão de declaração sem ocorrência de fatos geradores de contribuição previdenciária; e II – R$ 500,00 (quinhentos reais), nos demais casos.” Entretanto, a MP 449, Lei 11.941/2009, também acrescentou o art. 35A que dispõe o seguinte, “Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996.” O inciso I do art. 44 da Lei 9.430/96, por sua vez, dispõe o seguinte: “Art. 44. Nos casos de lançamento de ofício, serão aplicadas as seguintes multas: I de 75% (setenta e cinco por cento) sobre a totalidade ou diferença de imposto ou contribuição nos casos de falta de pagamento ou recolhimento, de falta de declaração e nos de declaração inexata “ Com a alteração acima, em caso de atraso, cujo recolhimento não ocorrer de forma espontânea pelo contribuinte, levando ao lançamento de ofício, a multa a ser aplicada passa a ser a estabelecida no dispositivo acima citado, ou seja, em havendo lançamento da obrigação principal (a antiga NFLD), aplicase multa de ofício no patamar de 75%. Essa conclusão levanos ao raciocínio que a natureza da multa, sempre que existe lançamento, referese a multa de ofício e não a multa de mora referida no antigo art. 35 da lei 8212/91. Contudo, mesmo que consideremos que a natureza da multa é de "multa de ofício" não podemos isoladamente aplicar 75% para as Notificações Fiscais NFLD ou Autos de Infração de Obrigação Principal AIOP, pois estaríamos na verdade retroagindo para agravar a penalidade aplicada. Por outro lado, com base nas alterações legislativas não mais caberia, nos patamares anteriormente existentes, aplicação de NFLD + AIOA (Auto de Infração de Obrigação Acessória) cumulativamente, pois em existindo lançamento de ofício a multa passa a ser exclusivamente de 75%. Tendo identificado que a natureza da multa, sempre que há lançamento, é de multa de ofício, considerando o princípio da retroatividade benigna previsto no art. 106. inciso II, alínea “c”, Fl. 653DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 14 11 do Código Tributário Nacional, há que se verificar a situação mais favorável ao sujeito passivo, face às alterações trazidas. No presente caso, foi lavrado AIOA julgada, e alvo do presente recurso especial, prevaleceu o valor de multa aplicado nos moldes do art. 32A. No caso da ausência de informação em GFIP, conforme descrito no relatório a multa aplicada ocorreu nos termos do art. 32, inciso IV, § 5º, da Lei nº 8.212/1991 também revogado, o qual previa uma multa no valor de 100% (cem por cento) da contribuição não declarada, limitada aos limites previstos no § 4º do mesmo artigo. Face essas considerações para efeitos da apuração da situação mais favorável, entendo que há que se observar qual das seguintes situações resulta mais favorável ao contribuinte: · Norma anterior, pela soma da multa aplicada nos moldes do art. 35, inciso II com a multa prevista no art. 32, inciso IV, § 5º, observada a limitação imposta pelo § 4º do mesmo artigo, ou · Norma atual, pela aplicação da multa de setenta e cinco por cento sobre os valores não declarados, sem qualquer limitação, excluído o valor de multa mantido na notificação. Levando em consideração a legislação mais benéfica ao contribuinte, conforme dispõe o art. 106 do Código Tributário Nacional (CTN), o órgão responsável pela execução do acórdão deve, quando do trânsito em julgado administrativo, efetuar o cálculo da multa, em cada competência, somando o valor da multa aplicada no AI de obrigação acessória com a multa aplicada na NFLD/AIOP, que não pode exceder o percentual de 75%, previsto no art. 44, I da Lei n° 9.430/1996. Da mesma forma, no lançamento apenas de obrigação principal o valor das multa de ofício não pode exceder 75%. No AI de obrigação acessória, isoladamente, o percentual não pode exceder as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Observese que, no caso de competências em que a obrigação principal tenha sido atingida pela decadência (pela antecipação do pagamento nos termos do art. 150, § 4º, do CTN), subsiste a obrigação acessória, isoladamente, relativa às mesmas competências, não atingidas pela decadência posto que regidas pelo art. 173, I, do CTN, e que, portanto, deve ter sua penalidade limitada ao valor previsto no artigo 32A da Lei nº 8.212, de 1991. Cumpre ressaltar que o entendimento acima está em consonância com o que dispõe a Instrução Normativa RFB nº 971, de 13 de novembro de 2009, alterada pela Instrução Normativa RFB nº 1.027 em 22/04/2010, e no mesmo diapasão do que estabelece a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009, que contempla tanto os lançamentos de Fl. 654DF CARF MF 12 obrigação principal quanto de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente. Neste passo, para os fatos geradores ocorridos até 03/12/2008, a autoridade responsável pela execução do acórdão, quando do trânsito em julgado administrativo, deverá observar a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 que se reporta à aplicação do princípio da retroatividade benigna previsto no artigo 106, inciso II, alínea “c”, do CTN, em face das penalidades aplicadas às contribuições previdenciárias nos lançamentos de obrigação principal e de obrigação acessória, em conjunto ou isoladamente, previstas na Lei nº 8.212/1991, com as alterações promovidas pela MP 449/2008, convertida na Lei nº 11.941/2009. De fato, as disposições da referida Portaria, a seguir transcritas, estão em consonância com a jurisprudência unânime desta 2ª Turma da CSRF sobre o tema: Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009 Art. 1º A aplicação do disposto nos arts. 35 e 35A da Lei nº 8.212, de 24 de julho de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 27 de maio de 2009, às prestações de parcelamento e aos demais débitos não pagos até 3 de dezembro de 2008, inscritos ou não em Dívida Ativa, cobrados por meio de processo ainda não definitivamente julgado, observará o disposto nesta Portaria. Art. 2º No momento do pagamento ou do parcelamento do débito pelo contribuinte, o valor das multas aplicadas será analisado e os lançamentos, se necessário, serão retificados, para fins de aplicação da penalidade mais benéfica, nos termos da alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 25 de outubro de 1966 Código Tributário Nacional (CTN). § 1º Caso não haja pagamento ou parcelamento do débito, a análise do valor das multas referidas no caput será realizada no momento do ajuizamento da execução fiscal pela Procuradoria Geral da Fazenda Nacional (PGFN). § 2º A análise a que se refere o caput darseá por competência. § 3º A aplicação da penalidade mais benéfica na forma deste artigo darseá: I mediante requerimento do sujeito passivo, dirigido à autoridade administrativa competente, informando e comprovando que se subsume à mencionada hipótese; ou II de ofício, quando verificada pela autoridade administrativa a possibilidade de aplicação. § 4º Se o processo encontrarse em trâmite no contencioso administrativo de primeira instância, a autoridade julgadora fará constar de sua decisão que a análise do valor das multas para verificação e aplicação daquela que for mais benéfica, se cabível, será realizada no momento do pagamento ou do parcelamento. Fl. 655DF CARF MF Processo nº 15504.000449/200911 Acórdão n.º 9202006.957 CSRFT2 Fl. 15 13 Art. 3º A análise da penalidade mais benéfica, a que se refere esta Portaria, será realizada pela comparação entre a soma dos valores das multas aplicadas nos lançamentos por descumprimento de obrigação principal, conforme o art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e de obrigações acessórias, conforme §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, e da multa de ofício calculada na forma do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. § 1º Caso as multas previstas nos §§ 4º e 5º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º A comparação na forma do caput deverá ser efetuada em relação aos processos conexos, devendo ser considerados, inclusive, os débitos pagos, os parcelados, os nãoimpugnados, os inscritos em Dívida Ativa da União e os ajuizados após a publicação da Medida Provisória nº 449, de 3 de dezembro de 2008. Art. 4º O valor das multas aplicadas, na forma do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, sobre as contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, deverá ser comparado com o valor das multa de ofício previsto no art. 35 A daquela Lei, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009, e, caso resulte mais benéfico ao sujeito passivo, será reduzido àquele patamar. Art. 5º Na hipótese de ter havido lançamento de ofício relativo a contribuições declaradas na Guia de Recolhimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço e Informações à Previdência Social (GFIP), a multa aplicada limitarseá àquela prevista no art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. Em face ao exposto, dou provimento ao recurso para que a retroatividade benigna seja aplicada em conformidade com a Portaria PGFN/RFB nº 14 de 04 de dezembro de 2009. É como voto. (assinado digitalmente) Ana Paula Fernandes Fl. 656DF CARF MF 14 Fl. 657DF CARF MF
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Numero do processo: 18239.005090/2010-87
Turma: Primeira Turma Extraordinária da Segunda Seção
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Wed Jul 25 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Aug 28 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF
Ano-calendário: 2008
DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS.
Só poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes.
OMISSÃO DE RENDIMENTOS.
Mantém-se a tributação sobre rendimentos omitidos cuja percepção pelo contribuinte esteja devidamente comprovada.
Numero da decisão: 2001-000.571
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI.
(assinado digitalmente)
Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator
Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
Nome do relator: JORGE HENRIQUE BACKES
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ementa_s : Assunto: Imposto sobre a Renda de Pessoa Física - IRPF Ano-calendário: 2008 DEDUÇÃO. DESPESAS MÉDICAS. Só poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantém-se a tributação sobre rendimentos omitidos cuja percepção pelo contribuinte esteja devidamente comprovada.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes - Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal.
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DESPESAS MÉDICAS. Só poderão ser deduzidas da base de cálculo as despesas médicas comprovadas referentes ao tratamento do contribuinte ou de seus dependentes. OMISSÃO DE RENDIMENTOS. Mantémse a tributação sobre rendimentos omitidos cuja percepção pelo contribuinte esteja devidamente comprovada. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em dar provimento parcial ao Recurso Voluntário, para aceitar as despesas médicas referentes a APPAI. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Presidente e Relator Participaram das sessões virtuais não presenciais os conselheiros Jorge Henrique Backes (Presidente), Jose Alfredo Duarte Filho, Jose Ricardo Moreira, Fernanda Melo Leal. Relatório AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 18 23 9. 00 50 90 /2 01 0- 87 Fl. 123DF CARF MF 2 Tratase de Notificação de Lançamento relativa à Imposto de Renda Pessoa Física, glosa de Despesas Médicas. O Recurso Voluntário foi apresentado pelo relator para a Turma, assim como os documentos do lançamento, da impugnação e do acórdão de impugnação, e demais documentos que embasaram o voto do relator. Esses destaques não constam desse relatório, pois estão disponíveis no processo. Tratase de discussão sobre omissão de rendimentos e despesas médicas, questão de prova, convencimento em relação aos documentos apresentados.. Contribuinte apresentou recurso voluntário com pedido de reexame dos documentos. Não foi argumentação específica sobre suas discordâncias. Voto Conselheiro Jorge Henrique Backes, Relator Verificada a tempestividade do recurso voluntário, dele conheço e passo à sua análise. Sobre a omissão de rendimentos não foram apresentados argumentos novos, e nem identificamos alguma questão não abordada pelo acórdão de impugnação. Concordamos com esse acórdão que assim dispôs sobre essa matéria: No que concerne à omissão de rendimentos, verificase que os valores levantados pela autoridade fiscal (fls. 10) estão em consonância com as informações consignadas em Declaração de Imposto de Renda Retido na Fonte – DIRF pelas fontes pagadoras (fls. 90/92). Não obstante, a contribuinte alega em sua defesa que “não cabe falar em omissão de rendimentos quando ocorreu erro de lançamento, já que os rendimentos da CMRJ são encargos especiais (auxílio transporte e alimentação) concedidos ao funcionário cedido da PCRJ, não incidindo sobre eles descontos, sendo considerados portanto ajuda de custo.”. Quanto à Capemi (Capemisa), sustenta tratarse de benefício não tributável. Posteriormente, em contestação ao Termo Circunstanciado, acrescenta que “não há relação de trabalho assalariado do contribuinte com código de receita 0561, sendo tal rendimento pecúlio feito durante mais de 20 anos” e que o montante recebido da Câmara Municipal do Rio de Janeiro “foi lançado como isento e não tributável tendo em vista que tal valor é auferido com encargos gerais, ou seja, parcela de auxílio ao servidor que se encontra na situação de servidor do executivo cedido ao legislativo”. Ocorre, contudo, que apesar dos argumentos trazidos pela contribuinte, não foi juntado aos autos qualquer documento com o intuito de confirmar que os rendimentos considerados omitidos pela autoridade lançadora não são tributáveis e não decorrem do trabalho assalariado, ao contrário do que foi informado em DIRF pelas fontes pagadoras.Em termos gerais, pede para que Fl. 124DF CARF MF Processo nº 18239.005090/201087 Acórdão n.º 2001000.571 S2C0T1 Fl. 3 3 se reexamine, sem nominar, a impugnação. Examinamos todo o processo e entendemos que o acórdão de impugnação abordou corretamente a legislação, e os fatos. Em relação às despesas médicas a DRJ aceitou as despesas referentes à Golden Cross. Não há comprovação, não foram apresentados documentos, para as demais despesas e rendimentos lançados e depois mantidos pelo acórdão de impugnação. Assim, restam mantidos os valores indicados no acórdão de impugnação. Os pagamentos à APPAI, já foram aceitos no anocalendário de 2005, em Despacho Decisório, em processo em exame por esse relator, como referentes a serviços médicos, entendemos como comprovadas, dessa forma, essas despesas. Conclusão Em razão do exposto, voto por dar provimento parcial ao recurso voluntário aceitando os pagamentos à APPAI. É como voto. (assinado digitalmente) Jorge Henrique Backes Relator Fl. 125DF CARF MF
score : 1.0
Numero do processo: 12196.000883/2007-71
Turma: Primeira Turma Ordinária da Segunda Câmara da Segunda Seção
Câmara: Segunda Câmara
Seção: Segunda Seção de Julgamento
Data da sessão: Thu Jun 07 00:00:00 UTC 2018
Data da publicação: Tue Jul 24 00:00:00 UTC 2018
Ementa: Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias
Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006
PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA PATRONAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS.
É uma obrigação principal da empresa fazer o recolhimento e apurar as contribuições previdenciárias juntamente com todos os benefícios incluindo o acidente de trabalho e demais fundos, inclusive terceiros, onde tem apreciação em folha de pagamento de seus segurados empregados, bem como as contribuições incidentes sobre o pró-labore dos administradores na qualidade de contribuintes individuais.
Numero da decisão: 2201-004.570
Decisão: Vistos, relatados e discutidos os presentes autos.
Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário.
(assinado digitalmente)
Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente.
(assinado digitalmente)
Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator.
Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
Nome do relator: RODRIGO MONTEIRO LOUREIRO AMORIM
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ementa_s : Assunto: Contribuições Sociais Previdenciárias Ano-calendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA PATRONAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. É uma obrigação principal da empresa fazer o recolhimento e apurar as contribuições previdenciárias juntamente com todos os benefícios incluindo o acidente de trabalho e demais fundos, inclusive terceiros, onde tem apreciação em folha de pagamento de seus segurados empregados, bem como as contribuições incidentes sobre o pró-labore dos administradores na qualidade de contribuintes individuais.
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decisao_txt : Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo - Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim - Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente).
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Recorrida FAZENDA NACIONAL ASSUNTO: CONTRIBUIÇÕES SOCIAIS PREVIDENCIÁRIAS Anocalendário: 2001, 2002, 2003, 2004, 2005, 2006 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA PATRONAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. É uma obrigação principal da empresa fazer o recolhimento e apurar as contribuições previdenciárias juntamente com todos os benefícios incluindo o acidente de trabalho e demais fundos, inclusive terceiros, onde tem apreciação em folha de pagamento de seus segurados empregados, bem como as contribuições incidentes sobre o prólabore dos administradores na qualidade de contribuintes individuais. Vistos, relatados e discutidos os presentes autos. Acordam os membros do colegiado, por unanimidade de votos, em negar provimento ao recurso voluntário. (assinado digitalmente) Carlos Alberto do Amaral Azeredo Presidente. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator. Participaram da sessão de julgamento os conselheiros: Dione Jesabel Wasilewski, Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim, Douglas Kakazu Kushiyama, Daniel Melo Mendes Bezerra, Marcelo Milton da Silva Risso, Carlos Alberto do Amaral Azeredo (Presidente). AC ÓR DÃ O GE RA DO N O PG D- CA RF P RO CE SS O 12 19 6. 00 08 83 /2 00 7- 71 Fl. 188DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 189 2 Relatório Cuidase de recurso voluntário de fls. 153/173, interposto contra decisão da Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS, de fls. 131/135, a qual julgou procedente lançamento de contribuições previdenciárias devidas pela empresa (cota patronal, SAT e terceiros) incidente sobre valores pagos aos empregados, contribuintes individuais e aos administradores a título de prólabore, conforme o auto de infração DEBCAB nº 35.919.8155 de fls. 03/69, lavrado em 04/09/2006, relativo aos períodos de 10/2001 a 03/2006, com ciência do RECORRENTE em 12/09/2006, conforme assinatura no auto de infração (fls.03). O crédito tributário objeto do presente processo administrativo foi apurado no valor de R$ 1.005.248,02 (um milhão, cinco mil e duzentos e quarenta e oito reais e dois centavos), já incluídos os juros e a multa. Conforme o Relatório Fiscal nº 35.919.8155 de fls. 76/78: A Ação Fiscal apurou os créditos à previdência social nos respectivos tipos de levantamento, a saber: Levantamento FP Folha de Pagamento (Valor declarado em GFIP); e Levantamento FP1 Folha de Pagamento (Valor não declarado em GFIP); Apurouse o débito, com base nas remunerações registradas nas Folhas de Pagamentos e RAIS conforme relacionados no Relatório de Lançamentos, com as seguintes alíquotas aplicadas sobre as remunerações: • Empresa: 20 % • SAT: 3% • Terceiros: 5,8% Da Impugnação A RECORRENTE apresentou sua Impugnação de fls. 111/122 em 27/9/2006. Ante a clareza e precisão didática do resumo da Impugnação elaborada pela Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS, adotase, ipsis litteris, tal trecho para compor parte do presente relatório: “5. Inconformada, a empresa apresentou defesa tempestiva, protocolada em 27/09/2006 às folhas 109 a 120, na qual, em síntese, alega que o Auto de Infração encontrase maculado por inúmeros vícios e irregularidades em especial sustenta ausência de motivação do ato administrativo. “6. Pleiteia direito de recorrer sem perder os abatimentos legais, e acrescenta que a multa é excessiva e desarrazoada. Fl. 189DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 190 3 7 Prossegue o impugnante reiterando a alegação de que não teria sido motivada a aplicação da multa, e ainda que não tinha conhecimento de que estava em atraso. Nesse diapasão afirma que o auto é nulo. 8. Retomando a tese de que a multa é excessiva e de caráter confiscatório, aduz que o fiscal do trabalho não tem competência para delimitar se a pessoa que está na empresa é empregado ou não, e que isto seria função do Poder Judiciário, sendo assim para o enquadramento da multa a empresa não tem 113 empregados mas uma quadro abaixo de 100. 9. Finaliza com pedido de anulação do Auto de Infração, alternativamente redução da penalidade. Pede também prazo de 15 dias para juntar instrumento de substabelecimento. 10. É o relatório.” Da Decisão da Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS Quando da apreciação do caso, a Delegacia da Receita Previdenciária em Campo Grande/MS julgou procedente a autuação, conforme ementa abaixo (fls. 131/135): Assunto: OBRIGAÇÃO PRINCIPAL Anocalendário: 10/2001 a 03/2006 PREVIDENCIÁRIO. NOTIFICAÇÃO FISCAL DE LANÇAMENTO DE DÉBITO. OBRIGAÇÃO PRINCIPAL. COTA PATRONAL. ACRÉSCIMOS LEGAIS. É uma obrigação principal da empresa fazer o recolhimento e apurar as contribuições previdenciárias juntamente com todos os benefícios incluindo o acidente de trabalho e demais fundos, inclusive terceiros, onde tem apreciação em folha de pagamento de seus segurados empregados, bem como as contribuições incidentes sobre o prólabore dos administradores na qualidade de contribuintes individuais. No mérito, decide que a alegação da falta de motivação do lançamento do crédito não tem argumentação plausível, bem como a alegação do não conhecimento do débito. Uma vez efetivamente constatado a ocorrência dos fatos geradores não incluídos em GFIP, é dever da fiscalização constituir o crédito objeto da NFLD, portanto, plenamente motivado o ato. Desta forma, o julgador entendeu que o ato de lançamento foi revestido de todas as formalidades legais, e considerando que o RECORRENTE não apresentou nenhum objeto capaz de infirmar o lançamento, o mesmo preenche todos os requisitos de liquidez e certeza, de forma que o lançamento é totalmente procedente. Do Recurso Voluntário O RECORRENTE, devidamente intimado da decisão da DRJ em 30/3/2007, conforme aviso de fls. 148, apresentou o recurso voluntário de fls. 153/173 em 2/5/2007. Fl. 190DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 191 4 Em suas razões, reiterou os argumentos da Impugnação. Estes recursos compuseram lote sorteado para este relator em Sessão Pública. É o relatório. Voto Conselheiro Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim Relator O recurso voluntário é tempestivo e atende aos demais requisitos legais, razões por que dele conheço. PRELIMINARES 1. Depósito Recursal Preliminarmente, merece prosperar a alegação do contribuinte acerca da desnecessidade de depósito recursal prévio como critério de admissibilidade do recurso voluntário. O Superior Tribunal Federal já consolidou seu entendimento sobre a matéria, in verbis: “Súmula Vinculante 21 É inconstitucional a exigência de depósito ou arrolamento prévios de dinheiro ou bens para admissibilidade de recurso administrativo.” Desta forma, plenamente admissível o presente recurso voluntário. 2. Nulidade por falta de motivação A RECORRENTE alega que houve falta de motivação da autoridade fiscalizadora para lançar a presente NFLD, uma vez que não foram expostos os fatores que concorreram e que foram determinantes para a constituição do crédito tributário. Neste sentido, a despeito de o Relatório Fiscal de fls. 76/78 ser bastante simplório na exposição dos motivos que ensejaram o lançamento do crédito, a autoridade fiscal indica que o crédito foi apurado com base nas Folhas de Pagamentos e Relação Anual de Informação SocialRAIS do período. No presente processo foram utilizadas como base para a apuração do crédito tributário valores declarados em GFIP (Levantamento FP) e valores não declarados em GFIP (Levantamento FP1). Fl. 191DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 192 5 Para que a contribuinte verificasse sobre quais bases e rubricas incidiram o crédito tributário apurado, bastaria examinar o Relatório de Lançamentos de fls. 37/49, que é parte integrante do lançamento fiscal. Tal documento indica, por competência e por Levantamento, a base de cálculo utilizada pela autoridade fiscal no cálculo do crédito da contribuição devida, assim como a observação de onde retirou a base de cálculo (se da própria GFIP, da Folha de Pagamentos, da RAIS, de documento acerca de prólabore, honorários pagos, etc.). O mesmo Relatório indica também onde foi apropriada a referida base de cálculo (remuneração de empregados/avulsos ou pagamentos a Contribuinte Individual/Administrador), de modo que a RECORRENTE tinha plena possibilidade de constatar quais valores foram objeto do lançamento. Importante mencionar também o fato de a fiscalização ter se baseado em documentos elaborados pela própria RECORRENTE e não por terceiros, o que poderia ensejar eventual cerceamento do direito de defesa. Deste modo, a RECORRENTE tinha pleno acesso aos documentos utilizados pela autoridade fiscal. Sobre o tema envolvendo a nulidade de lançamento, cito o art. 59 do Decreto nº 70.235/72: “Art. 59. São nulos: I os atos e termos lavrados por pessoa incompetente; II os despachos e decisões proferidos por autoridade incompetente ou com preterição do direito de defesa.” Verifico que não houve ato lavrado por pessoa incompetente, nem qualquer outro ato que ensejasse a preterição do direito de defesa do contribuinte, já que a Notificação de Lançamento indica, discriminadamente por competência, quais valores compõem a base de cálculo das contribuições lançadas, assim como o documento de onde a autoridade fiscal obteve tal valor. Com todas essas informações era plenamente possível à RECORRENTE contestar o crédito tributário, não implicando o cerceamento de sua defesa. Assim, não merece prosperar o argumento de ausência de motivação da NFLD. Ora, tratase de lançamento por ausência de recolhimento dos valores não declarados em GFIP. Durante o procedimento fiscalizatório o contribuinte teve oportunidade de contestar os valores utilizados pela autoridade fiscal (sobretudo os constantes em folha de pagamento, já que estes são documentos produzidos pela própria contribuinte) para apuração do crédito devido. Portanto, não há que se falar em qualquer ausência de motivação no lançamento. Neste sentido, deve ser afastado o pleito de nulidade do processo. Este foi seu único argumento da RECORRENTE para contestar o débito principal, uma vez que alegou em seguida o caráter confiscatório da multa. Fl. 192DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 193 6 MÉRITO No presente caso, a RECORRENTE em momento algum contesta a situação fática de ter deixado de incluir em GFIP parcela da remuneração paga aos empregados, contribuintes individuais e sócios, culminando em recolhimento a menor das contribuições previdenciárias não declaradas. Portanto, ante a ausência de manifestação do contribuinte quanto a este ponto, tal quesito não será objeto de análise. Multas de mora aplicada em caráter confiscatório A RECORRENTE argumenta que a aplicação da multa de mora estaria ferindo o princípio do nãoconfisco, motivo pelo qual deveria ser anulada, ou então reduzida. Entendo que também são insubsistentes as alegações do RECORRENTE. O lançamento ora em análise diz respeito ao não recolhimento das contribuições previdenciárias devidas, que originou a constituição do crédito tributário. Assim, devese esclarecer que a multa de mora decorre de previsão legal, conforme disciplina o art. 35, I, II e III da Lei nº 8.212/91: Art. 35. Sobre as contribuições sociais em atraso, arrecadadas pelo INSS, incidirá multa de mora, que não poderá ser relevada, nos seguintes termos: I para pagamento, após o vencimento de obrigação não incluída em notificação fiscal de lançamento: a) oito por cento, dentro do mês de vencimento da obrigação; b) quatorze por cento, no mês seguinte; c) vinte por cento, a partir do segundo mês seguinte ao do vencimento da obrigação; II para pagamento de créditos incluídos em notificação fiscal de lançamento: a) vinte e quatro por cento, em até quinze dias do recebimento da notificação; b) trinta por cento, após o décimo quinto dia do recebimento da notificação; c) quarenta por cento, após apresentação de recurso desde que antecedido de defesa, sendo ambos tempestivos, até quinze dias da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS; d) cinqüenta por cento, após o décimo quinto dia da ciência da decisão do Conselho de Recursos da Previdência Social CRPS, enquanto não inscrito em Dívida Ativa; Fl. 193DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 194 7 III para pagamento do crédito inscrito em Dívida Ativa: a) sessenta por cento, quando não tenha sido objeto de parcelamento; b) setenta por cento, se houve parcelamento; c) oitenta por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito não foi objeto de parcelamento d) cem por cento, após o ajuizamento da execução fiscal, mesmo que o devedor ainda não tenha sido citado, se o crédito foi objeto de parcelamento. Neste sentido, o art. 142 do CTN prevê que a autoridade lançadora tem o dever de lavrar a referida multa de mora, sob pena de responsabilidade funcional, visto que a atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, in verbis: “Art. 142. Compete privativamente à autoridade administrativa constituir o crédito tributário pelo lançamento, assim entendido o procedimento administrativo tendente a verificar a ocorrência do fato gerador da obrigação correspondente, determinar a matéria tributável, calcular o montante do tributo devido, identificar o sujeito passivo e, sendo caso, propor a aplicação da penalidade cabível. Parágrafo único. A atividade administrativa de lançamento é vinculada e obrigatória, sob pena de responsabilidade funcional.” Assim, no momento em que o auditor realiza de ofício o lançamento, sobre a contribuição deve incidir a multa em comento, por estrita determinação legal, Quanto às alegações de inconstitucionalidade levantadas pelo RECORRENTE, sobre a aplicação de multa com suposto efeito de confisco, devese esclarecer que, de acordo com o disposto na Súmula nº 02 deste órgão julgador, esta é matéria estranha à sua competência: “SÚMULA CARF Nº 02 O CARF não é competente para se pronunciar sobre a inconstitucionalidade de lei tributária.” Conforme já exposto, a aplicação da multa é dever da autoridade fiscal, que tem a obrigação de aplicala sob pena de responsabilidade funcional. Não é, portanto, penalidade aplicada ao livre arbítrio pelo auditor fiscal a ensejar a discussão acerca de seu efeito confiscatório. A análise de tal matéria é de competência do STF, que é o competente pela guarda da Constituição da República, nos termos do art. 102 da Carta Magna. Portanto, não há razão para afastar a aplicação da multa de mora. Fl. 194DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 195 8 Retroatividade Benigna Importante observar que o inciso II do art. 35 da Lei nº 8.212/91 foi revogado pela lei nº 11.941/2009. Assim, a multa de mora passou a ser regida pelo caput do art. 35 da lei nº 8.212/1991, o qual remete para o art. 61 da Lei nº 9.430/96, que somente trata de hipótese de pagamento das contribuições em atraso, porém sem o lançamento de ofício: Art. 35. Os débitos com a União decorrentes das contribuições sociais previstas nas alíneas a, b e c do parágrafo único do art. 11 desta Lei, das contribuições instituídas a título de substituição e das contribuições devidas a terceiros, assim entendidas outras entidades e fundos, não pagos nos prazos previstos em legislação, serão acrescidos de multa de mora e juros de mora, nos termos do art. 61 da Lei nº 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Para os casos de lançamento de ofício, a multa aplicada passou a ser aquela prevista no art. 44 da Lei nº 9.430/96, no percentual de 75%, conforme disciplina o art. 35A da Lei nº 8.212/91: Art. 35A. Nos casos de lançamento de ofício relativos às contribuições referidas no art. 35 desta Lei, aplicase o disposto no art. 44 da Lei no 9.430, de 27 de dezembro de 1996. Nos termos do art. 106 do CTN, se aplica a retroação benéfica das leis nos seguintes casos: Art. 106. A lei aplicase a ato ou fato pretérito: I em qualquer caso, quando seja expressamente interpretativa, excluída a aplicação de penalidade à infração dos dispositivos interpretados; II tratandose de ato não definitivamente julgado: a) quando deixe de definilo como infração; b) quando deixe de tratálo como contrário a qualquer exigência de ação ou omissão, desde que não tenha sido fraudulento e não tenha implicado em falta de pagamento de tributo; c) quando lhe comine penalidade menos severa que a prevista na lei vigente ao tempo da sua prática. Porém, a despeito de ter avido alteração da penalidade, importante mencionar que, antes da Lei nº 11.941/2009, eram aplicadas ao contribuinte a multa de mora do art. 35 da Lei nº 8.212/91 (objeto do presente processo) mais a multa pela não inclusão em GFIP de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, nos termos do art. 32, §5º, da mesma Lei nº 8.212/91 (também revogada pela Lei nº 11.941/2009). Esta última multa não é objeto do presente processo, mas, provavelmente, é objeto de outra NFLD oriunda da mesma fiscalização que originou o presente lançamento. É válido mencionar tal fato pois, a fim de deixar claro ao contribuinte que a verificação da retroatividade benigna enseja a comparação das seguintes penalidades: Fl. 195DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 196 9 a nova multa de 75% sobre o valor do principal devido; a multa de mora do antigo art. 35 da Lei nº 8.212/91 + a multa pela não inclusão em GFIP de todos os fatos geradores das contribuições previdenciárias, conforme antiga redação do art. 32, §5º, da Lei nº 8.212/91. O menor valor de penalidade dentre as duas hipóteses acima citadas é o que deve prevalecer para ser cobrado do contribuinte. Neste sentido, em razão da possível retroatividade benigna em decorrência das alterações promovidas pela Lei nº 11.941/2009, entendo que deve haver a comparação de qual a penalidade mais benéfica ao RECORRENTE: a anterior ou a posterior à Lei nº 11.941/2009, devendo sempre ser observada a exigência da obrigação principal. Portanto, a unidade preparadora deve efetuar a comparação conforme determina o art. 476A da Instrução Normativa RFB nº 971/2009: Art. 476A. No caso de lançamento de oficio relativo a fatos geradores ocorridos: I até 30 de novembro de 2008, deverá ser aplicada a penalidade mais benéfica conforme disposto na alínea "c" do inciso II do art. 106 da Lei nº 5.172, de 1966 (CTN), cuja análise será realizada pela comparação entre os seguintes valores: a) somatório das multas aplicadas por descumprimento de obrigação principal, nos moldes do art. 35 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009, e das aplicadas pelo descumprimento de obrigações acessórias, nos moldes dos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à Lei nº 11.941, de 2009; e b) multa aplicada de ofício nos termos do art. 35A da Lei nº 8.212, de 1991, acrescido pela Lei nº 11.941, de 2009. (...) §1º Caso as multas previstas nos §§ 4º, 5º e 6º do art. 32 da Lei nº 8.212, de 1991, em sua redação anterior à dada pela Lei nº 11.941, de 2009, tenham sido aplicadas isoladamente, sem a imposição de penalidade pecuniária pelo descumprimento de obrigação principal, deverão ser comparadas com as penalidades previstas no art. 32A da Lei nº 8.212, de 1991, com a redação dada pela Lei nº 11.941, de 2009. § 2º Para definição do multiplicador a que se refere a alínea "a" do inciso I, e de apuração do limite previsto nas alíneas "b" e "c" do inciso I do caput, serão considerados, por competência, todos os segurados a serviço da empresa, ou seja, todos os empregados, trabalhadores avulsos e contribuintes individuais verificados em procedimento fiscal, declarados ou não em GFIP. CONCLUSÃO Fl. 196DF CARF MF Processo nº 12196.000883/200771 Acórdão n.º 2201004.570 S2C2T1 Fl. 197 10 Em razão do exposto, voto por NEGAR PROVIMENTO ao recurso voluntário, conforme razoes acima apresentadas. (assinado digitalmente) Rodrigo Monteiro Loureiro Amorim – Relator Fl. 197DF CARF MF
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